Manual de MATERIAIS DENTÁRIOS

Profª Drª Fernanda Panzeri Pires de Souza

ÍNDICE

1 1.1 1.2 1.3

INTRODUÇÃO À CIÊNCIA DOS MATERIAIS

10 11 11 12 12 13 13 13 14 14 16 17 17 17 17 18 19 19 27 28 29 30 32 35 36 36 38 38 39 39 40 40 40 41 41

INTRODUÇÃO DEFINIÇÃO DE MATERIAIS A CIÊNCIA DOS MATERIAIS DENTÁRIOS 1.3.1 HISTÓRICO DOS MATERIAIS DENTÁRIOS 1.4 OS MATERIAIS DENTÁRIOS SÃO SEGUROS? 1.4.1 BIOMECÂNICA 1.4.2 REGULAMENTOS E PADRÕES DOS MATERIAIS DENTÁRIOS 1.5 RELAÇÃO COM AS DEMAIS DISCIPLINAS DA ODONTOLOGIA 1.6 MATERIAIS DENTÁRIOS NA ATUALIDADE 2 2.1 2.2 2.3 2.4 PROPRIEDADES MECÂNICAS DOS MATERIAIS DENTÁRIOS INTRODUÇÃO ESTRUTURA DA MATÉRIA PROPRIEDADES DOS MATERIAIS ODONTOLÓGICOS PROPRIEDADES MECÂNICAS: 2.4.1 TENSÃO E DEFORMAÇÃO: Tipos de tesões e deformações Relações entre tensão e deformação PROPRIEDADES FÍSICAS DOS MATERIAIS DENTÁRIOS

3

3.1 REOLOGIA 3.1.1 ELASTICIDADE E VISCOELASTICIDADE: 3.2 COR 3.3 PROPRIEDADES TÉRMICAS 4 PROPRIEDADES BIOLÓGICAS DOS MATERIAIS DENTÁRIOS

4.1 INTRODUÇÃO 4.2 OS DENTES 4.2.1 O ESMALTE 4.2.2 A DENTINA 4.2.3 A POLPA 4.3 CAUSAS DE REAÇÕES PULPARES 4.3.1 MICROINFILTRAÇÃO 4.3.2 ALTERAÇÕES TÉRMICAS 4.3.3 GALVANISMO 4.4 INFLUÊNCIA DA IDADE DO PACIENTE NA RESPOSTA PULPAR: 4.5 TOXIDIDADE DO MERCÚRIO

5 5.1 5.2 5.3 5.4 5.5

GESSOS ODONTOLÓGICOS

43 44 44 45 46 46 47 48 49 50 50 52 53 58 59 59 59 61 62 62 62 63 64 65 66 66 67 68 72 73 73 73 74 74 76 76 77 78 78

INTRODUÇÃO OBTENÇÃO DO GESSO REAÇÃO DE PRESA MANIPULAÇÃO TEMPO DE PRESA 5.5.1 CONTROLE DO TEMPO DE PRESA 5.6 RELAÇÃO ÁGUA/PÓ 5.7 EXPANSÃO DE PRESA 5.7.1 CONTROLE DA EXPANSÃO DE PRESA 5.8 EXPANSÃO HIGROSCÓPICA DE PRESA 5.9 TIPOS DE GESSO 5.10 CONSIDERAÇÕES SOBRE O CONTROLE DE INFECÇÕES 6 INTRODUÇÃO AOS MATERIAIS DE MOLDAGEM

6.1 INTRODUÇÃO 6.2 REQUISITOS DOS MATERIAIS DE MOLDAGEM 6.3 CLASSIFICAÇÃO DOS MATERIAIS DE MOLDAGEM 7 HIDROCOLÓIDES

7.1 COLÓIDES 7.2 OS HIDROCOLÓIDES 7.2.1 COMPOSIÇÃO E REAÇÃO DE GELEIFICAÇÃO DO ALGINATO 7.2.2 ESTRUTURA DO GEL 7.2.3 CONTROLE DO TEMPO DE GELEIFICAÇÃO 7.2.4 MANIPULAÇÃO 7.2.5 PROPRIEDADES Resistência Reprodução de detalhes Estabilidade Dimensional 8 ELASTÔMEROS

8.1 INTRODUÇÃO 8.2 POLISSULFETO 8.2.1 COMPOSIÇÃO 8.2.2 REAÇÃO DE PRESA 8.2.3 MANIPULAÇÃO 8.2.4 PROPRIEDADES Tempo de presa Elasticidade Reologia Estabilidade dimensional

8.2.5 APLICAÇÕES 8.3 SILICONAS POR CONDENSAÇÃO 8.3.1 COMPOSIÇÃO 8.4 REAÇÃO DE PRESA 8.4.1 MANIPULAÇÃO 8.4.2 PROPRIEDADES Tempo de presa Elasticidade Reologia Estabilidade dimensional 8.4.3 APLICAÇÕES 8.5 SILICONAS POR ADIÇÃO 8.5.1 COMPOSIÇÃO 8.5.2 REAÇÃO DE PRESA 8.5.3 MANIPULAÇÃO 8.5.4 PROPRIEDADES Tempo de presa Elasticidade Reologia Estabilidade dimensional 8.5.5 APLICAÇÕES 8.6 POLIÉTER 8.6.1 COMPOSIÇÃO 8.6.2 REAÇÃO DE PRESA 8.6.3 MANIPULAÇÃO 8.6.4 PROPRIEDADES Tempo de presa Elasticidade Estabilidade dimensional 8.6.5 APLICAÇÕES 8.7 CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE ELASTÔMEROS 8.7.1 CONSIDERAÇÕES TÉCNICAS 9 MATERIAIS DE MOLDAGEM ANELÁSTICOS

78 79 80 80 80 81 81 81 81 81 82 82 82 82 82 83 83 83 84 84 84 84 84 84 85 85 85 85 85 86 86 86 91 92 92 92 93 93 94 94 94 94 95 96 96

9.1 INTRODUÇÃO 9.2 GODIVAS 9.2.1 COMPOSIÇÃO 9.2.2 TEMPERATURA DE FUSÃO 9.2.3 PROPRIEDADES TÉRMICAS 9.2.4 ESCOAMENTO 9.2.5 DISTORÇÃO 9.2.6 PLASTIFICAÇÃO 9.2.7 REQUISITOS PARA UMA GODIVA 9.3 PASTA DE ÓXIDO DE ZINCO E EUGENOL 9.3.1 COMPOSIÇÃO 9.3.2 QUÍMICA

5 9.5 RETENÇÃO 10.3.5.4 9.1 USO E CLASSIFICAÇÃO DOS CIMENTOS ODONTOLÓGICOS 10.4.1 COMPOSIÇÃO E PRESA 10.4 PROPRIEDADES Adesividade Liberação de Flúor 10.4.3.4 MANIPULAÇÃO 10.4.2.2.4.2.3.4 CIMENTOS DE IONÔMERO DE VIDRO 10.1 COMPOSIÇÃO E PRESA 10.5.2 TEMPO DE TRABALHO E DE PRESA Fatores que interferem no tempo de presa 10.3.3 9.7 APRESENTAÇÃO COMERCIAL 10.5.5.4.2.3.6 MANIPULAÇÃO 10.3.3.4.3 COMPOSIÇÃO E PRESA Ionômeros de vidro convencionais Ionômeros de vidro modificados por metais Ionômeros de vidro modificados por resinas 10.7 VANTAGENS E DESVANTAGENS 10.5 CIMENTOS DE HIDRÓXIDO DE CÁLCIO 10.2.7 TEMPO DE PRESA Controle do Tempo de Presa CONSISTÊNCIA E ESCOAMENTO RIGIDEZ E RESISTÊNCIA ESTABILIDADE DIMENSIONAL TÉCNICA DE ESPATULAÇÃO Considerações Gerais 96 97 97 98 98 98 99 102 103 104 105 106 106 106 107 107 108 108 110 110 111 111 111 112 112 112 112 112 113 113 113 114 114 115 115 115 116 116 116 117 117 118 118 119 119 10 CIMENTOS ODONTOLÓGICOS 10.1.3.3 EFEITO BIOLÓGICO 10.1 INTRODUÇÃO 10.4 PROPRIEDADES .3.1 APLICAÇÕES 10.5 EFEITOS BIOLÓGICOS 10.1 APLICAÇÕES 10.9.3 PROPRIEDADES 10.3.4.8 APLICAÇÕES 10.6 9.2 FORMAS DE APRESENTAÇÃO 10.3 CIMENTOS DE ÓXIDO DE ZINCO E EUGENOL 10.3 MANIPULAÇÃO DO SISTEMA PASTA/PASTA 10.2.2 PROPRIEDADES 10.4.2.2 CLASSIFICAÇÃO 10.6 MANIPULAÇÃO 10.4 PROPRIEDADES BIOLÓGICAS 10.2 CIMENTO DE FOSFATO DE ZINCO 10.8 VANTAGENS E DESVANTAGENS 10.2.5 VANTAGENS E DESVANTAGENS 10.

4 CARACTERÍSTICAS DE MANIPULAÇÃO: 11.5 EFEITOS BIOLÓGICOS 10.2.8.6 VANTAGENS E DESVANTAGENS 10.2.7.1 CONTRAÇÃO DE POLIMERIZAÇÃO 11.4 RESISTÊNCIA 11.1 INTRODUÇÃO 11.1 RESINAS ACRÍLICAS 11.3 PROPRIEDADES ESTÉTICAS: 11.3 PROPORÇÃO POLÍMERO:MONÔMERO 11.2.2 REQUISITOS PARA UMA RESINA ODONTOLÓGICA 11.3 ESTRUTURA DAS RESINAS 11.1 INDICAÇÃO 11.9 MATERIAIS A BASE DE RESINA ACRÍLICA .1 INDICAÇÕES 11.7 INDICAÇÃO DOS CIMENTOS 11 RESINAS ACRÍLICAS 119 120 120 120 126 127 127 127 127 128 128 128 128 128 129 129 130 130 130 130 131 131 131 131 131 131 132 132 132 132 132 132 133 137 137 137 138 138 138 138 139 139 140 11.4.8.5 CONSIDERAÇÕES ECONÔMICAS: 11.7 RESINA ACRÍLICA QUIMICAMENTE ATIVADA 11.2 COMPOSIÇÃO 11.10.4 POLIMERIZAÇÃO 11.6.5.4 POLIMERIZAÇÃO 11.6.2.1 ESTÁGIOS NA POLIMERIZAÇÃO POR ADIÇÃO Indução: Propagação: Terminação: Transferência de cadeia: 11.2 FASES DE POLIMERIZAÇÃO Fase Arenosa Fase Fibrilar Fase Plástica Fase Borrachóide Fase Densa 11.6 SOLUBILIDADE E DESINTEGRAÇÃO DOS CIMENTOS ODONTOLÓGICOS 10.2 POROSIDADE 11.8.5.1 CONSIDERAÇÕES BIOLÓGICAS: 11.8.5.5 ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE RESINAS ACRÍLICAS TERMICAMENTE ATIVADAS E RESINAS ACRÍLICAS QUIMICAMENTE ATIVADAS 11.2 COMPOSIÇÃO 11.8.3 ABSORÇÃO DE ÁGUA 11.7.6.6.8 PROPRIEDADES DAS RESINAS ACRÍLICAS 11.2.6 RESINAS ACRÍLICAS TERMICAMENTE ATIVADAS 11.5.2 INIBIÇÃO DA POLIMERIZAÇÃO: 11.2 PROPRIEDADES FÍSICAS: 11.4.5 TIPOS DE RESINAS ODONTOLÓGICAS: 11.

2 PARTÍCULAS DE CARGA 12.1 11.9.1 INTRODUÇÃO 12.7.5 PROPRIEDADES 12.4.3.6.6.1 INTRODUÇÃO 12.5 APLICAÇÃO DO PRIMER 12.4 SELANTES DE FÓSSULAS E FISSURAS 12.6.6.4 12 RESINA DE REEMBASAMENTO DE PRÓTESES CONDICIONADORES DE TECIDO DENTES DE RESINA MATERIAIS PARA PRÓTESES BUCO-MAXILOFACIAIS 140 140 140 141 144 145 145 146 146 146 147 147 148 148 149 150 152 152 152 153 154 154 156 156 156 156 157 158 158 159 159 160 160 160 164 165 165 166 166 167 167 167 RESINAS RESTAURADORAS 12.5 CIMENTOS RESINOSOS 12.3.2.2 COMPOSIÇÃO 12.7.9.1 MATRIZ 12.6.3.4 MECANISMO DE POLIMERIZAÇÃO 12.4 AMÁLGAMA DENTAL INTRODUÇÃO HISTÓRICO TIPOS DE LIGAS COMPOSIÇÃO 13.3 FORMAÇÃO DA CAMADA HÍBRIDA 12.3 11.2 13.5.1 13.2 PROPRIEDADES DA DENTINA Permeabilidade dentinária 12.2 RESINAS COMPOSTAS DE MICROPARTÍCULAS 12.1 RESINAS COMPOSTAS DE MACROPARTÍCULAS 12.11.2 COMPÔMEROS E IONÔMEROS MODIFICADOS 12.6 APLICAÇÃO DO AGENTE DE UNIÃO 12.9.7.2 11.3 CLASSIFICAÇÃO DAS RESINAS COMPOSTAS 12.6.2.3 AGENTES DE UNIÃO 12.1 BIOCOMPATIBILIDADE DOS COMPÓSITOS 12.3 13.3 NÚCLEO DE PREENCHIMENTO 12.7.7 MATERIAIS À BASE DE RESINA COMPOSTA 12.7.1 LIGAS CONVENCIONAIS Características e função dos componentes: Reação .9.7.6 SISTEMA DE ADESÃO 12.4 CONDICIONAMENTO ÁCIDO Condicionamento ácido do esmalte Condicionamento ácido da dentina 12.3 RESINAS COMPOSTAS HÍBRIDAS 12.1 RESINAS COMPACTÁVEIS 12.2.6 RESINAS “INTELIGENTES” 13 13.

1 CAUSAS DE INSUCESSOS 13.6 ANÉIS DE FUNDIÇÃO 14.9 ALTERAÇÕES DIMENSIONAIS 13.3 EFEITOS DO FORMATO DAS PARTÍCULAS: 13.5 RELAÇÃO MERCÚRIO/LIGA 13.13.5 EFEITOS DA CONDENSAÇÃO: 13.7 METAIS E LIGAS METÁLICAS PARA FUNDIÇÃO 14.16 INDICAÇÕES 13.4 MANIPULAÇÃO DA CERA PARA FUNDIÇÃO 14.9.1 COMPOSIÇÃO 14.17 REPARO DE RESTAURAÇÕES DE AMÁLGAMA 14 PROCESSO DE FUNDIÇÃO 168 168 170 171 172 173 175 175 176 176 176 176 176 176 177 177 178 178 178 179 179 179 180 183 184 185 185 186 186 187 187 189 190 190 192 192 192 193 194 194 194 194 195 195 197 14.6 EFEITO DA CONTAMINAÇÃO POR UMIDADE: 13.1 COMPOSIÇÃO 14.9.14 VANTAGENS 13.1 SISTEMA DE FUNDIÇÃO SEM ANEL 14.9.9.9.13.4 CONDUTO DE ALIMENTAÇÃO 14.1 TEMPO DE TRITURAÇÃO 13.1 TEMPERATURA DE FUSÃO .1 INTRODUÇÃO 14.5.4 EFEITOS DO TEMPO DE TRITURAÇÃO: 13.3 DISTORÇÃO DA CERA 14.1 EFEITOS DA PROPORÇÃO LIGA/MERCÚRIO: 13.6.10 RESISTÊNCIA 13.7.2 EFEITOS DO TAMANHO DAS PARTÍCULAS: 13.11 CORROSÃO 13.4.3.6.15 DESVANTAGENS 13.3.5 REVESTIMENTOS ODONTOLÓGICOS 14.3.9.3.2 EXPANSÃO DO REVESTIMENTO Expansão normal de presa Expansão higroscópica de presa Expansão térmica do revestimento PROPRIEDADES DOS REVESTIMENTOS Resistência Porosidade 14.12 DESEMPENHO CLÍNICO DAS RESTAURAÇÕES DE AMÁLGAMA 13.6 TRITURAÇÃO 13.5.3 CERAS PARA FUNDIÇÃO ODONTOLÓGICA 14.2 LIGAS COM ALTO CONTEÚDO DE COBRE Reação 13.13 TIPOS DE FALHAS 13.7 CONDENSAÇÃO 13.2 PROPRIEDADES TÉRMICAS 14.2 DESCRIÇÃO RESUMIDA DO PROCESSO DE FUNDIÇÃO 14.8 ACABAMENTO E POLIMENTO 13.

4 COMPOSIÇÃO 15.4.8 PROCESSOS DE FUNDIÇÃO 14.2 MECANISMO DE SOLIDIFICAÇÃO E ESTRUTURA CRISTALINA 14.7.9.8.7.7.7.2 MÁQUINA DE FUNDIÇÃO 14.4 FUNDIÇÃO INCOMPLETA 15 CERÂMICAS ODONTOLÓGICAS 198 200 201 202 202 202 203 203 203 204 204 205 205 205 206 206 206 207 207 207 207 207 208 208 208 213 15.5 CARACTERÍSTICAS 216 15.4.9 CAUSAS DE FALHAS NAS FUNDIÇÕES 14.10.10 ESTABILIDADE QUÍMICA 223 15.4 LIGAS DE METAIS BÁSICOS Ligas para metalocerâmica Ligas para prótese parcial removível 14.6 FATORES QUE INFLUENCIAM A COR 217 15.9.4. IRREGULARIDADES E DESCOLORAÇÃO DA SUPERFÍCIE Bolhas de ar Película de água Aquecimento muito rápido Baixo aquecimento Relação água/pó Aquecimento prolongado Temperatura da liga Pressão de fundição Composição do revestimento Corpos estranhos Impacto da liga fundida 14.9.8.3 OUTRAS ADIÇÕES ÀS PORCELANAS ODONTOLÓGICAS 15.2 MODIFICADORES DO VIDRO 216 216 15.14.1 DESINFECÇÃO DO MOLDE ERRO! INDICADOR NÃO DEFINIDO.7.9.2 RUGOSIDADE.3 CLASSES DE CERÂMICAS ODONTOLÓGICAS PARA PRÓTESES FIXAS 215 215 15.7.4 RESFRIAMENTO 220 15.3 CLASSIFICAÇÃO DAS LIGAS Ligas de ouro 14.1 ELIMINAÇÃO DA CERA E AQUECIMENTO 14.3 GLAZEAMENTO 219 15.1 CONDENSAÇÃO 218 15.2 QUEIMA (OU COCÇÃO) 219 15.7 FABRICAÇÃO DE UMA RESTAURAÇÃO COM PORCELANA FELDSPÁTICA 218 15.8 COROA METALOCERÂMICA 221 15.1 DISTORÇÃO 14.3 POROSIDADE 14.9 SISTEMAS CERÂMICOS 221 15.1 INTRODUÇÃO 214 15.7. .2 HISTÓRICO 214 15.1 FELDSPATO 215 15.

1 Introdução à Ciência dos Materiais .

Uma das diferenças entre um profissional e um comerciante é que o primeiro possui conhecimentos básicos com os quais ele pode selecionar e definir as condições para uma determinada situação. São tradicionalmente classificados em: metálicos. 1. O alcance da história dos materiais tem início Fernanda Panzeri . etc.2 DEFINIÇÃO DE MATERIAIS Os materiais são substâncias geralmente sólidas com propriedades que as tornam utilizáveis em produtos e dispositivos desenvolvidos pelo Homem para preencher suas necessidades físicas. um produto comercial deve ser escolhido. a estrutura sem dúvida irá falhar. prever ou assegurar o sucesso eventual de um projeto racional. os principais desafios têm sido o desenvolvimento e a seleção de materiais capazes de suportar as condições adversas do ecossistema oral. Dessa forma. há séculos. Em outras palavras. ele deve estar preparado para saber se um determinado procedimento odontológico irá requerer uma liga de ouro. deverá fazer o desenho desta prótese. um rebitador será o responsável por juntar as barras de uma ponte. como. Além disto. alívio da dor. poliméricos e conjugados (ou compósitos). sociais. de modo a poder fazer o melhor julgamento possível e uma seleção apropriada. por exemplo. É intenção dos fabricantes fornecer materiais de alta qualidade. Uma vez que o dentista selecionou o tipo de material a ser utilizado. guiado por tais análises. O dentista deve analisar as forças que estarão presentes em uma prótese que ele irá construir e. Este objetivo pode ser alcançado pela prevenção da doença. Ele deve possuir um conhecimento suficiente das propriedades físicas dos diferentes tipos de materiais que utiliza. cerâmicos. melhorando a eficiência mastigatória. um cimento ou uma resina. O dentista e o engenheiro têm muito em comum. porém. Devido ao fato de muitos desses objetivos requererem a reposição ou alteração da estrutura dentária existente. de segurança. mas o engenheiro é o responsável pelo desenho desta ponte. estéticas. Os materiais interagiram historicamente com o homem e com as estruturas intelectuais e sociais. Somente conhecendo as propriedades físicas e químicas de cada um dos materiais estará em condições de fazer tal julgamento. especificamente nos pontos onde os rebites devem ser colocados e onde as barras e armações devam se unir. Se o engenheiro desconhece as propriedades químicas e físicas do aço e outros metais que irão constituir a ponte. distinguindo fato de propaganda.Introdução à Ciência dos Materiais 11 1. cabe a este último selecionar os materiais para a estrutura a ser construída. aprimorando a fonação e melhorando a aparência. o dentista deve ser capaz de avaliar as alegações dos fabricantes de maneira inteligente para sua proteção e de seu paciente. como a competição é grande.1 INTRODUÇÃO O principal objetivo da Odontologia é manter ou melhorar a qualidade de vida do paciente.

C. A odontologia surgiu como especialidade por volta do ano 3000 a. o que envolve a Arte. existe pouco conhecimento histórico da ciência dos materiais dentários e de sua manipulação. pelo cimento. Embora as inscrições em tumbas egípcias indicarem que os “doutores dos dentes” eram considerados como médicos especializados. etc. Incrustações de ouro marteladas e de pedras e minerais também foram colocadas com razões Fernanda Panzeri .Introdução à Ciência dos Materiais 12 com a descoberta da existência de propriedades úteis.) são conhecidos como os primeiros a desenvolverem as próteses parciais. O primeiro a utilizar a folha de ouro para restauração dental foi Johannes Arcelanus. não existem indícios que estes profissionais praticaram a odontologia restauradora. poucos materiais de aplicações generalizadas serviram para quase todos os fins. desde os tempos clássicos até o fim do séc. Entretanto. se beneficiando desta mais do que a prática se beneficiou da aplicação da teoria. Um caso bem conhecido de mudanças sociais forçadas pelos materiais é o uso dos metais em armamentos. Durante os últimos 3 milênios. da Prata. a coloração de dentes com finalidade decorativa ocorreu muito antes. a ciência surgiu com muita freqüência a partir de uma pré-história prática. Coroas de ouro e ferro eram usadas por fenícios (2. Outras mudanças sociais dignas de registro são aquelas provocadas pelo papel.C.3. do Bronze e do Ferro.C. C. Eles foram largamente aceitos por terem funcionado suficientemente bem. da Universidade da Bolonha em 1498.500 a. entre elas a Era do Ouro. Em todo o período. C.3 A CIÊNCIA DOS MATERIAIS DENTÁRIOS A ciência dos materiais dentários envolve o estudo da composição e propriedade dos materiais e a forma que eles interagem com o ambiente no qual são colocados. Na área dos materiais. apesar do fato de a prática odontológica preceder a era cristã. os maias usavam implantes de segmento de conchas do mar que eram colocados nos alvéolos dos dentes anteriores. pelos semicondutores.) e os Etruscos (800 a. pelas tintas. alguns dos quais descobertos bem antes do ano 1000 a. XIX. vem a produção de utensílios em quantidades suficientes para preencher nossas necessidades. 1. e os desafios residiam em barateá-los estendendo seu campo de aplicação. Todos já ouviram alusões sobre as Eras do Homem baseadas nos materiais. 1. pelos plásticos.1 Histórico Dos Materiais Dentários Por estranho que possa parecer. Em ± 600 a. a inovação no campo dos materiais estava na produção e na aplicação. Os documentos mais antigos de implantes dentais são atribuídos aos etruscos no início do ano 700 a. o que requereu a organização industrial e social de diferentes tipos em diferentes épocas. Depois.C.

afirmou: “todas as substâncias são venenosas. pouca informação científica a respeito dos materiais dentários restauradores estava disponível. A dose certa diferencia um veneno de um remédio”. chama-se biomecânica.Introdução à Ciência dos Materiais 13 estéticas ou por tradição ornamental pelos maias e. A partir desse molde seria construído um modelo com gesso. Uma dessas instituições é a ADA (American Dental Association). 1. descreveu um método para moldagem da boca com cera. Em 1792. designado como biomaterial. A odontologia moderna começou em 1728. pela primeira vez. instrumentos e métodos para testes.4. Aplicada aos biomateriais.4. famoso médico e alquimista suíço. Até recentemente. quando começaram os estudos do amálgama dental por Black. Os dois principais efeitos biológicos são as reações alérgicas e as tóxicas.4 OS MATERIAIS DENTÁRIOS SÃO SEGUROS? Nenhum dispositivo odontológico. A segurança é relativa. não existe uma que não seja um veneno.2 Regulamentos e Padrões dos Materiais Dentários Para controlar e fiscalizar a qualidade dos materiais odontológicos colocados no mercado. o “pai da odontologia”. A incrustação de porcelana foi introduzida no início do século XIX. 1. Paracelso. existem instituições governamentais ou não. Por definição. Mais tarde. publicou um tratado descrevendo vários tipos de restaurações dentárias.1 Biomecânica Como o material comporta-se em situações reais é conhecido como mecânica. Quando um material é colocado ou faz contato com o corpo humano é. pelos aztecas. é absolutamente seguro. 1. geralmente. uma divisão do Governo Americano que determina as propriedades físicas e químicas dos materiais dentários e a significância clínica. e a seleção e emprego dos dispositivos ou materiais odontológicos são baseados na pressuposição de que os benefícios superam os riscos biológicos conhecidos. Pfaff. inclusive um método para construção de dentaduras artificiais em marfim. além de regular o desenvolvimento de novos materiais. Chamant patenteou um processo de construção de dentes de porcelana. posteriormente. Essas especificações são padrões pelos quais a qualidade e as propriedades dos materiais podem ser aferidas. quando Fauchard. é um material “nãovivo” destinado a interagir com sistemas biológicos. Seu emprego era inteiramente artesanal. incluindo os materiais restauradores. e o único teste laboratorial era a boca do paciente. Elas apresentam os requisitos para propriedades físicas e Fernanda Panzeri . O primeiro importante despertar de interesse científico ocorreu no meio do século XIX.

Hoje. Por exemplo: anestésicos. O benefício de tais especificações para a profissão odontológica tem sido inestimável.6 MATERIAIS DENTÁRIOS NA ATUALIDADE Como a sociedade tem mudado. dentina. abrange os tecidos orais naturais (esmalte. Por outro lado. Estas categorias incluem materiais empregados nas especialidades odontológicas como dentística. danificadas ou comprometidas esteticamente. odontopediatria e prótese. bem como pelo aumento do conhecimento do comportamento dos materiais na cavidade oral. O número de especificações têm aumentado rapidamente para encampar materiais e dispositivos que ainda não eram normatizados. se o dentista usa aqueles materiais que se enquadram numa especificação. cirurgia bucomaxilofacial. Atualmente existem 49 especificações da ADA. exigindo materiais cada vez mais duráveis e mais estéticos. São elas: a FDA (Food and Drug Administration). FDI (Fédération Dentaire Internationale) e a ISO (International Organization of Standardization). medicamentos e agentes terapêuticos não fazem parte de nossa abordagem. Ele não apresentará o mesmo desempenho do órgão original que substituiu. A ciência dos Materiais Dentários. O conhecimento. Em outras palavras. em função das correntes alterações nas formulações dos produtos. 1. ao contrário de alguns anos atrás. sendo que as duas últimas estabelecem especificações para os materiais dentários em nível internacional. ele pode ter certeza que o material apresentará um desempenho satisfatório. ortodontia. Nenhum material dentário é perfeito no seu propósito restaurador.Introdução à Ciência dos Materiais 14 químicas de um material de modo a assegurar um desempenho satisfatório do material quando este é adequadamente empregado pelo dentista. tecido pulpar) e os materiais sintéticos que são empregadas na prevenção da cárie dental. O dentista passou a ter critérios de seleção que são imparciais e realistas. Outras entidades também colaboram com essa regulamentação. a ciência dos materiais deve acompanhar essa mudança. para a terapia periodontal. tornando-as mais duras e resistentes. dos requisitos das especificações é importante para que ele tenha habilidade de reconhecer as limitações do material odontológico com que está trabalhando. é possível a restauração de um dente com porcelana pura (sem a presença de metal) em razão do desenvolvimento dessas porcelanas.5 RELAÇÃO COM AS DEMAIS DISCIPLINAS DA ODONTOLOGIA Nem todos os materiais utilizados na Odontologia são estudados por Materiais Dentários. e na reconstrução de estruturas orais ausentes. Fernanda Panzeri . pelo dentista. as especificações existentes são periodicamente revisadas. periodontia. de modo geral. 1.

Guanabara Koogan. que esteticamente se combine com a estrutura dental que exiba propriedades similares aos tecidos dentais e que inicie reparação tecidual. o que de uma forma mais convincente vem confirmar que a ciência dos materiais evolui com a sociedade. com o desenvolvimento da hidroxiapatita sintética. A condição refratária é importante. Cirurgiões-dentistas e pesquisadores continuarão no século XXI em busca do “Cálice Sagrado” da Odontologia Restauradora. Até no campo da cirurgia houve um avanço. Dentro das fundições odontológicas. 1-15. 1996. 1994. ed – Scope and history of restorative materials. 1-7. pois qualifica o material como estável à altas temperaturas. 5-10 Fernanda Panzeri . G.Introdução à Ciência dos Materiais 15 Além disso. A. J. & WALLS. Introduction to Dental Materials. os revestimentos. – Science of Dental Materials. p. isto é. sem dúvida. – A historical perspective. London. BIBLIOGRAFIA ANUSAVICE. In ________. tornando possíveis os implantes dentais. o desenvolvimento de uma liga de titânio capaz de não causar reação de rejeição aos tecidos. London. como as fendas palatinas. que formam moldes para receber o metal líquido e conformar restaurações. que são materiais denominados refratários. o grande avanço da Odontologia foi. Padrões de performance para Materiais Dentários. Mosby. CRAIG. p. Restorative Dental Materials. F. que é um dos componentes químicos do osso. J. R. 1998 p. United States. 1ª ed. In: ________ Materiais Dentários de Phillips. In: ________. Mosby. G. 8ª ed. 1-3. p. Ela propicia uma formação óssea. 10ª ed. Blackwell Science. W. Ela é usada nos casos de grandes perdas ósseas por processos de reabsorção. McCABE. VAN NOORT. do material restaurador que tenha adesão permanente à estrutura dental. R. In: ________ . 1998. Applied Dental Materials. têm sido melhorados para proporcionar fundições mais precisas e de polimento mais fácil. como também nos casos de malformações faciais. Rio de Janeiro.

2 Propriedades Mecânicas dos Materiais Dentários .

mas essa mudança será tão pequena que será difícil perceber. propriedades estéticas e propriedades diversas. de modo a permitir uma aproximação. Quando esticamos um fio ou uma borracha. 2. em determinadas temperaturas.2 ESTRUTURA DA MATÉRIA Matéria pode ser definida como um corpo que tem massa e ocupa um lugar no espaço e toda matéria pode ser concebida como sendo formada por um conjunto de pequenas partes até formar estruturas maiores. o movimento das partículas que o constituem é mínimo. são encontrados em grupos de dois ou mais átomos devido às forças de atração ou de coesão entre eles. Quando dessa aproximação poderão resultar na constituição de moléculas. os elementos químicos nunca são encontrados em estado estável individualmente como átomo. o que faz com que a distância entre eles seja diminuída. Os elementos químicos conhecidos são representados por átomos e apresentam características próprias que os distinguem uns dos outros. devemos conhecer primeiro alguns conceitos fundamentais da estrutura da matéria.4 PROPRIEDADES MECÂNICAS: Fernanda Panzeri . eles se comportam de maneiras diferentes. O fio irá se modificar. até. Esta diferença é devida a uma variação na energia cinética dos átomos constituintes dos mesmos. Por outro lado.1 INTRODUÇÃO Como todos os materiais empregados pelo homem. propriedades químicas. dobrar de comprimento. Para entendermos melhor essas propriedades. a matéria pode encontrar-se em um dos três estados físicos conhecidos: sólido. De acordo com as associações entre os átomos e/ou moléculas. Os sólidos diferenciam-se dos líquidos e gases por apresentarem forma e volume definidos. Em geral. os materiais odontológicos comportam-se de acordo com propriedades particulares a cada um.Propriedades Mecânicas dos Materiais Dentários 17 2. falando-se que há relativa imobilidade das mesmas. líquido e gasoso. Essas unidades estruturais são os átomos. próprias dos mesmos e que permitem a eles reagir de modo característico aos estímulos externos. 2. Com exceção dos gases inertes. propriedades biológicas. 2. cristais e líquidos.3 PROPRIEDADES DOS MATERIAIS ODONTOLÓGICOS As propriedades dos materiais odontológicos podem ser classificadas em propriedades físicas. no caso dos sólidos. a borracha se alongará rapidamente e poderá. propriedades mecânicas.

e que tende a manter o mesmo em posição. ou o faz voltar à posição primitiva existente antes da aplicação da força externa. quando o dentista coloca uma coroa de liga de ouro em um dente. Se a reação à carga. Conforme a magnitude da carga ou tensão correspondente. Obviamente. haverá uma reação de todo o conjunto. 2. Disto se deduz que as partículas constituintes de um corpo reagem à ação de uma força externa. Pode-se definir a tensão como a intensidade da força interna. haverá o aparecimento de deformações. por meio da tensão. precisamos de algum padrão de comparação que é independente de tamanho e forma do material. o que lhe interessa é saber se houve mudança da forma ou se essa coroa fraturou devido às cargas a que ficou exposta. por exemplo.4. Mas o interesse real do dentista é na reação total que esta coroa irá apresentar durante o seu uso clínico. um átomo do seu retículo espacial.Propriedades Mecânicas dos Materiais Dentários 18 O estudo das propriedades mecânicas implica no exame das relações entre um corpo. Então. por meio de uma força externa ou carga. Com o aumento na magnitude dessa carga. As deformações poderão ser de dois tipos: Elásticas: quando desaparecem pela remoção das forças que a produziu. poderá a mesma superar ou não a oposição dos átomos. Tendo um padrão. A descrição das propriedades mecânicas dos materiais está baseada nelas. ou componente de força. provoca uma reação de igual magnitude e de direção contrária chamada de tensão. a força peso. em magnitude. bem como o restabelecimento das distâncias que havia entre os átomos. o que indica que a reação interna foi superada. assim como as conseqüências dessas relações. Desta forma. Deformação de um corpo é a alteração de suas dimensões. constituído de determinado material. quando uma força externa. haverá um deslocamento de átomos em função da reação que o material apresenta à carga mastigatória. como poderemos comparar o desempenho dos materiais em diferentes aplicações? Para isso. teremos o aparecimento de deformações. As cargas são inicialmente insuficientes. atua sobre um corpo. Então. por uma reação que é chamada tensão. Fernanda Panzeri . é possível comparar as propriedades dos diferentes materiais e prever o comportamento dos objetos. diferentes materiais respondem diferentemente à aplicação dessas forças. por unidade de dimensão (dimensão total). ele sabe que quando o paciente morde sobre ela. Assim. e as forças que atuam sobre o mesmo. As bases para tal padrão objetivo são as propriedades chamadas tensão e deformação. também chamada de carga. for superada. que atua sobre um plano determinado (área).1 Tensão e Deformação: Se tentarmos afastar. para provocar deformações do corpo. Tensão é a força interna que se opõe à força externa. o que deixa implícito o retorno do corpo às dimensões existentes antes da aplicação da carga.

como é o caso das próteses fixas. Fernanda Panzeri .Propriedades Mecânicas dos Materiais Dentários 19 Plásticas ou Permanentes: São as deformações residuais da estrutura. há um momento em que a carga atinge um nível em que a deformação deixará de ser proporcional para ser progressivamente maior. como é o caso das forças aplicadas em um corpo em sentido contrário e em direções diversas. 2-1). Então. Na realidade. Tipos de tesões e deformações Em relação à direção. numa mesma direção. e as tensões induzidas pelas mesmas serão chamadas de tensões de compressão (Fig 2-2) Se as cargas forem aplicadas de modo a provocar uma torção da substância. Isso ocorre quando é atingido o limite de proporcionalidade do material. Limite de Proporcionalidade Segundo a Lei de Hooke. ter-se-á a indução de tensões de torção. as tensões podem ser classificadas em 3 tipos. Porém. as cargas serão ditas de tração e as tensões induzidas no corpo chamadas de tensões de tração (Fig. Se as cargas forem axiais (no sentido do longo eixo) e aplicadas nos extremos do corpo. porém em sentidos divergentes. sob a forma de tensões complexas. quando se aplica uma carga a um material. ou que se verificam após cessar a ação da força externa que as produziu. O limite de proporcionalidade pode ser definido. Se as cargas forem aplicadas de modo a tenderem comprimir o corpo. Relações entre tensão e deformação Tensão e deformação não são propriedades independentes ou nãorelacionadas. de compressão e de cisalhamento apresentam-se geralmente em conjunto. as cargas serão chamadas de compressão. então. comumente chamadas de tensões de cisalhamento (Fig 2-3). tendendo a distender o corpo. as tensões de tração. quando em função na mastigação (Fig 2-4). este deverá apresentar uma deformação proporcional à carga. como a maior tensão capaz de ser suportada por uma estrutura até a qual as tensões sejam proporcionais às deformações respectivas. as tensões são diretamente proporcionais às deformações durante as deformações elásticas. mas estão intimamente ligadas e podem ser vistas como um exemplo de causa e efeito.

ou seja.Tensão de compressão: Mesma direção e sentidos convergentes Figura 2-3 . há de tração Se agirmos de modo inverso. verifica-se que as deformações. após cada incremento destas. libertando um material de tensões.Tensão de tração: Mesma direção e sentidos divergentes Figura 2-2 .Propriedades Mecânicas dos Materiais Dentários 20 Figura 2-1 . até Fernanda Panzeri .Tensões de cisalhamento: Direções diversas e sentido contrário Figura 2-4 .Tensões Complexas: Ao mesmo tempo em que há tensão de compressão.

sem deformar-se permanentemente. podendo ser definido como a tensão máxima capaz de ser suportada por uma substância de modo que. advindo à deformação permanente. isso é uma característica de um material flexível. ou seja. para o intervalo de tensões que vai até o limite de proporcionalidade é conhecida como Módulo de Elasticidade. Substância elástica é pois aquela capaz de resistir à ação de tensões de considerável magnitude. Já quando se tem um módulo de elasticidade alto. porém. maior será o valor do módulo de elasticidade. pois o limite de elasticidade do aço é maior que o da borracha. Módulo de Elasticidade A relação entre a Tensão e a Deformação. Quando você tem um baixo módulo de elasticidade. podemos ver que. a mais rígida é estendida em menor quantidade. Isso porque uma é mais elástica do que a outra. Flexibilidade é a propriedade apresentada por determinadas substâncias. a recuperação não será total. pois uma tensão aplicada produziu uma pequena deformação. com tensões de magnitude relativamente pequena. Dessa forma. Esta tensão máxima. Fernanda Panzeri . que ultrapassada uma tensão determinada. estendem-se o triplo. Daí dizer-se que a borracha é mais flexível que o aço. Deve-se lembrar. imagine-se duas molas como as da Fig 2-5. Que seria mais elástico: o aço ou a borracha? O aço. sendo uma mais rígida do que a outra. a proporção de extensão é a mesma. Dobrando-se a quantidade da carga. Para aumentar o entendimento do conceito de elasticidade e verificar o que ela significa para dois materiais que apresentam elasticidades diferentes. para cada mola. de ser possível de grandes deformações elásticas. Verifica-se. recupera suas dimensões originais. Ela pode ser definida como: E tensão E deformação E= = Conclui-se que quanto menor for a deformação para uma determinada tensão. independente da carga aplicada para cada mola. temos um material elástico. as molas estendem-se o dobro. determina o limite de elasticidade. além da qual a recuperação do material não é total. A mola 2 é mais rígida do que a mola 1. a esta altura. Triplicando a carga. isto é. uma tensão aplicada produziu uma grande deformação. o material retorne às suas dimensões originais. o conceito inadequado que muitos têm relativamente à elasticidade.Propriedades Mecânicas dos Materiais Dentários 21 determinado ponto são elásticas. ou seja a elasticidade não é completa e o material apresenta deformações plásticas ou permanentes. Sim. quando as duas são submetidas a cargas iguais. assim. as deformações das duas molas são diferentes. removida a carga. Entretanto.

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Figura 2-5 - Diferença de elasticidade em duas molas com rigidez diferente

Dois materiais poderão apresentar limite de proporcionalidade idêntico, porém módulo de elasticidade diverso. Considere-se, a título de exemplo, dois materiais A e B, pelo exame do gráfico representado na Fig 2-6. Aplicando-se a fórmula do módulo de elasticidade, verifica-se que: Módulo de Elasticidade de A = 15.000/1 = 15.000 Módulo de Elasticidade de B = 15.000/3 = 5.000 Verifica-se, assim, que A é mais elástico que B, pois apresenta maior módulo de elasticidade. A flexibilidade máxima é diretamente proporcional ao limite de proporcionalidade e inversamente proporcional ao módulo de elasticidade; quanto menor este, maior a flexibilidade.

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Figura 2-6 - Diferença no módulo de elasticidade

Até agora, a discussão prendeu-se às forças mecânicas que eram aplicadas de forma constante e por um período de tempo arbitrário e longo (forças estáticas). Nos dentes, durante a mastigação, não é este o tipo de força atuante. Assim, ela perdura por alguns momentos e é criada devido ao movimento da mandíbula sobre a maxila (forças dinâmicas). Quando da ação de tensões dinâmicas, propriedades outras são ainda exigidas da estrutura em questão. Resiliência Resiliência é a quantidade de energia absorvida por uma estrutura quando sofre a ação de tensões não superiores ao seu limite de proporcionalidade. Quando um acrobata cai ou salta do trapézio para a rede, a energia de sua queda é absorvida pela resiliência da rede. A força responsável pela deformação de uma restauração dentária é aquela devida ao ato de mastigação e que atua sobre a estrutura do material restaurador. A magnitude de deformação desta estrutura será determinada pelas tensões induzidas. Na maioria das restaurações odontológicas, a presença de grandes deformações não é recomendada em função do perigo de provocar danos aos dentes. É por essa razão que o material restaurador deve mostrar uma certa resiliência para permitir que, mesmo quando submetido a tensões de magnitudes consideráveis, as deformações resultantes sejam muito limitadas. A resiliência está intimamente ligada ao impacto.

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Impacto O termo impacto é usado para descrever a colisão de um objeto em movimento contra um parado. Como o processo de mastigação possui valores de velocidade e massa envolvidos, ele também pode ser considerado como uma situação de impacto. Sabe-se que um objeto em movimento possui uma quantidade conhecida de energia cinética. Se o objeto que recebe o impacto não se deforma permanentemente, ele deve ter a capacidade de armazenar a energia de colisão de uma maneira elástica. Esta habilidade é a resiliência. Há um ponto em que aplicando-se a carga de proporcionalidade, a deformação passa a ser imprevisível e se encaminha à fratura, estando na dependência de cada material. Nesse caso, as tensões não são mais proporcionais às deformações. Se a carga é removida em qualquer ponto, antes da fratura, a tensão resultante desta carga volta a ser zero. Porém, a deformação não é igual a zero. É por isto que se um fio ou outra estrutura for submetida àquela tensão, não retornará à suas dimensões originais. Neste caso, o fio ficaria dobrado, estirado ou deformado. Resistência Resistência é a tensão máxima necessária para fraturar uma estrutura. Ela pode ser chamada de resistência: à tração, à compressão ou ao cisalhamento, dependendo do tipo predominante de tensão envolvida. Uma outra denominação é a Tenacidade, ou seja, a propriedade de ser difícil de quebrar. A resistência à tração é conceituada como a tensão máxima que a estrutura pode suportar antes da sua fratura. Um material friável é aquele que tem pouca resistência. A resistência à tração pode ser avaliada por meio da ductilidade. Esta é a propriedade que apresentam certas substâncias de resistir a grandes deformações plásticas, quando sob tensões de tração. Substância dúctil é, pois, aquela capaz de sofrer deformações permanentes, relativamente grandes, quando sob tensões de tração, sem fraturar-se (fios). Maleabilidade, por sua vez, é a propriedade de certos corpos resistirem a grandes deformações, quando sob a ação de tensões de compressão, sem que ocorra ruptura. Substância maleável é, pois, aquela capaz de apresentar grandes deformações permanentes, sob tensões de compressão, sem fraturarse. A ductilidade indica a causa, o motivo da fratura de uma prótese fixa, prótese removível ou restauração metálica fundida. A falta de ductilidade, antes que possa ocorrer a fratura é que nos diz a causa desta. A substância dúctil deforma-se consideravelmente antes que ocorra a fratura, o que poderá constituir um inconveniente, desde que uma deformação irá provocar uma alteração na oclusão da prótese, deslocando o equilíbrio de forças entre os dentes. Por outro lado, essa propriedade será importante quando da necessidade de adaptar ou contornar um grampo de prótese removível, um fio de ortodontia, que são situações em que se exige deformações maiores do

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que a correspondente ao limite convencional de escoamento. Assim, se a substância for dúctil irá deformar-se, porém não fraturará. A fragilidade é considerada o oposto da resistência. Assim, por exemplo, o vidro é friável à temperatura ambiente, já que ele não se dobra apreciavelmente sem fraturar-se. Em outras palavras, um material frágil tende a se fraturar próximo ao seu limite de proporcionalidade. As substâncias frágeis deformam-se pouco antes que ocorra a fratura. Fadiga Caso o material seja submetido a cargas cíclicas ou repetidas, com valores de tensão bem abaixo daqueles correspondentes à resistência limite, eles podem produzir falhas na estrutura. Este tipo de falha é a fadiga. Durante o ato da mastigação, centenas de tensões cíclicas também são induzidas a um material restaurador. Dureza Dureza é uma propriedade de conceituação difícil. Pode ser interpretada como a resistência à deformação permanente, ou a resistência à penetração, a resistência ao corte ou a ser riscado, ou ainda resistência ao desgaste. Em odontologia, a dureza baseia-se mais na resistência à penetração, apesar dessa grandeza ser freqüentemente usada para definir a habilidade de um material em resistir à abrasão. Entretanto, a abrasão excede este tipo de definição, pois seu mecanismo é complexo e envolve a interação de numerosos fatores. A resistência à abrasão de materiais deve ser verificada dentro de uma mesma classificação, como por exemplo a de uma marca de cimento com outra do mesmo tipo.. Existem muitos testes para a dureza da superfície (Fig 2-7). A grande maioria está baseada na capacidade do material de resistir à penetração de uma ponta com carga específica. Quanto maior a penetração da ponta, menor a dureza; quanto menor a penetração, maior a dureza.

Brinell

Knoop

Vickers

Figura 2-7 - Esquemas representativos dos diversos testes de Dureza

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8ª ed. 1996. 2ª ed. McCABE. D. 13-17. Fernanda Panzeri . ed – Mechanical Properties. J. & WALLS. W. G. 1965 p. 5-15. O’BRIEN. – Propriedades Mecânicas In: ________ . F. – Physical Properties In: ________ Dental Materials and their Selection. 1ª ed. London. EDUSP. 3-89. 1998.Propriedades Mecânicas dos Materiais Dentários 26 BIBLIOGRAFIA CRAIG. J. São Paulo. Mosby. – Properties used to characterize materials. Blackwell Science. In ________. Propriedades dos Materiais Odontológicos. F. p. Quintessence Books. In: ________. Chicago. VIEIRA. W. 1997 p. 10ª ed. United States.56-103. Restorative Dental Materials. p. A. Applied Dental Materials. R. G.

3 Propriedades Físicas dos Materiais Dentários .

muitos destes materiais são líquidos em algum estágio de sua aplicação odontológica. nada mais são do que líquidos super-resfriados que se deformam em função da plasticidade ou escoamento sob a presença de tensões pequenas e aplicadas gradualmente.1 REOLOGIA Até o momento. normalmente envolve a medida da viscosidade. como cimentos e materiais de moldagem. Quanto mais rápido batemos o bolo. Suas viscosidades diminuem com o aumento da velocidade de deformação por cisalhamento. Esse comportamento é característico da massa de bolo. mais fácil e mais homogênea fica a massa. É o caso da clara que é batida em neve. Fernanda Panzeri . que se transformam de líquido em sólido na boca. existem materiais que são usados como líquidos. um material de pouca viscosidade requer somente uma pequena pressão para produzir um alto escoamento. A reologia é o estudo do escoamento dos materiais. Entretanto. iremos estudar materiais. Materiais amorfos. como é o caso das pastas profiláticas. Já os gessos usados na fabricação de modelos e troquéis. o sucesso ou falha de um determinado material está na dependência de suas propriedades no estado líquido.Propriedades Físicas 28 3. Assim. tanto quanto de suas propriedades no estado sólido. mais firme ela fica. como mostra a Fig 3-1. como as ceras e as resinas. Um fluido altamente viscoso escoa vagarosamente devido à sua alta viscosidade. Quanto mais batemos a clara. Quando viramos um copo com água. Existem materiais que se comportam de forma diferente em relação à viscosidade. ela escoa proporcionalmente à velocidade de movimentação do copo. que aparentam ser sólidos. que é tido como padrão. dos dentifrícios e das soluções e géis para condicionamento ácido do esmalte. além das ligas para fundição. mais tarde. Finalmente. Este conceito é familiar para qualquer pessoa que compara as propriedades do escoamento da água com aquelas do melaço. A viscosidade é uma medida da consistência de um fluido e sua inabilidade para escoar. Assim. Um estudo das propriedades reológicas dos líquidos ou pastas. são materiais que são convertidos em líquidos para depois formar estruturas sólidas fora da boca. A maneira pela qual estes materiais deformam ou escoam quando submetidos a tensões é muito importante para o seu uso em odontologia. Os líquidos que apresentam uma tendência contrária são chamados dilatantes. Eles tornam-se mais rígidos quando a velocidade de deformação aumenta. enquanto um material mais viscoso requer uma pressão maior para produzir um pequeno escoamento. Esse comportamento ocorre com a água. A viscosidade de substâncias que têm uma relação linear entre a força de tensão e deformação são chamadas de Newtonianas. Além do mais. a discussão das propriedades dos materiais usados em odontologia foram relacionadas com as substâncias sólidas submetidas aos vários tipos de tensões. Alguns materiais dentários exibem um comportamento pseudoplástico.

que representa um material viscoso. Se elas forem agitadas rapidamente e medir-se a sua viscosidade. ela se abre vagarosamente. As pastas dentais para profilaxia são usualmente tixotrópicas. Quando esses Fernanda Panzeri . ela imediatamente recupera seu tamanho.Gráfico Tensão/Deformação para fluidos exibindo diferentes tipos de comportamento reológico Finalmente. No caso dos materiais odontológicos. será obtido um valor inferior àquele que se obteria se o material fosse deixado em repouso por várias horas. Ela também está na dependência de deformações prévias do líquido e. que representa um material elástico. O catchup é um exemplo bastante conhecido. comportamentos newtonianos e pseudoplásticos são comumente encontrados. ou se um grau de deformação permanente persiste. 3. se a recuperação dessa posição é lenta. é fixada por um lado e uma carga é aplicada no outro. eles são conhecidos como tixotrópicos.Propriedades Físicas 29 Figura 3-1 .1. sendo que a deformação ocorre em função do tempo em que a carga é aplicada. enquanto que dilatantes são mais raros. Quando a carga é removida. Esse comportamento é análogo àquele do material perfeitamente elástico. o material é viscoelástico. Quando uma mola. Estas substâncias são chamadas de plásticos. ele é elástico. alguns tipos de materiais comportam-se como corpos rígidos até que se atinja um valor mínimo de tensão de cisalhamento. Quando uma carga é aplicada a uma sanfona. A viscosidade dos materiais sofre também a influência da temperatura. Porém. Para explicar esse comportamento. A viscosidade da maioria dos líquidos diminui rapidamente com o aumento da temperatura. Quando a carga é removida. utilizamos modelos envolvendo o uso de molas e uma sanfona (Fig 3-2). neste caso.1 Elasticidade e Viscoelasticidade: Quando o material recebe uma carga e após a remoção dela recupera a sua dimensão original. pois é necessária uma batida forte no fundo da garrafa para que a massa de tomate escoe. tornase imediatamente estendida. a sanfona permanece aberta e nenhuma recuperação ocorre.

amortecida pela sanfona. Podemos definir estética como a arte do imperceptível. A quantidade da distorção depende da carga aplicada e do tempo que a carga permanece aplicada. a sanfona e a mola vagarosamente recuperam sua posição original sobre a influência elástica da mola. diante da demanda por trabalhos estéticos e os grandes e rápidos avanços dos materiais estéticos. A reação de um objeto à luz incidente é absorver e/ou difundir certos comprimentos de onda de uma maneira seletiva. Ele é sensível a comprimentos de onda que vão de aproximadamente 400 nanômetros (violeta) até 700 nanômetros (vermelhoescuro). ou seja. a aplicação da força causa a extensão imediata da mola. Após a remoção da carga. as propriedades óticas dos materiais que são selecionados e usados pelos dentistas tem se tornado de grande importância. 3. Infelizmente. a mola recupera seu comprimento original. Por isso. considerações estéticas em odontologia restauradora e protética assumiram uma grande prioridade. A restauração do dente humano tem se movido do campo puramente funcional para o estético. A combinação de intensidade de comprimentos de onda presentes no feixe de luz determina a propriedade usualmente chamada de cor. Com a remoção da carga. A luz incidente é de maneira usual policromática. Muitos pacientes hoje procuram um nível de restauração para seus dentes onde é virtualmente impossível detectar que o dentista interveio. uma mistura de vários comprimentos de onda.2 COR As discussões precedentes sobre as propriedades físicas dos materiais foram baseadas naquelas que são necessárias para permitir a restauração da função. sobretudo no campo da cor. quando procuramos duplicar ou harmonizar com neutralidade um dente artificial. Para que um objeto seja visível. Alguns materiais odontológicos apresentam as características das ligações em paralelo e outros com ligações em série. Entretanto. seguida pela abertura vagarosa da sanfona. de um dano ou da perda de tecidos naturais. mas a sanfona permanece distorcida.Propriedades Físicas 30 materiais são colocados em série. ou fazer a restauração de dentes perdidos. os profissionais. A luz é uma forma de radiação eletromagnética que pode ser detectada pelo olho humano. Conseqüentemente. um outro objetivo importante na odontologia moderna é restaurar a cor e a aparência da dentição natural. enfrenta enorme carência de informações. ele deve emitir luz ou então refletir ou transmitir a luz incidente proveniente de uma fonte externa. a aplicação da carga causa a abertura vagarosa da mola sobre o efeito amortecedor da sanfona. Fernanda Panzeri . Este último tipo é o caso dos objetos que têm interesse odontológico. Quando a mola e a sanfona são colocadas em paralelo.

material viscoso. C) Mola e sanfona em série. D) Mola e sanfona em paralelo A luz incide no olho e direciona-se para a retina e é convertida em impulsos nervosos. a cor é descrita em função de 3 atributos tridimensionais específicos e que são definidos como Matiz. é chamada de luminosidade. Esta é uma propriedade acromática – com ausência de qualquer matiz – e pode ser simplesmente definida como brancura ou negrume. As cores podem ser divididas em tonalidades claras ou escuras. ele pode ser vermelho. É uma sensação. assim. A) Mola . Por exemplo. Para que a cor exista. Ele está na dependência do comprimento de onda dominante. quantitativamente. os quais são transmitidos ao cérebro. Dimensões da cor : Assim como as formas físicas apresentam 3 dimensões (comprimento. um observador (vivo ou mecânico) deve perceber esta sensação. por exemplo. azul ou verde. se um bonito campo for visto em uma Fernanda Panzeri . A pessoa precisa apenas observar a televisão em branco e preto para compreender que a percepção de uma cena é possível apenas com a dimensão intensidade.Representação de uma situação de viscoelasticidade. Luminosidade e Saturação (Figs 3-3 a 3-5).Propriedades Físicas 31 A B C D Figura 3-2 . largura e profundidade). Os sinais são processados para que seja produzida a percepção psicofisiológica da cor. O matiz é uma característica comumente associada pelo leigo à cor do objeto. B) Sanfona com líquido viscoso .material elástico. que pode ser medida independentemente do matiz. Esta claridade.

o meio torna-se progressivamente saturado.3 PROPRIEDADES TÉRMICAS Quando um paciente toma uma xícara de chá ou toma um sorvete. Por exemplo: se em um copo com água for adicionada uma gota de substância de cor verde. A saturação não existe isoladamente. de maneira que um objeto colocado atrás do material não pode ser visto claramente. por exemplo. por exemplo. Translucidez: É a propriedade que permite a passagem da luz com alguma distorção. na mesma intensidade que a recebida. Quando colocamos uma restauração. o objeto aparecerá preto. translucidez e transparência de uma estrutura. quando um objeto reflete a totalidade das cores do espectro. Portanto. está relacionada com o grau de opacidade. ela está sempre associada ao matiz e à luminosidade. em procedimentos operatórios ou em um laboratório de prótese. coroa. a fim de que eles possam fazer as misturas adequadas dos materiais com o intuito de reproduzir a cor escolhida inicialmente. Elas indicam ao técnico e ao dentista uma determinada cor. contida em uma fonte de luz branca. deve-se tomar o cuidado de proteger a polpa dos extremos da temperatura. Conforme sucessivas gotas vão sendo adicionadas. Transparência: Permite a passagem da luz com pouca ou nenhuma distorção. então. Se todas as cores forem absorvidas igualmente. Vejamos. mais pura e intensa é a cor. o matiz não varia. mas todas as formas podem ser reconhecidas e compreendidas acromaticamente. A polpa de dente pode reagir severamente se não estiver protegida dessas temperaturas que diferem grandemente da temperatura normal de 37°C. a diferença de temperatura envolvendo os dentes pode ser pronunciada. Clinicamente. o significado dessas propriedades: Opacidade: É a propriedade que previne a passagem de luz. esta água apresentará uma leve aparência verde. este objeto aparecerá branco.Propriedades Físicas 32 televisão em branco e preto. se todas as gotas procedem da mesma fonte de corante. o croma aumenta. A luminosidade. A cor de um objeto pode ser modificada por fatores diferentes do matiz e da saturação. isto é. a reprodução da cor de um dente é feita utilizando-se escalas de cores. as árvores serão percebidas apenas como matizes de cinza. O terceiro atributo da cor representa o grau de concentração de um matiz em particular e é chamado de saturação ou croma. favorecendo a visualização através do material. as propriedades térmicas dos materiais dentários necessitam ser consideradas. Fernanda Panzeri . Quanto maior for a saturação. 3. ponte ou prótese.

Matiz Figura 3-4 .Luminosidade Figura 3-5 .Propriedades Físicas 33 Figura 3-3.Saturação Fernanda Panzeri .

A condutibilidade térmica é uma medida termofísica de quanto calor é transferido através de um material através da condução. o dente artificial é preso a uma base de dentadura. esta base cobre. Guanabara Koogan. p. 8ª ed. Applied Dental Materials. que passa através de um corpo de prova com 1 cm de espessura e que apresente uma área de seção transversal de 1 cm². como acontece com qualquer isolante térmico. & WALLS. BIBLIOGRAFIA ANUSAVICE. Se isto ocorresse. A dentina e o esmalte são isolantes térmicos efetivos. a qual é confeccionada com resina acrílica. London. ele perde muita capacidade isolante. J. usualmente. O coeficiente de condutibilidade térmica é medido determinando-se a quantidade de calor. Por outro lado. maior será a capacidade da substância de transmitir energia e vice-versa. existe um estado instável de transferência de calor durante a ingestão de alimentos sólidos e líquidos que se encontram frios ou quentes. Um exemplo da importância dessa propriedade em odontologia seria o caso de uma restauração dentária expandir ou contrair mais que o dente. a presença de restaurações de qualquer tipo tendem a alterar esta situação. 5-22. Com isto. 1998. F. durante as alterações de temperatura. e que resulta em uma sensibilidade dolorosa. que são ótimos condutores térmicos. deve-se lembrar que.18-27. a restauração poderia sofrer infiltração pela contração ou soltar-se por uma expansão. J. Em uma dentadura superior. o paciente perde a sensibilidade ao frio ou ao calor quando está comendo ou bebendo. a região do palato. A difusibilidade térmica dos materiais controla o tempo que a mudança de temperatura leva para passar através de um material. A. o que pode constituir uma agressão à polpa. em decorrência das mudanças térmicas a que será submetida. a estrutura dentária tem que apresentar uma espessura suficiente para ser um isolante térmico efetivo. Apesar disto. 1ª ed. Fernanda Panzeri . – Properties used to characterize materials. sua difusibilidade é mais que o dobro da dentina. Quando a camada de dentina entre o assoalho da cavidade e a polpa é fina. em calorias por segundo. McCABE. In: ________ Materiais Dentários de Phillips. quando a temperatura é elevada ou abaixada em 1 grau. A baixa condutibilidade térmica do esmalte e da dentina diminui a ação dos choques térmicos provocados pela ingestão de alimentos frios e quentes. Uma propriedade igualmente importante para o dentista é o coeficiente de expansão térmico linear. Muitos materiais restauradores são metálicos. Ele é definido como a alteração no comprimento por unidade de comprimento de um material. Quanto maior for o valor obtido. que é má condutora térmica. Sua baixa condutibilidade térmica impede a troca de calor entre os tecidos moles e o restante da cavidade oral. Entretanto. Na boca. In: ________. Rio de Janeiro. Embora a condutibilidade térmica do óxido de zinco e eugenol ser menor que a da dentina. Blackwell Science. 1998 p.Propriedades Físicas 34 O calor transferido através de substâncias sólidas ocorre comumente devido a um processo chamado condução. G. Propriedades Físicas dos Materiais Dentários. W.

4 Propriedades Biológicas dos Materiais Dentários .

Sob este aspecto. as exigências para a biocompatibilidade dos materiais odontológicos são as seguintes:  Não devem ser prejudiciais à polpa nem aos tecidos moles. Do ponto de vista geral. Outros materiais são usados exclusivamente em laboratórios para a confecção de restaurações e dentaduras. os materiais se enquadram na definição de biomateriais e sua biocompatibilidade.  Não devem ter potencial carcinogênico. Num sentido amplo. em parte. Os dentes do homem são órgãos de estrutura complicada que constam. um biomaterial poderia ser definido como qualquer substância que não seja um medicamento que possa ser usado por qualquer período de tempo. Fernanda Panzeri . parece óbvio agora que o ambiente hospedeiro destes biomateriais é especial em função da presença de bactérias e outros detritos na cavidade bucal. nas reações sistêmicas e no potencial alergênico e carcinogênico.  Devem ser livres de agentes que possam causar reações alérgicas. como parte de um tratamento. A maioria dos materiais dentários deve permanecer no ser humano por períodos de tempo curtos ou longos. pois os materiais a serem aplicados a elas devem interagir de forma a restituir as funções mastigatórias. além das propriedades corrosivas da saliva e de outros fluidos. ao pessoal auxiliar ou ao técnico de laboratório. rica em vasos e nervos.2 OS DENTES É extremamente importante o conhecimento das estruturas dentais. Em geral. A resistência à deformação deixa de ser importante se o material injuria a polpa ou os tecidos moles. Daí a necessidade do material ser biocompatível.Propriedades Biológicas 36 4. órgão ou função do corpo. de tecido duro contendo em seu interior a polpa dentária. Um outro ponto é que o material e o processo de fabricação ou uso não devem causar danos ao dentista. no que concerne aos tecidos orais. é um parâmetro que deve ser considerado para sua formulação e uso. estimulando a reparação de qualquer tecido. Baseadas nesses critérios. O termo biocompatível é definido como “harmonioso com a vida e não possuindo efeitos tóxicos ou prejudiciais às funções biológicas”. a biocompatibilidade é medida com base na citotoxicidade localizada. biológicas e estéticas.1 INTRODUÇÃO A ciência dos materiais dentários tem a necessidade de acompanhar conhecer e apreciar certas considerações biológicas que estão associadas com a seleção e uso dos materiais a serem empregados na cavidade bucal.  Não devem conter substâncias tóxicas que possam ser liberadas e absorvidas pelo sistema circulatório causando reação sistêmica. 4.

A) Esmalte B)Dentina C) Polpa .Propriedades Biológicas 37 Fernanda Panzeri Figura 4-1 .O Dente e suas estruturas.

na zona dentária que aparece na boca. formam as unidades estruturais chamadas de prismas de esmalte (Fig. 4-1a). enquanto que a parte oculta nos maxilares acha-se envolta pelo cemento.o fluido dentinário . consistente de milhões de cristais inorgânicos (hidroxiapatita) que. ela consiste de células. O esmalte maduro é altamente mineralizado. Os túbulos formam uma rede e contém uma substância .Propriedades Biológicas 38 A massa principal do dente é constituída pela dentina.2 A Dentina A dentina constitui a maior parte do dente. 4. aproximadamente 45. Esta. 20% de material orgânico e 10% de água. Esta cavidade começa no ápice da raiz pelo orifício apical.2. chamando-se de raiz a que é envolvida pelo cemento. Em todo o desenvolvimento do dente há. mas extenso. A característica principal da dentina é a presença de túbulos dentinários que passa por toda sua extensão (Fig 4-1b). A presença dos túbulos dentinários dá a propriedade de permeabilidade à dentina de forma que drogas e químicas presentes nos Fernanda Panzeri .que pode contribuir para a sensibilidade da dentina como um tecido. toda a célula pode ser considerada tanto biológica como morfologicamente como célula própria da dentina.000 túbulos dentinários por milímetro quadrado na superfície da câmara pulpar. encontra-se recoberta por outro tecido duro e de origem epitelial chamado esmalte. O material inorgânico consiste principalmente de hidroxiapatita e a fase orgânica é grandemente de colágeno. e uma substância intercelular. sistema poroso tornando o tecido permeável. 4. continua ao longo de toda raiz formando o canal radicular e se amplia finalmente na coroa para formar a cavidade pulpar. A dentina é quimicamente composta de 70% de material inorgânico. 4-1). que é contida dentro de pequeno. Cada célula dá origem a um prolongamento. Embora os corpos dos odontoblastos estejam situados na superfície pulpar da dentina. A porção do dente recoberta pelo esmalte designa-se anatomicamente com o nome de coroa. Como qualquer tecido vivo. A polpa ocupa a cavidade de forma idêntica que o dente mostra externamente.1 O Esmalte O esmalte é o tecido mais calcificado e denso do corpo humano. pois seus prolongamentos estão embebidos na matriz mineralizada. Essas unidades vão da junção dentina-esmalte até a superfície do esmalte. mantidos firmemente juntos.2. que atravessa a dentina calcificada para terminar numa ramificação em rede na junção com o esmalte ou cemento. substância análoga ao osso e onde inserem-se as fibras conjuntivas que terminam nos maxilares (Fig. É composto também de 1% de material orgânico encontrado entre a estrutura cristalina e de 3% de água. que são especializadas e são chamadas de odontoblastos.

a célula pode ser lesionada mais ou menos gravemente. que toma a forma da câmara pulpar. Fernanda Panzeri . 4. A dentina apresenta uma qualidade viscoelástica que proporciona ao dente suficiente resiliência para prevenir fraturas do esmalte quando em função.3 A Polpa O único tecido mole rico em células conjuntivas que está circunscrito dentro da câmara pulpar é a polpa dentária. e a polpa radicular. erosão. É um tecido mesenquimal constituído de fibroblastos. vasos. Estímulos de natureza diferente não somente induzem a formação adicional de dentina reparadora. de grande potencialidade na formação da dentina (Fig. Os sais de cálcio passam a ser depositados nos processos odontoblásticos em degeneração ou ao redor deles e tendem a obliterar os túbulos numa forma de uma reação defensiva ainda mais potente da dentina. diminuindo a permeabilidade na região injuriada. nervos e odontoblastos.Propriedades Biológicas 39 materiais restauradores podem penetrar através da dentina e prejudicar a polpa. A polpa é dividida em duas partes: a polpa coronária.2. que preenche os canais radiculares e estabelece contato com os tecidos moles periapicais. A polpa desempenha quatro funções importantes:  Formação de dentina  Nutrição da dentina  Sensorial  Protetora A polpa é responsável tanto pela formação de dentina fisiológica como pela formação de dentinas reparadora e esclerótica.3 CAUSAS DE REAÇÕES PULPARES Muitos são os fatores que podem levar a uma manifestação de resposta às restaurações dentárias. 4-1c). que a dentina normal e é conhecida como dentina esclerótica. Se os processos odontoblásticos são expostos por um desgaste extenso. Essa dentina é mais densa e mais dura. 4. através de uma reação de defesa passam a formar uma dentina mais dura. cáries ou procedimentos operatórios. como também levam a alterações na própria dentina. através de um processo protetor. Aqui o curso dos túbulos é freqüentemente torcido. e seu número é muito reduzido. ou então. As mais comuns são a formação de cárie secundária e a dor associada à sensibilidade pós-operatória. Os odontoblastos lesionados podem degenerar e serem substituídos pela migração de células indiferenciadas das camadas mais profundas da polpa para a superfície dentinária. Esta dentina é conhecida como dentina reparadora.

bem como para minimizar a microinfiltração que ocorre como resultado das alterações cíclicas da temperatura. pode resultar em uma reação pulpar.3. 4. A câmara pulpar está sob uma constante pressão fisiológica.1 Microinfiltração Poucos materiais restauradores tradicionais usados em odontologia possuem adesão à estrutura dental. no interior dos túbulos dentinários. Este fenômeno é conhecido como microinfiltração. existirá sempre um espaço microscópio entre a restauração e as paredes da cavidade a ser restaurada.3 Galvanismo A presença de materiais metálicos diferentes em contato na cavidade oral gera a formação de uma corrente elétrica. Desta maneira. Assim. até mesmo.3. a pressão na polpa se torna maior e o fluido dentinário escoa ao redor dos prolongamentos dos odontoblastos no interior dos túbulos. A dentina é uma estrutura dinâmica que possui uma constante movimentação de fluidos no seu interior. quando se está em presença de cavidades profundas. 4. ela promove o isolamento térmico. conduzida pela saliva. também chamada de hidrodinâmica. Existe também uma outra faceta que deve ser reconhecida. Caso haja alguma comunicação do meio externo com a polpa. o que causa estimulação das fibras nervosas.2 Alterações térmicas As estruturas do dente e da restauração dentária estão continuamente expostas ao calor e ao frio advindos de alimentos sólidos e líquidos. Entretanto. Se a sua espessura é adequada.Propriedades Biológicas 40 4. Felizmente. Essa pressão tende a forçar os fluidos dentinários para o interior dos túbulos dentinários. a dentina prevê um certo grau de proteção. A condutibilidade térmica e o coeficiente de expansão térmico linear dos materiais restauradores são propriedades importantes para serem consideradas naquilo que respeita à saúde da polpa. Se a penetração interfacial (percolação) é severa. Por Fernanda Panzeri .3. os fluidos e detritos orais podem penetrar livremente na interface dente/restauração. além de impedir a penetração de produtos agressivos provenientes dos materiais restauradores ou da microinfiltração. Os produtos tóxicos liberados por estes microrganismos produzem uma contínua irritação na polpa dentária. nas quais a dentina remanescente tem espessura igual ou inferior a 2mm esse fato se torna muito perigoso. ocorre o crescimento bacteriano entre a restauração e as paredes cavitárias e. Qualquer alteração no conteúdo desse fluido ou no equilíbrio de sua pressão. A variação na temperatura durante uma refeição normal pode atingir valores tão altos como 65ºC.

Propriedades Biológicas 41 exemplo.01% de mercúrio é absorvido. em razão da pressão hidráulica produzida. objetivando minimizar ou eliminar tais causas. 4. Menos de 0.4 INFLUÊNCIA DA IDADE DO PACIENTE NA RESPOSTA PULPAR: Pacientes mais velhos têm menor reação do tecido pulpar do que pacientes jovens. Entretanto. a polpa torna-se reduzida em tamanho devido à deposição de dentina primária. Componentes dos materiais restauradores. Após a restauração. o volume do tecido pulpar é de 1/5 comparado com o volume da idade de 25 anos e contém somente 1/5 do seu volume sangüíneo e esse fator diminui a capacidade de cicatrização da polpa. uma injúria pulpar que aparece durante ou após os procedimentos restauradores tem origem multifatorial. Lesões também podem ocorrer devido à inserção de materiais restauradores. Além disso. ou aqueles de natureza química produzidos durante a presa. O calor e a secagem durante o preparo cavitário podem causar injúria severa à polpa. podem ser agressivos. Na idade de 55 anos. sendo exemplos as restaurações feitas com amálgama. tomando-se muito mais perigoso ao profissional. a polpa precisa de mais tempo para reagir a uma lesão ou resistir à uma infecção. ou seja. A dor de cabeça. quando restaurações de ouro estão em oposição a restaurações em amálgama. Elas estão relacionadas com a pressão de condensação. Muito da confusão associada com a toxicidade do amálgama ocorre da ignorância dos sinais e sintomas do envenenamento pelo mercúrio. secundária e reparadora. Entre 65% e 85% do vapor de mercúrio que é inalado deposita-se no corpo. há formação dessa corrente galvânica. um dos sintomas mais freqüentemente reclamados para a remoção da Fernanda Panzeri . cáries e procedimentos restauradores durante toda a vida. ele tem uma alta pressão de vapor. erosão. Fica evidente que a polpa dental está sujeita a vários tipos de injúrias antes. durante ou após a restauração de um dente cariado. pode-se causar dano à polpa. o choque térmico e o galvanismo podem causar hipersensibilidade. durante a cimentação de coroas. Desta maneira. A penetração de bactérias ao longo da interface restauração/dente pode contribuir para a irritação pulpar e também para o aparecimento de cáries secundárias. Como os dentes permanentes sofrem os efeitos da abrasão. produzindo irritação pulpar e o aparecimento de sensibilidade.5 TOXIDIDADE DO MERCÚRIO Por muitos anos houve uma controvérsia com relação a biocompatibilidade das restaurações de amálgama devido à presença de mercúrio em sua composição. 4. O dentista deve conhecer as causas das possíveis irritações e tomar os devidos cuidados nas várias etapas do uso.

1993 p. Os sintomas são fraqueza. insônia. – Characteristics of Materials. J. São Paulo. Materiais Dentários de Skinner. perda de peso. fadiga. 1999 p. W. Materials in Dentistry. In: ________ . 35-39. 1ª ed. irritabilidade e tremores na extremidade. Principles and Applications. 19-25. J – Estrutura Dental In: ________ . anorexia. PHILLIPS. – Considerações Biológicas no uso dos Materiais Dentários. BIBLIOGRAFIA FERRACANE. p. 1995. Fernanda Panzeri .. 9ª ed. Philadelphia. Livraria Santos. L. Lippincott Williams & Wilkins. Guanabara Koogan. Rio de Janeiro. In: ________ . GALAN Jr.Propriedades Biológicas 42 restauração de amalgama. Materiais Dentários. R. 34-36. não é um sintoma do envenenamento por mercúrio.

5 Gessos Odontológicos Fernanda Panzeri .

Comercialmente. forma-se um produto conhecido como Revestimento. a reação resultará na formação cristalina de um hemidrato conhecido como β-hemidrato (Gesso Paris ou Comum). Os produtos deste processamento são os principais constituintes do gesso-pedra que. o que contrasta com aquela dos cristais do α-hemidrato (gesso pedra). Quando o gesso é misturado à sílica. os quais são mais densos e apresentam formas prismáticas mais definidas. O gesso é usado na odontologia para a obtenção de modelos de estudo das estruturas orais e maxilo-faciais e como importante auxiliar nas fases laboratoriais para a construção de próteses. 2 H2O). A razão principal desta diferença é que o pó do α-hemidrato requer menor quantidade de água para o processo Fernanda Panzeri .2 OBTENÇÃO DO GESSO O gesso é obtido através da calcinação da gipsita. é basicamente um sulfato de cálcio diidratado (CaSO4 . usado para fins odontológicos. Produtos à base de gesso são largamente usados na indústria. que é utilizado na obtenção de restaurações fundidas em metal e será discutido posteriormente. Diferentes formas de gesso foram usadas por vários séculos na área da construção. H2O]. e praticamente todas as casas e edifícios têm componentes de gesso.Gessos 44 5. que é o principal constituinte do gesso comum e dos gessos pedra. Vários tipos de gesso são usados para a obtenção de modelos. foram feitos a partir de uma forma de gesso. 5. O produto obtido com o α-hemidrato é mais duro e resistente do que aquele resultante da reação do β-hemidrato. pode-se obter diferentes formas do hemidrato. nas suas diferentes formas. Se a gipsita é aquecida no forno ambiente aberto a temperaturas indicadas. Essas diferenças entre o α e o β-hemidrato são resultantes dos diferentes tamanhos dos cristais. este mineral. de fama bíblica. nos quais próteses e restaurações são construídas. Esses cristais são caracterizados por sua forma esponjosa e irregular. Como a temperatura é elevada.1 INTRODUÇÃO O gesso (ou gipsita) é um mineral que é extraído em várias partes do mundo. Diferentes procedimentos podem ser empregados para a obtenção do α-hemidrato. são utilizados na construção de modelos e troquéis. Os alabastros usados na construção do Rei Salomão. Dependendo do método de calcinação. a gipsita é triturada e submetida a temperaturas que variam entre 110 e 120 °C com o objetivo de retirar parte da água da cristalização. Quimicamente. a água remanescente da cristalização é removida e forma-se o sulfato de cálcio hemidratado [(CaSO4) 2 . de sua área de superfície e da perfeição da grade espacial.

2 H2O + calor O produto da reação é a gipsita. o qual começa a precipitar  À medida que o diidrato se precipita. um químico francês. A teoria mais importante e reconhecida para o mecanismo de presa é a teoria cristalina. necessita de uma maior quantidade de água para a sua manipulação. que apresenta menor densidade. a solução não mais se encontra saturada de hemidrato. Fernanda Panzeri . um famoso químico alemão. 5. se tornando.3 REAÇÃO DE PRESA Quando o hemidrato é misturado com a água. O β-hemidrato requer mais água para umedecer as partículas do pó. menos resistente. A mistura e o cruzamento destes cristais de diidrato resultam em uma estrutura sólida e bastante dura. De acordo com a explicação de van´t Hoff.  O hemidrato dissolve-se até formar uma solução saturada  Esta solução saturada de hemidrato torna-se supersaturada pela presença de diidrato. assim. A diferença nas densidades relativas dos produtos de α e β-hemidrato pode ser vista medindo quantidades iguais em peso dos 3 tipos de gesso e colocando-os em cilindros graduados. em 1907. O hemidrato é 4 vezes mais solúvel que o diidrato. O sulfato de cálcio dissolvido precipita como sulfato de cálcio diidratado porque o sulfato de cálcio diidratado é menos solúvel que o hemidrato.  A medida que aumenta a formação de diidrato. e assim ele continua a se dissolver na água. Ela foi originada por Henri Louis Le Châtelier. pois os cristais são mais irregulares em seu formato e mais porosos nas suas características físicas. e o calor envolvido na reação exotérmica é equivalente àquele usado durante o processo de calcinação. a reação de presa pode ser entendida da seguinte maneira:  Quando o hemidrato é misturado com a água.Gessos 45 de mistura que aquela necessária ao β-hemidrato. permitindo o crescimento de forma arborescente. Esta reação continua. forma-se uma suspensão fluida e manipulável. repetindo-se sucessivamente até a exaustão do hemidrato. Os cristais em forma de agulha crescem a partir de núcleos. a diferença no solubilidade do sulfato de cálcio diidratado e hemidratado causa a presa do material. assim. a reação é revertida: (CaSO4)2 . O gesso que ocupa maior volume. H2O + 3 H2O CaSO4 . A continuidade deste processo faz com que os hemidratos entrem em solução e consequentemente haja a precipitação de diidratos em forma de novos cristais ou agregando-se a cristais já formados. e depois. a teoria recebeu o apoio de Jacobus Hendricus van´t Hoff. a massa aumenta de consistência até seu endurecimento.

nesta fase a mistura tem uma aparência brilhante. se a reação ocorre muito vagarosamente. empurrando-se. um tempo excessivamente longo é necessário para completar a operação. Quando as aglomerações de cristais de gesso interagirem. mudanças físicas importantes podem ser reconhecidas durante este processo. O crescimento cristalino continuado converte a massa plástica em um sólido rígido. O diidrato é insolúvel e se ficar nos canos da pia se acumulará. 5. particularmente para o vazamento dos modelos. a cuba deve ter uma forma parabólica. A medida da quantidade de água é feita na cuba e o pó é devidamente pesado e espargido sobre a água. Porém. A entrada de ar na mistura deve ser evitada para impedir o aparecimento de porosidades que diminuem a resistência e produzem superfícies sem precisão. Como tem na composição o enxofre. A este tempo. com as manipulações periódicas no interior da cuba com a espátula para assegurar o molhamento de todo o pó e quebrar qualquer aglomerado. de alta freqüência e baixa amplitude. lisa e resistente à abrasão. a mistura se torna plástica. O material residual pode então ser limpa da cuba e da espátula com uma toalha de papel antes de submetê-los à lavagem com água. 5.4 MANIPULAÇÃO Na espatulação manual. Espatulações longas reduzem drasticamente o tempo de trabalho. Por outro lado. Estas quatro fases podem ser designadas: (1) fluida. A mistura é então vigorosamente espatulada.Gessos 46 O processo de presa é contínuo e vai desde o começo da mistura até a reação de presa estar completa. a mistura pode endurecer antes do operador manipula-lo apropriadamente. e a viscosidade da mistura aumenta. e isto acontece no período de um minuto. fraco e friável no princípio. Como a reação de presa prossegue. O uso de um vibrador automático. A espátula deve possuir uma lâmina resistente e um cabo que permita segurá-lo. mas ganhando resistência. não fluirá sob vibração. e a mistura é um líquido viscoso. é muito útil. ou nódulos. relativa à quantidade de fase sólida presente.5 TEMPO DE PRESA O tempo necessário para a reação se completar é chamado de tempo de presa. Esta manipulação deve continuar até que se obtenha uma mistura homogênea. Assim. (2) plástica. a superfície brilhante desaparece pois a fase aquosa é substituída e os cristais de gesso crescem. cristais de gesso continuam crescendo às custas da fase aquosa. Inicialmente há uma fase aquosa continuamente presente. Após a mistura e a utilização do material. Fernanda Panzeri . mas pode ser moldada prontamente. e formam poros. a sobra deve ser removida da cuba com a espátula e descartada no lixo. poderá levar à liberação de gases. Se esse tempo é muito rápido ou o material tem um pequeno tempo de presa. pelo tempo no qual o material alcança sua resistência máxima. (3) friável e (4) sólido. exibindo pseudoplasticidade de forma que este flui prontamente sob vibração.

A partir desse tempo. mais rápido Fernanda Panzeri . a mistura vai perdendo o seu brilho. Quanto maior o número de núcleo de cristalização. No momento em que a sua ponta ativa não deixa mais impressão na superfície do material. e a agulha menor é solta sobre a mistura em intervalos de tempo crescentes. Esse tempo é chamado de tempo de trabalho.  Presa inicial : As agulhas de Gillmore são usadas para a verificação do tempo de presa do gesso.5. A viscosidade da massa misturada aumenta e ela já não pode fluir facilmente nos finos detalhes do molde. O tempo de presa final é definido como aquele tempo em que o material está completamente endurecido e pode ser separado do material de moldagem sem distorção ou fratura. O tempo de presa inicial e final pode ser medido através de um teste de penetração. A mistura recémespatulada é vertida num recipiente. Com o prosseguimento da reação. Na presa final. como conseqüência. se a solubilidade do hemidrato é aumentada. haverá um aumento definitivo na resistência. a velocidade de deposição cristalina será também aumentada. Desta maneira.1 Controle do Tempo de presa Teoricamente.  A solubilidade do hemidrato pode ser aumentada ou diminuída. somente uma pequena porção do hemidrato é convertido em gesso. A massa recém espatulada tem uma consistência semi-fluida e pode ser vazada sobre um molde de qualquer forma. mais e mais cristais de sulfato de cálcio diidratado são produzidos. a conversão do sulfato de cálcio hemidratado em sulfato de cálcio diidratado está completa. A reação química de presa ocorre no momento em que o pó é misturado com a água mas.Gessos 47 um tempo de presa apropriado é muito importante para os gessos odontológicos.  O número de núcleos também pode ser aumentado ou diminuído. e com isso. Com o prosseguimento da reação. em um estágio inicial.  Presa Final : O próximo estágio no processo de presa pode ser medido com o uso da agulha de Gillmore maior e mais pesada. Com a continuação da reação há um momento em que o gesso alcança um certo estágio de firmeza representado por uma massa semi-rígida em que não atingiu a presa completa mas ultrapassou o tempo de trabalho. Considera-se como o tempo de presa final aquele em que esta agulha deixa somente marcas ligeiramente perceptíveis na superfície do gesso. entretanto. a supersaturação do sulfato de cálcio será maior e. existem pelo menos 3 métodos pelos quais se pode realizar este controle. o excesso de água é usado para formação do diidrato. Esse é o tempo de presa inicial. considera-se como presa inicial. 5.

Assim. quanto maior for o tempo. mais curto será o seu tempo de presa. o tempo de presa será aumentado. e menos resistente será o produto final. Em razão disto. Quando a espatulação se inicia.6 mL de água. o quociente obtido quando o peso ou volume da água é dividido pelo peso do pó.  Se a velocidade de crescimento do cristal pode ser aumentada ou diminuída. a formação desses cristais de gesso aumenta. diminuímos o tempo de presa. os cristais em formação são fraturados com a espátula e distribuídos na massa.  Relação água/pó: Quanto mais água for usada na mistura. menor será o número de núcleos de cristalização por unidade de volume. o que nos faz concluir que há sempre um excesso de água presente na mistura. Nessa manipulação. conseqüentemente. isto dentro de limites. ou.6 RELAÇÃO ÁGUA/PÓ A proporção entre a água e o pó é usualmente expressa como relação água/pó. A importância desse controle reside no fato de que. Porém. essa quantidade não é suficiente para que o material apresente plasticidade que permita a sua manipulação. para a manipulação do gesso. o tempo de presa também será acelerado ou retardado. Na prática. aumentamos o número de núcleos de cristalização e.6 mL de água. existem Fernanda Panzeri . pelo contrário. Alguns cristais de gesso se formam imediatamente quando o gesso comum ou pedra é colocado em contato com a água. 100g de hemidrato combinam com 18. necessitamos da obtenção de um modelo mais rapidamente. utilizamos água saturada com diidrato (“água gessada”). pois trata-se de um fator importante para as propriedades físicas e químicas do gesso endurecido.  Espatulação: Dentro de limites práticos.  O uso de água com diidrato: Se. Com isto. para atingir essa plasticidade são necessários mais que 18. às vezes. Quanto maior a relação A/P. o que resulta na formação de novos núcleos de cristalização. Esta relação A/P varia entre os tipos de gesso.Gessos 48 os cristais de gesso irão se formar e mais cedo ocorrerá o endurecimento da massa devido ao entrelaçamento dos cristais. A quantidade de água e do pó de hemidrato deve ser medida e pesada de forma exata. ou seja. o operador pode variar o tempo de presa alterando a relação A/P ou o tempo de espatulação. pois será menor a concentração de núcleos por volume. 5. a velocidade e a energia com que o gesso é manipulado. mais prolongado será o tempo de presa. Para a presa. A água residual enfraquece o gesso. sem reagir. o tempo de presa diminui.

06% ou tão altas como 0. mas também se chocam.Gessos 49 situações em que necessitamos de um tempo de trabalho maior. no processo de cristalização fica evidente o crescimento para fora dos cristais a partir dos núcleos de cristalização. é possível que estas tensões resultantes empurrem para fora o conjunto em formação. impedindo o crescimento de outros cristais. com o tempo. promovendo uma expansão de toda a massa. o excesso de água será eliminado. não é difícil imaginar que durante este crescimento cristalino. mesmo que o volume verdadeiro dos cristais.7 EXPANSÃO DE PRESA Independentemente do tipo de produto de gesso empregado. Tomando como base que os cristais de diidrato formados se entrelaçam.5%. além de poros resultantes da água em excesso que é necessária para a mistura (Fig. Como foi visto anteriormente. o resultado será o aparecimento de uma tensão neste ponto. 5-2). os cristais como um todo não só se entrelaçam. isoladamente. Fernanda Panzeri . Estes choques e movimentos dos cristais têm como conseqüência a formação de microporos. é possível detectar-se uma expansão da massa durante a transformação do hemidrato em diidrato. cuja resultante se direciona para o núcleo de cristal que teve seu crescimento impedido. Dependendo da composição do gesso. pode-se observar expansões lineares tão pequenas quanto 0. a partir dos núcleos. Se o crescimento de um cristal é interrompido por outro. situação em que podemos aumentar o nosso tempo de presa. É por isto que uma expansão aparente ou observada irá ocorrer. Como este processo se repete em milhares de cristais durante o crescimento. 5. a tendência é que apareçam mais espaços vazios ou poros. Como. A estrutura final imediatamente após a presa é. portanto. seja menor. composta de cristais interligados e de microporos entre eles. Visto que o produto da reação (diidrato) na prática tem um volume externo maior que o seu volume cristalino. conclui-se que o gesso endurecido é poroso.

entre os cristais . A razão para o aumento da expansão. a reação se inicia e os cristais de diidrato começam a se formar. haverá menos choques que empurram os cristais de diidratos em formação para fora. maior será a expansão de presa. permanecendo mais juntas devido à ação da tensão Fernanda Panzeri .1 Controle da expansão de presa Algumas vezes a expansão de presa nos procedimentos odontológicos é vantajosa e em outras se constitui uma desvantagem. fazendo com que estas se aproximem. No primeiro caso. Se este processo de endurecimento ocorresse em água. No estágio I. O efeito da relação A/P na expansão de presa é de esperar. A teoria é ilustrada na figura 5-3.8 EXPANSÃO HIGROSCÓPICA DE PRESA O gesso comum e o gesso pedra tomam presa ao ar livre.e as eventuais bolhas de ar incorporadas 5.7.Gessos 50 Figura 5-1 . a expansão de presa poderia ser maior que o dobro em sua magnitude. envolvidas por água. Na representação esquemática da esquerda o volume de água que circundava as partículas é diminuído devido à hidratação. a mistura inicial está representada por 3 partículas circulares de hemidrato. com base em fundamentos teóricos. menos núcleos de cristalização existirão por unidade de volume. No estágio II. Consequentemente é necessário controlá-la para que se obtenha uma precisão desejada nas aplicações odontológicas dos gessos. está relacionada com o crescimento adicional dos cristais e não por nenhuma alteração da reação química de presa.Há dois tipos de porosidades: a pequena . quando o hemidrato reage imerso em água. Com uma maior relação A/P. Quanto menor for a relação A/P e maior o tempo de espatulação dentro de limites práticos. pode-se dizer que o espaço entre os núcleos de cristalização será maior e. consequentemente. diferentemente do que acontece em misturas espessas que têm maior quantidade de pó. 5.

os cristais de diidrato entram em contato uns com os outros. iniciando a expansão de presa. Como é mostrado no estágio III no lado esquerdo do diagrama.Representação esquemática da expansão de presa do gesso Com o crescimento.Gessos 51 superficial. os cristais não têm seu crescimento tão inibido. as partículas originais estão agora ligeiramente mais afastadas devido ao crescimento dos cristais. enquanto aquela que acontece Fernanda Panzeri . devido aos entrechoques existentes. que tiveram o crescimento inibido. pois a água utilizada para a hidratação é reposta. Figura 5-2 . e a expansão de presa torna-se finalmente evidente. antes que ocorra o entrelaçamento que impede uma posterior expansão. neste estágio. Os cristais do lado esquerdo. estes últimos crescem mais livremente durante os estágios iniciais. Para diferenciar os dois fenômenos. assim. Já no lado direito do diagrama. se entrelaçam mais cedo que aqueles da direita e. As partículas originais já apresentam seus cristais entrelaçados e a contração que deveria existir é compensada com o crescimento dos cristais para fora. De fato. Fica claro que a expansão de presa observada é muito maior quando o gesso endurece imerso em água do que quando ele toma presa exposto ao ar ambiente. a expansão de presa que acontece ao ar é conhecida como expansão de presa normal. a água em volta das partículas diminui mais ainda. Sabe-se que o mecanismo do crescimento cristalino é o mesmo nos dois casos. No diagrama esquemático do lado direito. esse efeito torna-se mais marcante. Como conseqüência. Nos estágios IV e V. o gesso está tomando presa imerso em água. existindo em ambos uma expansão de presa verdadeira. a água que é usada para hidratação é reposta e a distância entre as partículas permanece a mesma.

como os hidrocolóides e elastômeros. durante a construção de dentaduras. Por outro lado. um α-hemidrato é utilizado. apesar do aumento da expansão de presa. Partículas do tipo cubóide e a diminuição da superfície da partícula produzem tais propriedades sem a necessidade de ter-se uma mistura mais espessa. é necessário que o material do troquel apresente grande resistência e dureza. que em geral são coloridos. da mesma maneira que acontece com a expansão de presa normal. Novamente deve ser enfatizado que a expansão de presa higroscópica é de natureza física e não devida a uma reação química. A diminuição da relação A/P aumenta. Este produto é normalmente comercializado na cor branca. para contrastar com os gessos pedra. com base no que define os limites de especificação. pois neste caso a expansão de presa não é crítica e a resistência que o produto apresenta é adequada. a dureza e um mínimo de expansão de presa. pois ele foi substituído por outros produtos menos rígidos. 5. Fernanda Panzeri .  Gesso pedra (Tipo III): Ele é indicado para construção de modelos.  Gesso para modelo (Tipo II): Sua grande limitação era a baixa resistência. mas não é aceitável quando envolve a moldagem de dentes com preparos cavitários. Esta expansão pode ser suficiente para causar um erro. Troquéis reproduzem dentes com cavidades preparadas nas quais serão confeccionadas próteses. Atualmente este material é raramente usado para moldagem. bem como a expansão normal de presa. a expansão higroscópica de presa. Durante o processo de fabricação dessa prótese.9 TIPOS DE GESSO  Gesso comum para moldagem (Tipo I): Este é o gesso comum ou Paris. o aumento da espatulação também aumenta a expansão higroscópica. de forma semelhante. Para obter estas propriedades.Gessos 52 quando o gesso toma presa imerso em água é denominada de expansão higroscópica de presa. O gesso pedra do tipo III é preferido para a confecção de modelos durante a fabricação de dentaduras. resultando em uma falta de adaptação de uma dentadura ou outro aparelho similar que fosse construído sobre um modelo que apresentasse esta expansão. Este gesso tipo II é atualmente usado principalmente para o preenchimento de muflas. É preciso salientar que uma ligeira expansão é tolerável em um modelo que reproduz os tecidos moles. a resistência é dobrada. na confecção de próteses totais que se ajustam aos tecidos moles.  Gesso pedra de alta resistência (Tipo IV): Os principais requisitos de um gesso para troquel são a resistência. ao qual foram adicionados modificadores para controlar o tempo e a expansão de presa. pois ele apresenta uma resistência adequada para as etapas envolvidas no trabalho e é fácil remover a prótese após a sua conclusão. Este tipo de gesso pode utilizar uma baixa relação A/P e. com isto.

Como uma alternativa. é uma opção. isto porque a secagem na superfície acontece mais rapidamente. durante procedimentos clínicos subseqüentes. Se um molde não foi desinfetado. Isto constitui uma vantagem real. a esterilização gasosa por toda a noite. menos sujeito a uma fratura acidental. modelos podem se tornar reinfectados com organismos patogênicos que podem ser transferidos. pelo vírus da hepatite B e pelo vírus da AIDS. o troquel terá que ser resistente à abrasão. então. e não afetaram as propriedades do material. 5. Quando se tratam pacientes com casos conhecidos de infecção. Para isso. podem ser utilizadas soluções desinfetantes. É um fato promissor que a dureza da superfície aumente mais rapidamente que a resistência à compressão. usa-se um instrumento afiado e. ao pessoal técnico. utilizando autoclave. diferentemente da apresentada pelas ligas de metais nobres. Apesar de a adição de um desinfetante poder provocar ligeiros efeitos em algumas propriedades físicas de certos produtos.  Gesso pedra com alta resistência e com alta expansão (Tipo V): Este é o mais recente produto de gesso.Gessos 53 É necessário que um gesso para troquel possua uma superfície resistente. Este aumento de resistência é conseguido principalmente pela diminuição da relação A/P. pois a superfície do troquel deve resistir à abrasão enquanto o corpo do troquel é tenaz e. ou se o laboratório não tem a certeza de que os procedimentos de desinfecção foram seguidos. pois apresenta uma resistência à compressão superior àquela do gesso tipo IV. de modo a compensar a contração de solidificação da liga. adversamente. Por isso.30%. já que estas não provocam efeitos adversos nas qualidades do modelo de gesso. imersão prolongada em soluções de desinfetante pode causar mudanças dimensionais inaceitavelmente grandes em moldagens de hidrocolóides e polieter. Fernanda Panzeri . portanto. A via de transmissão pode ser os materiais de moldagem. A razão para o aumento da expansão de presa é que certas ligas novas. a adição de desinfetantes na água utilizada para a manipulação do gesso foi investigada . Por outro lado.10 para 0. como as de metais básicos. os gessos pedra desinfetados aparentemente se comparam favoravelmente com aqueles não desinfetados e usados como controle. apresentam uma grande contração de solidificação. Porém. ambos são irritantes de tecido conhecidos.10 CONSIDERAÇÕES SOBRE O CONTROLE DE INFECÇÕES Está havendo um aumento do interesse em expandir os meios de controle de infecção nos laboratórios odontológicos. é prudente que se desinfete o modelo de gesso pedra. Existe um entendimento sobre a possibilidade de contaminação cruzada do pessoal que trabalha nesses ambientes por microrganismos. a expansão de presa foi aumentada de 0. é necessário uma maior expansão do gesso pedra utilizado para a confecção do troquel. por conseqüência. Para realizar este procedimento. pois nele existirá uma cavidade que será preenchida com cera. Porém. Esta cera será esculpida e precisará ter um contato íntimo com as margens do troquel. Além disso.5% fenol e 2% glutaraldeído provaram ser efetivos.

L. 1998 p. J. FERRACANE. W. In: ________ . J. Materials in Dentistry. – Materiais para confecção de modelos e troqueis. 185208.. 1ª ed. Fernanda Panzeri . este processo é impraticável no uso rotineiro pelos profissionais e pessoal de laboratório. Rio de Janeiro. 34-52. In: ________. 1995.G. BIBLIOGRAFIA ANUSAVICE. J. 199-219. CRAIG. London. Guanabara Koogan. Blackwell Science. J. São Paulo. 7ª ed. 29-35. WATAHA.. In: ________ Materiais Dentários de Phillips. McCABE. Philadelphia. 1998. F.C. J. Applied Dental Materials. POWERS. R. A. Produtos à Base de gesso. p. – Gypsum Products for Dental Casts. G. 111-124.. – Dental Plaster and Stone. 2002 p. WALLS. W. DARVELL. In: ________ Materiais Dentários. Santos. Hong Kong. p. 8ª ed. 2000 p. Principles and Applications.M. – Gypsum Materials In: ________ Materials Science for Dentistry. Lippincott Williams & Wilkins. 6ªed. Propriedades e Manipulação.Gessos 54 Entretanto. B.

Fernanda Panzeri .Gessos 55 ROTEIRO DE AULA PRÁTICA Gessos Odontológicos 1.2 – Manipulação     Colocar a água no gral Dispersar o pó sobre a água Espatulação vigorosa Tempo de espatulação: 1 minuto 3. 3. Instrumentais Necessários        Gral de Borracha Espátula para Gesso Balança Proveta Agulhas de Gillmore Agulha de Le Chatelier Régua milimetrada 2.Verificação do Tempo de Presa  Determinar tempos de presa inicial e final para os três tipos de gesso utilizando a Relação A/P segundo o fabricante  Manipular o gesso de acordo com as recomendações acima  Colocar o gesso manipulado no recipiente recebido  Utilização das agulhas de Gillmore  A cada 30 segundos aplicar a agulha menor. Quando ela não mais marcar a superfície do gesso atingiu-se o tempo de presa inicial. III e IV  Dispersar cada um dos gessos em uma proveta  Verificar o volume ocupado em cada um dos casos.1 – Observar a densidade dos diferentes tipos de gesso  Pesar 30g de gesso tipos II. Materiais Utilizados    Gesso tipo II (Comum) Gesso tipo III (Pedra) Gesso tipo IV (Pedra melhorado) 3. Exercícios 3.3 .

 Determinar tempos de presa inicial e final variando o tempo de espatulação  Manipular os três tipos de gesso com a Relação A/P segundo o fabricante por um tempo maior (2 minutos) e/ou menor (30 segundos) e verificar os tempos de presa inicial e final 3. a cada 30 segundos. atingiu-se o tempo de presa final do gesso.4 – Controle do Tempo de Presa  Determinar tempos de presa inicial e final variando a relação A/P  Manipular cada tipo de gesso com a relação A/P acima e/ou abaixo da recomendada pelo fabricante e verificar os tempos de presa inicial e final.6 – Verificação da Expansão Higroscópica  Colocar as extremidades da agulha de Lê Chatelier sobre a régua milimetrada e anotar a distância entre elas  Manipular os diferentes tipos de gesso com relação A/P segundo o fabricante  Colocar a mistura dentro da agulha de Le Chatelier  Adicionar sobre a mistura 1mL de água  Aguardar a presa final dos gessos  Medir a distância entre as extremidades da agulha novamente 4 – Elaborar relatório sobre as características de manipulação que você observou durante a aula e corelacionar às propriedades do material.5 – Verificação da Expansão de Presa  Colocar as extremidades da agulha de Lê Chatelier sobre a régua milimetrada e anotar a distância entre elas  Manipular os diferentes tipos de gesso com relação A/P segundo o fabricante  Colocar a mistura dentro da agulha de Le Chatelier  Aguardar a presa final dos gessos  Medir a distância entre as extremidades da agulha novamente 3.Gessos 56  Em seguida. aplicar a agulha maior. ou essa marca for quase imperceptível. 3. Quando ela não mais marcar a superfície do gesso. Fernanda Panzeri .

Gessos Odontológicos Resultados Tempo de Presa Inicial Tipo de Gesso Relação A/P segundo o fabricante Menor Relação A/P Maior Relação A/P Maior Tempo de Espatulação Menor Tempo de Espatulação Final IV II III IV II III Medida Inicial Tipo de Gesso Expansão de Presa Expansão Higroscópica Expansão Medida Final II III IV Total II III IV .

6 Introdução aos Materiais de Moldagem .

6. e a seleção do melhor material para uma dada situação clínica particular e laboratorial fica a critério do dentista. Eles não são capazes de sofrer deformação elástica no momento da remoção da moldagem e em qualquer retenção podem ser fraturados (Fig.2 REQUISITOS DOS MATERIAIS DE MOLDAGEM         Facilidade de mistura Tempo de trabalho adequado Tempo de presa Recuperação elástica e rigidez Estabilidade dimensional Fidelidade de reprodução Facilidade de vazamento Custo acessível Nenhum material preenche todos os requisitos. incluindo os espaços retentivos. Os materiais de moldagem elásticos definem a segunda categoria. Alguns materiais de moldagem tomam-se rígidos e não podem ser removidos sem fraturar ou distorcer a moldagem. O termo irreversível implica que reações químicas ocorrem. 6. o material não pode ser revertido ao estágio inicial. a moldagem. Esses materiais são capazes de reproduzir adequadamente tanto os tecidos duros como tecidos moles da boca. as características do tecido. Outra forma de classificar os materiais de moldagem é segundo o seu uso. Esses . Por outro lado. a qualidade da moldagem e a qualidade do modelo. o modelo precisa ser uma reprodução exata e fiel das estruturas orais. Para produzir uma moldagem precisa. Vários tipos de modelos podem ser feitos a partir do gesso que são obtidos através de uma reprodução em negativo das estruturas anatômicas. com nenhuma mudança química. É no modelo de gesso que o dentista desenha e constrói tanto a prótese fixa como removível. assim.3 CLASSIFICAÇÃO DOS MATERIAIS DE MOLDAGEM Os materiais de moldagem podem ser classificados como reversíveis ou irreversíveis. de acordo com a maneira pela qual o material endurece. Também devem ser levadas em consideração as condições ambientais. Assim. Esses materiais são classificados em anelásticos. o material de moldagem empregado para reproduzir fielmente a réplica dos tecidos intra e extra-orais deve preencher os seguintes requisitos: 6.1 INTRODUÇÃO Construir um modelo é um passo importante em numerosos procedimentos odontológicos. o termo reversível revela os materiais que amolecem sob o calor e solidificam quando resfriados. 6-1).

materiais de moldagem se subdividem em dois tipos: os hidrocolóides e o elastômeros. Figura 6-1 .Comportamentos diferentes dos materiais de moldagem frente à retenções .

7 Hidrocolóides .

não há uma linha que demarque a separação destes sistemas.1 Composição e Reação de Geleificação do Alginato Alginato de potássio Sulfato de Cálcio Óxido de Zinco Fluoreto de potássio titânio 15% 16% 4% e 3% Fernanda Panzeri .2 OS HIDROCOLÓIDES No final do século passado. que chamou de algin. se dispersa uniformemente na água ou no solvente. Num ponto entre os extremos.2. Já para os colóides ou as suspensões. constituição e reação. sendo que os principais fatores responsáveis pelo seu sucesso foram:  Fácil manipulação  Conforto para o paciente  Baixo custo 7. Esta substância natural foi mais tarde identificada como sendo um polímero linear e foi incorporada ao material de moldagem. havendo uma fácil difusão daquelas de açúcar. Devido às suas diferenças de estrutura. um químico escocês observou que certas algas marrons produziam um extrato mucoso.1 COLÓIDES Para o melhor entendimento do hidrocolóide. onde existem moléculas muito pequenas em solução e partículas muito grandes em suspensão. Se o açúcar for substituído por partículas maiores e visíveis. que não se solubilizem. Examinemos uma solução de açúcar em água. daí o nome de hidrocolóide. Neste ponto. o sistema será denominado suspensão. os colóides são freqüentemente classificados como o quarto estágio da matéria. As moléculas de açúcar. conhecido como estado coloidal. Não há separação entre a molécula do soluto e a do solvente. surgindo um material de boa aceitação. Há uma atração mútua entre as moléculas de açúcar e as de água. como a areia. Os materiais coloidais usados para moldagens são o ágar ou o alginato dissolvidos em água. 7. encontra-se a solução coloidal ou o sol coloidal. temos que aprender o que é um colóide. evidenciam-se 2 fases: a fase dispersa ou de partículas dispersas e a fase dispersiva ou meio dispersivo. ou seja.Hidrocolóides 62 7. Nas soluções verdadeiras existe uma única fase. o soluto.

não. um processo de solidificação. O óxido de zinco também pode atuar como carga. de alguma maneira. facilitando a dispersão das partículas de pó de alginato na água. Kn Alg + n/2 CaSO4 n/2 K2SO4+ Ca n/2 Alg A reação é retardada com a adição de fosfato de sódio. o sulfato de cálcio reage com o alginato de potássio para produzir alginato de cálcio. Sem esta carga. são aceleradores de presa dos produtos de gesso. mas alguns de seus sais. Esse elemento deve ser adicionado ao pó com cuidado. SOL GEL Fernanda Panzeri .2 Estrutura do Gel A geleificação de um hidrocolóide é. Em concentrações apropriadas. é utilizado o alginato de sódio e potássio. e tem certa influência sobre as propriedades físicas e o tempo de endurecimento do gel. Se adicionada em quantidade apropriada. Nesse momento.Hidrocolóides 63 Diatomita Fosfato de sódio 60% 2% O componente principal do hidrocolóide irreversível para moldagem é um alginato solúvel. a reação entre o sulfato de cálcio e o alginato solúvel é parcialmente impedida ou retardada pelo período em que o fosfato de sódio estiver na solução. O alginato de cálcio é insolúvel e sua formação causa a mudança do material para gel.2. o sulfato de cálcio é dissolvido. 7. Ela também auxilia na formação do sol. O gel é formado a partir de um sol. além de propiciar uma textura macia e assegurar uma superfície do gel firme e não aderente. ela aumentará a resistência e a dureza do gel de alginato. Desta maneira. O fluoreto de titânio e potássio é incorporado para promover uma superfície mais densa e dura no modelo de gesso. pois o sulfato de cálcio irá reagir preferencialmente e em maior magnitude com ele. O ácido algínico é insolúvel em água. em decorrência de uma reação química. mas aqueles obtidos do sódio. Ele é normalmente um polímero linear de um sal de sódio do ácido algínico. Dissolvido. o material encontra-se na forma de sol. o gel formado não teria firmeza e exibiria uma superfície pegajosa. Por isso. O objetivo da diatomita na composição é agir como carga. de modo a fornecer um tempo de geleificação adequado. A maioria dos sais orgânicos é insolúvel. quando misturados com água. nesse caso. potássio e amônia apresentam solubilidade em água. formando um sal de cálcio insolúvel. O alginato de potássio e o sulfato de cálcio estão incluídos no pó e.

Com o prosseguimento da reação. Um gel fraturado não se une. O melhor método de controle do tempo de geleificação é alterar a temperatura da água utilizada para ser misturada com o pó do alginato. Assim. A estrutura final poderia ser imaginada como uma rede de fibrilas de alginato de cálcio em forma de novelo. Esta rede irá formar a estrutura enovelada do gel. imprestável. modificando-se a relação água/pó e o tempo de manipulação. as partículas de carga e subprodutos da reação. Um tempo de geleificação prolongado é tedioso tanto para o paciente quanto para o dentista. forma-se um complexo molecular de ligações cruzadas ou uma estrutura polimérica em forma de rede. Uma vez começada a geleificação. não se apresenta pegajoso ou aderente. e o mais prático para o clínico. produzindo desta forma uma ligação cruzada entre elas. Ele é de muito interesse. num clima quente. o tempo ideal de geleificação deveria situar-se entre 3 e 4 minutos em urna temperatura ambiente de 20 ºC. é observar o tempo decorrido desde o início da mistura até o momento em que o material. 7. Provavelmente. Fica evidente que quanto maior for a temperatura mais curto será o tempo de geleificação. ao ser tocado com o dedo limpo e seco. o excesso de água. mas isto pode alterar determinadas características do gel.2. o melhor. o íon cálcio irá substituir os íons de sódio em duas moléculas vizinhas. uma geleificação prematura que se inicie antes que a moldeira carregada seja colocada na boca do paciente resultará em um molde distorcido e. carregue a moldeira e posicione: na boca do paciente. usando-se água fria para a mistura. a não ser que seja novamente fluidificado e retome à forma de gel. Por outro lado. ela não deve ser interrompida.3 Controle do Tempo de Geleificação O tempo de geleificação é medido desde o inicio da mistura até o momento em que ocorre a geleificação do material. Provavelmente. No momento em que o gel é formado pela reação do alginato de sódio em solução com o sal de cálcio. ocorrerá uma geleificação prematura. pois tem que ser suficiente para que o dentista manipule o material. O efeito da temperatura da água. na qual estaria aprisionado o sol de alginato de sódio que não reagiu com o sal de cálcio. precauções especiais devem ser tomadas. Fernanda Panzeri . pois qualquer fratura das fibrilas será de natureza permanente. na maioria das vezes. Existem vários métodos para medir o tempo de geleificação. no tempo de geleificação de um alginato para moldagem. Se isto não for feito. é mostrado no Gráfico 7-1.Hidrocolóides 64 As fibrilas do gel de um alginato mantêm-se unidas por ligações primárias. O tempo de geleificação de alguns produtos comerciais pode ser alterado.

a moldeira deve ser colocada na boca do paciente primeiro na parte posterior movimentando o material para anterior. O tempo de manipulação deve ser de 1 minuto. executando uma rotação constante e intermitente da espátula (180 graus). a massa deve ser colocada sobre moldeira apropriada para que o material seja levado à boca. sendo que esse tempo se inicia desde o momento em que a primeira porção do pó foi colocada sobre a água. representando a figura de um oito. Imediatamente após a mistura. que deve permanecer na espátula. 62d). de forma que o excesso de material escoe nessa região (Fig. É imperativo que o material tenha aderência à moldeira para que o alginato possa ser retirado de áreas retentivas em uma só etapa. A espatulação vigorosa.O efeito da temperatura da água na geleificação do alginato 7. moldeiras perfuradas devem ser empregadas. Se uma moldeira de metal liso (sem perfurações) for selecionada. O pó é vertido sobre a água pré-mensurada. que foi previamente colocada em uma cuba limpa e seca. uma medida de água. criteriosamente.Hidrocolóides 65 6 Tempo de presa (min) 5 4 3 2 1 0 0 10 30 50 Temperatura (ºC) Gráfico 7-1 . Cuidados devem ser tomados para não incorporar bolhas de ar na mistura. com movimentos suaves de uma espátula de metal. devem ter retenções adicionais para reter o hidrocolóide (Fig. o pó é incorporado à água. é utilizada uma relação A/P de 1:1. 6-2f). É importante ter uma quantidade uniforme de material de moldagem na moldeira para evitar que seja perdido qualquer detalhe do tecido. Então. ou seja. Após essa etapa. com a mistura sendo espremida ou amassada de encontro às paredes da cuba. O resultado final da mistura deve ser uma massa lisa e cremosa. é o melhor procedimento de manipulação.2. para cada medida de pó. o material é rapidamente colocado sobre a moldeira (Fig. 6-2e). Fernanda Panzeri . Para tanto.4 Manipulação Para a manipulação do alginato. quando retirada da cuba (Fig 6-2a-c). Para obtenção da moldagem.

Se. A rigidez e a resistência do gel estão relacionadas com a densidade ou a concentração da estrutura enovelada. como conseqüência.5 Propriedades Resistência O gel pode suportar tensões consideráveis. por exemplo. consequentemente. uma quantidade muito grande ou muito pequena de água for usada para a mistura. como agentes de carga ou substâncias químicas. o gel final se apresentará menos resistente. A resistência final do gel pode ser radicalmente reduzida se a manipulação não for adequada. haverá uma desorganização da estrutura fibrilar. As recomendações do fabricante que acompanham os produtos devem ser seguidas em todos os seus aspectos.Hidrocolóides 66 7. uma vez que o gel de alginato de cálcio formado durante esta espatulação será fraturado e. particularmente aquelas de cisalhamento. resultando em um escoamento e distorção. Todos os fatores de manipulação afetam a resistência do gel e estão sob o controle do dentista. a b Fernanda Panzeri . Se as tensões forem mantidas por muito tempo. desde que elas sejam aplicadas de maneira rápida. Uma espatulação prolongada também dá resultados deficientes. a reação química não se processa uniformemente em toda a extensão da massa. sem escoar-se. A resistência pode ser aumentada pela adição de certos modificadores. Uma espatulação insuficiente faz com que os ingredientes não se dissolvam completamente e. Por isso uma relação A/P adequada e especificada pelo fabricante deve ser a utilizada. a resistência diminuirá.2.

como uma coroa. Fernanda Panzeri . Sendo os hidrocolóides materiais hidrofílicos. a moldagem com alginato não é capaz de reproduzir minúsculos detalhes. eles são capazes de moldar inclusive superfícies molhadas. obtido a partir de uma material de moldagem.Hidrocolóides 67 c d e Figura 7-1 . A precisão de qualquer modelo. requerem um molde que reproduza detalhes com precisão. será obviamente dependente da capacidade de reprodução de detalhes dos dois materiais: de moldagem e do modelo. Porém. Esta é uma das razões principais pelas quais o alginato para moldagem não é usado em casos de impressões para prótese fixa. mesmo assim.Seqüência de procedimentos para a obtenção de uma moldagem com alginato f Reprodução de detalhes A reprodução de detalhes de um material de moldagem é a capacidade que ele apresenta em copiar os detalhes mais finos de uma estrutura a ser moldada. A reprodução fiel dos finos detalhes dos tecidos duro e mole está na dependência de fatores como a viscosidade do material de moldagem (Fig 6-3) e a interação do material de moldagem com a saliva. Tais restaurações. Materiais hidrofóbicos podem deixar de moldar superfícies que estão envolvidas com saliva.

Guanabara Koogan. 1998 p. 1ª ed.Hidrocolóides 68 Figura 7-2 . qualquer que seja o meio. O gel pode perder água por evaporação da sua superfície ou através de um processo de saída de exsudatos fluidos. para resultados mais precisos. o modelo deve ser construído tão logo a moldagem seja terminada. e se. O gel parece exibir uma "memória" em relação a este aspecto. Se este conteúdo de água no gel. BIBLIOGRAFIA: ANUSAVICE. Como conseqüência. até que o conteúdo original de água seja restaurado. Ela deve ser adequada para permitir correto escoamento nos mínimos detalhes a copiar para que a moldagem seja correta. ele irá contrair-se. Durante a embebição. grande parte do volume do gel é ocupada por água. Estabilidade Dimensional Como é de esperar da estrutura de um hidrocolóide. causará sem dúvida um erro. ele absorver este líquido. Os alginatos são mais estáveis quando armazenados em um umidificador em umidade controlada de 100%. In: ________ Materiais Dentários de Phillips. conhecidos como sinérese. irá ocorrer uma sorção por um processo conhecido como embebição. se uma certa quantidade de água for removida de um gel com uma determinada concentração. Fernanda Panzeri . Tais alterações possíveis de ocorrer nas dimensões são de considerável importância em odontologia.Um dos fatores que interfere na reprodução de detalhes de uma material de moldagem é a sua viscosidade. Se estes materiais estão sendo utilizados para obter uma moldagem.67-82. Se o gel sofreu uma diminuição do seu conteúdo de água. for reduzido. A flutuação no conteúdo de água e as alterações dimensionais também ocorrem durante a armazenagem do alginato. J. Esta ocorre desde que o gel esteja em contato com a água. após ele ter sido removido da boca. irá expandir-se ou intumescer. a embebição irá ocorrer somente na extensão que promova a restauração daquela água perdida. ao contrário. Entretanto. assim. Rio de Janeiro. Esta é uma propriedade característica do gel. qualquer alteração na dimensão do molde. Materiais de moldagem Hidrocolóides. ocorrera uma contração. haverá um intumescimento do gel.

Lippincott Williams & Wilkins. A. Principles and Applications. London. W. 118-126. In: ________. p. W. R. J. 1998. Applied Dental Materials. In: ________ . Applied Dental Materials. PHILLIPS. Blackwell Science. Blackwell Science. W. Philadelphia. – Materiais Elásticos para Moldagem: Alginatos (Hidrocolóides Irreversíveis). – Elastic Impression Materials: Hydrocolloids. 1995. L. – Impression Materials. Chicago. J. p. London. 1997 p. p. 8ª ed. Materiais Dentários de Skinner. – Impression Materials: Classification and Requirements. G. 74. Rio de Janeiro. J.Hidrocolóides 69 FERRACANE. 8ª ed. O’BRIEN. A. 2ª ed. Materials in Dentistry. J. & WALLS. In: ________. 9ª ed. 1993 p. & WALLS. Quintessence Books. F. – Impression Materials In: ________ Dental Materials and their Selection. F. W. McCABE. 169-186. 123-132. McCABE. G. In: ________ . Guanabara Koogan. Fernanda Panzeri . 133-140. 1998.

Tempo de Geleificação: Determinado quando a massa não mais adere após o toque digital (aproximadamente 3 a 4 minutos). Aspecto Final: Massa fluida. Técnica de Espatulação  Medir a água e colocá-la no gral de borracha  Colocar o pó sobre a água  Iniciar a mistura aglutinando os componentes. para gesso  Espátula 24  Moldeira Total Perfurada  Alginato  Gesso Pedra Melhorado  Gesso Pedra  Vibrador de Gesso  Medidores de pó e água 2. Instrumentais e Materiais Utilizados  Gral de borracha  Espátula de aço. brilhante e homogênea.Hidrocolóides 70 ROTEIRO DE AULA PRÁTICA Hidrocolóides Irreversíveis 1. Exercício: Verificar a influência da relação A/P sobre o tempo de geleificação • Manipular o alginato nas seguintes relações A/P: o 2:2 (segundo recomendação do fabricante) o 1:2 o 2:1 Verifique o tempo de geleificação e a consistência da mistura nas três situações • Verificar a influência da temperatura da água sobre o tempo de geleificação • • Manipular o alginato na relação A/P recomendada pelo fabricante o com água na temperatura ambiente o com água gelada Verifique o tempo de geleificação nas duas situações Fernanda Panzeri . com cuidado. 5. iniciando-se no momento em que o pó é colocado sobre a água.  Espatular vigorosamente a massa OBS: O tempo de manipulação deverá ser de 1 minuto. 4.

Hidrocolóides 71 Fazer a moldagem total do arco superior do manequim e obter um modelo de gesso composto (Gesso Pedra Melhorado na região dos dentes e Gesso Pedra no restante)  Preparar e provar a moldeira no manequim  Espatular corretamente a mistura de alginato e colocar na moldeira. proporciona-se o gesso pedra na relação A/P fornecida pelo fabricante  Espatular o gesso pedra e vazar sobre o gesso pedra melhorado e as retenções  Aguardar o tempo de presa final do gesso e recortar o modelo. Quais as diferenças apresentadas? Quais falhas ocorreram para considerar o molde inadequado? Fernanda Panzeri . Apresentar relatório com as observações das seguintes características: compare os moldes adequados com os inadequados. no sentido do longo eixo dos dentes  Proporcionar o gesso pedra melhorado usando como relação A/P: 80g de pó para 18 ml de água  Espatular vigorosamente por 1 minuto e vazar o gesso sobre os dentes utilizando a espátula 24  Aguardar alguns minutos até o gesso perder o brilho e fazer retenções com o restante do gesso  Enquanto é aguardada a presa inicial do primeiro gesso. preenchendo-a  Colocar o alginato fluido nos dentes com o dedo  Comprimir o alginato da moldeira contra a região a ser moldada e manter a moldeira imóvel durante e após a geleificação  Retirar a moldeira com golpe único e rápido.

8 Elastômeros .

Eles tiveram grande aceitação na odontologia devido ao fato deles oferecerem soluções para os dois problemas principais associados aos hidrocolóides: pouca resistência e pouca estabilidade dimensional. e foram desenvolvidos como cópias das borrachas naturais. (3) material pesado e (4) massa densa. A quantidade de ligações determina a rigidez e o comportamento elástico do material. mas seu uso na medicina e na odontologia foi rapidamente realizado e eles agora são largamente usados como materiais de moldagem.2. cada tipo está subdividido em quatro classes de viscosidade: (1) material leve. Estes materiais são classificados como borrachas sintéticas. Quando distendidas essas cadeias moleculares desenrolam-se. as siliconas que polimerizam por adição.1 INTRODUÇÃO Além dos hidrocolóides em forma de gel. Após a remoção da tensão.2 POLISSULFETO 8. existe um grupo de materiais de moldagem que se assemelham à borracha conhecidos tecnicamente como elastômeros. quando estas tornaram-se escassas durante a II Guerra Mundial. representada esquematicamente pela fórmula: Fernanda Panzeri . mas que se encontram unidas em certos pontos por uma rede tridimensional.1 Composição Esses materiais são geralmente acondicionados em um sistema de duas pastas. Quimicamente. existem quatro tipos de elastômeros usados como materiais de moldagem dentários: os polissulfetos. Um material elastomérico é um polímero (composto formado por sucessivas aglomerações de grande número de moléculas fundamentais). Os elastômeros foram desenvolvidos principalmente para aplicações na indústria. Uma delas é a pasta base e a outra é a pasta catalisadora. e os poliéteres. com interações fracas entre elas.Elastômeros 73 8. Entretanto. A especificação atual da ADA considera três tipos de materiais de moldagem elastoméricos. elas voltam ao estado emaranhado anterior. 8. (2) material médio ou regular. O ingrediente básico da pasta base é o polímero. as siliconas que polimerizam por condensação. em vez de sua química. uma mercaptana ou um polímero de polissulfeto. Ele deve conter grandes moléculas. O tipo de classificação está baseado na relação dos materiais por suas propriedades elásticas e por suas alterações dimensionais.

normalmente. 8. marrom escuro. Na mistura das duas pastas.2. devido à presença de agentes de carga e tem um odor desagradável causado pela alta concentração de grupamentos mercaptanos. O contraste de cores das duas pastas é um auxiliar no momento da mistura. 8. que têm enxofre. A pasta conhecida como catalisadora ou aceleradora contém dióxido de chumbo. Os tubos das pastas apresentam orifícios de diâmetros diferentes. neste estágio. materiais que contêm peróxido de chumbo são.3 Manipulação Comprimentos iguais das duas pastas são espremidos sobre uma placa de manipulação. devemos utilizar sempre as pastas originais fornecidas pelo mesmo fabricante. assim como é usada uma pequena quantidade de carga. que confere uma viscosidade apropriada à pasta.7-1). A cor da pasta catalisadora é dada em virtude da natureza dos agentes oxidantes utilizados. um material com elasticidade e resistência adequadas é formado e pode ser removido prontamente de áreas retentivas. sem estrias. o dióxido de chumbo catalisa a ligação dos grupamentos terminais pendentes com outros das moléculas vizinhas. Ao comprimir os tubos e obter comprimentos iguais das pastas. uma rede resiliente começa a se formar. além de um plastificante.2 Reação de Presa A reação de presa inicia-se no começo da mistura e alcança sua velocidade máxima tão logo a espatulação se complete. tem-se uma relação apropriada entre o polímero e o reagente para ligação cruzada. Fernanda Panzeri . do que resulta um aumento no comprimento das cadeias e em ligações cruzadas entre elas (Fig. Retardadores são freqüentemente adicionados para controlar a velocidade da reação de endurecimento. Durante a presa final. como a compensação do material no tubo da pasta base está balanceada para aquele encontrado no tubo da pasta aceleradora. Nesta pasta é usado o mesmo plastificante da pasta base. Este conjunto de substâncias forma a pasta base. que deve ser feita até atingir uma cor homogênea. A pasta base geralmente apresenta cor branca.Elastômeros 74 HS SH SH O polímero de polissulfeto tem adicionado à sua composição um agente de carga para propiciar a resistência necessária.2. É importante salientar que.

O oxigênio do peróxido de chumbo reage com o hidrogênio do grupamento SH e forma moléculas de água Fernanda Panzeri .Elastômeros 75 HS SH SH SH SH SH SH PbO2 HS HS HS S S S SH SH S HS HS Figura 8-1 .Reação de presa do polissulfeto.

Depois disto. sem estrias provenientes das cores da pasta base ou da catalisadora (Fig. como conseqüência. levar toda a pasta catalisadora e distribuí-la sobre a pasta base. Fernanda Panzeri .4 Propriedades As características dos polissulfetos diferem consideravelmente daquelas do alginato. devemos inicialmente. com a espátula de aço inoxidável. como conseqüência. Uma outra propriedade a ser relatada será o tempo de trabalho. Foi verificado que o tempo de presa não corresponde ao tempo de polimerização. Nesses casos. 7-2). após a presa. o tempo de presa será diminuído por ser a temperatura oral mais elevada e pela existência de umidade. se a força aplicada for suficiente e a espatulação for rápida. Algumas pastas de polissulfetos são extremamente viscosas e pegajosas. continuamos este processo de mistura até que toda a pasta apresente uma cor uniforme. e vice-versa. Se a mistura não ficar homogênea. quando o material de moldagem é levado à boca. Conseqüentemente são difíceis de manipular. Atualmente. o material terá espessura mais fina e será fácil de manipular. Um aumento na temperatura acelera a velocidade de polimerização de todos os elastômeros para moldagem e. Com a espátula e utilizando movimentos circulares. 8. por um tempo considerável. Esse fenômeno é chamado de pseudoplasticidade. a polimerização não se dará uniformemente e. Tempo de presa O tempo de presa pode ser definido como aquele passado desde o início da manipulação até que a polimerização tenha atingido um grau suficiente que permita remover o molde da boca com um mínimo de distorção.2. sabemos que a polimerização pode continuar. O tempo de trabalho deve exceder o tempo de espatulação. A medida deste tempo também se inicia ao começar a espatulação e termina imediatamente antes que o material apresente propriedades elásticas.Elastômeros 76 Após colocar as quantidades necessárias das pastas naquela placa de manipulação. o tempo de presa e o de trabalho são diminuídos. teremos distorções no molde. espalhamos a mistura sobre a placa de manipulação. Um método prático de aumentar o tempo de trabalho (e conseqüentemente o tempo de presa) é manter o material em ambiente refrigerado ou quando a mistura é feita em um bloco de espatulação resfriado e seco Por outro lado.

mais preciso ele será. O tempo de presa mencionado pelo fabricante nem sempre corresponde àquele em que o material tenha conseguido uma elasticidade suficiente para impedir uma deformação permanente quando da remoção do molde. é mais vagarosa para os polissulfetos do que para os outros elastômeros. quando comparado com os outros materiais. antes da sua remoção. os polissulfetos exibem mais deformações permanentes após forças de compressão. as propriedades elásticas desses materiais para moldagem melhoram com o tempo de polimerização. quanto mais tempo o molde possa permanecer na boca. Além disso.Elastômeros 77 Figura 8-2 . após um esforço como a remoção de uma moldagem. Fernanda Panzeri .Manipulação do polissulfeto Elasticidade Como era de esperar. Em outras palavras. sendo esta afirmação especialmente válida para os polissulfetos e as siliconas de adição. A recuperação de uma deformação elástica.

Também. porque a moldagem é mais precisa tão logo seja removida da boca. Na fabricação de uma restauração que deve ter uma boa adaptação. Esta deformação é diretamente proporcional à duração e à quantidade da deformação produzida. O material de moldagem é então colocado no espaço previamente ocupado pela cera.Elastômeros 78 Como esses materiais são viscoelásticos. há uma recuperação incompleta da deformação. mesmo de áreas retentivas. pois o subproduto da reação (água) é perdido. O problema seguinte diz respeito à adesão do material à base de borracha à moldeira individual. para que quando o molde for removido da boca. Apesar da falta de rigidez. é importante que a moldagem seja a mais acurada possível. reduzindo o desconforto ao paciente durante a compressão exercida na moldeira para o assentamento.2. devido às propriedades viscoelásticas. Estabilidade dimensional O molde deve ser vazado imediatamente após a obtenção da moldagem. classificam-se em último lugar em uma escala crescente de rigidez. como as que ocorrem durante a remoção do molde da boca. o que causa contração. é feito um molde prévio de alginato e um modelo de gesso é obtido. Para confeccionar uma moldeira individual. ele não venha a sofrer distorção. com um mínimo de esforço. a moldeira é separada do modelo. Fernanda Panzeri . Após sua polimerização. irão aumentar a deformação permanente. removidos.5 Aplicações Os polissulfetos são comumente usados para moldagens de coroas e pontes e raramente para outras aplicações. o material não-polimerizado tem um alto nível de viscosidade. e a cera e o alumínio. 8. Porções desse modelo são recobertas com uma ou duas lâminas de cera e sobre esta cera é colocada uma folha de alumínio. o excesso de material não escoará facilmente. Sua flexibilidade permite que o material polimerizado seja removido. deformações repetidas. Esta consistência espessa do material nãopolimerizado auxilia no deslocamento de fluidos bucais presentes enquanto a moldeira está sendo assentada. Resina acrílica é manipulada e colocada sobre a folha de alumínio para formar a moldeira. Isso é geralmente conseguido através do uso de uma moldeira individual confeccionada em resina acrílica. entre os materiais de moldagem. para agir como espaçador para o material de moldagem. Reologia Os polissulfetos. além disso. o aprisionamento perfeito do material de moldagem na moldeira é imperativo. Como para os hidrocolóides.

O adesivo forma uma união tenaz entre o material à base de borracha (química) e a resina da moldeira (mecânica). de modo a formar uma rede tridimensional. Uma reação de polimerização por adição envolve a ligação de 2 moléculas para formar uma terceira. Essa ligação é produzida em razão da presença de iniciadores. que é normalmente uma molécula pequena como a água. previamente à colocação do material de moldagem. Fernanda Panzeri . Uma ligeira rugosidade da superfície da moldeira irá aumentar esta adesão. Iniciador A+B AB Uma reação de polimerização por condensação envolve a reação de 2 moléculas para formar uma terceira maior com a produção de uma outra substância. Essa reação pode ser ilustrada pela reação entre o ácido acético e o álcool etílico para formar o acetato etílico: CH3CO2H + C2H5OH CH3CO2C2H5 + H2O O material chamado base é apresentado como uma pasta de consistência semelhante à dos elastômeros à base de polissulfetos. Já o catalisador é fornecido como um líquido de baixa viscosidade ou como uma pasta. 8.3 SILICONAS POR CONDENSAÇÃO No grupo das siliconas existem aquelas que se polimerizam por adição e aquelas que se polimerizam por condensação. Um exemplo simples de uma reação por condensação é a reação de esterificação no qual um ácido orgânico e um álcool reagem para formar um éster com a formação de água. maior.Elastômeros 79 A adesão pode ser conseguida pela aplicação de um adesivo sobre a moldeira plástica. A formação do elastômero ocorre através da ligação cruzada entre os grupamentos terminais do polímero de silicona e o silicato alquímico.

Rosa. e gotas de líquido são proporcionadas ao lado da pasta base. o processo de manipulação será o mesmo descrito para os polissulfetos de borracha.4 REAÇÃO DE PRESA Da mistura dos dois componentes (pasta/pasta. como a cor marrom do dióxido de chumbo empregado nos polissulfetos. das propriedades desejadas e do fabricante. Este material é usado como moldeira e em conjugação com as siliconas de uma baixa viscosidade. 8.3. 8. o subproduto formado é o álcool etílico. Esses polímeros não têm uma cor característica. Ela é caracterizada por apresentar alta concentração de carga e. dependendo do tipo de consistência desejada. Como é uma reação por condensação. é comercializada em potes.Elastômeros 80 8. São adicionadas partículas de carga para a consistência da pasta. a reação se inicia imediatamente nos grupamentos terminais hidroxílicos do polímero formando ligações cruzadas. A pasta de silicone de condensação e a massa densa podem ser produzidas em uma grande variedade de cores.1 Manipulação Se tanto a pasta base como aceleradora de uma silicona por condensação são comercializados em forma de pasta. As siliconas em forma de massa são acondicionadas em potes e a quantidade necessária para o uso é medida por volume e através de concha. A ADA define quatro viscosidades diferentes para as siliconas para a moldagem. Assim. Um desses materiais tem uma consistência muito espessa e é comumente chamado de silicona em forma de massa. Como já foi dito anteriormente. devido à sua grande viscosidade.1 Composição As siliconas por condensação são apresentadas como uma pasta base e um líquido ou uma pasta catalisadora. segundo a indicação da fabricante. esse material pode ter o seu reagente apresentado em forma de um líquido oleoso corado. correspondendo à sua viscosidade. a pasta base é dispensada do tubo sobre a placa de vidro com um comprimento determinado. Vários tipos de corantes orgânicos ou pigmentos são utilizados para produzir a cor. As ligações cruzadas produzem um aumento da viscosidade e um rápido desenvolvimento das propriedades elásticas. azuis. Fernanda Panzeri . A influência da carga na resistência dos elastômeros à base de silicona é crítica. verdes e roxos suaves são comuns.4. pasta/líquido). Cada fabricante fornece o material em diversas cores. A escolha do material depende do sistema.

como uma sanfona). o que significa que não é difícil remove-los de áreas retentivas sem distorção. a evaporação do subproduto ocorre Fernanda Panzeri . uma modificação na técnica de moldagem é necessária sendo que a massa densa será aplicada como moldeira. de acordo com o volume da pasta usada. Reologia As características viscoelásticas desses materiais sugerem que eles podem responder elasticamente (retornar à forma original como uma mola) ou como um líquido viscoso que facilmente sustenta uma deformação permanente (nunca retorna à sua forma original. Elasticidade São materiais mais elásticos que os polissulfetos. aumentam-se as chances de ocorrer uma deformação permanente. Estabilidade dimensional São materiais que apresentam excessiva contração de polimerização. o álcool etílico. Dessa forma. O resfriamento do material ou do bloco de espatulação reduz a velocidade de reação. que é uma substância muito volátil. Caso a deformação seja demorada. Eles exibem uma deformação mínima e recobram-se rapidamente quando deformados. são materiais não muito rígidos. As consistências mais comuns de siliconas por condensação são a massa densa e o material leve. Sobre esse material.4. Como os polissulfetos. Tempo de presa A temperatura tem uma influência significante na velocidade de polimerização das siliconas por condensação. haverá uma redução dessa contração. será usado o material leve. o molde deve ser removido rapidamente para que a deformação seja elástica e recobrável. A instabilidade dimensional desse material também é devida à perda do produto da reação. 8.2 Propriedades As características da silicona tendem a ser mais favoráveis do que aquelas dos polissulfetos. Uma vez removido o molde da boca. Para produzir moldes precisos. por este motivo.Elastômeros 81 O acelerador é proporcionado em forma de gotas. O material parecerá responder mais como um elástico se a deformação for rápida.

Este redutor permite. As ligações cruzadas produzem um aumento na viscosidade com o desenvolvimento de propriedades elásticas. Em razão disto. Esses materiais requerem. Na reação não há a formação de subprodutos.Elastômeros 82 continuamente. um campo seco. Cada pasta contém um polímero na forma de silicona (porém. é necessário secar as áreas da boca nas quais é necessária uma moldagem acurada. mas eles reproduzem melhor os tecidos moles.5 SILICONAS POR ADIÇÃO 8. São usadas em moldeira de estoque.3 Manipulação O material leve e o regular são fornecidos em forma de duas pastas.4.3 Aplicações As siliconas são comumente usadas para moldagens de coroas e pontes e ocasionalmente para moldagens de próteses parciais. base e catalisador. Se o campo de trabalho não está seco. a reação de polimerização ocorre causando ligações cruzadas entre os 2 tipos de polímeros.5. diferentes) e agentes de carga. para que se obtenha um modelo mais preciso é necessário vazar-se o molde com gesso dentro dos primeiros 30 minutos. 8. podem ocorrer bolhas na moldagem e haverá falhas. então.2 Reação de presa Os silicones por adição são freqüentemente chamados de polivinilsiloxano. Assim. e a massa densa é fornecida em dois potes ou latas (base e catalisador). Elas também são encontradas em 4 viscosidades. e uma delas contem o catalisador. apresentam Fernanda Panzeri . ao material de moldagem escoar melhor. Como ambos. que são usados quase exclusivamente sobre uma moldeira individual. As siliconas são muito hidrofóbicas e são repelidas por água e por saliva. incorporando um redutor de tensão superficial. 8. 8. oferecendo uma vantagem sobre os polissulfetos. Na mistura das 2 pastas.1 Composição Esses materiais se apresentam na forma de 2 pastas.5. As siliconas polimerizadas por adição são materiais hidrofóbicos. ainda assim. Para compensar esse defeito. os fabricantes têm feito siliconas por adição mais hidrofílicas.5. dependendo da quantidade de agentes de carga incorporados pelo fabricante. contêm materiais similares. 8.

8-3). estes materiais são bem mais fáceis de serem manipulados do que as siliconas por condensação. Tempo de presa A velocidade de reação é mais sensível à temperatura ambiente do que os polissulfetos. após a remoção de áreas retentivas. na qual um adesivo apropriado foi aplicado. Este aparelho tem certas vantagens quando comparado à espatulação manual. é virtualmente inexistente. A silicona por adição pode também ser resfriada antes do uso. Com o sistema automático. A similaridade na consistência das pastas e no seu comportamento viscoelástico faz com que o material possa ser dispensado e manipulado por um sistema automático (Fig. A excelente propriedade elástica representa um problema nos materiais de Fernanda Panzeri . também. Há. porque esses materiais exibem os mais baixos coeficientes de deformação permanente.Elastômeros 83 viscosidades quase equivalentes. O material misturado é injetado diretamente sobre a moldeira. menor possibilidade de contaminação do material. menor incorporação de ar na mistura. 8. a silicona por adição tem propriedades similares às da siliconas por condensação. Este resfriamento tem pouco efeito na viscosidade. O tempo de trabalho e o de presa podem ser expandidos pelo resfriamento da placa de mistura. Portanto.Forma de apresentação da silicona por adição Elasticidade São os materiais que apresentam a melhor elasticidade. A distorção. e redução no tempo de manipulação. Figura 8-3 .4 Propriedades Em muitos aspectos. há melhor uniformidade na proporção e na mistura.5.

Elas oferecem significante vantagem nos casos onde os modelos não podem ser vazados rapidamente. Foi o primeiro elastômero desenvolvido primariamente com a função de material de moldagem.6. uma sílica coloidal como agente de carga. 8. Pesquisas têm mostrado que modelos vazados entre 24 horas e uma semana forma tão precisos quanto aqueles vazados na primeira hora.5 Aplicações São utilizadas primariamente para moldagens de coroas e ocasionalmente para PPR.6 POLIÉTER Este material foi introduzido na Alemanha no final dos anos 60.5.Elastômeros 84 massa.6. A pasta base. Esta estabilidade significa que o molde não tem de ser vazado em gesso imediatamente. A pasta catalisadora. Nenhum subproduto volátil é liberado causando uma contração. 8. e um plastificador. Esta é colocada em um tubo grande. é colocada em um segundo tubo muito menor. Se o material for comprimido elasticamente durante o assentamento. contendo um iniciador e os demais veículos. Todos os outros materiais de moldagem foram adaptados de outras aplicações industriais.1 Composição Esses materiais estão normalmente colocados em 2 pastas. poderá haver recuperação elástica do material. contém o polímero de poliéter. o efeito do aumento na velocidade de deformação do material não polimerizado é bastante pronunciado. uma vez que estes começam a desenvolver sua elasticidade enquanto estão sendo manipulados.2 Reação de presa Fernanda Panzeri . Estabilidade dimensional São os materiais de moldagens mais estáveis. 8. uma vez que apresentam estabilidade dimensional próxima do ideal. 8. Reologia Como um dos materiais mais pseudoplásticos.

3 Manipulação Originalmente. os poliéteres são ligeiramente menos elásticos do que as siliconas que polimerizam por adição. os poliéteres eram fornecidos em uma única viscosidade. Quando aplicados testes de compressão. a recuperação elástica é praticamente completa. Ainda assim. Estabilidade dimensional As alterações dimensionais do poliéter são pequenas. 8. Isso Fernanda Panzeri .4 Propriedades Tempo de presa A velocidade de polimerização é menos sensível à alteração de temperatura do que os silicones por adição. Elasticidade Os poliéteres sempre foram considerados os materiais de moldagem mais rígidos disponíveis no mercado. A rigidez do material significa que um esforço maior deve ser aplicado na remoção do molde de poliéter quando comparado a outros tipos de materiais de moldagem. Com o prosseguimento da reação. Uma vez que cada polímero tem 2 grupos reativos. A pseudoplasticidade dos materiais permitia que uma única mistura fosse utilizada para seringa e como material para moldeira. Cada estágio da reação envolve a abertura de um anel e a produção de cátions. e o modelo resultante terá a mesma precisão. O material é relativamente hidrofílico e absorve água sob condições de alta umidade. a viscosidade aumenta e. o molde com poliéter pode ser vazado imediatamente. Portanto. eventualmente. 8.6. excluindo-se as massas densas das siliconas. Como as siliconas por adição. a reação de propagação pode produzir uma cadeia simples de ligações cruzadas. os poliéteres não apresentam em sua reação de polimerização a formação de subprodutos. uma reação por adição ocorre. Elas são dispensadas em comprimentos iguais e manipuladas de forma semelhante ao polissulfeto.Elastômeros 85 Quando duas pastas são misturadas.6. após algumas horas ou após alguns dias. A diferença de volume entre as pastas base e aceleradora é evidente. devido às excelentes propriedades dos poliéteres. uma borracha relativamente rígida é produzida.

de uma forma geral. nos quais quanto maior fosse sua espessura. em compensação com aquela obtida se fosse usada uma espessura pequena entre a parte a ser moldada e a moldeira. Eles são capazes de reproduzir detalhes com mais precisão do que aqueles possíveis de serem copiados com o gesso. United States. Fernanda Panzeri .1 Considerações Técnicas A espessura do material é o oposto daquilo que foi recomendado para os hidrocolóides para moldagem.7 CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE ELASTÔMEROS Os elastômeros. Materiais Dentários. p. In: ________ Materiais Dentários de Phillips. Assim o armazenamento do molde deve ser feito em ambiente seco e fresco para manter sua precisão. Nos materiais à base de borracha.. As positivas são:  Facilidade de trabalho  Moldagem fiel  Alta reprodutibilidade  Maior resistência  Estabilidade dimensional Como características negativas. 8. R. não somente a espessura deve ser menor. Restorative Dental Materials.6. 1ª ed.5 Aplicações São comumente usados na moldagem de coroas e. melhor a precisão produzida pelo material. A necessidade de um material de moldagem reproduzir os detalhes mais finos da cavidade oral é naturalmente evidente. Os elastômeros podem reproduzir os detalhes mais finos. GALAN Jr. 93-104. como também o material deve ser uniformemente distribuído. Rio de Janeiro. 1ª ed. Mosby. ed – Impression Materials. apresentam características positivas e negativas. In ________. G. 1999 p. São Paulo. Livraria Santos. Esses materiais tanto podem ser usados com moldeiras de estoque como individuais. 10ª ed. apresentam:  Alguma dificuldade quando de dupla consistência  Tendência a diminuir os cuidados frente ao tipo de material. Guanabara Koogan.83-106. J – Materiais para moldagem In: ________ . BIBLIOGRAFIA: ANUSAVICE. 1998 p. para outras aplicações. Materiais de moldagem elastoméricos não-aquosos. J. 8. 1996.Elastômeros 86 causa a embebição do molde e a distorção.296-314. 8.7. CRAIG. ocasionalmente.

G.Elastômeros 87 McCABE. 1998. W. 141-153. Blackwell Science. London. Fernanda Panzeri . F. p. – Elastic Impression Materials: Synthetic Elastomers. J. A. & WALLS. Applied Dental Materials. 8ª ed. In: ________.

sem estrias 4. Exercício: Fazer a moldagem parcial do arco inferior do manequim (região dos dentes 46 e 47) e obter um modelo de gesso composto (Gesso pedra melhorado na região dos dentes e Gesso Pedra para base)  Preparar e provar a moldeira no manequim  Proporcionar a pasta base “pesada” com o medidor formeucido. Instrumentais e Materiais Utilizados  Bloco de espatulação  Espátula 36  Espátula 24  Espátula Lecron  Moldeira Parcial Perfurada  Seringa para injeção de material de moldagem  Silicona polimerizada por condensação  Gesso Pedra Melhorado  Gesso Pedra 2. Proporção: aceleradora) 1:1 (Comprimentos iguais das pastas base e 3. Tempo de polimerização: Por volta de 8 minutos Silicona Polimerizada por Condensação 1. de cor HOMOGÊNEA. segundo a indicação do fabricante Fernanda Panzeri .  OBS: O tempo de espatulação deverá ser de 45 segundos a 1 minuto  Aspecto final: Massa fluida. enérgicos. para evitar a inclusão de bolhas de ar. Instrumentais Utilizados  Bloco de espatulação  Espátula 36 2. Exercício: Manipular o material segundo a técnica preconizada  Técnica de Espatulação  Pegar a pasta aceleradora e colocar sobre a pasta base  Iniciar a mistura aglutinando as duas pastas com a extremidade da espátula inclinada em 45º  Continuar a mistura espatulando a massa com movimentos circulares das faces da espátula associados com movimentos de raspagem do material e movimentos de amassamento.Elastômeros 88 ROTEIRO DE AULA PRÁTICA Polissulfetos 1.

Elastômeros 89  Proporcionar a pasta catalisadora e colocar sobre a pasta base utilizando a espátula 36  Manipular com os dedos até a completa homogeinização das pastas  Tempo de manipulação: 30 segundos  Colocar a mistura na moldeira. Aguardar a polimerização do material (± 8 minutos)  Proporcionar o gesso pedra melhorado em sua relação A/P recomendada usando apenas 50g de pó  ATENÇÃO: Fazer a equivalência da quantidade de pó  Espatular vigorosamente o gesso por 1 minuto e vazar o gesso sobre os dentes utilizando a espátula 24 sobre vibrador  Aguardar alguns minutos e fazer retenções com o restante do gesso  Enquanto é aguardada a presa inicial do primeiro gesso vazado proporciona-se o gesso pedra na relação A/P recomendada pelo fabricante  Espatular o gesso pedra e vazar sobre o gesso pedra melhorado e as retenções conformando-o para ser a base do modelo  Após aguardar alguns minutos ajeita-se o gesso com a espátula 24 melhorando a conformação do material Aguardar o tempo de presa final do gesso e proceder ao recorte do modelo. após a polimerização do material. preenchendo-a totalmente  Levar a moldeira ao manequim e. remover a moldagem com movimento firme. por 30 segundos  Colocar o material de moldagem que está na seringa sobre os dentes a serem moldados e levar a moldeira ao manequim na mesma posição em que foi lebada anteriormente. Fernanda Panzeri . no sentido do longo eixo dos dentes  Tempo aproximado de polimerização: 5 minutos  Recortar a moldagem com a espátula Lecron na região onde será feita a moldagem com o material fluido  Proporcionar a pasta base “leve” e a pasta catalisadora segundo a indicação do fabricante  Manipular as pastas com movimentos circulares utilizando a espátula 36.

Elastômeros 90 PROPRIEDADES E CARACTERÍSTICAS DOS MATERIAIS DE MOLDAGEM Silicona por condensação Silicona por adição Alginato Facilidade de Manipulação Tempo de vazamento Facilidade de remoção Estabilidade dimensional Facilidade de vazamento Reprodução de detalhes Polissulfeto Poliéter Fernanda Panzeri .

9 Materiais de Moldagem Anelásticos .

Tais materiais são classificados como substâncias termoplásticas. 9. Uma outra maneira de classificar os materiais de moldagem é de acordo com a sua flexibilidade. pois. Os materiais de moldagem anelásticos representam um grupo de materiais que exibem uma quantidade insignificante de deformação elástica quando submetidos à tensões. Além disso.2.2 GODIVAS A godiva é um material termoplástico. e ainda hoje se constitui como um dos componentes das godivas modernas. Geralmente. materiais de carga e agentes corantes. eles tendem à fratura sem exibir qualquer deformação plástica se a pressão aplicada excede sua resistência à compressão. são denominadas de plastificantes. inserida nas bordas de uma moldeira e comprimida contra os tecidos moles. produtos como a goma-laca. eles são usados em outras aplicações odontológicas. ou que se plastificam com o aumento da temperatura. Uma das primeiras substâncias usadas como material de moldagem foi a cera de abelha. como os dentes. isto é. Existem materiais que são flexíveis e podem ser utilizados para moldagem de partes retentivas da boca. Quando estas substâncias são usadas com estes objetivos. Ela é plastificada pelo calor. antes de seu endurecimento. no momento da remoção da boca. Devido à sua inabilidade de sustentar uma quantidade substancial de deformação elástica sem fratura. As pastas de óxido de zinco.Anelásticos 92 9. seu uso em moldagens é limitado. as godivas são produtos da mistura de ceras. A godiva é empregada principalmente em moldagens “preliminares” na confecção de dentaduras. Como esta cera é quebradiça. Uma delas baseia-se no modo como endurecem. sem que ocorra uma reação química. 9.1 INTRODUÇÃO Existem várias maneiras de classificar os materiais de moldagem. um material que se plastifica quando aquecido e torna-se novamente rígido quando resfriado. Entretanto. existem materiais de moldagem que podem ser fluidificados pelo calor e solidificados novamente quando resfriados. o ácido esteárico e a guta-percha podem ser adicionados para melhorar a plasticidade e as características de trabalho. e não podem ser utilizados em áreas retentivas. os alginatos e os elastômeros endurecem em função de uma reação química. Outros são materiais rígidos.1 Composição As fórmulas das godivas modernas são secretas. O uso de Fernanda Panzeri . promovendo o selamento periférico. podem fraturar. Por outro lado. resinas termoplásticas.

a condutibilidade térmica da godiva é muito baixa. uma zona de fusão.2. Dependendo da temperatura ambiente. Após o posicionamento da moldeira carregada na boca. mas sim.Anelásticos 93 resinas sintéticas vem aumentando e são usadas em conjunto com as resinas naturais. dentro desta mesma variação de temperatura. de modo que ele endureça completamente na moldeira antes de sua retirada da boca. o molde poderá ter dimensões diferentes daquelas da boca.29%. então. as partes externas amolecem primeiro que as internas. plastificando ou lubrificando o material amolecido. Esta mistura não é cristalina para que a godiva apresente propriedades termoplásticas desejáveis. Se a godiva não estiver completamente endurecida antes que o molde seja retirado da boca. um ponto de fusão. compondo a sua matriz. Entretanto. ela deve ser mantida firmemente em posição até que a temperatura de fusão seja atingida. os ácidos graxos estão líquidos. todos os pormenores dos tecidos bucais poderão ser perfeitamente reproduzidos. Acima desta temperatura. o resultado será o aparecimento de grandes distorções por liberação de tensões. não apresenta. O coeficiente de expansão térmico linear da godiva é consideravelmente alto.2 Temperatura de Fusão Sendo a godiva uma substância amorfa. de forma que uma massa lisa e plástica é obtida. as ceras e as resinas são os componentes principais.3 Propriedades Térmicas Devido à composição. Em nenhuma circunstância o molde deve ser movimentado ou removido sem ter atingido a temperatura bucal. que o material esteja uniformemente plastificado no momento de sua colocação na moldeira. portanto.2.4%. Assim. a contração linear de uma godiva para moldagem. O significado prático da temperatura de fusão é que ela é indicativa de uma grande redução da plasticidade durante o resfriamento. quando comparado ao de outros materiais. Quando da plastificação da godiva.3 a 0. 9. pode variar entre 0. e este erro é inevitável e inerente à técnica. adiciona-se uma carga. Nas godivas. Então.38 a 2. É muito importante. mesmo à temperatura ambiente. Fernanda Panzeri . A expansão volumétrica. Por causa disto. 9. da temperatura da boca para uma temperatura ambiente de 25°C. durante o tempo em que a moldagem está sendo realizada. este tipo de estrutura isolada resultará num material com alto escoamento e de baixa resistência. Mais importante ainda é o resfriamento do material. pode ser tão grande quanto 1.

pois a 45°C é a temperatura aproximada na qual a godiva é levada de encontro aos tecidos bucais.7 Requisitos para uma godiva Os requisitos desejáveis para uma godiva são os seguintes: 1. a superfície da godiva estiver endurecida. mas seu interior ainda estiver plástico. Presume-se que esta magnitude de escoamento não é clinicamente significativa em relação à ocorrência de distorções quando da retirada do molde da boca. mesmo que seja breve. 9. ou pelo aumento da temperatura. à temperatura da boca.2.5 Distorção Na godiva. Como é praticamente impossível impedir a indução de tensões na godiva durante as diversas etapas da moldagem. Quando a godiva é plastificada sobre a chama. reproduzindo-os com precisão. é necessário um escoamento adequado e contínuo. Este requisito é muito importante. Algumas causas de distorções podem ser evitadas.Anelásticos 94 9. A Especificação n° 3 da ADA para godiva permite um escoamento máximo de 6%. Não deve ser irritante para os tecidos bucais.4 Escoamento O escoamento da godiva tanto pode ser benéfico. Fernanda Panzeri .2.6 Plastificação A godiva pode ser plastificada na estufa ou sobre uma chama. como pode ser uma causa de erro. 9. mais precisamente dentro da primeira hora. para não haver a volatilização de componentes importantes. O material deve escoar facilmente. o mais seguro é construir o modelo ou troquel tão logo seja concluída a impressão.2.2. Após a godiva ter sido plastificada e durante o período em que ela está sendo comprimida contra os tecidos bucais. A viscosidade ou escoamento do material nesse estágio é função da temperatura e da sua composição. Se. deve-se ter o cuidado para ela não ferver ou queimar. liberações de tensões e conseqüentes distorções. Essa especificação estabelece que o escoamento não deve ser inferior a 85%. Não deveria haver. quando a temperatura for de 45°C. Uma delas é não remover o molde da boca até que o material esteja completamente endurecido. O resultado será uma distorção do molde. a liberação de tensões ocorrerá imediatamente após a remoção do molde. a liberação de tensões pode ocorrer prontamente em função do período de tempo decorrido. 9. após este momento. por exemplo. copiando cada detalhe da região a ser moldada.

Não deve apresentar alterações dimensionais durante ou depois de sua remoção da boca. 7. levada à boca do paciente para obtenção da moldagem secundária. principalmente o óxido de zinco. 4. Fernanda Panzeri . A pasta para moldagem é usada com a finalidade corretiva e na moldeira individual. Depois de sua solidificação. eles podem ser usados como agente de cimentação. mantendo-se dimensionalmente estável indefinidamente e sob formas de armazenamento não muito complicadas. ou seja. depois de ter sido passada sobre uma chama. Sua superfície deve exibir lisura. quando o molde é removido da boca.Anelásticos 95 2. bem como características mecânicas satisfatórias para o uso em alguns procedimentos odontológicos. sem deformações ou distorções. com uma aparência brilhante. A composição básica de todos esses produtos é a mesma. em função da necessidade de determinadas características para cada uso em particular. em forma de pasta.3 PASTA DE ÓXIDO DE ZINCO E EUGENOL Uma das reações químicas de utilidade odontológica é a que acontece entre o óxido de zinco e o eugenol. Plastificantes. Assim. Esta moldeira. faz-se a moldagem preliminar com alginato e obtém-se um modelo de gesso. deve ter uma consistência tal que permita a reprodução perfeita de pequenos pormenores das superfícies a serem moldadas e deve manter esses pormenores depois da solidificação. 6. é preenchida com a pasta de óxido de zinco e eugenol. 9. Deveria ser de natureza tal que. cimento para obturação de canais radiculares. final ou funcional. Após os desgastes necessários. Sobre este modelo. 5. Deve endurecer uniformemente quando resfriada. para restaurações provisórias. 3. aceleradores e outros aditivos podem ser incorporados. Quando plastificada. para o reembasamento temporário de dentaduras e como material de moldagem de desdentados totais. o eugenol e a colofônia. deve permitir o corte com um instrumento afiado. Dentro das condições determinadas. Assim. o resultado da reação é uma massa relativamente dura que apresenta certas vantagens medicinais. cimento cirúrgico. reproduzindo perfeitamente os pormenores. não sendo assim lesiva para os tecidos moles da boca. 9. Deve tomar presa à temperatura da boca do paciente ou ligeiramente acima desta. constrói-se com resina acrílica uma moldeira individual bem adaptada. agentes de carga. não se deformasse ou fraturasse. para registro de mordida. sem fraturar-se. 8. Deve estar convenientemente plástica à temperatura em que não cause desconforto para o paciente. Os produtos dessa reação têm sido usados em várias especialidades da odontologia. assim preparada. recobrem-se suas bordas com um fio de godiva plastificada e leva-se à boca para promover o selado periférico.

sendo esta autocatalítica. O óxido de zinco desidratado não reage com o eugenol desidratado. Óleos vegetais ou minerais fixados. formando um quelato ZnO + H2O ↔ Zn(OH)2 Zn(OH)2 + 2HE ↔ ZnE2 + 2H2O Imagina-se que o quelato formado é um gel amorfo que tende a cristalizar-se. podendo. o que indica que a água é essencial para esta reação. com um líquido à base de eugenol. rígidos ou anelásticos. A água é provavelmente um dos produtos da reação. Um dos tubos contém a pasta. As duas pastas são misturadas em proporções adequadas e a mistura resultante é levada à moldeira individual ou a um molde preliminar feito com godiva.1 Composição Um dos tubos contém eugenol e colofônia e o outro óxido de zinco e óleos vegetais e minerais fixados. 9. A adição de colofônia facilita a velocidade da reação e produz uma mistura final mais homogênea e suave. dentro de tubos. também em forma de pasta.3. agem como plastificantes e mascaram a ação irritante do eugenol.3. formando o hidróxido de zinco. promovendo o aumento da resistência da massa endurecida. suprir com mais rapidez à solução de íons de zinco. que é mais solúvel que o Zn(OH)2.2 Química A primeira reação consiste na hidrólise do óxido de zinco. A moldeira ou o molde é removido após o endurecimento da pasta. que tem como componente ativo o óxido de zinco. colocados numa das pastas. A incorporação de colofônia à pasta de óxido de zinco e eugenol reduz a cristalização do quelato. O endurecimento ocorre após uma típica reação ácido-base. Essas pastas podem ser classificadas como materiais para impressão.3. a maioria dos produtos comerciais já é apresentada em forma de pasta. e no outro está o eugenol e a colofônia. e que endurecem por uma reação química.3 Tempo de Presa Fernanda Panzeri .Anelásticos 96 A pasta pode ser obtida a partir da mistura de um pó que contém óxido de zinco e colofônia. 9. Entretanto. portanto. 9. A formação do eugenolato de zinco cristalino é aumentada significantemente quando a reação de presa é acelerada por um acetato de zinco diidratado.

Contudo. na maioria das vezes. uma diminuição da pasta que contém o óxido de zinco ocasionará uma aceleração da presa e. não é recomendado. Além do mais. enquanto a presa final ocorre em até 10 minutos. O tempo de presa diminui com a elevação da temperatura e da umidade. A presa final é atingida quando a ponta de um cilindro metálico com uma carga de 50 gramas. 1. Esse método. O tempo de manipulação provoca alterações no tempo de presa.3. o molde pode ser removido da boca. o material deveria endurecer num tempo pequeno. a reação poderá ser retardada. Uma vez levado à boca na condição plástica. A adição de água sem dúvida acelera o tempo de presa dos produtos de óxido de zinco e eugenol. Após a presa final. portanto. a aceleração ou retardamento será obtido dependendo da pasta onde esteja contido o acelerador. O tempo de presa inicial é o período que vai desde o início da espatulação até aquele em que o material perde a pegajosidade. não haja a condensação de água na placa ou espátula.Anelásticos 97 Ele deve ser suficiente para que o material seja manipulado. apesar de ela não poder ser classificada num sentido estrito como acelerador. Dentro de limites. Uma presa prolongada resultará em perda de precisão. 2. O resfriamento da espátula e do material pode ajudar a aumentar o tempo de presa. se muita água estiver presente. ao contrário. quanto mais longo for o tempo de manipulação. para não surtir efeito inverso. 3. menor será o tempo de presa. Deve-se tomar cuidado para que. Se este está contido na pasta de eugenol. com este resfriamento. Controle do Tempo de Presa Existem várias maneiras pelas quais o profissional pode modificar a presa. O tempo de presa pode ser controlado.2 mm na superfície. penetra menos de 0. o tipo e a quantidade de acelerador usado formam fatores muito importantes no controle do tempo de presa. 4. O tempo de presa inicial varia entre 3 e 6 minutos. A composição da pasta influencia o tempo de presa. um aumento provocará um retardamento da presa.4 Consistência e Escoamento Fernanda Panzeri . A moldagem deve ser realizada antes da presa inicial. pela alteração da relação entre a pasta que contém o óxido de zinco e a que apresenta o eugenol. 9. Assim. a moldeira seja preenchida e este conjunto seja levado à boca do paciente para o ato da moldagem. pois será inevitável o movimento da moldeira com a pasta ainda mole.

A pasta para moldagem deve sempre se apresentar homogênea após a manipulação e escoar uniformemente sobre os tecidos que estão sendo moldados. 9. que é a recomendada. têm uma grande importância clínica. permitem proporcionar adequadamente os componentes das pastas.1%. escoar quando de sua remoção da boca. até que a misture apresente uma cor uniforme. isto é. sendo também menor o intervalo de tempo entre a presa inicial e a final. em lugar de uma compressão uniforme. nos diversos intervalos de tempo.6 Estabilidade Dimensional A estabilidade dimensional da maioria das pastas para moldagem é altamente satisfatória. Uma pasta espessa e viscosa. menor que 0. Se isto não ocorrer.5 Rigidez e Resistência Os moldes de pasta de óxido de zinco e eugenol não deveriam. quando os seus comprimentos sobre o bloco são iguais. de modo a obter comprimentos iguais das pastas extruídas.Anelásticos 98 A consistência e o escoamento da pasta recém-manipulada. pode ocorrer uma contração desprezível. ao ser levada à boca do paciente. sendo. com pequena ou nenhuma compressão.3. Fernanda Panzeri .7 Técnica de Espatulação A manipulação das duas pastas é geralmente realizada sobre uma folha de papel impermeável a óleos. 9. As duas pastas dispostas na placa são misturadas com a espátula e esta espatulação continua por 1 minuto. Este tipo de afirmação só é válido se a moldeira não sofrer nenhuma deformação. deveriam resistir à fratura. poderá haver um deslocamento dos tecidos. 9. Durante o endurecimento. dimensionalmente estável.3. A proporção adequada das duas pastas é conseguida espremendo-se cada um dos tubos sobre o bloco de manipulação. Como os tubos têm orifícios com diâmetros diferentes. comprimirá os tecidos. há uma correlação entre o escoamento e o tempo de presa. Além disto. tomam presa em um tempo mais curto. ou pelo tempo recomendado pelo fabricante. ou seja. Geralmente. portanto. no ato da moldagem. O molde pode ser preservado indefinidamente sem alterações de forma ocasionadas pela liberação de tensões ou outras causas de distorções. Aqueles materiais que apresentam uma diminuição do escoamento. já uma pasta fluida possibilitará uma moldagem dos tecidos em posição de repouso.3.

– Materiais Anelásticos para Moldagem: Godiva. pode provocar o endurecimento da pasta inicialmente nessas regiões de contato. qualquer distúrbio ou movimento do molde neste momento causará uma distorção. W. A ação aceleradora do calor da boca e da saliva. 1993 p. Rio de Janeiro. 9ª ed. Assim. o molde deve ser removido da boca.Anelásticos 99 Considerações Gerais A moldeira deve ser mantida firmemente em posição até que a pasta tome presa. R. Pasta de Óxido de Zinco e Eugenol. Guanabara Koogan. Fernanda Panzeri . 54-61. que se encontra sobre a superfície dos tecidos. Materiais Dentários de Skinner. In: ________ . BIBLIOGRAFIA PHILLIPS. Somente quando o material estiver completamente endurecido.

Instrumentais Utilizados  Lamparina a álcool  Espátula LeCron  Bloco de Espatulação 2.  Modificar o tempo de espatulação para 2 minutos e verificar o resultado sobre o tempo de presa Fernanda Panzeri . Proporção: Fornecida pelo fabricante (comprimentos iguais das pastas base e catalisadora) 3. Instrumentais e Materiais Utilizados  Bloco de Espatulação  Espátula 24  Agulhas de Gillmore 2.Anelásticos 100 ROTEIRO DE AULA PRÁTICA GODIVA 1. Exercícios:  Manipular o material e verificar os tempos de presa inicial e final utilizando as agulhas de Gillmore. ♦ CUIDADO: não deixe molhada a parte externa da Lamparina  Levar o bastão sobre a chama. procedendo como para a verificação do tempo de presa do gesso. fazer a platificação  Cortar a porção plastificada com a Espátula LeCron e comprimir o polegar contra a godiva. Exercício: Plastificar a godiva e imprimir a sua impressão digital utilizando a plastificação com lamparina  Platificação com a Lamparina  Colocar álcool no reservatório da lamparina e acender o pavio. através de movimentos circulares. Técnica de Espatulação:  Iniciar a mistura aglutinando os componentes com a extremidade da espátula inclinada (45º)  Continuar a mistura espatulando a massa com movimentos circulares da face da espátula  Tempo de Espatulação: 1 minuto  Aspecto final: massa fluida de cor homogênea e intermediária entre as cores das pastas originais 4. na distância recomendada e. imprimindo a impressão digital PASTA DE ÓXIDO DE ZINCO E EUGENOL 1.

Anelásticos 101 Resultados Tempo de presa Inicial Final Normal – Pasta de Moldagem Tempo de Espatulação Fernanda Panzeri .

10 Cimentos Odontológicos .

talvez. por causa de seus efeitos mínimos à polpa. conduziram à necessidade de novos materiais possuindo boa adesão ao esmalte e dentina com baixa toxicidade.1 INTRODUÇÃO Embora os cimentos dentais só serem usados em quantidades pequenas. mas o potencial deles para cimentação e suas aplicações restauradoras estão sendo reconhecidas mais amplamente por clínicos. Eles eram principalmente fluidos. Numerosas marcas de cada tipo de cimento estão disponíveis. A introdução de tipos novos de cimentos foi incitada pela ênfase em conceitos como biocompatibilidade e adesão ao dente. com respeito à situação variável.Cimentos Odontológicos 103 10. Uma vez que as avaliações clínicas e in vivo são limitadas. e assim. resistência semelhante. estão sendo desenvolvidos padrões internacionais novos (ISO. que é o resultado de técnicas clínicas particulares e materiais. assim provendo uma ação antibacteriana facilitando a formação de dentina reparadora. há 20 anos atrás. os materiais mais importantes em odontologia clínica devido à vasta aplicação deles. o cimento de óxido de zinco e eugenol e cimento de silicato. Estes conceitos foram a base do desenvolvimento de cimentos a base de ácido poliacrílico: primeiro o poliacrilato de zinco (policarboxilato) e depois os cimentos de ionômero de vidro. quando novos cimentos começaram a ser desenvolvidos. Alguns materiais recentes são compostos de duas pastas. os dados de laboratório para avaliação de desempenho clínico. Os cimentos de ionômero de vidro foram desenvolvidos mais lentamente. Estas aplicações diferentes requerem propriedades físicas diferentes e características de manipulação clínicas apropriadas. Os cimentos baseados na reação entre hidróxido de cálcio e um salicilato líquido também surgiram há 25 anos atrás. Os cimentos tomam presa por reação química entre os ingredientes (freqüentemente uma reação de ácido-base) ou envolve polimerização de um componente monomérico. materiais de duas pastas utilizadas para o forramento de cavidades profundas que tinham exposição pulpar ocorrendo ou próxima em ocorrer. requerem interpretação instruída. ADA) baseados em critérios de desempenho mais do que critérios de composição específica. e há algumas propriedades que se sobrepõem. Nos primeiros anos deste século. mesmo porque não podem ser feitas Fernanda Panzeri . Os cimentos de policarboxilato foram estabelecidos gradualmente como alternativas ao cimento de fosfato de zinco. foram descobertos os cimentos fosfato de zinco. Novas informações sobre histopatologia pulpar. eles são. características parecidas de solubilidade e propriedades adesivas. Esta multiplicidade de aplicações requer mais de um tipo de cimento porque nenhum material ainda foi desenvolvido que pudesse cumprir as exigências variadas. Estes foram extensamente usados até os anos setenta. A maioria dos cimentos é apresentada na forma de pó/líquido que podem ser dispensados e podem ser misturados manualmente ou prédispensados em cápsulas que são mecanicamente misturadas. como também a demonstração de infiltração marginal que envolve penetração de bactérias para a dentina e uma redução na retenção de restaurações.

deveria permitir alguma margem de erro em prática. Fernanda Panzeri . e agentes de capeamento pulpar e revestimentos cavitários sobre as superfícies preparadas que estão próximas à câmara pulpar. intermediárias (semanas a meses). química e elétrica (Fig. como tempos adequados de trabalho e de presa. Por exemplo. obturações de canais radiculares e construção de núcleo para a restauração de dentes fraturados. através da colocação de bases sob restaurações metálicas. eles possuem tantas características desejáveis que o seu uso é justificado em até 60% de todas as restaurações realizadas. Altas resistências à tração. 10. inclusive o proporcionamento dos ingredientes.1. elétrica e química. Os cimentos odontológicos usados como materiais restauradores apresentam baixa resistência quando comparados aos outros materiais restauradores. Os cimentos são empregados para restaurações temporárias (dias a semanas). são essenciais para uso próspero. Para um desempenho aceitável em cimentação e aplicações restauradoras. Também tem que desenvolver uma resistência adequada às forças mecânicas e adesão. Outras aplicações importantes para os cimentos odontológicos incluem a cimentação de próteses e aparelhos ortodônticos e pinos ou núcleos para a retenção de restaurações. Boas propriedades de manipulação. freqüentemente utilizam-se os cimentos como barreira térmica. O material deve ser biologicamente aceitável. Os cimentos também são requisitados para outras aplicações. contudo podem ser usados em áreas que recebem baixa carga de estresse. tais como cáries ou preparos cavitários. e restaurações permanentes (anos) e também para restaurações estéticas de dentes anteriores. A diferenciação entre base. Dessa forma. antes da colocação de uma restauração.1 Uso e Classificação dos Cimentos Odontológicos Uma das indicações de uso dos cimentos é a restauração. Alguns cimentos que contêm flúor podem ser usados como selantes para fissuras. A despeito dessa resistência inferior. 9-1). verificamos que os cimentos odontológicos também funcionam como barreira térmica. Os forradores cavitários podem também proteger o tecido pulpar dos efeitos de certos componentes dos materiais restauradores e contra a microinfiltração. o cimento tem que ter resistência adequada à dissolução no ambiente oral. assim como boa resistência à fratura para resistir às tensões na interface dente/restauração. A manipulação. compressão e cisalhamento são requeridas. forramento e capeamento pulpar é vista na Fig 9-2. a polpa pode ter sofrido alguma injúria provocada por vários fatores. Para proteger a polpa contra traumas posteriores.Cimentos Odontológicos 104 generalizações com base no comportamento de 1 ou 2 tipos específicos de cimentos.

forramento (B) e Base (C) 10. em dois recipientes separados. como tal. térmicos e elétricos A B C Figura 10-2 .2 CIMENTO DE FOSFATO DE ZINCO O fosfato de zinco é o mais antigo dos agentes cimentantes e.Diferenciação entre capeamento pulpar. quando se trata de fazer uma comparação.Cimentos Odontológicos 105 Figura 10-1 . Ele serve como padrão em relação aos novos sistemas. Fernanda Panzeri . é o que mais foi pesquisado ao longo do tempo.Os cimentos se comportam como barreiras aos estímulos químicos. O cimento de fosfato de zinco é apresentado na forma de pó e líquido. que se faz sobre a polpa exposta (A).

dissolvendo-as e liberando íons de zinco para o líquido.2 Tempo de trabalho e de presa O tempo de trabalho é o tempo medido desde o início da espatulação. em alguns casos. quando a viscosidade da mistura é tal que ela pode fluir rapidamente sob pressão. 10. porque prejudica as propriedades físicas. entretanto. Ele pode ser medido com uma agulha de Gillmore menor. É obvio que a velocidade de formação da matriz determina a extensão do tempo de trabalho. o tempo de presa significa que a formação da matriz atingiu um ponto onde distúrbios físicos externos não causarão alterações dimensionais permanentes. É este o tempo em que o excesso de cimento deve ser removido das margens da restauração. uma vez que ela influencia a velocidade e o tipo de reação pó/líquido. produzindo um gel de fosfato de alumínio e zinco sobre a superfície da porção remanescente das partículas.2. reage com o zinco.1 Composição e presa Os principais componentes do pó são o óxido de zinco (90%) e o óxido de magnésio (10%). a fim de proporcionar um tempo de trabalho suficiente para a manipulação. A quantidade de água presente é um fator para o controle da ionização do líquido e constitui um componente importante. resultando em um pH inicial mais baixo. Por outro lado. O alumínio.  Velocidade de Incorporação do Pó: A adição do pó ao líquido em pequenos incrementos irá aumentar o tempo de trabalho e de presa. Este procedimento. o ácido fosfórico ataca a superfície das partículas de óxido de zinco. o cimento endurecido será uma estrutura segregada que se constitui principalmente de partículas de óxido de zinco que não reagiram. água. pela redução da quantidade de calor gerado. Fatores que interferem no tempo de presa Os tempos de trabalho e de presa dos produtos comerciais são propriedades inerentes controladas pelo processo de fabricação.Cimentos Odontológicos 106 10. Em geral. fosfato de alumínio e. não é um meio aceitável para prolongar o tempo de presa. Alguns fatores interferem nesse tempo:  Relação Pó/Líquido: O tempo de trabalho e o de presa podem ser aumentados pela redução da relação pó/líquido. Desta forma. sendo definido como o tempo que vai desde o início da manipulação até o momento em que a agulha não mais penetra na superfície e ele varia de 5 a 9 minutos. Quando o pó é misturado com o líquido. envolvidas por uma matriz amorfa e coesiva de fosfato de alumínio e zinco.2. O líquido é essencialmente ácido fosfórico. de modo a formar uma película fina. o fosfato de zinco. é desejável estender o tempo de presa do cimento. permitindo Fernanda Panzeri . que forma um complexo com o ácido fosfórico.

mesmo quando é usado como agente de cimentação de restaurações que estão sujeitas a altas cargas de mastigação.  Tempo de Espatulação: Quando o tempo de espatulação é prolongado. Mas este cimento é muito menos resistente à tração. A relação pó/líquido recomendada para os cimentos fosfato de zinco é de aproximadamente 2 partes em peso.3 Propriedades A resistência à compressão dos cimentos de fosfato de zinco para cimentação. Dois minutos após se iniciar a manipulação. 10. Uma modificação da concentração de água no líquido. mas ainda assim ele é de 5. A partir daí. possa ter-se por comparação uma diminuição à resistência à tração. Desta maneira. a formação da matriz será retardada. 1. por perda ou ganho. ele é muito resistente e pode resistir a deformações elásticas.2.4 Propriedades biológicas Como seria de esperar. Este procedimento permite a incorporação de uma quantidade ótima de pó ao líquido. É provável que. quando comparada com a sua resistência à compressão. O cimento fosfato de zinco tem um alto módulo de elasticidade. 10. Essa baixa resistência à tração. a presença de ácido fosfórico promove uma alta acidez do cimento no momento em que ele é aplicado no dente.5mL. este é um procedimento recomendável. A partir destes dados. o pH aumenta rapidamente. O pH é mais baixo e assim permanece por um maior período de tempo quando se empregam misturas mais fluidas. diminuindo-se a relação pó/líquido. atinge valores altos.Cimentos Odontológicos 107 que mais pó seja incorporado à mistura.  Temperatura da Placa de Manipulação: O método mais efetivo para controlar o tempo de trabalho e o de presa é o de regular a temperatura da placa de manipulação. quando eles são adequadamente manipulados. O resfriamento da placa retarda a reação química entre o pó e o líquido. ou seja. sem que haja um aumento indevidamente alto da viscosidade. Assim. fica evidente que qualquer dano à polpa devido ao ataque ácido do cimento fosfato de zinco ocorre nas primeiras horas após a Fernanda Panzeri .5 em 24 horas. O aumento de resistência conseguido com a adição de mais pó do que o recomendado é muito menor do que a diminuição de resistência do cimento. Assim sendo. A resistência à compressão tem uma grande dependência da relação pó/líquido.2. coloca os cimentos de zinco na categoria dos materiais friáveis.4g/0. ocorre uma destruição efetiva da matriz que estava se formando. O cimento fosfato de zinco mostra uma solubilidade relativamente baixa na água. A fragmentação da matriz significa que um tempo extra é necessário para reconstruir o corpo da matriz. o pH do cimento de fosfato de zinco é de aproximadamente 2. pode reduzir tanto a resistência à compressão como à tração do cimento.

e isto é que promove certa retenção da restauração ao dente (Fig. da peça a ser cimentada ou do próprio cimento. indicaram que em alguns dentes o ácido do cimento conseguiu penetrar uma espessura de dentina de cerca de 1.5mm. 9-3). Além do mais.2. como bolhas de ar ou defeitos estruturais no seu corpo que podem interferir na espessura da película. A espessura da película ou filme de cimento entre a restauração e o dente também é um fator de retenção. Quando a restauração está sendo assentada na cavidade preparada. o dente e a restauração fundida possuem irregularidades. como acontece com aquelas ligeiramente rugosas. estudos feitos com cimento fosfato de zinco. se a dentina subjacente não está protegida contra a infiltração do ácido através dos túbulos dentinários. preparado com líquidos que continham ácido fosfórico radioativo. A retenção mecânica também está na dependência das alterações dimensionais que ocorrem durante a presa do cimento. 10. Esta película é provavelmente o resultado de uma série de fatores. devidas ao ganho ou à perda de água ou em função da diferença entre os coeficientes de expansão térmica do dente. Por esta razão. e não pelas características adesivas do cimento. Quanto menor for a espessura da película. Um deles é que o cimento está sujeito à falhas internas. que é o mesmo para os outros cimentos. as quais são preenchidas pelo cimento que está em estágio plástico e sendo forçado pela pressão de cimentação. a retenção de uma restauração é controlada principalmente pelo desenho da cavidade. como aquele da ação da cola unindo o papel à madeira. Entretanto. melhor será a ação como agente cimentante. Assim. sem dúvida existe um imbricamento mecânico. é puramente mecânico e portanto não promove uma adesão verdadeira entre as partes.2. Após o endurecimento do cimento. estes imbricamentos na restauração e no dente promovem a retenção da restauração fundida.Cimentos Odontológicos 108 inserção.6 Manipulação Em resumo.5 Retenção Não existe nenhuma adesão do cimento fosfato de zinco com a estrutura do dente ou com qualquer material restaurador com que ele seja usado. restaurações com superfícies muito polidas não apresentam uma retenção tão grande quando são cimentadas com cimento de fosfato de zinco. 10. Deve ser enfatizado que esse tipo de restauração. irá ocorrer uma injúria à polpa. os seguintes pontos devem ser observados na manipulação dos cimentos de fosfato de zinco: Fernanda Panzeri . Entretanto.

Após a restauração ter sido levada em posição. antes que se processe a formação da matriz.  A fundição deve ser assentada imediatamente.  O líquido do cimento deve ser armazenado em um frasco vedado hermeticamente e exposto ao ar o menor tempo possível. desde que seja possível manipular de modo a conseguir um mínimo de solubilidade e o máximo de resistência. uma vez que a água pode ser perdida para o ar por evaporação. ela deve ser mantida sob pressão até que o cimento endureça. e cada porção tem seu tempo exato de manipulação.  O líquido não deve ser dispensado na placa até o momento do início da manipulação. Se o líquido vier a ficar turvo ou com deposição de cristais. Fernanda Panzeri . Deve-se usar o maior espaço da placa de manipulação. antes que ocorra qualquer formação da matriz. Pequenas quantidades de pó são adicionadas em intervalos de tempo (Fig. 9-4). isto para impedir o aparecimento de bolhas de ar. espatulando-se vigorosamente.  A manipulação é iniciada pela adição de pequenas porções do pó. deve-se utilizar uma quantidade de pó máxima. uma vez que esse material não apresenta adesão à estrutura dentinária  O pó e o líquido devem ser proporcionados de maneira correta. segundo o uso do material. A placa resfriada retarda a presa e permite que o operador incorpore uma quantidade máxima de pó. ele deve ser descartado.A retenção da peça cimentada com cimento fosfato de zinco se dá por imbricamento mecânico.Cimentos Odontológicos 109 Figura 10-3 . chegando até um ponto em que a mistura se torna rígida. Entretanto. O campo operatório deve ser mantido seco durante todo o procedimento de cimentação.  Deve-se utilizar para a manipulação uma placa resfriada.

2. estes materiais têm a maior gama de aplicações. que é menos resistente. 10.Cimentos Odontológicos 110 4ª Porção ¼ 15 seg 6ª Porção ¼ 30 seg 2ª Porção 1/16 10 seg 1ª Porção 1/16 10 seg 3ª Porção 1/8 10 seg 5ª Porção ¼ 15 seg Figura 10-4 . térmicos. a consistência irá variar de acordo com o propósito pelo qual o cimento será utilizado. Porém. 10. com uma relação pó/líquido muito baixa). A menos que a mistura esteja extremamente fina (por exemplo. Entretanto. falta de ação anti-bacteriana. a manipulação é menos crítica do que com outros cimentos. desvantagens distintas do cimento de fosfato de zinco incluem irritação de polpa. a consistência desejada deve ser sempre conseguida pela adição de mais pó e nunca por uma mistura mais fluida. Fernanda Panzeri .7 Vantagens e desvantagens As vantagens principais dos cimentos de fosfato de zinco são que eles podem ser misturados facilmente e que eles formam uma massa relativamente forte a partir de uma massa de consistência fluida. assim. que vão desde cimentação de restaurações metalocerâmicas fundidas e bandas ortodônticas ao uso deles como um forramento para cavidades profundas para proteger a polpa de estímulos mecânicos. e solubilidade em fluidos orais. o pó deve ser dividido em porções e os tempos devem ser rigorosamente respeitados  Como foi afirmado anteriormente.8 Aplicações Por causa da história longa deles. ou elétricos. o cimento endurecido tem uma força que é adequada ao serviço clínico. falta de adesão. fragilidade.Para a manipulação do fosfato de zinco.2.

Sendo assim. Eles também podem ser utilizados para a obturação de canais radiculares e como cimentos periodontais. Há um outro tipo de cimento de óxido de zinco que é chamado de reforçado. além de proporcionar um excelente selamento contra a microinfiltração.Estes têm sido baseados em dois sistemas. O líquido é eugenol que pode conter resinas também dissolvidas e aceleradores como ácido acético. A solubilidade é alta. resultando em resistências adequadas a 10 minutos para restaurações de amálgama serem colocadas. O pó consiste de óxido de zinco com 10% a 40% e resinas naturais ou sintéticas junto com aceleradores. é um dos menos irritantes entre todos os materiais dentários.2 Propriedades O tempo de trabalho é longo porque é requerida umidade para endurecer. O segundo é baseado no uso de um polímero. O objetivo desse material reforçado é melhorar a resistência à compressão. Materiais comerciais prendem a um tempo variando de 2 a 10 minutos. O cimento desintegra rapidamente quando exposto à condições orais. a reação de presa e a microestrutura são as mesmas das pastas para moldagem. Portanto. já discutidas anteriormente. Materiais comerciais podem conter quantias pequenas de cargas. como bases para isolamento térmico e para cimentação temporária. Aproximadamente 1% de sais de zinco.3 CIMENTOS DE ÓXIDO DE ZINCO E EUGENOL Estes cimentos são usualmente apresentados na forma de um pó e um líquido. como forradores cavitários. ou algumas vezes como duas pastas. 10. Um deles é o da adição de alumina ao pó e o ácido ortoetoxibenzóico ao líquido do eugenol.Cimentos Odontológicos 111 10. aproximadamente 1.1 Composição e presa Os principais componentes dos cimentos são o óxido de zinco e o eugenol. Misturas de consistência para cimentação endurecem muito lentamente a menos que aceleradores sejam usados e/ou uma gota de água é somada. Uma grande variedade de formulações de óxido de zinco e eugenol está disponível para uso como restaurações temporárias e intermediárias.3. Um por cento ou menos de álcool ou ácido acético pode estar presente no líquido para acelerar a presa junto com quantias pequenas de água. podem estar presentes para acelerar a presa. como acetato ou sulfato. Eugenol é extraído do cimento preso pela decomposição de eugenolato de zinco. 10. O pH é aproximadamente 7. além de agentes antimicrobianos como timol ou 8-hidroxiquinolina.3. Fernanda Panzeri .5% por peso em água destilada depois de 24 horas. como a sílica. no momento em que está sendo inserido no dente. que é essencial à reação de presa.

O uso de um pó de vidro que reage ao ácido junto com solução ácida poliacrílica conduz a um cimento translúcido. 10.5 Vantagens e desvantagens A vantagem principal destes materiais é o suave e obtundente efeito deles nos tecidos da polpa.Cimentos Odontológicos 112 10. Desvantagens incluem baixa resistência.4 CIMENTOS DE IONÔMERO DE VIDRO Ionômero de vidro é o nome genérico de um grupo de materiais que usam pó de vidro de silicato e uma solução aquosa de ácido poliacrílico.1 Aplicações Cimentos de ionômero de vidro são usados para a cimentação de fundições metálicas.3. solubilidade e desintegração em fluidos orais. em cavidades fundas. Quando o material será colocado como restauração temporária. A capacidade de selamento e ação antibacteriana parecem facilitar a cicatrização pulpar. Uma relação pó/líquido de 3:1 ou 4:1 deve ser usada para um máximo de resistência. 10. uma consistência do material deve ser obtida. 10. quando em contato direto com tecido conjuntivo. parece conduzir a um efeito anódino e obtundente na polpa. então. O eugenol é um alérgeno em potencial. ele deve apresentar um aspecto de “massa de vidraceiro”. será mais fácil a aplicação no preparo cavitário.3. o material é irritante. e pouca ação anticariogênica. mais forte que pode ser usado para cimentação e restauração. como Fernanda Panzeri . Estes materiais foram formulados nos anos 70 reunindo propriedades dos cimentos de silicato e de policarboxilato. é necessária espatulação prolongada e vigorosa. O óxido de zinco é lentamente molhado pelo eugenol. as propriedades físicas e mecânicas serão melhores e o efeito obtundente sobre a polpa será o mais favorável.9% e uma expansão térmica de 35x10-6/ºC. restaurações de porcelana e bandas ortodônticas.3 Efeito biológico A presença de eugenol no cimento endurecido sob condições clínicas. especialmente para uma mistura grossa. Assim. que contém grupos carboxílicos. o material mantém bom selamento marginal apesar de uma contração volumétrica de 0.3.4.4 Manipulação Para cada indicação. junto com a boa habilidade de selamento e resistência à penetração marginal. 10. Quando exposto diretamente à condições orais. porém.

como materiais restauradores. que atua como matriz de ligação.2 Classificação Os cimentos de ionômero de vidro podem ser classificados quanto à sua natureza em 3 categorias principais:  Convencionais: composto de pó de partículas vítreas e líquido de ácidos polialcenóicos. Nos pós dos ionômeros de vidro há três constituintes que são essenciais: a sílica. ele melhora as características de trabalho e aumenta a resistência do cimento. O flúor é um dos componentes importantíssimos do pó dos cimentos ionoméricos. bem como sua liberação para o meio bucal confere propriedade anti- Fernanda Panzeri . 10.  Modificados por resina: parte do líquido do ácido polialcenóico é substituído por hidroxietil metacrilato.  Reforçados por metais: constituído de líquido semelhante ao dos ionômeros convencionais e pó composto de mistura convencional com partículas de liga de amálgama ou partículas de ligas de prata sinterizadas com as partículas de vidro.4. especialmente para lesões de erosão e como materiais para a construção de núcleos de preenchimentos.4. inicia-se uma reação de presa do tipo ácido/base para formar um sal de hidrogel. a alumina e o fluoreto de cálcio. Esses materiais podem apresentar duas ou três presas. Uma outra classificação sugerida por TAY & LINCH (1989) divide os cimentos de ionômero de vidro em 4 grandes grupos: Tabela 10-1 – Classificação dos cimentos de ionômero de vidro segundo TAY & LINCH (1989) Tipo Tipo I Tipo II Tipo III A B A B A B Função Cimentação Restaurador sem reforço Restaurador com reforço Proteção Pulpar (quimicamente ativados) Selante de fóssulas e fissuras Proteção Pulpar (resino-modificados e fotopolimerizáveis) Restauradores (resino-modificados e fotopolimerizáveis) Tipo IV 10. Entre suas funções. Quando misturados.3 Composição e presa Ionômeros de vidro convencionais Os cimentos de ionômero de vidro convencionais são compostos de pó e líquido.Cimentos Odontológicos 113 forramento de cavidade ou materiais de base.

a fase aquosa dos ácidos umedece e dissolve a camada externa das partículas de vidro do pó.  Sistema Dual: Além da reação ácido/base e da fotopolimerização.  Sistema quimicamente ativado: Ocorre a reação ácido/base do ionômero convencional e a polimerização química dos componentes resinosos. respectivamente. formando ligações cruzadas em um gel. Conforme a acidez aumenta. Durante a aglutinação do pó ao líquido. visando aumentar a resistência final do cimento. Esses materiais podem apresentar 2 ou 3 presas: a reação ácido-base normal dos ionômeros convencionais e uma reação por fotoativação dos radicais livres. O líquido é uma solução aquosa de ácidos poliacrílicos com a inclusão de aceleradores de presa. Ionômeros de vidro modificados por metais É feita a inclusão de liga para amálgama na proporção de 1:1 por peso ou de 1:7 por volume de liga e pó de ionômero. Essa característica permite que ocorra polimerização na ausência de luz. ainda possuem iniciadores químicos para polimerizar os componentes metacrilatos que existem no material. o fluoreto de cálcio. que pode se continuar com uma polimerização química da fase resinosa. que reagem inicialmente com o flúor. formando fluoretos de cálcio e alumínio. de presa dual e quimicamente ativado. Fernanda Panzeri . que é instável. ainda possibilita um endurecimento imediato logo após a polimerização da resina. Ionômeros de vidro modificados por resinas A principal diferença entre os cimentos convencionais e os modificados por resina é a adição de componentes resinosos e iniciadores de polimerização a esses últimos. Eles podem apresentar 3 sistemas diferentes de ativação do componente resinoso: foto-ativado.Cimentos Odontológicos 114 cariogênica ao material. A reação de presa é muito semelhante à anterior. O hidrogênio desloca os íons cálcio e alumínio.  Sistema foto-ativado: Apresentam típica reação ácido-base e também uma reação de fotopolimerização do monômero presente. se dissocia e reage com co-polímeros acrílicos para formar complexos mais estáveis. o que além de melhorar algumas propriedades físicas do material.

A solubilidade dos cimentos em água é aproximadamente 1% para um material de cimentação. o tempo de presa é em torno de 6 a 9 minutos.Cimentos Odontológicos 115 10. Os materiais de forramento em 4 a 5 minutos. e isto é mais alto em ácido láctico. Liberação de Flúor A liberação de flúor dos cimentos ionoméricos ocorre com maior intensidade nas primeiras 24-48 horas. possa molhar completamente as paredes da cavidade. Adesividade Cimentos de ionômero de vidro exibem união ao esmalte. Inicialmente essas ligações são frágeis. mas conforme elas maturam vai ocorrendo a substituição da união pelo hidrogênio por uniões do tipo iônico/polar (Fig 9-5). Alguns estudos mostram que o cimento de ionômero de vidro fotopolimerizado continua absorvendo água durante vários meses. que apresenta alta energia. O profissional deve estar muito atento à consistência da mistura que deve se apresentar plástica e brilhante. A significação clínica deste comportamento não é contudo claro. Para que ocorra uma adesão adequada é importantíssimo que a superfície a ser restaurada esteja limpa e que a energia de superfície seja diminuída para que o cimento. com um módulo mais baixo. e os materiais restauradores em 3 a 4 minutos. os íons de hidrogênio reagem com a superfície mineralizada.4 Propriedades Para os materiais de cimentação. deslocando íons de cálcio e fosfato que ficam ligados aos grupos carboxila e ao dente. denotando a disponibilidade de líquido suficiente para que ocorra a adesão ao dente. É observada resistência boa para dissolução debaixo de condições orais. A adesão dos cimentos de ionômero de vidro às estruturas dentárias ocorre de maneira semelhante ao que acontece na reação ácido/base entre o líquido e o pó desses cimentos. dentina e ligas de uma maneira semelhante ao policarboxilato de zinco.4. A resistência para dissolução e desintegração é melhorada através de proteção de verniz para cimentos convencionais. Os materiais de forramento têm resistências à compressão e à tração na mesma intensidade que alguns materiais fotopolimerizáveis Os materiais fotopolimerizáveis são significativamente mais duros em algumas marcas. e permanece em menor concentração Fernanda Panzeri . In vitro e in vivo a adesão é variável e é afetada através das condições de superfície. Não deve ser desperdiçado tempo entre a manipulação e a inserção do cimento para que não haja perda de adesividade. A superfície do dente é molhada pelo líquido. com expansão e reduções em resistência e dureza.

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por longos períodos. Esse fenômeno decorre da presa lenta do cimento que desloca uma maior quantidade de elementos ionicamente ativos (inclusive o flúor) nas primeiras etapas da geleificação. Dessa forma, à medida que os íons vão reagindo com a matriz, a liberação de flúor diminui. A presença constante de flúor no meio bucal confere aos cimentos ionoméricos propriedades anticariogênicas, promovendo uma inversão no processo de desmineralização e favorecendo a remineralização do dente. O flúor liberado dos cimentos de ionômero de vidro pode ser incorporado aos tecidos mineralizados do dente tornando-os mais resistentes aos ciclos de desmineralização. 10.4.5 Efeitos biológicos A resposta pulpar para o forramento e materiais restauradores aparece geralmente favorável. Foi reportado comportamento variável pelos vários materiais de cimentação com exemplos de sensibilidade pós-operatória. Isto foi atribuído a um pH inicialmente baixo prolongado junto aos efeitos dos íons tóxicos. Isto pode ser acentuado pela pouca manipulação e infiltração marginal de bactérias. 10.4.6 Manipulação O material deve ser proporcionado cuidadosamente e os componentes recém dispensados aglutinados rapidamente em 45 segundos a 1 minuto. A relação pó/líquido 3:1 em peso (1 porção de pó para 1 gota do líquido) para os tipos convencionais de cimento de ionômero de vidro. Melhores resultados são obtidos misturando o pó resfriado com o líquido em uma placa de vidro resfriada. A mistura para forramento é um pouco mais viscosa, dependendo da marca. A mistura restauradora deve ter uma consistência de massa e uma superfície lustrosa. As superfícies do dente devem estar limpas e devem estar livres de saliva mas não devem estar desidratadas. As superfícies da restauração devem estar livres de resíduos e contaminação. O cimento endurece lentamente e deve ser protegido de perda ou ganho de umidade quando endurecido clinicamente. 10.4.7 Apresentação Comercial O cimento de ionômero de vidro pode apresentar-se em frascos sob a forma de pó e líquido ou acondicionado em cápsulas (Fig 9-6). No sistema de cápsulas, após rompimento da membrana que separa o pó do líquido devem ser manipuladas em dispositivos mecânicos, sendo que a própria cápsula se transforma em ponta para inserção do material na cavidade (Fig. 9-7).

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10.4.8 Vantagens e desvantagens As vantagens dos cimentos de ionômero de vidro incluem manipulação fácil, alta resistência e dureza, liberação de fluoreto, boa resistência à dissolução ácida, características potencialmente adesivas, e translucência. As desvantagens incluem colocação inicial lenta e sensibilidade à umidade, pouca diversidade de cores para materiais restauradores e possível sensibilidade pulpar.

Figura 10-4 – Esquema representativo do mecanismo de adesão do cimento de ionômero de vidro

10.5 CIMENTOS DE HIDRÓXIDO DE CÁLCIO Tem sido reconhecido há muito tempo o valor do hidróxido de cálcio como um material protetor da polpa que facilita a formação de dentina reparadora. Esta ação parece ser largamente atribuível a seu pH alcalino e conseqüente efeito antibacteriano. Embora vários materiais a base de hidróxido de cálcio estarem disponíveis, a manipulação deles não é fácil e os filmes depois da presa tendem a rachar.

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10.5.1 Aplicações Este material é usado como um forrador de cavidades profundas, para limpeza de cavidades, capeamento pulpar e para cimentação provisória.

Figura 10-5 - Ionômero de vidro em cápsulas

Figura 10-6 - Cápsula de ionômero depois de manipulada e acoplada em um dispensador

10.5.2 Formas de apresentação Os cimentos de hidróxido de cálcio podem ser apresentados comercialmente em diversas formas:  Pó ou Pasta: Normalmente na característica de pró-análise, quando misturado com água destilada em pequena quantidade, até obter-se uma pasta, pode ser utilizada nos casos de proteção pulpar direta para diminuir o sangramento.  Solução: Obtida pela mistura de 10g de pó de hidróxido de cálcio pa (pró-análise) em 200 mL de água destilada. Após a mistura, o pó é decantado no fundo do vidro e, para sua utilização, não de deve agitar o frasco. Utilizada para limpeza de cavidades.  Suspensão: Obtida pela mistura de pó de hidróxido de cálcio em metilcelulose. Esta é uma mistura mais viscosa e deve ser utilizada para o forramento de cavidades médias e em casos de proteção pulpar direta.  Pasta/Pasta: Utilizada para casos de proteção pulpar indireta em casos de cavidades médias a profundas. Uma pasta contém o hidróxido de cálcio e é chamada de pasta base. A outra, tem os componentes que vão interagir com o anterior produzindo uma

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reação de presa e conseqüente endurecimento da mistura. Esta é chamada de pasta catalisadora. 10.5.3 Manipulação do sistema pasta/pasta Para a manipulação desse sistema, as pastas devem ser dispensadas em pequenas quantidades, em comprimentos iguais. São misturados com espátula 22, rapidamente, até obter uma cor uniforme. Devem ser aplicados em pequena espessura no fundo da cavidade (Fig. 9-8 A) e deve-se aguardar a presa final do material para a colocação do material restaurador sobre o material protetor. Caso contrário, o material de forramento será deslocado e perderá sua finalidade, devido à sua fragilidade (Fig. 9-8 B). 10.5.4 Propriedades O tempo de trabalho pode ser de 3 a 5 minutos, dependendo da disponibilidade de umidade. Na boca, a presa é rápida, mais ou menos 1 ou 2 minutos. São materiais pouco resistentes e quando acontece infiltração marginal, a dissolução completa destes materiais pode acontecer.

A
Figura 10-7 - O material restaurador deve ser colocado quando o material forrador estiver completamente endurecido (A). Caso contrário, ele será deformado (B) e não cumprirá com sua função de proteção

10.5.5 Efeitos biológicos O hidróxido de cálcio é um composto com um pH de aproximadamente 11. Sendo assim, ele é irritante ao tecido pulpar vivo. Ele também tem ação bacteriostática forte, o que significa que evita a propagação ativa da bactéria. Devido às suas características, são capazes de estimular a formação de dentina secundária, servindo de proteção ainda maior para a polpa. Isso se dá devido ao alto pH do material, que continua alto por um longo período de tempo devido à capacidade do material em se dissolver continuamente em meio aquoso (dentina), liberando íons hidroxila. Esse estímulo constante é capaz de produzir uma necrose superficial das células pulpares da camada mais próxima da junção entre a dentina e a polpa. Isso faz com que as células mesenquimais diferenciadas do tecido conjuntivo da polpa se diferenciem em

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sob condições ácidas dissolve-se ocorrendo infiltração marginal. estão continuamente expostos a uma variedade de ácidos. boas características de selamento. A seleção do material a ser utilizado. muitos dos cimentos têm múltiplos usos. Com exceção dos cimentos resinosos. 10. 9-9). passando a haver infiltração e invasão bacteriana com as suas conseqüências.6 SOLUBILIDADE ODONTOLÓGICOS E DESINTEGRAÇÃO DOS CIMENTOS Uma propriedade importante de um agente cimentante é a de que ele seja resistente à solubilidade e à desintegração na cavidade oral.Cimentos Odontológicos 120 odontoblastos para permitir uma reposição. 10.7 INDICAÇÃO DOS CIMENTOS Como indicado na Tabela 10-2. tem um maior volume pulpar. Estes materiais também podem mostrar uma ação protetora à polpa neutralizando e prevenindo a passagem de ácido e agindo como uma barreira à penetração de outros agentes. tanto o pH como a temperatura da boca estão sujeitos a flutuações. e efeitos benéficos em dentina cariosa e polpas expostas.6 Vantagens e desvantagens As vantagens destes materiais incluem a manipulação fácil. Esta complexidade do sistema oral pode levar o nosso tratamento ao fracasso. presa rápida em camadas finas. a cárie ou ambas. sendo que esses materiais se tornaram fotopolimerizáveis. Os dados em propriedades físicas e experiência clínica sugerem que sejam requeridas melhorias adicionais nestes materiais antes que eles possam ser utilizados como o forrador de cavidades exclusivo em preparos cavitários profundos. Sendo assim. os fragmentos são removidos das margens da restauração (Fig. Mais recentemente. todos os cimentos sobre os quais se discutiu apresentam um potencial para degradação significativa nos fluidos orais. Essas novas células serão capazes de formar “pontes de dentina” quando usado para proteção da polpa em exposição. Se o cimento é dissolvido ou se deteriora. como os produzidos por microrganismos e pela degradação de alimentos ou os existentes em algumas comidas e bebidas freqüentemente levadas à boca. 10. Isso tudo se torna agravado pois. os cimentos. são fracos à exposição à umidade e. exibem deformação plástica. como a sensibilidade. uma mesma extensão de cavidade Fernanda Panzeri . Além disso. foram apresentadas composições de resinas polimerizáveis que contêm hidróxido de cálcio como alternativas para estes materiais.5. As desvantagens são que eles mostram baixa resistência até mesmo quando completamente endurecidos. deve levar em consideração 3 fatores principais:  Idade do paciente: Quando o paciente é jovem.

Segundo a profundidade da cavidade. Fernanda Panzeri .Cimentos Odontológicos 121 pode guardar uma relação mais próxima ou mais distante com a polpa dentária (Fig 9-10).A solubilidade dos cimentos odontológicos permite que o material se deteriore nas margens da restauração e é por esse espaço que as bactérias podem entrar e provocar cárie secundária.  Profundidade e extensão da cavidade: Segundo MONDELLI (1998). pois esses materiais podem sofrer interferência no seu processo de polimerização por aqueles. 2) rasa. 5)muito profunda. as cavidades apresentam 5 níveis de profundidade (Fig 911) – 1) superficial. Cimentos de óxido de zinco e eugenol não devem ser utilizados com restaurações de resina composta. 4)profunda. Figura 10-8 . um material protetor está indicado. 3)média.  Tipo de material restaurador: A composição dos materiais restauradores também interfere na escolha do material protetor.

1ª ed. J. p. In: ________. Rio de Janeiro. 220-225. Part 1 – Development. & PASCOTTO. In: ________. MONDELLI. & FELLER. June 1989. C. – Glass-ionomer (polyalkenoate) cements. In: ________ Materiais Dentários de Phillips. São Paulo. Note-se que no dente de um paciente jovem a camada de dentina que separa o assoalho cavitário da polpa é menos espessa do que de um paciente idoso. London. Philadelphia. 53-57. BARATIERI.A. Proteção do Complexo Dentinopulpar.N. In: ________ . & LYNCH. em virtude do maior volume pulpar. São Paulo. Usar ou não? In: GONÇALVES. Ir. 31-44. L. Este fator condiciona a indicação do material de proteção do complexo dentinopulpar. L. J. 35. – Cimentos de Ionômero de Vidro..Cimentos Odontológicos 122 Figura 10-9 – Dentes com cavidades que. clinicamente. W. FERRACANE. Principles and Applications. setting reaction. 1998 p.F. 1995. p.309-327. 1998 p. Figura 10-10 – Os níveis de profundidade de cavidades segundo MONDELLI (1998) BIBLIOGRAFIA ANUSAVICE. TAY. n. J – Agentes Protetores. J. A Prática da Clínica Geral.M.N. In: ________ Materiais Dentários de Phillips. v. Base and Luting applications. Guanabara Koogan. Cimentos Odontológicos para Cimentação. McCABE.C. Cimentos Odontológicos para Restaurações e Proteção Pulpar. F. Artes Médicas. Ass. Applied Dental Materials. & WALLS. Fernanda Panzeri . J. A. M. 1998 p. 1998. Lippincott Williams & Wilkins. NAVARRO. p.2. 1ª ed. Cimentos de Ionômero de Vidro. Artes Médicas. Dent. 1998 p328-344. R. J. 8ª ed. ANUSAVICE. In: ________ . E. 1998 p. 63. Artes Médicas. structure and types. W. aparentam ser semelhantes quanto `a proximidade pulpar. 1-24. Materials in Dentistry. – Intermediary Materials and Cements. 31-62. et al – Materiais de Forramento. São Paulo. Blackwell Science. Guanabara Koogan. – Requirements of Dental Cements for Lining.L. G. E. Rio de Janeiro. – Atualização na Clínica Odontológica.

Técnica de Manipulação:  Distribuir o pó sobre a placa e dar-lhe a forma retangular  Dividir o pó como mostra o esquema: 6ª Porção ¼ 15 seg 4ª Porção ¼ 15 seg 5ª Porção ¼ 15 seg 3ª Porção 1/8 10 seg 2ª Porção 1/16 10 seg 1ª Porção 1/16 10 seg  Colocar o líquido necessário ao lado das porções menores (1/16)  Iniciar a espatulação misturando as porções pela ordem indicada na figura acima. Instrumentais Utilizados:  Bloco de Espatulação  Espátula 24 2. Proporção Pó/Líquido: Para cimentação: 1 medida de pó menor e 4 gotas de líquido 3. para cimentação. deve apresentar-se na viscosidade de “fio”. Exercícios  Manipular o cimento para a consistência de cimentação  Observar proporção pó/líquido  Espatular corretamente pó/líquido  Juntar a massa Fernanda Panzeri .  Observar o tempo de espatulação para cada porção  Continuar a mistura espatulando a massa com movimentos circulares da face da espátula. ocupando grande área do bloco  Tempo de espatulação total: 1 minuto e 30 segundos  Consistência final: A massa.Cimentos Odontológicos 123 ROTEIRO DE AULA PRÁTICA Cimento Fosfato de Zinco 1.

Aglutinar as partículas do pó ao líquido. Exercícios:  Espatular o cimento na consistência adequada e confeccionar uma restauração provisória no dente 17.  Observar a proporção pó/líquido  Espatular corretamente pó/líquido até a consistência desejada  Colocar o material na cavidade já preparada do manequim em pequenas porções até o completo preenchimento da cavidade  Aguardar o tempo de presa do cimento Ionômero de Vidro Instrumentais Utilizados:  Bloco de manipulação  Espátula 22  Espátulas Thompson para inserção de resina composta Proporção Pó/Líquido: Recomendado pelo fabricante  1 porção de pó para 1 gota de líquido. produzindo o “molhamento” do pó.  3 gotas de líquido e uma quantidade de pó que seja adequada para a obtenção da consistência desejada Técnica de Manipulação:  Iniciar a mistura incorporando pequenas porções de pó ao líquido  Continuar a mistura espatulando a massa com movimentos circulares da face da espátula  Consistência final: Massa semelhante à “massa de vidraceiro”. Fernanda Panzeri . Não imprimir força à espátula nem espatular o material. Proporcionar o pó e o líquido e dividir o pó ao meio Iniciar a manipulação pela incorporação de metade do pó ao líquido com espátula 22.Cimentos Odontológicos 124  Verificar a consistência adequada Óxido de Zinco e Eugenol Instrumentais Utilizados:  Bloco de manipulação  Espátula 24  Hollemback 3S Proporção Pó/Líquido: De acordo com a finalidade de uso. sendo que seja possível rolar a massa sobre a placa de vidro sem aderência à placa. É aglutinado. Continuar a manipulação pela incorporação do restante do pó.      Técnica de Manipulação: O cimento não é espatulado.

5 mm) no fundo da cavidade  Aguardar a presa do cimento e remover os excessos Fernanda Panzeri . seguindo a determinação de tempo sugerida pelo fabricante. Hidróxido de Cálcio Instrumentais Utilizados  Bloco de manipulação fornecido pelo fabricante  Espátula 22  Aplicador de hidróxido de cálcio Proporção pasta/pasta: Quantidades iguais Técnica de Manipulação:  Depositar no bloco de espatulação quantidades iguais da pasta base e da pasta catalisadora  Misturar as duas pastas por 10 segundos com espátula 22 Exercício  Manipular o cimento e aplicar no fundo da cavidade como forramento do dente 48.  Observar a proporção pó/líquido  Manipular corretamente pó/líquido  Polimerizar o material com luz.  Observar a proporção das pastas  Misturar as pastas adequadamente  Com instrumento apropriado. depositar imediatamente fina camada (± 0.Cimentos Odontológicos 125  Tempo de manipulação: 45 segundos a 1 minuto Exercícios:  Manipular o cimento para cimentação e obter uma massa fluida e brilhante  Observar proporção pó/líquido  Manipular corretamente pó/líquido  Juntar a massa  Verificar a consistência adequada  Manipular o cimento resinoso e aplicar no fundo da cavidade do dente 35.

11 Resinas Acrílicas .

11. com os dentes montados. Esta resina pode ser unida a outras resinas diretamente na estrutura dental ou em outros materiais restauradores. o polimetilmetacrilato.2 Propriedades Físicas: Deve possuir adequada resistência e resiliência. Se a resina for usada como material de preenchimento ou cimento. ou com o gosto ou odor desagradáveis. Também deve ter estabilidade dimensional sob todas as condições de ISO. a resina deve ser completamente insolúvel na saliva ou em quaisquer outros fluidos da boca. O cirurgião-dentista usa resinas principalmente para restaurar ou substituir dentes e estruturas dentárias perdidas. foi plástico (moldável) em algum estágio da plastificação. Se todos os dentes foram perdidos. forças de impacto e desgaste excessivo que pode ocorrer na cavidade oral. não-tóxica e não-irritante aos tecidos bucais.2. incluindo mudanças de temperatura e variação de carga. pode ser feita para restaurar a capacidade mastigatória. Fernanda Panzeri .2. e deve ser impermeável aos fluidos orais a ponto de não se tornar anti-higiênica. na década de 30 por Walter Wright e os irmãos Vernon. 11. ela deverá se unir à estrutura dental para impedir a penetração bacteriana ao longo da interface entre o dente e a restauração. Quando usada como base de próteses totais. inodora. embora tenha estabilidade dimensional no uso normal. e resistência à compressão ou às forças mastigatórias. Para cumprir esses requisitos.1 Considerações Biológicas: A resina deve ser insípida. Um material plástico é uma substância que. Elas foram desenvolvidas a partir do desenvolvimento de um polímero.Resinas Acrílicas 127 11.1 INTRODUÇÃO As resinas sintéticas são freqüentemente chamadas de plásticos. deve apresentar baixa gravidade específica. uma base de prótese (a parte da prótese que repousa sobre os tecidos moles da boca).2 REQUISITOS PARA UMA RESINA ODONTOLÓGICA As resinas devem apresentar propriedades essenciais e características necessárias para o uso na cavidade oral. 11.

3 ESTRUTURA DAS RESINAS As resinas sintéticas são compostas de várias moléculas grandes. Além do mais. Fernanda Panzeri .3 Propriedades Estéticas: O material deve exibir translucidez ou transparência suficiente para que possa se igualar à aparência dos tecidos orais que irá substituir. O polímero é formado por uma ou várias unidades estruturais recorrentes. 11.2. modelar e polimerizar. 11. Quando a reação de polimerização ocorrer e. 11. ao final. inserir. e ser insensível às variações dos procedimentos de manipulação.A polimerização é uma reação intermolecular de repetição que é funcionalmente capaz de progredir indefinidamente. Os polímeros consistem em moléculas muito grandes e sua estrutura molecular é capaz de apresentar configurações e conformações virtualmente sem limites.4 Características de Manipulação: O material não deve produzir gases ou pó tóxico durante a manipulação. chamadas de polímeros. deve ser possível o reparo da resina de maneira fácil e eficiente. o produto final deve ser de fácil polimento e.5 Considerações Econômicas: O custo da resina e o método de seu processamento devem ser baixos.2. em caso inevitável de fratura. Ele deve ser passível de pintura ou pigmentação. porém após a sua fabricação não deve ocorrer nenhuma mudança na cor ou aparência. As condições da cavidade oral são muito rígidas e apenas os materiais mais estáveis quimicamente e inertes podem suportar tais condições sem deterioração. que consistem na estrutura individual do monômero. Nenhuma resina se enquadra em todas as exigências discutidas. Deve ser fácil de misturar.4 POLIMERIZAÇÃO A reação química pelas quais a macromolécula (polímero) é formada por um grande número de moléculas pequenas (monômero) é chamada de polimerização. ocorre a chamada polimerização por condensação (Fig.2. 11. formar-se um subproduto da reação. e a sua aplicação não deve requerer equipamentos complexos e caros.Resinas Acrílicas 128 11.

terminação e transferência de cadeia. pois o monômero e o polímero possuem as mesmas fórmulas empíricas. um radical livre é um átomo ou um grupo de átomos possuindo um elétron livre (não-emparelhado). a reação que produz esse tipo de polimerização progride pelo mesmo mecanismo de uma reação química entre duas ou mais moléculas simples. Há a formação de subprodutos Figura 11-2 . radicais livres devem estar presentes. O iniciador mais comumente usado é o peróxido de Fernanda Panzeri . Na primeira. Este é o mecanismo no qual as resinas odontológicas polimerizam. ácidos ou amônia. O radical livre não é um catalisador. como água. Um dos requisitos de um composto que se polimeriza por adição é a presença de um radical livre. a estrutura do monômero se repete muitas vezes no polímero.4.1 Estágios na Polimerização por Adição O processo de polimerização por adição ocorre em quatro estágios: indução.Resinas Acrílicas 129 10-1). Indução: Para começar um processo de polimerização por adição. quando essa reação é simplesmente uma reação de adição. Já. não existe nenhuma mudança na composição. As substâncias originais reagem freqüentemente com a formação de subprodutos. diferentemente da por condensação. calor ou agente químico). Muitas substâncias são capazes de gerar radicais livres para a polimerização das resinas.Exemplo de reação de polimerização por adição 11. Radicais livres podem ser gerados pela ativação de moléculas de monômeros com um dos sistemas ativadores (luz. O têrmo mais preciso é iniciador. propagação. Figura 11-1 Exemplo de reação de polimerização por condensação. Já na polimerização por adição. Em outras palavras. chamase polimerização por adição (Fig 10-2). Por definição. porque este penetra na reação química e se torna parte do componente químico final.

que se decompõe a temperaturas relativamente baixas para liberar dois radicais livres por molécula. que iniciam o processo de polimerização. de tal maneira que haverá a terminação nesta última. Neste sistema. os quais em seguida iniciam a polimerização do monômero do metacrilato de metila. O período de indução é o tempo em que as moléculas do iniciador se tornam energizadas e ativadas. ambas as moléculas combinam-se e tornam-se desativadas pela troca de energia. o ativador catalisa a divisão da molécula de peróxido de benzoíla em dois radicais livres. os radicais livres são obtidos pelo aquecimento do peróxido de benzoíla. Os processos de polimerização utilizados nas resinas odontológicas são comumente ativados por um dos três processos: calor. fótons ativam o iniciador e geram radicais livres. 11. A outra forma se dá pela transferência de um átomo de hidrogênio de uma cadeia em crescimento para outra.4. sofrem uma reação química gerando radicais livres.Resinas Acrílicas 130 benzoíla. uma molécula de monômero pode ser ativada por uma macromolécula em crescimento. Transferência de cadeia: O estado ativado é transferido de um radical ativado para uma molécula inativa e um novo núcleo para um futuro crescimento é criado. Quando ativador e iniciador são misturados. Assim. O último tipo de sistema de ativação é a luz. No caso da ligação direta. sendo formada uma ligação dupla entre carbonos em uma das moléculas. dois reagentes. Durante o aquecimento. químico e luz. as reações vão até que todo monômero tenha se transformado em polímero Terminação: As reações em cadeia podem terminar de duas formas: pela ligação direta ou pela transferência de um átomo de hidrogênio de uma cadeia em crescimento para outra.2 Inibição da Polimerização: Fernanda Panzeri . Teoricamente. Propagação: O processo continua com as reações em cadeia ocorrendo. Por exemplo. a molécula do peróxido de benzoíla se divide em dois radicais livres. quando se utiliza o calor como fonte ativadora. quando misturados. formando radicais livres que interagem com as moléculas do monômero. Quando o ativador é químico.

derivado do ácido metacrílico. através do impedimento da propagação. portanto aumentando a viscosidade da mistura. Algumas cadeias de polímero são dispersas no monômero líquido. Esse estágio é caracterizado pela formação de “fibrilas” quando o material é tocado e separado.5. As pérolas do polímero mantêm-se inalteradas.1 Resinas Acrílicas O composto químico que forma o monômero da maioria das resinas acrílicas odontológicas é o metacrilato de metila. 11. o monômero ataca individualmente a superfície das pérolas. e a consistência da mistura pode ser descrita como “áspera” ou “granulada”. ou retardando a reação de polimerização. assim divididas:  Resinas Acrílicas  Termicamente Ativadas  Quimicamente Ativadas  Resinas Compostas 11. é fornecido no sistema pó/líquido. a massa resultante passa por cinco fases distintas. Fase Fibrilar Durante este estágio. uma massa trabalhável é formada. O líquido contém o metacrilato de metila (monômero) não polimerizado. Essas modificações são físicas. Normalmente. diferentemente dos estágios de polimerização. que. 11. unido a outros monômeros forma o poli(metacrilato) de metila.Resinas Acrílicas 131 Impurezas e o oxigênio podem reagir com os radicais livres. Em descanso.2 Fases de Polimerização Fase Arenosa Pouca ou nenhuma reação ocorre no nível molecular. inibindo. e o pó contém o polímero pré-polimerizado em forma de pequenas pérolas. Essas cadeias desenrolam-se.5. na proporção correta. Quando o líquido e o pó são misturados. Fase Plástica Fernanda Panzeri .5 TIPOS DE RESINAS ODONTOLÓGICAS: Há 3 tipos principais de resinas odontológicas.

11.6. Não mais está grudenta e nem adere mais à superfície do pote de mistura. Assim. ela não pode ser moldada. 11. A massa comporta-se como uma massa trabalhável.1 Indicação A indicação principal de uso desta resina é a confecção de base para dentaduras (Fig. A proporção aceitável é de 3:1 em volume. Como a massa não escoa livremente. um mar de monômero e polímeros dissolvidos é formado. um aumento do número de cadeias poliméricas entra em solução. a mistura se torna rígida.6 RESINAS ACRÍLICAS TERMICAMENTE ATIVADAS 11. Fase Densa Em repouso por um longo tempo. ou ambas. a massa recupera-se quando comprimida ou estirada.6. Isto se dá pela evaporação do monômero livre. Isto permite que suficiente monômero umedeça as partículas do polímero.6. Uma dentadura pode ser definida como uma prótese dentária removível usada com o intento de repor as superfícies mastigatórias e as estruturas associadas de uma arcada superior ou inferior. O líquido é predominantemente um metacrilato não polimerizado. mas Fernanda Panzeri . 10-3). nesta fase.2 Composição O pó consiste em esferas pré-polimerizadas (Fig 10-4) de poli(metacrilato) e uma pequena quantidade de peróxido de benzoíla.3 Proporção polímero:monômero Uma proporção apropriada de polímero/monômero é de considerável importância na confecção de uma prótese bem adaptada e com as propriedades físicas desejáveis.Resinas Acrílicas 132 Sob o ponto de vista molecular. As características físicas e químicas exibidas durante as últimas fases desse estágio são ideais para o trabalho. 11. Fase Borrachóide O monômero é dissipado por evaporação e. Tal prótese é composta de dentes artificiais unidos a uma base.

Resinas Acrílicas 133 não contribui com o excesso. Após a moldagem dos rebordos residuais do paciente.6. Sua apresentação é na forma de pérolas pré-polimerizadas 11. o que pode levar a uma maior contração de polimerização.Polímero da Resina Acrílica. Para a montagem dos dentes se faz necessária a colocação de uma base em cera. Figura 11-3 . Fernanda Panzeri . temos que entender como a prótese é confeccionada.4 Polimerização Para entendermos como a resina acrílica termicamente ativada sofre sua polimerização. uma placa de resina será feita sobre a qual serão montados os dentes de acrílico.Próteses Total e Removível Figura 11-4 .

Resinas Acrílicas 134 tentando imitar o que será a gengiva de nosso paciente após o término da prótese. Quando aquecida a água e a mufla com o gesso e a resina. para polimerizar a parte fina (Gráfico 10-2). ela será colocada em um recipiente imersa em água que será levado ao fogo. Como a resina está localizada no centro da mufla e sendo o gesso pobre condutor de calor. A B Fernanda Panzeri . a prótese será incluída em uma mufla que nada mais é do que uma “fôrma” metálica para que esses modelos sejam colocados. Um ciclo correto é aquele em que a água é aquecida a 74ºC por duas horas para polimerizar a parte grossa da resina. um certo tempo é necessário para que o aquecimento da água chegue na resina. e 100ºC por uma hora. diminuindo sua resistência. porque a temperatura da resina não atingiu aquela de ebulição do monômero. 10-5 a-h. devido à temperatura da resina exceder a do ponto de ebulição do monômero. água e gesso tem curvas semelhantes de aquecimento. O ciclo de polimerização representado na curva C provavelmente iria permitir porosidade nas porções mais grossas de resina. Quando a temperatura da resina atinge próximo aos 70ºC a temperatura da resina começa a subir rapidamente. eles serão provados para ver se todos estão harmônicos e corretamente colocados em relação às estruturas anatômicas e. o ciclo de polimerização representado pela curva A provavelmente iria resultar na presença de monômero não-reagido. Por outro lado. devido à reação exotérmica. A polimerização de uma resina é exotérmica e a quantidade de calor envolvida pode afetar as propriedades da resina. Toda a seqüência pode ser vista na Fig. Sendo assim.8ºC o monômero será evaporado e haverá o aparecimento de porosidade interna na resina. é lógico supor que uma polimerização ótima recaia em algum ponto entre as curvas A e C. Depois dos dentes montados. Assim. O processo de aquecimento empregado para controlar a polimerização é chamado de ciclo de polimerização. ela deverá sofrer a ação do calor para sua polimerização. A relação entre a velocidade de aquecimento e a elevação da temperatura dentro da resina é ilustrada no gráfico 10-1. caso isso aconteça. Caso essa temperatura ultrapasse 100. Como a resina é termoativada.

Resinas Acrílicas 135 C D E F G Fernanda Panzeri .

B)Dentes montados. D)Inclusão do modelo superior na mufla. H) Próteses terminadas e polidas Gráfico 11-1 . A) Placas com roletes de cera para montagem dos dentes. E) Elaboração da muralha de gesso para a fixação dos dentes.Resinas Acrílicas 136 H Figura 11-5 – Seqüência na obtenção de uma prótese total. F)Mufla aberta após a eliminação da cera. G) Detalhe dos dentes fixados na mufla prontos para receber a resina acrílica. Fernanda Panzeri .Alterações da temperatura na resina acrílica quando submetida a vários programas e ciclos de cura. C) Mufla.

7. que é uma amina terciária (dimetil-para-toluidina). No pó está presente o polímero. ativando-o na forma de radicais livres que. Gráfico 11-2 .Resinas Acrílicas 137 11. moldeiras individuais e guias cirúrgicos.7. o dimetil reage com o peróxido de benzoíla. A partir daí.1 Indicações Além da indicação deste material para a confecção de bases de prótese totais. No líquido estão presentes o monômero e o ativador químico. aparelhos ortodônticos. pela facilidade de trabalho seu uso também é indicado para a confecção de próteses provisórias (fixas e removíveis). Quando misturados.2 Composição São compostas também por pó e líquido. liga-se aos monômeros iniciando a reação. por sua vez. as Resinas Acrílicas Quimicamente Ativadas passam pelos mesmos estágios e fases que as Resinas Acrílicas Termicamente Ativadas.7 RESINA ACRÍLICA QUIMICAMENTE ATIVADA 11.Ciclo de polimerização recomendado para as resinas acrílicas termicamente ativadas Fernanda Panzeri . na forma de pérolas pré-polimerizadas e o peróxido de benzoíla (iniciador). 11.

Isto se dá em razão dos eventos moleculares que ocorrem durante o processo de polimerização. O mecanismo primário de ingresso da água é a difusão. Isto produz uma redução na rede no espaço ocupado pelos componentes.8.1 Contração de Polimerização Clinicamente. A contração de polimerização. Se isto ocorrer. O emprego de uma proporção pó/líquido adequada e um procedimento de mistura bem controlado auxiliam nesta conexão. Conseqüentemente. Quando as moléculas são quimicamente juntadas. em uma prótese superior. Isso se dá em razão das características da função oral e das limitações do material. Todavia. ou dentro de uma Fernanda Panzeri . 11. Cada molécula possui um campo magnético que repele a molécula mais próxima. de forma que. Há uma relação direta entre a contração de polimerização e a proporção monômero/polímero. 11. algumas regiões da massa de resina conterão mais monômero que outras. Difusão é a migração de uma substância através de um espaço. maior será a contração de polimerização. a polimerização das resinas produz contrações volumétricas e lineares.3 Absorção de água O polimetacrilato absorve relativamente pequenas quantidades de água quando colocado em um meio aquoso. uma nova ligação carbono-carbono é formada.8.8 PROPRIEDADES DAS RESINAS ACRÍLICAS As propriedades físicas das Resinas Acrílicas são críticas na adaptação e função de uma peça protética. Agora. Tais porosidades resultam da evaporação (vaporização) do monômero nãoreagido quando a temperatura de uma resina atinge ou ultrapassa a temperatura de ebulição desses elementos. quanto maior a quantidade de monômero presente na mistura. a distância entre as moléculas é significantemente maior do que o comprimento de uma ligação carbônica (C-C). é freqüentemente evidenciada por um desajuste na região palatina. essa água exerce um efeito significante nas propriedades dimensionais e mecânicas dos polímeros. considere-se o efeito da união química do metacrilato. estéticas e até higiênicas de uma base de dentadura.Resinas Acrílicas 138 11. A porosidade também pode ser resultado da mistura inadequada dos componentes pó/líquido. Imagine-se duas moléculas de metacrilato.2 Porosidade A presença de porosidades superficiais e internas pode comprometer as propriedades físicas. 11. como mostra a Fig 10-6.8.

A introdução de moléculas de água no meio da camada polimérica produz dois efeitos. moléculas de água penetram na massa de polimetacrilato e ocupam posições entre as cadeias poliméricas. as cadeias se afastam. Neste caso. diminuindo a resistência. agem como um plastificador.Resinas Acrílicas 139 segunda substância. 11. a resistência da resina também aumenta.Contração de polimerização 11.4 Resistência O determinante mais importante da resistência total da resina é o grau de polimerização exibido pelo material. Segundo. Esse monômero não-reagido cria duas dificuldades principais. Geralmente.8. Conseqüentemente. ela causa uma ligeira expansão da massa polimerizada. À medida que o grau de polimerização aumenta.5 Análise Comparativa entre Resinas Acrílicas Termicamente Ativadas e Resinas Acrílicas Quimicamente Ativadas A diferença fundamental entre as resinas termoativadas e as resinas quimicamente ativadas é o método pelo qual o peróxido de benzoíla é dividido para permitir os radicais livres. o grau de polimerização alcançado pelas quimicamente ativadas não se completa como nas termoativadas.8. Primeiro. portanto. Figura 11-6 . Isto indica que há uma grande quantidade de monômero não-reagido na resina confeccionada via ativação química. o monômero residual serve como um irritante em potencial para os tecidos. as moléculas de água interferem no entrelaçamento da cadeia polimérica e. Primeiro. portanto comprometendo a biocompatibilidade da base de Fernanda Panzeri .

que têm sua química baseada nos poli(metilmetacrilatos).2 Condicionadores de Tecido A finalidade das resinas macias é absorver algumas das forças produzidas por impactos mastigatórios.9.Resinas Acrílicas 140 dentadura. Esta propriedade está relacionada com a presença das aminas terciárias nas resinas.9. Essas resinas são similares àquelas usadas na construção das placas-base para dentadura. Este aumento é alcançado pela elevação na quantidade de agentes de ligação cruzada no líquido de resina. a superfície dos tecidos deve ser substituída por reembasamento ou realinhamento da dentadura existente. isto é.3 Dentes de Resina Mais de 60% dos dentes artificiais vendidos nos Estados Unidos são feitos de resina acrílica. 11. Em alguns casos. Tais aminas são susceptíveis à oxidação e às alterações na cor que as acompanham e que podem afetar a aparência das resinas. as resinas servem como “amortecedores de choques” entre a superfície oclusal da dentadura e os tecidos subjacentes. ele age como um plastificador. Segundo. a quantidade de ligações cruzadas nos dentes é algumas vezes maior do que nas placas-base.9. 11. Por isso. O polímero resultante mostra uma melhora na estabilidade e nas propriedades clínicas.(Fig. o qual resulta em uma redução da resistência da dentadura. porque existe menor grau de polimerização.9 MATERIAIS A BASE DE RESINA ACRÍLICA 11. A estabilidade de cor das resinas quimicamente ativadas é geralmente inferior àquelas termoativadas. 11.1 Resina de Reembasamento de Próteses Uma vez que o contorno dos tecidos moles se altera durante o uso de dentaduras. As resinas quimicamente ativadas apresentam menor contração de polimerização quando comparadas com as termoativadas. Os condicionadores mais comumente usados são resinas acrílicas plastificadas. Estas resinas podem ser termoativadas ou quimicamente ativadas.10-7) Fernanda Panzeri . Isto implica a melhor adaptação dimensional das resinas quimicamente ativadas. é freqüentemente necessário alterar-se a superfície intra-oral das próteses para assegurar uma adaptação e função adequadas. Todavia. no monômero.

10ª ed.140-160. Atualmente. Fernanda Panzeri . ed – Prosthetic Applications of Polymers. Por volta do século XVI. Durante os anos subseqüentes.9. ______________. G. Mosby. técnicas restauradoras e materiais foram vagarosamente sendo melhorados. In ________. os materiais usados em próteses maxilofaciais estão longe do ideal. Um material ideal deveria ser de baixo custo. Figura 11-7 . próteses têm sido usadas para mascarar defeitos maxilofaciais. 1996. Os antigos egípcios e chineses usaram ceras e resinas para reconstruir porções do complexo craniofacial. Restorative Dental Materials. 1998 p.125-139. J.Dentes de resina As resinas acrílicas podem ainda ser utilizadas para a confecção de placas oclusais e protetores de boca para atletas. Os materiais maxilofaciais precisam ter resistência ao rasgamento e deveriam ser capazes de resistir às demandas térmicas e químicas. o cirurgião francês Ambroise Paré descreveu uma variedade de próteses para serem usadas com finalidades cosméticas e funcionais na reposição de estruturas maxilofaciais. e a profissão odontológica assumiu um importante papel no processo de reconstrução e reabilitação. Guanabara Koogan. Apesar das melhoras em técnicas cirúrgicas e restauradoras. nenhum material preenche tais quesitos. Rio de Janeiro. 1ª ed. Resina para Base de Dentadura In: ________ Materiais Dentários de Phillips. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANUSAVICE. United States. Guanabara Koogan. R. As baixas ocorridas durante a 1ª e 2ª Guerras Mundiais criaram uma grande necessidade de próteses maxilofaciais. 1ª ed. p. Química das Resinas Sintéticas In: ________ Materiais Dentários de Phillips. biocompatível.Resinas Acrílicas 141 11. ser como a pele em cor e textura. CRAIG. Além disso. forte e estável.4 Materiais para Próteses Buco-Maxilofaciais Há séculos. 1998 p.500-551. Rio de Janeiro.

Lippincott Williams & Wilkins. McCABE. Applied Dental Materials. p. – Denture Base Polymers. R. Philadelphia. G. London. 96-107. L. W. 1993 p. 123-128. In: ________ . F. J. – Resinas para base de dentadura: Considerações técnicas e resinas diversas. Livraria Santos. – Polymers for Prosthetics. Materiais Dentários. GALAN Jr. p. Principles and Applications. Materiais Dentários de Skinner.Resinas Acrílicas 142 FERRACANE. 251-278. 1ª ed. W. 8ª ed. In: ________ . PHILLIPS. 1995. A. Fernanda Panzeri . J – Resinas Acrílicas In: ________ . & WALLS. Materials in Dentistry. 1998. In: ________. São Paulo. 1999 p. Rio de Janeiro. 9ª ed. 103122. Blackwell Science.. J. Guanabara Koogan.

com espátula limpa  OBS: Manter o vidro TAMPADO!!!!!!!!!!  Observar reação monômero/polímero  1ª fase: Arenosa  2ª fase: Fibrilar  3ª fase: Plástica  4ª fase: Borrachóide  Descrever as características das diferentes fases  Verificar a fase apropriada ao trabalho Fernanda Panzeri . proporcionando a mistura por saturação do líquido  Homogeinizar a massa. Instrumentais Utilizados  Espátula 24  Frasco de vidro com tampa 2. Exercício: Preparar a Resina Acrílica e observar as diferentes fases de polimerização. Proporção pó/líquido: Fornecida pelo fabricante Por saturação do líquido 3.Resinas Acrílicas 143 ROTEIRO DE AULA PRÁTICA Resinas Acrílicas Quimicamente Ativadas 1.  Preparar a Resina Acrílica  Preparar mistura pó/líquido. no pote de vidro com tampa. algumas vezes.

12 Resinas Restauradoras Fernanda Panzeri .

conhecido como silano (Fig. Clinicamente. várias substâncias são incorporadas para melhorar a eficácia e a durabilidade do material. Com o avanço na química dos polímeros.1 INTRODUÇÃO As resinas sintéticas são empregadas como materiais restauradores porque são insolúveis. eram combinados. Além deste dois componentes. o manchamento e o alto coeficiente de expansão térmica linear. Os compósitos modernos contêm inúmeros componentes. apareceram as resinas compostas (compósitos) modernas para restaurações diretas. O desenvolvimento de materiais restauradores compostos começou no final dos anos 50 e início dos anos 60. insensíveis à desidratação. Porém. quando Bowen desenvolveu o Bis-GMA (bisfenol A-glicidilmetacrilato). O compósito também necessita de pigmentos para aproximar-se da cor das estruturas dentárias. Os principais constituintes são a matriz de resina e uma carga de partículas inorgânicas. 3) uma fase dispersa de cargas e corantes e 4) um agente de cobertura das partículas de carga. e um ativador é necessário para polimerizar a resina. à base de metacrilato de metila. o que satisfez vários requisitos de uma matriz para o compósito dentário. 11-1). infiltração marginal e cáries recorrentes. agentes para união à dentina. no final dos anos 40. de baixo custo e. e a massa plástica resultante era inserida na cavidade preparada. O termo material composto ou compósito pode ser definido como um composto de dois ou mais materiais diferentes com propriedades superiores ou intermediárias àquelas dos constituintes individuais. o grande inconveniente destas resinas era a grande contração de polimerização. em um sistema de duas pastas. portanto. 2)iniciadores de polimerização. na forma de selante para fóssula e fissuras. Um agente de união é necessário para promover a adesão entre a carga inorgânica e a matriz de resina. esse material apresentava algumas deficiências. causando grandes espaços entre a interface dente/restauração e. O desenvolvimento dos acrílicos autopolimerizáveis. relativamente. Este sistema tem sido usado em outras aplicações odontológicas. 12.2 COMPOSIÇÃO As resinas compostas para aplicação direta possuem 4 componentes básicos: 1) uma matriz resinosa. Fernanda Panzeri . tornou possível a restauração direta do dente com resina. onde ela se polimerizava.Resinas Restauradoras 12. de fácil manipulação. como por exemplo. Elas são reforçadas com partículas de carga e apresentam propriedades nitidamente superiores às das resinas acrílicas sem carga. como materiais para cimentação e de facetas. estéticas. O monômero e o polímero. e na prótese fixa.

sua adesão às estruturas dentárias não é mais eficiente. Se adequadamente Fernanda Panzeri . um espaço existirá entre estas partículas.3 Agentes de União Se quisermos conseguir e manter propriedades ideais na resina composta. Sendo assim. Seria bom que as partículas de cargas estivessem na maior quantidade possível na matriz porque quando acrescentamos partículas inorgânicas.2.2. Destes.2. 12. a contração de polimerização e as alterações dimensionais são ainda importantes considerações mesmo para as resinas com carga.1 Matriz A maioria das resinas compostas para restauração utiliza monômeros. necessários para diminuir a viscosidade dos monômeros. como também é o caso da resistência à abrasão. Se esse raciocínio for usado.2 Partículas de Carga A incorporação de partículas de carga na matriz de resina aumenta significativamente as propriedades deste material. mesmo que elas sejam bem compactadas. é necessário uma distribuição adequada dos vários tamanhos de partículas existentes. Partículas menores podem preencher esses espaços. Assim. temos um tipo de partícula. no sentido de que a continuidade do uso de partículas cada vez menores iria servir cada vez mais para preencher espaços vazios. conferem propriedades físicas desejáveis às resinas como rigidez. que são mais resistentes. diminuímos a contração de polimerização e o coeficiente de expansão térmica.Resinas Restauradoras 12. As propriedades mecânicas. As partículas de carga podem ser obtidas por trituração ou moagem do quartzo ou de vidros. dureza superficial e maior resistência aos esforços físicos. Dependendo do tamanho. a matriz também possui monômeros diluentes como o TEGDMA. Isto pode ser imaginado se preenchermos uma caixa com bolas de um mesmo tamanho. Parece claro que se usarmos um único tamanho de partícula. teríamos ao final deste processo de distribuição de partículas a possibilidade de incorporar um máximo de material de carga (bolas de diferentes tamanhos). como a resistência à tração e o módulo de elasticidade são mais elevadas. é importante que a partícula de carga esteja unida à matriz de resina. Além disso. 12. Para se incorporar uma maior quantidade de carga na matriz de resina. Embora as propriedades mecânicas do Bis-GMA sejam superiores à das resinas acrílicas. A união entre as duas fases da resina composta é feita através do agente de união. o Bis-GMA e o UDMA são os mais usados. Isto permite que a matriz polimérica plástica transfira tensões para as partículas de carga. O alto peso molecular torna estes monômeros muito viscosos à temperatura ambiente. porque são dimensionalmente estáveis.

Estas restaurações também têm a tendência Fernanda Panzeri . Em geral as resinas compostas são mais resistentes à abrasão do que as acrílicas. Um dos agentes de união mais utilizados é o silano.Resinas Restauradoras aplicado. como resistência à tração. pois prevenirá a penetração de água na interface carga/matriz. ainda é 3 vezes maior do que a estrutura do dente. Com relação ao coeficiente de expansão térmica linear. é óbvio que as propriedades se apresentam muito melhores. O agente de carga mais utilizado é o quartzo moído e são assim denominadas devido ao tamanho de suas partículas de carga (15 a 100µm).3 CLASSIFICAÇÃO DAS RESINAS COMPOSTAS Numerosos sistemas têm sido usados para classificar as resinas compostas restauradoras.Componentes de uma Resina Composta 12. porém. Quando comparadas às resinas sem carga. Figura 12-1 .3. deixando as partículas de carga mais duras projetadas nesta superfície. Mas elas sofrem um aumento de rugosidade da superfície em função de uma abrasão seletiva da matriz de resina mais mole que circunda as partículas de carga mais duras. é menor do que para as resinas acrílicas. 11-2. 12. como se vê esquematicamente na Fig. O mais utilizado é o que as classifica segundo o tamanho das partículas de seu agente de carga. dureza e contração de polimerização. o agente de união pode melhorar as propriedades físicas ou mecânicas e propiciar uma estabilidade hidrolítica.1 Resinas Compostas de Macropartículas São também conhecidas como tradicionais ou convencionais. A maior desvantagem clínica das resinas compostas convencionais é a rugosidade de superfície que é desenvolvida como resultado do desgaste por abrasão da matriz de resina mais mole.

As partículas de carga são menores que os abrasivos para polimento. devido à sua superfície lisa. por este motivo.Classificação das Resinas Compostas 12. Porém. a carga de sílica é removida juntamente com a resina à qual está ligada. 12. o potencial de fratura é maior.3 Resinas Compostas Híbridas Resinas compostas híbridas são compósitos que como o próprio nome sugere. possuem tanto micro como macropartículas de carga. particularmente naquelas regiões onde não haverá a ação de tensões concentradas da mastigação. Entretanto. com Fernanda Panzeri . maiores serão a sorção de água e o coeficiente de expansão térmica linear. elas têm sido a resina escolhida para restaurações estéticas de dentes anteriores. as resinas compostas com micropartículas apresentam propriedades físicas e mecânicas inferiores às resinas compostas convencionais. a diminuição das propriedades físicas não traz problemas. nas situações onde haverá concentração de tensões. mas que apresente uma superfície lisa. elas apresentam propriedades significativamente melhores e podem propiciar uma superfície acabada lisa. O conceito de resina de micropartículas é o de se ter uma resina reforçada por meio de uma carga. Com exceção da resistência à compressão. devido em parte à suscetibilidade que uma superfície com textura rugosa apresenta de reter substâncias que mancham. semelhante àquela que se obtém com as resinas acrílicas. Para a maioria das indicações. quando estas resinas são comparadas às resinas acrílicas sem carga. pois.3.2 Resinas compostas de Micropartículas Numa tentativa de solucionar o problema da rugosidade superficial existente nas resinas compostas convencionais foi desenvolvido um material que utiliza partículas de sílica coloidal como carga inorgânica. Entretanto. e em contrapartida haverá a diminuição do módulo de elasticidade.Resinas Restauradoras de mudar a cor. Figura 12-2 . quanto maior a quantidade de resina em relação à carga.3.

12.8 µm) e híbridas de alta densidade (com mais de 80% em carga). Porém. por exemplo). que é iniciado pelos radicais livres. química ou luz. A fonte de luz é geralmente uma lâmpada halógena de tungstênio. substituindo. aumentando grandemente a possibilidade de se polimerizar porções mais espessas. e a fonte é levada por esta fibra. que uma vez ativado reage com um agente Fernanda Panzeri . Consistem. Esta penetração limitada da luz significava que a resina poderia não ficar adequadamente polimerizada. sendo esteticamente comparáveis às resinas de micropartículas. Assim sendo. mas somente luz dentro de uma faixa específica de comprimento de onda. Esses sistemas modernos de fontes de luz são aparelhos que contêm a fonte de luz e são equipados com fibra ótica fusionada relativamente curta. o que aumenta substancialmente a força coesiva da matriz. na sua maioria de aproximadamente 10 a 20% em peso de micropartículas de sílica coloidal e 50 a 60% de macropartículas . a incorporação de micropartículas enrijece a matriz resinosa. Além disso. contida em uma seringa e iniciam o seu processo de polimerização por absorção de luz. mas com o cuidado de manter suas propriedades mecânicas. exceto quando se tratasse de camadas muito finas e que permitissem o acesso direto da fonte de luz. dificultando a propagação de rachaduras. O primeiro sistema de ativação por luz utilizou as radiações ultra-violeta para formar os radicais livres. hoje. o sistema de ativação por luz visível foi desenvolvido. elas estão quase em completo desuso. As resinas ativadas por luz são apresentadas em um sistema de uma só pasta. Dessa forma.Resinas Restauradoras características de ambas. microhíbridas (0. o sistema de ativação por luz UV. o mecanismo de polimerização usado para as resinas compostas é a luz.4 MECANISMO DE POLIMERIZAÇÃO As resinas compostas também polimerizam por uma reação de adição. bem como por não penetrar nas estruturas do dente. elas apresentam boas propriedades mecânicas e físicas.6 – 0. O processo ocorre a partir da excitação de um componente (canforoquinona). Por razões de ordem didática e devido à grande variedade desta classe de materiais. As primeiras resinas compostas eram ativadas quimicamente. A luz branca gerada pela lâmpada passa através de um filtro que remove as ondas infravermelhas e as ondas de luz visíveis superiores a 500 nm. Esses radicais podem ser gerados por ativação térmica. Este sistema de UV teve problemas em função da limitada profundidade de penetração destas radiações na resina. é interessante dividir as resinas compostas híbridas em: Híbridas de pequenas partículas (1 – 5 µm). Estes materiais foram desenvolvidos como um esforço para obter superfícies mais lisas que aquelas conseguidas com as resinas convencionais. tornando possível sua utilização em regiões estéticas que serão submetidas à carga mastigatória (classe IV. assim. Subsequentemente. totalizando um percentual de carga entre 75 e 80% em peso.

causando diferentes níveis de conversão à medida que a restauração se aprofunda. quanto maior o conteúdo de matriz em uma resina. Toda resina composta é formada por uma grande quantidade de partículas inorgânicas agregadas por moléculas pequenas. Eles têm baixa condutibilidade térmica e. o coeficiente de expansão térmica é maior para os compósitos do que para os dentes. As propriedades físicas dos compósitos geralmente tornam o material adequado ao uso para restaurações de dentes anteriores. Sendo assim.Resinas Restauradoras redutor para libertar os radicais livres. ou seja.5 PROPRIEDADES As propriedades desses materiais dependem de muitos fatores.Representação esquemática da polimerização de uma resina composta O que é importante entender deste processo é que cada cadeia polimérica formada necessita de um radical livre. em razão da presença da matriz. se não houver luz suficiente para ativar a canforoquinona o grau de conversão será deficiente. maior probabilidade de mudança de cor do material devido à insuficiente reação do componente acelerador. nesse sentido estão muito próximos aos dentes. o tamanho e as propriedades das partículas de carga e a adesão entre o polímero e as partículas de carga. 12. Isso pode levar à uma tensão na interface dente/restauração. deficiência nas propriedades mecânicas. maior probabilidade de agressão fisiológica devido aos componentes monoméricos residuais que não se converteram. evidenciada principalmente na resistência ao desgaste e maior pigmentação do material devido à maior absorção de fluidos orais. e o material apresentará pobres propriedades mecânicas e físicas. a reação segue o seu curso normal como visto na Fig 11-3 abaixo: INICIADOR + ATIVADOR INICIADOR REATIVO + MONÔMERO MONÔMERO REATIVO + MONÔMERO INICIADOR REATIVO MONÔMERO REATIVO POLÍMERO Figura 12-3 . dispersa e atenuada nesse trajeto através do material. Por outro lado. os monômeros. que durante a polimerização se unem para formar moléculas Fernanda Panzeri . incluindo a quantidade de carga e matriz. Há um outro aspecto importante com relação às propriedades das resinas compostas. Em seguida. várias conseqüências ocorrerão: Baixa força de união. Caso haja inadequada polimerização. pois a luz é absorvida. pois as resinas fotopolimerizáveis não se polimerizam uniformemente. o qual depende diretamente da quantidade de luz disponível. e sim somente onde a luz as alcança. maior será seu coeficiente de expansão térmica linear. Um outro fator a ser considerado é o da profundidade da polimerização. que dão início à polimerização dos grupos metacrilatos e formam uma matriz polimérica de reação cruzada.

que resulta em uma contração de polimerização. Outros fatores também interferem na ocorrência da contração de polimerização: O tamanho das partículas. A contração de polimerização segue a lei do mínimo esforço. a colocação de pequenos incrementos na cavidade a ser restaurada de forma que cada porção não ultrapasse 2 mm. Para que isso ocorra e não cause efeitos desagradáveis à restauração é necessário haver uma proporção favorável entre o número de faces livres e faces de contato com o dente. Após 5 minutos. Mesmo utilizando camadas consecutivas para completar a restauração. maior a contração de polimerização. a primeira camada ainda está contraindo quando a última está sendo aplicada. Uma forma de diminuir os efeitos dessa contração de polimerização é a técnica incremental de restauração. evidenciada principalmente na resistência ao desgaste e uma maior pigmentação do material devido à maior absorção de fluidos orais. Com isto. os polímeros.Resinas Restauradoras grandes. ou seja. Essa relação é conhecida como Fator C e é definido como o quociente da divisão das áreas unidas de uma resina composta e das áreas livres. É justamente esta união.33 C=3 Quanto maior o fator C. seus efeitos se manifestam preferencialmente nas superfícies livres. que implica em uma aproximação de moléculas. a uma maior probabilidade de agressão fisiológica devido aos componentes monoméricos residuais que não se converteram. a porcentagem de carga em relação à matriz e o tipo de fonte luminosa para polimerização. a uma maior probabilidade de mudança de cor do material devido à insuficiente reação do componente acelerador. Quando a contração ocorre gera tensão de aproximadamente 70-85% do total imediatamente após a ativação pela luz visível. Fator C = Nº de faces aderidas Nº de faces livres C=1 C=0. Essa contração de polimerização está na ordem de 2 a 4% dependendo do tipo de resina composta. ou seja. O importante no procedimento é não aplicar a resina de forma que tenha contato com mais de duas paredes da cavidade simultaneamente. Essa contração de polimerização pode levar a uma baixa força de união. a uma deficiência nas propriedades mecânicas. mantém-se uma superfície livre equivalente a área unida para a resina deformar-se durante a polimerização. a contração Fernanda Panzeri .

o material sofre uma expansão. Se o clínico tentar polimerizar camadas muito grossas de material ou se o tempo de exposição à luz for inadequado. Outro fator que auxilia no controle da contração de polimerização é o fato de que os polímeros absorvem água. A injúria química à polpa por compósitos é possível se seus componentes forem liberados ou propagados pelo material e subseqüentemente alcançarem a polpa. 12. Quando isso ocorre. eles “incham” devido à capacidade em sofrer sorção de água.6. ser feitos com o intuito de minimizar a contração de polimerização e a infiltração marginal.6 SISTEMA DE ADESÃO 12.1 Biocompatibilidade dos compósitos A preocupação a respeito da biocompatibilidade dos materiais restauradores geralmente relaciona-se com o seu efeito sobre a polpa dentária em dois aspectos: a toxicidade química inerente ao material e a infiltração marginal. A infiltração marginal pode causar crescimento bacteriano. Compósitos polimerizados devidamente são relativamente biocompatíveis. e as suas porções não-reagidas são liberadas em pequenas quantidades.Resinas Restauradoras atinge entre 92 e 95% do total. o material não-curado poderá liberar seus constituintes em direção à polpa. As resinas fotoativadas têm uma tendência em se tornar amareladas com o tempo devido à presença. Materiais não-polimerizados podem servir como reservatório para propagar os componentes que podem induzir uma inflamação pulpar a longo prazo. portanto. 2002). de uma amina como acelerador. desde que a maior parte da contração já tenha ocorrido antes da aplicação da próxima camada. porque exibem uma solubilidade mínima. Entretanto. embora esse ganho de líquido não seja suficiente para compensar toda a contração de polimerização. 12. Conclui-se daí que resinas de micropartículas apresentam melhor estabilidade de cor. e estes microrganismos podem causar cáries secundárias.1 Introdução Fernanda Panzeri . A segunda preocupação biológica está associada à contração dos compósitos durante a polimerização e a subseqüente infiltração marginal.5. em sua composição. reações pulpares ou ambos. É sabido que superfícies rugosas tem uma tendência natural de manchar mais rapidamente do que superfícies lisas. Com essa propriedade. Outra característica física importante dos compósitos é a estabilidade de cor. a tensão também foi minimizada. o que faz a técnica de adição em pequenas camadas ainda ser melhor do que a técnica restauradora por aplicação da resina em apenas uma camada (DE GOES. Os procedimentos restauradores precisam.

são utilizados materiais e substâncias. Para que haja a formação da camada híbrida. então. Os dois primeiros. Já a matriz dentinária intertubular (entre um túbulo e outro) é fibrosa devido à presença de fibras colágenas cobertas por cristais de apatita (Fig 11-4). ao contrário do osso. o líquido penetra e é convertido em sólido pela polimerização. lavagem. aplicação do adesivo e polimerização. é colocado em contato íntimo com o osso. 20% de água e 30% de matriz orgânica. um líquido deve ser inicialmente usado para formar um íntimo contato entre o biomaterial (monômero) e o tecido duro e sólido. além do que uma seqüência clínica é imposta. Entretanto.2 Propriedades da dentina A dentina é um composto biológico de uma matriz de colágeno preenchida com cristais de apatita dispersos em cilindros ocos paralelos hipermineralizados de tamanho micrométrico. A matriz dentinária dentro do túbulo dentinário (intertubular) é densa. A matriz dentinária peritubular (ao redor do túbulo) é altamente mineralizada. esses materiais podem produzir restaurações satisfatórias. A interação de tecidos e biomateriais em interfaces biológicas é extremamente importante. Quando um material biocompatível. como a hibridização da dentina. aplicação do primer. Os compósitos atuais não possuem capacidade intrínseca de resistir aos efeitos da penetração marginal. como um implante dental. A maior parte dos materiais restauradores promove algum tipo de mecanismo para compensar a infiltração marginal. quando um material é colocado intimamente em contato com a estrutura dental. 12. novos tecidos duros preenchem o espaço e eles tornam-se unidos. embora sejam altamente sensíveis à técnica. e a infiltração de fluidos orais ocorre comumente adjacente a estas restaurações. não se regeneram. alguns materiais contêm fluoreto promovendo alguma forma de proteção contra a cárie. sendo ela: condicionamento ácido. e novas técnicas. Os três principais tecidos duros são esmalte. pobre em colágeno (túbulos dentinários contendo dentina intertubular). como os adesivos dentinários. Fernanda Panzeri .Resinas Restauradoras Devido à contração de polimerização que ocorre quando os metacrilatos resinosos polimerizam. porque não há atividade biológica de tecidos moles entre as duas estruturas para promover regeneração. os tecidos duros do dente. Isso é possível graças ao desenvolvimento de novos materiais. deve ser esperado que o problema da infiltração marginal seja maior para as resinas restauradoras existentes do que para qualquer outro tipo de material. A composição química da dentina é aproximadamente 50% de volume mineral. Adesão de resinas com tecidos mineralizados promove um bom exemplo desse tipo de interface. não se desenvolve conexão. Por exemplo. dentina e osso. Para resolver esse problema do dente. mas contém pouco colágeno.6. Por outro lado. mas é muito difícil de conectar tecidos naturais com materiais artificiais.

Dois tipos de permeabilidade dentinária devem ser considerados. no sentido de que polímeros ficam embricados com fibras colágenas. que é responsável pela sensibilidade dentinária ou dor. T) Dentina intratubular P) Dentina peritubular IT) Dentina intertubular Permeabilidade dentinária Permeabilidade refere-se à facilidade com que uma substância pode se mover dentro ou através de uma barreira de difusão (substrato). Ela não é localizada na superfície. A estrutura resultante não é resina tampouco dente.Resinas Restauradoras Figura 12-4 . O segundo tipo importante de permeabilidade dentinária é a permeabilidade dentinária intertubular. mas criada dentro do Fernanda Panzeri .3 Formação da camada híbrida A camada híbrida é a infiltração de resina no esmalte. A formação da dentina hibridizada é considerada como uma forma de adesão mecânica. Para a formação da camada híbrida. Ela é uma mistura em nível molecular de colágeno e polímeros resinosos. na dentina ou no cemento. 11-5) são importantes na adesão à dentina.6. Ela é preparada na subsuperfície da dentina condicionada pela polimerização de monômeros resinosos impregnados na matriz da dentina desmineralizada. mas um híbrido dos dois. O primeiro é o movimento de fluido dentro dos túbulos dentinários (permeabilidade intratubular).Imagem da dentina. a dentina intertubular deve ser desmineralizada para expor as fibras colágenas da matriz dentinária e criar trajetórias de difusão dos monômeros. responsável pela difusão de monômero na dentina intertubular desmineralizada entre os túbulos. 12. Ambos os tipos de permeabilidade dentinária (Fig.

Superfícies dentinárias preparadas são cobertas por uma lama dentinária (Fig. A dentina mineralizada normalmente não permite muita difusão de monômero em sua substância. que devem ter uma boa afinidade pela dentina desmineralizada. e pode ser considerada uma forma de engenharia tecidual.Monômeros resinosos entrando na dentina desmineralizada via túbulos (permeabilidade intratubular) e pelos canais ao redor das fibras colágenas de dentina intertubular (permeabilidade intertubular). a dentina deve ser apropriadamente condicionada para permitir difusão de monômeros. Portanto. no substrato. A lama dentinária é usualmente contaminada por microrganismos e deve ser removida antes da adesão resinosa através do condicionamento ácido. A lama dentinária é criada durante o preparo cavitário e sua presença complica a adesão da resina. A hibridização muda completamente as propriedades físico-químicas das superfícies e subsuperfícies dentais.Fotomicrografias da dentina mostrando a Smear Layer ou lama dentinária Fernanda Panzeri . mas sua função é temporária porque ela pode se dissolver em fluidos orais. 11-6) que adere fracamente à superfície da dentina intacta.Resinas Restauradoras substrato. Ela serve como uma barreira que protege a polpa de estímulos nocivos. Figura 12-6 . Figura 12-5 .

Condicionamento ácido da dentina O condicionamento da dentina envolve a remoção ou modificação da lama dentinária para permitir a difusão dos monômeros na matriz de colágeno desmineralizada. Fernanda Panzeri .6.4 Condicionamento ácido Condicionamento ácido do esmalte Os objetivos do condicionamento ácido são limpar o esmalte.5 Aplicação do Primer O desafio. prevenindo seu colapso. agora. é manter os espaços entre as fibras colágenas desmineralizadas depois que cristais de hidroxiapatita são removidos. 11-7).Resinas Restauradoras 12. para o condicionamento tanto do esmalte quanto da dentina. pode colapsar facilmente (Fig. A matriz dentinária desmineralizada. Normalmente. aumentar microscopicamente a rugosidade pela remoção dos cristais prismáticos e interprismáticos. e aumentar a energia livre de superfície do esmalte para produzir suficiente infiltração do monômero. selar a superfície do esmalte com resina e contribuir para a retenção das restaurações de resina composta. B) B Após 12. Isto mantém as dimensões dos poros na rede de fibras colágenas. A função dos primers dentinários é manter ou resgatar a porosidade da dentina desmineralizada. A Figura 12-7 . O ataque ácido da dentina é necessário para aumentar a porosidade intertubular para permitir a infiltração do monômero (Fig. Outra função dos primers é conservar a dentina desmineralizada úmida. 11-8) se o colágeno for desnaturado durante o condicionamento.A) Corte condicionamento ácido transversal de dentina não-condicionada. composta principalmente por colágeno.6. utiliza-se o ácido fosfórico a 37%. remover a lama do esmalte. causando uma diminuição no espaçamento interfibrilar e perda da permeabilidade para monômeros resinosos.

Matriz mineralizada Matriz dentinária dentinária Matriz dentinária desmineralizada seca mineralizada com água com ar. a primeira camada de monômeros em acetona colocada na dentina desmineralizada úmida se mistura com a água residual (acetona e água se misturam muito bem).6 Aplicação do Agente de União Vários são os agentes de união disponíveis no mercado. por possuírem propriedades de deslocar a água e propriedades voláteis.Resinas Restauradoras Os primers são substâncias que contêm monômeros bifuncionais hidrofílicos e hidrofóbicos e. colapsada e enrijecida. a cada aplicação de primer. enquanto sua parte hidrofóbica oferece pontos de ligação suficientes para uma copolimerização de uma subseqüente camada de resina adesiva.6. álcool ou acetona. são comumente dissolvidos em água. Uma vantagem do uso da acetona com solvente hidrofílico é que os monômeros adesivos são muito solúveis neste solvente. Figura 12-8 . o que pode provocar a saída dos monômeros resinosos que tenham uma chance de penetrar profundamente na matriz desmineralizada. os quais. O seu extremo hidrofílico é capaz de umedecer ou molhar eficientemente a dentina úmida. Cada fabricante segue uma linha de fórmula química. a acetona pode redissolver o monômero e permitir a difusão mais adiante na dentina desmineralizada. Acetona também é altamente volátil e pode evaporar-se muito rapidamente das superfícies dentinárias. Isto pode temporariamente bloquear fisicamente a penetração de monômeros.Alterações na matriz dentinária durante os procedimentos adesivos 12. são ideais para carrear e espalhar os monômeros sobre a superfície. tanto no primer quanto no Fernanda Panzeri . Durante a adesão úmida. Entretanto.

mas representam um tratamento mais conservador. o clínico era impedido de condensar o material junto à parede da cavidade.1 Resinas Compactáveis Devido ao alto escoamento das resinas tradicionais. Quando um monômero dissolvido em solvente hidrofílico é colocado na dentina úmida condicionada. 11-9) obtendo-se. particularmente na área da odontologia estética. tornando a dentina hibridizada (Fig. Muitas pesquisas estão em progresso para desenvolver novos produtos que irão de encontro às necessidades do clínico.Formação da camada híbrida. enquanto outras têm somente valor limitado. cargas inorgânicas irregulares ou porosas e ainda com PCDMA (policarbonato de metacrilato) que Fernanda Panzeri .Resinas Restauradoras adesivo para que possa haver a ligação ao substrato dentinário. 12. Algumas dessas aplicações têm tido muito sucesso clinicamente. diferentemente do que acontece com o amálgama. microparticuladas e híbridas. assim. 11-10). o componente hidrofóbico da fórmula química dos adesivos pode difundir-se na dentina desmineralizada e se ligar à resina restauradora. Esta nova visão da resina composta permite que o material seja condensado.Resina H .7 MATERIAIS À BASE DE RESINA COMPOSTA Algumas modificações têm sido introduzidas na matriz e no tipo e quantidade de carga usada nas resinas compostas para produzir produtos específicos com aplicações especializadas.Camada híbrida) Figura 12-10 . Figura 12-9 . (D . uma ligação coesiva entre a resina restauradora e o adesivo dentinário (Fig. Essas resinas são compostas de base de Bis-GMA.Dentina R .Prolongamentos de resina (tags) e suas ramificações laterais 12.7. na tentativa de desenvolver um material ideal para a substituição do amálgama.

esses materiais têm um tempo de trabalho Fernanda Panzeri . mas em níveis insuficientes para promover a reação de presa ácidobase. 12. A sua forma de utilização clínica pode ser vista na Fig. Assim. As resinas compostas modificadas por poliácidos são os materiais que contêm um ou ambos os componentes essenciais de um cimento de ionômero de vidro.7. A outra reação que ocorre. Os cimentos de ionômero de vidro modificados por resina são os materiais híbridos que detêm uma significante reação ácido-base como parte de seu processo de presa. Materiais de preenchimento são normalmente quimicamente ativados de forma que eles podem ser inseridos com uma seringa e conformados com uma matriz de metal ou celulóide. Por essa razão. Na reação química. em função de sua precariedade estética e da sua desintegração no meio bucal. Esses materiais guardam os componentes e a química dos cimentos de ionômero de vidro além de apresentar a fotoativação proveniente da resina composta.2 Compômeros e Ionômeros modificados Os ionômeros de vidro tradicionais foram gradativamente alterados e melhorados como materiais estéticos restauradores diretos.Resinas Restauradoras as tornam mais densas e compactáveis.3 Núcleo de Preenchimento Modificações têm sido feitas para alterar a viscosidade e o tempo de polimerização dos compósitos com grande quantidade de carga para formular materiais de preenchimento que serão usados como núcleos e pinos.7. Figura 12-11 . sendo que as distintas terminologias dos ionômeros atuais dependem da sua composição e reação química. surgiram dois tipos de materiais. mesmo tendo componentes do ionômero de vidro. 11-11. os vidros de cálcio e alumínio e silicato reagem com o ácido poliacrílico promovendo a formação de um hidrogel. o metacrilato presente reage com o iniciador fotoquímico formando uma matriz.Forma de aplicação de uma resina composta compactável 12.

Portanto. os selantes devem ser de relativa baixa viscosidade para que escoem prontamente para as profundezas das fóssulas e fissuras. 12. As propriedades físicas dos selantes estão mais próximas às propriedades das resinas sem carga para restaurações diretas do que das resinas compostas. com ou sem carga. além de “molhar” o dente. Essa suscetibilidade está relacionada ao tamanho e morfologia da fóssula e fissura. As resinas com carga são opacas e disponíveis na cor do dente ou branca. poliuretanos e bisGMA. apresentam ótima resistência. pigmentadas ou não.7.Resinas Restauradoras ligeiramente prolongado (aproximadamente 2 minutos). ou seja. O sucesso da técnica do selante é altamente dependente na obtenção e manutenção de uma íntima adaptação do selante à superfície do dente. Estes sistemas resinosos incluem cianoacrilatos. São compósitos microparticulados ou híbridos formulados a partir do Bis-GMA ou uretano metacrilato com partículas de carga a base de sílica. restaurações de cerâmica estética e restaurações de compósitos aos dentes. O material à base de bis-GMA pode ser polimerizado no modo convencional através de um sistema de ativação química ou fotoativação. 12. que pode servir de abrigo para microrganismos além de dificultar os procedimentos de higienização.7. seu processo de polimerização se dá por reação química e fotoativação. pontes convencionais. têm sido empregados como selantes. 12.7. Vários tipos de resina. Devido ao fato de possuírem alta quantidade de carga.4 Selantes de fóssulas e fissuras As fóssulas e fissuras da superfície oclusal de dentes permanentes são particularmente suscetíveis à cárie e o tratamento com flúor tem sido menos efetivo nessas áreas. pois têm a capacidade de liberação de flúor Fernanda Panzeri . Ele pode ser encontrado na forma de quimicamente ativado ou dual. são utilizados para colagem direta de brackets ortodônticos ao esmalte. Ainda. As resinas sem carga podem ser transparentes. O objetivo do uso do selante é a penetração da resina nas fóssulas e fissuras e polimerizar-se selando estas áreas contra as bactérias orais. de vidro ou ambas.5 Cimentos Resinosos Os cimentos resinosos têm sido utilizados para cimentação de coroas. Os selantes mais populares utilizam sistemas de resinas que podem ser aplicados às superfícies oclusais dos dentes.6 Resinas “inteligentes” Essas resinas apresentam características que são consideradas inovadoras no meio odontológico.

& PASHLEY. R.244-280.J. Restorative Dental Materials. M. 9-26.R.N..Y. Livraria Santos.. é capaz de liberar Cálcio e Hidroxila toda vez que o pH do meio circundante cai. – Resinas Compostas. 2002. Lippincott Williams & Wilkins. W. São Paulo. São Paulo. São Paulo. 1ª ed. Resinas para Restauração. Artes Médicas. 1ª ed. 49-60. 31-42. In. p.J. Fernanda Panzeri . 1998 p. – Restaurações diretas com resinas compostas em dentes posteriores. p.V. & RITTER.C.A.F. – Direct Esthetic Anterior Restoratives. L. Santos. 1ª ed.A. Artes Médicas. 2002. porém são muito novas no mercado para se afirmar que são eficientes totalmente. BRAGA. 1998..A. Além disso.N. N. MIRANDA JR. Artes Médicas. Fundamentos e Possibilidades. 2002. São Paulo. PIMENTA. In. In: ________ . L. São resinas que apresentam em sua composição o hidroxietilmetacrilato (HEMA) além de um metacrilato modificado por ácido poliacrílico. R. 1ª ed. E. NAMEN. 27-56. 1ª ed. R. São Paulo.: CARDOSO. São Paulo. BARATIERI.A. p. J. FERRACANE. p.161-177. 2000 129p. Principles and Applications. BIBLIOGRAFIA ANUSAVICE. NAKABAYASHI.A. Tradução de Luiz Narciso Baratieri e Sylvio Monteiro Júnior: São Paulo. – Dentística/laser.J. p.. São resinas que apresentam propriedades aceitáveis.J. & GONÇALVES.A. – Dentística/laser. In. A. p. De GOES. E.: CARDOSO. 2002. CHAIN.A. GALAN Jr.N.F. 1999 p. p. 115-132. São Paulo. Artes Médicas.N.Resinas Restauradoras para o elemento dental. 10ª ed.. 13-30. 1ª ed.A. Quintessence editora Ltda. L. In. W. F. In: ________ Materiais Dentários de Phillips. J . et al. – Adesivos Dentinários In: GALAN Jr. D.. CRAIG. R. E.H. In ________. Mosby. R. R. 85-102. L. GARONE FILHO.N. Livraria Santos. R. G.: CARDOSO. produzindo um efeito anticariogênico acentuado..: CARDOSO. 1999 p. United States. – Hibridização dos tecidos dentais duros. & GONÇALVES.N. – Adesão em esmalte e dentina.M.: BARATIERI. BALLESTER. In. Guanabara Koogan. – Estética.A. & BARATIERI. Materiais Dentários. L. – O problema da polimerização de resinas compostas. 35-47. p. São Paulo. Materiais Dentários.N. 1996. 225-304. Como escolher e aplicar em Materiais Dentários. & GONÇALVES. 1995. E. In. M. – Estética. Philadelphia. 2001. & GONÇALVES. Artes Médicas. – Odontologia Restauradora.: Restaurações estéticas com r4esina composta em dentes posteriors.G. – Como obter excelência na adesão ao esmalte e dentina. Rio de Janeiro. Materials in Dentistry. J. J – Materiais Restauradores Plásticos Diretos In: ________ . – Materiais e Técnicas restauradoras. ed – Direct Esthetic Restorative Materials.

 Lavar abundantemente  Secar suavemente com algodão  Aplicar o primer e deixar secar espontaneamente  Aplicar o adesivo dentinário  Fotopolimerizar por 20 segundos Fernanda Panzeri . Instrumentais e Materiais Utilizados  Manequim  Espátulas para inserção de Resina Composta  Aplicador de Hidróxido de Cálcio  Cimento de Hidróxido de Cálcio  Cimento de ionômero de vidro para forramento  Kit de Sistema Adesivo  Resina Composta Convencional  Resina Composta Flow  Resina Composta Compactável 2.  Aplicando o Sistema Adesivo (dente 22)  Aplicação do Sistema Adesivo  Aplicar o Ácido Fosfórico por 15 segundos. cada incremento.  Sobre forramento de ionômero de vidro (dente 12).  Restauração de Resina composta forrada com ionômero de vidro  Fazer o forramento com ionômero de vidro  Aplicar a resina composta em pequenos incrementos  Fazer a polimerização com o fotopolimerizador por 40 segundos. cada incremento. Exercício: Confeccionar restaurações de Resina Composta Convencional em dentes anteriores  Simples (dente 21)  Restauração de Resina composta simples  Aplicar a resina composta em pequenos incrementos  Fazer a polimerização com o fotopolimerizador por 40 segundos.Resinas Restauradoras ROTEIRO DE AULA PRÁTICA Resina Composta 1. cada incremento  Sobre forramento de hidróxido de cálcio (dente 11)  Restauração de Resina composta forrada com hidróxido de cálcio  Fazer o forramento com hidróxido de cálcio  Aplicar a resina composta em pequenos incrementos  Fazer a polimerização com o fotopolimerizador por 40 segundos.

Fernanda Panzeri .Resinas Restauradoras 3. Exercício: Confeccionar restaurações de Resina Composta Compactável sobre camada de Resina Flow no dente 38  Aplicação do Sistema Adesivo  Aplicação de fina camada de Resina Flow  Polimerização em tempo preconizado pelo fabricante  Aplicação da Resina compactável em pequenos incrementos  Polimerização por 40 segundos  Continuar até completar a restauração total do elemento 4. Exercício: Aplicar Resina Flow para selar a superfície oclusal do dente 18  Aplicação do Ataque ácido sobre a superfície oclusal  Aplicação de fina camada de Resina Flow  Polimerização em tempo preconizado pelo fabricante  ATENÇÃO: Repetir as restaurações até dominar todas as técnicas.

13 Amálgama Dental Fernanda Panzeri .

na época de Cristo. então. é posteriormente polido. num processo chamado amalgamação. conseqüentemente. O ouro começou a ser utilizados em Odontologia no século XV. desde a cauterização da região afetada até que no século XIX métodos e materiais restauradores puderam ser utilizados com mais eficiência. O amálgama dentário é a combinação do mercúrio com uma liga contendo prata. uma grande variedade de componentes não-metálicos. cobre e algumas vezes o zinco ou outros metais em baixa concentração. No século IX. Quando o mercúrio é misturado a uma liga de prataestanho-cobre. os “dentistas” persas usavam o alume (mistura de um metal como alumínio. Esse material é o mais usado dentre todos os materiais restauradores disponíveis pela odontologia. tem um efeito definido sobre as propriedades físicas e químicas do amálgama e. Calcula-se que aproximadamente 80% de todas as restaurações efetuadas são feitas em amálgama. alguns misturados a ervas e drogas. forma-se uma massa plástica que endurece gradualmente. As alternativas ao ouro apareceram no século XIX com várias ligas a base de chumbo. como o ópio. 13. formando uma estrutura sólida. desde o momento em que si inicia o preparo cavitário.2 HISTÓRICO O tratamento da doença cárie e das dores dos dentes é antigo. estanho. bismuto e estanho. O sucesso. Uma das razões que explicam seu grande sucesso clínico é a tendência em diminuir consideravelmente. a penetração marginal. cromo ou ferro com um metal alcalino ou de amônio) para fechar os dentes cariados. sobre o sucesso ou fracasso da restauração. todas com pontos de fusão entre 70 e 95ºC. desde que Black definiu cientificamente uma composição e técnicas adequadas para sua aplicação.1 INTRODUÇÃO Um amálgama é um tipo especial de liga na qual o mercúrio é um de seus elementos. esculpido para restaurar a forma anatômica e. Antes desse endurecimento. não permaneceu o mesmo durante estes mais de cem anos em que está em uso. até o polimento final. brunidas com instrumento aquecido. Fernanda Panzeri . Métodos rudimentares e ineficazes foram usados. preenchiam os dentes cariados com uma mistura de linho e chumbo. Assim.Amálgama 165 13. Os romanos. depois de acabado. com o tempo. na seqüência histórica. O amálgama. como pode parecer à primeira vista. foram testados. Cada passo. porém. um dos maiores problemas com que se defronta o dentista e ainda não resolvido satisfatoriamente mesmo com os novos materiais e técnicas utilizadas. depende de muitas variáveis que devem ser controladas pelo profissional. o material é inserido em uma cavidade preparada. Essas ligas eram fundidas e vertidas diretamente na cavidade até sua solidificação e.

prática esta que se espalhou pela Europa e Estados Unidos. quanto à sua composição. Em 1895 Black publicou uma série de trabalhos com o amálgama e sugeriu a composição que daria origem à a primeira especificação da ADA. o mercúrio deve ser misturado com o pó da liga de amálgama. A liga pode também ser composta pela mistura dos dois tipos de partículas. Amálgamas produzidos de pós usinados ou pós derivados da mistura de limalhas e ligas esféricas tendem a resistir melhor à condensação do que os amálgamas produzidos totalmente de pós esféricos. como podem ser vistas na Fig 12-1b. cuja forma pode variar. Esta liga levava como um dos componentes o mercúrio. 13. o pó pode ser produzido através da atomização dos elementos componentes da liga fundidos. Dependendo da forma como o pó é obtido. formando a liga de fase dispersa (Fig 12-1c). porém.3 TIPOS DE LIGAS Para produzir o amálgama dental.ligas convencionais Fernanda Panzeri . Foi esta. Amálgama com menos quantidade de mercúrio geralmente tem propriedades melhores. tendo um comprimento de 25 a 30 polegadas. As aparas removidas geralmente têm forma de agulha e alguns fabricantes reduzem o tamanho da apara por moagem em moinho de bolas. mas de uma maneira geral o seu diâmetro é de algumas polegadas. 13. O primeiro passo para a obtenção de uma liga para amálgama consiste na fusão dos metais componentes e a obtenção de um lingote. A performance destas restaurações foi desastrosa e provocou grandes reações contrárias a esse material. a primeira tentativa de restaurações com amálgama na Odontologia. Ligas esféricas. então. As dimensões destes lingotes também variam.Amálgama 166 Evidentemente com o desconforto e a dor provocados por estas ligas os pesquisadores foram levados a produzirem ligas metálicas que endurecessem na cavidade à temperatura ambiente. Alternativamente. exigem menor quantidade de mercúrio do que as ligas usinadas típicas porque as ligas esféricas têm uma área de superfície menor por volume do que as ligas usinadas.4 COMPOSIÇÃO As ligas para amálgama podem ser classificadas. O metal liquefeito é atomizado em gotículas esféricas. em: 1. que usava raspas de moeda com o mercúrio. A prata e o mercúrio aparecem juntos a partir de 1826 com Taveau. que recebe o nome de limalha (Fig 12-1a). temos um tipo irregular de pó formado. Se a liga de amálgama for cortada através da moagem em um torno mecânico. temos um tipo de liga. mas que freqüentemente assemelha-se a um bastão cilíndrico.

Reação As ligas para amálgama são hoje caracterizadas pela presença. a dureza e a resistência mecânica do amálgama. tornando a liga menos friável. Cobre: Substitui parcialmente a prata. atua como agente de limpeza durante a fusão. do composto Ag3Sn (sistema prata-estanho) denominado fase γ. diminuindo seu escoamento. Prolonga o tempo de endurecimento e aumenta a o escoamento. acompanhada de um aumento da quantidade de estanho. Fernanda Panzeri . O excesso de prata aumenta em demasia a expansão e sua falta. diminuindo a expansão. A) Limalha.4.1 Ligas Convencionais São aquelas cuja composição obedece especificação n°1 da ADA.ligas com alto conteúdo de cobre A B C Figura 13-1 – Tipos de partículas de pó das ligas para amalgama. Prata Estanho Cobre Zinco às determinações da mínimo 65% máximo 29% máximo 6% máximo 2% Características e função dos componentes: Prata: aumenta a resistência mecânica e retarda a perda de brilho e oxidação do amálgama. conforme tabela abaixo. B) Esférica. na sua composição. C) Ligas de fase dispersa 13. Zinco: usado principalmente como um desoxidante. Estanho: Reduz a resistência e a dureza. provoca a contração do amálgama. aumenta a expansão. diminuindo a possibilidade de formação de óxidos. aumenta a expansão de presa e diminui o escoamento.Amálgama 167 2.

As propriedades físicas de um amálgama endurecido dependem da porcentagem relativa das fases microestruturais. A quantidade de mercúrio utilizada é insuficiente para consumir completamente as partículas originais da liga.2 Ligas com alto conteúdo de cobre Esta foi a primeira grande modificação na composição da liga para amálgama dentário desde o trabalho de Black. → Ag3Sn + Hg γ Ag3Sn + Ag2Hg3 + Sn7Hg γ γ1 γ2 Figura 13-2 . Reação Quando o mercúrio reage com o pó com fase dispersa. os cristais γ1 e γ2 crescem. A dureza de γ2 é cerca de 10% da dureza da fase γ1 . conseqüentemente. mais resistente será o amálgama. a reação se processa de forma que a prata se combina com o mercúrio a partir da liga de Fernanda Panzeri . Liga eutética é aquela onde os componentes exibem completa solubilidade no estado líquido. O cobre é adicionado à liga em proporções que variam desde 6% até 29%. a velocidade da reação diminui.Reação de cristalização de uma liga convencional para amálgama Imediatamente após a trituração. O componente mais fraco é a fase γ2 . a maioria γ`1. Partículas de liga (γ) estão circundadas e limitadas pelo sólido γ1 e cristais γ2 (Fig. o amálgama cristaliza. o pó da liga coexiste com o mercúrio liquefeito. O componente menos resistente à corrosão é a fase Sn7Hg ( γ2). Estas ligas são freqüentemente formadas por ligas de fase dispersa. 12-3). As partículas de fase γ não consumidas têm um efeito forte. Quanto mais dessas fases forem retidas na estrutura final. Quando as partículas tornam-se cobertas com os cristais recém-formados. 13. partículas esferoidais de liga Ag/Cu são misturadas com as partículas de liga convencional formando assim a liga final pronta para o uso. À medida que o mercúrio desaparece. dando à mistura uma consistência plástica. produzindo duas fases de cristalização: fase γ1 e fase γ2 (Fig 12-2). A adição de cobre se faz sempre na forma de uma liga eutética. Enquanto o mercúrio remanescente dissolve as partículas da liga. partículas não-consumidas estão presentes na cristalização do amálgama.Amálgama 168 Na trituração. enquanto a dureza da fase γ é maior que a dureza de γ1. Por ser menor a solubilidade da prata no mercúrio do que a do estanho. a fase γ1 precipita primeiro que a fase γ2.4. quando a liga está sendo misturada com o mercúrio. o composto Ag3Sn absorve o mercúrio. mas uma solubilidade limitada no estado sólido. Nesse caso.

Os átomos de mercúrio liberados das moléculas da fase γ2 reagem imediatamente com os átomos de prata liberados pelo estanho e formam mais fase γ1 que é mais nobre. Uma explicação para isso é que a fase γ2 não se forma ao mesmo tempo que a fase η. A fase γ2 é eliminada nesta reação.Representação esquemática da reação de cristalização do amálgama Deve-se observar que a fase γ2 fica diminuída. Figura 13-3 . os átomos de cobre das moléculas da liga Ag/Cu passam a atrair quimicamente os átomos de estanho da fase γ2 . a fase ε. Fernanda Panzeri . O estanho em solução se difunde para as superfícies das partículas prata/cobre da liga e reage com a fase cobre para formar η (Cu6Sn5). uma vez que o cobre concorre com o mercúrio pelos seus átomos Além disso.Amálgama 169 prata/cobre e pelas partículas de prata/estanho da liga. dando-se a combinação do cobre com o estanho e formando uma nova fase. E isto é importante porque a fase γ2 é mais suscetível à corrosão e geralmente responsabilizada pela deterioração marginal (Fig 12-4).

maior será a quantidade de mercúrio presente na restauração. Assim sendo. A relação mercúrio/liga recomendada varia com as diferentes composições das ligas. ou seja. sem que haja necessidade da remoção de excessos consideráveis durante a condensação. era necessário usar-se uma quantidade de mercúrio consideravelmente excedente àquela desejável nas restaurações finais.Reação de cristalização de uma liga para amálgama com alto conteúdo de cobre 13. O método mais óbvio para reduzir o conteúdo de mercúrio da restauração é através da diminuição da relação original de mercúrio/liga. Deve-se salientar que poderá haver pequenas variações em partes percentuais. quanto mais mercúrio for utilizado na mistura original. Devido aos efeitos negativos do conteúdo excessivo de mercúrio sobre as propriedades físicas e mecânicas do amálgama. Com as ligas esféricas. de maneira a conseguir-se um nível aceitável de mercúrio na restauração. de modo a proporcionar uma massa coesiva e plástica após a trituração. A relação para a maioria das ligas modernas em forma de limalha é de 1:1.5 RELAÇÃO MERCÚRIO/LIGA A quantidade de liga e mercúrio a ser usada pode ser descrita como relação mercúrio/liga. para se conseguir uma mistura plástica de amálgama.Amálgama 170 Ag3Sn + Ag-Cu + Hg → Ag3Sn + Ag2H3 + Cu6Sn5 + Sn7Hg + Ag-Cu γ γ γ1 γ2 Após ± 7 a 10 dias Sn7Hg + AgCu → Sn6Cu7 + Ag2Hg3 γ2 ε γ1 Figura 13-4 . Até o início dos anos 60. a liga e o mercúrio devem ser cuidadosamente proporcionados de maneira que a quantidade de mercúrio presente na mistura original seja aquela necessária para fornecer uma consistência apropriada. com os tamanhos e formas das partículas e com o tipo de tratamento térmico. que significa o número de partes em peso de mercúrio e de liga a serem utilizadas para a técnica em particular. 50% de mercúrio. esta quantidade deve ser baixa. Porém. a Fernanda Panzeri . A relação liga/mercúrio é um dos fatores importantes na preparação do amálgama e influencia grandemente a quantidade de mercúrio residual. A mistura original deve conter uma quantidade de mercúrio suficiente. Se todos os outros passos da técnica forem mantidos constantes. de modo a se conseguir um nível aceitável. processos de manipulação foram empregados para reduzir a quantidade de mercúrio deixado na restauração.

tem tanta influência sobre o sucesso ou eventual fracasso da restauração. Independentemente da relação. os braços que prendem a cápsula passam a oscilar em alta velocidade. Atualmente. isto associado a uma quantidade adequada de mercúrio.Amálgama 171 quantidade de mercúrio recomendada para a maioria das ligas é de aproximadamente 42%. de diâmetro menor do que a cápsula. bem como a matriz formada será insuficiente para a massa apresentar aquela união coesiva. o proporcionamento é crítico quando se usa a técnica do mercúrio mínimo. Ele deve ser utilizado com a velocidade recomendada pelo fabricante da liga. Existem cápsulas reaproveitáveis e descartáveis. se o conteúdo de mercúrio for ligeiramente menor. Um pistão cilíndrico. A liga e o mercúrio são dispensados no interior da cápsula. Desta forma. funcionando como um pistilo. mas sim de promover maior contato entre a liga e o mercúrio. é colocado no interior desta. Existe um controlador automático para mensurar o tempo de manipulação. Os tipos mais antigos de cápsulas préproporcionadas necessitam de ativação antes da trituração. Algumas ligas atuais encontram-se disponíveis em cápsulas auto-ativadas. Fernanda Panzeri . Neste caso. Elas contêm as ligas tanto na forma de comprimidos como em quantidades pesadas de pó. a trituração é realizada. a fim de permitir que o mercúrio entre no compartimento onde se encontra a liga. Um grande número de marcas comerciais de amalgamadores encontra-se disponíveis no mercado. o mercúrio e a liga são fisicamente separados um do outro. As cápsulas descartáveis que contêm quantidades pré-proporcionadas de mercúrio e liga são largamente utilizadas atualmente. Uma cápsula serve como gral. As partículas de liga são recobertas por uma película de óxido. que dificulta a penetração do mercúrio. Para impedir que haja qualquer amalgamação durante a armazenagem. a trituração procura remover essas películas que envolvem a superfície das partículas.6 TRITURAÇÃO As propriedades físicas do amálgama são influenciadas pela técnica de trituração. (Fig 12-5) Esse sistema de proporcionamento elimina a possibilidade do extravasamento do mercúrio e a exposição ao seu vapor durante o proporcionamento e. Quando a cápsula é presa ao amalgamador. A trituração não tem a finalidade de tornar menores as partículas da liga. finalmente. durante as primeiras oscilações do amalgamador. utilizando-se gral e pistilo. que possibilitam o contato automático entra a liga e o mercúrio. Nenhum outro passo isolado. 13. e a maioria dos amalgamadores modernos tem dias ou mais velocidades de operação. de plástico ou de metal. a mistura ficará seca e granulosa. resulta numa relação mercúrio/liga confiável. a liga e o mercúrio eram triturados manualmente. e o aparelho é ligado. assim. Originalmente. durante a manipulação do amálgama. a amalgamação mecânica economiza tempo e padroniza o procedimento.

Quando uma mistura assim é utilizada. por exemplo. A consistência. Além disso.Amálgama 172 A amalgamação difere de uma liga para outra.1 Tempo de trituração Não existem recomendações específicas para o tempo de trituração. diferenças nos padrões de velocidade e oscilação e diferentes desenhos das cápsulas. Quanto maior o conteúdo de mercúrio. uma trituração por tempo mais longo produz sempre maior Fernanda Panzeri . ou quando as partículas não são uniformemente recobertas pelo mercúrio. Sempre que o tempo de trituração é aumentado. por outro lado. A duração do tempo de trituração determina indiscutivelmente a consistência da mistura. As recomendações do fabricante incluem uma tabela de tempo para a trituração da liga. As ligas esféricas. porosidades internas são muito pouco freqüentes.6. além de aumentar a possibilidade de corrosão. controla a resistência do amálgama e a textura da superfície das restaurações. quando as partículas da liga não são convenientemente reduzidas em seu tamanho. a massa torna-se mais lisa e com uma consistência mais adequada. Independentemente da marca da limalha. cristaliza com mais rapidez e mantém em sua massa um conteúdo de mercúrio muito maior. usualmente necessitam de menos tempo de amalgamação que aquelas em forma de limalha. menor a sua resistência. Figura 13-5-Secção transversal de uma cápsula de amálgama 13. o mercúrio é mais facilmente removido durante a condensação. durante a trituração. Quando um amálgama é triturado por um tempo muito curto. pois isto depende de fatores como a grande variedade de amalgamadores. a escultura e o polimento da superfície da restauração tornam-se mais precárias. Existem evidências de que a subtrituração dá como resultado mais incidência de fraturas no corpo e nas margens da restauração.

Amálgama 173 resistência a um número menor de irregularidades superficiais. Figura 13-6 . esses incrementos são colocados nas últimas camadas da restauração. claro. dificultando a sua condensação. dentro de limites práticos. O gráfico 122 mostra a diminuição na resistência que vai ocorrendo conforme vão sendo empregados. pois quanto maior for o tempo passado entre a trituração e a condensação. na condensação. poderá ficar quebradiço. Infelizmente. a condensação do amálgama deve ser iniciada imediatamente. Após o término da trituração. Se o amálgama estiver super triturado. Se isso ocorrer. Um exemplo de um amálgama triturado de forma correta pode ser visto na Fig 12-6.7 CONDENSAÇÃO Condensar é juntar intimamente as partículas de liga e adaptar o material a todas as partes da cavidade preparada. contribuindo assim para o Fernanda Panzeri . tanto quanto possível.Aspecto do amálgama obtido após uma trituração correta 5000 4500 4000 3500 Kg/cm2 3000 2500 2000 1500 1000 500 0 0 20 40 60 Segundos 80 100 120 140 Gráfico 13-1 -Efeito do tempo de trituração sobre a resistência à compressão de amálgama com uma hora de idade 13. Isso tudo. removendo. Os efeitos desejáveis do aumento no tempo de trituração sobre a resistência do amálgama pode ser observado no gráfico 12-1. o amálgama ficará menos resistente. o excesso de mercúrio da mistura. incrementos de amálgama armazenados durante tempo progressivamente maior. a resistência do amálgama será aumentada e o escoamento diminuído.

com pressão manual. Quanto maior for o tempo passado. A diferença de uma superfície de amálgama. Deve-se também evitar uma condensação inadequada. Assim. Quanto menor a ponta ativa do condensador. pois quanto maior a pressão de condensação. ele deve ser imediatamente condensado com pressão suficiente para remover os vazios e adaptar o material às paredes da cavidade. A condensação é geralmente iniciada no centro e. incrementos dos quais tenha sido feita uma retirada excessiva do mercúrio. é bem grande. em termos de pressão por área. então. menor a proporção de mercúrio residual e maior a resistência. Mesmo quando uma técnica de condensação apropriada é empregada. sobre a resistência de um amálgama endurecido. sendo a superfície muito mais lisa. quando menores incrementos são utilizados. Pequenos incrementos de amálgama devem ser usados sucessivamente na confecção da restauração. a ponta do condensador é direcionada gradualmente para as paredes da cavidade. isto é. condensadores Fernanda Panzeri . pois esses fatores contribuem para a ocorrência de bolhas ou de falhas internas nas restaurações de amálgama. como a superfície da restauração e as suas margens. menor será a resistência Uma grande pressão no condensador é requerida para eliminar a maior proporção possível do mercúrio. maior a força aplicada sobre o amálgama. sobre a massa de amálgama.Amálgama 174 enfraquecimento justamente de áreas críticas. Gráfico 13-2 -O efeito do tempo passado entre a trituração e a condensação. é impossível conseguir-se boa adaptação do material quando se utilizam incrementos grandes de amálgama. Uma vez inserido o material na cavidade preparada. A ponta ativa do condensador é forçada. Todo cuidado deve ser tomado para não se empregar porções de amálgama que tenham permanecido durante muito tempo depois de preparadas ou incrementos muito secos.

ter-se-ão já desenvolvido todas as mudanças de fases que ocorrem durante a cristalização total do amálgama e a superfície terá maior estabilidade estrutural. ou de diâmetros pequenos. 13. que se caracteriza por possuir ponta rômbica ou arredondada.9 ALTERAÇÕES DIMENSIONAIS Após o endurecimento. Apesar de já ter sido um assunto muito controverso. havendo ainda aqueles que contraem-se durante as primeiras horas. a superfície da restauração deve ser alisada. Não se pode considerar terminada uma restauração de amálgama antes de executado o seu polimento.8 ACABAMENTO E POLIMENTO Depois de terminada a condensação do amálgama. durante o preparo da cavidade. enquanto outros apresentar-se-ão expandidos. de maneira que se reproduzam os detalhes anatômicos da parte perdida do dente. O polimento final das restaurações de amálgama não deve ser feito antes de decorridas 48 horas. Depois desse período. tempo de trituração e condensação. através de um instrumento brunidor. reduz a emissão de vapores do mercúrio residual e aumenta a dureza das margens. O tempo gasto tanto pelo profissional como pelo paciente é recompensado.Amálgama 175 com pontas pequenas. formato e tamanho das partículas. facilita o polimento. Preferivelmente um período de uma semana deve ser esperado. 13. reduz a infiltração marginal. Irregularidades superficiais são reduzidas ou eliminadas. reduz o conteúdo de mercúrio nas margens e na susperfície. alguns amálgamas ter-se-ão contraído. para em seguida expandirem-se A alteração dimensional está diretamente relacionada com a proporção liga/mercúrio. Tem sido demonstrado que da superfície de restaurações de amálgama sem polimento desprendem-se vapores de mercúrio que podem produzir efeitos iatrogênicos no paciente. O polimento deve ser feito com movimentos intermitentes e sob refrigeração para evitar que haja um aumento exagerado de temperatura. reduz a porosidade nas margens. a literatura registra uma série de trabalhos mostrando dados que permitem aceitar a brunidura como um procedimento vantajoso. que pode provocar o afloramento de mercúrio para as camadas mais superficiais da restauração. Após a escultura. uma vez que ela proporciona uma superfície mais lisa. a superfície da restauração deverá ser esculpida com o emprego de instrumentos adequados. Fernanda Panzeri . produzem uma pressão de condensação muito maior do que os condensadores com pontas de diâmetro grande.

menor será a expansão de presa. Em ligas de alto conteúdo de cobre.9. 13. existirá pouco ou nenhum excesso de mercúrio para ser removido.9. quanto maior o tempo de trituração. consequentemente. produzindo. por se justaporem melhor uma às outras. a consistência da mistura. as ligas confeccionadas com este tipo de partícula possuem menores alterações dimensionais do que as ligas do tipo limalha. dando como resultado um amálgama com alterações dimensionais dentro dos limites permitidos. consequentemente.9. Com esta prática. resultando em uma grande contração inicial do amálgama. 13. 13. menos fase γ1 e γ2 são formadas e a progressiva diminuição na expansão com o aumento na pressão de condensação pode ser considerada por esse fato. Esse fato pode ser atribuído à menor quantidade de fase γ2 que se observa nessas ligas. deixando menores espaços vazios.9. 13.3 Efeitos do formato das partículas: Considerando que as partículas esferoidais necessitam de menor quantidade de mercúrio para a sua preparação.2 Efeitos do tamanho das partículas: A área de superfície aumentada favorece uma difusão mais rápida do mercúrio nas partículas da liga durante a trituração. Quando o amálgama é triturado por um tempo muito curto. mais mercúrio é removido da massa.Amálgama 176 13.5 Efeitos da condensação: Quanto mais a pressão de condensação é aumentada. indiscutivelmente. ocorrem 40% menos de alteração dimensional. uma expansão.9.6 Efeito da contaminação por umidade: Fernanda Panzeri . Assim.9.1 Efeitos da proporção liga/mercúrio: Uma proporção ideal deve ser obedecida. 13. dentro de certos limites. cristaliza com mais rapidez e mantém em sua massa uma quantidade maior de mercúrio.4 Efeitos do tempo de trituração: A duração do tempo de trituração determina.

13. O zinco atua como uma substância absorvente de oxigênio. que são extremamente prejudiciais às propriedades do amálgama.Amálgama 177 Até recentemente. Essa expansão é denominada expansão tardia do amálgama. Os amálgamas elaborados com partículas esferoidais apresentam resistência maior do que os amálgamas confeccionados com limalhas. e os com alto conteúdo de cobre são ainda mais resistentes. combina-se com o remanescente da fase γ produzindo uma expansão que continuará até a exaustão da fase γ2. liberando mercúrio que a ele estava previamente associado. Este mercúrio. durante a fabricação da liga para amálgama. o que resulta Fernanda Panzeri . uma vez que os amálgamas são submetidos às forças da mastigação logo após serem condensados em uma cavidade. Esse estanho reage com o oxigênio e sais de cloro provenientes da saliva e dos alimentos. impedindo assim a formação de óxidos de cobre. ele reage com a água e há liberação de hidrogênio gasoso. serão encontrados somente poros onde originalmente existia a fase γ2. Se o zinco do amálgama é contaminado pela saliva. depois de condensada. A baixa resistência durante as duas primeiras horas pode permitir danos à restauração que impliquem até na necessidade de sua substituição.10 RESISTÊNCIA Existe uma relação inversa entre a resistência do amálgama e o teor de mercúrio.11 CORROSÃO Numerosos estudos têm demonstrado que a corrosão do amálgama é caracterizada por um ataque anódico. as ligas convencionais para amálgama continham todas elas uma certa quantidade de zinco. O gás acumula-se na intimidade do amálgama e. Essa corrosão libera o estanho da fase γ2 em forma de íons. agora livre. seja logo posta em contato com a saliva. Esse fato tem um significado clínico muito importante. 13. maior freqüência de fraturas marginais e superfície mais rugosa nas restaurações. durante a condensação na cavidade. ou pela umidade da superfície dos dedos. prata e estanho. eventualmente. Apesar de ser muito importante evitar-se a contaminação do amálgama pela umidade. O perigo existe quando a umidade incorpora-se à massa do amálgama e não quando a umidade entra em contato com a superfície externa da restauração. Não deve ser confundida com a pequena expansão de presa que pode ocorrer durante o endurecimento do amálgama. formando sais ou óxido de estanho. não há inconveniente que a superfície da restauração. pois se verifica sempre alguns dias depois da inserção da restauração. Esses materiais atingem sua resistência máxima ao final de um período de 8 horas. A diminuição de mercúrio provoca menos γ2 e melhora as propriedades físicas. Após certo tempo. a pressão pode tornar-se suficiente para produzir marcados escoamentos localizados ou expansão. enquanto que um aumento produz mais fase γ2.

podem. o amálgama apresenta uma adaptação apenas razoavelmente íntima às paredes da cavidade preparada. O mercúrio absorvido pode causar uma curvatura nas bordas da restauração de amálgama. consequentemente. A quantidade reduzida de infiltração sob restaurações a amálgama é peculiar. desta forma. Quando a restauração é colocada adequadamente. indicam a substituição das mesmas. tornando-as frágeis e sujeitas a fraturas.Amálgama 178 em grandes alterações nas propriedades mecânicas do amálgama com prejuízos para as propriedades físicas das restaurações. dar origem a problemas higiênicos indesejáveis. nas condições orais. nenhum material restaurador adere verdadeiramente à estrutura dentária. muitas vezes. Um dos maiores riscos associados com a restauração de dentes é a microinfiltração. Preparo incorreto do amálgama (40%) Fernanda Panzeri . o principal fator de falhas nas restaurações. Isto pode ser causado pelos produtos da corrosão que se formam na interface entre o dente e a restauração. a infiltração. Em segundo lugar estão as fraturas das bordas das restaurações. Com exceção do cimento de ionômero de vidro.13 TIPOS DE FALHAS O exame rotineiro dos pacientes revela falhas em restaurações de amálgama que. Preparo incorreto da cavidade (56%) 2. 13. desse modo. selando esta interface e impedindo. muitas vezes. que pode ocorrer entre as paredes da cavidade e a restauração. Só 15% das falhas são atribuídas a problemas de alterações dimensionais do material. a penetração dos fluidos e resíduos em redor das margens pode representar a causa principal da cárie secundária. 13. Esses produtos da corrosão também podem ser responsáveis pela diminuição da infiltração. a infiltração decresce à medida que a restauração envelhece na boca. O problema mais comum é a instalação de cáries nas margens da cavidade. possivelmente.13. Os íons de estanho. são depositados como produtos sólidos na superfície da restauração e.1 Causas de insucessos As causas principais dos insucessos das restaurações de amálgama são: 1.12 DESEMPENHO CLÍNICO DAS RESTAURAÇÕES DE AMÁLGAMA O registro excepcionalmente bom do desempenho clínico do amálgama dentário está ligado à tendência do mesmo para minimizar a infiltração marginal. 13. e essa transformação da fase γ2 é. Na melhor das hipóteses.

Alterações na polpa. porque nenhum estágio laboratorial está envolvido na confecção da restauração. As partes dos dentes que requerem reconstrução através de um material restaurador variam em tamanhos.14 VANTAGENS As principais vantagens do amálgama como material restaurador são: • adaptabilidade às paredes cavitárias • resistência aos esforços mastigatórios • insolubilidade no meio bucal • alterações dimensionais toleradas pelo dente • condutibilidade térmica menor do que a dos metais puros • superfície brilhante • fácil manipulação • não produz alterações de importância nos tecidos dentários • escultura fácil e imediata • polimento final perfeito • tolerância pelo tecido gengival • eliminação fácil. Fernanda Panzeri . mas também pode ocorrer devido à peculiaridades na dieta ou hábitos dos pacientes. A destruição da substância dental causada por cáries dentárias podem resultar em uma perda de quantidades consideráveis de esmalte e dentina. Os dentes necessitam ser restaurados por uma variedade de razões. Isso frequentemente ocorre devido à força excessivamente grande na escovação usando um dentifrício abrasivo. Conclui-se que as falhas das restaurações de amálgama são devidas à violação dos princípios fundamentais das técnicas de preparo cavitário e de preparo do material. Um terceiro fator causador de perda de estrutura dental é a abrasão. 13. Os traumas podem causar fraturas e perdas de partes dos dentes. Eles diferem das restaurações indiretas. Assim. se necessária 13. como as coroas e pontes.15 DESVANTAGENS • • • • modificação volumétrica condutibilidade térmica falta de resistência nas bordas cor não harmoniosa 13.Amálgama 179 3.16 INDICAÇÕES Os materiais restauradores diretos são usados para restaurações dos dentes no momento de sua preparação. forma e localização na boca. fratura do dente e outras causas patológicas (4%).

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em um extremo, pode ser necessário restaurar uma cavidade grande, que se estende por todas as faces de um molar. Uma situação totalmente diferente é a restauração de uma pequena parte perdida em um acidente. As propriedades dos materiais usados nessas e em outras aplicações variam e não é surpreendente que um só material seja indicado para todos os casos. Um outro fator utilizado para avaliar o sucesso ou falha de um material restaurador para qualquer aplicação é a durabilidade. Nesse contexto, o termo se refere à vida útil da restauração e a manutenção da estrutura remanescente do dente e como ele pode ser afetado pela presença da restauração. A durabilidade depende também das propriedades físicas e biológicas do material restaurador. Devido às suas propriedades, o amálgama é indicado para restaurações de dentes posteriores decíduos e permanentes, estando contra-indicados em dentes anteriores, em dentes com cavidades extensas e de paredes frágeis, e em cavidades onde o amálgama possa fazer contato com outro tipo de restauração metálica com potencial elétrico diferente, para evitar corrosão e oxidação por galvanismo. O amálgama é mais durável e mais barato do que as resinas para restaurações de dentes posteriores. O tempo envolvido para a colocação de uma restauração de amálgama é pequeno, a resistência à compressão é excelente e, em razão da corrosão, o material consegue, sozinho, selar a interface dente/restauração, prevenindo microinfiltração; além disso as bactérias têm dificuldade em se aderir ao amálgama como se aderem em restaurações de resina. 13.17 REPARO DE RESTAURAÇÕES DE AMÁLGAMA Ocasionalmente, quando uma restauração de amálgama falha, como por causa de uma fratura marginal, ela pode ser reparada. Uma nova mistura de amálgama é condensada contra a parte remanescente da restauração. Assim, a resistência entre o “novo” e “velho” amálgama é importante. A resistência do amálgama reparado é menor que 50% do amálgama não reparado. A região da união é uma região de fragilidade. Fatores como a corrosão do amálgama e a contaminação da saliva na interface são barreiras que interferem na união entre os dois amálgamas. O reparo de restaurações de amálgama deve ser tentado somente se a área envolvida é pequena, em regiões não sujeitas à altas tensões, capaz de suportar e reter adequadamente duas partes restauradas. BIBLIOGRAFIA
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ROTEIRO DE AULA PRÁTICA Amálgama Dental 1. Instrumentais e Materiais Utilizados  Manequim  Modelo de gesso (fornecido pela disciplina)  Cápsulas de amálgama  Potes Dappen  Espátula Lecron  Porta-amálgama  Condensador de amálgama  Hollemback 3S  Aplicador de Hidróxido de Cálcio  Brunidor Bico de Pato  Cimento de Hidróxido de Cálcio  Cimento de ionômero de vidro para forramento 2. Técnica para confecção de restaurações em amálgama  Colocar a cápsula no amalgamador mecânico e acioná-lo por 7 segundos.  Colocar a mistura no pote dappen  Dispensar a cápsula usada em local apropriado  Levar pequenos incrementos do material à cavidade com o auxílio do porta-amálgama  Condensar o material com o condensador de amálgama tentando remover a maior quantidade possível de mercúrio residual, aplicando pressão a partir do centro da cavidade em direção às margens.  Repetir o procedimento até que toda a cavidade esteja preenchida com ligeiro excesso.  Através do Hollemback 3S, procede-se à escultura da restauração, devolvendo a anatomia perdida do dente.  Após a cristalização, brunir a restauração com o Brunidor, deixando a superfície da restauração mais lisa e brilhante. 3. Exercícios: Confeccionar restaurações de Amálgama:  Em modelo de gesso  Em dentes posteriores no manequim  Simples  Sobre forramento de hidróxido de cálcio  Sobre forramento de ionômero de vidro  ATENÇÃO: Repetir as restaurações até dominar todas as técnicas.

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14 Processo de Fundição

neste tópico iremos discutir somente os procedimentos . com o máximo de precisão possível. O objetivo desse processo é a obtenção de uma duplicação metálica da estrutura dental perdida. com as quais foi possível fazer fundições precisas. como por exemplo. Nas margens de uma restauração cimentada sempre estará presente uma linha de cimento. apresentou uma máquina de fundição e uma técnica. correspondente à porção do dente que necessita ser substituída. ou pelos métodos dos testes clínicos convencionais. utilizando metais para sua elaboração. A literatura. Assim. o crédito é dado a William Taggart. A obtenção desse tipo de restauração metálica fundida é conseguida através de um processo chamado processo da cera perdida. uma precisão de adaptação absoluta não pode ser conseguida continuamente nas condições bucais. Certamente. Apesar da técnica ter sido considerada na época como uma prática odontológica não refinada. entretanto. o de uma armação de prótese removível ou de pequenos blocos. mais esta restauração estará propensa a falhar. Philbrook em 1897.1 INTRODUÇÃO Certas restaurações odontológicas são realizadas fora da boca do paciente. Podese afirmar. O padrão de cera é então eliminado em temperaturas elevadas. então:  Preparo do dente  Produção de uma moldagem  Vazamento do modelo  Enceramento da forma desejada  Revestimento do padrão de cera  Aquecimento e queima da cera  Fusão e injeção da liga metálica  Término e polimento  Cimentação Apesar de as fundições odontológicas poderem apresentar tamanhos diferentes. Os cimentos odontológicos atuais são solúveis e se deterioram na cavidade bucal. que quanto mais precisa for a adaptação da fundição. contudo. na virada do século XX. a qual é preenchida pela liga fundida injetada por pressão ou centrifugação. menciona que uma fundição dentária foi feita pela primeira vez. ele é vazado num revestimento refratário. a técnica de fundição consiste na fabricação de um padrão de cera. formando-se uma câmara (molde) no interior do revestimento. passadas três décadas. A idéia básica foi mostrada à profissão odontológica pelo Dr. Os estágios na produção de uma fundição odontológica são. menor será o aparecimento de microinfiltração e de cáries secundárias. É difícil precisar quando essa técnica foi pela primeira vez usada para fazer uma fundição metálica. quanto menos justa for a fundição e maior a quantidade de cimento exposto. que em 1907. Essa precisão deve ser maior do que aquela que pode ser detectada pelo olho. A seguir. Essencialmente. muitos problemas associados com o processo foram solucionados. Entretanto.14. mesmo que ela não seja prontamente visível.

O modelo de cera pode ser obtido tanto diretamente no dente como no troquel.2 DESCRIÇÃO RESUMIDA DO PROCESSO DE FUNDIÇÃO Após a obtenção do modelo de cera. Se. mas plastificam. um conduto de alimentação é aprisionado àquele modelo e este conjunto é incluído em revestimento (Fig.131). como as coroas. Elas são. por . padrão de cera (D) pino formador de canal de alimentação (E) e base formadora de cadinho (F) 14. revestimento (C). para formar líquidos. diz-se que é confeccionado pela técnica direta. inlays e armações de Próteses Parciais Removíveis no laboratório. segundo a técnica de fundição pelo processo da cera perdida. como é o caso de uma coroa. substâncias moles com poucas propriedades mecânicas e seu uso primário é produzir padrões ou moldes para fundições de restaurações metálicas.Esquema representativo do anel de fundição (A). Os princípios fundamentais são os mesmos. que é a reprodução do dente e do preparo cavitário.3 CERAS PARA FUNDIÇÃO ODONTOLÓGICA As ceras usadas em odontologia são materiais termoplásticos que são normalmente sólidos à temperatura ambiente. e as técnicas diferem somente em pequenos detalhes. Ele é misturado da mesma maneira que o gesso.empregados na construção de restaurações pequenas. o pino formador de conduto de alimentação é removido. pontes. A seguir a liga fundida é forçada por pressão para a cavidade do molde deixada pela cera no revestimento. independentemente do tamanho da fundição. vazado ao redor do modelo e deixado endurecer. 14. Se o modelo é construído no dente. Obtido o endurecimento do revestimento. sem decomposição. bem como a cera do modelo. O caminho percorrido pela liga fundida é através do canal de alimentação existente. Figura 14-1 . basicamente.

é evidente que a parafina usada para as ceras do tipo I apresenta um ponto de fusão mais alto que a parafina usada para as ceras do tipo II. Uma vez que a parafina pode ser obtida com quase todos os pontos de fusão desejados. Além disso. Ela concede à cera características de moldabilidade. mesmo abaixo de sua temperatura de liquefação. 14. a zona de fusão das ceras com hidrocarbonetos e a presença de resinas. Os componentes essenciais de uma cera para fundição de sucesso são a parafina. Consequentemente. Todas estas substâncias são de origem natural e derivadas de fontes minerais ou vegetais.3. O controle das propriedades da cera é conseguido através da combinação de vários fatores. ele é confeccionado no troquel. a distorção deve ser minimizada. Ela também aumenta a tenacidade da cera e deixa sua superfície mais lisa e lustrosa. Entre eles inclui a quantidade de cera de carnaúba.1 Composição Um certo número de fórmulas de ceras para fundições têm sido publicado.outro lado. a resina dammar. O modelo de cera forma o esboço de um molde. e algumas delas são muito complexas.2 Propriedades Térmicas . o procedimento é chamado de técnica indireta. a fundição não pode ser mais precisa que o modelo de cera. Os modelos de cera são utilizados para o processo de fundição de restaurações muito mais complexas que as coroas e incrustações. Ela tem um odor agradável e contribui mais que a resina dammar para o lustre apresentado pela superfície da cera. bem como adequadamente esculpido. 14. Por este motivo. independentemente dos cuidados que sejam observados nas etapas subsequentes. Ela é adicionada à parafina para melhorar sua lisura durante a modelagem e fazer com que a parafina se descame menos e fique menos friável.3. A cera é muito dura e tem um ponto de fusão relativamente alto. A cera de carnaúba é encontrada em forma de um pó fino nas folhas de uma palmeira tropical. o modelo deve ser bem adaptado à cavidade preparada. A parafina é geralmente o ingrediente principal e usualmente está presente em uma concentração de 40 a 60%. o qual será preenchido pela liga fundida. a cera de carnaúba e outros corantes. A goma ou resina dammar é uma resina natural. O modelo preparado deve ser uma reprodução precisa da estrutura perdida do dente. Mas a presente discussão se limitará primeiramente à construção de restaurações usadas em operatória dental. Ela é misturada com a parafina para diminuir o escoamento à temperatura da boca.

7%. uma vez que a restauração metálica resultante deverá adaptar-se com justeza aos tecidos duros adjacentes do dente. a cera tende a voltar à forma de bastão. ela iniciará seu processo de plastificação. onde retornará. porque o modelo não é sujeito àquelas variações de temperatura desde a boca do paciente até a temperatura ambiente.35%. permitindo o amolecimento uniforme do material. na temperatura ambiente. que qualquer outro material odontológico. Ela é o resultado das alterações térmicas e da liberação de tensões. Um bastão de cera para fundição pode ser amolecido sobre a chama. Uma vez que o calor é absorvido por todo o material. quando resfriada de 37 para 25 ºC. Removendo o calor.4 Manipulação da Cera para Fundição . será permitido à cera o seu resfriamento. A cera pode expandir-se linearmente em 0.3 Distorção da Cera A distorção é provavelmente o problema mais sério defrontado ao se confeccionar e remover um modelo de cera da boca ou troquel. Estas tensões são provenientes da contração de esfriamento. 14. temos a cera em um estado líquido. Para isso.3.Inicialmente. de forma que o fornecimento de calor deve ser mantido por um certo tempo à uma temperatura ligeiramente acima da temperatura da transição sólido-líquido. Quando fornecemos o calor. novamente ao estado sólido. devido à escultura e à remoção. Outra característica térmica das ceras para fundição é o seu alto coeficiente de expansão térmica linear. quando temos um bastão de cera à temperatura ambiente. como outros materiais termoplásticos. As ceras para fundição contraem-se ou expandem-se mais termicamente. 13-2). da mudança na forma durante a modelagem. As ceras. Se for deixado em água à temperatura ambiente por um certo período de tempo. Esta é uma das desvantagens inerentes às ceras. ela estará em um estado sólido. a ferradura se abrirá pois as moléculas da parte interna da ferradura ficam sob compressão e as da parte externa sob tração. quando há um aumento de temperatura de 20 ºC. da oclusão de gases. Isto é comumente conhecido como “memória elástica” (Fig. bem como do tempo e da temperatura de armazenagem. Isto é mais crítico na cera para fundição do que em um outro material de moldagem. tendem a voltar à sua forma original após sua manipulação. por alteração de graus centesimais. 14. Esta propriedade é menos significativa quando a cera é usada na técnica indireta. ou pode contrairse em 0. dobrado para a forma de uma ferradura e mantido nesta posição.3. Uma vez que estas tensões são gradualmente liberadas. As ceras são pobres condutores térmicos. quando elas são usadas na técnica de restauração direta. onde será possível o seu escoamento e a reprodução do modelo. também é necessário um certo tempo para que a solidificação seja uniforme.

o modelo não deve ser tocado com os dedos para prevenir. A cera é resfriada gradualmente na temperatura da boca. deve-se girá-lo até que se apresente brilhante e neste momento é removido da chama. A cavidade preparada deve ser preenchida em excesso e a cera é então esculpida. Deve-se evitar o excesso de isolante. com uma espátula ou um instrumento para cera. o bastão de cera é plastificado sobre uma chama.Em A. devem-se tomar cuidados . Precisa-se tomar cuidado ao remover o modelo. A cera fundida pode ser adicionada em camadas.Para a plastificação da cera. Quando as margens estão sendo esculpidas. o mais possível. A cera do tipo I tem uma plasticidade adequada em gradientes de temperatura toleráveis pela polpa com segurança. qualquer mudança na temperatura. um bastão de cera para fundição foi dobrado em forma de ferradura e imerso em água à temperatura ambiente. Este processo é repetido até que a cera. tomando-se o cuidado de não superaquecê-lo. Para a confecção de um padrão pela técnica direta. Durante a moldagem com a cera. Este método causa o amolecimento mais uniforme. deve-se exercer uma pressão com o dedo ou então o paciente deve morder sobre a cera. após 24 horas o mesmo bastão de cera tende a se abrir. ou ainda pintando-se com um pincel. ocorrendo distorção devido à "memória elástica". Após a remoção. causando alterações em suas propriedades. Figura 14-2 . mas não é muito utilizado. pois acredita-se que alguns constituintes podem ferver e pequenas quantidades de água podem incorporar-se à cera. até conseguir-se o contorno apropriado. preferivelmente com um lubrificante que contenha um agente umectante. esteja uniformemente aquecida. B. Nesta altura ela é manipulada e comprimida na cavidade preparada. primeiro se lubrifica o troquel. Para a confecção de modelos pela técnica indireta. já que isto irá impedir uma adaptação íntima entre a cera e o troquel. sem utilizar-se de água fria. na sua totalidade. podemos utilizar uma chama de lamparina ou a imersão em água quente. Assim.

Elas também podem precipitar-se formando um depósito escuro e pegajoso. e como resultado haverá uma falha da fundição. não haverá mais distorção no modelo. com diferentes calibres ou diâmetros. o qual é formado após a remoção da cera.4 CONDUTO DE ALIMENTAÇÃO Uma vez obtido o padrão de cera. limpar o pote de liquefação e o instrumento. para as margens do que ao contrário. O diâmetro e o comprimento do pino formador do canal de alimentação dependem. o pino formador de canal de alimentação conecta-se . irão produzir fundições maiores que aquelas obtidas usando-se ceras duras. algumas irão evaporar. Uma vez que o revestimento endureceu. Deve ser dito também que as ceras moles apresentam escoamento mais alto. e se o aquecimento é prolongado. deve-se ter o cuidado de usar as mais baixas temperaturas possíveis e. será colocado o conduto de alimentação. do tipo e do tamanho do padrão de cera. esfregando-o inclusive nas margens. através da qual a liga fundida pode chegar ao molde existente no anel de revestimento. o mais prático para evitar qualquer distorção tardia possível é o de vazar o modelo imediatamente após sua remoção da boca ou do troquel. O pino deve ser fixado na porção do modelo de cera que apresenta a maior área de seção transversal. Independentemente do método escolhido. O propósito do conduto de alimentação ou do pino é formar uma via de acesso. Pinos pré-fabricados estão disponíveis. pois as primeiras expandem mais durante o endurecimento do revestimento devido à reação exotérmica daquele material. Um pano de seda deve ser usado para se dar um polimento final do modelo. em grande escala. O ideal é que o pino seja colocado em uma posição formando um ângulo de 45º com a parede proximal. Por isto. É melhor que a liga fundida escoe das áreas mais espessas para as mais finas. periodicamente. substituindo aquela cera queimada. Não deve ser dirigido diretamente para qualquer parte fina ou delicada do modelo. 14. A entrada do metal com o pino nessa posição provoca um movimento turbilhonar localizado do metal líquido. Elas também oferecem menor resistência à expansão do revestimento durante a presa.extremos para evitar a abrasão de qualquer superfície do troquel de gesso. uma vez que o metal fundido ao penetrar pode abrasionar ou fraturar o revestimento nesta área. do tipo da máquina de fundição que será usada e das dimensões do anel no qual a fundição será feita. As ceras se oxidam com o calor. Os modelos podem receber pinos de maneira direta ou indireta. ou seja. O comprimento do pino formador do canal de alimentação deve ser suficiente para posicionar o modelo de cera adequadamente em relação ao anel de fundição. O pino não deve ser fixado em ângulo reto com uma superfície plana. Na colocação direta. Por este motivo.

Durante o aquecimento. além de possuir um diâmetro correto. Quando a liga fundida preenche o molde de revestimento aquecido. de modo a fornecer liga líquida para o molde. Na colocação indireta. Modificadores químicos. o revestimento irá expandir-se termicamente para compensar. e a RESISTÊNCIA para suportar a injeção do metal líquido sob pressão sem fraturar e as altas temperaturas a que é submetido. Material refratário 2. não forma uma massa sólida homogênea. apropriadamente fundida. POROSIDADE. além de servir para regular a expansão térmica. esta área correspondente ao antigo modelo de cera deve solidificar primeiro para. necessariamente. Se uma forma apropriada de sílica é empregada no revestimento. ou câmara de reserva. Depreende-se daí que a câmara de reserva deve ter um volume maior do que o padrão. além de que o pino formador do conduto de alimentação que é fixado ao modelo deve ser colocado em uma posição apropriada. o padrão de cera é eliminado do molde no interior do revestimento por aquecimento. a saber: 1. três características: EXPANSÃO. 14.1 Composição Um revestimento é uma mistura de 3 tipos de materiais. por isto é necessária alguma outra substância para se obter a . Usualmente. parcial ou totalmente. Esse material tem que apresentar. 14.SiO2) é adicionado para que haja um refratário durante o aquecimento do revestimento tornando-o capaz de resistir às altas temperaturas.5. haver a solidificação da câmara de reserva ou de compensação. a liga na câmara de reserva permanece fundida. para compensar a contração de fundição da liga metálica. Aglutinante 3. A contração de solidificação resultante que acontece irá localizar-se na câmara de reserva e não na restauração. cada um deles com uma função específica O material refratário (sílica . em seguida. é posicionado entre o modelo e a base do cadinho. O material refratário.5 REVESTIMENTOS ODONTOLÓGICOS Um revestimento para fundições pode ser descrito como um material cerâmico adequado para a construção de um modelo que será preenchido por um metal ou uma liga metálica. Essa câmara é adicionada para evitar a porosidade por contração localizada. um conector. Devido a possuir uma maior massa de liga e estar localizada na posição do centro de aquecimento térmico do anel.diretamente ao modelo e à base do anel. para que durante a injeção do metal líquido o ar possa ser expelido evitando a pressão de retorno. isoladamente. a contração de fundição da liga de ouro. tal contração pode ser eliminada e convertida em uma expansão durante o aquecimento. à medida que vai havendo a solidificação.

Nesses tipos de revestimentos uma ligeira expansão ocorre a aproximadamente 700ºC. sendo utilizados para a fundição de ligas de ouro e cuja zona de fusão situa-se abaixo de 1000ºC. Gráfico 14-1 . o que contamina a fundição com sulfetos de elementos não nobres existentes na liga. A resistência do revestimento depende da quantidade do aglutinante presente. como é o caso da prata e do cobre.5 Expansão (%) 0 -0. uma mistura de material refratário e aglutinante não é capaz de produzir todas as propriedades desejadas de um revestimento. Normalmente. os revestimentos podem ser classificados em:  Aglutinado por gesso  Aglutinado por fosfato  Aglutinado por silicato de etila Os revestimentos aglutinados por gesso são os mais antigos e tradicionais. acontecendo em seguida uma tremenda contração. tais como a grafita ou cobre pulverizado. O material aglutinante mantém juntos os outros componentes e promove a rigidez do revestimento. com a finalidade de alterar algumas propriedades físicas do revestimento. é imperativo que os revestimentos aglutinados por gesso não sejam aquecidos acima de 700ºC (Gráfico 13-1). que é o material aglutinante.união da mistura. Assim. Por isso são adicionados agentes modificadores. que são agentes redutores. Segundo o tipo de aglutinante utilizado.5 -2 -2.5 -1 -1.Alterações dimensionais de três formas de gesso durante o aquecimento Gesso comum Gesso pedra tipo III Gesso pedra tipo IV 1 0.5 -3 50 100 200 300 400 500 600 700 800 810 860 890 Temperatura (ºC) . Esta última contração é mais provavelmente devida à composição e à emissão de gases de enxofre.

Os revestimentos aglutinados por silicato de etila são usados. Isso varia em função de sua composição e da temperatura a que é submetido. desde meados de 1930. Esse continua sendo o seu uso primário. necessária para compensar toda a contração da liga. Expansão higroscópica de presa . Usar-se um ácido fosfórico pode ser incômodo. o aglutinante é a sílica gel e o pó consiste de partículas refratárias de sílica. para que haja ainda mais expansão. As partículas de sílica interferem no entrelaçamento ou imbricação dos cristais. a mistura é mantida por mais tempo em um estado semi-sólido. sendo o pó misturado com uma suspensão aquosa de sílica coloidal. 14. Expansão normal de presa A finalidade da expansão de presa é auxiliar no aumento da cavidade que constitui o molde.5. não é necessário qualquer ato operatório para que esse tipo de expansão ocorra nesses tipos de revestimentos. nas diversas formas. ou seja. de alta temperatura de fusão. Essa propriedade é inerente aos revestimentos. Porém. Em sua composição. mais eficiente a produção de expansão. Desse modo. com o fim de compensar parcialmente a contração de fundição da liga. O aglutinante basicamente constitui-se de óxido de magnésio e um fosfato que é ácido na sua origem. e todas requerem o uso de revestimentos com fosfato. tornando mais efetivo o crescimento dos cristais para o exterior e.2 Expansão do revestimento Vários são os tipos de expansão a que um revestimento está sujeito. a tendência atual é a de se usarem ligas mais baratas. existem técnicas. Além do mais. Ela ocorre em revestimentos aglutinados por gesso e por fosfato. para a confecção de prótese parcial com ligas de metais básicos de alta fusão. e por isto a maioria dos revestimentos à base de fosfato utiliza um líquido. à medida que estes se formam. Foi desenvolvido para que pudessem ser feitas fundições de grandes aparelhos protéticos que utilizavam ligas de cobaltocromo. de metais não-nobres ou básicos. que serão vistas a seguir. portanto. junto com o óxido de magnésio. A propriedade mais importante desse tipo de revestimento é a capacidade de suportar altas temperaturas e permitir suficiente expansão para compensar a grande contração de fundição da liga.O tremendo aumento do uso de restaurações de metalocerâmica obrigou a utilização de ligas de ouro com altas temperaturas de fusão que não fundem adequadamente em revestimentos com gesso.

Sob condições normais de presa (ao ar).5 A B 1 0. entretanto. distorções que podem ocorrer devido à expansão de presa. Gráfico 14-2 . Deve ser enfatizado que o fenômeno é puramente físico. devido aos limites confinados do volume de água da mistura. nem todo o potencial de crescimento dos cristais se realiza. os limites para o crescimento dos cristais podem expandir-se totalmente de acordo com o seu potencial de crescimento. unicamente quando água adicional é fornecida tão logo os cristais em crescimento começam a entrar em contato. ou seja.5 2 Expansão (%) 1.5 0 0 10 20 Tempo (minutos) 30 40 Expansão térmica do revestimento A expansão térmica dos revestimentos ocorre quando eles são aquecidos lentamente até suas temperaturas de transição e que estão relacionadas com a sua composição ou com o tipo de sílica usado. A expansão higroscópica de presa em um revestimento odontológico pode ser maior do que a expansão normal de presa seis vezes ou mais (Gráfico 13-2). como ocorre no revestimento aglutinado por fosfato. assim. são minimizadas. Assim.O mecanismo da expansão higroscópica parece ser o mesmo da expansão normal de presa. devido ao crescimento e entrelaçamento dos cristais de gesso. A expansão é aumentada. desde que o volume da mistura diminui devido à presa do aglutinante.A) Expansão higroscópica do revestimento B) Expansão térmica do revestimento 2. . produzindo. A expansão do revestimento aglutinado por silicato de etila é toda devido à expansão térmica. fundições grandes e precisas. Além disso.

Entretanto. Se o ar não é completamente eliminado. da mesma maneira que os gessos. O molde pode tornar-se menor. Porosidade Durante a fundição. quanto maior for a quantidade de cristais de gesso presente no revestimento endurecido. Um dos métodos comuns para ventilar o molde é através dos poros do revestimento. após a eliminação da cera do molde. Uma mistura de partículas finas e grosseiras apresenta menor porosidade do que quando o revestimento é composto de partículas com tamanho uniforme. A resistência do revestimento é afetada pela relação água/pó. É necessário que haja uma previsão para permitir a expansão do revestimento no interior dos anéis metálicos para fundição. que quanto menos hemidratos existirem e quanto maior for a quantidade de água que for usada para a mistura com o revestimento. às pequenas fraturas que se formam durante o esfriamento. a resistência diminui consideravelmente. quanto maior a quantidade de água empregada. a resistência não deve ser maior que a necessária para resistir ao impacto do metal fundido de encontro às paredes do molde.6 ANÉIS DE FUNDIÇÃO O anel para inclusão do padrão de cera em revestimento pode ser de dois tipos: metálico ou não-metálico. O aquecimento do revestimento não faz com que a sua resistência seja muito menor do que aquela apresentada à temperatura ambiente. maior será a porosidade. o revestimento deve apresentar uma expansão suficiente para compensar todas as contrações térmicas da liga. aparece a chamada pressão de retorno.Propriedades dos Revestimentos Resistência A resistência do revestimento deve ser adequada para evitar fratura ou descamamento do molde durante o aquecimento e a injeção da liga de ouro fundida. Conclui-se assim. Quanto mais uniforme for o tamanho das partículas. À medida que o metal fundido entra no molde. o metal fundido é forçado para o interior do molde sob pressão. O tamanho da partícula do revestimento é também um outro fator. Este fator é de maior importância que o próprio tamanho das partículas. 14. Após ser esfriado à temperatura ambiente. devido. Em geral. Idealmente. menor será a porosidade. menor a resistência à compressão. o ar deve ser forçado para fora. que impede que a liga de ouro preencha completamente o molde. talvez. maior será a porosidade. ao invés de ser aumentado em função da pressão contrária .

resultante do confinamento da expansão normal de presa provocada pelo anel rígido. A técnica mais comumente usada para permitir a expansão do revestimento é a de forrar as paredes internas do anel com um forro para anel. Antigamente, esse forro era à base de amianto, mas esse não pode mais ser usado devido ao fato do seu potencial carcinogênico. Dois tipos de forro para anel que não contêm amianto podem ser produzidos: um forro de silicato de alumínio cerâmico e um forro de celulose. Para assegurar uma expansão uniforme, o forro é recortado com o tamanho do diâmetro interno do anel, sem haver sobrepasse. O forro seco é colocado em posição com cera. Com a técnica do umedecimento do forro, o anel forrado é imerso em água por um período de tempo e o excesso de água é removido agitando-se o anel. Se apertarmos o forro umedecido, permanecerão quantidades de água variáveis e consequentemente a expansão será diferente. A espessura do forro não deve ser menor do que aproximadamente 1 mm. O comprimento desejado dos forros continua sendo um assunto controvertido. Se o comprimento do forro é ligeiramente menor do que o anel, o revestimento ficará confinado nas duas extremidades do anel. Por esse motivo, a expansão longitudinal e a higroscópica sofrerão restrições, quando comparadas a estas mesmas alterações dimensionais que ocorrem quando o forro reveste internamente o anel até suas extremidades. Entretanto, a expansão do revestimento é sempre maior na direção em que não existe restrição ou confinamento, ou seja, longitudinalmente, do que naquela que ocorre nas direções laterais, em direção às paredes do anel. Por este fato, é desejável reduzir a expansão na direção longitudinal. A colocação de um forro mais curto do que as paredes do anel e que diste das extremidades 3,25mm tende a produzir uma expansão mais uniforme e com isso haverá menos chance de distorção do modelo de cera no interior do molde de revestimento. 14.6.1 Sistema de fundição sem anel Com o desenvolvimento cada vez maior dos revestimentos para a inclusão do padrão de cera, e objetivando uma maior expansão do molde de revestimento, um sistema de fundição sem anel está disponível (Fig.13-3). Utiliza-se para a inclusão, segundo essa técnica, um anel de silicone que, após a presa do revestimento, deverá ser removido obtendo-se somente um cilindro de revestimento com o padrão de cera incluído. Além de permitir expansão adequada, há outras vantagens na utilização desse tipo de técnica, como a maior facilidade de trabalho, permitem maior ventilação do molde e em alguns casos, melhora a reprodução de detalhes. 14.7 METAIS E LIGAS METÁLICAS PARA FUNDIÇÃO

O dentista emprega extensivamente os metais em suas restaurações ou nos aparelhos e instrumentos de que se utiliza. Metal é o elemento químico que, em solução aquosa, forma íons positivos. Todos os metais são sólidos à 25ºC, exceto o mercúrio que é líquido. Raramente tem o dentista oportunidade de empregar metais puros; mesmo porque a fabricação de produtos odontológicos, a partir de metais puros, há muito deixou de ser intentada por ele, dadas as dificuldades de ordem tecnológica decorrentes e que não estão, geralmente, à sua disposição. Os metais são empregados, pois, sob a forma de ligas metálicas. Estas, nada mais são do que a união de dois ou mais metais, chamados componentes, um dos quais pode ser um metalóide.

Figura 14-3 - Dois tipos de anéis que podem ser usados na inclusão. À esquerda, um anel metálico que deve ter sua porção interna forrada. À direita, um anel de silicone, que deve ser removido após a presa do revestimento

Dos 103 elementos atualmente constantes da tabela periódica, cerca de 80 podem ser classificados como metais. Porém, nem todos apresentam características satisfatórias para compor uma liga odontológica. Alguns metais, enquanto componentes de uma liga, são capazes de oferecerem dureza e tenacidade a outros metais. É o caso dos primeiros metais de transição, como Mo, Ti, Nb, Mn e Cr. Outros metais (segundos metais de transição) como o Fe, Co e Ni são muito magnéticos e ligam-se facilmente a outros metais. Há aqueles ainda que são considerados nobres, como o Au, Cu e Ag, que são pouco reativos. Por isso, a fabricação de ligas representa um dos meios pelos quais se pode melhorar as propriedades dos metais e torná-los mais acessíveis economicamente. O primeiro material para a confecção de restaurações foi o ouro. Para restaurações diretas, a popularidade do ouro tem caído consideravelmente nas últimas quatro décadas, mas tem-se verificado um pequeno ressurgimento como material restaurador direto nos Estados Unidos, Suécia e Alemanha, em parte devido à preocupação com relação ao amálgama e as limitações das resinas, ionômeros de vidro e cerâmicas.

O ouro é o mais nobre dos materiais odontológicos, onde raramente ocorre manchamento e corrosão na cavidade oral. É inativo quimicamente e não sofre a ação do ar, calor e da maioria dos solventes. É o mais dúctil e o mais maleável dos metais. É extremamente macio, mas após ser trabalhado apresenta dureza. Devido às suas propriedades, o ouro é o material restaurador quase ideal para a preservação permanente da estrutura dental. Porém, somente pode ser usado em regiões não estéticas e em áreas pequenas que receberão pouco stress. Suas principais desvantagens são a cor, a alta condutibilidade térmica, a pouca dureza e obviamente o alto custo. 14.7.1 Temperatura de fusão A temperatura ambiente, os metais apresentam-se no estado sólido, à exceção do mercúrio e do gálio. Como outras substâncias cristalinas, eles fundem-se a uma temperatura determinada, característica de cada um deles, e obedecendo às leis de fusão ou de solidificação. O conhecimento da temperatura de fusão, bem como dos fenômenos relacionados com a solidificação que ocorre com o resfriamento, é de interesse para o dentista, devido a que este trabalha com muitas estruturas obtidas por fundição, a qual implica em fusão e solidificação do metal. Se um metal é fundido e deixado resfriar, e se a temperatura durante esse resfriamento for anotada em função do tempo, obtém-se um gráfico semelhante ao gráfico 13-3. Como pode ser notado, a temperatura diminui regularmente de A para B’. Ocorre, então, um aumento da temperatura até o ponto B e, a partir daí, a temperatura permanece constante até o tempo indicado pelo ponto C. Tal fato indica um fenômeno que ocorre durante esse mesmo tempo: o da libertação do calor latente de fusão. Sabe-se que a energia no estado líquido é maior do que a energia no estado sólido. Assim, quando se aquece um metal para fundi-lo, parte dessa energia calorífica é adquirida pelo metal e nele transformada em energia cinética, a qual permite a maior movimentação que os seus átomos apresentam no estado líquido. Essa energia calorífica absorvida pelo corpo, e armazenada por ele quando no estado líquido, é o chamado calor latente de fusão. E é este mesmo que, libertando-se durante a solidificação, impede que a temperatura baixe. Há, pois, um certo intervalo de tempo durante o qual a temperatura do metal permanece constante, o que não se daria se não houvesse essa libertação de energia. Após este ponto C, e com o passar do tempo, a temperatura diminui gradativamente até a temperatura ambiente. A temperatura que é representada no gráfico pela parte reta da curva, indicado pelos pontos B e C, corresponde ao ponto ou à temperatura de solidificação. Esta porção da curva também corresponde ao ponto ou à temperatura de fusão.

A interpretação do gráfico 13-3 nos leva a afirmar que o metal estará fundido em todas as temperaturas acima de Tf, que é indicada pelo platô BC, e que estará sólido quando se encontrar abaixo desta temperatura. Todo metal puro apresenta um ponto de fusão. As ligas metálicas não apresentam um ponto, mas sim uma zona de fusão (Gráfico 13-4). Verifica-se que a solidificação não mais se dá a uma temperatura única, mas em um intervalo ou zona de temperatura, o que é característico das ligas metálicas em geral. 14.7.2 Mecanismo de Solidificação e Estrutura Cristalina A maioria dos metais e ligas, incluindo-se o ouro e as ligas de metais nobres, contraem-se quando passam do estado líquido para o estado sólido, isso devido ao processo de cristalização, representado esquematicamente na Fig. 13-4. Um metal puro tem, como característica de cristalização, o crescimento arborescente a partir de núcleos.

Gráfico 14-3: Curva de resfriamento tempo X temperatura de um metal puro.

Os valores para a contração de fundição diferem para as várias ligas. (Fig. 13-4). O crescimento dos grãos cristalinos ocorre em todas as direções e continua até que o aumento de volume de todos faça com que eles se encontrem uns aos outros. através das propriedades das ceras e dos revestimentos. constituindo formas arborescentes. progride a partir desses pontos. Existem meios para compensar essa contração. Além disso. ou cristalização. se um molde para uma restauração for a reprodução precisa da estrutura perdida do dente. devido à quantidade de contração de fundição que haverá na liga. por exemplo. Nessas condições. completando-se a solidificação. Valores de 2. A solidificação. Assim.Gráfico 14-4: Curva de solidificação de uma liga metálica O crescimento se inicia a partir de um núcleo de cristalização. o processo de uma fundição odontológica prevê todas essas características e já é planejado para evitar qualquer distorção devido à essa contração. crescendo em todas as direções. a contração de fundição das ligas de metais básicos é maior do que a das ligas de ouro. a restauração após a fundição será muito pequena.3% são encontrados para ligas à base de Co-Cr e de aproximadamente de 2% para as ligas de NiCr. devido às altas temperaturas de fusão. devido às diferenças de suas composições. por isso chamadas de formações dendríticas. Tal consideração é importante nos procedimentos de fundição odontológica. qualquer crescimento dos grãos é impedido pelo dos grãos vizinhos. . Como é de esperar. como já vimos.

7. o constituinte quantitativamente maior é listado em primeiro lugar. Sendo assim.3 Classificação das Ligas Devido à grande quantidade de ligas para fundição. é difícil estabelecer um sistema de classificação. seguido do segundo constituinte. o de maior peso na composição. são dois os tipos de ligas utilizados para fundição odontológicas: ♦ Ligas de ouro ♦ Ligas de metais básicos .14. Quando uma liga é identificada de acordo com os elementos que ela contém. Assim. os componentes são listados em ordem decrescente da quantidade que entra na composição. Aqui elas serão classificadas segundo a sua composição.

Figura 14-4: Fases da solidificação. Em 1960 foram acrescentadas à essa classificação as ligas para metalocerâmica. A) Passando pela formação dos dendritos. com base na função que as ligas de ouro iriam desempenhar na boca. Tipo I (mole): Para pequenas restaurações. B-E) Até o final da solidificação para a formação dos cristais (F). Ligas de ouro Em 1927. É facilmente brunida e deve ser submetida a tensões pequenas. desde a nucleação. classificou-se as ligas de ouro desde o tipo I até o tipo IV. Tipo II (média): As restaurações podem ser submetidas a tensões moderadas. .

O mais importante é que estas ligas foram desenvolvidas e testadas por muito tempo. pônticos. Ligas para metalocerâmica  Ligas de níquel-cromo: Estas ligas de metais básicos variam grandemente na composição. com os níveis de níquel chegando até a 80% e o conteúdo de cromo variando de 13 a 22%. O uso dessas ligas está decrescendo. devido ao fato dessas ligas serem mais leves em peso. Tipo IV (extradura): As restaurações são sujeitas a tensões muito grandes. A combinação do baixo custo e das propriedades mecânicas superiores fez com que a aplicação destas ligas se . Tipo III (dura): As restaurações são sujeitas a altas tensões. como nas armações e grampos para próteses parciais removíveis. silício ou cobalto. mais recentemente desenvolvidas. apresentando propriedades mecânicas maiores. 14. coroas totais e próteses fixas de pequena extensão. paládio. na década de 70.7. podem ser comparadas.O desenvolvimento dos materiais para restaurações estéticas.  Ligas de cobalto-cromo: Essas ligas de metais básicos podem conter de 55 a 68% de cobalto e de 25 a 27% de cromo. elas começaram a ser usadas na confecção dos outros tipos de próteses. com o qual as características e desempenhos das ligas alternativas. Essas ligas variam muito em composição e podem estar baseadas em ouro. Assim. Ligas para metalocerâmicas: Apropriadas para receber facetas de porcelana. Ligas para prótese parcial removível As ligas de metais básicos têm sido empregadas para armação de próteses parciais desde 1930. tenha sido praticamente eliminado o uso de ligas de ouro dos tipos I e II. em razão de pressões econômicas. na atualidade. estimuladas pelo crescente e rápido aumento dos preços dos metais nobres. fez com que. sendo que oxidam-se mais prontamente do que aquelas do grupo de Ni-Cr. coroas de pequena espessura e próteses fixas de pequena extensão. próteses fixas extensas e coroas totais.4 Ligas de metais básicos As ligas de metais básicos surgiram para a confecção de próteses parciais removíveis na década de 30. elas servem de padrão. Depois. Podem ser usadas em coroas. pela técnica direta ou indireta. Suas características de manipulação e desempenho clínico estão bem estabelecidas.

sendo que elas requerem um mínimo de 85% em peso de cromo.1 Eliminação da cera e aquecimento Os anéis vazados devem se colocados no forno à temperatura ambiente e aquecidos gradativamente até a temperatura máxima recomendada pelos fabricantes dos revestimentos. A manutenção de uma alta temperatura por qualquer período de tempo considerável pode provocar a contaminação da fundição por enxofre e também provocar uma superfície rugosa da restauração fundida. 14. por sua ação passivadora. o ato de fundição deve ser realizado imediatamente. pode ser considerado fundamental para que se forme uma solução sólida com 70% de cobalto e 30% de cromo. 14. assegura resistência à corrosão da liga. No sistema Co-Cr. havendo. As ligas utilizadas para este tipo de fundição são as de Co-Cr e Ni-Cr. da técnica de expansão e da composição da liga metálica utilizada uma temperatura máxima está indicada. formando uma liga de Ni-Cr. 14. ele age como endurecedor na solução sólida. aproximadamente 1 hora. O cromo.difundisse. Antes desse ato. o cobalto é o elemento básico e. tende a haver uma diminuição da resistência. ele estará pronto para ser levado ao forno. ou seja. Um período de aquecimento seguro para qualquer revestimento é aquele não inferior a 60 minutos ou preferivelmente até maior. Uma desvantagem deste tipo de liga é a complexidade para a fabricação do aparelho dental. Após a temperatura de fundição ter sido atingida. Dependendo do tipo de revestimento. As altas temperaturas de fusão impedem o uso da chama comum de gás/ar para a fundição. da dureza. a base formadora de cadinho deverá ser removida cuidadosamente.2 Máquina de Fundição . um aumento da ductilidade. portanto. devido à desintegração do revestimento. Juntamente com outros elementos. da temperatura de fusão.8 PROCESSOS DE FUNDIÇÃO Uma vez que o revestimento tenha tomado presa durante um período de tempo apropriado. mesmo antes que o preço do ouro tivesse ficado fora de controle. Se o níquel substitui o cobalto.8.8. do módulo de elasticidade. A dureza excessiva desse tipo de liga requer o uso de equipamento especial para limpar e acabar a peça após a fundição. cobalto e níquel. em contrapartida.

Desta forma. Um cuidado considerável deve ser tomado para se obter uma chama não luminosa e em forma de pincel. 14. Algumas dessas falhas podem ser vistas na Fig. apesar de se usar também o oxigênio com ar ou com acetileno. Uma vez que o metal tenha atingido a temperatura de fundição e se liqüefeito. O combustível empregado na maioria dos casos é uma mistura de gás natural ou artificial e ar. 13-6. Figura 14-5 . a máquina é liberada e a mola dispara o movimento de rotação. O metal é fundido com um maçarico em um cadinho cerâmico. as falhas nas fundições podem ser evitadas se observarmos rigorosamente os procedimentos que serão governados por certos princípios e regras fundamentais.A liga é fundida em um cadinho à parte e o metal líquido é pressionado para o interior do molde por força centrífuga (Fig 13-5). dependendo da máquina em particular e da velocidade de rotação desejada. Esta parte móvel acelera a velocidade de rotação do cadinho e do anel de fundição a ele ligado.9 CAUSAS DE FALHAS NAS FUNDIÇÕES Uma fundição defeituosa provoca problemas consideráveis e também uma perda de tempo. A temperatura da chama de gás/ar é grandemente influenciada pela natureza do gás e as proporções da mistura de gás e ar.1 Distorção . Na maioria dos casos. O cadinho se encontra aprisionado na parte móvel do braço da máquina de fundição. à medida que ela se movimenta para o interior do molde. Aqui a mola da máquina de fundição é comprimida quando se dão de 2 a 5 voltas.9.Máquina de centrifugação 14. há um aumento da velocidade linear da liga líquida fundida.

Por outro lado. Ela aumenta com a diminuição da espessura das paredes do modelo. Esta diferença está provavelmente relacionada com o tamanho das partículas do revestimento e sua capacidade de reproduzir a superfície do modelo de cera até os seus detalhes microscópicos. Este tipo de distorção pode ser minimizado ou evitado por uma manipulação adequada da cera e uma manipulação correta do modelo da cera.9. nas margens ou nas superfícies externas a remoção destas irregularidades pode alterar a justeza de adaptação da fundição. Irregularidades e Descoloração da superfície A superfície de uma fundição odontológica deve ser uma reprodução precisa da superfície do modelo de cera do qual ela é obtida.Qualquer distorção apreciável na fundição está provavelmente relacionada às distorções do padrão de cera. Entretanto. As irregularidades de superfície se referem a imperfeições isoladas.2 Rugosidade. A rugosidade da superfície não deve ser confundida com as irregularidades. Como foi notado previamente. o melhor método para evitar bolhas de ar é com o uso da técnica de inclusão a vácuo. largura e direção estabelecem um modelo predominante e que se repete sobre toda a superfície. Película de água . como os nódulos. Um agente umectante é útil para evitar o aprisionamento de bolhas de ar na superfície do modelo. durante ou depois do vazamento. até certo ponto. A rugosidade de superfície é definida como irregularidades discretas e espaçadas e cuja altura. Tais nódulos podem ser algumas vezes removidos se não estiverem localizados em uma área crítica. menor também será a distorção. as quais não aparecem em toda a superfície da fundição. 14. invariavelmente maior do que a do modelo de cera do qual ela teve origem. impedem o assentamento adequado de uma fundição que anteriormente parecia ser precisa. ele não é a solução. A configuração do modelo de cera e a espessura do modelo têm influência na ocorrência das distorções. Quanto menor for a expansão de presa do revestimento. A rugosidade da superfície das fundições odontológicas é. mas isoladamente. se estas falhas ocorrerem na superfície interna da fundição. Bolhas de ar Pequenos nódulos na fundição são causados por bolhas de ar que ficam aprisionadas ao modelo. Rugosidades ou irregularidades excessivas na superfície externa da fundição obrigam a necessidade de um polimento e acabamento adicional.

irá formar-se uma película de água irregular sobre sua superfície. Quanto maior for o volume do revestimento. Relação água/pó . usados pelo fabricante como modificadores e que se encontram presentes na superfície do molde. Aquecimento muito rápido Provoca a formação de cristas ou rebarbas na fundição. desde a temperatura ambiente até 700ºC. O molde deve ser aquecido gradualmente.A cera repele a água e. Baixo aquecimento A eliminação incompleta de resíduos de cera pode ocorrer se o tempo de aquecimento for muito curto ou se existir ar insuficiente em disponibilidade no forno. Quando da evaporação da água. eles se precipitam nas paredes. se o revestimento ficar de alguma maneira separado do modelo de cera. Ele causa ainda o aparecimento de rugosidades de superfície características e que se evidenciam devido ao desmoronamento do revestimento quando a água ou o seu vapor passam pelo molde. Este vapor ou água pode carregar alguns sais. Devem-se levar pelo menos 60 minutos para o aquecimento do anel preenchido com revestimento. película de água (B) e inclusão de um corpo estranho (C). mais lento deve ser o aquecimento. causado por bolhas de ar (A).Irregularidades na superfície de uma fundição. Vazios ou porosidades podem ocorrer na fundição devido aos gases formados do contato entre a liga quente e os resíduos de carbono. Figura 14-6 .

mais rugosa será a fundição. e a fundição deve ser feita imediatamente. Temperatura da liga Se uma liga á aquecida a uma temperatura muito alta antes do ato da fundição. Quando se emprega a técnica da expansão térmica. as paredes do molde se tornarão rugosas. se a base formadora de cadinho for rugosa. o molde deve ser aquecido até a temperatura de fundição nunca acima de 700ºC. Pressão de fundição Uma pressão de fundição muito alta durante a injeção da liga produz uma superfície rugosa na fundição. ou ainda no vazamento a vácuo. na temperatura de fundição. o revestimento que entrará em contato com ela ficará rugoso e após a sua remoção. um aquecimento prolongado do molde. a superfície do revestimento pode ser atacada e aparecerá uma rugosidade de superfície. o revestimento torna-se imprestável para o manuseio e espesso. quando do ato da fundição. fragmentos do revestimento . Assim. Ele não poderá ser aplicado apropriadamente sobre o modelo. Se muito pouca água for usada. Os produtos da corrosão são compostos de enxofre. quando o ar não foi suficientemente removido. Corpos estranhos Quando substâncias estranhas penetram no molde. pode causar a desintegração do revestimento.Quanto maior for a relação água/pó. que podem contaminar a liga a tal ponto que a textura da superfície é afetada. Aquecimento prolongado Quando se usa a técnica de fundição com altas temperaturas. pode haver a formação de uma superfície rugosa. Como conseqüência. Composição do revestimento A relação do aglutinante e do quartzo influencia a textura de superfície da fundição. O resultado será uma superfície rugosa da fundição. Três ou quatro voltas no braço da maioria das máquinas de fundição por centrifugação são suficientes para as pequenas fundições. Uma sílica grosseira provoca rugosidade de superfície.

Ela pode produzir defeitos. mas também em áreas incompletas da fundição.9.3 Porosidade A porosidade pode ocorrer interna e externamente.4 Fundição incompleta Ocasionalmente. mas também é geralmente uma manifestação da porosidade interna. a ventilação insuficiente. pode causar uma descoloração. Uma seria a ventilação insuficiente do molde e a outra a alta viscosidade do metal fundido. Pelo menos dois fatores podem impedir o ingresso do metal liqüefeito. O primeiro fator. de alguma maneira. ou mesmo a sua inexistência. A causa óbvia é de que a liga fundida. ao ser injetada. O ar ocluído na superfície interna da fundição algumas vezes determina a chamada porosidade por pressão de retorno. a liga fundida não preencherá o molde antes de sua solidificação. como também. Quando ela é severa. 14. pode permitir a penetração na interface dente/restauração. quando a temperatura de fundição ou do molde é tão baixa que a solidificação ocorre antes que o ar ocluído no molde possa ser expulso. As contaminações aparecem não somente em superfícies rugosas.serão levados para o interior do molde. resultando no aparecimento de cáries secundárias. encontra-se somente uma parte da fundição. A porosidade interna não somente enfraquece a fundição. foi impedida de preencher completamente o molde. esta falha também é encontrada na superfície externa da fundição. como nas superfícies dos poros. está diretamente relacionado com a pressão de retorno exercida pelo ar no interior do molde. 14. . Se o ar não pode escapar com rapidez suficiente. não encontre uma porção menos resistente da superfície do molde. Isto é provocado pela impossibilidade de o ar existente no molde escapar através dos poros do revestimento. Este ar ocluído é freqüentemente encontrado em forma de uma bolha na face interna de uma coroa ou de uma fundição do tipo MOD. juntamente com a liga fundida. Impacto da liga fundida A direção do pino formador de canal de alimentação deve ser tal que a liga fundida. isto é. Ocasionalmente. se ela aparece na superfície.9. a liga fundida pode abrasionar ou fraturar a superfície do molde na hora em que ela entra em contato. isto independentemente da sua espessura. ou devido ao gradiente de pressão que empurra a bolha de ar para fora da liga fundida através do canal de alimentação e do botão de fundição. Esta última é um fator para o aparecimento da rugosidade de superfície. Ocasionalmente.

Minimanual compacto de química: Teoria e prática. J. In. L. In: ________ Dentários de Phillips. 1ª ed. 1ª ed. 1998 p.288-308.346-357. 56-90 CRAIG. A temperatura da liga deve ser mais alta do que a temperatura do liquidus. Revestimentos para fundições pequenas. e isto pode ser atribuído a um aquecimento insuficiente. Se a umidade ou partículas de cera permanecem. G.277-287. Procedimentos para fundição das Ligas Odontológicas. Por isto. Ligas com composições diferentes provavelmente apresentam uma variação da sua viscosidade e no estado líquido. Se muitos produtos de combustão permanecerem no molde. dependendo da composição e da temperatura. é indicada uma grande pressão durante a fundição.248-270. Principles and Applications. FERNANDES. Materiais Dentários. menor será a porosidade do revestimento. G. 10ª ed.: _________. ed – Gypsum products and investments. FERRACANE. BOSQUILHA.271-276.. 109-115. In: ________ Materiais Dentários de Phillips.Fundibilidade de ligas odontológicas utilizando dois ambientes para inclusão: anel metálico e anel de silicone. a pressão de retorno não poderá não poderá ser superada. Rio de Janeiro. Ceras para restaurações fundidas. J. 1999. In ________. BIBLIOGRAFIA ANUSAVICE. J. à medida que penetra no molde. uma fundição incompleta resulta de uma grande viscosidade do metal fundido. esta liga não irá solidificar prematuramente. que poderia ser satisfatória. os poros do revestimento ficarão preenchidos. J. United States. Quanto menor for a relação água/pó. Mosby. São Paulo.Em tal caso. Neste caso. a tensão superficial e a viscosidade da liga fundida diminuem com a elevação da temperatura. GALAN Jr. Ligas Odontológicas para fundição. 48p. J. Rio de Janeiro. In: ________ . Uma segunda causa comum das fundições incompletas é a não eliminação total da cera no interior do molde. podemos suspeitar da magnitude da pressão de fundição. Guanabara Koogan. 1995. pois assim sua viscosidade e sua tensão superficial serão diminuídas. 1996. Guanabara Koogan. ANUSAVICE. 1998 p. quando a liga fundida entra em contato com estas substâncias estranhas. Uma alta tensão superficial pode provocar o arredondamento das margens da fundição. ANUSAVICE. Se empregarmos uma pressão de fundição insuficiente. 1998 p. 1ª ed. J – Materiais associados aos processos indiretos In: ________ .. p. p. Tais falhas podem ser contornadas pelo aquecimento da liga a temperaturas mais altas antes da fundição propriamente dita. Rio de Janeiro. 1999 p. – Materials for cast restorations. Editora Rideel. In: ________ Materiais Dentários de Phillips. Guanabara Koogan.R. Entretanto. p. . E. Rio de Janeiro. 1998 p. 1ª ed. São Paulo. Livraria Santos. Materiais Dentários de Materiais ANUSAVICE. Restorative Dental Materials. 1ª ed. In: ________ Phillips. Até onde se sabe. . Materials in Dentistry. Lippincott Williams & Wilkins. R. Franca. Guanabara Koogan. e desta maneira o ar não poderá escapar. D. 1ª ed. Trabalho de Conclusão de Curso. uma explosão pode ocorrer de modo a produzir uma pressão de retorno suficiente para evitar o preenchimento do molde. 240-249. – Tabela Periódica. 2000. Philadelphia.

Revestimentos Odontológicos 1. ATENÇÃO: Cuidado para não super aquecer a cera.  Plastificação da cera . Instrumentais e Materiais Utilizados  Modelo de gesso (fornecido pela disciplina)  Lamparina (fornecida pela disciplina)  Isolante (fornecido pela disciplina)  Pincel  Hollemback 3S  Gotejador de cera  Pote dappen  Cera em bastão  Fósforo ou Isqueiro  Algodão 2. Exercício: Obtenção de modelo de cera  Lubrificar a cavidade a ser esculpida com isolante.ROTEIRO DE AULA PRÁTICA Cera para fundição 1. Instrumentais e Materiais Utilizados  Modelo de cera esculpido em aula anterior (fornecido pela disciplina)  Pincel  Hollemback 3S  Gotejador de cera  Lamparina  Pote dappen  Cera em bastão  Pino formador de canal de alimentação  Anel de fundição .Método: sobre a chama • Levar o gotejador sobre a chama e esquentar levemente o instrumento • Levar o instrumento quente sobre o bastão de cera e aplicar pequena pressão para que plastifique a cera e ela permaneça sobre o gotejador • Colocar a cera plastificada sobre o preparo • Aquecer novamente o gotejador e limpar os restos de cera que permaneceram nele  Preencher sucessivamente o preparo com ligeiro excesso  Esculpir o modelo de cera com Hollemback 3S deixando a superfície bem lisa.

• Colocar dentro da cuba com água para molhar o amianto  Remover o modelo de cera do modelo de cera cuidadosamente  Unir o canal formador de canal de alimentação à base formadora de cadinho. O modelo de cera deverá ficar a 6 mm da extremidade superior do anel. Exercício: Inclusão de modelo de cera  Colocar o pino formador de canal de alimentação no padrão de cera • Plastificar pequena quantidade de cera e colocar sobre o modelo de cera na posição em que será colocado o pino • Colocar o pino em posição mais favorável (segundo explicação de aula teórica). e fixá-la com cera à 3 mm da extremidade do anel. • Reforçar a união com mais uma pequena quantidade de cera plastificada  Preencher o local de união da base formadora de cadinho com o pino formador de canal de alimentação com cera utilidade  Preparar o anel metálico • Forrar internamente o anel de fundição com tira de amianto.  Colocar o anel preparado em posição na base formadora de cadinho  Preparar o revestimento  Relação água/pó: Recomendada pelo fabricante • Colocar a água no grau de borracha • Colocar o pó sobre a água • Espatular vigorosamente por 1 minuto • Vibrar a massa para diminuir as bolhas internas criadas pela manipulação  Inclusão: • Sobre o vibrador.       Revestimento odontológico Cera 7 Cera Utilidade Espátula 7 Cuba para gesso Espátula para gesso Algodão 2. . sem excesso ou falta. pincelar o revestimento sobre o modelo de cera até o completo preenchimento da superfície do modelo de cera • Preencher o anel de fundição com o restante do revestimento  Aguardar a presa final do revestimento.

• Atingir 700ºC em 30 minutos e manter esta temperatura por 20 minutos. ATENÇÃO: Usar a zona correta da chama – ZONA REDUTORA  Transferir o anel para a máquina centrífuga  Injetar a liga fundida no molde do anel através da liberação da mola do braço da centrífuga  Aguardar até que o braço da centrífuga pare completamente  Aguardar o esfriamento do anel  Desincluir a peça fundida e dar o acabamento . aquecer o forno até 500ºC e manter esta temperatura por 30 minutos.Fundição 1. Equipamentos utilizados  Forno elétrico para remoção da cera  Centrífuga  Maçarico gás/ar 3. Exercício: Fundição do modelo em metal  Remover cuidadosamente a base de borracha do anel de fundição  Eliminação da cera em forno elétrico  Colocar o anel no forno e iniciar o ciclo de aquecimento • A partir da temperatura ambiente.  Preparar a máquina de fundição – Centrífuga  Acionar o maçarico e regulagem da chama  Colocar a liga a ser fundida sobre o cadinho da máquina  Aplicar a chama sobre a liga. Instrumentais e Materiais Utilizados  Anel de fundição preparado  Liga para fundição 2.

15 CERÂMICAS ODONTOLÓGICAS .

2 HISTÓRICO O homem primitivo se tornaria ciente das propriedades plásticas do barro e da argila e teria descoberto. fragilidade e qualidades óticas variando do transparente para translucente e para o opaco. baixa resistência à tração. em algum tempo durante este período a primeira "matéria assada" teria sido acidentalmente: produzida. Fernanda Panzeri . alta resistência à compressão. além de outros avanços nos materiais cerâmicos e em suas aplicações. A porcelana é um tipo de cerâmica.000 anos. e a porcelana estava entre os primeiros materiais a serem objeto de estudo das primeiras pesquisas laboratoriais pelos cientistas. e ela mantém sua importância nas sociedades humanas até então. assim como a cerâmica odontológica. o quartzo e a argila.1 INTRODUÇÃO A cerâmica foi o material mais sofisticado da idade da pedra. de porcelana. pois o termo cerâmica inclui diversos materiais. A década passada foi marcada pelo desenvolvimento de materiais para núcleos que não apresentam contração. de cerâmicas vítreas e fusíveis. Isso é especialmente interessante.000 anos. os utensílios de cozinha e alguns copos comuns. há mais de 10. A tecnologia das cerâmicas odontológicas é uma das que têm crescido mais rapidamente no campo do desenvolvimento e das pesquisas em materiais dentários. como o cristal. As cerâmicas foram provavelmente os primeiros materiais a serem fabricados artificialmente pelos homens. para a construção de coroas unitárias. As cerâmicas podem ser definidas como uma classe de materiais compostos de óxidos metálicos como o feldspato. mas nem todas as cerâmicas são porcelanas ou cerâmicas vítreas.Cerâmicas Odontológicas 214 15. de porcelanas condicionadas por ácido para restaurações indiretas inlays e onlays. Os trabalhos continuam com o objetivo de desenvolver porcelanas odontológicas com alta resistência e uma temperatura de fusão muito baixa. Tudo isso com a obtenção de uma boa durabilidade química e com o desenvolvimento de uma melhor compreensão do comportamento dos materiais existentes. como: alto ponto de fusão. de facetas. os potes. As cerâmicas são materiais que apresentam algumas características. alta dureza. baixos coeficientes de condutibilidade térmica e elétrica. de vários novos métodos para a obtenção de estruturas metálicas sem fundição. que as formas moldadas assadas no fogo se tornavam duras. O fogo é conhecido pelo homem há aproximadamente 400. Todas as porcelanas e cerâmicas vítreas são cerâmicas. As porcelanas odontológicas são usadas para a confecção de dentes artificiais para dentaduras. sem dúvida alguma. por acidente. Todas as cerâmicas têm a mesma composição. 15. para a parte estética de próteses parciais fixas e facetas vestibulares.

cerâmicas vítreas. Este processo de coalescência das partículas do pó é chamado sinterização. um farmacêutico francês. A prótese. 15. a qual pode existir na forma cristalina como o quartzo ou um vidro amorfo. e é formada quando o feldspato sofre uma fusão incongruente. porcelana enriquecida de leucita. e cerâmicas CAD-CAM. alumina (Al2O3) e sílica (SiO2).Cerâmicas Odontológicas 215 Embora os primeiros exemplos da porcelana sejam conhecidos há 1. Uma outra propriedade importante do feldspato é a sua tendência em formar. porcelana de ultrabaixo ponto de fusão que pode conter leucita. A leucita é um mineral à base de potássio – alumínio . um mineral cristalino conhecido por leucita. 15. devido aos muitos produtos químicos com os quais ele entrava em contato como resultado de seu trabalho. Parece que estas foram as circunstâncias que deram origem à idéia de usar a porcelana como um material dentário restaurador.4 COMPOSIÇÃO A composição da porcelana dentária é algo complexo. estava muito insatisfeito com o modo que sua prótese de marfim se manchava.4. chamado de sílica fundida. sendo porosa. O amolecimento desta fase vidrosa durante o aquecimento da porcelana permite a coalescência das partículas do pó da porcelana. A fusão incongruente é o processo Fernanda Panzeri . um termo que se refere à união de partículas em altas temperaturas sem que haja sua fusão completa. portanto. pode formar uma fase vidrosa que é capaz de amolecer escoar ligeiramente nas temperaturas de fusão das porcelanas. Quando o feldspato é misturado com os vários óxidos metálicos e fundido em altas temperaturas. 15. e o feldspato que é um mineral existente na natureza e que é composto de potassa (K2O). Em 1774.silicato. quando fundido.000 anos. se tornava não muito higiênica. mantendo-as unidas. Alexis Duchateau. magnésio e apinel). também absorvia fluidos da boca e. sendo que a maioria das porcelanas dentárias têm como base a sílica (SiO2). a história da porcelana como um material dentário retorna há apenas 200 anos.3 CLASSES DE CERÂMICAS ODONTOLÓGICAS PARA PRÓTESES FIXAS Existem várias categorias de cerâmicas dentárias: porcelana convencional contendo leucita. O farmacêutico francês teria notado que os utensílios de cerâmica glazeados que usava todos os dias para misturar e moer seus vários produtos químicos resistiam à coloração com superfície relativamente não porosa e eram também resistentes à abrasão. alumina infiltrada por vidro. cerâmicas especializadas para estruturas de restaurações (aluminizada. sem dúvida nenhuma.1 Feldspato O feldspato é usado na fabricação de praticamente todas as porcelanas usadas para coroas metalocerâmicas e muitos outros vidros e porcelanas.

são adicionados modificadores do vidro. óxido de cobre (verde). Por isso. dureza. óxido de titânio (marrom-amarelado). Esta tendência do feldspato de formar a leucita durante a fusão incongruente é utilizada na fabricação de porcelanas para serem fundidas sobre metal. abaixa a temperatura de amolecimento e forma sua própria rede de vidro. As porcelanas são geralmente classificadas de acordo com sua temperatura de fusão da seguinte maneira: Alta fusão: 1300ºC Média fusão: 1101 a 1300ºC Baixa fusão: 850 a 1100ºC Ultrabaixa fusão: <850ºC 15.5 CARACTERÍSTICAS Quase todas as cerâmicas são caracterizadas por sua natureza refratária.3 Outras adições às Porcelanas Odontológicas Óxidos metálicos também podem ser introduzidos na composição das porcelanas odontológicas. 15. moendo-se novamente para formar um pó. Fernanda Panzeri . A inércia química é uma importante característica porque ela assegura que a superfície da restauração dental não libera elementos potencialmente prejudiciais. unindo-as. que é uma cerâmica vítrea. particularmente quando falhas e força de tensão coexistem na mesma região da restauração cerâmica. Estes pigmentos de colorização são produzidos pela fusão de óxidos metálicos com vidros finos e feldspato e. e reduz o risco de rugosidade superficial e um aumento da suscetibilidade à adesão bacteriana. O óxido bórico (B2O3) pode comportar-se como um modificador de vidro. e óxido de cobalto (azul).4. quando a porcelana é levada ao forno para a sinterização. Óxidos de pigmentação são adicionados para a obtenção de várias cores necessárias à simulação de dentes naturais. O líquido formado escoa entre as partículas de leucita. Isso quer dizer que. mesmo em fornos especiais. isto é. A suscetibilidade à fratura é uma desvantagem.Cerâmicas Odontológicas 216 pelo qual um material funde-se formando um líquido e mais um material cristalino diferente. diminui a viscosidade. Exemplos de óxidos metálicos e suas respectivas contribuições para a cor das porcelanas incluem óxido de ferro ou níquel (marrom). óxido de manganês (lavanda). o feldspato funde-se formando um líquido (feldspato líquido) e a leucita. Ele é tão alto que o material não pode ser fundido.2 Modificadores do vidro Os fabricantes empregam modificadores do vidro para produzir porcelanas odontológicas com diferentes temperaturas de fusão.4. 15. A sílica fundida é um material de ponto de fusão muito alto. depois. suscetibilidade à fratura e inércia química.

cor e luminosidade. senão impossível. Qualquer luz que chega à dentina é absorvida ou é refletida. E essa seleção deve ser feita sob uma fonte de luz adequada. no que respeita à translucidez. existe também a dispersão. devem ser desenhadas de uma maneira tal que compense sua fragilidade. a alta resistência à compressão. As restaurações odontológicas. Mudanças repentinas na espessura da porcelana. que são mais escuros junto ao colo e mais translúcidos com a aproximação da porção incisal (Fig. se relaciona com suas qualidades estéticas.a obter os tons desejados. A luz se difunde por reflexão e refração. mas sim respeitar todas as nuances dos dentes naturais. Uma vez selecionada a cor. Este desenho deve evitar que a porcelana seja submetida a grandes tensões. Ela vai variar conforme a fonte de luz e o comprimento de onda da cor. Para o dentista selecionar a cor ele deve lançar mão de uma escala de cores fornecida pelo fabricante. ao reproduzir as nuances dos dentes vizinhos. 14-1) . A existência de ângulos agudos no preparo também irá criar áreas de concentração de tensões na restauração. criarão áreas de concentração de tensões. como material restaurador. devidas a ângulos ou a mudanças repentinas de espessura do material. A reprodução completa da cor é extremamente difícil. como as boas qualidades estéticas. que é um fator que também pode ser devido ao preparo do dente. para novamente se difundir através do esmalte. 15. que faz com que a cor varie entre os diferentes dentes. a boa durabilidade química e a biocompatibilidade. esta área pode aparentar ser mais translúcida do que aquelas que se situam em direção ao terço gengival. Como conseqüência. parte deles é refletida e o restante penetra no esmalte e se difunde. Se não houver dentina presente. A dentina é mais opaca que o esmalte e irá refletir luz. de modo. parte dos raios luminosos pode ser absorvida pela parte escura da cavidade bucal. As porcelanas odontológicas são pigmentadas pela inclusão de óxidos. Fernanda Panzeri .6 FATORES QUE INFLUENCIAM A COR A razão principal para a escolha da porcelana. Tão logo os raios luminosos atingem a superfície do dente. produzindo um efeito de translucidez e uma sensação de profundidade. quando os raios luminosos atingem o olho do observador. A estrutura do dente irá influenciar a sua cor. ele deve proceder a confecção da restauração estética não só com uma tonalidade de cor. como na borda de um incisivo. Além da reflexão e refração. Devido às diversas propriedades desejáveis que apresentam as cerâmicas. um esforço muito grande vem sendo feito para superar suas principais deficiências devido à fragilidade e à baixa resistência à tração.Cerâmicas Odontológicas 217 Dois outros atributos importantes atribuídos às cerâmicas dentais são seu potencial para combinar-se com a aparência dos dentes naturais e sua propriedade isolante (baixa condutibilidade térmica e elétrica). que contêm cerâmica.

a fim de que se obtenha a forma desejada (Fig.7. Por este motivo. 15.7 FABRICAÇÃO DE FELDSPÁTICA 15.Cerâmicas Odontológicas 218 Um outro fator que é importante para as características estéticas é o meio cimentante. Este tipo de compactação das partículas do pó concede dois beneficios: uma menor contração durante a queima e menor porosidade na porcelana fundida.1 Condensação A porcelana para coroas e para restaurações metalocerâmicas. Uma condensação total e apropriada é crucial para se obter uma compactação densa das partículas do pó. por ser mais translúcido. pode mudar a cor de uma coroa de porcelana pura. bem como para outras aplicações. 14-2). A condensação pode ser conseguida por vários métodos e que incluem a vibração. A seguir será condensado. os cimentos de ionômero de vidro são os mais usados para cimentar essas restaurações. porque ela absorve luz e altera a cor. Assim. é fomecida como um pó fino que será misturado com a água ou outro veículo. UMA RESTAURAÇÃO COM PORCELANA Figura 15-1 – Esquema da construção de uma restauração em porcelana com suas diferentes tonalidades Fernanda Panzeri . a espatulação e a técnica do pincel. um material opaco como o cimento fosfato de zinco.

em função da remoção do glaze. Esta observação é de importância clínica. A colocação da massa condensada diretamente em um forno moderadamente aquecido resultará numa rápida produção de vapor e. preenchendo os espaços ocupados pelo ar. consequentemente.7. Um auxílio na redução da porosidade na porcelana odontológica é a cocção processada a vácuo. A porcelana glazeada é muito mais resistente que aquela não glazeada. A temperatura de fusão dos glazeadores é reduzida pela adição de modificadores de vidro. permite que a água remanescente se evapore. é uma prática comum o dentista ajustar a oclusão. Um fator importante na confecção de restaurações metalocerâmicas é o coeficiente de expansão térmica. Não deve existir uma diferença grande no coeficiente de expansão térmica entre metal e porcelana.2 Queima (Ou Cocção) Após terminar a condensação da porcelana. a porcelana é colocada no forno e o ciclo de cozimento é iniciado. O motivo da cocção é fundir as partículas do pó. a aproximadamente 650ºC. A maioria disponível possui uma durabilidade adequada. 14-3). na incorporação de bolhas ou fraturas localizadas em extensas porções da faceta.3 Glazeamento As porcelanas podem ser caracterizadas com pigmentos e glazeadores. Entretanto. a restauração é colocada em uma placa ou bandeja de argila fundida. e estes modificadores diminuem. Após a restauração de porcelana ter sido cimentada na boca. Após o pré-aquecimento por aproximadamente 5 minutos. a durabilidade dos glazes. a resistência transversal pode chegar a somente à metade daquela que existia com a presença do glaze. o ar fica ocluído e forma bolhas. Fernanda Panzeri . Este processo de pré-aquecimento. É lamentável que este procedimento enfraqueça a porcelana marcadamente. A massa de porcelana condensada sobre a estrutura é colocada na frente da mufla de um forno pré-aquecido. O glaze é efetivo para reduzir a propagação de fraturas. o vidro fundido escoa gradualmente. 15. porque a massa fundida é muito viscosa para permitir o escape de todo o ar. Se o glaze for removido por desgaste. À medida que a temperatura aumenta. desgastando a superfície da porcelana.7.Cerâmicas Odontológicas 219 15. até certo ponto. A cocção a vácuo reduz a porosidade pois o vácuo é liberado e a pressão interna do forno aumenta. de modo a prover uma aparência mais vital das restaurações (Fig. o que poderia produzir uma tensão suficiente para fraturar a porcelana. sendo os poros comprimidos reduzindo a porosidade. Os pigmentos são simplesmente glazes tingidos e também estão sujeitos aos mesmos problemas de durabilidade química. unindo-as apropriadamente para formar a restauração.

7. mostrando a lisura e o brilho superficial 15. uma porcelana glazeada. desde a temperatura de cocção até àquela ambiente. é um assunto de consideráveis controvérsias.Cerâmicas Odontológicas 220 Figura 15-2 – Processo de condensação de uma cerâmica odontológica Figura 15-3 – À esquerda. A fratura do vidro quando submetido a mudanças bruscas de Fernanda Panzeri . À direita. uma porcelana não glazeada.4 Resfriamento O resfriamento adequado da restauração de porcelana.

existe a possibilidade de se introduzirem tensões neste sistema de dois materiais. principalmente a resistência à tração e ao cisalhamento. que se adapta ao dente preparado (Fig. Por isso.9 SISTEMAS CERÂMICOS A exigência cada vez maior pela estética. Assim. para se realizar uma restauração metalocerâmica com sucesso. combinado com o desejo por restaurações livres de metal. O primeiro requisito para o sucesso de uma restauração metalocerâmica é que se desenvolva uma união duradoura entre a porcelana e a liga. mesmo em dentes posteriores. Em 1965. em peso. tem popularizado as restaurações totalmente cerâmicas. Essa união se dá pelo jateamento de óxido de alumínio na superfície da liga metálica que irá receber a camada de porcelana. a cerâmica reforçada por alumina caracterizou-se pela incorporação de 40-50%. é necessário que exista uma forte união da interface. bem como uma compatibilidade térmica entre os componentes do sistema. McLean & Hughes desenvolveram a primeira cerâmica com propriedades físicas suficientes para ser usada sem a subestrutura metálica. Uma vez que tal união é conseguida. 14-4). durante os procedimentos de cocção da porcelana.8 COROA METALOCERÂMICA A principal limitação ao uso de uma restauração totalmente de porcelana em prótese fixa é sua falta de resistência. Baseando-se na composição da cerâmica feldspática. de alumina na fase vítrea que resultou no aumento da resistência à flexão para 130MPa que é Fernanda Panzeri . a maioria dos profissionais toma cuidados acerca da exposição da porcelana odontológica a um resfriamento rápido após o cozimento. Figura 15-4 – Coroas metalocerâmicas 15.Cerâmicas Odontológicas 221 temperatura é uma experiência familiar. Um método para minimizar esta desvantagem é o de fundir a porcelana diretamente sobre um núcleo metálico. 15.

a cerâmica. praticamente qualquer dos sistemas cerâmicos consegue mimetizar as características do dente natural com resistência aceitável dentro dos parâmetros clínicos da indicação de cada técnica (DE GOES.5% de alumina. Em seguida.Cerâmicas Odontológicas 222 equivalente a duas vezes maior do que o valor apresentado pela cerâmica feldspática. com o qual tornava-se possível ao profissional a obtenção de uma imagem óptica do preparo clínico e a restauração a ser confeccionada a partir de um bloco cerâmico pela tecnologia CAD/CAM (Fig. a confecção da restauração seguia a “técnica da cera perdida”. Em 1986 foi introduzido o sistema CEREC (SIEMENS). O sistema Procera AllCeram (NOBEL BIOCARE) utiliza um troquel na qual um scanner realiza a leitura das dimensões marginais e as informações são trabalhadas em um programa computadorizado onde se estabelece para o coping a margem de término e o cálculo do espaço necessário para o agente de cimentação. podendo assim. é fundida e pode plasticamente deformar-se sob altas temperaturas (1150ºC). Suécia. que é fornecida na forma de pastilhas. um coping confeccionado em alumina porosa é infiltrada por vidro de lantânio alumínio-silicato e sobre esta estrutura é aplicada a cerâmica feldspática pela técnica de estratificação convencional. No caso. Fernanda Panzeri . Esta informação é transmitida online para o laboratório central em Gotemburgo. No final da década de 80. foi desenvolvida outra unidade denominada CEREC 2. spinell e zircônio). uma máquina de fresagem controlado por computador produz o troquel refratário sobre o qual é confeccionado a subestrutura com 99. também foi introduzida cerâmica vítrea reforçada por leucita. Classificado como cerâmica vítrea reforçada por mica tetrasílica e indicada para restaurações anteriores e posteriores. a poucos anos atrás. denominada IPS Empress (IVOCLAR VIVADENT). depois que o padrão é incluído em revestimento aglutinado por fosfato. Na metade dos anos 80 foi desenvolvida o sistema InCeram/VITA (alumina. baseado no princípio em que duas ou três fases de óxido de alumínio e um vidro são dimensionalmente combinadas por difusão para formar um compósito. pelo processo de estratificação. e recentemente o CEREC 3. que estão programadas para produzir coroas totais. 2002). 14-5). Entretanto. o trabalho é recoberto por cerâmica própria de cobertura. Inicialmente. Uma cerâmica feldspática reforçada por leucita é usada neste processo. Com a evolução na composição das cerâmicas e nas técnicas de confecção. Assim. o equipamento foi usado para confeccionar apenas inlays e onlays. A partir daí. No início da década de 80 foi introduzido o sistema cerâmico Dicor (DENTSPLY). Este sistema também utiliza a técnica da cera perdida para confecção da restauração. ser injetada sob pressão para o interior do molde de revestimento.

G. & GONÇALVES. – Desenvolvimento da cerâmica odontológica: uma perspectiva histórica. Os géis de flúor não devem ser usados quando restaurações de porcelana glazeadas estão presentes. J. – Materials for inlays. O efeito de tais agentes sobre a superfície de restaurações cerâmicas tem sido estudado. Como escolher e aplicar em Materiais Dentários. 1996. 115-132. que podem ser causados posteriormente pelo flúor e. In: ________. onlays. Fernanda Panzeri .N. Lippincott Williams & Wilkins. a superfície da restauração deve ser protegida com vaselina ou cera.1-26. p. O flúor acidulado. 1988. p. Materials in Dentistry. O dentista deve estar atento a estes problemas clínicos.: CARDOSO. M. 156163.345-366.W. London. Se este gel for usado. In: Cerâmicas. W. p. São Paulo. quebras ou fraturas na estrutura. 77-86. FERRACANE.. A. p. De GOES. J. F.A. Cerâmicas Odontológicas.J. In. Rio de Janeiro.A. desta forma. R. McCABE. 1998. & WALLS. 1998 p. Quando o flúor entra em contato com a porcelana glazeada produz-se uma rugosidade na superfície. G. p. ed – Ceramics. evitar um possível ataque ácido às restaurações cerâmicas.F. Livraria Roca Ltda. – Materiais e Técnicas restauradoras. – Dentística/laser. Artes Médicas. Applied Dental Materials.1ª ed. – Ceramics and porcelain fused to metal (PFM). Philadelphia. produz ácido hidrofluorídrico que ataca o vidro. JONES. 8ª ed. R. E. In: ________ . 10ª ed. In: ________ Materiais Dentários de Phillips. 2002.. Principles and Applications. São Paulo. Guanabara Koogan. CRAIG. 1995. BIBLIOGRAFIA ANUSAVICE. D. crowns and bridges. United States. J. Blackwell Science. 1ª ed.467-484. L. Mosby. Esta rugosidade permitirá o manchamento.10 ESTABILIDADE QUÍMICA O flúor tópico é rotineiramente usado para o controle da cárie. Restorative Dental Materials.Cerâmicas Odontológicas 223 Figura 15-5 – Sistema CAD-CAM 15. In ________.

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