CD e livro fazem parte do projeto executado pelo CETEM, com apoio financeiro da PETROBRAS.

Entrar

FERTILIZANTES
agroindústria & sustentabilidade
EDITORES: F.E. LAPIDO-LOUREIRO, R. MELAMED E J. FIGUEIREDO NETO

Home

Apresentação

Sumário

Créditos

Apresentação
A agroindústria convive com situações antagônicas: altas taxas de produtividade e crise alimentar; abundância em certos países e fome em outros; aumento da produção de biocombustíveis e diminuição das reservas de cereais; tecnologia de ponta em várias regiões e precariedade em muitas outras; busca de qualidade/ quantidade e agressão ao meio ambiente. Neste livro procura-se analisar fatos e indicar soluções que façam prevalecer as primeiras palavras desta enumeração de antíteses e mostrar a importância dos fertilizantes na produtividade/fertilidade dos solos e no desenvolvimento sustentável da agricultura. São 25 capítulos agrupados em cinco blocos temáticos, antecedidos da "Abertura" que, apresenta uma síntese sobre a evolução e características do agronegócio brasileiro. No primeiro bloco, mostram-se os antecedentes históricos, a evolução e acentua-se como a correta fertilização e calagem dos solos, quando bem executadas, podem "substituir a terra", racionalizar o avanço das fronteiras agrícolas e reduzir ou até eliminar impactos ambientais. Nos cinco capítulos do segundo bloco, são abordadas as fontes, produção e funções dos macro e micronutrientes na agricultura e a problemática da forte dependência externa do Brasil em relação aos fertilizantes. No terceiro bloco, abordam-se, nos seus nove capítulos, as vantagens e complementaridade de materiais fertilizantes alternativos e moderadores, as suas características, processos de fabricação, contribuição na produtividade dos cultivares e na melhoria da qualidade dos produtos agrícolas. Rotas alternativas de produção de fertilizantes fosfatados, como os termofosfatos e os organo-fosfatados, e o estudo de dois casos de lixiviação clorídrica de minérios fosfáticos, o primeiro associado à recuperação de terras-raras, são apresentados no quarto bloco. No último bloco, Eurípedes Malavolta e Milton Morais apresentam uma excelente síntese sobre "Nutrição de Plantas, Fertilidade do Solo, Adubação e a Economia Brasileira". Nela definem os meios e finalidade do Agronegócio e a sua participação na economia do País. Referem os autores que a adubação é um "meio maior, mais rápido e mais barato para se aumentar a produção via ganhos de produtividade. Adubo e corretivo são dois insumos indispensáveis para uma agricultura sustentável, que não necessita ser sustentada pelo artifício dos subsídios, barreiras alfandegárias, taxas e outros instrumentos protecionistas." Estão de parabéns:
¾

o CETEM, por cumprir uma de suas principais missões, a de difundir conhecimentos e tecnologia para o setor mineral, neste caso o dos agrominerais; a PETROBRAS, pelo apoio financeiro que viabilizou a edição deste livro; os editores, autores e a reduzida equipe técnica, pela realização, com qualidade e dedicação, de um trabalho de tal dimensão.

¾ ¾

Esperamos que, como afirmou o professor Eurípedes Malavolta, seja uma obra de referência obrigatória para não sei quantas profissões. Rio de Janeiro, novembro de 2008. Adão Benvindo da Luz Diretor

Home

Apresentação

Sumário

Créditos

Sumário
Apresentação Nota dos Editores Agradecimentos Prefácio Abertura Bloco 1 - O uso da tecnologia favorecendo o princípio da substituição da terra Capítulo 1 - Fertilidade do solo e produtividade agrícola: histórico Capítulo 2 - Importância sócio-econômica-ambiental dos fertilizantes numa agricultura sustentável Capítulo 3 - Desafios do milênio Capítulo 4 - Implicações das interações físico-químicas no manejo de fertilizantes para sistemas de produção agrícola em solos tropicais Capítulo 5 - Fertilização natural: rochagem, agricultura orgânica e plantio direto. Breve síntese conceitual Capítulo 6 - Agricultura familiar: multifuncionalidade e sustentabilidade. O Caso do calcário agrícola Bloco 2 - Nutrientes: fontes, produção e sua importância na agroindústria Capítulo 7 - O nitrogênio na agricultura brasileira Capítulo 8 - O fósforo na agroindústria brasileira Capítulo 9 - O potássio na agricultura brasileira: fontes e rotas alternativas Capítulo 10 - Macronutrientes secundários – Ca, Mg, S Capítulo 11 - Micronutrientes na agricultura brasileira: disponibilidade, utilização e perspectivas 5 7 11 13 21 31 33 81 133 139 149 173 209 211 257 305 337 369

Home

Apresentação

Sumário

Créditos

Bloco 3 - Agricultura e sustentabilidade. Materiais fertilizantes e moderadores Capítulo 12 - Pó-de-rocha como fertilizante alternativo para sistemas de produção sustentáveis em solos tropicais Capítulo 13 - Aplicação dos produtos da pirólise rápida de biomassa como fertilizante natural Capítulo 14 - Calcário agrícola no Brasil Capítulo 15 - O gesso nos agrossistemas brasileiros: fontes e aplicações Capítulo 16 - Gipsita: características geológicas e sua aplicação na agricultura Capítulo 17 - O gesso na agricultura brasileira Capítulo 18 - Uso de zeólitas na agricultura Capítulo 19 - Caracterização e perspectivas para o uso e manejo da turfa Capítulo 20 - Impactos radiológicos da indústria do fosfato Bloco 4 - Rotas alternativas de produção de fertilizantes fosfatados Capítulo 21 - Uso agronômico do termofosfato no Brasil Capítulo 22 - Fabricação de um fertilizante organo-fosfatado Capítulo 23 - Lixiviação clorídrica de rochas fosfáticas com recuperação de terras-raras: estudo de caso Angico dos Dias Capítulo 24 - Ensaios de lixiviação clorídrica e sulfúrica de concentrado fosfático: estudo de caso Bloco 5 - Concluindo Capítulo 25 - Nutrição de plantas, fertilidade do solo, adubação e a economia brasileira Siglas Glossário

383 385 397 409 445 479 485 493 509 525 545 547 573 585 615 629 631 643 649

Home

Apresentação

Sumário

Créditos

Anexos Anexo I - Apresentações no Seminário de Lançamento Análise do mercado de fertilizantes Aplicação dos produtos da pirólise rápida de biomassa como fertilizante Produção de potássio: panorama do Brasil e do mundo Oportunidades para o fortalecimento da indústria brasileira de fertilizantes Nutrição e adubação da cana-de-açúcar Remineralização de solos agrícolas Anexo II - Apresentações do CETEM no I Congresso Brasileiro de Rochagem Avaliação de um minério de amazonita como fonte alternativa de potássio Tecnologias de aplicação de glauconita como fonte de potássio na agricultura: o caso brasileiro e a experiência indiana Ação de micro-organismos na solubilização de agrominerais Potencial de uso de zeólitas na agropecuária

Home

Apresentação

Sumário

Créditos

Nota dos Editores
A aplicação de fertilizantes e a definição dos caminhos que levam ao desenvolvimento da fertilidade e da bioprodutividade dos solos são temas complexos que envolvem conhecimentos profundos sobre o comportamento de, pelo menos, metade dos elementos químicos da Tabela Periódica e sobre os minerais e rochas que os contêm. O seu estudo requer equipes especializadas em diferentes campos da ciência. É essa a razão, e a principal característica, da abordagem abrangente feita nos 25 capítulos do livro, “Fertilizantes: Agroindústria e Sustentabilidade”. Todos os nutrientes, à exceção do nitrogênio, são de origem mineral. Cabe, pois, às entidades da área mineral, em conjunção com a agronômica, desenvolverem, com urgência, estudos intensivos e abrangentes que possam contribuir para o equacionamento da problemática dos materiais fertilizantes pela definição de parâmetros agrogeológicos, mínero-metalúrgicos e bioquímicos, se necessário percorrendo caminhos inovadores. Neste caso, a biotecnologia reveste-se já de grande importância, que certamente aumentará no futuro. Os solos estão a deteriorar-se em todo o mundo, e 20% da terra cultivada já é considerada degradada de algum modo. Em termos de micronutrientes, a má nutrição atinge 3 bilhões de pessoas, segundo afirmam R.M. Welch e R.D. Graham no no 396 de 2004 do Journal of Experimental Botany. Além disso, essa carência ceifa anualmente a vida de mais de 5 milhões de crianças nos países em desenvolvimento, como divulgou a FAO em 2004. Lembra-se também que a perda de biomassa e de matéria orgânica libera carbono na atmosfera e afeta a qualidade do solo e a capacidade de reter água e nutrientes. Hoje em dia o uso de fertilizantes contribui de tal forma para o aumento da produtividade que é comum dizer-se que "alimentam o mundo". Por outro lado, a ampliação da produtividade e da eficiência na agricultura criam pressões adicionais nos solos que exigem estudos abrangentes em várias áreas da geologia (agrogeologia), 7

Home

Apresentação

Sumário

Créditos

pedologia e da química dos solos, para evitar o seu empobrecimento ou até mesmo a sua exaustão, pela carência ou má utilização das fontes naturais ou importadas de nutrientes. Estudos de longa duração realizados em vários países mostraram que, pelo menos, 30% a 50% da produção das culturas (40% a 60%, nos EUA e Inglaterra) é atribuível à utilização de nutrientes oriundos de fertilizantes comerciais. No Brasil e Peru, a contribuição média dos fertilizantes NPK associados à calagem atingiu, praticamente, valores de 100%, no caso da soja, e superiores a 95%, para arroz e milho, como afirmaram Stewart et al. no volume 97 do Agronomy Journal. Hoje exige-se, cada vez mais, que quantidade seja acompanhada de qualidade. No gigantismo da produção agrícola e do agronegócio brasileiros há um ponto fraco: os fertilizantes. O País depende fortemente de importações que, em 2006, se traduziram em mais de 12 milhões de toneladas de matérias-primas e produtos fertilizantes importados, a um custo de 2,7 bilhões de dólares. Mesmo assim, o déficit de nutrientes, por área, continua a ser da ordem de 25 a 30 kg ha-1, fato que é abordado em vários capítulos do livro. Esses números, segundo referiu a FAO em 2004, e admitindo-se uma eficiência média de 60% para o N, 30% para o P e 70% para o K, traduziam um déficit de 859.000 toneladas de N, 514.000 de P2O5 e 324.000 de K2O nos cultivares do Brasil. Além de produzir alimentos que satisfaçam a premente necessidade do combate à fome e à subalimentação, principais alvos, a agroindústria tem de atender à forte demanda quantitativa resultante do crescimento populacional, à mudança do padrão alimentar nos países em desenvolvimento, à progressiva procura por produtos de melhor qualidade e, mais recentemente, a um novo desafio de grandes proporções: a produção de biocombustíveis, campo em que o Brasil já ocupa posição de destaque, com amplas perspectivas de ampliação. O Diretor-geral da International Fertilizer Association (IFA), L. M. Maene, mostra a importância dos fertilizantes na disponibilidade de alimentos, afirmando que os fertilizantes comerciais contribuem, em escala global, com quase metade do nitrogênio contido nos cultivares. Por outro lado, a agricultura responde por 3/4 do nitrogênio consumido pela humanidade por meio das proteínas da carne (pecuária). Assim pode-se concluir que 1/3 das proteínas da alimentação humana resultam da ação dos fertilizantes. Para atender aos três pilares fundamentais da agroindústria - produtividade, qualidade e sustentabilidade - a agricultura brasileira terá de considerar, além da correta utilização de fertilizantes, os caminhos da agricultura de conservação/plantio direto, agricultura orgânica, rotação de culturas, desenvolvimento de variedades de plantas perenes (substituição de culturas de uma única estação por perenes), calagem, gessagem e remineralização dos solos, com aplicação direta de vários materiais sob a forma de 'póde-rocha' (rochagem / "rocks-for-crops"), envolvendo diversas rochas, minerais, miné8

Home

Apresentação

Sumário

Créditos

rios pobres e rejeitos de diferentes indústrias, biofertilização e biotecnologia. Estes caminhos terão de apoiar-se em estudos intensos, para tornar efetivo e economicamente viável o desenvolvimento social e sustentável da agroindústria no Brasil e para reduzir a dependência externa de fertilizantes. O CETEM, com a edição deste livro, de ampla e oportuna abordagem temática, os autores dos capítulos, que transmitiram o seu saber graciosamente, e a Petrobras, que desde início sempre se identificou com a idéia e deu apoio financeiro, esperam poder dar uma contribuição válida ao equacionamento da problemática dos fertilizantes e da produtividade sustentável, ambientalmente correta e socialmente justa, na agricultura do Brasil. Um agradecimento/homenagem muito especial ao professor Eurípedes Malavolta, um dos maiores nomes, das Ciências Agronômicas. Desde o momento em que lhe apresentamos a idéia da edição do livro e da sua temática, sempre a apoiou, colaborou e se identificou com ela. Já o designava como "nosso livro". Seu saber e valiosíssima colaboração estão presentes na "Abertura" e em dois valiosos capítulos sobre o macronutriente "Nitrogênio" (Capítulo 7) e "Nutrição de Plantas, Fertilidade do Solo e a Economia Brasileira" (Capítulo 25). O professor Malavolta desapareceu de nosso convívio, mas em nenhum momento deixará o melhor de nossas lembranças. Chama-se a atenção para o fato das notas explicativas utilizadas em alguns capítulos poderem ser encontradas ao final de cada um deles, referenciadas por numeração seqüencial. Correspondem a notas de rodapé.

Rio de Janeiro, novembro de 2008.

Os Editores

9

Home

Apresentação

Sumário

Créditos

Agradecimentos
⎯ à Petrobrás pelo apoio financeiro que viabilizou a edição deste livro; ⎯ aos autores dos capítulos que aceitaram transmitir suas idéias e saber graciosamente, com dedicação, competência e entusiasmo; ⎯ às instituições, onde os autores exercem suas atividades, por terem permitido que fossem divulgados os trabalhos de pesquisa, seus caminhos e resultados ⎯ a Thatyana P. Rodrigues de Freitas pela minuciosa revisão gramatical e ortográfica ⎯ a Vera Lúcia do Espírito Santo Souza que, com grande competência e entusiasmo criou, montou e executou o projeto gráfico.

11

Home

Apresentação

Sumário

Créditos

Prefácio
Desde o início da pesquisa científica sobre a nutrição mineral de plantas, no século XIX, que se buscam, estudam, aplicam e avaliam compostos químicos e materiais diversos para alimento dos vegetais. O homem, e todos os animais, dependem totalmente das plantas para viver. Por outro lado, a planta, para se desenvolver, depende dos elementos químicos (nutrientes) contidos no solo. Se a “exportação” dos nutrientes for superior à reposição, o solo deteriora-se, a produtividade diminui e a qualidade do produto decresce. A percepção pública sobre fertilizantes minerais e a sua importância na fertilidade do solo não leva em conta, em geral, estes simples fatos. Surge assim a principal razão da edição de FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE, livro polivalente que inclui autores de renome, marcantes em diversas áreas de pesquisa, e que aborda, de forma abrangente e interdisciplinar, os caminhos, importância e função dos fertilizantes numa agricultura que se quer economicamente desenvolvida, ecologicamente correta, socialmente justa, sustentável e não sustentada. Como referia o Professor Eurípedes Malavolta, o homem, desde que surgiu sobre a Terra, é uma planta, ou uma planta transformada.
“Por sua vez, a planta também necessita de alimento para viver, retirando-o do ar, da água e do solo e, frequentemente, no todo ou em parte, do fertilizante mineral e/ ou do adubo orgânico – é necessário alimentar o solo, que alimenta a planta, que alimenta o homem e o animal. Segue-se daí que, sem “comer”, a planta não vive e, se não houver planta, o homem não vive. Dentro deste raciocínio simples cabe a ciência da Nutrição Mineral de Plantas (NMP). Para que seja aplicada na prática agrícola é indispensável a colaboração de duas outras ciências: Ciência do Solo – física, química, biologia, fertilidade – e Adubos/ Adubação. Resumidamente, a NMP ensina o que a planta necessita, quanto e quando; a Ciência do Solo mostra o que o solo pode oferecer; Adubos e Adubação ensina

13

Home

Apresentação

Sumário

Créditos

como fazê-lo em termos econômicos e sustentáveis dos pontos de vista social e ambiental. A ação e interação positiva das três ciências, ou áreas do conhecimento, tem um papel maior na produção de alimento, fibra e energia renovável, componentes do agronegócio e da riqueza das nações.”

(In: Eurípedes Malavolta – “O futuro da nutrição de plantas tendo em vista aspectos agronômicos, econômicos e ambientais.” - Informações Agronômicas nº 121 – março/2008) Fertilizantes minerais compreendem elementos que ocorrem naturalmente e que são essenciais para a vida. Dão vida, não são biocidas. São 19 os elementos considerados necessários e/ ou essenciais para as plantas superiores e que satisfazem os critérios estabelecidos por Arnon e Stout, 1939 (In: MALAVOLTA, 2008, op. cit.):

— critério direto – o elemento faz parte de um composto ou de uma reação
crucial do metabolismo;

— critério indireto – abrange as seguintes circunstâncias: (a) na ausência do elemento a planta morre antes de completar o seu ciclo, (b) o elemento não pode ser substituído por nenhum outro; Três dos nutrientes têm que ser aplicados em grandes quantidades: nitrogênio, fósforo e potássio. Outros três, enxofre, cálcio e magnésio também são necessários em quantidades elevadas. São os macronutrientes, principais e secundários, respectivamente. Juntamente com o carbono, oxigênio e hidrogênio, são os constituintes de muitos componentes das plantas, tais como proteínas, ácidos nucléicos e clorofila. São essenciais para processos de transferência de energia, manutenção da pressão interna e ação enzimática. Os metais são constituintes de enzimas que controlam diferentes processos nas plantas. Sete outros elementos são necessários em quantidades pequenas e são conhecidos como micronutrientes.

Nutrientes Macronutrientes Micronutrientes

Metais K – Ca – Mg Fe – Mn – Zn – Cu – Mo - Co – Ni

Não-metais C–H–O–N–P-S B – Cl - Se

Todos têm uma grande variedade de funções, essenciais no metabolismo das plantas. A deficiência de qualquer desses nutrientes pode comprometer o desenvolvimento das plantas. Outros, como o sódio (Na) e o silício (Si) são exemplos de elementos benéficos, assim definidos porque sem êles a planta vive, mas, em dadas condições, podem melhorar o crescimento e aumentar a produção. Os lantanídeos, embora não referidos, há muito que são utilizados na China, como micronutrirntes. As entidades chinesas referem aumento de produtividade, pela

14

Home

Apresentação

Sumário

Créditos

sua aplicação, em vários cultivares, entre os quais os de cana-de-açúcar. Citam ganhos de até 10%. É assunto abordado nos Capítulos 5 e 8. Por outro lado como o Si é um micronutriente importante no cultivo da canade-açúcar, fica assim em aberto a possibilidade da utilização, como material fertilizante, dos silicitos de Catalão (GO) e de Araxá (MG), rochas abundantes neste dois complexos carbonatíticos e que apresentam elevados teores de lantanídeos (Ln) e de silício (Si) Os fertilizantes, tema deste livro, são usados, na agricultura, para:

— complementar a disponibilidade natural de nutrientes do solo com a finalidade de satisfazer a demanda das culturas que apresentam um alto potencial de produtividade e de levar a produções economicamente viáveis;

— compensar a perda de nutrientes decorrentes da remoção das culturas,
por lixiviação ou perdas gasosas;

— melhorar as condições não favoráveis, manter boas condições do solo
para produção das culturas ou contribuir para recuperar solos. Segundo referem Mário A. Barbosa Neto, Presidente da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), no ‘Prefácio’, e Wladimir Antônio Puggina, Presidente da International Fertilizer Industry Association, na ‘Apresentação’ do livro “Fertilizantes Minerais e o Meio Ambiente”, de autoria de K.E. Isherwood, publicado pelas IFA / UNEP com edição em português da ANDA:
“O Brasil é um dos poucos países do mundo com enorme potencial para aumentar a sua produção agrícola, seja pelo aumento de produtividade, seja pela expansão da área plantada. Com isto, estará contribuindo, não somente para uma maior oferta de alimentos no contexto mundial, mas, também, para atender a crescente demanda interna de sua população. Tanto para o aumento da produtividade das culturas como para a expansão da fronteira agrícola no Brasil, o papel positivo dos fertilizantes minerais tem sido comprovado cientificamente pelos centros de pesquisa, universidades, empresas públicas e privadas e pelos próprios agricultores. O uso eficiente de fertilizantes minerais é o fator que, isoladamente, mais contribui para o aumento da produtividade agrícola. Os fertilizantes promovem o aumento de produtividade agrícola, protegendo e preservando milhares de hectares de florestas e matas nativas, assim como a fauna e a flora. Sendo assim, o uso adequado de fertilizantes se tornou ferramenta indispensável na luta mundial de combate à fome e subnutrição.”

Isherwood, o autor do livro, acentua, logo no primeiro capítulo, que:

— fertilizantes minerais são materiais, naturais ou manufaturados, que contêm nutrientes essenciais para crescimento normal e desenvolvimento das plantas;

15

Home

Apresentação

Sumário

Créditos

— nutrientes de plantas são alimentos para as espécies vegetais, algumas
das quais são utilizadas diretamente por seres humanos como alimentos, para alimentar animais, suprir fibras naturais e produzir madeira;

— a agricultura, em conjunto com outros elementos tais como água, energia, saúde e biodiversidade, tem uma função de grande relevância na conquista do Desenvolvimento Sustentável;

— a indústria de fertilizantes, por sua vez, tem desempenhado, por mais de
150 anos, um papel fundamental no desenvolvimento da agricultura e no atendimento das necessidades nutricionais de uma população continuamente crescente;

— em geral, os fertilizantes são responsáveis por cerca de um terço da produção agrícola, sendo que em alguns países chegam a ser responsáveis por até cinqüenta por cento das respectivas produções nacionais;

— os fertilizantes ao promovem o aumento de produtividade agrícola, protegem e preservam milhares de hectares de florestas e de matas nativas, assim como a fauna e a flora, pelo que o uso adequado de fertilizantes tornou-se ferramenta indispensável na luta mundial de combate à fome e à subnutrição;

— os fertilizantes são usados para: i) suplementar a disponibilidade natural
do solo com a finalidade de satisfazer a demanda das culturas que apresentam um alto potencial de produtividade e levá-las a produções economicamente viáveis; ii) compensar a perda de nutrientes decorrentes da remoção das culturas, por lixiviação ou perda gasosa; iii) melhorar s condições adversas ou manter as boas condições do solo para produção das culturas. Segundo Malavolta:
Macro e micronutrientes exercem as mesmas funções em todas as plantas superiores. Por esse motivo, sua falta ou excesso provoca a mesma manifestação visível – o sintoma. Inicialmente há uma lesão ou alteração no nível molecular, não se forma um composto, uma reação não se processa. Em seguida, há alterações celulares, no tecido e aparece o sintoma visível. O que acontece com os elementos individualmente é detalhado em Römheld (2001) e Malavolta (2006) (In: MALAVOLTA, 2008, op. cit.) Tem sido acumulado um grande volume de informações sobre as exigências de macro e micronutrientes: quantidades totais, exportação na colheita, absorção durante o ciclo e repartição nos diversos órgãos. No Brasil, dispõe-se de dados das principais culturas: arroz, milho, trigo, cana-de-açúcar; hortaliças folhosas e condimentares; hortaliças de bulbo, tubérculo, raiz e fruto; plantas forrageiras; eucalipto e Pinus; cacau, café, chá, fumo e mate; frutíferas tropicais (RAIJ et al., 1996; FERREIRA et al., 2001; MALAVOLTA, 2000 - In: MALAVOLTA, 2008, op. cit.).

16

Home

Apresentação

Sumário

Créditos

Malavolta (2008), apresenta uma excelente síntese das funções dos macro e micronutrientes, reproduzida a seguir:
MACRONUTRIENTES Carbono, hidrogênio, oxigênio Nitrogênio

→ →

Estrutura dos compostos orgânicos. Aminoácidos, proteínas, enzimas, DNA e RNA (purinas e pirimidinas), clorofila, coenzimas, colina, ácido indolilacético. H2PO4 – regulação da atividade de enzimas. Liberação de energia do ATP e do fosfato de nucleotídeo de adenina – respiração, fixação de CO2, biossíntese, absorção iônica. Constituinte dos ácidos nucléicos. Fosfatos de uridina, citosina e guanidina – síntese de sacarose, fosfolipídeos e celulose. Fosfolipídeo de membrana celular. Economia de água. Abertura e fechamento dos estômatos – fotossíntese. Ativação de enzimas – transporte de carboidratos fonte-dreno. Como pectato, na lamela média, funciona como “cimento” entre células adjacentes. Participa do crescimento da parte aérea e das pontas das raízes. Redução no efeito catabólico das citocininas na senescência. No vacúolo, presente como oxalato, fosfato, carbonato – regulação do nível desses ânions. Citoplasma: Ca-calmodulina como ativadora de enzimas (fosfodiesterase cíclica de nucleotídeo, ATPase de menbrana e outras). Mensageiro secundário de estímulos mecânicos, ambientais, elétricos. Manuteção da estrutura funcional do plasmalema. Ocupa o centro do núcleo tetrapirrólico da clorofila. Cofator das enzimas que transferem P entre ATP e ADP. Fixação do CO2: ativação da carboxilase da ribulose fosfato e da carboxilase do fosfoenolpiruvato. Estabilização dos ribossomas para a síntese de proteínas. Presente em todas as proteínas, enzimáticas ou não, e em coenzimas: CoA – respiração, metabolismo de lipídeos; biotina – assimilação de CO2 e descarboxilação; tiamina – descarboxilação do piruvato e oxidação de alfacetoácidos. Componente da glutationa e de hormônios. Pontes de bissulfato, -S-S-, participam de estruturas terciárias de proteínas. Formação de óleos glicosídicos e compostos voláteis. Formação de nódulos das leguminosas. Ferredoxina – assimilação do CO2, síntese da glicose e do glutamato, fixação do N2, redução do nitrato.

Fósforo

Potássio

Cálcio

Magnésio

Enxofre

17

Home

Apresentação

Sumário

Créditos

MICRONUTRIENTES Relacionado com crescimento do meristema, diferenciação celular, maturação, divisão e crescimento – necessário para a síntese de uracila, parte do DNA. Tem influência no crescimento do tubo polínico. Proteção do ácido indolilacético oxidase. Bloqueio da via da pentose fosfato, o que impede a formação de fenóis. Biossíntese de lignina. Exigido para a decomposição fotoquímica da água (reação entre H e Cl): aumenta a liberação de O2 e a fotofosforilação. Transferência de elétrons do OH para a clorofila b no fotossistema II. Parte da coenzima da vitamina B12 – fixação simbiótica do nitrogênio. Ativação da isomerase da metilmalonil CoA – síntese do núcleo pirrólico. Outras enzimas ativadas: mutase de glutamato, desidratase do glicerol, desidratase do diol, desaminase de etanolamina, mutase de lisina. Plastocianina – enzima envolvida no transporte eletrônico do fotossistema II. Mitocôndrios – oxidases do citocromo – parte da via respiratória. Outras enzimas – redução do O2 a H2O2 ou H2O. Membranas tilacóides e mitocôndrias: fenolases oxidam fenóis que são oxidadas a quinonas. Fenóis e lacase – síntese da lignina. Cloroplastos: três isoenzimas da dismutase de superóxido (SOD) – proteção da planta contra o dano do superóxido (O2-) que é reduzido a H2O. Neste caso, a proteína SOD contém os íons Cu e Zn na sua estrutura. Citoplasma e parede celular: oxidase de ácido ascórbico oxidado a dehidroascorbato. Oxidases de aminas: desaminação de compostos com NH3, inclusive poliaminas. Participante de reações de oxi-redução e de transferência de elétrons. Componente de sistemas enzimáticos: oxidases do citocromo, catalases, SOD, peroxidases, ferredoxina (proteínas) exigida para a redução do nitrato e do sulfato, fixação do N2 e armazenamento de energia (NADP). Papéis indiretos: síntese da clorofila e de proteínas, crescimento do meristema da ponta da raiz, controle da síntese de alanina. Atua na fotólise da água, no processo de transferência de elétrons que catalisa a decomposição da molécula de H2O. Cofator para: redutases de nitrito e hidroxilamina, oxidase de ácido indolacético, polimerase do RNA, fosfoquinase e fosfotransferases. SOD: neutralização de radicais livres formados na reação de Hill; controle de superóxidos e radicais livres produzidos pelo ozônio e por poluentes da atmosfera. Germinação do pólen e crescimento do tubo polínico. Componente essencial da redutase de nitrato (NO3–NO2) e da nitrogenase (fixação do N atmosférico). Oxidases de sulfito e de xantina. Hidrogenase – fixação biológica do N, exigência de níquel e selênio. Urease – metal-enzima com Ni. Resistência a doenças (ferrugens). Constituinte do RNA transferido (selenionucleosídeo). Aminoácidos protéicos. Ferredoxina com Se no lugar do S encontrado no sal (pinho). Enzima: anidrase carbônica, SOD, aldolase, sintetase do triptofano, ribonuclease (inibição).

Boro

Cloro

→ →

Cobalto

Cobre

Ferro

Manganês

Molibdênio Níquel

→ → → →

Selênio

Zinco

18

Home

Apresentação

Sumário

Créditos

O Brasil é um gigante na agroindústria mundial, pelo volume da produção e exportação conforme demostrado a seguir:

Produto Café Açúcar Suco de laranja Carne bovina Soja e derivados Carne de frango Algodão

Produção 1º 1º 1º 2º 2º 3º 6º

Exportação 1º 1º 1º 1º 1º 1º 3º

Por outro lado, apresenta forte dependência externa de nutrientes que, em 2007, se traduziu na importação de 17,5 milhões de toneladas de produtos fertilizantes. Mesmo assim, assumindo-se uma eficiência média de 60% para o N, 30% para o P e 70% para o K, há um déficit anual, na agricultura brasileira, de quase 900 mil toneladas de nitrogênio (embora considerando-se todo o N da soja e do feijão como provenientes da fixação biológica), um pouco mais 400 mil toneladas de P2O5 e igual quantidade de K2O. Este é assunto analisado em vários capítulos do livro. Logo no primeiro mostra-se que “o déficit total de nutrientes corresponde a cerca de 30% do consumo atual no País, ou seja, um déficit, por área, de 25 a 30 kg ha-1 de nutrientes”. Isto significa que o recurso solo está a ser ‘minado’ e, a longo prazo, trazer conseqüências altamente danosas para a sustentabilidade da agricultura brasileira. Segundo E. Malavolta e M. Morais indicam no Capítulo 7, “se todo o lixo e o esgoto ‘produzidos’ pelos paulistas fossem reciclados, o total de nutrientes seria, em 1000 t: N – 33.972; P2O5 – 4.662; K2O – 23.408. Esses números são maiores que os correspondentes ao consumo de adubos minerais”. Síntese esclarecedora sobre Adubação, Produtividade e Sustentabilidade é apresentada, por aqueles autores, no item 6, do Capítulo 7. O gigantismo do agronegócio brasileiro, que movimenta mais de 500 bilhões de reais, isto é, cerca de 30% do PIB, contrapõe-se à altíssima dependência externa de importações de nutrientes para a agricultura que, no caso do potássio é superior a 90%, leva à seguinte conclusão: o Brasil é um gigante na agropecuária, mas “gigante de pés de barro” em que os fertilizantes são o lado frágil, tanto mais que os solos brasileiros apresentam fortes limitações e necessitam de elevadas taxas de fertilização.

19

Home

Apresentação

Sumário

Créditos

O estudo das várias incidências desta situação, e os caminhos para solucionála, é o que os autores apresentam no livro: analisam e comentam situações, desenvolvem idéias, sugerem caminhos e mostram a necessidade de trabalhos, intensos e abrangentes, de P, D & I, tanto por parte das entidades oficiais como das próprias empresas, para que a área mínero-química não continue a somar atrasos em relação ao desenvolvimento agrícola, ainda mais agora com o grande incremento dos cultivares para biocombustíveis. Como foi referido, em 1989, pelo Comité Técnico Executivo (TAC) do CGIAR, a sustentabilidade deve ser tratada como um conceito dinâmico e uma agricultura sustentável deve ter como objetivo manter a produção em níveis necessários.

Rio de Janeiro, março de 2009.

F.E. Lapido-Loureiro Geólogo, D.Sc / Geoquímica, Pesquisador Emérito CETEM / MCT

20

Home Apresentação Sumário Créditos 31 FERTILIDADE DO SOLO E PRODUTIVIDADE AGRÍCOLA .

/ Mineral fertilizer is the primary source of nutrients and usually contributes 35 to 50% to yeld increases /…/ One kg mineral fertilizer can achieve. and Biodiversity. professor universitário). Maene. de Larderel.. Eles dão a vida e não são biocidas (K. veneração e mútua colaboração entre Terra e Humanidade. Diretor Geral / IFA). Fertilizantes minerais compreendem elementos que ocorrem naturalmente e que são essenciais para a vida. about one third of the protein consumed by mankind is the direct result of fertilizer use (L... 9% has limited nutrient retention capacity. Energy. You might think of it like this: We inhabit the earth. /. Commercial fertilizers contribute almost alf of the nitrogene taken up by the world's crops These crops in turn provide about three quarters of the nitrogen in protein that humans eat. A característica básica reside no novo acordo de respeito.Teólogo. A idade ecozóica representa a culminação da idade humana da globalização. Fertilizers play an essential role in securing food supplies around de World. É a idade da ecologia integral (Leonardo Boff . Isherwood). In other words./ Levar as informações sobre técnicas corretas aos agricultores e persuadi-los para que as adotem é uma tarefa difícil (Jacqueline A. Diretor Geral da IFA).Home Apresentação Sumário Créditos “Entre Aspas” Ao contrário dos animais que são estreitamente solidários com o meio ambiente. /. Kraus . Maene. Of the remaing land. A maioria dos efeitos adversos do uso de fertilizantes resulta da sua aplicação inadequada pelos agricultores. 23% Al toxicity. escritor.M. Health.Historiador ). under farmer conditions. 15% high P fixation and 26% low K reserves (Hanson).. Diretora da UNEP & Luc M. Only about 12% of the soils in the tropics have no inherente constraint. Five areas that can be remembered by a simple acronyme: WEHAB. Agriculture.Ex-Secretário Geral da ONU). And we must rehabilitate our one and only planet (Kofi Annan . 32 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE . There is need for education not only to improve the knowledge of the farmer but also to inform politicians and decision-makers on the consequences of continuous soil nutrient mining due to unbalanced fertilization.E. directly trough animals.Ex-Presidente do International Potash Institute . Water. o homem só pode sobreviver se o transformar e o adaptar às suas necessidades (Carl Grimberg .IPI). about 10 kg additional yeld (A.

br 1. A época exata em que isso aconteceu não é conhecida. Esses aspectos são abordados nos primeiros tópicos deste capítulo. principalmente no que diz respeito ao aumento da produtividade agrícola. portanto. Entretanto.Fertilidade do solo e produtividade agrícola Os autores Alfredo Scheid Lopes Eng. Com o passar do tempo. E-mail: ascheidl@ufla. D.br Luiz Roberto Guimarães Guilherme Eng. com enfoque para as causas da baixa fertilidade dos solos. indissociável a estreita inter-relação entre fertilidade do solo e produtividade agrícola. pela sua evolução através dos tempos. permitiram que se alcançasse o patamar de conhecimento em que nos situamos hoje. Finalmente.Sc. sem esquecer os outros fatores de produção. a seguir. Um dos componentes mais importantes para esse desenvolvimento da agricultura. o uso eficiente de corretivos e de fertilizantes e as perspectivas quanto a fatores que nos permitem antever um papel de destaque para o Brasil. são mostrados três exemplos de como o crescimento sustentável da produtividade agrícola brasileira transcende aos seus efeitos apenas no campo. Isto foi resultado de uma série de inovações tecnológicas que surgiram baseadas em inúmeras pesquisas e também na difusão do uso dessas técnicas. o homem foi se tornando menos nômade e mais e mais dependente da terra em que vivia. como parte das ciências agrárias e afins. Agrônomo. é cada vez mais acentuada a importância que ela tem para a segurança alimentar no Brasil e no mundo. o manejo da fertilidade do solo no contexto atual e futuro da agricultura brasileira. É.Home Apresentação Sumário Créditos Capítulo 1 . Embora a disciplina Fertilidade do Solo. clãs e vilas se desenvolveram e. Histórico O período do desenvolvimento da raça humana durante o qual o homem iniciou o cultivo das plantas marca o nascimento da agricultura.E-mail: guilherme@ufla. D. no mundo e no Brasil. cada tonelada de fertilizante mineral aplicado em um hectare. com isto. Professor Emérito da UFLA. obtendo aumentos significativos na produtividade de um grande número de culturas. a produtividade agrícola brasileira. Segundo dados da Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO). 2. estudantes dessa disciplina geralmente desconhecem relatos pertinentes às observações práticas. Famílias. também. o ser humano tinha hábitos nômades e vivia quase exclusivamente da caça e colheita para a obtenção de seus alimentos.Sc. aos trabalhos de pesquisa e a outros fatos importantes que. equivale à produção de quatro novos hectares sem adubação. mas certamente foi há milhares de anos antes de Cristo. profundas implicações na preservação ambiental e no desenvolvimento econômico e social. Discute-se. notadamente nas últimas três décadas. de acordo com princípios que permitam sua máxima eficiência. Introdução A agricultura brasileira experimentou um grande desenvolvimento durante os últimos 100 anos. face à crescente demanda por alimentos no mundo. o desenvolvimento da habi- 33 FERTILIDADE DO SOLO E PRODUTIVIDADE AGRÍCOLA . Agrônomo. tendo. seja de implantação relativamente recente nas escolas e universidades. foi a pesquisa em fertilidade do solo e as inovações científicas e tecnológicas que permitiram o uso eficiente de corretivos e de fertilizantes na agricultura brasileira. Até então. Professor UFLA . como considerações finais. Consultor do ANDA.

6. e o rei contratou Hércules para limpá-lo. o fiel cão de caça de Odisseu. de modo a permitir que uma grande quantidade de silte fosse depositada. situada entre os rios Tigre e Eufrates. constituem-se numa tradução dessa literatura. provavelmente. O que deve ser destacado é que. Ele também endossava a prática hoje considerada boa .o uso de camas (palhas) nos estábulos. sobre a riqueza dos aluviões do rio Tigre. Diz-se que Hércules fez o seu trabalho.C. fazendo passar pelo estábulo o rio Alpheus. cerca de 300 a. assim surgiu a agricultura. era famoso por seu estábulo. fertilidade esta atribuída. que viveu entre 434 e 355 a. é descrito como estando em cima de tal monte de esterco quando o seu dono voltou depois de uma ausência de 20 anos. provavelmente. às enchentes anuais dos rios. a fertilidade do solo e a produtividade das culturas passaram a interagir mais ou menos profundamente. “. A prática de adicionar estercos de animais ou restos de vegetais ao solo. Ele mencionava que isso iria conservar a urina e as fezes e que o valor do húmus do esterco seria aumentado. Mesmo no épico poema grego a Odisséia. resultado de avançados sistemas de irrigação e solos de alta fertilidade.C. E outra vez escreveu. Teofrasto foi outro que deixou relatos. ou seja. Também é mencionado um monte de esterco. acrescidos de outros pontos históricos relevantes descritos por outros autores. mencionando que a água era deixada o maior tempo possível.1. É interessante notar que Teofrasto sugeriu que 2. Este estábulo não havia sido limpo por 30 anos. com rendimentos variando de 86 até 300 vezes em algumas áreas. observou que “o estado tinha ido às ruínas” porque “alguém não sabia que era importante aplicar esterco à terra”. Xenofonte. Nelson e Beaton (1990). o homem observou que certos solos não iriam produzir satisfatoriamente quando cultivados continuamente.000 cabeças de bovinos. que tinha 3. um lendário rei de Elis. quando o homem deixou as atividades nômades alimentando-se de produtos da caça e passou a se estabelecer em áreas mais definidas.C. nove séculos antes de Cristo. Teofrasto (372-287 a.C. ou seja. Na seqüência. As altas produções eram. é mencionada a aplicação de estercos em videiras. a fertilidade da terra e sua relação com a produtividade de cevada. Cerca de 2000 anos mais tarde. atribuído ao poeta grego.Home Apresentação Sumário Créditos lidade de produzir. mencionam. foi decorrente dessas observações.. entretanto. mas não se sabe como e quando a adubação realmente começou. Argos. que se acredita ter vivido entre 900 e 700 a. não existe nada tão bom como o esterco”. cego. A mitologia grega. são apresentados alguns fatos marcantes da história da fertilidade do solo no Brasil. Um dos capítulos mais concisos e objetivos sobre o passado e o presente da fertilidade do solo no mundo foi escrito por Tisdale. no livro Soil Fertility and Fertilizers. o historiador grego Heródoto relata suas viagens pela Mesopotâmia e menciona produtividades excepcionais obtidas pelos habitantes da região. onde se localiza atualmente o Iraque. em parte... 34 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE . pela primeira vez.) recomendava o uso abundante de estercos nos solos rasos. removendo os detritos e presumivelmente fazendo com que estes ficassem depositados nas terras adjacentes. para restaurar sua fertilidade. pelo pai de Odisseu. Homero. oferece uma explicação pitoresca: Augeas.1 a 2. desde a préhistória. fato que sugere uma sistemática coleta e armazenamento deste material..C. Com o passar do tempo. Os tópicos 2. Esses escritos sugerem que o uso de estercos era uma prática agrícola na Grécia.. Relatos antigos Uma das regiões do mundo onde existem evidências de civilizações muito antigas é a Mesopotâmia. O rei Augeas se recusou a pagar o prometido seguindo-se uma guerra na qual Hércules matou o rei. uma unidade de semente plantada levou a uma colheita de 86 a 300 unidades. concordando em dar-lhe 10% do seu rebanho em pagamento. a seguir. Documentos escritos em 2500 a. mas sugeria que solos ricos fossem menos adubados.

ovinos. suínos. mas provavelmente de uma forma mais poética por Omar Khayyam. bovinos e eqüinos. Muitos dos escribas da época concordavam.C. Os antigos também adubavam suas videiras e arvoredos com água que continha esterco dissolvido. mesmo quando densamente semeada e quando grandes quantidades de sementes eram produzidas. Que cada jacinto que brota no jardim Caído em seu regaço de alguma vez cabeça encantadora.) recomendava o uso de leguminosas.C. Um sistema de canais foi usado e existem evidências de utilização de um sistema para regulagem do fluxo. ervilhaca. Virgílio (70-19 a. fornecia alimento para o homem e para os animais. você semeará o trigo amarelo. trevo lupino. Teofrasto observou que um tipo de feijão (Vicia fava) era incorporado pela aração por agricultores da Tessália e Macedônia. que eram adequadas para a melhoria do solo. A adição de solo fértil 35 FERTILIDADE DO SOLO E PRODUTIVIDADE AGRÍCOLA . O valor dos adubos verdes. caprinos. Esta prática pode ter sido benéfica sob vários aspectos. foi logo reconhecido. ervilha. Não se sabe que cultura é essa. Ele observou que a cultura enriquecia o solo. Catão (234-149 a. Ele afirmava ainda que as melhores leguminosas para enriquecer o solo eram: feijão. trevo lupino e ervilhaca. As áreas de plantio de verduras e de oliveiras ao redor de Atenas eram enriquecidas com esgoto da cidade. e as citações do Velho Testamento são até anteriores a isso. que ao redor do fim do século XI escreveu: “Eu às vezes penso que nunca floresce tão vermelha A rosa como onde algum César enterrado sangrou. O uso do que atualmente é chamado de corretivos e fertilizantes minerais a serem aplicados ao solo. lentilha. particularmente das leguminosas. trevo e alfafa. não era totalmente desconhecido das antigas civilizações. onde antes você tinha colhido grãos de leguminosas com ferrugem nas vagens. que o trevo lupino era o melhor como adubo verde porque crescia bem sob uma grande variedade de condições do solo. mudando a estação. Estercos foram classificados de acordo com sua riqueza e concentração. Arquiloco fez essa observação ao redor de 700 a. O trevo lupino era muito popular entre os povos antigos. Acredita-se que o esgoto era vendido aos agricultores. entretanto. desenvolveu uma lista semelhante. Teofrasto sugeria a mistura de diferentes solos com a finalidade de “corrigir defeitos e adicionar força ao solo”.Home Apresentação Sumário Créditos plantas com maior exigência de nutrientes também teriam alto requerimento de água. listou-os na seguinte ordem decrescente de valor: humanos. como é indicado na passagem seguinte: “ou. Columelo listou numerosas leguminosas.) sugeriu que áreas pobres com videiras deveriam ser plantadas com cultura intercalar de Acinum. Os antigos não apenas reconheciam os méritos do esterco. mas também observavam o efeito que os corpos mortos tinham sobre o aumento do crescimento das culturas. ervilhaca e lupino amargo de talos frágeis ou arvoredos praguejados”.. por exemplo. inferindo-se que ela seria incorporada ao solo. No Deuteronômio é mencionado que o sangue de animais deveria ser espalhado no solo. era fácil de semear e crescia com rapidez. O aumento da fertilidade da terra que recebeu corpos mortos tem sido reconhecido através dos anos. o poeta-astrônomo da Pérsia.C. Teofrasto. mas classificou estercos de pássaros e outras aves como superiores aos excrementos humanos. num dos primeiros escritos sobre a agricultura romana. Varro. Columelo recomendava que se alimentasse o gado com trevo lucerna porque ele acreditava que isso iria enriquecer o esterco. E esta deliciosa planta cujo verde tenro Empluma a orla do rio na qual nós repousamos Ah! Repousemos sobre ela suavemente! Pois quem sabe Da beleza de quem está enterrado sob essas plantas”. mas sabe-se que ela não era deixada até produzir sementes. Mais tarde. incluindo.

FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE Columelo também sugeriu um teste de sabor para medir o grau de acidez e salinidade dos solos. e Xenofonte e Virgílio reportam a queima de restolhos para limpar os campos e destruir as ervas daninhas.) mas. que aprenderam esta prática com os gregos e gauleses. você deve marcar um lugar e fazer um buraco profundo no terreno sólido. será mostrado por um gesto de desagrado nos rostos dos provadores”.Home Apresentação Sumário Créditos sobre um solo infértil poderia levar a um aumento da fertilidade do solo. Plínio escreveu que “entre as provas que o solo é bom está a espessura comparativa do colmo do milho” e Columelo afirmou simplesmente que o melhor teste para a adequabilidade da terra para uma cultura específica seria se ela poderia crescer no mesmo. e com acentuado sabor amargo (onde o milho não se desenvolve). adicione água doce que brota da fonte e esteja certo de que toda a água irá drenar e grossas gotas passarão pelo vime. também. muitos ainda hoje) acreditavam que a cor do solo era um critério para avaliar sua fertilidade. a seguir. Aparentemente... e dê a primeira aradura à terra com touros robustos castrados”. A Bíblia menciona o valor das cinzas de madeira em referência à queima de roseiras selvagens e arbustos pelos judeus. Pegue do teto enfumaçado esteiras de vime e peneiras das prensas de vinho. O valor das margas também era conhecido. e a prática de misturar um solo com o outro poderia. Virgílio descreve outro método que poderia ser considerado hoje o protótipo de uma análise de solo: “(. mas se não houver a possibilidade de voltar todo o material para seu lugar. 36 .. Virgílio escreveu sobre a característica hoje conhecida como densidade do solo. o solo salgado. espere torrões de terra relutantes e espinhaços rijos. Columelo também sugeriu a distribuição de cinzas ou calcário em solos de baixada para “destruir” a acidez. Plínio (62-113 d. Salmoura foi mencionada por Teofrasto. sobre este assunto. no livro de Lucas. Os primitivos habitantes de Aegina escavavam as margas e as aplicavam nas suas terras. chegaram a classificar os vários materiais calcários e recomendavam que um tipo fosse aplicado às lavouras produtoras de grãos e outro às pastagens. Os romanos. Muitos dos escribas no passado (e. a mistura de um solo mais arenoso com um mais argiloso ou vice-versa poderia melhorar as relações de umidade e ar nos solos dos campos que recebiam esse tratamento.) afirmava que o calcário deveria ser espalhado para formar uma fina camada sob o terreno e que um tratamento era “suficiente para vários anos. Plínio afirmava que o uso de calcário queimado nos fornos era excelente para as oliveiras. Columelo também recomendava a distribuição das margas em um solo pedregoso e a mistura de cascalho com solos ricos em carbonato de cálcio e densos. Catão aconselhava um proprietário de videiras a queimar os restos da poda no local e enterrar as cinzas para enriquecer o solo. e Plínio afirmou que o sabor amargo dos solos poderia ser pela presença de ervas negras e subterrâneas.) primeiro. e sobrar terra após o buraco ter sido preenchido. e alguns agricultores queimavam o esterco e aplicavam as cinzas aos seus campos.. nivelando com seu pé a parte de cima. Também. e. retornar toda a terra para o seu lugar. os primeiros agricultores aplicavam salmouras nas raízes de suas árvores.C. O seu gosto será o indício de sua qualidade e o amargor ao ser percebido. mas não para 50”. Se for possível nivelar ou ainda houver espaço no buraco. Salitre ou nitrato de potássio (KNO3) foi mencionado por Teofrasto e Plínio como conveniente para adubar as plantas e isso é mencionado na Bíblia. reconhecendo que palmáceas necessitam de grandes quantidades de sal. o solo é solto e mais adequado para o gado e videiras generosas. irá dar prova de sua característica. Seu conselho em como determinar essa propriedade era: “(. trata-se de um solo denso. promover uma melhor inoculação das sementes de leguminosas em alguns campos. Encha-as com a terra de má qualidade.

e a filosofia de muitos dos Gregos deste período dominou o pensamento do homem por mais de 2000 anos. Damasco. Bassora. foi. 1982). lugares de trabalho. Na região de Granada e Sevilha. experimentais ou fundamentais foram minuciosamente recolhidas. 1982). acima de todo o saber humano. São descritas em detalhes as características que permitem identificar a terra de boa qualidade e as técnicas necessárias para a recuperação daquelas consideradas impróprias à agricultura. foram aprofundadas. das plantas e árvores que se beneficiam ou não dos diferentes tipos de fertilização. Nas Medinas. das épocas mais adequadas de sua aplicação. o agrônomo árabe-andaluz Ilu Al Awan (? – 1145). sem dúvida. da Grécia ou de Roma. Os capítulos sobre adubos e corretivos apresentam classificação dos diversos tipos de compostos e das técnicas possíveis de compostagem. Os capítulos sobre irrigação tratam dos diferentes tipos de água. indicam as formas de utilização de margas e calcários. do Egito ou de Caldéia . A contribuição da civilização árabe-islâmica foi muito marcante no desenvolvimento de uma agricultura próspera em regiões áridas e semi-áridas. superando-os e liberando-os dos sentidos místicos e sobrenaturais que os cercavam. na Ásia. como Cairo. sua agricultura foram copiados pelos Romanos. quais são convenientes a cada tipo de planta. do nivelamento dos terrenos e das várias técnicas de irrigação. eles são identificados em cerca de 12 classes. centros de culto e também focos de cultura e ciência. da construção de poços. com sua origem explicada pela desagregação das rochas pela ação da água e do calor. FERTILIDADE DO SOLO E PRODUTIVIDADE AGRÍCOLA 2. Bukhara. ressaltando a infertilidade dos solos negros de pântanos e a alta fertilidade dos solos claros da Líbia. sem o qual a modernidade atual teria sido impossível. com cerca de 1500 páginas. Seus escritos. em quadros. ultrapassando o simples acúmulo de conheci- 37 .teóricas ou práticas. Columelo não concordava com este ponto de vista. 1981). Nos capítulos que tratam dos solos. recriadas e repensadas de forma genial (CHATTY.C. agregando à literatura o conhecimento local testou as diferentes técnicas conhecidas gerando verdadeiros “jardins de ensaios” ou “estações experimentais”. 1982). 1981). as ciências do mundo inteiro – da China ou da Índia. Esta civilização criou as bases das ciências agrárias. O conhecimento adquirido e testado transformou-se na obra “O Livro da Agricultura”. em potes etc. Espanha. por submersão. Nesta obra. Samarkanda e Lahore.2. Istambul e Córdoba. Toda essa atividade intelectual gerou um desenvolvimento sem precedentes. A era dos Gregos de cerca de 800 a 200 a. três volumes e 35 capítulos. cuidadosamente conservadas.Home Apresentação Sumário Créditos A idéia geral é que solos pretos eram férteis e que solos claros ou cinza eram inférteis. mentos empíricos. textura e acidez eram muito melhores guias para se estimar a fertilidade do solo. na África. Muitos dos feitos de homens deste período refletem um trabalho de gênio inigualável. traduzidas para o árabe e comentadas com sabedoria. (MIRANDA. se verifica que os agrônomos andaluzes atingiram grande domínio na escolha do material vegetal e no controle dos fatores de produção especialmente dos solos e da água (MIRANDA. na Europa (CHATTY. sua cultura. Bagdá. uma época áurea. Marrakesh e Alexandria. Durante a longa presença árabe na Europa a agricultura mediterrânica conheceu aperfeiçoamento e complexidade sem precedentes (MIRANDA. O ambiente de tolerância e admiração pela diversidade cultural permitiram a combinação da grande experiência asiática com a riqueza do conhecimento do mediterrâneo. Isfaham. Fertilidade do solo nos primeiros dezoito séculos da era cristã O pensamento clássico grego e romano chegou ao ocidente graças ao florescimento das cidades islâmicas. Ele acreditava que fatores como estrutura. Fez.

Mayow estimou as quantidades de salitre no solo em várias épocas durante o ano e encontrou a maior concentração na primavera. Acreditava que a observação era o único caminho para a verdade.3 kg). sugeriu que salitre (KNO3) e não a água era o “princípio da vegetação”.7 kg). observou um substancial aumento no crescimento das mesmas. ainda. um químico alemão. Em função de ter adicionado apenas água. umedeceu o solo e plantou um pé de salgueiro pesando cinco libras (2. Ele tinha também interesse por biologia e era um grande defensor de métodos experimentais na solução de problemas relacionados à ciência. Glauber (1604-1668). Mais ou menos na mesma época. sua conclusão foi que a água era o único nutriente da planta.6 g) ao erro experimental. influenciou a agricultura européia. um químico inglês. Ele só não pode explicar a variação de peso de duas onças (56. Boyle é provavelmente mais conhecido por expressar a relação do volume de um gás a uma dada pressão. Este trabalho foi repetido vários anos mais tarde por Robert Boyle (1627-1691). contribuições valiosas para o nosso conhecimento. O trabalho de van Helmont e suas conclusões errôneas foram. mas foi mais além. terra e óleo. pelo adiantado da agronomia andaluza. o salitre deve ter sido originado das plantas. deu suporte às afirmações de Glauber. em particular. pouco foi adicionado ao conhecimento agrícola por muitos anos. Afirmando que como os animais comem forragem. Ele. Francis Bacon (1561-1624) sugeriu que o principal alimento das plantas era a água. Ele cuidadosamente protegeu o solo no vaso da poeira. mas o seu manuscrito parece estar restrito ao trabalho de escritores do tempo de Homero. na Inglaterra.R. Ele coletou o sal de currais de gado e ponderou que o sal vinha das fezes dos animais. Durante esse mesmo período. Jean Baptiste van Helmont (1577-1644). relatou os resultados de um experimento em que ele acreditava provar que a água era o único nutriente das plantas.7 kg) em um vaso. pois a expansão colonial francesa no norte da África se fundamentou no uso da tradução para o francês. A árvore pesava 169 libras e três onças (76. apesar de ter sido atribuído a Palissy. J.7 kg) de solo originalmente usadas. Após um período de cinco anos. a observação de que o teor de cinzas das plantas representava o material que elas tinham retirado do solo. Ele colocou 200 libras de solo (90. todos eles formados da água. concluiu que o salitre tinha sido absorvido ou adsorvido pela planta. De Crescenzi é considerado por alguns como o fundador da agronomia moderna. John Mayow (1643-1679). Ele acreditava que a principal função do solo era manter as plantas eretas e protegê-las do calor e do frio e que cada planta tirava do solo uma única substância para sua alimentação. apareceram poucas contribuições para o desenvolvimento da agricultura. um físico-químico flamengo. entretanto. Após o declínio de Roma. até a publicação de Opus ruralium comodorum. Boyle confirmou os resultados de van Helmont. Não encontrando nada durante o verão. especialmente a do mediterrâneo.Home Apresentação Sumário Créditos A monumental obra de Ilu Al Awan. Quando aplicou esse sal às plantas. Ao redor do início do século XVII. Sua contribuição foi principalmente fazer um resumo do material já existente. Após o trabalho de De Crescenzi. como manual de técnicas agrícolas a serem utilizadas pelos colonos. uma coleção de práticas agrícolas locais.6 g) das 200 libras (90. sugeriu um aumento das doses de esterco acima das recomendadas naquela época. em 1563. por Pietro de Crescenzi (1230-1307). durante seu período 38 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE . concluindo. pois apesar de serem erradas. até o século XIX. Bacon afirmava também que a produção contínua de um mesmo tipo de planta em um solo iria empobrecê-lo para aquela espécie em particular. que a fertilidade do solo e o valor do esterco eram totalmente devidos ao salitre. e adicionava somente água da chuva ou água destilada. Ele atribuiu a perda de duas onças de solo (56. van Helmont terminou o experimento. estimularam investigações posteriores cujos resultados levaram a um melhor entendimento da nutrição de plantas. Como resultado das análises químicas que fez em amostras de plantas. na verdade. concluiu que as plantas continham sais.

Jethro Tull (1674-1741). publicou o trabalho intitulado Annals of Agriculture. Parece ter tido interesse pela política. óleo e fogo em um estado fixo. Muitas idéias estranhas surgiram. como carvão. entretanto. em quarenta e seis volumes. a maioria envolvendo práticas agrícolas. vinho.Home Apresentação Sumário Créditos de crescimento rápido. Young conduziu trabalhos em vasos para encontrar aquelas substâncias que poderiam melhorar a produtividade das culturas. foi feito um estudo que pode ser considerado excepcional e que representou um avanço considerável para o progresso das ciências agrárias. um partidário de Tull. entretanto. água de rio. por muito tempo. que estava familiarizado com o trabalho de Boyle e van Helmont. Ele acreditava que a pressão causada pela expansão das raízes em crescimento forçava as partículas finas do solo para dentro das “bocas dos vasos das raízes”. Havia muita ignorância em relação à nutrição de plantas naquela época. salitre. Um dos mais famosos agricultores ingleses do século XVIII foi Arthur Young (1741-1820). água de esgoto e água de esgoto acrescida de mofo de jardim. mas problemas de saúde o forçaram a uma aposentadoria no campo e aí levou a cabo vários experimentos. óleo de máquinas. Seus experimentos. fez crescer plantas de hortelã em amostras de água que tinha obtido de várias procedências: água de chuva. Muitas das publicações envolvendo agricultura nos séculos XVII e XVIII refletiam a idéia de que as plantas eram compostas de uma substância. Ao redor de 1762. De acordo com Tull. ela representou um avanço no conhecimento. Ele conduziu experimentos em vasos para avaliar os efeitos de diferentes substâncias no crescimento das 39 FERTILIDADE DO SOLO E PRODUTIVIDADE AGRÍCOLA . cuja finalidade era a exibição pública dos resultados dos experimentos agrícolas. à medida que era aplicado ao solo. Observou que o crescimento das plantas foi proporcional à quantidade de impurezas na água e concluiu que o material da terra ou solo. Por volta do ano de 1700. entretanto. Cuidadosamente mediu a quantidade de água transpirada pelas plantas e anotou o peso das plantas no início e no fim do experimento. ao invés de água. bizarras. entre os quais se incluía ar. após o que. as partículas do solo seriam na verdade ingeridas através de aberturas nas raízes das plantas. esterco de galinha. tiveram evidência efêmera e foram esquecidas. Acreditava que o solo deveria ser finamente pulverizado para dar o “sustento adequado” para a planta em crescimento. e sua técnica experimental foi consideravelmente melhor do que qualquer outra anterior. As idéias de Tull sobre nutrição de plantas eram. e a maioria dos autores durante esse período estava buscando este principio da vegetação. no mínimo. Por volta de 1775. pólvora. Tull foi educado em Oxford. entraria no “sistema circulatório” das plantas. ostras e numerosos outros materiais. Francis Home afirmou que não havia apenas um princípio. Alguns dos materiais promoveram o crescimento das plantas e outros não. terra. Home acreditava que os problemas da agricultura eram essencialmente aqueles de nutrição das plantas. Um inglês de nome John Woodward. estabeleceu uma fazenda experimental na Inglaterra. Parte dessas idéias foi introduzida por outro inglês. água. considerado um texto importante no meio agrícola inglês. Seu livro Horse Hoeing Husbandry foi. um cuidado que é tão importante hoje como quando foi feito originalmente. que foi muito considerado e teve um grande impacto na agricultura Inglesa. levaram ao desenvolvimento de dois valiosos equipamentos de cultivo: a plantadeira em linha e o cultivador puxado por cavalos. entretanto. o que era considerado um pouco fora do comum para uma pessoa com propensão à agricultura. sais. alertava os leitores para terem cuidado ao dar crédito excessivo aos cálculos tomando por base os resultados de somente alguns anos de trabalho. mas provavelmente vários. John Wynn Baker. um escritor prolífico. piche. Apesar de sua conclusão não ser totalmente correta. Young. Ele fez crescer cevada em areia à qual adicionava materiais. era o princípio da vegetação. O trabalho de Baker foi elogiado mais tarde por Arthur Young que.

Se. Juntamente com essa descoberta. a maior parte era absorvida pelas raízes. o princípio da respiração. Sir Humphrey Davy.o efeito do ar e a origem dos sais nas plantas. 3. O H e O vêm da água. afirmou que. Davy estava tão entusiasmado com sua crença que recomendava o uso de óleo como fertilizante em função do seu teor de C e H.Home Apresentação Sumário Créditos plantas e fez análises químicas de materiais das plantas. 2. Justus von Liebig (1803-1873). que havia publicado seu livro The Elements of 40 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE . Seu trabalho foi considerado valioso pilar no progresso da agricultura científica. A maior parte do C nas plantas vem do dióxido de carbono da atmosfera. pesando e analisando os estercos que ele aplicava aos seus experimentos e também às culturas que ele colhia. as plantas fossem mantidas em um ambiente livre de CO2. Afastou efetivamente a idéia de que as plantas geravam espontaneamente o K e afirmou ainda que as raízes das plantas não se comportam como um mero filtro. embora algumas plantas pudessem absorver seu C do ar atmosférico. Além disso. de Saussure foi capaz de demonstrar que as plantas absorvem O2 e liberam CO2. Ele também mostrou a absorção diferencial dos sais e a inconstância da composição das plantas. Boussingault utilizava as técnicas cuidadosas de de Saussure. elas morreriam. permitindo uma entrada mais rápida da água do que dos sais. ocorreu a afirmação de Jean Senebier (1742-1809). Jan Ingenhousz (1730-1799) mostrou que a purificação do ar ocorre na presença de luz. Liebig fez as seguintes afirmações: 1. Boussingault é considerado por alguns como o pai da experimentação de campo. A segunda metade do século XIX até o início do século XX foi o período em que ocorreu grande progresso na compreensão da nutrição de plantas e da adubação das culturas. onde levou a cabo experimentos de campo. Ele manteve um balanço que mostrava quanto dos vários nutrientes de plantas vinham da chuva. mas ele demonstrou que o solo fornece cinzas e N. De Saussure concluiu que o solo fornece somente uma pequena fração dos nutrientes necessários às plantas. que estabeleceu uma propriedade na Alsácia. 2. cujo pai estava familiarizado com o trabalho de Senebier. 4. Progresso durante o século XIX Essas descobertas estimularam a mente de Theodore de Saussure. as membranas são seletivamente permeáveis. que varia com a natureza do solo e com a idade da planta. Como resultado. Ele atacou dois dos problemas nos quais Senebier tinha trabalhado . Além disso. do solo e do ar. O descobrimento do oxigênio por Priestley foi a chave para inúmeras outras descobertas que avançaram muito na explicação dos mistérios da vida das plantas. Os fosfatos são necessários para a formação das sementes. um filósofo e historiador suíço. Dentre os homens desse período que deixaram grandes contribuições está Jean Baptiste Boussingault (1802-1882).3. um químico alemão. A apresentação de seu trabalho em um respeitado congresso científico mexeu com os conservadores de tal forma que somente alguns cientistas desde aquela época ousaram sugerir que o conteúdo de C nas plantas vem de outra fonte que não o CO2. analisava a composição das culturas durante vários estádios de crescimento e determinava que a melhor rotação de culturas foi aquela que produziu a maior quantidade de matéria orgânica além daquela adicionada por meio do esterco. A conclusão de De Saussure de que o carbono contido nas plantas vinha do ar não foi imediatamente aceita por seus colegas. de que o aumento no peso do salgueiro no experimento de van Helmont foi resultado do ar. mas no escuro o ar não é purificado. entretanto. um químico francês muito viajado. observou que as plantas poderiam absorver CO2 e liberar O2 na presença da luz. muito efetivamente “fez desabar” o mito do húmus. Os metais alcalinos são necessários para a neutralização dos ácidos formados pelas plantas como resultado de suas atividades metabólicas. em 1813. Agricultural Chemistry.

sejam aumentados em cem vezes”.. 4. 1984). iniciado em 1843 e sendo conduzido até hoje (LAWES Agriculture Trust. as produtividades apresentam uma relação direta. o fertilizante foi um completo fracasso. Não obstante. Doze anos após a fundação da estação de Rothamsted. Este é o fator que governa e controla . de uma estação experimental agrícola em Rothamsted. em 1843.a produtividade . vêm sendo aplicados.. Nem todas as idéias de Liebig. não se obterá crescimento. anualmente. Outro fato marcante após o famoso trabalho de Liebig foi o estabelecimento. P e K. independentemente das quantidades de P e K presentes. entretanto. mas ele cometeu um erro fundindo sais de K e P com calcário. Desde o início. A contribuição da quantidade de N na forma de amônia. na França. H. A lei do Liebig ou lei do mínimo dominou o pensamento dos pesquisadores na agricultura por muito tempo e tem tido uma importância universal no manejo da fertilidade do solo. Com esse mínimo. Os trabalhos conduzidos nessa estação experimental seguiam a mesma linha daqueles conduzidos por Boussingault. a fertilidade do solo poderia ser mantida por alguns anos por meio de fertilizantes químicos. Lawes e J. cujos valores de produção média (cinco anos) podem ser conferidos no Guide to the Classical Experiments. 2.cada campo contém um máximo de um ou mais e um mínimo de um ou mais nutrientes. é insuficiente para as necessidades das culturas. provam de maneira conclusiva que isso pode ser feito. ácido fosfórico. apresentaram os seguintes pontos: 1. foi colhido trigo sarraceno. e mesmo hoje em alguns lugares. Ele pensava que o ácido acético era excretado pelas raízes. Também acreditava que o NH4+ era a única forma de N absorvida e que as plantas poderiam obter esse composto do solo. mas a composição da cinza das plantas não se constitui em uma medida das quantidades desses constituintes necessários à planta. 3... sílica. Se o mínimo for calcário . uma série de tratamentos. mas excretam de suas raízes aqueles materiais que não são essenciais. as contribuições de Liebig para o desenvolvimento da agricultura foram monumentais. do Lawes Agriculture Trust já citado. Liebig acreditava firmemente que analisando a planta e estudando os elementos que ela continha. as culturas necessitam de ambos. etc . poder-se-ia formular um conjunto de recomendações de fertilizantes.. também. na Inglaterra. do esterco ou do ar.. Lawes e Gilbert não acreditavam que todas as afirmações de Liebig eram corretas.. Por muito tempo. o efeito benéfico do pousio está no aumento da disponibilidade de compostos de N no solo. nitrogênio.. será a mesma e não maior mesmo que as quantidades de potássio. 41 FERTILIDADE DO SOLO E PRODUTIVIDADE AGRÍCOLA . entretanto.Home Apresentação Sumário Créditos 5.. portanto 150 anos após o início do experimento. Sem este elemento. A lei do mínimo estabelecida por Liebig em 1862 é um guia simples mas lógico de se fazer a previsão das respostas das plantas à adubação. os agricultores foram relutantes em acreditar que a fertilidade poderia ser mantida somente pelo uso de fertilizantes minerais. Essa lei diz o seguinte: “. pela atmosfera. com base nessas análises. Os primeiros trabalhos em Rothamsted. Os fundadores dessa instituição foram J. Gilbert. ácido fosfórico. seja calcário. eram corretas. magnésia ou qualquer outro nutriente. Era sua opinião. que o crescimento das plantas era proporcional à quantidade de substâncias minerais disponíveis nos fertilizantes.produtividades. B. Liebig produziu um fertilizante com base nas suas idéias de nutrição de plantas. comparando fertilizantes orgânicos e minerais. e ele é muito merecidamente reconhecido como o pai da química agrícola. A formulação de uma mistura fazia sentido. culturas não leguminosas necessitam do fornecimento de N. As plantas absorvem tudo indiscriminadamente do solo. potássio.. De 1979 a 1983. Uma das provas mais inquestionáveis nesse sentido é o relato do experimento denominado Broadbalk Winter Wheat. Como resultado.

Home Apresentação Sumário Créditos É obvio que uma aplicação anual de 35 toneladas de esterco de curral (o que envolveu um grande volume de material e um trabalho intenso para aplicação ao solo). não isolaram os organismos responsáveis por esse processo. durante 150 anos. Isto foi feito mais tarde por M.7 toneladas por hectare. O aumento de crescimento da pastagem na área onde o gesso havia sido aplicado serviu como uma demonstração efetiva do seu valor como fertilizante. Desenvolvimento da fertilidade do solo nos Estados Unidos Apesar de a maioria dos avanços na agricultura do século XVIII terem sido alcançados no continente europeu. pode substituir a adubação com fertilizantes minerais. O problema do N do solo e das plantas permanecia sem solução. que fez o isolamento usando uma placa com sílica-gel. Em alguns casos elas cresciam bem sem a aplicação de N. Oglethorpe estabeleceu uma área experimental nas encostas íngremes do Rio Savana. na Georgia. Esses cientistas purificaram água de esgoto fazendo-a passar por um filtro feito de areia e calcário. sempre deixavam de crescer quando havia quantidade insuficiente de N no solo. não foi capaz de isolar os organismos responsáveis pela nitrificação. como um empreendimento americano. Em uma colina em sua propriedade. 4 . Ele mostrou que a nitrificação poderia ser paralisada pelo bissulfeto de carbono e clorofórmio e que o processo poderia ser reiniciado pela adição de solo não esterilizado. Com referência ao comportamento errático das plantas leguminosas em relação ao N. entretanto. Mas como essa área foi na maior parte resultado do interesse de britânicos. Hellriegel e Wilfarth. em 1886. É também óbvio que a adubação mineral balanceada. Também demonstrou que a reação era um fenômeno que ocorria em duas fases. em nitrato. No fim desse período começou a aparecer nitrato no filtrado. porque esses organismos são autotróficos e obtêm seu C do CO2 da atmosfera. A área era dedicada à produção de culturas alimentícias exóticas e era citada como um lugar de “belezas” enquanto foi mantida. Eles. umas poucas contribuições de americanos foram suficientemente importantes para serem mencionadas. Benjamin Franklin demonstrou o valor do gesso agrícola. W. alguma luz surgiu nessa confusão. Em 1733. James E. onde hoje se localiza a cidade de Savana. que produziu a média de 5. Esta tarefa foi resolvida por S. Em 1878. Winogradsky. Theodore Schloessing e Alfred Müntz. Mais tarde. ele aplicou gesso num padrão de distribuição com a seguinte frase: “Esta terra foi gessada”. primeiro a amônia sendo convertida em nitrito e. Schloessing e Müntz constataram que a produção de nitratos poderia ser paralisada pela adição de clorofórmio e que poderia ser reiniciada pela adição de um pouco de água de esgoto.4 2. subseqüentemente. por outro lado. Os resultados destes experimentos foram aplicados a solos por Robert Warrington. enquanto em outras situações não havia crescimento das plantas. Esta foi a primeira informação específica em relação à fixação de N2 pelas leguminosas. Beijerinck. Concluíram que a nitrificação era resultado da ação bacteriana. Hellriegel e Wilfarth utilizaram como base para os seus argumentos as observações feitas em alguns dos seus experimentos. dois alemães. 2. 42 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE . Vários estudiosos tinham observado o comportamento não convencional das leguminosas. ao invés do meio de cultura de ágar. pode substituir a adubação orgânica e que o simples enriquecimento da adubação orgânica com 96 quilos por hectare de nitrogênio mineral por ano levou às maiores produções. pelo trabalho de dois bacteriologistas franceses. Houve perda de interesse pela mesma e logo ela deixou de existir. em sua essência. Warrington. Analisaram o filtrado periodicamente e por vinte e oito dias somente detectaram amônia. concluíram que uma bactéria deveria estar presente nos nódulos das raízes das leguminosas. Plantas não leguminosas. entretanto. que denominou o organismo de Bacillus radicícola. estes organismos foram associados à sua capacidade de assimilar N2 gasoso da atmosfera para convertê-lo em uma forma que poderia ser utilizada por plantas superiores. na Inglaterra. ela provavelmente não pode ser considerada.

o estabelecimento de uma fazenda experimental. e. Hilgard (1833-1916) estabeleceu que a solubilidade máxima dos minerais do solo em HCl foi obtida quando o ácido tinha peso específico de 1. Foi somente em 1862 que o Ministério da Agricultura foi estabelecido. em sua mensagem anual ao congresso. o Presidente George Washington. teve suporte de fundos estaduais.9 mol L -1 ). Algumas das contribuições mais importantes para a agricultura americana no passado foram feitas por Edmond Ruffin. Dois cientistas que muito contribuíram para o desenvolvimento do interesse por fertilidade do solo nos Estados Unidos foram Milton Whitney e C. uma metodologia científica nos estudos dos problemas da agricultura foi gradualmente desenvolvida no país. Em 1877. Ohio e Massachusetts. G. Mais tarde. aveia e rotações com trevo foi uma prática contínua nesse estado por muitos anos.em Middletown.115 kg L -1 (~7. a lei Hatch levou à implantação de estações experimentais estaduais que seriam operacionalizadas em conjunto com os land-grant colleges. Em 1888. a Lei Morril levou ao estabelecimento das escolas estaduais de agricultura.000. Hopkins. A digestão em ácido forte tornou-se muito popular e grande número de análises de solos foram feitas por esse método. defendeu o estabelecimento do comitê nacional de agricultura. A idéia de se proceder à extração de nutrientes de solos com ácidos para determinar sua fertilidade persistia. W. por outro lado. que havia uma generalizada necessidade de fertilizantes fosfatados. que K era geralmente deficiente nos solos da região da planície costeira e que N era particularmente deficiente nos solos do sul do país. Acredita-se que ele tenha sido um dos primeiros a utilizar calcário em solos da região úmida para repor nutrientes perdidos pela remoção das culturas e lixiviação. entre seus objetivos. essa foi aparentemente uma nova experiência na América. concluiu que os solos de Illinois necessitavam apenas de calcário e P e pregou essa doutrina de forma tão eficaz que o uso de calcário e fosfato de rocha nas culturas do milho. os principais problemas de fertilidade do solo podiam ser geralmente delimitados.Home Apresentação Sumário Créditos Em 1785. Logo na virada do século XX. seguindo-se New Jersey. New York. entre 1825 e 1845. foi mostrado que havia pouca fundamentação para assumir que esta técnica poderia obter dados de maior valor e o seu uso foi descontinuado. mas os argumentos conflitantes muito fizeram para estimular o pensamento dos cientistas agrícolas desse período. Onze anos após. eles se envolveram em uma controvérsia que atraiu atenção nacional e que. Como resultado desses estudos exaustivos. de fato. no mesmo ano. e uma dotação anual de US$15. um leitor estudioso e possuía uma mente aguçada e inquisitiva. por exemplo. A controvérsia entre Whitney e Hopkins finalmente diminuiu. acreditava que essa filosofia levaria à exaustão do solo e a sério declínio na produção das culturas. Apesar da maioria dos primeiros trabalhos experimentais terem sido muito mais demonstrações de resultados. o que corresponde à concentração do ácido obtida após fervura prolongada. Ruffin era um observador cuidadoso. No início do século XX.00 foi disponibilizada para cada estado como suporte. da Virgínia. uma sociedade foi formada na Carolina do Sul e tinha. a Carolina do Norte estabeleceu uma unidade semelhante. Fez um levantamento dos solos de Illinois e considerou a fertilidade do solo a um sistema semelhante à “contabilidade”. tornou-se muito amarga. A primeira estação experimental agrícola estabelecida em 1875. Foi mostrado. e E. Hilgard deu significância particular para esse fato. Whitney defendia que o suprimento total de nutrientes nos solos era inexaurível e que o fator importante sob o ponto de vista de nutrição de plantas era a taxa pela qual estes nutrientes iam para a solução do solo. Connecticut. a maior parte das estações experimentais tinha parcelas experimentais no campo que mostravam os benefícios extraordinários da adubação. Como resultado desses experimentos. Os so- 43 FERTILIDADE DO SOLO E PRODUTIVIDADE AGRÍCOLA . As idéias de Whitney foram mostradas pelo menos parcialmente incorretas. Apesar do uso do calcário para aumentar a produção das culturas ser conhecido em outros continentes. Hopkins.

especialmente nitrogênio. Em decorrência da eliminação da umidade do solo como um fator limitante. Os frutos desses estudos são aparentes em todos os lugares.5. é obvia a importância de um contínuo aumento na produção de alimentos. Rússia. Nova Zelândia. nos centros de pesquisas agrícolas e outros. fósforo. Austrália. Centenas de hectares podem ser irrigados com os maiores sistemas. muito progresso foi alcançado no sentido de compreender os problemas de fertilidade do solo. bem supridos de Ca. a água é transferida para as lavouras por aspersores ligados a tubos condutores alto-propelidos que se movem em círculos sobre a área. irrigação ou controle de pestes podem. Avanços nas pesquisas foram alcançados. Pesquisas têm demonstrado que o plantio direto pode aumentar a eficiência de uso da água e diminuir a erosão do solo. constituído de fotografias infravermelhas tomadas de grandes altitudes. O sensoriamento remoto. Durante os últimos 30 anos. Estes avanços vão colocar “pressão” adicional na terra e farão aumentar ainda mais a importância que a fertilidade do solo exerce na produção das culturas. O interesse por análises para avaliação da fertilidade do solo “explodiu” mais uma vez. Enumerar aqueles estudos cujas contribuições levaram ao progresso no conhecimento iria requerer muito mais espaço do que o disponível neste capítulo. é usado para determinar as condições das culturas. logo se tornou aparente que recomendações generalizadas de fertilizantes. que começaram seus trabalhos ao redor de 1600 continuaram a dar grandes passos nesse sentido. além de outros países. já colocados em prática. Embora um quadro geral do estado de fertilidade dos solos dos Estados Unidos tenha sido razoavelmente bem definido. que eram consideradas marginais para a produção das culturas por causa da falta de água. A continuidade das pesquisas em todas as fases da produção agrícola é necessária. assim como dos Estados Unidos. que podem contribuir para o aumento da produção agrícola no futuro. e o mundo livre. Fertilizantes fluídos e pesticidas podem também ser distribuídos por esses sistemas. Alemanha. Este tipo de manejo pode ter efeito considerável nas exigências das culturas em relação a certos nutrientes. ou. com melhores vestuários e moradias do que em qualquer época no passado. Os pesquisadores da França. não deveriam ser feitas. de fato. Canadá. Olhando para o século XXI À medida que as civilizações entram no século XXI e a população do mundo continua a aumentar. alimentada e vestida.Home Apresentação Sumário Créditos los a leste do rio Mississipi eram geralmente ácidos e precisavam de calcário. solucionaram muitos problemas que dificultavam o progresso da ciência. porém mais pesquisas são necessárias para desenvolver práticas adequadas de fertilidade do solo para utilização no plantio direto. estão hoje com altos níveis de produtividade em decorrência do desenvolvimento dos sistemas de irrigação com “pivots” centrais. se a população crescente tem que ser 44 . Esses avanços não foram de trabalhos de cientistas de um único país. é hoje mais bem alimentado. assim como cada talhão da propriedade. regra geral. mostram grandes perspectivas para aumentar a produtividade das culturas e aumentar a eficiência da produção agrícola. Problemas relativos a solos. provocando aumento na produtividade das culturas. Poços são perfurados no centro desses campos. Isto não poderia ser possível se a produção das culturas hoje estivesse no patamar da Europa durante o “escurantismo” da Idade Média. ser detectados e corrigidos a tempo de prevenir sérias diminuições na produtividade. fazendo com que a produção agrícola nos países desenvolvidos seja mais alta hoje do que nunca antes. Alguns dos avanços que surgem no horizonte. de maneira geral. Em muitas áreas nos mais diversos países. Escandinávia. Cada propriedade requeria atenção individual. pode-se obter maior eficiência FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE 2. com base nesse conhecimento. enquanto aqueles a oeste desse rio eram. freqüentemente. grandes extensões de terra. potássio e enxofre. Os ingleses. quando a produtividade média de grãos era de 6 a 10 bushels acre-1 (450 a 750 kg ha-1).

Alguns dos materiais que têm sido ou estão sendo desenvolvidos incluem os fertilizantes nitrogenados de liberação len- ta. existem desenvolvimentos promissores na captação de água e uso mais eficiente da umidade para a produção das culturas. Entretanto. com a calibração das análises de solos geralmente obtidas anos atrás. A necessidade de fertilizantes e sistemas para sua aplicação sob irrigação por gotejamento precisa de mais estudos. A irrigação por gotejamento pode reduzir em 50% a água atualmente em uso nos sistemas convencionais de irrigação. é concebível que maior eficiência fotossintética. Para que essas fontes de água de alto custo sejam utilizadas de modo mais eficiente pelas culturas. Sistemas de produção das culturas envolvendo esses métodos de manejo da umidade do solo. tais como adubação. A eficiência da irrigação é um tema importante em várias áreas do mundo que apresentam limitado suprimento de água para uso agrícola. Pesquisadores agrícolas devem investigar questões de natureza fundamental. mais altos teores de proteínas e vitaminas. aquelas que tratam mais do porquê das coisas do que do o quê. Altas produtividades das culturas impõem diferentes exigências de nutrientes. em conjunto com outros fatores para a obtenção de altas produtividades. em decorrência de resultados inconsistentes. melhor resistência a doenças e pragas e outros fatores podem ser introduzidos em outras espécies desejáveis de culturas. conseqüentemente. Um novo desenvolvimento aparece com destaque no horizonte. Se e quando esta ciência tornar-se perfeita. nas práticas de adubação. Para cada problema resolvido por um cientista. qualidades desejáveis de um gênero ou espécie podem ser transferidas para outra. Doses de fertilizantes que dão respostas satisfatórias com produtividades do milho de 8 t ha-1 não serão adequadas aos tetos de produtividades de 12 t ha-1 ou mais. Estas alterações genéticas poderão causar um grande impacto nas exigências nutricionais e. 45 FERTILIDADE DO SOLO E PRODUTIVIDADE AGRÍCOLA . doses dos nutrientes necessárias para teores diferentes de análises de solo podem ser muito baixas para as altas produtividades das culturas hoje obtidas e maiores ainda no futuro. mais pesquisas são necessárias para se determinar quais condições são determinantes para a obtenção de respostas claras em relação a esse método de adubação. Um número considerável de informações adicionais é necessário antes dessas análises se tornarem mais do que guias refinados de adubação e calagem das culturas. polifosfatos de alta concentração. muitos outros aparecem. o suprimento de nutrientes disponível deve ser otimizado. compostos magnesianos adequados ao uso em fertilizantes fluídos completos. Por meio desta técnica de transplante de genes. micronutrientes na forma de quelatos e fertilizantes com altos teores de enxofre para uso em fertilizantes sólidos e líquidos. Adubação foliar de outros nutrientes além dos micronutrientes promete tornar-se uma prática agrícola geral em algumas áreas. Progressos na agricultura dependem de pesquisas de alta importância. variedades e híbridos e época de plantio. hoje. Esse tipo de experimentação no campo é uma exigência necessária para o contínuo aumento da eficiência de produção das culturas.Home Apresentação Sumário Créditos no uso de fertilizantes. Além disso. e os custos de produção podem diminuir. Em várias regiões semi-áridas do mundo. Concomitantemente ao desenvolvimento dessas novas tecnologias e produtos deve-se efetuar uma avaliação contínua de sua eficiência por meio de experimentações de curto e longo prazos. o qual pode ter um impacto profundo na produção agrícola e do desenvolvimento recente da ciência de genética molecular. precisam ser estudados. A utilização dessas técnicas não só continua como está aumentando. Melhorias têm sido obtidas e deverão continuar a ser alcançadas no desenvolvimento de materiais fertilizantes mais eficientes. Análises de solos e de plantas como instrumentos para determinar as necessidades de fertilizantes e calcário para as culturas têm sido utilizadas por muitos anos.

sua implicação com a produtividade das culturas até os dias atuais. esforço e pensamentos que foram dedicados nos últimos 4. oxydo de ferro e alumina” nos mais diferentes tipos de estercos animais produzidos nas fazendas: compostos. 1895). turfa. 119 anos atrás. As análises químicas realizadas no então Instituto Agronômico do estado de São Paulo. etc. o austríaco Dr. envolviam a determinação em partes por mil de “agua. potassa. seguindo-se trabalhos envolvendo fertilidade do solo e o uso de fertilizantes orgânicos e minerais mais tarde.500 anos para acumular aquilo que ainda é conhecimento insuficiente. Os grandes ciclos da canade-açúcar e do café se alicerçaram. Franz W. Bolliger. soda. estão os registros das análises de solos pioneiras no Brasil.1. dos quais se tinha pouca informação sobre características químicas. mas de forma empírica no passado. chifres. de autoria do Dr. Dafert. desde o seu descobrimento.Home Apresentação Sumário Créditos Não é objetivo desse capítulo cobrir todos os eventos significativos do desenvolvimento da ciência da Fertilidade do Solo. no País. composição e modos de aplicação. acido phosphorico. esse segmento do conhecimento é bastante recente como ciência. na época chamados de “estrumes nacionaes” (DAFERT. outro químico importante que trabalhava no IAC na época.6. restos de criação (ossos. o primeiro diretor desta instituição. os fertilizantes utilizados nas lavouras eram basicamente produtos orgânicos. fornecendo inclusive pareceres sobre adubação. Certamente.). o IAC já realizava análises de solo para cafeicultores paulistas. Em 1892. mas nos capítulos seguintes deste livro confirma-se a importância de tais eventos para o progresso da fertilidade do solo. palhas de milho e feijão. serão relatados a seguir alguns pontos importantes da evolução dessa área do conhecimento da Ciência do Solo no Brasil. os avanços obtidos no fim do século XIX e no século XX foram grandes responsáveis pelo estádio atual de nosso conhecimento. acido silicico e areia. estando muito mais atrelado a programas envolvendo essa área do conhecimento do que a pesquisadores individualmente. bem como 46 . bal pioneiros fertilidade erti 2. sangue. por meio de observações práticas do início. Trabalhos pioneiros em fertilidade do solo e adubação Segundo Heitor Cantarella. Os demais métodos empregados em análise de solo foram publicados em 1895. Até aquela época. cabelos. casca de café. pelo Dr. magnesia. Também em 1895 foi publicado um dos primeiros trabalhos sobre fertilidade do solo no Brasil. Fatos marcantes da evolução da fertilidade do solo no Brasil A história do desenvolvimento da agricultura no Brasil. Nessa época. estabelecessem-se as bases para a prática da adubação que permitisse a exploração contínua das propriedades rurais. já havia uma publicação do IAC sobre métodos para a determinação de nitrogênio em solos. Franz W. chloro e fluor. e muito mais poderia ter sido escrito. É muito difícil destacar os fatos mais marcantes da evolução da fertilidade do solo no Brasil. acido sulfúrico. Muitos dados foram omitidos. no início. ligada à fertilidade do solo. trouxe para o Brasil a experiência européia sobre análise de solo e no primeiro relatório da então Estação Agronômica de Campinas. hoje IAC. azoto. Esses avanços foram apenas superficialmente cobertos neste capítulo. Em resumo. bagaço de cana. está diretamente. na fertilidade natural dos solos das matas e na migração para novas áreas quando essa fertilidade natural se exauria. excrementos humanos. espera-se que este capítulo possa dar ao estudante algumas idéias em relação ao tempo. Dafert. que fornece detalhes sobre a análise química de fertilizantes orgânicos. substancias organicas. como re- marcan cantes ev fer er2. cal. pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas (IAC). uma vez que. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE Passaram-se muitas décadas até que. além de outros estrumes. Entretanto. profundo conhecedor da química agrícola de sua época. mesmo com a possibilidade de pecar por omissão. em 1889.6.

quando todos os animaes estiverem em estábulos. – No curso dos estudos que estão sendo feitos pela Commissão á meu cargo para uma Memoria geológica sobre as jazidas de ferro de Ipanema. cuja composição naturalmente dependerá dos componentes empregados”. cinzas de bagaço de cana. palha de milho. de consideravel importancia industrial para o fabrico de estrumes fertilizados. ossos. para uma besta de montaria. sangue. restos de curtume e serragem. Mas não há meio de obter apezar disto uma parte considerável do seu esterco? Respondemos sem exitação – sim –. a entrarem de noite. pois. Construamos por exemplo em nossos pastos ranchos abertos. Três amostras tiradas em diversos pontos e submetidas á analyse deram. resíduos de destilação da cana. etc. assim dizia o autor: “O estrume denominado composto é uma mistura de todos os resíduos. restos e mais substancias sem valor immediato. talvez não inferior a do próprio minereo de ferro. etc. bagaço de sementes de oleaginosas. tiremos-lhe um pouco da liberdade e tornemol-o um pouco mais productivo”. Tal objecção tem certo fundamento. lixo. Derby chamou a atenção do governo de São Paulo: “Snr. folhas cahidas. o Dr. Pesquizas feitas com o intuito de determinar (tanseguro sobre a possibilidade de seu aproveitamento industrial) a quantidade e a qualidade das jazidas de Apatite. bem misturados e depositados em covas ou túmulos até á decomposição completa. resíduos de cozinha (feijão.Home Apresentação Sumário Créditos síduos da fabricação do gás de iluminação. principalmente o de bovinos. Teremos assim ganho mais uma cousa: a preservação dos animaes. Sendo este theor em acido phosphorico superior ao de muitos Phosphatos que são aproveitados na industria. facto este que faz lembrar a associação analoga em muitas das famosas minas de ferro de Suécia e Noruega. permanecer num calor de 60o C durante horas e horas para receber depois uma chuva de pedra nas costas ou a geada de noite. Presidente. Civilizemos um pouco nosso gado. durante a chuva. Deve-se destacar. A rocha contendo Apatite. existentes ou produzidas na fazenda. café). de seu lado. reboco.ainda. O resultado será que nos depositarão nestes ranchos grande parte do esterco que sem elles estaria perdido. ha bem fundados motivos para acreditar que as jazidas de Ipanema possam servir de base de uma industria que seria lucrativa para os emprehen- Quanto ao uso de estercos. neste documento. cabellos.. ou phosphato de cal. o autor já mencionava estratégias que permitiriam a sua concentração em determinados lugares. por introduzir phosphoro no producto do forno. quando em 1891. deram o mais satisfactorio resultado.38%. dão um estrume de primeira ordem. é. lama de tanques. para um boi de trabalho. Orville A. acaba-se de verificar um facto que julgo de meu dever trazer ao conhecimento do Governo sem esperar a publicação da dita Memoria. Em muitas amostras de minereo de ferro e em outras rochas do lugar nota-se a presença do mineral Apatite. ás vezes também das roças. reunidas e preparadas para fins de estrumação. É verdade que será muito mais fácil trabalhar com esterco. affirme que é bom para uma vacca de leite. mas que não se póde obtel-o porque os nossos animaes estão no pasto”. cuja mistura com os minereos de ferro é extremamente prejudicial. indica uma possança relativamente enorme. Em relação ao composto. matto capinado. Enquanto não cultivamos forragens boas tão extensamente que possamos dispensar todos os pastos – e isto não se dará talvez mais neste seculo – precisamos nos accommodar ao facto de que a maior parte dos nossos animaes passeiem pelos gramados. de acido phophorico: 16. o que talvez tenha sido uma das primeiras menções sobre a ocorrência de rochas fosfáticas no Brasil. achamos que não haverá pessoa alguma que 47 FERTILIDADE DO SOLO E PRODUTIVIDADE AGRÍCOLA to quanto for necessario para poder formar o juizo . apatita. para facilitar a coleta e distribuição: “Muitas vezes se ouve dizer que o esterco póde ser muito bom para as plantas. Todas as cinzas da cozinha das caldeiras. Este mineral. baratos e acostumemos os nossos animaes a comerem alli o seu milho e sal. que está á mostra em dois pontos diversos.36 a 30.

os chamados saes alimentícios puros . com autorização do autor pelo diretor. em português. que tem respeitado a Apatite enquanto transformou em barro as impurezas com que ella se acha misturada. É muitíssimo recommendavel o emprego do sal alimentício em fórma de solução. na escolha dos saes alimentícios. nos capítulos I e II. Este tópico envolve não apenas recomendações de adubação para um total de dezessete culturas. nas palavras textuais do autor: “Chamarei sal alimentício uma mistura de saes de estrumação concentrados. Além do theor relativamente alto do elemento fertilizante. em 30 de Novembro de 1891. como as análises de solos e foliar. é feita uma descrição detalhada dos adubos mais importantes para árvores frutíferas e legumes. No capítulo III. em 1893 (WAGNER. Paulo. em virtude da decomposição profunda da rocha. É que. Derby. flores e nos jardins. embora essas recomendações não tenham sido baseadas em uso de técnicas da diagnose da fertilidade do solo. Assignado: Dr. e nos jardins”. comuns nos dias atuais. No capítulo VI. Paulo. Paulo”.phophato de potássio. um dos mais completos guias de recomendação de adubação. é muito facil. Orville A. é applicavel a todas as culturas. contendo 1 g de sal em 1 litro de água”. que recommendo para a estrumação de jardins e de plantas em vasos. legumes e flores. 25 de azotato de potássio e 20 de sulfato de ammoniaco e em 100 partes contêm 13 partes de acido phosphorico. para as flores e jardins existentes no mercado: “(. Chefe da Commisão Geographica e Geológica do Estado de S. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE Outro trabalho bastante amplo e que merece destaque. phosphato de ammoniaco e azotato de potássio. 1895). farinha de chifre. legumes. segundo a proporção das substancias alimentícias. publicados até então. são apresentadas “regras especiaes para uma boa applicação dos adubos do commercio na cultura das plantas fructiferas. 25 de azotato de sódio (salitre do Chile). até hoje exploradas. e mistura de saes alimentícios para plantas de jardim em vasos”. chlorureto de potássio e sulfato de potassa. de modo que corresponda mais ou menos á necessidade media de estrumação das varias plantas de cultura. Um aspecto interessante dos chamados “saes alimentícios” mencionados anteriormente é que estes talvez se constituam numa das primeiras menções de fertilizantes foliares ou fertirrigação no Brasil. em quilos por hectare e gramas por metro quadrado. Inicia com uma discussão sucinta sobre as substâncias das quais vive a planta e quais as substâncias mais importantes para a sua adubação. Nos capítulos IV e V.. – S.. – Saude e fraternidade. ha em Ipanema uma outra circumstancia extremamente favoravel que não me consta existir em nenhuma das jazidas de Apatite. obter o mineral em estado de pureza quase absoluta. Esta mistura de saes que se póde mesmo preparar ou comprar em qualquer negocio de estrumes. Um dos casos foi a cultura da cevada pelo uso de “¼ g de acido phosphorico em forma de super- 48 . O sal alimentício compôe-se de: 30 partes de phosphato de ammoniaco. talvez. foi considerado que entre os ácidos e as bases (também das substancias accessorias que existem em quantidades mínimas) procure-se obter a relação equilibrada. Paul Wagner sob o título: A applicação de adubos articiciaes na cultura das arvores fructiferas. Escolheuse.Home Apresentação Sumário Créditos dedores e de vantagem incalculavel para a Lavoura brasileira. – Ao Muito Digno Presidente do Estado de S.)escoria de Thomas e superphosphato. procurou-se responder a duas perguntas: “Quaes as condições do solo e da cultura mais favoráveis ao bom efeito dos adubos?” e “Os adubos do commercio podem também exercer má influencia sobre as plantas?”. foi o do Professor Dr. salitre chileno e sulfato de ammoniaco. resíduos de sementes oleaginosas. Foi. e. mas também mostra 21 fotos de dezenas de experimentos conduzidos em vasos onde foram observadas respostas amplamente positivas pelo uso dos mais diferentes tipos e doses desses “adubos do commercio”. por meio de uma lavagem muito rapida e economica. traduzido do alemão. 13 de azoto e 11 de potassa.

em terreno de cerrado. foi descrito que: “(. destocar. o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e a Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ) foram grandes colaboradores. 2ª) adubação com escória de Thomas. Esse procedimento prático constituiu-se nos preparativos para a instalação da primeira experiência agrícola sobre manejo dos solos de cerrado no Brasil Central. “sem acido phosphorico”. até então considerada uma região de terras pobres e pouco produtivas. Um fato interessante é que uma das missões originais do IRI no Brasil era identificar as razões do declínio da produção de café nas terras exauridas de São Paulo e corrigi-las economicamente.4º GAAE.Home Apresentação Sumário Créditos phosphato e ½ g de acido phosphorico em forma de farinha fina de escoria de Thomas”. a Diretoria de Agricultura.2.. a queima da madeira e 49 FERTILIDADE DO SOLO E PRODUTIVIDADE AGRÍCOLA . o mestre de cultura Américo de Souza Barbosa. em sua maior parte concentrada em direção ao noroeste. ou seja. a terra de cerrado. 2000). Cabia ao encarregado dos serviços. era território de cerrado. O envolvimento do IRI com os problemas de fertilidade dos solos de cerrado era originalmente um projeto de nível secundário. por 14 anos ininterruptos. comparado com o tratamento testemunha. onde se poderia verificar a utilização e o comportamento das culturas”. A experiência de Sete Lagoas avaliou a produtividade de milho e feijão sob quatro condições: 1ª) adubação com esterco de curral. bem como inúmeras pessoas individualmente também colaboraram por meio de análises laboratoriais e outros tipos de assistência. em 1963. Como resultado. Era uma experiência absolutamente nova. Comércio e Colonização noticiou que fora estabelecido. Os trabalhos aí encetados foram bem descritos. em vasos que foram “estrumados” com azoto e potassa. o sistema tradicional de produção de café no Brasil incluía a derrubada da mata. município de Sete Lagoas. era produtiva”. Em 1907. 2.. “um pequeno campo de experiência. sustentaram os trabalhos num período crítico. foi desenvolvido no início de 1900 (EMBRAPA – Milho e Sorgo. por envolver as fases de descoberta. As fases seguintes de adoção e implementação receberam aportes substanciais da USAID e da Fundação Ford.6.)as plantas das três partes adubadas desenvolveram-se satisfatoriamente. que. ainda. envolvendo a adubação em solos da região dos cerrados. Várias organizações do governo brasileiro.84 ha) nas proximidades de Sete Lagoas. confirmação e desenvolvimento inicial do uso das áreas de cerrados. Programa do IRI Um dos programas mais importantes envolvendo os aspectos de fertilidade do solo e produtividade das culturas no Brasil foi o iniciado em 1950 pelo Instituto de Pesquisas IBEC. Cerca de 20% da área central de Minas Gerais. cercá-lo de arame e dividilo em quatro partes iguais. Em 1950. Fundado pelos irmãos David e Nelson Rockefeller e associados. no dia 14 de agosto. passaria a denominar-se Instituto de Pesquisas IRI (HARRINGTON e SORENSON. que nada produziu. adubada de modo adequado. fertilizantes. roçar. proporcionando grãos nas duas culturas. sem adubação alguma. gradear o terreno. com a participação de vários grupos privados dos setores de corretivos. arar. onde hoje se situa o 4º Grupo de Artilharia Antiaérea . Fica-se a imaginar o sucesso que uma publicação como essa deve ter tido naquela época!!! Um dos primeiros trabalhos. os fundos para a fase inicial vieram pessoalmente dos irmãos Rockefeller e do “Fundo Irmãos Rockefeller”. A área citada se localiza no Distrito de Wenceslau Braz. defensivos e da indústria algodoeira. quando o IRI iniciou seu trabalho. Em São Paulo. com características de experimento de campo. com área de um alqueire (4. 3ª) adubação com salitre do Chile. 4ª) testemunha. que. 2004). ao contrário da testemunha. sendo três partes adubadas e uma testemunha sem adubação. contando.

que serviriam como guia para os trabalhos que seriam posteriormente levados para o campo. na fazenda. além de excelentes informações a respeito das produtividades dos vários talhões. e com a coordenação do Instituto Agronômico da Campinas. pois esta demandaria cerca de cinco anos para atingir a maturidade e algumas décadas para completar um ciclo de vida. quando então as áreas eram abandonadas e destinadas a pastagens e exploração da pecuária. Convencionou-se então que o programa deveria ser iniciado com experimentos em vasos na casa de vegetação. constituía-se num programa prático e focado no campo. Em 1956. a experimentação com o uso de culturas de ciclo curto traria progressos mais rápidos no objetivo final de obter informações economicamente viáveis para a cultura do café.Home Apresentação Sumário Créditos o plantio da lavoura nas áreas desmatadas. além de ter como meta principal a recuperação de solos de antigas matas para a produção de café. assim como trabalhos anteriores executados pelos ingleses. A visão técnica era de que um largo espectro de possíveis tratamentos poderia ser ava- 50 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE . À medida que as lavouras de café eram abandonadas e as áreas eram destinadas a atividades com menor demanda de mão-de-obra. instituição líder na pesquisa do café no Brasil. As informações meteorológicas locais foram exaustivamente estudadas e. o Dr. na Indonésia. em Matão. uso do esterco de curral e outros tratamentos visando ao aumento da produtividade. Lott. as plantações de café foram sendo empurradas rapidamente para as regiões de clima marginal do Paraná. O Programa de Lavouras de Café estudou o uso de técnicas. Colin McClung que. adubações com NPK. o IRI iniciou um Programa Intensivo de Fertilidade de Solos sob a supervisão do Dr. do IRI. 13 elementos minerais essenciais para o crescimento das plantas. problemas de nematóides nas raízes. para conhecer melhor os problemas nutricionais. Simultaneamente. preços de vendas e outras variáveis. irrigação. Além disso. notadamente nos solos dos cerrados. que incluía a revisão de toda a literatura publicada no Brasil e em outros países da América Latina. a produtividade geralmente declinava abaixo do ponto de interesse. Medcalf. visava também identificar os fatores importantes na fertilidade do solo para o desenvolvimento de outras culturas da época. A maioria dos plantios dessa fazenda deuse na época do “boom” do café. talhões de várias idades e em diferentes tipos de solos. e pelos holandeses. Esse sistema apresentava inúmeras repercussões negativas. auxiliou o Instituto Agronômico de Campinas a montar o primeiro laboratório de análises foliares da América Latina. durante a década de 1920. situação típica das antigas fazendas de café do estado. Um aspecto amplamente favorável à pesquisa é que havia. cobertura morta. Após esse período. estado de São Paulo. tais como: calagem. sob o comando de James C. Nessa época. utilização de micronutrientes quelatizados. e grande parte da lavoura estava decadente em termos de produtividade. tendo como base a Fazenda Cambuhy (também chamada de Fazendas Paulistas). cujas características tinham alguma similaridade àqueles extremamente degradados oriundos das florestas. De acordo com o Dr. danos de geadas. trazendo complicações adicionais para interpretações estatísticas confiáveis. como a pecuária e outras culturas menos lucrativas. nas folhas do café. plantio intercalar de leguminosas. Wreal L. ocorria uma desagregação nas comunidades locais e suas economias. Esse laboratório analisava. Um aspecto interessante foi a forma técnica de encarar o problema de degradação da cafeicultura. McClung. na África Oriental. O Programa de Lavouras de Café. A fertilidade natural do solo era explorada por 20 ou 30 anos. o café caracterizava-se pelo ciclo bienal de produção. onde as geadas se constituíam uma ameaça constante. custos de produção. a prática de “derrubar e queimar” já havia consumido a maior parte da mata virgem do estado de São Paulo. fertilizantes utilizados. Problemas nutricionais ou carências que poderiam limitar a produção do cafeeiro eram examinados da mesma forma que as análises de sangue são usadas para diagnósticos médicos.

mandioca. foram publicados em 23 boletins técnicos. uma em São Joaquim da Barra (SP). Projeto FAO/ANDA /ABCAR Em 1969. foi a principal planta-teste. já existia uma quantidade suficiente de resultados em vasos que justificasse o início de um grupo expressivo de experimentos de campo. das 58 publicações do IRI durante sua história. os ensaios de adubação já eram 750.500 campos de demonstração envolvendo as culturas do algodão. no Triângulo Mineiro e no sul de Minas Gerais. que foi chefe da seção de Fertilidade do Solo do Instituto Agronômico de Campinas.500 e os estados alcançados pelo projeto. o Banco do Nordeste. S e Mo. uma figura legendária encarregada de cuidar do planejamento geral. entre outros. Coordenado pelo escritório regional da ANDA no Nordeste. os quais eram usados nas culturas da cana-de-açúcar. ficando evidente que havia necessidade de muito mais trabalho de campo para se chegar a uma “sintonia fina” das necessidades de nutrientes e outros insumos para se atingir produtividades mais rentáveis. atendendo ao pedido de Bernardo Sayão. nove. onde o ciclo se completaria em três meses ou menos. citros. do desenvolvimento e construção do novo Distrito Federal (Brasília). Isso resultou em 45 mil demonstrações de resultados instalados em propriedades rurais para cerca de 1 milhão de agricultores. A inspiradora e parceira do projeto foi a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). Projet FA AND ABCAR ojeto 2. em Alagoas. Tal foi o êxito do projeto. que apresentavam um consumo incipiente de fertilizantes. em Pernambuco. preocupado com a capacidade dos solos reconhecidamente pobres dos cerrados de produzir alimentos para suprir Brasília. já compreendia 3000 campos experimentais. o projeto foi prorrogado por três anos e abrangeu mais seis produtos: cana-de-açúcar. em Recife. que há seis anos comandava o mesmo tipo de ação em 17 países. uma gramínea de crescimento rápido. K. N. Posteriormente. abacaxi. e de fumo. Os resultados obtidos nas produções desses campos demonstrativos indicaram que os solos dos cerrados eram deficientes em diversos nutrientes para as plantas e que estas respondiam prontamente ao uso de calcário e de fertilizantes. notas técnicas. conhecido como Projeto FAO/ ANDA/ABCAR. em 1975. As duas localidades apresentaram resultados diferentes. P. Respostas em termos de crescimento e produtividade foram obtidas com a adição de calcário dolomítico. Em meados de 1958. onde o algodão e a soja foram as plantas-teste. Outra importante parceira do programa foi a Associação Brasileira de Crédito e Assistência Rural (ABCAR). Nos 51 FERTILIDADE DO SOLO E PRODUTIVIDADE AGRÍCOLA . por solicitação do agente financeiro da região. partiu-se para o plantio de café para testar os efeitos dos tratamentos mais promissores. como um projeto da Campanha Mundial Contra a Fome. Com base nos resultados das casas de vegetação. assim como as culturas no mesmo local. milho.3. que o mesmo foi estendido para outras regiões do País em 1972 e chegou aos estados do Nordeste. Duas localidades de cerrados foram escolhidas. e outra em Anápolis (GO). ao longo dos anos. Em 1977. mamona. comandado primeiro por Marcos Rocha e depois pelo saudoso Hermano Gargantini. foram instalados 300 ensaios de adubação e 1. Zn. cebola e sorgo. milho.6. Universidades e Órgãos de Pesquisa e Extensão. soja. com duração aproximada de até seis meses. soja e algodão. Após o acúmulo de um sólido conhecimento a partir desses experimentos. Os resultados dessas pesquisas envolvendo a área de fertilidade do solo. feijão e algodão no sul de Goiás. Em 1977. Na época. O milheto “Pérola” (Pennisetum americanum).Home Apresentação Sumário Créditos liado nas casas de vegetação. o trabalho mobilizou o Ministério da Agricultura. arroz e feijão. a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) deu início a um ambicioso projeto visando instalar 500 campos de demonstração de resultados de adubos em lavouras de arroz. Secretarias Estaduais. entidade à época responsável pela extensão rural em todo o País. os experimentos de campo foram então instalados com milho. o projeto se estendeu para o Mato Grosso e. os campos demonstrativos 3. da Bahia ao Maranhão.

no Rio Grande do Sul. encontraria uma só paisagem até o rio Uruguai. expandindo-se.Home Apresentação Sumário Créditos seis anos em que atuou no Nordeste. em fertilidade do solo.4 Operação 2. denominado Operação Tatu. já havia solicitação de 80 municípios para participar do projeto.000 kg ha-1 de calcário. de pedra. especialmente. isto é. com destaque para a baixa disponibilidade de nutrientes. doses “homeopáticas”. nas décadas de 1950 e 1960. “atafonas” para a produção de farinha de mandioca. sendo o centro de cimento. o projeto FAO/ANDA/ABCAR atingiu 347 municípios. indicador de solo pobre. foi a famosa Operação Tatu. Operação Tatu Outro programa que alterou a fertilidade do solo. trigo. no Espírito Santo (batatinha) e nos cerrados. que. a baixa produtividade. a partir de 1967. principalmente. Adubos e corretivos eram simplesmente taxados de “antieconômicos”. Os campos experimentais eram comumente conduzidos com a fertilidade “natural”. em 1972 que. sendo executado pelo Departamento de Solos da Faculdade de Agronomia da UFRGS. onde o alvo foram as culturas de milho e algodão. Quênia. à época. e nas pastagens da Companhia de Melhoramentos do Norte do Paraná. isto é. O relato que segue. a partir de Soledade. que objetivava corrigir a aci- 2. quem de Porto Alegre subisse ao Planalto Riograndense. A ANDA atuou com projeto semelhante no Paraná. e 50 kg ha-1 de P2O5. As respostas eram baixas ou nulas. foi esse o motivo que levou a FAO a adiantar na reunião de Roma. a paisagem era a mesma. pela Secretaria da Agricultura. Esse trabalho foi repetido em Santa Rosa. Nas cidades. figuram o Brasil. resistentes à inanição. Argélia e Indonésia”. soja. tinha bases errôneas. mostra que. no Rio Grande do Sul (milho. “dentre os países onde o Programa de Fertilizantes apresenta resultados técnicos positivos e onde existe bom aproveitamento desses resultados. especificamente em âmbito regional. pelo Ministério da Agricultura através do Instituto de Pesquisas e Experimentação Agropecuária do Sul (IPEAS) e pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA). arroz). soja. mantinha um convênio de cooperação técnica com a Universidade de Winsconsin. especialmente. Não se 52 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE . Nessa época foram iniciados os trabalhos de pesquisa visando à identificação dos fatores responsáveis pela baixa produtividade dos solos do estado do Rio Grande do Sul. sem amarração ao tipo e análise de solo. EUA. o fósforo. As recomendações técnicas eram para reduzir o uso de insumos: 500 a 1. Era comum realizar a plantação de soja intercalada com outra planta. a acidez e os níveis tóxicos de alumínio e manganês. O primeiro município em que foi implantado o projeto foi Ibirubá. Sem dúvida. na fronteira com a Argentina: campos com capim barba-de-bode (Aristida pallens). O Projeto de Melhoramento da Fertilidade do Solo. para Três de Maio. Em 1968. em 1976. Até a fronteira era terra batida. (2006) e SBCS-CQFS (2004). e as laterais. A estrada era pavimentada até São Leopoldo. surgiu com a implantação do Curso de Pós-Graduação em Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). com as pequenas lavouras coloniais de milho. Aquela paisagem mudava apenas na região de Santa Rosa. para a obtenção de cultivares “rústicos” ou tolerantes. 4 . considerava a real necessidade das plantas para o crescimento e produtividade adequados. em 1965. de Santa Maria para o norte. A denominação Operação Tatu foi devida à base na coleta de amostras do solo (cavando buracos) para análise química. e uma ou outra pequena lavoura de trigo ou de mandioca. adaptado de Jardim Freire et al. com o apoio do IBEC Research Institute (IRI). à fronteira de Santa Catarina. para oeste.6. mandioca e. isto é. Tuparendi e Horizontina. sob a coordenação da Associação Rural de Santa Rosa e da Associação Sulina de Crédito e Assistência Rural (ASCAR). Havia preocupação em muitos centros. como milho ou mandioca. A situação geral da pesquisa agronômica. poucas indústrias de máquinas agrícolas rudimentares.6.

No estado de Santa Catarina. o agente do banco. o prefeito. Nos experimentos e nas lavouras. Os trabalhos de campo.000 kg ha-1 de calcário passaram a ter a recomendação de 4. estendendo-se. em média. UFRGS. O Banco do Brasil passou a considerar a primeira aplicação de calcário e fertilizantes como investimento (pagamento de três a cinco anos) e as posteriores eram consideradas custeio.8 para 5. para atingir valor de pH 6. A comunidade local fazia o projeto considerando a necessidade de calcário. em 20 lavouras.200 kg ha-1. Os teores de P e K estavam adequados. foi elaborado o Plano de Recuperação da Fertilidade do Solo. Uma avalia- ção dos efeitos desse projeto foi feito por Mielniczuk e Anghinoni (1976). fertilizante. a produtividade de soja no Sul era de 1. com a instalação de 16 lavouras demonstrativas. adubação corretiva e de manutenção e calagem pelo índice SMP para atingir pH 6. ou mais. pela ASCAR 53 FERTILIDADE DO SOLO E PRODUTIVIDADE AGRÍCOLA . e foi criada a rede Riograndense e Catarinense de Laboratórios de Análise de Solo (ROLAS). obtendo altos rendimentos dos cultivos.000 ou 5. Os trabalhos de campo foram executados no município de Nova Veneza. UFSM. Nos anos seguintes. e 300 mil toneladas. com a cultura do milho. até 1976.6 e a necessidade de calcário de 6. para ser executado a partir de 1969 e com duração prevista até 1975. denominado Operação Fertilidade. os líderes da comunidade. demonstravam também entusiasmo pela utilização de práticas de melhoria da fertilidade e conservação do solo. Após um período de cinco a sete anos da primeira aplicação de calcário. conservação do solo e variedades mais produtivas. João Mielniczuk.0. UFPEL. a partir da safra de 1970/71. Foi então implantada e difundida a filosofia para a obtenção de alta fertilidade e alta produtividade. e o rendimento médio no Rio Grande do Sul atingiu 2. além de outras medidas de melhoria de manejo. de Tapera e de Espumoso. o pH médio passou de 4. John Murdock e Marvin Beaty J. foram executados pela Secretaria da Agricultura daquele estado e pela Associação de Crédito e Assistência Rural do Estado de Santa Catarina (ACARESC).2 t ha-1. Sérgio Wolkweiss e Egon Klamt. enfim. Para a obtenção de crédito do Banco. Nessa época. seguindo as normas técnicas preconizadas pelo Plano. o técnico rural. crédito etc.000 kg ha-1. a produtividade da soja passou de 2.200 kg ha-1. O consumo de calcário e de fertilizantes teve alto incremento. além da Secretaria de Agricultura. Lavouras demonstrativas eram estabelecidas. e pela Faculdade de Agronomia da UFRGS. em 1970. K. Surgiram então outros laboratórios de análise do solo. em meados de 1968.Home Apresentação Sumário Créditos dez e a fertilidade do solo. Stammel. o Plano se expandiu para todo o estado. além de controlar a erosão e estimular o emprego de melhores cultivares e a adoção de novas práticas de cultivo. teor de matéria orgânica e a adubação nitrogenada para as culturas não leguminosas. e o consumo de calcário atingiu aproximadamente 50 mil toneladas. Solos em que a recomendação era de 500 ou no máximo 1. e os produtores haviam corrigido o solo no restante da propriedade. as entidades de classe.000 para 3. envolvendo o agrônomo. A Operação Tatu manteve ações intensas até 1974.1 t ha-1 de calcário. nos municípios de Santa Rosa. além da aplicação de outros fertilizantes. entre elas. pelo menos.040 kg ha-1. em 1980. 8. a partir dos resultados obtidos pela Operação Tatu no estado do Rio Grande do Sul.0-6.5. Destacam-se. foram aplicadas. P. Nessas lavouras..9 para 2. na elaboração e execução do projeto da Operação Tatu: pela Universidade de Wisconsin (EUA). era necessário comprovar a análise do solo e a compra de inoculante de rizóbio para a soja.000 kg ha-1. R. O rendimento médio dessas lavouras foi de 5. Os estudantes de pós-graduação colhiam as amostras do solo e procediam às análises químicas para determinar a necessidade de calcário. especialmente o P. em 1969. José G. Caravanas de ônibus de outras regiões iam ver os resultados em Santa Rosa. João Rui Jardim Freire. o que correspondia a um efeito residual de 50% em relação à primeira calagem. região sul do estado de Santa Catarina.

nas décadas de 60 e 70. pelos Professores J. sendo repetida sempre uma amostra-controle com características de fertilidade conhecidas. no Rio de Janeiro. para extração do K e P) era feita nos onze erlenmeyers que continham as amostras dispostas em bandejas de alumínio. juntamente com Leandro Vettori. entre outros. nos 31 laboratórios brasileiros que realizavam essas análises. em dezenas de países na América Latina. e Mn no mesmo extrato do Mehlich-1. CTC. e os modelos de laboratórios e orientações para a sua fabricação e montagem foram distribuídos. Em seguida. foram incluídos sistemas semiautomatizados para a determinação do S. Mg e Al. para aferição dos resultados. W. A adição das soluções extratoras (KCl. dos extratos do Mehlich-1. Leandro Vettori e do “mestre” Juca Abreu. dentre outros. por meio de um sistema de pipetagem automática a vácuo. de uma série de laboratórios com sistemas de pipetagem automática que permitiam a cada laboratório a execução de até 150 análises de rotina por dia. Talvez as maiores contribuições resultantes da Operação Tatu tenham sido a introdução do princípio da calagem total. pelo International Soil Testing Project. para a determinação do Ca e Mg trocáveis por titulação com EDTA. também via pipetagem automática. foram desenvolvidos no Departamento de Ciência do Solo da North Carolina State University. colaborou decisivamente para o sucesso do programa.6. a aplicação. Até então. foi assinado um projeto entre a North Carolina State University e a Agência Internacional de Desenvolvimento dos EUA (USAID). que. matéria orgânica. Cu. pelo NaOH 0. hoje difundidas em todo o País. nas quais os respectivos volumes uniformes eram medidos em séries de onze amos- FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE tras. a capacidade máxima diária de operação era.5. estando mui- 54 . em uma só vez. talvez. que permitiam aumentar em cerca de 10 vezes a capacidade diária de análises nos laboratórios já em operação. Deve ser ressaltado o trabalho fantástico do Dr. da quantidade de calcário necessária para corrigir a acidez do solo ao nível desejado e o desenvolvimento do conceito das adubações corretivas (principalmente de P e K). International Soil Fertility Evaluation and Improvement Project Em junho de 1963. e ajudar governos e agências que quisessem colaborar no desenvolvimento e manutenção de programas adequados de análise de solo. sem custo. que já tinham aparelhos de absorção atômica. também. Posteriormente. para extração de Ca. Pedro Carpenedo. Hunter. A tarefa de pesagem das amostras de solos já preparadas foi substituída pelas chamadas “cachimbadas”. cujos objetivos primários eram: documentar as necessidades em relação à fertilidade do solo e à aplicação de adubos com a finalidade de aumentar a produção agrícola na América Latina. onze alíquotas para a determinação de K por fotometria de chama e do P por colorimetria. B. Fitts e Arvel H. do antigo Serviço Nacional de Levantamento e Conservação de Solo. Após a agitação e um período de repouso durante a noite. Hermano Gargantini e Raul Edgar Kalchmann. onze extratos do líquido sobrenadante por vez. utilizadas na recuperação da fertilidade do solo. e de Al trocável.025 mol L-1. como líder local. 2. Fe. Os protótipos desses laboratórios. R. e o extrator Mehlich-1 (H2SO4 + HCl). Uma das maiores contribuições desse convênio para o desenvolvimento da análise de solos como um instrumento de diagnose da fertilidade do solo e recomendação de calcário e fertilizantes para a agricultura brasileira foi a instalação. ou seja.Home Apresentação Sumário Créditos (Emater) Paulo Kappel e. sendo as bases dos pipetadores fabricados em bronze. artesanalmente. Outros conjuntos de pipetadores eram utilizados para se obterem alíquotas dos extratos de KCl. Zn. B (pelo extrator de água quente). Cate foi indicado como Diretor Regional do projeto no Brasil e. fabricavam os componentes básicos desses equipamentos. O pH em água era também determinado em séries de onze amostras num processo semi-automatizado. tiravam-se. de 10 a 20 amostras. essas bandejas com as amostras eram levadas a um agitador horizontal para o período normal de agitação e extração. Os laboratórios mais privilegiados. determinavam. O Dr.

Programas interlaboratoriais de controle de qualidade de análises de solos FERTILIDADE DO SOLO E PRODUTIVIDADE AGRÍCOLA Um dos aspectos mais importantes ligados à fertilidade do solo e uso eficiente de corretivos e fertilizantes é que os laboratórios que se dedicam à execução de análises de solos. b) movimentação de Ca e Mg no solo. g) adubação com K e Mg. orientações básicas de como realizar trabalhos em casa de vegetação e experimentos em campo. nos diversos estados do País.6. opical Soils Resear Projec esearch oject 2. coordenado pelo Dr. i) adubação nitrogenada de culturas anuais etc. EUA. como instrumento básico e insubstituível nas tomadas de decisão.Home Apresentação Sumário Créditos tos em perfeita atividade até hoje.6. profundidade de incorporação e efeito residual. esse projeto estabeleceu. hoje. Leandro Vettori. Além de contribuir para o desenvolvimento da análise de solos no Brasil. com o objetivo de melhor calibrar os resultados das análises de solos com as respostas à adubação para diversas culturas. durante muitos anos. No Brasil. doses e métodos de aplicação da adubação fosfatada corretiva e de manutenção.7 Progr ogramas interlabora oriais terlabor controontr 2. O Programa Nacional de Fertilidade do Solo. por meio do contrato AID/csd 2806. Isso tem sido uma preocupação constante da Seção IV – Fertilidade do Solo e Nutrição de Plantas da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo. O primeiro programa regional (ROLAS) envolvendo análises de solo foi estabelecido nos estados 55 . c) aprofundamento do sistema radicular pelo uso do gesso agrícola. e) efeito residual de doses. e contando com o apoio financeiro da USAID. o que levou a um grande esforço daqueles que atuam nesses segmentos. Tropical Soils Research Project Iniciado em julho de 1970. d) fontes.6. esses pipetadores. em estreita colaboração com a Universidade de Cornell e North Carolina State University (EUA) e pesquisadores do recém-criado Centro de Pesquisas Agropecuárias do Cerrado (CPAC). diluidores e dispensadores passaram a serem fabricados por empresas produtoras de instrumentos e equipamentos de laboratório no Brasil. envolvendo os mais diversos aspectos básicos de manejo da fertilidade dos solos sob vegetação de cerrados. Os objetivos da fase 1 do projeto foram rever. estabelecido em decorrência do International Soil Testing Project. analisar e interpretar a literatura publicada e outras fontes de informação relacionadas aos fatores de solo que influenciavam a produção das culturas nas regiões tropicais da América Latina e identificar os principais problemas e locais para pesquisas mais aprofundadas a serem desenvolvidas na fase 2 do projeto. métodos e épocas de aplicação de P. Deve-se enfatizar que muitos dos princípios de manejo da fertilidade dos solos sob cerrado obtidos desses experimentos são válidos e aplicáveis até hoje. também sob a responsabilidade do Departamento de Ciência do Solo da North Carolina State University.7. por meio de suas inúmeras publicações. no sentido de montarem programas regionais de controle de qualidade de laboratórios de análise de solos. este projeto representou uma suplementação e complementação às atividades do International Soil Fertility Evaluation and Improvement Project. foram desenvolvidas várias teses de mestrado e de PhD. evoluiu posteriormente para as Reuniões Brasileiras de Fertilidade do Solo e Nutrição de Plantas e. para as Reuniões Brasileiras de Fertilidade e Biologia do Solo (FERTBIO). com destaque para: a) métodos de recomendação da calcário. f) movimentação de K no solo.6. Posteriormente. apresentem confiabilidade nos seus resultados. de outros países e do Brasil. contando com estudantes 2. h) respostas à aplicação de micronutrientes e calibração de análises de solo. funcionou para discutir os resultados desse convênio no Brasil. nos anos 70 e 80. que.

Os laboratórios devem enviar os resultados de macro e micronutrientes dessas amostras respeitando os prazos estabelecidos. o programa teve o objetivo de possibilitar aos seus participantes um diferencial no mercado.9. no envio periódico. recomendações de corretivos e fertilizantes para as mais diferentes culturas. e o PAQLF. de amostras para verificação de possíveis desvios em relação à média dos resultados obtidos em todos os laboratórios. Até o início da década de 60. dividindo-se assim as análises ao longo do ano.8. pesquisa e extensão de vários estados no Brasil. iniciado em 1986. conta atualmente com a participação efetiva de 119 laboratórios. a partir daí. Sob a coordenação do Prof. em um valioso instrumento na avaliação da fertilidade do solo e recomendação de fertilizantes.e muito menos de análises foliares . o PROFERT-MG. além de um situado no Uruguai. o Programa. O Programa baseia-se no envio de 16 amostrascontrole de tecido vegetal. principalmente. Atualmente. Programa Interlaboratorial de Análise de etal ecido egeta Tecido Vegetal Este programa de âmbito nacional. desde o ano de 1988. em 1968. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE 2. com o intuito de estimular e fomentar a prática da análise de tecido vegetal. o CELA-PR. da ESALQ-USP (em Piracicaba.como base para a recomendação de corretivos e fertili- 56 . O princípio básico de atuação desses programas regionais envolveu. iniciado em 1995. Anualmente. Godofredo Cesar Vitti. 2. os resultados de quatro amostras devem ser enviados. Porcentagem de acertos e freqüência de envio dos resultados são utilizados para a avaliação final e. por estado ou região. na análise foliar. Outros programas envolvem os laboratórios de vários estados que realizam os trabalhos de análise seguindo diferentes orientações. no Paraná. envolvendo laboratórios de diversos estados e/ou regiões brasileiras que utilizam o método da Embrapa desde 1992. no sentido de elaborarem. materiais vegetais das mais variadas culturas são coletados para compor cada uma delas. uma nota é dada. A cada ano. identificadas apenas por um numero. cuja área de atuação. e continua em operação até hoje. mas. Aqueles laboratórios que não se enquadrarem dentro de um teste de proficiência são orientados no sentido de buscar os motivos de diferenças dos resultados e correção dos mesmos.Home Apresentação Sumário Créditos do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Inicialmente com 15 laboratórios. no Brasil. SP). não havia. que são sistematicamente repetidas em relação a certo número de amostras de terceiros (normalmente a décima primeira amostra de uma série automatizada de 11 amostras). que possui somente similares em âmbito mundial localizados na Holanda e França. pelo órgão coordenador. Em cada prazo. que se constitui. ligado à Sociedade Brasileira de Ciência do Solo. A avaliação dos resultados é realizada por meio de um procedimento estatístico elaborado especialmente para o Programa. além da inclusão de amostrascontrole de solos. em alguns casos. garantindo uma análise de tecido vegetal correta e confiável a seus clientes. como o sistema IAC.6. com base na análise de solos e. é principalmente o estado de Minas Gerais. de acordo com a faixa de porcentagem de acerto do laboratório. trabalhos de correlação e calibração de análises de solos . os laboratórios que estiverem dentro dos padrões preestabelecidos recebem um selo de confiabilidade dos seus resultados. Recomendações oficiais de corretivos e fertilizantes Um outro aspecto de grande relevância envolvendo fertilidade do solo e produtividade das culturas no Brasil foi o grande esforço de órgãos ligados ao ensino. desde 1987. Dr. uma maneira de possíveis erros serem corrigidos. também. Esta nota ou conceito varia de A a D. 280 laboratórios do Brasil participam desses programas. foi criado em 1982.6. Apenas os laboratórios que obtêm conceito A ou B têm direito a um certificado de aprovação e ao uso dos selos de qualidade no ano seguinte ao das avaliações dos resultados. localizados em todo o território nacional.

1968). Paraná (1978). Comitê de qualidade da ANDA Um fator relevante para que se atinja a Produtividade Máxima Econômica das mais diversas culturas é o uso de doses adequadas de fertilizantes e corretivos agrícolas que tenham garantias quanto à sua qualidade. Minas Gerais (1999). Inicialmente. São Paulo (1985). de Souza e Edson Lobato. que as analisavam com seus próprios métodos e remetiam os resultados à ANDA. G. que conta. atualmente. sob a responsabilidade do professor José Carlos Alcarde (ESALQ-USP). Para a região dos cerrados. Com base nessa avaliação. Edições mais atualizadas dessas recomendações foram elaboradas nos estados de São Paulo (1996). foi feita pelo Professor Robert Cate. de âmbito nacional.6. que envolveu as empresas associadas à ANDA. com a participação de cerca de 55 laboratórios das maiores e mais importantes empresas de fertilizantes do Brasil.Home Apresentação Sumário Créditos zantes. para serem estatisticamente avaliados. Em seguida. coordenador até os dias atuais. em um trabalho modesto. Minas Gerais (1971). K. o Programa Interlaboratorial de Metodologia de Análise de Fertilizantes. Espírito Santo (2001). teve como objetivo básico uniformizar e aferir os trabalhos dos laboratórios que serviam de apoio aos sistemas de controle da qualidade da produção nas empresas. recebem o Certificado de Proficiência Anual. editado pelos pesquisadores do Centro de Pesquisa Agropecuária do Cerrado (CPAC). Logo houve a necessidade de padronizar esses métodos para que todos os laboratórios pudessem empregá-los. de acordo com critérios preestabelecidos. a distribuição de amostras e reuniões são bimestrais. Os laboratórios que mostram bom desempenho no ano. Goiás (1970). em 2002. mas que foi a base para despertar o interesse sobre o assunto em diversos estados ou regiões. além de proporcionar meios e facilidades para a avaliação do controle 57 FERTILIDADE DO SOLO E PRODUTIVIDADE AGRÍCOLA . atende à filosofia de trabalho adotada em outros estados e regiões abrangidas pelos cerrados brasileiros. Pernambuco (1998). Rio Grande do Sul e Santa Catarina (2004). Djalma M. Consistia na distribuição de amostras homogêneas de fertilizantes aos laboratórios das empresas. Hoje. os resultados eram discutidos em reuniões mensais. para aquela época. Em âmbito estadual ou regional. foi criado o Programa Colaborativo de Controle de Qualidade com o objetivo de estudar. Esse Comitê. Por volta de 1980. os critérios para interpretação de P. Espírito Santo (1977). a probabilidade de resposta à adubação com este elemento será muito maior do que quando o teor revelado pela análise estiver acima do nível crítico.10. As premissas básicas usadas pelo Dr. Cate foram as seguintes: 1) abaixo de um certo “nível crítico” de um nutriente no solo (determinado por análise de amostra obtida num laboratório padronizado). Diretor Regional do International Soil Testing Project no Brasil. 3) quando os solos estiverem bem abastecidos com P e K e não houver problema de acidez. o que vem ocorrendo até hoje. em maio de 1973. os métodos eram os utilizados nas próprias empresas. 2. Foi pensando nisto que a ANDA instituiu. É interessante notar que neste trabalho. foram publicados trabalhos muito mais elaborados e completos no Rio Grande do Sul (1969). A primeira tentativa neste sentido. passou-se a estudar os problemas analíticos e a introduzir novos métodos. o livro “Cerrado: Correção do Solo e Adubação”. analisar e discutir os diferentes aspectos técnicos que envolvem o controle da qualidade da produção de fertilizantes. Esse Programa. quase sempre haverá resposta aos adubos nitrogenados (CATE e VETTORI. Ca + Mg e Al eram apenas baixos (abaixo do nível crítico) e médio/alto (acima do nível crítico). esses dois Programas constituem o Comitê de Qualidade da ANDA. 2) a quantidade de adubo que pode ser aplicada pelo agricultor depende da relação entre o valor provável da produção e o custo do adubo. Distrito Federal (1987) e Rio de Janeiro (1988). Atualmente. em 1965.

até o início dos anos 60. pela necessidade de importações adicionais a custos crescentes. o que marcou o início da produção de ácido fosfórico no País. Essa empresa também instalou a primeira unidade de porte para a fabricação de amônia anidra. já existia uma capacidade de produção superior ao consumo. que em 1974 representava apenas 20% do consumo. pois. A descoberta do efeito do gesso em subsolos. principalmente em decorrência do início do desenvolvimento da agricultura na região dos cerrados.Home Apresentação Sumário Créditos da qualidade nas empresas. no estado de São Paulo. Em 1974. Como resultado. além da produção de ácidos nítrico e sulfúrico. implicando em ociosidade deste segmento. foram importados 46% do consumo e. Gesso agrícola . foram importadas 32% das necessidades de amônia e. apenas 3%. Na segunda metade da década de 60. além de outros fatores. evoluiu para uma condição de autosuficiência em 1983. 50% de P e 10% do K. em 1985.6. Plano Nacional de Fertilizantes e Calcário Agrícola . importavamse quase 60% das necessidades e. em 1974. nitrato de amônio e de fosfato diamônico. 2. ácido nítrico. sendo limitada. esta participação aumentou para 35%. ela equivale a 40% do N. para estimular o maior crescimento radicular. um marco no desenvolvimento da indústria nacional de fertilizantes.uma descoberta casual Um dos fatores mais limitantes da produção agrícola na região dos cerrados é a alta probabilidade da ocorrência de veranicos durante a estação das chuvas. a poucas unidades de amônia. embora o consumo tivesse crescido quase 2. Essa fase de quase auto-suficiência infelizmente não foi muito duradoura. na formulação do Plano Nacional de Fertilizantes e Calcário Agrícola (PNFCA). associada aos altos preços no mercado internacional. nitrato de amônio e nitrocálcio. em 1980. Quando se analisa o segmento produtor de fertilizantes simples. diante do crescimento da demanda e do não proporcional aumento da capacidade instalada de produção nacional. a partir de 1971. complexos industriais destinados à produção interna de matérias-primas e fertilizantes. Idêntica evolução pode ser constatada para os fosfatados. a demanda de fertilizantes sofreu considerável impulso. como conseqüência dos conflitos no Oriente Médio. Outros projetos entraram em operação nos anos 70. no Brasil Central.5 vezes.6. a produção nacional de rocha fosfática. situaram-se em 28% e foram constituídas quase que integralmente de sulfato de amônio. representavam 60% do consumo. tem proporcionado inestimáveis colaborações ao Ministério da Agricultura no sentido de oferecer critérios para aperfeiçoar a legislação e a fiscalização da produção e comercialização de fertilizantes no Brasil. em 1974. em 1986. atendida por importações. estimulou a implantação de vários FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE 2. essencialmente. Atualmente. O gesso 58 . pertencente à Ultrafértil.PNFCA Embora algumas das grandes empresas de fertilizantes já operassem no Brasil no fim dos anos 40 e no início da década de 50. cujo objetivo principal era a ampliação e a modernização da indústria brasileira de fertilizantes e calcário agrícola. associada à baixa capacidade de retenção de umidade e ao limitado crescimento do sistema radicular de várias culturas imposto pela deficiência de Ca e toxidez de Al no subsolo. Esse programa. com investimentos superiores a US$ 2 bilhões. a demanda brasileira de matérias-primas para a fabricação de fertilizantes era. surgiram novas unidades de superfosfato simples e o primeiro complexo industrial de fertilizantes. Essa pressão de demanda.12.11. que. em 1987. A produção local restringia-se à exploração de uma mina de fosfato na década de 40. verifica-se que as importações de nitrogenados. criou a expectativa de se poder melhorar os solos ao longo do perfil. e a alguns produtores de superfosfato simples. resultou. A mesma evolução pode ser observada para o ácido fosfórico. contudo. promovendo crescimento radicular com aproveitamento da água em camadas mais profundas de solos durante veranicos. Em 1974. Entretanto. em 1974.

utilizavam. Entretanto. e. 1988).5 gL-1). como já mencionado. publicado no Brasil em 1988 (RAIJ. foram basicamente os seguintes: 59 FERTILIDADE DO SOLO E PRODUTIVIDADE AGRÍCOLA . Luiz Souza Lima. houve uma grande mudança nos métodos de análises de solos.13. O fato chamou a atenção de pesquisadores do Centro de Pesquisas Agropecuárias dos Cerrados – Embrapa (CPAC). ao lado do Programa de Assentamento Dirigido do Distrito Federal (PADEF). é que o início dos estudos desses efeitos do gesso agrícola surgiu mais ou menos por acaso. em colunas de solos com estrutura deformada e natural. esse agricultor utilizava como fonte de P o superfosfato simples. enquanto os agricultores do PADEF. e que esse componente teria minimizado os efeitos do baixo teor de Ca e elevado teor de Al trocáveis no subsolo. a determinação do pH em CaCl2 e o cálculo de calagem por meio da elevação da saturação por bases a valores preestabelecidos para diferentes culturas. O que se seguiu a essa observação foi uma verdadeira explosão de trabalhos de pesquisa procurando estudar os mais diferentes aspectos quanto aos efeitos do gesso agrícola no aprofundamento do sistema radicular. procurando estabelecer níveis críticos de Ca trocável e de toxidez de Al. No início dos anos 70.2H2O). por tonelada. 2. 1986 e 2002). o método de extração com resina de troca iônica para P. resultante do efeito do uso contínuo. principalmente. Souza Lima seria. do superfosfato simples que. como fonte desse nutriente. experimentos de campo envolvendo combinações de doses de calcário e gesso para diferentes culturas e tipos de solo. adquiriu uma propriedade no Distrito Federal. as raízes das mesmas culturas estavam a 120 cm de profundidade. O solo era praticamente o mesmo. um agricultor do Paraná. Haja vista que dois simpósios envolvendo o assunto foram realizados e os anais publicados (IBRAFOS. além de eliminar a deficiência de Ca. durante 10 a 12 anos. a maioria formada por japoneses. Essas mudanças envolveram. essas publicações foram editadas em português e a comunidade científica internacional tem pouco conhecimento desses trabalhos. houve um veranico de mais de vinte dias de duração fazendo com que o milho e a soja dos agricultores do PADEF apresentassem severos sintomas de estresse hídrico e as mesmas culturas na propriedade do Sr. estabelecimento de critérios de diagnose para identificar solos com alta probabilidade de resposta ao gesso à utilização de métodos de recomendação desse insumo. utilizando-se de chuvas artificiais para acompanhar o movimento de Ca para o subsolo. apresenta.Home Apresentação Sumário Créditos (CaSO4. que abriram trincheiras nas duas propriedades e observaram que o sistema radicular das culturas na área do PADEF alcançava 60 cm de profundidade e que. e um livro. Sr. K e Ca. Começou-se então a especular que o maior aprofundamento do sistema radicular na propriedade do Sr. permitindo um maior aprofundamento do sistema radicular. no prelo. como se sabe. que foi o segundo grande assentamento agrícola na região dos cerrados. Souza Lima mantivessem um crescimento e desenvolvimento normais. no estado de São Paulo. e o único fator de manejo diferente era a fonte de P. o que poucos sabem. sal neutro. Esses trabalhos envolveram estudos de laboratório procurando analisar melhor a química do gesso no solo. na propriedade ao lado. Método de extração de nutrientes com resina de troca iônica No início dos anos 80. Mg. Por tradição trazida do Sul. que também impede o crescimento radicular. que seriam limitantes ao crescimento radicular.6. cerca de 480 kg de gesso. principalmente em relação ao P disponível. Depois de uns 10-12 anos explorando a área. possivelmente. Infelizmente. está com a 2ª edição revisada e ampliada. Os motivos dessas mudanças. solúvel em água (2. o termofosfato e o superfosfato triplo. sem demonstrar estresse hídrico. em casa de vegetação. Não seria exagero afirmar que o Brasil é o país do mundo com o maior número de pesquisas envolvendo o gesso agrícola como melhorador das condições do subsolo para o desenvolvimento radicular. finalmente. é lixiviado e chega ao subsolo onde reduz o efeito tóxico que o Al tem sobre as raízes.

A adoção desse método em 93 laboratórios no Brasil e até no exterior é um atestado da superação dos problemas metodológicos iniciais e da adequação do seu uso nas análises de rotina para avaliação da fertilidade do solo.84 para solos ácidos. no qual a acidez potencial era extraída por uma solução de acetato de cálcio 0. mesmo em condições de deficiência no solo. sendo hoje. por meio da equação de regressão entre pH em H2O e V (pH = 4. usados até então na quase totalidade dos laboratórios no Brasil.0 (H + Al) e. da resina do solo após a agitação de 16 h.Home Apresentação Sumário Créditos a) extratores ácidos como o Mehlich-1 e H2SO4. foram desenvolvidos vários equipamentos e aparelhos. Além disso. o que permitiu a separação. podendo fornecer altos teores nas análises. nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. utilizado em outros estados. segundo o trabalho de Catani e Gallo (1955).6. Embora o método da resina de troca iônica seja considerado. por cálculo. utilizado em vários outros estados da Federação. nesse trabalho. Esse procedimento permite a determinação de H + Al em amostras de solo com até 300 cmol dm-3. em 1983. com coeficiente de variac ção inferior a 6%. mesmo internacionalmente. foram iniciados em 1973 sob a responsabilidade dos pesquisadores José Antonio Quaggio e Bernardo van Raij.0 e posterior titulação com solução de NaOH.0) e a saturação por bases (V). É interessante comentar que. por peneiramento. Com esse procedimento. do Instituto Agronômico de Campinas. muitas vezes era considerado inadequado para uso em análises de rotina. b) esses extratores tendem a extrair teores muito baixos de P em solos argilosos que contêm teores suficientes de P disponível para as culturas.14. a pH 7. em comparação com um valor de 56% para o extrator Mehlich-1.5 mol L-1. Esse método alternativo surgiu após o conceito de saturação por bases ser proposto como critério de calagem. c) o método da resina dá melhor avaliação da biodisponibilidade de P em solos. pela primeira vez no Brasil. Os trabalhos de pesquisa que permitiram a implementação desse método. por meio da medida do pH de equilíbrio da suspensão solosolução tampão SMP. O processo é prático e adequado aos laboratórios de rotina. O método da saturação por bases requer a determinação da soma de bases (SB). pela sua complexidade. também.28 + 0. A técnica que permitiu a viabilização do método nas análises de rotina foi a solução de um difícil problema prático. ele é evidentemente um método mais complexo e. que consistia em separar a resina do solo após 16 h de agitação da suspensão em água. obtêm-se a capacidade de troca de cátions (CTC a pH 7. conforme comparação de resultados de 70 trabalhos publicados em todo o mundo. Método de saturação por bases Até o início dos anos 80. para permitir a automação na execução desse método. acidez potencial a pH 7. e o do Al e Ca + Mg trocáveis. 60 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE . em vez de ser determinada diretamente. no Instituto Agronômico de Campinas. a saturação por bases era estimada a partir da determinação do pH. e a determinação de H + Al pela extração com acetato de cálcio era muito laboriosa. perdia-se a exatidão do método. um bom extrator de P.31V). com um coeficiente de determinação médio de 0. Foi a partir do trabalho de Quaggio (1983) que se desenvolveu um procedimento prático para estimar a acidez potencial do solo (H + Al). tornando o método impraticável para laboratórios de rotina. dissolvem resíduos de fosfatos naturais aplicados ao solo. Esse procedimento de determinação da acidez potencial tornou viável a introdução do método da saturação por bases como oficial para a recomendação de calagem no estado de São Paulo. como nos Latossolos Roxos de baixa fertilidade. os métodos de recomendação da calagem utilizados no Brasil se restringiam ao método SMP. A desagregação da terra foi obtida por meio de bolas de vidro colocadas antes da adição da resina. 2.

os métodos testados em solos das regiões Sul. arroz. em condições de análises de rotina. que compreendeu o final dos anos 70 e a década de 80. c) o acetato de amônio. pela ocorrência mais freqüente de deficiências e pelo esforço de algumas instituições de pesquisa em padronizar técnicas de extração e adaptar. Evolução das análises de micronutrientes nos solos A evolução da análise química de micronutrientes nos solos brasileiros pode ser dividida em três fases. principalmente. muitas vezes. envolvendo a determinação do manganês extraído por HCl 1 mol L-1 ou HNO3 0. embora hoje ainda haja uma certa diversidade de métodos de análise. as pesquisas nos estados de São Paulo e Pernambuco tiveram como enfoque o levantamento dos teores (total e solúvel) utilizando diversas soluções como: oxalato de amônio. Na prática. DTPA e HCl. os trabalhos de pesquisa enfocaram a seleção de extratores químicos para boro. b) o extrator Mehlich-1 e o DTPA. como: soja. milho. sobretudo para manganês. ácido sulfúrico. Uma limitação crítica dessa fase é que não se levou em consideração a extração de micronutrientes pelas plantas. ferro. A terceira fase. em solos de São Paulo. Os estudos foram conduzidos. foi marcada por uma vasta produção científica envolvendo micronutrientes. zinco e molibdênio. a pH 7. ainda. manganês. Nesse período. foram também determinados utilizando o extrator HNO3 0. houve. em grande parte. que é caracterizada pelos primeiros trabalhos abrangendo esse tipo de determinação. principalmente. a credibilidade da análise de micronutrientes durante esse período. estudos em solos paulistas e da região dos cerrados. Sudeste e Centro-Oeste do Brasil foram. haver critérios de interpretação dos teores obtidos.6. pode-se estabelecer. empregando como critério básico os valores de coeficientes de correlação obtidos entre os teores de micronutrientes no solo e as quantidades acumuladas nas planta. Nesse período. algodão. para cobre. quais sejam: a) água quente e cloreto de cálcio. Dezenas de experimentos de calibração foram conduzidos no campo. devida à sua facilidade de execução no laboratório e não à sua eficiência analítica. processos de extração de micronutrientes agronomicamente eficazes. em vasos e em casa de vegetação. a análise de micronutrientes em solos utilizavam uma diversidade muito grande de extratores. cobre. soluções salinas tamponadas ou não e agentes quelantes.01 mol L-1. inclusive. A primeira. principalmente. ferro. entretanto. misturas de ácidos (Mehlich-1). Como as soluções ácidas concentradas mostraramse ineficientes em avaliar a disponibilidade de micronutrientes. de acordo com Lopes e Abreu (2000). visando determinar os teores de boro. manganês e zinco. como o boro e cobre. cobre. ácido fluorídrico e ácido oxálico. sorgo. há ainda hoje sérias restrições ao uso da análise de solo para avaliar a disponibilidade de molibdênio em condições de rotina. estimulada. Como resultado desses mais de cinqüenta anos de pesquisas envolvendo a análise de micronutrientes nos solos do Brasil. Na década de 50. para boro. os diversos laboratórios do País que incluíam. sem. tais como ácidos diluídos. na sua prestação de serviços. foi iniciada nos anos 40. para ferro. entretanto. uma tentativa de estabelecimento de cinco classes para interpretação dos resultados analíticos. também no estado de São Paulo.15. d) o Mehlich-1. procurando estabelecer níveis críticos e faixas de interpretação das análises para vários micronutrientes envolvendo culturas. sendo que a opção por um determinado extrator era.01 mol L-1. então. três diferentes grupos de laboratórios em relação a extratores usados: 61 FERTILIDADE DO SOLO E PRODUTIVIDADE AGRÍCOLA .Home Apresentação Sumário Créditos 2. iniciaram-se. prejudicava.3. com o início dos trabalhos de levantamentos de solos. aqueles que se destacaram na região temperada. Um fato. Foram utilizadas diversas soluções extratoras. outros micronutrientes. basicamente. Na segunda fase. Entretanto. manganês e zinco. Para o molibdênio. café e cana-deaçúcar. iniciada nos anos 90.

boro: água quente. boro: água quente. Embora seja um assunto intimamente ligado à Microbiologia do Solo.3.4 milhões de hectares (englobando as cinco regiões do Brasil). em 2003. 80% do N total da planta.6. onde foram iniciados os estudos sobre Microbiologia do Solo no Brasil. no Brasil.8 milhões de toneladas de Nfertilizante. teríamos que considerar a eficiência média de 60%. a sua importância e a inter-relação com a fertilidade do solo no Brasil justificam um tópico neste histórico. integrando três órgãos da Secretaria da Agricultura do Estado. vem fundamentando os programas de melhoramento de leguminosas do IAC. com recomendação e instruções para uso.2 2. a importância do cultivo dessa leguminosa e da inoculação eram enfatizados.1). Desse modo. que foram então exportadas da lavoura. produzia o inoculante.3 milhões de toneladas de N pela cultura. foram fixados pelo menos 2. resultando na segunda maior produção entre as lavouras anuais. Se essa quantidade de nitrogênio tivesse que ser fornecida por fertilizantes nitrogenados. que.1 mol L -1. Fixação biológica de nitrogênio O desenvolvimento do conhecimento sobre a fixação biológica de nitrogênio (FBN). o melhor exemplo de fixação biológica de N é a soja. A área plantada com essa cultura foi de 21. em 2004: 49. ferro: oxalato de amônio a pH 3. calculada por técnicas isotópicas. fixação biológica do nitrogênio (FBN) e testes microbiológicos de fertilidade do solo. RJ.3 milhões de toneladas de grãos secos. No Brasil. Os primeiros trabalhos sobre avaliação da quantidade de nitrogênio fixado por leguminosas e sobre a inoculação. com 6% de N.0. em média.Home Apresentação Sumário Créditos 1) Rio Grande do Sul e Santa Catarina – cobre e zinco: HCl 0. instituição com mais de 100 anos de existência. Como o N nos grãos representa. manganês e ferro: DTPA a pH 7. desde então. Considerandose que os grãos apresentam 87% de matéria seca. são do final do século XIX e início do século XX. obtiveram-se 43. A contribuição da FBN em soja.3 t ha-1. Para assegurar a adoção da tecnologia da inoculação da soja. foi produzida uma grande quantidade de inoculante para alfafa e. sendo então necessárias 3. no estado do Rio de Janeiro.2 milhões de toneladas. no mínimo. Também no início da década de 50. Esse sistema funcionou até o surgimento de empresas privadas que se interessaram pela produção de inoculante. no km 47 da antiga estrada Rio-São Paulo. 70%. Foi no Instituto Agronômico de Campinas (IAC).Agrobiologia. Nesse período. o conteúdo total de N na planta foi de 3. 2) Sistema IAC – boro: cloreto de bário. Na década de 30. cobre. em Seropédica.16. outros dois importantes núcleos de Microbiologia do Solo foram criados no Brasil: o Instituto de Pesquisas Agronômicas da Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul (IPAGRO). no seu final. realizados no IAC. quando já se dispunha de algumas variedades de soja selecionadas no estado de São Paulo. substituindo total ou parcialmente os fertilizantes nitrogenados e propiciando uma economia significativa nos custos de produção. e outro. cobre. manganês: Mehlich-1. Como a uréia contém 46% de N. A contribuição prática da FBN pode ser mensurada pelos números decorrentes do uso de inoculantes de rizóbio em diversas culturas. notadamente nas plantas leguminosas. continham 2. zinco. é um dos fatos mais marcantes na dinâmica de nitrogênio no sistema solo-planta-atmosfera. manganês e ferro: Mehlich-1. (Quadro 2. A filosofia do uso da FBN como forma exclusiva de adição de nitrogênio para nutrição da soja foi consolidada a partir da década de 50 e. que era distribuído pelos Postos de Sementes e comercializado nas Casas da Lavoura. o total de fertilizante nitrogenado requerido seria de 8. é relatada como sendo de.6 milhões de toneladas de N. 3) Sistema Mehlich-1 – zinco. hoje Embrapa . o Serviço da Indústria Animal do Estado de São Paulo também produziu inoculante e conduziu testes com inoculantes para soja com resultados positivos. envolvendo as áreas de decomposição de resíduos.8 milhões de toneladas de grãos com produtividade média de 2. o IAC 62 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE .

63 FERTILIDADE DO SOLO E PRODUTIVIDADE AGRÍCOLA Leguminosas Alfafa (Medicago sativa) Amendoim (Arachis hypogaea) Calopogônio ( Calopogonium mucunoides) Caupi (Vigna unguiculata sin.) Fava (Vicia fava) Feijoo (Phaseolus vulgaris) Feijão-de-porco (Vicia sp. Vigna senensis) Centrosema (Centrosema pubescens) Crotalária (Crotalaria juncea L. hybridum T. rostrata S. aproximadamente. J. Zornia glabra N (kg ha-1 ano-1) 127-333 33-297 64-450 73-240 93-398 146-221 197-249 100 24-380 17-244 90 110-184 20-263 53-330 4-165 57-190 181 86-309 41-270 7-235 37-196 35-192 193 400-900 157 160-450 2-61 126-188 324 7-18 70-181 17-450 21 64 32-288 128-291 9-140 62-235 17-373 21-207 44 63-345 9-201 . e Canavalia ensiformis) Galáctia (Galactia striata) Gliricidia (Gliricidia sepium) Grão-de-bico (Cicer arietinum) Guandu (Cajanus cajans) Guar (Cyamopsis psoraloides) Lentilha (Lens culinaris) Lespedeza (Lespedeza stipulacea) Leucena (Leucaena leucocephala) Mucuna-preta (Stizolobium aterrinum) Neonotonia wightii Lacrey (sin Glycine wightii Verdc. 2006).Home Apresentação Sumário Créditos milhões toneladas. custariam.R. 2006 citando Calegari et al. frete e porto-outubro de 2003). 1.) Trevo-branco (Trifolium repens) Trevo-doce (Melilotus alba) Trevo-egipcio (Trifolium alexandrinum) Trevo-vermelho (Trifolium pratense) Trevo subterrâneo (Trifolium subterraneum) Trigonela (Trigonela fanum-gracum) Vigna sp. Hardarson (1993) e Peoples et al. que.Exemplos de leguminosas nodulíferas com respectivas taxas de fixação biológica de N2 Fonte: Moreira e Siqueira. ao preço de 170 dólares por tonelada (F & P. Jardim Freire e a Dra. (1995). indica Tremoço (Lupinus sp. (1993). sesban Siratro (Macroptilium atropurpureum) Soja (Glycine Max) T.1 . Johanna Quadro 2.) Prosopis glandulosa Sebania cannabina S.) Clitória ( Clitoria ternatea) Cudzu tropical ( Pueraria phaseoloides) Desmódio (Desmodium sp) Ervilha (Pisum sativum) Ervilhaca comum ( Vicia sativa) Ervilhaca-peluda (Vicia villosa) Estilosantes (Stylosanthes sp. Dois nomes brasileiros poderiam ser citados no que se refere ao reconhecimento de suas contribuições para o desenvolvimento da Microbiologia do Solo no Brasil: o Dr.4 bilhão de dólares (MOREIRA e SIQUEIRA.

a biodiversidade e o equilíbrio de gases atmosféricos. resultante de transformações complexas que envolvem: o intemperismo de rochas e minerais. Importância do solo nos ecossistemas O solo. 2000). Causas da baixa fertilidade dos solos 3. Essa ciclagem é fundamental para manter o esto- 64 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE . a alta acidez (freqüentemente associada à 3. dentre os aspectos adversos ligados à baixa fertilidade dos solos mundiais. principalmente no caso de agroecossistemas. a ciclagem de nutrientes e a produção e decomposição de biomassa. transformar-se em solos de baixa fertilidade. o que vem a ser um solo fértil? Todo solo fértil é necessariamente produtivo? Quais são as causas da baixa fertilidade dos solos? 3. Nota-se. aliado a condições de relevo íngreme. Uma boa qualidade do solo é importante também para a preservação de outros serviços ambientais essenciais. incluindo o fluxo e a qualidade da água. é uma camada de material biologicamente ativo. que contém os nutrientes essenciais em quantidades adequadas e balanceadas para o normal crescimento e desenvolvimento das plantas cultivadas e que apresenta ainda boas características físicas e biológicas.1. Depreende-se. está livre de elementos tóxicos e encontra-se em uma zona com fatores climáticos favoráveis (veja item 2). Solo fértil e solo produtivo As duas primeiras perguntas anteriores podem ser respondidas por meio de uma das definições do que venha a ser um solo produtivo. pela sua importante contribuição para o conhecimento da interação de microrganismos diazotróficos na rizosfera de gramíneas.. Jardim Freire. que de nutrientes nos ecossistemas naturais. pelas suas contribuições na formação de vários dos pesquisadores e professores que trabalham na área. que um solo pode ser fértil sem necessariamente ser produtivo. evitando a perda da fertilidade natural do solo. Um estudo do World Resources Institute (WOOD et al. Mas. ou seja. porém. sob manejo inadequado.Home Apresentação Sumário Créditos Döbereiner. O relatório do biênio 2000-2001 do World Resources Institute revela que os agroecossistemas cobrem mais de um quarto da área global da terra e que quase três quartos desses agroecossistemas apresentam baixa fertilidade do solo. a ciclagem natural de nutrientes é a grande responsável pela manutenção do bom funcionamento do solo e do ecossistema como um todo. que as causas da baixa fertilidade dos solos podem ser tanto naturais quanto antrópicas (devido ao manejo inadequado do solo pelo homem). pelas suas contribuições para a implantação da indústria de inoculantes no Brasil e pela implantação e coordenação do Centro de Recursos Microbiológicos para a América Latina (MIRCEN). o que.1. a qual é a seguinte: solo produtivo é um solo fértil. com estudos iniciados na década de 50. Döbereiner. O Dr. o principal meio para o crescimento das plantas.1.2. A fertilidade do solo pode advir de causas naturais ou ser criada através da adição de nutrientes aos solos durante o cultivo. 2001) mostra que. que tiveram repercussão internacional. A Dra. Em ecossistemas nativos. diante disso. Uma boa condição de funcionamento do solo é fundamental para garantir a capacidade produtiva dos agroecossistemas.1. Um ponto importante a ser considerado com relação à fertilidade do solo e que tenta responder à última das três perguntas anteriores é que muitos solos não são naturalmente férteis e que mesmo aqueles férteis podem. além de sua contribuição na formação de vários pesquisadores da Embrapa e de outras instituições no Brasil e em outros países latinoamericanos. Manejo da fertilidade do solo no contexto atual e futuro da agricultura brasileira 3. A presença de nutrientes é um dos aspectos fundamentais que garantem a boa qualidade dos solos e o seu bom uso e manejo. podem afetar sobremaneira a produção agrícola (WRI. consolidando sua liderança mundial nesse assunto.

3 0..8 7.5 25.2 14.3 0.5 11.0 23. destacam-se a gênese do solo e o intemperismo como os principais fatores causadores da baixa fertilidade. ----------------------------------Região agroclimática-----------------------------------------------TrópicosSubúmido e úmido Trópicos árido e semi-árido Característica Temperado árido e semiárido Temperado Subúmido e úmido Subtrópicos árido e semi-árido Subtrópicos subúmido e úmido Boreal 13.1 13.2 14.3 20.6 0.3.2 16.1 5.1 23.7 0.5 3.3 1. Uma dessas causas antrópicas é a exaustão de nutrientes do solo. à sua localização na região tropical do globo.6 1.9 41. onde a remoção de nutrientes do solo é mais acelerada. Como causas naturais.7 6.1 25.3 18.0 2. também as antrópicas podem ser causadoras da baixa fertilidade dos solos.4 9.Capacidade de Troca Catiônica 2 CFP .6 0 4.9 11.1 0.9 1.6 13.6 13.5 5.3 11.9 10.5 13.1).3 25.3 25.8 7.2 24.8 31. particularmente em grande parte das regiões tropicais Quadro 3.0 5.0 5. ou seja.0 0.9 14.7 0.6 3.8 0.4 7.1 2.6 5.6 3. também a alta capacidade de fixação de P é um importante fator determinante da baixa fertilidade dos solos.9 9.1 24.8 7. Um trabalho encomendado pela FAO.9 4. 2000).2 25.9 23.1 8.3 39.4 0 0 0 0 0 0 100 16.1 13.9 0 13.2 4.8 5. Além das causas naturais.6 9.5 13.2 29.8 15.5 13. revela que a toxicidade por Al afeta cerca de 63% de toda a área do Brasil e que 25% do território brasileiro possuem solos com elevada capacidade de fixação de P.Home Apresentação Sumário Créditos toxicidade por Al) e as baixas reservas de K merecem destaque (Quadro 3.5 0. devido às condições de altas temperaturas e precipitações pluviais. o estoque de nutrientes do solo está sendo esgotado ano após ano.4 24.3 5.1 Total .3 0.0 4. em 2000 (BOT et al.2 1.9 52. e subtropicais. em grande parte.2 6. (2000). está relacionada.5 9.5 5. No caso específico das regiões tropical e subtropical subúmida e úmida.Capacidade de Retenção de Umidade 65 FERTILIDADE DO SOLO E PRODUTIVIDADE AGRÍCOLA % da área total Livre de adversidades Drenagem pobre Baixa CTC1 Toxicidade de Al Acidez Alta CFP2 Aspecto vértico Baixa reserva de K Alcalino Salinidade Aspecto nátrico Raso ou pedregoso Baixa CRU3 14.0 1. O fato de o Brasil possuir grandes extensões de terra com problemas de fertilidade do solo relacionados à alta acidez e toxicidade por alumínio.1 9.4 8. resultante da maior retirada pelas culturas do que adição via adubação. 1 CTC .1 12.2 17. Estimativas diversas neste sentido revelam que o déficit anual médio de nutrientes no Brasil encontrase entre 25 e 35 kg ha-1 de N+P2O5+K2O por hectare.9 3.6 14.3 Fonte: Adaptado de Wood et al.Capacidade de Fixação de Fósforo 3 CRU .8 14.9 38.3 4.9 5.1 – Percentagem de áreas agrícolas afetadas por adversidades em diferentes regiões agroclimáticas mundiais.9 18.6 3.1.3 25.3 20. além desses aspectos.5 14.1 0. Isso pode levar até 3. além de alta capacidade de fixação de fósforo.6 33.0 11.1 1.6 0 0. Baixa fertilidade: natural ou não? Conforme já se enfatizou. a baixa fertilidade dos solos pode ter tanto causas naturais quanto antrópicas.6 14.

que o agricultor faça uso da análise de solo e de planta (foliar ou do produto colhido) para diagnosticar possíveis problemas ligados à fertilidade do seu solo. mediante reposição de nutrientes via adubação mineral e orgânica. pois reduz a cobertura vegetal e. retém C da atmosfera e de outras fontes. é sempre bom relembrar que o solo é o compartimento ambiental primário que suporta a agricultura e. Um problema maior ligado às causas não naturais de queda da fertilidade do solo está relacionado à erosão. A MOS pode ser considerada o indicador mais simples e entre os mais importantes para se medir a qualidade do solo e. Por fim. por exemplo.65 bilhão de hectares de terra que se encontram degradados em todo o mundo (OLDEMAN. segundo estudos do World Soil Information. a qual representa a maior causa de degradação química dos solos no mundo. Isto é particularmente relevante em solos altamente intemperizados. conseqüentemente.4 Preser eserv matér orgânica téria 3. 6. a sobrevivência do ser humano na face da terra. serve para reduzir possíveis efeitos ambientais negativos decorrentes de uso inadequado de pesticidas ou de disposição de poluentes no solo. para isso. a erosão resulta. 4 . Ao contrário da exaustão causada por extração de nutrientes em taxa maior que a reposição ou da baixa fertilidade gerada por causas naturais. atingindo cerca de 136 milhões de hectares (dos quais 68 milhões de hectares localizam-se na América do Sul) (OLDEMAN et al. Um ponto importante a considerar quando se trata de baixa fertilidade provocada por causas naturais ou até mesmo por exaustão do solo é que estas duas primeiras causas podem ser corrigidas facilmente. à deficiência de nutrientes. atualmente World Soil Information. afetando cerca de 1. retém nutrientes como Ca. estimou que cerca de 240 milhões de hectares de solos no mundo (área equivalente à região dos cerrados brasileiros) estão comprometidos no que diz respeito à sua integridade química. Também práticas de manejo inadequadas. Alguns efeitos benéficos que a MOS proporciona são: 1. a adoção do cultivo intensivo. em degradação de difícil recuperação ou até mes- mo em dano irreparável à capacidade produtiva do solo.1. a sua capacidade produtiva prejudicada. como é o caso de extensas áreas do Brasil. Neste sentido vale lembrar que a exaustão de nutrientes dos solos também é causa de erosão. a resistência do solo à erosão. P e S. Levantamento do International Soil Reference and Information Centre (ISRIC). estabiliza e agrega partículas de solo. 2000). 4. e 8. às vezes permanentes. melhora o armazenamento de água e o fluxo de ar e água no solo. entre outros fatores. Manter e aumentar o teor de MOS são condições primordiais para se evitar a diminuição da fertilidade dos solos e 66 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE . 5. 3. 2. como. 1991). A erosão atinge cerca de 13% da superfície do planeta.1. A erosão é a maior causa de degradação de solos no mundo e tem conseqüências. podem levar à queda rápida do teor de matéria orgânica do solo. algumas vezes. provê uma fonte de C e energia para os microrganismos do solo. tendo. localizados na região tropical. com isso. ao invés do cultivo mínimo ou do plantio direto.. bastando. as quais podem ser recuperadas de maneira simples. assim. Mg e K. reduzindo a erosão. conseqüentemente.Home Apresentação Sumário Créditos mesmo solos anteriormente considerados férteis a tornarem-se não-férteis. dos agroecossistemas. armazena e provê nutrientes como N. mantém o solo menos compactado e mais fácil de trabalhar. 3. sobre a fertilidade dos solos. o que está ligado. Preservar a matéria orgânica do solo é fundamental Um dos piores aspectos da erosão e que afeta grandemente a fertilidade dos solos é a perda da matéria orgânica do solo (MOS). pois aumenta a capacidade de troca de cátions (CTC) do solo. 7.

O manejo da fertilidade do solo por meio do uso eficiente de fertilizantes e corretivos é responsável. levaram a Holanda a ter sérias restrições ambientais e no estabelecimento de limites máximos desses produtos utilizados na agricultura. os quais.2). principalmente de solos mais arenosos. em 1987/88. Apenas no período de 1977/78 a 1980/81. a partir de 1997. os quais têm baixa fertilidade natural. esse comportamento pode ser explicado pela constatação de uma necessidade maior de adubos para a recuperação de áreas marginais do cerrado. caiu para 602 kg ha-1. dentre os diversos fatores de produção. o consumo no Brasil foi de 52 kg ha-1 de N+P2O5+K O. diante da baixa fertilidade natural da maioria dos solos brasileiros. que saltou de 224 kg ha-1. Para entender melhor o comportamento do consumo de fertilizantes no Brasil. em 1990/91 (Figura 3. dada a exportação média de nutrientes pelas principais culturas. o consumo na Holanda. 67 FERTILIDADE DO SOLO E PRODUTIVIDADE AGRÍCOLA . cuja disponibilidade vinha se reduzindo como decorrência de novas técnicas na destilação do álcool. de 1970/71 a 2002/03. Impacto do manejo da fertilidade do solo e do uso eficiente de corretivos e fertilizantes nas lavouras O investimento em técnicas para a melhoria da qualidade dos solos no Brasil pode ser mais bem avaliado quando se olham seus números. na verdade. Produtividade agrícola brasileira.2. na mesma intensidade. Dois fatores podem explicar esse comportamento: a) O período de 1977/78 a 1980/81 foi o de intensificação de abertura dos solos de cerrado no Brasil. Os dados da Figura 3. Foi também o período em que ocorreu o corte de subsídios à agricultura. em 1990/91. as altas taxas anuais de aplicação de fertilizantes minerais.1 traçam um paralelo entre a evolução do consumo de fertilizantes. o que veio a ocorrer no início dos anos 80. Esse aumento de 71 kg ha-1 foi maior do que a média histórica de consumo no Brasil.Home Apresentação Sumário Créditos para garantir sua qualidade e seu funcionamento em agroecossistemas produtivos. em termos de N+P2O5+K2O.2. 3. e em anos mais recentes. estimativas de um consumo adequado. levam quatro a cinco anos para serem corrigidos. eram de cerca de 120 kg ha-1. em 1998. Com grande parte de solos arenosos e lençol freático elevado. por cerca de 50% do aumento de produção e produtividade das culturas. b) A partir de 1997. O que fica evidente é a relação estreita entre essas duas variáveis. Tal fato teve profundas implicações com o aumento da produção e da produtividade na China em comparação com o Brasil. Apenas no caso da soja a produtividade brasileira é superior à da China (Figura 3. e a evolução da produção de 16 culturas (base seca) no Brasil.1. a série histórica anual anterior se manteve nesse patamar por muitos anos. Por outro lado. antes de passarem a responder em níveis adequados de produtividade. e para 545 kg ha-1. normalmente.2. mas bom potencial produtivo. que era de 741 kg ha-1. em 1990/91. o aumento do consumo de fertilizantes não correspondeu. em 1990/91. Um deles trata do aumento do consumo de nutrientes por hectare na China. fertilidade do solo e uso eficiente de corretivos e fertilizantes 3. havendo grandes estoques acumulados nas propriedades rurais em face de possíveis cortes desses subsídios. Esse con2 sumo repetiu o de 1987/88 e. Essa queda de consumo de fertilizantes na Holanda se justifica. a um aumento na produção dessas 16 culturas. O ponto que deve ser enfatizado é que esse consumo médio anual de nutrientes era considerado muito baixo. aliadas a grande utilização de estercos animal. Nesse ano safra. Também foi observado um incremento maior no uso de fertilizantes minerais na adubação da cana-de-açúcar em substituição ao vinhoto. em 1987/88. para 295 kg ha-1. Por outro lado. compare-se o consumo médio de nutrientes em alguns países.3). de 52 kg ha1. Dois outros aspectos relevantes sobre o consumo de fertilizantes no Brasil em relação ao de outros países podem ser observados na Figura 3.

2003. IBGE. Números acima das colunas referem-se ao consumo de 4 anos antes. Esse fato é uma prova inquestionável de aumento da eficiência do uso de fertilizantes.75 milhões t 741 600 N+P2O5-+K2O (kg ha-1) 500 400 300 278 200 100 0 Brasil Venezuela EUA França China Holanda 52 52 97 114 (1987/88) 224 295 602 Figura 3. 2005.3 3. o que. principalmente aquelas consideradas de exportação. sem dúvida. soja. 2005. tendo sido o Brasil o único. Essa foi uma tendência também em outros países (Figura 3. [Fonte: IFA. o Brasil aumentou o seu consumo médio para 110 kg ha-1. Nesse ano a produção total desses grãos foi de 455 milhões t para a China e 113 milhões t para o Brasil. As chamadas culturas de exportação.6).68 milhões t Produção agro-vegetal Índice 100: 72/73 53.5).] 7 6 Produtividade (t ha-1) 6. [Fonte: IFA. com a Holanda em 2002 e no Brasil em 2002 e 2004. a Índia e os países em desenvolvimento que. 2005.3 China 5. 2005. 2005.Produtividade média da China e do Brasil para várias culturas em 2004.1 . ANDA.] 600 500 N-P2O5-K2O (kg ha-1) 400 300 200 100 0 2004: 154 kg ha-1 545 5 4 3 2 1 0 Arroz 2002: 138 kg ha-1 272 277 2002: 423 kg ha-1 110 110 114 Milho Trigo Soja Brasil Venezuela EUA França China Holanda Figura 3. [Fonte: ANDA. consomem muito mais fertilizantes que os produtos da cesta básica (mandioca. feijão. 68 .6 milhões t 7. em 2002 para 138 kg ha-1 de nutrientes e.4 .Evolução da produção agrovegetal (toneladas de matéria seca) das 16 principais culturas no Brasil em comparação com o consumo de fertilizantes minerais (N-P2O5-K2O) no período de 1970-71 a 200203. incluindo doses de fertilizantes muito aquém das recomendadas pela pesquisa para que sejam alcançadas maiores produtividades (Figura 3.1 millhões t 1. O aumento no consumo e o uso mais eficiente de fertilizantes minerais que ocorreu no Brasil e se manteve nos últimos anos é.5 2. cana e café.4). mais altas produtividades.6 1. em comparação com a China. 2003. e que apresentam. em geral.] FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE Figura 3.Home Apresentação Sumário Créditos 500 450 400 350 Índice 300 250 200 150 100 50 0 70/71 75/76 80/81 85/86 Ano 90/91 95/96 00/01 Consumo de fertilizantes (N-P2O5-K2O) 02/03 182. no País. FAO.1 3.2 . no período considerado (1984- 1994).Consumo de fertilizantes (kg ha-1 de N+ P2O5+K2O) no Brasil em comparação com outros países em 1998.3 . nas quais se utilizam com menor intensidade as técnicas disponíveis. arroz e milho). apresentou aumento médio da produção de grãos significativamente superior ao aumento médio no consumo de fertilizantes. certamente. [Fonte: ANDA. Há outro ponto a destacar quando se distingue o consumo de fertilizantes por grupos de culturas. 2005.0 1. como citros. foi um dos fatores mais importantes para os recentes aumentos na produção de grãos.Consumo de fertilizantes (em kg ha-1 de N+P2O5+K2O) no Brasil em comparação com outros países em 1991.8 3. nesse período.8 Brasil Figura 3. um componente importante no aumento da produção e da produtividade da maioria das culturas. em 2004. atingiu 154 kg ha-1 (Figura 3.] Em 1998.

Consumo de fertilizantes (kg ha -1 de N+P2O5+K2O) para várias culturas no Brasil em 2000 (números dentro das colunas) e 2004 (números acima das colunas). a utilização de doses muito aquém das adequadas é muito mais crítica para o N. 2005.Brasil ---------------------- Figura 3. N. ] 69 FERTILIDADE DO SOLO E PRODUTIVIDADE AGRÍCOLA ..82/1.65 1.5 2 Relações 2.67/1. Esse aumento relativo no consumo de P2O5 em relação ao N. pois essa cultura praticamente não consome N dos fertilizantes. via incentivos governamentais.00 1.50 60’ 0. De 1976 até mais recentemente.00 1.] Figura 3. para todo o N/P2O5/K2O consumido na agricultura brasileira. no Brasil.0/0.6 .00/1.33 / 1. China.82 0.Relações de consumo de fertilizantes (kg/ha de N/ P2O/ K2O) no Brasil nas décadas de 50 e 60 e evolução de 1970 a 2004. Ìndia e países em desenvolvimento no período de 1984 a 1994.00 / 0.8 .23.00 N N / P2O5 / K2O 50’ 0. esse aumento era plenamente justificável.] Figura 3.65/1. em 2003. de 2.4 1.23 1.4 0.12.37/1. 2001 e 2005. foi resultado da explosão da ocupação dos solos da região dos cerrados. P e K.00/1. atingiu 0.6 0. 2004.00 1. a relação ficaria em 1. 2003.64/ Cereais 70 60 Incremento (%) 50 40 30 20 10 0 Brasil 7 28 22 17 Raízes e tubérculos Fertilizantes 244 250 N+P2O5+K2O (kg ha-1) 200 155 150 100 68 50 0 38 6 11 Mandioca 37 Feijão Arroz Milho Citrus Soja Cana Alimentos básicos 100 138 117 95 160 124 Culturas de exportação 161 248 232 63 55 41 26 16 8 15 8 Café China Índia Países em desenvolvimento Figura 3.5 . Se fosse excluída a soja desses cálculos. Em 1970.8 0.Incremento no consumo de fertilizantes e na produtividade de cereais e raízes e tubérculos no Brasil.65 80 85 Anos 90 95 00 2004 -----------------------. 2003.5 0 N P2O5 K2O N P2O5 K2O N P2O5 K2O Com soja Sem soja Países com agricultura tecnificada 0. foi de 0.10.12 1.2 0 1970 75 K2O 1 .Relações de consumo de fertilizantes (kg/ ha de N/ P2O/ K2O) no Brasil (total e sem soja) em 2003 em comparação com países de agricultura tecnificada em 2002. qual seja.50 / 1. [Fonte: WRI.8). 0.00/ 1. [Fonte: ANDA. inclusive na cultura de soja (Figura 3. Se comparada essa relação com a de países que apresentam agricultura tecnificada para obtenção de altas produtividades. podese concluir que a subutilização de N é um dos fatores mais limitantes para o aumento da produtividade de muitas culturas no Brasil. Como esses solos são extremamente deficientes em P. Essa relação de consumo para o ano de 2002.2 1 Relações P2O5 3 2 . em 1976. essa relação voltou a se estreitar atingindo. [Fonte: ANDA. [Fonte: Lopes et al.7 mostram a evolução no Brasil da relação de consumo de N/P2O5/K2O nas décadas de 50 e 60 e 70 até 2004.0/0. em 1976.Home Apresentação Sumário Créditos Dentre os três macronutrientes primários.52. Os dados da Figura 3.00 / 0.19 1.8 e. essa relação era de 0.5 1 0 .] 1.19/1.7 .

6 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE 7. 2005. tomando-se como base dados médios do período 1993-1996: a) 888 mil toneladas de N. dentre os três macronutrientes. afeta cerca de 63% da área do Brasil. da ordem de 25 a 30 kg ha-1 de nutrientes. 514 e 324 mil toneladas (FAO. em realidade.4 20 23. o subconsumo é muito mais crítico em relação ao N. Eles revelam ainda que.09. [Fonte: Adaptado de Raij & Quaggio. 859.609 1. considerado fundamental para a racionalização da produção agrícola no País. Esses dados não significam que se está consumindo a quantidade adequada de P e de K. o processo produtivo da agricultura.9 .9).10 . b) 414 mil toneladas de P2O5. nas taxas atuais de consumo de fertilizantes. mas que. Com incentivos fiscais e financiamentos oficiais de longo prazo.746 10 10.00/1. c) 413 mil toneladas de K2O. Isso pode. em relação à capacidade instalada de moagem (50 milhões t ano-1) e demanda total estimada (75 milhões t ano-1).00/1.] Figura 3. [Fonte: ABRACAL.] 70 . O baixo consumo de N pode ser confirmado por um estudo de Yamada e Lopes (1999). Isso significou um amplo aumento de oferta desse insumo. chegou-se ao seguinte déficit anual estimado de nutrientes. levar a conseqüências altamente danosas para a sustentabilidade da nossa agricultura. SP. representando um déficit. a qual. respectivamente. a capacidade de moagem de calcário no Brasil atingiu cerca de 50 milhões de toneladas anuais.Home Apresentação Sumário Créditos 1. segundo relatório da FAO divulgado em 2000. Assumindo-se uma eficiência média de 60% para o N. São Simão e Guaíra.17. apesar das respostas espetaculares em relação aos aumentos de produção e relação benefício-custo (Figura 3. no longo prazo. Atualização desses dados para o ano de 2002 indicam que esse déficit manteve-se em relação a N.15/1. Associa-se a isto a restrição causada por toxidez de Al. está. 2004). na média. Esses dados mostram que o déficit total de nutrientes corresponde a cerca de 30% do consumo atual no 900 0 800 0 700 0 País. 30% para o P e 70% para o K e a exportação (remoção das áreas cultivadas pela produção) estimada para as 16 principais culturas cultivadas.677 Produtividade (kg ha-1) 600 0 500 0 400 0 300 0 200 0 100 0 0 Milho (5 anos) Em kg ha-1: Custo do calcário Aumento de produção: No 1o ano No período Milhões t 15 2. Isto é especialmente relevante pelas características de acidez de grande parte dos solos brasileiros. mesmo considerando todo o N da soja e do feijão como provenientes da fixação biológica. a partir do fim da década de 60 e início dos anos 70. por área. minando o recurso solo. 25 26. Esses problemas são resolvidos com uso de doses adequadas de calcário. 1984. ou 1. sem considerar a soja. aumentou para o P e reduziu para K atingindo. Outro fator que pode justificar a baixa produtividade média de um grande número de culturas no Brasil é a utilização de doses insuficientes de calcário.0 360 422 150 473 120 245 Algo dão (4 anos) 5 S oja (3 anos) 0 84 88 92 Ano 96 00 04 (e) Figura 3.Balanço econômico da aplicação de calcário na dose de 3 toneladas por hectare em três culturas em Mococa.Evolução do consumo aparente de calcário no Brasil (em milhões de toneladas) no período de 1984 a 2004. considerando-se o consumo da cultura da soja.

Isso porque no Brasil a média inclui também áreas de sequeiro.8 Figura 3.11). os dados mostrados anteriormente demonstram que isso não é o caso. em que o uso de alta tecnologia é quase uma regra nas áreas produtivas. O subconsumo de calcário se agrava ainda mais quando se compara a evolução entre consumo de calcário e de fertilizantes no Brasil.12 comparam as produtividades médias de arroz (Brasil vs. a explosão do crescimento da agricultura e pecuária na região dos cerrados revelam uma necessidade de consumo da ordem de 70 milhões de toneladas anuais para o Brasil.0. EUA).0 para 1.11 .5 Relação de consumo calcário/fertilizantes em 2002 = 0.4 2. apenas no caso da soja. onde toda a produção é sob irrigação por inundação. seriam necessárias de 2.3 3 2. a produtividade média brasileira é semelhante a de um grande produtor mundial. em comparação com o sistema sob irrigação. [Fonte: ANDA. Uma relação entre o consumo de calcário e de fertilizantes considerada aceitável pela pesquisa para a agricultura brasileira seria de 2. trigo (Brasil vs. Os dados comparativos de produtividade de arroz no Brasil e na China. Na verdade.6 3. 2005.3 1. Mesmo que se considere a expansão da área sob sistema plantio direto. entre outros fatores.0 toneladas de calcário.6 EUA França 2 1. cujas produtividades são muito baixas. EUA) no Brasil com países que apresentam altas produtividades médias.Produtividade média de algumas culturas no Brasil e outros países em 2004. 2005. nos anos recentes. milho (Brasil vs. China). são.12 . com não mais de 20% de consumo em relação à capacidade de moagem instalada.6 2. o que ocorreu. 2005.0). utilizou-se apenas cerca de 50% da capacidade instalada de moagem (Figura 3. até certo ponto. sistema que tende a reduzir as necessidades de uso de calcário em relação ao cultivo convencional.97:1. de 1973 a 2004 (Figura 3.5 a 3. o balanço atual está longe do ponto 3. foi que mesmo nos anos de melhor resultado de consumo aparente (2003 e 2004). [Fonte: FAO. fazendo cair a média geral do País. feijão e soja (Brasil vs. Percebe-se que.Home Apresentação Sumário Créditos Estimativas que levam em consideração. Essa relação considerada ideal somente foi observada em 1973.0 0. o consumo de calcário foi menor que o de fertilizantes (relação 0. ou seja.] Figura 3. é que é necessário aumentar tanto o uso eficiente de fertilizantes como também o de calcário. França). pela primeira vez. para cada tonelada de fertilizante aplicado. 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 Arroz Milho Trigo 6.5 0 73 80 85 90 93 96 Ano 99 02 04 (e) 3. estreitando para quase 1 para 1. em 2002. como de calcário e de outras tecnologias disponíveis de comprovada eficiência. em relação ao consumo de calcário.10).5 1 0.Evolução da relação de consumo calcário/ fertilizantes no Brasil no período de 1973 a 2004. sendo que. no período de 1984 a 2004.5 Relação Calcário Fertilizantes 10.7 Feijão Soja 2. principalmente em relação aos alimentos básicos? Os dados da Figura 3. Essa subutilização tanto de fertilizantes. questionáveis.97:1 ideal para que sejam atingidas produtividades máximas econômicas no processo produtivo. ABRACAL. sim.0 Brasil China 7. leva a uma questão: Qual é seu reflexo na produtividade. como os Estados Unidos. O fato. Isso não significa que se está utilizando muito fertilizante no sistema produtivo da agricultura brasileira. O ano de 1990 foi o fundo do poço do subconsumo de calcário pela agricultura brasileira. principalmente os nitrogenados.5 a 3.] 71 FERTILIDADE DO SOLO E PRODUTIVIDADE AGRÍCOLA Produtividade (t ha-1) .

8 milhões de ha).13). nesse período saltou de 0. Com isso. em uso e disponível para a agricultura no mundo e no Brasil. desses 90 milhões de hectares. 8-9 t ha-1 de arroz irrigado. [Fonte: Borlaug e Dowswell. Os dados de que o Brasil apresenta 35 % da área disponível para a agricultura no mundo são os mais contundentes 3. fossem incorporados 30 milhões no processo de produção de grãos. 3. que representam 50. com absoluta prioridade.97 2.2 2.42 ha em 1965 para 0.5 72 . deverá atingir 4.2). 2000 e 2025. 90 milhões de hectares estão degradados ou em início de degradação. pelo menos. as políticas públicas de apoio à agricultura deveriam. b) Expansão da fronteira agrícola: o Brasil dispõe da maior fronteira mundial para expansão da agricultura.5 2000 6. reduzidas. quando a população mundial deverá ser de 8. foi um incremento de cerca de 10% na área agricultável real per capita.] FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE Ano População mundial (bilhões) Demanda de alimentos (bilhões t) Produtividade (t ha-1) 1990 5. por exemplo. A produção mundial de alimentos deverá passar de 2 bilhões de toneladas em 1990. Estes números demonstram que há disponibilidade de tecnologia para que essas altas produções sejam perfeitamente alcançadas. 4 t ha-1 de soja.3 3. para 4 bilhões de toneladas no ano de 2025.5 t ha-1 em 1990. desde que se faça uma diagnose correta das razões dessas diferenças e que se adotem medidas para que sejam. O Brasil é um dos poucos países com grandes e amplas possibilidades de ser um participante importante nesse processo. incentivar o aumento da produtividade com sustentabilidade nas áreas já incorporadas ao processo produtivo e não a simples expansão da fronteira agrícola. fazem uma comparação da área total. no curto prazo.9 2025 8.2% da França (19. lavouras brasileiras nas quais se atinge 10-12 t ha-1 de milho. para uma população mundial era de 5. que era de 2. 6 t ha-1 de arroz de sequeiro.3 bilhões de habitantes.5 t ha-1 em 2025.5 t ha-1 de feijão irrigado.40 ha (Figura 3. segundo estudos e estimativas da Organização Mundial para a Alimentação e Agricultura. Além disso.Estimativas da população mundial. Dados mais recentes.3). FAO (Quadro 3.45 2.37 para 0. 6-7 t ha-1 de milho safrinha (após a soja). a produção brasileira poderia ser aumentada em 120 milhões de toneladas sem a necessidade de desmatar um hectare sequer. demanda por alimentos e produtividade agrícola em 1990. com um produtividade média de 4 t ha-1. no curto prazo. conseguir grandes avanços na produtividade média de muitas culturas. Destas. 50.2%.3. por exemplo. a produtividade média de grãos.2 1. São. utilizou apenas 9. Perspectivas Um dos maiores desafios da humanidade é a previsão de aumento da demanda na produção de alimentos para fazer face ao crescimento populacional da terra nas próximas décadas. pelas seguintes razões: Quadro 3. principalmente aquelas que se constituem em alimentos básicos. pois do total de área potencialmente agricultável em 1994.23 ha em 1995 . levantados por Pinazza (2003). no período de 1965-1995. cultivável. contra 47.5 milhões de ha) e 53% dos EUA (187.7 milhões de ha). como já mencionado. 1993. por exemplo.o que ocorreu no Brasil.5% da China (95. Se.97 4.7 milhões de ha. apesar de a disponibilidade de terra agricultável per capita estar decrescendo em âmbito mundial de 0. com base em estimativas da FAO para 2002 (Quadro 3.Home Apresentação Sumário Créditos O ponto importante é que muitos bons produtores dessas culturas no Brasil estão com as produtividades muito próximas ou até acima das médias desses outros países. Embora o Brasil disponha de uma considerável fronteira agrícola a ser explorada.2 . a) Produtividade: o País possui técnicas sustentáveis de produção para. sem ou com irrigação.2 bilhões de habitantes. 350@ ha-1 de algodão e 30 e 50 sacas ha-1 de café. Para que essas metas sejam alcançadas. Estima-se que o Brasil apresenta 180 milhões de hectares de pastagens nativas ou melhoradas.

5 1 0.Comparação da área total. Após descontadas as áreas marginais. Considerações finais Embora a Fertilidade do Solo como ciência seja relativamente nova. 1994). uma das áreas mais produtivas do mundo (Figura 3. em médio e longo prazos. são crescentes. é quase igual à área total de 32 países da Europa (Figura 3.14). 2003. Para o caso do Brasil. que atualmente explora apenas 25% do seu potencial agricultável. Só a área do estado do Mato Grosso. com incrementos substanciais na produtividade das culturas.3 .4 bilhões 848 milhões 547 milhões 57 milhões 497 milhões Participação do Brasil % 6.] Quadro 3. levando-se em conta os níveis atuais de produtividade que podem ser alcançados (MACEDO. nessa área do conhecimento. Considerações onsideraç 4 .5 0 Mundo América do Sul América Central/ Norte Ásia Brasil França China EUA Figura 3. número que pode ser bem maior. é notável o acervo de informações advindo deste esforço conjunto. cultivável.9 bilhões 1.5 18.. . Como comparação adicional.] Área Área total Área cultivável Área em uso Área disponível Mundo Brasil ---------------------ha--------------13 bilhões 2. destaque-se. segundo um estudo de 1995.5 bilhões 1. que a área potencialmente agricultável do Brasil. em hectares per capita.13 . contribuindo para o desenvolvimento da agricultura e para o aumento sustentável da produtividade e da produção agrícola. Só a região dos cerrados. por exemplo.5 2 1. as possibilidades de aumento da área sob irrigação. [Fonte: Bot et al.8 35. de cerca de 550 milhões de hectares. é equivalente a grande parte do cinturão do milho (Corn Belt) nos Estados Unidos. nas Américas e alguns países.15). que re- 73 FERTILIDADE DO SOLO E PRODUTIVIDADE AGRÍCOLA c) Disponibilidade de água: com cerca de 1/5 da água doce do planeta. pesquisa e extensão no Brasil e no mundo.Comparação da disponibilidade de terras agricultáveis no Mundo. 2000. [Fonte: Pinazza. em uso e disponível para agricultura no mundo e no Brasil.0 3.Home Apresentação Sumário Créditos 3. teve tantos reflexos amplamente positivos. Hectares per capita 2. é notável como o esforço de ensino.0 quanto ao nosso potencial de crescimento em área.5 3 Terra agricultável real (1995) Potencial (1994) sem descontar áreas marginais e potencial “equivalente” (1994). apresenta um potencial para a produção de 354 milhões de toneladas de alimentos.

em es- pecial àqueles que se dedicaram à Fertilidade do Solo como instrumento do aumento sustentável da produtividade agrícola no nosso País: 1) Aspectos ambientais: no período de 1970/71 até 2003/04.8 vezes).4 para 3. Para concluir este capítulo. [Fonte: Lopes et al. [Fonte: Lopes et al. 2003.6 vezes) e a área cultivada passou de 38 para 57. se estivéssemos produzindo hoje (190.7 milhões de toneladas (aumento de 3.Home Apresentação Sumário Créditos Áustria Hungria Romênia Holanda Lituânia Itália Polônia Estônia Tchecoslováquia França Irlanda Bélgica Albânia Portugal Espanha Bulgária Reino Unido Alemanha Letônia Dinamarca Suécia Grécia Ucrânia Bósnia Croácia Macedônia Islândia Iugoslávia Noruega Finlândia Suíça Bielo Rússia Figura 3.Comparação da área do Mato Grosso no Brasil com o cinturão do milho nos EUA. Como conseqüência. sem dúvida.3 t ha-1 (aumento de 2.6 para 190. a produtividade passou de 1. são apresentados três pontos para reflexão que representam o reconhecimento a todos aqueles que se dedicaram ao desenvolvimento da agricultura brasileira. no mesmo período. 2003. como a maior revolução verde de toda a história da humanidade.A área agricultável do Brasil (550 milhões de ha) em comparação com a área total de 32 países da Europa. Prêmio Nobel da Paz de 1970. o aumento da produção foi muito mais pelo aumento da produtividade do que pela simples expansão da área cultivada (Figura 4.1).7 milhões de toneladas) com as produtividades de 74 . Esses dados indicam ainda que. com a decisiva participação da Fertilidade do Solo como ciência. no reconhecimento do País como líder mundial em tecnologia de manejo da fertilidade dos solos ácidos da região tropical. Mas é importante enfatizar que o papel da Fertilidade do Solo transcende à pura e simples relação com o aumento da produtividade e com o desenvolvimento da agricultura brasileira.] Figura 3. a produção das 16 principais culturas no Brasil (base seca) passou de 49.. mesmo estando as produtividades atuais para algumas culturas ainda longe do ponto de máximo econômico.14 .6 milhões de hectares (aumento de apenas 1.5 vez). foi considerada por Norman Bourlaug.] FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE sultou. A incorporação de 10 milhões de hectares dos cerrados. como anteriormente discutido.15 . formados por solos considerados marginais para exploração agrícola intensiva até a década de 60..

Carne bovina: assumiu a liderança em 2003. o Brasil se posicionava no primeiro lugar mundial na exportação dos seguintes produtos: Açúcar: vendeu 29% de todo o açúcar consumido no mundo. como um todo.6 (1.] 1970/71 (1. De fato. a maior contribuição em termos ambientais resultante desse processo.3 (2. incluindo melhor manejo da fertilidade do solo. vale a pena enfatizar. em decorrência de investimentos em tecnologias mais eficientes. recursos da ordem de R$ 534 bilhões de reais. O agronegócio.6X) 140 Área plantada (milhões ha) 120 100 80 1. Dados publicados pela Revista Veja (Ano 37. em 2004. ANDA.5% do café em grão consumido no planeta e 43. que envolve os segmentos de “antes da porteira” (dentro da fazenda) e “depois da porteira” (fora da fazenda). com exportações de 1.4 t ha-1). Carne de frango: foi o primeiro em vendas.5X) 1 3. muitas vezes não adequadas ao processo intensivo da produção agropecuária. evitou o desmatamento do equivalente a 80 milhões de hectares. Café: vendeu 28. FERTILIDADE DO SOLO E PRODUTIVIDADE AGRÍCOLA 75 . [Fonte: Fonte: Adaptado de Cardoso. pois diminui as pressões de desmatamento das áreas florestadas.Evolução da área plantada.6% do café solúvel. Essa é. teríamos que ter incorporado ao processo produtivo da agricultura brasileira mais 80 milhões de hectares.4 2003/04 – 190. de 12/01/2004) mostram que em 2003.7(3. talvez. o aumento da produtividade.1 . com 19% de participação no mercado mundial. 2) Aspectos econômicos: um dos aspectos mais notáveis pertinentes ao crescimento da econo- mia brasileira nos últimos anos foi a evolução do agronegócio.3 t ha-1 Produtividade (t ha-1) 3 Área usada 0 03/04 80/81 90/91 96/97 Anos 98/99 00/01 Figura 4.6 bilhões). Por tudo isso. o que representa 33% do Produto Interno Bruto (1. mais uma vez.8X) 3.776 bilhões de reais).6 1.Home Apresentação Sumário Créditos Produção Produtividade (milhões t) (t ha-1) 1970/71 – 49.9 bilhão de dólares. nº 2. movimentou.4 t ha-1 60 40 38 20 0 70/71 80 milhões ha Área poupada 2 57. 1998. a manutenção da biodiversidade e a preservação da natureza. representa ainda 37% dos empregos e 40% da exportações (US$30. o papel fundamental para o desenvolvimento sustentável que representa o uso de técnicas que levem ao aumento da produtividade agropecuária nas áreas já incorporadas ao processo produtivo. deixando mais espaço para a vida silvestre. ele se constitui em um poderoso instrumento de preservação ambiental. Em outras palavras. 2004 e IBGE. produção agrovegetal e produtividade das 16 principais culturas no Brasil 1970/71 a 2003/04. 2005. O agronegócio brasileiro.

fechado as perspectivas que se vislumbram bastante promissoras para o Brasil. 2002.2 1 0. isso afetará também os seus negócios.4% do mercado mundial. De setembro de 1975 a janeiro de 2000. [Fonte: Portugal. 3) Aspectos sociais: uma das maiores contribuições sociais representada pela evolução da produtividade da agricultura nos últimos anos foi a “involução” dos preços reais dos produtos da cesta básica. o que é na verdade pior. Entretanto. Em função da relevância dos aspectos supracitados. colaborando para que o País se torne uma grande Nação socialmente mais justa.2 0 -8 0 -7 7 -8 3 75 78 81 SSSSM M 84 M Figura 4. É necessário que a agricultura brasileira seja considerada um assunto de segurança nacional. que leve as autoridades constituídas a estabelecerem políticas agrícolas de mais longo prazo. os anseios como profissionais. Tabaco: vendeu 23.Home Apresentação Sumário Créditos Soja em grão: deteve 38. principalmente aqueles que se encontram no segmento de mais baixa renda da sociedade. deixando o futuro em aberto. justifica-se o esforço cada vez maior por parte dos formadores de opinião para levar a toda sociedade brasileira uma mensagem clara e objetiva sobre a importância do que representa o desenvolvimento da agricultura para melhorar as condições de segurança alimentar não apenas interna – no Brasil – mas de toda a humanidade. é preciso que os segmentos de “antes da porteira” e “depois da porteira” se conscientizem de que se a agricultura for mal. Suco de laranja: vendeu 81. De uma forma ou de outra. seguindo uma tendência linear de queda nesse período (Figura 4.] 76 -8 6 S87 M -8 9 S90 M -9 2 S93 D -/9 4 D -9 5 J97 D -9 8 J00 M .2 . no curto prazo. para que a nossa vocação agrícola seja exercida em sua plenitude e não por meio de implantação de programas do tipo “apaga incêndio”.2). FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE 1. os preços reais dos produtos da cesta básica caíram para 1/3 do valor original. beneficiando todos os brasileiros.4 0.“Involução” dos índices de preços reais dos produtos da cesta básica no Brasil de setembro de 1975 a janeiro de 2000.6 0.1% do tabaco consumido no mundo. A expectativa é que os capítulos seguintes dessa publicação possam oferecer aos profissionais em ciências agrárias embasamentos sólidos que permitam atingir.9% do suco distribuído no planeta.8 Índice 0. ou. ambos os segmentos devem perceber que são parceiros em ações que mantenham as suas “galinhas dos ovos de ouro” produtivas e com ganhos que os permitam continuar no processo produtivo.

P. MG. 2001.Associação Nacional para Difusão de Adubos e Corretivos Agrícolas. 2004. P. A. 1895. 1993. e VETTORI.2003. Rio de Janeiro: ASPTA. G. Avaliação da fertilidade de solo na América Latina . H. ANDA .. ANDA . Relatórios Annuaes de 1888-1893. 2005. A. S. 235p. ANDA. USA. Plano nacional de fertilizantes. A. Piracicaba. CFSEMG – Comissão de Fertilidade do Solo do Estado de Minas Gerais. D. de A.. R. B.ed.N. F. 180p. Land resource potential and constraints at regional and country levels. 158p. WILDNER. R. 2005. Land and Water Development Division. CAVALCANTI. ANDA . A.2004. J. BORLAUG . Land and Plant Nutrition Management Service – Land and Water Development Division. V.. New Orleans.. W. COSTA M. B. In: O Correio da UNESCO.2002. Fertilizer: To nourish infertile soil that feeds a fertile population that crowds a fragile world. CHATTY. ANDA . May 24 to 27. O Mundo Islâmico. R. Raleigh. A. FAO – FOOD AND AGRICULTURE ORGANIZATION OF THE UNITED NATIONS. H. MONDARDO.fao. A. 61st IFA Annual Conference. Food and Agriculture Organization. Collecção de Trabalhos Agrícolas.MILHO e SORGO.. Agricultural production by countries. Sobre estrumes nacionaes – Relatório de 1893. (Coord. Instituto Agronômico do estado de São Paulo. North Carolina State University. 151p. Louisiana. 184p. RIBEIRO. DAFERT. L. L. Informações pessoais.org/site/ 339/default. NACHTERGAELE.FOOD AND AGRICULTURE ORGANIZATION OF THE UNITED NATIONS.). 52p. P. Sete Lagoas. Datos basados en información obtenida a traves de los analisis de suelos. B. H. Embrapa Milho e Sorgo. Calcário agrícola – Consumo aparente no Brasil 1984-2004. e DOWSWELL.Associação Nacional para Difusão de Adubos. 1981. HUNTER. pp. 18p. (Reporte preliminar No 1. 1993. Viçosa. 2004. Recomendações de adubação para o estado de Pernambuco: 2ª Aproximação – 2ª edição revisada. nº 10-11. DADALTO. N. 13-26. V. L. 2005< http://faostat. ANDA. ANDA. 2000. J. Avaliação da exigência de calcário dos solos do estado de São Paulo mediante a correlação entre o pH e saturação de bases do solo. Anuário estatístico do setor de fertilizantes . L. São Paulo.... 77 FERTILIDADE DO SOLO E PRODUTIVIDADE AGRÍCOLA . J. 198p. e ALVAREZ. São Paulo. EMBRAPA . C.. C. CALEGARI. e GALLO. CATE. 162p. e WAUGH. J.. F. Rome.Home Apresentação Sumário Créditos Referências bibliográficas ABRACAL – Associação Brasileira dos Produtores de Calcário Agrícola. A. B. O. Islã: 15º Século da Hégira. e FULLIN. Oct. 1968. ALCANTARA. A. e AMADO. Anuário estatístico do setor de fertilizantes . 114 p. Recomendações para o uso de corretivos e fertilizantes em Minas Gerais – 5ª Aproximação. E. BOT. Novas trilhas no sertão . Ganancias obtenidas por medio del uso de fertilizantes. eds. 154-166. ANDA . e YOUNG. 30:49-60. Fertilizer use by crop in Brazil. E. MIYASAKA. W. 152p. T. 9p.história da pesquisa agropecuária em Sete Lagoas: das origens à Embrapa. CATE. p. T. 1955. U. J. Recife: IPA. J. Jr.2000.. Serie Internacional de Analisis de Suelos). 359p. R. 1998. ANDA. 2000. Anuário estatístico do setor de fertilizantes . A. 1987. 346p. Ano 9. GUIMARÃES. 1993.Associação Nacional para Difusão de Adubos. FITTS. G.aspx.Associação Nacional para Difusão de Adubos.Associação Nacional para Difusão de Adubos. E. ANDA. CATANI. São Paulo. Adubação verde no Brasil. F. 2001. G. 2003.. R. Revista da Agricultura.Análise de solo e folha. 2. Manual de Recomendação de Calagem e Adubação para o Estado do Espírito Santo – 4ª aproximação. WALKER... São Paulo.. C. B. Italy. São Paulo. BULISANI. FAO . Vitória – ES. Anuário estatístico do setor de fertilizantes . Rome. 1999.

MOREIRA. v. Fertilizer consumption statistics from 1970/71 to 2005/06.asp]. 7: 2229. Tradução: Eduardo P. IFA – INTERNATIONAL FERTILIZER INDUSTRY ASSOCIATION. second revised edition October 1991. NC. R. (eds. G. 92.1. p. Methods for enhancing symbiotic nitrogen fixation.plantiodireto. ANDA. 15:2-15. Plant and Soil. R. Principais fatores que proporcionaram a expansão da soja no Brasil. J. Trigo e Soja. H. Micronutrientes na agricultura brasileira: evolução. Boletim Técnico No 2. Raleigh. 1983.T. e STAMMEL. EUA. MACEDO. Oct. 2ª edição. J. 92. A. Boletim Técnico No 5. 1993. J. A. J. FREIRE. e SOMBROEK. Anais do I seminário sobre o uso do fosfogesso na agricultura. 1982. E. e ANGHINONI. 1967. USA. G. COSTA. ISRIC. R. 2000. J.br/home/estatistica/indicadores/agropecuaria/lspa/default. A. e SORENSON. Avaliação das recomendações de adubo e calcário dos laboratórios oficiais de análises de solos. 23p. F. R. da. L. England. HUNTER. Levantamento sistemático da produção agrícola. North Carolina Experimental Station.com. October 1990. L. J. 58p. C. Rothamsted Experimental Station – Guide to the classical experiments. A luz vem do oriente. NC. 296 p.ibge.) TÓPICOS EM CIÊNCIA DO SOLO. e SILVA. e FITTS. 23p. In: NOVAIS. Raleigh. World map of the status of human-induced soil degradation: an explanatory note. S. United Nations Environment Programme.152:n. Aldeia Norte Editora.. OLDEMAN. março/abril. H. 413 p. C. R. W. 35 p. International Soil Reference and Information Centre. Vocação da terra. E. 2005. 1969. EUA. 42p. Global Assessment of Soil Degradation GLASOD. 2ª ed. 78 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE . B.R.org/ifa/statistics. HARRINGTON. 1. Revista Plantio Direto.. I. Report 2000/01.http// www. Annual Report . Outubro 2005.G. GUILHERME. Planaltina: EMBRAPA-CPAC. L. Harpenden. 2006. F. 2006. Wageningen. O. J. NC. 2005. 265-298. G. http// www. 19801981 Technical Report. 59p.. de. Soil acidity and response to liming. W.shtm IBRAFOS. MIRANDA. 1976. HAKKELING. LOPES. V. p. MIELNICZUK. S e SIQUEIRA. JARDIM FREIRE. NCSU. Editora Agronômica Ceres Ltda.1971.R. G.fertilizer. C. 1984. E. de. J. F. LOPES.1-17. A.. A. Potencialidades dos cerrados para produção de alimentos. Research on soils of the Latin American tropics. 63p. São Paulo.G. Cardoso. W. Anais do II seminário sobre o uso do fosfogesso na agricultura. 12 p.br HANDARSON.A. LAWES AGRICULTURAL TRUST. IBGE – INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. A. North Carolina Experimental Station. Technical Bulletin Nº4.J. e SCHAEFER. NORTH CAROLINA STATE UNIVERSITY. Plantio Direto. P. Microbiologia e bioquímica do solo. Raízes. J. OLDEMAN. 139p. 729p. NORTH CAROLINA STATE UNIVERSITY. Brasília: EmbrapaDDT. IBRAFOS. Lavras : Editora UFLA. 1971. e STAMMEL. histórica e futura. Impact of soil degradation: a global scenario. Nairobi. Viçosa: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo. Principais fatores que proporcionaram a expansão da soja no Brasil.R. J. R. http:/ /www. NCSU. 1994. 2002. Agronomiceconomic research on soils of the tropics. J. Raleigh. Estudos de interpretação de teste de solo: ensaios de campo. 2006. COSTA. e ABREU. EUA. 27p.. 15p. Dordrecht. S. Wageningen.Home Apresentação Sumário Créditos North Carolina Experimental Station. São Paulo: Instituto Brasileiro do Fosfato. ALVAREZ V. Passo Fundo. NC. Raleigh. Raleigh. J. 2000. São Paulo. 1986. O desenvolvimento das terras de cerrado no Brasil – A experiência do IRI. gov. 1965. USA. KAMPRATH.A. M. NC.

.. M.S. B. (eds. Instituto Agronômico e Fundação IAC. A.3-18. São Paulo: Associação Nacional para Difusão de Adubos. MOREIRA. J. e LADHA. A. A. 2004. J. 2004. WOOD. e LOPES.G (eds). Technical Bulletin Nº 3. 416p. V.. 2001. S. SP. Brasília. 1984. Inter-relação fertilidade. e ALVAREZ V. 33p. W.). van. B.). . D. North Carolina Experimental Station. A. 1996. CANTARELLA. L. United Nations Environment Programme.. S. 1999. Instituto Agronômico do Estado de São Paulo. 1990. 2000. EUA. B. e BEATON. Uso eficiente de calcário e gesso na agricultura.. 1895.G. 2003. A joint study by the International Food Policy Research Institute and World Resources Institute. 1988.Porto Alegre. XXXVII SIMPAS – Sistemas Integrados de Manejo da Produção Agrícola Sustentável. MG. NC. 1. Comissão de Química e Fertilidade do Solo. Soil fertility and fertilizers. (eds. Inc. GUIMARÃES. In: ESPINOSA. International Food Policy Research Institute and World Resources Institute. P. T. (eds). (Boletim 100). World Resources Institute. K.A.). p. 88 p. Gesso agrícola na melhoria do ambiente radicular no subsolo. Viçosa. legumes. World Bank.M.ESALQ-USP RAIJ. São Paulo.. Viçosa. Critérios para calagem em solos do estado de São Paulo. QUAGGIO. p. J.. GUILHERME. 2001.5a aproximação. e FITTS. 754p. Collecção de Trabalhos Agrícolas. Universidade Federal de Viçosa.G. van. A. Relatórios Annuaes de 1888-1893. Biological nitrogen fixation: An efficient source of nitrogen for sustainable agricultural production? Plant and Soil. Dordrecht. e LOBATO. Macmillan Publishing Co. Cerrado: correção do solo e adubação. E. New York. 359p. CANTARELLA. Campinas. HERRIDGE. p. J. Recomendações para o uso de corretivos e fertilizantes em Minas Gerais . WAGNER.174: nº1. A. A.A e FURLANI. Raleigh. (eds. V. e QUAGGIO. K. Piracicaba.Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz . Itum biara. In: Pilot analysis of global ecosystems: agroecosystems. J. PINAZZA. J. SBCS – CQFS. de (eds. SIMPÓSIO SOBRE FERTILIZANTES NA AGRICULTURA BRASILEIRA. H. RAIJ.. ANDRADE.. 23 e 24 de outubro de 2002. J. A applicação de adubos artificiaes na cultura das arvores fructiferas. 291-327. SEBASTIAN. e SCHERR. 285p. FURTINI NETO. L. In: SIQUEIRA. 1984. Brasília: EMBRAPA-DEP. B. A. van. MG. United Nations Development Programme. L. Recomendações de adubação e calagem para o Estado de São Paulo. RIBEIRO. de. 285p. WAUGH. W. 79 FERTILIDADE DO SOLO E PRODUTIVIDADE AGRÍCOLA . D. J. Soil resource condition. p. WRI – WORLD RESOURCES INSTITUTE. e OLIVEIRA. van.M. A. T. Campinas. Manual de adubação e calagem para os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina / Sociedade Brasileira de Ciência do Solo. 1995. 76p.. L. Análise química para avaliação da fertilidade de solos tropicais.). 1999..C. G. 143-161. World resources 2000–2001: people and ecosystems: the fraying web of life. DC. 400 p. biologia do solo e nutrição de plantas. J.G. 2002.E. Dissertação de Mestrado .M. F. QUAGGIO. 1983. O. Washington DC. flores e nos jardins.H. YAMADA. Washington. RAIJ. QUAGGIO. L. TISDALE. J. W. v. p. 45-54. II Simpósio Nacional do Setor de Fertilizantes. Planaltina: Embrapa Cerrados. J. SOUSA. B. RAIJ. LOPES. FAQUIN.S. 10ª ed. C. D.323-346. 1966. e CARVALHO. Sociedade Brasileira de Ciência do Solo. 400p. F. Balanço de nutrientes na agricultura brasileira. S.R.S. 26 a 28 de agosto. A. 4a edição. Instituto Agronômico. NELSON. Soil test interpretation studies: laboratory and potted plant. PORTUGAL. D. H. Anais. P.Home Apresentação Sumário Créditos PEOPLES.

. Professora UFF. ameaçado pela adversidade das coisas. climatologia (adaptação de cultivares). mineralogia.Sc. nos primeiros tempos da sua existência. o homem só pode sobreviver. parasitariamente. expostos a conflitos.. metalogenia (produção de fertilizantes). os homens não podiam viver sem conceber idéias. ao contrário dos animais que são estreitamente solidários com o meio ambiente.. como agente de sobrevivência. cedo sentiu necessidade de evoluir e inovar para alimentar a crescente população. /..Importância e função dos fertilizantes numa agricultura sustentável e competitiva Os autores Francisco Eduardo de Vries Lapido-Loureiro Geólogo D.. não um mundo à parte e abstrato.. reage em função dele. o passo decisivo da reflexão. O autor prossegue afirmando que a partir desse momento o caminho da espécie humana estava traçado. foi um fator dinamizador na evolução da espécie humana e terá sido o vetor que mais contribuiu para o desenvolvimento da ciência e da inteligência do homem. a última grande espécie a surgir. mas também se conhece.. 2001). “Em luta com a adversidade da natureza.Sc. /. alimentando-se de qualquer coisa que a natureza lhe pudesse oferecer. Pesquisador Emérito CETEM/MCT. adapta-se ao meio ou mesmo ajusta-o às suas necessidades" (CHILD. Pela primeira vez na história da vida./ Que designam as idéias? Não superestruturas ou reflexos. O homem. Preâmbulo O aparecimento do homem na Terra é essencialmente o nascimento do pensamento. química dos solos).gov. biologia (biotecnologia. Enquanto a estrutura anatômica do homem é o resultado de uma longa evolução. talvez há duzentos e cinqüenta mil. pedologia (geologia. mais progredindo pelo acúmulo de conhecimentos empíricos.Home Apresentação Sumário Créditos Capítulo 2 ./ as idéias evoluem em função de uma história que lhes é própria e de uma maneira relativamente independente” (RUSS. mas também dominar a natureza. Esta linha de pensamento do historiador sueco Carl Grimberg é apresentada no primeiro parágrafo do 1o volume da sua monumental e profunda 'História Universal' (Världhistoria)1 . E-mail: marisanascimento@gmail. tais como: química./ Lançado no mundo. obtém seu sustento e esca- pa aos perigos. o homem forma idéias que visam compreender.. D. /. começa a atuar sobre o mundo exterior. ultrapassa gradualmente a fase de simples coletor. o nascimento da sua inteligência foi brusca.br Marisa Nascimento Enga Química. genética).(2) De início. 1966). Idéia análoga é apresentada pelo renomado arqueólogo australiano Vere Gordon Child ao afirmar que: ".com 1. pelo dinamismo do poder de reflexão e também porque. economia (socioeconomia. 81 IMPORTÂNCIA E FUNÇÃO DOS FERTILIZANTES NUMA AGRICULTURA SUSTENTÁVEL E COMPETITIVA A agropecuária. surgindo o homem como animal raro e coletor que vivia como qualquer outro carnívoro. . um ser não apenas conhece. E-mail: flapido@cetem. mas forças dinâmicas que possuem uma existência objetiva e que produzem as civilizações que criam e estruturam. 1963).. se o transformar e o adaptar às suas necessidades (GRIMBERG. A agricultura desponta e desenvolve-se como ciência de convergência de vários saberes..a história começa há quinhentos mil anos. isto é. agroindústria e agronegócio).

Foi o que aconteceu na Mesopotâmia (Iraque). já haviam despontado a criação de animais domésticos e o cultivo do trigo e da cevada. que antecederam a civilização grega. cedendo lugar a outras espécies animais./ a Idade Primitiva do Ferro (novas técnicas agrícolas). com o fim da glaciação Würm4.).a agricultura como economia produtora). Gordon Child considera como grandes períodos da evolução humana. nas áreas não cultivadas. começa a modificar-se impulsionada pela necessidade do desenvolvimento de uma atividade agropecuária criativa e menos itinerante. cebola. a agricultura conviveu com a Idade dos Metais. mas é a partir do Médio Oriente Suméria (Iraque . 2007). Mais de 85% das espécies de plantas nativas da América do Norte.000 a 2. considera ter sido durante a "barbárie neolítica" que surgiu a solução do impasse em que se encontrava a "selvajaria paleolítica". Entre as fases. O clima torna-se mais doce e as renas migram para norte.000 a 6. encontram condições favoráveis para concentrações humanas.500 a.). e aí seleciona o cereal que melhor iria assegurar sua existência: o milho (GRIMBERG. alho-poró e mostarda.500 anos em parte do rio Indo (civilização harappeana) que testemunham culturas mercantilistas sustentadas pelo comércio de produtos agrícolas. são perenes (GLOVER. que coincide. COX e REGANOLD. região da Ásia entre os rios Tigre e Eufrates (engloba partes dos atuais Iraque e Irã). no Nilo (Egito). mais antiga da humanidade . Foi no neolítico (5.que tudo se iniciará..8. nabo.000 .C. A produção agrícola desenvolveu-se intensamente: cevada. milhete. mas. no Rio Amarelo (China). Foi na Mesopotâmia. que muito pouco evoluíra no Paleolítico. relativamente à agricultura: a "Selvajaria Paleolítica" (economia coletora6 . a "Barbárie Superior da Idade do Cobre" (criação de excedentes agrícolas) /. Dependia muito da irrigação. Primórdios da agricultura3 Caça e coleta de frutas foram as primeiras atividades humanas iniciadas nas savanas africanas. lentilha. mas também a primeira escrita (a sumérica) de que se tem notícia" (HISTÓRIA do Pensamento. que "surgiram não só inovações como a roda. barragens.3500 a 3000 a. sem gelo. a humanidade neolítica mostra-se dinâmica e em plena expansão. diques e reservatórios (Fonte: Wikipedia/ Suméria/Agricultura e Caça). cujas técnicas eram também oriundas do Oriente ou da Europa balcânica.influência/dependência do meio). Certas regiões.000 a. ainda hoje. o que pode ser relacionado ao início de uma certa estabilidade (sedentarismo) na ocupação da terra. Nesta fase inicial de desenvolvimento. Penetra na América principalmente pelo Alaska póswürmiano/visconsiniano. a "Barbárie Neolítica" (primeira revolução social . tais como veados e cabras.C. como acontece.C. trigo. o mesolítico (8. feita através de canais. 1963)5. No Próximo Oriente e no Norte de África. Ganges (Ín- dia e Bangladesh).500 a.. seu mais antigo foco metalúrgico. pressionada pelo surgimento de vilarejos (8. há pelo menos dois milhões e meio de anos e se mantiveram até ao final do paleolítico (700.C.) que o homem passou para a idade dos agricultores / criadores. na generalidade.500 a 5. A estrutura da vida humana. situa-se uma época de transição. beneficiadas pela configuração geográfica e clima.C. nos vales do Indo (Paquistão).C. Antes do homem impulsionar o cultivo de plantas anuais.).1. entre 9. que passam a organizar-se e a progredir culturalmente.. tâmara. a organização da agricultura e a engenharia hidráulica. Foi uma revolu- 82 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE . Há ruínas impressionantes de civilizações com 4. com escrita. Nessas regiões desenvolvem-se civilizações quase simultaneamente. grão-de-bico. "homem caçador/ coletor" e "agricultor".deltas do Tigre e do Eufrates) e Egito (Nilo) . Ao analisar o progresso do homem nas várias centenas de milhares de anos de sua existência na Terra. Ritmo e amplitude não foram uniformes em todos os espaços.000 a 8.000 a.000 a. A Suméria (ki-em-gir na língua nativa) é geralmente considerada a civilização. as perenes dominavam quase todas as paisagens da Terra. na Europa. 1987).Home Apresentação Sumário Créditos 1. por exemplo.

"Sua consecução. há. Não é. colheita sistemática e armazenamento em celeiros. tão importante quanto viria a ser. O milênio que precedeu o ano 3.C. foi talvez mais fértil em invenções proveitosas do que qualquer período da história humana anterior ao século XVI de nossa era. na França. por volta de 10. mais Desenvolvimento urbano e evolução da agricultura passam a estar intimamente ligados. entrando já. espaços cada vez mais densamente povoados . evoluindo com extrema rapidez nas três últimas décadas. iniciase o clima temperado prevalecente até hoje.000 a.000 a 2. A escrita foi um subproduto necessário dessa revolução urbana que penetra na civilização e dá origem ao registro histórico" (CHILD. portanto. porém. "Talvez há menos de 10. suas pastagens. na área mediterrânea ocidental /. cultivando plantas e freqüentemente criando animais domésticos. Esta revolução agrícola.ao que se supõe primeiramente no Oriente Próximo .000 a. no século XXI.000 anos.. do Tigre-Eufrates e do Indo. com a transformação de algumas aldeias ribeirinhas. os agricultores a produzir excedentes de alimentos.4. A sociedade persuadiu. o que obrigava o aprimoramento da agricultura para alimentálas . de surpreender que o carneiro . concentrando esses excedentes. a acumulá-los e. há cerca de 5. 1966). 1966). transformaria o homem pré-histórico em camponês.. De forma muito sumária pode-se esboçar a cronologia do surgimento da agricultura da seguinte forma: ⎯ os vilarejos deram lugar ao aparecimento e desenvolvimento de cidades. "A pecuária precedeu. dois ou três milênios mais tarde.. no período que Morgan chama de barbarismo" (CHILD. o que mudou toda a vida /..000 a. as premissas da revolução agrícola que...6. suas casas. Braudel (1986)7 sintetiza. seus vilarejos e seus povos enraizados de camponeses. O primeiro sinal precursor foi uma colheita intensificada das gramíneas. apoiados cada vez mais em bases científico-tecnológicas até ao século XIX.000 a. biotecnologia e engenharia genética.C. sacerdotes e funcionários.C. portanto. Suas realizações possibilitaram a reorganização econômica da sociedade a que chamo revolução urbana. ⎯ a partir desse período começaram a surgir procedimentos tecnológicos resultantes do aprofunda-mento de conhecimentos empíricos que foram progredindo lentamente. com as suas lavouras. no período designado por Barbárie Superior da Idade do Cobre. e mais tarde. A nova economia produtora surge e diferencia-se no Neolítico. muito bem. nas costas mediterrâneas do Ocidente.começaram a aumentar o suprimento de alimentos existentes. Refere este autor que nos últimos tempos do paleolítico. . a de Würm. ou obrigou. principalmente nas áreas da nutrição de plantas.000 anos algumas sociedades . utilizou-os para manter uma nova população urbana de artesãos especializados. pelo menos..000 a./o aprendizado revolucionário da agricultura /. comerciantes. em cidades. Se ainda não existe agricultura. portanto. ⎯ sua eclosão viria a acontecer no século XX. esta evolução ao particularizá-la para França.Home Apresentação Sumário Créditos ção que transformou seus participantes. às quais se associam outras leguminosas tais como lentilhas e ervilhas.000 a 4. química dos solos.do qual não se encontra nenhum ancestral na fauna européia surja no sétimo milênio.C./ na Europa inteira. Segundo sinal mais nítido: o aparecimento da criação de carneiros. depois da última glaciação. em particular ervilhacas. que parece ter sido uma contribuição do distante Oriente Médio8../ A partir do sétimo milênio aparecem.C. com o reaquecimento da Terra.. exigiu inovações na ciência aplicada de que os 'bárbaros' dispunham. de parasitas em sócios ativos da natureza. e a agricultura viu-se compelida a alimentar esses 83 IMPORTÂNCIA E FUNÇÃO DOS FERTILIZANTES NUMA AGRICULTURA SUSTENTÁVEL E COMPETITIVA Essa atividade foi iniciada nas planícies aluviais do Nilo. por volta de 6.. fertilidade. na Europa do leste. bem como uma modificação nas relações sociais e econômicas. ⎯ as cidades transformaram-se em impérios.

mas ambas desenvolvidas ao longo da costa. soberania e políticas.8% do total da região) ou até com áreas superiores a 2. 1995). os atuais subsídios dados ao agronegócio em alguns países desenvolvidos. 1986). já no Império.. incapazes de povoar o interior da nova terra 'arranhando as costas como caranguejos' (FAUSTO. esta baseada em trabalho escravo.. tiram sua renda da 'classe produtiva. Muito mais tarde. foi o café que se transformou. 1758 in QUESNAY. / . no Centro-Oeste. e de muitas propriedades com 500 a 2. 1988). Para compreendê-la é necessário retornar aos primeiros tempos da agricultura do País. nos seus primórdios. unidades de extensão variável. na primeira metade do século XVIII. e cujas despesas são pagas pela 'classe produtiva' e pela 'classe dos proprietários'.000 ha (4. Naquela época as razões eram de herança histórica./ A 'classe estéril' é formada por todos os cidadãos ocupados em outros serviços e trabalhos que não a agricultura. até então. Na era da mundialização.. hoje os motivos são político-econômicos e de economia de escala. Mas nos limitamos principalmente à fabricação e ao comércio de gêneros que poderíamos obter do estrangeiro /. pátria dos cereais selvagens" (BRAUDEL. A propriedade da terra era obtida por doação da coroa portuguesa aos grandes senhores e pessoal militar sob a forma de sesmarias.1%).. embora tenha sido emitida há 250 anos. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE Esta é uma das idéias base da atual globalização. a revolução industrial inglesa a partir do século XVIII. afirmando que a nação se reduz a três classes de cidadãos: a 'classe produtiva' a 'classe dos proprietários' e a 'classe estéril'. principalmente no Nordeste. em 1757. Tópicos sobre a estrutura agrária do ópic sobre estrutur agrár utura ária Brasil e seus antecedentes históricos A atual estrutura agrária do Brasil caracteriza-se pela existência de grande número de pequenas propriedades em grandes Estados da Federação. um artigo na Encyclopédie intitulado Grains (Cereais) cuja tradução ocupa 39 páginas no livro sobre Hume e Quesnay editado pela Nova Cultural (QUESNAY./ procuramos prejudicar nossos vizinhos e privá-los do lucro que obtinham conosco com a venda de suas mercadorias". por sua vez. conhecido economista e renomado médico francês da corte de Luís XV.. em Analyse de la Formule Arithmétique du Tableau Économique de la Distribution des Dépenses Annuelles d'une Nation Agricole ('Análise da Fórmula Aritmética do Quadro Econômico da Distribuição das Despesas Anuais de uma Nação Agrícola') refere-se à atividade agrícola da França.. os quais. Frei Vicente do Salvador (1627) lamentava o caráter predatório da colonização e o fato de os portugueses terem sido. no caso da agricultura. Exprime idéias que se adaptam bem à presente época. intimamente ligados ao extrativismo do pau-brasil e à produção de cana-de-açúcar. 1988a).Home Apresentação Sumário Créditos tarde. conseqüência da globalização (ou forçados por ela) e do regime capitalista neoliberal.2. saiu dos países do Oriente Próximo. François Quesnay (1694-1774). Os tópicos apresentados esboçam a importância da agropecuária através dos tempos como base da sobrevivência da espécie humana. os "vizinhos" podem até estar em outros continentes. cronologicamente seqüencial. O mesmo autor havia publicado. com prolongamentos para o interior que deram origem aos latifúndios. se levarmos em consideração. 1. O Brasil ficou assim dividido em imensas propriedades ao longo da costa. /. no capítulo 1.000 ha (10./ Tudo que é desvantajoso para a agricultura é prejudicial à Nação e ao Estado e tudo que favorece a agricultura é útil ao Estado e à Nação' (François Quesnay. pode ser encontrada. Veja-se o que Quesnay escreveu em 1757: "/. Na primeira História do Brasil. Descrição detalhada. mas sempre de grandes proporções. em agricultura itinerante por falta de conhecimentos e de tecnologia para recuperação dos solos... neste livro./ o tráfico mútuo entre as nações é necessário à manutenção do comércio. 84 .

a agricultura brasileira retomava o seu desenvolvimento através da exportação. o aumento do número e fracionamento de propriedades resultou da ocupação ilegal das terras porque. cit). foi introduzido na América do Sul através do Suriname. em 1727. na festa de despedida. por influência do Governador de Caiena. numa faixa de 80km de largura a partir da costa. uma das culturas que mais marcaram a história e a economia do Brasil. um punhado de sementes de café e as semeou no pomar de sua residência. 1985). 1995). trouxe para Belém as primeiras sementes da planta. Em 1850. não fora substituído por nova legislação. no Período Colonial a renda das exportações de açúcar sempre ocupou o primeiro lugar. De lá. A terra tornou-se domínio 85 . para dedicar-se à agricultura de subsistência. embora o sistema de sesmarias tivesse acabado. Em 1760 correspondeu a 50% do valor total das exportações e o ouro a 46%. cit). mas sabe-se que tanto a produção como o comércio se estabeleceram em bases sólidas. mas. foram levadas algumas mudas até a Guiana Francesa. misturandose aos pequenos cultivos de pomares e hortas dos arredores da capital da Colônia. que abolia o antigo regime das propriedades. IMPORTÂNCIA E FUNÇÃO DOS FERTILIZANTES NUMA AGRICULTURA SUSTENTÁVEL E COMPETITIVA A introdução do café no Brasil deveu-se a Francisco de Melo Palheta que. as ofereceu a Francisco Palheta (mais detalhes no Anexo A). o que deu lugar ao surgimento de um setor de pequenos proprietários. de um francês chamado Morgues. Hoje é a reforma agrária. enquanto a produção de cana-de-açúcar estava associada a grandes proprietários. dentro dos parâmetros oficiais. contudo. na região de São Paulo. no Período Colonial. Conseguiu. Foi na faixa costeira do Nordeste (então designado por "Norte") que se estabeleceu o primeiro centro de colonização e de urbanização e a empresa açucareira constituía o núcleo central de sua ativação socioeconômica (op. Essa missão incluía uma outra tarefa. com o Brasil já independente. mesmo no auge das exportações do ouro. Desconhece-se a data exata em que os portugueses introduziram a cana-de-açúcar no Brasil. constituindo a gênese dos pequenos agricultores. para regularizar e definir as fronteiras estabelecidas pelo Tratado de Utrecht. Ainda segundo Boris Fausto (1995). foi desse modo que se formaram as pequenas propriedades rurais no Brasil (ADAS. O café. A expansão da agropecuária. A grande região produtora foi o Recôncavo Baiano. A sua posse. Utilizado no consumo doméstico. que estavam a ser violadas. esta clandestina: obter sementes de café. obtidas durante a missão à Guiana Francesa realizada a mando do Governador do Maranhão e Grão Pará. o que obrigou a atividade pecuária a deslocar-se cada vez mais para o interior. iniciou-se no final do século XVI. que intenta recriá-las. Os grandes centros açucareiros na Colônia localizavam-se em Pernambuco e Bahia (FAUSTO. entre 1530 e 1540. Esta situação acelerou a ocupação de terras e a expansão do número de pequenas unidades de produção. a de fumo era viável em escala bem menor. devido ao bom relacionamento que havia estabelecido com a mulher do Governador da Guiana Francesa. desenvolveu-se a criação de gado. Por outro lado. do algodão e sobretudo do trigo. A partir de 1820. existiam pessoas que se estabeleceram em um pedaço de terra que não havia sido doado pela coroa. proibida desde 1701. que conseguiu. agora associada à produção de café . com outras atividades que os levaram a uma profunda interiorização nas áreas desconhecidas ou pouco exploradas do Brasil (op. nas proximidades dos engenhos. muitas vezes conflituosa e nem sempre bem implantada/estruturada. era ilegal."ciclo do café" (Anexo B).Home Apresentação Sumário Créditos Por outro lado. era publicada a Lei das Terras. A grande novidade na economia brasileira das primeiras décadas do século XIX foi o surgimento da produção do café para exportação. o café chegou ao Rio de Janeiro por volta de 1760. Os povoadores combinaram o plantio da uva. Outra cultura que surgiu foi a do fumo. que. Em meados do século XIX.

entre outros fatores por exaustão dos solos. O cerrado entra na Tabela anterior de forma indefinida. que até 1850 estava restrita à região de Belém. segundo o IBAMA. foram as da cana-de-açúcar. 2004).183 propriedades agrícolas (IBGE.0%). ampliou fortemente sua área de influência. o Purus. novos parâmetros tecnológicos e novas preocupações socioeconômico-ambientais. menos de 100 ha. culturas perenes e reflorestamento (2). batata (69%). elevado à categoria de matéria-prima industrial a partir de 1823. O produto da venda das terras destinava-se a financiar a imigração de colonos.2%). A quase monocultura de café para exportação foi dando lugar a outros tipos de cultivares e. 2001). Dados do IBGE revelam que o Brasil tem 4. MAGNOLI e ARAUJO. aquelas antigas propriedades abandonadas foram divididas e adquiridas pelos emigrantes que tinham chegado ao Brasil na fase inicial do Ciclo do Café.848. açúcar e citros). 1. Em muitos casos. Cerca de metade das propriedades agrícolas têm menos de 10 ha e 89%. do café. feijão comum (78%). FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE atualmente.8%). Sul. até à recente explosão das indústrias agropecuária e do agronegócio. as propriedades de menos de 100 ha são responsáveis por uma importante parcela da produção agrícola brasileira: mandioca (85%). café (54%) e trigo (54%). 2003) assim distribuídas (x103): Norte. de início. principalmente no norte do estado de São Paulo e nos estados do Rio de Janeiro e do Paraná. Sudeste. citros. ou apenas se realizava de forma insipiente. 242 (5. Nas grandes propriedades de produtos de exportação (soja. Outra distribuição geográfica elucidativa é a das propriedades agrícolas que adotam tecnologia de produção (Tabela 1. com o seguinte potencial de produção (Mt): grãos (240). Quando a elevada produtividade inicial começou a declinar.9 O período áureo foi curto. A produção de café atingiu o seu auge no final do século XIX e início do século XX. e depois. em busca de solos férteis. cacau (61%). se excetuarmos a produção de soja. apresentam-se alguns dados físicos da atual utilização da terra no Brasil (Tabela 1. o Alto Madeira e o Juruá. e seus índices de produtividade são elevados. Nordeste. pastagens cultivadas (34). café.Home Apresentação Sumário Créditos público e o direito de posse só era conseguido pela compra em leilão com pagamento à vista. culturas anuais (10). pelo Amazonas até atingir o Solimões. Entre 1900 e 1910. A sua distribuição de acordo com o tamanho é sintetizada na Tabela 1. devido à concorrência da Malásia10 (Anexo C).2. são largamente utilizadas tecnologias eficientes. mas representam. 86 . penetrando. 841 (17. café e A produção de látex. cana-de-açúcar. através dos rios Xingu e Tapajós. 444 (9. ao contrário do que se verifica na maioria das propriedades familiares. Das diversas fases da agricultura brasileira. Antes de se esboçarem as principais características da estrutura agrária. devido à falta de adubação que na época. mas a Embrapa apresenta os seguintes dados para a totalidade da sua área. trabalhadores para a grande lavoura (ADAS. citros e arroz. apenas 1/5 da área agrícola do Brasil (FAO. ou não era praticada. área agricultável (127). que desenvolveram novos cultivares. o progressivo desmatamento de vastas áreas.3%). Centro-Oeste. passou-se a desenvolver uma agricultura itinerante.002 (20.3). Deve ainda ser considerado que as reservas indígenas (homologadas. e da borracha que mais marcaram a estrutura agrária e socioeconômica do País. atualmente. milho. reservadas ou em processo de identificação fora da floresta amazônica) totalizam 101 Mha.7%). 2. em Mha: área total (204). a borracha foi o produto mais exportado.309 (47. carne (11) e frutas (90). ao lado do café (Anexo C). O aumento do número de plantações ficou associado ao desmatamento de inúmeras áreas. algodão (66%). que provocou. milho (64%).1). Os maiores consumidores de fertilizantes e de corretivos são os grandes e médios produtores agrícolas de soja. Um produto nativo que desempenhou papel importante no agronegócio brasileiro foi o látex. 1985.

5 11.2 45.5 99./".6 8.1 60. áridos ou com vegetação dispersa .0 4.6 100 a 500 ha 17.0 55.6 0.5 73.7 9. O reduzido recurso a tecnologias produtivas explica a baixa produtividade média das regiões Norte e 87 IMPORTÂNCIA E FUNÇÃO DOS FERTILIZANTES NUMA AGRICULTURA SUSTENTÁVEL E COMPETITIVA Solos rochosos..2 0.5 0. "vai-se incorporar mais de quatro milhões de estabelecimentos agropecuários de categoria familiar que estão à margem deste mercado".4 pecuaristas.5 464. Milhões de ha 38.. o fluorgesso e o citrogesso) é.0 1. por exemplo.1 6.7 851.0 54.0 7.6 0.1 100.1 – Utilização da Terra no Brasil Tipos de utilização da terra 1.9 11.3 0. naturais ou artificiais Areas urbanas Outras especificações ou usos indefinidos TOTAL Fonte: FAO.0 5.4 34. sabe-se que "70% dos solos agricultáveis são considerados ácidos e necessitam de calagem /.7 3. O gesso.4 3. Terras com utilização econômica Lavouras temporárias Lavouras temporárias em descanso Culturas permanentes Pastagens cultivadas Pastagens naturais Florestas artificiais Terras irrigadas 2.4 1.2 73.4 0. 2003.4 14. tanto o natural (gipsita) como o de origem industrial (fosfogesso e outros como.6 27.. aplicado na agricultura como corretivo da acidez dos solos e como fonte dos nutrientes enxofre e cálcio (tema abordado no capítulo 15).1 0.4 43.2 – Distribuição geográfica / dimensões das propriedades agrícolas no Brasil (%) Região Norte Nordeste Centro-Oeste Sudeste Sul Total Brasil Fonte: IBGE. 2002 e EMBRAPA.3 8.8 25.3 26.Home Apresentação Sumário Créditos Tabela 1.2 7.4 68.2 3.8 10.7 78.7 10 a 100 ha 48. conforme refere Cleide Pereira no capítulo 6 deste livro.1 0.6 5. Terras com outros usos Rios e lagos. 2003).2 1. Com a viabilização da calagem (ver capítulos 6 e 14).5 4.1 13. ou pode ser.000 ha 0.1 % 4.8 Tabela 1.7 49. sempre que possível agregada à aplicação de fertilizantes.5 8.9 0.0 367.8 51.1 9.5 0.2 236. Cerrados 4.8 0.8 2. Coberturas naturais Florestas de regiões úmidas Florestas de regiões secas Florestas alagadas Florestas de transição 3.1 37.7 54. Por outro lado.4 39. < 10 ha 30.4 2.4 1.9 12.7 77.5 500 a 2000 ha 2.8 > 2.2 28. 2004 (adaptado de MANZATTO et al.1 4.

Infelizmente o perigo para a saúde conduz as autoridades a esforçarem-se por impedir a produção de víveres (production vivrière) nas áreas urbanas em vez de procurarem encontrar soluções para a contaminação (ARGENTI.4 5. Segundo a FAO (2002). Devido às distâncias.9 61. Em certas cidades de África.9 30. A produção agrícola urbana. Neste contexto. ou seja.6 4. FC = Fertilizantes e Calagem.5 19.6 48. o crescimento faz-se a um ritmo de 9 . 2002). Mais de metade da população da Terra vive em cidades.2 36. dificilmente po- AT 6. dentro das perspectivas conceituais de "ciclo de vida" (life-cycle perspective).7% das propriedades agrícolas do Brasil.7 39. ao mau estado das estradas.Home Apresentação Sumário Créditos Nordeste onde se localizam. 2001). 30% a mais nas zonas urbanas do que nas áreas rurais. Neste cenário os fertilizantes terão importante função a desempenhar. em 1980. em escala mundial. cada vez mais. caiu para 30.1%.4 CS 0. mais de 60% dos estabelecimentos agropecuários não empregavam nenhum tipo de fertilizante.10% a cada ano. em 1985. O aumento do número de estabelecimentos que consomem fertilizantes é um fato. Ir = Irrigação. afastando. em média. Para que a atividade seja segura exige. Fertilizantes e sustentabilidade O Brasil. respectivamente. 32.5 18. porém.8 6. Tabela 1.0 51. apenas 18. a ser confundido com uma simples preocupação ambiental (BARRETO. ecoeficiente e sustentável. AT = Assistência Técnica. Nesta abordagem.4 5. solos despoluídos e águas de irrigação não contaminadas. falta-lhe conceituação o que leva.4 30. cerca de 200 milhões de agricultores urbanos contribuem para a alimentação de 700 milhões de pessoas. Esse crescimento irá provocar a ocupação de terras produtivas. 10 a 30% dos produtos deterioram-se durante a viagem (FAO. a população urbana já representa 75% e continua a aumentar. ¼ da população urbana do mundo. CS = Controle Sanitário (peste).1 Segundo o Censo Agropecuário do Brasil.4 38. em contrapartida. Poderá ser. Região Norte Nordeste Centro-Oeste Sudeste Sul Total Brasil Fonte: IBGE.4 12. 2002).6 19.1 45.8 64.9 4. por regiões. apenas 14% (45 milhões) estão em produção (LAMON. 2001). e o seu potencial de crescimento é enorme: dos 330 milhões de hectares de área agricultável.6 FC 9. Na América Latina.1 32. além de apresentar grandes riscos de contaminação. Aquele percentual foi aumentando: 22.7 20.3%.5%.5 76. um dos grandes produtores mundiais de alimentos no cenário de crescimento/desenvolvimento de uma agricultura que se quer competitiva. desenvolvimento sustentável.9 73. à falta de manutenção dos meios de transporte e aos engarrafamentos. 88 .2% e 47. e subiu novamente para 38. EE = Energia Elétrica. 2. a produção agrícola dos núcleos urbanos e aumentando o custo das atividades de transporte e estocagem dos alimentos (ARGENTI. 2002). muitas vezes.1.8 Ir 0. das propriedades que usam tecnologia agrícola e eletricidade (%). minerais ou orgânicos. é um dos maiores produtores agrícolas. em 1995/6. Prólogo O termo desenvolvimento sustentável vem sendo "apropriado" por diversos segmentos da sociedade. Não se deve esquecer que as pessoas gastam.7 4. será "apropriado" ao binômio fertilizantes . progressivamente.6% dos estabelecimentos agropecuários consumiam fertilizantes químicos. porém a realidade brasileira revela que em 1995/96. mesmo consumindo menos calorias.9 EE 10. a agricultura urbana poderá ser uma fonte importante de alimentos. 9.3%. na alimentação. O seu uso freqüente é um sinal importante. 2003. em 1970.5 18.3 – Proporção.agricultura. em 1975. mas. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE 2. principalmente legumes e frutas.

que os fertilizantes poderão desempenhar um papel fundamental. ou seja de 25 a 30 kg/ha (valores numéricos apresentados por A. embora seja o quarto maior consumidor mundial. sem eles. com uma localização mais limitada também esperam definição por parte da Petrobras. à minimização de impactos ambientais. arrendados à Vale (Companhia Vale do Rio Doce . aos novos conceitos de aumento da produtividade do solo e. mostraram que mais de 90% do impacto ambiental provém das atividades no campo. forma. É o que se consegue. terá que buscar soluções para um ponto frágil: a produção nacional de matérias-primas e de produtos intermediários para fertilizantes é acentuadamente insuficiente para atender às necessidades de um país que.CVRD). pelo seu volume. A agricultura é responsável por cerca de 30% das emissões de gases de efeito estufa (gás carbônico. em produção. Capacitar os produtores agrícolas a utilizarem corretamente os fertilizantes é também um caminho promissor para melhorar os problemas ambientais (AGRI. O aumento de matéria orgânica nos solos equivale a seqüestrar carbono da atmosfera (CERRI. fazem-se avaliações.5 a 1 t/ha/ano) é estocado no solo (FELLER. cloreto de potássio. por exemplo. o complexo problema do abastecimento das grandes cidades. (1998). ao atenderem. é comum as grandes empresas produtoras/ vendedoras de fertilizantes terem setores de apoio técnico para prestarem informações aos agricultores sobre o tipo. mas os projetos de exploração dessas reservas de silvinita (mistura dos minerais silvita.000 para o fósforo e 324. ainda apresenta déficits. Assim. O problema é grave em relação ao potássio para fertilizantes. através da sua aplicação controlada. O Brasil depende de cerca de 90% de importações e tem uma única mina em atividade. aguardando pesquisas tecnológicas que mostrem a sua viabilidade técnico-econômica. em macronutrientes. no aumento da produtividade. quantidade e época de aplicação correta dos nutrientes (Anexo D). simultaneamente. Os depósitos de Fazendinha e Arari. a contribuição dos adubos. assim. passando pelo transporte. qualitativa e quantitativa. e halita. metano e óxido nitroso). 515. detentora dos direitos de lavra. No entanto. dos fertilizantes. não queimando as folhas de cana-de-açúcar: aumenta-se a estocagem de carbono nos solos argilosos e are- nosos com a formação de uma camada. no atual contexto de desenvolvimento da agricultura e no da demanda/preços dos fertilizantes no Brasil. incluindo a calagem. além da mina de Taquari-Vassouras (SE). 2002). utilizando como matéria-prima rochas ígneas alcalinas da família dos sienitos. no estado do Amazonas. Fontes alternativas para obtenção de sais de potássio ou produção de termofosfatos potássicos. em vários países.000 toneladas para o nitrogênio. continuam não sendo implementados. Segundo Algarde et al. sedimentares como os arenitos feldspáticos.000 para o potássio. Verifica-se. metassedimentares como os xistos glauconíticos. cloreto de sódio) e carnalita (cloreto de potássio e magnésio hidratado). características do solo e clima. dos três macronutrientes principais. depósitos de potássio. Scheid Lopes e L. ou ainda rochas enriquecidas de 89 IMPORTÂNCIA E FUNÇÃO DOS FERTILIZANTES NUMA AGRICULTURA SUSTENTÁVEL E COMPETITIVA .Home Apresentação Sumário Créditos derá resolver. são conhecidos. Estudos de ciclo de vida (life-cycle) numa cadeia que vai da produção. para fortalecer a utilização de fertilizantes. de 860. Sua aplicação correta contribui fortemente com a redução do avanço das fronteiras agrícolas que. em função do trinômio: tipo de cultivo. que atinge 30% das necessidades do País. 10 a 15% do carbono total das folhas (cerca de 0. O Brasil. Tais números traduzem um déficit total. Para limitá-las. Uma agricultura ecoeficiente deve ter como preocupação primordial a correta aplicação. na superfície. até ao uso dos fertilizantes. de matéria orgânica (humo) relativamente estável. na região. sobre o efeito das práticas agrícolas e florestais na estocagem ou na emissão daqueles gases para que se possam propor modos de manejo que contribuam para reduzi-la. seria necessário para se amplificar a produção de alimentos. 2001). 2002). Hoje. se corretamente aplicados. é da ordem de 30 a 60%. Guimarães Guilherme no capítulo 1.

não era considerado econômico no contexto brasileiro. mas também na substituição competitiva das importações (VELLOSO. Houve uma evolução negativa acentuada nas importações. fosfato monoamônico. mas as "entregas" acompanharam essa diminuição.645 t de produtos intermediários13 (Tabela 2. no Brasil.1).7 para 8. tanto mais que a opção pela abertura de mercado não deve limitar-se a uma política de investimentos para exportar. na época (Fazenda Ipanema .888 Mt. de 959. da indústria dos fertilizantes fosfatados. Na última década do século XX. o Brasil chegou a atingir a auto-suficiência em fosfatados. também devem ser considerados e devidamente estudados. 5 Mt (US$ 960 milhões). devido aos altos custos do transporte para as regiões consumidoras do Sudeste e Centro-Oeste. o problema passou a assumir maiores proporções. as importações saltavam de 7. Os equivalentes microcristalinos dos sienitos.3 bilhões). Entre os 38 itens de produtos e matérias-primas com código TEC / NCM num total de 11. Olinda é o único depósito de origem sedimentar. G.3 Mt (US$ 165 milhões) e superfosfato com vários teores.6 bilhões ao câmbio de 30/04/2007). se não forem implantadas novas indústrias produtoras que utilizem matéria-prima nacional. isto é. ou seja. onde se localizam as maiores reservas medidas de fosfato do País.6 Mt. os que mais pesaram na pauta de importações foram: "cloretos de potássio".647 Mt (ANDA.537 Mt para 7. depósitos como os de Itataia (CE) e Anitápolis (SC).9 Mt: DAP 90 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE . No caso dos fertilizantes fosfatados. esse aumento foi de 32.3 bilhões (cerca de R$ 4. No Brasil. enfático. Se já era uma preocupação o fraco crescimento da produção de fertilizantes no Brasil. Como resultado desta política. deveriam merecer uma atenção toda especial.000 t.3 Mt (US$ 323 milhões). ou a sua produção foi suspensa por não ser considerada econômica.2 Mt/ano. Outros depósitos.724. de 9. tendo passado de 1. os traquitos. e a produção nacional também decaiu.PE ). um crescimento de 4. no valor de US$ 2.059 Mt para 10. 2002). índice elevado se comparado com o que se passa em escala mundial11 e com forte tendência a aumentar.Home Apresentação Sumário Créditos potássio por processos hidrotermais.687 t de matérias-primas12 e 3. A. Em 2005 foram importadas 15 Mt. lembra-se que se deve ao espírito inovador de Paulo Abib e aos trabalhos de PD&I executados pela sua equipe a implantação. enquanto a produção nacional de fertilizantes passava de 7. Analisando tal realidade. mesmo com a acentuada quebra em relação ao ano anterior. já estudados e passíveis de entrar em produção.000 t. Lamon afirma.6 Mt (US$ 350 milhões). nos últimos anos. o que representou um aumento de 45.5 Mt (US$ 2. 985 mil toneladas (US$ 108 milhões).276 Mt. como comprova o que aconteceu em 2000/2001. com a mesma origem das grandes jazidas do Norte de África.990 Mt para 2. contra o parecer técnico de consultores externos. "uréias". Não foi um crescimento esporádico. De 1999 para 2000. talvez pelo acúmulo de "estoques iniciais" elevados. de 9. A propósito destes fatos. fato já referido. 11. em 2005. 2002). em 2005. Passou por uma fase intensa de produção e foi fechado porque. sulfato de amônio. 1. como é o caso de Salitre (MG) e Maicurú (AM).5 Mt. que “a balança comercial desfavorável precisa ser usada como um motivo a mais para que o País invista em pesquisa. no mesmo período. O que aconteceu no final dos anos 90 foi bem marcante. Para o enxofre. principalmente >45%.7%. continua subaproveitada por falta de tecnologia e/ou investimentos. continuam parados. em 2004. Próximo Oriente e Estados Unidos. 1.438. em 2004.233. 2001). e de 1. 1. A jazida de Patos de Minas (MG). quando o País produzia entre 12 e 15% mais do que importava.SP e Olinda . ou não chegaram a entrar em produção. para 8.6%. o consumo interno de fertilizantes cresceu a uma taxa anual média de 7%. com tendência a se agravar cada vez mais. e a tendência é de um progressivo aumento das importações.5%. desenvolvimento e implantação de um parque industrial de fertilizantes” (LAMON. na época. mas hoje já importa 3.

com uma redução de 26.661 3.1 .568 2. . com o gasto total de US$ FOB 813.552 2.Importações de matérias-primas e produtos intermediários para fertilizantes Produtos / Nutrientes Produtos Intermediários Total Produto Total N Total P Total K Matérias-primas Total Produto Total N Total P Total S Total Geral Total Produto Total N Total P Total K 12.687 1. citando Puggina.156 2. ácido fosfórico (-12.324.101645 3.148 10.960 188.922. e muito.522 2. Em compensação verificou-se acentuado crescimento na produção de nitrogenados: nitrato de amônio (+18. Arábia Saudita (10%). Marrocos (21%).949 1.2%) e superfosfato (+3. Togo e Tunísia (12%). 2001 a 2006. ⎯ K .361.860 12.117.736 1.584.941.Canadá (26%). ⎯ sistema tributário (subsídios versus taxação da agricultura) Deve-se acrescentar que também influencia.462 1. EUA (17%).8%).124 1.566.683.860 9.491.692. sulfato de amônio (-8.941.104 1.692. Principais fornecedores em 2005: Kulaif (1999).199 244.524.535 3.424.442 1. Anuário Estatístico.5% em relação ao ano anterior.339.367.9%).623.763.603.5 milhões.763.436 2.532 160.275 1.326 1. Israel (26%). Alemanha (18%). ⎯ S .372 2.290 1.524.715 1.505 203.332 1.804.253 1. ⎯ crédito rural.9%).735 11. Israel (10%) e Tunísia (6%).548. mas mesmo assim a um custo de US$ FOB 960 mil.716 3.936 1.364. em conjunto.778 10.566. produtos intermediários fosfatados: EUA (28%).626 1.233.797. SSP (-16. Rússia (20%).694 327.984 1.740. ⎯ preços relativos (fertilizantes versus produtos agrícolas). Rússia (9%) e Alemanha (4%) com um custo FOB de US$ 530 mil.010.1%).798 1. aponta os fatores que mais diretamente influem na demanda por fertilizantes: ⎯ preços absolutos dos fertilizantes.176 1.972 3.195 245. sustentável e fortemente competitiva.093.276.297.836 241.553. ⎯ liberalização/queda das barreiras e tarifas alfandegárias.502 3. Argélia (14%) e.137 3.Home Apresentação Sumário Créditos Tabela 2.293 2000 2001 2002 2003 2004 2005 (-96.857. Rússia (23%).603.890 1.158 1.293 2.293 1.388.958.386.778 13.950 3.318.319 19.798 1. ⎯ fontes alternativas de financiamento/mecanismos de troca/venda antecipada de safra.2%) e uréia (+15.146.252.520 1.339 3.854.114 14.319 15.619 2.735 14.concentrado fosfático: Marrocos (46%).724.577 327.072.456.096 2.526. a falta de conhecimento aprofundado sobre a função/importância dos fertilizantes numa agricultura moderna.4%).5%).110 2. ⎯ renda ou produto bruto agrícola. No campo dos fosfatados também houve aumento: fosfato natural de aplicação direta (+48. 91 IMPORTÂNCIA E FUNÇÃO DOS FERTILIZANTES NUMA AGRICULTURA SUSTENTÁVEL E COMPETITIVA Fonte: ANDA. ⎯ custos de transporte.093.694.781.Canadá (28%)14 . Bielorússia (16%) e Israel (15%).539 250.296.905 1.001 2.185.567.065 2.627. ⎯ P .175.095 451.648 2.533.645 193.941 228.296.114 17.663 1.945 1.079.5%). termofosfato (-44.430.646.

06 Mt) até 1983/84 (10. ⎯ políticas de liberalização comercial. o consumo de fertilizantes diminuiu 193% entre 1990 e 2000. Neste conjunto de países. no item 3 deste capítulo.subsídios. 2002). Provêm do ar. é elucidativo. Verificou-se uma pequena e breve recuperação em 1996/97 (4. Na Europa Central16 verificou-se situação semelhante: crescimento do consumo de fertilizantes de 1960/61 (2. cit) considera. representa mais de 5. mais de metade foram importadas (14.02/05/ 02).88 Mt. como fatores de influência no consumo de fertilizantes: Mt). do ponto de vista agrícola. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE ⎯ Do ar: carbono (C) sob a forma de dióxido (CO2). o consumo anual de fertilizantes que. São 17 os nutrientes (elementos) considerados essenciais para o crescimento da grande maioria das plantas.57 Mt). Importância e função dos fertilizansustentável tes numa agricultura sustentável Fertilizantes são produtos ou substâncias que. Geological Survey Fact Sheet 155-99 encontra-se a seguinte definição: "A fertilizer is a substance applied to soil to enhance its ability to produce plentiful plants". em 1992/93. Na ex-URSS.Home Apresentação Sumário Créditos A mesma autora (op. da própria água e do solo. Em 1991/92 apresentou uma queda brusca.41 Mt). após 27 anos de crescimento contínuo. definem fertilizante como: "substância mineral ou orgânica. ⎯ linhas de financiamento às exportações e importações. ⎯ políticas agrícolas . do total de entregas (20. fornecedora de um ou mais nutrientes das plantas". pelo menos. aplicados aos solos. cinco por cento de um ou mais dos três nutrientes primários: N.96 Mt) e em 1999/2000 (3. incentivo à modernização das técnicas agrícolas.org/ifa/statistics .2 Mt).65 Mt) e em 1994/95 (4. publicado no DOU em 24/02/82 e as normas de inspeção e fiscalização da produção e do comércio de fertilizantes. nos países da Europa Central e no próprio Brasil. havia atingido mais de 27 Mt em 1987/88 e em 1988/8915. 2006). ⎯ taxas de câmbio. na forma de água (H2O). P2O5.154 (ANDA. a produção e/ou consumo de fertilizantes. de 1984. Não é difícil associar tais fatos às profundas mudanças político-econômicas que aconteceram nesse período na ex-URSS. ao câmbio de maio de 2007. É fácil relacionar estes números aos acontecimentos políticos que também ocorreram.2.2 bilhões de reais. Crises ou mudanças político-econômicas podem também influenciar. para 11. a redução foi de 556% e.56 Mt) e 1997/ 98 (4. Em 2005. Em U. 92 .fertilizer. ⎯ aumento do poder aquisitivo.35 Mt) e em 1991/92 (3. nos últimos 12 anos do século XX. A insuficiente produção de fertilizantes no Brasil é um problema de grandes dimensões. distribuição de renda.638. O consumo de fertilizantes voltou a cair em 1998/ 99 (3. tendência essa que não se manteve. Essa acentuada diminuição prosseguiu em 1993/94 (7.73 Mt). de 18/02/82.9 Mt) a um custo FOB de US$ 2. começou a declinar a partir deste último ano. atingiu o impressionante valor de 629% (www.S. passando de 19. entre outras.32 2. ⎯ mudanças climáticas. ⎯ Da água: hidrogênio (H) e oxigênio (O). apresentando quedas bruscas em 1990/91 (6. Na década de 90. natural ou sintética. e de forma marcante. K2O" (FAO/IFA. fornecem às plantas os nutrientes necessários ao seu bom desenvolvimento e produção. ano em que começou a declinar. O que aconteceu na ex-URSS. empréstimos a juros subsidiados. FAO/IFA definem fertilizante como "qualquer material natural ou industrializado que contenha. O caso brasileiro será abordado. O Decreto no 86.41 Mt. ⎯ crescimento econômico. no Centro-Leste europeu. nesse período. o que.955.51 Mt).

extraem todos os nutrientes da solução do solo. Pode substituir parcialmente o K em certas culturas. d – Micronutrientes não metálicos.sua aplicação como micronutriente é referida apenas na China. Tabela 2. Na+ (y) Silicatos etc. cuja composição média é de 44% para o oxigênio. para regulagem osmótica e aumento de resistência a alguns fungos. e – Nutrientes benéficos. Os fertilizantes podem ser classificados em: ⎯ sob o ponto de vista físico: sólidos . magnésio (Mg). fósforo (P). etc. potássio (K). 2002). K+ SO42Ca2+ Mg2+ Fe2+ ou quelato Mn2+ ou quelato Zn2+ ou quelato Cu2+ ou quelato MoO42ClÚtil em certas culturas em quantidade superior à essencial. fosfatos As plantas absorvem-no e transformam-no em compostos orgânicos. b – Macronutrientes secundários. neste caso. cobre (Cu).etc. As plantas. Citam-se. f – Terras-raras .2 – Nutrientes essenciais e benéficos para as plantas Nutrientes N P K S Ca Mg Fe Mn Zn Cu Mo Cl d B Na Si Co Al Se TR f e H2BO3. cloro (Cl) e níquel (Ni). silício (Si). os valores médios são: K (1 a 4%). os mais comuns.Home Apresentação Sumário Créditos — Do solo e dos fertilizantes químicos (minerais e orgânicos): nitrogênio (N) . Selênio (Se) e terras-raras (TR) também são referidos como micronutrientes (Tabela 2. orgânico-minerais e orgânicos. Para o extrato seco. Na2SeO3 Nitratos. zinco (Zn). c b a Forma Disponível NO3 ou NH4 H2PO4.2). cálcio (Ca). 42% para o carbono.4%) (IFA. S (0. ⎯ sob o ponto de vista químico: minerais. cobalto (Co) e alumínio (Al). 7% para o hidrogênio e também de 7% para um conjunto de 17 outros elementos. exceto no caso do C. cloretos. boro (B).3. designados elementos benéficos.1 a 0. Fonte: World Fertilizer Manual (IFA) 93 IMPORTÂNCIA E FUNÇÃO DOS FERTILIZANTES NUMA AGRICULTURA SUSTENTÁVEL E COMPETITIVA . enxofre (S). Outros. molibdênio (Mo). 0.5%). Aumento da atividade enzimática: maior produtividade. c – Micronutrientes (metais). em circunstâncias específicas. de origem animal ou vegetal.05 a 0. sódio (Na).soluções/suspensões e gasosos como a amônia anidra. ferro (Fe) manganês (Mn).50 mg/kg na matéria seca 2-30 g/kg na matéria seca 2-30 g/kg na matéria seca Observações a – Macronutrientes principais. são exigidos apenas por alguns grupos de plantas. aplicada na forma liquefeita. (pó ou grânulos) e fluidos (líquidos . P (0.

No caso do nitrogênio. é essencial para a fotossíntese e para outros processos químicofisiológicos. é retirado do solo (e também do ar). Os micronutrientes (Fe-Mn-Zn-Cu-Mo-Cl-B)18 são absorvidos em quantidades minúsculas e com uma escala de aplicação muito apertada. Cu. Nenhum nutriente pode ser substituído por outro. são elementos-chave para o crescimento das plantas.as plantas também os absorvem em quantidades consideráveis. desta forma.Ca.são os nutrientes mais importantes para o bom desenvolvimento das plantas. Embora seja abundante na maioria dos solos como cálcio assimilável. Sua função pode ser comparada à das vitaminas na alimentação humana. N. As substâncias . O nitrogênio. aumenta a sua tolerância às secas. para corrigi-los. P. Mn. Os nutrientes também são classificados em função da sua mobilidade em: móveis . aproximadamente 99% do suprimento total provém da amônia (ISHERWWOOD.Home Apresentação Sumário Créditos Fertilizantes minerais compreendem elementos que ocorrem naturalmente e que são essenciais para a vida. Os micronutrientes ou microelementos são: Fe. P e K . Desempenha uma função tão importante como o fósforo ou o magnésio no crescimento das plantas. Co. Embora sejam 94 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE . Também atua nas reações enzimáticas relacionadas às transferências de energia da planta. Embora sejam aplicados em quantidades reduzidas e dentro de limites muito apertados. além disso. O cálcio é indispensável para o crescimento das raízes e como constituinte dos materiais da membrana celular. Mg e S . O problema é ser deficiente na maioria dos solos naturais. Ni e Zn. São consumidos em grandes quantidades. Os macronutrientes são aplicados habitualmente na proporção de kg/ha e os micronutrientes em g/ha. B e TR (na China). O nitrogênio é sempre apresentado como elemento. O potássio tem muitas funções: ativa mais de 60 enzimas (substâncias químicas que regulam a vida). O enxofre é o constituinte essencial das proteínas e. intervém na formação da clorofila. os demais fertilizantes são. sob a forma de nitrato (NO3-) ou de amônio (NH4+). muito pouco móveis .nutrientes . Por isso. 15 a 20% do magnésio contido na planta encontra-se nas partes verdes. Mg. o pigmento verde das folhas que funciona como um receptor da energia solar.S. melhora o regime hídrico das plantas e. na verdade. Mo. Eles dão a vida e não são biocidas. Acentuam ainda que os nutrientes. bens minerais mais ou menos purificados. P e K.que constituem os fertilizantes podem ser divididos em dois grandes conjuntos: macronutrientes e micronutrientes ou oligoelementos. À exceção dos nitrogenados. Como tal. 2002). Cl e Mo. 2000).N. pouco móveis . Uma correta aplicação de nitrogênio é também importante para a absorção dos outros nutrientes pelas plantas. É o constituinte essencial das proteínas. Mn. A FAO/IFA na 4a edição da publicação. A sua principal aplicação na agricultura é na calagem dos solos ácidos. Fe. B. P2O5 ou K2O. motor do crescimento da planta. tanto sob a forma elementar. nas regiões tropicais pode-se verificar forte carência. desempenha um papel vital na síntese dos carboidratos e das proteínas. As plantas bem providas de potássio são mais resistentes a doenças. Los Fertilizantes y Su Uso. mas o seu papel é muitas vezes subestimado. Referem-se "ao uso apropriado dos fertilizantes" e como esse uso "deveria ser parte de um programa integrado de boas práticas agrícolas tendentes a melhorar a produção dos cultivares". O fósforo desempenha um importante papel na transferência de energia. K. necessários tanto em pequenas quan- to em grandes quantidades. Cu. sintetizam bem a função/importância dos nutrientes (FAO/IFA. Cl. A composição dos fertilizantes fosfáticos e potássicos podem exprimir-se.macronutrientes principais . desempenham funções específicas no crescimento da planta e na produção alimentar. como na dos respectivos óxidos. geadas e salinidade. Zn. O magnésio é o constituinte central da clorofila. Ca.macronutrientes secundários .

dos cereais (Si) e no processo de fixação do nitrogênio nas leguminosas (Co).C. sem afetar. água. a capacidade armazenamento (capacidade de adsorção atração/adesão das moléculas de água e de íons na superfície de partículas de matéria orgânica ou de argila). a profundidade. em geral. O Brasil. Por exemplo. Excrementos de aves eram usados pelos cartagineses há mais de 200 anos a. 81 kg de N. em 1807. 95 IMPORTÂNCIA E FUNÇÃO DOS FERTILIZANTES NUMA AGRICULTURA SUSTENTÁVEL E COMPETITIVA .C. Os principais fatores determinantes da fertilidade do solo são: a matéria orgânica (incluindo a biomassa microbiana). a estrutura. a prática de sua utilização é tão antiga que não há registro do seu início. bastante apertado. under farmer's conditions. Tal processo originou o primeiro pedido de patente registrado nos Estados Unidos. 2002). incluindo a FAO. são igualmente importantes e até fundamentais na obtenção de boa produtividade e qualidade. como o Al e o Mn nos solos ácidos. Sir Humphrei Davy inspirou-se na designação de 'pot ash' para chamar de potash (potássio) o elemento químico que isolou. com cinzas de árvores. destaca que os fertilizantes são. É consenso geral que as condições naturais de fertilidade são insuficientes para atender ao consumo necessário para um bom desenvolvimento das plantas. A melhor resposta ao uso de fertilizantes é obtida quando o solo tem um nível elevado de fertilidade. uma função importante.IFA. protegem e preservam milhares de hectares de florestas e matas nativas. tecnologia e possibilidade de fazer economias de escala. Não deve ser esquecido que maior rendimento na agricultura significa maior exportação (remoção) de nutrientes que. 2002). dada a amplitude do território e a sua situação geográfica. clima. Materiais fertilizantes são aplicados na agricultura desde os tempos mais remotos. Em relação aos fosfatados. ao promoverem o aumento da produtividade na agricultura. assim como a fauna e a flora. comparáveis às vitaminas na nutrição humana.Home Apresentação Sumário Créditos substâncias-chave para o crescimento das plantas. embora aplicados em gramas/ hectare. Wladimir Puggina. O potássio é usado como fertilizante desde o século III a. nem o meio ambiente. e que one kg of mineral fertilizer can achieve. em alguns países. Os nutrientes benéficos (Na-Si-Co) são importantes para algumas plantas. por exemplo. Sua aplicação é delicada porque o intervalo entre as concentrações ótima e tóxica no solo é.. Os micronutrientes. Estudos desenvolvidos por várias entidades. Uma prática pioneira de concentrar potássio consistia na lixiviação de cinzas de árvores. o conteúdo dos nutrientes. mostraram que a fertilização balanceada provoca um aumento na produtividade de 35 a 50%. responsáveis por cerca de um terço da produção agrícola. quando chegaram os primeiros colonizadores. cada vez mais. 15 kg de P e 75 kg de K (KRAUSS. é o país que possui melhor combinação de agentes para expansão da agroindústria e do agronegócio: terras. em 31/07/1790. about 10 kg additional yeld (FAO. os índios já assim procediam. em média. deve ser compensada. em regra. 2000)19. Nestas condições. juntamente com a palha. em potes de ferro. Acentue-se que. sendo que. O produto residual era designado por potash. A título de exemplo citem-se os seguintes valores referentes aos cereais: a produção de 3t/ha remove. Na América do Norte. os fertilizantes desempenham. o alumínio (FAO/IFA. na página de apresentação do trabalho Mineral Fertilizer Use and the Environment (ISHERWOOD. presidente da International Fertilizer Industry Association . para manter a fertilidade dos solos. chegam a sê-lo por até 50% nas respectivas produções nacionais. na forma de cinzas ou de resíduos vegetais. a reação do solo e a ausência de elementos tóxicos como. a partir da potassa cáustica. seguida de evaporação ao fogo. nem a estrutura da propriedade familiar. no cultivo da beterraba (Na). alguns podem ser tóxicos. a textura. editado pela IFA/UNEP. e os índios utilizavam guano20 muito antes da chegada dos espanhóis. 2000 a).

no aumento: das proteínas no trigo. Experiências realizadas com o produto changle ou nong-lê mostraram que. Ferreira e Cruz (2000) e Motavalli et al. A produtividade e a qualidade dos produtos alimentares está diretamente ligada ao correto balanceamento na aplicação de fertilizantes. pode-se afirmar que o grande problema da fome no mundo resulta muito menos da insuficiência de alimentos do que da falta de renda para adquiri-los e de tecnologia/capacidade financeira para fomentar a sua produção. entre outras fontes. de óleo na soja. Com o crescimento da produção e da produtividade apoiadas na correta aplicação de fertilizantes e nos avanços da engenharia genética. Não é fácil calcular.Home Apresentação Sumário Créditos A aplicação das terras-raras como micronutriente não tem sido realizada no Brasil. E ela é marcante na comercialização de um produto alimentar como o 96 . 160 núcleos produtores geravam 5 Mt de carbonato de amônio com terras-raras para fins agrícolas (RIC News. ambos da China. A qualidade também. apresenta-se. The usual dosage is 450 to 750 g/ha" (CREI. Qualidade e responsabilidade social alimentares nos produtos alimentares Não só a produtividade agrícola está ligada ao correto balanceamento de aplicação de fertilizantes. Com dados extraídos. Não se conhecem estudos visando a sua aplicação como micronutrientes. Fisiologia Vegetal/Nutrição Mineral (2002).1. como ficou provado em experimentos de campo realizados em todo o mundo. e ainda dos componentes bioativos como o lycopene nos tomates. dada a interação de muitos fatores. do Arquivo do Agrônomo no 10. (2002). em 1997. por exemplo. Na China. Qualidade 2. no valor nutritivo dos vegetais. no Quadro 2. Estima-se que. although the chloride woul suffice. na proporção de 2. usualy in form of nitrate. Na primeira. uma do Ministério da Ciência e Tecnologia e outra do Centro Nacional de TerrasRaras para a Agricultura. É bem mais um problema socioeconômico-cultural do que de falta de possibilidade produtiva. The other (propriety) ingredients in the nong-le are not know. o que há muito é feito na China (LAPIDO-LOUREIRO. 1997). 2000 a). mixed rare earths. no Anexo E. no amendoim e na colza. o que se traduz. uma síntese/resumo da função e dos resultados da deficiência de nutrientes nas culturas. com rigor.25 kg/ha. com a transcrição de duas notas. Este tema é abordado. a sua origem no nitrogênio sintético produzido pelo processo Haber-Bosch.3. em meados da década de 90. 1998). The rare earths can not replace the essential nutrients /…/. Nong-lê é um composto “containing soluble. 1994). cerca de 40% (de 37 a 43%) do fornecimento proteínico dos alimentos teve. a contribuição dos fertilizantes no aumento da produção agrícola mundial. de vitamina C nas frutas e vegetais. os resultados obtidos com fertilização bem balanceada em potássio. pode aumentar o rendimento das culturas em até 15% (CREI. 1997). Timing the application is important and the most beneficial effects are found if the rare earths are added in the early growth stages. São ainda bons exemplos. afirma-se que: "The popularization and application of the new ma- FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE terial and new technology of rare earth for use in agricultural production in large areas will facilitate the high efficient development of agriculture in our country and the improvement of ecological environment in the West". allicin no alho ou isoflavones também no alho (KRAUSS. em escala mundial.

nodulação de leguminosas (feijão. É absorvido principalmente sob a forma de H2PO4. .e. morte das regiões de crescimento dos ramos. folhas quebradiças. diminuição da fotossíntese e do crescimento geral da cultura. RNA. amarelecimento geral das folhas. metabolismo dos açúcares. formação de clorofila. afinamento das folhas. N Função Elemento da qualidade. Cu Fotossíntese. diminuição da fotossíntese e do crescimento geral da cultura. menor tamanho nos frutos cítricos.Home Apresentação Sumário Créditos Quadro 2. casca mais grossa. armazenamento/transformação de energia. menor produção e menor qualidade dos produtos. como HPO4= (pH deve ser < 6. Ativação do sistema enzimático. com todas as suas conseqüências. formação de goma do albedo e nos gomos (citros) etc. crescimento dos ramos e frutos. formação de amido. transformação dos restos das culturas em matéria orgânica. Crescimento das células. componente da clorofila (fotossíntese). panículas com poucos grãos (trigo). ativador de enzimas com função de desintoxicar a planta de radicais livres. desenvolvimento de áreas necrosadas nas folhas. menos rapidamente. fibra e óleo. ervilha).1 . S Desenvolvimento das culturas. Conversão da energia solar em alimento. Interação com quase todos os nutrientes essenciais. crescimento vagaroso. fixação de N do ar. água e movimento de nutrientes. formação dos nódulos das leguminosas. amarelecimento e murchamento das folhas. frutos e caule. morte de gemas terminais e superbrotamento (cafeeiro). folhas mais grossas e que permanecem verdes dificultando a colheita (algodoeiro). folhas quebradiças. menor resistência ao transporte e armazenamento de hortaliças e outras culturas. Crescimento raquítico das plantas. transporte de açúcares. menor teor de açúcar na cana. formação de aminoácidos e proteínas. forrageiras. sementes e frutos pequenos e enrugados. afinamento das folhas. B Vagens vazias e manchas pretas nas sementes (amendoim). aumento da capacidade de absorção dos nutrientes pelas raízes. soja. transferência da informação genética. internódios mais curtos. clorofila. uso eficiente da água. divisão celular. fotossíntese. 97 IMPORTÂNCIA E FUNÇÃO DOS FERTILIZANTES NUMA AGRICULTURA SUSTENTÁVEL E COMPETITIVA Secamento das margens das folhas. participação no processo de formação de açúcar (água + gás carbônico + luz). pecíolos fendidos. Função chave na fotossíntese. Redução da acidez dos solos. pouca resistência a doenças. DNA. fixação do N atmosférico (ajuda a bactéria). Mg Perda de cor entre as nervuras da folha. Ativação enzimática. Mn e Fe. concentração tóxica de Al. aumento da capacidade de retenção de água nos solos. escasso desenvolvimento radicular. Resultados da Deficiência Perda de cor entre as nervuras da folha.8). desenvolvimento das sementes. formação de proteínas. folhas pequenas e deformadas. Diminuição no crescimento. síntese de proteínas. Crescimento das plantas.Função dos nutrientes e resultados da sua deficiência Nutr. Composição das proteínas de todas as plantas e animais. liberação dos nutrientes. polinização. Não participa da formação de biomoléculas. Menor crescimento e redução na colheita. P K Ca Acidez dos solos.

Zn Plantas com tamanho reduzido. Resultados da Deficiência Coloração verde pálida (clorose) ou até amarelecimento – branqueamento. Aumento da produção e qualidade da fibra de algodão com aplicações foliares. não tem mostrado efeitos positivos sobre a nodulação. pontuações pequenas e claras. depois amareladas nas folhas mais novas e diminuição do número de “cerejas” nas rosetas (café). funciona em vários processos importantes como a fotossíntese e a conversão do N-nitrato em forma que a planta usa para fazer aminoácido e proteínas. Ativador de enzimas. manchas necróticas (outros cereais). juntamente com o Mn.Função dos nutrientes e resultados da sua deficiência Nutr. Necessário às bactérias que fixam N do ar. Aplicações de Co em soja. folhas menores. Não germinação de sementes. Mn Folhas superiores amareladas e áreas pardas (soja e batatinha). pecíolos fendidos. participa da fotólise da água. Aumento da quantidade de N fixado por nódulo. Amarelamento das folhas e diminuição no crescimento. Constituinte de enzimas e de microrganismos fixadores de N associado às plantas. Aumenta a vida útil das rosas depois de colhidas. catalisador na formação da clorofila e como carregador de oxigênio. Cl Corrige deficiência e controla organismos causadores de doenças. Reduz a má formação de flores aumentando a produção da mangueira. quando feitas individualmente. as plantas ficam ligeiramente raquíticas (milho e sorgo). Co FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE V B Redução na produtividade e na qualidade da fibra.Home Apresentação Sumário Créditos Quadro 2. participação do controle de concentração endógena do AIA (fitohormônio) responsável pelo crescimento longitudinal das células vegetais. clorose entre a nervura das folhas mais novas (citros). Vagens vazias (amendoim). acumulação de ureídos (moléculas transportadoras de N) nas folhas. Cofator de enzimas. Mo Ni Participa de enzima importante para mobilização de compostos nitrogenados na germinação de sementes. por diminuição da fixação de N. no N total dos grãos e no rendimento de grãos de soja. Clorose no crescimento e clorose generalizada. Fe Função Crescimento e produção. áreas verde claras entre as nervuras das folhas novas. internódios curtos (roseta). formação de sistemas respiratórios enzimáticos. morte de gemas terminais (algodoeiro) e panículas com poucos grãos (trigo). 98 . Apenas aplicação de Mo em soja.1 (continuação) . participa da fotólise da água. entre várias outras. Influência no crescimento celular. não têm mostrado efeitos positivos sobre a nodução. síntese de proteínas. A aplicação de Co + Mo no tratamento das sementes de feijão faz crescer fortemente a produção. Menor rendimento de certas culturas. TR Maior produtividade pelo aumento da atividade enzimática e redução do conteúdo de nitrato e sais nitrosos.

seguindo-se. no século XIX. citado por Krauss (2000 b).FLO (www. Estima-se que. que consiste na adição de póde-rocha (petrofertilizante) para aumentar a fertilidade dos solos. Podem citar-se como pesquisadores pioneiros da remineralização de solos (SR . Cresce o número de consumidores dispostos a pagar mais por produtos de qualidade com valor socioecológico agregado e certificado. O Comércio Justo (Fairtrade) está fortemente embutido na Europa.org . um livro a que deu o sugestivo título de "Pão das Rochas". reputação/marca e frescor (Figura 2. Hensel publicou. No Brasil. chá (41%) e bananas (31%). anos 30. isto é. mais indicado para as pequenas propriedades. associada à qualidade.142 bilhão de euros. Missoux e o bioquímico nutricionista alemão Julius Hensel. sem afetar o equilíbrio do meio ambiente. em solos lateríticos fortemente lixiviados. organolépticas e.acesso em 21/09/07). ele já movimente 1.fairtrade. to de 41% em relação ao ano anterior: cacao (93%). 4 Rochagem: remineralização natural dos solos Rochagem. 2007). foram realizadas experiências com vários tipos de rocha. a country must produce foods that are both sought after and be acceptable in quality. em Angola. que divulgaram. higiênicas. De acordo com a pesquisa.remineralize. Cite-se. a qualidade foi considerada o fator mais importante na aceitação de um produto. especialmente na agricultura familiar.Importância relativa na escolha de um produto "in order to be a successful food exporter. compatibilidade ambiental. em solos empobrecidos pelo intemperismo/lixiviação ou pelo seu uso inadequado e intensivo (abusado). Atualmente.da sigla em inglês) o francês M. A qualidade dos alimentos deve englobar propriedades nutritivas. o que significa um crescimen- 99 IMPORTÂNCIA E FUNÇÃO DOS FERTILIZANTES NUMA AGRICULTURA SUSTENTÁVEL E COMPETITIVA Hammer (1999). cerca de 3 bilhões de reais (GONDIM. Compliance with the statutory. chama a atenção para o fato de: .4 2. ainda. em 1880. o Instituto de Investigação Científica de Angola (IICA) e o Instituto de Investigação Agronômica de Angola (IIAA) realizaram testes de remineralização de solos com rocha carbonatítica do complexo carbonatítico de Bonga. Para mais detalhes. 2. Os resultados foram muito positivos.6 bilhão de Euros em Produtos Certificados Fairtrade. utilizando diversos materiais. na Alemanha e Europa Central. remineralização e pó-de-rocha (rockfor-crops) são termos utilizados para designar uma técnica de fertilização natural capaz de contribuir para recompor o perfil de nutrientes necessário a uma agricultura de alta produtividade. que. No século XX. É um processo alternativo ou complementar de fertilização.Home Apresentação Sumário Créditos demonstrou uma pesquisa realizada em sete países da Europa. café (53%).net).1). compulsory or mandatory requirements of importing countries is an unavoidable and essential prerequisite". proveniente das rochas. Segundo a Fairtrade Labelling Organization International . a título de curiosidade. os consumidores gastaram 1.1 . preço. em 1962. foram desenvolvidas várias pesquisas sobre remineralização como processo de fertilização de liberação lenta. Figura 2. são as universidades de Kessel (Alemanha) e Guelph (Canadá)21 que se mostram mais ativas nas pesquisas sobre remineralização (www. no mundo. trabalhos sobre a utilização de rocha total como fonte de nutrientes. Mais recentemente se está agregando à questão da qualidade uma nova tendência/desejo/exigência do consumidor: a da responsabilidade social do produtor. ver Anexo F. funcionais.

incluindo o CETEM. Já os campos próximos. UnB.5 vezes menor do que com as anuais. "Assim o cultivo ativo e a pressão da seleção evolutiva resultaram rapidamente em plantas anuais domesticadas com qualidades mais atraentes" (GLOVER. No cultivo das plantas perenes. 100 . as plantas perenes podem ser cultivadas de forma sustentável em terras marginais que.custo comparativo do pó-derocha e fertilizantes convencionais. Ca.. trigo. Não precisavam de fertilizantes ou herbicidas para prosperar e afastavam naturalmente pragas e doenças. no Paraná e em São Paulo. Embrapa e CETEM deram continuidade a este campo de pesquisa.5. COX e REGANOLD. girassol e soja exigiam cuidados. para garantir continuidade mais sedentária. 2007). 14 e 15 deste livro. ou que seria esgotado em poucos anos de cultivo intensivo de plantas anuais. ⎯ Carbonatitos ricos de flogopita/vermiculita de Catalão (GO). Aspectos da Rochagem s. freqüentes e caros. A água nos solos da pradaria era cristalina e a vida selvagem. UFSCAR. Citem-se como exemplos. os projetos: 2. Nos anos 70. COX e REGANOLD. século XX. UnB e CETEM. sorgo. provou ser cerca ⎯ Fertilização da terra pela terra: uma alternativa de sustentabilidade para o pequeno agricultor rural desenvolvido pelo Centro de Desenvolvimento Sustentável da UnB. são comercializados materiais fertilizantes à base de pó-de-rocha de basaltos23. envolvendo não só a remineralização mas também a calagem de solos são desenvolvidas nos capítulos 5.convênio Embrapa/UnB com a participação do CETEM. o custo com herbicidas pode ser 4 a 8. solos e ciclos de carbono O homem neolítico começou a colher plantas com sementes e. UFBA e EBDA. Lembra-se que. como fontes de nutrientes na agricultura . as comunidades de plantas perenes são reguladoras-chave de funções do ecossistema. Com suas raízes normalmente mais profundas que dois metros. Plantas perenes: gerenciamento da água. ⎯ Caracterização e cinética de dissolução de minerais de rochas como fontes de K. ⎯ Avaliação de rochas brasileiras como fontes alternativas de nutrientes para a agropecuária (Embrapa). debulha fácil e resistência. replantava as sementes. ⎯ Desenvolvimento de novas fontes e rotas tecnológicas para obtenção de fertilizantes potássicos .l. 12. selecionando provavelmente as que apresentavam qualidades mais desejáveis. Em estudo que durou um século sobre os fatores que afetam a erosão do solo. para permanecerem produtivos (CANINE. estudo da Embrapa Cerrados. Observou que as gramíneas e as flores perenes das pradarias do Kansas eram altamente produtivas ano após ano. ou já possuem solo pobre. além disso. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE ⎯ Carbonatitos como fonte alternativa na adubação de solos . quando plantas perenes dominavam quase todas as paisagens do planeta.ampla abordagem financiada pelo CT-Mineral e desenvolvida por 17 centros de pesquisa (sendo dez da Embrapa). UnB. uma variedade de capim perene.Embrapa.Home Apresentação Sumário Créditos quando se utilizaram rochas ultramáficas (lavas e tufos) e rochas ultrapotássicas de Mata da Corda (MG)22. tais como: o gerenciamento da água e dos ciclos de carbono e nitrogênio. também desenvolvido pela Embrapa Cerrados. 2007). Nesta linha de pesquisa CETEM e Embrapa também estão a realizar estudos com rejeitos do concentrado fosfático de Angico dos Dias (BA/PI) resultantes da separação magnética do minério. 2005 in GLOVER. Mg e Si. cultivados com plantas anuais como milho. o geneticista de plantas West Jackson desenvolveu estudo comparativo entre a agricultura industrial atual e o crescimento natural da vegetação há 10 mil anos. formavam solos ricos e mantinham-nos. alto rendimento. a grama-timóteo. abundante. A vida selvagem também se beneficia e. ⎯ Pó-de-Rocha . isto é.

Tecnologia e Inovação. COX e REGANOLD. Não deve ser esquecido o que aconteceu com a borracha (látex).56 Mt para 457. 2006. além de promover uma redução de cinco vezes na perda de água e de 35 na de nitrato.. Não esquecer também que os países da América Central e Caribe (incluindo Cuba). como pode ser constatado na Tabela 2. mais exatamente 76. em 2005. Para se duplicar a produção de etanol a partir da cana-de-açúcar. o que deverá acontecer nos próximos seis anos. Segundo estes autores. afirmou que: "o Brasil tem vantagem tecnológica em 2. os estados da Flórida. pela função que desempenha na conversão do CO2 atmosférico em açúcar e na sua transferência das folhas para o caule. é um dos elementos-chave. conclui-se que seriam necessárias mais de 2. de culturas perenes de grãos. Lembra-se. a área plantada passou de 5. segundo pesquisa realizada por JANK. Louisiana. nos próximos 25 a 50 anos.1 milhões de toneladas por ano24 . No final de 2005. Potássio. Fertilizantes. 2007. só de potássio. Thinopyrum intermedium (um tipo de trigo-grama) e com outras espécies. É importante que o Brasil não perca a dianteira que tem atualmente na indústria do álcool. em grande escala.62 Mha. aplicação anual de até 130 kg/ha de nitrogênio. Nos EUA. segundo o IBGE). Como simples exercício de avaliação do volume total de potássio necessário para a atual área plantada de cana-de-açúcar (7.98 Mt. A domesticação do Thinopyrum intermedium. com clima apropriado para cultivar a cana-de-açúcar.19 Mha e a produção. por outro lado.04 milhões de hectares. nos últimos cinco anos. dos quais 31 estão em África. melhoristas de plantas e desenvolvedores de culturas perenes dos EUA e de outros países. elaborada por Henniges (ROCHA e CORTEZ.04 Mha. Estão a empregar basicamente os mesmos dois métodos usados por muitos outros cientistas agrícolas: domesticação direta de plantas silvestres e hibridação das plantas existentes de cultura anual com as suas parentes silvestres.3). RODRIGUES e AMARAL (2007)25 . biocombustíveis e OGMs Esperam-se grandes mudanças na produção agrícola. na III Conferência de Ciência. e no perfil e quantidade do consumo de alimentos. de 419. também já são produtores de cana. COX e REGANOLD. altamente produtivas. Há sete dezenas de países. em especial os custos de produção. de 5. em solo plantado com uma mistura de alfafa e gramíneas perenes. No Brasil. principalmente na área dos biocombustíveis. em comparação com solo cultivado com milho e soja (GLOVER. de 90 kg/ha de P2O5 e de 340 kg/ha de K2O (IPI . realizada em Brasília. pesquisas com trigo. Alan MacDiarmide. embora atualmente sua indústria esteja direcionada para a produção de açúcar. 2007). além do fato de haver vários países produtores de cana com capacidade tecnológica. O caso da cana-de-açúcar é bem elucidativo.Home Apresentação Sumário Créditos de 54 vezes mais eficaz na manutenção da camada superior do solo do que as plantas anuais. dado que a maior parte destes nutrientes é exportada ou removida a cada colheita. um parente perene do trigo. em 2006. Texas e o Havaí são importantes produtores. para o desenvolvimento de plantas perenes de grãos. girassol.. GLOVER. Prêmio Nobel de Química. a área colhida. Estabelecer agora as raízes de uma agricultura baseada em culturas perenes daria aos agricultores do futuro mais opções.4. Avanços significativos no melhoramento de plantas tornarão viável o desenvolvimento. o que irá refletir num maior volume e especificidade no uso de fertilizantes. sorgo.76 Mha para 6. 1999). o nutriente a ser aplicado em maior quantidade. 2007). o consumo de fertilizantes deve aumentar fortemente (Tabela 2. com uma aplicação média de 300 kg/ha de K2O.Boletim no 14. que para se obterem bons rendimentos no cultivo da cana é necessária 101 IMPORTÂNCIA E FUNÇÃO DOS FERTILIZANTES NUMA AGRICULTURA SUSTENTÁVEL E COMPETITIVA . 2005). para 7. Hoje quase todos os fatores são favoráveis ao Brasil no campo do etanol. sobre o que cultivar e onde (COX et al. é talvez a que esteja no estágio mais avançado. JORDAN et al. iniciaram.6.

processo de quebra da celulose para produzir açúcares e enzimas que podem fermentar. Canadá 0.4 0.15 0.7 Ucrânia Argentina 0.0 2.82 5.02 27.20 --52.8 0.40 1.83 0. Alemanha e Brasil (em €/hl) Item Prédios Equipamentos Mão-de-obra Seguros.4 .48 9. com o objetivo de trazer novas Tabela 2.8 5.8 123. taxas e outros Matéria-prima Outros custos operacionais Custo de produção total Venda de subprodutos Subsídios federal e estadual Custo de produção líquida Fonte: Rocha e Cortez.2 0.30 1.16 Beterraba 0.1 0. Os EUA e outros países estão dominando a hidrólise enzimática. da grama às árvores e aos resíduos de papel.37 Brasil Cana-de-açúcar 0.93 11.57 -7.31 39.80 2.2 Indonés. 0.2 0.2 0. 2005.5 Outros 1. 2005). mas ainda não é econômico.Home Apresentação Sumário Créditos etanol.1 0. Os EUA investem fortemente em pesquisa neste campo. citando um relatório do Departamento de Energia dos Estados Unidos.80 --48.25 18. 2005).39 3.3 0. laboratórios e companhias privadas. ao maior consumo de nutrientes. dado que os atuais 20 bilhões de litros de consumo de álcool poderão ultrapassar 130 bilhões. até 2017.32 14.2 0. mas pode perdê-la em. Tabela 2. Referiu-se ainda. com capital de 125 milhões de dólares cada.40 1.8 Japão 0. Em relação à indústria brasileira do álcool surgiu recentemente uma boa notícia quanto à possibilidade de aumento da sua produtividade. A esse respeito MacDiarmide foi categórico: “o país que liderar o processo terá um produto muito valioso” (Inovação/UNICAMP.96 -6.48 102 . originando etanol.1 Rússia.1 26 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE Áfr. daria possibilidade à produção de etanol poder atender toda a demanda atual de gasolina nos EUA". o que.1 Brasil 17.Custos de produção do etanol nos EUA. Outro fator que poderá influenciar o rendimento da cana-de-açúcar é a possibilidade de produção econômica de álcool a partir de folhas e bagaço álcool celulósico.68 54. três anos" (Inovação/UNICAMP.4 China 3. Uma empresa brasileira de melhoramentos genéticos já está a testar uma espécie transgênica de cana-de-açúcar que poderá conter até 80% mais sacarose.30 1. no máximo.3 Tailând.3 Colômbia 0. iria aumentar a produção de álcool na mesma proporção.82 5.52 0.61 20. que: "a capacidade de usar a gama completa de material celulósico que vai.40 2. em conseqüência.4 2.93 24. 0.48 ----14.71 7.1 Austrália 0. 2007. a confirmar-se.9 TOTAL 49.3 .9 Turquia 0.5 54.1 6. (ii) qual será a proporção N:P:K e (iii) qual a magnitude da calagem para otimização da produtividade da nova variedade de cana-de-açúcar.2 UE 3.2 0. ficam em aberto as questões: (i) de quanto deverá ser o aumento na aplicação de fertilizantes para fazer face à maior produtividade e. que envolverão universidades. EUA Milho 0. O álcool celulósico poderá elevar a produtividade dos canaviais ao utilizar a palha que hoje se queima com danos ambientais.3 Fonte: ICONE.02 35.3 0.84 Trigo Alemanha 0.21 1.0 Índia 2.3 1.93 59.4 35.10 15.48 -6. Estão construindo três centros de pesquisa. O processo de geração de álcool celulósico já existe em laboratório. Sul 0. Porém.Produção mundial de álcool. em 2006. e projeção para 2012 em bilhões de litros (109 l) Ano 2006 2012 Ano 2006 2012 EUA 18.8 3.

canola (1.4 Indonés. graças ao Programa do Álcool das décadas 70/80. macaúba.5). macaúba (3. Atualmente já há forte consumo de biodiesel. Os Centros de Bioenergia terão como alvo encontrar "micróbios" que quebrem naturalmente a linhina para dar acesso à celulose. ao fato do biodiesel ter sido inventado por um brasileiro (professor Expedito Parente da UFCE.0 Outros 0.. em bilhões de litros (109 l) Ano 2006 2012 UE 6. mas os Estados Unidos estão atrasados cerca de quatro anos.5 14. babaçu. 2005). ⎯ Biodiesel de babaçú: US$ 720/m3. O Brasil pulou na frente em tecnologia de produção de biocombustíveis. é o das oleaginosas com aplicação no fabrico de biodiesel: dendê.Home Apresentação Sumário Créditos tecnologias ao mercado dentro de cinco anos. de óleo: dendê (5.5 . 2007.. em kg/ha. mamona. 0. A Europa saiu na frente do Brasil.2 Malásia 0. Os procedimentos atuais são caros. "Ela pode ser convertida em etanol ou qualquer outro combustível líquido. a vantagem comparativa é certamente menor em relação ao etanol. os custos do biodiesel são fortemente dependentes do custo da matéria agrícola: cerca de 80% (no caso do etanol representam 60%). 0 4.Consumo mundial de biodiesel e projeção para 2012.7 Fonte: ICONE. mamona (1. Deixará a cana e o milho num chinelo.4 5.4 bilhões de litros) (Tabela 2. com destaque para a Alemanha.acesso em 26/06/07).1 Argent. uma substância mais fácil de lidar (www. /. Canadá.9 Índia 0.. é óbvio que pode haver algum aumento a curto prazo principalmente se os EUA e a UE insistirem em produzir enormes volumes de biocombustíveis com matérias-primas caras e de baixas produtividades e conversão energética. US$ 770 a 830/m3 (no Brasil Central). o felino arma o bote do etanol de celulose. até com capim" (LEITE. digerindo seu milho subsidiado.4 46. 2007).000).2 4. O preço atual é elevado e deverá ser reduzido para o tornar mais competitivo. canola27 (muito usada na Alemanha e na França).5 bilhões de litros). org . como butanol e biodiesel". "O setor de pesquisa dos EUA conta com mais garras e gordura para gastar do que dezenas de Embrapas.5 China 0 5. Outro setor agrícola que vai apresentar grande crescimento em países como o Brasil./ mas é importante registrar que há 115 fábricas em funcionamento e estão sendo construídas mais 80. Se a gazela [Brasil] saiu na frente produzindo com mais eficiência o álcool de cana..9 EUA 1. A Bioware Tecnologia / UNICAMP apresenta os seguintes preços: Quanto às previsões pessimistas de subida dos preços dos produtos alimentares: "devido à recente explosão na produção de biocombustíveis.0 TOTAL 9. muito superiores se comparadas às da soja (375) e do milho (145) (ROCHA e CORTEZ. . quadriplicando a capacidade produtiva em três anos. como Tabela 2. é só em aparência que o leão [EUA] dorme. países africanos . Suas produtividades são muito variáveis. ⎯ Biodiesel de mamona: US$ 800/m3. No caso do biodiesel. biodiesel e bioquerosene" (LEMGRUBER. 2007)./ Estados Unidos. Este é o ponto de vista de Carlos Lemgruber.188). Malásia. na década de 70) e a alguns empresários que resolveram apostar na produção de etanol e de biodiesel. e nos EUA (1.000). 103 IMPORTÂNCIA E FUNÇÃO DOS FERTILIZANTES NUMA AGRICULTURA SUSTENTÁVEL E COMPETITIVA Os referidos Centros também irão trabalhar na criação de novas plantas que produzam linhina. pois pode ser fabricado com qualquer resíduo vegetal. Ainda segundo os mesmos autores.9 1. Em silêncio.todos vão produzir etanol. Indonésia. Neste país: "ainda predominam pequenas empresas de biodiesel /.775). ex-presidente do Banco Central. Apresentam os seguintes valores.2 7. ⎯ Biodiesel de soja: US$ 300 a 380/m3 (em São Paulo e Paraná).checkbiotech.7 Brasil 0 2. principalmente na União Européia (6.2 1.

passou a ser de 0. e na Europa onde menos aumentou (1.7 e 2. 2. de 4. Estes valores ficam mais claros ao ser considerada a razão de consumo entre 'Países Desenvolvidos' e 'Países em Desenvolvimento'.(a) 26.78 70.9 vezes naquele período de 45 anos.57 18. D.67 78% P.71 376.15 82.84 52. em 1960/61. entre 1960/61 e 2005/2006: N (8.D. que apenas aumentou o seu consumo em 4.10 1.37 77. foi na Ásia (55.35 Mt).56 135. desenvolvimento (27.D.94 32. Produção e consumo mundial de 2.86 26.63 84. individualmente e em conjunto.78 242% K2O 8.7 – Consumo mundial de nutrientes (106 t) Ano 1960/61 1970/71 1975/76 1980/81 1985/86 1990/91 1995/96 2000/2001 2005/2006 Aumento 1961 – 2005 Fonte: IFA/Statistics.93 51.(b) 3.28 0. respectivamente) e na América Latina (14.28 Produção Brasileira 1.90 60. em 1960/61.03 47.27 46. após a II Guerra Mundial. (b) P.1 vezes na Ásia Meridional e Oriental. RODIGUES e AMARAL.11 25.7. 2007).36 72.16 55. no entanto. mas teve um aumento de 413% entre 1960/61 e 2005/ 06 (Tabelas 2.40 2. em 1995/96.40 76. que. (a) N 10.75 43. outros (16.56 78.58 63.Países Desenvolvidos.74.24 129.47 36.28 Mt. mesmo incluindo-se a África.61 20.12 117. mas.69.11 65.43. o 4o maior consumidor.88 13.48 36. de 6.4 vezes) e K2O (3.56 154.03 Mt).7 fertilizantes O uso de fertilizantes começou a intensificar-se na segunda metade da década de 40. e de 0.03 33.63 24.33 Mt) Total (*) Percentual da produção brasileira em relação à mundial. Verifica-se na Tabela 2. Tabela 2. como produtor de matérias-primas para fertilizantes.D.29 21.E. Manteve-se estacionário em relação ao ano anterior (154. Hoje é superior a 154 Mt.8 e 45. a produção mundial de matéria-prima para a indústria dos fertilizantes N-P-K foi de 376. posição muito modesta no contexto mundial.42 24.11 1.73 21.31 32.19 Mt (Tabela 2.768% 104 P.4 vezes).07 80.19 90. em 2005/06. pirita (5.31 2.83 31.19 %(*) 1.3 vez).39 25.Home Apresentação Sumário Créditos o milho e o óleo de canola" (JANK.29 107.6).43 78.9 vezes) que o consumo de fertilizantes mais cresceu.6 – Produção de matérias-primas para a indústria de fertilizantes (106t) Itens Amônia (t de N) Concentrado fosfático Produção Mundial 119.07 81.40 4.48 16.03 69.19 39.44 212% Mundo 30.86 739% P2O5 10. A Tabela 2. Entre 1960/61 e 2005/06. muito maior nos países em Tabela 2. P2O5 (3.79 68. – Países em Desenvolvimento . o consumo mundial ainda era de apenas 30 Mt.20 129.33 1.17 82. .06 0.78 32.7 mostra o diferente aumento do consumo dos macronutrientes.8).8).E.55 21. A do Brasil. Em 2005/06.6 que o Brasil ocupa.07 Mt em 2005/06. sendo.47 138.7 vezes) do que nos desenvolvidos (1. Considerando ainda o consumo de fertilizantes por região também se verificam diferenças sensíveis (Tabela 2.77 Mt).11 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE Potássio (t de K2O) Total enxofre: elementar (47. O consumo mundial de N-P-K atingiu 154.47 155.8 vez).42 0. como foi referido.07 413% N + P2O5 + K2O P.1 vezes).

Ásia Meridional: Afeganistão. foram mais de 15.44 0. Geórgia. GrãBretanha. (3. Bósnia/Erzegovínea. Dinamarca.33 14. Suíça.69 500.87 498. Egito.88 2.3 milhões de toneladas.17 60. Esta situação tende a se gravar. Quênia.21 3.57 413.6 mostrou-se a posição modesta que o Brasil ocupa como produtor de fertilizantes e na Tabela 2.508. Itália. pelo aumento das elevadas taxas de crescimento da agricultura e pela modesta posição que o País ocupa. Bangladesh.32 10.56 2005/06 14. Paquistão.51 69. Hungria. Tadjiquistão. Federação Russa.75 4. às características dos seus solos e à insuficiente produção doméstica de potássio. Holanda. Espanha. Os estudos de Yamada e Scheid Lopes mostraram que: "somando-se o déficit entre entrada de N no solo.26 138. Bulgária.66 7.08 5.99 0. vem-se revelando. como produto colhido. Ex-URSS.29 21. Europa Ocidental: Alemanha.62 0. Índia. em conjunto.69 1. Coréia do Norte. Estônia. Nepal. EUA.576.35 20. fósforo e compostos nitrogenados. Finlândia. Azerbajão. Bélgica/Luxemburgo. A partir de 1998. Lituânia. Tanzânia. cada vez mais.00 186.24 16. Quirguistão. o que o transforma em grande importador. Romênia. Europa do Leste e Ásia Central. Límia Marrocos e Mauritânia. é um dos grandes importadores mundiais de fertilizantes. Ucrânia. Polônia. Irlanda.10. Ex-URSS. Iugoslávia.18 23. na forma de fertilizante.34 154. (**) (a) (b) (c) (d) (e) (f) (g) (h) Com um crescimento de 4.2 Mt matérias-primas e 12.1 Mt de produtos intermediários).20 1990/91 19. Suécia.76 7. Cazaquistão. Costa do Marfim.55 7. República Tcheca. Moldávia. Uzbequistão.06 4. Em 2005. Ásia Oriental: China.72 2.24 2000/01 15. Zimbabwe.54 21. a produção brasileira. entre 1960/61 e 2005/06. Camarões.9 pode-se verificar que o País é o 4o maior consumidor mundial. Nigéria. Zâmbia. Vietnã.91 1.8 – Variação decenal do consumo de macronutrientes. como se mostra na Tabela 2. África: África do Sul.15 1980/81 21. Eslováquia.99 2. Eslovênia.36 36. Turcomenistão.05 30. insuficiente para satisfazer o consumo interno de nutrientes (Tabelas 2.Home Apresentação Sumário Créditos Tabela 2. França.47 1. Senegal.07 % (*) 28. Europa Central: Albânia.74 16. por região.80 21.60 4.55 3.10 e 2. Letônia. Portugal.03 1970/71 18. devido à dimensão da sua produção agrícola. com N imobilizado na matéria orgânica [do solo] pode-se estimar com grande probabilidade de acerto que há déficit de mais de um milhão de toneladas de N na agricultura brasileira" (YAMADA. América Latina: México e países da América Central e do Sul e Caribe.839%. importação e consumo de fertilizantes no Brasil Na Tabela 2.11).71 18. cada vez mais. Noruega. Argélia. Grécia. Europa do Leste e Ásia Central: Armênia.19 117. quando se considera o consumo de nutrientes por hectare (Tabela 2.31 2. América do Norte: Canadá. Etiópia. 2002).11).8. Áustria.37 2.59 26.42 2. 2.82 4.65 28.486. embora elevada. Tunísia. Macedônia.43 7. Sudão. Na realidade. Produção. 105 IMPORTÂNCIA E FUNÇÃO DOS FERTILIZANTES NUMA AGRICULTURA SUSTENTÁVEL E COMPETITIVA .34 12.96 21.05 Fonte: adaptado de IFA/Statistics – acesso em 04/06/07 Percentagem de aumento do consumo entre 1960/61 e 2005/6. em Mt Regiões Europa Ocidental (a) Ex-URSS (**) (b) Europa Central (c) América do Norte (d) América Latina (e) África (f) Ásia Meridional (g) Ásia Oriental (h) Mundo (*) 1960/61 10. Sri Lanka.21 47.99 135. O Brasil.97 2.56 15. Bielorússia.98 3.52 0. consomem atualmente mais de 50% dos macronutrientes produzidos no mundo.25 2. os países da Ásia. Islândia. e a sua saída. o volume das importações de fertilizantes ultrapassou o da produção interna. Croácia.22 2.

9 17.1 0.0 0.203 2.0 1.790 1.366 1.0 1.5 1.5 -0.7 4.8 -1.6 -2.5 1.1 1.9 -0.031 2006 47.1 6.926 2.1 0.4 --0.070 2.2 -1.0 0.2 2.6 2.494 1.564 18.30 12.054 2.5 4.4 -1.736 2.906 3.468 20.0 1.7 3.7 6.803 1.9 1.8 1. 2001 e 2006.0 -- FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE Federação Russa Argentina Nova Zelândia Outros Total Fonte: ANDA.722 1.600 1.7 18.9 12.537 138.3 2.5 13.3 1.268 1.9 1.141 8.343 1.3 3.728 2.2 2.8 0.619 157.3 2.7 -0.4 7.6 -2.0 1.9 1.8 10.6 3.0 0.1 2.753 3.324 1.526 1.608 1.688 1. 106 .4 2.4 12.063 2.1 0.9 0.776 1.9 – Consumo de fertililizantes.3 1.6 0.7 2.6 -10.7 1.5 -1.3 1.438 1.9 0.057 2.600 2.2 1.Home Apresentação Sumário Créditos Tabela 2.353 2.6 9.3 16.7 -5.9 0.6 -2.4 1.4 1.3 1.9 0.5 2.070 5.0 1.535 1.044 1.640 1.0 1. em milhares de toneladas de nutrientes N-P-K.732 19.9 1.302 1.636 1.689 2.834 2.875 4.6 3.6 1. por país.4 -1.319 2.132 --19.735 1.7 1.5 1.9 --Variação Ano Anterior (%) 2000/1999 1.3 1.6 1.1 7. PAÍS China EUA Índia Brasil França Alemanha Paquistão Indonésia Canadá Austrália Espanha Turquia Vietnã Reino Unido Tailândia Itália México Polônia Japão Bangladesh Malásia Irã Egito Consumo (103 t) 2000 35.8 --13.8 -0.5 4.466 979 15.8 4.543 2.8 5.6 4.171 1.1 1.2 -0.545 3.301 Participação (%) 2000 25.0 1.6 1.1 1.710 1.0 10.0 -2006/2005 1.0 1.9 -2005 30.1 1.288 19.3 1.9 9.6 1.8 0.320 1.2 3.

490 1. Ácido fosfórico (produto).854 2. boas propriedades físicas (estrutura e textura entre outras) e não são ácidos (EMBRAPA.763 2.548 2. nitrato de cálcio.326 1. à produção do ácido sulfúrico. Nitrogênio contido em: uréia.624 1. ou seja. O consumo de enxofre está ligado.102 3. teor de água que atenda ao ciclo das plantas. superfosfato simples amoniado. É fácil compreender a grande necessidade de fertilizantes e calagem no Brasil.093 3. 515. fosfato monoamônio.598 495 19.646 203 257 (f) Potássio (c) Total Produtos (B) Nitrogênio Fósforo (e) Ácido Fosfórico Enxofre Ácido Sulfúrico (A) + (B) Nitrogênio Fósforo Potássio (a) (d) Matérias-Primas (t x 10 ) 3.776 1.694 2. sulfato de potássio. em 2005.465 1.567 2.526 339 13.627 3.665 3. superfosfato simples amoniado. 2001 e 2006. nitrato de potássio.723 1. mas também porque somente 9% dos solos não possuem limitações relevantes para a produção agrícola.773 1.380 1.297 2. sulfato de amônio.122 Produtos Intermediários (t x 103) 10.10 – Importação de matérias-primas e de produtos intermediários para fertilizantes. 2002). verifica-se que a agricultura americana consome 3. Além do potássio.296 1.692 2003 14.364 1.368 1.326 3.080 1.5 vezes mais N do que a brasileira.947 1.534 347 3 91 1.957 1.000 para o potássio.942 3.430 1. Enxofre.401 2. em milhares de toneladas 2000 Total Produtos (A) Nitrogênio Fósforo (b) (a) 2001 9.000 para o fósforo e 324. houve necessidade de se importarem 1.603 Fonte: ANDA.151 2. fosfato de monoamônio. Potássio contido em: cloreto de potássio. 107 IMPORTÂNCIA E FUNÇÃO DOS FERTILIZANTES NUMA AGRICULTURA SUSTENTÁVEL E COMPETITIVA .185 3.491 1. predominantemente. fosfato de diamônio.080 229 328 73 1.386 220 12.301 1. Scheid Lopes e Guimarães Guilherme indicam déficits de 860 t para o nitrogênio.683 1. ou seja.377 2. cerca de 30% das necesidades do País na agricultura.857 3.011 2.262 1. do fósforo e dos compostos de nitrogênio.764 160 452 90 1. operação em que se consome 70 a 80% do total do ácido sulfúrico produzido no País.234 194 331 32 1.567 491 14.607 246 250 57 1.527 2002 10.Home Apresentação Sumário Créditos Tabela 2.093 2006 12. Amônia anidra (produto).782 1.340 356 12. fertilizantes complexos. superfosfato triplo. necessário ao fabrico do ácido fosfórico para fertilizantes. No capítulo 1 deste livro.697 1.231 207 339 17 1.567 Total Geral (t x 10 ) 17. nitrogênio. substância largamente utilizada direta ou indiretamente na agricultu- ra.120 2.942 2005 11. (b) (c) (d) (e) (f) Segundo o mesmo autor. fósforo. não só pela dimensão da área agrícola.6 Mt de enxofre.554 3.540 459 15. boa drenagem.424 1. apresentam boa reserva de nutrientes.603 3 2004 15.297 3.805 188 250 48 1.333 1.102 1. Fósforo contido em: superfosfato simples. salitre de potássio.692 2.122 3.526 2. comparando-se a proporção dos nutrientes N:P:K e deixando como valor unitário o potássio.

989 3. 1990 a 2006.53 15. estoques e total de entregas ou consumo efetivo de nutrientes.491 9.393 Importação 12.603 2.70 17.895 3. Tabela 2.1 120.2 201.195 22.2 349.0 114.085 1.205 2.7 18.0 38.734 9.473 2.28 91.325 2.8 248.0 29.163 1.424 14.982 20.2 367. respectivamente.930 Estoque inicial (*) Estoque final (*) Total entregas 20.085 1.1 Consumo (kg/habitante) 58.6 58.4 120.2 81.2 58.4 97.686 5.0 386.768 2.2 39.895 3.102 11.88 31. em milhares de toneladas (103 t) Ano 2006 2005 2004 2003 2002 2001 2000 1995 1990 (*) Produção 8.94 75. no Brasil.9 57.3 47.778 8. Da indústria.46 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE A Holanda consumiu 741 e 602 kg/ ha de N – P2O5 – K2O em 1987/88 e 1990/91.67 85.5 604.603 2.51 120.01 27.0 75.57 20.543 9.679 10.5 84.171 2.985 6.6 58.53 34.00 41.82 11.723 15.3 200. (a) Consumo de Nutrientes (kg/ ha) 673.6 944.1 125.839 8.292 2.0 59.322 10.73 54.55 17.3 População (milhões) 20.473 2.911 1.0 376.3 262.27 33.8 59.8 92.989 3.1 63.7 120.0 63.00 8.14 25. importação.0 12.767 ------------- Consumo efetivo (*) ------22.25 (a) 39.66 10.356 19.773 10.8 61.240 8.232.11 – Consumo anual de fertilizantes por hectare agrícola e por habitante País 1-Malásia 2-Holanda 3-Reino Unido 4-Japão 5-China 6-Egito 7-França 8-Vietnã 9-Alemanha 10-Itália 11-Espanha 12-Indonésia 13-Brasil 14-EUA 15-Bangladesh 16-Paquistão 17-Polônia 18-Índia 19-Tailândia 20-Turquia 21-México 22-Irã 23-Canadá 24-Austrália 25-Federação Russa Fonte: ALBUQUERQUE.36 18.597 7.171 2.0 108.12 – Produção.301 4.5 108.3 75.1 114.8 244.7 70. 108 .93 19.217 1.0 140.7 144.120 Fonte: ANDA.8 269.071 7.164 17.6 15. 2000.179 16.4 161.3 1.Home Apresentação Sumário Créditos Tabela 2.15 29.1 148.86 12.

dentro de uma política consistente de sustentabilidade. isto é.12 apresenta-se uma síntese da movimentação de fertilizantes no Brasil. o que exigirá a implantação/desenvolvimento de projetos/tecnologias que utilizem predominantemente bens existentes no País. SILVA in CALMANOVICI. 1990). O crescimento da produção interna de fertilizantes não acompanhou. a produção nacional mostrava-se sempre crescente passando de 6. Cada cultivo por aí carrega um pedacinho da sua história. A Imperial Estação Agronômica. em 2006. do Serviço de Estudo e Aproveitamento das Jazidas de Apatita de Ipanema e a solução tecnológica para aproveitamento de mais de 300 milhões de toneladas de rocha. o consumo de fertilizantes era muito restrito. em média. Considerando o período como um todo. a criação. atual Instituto Agronômico de Campinas (IAC). em 1950. o forte aumento da demanda exigindo maior volume nas importações. 1997). iniciando um período (1965-1985) de industrialização da agricultura (KAGEYAMA E. persiste um forte déficit na agricultura nacional. Data deste período o início do uso de fertilizantes e de tratores na agricultura. o que contribuiu fortemente para a sua modernização. até ao final dos anos 60. nas proximidades dos centros urbanos. o crescimento da produção agrícola era sinônimo de aumento das áreas cultivadas. verifica-se que o consumo aumentou 130%. Apesar de o Brasil ter produzido 3. em 2007. seus 120 anos ("nasceu" em 26/06/1887). em 1950. enquanto a produção cresceu 13 vezes (1200%) (SOUZA.Home Apresentação Sumário Créditos Na Tabela 2. em 1966. "porque a diferença em importações crescentes seria paga com superabundantes divisas estrangeiras disponíveis nessa época"(KULAIF. antes era considerada estéril (SOUZA. No Brasil. Por outro lado. De 1920 até a década de 60. criação de órgãos como a Embrapa e a Embrater e expansão da fronteira agrícola para o Centro-Oeste do País. vai lançar 20 novas variedades. apoiada em programas de pesquisa e extensão rural. 11. foi instalada por Dom Pedro II. De 1969 a 1973. 2007).1 Mt e importado 5.2% ao ano). período de forte crescimento econômico (o PIB aumentou.. predominantemente. em 1966. "80% das variedades de plantas cultivadas no País se originaram das pesquisas do IAC. /. no final da Segunda Guerra Mundial (segunda metade da década de 40). nos anos 20. Poderá consegui-lo pela conjunção de duas variáveis: aumento das exportações com maior valor agregado e redução das importações. a produção interna evoluiu de 12% do consumo. Antes. para 72%. foi possível sustentar e incentivar uma forte elevação do consumo de fertilizantes.000 t/ano de P2O5. 1997). já se havia iniciado. não atingindo 160. porém. na Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo. o que acontecia. A partir de 1964.000 t/ano. O IAC carrega uma parte importante da história viva da agricultura brasileira. para 84.9 Mt de nutrientes N-P-K. com a passagem gradual do chamado complexo rural para os complexos agroindustriais (CAI). os governos militares seguiram uma política desenvolvimentista. Comemorou.. 1999). Constituíram marcos históricos na indústria de fertilizantes nacional. mesmo com a diminuta produção interna. O processo de modernização atingiu o seu ápice em meados da década de 60. É consenso geral que o Brasil necessita criar condições de formação de grandes saldos na balança comercial para equilibrar as suas finanças./ Para comemorar seu aniversário. 109 IMPORTÂNCIA E FUNÇÃO DOS FERTILIZANTES NUMA AGRICULTURA SUSTENTÁVEL E COMPETITIVA Agricultura 3.000. da cana-de-açúcar ao milho pipoca" (GRAZIANO. Suas pesquisas pioneiras abriram as portas do progresso tecnológico. com grande reflexo no setor agrícola. Agricultura e demanda de fertilizantes no Brasil . Um dos fatos mais marcantes da evolução da ciência agrária no Brasil foi certamente a criação da Escola de Agronomia. como foi referido. porém a modernização da agricultura brasileira.

o setor viveu momentos de grandes dificuldades em função de crescimentos negativos do consumo aparente de fertilizantes. devido à primeira crise do petróleo. que executou excelentes estudos no campo dos fertilizantes não tradicionais. pesquisadores da Universidade e de Centros de Pesquisas e entidades governamentais. o que determinou o padrão de localização junto aos portos marítimos. Num segundo momento. desde 1982 o País tornara-se auto-suficiente.1983 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE Neste período. já em 1979.Home Apresentação Sumário Créditos Até 1974.7 milhão de toneladas. Souza (1997) enumerava vários fatos marcantes. vi) a capacitação alcançada pelas empresas brasileiras S/A nos projetos básicos de concentração de rocha fosfática. apoiado em dados da ANDA (1987). citados por Albuquerque (1997). inicia-se a produção de fertilizantes simples. como no passado.1980 Caracterizou-se por uma acentuadíssima ampliação da oferta interna de fertilizantes. que tinham por objetivo diminuir a dependência externa.000 toneladas (15% das necessidades). acontecidos a partir de 1974. por empresa estatal. cerca de 13% ao ano. Ao longo do período 1975 . A sua extinção deixou profunda lacuna tecnológica (ALBUQUERQUE.1974 Representa a fase da estruturação do setor de fertilizantes no País. pressionando a balança de pagamentos. iv) a fundação do Instituo Brasileiro de Fosfatos (IBRAFOS). nomeadamente termofosfatos. a Ultrafetil.40% para 93. iii) a criação de uma linha de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico. destacando-se: i) o Programa Nacional de Fertilizantes e Calcário Agrícola (PNFCA). Coincidindo com a crise energética mundial. amplia-se a capacidade de mistura.1989 A taxa de crescimento da demanda passa a ser novamente positiva. operando este segmento misturador com matéria-prima importada. Primeira fase: 1950 . v) a criação do Centro de Estudos de Fertilizantes (CEFER). vii) os encontros regulares promovidos pelo IBRAFOS nos quais se reuniam empresários. 20 vezes. de US$ 1. grande desembolso de dólares em importações de fertilizantes. o setor dos fertilizantes era dominado por empresas privadas que apenas produziam fertilizantes fosfatados simples. houve necessidade de se aumentar a produção interna de fertilizantes. o consumo de fertilizantes atingia 1. ainda que utilizando matéria-prima importada. A década de 90 talvez possa ser considerada como a Quinta Fase da "Periodização do Setor de Fertilizantes" apresentada por Calmanovici (1990). Segunda fase: 1974 . salvo algumas importações provocadas exclusivamente por logística de transporte. Isto significa que a retomada do consumo deve. ii) a criação da Petrofértil. A 110 . ano em que a produção de concentrados fosfáticos foi de 250. Como resultado. segundo Rappel e Loiola (1993). apresenta a periodização do setor de fertilizantes do Brasil.3 bilhões. no que toca aos nitrogenados. em unidades de pequeno a médio porte e. de armazenagem e de distribuição. a qual incorporou. para investimentos incentivados. Calmanovici (1990). A conjuntura internacional resultou em pesado aumento nos preços dos fertilizantes. O potássio era todo importado. De acordo com a ANDA (1987). técnicos das empresas. a curto ou médio prazo. Nesse período. Em termos exclusivos de rocha fosfática.1988. até ao final da década de 80. podendo haver. em 1976. a relação produção/ consumo aparente de fósforo passou de 51. Quarta fase: 1984 . Essas dificuldades resultaram de novo choque dos preços do petróleo e de uma situação nacional de crise. tanto esta fase como a anterior caracterizam-se pela quase total ausência de novos investimentos no setor. a produção interna de N-P-K cresceu mais de 80 vezes e o consumo aparente. um ano depois. FAFER e a Nitrofértil. No entanto.01%. Terceira fase: 1980 . pressionar o parque instalado além da sua capacidade produtiva. 1995).

nos últimos cinco anos. Em 2001. Sabe-se. 1999). como já foi referido. Os censos elaborados pelo IBGE revelam bem a importância/dimensão e o crescimento da agricultura nacional. em volume. já pesam fortemente. /. pela quase total falta de investimentos no setor. Os resultados obtidos no estudo macroeconométrico realizado pelas citadas entidades foi resumido numa tabela que reproduzimos (Tabela 3.. atingiram 12.446 889 7. e de forma negativa. tanto em volume quanto em desembolso de dólares. op. O aumento da produção agrícola brasileira tem-se mostrado muito forte (Tabela 3. de dezembro de 1994 a dezembro de 2001. respectivamente.Home Apresentação Sumário Créditos agricultura brasileira cresceu. em 1999. Como previra Calmanovici em 1990 (op. chegando a atingir. embora com eventuais retrocessos. de forma contínua. na balança comercial do País. em dólares. um obstáculo: “.2). em relação a 2001. A Agudeza desta mudança é ainda maior quando se considera que em quase toda a década de 70 os juros cobrados eram negativos. em relação aos produtos intermediários e às matérias-primas para fertilizantes. verifica-se que. um crescimento de 27.102 8./. até 1995 e. como através de uma significativa expansão das exportações. Considerando-se os fertilizantes na sua totalidade. Evolução da agroindústria do Brasil A MB Associados mostrou. naquele período. Se atendermos apenas ao período de vigência do real (implantado em julho de 1994).5%). as importações não deixaram de aumentar (à exceção de 1995).929 Cresc. Crescimento 1998 – 2000 As importações de fertilizantes. devido à falta de uma política de financiamento para a agricultura. principalmente a partir de 1986. cit). e de 133%. atualmente o sistema formal de crédito equivale apenas de 10% a 15% /. com oscilações.43 Mt para 9. Tabela 3.Demanda de fertilizantes (em mil toneladas de nutrientes) Item Produtos Agrícolas Pastagens Total (a) (b) 1998(a) 5.77 Mt (aumento de 31. por outro lado. agroindústria 3.227 1. pelo seu volume. Em 2006. na última década do século XX as importações cresceram. em alguns anos. nas atuais condições.1 Mt (15. 111 IMPORTÂNCIA E FUNÇÃO DOS FERTILIZANTES NUMA AGRICULTURA SUSTENTÁVEL E COMPETITIVA . que houve nas décadas de 80 e 90.a contribuição para redução mais imediata do déficit em transações teria que vir principalmente da performance da balança comercial... taxas negativas superiores a 30%" (MB Associados/ANDA./ Neste esforço.557 280 5. uma redução drástica do volume de recursos direcionados para a agricultura. verifica-se que as importações passaram de 7. cit).1).. que: ". podem não vir a ser atendidas pelos agentes financeiros privados". isto é.1. o setor agroindustrial deveria ocupar um lugar de destaque. /. tanto pelo aprofundamento do processo de substituição das importações. (b) 30% 507% 53% MB Associados/ANDA.837 2003 6../ o governo terá que intervir ativamente para enfrentar a questão do financiamento em áreas estratégicas ao processo de crescimento e que.1 .3%.. É evidente que o consumo de fertilizantes acompanhou essa evolução. 212% e 89%.. Com efeito. de forma irregular. como em 1995. em trabalho desenvolvido para a ANDA.4 Mt em 2004). tanto pela competitividade comprovada de alguns produtos em nível internacional. "Enquanto nos anos 70 chegou-se a emprestar mais do que uma vez o PIB agropecuário.a um crescimento da economia brasileira encontra-se na falta de uma adequada estrutura e dinâmica de financiamento da produção e dos investimentos. o aumento das importações foi de 189%. o PIB agrícola ultrapassou 87 bilhões de reais. como pelo potencial de expansão que este setor ainda tem" (MB Associdados/ANDA..335 2008 7. com forte participação dos CAI. Segundo a mesma fonte..

laranja. op. soja. arroz. tomate. aumentou 2.226 59. ii) à incorporação do progresso tecnológico desenvolvido nos centros de pesquisa nacionais.480 125. (*) Percentagem de crescimento (a) 16 culturas que respondem por cerca de 90% da produção brasileira: herbáceo. certamente.5 vezes enquanto a lavoura progrediu 1.189 46. coincidindo com as primeiras tentativas de produção de concentrados a partir da rocha fosfática de depósitos nacionais./ O fenômeno de aumento da produtividade ocorrida nos últimos anos é a contrapartida de uma intensa redução nos custos médios (ou unitários) de produção. à exceção de máquinas. café em grão. banana. O crescimento agrícola.573 76 45. "A redução na disponibilidade de crédito do sistema formal fez com que os agricultores concentrassem seus gastos em fertilizantes. que foram mínimos.Home Apresentação Sumário Créditos Tabela 3. cit). a sua aplicação era muito restrita.695 13 Fonte: ANDA/IBGE.2. Merece destaque especial o crescimento da área de pastagem plantada que. que começaram em meados dos anos 80. Recorria-se apenas a adubos orgânicos produzidos por pequenas empresas localizadas nas zonas rurais dos estados de São Paulo e do Rio Grande do Sul.2 – Desempenho da produção agrovegetal: médias trienais. A utilização de fertilizantes minerais foi iniciada. as reservas financeiras acumuladas anteriormente.615 118.275 87.206 47. resultou muito mais do aumento da área cultivada do que dos ganhos de produtividade. A expansão da área cultivada deve ser relacionada aos expressivos volumes de crédito concedidos. apoiou-se fundamentalmente no aumento das áreas cultivadas (IPT. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE 3.963 51.605 148... amendoim.783 55. até aos anos 60. com destaque para Embrapa.141 89/90 a 91/92 92/93 a 94/95 95/96 a 97/98 98/99 a 00/01 01/02 a 03/04 04/05 a 06/07 %* Produção agrovegetal (103 t) (a) Produção de grãos (103 t)(b) Área colhida (103 ha)(a) 86.379 53. principalmente nos anos 70.787 59 49. entre 1975 e 1995. permitiram o desenvolvimento da eficiência produtiva. fumo. mamona. (b) Cereais e oleaginosas. sementes e defensivos com o intuito de elevar a produtividade /. Estas entidades esclarecem que uma parcela considerável da redução de custos ficou a dever-se: i) à queda nos preços dos principais insumos agrícolas.348 72.671 46. cacau. feijão. de forma incipiente. dos principais produtos de exportação e consumo interno Indicadores 80/81 a 82/83 83/84 a 85/86 86/87 a 88/89 116. trigo. Diversos estudos indicam que ocorreu uma redução de cerca de 60% nos custos de produção das principais lavouras brasileiras entre 1981 e 1994" (MB Associados/ANDA.830 100. 1988).917 131. batata. Particularidades da indústria brasileira leira de fertilizantes Embora o consumo de fertilizantes no Brasil tenha começado em fins do século XIX .710 67.336 57. cana-de-açúcar.início do século XX.303 44. muito superiores se referidos a 2005/2006.748 111. operação essa que se associou à produção de superfosfato simples. Foi nes- 112 . da ordem de 5% ao ano.838 74. o significativo crescimento da oferta. Com as restrições de capital28 .786 179.757 196. Nesse período.8 vez e estes números seriam.396 109.492 43. no começo dos anos 30. iii) ao aumento da capacidade administrativa dos agricultores.

a definição do depósito de apatita de Jacupiranga (SP). as empresas existentes importavam fertilizantes mistos. conseqüentemente. entre 1958 e 1967. o de Araxá (MG). em 1946. mais unidades de produção de fertilizantes granulados e de ácido sulfúrico e o início da lavra e beneficiamento do minério fosfático de Araxá. Em 2006. Este. Foi a partir da década de 70. o do Morro do Serrote/Registro (SP) e. previamente formulados. ao contrário dos anteriores. produziu cerca de 770 mil toneladas de concentrados. Foram. Foi a primeira unidade de síntese de amônia anidra. em 2000. passou a importar quase o dobro da quantidade de fertilizantes que produz. Em 1958 é implantada a Fábrica de Fertilizantes de Cubatão (FAFER) com o objetivo de utilizar o gás da refinaria Presidente Arthur Bernardes da Petrobras. no âmbito do II Plano Nacional de Desenvolvimento Agrícola . 1999). Na análise da evolução das importações de fertilizantes e suas perspectivas futuras. ou seja. aumentou-se. aumentandose o seu rendimento. situados em "chaminés" vulcânicas de rochas alcalino-carbonatíticas. se não forem implantados novos projetos que utilizem bens minerais nacionais. 1997).9 Mt (2. também em 1946. deve-se ainda considerar que: ⎯ apenas 9% dos solos brasileiros não apresentam limitações relevantes para a produção 113 IMPORTÂNCIA E FUNÇÃO DOS FERTILIZANTES NUMA AGRICULTURA SUSTENTÁVEL E COMPETITIVA . Com o passar do tempo. Pode-se dizer que o Brasil. nos anos 90. medidas insuficientes: as importações de matérias-primas e produtos intermediários continuam a crescer de forma pronunciada e constante. A partir dessa data. implantou-se o importante pólo industrial de Uberaba. instalaram-se novos centros ou empresas misturadoras/comercializadoras de fertilizantes. Nessa época. entre 1958 e 1960. 1938 in KULAIF. nitrato de amônio e nitro-cálcio. facilidade de escoamento e.7 bilhões de dólares. que teve continuidade nos anos seguintes. embora de forma mais tímida: melhoraram-se os processos industriais de produção e a rede de transportes. Continuam sem entrar em produção depósitos já estudados. em 1942. principalmente com a prática da lavoura introduzida pelos japoneses e com as plantações de algodão (MORAIS REGO.PND (1974-1979). a produção nos pólos já existentes. Novas empresas. com a criação do Plano Nacional de Fertilizantes e Calcário Agrícola (PNFCA). vieram a dar nova dinâmica à produção de fertilizantes no Brasil. o de Olinda (PE). Embora o consumo de fertilizantes crescesse de forma intensa desde os anos 50. um aumento de 175% em volume e de 155% em divisas. um total de cerca de 13 milhões de toneladas a um custo de 1. cit). de origem sedimentar (fosforito). embora timidamente. tendo atingido. as antigas importadoras foram instalando unidades misturadoras para elaboração de suas próprias formulações (KULAIF. op. a competitividade do produto brasileiro.7 bilhões de dólares). Essa reestruturação da indústria agrícola também envolveu a dos fertilizantes.5 Mt (US$ 345 milhões) de matérias-primas. correspondentes a 12. ano em que a razão Produção Nacional/Importação atingiu o valor de 1. até 1985.4 Mt (US$ 2. criando-se assim o complexo minero-químico de Tapira/Uberaba.Home Apresentação Sumário Créditos te período29 que a utilização de fertilizantes químicos começou a ser mais efetiva. não se investe em processos inovadores ou novas tecnologias e não se estabelecem programa de prospecção e pesquisa mineral direcionados na busca de matérias-primas para fertilizantes. que produzia também ácido nítrico. no entanto. Todas as projeções apontam para um agravamento da dependência externa. Seguiu-se. tem diminuído acentuadamente. que se criou a primeira política pública para estruturação da indústria e difusão da vantagem e necessidade da aplicação de fertilizantes.4 bilhões) de produtos intermediários e 5. a partir 2000. em 1940.55. o total de importações foi de 17. a produção fê-lo de forma ainda mais pronunciada. Hoje pode-se afirmar que "a agricultura brasileira está passando por um processo de reestruturação depois da fantástica destruição a que foi submetida desde o início dos anos 90" (DELFIM NETO.

a cifra de 3.P2O5 . para as atuais 1. São dois exemplos. foi necessário aumentar as importações. para se compensar a "mineração"/"exportação" desses elementos pelas plantas.7). ⎯ no Brasil.000 km de raízes. de maiores quantidades de nutrientes para se aumentar o rendimento/competitividade da produção agrícola e. em média. sará dos atuais 0. em escala mundial. 2001). 2000 in KRAUS. com a soja. já são os fertilizantes a "alimentarem" o mundo. para ração animal. como os do Brasil.5). ⎯ em um hectare de milho. mas essa enorme extensão está em contato com menos de 1% de solo. na importação. respectivamente. de matériasprimas e produtos intermediários. frutas e proteínas animais para a alimentação humana é cada vez maior. em 2025 (KANWAR e SEKHON. isto é.8). daqui a 20 anos. 2001). cada vez mais. Em contrapartida.83 t/ha (FAO. de minérios fosfatados ou potássicos e não há nenhum programa de prospecção e pesquisa sistemáticas em escala naci- 114 . aqueles que possuem boa reserva de nutrientes. No Egito. Pode-se dizer que. a disponibilidade de terra arável e de água para irrigação está diminuindo. pela dimensão da sua área plantada e produção interna de fertilizantes é insuficiente. hoje. Vietnã (248. sendo esta a quantidade necessária para satisfazer a esperada demanda. a produção de cereais mais do que duplicou nos últimos 30 anos. 170 . mas. ⎯ solos naturalmente pobres em potássio e fósFERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE foro.Home Apresentação Sumário Créditos agrícola. ou seja. há cerca de 100.14 ha para 0. atrás da China. nos próximos 20 anos. o que requer a manutenção da fertilidade do solo em nível alto. As perspectivas a curto/médio prazos são de forte aumento progressivo. a atual produção de cereais de 2. a disponibilidade de terra arável será apenas de 0.2). dado que são modestas as perspectivas de implantação de novos projetos para aproveitamento dos depósitos já conhecidos. cada vez maior. O balanço de consumo de nutrientes difere de cultura para cultura. e o perfil da alimentação também está variando. O Brasil é um dos maiores importadores mundiais. No Próximo Oriente.08 ha/habitante. em 1970.10 ha.75 175 kg/ha de N . a área destinada à produção de vegetais e frutas triplicou nos últimos 40 anos. também. deverá atingir.4 bilhões. 80-90 kg/ha de P2O5 e cerca de 300 kg/ha de K2O (KERN.8). em fevereiro de 2001. necessitam. o rendimento da produção passou de 1. e o 4º maior consumidor. 2000 in KRAUS. 2002). enquanto a área agricultável apenas cresceu 26%. Na Ásia. 2001). aumentando a necessidade de soja. com destaque para o potássio. ⎯ 84% dos solos brasileiros apresentam problemas de acidez (fonte citada). como foi indicado na Tabela 12. 1998 in KRAUS. O mesmo aconteceu. por exemplo. o consumo de fertilizantes. É um jogo de palavras que traduz a realidade.2) e Itália (201. Reino Unido (386).1 bilhões de toneladas. se não for expandida a sua produção nacional. é de 120 kg/ha. em conferência proferida no Cairo. França (262.3. mesmo assim. A procura de vegetais. Batata e beterraba absorvem 200 kg/ha de N. muito baixo se comparado aos da Malásia (673. boa drenagem. O cultivo de cereais requer. Projeções da demanda de fertilizantes para a agricultura e pastagens O aumento na demanda de fertilizantes terá que se apoiar. Egito (349. para satisfazer às necessidades da população. boas propriedades físicas e teor de água que atenda ao ciclo produtivo (EMBRAPA. Segundo dados do International Potash Institute (IPI) apresentados pelo seu presidente. de forma a atender aos requisitos de sustentabilidade. Na Índia. pas- 3. Alemanha e Canadá.3). Holanda (604).K2O. EUA e Índia e à frente de países como França. Japão (376. Alemanha (244.13 t/ha. Mesmo assim. entre muitos que poderiam se apresentados. por exemplo.2). por hectare agricultável. China (367.

Foram estudadas.4.48. as relações parciais entre variáveis como. na região Norte. por exemplo. enquanto. em 1998. 1999 a. O consumo de fertilizantes por tonelada de produto foi estabelecido a partir de curvas de resposta à adubação. verifica-se na Tabela 3. embora não concluído. pois constitui um referencial do consumo. por cultura.3). Esta avaliação conduziu aos valores que se apresentam na Tabela 3. calcular o consumo total de fertilizantes. simultaneamente.136 794 1.564 12.865 16.229 1.579 1. por tonelada (Tabela 3. (embora não necessitem de nitrogênio).18:1. Crédito Rural. para os minerais energéticos: petróleo (Petrobras). ⎯ apenas a cana-de-açúcar deverá apresentar um crescimento negativo (-0. cit) estabeleceu qual será a necessidade de nutrientes da agricultura brasileira nos próximos 5 e 10 anos. 115 IMPORTÂNCIA E FUNÇÃO DOS FERTILIZANTES NUMA AGRICULTURA SUSTENTÁVEL E COMPETITIVA .2% do total de macronutrientes. a parti daí.536 18. Tabela 3.516 49. ano a ano.743 3. a qual deverá ser 1:1.641 19.537 15. contudo.366 44.431 17.137 14. no Nordeste. chegou-se ao consumo associado às principais lavouras.5 que: ⎯ a maior taxa de crescimento no consumo é a do algodão (184%). Preços Recebidos pelos Produtores (PRRE). A evolução recente da agroindústria brasileira mostra a necessidade de serem revistas estas projeções. 90.461 A projeção deve ser analisada com toda a atenção.855 69.764 2.4). seguindo-se a do arroz (45%) e a do tomate (36%).029 2.49.786 725 1. como os autores alertam. Com base nas projeções do volume total de produto das diferentes lavouras demandado em 2003 e 2008. consumiram-se.800 3. esse consumo representou 9. estimou-se o total de nutrientes compatível com esta produção (Tabela 3. de acordo com a produtividade determinada pela MB Associados (1999a) e.6%. Índice da Quantidade Produzida (INQT).425 1. nos últimos anos.294 2. apenas 0. a MB Associados que existem problemas a dificultar a análise de todos os itens responsáveis pela demanda de fertilizantes como. cana-de-açúcar e café.Home Apresentação Sumário Créditos onal. a produtividade média de cada cultura. no Centro-Sul do País. Considerando-se o período de 1998-2008. cit) permitiram-lhe calcular o volume de nutrientes extraídos. a falta de dados confiáveis e fatores não passíveis de mensuração. deverá manter-se sensivelmente a mesma em 2008.2%)30.666 54. urânio (Nuclebras) e para os metálicos. Em 2001. seguindo esse raciocínio. de 1:1. com base nos dados do IBGE e.621 2008 2. principalmente Fe e Cu nos primeiros. até a sua privatização. em cada estado do País. como foi implantado. relação entre Preços Recebidos pelos Produtores e Preço dos Fertilizantes (REFE).800 2.2% e. Fonte: IBGE e projeção MB Associados.315 15. milho. A partir de curvas de adubação a MB Associados (op. alertando.129 2. anos da Companhia Vale do Rio Doce. ⎯ as maiores consumidoras são as culturas de soja.097 71.987 14.775 13. O procedimento adotado consistiu em obter. em t/ha Ano Algodão Arroz Banana Batata Café Cana-de-açúcar Feijão Fumo Laranja Milho Soja Tomate Trigo Uva 1998 1. no Brasil. ⎯ razão N:P:K.19:1. As curvas de adubação elaboradas pela MB Associados (op.475 1.837 14.415 17.781 2003 2.375 1.436 656 1.458 2.687 3.929 2. ⎯ o crescimento do consumo das 13 principais culturas deverá atingir 16% até 2003 e 30% até 2008.613 68.3 – Produtividade agrícola no Brasil.

9 22.5 10. ou seja.5 92.2 16.0 306.6 35. sendo o aspecto produtivo apenas secundário.2 368.8 11.7 2.0 K 150.7 Var.8 232.2 114.5 51.1 70.2 5.1 63.8 32.788.8 4.0 13.4 65.8 18. começam a ser significati- 116 .5 35.7 9.1 18.9 16.7 289.4 15.8 721. em 106t).7 57.3 51.6 34.7 113.8 12. no Brasil.3 83. quando se entrou na fase de estabilidade econômica e de baixa inflação.7 25.3 15.8 3.0 47.140. por cultura. (1998-2008.9 199.7 0.0 33.8 6.3 84.7 20.3 4.Home Apresentação Sumário Créditos Tabela 3.3 9.7 16.8 314.6 6. Tabela 3.4 72.8 13.6 433.1 295.869.2 1.9 2.7 1.0 97.5 99.2 70.8 199. Ficou evidente que a razão principal da pecuária era a reserva de valor.5 13.4 9.0 0.5 1998 K 39.2% 28% 32% 18% 25% 27% 36% 30% 30% FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE Em relação à pecuária. Segundo a MB Associados (1999).1 58.5 4. no Brasil Produto N Algodão Arroz Banana Batata Café Cana-de-açúcar Feijão Fumo Laranja Milho Soja Tomate Trigo Uva 25. No longo período de alta inflação.7 207.7 62.3 288.3 K 53.0 2.4 1998 P 52.8 0.7 890.9 7.5 48.1 P 39.8 0.4 46.715.4 – Consumo de nutrientes (kg) por tonelada de produto.0 316.7 10.3 9.7 58.7 9.7 61.9 17.8 31.8 11.5 – Consumo e projeção de consumo de fertilizantes.8 16.441.3 307.6 15.6 78.3 43.8 11.5 9.3 N 32.3 10.6 NPK 104.7 2008 K 47.2 26.7 113.4 16.8 7.4 53.0 35.8 38.2 2.0 81.4 10.3 140.8 54.2 16.7 9. NPK 1998-08 184% 45% 35% 31% 32% -0. Tal como aconteceu noutros setores. o gado e a terra eram utilizados como proteção à inflação.5 20.1 38. Os ganhos de produtividade na pecuária brasileira.4 74.0 82.6 22.6 149.9 99.3 330. Item N Algodão Arroz Banana Batata Café Cana-de-açúcar Feijão Fumo Laranja Milho Soja Tomate Trigo Total 34.1 9.7 82.0 46.2 1.0 27.3 55.1 0.3 5.8 Fonte: MB Associados. estudos sobre a demanda de fertilizantes para pastagens na indústria pecuária referem-se à não existência de série histórica de dados e às poucas informações disponíveis.9 4.7 22.0 2.4 0 2.7 105.5 695.4 3. a produtividade passou a ser a única forma de obtenção de ganhos com a atividade (op.0 284.2 23.9 3.0 48.1 22.9 5.9 904.0 0.7 6.7 51.2 3.6 16.2 134.5 20.5 61.1 15.4 0.7 22.8 5. cit).2 12.5 3.9 16.4 417.7 23.3 7.3 44.8 NPK 127.8 14.2 P 46.4 185.4 16.8 347.5 36.8 58.1 244.0 3.9 32.0 285.7 37. os dados existentes são reconhecidamente de baixa credibilidade.3 N 103. como na agricultura. 1999 a.0 22.5 392.2 11.0 9.7 12.3 23. tinham como objetivo resguardar o dinheiro da inflação.4 49.9 260.3 43.5 16.210.2 2.4 2008 P 147.1 7.1 40.3 11.

em 2003.048 Pastagem Plantada 74./. haveria uma demanda de fertilizantes para pastagens de aproximadamente 600 mil toneladas nos próximos cinco anos e de 1. em 1999. principalmente com a importação de gramíneas da África foram amplamente difundidos.4 Mt e de 3. em 2008. vai necessitar. Para se atingirem estes valores. nativas e plantadas não sofrerão alteração nos próximos 10 anos. a MB Associados imaginou duas situações: Fonte: IBGE in MB Associados. de cinco para três anos.3 Mt.188 177.7 milhões. 2002). essencialmente de pastagens. 1999a). tradicional. trazida da Austrália na década de 70. assim. quantificar o novo padrão tecnológico. estudos mais aprofundados mostraram que não existe a planta milagrosa e que os bons resultados dependem. O Brasil.Home Apresentação Sumário Créditos vos a partir do início dos anos 90.6 – Áreas de pastagens no Brasil. os programas de seleção de plantas forrageiras. Partindo do pressuposto de que as áreas de pastagem. para 7.094 99.toda a demanda adicional de carne será atendida com um deslocamento das pastagens plantadas de baixa produtividade. para uma situação de média produtividade. em parte. aquela empresa elaborou alguns exercícios baseados em duas premissas: 1ª . Sendo a pecuária brasileira. iv) idem em pasto cultivado de alta produtividade. e em expansão.6 mostra que. da adubação das pastagens (BATISTA. Na década de 90. Tabela 3. cada vez mais. respectivamente.4 milhão em dez anos e as áreas de pastagem necessárias seriam de 117 IMPORTÂNCIA E FUNÇÃO DOS FERTILIZANTES NUMA AGRICULTURA SUSTENTÁVEL E COMPETITIVA . de fertilizantes para pastagens.. No Brasil são habitualmente referidos quatro sistemas de criação de gado de corte: i) cria em pasto nativo. intensificandose após 1994. em 1985 e em 1996. ii) cria e recria. Essa pastagem triplicou o cerrado. a principal preocupação dos pecuaristas foi a busca pelo capim milagroso. as pastagens naturais foram substituídas progressivamente pelas plantadas e estas. ⎯ No caso do aumento da demanda evoluir de uma situação de baixa para outra de alta produtividade (sistema intensivo). seria necessário que 40 milhões de hectares migrassem de uma condição de baixa para outra de média produtividade. Para a pecuária poder competir com a agricultura. A Tabela 3. a demanda de fertilizantes para pastagens seria de 1. iii) idem em pasto cultivado de média produtividade. e para 40. a pecuária seguiu uma trajetória de ganhos de produtividade.700 Com a necessidade de a pecuária brasileira obter ganhos de eficiência produtiva.652 Total 179. em pasto cultivado. Como não é possível determinar qual será a escala de adoção de novos rumos de manejo de pastagens e. De Norte a Sul.5 milhões. faz-se necessário que o sistema produtivo se intensifique. foi plantada Brachiaria decumbers. A MB Associados estudou estas quatro modalidades de criação de gado para traçar um cenário com base em números realistas da atividade e. em mil hectares Ano 1985 1996 Pastagem Nativa 105. com o maior rebanho bovino comercial do mundo. Na década de 80. Tal política teve como resultado a redução da idade de abate do gado. fazer uma previsão da evolução do consumo de fertilizantes em pastagens. ⎯ Na hipótese de média produtividade e considerando que a área de pasto com adubo passaria de 0 ha. 2ª .094 78. portanto. mas a ausência de qualquer estatística referente à venda de fertilizantes ao setor impedem uma projeção mais precisa.a oferta se expandiria com áreas saindo diretamente da condição de baixa produtividade para uma de alta produtividade.. em conseqüência da estabilização dos preços. mas logo veio o problema da monocultura e de uma praga /. o que certamente garantirá um aumento na demanda de fertilizantes (MB Associados. tal como na agricultura. cada vez mais com adubação.

Sendo assim. mantendose. ⎯ O País detém cerca de 12 a 15% das reservas mundiais de água doce. cerca de 3. realizada na capital sul-africana. o consumo de água aumentou seis vezes. embora a população mundial não pare de crescer e esteja comendo mais. Em relação à agricultura. Já é um consenso que os ganhos de produtividade e qualidade na agricultura podem aumentar sensivelmente. Japão (376 kg/ha). nos países em desenvolvimento. mais do dobro do crescimento demográfico. org. ecoeficiente e produtiva parecem ser um bom caminho. mesmo assim.br). Concluindo-se. ⎯ a fome tende a crescer nas regiões onde o solo tem sofrido degradação. ⎯ É o quarto maior consumidor de fertilizantes. de forma muito resumida. Oportunidade Global de agosto de 2002 (www. Nesse contexto. mesmo sendo modesta a sua aplicação por hectare. nos últimos anos.97 bilhões de toneladas e que a produtividade poderá alcançar 4.35 milhões de hectares. dentro de duas décadas. entre 1998 e 2002. utilizando bens minerais existentes no País. Em 1987/88. muito inferior ao consumo de países como a Holanda (604 kg/ha). para atender necessidades das populações e erradicação da pobreza". ⎯ nos últimos anos o consumo médio por pessoa subiu de 3.riomaisdez. deixarão de ter acesso a água potável. no citado documento. o papel dos macro e micronutrientes e suas implicações quando corretamente aplicados. ⎯ as reservas subterrâneas de água são consumidas muito mais rapidamente do que podem ser repostas trazendo conseqüências: ⎯ No Brasil. pode-se afirmar que as projeções de demanda de fertilizantes para pastagens apresentadas pela MB Associados/ANDA (1999) previam um aumento de 507%. Reino Unido (386 kg/ha). metade da população do mundo. dos avanços conseguidos em biotecnologia e na maior e melhor aplicação de fertilizantes. a indústria de produção de fertilizantes. 550 milhões de hectares. segundo o IBGE. Desafio Global. se as lavouras receberem fertilização balanceada. merecem destaque.Home Apresentação Sumário Créditos 1. uso de recursos de água. em 2008. ⎯ no século XX.5 bilhões de pessoas.16 milhões. tem-se desenvolvido. 118 . sendo que a agricultura foi responsável por 70% desse uso e pelo maior índice de desperdício. são as mais extensas do mundo. nos países industrializados. agricultura. Secretário Geral da Conferência. porque sistemas ineficientes de irrigação perdem 60% da água que transportam. os programas de informação ao agricultor sobre o papel de uma agricultura sustentável. em 2003. é um dos maiores produtores agrícolas e as perspectivas/potencialidade de crescimento são grandes. e de 2.400 calorias. uma verdadeira agenda para a Conferência "Rio + 10". englobam-se a importância. Nitin Desai. recomenda vivamente: "que os governos se comprometam com ações práticas de produção sustentável de energia. e 3. as seguintes afirmações: ⎯ a produção de alimentos tem diminuído. foi mais um alerta para a necessidade do desenvolvimento ser sustentável. ⎯ Em escala mundial.100 para 2.5 t/ano (BORLANG e DOWSWELL in LOPES. por exploração excessiva e desertificação. em 2025. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE ⎯ As suas terras agricultáveis. bem como os riscos da má fertilização. Como se posiciona o Brasil neste panorama mundial da atividade agropecuária? Considerações onsideraç 4 . China (367 kg/ha) e França (263 kg/ha).000 para 3. consumiu 52 kg/ha e mais do que duplicou esse valor em 1988. Não deve ser esquecido que a demanda mundial de alimentos.700. essencialmente. deverá atingir 3. Considerações finais O relatório da ONU. funções e características dos fertilizantes. como resultado. 2002).

de alta produtividade. se o consumo ("exportação") de elementos pelo cultivo/remanejamento do bem vegetal forem compensados pelo uso racional e balanceado de fertilizantes e/ou pela remineralização natural (rochagem) dos solos. Argentina = US$ 17/t). 2002). por exemplo.5%. Alemanha = 7%.70 t/ha. seriam necessários cerca de 100 milhões de hectares para se chegar ao volume da produção agrícola atingido em 1998. Se isso não aconteceu. como os de Trauíra/Pirocau (MA). França = 5. v) elevadas taxas de juros (Brasil = 18. isto é. como as de Itataia (CE). EUA. vi) barreiras tarifárias (LOPES. deve-se. 49. num mundo altamente competitivo. se aumentar o rendimento da produção agrícola (dentro dos parâmetros de sustentabilidade. às características dos seus solos e à insuficiente produção doméstica. US$ 56 bilhões). ⎯ O País.1 Mt e 2. à mais intensa e melhor aplicação de fertilizantes. o que significa ter sido poupada uma área de 66 milhões de hectares (LOPES. Iperó (SP) e Alhandra/Conde (PB). ii) elevada carga tributária dos alimentos industrializados (Brasil = 32.Home Apresentação Sumário Créditos a um ritmo bem inferior ao do crescimento da demanda. como os de Rambu/Sta. ⎯ Os dados de mercado sobre produção e consumo nacionais devem ser os grandes motivadores para a implantação de programas de PD&I que promovam a ampliação da indústria de fertilizantes no País. 2002). em áreas menores. respectivamente. Rosa de Lima (SE) e Fazendinha (AM). um dos grandes responsáveis pelo desmatamento e danos causados aos ecossistemas naturais. Japão. em 1998. aguardam estudos de viabilidade técnico-econômica que levem em consideração os constantes avanços técnico-científicos e as novas premissas nacionais como. EUA = US 15/t. ⎯ A importação de matérias-primas e de produtos intermediários para fertilizantes (mais de 2. Patrocínio (MG).5%). US$ 366 bilhões ou 42% do valor da produção. é um grande importador de fertilizantes. em grande parte. Internacional = 5. a implantação de novos complexos minero-industriais de produção de fertilizantes.5%. A abertura de novas fronteiras agropecuárias e a imperiosa necessidade de. devido à dimensão da produção agropecuária. . Brasil = US$ 9 a 12). continuam paradas e depósitos/prospectos. Em relação aos depósitos de potássio. enquanto a produção interna cresceu 15% as importações progrediram 110%. e certamente viabilizar. A produção e a produtividade das 16 principais culturas do Brasil que eram. a situação é idêntica. junto das áreas mineiras e dos novos centros consumidores. em 1970. em 2002. Espanha e Holanda = 6%. insista-se) irão pressionar. O progressivo aumento das importações torna a busca de soluções um assunto cada vez mais premente. US$ 142 bilhões. 29 países. iv) elevadas taxas portuárias (Roterdã/Holanda = US$ 3. 2002). em 2005) tem forte peso negativo na balança comercial e cria grande dependência externa. 119 IMPORTÂNCIA E FUNÇÃO DOS FERTILIZANTES NUMA AGRICULTURA SUSTENTÁVEL E COMPETITIVA pode ser substituída por uma exploração intensiva. passaram para 145. se fosse mantida a produtividade de 1970. US$ 87 bilhões.45 t/ha.6 bilhões de dólares. ⎯ A exploração agropecuária extensiva. o afastamento das fronteiras agrícolas dos atuais pólos produtores. iii) elevado custo de transporte/frete até ao porto (Brasil = US$ 32/t. ⎯ O balanço de nutrientes na agricultura brasileira mostra déficits de 888 mil toneladas de N (mesmo considerando todo o N da soja e do feijão como provenientes da fixação biológica). ⎯ São gargalos do agronegócio brasileiro: i) protecionismo dos países desenvolvidos (subsídios à agricultura mundial em 1988 . de 414 mil toneladas de P2O5 e de 413 mil toneladas de K2O (YAMADA e LOPES in LOPES. Portugal = 8%).6 Mt e 1. No período 1995/2000. CEE. Angico dos Dias (BA/PI) e Anitápolis (SC). dentro dos conceitos de sustentabilidade. É o que vem acontecendo gradativamente.7%.OCDE. principalmente no Centro-Oeste e no ⎯ Jazidas de fosfato.

entre outras coisas. além das rodovias. eficaz. G. Panorama geográfico do Brasil. pelas suas características.International Food Policy Research Institute). isso se deve. embora haja necessidade de aumentar sua aplicação para maior e melhor produtividade da agropecuária brasileira. ⎯ busca intensiva. a necessidade de: ⎯ estruturação da política de investimentos e de financiamento da produção na agroindústria.Home Apresentação Sumário Créditos Nordeste. S. 9p. de. bem como a ampliação e melhoria constante dos processos já existentes. ALBUQUERQUE. (Estudos e Documentos. Deve ser preocupação de todos que o mundo futuro seja: "um mundo em que cada pessoa tenha acesso econômico e físico a uma alimentação suficiente que permita vida saudável e produtiva. num sistema compatível com a sustentabilidade e correta utilização dos recursos naturais" (IFPRI . o que se traduziria na redução de custos de transporte. se a produtividade passou de 1. através de projetos de PD&I. que produza alimentos de baixo custo. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE de fontes não convencionais de nutrientes e de processos de produção de fertilizantes de solubilização lenta. como se viu. A remineralização natural dos solos . Para projeções futuras. 294p. Referências bibliográficas ADAS. S. mais adaptados às condições climático-pedológicas brasileiras. ALBUQUERQUE. de. em 1998. Acesso em: 29/06/ 2001. menos poluentes. visando descobrir e avaliar novos depósitos e redefinir. AGRI. bem como a criação de novos centros de produção. como afirmam (ALCARDE. ambientes geológicos não convencionais 31. uma das mais importantes fronteiras agrícolas do País. ⎯ desenvolvimento e implantação de novos processos industriais. exigem. ⎯ melhoramento e criação de redes de transporte/escoamento. ocorrências e depósitos já conhecidos. à maior e melhor aplicação de fertilizantes. de A. em 1970. 1996. onde a desnutrição esteja ausente e os alimentos resultem de uma agricultura eficiente. São Paulo. 1998).hydro. Disponível em: www. o que passa pela estabilização ou até redução da importação de fertilizantes. G. alta taxa de aplicação de nutrientes e que o crescimento da demanda de fertilizantes para pastagens cresce em ritmo acelerado. também. ⎯ aumento da capacidade de produção dos pólos já existentes. 120 .rochagem (pó-de-rocha / rocks-for-crops) deve ser um dos caminhos a serem intensamente pesquisados. A produção de fosfato no Brasil: uma apreciação histórica das condicionantes envolvidas. incluindo. Editora Moderna Ltda.com/HITS. não se pode deixar de considerar que os solos sob "cerrado". de A.45 t/ha (valor médio das 16 principais culturas). 129p. para 2. Também não deve ser esquecido que. 1985. C. É necessário considerar que os fertilizantes participam de maneira significativa na obtenção da Produtividade Máxima Econômica de qualquer cultura.7 t/ha. nas condições socioeconômicas atuais. em grande parte. Lembra-se que esses itens devem ser atendidos levando-se em consideração a utilização de bens existentes no País e a necessidade da criação de saldos positivos na balança comercial. 31). M. Environmental Report Agri. hidrovias e ferrovias. principalmente nas pequenas e médias propriedades e nas propriedades familiares. GUIDOLIN e LOPES. Rio de Janeiro: CETEM/MCT. Contribuição à Implantação de um Novo Pólo de Fertilizantes ⎯ implantação de programas de prospecção e pesquisa mineral que incluam. C. Ressalta assim.

2001. França Flash. ALGARDE. FERREIRA. 734p. DELFIM NETO. J. 2001.br. no 5. FAO. Bélgica. T. São Paulo.fao. Rio de Janeiro. 3-4. 18/06/2007).31. Nutrição Mineral das Plantas. X. bioware. HANSON. 1998. R. FAO/IFA. 29 set. 296 p. Jornal do Brasil/Economia. EDUSP.A. cendotec. Scientific American Brasil. EP/USP. Rio de Janeiro: IPT. 2001.(Vol. ARQUIVO DO AGRÔNOMO.G. Workshop on Phosphate IMPORTÂNCIA E FUNÇÃO DOS FERTILIZANTES NUMA AGRICULTURA SUSTENTÁVEL E COMPETITIVA 121 . técnico no 3. 2000. CHILD. p. n. BioScience. no 64. 1963. Disponível em: www.iof. Disponível em: www. Piracicaba: POTAFOS. A busca pelo capim milagroso. Amazônia: interesse internacional. Disponível em: www. Nourrir un monde de plus en plus urbain. GRAZIANO. Fertilizantes potássicos. Março 1996. COX.D. ANDA.br. 1997.mg. L. Disponível em: www.Anuário Estatístico do Setor de Fertilizantes. M. M. BIOWARE TECNOLOGIA. Nutri-Fatos. 2007.br. 647 p. n. FAUSTO.De l'aube des civilisatons au début de la Grèce antique. Prospects for developing perennial grain crops. C. BRAUDEL.China Rare Earth Information. In: Proc. F. Sommet Mondial de l'Alimentation. 3a edição. CERRI. e REGANOLD. B. et al. A. J. 134p.A. Berço da Agronomia (In: Estado de S. CETEM .Sumário Mineral. Bol. Projetos de mineração: uma abordagem econômica. Disponível em: http://fisiologiavegetal. 77 p. Liberdade para as novas tecnologias. G.fao.br. O que aconteceu na história. 2002. 1). 1997. V.P. Editora GLOBO S. CREI . FISIOLOGIA VEGETAL. Disponível em: www. 1995. Optimum phosphate fertilizer products and practices for tropical climate agriculture.S. São Paulo: ANDA.os homens e as coisas (vol. Acesso em: 10/10/2002.org.O. "Círculo do Livro S.G. DNPM .A.com. (eds). 2000. cendotec. BATISTA.br. Disponível em: www. Capturar o carbono no solo. 3p. Disponível em: www. Agricultura do futuro: um retorno às raízes. 56. In: Ensaios sobre a sustentabilidade da mineração no Brasil. São Paulo. 1990. e LOPES. 31. GUIDOLIN. M. 1986. no 8. R. Rio de Janeiro: CETEM/MCT. História do Brasil.cnps. Brasília: 2001 2006 EMBRAPA.org.C. Rio de Janeiro: CETEM/CNPQ. São Paulo. C. J. A.C. Tecnologia de Produção de Fertilizantes. Paulo. 2002. p. 24p. 1991 a 2006. POTAFOS. COMCIÊNCIA. Agricultura e efeito estufa. Int. BARRETO. A identidade da França .Relatório Interno. A importância da agricultura. Acesso em: 05/08/2002. v. Tese (Doutorado). 2001.... 12 vol.Dossier de Fond.spedia. 21/10/ 2007. ARGENTI.Home Apresentação Sumário Créditos no Nordeste do Brasil..3. 2000. Micronutrientes na agricultura.org. A. GRIMBERG. Los fertilizantes y su uso. ANDA . 2002. Piracicaba. São Paulo: "Carta Capital". GONDIM. Ed. FAO . 2002. Baotou.org/worldfoodsummit.. FELLER. V. São Paulo. Responsabilidade social na pauta do consumidor. 3a edição. E.L. Histoire Universelle . J. 2). Roma. Acesso em: 25/07/2002. v.S. Jornal do Brasil. e CRUZ. GLOVER.P.L. M. BANDEIRA. Desenvolvimento sustentável: uma abordagem conceitual. 2006. 130p. França Flash. GUARDANI.". COX. Acesso em: 16/05/2002.org/worldfoodsummit.embrapa. SP.Gerard & Vervier. Acesso em: 16/05/2002. FERREIRA. Os adubos e a eficiência das adubações. C. 58-65.

LEMGRUBER.org/presentn/bfipssm.org. p. 2001. A nova configuração da indústria de fertilizantes fosfatados no Brasil. 306 p. Center.E.. 14 p. geoquímica. 15 de agosto de 2000. KRAUSS. KULAIF. e ARAUJO.Natureza. v.. Disponível em: www. IFA.fertilizer. Luanda. A.E. Biocombustíveis no Brasil e no mundo. LAMON. Acesso em: 23/01/2002.S.. 16 p. Disponível em: ww. Tese de doutoramento. 65-75. MAGNOLI. M. São Paulo. KRAUSS.. Palestra.iconebrasil. M.. D. 2007. Disponível em: www. Y. Potassium. 14 p. p. Disponível em: www. Rio de Janeiro: CETEM/CNPQ. et al. A Agricultura no Brasil Merece Crédito? "Techno" n. Cairo.INTERNATIONAL POTASH INSTITUTE. Dicionário brasileiro de ciências ambientais. Disponível em: www. 02/05/2007. 1994. integral part for sustained soil fertility.F. RODRIGUES. 'Memórias e Trabalhos' no 11.C. Disponível em: www. Série Estudos e Documentos.: Das origens à idade moderna. N. 1989. ANDA www..Home Apresentação Sumário Créditos Fertilizer and Environment. Acesso em: 23/01/2002. JORDAN. São Paulo. p. petrografia. 1995. Acesso em: 31/01/2002.F. 2000.ipipotash. 1570-1. 1988. JANK. 299 p. org.org. Tecnologias.. org. org.ipipotash. São Paulo. Fert. Intern. LIMA-E-SILVA. ISHERWOOD. 184p. Acesso em: 23/01/2002. outubro de 2000. In: Expo 2000. Sociedade: Geografia do Brasil. M. 1999. Antônio G. Disponível em: www. Thex Editora. O uso de fertilizantes minerais e o meio ambiente (tradução).(d).org. jan/ fev de 2001. A. F. Editora: Nova Cultural.html. Lituânia. 244p. K. 352 p.Instituto de Investigação Científica de Angola. (a). (b). O agronegócio mundial no século XXI. 2001. 1987. 2004. CETEM. Quality production at balanced fertilization: the key for competitive marketing of crops. Programa de atualização tecnológica industrial: fertilizantes nitrogenados e fosfatados. D. Veias abertas para o etanol. In: AFA International Annual Conference 7. R. Demographic development and its implication for fertilizer use.114-117. A.anda.ipipotash. 20/05/2007. 13/ 09/02. RODRIGUES. Sustainable development of the agricultural bio-economy. L. Acesso em: 02/05/2002. Tecnologia de Produção de fertilizantes. e AMARAL. Terras-Raras no Brasil. Portal Ecodebate. (Estudos e documentos. Carbonatitos de Angola. Projeto de Ensino de Geografia . ipipotash. In: Regional IPI Workshop on 122 . LOPES. Rio de Janeiro: CETEM/CNPQ. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE Potassium and Phosphorus. 42). de et al. KRAUSS. v. 2007. Science. São Paulo. Jornal do Brasil. IPT.ipipotash.S. F. IPT. In: 12 CIRC International Symposium on role of fertilizers in sustainable agriculture.P. Egito. geologia econômica. 1992. KRAUSS. Balanced fertilization integral part of sustainable soil managemen. D. Rio de Janeiro.(c). Fertilizantes. Hanover.E. LAPIDO-LOUREIRO.br.S. Acesso em: 11/05/07. 316. P. Editora Moderna Ltda. Alabama/USA. 19. e AMARAL. A. L. IPI . 1999. A. Rio de Janeiro.org. Devel. produção de alimentos e preservação ambiental. no 21. A mega província carbonatítica Brasil-Angola e os seus recursos minerais: geologia. JANK. "O Estado de São Paulo". F. IICA . A.F. LAPIDO-LOUREIRO. 2000. HISTÓRIA do pensamento. Muscle Shoals. Alemanha.. LEITE. Universidade de Lisboa.br. LAPIDO-LOUREIRO. Science in Dialogue.

Rio de Janeiro.br. v. [www.. VAN STRAATEN. v.Potash & Phosphate Institute. In: L'Économique. A aventura do pensamento europeu. 123 . Enviroquest Ltd e Peter van Straaten. Isofretes. Estudos Experimentais para utilização das rochas potássicas de Poços de Caldas como fertilizantes. POTAFOS.V. 1988. SOUZA.P. et. 1981. 2005. In: Os Economistas Hume/Quesnay. p. PEREIRA. ANDA. Seminário FEA-USP. p. A.P. F. Nova Cultural. Disponível em: www.Hume/Quesnay. IMPORTÂNCIA E FUNÇÃO DOS FERTILIZANTES NUMA AGRICULTURA SUSTENTÁVEL E COMPETITIVA VAN STRAATEN. 30 maio. Acesso em 17/ 05/2007. Rio de Janeiro.L. A eleição presidencial e a mineração. VELLOSO. L. Fertilizantes. Disponível em: www. Paris. VALARELLI. agosto 1999. C. Dicionário brasileiro de ciências ambientais.bioware. Calman-Lévy. SÓCRATES (não deixou nenhum escrito .. junho/ 2002. ALBUQUERQUE. LINS. p.edu/ soil/fertft1ahtml. Ames Laboratory Inst for Physical Research and Technology.v. Demanda de fertilizantes 19992008. V. et al. Essencial plant nutrients. Agrogeology. F. 113-151. Nova Cultural. em edição. Acesso em: 23/07/2002.nsf. Cereais. 1998. 2002. Gazeta Mercantil.1.uoguelph. SILVA. e CORTEZ. Quadro Econômico dos Fisiocratas. MOTAVALLI.3. WAGNER. J.Home Apresentação Sumário Créditos MB Associados (a).al.A. 1999. Iowa: Iowa State University.ppi-ppic. 2002.com. J. QUESNAY.org. In: Fertilizantes e sustentabilidade: uma abordagem minero-metalúrgica.. J. G. YAMADA. "O Globo". 1997. RIC . (a).RARE-EARTH INFORMATION CENTER NEWS.17.ca]. n. T. Memórias de Sócrates. A economia do conhecimento. 247p.3. Iowa: Iowa State University. F.D.1.embrapa.ppic.ver Xenofonte). 20 set.S. e GUARDANI R.2. nov. RIC . Álcool e biodiesel: oportunidades para o Brasil. Há déficit de mais de 1 milhão de toneladas de nitrogênio na agricultura brasileira. Rio de janeiro: Thex editora. Informações Agronômicas n. agosto 1999.cnps. In: Os Economistas . Rocks for crops .uog. MB Associados (b). Ames Laboratory Inst for Physical Research and Technology.br. n. Fertilizer Facts. Disponí- vel em: www. Disponível em: www. ANDA. 20 p. P. P.v.RARE-EARTH INFORMATION CENTER INSIGHT. J. XENOFONTE. 43-75.67-83.C.98. Agronegócio e agricultura familiar: multifuncionalidade e sustentabilidade. 361p. 1989. Subsídios para a construção de cenários para a indústria dos fertilizantes fosfatados no Brasil. 1988. P.33.P. P. M.ppi. F. 1969. RUSS. n. O caso do calcário agrícola. QUESNAY. 'Terramar'. 2002. 4-7.(b). p. 124p.org/ ppiweb/brazil. ROCHA. 2007. 2001.Agrominerals of sub-saharan Africa. PPI . Disponível em: www.

sendo introduzido no Maranhão. Como Francisco Palheta havia estabelecido um bom relacionamento. estabelecida pelo Tratado de Utrecht no rio Oiapoque) e também com a missão secreta de conseguir algumas sementes do fruto que. colhidas dos cafeeiros plantados pelos holandeses no Suriname. na cidade de Belém. A seguir o café foi plantado em chácaras na Tijuca. em pequenas plantações. Semeou-as no pomar de sua residência. Em 1727. em 1840. embora em 1800 tenham sido embarcados no Porto 124 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE . Gávea. nascido em 1670. a mulher do governador. a Alta Sorocabana. o cultivo do café limitou-se ao Nordeste. A cafeicultura no Brasil só se desenvolveu no século XIX. Martinica. após o do ouro e o da cana-de-açúcar. o Governador do Maranhão e Grão Pará.cafeesaude. Na Guiana Francesa. foi proibida aos cristãos e somente foi liberado depois que o Papa Clemente VIII o provou. entre 1928-1930. o cafeeiro era cultivado apenas nas províncias do Norte do País. alcançando logo a seguir. São Paulo e Minas Gerais e norte do Paraná. Durante o século XVIII. o noroeste de São Paulo. presenteou-o. possuía grande valor comercial. por Francisco de Melo Palheta. quando o produto começou a ser cultivado em direção ao sul.br] . inclusive. Chegou ao Ocidente pela cidade de Nápoles na Itália. sendo por isso adotada pelo mundo islâmico com exclusividade até o século XVII . o Vale do Paraíba. com mais de mil pés.mil anos de café. No século XVII. em 1825. Conseguira de um francês chamado Morgues um punhado de sementes de café.Home Apresentação Sumário Créditos Anexo A INTRODUÇÃO DO CAFÉ NO BRASIL "Café e Saúde . Em 1773. e a seguir o Rio de Janeiro. espalhando-se pelas Guianas. Como era uma bebida maometana. o café havia sido introduzido pelo Governador Claude d'Orvilliers. segundo informações transmitidas ao governador Maia. o Desembargador João Alberto Castelo Branco levou do Maranhão para o Rio de Janeiro algumas sementes de café que foram plantadas no Convento dos Barbadinhos. o café foi introduzido no novo mundo. onde os solos e o clima não eram os mais adequados. a Alta Paulista e o estado do Paraná. em 1727. Pará. Madame d'Orvilliers. havendo este último. Foi daí que vieram as primeiras sementes para o Brasil. o consumo de café migrou para a Europa. João da Maia da Gama. atingindo a Bahia. O café foi introduzido no Brasil.com. onde estudou e decidiu seguir a carreira militar.Francisco de Melo Palheta" [www.Acesso em: 24/04/07 O café foi uma bebida descoberta e utilizada de forma regular pelos árabes a partir do século VII. O norte do estado do Rio de Janeiro e o Espírito Santo já cultivavam o café desde 1920. cultivado um viveiro na Fazenda Capão. em condições ecológicas altamente favoráveis. São Domingos. em 1770. na noite despedida. Andaraí e Jacarepaguá. Graças ao dinamismo do comércio marítimo holandês da Companhia das Índias Ocidentais. com sementes do precioso arbusto. Iniciava-se o ciclo do café. Da cidade o café expandiu-se pela Serra do Mar até atingir. O Vice-rei e o Bispo do Rio de Janeiro fomentaram a ampliação da cultura. em 1920. Francisco de Melo Palheta fosse em missão oficial à Guiana Francesa para resolver alguns problemas de fronteiras (fazer respeitar a divisa. o café atingiu o oeste paulista. O Brasil não foi exportador de café até 1820. Nos primeiros tempos. O próprio Francisco Palheta teve um cafezal no Pará. Porto Rico e Cuba. No Centro-Sul. determinou que o Sargento-mor. incluindo o profeta Maomé. aprovou e abençoou.

para Portugal. A mata era derrubada e queimada para plantá-lo. destacando-se como o maior produtor. Em 1845. O café foi implantado com um mínimo de conhecimentos. Com a libertação do País iniciou-se realmente a era do café. Era o início da ação predatória sobre a mata virgem. oriundas principalmente dos estados do Norte. O café continuava a desenvolver-se: abriam- se novas áreas e implantavam-se novas estradas de ferro. apresentou ciclos de expansão e crises. o Brasil já colhia 45% da produção mundial. consta que algumas outras partidas de café foram realizadas. trabalha ou vive em função do café. Atualmente. pela primeira vez. Antes da independência. A cultura do café no Brasil. em cada grupo de dez brasileiros. Paraná e Espírito Santo. comércio e industrialização do café. de acordo com as variações da economia mundial. Isto sem contar aqueles que trabalham no transporte. procurando-se apenas terrenos férteis. tendo como destino Lisboa.5 milhões de pessoas dependentes. cerca de 3. mas sempre em pequenas quantidades que nem sequer foram anotadas.5 milhão de trabalhadores e mais 2. 13 sacos. Os principais estados produtores são: Minas Gerais. Pode-se dizer que um. ocupando diretamente 1. 125 IMPORTÂNCIA E FUNÇÃO DOS FERTILIZANTES NUMA AGRICULTURA SUSTENTÁVEL E COMPETITIVA . São Paulo.Home Apresentação Sumário Créditos do Rio de Janeiro e enviados.5 bilhões de cafeeiros são cultivados em 350 mil propriedades agrícolas. após a sua implantação.

/ A implantação das fazendas se deu pela forma tradicional da 'plantation' com o emprego da força de trabalho escrava... que se tornou irreversível por volta de 1870. não havia interesse ou preocupação com a produtividade da terra.. pela ausência de adubos e outros cuidados.. /. criaram-se empregos e novos mecanismos de crédito. Essa ocupação se fez no curso de muitos anos.. podiam ser contestados /./ A expansão cafeeira ocorreu também pela gradativa ocupação das terras escassamente exploradas de São Paulo. O mais forte era quem reunia condições para manter-se na terra./ Em um quadro deste tipo. ficando a antiga em abandono. /. ou destinada a roças de alimentos. o cultivo do café foi feito com emprego de técnicas bastante simples./ Do ponto de vista socioeconômico.. Havia uma total indefinição dos limites das propriedades e muitas terras não eram exploradas. Em função do café aparelharam-se portos./ Durante quase todo o período monárquico. chegando ao Rio Paraná.. em certos aspectos. estendia-se o cultivo a outras áreas.. existem até hoje. Esgotado o solo. /.Home Apresentação Sumário Créditos Anexo B ÓPICO T ÓPIC O S SOBR SOB R E A ONOMIA E C ONO MIA E ANSÃ AFEEIR E X PANS Ã O C AFEEI R A S "A Economia Cafeeira" e "Expansão Cafeeira no Oeste Paulista" In: "História do Brasil" de Boris Fausto (1995)./ A história da ocupação das terras seguiu um padrão que vinha do passado e iria se repetir ao longo da história do Brasil. Algumas dessas técnicas de uso do solo. /. revolucionaram-se os transportes. de depredação dos solos. que constituíam um grande espaço sobretudo na direção oeste.. ou. prevaleceu a lei do mais forte.. nas condições brasileiras de acesso à terra e de organização e suprimento de mão-de-obra. contratar bons advogados. isto é.. Os títulos de propriedade. quando existentes. /.. e seu apogeu foi um fenômeno das décadas de 1930 e 1940. desalojar posseiros destituídos de recursos. o complexo cafeeiro abrangia um leque de atividades que deslocou definitivamente o pólo dinâmico do país para o Centro-Sul. influenciar juízes e legalizar assim a posse de terras. Não era impossível produzir café exportável em pequenas unidades. na divisa com Mato Grosso.. /. A produção era extensiva. a grande propriedade se impôs. como o exemplo da Colômbia iria demonstrar. Entretanto. 126 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE ./ Houve um processo relativamente longo de decadência do Nordeste e de fortalecimento do Centro-Sul..

pelos seringalistas. por Goodyear. A autonomia da Amazônia deu-se somente em 1850. e a fome assolou a região. quando foi criada a Província do Amazonas. O governo brasileiro abriu o Amazonas à navegação estrangeira em 1866. DA B ORRACHA Em 1911 a cotação da borracha começou a baixar devido ao baixo preço oferecido pelo sudeste asiático em conseqüência de se terem desenvolvido plantações. começaram a verificar-se grande número de falências no Brasil. exportavam borracha e comandavam os preços no mercado internacional. mas que foi bem assimilado pelos caboclos. ilegalmente. e que posteriormente se espalhou por vários estados: Amapá. em 1926. que adotou o nome de Manaus em 1856. ⎯ fizeram-se várias concessões de terras. na Malásia. Dez anos depois a produção havia chegado a 360. O preço da borracha atingiu seu maior valor em 1910 e uma produção de 8. A partir dos anos 40. Hoje a Amazônia é o 'Eldorado' das grandes empresas de mineração. Com a expansão do comércio da borracha. As grandes empresas forneciam ferramentas e alimentação aos trabalhadores. no final dos anos 20. iniciada em 1929. com sede na cidade da Barra. em troca de determinada quantidade de borracha.comciencia. como a de Henry Ford que. implantado também pelos emigrantes japoneses.5 milhões de hectares. Maranhão e Mato Grosso. donos ou posseiros por elas financiados. a da produção de pimenta promovida por emigrantes japoneses. 127 .br/reportagem/amazonia/ amaz17. A cadeia produtiva era formada por essas grandes empresas. comprou ao governo do Pará. iniciava-se nova fase de ocupação da Amazônia. O látex foi elevado à categoria de matéria-prima industrial a partir de 1823. Em 1877.Home Apresentação Sumário Créditos Anexo C E XPLORAÇÃO "Amazônia. isto é.000 toneladas. Rondônia. em uma década havia crescido 45 vezes. nacionais e estrangeiras. Em Belém e Manaus estabeleceram-se filiais de grandes empresas estrangeiras que importavam bens. a partir de 1913.000 toneladas. em 1839. agravada pela dificuldade de comunicação e transportes e pela escassa população. e da vulcanização. A relativa prosperidade agrícola ressentia-se da falta de mãode-obra e capitais. ⎯ deu-se apoio. Como conseqüência dos preços rebaixados pelos asiáticos. a outra atividade agrícola no Norte e Nordeste. o que facilitou o acesso à borracha. que superariam a produção brasileira. algumas de grandes proporções. e como alternativas: ⎯ direcionou-se a estrutura criada pela produIMPORTÂNCIA E FUNÇÃO DOS FERTILIZANTES NUMA AGRICULTURA SUSTENTÁVEL E COMPETITIVA ção da borracha para a coleta da castanha do Pará que atingiu enorme expansão e começou a formalizar-se para sua transformação numa atividade estável.Interesses e Conflitos" [www. A garimpagem de diamantes passou a ser uma atividade complementar à da castanha. Para ultrapassar a crise. 2. ⎯ a partir de 1938 introduziu-se o cultivo da juta. mudas de seringueiras para a Malásia. foram os bens minerais que ganharam força. Nesse mesmo ano. com a descoberta da impermeabilização por MacIntosh. foram levadas pelos ingleses.htm] A região amazônica atravessou a primeira metade do século XIX em completo isolamento.

Home Apresentação Sumário Créditos Anexo D P ROGRAMA DE A PLICAÇÃO DE A DUBOS Existem programas como. a maior empresa de fertilizantes do mundo. A aplicação convencional de fertilizantes. que os lavradores podem usar to get fertilizer application maps for specific field management. entre outros. na internet. clima. a Hydro-Agri desenvolveu um aparelho portátil. É o "Hydro N-Tester" que permite ao lavrador decidir em que proporção e em que momento deve ser aplicado o fertilizante nitrogenado. serviços de apoio aos agricultores como o Hydro NPK on-line. destinado a lavradores. que permitem indicar as melhores quantidades e composições dos fertilizantes a serem aplicados. por exemplo. 128 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE . atendendo. aos parâmetros: solo. para medir o conteúdo de nitrogênio nas plantas. Com idêntico objetivo. 2001). o Hidroplan. O Hydro NPK On-line permite detalhar as diferentes necessidades e assim estabelecer dosagens específicas (AGRI. Este programa foi desenvolvido pela Hydro-Agri. variedade agrícola e ao conceito de fertilização balanceada. em proporções uniformes. numa região heterogênea. pode provocar dosagens localmente incorretas. do grupo norueguês Norsk-Hydro. uma das decisões mais difíceis de serem tomadas. conselheiros e distribuidores de adubos. no seu centro de pesquisa de Hanninghof. A Hydro-Agri / Norsk-Hydro também criou. na Alemanha.

fertilizer and all-element rare earth micro-fertilizer. drought resistant matter. The specific indicators are: 35. For example. a major State S&T project during the "Tenth Five-year Plan". The unit undertaking this research has built up two application and demonstration bases of over 5. ordinary manure synergist.1% increase at the most in yield through application of rare earth phosphate fertilizer to potato in comparison with traditional manure while at the same time the ratio of first-class potato has been increased and the ratio of diseased plant decreased. Toxicology Hygiene. The newly increased agricultural revenue is 2.6%. Agronomy. many kinds of new techniques and productions are developed. etc. amino acid rare earth micro . active budding matter. one of the key projects of "Rare Earth Application Engineering". Experiment with rice demonstrated that the increase in yield with the adoptionof rare earth phosphate fertilizer may be as much as 10% higher than the production in traditional planting. The popularization and application of the new material and new technology of rare earth for use in agricultural production in large areas will facilitate the high efficient development of agriculture in our country and the improvement of ecological environment in the West. After more than 30 years united efforts of all the technicians. Use of any kind of leaf face fertilizer on high quality violet alfalfa forage grass can increase the production yield by over 20%. seed coating matter. Research of RE application in agriculture Li Hongwei .985 million mu. quite great progress has been made in the industry of RE application in agriculture in many fields: Botany Physiology.. ⎯ With the combination of the technology of RE application in agriculture and modern agriculture. activated long-year seed. the accumulative total of popularization area in 2004 amounted to 4. Analysis & Examination and products standardization.Home Apresentação Sumário Créditos Anexo E PLICA A PLIC A Ç Ã O DE RR RA T E R R A S -R A R A S NA RICU A G R ICU LT U R A Fruitful Headways have been Made in the Project of "Application and Demonstration of the New Materials and New Technologies of Rare Earth Applied in Agricultural Production in the Western Area" The project was undertaken by Grirem Advanced Materials Co. Through the base's demonstration effect. China took the leading in the research of RE application in agriculture.5 hundred million Yuan. feed additive. Ltd. RE altered-property phosphorus fertilizer. more than double the assignment of 2 million mu. dedicated for paddy soil product. Results of multiple-point experiment including large area experiment show that: in respect of the important quality index of grape sugar content. compound fertilizer. the maximum increase may be as high as 3. 129 IMPORTÂNCIA E FUNÇÃO DOS FERTILIZANTES NUMA AGRICULTURA SUSTENTÁVEL E COMPETITIVA .China ⎯ In the spring of 1972. the sugar increase effect is obvious for rare earth phosphate fertilizer.000 mu respectively in Xinjiang and Gansu and has acquired satisfactory results by applying to the demonstration bases the new material and new technology of rare earth for use in agricultural production and various combined technologies. soilless culture.Director of National Rare Earth Center for Agriculture.5 hundred million Yuan and newly increased profit and tax 1. Ministry of Science and Technology of the People's Republic of China Ministry of Science and Technology of the People's Republic of China Fruitful progress has been achieved in the research project of "Application and Demonstration of the New Materials and New Technologies of Rare Earth Applied in Agricultural Production in the Western Area ".

clinic pharmacy. Based on our excellent tenet and full-filled activity.Home Apresentação Sumário Créditos eco-environment lamp. we are confident that we can catch hold of the great opportunity to lead the development of RE application in agriculture. seedling breeding. production development in accordance with the market". to wide the market. farmland environment protection product. etc. ⎯ Being the forerunner of the technology of RE application in agriculture. complex pesticide. flower longevity. to pioneer the way of consolidation development and to make our enterprises stronger and bigger. we always stick the tenet of "basic research serves for practical technique. acid rain resistant product. and to change the advantages of resource into the advantages of benefits. to improve the industrialization of RE application in agriculture. ⎯ May the industry of RE application in agriculture flourish all over the world. ⎯ We hope to hold together with insight people to fulfill the resource conformity and superiority complementarities. 130 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE .

1999. which might be toxic or initiate food allergy. They describes the appearance. mineral components and vitamins. which is subjectively or objectively attached to food with respect of quality properties . for 'organic products' refers to the desire of consumers for 'safe' food. 2000). structure. The preference of many customers for a shiny dark red apple. starch in potatoes. J.A. heat and cold or the tolerance to weedizides as implanted into transgenic plants can be grouped into this category. Food Trade beyond 2000. Functional properties are related to the crops' suitability in processing like sugar content in beets or cane." (ABALAKA.What is quality? In: Quality production at balanced fertilization: the key for competitive marketing of crops KRAUSS. color. trade liberalization and commitment to reduce tariffs and eliminate non-tariff barriers. 'In a situation of globalization. The content of nutritive elements like protein or oil is used in many countries as a basis for procurement systems and thus is an economic factor. It is estimated that sales in this market will be in the order of about $20 billion and may represent within the next 5 years. Australia. on Int. Nutritional Properties than if they were only concerned with safety and health' (GONZALO RIOS. Melbourne. GONZALO RIOS. 1999. ABALAKA. Acesso em: 30/05/2007. The rather rapidly expanding market with a growth rate of 25% p. (1999): Assuring food quality and safety: Back to the basis-quality control throughout the food chain. smell or taste. Organoleptic properties are highly subjective. 1999).. Determinants of food quality can be grouped into several properties.Home Apresentação Sumário Créditos Anexo F UE QUA O Q U E É QU A L I D ADE ? Quality coun ounts market place What quality? Quality counts in market place . Content of fiber and ballast as well as the energy content are widely used parameters in human diet. An intrinsic property of food by which it meets pre-defined standard requirements. compared to a yellowish or green one. 5 to 10% of the total food sales in some countries (ISHERWOOD. [www. 1999). Food Trade beyond 2000. residues from agrochemicals. Hygienic properties refer mostly to freedom from pests and diseases and their metabolic by-products. oil/ fat or starch. acesso em 30/05/2007 Hygienic Properties Food Quality Organoleptic Properties Nutritional properties are characterized by the content of certain constituents such as protein. 11-15 Oct. 11-15 Oct. FAO/WHO/WTO Conference on Int. content and spectrum of fatty acids in oil seeds.a. sanitary and phytosanitary justification could be used as a means of introducing measures that are more protectionist 131 IMPORTÂNCIA E FUNÇÃO DOS FERTILIZANTES NUMA AGRICULTURA SUSTENTÁVEL E COMPETITIVA . Environmental compatibility of production will become an important quality parameter used by consumers when selecting food at the market or for processors in their quality management. org]. The resistance of crop plants to biotic and abiotic stress such as salinity.. is wellknown although there might be no difference in nutritive value.ipipotash. Melbourne. Food quality therefore refers to the value. drought. (1999): Technical assistance needs of developing countries and mechanisms to provide technical assistance. Disponível em: www. Other aspects refer to contamination with nitrate or heavy metals.org. K. FAO/WHO/WTO Conf. Australia.ipipotash.

subscrito por Peter van Straaten. TSP.) com co-produção de apatita e ilmenita. Scheid Lopes & L. Produtos Intermediários: sulfato de amônia.em 18/06/2007 (€ . cloreto de potássio. por Goodyear. de 1935 a 1937. quando começaram a decrescer. nitrato de potássio. História do Pensamento. 1986). Albânia. de 1. Esta previsão apresentada há 8 anos deverá ser refeita. 15% na geração de etanol e 13% em outros usos. o consumo na URSS era de 2. Sua importância econômica aumentou com uma segunda descoberta: a da vulcanização. Hungria.800 t/ano. mudas de seringueiras para a Malásia. Iperó (SP). para esse fraco aumento. 1986). junto à mina de Ipanema. passaram de 14. 1988). a jazida de fosfato de Sept Îles. Em 1960. Os americanos.9 em 1996 e 13. ex-Checoeslováquia. com o título Histoire Universelle. embora com oscilações. de cerca de 405 mil toneladas (13. Bulgária. Porém não deve ser esquecido que. 1987).Os Homens e as Coisas. contribuiu fortemente a ex-URSS ao passar de um consumo de 21. foi instalada. Guimarães Guilherme e disponibilizado no sítio da ANDA [www.vol. Polônia. considerando-se o novo cenário dos biocombustíveis. No Oriente Médio sua domesticação havia começado desde o décimo ou décimo primeiro milênio a.R.500 páginas distribuídas por 12 volumes. A Identidade da França . Fernand Braudel foi professor visitante da Universidade de São Paulo – USP. fosfato de cálcio natural (P).5% do consumo total) e as importações totalizaram 3 Mt.Euro). A autora citada é professora agregada de Filosofia. 1€ = US$ 1. de extração fácil é enorme. por iniciativa do Ministério da Agricultura. a sua produção viria a ultrapassar a do Brasil. a produtividade da cana-de-açúcar responde bem à aplicação de largas quantidades de basalto (VAN STRAATEN. nitrato de amônio. nos últimos 10 anos.br] com o título “O Uso dos Fertilizantes Minerais e o Meio Ambiente”. associada a rochas básicas (gabros s. 1966).C. Utilizam 55% da produção na alimentação. SSP amoniacado. há uma forte utilização das terras-raras (TR) como micronutrientes. pelos ingleses. Conseqüência da descoberta da impermeabilização por MacIntosh. a norte-americana. Matérias-Primas: amônia anidra (N). Tinha 4.400 t/ano. v.8 em 2000 (valores em bilhões de reais) (Fonte: ANDA). No México. atingindo 21.3 bilhões de reais em 1971. A Universidade de Guelph desenvolveu amplo e exaustivo trabalho de pesquisa em 48 países da África Subsaariana. O volume destas rochas inconsolidadas. Foi traduzido e adaptado às condições brasileiras pelos professores A. A produção brasileira de K2O foi.55 .com] ). pela editora belga Gerard & Verviers. e a fábrica de superfosfato simples (SSP) com a possibilidade de produzir 4. incluindo xarope (5%). A formação Mata da Corda estende-se por uma área de 250 x 50 km. Quadro Econômico dos Fisiocratas (QUESNAY. 2002).1 em 1993. sistema de idéias ou de conceitos reunidos em torno de alguns princípios fundamentais e destinados a explicar o mundo”. salitre potássico. Em outubro de 1930. fosfato natural de aplicação direta.sigla de Canadá Oil Low Acid. SSP. sulfato de potássio. 2 (BRAUDEL. com a capacidade 2. Würm é a designação utilizada na Europa. As plantações desenvolveram-se rapidamente e.l. As plantas leguminosas obtêm o N do ar com a ajuda de bactérias que vivem nos nódulos das raízes. – Londres / ‘Folha de São Paulo’ – São Paulo. DAP.62 Mt. Única forma de sobrevivência para a sociedade humana durante cerca de 98% da permanência do homem na Terra. É também o início da navegação no mar Egeu (BRAUDEL. os maiores produtores de milho (42% do total mundial) com uma participação de 63% no comércio global (Brasil 1%). Na China. área de Ética. Em escala mundial esse crescimento foi.45%. essencialmente de Histoire Universelle (GRIMBERG. como exemplo. Atlas da História do Mundo (‘Times Books Ltd’. 1995). muito utilizado como adoçante nos refrigerantes. Marcos Sawayama Jank é professor da FEA-USP e presidente do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (ICONE). MAP.Home Apresentação Sumário Créditos Notas 1 14 15 16 As importações provenientes do Canadá têm diminuído. O que Aconteceu na História (CHILD. no Canadá/Québec. em 2005. 1963). A tradução em francês da “Världhistoria”. Cultivar de colza desenvolvido no Canadá. nesse ano. publicada em 1963. Guano deriva da palavra huano que significa excremento na língua quítchua (ALBUQUERQUE. a um custo de 960 milhões de dólares.55 Mt/ano de N+ P2O5+K2O em 1990/91 para 3. Jacqueline Russ acrescenta que “a idéia distingue-se da ideologia.cbot.34 = R$ 2. uréia. Luciano Rodrigues e Daniel Furlan Amaral são pesquisadores do ICONE. Os financiamentos concedidos no Crédito Rural. na França. em valores atualizados (base IGP-DI médio anual). ex-Iugoslávia.org/ifa/STATISTICS]. 1996). fertilizer. 7. ácido fosfórico (P). são até hoje “milho-dependentes”. Wisconsin. em pouco tempo.6 em 1989.org. como já foi referido. Fonte IFA [www.73 Mt em 1999/00. a primeira usina de beneficiamento de rocha fosfática. nitrato de cálcio. 12. 1 – (‘Nova Cultural’. As pesquisas foram divulgadas em extenso relatório intitulado “Rocks for Crops – Agrominerals of sub-Saharan Africa”.anda. Romênia. 2 17 18 3 19 20 21 4 5 22 23 6 24 7 25 8 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE 9 26 27 10 28 11 29 12 30 13 31 132 . em 1838. para 54 em 1979. portanto. Os restantes 17% são exportados (Fonte: Chicago Board of Trade – CBOT [www. Canola . Na Ilha Maurício. a tortilha de milho é a base alimentar de 40% da população. Cita-se. Em 1877 foram levadas ilegalmente. Os tópicos que se seguem foram extraídos.

na cidade de Joanesburgo.ar Roberto Sarudiansky Centro de Estudios para la Sustentabilidad – Universidad Nacional de San Martín sarudi@fibertel. as autoridades governamentais concordaram em desenvolver ações para reduzir à metade. especialmente nos países em desenvolvimento. a Conferência Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável.Home Apresentação Sumário Créditos Capítulo 3 . ⎯ zelar pela sustentabilidade ambiental. Dois dos principais desafios postulados na Declaração são: ⎯ reduzir a pobreza e a fome. 1992). são destacadas as necessidades de assistência técnica e financeira apropriada e de se promover o investimento do setor privado. na África do Sul. É necessário.Desafios do milênio Os autores Hugo Nielson Centro de Estudios para la Sustentabilidad – Universidad Nacional de San Martín hugo. Para isso. indica-se que: “a erradicação da pobreza é o maior desafio enfrentado atualmente pelo mundo e é um requisito indispensável para o desenvolvimento sustentável. Introdução Em setembro de 2000. Em outras passagens é destacado o papel crucial de atividades como a agricultura e a mineração para atender às necessidades do crescimento global da população e à erradicação da pobreza. a fim de garantir o nosso bem-estar futuro e o dos nossos descendentes. além de apoiar os países em desenvolvimento e com economias em transição no fortalecimento da pesquisa em agricultura. modificar as pautas insustentáveis de produção e consumo. A Declaração confirmou o apoio aos princípios do desenvolvimento sustentável. em particular nos países em desenvolvimento”. 1992). de maneira reiterada. efetivo e eficiente da fertilidade do solo. na capacidade para a administração do recurso natural e na disseminação dos resultados nas comunidades. na Sede das Nações Unidas. Nele. Também são promovidos programas para melhorar as práticas para o uso ambientalmente adequado. sendo aprovado um Plano de Implementação.nielson@unsam. Com o objetivo de delinear e implementar ações para as próximas décadas e realizar ajustes para uma melhor execução da Agenda 21 da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (Rio de Janeiro. a porcentagem de habitantes do planeta com renda inferior a um dólar por dia e a das pessoas que passam fome. em Nova Iorque. Também foi decidida a elaboração e aplicação de estratégias que proporcionem aos jovens do mundo inteiro a possibilidade real de encontrar um trabalho digno e produtivo e zelar para que todos possam aproveitar os benefícios das novas tecnologias. Por outro lado. de acordo com os preceitos do desenvolvimento sustentável. definidos na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (Rio de Janeiro. 133 DESAFIOS DO MILÊNIO .com. em setembro de 2002. os Chefes de Estado e de Governo do mundo inteiro se reuniram para discutir e acordar a denominada Declaração do Milênio. e assinalou expressamente a necessidade de agir com prudência na gestão e ordenamento de todas as espécies vivas e todos os recursos naturais.ar 1. foi realizada.edu. até o ano de 2015. A declaração política dessa Conferência reafirmou o compromisso dos países com o desenvolvimento sustentável. segundo a Declaração. basicamente o que havia sido estabelecido na Agenda 21.

Finalmente. Posteriormente. Sobre o meio ambiente. o Acordo pede às comunidades rurais que se convertam nos principais guardiões dos ecossistemas locais. bem como aqueles destinados à pesquisa. Também pediu aos governos e ao setor privado que “financiem de maneira adequada as iniciativas na luta contra a fome. Como corolário das reuniões se instou os governos a darem prioridade aos investimentos públicos. foi alcançado em reuniões celebradas em Pequim (China . “o que dificulta que os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio possam ser alcançados. tecnologia da informação e infra-estrutura rural. Assinala-se na declaração: “Reafirmamos que o desenvolvimento é um objetivo central em si mesmo e que o desenvolvimento sustentável em seus aspectos econômicos.Home Apresentação Sumário Créditos Na conferência realizada em Nova Iorque. Por tal motivo. seqüestro de carbono. mais de 150 Chefes de Estado e de Governo assinaram uma nova declaração na qual os Objetivos do Milênio são ratificados. considerados “absolutamente cruciais para melhorar as vidas destas pessoas e seus meios de subsistência”. garantindo o acesso direto dos grupos mais vulneráveis aos alimentos”. o ritmo de redução da porcentagem de famintos é excessivamente lento. a partir de 2006. O “Acordo de Pequim sobre o futuro da agricultura mundial e as áreas rurais” pediu aos governos que reconheçam o papel fundamental da agricultura e das comunidades rurais no crescimento econômico geral e no desenvolvimento sustentável. até 2010. até o ano de 2015. apresentado por ocasião da conferência da ONU. O Acordo enfatiza a necessidade urgente de se dar prioridade à pesqui- sa agrícola. formação profissional e educação. por ocasião do sexagésimo aniversário da Organização das Nações Unidas (setembro de 2005). polinização e a purificação da água”. e em concordar que o assunto deve constituir o centro das negociações de comércio internacional. solicitando uma “revolução verde. Em um relatório sobre a mobilização de recursos para combater a fome. a FAO destacou que “é inadmissível que 843 milhões de pessoas nos países em desenvolvimento ou de economias em transição continuem sendo vítimas da fome e que mais de um bilhão de pessoas tenham que viver com menos de um dólar diário” e acrescentou que. sociais e ambientais é um elemento fundamental do marco geral de atividades das Nações Unidas”. especialmente na África”. o mesmo organismo internacional (FAO) fez um chamado aos líderes mundiais para que cumpram o compromisso estabelecido de reduzir à metade o número de famintos no planeta. para cumprir tais objetivos. Os compromissos assumidos pelos Estados consistem basicamente em aumentar a ajuda oficial para o desenvolvimento em 50 bilhões de dólares anuais. que harmonize a redução de custos com a conservação dos recursos e o melhoramento da produção”. recomenda que sejam reforçadas as práticas agrícolas que reduzem o impacto do setor na mudança climática. por meio do desenvolvimento rural e da redução da pobreza rural. infelizmente. destinados a estradas. além de melhorar a proteção do meio ambiente nos países em desenvolvimento. Sugere que seja desenvolvida uma estratégia que permita aos pobres serem beneficiados através da “venda” desses serviços do meio ambiente.setembro de 2005) pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO). recomenda-se que sejam feitos maiores investimentos em agricultura e no desenvolvimento rural. 134 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE . o Acordo reconhece que as práticas agrícolas contribuem para o aquecimento global e que o mesmo afeta de forma adversa a produtividade agrícola na maioria dos países em desenvolvimento. Dado que a maioria dos pobres e famintos vive em áreas rurais. Os governantes concordam em adotar planos nacionais. “A conservação e a gestão sustentável dos ecossistemas são a melhor garantia para que se possa manter funções como a biodiversidade. O primeiro acordo de caráter global sobre o modelo de desenvolvimento de uma agricultura sustentável que possa reduzir a fome e a pobreza. em áreas rurais.

mostra uma clara e marcada dependência da região em relação ao setor agrário. sendo prioritário levar a cabo as seguintes ações: 135 DESAFIOS DO MILÊNIO . Situação atual Mais de três quartos das pessoas que passam fome vivem nas áreas rurais dos países em desenvolvimento. devemos assinalar que. atual 2. na América Latina. O reduzido patamar do gasto público a nível nacional. e os estudos demonstram que o desenvolvimento da agricultura é o principal motor para a geração de emprego e renda. A FAO também destaca que o investimento privado é fundamental para a formação de um capital permanente na agricultura. O total da população ativa na América Latina é de 220 milhões de pessoas. um importante fornecedor de alimentos para a população e um destacado solicitante de mão-de-obra e insumos. que abriga quase 10% da população mundial. além de ser uma das principais atividades econômicas em quase todos os países da América Latina. divulgação e desenvolvimento dos mercados. em 2005. a pobreza gera degradação ambiental. Cerca de um terço vive em domicílios rurais sem-terras que não se dedicam à agricultura. ⎯ Dedicar mais recursos para a agricultura. em termos absolutos. onde a produção agrícola está ameaçada pela degradação ambiental. se coaduna com a importância da agricultura em suas economias nacionais. Na América Latina.Home Apresentação Sumário Créditos De acordo com a FAO. a agricultura está negligenciada. especialmente no caso dos países pobres que dela dependem. na Europa e na América do Norte. junto com a redução da ajuda oficial para a agricultura e para o desenvolvimento rural nos países em desenvolvimento. Outro fenômeno alarmante é o deslocamento da desnutrição para as cidades. e é responsabilidade dos governos alcançar este objetivo através da pesquisa. a responsável é a elevada produtividade. dos estímulos financeiros e da formação. da pesca e dos recursos florestais. Tanto nos países pobres como nos ricos. o volume da população rural e a escassa diminuição. Destas. funciona como um freio para os investimentos e iniciativas do setor privado”. Calcula-se que a população mundial alcançou. Portanto. esta relação não supera 9%. a baixa produtividade costuma ser a causa de tal deterioração. sendo necessário reverter esta tendência. Para cumprir o Objetivo de Desenvolvimento do Milênio. ⎯ Concentrar-se em tecnologias que aumentem a produção agrícola. Desta maneira é possível aumentar também a renda das pessoas que possuem poucos bens além das terras. Entretanto. por seu lado. para reduzir a fome. não os governos. como os que dependem do pastoreio. As novas políticas e tecnologias destinadas a potenciar a produtividade também devem proteger os ecossistemas frágeis. Destaca ainda que “os que se dedicam à agricultura são os agricultores. aproximadamente 20% (mais de 40 milhões) trabalham diretamente em atividades do setor agropecuário. na Europa. A grande maioria dos pobres do mundo vive em áreas rurais. a falta de financiamento público adequado para bens públicos essenciais como infra-estrutura. da população ativa no setor agrário em contraposição com a tendência européia. As pessoas pobres são as mais prejudicadas pela degradação ambiental e. Nos países em desenvolvimento. é necessário melhorar a distribuição dos alimentos e incrementar a produção. Aproximadamente a metade delas pertence a famílias rurais em terras marginais. ⎯ Prevenir a degradação ambiental. pesquisa e formação. é essencial que os novos fundos destinados ao desenvolvimento sejam investidos na agricultura e no desenvolvimento rural em uma proporção superior à das últimas décadas. cerca de 6 bilhões e 500 milhões de habitantes. que prevê a erradicação da fome. 34% da população rural (20% do total) é considerada população agrária por sua vinculação e dependência desta atividade. A distribuição entre áreas rurais e urbanas é praticamente equivalente. O setor agrário é. enquanto. da regulação dos investimentos públicos. ao mesmo tempo. Comparativamente.

9 719.8 41.5 31.Consumo mundial de fertilizantes por região . Europa e no mundo.7 43. A principal região produtora é a Ásia (China e Índia). sendo que 60% correspondem a nitrogenados. 2% 15% 9% 3% minerais 3. magnésio. e a maior parte das exportações vai para outros países da própria América Latina.2 2990. zinco.5 6830.4 População rural População Agrária Ativa (em milhões) (em milhões) 1990 2000 2010* 1990 2000 2010* 127. ⎯ recursos utilizados para a elaboração de fertilizantes (nutrientes e micronutrientes). 23% a fertilizantes fosfatados e 17% a fertilizantes potássicos. mas somente sete dos 19 países exportam. A demanda de fertilizantes aumenta a cada ano em resposta ao incremento da população mundial.6 185. bentonitas.2 1220. população rural e agrária ativa na América Latina. fosfatos. cálcio.5 6070.1 1317. Os recursos minerais podem ser agrupados em: Figura 1.7 44. molibdênio. Na América Latina. Área América Latina** Europa Mundial *Projeção População total (em milhões) 1990 2000 2010* 441. é esperado um incremento nas áreas cultivadas e um aumento na utilização de fertilizantes e corretores de solo para melhorar sua produtividade e reparar a deterioração natural provocada por dita atividade.Comparação do total de população. cobre.6 127.3 5263. boro. e a região absorve uma porcentagem semelhante de consumo de fertilizantes (Figura 1. gesso. manganês. América do Norte (20%). Os minerais para a agricultura: uma oportunidade Em todos os países do continente americano. ou seja.2 122. Na América Latina são cultivados cerca de 109 milhões de hectares. com 45%.2002. 55% 16% África Europa América do Norte Ásia América Latina Oceania Os principais compostos e elementos de origem mineral utilizados na agricultura são nitratos.9 24.1 . Em resposta ao aumento da população. África (4%). América Latina (3.2 594. potássio.1 498. 9% do total mundial.3 ** Incluindo o Caribe Fonte: FAOSTAT A produção mundial de fertilizantes é de cerca de 250 milhões de toneladas. enxofre.5%) e Oceania (1%). seja de países da mesma região ou de outras regiões. ferro. a produção está distribuída do seguinte modo: nitrogenados (52%). FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE A maioria dos países latino-americanos satisfaz parte ou toda a demanda de fertilizantes por meio da importação.8 22.9 3213.5 1382.9 3324. vermiculitas e turfas. 136 .1). fertilizantes fosfatados (32%) e fertilizantes potássicos (15%). existem recursos minerais identificados que são ou poderiam ser extraídos. processados e aplicados nas diversas atividades agropecuárias.7 727. zeólitas.1 .7 140.4 198. apesar de o consumo ainda ser maior nos países ou regiões mais desenvolvidas.5 520.Home Apresentação Sumário Créditos Quadro 1. seguida pela Europa (26%).

características essenciais de uma correta gestão dos assuntos ambientais. impulsionar a licença social para os projetos.Home Apresentação Sumário Créditos ⎯ recursos utilizados para correção (corretores de solo). Além disso. Especialmente neste século. O governo. para melhorar a produção e diminuir a degradação dos solos. mineradoras e de serviços) e as comunidades com seus diferentes sistemas de representação genuína. as regras de jogo. ⎯ Os planos para explorar qualquer recurso natural devem ser elaborados com a participação ou opinião das comunidades afetadas. Também cabe ao governo fixar e estabelecer. deve procurar uma distribuição mais eqüitativa da riqueza e dos benefícios dos projetos entre as comunidades diretamente envolvidas. cultural e econômico. elaborados a partir de matérias primas minerais. Tornar-se um fornecedor confiável para satisfazer à demanda gerada pelo setor agrário representa um desafio para o setor mineiro da região. de processos transparentes. especialmente para os mais desfavorecidos. A proteção da natureza deve ser compatível com o aproveitamento sustentável dos recursos naturais. os dois setores produtivos. de maneira consensual. de um amplo acesso à informação e da participação eqüitativa na adoção de decisões. Incentivar quem investir na preservação dos solos e na maior industrialização dos produtos. O cálcio. ambiental. as rochas carbonáticas (calcitas e dolomitas). para um Desenvolvimento Setorial Sustentável é necessário recorrer ao uso de fertilizantes e corretores. o magnésio e o enxofre (nutrientes secundários) são requeridos pelas plantas em quantidades menores que os nutrientes primários. tanto econômica como ambiental. de desapossar a maior parte da comunidade e de destruir o ecossistema. as zeólitas. Entre os micronutrientes que são acrescentados aos solos como fertilizantes. sozinha. encontramos o boro. É considerado um corretor qualquer material inorgânico ou orgânico. harmonicamente. A disponibilidade de fundos. em que as novas tecnologias que pressupõem um maior respeito pelo meio ambiente permitem alcançar máximos níveis de expansão e de rentabilidade. cobre. as perlitas. as empresas mineradoras devem explicar claramente os alcances de seus projetos. as bentonitas. Mais do que isso: o sucesso também depende de instituições sólidas. Caso contrário. induzindo a uma produção mineira e agrícola sustentável. controlar a aplicação das legislações vigentes e garantir a participação de TODOS os atores. Para tudo o exposto é indispensável uma vinculação permanente. íntima e responsável entre todos os atores envolvidos: o governo (local. deve considerar a possibilidade de aplicação de políticas ativas que compreendam. as empresas (agropecuárias. manganês. Entre os corretores de origem mineral estão o enxofre. exceto os usados principalmente como fertilizantes. Por sua parte. molibdênio e zinco. ⎯ 137 DESAFIOS DO MILÊNIO ⎯ . com capacidade para modificar as características físicas. Em função da importância do setor agrário na América Latina. Entre os nutrientes primários encontram-se o nitrogênio. evitar as áreas “obscuras” nas negociações com os governos. Outras considerações ⎯ Implementar estas ações permitiria alcançar uma melhor qualidade de vida para todos os cidadãos através de um desenvolvimento mais sustentável nos aspectos social. de políticas prudentes. regional e nacional). que tem a seu cargo a função de maior responsabilidade. estabelecer diálogos pú- ⎯ ⎯ Outras considerações onsideraç 4 . não cair em paternalismos fáceis. o fósforo e o potássio. ferro. a turfa. existe o risco de enriquecer uns poucos. não garante um desenvolvimento sólido com beneficios compartilhados por todos. a ação microbiana e/ou alterar a acidez de um solo. a vermiculita e o gesso.

138 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE . têm que tomar consciência da necessidade de repor os minerais que são extraídos com cada colheita. permitir a expressão de todas as suas instâncias organizativas. o que melhorará os rendimentos dos solos e contribuirá para uma utilização responsável dos recursos naturais. Devem reconhecer a responsabilidade que significa utilizar o solo que é ⎯ de todos. ⎯ Quanto aos agricultores. difundir seus compromissos de sustentabilidade e compreender a dimensão e características do novo mercado agropecuário.Home Apresentação Sumário Créditos blicos com todos os atores. melhorar as condições de produção agropecuária incorporando tecnologia e compreender que uma produção sustentável pode ser também um bom negócio. As comunidades devem informar-se e participar dos organismos de controle dos projetos. afastar-se dos fundamentalismos paralisantes e compreender que a maior agressão ao meio ambiente surge da fome e da pobreza.

Assim.5-6. o aumento do pH aumenta a sua CTC. 1979): Al(OH2)63+ Al(OH)(OH2)52+ + H3O+ (1) A fase sólida Al(OH)3 precipita quando o seu produto de solubilidade é excedido.) uma grande desordem nutricional que requer uma aplicação maciça de calcário e de fertilizantes.. que. Al(OH)(OH2)52+ Al(OH)2(OH2)4+ Al(OH)3(OH2)30 Al(OH)4(OH2)2- Al(OH)2(OH2)4++H3O+ Al(OH)3(OH2)30+H3O+ Al(OH)4(OH2)2-+H3O+ Al(OH)5(OH2)2.7.gov. Portanto.0. A seqüência no intemperismo que gerou esses solos teve como reagentes essenciais a H2O e o H+ e como produtos a sílica dissolvida e os cátions originários dos feldspatos que foram lixiviados (GARRELS e CHRIST. 1965).D. E-mail: rmelamed@mct. . uma prática comum e fundamental no manejo de latossolos para produção é a aplicação de calcário.Home Apresentação Sumário Créditos Capítulo 4 . particularmente quanto ao suprimento de fósforo”. Ph. baixa saturação de bases e alta fixação de oxi-ânions (fosfato e sulfato). provendo hidroxilas e adicionalmente Ca ou Ca e Mg: CaCO3 + H2O = Ca2+ + HCO3. O Al está presente em solução envolto numa “concha” de solvatação com seis moléculas de água. em Química de Solos.7 e 6.Implicações das interações físico-químicas no manejo de fertilizantes para sistemas de produção agrícola em solos tropicais O autor Ricardo Melamed Engenheiro Agrónomo.+H3O+ (2) (3) (4) (5) A acidez dos latossolos é gerada pela dissociação de prótons dos óxidos e hidróxidos de Fe e Al e está intimamente ligada à química de solução do Al.. a fração granulométrica de argila dos latossolos é dominada por óxidos e hidróxidos de Fe e Al e caulinita. K e metais traços. é tóxico para as plantas. Como resultado desse intemperismo. O Al(OH)2(OH2)4+ é a forma predominante entre pH 4. os latossolos ocupam uma área estimada em aproximadamante 100 milhões de hectares (MALAVOLTA e KLIEMANN.br 1. A correção.. 1985). As espécies de Al sofrem hidrólise em vários graus dependendo do pH (BOHN et al.0. promovendo a lixiviação de Ca.5. O Al(OH)(OH2)52+ formado é de pouca importância porque esta espécie ocorre somente numa faixa de pH estreita. enquanto o Al(OH)3(OH2)30 é a forma predominate na faixa de pH de 6. e é preferida em competição com outros cátions de carga menor para adsorção aos sítios de troca dos colóides. que conferem a esses solos carga elétrica de superfície variável. baixa CTC (capacidade de troca catiônica). elevase o pH acima de 5. no entanto. Pesquisador do MCT.+ OH(6) Os íons hidroxila produzidos neutralizam a acidez do solo. conseqüen- 139 IMPLICAÇÕES DAS INTERAÇÕES FÍSICO-QUÍMICAS NO MANEJO.5 a 8. Introdução No Brasil. de modo geral. o Al é precipitado..predomina acima de pH 8. A espécie Al(OH2)63+ é predominante abaixo de pH 4.. Esse processo conferiu aos latossolos características especiais. dessa forma. alto teor de Al. O Al(OH)5(OH2)2.ocorre com valores de pH acima dos valores de pH dos solos. tais como: pH na faixa ácida. Malavolta e Kliemann (1985) mostram dados que justificam a complexidade no manejo requerido para produção nesses solos cognominando-os “(. é efetiva somente na camada em que o calcário foi aplicado e.0. Mg. para que o Al fique indisponível para as plantas. O Al(OH)4(OH2)2. Sendo os latossolos de carga variável. aumentando o seu pH e.

.. Outro fator a considerar é que os íons Ca2+ podem deslocar K+ e Mg2+ dos sítios de troca. Os resultados indicam que o principal mecanismo de adsorção em todos os óxidos de Fe estudados foi via uma forte ligação binuclear. duas hidroxilas ou duas moléculas de água da superfície são substituídas por um íon fosfato. Mn3+ (como Mn2O3) e Mn4+ (óxido bastante estável). depende do pH. os íons metálicos constituintes são incapazes de completar o padrão de coordenação existente no bojo do cristal. O Ca2+ troca com o Al3+ complexado à superfície que. têm o seu pH natural próximo do seu Ponto de Carga Zero (PCZ). 1984). fenômeno que foi referido por Mattson (1932) como intemperismo isoelétrico. Os latossolos são um exemplo desse tipo de solo e. A correção de solos ácidos geralmente controla as toxicidades tanto de Al como de Mn.Home Apresentação Sumário Créditos temente à rizosfera restrita a essa camada. formando a espécie não-tóxica AlSO4+. É importante notar que a aplicação de gesso não altera o pH do solo. prótons e hidroxilas são considerados íons determinantes do potencial. este é chamado de solo de carga variável. O resultado disso são ligações incompletas ou insatisfeitas. O Mn ocorre no solo em três estados de valência: Mn2+. Quando no solo predomina esse tipo de mecanismo. o produto aumenta a densidade de grupos OH. 1972. Nesse processo. Uma estratégia para controlar a disponibilidade de Al em camadas mais profundas consiste na aplicação de gesso (REEVE e SUMNER. devido à coordenação com o Fe3+ da superfície. PAVAN et al. As toxicidades de Mn e Fe também devem ser de preocupação para produção em latossolos. Jurinak (1966) visualizou que a substituição ou troca de cada grupo OH da superfície pelo ânion H2PO4 ocorre de forma que o oxigênio apical do tetraedro do PO 4 e os dois prótons associados aos três oxigênios basais fiquem orientados paralelamente à superfície. a carga elétrica superficial líquida desses solos é próxima a zero. Carga elétrica superficial Às arestas dos colóides. geralmente. 1975). que é lixiviado e se dissocia. que promove um excesso de manganês na forma Mn2+. pois sua reação não resulta no suprimento de grupos hidroxila. 1980. Nesse caso. produzindo uma superfície hidroxilada que pode aceitar ou doar prótons dependendo do pH da solução do solo. A toxicidade do Mn pode ocorrer com o decréscimo de aeração devido à compactação e inundação. foram contrastadas com a ausência de mudanças espectrais quando da adsorção de nitrato ou clorato. formando o íon complexo CaSO40. oxidação-redução e microbiologia do solo. RITCHEY et al. conhecido como troca de ligantes.. por sua vez. na qual dois dos átomos de oxigênio do íon fosfato estão coordenados cada um a diferentes íons Fe3+ à superfície. disponível para as plantas. As mudanças nos espectros de infravermelho com relação aos grupos OH.da superfície e dos íons fosfato. 3. Dessa forma. Técnicas de espectroscopia por infravermelho foram usadas para obter um modelo estrutural para a reação de superfície entre os óxidos de Fe e os íons fosfato (PARFITT et al. Fixação de fosfato Uma das principais necessidades para sistemas de produção agrícola em latossolos é o manejo de fertilizantes fosfatados. O nível de Mn2+ na solução do solo. o íon metálico se coordena com grupos OH. e a carga elétrica de superfície do solo depende do pH do sistema. complexa em solução com SO42-. porque o fosfato é altamente sorvido por óxidos de Fe-Al e se torna indisponível para a absorção pelas culturas. Malavolta e Kliemann (1985) chamam atenção para a possibilidade de aplicação conjunta de calcário e gesso para evitar essas perdas. Um excesso de prótons tornará a superfície positiva. gativa. À superfície. enquanto a dissociação de hidroxilas tornará a superfície ne- 140 . Como nesse processo a população de OH essen- FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE 2. As mesmas condições que levam à toxicidade por Mn podem levar à toxicidade por Fe. O transporte de Ca2+ às camadas mais profundas é promovido pelo SO42como liga acompanhante. Assim. sendo que o íon de coordenação central passa a ser o P ao invés do Fe.

porém os valores dessas mudanças não variam com a quantidade de ânion adsorvido. Devido à alta capacidade de sorção dos latossolos. Rajan (1976) relatou que a carga negativa adicionada à superfície por unidade de ânion adsorvido decresceu com a adsorção de fosfato. a carga elétrica líquida de superfície fica mais negativa quando o fosfato reage com solos de carga variável (MEKARU e UEHARA. Com esses sítios. o fosfato seria adsorvido aos sítios positivos desalojando os grupos OH2 da superfície. nos sistemas de produção nas regiões de cerrado do Brasil e em várias partes do mundo. Nesse trabalho. 1978a. Para explicar todas as observações. com pouco impacto na carga superficial. Contrariamente.9 m2/g para 11.1 m2/g. o fosfato é adsorvido aos sítios neutros. Ryden et al. Hingston (1970) concluiu que os valores médios das mudanças em carga elétrica superficial por unidade de ânion adsorvido são característicos do Bolan e Barrow (1984) usaram o modelo de Bowden et al. WHITE. 1980. uma estratégia para sistemas de produção nesses solos consiste numa aplicação de fertilizante fosfatado maciça e generalizada sobre toda a área. a partir daí. 1976. 1984). criando novos sítios. após a adsorção de P. permaneceu constante a níveis mais altos de adsorção de fosfato. Assim. 1972. os insumos aplicados são feitos num solo previamente adubado com P. FEY e LE ROUX. A baixos níveis de cobertura de superfície. o íon não atua como um íon de troca e balanceamento de cargas mas como um íon de determinação do potencial da superfície. A tenacidade com a qual o segundo próton desse grupo é fixada à superfície manifestou-se na alta temperatura requerida para remoção do grupo OH da molécula de água. que envolve o balanço de carga superficial pelos íons constituintes do eletrólito suporte e a posição que es- 141 IMPLICAÇÕES DAS INTERAÇÕES FÍSICO-QUÍMICAS NO MANEJO. Os bons resultados alcançados com esse manejo são o reflexo da saturação inicial dos sítios com alta capacidade de adsorção de P e uma maior disponibilidade do elemento para a cultura com as adições subseqüentes. SPOSITO. WANN e UEHARA. À medida que a superfície vai saturando. sendo que a cada região correspondia um mecanismo de reação distinto. nos anos subseqüentes (YOST et al. (1973. Esse estudo propôs um modelo de adsorção de fosfato contendo três distintas regiões. seguida de sucessivas aplicações localizadas na linha de plantio. desalojando grupos OH. com uma rápida neutralização de carga. permaneceu constante a níveis intermediários de adsorção e houve um crescimento linear a altos níveis de adsorção. Jurinak (1966) concluiu que a molécula de água fisicamente adsorvida é conectada a um único próton do grupo H2PO4. por sua vez expostos. .Home Apresentação Sumário Créditos cialmente dobrou. A mudança abrupta na carga superficial líquida a altos níveis de adsorção de fosfato foi interpretada como uma ruptura dos polímeros da hidro-alumina utilizada. ânion e da superfície. Jurinak (1966) mostrou que a área superficial específica da hematita aumentou de 9. Esses autores enfatizaram que as reações de troca de ligantes com grupos de água e com grupos de hidroxilas não são suficientes para explicar o fato de que há sempre um aumento da quantidade de carga elétrica negativa à superfície e que essa quantidade é sempre menor do que o balanço devido ao ânion fosfato adsorvido. BOLAN e BARROW. Essa proposta foi criticada em vários estudos (POSNER e BOWDEN.. O manejo de P produz impactos e conseqüências na CTC dos solos e na retenção e na mobilidade de espécies de outros elementos. enquanto a quantidade de moléculas de água não variaram em amostras de hematita tratadas com P. Efeito da fertilização com fosfato na carga de superfície Como conseqüência dos mecanismos de sorção expostos acima.. (1977) observaram que a carga negativa da superfície aumentou linearmente com os níveis iniciais de adsorção. 1982. Esse decréscimo foi seguido por um crescimento abrupto e. uma quantidade extra de fosfato é adsorvida. 1974) para descrever os efeitos do ânion adsorvido na mudança de carga superficial com a adsorção de fosfato. Nesse caso. 1979). Bolan e Barrow (1984) evocaram a teoria do modelo de quatro camadas.. 4. 1980). no primeiro ano.

tornou-se mais negativa na presença de fosfato. o decréscimo em carga positiva na superfície seria inicialmente rápido e alto. Interações entre a sorção de fosfato e o pH Hingston et al. ou seja. (1972) mostraram que houve uma tendência geral de decréscimo na adsorção de fosfato com o aumento do pH do sistema. o balanço de carga devido à adsorção de sulfato é mais afastado da superfície quando comparado com o balanço de carga devido à adsorção de fosfato. e o balanceamento da carga se move cada vez mais para a região fora das fronteiras da superfície. um aumento do pH produz um “envelope de adsorção” que reflete a competição entre o sítio à superfície e o ânion pela presença decrescente do 142 . a altos níveis de adsorção de fosfato. a carga conferida à superfície será menor. tal como o HPO42-. essa carga positiva é balanceada pelos ânions do eletrólito suporte.8 mmolc foram adicionados por mmol de fosfato adsorvido. a carga negativa produzida pela adsorção de fosfato é amplamente balanceada pelo desalojamento dos ânions eletrolíticos. conseqüentemente. a carga conferida na superfície à força iônica mais alta é maior. Quanto mais distante da superficie estiver o íon adsorvido. isto é. a mova-se fora da fronteira da superfície. resulta numa maior disponibilidade de íons eletrolíticos.Home Apresentação Sumário Créditos FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE ses íons ocupam na camada dupla. A presença do fosfato teve um maior impacto na CTC e na CTA (capacidade de troca aniônica) desse latossolo do que seria esperado pela variação somente do pH. O resultado é um aumento na carga conferida à superfície a altos níveis de adsorção de fosfato. foi dessa forma contestada. 5.1 e -0. A conclusão de Rajan (1976) quanto a uma ruptura de partículas produzindo novos sítios. respectivamente. 1981) é maior do que o incremento produzido pela adsorção de fosfato: a intimidade ou grau de complexação do sulfato à superfície é menor que a do fosfato. a valores de pH abaixo do Ponto de Carga Zero (PCZ). A CTC foi significativamente aumentada. a carga elétrica negativa. A carga líquida conferida à superfície é. A teoria defendida por Bolan e Barrow (1984) associada ao modelo de Bowden et al. portanto. Melamed (1993) relatou que -1. Estudos conduzidos por Melamed (1993) indicaram ainda que o efeito da adsorção do ânion fosfato em latossolo é de deslocar o seu PCZ para valores de pH mais baixos e fazer com que a carga líquida negativa fique mais negativa a qualquer valor de pH acima do correspondente PCZ. em face à adsorção. a superfície é positivamente carregada. a CTA decresceu. fazendo com que o balanço de carga. a carga elétrica positiva decresceu com incremento da adição de fosfato. e a mudança de carga com adsorção de fosfato estabiliza. -0. Em contraste. 1984). portanto. Quando a superfície se torna negativa (a valores de pH acima do PCZ ou a altos níveis de adsorção de fosfato). quanto mais próximo o íon adsorvido for da superfície. foram adicionados à superfície de um latossolo por cada mmol de fosfato adsorvido. Nesse caso. (1977) também explica porque o incremento de carga negativa produzido pela adsorção de sulfato à gibsita (HINGSTON. Da mesma forma. Essa teoria explicita que. A quantidade de carga negativa conferida à superfície quando da adsorção de fosfato deve ser menor do que a carga do ânion fosfato adsorvido (BOLAN e BARROW. Por isso. Com aumento da adsorção de fosfato. No latossolo estudado por Mekaru e Uehara (1972). menor. Para ânions que “protonam”. maior atuação no processo de troca de ligantes e.7 mmolc. estimados por titulação potenciométrica e adsorção iônica. Na ausência de adsorção de fosfato. Então. há poucos ânios eletrolíticos a serem desalojados e uma tendência cada vez maior para a carga negativa induzida pela adsorção de fosfato ser balanceada pela desorção de H+ (ou desprendimento de OH) no plano da superfície. o plano médio de adsorção de sulfato é mais afastado da superfície em comparação com o fosfato. a determinado pH. pelo aumento da concentração do eletrólito suporte. Bolan e Barrow (1984) também mostraram que o aumento da Força Iônica do sistema. A uma baixa adsorção de fosfato. maior será a atuação do eletrólito suporte no balanço de carga da superfí- cie. a carga induzida pela dessorção de fosfato pode ser balanceada pela adsorção de cátions eletrolíticos. e a carga induzida será maior.

Obihara e Russel (1972) observaram picos na declividade das curvas dos envelopes de adsorção. e de ânions que formam complexos de esfera externa.37% de Fe2O3. 6. No entanto. à medida que o pH aumenta..Home Apresentação Sumário Créditos próton. devido à presença de fosfato. Decréscimos na adsorção de SO42-. porque a retenção e mobilidade e. conseqüentemente.excedeu uma certa concentração.pelo sítio que contem o ânion complexado: S-OH2+(s) + A-(aq) = SA0(s) + H2O SA0(s) + OH-(aq) = S-OH0(s) + A-(aq) S-OH0(s) + OH-(aq) = S-O-(s) + H2O onde: SOH2+ representa o sítio positivo. os tratamentos mais altos com P não resultaram em perdas maiores de sulfato. Pelo fato de a adsorção de fosfato envolver troca de ligantes. o fosfato teve um efeito apreciável no movimento de S-SO42-. tal como o nitrato (MEKARU e UEHARA.como grupo funcional do solo. (1962) indicaram somente ligeiros efeitos do fosfato na mobilidade do sulfato num tipo de solo (Aiken) com 57% de argila e 6. Estudos de adsorção em um latossolo brasileiro conduzidos por Kinjo e Pratt (1971) mostraram que a adsorção negativa de NO3.1 Espécies aniônicas Estudos conduzidos por Chao et al. Bolan et al. ao mesmo tempo. embora esses aumentos tenham sido irregulares. os resultados de Lutz e Haque (1975) indicam que somente altas taxas de caolinita tratada com fosfato afetaram o pH da suspensão. aumentando sua atividade no efluente.0 e 6.2.é um íon efetivamente competitivo. A.ocorreu quando H2PO4. O fosfato pode efetivamente aumentar a mobilidade de ânions que formam complexos de esfera interna. 1989). 1972. enquanto.4 e 48. (1988) demostraram que a incubação de solos com P resultou numa carga elétrica negativa líquida de superfície e no decréscimo na adsorção de sulfato. (1987). e o tratamento com CaH4(PO4)2 aumentou o pH da caolinita.84% de Fe2O3. tanto nos experimentos em batelada como nos experimentos em coluna. . Uma outra reação possível que contribui para a redução da adsorção do ânion com o aumento do pH envolve a competição do OH. a espécie OH. além de ser um íon determinante do potencial de superfície. chegando a decrescer para outro tipo de solo. 32. SOH0 representa o sítio neutro. Porém. Nesse sentido. 1995). é de se esperar que adições de P a supensões irão aumentar o pH da solução do solo. A perda por lixiviação de sulfato variou de 17% na ausência de P a 28% no menor tratamento com P.6 mmol P/kg resultaram em aumentos no pH de equilíbrio de 5. tal como o sulfato (CHAO et al. 6. respectivamente (MELAMED et al. foram também relatados por Ryden et al.representa o ânion especificamente adsorvido.5..5 para 5. num outro tipo de solo (Willamette) com 29% de argila e 2. a biodisponibilidade de espécies químicas podem ser alteradas.8. Experimentos em colunas de latossolo tratados com 16. Rajan e Fox (1975) mostraram que a adsorção de P aumentou o pH da solução até certo ponto e que depois permaneceu constante para um tipo de (7) (8) (9) solo. A decrescente adsorção de ânions. Ambas as fontes de P aumentaram o potencial zeta e a hidratação das argilas. 1971). indica a suprema importância da dupla iônica H+/OH. 6.. O tratamento com H3PO4 às argilas estudadas decresceu o pH destas. Efeito da fertilização com fosfato na disponibilidade de outros nutrientes Os efeitos do fosfato nas propriedades elétricas das superfície dos solos são de extrema importância em sistemas agrícolas. 1978b). Barrow (1987) notou que esses picos nas curvas ocorrem próximo aos valores de pH do ácido correspondente e que uma característica particular da adsorção de ânions é que uma bem definida adsorção máxima pode ser determinada. Mekaru e 143 IMPLICAÇÕES DAS INTERAÇÕES FÍSICO-QUÍMICAS NO MANEJO.. e decrescer a lixiviação de Ca e K (WANN e UEHARA. aumentando a repulsão do ânion da superfície (SPOSITO. 1962). KINJO e PRATT.

que. 1982. (1994) mostraram que a presença do fosfato nos sítios de superfície induziu um movimento mais rápido do Bratravés de colunas de latossolo.estava sendo retardado na coluna do solo controle. quando o ânion acompanhante foi o Cl-. preferencialmente chamada exclusão de ânions na teoria de transporte de solutos. A utilidade do ânion Br. 6. (1977) observaram que tanto o íon Brcomo o íon Cl. inicialmente. Esses resultados são corroborados por experimentos de adsorção em batelada conduzidos por Kinjo e Pratt (1971). associada à camada difusa dupla. não participa no processo de lixiviação e.. tal como o Ca. carga e propriedade de coordenação.e que a adsorção negativa de NO3ocorreu quando o sulfato ou fosfato excedeu certos níveis de concentração. Quanto aos mecanismos envolvidos nessa retenção de Ca. JAMES e RUBIN. O Br.25 volumes porosos. As adições de fosfato aos solos também aumentaram a adsorção de cátions tal como o Ca2+ (RYDEN e SYERS. 1976). que esses solos mostram uma ligeira preferência na adsorção de Cl. 1947). A adsorção negativa.20 volumes porosos.. O fenômeno foi especialmente notado nos dois tratamentos mais altos com o fosfato. (1976) postularam um complexo de superfície consistindo de dois íons fosfatos adsorvidos em adjacência e um cátion divalente com tamanho apropriado.Home Apresentação Sumário Créditos Uehara (1972) também encontraram adsorção negativa de nitrato quando o fosfato foi adicionado a suspensões coloidais com carga positiva. A análise das curvas de transporte deste estudo indicou que o mo- vimento do Br. A adsorção negativa mostrou-se um fenômeno importante considerando-se o movimento de ânions através do solo (BOND et al. por sua vez.na coluna de solo resultou em fatores de retardação menores que 1. Onken et al.é utilizado preferencialmente ao ânion Cl-. Esses autores atribuíram as diferenças marcantes na forma e posição das curvas de transporte às mudanças em CTC associadas à adsorção do ânion fosfato. Helyar et al. que demonstraram que os latossolos são aptos a adsorver ânions que formam complexos de esfera externa à superfície. THOMAS e SWOBODA. 1970). 1972. maior a mobilidade do sal a um conteúdo de água definido (THOMAS e SWOBODA. Quando o ânion acompanhante foi o H2PO4-.aumentou progressivamente gerando deslocamentos das curvas de transporte para a esquerda. sendo que nenhum desses dois íons estão sujeitos às transformações biológicas às quais o nitrato é suscetível.poderiam ser usados como indicadores do movimento de nitrato devido às suas similares interações com as superfícies. 1972). A extensão do efeito do fosfato na mobilidade do Br. dessa forma.2 Espécies catiônicas Wann e Uehara (1978b) mostraram que a posição das curvas de transporte de K de um latossolo depende do ânion que acompanha esse cátion.sobre NO3. A importância da exclusão de ânions é a remoção destes da água relativamente imóvel. a velocidade média do ânion é maior do que a média da velocidade da água dos poros (SMITH. Como resultado. KRUPP et al. foram necessários 8. 1986. a mobilidade do Br. quanto maior o volume de exclusão de ânions. numa posição cen- 144 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE . 1970).como um traçador de nitrato em estudos de coluna foram demonstardos por Smith e Davis (1974). devido a sua mais baixa concentração nos solos e águas e porque seu raio iônico assemelha-se mais ao do nitrato do que ao raio iônico do Cl-. foi relacionada aos níveis de P aplicados. Esses deslocamentos nas curvas de transporte de K à direita foram significativamente relacionados à diminuição do PCZ. e posicionados na mais rápida água dos poros. inferindo exclusão do ânion Br-. Melamed et al. 1963). O volume de água imediatamente adjacente à superfície das argilas não contém os ânions. As concentrações de K no efluente chegaram à metade da concentração do influente após passados 4. Esse fenômeno dá origem a um déficit de ânions na vizinhança de uma partícula negativamente carregada e um excesso de ânions na solução do solo (DE HAAN e BOLT. Com o aumento nos tratamentos à coluna de solo com fosfato. refere-se à repulsão de ânions de uma superfície de solo negativamente carregada (SCHOFIELD.

N. Aust. 39:493-504.A. 1982. 1974. 7. G. BOND. N. Barrow e Shaw (1979b) concluíram que a identidade e concentração do cátion têm um grande efeito na dessorção de fosfato e que a tendência de liberação do fosfato decresceu quando os cátions que equilibram a carga negativa no fosfato adsorvido estavam próximos da superfície. fertilizantes alternativos. T. BOWDEN. associada à adsorção de fosfato. Constant-flux absorption of a tritiated calcium chloride solution by a clay soil with anion exclusion. M.N. 1979. BOLLAND. BARROW. carga elétrica de superfície. Referências bibliogáficas BARROW. interações com o pH e efeito da adubação com P na mobilidade de outros elementos. 30:53-65. POSNER e J. QUIRK. N. Proc. 1984. IMPLICAÇÕES DAS INTERAÇÕES FÍSICO-QUÍMICAS NO MANEJO.. A.W. 15:121-136.W. J. Am. SHAW. 1988. Amer.P.M.C. A model for ion adsorption on variable charge surfaces.. matéria orgânica. N. Movement of S35 tagged sulfate through soil columns.J. POSNER e J. M.J.. Effect of liming and phosphate additions on sulphate leaching in soils.T.K.Home Apresentação Sumário Créditos tral. SYERS. senvolvimento e. B. Soil Sci. Dordrecht/Boston/ Lancaster. 26:27-32.L. Um sistema de produção integrado que inclua a química e a fertilidade de solos. A retenção de Ca em resposta à sorção de fosfato foi atribuída ao decréscimo na carga negativa. e T.E.. GARDINER e D. Soil Sci. Soil Sci. BOWDEN. QUIRK. BOWDEN. Conclusão Existem vários processos-chave envolvidos no manejo de fertilizantes para produção agrícola em solos tropicais. 1962. Generalised model for anion and cation adsorption on oxide surfaces. ao invés de uma reação de precipitação de fosfato de cálcio.E. Modelling the effect of adsorption of phosphate and other anions on the surface charge of variable charge oxides.L. Developments in Plant and soil sciences..P. Martinus Nijhoff Publishers. HARWARD e S.. Soil Sci. e N.C. A. 1973.. Transactions of 10th International Congress in Soil Science. Soc. W. BARROW. Moscow. Ênfase foi dada nos processos de correção da acidez desses solos.J. SMILES.W.W.M. Soil Res. fisiologia de plantas e genética. 29-36. e O´CONNOR. 46:1133-1137. inclusive outras espécies químicas.. 1977. 35:273-281. J. produtividade das culturas plantadas nesses solos. SCOTTER. J. Vol. 1979b. Soil Sci. TILLMAN e D.. BOHN.M. faz com que o manejo da fertilização com P seja uma das principais estratégias para um bom crescimento. John Wiley & Sons BOLAN. J. Ionic adsorption on variable charge mineral surfaces: Theoretical-charge development and titration curves.J. B. McNEAL. porque podem afetar o transporte e a biodisponibilidade de elementos nutrientes. fertilização de P. Effects of ionic strength and nature of the cation on desorption of phosphate from soil. 11 pp. conseqüentemente. Soil Chemistry. métodos de aração e irrigação é de fundamental importância. QUIRK.R. Essas conclusões foram mais tarde criticadas por Barrow e Shaw (1979b).A. H.P. Ryden e Syers (1976) mostraram que o Ca retido foi essencialmente recuperado em lavagens com 1 M KCl em contraste à recuperação fracional do fosfato sorvido.S. FANG. J. de- 145 . J. porque seus resultados mostram uma relação inversa entre a habilidade do sal de induzir dessorção de fosfato e a habilidade de dessorver o Ca. R. 1987. Soc. Nature: Physical Sciences 245:81-83. A. J. J. CHAO. J. POSNER e J. BOLAN.S. A complexidade da físico-química de fosfato em latossolos e a compreensão do seu comportamento e interações como outros parâmetros de solos. Esse capítulo foca importantes processos físicoquímicos que são subsídio essencial no manejo de fertilizantes em latossolos.D. Reactions with variable-charge soils.

1980. 1981. R. PAVAN. RAJAN. Soc. 1976.J. Redistribution of Exchangeable Ca. M. N. 34:209-240.. I. 1971. Am. J. JURINAK. M. Specific adsorption of anions on goethite and gibbsite. Should they be split? J. SMART. F. Amer. e E. HINGSTON. Soil Sci.H. C. Soc. J. R. 27:636-640. 36:412-417. H. e KLIEMANN. C. J.48(1): 33-38.K. Reactions in tropical acid soils. J. e G. 50:1142-1149.G. 27:307-314. Relative movement of bromide and nitrate in soils under three irrigation systems. MALAVOLTA. L. A. Determination of anion adsorption by clays.N.S. 58:1405-1410. D. 1932.. WILKE. Ann Arbor Science Publishers. magnesium. RUSSEL. 1975.T. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE MATTSON. Soc. Soil Sci. Proc. S. RAJAN. POSNER E J. Soc. MELAMED. BURAU.S. J. MELAMED.. Soil Sci. S. Amer. J. 1963. e J. e PRATT. p. Phosphate adsorption by soils: II. Transport of chloride ion in a water-unsaturated soil exhibiting anion exclusion. L. MI. 51-90.A. JAMES.V. Proc. WENDT. Soc.J. Nitrate adsorption: II.F. ATKINSON e R. 1977. 1995. 40:359-364. Soc.A. RUBIN. E. QUIRK. Proc.. HELYAR. Soil Sci. J. Soc. 1965.S. BOLT. Soil Sci.Am. e CHRIST. Soc. Soil Sci. 36:296-300. 1975. A review of anion adsorption. PhD dissertation. MEKARU.W. Rubin (ed. HINGSTON. Amer. BINGHAM. POSNER. Mg and Al following lime or gypsum application to a Brazilian Oxisol. R. e R. Effect of adsorbed phosphate on transport of arsenate through an Oxisol. Amelioration of subsoilacidity in Natal Oxisol by leaching of surface applied amendments. Am. Soil Sci. Amphoteric reactions and isoelectric weathering. F.M. 1972. 59:1289-1294. Agrochemophysica 4:1-6. Anion exclusion-pore water velocity interaction affecting the transport of Br through an Oxisol.J.St.J. Anion adsorption by goethite and gibbsite: I. J. Proc. e P. HAQUE. 1972. 1984. HINGSTON. 1994. M. F. S. Surface chemistry of hematite: anion penetration effect on water adsorption.J. HARGROVE e O. 1976.) Adsorption of inorganics at solid-liquid interfaces. University of Western Australia. 39:846-851. Proc.F. Soil Sci. and phosphate.M.W. Soil Sci. Soil Sci. In competition with chloride. e J. LUTZ. Soil Sci. T. 35:725-728. Am. Adsorption isotherms. 1975..Home Apresentação Sumário Créditos De HAAN.V. R. F. Soil Sci. e SUMNER. J. 41:50-52. Soil Sci. NIELSEN. Am. 31:1-10. sulfate.M. GARRELS.H. K. Proc. KRUPP. JURINAK. MELAMED.E. KINJO. Le ROUX. Am.S. JURINAK.J.L. Soc.S. 1972. The role of the proton in determining adsorption envelopes.W. e J. J. 1972. e G.M. Soil Sci. Am. e DUDLEY. 1970. Specific adsorption of silicate and phosphate by soils. J. Soc. MUNNS e R. Am. Anderson and A. REEVE.J.C. Soil Sci. 1966. and Equilibria. F. Associação Brasileira para Pesquisa da Potassa e do Fósforo 146 .. P. Ann Arbor. Soc.A.. Soc. UEHARA. e I. and potassium. Soil Sci. In M. Soil Sci. New York. 1985. Effects of neutral chloride salts of calcium.. ONKEN. J. Effects of phosphorus on some physical and chemical properties of clays. OBIHARA. 1972. e DUDLEY. Soil Sci. Proc. Competitive adsorption of phosphate on the retention and mobility of anions. Desordens Nutricionais no Cerrado. R.C. FEY.R.P. PhD dissertation. A. Anion adsorption in ferruginos tropical soils.M.L. T. Nature 262:45-46. 39: 837-841. 1976. Am.L. Relative flow rates of salt and water in soil.G. PARFITT. 39:33-36. Utah State University.R. Electric charges on sesquioxidic soil clays. Minerals. Amer. The Mechanism of phosphate fixation by iron oxides. Harper & Row Publishers.J. 1986. BIGGAR e D. R.Soc. sodium. C. J. R. BOWDEN. 30:559-562. Am. R.W. Solutions. Soc. FOX. Changes in net surface charge of hydrous alumina with phosphate adsorption. 1993. 23:105-117. The laws of soil colloidal behavior: IX. J. Proc. Soil Sci.23:177-192. PRATT. A. H.J.M. Adsorption of phosphate by gibbsite.F.B.

K. 1974. Am. Society of Chemical Industry. J. E. Ca leaching to increase rooting depth in a Brazilian savannah Oxisol. 46:1147-1152. 3:152-155. RYDEN. Am. The chemistry of soils. Am.. J. 1979.. 40:845-846. 1947. Relative rate of chloride movement in leaching of surface soils. O. Tinker (eds. SYERS. Am. J. E. Critical reports on applied chemistry volume 2. SWOBODA. J. 1970. SPOSITO.C. R.C. Nature. Inorganic anion sorption and interactions with phosphate sorption by hydrous ferric oxide gel. 110:163-166.J.R. J.M. e Correa.. Soil Sci.W.J. 28:72-92. Oxford University Press. 114:259-263. Soc. SPOSITO. 1982. Environ. 160:408-410. Relation to sorbed phosphorus. Soil Sci. J. UEHARA.. RYDEN. Calculation of surface areas from measurement of negative adsorption. SMITH. NADERMAN. Retention and release of phosphate by soil and soil constituents. RYDEN.G.S. 1978b.Home Apresentação Sumário Créditos RITCHEY. Soil Sci. IMPLICAÇÕES DAS INTERAÇÕES FÍSICO-QUÍMICAS NO MANEJO. KAMPRATH. e A. Anion exclusion effects on chloride movement in soils. Soc. K.R. WANN. Agronomy 72:40-44. McLAUGHLIN e J. Effect on solute transport. 1980.. R. 1978a.. J. J. LOBATO e G. e R.C. SYERS e R. Relative movement of bromide and nitrate through soils. D. Soc. 1980. 1977. 42:886-888. S. p.K.D. e G. S.K. New York.W. 1987. SOUZA. 1972. E. S.B. J. 147 . Soil Sci. J. 38:211-217. Soil Sci. G. WANN. Soil Sci. 71114. G. Soc. Surface charge manipulation of constant surface potential soil colloids: I. In P.. J. S. SMITH. Surface charge manipulation of constant surface potential soil colloids: II.J. G. DAVIS.C. Soc. WHITE. Calcium retention in response to phosphate sorption by soils.K. Am. 42:565-570. Soil Sci. On the use of the Langmuir equation in the interpretation of “adsorption” phenomena: II. Soil Sci. THOMAS. 1989. YOST. Phosphorus response to of corn on an Oxisol as influenced by rates and placement.E. J. R. e J. The “two-surface” Langmuir equation. Mechanisms of phosphate sorption by soils and hydrous ferric oxide gel. UEHARA.S. SCHOFIELD. Quality. SYERS. TILLMAN. 43:338-343.S.J. J. Oxford: Blackwell Scientific Publications.) Soils and agriculture. e G. 1976. LOBATO. Soil Sci.

continham mais de 2%. por exemplo. Pesquisador Emérito CETEM/MCT . 2003). Breve síntese conceitual Os autores Francisco Eduardo de Vries Lapido-Loureiro Geólogo D. como a do arroz. principalmente na agricultura familiar (pequenas propriedades). liberando CO2.Home Apresentação Sumário Créditos Capítulo 5 .rcarlos@cetem. 149 . é responsável por metade da energia gasta na agricultura.br Roberto Carlos C. envolvendo o agronegócio. FERTILIZAÇÃO NATURAL: ROCHAGEM. É por esse motivo e também pelo desejo dos consumidores terem alimentos de qualidade que a remineralização natural (rochagem). A agricultura de conservação é sinônimo de uma técnica que visa uma melhor utilização dos recursos agrícolas pela gestão integrada das disponibilidades em solo.. Por isso.6% de matéria orgânica.br 1. do desmatamento/desflorestamento. 2007).. A mundialização da economia. CETEM/MCT . 2000). muito em especial nas regiões tropicais. um dos maiores desafios da humanidade. e a ‘agricultura orgânica’. Pode-se dizer que o CO2 provém. da desnitrificação do solo e. como fonte de macro e micronutrientes. Nas Great Plains dos EUA. cuja concentração nos poros do solo pode ser até 100 vezes maior que na atmosfera (TOLEDO et al. AGRICULTURA ORGÂNICA. nos países desenvolvidos. do estrume. 30% das emissões de CO 2 (dióxido de carbono). de mudanças no uso da terra e da própria indústria dos fertilizantes. Tais fatos traduzem uma significativa transferência de CO2 para a atmosfera (AUBERT. água e recursos biológicos combinada com a redução das ‘entradas’ externas (FAO.. podendo ser ainda maior nos países em desenvolvimento. pelo menos. do estrume e de culturas de várzea. podem revestir-se de grande importância socioeconômica na produção sustentável de alimentos. A matéria orgânica morta decompõe-se. Introdução O aquecimento global é uma das grandes ameaças à segurança alimentar. há poucas décadas. Lembra-se também que. leva a uma obsessiva política de au- mento constante da produtividade na agricultura. como fonte de nitrogênio e de outros nutrientes. NH 4 (metano) e N2O (óxido nitroso) para a atmosfera. As de N2O. A rochagem. muito apoiada nos fertilizantes. entre outras fontes.. defensivos agrícolas e no recurso a OGMs. não deve ser esquecido que a agroindústria é responsável por. na França. em menor escala.Sc.gov. Diminuir a emissão de gases de efeito estufa (GEE) é. quando.gov.flapido@cetem. com a conseqüente diminuição do conteúdo de matéria orgânica nos solos.Fertilização natural: rochagem. principalmente a de nitrogenados. a produção de fertilizantes. agricultura orgânica e plantio direto. As emissões de NH4 resultam da pecuária (fermentação entérica). nos dias de hoje. a redução chegou a 50% nos últimos 50 a 100 anos e. mais de 7 milhões de hectares de solos agrícolas têm hoje menos de 1. a agricultura orgânica e/ou a conjunção de ambas e o plantio direto (agricultura de conservação) estão a merecer toda a atenção e a ter grande desenvolvimento em vários países. Ribeiro Engenheiro Químico.

Para fornecer a mesma quantidade de energia.2 = 309 No cálculo apresentado por Horta Nogueira. como indiretamente na produção de adubos.1 apresentam-se as quantidades de CO2 emitido (7. (Kg/1000 L) Observações / Balanço Uso de combustíveis fósseis(a) P/ produção de 1.464 Kg/ 1000L no ciclo de produção e uso do etanol. ou seja. como fonte energética. em quilogramas . Para produzirem 1. processo que o transforma em álcool. a cana produz três vezes mais álcool por unidade de superfície (ANDREOLI e SOUZA.140 1. Horta Nogueira (a) (b) (c) (d) (e) (1) Tanto diretamente na frota de trabalho. Nos EUA. pelo forte desenvolvimento dos biocombustíveis..464 Kg de CO2.368 .852 Kg vão para a atmosfera. A.6 bilhões de kcal) do que na cana-de-açúcar (1. mesmo que toda a safra de milho e soja fosse transformada em biocombustível. Com a queima do bagaço. em tanques. outros 2. no processo de produção de álcool etílico. há liberação de grande quantidade de CO2. 2006). Na produção de insumos emitem-se 48 Kg de CO2. 2007). podem ser aproveitados na alimentação do gado bovino.000 L de etanol(b) Equipamentos. Parte da água com teor elevado de nitrogênio usada neste processo pode também ser aproveitada como fertilizante. embora a idéia da sua utilização.464 CO2 Absorv. É certo que os resíduos da fermentação do açúcar.) ou seja.309) de CO2 a mais na atmosfera.Home Apresentação Sumário Créditos O perfil do agronegócio está a ser fortemente modificado pelo aumento da procura de produtos alimentares com certificado de qualidade e. em seu crescimento. para converter os açúcares na mesma quantidade de etanol é quatro vezes maior no milho (6.29:1. principalmente quando a fonte para produção de álcool etílico é o milho. transporte(c) Prod. Atividade CO2 Emitido (Kg/1000 L) 173 7. de insumos e queima de bagaço(d) Liberados pelos motores dos carros 309(e) (1) FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE 1) Produção da cana 2) Crescimento da cana 3) Colheita e Transporte 4) Fabricação do álcool 5) Consumo nos carros Totais / Balanço Fonte: L.773 7. O diesel e equipamentos geram 88 Kg de CO2.059 Kg (3. Na Tabela 1. colheita. No Brasil. Neste caso. O balanço de energia para converter o milho em etanol é negativo (1. o ciclo de produção e uso da gasolina libera 3.520 7. No caso de a palha ser queimada antes da colheita.24). Tabela 1. Balanço final: 1 + 3 + 4 . não seja recente. o da cana é positivo (1:3. principalmente.773kg/1000 L) e absorvido (7. a gasolina deixa 3. este substituiria apenas 12% da gasolina e 6% do óleo diesel. Jr. mas “a própria produção de etanol de milho consome uma quantidade considerável de combustível fóssil – justamente o que ele vem substituir” (BOURNE.368 Kg de CO2. o processo de fermentação libera outros 3.6 bilhões). gasta-se 29% a mais de energia fóssil para produzir o álcool de milho.1 – Quantidade de CO2 emitido e absorvido no ciclo de produção de 1000 litros de etanol. Os biocombustíveis não deverão ser considerados como panacéia para redução dos GEEs.940 3. Além disso. O gasto total de energia fóssil na indústria.464 2. o consumo de etanol já ultrapassou o da gasolina.092 Kg. foram considerados dados da região Centro-Sul do Brasil 150 . retiram 7. são necessárias 12 toneladas de cana que.000 litros de etanol.

A rochagem pode contribuir para a redução no consumo de fertilizantes industriais que exigem grande quantidade de energia para sua fabricação e ser um agente dinamizador de produtividade e qualidade do pequeno agricultor (ANEXO A).1 8. são fatores limitantes ou impeditivos para a sua utilização: os elevados custos. AGRICULTURA ORGÂNICA. cinzas e minerais/rochas (como. em parte.690 0. 89%.000 371 2.6. no trabalho apresentado na “Conferência Internacional de Agroenergia” realizada de 11 a 13 de dezembro de 2006 em Londrina (PR). . Rochagem e remineralização de solos agrícolas .3. Parâmetro Rendimento Energia exigida Produção de álcool (L/ha) Produção de álcool (L/t) Taxa de conversão Custo de produção Número de usinas(a) Subsídios Unidade t/ha Kcal x 1000 Litros/ha Litros/t Kg/1000L US$/L unidade US bilhões / ano Cana-de-açúcar 90. pela aplicação dos fertilizantes convencionais. ⎯ diesel – 82. elucidativos. menos de 100 ha e mais de 60% dos estabelecimentos agropecuários não empregam qualquer tipo de fertilizante. Fonte: ANDREOLI e SOUZA. Não se deve esquecer que. Por último.1 (a) Novas unidades: 89 no Brasil e 40 nos EUA. estão a ser impulsionados em vários países. A utilização de materiais fertilizantes. no caso do Brasil. é um fato comprovado. Por outro lado.9. sobre a produção de etanol de milho nos EUA e de cana-de-açúcar no Brasil. defensivos agrícolas e desenvolvimento de espécies geneticamente modificadas (OGMs). no caso do potássio) são importados. É por isso que o estudo e desenvolvimento de novos caminhos e de novos materiais fertilizantes que atendam à qualidade dos alimentos produzidos e à resolução dos problemas socioeconômicos. No mesmo trabalho. é responsável por cerca de 30% das emissões de gases de efeito estufa. confunde-se com os primórdios da atividade agrícola. na Tabela 1. ⎯ gasolina – 96. em g/MJ: A rápida e efetiva resposta ao aumento da produtividade na agricultura. ⎯ etanol de cana – 33.0 10.5.92 101 4..42 140 --Milho 8.2 – Alguns parâmetros comparativos entre a produção de etanol de canade-açúcar no Brasil e de milho nos EUA. nos países em desenvolvimento.509 8. tais como estrume animal. ⎯ biodiesel de soja – 49. criados pelo atual perfil do agronegócio. o gesso).110 0. é preciso considerar que a agroindústria. A agricultura sempre ocorreu em solos naturalmente férteis de planícies aluviais ao longo de rios ou em áreas vulcânicas.Home Apresentação Sumário Créditos Tabela 1. ⎯ etanol de milho – 84.115 3. mais de 50% dos fertilizantes consumidos no País (quase 90%. por exemplo. No entanto. nos moldes atuais.100 90 11. 2006. que se reproduzem.A geologia a seragríc ícolas geologia serviço da agricultura Há uma relação histórica entre o desenvolvimento da agricultura nas principais civilizações antigas e a geologia / geografia. Estes autores. 151 FERTILIZAÇÃO NATURAL: ROCHAGEM.. aqueles autores apresentam os valores da emissão de GEE (GEE equivalente a g CO2/MJ) durante a produção e combustão de biocombustíveis. cerca de metade das propriedades agrícolas têm menos de 10 ha. diesel e gasolina. o despreparo tecnológico e baixo (ou inexistente) poder financeiro do pequeno agricultor.9. mostraram números comparativos. diretos e de transporte dos fertilizantes. mas não menos importante. 2.2.

associada à qualidade. 2000). ‘remineralização’ e ‘pó-de-rocha’ (rockfor-crops) são termos utilizados para designar uma técnica de fertilização natural capaz de contribuir para recompor o perfil de nutrientes necessário a uma agricultura de alta produtividade. ⎯ realização do 1st International Workshop ‘Rocks for Crops’. 1989. disponível no sítio da Universidade de Guelph. Leonardos et al. The Survival of Civilization. abrangente publicação com 440 páginas. ⎯ criação da Fundação. por M. Foi retomado muito mais tarde por Keller (1948). envolvendo também a calagem de solos e a utilização de escórias e outros rejeitos das indústrias metalúrgicas. do livro de John Hamaker e Don Weaver. por van Straaten. principalmente P e K. especialmente na agricultura familiar. 1993). mas não se pode esquecer que. 1987. 2007). Mesmo a agricultura orgânica ou biológica necessita de aditivos minerais. 152 . ‘rochagem’. 2000). que levou a UnB-IG e a Embrapa Cerrados a iniciarem um programa de pesquisa sobre aproveitamento de pó-de-rocha na fertilização de solos agricultados2 . Van Straaten (1987). (1983) e depois por Fyfe e seus colaboradores (1981. nos EUA. financiado pelo International Development Research Centre. Aspectos da rochagem. intitulado Rocks for Crops: Agrominerals of sub-Saharan Africa. ⎯ a atenção dada pelo Centro de Desenvolvimento Sustentável da UnB e o seu dinamismo no desenvolvimento de ações. sem fins lucrativos. foram marcados por alguns fatos que merecem ser assinalados: ⎯ apresentação. mais indicado para as pequenas propriedades. como fonte natural de nutrientes. ⎯ edição. em 1998. dentro do conceito ‘pão proveniente das rochas’ (bread from stones). em novembro de 2004. 1989 in van STRAATEN. ⎯ a demanda induzida do CNPq. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE ⎯ edição. 14 e 15 deste livro. Forestry and Climate. da revista Remineralize the Earth. apresentado por Hensel. dentro dos níveis de produtividade atingidos atualmente. a desagregação mecânica e a alteração química não são suficientemente intensas para liberarem os nutrientes ao ritmo necessário para o crescimento das plantas. 1985. que três anos depois passou a ter edição eletrônica. com disponibilidade próxima dos núcleos de consumo.. em maio de 1994. todos os nutrientes necessários ao bom desenvolvimento das plantas são de origem mineral. que consiste na adição de pó-de-rocha (‘petrofertilizante’) para aumentar a fertilidade dos solos. que foi efetuado pelo Canadá e Tanzânia (CHESWORTH et al. no seu recente livro (2007). 2000). No âmbito da remineralização de solos. ⎯ desenvolvimento do primeiro projeto de agrogeologia. Missoux (1853/54) e Hensel (como se referiu). nas condições normais de clima. em 2002. 1987. Keller et al. como é referido por Van Straaten. Como foi referido neste livro (capítulo 2).Home Apresentação Sumário Créditos À exceção do nitrogênio. em 1890/94 é defendido. do livro Agrogeology: the use of rocks for crops. Chesworth (1982. em 1991. Van Straaten e Pride (1993). em solos empobrecidos pelo intemperismo/lixiviação ou pelo uso inadequado e intensivo (abusado). de extenso relatório com 338 páginas. em Brasília e Patos de Minas. considerada no sentido mais abrangente. Remineralize the Earth Towards a Sustainable Agriculture. O uso de rocha total. no Canadá. no USDA. desde o século XIX. sem afetar o equilíbrio do meio ambiente. são desenvolvidos nos capítulos 12. 1985. em 1970. professor na Universidade de Guelph / Ontário. ⎯ surgimento. Chesworth e colaboradores (1983. A rochagem é um processo alternativo ou complementar de fertilização. as três últimas décadas do século XX e os primeiros anos do século XXI. 1987. de autoria de Peter Van Straaten. ⎯ realização do Fórum Soil Mineralization and Sustainable Agriculture. em 2007. em Beltsville-MD. (1987.

AGRICULTURA ORGÂNICA. devido à rochagem. Segundo refere a FAO (2004). principalmente quando associada a processos de modificação biológica. em particular flogopita. Citem-se como exemplos: dutos orgânicos naturais e iv) condicionamento de solos (Tabela 2. Au. foram desenvolvidos trabalhos de pesquisa amplos sobre o potencial agronômico dos fosfatos naturais como fonte e fósforo na África. ⎯ aumento da reserva nutricional. Cu. também de 80%. Ni. Mg (a) 2. A revista eletrônica Remineralize the Earth cita.2 – Alguns tipos de materiais como fonte Tipo de Material Rochas ultrabásicas Basalto/Gabro Carbonatito Rochas silicáticas alcalinas (sienitos e nefelina sienitos) Rochas ácidas (granitos e gnaisses) Gipsita e rejeitos industriais (principalmente fosfogesso) Calcários (calcíticos e dolomíticos) (a) (b) Macronutrientes Mg. aumentando. V. Levinson (1974). Mg. Tabela 2.1. P. apresenta numa tabela as grandes famílias de rochas com potencial elevado de concentrarem não só micronutrientes benéficos mas também prejudiciais aos cultivares (Tabela 2. B. ⎯ fornecimento. Co. ⎯ contribuição para o crescimento da atividade de microrganismos e de minhocas. Van Straaten (2007). etc U.1). Zn. pesticidas e herbicidas. Cl. W. Nb Cu. Em especial seus correspondentes efusivos: fonolitos e traquitos. PB. tem mostrado bons resultados em alguns casos específicos: Tabela 2. V Ba. Ni. doenças. Co. ⎯ maior resistência das plantas à ação de pragas. com a conseqüente diminuição de custos. Mo. secas e geadas. Ni. (b) 153 FERTILIZAÇÃO NATURAL: ROCHAGEM. Cd. V. Ca Ca. pode traduzir as seguintes funções: i) calagem.3). com liberação lenta. A rochagem. Quanto aos macronutrientes podem citar-se as seguintes rochas e outros materiais (Tabela 2. o exemplo emblemático da rochagem na fazenda The Harding Brothers em Qeensland. no sentido amplo do termo.Elementos-traço/micronutrientes em alguns tipos de rocha Tipo de Rocha Rochas ígneas ultramáficas Basaltos (rocha máfica) Granitos (rocha félsica) Carbonatitos (>50% de carbonatos) Xisto negro Xisto vermelho/arenito Fonte: Levinson. Materiais fertilizantes naturais São numerosas as rochas susceptíveis de aplicação na remineralização de solos. Ca Mg Ca Ca. A rochagem utilizando rochas fosfáticas de baixo teor. ii) calagem associada à fertilização. Fe. ⎯ possibilidade de reequilíbrio do pH do solo. Ásia e América Latina. pela melhoria do estado nutricional. na produção. Mo. citando A. Pb. A. a sua disponibilidade nos solos. iii) fertilização (remineralização) em conjunção ou não com pro- Principalmente quando ricos de mica. Cu ⎯ redução da dependência de fertilizantes. Zn. Mn Cu. Se. F. Se.Home Apresentação Sumário Créditos São vários os benefícios da remineralização de solos. da quantidade e qualidade do húmus e da matéria orgânica com reflexo no melhor desenvolvimento dos cultivares e no controle da erosão.. K K K S. Fe. recorrendo-se a produtos naturais.1 . onde se verificou a redução de 80% no consumo de fertilizantes NPK e o aumento. Fe. Zn. 1974. As. com o conseqüente crescimento da produtividade. Elementos-traço (micronutrientes) Cr. de macronutrientes . Mo. Mn. U. Austrália. no caso da cultura da banana. de vários elementos químicos (macro e micronutrientes). Si ETR. Rb. Li..2).

Finalmente.3 – Rochas. variedades de fluorapatita [Ca5(PO4)3F]. de minerais nãometálicos e de pedreiras Tipo de Material Ca Ca–Mg Ca-Mg-K. fosfato – matéria orgânica (phospho composting). Fósforo A maior parte dos depósitos fosfatados de origem sedimentar contêm variedades de fluorapatitas carbonatadas.l. ⎯ resíduos da indústria de couro. a solubilidade. Esses índices levam a um aproveitamento global máximo de apenas 8% do fósforo inicial (BARROS. a assimilação do fósforo presente nos fertilizantes pelas plantas é muito baixa. Si. etc Rochas silicáticas granulares: granitos. etc Ca. sendo 15% na lavra. portanto. 2 a 5% no transporte e manuseio do concentrado fosfático. zeólitas e outros Rejeitos e resíduos de minas. o que implica problemas no seu aproveitamento industrial. baixo teor de apatita e elevado teor de carbonatos. 1997). pode ser 20 vezes superior à das rochas ígneas. ⎯ pilhas compostas. piroxênios. 154 .1. de forma genérica. nefelina sienitos. Mg. Fe etc Macro e Micronutrientes Variados Variados Nutrientes ⎯ aplicação direta de rocha fosfática. ⎯ combinação com estrume verde. 2. minerais e materiais diversos para rochagem Função Calagem e nutrição (remineralização) Calcários Calcários dolomíticos Carbonatitos s. ugandito.OH)]. arenitos. incluindo a porosidade interna. K. de hidroxilapatita [Ca5(PO4)3OH] e de cloroapatita [Ca5(PO4)3Cl]. fonolitos. associadas a carbonatitos. produzindo novas superfícies de partículas. que se compõem de cristais compactos de apatita. por francolita. 2004). habitualmente. Van Kafenberg e McClelland (2004) especificam que: i) as solubilidades CAN das rochas fosfáticas de diversos países mostram grande variabilidade. ou seja.Home Apresentação Sumário Créditos Tabela 2. etc. Ca Ca. aumenta a área geométrica e. [Ca5(PO4. Ca P. A lavra e o processamento desses minérios levam a perdas de fósforo. Ca. ii) a superfície específica das partículas de fosfato tem um efeito importante sobre a solubilidade aparente.1. Mg. vermiculita. As suas apatitas primárias. iii) a moagem. sienitos. designadas. traquitos. Os principais minérios fosfatados brasileiros requerem um tratamento complexo e são de difícil beneficiamento por apresentarem mineralogia complexa. 40% no beneficiamento. de 10 a 30%. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE ⎯ biossolubilização com microrganismos. (geoquímica e mineralogia muito variáveis) Gesso (CaSO ) natural e industrial 4 Remineralização e condicionamento do Solo Gessos natural e industrial Rochas fosfáticas Carbonatitos Rochas silicáticas vulcânicas: basalto. No Brasil.CO3)3(F. biotita. as rochas fosfatadas são essencialmente de origem ígnea. iv) a superfície específica das rochas sedimentares. argilas. etc Minerais: feldspatos. anfibólios. baixo grau de uniformidade. podem conter. quando puras. mais de 42% de P2O5 (VAN KAUVENBERG e McCLELLAN. S S.

Tradicionalmente. é a dissolução de rocha fosfática baseada no potencial de trocaiônica das zeólitas. 2007). sobretudo. a possibilidade de aproveitamento de rochas fosfáticas menos apropriadas para a acidulação total (Full Acidulation). feldspatoides (leucita. como fontes de potássio. durante a dissolução da apatita. Quando a rocha fosfática é pobre em carbonato (um exemplo é o minério supergênico de Angico dos Dias – BA). Potássio O potássio. rocha fosfática e enxofre e inoculando Thiobacillus ssp. funciona como fer- tilizante de liberação lenta. e substitui-lo por NH4. Nos alfissolos do norte da Nigéria. e a rochagem natural. 155 . como os feldspatos. em termos de taxas de recuperação do fósforo pelas plantas.. em zeólita dopada com NH4. na forma granular. A acidulação parcial de rochas fosfáticas (Partial Acidulated Phosphate Rock – PAPR) pode ser considerada como um caminho intermediário entre a acidulação total. A eficiência das média a fracamente reativas deve ser melhorada por processos biológicos e físico-químicos. intensamente lixiviados. kimberlitos ) e rochas ricas de micas. tem o efeito potencial de provocar o crescimento das plantas e aumentar o rendimento das culturas devido. apenas os sais solúveis de potássio são considerados apropriados para fertilizantes. Na reação in situ. Pesquisas realizadas no Brasil e em outros países mostraram que rochas vulcânicas ultrapotássicas (uganditos . 1988). 2007) misturando. FERTILIZAÇÃO NATURAL: ROCHAGEM. Porém. insolúvel..S. Nas de origem ígnea. 2007). (carbonatitos. O remanescente P. São vantagens do método. Outra opção. Chama-se a atenção para o fato de pesquisas realizadas no Brasil terem mostrado que resíduos da indústria do açúcar podem ser usados como substrato para o desenvolvimento de microrganismos que solubilizam parcialmente rochas fosfáticas insolúveis (CEREZINE et al. no solo.S. incorporado nos minerais silicáticos. fundamento da rochagem. predominantemente. da sigla em inglês) solúvel em água (a solubilidade exprime-se em percentagem de PAPR). micas.1.M. É um processo de acidulação in situ. para se compensar o fato de os cristais se apresentarem mais desenvolvidos e formarem massas compactas. mas também de cálcio trocável e pela redução da saturação em alumínio (FAO. Lembra-se que os depósitos de fosfato da região de Olinda (PE) são de origem sedimentar. como a flogopita. a mistura de rocha fosfática com enxofre mostrou-se tão efetiva como os superfosfatos (BROMFIELD. referida por Van Straaten (ob. a lixiviação em pilhas é um caminho que deve ser considerado. 2004). em solos tropicais ácidos. provavelmente por microrganismos (van STRAATEN. A aplicação direta de fosfatos naturais. do que os fertilizantes fosfatados solúveis (industriais). elemento abundante na crosta terrestre.Home Apresentação Sumário Créditos São as rochas fosfáticas de origem sedimentar que melhor respondem à ‘Aplicação Direta’ (Rochagem) porque se compõem de agregados abertos. mais sódica).. 1975).2. Rajan (in van STRAATEN. As rochas fosfáticas adaptadas à aplicação direta (reativas) podem ser mais eficazes. média ou fortemente reativos. mais potássica e nefelina. cit. que podem seqüestrar o Ca. Outro caminho foi experimentado por S. Lai e D. em rochagem. e nos sedimentos ricos em argilas. pouco consolidados de microcristais com uma superfície específica relativamente grande. o menor consumo de ácido e. não apenas à liberação de fósforo. forma-se monocálcio-fosfato monohidratado e gesso. nem todas as rochas fosfáticas podem ser utilizadas na aplicação direta. por exemplo) podem ser utilizadas. que dá origem aos fertilizantes solúveis industriais.) citando T.D. AGRICULTURA ORGÂNICA. encontra-se. O ácido sulfúrico resulta da oxidação do enxofre. 2. em certas condições. É um processo de liberação lenta de nitrogênio. Esta tecnologia é mais eficiente quando se usa rocha fosfática com baixo Fe e Al (van STRAATEN. Eberl (1986). No processo PAPR. é usada apenas uma porção do ácido necessário para transformar a rocha fosfática (principalmente apatita) no fosfato mono cálcio (MCP. haverá necessidade de moê-las para aumentar a sua solubilidade.

80. BA. com fosfatos (CPRM . micronutrientes e P não solúveis no primeiro ano). Um estudo de custos comparativos.2 Minérios pobres rejeitados: fosfatos e sulfatos O Brasil é grande importador de produtos fosfatados para a agricultura e não tem depósitos econômicos de enxofre. ⎯ Carbonatito – fonte de K. O carbonatito mostrou-se competitivo em relação aos fertilizantes naturais até um raio de 430 Km. Por outro lado o avanço das fronteiras agrícolas afasta cada vez mais as culturas dos insumos que lhes são necessários. contudo. 2. R$50. realizado pela Embrapa-Cerrados. K e. 1978 in van STRAATEN. ⎯ Ugandito – fonte de K (PRNT de 45%. Patos de Minas – MG.5% de K. Ca. Outro caminho de grande interesse é o da remineralização direta de solos com rochas fosfáticas. “O projeto busca o aproveitamento integral do xisto – hoje restrito à produção de óleos combustíveis. Cedro do Abaeté – MG e Campos Belos – GO). já definidas como econômicas. com esteiras de algas e estromatólitos ou margas com intercalações de fosforito (nestes ambientes localizam-se as ocorrências/depósitos de Irecê–BA. 3. . Torna-se assim premente a entrada em produção de jazidas. ⎯ Flogopita ou biotita (100%) – (10% de K. até um raio de 520 Km.1984) com potencial para serem utilizadas em rochagem (remineralização) como fontes de P. como é o caso de rejeitos. micronutrientes e P não solúveis no primeiro ano). Custo de adubação em um hectare de soja com produtividade de 3. água de xisto.000 Kg/ha: Póde-Rocha. em relação aos fertilizantes naturais. ugandito e flogopita ou biotita) mostraram os seguintes resultados: 2. principalmente as de origem sedimentar como as de Alhandra/Conde e Goiana situadas na faixa costeira dos estados da Paraíba e de Pernambuco. 1997 e SCHOBBENHAUS et al. (1984). O ugandito mostrou-se competitivo. uma rocha de origem sedimentar. utilizando pó-de-rocha como fonte de potássio. Há necessidade de se desenvolverem trabalhos de pesquisa para o aproveitamento de materiais fosfáticos marginais. fortes limitações ambientais. minérios pobres e minérios de difícil concentração. Grupo Bambuí (MG) – Formações Lagoa do Jacaré. micronutrientes e P não solúveis no primeiro ano). e AM. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE 156 Pesquisas realizadas pela Unidade de Industrialização do Xisto da Petrobras (UNISIX). Grupo Una e Formação Irecê. 2005). certamente de outros macro. GO. se convenientemente estudadas e desenvolvidas. Sete Lagoas.PIMA. A biotecnologia e a produção de fertilizantes organo-fosfatados (ver capítulo 22)6 são duas prática que poderão chegar a bons resultados.00. Unidade Nova América (BA) – Metassedimentos carbonáticos e pelito-carbonáticos.e micronutrientes. ou na produção de organo-fosfatados. formada há 250 milhões de anos por acúmulo de algas cianofíceas. nafta. O xisto contém macro e micronutrientes que podem transformá-lo em adubo e a água da retortagem do processo industrial também pode ser utilizada como adubo foliar. xisto cru e calxisto). como é o caso de Itataia (CE) e Anitápolis (SC) e de importantes depósitos como o de Maecuru (PA). Pela sua proximidade de áreas turísticas apresentam.. em três materiais (carbonatito.Home Apresentação Sumário Créditos Ensaios de biolixiviação em concentrados de leucita (KAlSi 2O6) com os microrganismos Penicillium expansum e Aspergillus níger. Fertilizante (KCl). na região de São Mateus do Sul (PR). R$10. ver Schobbenhaus et al. gás e enxofre – e dos seus subprodutos (xisto retortado. 2007). mostraram que entre 21 e 27% do K contido na leucita pode ser solubilizada (ROSSI. Citam-se algumas formações geológicas nos estados de MG. MS.5% de K. na agricultura em forma de insumos agrícolas” (REVISTA PETROBRAS. mostraram a possibilidade de aproveitamento integral do xisto local. e corretivo da acidez do solo (PRNT de 60%. em parceria com a Embrapa-Clima Temperado e o Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR). TO. Para definição das formações geológicas citadas.

1997). Assim. A lavra e o processamento desses minérios levam a perdas de fósforo. A adsorção e a dessorção de sulfato nos grupos funcionais dos colóides inorgânicos são dependentes do pH do solo (CHAO et al. baixo teor de apatita e elevado teor de carbonatos. tanto a quantidade total de enxofre quanto à capacidade de adsorção do sulfato são menores em solos com baixos teores de argila e sua retenção é ainda diminuída pela aplicação de calcário e de fosfato. os quais protegem a matéria orgânica do ataque microbiano. AGRICULTURA ORGÂNICA. Finalmente. Os estudos enfocando o elemento têm indicado deficiências de enxofre nas culturas. a assimilação do fósforo presente nos fertilizantes pelas plantas é muito baixa. O enxofre é um dos nutrientes das plantas que vem recebendo pouca atenção em estudos de fertilidade de solos.. Os principais minérios fosfatados brasileiros requerem um tratamento complexo e são de difícil beneficiamento por apresentarem mineralogia complexa. com níveis métricos de silvinita e de sulfatos complexos de potássio e magnésio. Desse modo. quando esses estão protonados. a quantidade de sulfato disponível às plantas depende da quantidade de grupos funcionais com capacidade de adsorvê-lo. Assim. A disponibilidade do enxofre orgânico às plantas depende da sua transformação a formas inorgânicas. 40% no beneficiamento.. e as arestas que- 2. do Departamento de Engenharia Civil do Centro de Ciências e Tecnologia (UFCG). ou seja.. . que aceleram ou retardam a atividade biológica.Home Apresentação Sumário Créditos Grupo Corumbá. em áreas com agricultura intensiva. capazes de serem trocados pelo sulfato.monocoordenados. John Kennedy Guedes Rodrigues e Pedro Nogueira de Souza Neto. Esses índices levam a um aproveitamento global máximo de apenas 8% do fósforo inicial (BARROS. Nesta seqüência se localizam as jazidas de potásso de Fazendinha e Arari. 1980). Formação Nova Olinda (AM) – Seqüência evaporítica constituída por halita. siltitos e folhelhos com disseminações de fosfato cripto cristalino (colofana). 1962).3. sendo 15% na lavra. Grupo Beneficente (AM) – Seqüência de metassedi- mentos marinhos glauconíticos constituída por siltitos com disseminações de fosfato criptocristalino (colofana) e arenitos com micronódulos de colofana. constituídos de calcários e dolomitos com níveis de fosforito. ficando relegado a poucas pesquisas no mundo. comparativamente àquela do fosfato. Os óxidos de ferro. As reservas de enxofre orgânico nos solos. dependem basicamente dos teores e tipos de argilominerais e óxidos. rasos. o processo de troca de ligante é favorecido pelo enfraquecimento da ligação do oxigênio ao metal. e das condições ambientais. da Universidade de Campina Grande: 157 FERTILIZAÇÃO NATURAL: ROCHAGEM. há um deslocamento desse íon às camadas mais profundas. uma vez que. podendo representar mais de 90% do total (NASCIMENTO e MORELLI. A energia de ligação do sulfato aos grupos funcionais é fraca. Formação Pimenteiras (TO) – Seqüência de sedimen- bradas dos argilominerais 1:1 são os principais fornecedores de OH. de 10 a 30%. Rejeitos de pedreiras e de indústrias mínero-metalúrgicas Segundo estudos dos pesquisadores Joselito Novaes de Souza. onde pode ser adsorvido por causa dos maiores teores de argila e menores teores de matéria orgânica e valores de pH. associado a anomalias radiométricas e à glauconita7 . Nos solos. tos marinhos transgressivos constituídos de arenitos. o que implica problemas no seu aproveitamento industrial. em especial a goethita e ferrihidrita. baixo grau de uniformidade. o qual é retido pelos grupos funcionais dos colóides inorgânicos do solo. sendo que é facilmente deslocado por outros ânions. o enxofre se encontra nas formas orgânica e inorgânica. sem a interferência do homem. 1980). quase exclusivamente na forma de sulfato (COSTA. Formação Bocaina (MS) – Seqüência de metassedimentos marinhos. 2 a 5% no transporte e manuseio do concentrado fosfático. sendo essa a predominante.

no assentamento Fruta D’Anta. na de Aço Bruto. como milho e arroz. veitamento de escórias siderúrgicas na agricultura é desenvolvido no capítulo 10. que muitas vezes é descartado em pedreiras e serrarias em todo o País. cal ou substituto e granalha de ferro ou aço) e a inexistência de grãos mistos entre os três componentes básicos. Para culturas de ciclo curto. o resultado foi equivalente à produção com agroquímicos.4). 2.4 2. que recebeu o Prêmio Super Ecologia 2003. canalizado diretamente para os rios. além da desfiguração da paisagem. De toda forma. e 3. além do baixo custo da nova técnica. da Editora Abril. A importância desse trabalho foi tamanha. contaminando o ar e os recursos hídricos. O tema do apro- 158 . enfrentam sérios problemas com os resíduos provenientes das indústrias de rochas ornamentais que contaminam diretamente os rios e o próprio solo.Home Apresentação Sumário Créditos “Os países que dispõem de importantes recursos geológicos e onde a produção encontra-se em pleno desenvolvimento. Ao longo de quatro anos. Escórias resultantes da desfosforação de minérios de ferro ricos de fósforo (‘escória de Thomas’. o pó resultante se espalha. ou ocupando espaços ao ar livre. no Brasil. sendo. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE exemplo: sua fina granulometria. pode ser responsável por uma produção de qualidade e um solo rico em nutrientes por mais tempo.44 Mt. Os resultados comprovam que. de granalha. como a cana-de-açúcar e a mandioca. da Universidade de Brasília (UnB). as escórias de siderurgia e de aciaria ainda são pouco usadas na agricultura como corretivo de acidez do solo e/ou fonte silício. o que vem preocupando as autoridades e a população”.” Ao contrário de outros países como o Japão. existe um ganho significativo. composição predefinida (granito moído. ‘escória básica’ ou ‘fosfato de Thomas’. entre eles o Brasil. Citam-se como Apesar de ser uma prática bastante antiga no Japão e Europa. Além dos problemas ambientais causados pela deposição do rejeito no meio ambiente. pois. foram sempre comparadas duas parcelas de solo em 20 lotes do local. no município de João Pinheiro. Tal procedimento tem trazido sérios problemas às indústrias de rochas ornamentais e prejuízos ao meio ambiente. na de Ferro Gusa. geralmente constituída de água. com adição de pó-de-rocha. um dos trabalhos de maior destaque é a tese de doutoramento da geóloga Suzi Huff Theodoro. em alguns casos. Para verificar a eficácia da técnica. remineralização e manutenção da fertilidade do solo (Tabela 2. só recentemente o Brasil começou a conhecer mais sobre a aplicação de pó-de-rocha para a recuperação. em Minas Gerais. ao final de quatro anos. níveis elevados: cerca de 8. algumas características específicas deste rejeito vislumbram potencialidades a sua utilização como material de enchimento em concretos asfálticos. o desenvolvimento das plantas e as modificações no solo foram acompanhados. porém. A produção nacional atinge. No Brasil.4 Mt. Os experimentos com rochagem começaram em 1997. na categoria solo. houve economia na compra de fertilizantes. O projeto envolve a Fertilização da terra pela terra: uma alternativa de sustentabilidade para o pequeno produtor rural. que após o processo são lançadas no meio ambiente em forma de rejeito. de cal e de rocha moída. 4 . Rochagem Rochagem no Brasil e em outros países O sistema de desdobramento de blocos de granito para a produção de chapas gera uma quantidade significativa de rejeitos na forma de lama (20 a 25% do volume dos blocos). do ponto de vista econômico. “À medida que se processa a perda de umidade. do Centro de Desenvolvimento Sustentável (CDS). A fertilização do solo improdutivo gastando pouco. ocorreu uma maior produtividade nas culturas de ciclo longo. Em uma delas foi aplicada a fertilização convencional e em outra a técnica de rochagem. como são designadas) podem ser usadas na agricultura como fonte de fósforo.

2007 Quênia Sanchez.. SP. PR BA. corretivo de acidez e condicionador de solo Biotita xisto (rejeito de garimpo de esmeralda .. 1991 in van Straaten. Sri Lanka Dahanayake et al. AGRICULTURA ORGÂNICA.. Sing e Amberger. Bangar et al..Sudoeste de GO Chapada – Centro-norte de GO / Mara Rosa Lajes (SC) Paraíso do Tocantins (TO) Centro-Oeste de MT Irecê/Centro-Norte da BA (próximo a Xique-Xique Campos Belos (GO) Vários países Fonte UnB-IG. micaxisto Granito intemperizado Micaxisto. 2007 algumas regiões de África --Marschner e Dell. 1990. rejeitos e materiais considerados estéreis.fonte de K e condicionador de solo) Ultramáfica alcalina (fonte de K.Home Apresentação Sumário Créditos Tabela 2. PR SC. PI. 1998 in van Straaten. rocha ultramáfica “Itafértil” (R..Fruta D’Anta (MG) ? São Mateus do Sul (PR) Jaramataia (AL) Ipirá (BA) ? Produto de venda PE. 2000. SC. BA.. 2007 Vários países Vários autores in van Straaten. 2007 Índia e vários outros países Singh et al. SC SC. 1991.Carbonatito Rejeitos de pedreiras (Patos de Minas – MG) Carbonatito – Ugandito – Flogopita/ Biotita Xisto Serpentinito. Jama et al. 2007 Sul.Fonte de K) Flogopitito (fonte de K e condicionador do solo) Brecha alcalina (fonte de K e condicionador de solo) Biotita xisto (rejeito de mineração de ouro . ultramáfica. 159 FERTILIZAÇÃO NATURAL: ROCHAGEM. 1995 Índia. 1997. 2006 in van Straaten. SP. filito) Folhelhos Granitos Basaltos Arenitos Calcários Basalto Flogopitito (rejeito de garimpo de esmeralda . 2004 Idem Idem Idem Idem Idem Idem Idem Idem van Straaten. 1994 in van Straaten. 2007 Ação transversal (MCT/FINEP) Idem Idem Idem Idem Idem Idem Idem Idem van Straaten. Jama e van Straaten. . GO Ilha Maurício Campo Formoso e Pindobaçú (BA) Norte da BA (próximo a Juazeiro/Petrolina) Rio Verde . PR BA. SP.Fonte de K e condicionador de solo) Apatitito/carbonatito FosBahia (fosfato natural em exploração) Itafós (fosfato natural em exploração) Rochas fosfáticas a) Em pilhas compostas b) Com estrume verde c) Biosolubilização com microorganismos d) Com resíduos da indústria do couro e) Inoculação com Mycorrhizae f) Com pirita (oxidação => H SO ) 2 4 g) Com carvão sulfuroso (a) (a) Local Catalão (GO) João Pinheiro . et al.. 2007 Laboratório Lowell e Weil.1983. Sudeste da Ásia e em van Straaten. Embrapa Cerrados (fase experimental) UnB-CDS – Projeto Fertilização da Terra pela Terra Embrapa Cerrados – “Pó-de-Rocha – Custos comparativos” Revista Petrobras nº 108 Amparo. 2007 (Minérios marginais. SP.4 – Exemplos de rochagem Tipo de Material Flogopitito . 1985.

o CETEM e a Embrapa também estão realizando estudos com rejeitos do concentrado fosfático de Angico dos Dias (BA/PI). O fósforo é aplicado de várias formas incluindo rocha fosfática.Home Apresentação Sumário Créditos No Brasil. já que o material que compõe essas rochas é mais rico em argila. antag tagens limitações rochag ochagem Uma das grandes vantagens da técnica de rejuvenescimento de solos empobrecidos utilizando póde-rocha. A aplicação do pó-de-rocha tem as seguintes vantagens: 160 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE . quais sejam. 2001 in van STRAATEN. experiências intensivas. alguns resultados obtidos ajudam a comprovar as vantagens da técnica de rochagem: as raízes das plantas se desenvolveram em maior quantidade. além do calcário e magnésio.. a identificação de alternativas de baixo custo como. século XX. da própria agricultura e de depósitos minerais. Uma outra vantagem está relacionada com a recarga dos nutrientes. Segundo Suzi Theodoro: “Os benefícios da rochagem são econômicos e ambientais. o que lhes atribui uma composição mineralógica próxima à dos calcários e mármores usados como corretivos de acidez do solo. Na República da África do Sul. fósforo e micronutrientes. Como é citado por van Straaten (2002). por exemplo. As rochas utilizadas podem ser naturais ou semiintemperizadas. na fase inicial de crescimento. UnB e CETEM estão desenvolvendo pesquisas com rochas carbonatíticas de Catalão I .5. por exemplo. especialmente as rochas vulcânicas. com adição de rochas fosfáticas naturais e se comparavam os seus resultados com os da aplicação de fertilizantes industriais (fósforo solúvel). 2. que inclui. entre micro e macronutrientes. que só precisa ser feita de quatro em quatro anos. que passou de fortemente ácido para levemente alcalino. Lembra-se que. na ilha Maurício. já no final dos anos 20. pois fertilizam sem acarretar degradação do solo. cálcio e magnésio no solo. ricas de flogopita.GO. o MINTEK implementou um programa para facilitar a melhoria do solo nas comunidades pobres (Mintek’s Small Scale Mining Division). é a não necessidade do uso de agroquímicos. dentre as rochas ígneas disponíveis com potencial para utilização na agricultura. destacamse os carbonatitos. 2002). ricas em macro e microelementos importantes para o desenvolvimento das plantas. a rochagem pode ser feita a partir do rejeito das rochas extraídas em pedreiras ou serrarias com um custo bem menor do que a fertilização convencional com produtos químicos.5. Vantagens e limitações da rochagem 2. as folhas ficaram mais exuberantes e ocorreu um aumento da umidade do solo. Embrapa. no Paraná e em São Paulo. o re- curso a rochas fosfáticas naturais foi considerado tão efetivo como o da utilização de fósforo solúvel. altos teores de potássio. no cultivo de palmeiras. a aplicação de fertilizantes industriais apresenta melhor rendimento. que necessita ser refeita uma vez por ano (THEODORO. O cultivo de cana-de-açúcar requer água e nitrogênio abundantes nos solos. Ocorreu também uma elevação nas taxas de potássio. moagem e até mesmo separação. Segundo a autora. além dos oligoelementos úteis. entre outros procedimentos. Além de sílica. No domínio da remineralização de solos. resultantes da separação magnética do minério. elas contêm um elenco de cerca de 60 a 70 elementos químicos. A rochagem também aumentou o pH do solo. que são formados por mais de 50% de carbonatos. se faziam. O Mg foi aplicado sob a forma de kieserita (sulfato de magnésio) e de dolomita (carbonato de cálcio e magnésio) (ZIN et al. os carbonatitos apresentam significativas vantagens em relação aos calcários. Além disso. Constatou-se que. Adicionalmente. na Malásia. são comercializados materiais fertilizantes à base de póde-rocha de basaltos e que. das indústrias. ao contrário do que ocorre com os fertilizantes químicos”. podendo sofrer processos de britagem. a produtividade da cana-de-açúcar responde bem à aplicação de largas quantidades de basalto. ao contrário da adubação tradicional. mas a resposta eficaz ao nitrogênio depende de um correto balanceamento de P e K. Já na fase de maturação. 2003). a aplicação de resíduos.

. controle biológico de pragas e de doenças.6. e a Instrução Normativa nº 007.br). apresentando baixo valor agregado que pode ficar ao alcance do pequeno até o grande agricultor. possam contribuir com o conhecimento científico e prático. ⎯ limitação da comercialização em revendas e fracionada em pequenos volumes. Atualmente.Japan Agricultural Standard). ⎯ equilíbrio trofobiótico no fornecimento dos nutrientes. de 17 de maio de 1999. fácil de ser explorada e encontra-se distribuída em todas regiões do País.831. há 15 mil produtores atuando com agricultura orgânica.Programa de Desenvolvimento da Agricultura Orgânica IN007). A oficialização da rochagem na agricultura orgânica brasileira não garante a possibilidade de registro do pó-de-rocha. Japão (JAS . a agricultura orgânica é definida por lei e regulamentada pelo governo. essenciais e úteis. no Brasil. numa área estimada em 800 mil hectares (www. inesgotável. põe ênfase no solo. ⎯ não acidificação nem salinização do solo.. para uma nova fundamentação técnica que viabilize a regulamentação da rochagem em prol da agricultura brasileira (D’ANDRÉA. animais e vegetais. rastreabilidade e certificação. que. professores e técnicos. Pressupõe a manutenção da estrutura e profundidade do solo. Os seus proponentes acreditam que num solo saudável. ⎯ economia de mão-de-obra e custos operacionais. sem recorrer a produtos químicos sintéticos nem à engenharia genética (ANEXO B). com. em grande parte. veri- 161 FERTILIZAÇÃO NATURAL: ROCHAGEM. a Lei no 10. em sinergia. os alimentos têm uma qualidade superior a alimentos convencionais (ANEXO B). é um sistema que reduz.National Organic Program).831/2003. corrigindo o pH. de 23 de dezembro de 2003. universidades. 2003).Home Apresentação Sumário Créditos ⎯ lenta liberação de nutrientes e baixo risco de lixiviação. ⎯ diminuição da fixação do fósforo. União Européia (CEE 2092/91). compostagem. dentro das normativas atuais.Australian Organic Standard / ACO . fica-se a importância da integração de forma sistêmica e proativa das instituições de pesquisa e desenvolvimento. Suíça (BioSuisse). EUA (NOP . enfim. A Lei nº 10. Austrália (AOS . 3. rotação de culturas.Australia Certified Organic) e Brasil (ProOrgânico . que dispõe sobre a agricultura orgânica. Regulamentação da rochagem no Brasil Apesar de a regulamentação permitir a comercialização sem registro. Com uma base holística. 2. entidades representadas por pesquisadores. Sendo a rochagem uma prática importante para uma agricultura ecologicamente sustentável. AGRICULTURA ORGÂNICA. acarreta algumas dificuldades como: ⎯ manutenção de padrão técnico qualitativo. Em países como. mantido sem o uso de fertilizantes e pesticidas. No Brasil. Tal como a rochagem. foram os primeiros regulamentos brasileiros relativos à agricultura orgânica e relacionam entre os insumos permitidos o pó-de-rocha. ⎯ perda de isenção fiscal e tributária onerando o produto para o agricultor. ⎯ matéria-prima inteiramente nacional. Tem como base o uso de estercos animais.paginarural. inclusive pela presença de sílica. organismos governamentais e privados. adubação verde. publicada ⎯ ser uma excelente fonte de micronutrientes. quando realizada diretamente da mineradora para o agricultor. Agricultura orgânica Agricultura orgânica ou agricultura biológica são dois termos sinônimos que servem para designar o processo de produção de alimentos. . o uso de fertilizantes industriais e exclui o recurso aos agrotóxicos e a produtos reguladores de crescimento. sem alteração de suas propriedades.

a Conferência Internacional sobre Agricultura Orgânica e Segurança Alimentar (ANEXO B). em Roma. que é responsável pela inspeção e certificação das entidades produtoras e de comércio que atendem aos padrões Fairtrade (Fairtrade Standards) (www. nem aplicação de adubos nitrogenados industriais. No Relatório Final. sem haver avanço das fronteiras agrícolas.flo-cert. por exemplo.4 milhões de trabalhadores em todo o mundo (www. há várias instituições que fomentam. a FLO-CERT GMBH. tanto sob o ponto de vista da produtividade e da qualidade dos produtos agrícolas. mas a sua capacidade de se afirmar depende. regulamentam a agricultura orgânica. A FLO Internacional oferece os seguintes serviços: varia a uma oferta de 2640 a 4380 quilocalorias.Home Apresentação Sumário Créditos em 2003. em grande parte. le- ⎯ permite proteger a agrobiodiversidade e garantir uma utilização prolongada do solo. por pessoa. mas exige mais mão-de-obra. estabelecida em 1997 na Alemanha (Bonn). realizou-se. a Fairtrade Labelling Organizatons International (FLO). Por exemplo. quanto da capacidade. Por outro lado ressalta que: FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE ⎯ é indispensável estabelecer uma rede internacional apoiada na pesquisa biológica e numa vulgarização racional. Os certificados são dados por uma empresa internacional de certificados. de uma vontade política. controlam. fiscalizam e dão certificados de garantia.flocert. o que representou um crescimento de 41% em relação ao ano anterior. como. que a agricultura orgânica consome 33 a 56% menos energia por hectare. nas Américas Central e do Sul. ⎯ suporte de comercialização aos produtores. Por outro lado. os consumidores despenderam 1. ⎯ a segurança alimentar não é apenas tema de preocupação para os países em desenvolvimento porque a crise dos combustíveis fósseis. por dia (FAO. no relatório. aos recursos e aos conhecimentos locais.net). No período de 3 a 5 de maio de 2007. ⎯ pode atenuar a emissão de GEE. que representam as Fairtrade Certified Producer Organizations. na África e na Ásia. e o Decreto nº 6323 (DOU de 28/12/2007). ⎯ a segurança alimentar está estreitamente ligada a políticas agrícolas que definam escolhas em matéria de exportação e importação e a agricultura biológica estabelece uma ligação entre objetivos econômicos. necessidade e formas da sua comercialização. em 21 países e redes de produtores (producer networks). ⎯ reforça a qualidade alimentar graças a uma maior diversificação dos alimentos biológicos mais ricos em micronutrientes. ainda. ambientais e sociais. As conclusões que constam do Relatório Final indicam que a Agricultura Biológica: ⎯ pode contribuir para a segurança alimentar. segundo a FLO. e beneficiou 1. Afirma-se. as mudanças climáticas e outros pontos 162 . ⎯ permite reforçar a segurança hídrica em vários aspectos.6 bilhões de Euros nos produtos com certificado ‘Fairtrade’. 2007). qualidade da água potável e redução da necessidade de irrigação. registra-se que uma hipotética conversão planetária para a agricultura orgânica8 . Nela se debateu o impacto que a Agricultura Orgânica teria sobre as disponibilidades alimentares mundiais. ⎯ desenvolvimento de Fairtrade Standards que beneficiam pequenos proprietários e trabalhadores rurais.net). é uma organização ‘guarda-chuva’ (umbrella organization) que reúne 20 entidades de rotulagem (labelling initiatives). graças a uma melhor fixação do carbono no solo e oferece soluções práticas para fazer face aos efeitos das mudanças climáticas. ⎯ estimula o desenvolvimento rural criando empregos e renda em zonas em que a população não tem outra alternativa que não seja a de recorrer à mão-de-obra. Em 2006.

doenças e plantas invasoras (IAC / Centro de Desenvolvimento de Solos e Recursos Ambientais). 2007). O primeiro passo da introdução do Sistema de Plantio Direto (SPD). publicado no DOU de 28/12/2007. no reflorestamento. O SPD é um processo de manejo do solo. /.. incluindo a orgânica. As plantas daninhas são controladas por herbicidas. Considerações finais A fertilização química.. O plantio direto não deve ser visto como um processo rígido ou receita universal. também designado por Agricultura de Conservação.Home Apresentação Sumário Créditos fracos da cadeia alimentar podem afetar igualmente as zonas desenvolvidas. O Decreto autoriza os agricultores familiares a realizarem a venda direta ao consumidor desde que tenham cadastro junto ao órgão fiscalizador. 4. aumentou para mais de 12 Mha.. passou a regulamentar a Lei nº 10. a evaporação do solo reduz-se para cerca de ¼” (IAC. a temperatura da superfície é reduzida até em 4oC.agricultura de conservação O Plantio Direto (zero tillage). no Brasil. Passou a ser usado por todas as culturas perenes. na fruticultura e na olericultura. na recuperação de pastagens por meio da rotação entre lavouras e pastagens. Respeita três requisitos mínimos: não revolvimento do solo.. ⎯ redução da oscilação térmica.. Apresenta as seguintes vantagens agronômicas: ⎯ controle da erosão. O solo. “(. na canade-açúcar. Plantio direto . rotação de culturas e uso de culturas de cobertura para formação de palhada. parece ter sido dado pela Faculdade de Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. a área de Plantio Direto no Brasil era de 1 Mha. transporte. que é revolvido apenas no sulco. resulta da desagregação e decomposição das rochas pela ação 163 FERTILIZAÇÃO NATURAL: ROCHAGEM. (ANEXO C) Segundo a Federação Brasileira de Plantio Direto de Palha (FEBRAPDP). certificação. comercialização e fiscalização da agricultura orgânica. órgãos de fiscalização dos estados e organismos de avaliação da conformidade orgânica. Todos os segmentos envolvidos na rede de produção orgânica terão prazo de dois anos para se adequarem às regras do decreto. o Decreto nº 6323. AGRICULTURA ORGÂNICA. Cria o Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica. armazenamento.. Não há preparo do solo Apenas abertura dos sulcos de plantio. A palha e os restos vegetais são deixados na superfície do solo. estabelecendo as regras que. e a remineralização (rochagem) são complementos à fertilidade natural dos solos e fator indispensável quando se pretenda obter elevadas taxas de produtividade e evitar a exaustão do solo.)Com o aumento da cobertura de 30 para 80%. no início da década de 90. ⎯ melhoria da estrutura do solo. Para o sucesso do sistema são fundamentais a rotação de culturas e o manejo integrado de pragas. que será composto pelo MAPA. . a partir daquela data. ⎯ aumento dos teores de matéria orgânica. mas como um sistema que exige adaptações locais. 5. muito eficiente no controle da erosão. é um conjunto de técnicas integradas que têm como objetivo principal uma melhor utilização dos recursos agrícolas pela gestão simultânea das disponibilidades em solo (incluindo controle da erosão). água e recursos biológicos. combinada com a forte redução na aplicação de insumos externos. em 1969. em 2000. rotulagem. No Brasil.831/2003. Visa “melhorar as condições ambientais (água-solo-clima) para explorar da melhor forma possível o potencial genético de produção das culturas” (Federação Brasileira de Plantio Direto). ⎯ aumento da água armazenada no solo. passam a orientam a produção. material complexo de difícil definição porque varia em função da utilização. ⎯ aumento da atividade biológica. onde são colocadas sementes e fertilizantes./ Com uma cobertura morta de cerca de 70%.

hidrólise (total ou parcial)9 e oxidação. Economie de l’agriculture de conservation. Londrina (PR). e BANZANO. 501-505. “A qualidade da água que promove o intemperismo é bastante influenciado pela ação da biosfera. A. como a química (fertilizantes industriais). 2006. adição. Flotação da apatita da jazida de Tapira-MG.. [www. v. rochagem. Soil constituents and properties in the absorption of sulfate ions.iac. E. fertilização orgânica e plantio direto. gessagem. CHAO. o pH é ainda menor. D. de Agroenergia. 2004. e SOUZA.A. 1980. 65p. mais intensos quando se desenvolvem em regiões planas ou de relevo suave. COSTA.org]. (Dissertação de Mestrado).sede. AUBERT. Oxford. FAO.Home Apresentação Sumário Créditos do intemperismo (ANEXO D). 1988. acesso em 29/10/07. da hidrosfera. 1962.. FAO / AGL – Land and Water.56-77. P. Regionalização da Rochagem no Brasil.br].P. NAHAS. [www22. Plantio direto. na faixa de 2 a 4. 164 . A. 2007. 2007. BROMFIELD. p. Caminho para a Agricultura Sustentável. da biosfera e das trocas de energia envolvidas” (TOLEDO et al. outubro de 2007. O sonho verde. BOURNE Jr. Can organic farming mitigate the impact of agriculture on global warming?. Exp. Microb. Effects of rock phosphate-sulfur mixture on yeld and nutrient uptake on groundnuts (Arachis hypogaea) in northern Nigéria. R... o que diminui o pH das águas de infiltração. A. 2006. Agric. FRANÇA. G.R. p.. A matéria orgânica morta no solo decompõe-se liberando CO . Auto-engano. Rock for Crops”. As reações de intemperismo são: hidratação. 1997. ou seja. IAC / CENTRO DE COMUNICAÇÃO E TRANSFERÊNCIA DE CONHECIMENTO. translocação e transformação de matéria.” A fertilidade natural do solo provem de processos pedogenéticos.. Intern. Appl.br] => plantio direto FAO. Documento OFS/2007/REP.E. Intern. [www. Biotechn. Mineralização do S orgânico e adsorção de sulfato em solos. 11: 265-272.94. CPRM/PIMA. 2003. World Agricultural ser até 100 vezes maior que na atmosfera. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. São Paulo: Escola Politécnica.276-286. Conf. 2000). FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE 6. “Veja” 19/03/08. Cana-de-Açúcar: a melhor alternativa para conversão de energia solar e fóssil em etanol. calagem. 251 p.. 2006. [FTP. cuja concentração nos poros do solo pode 2 BARROS. C. T. Todos estes conceitos de formação do solo que envolvem. Soluble phosphate accumulation by Aspergillus Níger from fluorapatite.gov. Universidade de São Paulo.fao. dez.S. on Organic Agriculture and food Security. devem ser bem conhecidos e considerados com toda atenção quando se queira promover a melhoria da produtividade sustentável através da fertilização. 1997. The adoption and diffusion of agriculture practices. Companhia das Letras.htm]. ca/news/abstcontents. “do remanejamento e organização das camadas superiores da crosta terrestre sob ação da atmosfera. EMBRAPA – PLANTIO DIRETO.A.sp. GIANNETTI.fao. Em torno das raízes das plantas.uoguelph. 106p.. Conf.T. Brasília www. Nota Explicativa do Mapa Síntese do Setor de Fertilizantes Minerais (NPK) no Brasil. et al. org/organic/ofs/does]. tanto a natural. embrapa. F. perda. Fontes minerais e culturas. ANDREOLI.. C. 1967. E.. S. dissolução. Questões para entender o etanol. “First Int. que pode envolver. Conf. National Geographic Brasil. 104 a 114. Soil Science. Dissertação (Mestrado em Ciências do Solo) – Programa de Pós-graduação em Ciência do Solo. 29. Referências bibliográficas AMPARO. e é mantido enquanto o metabolismo da planta continua. L. CPRM/Serviço Geológico do Brasil.. JONES. C. p. p. mas também quando são protegidos por cobertura vegetal. CEREZINE. JK.C..

Rome../Out.C. TCI Ocasional Paper. 2000. Oficina de Textos.nouvelobs.A. Paris. 59: 1645-1654. o adubo ecológico.H. Campinas.Fertilizantes para Orgânicos – www. Sur l’emploi de la poudre des roches granitiques comme excitant de la végétation.A.A. H. ZAPATA. C. M. v. 614 p. W. Enxofre em solos do Rio Grande do Sul. 2000. F e ROY.. 2006.36: p. Aproveitamento de materiais fosfáticos marginais para a produção de fertilizantes organo-fosfatados. Set. LOWELL. Tese de doutoramento.N. Sci. (eds).. J. 2004. 2007. A. SCHOBBENHAUS. rockall. M. Am.. R..pourrait augmentar la capacité de stockage des sols en CO tout en améliorant leur productivité.com.J. Ltd. S. Illinois.131-135. M.N. Universidade de Guelph / P... THEODORO. Compte Rendu Acad. 9(3): 129.A. t. 1984.. São Paulo. ROC-KALL . DNPM. Decifrando a Terra.P. MENEZES.. 2005.4.. I. P.I. Controle Biológico: na busca pela sustentabilidade da agricultura brasileira. 165 FERTILIZAÇÃO NATURAL: ROCHAGEM. Agência Sebrae de Notícias. . et al. Fertilização da terra pela terra: uma alternativa de sustentabilidade para o pequeno produtor rural. Series No.. NASCIMENTO. Geologia do Brasil. Wilmette. MISSOUX. XV ENCONTRO LATINO-AMERICANO DO PROGRAMA EMPRETEC E A MOSTRA DE EMPREENDEDORISMO E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA.9. G. J. 1997. Xisto agrícola. Formas no solo. p. Fertilizer and Plant Nutrition. organizadores. 440 p.. REVISTA PETROBRAS.. E. Bulletin 13. FAO.com – L’application d’engrais organiques. e MORELLI. OBA. Soil Sci.. 1974. 2006. Agrogeology – The use of Rocks for Crops. AGRICULTURA ORGÂNICA. TEIXEIRA et al. FAO. 2000. Revista Brasileira de Ciência do Solo. 2004) www.J.agosto/2006. 2004. R.L. Ver: Petrobras No 108. Characterization of phosphate rocks (in: ZAPATA.1136 e t. Soc.245.br. F e ROY. e McCLELLAN. Intemperismo e formação do solo (In: Teixeira et al. organizadores. issus du compostage. R. 2005. Van KAUWENBERGH. Brasília. Van Straaten. USA. C. Use of phosphate rocks for sustainable agriculture. Financial and economic implications of non-tillage and crop rotation compared to conventional crop systems. Universidade de Brasília – UNB. A laboratory study. (aces2 so em 25/02/2008). S. Applied Publ. 558 p. 37: p. K e WEIL. 1853/54. et al.R. “Campo e Negócios” .Home Apresentação Sumário Créditos Economics and Rural Sociology Annals.. 2003. Boletim Técnico / Escola politécnica da USP.. 2000). SORRENSON. 1980. Pyrite enhancement of phosphorus availability from African phosphate rocks.. TOLEDO. e CHAVES A. Introduction to exploration geochemistry.. LEVINSON. Van STRAATEN..

These natural nutrient resources include poultry and cattle manures. practical farm management strategies that aim at improving soil fertility and reducing the excessive use of soluble nutrient inputs. those substances that release nutrients from natural organic and rocks and mineral substances together with organic matter have been used for centuries to counter soil fertility declines and should be seen as an alternative option.Home Apresentação Sumário Créditos Anexo A ROCHAGEM Natural fertilizers. In addition. 2007). biocides on soil reduces the ability of the soil to hold water! From the study of volcanic areas we know how long it takes to form good soil as with Hawaii and we also know that some soil is best for food and some for forests and today. intensification of agricultural production in these countries necessitates the addition of P not only to increase crop production but also to improve soil P status in order to avoid further soil degradation. for bio fuels such as ethanol. 2004). green manures. In the scheme of low external input agriculture (LEIA) practices the use of natural. INM is based on the ‘judicious’ manipulation of nutrient stocks and flows in an agricultural system that aims at reaching a ‘sustainable’ level of agricultural production./…/ More recently. Under certain soil and climate conditions. /…/ It is always necessary to monitor water chemistry in all agricultural regions. Hence. especially the effectiveness of applying silicate rock fertilizer to soils. Another constraint is related to the practicality of applying large amounts of ground rock to agricultural land (van STRAATEN. PR deposits occur worldwide. it is imperative to explore alternative P sources. The main concern is the generally low solubility of most rocks and the subsequent low availability of nutrients to pants. food quality.and mineral-based fertilizer has been advocated by some farmers and scientists. many questions remain. but few are mined (for use mainly as raw materials to manufacture water-soluble P fertilizers) [(ZAPATA e ROY. the Mississipi compared to the Amazon and Rio Negro). integrated nutrient management (INM) systems have been promoted as part of broadbased. enhance soil physical and biological and soil health as well as promote plant growth. 2004)]. has proved to be an agronomically and economically sound alternative to the more expensive superphosphates. 21 Manufactured water-soluble P fertilizers such as superphosphates are commonly recommended to correct P deficiencies. and other organic residues as well as ashes and geological resources such as phosphate rocks and multi-nutrient silicate rock fertilizers. 1 It has been know for some time that soil quality. leaf litter. While the use of rock. 1 166 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE . rockand mineral-based fertilizers plays a considerable role for more sustainable soil fertility management practices. is a complex subject. soil water and river wter (e. especially where available locally. the direct application of PR. /…/ the use of pesticides. which show the differences in agricultural productivity. Use of phosphate rocks for sustainable agriculture. which are often in limited supply and represent a major outlay for resource-poor farmers. but most developing countries import these fertilizers. FAO. Natural fertilizers include organic and mineral substances that supply nutrients to soils. These strategies take account of the complex mineralorganic interactions in soils and include rocks and minerals as part of the system. Fertilizer and Plant Nutrition Bulletin 13.g. Rivers in laterite regions are low in nutrient. /…/ It is interesting to contemplate that water can be mineralized with appropriate rocks and pumped to the land using wind power (zero pollution) (FYFE.

Interest in African PRs.. crops and management conditions [(ZAPATA e ROY. 2004)]. Fertilizer and Plant 167 FERTILIZAÇÃO NATURAL: ROCHAGEM. although the PR resources of Africa are considerable in terms of both quantity and diversity. 1978). They extend from north to west and central Africa and are among the most relevant for direct application in agriculture. Tahoua PR (Niger). This chapter illustrates these approaches using selected examples from studies with PRs from West Africa (TRUONG et al.8 percent of the world’s consumption [(FAO. and field experiments integrating environmental factors. pot experiments using a test plant in controlled conditions. For recent detailed information.. They contain microcrystalline particles with large specific surface areas and vary widely in terms of chemical composition and reactivity. the reader may refer to the FAO/IAEA international networked research project [(IAEA. First. Other PRs include Arli and Kodjari PRs (Burkina Faso). All types of PR can be found. Zambia and Zimbabwe that are coarsely crystalline in nature and quite unreactive and unsuitable for direct application [(KHASAWNEH and DOLL. yet it has the lowest phosphate consumption with 2. which are exploited on a large scale for export purposes.. Second. there are sedimentary PRs that have been deposited progressively over geological time and are loosely consolidated. for sustainable agriculture.. Guano-type deposits occur in Namibia and Madagascar [(TRUONG et al. climate. and Tilemsi PR (Mali). FAO. Finally.Home Apresentação Sumário Créditos Methodologies for evaluating PRs for direct application in agriculture include solubility tests using conventional reagents. There are igneous deposits in South Africa. 1986. Gafsa PR (Tunisia) was utilized as a reference because of its high reactivity. in particular those from sub-Saharan Africa. cropping systems and management practices. which are mined on a small scale for local use. 1978)]. The information has been obtained using Taiba PR (Senegal) and Hahotoe PR (Togo). 1982)]. . as well as their interactions. 1986)].5 percent of the world’s production of PR. 2002)]. stems from a number of considerations. there is the paradoxical situation where Africa ranks first with 28. they are not exploited greatly [(McCLELLAN and NOTHOLT. incubation studies in soils without plants.. AGRICULTURA ORGÂNICA. Use of phosphate rocks Nutrition Bulletin 13. These deposits represent 80 percent of the total world reserves. BAUDET et al.This project has carried out all types of the studies mentioned above in order to evaluate the agronomic effectiveness of PR sources from several deposits worldwide under a wide range of soils. 1999)]. These deposits were formed recently on coral basements and are very soft and practically equivalent to watersoluble phosphate.

. ⎯ disponibilidades alimentar (30 p. A Conferência teve a presença de 350 participantes de 80 países. sendo a ciclagem de resíduos orgânicos de grande importância no processo. de 3 a 5 de maio de 2007. que propicia uma maior abundância e diversidade de inimigos naturais. em Roma. como é designada mais freqüentemente) na segurança alimentar. através do uso de adubos verdes. Outro princípio básico muito importante da agricultura orgânica é o de que o SOLO É UM ORGANISMO VIVO.).fao. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE ⎯ acesso à alimentação (29 p. entre outras. totalizam 305 páginas. /. as seguintes entidades: 24 institutos de pesquisa. A diversificação espacial. 31 universidades.org/organicag/ ofs/docs]. por sua vez. ⎯ estabilidade de aprovisionamento (29 p. A biodiversidade é. os ciclos biogeoquímicos e a qualidade de vida humana. Na agricultura orgânica.). realizou-se. cobertura morta e aplicação de composto orgânico que são práticas indispensáveis para estimular os componentes vivos e favorecer os processos biológicos fundamentais para a construção da fertilidade do solo no sentido mais amplo. Desse modo o manejo do solo privilegia práticas que garantam um fornecimento constante de matéria orgânica. A abertura a instituições da sociedade civil foi uma forma de estimular o diálogo entre os setores público e privado. por conseguinte. a Conferência Internacional sobre Agricultura Orgânica e.).).. a unidade de produção é tratada como um organismo integrado com a flora e a fauna. A Conferência tinha como objetivo mostrar. o número de páginas dos respectivos relatórios. Os artigos recebidos (142 p./ aplica os conheci- 168 . que estão disponíveis no sítio da FAO [www. ⎯ segurança alimenta (22p. O primeiro e principal deles é o do RESPEITO À NATUREZA. como no caso de espécies vegetais aromáticas e de porte elevado. O quarto e último princípio é o da INDEPENDÊNCIA DOS SISTEMAS DE PRODUÇÃO em relação a insumos agroindustriais adquiridos altamente dependentes de energia fóssil que oneram os custos e comprometem a sustentabilidade. a importância da Agricultura Biológica (ou Orgânica.Home Apresentação Sumário Créditos Anexo B RICU NI CA A G R ICU LT U R A O R G Â N I C A Promovido pela FAO. A agricultura orgânica fundamenta-se em princípios agroecológicos e de conservação de recursos naturais. O agricultor deve ter em mente que a dependência de recursos não renováveis e as próprias limitações da natureza devem ser reconhecidas. Indicam-se.). 1 1 “Agricultura orgânica é o sistema de manejo sustentável da unidade de produção com enfoque sistêmico que privilegia a preservação ambiental. entre parênteses.). permite estabelecer barreiras físicas que dificultam a migração de insetos e alteram seus mecanismos de orientação. ⎯ utilização dos alimentos (39 p. baseada numa visão holística da unidade de produção. um elementochave da tão desejada sustentabilidade.). Foram considerados cinco blocos que deram origem a cinco relatórios: mentos da ecologia no manejo da unidade de produção. a partir da análise das informações disponíveis das diferentes regiões agroecológicas do mundo. 8 empresas privadas e 9 agrupamentos de agricultores. O segundo princípio é o da DIVERSIFICAÇÃO DE CULTURAS. Estes tendem a ser polígrafos e se beneficiam da existência de maior número de hospedeiros e presas alternativas em ambientes heterogêneos. a agrobiodiversidade. a lista dos participantes e o relatório final (14 p. incluindo. Isto significa que o todo é mais do que os diferentes elementos que o compõem. a 33a Sessão do Comitê de Segurança Alimentar. paralelamente.

169 FERTILIZAÇÃO NATURAL: ROCHAGEM. Por exemplo. AGRICULTURA ORGÂNICA. Hoje a agronomia se ressente do desconhecimento da microfauna e microflora do solo e de sua ecologia. entre outras práticas. (Embrapa – Fundamentos da Agricultura Orgânica). A Pedologia limitou-se durante décadas ao estudo da estrutura físico-química do solo.. as práticas monoculturais apoiadas no uso intensivo de fertilizantes sintéticos e de agrotóxicos da agricultura convencional são substituídas na agricultura orgânica pela rotação de cultura. em nível de danos econômicos. 1 “O princípio da produção orgânica é o estabelecimento do equilíbrio da natureza utilizando métodos naturais de adubação e de controle de pragas. sendo o que fundamenta ecologicamente o surgimento de pragas e agentes de doenças. . O controle de pragas e agentes de doenças e mesmo das plantas invasoras (na agricultura orgânica essas espécies são consideradas plantas espontâneas) é fundamentalmente preventivo”. A baixa diversidade dos sistemas agrícolas convencionais os torna biologicamente instáveis. uso de bordaduras e consórcios.. Estima-se que 95% dos microrganismos que vivem no solo sejam desconhecidos pela ciência” (Wikipedia).Home Apresentação Sumário Créditos Na agricultura orgânica os processos biológicos substituem os insumos tecnológicos. diversificação.

FAO. ou ao se aperceberem de um problema e. chegarem a uma nova prática. 32% na Argentina e 21% no Brasil” [(FAO.. que evidenciam a possibilidade de se obter uma agricultura sustentável e limpa. por exemplo. Associa-se a isto a diminuição significativa de consumo de petróleo (60 a 70% a menos de óleo diesel).. 2003. As primeiras tentativas conhecidas de não-revolvimento mecânico tiveram lugar na região sub-tropical do Brasil.. (. em 1972. A inovação inclui “qualquer pensamento. SORRENSON.br => plantio direto)]. 1 1 “A América Latina apresenta as taxas mundiais mais elevadas de ‘não revolvimento do solo’ (“nontravail du sol”).) A adoção e difusão de um processo de inovação caracteriza-se como a aceitação. ao procurarem a solução. Esta definição ampla leva em consideração todas as idéias ou processos considerados como tendo utilidade. a minimização de custos por unidade produzida a partir da maximização da produtividade de insumos e de mão-de-obra. 170 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE . no solo e na superfície da matéria orgânica em decomposição). comportamento ou tema novo. pelas pessoas (ou ‘unidades de adoção’) através de ‘canais de transmissão’ específicos. O primeiro teste de ‘não revolvimento do solo’ aconteceu no estado do Paraná.) Em conclusão: a difusão é o processo pelo qual uma inovação se espalha ao longo do tempo num dado sistema social” (Économie de l’agriculture de conservation . Esta forma de ver associa-se ao modelo tradicional da inovação e à adoção de novas tecnologias em muitas indústrias incluindo a agricultura. entre 1969 e 1972 e em 1981/2.embrapa. um método de produção mais eficaz e mais rentável. por exemplo. a diminuição expressiva da perda de solo por erosão (90% de diminuição nas perdas estimadas em 10 t solo / t de grão produzida). 1967). uma família ou uma sociedade. de um elemento específico. do Plantio Direto (PD) ou Agricultura de Conservação (AC). (.. No contexto agrícola. 1 “A adoção do Plantio Direto expressa a perfeita harmonia do homem com a natureza e proporciona economias significativas para a sociedade como um todo. pode significar uma nova variedade ou novo processo de gestão adotado por um indivíduo.Home Apresentação Sumário Créditos Anexo C ANT TO P L AN T I O D I R E TO “Os produtores que passam de práticas convencionais para uma nova técnica podem fazê-lo por diversas razões: ao descobrirem. sede. www22. Torna-se possível. Os problemas que aceleraram a aceitação para o PD foram essencialmente a degradação e erosão dos solos e/ ou a diminuição do rendimento das culturas devido à deterioração da fertilidade dos terrenos. assim. 2003). produzindo alimentos de qualidade com menor impacto negativo sobre o meio ambiente e o homem” [(Embrapa – Sistema de plantio Direto. como é caso. na zona tropical. o aumento do seqüestro de carbono (aumento do estoque. ao longo do tempo. 1997)]. Em 1999 a percentagem de nãorevolvimento em toda a área cultivada atingia 52% no Paraguai. qualitativamente diferente das formas existentes” (JONES.

com a fase mineral pura moída.. pela ordem.. biosfera e tempo. AGRICULTURA ORGÂNICA. já a temperaturas próximas de 500oC. os anfibólios e as micas. primeiro mineral a cristalizar-se. dos vegetais superiores. São os chamados fatores de controle do intemperismo. uma rocha silicática como o granito é mais resistente à alteração que uma rocha carbonática./ Para um saprolito tornar-se um solo.. que são encontrados no ar ou dissolvidos na água e que têm como fonte primária as rochas e. Considerando-se a seqüência dos plagioclásios. clima. a cerca de 1. Os íons H+ assim gerados substituem os cátions nas superfícies dos grãos minerais. é o mineral mais suscetível à alteração. enquanto que minerais sem estes elementos geram condições de pH mais ácidas. podendo esta atração ser forte o suficiente para ionizar a água. durante um certo tempo. Os K-feldspatos fundem a temperaturas ainda mais baixas.400oC. Entre os minerais constituintes das rochas. a olivina. ocorre hidratação pela atração entre os dipolos da água e as cargas superficiais. secundariamente. em primeiro lugar. Assim são mais suscetíveis à alteração intempérica.. Diopsídio Olivina Hornblenda Leucita Albita Biotita SILICATOS Microclínio Anortita Hiperstênio Muscovita Ortoclásio Montmorillonita Caulinita Gibbsita ÒXIDOS Quartzo Hematita Magnesita CARBONATOS Dolomita Calcita e Aragonita . é o mineral comum mais resistente ao intemperismo.I NTEMPERISMO E FORMAÇÃO D O SOLO "Várias características do ambiente em que se processa o intemperismo influem diretamente nas reações de alteração no que diz respeito à sua natureza. último mineral a cristalizar-se.. esteja assegurada. a presença de minerais portadores de elementos alcalinos e alcalino-terrosos possibilita a instalação de um pH mais alcalino nas águas que os percolam. a anortita apresenta ponto de fusão máximo e a albita. (. a superfície dos grãos pode conter valências insaturadas. a alimentação mineral dos organismos vivos autótrofos e. albita e K-feldspato.. Nas 171 FERTILIZAÇÃO NATURAL: ROCHAGEM. é preciso. o que resulta no aumento do pH da fase líquida. basicamente representados pelo material parental. A vida necessita de água e de elementos químicos. em seguida vêm os piroxênios.Home Apresentação Sumário Créditos Anexo D S OLOS . O pH de abrasão é determinado experimentalmente através da medida do pH da suspensão formada por água destilada e ácido carbônico em contato. mínimo.) Assim considerando a seqüência de minerais máficos. velocidade e intensidade. Uma idéia desta diferença é dada pela escala de pH de abrasão... Por exemplo. cristalizados a temperaturas mais baixas. que nesse meio. Classes Minerais pH de abrasão 10 – 11 10 – 11 10 10 9 – 10 8–9 8–9 8 8 7-8 8 6-7 5–7 6–7 6–7 6 10 – 11 9 – 10 8 /. os tecidos orgânicos pré-existentes. O quartzo.) A composição mineralógica da rocha em vias de alteração modifica o pH das soluções percolantes em função das reações químicas que ocorrem. em particular. topografia. (. anortita. Embora a carga elétrica global das estruturas minerais deva ser nula. Em contato com a água. A alteração intempérica das rochas depende da natureza dos minerais constituintes. Assim. como o mármore. alguns são mais suscetíveis que outros à alteração. de sua textura e estrutura.

herdados da rocha parental como. titanomagnetita e perovskita e. nas soluções em concentrações demasiado elevadas. a reação predominante é a acidólise (TOLEDO et al. Sabe-se que há uma diminuição efetiva do rendimento da produção agrícola quando se passa de um forte coeficiente de aplicação de insumos para sistemas de produção biológica. nem entre o grande público.a. É a rocha-mãe dos diamantes. para assegurar uma alimentação contínua e suficiente para os organismos vivos. 2000). Kimberlito . com fenocristais de olivina (habitualmente serpentinizada ou carbonatizada). No solo essa função vital para os organismos vivos é desempenhada por uma fração organomineral denominada plasma agilohúmico por ser constituída por íntima associação de argilominerais e húmus. o quatzo. A associação deste plasma argilo-húmico com minerais residuais. flogopita e apatita. A produção de fertilizantes organo-fosfatados. 3 4 nítrico no ataque dos fosfatos (OBA e CHAVES. infelizmente. o solo desempenha um papel fundamental por se tratar de um meio intermediário entre a fase sólida (rocha) e líquida (água). Na Índia.. pofirítico (macrocristais numa matriz fina). flogopita (com freqüência cloritizada). Ugandito .). quando se passa de sistemas com fraca aplicação de insumos. clinopiroxênio.Home Apresentação Sumário Créditos rochas esses elementos estão disponíveis para os organismos em concentrações muito baixas e. mas pressupondo-se que a fertilização biológica seria executada nos espaços agrícolas que hoje não fazem correta adubação ou não recorrem a nenhuma tecnologia de fertilização. Em alguns ambientes o pH das águas pode ser inferior a 5 e. Pelo contrário. utiliza o ácido 5 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE 9 6 172 . para a agricultura orgânica.peridotito (rocha rica de olivina) alcalino. 8 Citrato de Amônio Neutro. uma ampla e desejável divulgação de resultados. com uma matriz fina de calcita e olivina de segunda geração.. 2000). o rendimento praticamente duplica (n. a glauconita é importante fonte de K para a agricultura.rocha que contem leucita como fase félsica principal. olivina. fornece a organização estrutural e textural do solo" (TOLEDO et al. Neste particular. 2000). nem entre pesquisadores interessados. Sem haver avanço das fronteiras agrícolas. Notas 1 In: van Straaten. 2007. piropo (variedade de granada) cromífero. eventualmente. 2000 in TEIXEIRA et al. neste caso ao invés da hidrólise. pelo processo francês Humifert. 7 2 As diversas ações do Programa não têm tido. por exemplo..

correspondendo a 85% do mercado. “quanto plantar”. configurada pela atividade agrícola familiar. embora haja determinados momentos que requerem maior atenção. período de modernização e industrialização da agricultura que resultou em exclusão social. no Brasil. planejar suas ações não é fácil. Os agricultores ligados ao agronegócio ou agribusiness são os maiores beneficiados pelas políticas públicas agrícolas no País. citricultura e pecuaristas. Para ultrapassar tais limitações. Sudeste e Centro-Oeste. “quando plantar”. Dentre os vários fatores que contribuem para agravar os impactos da modernização agropecuária sobre os produtores familiares. diante dos ajustamentos dos seus objetivos à realidade de recursos escassos e à necessidade de manter a sobrevivência de seus familiares. Para que os agricultores familiares se constituam em efetivos consumidores do insumo. foram consumidas apenas 16. . Para o produtor familiar. que estão concentrados nas regiões Sul.com 1.7 milhões de toneladas. Este aumento. sendo que.MULTIFUNCIONALIDADE E SUSTENTABILIDADE. segundo a Associação Brasileira de Produtores de Calcário (ABRACAL). é uma dessas técnicas. que requerem conhecimentos. reflexo do modelo construído no decorrer das décadas de 50-70. “o que criar”. que representa 85% das propriedades agrícolas do País. a necessidade de correção dos solos do País chega a 75 milhões de toneladas. O CASO DO CALCÁRIO AGRÍCOLA direcionadas. via incremento da produtividade. algumas ações por parte do poder público deverão ser 2. os pequenos agricultores. Introdução Este capítulo procura evidenciar a relação existente entre sustentabilidade e uso de calcário agrícola.multifuncionalidade e sustentabilidade. é necessário que cada produtor rural aumente sua produção. com destaque para a dimensão social. O atual panorama do mercado de calcário agrícola no Brasil confirma a grande potencialidade de consumo que representa a categoria de produtores familiares. podemos destacar a 173 AGRICULTURA FAMILIAR . apenas 800 mil produtores utilizam calcário agrícola em seus solos. insumos e bens de capital.Home Apresentação Sumário Créditos Capítulo 6 . pois. Atualmente.Sc. Professora do CEA/PUC-Campinas. Pereira (2007) evidenciou a necessidade de reorganização e institucionalização de uma política nacional de utilização do calcário que contemple. O caso do calcário agrícola Os autores Cleide de Marco Pereira Economista. no ano de 2006. essencial para obtenção de ganhos de produtividade. Segundo dados do IBGE. em termos de “o que plantar”. café. cada vez mais. prioritariamente. Aspectos conceituais da atividade agrícola A agricultura é uma atividade que demanda ação constante no decorrer do ano. do uso adequado de técnicas agropecuárias. E-mail: cleidemp@gmail. O uso do insumo mineral calcário. os maiores consumidores de calcário agrícola são os grandes produtores de soja. São perto de quatro milhões de estabelecimentos agropecuários de categoria familiar distribuídos por todo o País e concentrados principalmente nas regiões Norte e Nordeste. depende. cana-de-açúcar. milho. o que corresponde a apenas 18% do total de estabelecimentos do País. D. O modelo atual só consegue viabilizar o consumo em 23% das necessidades dos solos do País.Agricultura familiar .

alcançando grandes avanços na solução das questões agrícolas. Constata-se. a desempenhar um novo papel. dos problemas ligados à produção. a mecanização nas diversas fases do processo de produção e uso abundante de outros insumos. A agricultura tradicional caracterizava-se pelo cultivo de um conjunto diversificado de produtos agrícolas. em 2002. particularmente os oriundos da indústria química. isto é. fica claro que as políticas de estímulo à modernização não atingiram as pequenas unidades agrícolas. revela forte tendência à monocultura. Por imposição do agronegócio a produção familiar passou também a especializar-se em determinados tipos de produtos. e sua utilização é capaz de produzir reflexos muito positivos nas esferas econômica. crescimento econômico é medido pela evolução do produto total ou do produto per capita de um país ou setor. As operações financeiras de pequeno porte não são interessantes para os bancos. social e ambiental. defina e esclareça o que significam os termos desenvolvimento. a sazonalidade do trabalho agrícola. 2003. mas também para desestimular a ocorrência em massa deste tipo de financiamento. sendo obrigada.) entende-se como crescimento econômico o processo de aumento do produto (interno ou nacional) de um país ou setor. pelo uso predominante do trabalho braçal. com as dificuldades que sempre existiram para obtenção de crédito no mercado financeiro. que os bancos usam o excesso de burocracia como meio para minimizar o risco. à medida que incorporou máquinas. da tração animal e de instrumentos de trabalho simples e geralmente produzidos na própria região. porém a natureza desse processo trouxe como conseqüência indesejável um elevado nível de exclusão social que.. pois não resolveu a questão de participação na renda gerada pela ampla maioria da população rural brasileira. 1982). FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE 2. Para a Comissão Econômica para a América Latina (Cepal). freqüentemente. desenvolvimento econômico pode ser conceituado como um processo dinâmico de mudança 174 . pela venda direta de sua força de trabalho em determinados períodos do ano. ou seja. Normalmente. defensivos. em detrimento do trabalho na sua propriedade familiar. 2005 e 2007. para sobreviver. por outro lado. Inicialmente. dependência acentuada do uso de combustíveis fósseis como fonte energética básica. especialmente as que se dedicam à produção de gêneros alimentícios de primeira necessidade (GRAZIANO DA SILVA. o que expressa elevado grau de integração econômica no âmbito local. (2007): “(.1. é necessário que se conceitue. O desenvolvimento do capitalismo no campo. crescimento. o de compradora de insumos. modificou profundamente a base técnica da produção agrícola. não geram lucratividade e implicam em riscos de inadimplência.. principalmente de categoria familiar.Home Apresentação Sumário Créditos subordinação da pequena produção ao capital. num primeiro momento. sustentabilidade e multifuncionalidade da agricultura. fertilizantes e outros insumos modernos. para lhe assegurar uma base financeira mínima de subsistência. desenvolvimento sustentável. No caso brasileiro. esse desenvolvimento aumentou os desequilíbrios da questão agrária. Segundo Freitas et al. Também. Crescimento e desenvolvimento sustentável na agricultura Primeiramente é necessário definir o que significa crescimento e desenvolvimento. Trabalhos desenvolvidos por Pereira. das quais duas merecem destaque. A moderna. demonstraram que o calcário agrícola é um recurso mineral essencial ao desenvolvimento da agricultura brasileira. O calcário agrícola também pode constituir-se num dos principais elementos viabilizadores da sustentabilidade da agricultura. além de situar o contexto histórico do surgimento desses termos. ou modernizada. A contribuição da ciência e da tecnologia foi essencial ao processo de desenvolvimento e modernização da agricultura brasileira. aconteceu por meio da substituição da mão-de-obra pela mecanização intensiva das tarefas agropecuárias. Existem várias definições de desenvolvimento econômico.

poluição atmosférica. foi criada nos Estados Unidos a Comissão Presidencial para Política de Materiais (também conhecida como “Paley Comission”) para estudar e avaliar o potencial da agricultura e dos recursos naturais dos Estados Unidos..) apesar de ainda não haver consenso em torno do conceito de desenvolvimento sustentável. o qual pode apresentar diferenças entre regiões e. avaliado pelo crescimento do PIB ou da produção. isto é. que se reflete em processos inflacionários sem controle. op. desemprego e distribuição de renda e de riqueza extremamente desiguais. admimais claro o fracasso do modelo de desenvolvimento ocidental predominante até o presente. A Comissão elaborou o relatório intitulado “Resources for Freedom. implicar um repensar da política econômica (FREITAS et al. melhores níveis de educação e de saúde. cit. tem sido dada muita atenção ao seu crescimento econômico. resultando em desnutrição. Por outro lado. desenvolvimento econômico consiste na introdução de novas combinações de fatores de produção visando aumentar a produtividade do trabalho. delo de civilização ocidental. a qual se manifesta através de maior nível de renda per capita.Home Apresentação Sumário Créditos estrutural da economia. Quando cresce a produtividade do trabalho aumenta o produto social. do qual dependemos completamente. (d) redução da jornada de trabalho. de maneira crescente. com conclusões otimistas sobre o futuro da disponibilidade dos recursos. rediscutindo o ritmo e a forma como o sistema capitalista propunha o desenvolvimento das sociedades” No ano de 1952. um dos primeiros estudos a pensar limites relacionados a problemas de qualidade ambiental. o crescimento da renda provoca nos consumidores reações que aumentam a procura e modificam sua estrutura. escrito por Harold Barnett e Chandler Morse. deterioração do meio ambiente social. Silva e Grassi (2005) colocam que: “a construção histórica do conceito de desenvolvimento sustentável está vinculada com o incremento da preocupação da manutenção e existência de recursos naturais e um ambiente propício para a continuidade das gerações futuras. (b) possibilidade de chegar a idades mais avançadas. (“Scarcity and Growth: the Economics of Natural Resource Availability”). fome.)..) o momento de crise em que nasce o conceito de desenvolvimento sustentável possui características que são facilmente identificáveis: deterioração do meio ambiente natural. (c) maiores recursos para educação.MULTIFUNCIONALIDADE E SUSTENTABILIDADE. O aumento e a diversificação da procura fazem com que também se modifique a estrutura da produção”. E também que: “(.. 2007). da água e dos alimentos. Foundation for Growth and Scarcity”.. mas não ao seu desenvolvimento econômico. assim. A partir das definições da Cepal e de Celso Furtado. pode-se conceber desenvolvimento econômico como um processo de mudança estrutural da economia (na qual se destacam novas combinações de uso de fatores) que implicam melhoria do bemestar da população. b) a descoberta de O conceito de desenvolvimento sustentável tem suas raízes a partir da percepção da crise do mo- 175 AGRICULTURA FAMILIAR . a quantidade de bens e serviços à disposição da sociedade. e a desagregação das idéias que ele representa”. O crescimento econômico é condição necessária e não suficiente para haver o desenvolvimento econômico. deterioração da economia. objetivando proporcionar à maioria da população: (a) maiores níveis de consumo. Os autores basearam-se em três evidências: a) os avanços da tecnologia na extração. violência. e torna-se cada vez . ao lado das preocupações com exaustão de recursos (CAVALCANTI. Na análise da evolução da agropecuária brasileira.. processamento e produção. foi criada nos Estados Unidos a Comissão de Recursos para o Futuro. Esta comissão publicou um dos trabalhos mais conhecidos nesse campo. Em relação ao conceito de desenvolvimento sustentável. Para Celso Furtado (1961). Em 1963. O CASO DO CALCÁRIO AGRÍCOLA te-se. conforme cita Cavalcanti (2000): “(. Os EUA estavam preocupados com a rápida expansão econômica do pós-guerra e com a possibilidade de dependência do país em relação às importações de petróleo e outras matérias-primas.

impostos pelas taxas exponenciais de crescimento da população. pois retomava a Teoria Malthusiana. Aurélio Peccei.A Latin American World Model”. depósitos minerais. Pela primeira vez.) com o objetivo de discutir e analisar problemas presentes e futuros da humanidade e os limites do crescimento econômico. composto por 30 membros. No ano de 1971. c) participação da população envolvida. que levam a uma situação de opressão e alienação. mento que contemplasse o econômico e o ecológico. b) solidariedade com gerações futuras. Este termo tornou-se um elemento muito importante nas discussões que levaram à definição de desenvolvimento sustentável mais tarde. a Fundação Bariloche publica. “Catastrophe or a New Society . na Suíça. foram debatidos e contrapostos temas como crescimento. e) elaboração de um sistema social garantindo emprego. realizou alguns estudos. O termo surgido inicialmente para expressar a necessidade de adoção de um modelo de desenvolvi- FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE Em 1976. foi “ecodesenvolvimento”. trabalho precursor na utilização do termo desenvolvimento sustentável. A realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente Humano. proposto pelo Canadense Maurice Strong. o qual sustentava que os problemas fundamentais que a sociedade enfrentava eram aqueles relacionados com os limites físicos. populacional e da poluição. em que predominava a má distribuição do poder entre e dentro das nações. políticos. para a formulação de suas conclusões e recomendações. c) a substituição de materiais escassos por outros mais abundantes.. com financiamento do Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas (UNEP) e do World Wildlife Fund (WWF). cit. de forma mais globalizada. realiza-se em Founex. Liderado por Dennis L. na década de 80.. chegava a cem pessoas”. No início da década de 70. foi motivada pelos debates sobre os riscos da degradação do meio ambiente. Em 1980. tanto para países industrializados como para países em desenvolvimento.Home Apresentação Sumário Créditos novos depósitos. sob coordenação de Amilcar Herrera. O argumento básico do modelo defende a necessidade de se impor limites ao crescimento exponencial da atividade econômica. no final da década. recursos energéticos e na capacidade de suporte da poluição. conhecida como Conferência de Estocolmo. como mais tarde a idéia do desenvolvimento sustentável viria a considerar. dando origem ao movimento denominado neomalthusianismo. O Clube de Roma. porque o mundo é finito em terras aráveis. O processo de deterioração do ambiente físico e dos recursos naturais é entendido como resultado de organizações sociais baseadas em valores destrutivos e não como conseqüência inevitável do progresso humano (CAVALCANTI. desenvolvimento e proteção do meio ambiente. dentre cientistas. economistas e matemáticos.): “(. Em 1972. realizada em 1972. que viria a se realizar no ano seguinte. Cavalcanti (2000) cita que: “Ignacy Sachs formulou os princípios básicos norteadores dessa nova ética de desenvolvimento: a) satisfação das necessidades básicas. o Clube de Roma publicou os primeiros resultados do trabalho de grupo no livro “The Limits to Growth”. uma reunião que se tornou preparatória para a Conferência de Estocolmo na Suécia. como cita Cavalcanti (op. desenvolvimen- 176 . 2000). d) preservação dos recursos naturais e do meio ambiente em geral. que por sua vez era conseqüência da exploração característica da situação mundial. Meadows. f) programas de educação”. a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). segurança social e respeito a outras culturas. diante do uso crescente de recursos naturais. formado em 1968 e patrocinado pelo industrial italiano. publica a “Estratégia Mundial de Conservação”. um modelo caracterizado como uma reação ao pensamento dominante no mundo desenvolvido. considerando a variável demográfica nos países de Terceiro Mundo como a mais importante a ser controlada. Pela primeira vez. O relatório mostrou que os principais problemas do mundo não eram físicos e sim sociopolíticos. o grupo já estava com 70 membros e. empresários.

) a) integração da conservação e do desenvolvimento. d) provisão da autodeterminação social e da diversidade cultural.MULTIFUNCIONALIDADE E SUSTENTABILIDADE. mas também pelas industrializadas” (CMMAD. O documento propõe uma série de ações e diretrizes a serem empreendidas para que se efetivem as mudanças necessárias objetivando reduzir as ameaças à sobrevivência e dar um rumo viável ao desenvolvimento. é preciso levar em conta sua sustentabilidade em todos os países .) aquele que atende às necessidades do presenções futuras atenderem a suas próprias necessidades. Mas só se pode ter certeza da sustentabilidade física se as políticas de desenvolvimento considerarem a possibilidade de Gro Harlem Brundtland. No ano de 1986. Nesta Conferência também foi trabalhado o conceito de desenvolvimento sustentável. Quanto aos rumos do desenvolvimento. p. mas não sujeitos a seu controle. no Canadá. teoricamente ela pode ser tentada mesmo num contexto social e político rígido. mas todas elas terão características comuns e devem derivar de um consenso quanto ao conceito básico de desenvolvimento sustentável e quanto a uma série de estratégias necessárias para sua consecução. O CASO DO CALCÁRIO AGRÍCOLA . e) manutenção da integração ecológica”. institutos e governos uma compreensão maior desses problemas. Portanto. Assim. um organismo independente. declara: 177 AGRICULTURA FAMILIAR . Haverá muitas interpretações.. Caso uma via de desenvolvimento se sustente em sentido físico. Ele contém dois conceitos-chave: te sem comprometer a possibilidade de as gera- ⎯ o conceito de ‘necessidades’. Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e World Wildlife Fund (WWF). b) propor novas formas de cooperação internacional nesse campo. quando haverá o dobro de pessoas a depender do mesmo meio ambiente? Essa constatação ampliou nossa visão do desenvolvimento. publicado em 1987. Percebemos que era necessário um novo tipo de desenvolvimento capaz de manter o progresso humano. o ‘desenvolvimento sustentável’ é um objetivo a ser alcançado não só pelas nações ‘em desenvolvimento’. vinculados aos governos e ao sistema das Nações Unidas.. sobretudo as necessidades essenciais dos mais pobres do mundo. que devem receber a máxima prioridade. impedindo-o de atender às necessidades presentes e futuras. organizações voluntárias. “De que valia será tal desenvolvimento para o mundo do próximo século..Home Apresentação Sumário Créditos to era entendido como um meio de se alcançar a conservação e não um entrave para tal.desenvolvidos ou em desenvolvimento. c) dar a indivíduos. A CMMAD define desenvolvimento sustentável como: “(. ⎯ a noção das limitações que o estágio da tecnologia e da organização social impõe ao meio ambiente. de modo a orientar políticas e ações no sentido das mudanças necessárias. com economia de mercado ou planejamento central. com o apoio financeiro da União Internacional para Conservação da Natureza (UICN). b) satisfação das necessidades básicas humanas. com o título “Nosso Futuro Comum”. elaborou um relatório que ficou mundialmente conhecido como Relatório Brundtland.): “(. conforme cita Cavalcanti (op. Primeira Ministra da Noruega e Presidente da CMMAD. cit. não apenas em alguns lugares e por alguns anos. empresas. realiza-se a Conferência de Otawa. tendo como principais objetivos: a) reexaminar as questões críticas relativas a meio ambiente e desenvolvimento e formular propostas realísticas para abordá-las. c) alcance de eqüidade e justiça social. 1988.4). estabelecendo que ele deveria responder a cinco quesitos. Em 1983. ao se definirem os objetivos do desenvolvimento econômico e social. a Assembléia Geral da ONU criou a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD). mas em todo o Planeta e por um futuro longínquo.. incentivandoos a uma atuação mais firme. formado por especialistas e líderes mundiais de 21 países. O desenvolvimento supõe uma transformação progressiva da economia e da sociedade.

de mudanças nos sistemas educacionais.) esse termo transita pelos mais diversos círculos e grupos sociais. não somente quanto ao adjetivo “sustentável” como também ao desgastado conceito de “desenvolvimento”.. A UNESCO adota a seguinte definição para sustentabilidade: “A capacidade de suporte expressa o nível de população que pode ser sustentado por um país. 1993. que deve. pois ambos seguem padrões de crescimento econômico não-sustentáveis no longo prazo. 1992). dimensão até aquele momento não contemplada em outros estudos (DIEGUES. ou seja. de várias maneiras: em razão de mudanças nos valores culturais. p. principalmente no que diz respeito à sua interpretação e à sua prática. imposta pelo mercado capitalista mundial conseguiu destruir. quando do Sul são inviáveis. O relatório Brundtland sofreu diversas críticas. desde as organizações nãogovernamentais até as de pesquisa. de modificações fiscais e legais. Para atingir o desenvolvimento sustentável é necessário uma transformação progressiva da economia e da sociedade. Também não levou em conta a existência de contradições internas dos países em desenvolvimento. em um dado nível de bem-estar. de uma forma que seja viável no futuro. p. de descobertas tecnológicas. Diegues (1992) declara que: “(. ou do surgimento de uma nova vontade política. os interesses dos países industrializados em dificultar o acesso dos países do Terceiro Mundo à tecnologia.46).63). evidentemente. Nunca há uma solução única para a equação população/recursos naturais.. bem como de espírito empresarial e de qualificações técnicas e organizacionais. É um conceito dinâmico que pode ser estendido ou restringido. pois não é somente a população que determina a pressão sobre os recursos (e os potenciais efeitos ecológicos associados) mas também o consumo individual. Mais precisamente ela pode ser definida como o número de pessoas compartilhando um dado território que podem sustentar. é determinado pelo sistema de valores e pelas percepções de estilo de valores e pelas percepções de estilo de vida” (UNESCO apud Hogan. com notável e estranho consenso. É preciso pensar em vários tipos de sociedades sustentáveis. ser extensiva à eqüidade em cada geração” (CMMAD. que os impedem de atingir o desenvolvimento sustentado. um dado padrão material de vida utilizando-se de energia e de outros recursos (incluindo terra. O relatório da CMMAD parte do princípio que os modelos atuais de desenvolvimento tanto de países do Norte. ancoradas em modos particulares.Home Apresentação Sumário Créditos mudanças quanto ao acesso aos recursos e quanto à distribuição de custos e benefícios. que por sua vez.. de melhorias agrícolas ou dos sistemas de distribuição de terra. Também introduziu uma dimensão ética e política ao admitir que o desenvolvimento é um processo de mudança social que implica transformação das relações econômicas e sociais. ar.. às relações desiguais de comércio. Não existe um único paradigma de sociedade de bem-estar a ser a atingido por vias do desenvolvimento e do progresso linear. Outra crítica feita ao relatório é que a proposta ignorou as relações de forças internacionais. Mesmo na noção mais estreita de sustentabilidade física está implícita uma preocupação com a eqüidade social entre gerações. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE 178 Também afirma que se for analisado de maneira aprofundada ver-se-á uma falta de consenso. como se fosse uma palavra mágica ou um fetiche”. históricos e culturais de relações com os diversificados ecossistemas existentes na biosfera e dos seres humanos entre si. o conceito de desenvolvimento sustentável passou a ser utilizado de maneira indiscriminada. pois após sua publicação. que nem a homogeneização sociocultural Diversos autores são unânimes ao destacar que o que deve ser construído é um novo paradigma de desenvolvimento e que o conceito de sustentabilidade não pode se limitar apenas à visão tradicional de estoques e fluxos de recursos naturais e . água e minérios). de descobertas de novos recursos minerais. 1988.

medidas para intensificar as pesquisas e a introdução de tecnologias limpas e poupadoras de recursos e para definir regras que permitam uma adequada proteção ambiental. econômica e ecológica.Home Apresentação Sumário Créditos de capitais. o “eu e você” e o respeito pela vida. para que se busquem concepções endógenas de desenvolvimento que respeitem as peculiaridades de cada ecossistema. econômica e ambiental. A multifuncionalidade relaciona-se com as múltiplas funções que a agricultura exerce. A política de desenvolvimento rural européia sofreu importantes modificações aportadas pela adoção. avaliada muito mais sob critérios macrossociais do que microempresarial e por fluxos regulares de investimentos públicos e privados. na qual estão incluídas nova reforma da política agrícola comum (PAC) e modificações nos fundos estruturais para política regional”. O que estava presente nos debates sobre a orientação da nova política agrícola européia tinha um caráter mais social e menos produtivista e exportador. Assim se estabelecerá uma ética ambiental que busca a integração das esferas social. em outras palavras. mais recentemente. de cada cultura e cada local. sustentabilidade cultural. fome. evitando as concentrações excessivas nas áreas urbanas. e se abre ainda mais para o comércio e os investimentos estrangeiros (GUIMARÃES. Apesar dos avanços obtidos na evolução do pensamento mundial com relação à crise do desenvolvimento.. É preciso considerar as seguintes dimensões: a) sustentabilidade social – com objetivo de melhorar substancialmente os direitos e as condições de vida das populações e reduzir as distâncias entre os padrões de vida dos grupos sociais.. simultaneamente aos seguintes critérios: eqüidade social. ocorreu a conferência de 179 AGRICULTURA FAMILIAR . a vida deve ter seu valor justificado por si mesma. o receituário para sua superação ainda está majoritariamente focado nos princípios neoliberais. Questões como a guerra. a idéia européia de que a agricultura seria um setor diferente dos outros por conta da sua multifuncionalidade são algumas teses comumente apresentadas por produtores e governos de países desenvolvidos em defesa da idéia da auto-suficiência alimentar. Ignacy Sachs (1993) propõe ainda mais duas dimensões: sustentabilidade espacial. quais sejam: social. com programas de ajuste estrutural e de redução dos gastos públicos. 2004). xenofobia e. prudência ecológica e eficiência econômica. uma nova ética em busca de sustentabilidade (CAVALCANTI. O debate sobre a multifuncionalidade da agricultura ganhou notoriedade durante as negociações da organização Mundial do Comércio (OMC). Isto significa que cada um de nós deve se assumir como agente modificador e se colocar como elemento integrante de um sistema socioeconômico-ecológico sustentável. Multifuncionalidade da agricultura O conceito de multifuncionalidade da agricultura surgiu na França. c) sustentabilidade ecológica – envolvendo medidas para reduzir o consumo de recursos e a produção de resíduos. 2000). para alterar o sentido antropocêntrico do sistema em sentido ecocêntrico. b) sustentabilidade econômica – viabilizada por uma alocação e gestão eficiente dos recursos. e se difundiu pela Europa. Maurice Strong sintetiza que.2. Este sistema deve adotar valores que visem ao equilíbrio do sistema terrestre. é necessário obedecer.MULTIFUNCIONALIDADE E SUSTENTABILIDADE.) a construção européia da multifuncionalidade resulta de dois movimentos: a) a crítica ao modelo agrícola produtivista e b) o objetivo de harmonizar as legislações agrícolas e de desenvolvimento rural dos diversos países. que também é ambiental. que deve contemplar uma configuração mais equilibrada da questão rural-urbana e uma melhor distribuição do território. na segunda metade dos anos 90. O CASO DO CALCÁRIO AGRÍCOLA . Segundo Maluf (2002): “(. 2. da chamada “Agenda 2000”. para alcançar tais dimensões de sustentabilidade. Em dezembro de 1999. isto porque. O homem deve trabalhar em busca de mudanças de valores. em março de 1999.

o qual leva em consideração tanto os fatores econômicos como os sociais e ambientais.): “(. o conceito multifuncional da agricultura pode ser de grande valia para a construção de políticas públicas desenvolvimentistas para o Brasil. a multifuncionalidade do espaço rural (funções produtivas. à liberação de mão-de-obra para as atividades urbanas. demais atores sociais e o poder público. sequer sobre a agenda sobre a qual deveria se concentrar a chamada Rodada do Milênio. Na discussão do conceito de multifuncionalidade. as atividades produtivas tradicionais do meio rural . julga-se que a formulação de políticas públicas para o meio rural brasileiro também pode se valer da noção de pluriatividade. Três preocupações explicam a emergência do conceito de multifuncionalidade.passam a ter um novo papel na sociedade. segundo entendimento de Ribeiro (2006): “A primeira trata da linha fundamental que existe entre a agricultura. O fracasso da conferência evidenciou: a falta de acordo sobre a pauta de negociações comercias. de outro. pois o novo mundo rural ou as novas visões sobre a ruralidade abrangem estas novas dimensões da vida no meio rural.Home Apresentação Sumário Créditos Seattle. 2001). Reconhecer que o seu papel não se restringe à produção de matéria-prima e alimentos. duramente reprimidos pela polícia. Portanto. com destaque para agricultura e serviços. Esta falta de consenso se deu em meio a grandes manifestações populares contra a OMC e seus pressupostos neoliberais. a segunda relativa às relações entre a agricultura e a segurança alimentar. A partir daí. mudando-se o foco simplista de ser produtora de matérias-primas para o foco do desenvolvimento sustentável. com a segurança alimentar. a oposição popular à OMC enquanto instrumento de liberalização comercial indiscriminada e as duras críticas à própria estrutura da OMC claramente antidemocrática e sem transparência (SOARES. mas também destaca outras funcionalidades. a patrimonial. Este último é resultado das reflexões da FAO. à geração de divisas e à transferência de capital para os outros setores da economia. Contudo. os problemas criados pela agricultura intensiva e. nas décadas de 1970 e 1980. de um lado. que reconheceu. a ambiental. O termo multifuncionalidade da agricultura provém do reconhecimento do papel da agricultura e de suas relações com os diversos setores da sociedade. que deveria dar início às negociações sobre a reforma de importantes temas no comércio internacional. criando assim uma nova forma de construção do capital social de um território. tais como a social. não houve consenso entre os países membros da OMC. cit. a aplicação da noção da multifuncionalidade como instrumento auxiliar de formulação de políticas públicas. e outras instituições. identificam-se as seguintes funções-chave da agricultura: contribuição à segurança alimentar. função ambiental. dá origem a novos laços entre produtores. Esta visão multifuncional representa uma nova forma de se analisar a agricultura. conforme indicado pela experiência francesa. produtividade e sustentabilidade”. Segundo Soares (op.agrícola. consumidores. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE Kageyama (2004) cita que: “O redescobrimento do desenvolvimento rural deuse em função da necessidade de reorientação do protecionismo da Política Agrícola Européia (PAC). função econômica e função social. Em função destas outras funcionalidades. pecuária e florestal .. a respeito da evolução da agricultura e sua relação 180 . em especial porque a noção de emprego rural não se restringe às atividades agrícolas. o ambiente e o desenvolvimento.. Segundo Ribeiro (2006). que levaram às ruas de Seattle dezenas de milhares de manifestantes. papel no equilíbrio ecológico e suporte às atividades de recreação e preservação da paisagem)”. a estética e a recreativa/pedagógica. e a terceira referente às relações entre a agricultura e o comércio internacional”.) o conceito do caráter multifuncional da agricultura e da terra é derivado do conceito de agricultura e desenvolvimento rural sustentável (ADRS).

para abastecer o campo modernizado. Dessa forma. as diferenças entre distintos modelos de uso da terra são ainda mais óbvias. corretivos. Em diversas áreas. como na medicina. quais são os ganhos sociais. firmas de assessoria e planejamento. o universo da PD&I e os resultados obtidos em diversos pontos do planeta transformaram o perfil e a dinâmica da economia mundial. é consideravelmente distinta da contribuição de uma grande propriedade patronal especializada na monocultura de soja para o mercado externo. pesquisa e experimentação. (1990): . na área energética etc. defensivos. corretivos. rações etc. na eletrônica. sementes melhoradas. ela foi redirecionada com o desenvolvimento de insumos modernos (fertilizantes. Da mesma maneira. Se o uso do calcário agrícola for difundido. busca-se evidenciar também porque o uso de calcário agrícola é triplamente benéfico. Isto significa dizer que as múltiplas funções da agricultura não são comuns ao conjunto da agricultura e que os serviços prestados à sociedade também são distintos. De atividade voltada para a auto-suficiência da propriedade (onde os agricultores se dedicavam à produção de alimentos para seu consumo. Como cita Araújo et al. Este cenário mostra duas importantes modificações. 3. Da porteira da fazenda para dentro. presume-se que poderão ser amplos os benefícios obtidos diante da instituição de um plano/política que viabilize seu uso. Na agricultura não poderia ser diferente. vacinas. em que um enorme fosso separa as realidades da agricultura familiar e da agricultura patronal. bancos estatais e privados.Home Apresentação Sumário Créditos “A própria integração da economia mundial transformou a atividade agropecuária em sua essência. Da porteira da fazenda para fora. Em relação às funções social e econômica. nota-se uma tendência de especialização do produtor na sua atividade-fim. sendo. marcada por um setor agrícola fortemente desigual. Desta forma. os impactos ambientais de um policultivo tradicional são muito diferentes dos impactos da monocultura mecanizada e altamente dependente de insumos químicos. Características socioeconômicas da agricultura no Brasil A partir da segunda metade do século 20. empresas suprido- 181 AGRICULTURA FAMILIAR . estrutura-se um moderno parque industrial de máquinas. medicamentos. a ótica da multifuncionalidade torna-se um interessante instrumento de análise e deve ser contextualizado à nossa realidade. como órgãos públicos e privados de ensino. O CASO DO CALCÁRIO AGRÍCOLA É evidente que os diferentes setores da agricultura desempenham cada uma destas funções de uma maneira distinta. ou um assentamento de reforma agrária. em alguns casos. O processo de produção agropecuária passa a contar com o apoio e a assistência de organismos até então inexistentes ou pouco atuantes. implementos. defensivos. A contribuição para a segurança alimentar exercida por uma comunidade de agricultores familiares. a utilização do conceito sem a devida diferenciação sobre qual agricultura está se analisando pode levar a uma uniformização tal que pouco contribui para a análise crítica do desenvolvimento da agricultura. até antagônicos.MULTIFUNCIONALIDADE E SUSTENTABILIDADE. principalmente onde predomina a “agricultura de mercado”. ocorreram processos de modificações técnicas e econômicas. econômicos e ambientais decorrentes de sua utilização. à criação de animais para abate e de trabalho e fabricavam seus próprios equipamentos e ferramentas). principalmente entre os agricultores familiares. ou seja. fertilizantes. e sendo este insumo capaz de aumentar a produtividade e contribuir para a sustentabilidade da atividade agrícola. Além da caracterização da agricultura familiar e do agronegócio que é feita na próxima seção. em que diversos trabalhos que antes eram realizados pela agricultura passam agora a ser realizados por agentes externos. a agricultura modernizou-se e adequou-se às dinâmicas da economia de mercado”. máquinas e equipamentos) e com os progressos obtidos com a biotecnologia animal e vegetal.

os Estados Unidos resolveram financiar a formação de um comitê em Harvard para tratar o assunto do agribusiness. que sai do mercado de insumos e fatores de produção (antes da porteira). que é resultado do esforço para definir os novos sistemas de produção que chegavam ao campo. 1983). (1990). empresas de transformação e processamento. ao serem analisados. na década de 70. a partir de então. passa pela unidade agrícola produtiva (dentro da porteira) e vai até o processamento. transformação e distribuição (depois da porteira). e outra de baixa renda. secundário (indústria) e terciário (serviços). surgiu pela primeira vez na década de 50 nos Estados Unidos durante a “Conference on Distribution of Agricultural Products”. realizada em Boston. entre outros. No início dos anos 50. dois pesquisadores da Universidade de Harvard. que marcou as relações do setor rural com a indústria e serviços. Segundo Araújo et al. o número de segmentos que circula em torno da produção é tão diversificado que é impossível enquadrar a agricultura como setor primário da economia. apesar de ter proporcionado benefícios para a sociedade. como é o caso das distorções provocadas por instabilidades de preços e de renda. paradoxalmente. alguns de difícil controle. Estudando as transformações e reestruturações ocorridas na agricultura mundial. O termo agribusiness (em português. na configuração do Complexo Agroindustrial. o agribusiness geraria 40% do PIB americano. Até os anos 50/60. A agricultura comercial modernizada é um pólo dinâmico que incorpora inovações tecnológicas e obtém ganhos sistemáticos de produtividade. redes comerciais atacadistas e varejistas. Portanto. se voltou para um sistema de interdependência. Na evolução da agricultura para agronegócio fica clara a existência de um dualismo tecnológico. matemático russo que concebeu as matrizes de interação insumo/produto. até 1954. Tal era o seu desuso que o termo Complexo Agroindustrial (CAI) continuava a manter maior espaço e aceitação no Brasil. Esses estudos foram tão importantes para a economia mundial que. é utilizado. “agronegócio”). seguindo o enfoque simplista de setorização: primário (agricultura). pois decorrem dos baixos investimentos em ensino. e apareceu na literatura no ano seguinte em trabalhos publicados por Ray Goldberg e John H. lhe renderam o Prêmio Nobel de Economia.Home Apresentação Sumário Créditos ras de bens de produção e insumos. Embora a palavra agribusiness tenha um exato equivalente na língua portuguesa. permitem calcular impactos econômicos e planejar a economia como um todo (LEONTIEF. Davis. por Wassily Leontief. e outros mais fáceis de serem solucionados. em 1955. a origem do termo deu-se a partir dos estudos iniciados. Diversos fatores tornaram o processo imperfeito. Esse processo. a agricultura brasileira estruturou-se num modelo voltado para a autosuficiência da propriedade e. Davis e Goldberg contrataram Leontief para fazer parte deste comitê e projetaram que. na década de 30. também conhecida como “moderna” e “de mercado”. Têmse uma agricultura comercial. O neologismo incorpora em seu conceito os agentes que imprimem dinâmica a cada elo da cadeia. na escrita e fala brasileiras. em que se estabelecem fluxos “inputs” e “outputs” nos diversos setores da economia que. baixo treinamento em gestão e baixa eficiência das políticas no âmbito do CAI. deixando em sua esteira sérios problemas de desajustamentos econômicos e sociais. pesquisa e experimentação. que articula a produção agroindustrial com o desenvolvimento urbano. Davis e Goldberg criaram o termo agribusiness. é curioso notar seu pouco uso até fins da década de 90. Somente a partir do ano 2000 o conceito agribusiness se difundiu mais no País. resultante de uma defasagem tecnológica do CAI (GRAZIANO DA SILVA. 1998). Na verdade. uma tabela de dupla entrada. Já a agricultura de baixa renda é um 182 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE . embora o conceito de agribusiness tenha sido criado há tantos anos e ter se constituído na ferramenta analítica mais empregada nas economias desenvolvidas e também no enfoque mais apropriado para análise da agricultura brasileira. evoluiu de forma desordenada.

A ampliação do número de agricultores assentados pela reforma agrária. com uma diversidade de características. assim como em outros países. onde existe pouca articulação dos produtores com o mercado consumidor de matérias-primas agropecuárias e com os fornecedores de bens de capital e insumos agrícolas. o uso de bens industriais e insumos é baixo ou nulo. ser baseada em uma economia de subsistência 3. Os países que hoje ostentam os melhores indicadores de desenvolvimento humano.Home Apresentação Sumário Créditos núcleo estagnado. contemporaneamente. . A agricultura familiar tem grande importância no cenário de desenvolvimento socioeconômico do País. 2002). A persistência do problema de baixa renda continua mantendo uma parcela considerável da população em nível inferior de vida. Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). A densidade ocupacional na agricultura familiar chega a ser cinco vezes maior que na agricultura patronal. de 24 de julho de 2006) refletem e alimentam este debate na sociedade. hoje é admitido. à aptidão de terras. à situação dos produtores. impulsionada pelo debate sobre desenvolvimento sustentável. Por isso. de 19951996.MULTIFUNCIONALIDADE E SUSTENTABILIDADE. A agricultura familiar apresenta uma grande diversidade em relação ao meio ambiente. 183 AGRICULTURA FAMILIAR . a produção é quase toda dirigida para a auto-suficiência e sua articulação com o CAI é incipiente. sejam oriundas das entidades representativas dos pequenos produtores. do ponto de vista tecnológico. apresentam um traço comum: a forte presença da agricultura familiar. um terço de toda a produção nacional. segurança alimentar e desenvolvimento local. dos Estados Unidos ao Japão. de acordo com estudos realizados no âmbito do Projeto de Cooperação Técnica INCRA/FAO 1996-1999 (apud LIMA et al.322. articuladas com latifúndios. não só no meio técnico-científico mas também na esfera política. Foram produzidas inúmeras concepções. O CASO DO CALCÁRIO AGRÍCOLA Conforme afirma Souza (2006). De acordo com o Censo Agropecuário do IBGE. que implica um caráter também econômico e não apenas social dessa categoria de produtores. além de atenderem melhor aos interesses sociais do País. que a agricultura familiar substitui a noção de “pequena produção agrícola”. ela representa 85% do total de estabelecimentos agrícolas do País e 80% do pessoal ocupado na agricultura. a criação do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF) e a Lei da Agricultura Familiar (Lei nº 11. à disponibilidade de infra-estrutura etc. A produção centraliza-se na terra e no trabalho. cuja evolução desempenhou um papel fundamental na estruturação de economias mais dinâmicas e de sociedades mais democráticas e eqüitativas (SANTANA. ou seja. às vezes. o que equivale a 37. A produção familiar na agricultura apresenta-se. interpretações e propostas. O caso é mais grave na região NorteNordeste do País. De acordo com dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e alimentação (FAO). não apenas entre as regiões.1 Agricultura familiar A discussão sobre a importância e o papel da agricultura familiar no desenvolvimento brasileiro vem ganhando força nos últimos anos.1 bilhões. geração de renda e emprego.9% do valor bruto da produção agropecuária brasileira. são produtivas. tais como: ser fortemente integrada em uma economia de mercado do tipo competitivo. “a importância econômica e social da agricultura familiar é maior do que normalmente se admite”. ao mesmo tempo em que a sociedade perde o valor do seu potencial produtivo. dos intelectuais que estudam o meio rural ou dos técnicos do governo que elaboram as políticas para o setor rural brasileiro. contribuindo para a geração de R$18. que produz à base de unidades familiares independentes ou. O debate sobre os conceitos e a importância da agricultura familiar é intenso. economicamente viáveis e asseguram melhor a preservação ambiental. a agricultura Familiar constitui importante segmento das unidades rurais no Brasil. 2005). mas também dentro de cada região. A pesquisa desenvolvida pela FAO/INCRA em 2000 revelou que as unidades familiares.

5% de todos os estabelecimentos da região. demonstra que existe um enorme e pouco conhecido potencial de pujança da agricultura familiar brasileira.2 traz a análise regional e evidencia a importância das regiões Norte e Sul na produção familiar (mais de 50% do VBP). ou seja: produtor. Na Tabela 3.3% do financiamento destinado à agricultura (Tabela 3. em todas as regiões. cultivador da terra. cultivador. o avesso da tradição rural brasileira fundada no grande latifúndio e exibe a existência de um novo e poderoso eixo de desenvolvimento para o País. sendo responsável por 49.1). representados por 2.3%). representando apenas 7. O financiamento destinado à agricultura é desproporcional entre os agricultores familiares e patronais. Quanto à área do estabelecimento familiar.157 estabelecimentos (99. A safra agrícola de 1995/1996 foi a que recebeu o menor volume de crédito no Brasil. é responsável por 16.9% dos estabelecimentos familiares no Brasil.6% do crédito rural aplicado na região. chefe de empreendimento.7% de todos os estabelecimentos familiares do País. Os agricultores familiares receberam ape- 184 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE . os agricultores familiares ficam com 43. a região Sul é a mais forte. camponês. ser excluída do modelo de desenvolvimento dominante.O Brasil Redescoberto”. Cruzando os dados das cinco regiões brasileiras (Tabela 3. sendo que. ocupando 43. recebendo 38.7% do valor bruto da produção (VBP) dessa safra.3% do financiamento rural destinado a esta categoria de agricultores. representando 90. nas 25.6% da área total dos familiares.3). A região Centro-Oeste é a que apresenta o menor número de agricultores familiares.1% do VBP regional. ocupa apenas 31. sendo responsável por apenas 3. denominado “Novo Retrato da Agricultura Familiar .6% dos financiamentos.2% da área e recebem somente 12. ocupando 43. pequeno produtor (SANTANA.055. muitas vezes.3% dos financiamentos nela aplicados. o Nordeste desponta com o maior percentual de estabelecimentos. A região Nordeste é a que apresenta o maior número de agricultores familiares. explorador agrícola. a participação dos estabelecimentos familiares no crédito rural é inferior ao VBP de que eles são responsáveis. desde o final dos anos 60. 2005).8% do valor dos financiamentos agrícolas da região. Vale lembrar que os dados estatísticos de que se dispõe até o presente momento são os que constam no Censo Agropecuário do IBGE de 1995/1996. Nesse estudo do MDA/INCRA.1 tem-se a caracterização do universo familiar e patronal da agricultura no País. produzindo 43% de todo VBP da região e ficando apenas com 26. Na região Norte. Nesta região.3% do VBP da região.8% da área e produzindo 57. agricultor. Nesta região localizam-se gran- 3.5% da área regional. Em termos de agricultura familiar.1 Caracterização do universo familiar Um estudo realizado em 2000 pelo Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA) em cooperação com o INCRA. entre outras. o universo familiar foi caracterizado pelos estabelecimentos que atendiam simultaneamente às seguintes condições: a) a direção dos trabalhos do estabelecimento era exercida pelo próprio produtor e b) o trabalho familiar era superior ao trabalho contratado. sendo a área média dos estabelecimentos familiares 25 ha e a patronal 433 ha. Existe uma multiplicidade de termos que identificam os agentes sociais nela envolvidos. Esses agricultores possuem 29. Entretanto.5% da área e produzem 68.1.7% do VBP dos agricultores familiares e absorve 14. Os agricultores familiares da região Sudeste apresentam grande desproporção entre o percentual de financiamento recebido e as áreas dos estabelecimentos. O valor total dos financiamentos rurais foi inferior a 4 bilhões. ocupam 37. sugerindo uma mudança de paradigma cultural no que diz respeito ao meio rural. explorador familiar. os agricultores familiares representam 85. A Tabela 3.45% dos estabelecimentos. a classificação foi feita segundo tabela do INCRA.Home Apresentação Sumário Créditos ou. Novo Censo foi iniciado no País em 2007.

3 90.042 263 5. ocupando respectivamente 12.0 % VBP S/total 16.696 1.635 4.0 5. segundo categorias.2 Área Total (em ha) 34.3% do valor bruto da produção da agricultura familiar brasileira. área.139. valor bruto da produção (VBP) e financiamento total (FT). apresenta.230 107.3 17.828 2.1 1.859.3 100.8 30. s/total 88.369 % Estab.812 515.9% dos estabelecimentos familiares e ocupar 18% da área total.707.IBGE.796. s/total 85. Por outro lado.1 0.1 1.3 58. Categorias FAMILIAR PATRONAL Inst.5 29.973 94.0 100.0 VBP (mil R$) 18. VBP e financiamento total destinado aos agricultores familiares.0 100.735.218 13.352.043.3 55.4 57.3 66.9 0. é responsável por 47.501 7.3 73.0 % área S/total 31.2 .2 0.8 85.112 %FT s/total 25.608 959 47.026. Elaboração: Projeto Cooperação INCRA/FAO. Região Nordeste Centro-oeste Norte Sudeste Sul Brasil Estab.7% e 20. Entid. Total 2.993 18.2 3.850 72. S/total 49.620 907.3 21.3 24.5 67.864 %Estab.2 7. (mil ha) 107.0 100.4 15. valor bruto da produção (VBP) e financiamento total (FT).768.7 20.860.IBGE Elaboração: Projeto Cooperação INCRA/FAO Tabela 3. em conjunto com a região Norte. apesar de deter 21.768 240.0 100.9 FT (mil R$) 133.Agricultores Familiares: participação percentual das regiões no número de estabelecimentos.3 .4 18.327 465.725 29.6 37.744. área.483 8.5 VBP (mil R$) 3.IBGE Elaboração: Projeto Cooperação INCRA/FAO 185 AGRICULTURA FAMILIAR .4 75.730 19. Pública Não Identificado Total Estab.Home Apresentação Sumário Créditos des áreas de produção de soja.139.3 10.157 162.5 12.960 18.055.0 .7 38. porém com um menor número de estabelecimentos.5 85.9 61.725 % VBP s/total 43.143 158.428.0 %FT S/total 14.2 43.117.656 4.8 12.139.611 %Área s/total 30. criação de gado.3 47.7 6.0 100.530 8 353.575.716 31. Tabela 3.895 633.862 937.0 FT (mil R$) 937.469 %VBP s/total 37.828 % FT s/total 26. Total 4.0 Área Tot.123 143.2 11.MULTIFUNCIONALIDADE E SUSTENTABILIDADE.9 9.Agricultores Familiares: estabelecimentos.280 12 3.7 3.0 0.5 22.311 21. Pia/Relig.897 1. a maior área média entre os familiares.3 25. O crédito rural também é mais concentrado nesta região.Brasil: estabelecimentos.039.9 100.691.6 12. cana-de-açúcar etc.2 15.6 12.369 554.6 43.276 2.0 Fonte: Censo Agropecuário 1995/1996 . absorvendo 55% dos recursos de crédito rural utilizados pelos agricultores familiares do País.3% da área total dos agricultores familiares.058 50.122.0 0.3 Fonte: Censo Agropecuário 1995/1996 .062 380.1 37.0 Fonte: Censo Agropecuário 1995/1996 .8 100.117. segundo as regiões Região Nordeste Centro-Oeste Norte Sudeste Sul Brasil Estab.0 16. Tabela 3.8 0.719 132 4. A região Sul.4 0.450 % Área s/total 43.5 0. O CASO DO CALCÁRIO AGRÍCOLA 0. área.1 .

no Centro-Oeste. mas localizados em diferentes regiões.891. no Nordeste. Atualmente.717.Home Apresentação Sumário Créditos Com relação à área média dos estabelecimentos familiares.085.00.780. na região Sul (Tabela 3. Esta diversidade também ocorre entre agricultores de uma mesma categoria. A renda agropecuária total (RT) e a renda monetária por estabelecimento (RM) apresentam grande diferenciação entre os agricultores familiares e patronais.00/ano.3 milhões de pessoas ocupadas na agricultura brasileira.4).5 demonstra o número de pessoal ocupado entre os agricultores familiares nas diferentes formas. com 223 ha por estabelecimento (Gráfico 3. a área média chega a 433 ha.152. No Centro-Oeste.00. no Centro-Oeste a média chega a 1. também variando muito entre as regiões. variando entre R$ 1. Na região Sul.315.00 entre os agricultores familiares. Os agricultores familiares são responsáveis pela contratação de 16. sendo a renda patronal muito superior. A renda total e a renda monetária geradas nos estabelecimentos familiares demonstram o potencial econômico dos agricultores familiares. Entre os patronais.783. no Nordeste. variando de R$9. A Tabela 3. talvez o mais importante seja o de ser a maior geradora de postos de trabalho no meio rural brasileiro. A renda mais elevada entre os patronais pode ser explicada principalmente pelos ganhos de produtividade obtidos. encontra-se a menor área entre os patronais.164. verifica-se que é muito inferior à dos patronais. mesmo com todas as limitações que sofrem. Enquanto a área média entre os familiares do Nordeste é de 16. na região Sul.159. o mesmo acontece com os familiares. que. Nas regiões onde os agricultores patronais apresentam as maiores áreas médias. No Brasil.00 anuais. A renda dos estabelecimentos patronais alcança o total médio de R$19.5 ha. pois se relaciona ao processo histórico de ocupação da terra. e R$3. a RT média por estabelecimento familiar foi de R$ 2.7% destes. no Brasil como um todo. A área média dos estabelecimentos é de 26 ha. 13. obtendo renda através da produção agropecuária de seus estabelecimentos. enquanto a patronal é 433 ha. sendo R$696. é responsável por 76.6 ha.Área Média dos Estabelecimentos Patronais (em ha) .00.1). FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE Fonte: IBGE 186 Gráfico 3. a agricultura familiar ocupa 84% da mão-de-obra da agricultura. no Centro-Oeste é de 84. Na região Sudeste.324 ha.9% do pessoal ocupado. e R$5.1 .00/ano. Dentre os diversos aspectos positivos que a agricultura familiar apresenta.8% do total de empregados permanentes do Brasil. na região Nordeste. enquanto os estabelecimentos patronais contratam 81.00/ano. ela é responsável por apenas 54%. a R$33. Dos 17. A RM da agropecuária por estabelecimento foi de R$1.00. não produzem apenas para subsistência.201 estão empregadas na agricultura familiar.

20 83.5% do total das unidades de trabalho utilizadas no estabelecimento são contratadas. Perm.MULTIFUNCIONALIDADE E SUSTENTABILIDADE. sendo todo o restante do trabalho desenvolvido por membros da família.420 551.152 2.9 Fonte: Censo Agropecuário 1995/1996 . 8. desde famílias muito pobres.903 97.) Outra Condição UTF/UT % .839.355 16. Características tecnológicas Uma análise da inovação tecnológica na agricultura familiar brasileira.097 588.703 3.081 2.379 42.883 18.972 13.036..93 54.242 1.5 .577 2. organização.7 95.697 98. até famílias com dotação de recursos.793 6. sendo que 78. conhecimento etc – suficiente para aproveitar as eventuais janelas de oportunidades criadas tanto pela aplicação das “velhas” 3.904 3.201 82. como cita Buainain (2002): “(.315 1.9 91. Os dados apresentados na seção anterior.691 15. para a produção de produtos alimentares básicos e com uma lógica de produção de subsistência..935 2.6 96.810 39.085 Patronal RM/Estab. voltado fundamentalmente 187 AGRICULTURA FAMILIAR .164 11. 9.955 986. Parceiros (empreg. tecnológico e social.678 34.85 81.14 82.040 25.453 128.2 96. 1.043 1.891 33. apenas 4% são contratadas.): “(. Elaboração: Projeto Cooperação INCRA/FAO.779 9.548 122.074 2. em caráter precário..772 58.1 90. capacitação.467 30.4 .636 160.15 59.1. um pedaço de terra que dificilmente pode servir de base para uma unidade de produção sustentável.Agricultores Familiares e Patronais: renda total (RT) e renda monetária (RM) por estabelecimento (em R$). cit. Do total de unidades de trabalho utilizadas na agricultura familiar.total Pess.448 62.294 26.418 29.815 28. Empreg.Home Apresentação Sumário Créditos Tabela 3.) o universo da agricultura familiar no Brasil é extremamente heterogêneo e inclui. segundo Buainain (op.783 RT/Estab. Os agricultores patronais apresentam uma relação inversa. % s/total Empreg. O CASO DO CALCÁRIO AGRÍCOLA Região Pessoal Ocup.146 20. Tabela 3. do ponto de vista econômico.207 191. está longe de corresponder à realidade”.717 RM/Estab.835 308.159 4.IBGE.) deve levar em conta a inserção e os parâmetros estruturais que conformam este segmento.824 68.146 60.990 2.2.880 58. terra.Ocup.IBGE Elaboração: Projeto Cooperação INCRA/FAO Os agricultores concentram seu trabalho entre membros da família do próprio agricultor.542.212 15.158 19.. Ainda.809.847 23. Temp.824 5.Agricultores Familiares: pessoal ocupado nas diferentes formas de ocupação. A imagem estereotipada da agricultura familiar como um setor atrasado. confirmam essa colocação e exibem a existência de um novo e poderoso eixo de desenvolvimento para o País.94 76. Nordeste Centro-Oeste Norte Sudeste Sul Brasil 6. Região Nordeste Centro-Oeste Norte Sudeste Sul Brasil Familiar RT/Estab.400 Fonte: Censo Agropecuário 1995/1996 . baseados na pesquisa do INCRA/FAO. 696 3.780. que detém.

7 24. Nos estados da região Sul. os produtores familiares aparecem isolados em pequenos grupos. no Sudeste. e até 77.2 9. na região Norte ela. Ainda se forem consideradas as diferenças no interior da agricultura nordestina.7 38.2 39.1 47. a sustentação e o fortalecimento da agricultura familiar.3 49. Enquanto na região Sul.7 22. sendo também as regiões Norte e Nordeste as que menos utilizam esta prática (3. sendo as regiões Norte e Nordeste (39. 20. Tampouco emergiu no País uma indústria produtora de equipamentos dimensionados para as condições e as necessidades da agricultura familiar.4%. em outras regiões.7%.9 5.6%.Agricultores Familiares: acesso à tecnologia e à assistência técnica.8 Usa Adubos e Corretivos 16. sendo utilizada por 43. na região Sul. Também coloca que é preciso “assumir.3 56. não deve ser questionado e ser alvo de políticas tecnológicas voltadas para torná-la mais competitiva.9 17. Já os patronais utilizam 43.3 Fonte: Censo Agropecuário 1995/1996 . solo 6. respectivamente) as que menos utilizam-nas.5%.3 87.2 22.1 e 9.2 16. Outra dificuldade que a agricultura familiar enfrenta são as restrições de acesso aos mercados de serviços em geral.7% usam adubos e corretivos. é quase insignificante. Concordamos com Buainain (2002). Entre os agricultores familiares.3% dos estabelecimentos patronais. Entre os agricultores familiares.7 18. não redutíveis a uma simples categoria por utilizarem predominantemente o trabalho familiar”. quando afirma que a viabilidade.2% na região Sul.7% FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE Tabela 3.2 14.7 45. o número de produtores com acesso à assistência técnica é muito pequeno. onde 80. no Norte.3 44. Técnica 2.9%. apenas 36.7% utilizam assistência técnica. 55. A conservação dos solos é feita por 40% dos estabelecimentos patronais. mas.7 24.6 mostra o acesso à tecnologia e à assistência técnica nas diferentes regiões. Essa dispersão dificulta o florescimento de prestadores de serviços técnicos especializados. 51. na região Nordeste este índice é de 2.1 42. em profundidade.Home Apresentação Sumário Créditos tecnologias como pela inovação tecnológica”.5 61.5% dos estabelecimentos.7% e 47.7 47.7 Usa Energia Elétrica 18. respectivamente).8 9. chega a 64. e no Nordeste. menos de 1%. Na região Nordeste.1 0. A Tabela 3.0 60. cuja importância em um país com uma população rural expressiva e marcada por fortes assimetrias sociais e econô-micas. apenas 18. cercados pela exploração patronal dominante. as conseqüências da reconhecida diferenciação dos agricultores familiares e tratá-los como de fato são: diferentes entre si.4 27. Região Nordeste Centro-Oeste Norte Sudeste Sul Brasil Utiliza Assist.9% e 50. a agricultura familiar tem densidade suficiente para aparecer como forma de exploração dominante. mesmo possuindo gran- O acesso à tecnologia apresenta grande variação tanto entre familiares e patronais quanto entre os agricultores de diferentes regiões.1 36. mesmo que de uma mesma categoria.5%.6 Uso de Força nos Trabalhos Só mecânica Só animal mecânica + animal Manual 20. A assistência técnica está mais presente entre os patronais.9%. O acesso à energia elétrica também é maior entre os patronais.6 77.3 9.2 73.3 19. alcançando 64. Na região Sul.8 34. na Região Norte.1%. Entretanto. chegando a variar de 9%.IBGE Elaboração: Projeto Cooperação INCRA/FAO 188 . A conservação de solos também apresenta uma grande variação entre as regiões.7 48.6 .8 3. com destaque para a região Sudeste.2% dos estabelecimentos têm acesso. quase 45% dos estabelecimentos fazem algum tipo de conservação dos solos.0 37.1%.3 13. apenas 16.5 36. no Centro-Oeste.6 12. A tração mecânica e/ou animal é utilizada em 68.7 Faz Conserv.

Home Apresentação Sumário Créditos de número de propriedades familiares.8).MULTIFUNCIONALIDADE E SUSTENTABILIDADE. 2002 e FAO/INCRA.00/ano entre os familiares.3 Investimentos nos estabelecimentos agropecuários No período de 1994-1998. serviços de meteorologia e de comercialização são fundamentais para a viabilidade de sistemas mais avançados.40/ha. os patronais da região Sudeste são os que mais compram (22%). A região Centro-Oeste foi a que mais investiu nas duas categorias.00/ano entre os patronais e R$ 612.7). Os agricultores patronais investiram R$ 5. o maior volume foi destinado para formação de novas plantações e compra de animais (Tabela 3.570. apenas R$ 7. realizou-se um estudo. Na prática. na Safra 95/96.8%).901.1. Os agricultores patronais destinam a maior parte de seus investimentos à compra de plantas e animais (46. 2002). 189 AGRICULTURA FAMILIAR .9% de todos os investimentos realizados no País com esta finalidade.4% de todos os investimentos feitos pelos agricultores familiares do País (Tabela 3. Nas regiões Sudeste. O investimento médio por estabelecimento foi de R$ 9.5 bilhões. Seu objetivo principal era aprofundar o conhecimento sobre aspectos relacionados ao funcionamento da agricultura familiar. em praticamente todos os sistemas agrícolas e regiões. 28.212. principalmente. 2. Os agricultores familiares das regiões Norte e Nordeste são os que menos investem em compra de terras.3 3. Com relação ao destino dos investimentos. representando respectivamente 1.5%). através do Convênio FAO/INCRA sobre os sistemas de produção adotados pelos agricultores familiares nas diversas regiões do País.00 entre os patronais. representando juntas 67. a maioria é pobre não se constitui em mercado relevante a ponto de estimular a instalação de empresas prestadoras de serviços técnicos específicos. Os agricultores familiares que menos investiram foram os da região Norte. seja pela insuficiência de oferta de crédito. seguidos dos familiares da região Sul (20. a sua capacidade de manter-se competitiva em um mercado cada vez mais exigente. seguido de máquinas e benfeitorias (25.1%) do total dos investimentos. sendo R$1.4% e Centro-Oeste.7 bilhões. A ausência de recursos. ou seja. Assistência técnica. identificando tanto os obstáculos enfrentados. Os investimentos realizados na agricultura. os agricultores enfrentam problemas associados à disponibilidade de capital de giro e recursos para investimentos. Do total de recursos investidos na compra de terras no Brasil. 32% de todo o investimento realizado. As regiões que mais investiram foram o Sul (44. Elaboração: Projeto Cooperação INCRA/FAO 3. a grade maioria dos produtores necessita de recursos de terceiros para operar suas unidades de maneira eficaz.1. Tal estudo revelou que. extensão. O CASO DO CALCÁRIO AGRÍCOLA .4%. como as potencialidades associadas aos principais sistemas de produção utilizados pelos agricultores familiares nas diversas regiões do País (BUAINAIN.2%) e dos patronais da região Sul (16. ou pelas condições contratuais inadequadas. sendo os agricultores familiares responsáveis pelos investimentos de R$ Os agricultores familiares da região Sul destinam a maior parte de seus investimentos para compra de máquinas e benfeitorias. Já os agricultores familiares do Nordeste destinam a maior parte do investimento à aquisição de novas plantas e animais.2%) e o Sudeste (23.8%) e compra de terras (12. rentável e sustentável.1 bilhões (66.5% e 2. e também são os que mais compram terras no País.7%). impõe sérias restrições ao funcionamento da agricultura familiar moderna e. totalizaram R$ 7. 1999).2%).00 entre os familiares e R$ 20. 36. Sua ausência ou deficiência restringe o desenvolvimento e a consolidação de sistemas produtivos nos quais os agricultores familiares poderiam ser competitivos e viáveis (BUAINAIN.

a criação de aves e produção de ovos é encontrada em 73.2 25.0 173. principalmente na pecuária de leite. feijão (67%). 2º lugar.9% produzem milho.212.0 21.3%).459 14. É inegável sua importância na produção destinada ao mercado interno e também na produção de alguns importantes produtos exportáveis.2%).8). 3.582 1.2 37. Invest.1 15.1 28.725 5. Região Nordeste Centro-Oeste Norte Sudeste Sul Brasil Total de Investimentos (em mil R$) 355.784 2.449.605 296. criação de aves e produção de ovos (encontrado em 63% dos estabelecimentos). (R$) 3.4 5. produção de milho (32. soja e trigo.8 41.8 9.6 13.0 18. Total (%) 11.2 44.598 1.4 57.3 424.4 38. 190 .598 1. 46.2%).235.7 45. 1995/1996.8 36. fumo.6%) e café (10. pecuária de corte (48. destaque para as produções de: fumo (97%).495.861.IBGE.108.5 8.5 41.00 928.6 16.128 161.9 9.6 9. Invest/Estab. independente das quantidades produzidas por cada um.5 Invest/Estab.784 2. Total Invest.766.570.4 10. investimento por estabelecimento e investimento por ha.535. segundo as regiões.5%). suínos.494 588.9 41.Agricultores familiares: valor dos investimentos e destino (em%).4 26.IBGE.0 Invest/ Invest/ Estab.5% da área total das terras agricultáveis do País. milho.5 7.2%). 55% criam suínos.9 1.5 8. a agricultura familiar é responsável por quase 40% de toda a produção agropecuária nacional. as atividades mais comuns são: pecuária de leite (54.2 8. Na região Sul.4 Participação da agricultura familiar 3. FAMILIAR Região Nordeste Centro-Oeste Norte Sudeste Sul Brasil Total Invest.0 30.8 21.535.459 ____________________Destino dos nvestimentos_________________ Máquinas e Compra de Novas plantas Outros Benfeitorias Terras e animais investimentos 18. pecuária de leite (36%). 48% criam gado de corte.Home Apresentação Sumário Créditos Tabela 3.4 22. Elaboração: Projeto Cooperação INCRA/FAO.10.9 21.4 31.2 100. cebola.455 308.0 15.9 e 3.744 935. banana (11.7 19.4 18.8 .4 23.5 17. Tabela 3.85 5.0 1.1. cebola (72%). 58% dos suínos e 40% das aves e ovos produzidos.9 612.9).8 20.372 PATRONAL Invest. 62. café.6% criam gado de leite.901.Investimentos totais.7 25.9 17. mandioca. banana.6 24. produção de milho (55%) e feijão (45. (R$) (Mil R$) 10.212. laranja (15.0 21. algodão (33%).1.716 1.8 22. 52% da pecuária de leite. aves produção de uva. Entre os produtores patronais. mandioca 84%).3 Fonte: Censo Agropecuário 1995/1996 . (R$) Estab.4 Participação artic agricultura fami icultur amiliar no valor bruto da produção agropecuária FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE Mesmo dispondo de apenas 25% dos financiamentos destinados à produção agrícola e possuindo 30.3 100.7 . Dentre as culturas temporárias e permanentes. criação de aves e produção de ovos (54.121.0 12.0 56. demonstram essa participação por região. feijão. feijão (17.7 23.121.8%).2 6. As Tabelas 3.128 161. Dentre as cinco regiões. Total (%) (R$) (Mil R$) 355 . em 3º lugar.455 308.7 16. As atividades mais comuns entre os agricultores familiares. Os produtores familiares são responsáveis por 24% do total da pecuária de corte.6 Fonte: Censo Agropecuário 1995/1996 . arroz (31%). algodão.5% dos estabelecimentos.5 564.494 588. são: em 1º lugar. os agricultores familiares que mais se destacam pela sua participação no VBP são os da região Sul.

8 93.5 29. O número de contratos firmados pelo PRONAF apresentou crescimento em todo o Brasil. 191 AGRICULTURA FAMILIAR .6 77.8 30.1 Suínos 64.6 27.0 79.2 Arroz 70.0 Uva 2.5 2.6 73. fortalecendo a agricultura familiar. mais agricul- tores têm aderido as opções de crédito do PRONAF.4 40. visando à melhoria da qualidade de vida e ao exercício da cidadania pelos agricultores familiares.5 12.11.5 35.Home Apresentação Sumário Créditos Tabela 3. A partir de 2003. O CASO DO CALCÁRIO AGRÍCOLA Cana 7.3 23.9 Milho 65. A cada ano.6 Soja 2.4 3. a manutenção e a geração de empregos e a elevação de renda.8 66.4 Feijão 79.2 29.6 23.6 Região NE CO NO SE SUL Brasil Fonte: Censo Agropecuário 1995/1996 .8 21.6 37.8 88.8 57. o microcrédito rural.0 22. suas associações e cooperativas.8 8.IBGE Elaboração: Projeto Cooperação INCRA/FAO Tabela 3. atua no apoio ao desenvolvimento rural sustentável e na garantia da segurança alimentar.6 69. assistência técnica.Agricultura Familiar: percentual do VBP produzido em relação ao VBP total do produto.5 33.5 Programa Nacional de FortaleciAgric ultura Fami icultur amiliar ment men t o da Agr ic ultur a Fami liar (PRONAF) Segundo o Ministério de Desenvolvimento Agrário.0 68. por meio de programas que permitem o acesso a linhas de crédito.7 43. em grande parte.5 16.1 43.3 8.1 72. extrativistas.3 32.3 67.6 67.3 30. ao grande esforço realizado pelas entidades de Assistência Técnica e Extensão Rural.6 52.5 74.5 ____________________ Algodão 56.0 48. seguro agrícola.9 Banana 56.6 Café 22.8 26.4 43.1 50. Região NE CO NO SE SUL Brasil % Área s/total 43. verificando-se um aumento de cerca de 40%. comunidades quilombolas ou povos indígenas que pratiquem atividades produtivas agrícolas ou nãoagrícolas no meio rural.4 81.0 55.6 62.2 43.6 37. Fruticultura e Cultura Permanente_______________ Pecuária Corte Leite 42. nos últimos quatro anos.5 20.5 84.9 62.6 .5 58.2 21.2 Mandioca 82. por meio da Secretaria de Agricultura Familiar (SAF).3 80.2 97.8 31.3 21.5 16.1 73.6 97. silvícolas e pescadoras.6 53.3 11.0 Fonte: Censo Agropecuário 1995/1996 .6 23.9 37.2 43.3 50.4 52.4 38.8 27.9.5 ___________Produção animal. por intermédio de ações destinadas a implementar o aumento da capacidade produtiva.9 51. O Ministério de Desenvolvimento Agrário.8 30.4 55.2 31.9 77. Destaque para as regiões Norte e Nordeste. Nessas regiões.1.3 17.8 25.7 8.5 Laranja 64.8 22.3 47.5 Aves/ovos 26.8 61.1 31.9 83. comercialização e crédito rural produtivo às famílias agricultoras.6 51.6 86.6 58. assentadas de reforma agrária e do crédito fundiário.9 Culturas emporárias ________________________________ Cebola 57.2 Fumo 84.2 29.IBGE Elaboração: Projeto Cooperação INCRA/FAO 3.9 92.10 .2 9.MULTIFUNCIONALIDADE E SUSTENTABILIDADE.0 39.8 65. o PRONAF objetiva promover o desenvolvimento sustentável do meio rural.5 29.3 86. Isto se deve. muitos deles passaram a ter acesso ao crédito pela primeira vez.8 89.5 37.0 2.8 42. especialmente com crédito do Grupo “B”.4 82.9 83. os agricultores familiares praticamente não acessavam crédito rural.5 12.Agricultura Familiar: percentual do VBP produzido em relação ao VBP total do produto % Área s/total 43. Os públicos do PRONAF são: famílias agricultoras. como pode ser visto na Tabela 3.

exigindo que o Estado formule e execute suas políticas em função dessa diversidade.smap. em grande parte. Apenas 868 mil unidades utilizam corretivo de solos. 49.8% do total de propriedades.404.6%). A ampliação e qualificação do serviço de assistência técnica e extensão rural e o Seguro da Agricultura Familiar. Os estabelecimentos familiares foram responsáveis por praticamente 77% do pessoal ocupado no meio rural brasileiro.996.12 foi montada com base nos dados levantados na pesquisa realizada pelo DNPM/ FUNPAR. milho. cebola. fazem com que a meta para o ano safra 2006/2007 – julho de 2006 a junho de 2007 – seja de dois milhões de contratos no PRONAF.404. como a soja.138.8 milhões na Bahia (9.48 5. especialmente o crédito subsidiado disponibilizado por meio do PRONAF e a nova Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (PNATER). que está garantindo condições para minimizar os riscos inerentes à atividade agrícola. inclusive em relação aos produtos voltados à exportação. comparado ao ano de 2001. Um passo importante foi dado com a implantação do Seguro da Agricultura Familiar.792.8 milhões de estabelecimentos agrícolas distribuídos pelas 27 Unidades da Federação. O número de contratos vem crescendo a cada ano.8 milhões em Minas Gerais (12.183. somados aos expressivos resultados alcançados até agora com o apoio das organizações dos agricultores familiares.0 milhões em Mato Grosso do Sul (9.11 6. mandioca. dispondo de apenas 30% da área.11 – Brasil: número de contratos e montante do crédito rural do PRONAF. em 2003. triplicou.463 1. 4. suínos.153.4 vezes maior que a dos demais.7%).1%. correspondendo a apenas 17.850.611.11 traz o número de contratos e o valor total contratado no período 2001-2006.84 milhões estão no Mato Grosso (15. Ano 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Contratos 910. 40. 192 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE Essas iniciativas contribuíram para que a participação da agricultura familiar no Produto Interno Bruto (PIB) nacional chegasse a 10. a renda total por hectare/ano nos imóveis onde predomina o trabalho familiar foi aproximadamente 2. Do total dos 4.129. ao resgate de diversas políticas públicas. Na produção de feijão.9 milhões de hectares ocupados com lavouras temporárias e permanentes. Dados gerados pelo BANCOOB/BANSICRED/BASA/BB/BN E BNDES. mas não é correto ignorar que entre os agricultores familiares há uma considerável diversidade do ponto de vista econômico e social. Fonte: MDA/SAF/PRONAF – consulta em 10/04/2007 www.80 2. com a aplicação de R$ 10 bilhões de reais (MDA/PRONAF). por ano agrícola (em R$1. Os resultados alcançados indicam um progresso. aos estímulos públicos e privados.475.671.351.761. . banana e fumo. essa proporção foi superior ou próxima a 50%.190. Tabela 3.806. implantada a partir de 2003. A Tabela 3.2) e o restante dos 170 milhões de hectares distribuídos entre os outros 23 estados. segundo estudo realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE). os estabelecimentos familiares foram responsáveis por quase 38% do valor bruto da produção agropecuária nacional.Home Apresentação Sumário Créditos A Tabela 3.5%). 29. O trabalho mostrou que.258. Em relação ao valor.99 3.br/credito.gov.6 bilhões. Apesar de a área média dos estabelecimentos patronais ser quase 17 vezes maior que a dos familiares.3 milhões (89%) são propriedades com menos de 100 ha de área.183 1. Isso indica que a agricultura familiar foi capaz de responder. Dos 321.412. em 2003. neste mesmo período.644.mda.769. (MDA/SAF.247 1. com eficiência. leite. o que corresponde a um valor adicionado de R$ 156. Em 2006 quase dobrou.245. para que se alcancem novos patamares de crescimento com distribuição de renda e inclusão social.112 1.466 953.508 Valor Total 2.44 O dinamismo da agricultura familiar no último período pode ser atribuído.32 7.899. 31.00). 2007).

148 75.400 27.894 156.400 1.539 258.126 339.425 15.677 206.956 7.585 1.913 4.0%.341 66.999 18.816 971 603.748 95. com 3.14 3.288 111.700 1.143 524 69. e o Acre.529 306.105 6.736 169.973 Fonte: IBGE (1995) e Brasil.628 26.006 8.199 233 4.630 248.415 20.) 3.806 142 44.97 21.624 36.9 2.546 1.459 73. Paraná (65%). O CASO DO CALCÁRIO AGRÍCOLA .923 406.032 352.411 1.652 6.673 242.257 527 7.808 4.9 40.4 17.511 1. Os estados com o menor número de propriedades consumidoras de fertilizantes são o Maranhão.300 342. MME (2003).573 13.5 4.191 78.584 155.843 19.522 33.5 49.460 4.864 Propriedade Lavoura Permanente Temporária 1.000 42.4 3.584 Sd 162.1 5.273 391 138.337 12.926 194.859 416 2.392 35.400 33.376 76. seguidos de São Paulo (71%). podendo conquistar uma grande parcela 193 AGRICULTURA FAMILIAR .015 141.80 3.12 – Caracterização da Agropecuária nos Estados Brasileiros.2 O Agronegócio no Brasil O agronegócio enfrenta excelentes oportunidades de melhorias em várias frentes.000 395.178 653.900 16.788 115.817 570 179.806 1.958 203.635 11. 37% das propriedades brasileiras utilizam-nos.949 49.486 1.500 2.337 544. Estad0 AC AL AM AP BA CE DF ES GO MA MT MS MG PA PB PE PI PR RJ RN RO RR RS SC SE SP TO TOTAL Nº Propriedades 23.382 11.938 12.49 12. podendo se tornar um dos maiores produtores e exportadores mundiais.0 321.440 1.774 218.599 646 331.61 1.24 3.341 313 190.989 999 16.000 6.476 429.655 12.MULTIFUNCIONALIDADE E SUSTENTABILIDADE.49 2.8 22.061 8.791 368.877 7.301 190.732 5. clima favorável.064 83.895 35.886 85.630 208.924 1. boa capacidade de gestão na produção e comercialização e bom nível de desenvolvimento tecnológico.904 274 70.347 99.71 17.000 131.859.421 49.404 146.140 106.602 2.061.289 3.361 355 77.91 Propriedade Utilizam Fertilizantes 695 34.016 44.586 52.636 5.18 2.7% das propriedades são consumidoras do insumo.874 21. onde apenas 2.498 1.30 Sd 29.471 415.820.764 9.973 4. Os estados que contam com maior número de propriedades consumidoras são Santa Catarina (85%) e Rio Grande do Sul (82%).775 91. existência de recursos humanos qualificados.091 321.762 49.530 24.445 96.6 15.173 7.431 12.065 15.58 9.029 68. 3. Em relação ao uso de fertilizantes.318 38. Possui elevado potencial de produção de carnes a custos competitivos.119 11.897 868.477 188.512 787 19.444 274 84.048 12.581 1.103 5.914 6. Possui um potencial efetivo de produção de mais de 270 milhões de toneladas de grãos.204 Propriedade Utilizam Menos de Calcário 100 ha 32 17.8 6.321.000 184.Home Apresentação Sumário Créditos Tabela 3.000 171.349 699.275 2.7 8.322 14.862 Área Ocupada (milhões ha.680 91.10 0. com potencial significativo de ganhos econômicos e sociais. Alguns pontos fortes devem ser enfatizados: existência de mais de 100 milhões de hectares de terra que podem ser incorporados ao processo produtivo.468 200. Sd – sem dados Estes números agregados confirmam o argumento de que as propriedades de porte inferior a 100 hectares constituem-se em potenciais consumidoras de calcário agrícola no Brasil e que as políticas de incentivo de incremento a seu uso devem ser a elas direcionadas.423 496.889 23.875 53.584 72.609 901 111. Distrito Federal (64%) e Minas Gerais (62%).9 2.976 46.313 68.898 77.153 28.111 369.313 467 61.964 20.8 30.925 274 48.

em fase de reorganização e adequação aos novos padrões de produção e negócios em vigor. mamona e girassol. Internamente. Já é o maior produtor mundial de biocombustível e pode se tornar um grande vendedor de álcool e açúcar no mercado internacional. No jargão internacional. ao passo que o Brasil ainda se concentra muito na exportação de matérias-primas primárias ou bens de pouco valor agregado.8 bilhões). com o valor de US$21.8 bilhões. parte importante da matriz energética brasileira. a inserção competitiva e definitiva de diferentes setores da economia e/ou de regiões produtoras nesta nova economia mundial. com US$ 42 bilhões). Países com área territorial muito menor. R$ 145. diversos fatores contribuíram para este resultado. institucionais e estruturais e com profundas mudanças tecnológicas nos processos produtivos. enfrenta o desafio de crescer. com potencial de produção de 900 milhões de toneladas de cana-de-açúcar (EMBRAPA. só há espaço permanente para segmentos competitivos. como a França e a Holanda. fornecendo produtos e processos de qualidade. é possível produzir mais de 16 milhões de toneladas de biodiesel a partir de oleaginosas como dendê. com políticas adequadas. Ao longo do período 1994/2006. de modo competitivo e sustentável para atender à demanda interna e conquistar e manter espaços no mercado externo. O Brasil é um dos principais produtores mundiais de alimentos e fibras e participa com mais de 4% do valor total das exportações mundiais do agronegócio. Em 2005. Em 2006. ou seja.9 trilhões e o PIB agropecuário. como é o caso do Canadá. responsável por 30% do PIB total do País. Bélgica (em quinto.44 bilhões).442 bilhões. com US$ 62 bilhões). Alemanha (em quarto. ocupou o sétimo lugar no ranking mundial das exportações agrícolas. Comparando este desempenho com as décadas anteriores. a partir da exploração sustentável de florestas cultivadas.6 bilhões) e Espanha (em sexto. milho. manejo de culturas.77 bilhões. soja e trigo) de pouco mais de 50 milhões de toneladas. Nos últimos 15 anos. O agronegócio nacional. com US$ 22. Mas. Mesmo assim. em regiões de baixa densidade econômica e social no País.9 bilhões). com US$ 21. o País alcançou uma produção média de 114 milhões de toneladas. o PIB do agronegócio alcançou R$ 534. possui destacada influência na oferta mundial de vários produtos agropecuários e é referência mundial na tecnologia de produção de álcool a partir da cana-de-açúcar. com sustentabilidade. E neste mundo globalizado. principalmente nos chamados países emergentes. Holanda (em terceiro. manejo de pragas e doenças. De uma produção média de grãos (arroz. além de posturas e atitudes proativas de todos os atores envolvidos. O processo de desenvolvimento de um país é feito com mudanças políticas. está na frente de países tradicionalmente exportadores de grãos. feijão. seja com relação às inovações tecnológicas seja com relação às mudanças político-institucionais. com US$ 41. houve crescimento significativo nos índices de produção e produtividade da maioria das culturas. em que a inovação tecnológica permanente e continuada é condição definitiva na conquista e manutenção de mercados. sorgo. Mas. quando cresceu quase 300%. devido à disponibilidade de novas tecnologias de produção (material genético. em especial o espetacular aumento da produtividade agrícola. principalmente no período 1990/2003. Embora tenha conseguido aumentos espetaculares. o País já é um big trader. 2006). no período 2004/2005. uso mais intenso e mais racional de insumos). celulose e papel. origem e rastreabilidade e à preços competitivos. o País está atrás dos Estados Unidos (em primeiro. pressupõe uma adequada reorganização das políticas e estruturas produtivas. o agronegócio apresentou um crescimento extraordinário e se transformou no maior negócio do Brasil.Home Apresentação Sumário Créditos da demanda internacional atual e futura. em 2003. o PIB total foi de 1. com US$ 32. no período 1980/1990. Pode se tornar de fato um dos maiores produtores mundiais de madeira. Os investimentos feitos no passado em pesquisa e desenvolvimento. manejo de solo. como aqueles realizados pela 194 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE . têm conseguido crescer nas exportações agrícolas mundiais comercializando produtos com valor agregado. França (em segundo.

Home Apresentação Sumário Créditos Embrapa. Merece destaque o espírito empreendedor dos empresários rurais. com 154 milhões de brasileiros morando nas cidades. dar moradia. a população mundial foi de 6. a China consolidou a sua posição de maior produtor mundial de cereais. econômicos e nem do- minam tecnologias para produzir nas terras ainda não cultivadas.13). a oferta doméstica futura de alimentos e fibras vegetais deverá crescer significativamente. que reside. A partir da mecanização das principais lavouras. a maioria com renda per capita baixa e com forte demanda por carboidratos. de modo contínuo e permanente. 413 milhões. o que permitiu liberar grandes contingentes de assalariados. Portanto. a população rural é de apenas 16%. Um estímulo poderoso foi a crescente demanda internacional por proteínas vegetais e carnes oriundas principalmente dos países ditos emergentes. o Brasil produziu 64 milhões de toneladas. com uma visão integrada do aproveitamento racional dos recursos naturais (solo. vestir e fornecer bens e serviços ambientais de qualidade para uma população adicional de 35 milhões de pessoas e ainda aumentar a sua participação no comércio mundial de produtos agrícolas.MULTIFUNCIONALIDADE E SUSTENTABILIDADE. Existem poucas nações no mundo com áreas livres aptas para a agricultura. em 2005. 389 milhões. Em 1970. clima. A população brasileira cresceu e migrou dos campos para as cidades nas quatro últimas décadas. a China. principalmente se houver uma melhoria real na renda per capita do brasileiro (Tabela 3. das quais 196 milhões (91%) estarão nas cidades. de um total de 183 milhões de brasileiros. e a demanda industrial nacional por bioenergia oriunda da cana-de-açúcar (veículos movidos a álcool). 195 AGRICULTURA FAMILIAR . vestir e ofertar fontes de energia para esta população adicional de 1. Para 2025 estima-se que seja de 7. Essa trajetória de migração rural foi conseqüência do acelerado processo de inovação tecnológica que aconteceu a partir da década de 70. deve-se destacar que o processo de industrialização também teve um papel relevante – o meio urbano sempre exerceu forte atração sobre o meio rural.4 bilhões de pessoas. o que indica que o País já é tipicamente urbano. a população brasileira será de 216 milhões de pessoas. nas diferentes regiões produtoras. Em 2004. o País tinha uma população de 96 milhões de pessoas e cerca de 54 milhões de pessoas já moravam nas cidades. a não incidência de impostos (ICMS) na exportação de produtos agrícolas e a adoção de uma política cambial de livre flutuação do câmbio foram fatores importantes no aumento de renda dos produtores e no desenvolvimento do agronegócio. em grande parte. a fim de gerar divisas via exportação. que fizeram uma verdadeira revolução gerencial no campo. em países pobres ou em desenvolvimento. a produtividade da mão-de-obra rural cresceu substancialmente (Tabela 3. A grande disponibilidade de terras a preços extremamente competitivos e a disponibilidade de moderna maquinaria agrícola. a própria legislação trabalhista ao estender para o assalariado rural os mesmos benefícios dos empregados urbanos. a produção doméstica de cereais ainda é pequena. Quando comparado aos grandes produtores mundiais de cereais. Isto significa que a agricultura brasileira deverá ser capaz de alimentar. Mais recentemente. a Índia e os Estados Unidos. água). a Índia. contribuindo também para acelerar o processo migratório. A partir desta data. Em 2005. O CASO DO CALCÁRIO AGRÍCOLA . com destaque para o continente asiático. foram decisivos nessa conquista tecnológica. 233 milhões e os Estados Unidos. como a China.4 bilhão. acabou exercendo uma forte pressão a favor da mecanização. principalmente com a modernização do parque mecanizado no campo.14). a população rural decresceu em termos relativos e absolutos. Mas.8 bilhões. Segundo projeções da FAO. Esses países não possuem recursos humanos. A partir de 1990. É preciso alimentar. com a utilização de administração profissional e assistência técnica e mão-de-obra especializada. em 2025. Segundo a FAO (2006). 90% delas estão na América do Sul e África.

00 1.4 595.50 5.200 2.000 3.829.948 2.000 2.800 942 20.800 1.00 2.7 30.000 2.918 13.81 352.13 .000 5.571 415.5 10.588.72 28.70 146.40 750.976.000 5.30 1.girassol e dendê) ³ fonte: Embrapa Gado de Corte * dendê (25 t cachos/ha) Tabela 3.000 3.851.694.70 80.68 7.Produção mundial e demanda por alimentos e fibras (milhões de toneladas) Produtos Produção em 2005 Demanda Estimada em 2025 Produção adicional necessária Cereais Oleaginosas Perenes Anuais Carnes¹ Aves Suínos Bovinos Café Fibras Madeiras² 1 2.500 2.026 42.4 15.00 326 411.40 63.000 4.056 331.76 43.2 2.3 5.180 2.000 1.000 8.0 1.Brasil: potencial da produção agropecuária (2006).419 2.00 3.00 12.20 491 6.400 1.817 5.0 600 3.01 242.406 6.40 36.18 85.500 30.500 25.000 22.50 7.80 90.455.20 264.140.413 49.219.200 25.8 1.000 0.300 90.110 22.000 1.755 23.00 2.50 788 2.98 376.00 5.0 2.128.00 1.000 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE Fonte: FAOSTAT 2005/IBGE/MAPA – Apud SCOLARI 2006 ¹ plantios comerciais.000 3.500 4.014.000 13.2 500 3.500 17.99 437.000 220.000 198.00 215 107.40 9.000 47.000 9.000.756 5.50 88 909.3 2.00 5. 18% da produção total em 2004 (m³) ² álcool (cana-de-açúcar) e biodiesel (mamona.79 33.000 90.1 400 1.000 125.6 600 15.4 5.50 Todas as carnes consumidas .00 155.112 6.000 1.100 19.96 70.800 23.50 3.97 321.000 900.0 1.462.000 8.78 111.218 1.00 140 367.895 -3.000 30.0 1.500 1.00 239 199.1 2.00 103.916 12.3 5.40 921.400 195.² em m³ 196 Fonte: Scolari (2006) .000 600 450.000 25.5 25.00 3.37 4.134.792.927.50 44 209.87 746.000 22.313 73.Home Apresentação Sumário Créditos Tabela 3. Uso da Terra Cultivos anuais (grãos) Soja Milho Feijão Arroz Trigo Sorgo Aveia Cevada Outros Cultivos Citrus Café Banana Mandioca Produção de Fibras Algodão Outras fibras (sisal) Produção de Madeira¹ Produção de Bioenergia² Cana-de-açúcar Mamona Girassol Dendê Produção de Carnes e Leite Carne bovina Carne de frango Carne suína Leite Área Total (mil ha) Situação em 2005 Potencial Área Produção Área Produtividade (1000 ha) (1000 t) (1000 ha) (t/ha) 47.000 Produção (1000 t) 271.60 26.00 285.148.113t 8.000 10.617 75.6 2.49 113.90 3.978.000 43.099.14 .000 3.000 25* 220.401.298.000 23.

Este conjunto de dificuldades impõe aos exportadores brasileiros custos adicionais e reduzem a competitividade. As hidrovias. principalmente nas rodovias secundárias de acesso às zonas de produção em que quase todos os trechos não são pavimentados. Além disso. à reduzida capacidade de escoamento dos portos. Existem pelo menos dois casos de eficiência. mal localizados. . Os maiores gargalos socorrem na região Centro-Oeste. milho e arroz. a regulação é deficiente. mal conservada e extremamente limitada. principalmente aqueles especializados em grãos. o custo de “demurrage” (sobreestadia) para um navio graneleiro pode chegar a US$ 50 mil por dia. e interligação deficiente com zonas portuárias. com elevado número de acidentes. resultando em tempo de trânsito muito elevado e baixa capacidade operacional. embora sejam o meio de transporte mais barato. obsoleta. ferro gusa e químicos derivados do petróleo. Em alguns casos. Os custos médios de transporte nos Estados Unidos (maior uso de ferrovias e hidrovias) e na Argentina (menores distâncias rodoviárias). principalmente para transporte de fertilizantes. cimento. obsoletos. à limitada oferta futura de energia e à falta de capacidade de transporte ferroviário e hidroviário de carga.MULTIFUNCIONALIDADE E SUSTENTABILIDADE. A regulação é deficiente e indefinida quanto a novos investimentos e direito dos usuários. Se atrasar 20 dias. nossos maiores concorrentes. O CASO DO CALCÁRIO AGRÍCOLA A capacidade de expansão da agricultura e as possibilidades de crescimento do agronegócio no comércio internacional estão limitadas pela ocorrência de barreiras logísticas significativas. nem sempre pode ser considerada eficiente. na sua maioria. Como resultado. locomotivas nem de vagões ferroviários adicionais. No caso de terminais privados. Existem poucos trechos ferroviários operacionais. celulose e papel. podem ser considerados relativamente modernos e eficientes. não existem ramais secundários nem infra-estrutura de transbordo de carga seca nas principais zonas produtoras. Mas. existe insegurança no transporte rodoviário. tanto com relação aos equipamentos quanto com relação à movimentação das cargas. como em Paranaguá. a frota já está ficando obsoleta. delegada a estados e municípios. uma vez que decisões judiciais embargaram novos trechos (com são os casos de Pires-Tapajós e Araguaia-Tocantins). consideradas deficientes. Existem elevados pontos críticos nas linhas. ao transporte marítimo e fluvial subutilizado. como as exportações do complexo soja alcançaram 35. isto significou custos adicionais de US$ 860 milhões. embora o potencial de utilização possa alcançar uma demanda acima de três milhões de toneladas. a gestão portuária como um todo no Brasil. mal equipados. As estradas federais administradas pela União são. são pouco utilizadas e quase inexistentes. A navegação de cabotagem não é significante. Em 2003. A malha ferroviária de transporte de carga agrícola (grãos principalmente) é velha. o custo adicional pode ser de US$ 1 milhão. Não existe uma política nacional de cabotagem nem um plano para o futuro próximo. de difícil acesso. mal dimensionados. pouco operacionais e caros. no Rio Madeira (soja e fertilizantes) e no trecho Tietê-Paraná. o escoamento ferroviário é responsável por uma pequena parcela da produção agrícola brasileira. principalmente nos centros urbanos. a construção de novos portos ou de novos terminais marítimos muitas vezes esbarra na barreira ambiental construída e administrada por autoridades ambientais brasileiras que tornam o licenciamento ambiental um 197 AGRICULTURA FAMILIAR . as regras de acesso à atividade são limitadas e a fiscalização rodoviária é precária. são menores em US$ 24 por tonelada de soja e derivados exportados.978 mil t.Home Apresentação Sumário Créditos As principais rodovias de escoamento da produção estão em estado precário de conservação e muitos trechos rodoviários são quase intransitáveis na época das chuvas. uma vez que muitas vezes atende a interesses políticos em detrimento da eficácia e da eficiência. Falta uma clara definição política sobre a importância e prioridades de investimentos em hidrovias. à limitada capacidade de armazenagem. devido à demanda de outros setores como siderurgia. Não existe disponibilidade nem de Os portos brasileiros na modalidade “cais de uso público” são antigos. relacionadas à malha viária terrestre (rodovias e ferrovias).

36 milhões (7. contaminação dos alimentos.857 armazéns. entre outros. redução da biodiversidade.36 milhões de toneladas. quando diz que temos que: “(. mal conservados e sem condições de armazenar grãos diferenciados (SCOLARI. Perspectivas para o desenvolvimento da agricultura no Brasil segundo os princípios de sustentabilidade Na seção 3. principalmente pela academia.. Essa afirmação é muito importante para fazer uma ponte com o argumento utilizado por Caporal e Ramos (2006). Deste total. implementados nas últimas décadas e que é preciso contribuir para promover mudanças e superar uma inércia que faz com que os serviços de extensão Rural sigam reproduzindo velhos modelo”. avaliações. (2002) de grande relevância. entre as quais.. A grande maioria dos armazéns e da capacidade de armazenagem está localizada fora da porteira da fazenda e existe uma parcela significativa de armazéns antigos. como as máquinas. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE A extensão rural no Brasil foi norteada durante longas décadas pelo modelo de desenvolvimento urbano industrial. sociedade civil organizada.511 milhões de t (3. as conseqüências da reconhecida diferenciação dos agricultores familiares. a de fornecedora de mão-de-obra e de consumidora de serviços e produtos industrializados. 2006). 80 milhões (7.) assumir. com o apoio de várias entidades do agronegócio.023 armazéns) localizadas na região Centro-Oeste. na maioria das vezes inadequadas para as condições específicas de suas explorações e dos agroecossistemas por ele manejados”. desvalorização do trabalho na agricultura e também para o empobrecimento no meio rural.317 armazéns) de armazenagem convencional. Um estudo detalhado sobre a problemática relacionada aos desafios do transporte para o crescimento do agronegócio foi elaborado pela Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Carga (ANUT). entre outros aspectos. equipamentos. Nesse processo os agricultores eram vistos como meros depositários de conhecimentos e de pacotes gerados pela pesquisa. baixa escolaridade no campo. além da importância da contribuição para o superávit da balança comercial. distribuídas por 14. o que levou os extensionistas a voltar sua atenção para a transferência de tecnologia. além da troca de saberes como uma forma de (re)valorização da cultura local. em que se aborda a caracterização do universo da agricultura familiar no Brasil. poluição. agrotóxicos e fertilizantes químicos e sintéticos. 198 . tendo como objetivo a ‘modernização conservadora’ da agricultura. foi citada uma afirmação de Buainain et al.. que propõe o estabelecimento de uma relação dialética entre o agricultor e o extensionista para a construção de conhecimentos apropriados a cada realidade. e tratá-los como de fato são: diferentes entre si. êxodo rural. desde longa data esteve baseada na teoria da difusão de inovações.. pelos grupos de resistência que se formaram dentro das organizações de extensão. exclusão social. cuja viabilização necessitava que a agricultura cumprisse funções. Foi então imposto aos agricultores um “modelo”.897 armazéns) localizadas na região Sul e 33.540 armazéns) são de armazenagem a granel e 26. que também contribuiu. sementes melhoradas. quando cita que: “(. E cita que é necessário: “(. em profundidade. não redutíveis a uma simples categoria por utilizarem predominantemente o trabalho familiar”.) opor-se à prática histórica da extensão Rural que..554 milhões de t (7.Home Apresentação Sumário Créditos processo custoso e demorado. com 47.1.) à extensão rural brasileira pede-se que contribua para o enfrentamento da crise socioambiental resultante dos modelos de desenvolvimento e de agricultura convencionais. 4 . Caporal e Ramos (2006) e Santana (2005) citam o educador Paulo Freire como um dos principais críticos do processo educacional e da extensão convencional.. igreja e organizações representantes dos agricultores. A capacidade brasileira de armazenagem de grãos é de 106. para a concentração de terra. Todos esses problemas resultaram do modelo de modernização conservadora adotado pela extensão rural no Brasil e foram alvos de estudos.

de extrativismo. com ênfase em processos de desenvolvimento endógeno. 2006). no âmbito da Secretaria de Agricultura Familiar. um agente impulsionador do desenvolvimento das comunidades rurais. como as variáveis culturais. vem trabalhando para mudar a perspectiva linear e cartesiana. o que implica uma maior ênfase no conhecimento. pesqueiras. mediante a utilização de métodos participativos e de um paradigma tecnológico baseado nos princípios da agroecologia. mas a otimização do agroecossistema como um todo. Essa nova perspectiva exige que o técnico extensionista seja um mediador de saberes e conhecimentos. a água e os animais. Portanto. e outras. 2004). o que é agroecologia? A agroecologia tem sido assumida como uma ciência ou disciplina científica. construir e avaliar os agroecossistemas. ao longo das décadas. A essência do enfoque ecológico consiste na aplicação de conceitos e princípios da ecologia no manejo e no desenho de agroecossistemas sustentáveis.” O Ministério do Desenvolvimento Agrário. (op. que aquele modelo de extensão rural não atende mais às demandas da sociedade. multidirecional e sistêmica.): “A Extensão Rural deve contribuir para a promoção do desenvolvimento rural sustentável. o solo. um campo de conhecimentos de caráter multidisciplinar. uma orientação cujas contribuições vão além de aspectos meramente tecnológicos ou agronômicos da produção. conceitos e metodologias que permitem estudar. Estas metodologias permitem o desenvolvimento de uma prática social mediante a qual os sujeitos do processo buscam a construção e sistematização de conhecimentos que levem a atuar conscientemente sobre a realidade. As 199 AGRICULTURA FAMILIAR . Como citam Caporal e Ramos.Home Apresentação Sumário Créditos O meio rural. políticas e éticas da sustentabilidade. de caráter educativo e transformador. a agroecologia é o campo do conhecimento que proporciona as bases científicas do processo de transição do modelo de agricultura convencional para estilos de agricultura ecológica ou sustentável (CAPORAL e RAMOS. sofreu muitas modificações e chegou a uma tal complexidade.. na interpretação e na análise das complexas relações existentes entre as pessoas. animar e apoiar iniciativas de desenvolvimento rural sustentável que envolvam atividades agrícolas e não agrícolas. tendo como centro o fortalecimento da agricultura familiar.. os cultivos. visando a melhoria da qualidade de vida e adotando os princípios da agroecologia como eixo orientador das ações” (BRASIL. Esta estabelece que é papel da extensão rural: “(.MULTIFUNCIONALIDADE E SUSTENTABILIDADE. as transformações energéticas. adotando os princípios teóricos da agroecologia como critério para o desenvolvimento e a seleção de soluções mais adequadas e compatíveis com as condições específicas de cada agroecossitema e do sistema cultural das pessoas implicadas em seu manejo. sociais e ambientais. Uma extensão rural moldada nos princípios da agroecologia é um processo de intervenção. A agroecologia incorpora dimensões mais amplas e complexas que incluem tanto as variáveis econômicas. adotando-se uma abordagem sistêmica e multidisciplinar. é necessário que a formação de níveis médio e superior de profissionais que irão atuar diretamente com o agricultor seja repensada e que não continue reproduzindo o modelo de transferência de tecnologia pautado pelos pacotes da Revolução Verde. através da Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (PNATER). Para isso. Os agroecossitemas são considerados unidades fundamentais desse tipo de estudo: os ciclos minerais. Os objetivos da pesquisa agroecológica não são a maximização da produção de uma atividade particular.) estimular. que se mostrou insuficiente e equivocada para uma outra totalmente distinta. O CASO DO CALCÁRIO AGRÍCOLA Afinal. . com princípios. Já é possível identificar o esforço de algumas escolas técnicas e universidades de incluir em seus cursos temas relacionados à agroecologia. analisar. os processos biológicos e as relações socioeconômicas e culturais são vistos e analisados em conjunto. O objetivo deste processo é alcançar um modelo de desenvolvimento socialmente eqüitativo e ambientalmente sustentável. cit. baseado em metodologias participativas.

Procurou-se ressaltar a influência do estoque de capital físico (medido pela potência dos tratores) e do capital humano sobre o desenvolvimento agropecuário dos estados brasileiros. individuais ou coletivos precisam ser valorizados e incorporados como elementos fundamentais de uma estratégia de desenvolvimento rural.. há a necessidade de mudanças nas políticas de treinamento da mão-de-obra rural. como ferramenta fundamental para atingir o desenvolvimento sustentável no campo. mesmo nos estados brasileiros mais desenvolvidos. individuais e coletivos que 200 . entre outros fatores.. A adoção de tecnologias é influenciada pela forma como cada agricultor maneja sua unidade produtiva. Admite-se que esse é um momento ímpar. relacionado às habilidades e conhecimento médio dos seus trabalhadores e dos seus empresários. Para que isso se efetive. culturais. O assunto relacionado à educação do agricultor e sua aceitação em adotar o novo modelo não é simples de ser realizado. ao mesmo tempo. entre os agricultores familiares e os atores envolvidos. O menor nível de educação está nos estados nordestinos. cujo ponto central é a premissa de que o homem-agricultor possui um acúmulo de conhecimentos históricos. de modo que os profissionais sejam capazes de enfrentar os desafios da nova realidade. É preciso capacitar-se para o uso de ferramentas e técnicas participativas que permitam a reflexão. seja capaz de fortalecer as relações sociais mais eqüitativas. destacando a sua desigualdade entre os Estados da Federação. Com relação ao capital humano. pela dimensão histórico-cultural por ele vivenciada e pela sua condição socioeconômica. mostrando-se limitadas e ineficientes. Uma nova extensão rural deve basear-se: “(. do modelo de modernização conservadora. Muitas vezes os agricultores são resistentes à adoção de tecnologias e isso deriva da forma como as metodologias convencionais foram colocadas.) na metodologia teórico-pedagógica construtivista. a compreensão da realidade e a busca de soluções compatíveis com o universo dos diferentes grupos de agricultores familiares e dos agroecossistemas que estão sendo por eles manejados”. Isso explica. verificouse que. (2007) analisou o processo de desenvolvimento econômico do setor agropecuário no Brasil.) quase impossível conseguir utilizando-se os métodos persuasivos da tradição extensionista. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE fazem com que ele seja inserido no mundo do saber”. pois já Os conhecimentos históricos. como São Paulo e Rio Grande do Sul..Home Apresentação Sumário Créditos instituições de ensino deveriam repensar o processo de formação. O conceito de desenvolvimento rural sustentável deve ser sempre enfatizado e a adoção dos princípios da agroecologia recomendada. é: “(. em parte. no período de 1970 a 2000. O nível de desenvolvimento da agropecuária nos estados está. o caminho inicial da diminuição das desigualdades passa por reduzir as diferenças regionais em termos de capital humano. Como citam Caporal e Ramos (2006). Pesquisa realizada por Freitas et al. pelo tipo de agricultura que pratica. de um modo geral.. pela sua confiança no técnico. culturais. Dessa forma. por exemplo. o nível de qualificação dos agricultores brasileiros é muito baixo. em grande medida. o relativo atraso da agropecuária dessa região em relação à agropecuária dos demais estados. Conforme citado nos parágrafos acima. o técnico extensionista precisa fazer uso de tecnologias e de formas de manejo que levem à construção de uma agricultura de base ecológica e. A diminuição das diferenças regionais do desenvolvimento da agropecuária suscita a discussão acerca dos mecanismos que podem ser adotados para diminui-las. as grades curriculares e as metodologias de ensino. A pesquisa revelou que o nível educacional na agropecuária ainda é baixo e muito desigual entre os estados brasileiros. A principal contribuição do trabalho foi apresentar os dados que evidenciaram o desenvolvimento desigual da agropecuária entre os estados brasileiros e demonstrar como o estoque de capital humano explica essa diferenciação ao longo do período analisado. para o modelo baseado na agroecologia.

além da necessidade de crédito disponível para compra de calcário agrícola. Uso de calcário agrícola: ganhos econômicos. Mas ainda hoje. seja por falta de conhecimento ou renda. Nas décadas de 70 e 80. O CASO DO CALCÁRIO AGRÍCOLA . Também é preciso destacar que o uso do insumo calcário agrícola vai ao encontro dos princípios da agroecologia e que a correção da acidez dos solos é uma das técnicas essenciais para a transformação do modelo de desenvolvimento da agricultura. a agricultura produtiva ajuda a aliviar a pobreza rural. Vimos no item anterior que a utilização do calcário agrícola pode trazer ganhos sociais para a agricultura como um todo. antes da definição do plano de trabalho estadual da Secretaria de Agricultura. para que aquele Estado tomasse ciência e buscasse solucionar os problemas provocados pelo subconsumo do calcário agrícola e pelo desperdí- 5. é evidente que a racionalização do uso de insumos e a gestão dos solos são elementos fundamentais para isso. Pode-se afirmar que. seja ela patronal ou familiar. a extensão rural desempenha importante papel. que dependem direta ou indiretamente da agricultura. o engenheiro agrônomo Oscar Raabe. Quando a renda dos produtores aumenta. A ABRACAL. encaminhou ao Governador do Rio Grande do Sul. É obvio que essa racionalização também traz ganhos ambientais e sociais. Segundo IFA e UNEP (2003).Home Apresentação Sumário Créditos existe conhecimento científico disponível em bases agroecológicas. de 1996. uma forma de poluição. a economia geral cresce US$2. um estudo do International Food Policy Research Institute (IFPRI). sociais e ambientais Uma pesquisa feita pelo DNPM/FUNPAR (2003) com aos estados e sindicatos representantes dos produtores de calcário agrícola indicou que um dos aspectos relacionados ao baixo consumo do calcário agrícola é o desconhecimento dos benefícios decorrentes de seu uso por parte dos pequenos agricultores do País. a agricultura passou a ser aceita como um instrumento de desenvolvimento. a ênfase na política desenvolvimentista foi direcionada para o desenvolvimento industrial urbano. em relação à América Latina. mas sobretudo para a agricultura familiar. pode constituir-se em elemento essencial para a sua sustentabilidade. confirmou como o desenvolvimento agrícola auxilia toda a economia. em janeiro de 2007. Se existe a necessidade de ampliação da produtividade agrícola para viabilizar o crescimento econômico. por si mesma. Além disso. o pobre é freqüentemente forçado a usar em excesso ou de maneira errônea os recursos naturais. uma carta de apelo. foi reforçada a necessidade de se dar uma maior atenção às políticas de desenvolvimento agrícola. contam com empregos e renda fora do campo. mesmo que eles não estejam engajados em suas próprias atividades agrícolas. A partir dos anos 60. por meio de seu Presidente. com o setor agrícola sendo considerado uma fonte de recursos e serviços. A maior parte das populações pobres do mundo encontra-se no meio rural e. eles gastam dinheiro em itens não relacionados à agricultura.30. criando empregos para outros segmentos de toda a economia. principalmente mão-de-obra. Existe uma ampla concordância de que a condição necessária para o crescimento econômico da maioria dos países em desenvolvimento seja o desenvolvimento de uma agricultura produtiva. a qual é. O que mais é preciso para que o salto se efetive? países em desenvolvimento não dão a devida importância ao desenvolvimento agrícola. para o setor de manufa-turados.MULTIFUNCIONALIDADE E SUSTENTABILIDADE. mais de quatro milhões de estabelecimentos agrícolas de categoria familiar distribuídos por todo o País e uma Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural moldada no novo paradigma. A utilização de calcário como corretivo de solos e o uso racional de insumos agrícolas podem contribuir para a sustentabilidade da agricultura familiar. O crescimento econômico está fortemente ligado à diminuição da pobreza. Esse estudo mostra que para cada US$1. Nos anos 50. que é foco deste capítulo. alguns 201 AGRICULTURA FAMILIAR . Além de ser importante para a economia nacional.00 de aumento na produção agrícola nos países em desenvolvimento.

4 bilhões. o estado do Rio Grande do Sul consumiu apenas 27% de suas necessidades reais de calcário e estimou um desperdício de R$600 milhões em adubos. considera-se que a tecnologia é também um fator de produção e que o sistema de produção agrícola envolve a interação entre a terra. sendo que apenas 141. que nem todo esse volume de solo agricultável está sendo utilizado no momento e. A produção agrícola constitui um sistema. face a dois aspectos. Segundo a ANDA. Analisando. também.. Mesmo nessas regiões. O número de propriedades que utilizam adubo é de 352. se os 82% das propriedades que utilizam adubo fizessem a prévia correção dos solos. o trabalho e a tecnologia. Em reais. Os dados da Tabela 3. o total de 21 milhões de toneladas de adubo. A geração de conhecimento nesse 202 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE . os ganhos econômicos seriam muito potencializados e não ocasionaria no montante de desperdício indicado pela ABRACAL. mais uma vez.4 milhões de toneladas anuais. Através da aplicação da tecnologia. Sudeste e Centro-Oeste estão localizados os estados que mais produzem e consomem calcário agrícola. quais sejam: necessidade de aumentar a produtividade do sistema e expansão da agricultura para áreas ou regiões com maiores limitações para a atividade agrícola. o estado possui um total de 430 mil propriedades agrícolas.3% do total dos 107 milhões de ha ocupados com agricultura familiar no Brasil. Os autores afirmam que: “(. confirmar a necessidade de construção de uma política que viabilize a correção dos solos. Considerando o dado de Pereira e Martins (2005). Até algumas décadas atrás. esse valor situa-se em R$8. Essa política poderá contribuir para o crescimento da produtividade agrícola de todos os tipos de agricultores do País. o País consumiu.000.000 utilizam calcário. especialmente do fator terra. o capital. Segundo esta entidade. juntas. que o manejo adequado dos solos é capaz de aumentar sua produtividade. ainda é insuficiente diante das necessidades reais de correção. pode-se aumentar a eficiência dos demais fatores. Considerando que 70% dos solos agricultáveis do País são considerados ácidos. todas imprescindíveis para nossa sociedade”. a quantidade chega a R$ 8. correspondendo a 82% das propriedades. em 2000. pode-se. 52.8%). objetivam a otimização dos resultados. o que possibilita poupar terras e florestas para uso futuro. este conceito mudou. demonstrado na Tabela 3. como afirma SOUZA (2006): “a agricultura brasileira representa uma combinação de muitas agriculturas.Home Apresentação Sumário Créditos cio anual de adubo colocado nas propriedades. As duas regiões. Vale lembrar que o Rio Grande do Sul é um importante estado em número de propriedades agrícolas familiares.8 milhões de estabelecimentos agrícolas existentes.000. em 2006. Nas regiões de agricultura mais desenvolvida. combinados de maneira eficiente. correspondendo a 80% do consumo nacional atual. ou seja. A necessidade de calcário para correção da acidez dos solos do estado foi estimada pela realização de diversos levantamentos de solos feitos em diferentes épocas do ano e em diversos anos pela Universidade Federal de Santa Maria e pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.12 indicam que apenas 868 mil propriedades no País utilizam calcário.. que não conseguiram ser incorporados ao solo devido à acidez.0%) e Nordeste (16. Nesse sistema são alocados recursos (também denominados fatores de produção). De acordo com o Censo Agropecuário do IBGE de 1996. que. o sistema de produção agrícola era visto pela simples equação: Produção = terra + trabalho + capital Segundo Goedert e Lobato (1988). O número de propriedades com área menor que 100 ha é de 395.) na agricultura moderna. estimado em 30%. Sul. indicam que as regiões de propriedade familiar com menor índice de uso de calcário agrícola são Norte (9. Os dados do trabalho desenvolvido pelo MDA. dentre os 4. em 2006. pois. correspondem a 56 milhões de ha.13. de que 40% do total de adubo colocado anualmente nas lavouras do País é perdido por falta de calagem.

principalmente no que diz respeito à busca de um tipo de desenvolvimento que atenda às necessidades presentes. De acordo com o Relatório da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD. como é o caso da acidez (que afeta 70% dos solos do País). por uma política agrícola que se baseie nas realidades ecológicas”. deve ser a de produzir bens sociais. O fato mais evidente disso é que. Mas melhorar a produtividade de modo imprevidente e a curto prazo podem provocar diversas formas de desgaste ecológico. o consumo de calcário agrícola e fertilizantes é muito inferior à real necessidade dos solos do País. Outro aspecto que caracteriza a nossa história agrícola é a predominância do extrativismo. pelo lado da produção agrícola.Home Apresentação Sumário Créditos sentido tem causado uma extraordinária revolução na agricultura moderna”. atualmente. Ela é parte da nossa obrigação moral para com os demais seres vivos e as futuras gerações. O CASO DO CALCÁRIO AGRÍCOLA 203 . Essas alternativas só podem ser estimuladas Portanto. pesquisa e extensão. Existem opções mais benignas do ponto de vista ecológico. iniciou-se o consumo de fertilizantes químicos e corretivos de solo no Brasil. escolheu como tema central para o XXI Congresso Brasileiro de Ciência do Solo. base dos sistemas de produção de alimentos e de matérias-primas. Essa situação se agrava. à medida que a agricultura se expande para áreas onde o solo tem baixa AGRICULTURA FAMILIAR . baixa fertilidade. resultando na exaustão dos mesmos. podemos afirmar que a responsabilidade social citada no parágrafo acima deve ser entendida não simplesmente como uma responsabilidade da ciência no desenvolvimento de técnicas para otimização da produção agrícola. a poluição por nitratos das águas subterrâneas e os resíduos de praguicidas nos alimentos.62): “(. A Sociedade Brasileira de Ciência do Solo (SBCS). transformar. sem comprometer a possibilidade das gerações futuras atenderem às suas próprias necessidades.MULTIFUNCIONALIDADE E SUSTENTABILIDADE. Ainda hoje. a base de recursos naturais da Terra precisa ser conservada e melhorada. 1991. susceptibilidade à erosão. Foi abordado num dos trabalhos apresentados naquele Congresso que. otimizar. ou seja. a preocupação dominante era a reflexão e análise críticas da ação institucional que envolve o tripé: ensino. sob a óptica do lucro capitalista. A maior parte das pesquisas tecnológicas feitas por organizações comerciais dedica-se a criar e processar inovações que tenham valor de mercado. p. salinização e alcalinização das terras irrigadas. A tecnologia deve influir positivamente (no sentido de melhorar. pode-se afirmar que a principal responsabilidade da Ciência do Solo é gerar conhecimento e tecnologia para que o solo se constitua. em geral.) as pressões que a lavoura e a pecuária exercem sobre a terra agricultável podem ser em parte aliviadas se a produtividade aumentar.. Para atender às necessidades numa base sustentável. realizado no ano de 1988. em termos permanentes. tanto nos países em desenvolvimento como nos desenvolvidos deveriam basear-se num uso mais bem controlado de água e agroquímicos. “A Responsabilidade Social da Ciência do Solo”. Os futuros aumentos de produtividade. única e exclusivamente. A responsabilidade social da ciência. face à abundância de recursos naturais. o “boom” da produção de soja no País. dentro do sistema de produção agrícola. A história da agricultura brasileira se caracteriza pela existência de ciclos de monocultura (café. A conservação da natureza não deve ser vista apenas como um dos objetivos do desenvolvimento.. Naquele momento. Deve ser buscada a sustentabilidade do sistema produtivo agrícola. de forma a garantir que os princípios do desenvolvimento sustentável sejam respeitados. principalmente nos solos com limitações naturais. como a perda da diversidade genética dos cultivos permanentes. salinidade. má drenagem. conservar) no componente solo. cana-de-açúcar etc). até o advento da policultura e. apenas recentemente (últimas quatro décadas). e também no uso mais extensivo de adubos orgânicos e praguicidas não químicos. textura excessivamente arenosa. cacau. até recentemente houve apenas extração de nutrientes de nossos solos.

O Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). Esse balanceamento sugere que. 1988). conseqüentemente. quando nutridas de forma balanceada. A conservação dos recursos agrícolas é tarefa urgente. o Ministério da Agricultura e outros segmentos públicos e privados já tinham chamado a atenção para isso. mas aos de toda a sociedade (CETEM. o uso do calcário agrícola contribui com a conservação dos solos e o melhoramento das condições de produção. De acordo com os autores. A maioria dos países com expressiva produção agrícola tem embutido em seus planos de agricultura. eleger um elemento âncora capaz de promover e motivar o manejo dos recursos naturais em nível de microbacia. com maior produção de biomassa e. não só aos olhos dos agricultores. com o objetivo de elaborar um programa de trabalho com ações em todos os estados brasileiros. que evidencia o benefício ambiental que o uso do calcário agrícola pode proporcionar. O estudo chamou a atenção pelo fato de a atividade agrícola demandar 70% da água doce disponível. para o MMA. mas. como é o caso do cerrado e o trópico úmido (GOEDERT e LOBATO. levando à redução das perdas de solo e nutrientes por lixiviação e escoamento superficial. além de ser um componente básico para a multifuncionalidade da agricultura brasileira.). (2005) apontam alguns benefícios ambientais decorrentes das adubações balanceadas. o processo esquematiza-se da seguinte forma: Melhor condição química > CTC > produção de biomassa > população microbiana > decomposição > agregação do solo > maior armazenamento de água > disponibilidade de nutrientes para as plantas. Para o DNPM. até o presente momento. sendo a qualidade e quantidade da água decorrente da qualidade do manejo que se faz na agricultura. é pouco valorizado como recurso mineral e. para a intensificação do uso de calcário agrícola. Seu uso e manejo adequados devem ser algumas das principais preocupações na administração do empreendimento rural. considerando que esse insumo é fator essencial à sustentabilidade e melhoria. desenvolveu um estudo. assim como na definição da política agrícola do País. O estudo foi denominado “Calcário – Recurso Mineral na Sustentabilidade Agropecuária e Melhoria dos Recursos Hídricos”. Felizmente tivemos acesso aos resultados desta pesquisa e alguns dados. 2003). de 13/12/2002). podem aumentar significativamente o 204 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE . Tais recursos devem ser conservados e melhorados para atender às necessidades de populações cada vez maiores. op. o solo esteja com a acidez corrigida. Obviamente. com melhor cobertura da superfície do solo. podem produzir mais com a mesma quantidade de água. Nesse sentido. A ação do DNPM foi no sentido de: somar-se aos esforços já desenvolvidos. além do uso do adubo. estratégias de uso e conservação dos solos. todo esse volume de informações gerado pela pesquisa está parado em Brasília. O estudo identificou diversos problemas e apontou possíveis soluções para promover o aumento do consumo de calcário agrícola no País. em cooperação com a Secretaria de Recursos Hídricos (SRH). coordenado pela Fundação da Universidade do Paraná para o Desenvolvimento da Ciência. Estas plantas serão mais saudáveis e vigorosas. do Ministério do Meio Ambiente (MMA). da Tecnologia e da Cultura (FUNPAR). cit. Os resultados desse estudo levaram o DNPM a assinar um convênio com a FUNPAR (Covênio /DNPM/ Nº49/2002. considerar e avaliar aspectos do calcário no contexto dos recursos hídricos a fim de que a expansão do seu uso seja vista como uma vantajosa relação benefício/custo. O uso da terra na agricultura e na silvicultura deve basear-se numa avaliação científica da capacidade da terra. e o esgotamento anual do solo não deve ultrapassar o índice de regeneração (CMMAD. Afirma que as culturas. porque em muitas partes do mundo os cultivos já se estenderam às terras marginais. embora estratégico. Nielson et al. que consideramos de grande importância e estão sendo citados ao longo deste capítulo. Quando os níveis de nutrientes no solo são adequados. o objetivo do estudo foi promover um insumo que.Home Apresentação Sumário Créditos fertilidade natural.

) a civilização moderna da biomassa deve concentrar-se. para sustentar as estratégias de transição. O CASO DO CALCÁRIO AGRÍCOLA . uma população de camponeses sem-terra que “o futuro do país passa. A produção e a disseminação de uma nova geração de técnicas agrícolas eficientes e ambientalmente adequadas. entretanto. evitando. Como bem afirma Sachs (2007): “(. nas biomassas florestais. dessa forma. O Brasil aparece como um dos países excepcionalmente dotados para progredir nesse campo: a disponibilidade de solos cultiváveis. Considerações finais Este capítulo objetivou abordar os aspectos de sustentabilidade que envolvem a utilização do recurso mineral calcário agrícola.” avaliada em alguns milhões de famílias” e ainda 6. simultaneamente. desenvolvimento sustentável. desenvolvimento. O crescimento econômico não deve.. úmido e semi-árido. e viu-se que são muito favoráveis. segundo os princípios da sustentabilidade. A agricultura moderna precisa ser sustentável e essa sustentabilidade depende da criação e da manutenção da produtividade dos solos no longo prazo. econômicos e ambientais da utilização do calcário agrícola. que haja incorporação de novas áreas para aumentar o volume de produção. Mas seu futuro estará ligado sobretudo a uma retomada do desenvolvimento agrícola. a diversidade de climas (tropical.MULTIFUNCIONALIDADE E SUSTENTABILIDADE. pelo desenvolvimento em grande escala de uma agricultura familiar devidamente modernizada. Os países que dispõem de solos cultiváveis em abundância e climas favoráveis terão uma vantagem comparativa.. complementada pelas agroindústrias diversificadas e gerando um grande número de empregos rurais não-agrícolas. adaptadas às diversas necessidades dos pequenos agricultores por todo o mundo. sem contar a Floresta Amazônica. Foi dada especial atenção aos três aspectos relacionados a ganhos sociais. os países do Sul: “(. sustentabilidade e multifuncionalidade da agricultura. agrícolas e aquáticas.Home Apresentação Sumário Créditos potencial de seqüestro de carbono. Como afirma Sachs (2007). conseqüentemente.. 205 AGRICULTURA FAMILIAR . é possível aumentar a produção agrícola (produtividade). a possibilidade de criar complementaridades inter-regionais muitamente vantajosas e. crescimento econômico. O uso de adubações balanceadas pode reduzir o potencial de desflorestamento e aumentar a preservação ambiental. Também foram abordadas brevemente quais as perspectivas para o desenvolvimento da agricultura no Brasil. com a utilização balanceada de nutriente e corretivo de solo. garantindo que as futuras gerações possam usufruir de solos em quantidade e qualidade suficientes para satisfazer suas necessidades. contanto que saibam associálos com a produção de conhecimentos voltados para a valorização dessas vantagens naturais. que externaliza livremente os custos sociais e ambientais e que amplia a desigualdade social e econômica”. O principal bloqueio a ser transposto é a estrutura fundiária anacrônica que cria o paradoxo da superabundância de terras potencialmente cultiváveis e da massa de camponeses privados do acesso à terra. pelo menos nos países do Sul e do Leste. As culturas mais produtivas tendem a aumentar os níveis de carbono orgânico dos solos e o seqüestro de CO2 atmosférico. exigirão um grande e demorado esforço. pois. além da caracterização dos universos da agricultura familiar e do agronegócio no Brasil. Foram definidos e conceituados os termos. ser aquele que conhecemos há décadas. enfim. A superação do duplo nó da pobreza e da destruição do meio ambiente exige um período razoavelmente longo de mais crescimento econômico. calculados em dezenas de milhões de hectares. assim. climas subtropicais e mesmo mediterrâneos – e. O uso de nutrientes e calcário agrícola em doses adequadas contribui para o desenvolvimento sustentável da agricultura.) devem resistir à tentação das vantagens econômicas e sociais de curto prazo.. obtidas mediante a incorporação predatória e descuidada do estoque de capital natural ao fluxo de receitas atuais e da obtenção de divisas.

. que o PNATER se efetive no molde agroecológico e distribua seus benefícios por todo o País. Petrópolis: Ed. Brasília. 2003 Disponível em: www. 12 vol FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE (mimeografado). no Ministério de Desenvolvimento Agrário. Revista de Economia e Sociologia Rural. Bases para uma nova ATER pública. ainda é precário o nível de conhecimento. Departamento de Assistência Técnica e extensão Rural. p. BRASIL . 2001 a 2005. B. v. Brasília: maio de 2004. P. Novo retrato da agricultura familiar . com prevalecimento do padrão produtivista da agricultura. BRASIL .MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO. CAPORAL.M. onde a agricultura é mais desenvolvida.bcb. Ressalta-se que..MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO. Brasília: CNPq. uma vez que já está definida uma Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (PNATER). Brasília: DNPM/FUNPAR. 1 e 2). 157p. (Cap. 1998. econômicos e ambientais. Campinas: SBCS. CAPORAL. C. E. além das diferenças regionais existentes. J (Org. Da extensão rural convencional à extensão rural para o desenvolvimento sustentável: enfrentar desafios para romper a inér- Referências Bibliográficas Referências Bibliográficas ALCARDE. Calcário: recurso mineral na sustentabilidade agropecuária e melhoria dos recursos hídricos. como foi visto neste capítulo. Disponível em: www. In: Congresso Brasileiro de Ciência do Solo. 21. 1988.mda.mda. 2001. a partir de agora. A.gov. mas. A. FAO/INCRA Brasília. 206 . 1988. 2002. 238p. no âmbito da Secretaria de Agricultura Familiar. ALVES. J. ANUÁRIO ESTATÍSTICO DO CRÉDITO RURAL.39.br/saf/dater. R. p. Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural. S.) Inovação nas tradições da agricultura familiar. o uso do calcário traduz-se em ganhos triplamente vantajosos: sociais. na teoria de difusão de inovações. Disponível em: www.br/incra/fao BRASIL . Acesso em: 11 abr. gov.A.MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA. Quem ganhou e quem perdeu com a modernização da agricultura brasileira. Brasília: FAO/INCRA.gov. (Convênio de Cooperação Técnica). N. (Projeto Cooperação Técnica) BUAINAIN et al.Home Apresentação Sumário Créditos Foi dado destaque à existência de um grande número de agricultores familiares (mais de 4 milhões) distribuídos por todo o País e à sua grande diversidade no que tange ao grau de conhecimento.br. M. R.o Brasil redescoberto. São Paulo: Agroceres.93-100. jul/set. 2000 74p. ARAUJO. à utilização de técnicas produtivas e à capacidade econômica. Inovação tecnológica na agricultura e a agricultura familiar In: LIMA. BRASIL – MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO.47-81. BARBIERI. J. F.gov.2007. L. WILKINSON. 1990. Trajetória recente da política agrícola brasileira. Brasília: BACEN. 2003. F. DNPM/ FUNPAR.8 milhões de propriedades agropecuárias existentes no Brasil (familiar + empresarial). et al. Brasília: INCRA/FAO.br/ saf/dater. n. 3. É necessário. Acesso em 21 jun/2007. moldada pelos princípios da agroecologia e visando o desenvolvimento sustentável da agricultura brasileira. Secretaria de Agricultura Familiar. Calagem e eficiência dos fertilizantes minerais. BUAINAIN. LOPES. Seu objetivo principal é promover o desenvolvimento prioritário da agricultura familiar e romper com os paradigmas do modelo extensionista fundamentados nos princípios da Revolução Verde ou.1997. apenas 868 mil (18%) utilizam calcário agrícola para correção da acidez dos solos. Complexo agroindustrial: o agribusiness brasileiro.C..desenvolvimentoagrario. 1999. O País encontra-se em um momento favorável. mesmo nos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul.. Anais. 939. Vozes. “Análise diagnóstico de sistemas agrários”. Desenvolvimento e meio ambiente: as estratégias de mudanças da Agenda 21. Também foi abordado o aspecto da assistência técnica e extensão rural no Brasil. Disponível em: http://www. Dos 4. Campinas. F. D. RAMOS.

. n. GOULET. Acesso em 25 out/2005. Disponível em: www. Revista Economia e Sociedade v. Desenvolvimento rural: conceito e medida.) Transformações da Agricultura e Políticas Públicas. DIEGUES. AGRICULTURA FAMILIAR . H. Acesso em 14 abr/2007. Desenvolvimento e subdesenvolvimento. 21. R.: GOLDBERG. ___________. C. Campinas: UNICAMP/IE.br/conhecimento/setorial. REZENDE. Rio de Janeiro: Editora da FGV. In: Congresso Brasileiro de Ciência do Solo. Evolução do crédito rural e tributação sobre alimentos na década de 1990: implicações sobre as cadeias de aves. desenvolvimento sustentável e políticas públicas. abr. 1961. O CASO DO CALCÁRIO AGRÍCOLA 2000. Boston: Harvard University. J. Cultrix. suínos e leite. GRAZIANO DA SILVA. C. Crescimento populacional e desenvolvimento sustentável.. 3. 2002. C. R. 63p. FAVERET FILHO. Gerência Setorial I. ___________ (a). n. IPEA.22-29.gov.G. J. Brasília. 2002. J. 1957. Lua Nova. 1991. Rio de Janeiro: Zahar . 2006. N. CAPRA.br/conhecimento/setorial. set. S. n. 1997. Disponível em: www. GASQUES. 1988. A agricultura brasileira nos anos 90: o impacto das reformas e políticas. Gerência Setorial. 21. 21. p. O desafio da sustentabilidade. Nº 31 p. Disponível em: www.Cortez.1. 2002. CAVALCANTI. p. Número 1. J. São Paulo: Ed. A Modernização Dolorosa. A. A. (Textos para Discussão. INFORME SETORIAL-AGROINDÚSTRIA. Campinas. BNDES. 2001. Campinas. mda./jun. P. Acesso em 25/10/2005. 1988. Alfabetização ecológica: a educação das crianças para um mundo sustentável. A. A ética da sustentabilidade e a formulação de políticas de desenvolvimento.1982. Acesso em 25/10/2005. Clovis (org). IPEA 2001. COMISSÃO MUNDIAL SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO (CMMAD) Nosso futuro comum. Anais. Disponível em: www. 312p. A. LOBATO. CONCEIÇÃO. SBCS. Brasília. 211p. O solo como base dos sistemas de produção agrícola.Campinas.247-301. v. p. 1998. Campinas: UNICAMP.16. 2001. Meio ambiente. A.br/saf/dater. W. 539 p. HOGAN./dez. In: CAVALCANTI. 2007. 35p.gov. R. São Paulo em Perspectiva. São Paulo: Ed. GUIMARÃES. março.Home Apresentação Sumário Créditos cia . Desenvolvimento sustentável ou sociedades sustentáveis: da crítica dos modelos aos novos paradigmas. Desenvolvimento autêntico: fazendoo sustentável.bndes . 247p. (org. n. INTERNATIONAL FERTILIZER INDUSTRY ASSOCIATION: UNEP. março. Transformações da agricultura e políticas públicas.gov. p. jan.. Paris: Tradução: ANDA Associação Nacional para Difusão de Adubos. FURTADO. Brasília: BNDES. E. jun.bndes. O uso de fertilizantes minerais e o meio ambiente. bndes. F et al.Fund. Campinas: UNICAMP/IE. 379-408. Censo Agropecuário de 1995/96. p. DAVIS. 192p. vol 6 n.1-2.57-77 IBGE. HELFAND. GOEDERT. Avaliação do desenvolvimento do setor agropecuário no Brasil: período de 1970 a 2000. J. 782). 19. Rio de Janeiro/RJ. In. O novo rural brasileiro. Ed. Brasília: BNDES. C. 2001. D. 2003. 430p. G. Brasil.pdf. Perseu Abramo p. J. 2007. 43-71. Desarrollo Sustentable.J. In: II Curso Internacional de Aspectos Geológicos de Proteccion Ambiental.101-108. Gastos públicos na agricultura.gv.72-82. D. 207 . p. 2004. A concept of agribusiness.111-124. 355p. 1993. 2004. A nova dinâmica da agricultura brasileira. Brasília. Rio de Janeiro: Ed.MULTIFUNCIONALIDADE E SUSTENTABILIDADE. S. et al. Brasília: IPEA. 135p. KAGEYAMA. In: GASGUES.P. Brasília: Cadernos de Ciência & Tecnologia.br/conhecimento/bnset/set1602. 1992. ___________. ___________. Brasília. 151p. et al. Fundo de Cultura. FREITAS.

. I. R. Agentes e interações sob a ótica multidisciplinar. p. A multifuncionalidade da agricultura e o aproveitamento dos recursos naturais: preocupação legitima ou protecionismo disfarçado. Brasília: EMBRAPA. (Informação tecnológica).L..69. SOARES.N. Goiânia. São Paulo: Ed. P. G. Caracterização da produção e consumo de calcário agrícola no Estado de São Paulo. 2002.org/manaus/arquivos.M. Universidade Estadual de Campinas. 2007. C. 316p. 2006.Home Apresentação Sumário Créditos LEONTIEF. J. WILKINSON. 208 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE . 2005. p. 400p. Tese (Doutorado em Administração e Política de Recursos Minerais) Instituto de Geociências. Revista Brasil Mineral. 434p. Campinas. 2005. SARUDIANSKY. (Coord). Calcário Agrícola – caracterização da produção e consumo em São Paulo. E. (orgs. 21p. GO. Universidade Estadual de Campinas. R. e GRASSI. et al.301-328. mar/2006. PEREIRA. C. SACHS. 1993. 574p. 2007. Ano 6. n. agosto 2005 p. C. S. dez. NIELSON. A economia do insumo-produto. Extensão rural no Estado de Goiás: acesso da produção familiar à modernidade (19751999). Campinas./jan. Revista do Agronegócio. C.D. LIMA. 187p. São Paulo: Studio Nobel / FUNDAP. Ed. ano 19. Disponível em: www. In: LIMA. 2003. Inovações nas tradições da agricultura familiar. ________ . MALUF. SOUZA. 25. SCOLARI. CAVALCANTI. W. 215p. Política de uso de calcário agrícola e a sustentabilidade da agricultura no Brasil. n.40-49. A. Dissertação (Mestrado em Administração e Política de Recursos Minerais) Instituto de Geociências. Revista Proposta nª 87. Brasília: CNPq. PEREIRA. (Coleção “Os Economistas”). 2002. D. Rumo à ecossocioeconomia: Teoria e prática do desenvolvimento. A. PEREIRA. M.M.G. 226p. R. M. Calcário corretivo. Anais./fev. Cortez. jun 2006. D. 2000/ 2001.. I. 2005. F. 472p. dez.212. SANTANA. In: Reflexões sobre o desenvolvimento sustentável. Brasília: CNPq. M. 2005. RIBEIRO. 2007. O enfoque da multifuncionalidade da agricultura: aspectos analíticos e questões de pesquisa. 2002. Vozes. Buenos Aires: CYTED/UNSAN/OLM. SILVA. H. D. Agricultura familiar na dinâmica da pesquisa agropecuária. São Paulo: Abril Cultural. C. PEREIRA. n.) Inovação nas tradições da agricultura familiar. S. CONPEDI. C.conpedi. e MARTINS. A. 2002. M. Safra. A multifuncionalidade da agricultura familiar. Dissertação. A. Minerales para la agricultura en latinoamérica. Goiânia.M. L. (Mestrado em Sociologia) Universidade Federal de Goiás. D. Produção agrícola mundial: o potencial do Brasil. Desenvolvimento sustentável: um conceito multidisciplinar. 1983. Brasília: Revista da Fundação Milton Campos. Estratégias de transição para o século XXI: desenvolvimento e meio ambiente. J. Petrólolis.54.

Home Apresentação Sumário Créditos 209 O NITROGÊNIO NA AGRICULTURA BRASILEIRA .

2007). biocides on soil reduces the ability of the soil to hold water! From the study of volcanic areas we know how long it takes to form good soil as with Hawaii and we also know that some soil is best for food and some for forests and today./ criativo é aquele que consegue ver conexões e estabelecer pontes entre assuntos que. se dobrarem a quantidade de trabalho sobre a mesma unidade de terra. /…/ It is interesting to contemplate that water can be mineralized with appropriate rocks and pumped to the land using wind power (zero pollution) (FYFE. is a complex subject. 1848).. food quality. (John Stuart Mill . /…/ It is always necessary to monitor water chemistry in all agricultural regions. for bio fuels such as ethanol. 210 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE . /.Home Apresentação Sumário Créditos “Entre Aspas” Quer os homens queiram ou não. 2004). soil water and river water (e. More recently. the Mississipi compared to the Amazon and Rio Negro).Princípios de Economia Política.são completamente independentes (Marcelo Gleiser).. INM is based on the 'judicious' manipulation of nutrient stocks and flows in an agricultural system that aims at reaching a 'sustainable' level of agricultural production. integrated nutrient management (INM) systems have been promoted as part of broad-based. Rivers in laterite regions are low in nutrient. a não ser que introduzam aperfeiçoamentos na técnica de produção. It has been know for some time that soil quality. practical farm management strategies that aim at improving soil fertility and reducing the excessive use of soluble nutrient inputs.g. /…/ the use of pesticides. para a maioria. which show the differences in agricultural productivity. não dobrarão a produção. rockand mineral-based fertilizers plays a considerable role for more sustainable soil fertility management practice (Peter van Straaten. In the scheme of low external input agriculture (LEIA) practices the use of natural. These strategies take account of the complex mineralorganic interactions in soils and include rocks and minerals as part of the system.

peso atômico 14.br 1. por isso.1. D. nas condições naturais? 211 . de auxinas. Fósforo (P). Nas células vacuoladas aparece N nítrico.” 2 Em Nutrição Mineral de Plantas como na legislação. Bolsista FAPESP. também chamado azoto. através do seu Anexo.O nitrogênio na agricultura brasileira Os autores Eurípedes Malavolta Engenheiro Agrônomo. a pergunta: de onde vem o nitrogênio. já que não faz parte dos minerais primários e nem dos acessórios. como informam Mills e Jones Jr. clima. Potássio (K). Livre Docente. amoniacal (NH4+). gasosa (N2). Faz parte das bases purínicas e pirimidínicas e. (número atômico 7. de 14 de janeiro de 2004. É absorvido pelas raízes das plantas superiores nas formas nítrica (NO3-). (IAC).01). Bolsista CNPq. O N participa da estrutura de todos os aminoácidos e. Entretanto.Sc. como resultado da interação de vários fatores: Solo = f (rocha. As folhas absorvem as três primeiras formas. bem como o NH3 e N2O. em 1804. de coenzimas. organismos. por isso. o mesmo acontecendo nos vasos que levam o elemento da raiz para a parte aérea. E-mail: moraesmf@yahoo. tempo) Schroeder (1984) dá a composição elementar da litosfera. topografia. expressos nas formas de Nitrogênio (N). M. define: “XIV – nutriente: elemento essencial ou benéfico para o crescimento e produção dos vegetais. nutriente de plantas. A vida da planta depende da manutenção de uma concentração adequada do N – e de outros elementos – nos seus tecidos. teve sua essencialidade para as plantas demonstrada por Sausure. o N está presente em todos os solos. O N está conspicuamente ausente.Home Apresentação Sumário Créditos Capítulo 7 . da leghemoglobina. A exigência de micronutrientes é em geral medida em g/ha.Sc. O Decreto No 4954. está nos ácidos nucléicos (DNA e RNA). 2. Professor Catedrático. CENA/USP. de vitaminas. assim subdividido: a) macronutrientes primários: Nitrogênio (N). Procede. Introdução O nitrogênio. E a vida do homem depende da vida da planta. Faz parte do núcleo tetrapirrólico de clorofila. N. estas em proporção muito pequena. a classificação macronutriente significa a mesma coisa: elemento exigido pela planta em maior proporção – kg/ha. no livro clássico de Jenny (1941). A primeira é a predominante nas condições naturais e a última é privilégio das leguminosas. Servem de exemplo os solos do cerrado. soja e adubos verdes nos seus nódulos radiculares. está presente na estrutura das proteínas. Pentóxido de Fósforo (P O ) e Óxido 2 5 de Potássio (K O). Pesquisador Permissionário. Art. já que come planta ou planta transformada. (1996). Origem O NITROGÊNIO NA AGRICULTURA BRASILEIRA O solo foi definido.com. das enzimas inclusive. pois. Estes e outros aspectos foram detalhados recentemente por Malavolta e Moraes (2006). que está na Tabela 2. 2º. amídica [CO(NH2)2]. Milton Ferreira de Moraes Engenheiro Agrônomo (UFG). como feijões. cuja composição está na Tabela 2.2.

A fixação simbiótica é a que tem lugar nos nódulos das raízes das leguminosas por bactérias do gênero Rhizobium: o hospedeiro fornece carboidrato. em quantidades que variam de 10-80 kg ha-1 ano-1.6 0. uma Ni-Fe proteína. a fração não mineralizada no solo vai contribuir para o reservatório de nitrogênio. que a chuva traz ao solo. alguns liquens) fixam N2 (DELWICHE. este é reduzido de 0 a -3 na forma de NH3. respectivamente. com esse feito. em troca. faz a mesma tarefa em condições de pressão e temperatura elevadas.1 1. distrófico Solos litólicos. a endofítica. por sua vez. distrófico Areia Quartzosa. Entretanto. N2. pelo menos temporariamente. a hidrogenase. em NO. FOBÉ.L.9 Na rizosfera de gramíneas.Teor de nitrogênio total em solos do cerrado. como as do gênero Azospirillum. passando pelo processo de neobiosíntese de compostos orgânicos na humificação. comunicação particular. 212 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE . há gasto de energia do trifosfato de adenosina (ATP) para ativar o N2. com o suplemento pelo solo.5 0. Solo Latossolo Vermelho Amarelo.Composição elementar média da litosfera. várias algas. distrófico Latossolo Vermelho Escuro. Estima-se que. Bactérias e uma ampla variedade de microrganismos de vida livre (clostrida. e reações fotoquímicas transformam em N2O e NO. As quantidades fixadas variam de 18-23 kg ha-1. Descargas elétricas na atmosfera fornecem a energia para converter o N gasoso. na segunda. A reação catalisada é simplificadamente a seguinte: O processo se dá em duas etapas principais: na primeira. A FBN na soja é capaz de fornecer. é convertido em NO3-. fonte de energia.4 0. que ocorre nos vasos de cana-deaçúcar e de arroz é devida à Acetobacter diazotrophycus e Methylobacterium spp.9 0.5 1. nas tropicais. seringueira e coqueiro. pode haver fixação por bactérias de vários gêneros. e o microrganismo. Os fertilizantes minerais e orgânicos representam outra fonte de N para o solo: imobilizados temporariamente na biomassa da microflora. bacilos. Elemento O Si Al * Fe * Ca Na * K * Mg Vários * Teor g kg 467 277 81 51 31 78 26 21 12 -1 Nutrientes Tabela 2. Este. fixa N2 e o entrega como NH4+ e ureídeo.2 1.2 . N g kg -1 0. fundamental para a produção de fertilizantes e para a segurança alimentar. A FBN é devida a enzima nitrogenase (Nase). aproveitando de exsudados. distrófico Latossolo Roxo.1 . Um último tipo de FBN. distrófica Cambissolo. a fixação biológica do nitrogênio (FBN) é a maior responsável pela entrada do elemento no solo. a FBN da leguminosa Pueraria sp fornece todo o nitrogênio de que a cultura necessita. 1965). de onde é absorvido e incorporado em compostos orgânicos por microrganismos e plantas superiores. 2005). que é composta de duas unidades básicas: uma ferroproteína e uma ferromolibdica. No caso dos fertilizantes orgânicos. A fixação do N2 depende da disponibilidade de H2 produzido por outra enzima. em termos de adubo nitrogenado. endergônica. Medições feitas em São Paulo (J. 1962) mostraram uma adição nos meses chuvosos entre 7 e 14 kg por ha. tem-se no Brasil uma economia. absorvidos pela planta e devolvidos em parte como restos de colheita. todo o N de que a cultura necessita. da ordem de um bilhão de dólares (MOREIRA. distróficos Laterita hidromórfica distrófica Média Fonte: Freitas e Silveira (1977). em regiões temperadas e até 100 kg ha-1. O processo Harber-Bosch para a síntese industrial da amônia.Home Apresentação Sumário Créditos Tabela 2. Em plantações estabelecidas de dendê. dependendo do local. distrófico Concrecionário. Mais detalhes sobre a FBN são encontrados em Moreira e Siqueira (2006).6 1.

0 2. Este item tratará somente dos fertilizantes orgânicos simples com o entendimento de que os mesmos. Microrganismos do solo convertemnas em N-NO3-. O N está entre eles. Conceito e legislação O Anexo ao Decreto nº 4.Macronutrientes primários nos restos de algumas culturas (kg/t de produto colhido). não descreve as características e não indica os processos de obtenção.1 1. que as raízes absorvem: (RCHNH2COOH) n → nRCHNHCOOH → nRCHOHCOOH + nNH proteína Origem Fertilizante Restos de culturas Adubos verdes Tortas de oleaginosas Turfa Torta de filtro Vinhaça ou restilo Sangue dessecado Farinha de carne Tancage Couro moído Farinha de cascos e chifres Guano Restos de peixe Estercos Composto Lixo Lodo de esgoto NH3 + H2O → NH4 OH → OH− + NH4 + NH4 + + 1.5 37. . natural ou controlado. m) fertilizante orgânico misto: produto de natureza orgânica.5O2 → NO2 − + H2 O + 2H NO2 − + 0.Home Apresentação Sumário Créditos 3. Fertilizantes Orgânicos 3.2 . com atualização quando indicado.2. A Tabela 3.. resultante da mistura de dois ou mais fertilizantes orgânicos simples.1 apresenta uma classificação dos principais fertilizantes orgânicos os quais serão tratados nos subitens seguintes. contendo um ou mais nutrientes de plantas. é fonte de macro e micronutrientes. químico.0 P 1 1 1 6 1 0. bem como as raízes.0 0. que permanece no terreno. Restos de cultura As necessidades minerais das culturas se distribuem em duas partes: parte colhida e resto da cultura. proteínas principalmente. A legislação não estabelece garantias mínimas.954.0 2.Principais fertilizantes orgânicos.2 0. princípio ativo ou agente capaz de melhorar suas características físicas. dada a sua origem.2 mostra a composição dos restos de algumas culturas representativas (RAIJ et al. urbana ou rural. contendo um ou mais nutrientes de plantas. o) fertilizante organomineral: produto resultante da mistura física ou combinação de fertilizantes minerais e orgânicos. 213 O NITROGÊNIO NA AGRICULTURA BRASILEIRA A Tabela 3. n) fertilizante orgânico composto: produto obtido por processo físico. de 14 de janeiro de 2004. Tabela 3.3 0. animal ou vegetal. 1996). isolados ou misturados.3 K 22 13 18 34 21 3. a partir de matéria-prima de origem industrial. O resumo que se segue é baseado largamente em Malavolta (1981) e Kiehl (1985). podendo ser enriquecido de nutrientes minerais. apresenta as seguintes definições: Art. Cultura Arroz (palha + casca) Milho (restos) Trigo (palha) Algodão (restos) Soja (ramos) Batata (restos) Mandioca (ramos) Cana-de-açúcar (palha) Café (casca) N 10 11 6 36 7 2. quando estas não são o produto de interesse. No tecido vegetal está quase exclusivamente em formas orgânicas. A segunda.1.5O2 → NO3 − Vegetal Tabela 3.0 Animal Mista(1) (1) Fertilizante orgânico composto de acordo com a legislação. químicas ou biológicas. 2º l) fertilizante orgânico simples: produto natural de origem vegetal ou animal.6 18. 3. terão sempre mais de um nutriente das plantas. físico-químico ou bioquímico.1 .0 0.

urf 3. Depois da destilação sobre um resíduo particularmente rico em potássio.6 .21 7.5 .Estimativa das quantidades de N fixadas por alguns adubos verdes.0 – 6. Torta de filtro rotativo A torta de filtro constitui um resíduo de fabricação do açúcar obtido depois que as borras resultantes da clarificação do caldo têm a sua sacarose residual extraída naquele equipamento.25 a 0. Tem alto teor de carbono.0 – 1.3 dá alguns exemplos mostrando as quantidades fixadas.Composição de vinhaça de diferentes substratos. Tabela 3.20 0.2 M istura Caldo kg m -3 ____________________ 0. Costumam ter alto teor de proteína. cultivadas de modos diversos: antes da cultura principal.4 1. É empregada às vezes.90 214 .3.0 1.5 1. também chamada restilo.5 1.5 dá a composição da torta. Incorporadas ao solo contribuem com matéria orgânica e nutrientes. Tabela 3.6 dá a composição da vinhaça. Componente N P2O5 K 2O Matéria orgânica % Matéria Seca 0. (ii) quando somente álcool é produzido.5 a 3.0 – 2.5 – 2.50% de P 2O 5 e 0. A Tabela 3.8 5.0 – 1. 0.5 – 6. comumente usada como fertilizante.56 1. 4 . A Tabela 3. na renovação dos canaviais.0 – 8. duas situações podem ocorrer: (i) quando o produto principal da usina é o açúcar. como as de algodão e amendoim são usadas na fabricação de rações.5 – 1. Turfa Trata-se do produto de decomposição anaeróbica de resíduos vegetais em baixadas ou pântanos.3 .0 0.7). de acordo com Gloria et al. Tanto no caso da torta de filtro quanto no da vinhaça. 40 kg de melado ou 12 litros de álcool e 156 L de vinhaça (ver item 3. 35 kg de torta.5 – 2.5.50 5.2 0. em rotação de culturas.6.6 2. particularmente N.0 3.30 72 – 88 Leguminosa Soja (Glycine max) Feijão (Phaseolus vulgaris) Amendoim (Arachys hypogea) Guandu (Cajanus cajan) Feijão macassar (Vigna sinensis) Grão-de-bico (Cicer arietinum) Phaseolus aureus Mucuna preta Crotolaria juncea kg N ha-1 40 – 206 30 – 60 49 90 – 150 90 – 354 41 – 270 224 119 – 130 147 – 163 3.Composição de torta de filtro.0 3. (1973). A composição de algumas tortas é dada na Tabela 3.5 1. orta filtr rotativo ltro otativ 3. o melaço correspondente de álcool etílico forma-se por fermentação.20 11.0 – 7.8 – 2.6 2. 1 t de cana gera 80 L de etanol e 1.0% de N. o teor relativamente baixo de N e de outros elementos é compensado pelas doses médias empregadas: 10 t de matéria fresca e 100 m3 ha-1.0 1.0 – 2.4.0 – 2. portanto capazes da FBN.0 K2 O 1.0% de K 2O. 1.7 resti estilo 3.7 1.6 1. depois de corrigida a acidez.80 19. Tabela 3.5 – 2.5 – 3.4 .7. Com ponente N P 2O 5 K 2O M atéria O rgânica M elaço ________________ FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE 3.040 L de vinhaça.45 – 1. Torta Algodão Amendoim Babaçu Cacau Coco Gergelim Mamona N 2. como cultura intercalar. Tabela 3.7 0.5 6. pode ser usado o próprio caldo na fermentação ou a mistura deste com o melaço.5. A Tabela 3.3 0. como substrato para mudas.Composição porcentual de algumas tortas.92 0. Tortas de oleaginosas As tortas de oleaginosas são subprodutos de fabricação de óleos ou gorduras. Não é 1.21 4.8 1.90 – 2. Adubos verdes Os adubos verdes são plantas da família das leguminosas. motivo pelo qual algumas delas. Vinhaça ou restilo No processo de fabricação do açúcar.5 1. 1 t de cana gera 100 kg de sacarose.Home Apresentação Sumário Créditos 3.4 ortas oleaginosas 3.0 3. De acordo com Orlando Filho (1994).0 4.21 0.5 a 1.30 – 1. garapão ou vinhoto.0 P2O5 0.

6 0.5 0.7 resume a composição dos principais adubos orgânicos.8 – 0. Tabela 3. cadáveres de pássaros marinhos e restos de peixes acumulados durante séculos em costas marinhas e em certas ilhas.11. entre 500 e 700 gramas por dia. pois. por sua vez.1) do restante. Compost omposto 3. o seu N tem que ser mineralizado para se tornar disponível.6 Como acontece com os fertilizantes orgânicos em geral. Se. As camas. for maior. Couro moído e farinha de cascos e chifres apresentam pouca disponibilidade do N e dos demais componentes. Um composto preparado na Luiz de Queiroz. Isto quer dizer que. entretanto.Dejeções sólidas e líquidas produzidas por 1000 kg de peso vivo. apresentou os seguintes teores porcentuais na matéria seca: N – 0. O sangue dessecado e a farinha de carne são usados em rações. ocorre a imobilização na biomassa dos microrganismos.05.8 0. Animal Cavalo Vaca leiteira Bezerro em engorda Suínos Ovinos Aves kg sólido dia-1 20 25 15 24 11 - kg líquido dia -1 5 10 6 17 6 - kg total dia-1 25 35 21 41 17 12 t ano-1 9. constituída de 875 kg de dejeções/urina e 125 kg de camas.2 1–3 9. resultam da decomposição dos excrementos. por pessoa. Uma tonelada deste é.5 15.0 9 – 15 16. restos e mais substâncias sem valor para fim de estrumação”.6 Bovino Fermentado 21 Galinha Porco 10 9 P 2O 5 1.5 0.5 – 0. O aproveitamento pode ser feito por vários processos .0 4 . Tabela 3. até a fermentação em ambiente fechado.1 – 3. Os guanos. 215 O NITROGÊNIO NA AGRICULTURA BRASILEIRA . Os restos de peixes ou “farinha de peixes” são resíduos de industrialização dos mesmos.5 0.9 devida a Raij et al. 0. seja aquela devida a Dafert (1888-1893.desde a produção de composto ao ar livre. Fertilizantes orgânicos de origem animal animal A Tabela 3.8 0. Fertilizante Sangue dessecado Farinha de carne Couro m oído Farinha de cascos e chifres Guanos Restos de peixes N _________ A composição de vários estercos é dada na Tabela 3.13.4 – 2.8 .5 1. em média. P2O5 – 0.4 – 0.10.7 0.7 1.3 3. Tabela 3. é mineralizado 5%.3) do nitrogênio presente é mineralizado.0 6. o composto é preparado a partir de restos vegetais inoculados com esterco de curral para que haja fermentação. é mineralizado 10% (0. A mineralização do N segue uma série de decaimento (PRATT e POMARES-GARCIA. Esterco Bovino Fresco C/N Unid. p.3 4 – 11 K 2O _________ % da m atéria seca 8 – 14 9 – 11 7.5 – 3. no segundo ano. Quando próxima de 10. (1996). O alto custo não permite o seu uso como fertilizante.155): “é uma mistura de todos os resíduos.30.9 .10. 0.5 0.7 . Lixo A produção de lixo nas cidades varia. 30% (0. que indica a variação esperada na sua composição. Composto Talvez a definição mais completa de composto. representam 1/8 do peso final do esterco fresco.Composição típica de vários estercos (sem secar). geralmente feitas de palha de cereais ou capins. Um deles é a relação C/N.0 4.Composição dos principais fertilizantes de origem animal.7 7.1 12.5 2. Estercos Os estercos são os produtos da fermentação do conjunto das fezes e urina dos animais e das camas usadas.0 0.8. particularmente. no terceiro. no primeiro ano. sem data) 0.Home Apresentação Sumário Créditos 3.9. dos quais os mais conhecidos são os do Peru. K2O – 0.4 1. o que depende de vários fatores. C % N P2 O 5 K 2 O _____________________ __________________ 20 62 34 10 9 10 32 14 6 0. 3.8 mostra as quantidades de dejeções e urina produzidas por animais domésticos. A Tabela 3. 3.82. em Piracicaba.10 0. é facilitada a mineralização. porém. Comumente.10.5 0.22.

Fertilizantes minerais ertilizan 4 .6. N ≡ N + 3H2 → 2NH3 + 24000 cal As matérias-primas para a produção são: o N2 do ar.7 239 113 163 2 0. P2O5 – 1.662. Resíduos agroindustriais – tortas de oleaginosas. a primeira fábrica começou operar em Cubatão.918 41 81. em 1963. o total de nutrientes seria. soluções nitrogenadas. N – 1. Esses números são maiores que os correspondentes ao consumo de adubos minerais. Cerca de 750 t foram produzidas pela firma alemã Badische Aniline und Soda Fabrik (BASF). Amônia 3.2.7 2 1. nitrato de amônio.247 812 1. em Oppau.972. resíduos de frigoríficos. A reação de síntese de amônia.000 t: N – 33. Resíduos urbanos – esgoto e lixo. A molécula do N2 contém uma ligação tríplice muito estável. é composto-chave de produção de quase todos os adubos nitrogenados do comércio mundial.5. a Figura 4.408. nitrato de cálcio.043 404 81 499 1 0. Fonte FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE Animais Vegetais Adubos verdes Agroindustriais (2) Urbanos Total (1) Resíduos animais – estercos. carburantes de óleos pesados. que tem 1015 t.1. devida a Costa (1985). Obtenção 4.2.Home Apresentação Sumário Créditos Algumas análises revelaram os seguintes teores porcentuais: N – 0.2.897 1. fosfato de monoamônio (MAP). e o hidrogênio de diferentes fontes (nafta. eletrolítico e. p. 4 . Tabela 3. o que limita o seu uso. A síntese direta da amônia a partir de seus elementos foi conseguida comercialmente pela primeira vez em 1913. a produção começou em 1921 (SHARP. Volume 1000 t/ano 63. P2O5 – 0. graças ao processo usado até hoje – Haber-Bosch. fosfato de diamônio (DAP). Entre todos os fertilizantes definidos na legislação.0. no seu Anexo II. P2O5 – 4. K2O – 0. A Figura 4.221 30. (2) Quantidades recicladas equivalentes a 5% do lixo produzido e a 0. contém uma estimativa de disponibilidade de adubos orgânicos em São Paulo. Resíduos vegetais – restos de culturas.Disponibilidade de vários fertilizantes orgânicos no estado de São Paulo(1). são empregados no Brasil os seguintes: sulfato de amônio. salitre potássico e nitrato de potássio. uréia. sendo necessário 2. em 1. gás natural) (GRUNDT.8 a 1. 1977-a). Disponibilidade parcial de N P K A Tabela 3. Por sua vez. 3.709 A amônia.10. Lodo de esgoto O lodo de esgoto das cidades é obtido nas estações de tratamento a partir do resíduo líquido urbano que provém de áreas domiciliares e industriais. propriamente dita.1. SP.000 t) N P2O5 K2O 1. Fertilizantes minerais Legislação 4 . C – 17. Nos Estados Unidos. Um exemplo da composição porcentual do lodo é o seguinte: C/N – 11.2 x 105 kcal/kmol para quebrá-la ou para ativar o nitrogênio.10 .13.12.10). Se todo o lixo e o esgoto “produzidos” pelos paulistas fossem reciclados. Os últimos podem levar metais pesados tóxicos. propriedade da ULTRAFERTIL. de 28 de outubro de 2004.01% do esgoto. hulha e linhito. 1960. K2O – 23.536 118 175. conforme se pode ver na Tabela 4. simplificada de Sharp (1960) e Naciones Unidas (1969). gás liquefeito de petróleo.2 a 0. às vésperas da I Grande Guerra.8. mostra um fluxograma para a produção do H2.036 Quantidade de nutrientes (1.4. No Brasil.4 a 0.24 0. resíduos d e beneficiamento. dá as especificações 216 .1 mostra o papel central da amônia para a fabricação dos fertilizantes nitrogenados mais usados. A origem dos mesmos será vista no item 4. K2O – 0. no ano de 1982-3.008 1. é isotérmica.24. Legislação A Instrução Normativa No 10 (SARC).1.5. A guerra deu grande ímpeto à produção. NH3. dos fertilizantes minerais simples. principalmente. umidade – 50.

Aquamônia 10% de N Cianamida de Cálcio 18% de N 26% de Ca Cloreto de Amônio 25% de N O Nitrogênio deverá es. Nitrogênio na forma amoniacal e Fósforo determinado como P2O5 solúvel em H2O Reação do Ácido Fosfórico de alta pureza com Amônia ou purificação do DAP. Nitrogênio na forma amoniacal.Síntese catalítica tar totalmente na forentre o Nitrogênio do ar ma amoniacal. Fósforo determinado Reação do Ácido Fosfócomo P2O5 solúvel em rico com Amônia. Ação de Nitrogênio sobre o Carboneto de Cálcio com adição de Nitrato. ma amoniacal.1 . Nitrogênio na forma amoniacal e Fósforo determinado como P2O5 solúvel em H2O. Nitrogênio na forma amoniacal.Reação da Amônia Anidra tar totalmente na forcom água. Nitrogênio na forma amoniacal.Home Apresentação Sumário Créditos Tabela 4. O Nitrogênio deverá es. Reação entre Carbonato de Amônio e Cloreto de Sódio. (NH4Cl). Fósforo determinado como P2O5 solúvel em Citrato Neutro de Amônio mais água. Fosfato Monoamônico Cristal – MAP Cristal Fosfossulfato de Amônio 11% de N 60% de P2O5 13% de N 20% de P2O5 12% de S 217 O NITROGÊNIO NA AGRICULTURA BRASILEIRA . Fosfato Diamônico (DAP) 17% de N 45% de P2O5 Fosfato Diamônico cristal DAP cristal Fosfato Monoamônico (MAP) 19% de N 50% de P2O5 9% de N 48% de P2O5 Reação do Ácido FosfóFósforo determinado rico com Amônia. Reação do Ácido Fosfórico de alta pureza com amônia ou purificação do MAP. Nitrogênio na forma cianamídica podendo conter até 3% de Nitrogênio. e mínimo de 44% solúvel em água. Mínimo de 62% de Cloro (Cl). Reação entre Amônia Anidra e uma mistura de Ácido Fosfórico e Sulfúrico. Apresenta também características de corretivo de acidez. como Nitrato de Cálcio. atmosférico e o Hidrogênio proveniente do craqueamento de hidrocarboneto. CNA + H2O e mínimo de 38% solúvel em água. em P2O5 solúvel em citrato neutro de amônio mais água.Especificações dos fertilizantes nitrogenados. Fertilizante Amônia Anidra Garantia Mínima 82% de N Características Obtenção Observação O Nitrogênio deverá es.Neutralização do Ácido tar na forma Amoniacal Clorídrico por Amônia.

amoniacal e 50% na forma nítrica. Manganês solúvel em água na forma de Mn(NO3)2. mínimo de 14% de P2O5 solúvel em água. Nitrogênio na forma nítrica. Reação entre rocha fosfatada moída com o Ácido Nítrico ou mistura de ácidos. O Nitrogênio deverá estar 50% na forma amoniacal e 50% na forma nítrica.Refinação do caliche.1) Purificação e concentar na forma nítrica. Nitrogênio na forma ní. 2) Mistura de Nitrato de Cálcio com o Carbonato de Amônio.Neutralização do Ácido Nítrico pela Amônia Anitar 50% na forma dra. tração do caliche. Nitrato Duplo de Sódio e Potássio Nitrofosfato 15% de N 14% de K2O 14% de N 6% de Ca 18% de P2O5 218 .de Cálcio.Reação de Ácido Nítrico trica. O teor de Perclorato não poderá ser maior que 1% expresso em Perclorato de Sódio. Fósforo determinado em P2O5 solúvel em Citrato Neutro de Amônio mais água. Nitrogênio na forma nítrica.(continuação) Especificações dos fertilizantes nitrogenados.Home Apresentação Sumário Créditos Tabela 4. 3) Ação de Ácido Nítrico sobre Hidróxido de Sódio ou lixívia. Potássio determinado como K2O solúvel em água. 1) Recuperação do caliche por cristalização das águas de lavagem. Fertilizante Nitrato de Amônio Garantia Mínima 32% de N Características Obtenção Observação O Nitrogênio deverá es.6H2O. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE Nitrato de Sódio 16% de N O Nitrogênio deverá es. trica. Nitrato de Amônio e Cálcio 20% de N 2% de Ca Nitrato de Cálcio 14% de N 16% de Ca Nitrogênio na forma ní. 1) Adição de calcário ou dolomita sobre Amoníaco e Ácido Nítrico. podendo ter até com Óxido ou Carbonato 1. acal.1 . 3) A partir do Cloreto de Potássio e Nitrato de Sódio por dissoluções seletivas. A partir da reação de MgO com Ácido Nítrico. 2) Reação do Cloreto de Potássio com Ácido Nítrico. 2) Ação de óxido de Nitrogênio sobre o Hidróxido de Sódio ou lixívia.5% na forma amoni. Nitrato de Magnésio 8% de Mg 10% de N 16% de Mn 8% de N 44% de K2O 12% de N Nitrato de Manganês Nitrato de Potássio A partir da reação de MnO com Ácido Nítrico.6H2O. Magnésio solúvel em água na forma de Mg(NO3)2.

O Nitrogênio deverá estar 75% na forma Amoniacal e 25% na forma nítrica. 1) Ação do Sulfato de amônio sobre o Nitrato de Amônio fundido.(continuação) Especificações dos fertilizantes nitrogenados. sulfúrico pelo amoníaco. 219 O NITROGÊNIO NA AGRICULTURA BRASILEIRA . Sulfo Nitrato de Amônio 25% de N 12% de S Sulfo Nitrato de Amônio e Magnésio 19% de N 3.Home Apresentação Sumário Créditos Tabela 4. Uréia Formaldeido 35% de N Nitrogênio na forma amídica. Nitrogênio total. O teor de Tiocianato não poderá exceder 1%. expresso em tiocianato de amônio.3% para aplicação foliar 4% a 6% de Enxofre (S). A partir da dissolução em água de soluções aquosas de amônia e/ou Nitrato de Amônio e/ou Uréia ou outros compostos de Nitrogênio. Pelo menos 60% do N deve ser insolúvel em água. O teor de Biureto não poderá ser maior que 1. Amoniação parcial do Ácido Sulfúrico com posterior adição de solução concentrada de Uréia e Amônia. 3) A partir de gases de coqueria ou de gases provenientes de unidades de Ácido Sulfúrico.5% para aplicação direta no solo e 0. forma nítrica.1 . Solução Nitrogenada Sulfato de Amônio 20% de N 22% de S O Nitrogênio deve estar 1) Neutralização do ácido na forma amoniacal.5% de Mg 10% de S O Nitrogênio deverá estar 67% na forma amoniacal e 33% na forma nítrica. O Nitrogênio deverá e estar totalmente na forma amídica. Fertilizante Nitrossulfocálcio Garantia Mínima 25% de N 3% de S 3% de Ca 20% de N Características Obtenção Observação O Nitrogênio deve estar Reação do Sulfato de metade na forma Cálcio com Nitrato de amoniacal e metade na Amônio. Reação entre Uréia e Formaldeido Uréia Sulfato de Amônio 40% de N O Nitrogênio deverá estar 88% na forma amídica e 12% na forma amoniacal.3% para aplicação foliar. Uréia 45% de N O teor de Biureto não pode ser maior que 1. 2) Reação do carbonato de Amônio com o gesso. Reação do Amoníaco e Gás Carbônico sob pressão.5 para aplicação direta no solo e 0. 2) Neutralização de mistura de Ácido Sulfúrico e Ácido Nítrico pelo Amoníaco. Neutralização da mistura de Ácido Sulfúrico e Nítrico pelo Amoníaco com adição de composto de Magnésio.

Home Apresentação Sumário Créditos Figura 4. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE Figura 4.Amônia como chave para a produção de adubos.1 .Fluxograma para a produção de amônia. 220 .2 .

Home

Apresentação

Sumário

Créditos

As etapas principais na fabricação da amônia são as seguintes: (1) preparação do gás de síntese; (2) conversão do monóxido de carbono; (3) purificação do gás; (4) síntese.

4.2.1.3. Síntese
A síntese da amônia consiste numa reação isotérmica entre N e H, sob pressão elevada e temperatura moderadamente alta em presença de catalisadores. O gás comprimido entra nos reatores que possuem o leito do catalisador. O calor gerado pela reação é aproveitado para esquentar os gases que saem dos reatores. A amônia condensada é separada dos gases que não reagiram, os quais são reciclados. A Tabela 4.2 dá as condições e o rendimento dos principais processos empregados na fabricação da amônia.
Tabela 4.2 - Condições e rendimento na síntese da amônia.
Processo Fauser Montecatini Lummus Claude Casale Pressão atm 300 250 600 600 Temp. o C 500 500 600 500 % de Conversão por passagem 30 15 50 25

4.2.1.1. Preparação do gás
A decomposição do gás natural (a fonte de H mais usada) em uma atmosfera de vapor se faz em dois passos mediante o uso de um pirrolisador primário e de outro secundário na presença de um catalisador de níquel: CH4 + H2O ⇔ CO + 3H2 CH4 + 2H2O ⇔ CO2 + 4H2 Compostos de enxofre que provocariam a inativação de catalisadores são separados por óxido de ferro, que extrai o H2S, e pelo carvão ativo, que separa os produtos orgânicos. A conversão do CO se faz com água na presença de catalisadores (ferro e crômio) em temperaturas relativamente baixas: CO + H2O ⇔ H2 + CO2 + 9,8 kcal A eliminação de CO2 se faz com monoetanolamina ou por uma solução de carbonato de potássio. A purificação final do gás de síntese, que ainda contém CO e CO2 em proporções suficientes para envenenar os catalisadores, pode ser feita por metanação a 287-400ºC, na presença de catalisador de níquel, ou por absorção em uma solução de acetato de cobre ou ainda por lavagem em N2 líquido, processo este pouco usado porque é muito caro.

.2.1.4 Caracter aracterísticas 4 .2.1. 4 . Características
A Tabela 4.3 contém as principais características de NH3.
Tabela 4.3 - Principais características da amônia.
Características % de N (em peso) Peso molecular Temperatura crítica Pressão crítica Calor de vaporização (-33,33ºC) Densidade do líquido (0ºC) Densidade do vapor (1 atm., 0ºC) Temperatura de ebulição Temperatura de congelamento (1atm.) 82 17,03 132,4ºC 115,5 atm 1061 cal/g 637,5 g/L 0,77 g/L - 33,3ºC - 77,7ºC Valor

4.2.1.2. Obtenção do N2
O N2 do ar é separado por liquidificação através das operações de: purificação, compressão e destilação fracionada.

221

O NITROGÊNIO NA AGRICULTURA BRASILEIRA

Home

Apresentação

Sumário

Créditos

4.2.2. Sulfato de amônio
A maior parte do NH3 usado na produção do sulfato de amônio (SA) é obtida como subproduto das formas de coque e da manufatura de caprolactama. O SA pode também ser feito sinteticamente. 2NH3 + H2SO4 → (NH4)2 SO4 + 67000 cal O teor de N é, usualmente, de 21% e o de S, de 24%. O processo tem lugar em um reator onde o ácido sulfúrico e a amônia superaquecida são pulverizados sobre uma solução supersaturada de SA. Os cristais mantidos em suspensão são drenados, separados por filtração, secos com ar quente, resfriados e revestidos. O SA pode ser obtido, também, pelo processo de Merseburg, em que o CaSO4.2H2O, subproduto da fabricação do H3PO4, é tratado com amônia e CO2. NH3 + H2O ⇔ NH4OH – 8320 cal 2NH4OH + CO2 ⇔ (NH4)2 CO3 + H2O – 22.080 cal CaSO4 2H2O + (NH4)2 CO3 ⇔ Ca(CO3) + (NH4)2 SO4 + H2O – 3.900 cal O CaCO3 é removido por filtração e o sulfato de amônio é concentrado a vácuo. O processo tem interesse para países como o Brasil, onde há grandes sobras de fosfogesso. Características: peso molecular 132, densidade 1,77, ponto de fusão 235º C (decomposição), solubilidade em água (g/100g): 0oC 0; 100oC 103,8.

.2.4 Ácido nítric ico 4 .2. 4 . Ácido nítrico
O ácido nítrico é produzido oxidando-se a amônia com ar a uma temperatura de 950ºC na presença de um catalisador de platina. O gás resultante é absorvido em água para formar NHO3. As reações essenciais são: 4NH3 + 5 O2 → 4 NO + 6H2O 2NO + O2 → 2 NO2 216.000 cal 27.000 cal 32.000 cal

3NO2 + H2O → HNO3 + NO

O processo se dá em duas etapas, a saber: (1) Oxidação - A amônia é vaporizada a cerca de 120ºC; o vapor quente é misturado com o ar filtrado, comprimido e aquecido. A mistura de gás passa sobre o “sanduíche” de malhas de fios que é o catalisador. A reação exotérmica é auto sustentada entre NH3 e O2, iniciada com ajuda de um aquecedor elétrico ou uma tocha de hidrogênio. Cerca de 95% do NH3 é convertido em óxidos de nitrogênio, que passam por um trocador de calor. 2) Absorção – O gás flui para um condensador resfriado à água, em que o ácido é condensado a 20-25%. Como as reações de oxidação são exotérmicas, o abaixamento da temperatura e a elevação da pressão deslocam o equilíbrio no sentido da formação do HNO3, e reações desfavoráveis são evitadas. Características: peso molecular – 63,02; ponto de fusão – 41,6ºC; ponto de ebulição (08% de HNO 3 a 760 mm) 120,5ºC; densidade (HNO3 a 68%, 20ºC) – 1,41.

FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE

4.2.3. Cloreto de amônio
É geralmente obtido como subproduto do Processo Solvey para produção de soda cáustica. Uma solução de cloreto de sódio é amoniada e depois carbonatada. Formam-se NaHCO3 e NH4Cl. Aquele é separado por filtração e convertido em soda por aquecimento. Características: peso molecular 53, densidade 1,53, ponto de fusão 340oC (decompõe-se), ponto de ebulição 520o (sublima), solubilidade em água (g/ 100g): 0º C 29,7; 100º C 75,8.

4.2.5. Nitrato de amônio
Além do seu uso como fertilizante, grande parte do Nitrato de Amônio (NA) é usada na produção de dinamite, explosivos, combustível para foguetes e é misturada com 6% de óleo combustível como substituto de dinamite. No Brasil sua venda é controlada pelo Exército, sendo o produto misturado com pequena proporção de KCl.

222

Home

Apresentação

Sumário

Créditos

A reação entre amônia e ácido nítrico para produzir NA é uma simples reação ácido – base de neutralização: HNO3 + NH3 → NH4 NO3 A amônia vaporizada e superaquecida e o ácido nítrico são borrifados ou injetados abaixo do nível do neutralizador. O calor desenvolvido na reação é suficiente para concentrar a solução neutralizada até cerca de 83%. Segue-se concentração a 9596% e bombeamento para o topo da torre de perolação. Caindo para o fundo da torre através de uma contracorrente de ar, as gotas da solução esfriam e solidificam. Os grânulos sólidos são coletados, peneirados para eliminar os demasiadamente grandes e levados para o secador, onde a umidade é reduzida a 0,5% ou menos. O NA seco e resfriado é revestido com cerca de 3% da argila ou outro agente antiempedrante (PESEK et al., 1971). A granulação do NA pode também ser feita em tacho, como descreve Skauli (1977). O NA tem 33,5 a 34,0% de N, metade na forma nítrica e metade na amoniacal. Características físicas principais: peso molecular – 80; densidade – 1,73; ponto de fusão – 170º C; ponto de ebulição – 210º C, solubilidade em água (g/100g): 0º C 118,3; 100º C 87,1.

Depois da remoção de borras, a solução é concentrada a vácuo e adiciona-se NA para elevar o teor de N a 15,5%. Segue-se evaporação e perolação, secagem e resfriamento. No segundo caso tem-se: Ca3 (PO4)2 + 2HNO3 → Ca(NO3)2 + Ca HPO4 + 4HNO3 → 2 Ca(NO3)2 + Ca(H2 PO4)2 + 6HNO3 → 3 Ca(NO3)2 + 2H3 PO4 O líquido que sai do reator é resfriado, o que pode precipitar o nitrato de cálcio, que é então separado por centrifugação ou filtração a vácuo. Características físicas principais: peso molecular – 164, densidade – 2,50; ponto de fusão – 561º C, solubilidade em água (g/100g): 0º C 102; 100º C 364.

4.2.8. Nitrato de sódio
O nitrato de sódio “natural” é o salitre do Chile. É obtido por beneficiamento dos “caliches”, que contêm, além do NaNO3: NaCl, Na2SO4, sais de Ca, Mg e K, sais de B e de I. Alguns detalhes da obtenção são resumidos por Malavolta (1981). O NaNO3 sintético resulta das reações: 3 NaCl + 4 HNO3 → 3 NaNO3 + Cl2- + NOCl + H2O Os gases são oxidados por HNO3 e eliminados. As principais características do nitrato de sódio, que tem 15,5% de N, são as seguintes: peso molecular – 85; densidade 2,26; ponto de fusão 307º C; ponto de ebulição 380º C (decompõe-se); solubilidade em água (g/100g): 0º C 73; 100º C 180.

4.2.6. Sulfonitrato de amônio
Obtido granulando-se NA em núcleo de SA e depois revestindo o produto com um agente condicionador. Pode também ser produzido como sal duplo de SA e NA. Contém 26% de N.

.2.7 Nitra cálc lcio 4 .2.7. Nitrato de cálcio
É o produto da reação entre ácido nítrico e calcário ou cal moída. CaCO3 + 2 HNO3 → Ca(NO3)2 + CO2 + H2O É também obtido como subproduto da fabricação de nitrofosfatos (GRUNDT, 1977-b). A reação, no primeiro caso, é conduzida em tanques revestidos de tijolos a prova de ácido, e a solução é neutralizada com mais amônia e cal.

4.2.9. Nitrato de potássio
O nitrato existe em pequenas minas na Índia, Egito, China e no caliche na proporção de 2-3%, o que permite seu aproveitamento. Há pelo menos duas vias para obtenção do KNO3 sintético: O processo usado nos EUA segue as reações: HNO3 + KCl

→ HCl + KNO3

2HCl + ½ O2 → Cl2 + H2O

223

O NITROGÊNIO NA AGRICULTURA BRASILEIRA

Home

Apresentação

Sumário

Créditos

O oxidante, na segunda reação, pode ser o próprio HNO3 ou MnO2 (YUFERA e DORRIEN, 1973, p.115-116). Em Israel, segundo Slack (1968, p.328-330), a obtenção se baseia na mesma reação, sendo o HCl removido por um solvente orgânico parcialmente miscível com H2O, em temperatura de 0-10º C. O KNO3 é cristalizado e separado. O HCl é separado do solvente, ambos sendo reciclados. O KNO3 tem 14% de N e 46% de K2O. Características físicas: solubilidade em água a 0ºC 14 g/100g; a 30ºC 44 g/100; ponto de fusão 332ºC.

O produto fortemente cáustico pode ser granulado ou em pó. Tem 60-65% de calciocianamida, 1520% de Ca(OH)2 e 10-21% de C livre. Possui 21-22% de N solúvel em água.

4.2.13. Fosfatos de amônio
Fosfato de monoamônico, fosfatos de metal e amônio, polifosfatos de amônio são considerados fontes de P2O5, pois o teor de fósforo excede sempre o de N.

4.2.14. Uréia
Wohler foi o primeiro a obter a uréia por síntese em 1828 – através da isomerização do isocianato de amônio, o que marcou o início da Química Orgânica, abalando a teoria da “força vital”, segundo a qual compostos contendo carbono somente poderiam ser produzidos no organismo vivo, estando a uréia entre eles.
calor NH4 CNO ⎯⎯⎯→H2NCONH2 cianato de amônio uréia

4.2.10. Nitrocálcio, nitrocal, canitro, nitro-calamonion
Resulta da adição à solução de NA, antes da perolação, de carbonato de cálcio em pó ou calcário calcítico ou dolomítico moído para melhorar as propriedades físicas durante o armazenamento. No Brasil, foram produzidos dois tipos: um com 20,5% de N total (10,2% nítrico e 10,3% amoniacal), 910% de CaO e 6-8% de MgO; outro com 27,0% de N total (13,5% em cada forma), 4-5% de CaO e 23% de MgO.

FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE

4.2.11. Nitrosulfocálcico
É obtido granulando-se NA e fosfogesso ou o segundo sobre núcleos do primeiro. O produto tem 27% de N, 5% de Ca e 4% de S.

Do mesmo modo que acontece com o nitrato de amônio, a uréia é usualmente obtida nas fábricas de NH3 aproveitando as grandes quantidades de CO2 disponíveis como subproduto da obtenção de H2 (ver 4.2.1.1.) (YUFERA e DORRIEN, 1973, p.119124). Na reação entre NH3 e CO2 forma-se carbamato de amônio como intermediário O O || || 2NH3 + CO2 → NH2 – C – O – NH4 ⇔ H2NCNH2 + H2O
carbamato de amônio

4.2.12. Calciocianamida
Um dos processos mais antigos para a fixação do N2 desdobra-se nas seguintes etapas: (1) obtenção de cal virgem
calor CaCO3 ⎯⎯⎯→CaO+ CO2

(2) produção de carboneto de cálcio
fusão CaO + 3C ⎯⎯ ⎯→ CaC 2 + CO

(3) nitrogenação
1000 CaC 2 + N 2 ⎯ ⎯ ⎯ C → CaN 2 C + C ⎯
o

224

A primeira parte do processo, em que se forma o carbamato de amônio, tem lugar em fase gasosa, as pressões parciais dos reagentes sendo maiores que os valores encontrados quando da dissociação desse produto, está em equilíbrio. Há libertação de calor e a dissociação do carbamato de amônio, mantida constantemente à pressão, aumenta com a temperatura. Em geral nos reatores e temperatura varia entre 180º e 200ºC e a pressão é de 170400 atm a qual se opõe à dissociação. Devido a

Home

Apresentação

Sumário

Créditos

essas condições de transformação deste em uréia se dá na fase líquida aquecida: O O || || H2N – C – ONH4 ⇔ H2N – C – NH2 + H2O A reação de desdobramento do carbamato em CO2 e NH3 corresponde a um equilíbrio entre as fases líquida e gasosa, sendo facilitada quando cai a pressão e aumenta a temperatura. A solução pode conter 75-90% de uréia. Dependendo do grau de recuperação da NH3 e do CO2 que deixaram de reagir, os processos de fabricação de uréia se classificam em três grupos: — ciclo único; — reciclagem parcial; — reciclagem total. De acordo com Naciones Unidas (1969, p.124-125), os principais problemas na fabricação da uréia são os seguintes: (1) corrosão – controlada em parte pelo material empregado no revestimento dos reatores (titânio, por exemplo) e pelas condições de fabricação (introdução de pequenas quantidades de O2); (2) formação de biureto – o biureto, também chamado alofanamida, se forma por aquecimento da uréia a 150-160ºC, em certas fases da fabricação, como nos granuladores por evaporação; nas instalações para cristalização apenas formam-se quantidades menores desse produto; evita-se a formação excessiva de biureto diminuindo-se a temperatura e o tempo de residência; em geral, os limites garantidos de teor de biureto são de 0,3%, no produto cristalino, e 1%, nos obtidos por evaporação e granulados; a legislação brasileira condena a uréia com mais de 0,3% para aplicação foliar e mais de 1,5% para uso no solo:
2CO(NH2 )2 ⎯⎯⎯→ NH2 − CO − NH − CO− NH2 + NH3
uréia biureto calor

deixa praticamente sobras das suas matériasprimas, sendo, porém, as que exigem maiores inversões de capital por sua complexidade.

4.2.14.1. Obtenção
As unidades de produção de uréia diferem fundamentalmente no destino que é dado aos gases que saem do reator; umas utilizam-nos na preparação de outros adubos nitrogenados (nitrato e sulfato de amônio, fosfatos de amônio) ou de ácido nítrico; outras fazem-no parcialmente; outras, ainda, como se viu, reciclam-nos totalmente. (1) Ciclo único - Vantagem: menor inversão. A viabilidade econômica, entretanto, depende do aproveitamento da NH3 no preparo de outros produtos e do baixo custo do CO2. O processo está esquematizado na Figura 4.3. (2) Reciclagem parcial - O CO2 não convertido em uréia é absorvido em mono ou em trietanolamina; o NH3 volta ao reator (ver Figura 4.4). (3) Reciclagem total - O NH3 e o CO2 residuais podem ser aproveitados de diversos modos: a – são absorvidos por água sob pressão, voltando ao reator como uma solução de carbamato de amônio; b – os dois gases são recolhidos em óleo leve de parafina e, misturados com este, são reciclados na forma de carbamato, depois de passar por um depurador; c – o NH3 e o CO2 são separados por absorventes seletivos e depois reciclados. A Figura 4.5 ilustra o processo de reciclagem total. (4) Cristalização, perolação e granulação - A cristalização se faz a vácuo, seguindo-se separação da uréia por centrifugação e secagem. A perolação se processa em vários passos: concentração; evaporação como película descendente dando um produto com 98-99% de uréia; bombeamento da uréia fundida para o alto da torre de perolação de onde, ao cair, formam-se as pérolas por resfriamento de aglutinação; secagem e embalagem do produto.
O NITROGÊNIO NA AGRICULTURA BRASILEIRA

(3) aproveitamento da NH3 e do CO2 que não reagiram – é, dentro de limites, inversamente proporcional ao custo das instalações; a maioria das fábricas usa reciclagem total, o que não

225

Home

Apresentação

Sumário

Créditos

Figura 4.3 - Esquema de fabricação de uréia por ciclo único.

Figura 4.4 - Esquema de fabricação de uréia por reciclagem parcial.

FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE

Figura 4.5 - Esquema de fabricação de uréia por reciclagem total.

226

Home

Apresentação

Sumário

Créditos

A granulação pode ser feita em tachos (ou patos) que recebem a uréia fundida. No processo desenvolvido pela Norsk Hydro, obtêm-se grânulos de 2-4 mm ou ainda maiores (SKAULI, 1977); em fábrica piloto, o aumento no teor de biureto do produto final foi consistentemente menor que 0,1%.

(76% de uréia) e 19% de enxofre (S). O enxofre fundido é pulverizado sobre a uréia pré-aquecida.

4.2.15.2. Produtos da condensação de uréia e aldeído
São vários os produtos da condensação de uréia e aldeído, cuja estrutura é dada na Figura 4.6: uréia formaldeido, uréia-Z (uréia acetaldeído), crotonilidene diuréia, isobutileno diuréia, condensação da uréia com glioxal. Tais produtos têm seu uso limitado pelo custo.

4.2.14.2. Características
As principais características da uréia aparecem na Tabela 4.4. A uréia é o adubo nitrogenado sólido de maior concentração que se conhece. Trata-se de um produto orgânico não ionizável, por isso, tem menor tendência do que os sais amoniacais e os nitratos para aumentar a pressão osmótica da solução do solo.
Tabela 4.4 - Principais características da uréia.
Item Cor Teor de N % Ponto de fusão Densidade (g/ml) Solubilidade (g/100 ml d’água) a 25ºC Ponto higroscópico (umidade crítica) a 30ºC Valor Branco cristalino 45 132,7ºC 1,335 119 72

4.2.16. Soluções nitrogenadas2

4.2.16.1. Aquamôniat
Resulta da mistura de amônia anidra com água, o que pode ser feito na indústria ou no campo. A mais usada possui 25% de amônia, o que dá 20% de N.

4.2.16.2. Nitrato de amônio
Produto da dissolução do NA em água, geralmente acompanhado de fontes solúveis de outros fertilizantes. A solução mais comum tem 85% de NA.

4.2.16.3. Nitrato de amônio – uréia – amônia
Podem ser misturados em proporções diversas. Têm a vantagem de apresentar menor pressão de vapor que a aquamônia e teor mais alto de N (37 – 49%).

4.2.15. Fertilizantes de liberação lenta
Os fertilizantes nitrogenados minerais estão sujeitos a perdas diversas, como lixiviação e volatilização. O mesmo acontece com os orgânicos depois da mineralização. No caso dos primeiros, é possível, através de práticas melhoradas de manejo (PMM), aumentar o aproveitamento do nitrogênio. É possível, em princípio, fazê-lo também mediante o uso de fertilizantes de liberação lenta, quase todos derivados da uréia (POWELL, 1968; HAUCK e KOSHINO, 1971). Os principais são descritos em seguida.

.2.16.4 uréia nitra 4 .2.16. 4 . Solução de uréia e nitrato de amônio (URAN)
A solução não pressurizada com 32% de N é uma das soluções nitrogenadas mais usadas, inclusive no Brasil. Normalmente contém 33-35% de uréia e 45-47% de NA.
O NITROGÊNIO NA AGRICULTURA BRASILEIRA

4.2.16.5. Amônia enxofre
O enxofre em pó ou fundido se dissolve na amônia anidra. Possui 70-74% de N e 20-24% de S. A pressão de vapor é pouco diferente daquela da amônia, motivo pelo qual o armazenamento, o transporte e a aplicação se fazem praticamente do mesmo modo.

4.2.15.1. Uréia revestida de enxofre
A uréia granulada ou perolada é recoberta de S elementar e de cera. O produto contém 35% de N

227

Figura 4.6 - Fórmulas estruturais de fertilizantes de liberação lenta.

228

FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE

Home Apresentação Sumário Créditos

Home

Apresentação

Sumário

Créditos

Brasi asil: fer tilizantes erti lizan 4 .3. Brasi l: situação dos fer ti liz an tes nitrogenados
Em 1950 a produção nacional de fertilizantes correspondeu a 100 t de N e 6.000 t de P2O5. Em pouco mais de meio século, os números mudaram, como se pode ver na Tabela 4.5. Em 2005 foram produzidas cerca de 701 mil t de N, um crescimento de 1.000 vezes. A produção nacional corresponde a apenas 34,7% do total. As empresas produtoras, sua capacidade instalada e localização estão na Tabela 4.6. A fonte de hidrogênio é o gás natural. O total da capacidade instalada está perto de 1 milhão de t de N (959 mil t).
Tabela 4.5 - Produção nacional e importações brasileiras de nitrogenados (2005).
Fertilizante Sulfato de amônio Uréia Nitrato de amônio Fosfato monoamônio Nitrato de cálcio Salitre potássico
Fonte: Daher (2006)

Tabela 4.7 - Consumo aparente (1000 t) e razão N:P:K. Ano 1950 1977 2005 N 10 730 1933 P2O5 50 1454 2834 K2O 25 899 3222 1: N:P:K 5:2,5

1: 1,99: 1,23 1: 0,46: 1,66

Produção
_________

Importação

Total
__________

1.000 t de produto 1.371 1.597 545 1.204 34 147

217 982 366 914 -

1.588 2.579 911 2.118 34 147

O aumento no consumo total foi acompanhado dos aumentos por unidade de área e por habitante. A variação na proporção dos três macronutrientes primários favoreceu, inicialmente (1950-77), o P2O5, conseqüência provável da abertura de novas áreas, particularmente nas terras pobres e ácidas do cerrado. Mais recentemente, porém, é o consumo de K2O que vem aumentando com mais rapidez. Causas prováveis: expansão das culturas de soja, cana-de-açúcar e café, mais exigentes em potássio. A proporção atual, 1,00: 0,68: 0,60, mostra que o País ainda não atingiu o patamar que define agricultura desenvolvida ou estável, na qual o consumo de N e K2O são próximos e o de P2O5 se faz em menor proporção. O consumo mundial, em 2003, mostra a participação significativamente maior do nitrogênio (dados da IFA reproduzidos pela ANDA, 2004): N - 85.668 mil t P2O5 - 34.651 mil t K2O - 24.686 mil t Proporção - 1,0 : 0,40 : 0,28. Considerando-se o consumo total, o Brasil em 2003 ocupou o quarto lugar no conjunto de todos os países, como se vê na Tabela 4-8. Notar a participação relativamente.
Tabela 4.8 - Posição do Brasil no consumo mundial.
N País China EUA mil t 24.400 11.000 11.076 2.295 2.331 % do total 28 13 13 2.6 2.7 P 2O 5 mil t 9.700 4.000 4.124 3.320 721 % do total K 2O mil t % do total 19 18 6 15 4

Tabela 4.6 - Capacidade instalada de produção.

________

1.000 t de produto 1.371 1.597 545 1.204 34 147

_______

Sulfato de amônio Uréia Nitrato de amônio Fosfato monoamônio Nitrato de cálcio Salitre potássico
Fonte: ANDA, 2004.

217 982 366 914 -

1.588 2.579 911 2.118 34 147

28 4.800 11 4.650 11 1.598 9.6 3.770 2.0 930

Índia Brasil França

Fonte: dados da IFA, citados pela ANDA (2004).

229

O NITROGÊNIO NA AGRICULTURA BRASILEIRA

Fertilizante

Produção

Importação

Total

Home

Apresentação

Sumário

Créditos

Indicam-se as quantidades de N, P e K aplicadas (fertilizantes) exportadas pelas principais culturas no ano de 2004. Tendo em conta que o consumo e as quantidades exportadas são as seguintes, verificou-se que um déficit considerável de N, que seria ainda maior se as perdas na erosão e volatilização fossem consideradas. Há, por outro lado, saldo positivo de fósforo e de potássio.
N P2 O5 K2O 2.295.000 - 5.666.400 = - 3.371.400 3.320.000 - 1.445.088 = + 1.874.912 3.770.000 - 2.812.209 = + 957.792

O uso do N, como o de qualquer outro macronutriente, obedece à equação geral de adubação. N (fertilizante) = [N (exigência) – N (fornecimento)] x f, em que: N (fertilizante) = dose de N a ser aplicada; N (exigência) = quantidade total necessária para a formação de colheita; N (fornecimento) = quantidade que o solo é capaz de fornecer no ciclo da cultura ou no ano através da mineralização da matéria orgânica ou dos restos da cultura anterior. Extração é sinônimo de exigência, refere-se ao conteúdo de N na planta inteira; exportação (Tabela 4.9) é parte do todo. A absorção que reflete a necessidade não é uniforme durante o ciclo de vida, no caso de cultura temporária, ou no ano, quando se trata de cultura perene. A contribuição da mineralização pode ser avaliada no laboratório mediante ensaio de incubação fechada ou aberta no solo. Tal método, entretanto, não pode ser usado, na prática, para se fazer recomendação de adubação nitrogenada. Há métodos expeditos, empregados em outros países, em que a contribuição do solo é avaliada mediante análise de frações nitrogenadas relacionadas com a disponibilidade do elemento ou através da determinação de NO3- em condições fixas de tempo e localização.

4 . 4 . Uso
4 . 4 .1. Solo
A Figura 4.7 mostra o nitrogênio no sistema soloplanta-atmosfera. O papel do N no sistema é aumentar a concentração do elemento, principalmente como NO3- na solução do solo (9 milimoles L-1 é a média). Nitrogênio amoniacal, em proporção muito menor, e aminoácidos resultantes da reação 1 também podem ser absorvidos. Fertilizantes, como a uréia e o nitrato de potássio, podem ser aplicados direta-mente nas folhas, que são capazes também de absorver nitrogênio gasoso como dióxido, NO2 (SPARKS et al., 2001). Por outro lado, as folhas podem perder N como NH3 (WETSELAAR e FARQUHAR, 1980).

FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE

N (Fertilizante) 8 1 N (Fase Sólida) -1 5 5 N (Erosão) 5 N (fase lábil) -2 2 8

N (Atmosfera) -11 9 -9 10 3 -3 7 N (Lixiviação) N (Colheita) 11 N (Raiz) 4 -4 7 N (Parte aérea) 12

N (Solução) 6 -6

a) Compartimentos – fase sólida (matéria orgânica); fase lábil (complexo de troca para NH4+); solução do solo; planta – raiz e parte aérea (extração) e atmosfera. b) Reações de transferência: 1, 2 – mineralização; -1, -2 imobilização; 3 absorção, -3 excreção; 4 transporte, -4 redistribuição; 5 perda por erosão; 6 lixiviação, -6 ascensão; 7 exportação; 8 adubação; 9 fixação (descarga), -9 volatilização; 10 fixação simbiôntica; 11 absorção pela folha, -11 excreção; 12 N (fertilizante) • N (parte aérea)

230

Figura 4.7 - O sistema N solo-planta-atmosfera.

Home

Apresentação

Sumário

Créditos

Tabela 4.9 - Exportação de N, P e K pelas principais culturas
Produção Toneladas 2.840.463 256.373 11.139.642 554.613 3.033.610 234.730 2.521.982 444.932.352 1.134.966 358.092 3.487.807 526.000 18.173.231 109.333 27.633.757 42.198.375 55.443.812 1.464.549 2.590.000 4.511.313 306.655 N P Kg/t 22,30 34,00 12,40 20,00 3,60 33,00 16,66 1,30 1,80 20,00 35,40 30,00 2,00 18,66 2,00 22,60 60,60 17,00 2,40 25,00 21,00 3,00 2,00 2,20 3,00 0,22 2,00 0,99 0,08 0,50 3,00 4,00 6,00 0,20 6,00 0,20 4,70 5,20 4,00 3,60 5,00 3,00 18,40 9,00 4,40 7,00 3,30 8,00 16,66 1,10 2,80 7,00 15,30 50,00 1,50 6,00 1,95 6,50 18,70 5,00 2,70 4,00 6,00 K N P Total Toneladas 63.342 8.717 138.132 11.092 10.921 7.746 42.016 578.412 2.043 7.162 123.468 15.780 36.346 2.040 55.268 953.683 3.359.895 24.897 6.216 112.783 6.440 5.566.400 8.521 513 24.507 1.664 667 469 2.497 35.595 567 1.074 13.951 3.156 3.635 656 5.527 198.332 288.308 5.858 9.324 22.557 920 628.299 52.265 2.307 49.014 3.882 10.011 1.878 42.016 489.426 3.178 2.507 53.363 26.300 27.260 656 53.886 274.289 1.036.799 7.323 6.993 18.045 1.840 2.163.238 K

Cultura Algodão Amendoim Arroz em casa Aveia Batata Cacau Café beneficiado Cana-de-açúcar Cebola Cevada Feijão Fumo Laranja Mamona Mandioca Milho Soja Sorgo Tomate Trigo Triticale Total

231

O NITROGÊNIO NA AGRICULTURA BRASILEIRA

Home

Apresentação

Sumário

Créditos

No Brasil são usadas duas opções para recomendar a dose de N. A Comissão de Fertilidade do Solo RS/SC (1999) recomenda a dose de N em função do teor de matéria orgânica. Um exemplo é dado na Tabela 4.10.
Tabela 4.10 - Recomendação de adubação para o milho – RS/SC.
Teor de matéria orgânica no solo
_____

Tabela 4.11 - Potencial de mineralização de nitrogênio e produtividade de milho obtida no cerrado com diferentes teores de matéria orgânica.
Teor médio de matéria orgânica
________

Poder de Nitrogênio (1) mineralizado
_______

Produtividade de milho Observada ou estimada(2)
_______

% 1 2 3 4

________

kg/ha

_______

t/ha 1,5

______

30 – 50 60 – 100 90 – 150 120 - 200

Expectativa de rendimento < 3 t/ha
___________

3,0 – 4,5 4,0 – 6,0 5,0 – 7,0

3 – 6 t/ha kg N/ha 130 110 90 80

>6t 160 140 120 100

%

_____

_____________

< 2,5 2,6 – 3,5 3,6 – 4,5 4,6 – 5,5 > 5,5

80 70 60 50

(1) Estimou-se uma taxa de mineralização anual de matéria orgânica de 3% e 5% e uma relação C/N de 11,5. (2)

Eficiência do uso de 75% para um perfil de solo explorado de, no mínimo, 60 cm.

≤ 40

≤ 65

≤ 80
As perdas de N do fertilizante, bem como daquele que vem da mineralização, ocorrem de diversas maneiras indicadas na Figura 4.7, números 5, 6, 9 e 11. Notar que somente o processo referente à erosão não tem volta. O nitrogênio lixiviado, desde que não atinja o lençol freático, pode subir por capilaridade, com a água que chega à camada arável do solo. As perdas por lixiviação dependem da fonte e das condições de aplicação, do solo e da queda pluviométrica. Essas variáveis podem explicar os diferentes resultados obtidos no Brasil, no caso da cana-de-açúcar. Salcedo et al. (1988) mediram perdas de cerca de 25 kg ha-1. Reichardt et al. (1982) verificaram perda de cerca de 6 kg por há, quando aplicaram 90 kg por ha e a chuva oscilou em torno de 1.500 mm por ano. Oliveira et al. (2002), empregando diversas doses de uréia marcada com 15 N, não detectaram lixiviação do fertilizante; houve, porém, no período experimental de 11 meses, lixiviação de 4,5 kg N ha-1 proveniente da palha da cana-de-açúcar. Costa (1985) apresentou uma estimativa das perdas por erosão em cada uma das principais culturas. Os dados foram extrapolados por Malavolta (1992) para obter uma idéia, ainda que grosseira e temerária, do montante de tais perdas; chegou ao número 863 mil t de N.

A EMBRAPA Cerrados (SOUSA e LOBATO, 2002) recomenda a dose de N com base no fornecimento pelo solo (Tabela 4.11) e a exigência da cultura para um dado nível de produção. Considera f = 1,33 (eficiência de 75%). Em um solo com 3% de matéria orgânica, a produção de 7 t de milho por ha é assim calculada: RNC = exigência = 7 x 20 = 140 kg (exigência de 20 kg de N por tonelada de grãos)
FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE

SNS = capacidade de fornecimento pelo solo (1% de matéria orgânica fornece 30 kg de N) Dose de N (kg/ha) = (RNC – SNS) x f Para a produção de 7 t por ha tem-se: dose de N = (140 – 3 x 30) 1,33 = 66 ≈ 70 kg N/ha De um modo geral, porém, as doses de N no Brasil são recomendadas com base nos resultados de um número limitado de experimentos de campo. As doses calculadas, devido ao fato mencionado, segundo o qual a exigência de N não é uniforme no ciclo ou no ano, e mais o comportamento do fertilizante no solo, fazem com que o total seja parcelado em duas ou mais aplicações nos períodos de maior demanda.

232

Home

Apresentação

Sumário

Créditos

O N-NO3-, qualquer que seja a sua origem, em condições anaeróbicas, como ocorre nos campos de arroz inundados ou quando há encharcamento, pode servir como aceitador de elétrons para a oxidação de compostos orgânicos (e às vezes de inorgânicos) por bactérias principalmente, com a liberação de energia e de N2 ou N2O que vão para a atmosfera (DELWICHE, 1981). Em solos arejados ocorre também a desnitrificação, pois há micro sítios onde a tensão de O2 é baixa, mas suficiente para que as reações se processem:
NO 3 − + 1,25 (HCHO) → 0,5 N2 + 0,75 H2 O + 1,25 CO 2 + OHcarboidrat o ΔG298 = −124kcal/at omo g NO 3

de perdas, segue-se que, para fazer f → 1 na equação geral da adubação, é necessário um manejo adequado dos produtos. Manejo adequado quer dizer: usar a fonte certa, na época ou épocas de necessidade maior e com a localização indicada, localização essa que depende do fertilizante e da distribuição do sistema radicular. Nas culturas temporárias coloca-se pouco ou nenhum N no plantio. A maior proporção ou a totalidade é aplicada em uma ou mais coberturas próximas das raízes, incorporando-se quando possível. As culturas permanentes não recebem, como regra, N mineral no plantio, podendo receber fertilizante orgânico no sulco ou cova. Depois, durante o ano, aplica-se o fertilizante nitrogenado em cobertura embaixo da copa ou em área total, dependendo da densidade de plantio. A aplicação da uréia em cobertura sobre o solo ou sobre restos da cultura anterior pode contribuir para as perdas por volatilização, diminuindo a eficiência da adubação, como se pode ver na Figura 4.8 e Tabela 4.12. Dependendo da cultura, podese evitar a perda mediante incorporação: o NH4+ resultante do NH3 é adsorvido ao complexo de troca passando temporariamente a fazer parte da fase lábil. Uma alternativa para evitar a perda é o emprego de inibidores de urease em mistura ou impregnado na uréia. Há muitos produtos desse tipo. Entre eles tem sido usado o NBPT, N-(n-butil) tiofosfórico triamida, o qual pode ser adicionado durante o processo de fabricação do fertilizante. A Figura 4.9 e a Tabela 4.13, reproduzidas de Cantarella et al. (2004), mostram o efeito do NBPT na volatilização e na produção do milho. Entretanto, embora a maioria dos experimentos conduzidos no Brasil e no exterior (CABEZAS et al. 1997) mostrem perdas por vezes consideráveis de N da uréia aplicados na superfície do solo. No ensaio conduzido por Oliveira e Caires (2003), não houve diferença significativa entre a produção obtida com uréia na superfície, uréia incorporada e o sulfato de amônio (Tabela 4.14).

NO 3 − + (HCHO) → 0,5 N2 O + 0,5 H2O + CO 2 + OH −
ΔG298 = −83,0 kcal

De acordo com Moreira e Siqueira (2006, p.361), a quantidade de N perdida pela desnitrificação varia de 5 a 15 kg de N por hectare e por ano, podendo corresponder a uns 20% do elemento aplicado como fertilizante. O N amoniacal, por sua vez, pode sofrer perda por volatilização da NH3, quando o pH do solo está acima de 7,0: NH4+ + OH- ⇔ NH3 H2O A uréia pode perder N por volatilização devido à ação da enzima urease ativada pelo níquel e que é de distribuição universal no solo, plantas, animais e muitos microrganismos:
urease CO (NH2 )2 + H2O ⎯⎯ ⎯ → 2 NH3 + CO 2 ⎯

A aplicação de doses pesadas dos fertilizantes nitrogenados solúveis pode aumentar demasiadamente a pressão osmótica da solução do solo, danificando as raízes ou prejudicando a germinação das sementes. Tendo presente a necessidade não uniforme de N das culturas, o comportamento dos nitrogenados no solo e as possibilidades

233

O NITROGÊNIO NA AGRICULTURA BRASILEIRA

A amônia volatilizada pode, em parte, pelo menos, ser reabsorvida pelas folhas como se demonstrou, por exemplo, no caso do cafeeiro, usandose uréia marcada com 15N (K. Reichardt, 2006, comunicação particular).

Home

Apresentação

Sumário

Créditos

Figura 4.8 - Perdas acumuladas de N-NH3, ao longo do tempo, provenientes da aplicação superficial (S) e incorporada (I) de uréia (U), nitrato de amônio (NA), sulfato de amônio (SA), uran (UR) e sulfuran (SU) na cobertura nitrogenada de milho. a: SPD; b: SPC.

Figura 4.9. Perdas de N por volatilização de NH3 de fertilizantes aplicados na superfície de solos. NA: nitrato de amônio; UR: uréia; AGR: uréia tratada com NBPT antes da adubação; HY: uréia tratada com NBPT durante o processo de fabricação do fertilizante. Ensaio de Mococa. Barras verticais se referem à diferença mínima significativa (Tukey, P ≤ 0,05).

Tabela 4.12 - Massa de mil grãos e produtividade do milho em SPD e SPC.

Fonte nitrogenada

FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE

Sulfato de amônio Nitrato de amônio Uréia Uran Sulfuran Média Entre fontes (DMS, Tukey, 0,05) Entre modos de aplicação (DMS, Tukey, 0,05) C.V. (%) Sulfato de amônio Nitrato de amônio Uréia Uran Sulfuran Média Entre fontes (DMS, Tukey, 0,05) Entre modos de aplicação
(DMS, Tukey, 0,05) C.V. (%)

Massa 1.000 grãos N exportado Produtividade Superficial Incorporado Superficial Incorporado Superficial Incorporado __________________ ____________________________________ g __________________ kg ha -1 ____________________________________ ------------------------------------------ Sistema de plantio direto ------------------------------350 337 128 134 10.042 9.256 356 343 131 140 9.536 9.860 335 339 116 132 9.151 9.413 327 349 118 133 8.976 9.639 321 354 123 132 8.776 10.460 339 344 123 134 9.296 9.725 40 (ns) 17 (ns) 4,9 37 (ns) 16 (ns) 12,0 2.006 (ns) 853 (ns) 8,9

------------------------------------- Sistema de plantio direto ------------------------------380 396 129 124 9.428 9.644 385 369 144 121 9.818 9.470 398 398 132 124 9.717 9.583 390 385 124 119 9.583 9.286 394 383 131 130 9.812 8.947 389 386 132 124 9.672 9.386 23 (ns) 10 (ns) 2,5 29 (ns) 12 (ns) 9,4 2.193 (ns) 932 (ns) 9,6

234

Home

Apresentação

Sumário

Créditos

Tabela 4.13 - Resposta do milho à aplicação de adubos nitrogenados tratados ou não com inibidor de urease. Mococa.

Produção de grãos Fonte de N Média N s/ testemunha
_________

Média 4 doses de N

Perdas de NH3 % do N aplicado 44,7 32,1 23,5 0,6

kg/ha __________ 6610 a 6950 ab 7460 b 7450 b

Uréia UR-HY UR-AGR NA

6960 a 7440 ab 7860 b 8164 b

Médias seguidas pelas mesmas letras não diferem entre si pelo este de Tukey (P =

≤ 0,05)

Tabela 4.14 - Produção de grãos de milho em função de doses e modos de aplicação de fontes de nitrogênio em cobertura no sistema plantio direto.
Dose de N kg ha-1 Modos de aplicação de fontes de N US
(1)

UI

(2)

SAS

(3)

US+ SAS

(4)

Média

_____________________________

kg ha-1 _____________________________ 7098 7427 7812 8530 7717 6103 8405 7891 8264 7666 6805 7946 7940 8366

30 60 90 120 Média F dose C.V. dose (%) F modo C.V. modo (%) F dose x modo
(1)

7011 7932 7588 8101 7658 6,42* 11,8 0,64 9,5 0,84
ns ns

7010 8019 8468 8571 8017

Y = 6595,00 + 15,59x R = 0,81**
2

Como foi visto (item 4.2.14.), a uréia é o fertilizante mais produzido no Brasil e no mundo, também o que é justificado pelo custo de produção e alto teor de N. A redução de perdas por volatilização apresenta duas opções não mutuamente excludentes: incorporação de inibidor no processo de fabricação; manejo da uréia no campo. Convém lembrar que Fenn et al. (1981- a, b, c) demonstraram que a adição de sais solúveis de Ca e Mg reduzem consideravelmente as perdas de N da uréia por volatilização:

urease CO (NH2 )2 + 3H2O ⎯⎯ ⎯ → (NH4 )2 CO 3 .H2O ⎯

(NH4)2 CO3 H2O + Ca X Onde X = Cl ou NO
-

. CaCO .+ 2NH
3 3

4

X

3

(NH4)2 CO3 H2O + Mg SO4

. Mg CO . + (NH ) SO
4 2

4

A possibilidade de diminuir a perda tanto por lixiviação quanto volatilização mediante revestimento já foi indicada no item 4.2.15. Entre as fontes usuais de N, exceção feita para a amônia anidra, cujo emprego é limitado, a uréia é aquela em que

235

O NITROGÊNIO NA AGRICULTURA BRASILEIRA

Uréia em superfície na emissão da quarta folha. (2) Uréia incorporada ao solo na emissão da quarta folha. (3) Sulfato de amônio em superfície na emissão da quarta folha. (4) Metade da dose na forma de uréia em superfície na emissão da quarta folha e a outra metade na forma de sulfato de amônio em superfície na emissão da oitava folha. ns: não significativo, * significativo p < 0,05 e ** significativo p < 0,01.

Home

Apresentação

Sumário

Créditos

o quilo de nitrogênio é mais barato. Por esse motivo, na avaliação das diversas fontes, é necessário considerar a eficiência econômica das mesmas. Além das eventuais perdas por lixiviação e volatilização, que podem influenciar o aproveitamento dos diversos fertilizantes nitrogenados e o seu efeito na produção, há dois outros aspectos a considerar. O SA possui, além do N, enxofre na forma de sulfato na sua composição. Em solos deficientes em S, o SA ganha a competição com outras fontes. A deficiência de enxofre nos solos brasileiros é quase tão freqüente quanto à de fósforo, especialmente no cerrado. Os fertilizantes nitrogenados amoniacais ou uréia que produz NH4+ acidificam o solo devido às reações da nitrificação: NH4+ + 1,5 O2 → NO3- + H2O + 2H+ As fontes nítricas, por outro lado, tendem a diminuir a acidez devido ao processo de absorção: Raiz – HCO3- + NO3- + H+ → raiz – NO3- + H2CO3 A acidificação aumenta a disponibilidade do alumínio tóxico e de micronutrientes catiônicos, principalmente a do manganês, como se pode ver na Tabela 4.15, preparada com dados de Moraes (1981). Entretanto, o teor do manganês pode atingir níveis tóxicos, como no caso presente, prejudicando a produção. Em solos deficientes, porém, o aumento na disponibilidade favorece a produção.
Tabela 4.15 - Efeito do uso de adubos nitrogenados em características do solo e no teor foliar de Mn em cafeeiros no solo Podzolizado de Lins e Marília(1).

mesma dose causam os aumentos na produção Ay1 e Ay2. A eficiência relativa será:

er =

Δy1 Δy 2

Tal comparação, freqüentemente usada na literatura, poderá não ser válida em duas situações: (1) se a dose x for muito pequena, a variação na produção também será muito pequena, abaixo do nível da significância estatística; (2) doses muito altas tendem a fazer desaparecer diferenças entre as fontes, daí a necessidade de se ter experimentos com pelo menos três doses de N de cada fonte. Nesse caso, a equação de Mitscheilich freqüentemente se ajusta aos dados: y = A [1-10-C (x + b)], onde: y = produção obtida com x = dose de adubo A = colheita máxima b = constante da regressão = quantidade do elemento no solo c = coeficiente de eficiência do fertilizante Conhecidos os três parâmetros para cada um dos fertilizantes, pode-se calcular a dose de cada um deles que dá a colheita econômica máxima:

FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE

x* =

wu 1 1 x µ + log 2 c tx u

Tratamento

------------- Solo ------------ --- Folha--pH 6,0 4,9 4,7 4,7 Al+3 meq/100g 0,0 0,5 0,5 0,5 Mn+2
_______

Mn ppm _______ 348 1683 4131 2410

Sem N Nitrato de amônio Uréia Sulfato de amônio
(1)

26 130 83 108

x* = dose mais econômica xμ = dose do fertilizante que garante u = aumento na produção em relação a testemunha não adubada w = preço unitário do produto t = preço unitário do elemento no fertilizante Substituindo-se x, na equação de Mitscheilich, por x* tem-se y, colheita econômica máxima. A eficiência econômica relativa (eer) é dada pela relação:

Total aplicado: 450 kg N por ha

eer =

ye1/x*1 ye2 /x*2

236

Malavolta e Neptune (1983) discutiram vários procedimentos destinados a avaliar a eficiência relativa das fontes de N. Duas fontes 1 e 2, aplicadas na

onde 1 e 2 correspondem a dois fertilizantes. Um valor de eer menor que 1 significa que o fertilizante 1 é menos eficiente do ponto de vista econômico

Home

Apresentação

Sumário

Créditos

que o fertilizante 2. O contrário corresponde ao caso em que 1 é mais eficiente. Ou, em outras palavras, a porcentagem de 2 que 1 representa. A eficiência pode ser também medida empregando-se fertilizantes marcados com 15N e determinando-se, na planta, a porcentagem do N derivado do mesmo (MALAVOLTA e NEPTUNE, 1983).

pectivamente: Laca-Buendia (1989), Coleti (1989) e Melare (1989). Ao que parece o primeiro trabalho sobre adubação foliar com N foi conduzido por Malavolta e Coury (1957), os quais corrigiram a deficiência em cafeeiro aplicando uréia nas folhas. A preferência pela uréia como fonte na adubação foliar é devida ao seguinte: preço unitário do elemento; solubilidade em água e velocidade de absorção. Veja-se comparativamente a velocidade de absorção do N da uréia, do P e do K na Tabela 4.16, tirada de Wittwer et al. (1963).
Tabela 4.16 - Velocidade de absorção de nutrientes aplicados nas folhas.
Nutriente Planta Citrus Macieira Abacaxi Cana-de-açúcar Nitrogênio Fumo (uréia) Café, cacau Banana Pepino, feijão, tomate, milho Aipo, batata Tempo para 50% de absorção 1–2h 1–4h 1–4h 24 h 24 – 36 h 1–6h 1–6h 1–6h 12 – 24 h 7 – 11 d 6d 15 d 1–4d

4 . 4 .2. Folha e fertirrigação Fol olha fertirrigação ertir

foliar 4 . 4 .2.1. Aplicação foliar
As folhas absorvem o N e outros elementos por mecanismos semelhantes aos que operam nas raízes. O N, no caso presente, é transportado pelos vasos do floema para outros órgãos da planta, inclusive até as raízes. O nitrogênio é transportado na forma em que foi absorvido ou como produto de sua assimilação, como são os aminoácidos. Na Figura 4.7 a aplicação de nitrogênio via foliar foi indicada como reação 12. A adubação foliar não substitui o fornecimento de N via solo. As doses aplicadas, dezenas até centenas de quilos por ha, exigem um fracionamento tal que torna a prática não realizável por ser antieconômica. A aplicação do N via folha, em geral, se faz em três situações: para obter correção mais rápida da deficiência, para fornecer o elemento quando não é praticável via solo, para melhorar a qualidade do produto agrícola. Exemplo do primeiro caso é a cultura do algodoeiro no Centro-Oeste: quando há um veranico, falta de água para a mineralização de matéria orgânica e para que o fluxo de massa leve o N até às raízes. Nesse caso, tornou-se rotina a aplicação de nitrogênio nas folhas em intervalos de 7-10 dias, três a quatro vezes. A cana-deaçúcar “fecha” depois de 6 meses do plantio, aproximadamente. Para suprir N (e também K) no período de maior exigência são fornecidos uréia e o cloreto de potássio por meio de avião. Os fertilizantes que caem entre a bainha e o colmo são absorvidos prontamente. A laranja para o mercado de fruta, interno ou de exportação, tem sua qualidade melhorada mediante aplicações de nitrato de potássio nas folhas. Para detalhes, ver, res-

Macieira Fósforo Feijão Cana-de-açúcar Potássio Feijão

4.2.2.2. Fertirrigação
Vivancos (1993, p.9) define: “Entende-se por fertirrigação a aplicação dos fertilizantes e, mais concretamente, dos elementos nutritivos de que as culturas necessitam, junto com a água de irrigação”. Os fertilizantes nitrogenados mais usados em fertirrigação, de acordo com Vivancos (1993), são: sulfato de amônio, nitrato de amônio, uréia, nitrato de cálcio, nitrato de potássio, soluções nitrogenadas não pressurizadas. Dependendo da cultura e da época do ciclo, o N é fornecido isoladamente ou associado ao P ou ao K. A soluçãomãe, em geral na proporção de poucos litros por

237

O NITROGÊNIO NA AGRICULTURA BRASILEIRA

(1994). A Figura 4. 1994. como N2. Com ajuda de programa de computador pode-se alcançar uma automação quase completa para a fertirrigação ou. A energia solar é absorvida. dependendo da época. cuja temperatura sobe (TAN. da disponibilidade do recurso água. etc. não se usa no Brasil.7 representa o nitrogênio no sistema solo-planta-atmosfera. o CH4. como café e laranja.1 Tg. no qual as reações 238 . é introduzida no sistema por gravidade ou através de Venturi. ao que parece. eventualmente. o localizado é empregado em culturas perenes. O restante do N tem os seguintes destinos: incorporado (imobilizado) na matéria orgânica ou perdido para outras partes do ambiente em proporções incertas. Em 2002 essa entrada foi de 84. O restante é a diferença entre entrada e saída e perdido para o ambiente ou incorporado no solo. em parte. A lixiviação. Mosier et al. Além dos solos. Aspectos ambientais A fonte de N para os ecossistemas terrestres. a de outros elementos. Entre os primeiros estão a aspersão convencional e o pivô central. fixado no ar (descargas elétricas). e N2O e NO da nitrificação e desnitrificação contribuem com 8 Tg. e em cultivos hortícolas. é feita pelos sistemas pressurizados ou localizados. são de 14 Tg por ano. conseqüência da poluição do ar. Enquanto o sistema anterior é usado em culturas extensivas. Estima-se que o fertilizante contribua com 50% do N exigido para a produção global de alimento. reciclagem de restos de culturas – 12-20 Tg. São considerados gases estufas: o CO2. o ar e a água recebem produtos das transformações do nitrogênio do próprio solo e do fertilizante.247). da irrigação apenas. Vivancos (1994. metade é removida como produto colhido (85 Tg). Nos sistemas localizados – microaspersão. assim distribuídos: fixação biológica – 25-41 Tg. na planta e na indústria. A aplicação do fertilizante em sulcos de irrigação. marinhos e agrícolas é o N2 da atmosfera. p. (2004) discutem o ciclo agrícola do N representado na Figura 5. leitores de tensiômetros. por esses gases e emitida para a superfície terrestre. a volatilização da amônia do solo e da vegetação contribui com 21 Tg. A aplicação do N e. As outras entradas anuais para a produção das culturas fornecem 21-27 Tg adicionais. que cai parcialmente nas folhas (dependendo da condição da cultura). dependendo da cultura. O efeito estufa. Do total de 170 Tg adicionados. Ambos exigem abundância de água e quantidades maiores de nitrogênio. em que há diversos mecanismos de controle mediante válvulas sensores. o N2O e os clorofluorcarbonos emitidos da superfície da terra vão para a parte superior da atmosfera onde são aquecidos pelo sol. escorrimento superficial e erosão são responsáveis por 37 Tg das perdas anuais. Os sistemas de fertirrigação podem variar enormemente em sua complexidade. como mostra a Figura 5. disposição atmosférica e água de irrigação (não mostradas na Figura 5-1) – 21-27 Tg adicionais. p.2. como milho e algodão. da extensão da mesma. desde os mais simples baseados em um tanque com o fertilizante até os mais elaborados.Home Apresentação Sumário Créditos m3 de água. estercos – 12-22 Tg.1. algumas em conjunto com P e K. As perdas por desnitrificação. que é colocado onde e quando a cultura necessita. Os poluentes emitidos na atmosfera e os deles derivados podem causar problemas ambientais. no solo. reversíveis descrevem um ciclo o qual apresenta duas saídas – a colheita e a erosão. gotejo – há economia de água e do fertilizante. é um fenômeno que provoca o aumento na temperatura da terra. outras isoladamente. cujos detalhes se encontram em Costa et al. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE 5.138) dá o programa de aplicação de N nos citros: a dose total é fracionada em oito aplicações distribuídas nos períodos do ano em que a exigência é maior. Estima-se que 60% do N usado na produção de alimento são aproveitados.

1983.Home Apresentação Sumário Créditos Fonte: Modificada de Isermann. Figura 5.Ciclo agrícola do nitrogênio em escala global (entradas e saídas em Tg N ano-1) 239 O NITROGÊNIO NA AGRICULTURA BRASILEIRA .1 .

A queima de combustíveis fósseis e a conversão de terra para fins agrícolas são os maiores contribuintes antropogênicos de CO 2. CH4 e N2O têm graus de incerteza variáveis (varying degrees of uncertainty). quei- . Benckiser e Simarmata (1994). respectivamente. A Tabela 5.2 Tg de CH4 por ano (CAO et al. Conforme se lê em Duxbury (1994). com a maior área do mundo de arroz inundado (paddy). Vitousek (1994).. 60 e 90% das emissões totais antropogênicas de CO2. 1983. contribui com 16. Provavelmente é responsável por parte do N2O liberado na atmosfera. tendo em mente essa restrição. 1996). CH4 e N2O.Home Apresentação Sumário Créditos FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE Fonte: pouco modificada de Iserman. A China. Duxbury (1994). apresenta o orçamento anual de alguns dos gases. A agricultura e a abertura de novas áreas agrícolas são responsáveis por 25. Acredita-se que contribua também com 55% do NH3 e 50% do monóxido de carbono (CO). Figura 5. como. os balanços do CO2.2: Possíveis efeitos dos gases estufa e outros poluentes de diversas origens na atmosfera 240 As origens dos gases da estufa são discutidas por vários autores. por exemplo. O metano é gerado microbiologicamente em vários ambientes agrícolas anaeróbicos: fermentações intestinais em ruminantes.1. campos de arroz inundados (39%). principalmente vindo da combustão da biomassa.

vagabunda terra” de Miguel de Unamuno. (2) a duplicação da concentração de CO2 pode aumentar a colheita de plantas C3. como mostra a Tabela 5.3 11.2 .1 .2. 1995). o aumento na contração de CO2 absorvido na fotossíntese atuaria como adubo. metano e óxido nitroso(1). aumentar a seca e os veranicos. como sulfeto de carbonilo (COS).000 1.Contribuição relativa da indústria e da agricultura para a emissão de CO2 + CH4 (1). Tabela 5.3 2. Esses resultados favoráveis não devem ser surpresa: no início do século. por outro lado. controvérsias e de algumas medições: (1) Bongaarts (1994) lembra que o aquecimento global poderia melhorar ou impedir a Agricultura: em presença de H2O e luz suficiente. o SO2. são objeto de projeções. Outra confirmação: Reddy et al. O NITROGÊNIO NA AGRICULTURA BRASILEIRA CO Tg C 4 __________ CH N 2O Tg N 2. a água consumida não variou (SENFT e HAYS. País EUA Brasil Índia (1) Agricultura _________________ Energia % _________________ 71 3 9 3 8 6 Emissão total nos EUA: 5 x Índia e 7 x Brasil. Os solos são considerados a fonte principal de N2O e NO. vindo da queima de biomassa e principalmente da indústria.7 105. as quais são capazes de armazenar quantidades maiores do dióxido de carbono nos cloroplastos.0 13. para citar dois países em desenvolvimento como exemplos. 241 .13 10. As conseqüências potenciais do aquecimento global para a agricultura. mudas de acácia mantidas em casa de vegetação cresceram três vezes mais em presença de 700 mg/ L de CO2 do que quando submetidas à concentração normal de 350. tendo menor efeito nas que fazem fotossíntese via C4.2. F.7 .800 6.100 15 101 154 116 386 375 24 399 . aumentando a produção. por exemplo. (1995).700 120. Os EUA.F. Tabela 5. O NH3 vem dos estercos de animais e dos campos de arroz inundados. três quartos das emissões de N2O se originam de fontes naturais. em particular. é lavado rapidamente para a terra pela água de chuva. diminuindo crescimento e produção. Nestes. geram cinco vezes mais que a Índia e sete vezes mais que o Brasil. 1 Tg (teragrama) = 1012 g A geração antropogênica de gases de estufa. mas as antropogênicas dominam a geração de NO e NH3. a participação percentual do setor agrícola é maior que a da indústria. dimetilsulfeto (CH3SCH3) e metiltioacetato (CH3COSCH3). produzem uma variedade de compostos de enxofre voláteis. Numa base global. O solo e os adubos orgânicos. o aumento na produção de trigo de inverno foi de apenas 8%.000 120. representados pelo CO2 e CH4. porém. o aumento na temperatura poderia. O aumento na emissão desses gases está associado à adição de adubos.Home Apresentação Sumário Créditos ma de biomassa e dejeções animais. Enquanto COS migra e permanece muito tempo na estratosfera. Blackman já demonstrara que o teor de CO2 na atmosfera era limitante para a fotossíntese quando havia bastante luz e calor. particularmente em condições anaeróbicas. e para a “cansada.1 1. em regiões de menos chuvas.0 Fonte: Duxbury. 1994.000 3. metanotiol (CH3SH).0 6. entretanto. varia com os países considerados e com as fontes dos mesmos. exploração da fixação biológica do N2 e incremento na mineralização da matéria orgânica. dissulfeto de carbono (CS2).700 + 2. Não se deve.000 229. o algodoeiro irrigado produziu 50% mais em presença de concentração mais alta de CO2. Entradas e Saídas Fontes Naturais Aquáticas Terrestres Antropogênicas Agrícolas Não agrícolas Total Drenos (sinks) Absorção oceânica Fotossíntese terrestre Destruição atmosférica Aumento na atmosfera Total Balanço 2 _________ para a poluição de atmosfera é encontrada no país mais desenvolvido.000 231.800 106.Estimativas do balanço anual de dióxido de carbono. deixar que esse fato obscureça o anterior: a contribuição maior (3) em condições de campo. especulações.

é convertido em NO2. → NH3 → NH4 → NO2- → NO3- Figura 5. em menor grau. afeta a vida da planta pela acidificação que causa no solo. No ar. o gás NOx.Home Apresentação Sumário Créditos Emissões agrícolas e não agrícolas de NH3. NOx e N2O ESTRATOSFERA (∼ 50 km) Decomposição de ozônio 2 N2O → 2 O → 2 NO + N2 + O2 O3 + NO → O2 + NO2 NO2 + O → NO + O2 TROPOPAUSA (∼ 10 km) N2O ⇔ N2 Síntese de ozônio hv (< 400 nm) NO2 + O2 ⇔ NO2 + O3 TROPOSFERA NO NH3 Adubo NO2- NO3- FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE Solo Mat. que veio da terra. Junto com os componentes ácidos. aviões. pela agricultura. os ácidos nitroso e nítrico se formam pela reação do NO2 com a umidade. org. a chuva carrega também quanti- . além disso. 2N2O + O2 2NO + O2 2NO2 + H2O → HNO2 + HNO3 A emissão de partículas de S e de outros produtos conduz à formação de ácido sulfúrico: S + O2 → SO2 → 2SO3 → H2 SO4 2SO2 + O2 → 4NO → 2NO2 2SO2 + 2H2O 242 O NO2 se dissolve na água da chuva formando ácido nítrico e nitroso: A chuva ácida tem impacto direto sobre a folhagem e. carros e.Origens do NH3 e óxidos de N.3 . A chuva ácida é devida à poluição do ar com óxido de N e compostos de S emitidos pela indústria. pelas termoelétricas. Na atmosfera.

2. mostra as transformações sofridas pelos óxidos de N . 70% das hortaliças e somente 20% da água de beber. sendo pequena a contribuição do adubo.6% na emissão de NOx e N2O. a uns 24 km sobre a terra. cujo papel de transportador do O2 é prejudicado. rios. lagos e lagoas – promoven- Emissor NOx-N 10 t 6 N2O-N % 100 % 49 51 51 0.qualquer que seja a sua fonte . e os clorofluorcarbonos (CFCs) usados na refrigeração e em aerossóis podem também decompor a ozona. mesmo quando se aplicam doses relativamente altas de N.3 . adaptada de Isermann (1983). . Normalmente cerca de 80% do nitrato ingerido pelo homem vem do alimento. CH 4. 45 mg/L.córregos. por outro lado. a menos que seja fornecido como adubo mineral ou orgânico. é devida muito mais ao efeito da poluição relacionada à indústria e ao transporte do que à agricultura. Dados ingleses de Vinten e Smith (1993) confirmam esses números e conclusões. Além dos óxidos de N indicados na Figura 5. como CH 3. a methemoglobinemia.2 35 99 1 - 243 O NITROGÊNIO NA AGRICULTURA BRASILEIRA Tabela 5.2. O nitrato absorvido pela planta sofre a redução assimilatória não se acumulando no tecido vegetal. 1992.com respeito à destruição do escudo de O3.12 13 6 % 100 > 96 > 4 - % 77 24 23 1 100 Natureza Homem Setor não agrícola (combustão) Setor agrícola (adubos nitrogenados minerais) Total Fonte: Isermann. com dados alemães.4. combinação com a hemoglobina. A camada de ozona. 1983.4 reproduzida em Isermann (1983). em adição a HOx e ClOx. desempenham um papel decisivo e.Participação da agricultura (adubos minerais) na emissão total e antropogênica de NOx-N e N2O-N (anual). PEARSON e STEWART. 1993). particularmente no das crianças novas. A destruição do escudo de ozônio na estratosfera é outra questão ambiental resultante da emissão acelerada de gases poluentes. O P do solo e do adubo pode atingir as fontes de água . Os óxidos NOx e N2O. a participação da agricultura em geral e dos adubos em particular é muito pequena. Entretanto. dependendo da quantidade.6 100 10 t 10 3. como se vê na Tabela 5. protege-a contra componentes prejudiciais da radiação solar. é também tóxica às plantas: quantidades medidas na Europa variam entre 10 e 70 kg de N/ha por ano (HOGAN. A Figura 5.1 3 0. Parte do nitrato é lixiviado podendo chegar à água de beber. em doses excessivas. É o que mostra simplificadamente a Figura 5. através do adubo. que. representa 1.Home Apresentação Sumário Créditos dades variáveis de amônia que. Uma quantificação do tamanho dos compartimentos e da extensão das reações de transferência é dada por Wayne (1993). a maior parte do lixiviado vem do próprio solo. Deve-se ter presente. A participação da água na ingestão total de nitrato poderá crescer quando o seu teor exceder o padrão da Organização Mundial da Saúde. 17 18 0. De acordo com O’Riordan e Bentham (1993). indevidamente.3. como mostra a Tabela 5. tem sido posta culpa nos adubos minerais. “there is little evidence of substantial risk from public water supplies in Britain. even when nitrate levels exceed the 50 mg l-1 limit”. O nitrato absorvido em excesso pode dar origem a nitrosaminas causadoras de câncer e causar no sangue. O setor agrícola. Entretanto. outros compostos de C. ao que parece.

É o que mostra a Tabela 5. esterqueiras. (2) fontes agrícolas pontuais.4 . lagos e oceanos a partir de: (1) esgoto e enxurrada das cidades.. no mundo todo. P e K aplicados em fazendas leiteiras da Holanda. (4) entupimento de canais pela vegetação aquática. A entrada intolerável de N-NO3. Estima-se que. em fazendas leiteiras da Holanda. de modo que a entrada moderada de nutrientes pode ser benéfica.Proporção do N do solo e do adubo lixiviado na cultura do trigo de inverno(1).na água somente deve ser esperada com a má utilização do adubo ou quando se empregam doses muito maiores do que as necessárias. Os nutrientes que causam a eutroficação são mais comumente o P e o N.Home Apresentação Sumário Créditos do o desenvolvimento de algas e de outras plantas indesejáveis no processo de eutroficação. que favorecem o crescimento das algas.Excessos de N. . 1999). Tabela 5.5 . ao decompor-se. detalhado em seguida. Fonte Dose de N em kg/ha 80 Lixiviado total (kg N/ha) Do solo (%) Do adubo (%) (1) Eutroficação significa produção primária excessiva de algas e vegetação aquática em resposta ao aumento na disponibilidade de nutrientes (LAEGREID et al. os rios transportem. 1983. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE Tabela 5. entretanto. (5) reservas de água menos adequadas para consumo animal e humano e para o lazer. 1995).é maior na água subterrânea das regiões rurais (HAMILTON e HELSEL. como lixiviação de silagem. o que pode resultar em mortandade de peixes. 22 Mt de P e 20 Mt de NH4+ + NO3-.5 tirada de Mengel (1993): a diferença entre o N adicionado e o exportado como produto chega a quase meia tonelada. estábulos. por ano. como acontece. Conseqüências: (1) aumento na produtividade em todos os níveis da cadeia produtiva.e de H2PO4. havendo excessos menores de P e de K. Solo N ______________________ P kg ha ano 32 33 30 -1 K -1 _____________________ Arenoso Argiloso Turfoso 486 466 462 125 78 94 ALIMENTO → Câncer Intestinal 80% NITRATO NITRITO 20% METHEMOBLOBINEMA ÁGUA DE BEBER 244 Figura 5. Eles são transferidos para rios. reduz o teor de O2 na água. De um modo geral. fertilizante e partículas de erosão. Fonte: Isermann. por exemplo. pocilgas. sendo prejudicial quando em excesso. (3) maior produção de matéria orgânica que se deposita e.Metabolismo simplificado do nitrato em animais de sangue quente. (2) mudança na composição das espécies do ecossistema aquático de algas nocivas. inclusive produção de peixes. (3) fontes agrícolas difusas ou não pontuais – drenagem e enxurrada de terras de culturas contendo nutrientes oriundos de estercos. O NITROSAMINAS + AMINAS SECUNDÁRIAS 180 21 83 17 14 93 7 Médias de 3 solos. a concentração de NO3.4 .

A Tabela 5.5 700 20.00 3. Entretanto.00 80.Home Apresentação Sumário Créditos total de N transportado. como a dos lagos. A eutroficação de reservas de água doce. Tabela 5. o que aumenta o risco de diminuição no teor de O2 quando se decompõem. estimula o crescimento de cianobactérias. 2003. Tabela 5. como se vê na Tabela 5.0 0.Teores de metais pesados tóxicos em fertilizantes nitrogenados.6 7. Os nutrientes levados pelos rios.6.7 65.7 Pb Cd Cr -1 ___________________ mg kg 128.00 200. (2) uso adequado dos fertilizantes minerais e orgânicos.00 1. chega a 40-80 Mt. Como evitar eutroficação? (1) uso adequado da terra. K. dependendo de sua origem.00 200.4 75. 1994). (2) não é utilizado pelo zooplancton. macronutrientes secundários) e fertilizantes orgânicos.6 .. utilizando-se do potencial representado pelo P. 2006. (3) tecnologia industrial e agrícola disponíveis. alimentam reservas de peixe de estuários e da costa.4 105 10. Parte do N. 1992.Limites máximos de metais pesados admitidos em fertilizantes minerais (com N.7 .00 20.7 apresenta os limites máximos de metais pesados admitidos em fertilizantes minerais e orgânicos.4 8. Metais pesados tóxicos usualmente são associados aos fertilizantes fosfatados. contribuindo para o óxido nitroso (N2O) da atmosfera. incluindo o orgânico. portanto: (1) produzem toxinas de odor desagradável.4 7. Produto Cana de aves Torta de mamona Esterco de curral Lodo de esgoto Composto de lixo Sulfato de amônio Hg 2 0. quando não em excesso.5 144.8 - ___________________ Fontes: Berton. que os contêm em maior proporção (MALAVOLTA.00 Elemento Arsênio (As) Cádmio (Cd) Chumbo (Pb) Crômio (Cr) Mercúrio (Hg) Níquel (Ni) Selênio (Se) Fonte: Mapa. Santos et al.8 resume os principais aspectos dos eventuais impactos dos fertilizantes nos ecossistemas. Nunez et al.7 122. 245 O NITROGÊNIO NA AGRICULTURA BRASILEIRA .20 Fertilizantes orgânicos 20. entretanto.00 150. algas azuis-verdes fixadoras de N2.00 0.0 500 115 0. (1999). Valor máximo admitido (mg/kg) na massa total Fertilizantes minerais 10. também podem tê-los.00 100.2 52. os fertilizantes nitrogenados. A Tabela 5. é desnitrificada antes de chegar ao oceano.00 70.

Área semeada quer dizer toda a superfície cultivada em um ano com cultivo múltiplo (BISWAR.Fertilizantes – possíveis impactos no ambiente.7% ao ano. cresceu com a taxa de 0. em 500 milhões de ha. África sub Saara. que a terra arável no mundo poderia ser expandida. 1999. o item dominante na dieta humana. 20. no máximo. Entretanto. Eutroficação (N. danificar as folhas. 0. Fonte: pouco modificado de Ayoub. Na China. Oriente Próximo. conforme mostra a Tabela 6. Desnitrificação – produção de óxido nitroso. matando outras espécies e reduzindo a biodiversidade. Em 1990 os números caíram. Ásia (exceto China) e América Latina têm combinados uma disponibilidade física de terra adicional da ordem de 420. ro 6 . respectivamente. p r o d u t i v i d a d e e sustentabilidade A terra cultivada para grãos.188 ha de terra cultivada e 0. África do Norte. Kendall e Pimentel (1994) estimam. entretanto. A partir daí pode-se afirmar que terra cultivada/ caput diminuiu. Ecossistema afetado Fontes primárias/causas Nutrientes em enxurradas e lixiviadas. caneu no estômago (? N). erosão. considerando-se as 11 principais culturas.246 ha de área semeada por pessoa. tirada de Brown (1993). 50 e 700 milhões de ha. Pode causar o declínio e a extinção de espécies de plantas e de microrganismos adaptados a baixos níveis de nutrientes. liberar elementos tóxicos do solo e causar desequilíbrio entre os nutrientes. sem mencionar o tempo que isso demandaria. um terço da atual. em 1952. uma só pode ser realizável. P) síndrome do bebê azul (N). A d u b a ç ã o. ou seja. Aquecimento global e destruição do ozônio na estratosfera. e diminuiu com a taxa anual de 0. Atmosfera e estratosfera Volatilização de amônia. Ad o. Em resumo: o recurso terra é finito (LAL. A decomposição das algas exaure o oxigênio. lixiviado. Terrestre (solo) Aumento no teor de nutrientes e desequilíbrio entre os mesmos. Quando se considera o mundo como um todo. Conversão em ácido nítrico: a chuva ácida pode acidificar o solo e a água. 1992).7% ao ano.129. o mais populoso país do mundo. No Brasil.5.8 . no nível de país ou região. A necessidade de se compatibilizar demografia com comida leva sempre ao dilema lembrado por Alves (1983): produtividade ou expansão da área agriculturável. no período 1950-81. o dobro daquele da eventual expansão. havia uma relação de 0.086 e 0. 1993). o que equivale a dizer que menos área foi usada para a produção de grãos. Podem estimular crescimento de algas tóxicas (marés vermelhas) libertando toxinas que matam peixes e envenenam o homem. havia. portanto. respectivamente. a tendência tem que ser no sentido de cair o quociente ha/caput. 1994). as duas suposições não são mutuamente excludentes. 1190 milhões. Com o crescimento da população. para 0. No mesmo período a população continuou a crescer 1. Esse número é. ou seja. Intoxicação das culturas. Ambientes marinhos e costeiros Efeitos Alimento para explosão de algas nas águas costeiras. a FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE qual desceu para quase a metade 20 anos depois (MALAVOLTA. Corpos de água doce Nitratos e fosfatos na enxurrada.Home Apresentação Sumário Créditos Tabela 5. colo- 246 . Aumento no teor de metais pesados tóxicos.1.6 ha/habitante. Os países do Terceiro Mundo. em 1970. entre 1981 e 1992.

4 + 4. A produção de comida em escala proporcional ao crescimento da população exigiria mantida a ingestão de 2500 calorias por dia.9 + 5. interno e externo.2 + 0. a elevação na produção seria de 218%. Parece claro. 1994). em se tratando da política agrícola. o setor agrícola.5 +1.Crescimento da produção dos principais alimentos e uso de recursos agrícolas (1950-92).7 1981-92 1978-92 1984-92 .. que tanto quando a expansão de área é possível. a produção de alimento na terra adicional disponível somente poderá ser feira com água e adubo (BONGAARTS. o crédito e os preços mínimos. pense-se nos dois instrumentos maiores. tem que manter-se produzindo. atingisse a do mundo desenvolvido. E a produção teria que aumentar em 430% se o nível de alimentação. portanto.1 . há outras questões a se considerar quando se pensa em aumentar a produção com mais área. Qualquer que seja a hipótese.Home Apresentação Sumário Créditos cando resumidamente. é obvio que a humanidade vai continuar a depender da agricultura para a produção de comida e. dadas às reconhecidas pobreza e acidez desses solos.0 Principais recursos 1984-92 1980-92 1986-92 1988-92 + 0. 1993). refletindo necessidades ambientais.7 247 O NITROGÊNIO NA AGRICULTURA BRASILEIRA Tabela 6. por exemplo. Ruttan (1993).. um aumento de produção de 112% até o ano de 2050.0.8 + 6. Logo o conceito de sustentabilidade é imanente. econômica. sem adubo e sem corretivo? Além da resposta certamente negativa para a pergunta.7 + 2. . pois.2 + 2. para exemplificar. Na hipótese de uma dieta intermediária.0. Esta situação leva a uma outra questão: é possível fazer agricultura sustentável no cerrado ou na Amazônia. A definição dada pelo TAC/CGIAR em 1989 e citada por Ruttan (1993) é adequada ao presente trabalho: Sustentabilidade deve ser tratada como um conceito dinâmico. especialmente aquelas duma população constantemente crescendo. não se alcança o objetivo sem o uso de fertilizante.8 Cereais Soja Carne Pesca Área de cereais Área irrigada Adubo 1950-81 1950-78 1950-84 + 0. 1993): (1) infra-estrutura rural. acesso à tecnologia de produção e aos insumos modernos (adubos. ecológica. defensivos). produtividade. PINSTRUP-ANDERSEN. Embora esses dois itens se apliquem também à opção dos ganhos de produtividade.1 + 3. como no caso dos ganhos da Produto/Recursos Período de crescimento rápido Período de crescimento lento Taxa anual Taxa anual Anos Anos % % Alimentos Principais 1950-84 1950-80 1050-86 1950-88 + 2. Greenland (1993). em calorias. Mas o que é sustentabilidade? O termo sustentabilidade agrícola tem muitas facetas: agronômica. Yonlong e Smit (1994). A literatura contém muitas definições: veja. 1994. podem tornar-se estrangulamentos na alternativa de aumentar a produção mediante a expansão de área: no caso da infra-estrutura pense-se nos custos do transporte.0 .7 + 2. O objetivo de uma agricultura sustentável deve ser o de manter a produção em (2) política agrícola governamental. e isso é verdadeiro tanto no Brasil como em outros países em desenvolvimento onde terra há (HOMEM DE MELLO. social e ética (FARSHAD & ZINCK.

Figura 6. Ela implica em preocupação com a geração de renda. Como sugere a Figura 6. em parte. o fertilizante tem um notável efeito multiplicador de colheita. a partir de Peter (1980) e ANDA (comunicação particular. o que significa dependência maior da agricultura para se sustentar e cumprir os seus fins. (3) não deve haver aumento na população de ervas más. A conservação ou manutenção de recursos naturais. melhoramento ou recuperação. 248 .1.2. feita com dados reunidos por Malavolta e Rocha (1981). que o crescimento da produção foi devido ao aumento na área cultivada. sendo 70% da produtividade atribuída a outros fatores. certamente ocorreu. citados por Scholes et al. foi estimado que o fertilizante contribuiu com cerca de 30% no aumento de produtividade.4. 1992) respectivamente. deveria ser mudada para conservação.2 . argumentar. A semelhança das figuras não é coincidência. o que. mostram a relação entre consumo de fertilizante e produção em âmbito mundial e brasileiro. É conhecido o slogan: “o fertilizante é o meio maior. de modo que seja igual ou menor que a taxa de gênese do solo. Nos milhares de experimentos conduzidos no Programa BNDE/ANDA. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE A participação do fertilizante e do corretivo de acidez na agricultura sustentável está clara nos itens (1) a (4) e implícita no (5).3. Figura 6. (4) não deve haver aumento na acidez do solo ou no teor de elementos tóxicos. É oportuno acrescentar os cinco princípios básicos pressupostos por Greenland (1975). pragas e moléstias. Pode-se.1 . para efeito de discussão. Fonte: MALAVOLTA (1992). particularizando-se o solo. reproduzida de MALAVOLTA (1992).Relação entre consumo de adubo e produção mundial de cereais. É redundante atribuir ao fertilizante um papel maior nos ganhos de produção através do aumento na produtividade. Mas como mostra a Tabela 6.Relação entre consumo de fertilizantes e produção agregada de 16 culturas no Brasil. elaboradas por Malavolta (1992). porém. Esse número é pouco maior do que o encontrado nos EUA. mais rápido e mais barato para aumentar a produção através de ganhos na produtividade”.Home Apresentação Sumário Créditos níveis necessários para atender as aspirações crescentes de uma população mundial em expansão sem degradar o meio. a promoção de políticas adequadas e a conservação de recursos naturais. (2) as condições físicas do solo devem ser mantidas. que são essenciais para o manejo do solo em sistemas agrícolas sustentáveis. (5) a erosão deve ser controlada. (1994): (1) os nutrientes minerais removidos pela cultura têm que ser devolvidos ao solo. como mostra a Figura 6. é crescente a participação do fertilizante no fornecimento de nutrientes da planta: nitrogênio e outros. As Figuras 6. o que significa que o teor de húmus tem que permanecer constante ou aumentar.1 e 6.

2 . 1919 . Lopes.55. dobrou-se a produtividade das principais culturas.5. Fonte: Bockman et al. 249 O NITROGÊNIO NA AGRICULTURA BRASILEIRA .. 1992.Origem atual e projetada global dos nutrientes das plantas Figura 6. mostra que. O ganho de produtividade foi conseqüência do emprego dos diversos fatores de produção: semente melhorada.Fontes de variação na produção. mas não menor.Home Apresentação Sumário Créditos O ganho de produtividade tem uma conseqüência obvia e outra menos evidente. MG. cuidados pós-colheita. Fonte: Malavolta. fertilizantes contendo N e outros nutrientes (Tabela 6. no período 1970/2004. 1970/71 a 2003/04. Figura 6-4 . Menos evidente é a manutenção da biodiversidade. 1990. EUA. tratamento fitossanitário.5 . o que permitiu uma economia de 80 milhões de ha. Lavras.Terras poupadas no Brasil – produção agrovegetal (base seca) em 16 culturas e área poupada. tratos culturais. Admitindo que esses insumos sejam responsáveis por 25% do aumento na produtividade.3 . Universidade Federal de Lavras. Figura 6.consumo de NPK 70/2004). último. atribui-se-lhes uma economia de 20 milhões de ha. “os ecossistemas poupados”. corretivo e. cortesia de A. A Figura 6.S.

466 1.263.2 .184 804.315 781.692 350.569.134.314 895.940 1.196 1.183.715.087 1.183 389.198.281 3.197.953 1.151 993.102 389.195 1.217.285 1.938 535.467 1.201 1.241.936 278.815 1.503.260 2.653 905.942 3.966.941.526 865.038 1.685.840 643.393.589.318 2.302.815.605 346.256 697.324 411.261.793 1.201 1.103.056 1.296. período de 1970 a 2004(1).952 823.689 1.337.947.779 1.842 459.964 927.878 1.936 751.984 528.165 989.554.243 778.560 667.151 1.482.561.142 823.532 521.202 1.811.475 991.346.679.256 779.507.457.530.744.546.109 Potássio (K2O) 306.646 876.372.357 1.182 1.763 1.573 766.414 1.182 2.613 553.988.987 1.814 1.901 3.Consumo aparente de fertilizantes NKP no Brasil.382 727.910.639.012 1.276.929 2.223.805 814.060.Home Apresentação Sumário Créditos Tabela 6.307 1.374 1. Ano Nitrogênio (N) Fósforo (P2O5) toneladas 415.234 880.302 511.855 2.185.816 3.319.645 1.406.414.429 1.486 1.243 1.375 1.512 914.351 1.806.718 1.707.063 1.306.829 1.500.244.049 1.896 1.996 2.075 2.623 702.873 2.003 1.058.302.928 1.455.205.076.378 1.624 ______________________________________ ______________________________________ 1970 1971 1972 1973 1974 1975 1976 1977 1978 1979 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 275.542 688.512 3.534 1.078.494.176.710 2.014.285.232 481.864 875.741 2.710 250 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE .257.639 1.966 2.992 1.915 1.668.066 1.128.810.

55: 117-121. R. Prênio Nobel da paz. Anuário estatístico do setor de fertilizantes. Nitrification and Atmospheria Nitrogen Oxides. 3-21. 2004. 1990.S. (eds. F. 2004. e SIMARMATA. Agriculture and environment: a review. 1999. DECHEN. E.and the world will be doomed . 268 p. G. A. Mar. In: State of the World Report 1993. CABEZAS. Norman E. 164 p. R.ASSOCIAÇÃO NACIONAL PARA DIFUSÃO DE ADUBOS.C. DELWICHE. 29 – 58. São Paulo.A. e QUAGGIO. 1997. 425 p.. Corvallis. E. S. Campinas. Fertilizantes e poluição..F. Adubação foliar em cana-deaçúcar.. C. Rio de Janeiro: PETROBRAS (CDROM). 162p. e VERDADE.) Oregon State University Press.A.B. H.. (CD-ROM). W.A. M. ANDA. Fertilizers and the environment. FERTBIO 2004. Deny farmers access to modern factors of production such as improved varieties. O. 315 p.not from poisoning. O. COSTA. Campinas. O. (Coords. e VIANA. C. Volatilização de N-NH nas culturas 3 de milho: II Avaliação de fontes sólidas e fluidas DAFERT. (eds.R.L. 669 p. e RICHARDS. Nutrient Cycling in Agroecossystems. Ecosystems & Environment (Amsterdam) 55(2): 129-138. A new era unfolds. M. 1970.M. A. 1981. 1965. M. 1985. Sobre estrumes nacionais. 1994. 3ª ed.B. BOARETTO. P. em sistema de plantio direto e condicional. 1992. P. EMBRAPA. p. DAHER. BENCKISER. Ltd. 1-16. O.E. BONGAARTS. Borlaug. e ROSOLEM. ANDA .C. BOCKMAN. Referências bibliográficas ALVES. J.H. Inc. BISWAR. 4p. Amer. 223 p. Mercado de Fertilizantes – Situação Atual e Futura. CANTARELLA.H. DELWICHE. Ci. 1994. 1989. AYOUB.R. e MOTTA. O. Recomendações da Adubação e de Calagem para os Estados do Rio grande do Sul e Santa Catarina.Home Apresentação Sumário Créditos Fecho 7. P. Quimigação – aplicação de Produtos Químicos e Biológicos via Irrigação. J. Brasília.T. (Eds. DELWICHE.be built on empty stomachs. 104 p. CAO. The cycling of carbon and nitrogen in the biosphere. C.B. Can the growing population feed itself? Sci. Ambio 23 (3): 192-197. In: Adubação Foliar. Inibidor de urease para produção de milho em plantio direto. L. 37: 1-22. The nitrogen cycle and nitrous oxide.N. Fecho For those of us on the food production front. 1888-1893. J. Brasília.F. COLETI. In: IX Reunião Brasileira de Fertilidade do Solo e Nutrição de Plantas.A. Agric. 108 p. C. O dilema da política agrícola brasileira – produtividade ou expansão da área agriculturável. Methane emissions from China’s paddlyland. E.and can not . 251 . EMBRAPA – SPI. KORNDORFER. II: p. GILMOUR. LIE.) 1994.) Fundação Cargill. Nova Iorque. A. 2006. BERTON.). C. VIEIRA.A. G. D. O NITROGÊNIO NA AGRICULTURA BRASILEIRA 8. In: Denitrification. 1983. 1972-1992..R. GALLO.) Fundação Cargill. DENT. 1995. Environmental impact of fertilizing soils by using sewage and animal wastes. e ALLEN. In: I Seminário de Tecnologia de Fertilizantes. but from starvation and social chaos. (ed.W. C. Ícone Editora. 1999. 1993. 401-416. 1994. bras. Solo (Viçosa) 21: 489-496.E. e HEAL. as some say.. COSTA.C. p. J. Fertilizer Res.T. KAARSTAD. I. Earth Scan Publ.A.) John Wiley and Sons. Agriculture and fertilizers. (Coord. A. 299-311. Londres.. Norsk Hydro S. Agricultural Group.. fertilizers and crop protection chemicals .R. Relatório do Instituto Agronômico. In: Microbiology and Soil Fertility. Campinas. T.C.R. 18-24. BOLONHEZI. let us all remember that world peace will not .A.B. Oslo.. São Paulo. COMISSÃO DE FERTILIDADE DO SOLO – RS/SC. BOARETTO. Adubação orgânica – Nova Síntese e Novo Caminho para a Agricultura. p. vol. F. 386 p. R. Pelotas. BROWN.

D. Adubação foliar em algodão. 29 p. 290 p. HAMILTON. 1977. Amer. (Coord. Ammonia losses from urea applied urea and ammonium fertilizers as influenced by rate of soluble calcium. FERRI. 1981-b. 492 p. 126 p. McGrawHill Book Co. GLORIA. II: p. 45(6): 1128-1131. J. e WU. 1971. e BIAGI. Soil Sci. In: I Encontro Latinoamericano sobre Plantio Direto na Pequena Propriedade. Em: Fórum Cargill de Debates “O futuro agrícola brasileiro”. Soc.J. ISERMANN. GREENLAND. FREITAS. F. Physiological effects of direct impact of acid deposition on foliage. Soil Sci Amer.D. KENDALL. Role of no till farming in sustainable agriculture in the tropics. 1941.. LACA-BUENDIA.G.A. J. 1985. Seeking agricultural sustainability. H. The extent which agriculture is involved in environmental problems in modern industrial society. Science 190: 841-844. E. M.R. R. p. 1983.s. N. 1993. e RIMMER. e PIMENTEL. IAPAR.. A comparison of calcium carbonate and pH depression on calcium reduced ammonia loss from surface applied urea. T. Fertilizantes Orgânicos. Effects of agriculture ong round-water quality in five regions of the United States Ground Water. M. H. J. D. MATUCHA. In: IV Simpósio sobre o Cerrado. Fertilizers and Agriculture (Paris) 37(85): 3-25. C.J. (Coord. 1999. 1977-b.E. 1973. Fertilizers & The Environment.D. JENNY. K. L. 1977-a. 252 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE . of America. 45(5): 883886. 417-498. TAYLOR.E. A eletrólise da água e suas possibilidades como base da produção de amônia. e DA SILVEIRA. 669 p. P.C. São Paulo. 1994. J. Soil Sci. (ed. FENN. A.R. general theory.. Agric. GRUNDT. Slow release and amended fertilizers. Norsk Hydro a. T.M. E. Soil science and sustainable land management. University Press. 1981-c.J. e Editora da Universidade de São Paulo.B. F. 1975. In: Fertilizer Technology and use. Soil Sci. 1989. D.ZINCK 1993. Inc.E. KIEHL.A.K. 15 p. Constraints on the expansion of the global food supply.G.C.. 1-15.) Fundação Cargill. Fertilizer Res. 33 (2): 217-226. Fundação Cargill.A.E. D. F. The significance of a agricultural sources of greenhouse gases. J. e KOSHINO. FARSHAD. A. MATUCHA. Campinas. Ecosystems and Environment (Amesterdam) 47: 1-12. HAUCK. 38: 151-163. p.. CAB International and British Soc. Bringing the green revolution to the shifting cultivator. J.) Soil Science Soc. vol. 455-494. P. HOMEM DE MELLO.G.Home Apresentação Sumário Créditos DUXBURY. FENN. J. e MATUCH. 611 p. 29-62. LAL. E.O. 1994. São Paulo. 1992. LAEGREID. M.) Livraria Itatiaia Editora Ltda. CABI Publishing & Norsk Hydro ASA. L.E. Amer. (eds. Principais solos sob vegetação do cerrado e sua aptidão agrícola.. Londrina.J. 294 p. A moderna tecnologia de nitrofosfato com base no processo da Norsk Hydro. 1530. Composição dos resíduos da usina de açúcar e destilarias. Madison. Soc. G.B. 1994. R. R. Agriculture. HOGAN.). Inc. e J. P.s. Editora Agronômica Ceres Ltda.W. O. Brasil Açucareiro (Rio de Janeiro) 81(6): 78-87. 1993.E. L. 45(4): 777-781. FENN. e KAARSTAD. Campinas. 1981a. Nova Iorque e Londres. SANTA ANA. O. O. BOCKMAN. Agriculture. Cambridge.M. Factors of soil Formation. Ecosystems and Environment 42: 307-319. GRUNDT. Wallingford. 281 p. J. 2ª ed. e WU. In: Soil Science and land Management in the Tropics. 1995. GREENLAND. O futuro agrícola brasileiro: desafios e problemas. Ambio 23 (3): 198-205.. e HELSEL. Norsk Hydro a. R. DINAUER. In: Adubação Foliar. Ammonia losses from surface applied nitrogen fertilizer as controlled by soluble calcium and magnesium.B. A. SYERS. HOMEM DE MELLO.

Manual de Fertilizantes. MILLS. BOARETTO. MAPA. MOSIER. Dordrecht.R. MOREIRA.R. 8 p. J. 2006. corretivos e produtividade – mitos e fatos. 253 O NITROGÊNIO NA AGRICULTURA BRASILEIRA . FEALQ/POTAFOS.E. e SIQUEIRA. In: Nutrição e Adubação do Cafeeiro. P.. T. 80p (em editoração). e NEPTUNE. p. Tec. 613-617. E. PALMIERI. Bol. 1993.S. São Paulo. Conseqüências de diferentes sistemas de preparo do solo sobre a contaminação do solo. São Paulo. 2ª ed. (Coords. Campinas. Noiva Iorque. MENGEL. 89-153. Microbiologia e Bioquímica do Solo. 1999. MALAVOLTA. 3. T. BURT. In: Optimization of Plant Nutrition. A. E. 1993. A.O. J.R.R.E. São Paulo.R. Piracicaba. sedimentos e a água por metais pesados. Macronutrientes e adubação orgânica. Editora Agronômica Ceres Ltda. P. N.R. patterns and management.T. NUNEZ. MALAVOLTA. 2006. Manual de Química Agrícola . of Agronomy. F.M. E. ed. Fertilidade do Solo e Nutrição de Plantas. J. Mistificação e Fatos. (coord.) Inst.A. 444 p. Island Press. H. Chichester. MALAVOLTA. 1981. II: p. MALAVOLTA. M. In: Transferring Technology for Small Scale Farming. J. HEATHWAETE. Abril. A.K.ª ed.) CABI Publishing. M. 1981. N.C. Usherwood. 2004.L. MALAVOLTA.L.Home Apresentação Sumário Créditos MALAVOLTA. (eds. AMARAL SOBRINHO. Adubação do cafeeiro. e ROCHA.) Fundação Cargill. (eds. Editora UFLA.S.P. E e MORAES.) John Wily and Sons. NACIONES UNIDAS.L. Serv. 2. (eds. S. In: Agriculture and the Nitrogen Cycle – Assessing the Impacts of Fertilizer Use on Food Production and the Environment. Da Potassa e Fosfato (EUA) & Inst. XX Reu.K. e FRENEY.B.M. MELARE.. e VERDADE. DECHEN. SIQUEIRA.M. K. A. Plant Analysis Handbook II. Cambridge. Em: Soil Biodiversity in Amazonian and Other Brazilian Ecosystems.. Micro Macro Publishing Inc. 3-18. Nitrogen fertilizer: an essential component of increased food. 45 p. SYERS.M. feed and fiber production and unenable sources of energy]. de 05 de junho de 2006. Internacional da Potassa (Suíça).A. Bol.. Wallingford.S. 258 p.) Kluewer Academic Publ. 1996. e COURY. E. A.) SCOPE 65. 367-370.R. Piracicaba. 2005. 1989. e GUIDOLIN.. M.A. São Paulo 32: 14-15. Simpósio “O Nitrogênio e o Enxofre na Agricultura Brasileira”. 153 p. 237-270. J. 2006. C. 1992. 1969. BENTON JONES. J. Athens: 422p. e MESQUITA. Washington. 1983. Nota sobre aplicação de uréia em pulverização no cafeeiro.A. MALAVOLTA. MOREIRA. 1994. O’RIORDAN e BENTHAM.P. Impact of intensive agriculture on resources and environment. Campinas.) Fundação Cargill. MOSIER. J. MOREIRA.V. 296 p.E. Mitos.F. J.. Covelo. SYERS. vol. F. YAMADA T..M. Produquímica.A. Madison. Solo 23: 981-990. 1957. MINISTÉRIO DA AGRICULTURA. p. 39-74. 682 p. F. 226 p. K. The politics of nitrate in the UK. MALAVOLTA.C. J. 101113. M. G. 280 p. 729 p. L. Fertilizantes. p. 596p. F. Fertilizantes e seu Impacto Ambiental – Metais pesados.R. F. (eds. e STRUDGILL. Super. P. Recent Brazilian experience on farmer reaction and crop response to fertilizer use. MORAES. BOARETTO. Café.. PECUÁRIA E ABASTECIMENTO. Centro de Pesquisa e Promoção do Sulfato de Amônio SN. A. 150p. 669 p. FRAGOSO. E. R. e VAN BEUSICHEM. F. E. In: Adubação Foliar. Características e Eficiência dos Adubos Nitrogenados. Londres.Adubos e Adubação. Fundamentos do nitrogênio e do enxofre na nutrição mineral das plantas cultivadas. e ROSOLEM. 425 p. e FRENEY. 1981. A. Bras. A. e BRUSSAARD. Adubação foliar em citrus. bras. Em: Nitrate – Process. Ci. (eds. American Soc. Instrução normativa DAS nº 27. JR. E.O. Nitrogen – fixing Leguminosae – nodulating bacteria..

362 p. v. REICHARDT.C. M..R.S. D. P.. K. 2002. 278 p. V. E. MURAOKA. Leaching of nitrogen. B.S. Face in the future.R. Symp.. (ed.A. 56) PESEK. HEAL. G.J. F. 1971. R. M.C. e MAZUR. policy and science. Controlled Release Fertilizers. SANTOS.M. RAIJ.M. e CAIRES. J..C. e POMARES-GARCIA. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE cotton. Soil fertility research I: response to demand for sustainability. In: Desenvolvimento Agrícola na Década de 90 e no Século XXI. SCHROEDER. Conseqüências do manejo do solo na distribuição de metais pesados em um agrossistema com feijão de vagem (Phaseolus vulgaris L. (ed. REDDY.) Soil Sci. University of California.. PEARSON. 2003.B. Inc. (Brasília) 37 (6): 861-868. BOARETTO. bras. Sem data.W. IV. Outlook on Agriculture 22 (4): 225-232. 1977.W. 188. J.G. M. 18 p. P.S. (Tansley review. Perdas de N por lixiviação em canaplanta fertilizada com uréia – 15N. von. Viçosa.) John Wiley & Sons. WOOMER. DINAUER.W. SENFT. 1995. 15th World Congress Soil Science (Acapulco) vol. 11-26. OLIVEIRA. Roma. Organic materials as nitrogen fertilizers. RUTTAN. S. In: The Biological Management of tropical Soil Fertility. B. E. Ecosystems & Environment (Amsterdam) 55(1): 17-28. Pesq. Dinâmica de nutrientes em canade-açúcar. P.. 611 p. Fertilizer Development and Trends. STANFORD. P.s.L. Nova Iorque.L. R. The Fertilizer Society (Londres). J.L. e DALAL. Future perspectives on food supply in developing countries. POWELL. K. INGRAM. Noyes Development Corp. PINSTRUP-ANDERSEN. Park Ridge. A. ed.F. 1994. REDDY... e ACOCK. Adubação nitrogenada para o milho cultivado após aveia preta no sistema plantio direto. Madison. Berna. In: Agrochemicals: fate in food and environment. Instituto Agronômico & Fundação IAC.C. C. 58 p. 1968. 1968. 1960. TEIXEIRA. 1-14. N. SCHOLES. F. R. Res. 217-269. van..E. V. FURLANI.. A. Pesq. AMARAL SOBRINHO.M. Soil & Environmental Sciences. Agronomy (Maringá) 5(2): 351-357. 277-290. p.O. N. 2ª ed. Norsk Hydro a. The deposition of atmospheric ammonia and its effects on plants. e SWIFT. SALCEDO. 1980.F.). 10-36. PRATT. (Brasília) 23 (7): 725-732. Agr. N. 692 p. SWIFT. Sauchelli. TRIVELIN. Vienna. Acta Scientiarum. D. Noyes Development Corp. Fate of fertilizer nitrogen in soil-plant systems with emphasis on the tropics. Conversion of ammonia to fertilizer materials. potassium. 1984.R. 285p. LIBARDI. R. A.C. PETER.A. (Eds. H. Sustainable growth in agricultural production: poetry. O.M.C. 1994. April 4-7. P.. 140 p.C. node initiation and fruting in 254 . p. Soils – Facts and Concepts. J. SANCHEZ. 1993. SLACK. 1993.. P. p. In: Fertilizer Technology and Use. Nova Iorque. T. e URQUIAGA. (eds. SAMPAIO. Agropec. M. Mimeo. Agric. Dep. e CASE. Carbon dioxide and temperature interactions on stem extension. 79: 395-405. J.V.J. In: Chemistry and Technology of Fertilizers. 1982.) FINEP & FAPEMIG.B. Solo 27: 191-198. 2ª ed. Park Ridge. bras. Riverside. ORLANDO FILHO. Campinas. New Phytol. E. CANTARELLA. Soc. Granulação em tacho de nitrato de amônio e uréia. G. 125: 283-305..A. J.). 1996. Internatl. Bras. QUAGGIO. e MORTATTI..S. S. J. Fertilizer requirements in developing countries. 1993. e HAYS. I. 2003.H. Atomic Energy Agency. Agropec. Alternatives for an efficient use of mineral fertilizer and sugar factory residues with low soil degradation and environmental contamination risks. SHARP. Reinhold Publishing Corporation.V. e STEWART.Home Apresentação Sumário Créditos OLIVEIRA. Proc. Proc. SKAULI. Tradução de P. O. J. e CARNEIRO. P. Gething International Potash Institute. Ci. p. America. Nitrogen production and use. 1995. calcium and magnesium in sandy soil cultivated with sugarcane.J. A. Recomendação de Adubação e Calagem para o Estado de São Paulo.I. 1988..

) John Wiley & Sons. Inc. Ecology 75 (7): 18611876. Quimica Agricola I. (eds. In: Nitrate – Pro- cesses. S.G. 1973. P. Suelos y Fertilizantes. Ediciones Mundi – Prensa. VINTEN.J.). Advances in foliar feeding of plant nutrients.H. e FARQUHAR. p.C.L. Oecologia.P. BURT. B. p. (eds. Patterns and Management. R.. YUFERA. TAN. SPARKS. 1993. p.SA.Home Apresentação Sumário Créditos SOUSA. R. Basileia. Advances in Agronomy. J.) Soil Sci.D.263-302. J.T.. H. R.. America. e LOBATO. E. Nitrogen losses from tops of plants. 1971.. BURT.P.P. Nitrogen and nitrogen compounds in the atmosphere. Environmental Soil Science.H. Marcel Dekker. K. BUKOVAS. Beyond global warming: ecology and global change. SPARKS. (Eds. 1994. M. p. MONSON. Nova Iorque. 2001.P. 444 p. WAYNE.A. A. e SMITH. G. PESEK et al.. 39-74. Nitrogen cycling in agricultural soils. HEATHWAITE. A.P. 23-38. 1993..J e TUKEY. Madri. Ecosystem & Environment 49: 299-307. (eds.B. K. 1963. Leaf uptake of nitrogen dioxide (NO2) in a tropical wet forest: implications for tropospheric chemistry. Chichester. A. Em: Nitrate – Processes. BRIDGER.M. VITOUSEK. e STRUDGILL.214-221. e NELSON. M.P. D. K.H. 464 p. T. e SMIT.L. e DORRIEN.127. M.T. 444 p. Agric. HEATHWAITE. G. Em: Fertilizer Technology and Usage. 429455. 255 O NITROGÊNIO NA AGRICULTURA BRASILEIRA . VIVANCOS..K. T. Sustainability in agriculture: a general review. WITTWER. YUNLONG. Fertirrigación. Madri. E.33. 1980. C.M. 1994. e STRUDGILL. Madison. Notas 1 2 SHARP.B. 1993.M. A. WETSELAAR.. 1994.. Patterns and Management. LERDAU. 216 p.. 416 p. EMBRAPA Cerrados. L. Cerrado – Correção do Solo e Adubação. v. p. T. Editorial Alambra. S.D. MC VICKAR. 2002. S.) John Wiley & Sons.L.L. v. 1960. Chichester. 1971. Soc. PESEK et al. 304 p. Planaltina. Inc. Hong Kong.

dez anos depois. 1969). which can be avoided” (IFA. 2004). a produção agrícola dos 16 principais produtos cresceu 3. Atualmente há uma tendência de subestimar os efeitos positivos do uso de fertilizantes e ampliar Cenário 1. O aumento de rendimento das culturas devido à aplicação de fertilizantes teve um reflexo muito positivo em termos de conservação ambiental. os seus aspectos negativos.O fósforo na agroindústria brasileira Os autores Francisco Eduardo de Vries Lapido-Loureiro Geólogo. E-mail: flapido@cetem. it can easly be shown that mineral fertilizers make only a rather small contribution in comparison with. Ph. formulou a base científica de produção de ácido fosfórico. se dobrarem a quantidade de trabalho sobre a mesma unidade de terra. /…/ Nutrient losses from soil into surface and ground water (mainly nitrate by leaching and phosphate by erosion) occur even when fertilizers are not used. LOPES et al..C. a área cultivada cresceu apenas 1. que se mantem até hoje (WAGAMAN. town wastes. Pesquisador Emérito CETEM/MCT. a não ser que introduzam aperfeiçoamentos na técnica de produção (John Stuart Mill – Princípios de Economia Política. A prática de usar materiais fosfáticos como fertilizantes é tão antiga que não há registro de seu início. 1848).1. Foi somente em 1840 que Justus von Liebig. Naquele período. bem evidenciado na Figura 1.Sc.Químico de Solos. porém que: “as to contamination of soils with toxic heavy metals.4 vezes.1. entre 1970 e 2001. Em 1842. Excrementos de aves eram usados pelos cartagineses há mais de 200 anos a.Home Apresentação Sumário Créditos Capítulo 8 . 1969). ao promoverem o aumento de produtividade agrícola.4 vezes. enquanto a dos fertilizantes aumentou 4.. for example.br Ricardo Melamed Eng. o químico sueco Gahn descobre sua presença nos ossos e. Cenário econômico dos fertilizantes fosfatados Os fertilizantes. Agrônomo . passando de 36. Introdução Quer os homens queiram ou não. renomado químico da Alemanha.gov.D Pesquisador do MCT 1. e os incas utilizavam guano1 muito antes da chegada dos espanhóis (WAGAMAN. but they are increased substantially by excessive or unbalanced use. 2003). Geoquímica. 257 O FÓSFORO NA AGROINDÚSTRIA BRASILEIRA .4 para 56. assim como a fauna (PUGGINA apud ISHERWOOD. No Brasil.5 vez. Não se deve esquecer. não dobrarão a produção. contribuem para proteger e preservar milhares de hectares de florestas e matas nativas. D. o fazendeiro inglês Bennet Lawes patenteou um processo de acidulação de nódulos fosfatados (coprólitos) e deu a este produto o nome de superfosfato. no mineral piromorfita (fosfato de chumbo). O fósforo foi isolado pela primeira vez em 1669 pelo alquimista alemão Henning Brandt.2 Mha (FAO. Só cem anos mais tarde. 2005). 2000. ao evaporar grandes quantidades de urina humana.

Tabela 1. Itens 1-Estoque inicial 2-Produção 3-Importação 4-DISPONIBILIDADE (1+2+3) 5-Exportação 6-Entregas 7-Quebras/Ajustes 8-ESTOQUE FINAL (4-5-6-7) Fonte: ANDA. na Tabela 1. quarto maior consumidor mundial de fertilizantes e grande importador (mais de 7 Mt só de fosfatados).1.724 40 2. foram comercializadas. Devem ainda ser considerados os sérios problemas logísticos que surgem nos portos de um país como o Brasil. nitrogênio (32%) e potássio (10%). No domínio dos fosfatados. em 2006. é apresentado. ao seguir política essencialmente importadora. com uma taxa de crescimento anual de 8. 2005).636 258 .245 66 373 P2O5 377 1.457 98 706 K2O 314 384 3.170 bilhão. em 2006. 2004).069 7.402 14 3. com a movimentação e armazenagem de milhões de toneladas de um produto. N 268 762 1.694 2.923 2. 2007. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE O balanço de nutrientes (macronutrientes principais) no Brasil. de forma sintética. O mercado nacional de fertilizantes triplicou o seu volume entre 1991 e 2003. A quantidade de nutrientes removida é superior à aplicada” (FAO. 2005). Todos os indicadores mostram claramente que esta dependência continuará a aumentar fortemente se não forem implantados novos projetos.102 4. o País apresenta a segunda maior taxa de crescimento (YARA. 2004. o Brasil converter-se-á: Fonte: FAO. no Brasil. Em escala mundial. produção agrícola e área poupada no Brasil. 22. Em 2004.Home Apresentação Sumário Créditos Os números da Tabela 1.Área cultivada.910 92 557 Total 959 3.013 bilhão) corresponde a 5 Mt (DNPM. “em geral.942 4. Além disso. principalmente de produtos intermediários (US$ FOB 1.612 256 1.738 11.1 indicam claramente que o Brasil apresenta forte dependência da importação de fertilizantes. mas a produção interna satisfaz apenas uma parcela do consumo: fósforo (52%).1 .6%. cujo consumo é de marcante sazonalidade. 2004). US$ FOB 1. Figura 1.640 81 3.Balanço de nutrientes no Brasil em 2006 (103 t de nutrientes).1 .8 Mt de fertilizantes (ANDA.766 262 9. tanto mais que. o valor das importações atingiu. o balanço de nutrientes na agricultura brasileira é insatisfatório.

havendo necessidade de se usar outras fontes (POTAFOS. levaram o Governo Federal a propor um programa innerais existentes.000 t/ano de concentrados fosfatados. da distribuição geográfica das jazidas e centros de consumo. Os 2% restantes são obtidos de forma específica para outras aplicações.000 t/ano. O processo de concentração concebido pelo professor Paulo Abib “serviu de base para o desenvolvimento tecnológico que garantiu a produção de concentrados fosfatados a partir dos jazimentos nacionais” (DE FILIPPE. a partir de minério residual (enriquecido supergenicamente) com alto teor de P2O5. Segundo dados do DNPM. Dos fertilizantes fosfatados. e em 1982 entrou em produção a usina da GOIASFÉRTIL. na segunda metade dos anos 60. na década de 60. esterco de curral ou de galinha. restos de colheita ou outros subprodutos. A produção nacional de rocha fosfática. porém. restando. em 1943. químicas e texturais dos minérios/concentrados fosfáticos que determinam: i) a melhor opção para seu beneficiamento e remoção de impurezas. A lavra e o beneficiamento de minérios fosfatados. respectivamente. o consumo aparente de matérias primas fosfatadas. iii) a vantagem de sua utilização como Rocha Fosfática de Aplicação Direta (DAPR – Direct Application Phosphate Rock) (ZAPATA e ROY. nomeadamente metais pesados e elementos radioativos. tensivo de industrialização interna dos recursos mi- O fósforo pode ser adicionado ao solo como adubo comercial (químico). atingiu 93% em 1981 e em 1985 alcançou a auto-suficiência” (DE FILIPPE.000 toneladas de concentrados fosfatados. e 6% são aplicados sob a forma natural. com capacidade para 570. das substâncias fabricadas. de Filippe Jr. supria 19% do consumo efetivo brasileiro. intensivos trabalhos pioneiros de pesquisa tecnológica em minérios de baixo teor. 2004). apenas 10% para outras aplicações. O forte crescimento da demanda de fertilizantes começou a verificar-se no início dos anos 70. “A decisão de se implantar o parque industrial para aproveitamento de fosfato nacional se deveu. tanto em escala mundial quanto nacional.. pela empresa Serrana. 1990). Da mina (rochas fosfatadas) até os produtos industriais (ácido fosfórico e seus derivados) e aos campos de cultivo (fertilizantes). administrado por empresas de cunho estritamente comercial. por via térmica. principalmente. só foram iniciados. dizimando-se um incomensurável conhecimento científico construído a duras penas às custas de uma sociedade que não pode se dar ao luxo de perdê-lo” (pronunciamento de G. Em 1979 foram implantadas as usinas da FOSFAGO e da VALEP. A sua operação industrial teve início em 1970 com a produção de 300. ao que se associa redução/eliminação de agentes causadores de impactos ambientais. aos efeitos da crise mundial do petróleo sobre as economias ocidentais no início da década de 70. em 1976. 2%. a Companhia Serrana iniciou. com capacidade para 500 e 900 mil t/ ano. ii) o melhor processo químico. Devido ao componente fósforo. no V Encontro Nacional de Rocha Fosfática). sob responsabilidade do professor Paulo Abib. 1996). Entre 1943 e 1964 foram produzidas cerca de 500. nas indústrias da Baixada Santista superou a casa dos US$ 100/t. Antes da exaustão das reservas de minério rico. em que não seria importante saber fazer. consome cerca de 90% da sua produção.Home Apresentação Sumário Créditos “em imenso armazém de produtos estrangeiros. das características do parque industrial e da recuperação de subprodutos com valor comercial. lodo de esgoto. /. coincidindo com o desenvolvimento da agricultura no cerrado. no Brasil. e a de ácido fosfórico. 259 O FÓSFORO NA AGROINDÚSTRIA BRASILEIRA . São as características mineralógicas. Estas práticas. a principal aplicação da apatita é na fabricação de ácido fosfórico para fertilizantes que. quando atitudes especulativas dos fornecedores internacionais de rochas fosfáticas2 . em Jacupiranga – São Paulo. 90% são obtidos por via química.. mas somente saber vender. o fósforo segue vários caminhos em função da tipologia do minério. 1990)./ O preço da rocha fosfática internada à época. em 31/10/90. portanto. não são suficientes. em escala industrial.

(C)/US$ => Prod. e os resultados estão disponíveis em várias publicações (ZAPATA e ROY. Fosfórico/US$. seguindo o processo convencional. em 2003 (Figura 1. passou a ser de 3.0 5. o caminho dos organo-fosfatados poderá ser mais uma opção/solução para o aproveitamento racional de minérios pobres e de rejeitos fosfatados. Tabela 1.461 2. com uma área específica razoavelmente bem desenvolvida.109 7.2 – Principais estatísticas dos fertilizantes fosfatados no Brasil.891 5. foi de 29.820 5.633 / 655.8 3.997 1.2%. (C) => Produtos Intermediários (A)/US$ => Conc.058 / 48.074 2. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE As rochas mais acessíveis e de melhor qualidade tendem a ser explotadas inicialmente. (A) => Concentrado.564 / 74. a indústria brasileira movimentou mais de 35 Mt de rocha fosfática com um teor médio próximo de 16% de P2O5 (cerca de 6 Mt de concentrado contendo 2.679 1. De 48.8 6.9 269 / 56.6 392 / 69.3Mt). não apresentam a qualidade necessária para produção de fertilizantes solúveis em água. em 1996.5% (ISHERWOOD. Zapata e Roy (2004) chamam a atenção para o fato de numerosos depósitos de rochas fosfáticas.935 2001 4. (B) => Ácido Fosfórico. (A) Produção 3 (t x 10 ) Importação (t x 10 / US$ x 10 ) 3 6 2000 4./US$. o consumo aparente de fósforo pela agricultura tem crescido a taxas elevadas.012. Na Tabela 1. Segundo Oba e Pinto Chaves (2000) e Oba (2004). das quais apenas 49. (B)/US$ => Ac.6 Mt). Descrim.9 7. em relação ao ano anterior (6. a média do conteúdo de P2O5 das 125 Mt de rocha fosfática explotadas em 1980 era de 32.950 1.2 Mt de P2O5). respectivamente).725 1.740 1.079 6.54 milhões de toneladas. Em minucioso e extenso trabalho elaborado pela Land and Water Development Division da FAO e pela Agência Internacional de Energia Atômica. Em 2004.274 8.637 2.8 2. As de origem sedimentar são as mais adequadas para aplicação direta. 2004).168 7. localizadas nos trópicos e subtrópicos. A aplicação direta de rocha fosfática como fertilizante está sendo estudada em várias instituições de diversos países.8 6. Intermediários/US$ 260 .6 Mt) e produtos intermediários (compostos químicos)3 para fertilizantes (12.462 10.3% (1.089 2003 5.805 1.5Mt .9 448 / 82.2 sintetizam-se os principais dados estatísticos de produção. não terem sido aproveitados até hoje.7Mt 2.737 / 479.004 / 50.10Mt.119 2002 5. ácido fosfórico (2.8 5. embora satisfaçam uma aplicação direta. em 1950.Home Apresentação Sumário Créditos concentrados apatíticos (7. em 2004.774 /535.200 toneladas. 6% e 22.7%.153 8.2 2.843 5. porque são formadas por agregados microcristalinos de carbonatoapatitas.105 / 51.8% em relação ao ano anterior. apresentou.1 335 / 63. 2000).141 2. De acordo com as estatísticas da IFA.3 5. No Brasil. enquanto a dos 141 Mt.705 2.040 2004 6.084 1. importação e consumo aparente de fertilizantes fosfatados no Brasil.310 (B) (C) (A)/US$ (B)/US$ (C)/US$ Consumo Aparente (t x 10 ) 3 (A) (B) (C) Fonte: DNPM – Sumário Mineral 2001 a 2005.610 12. Uma das razões seria a característica destas rochas fosfatadas que.053 / 1.809 2.75 Mt) são produzidas no Brasil. crescimento de 14.8 387 / 68. o que representou um crescimento de 8.584 2.6%. Foram conseguidos progressos consideráveis nos anos 90.327 / 463.688 2.848 981 / 53.2).

No extremo norte do estado da Bahia.3 Mt para 2. reservadas ou em processo de identificação fora da floresta amazônica) totalizam 101 Mha. a empresa Galvani S. iii) num projeto de aumento da capacidade de produção da mina de Catalão/Ouvidor da empresa COPERBRÁS. em Angico dos Dias / Caracol. Figura 1. pastagens culti- 261 O FÓSFORO NA AGROINDÚSTRIA BRASILEIRA . que passará das atuais 1. traduzido: i) na implantação.Evolução do consumo aparente de fósforo no Brasil . 1. ii) em negociações para a entrada em produção de Itataia – CE (fosfato e urânio como co-produto).3).2 Mt. nomeadamente a dos fosfatados. deve sinalizar objetivos e definir uma estratégia que lhe permita reduzir a forte e progressiva dependência externa. em 2004/05 dos projetos para colocação em produção das jazidas de Iperó/Ipanema – SP. a evolução da forma de distribuição e do acesso à terra deixa transparecer. de Anitápolis – SC (300 mil toneladas/ano de concentrado). a falta de água na região. nas áreas de mineração. 2005). iv) no programa de investimento da FOSFERTIL. com esta metodologia. Embora timidamente.Home Apresentação Sumário Créditos Fonte: POTAFOS.2. por separação magnética. a indústria dos fertilizantes fosfatados parece ter retomado o seu desenvolvimento. Antes de se esboçarem as principais características da estrutura agrária do Brasil. conseguindo assim vencer. “As marcas que caracterizam a concentração fundiária no Brasil têm a sua origem na própria história do País” (OLIVEIRA. Estrutura agrária e consumo de fertilizantes No Brasil.2. Deve ainda ser considerado que as reservas indígenas (homologadas.2 . segundo o IBAMA. em Mha: área total (204). nos seus complexos químicos e no estudo para implantação de uma unidade de solubilização (TSP) com 350 t/ano e outra de granulação de MAP (Fonte: DNPM). 2005. O cerrado entra na tabela anterior de forma indefinida. É neste contexto que a indústria dos fertilizantes no Brasil. iniciou a produção de concentrados apatíticos. área agricultável (127). suas desigualdades. 1. apresentam-se alguns dados físicos (Tabela 1. desde os primórdios do Período Colonial. mas a Embrapa apresenta os seguintes dados para a totalidade da sua área.A. de forma clara. em andamento.

no Centro-Oeste. mas representam. Sudeste.Home Apresentação Sumário Créditos vadas (34). Cerrados 4.0 5. foi o café que se transformou. intimamente ligados ao extrativismo do Pau Brasil e à produção de cana-de-açúcar.5 464. Dados do IBGE revelam que o Brasil tem 4.6 27. em agricultura itinerante por falta de conhecimentos e de tecnologia para recuperação dos solos (Ver Anexo I).2 0.3%).. 2002 e Embrapa.7%).2 236.4 1. de acordo com o tamanho.1 60.7 9.4 1. Milhões de ha % 38.309 (47. 2004 (adaptado de Manzatto et al.1 4.002 (20. atualmente. Tipos de utilização da terra 1.0 54.7 78. atualmente. apenas 1/5 da área agrícola do Brasil (FAO.7 851.5 4. culturas perenes e reflorestamento (2).2 3. se excetuarmos a produção de soja. caracterizada pela existência de grande número de pequenas propriedades em grandes estados da Federação. 242 (5. 2. Centro-Oeste.2%).1 9.3 8. cacau (61%). naturais ou artificiais Áreas urbanas Outras especificações ou usos indefinidos TOTAL A quase monocultura de café para exportação foi dando lugar a outros tipos de culturas e. é necessário retornar aos primeiros tempos da agricultura do País.5 0. algodão (66%).000 ha (10.1 100. Terras com outros usos Solos rochosos. 841 (17.7 54.3 – Utilização da terra no Brasil. 2003).5 8. já no Império. culturas anuais (10). áridos ou com vegetação dispersa Rios e lagos.4 0. 2003) assim distribuídas (x103): Norte.5 11.7 77. Sul. Para se compreender a estrutura agrária do Brasil. menos de 100 ha.4 2. 1.2 73.6 0. e de muitas propriedades com 500 a 2.5 73.0 367. Terras com utilização econômica Lavouras temporárias Lavouras temporárias em descanso Culturas permanentes Pastagens cultivadas Pastagens naturais Florestas artificiais Terras irrigadas 2. 444 (9. . milho (64%).2 28.4 3. batata (69%).2 7. Cerca de metade delas tem menos de 10 ha e 89%. principalmente no Nordeste. grãos (240).4 14.8%).9 11.000 ha (4.5 0. nos seus primórdios.8% do total da região) ou até com áreas superiores a 2.6 0. carne (11) e frutas (90). Tabela 1.5 99.0 7. com o seguinte potencial de produção (Mt). citros e arroz.7 3. Nordeste.4. 2004). feijão comum (78%).1 6. é sintetizada na Tabela 1. Muito mais tarde.4 43. as propriedades de menos de 100 ha são responsáveis por uma importante parcela da produção agrícola brasileira: mandioca (85%). Coberturas naturais Florestas de regiões úmidas Florestas de regiões secas Florestas alagadas Florestas de transição 3.1%).848. esta baseada em trabalho de escravos.8 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE 262 Fonte: FAO. mas ambos desenvolvidos ao longo da costa. A sua distribuição. café (54%) e trigo (54%).183 propriedades agrícolas (IBGE.0%).

6 100 a 500 ha 17.000 t Tabela 1. o consumo de P2O5 (0. Ir = Irrigação.6 4. GO.2 45. PA.4 30.666 t Centro/Sudeste (DF. com 5.2%) e 2.8 64.5 76.6 5.7 milhões de km 2) => 327.9 EE 10. PE.5 19.599. MG.4 5.7 49. AT = Assistência Técnica. MT.3 0.2 50. Região Norte Nordeste Centro-Oeste Sudeste Sul Total Brasil Fonte: IBGE. açúcar e citros). RJ.7%) no Nordeste.1 32.8 Ir 0.6 FC 9.7% das propriedades agrícolas do Brasil.1 13. Nas grandes propriedades de produtos de exportação (soja.4 Tabela 1. PR. ES.3 26. Sudeste e Sul (2.8 25.8 Mkm2 de área.000 (47.4 12.4 68.1 45.7 4.9 73.5).666 t Extremo Sul (RS.Home Apresentação Sumário Créditos Outra distribuição geográfica elucidativa é a das propriedades agrícolas que adotam tecnologia de produção (Tabela 1.9 0. os números são também elucidativos (valores expressos em toneladas de P2O5): — Norte-Nordeste (5. ao contrário do que se verifica na maioria das propriedades familiares.8 milhões de km2) => 3.8 2. com 2. AM.1 263 O FÓSFORO NA AGROINDÚSTRIA BRASILEIRA .5 – Proporção.9 4.5 91. 2003. PI.2 vez superior ao do restante do País.2 36.4 34.2 66.000 no Norte (9. RR) => 28. SE) => 298. café. SP. por regiões.4 5.753.0 55.7 10 a 100 ha 48. enquanto o número de propriedades.000 (56. Região Norte Nordeste Centro-Oeste Sudeste Sul Total Brasil Fonte: IBGE.1 0. respectivamente.309. são largamente utilizadas tecnologias eficientes e seus índices de produtividade são elevados.0 51.806 t Na vasta região Norte-Nordeste.9 12.5 18.6 8.4 39.5 500 a 2000 ha 2.4 38. < 10 ha 30.6 48.8 10.1 4.1 0. 9.9 61. RO.8 51.8 6.7 39. 2003. MS. EE = Energia Elétrica AT 6. é 1.9 30. RN.0 1.089 t Norte (AC. CS = Controle Sanitário (peste). O reduzido recurso a tecnologias produtivas explica a baixa produtividade média das regiões Norte e Nordeste onde se localizam.6 83. Em relação às diferenças das quantidades de aplicação de fósforo fertilizante.2 1.129.000 ha 0.9%) das quais 444. MA.2 92.283 t Nordeste (AL. FC = Fertilizantes e Calagem.4 – Distribuição geográfica / dimensões das propriedades agrícolas no Brasil (em %).3 CS 0.33 Mt) é 9. 2. SC) => 530.0 4. TO) => 2.7 Mkm2.1 37.4 PC 44.12 Mt).6 vezes menor do que na região Centro-Sudeste-Sul (3. das propriedades que usam tecnologia agrícola e eletricidade (%).2% e 47.8 > 2. CE. — Centro.5 18. BA.6 19. AP. PB.8 0.7 20.

650 ppm em granitos e 390 ppm em diabásios (HEINRICH. e subiu novamente para 38. 1971). AsO42. iv) são muito comuns substituições P-As-P. 2005).Home Apresentação Sumário Créditos Segundo os Censos Agropecuários do Brasil. cit. com formação de soluções sólidas completas.CO 3.CO3)3. além dos elementos citados acima.(F. principalmente em carbonatitos. por íons positivos tais como: ETR (elementos de terras-raras). ETR3+ (0. principalmente céricas nas apatitas ígneas. pode persistir como mineralização tardia sob a forma de fluorapatitas ou carbonatofluorapatitas. 98 apresentam teores de fósforo superiores aos da apatita: 18.ou SiO44-.com] lista 370 minerais com teores de fósforo acima de 10%. O aumento do número de estabelecimentos que consomem fertilizantes é um fato.25% de P (ver Anexo II).). VO43. mais de 60% dos estabelecimentos agropecuários não empregavam nenhum tipo de fertilizante” (op. sendo os mais comuns os fosfatos de cálcio do grupo da apatita. O Ca2+ pode ser substituído. por pequenas quantidades de UO42-.(OH.(DUTRA e FORMOSO. que pode ser substituido por CO32-.3%. em que M = Ca2+.F)] e carbonato-fluorapatita [Ca5(PO4. 1966.050 ppm na crosta terrestre e teores médios de 8. mais raramente. apenas 18. Y = P. hidroxiapatita [Ca5(PO4)3. Destes minerais. em 1980. com substituições possíveis por Na+. na manufatura de produtos comerciais. SO42-. 2004). Aquele percentual foi aumentando: 22. iii) praticamente todos os elementos. é quase impossível estabelecer uma única fórmula satisfatória para muitos dos minerais fosfatados. ii) nesses minerais pode haver um grande número e variedade de substitui- 264 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE . Fontes de fósforo para a agricultura O fósforo existe com certa abundância na natureza (é o décimo elemento mais comum): 1. Cl.(Cl. X = F-.1. além dos ânions já referidos. ções entre íons similares. dada a sua raridade. A apatita. teor e peso molecular. v) a temperaturas elevadas são também possíveis substituições entre fosfatos e silicatos.3%. caiu para 30. em 1970. 1995). cloroapatita [Ca5(PO4)3.2 Å). de fórmula geral M10(YO4)6(X2). “porém a realidade brasileira revela que em 1995/96. lembremos que: i) o radical PO4 combina-se com mais de 30 elementos para formar minerais fosfatados. são encontrados nos minerais fosfatados. ou após beneficiamento.690 ppm em carbonatitos. formam depósitos de valor econômico. ricas de TR e Sr. O Webmineral [http://webmineral. e cérico-ítricas nas de origem sedimentar marinha e. em parte. Sr2+. Assim. CrO42-. Estes minérios podem então ser utilizados diretamente. OH-. Quando em quantidade e concentração suficientes. Habitualmente os minérios contêm mais de um tipo de fosfato. 2. Seus minérios são rochas naturais que se formam em ambientes geológicos variados. O radical PO43pode também ser substituído. apenas os da série da apatita constituem minerais de minério. Mg2+. Só os do grupo da apatita constituem minerais de minério.(OH. 1990. MASON. 32. como fertilizante. ZAPATA e ROY.1%. Já na maioria dos depósitos sedimentares predominam as variedades de carbonatoapatita [Ca5(PO4.(F. por urânio e chumbo. Mineralogia do fósforo Embora o fósforo esteja presente em numerosos minerais.CO3)3. em parte. importante grupo de minerais. Mn2+. As variedades fluorapatita [Ca 5(PO 4.OH)] ocorrem nas rochas de origem ígnea. Para se ter uma idéia da complexidade dos minérios fosfatados. em 1995/ 1996 (OLIVEIRA.F)] e.OH)].85 a 1. como se referiu. A grande maioria tem apenas significado científico e mineralógico.5 em 1985. Sc2+. entre alguns fosfatos e arsenatos. em 1975.6% dos estabelecimentos agropecuários consumiam fertilizantes químicos ou orgânicos. por vezes apenas em traço.OH)] – francolita (MCCLELLAN e KAUVENBERGH. Apresenta simultaneamente suas fórmulas químicas. Sua principal aplicação é na agricultura. Embora cristalize nas fases precoces.OH) 3. 2. A apatita é um mineral quase sempre presente nas rochas carbonatíticas. juntamente com as suas variedades. forma.

— Apatita primária ⇒ Apatita secundária ⇒ Fosfatos de Ca-Mn-Na-Al ⇒ Fosfatos de Al e Fe ⇒ Fosfatos de Al + Fosfatos de Fe Esses autores. apatita secundária. por exemplo. eventualmente. no núcleo. tornando o meio ligeiramente alcalino. Sr. soluções levemente ácidas promovem a dissolução dos carbonatos. mas constitui componente importante em material apatítico reprecipitado. o ambiente torna-se ácido e a apatita é também solubilizada. em depósitos sedimentares associados a calcários e margas. as variedades mais abundantes são: a flúor-carbonato apatita ou uma mistura de fluorapatita e carbonato-apatita (MARCIANO NETO et al. indicam que o comportamento do fósforo nos depósitos brasileiros associados a carbonatitos é o seguinte: — no estágio inicial de alteração. por exemplo.Ce. e de Sr e F. Como é citado por Born e Kahn (1990). assim mobilizado. “a carbonato-apatita é encontrada subordinada-mente na interface rocha sã . no Québec.Na. No Brasil. Fe. U. não em carbonatitos. podendo formar. do F e do Sr. habitualmente com enriquecimento de ETR e Na.(Sr. é apenas referida em rochas alcalinas silicatadas. 265 O FÓSFORO NA AGROINDÚSTRIA BRASILEIRA tindo as paredes de espaços vazios” (BRAGA e . que praticamente não migra (comporta-se como elemento de certo modo residual). em peso. a recristalização dos fosfatos processa-se normalmente na seguinte ordem: — em níveis onde os carbonatos já foram totalmente solubilizados.F)]. como se pode verificar na Tabela 2. os minerais da série da apatita contêm a maior parte das TR. Ba. Em Patos de Minas. No carbonatito de Oka. em menor escala. Isto não significa que a apatita primária se mantenha intacta. no anel periférico. quantidades apreciáveis desses elementos..2%. produzidos no Brasil. por isso. pois pode haver solubilização/cristalização. a britholita [(Ca.PO4)3(OH.1. com freqüência. por exemplo. em particular os do grupo da crandalita. O mineral de minério predominante nos depósitos fosfáticos brasileiros é a fluorapatita. A belovita . os fosfatos de alumínio com Ba.Ca)5(PO4)3OH – um fosfato com TR. principalmente nos níveis superficiais. situação geoquimicamente semelhante à dos carbonatitos. Em alguns carbonatitos. enquanto os carbonatos e silicatos são desestabilizados. em Anitápolis (KAHN. TR e outros elementos. é fixado. que se tornam mais ácidos após solubilização dos carbonatos. A composição mineralógica dos minérios fosfáticos de origem ígnea. observa-se situação similar em Angico dos Dias e. a apatita. a meteorização (intemperismo)/ lateritização de carbonatitos e piroxenitos (rochasmãe das apatitas nas minas em produção) provocam o enriquecimento relativo em fósforo. — uma parte do fósforo. 1988). pouco solúvel nestas condições. zonadas. com outros cátions. TR. No ciclo do fósforo deve-se atentar para o fato de que seus minerais. citando estudos feitos pela British Sulphur Corporation Limited. No manto de intemperismo sobre o complexo ultramáfico-carbonatítico de Araxá. o restante migra para níveis inferiores do perfil. porém carbonato-fluorapatita e carbonato-apatita também são constituintes minerais significativos.manto intemperizado. apresentarem estruturas favoráveis à fixação de Sr. de OTR (óxidos de TR).Ce)5(SiO4. se manterá inalterada. isomorfa da apatita. 1990). Th. Segundo Alcover Neto e Toledo (1989). V podendo conter. em minerais secundários como. chega a conter 26. é variável e complexa. ao atingir níveis alcalinos. 1988).Home Apresentação Sumário Créditos As apatitas de carbonatitos mostram-se. onde representa o cimento que une grãos de apatita eluvionar ou ocorre como crostas tardias revesBORN. Canadá.

minérios brasileiros apresentam a seguinte composição química (Tabela 2.Composição mineralógica.8% na alimentação da usina semi-industrial da METAGO.a.a.5% de Sr.H 2O]. n.8 0. 1978-79.Na. n. n.a. n.a. Groelândia (RÖNSBO.2): No Brasil. 1996. Lapido-Loureiro. 2 2 14 Como já foi referido. 7 n.a. (*) Refere-se ao minério da METAGO (1978-79). expressa em percentagem.2.2 . PO4)3(OH. (b) 20 3 2 57 21 n. 1994.2 9.a. n.a.a.a. como a belovita [(Sr.4 8.a.a.a.a. 2001. 1987) e acima de 16% em IIimaussaq. n.8-2. n. n.1-2.a. contêm mais Os concentrados obtidos no beneficiamento dos que 1. n. n.1-14 1. sendo os mais comuns os do grupo da crandalita [CaAl 3(PO 4) 2 (OH) 5 . as terras-raras estão presentes nas apatitas como elementos acessórios. ARAÚJO. 1994.2-1. As apatitas de Oka no Québec..a.3% no concentrado e 0. LAPIDO-LOUREIRO e NASCIMENTO. Tapira 19 n. Mineralogia Apatita Gorceixita Magnetita Hematita Goethita Ilmenita Quartzo Micas Calcita Dolomita Barita Anatásio Perovskita Piroxênio Araxá 30.2-2. 1995). 2003.5 0.Ce. n.1 . origina alumino-fosfatos. florencita [CeAl3(PO4)2(OH)6]. títicos.2 11. n.a. 8.Ca)5 (PO4) OH] e a britholita [(Ce.5 1.a. 1989).a. (a) Micas/argila.a. e superior a 100:1. plumbogumita [PbAl3(PO4)2 (OH)5]. n.4 n. em apatitas do complexo granítico peralcalino de Pajarito. (b) Flogopita.1 n.a. n.a.a.0 n.a. Em outros minerais do grupo. n. As apatitas de carbonatitos caracterizam-se por teores elevados de Sr e Serpentina n. n. fluorapatitas de Gatineau/Canadá).a.3-0. além de concentrar a apatita.2:1). México – EUA (ROEDER et al. “variando de alguns décimos até quase 20%” (DUTRA e FORMOSO. n. Fonte: Albuquerque.Home Apresentação Sumário Créditos Tabela 2. nas Fonte: Albuquerque.8 0. 2003).8 n. 1997. dos 2.a.0 n. em Outros 9. n.a. Canadá.3-2. n. de minérios fosfáticos brasileiros. ao contrário das apatitas de gnaisses e pegmatitos graníticos (< 0.2% de TR2O3. n.H 2O]: goyazita [SrAl 3 (PO 4 ) 2(OH) 5 . Lapido-Loureiro.a. 5 (a) Catalão(*) 25 15 15 5 5 15 10 n. n.5 (*) 1-2 (**) ≈ 26ppm Várias origens (%) 24-40 29-54 0. Componente P2O5 CaO Fe2O3 Al2O3 MgO SiO2 F TR2O3 U3O8 Brasil (%) 35-37 40-53 0.H 2O].0-2.8 0. as terras-raras são constituintes maiores.Ca)5(SiO4. 18 n.3-4. N.a. Os maiores teores citados são de 19. 266 .a.a. (**) — Magmáticos – Complexos alcalino-carbonatíticos mesozóicos em que os minérios de mais elevados teores se formaram por enriqueci- Refere-se ao concentrado da METAGO (Catalão I). 20. Geologia dos depósitos de fosfato no Brasil Os materiais fosfáticos no Brasil ocorrem em sete ambientes geológicos distintos (CPRM.Composição química dos concentrados fosfáticos brasileiros e de outras origens.6 0. SOUZA.0 7 n.F)].a.a.2 0. uma razão Sr:Mn muito alta (50:1. 1 média. gorceixita [BaAl 3(PO 4) 2(OH) 5. (*) Teores de TR2O3 em Catalão I: 1. ricos de TR. 1978-79. 1996.5-2.a. 1 n. 3.a. Jacupiranga 12 n. habitualmente com teores inferiores a 2% de TR2O3. o intemperismo dos complexos carbonaFERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE Tabela 2.a.

(ti-1)] / [AP(ti) . Anitápolis-SC. no final da década de 80. Araxá-MG. — Orgânicos – Constituídos por excrementos de aves (guano): Ilha Rasa – PE. e 60 minutos de reação M4 = massa de lama aos 60 minutos de reação (%P2O5)total = percentagem de P2O5 total na matériaprima inicial (%P2O5)água = percentagem de P2O5 solúvel na água — Lateríticos – Materiais fosfatados aluminosos resultantes da lateritização de rochas sedimentares e metassedimentares. pela equação: AP(t) = [(%P2O5)água .) por ser uma metodologia que fornece “alguma informação. separadamente.) e avaliada individualmente quanto à sua utilização nos processos ditos de ‘via úmida’ ”. Seus minerais apresentam baixa solubilidade para o fósforo contido.(ti) AP(ti-1)] / (ti . metamorfizados. — Lentes e veios de apatita em pegmatitos cortando calcários cristalinos e micaxistos précambrianos: centro do estado da Paraíba. ainda que preliminar. Na Tabela 2. no caso do fósforo. proterozóicos. Devido à especificidade e dificuldade de beneficiamento dos minérios de fosfato brasileiros. 1990). Os autores alertaram ∑ AP(ti). 3.100] / [(%P2O5)total. t4 = 60) Estes ensaios foram realizados com amostras de sete minérios distintos (Tabelas 2.. com a profundidade devida (. a partir do AP(t). 2. Patrocínio-MG. Jacupiranga-SP. No estudo de minérios brasileiros recorreram ao Ensaio de Aptidão Tecnológica (EAT).6). enumeram-se os jazimentos de rochas fosfáticas do Brasil. 20 e 60 minutos (t0 = 0.AP(ti-1) / (ti .3. predominantemente de origem ígnea e metamórfica. com teores elevados de fósforo: Tauira e Pirocáua-MA. Iperó-SP. — Metassedimentares – Nas bacias intracratônicas de idade proterozóica: Patos de Minas-MG. que é dado pela expressão: . Índice de aptidão tecnológica de minérios fosfatados Os citados autores estabeleceram. 267 O FÓSFORO NA AGROINDÚSTRIA BRASILEIRA 2. no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Tapira-MG.(ti-1) i = 1.4. — Sedimentogênicos – Nas bacias marginais mesozóicas: Paulista/Igarassu-PE e Goiana-PE. um índice médio indicativo do comportamento de cada matéria-prima. para o fato de os fatores técnicos e econômicos determinantes da viabilidade de exploração de um dado jazimento serem. tal como é definido na literatura (op.5 e 2.Home Apresentação Sumário Créditos mento supergénico de carbonatitos apatíticos e/ou piroxenitos apatíticos: Catalão-GO. foram desenvolvidos. Irecê-BA. nos quais ocorreram também concentrações residuais: Angico dos Dias-BA e Maecuru-PA. sobre o comportamento industrial das matérias-primas fosfáticas”.. Lagamar-MG e Itataia-CE. — Ortomagmáticos – Complexos alcalino-carbonatíticos. 10. cit. M2] M2 = massa de fosfato M3 = somatório das massas das alíquotas aos 3. estudos de aptidão tecnológica (CALMANOVICI. 10. 20. designado por AP-index. 2. Ouvidor-GO. Estabeleceram um Índice de Aptidão Tecnológica Instantânea para um determinado tempo t (APt). extremamente complexos. Sem interesse econômico pelas suas baixas reservas e localização.3.[ AP(ti). suas reservas e teores. “Cada ocorrência fosfática deve ser estudada. frente a um determinado ácido. GIULIETTI e TOSATO. 3. 4 ti = 0.(M3+M4).

5 33.573 6.73 14.751 250 103. 2004) e Texto Explicativo do “Mapa síntese do setor de fertilizantes minerais (NPK) no Brasil” (CPRM.863 256.700 9. (a) Capacidade de produção (103 t/ano) 268 .95 10. 1997).21 9.700 6. (103 t) e teores de P 2O 5 Localização/Empresa Minério Tapira (MG) / Mina Ativa / FOSFERTIL Tapira (MG) / Mina Ativa / FOSFERTIL Patos de Minas (MG) – Mina Ativa/ FOSFERTIL Catalão (GO) / Mina Ativa / ULTRAFERTIL Catalão (GO) / Mina Ativa / ULTRAFERTIL Araxá (MG) / Mina Ativa / BUNGE FERTILIZANTES Araxá (MG) / Mina Ativa / BUNGE FERTILIZANTES Cajati (SP) / Mina Ativa / BUNGE FERTILIZANTES Ouvidor (GO) / Mina Ativa / COPEBRÁS Irecê (BA) / Mina Ativa / GALVANI Lagamar (MG) / Mina Ativa / TREVO-YARA Angico dos Dias (BA) / Mina Ativa / Galvani Iperó (SP) / Mina em Fase de Implantação Anitápolis (SC) .0 36.25 5.91 15.111 170.81 5.Mina em Fase de Implantação Paulista / Igarassú (PE) / Mina Desativada Patrocínio (MG) / Mina Desativada Trauíra / Pirocáua (MA) / Depósito Alhandra / Conde (PB) / Depósito Itataia (CE) / Depósito Bonito (MS) / Depósito 88.(a) 1.Home Apresentação Sumário Créditos Tabela 2.3 .500 74.50 14.62 12.979 29. Res.88 186.463 12.20 20.726 232.693 9.72 22.208 150 P2O5 (%) 35.0 33.31 11.0 36.000 920. Pr.055 14.36 Inferida 380.0 Concentrado FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE Ilha Rasa (PE) / Depósito Goiana (PE) / Depósito Maecuru (PA) / Depósito Fonte: Anuário Estatístico do Setor dos Fertilizantes (ANDA.460 21.79 9.5 34.085 360.600 88 150 905 140 530 300 560 1.105 133.14 15.963 3.00 106.0 5.000 Cap.200 3.478 3.5 24.0 38.16 17.0 34.40 6.834 607 424 5.000 12.Jazimentos de rochas fosfáticas do Brasil.860 16.0 35.000 Teor (%) 8.83 6.30 18.

44 0.44 29.0 79.6 76.7 95.92 0. 1990.1 34.62 2.3 90.30 Fe2O3 3.50 SiO2 1.6 93.7 92.6 – Aptidão Tecnológica Instantânea: ataque de concentrados por ácido nítrico a 65%.32 0.5 20 minutos 85. Giulietti e Tosato.5 77.22 0. Minas 3 minutos Araxá Catalão Tapira Patos de Minas Anitápolis Jacupiranga Marrocos 70.12 1.04 0.2 31.70 0.5 87.55 7.19 0.1 74.18 - Fonte: Calmanovici.6 85.0 60 minutos 85.16 --BaO 0.6 MgO 0.04 4.3 91.0 60 minutos 90.52 2.7 69.4 34.62 0.1 84.5 37.17 5.9 94.8 98.11 0.1 53.0 50.7 97.0 86.2 95.5 – Aptidão Tecnológica Instantânea: ataque de concentrados por ácido sulfúrico a 50%.30 SrO 1.08 Na2O 0.5 81.65 1.8 Tempo de Reação 10 minutos 80.1 88. Giulietti e Tosato.7 90.8 88.6 85.57 K2O 0.7 Fonte: Calmanovici.6 89.9 82.2 CaO 49.5 25.6 76.60 TiO2 0.93 0.1 Fonte: Calmanovici.4 – Composição química (%.5 95.1 96. 269 O FÓSFORO NA AGROINDÚSTRIA BRASILEIRA .4 88.41 0.6 81.39 2.9 Tempo de Reação 10 minutos 71.36 0.09 0.1 20 minutos 89.3 49.3 93. Minas P2O5 Araxá Catalão Tapira Patos de Minas Anitápolis Jacupiranga Marrocos 37.Home Apresentação Sumário Créditos Tabela 2.5 50.4 74.4 79.20 Composição Al2O3 0. 1990.5 91. Tabela 2.3 92.2 79.5 98.8 99.30 0.4 77.6 79.1 84. Minas 3 minutos Araxá Catalão Tapira Patos de Minas Anitápolis Jacupiranga Marrocos 71.0 84.44 0.8 87. base seca) de concentrados fosfáticos.20 0.1 78.5 89.9 37. Giulietti e Tosato.3 90. 1990.9 37.9 86.70 0. Tabela 2.2 89.

ser considerados. devem. O aproveitamento do fosfogesso. como já foi referido e.4 loriz ização inérios osfa 2.5% em apatitas impuras do carbonatito de Mush Kuduk. com forte predomínio de ETRL (Elementos de Terras-Raras Leves – ver glossário).3% em fluorapatitas de Chernigov (Ucrânia) e de 13. será tratado no capítulo 15. após o que se mantém praticamente constante. a maior parte destes elementos. tais como a presença de impurezas e filtrabilidade. 1985 apud HOGARTH. todos apresentam melhor AP-index quando o tratamento é nítrico. O ∑ ETR (ver glossário). Valorização dos minérios fosfatados ubprodutos: nacionais . tanto na digestão sulfúrica quanto na nítrica.5 74.. Metodologia análoga poderia ser aplicada uti- 2. ETR. enquanto os de Araxá e Catalão são bem inferiores. Fonte: Calmanovici. 1975. cuja célula unitária é composta por Ca10P6O24F2. MARIANO. rejeito da produção do ácido fosfórico.1.7% (GIRAULT.9 lizando-se o ácido clorídrico.1 78. mas são referidos teores de 8. não deve ser descartada a presença de platinóides no contexto das mineralizações primárias de apatita e pirocloro. Por outro lado. Em Oka. Terras-raras Nos carbonatitos sem mineralizações específicas de terras-raras (bastnasita e monazita). entre 1. 4 . Nos de fonte mantélica. Habitualmente são inferiores a 1%. não dispensando estudos mais específicos e detalhados para os casos nos quais o AP-index demonstre possibilidade técnicas interessantes.3 79. EBY.) Os ensaios apresentados neste trabalho consideram a solubilização dos fosfatos em dois ácidos minerais: nítrico e sulfúrico. 270 . Minas Tempo de Reação H2SO4 a 50% Araxá Catalão Tapira Patos de Minas Anitápolis Jacupiranga Marrocos 71.7 83. F.7. No entanto. Giulietti e Tosato. Trabalhos anteriores mostram que a tendência aqui obtida deve ser mantida quando da solubilização clorídrica”. na Mongólia Exterior (HOGARTH. Sc e Ga. sendo a sua variedade mais comum a fluorapatita. (. são complexos. estes tipos de minério. Canadá) as fluorapatitas apresentam também altos valores. 1990. iii) a análise do comportamento das amostras nos testes de aptidão tecnológica instantânea. 1966. embora apresentando valores muito variáveis. de fluor e de estrôncio.2 81.3% e 7.7 86. Portanto estes ensaios são apenas indicativos. têm dificuldade em concorrer com o produto importado do norte da África. Sr. predominantemente de origem ígnea e metamórfica (sedimentares com metamorfismo superimposto). 4 . Outros fatores. por exemplo.6 80.9 86. são os minerais do grupo da apatita que contêm. 2.1 HNO3 a 65% 72. devido aos custos de produção elevados. associados a complexos carbonatíticos.7 – AP-index dos concentrados fosfáticos considerados.1 70. Próximo Oriente e EUA. semelhantes aos de Marrocos.6 77. também. Os autores ressaltam que: “o procedimento experimental aqui adotado procura considerar a utilização industrial dos fosfatos estudados. U. 1989)..5 84.subprodutos: ETR e U Os minérios fosfatados brasileiros. é sempre alto em apatitas de carbonatitos. 1989). esta utilização não pode estar baseada apenas na taxa de dissolução.4 erras-rar aras 2. de origem sedimentar.6 88. são fontes comprovadas ou potenciais de subprodutos como. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE Os dados obtidos evidenciam comportamentos distintos: i) Jacupiranga e Patos de Minas apresentam resultados muito satisfatórios. ii) à exceção de Jacupiranga. associados a rochas ultrabásicas. Tabela 2. revelou que o aumento do AP(t) se verifica nos 20 minutos iniciais. (Québec.Home Apresentação Sumário Créditos A partir destes dados foram estabelecidos Índices Médios de Aptidão Tecnológica (AP-index) que se reproduzem na Tabela 2. habitualmente.

their cost lowers and competitiveness in the world market improves”. passaram a ser produzidas. Os maiores teores citados são de 19. — o maior valor da razão ∑ ETRL / ∑ ETRP foi encontrado em apatitas de Catalão (31. tendo concluído que: — todas as apatitas de carbonatito apresentaram teores de ETR superiores a 1000 ppm. Araxá (62. (1992).74).Na. N.goyazita [SrAl 3(PO 4) 2(OH) 5. na Groenlândia (RÖNSBO.4 ppm) e Catalão (46. também. México. embora os teores de TR não ultrapassassem 1%: “(. /. 1989). um titanoniobo-tantalato de TR.Ca)2(Ti. Merecem destaque as seguintes observações: .F) .483 ppm).347 ppm) e Catalão . em apatitas do complexo granítico peralcalino de Pajarito..(Sr. em média.6 ppm). — a maior razão La/Yb foi encontrada em Catalão (344) e a mais baixa em Itataia (0. since their rare earths could be easily recovered as a by-product with treatment by nitric acid.54).2% de TR2O3.BA (7.. Dutra e Formoso (1995) estudaram 22 amostras de apatitas e de rochas fosfáticas. são uma de suas fontes potenciais. a partir de fosforitos e outros minérios de apatita.Na. The potential increase in the fertilizer production cost would be compensated by some additional production of rare earths”.H 2O].5 ppm).Nb.H2O].contêm sempre terras-raras. 1993).) the major requirement for the rare earth recovery process is that it should not cut down the recovery of the phosphorus products. desde que sejam seguidas as rotas clorídrica ou nítrica. como subproduto. Representavam 50% dos óxidos de ítrio e 80% dos de európio produzidos na URSS (KOSYNKIN et al.PO4)3(OH. phosphorite) and titanotantaloniobates (loparite). o que lhe confere características de sedimentos marinhos. Podem ser re- cuperadas. Recorria-se ao ácido nítrico.585 ppm).16%. “The main reserves (da CEI) are confined to phosphates (apatite. variando de alguns décimos até quase 20% (DUTRA e FORMOSO. Desde que os fosforitos contendo urânio foram colocados em produção. para extração de TR. As apatitas. Ca e Na. Em rochas alcalinocarbonatíticas. Além da apatita. no processo de produção do ácido fosfórico.) apatites become of great importance.7% e os de U. com 32. gorceixita [BaAl3(PO4)2(OH)5. — os teores de ítrio oscilam entre 72 e 360 ppm nas apatitas dos carbonatitos brasileiros. como a belovita . No mesmo artigo. florencita [CeAl3(PO4)2(OH)5] e plumbogumita [PbAl3(PO4)2(OH)5] .MG (6. O teor de TR nos concentrados era de cerca de 0.(Ce.Ta)O6.as terras-raras são constituintes maiores. como elementos acessórios. 1987) e acima de 16% em Ilmaussaq. apresentaram importante síntese sobre a recuperação de terras-raras a partir de fosforitos na CEI. a recuperação das TR como subproduto foi considerada importante.Ca)5(SiO4./ since rare earths are produced as by-products.. As terras-raras que eram extraídas..Home Apresentação Sumário Créditos As terras-raras estão presentes.. TR e U eram extraídos como subproduto da indústria dos fosfatos. 1995).3% de OTR. nas apatitas. 1984). 1993). Araxá . os fosfatos do grupo da crandalita . — os maiores valores foram encontrados nos complexos carbonatíticos de Angico dos Dias .GO (5. referem-se valores de até 12% de TR2O3 (CLARK.e a britholita . — os teores mais altos de Eu localizam-se nas apatitas de Angico dos Dias (75.. (. Os três primeiros são comuns nos solos ferralíticos que cobrem os minérios fosfatados associados a complexos carbonatíticos. os autores afirmam que.Ce. terceiro maior produtor mundial...4) e o mais baixo. como minerais concentradores de TR. em Itataia (1. monazita e ytriosynchisita (KOSYNKIN et al. EUA (ROEDER et al. a maior parte das quais fica na solução nitrato- 271 O FÓSFORO NA AGROINDÚSTRIA BRASILEIRA Skovaronov et al. Em outros minerais do grupo. de fórmula (Ce.Ca)5(PO4)OH . passando a ser essas rochas uma das principais fontes de terras raras na ex-URSS.. Foi o que aconteceu na ex-URSS. inicialmente apenas da loparita. 0.

como complemento nutritivo. As terras-raras na agricultura Na China. Também são referidos bons resultados na adição de TR a rações animais: “Rare earth-vitamin C (REVc) compound 4 (.0% de OTR. sendo separadas. utilizar o fosfato monocálcico.48% de Al2O3. contém 24. sob a forma de fosfatos. 5. 1995). é o que utiliza o tributilfosfato ou fosfonatos dissolvidos em querosene..54% de Fe2O3. os autores especificam os resultados obtidos na criação de porcos. reduzindo-se substancialmente os impactos ambientais causados pela radiotividade. frangos e peixes de água doce. refere-se que: “in the past few years we have been hearing claims by Chinese scientists and technical experts how great the rare earths are improving crop yelds.) has been used as a feed additive for livestock. 1. A solução nitrato-fosfática contém (em g/l). 36. adicionadas às já existentes totalizavam 160 núcleos produtores de fertilizantes amônio-carbonatados com TR. — o grau de recuperação. tendo-se comprovado as seguintes vantagens: — recuperação das TR e U. com elevado grau de pureza (sem metais pesados. — a extração efetua-se num sistema em contracorrente. É formado por uma mistura solúvel de TR. de 8 a 10% em alguns cultivares (ZHOU.4 terras-rar aras agricultura icultur 2. Fathi Habashi e seus colaboradores também mostraram e divulgaram. Most yeld increases range from 5 to 10% (for example: wheat.56% de N (nitrato). em 1986. Experiências desenvolvidas durante vários anos mostraram que a incorporação de pequenas quantidades de TR nos fertilizantes traduz-se num aumento de produtividade.01% de Ca e 0. o que permite a melhoria da qualidade do fertilizante e o seu aproveitamento sob a forma de fluorsilicato de sódio (Na2SiF6). 0. 1998)5 . — o processo mais eficaz de extração das TR.9% de CaO. habitualmente sob a forma de nitrato although the chloride would be suffice (GSCHNEIDER. como micronutriente na agricultura (CRE.1 de OTR (óxidos de terras raras). Segundo informação do RIC-News (vol. tóxicos). matéria-prima para produção de criolita (Na3AlF6). como na rota sulfúrica. em pecuária. — remoção do F. 0.. poultry and aquaculture” (CHEN et al.1. — retenção dos metais pesados. 2005). em relação ao concentrado fosfático..01 de Fe. 8. sem interferir no circuito de produção dos fertilizantes.3% de N (amônia) e 2. 272 . 1993). a China tinha implantado 40 new rare earth ammonium carbonate fertilizer plants que. 1989). 4. Segundo os referidos autores: — remoção do Ra.. incluindo a maior parte do U. como já foi dito.1. A precipitação das TR é feita por amônia gasosa e o resíduo. no qual a fase orgânica é lavada com uma solução de nitrato de amônio. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE — o produto final tem mais de 98% de OTR e menos de 0. — não geração de grandes volumes de rejeitos. 4 . 2.5 de F. 420 de CaO e 0.8% de P2O5. nas soluções nitrato-fosfáticas. com ácido nítrico.Home Apresentação Sumário Créditos fosfática. — simultaneamente procede-se à eliminação do Ca e do Fe. 2. Nesta mesma publicação. recalculado como massa seca. 330 de P2O5. Esse estudo incidiu sobre os fosfatos da Flórida. 8.3% de SiO2. A taxa de recuperação dos ETR contidos na apatita é de 85%. é de 95%. No processo praticamente não há formação de resíduos sólidos nem líquidos (SKOROVAROV et al. Neste trabalho. tornando-se assim possível. XXXIII. a viabilidade e o interesse da recuperação de terras-raras e urânio em minérios fosfáticos. cada vez mais. 1992). as terras-raras são utilizadas. em solução no nitrato de cálcio.05% de P2O5. A extração do Ca e do F é uma pré-condição para a precipitação das TR. para separação total das TR do P.28% de F. posteriormente. Os autores propõem um processo de tratamento de rochas fosfáticas. O produto comercial é designado por ‘nong-le’ ou ‘changle’.

de ítrio. havendo tendência a concentrarem-se nas soluções magmáticas residuais (ADLER. com pirocloro. the extraction of uranium was found to decrease. por exemplo. – CNIEC e com a China National Non-Ferrous Metal Industry Corp. since calcium nitrate acts as salting out agent.0. TR. além do urânio. mas o mesmo já não acontece para a sua extração a partir de soluções HNO3 . na época. For complete recovery of uranium a two-stage extraction at organic/aquous phase ratio of 1:2 is recommended. and soybeans) and a few 10 to 20% (sugar cane and cabbage)”.2. Ou substitui o Ca. não foram divulgados. Qualquer das rotas para produção de ácido fosfórico (sulfúrica. Ta. os autores concluiram que o tributil-fosfato é um extratante efetivo do U presente em lixiviados nitro-fosfáticos. 2. em escala industrial. na valência VI.. por exemplo. Os autores também constataram que a diluição de tributil-fosfato em 20% de querosene não modifica o rendimento e que o querosene é melhor diluente que o hexano. não permitem a sua inclusão fácil na rede cristalina dos minerais. a recuperação. em dezembro de 1988. As grandes dimensões e cargas elevadas do urânio e de outros elementos como Nb. A separação de urânio num meio nítrico é bem conhecida. In a typical test. teores. Ti.0) recovery was 10%. 1986). de um elemento altamente estratégico. peanuts.4 Urânio 2. dos carbonatitos apatíticos. Os EUA. ou é adsorvido como íon uranilo (UO2+). desenvolveram estudos abrangentes para recuperação de U em minérios fosfáticos.6 . geradoras. tobacco.). sob a forma de U4+.. Urânio O urânio está sempre presente na apatita como elemento traço. nem os resultados obtidos em cada caso. Thus. com TR etc. dos quantitativos de processamento ou de produção. 4 . 82% of the uranium was extracted in a single stage in the presence of calcium nitrate and only 62% in its absence (. Habitualmente os fosforitos contêm mais urânio do que tório e revelam equilíbrio entre ETRL e ETRP. 1968). e tecnologias de extração foram intensamente estudadas na década de 70 (século XX). O Iraque também esteve interessado na recuperação de U a partir de minérios. Russos. európio e outros elementos pesados no processamento de fosforitos (SKOVAROV et al. israelitas e sul-africanos recuperaram-no industrialmente. incluindo minérios brasileiros (DE VOTO e STEVENS. 1979). nem as tecnologias específicas utilizadas para cada minério. ao contrário das rochas fosfáticas ígneas. alcançando-se o equilíbrio em apenas 1 minuto e num único estágio. na sua estrutura. O processo é rápido. acordo com a China National Non-Ferrous Metal Industry Corp. when pH increase to 0. Recorrendo-se a uma proporção das fases orgânica/aquosa de 1:1.. as found by other researchers. When ammonia was added to the leach solution to increase the pH. – CNNC’s Center for Rare Earth Agriculture Technique visando obter a tecnologia e os direitos de produção de ‘’nong-le’’ para aplicação exclusiva na Austrália e Nova Zelândia. Na CEI foi viabilizada.H3PO4 (HABASHI et al. nítrica ou clorídrica) permite a recuperação de urânio. nas quais predominam o tório e os ETRL.. Por outro lado acentuam que: “The presence of calcium nitrate was found to be essential for the extraction of uranium which is similar to extraction from nitric acid medium. It is therefore recommended to work at the natural pH of the leach solution. consegue-se extrair mais de 85% do urânio. da- 273 O FÓSFORO NA AGROINDÚSTRIA BRASILEIRA . at the natural pH of the solution (0. beets.Home Apresentação Sumário Créditos rice. Th e Zr.8 the recovery dropped to 81% and at the limit of precipitation (pH» 1. Uranium was stripped with hot water at about 80oC in seven stages at an organic / aquous ratio of 2:1”. Por se tratar. Chama-se a atenção para o fato de a SX Holdings Ltd da Austrália ter estabelecido.7) uranium recovery was 90%. watermelon. Nos trabalhos de pesquisa desenvolvidos. 1992). Sabe-se que os teores de urânio variam entre 3 e 399 ppm nos minérios fosfáticos (MENZEL. 1977).

3 1. CF . Tabela 2. verificava-se um fator 3 de enriquecimento nos rejeitos lama (248 ppm de U3O8) e de 2 nos rejeitos de flotação (186 ppm de U3O8).9.1% de U3O8 era considerado minério potencial de urânio.Mineralogia e teores de U3O8 e de P2O5. ilmenita (15).000 ppm de urânio e 3% de estrôncio.1 26 Am . O estudo mineralógico de 19 amostras representativas dos vários materiais revelou a presença constante de gorceixita (fosfato hidratado de Ba e Al) em quantidades iguais ou superiores a 10%. tório e também de terras raras no circuito da usina semi-industrial da METAGO (Lapido-Loureiro.6 38.8 5. em Garland County.80 <0.4 120 CF 18. apatita (5). envolvidos por uma película de goethita negra. AL Composição Mineralógica Aproximada (%) Apatita (25).7 36. Tabela 2. 274 . sendo apenas mineral acessório no concentrado final. Em Catalão I. ilmenita (15). goethita (15). os estudos efetuados nos produtos obtidos no circuito de beneficiamento do minério fosfático mostraram ser impossível a extração econômica do urânio a partir dos rejeitos. gorceixitas com 75 a 960 ppm de U3O8 e. quartzo (15) Goethita (55). hematita (10). quartzo (15). gorceixita (15).Teores de R2O3 (óxidos de TR e de U) e de P2O5(a).0 P2O5 (%) 12.2 1. 1980.3 P 2O 5 (%) 9.8 e 2. quartzo (tr.Rejeito Flotação.5 7. na Carolina do Sul.6 Alimentação Rejeito magnético Rejeito lamas Rejeito flotação Concentrado final (a) Ataque clorídrico a 900oC. foi desenvolvido estudo detalhado para se recuperar U nos rejeitos da usina semi-industrial da METAGO.).8 . 1979). em 1978-79. Mais detalhes sobre a problemática dos elementos radioativos nos minérios fosfáticos poderão ser encontrados no capítulo 20 deste livro. no Arkansas. a NUCLEBRÁS realizou. goethita (5). magnetita (15). com 3. EUA.0 U3O8 (ppm) 82 RM LA 26.amostra. resumem-se alguns dos resultados obtidos nas análises químicas realizadas pelo CDTN/ NUCLEBRÁS.).Rejeito Magnético. Reforça esta hipótese o fato de se conhecerem em Aiken County.9 . ilmenita (5) Gorceixita (50). RF .Rejeito Lamas. em relação ao concentrado final apatítico (80 ppm de U3O8).99 0. Os valores entre parênteses representam o percentual dos minerais nas amostras.Home Apresentação Sumário Créditos No final da década de 70. AL .0 5.5 16. quando um produto com 0. gorceixita (tr) (%) 100. Embora sejam expressivas as reservas de urânio no minério fosfático. ilmenita (20).Concentrado Final. quartzo (10). 1997). esferóides de gorceixita. quartzo (15) Magnetita (70). passou a admitir-se que fosse um de seus minerais portadores.Alimentação.59 1. apenas as que estão contidas na apatita poderão ser consideradas recuperáveis. hematita (5) Apatita (90). estudo minucioso sobre a composição e distribuição de urânio. hematita (10). gorceixita (20). Nas Tabelas 2. RM . Tipo de amostra R 2O 3 (%) 0. goethita (tr. Como não foi encontrado nenhum mineral específico de urânio e atendendo a que as frações mais ricas de gorceixita (lamas e rejeitos de flotação) eram as que apresentavam os teores mais altos de U3O8. exatamente o material que apresentava os teores mais elevados de U3O8 (BENEDETTO. 1994. Em Catalão – GO.7 4. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE Am. tanto nas frentes de lavra e alimentação da usina quanto nos rejeitos de flotação e lamas.5 47 114 RF 38. LA . em Catalão I porque.1 0.

for constantemente removida (plantio . ha- 275 O FÓSFORO NA AGROINDÚSTRIA BRASILEIRA Normalmente só pequenas quantidades de P estão presentes na solução do solo que é alimentada continuadamente pela sua liberação a partir dos minerais (o pH do solo tem forte influência na disponibilidade de P para as plantas) e da matéria orgânica. no alargamento das células e na transferência da informação genética” (POTAFOS. Nesse processo. entra na vida animal pela alimentação dos herbívoros e onívoros. acelera a cobertura do solo para proteção contra a erosão. iniciase nos fosfatos naturais (a apatita é o principal). na divisão celular. venham eles do solo ou do adubo. com alto grau de intemperismo. um ano após aplicação de superfosfato simples em quatro solos. Os solos das regiões tropicais. 2005). Por isso este suprimento natural deve ser complementado pela adição de adubos. Se a vegetação. 38% depois de 2 anos e 20% depois de 3 anos. elemento indispensável à vida porque entra na composição do núcleo das células de todos os seres vivos. Devine et al. fibra e óleo pelas plantas. vendo forte decaimento no seu retorno normal ao solo. Parfitt et al. continua ao ser absorvido pelas plantas. no metabolismo de açúcares. A complexidade de manejo de P nesses solos está relacionada à fixação do P pelos óxidos e hidróxidos de Fe e Al. Quando se aplica uma fonte solúvel de P num solo. Por outro lado. cada um. H2PO4.colheitas). sendo que essa fase de rápida reação é seguida de uma fase lenta que continua a retirar o P da solução (BARROW. duas hidroxilas da superfície ou moléculas de água são substituídas pelo ânion fosfato. a diferentes Fe3+ da superfície. pH ácido. caracterizam-se por uma mineralogia dominada por óxidos e hidróxidos de Fe e Al. em geral. Williams e Reith (1971) encontraram de 20 a 28% de P disponível. cit. podendo esta ser positiva. e com carga superficial elétrica variável. Carência de fertilizantes fosfatados nos terrenos de cultura traduz-se em atraso de crescimento e fraco desenvolvimento das plantas. “Desempenha função chave na fotossíntese. É um dos 16 nutrientes essenciais para que as plantas cresçam e se reproduzam. afeta a qualidade das frutas. o crescimento da planta. O uso adequado de P aumenta a eficiência da utilização de água pela planta (= menos perdas) bem como a absorção e a utilização de todos os outros nutrientes. utilizando espectroscopia por infravermelho. é elemento fundamental no processo de conversão da energia solar em alimento. natural ou de cultura. que a reação do ânion fosfato com a superfície dos óxidos de Fe resulta num complexo com ligação binuclear no qual dois dos átomos de oxigênio do ânion fosfato se coordenam. dos vegetais e dos grãos. 1996). mencionados por Novais e Smith (1999). (1968).e que o fósforo da matéria orgânica só se torna disponível quando os microrganismos do solo a ‘quebram’ em formas simples. Manejo de fósforo e aplicação de rochas fosfáticas O fósforo. passou a exigir o seu crescente emprego na agricultura. O ritmo de produção necessário para suprir de alimentos uma população que aumenta explosivamente.Home Apresentação Sumário Créditos 3.). passa para o solo por solubilização. 58% do P aplicado encontravam-se disponíveis. (1975) mostraram. 2003). verificaram que. 1974). 1983). mas de forma muito insuficiente numa agricultura intensiva. é necessário compensar a perda de fósforo e outros oligo-elementos pela aplicação de fertilizantes. liberando os íons fosfatos inorgânicos (POTAFOS/NUTRIFATOS. “Promove a formação inicial e o desenvolvimento da raiz. rendimento e produção agrícolas reduzidos (LAPIDO-LOUREIRO e NASCIMENTO. como são os latossolos. isto é. um dos três macronutrientes principais. tornando esse elemento indisponível para as plantas (LOPES. mais de 90% do P aplicado é adsorvido na primeira hora de contato com o solo. . no armazenamento e transferência de energia. Contribui para aumentar a resistência da planta a algumas doenças” (op. baixo valor de saturação de bases e alto teor de Al. depois de um O ciclo de suprimento do fósforo. e é vital para a formação da semente. sabendo-se que todo o P é absorvido pelas raízes sob a forma de íon ortofosfato.

cuja lenta solubilização ao longo do ciclo da planta faz com que haja menos P em solução para formação de P não-lábil (NOVAIS e SMITH. À medida que isso vai ocorrendo com a dissolução. MACKAY et al. 1999). natural ou em consequência de supercalagem a precipitação do P com o Ca é representada por retrogradação (MALAVOLTA. 1987) e minimizar o tempo de contato do fertilizante com o solo. como é o caso dos fosfatos brasileiros. esgotando os sítios de imobilização desses solos. levando seu decréscimo à linearidade.(solúvel) = 4H+ + Ca3(PO4)2 (insolúvel) A utilização direta na agricultura de fosfatos naturais brasileiros tem como principal restrição a baixa reatividade dos mesmos. é bem menos intenso para as fontes pouco reativas. a maior acidez leva a uma maior formação de P não-lábil. O tempo. 1986) deve ser atribuída ao H+ ou ao Al3+. No entanto. Como a transformação de P lábil a nãolábil é maior inicialmente e exponencialmente decrescente. Essas observações são explicadas por dois fenômenos que tendem a se anular (NOVAIS e SMITH. é a importância relativa dos drenos P e Ca. fazendo-se a correção do solo anteriormente à adição de P. visto que outros autores encontraram efeito contrário: Novais e Ribeiro (1982) e Couto e Novais (1986) verificaram que o Al adsorvido/precipitado às partículas de apatita poderia restringir-lhes a solubilização. 1999). Devido a essa forte interação. Arndt e McIntyre (1963) concluíram que o efeito do tempo sobre a disponibilidade de P de uma fonte solúvel comparativamente a de um fosfato natural aplicado a um solo laterítico foi um decréscimo linear na produção para o fosfato natural e logarítmico para a fonte solúvel. uma vez que os produtos de dissolução da apatita (P e Ca) não estão ainda presentes na vizinhança das partículas de apatita. podendo-se até parcelar a aplicação de P. discutida por Novais e Smith (1999).. com aplicação sobre toda a área. com muito Ca trocável. A questão é polêmica. Robinson e Syers (1990) mostraram que o dreno Ca foi o parâmetro mais importante para a dissolução do fosfato natural testado do que o pH. se encarrega do suprimento de P mais imediatamente. enquanto a adubação com a fonte solúvel. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE A precipitação do Al em solução com o fosfato adicionado ao solo é representada na equação: Al3+ (trocável) + H2PO4. com reversibilidade muito pequena. nos sulcos de plantio. a continuidade do processo de dissolução é restringido. Outra questão acerca da solubilidade de fosfatos naturais. tem se observado o uso de fosfatos naturais como fosfatagem corretiva. minimizar o contato da fonte de P com o solo e adubação localizada nas linhas de plantio (NOVAIS e SMITH. Novais e Smith (1999) questionam se a maior dissolução de fosfatos naturais em solos ácidos mostrada em vários trabalhos (CHU et al. No entanto. 276 . 1967): 3Ca2+ (trocável) + 2H2PO4. que aumenta a solubilização de fosfatos naturais apatíticos. Braga e Neves (1981) verificaram que. visando corrigir parcialmente a carência de P dos latossolos. Em solos com pH elevado.Home Apresentação Sumário Créditos ano da aplicação e apenas 2. o fosfato natural testado foi fonte de P mais eficaz. O forte efeito negativo do tempo de incubação sobre a disponibilidade de P de uma fonte solúvel. granulação do fertilizante (SOUSA e VOLKWEISS. ou dreno P. 1962. Uma das condições favoráveis à solubilização de fosfatos naturais apatíticos é sua aplicação em solos ácidos.. os dois processos tendem a anular o acúmulo inicial de P lábil no solo.2% depois de 68 anos. a dissolução do fosfato natural tende a ser maior inicialmente. ocasiona a transformação do P solubilizado para formas não lábeis. 1999): quando aplicado ao solo. o manejo adequado para produção agrícola em latossolos requer um suprimento cumulativo de P.(solúvel) + H2O = 2H+ + Al(OH)2H2PO4 (insolúvel) Essa reação é eliminada pela precipitação do Al na forma de gibbsita. devido à formação de P nãolábil.7 a 4. em solos com menores teores de Al trocável. A precipitação química de P com íons Fe e Al em solos ácidos ou com o Ca em solos neutros ou calcários podem formar compostos pouco solúveis.

HUE. até dentro da mesma jazida. 1984. gerados na produção de ácido fosfórico pela rota sulfúrica. sendo que mais de 50% destes foram ocupados após 1950. Embora a soja seja a espécie que mantém os maiores valores de pH do solo. Sibanda e Yong (1986) sugerem que os ácidos orgânicos competem com o P pelos sítios dos colóides. Produção de fertilizantes fosfatados Como já se referiu. O efeito acidificante da rizosfera de algumas plantas também favorece a solubilização de fosfatos naturais. Produção fertilizantes fosf ertilizan osfa 4 . Uma opção para atender ao conceito de desenvolvimento sustentável na produção de fertilizantes fosfatados e reduzir impactos ambientais seria o aproveitamento de subprodutos de bom valor comercial e a criação de campos de aplicação para os enormes volumes de fosfogesso. 277 O FÓSFORO NA AGROINDÚSTRIA BRASILEIRA . Porém. ou pela ligação direta à matéria orgânica. consome cerca de 90% da sua produção. a lavra das jazidas de fosfatos. com incremento na quantidade de resíduos na superfície do solo. (1975). Os equipamentos utilizados variam de empresa para empresa e de mina para mina. Lav Processamen ocessament 4 . Appelt et al. químicas e biológicas.1. inadequando-os para a agricultura. Bennoah e Acquaye (1989) atribuíram a correlação positiva entre os teores de matéria orgânica e adsorção de P ao fato de haver sítios no solo que absorvem tanto o P como os ácidos orgânicos. 1991). Miller e Wali (1995) destacam que a ocupação do solo para a agricultura provocou. diminuições de 1. Dos fertilizantes fosfatados. geração de rejeitos de valor comercial (cloreto ou nitrato de cálcio) e separação/ eliminação do Ra. No sistema plantio direto. tanto em escala mundial quanto nacional. tornando parte desta inacessível à adsorção de P (HAYNES. Santos (2000) concluiu que a adoção do sistema de plantio direto aumenta os teores de P orgânico. a principal aplicação da apatita é na fabricação de ácido fosfórico para fertilizantes que. seria necessário passar a recorrer-se às rotas nítrica ou clorídrica. vem ocorrendo a expansão no sistema de plantio direto no Brasil. A ação da matéria orgânica sobre a disponibilidade de P é controvertida.9 bilhão de hectares de solos cultivados estão degradados quanto às suas características físicas. com composição mineralógica muito variável. P microbiano e das frações mais lábeis de P orgânico e do P inorgânico lábil e não-lábil ligado ao Ca. nos últimos 300 anos. devido ao componente fósforo. os processos de degradação são minimizados. Nesse sistema. Outros trabalhos mostraram que a interação dos colóides do solo com a matéria orgânica promove a diminuição da área superficial dos mesmos. O restante (2%) é obtido de forma específica para outras aplicações.Home Apresentação Sumário Créditos daí a dissolução de fosfatos ser maior em solos com maior CTC ou maiores teores de matéria orgânica. portanto apenas 10% se destinam a outras aplicações. Daí solos com maior CTC e com maiores teores de matéria orgânica devem promover uma dissolução mais intensa de fosfatos naturais. como o solo não é revolvido. facilitando a saturação dos sítios de adsorção e permitindo que o P adicionado permaneça por maior período na forma lábil. Mais recentemente. Mais de 1. é realizada a céu aberto. por ter-se tornado economicamente viável. e conseqüentemente aumento nos teores de matéria orgânica.2 bilhões de hectares em sistemas florestais e de 508 milhões de hectares em campos nativos. totalmente mecanizada. No Brasil. para recuperação de subprodutos como as TR (terras-raras). mencionados por Santos (2000). postulam que a matéria orgânica forma complexos insolúveis com o Al (MO-Al(OH)x). cerca de 95% da capacidade nominal de produção de concentrados apatíticos resulta de minérios associados a complexos alcalinocarbonatíticos. 90% são obtidos por via química. sua eficiência em absorver P de fosfatos naturais foi atribuída a sua grande absorção de Ca. Lavra e Processamento No Brasil. O dreno Ca é mais importante do que o dreno P para uma maior dissolução de fosfatos naturais. que resultam em novos sítios de adsorção de P. 2% por via térmica e 6% são aplicados sob a forma natural. os fertilizantes fosfatados permanecem no local de aplicação.

— moagem primária e separação magnética de baixo campo. Figura 4. por vezes).1 . os bancos têm de 5 a 10 metros de altura e as bermas são de 15 metros. — deslamagem.0. as bancadas têm 13 metros de altura.8 a 1. na primeira. com lavra executada em duas cavas. devido ao minério ser friável: apenas cerca de 4% do material lavrado exige desmonte por explosivos. Com explosivos. normalmente: — britagem (primária.Home Apresentação Sumário Créditos Em Tapira (MG).4 e o teor de corte de 3% de P2O5. Já em Catalão I (GO). Nas minas de Araxá (MG) e de Cajati/Jacupiranga (SP). no Brasil. Os processos de beneficiamento de minérios fosfáticos. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE Fonte: FOSFERTIL. na mina da Ultrafertil em Catalão I. — concentração por flotação e espessamento. é de 1.Esquema simplificado da produção de fertilizantes. passa a ser executado predominantemente com retroescavadeiras. compreendem. secundária e até terciária. por exemplo. na segunda. — moagem secundária e classificação. O desmonte é também variável. Na mina de Cajati. e de 10-20 metros. Em Catalão I (Ultrafertil). A relação estéril/minério e o teor de corte variam de mina para mina e até entre frentes de lavra. em malha de detonação de 3x5 m na mina de Cajati (SP)/Bunge Fertilizantes. a maior mina produtora de concentrados fosfáticos do Brasil. ambas da empresa Bunge Fertilizantes. A produção de fertilizantes a partir de minérios fosfatados naturais é realizada em complexos industriais constituídos por unidades que podem agrupar-se numa mesma área ou atuarem separadamente (Figura 4. na área da Ultrafertil. — estocagem e homogeneização.1). a altura das bancadas é de 10 metros. a relação estéril/minério é de 0. 278 .

fluorídrico + sílica → ác. sulfúrico → gesso + ác. a partir de concentrados apatíticos. por evaporação. — filtração para separar os sólidos. DAP Fosfato de amônio MAP Produ odução ácido fosfóric osfórico rota 4 . O ataque do concentrado fosfático com ácido sulfúrico ocorre em reator agitado (para homogeneização do meio reacional e aumento da velocidade de reação). Na lavagem d[os efluentes gasosos do reator e do evaporador que contêm fluoretos.2H2O. Figura 4. utilizando-se predominantemente o ataque sulfúrico. ortofosfórico) Devido às impurezas existentes no concentrado fosfático.2). e térmico. é bombeada para a etapa de filtração (filtro rotativo).). composta de gesso e ácido fosfórico diluído. podem ocorrer outras reações secundárias no reator. como os fluoretos. 1997): Rocha Fosfática Enxofre Produção de HSO4 2 H2SO4 Produção de HPO4 3 Fosfogesso c/ Ra e TR — ataque (acidulation) pelo ácido sulfúrico.2H2O + H3PO4 (1) (fosfato tricálcico + água + ác. O processo hidrometalúrgico (WPA – Wet Process Phosphoric Acid) consite em três estágios principais (SCHORR e LIN. principalmente gesso. CaSO4. filtração/clarificação e concentração do ácido produzido (52%) (Figura 4. um sistema de exaustão e lavagem é utilizado. cit.2 . O produto principal da reação entre o concentrado fosfático e o ácido sulfúrico é o ácido ortofosfórico. fluossilícico + água) Como as reações que ocorrem no reator são exotérmicas e liberam gases nocivos. reação essa que pode ser representada pela seguinte equação: Ca3(PO4)2 + 6H2O + H2SO4 → 3CaSO4. Este passa por um sistema de lavagem de dois estágios. fluossilícico + sílica) 6 HF + SiO2 → H2SiF6 + 2 H2O (3) (ác. Do ácido fosfórico filtrado nesta etapa. bombeado para uma bacia de rejeito. O gesso é raspado por um parafuso de rosca sem fim e. o processo para obtenção de ácido fosfórico. oxidado e hidratado para dar origem ao ácido fosfórico. do licor (30% de P2O5). como resíduo (cada tonelada de P2O5 contido no ácido fosfórico gera cerca de 5 t de fosfogesso) (op. de modo a controlar a temperatura do reator e evitar o lançamento de gases poluentes na atmosfera. no qual é separado o ácido do gesso. até obtenção do teor comercial (52-54% de P2O5). no qual o concentrado é reduzido a fósforo elementar e. em seguida. ocorrem as seguintes reações: 3 SiF4 + 2 H2O → 2 H2SiF6 + SiO2 (2) (fluoreto de silício + água → ác. A suspensão (35 a 40% de sólidos) proveniente do reator. sendo posteriormente concentrado.Fluxograma simplificado da rota sulfúrica. em seguida.Home Apresentação Sumário Créditos Na produção de ácido fosfórico a partir de concentrados apatíticos. pela rota sulfúrica. Produção de ácido fosfórico pela rota sulfúrica sulfúrica No Brasil. parte é utilizada como reciclo no reator e o restante destina-se para a etapa de clarificação. pode ser dividido em três etapas/subunidades: produção de ácido fosfórico diluído (27-30%). são seguidos dois caminhos: hidrometalúrgico. a única seguida no País. NH3 H3PO4 Amoniação — concentração. 279 O FÓSFORO NA AGROINDÚSTRIA BRASILEIRA . no qual é produzido ácido fosfórico 27 a 30% de P2O5 e sulfato de cálcio dihidratado (fosfogesso).2.

3 . ii) a redução drástica no volume de rejeitos poluentes e invasivos (fosfogesso). excelente complemento nutritivo em pecuária. O vapor d’água passa por uma torre de absorção. a 80 oC. em seguida. embora apresentando os inconvenientes de preço e da maior complexidade do processo e de manuseio dos ácidos. após reação com a rocha fosfática. numa amostra de minério (concentrado) de Itataia. já então com concentração de 52% em P2O5 e isento de impurezas. atendendo ao conceito de desenvolvimento sustentável. no qual é separado o ácido concentrado da água contendo resíduos de flúor. As rotas clorídrica e nítrica.3 kg de P2O5 extraído Figura 4. iii) a geração de fosfato monocálcico de elevado grau de pureza (sem os metais pesados tóxicos). depois de passar no evaporador.0 ton Concentrado fosfático (244. o que pode reverter o problema do maior custo dos ácidos. O ácido fosfórico diluído é aquecido em um trocador de calor de blocos de grafite.0 kg de P2O5) HF 3.Esquema quantitativo simplificado da rota sulfúrica.Home Apresentação Sumário Créditos A clarificação consiste em promover a decantação de sólidos que não foram separados na etapa de filtração ou que ainda estejam dissolvidos. é enviado para estocagem. seria necessário recorrer às rotas nítrica ou clorídrica. para. oferecem.68 ton H2SO4 Lixiviação Subprodutos Na2SiF6 CaSO4 . possibilitando sua remoção. em contrapartida. algumas importantes vantagens. antes de serem condensados em um condensador barométrico. O ácido fosfórico. gerados na produção de ácido fosfórico. Rotas alternativas de produção de ácido fosfórico No Brasil. Na Figura 4. destacando-se: i) a possibilidade de recuperação de subprodutos de bom valor comercial. bem como. em seguida.3. O ácido fosfórico clarificado (teor de 27 a 30% em P2O5) é então enviado para estocagem e. na qual compostos de flúor e sílica são transformados em ácido fluossilícico e retirados juntamente com outras impurezas. Para recuperação de subprodutos como as TR (terras-raras). uma opção para diluir custos e reduzir impactos ambientais na produção de fertilizantes fosfatados. antes de entrar no evaporador a vácuo.6 kg) 241. geração de rejeitos de valor comercial (cloreto ou nitrato de cálcio) e separação/eliminação do Ra. iv) FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE 1. U 3O 8 280 . 4.3 apresentam-se esquematicamente os valores obtidos na extração de P2O5 pela rota sulfúrica. 2H2O (975. de TSP (superfosfato triplo). ser utilizado na fabricação de fertilizantes MAP (fosfato monoamônio) e DAP (fosfato diamônio). para a etapa de concentração. seria o aproveitamento de subprodutos de bom valor comercial e a criação de campos de aplicação para os enormes volumes de fosfogesso.

torna-se evidente que a rocha representa importante fonte desses elementos. No tratamento nítrico. Liebig e posteriormente outros químicos. Rota clorídr ídrica 4 . a possibilidade de seu aproveitamento na produção de ácido fosfórico. Newberry e Barrett.4 – Esquema quantitativo simplificado da rota clorídrica. já em 1865. mas também o urânio.38 toneladas de ácido clorídrico concentrado. Habashi também mostrou.3.38 ton HCl Lixiviação Subprodutos CaCl2 (624. tratado com uma solução de nitrato de alumínio. Fathi 1.0 ton Concentrado fosfático (244.Home Apresentação Sumário Créditos a possibilidade de aproveitamento de mais de 95% do flúor das apatitas. do nitrato de cálcio-amônia.0 kg de P2O5) HF O FÓSFORO NA AGROINDÚSTRIA BRASILEIRA Na2SiF6 2. 281 .6 kg de P2O5. Seyfried. em laboratório.1. o que permitiria a recuperação de subprodutos. que mostra também a possibilidade de recuperação de subprodutos e a relação entre a quantidade de ácido clorídrico consumida para cada tonelada de concentrado fosfático (estudo feito com minério de Itataia – CE). a viabilidade técnico-econômica da utilização dos ácidos clorídrico e nítrico na produção de ácido fosfórico. como Horsford. Koefoed. sugeriram a aplicação do ácido clorídrico na decomposição de rochas fosfatadas (WAGAMAN. o qual. são necessárias 2. atentamente. não apenas o P2O5 contido na rocha. 1994). os lantanídeos e o rádio. Um esquema simplificado da rota clorídrica é apresentado na Figura 4. a produção de rejeitos de valor econômico e a redução de impactos ambientais (HABASHI. usada na indústria do alumínio. Nos ensaios de extração de P2O5.5 kg) U3O8 239. Fox e Wittaker e Fox e Clark. que sai no offgas. Rota clorídrica A idéia da utilização de ácido clorídrico na decomposição de minérios fosfatados data de meados do século XIX. com capacidade instalada subaproveitada e até com excedentes de produção de HCl. Pike. dada a facilidade com que esses metais podem ser recuperados sem interferência na produção dos fertilizantes. dá origem a fluoreto de alumínio. Glaser. neste processo. matéria-prima da criolita artificial. deveria ser estudada. A rota clorídrica para produção industrial de ácido fosfórico pode ser esquematizada pelas reações: Ca10(PO4)6F2 + 14HCl ⇒ 3Ca(H2PO4)2 + 7CaCl2 + 2HF Ca10(PO4)6F2 + 20HCl ⇒ 6H3PO4 + 10CaCl2 + 2HF No Brasil. obtendo-se. Verifica-se assim que os ácidos nítrico e clorídrico apresentam a vantagem de solubilizarem.4. uma extração de 239. verificou-se que. a partir do nitrato de cálcio. para cada tonelada de concentrado fosfático. v) a possibilidade de obtenção. importante fertilizante nitrogenado e vi) o aproveitamento dos excedentes de HCl das indústrias brasileiras. Com efeito. 1969a).6 kg de P2O5 extraído Figura 4.

Verifica-se que os melhores resultados obtidos na extração de P2O5 nas amostras A e B.6).9 235. 4H2O (1209. Tabela 4. A empresa Norsk Hydro (atual YARA) utiliza-o para produzir fertilizantes fosfatados.) 282 .1 243.3.0 kg de P2O5) HF FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE 2. a rota nítrica nunca foi encarada como alternativa na produção industrial de fertilizantes fosfatados.2 e Figura 4.9 3 horas 205. Parâmetros compar tivos arâmetr ompara 4 . na península de Kola.3. na Noruega.0 234. também era utilizado. na acidulação da rocha fosfática. Na indústria de fertilizantes. Ácidos e Concentrações HNO3 (16M) HCl (12M) (a) (a) Quantidade de P2O5 extraída kg/t 1 hora 202. de forma esquemática. Nos ensaios de lixiviação com ácido sulfúrico nas três primeiras horas foram inferiores aos obtidos com ácido clorídrico (Tabela 4.2 4 horas 205. a quantidade de ácido nítrico necessária para solubilizar uma tonelada de concentrado fosfático de Itataia no processo de lixiviação.2. O ataque nítrico é um processo complexo. Na Figura 4. Rota Nítrica Um uso ‘’potencialmente muito importante do ácido nítrico’’ seria.1 kg de P2O5. respectivamente. foram conseguidos com ácido clorídrico.A. executado em várias etapas. Observa-se que são necessárias 2.1 Concentração molar referente à forma concentrada do ácido (P.0 2 horas 204. clorídrico e sulfúrico no minério (concentrado) de Itataia (CE).2 236.9 237. Parâmetros comparativos Para uma avaliação comparativa.4 5 horas 208. a substituição do ácido sulfúrico pelo nítrico.0 H2SO4 (18M) (a) (a) 180.5 – Esquema quantitativo simplificado da rota nítrica.7 kg) kg) U3O8 Figura 4.84 ton HNO3 Lixiviação Subprodutos Na2SiF6 Ca(NO3)2 . Rússia.0 232.1 242. 1. uma extração de 218. requerendo baixas temperaturas da ordem de –5o C para separação de sais.0 198. segundo Shreve e Brink (1977).1 238.5 é apresentada. No Brasil.0 ton Concentrado fosfático (244.1 240.3.5 217. apresentam-se na Tabela 4.1 – Quantidade de P2O5 extraído do concentrado fosfático de Itataia em função do tempo de lixiviação (amostra A).3 6 horas 208. bem como a quantidade de P 2 O 5 extraída e os subprodutos passíveis de serem aproveitados/ comercializados. nas 4 e 5 primeiras horas.Home Apresentação Sumário Créditos Rota Nítrica 4 . obtendo-se neste processo.1 os resultados de extração de P2O5 nos ensaios de lixiviação efetuados com os ácidos nítrico.84 toneladas de ácido nítrico para o ataque de uma tonelada de concentrado.

condição favorável à formação de fosfato dicálcico. o que requer um certo tempo para digestão (8 . Seria uma metodologia aplicável à lixiviação em pilhas ou tanques (cubas).9 240. Lixiviação em pil has ou tanques de minérios fosfatados Habashi e Awadalla. a lixiviação passa a desenvolver-se de forma relativamente rápida (2 . Constataram haver uma concentração ácida ideal para se obter a recuperação máxima de P2O5: 10% para HCl e 20% para HNO3. com 18.1 2 horas 217.1 6 horas 227. estudaram a lixiviação de rochas fosfáticas (minério. por exemplo.0 240.2 . pil 4 . quando se utiliza ácido fortemente concentrado (2).6 . no Québec .+ 10Ca2+ + 2HF (2) Ca10(PO4)6F2 + 20H+ ⇒ 6H3PO4 + 10Ca2+ + 2HF Quando o fosfato monocálcico é o principal produto em solução. Os autores explicamna pela formação de: i) fosfato monocálcico no ataque com ácido pouco concentrado (1). e de apenas 50%. na década de 80.Quantidade de P2O5 extraída por tonelada de concentrado fosfático versus tempo de lixiviação (amostra B). Aqueles autores inumeram as seguintes vantagens para a lixiviação com ácidos clorídrico e nítrico dilu- 283 O FÓSFORO NA AGROINDÚSTRIA BRASILEIRA .8 206. Ácidos / concentração HNO3 (16M)* HCl (12M)* H2SO4 (18M)* Quantidade de P2O5 extraída (kg)/ tonelada de concentrado fosfático 1 hora 215. a recuperação de P2O5 é superior a 90%.6 (*) Concentração molar referente à forma concentrada do ácido (P.1 196.9 240.).1 241. favoráveis à formação de fosfato monocálcico.Quantidade de P2O5 extraída (kg) por tonelada de concentrado fosfático versus tempo de lixiviação. compostas por 40% de apatita e 60% de ganga insolúvel. o que pode revestir-se de grande interesse para minérios sem carbonatos. formada principalmente por argila e quartzo. 4 . o material fica compacto e a percolação demora alguns dias.Home Apresentação Sumário Créditos Tabela 4.8 3 horas 217. ii) ácido fosfórico. como eles próprios afirmam. (1) Ca10(PO4)6F2 + 14H+ ⇒ 6H2PO4. não o concentrado) utilizando os ácidos clorídrico e nítrico diluídos.1 219.7 5 horas 224. quando se forma fosfato dicálcico.1 240.22% de P2O5.Canadá.8 181. o de Angico dos Dias (BA).9 240.2 4 horas 220. da Universidade Laval. Os estudos daqueles autores incidiram sobre amostras de minérios fosfáticos da Flórida (EUA).1 160. Em condições de baixa concentração dos ácidos. Com ácido concentrado. Depois. como. o ataque ácido inicial dissolve grande parte do P2O5 do minério.9 239.12 horas).5 horas) porque o material se torna poroso.A. Figura 4.

produzir-se um produto fosfatado. O yoorin é um produto não higroscópico.000 t em 2004. matérias orgânicas pré-humidificadas e nitratos” (OBA. Bernard (patente no 87-13177. Termofosfatos A produção de termofosfatos no Brasil. cujos componentes são caracterizados por alta eficiência nutritiva. pelos pesquisadores F. contendo. entre outros materiais. iii) possibilidade de recuperação. Naquela ocasião. por exemplo). Segundo referem Oba e Chaves (2000). VALARELLI et al.). . dos quais o Brasil é grande importador. na França. poderão ser produzidos fertilizantes organo fosfatados (OBA. pobres (minérios marginais) ou não. de solubilização lenta. Seria um caminho aberto para a produção de um fertilizante de solubilização lenta. reação rápida e efeito duradouro (FERTILIZANTES MITSUI. Partindo de minérios marginais e/ou de rejeitos fosfatados é possível. São comercializadas sete variedades de termofosfato cujas especificações são apresentadas em 4. micronutrientes silicatados. como afirmam aqueles autores. Ca e Mg. à temperatura de 1. na França). com. As etapas químicas determinantes do processo são: i) combustão da amônia com formação de óxidos nitrosos. “A presença de silicato em sua fórmula diminui a Fertilizantes organo-fosfa ertilizan ano-fosf 4 . “O produto final aporta para as culturas um fosfato parcialmente solúvel. de bom valor comercial. enriquecidas em potássio e calcários (magnesianos). é um fertilizante fosfatado que contém. além do P. disponibilizando os elementos de acordo com a necessidade da planta” (op. Yoorin torna-se solúvel em contato com os ácidos fracos do solo e das raízes. Sternicha e A. a «Rocha Potássica» do Planalto de Poços de Caldas. tais como turfa. potencialmente promissor. Tabela 4.500oC.. como aditivo para rações. reduz a incidência de doenças e pragas. e comercializado com o nome de yoorin.6. e iii) ataque dos fosfatos (op. em forno elétrico. 1993). cit. formando ácidos húmicos que também atuam na dissolução da apatita.3. como subprodutos. de elementos raros (ETR. 2005). Obtém-se por fusão de fosfato natural. mantém o balanço hídrico e aumenta a atividade fotossintética. iv) formação de fosfato monocálcico. por uma empresa da área de fertilizantes. de elevado grau de pureza. isento de elementos pesados tóxicos. Fertilizantes organo-fosfatados Utilizando como matéria-prima minérios fosfatados. como já foi demonstrado em trabalhos realizados pelo IPT – IG/USP (VALARELLI e GUARDANI. 1981. que pode ser comercializado. que se transformam em ácido nítrico em contato com a umidade da mistura.5. na indústria pecuária. além do fósforo. nitrogênio sob a forma de nitratos e matérias orgânicas pré-humidificadas. contendo os macronutrientes fósforo e potássio. e matériasprimas. trata-se de um processo desenvolvido em laboratório. palha. cit. Não há produção de termofosfatos potássicos. 2004). realizada apenas por uma empresa. muito abundantes na natureza. A utilização de rochas feldspáticas. 284 .5. O produto incandescente é submetido a choque térmico com jato de água. O termofosfato fabricado no Brasil.5. é um caminho. para a produção de termofosfatos potássicos.Home Apresentação Sumário Créditos ídos: i) possibilidade de lixiviação direta do concentrado ou do minério moído na boca da mina. testes realizados em escala piloto.7. adaptado às condições climáticas dominantes no Brasil. ermofosfa mofosf 4 . ii) controle/eliminação da radioatividade em rejeitos. bagaço. O ácido nítrico formado ataca a apatita e a matéria orgânica. 2004). foi de 135. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE fixação de fósforo e dos excessos de alumínio e manganês. obtiveram resultados considerados muito bons pelos parâmetros de qualidade atingidos pelo termofosfato potássico gerado. O princípio deste novo processo baseia-se no tratamento de uma mistura de fosfato e matéria orgânica por óxidos de nitrogênio. ii) sua transformação em óxidos nítricos por oxidação..).

02.N. monoamôniofosfato = MAP (11% N. Copebras (Anglo 285 O FÓSFORO NA AGROINDÚSTRIA BRASILEIRA .Na. — micronutrientes ou oligoelementos: i) metálicos . diamôniofosfato = DAP (18% N. A necessidade de fertilizantes nos solos exprimese em kg/ha para os macronutrientes e em g/ha para os micronutrientes. são exemplos do primeiro tipo as empresas: Fosfertil/ Ultrafertil. 46% de P2O5). Cu. Mn. superfosfato triplo – TSP (45% de P2O5).955. 2002. mas com um ou mais nutrientes. publicado no DOU. RESENDE. 1991. Em função das quantidades necessárias e importância no processo de desenvolvimento das plantas. os nutrientes classificam-se em (FERREIRA e CRUZ. c) Solubilização lenta: fosfato dicálcico solúvel em citrato. 2005): a) Solúveis em água: superfosfatos simples – SSP (18-20% de P2O5). natural ou sintética. e) Multinutrientes: NPK => contendo 1/3 ou mais de P para consumo rápido e 2/3 para absorção lenta (fonte contínua). ii) não metálicos B. polifosfatos líquidos de amônio (12% N. 50% de P2O5). Os fertilizantes fosfatados mais comuns podem ser classificados com base no número de nutrientes e na sua composição química: a) Com um macronutriente primário (P): superfosfato simples (SSP). Os fertilizantes minerais são constituídos por compostos inorgânicos e orgânicos sintéticos obtidos por processos industriais (ex. clorina (IFA. Na China as terras-raras são largamente utilizadas como micronutrientes. c) Formulações NPK: binária. 2005). Mo. Matérias-primas. que dispõe sobre a fiscalização da produção e comércio de fertilizantes. Co. b) Parcialmente solúveis: fosfatos parcialmente acidulados (23-26% de P2O5. os fertilizantes fosfatados podem ser divididos em (IFA. 1997). Ni.7. iii) benéficos para algumas plantas . 2005. Bünge/Serrana. em 24. POTAFOS/NUTRI-FATOS.Ca. PK => mistura muito usada. d) Solubilização muito lenta: rochas fosfáticas finamente moídas (30% de P 2O 5) com a reatividade indicada pela solubilidade em ácido fórmico (limite permitido: ½ do P2O5 contido). Em função da sua solubilidade. O fósforo é um dos 16 nutrientes considerados essenciais e/ ou necessários ao crescimento e à reprodução das plantas. No Brasil. superfosfato triplo (TSP). 40% de P2O5). sendo os mais conhecidos. alta concentração nitrogenada.Fe. K. Há dois tipos de empresas na indústria de fertilizantes: mineradoras/produtoras de matérias-primas e de produtos intermediários e misturadoras/ vendedoras de fertilizantes. — macronutrientes secundários . FAO/IFA.: uréia).Home Apresentação Sumário Créditos Matérias-primas. de 18. as misturas (mistura física de dois ou mais fertilizantes simples que podem estar individualmente na forma granulada ou em pó) e os fertilizantes complexos ou granulados complexos (são preparados por processo químico contendo dois ou mais compostos químicos em cada unidade de grânulo) (KULAIF. 2005): — macronutrientes principais . Podem ser simples (com um único composto químico. produt ias-primas odutos 4 . produtos induscomerciais triais e comerciais A Lei nº 86.82). fosfato diamônico (DAP). Os fertilizantes mistos subdividemse em vários tipos. com pelo menos 1/3 solúvel em água). Al. S. Cl. define-os como “substância mineral ou orgânica. Si. alta concentração fosfatada. P. com proporções variadas de P e de K. macro e/ou micro) ou mistos (resultam da mistura de dois ou mais fertilizantes simples). fornecedora de um ou mais nutrientes das plantas” (Decreto nº 86. termofosfato magnesiano.955.02. NP => nitrofosfato NP (20-23% P2O5). baixa concentração.82. Zn. Mg. b) Com dois macronutrientes primários (NP): fosfato monoamônico (MAP).

Zn. rochas ricas de minerais do grupo da apatita (não confundir. menos corrosivo. U-Th. 5-40% passando para o ácido Deve ser o mais baixo possível para diminuir o consumo de H2SO4. Hg.1. Possível co-produto. Dificulta a filtração.61 Fe2O3 ou Al2O3 < 3-4%. V Impõem teores baixos (< 0.5% Mn. Matérias-primas básicas Designa-se por rocha fosfática. Mg e Fe. Forma complexos com Al.A. as rochas fosfáticas apresentam teores de P2O5 oscilando entre 5% (Jacupiranga . Pode contribuir para a pós-precipitação de fosfatos insolúveis.7-8% 0. Pb. Corrosivo.3 . originam resíduos de pósprecipitação.255 ppm de Cd. Estruturam-se em complexos industriais principalmente nas regiões Centro-Sul.1-1. Tabela 4. influenciam a viscosidade do ácido. Podem ser micronutrientes potenciais. produto que resulta do beneficiamento da rocha fosfática). Itens P2O5 CaO : P2O5 Fe e Al Até 42% 1. Fluossilícico. Se. F passando 25-75% para o ácido SiO2 1-10%. Formam fosfatos complexos. isto é. Na.185% de BPL. Estabiliza a espuma durante o ataque ácido.3 resumem-se as especificações para os concentrados de rocha fosfática (phosphate rock).6% de MgO F: 2-4%.7. Transforma o HF em ác. 75-80% passando para o ácido Inibe a recristalização de gesso hemihidratado.Especificações para o concentrado de rocha fosfática (phosphate rock). a AMA (Associação dos Misturadores de Adubos do Brasil). P2O5/R2O3 ≈ 20 Desejável: 0. Acima de 0.8. Forma fosfatos coloidais complexos com Al e F que entopem os filtros. Depois do beneficiamento o concentrado fosfático atinge teores de P2O5 que variam entre 32% e 38%.5% na apatita. P2O5/F: 6-11 nas apatitas.32 – 1. como acontece freqüentemente. Si/F pode ser maior.SP) e 22% (Paulista . 1% de P2O5 = 2. Desejável P2O5/MgO ≈ 78% com 0. Valores Considerações FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE Em quantidades elevadas causa abrasão.2-3% de Al2O3 com 60-90% passando para o ácido Mg F 05-1. No Brasil. ou em BPL (Bone Phosphate Lime) que exprime o P em termos de fosfato tricálcico – Ca3(PO4)2 . O teor de fósforo é medido sob a forma de P2O5 (pentóxido de difósforo) contido.1-2% de Fe2O3 ou 0. Sudeste e Sul do Brasil. Passam para o ácido proporções significativas. Recuperável podendo constituir um subproduto. Cr. As empresas misturadoras/ revendedoras são numerosas e têm a sua Associação. Aumenta o consumo de H2SO4. Matérias-primas térias-pr 4 .03% provoca forte corrosão. As empresas produtoras atuam também como misturadoras e ainda no campo da química. Ti e Cu Cd. 286 . Fe. As. Fonte: The Industrial Minerals HandyBook. com o termo concentrado fosfático.Home Apresentação Sumário Créditos American) e Galvani S.PE).2-0. por exemplo) 35-400 ppm U3O8. Na Tabela 4. Pode modificar a formação de cristais. Si:F Sr Cl Carbonato Matéria orgânica Elementos menores Elementos tóxicos U Baixa razão dá origem a ácido com teor de F elevado 0-3% de SrO 0-0.055% passa totalmente para o ácido 0.

No Brasil oscilam entre 33. HCl).É produzido comercialmente pelo processo de oxidação da amônia e absorção na água a pressão variável. Ácido fosfórico é uma designação imprecisa.7 (35 oC) O FÓSFORO NA AGROINDÚSTRIA BRASILEIRA Ácido sulfúrico .Não são conhecidos depósitos econômicos de enxofre natural (elementar) no Brasil. Th-U. Especificações para o ácido sulfúrico: — Concentração: 98 a 99% (em peso) — Densidade: > 1. Ba.0) e. argila. sulfúrico e nítrico). Por exemplo: Flórida/EUA (31. Fator de consumo médio: 0. tendo como principais impurezas óxihidróxidos de ferro.84 g/cm3 (30oC) — MgO: ≤ 1. A amônia. O nitrogênio provém do ar e o hidrogênio pode ter várias fontes.2. pirofosforoso (H4P2O5) e fosforoso (H3PO3). Especificações padrão para o ácido fosfórico: — concentração em P2O5 => 52. O ácido fosfórico obtém-se por dois processos: via úmida e via térmica. No ácido fosfórico.Home Apresentação Sumário Créditos A indústria dos fertilizantes fosfatados recorre a matérias-primas básicas (rocha fosfática. de Phalaborwa/República da África do Sul. O produto comercial típico de fósforo é um concentrado cálcio-fosfatado com 36% de P2O5 e 3 a 4% de flúor. nitrato de amônio. Na agroindústria. geralmente sob a forma de grãos de quartzo.9%). sendo as mais comuns o gás natural e os derivados do petróleo.É a matéria-prima utilizada na produção de fertilizantes fosfatados de alta concentração. obtém-se uma concentração de P2O5 da ordem de 52-54%. a partir da oxidação do enxofre.5%. Enxofre . metafosforoso (HPO2). Utiliza-se a via térmica quando o objetivo é a obtenção de ácido fosfórico de grau alimentar.0% (Catalão). hipofosfórico (H4P2O6). matériaprima básica para fabricação de fertilizantes nitrogenados. Palfos 88I (39.É fabricado principalmente pelo processo de absorção dupla. ainda mal definidos.). fosfato de diamônio (DAP) e sulfato de amônio. é utilizada na produção de uréia.2%). fosfato monoamônio (MAP).35t de S por tonelada de H2SO4 produzido. Palfos 80M (36. No Brasil. onde toda a produção provém de gás de refinaria de sulfetos de cobre (Caraíba Metais . cerca de 95% da capacidade nominal de produção de concentrados apatíticos resulta de minérios associados a complexos alcalinocarbonatíticos cuja composição mineralógica é muito variável. até dentro da própria jazida.5% (Tapira) e 38. hipofosforoso (H3PO2). Produtos intermediários Ácido fosfórico ou. Palfos 88S (40. à pressão e temperatura elevadas. no 169. pirofosfórico (H 4P 2O7). obtendo-se um produto a 98. Elementos-traço comuns são os ETR (por vezes com teores significativos). ácido fosfórico designa o ácido ortofosfórico. e por ustulação de piritas. na presença de catalisador.10% Ácido nítrico . Khouribga/Marrocos (32. Exemplo: Fosfertil/Complexo Industrial de Uberaba: P2O5 total (52% mín. ácido ortofosfórico (H3PO4) .MG). Zn e outros elementos raros.8%). no caso das rochas ígneas. enxofre e amônia anidra) e produtos intermediários (ácidos fosfórico. quando não se especifica. fosforosos. ortofosfórico (H 3 PO 4 ) e os outros quatro. 1997 e Phosphorus & Potassium. Os concentrados de minérios de apatita de origem ígnea. fosfatos de alumínio e sílica. 287 . separando-se e concentrandose posteriormente o ácido fosfórico. Amônia anidra (NH3) .9%) (SCHORR e LIN. Para complementar a demanda interna. El Hassa/Jordânia (32.5%). 1990).85% — densidade => 1. Produt intermediários odutos termediár 4 . metafosfórico (HPO 3).3%). atingem teores de P2O5 superiores aos das rochas sedimentares. Mg.BA) e de sulfetos de zinco (Paraíbuna Metais . Na via úmida faz-se reagir a rocha (ou o concentrado) fosfática com um ácido (H2SO4. como os do Brasil.Obtém-se por reação entre o nitrogênio e o hidrogênio. o País foi obrigado a importar US$ 124 milhões em 2003. dado que são conhecidos oito ácidos de fósforo dos quais quatro são fosfóricos.00% — sólidos => ≤ 2.00% — SO4-2 ( sulfato livre ) => ≤ 1. mais corretamente. Abu Tartur/ Egito (30. Sr.7. HNO3. Aplica-se também em nutrição animal.

respectivamente. Água (16%).8 1. água (38. Superfosfato Simples (SSP) Farelado . 131.7. produto de difícil venda.sigla internacional) que ultrapassarem os limites estabelecidos. Ca (18 a 20%).8 Fe2O3 1. Composição (%) Especificações Tapira P2O5 ≥ 34. produção e vendas.). Exemplo: Fosfertil => P2O5 (36.5% máx. como produto da fabricação da soda.0% máx. P2O5 Sol. S (12%). Na Tabela 4.Home Apresentação Sumário Créditos No Brasil. Exemplo: Fosfertil/ Piaçaguera => N total (18. Exemplos: superfosfato simples farelado produzido no complexo industrial da Fosfertil/Uberaba => P2O5 CNA + água (18.0%). raramente excede 1. 283.1 0.8 ± 1. Exemplo: Ultrafertil/Catalão => P2O5 (36. Princi pais produtos da indústr ia ntes d o s f e r t i l i z a n tes fosfatados e suas especificações Concentrado fosfático .0%). Fe2O3 (3. dando origem.0%).Aplicações: fertilizante.342t.0%).Aplicações: fertilizantes. o que traduz forte capacidade ociosa (53.5%). o ácido clorídrico não é utilizado na produção de ácido fosfórico. principalmente.4 ≤ 1. Fe2O3 (2.0%). entre 55 e 77% e a umidade. embora sua indústria apresente forte capacidade ociosa e até produção de excedentes. água (38. 90 a 95% <200#.5%).É comercializada tendo como base o teor de Ca3(PO4)2 .). superfosfato simples da Serrana => P2O5 solúvel em CNA + água (18%).É o principal ingrediente de fertilizantes mistos. Superfosfato Triplo (TSP) Granulado – Aplicações: fertilizantes.5%).4 . além disso. água (39. Superfosfato Simples (SSP) . água (16. P2O5 sol. Exemplo: Fosfertil/Complexo Industrial de Uberaba => P2O5 CNA + água (44. Exemplo: Fosfertil/Complexo Industrial de Uberaba e Complexo Minero-Químico de Catalão => P2O5 CNA + água (18. foram. limitada a 3%.Bone Phosphate Lime). raramente excede 1. P2O5 CNA + água (17.4 apresentam-se as especificações e a composição do concentrado produzido em Tapira. Rocha Fosfática sem Umidade .5 ± 0. em 2002.Especificações e composição do concentrado fosfático de Tapira. Os valores de BPL oscilam.0%). SiO2 (1. a maior mina do Brasil. P2O5 Scan + água (46.100t. com base nos teores de P2O5. origina o ferrofósforo. a um produto de menor qualidade. limitada a 3%. Segundo o Anuário da Indústria Química Brasileira (ABIQUIM) de 2003. Os valores de BPL oscilam. normalmente.Depois do beneficiamento. para aplicação direta.3.0 CaO ≤ 52. P2O5 sol. Rocha Fosfática com Umidade . Superfosfato Triplo (TSP) Farelado Grosso .fosfato tricálcico (BPL .8% máx.3 288 .2 Al2O3 MgO 0. umidade (0.0 ± 0. A presença de Fe e Al na produção de superfosfato aumenta o consumo de ácido sulfúrico na acidulação.5% nos produtos comerciais.5%). no tratamento de efluentes e em fermentação alcoólica. água (16.0%). é comercializado. É obtido. umidade (10 ± 5%). Exemplo: Fosfertil/Uberaba => P2O5 CNA + água (46. P2O5 sol. SiO2 (2.É aplicada na produção de fertilizantes de aplicação direta.632t e 131. Exemplo: Fosfertil/Complexo Industrial de Uberaba e Complexo Minero-Químico de Catalão => Nitrogênio Amoniacal (3. Resulta da acidulação da rocha fosfática. +325 # (78 ± 12%).0% máx.É aplicado em fertilizantes.5% nos produtos comerciais. P2O5 sol. a principal mina do Brasil. Princ inci produt odutos indústria 4 . entre 55 e 77%. normalmente.). Concentrado Fosfático Seco Microgranulado (“Rocha Fosfática Seca”). teores elevados de Fe são indesejáveis em fornos elétricos porque o ferro. Fosfato Diamônico (DAP) . FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE Tabela 4.).60 ≤ 0. Superfosfato Simples Amoniado (SSPA) – Aplicações: fertilizante. sendo fatores de penalização teores de óxidos de Fe e Al (I&A – Iron and Aluminium .0%).0%). Por outro lado.0%).2 F ≤ 1.7 35. a capacidade instalada.5 50.0%). e a umidade.0%). a rocha fosfática atinge concentrações de P2O5 que variam entre 32% e 38%. combinando-se com o fósforo.0%). P2O5 sol.

55 0.0 18. apresentam-se. água (49. COPEBRÁS (2005).5%).05 0.0 16.0 41. P2O5 Scan + água (52.0 7.0 9.0 113. Tabela 4.5 - Fonte: Fertilizantes Mitsui S.000 435. (V) => Yoorin Master 1S.000 253.0 16.0 7.000 460.0 18.5%). P2O5 Sol.0 52.0 17. (*) Solúvel em ác. P2O5 Scan + água (54.000 8. Fosfertil/Uberaba => N total (10. (VI) => Yoorin Master 2S.5 16.000 150.Capacidade de produção de produtos comerciais fosfatados das principais empresas do Brasil (t / ano).1 0. de forma sintética.15 0.No Brasil são produzidas e comercializadas sete variedades de termofosfatos cujas especificações são apresentadas na Tabela 4.5 12.000 28.7.0 9.5 16. (III) => Yoorin Zn.4 Cu 0.20 Mn 0.05 0.000 .0 6. Produto (I) (II) (III) (IV) (V) (VI) (VII) P2 O5 Total 18. em t/ano.0 10.0 6. P2O5 sol.0%). as características mais comuns dos principais fertilizantes fosfatados. na Tabela 4. Na Tabela 4.0 7.15 0.0 12. (I) => Yoorin Mg.0 18. (2005).5 46.2 0.A.Home Apresentação Sumário Créditos Fosfato Monoamônico (MAP) .5 – Composição química de termofosfatos produzidos e comercializados no Brasil. (VII) => Yoorin B.0 12.0 6. Granulometria – retida 4.0%). Catalão (GO) Uberaba (MG) Uberaba (MG) Piaçaguera (SP) Piaçaguera (SP) Poços de Caldas (MG) 48. Exemplos: Fosfertil/Piaçaguera => N total (11. e.0 6.0 16.000 Fonte: ANDA (2004). (II) => Yoorin Mg S. FOSFERTIL. no tratamento de efluentes e em fermentação alcoólica.0 18.0 9.6. de Prod.5 Ca 18.0 40. (IV) => Yoorin Master 1. Termofosfatos .0 16.0%).0 15.0 (*) 16.5 17.5mm (< 5. cítrico a 2%.5.000 78.5 42.Aplicações em fertilizantes. Água (43.0 10.55 0.6 .0 S 6.0 54.0 10.0 44.0 42.0%). indica-se a capacidade de produção de produtos intermediários fosfatados. passante < 0.0 Zn 0.0 Garantia (%) B 0.5 0.0 Mg 7.40 Si 10.000 50. 289 O FÓSFORO NA AGROINDÚSTRIA BRASILEIRA Catalão (GO) Cubatão (SP) Uberaba (MG) Rio Grande (RS) Rio Grande (RS) 41.0mm (0%). Produto / Empresa Superfosfato triplo (Pó) Copebrás Copebrás Fosfertil Roulier Trevo Fosfato Monoamônio (MAP) Copebrás (Pó) Fosfertil (Pó) Fosfertil (Granulado) Ultrafertil (Granulado) Fosfato Diamônio (DAP) Ultrafertil Termofosfato Mitsui do Brasil Localização P2O5 (%) Capac.1 0.0 17.0%).0 6.5 17.0 54. Tabela 4.0 16.000 135.

enriquecido com silicato de magnésio.5 que com uma quantidade adicional de amônia.7 – Síntese com a descrição e especificações dos principais fertilizantes fosfatados (valores médios). 290 .2%. n 50 o (50%). n 20 o (70%). Resulta da reação entre ác.00%. quando a razão molar = 1 10-11% N e 54% P2O5 total 10-11% N e 52% P2O5 Solúvel CNA + água 10-11% N e 48% P2O5 solúvel água 18% N e 46% P2O5 total e Solúvel CNA + Água. com 41 a 48% de P2O5 disponível. fosfórico e amônia. no sulco. fosfórico e amônia. Solubilidade praticamente total 0.346 t H3PO4 (100% 0. Contém dois importantes macronutrientes secundários: Ca e S Concentr. (NH4) HPO4 Forma-se uma lama com razão molar 1. Cítrico a 2% Granulometria. com Parcialmente Acidulado . misturado com adubo formulado ou não. ou na cova.500oC 0. fosfórico e o CNA + Água concentrado fosfático Produto solúvel em água. 18% N e 40% P2O5 solúvel em Água 0. Aplicação semelhante ao do adubo básico: na superfície.5%. o ABTN: n 10 o (100%). CaO 28%. (75%). tem sido fator decisivo e a principal razão desta grande procura e valorização.136 t amônia 0. Produto Superfosfato Simples: SSP Ca(H3PO4)2. MgO 14.Home Apresentação Sumário Créditos Tabela 4. Resulta da reação 42% P O solúvel 2 5 entre o ác. n 100. Pode ser obtido em pó e granulado. A produção de superfosfato triplo vem aumentando desde o início do século.540 t H3PO4 (100%) Empregado para aplicação direta no solo ou em formulações NPK Fertilizante de aplicação direta no solo ou em formulações NPK Fosfato Solúvel em água. é fundido em forno elétrico à temperatura de 1.780t Fosfato Natural Fertilizante de aplicação direta no solo FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE Solúvel em ac. soma de óxidos 42.374 t H2SO4 0.393 t rocha 36% P2O5 0. A sua composição. (a) H2O+CaSO4 Superfosfato triplo: TSP (b) Ca H2PO4)2 Fosfato Monoamônico – MAP (NH4)H2PO4 Descrição Fertilizante de baixa concentração. passa a 2M Fosfato Natural. pelo H2SO4 Termofosfato Obtido pelo processo de desfluorização pelo calor.50%. É obtido por ataque da rocha fosfática. principalmente em usinas implantadas na boca das minas. (a) Superfosfato Simples – Foi o primeiro fertilizante obtido industrialmente (século XIX).PAPR baixa concentração de P2O5.468 t H3PO4 (100%) 040 t H2SO4 Aplicação direta no solo ou em formulações NPK 20% P2O5 Total 9% P2O5 e Solúvel CNA + Água 5% P2O5 Solúvel na Água P2O5 18. O fosfato natural. Diamônico – DAP Resulta da reação entre ác. Comum 20% P2O5 total 18% CNA + Água 16% Solúvel em água Fatores Técnicos 0.220t H2SO4 0. poder de neutralização 67. quase todo solúvel na água.232 t amônia 0.575 t de rocha com 36% de P2O5 Principais Usos Aplicação direta no solo ou em formulações NPK Produto solúvel na 46% P2O5 total água. Si 10%. (b) Superfosfato triplo – Resulta do ataque do concentrado por ácido fosfórico.

Exemplos de formulações NPK. O Boletim da FAO. em proporções tais que atendam às necessidades nutricionais das culturas (Tabela 4. será necessário o uso intenso. no Brasil. a produção mundial de alimentos deverá atingir 4 bilhões de toneladas/ano. em 2025. Formulações NPK Formulações ou misturas NP e NPK resultam da reunião de dois ou mais nutrientes. 2004. no Brasil. logo nas primeiras páginas. GUILHERME e SILVA.2 1. cit. P2O5 (%) 5 – 24 6 – 34 5 – 30 42 – 48 52 Com efeito. em realidade. Isso pode. o Brasil utiliza pouco mais do que 10% da área total agricultável. Para isso. França (50. demanda de alimentos e produtividade necessária. Considerações finais Segundo estimativas da FAO.2 2.).9 2025 8.9 apresentam-se alguns exemplos de teores de P em formulações NPK. quantidade necessária para alimentar uma população que ultrapassará os 8 bilhões de pessoas.12 14 – 7 . 2004.20 4 – 14 . levar a conseqüências altamente danosas para a sustentabilidade da nossa agricultura” (op. para 4.6 .97 2.5 t/ha (Tabela 5.8). 4 .1). clima e morfologia. por cerca de 50% dos aumentos de produção e produtividade na agricultura (. ANDA 2 – 20 . 2003). Tabela 4. e dispõe da maior fronteira mundial para expansão da agrícultura” (LOPES. “dentre diversos fatores de produção.5 5. YARA 15 – 15 – 15 20 – 10 – 10 13 – 13 – 21 12 – 12 – 17 – 2 (MgO) 22 – 14 – 00 20 – 20 – 00 2000 6.3 3.45 2. conseguir grandes avanços na produtividade média de muitas culturas.25 12 .Home Apresentação Sumário Créditos Formulações NPK ormulaç 4 . YARA. tipo de cultivar. Por outro lado. e segundo os mesmos autores.5 Na Tabela 4.1 – Estimativas de crescimento populacional. Tabela 4.5%). o déficit anual estimado é superior a 400 mil toneladas de P2O5 e “o processo produtivo da agricultura.8 4 – 20 . situação bem diferente da que se verifica em países como a China (47.2%) e EUA (53%). nas taxas atuais de consumo de fertilizantes está. mas racional. 2004. no curto prazo.9 . 1990 População mundial 9 (10 habitantes) Demanda de alimentos 9 (10 toneladas) Produtividade (t/ano) Fonte: FAO.8 .Teores de P em alguns fertilizantes. que: 291 . Misturas / Fertilizantes Fertilizantes NPK Fertilizantes NP Fertilizantes PK DAP MAP Fonte: YARA. cit. Dependem de variáveis como solo.). principalmente aquelas que se constituem em alimentos básicos.7.. Esse estudo indica que a produtividade de grãos deverá aumentar substancialmente passando das 2. 2004. representando um déficit por área da ordem de 25 a 30 kg de nutrientes por ha” (op.20 Fonte: ANDA. Especificamente em relação ao fósforo.15 5 .25 . o que deixa em aberto a possibilidade do crescimento da produtividade baseada no aumento do consumo e no uso mais eficiente de fertilizantes. O FÓSFORO NA AGROINDÚSTRIA BRASILEIRA 5. no resumo. “o déficit total de nutrientes corresponde a cerca de 30% do consumo atual no país. minando o recurso solo. de fertilizantes e corretivos agrícolas responsáveis. Tabela 5.28 20 – 5 . verificada em 1990. reforça esta preocupação ao afirmar. Fertilizer Use by Crop in Brazil. no longo prazo.97 4..5 t/ha.) (o Brasil) possui tecnologias sustentáveis de produção para.20 5 – 25 .

This represents a threat to long-term agricultural sustainability” (FAO.322 100. Aplicação (t) 10. deveria estabelecer.8 -8. sistemática e abrangente.476 -52.207 -102. tecnologias sustentáveis na sua agro-indústria.978 184. visando: — desenvolver e implantar. alvos e políticas. Região Norte Nordeste Centro-Oeste Sudeste Sul Fonte: FAO. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE — aumentar a capacidade de produção dos pólos já existentes e criar novos centros de produção. mas não ativas. — produção agrovegetal => 79%.292 560. — produção de grãos => 101%. de novos depósitos. o consumo de adubos NPK cresceu 39 vezes e o do fósforo. 2004.2 – Balanço de P2O5. onde se localizam 47.003 292.788 -39. mas no Nordeste. começou a crescer a aplicação de fertilizantes na agricultura brasileira.837 Balanço (kg/ha) -7.2004). 41 vezes. centros de pesquisa. principalmente em complexos carbonatíticos.4 292 . apoiados em ações integradas do governo. — pesquisar o aproveitamento de minérios pobres e/ou rejeitos para aplicação direta. por região. por exemplo.7% das propriedades agrícolas (Tabela 5. de forma generalizada. como um dos maiores produtores em agropecuária e grande consumidor/importador de fertilizantes.4 -3. de organofosfatados — produtividade (produção kg/ha) => 50%. No período de 1965 a 2003. 2004). A sua influência pode ser avaliada pelas taxas de crescimento relativas ao período 1984 e 2004. na área dos fertilizantes fosfatados. em 1995/1996 (FAD.2). — área colhida das 16 principais culturas => 19%. de médio e longo prazos. segundo revelou estudo efetuado pela FAD.8 -17.Home Apresentação Sumário Créditos “the nutrient balance in Brazilian agriculture is unsatisfactory. apenas 4. Na década de 60.772 -303. — criar e implantar dinâmicas de prospecção e pesquisa.5 -4. — consumo de adubos NPK => 172%. (a) Quantidade de nutriente aplicado. — promover a entrada em produção de jazidas já definidas como técnica e economicamente viáveis. pesquisas que deveriam incluir a rochagem. a produção de termofosfatos potássicos.454 237. Thus soils are being progressively depleted of nutrients. no Sul e Centro-Oeste do País.209 Balanço (Região) -15.372 (a) Remoção (t P2O5) 26. Tabela 5.534 61. considerando uma eficiência de 60%. — incentivar o estudo de novos materiais e novas metodologias para produção de fertilizantes que se adaptem às diferentes condições soloclima e socioeconômicas do País. no Brasil. quantitativamente.520 256. A situação é particularmente preocupante.1% had “some kind of advice from the official rural extension service”.210 395. quase sempre positivas neste período: O Brasil. universidades e empresas. como. The quantities of nutrients removed are higher than the quantities supplied. — consumo de NPK (kg/ha de área colhida) => 129%. Itataia (CE) e Anitápolis (SC).

Tabela 5. Plantações Tro picais Plantações Tro picais Baixa Rotatividade (salgueiro. etanol (26) (EUROPEAN COMISSION. sintetiza-se o valor energético de alguns produtos vegetais. nuclear (15%) e outras (6%). as terrasraras e. — deverão ser executados estudos para aproveitamento mais racional e. são usadas cada vez mais (no Brasil poderá encarar sua inclusão direta num processo de rochagem de rochas carbonatíticas e de silicitos associados. como. eólica (3%) e solar (1%) (EUROSTAT. choupo) N ão arbóreas Cana-de-A çúcar Beterraba Produção (a) (t /ha/ano) 1-4 2-10 20-30 10-15 Valor Energético (G J/ha/ano) 30-80 30-180 340-550 180-260 8 O futuro da indústria dos fertilizantes fosfáticos no Brasil. O FÓSFORO NA AGROINDÚSTRIA BRASILEIRA — a aplicação de terras-raras na agricultura. óleos e gorduras (36). entre outros cultivares. como (b) (c) — sendo a indústria de fertilizantes poluidora e 15-20 10-20 400-500 30-200 Fonte: European Comission / UNDP World Energy Assessment. considerando que os minérios brasileiros exigem um beneficiamento mais complexo. carvão (18%). no complexo carbonatítico de Catalão-GO). principalmente nos solos do cerrado. ao contrário dos sedimentares dos grandes produtores. gás (23%). tanto na qualidade dos insumos produzidos quanto nos enormes volumes de rejeitos.l. por exemplo. (c) com fertilização e irrigação.Home Apresentação Sumário Créditos e de rotas alternativas para produção de ácido fosfórico. simultaneamente. 2005). por serem de origem ígnea e metamórfica. Por outro lado. por exemplo. — há necessidade de se implementarem programas de prospecção e pesquisa mineral sistemáticos. em conseqüência da necessidade de se aumentar a produção. é um campo aberto: na China. 2005). Espécies A rbóreas M adeira s. (a) Produto seco. para assim se poder avaliar melhor o seu potencial.3. ii) redução de impactos ambientais. hidro (27%). em escala internacional. os fertilizantes desempenham importantíssimo papel. o que atenderá a leis cada vez mais restritivas. dado seus habituais teores elevados em TR).3 – Valor energético de alguns cultivares. ricos de TR e Si como. celulose úmida (9). — pesquisar a aplicação das terras-raras como micronutriente: i) em fertilizantes do tipo “nongle’’. desenvolvido na China como foi referido. o que pode representar : i) aumento de competitividade através do aproveitamento de subprodutos de bom valor comercial. Valor calórico de alguns tipos de biomassa. Na Tabela 5. em GJ/ t: lignocelulose seca (18). A EU-25 prevê que. o crescente recurso à biomassa6 como fonte de energia7 deixa prever um forte crescimento na demanda de fertilizantes. estão impondo progressivamente maiores limitações. ou ii) incluídas nos processos de rochagem (os carbonatitos são uma fonte potencial. a energia renovável represente 12% da sua matriz energética que atualmente tem o seguinte perfil: óleo (38%). (b) sem fertilizantes nem irrigação. se possível integral. considerando que preocupações e leis ambientais. Na designação “outras” estão incluídas: biomassa (65%). em 2010. micronutriente. já há grande consumo de álcool como combustível e a participação de biodiesel passará a ser significativa nos próximos anos. No Brasil. — a interiorização dos polos industriais parece ser fundamental. dos minérios fosfáticos. geotermia (4%). deverá levar em consideração vários fatores: — os depósitos nacionais apresentam boa distribuição geográfica. É uma tendência mundial. atendendo à atual tendência de as indústrias de fertilizantes se localizarem o mais próximo possível das minas e polos agrícolas. para localização de novos depósitos. invasivos e 293 . em ambos os casos. os de cana de açúcar e de oleaginosas. como se referiu anteriormente. — o crescimento da produção agropecuária no Brasil passará a apoiar-se muito mais no aumento da produtividade do que no avanço das suas fronteiras e.

2. e HABASHI.F. recorrendo-se a vários tipos de rochas. Soil Science Society of America Proceeding. em todo o espaço nacional. Soil Sci. 6. e TOLEDO. São Paulo. BENEDETTO. de (1996): A produção de fosfato no Brasil: uma apreciação histórica das condicionantes envolvidas.com. — para isso. G. G. (1989): Anais do Congresso Brasileiro de Geoquímica.V.A. Londres. (1974) Effect of previous additions of phosphate on phosphate adsorption by soils. Rio de Janeiro.. Effects of organic compounds on the adsorption of phosphate. Rio de Janeiro — seria desejável que fossem desenvolvidos. CETEM. R. 294 . de rochas/solos. minerals and ions in volcanic-ash-derived soils: II.. Panorama Minero.V. 31. 479-486. R.243-251. p. gerados na produção de ácido fosfórico pela rota sulfúrica. ARAÚJO. ARNDT. p. (1989): Carbonatites genesis and evolution.T. 294 p. p628-630. Hunwin Hyman.S. para identificação de fontes potenciais de fertilizantes (macro e micronutrientes) para a agricultura. (1985): Panorama geográfico do Brasil. para caracterização/inventariação. em todo o espaço nacional. ARAÚJO. M. São Paulo. a validade de rotas hidrometalúrgicas alternativas. R. Referências Bibliográficas FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE ABIQUIM (2005 . (1977): Geochemical factors contributing to uranium concentration in alkali igneous rocks. AWADALLA.J. H. ALBUQUERQUE. ‘‘As pessoas são consideradas utopistas até que as idéias se realizem’’. BELL. estéreis/rejeitos de minas e escórias da atividade metalúrgica. A. por outro lado.H. Ed. H. K. Aust. T e PRATT.M. COLEMAN. In: NIELSON H.2003 .de (2003): Fosfatos: uma abordagem sobre minérios e produção/consumo no Brasil – Projeto Rotas Alternativas p. Agric.A. R. Técn. Viena. 1101-3. deveriam ser executados estudos sistemáticos. J. dos S. BARROW. Res. estudos de viabilização da rochagem como processo natural de remineralização. CETEM. J.Home Apresentação Sumário Créditos poluentes. Rel.2001): Anuário Estatístico do Setor de Fertilizantes. (2003): Fertilizantes y Enmiendas de Origen Vegetal. vol. F. P. I. Madison n6. ALCOVER NETO. (2004): Lixiviação clorídrica de concentrado fosfático: estudo de caso.2004 . 118:82-89.C.br]. ANDA (2005 . (1979): Estudos preliminares de abertura química e separação física em amostras de processamento semi-industrial da METAGO. APPELT.[ www. ADLER. Interno. J.2004 – 2003 – 2002. Editora Moderna. Série Estudos e Documentos.H2O and Ca(H2PO4)2 – CaCl2H2O.. (1963): The initial and residual effects of superfosfate and rock phosphate for sorghum on a Lateritic Red Earth. de et al. W.C.2002): Anuário da Indústria Química Brasileira. (1971): Phosphate rock. e McINTYRE. BARR. de caráter lito-químico-petrográficos. ADAS. 14:785-795. (1971): Recovery of uranium and lanthanides from Ca(H2PO4)2 – Ca(NO3)2. ou seja. I&EC Research 28. Associação Nacional para a Difusão de Adubos 2003. 533-540. v. Industrial Minerals and Rocks. e NEUMANN. p. 1987-2004. devem ser intensificados estudos que mostrem a possibilidade de aproveitamento do fosfogesso e. A. p 649-68. (1975): Interactions between organic compounds. Rel. F. (1997): Caracterização de concentrado fosfático de Catalão I (Goiasfértil). de reposição de macro e micronutrientes. M. N. XX ENTEMME. ALCOVER NETO. NUCLEBRAS.andef. ed. ANDEF (2004): Associação Nacional de Defesa Vegetal. eds. e SARUDIANSKY. IAEA – TC 25/4.

P. In: Encontro Nacional de Rocha Fosfática . eds. In: Encontro Nacional de Rocha osfática. COPEBRAS (2005): www. 329-43. [www. C. e NEVES. e OBA.net/ english].R. e SEVENS.E e ACQUAYE. R. A. e TOSATO. Brás.org]. (1986) Efeito do Alumínio em soluções tamponadas a diferentes valores de pH sobre a solubilização da apatita de Araxá.. In: Encontro Nacional de Rocha Fosfática – Anais. D.cetem. p. Phosphate sorption characteristics of major Ghanaian soils. (1995): Influence of rare earthvitamin C compound on the growth of livestock and poultry.int/ comm/research/energy/index_en. 26:476-478.N.cre. M. J.eu.F. M. v. acesso em 28/03/05. 1648p. FAO / IFA (2000): Stratégies em matière d’engrais. GIULIETTI. 9 (2). EUROPEAN COMISSION/COMMUNITY RESEARCH (2005): New and Renewable Energy Sources / Biomass – Green energy for Europe). 67 p. 213-33. e THOMAS. [www. 225. CHAVES. Proc. FERREIRA. [www. O FÓSFORO NA AGROINDÚSTRIA BRASILEIRA 295 .M. acesso em 22/03/05. Am. R.R. M. D. Rio de Janeiro.br/ publicacao/CETEM_SED_63. 77 p. Brasília. D.A. CPRM (1997): Nota Explicativa do Mapa Síntese do Setor de Fertilizantes Minerais (NPK) no Brasil. 25 p. Rio de Janeiro. (1990): Panorama da rocha fosfática e ácido fosfórico. 46 p. Baltimore v148 n1. MOSCHLER.cec. (1990): Caracterização geológica e mineralógica voltada ao aproveitamento de jazimentos fosfáticos. GUNARY. pp 1-11.2004 – 2003 – 2002 – 2001): Sumário Mineral. Soil Sci. C. J.V. e NOVAIS.com.eu. M. POTAFOS/CNPq. 71:359-364.V.fao. J. R. CPRM-Serviço Geológico do Brasil. M.. Departamento Nacional de Produção Mineral. C. 110 p.R. S.L.E. (1989).I. FAO (2004): Fertilizer use by crop in Brasil. Journal of Alloys and Compounds. Soc.fao. e CRUZ. e. De Freitas Júnior e J.cnpm.R. p. 626-8. BÜNGE (2005): [www. et al. BRAGA. United States and Free World.Anais. FERNANDES. H. Agric..br].185-99 EMBRAPA (2003): [www. [http://europa. 734 p.. M. br/resulta/brasil].epp.com. 2247100. NTIS. pc a99/mf AO1.bungefertilizantes. & KAHN. Uso agrícola dos solos brasileiros. (2004): Impactos radiológicos da indústria dos fosfatos [www. Soil Science. 3vol. Anais. M. e FORMOSO. 52 p. W.M. DUTRA.P. Manzanatto.gov..gov.htm].Br] /Publicações / Série Estudos e Documentos no 56. DE FELIPPE Jr. Geochimica Brasiliensis. Peres eds. [www. CALMANOVICI. DEVINE. RIO.R. C. O. et al. e LARSEN.org]. A.pdf].W.Pires e FRANKLIN. In: C.org]. DNPM (2005 . H. Ci.L. G. EUROSTAT (2005): [www. I. IBRAFOS.W. p. (1991): Micronutrientes na agricultura.Home Apresentação Sumário Créditos BENNOAH.fao. 4a ed. CRE: China Rare Earth Information. Sci.C. Efeito do tamanho de partículas e do tratamento térmico.R. p. FAO / IFA (2002): Los fertilizantes y su uso.. (1979): Uraniferous phosphate resources and technology and economics of uranium recovery from phosphate resources.eurostat. (2004): Críticas ao modelo brasileiro de fertilizantes fosfatados de alta solubilidade [www.br COUTO.J. Ceres 28:546-554..int]. M.B. São Paulo. C.cetem.fao. (1981): Alteração da solubilidade do fosfato de Patos. june 1979.E.cobveg. CHU. CHEN.K. (1995): Considerações sobre os elementos terras-raras em apatitas. (1962): Rock phosphate transformations in acid soils. DE VOTO. Embrapa Solos. R. BORN. (1990): Aptidão tecnológica de alguns fosfatos brasileiros. IBRAFOS. (2002): O recurso natural solo. acesso em 22/03/05.copebras. H.M. acesso em 21/03/05. COELHO.F. Solo 10:7-10. [www.embrapa. FAO (2003): Économie de l’agriculture de conservation. H. G.P. p114-123. (1968): Availability of phosphate as affected by duration of fertilizer contact with soil..org].

T. BA. Chem. MOISEEV. março 1994. SC.. LAPIDO-LOUREIRO.E. 105-48 HUE. e NIKIPELOV. Rel.W. CETEM. (1994): Terras-Raras no Brasil: depósitos.& Eng. (1994): Phosphate fertilizer industry.fosfertil. Ames Laboratory. Chem. V. Journal of Alloys and Compounds. MONTE. Robert Krieger Publ. p. Advances in Agronomy.V.. recursos identificados. 1991. v37.cetem. Série Estudos e Documentos. e ZALAIF.. B. F. FOSFERTIL (2004): [www. Série Estudos e Documentos. (1985): Trends in fertilizer technology and its impact on the environment. acesso em 08/03/05.M. fertilizer. 141-171 LAPIDO-LOUREIRO. IFA (2005): World Fertilizer Use Manual. 1.. 2p. A. S. N. M. K. 219 p. Ind. LAPIDO-LOUREIRO.fertlizer.E. acesso em 09/11/04.com. LAPIDO-LOUREIRO.L.. F. Soil Science.br] / Publicações / Série Estudos e Documentos no 53. San Diego. 118-20 KULAIF.D. 60 p. reservas. v. S. e NASCIMENTO. [www. BEL ed. v. D. (1994): Caracterização mineralógica/ tecnológica das apatitas de alguns depósitos brasileiros de fosfatos. 14.org/ifa/publicat].. Nr.H. HABASHI. 393-409.F. HABASHI. v. In: K. 192. PETERSON.E. acesso em 16/11/05. Lime and phosphate in the soil plant systems. HABASHI. Tech.E. M. acesso em 20/12/ 2005. Res.fertilizer. IGUSP. [www. e NASCIMENTO. Dissertação de Mestrado. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE ISHERWOOD. e LINS. p. Processing technology. p249-315.B. (1989): Pyrochlore. Rare earth Information Center-Insight. C. p.66-9. H.V. CETEM. F. p. R. 2165-9. Carbonatites genesis and evolution. IFA (2004): [www. F.1. NUCLEBRAS. CETEM. KAHN.Home Apresentação Sumário Créditos FERTILIZANTES MITSUI – Manual Científico [www. (1986): The recovery of uranium and the lanthanides from phosphate rock. Salvador. (1988): Caracterização mineralógica e tecnológica da jazida de fosfato do maciço alcalino de Anitápolis. KOSYNKIN. AWDALLA. 607p. p. J.E.. 11.B. nº 21. H. Interno. E. Biotechnol. 259-67. In: Rochas e minerais Industriais – Usos e Especificações. 27. Industrial Minerals.com. 67 p. LAPIDO-LOUREIRO.J. 296 .br]. (1988): In situ and dump leaching of phosphate rock.fertimitsui.A. Iowa State University. apatite and amphibole: distinctive minerals in carbonatite. CETEM.. Baltimore V 152 n6. Effects of organic acidas/anions on P sorption and phytoavailability in soil with different mineralogies. HEINRICH.H. M. 1988. Dissert.Anais.org/ifa]. De Mestrado. F. F.A. (2000): O uso de fertilizantes minerais e o meio ambiente.D. Monografia.. F. M (2005): Fosfato. Y (1997): A nova configuração da indústria de fertilizantes fosfatados no Brasil.org]. 11p. (1980): The Geology of Carbonatites. (2003): Fertilizantes e Sustentabilidade na Agricultura: Uma Abordagem Mínero-Química-Metalúrgica. 131 p. 2.. F. [www. e AWADALLA. (1990): Caracterização tecnológica do minério residual de fosfato de Angico dos Dias. Et al. p. LUZ. p. F. F. KAHN. (1984).Y. p. LENHARO. Materials and Society. (1980): Urânio associado a rochas fosfáticas. IFA / UNEP / ANDA. HAYNES. N. 9 (3). (1989): Rare earth fertilizer. Comp. HABASHI. p463-471 IFA (2002): Sumary Report – Global Agricultural Situation and Fertilizer Demand in 200/01 and 2001/02.. 36. GSCHNEIDER Jr. Inc. USP. F. (1993): Rare earths industry of today in the Commonwealth of Independent States. K.br]. (1997): A indústria de fosfatos no Brasil: rumos alternativos para aproveitamento de subprodutos e redução de impactos ambientais. 189 p.E. HOGART.D.T.gov. 196-211. In: Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Hidrometalurgia . F.

e SMART.I. RODRIGUES. Tese de doutorado. F. e SMITH. Série Estudos e Documentos.cetem.gov. PHOSPHORUS & POTASSIUM (1990): no 169. São Paulo. Food Chem. SP.com/ minerals /phosphat apatite]. Polígono.gov. (2004): Fabricação de um fertilizante organo-fosfatado. acesso em 16/11/04. A. Editora da USP / Ed..E. 1983.ppic. C. A. de (2005): Micronutrientes na agricultura brasileira: disponibilidade. e RIBEIRO.B. (2005) eds.br/publicacao/CETEM_SED_ 59.K..L. 281-91.75 n4 p413-422.. v.A. CETEM. OLIVEIRA.H.C.S.. Minas. Soil Sci. e KAUWENBERG. e GREGG.I. A. Special Publ. e CHAVES. A.V. A. M. et al. da e LINS.. 23-31. PEREIRA. 24 p. LUZ. L. Eng.G. 23 p.H (1971): Princípios de Geoquímica. F. radium. EPUSP de Caract.A.G.T. J. (1967): Manual de química agrícola – Adubos e adubação. Geografia do Brasil. Soc. p. R. Am. A. EDUSP. MILLER. MAGNOLI. e ARAUJO.gov. Tecn. J. Técnico EP/USP/Depto. (1990): Mineralogy of sedimentary apatites. 228 p.P. R. Potassa e Fosfato. 549 p. Solos sob cerrado. ANDA. Brás. Geol.R. P. (1975): The mechanism of phosphate fixation by iron oxides. CEMIG MENZEL.J. OBA. D.. M.br/publicacao/ CETEM_SED_64.pdf]. MG. 2005. TILLMAN. LOPES. São Paulo MASON. C.ppi. SYERS.V. Ci. F. p. R. (1995): Soils. ATKINSON. e WALI.org]. [www.U. Simp.J. R. MALAVOLTA. MINERAL GALLERY (2004): [http://mineral. org. Agronômica Ceres. acesso em 15/04/05.A. Mineral. na Eng. Soc. MACKAY. Phosphorite research and development. 39:837-841. . POTAFOS (2005): [www. 352 p.Home Apresentação Sumário Créditos LOPES. 729 p. ed. 52.galleries.J. 1. A. MELLO.G. Série Estudos e Documentos. S.pdf]. In: ROSS.J. J. 297 O FÓSFORO NA AGROINDÚSTRIA BRASILEIRA . E.cetem. Universidade Federal de Viçosa. da (2003): Vocação da Terra. (1990): Caracterização tecnológica do fosfato de Patos de Minas.S. R. MARCIANO Neto. R. and thorium content in phosphate rocks and their possible radiation hazard.P. (1982): Efeito do pH e da concentração de Alumínio em solução sobre a solubilização de apatita de Araxá. (2003): Production d’acide phosphorique par attaque chlorydrique de minerais phosphatés avec réduction des nuisances environnementales et récupération des terres rares.cetem. Canadian Journal of Soil Science. R.D. 21 p. (2005): Rochas & Minerais Industriais – Usos e Especificações. (2004): Implications of soil chemical interactions on the management of fertilizer in oxisols. B.. (?): Uranium. p. Mc CLELLAN.F. Soil Sci. Inst. Ottawa v.231-5.L. A. (2001): Projeto de Ensino de Geografia – Geografia do Brasil. no 59 [www. land use and sustainable agriculture: a review. RESENDE. EMBRAPA SOLOS. Universidade Jean Monnet / Escola de Minas de Saint-Étienne. Agr. (2000): Aproveitamento de materiais fosfáticos marginais para produção de fertilizantes organo-fosfatados. [www.. n o 64. p. e Ind. Arquivo do Agrônomo no 10 – Nutrifatos. R. Editora Moderna. R. MELAMED. PARFITT. (2002): Uso agrícola dos solos brasileiros. (1986): A simple model to describe the dissolution of phosphate rock in soils. OBA. J. 50:291-296. S. NOVAIS. A. 16.K. Bol. C. França. R. no 62. de (2001): Energia da biomassa – a grande oportunidade de Minas e do Brasil. A. GUILHERME. NOVAIS.P. utilização e perspectivas Série Estudos e Documentos.A. Solo 6:66-88.S. T. de (2005): Agricultura brasileira – transformações recentes.F.H. Proc.pdf]. Am.C. Publicações POTAFOS. A.br/publicacao/CETEM_ SED_62. (1999): Fósforo em solo e planta em condições tropicais.F. e ARAÚJO.W. 606p MANZATO.C. G.28-36. C. SILVA.

SOUZA. Fisheries and Food. Min. [www. R.7 e 86. ROEDER. em relação a 1973 (25.).N.S. Iowa. et al. SHREVE. 165 p.SS.3. J.G.M. SCHORR. SKOVAROV.G. WAGAMAN.J. e SYERS. que significa excremento na língua quíchua (ALBUQUERQUE. VALARELLI. DNPM.Home Apresentação Sumário Créditos RIC INSIGHT: Rare earth Information Center Insight. e GUARDANI.(2004): Use of phosphate rocks for sustainable agriculture.. (1993): Rare earth industry of China. SOUSA. C. Ames. J. SANTOS. et al. Fertilizer and Plant Nutrition Bull. 680 p. v. Brás. de (2001): Fosfato. F.896-901. D. D. J. et al. É um pó amarelo-acastanhado contendo 30% de TR2O3 (CHEN et al. abril de 1997. RIC NEWS: Rare earth Information Center News. 41:597-605. 2 Em 1974 e 1975. 710 p. H. p.65. eds. [ www. J. American Mineralogist.. R. p.I. Bull. (1969): Phosphoric Acid and Phosphate Fertilizers. E.R. ed.V. Editora Guanabara. 192. VALARELLI. gibbsite and two tropica soils.111-113. Tese de Doutorado. 298 . 1996).V. (2000). In: Residual value of applied nutrients.A (1977): Indústrias de Processos Químicos. Journal of Alloys and Compounds. W. 4 É preparado por síntese química e tem a seguinte fórmula molecular: TR(OH)(C6H7O6)2. FAO.org]. p. Ames Laboratory. (1987): Cathodoluminescence and microprobe study of rare earth elements in apatite. J. Journal of Soil Science. e VOLKWEISS. e REITH. 11:133-140. 180. p. e ROY.E. SIBANDA. S.J. 20.H. no3. WILLIAMS. (1987): Reações do superfosfato triplo em grânulos com solos. (1986): Competitive adsorption of humic acids and phosphate on goethite. I. p.0 US$/t.H. Ci. 37p. Termofosfatos. a preços constantes (80. Solo. v.N. Dinâmica do Fósforo em Sistemas de Manejo de Solos.W. Superfosfato Triplo – TSP.. (1990): A critical evaluation of the factors influencing the dissolution of Gafsa phosphate rock. Balanço Mineral Brasileiro. J.yara. P. J.801-11. (1993): Ardósias verdetes de Cedro do Abaeté na produção de termofosfato potássico fundido e sua eficiência agronômica. A. v. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 3 Fosfato Monoamônico – MAP. 13. v37 n2. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE potássicas de Poços de Caldas como Fertilizantes “Fertilizantes” vol. S.of Agric. respectivamente). Iowa. ROBINSON. Iowa Sate University. NP etc.D. London.71-6. J. Superfosfato Simples . 1995). e LIN. 61-71. Soil Sci. Amer. p197-204.6 US$/t). YARA (2004): Yara with strong growth in Brazil.fao.com]. Ames.. Bras. e BRINK Jr. problems and solutions. (1992): Recovery of rare eath elements from phosphorites in the USSR. PK. Hafner Publising Company.K. RØNSBO. ZAPATA. Jornal of Alloys and Compounds. (1981): Estudos experimentais para utilização das rochas Notas 1 O termo deriva da palavra huano.M.S. Industrial Minerals. acesso em 11/11/04. Ciências. R. 72. Miner. Misturas NPK. o valor do fosfato natural. mais do que triplicou no mercado internacional.K. Iowa Sate University. (1997): Wet process phosphoric acid production. Fosfato Diamônico – DAP. (1971) Residual effects of phosphate and the relative effectiveness on annual and rotational dressings. e YONG. J. South Greenland and petrological implications. Anais da Ac. (1989): Coupled substitution involving REEs and Na and Si in apatites in alkaline rocks from Ilmaussaq. Oxford. Ames Laboratory. M. Tech. ZHOU. 74. 2H2O. R.

industrial by-products and the organic fraction of municipal solid wast” (EUROPEAN COMMISSION. 2001). sewage sludge. capazes de serem transformadas em energia líquida. 9 O negrito é de responsabilidade dos autores. Ames Laboratory. algumas de altíssima produtividade nos países tropicais. 6 Biomassa é definida pela legislação da União Européia como: “biodegradable fraction of products.Home Apresentação Sumário Créditos 5 RIC – Rare-earth Information Center.. sólida. mandioca. manures.EUA. 299 O FÓSFORO NA AGROINDÚSTRIA BRASILEIRA . 8 EU-25 – União Européia alargada a 25 países. algae and other plants. florestas de rápido crescimento etc./ Biomass thus includes trees. Iwoa State University .. as well as the biodegadable fraction of industrial and municipal waste /. 2005). arable crops. agricultural and forest residues. 7 Energia da biomassa – “Toda a energia proveniente das plantas verdes. waste and residues from agriculture (including vegetable and animal substances) forrestry and related industries. effluents. tais como cana. gasosa ou elétrica” (MELLO. dendê.

A expansão da agropecuária na região de São Paulo iniciou-se no final do século XVI. MAGNOLI e ARAUJO. com outras atividades que os levaram a uma profunda interiorização nas áreas desconhecidas ou pouco exploradas do Brasil” (op. 1995). Em 1850. A partir de 1820. que deram origem aos latifúndios. Outra cultura que surgiu foi a do fumo. o que obrigou a atividade pecuária a deslocar-se cada vez mais para o interior. A propriedade da terra era obtida por doação da coroa portuguesa aos grandes senhores e pessoal militar. com o Brasil já independente era publicada a Lei das Terras. agora associada à produção de café – “ciclo do café”. 300 . para dedicar-se à agricultura de subsistência. A grande região produtora foi o Recôncavo Baiano. foi desse modo que se formaram as pequenas propriedades rurais no Brasil” (ADAS. mesmo no auge das exportações do ouro. contudo.). Esta situação acelerou a ocupação de terras e a expansão do número de pequenas unidades de produção. sob a forma de “sesmarias”. O produto da venda das terras destinava-se a financiar a imigração de colonos. numa faixa de 80km de largura a partir da costa. a de fumo era viável em escala bem menor. o aumento do número e fracionamento de propriedades resultou da ocupação ilegal das terras porque. que abolia o antigo regime das propriedades. A produção de café atingiu o seu auge no final do século XIX e início do século XX. Em 1760. O aumento do número de plantações ficou associado ao FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE Desconhece-se a data exata em que os portugueses introduziram a cana-de-açúcar no Brasil. nas décadas de 1530 e 1540. 1985). Frei Vicente do Salvador (1627) “lamentava o caráter predatório da colonização e o fato de que os portugueses tinham sido até então incapazes de povoar o interior da nova terra ‘arranhando as costas como Caranguejos’” (BORIS FAUSTO. Por outro lado. trabalhadores para a grande lavoura (ADAS. era ilegal. cit. do algodão e sobretudo do trigo. dentro dos parâmetros oficiais. 2001). Em meados do século XIX. cit. o que deu lugar ao surgimento de um setor de pequenos proprietários. Por outro lado. a renda das exportações de açúcar sempre ocupou o primeiro lugar. 1995). “Os povoadores combinaram o plantio da uva. mas sempre de grandes proporções. unidades de extensão variável. Ainda segundo Boris Fausto (1995). desenvolveu-se a criação de gado.). não fora substituído por nova legislação. O Brasil ficou assim dividido em imensas propriedades ao longo da costa. correspondeu a 50% do valor total das exportações e o ouro a 46%. embora o sistema de sesmarias tivesse acabado. 1985. “existiam pessoas que se estabeleceram em um pedaço de terra que não havia sido doado pela coroa. no Período Colonial. “Os grandes centros açucareiros na Colônia foram Pernambuco e Bahia” (BORIS FAUSTO. no Período Colonial. A sua posse. proibida a partir de 1701. a agricultura brasileira retomava o seu desenvolvimento por meio da exportação. Na faixa costeira do Nordeste (então designado por “Norte”) se estabeleceu o primeiro centro de colonização e de urbanização. e a empresa açucareira constituía o núcleo central de sua ativação socioeconômica (op. nas proximidades dos engenhos.Home Apresentação Sumário Créditos Anexo I T ÓPICOS SOBRE A EVOLUÇÃO D A ESTRUTURA AGRÁRIA DO B RASIL Na primeira História do Brasil. A terra tornouse domínio público e o direito de posse só era conseguido pela compra em leilão com pagamento à vista. com prolongamento para o interior. constituindo a gênese dos pequenos agricultores. mas sabe-se que tanto a produção como o comércio se estabeleceram em bases sólidas. mas enquanto a produção de cana-de-açúcar estava associada a grandes proprietários.

ou apenas se realizava de forma insipiente. o café chegou ao Rio de Janeiro por volta de 1760. em busca de solos férteis provocando o progressivo desmatamento de vastas áreas. a grande propriedade se impôs.9 “A grande novidade na economia brasileira das primeiras décadas do século XIX foi o surgimento da produção do café para exportação. Esgotado o solo. Para se entender tal afirmação transcrevem-se alguns tópicos dos capítulos sobre “A economia Cafeeira” e “Expansão Cafeeira no Oeste Paulista”. da “HISTÓRIA DO BRASIL”. em certos aspectos. (. A introdução do café no Brasil deveu-se a Francisco de Melo Palheta. sobretudo na direção oeste. como o exemplo da Colômbia iria demonstrar. na divisa com Mato Grosso. (. isto é. ficando a antiga em abandono. Algumas dessas técnicas de uso do solo.. que constituíam um grande espaço. 301 O FÓSFORO NA AGROINDÚSTRIA BRASILEIRA . (. que em 1727 trouxe para o Pará as primeiras sementes da planta. (. existem até hoje. e seu apogeu foi um fenômeno das décadas de 1930 e 1940”. entre outros fatores. Em um quadro deste tipo. de depredação dos solos. principalmente esta última. ou destinada a roças de alimentos. ou... Em muitos casos. Paraná. Não era impossível produzir café exportável em pequenas unidades.) Houve um processo relativamente longo de decadência do Nordeste e de fortalecimento do CentroSul. (. criaram-se empregos e novos mecanismos de crédito. (. revolucionaram-se os transportes. A produção era extensiva.... de Boris Fausto (1995). o cultivo do café foi feito com emprego de técnicas bastante simples.. podiam ser contestados (.) Do ponto de vista socioeconômico.) A história da ocupação das terras seguiu um padrão que vinha do passado e iria se repetir ao longo da história do Brasil... que mais marcaram a estrutura agrária e socioeconômica do País. aquelas antigas propriedades abandonadas foram divididas e adquiridas pelos emigrantes que tinham chegado ao Brasil na fase inicial do Ciclo do Café. Essa ocupação Das diversas fases da agricultura brasileira. O mais forte era quem reunia condições para manter-se na terra. nas condições brasileiras de acesso à terra e de organização e suprimento de mão-de-obra. não havia interesse ou preocupação com a produtividade da terra. misturando-se aos pequenos cultivos de pomares e hortas dos arredores da capital da Colônia. desalojar posseiros destituídos de recursos. pela ausência de adubos e outros cuidados. que se tornou irreversível por volta de 1870. Em função do café aparelharam-se portos. passou a desenvolver-se uma agricultura itinerante... chegando ao Rio se fez no curso de muitos anos.).Home Apresentação Sumário Créditos desmatamento de inúmeras áreas. estendia-se o cultivo a outras áreas. Quando a elevada produtividade inicial começou a declinar por exaustão dos solos. o complexo cafeeiro abrangia um leque de atividades que deslocou definitivamente o pólo dinâmico do país para o Centro-Sul. até à recente explosão da indústria agropecuária e do agro-negócio.. ou não era praticada. foram as da cana-de-açúcar e a do café. contratar bons advogados. Os títulos de proprie- dade.) Durante quase todo o período monárquico.) A implantação das fazendas se deu pela forma tradicional da ‘plantation’ com o emprego da força de trabalho escrava. principalmente no norte do estado de São Paulo e nos estados do Rio de Janeiro e do Paraná. Utilizado no consumo doméstico. quando existentes.. Havia uma total indefinição dos limites das propriedades e muitas terras não eram exploradas.. que introduziram novos parâmetros tecnológicos e novas preocupações socioeconômico-ambientais.) A expansão cafeeira ocorreu também pela gradativa ocupação das terras escassamente exploradas de São Paulo. prevaleceu a lei do mais forte. Entretanto. causado pela falta de adubação que na época. influenciar juízes e legalizar assim a posse de terras.

77 22.Fe .97 24.65 20.052.79 120.49 23.F) Li8(Ca.Ni)2P K2CaP2O7 (Mg(K.11 527.[])19Mg2(PO4)14 Na2CaMg(PO4)2 (Na.54 23.Fe .Fe )7(PO4)6 Na2HPO4 (NH4)2Ca(HPO4)2·H2O (NH4)2Ca(HPO4)2·H2O HNa2LiAl(PO4)2(OH) (Fe.39 141.68 23.40 22.Mn)5(PO4)6 MgAl2(PO4)2(OH)2 (Fe.Fe .11 22.16 21.06 134.91 2.21 FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE 21.Fe )(Fe .39 23.61 300.Fe .29 121.13 286.20 21.75 25.82 262.55 302.93 847.86 144.95 248.13 287.82 150.93 20.Mn )(Mn .82 906.48 302 .86 592.K)H2PO4 AlPO4 CaBe2(PO4)2 NaBePO4 (K.57 23.50 20.14 21.Ca)2Li3Be6(PO4)6(OH)2·H2O ScPO4 Na2Ca(Mg.64 22.60 20.54 20.58 131.Na))2P2O7 LiAl(PO4)(OH.82 21.66 20.16 21.58 149.52 21.54 20.22 446.Li.63 20.Home Apresentação Sumário Créditos Anexo II RA M I N E RA I S EORE C O M T EOR E S D E P UP RIOR IORE PA S U P E R IOR E S A O S D A A PAT I TA %P 26.40 3.09 292.40 24.Mg)Al(PO4)3 Ca3Be2(PO4)2(PO3.03 20.05 126.Ni)TiP CaHPO4 Li(Mg.Ca.96 286.03 136.47 139.Ni)2P ++ +++ +++ ++ ++ ++ ++ +++ +++ ++ +++ ++ ++ ++ +++ ++ ++ +++ +++ 273.532.75 25.Mg)Al(PO4)3 Al4(PO4)3(OH)3 H2Ca3Be2(PO4)4·4H2O []NaFe Fe Al(PO4)3 Mn PO4 (Ca.97 130.OH)2·4H2O Fe PO4 Fe PO4 Ca4(Mg.Mn )(Mn .04 21.65 21.06 (H2PO4)6(HPO4)2·4H2O 3 NaLi2PO4 (NH4)2HPO4 (Fe.50 20.56 20.65 441.45 23.23 145.K.70 146.Ca.31 451. 115.92 20.Na)11Be24(PO4)24·38H2O (Na.50 Mineral Litiofosfato Bifosfamita Berlinita Hurlbutita Berilonita Archerita Farringtonita Haigerachita ! Nalipoíta Fosfamita Florenskyita ! Monetita Simferita Tiptopita Pretulita ! Chladniita Nahpoíta Mundrabillaíta Swaknoíta Tancoíta Barringerita Pirofosfita * Pirocoproíta * Montebrasita Pahasapaita Rosemaryita Trolleíta Fransoletita Ferrorosemaryita ! Purpurita Merrillita-(Ca) * Brianita Wyllieita Parafransoletita Heterosita Rodolicoita ! Stanfieldita Lazulita Allabogdanita ! Li3PO4 (NH4.93 21.22 292.NH4)H2PO4 Mg3(PO4)2 KFe +++ Fórmula Química Peso Mol.22 150.86 1.Fe )(Fe .80 443.84 132.Mn )2(PO4)2 K2(Na.61 829.099.81 20.65 21.

94 19.242.Fe )(PO4)3 H6(K.Fe )5(PO4)8·13H2O (NH4)Mg(PO4)·H2O LiNa5(PO4)2 LiMnPO4 Ca2Al(PO4)2(OH) Li(Mn .15 19.49 160.Fe .09 303 O FÓSFORO NA AGROINDÚSTRIA BRASILEIRA .Fe )PO4 Li(Fe .56 19.Ca.80 1.24 20.Mn )PO4 LiFe PO4 AlPO4·2H2O AlPO4·2H2O NaCaPO4 NaCaFe (Fe .07 323.Fe .98 158.72 19.Mg.23 19.Mg)Al(PO4)3 Na2Zr2Be(PO4)4·1-2H2O Mg2(PO4)(OH) NaCaFe (Mn.94 19.61 19.46 20.40 973.41 20.Mg)2(PO4)3 (Na.29 19.Fe++)(PO4)6(PO3OH) Ca18Na2Mg2(PO4)14 Na2(Mn .32 20.03 478.Mn)7(PO4)6 (NH4)2Mg3H4(PO4)4·8H2O (Na.42 19.77 161.Fe .09 Tuíta ! Mineral Ambligonita Bertossaíta Whitlockita Merrillita-(Na) * Qingheiita Francoanellita Dittmarita Olympita Litiofilita Bearthita Sicklerita Ferrisicklerita Trifilita Metavariscita Variscita Buchwaldita Ferroalluaudita Natromontebrasita (-) Johnsomervilleíta Hannayita Ferrowyllieita Gainesita IMA2004-009 ! Alluaudita Hidroxilherderita Althausita Panethita Schertelita Bobfergusonita Ca3(PO4)2 Li2CaAl4(PO4)4(OH)4 Fórmula Química (Li.Home Apresentação Sumário Créditos Anexo II (Continuação) RA M I N E RA I S EORE C O M T EOR E S D E P UP RIOR IORE PA S U P E R IOR E S A O S D A A PAT I TA %P 20.45 2.O) (Na.Ca.75 19.33 311.85 314.Li)Al(PO4)(OH.61 19.72 19.08 1.10 19.23 19.F.09 157.25 19.37 19.45 19.33 161.145.071.55 609.44 955.K)2(Mg.Mn)(Fe .Fe .37 637.87 19.04 Ca9(Mg.98 157.Na)Al(PO4)(F.F) Na2Ca(Mg.59 461.41 306.99 158.Mn.Mg)2(PO4)3 CaBe(PO4)(OH) Mg2(PO4)(OH.Fe .Mn)(Fe .63 19.66 19.OH) Peso Mol.55 19.60 19. 151.76 157.83 156.Fe )(Al.Na)3(Al.06 324.Mn)2(PO4)2 (NH4)2MgH2(PO4)2·4(H2O) Na2Mn 5Fe Al(PO4)6 ++ +++ ++ ++ ++ +++ ++ ++ +++ ++ ++ ++ +++ ++ +++ ++ ++ +++ +++ ++ ++ +++ 474.18 19.49 155.53 157.08 157.59 482.21 20.Fe .55 639.45 19.

84 501.96 18.Li)6Fe++Al2(PO4)6(F.com (acesso em 12/04/2005).Ca)2Fe (Fe .89 18.29 953.83 18.32 18. * O nome do mineral não está aprovado pela IMA.04 504.Fe )2(PO4)3 K3Na2Ca10Al15(PO4)21(OH)7·26H2O Ca2(Mg.00 18. 304 .37 18.Mg)Fe +++ +++ ++ ++ +++ ++ ++ ++ 986.Na)2Al4(PO4)4(OH)4 NaAl(PO4)F ([].Na.76 18.43 336.Acaba de ser desacreditado.36 18.CO3)(PO4)5(OH.80 164.66 18.007.70 330.38 18.Ca)(Li.32 509.30 1.01 336.63 18.Mg)Al2(PO4)2(OH)2 CaBe(PO4)F (Sr. O professor Daniel Atencio (IG-USP) considera ‘um desserviço para a mineralogia colocar nomes não aprovados’ como os de merrilita (3).48 163.81 18. apesar de estar no Danas New Mineralogy é mineral não aprovado’ (Daniel Atencio).94 (Fe .63 18.43 18.550.Fe )(PO4)2·2H2O Ca5(PO4)3(OH.342.96 674. pirocoproíta e pirofosfita.Ba)Ca8(Fe .64 1.40 Mineral Merrillita-(Y) * Wagnerita Scorzalita Herderita Palermoita Lacroixita Bederita ! Serrabrancaíta ! Garyansellita Holtedahlita Canafita Faheyita Maghagendorfita Hagendorfite Hidroxilapatita Taranakita Grifita Gatumbaíta Tinsleyita Fluorapatita Bakhchisaraitsevita Selwynita Nefedovita Wicksita Samuelsonita Kosnarita Ferrohagendorfita * Englishita Collinsita APATITA (a) Ca16Y2Mg2(PO4)14 (Mg.38 18. ! ‘Tuíta’.Mg .50 673.06 653.45 18.011.O)6 CaNa2P2O7·4H2O (Mn.88 163. 2.31 1.35 18.33 18.44 18.14 1.Home Apresentação Sumário Créditos Anexo II (Continuação) RA M I N E RA I S EORE C O M T EOR E S D E P UP RIOR IORE PA S U P E R IOR E S A O S D A A PAT I TA %P 19.Fe .04 19.Mn)4Al2(PO4)10 OH2 KZr ++++ ++ ++ ++ +++ ++ ++ FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE 18.98 3.OH)2 CaAl2(PO4)2(OH)2·H2O KAl2(PO4)2(OH)·2H2O Ca5(PO4)3F Na2Mg5(PO4)4·7H2O NaK(Be.53 332.46 18.71 506.Al)2Mn 2(PO4)6·2H2O MnPO4·H2O (Mg.Mg.07 502.98 498.46 506.71 325.30 673.62 338.42 162.Al)Zr2(PO4)4·2H2O Na5Ca4(PO4)4F NaCa2(Fe .01 19.Cl) ++ Fonte: http://webmineral.Na)Ca2(Mn .Fe )2(PO4)3 NaCaMn(Fe .54 18. (-) ‘Natromontebrasita’ .277.Mg)2(PO4)3 Ca5(PO4)3(OH) K3Al5(HPO4)6(PO4)2·18H2O Ca(Mn.Fe )2(Fe .50 18.43 18. segundo informação do professor Daniel Atencio (22/02/06) (a) O termo APATITA refere-se a um grupo de minerais com as seguintes espécies: fluorapatita.Fe )2(PO4)F ++ Fórmula Química Peso Mol.O)·1.5H2O Mg12(PO3OH.12 Be2(PO4)4·6H2O 2 +++ +++ NaMgMn(Fe .F.Mn )4MgFe (PO4)6·2H2O (Ca.04 19.68 18.25 (PO4)3 2 ++ ++ +++ (Na. O Mineralogy Database lista 535 minerais com P.31 18. clorapatita e hidroxilapatita.06 664.Fe )3(PO4)2(OH.653.

inspirou-se numa prática pioneira de produção de potássio como fertilizante. Normalmente em equilíbrio dinâmico na natureza.Sc. os índios assim procediam. Seu registro foi assinado pelo presidente George Washington.Home Apresentação Sumário Créditos Capítulo 9 . Samuel Hopkins. D. de Pittsford. O potássio é usado como fertilizante desde o século III a. Tal processo originou o primeiro pedido de patente registrado nos EUA. os solos brasileiros são tão carentes de potássio quanto de fósforo. D. em 31 de julho de 1790. quando chegaram os primeiros colonizadores europeus (CANADIAN POTASH PRODUCERS. Nos solos. na forma de adubo ou cinzas. O produto residual era chamado “pot ash”.com Francisco E. que realiza encontros periódicos – Encontros Nacionais de Rocha Fosfática têm dado lugar ao desenvolvimento de teses e à publicação de livros e de numerosos artigos – o potássio não tem captado igual interesse/dinâmica. Deve ser sempre lembrado que o potássio é um elemento essencial para todos os organismos vivos.Sc. maior assimilação de carbono. o Instituto Brasileiro do Fosfato. como é referido.. Assim como o fósforo é um elemento indispensável à vida porque entra na composição do núcleo das células de todos os seres vivos. Thomas Jefferson.. tanto das áreas biomédicas como das de ciências agronômicas. com cinzas de árvores. Consistia na lixiviação das cinzas das árvores. a partir da potassa cáustica. E-mail: marisanascimento@gmail. criado por Sir Humphrey Davy quando isolou este elemento.C. Preâmbulo O termo “potash”. com auxílio de potes de ferro. Na América do Norte. produção e quebra das cadeias de carboidratos e balanço ânion/cátion. Vermont. por exemplo. em âmbito nacional. em 1807 (Handbook of Chemistry and Physics – 75th Edition. Lapido Loureiro Geólogo.gov. controle osmótico de fluxo de água. ativação enzimática. foi seu autor.br 1. 305 O POTÁSSIO NA AGRICULTURA BRASILEIRA: FONTES E ROTAS ALTERNATIVAS . em Geoquímica. Professora da UFF. conseqüentemente. potássio trocável e potássio da solução. a agricultura intensiva provoca-lhes perdas que devem ser compensadas pela adubação. 1994). Os macronutrientes potássio e fósforo não têm recebido a mesma atenção no Brasil. constantemente. com reflexo direto numa melhor capacidade energética da planta e. o potássio existe essencialmente sob três formas: potássio mineral (minerais primários e secundários). Como principais funções do potássio podem citar-se (YAMADA. A patente citava um novo aparelho e um novo processo para produção de “potash”. 1994): — influência no transporte de elétrons durante a fotossíntese. E-mail: flapido@cetem.O potássio na agricultura brasileira: fontes e rotas alternativas Os autores Marisa Nascimento Engenheira Química. como. Enquanto os fertilizantes fosfatados possuem. e a dependência externa de importações é muito maior em relação ao potássio. No entanto. pelo general Edmund Randolph e pelo secretário de estado. o potássio é um nutriente versátil envolvido em vários processos metabólicos das plantas. Pesquisador Emérito do CETEM/MCT. seguida de evaporação. 2001). pelos pesquisadores.

2) e Itália (201. É uma abordagem que se considera de interesse. França (262. dado que: — se reveste de grande interesse/necessidade para o País. EUA e Índia e à frente de países como a França.938 Mt de nutrientes.2 Mt (DNPM. Introdução O símbolo K do potássio provém da palavra latina kalium derivada do árabe qali. representou 306 .3).5). surgiu a idéia da elaboração de um trabalho. É um dos metais mais reativos e eletropositivos e o — a produção interna de potássio. — em 2006 importaram-se 5. seja pelo esgotamento de nutrientes em terras cujo uso foi abusado nos últimos anos. a Alemanha e o Canadá. peso atômico 39. — solos naturalmente pobres em potássio e fósforo. necessitam. no caso do potássio. Lanna/ Embrapa). e o 4o maior consumidor. — melhor qualidade do produto colhido.2). apenas 12. — é pouco conhecida e está insuficientemente divulgada a importante função do potássio na agricultura. cerâmicas. cada vez mais.Home Apresentação Sumário Créditos — maior síntese de carboidratos. Vietnã (248.7 bilhões (ANDA. a pesquisa de rotas alternativas e o desenvolvimento de novos produtos. proteínas e lipídeos. — no Brasil. 2006).8). Segundo estimativas do Instituto Internacional de Pesquisa sobre Políticas Alimentares: “o Índice de Degradação de Terras para a agricultura atinge cerca de 40%.4% das importações que foram 3. sendo premente encontrar caminhos/soluções para modificar tão forte dependência externa.. mesmo assim. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE 2. mas./ ao mesmo tempo que é necessário o incremento da produção e melhoria da qualidade dos alimentos.8). que sintetizasse a situação e importância deste bem mineral e sugerisse caminhos que pudessem contribuir para o equacionamento da problemática do potássio na indústria de fertilizantes do Brasil. muito baixo se comparado aos da Malásia (633. 2007). Japão (376. Egito (349. 2003). a implantação de projetos de P. O potássio como fertilizante Mais de 95% da produção mundial de potássio é usada como fertilizante.7).000 t). China (367. no âmbito da temática “Fertilizantes e Sustentabilidade na Agricultura: uma Abordagem Mínero-Química-Metalúrgica”. Alemanha (244. proveniente de uma única mina (403. Levando-se em consideração tais fatos. 1999). — uso mais eficiente da água devido ao melhor funcionamento dos mecanismos de abertura e fechamento dos estômatos. — maior resistência a pragas e doenças. também. no valor de US$ 2. é um dos maiores importadores mundiais. como os do Brasil. pela dimensão da sua área plantada. e a ação humana está diretamente relacionada a esta degradação de terras.1..2). que significa álcali. atrás da China. para compensação da “mineração” desses elementos pelas plantas. Holanda (604). de forma a atender os requisitos de sustentabilidade. o consumo de fertilizantes por ha agricultável é de 120 kg/ha. “/. Reino Unido (386).0983 e apresenta a configuração eletrônica [Ar]4s1. O seu número atômico é 19. — maior translocação de produtos fotossintetizados nas folhas. seja pela ação da erosão em solos abandonados ou mal cultivados pelo homem” (Boletim Pecuário. o manejo correto dos componentes ambientais é imprescindível para garantir a produção agrícola sustentável” (Anna C. de maiores quantidades de nutrientes para aumento do rendimento da produção agrícola e. produtos químicos e farmacêuticos (GREENWELL. com destaque para o potássio. 2. Outros usos dos compostos de potássio estão ligados à indústria de detergentes.D&I que viabilizem o aproveitamento de depósitos conhecidos e de novas fontes.

os sienitos (ortoclásio/microclínio. como França. a proporção média N:P:K nos fertilizantes consumidos no Brasil em 1999. A produção comercial em larga escala. como a glauconita e a biotita. cloreto duplo de potássio e magnésio hidratado (KMgCl3. Os melhores minerais de potássio. etc. pela Alemanha. componente habitual de muitas rochas. raramente forma depósitos econômicos. pelas suas dimensões e carga iônica. 2001). 6H2O). em Sergipe. O potássio. 307 O POTÁSSIO NA AGRICULTURA BRASILEIRA: FONTES E ROTAS ALTERNATIVAS . teores elevados de potássio. é fácil e daria lugar a dois concentrados de valor econômico potencial. por exemplo.1] (ARMELIN. derivados habitualmente da alteração de micas. que constituem um grupo de minerais micáceos. essas relações são respectivamente [1:0. foi iniciada na Alemanha em meados do século XIX. Na natureza são comuns esses minerais e rochas. Por exemplo. não só a produção de KCl. muito carentes de ambos.4] e [1:0.6]. o que levou à descoberta de extensos depósitos próximos de Carlsbad. principalmente. feldspato e quartzo. As vermiculitas apresentam alta capacidade de troca iônica e o cátion trocável mais típico é o Mg+2. Com a sua produção de 337 mil toneladas de K2O equivalente em 2002. nos Estados Unidos. cloreto de potássio e a carnalita.1999). são a silvita. de composição química muito variada. como os granitos (feldspatos alcalinos. Geoquímica do potássio Enquanto a Mineralogia é a ciência que estuda os minerais. quartzo e micas). ou seja. Rochas ígneas. como os arcósios (rochas constituídas predominantemente por feldspatos potássicos e quartzo). mais de 80% da produção americana é proveniente do Novo México (Canadian Potash Producers. satisfez menos de 12% das necessidades do País em potássio: 2. uma proporção de potássio muito superior no caso brasileiro. 2. [1:0. A produção comercial começou dez anos mais tarde. a Petrografia a que descreve as rochas e a Petrologia a que se debruça sobre a sua gênese e evolução. tem tendência a concentrar-se nas fases finais da atividade magmática e. e rochas sedimentares.4:0. estimulou. No caso dos arcósios (arenitos de origem continental). como a biotita e a flogopita. hidrogênio (10o). 2007). e minerais ferro-magnesianos).5] (ANDA. EUA e China. pelas características dos solos nacionais. Nos séculos XVIII e XIX. o cloreto de potássio era exportado em volumes substanciais da América do Norte para Inglaterra. Potássio e fósforo revestem-se de grande importância na agricultura brasileira.2. Novo México. Outros minerais do grupo das micas.. a Geoquímica estuda o comportamento das partículas elementares que formam esses materiais. A interrupção das vendas. Rochas ou minerais que apresentem teores elevados de potássio (ANEXO I) poderão ser fontes alternativas potenciais para produção de sais de potássio e/ou de termofosfatos potássicos ou ainda para aplicação direta nos solos como fertilizantes de potássio de solubilização lenta. titânio (9o). foi de [1:1. rochas originadas pela alteração/desagregação. formadores de minérios (minerais de minério). tem. ou as vermiculitas. Com efeito. em média. apresentam. O minério silvinita é uma mistura de halita (NaCl) e silvita (KCl).Home Apresentação Sumário Créditos segundo mais leve depois do lítio. 17% de potássio. mas bem insuficiente para o consumo interno: 90% do KCl de que os EUA necessitam são provenientes do Canadá. o ortoclásio (KalSi3O8).4:1.9 Mt (DNPM. Hoje.é o sétimo elemento mais comum na crosta terrestre à frente do magnésio (8o). Foi o primeiro metal a ser isolado por eletrólise. enquanto para outros países produtores de alimento. embora exista com certa abundância na natureza . a separação dos seus dois principais minerais constituintes. argilosos. a de Taquari-Vassouras. mas também a prospecção e pesquisa de novas fontes. em regra. fósforo (11o). são também fontes potenciais de potássio. Em todo o hemisfério sul.4:0. Este país foi o principal produtor até o início da década de 30 do século XX. em 1921. devido à primeira guerra mundial.4:0. há apenas uma mina em operação. 2003). transporte e deposição de material proveniente de granitos s.l.

e a de Poldervaart em 1955 (MASON. amplamente distribuída no sul da Noruega como uma “amostra média” representativa.6 P2O5 0. Enquanto nos granitos o teor médio é de 4. silicatada e com oxigênio (DE LA ROSA. que considerou a argila glacial. Os elementos classificam-se em siderófilos. 1971). Seguiram-se as abordagens de Goldschmidt em 1954 (MASON.2 308 * média reduzida a uma base isenta de água.06 0. menores e com carga elevada.30 0.3 H2O 3. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE Autores Clark/Washington Goldschmidt Poldervaart* Fonte: Mason. trabalho esse baseado numa compilação feita por Washington de 5.61 59. o caráter geoquímico de um elemento é muito influenciado pela configuração eletrônica de seus átomos. siderófilo ou calcófilo do elemento.2 CaO 5.22 0.79 1. 1971) mostraram que.8 5. Ca. segundo aqueles autores. que definiu a composição da crosta considerando quatro macrodivisões geológicas: região oceânica profunda. Cs. sulfurosa.9 K 2O 3.8 0.19 3. escudos continentais.Composição da crosta terrestre. e os calores de formação mais baixos do que o do FeO correspondem a elementos calcófilos e siderófilos. Ca.8 Na2O 3. Os interstícios desta rede O-Si-Al são ocupados por íons Mg. o elemento é litófilo. litófilos e atmófilos. entre outros. pela formação de minerais em uma faixa ampla de temperaturas. em geral. Si. sódio e potássio. sulfetos. os minerais que predominam na crosta terrestre. Rb.3 2.9 TiO2 1. P. pois. são os silicatos e os óxidos. metálica. . O potencial do eletrodo pode dar. calcófilos. atendendo às suas afinidades para o ferro metálico. Como é do conhecimento geral.18 15. também. uma medida semiquantitativa do caráter litófilo. Ba.88 MnO - MgO 3. 6 a 7 de alumínio e uns dois de ferro. citado por MASON (1971). a análise do comportamento geoquímico é fundamental e de grande interesse para a compreensão da distribuição nos minerais e nas rochas e para se entender a importância na vida dos vegetais.82 6. K. pressões e ambientes químicos” (MASON. Resumem-se. Fe. 1971). na Tabela 2. A medida entre calores de formação. Os metais alcalinos e alcalino-terrosos. cinturões de dobramento recente e plataforma continental/encostas. foi o primeiro a acentuar a importância da diferenciação geoquímica primária dos elementos. respectivamente. 1971). se o calor de formação de um óxido é maior que o do FeO. Be. SiO2 Al2O3 Fe2O3 3. em cada 100 átomos.14 # FeO 3. pelo intemperismo das rochas. cálcio.159 análises confiáveis. 2003). é uma medida de intensidade do caráter litófilo. a fases. como exemplificado pela cristalização dos magmas. Por isso.Home Apresentação Sumário Créditos “A geoquímica ocupa-se em larga escala com a transformação da matéria de um estado em outro.05 2. litófilos.91 2. considerar a crosta terrestre como uma rede de íons de oxigênio unidos em estruturas mais ou menos complexas a íons silício e alumínio. os valores obtidos nas três abordagens.07 8. Sr.02 - 60. Na crosta terrestre.99 55. Goldschmidt. o que corresponde. # Fe2O3 + FeO. Sendo o potássio um elemento particularmente móvel. 1971) para determinarem uma composição média das rochas ígneas.30 5. incluindo os do solo agrícola. Pode-se. Na e K. mais de 60 são de oxigênio.1.17 3. silicatos e elementos da atmosfera.93 1. mais de 20 de silício.1 . Na. têm potenciais positivos altos (13 volts). Brown e Petterson (MASON. A distribuição do potássio nas rochas é irregular. Mg. São elementos litófilos Li. 1991.12 15. Tabela 2. magnésio. pela deposição de sais de uma solução e.2 15.5%.56 3. Os teores de potássio na crosta começaram a ser estabelecidos após trabalho exaustivo de Clark e Washington (MASON.

de rochas feldspatóidicas (fonólitos/tinguaítos). são os fertilizantes que compensam desequilíbrios provocados pela “exportação” resultante da atividade agrícola. carreadores primários dos ETR4. com elementos halogêneos.org]. apenas por ele próprio.Home Apresentação Sumário Créditos em diabásios é de apenas 0. Maria Elvira Conti. na facilidade ou dificuldade/ impossibilidade de as plantas extraírem o potássio (CONTI. de autoria da professora de Edafologia da Universidade de Buenos Aires.Mg6) (Si8-YAlY)O20(OH)4]2. por um lado. a nefelina [(Na. solidamente. além dos minerais de minério. O potássio é um elemento alcalino. de acordo com as suas afinidades geoquímicas. Mg e Sr (VALARELLI e GUARDANI. O seu possí- 309 O POTÁSSIO NA AGRICULTURA BRASILEIRA: FONTES E ROTAS ALTERNATIVAS . largamente utilizados.59% (MASON. a caolinita [Al 2Si 2O 5(OH) 4] e os clinopiroxênios [ABSi2O6]3. iii) ligado fortemente à fase sólida mineral (“K fixado” e “K estrutural”) – é o potássio de reserva ou de reposição dos solos. Nos solos o potássio está estreitamente relacionado com o tipo de material parental e com a pedogênese. Mo e diminuição de Ca. Na evolução da Terra. Daí o potássio ser um dos elementos mais abundantes na crosta terrestre (é o sétimo): 2. na formação de rochas ígneas. suscetíveis de serem aproveitados como fontes alternativas para fertilizantes. o teor de potássio na litosfera é da ordem de 1. Litófilo. Mineralogia do potássio Um dos objetivos deste capítulo é mostrar a existência. que as reservas intercambiáveis dependem fundamentalmente da quantidade e tipo de argilas presentes e que. como a água ou soluções salinas diluídas. e outras frações apenas com reagentes fortes como o ácido nítrico em ebulição. como é óbvio. numa mistura de minerais ricos em TiO2. disponível no “site” [www. que uma parte é facilmente extraível por agentes naturais. entra na composição de mais de uma centena de minerais e. disponibilidade.53% e nos basaltos dos fundos oceânicos é sempre inferior a 0.58%. S. principalmente quando ela é intensiva. 1971).4% segundo o Handbook of Chemistry and Physics. 2002). Formavam gases voláteis ou partículas em constante movimento. Sobre este assunto recomendase. 2.3. O potássio situavase neste último caso. 1971) ou 2. por processos hidrotermais. durante o arrefecimento do magma primitivo. segundo o seu grau de mobilidade. tipicamente ímpar . a leitura do artigo Dinâmica de la Liberation y Fixación de Potássio en el Suelo. fortemente enriquecida em potássio. o cloro. Acentue-se que o conteúdo de K total no solo não é. Ba. ii) sob a forma iônica unido eletrostaticamente aos materiais que constituem a parte sólida. 1981). 1994. os elementos escalonavam-se e migravam. Como já foi dito. Estudos de laboratório mostraram. Th. um índice de fertilidade. 2002). Este enriquecimento resultou da alteração. claramente. como. que transformou todos os feldspatos [ M Al(Al.K)AlSiO4] em ilita [(H3OK)Y(Al4. Segundo Mengel e Rahmatullah (MASON. entre muitos outros trabalhos. minerais argilosos e pirita. Verifica-se. sendo a sua principal fonte os minerais argilosos (CONTI.Mg4.Si) 3 O 8 ] 1 em feldspatos potássicos puros. pois.Fe4. Numerosas pesquisas demonstraram que tais formas extremas se refletem. de outros minerais e de rochas ricos de potássio. por exemplo. sob a forma de elemento menor. com variações acentuadas em função da variedade litológica. em mais outros cem (Anexo I). 1971). porque pode existir sob diferentes formas com índices de liberação distintos. É.3% (MASON. as fases tárdi-magmáticas podem promover enriquecimento de vários elementos.número atômico 19 e peso atômico 39. Esta transformação mineralógica traduziu-se num enriquecimento em K. Só se une. pela clareza e forma didática como é apresentado. U. como é o caso da “Rocha Potássica” do Planalto de Poços de Caldas (MG). Na. As formas mais comuns em que o K é encontrado no solo são: i) em solução. Rb.ppippci. por outro lado. Pb. importante conhecer-se bem a geoquímica e a mineralogia/cristaloquímica do potássio para uma correta avaliação da capacidade agrícola dos solos e como ela deve ser complementada por uma fertilização racional.

porém sua célula unitária tem maiores dimensões (BETEJTIN. Pelo contrário. Cloretos e sulfatos de potássio (Tabela 2. Ti. terão enorme impacto na indústria dos fertilizantes potássicos. CaO6. O problema é serem pouco abundantes e quase não existirem no hemisfério sul onde há apenas uma mina em operação. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE Figura 2. apenas dois deles são largamente utilizados como minerais de minério: a silvita (KCl) e a carnalita (KMgCl3. 310 . Fe. Como referimos. polyhalita (K 2Mg Ca2(SO4)4. MgO6. Na “trama silicatada” dos tetraedros (SiO4)4-.8%) detêm 80% das reservas mundiais. em substituição de Si (alumino-silicatos). como é o caso dos silicatos. A silvita é o mineral de minério com a maior percentagem de potássio (cerca de 52. Constitui ainda minério comum de potássio. Chegou-se a estabelecer uma classificação meramente química para os minerais silicatados. porém. O problema das classificações dos feldspatos ficou resolvido com o conhecimento de suas redes estruturais. Cristaliza em estrutura hexoctaédrica (Figura 2. K estão no centro de octaedros (XO6) que têm vértices e arestas em comum (AlO6. em Sergipe. filossilicatos (tetraedros em folha) e tectossilicatos(tetraedros em três dimensões). inossilicatos (tetraedros em cadeia).1 – Sistema cristalino da silvita: hexoctaédrico. Fonte: Barthelmy. que se designa por silvinita. Canadá (60. quanto no centro de octaedros (AlO6) (silicatos de alumínio).2) ocorrem em antigos lagos e extensos depósitos de origem marinha.4MgSO4. embora o potássio exista em numerosos minerais. sorosilicatos (dois tetraedros ligados entre si). 1977).1). Os silicatos revelaram-se rebeldes a classificações químicas. a de Taquari-Vassouras. KO6). e o metal só é obtido com grande dificuldade (LIDE.2%) e Rússia/Bielorússia (19. Nas primeiras tentativas imaginaram-se uma série de ácidos silícicos hipotéticos a partir do ácido ortosilícico H4SiO4. o Al pode estar. FeO6. Mg. porém com um significado muito particular5 . 2003. Os silicatos são minerais formados essencialmente por grupos tetraédricos SiO4. 95% da parte conhecida da crosta terrestre. ou mesmo faces comuns (NaO6. se prolongou até nossos dias. ciclossilicatos (tetraedros em anéis). Para tal será necessário um conhecimento aprofundado da cristaloquímica e geoquímica do potássio.2H2O) e kainita (4KCl. que surgiu com a adoção dos diversos ácidos silícicos. ligados diretamente entre eles por cátions.5%). incluindose o quartzo. É a classe mais rica em espécies. Desta fase apenas o conceito de acidez. como é de conhecimento geral. se positivos. TiO6). A maioria dos minerais com potássio são insolúveis.Home Apresentação Sumário Créditos vel aproveitamento irá requerer.11H2O). mas tal caminho não se mostrou compatível com a realidade mineralógica e cristaloquímica. trabalhos de PD&I complexos. a mesma do sal gema. Ca.6H2O). uma mistura de silvita (KCl) e halita (NaCl). Nestes casos o potássio é recuperado com relativa facilidade. consideradas econômicas. tanto no centro (AlO4). Os diversos tipos de associação de tetraedros SiO4 levaram à seguinte classificação estrutural dos silicatos: nesossilicatos (tetraedros isolados). Na. Os outros são os sulfatos langbainita (KMg2(SO 4) 3). Daí o fato de não serem considerados como minerais de minério. mas os resultados que venham a ser conseguidos. São os componentes mais importantes das rochas e constituem. cúbica de face centrada.1994).

Home Apresentação Sumário Créditos Tabela 2.00 78.88 35. o labrador e a bitownita. 2003).H2O KCl + NaCl 4 KCl.H2O K2 SO4 3 K2SO4 Na2 SO4 ** Teores Equivalentes (%) K 52. com número de coordenação igual a 4.33 12. 311 O POTÁSSIO NA AGRICULTURA BRASILEIRA: FONTES E ROTAS ALTERNATIVAS .00 26.99 47.69 15.44 14.69 25. Estes cátions entram nos espaços da estrutura cristalina. Ca2+. Os plagioclásios são soluções sólidas cujos termos extremos são a albita.07 15. Sob o ponto de vista químico os feldspatos dividem-se em feldspatos alcalinos e feldspatos calcosódicos ou plagioclásios. onde T é o sítio tetraédrico. (SHRANK. Nota-se o compartilhamento dos íons O2. na coordenação tetraédrica.95 10–35 19. 2MgSO4.formadores de tetraedros juntamente com o silício. e/ou Ba2+. Os feldspatos são minerais de importância econômica.Minerais de potássio e seus teores equivalentes em peso (%).4MgSO4. o microclíneo e os plagioclásios.MgCl2. feldspato comum.2H2O Fonte: The Industrial Minerals Handbook II *Principais minerais de minério ** Minerais de minério secundários A estrutura tridimensional dos tectosilicatos é apresentada na Figura 2. tendo como termos intermédios e progressivo enriquecimento em cálcio. Os feldspatos cristalizam nos sistemas monoclínico.94 K2O 63.83 29. em referência à sua abundância. como as suas variedades sanidina e adulária e no triclínico.2 . K+. O grupo dos feldspatos é o mais abundante conjunto de minerais da crosta terrestre (mais de 90%) (PERONI.2.97 KCl 100. Algumas séries Fonte: Shrank/IGE-UNICAMP Figura 2.4H2O K2SO4.71 44.29 18. sódico-cálcica e a anortita. Sr2+ e Pb2+.90 Carnalita Silvinita Kainita * ** Arcanita Glaserita Langbeinita Leonita Polyhalita** K2SO4.Estrutura geral dos tectosilicatos.84 21. elementos menores.MgSO4.br) Quando Al 3+ substitui Si 4+.62 K2 SO4 100. A fórmula geral do grupo dos feldspatos pode ser representada por AT 4 O 8 .2CaSO4. ocupado por íons Si4+ e Al3+.17 16.63 41. faz-se necessária a adição de cátions para o equilíbrio de sua neutralidade eletrostática.26 54. tais como Na+. a andesina. mais freqüentemente.2 .51 22. A palavra ‘feldspato’ deriva da língua alemã antiga e significa ‘campos de pedra’.2Mg SO4 K2SO4.unicamp. compartilhados com outros tetraedros vizinhos. o oligoclásio.ige. A corresponde a um sítio geralmente ocupado por elementos de raio iônico grande com números de coordenação maiores ou iguais a 8.52 28. tanto o ortoclásio. Minerais Silvita * * Fórmula KCl KCl. pois são utilizados para a manufatura de porcelanas e vidro. cálcico-sódica. www. neste tipo de estrutura.06 42.

3 – Propriedades dos feldspatos. Na estrutura da sanidina. presente em quantidade estequiométrica e não pode ser substituído pelo Si4+ sem haver a desintegração da estrutura. 2 direções (90°) 6 Branco. branco. formando uma textura de exsolução denominada de pertita.5 Incolor. a presença de pequenas quantidades de H2O e Pb resultam Sanidina Feldspatos alcalinos Porcentagem molecular Anortoclásio Andesina Albita Oligoclásio Labradotita anortita Bitownita Feldspatos Plagioclásio Figura 2. por exemplo).55 > 1000°C Plagioclásio Triclínico P Tabular Perfeita. KAlSi3O8. a estrutura contrai-se. e os átomos de Al e Si reorganizam-se. 2001. Como resultado há a separação destes dois minerais novamente. Os feldspatos alcalinos. 2 direções (90°) 6 – 6.63 – 2. microclínio (triclínico. microclínio e albita. alta temperatura – rochas ígneas. não há substituição iônica entre Si4+ e Al3+. A temperaturas mais baixas (durante o resfriamento do magma. quando cristalizam a partir de um magma. Ortoclásio Monoclínico C Prismático Perfeita. fases magmáticas). ortoclásio (potássico) e albita (sódica) somente a temperaturas altas Tabela 2. baixa temperatura – granitos e pegmatitos).3 . temperatura intermediária – rochas ígneas intrusivas). ou seja. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE Na série ortoclásio – albita. ou seja.76 >1000°C 312 . o Al3+ não é um constituinte substitutivo cuja percentagem varia de amostra para amostra. mas pequenas quantidades de Fe3+ podem conferir ao mineral uma cor rosa ou avermelhada. não mais suportando as diferenças entre os raios iônicos do K+ (maior) e Na+ (menor). É um componente essencial. Si4+ e Al3+ ocupam as posições tetraédricas de forma aleatória. A cor dos feldspatos pode ser influenciada pela presença de elementos traço: os feldspatos alcalinos são geralmente de coloração branca.3). róseo Branco 2. cinzento Branco 2. Propriedades Retículo Espacial Hábito Clivagem Dureza Cor Traço Peso Específico Ponto de Fusão Fonte: Xavier.Diagrama mostrando as duas séries composicionais de feldspatos. Os feldspatos potássicos (KalSi3O8) agrupam-se em três polimorfos6 estáveis a temperaturas diferentes: sanidina (monoclínico.3. impedindo que os átomos de Al ocupem sítios tetraédricos. Nestas condições a estrutura do feldspato encontra-se suficientemente expandida para acomodar as diferenças entre os raios iônicos do Na+ e do K+ e promover solução sólida simples (Tabela 2. (>600°C) se apresentam como soluções sólidas. ortoclásio (monoclínico.Home Apresentação Sumário Créditos desses minerais (série ortoclásio – albita e série albita – anortita encontram-se na Figura 2.

Pela subida do nível dos oceanos. a grandes profundidades. hoje encontradas. principalmente no hemisfério norte. que é considerada uma gema. porém com quantidades menores de SiO2 (Figura 2. que podem ter espessuras consideráveis. São muito menos abundantes que os feldspatos na crosta terrestre e geralmente associam-se a rochas ígneas intrusivas alcalinas como.a. Tabela 2.4 . A estrutura dos feldspatóides é similar à do feldspato. KAlSi2O 6 NaAlSiO 4/KAlSiO 4 Na8 (AlSiO 4)6Cl2 (Na. Os feldspatóides são silicatos anidros. Os principais minerais deste grupo são indicados na Tabela 2. a concentração dos sais passa a aumentar progressivamente. O mecanismo de formação destas “capas” de sais.4. silvita (KCl) e carnalita (KMgCl3. muito abundante. com freqüência.Composição comparativa de feldspatos e feldspatóides. A fórmula dos feldspatóides pode ser derivada dos plagioclásios: perda de um SiO2 para a leucita ou de um Si2O4 para a nefelina.6H2O) formaram-se por evaporação gradual de águas salinas. por exemplo. SO42-).4 metalog logenia 2. diversos sais solúveis e. pouco profundas.Home Apresentação Sumário Créditos na cor azul ou verde. mas contém sitios ou cavidades estruturais maiores. As “capas” de sal assim formadas. no tempo geológico. que permitem a entrada de ânions de raio iônico grande ou grupos aniônicos (e. em bacias fechadas.) e Permiano (290 a 248 M. essas bacias podem ser invadidas por águas de mar Porcentagem molecular NalSi3O8 Albita KAlSi3O8 Feldspato potássico KalSi2O6 Leucita CaAl2Si2O8 Anortita NaAlSiO4 Nefelina KAlSiO4 Kalcilita Figura 2. que são rochas ricas de álcalis (Na e K) e deficientes em sílica. em solução.4). é o seguinte: a água dos rios transportam. durante o Paleozóico. 2. por outros depósitos sedimentares. Leucita Nefelina/ Kalsilita Sodalita Lazurita Fonte: Xavier.g.) foram recobertos. 4 . quando deságuam em mares fechados cuja evaporação seja igual ou superior ao aporte das águas fluviais. Geologia e metalogenia do potássio Depósitos de minerais como a halita (NaCl).4 – Principais minerais do grupo dos feldspatóides.S.Ca)8 (AlSiO 4)6(SO 4. Devoniano (417 a 354 M. os nefelina sienitos e seus correspondentes extrusivos (fonolitos). 2001. similares aos feldspatos.a.Cl)2 Tetragonal (T-elevada)/Cúbico Hexagonal Cúbico Cúbico 313 O POTÁSSIO NA AGRICULTURA BRASILEIRA: FONTES E ROTAS ALTERNATIVAS . como na amazonita (tipo de microclínio).

de Solikansk (Rússia).5 a 3. Quantidades significativas de potássio encontramse em salmouras e lagos naturais. do ponto de vista genético. na Espanha e na França. como o cloreto de sódio. — Stassfurt.4%).1%). como no Mar Morto. de Carlsbad (República Tcheca) e Devoniano em Saskatchewan (Canadá). com um teor de sais de 24. na parte central. 314 .5 m. ocorrem depósitos de potássio em várias regiões dos EUA. CaCl2 (3.ca). principalmente na parte sudeste do estado de Novo México e ocidental do Texas. No Canadá. da Noruega. de camadas mais ricas de sais de Na – K – Mg ou de argilas estéreis.Home Apresentação Sumário Créditos aberto. no extremo leste do Canadá (duas minas em produção). na Província de Saskatchewan.5%: MgCl2 (9. ricas de NaCl. na Província do mesmo nome (10 minas em produção). sendo a camada Stassfurt a mais importante. A Asia Pacific Potash .8Mt (DOROKHINE et al. realizaram um estudo de viabilidade econômica para a mina de potássio de Somboon. com reservas recuperáveis de 120 Mt de teor de 23% de K2O. O Udon Thani Potash Exploration Program revelou reservas superiores a 200 Mt de minério de alto teor de silvinita com 25 a 30% de K2O a profundidades de 250 a 370 metros (Fonte: www. Constituem camadas (estratos) de espessuras muito variáveis (de alguns centímetros até centenas de metros). Pelo contrário. a mais importante em escala mundial. no Reino Unido. por um processo de evaporação solar. Não se deve esquecer que a formação dos depósitos acontece em escala de tempo geológico: a dos milhões de anos. prolongando-se para norte na Província de Manitoba e para sul no estado de North Dakota – EUA. Suas reservas de sais de potássio são da ordem 1. Alemanha.. em períodos de estações chuvosas podem perder a saturação. Novas minas na Tailândia poderão contribuir para um aumento significativo da produção mundial de potássio para fertilizantes. por formação de barras arenosas e subseqüente concentração de NaCl por evaporação. com espessuras de 2. sedimentos formados por deposição química. Israel e Jordânia produzem potássio a partir das águas do Mar Morto. Além destas províncias. complexas. Canadá. “stocks” e elevações em forma de vaga são comuns. Deformações tectônicas podem dar origem a morfologias especiais. podem estender-se por superfícies consideráveis. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE — Saskatchewan.5%) e KCl (1. Constata-se assim que os minérios de potássio típicos são.5%). na depressão Magdeburg – Halberstadt – sete jazidas. Freqüentemente as camadas de sais de potássio apresentam-se interestratificadas com as de outros sais comuns. Os depósitos mais recentes apresentam reservas menores. Permiano no caso de Stassfurt (Alemanha). com grandes reservas. formando enormes províncias salinas. 1967). Domas. No Brasil há uma mina em produção e importantes ocorrências de carnalita no estado de Sergipe e na região amazônica. devido à grande plasticidade do material salino e à sua propriedade de passar ao estado fluido quando sujeito a grandes pressões. Rússia. Depósitos de halita podem também formar-se quando volumes consideráveis de água marinha são isolados dos oceanos. Nesta região as camadas mineralizadas em potássio apresentam-se quase horizontais. e 3000m junto da fronteira com os EUA. Os principais depósitos de sais de potássio formaram-se no Paleozóico. São exemplos de jazidas de potássio: — New Brunswich. — Solikamsk.APP (Canadá) e a Norsk Hydro Asia. ocorrem a profundidades que oscilam entre 1000m. NaCl (8. Desta forma se explica a alternância.miningwatch.

no centro sul do Canadá. O gráfico de Marschner et al. correspondentes a 12. 2000.5 .5) (ANDA. muito pobres nos macronutrientes potássio e fósforo e à insuficiente produção doméstica de potássio. no estado do Amazonas. é um dos grandes importadores mundiais de fertilizantes. por exemplo. 1996 (KRAUSS. Tem também incidência no balanço de água e no crescimento de meristemas (CONTI. 2007. a fragilidade física não é menor. atual detentora dos direitos de lavra. Tabela 2. O Canadá. devido à dimensão da sua produção agrícola.7 bilhões de dólares em 2006. é um nutriente essencial para todos os organismos vivos. Rápida tranferência e fornecimento eficiente de N com adequado fornecimento de K. na região.517 19.238 21. em produção. o potássio foi responsável por US$ 950 milhões (Tabela 2. 2.838. Acumulação e fornecimento restrito de N com fornecimento insuficiente de K Fonte: Krauss. em toneladas de nutrientes.247 24. 2004 3.736 2005 3. também aguardam definição por parte da Petrobras. O Brasil tem uma única mina em operação. Além da mina de Taquari-Vassouras. sendo 10 subterrâneas e duas de extração por solventes. por exemplo. Desempenha uma função importante na ativação de enzimas (mais de 60 são ativados por este cátion. 2007 e DNPM. de compostos nitrogenados e de enxofre. 2000)(Figura 2. a importante função do K no ciclo de outros nutrientes. 2003). síntese de proteínas e carboidratos).293 O problema é mais grave em relação ao potássio. 2007). Produção e consumo de potássio no Brasil O Brasil.430 42. Boa recuperação e Metabolismo de N rápido e eficiente Má recuperação e acumulação de C Produtos Cloretos de potássio Sulfato de potássio Salitre potássico Nitrato de potássio Fertilizantes complexos TOTAL Fonte: ANDA. num total de 17.424 Mt.Importação de produtos intermediários de potássio para fertilizantes.Home Apresentação Sumário Créditos Produção 2. depósitos de potássio arrendados à CVRD. Importância e função do potássio na agricultura O potássio. Se a dependência econômica é grande..9 Mt.1 Mt de K2O (equivalente a US$ 950 mil) e produzidas apenas 0. na Província de New Brunswick.167 3.4 Mt de produtos intermediários e 5. Figura 2. Tem como principal função promover a reciclagem dos nutrientes necessários ao crescimento das plantas. realizados no âmbito de um dos programas do International Potash 315 O POTÁSSIO NA AGRICULTURA BRASILEIRA: FONTES E ROTAS ALTERNATIVAS . como já foi referido. e duas a sudeste. que atua em diversos processos metabólicos tais como a fotossíntese. Destas 12 unidades.5) sintetiza. Em 2006 foram importadas 3.6. 10 situam-se na Província de Saskatchewan. Os efeitos de uma fertilização bem balanceada no rendimento da produção agrícola estão documentados em numerosos trabalhos.7 bilhões.032.654 15. em Santa Rosa de Lima.941. que é uma mina de risco pelas suas características geológicas. Foram mais de 2.093.5 – Participação do K no ciclo dos outros nutrientes. Desse total de US$ 2.635 20.5 Mt de matérias-primas para fertilizantes. às características dos seus solos. Os resultados obtidos nos mais recentes trabalhos de pesquisa experimental. que representam apenas 13% das necessidades do País em potássio. tem 12 minas em produção. são conhecidos.905 ? 3. Os depósitos de Fazendinha e Arari. de fosfatos.5.236 20.

deixou bem claro a importância do potássio como nutriente na agricultura moderna. — aumento de até 36% no rendimento de produção de batata na Polônia com uma fertilização balanceada que incluiu NPK+S+Mg. dando ao produto uma melhor qualidade. Acentuou que. respectivamente. Na ex-URSS. 2000) (Figura 2. para a produção de uma tonelada de açúcar a partir de beterraba de baixa qualidade. as colheitas de raízes perderam 38% do seu rendimento potencial. Apoiado em estudos realizados na Europa. na Romênia. em ambientes com níveis baixos de K trocável. Alemanha. na AFA . — produção 51% superior de trigo e maior rendimento por hectare. 8% para a beterraba. o que conduz à redução do nitrato nas raízes e na acumulação dos aminoácidos. em outubro de 2000. se por um lado se precisa. 2000). e concluíram que. por ocasião do 12th CIEC International Symposium on “Role of fertilizers in sustainable agriculture”. as sementes de soja se mostraram mais sãs e brilhantes. A respeito da qualidade da beterraba. na Romênia. o correto balanceamento de nutrientes começa a não ser respeitado (KRAUSS. e também em outras regiões. mostraram. em conseqüência da crise que atravessa. 29% para a batata e 18% para o tomate. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE — rendimento 23% mais elevado para o milho. durante a realização da Expo 2000. — produção 18% mais elevada de beterraba. enquanto. Science in Dialogue (15 de agosto de 2000) e iv) em Suceava. com aplicação correta de NPK. Nesse caso. em combinação especial com enxofre. — acréscimo de 8% e de até 17% no rendimento de produção de beterraba e de açúcar. enquanto as proteínas no trigo tiveram seu rendimento aumentado em 37. durante o Regional IPI Workshop on Potassium and Phosphorus. na Hungria (NP versus NPK+S+Mg). 316 . fazendeiros tiveram um ganho de 10 a 15% no preço da soja e do trigo com uma boa administração de potássio fertilizante. em conferências proferidas. entre outros danos. ii) na Lituânia. i) no Cairo. com mais 20% de açúcar. Obtiveram-se também: — rendimento 29% maior para o feijão e de 11% para a batata. no caso de cereais. comparada com a utilização de apenas NP.5%. Não deixou de alertar que a falta do potássio. iii) em Hanover. são necessárias 10 toneladas de raízes com um teor médio de 13% e um rendimento de extração de 80%. com dosagens adequadas de NPK. na Europa Central e Oriental (KRAUSS. — na Índia. por outro a abertura de novas fronteiras agrícolas torna-se cada vez mais limitada. foi ainda relatado que. 2000) fizeram em torno de 650 experimentos na Alemanha.6). Além disso. — no Irã as plantações de beterraba de açúcar tiveram seus rendimentos elevados em até 17%. Com beterraba de elevada qualidade. Krauss. Por isso. Refere ainda que menores densidade e comprimento das raízes estão relacionadas com a diminuição de potássio no solo.Home Apresentação Sumário Créditos Institute – IPI. obtida com fertilização adequada. as plantações de repolho e cenouras tiveram seus rendimentos elevados pela fertilização equilibrada e ainda uma menor perda durante o armazenamento. na Ásia (principalmente na China e na Índia) e na África. por exemplo: — as plantações de chá verde na China que receberam potássio. Presidente do International Potash Institute – IPI. Kerschberger e Richter (KRAUSS. na Rússia. o índice de açúcar nas raízes subiu para 17% e o rendimento na extração para 95%. em fevereiro de 2001. se diz que hoje são os fertilizantes a “alimentarem” o mundo. tiveram índices de aminoácidos e de cafeína mais elevados. o citado autor destacou vários aspectos da problemática do potássio como fertilizante. de mais e melhor alimentação. com NPK+S+Mg. cada vez mais. na Bulgária. na República Tcheca. A.7 th International Annual Conference. essa perda foi de somente 18%. restringe o transporte de NO3.

5 bilhão de toneladas (DNPM. Isso eqüivale a um prejuizo de 30 milhões de dólares. 2000) mostraram que a perda na colheita de trigo foi de 135 mil toneladas. em alguns casos. restringindo a fotossíntese e. essa “mineração” contínua do solo pelo cultivo intensivo pode causar a exaustão das reservas de K e privar a capacidade de proteção de pragas do solo. indústria 3. Atualmente há uma única mina em produção. A complementação de potássio em solos deficientes produz uma melhora no rendimento das colheitas e torna o vegetal mais resistente a pragas e doenças. assim. Krauss ressalta alguns aspectos que devem merecer uma atenção muito especial. 150 mil toneladas de beterraba para produção de açúcar e 300 mil toneladas de batata. Porém.6 – Balanço da aplicação/consumo de fertilizantes na ex-URSS. proteínas gordurosas. de 28 mil toneladas em sementes de milho e em torno de 53 mil toneladas na de girassol. Por exemplo: a ausência de K fertilizante pode ser substituído.24 milhão de toneladas de cereais. Esses valores são correspondentes a uma perda de 680 bilhões de rublos (preços de 1996). o rendimento das safras. Ao sintetizar todas estas informações. Figura 2. Prokoshe (KRAUSS. A participação do potássio na qualidade do vegetal está relacionada com o transporte dos aminoácidos e açúcares para os órgãos de armazenamento. . comportamento inadequado dos estômatos. 317 O POTÁSSIO NA AGRICULTURA BRASILEIRA: FONTES E ROTAS ALTERNATIVAS Estimativas de Nikolova e de Samalieva (KRAUSS. 2003). a preços locais. tubérculos e raízes. O potássio é um fator de qualidade na produção. incluindose aí as reservas de silvinita e carnalita. no estado de Sergipe. vitaminas etc. A indústria de fertilizantes de potásno sio no Brasil No Brasil as reservas de potássio são da ordem de 1. a enorme importância do potássio como macronutriente na agricultura. causado somente por uma fertilização desequilibrada. e com a ativação da conversão em amido.Home Apresentação Sumário Créditos Uso de fertilizantes Remoção pelas lavouras Fonte: Krauss. 2000. pela deficiência de potássio na fertilização. como grãos. pelo K da solução e pelas reservas de K “nãotrocáveis” ou lentamente disponíveis. 2000) calculou para 17 regiões na Rússia uma perda de 1. pelo que ficou exposto. A carência de potássio ocasiona um Verifica-se. o que significa uma ameaça ao meio ambiente.

Home Apresentação Sumário Créditos de 3. o que representa. os direitos minerários passaram para a Petrobras. as camadas de salgema estão associadas à seqüência de evaporitos do Paleozóico Superior na região de Nova Olinda. anidrita e calcário. Entre os feldspatos destacam-se o ortoclásio e o microclínio.1. Aspectos econômicos e geoestratégicos A Figura 3..2. as micas. por exemplo. São conhecidas reservas da ordem de 13 milhões de toneladas de KCl.1 representa o consumo mundial de fertilizantes durante o ano de 1999. Das 140 Mt consumidas no mundo. quer de termofosfatos potássicos. Esses depósitos encontram-se nas sub-bacias evaporíticas de TaquariVassouras e Santa Rosa de Lima.71 milhões de toneladas de minério. Segundo Santos (1981). como a China. No início de 1985. De acordo com o Sumário Mineral Brasileiro (2003).6 milhões de toneladas se definiram como recuperáveis. e a Vale possui um plano de expansão que prevê a produção de 850 mil toneladas anuais. Lá. A produção do complexo mina/usina de Taquari/ Vassouras foi de 403 mil t de K2O equivalente em 2006 (DNPM. a 21Mt (POTAFOS. como já foi referido. nas regiões do Tapajós.7 e 8.9 bilhões de toneladas de carnalita. de a produção interna ser pequena e não crescer de forma a compensar o constante aumento de consumo. 2001) durante estudos de prospecção de petróleo na região em domos salinos. Fontes potenciais de potássio para fertilizantes A agricultura do Brasil e a de outros países grandes produtores de alimentos. outras ocorrências de sais de potássio. as reservas de minérios de potássio totalizam cerca de 508. quer através da produção de sais de potássio. Seus teores são. que arrendou a jazida à Vale por 25 anos. no local. Países carentes de potássio são obrigados a importá-lo por ser fundamental para seus solos. ou ainda em aplicação direta na agricultura como fertilizante de solubilização lenta.6 milhões de toneladas de silvinita e 12. Lá. de 9. jazidas e minas Os depósitos de Sergipe foram descobertos em 1963 pela Petrobras (BALTAR et al. A Vale vem lavrando. Dessas reservas já foram mineradas cerca de 21. A mina produz KCl por método de lavra subterrânea. após a introdução de índices de abatimento geológico e parâmetros de minerabilidade. 318 . 2002). no estado de Sergipe. a partir de 1991. sais de potássio. apenas 129. A unidade operacional está localizada no município de Rosário do Catete. FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE 3. poderão ser fontes potenciais de potássio para a agricultura. de Nhamundá-Trombetas e de Nova Olinda-Maués. desde 1985 (DNPM. 2003). as reservas de silvinita na Amazônia estão em torno de 1 bilhão de toneladas. 2007). Posteriormente. nessa região.3% de K2O contido. por exemplo. consomem grandes quantidades de fertilizantes. municípios de Rosário do Catete. 15% correspondem a fertilizantes potássicos. Fontes de potássio no Brasil: depósitos. pelos seus teores. Existem. respectivamente. sondagens efetuadas em outras áreas do médio Amazonas revelaram. a silvinita sob condi- ção de arrendatária. a mina pertencia à extinta PETROMISA e. Daquele montante de silvinita. Carmópolis e Santa Rosa de Lima. Feldspatóides como a leucita (mineral pouco abundante) e outros silicatos. Os feldspatos alcalinos e os feldspatóides devem ser considerados como fontes potenciais de potássio para fertilizantes. O depósito de Nova Olinda é formado por sedimentos químicos-evaporíticos que se localizam na parte superior do Carbonífero da Bacia do Amazonas. horizontes de salgema. os depósitos na Amazônia foram descobertos em 1955. desde 1992. Em Taquari-Vassouras localiza-se a única mina de potássio em operação no Brasil. gipsita. aproximadamente. O crescente aumento do uso de potássio fertilizante na agricultura fez com que pesquisas sobre minerais alternativos para produção de fertilizantes de potássio ganhassem importância ao longo dos últimos anos. durante o programa de pesquisa de petróleo pela Petrobras. como. com a agravante no caso brasileiro.

3Mt/ano de K2O (Figura 3. em termos de produção. K 15% Outros Países 29% USA 21% Brasil 10% União Européia 18% Fonte: POTAFOS.2% do total mundial. com reservas totais em torno de 525 milhões de toneladas. localiza-se na 8a colocação. cerca de 13. Aproximadamente 63 milhões de toneladas dessas reservas vem sendo mineradas desde 1985. 3000 2500 2000 1500 1000 500 0 1950 1955 1960 1965 1970 1975 1980 1985 1990 1995 1996 1997 1998 1999 2000 Produção importação ano Fonte: POTAFOS. com 303. No Brasil. Figura 3.9%. números modestos.2). Figura 3. tendo sido explotados. enquanto o Brasil.1 – Representação da distribuição percentual das 140Mt de fertilizantes consumidas no ano de 1999. na região de Taquari/ Vassouras e Santa Rosa de Lima.2 – Representação do consumo mundial de compostos de Potássio como fertilizantes no ano de 1999. Tratando-se de reservas medidas. silvinita e silvita. com 1.7%. 2002. a taxa de recuperação de Taquari/Vassouras é próxima de 50% da reserva minerável. com minérios de carnalita. É o 11o colocado.1 mostra os valores das reservas em 2006 e da produção mundial de K2O em 2005-6. Figura 3. o Canadá possui 60. No cenário mundial. as importa- ções de potássio sempre aumentaram.3.6 milhões de toneladas de minério. Salvo no período imediato ao da entrada em produção da mina de Taquari-Vassouras e nos três últimos anos da década de 90. com teor médio de 23. nesse período. 2002. no Brasil. Isso leva o Brasil à posição de terceiro maior consumidor mundial de fertilizantes potássicos.8 Mt de K2O. as maiores reservas encontram-se em Sergipe. 319 O POTÁSSIO NA AGRICULTURA BRASILEIRA: FONTES E ROTAS ALTERNATIVAS P 24% N 61% China 14% India 8% K2O ( x 1000 t ) . o Brasil apresenta. Por causa do método de lavra. Esse comportamento pode ser visualizado na Figura 3.Home Apresentação Sumário Créditos Podemos destacar que o consumo do Brasil fica em torno de 10% da produção mundial o que corresponde a 2. A Tabela 3. e no Amazonas.3 – Evolução da produção e importação de potássio no Brasil.

5 0. 1996).6 3.000.500 65 .2 100 405 3.2 – Sais de potássio utilizados como fertilizantes e sua composição em nutrientes.200 2.000 140.399 850. 30.9 100 2005 Produção (10 3 t K2O) 2006 403 3. Tal característica contribui para tornar seu preço mais competitivo em relação a outras formas de fertilizantes potássicos.050 3.3 6.4 12.2 13.000 30..000 1.600 4.9 0. A escolha da forma de aplicação deve ser baseada nas necessidades/características do solo.Home Apresentação Sumário Créditos Tabela 3.9 3.000 9.9 17..000 30.200 350 700 500 1.2 2.9 3. o que equivale a 91. K2SO4MgSO4 (sulfato duplo de potássio e magnésio).2 1.81% de KCl.5%.2 apresentam-se as composições dos diferentes sais de potássio utilizados na agricultura. Verifica-se que o KCl é o fertilizante com mais alta concentração de potássio .9 6.3..6 0.000 450. Na Tabela 3.179. KNO3 (nitrato de potássio) e KNO3.230 600 5. frutas e alguns FERTILIZANTES: AGROINDÚSTRIA E SUSTENTABILIDADE Tabela 3. 90% sob forma de KCl. na comercialização do cloreto de potássio.2MgSO4 KNO3 KNa(NO3)2 K2CO3 KHCO3 KH2PO 4 K2HPO 4 K4 P2 O7 KPO 3 N 13 15 P2O 5 30-60 40-60 55-57 K2O 60-62 50-52 22 44 14 <68 30-50 22-48 38 S 18 22 Mg 11 - 320 .1 – Reserva e produção mundial.000 16.000 35.NaNO3 (salitre potássico).o que representa mais de 95% de KCl.100 1.700. Características e especificações dos potássicos fertilizantes potássicos Cerca de 95% da produção mundial de potássio é utilizada como fertilizante e. é utilizado em cultivos que apresentam certa sensibilidade a altas concentrações de íons cloretos..000 2. 2007.000 300. O sulfato de potássio contém cerca de 50% de K2O e 18% de enxofre.cerca de 60 a 62% de K2O . no tipo da cultura.000 580.2 0.200 600 5. Reservas (103 t K2O) 2006 (%) 234... nos métodos de aplicação.4 5. 31. Discriminação Países Brasil Alemanha Bielorússia Canadá Chile China Espanha Estados Unidos Israel Jordânia Reino Unido Rússia Ucrânia Outros Países TOTAL Fonte: DNPM.3 1.000 580. No Brasil.278 (%) 1.2 59.8 0. é exigida. Composto Cloreto de potássio Sulfato de potássio Sulfato de potássio e magnésio Nitrato de potássio Nitrato de potássio e sódio Carbonatos de potássio Ortofosfatos de potássio Polifosfatos de potássio Metafosfatos de potássio Fórmula química KCl K2SO4 K2SO4.9 1.060 1. no preço e na disponibilidade (POTAFOS.000 10.120 370 600 500 1.7 3.200 2.6 0.300 65 .339 1.2 33. um teor mínimo de 58% de K2O. Como a concentração de cloretos nesse tipo de material é geralmente menor que 2.660 4. como tabaco.000 50.7 1. desse montante.1 13.3 2.800 10. Outros sais utilizados são K2SO4 (sulfato de potássio).200.

075 0. potássio e nitrogênio como nutrientes. No Brasil.5 61.Granulometria dos adubos potássicos Tipo Granular Granular Grosseiro (coarse) Comum (standard) Suspensão Solúvel Comum especial Puro Fonte: Korndörfer. da soja e do açúcar. alguns produtos agrícolas ocupam.4 mm). Contém aproximadamente 22% de K2O.4-0. 4 . 2003. sua posição sobe para terceiro lugar.2 a 1. 2003). o agronegócio tem grande participação na economia. Lopes (2002) ainda refere que.7 mm) (DNPM. Faixas das partículas % de K2O 61 61 61. O nitrato de potássio é o composto recomendado para cultivos que necessitem de b