MANUAL DE EMERGÊNCIAS AQUÁTICAS – Dr David Szpilman

SEÇÃO VII PRIMEIROS SOCORROS – EMERGÊNCIAS
SISTEMA DE EMERGÊNCIAS MÉDICAS (S.E.M)
Aproximadamente 70% das mortes por trauma, afogamento, doenças cardiovasculares e cerebrais ocorrem antes da vítima chegar ao hospital. Muitas dessas mortes podem ser evitadas se as vítimas forem rapidamente atendidas pelo Guarda-vidas treinado em “Primeiros Socorros”, que dê inicio imediatamente aos procedimentos de Suporte Básico de Vida (SBV). A Reanimação Cárdio-Pulmonar (RCP) aplicada no âmbito pré-hospitalar (SBV) é parte vital de um elo na corrente para a sobrevivência das vítimas de Parada Cárdio-Respiratória (PCR), que se liga a outros dois elos que são a chegada de socorro médico pré-hospitalar (SCAV) e o posterior tratamento hospitalar. ATENDIMENTO DA PCR

Na maioria das grandes cidades Brasileiras existe um número telefônico padrão do Corpo de Bombeiros - 193 - em que se pode acionar em casos de emergência, mesmo de um telefone público (opera sem ficha telefônica). Você é fundamental para o salvamento desta vítima, assim que as primeiras etapas do Sistema de Emergência Médica - SEM - forem ativadas rapidamente e que você mantenha as funções vitais (ventilação e circulação) deste indivíduo até a chegada da equipe de Suporte Avançado de Vida (SAV). ESTA VIDA ESTÁ EM SUAS MÃOS !. Tão logo você identifique uma situação de emergência, acione o telefone 193 para desencadear o Sistema de Emergência Médica (SEM). As seguintes informações devem ser fornecidas pelo telefone: 1. Local de ocorrência do evento (com pontos de referência, se possível). 2. O número do telefone do qual você está falando. 3. O que aconteceu no local (acidente de trânsito, queda, afogamento, ou outros). 4. O número de vítimas envolvidas no acidente. 5. Condições das vítimas. 6. Quais as medidas que já foram instituídas?

IMPORTÂNCIA DAS INFORMAÇÕES DO SOCORRO
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SOCIEDADE BRASILEIRA DE SALVAMENTO AQUÁTICO - SOBRASA

BOLETIM DE PRAIA E MÉDICO
As informações que são passadas pelos Guarda-Vidas à equipe médica, que chega ao local do evento para dar continuidade ao socorro, são de extrema importância para o correto e completo preenchimento posterior do Boletim de Atendimento Médico. Estas informações do boletim médico serão de grande valor para os nossos estudos estatísticos em relação à vítima, o local, a qualidade e o tempo de socorro e irão nortear todas as nossas condutas futuras, tanto na área médica quanto na área do salvamento aquático realizada pelo guardavidas. Certamente com base nestes dados poderemos cada vez mais aprimorar o bom atendimento não só as vítimas de afogamentos, bem como a todos os tipos de emergências médicas que ocorrem em “um dia de praia”, nos quais os guarda-vidas são acionados para prestar o primeiro atendimento. Cumpre lembrarmos que os Guarda-Vidas além de estarem preparados fisicamente e profissionalmente para as operações de resgates de vítimas de afogamentos também tem que estar extremamente capacitados para execução das manobras de RCP (ressuscitação cárdio-pulmonar), assim como nos procedimentos básicos de algumas situações vividas na praia como por exemplo: Ferimentos por pranchas de surf; Luxações escápulo-umerais (deslocamento de ombro); Entorses de tornozelos (torção do pé); Crise hipertensiva (pressão arterial alta); Hipotensão arterial (pressão arterial baixa); Hipoglicemia (baixo nível de glicose no sangue); Crises convulsivas DNV (distúrbio neurovegetativo); Queimaduras; Choques elétricos; IAM (infarto agudo do miocárdio); Obstrução de vias aéreas superiores por corpo estranho (engasgar com alimentos); Fraturas; E Outros, Podemos observar pelos exemplos citados acima o quanto se faz necessário o treinamento e os cursos de reciclagem em primeiros socorros que ministramos em nossos Centros de Recuperação de Afogados, pois cada vez mais temos que tornar o Guarda-Vidas um socorrista completo. Quando consideramos o atendimento as vitimas de afogamentos ou mesmo outros tipos de emergências já citadas, temos o atendimento de emergência como uma corrente de três elos (veja Sistema de Emergência Médica). Primeiro elo – Suporte Básico de Vida (BLS) - Guarda-Vidas

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Segundo elo – Suporte Avançado de Vida (ACLS) – Ambulância com equipe médica / UTI móvel do CRA. Terceiro elo - Representado pelo Hospital de referencia FUNÇÕES DE CADA ELO DA CORRENTE Guarda-Vidas (BLS) - Cabe proceder ao resgate da vítima no caso de afogamento e iniciar as manobras de RCP em caso de necessidade, assim como dar o primeiro atendimento aos demais casos de emergência anteriormente citados, e simultaneamente a esses procedimentos providenciar o acionamento da equipe médica do CRA ou ambulância (ACLS). Equipe médica (ACLS) – Deverá chegar ao local de solicitação de emergência no menor tempo possível. O tempo médio considerado ideal para os padrões internacionais é de 8 minutos para o ACLS. O tempo médio avaliado ao longo dos últimos anos no CRA foi de 10,20 (+/- 3,2) minutos (CRA Barra da Tijuca – 1996-1998). Este tempo médio de deslocamento CRA-vítima está muito próximo do ideal, considerando o intenso transito existente nas vias públicas por ocasião dos dias de maior movimentação nas praias, quando ocorrem os maiores números de chamados. Com a recente (ano 2000) colocação e utilização de mais ambulâncias e socorro avançado feito com motocicletas em nossa orla, teremos em breve uma possível confirmação da redução deste tempo médio de atendimento. Chegando ao local o ACLS deverá assumir o atendimento a vítima tomando as condutas médicas complementares que se fizerem necessárias como por exemplo: oxigênioterapia, intubação orotraqueal, punção venosa, administração de medicamentos coadjuvantes, instalação de monitorização (eletrocardiógrafo, oxímetro de pulso, etc...) e utilização de equipamentos como: respirador mecânico e desfibrilador caso seja indicado, após a estabilidade clinica do paciente será procedido à remoção do mesmo. Cabe lembrar que no caso do Grupamento Marítimo do CBMERJ, o paciente poderá ter dois destinos com relação a sua remoção. Nos casos menos graves serão removidos diretamente para os nossos CRAs onde ficarão em tratamento e recuperação durante algumas horas, sendo então liberados com orientação e/ou prescrição médica. Esses casos representam um grande número dos nossos atendimentos. Nos casos mais graves principalmente naqueles em que ocorreram parada cárdio-respiratória a remoção será feita para o Hospital de referência. Hospital de Referência - Receberá o paciente removido pela UTI móvel do CRA/ambulância e dará prosseguimento ao atendimento da vítima em unidade intermediária, unidade terapia intensiva ou no setor que estiver indicado para o caso. Observe que para o sucesso do nosso atendimento se faz necessário a total harmonia e sintonia entre os três elos da corrente, pois será baseada em uma boa coleta de informações por parte do GV, como por exemplo: A vítima fez ingestão de alimentos? Bebida alcoólica? Qual a quantidade? Há quanto tempo? Faz uso de algum medicamento? É portador de alguma doença? Quanto tempo ficou submerso? Foi realizado algum tipo de manobras de RCP? Durante quanto tempo? Existe algum tipo de lesão associada? E outras informações pertinentes (veja boletim médico

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sendo assim orientamos que seja observado com carinho e atenção o boletim médico existente nesse manual para melhor conhecerem sobre os dados que exemplificamos acima. estando a vítima acompanhada por responsável possuidor de veículo para transporte a sua residência ou ambulatório médico e que assim o fazendo não determine um agravamento em seu estado. 259 . c) Em caso de dúvida.SOBRASA no apêndice para maiores informações sobre coleta de dados) que poderemos melhorar a qualidade de atendimento. São muito importantes a coleta das informações e o preenchimento correto do Boletim Médico e do Boletim de praia que é objeto desse tópico do manual. porém casos menos graves sempre ocasionam dúvidas. doenças ou traumas associados – apresentando a freqüência do coração e da respiração normal. contate o socorro médico e esclareça se há ou não necessidade do socorro médico. Portanto veja a importância dessa cadeia de informações para o bom resultado no atendimento a vítima. sem frio e totalmente acordado. Essas informações serão repassadas para equipe médica que as registrará no boletim médico. dados que consideramos sem importância. Liberar a vítima sem maiores recomendações. Após o resgate/atendimento inicial de primeiros socorros. alerta e capaz de andar sem ajuda. Liberar a vítima com recomendações de ser acompanhada ou procurar por médico por meios próprios. são extremamente valiosos para o tratamento do paciente. QUANDO ACIONAR O SOCORRO MÉDICO? O guarda-vidas ou socorrista trabalhando na frente de linha enfrenta diariamente a dúvida de quando chamar o socorro médico e quando encaminhar a vítima ao hospital após o resgate/atendimento. e outros. luxação escapulo-umeral. Lembramos também as equipes médicas que o nosso boletim de atendimento além de sua função do ponto de vista dos levantamentos estatísticos é o único documento legal do qual poderemos nos valer em casos de questionamentos quanto à conduta médica ou em possíveis ações judiciais. a) Acidentes/doenças com pequenas queixas que não a impossibilitam de andar por conta própria e que assim o fazendo não determine um agravamento em seu estado – Ex: pequeno trauma como ferimento por anzol. o guarda-vidas/socorrista tem basicamente 3 possibilidades: 1. Às vezes. a) Vítima sem sintomas. b) Acidentes/doenças com pequenas queixas que a impossibilitam de andar por conta própria temporariamente. Em casos graves a indicação da necessidade da ambulância e/ou do hospital é óbvia.SOCIEDADE BRASILEIRA DE SALVAMENTO AQUÁTICO . junto com outras que serão colhidas durante o exame da vítima é posteriormente repassadas aos médicos do hospital de referência. 2.

As pessoas treinadas em "Suporte básico de vida" (SBV) devem ser capazes de: 1. • Parada Cárdio-respiratória. Identificar quando iniciar a RCP 9. Como situações de trauma implicam na possibilidade de hemorragias severas que levam a PCR de forma irreversível no ambiente pré-hospitalar. Desobstruir as vias aéreas 3. resultando em morte ou seqüelas neurológica severa e permanente. OU EM AUSÊNCIA DO S. intoxicação por drogas. Reconhecer uma Parada Cárdio-Pulmonar ou Parada Respiratória 2. Iniciar a Compressão cardíaca intercalando com a ventilação artificial 8. lesão por animal marinho. Identificar quando parar a RCP 260 . • Parada respiratória. Verificar grandes sangramentos aparentes e seu tratamento 7. etc.M LEVE O PACIENTE DIRETAMENTE AO HOSPITAL. Acionar o Sistema de Emergências Médicas (SEM) – Ambulância (193) ou levar diretamente ao hospital em caso de ausência do SEM (ambulância). a) Qualquer paciente que por conta do acidente ou doença aguda o impossibilitam de andar sem ajuda. Quando o início da RCP for retardado. Verificar se existe respiração espontânea 4. INTRODUÇÃO O maior objetivo em realizar a ventilação artificial isolada ou a Reanimação Cárdio-Pulmonar (RCP) é prover oxigênio ao cérebro e coração até que o tratamento adequado restaure os batimentos cardíacos normais. PARTE A . ou que permita o tempo necessário para a chegada de uma equipe de socorro de Suporte Avançado de Vida (SAV). Iniciar a respiração artificial de suporte com 1 ou 2 socorristas 5. • Hemorragias importantes. trauma grave. Verificar se existe atividade do coração (pulso arterial ou sinais de circulação) 6. d) Qualquer paciente com suspeita de doença grave como. infarto do miocárdio. EM CASO DE DÚVIDA PROCURE RECOMENDAÇÃO DE CONDUTA VIA RÁDIO OU POR TELEFONE COM O MÉDICO OU PESSOAL DE SAÚDE. lesão de coluna. b) Qualquer paciente que perdeu a consciência mesmo por um breve período. a chance de sobrevida é prejudicada.E. e o córtex cerebral (o tecido mais susceptível à lesão por baixa de oxigênio no sangue) sofre danos irreversíveis. o seu tratamento é fundamental no momento do exame primário (primeiro exame). falta de ar.MANUAL DE EMERGÊNCIAS AQUÁTICAS – Dr David Szpilman 3. c) Qualquer paciente que necessitou de boca-a-boca ou RCP. epilepsia.EXAME PRIMÁRIO (ABC da Vida) O exame primário identifica e trata somente condições de risco de vida imediato. 1.

brônquios. É entre os capilares e os alvéolos que ocorre a troca gasosa. faringe. sendo exalado(expirado) 17% de O2.SOBRASA 10. chegando aos pulmões. Reconhecer a avaliação da efetividade das manobras acima 2. A Função Respiratória . Figura I Figura II 261 . Devido a este fato é que a respiração boca-a-boca consegue proporcionar oxigênio suficiente para a vítima. Este oxigênio (O2) é então bombeado junto com o sangue para todo o organismo. aproximadamente 21% do ar atmosférico é composto de oxigênio (O2). e então é bombeado pelo coração. sendo expulso do organismo em cada expiração realizada (figura II). o O2 passa para o sangue e o CO2 passa para os alvéolos (hematose). Quando o ar ambiente é inalado (inspirado). bronquíolos e pulmões (figura I). passando para o sangue. Estes alvéolos são envolvidos por finos vasos sangüíneos. traquéia. FISIOLOGIA A unidade anatômica e funcional do ser vivo é a célula.É através da respiração que o organismo obtém O2 (inspiração) e elimina o Dióxido de Carbono (CO2) (expiração). somente 4% do oxigênio presente é carreado pelo sangue. o oxigênio (O2) contido no ar chega aos alvéolos dentro dos pulmões (na inspiração). percorre as vias aéreas superiores. chega aos brônquios e passa para os alvéolos pulmonares. Quando há parada respiratória. transportando O2 para o cérebro e o restante do corpo. Através da respiração. Na inspiração. o ar entra pelas narinas (ou boca). Portanto técnicas precoces e eficazes de ventilação artificial podem prevenir a parada cardíaca. As células captam este O2 e produzem energia para o consumo. sendo transportado pelas artérias para todas as células do organismo. o coração continua a bombear sangue por alguns minutos. É na presença deste O2 no interior das células que se processam todas as reações vitais para o nosso organismo.SOCIEDADE BRASILEIRA DE SALVAMENTO AQUÁTICO . Ao nível do mar. As vias aéreas são formadas pelas fossas nasais. laringe. chamados capilares pulmonares. Como resultado ocorre a formação de CO2 que será transportado pelo sangue venoso.

Diversas drogas reduzem ou param o estímulo a respiração.Podem determinar a parada do coração.arritmia ou infarto do miocárdio. As células do organismo desempenham diferentes funções. levando a lesões cerebrais e de outros órgãos em alguns minutos. 1. Quando o coração pára de bombear. • A sua segurança pessoal é o mais importante. e .É a causa mais freqüênte. 3. funciona como uma bomba que mantém o sangue em movimento dentro dos vasos sanguíneos. o coração resiste cerca de 5 minutos a 1 hora.O coração.Lesão torácica . • A parada do coração é sempre acompanhada pela parada imediata da respiração.MANUAL DE EMERGÊNCIAS AQUÁTICAS – Dr David Szpilman A Função Cárdio-Circulatória . REANIMAÇÃO CÁRDIO-PULMONAR . CAUSAS DE PARADA CÁRDIO-RESPIRATÓRIA Dentre as diversas causas.Afogamento .Quando um trauma no tórax impede o movimento normal.Drogas . obstrução das vias aéreas ou exaustão respiratória. algumas provocam a parada respiratória antes da parada cardíaca.AVALIAÇÃO DO LOCAL DO ATENDIMENTO • Avalie o local quanto a presença de situações de risco antes de se aproximar da vítima. A circulação do sangue distribui o O2 para todas as células do organismo. MEDIDAS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL 262 .Neste caso pode ocorrer. A função do coração é bombear sangue para os pulmões onde será enriquecido com oxigênio e então bombear este sangue para o restante do corpo onde este oxigênio será liberado para as células.Traumatismo d .Parada respiratória RECONHECIMENTO DA PCR E SEU TRATAMENTO (ABC) EXAME PRIMÁRIO 10 . Parada Respiratória a . e . órgão muscular localizado na região central do tórax atrás do esterno e na frente da coluna. 2. b .Parada cardíaca primária .Lesão cerebral c . Parada Cardíaca a .Obstrução das vias aéreas superiores . mas as células do cérebro (neurônios) não sobrevivem a um espaço de tempo superior a 4 a 6 minutos. podendo ocorrer por um corpo estranho ou mais frequentemente pela queda da língua sobre a faringe.Drogas . • A parada da respiração leva a parada do coração em 1 a 5 minutos.Choque c . o oxigênio deixa de circular. d . b .RCP DEFINIÇÃO DE PARADA CÁRDIO-RESPIRATÓRIA • É a incapacidade total do coração de bombear sangue. Cada tipo de célula tem um tempo diferente de resistência a falta de O2: as células epidérmicas (pele) podem resistir até 24 horas.

SOBRASA • Cuide da sinalização e isolamento da área para prevenir acidentes secundários – acidentes de transito. Nos EUA. desabamentos. remova a vítima para local seguro antes de iniciar a sua avaliação. • A queda da língua sobre a faringe é a causa mais comum de obstrução de vias aéreas superiores.NO CASO DE AUSÊNCIA NA RESPOSTA . • A desobstrução tem prioridade em pacientes que não respondem. • É obrigatório o uso de luvas. explosões.A Figura V • A obstrução das vias aéreas superiores é a causa mais comum da parada respiratória. 263 . incêndio.ATIVE O SISTEMA SEM (LIGUE 193) E INICIE O ABC Figura IV .CHECAR A RESPOSTA DA VÍTIMA • Ajoelhe-se ao lado da vítima ao nível de seus ombros (figura IV). são portadores do vírus da AIDS. use pano limpo.e se não houver certeza da presença de respiração (figura V). 20 .Você está me ouvindo? • Uma resposta verbal da vítima indica a ausência da necessidade de RCP .Vítima viva. Veja profilaxia de TÉTANO em FERIDAS. estatísticas mostram que 19% das vítimas de traumatismos penetrantes. ou radioativas presentes na superfície do corpo. ela só deve ser movida se não responder a seus estímulos . para evitar que se vire). e profilaxia de AIDS e HEPATITE B em DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS DURANTE SOCORRO. • Caso a vítima esteja com o ventre para baixo. substâncias tóxicas.SOCIEDADE BRASILEIRA DE SALVAMENTO AQUÁTICO . sangue e secreções do paciente.DESOBSTRUA AS VIAS AÉREAS .Socorrista posicionado na altura dos ombros da vítima 40 . com idade entre 25 e 34 anos. • Evite contaminar-se por agentes biológicos. • Estimule a vítima verbalmente e balançando levemente os ombros para avaliar o nível de consciência . Em caso de dúvidas procure imediatamente após o socorro o hospital para orientação adequada. choque elétrico. Caso não haja luvas.vítima inconsciente . • Caso o local de socorro ofereça riscos que não possam ser neutralizados. • Cuidado com a coluna cervical em casos de trauma (cheque a resposta da vítima olhando-a nos olhos. Os corpos estranhos são menos comuns (figura VI). 30 .

• Evite movimentos laterais . • Esta manobra exige dois socorristas para a ventilação simultânea da vítima.Como desobstruir as vias aéreas • Elevação da Mandíbula (figura IX). 0 264 . O socorrista se posiciona por detrás da vítima e com suas mãos segura os ângulos da mandíbula.B • Avalie se o paciente está respirando . Suspeita de trauma da coluna cervical .VENTILAÇÃO .Inclinação da cabeça e elevação do queixo(hiperextensão do pescoço)-Manobra mais eficaz para a desobstrução das vias aéreas.Ausência de movimentos torácicos .Ver.As mãos do outro guarda-vidas estabiliza a coluna cervical. Corpo estranho nas vias aéreas . e Sentir (figura X).Limpeza da Cavidade Oral Figura IX 5 . Caso em contrário ela será realizada apenas se a ventilação artificial (boca-a-boca) não for eficaz (figura VIII). deslocando-a para cima.Ausência de movimentação de ar através da boca e/ou nariz da vítima . Ouvir. Figura VIII .(A) Obstrução das vias aéreas pela base da língua. abrindo as vias aéreas.Sentir e Ouvir. (B) A extensão da cabeça força a mandíbula para cima e a língua acompanha. 1o . 2o . Figura VII .MANUAL DE EMERGÊNCIAS AQUÁTICAS – Dr David Szpilman COMO DESOBSTRUIR AS VIAS AÉREAS Inclinação da Cabeça e Elevação do Queixo . Figura VI .hiperextensão do pescoço (figura VII) • Esta manobra não deve ser utilizada na suspeita de trauma da coluna cervical.Ver.como limpar • A limpeza da boca deverá ser feita antes da ventilação apenas em casos de forte suspeita de corpo estranho.

• A desobstrução das vias aéreas (A) e a avaliação da respiração (B) devem ser completadas em 10 a 15 segundos. • Após a primeira ventilação você deve virar a sua cabeça lateralmente observando o tórax e aguardar os pulmões se esvaziarem para fazer a segunda respiração artificial . • A cada ventilação o tórax deve se elevar.SOCIEDADE BRASILEIRA DE SALVAMENTO AQUÁTICO . No Lactente geralmente o ar contido na boca é o volume suficiente para ventilar.repita a hiperextensão do pescoço e tente novamente o boca-a-boca .Como fazer ? 1o . e sopre o ar pela boca da vítima.Obstrução do Nariz: obstrua o nariz com os dedos polegar e indicador com a mesma mão que inclina a cabeça (Figura XI).total de 2 ventilações. ouvir e sentir).parada respiratória (apnéia). • O socorrista sela sua boca sobre a boca da vítima e efetua duas ventilações completas com intervalo de 3 a 5 segundos entre cada uma.Ventilação (soprar o Ar): Adapte a sua boca à do paciente de forma que não haja vazamentos. • Mantenha as vias aéreas desobstruídas na inspiração e expiração. fato que confirma um boca-a-boca eficaz. Figura XI. 265 . • Se não houver movimentação do tórax e fluxo de ar pela boca . • Estas manobras de reconhecimento devem durar 5 segundos.Se não resolver . Figura X .pense em obstrução por corpo estranho e execute a manobra de Heimlich (ver adiante).Boca-a-boca O BOCA-A-BOCA . • Se o tórax não se elevar após a primeira ventilação . 2o . • As próteses dentárias só devem ser retiradas se estiverem fora do lugar.SOBRASA • Tenha a certeza de desobstruir as vias aéreas para fazer este diagnóstico. • O volume de ar insuflado deve ser o suficiente para elevar o tórax.Manobras para determinar a respiração (ver.

20 .parada cardíaca (figura XII).MANUAL DE EMERGÊNCIAS AQUÁTICAS – Dr David Szpilman • O tempo de insuflação de cada ventilação deve ser de 1 a 2 segundos.Com os cotovelos estendidos em angulo reto. de baixo para cima até localizar o encontro das duas últimas costelas. o que significa o bom resultado da sua manobra. 30 .CIRCULAÇÃO .C ➨ DETERMINAR O PULSO ARTERIAL NA ARTÉRIA CARÓTIDA • Ausência do pulso arterial da carótida . Em lactentes. Ventilações mais rápidas causam distensão gástrica e vômitos freqüentes. Neste ponto você encontrará um osso pontiagudo chamado apêndice xifóide.Parada Cardíaca. Figura XII Figura XIII . debruçado sobre a vítima e usando o seu próprio peso. 40 . a verificação do funcionamento do coração deverá ser feita através da checagem de sinais de circulação como reação a ventilação ou a presença de movimentos. • A manobra de verificação do pulso deve levar de 5 a 10 segundos. • Para leigos.parada cardíaca. 266 . com os dedos entrelaçados em flexão dorsal.Tenha certeza de que não há pulso arterial ou sinais de circulação .Coloque uma mão sobre o dorso da outra. 60 . inclua também o nariz na boca do socorrista (Boca-a-Boca/Nariz). 10 .Localize o ponto ideal utilizando os dedos indicador e médio através do abdome. • Em lactentes a verificação é feita no pulso braquial (figura XIII). faça pressão sobre o osso esterno de forma perpendicular sem apoiar-se sobre as costelas (figura XIV).Palpação de Pulso Braquial no lactente ➨ COMPRESSÃO CARDÍACA EXTERNA • Aplicação de pressão sobre o tórax da vítima fazendo o sangue circular por todo o corpo. • Só deve ser iniciada se não houver pulso arterial ou sinais de circulação . e com os punhos em extensão palmar (figura XIV). O ponto ideal será dois dedos acima (figura XV). • O importante durante a ventilação boca-a-boca é a observação da elevação e abaixamento do tórax.

e somente uma mão.Reconhecimento da vítima (movimentos? respiração?) – Resposta. 5 .realizando a compressão de 1 a 3 cm (figura XVII).1. Em lactentes devemos fazer 120 compressões cardíaca por minuto.C 6 .Cheque a ventilação .A 3 . realize 2 ventilações Boca-a-Boca.SOBRASA Figura XIV 0 Figura XV 5 .Faça a compressão cardíaca sem retirar a mão do local marcado permitindo ao tórax retornar ao normal. porém utiliza-se menor força. Fig. Descompressão.SOCIEDADE BRASILEIRA DE SALVAMENTO AQUÁTICO .Palpe o pulso arterial carotídeo ou verifique sinais de circulação para verificar a atividade do coração .Constatado a parada cardíaca.B 4 . XVI . RESUMO DO TRATAMENTO DA PCR . 0 Figura XVII . O tempo de compressão e descompressão devem ser o mesmo.COMO CONJUGAR A RCP Conjugue a respiração Boca-a-Boca com a Compressão Cardíaca Externa (figura XVIII).Se não responder acione 193 e .5 seg .5 segundos . 1 . 2.Se não houver respiração.Abra vias aéreas hiperextendendo o pescoço . ouvir e sentir . No lactente coloque o dedo indicador na linha imaginária entre os dois mamilos e suspenda o dedo indicador mantendo os dedos anelar e médio.Compressões Cardíaca externa em lactentes 6 . inicie as compressões cardíaca externa. 267 .Na compressão você deve fazer uma depressão aproximada de 3 a 5 cm no adulto (figura XVI).dois dedos . 2 . Em crianças a região de compressão cardíaca é a mesma do adulto. Compressão. A velocidade de compressões é de 100 vezes por minuto para adultos e crianças.ver.

268 . Após os primeiros 4 ciclos completos de ventilação e compressões cardíaca reavalie a ventilação . Na maioria dos casos a resposta é imediata.vire a cabeça da vítima rapidamente de lado e limpe a boca retorne a posição anterior para continuar a RCP. putrefação ou outros). com restabelecimento da respiração da vítima. a RCP deve ser iniciada em todos os pacientes. exceto em 3 situações: 10 . 30 .MANUAL DE EMERGÊNCIAS AQUÁTICAS – Dr David Szpilman A relação deve ser para 1 ou 2 Guarda-vidas . • No retorno da função cárdio-repiratória coloque a vítima na posição lateral de segurança e acompanhe com muita atenção até a chegada da equipe médica rechecando a respiração. • No caso de ocorrer vômitos . prossiga somente com o boca-a-boca na freqüência de 12 a 16 por minuto no adulto e 20 em crianças pequenas e lactentes. • Se o pulso estiver presente e não existir respiração.Livores (mancha violácea em dorso). • Em crianças e lactentes a relação de compressões/ventilações é diferente dos adultos e sempre deve ser de 1 ventilação para 5 compressões independente do número de socorristas.prossiga a compressão .Decomposição corporal (falta parte do corpo.realize 2 ventilações .Rigor mortis (enrigecimento cadavérico). TÉCNICAS DE RCP EM CRIANÇAS E LACTENTES Idade da criança Lactente 1 a 8 anos Número de socorristas 1 ou 2 1 ou 2 Compressões por/min 120 100 Relação Ventilação/Compressão 1/5 QUANDO INICIAR E QUANDO PARAR UMA RCP QUANDO INICIAR AS MANOBRAS? Confirmada a PCR.se ausente .se estiver ausente .2 ventilações para 15 compressões cardíaca. 20 . o coração também retornou.nunca ultrapasse 10 segundos em cada reavaliação.recheque o pulso ou sinais de circulação . Figura XVIII • Faça nova reavaliação a cada 3 minutos. • Se a respiração retornar.

trauma pulmonar.Entregar o paciente em PCR a uma equipe médica (Suporte Avançado de Vida). Figura XIX . PROGNÓSTICO APÓS RCP 269 . O USO DE EQUIPAMENTOS (Técnicas Com Equipamentos Básicos) Consistem na ventilação boca-a-barreira de proteção (ver mais detalhes mais adiante na PARTE 5 .Houver exaustão do socorrista. • Coloque a vítima de lado. lacerações do fígado e/ou baço. Ventilação Boca-a-Máscara (figura XIX).houver resposta e forem restabelecidas as funções respiratória e os batimentos cardíaco.O USO DE EQUIPAMENTOS E OXIGÊNIO NA VENTILAÇÃO). COMPLICAÇÕES DA RCP • Siga as técnicas correta de RCP para minimizar as complicações. pneumotórax (ar em tórax).SOBRASA QUANDO PARAR AS MANOBRAS? Uma vez iniciada a RCP só pare quando: 10 .SOCIEDADE BRASILEIRA DE SALVAMENTO AQUÁTICO . 30 . de forma a evitar a reobstrução das vias aéreas e/ou a aspiração de vômitos (posição lateral de segurança). POSIÇÃO LATERAL DE SEGURANÇA • Após o sucesso da RCP mantenha a hiperextensão do pescoço e a observação do ABC.Ítem B . • Só movimente a vítima de trauma em casos de PCR.Utilização da ventilação com máscara . e embolia gordurosa. hemotórax (sangue em tórax).“Pocket Mask” • Oferece proteção ao socorrista contra doenças. 20 . • Mesmo seguindo as técnicas corretas podem ocorrer: fraturas de costelas e esterno. • Existem casos de sucesso na reanimação em afogamento após 2 horas de RCP.

em que a ventilação boca-a-boca não produza a elevação do tórax.Vítimas Inconscientes com obstrução de vias aéreas • Suspeite de obstrução em vítimas nas quais você encontre dificuldade para insuflar seus pulmões. • Nas obstruções completas posicione-se por trás da vítima cincundando-a com seus braços e faça compressões abdominais sucessivas. como balas. sem seqüelas. 1 . 270 . Crianças que estavam se alimentando ou brincando com pequeno objeto e subitamente perdem a consciência e param de respirar. dentadura. “overdose”. o que justifica todo empenho realizado nestes casos. • As melhores respostas a RCP ocorrem em: Infarto agudo do miocárdio. 3. • A manobra de HEIMLICH é o único método pré-hospitalar de desobstrução das vias aéreas superiores por corpo estranho. até desobstruir as vias aéreas ou o paciente perder a consciência (figura XX). 2. A obstrução das vias aéreas por corpo estranho deve ser suspeitada nos seguintes casos: 1. tossir e falar de ocorrência súbita. direcionadas para cima. • Não houver resposta à ventilação Boca-a-Boca (ausência de elevação do tórax). seguido pelo Suporte Avançado de Vida em até 8 minutos. Acione o sistema SEM (193) para transportar a vítima para o hospital de referência e não efetue a Manobra de Heimlich. MANOBRA DE HEIMLICH Manobra para desobstrução de vias aéreas por corpo estranho • Corpo estranho em vias aéreas é qualquer objeto que se coloque em posição de impedir a ventilação pulmonar normal. obstrução de vias aéreas. Qualquer paciente em PCR. 2 . • Existem casos de afogamento atendidos por nosso grupo.Vítimas Conscientes com obstrução de vias aéreas • Verifique se a vítima está se sufocando e sua capacidade de emitir sons. hipotermia. Adultos jovens que estavam se alimentando e subitamente param de respirar. • Caso a vítima possa tossir ou falar. parada respiratória primária e afogamento.MANUAL DE EMERGÊNCIAS AQUÁTICAS – Dr David Szpilman • O melhor resultado da RCP ocorre quando o Suporte Básico de Vida é iniciado em até 4 minutos. que foram reanimados com mais de 15 minutos de submersão. casos de fibrilação ventricular. significa que a obstrução é incompleta. 4. A manobra de Heimlich deve ser realizada quando: • Houver forte suspeita de corpo estranho obstruindo as vias aéreas. alimentos e outros. moedas. Impossibilidade de respirar.

Caso não tenha sucesso: • Ajoelhe-se a cavaleiro sobre as coxas do paciente e coloque as mãos entre o umbigo e o início das costelas. repita toda a seqüência.SOBRASA • Refaça a hiperextensão do pescoço e tente novamente ventilar . • Abra a boca e verifique se o corpo estranho foi deslocado. até que seja obtido sucesso. limpe a boca e continue o procedimento. • Em qualquer situação de emergência existe a exposição a alguns líquidos corpóreos com risco de transmissão de doenças para o guarda-vidas e para a vítima. e os casos relatados até hoje foram decorrentes da contaminação por sangue ou pela penetração inadvertida da pele por instrumentos cirúrgicos. uma das mãos segura a cabeça e a mandíbula em ligeira hiperextensão. retirando-o. • Embora algumas doenças possam ser potencialmente transmissíveis entre duas pessoas que se expõem. Faça 5 compressões súbitas no abdome em direção a cabeça (figura XXI).SOCIEDADE BRASILEIRA DE SALVAMENTO AQUÁTICO . • Em caso de insucesso. a preocupação maior é com as doenças mais graves como a hepatite B e a AIDS. RISCO DE TRANSMISSÃO DE DOENÇAS DURANTE A RCP • A maioria das RCP feita pelos guarda-vidas é realizada em vítimas não conhecidas. coloque a criança com a cabeça em posição mais baixa que o corpo. 271 . Ambas raramente são transmissíveis durante a RCP. Figura XX Figura XXI • Após a manobra de Heimlich . e com a outra mão dê 5 tapas no tórax. Figura XXII .tente novamente ventilar o paciente por duas vezes.Manobra de Heimlich em lactente • Em caso de vômitos vire a cabeça de lado. gire a vítima de frente e tente 5 compressões torácicas abaixo do ponto da compressão cardíaca em lactente (figura XXII). • Em lactentes. Caso não seja efetiva. • Não inicie a compressão cardíaca até que a obstrução tenha sido resolvida.

hiperextensão do pescoço. • Verificar retorno da ventilação após um 1 min. e braquial no lactente durante 5 seg.Acione o SEM (SCAV) . 5 Verifique presença de respiração . Se não houver ventilação. RESUMO DO EXAME PRIMÁRIO . reposicione o pescoço e tente nova ventilação.se não houver ventilação. em seqüência alternada.) . 3o Em caso de ausência de resposta (inconsciente) . Em caso de sucesso na ventilação.cheque primeiro a ventilação.verifique a expansão torácica a cada ventilação. prossiga na checagem do pulso.EXAME SECUNDÁRIO – QUANDO A VÍTIMA ESTIVER VIVA O USO DOS DESFIBRILADORES SEMI-AUTOMÁTICOS SUPORTE BÁSICO DE VIDA . 7 Verifique sinais de circulação ou a presença de pulso arterial carotídeo no adulto.Inicie as compressões torácicas. Em caso de insucesso faça a manobra de Heimlich.ligue 193 4o Abra as vias aéreas .Boca-a-boca . o o SÓ INICIE O EXAME MAIS DETALHADO DA VÍTIMA .MANUAL DE EMERGÊNCIAS AQUÁTICAS – Dr David Szpilman • A transmissão de Hepatite B e AIDS jamais foi documentada até hoje (1994) em casos de ventilação Boca-a-Boca. • Um ou 2 Guarda-vidas (GV) . posicione a vítima em decúbito dorsal e abra as vias aéreas. • Somente interrompa as manobras de RCP em caso de sucesso. de RCP e a cada 3 minutos subseqüentemente. Deprimir o esterno 3 a 5 cm no adulto e 1 a 3 cm nas crianças e lactentes. 8o No caso de ausência de sinais de circulação ou pulso arterial . • Recomenda-se a vacinação para hepatite tipo B em todos os socorristas. não se exponha a riscos desnecessários e utilize medidas de proteção individual.Desfibrilação semi-automática 272 .RCP BÁSICA 1o Avalie o local.Cuidado! . ou após ordem médica ou cansaço extremo de perigo ao socorrista.Ventilação artificial C .cheque a resposta da vítima.2 ventilações e 15 compressões. • Em vítimas com suspeita de trauma de coluna cervical . 2o Estabeleça o estado de inconsciência .Compressões torácicas D .Abertura de vias aéreas B . • Não havendo elevação do tórax.ver.Conjunto de técnicas pouco complexas que devem ser ensinadas a pessoal de área de saúde e outros profissionais da área de segurança e resgate que tenham a possibilidade de se deparar com situações de PCR. Consiste da associação das técnicas de RCP e de desfibrilação SUPORTE BÁSICO DE VIDA A . ouvir e sentir (5 seg. • Cheque grandes hemorragias após o pulso arterial e faça a hemostasia se for o caso. 6o Ventile a vítima por duas vezes .

A fibrilação ventricular é uma arritmia cardíaca geralmente causada por isquemia miocárdica relacionada a doença das artérias coronárias. O principal obstáculo a desfibrilação precoce é trazer o desfibrilador ao paciente em poucos minutos.SOCIEDADE BRASILEIRA DE SALVAMENTO AQUÁTICO . Podem ser de três tipos: manuais. Para que a desfibrilação seja realizado o mais precoce possível todo o pessoal treinado em BLS deve ser treinado em desfibrilação semi-automática. Muitos adultos em fibrilação podem sobreviver sem danos neurológicos se a desfibrilação for realizada até 6 a 10 minutos após a PCR desde que a RCP tenha sido iniciada. FIBRILAÇÃO VENTRICULAR . Quanto mais rápido se atua maiores são as chances de reverter a fibrilação. PRINCÍPIOS DA DESFIBRILAÇÃO PRECOCE • O ritmo mais freqüente em PCR em adultos é a fibrilação ventricular. Após alguns minutos a fibrilação ventricular após consumir as reservas de energia do coração se converte em assistolia que geralmente é irreversível. TIPOS DE DESFIBRILADOR • Desfibriladores internos: são implantados cirurgicamente como aparelhos de marca-passo. Não há bombeamento de sangue. Não há necessidade de treinamento específico em reconhecimento (ECG) e tratamento de arritmias para operação do aparelho. DESFIBRILAÇÃO . A rapidez com que a desfibrilação é realizada é o principal determinante do sucesso da reanimação. O único tratamento eficaz para esta arritmia é a desfibrilação. totalmente automáticos e semi-automáticos.É a aplicação de um choque controlado visando a reversão de uma arritmia cardíaca associada a PCR (fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular). Durante a fibrilação ventricular o coração perde a capacidade de se contrair eficazmente. Com a invenção dos desfibriladores semi-automáticos atualmente ela é efetuada por pessoal treinado em BLS. pois cada fibra miocárdica se contrai independente das outras. Em eventos de PCR presenciados por equipe dotada de desfibrilador a sobrevivência chega a 90% dos casos. O Suporte Básico de Vida é conhecido também pela sigla BLS que vem do inglês (“Basic Life Support”).A causa principal de PCR em adultos não vítimas de trauma é a fibrilação ventricular.SOBRASA semi-automática. Os choques são aplicados na superfície do coração. obrigatoriamente são automáticos. • A probabilidade de desfibrilação diminui rapidamente com o tempo. A RCP básica pode não converter a fibrilação ventricular ao ritmo normal. A desfibrilação era uma habilidade reservada a médicos ou profissional treinados em suporte avançado de vida. • O tratamento mais efetivo da fibrilação é a desfibrilação. 273 . • Desfibriladores externos: as pás entram em contato com a superfície do tórax do paciente.

Os aparelhos totalmente automáticos após serem ligados e conectados ao paciente não exigem mais a interferência humana enquanto que os semi-automáticos recomendam ao operador que dispare o choque. 274 . VANTAGENS DO DEA • Aumentar o número de pessoas aptas a realizar desfibrilação. • Respiração agônica ou convulsões. • Diminuir a necessidade de treinamento de pessoal em técnicas de suporte avançado de vida. Interferência com a análise do DEA • Transmissão de mensagens de rádio a menos de 2 m do aparelho. • Tornar a desfibrilação mais precoce no ambiente pré-hospitalar. INTERRUPÇÃO DA RCP As normas da “American Heart Association” utilizadas em quase todos os serviços médicos ensinam que a RCP não deve ser interrompida por mais de 5 segundos. A utilização do desfibrilador semi-automático é uma das poucas situações em que estas normas não se aplicam. podem interromper a análise do ritmo. pois não existe o risco do choque ser aplicado com pessoal em contato com a vítima a não ser por erro do operador. O DEA analisa o ritmo várias vezes em poucos segundos. Os aparelhos semi-automáticos são considerados mais seguros. ANÁLISE DO RITMO Os DEA possuem um microprocessador que realiza a análise de características múltiplas do eletrocardiograma do paciente. Neste capítulo mencionaremos apenas os desfibriladores semi-automáticos. o aparelho carregará seu capacitor e recomendará a seu operador a execução do choque através de mensagem visual ou sonora. A interrupção da RCP é contrabalançada pelos efeitos benéficos da desfibrilação precoce. Os erros que ocorreram com a utilização dos DEA podem ser atribuídas na maior parte dos casos a falha do operador.MANUAL DE EMERGÊNCIAS AQUÁTICAS – Dr David Szpilman DESFIBRILADORES EXTERNOS AUTOMÁTICOS (DEA) São equipamentos de desfibrilação dotados de um microprocessador que realiza a análise do ritmo. O tempo entre a ativação do modo de análise do DEA e a 1a desfibrilação é em média de 10 a 15 segundos. • Aumentar a sobrevivência de vítimas com fibrilação ventricular. A sensibilidade e especificidade destes aparelhos são altas. se várias destas análises demonstrarem a presença de um ritmo “desfibrilável” de PCR (fibrilação e taquicardia ventricular). • Movimentação do paciente durante seu transporte ou manobras de RCP.

Ligar o aparelho. 7. • Socorro com Um socorristas: determinar a inconsciência. 200 a 300 J e 360 J. 6. Colocar o aparelho se possível próximo a ouvido esquerdo da vítima. O DEA faz automaticamente a carga de seu capacitor caso o choque esteja indicado com sucessivamente 200 J. 13. Seguir a mensagem gravada do aparelho. Conectar pás adesivas ao tórax do paciente uma na borda esternal superior direita e a outra no ápex cardíaco. Pressionar o botão de análise do ritmo. palpar pulso carotídeo e se pulso ausente aprontar o DEA. 8. Caso após uma das análises de ritmo a mensagem do desfibrilador seja “choque não indicado” palpar o pulso carotídeo por 5 segundos reiniciando a RCP se ele estiver ausente.SOBRASA DESFIBRILAÇÃO SEMI-AUTOMÁTICA Todos os aparelhos podem ser utilizados seguindo passos simples. abrir vias aéreas. Caso o aparelho indique o choque o operador deve pressionar o botão e o DEA efetuará a descarga de 200 J. • Socorro com Dois socorristas: um efetua a RCP e o outro prepara o DEA. Se o pulso estiver presente avaliar a ventilação do paciente. iniciando respirações artificiais se necessário ou apenas a administração de O2 suplementar. Após o 1o choque não palpar pulso.SOCIEDADE BRASILEIRA DE SALVAMENTO AQUÁTICO . 3. 9. Cessar toda a movimentação do paciente. apneico e sem pulso. 10. • Efetuar RCP até que o aparelho esteja pronto para operar. 14. Repetir os itens de 9 a 11. 275 . Após o 2o choque não palpar pulso. 15. 5. • Determinar que o paciente está em PCR. O socorrista deve solicitar em voz alta “Afaste-se do paciente”. Após 1 minuto de RCP o pulso carotídeo é verificado e caso ausente repetir a análise do ritmo. MEDIDAS DE SEGURANÇA NO USO DO DEA • Os DEA devem ser conectados ao paciente somente quando o mesmo estiver inconsciente. Depois do 3o choque o socorrista efetua a palpação do pulso carotídeo por 5 segundos e caso ausente faz RCP por 1 minuto. Realizar os procedimentos do lado esquerdo do paciente. 11. pressionando imediatamente o botão de análise e caso indicado pelo DEA repetir o choque pela 2a vez. São efetuados sempre até 3 choques. 4. Operação do DEA 1. pressionando imediatamente o botão de análise e caso indicado pelo DEA repetir o choque pela 3a vez. ventilar 2 vezes se paciente em apnéia. 12. 2.

CHEGADA DE MÉDICO SOCORRISTA AO LOCAL Após a chegada de socorro médico avançado ao local os socorristas devem fazer um sumário dos procedimentos efetuados e passar o comando da situação para o médico. Existem reportes de choques efetuados a pacientes com arritmias não associadas a PCR mas estas são falhas do operador e não do aparelho. • Os não desfibriladores são semi-automáticos em crianças utilizados menores que 8 anos. OU SEJA. • Sistema . PARTE B . 276 .cérebro e coração. e que sofrem rapidamente na ocorrência de baixa de oxigênio . que atuam juntas para executar uma função específica do corpo. • Os socorristas devem seguir as normas de manutenção do aparelho deixando-o permanentemente pronto para o uso. • Órgãos vitais . pois raramente estas tem PCR em fibrilação ventricular e a energia dos choques aplicados é exagerada para o peso das crianças. APÓS VERIFICAR AUSÊNCIA DE PCR 1 .EXAME SECUNDÁRIO SÓ INICIE O EXAME SECUNDÁRIO COM PACIENTE VIVO.Grupo de órgãos e outras estruturas que funcionam juntos para funções específicas. Sempre que for ativado o modo de análise o socorrista deve dizer em voz alta “Afaste-se do paciente”. • Após a ativação do modo de análise do DEA nenhum socorrista pode permanecer em contato com o paciente para evitar erros na análise do ritmo e sua eletrocussão acidental.Termos importantes • Célula .MANUAL DE EMERGÊNCIAS AQUÁTICAS – Dr David Szpilman • A RCP e o transporte do paciente devem ser interrompidos.Unidade básica de todos os tecidos vivos. • Tecido .Um grupo de células similares.INTRODUÇÃO AO ATENDIMENTO DE EMERGÊNCIA ESTRUTURAS DO CORPO HUMANO .Órgãos essenciais para a manutenção da vida.

Febre. estômago. e outros. produção de células sanguíneas e calor .Pele.boca.SOCIEDADE BRASILEIRA DE SALVAMENTO AQUÁTICO .Grupo de órgãos (coração) e outras estruturas que carreiam sangue rico em oxigênio e outros nutrientes através do corpo (artérias) e removem as escórias das células (veias). brônquios. traquéia. • Sistema nervoso . • Sistema respiratório . cera. medula óssea.FC > 100 Bpm.Hipotensão ou Choque. • Sintoma . • Bradicardia . medula raízes espinhal.ossos. tendões. e pulmões.Grupo de órgãos e outras estruturas que fornecem suporte e movimentação do corpo.Supra-renal. hipófise. IAM. • Sistema digestivo .Grupo de órgãos e outras estruturas que regulam todas as funções corporais cérebro. • Variações possíveis do ritmo cardíaco: regular ou irregular 277 .número de vezes que o coração se contrai por minuto. • Taquicardia . bronquíolos.alteração que pode ser verificável ao exame físico. pancreas. e outros. cabelo. e outros. .Grupo de órgãos e outras estruturas que eliminam escórias e permitem a reprodução . TRM.Grupo de órgãos e outras estruturas que trazem o oxigênio (O2) para dentro do corpo e removem as escórias (CO2) através da respiração .SOBRASA • Sistema Circulatório .Grupo de órgãos e outras estruturas que digerem a comida e eliminam os produtos indesejáveis .FC < 60 Bpm . Arritmias. FREQÜÊNCIA CARDÍACA (FC) • Freqüência cardíaca . faringe. • A sua verificação é realizada pela palpação do pulso artérial radial. intestino delgado e grosso. bexiga.Atletas. nervos. tireóide. uretra. unha. Ansiedade. e cerebelo. e outros. ureter. e ânus. pênis. ligamentos. músculos. testículos. • Sistema músculo-esquelético . Arritmias.Grupo de órgãos e outras estruturas que regulam e coordenam as atividades de outros sistemas através da produção de substâncias .boca. vagina. drogas. proteção de órgãos internos.sensação que o paciente informa sentir. • Sistema endócrino . faringe. útero. parótida. laringe. • FC normal varia entre 60 e 80 batimentos por minuto (Bpm). e testículos. • Sistema genito-urinário . • Sistema tegumentar . ovário. Dor. paratireóide.rim. armazenamento de minerais. espinhais SINAIS E SINTOMAS DIAGNÓSTICOS • Sinal .

ansiedade.FR > 20 ipm • Dispnéia é a sensação de falta de ar • Ritmo da respiração: regular ou irregular • Intensidade da respiração: superficial ou profunda TEMPERATURA AXILAR (T. • Para utiliza-lo em região axilar basta reduzir a temperatura do termômetro abaixo de 360 C e coloca-lo na axila com a parte do mercúrio voltada para dentro da axila aguardando 5 minutos para sua verificação. • Sua alteração pode ocorrer em casos de: falta de ar. desidratações.Climas e águas frias. PRESSÃO ARTERIAL (PA) • Mede a força que o sangue exerce sobre a parede das artérias. • FR normal: 12 a 20 ipm • Taquipnéia .80 queimaduras. afogamento. e outros. inflamações sistêmicas. C. drogas. Axil.A) E EXAME DA PELE • Verifica-se a temperatura corporal através do uso de um termômetro com escala de 35 a 410 C. Ansiedade. • A temperatura pode ser verificada na boca.dor. Choque.Infecções.MANUAL DE EMERGÊNCIAS AQUÁTICAS – Dr David Szpilman • Intensidade do pulso radial (amplitude): fino. traumas severos. • Hipotermia: Temperatura < 35. e pacientes hipertensos. choque e etc. e mais comumente na região axilar. e outros. • Hipertensão arterial é a alteração da PA acima dos valores normais . e outros. • O valor normal varia entre 12 e 20 incursões por minuto (ipm) dependendo da idade. febre. hipotensão arterial. hemorragias. • A PA depende de 2 fatores: quantidade de sangue ejetada pelo coração a cada contração e a relação entre a capacidade do sistema arterial e o volume sangüíneo.50 C . • A sua verificação se faz através da observação do movimento torácico. ou normal. 278 . no ânus. • Hipotensão arterial é a alteração da PA abaixo do normal . drogas.50C • Febre: Temp. > 37. • PA sistólica é o nível numérico mais alto aferido • PA diastólica é o nível numérico inferior aferido • Os valores normais da PA variam de 90/50 a 140/90 • O equipamento utilizado na aferição da PA é chamado de esfigmomanômetro ou “aparelho de pressão”.traumas com perda de sangue. FREQÜÊNCIA RESPIRATÓRIA (FR) • É o número de vezes que o indivíduo respira no intervalo de 1 minuto. drogas. • Reduções no volume ejetado pelo coração causam diminuições da PA. bradicardia ou taquicardia importantes. • Temperatura normal: 36 a 37.

hipotensão arterial ou choque. 279 .falta de oxigênio ou frio. ou hemorragia importante. • Síncope: perda breve da consciência devido à diminuição da circulação cerebral hipotensão ou choque.Quente: exercícios e febre. • O Exame Primário consiste na avaliação de todas as condições clínicas que impliquem em risco iminente de vida . • Estas células têm uma sensibilidade muito grande a falta de oxigênio e glicose.responde a Dor .Essa fase deve ser completada no máximo em 60 segundos.Responde a estímulos Verbais D . ou um aperto sobre a unha. • Quente .beliscão no braço ou perna.febre 3. Umidade • Úmida (suor) . • Azulada (cianose) .SOCIEDADE BRASILEIRA DE SALVAMENTO AQUÁTICO .hipotermia ou choque. Temperatura • Fria .SOBRASA PELE 1. • Determine o nível de consciência utilizando o método AVDI.Acordado V .queimadura ou infecção. circulação e digestão). • Avermelhada . ou se é possível completar o Exame Secundário no local. Fria: hipotensão ou choque e mal estar NÍVEL DE CONSCIÊNCIA • O Sistema Nervoso Central tem a função de manter e coordenar todas as atividades voluntárias (movimento e fala) e involuntárias (respiração. Só após completada esta fase de exame primário. I .ABORDAGEM INICIAL AO PACIENTE EM EMERGÊNCIA ABORDAGEM AO PACIENTE • Após o Exame Primário determine a necessidade de transporte rápido para o hospital (vítimas instáveis).ABC da vida . Coloração • Pálida .Irresponsivo 2 .frio. você deverá iniciar o exame secundário. 2. • As células que compõem o Sistema Nervoso são denominadas neurônios e têm um alto grau de especialização. A . • Coma: ausência de qualquer resposta compreensível a qualquer estímulo externo ou necessidade interna.

• Descubra a vítima para observar a presença traumatismos em áreas cobertas pelas roupas. EXAME DA CABEÇA AOS PÉS • Faça exame mais detalhado seguindo a seqüência da cabeça para os pés (crânio-caudal).Acordado V .Colar cervical 2 . ANAMNESE DIRIGIDA SUMÁRIA (Colher história do ocorrido) • O que você está sentindo? • O que ocorreu? • Existia alguma doença antes do acidente ocorrido? • Usa medicações? • Última refeição . EXPOR A VÍTIMA • Peça ao paciente consciente que informe se existe dor e movimente discretamente os dedos das mãos e dos pés. 50.TRM) • Se houver suspeita de trauma imobilize imediatamente o pescoço . IMOBILIZAR A COLUNA CERVICAL (ver mais detalhes em trauma cervical .Irresponsivo 30. CABEÇA • Palpe o couro cabeludo para observar traumas: hematomas e depressões. • Adote medidas de controle de hemorragias externas. A presença deste pulso indica que não há choque.Coloração rosada raramente tem sangramentos importantes. • Teste nos dedos se a unha se enche de sangue ao apertar. 40. 10. SINAIS VITAIS • Determine a FC e o tipo de pulso arterial radial.quando foi? 60.MANUAL DE EMERGÊNCIAS AQUÁTICAS – Dr David Szpilman EXAME SECUNDÁRIO • Faça uma abordagem de lesões que não impliquem em risco imediato de vida. A . • Cheque a FR e profundidade da respiração.Responde a estímulos Verbais D . 0 280 .responsivo a Dor I . • Observe a cor da pele . • Avalie de modo comparativo a temperatura da pele da vítima. A palidez ou tom acinzentado de pele pode indicar hemorragia. AVALIAÇÃO NEUROLÓGICA SUMÁRIA • Determine o nível de consciência utilizando o método AVDI. • Palpe a face.

O objetivo é determinar a presença de dor e instabilidade óssea. ABDOME • Observe feridas penetrantes. • Inspecione observando deformidades. MEMBROS • Examine os membros superiores (braços) primeiro. durante a manobra de rolamento utilizada para colocar a vítima sobre a prancha longa ou maca. • Examine a cavidade oral com mais atenção. PELVE • Faça uma leve compressão bilateral no sentido antero-posterior e latero-lateral das cristas ilíacas e palpação da sínfise pubiana (região acima da genitália). contusões. • Verifique e compare a sensibilidade e os pulsos arteriais. procurando lesões. e evisceração (saída de vísceras da cavidade). • Observe movimentos respiratórios diferentes. • Compare os dois pulsos carotídeos • Verifique a presença de ar sob a pele. DORSO • Coloque as mãos por baixo da vítima. TÓRAX • Observe feridas penetrantes. deformidades. • Palpe as clavículas e costelas para verificar áreas instáveis na parede torácica. sangramentos e próteses (dentaduras). com a sensação de crepitações.SOBRASA • Observe drenagem de sangue pelos ouvidos ou nariz. e a seguir os membros inferiores (pernas).Álcool? PESCOÇO • Observe lesões penetrantes. através da palpação. lesões com exposição óssea e hemorragias.SOCIEDADE BRASILEIRA DE SALVAMENTO AQUÁTICO . • Verifique a centralização e integridade da traquéia e coluna cervical. • Palpe os ossos procurando determinar presença de fraturas. REPORTANDO RESULTADOS DA AVALIAÇÃO INICIAL ( telefone 193) • Inicie com a causa do acidente 281 . equimoses. alterações de volume e hemorragias externas. • Sinta o hálito da vítima .

O volume de sangue varia conforme a idade e pode ser estimado utilizando-se o valor médio de 80 ml / Kg de peso. Durante o exame secundário o socorrista deverá avaliar os possíveis traumas ocorridos e suas condutas. PARTE C . térmica. • Os mecanismos normais que o corpo possui para limitar as hemorragias são: 1) Contração da parede dos vasos sangüíneos (vasoconstricção) 2) Coagulação do sangue (plaquetas e fatores da coagulação) CLASSIFICAÇÃO DAS HEMORRAGIAS 1 . • Hemorragia é a perda de sangue circulante para fora dos vasos sangüíneos. O que é trauma (traumatismo)? – É a lesão corporal resultado da exposição à energia (mecânica.tipo de hemorragias • Arterial: sangramento em jato. elétrica. O trauma pode ser intencional ou não intencional e varia de leve a grave. o socorrista terá um diagnóstico do que ocorreu à vítima. congelamento).Tipo de Vaso Sangüíneo .Profundidade . Pode ainda em alguns casos ser resultado da insuficiência de algum elemento vital (afogamento. Neste capítulo veremos cada situação particular de trauma e sua conduta. estando entre 8 e 9% do peso corporal. estrangulamento. Geralmente coloração vermelho-vivo – sangramento grave que pode levar a morte em poucos minutos. 1 . e logo após.ABC • Descreva a queixa principal do paciente • Descreva os sinais vitais e os resultados do exame secundário • Reporte a conduta inicial tomada Ao realizar os exames primário e secundário.EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS Em qualquer situação de trauma proceda ao EXAME PRIMÁRIO primeiro. A seguir veremos as diversas situações de emergência.raramente fatal.HEMORRAGIAS • Um indivíduo com 70 Kg possui aproximadamente 4. O tempo de exposição e o surgimento da lesão devem ser curtos (alguns minutos) (OMS . o volume sangüíneo é maior.MANUAL DE EMERGÊNCIAS AQUÁTICAS – Dr David Szpilman • Reporte o exame primário . • Capilar: sangramento contínuo discreto – pequena importância. Em crianças. química ou radiação) que interagiu com o corpo em quantidades acima da suportada fisiologicamente. estando a vítima viva proceda ao EXAME SECUNDÁRIO.900 ml de sangue. e qual a conduta específica à cada uma delas.tipo de hemorragias 282 . • Venosa: sangramento contínuo.ano 2000). • Hemostasia é o controle da hemorragia. 2 . geralmente de coloração escura .

RECONHECIMENTO DAS HEMORRAGIAS • A hemorragia pode ser estimada grosseiramente através do sangue perdido no local. 3 . Hemorragias Classe IV: Perdas superiores a 40% do sangue . CONSEQÜÊNCIAS DA HEMORRAGIA • Hemorragias não tratadas podem provocar o desenvolvimento do Choque. QUADRO CLÍNICO .CHOQUE • Nível de consciência alterado. variando entre agitação.PA normal com o paciente deitado. Podem geralmente ser controladas utilizando técnicas básicas de primeiros socorros. • Pele com suor frio e pálido. • Taquipnéia (respiração rápida) com FR > 20 por minuto.000 ml .1.750 a 1. As medidas pré-hospitalares básicas de hemostasia geralmente não funcionam.varia com o volume da perda de sangue Hemorragias Classe I: Perdas de até 15% do sangue . Hemorragias Classe III: Perdas entre 25% e 40% do sangue . PA baixa mesmo deitado ou choque. • Ansiedade e às vezes agitação e sede intensa. • Taquicardia superior a 120 bpm. • Pulso radial fino ou impalpável. • Taquipnéia importante .FC >140 bpm. 283 .000 ml.SOCIEDADE BRASILEIRA DE SALVAMENTO AQUÁTICO . • Taquicardia importante .FR > 30 p/min. Vítimas agônicas podem apresentar bradicardia. • Pele com suor frio e pálido. • Ansiedade e queixas de sede • Taquicardia . • Pulso radial fino . • Pela fria e pálida. • Taquipnéia com freqüência respiratória > 35 p/min. • Pulso radial impalpável com pulso arterial carotídeo presente .Velocidade • Quanto mais rápida a hemorragia menos o organismo tolera a perda de sangue e mais rápido deve ser o socorro à vítima para o hospital.750 ml em adultos • não causam sintomas ou sinais no exame.Choque • A perda de mais de 50% do volume sangüíneo causa a morte.500 ml. confusão mental e inconsciência.FC entre 100 e 120 bpm.>2. Hemorragias Classe II: Perdas entre 15% e 25% do sangue .500 a 2. • Interna: sangramento de estruturas profundas pode ser oculto ou se exteriorizar.SOBRASA • Externa: sangramento de estruturas superficiais com exteriorização do sangramento.

(2) elevação do ponto de sangramento acima do coração. coloque outra compressa sem retirar a 1a .sobre o pano. ou (6) compressão arterial femoral. Observe presença de lesões perfurantes. 3) Em caso de choque .5 litro ou mais de sangue pode produzir choque. (3) bandagem • A causa mais comum de choque é a hemorragia. • Caso a compressa fique encharcada de sangue. Algumas fraturas como as de bacia e fêmur podem produzir hemorragias internas graves e choque. • Na persistência da hemorragia.ABC da vida 2) Controle de hemorragias externas: • Coloque suas luvas ou utilize um pano para manipular a vítima. Figura . (5) compressão arterial braquial. inicie a compressão direta da artéria que irriga a região.(1) hemostasia com pano. CONDUTA PRÉ-HOSPITALAR 1) Exame Primário . • Não utilize torniquete.posicione o paciente com as extremidades inferiores elevada. e CHOQUE • É o estado que resulta da incapacidade em prover sangue suficiente para os órgãos. • Os locais mais freqüentes de hemorragia interna são o tórax e abdome. • Eleve se possível o local do sangramento acima do nível do coração com a vítima deitada. 4) Imobilize as fraturas exceto naqueles que apresentem sinais de choque. (4) colocar outro pano por sobre o curativo em caso de permanência do sangramento. 284 . femorais e temporais superficiais. RESUMO DA HEMOSTASIA 2 . equimoses ou contusões na pele do tórax e abdome. 5) Em caso de choque transporte o paciente imediatamente para o hospital. • Pressão Arterial sistólica < 60 mmHg. A perda de 1. dependendo do local. Os principais pontos arteriais são os braquiais. • Coloque compressa limpa sobre o ferimento e efetue a compressão direta da lesão.MANUAL DE EMERGÊNCIAS AQUÁTICAS – Dr David Szpilman • Pacientes com sinais de choque e lesões externas pouco importantes devem apresentar hemorragia interna oculta.

3 . Exame primário . porém alertam para lesões de órgãos internos. Sucção – Não puxe o membro preso pela sucção.FERIDAS • São as lesões de tecidos corporais produzidos por trauma. Infecção severa (sepse) Queimadura grave e outros Sinais e Sintomas Confusão. 3. Aqueça o paciente com cobertores. Pulso arterial rápido e fraco Respiração rápida CONDUTAS DE SUPORTE BÁSICO DE VIDA NO CHOQUE 1.aumenta as chances de sobrevivência. • Equimose . Com a sucção ocorre trauma local e edema (inchaço). Infarto agudo do miocárdio em adultos > 40 anos é causa mais freqüente de choque. úmida com sudorese fria e Sede intensa. ansiedade até a inconsciência.ABC da vida: administrar 15 litros de oxigênio sob máscara em todos os casos. 5.Tumoração preta ou azulada visível sob a pele. • No caso de infarto do coração a melhor posição é a semi-sentada. Caso o membro não saia do local de sucção deve-se quebrar o local ao redor do orifício de sucção. • Decúbito dorsal com os membros inferiores elevados na maioria dos casos. • Os ferimentos podem ser: FERIDA FECHADA . 2. Não administre líquidos ou medicamentos pela boca. • Hematoma . FERIDA ABERTA .Pele lisa com uma coloração preta ou azulada. Posicione a vítima de acordo com a causa do choque. 6. 4.hemorragia) importante – são as causas mais freqüentes. Controle imediatamente hemorragias externas e imobilize somente grandes fraturas.pele integra Contusões • A presença de lesões superficial não ameaça a vida. Transporte imediatamente ao hospital . desligue o aparelho (ex: bomba de piscina).pele aberta 285 . Pele pálida.SOCIEDADE BRASILEIRA DE SALVAMENTO AQUÁTICO .SOBRASA Causas Perda líquida (desidratação) ou sangramento (Trauma .

• Lesões perfurantes de tronco e abdome devem ir para o hospital imediatamente. AVULSÕES . • Tratar as condições que causem risco iminente de vida .lave o retalho com água corrente ou soro fisiológico. Imobilize extremidades com ferimentos profundos. que apresentam sangramento leve e costumam ser extremamente dolorosas.ABC da vida. • Coloque o saco plástico em recipiente de isopor com gelo ou água gelada. nervos e vasos sanguíneos. • Apresentam graus variados de sangramento. b) Controle a hemorragia . • Coloque o retalho em posição normal e efetue a compressão direta da área para controlar o sangramento.O controle da hemorragia é crucial na primeira fase do tratamento. • Em pacientes com PA normal efetue a limpeza das lesões de forma rápida. • Jamais coloque a extremidade em contato direto com gelo. tendões. • Proteja o membro amputado com dois sacos plásticos. geralmente com lesões de músculos.descolamento da pele que pode se manter ligado ao tecido ou não. • Caso a avulsão seja completa . Grandes traumas como ex: acidentes automobilísticos. envolve-lo em pano limpo molhado. • A localização mais comum é em membros superiores e inferiores. coloque-o dentro de um saco plástico lacrado dentro de vasilhame com água gelada para o transporte ao hospital. 286 . No trauma grave este procedimento é omitido para reduzir o tempo de chegada ao hospital. • Envolva-o em gaze estéril úmida ou compressa limpa molhada. • O socorrista deve controlar o sangramento por compressão direta e aplicação de curativo e bandagens.perfuração da pele e tecidos por um objeto.LACERAÇÕES • Escoriações: Lesões superficiais da pele ou mucosas.Separação de um membro ou de uma estrutura do corpo. Evite o uso de gelo direto sobre o tecido. • As lesões penetrantes de tórax e abdome devem ser ocluídas o mais rápido possível. d) Cuide do segmento amputado (separado do corpo): • Limpe com solução salina ou água corrente. • Lesões corto-contusas: Lesões produzidas por objetos cortantes. Não representam risco ao paciente quando isoladas. a) Exame primário . sem imersão em líquido.MANUAL DE EMERGÊNCIAS AQUÁTICAS – Dr David Szpilman ESCORIAÇÕES – LESÕES CORTO-CONTUSAS . geralmente de difícil controle. Caso seja possível lave o retalho com água corrente antes. • Lacerações: Grandes lesões corto-contusas.ABC e Hemorragias. músculos. nervos e sangramento que pode ser moderado a intenso. AMPUTAÇÕES TRAUMÁTICAS . FERIMENTOS PERFURANTES . c) Trate o choque se presente. Podem causar sangramento de variados graus e danos a tendões. • O orifício de entrada pode não corresponder a profundidade da lesão.

EMPALAMENTO . Avaliar profundidade de penetração e queimaduras. b – Área anatômica do impacto. d) Transporte o paciente em posição com o ventre para cima.exteriorização de vísceras. sem que o paciente esteja no ambiente hospitalar. com os joelhos fletidos. exceto se isto for essencial para o transporte. a – Altura. ossos). sendo muitas vezes incompatíveis com a vida. c) Estabilize o objeto no local encontrado com curativo apropriado. asfalto. Além da perfuração ocorre queima dos tecidos ao redor. a) Exponha a lesão retirando a roupa. Caso não seja possível liberar a extremidade a máquina deverá ser desmontada e transportada juntamente com a vítima ao hospital.perfuração na qual o objeto penetrante está parcialmente exteriorizado.SOBRASA e) Não deve-se demorar no cuidado ao segmento amputado. ESMAGAMENTO . a) Não tente reintroduzir os órgãos eviscerados. a velocidade. o tipo de munição e a forma do projétil. Sempre procure o orifício de saída. 287 . mesmo com orifício de penetração pequeno. PROJÉTIL DE ARMA DE FOGO (PAF) • • • • Considere o calibre. etc. QUEDAS • • Avaliar. Relacione os ferimentos na vítima em relação a área anatômica de impacto – cuidado com outras leões que não são visíveis como ex. • Pode resultar em ferimentos abertos ou fechados. O dano tecidual é extenso (músculos. LESÕES DECORRENTES DE EXPLOSÕES • • Vários fragmentos e várias lesões. d) Não tente partir ou mobilizar o objeto. • No caso de extremidade presa a maquinaria industrial. Um mesmo projétil pode lesar vários tecidos internamente e o sangramento ser volumoso.SOCIEDADE BRASILEIRA DE SALVAMENTO AQUÁTICO . desligar a energia da máquina. b) Cubra as vísceras com pano limpo umedecido em solução salina ou água limpa. c – superfície da queda (água. c) Envolva o curativo com bandagem.). Os esmagamentos de tórax e abdome causam graves distúrbios circulatórios e respiratórios. e em seguida fazer a lenta reversão manual das engrenagens e retirada do membro. EVISCERAÇÃO . O orifício de entrada é sempre menor e mais discreto que o de saída. b) Nunca remova objetos empalados. tendões. O paciente deve ser removido o mais rapidamente para o hospital.acidentes automobilísticos. já que a vítima é considerada de alto risco para o choque hipovolêmico. queda em pé – lesão da coluna cervical. desabamentos e acidentes industriais.

O morcego pode também ser portador do vírus da raiva.A doença ocorre pela presença de corpos estranhos em feridas que contenham a bactéria “clostridium tetani”. • Segmentos amputados devem ter cuidados a parte. sal. • Utilize sempre luvas TÉTANO . vidros. 288 . chupando. • Curativo com gaze ou pano limpo. As lambeduras por cães e/ou gatos doentes em tecidos abertos é considerado de risco. • Evite a colocação de substâncias como pó de café. • Caso haja dúvida se o acidentado foi vacinado é necessário que receba três doses da vacina antitetânica (intervalos de trinta dias entre as doses) com dose de reforço a cada dez anos. • Estabilizar objetos empalados. Conduzir o paciente o mais rápido possível ao hospital pois há risco potencial de choque anafilático e ação direta do veneno. RESUMO . • O tétano pode ser prevenido. Mantenha a posse do animal durante 10 dias após o acidente. • Imobilizar o segmento ferido. b) Picadas de insetos. mãos. Não feche a ferida com curativos. para avaliação clínica do mesmo. Não tentar retirar o veneno do local. • Controlar a hemorragia. • Todos os pacientes devem receber orientação de um médico. Profilaxia (prevenção): • Limpeza rigorosa de qualquer ferimento com água e sabão (se a vítima estiver estável). Encaminhe a vítima ao hospital para avaliação da necessidade de vacinação anti-rábica e antitetânica. aranha. Mordidas em extremidades do corpo (pés.tratamento das feridas: • Expor a ferida (retirar roupas). orelhas) são consideradas mais perigosas para o contágio do vírus da raiva humana. espremendo ou garroteando o membro.MANUAL DE EMERGÊNCIAS AQUÁTICAS – Dr David Szpilman MORDEDURAS E PICADAS a) Mordida de cão ou gato • • • • • • • • • • • Lave a ferida com água e sabão de côco. Qualquer lesão causada por anzóis. açúcar. escorpião e cobra. pois há aumento do risco de infecção bacteriana e tétano. • Limpar a superfície da ferida (se houver tempo). conchas. Procure o veterinário para isto. pregos. latas. coral podem conter a bactéria e inseri-la no local da lesão durante o trauma. • Possibilidade de evolução para o óbito se não tratada em hospital. Lavar com água e sabão o local Tentar capturar o animal com segurança para identificar o animal. cortando.

289 .SOCIEDADE BRASILEIRA DE SALVAMENTO AQUÁTICO . mas em alguns casos causam choque hemorrágico. • Deve medir 1 metro na base e ter pelo menos 60 cm de altura. 5. e hematoma.a pele sobre a fratura está intacta. fraldas. • Podem ser abertas.CURATIVOS E BANDAGENS CURATIVO cobre uma ferida protegendo-a de contaminação e auxilia no controle de sangramento. FRATURAS. O curativo deve ser feito de preferencia com material estéril ou limpo. • Edema.SOBRASA 4 . • Desenrole pouco a pouco. • Inicie na região distal para a proximal do membro e não cubra os dedos. mantendo pressão uniforme e sobrepondo 50% a cada volta. ENTORSES Fraturas: interrupção na continuidade do osso.ferida na pele sobre a lesão que pode ser produzida pelo osso ou por objeto penetrante. toalhas. ou combinando as duas formas. • Antes de utilizar a bandagem cubra o ferimento com um curativo. lenços. dobradas como gravata. LUXAÇÕES. • Abertas . Bandagens Triangulares: • São as mais versáteis. • Evite excesso de compressão que possa causar interrupção da circulação. As fechadas são de pouca gravidade. danos vasculares e neurológicos. mas deve permitir a circulação sangüínea. pois têm múltiplas aplicações e podem ser improvisadas com qualquer pedaço de pano (guardanapos. • Dor local e deformidade anatômica. • Podem ser utilizadas também como imobilizadores. • Fechadas . roupas). • As fraturas são encontradas em traumas. Bandagem tipo Atadura: Técnicas de aplicação: • Cubra a ferida com o curativo e aplique a atadura. Deve ser justa para reduzir sangramentos. BANDAGEM fixa um curativo sobre a ferida.

Entorses: São lesões nos ligamentos. deformidades. a menos que as condições locais ofereçam risco de vida para o socorrista ou para a vítima. Distensões: Lesões aos músculos ou seus tendões. A prioridade no tratamento de fraturas é: Coluna vertebral ➪ face. edema e hematomas. joelhos e punhos. Ocorre com maior freqüência nos tornozelos. Os sintomas são: dor. perda da sensibilidade (anestesia) e/ou dos movimentos (paralisia) que pode ser completa. A maioria das lesões ósteo-articulares não causa riscos imediatos de vida. Em caso de lesões em membros inferiores deve-se retirar sapatos e meias. Cubra lesões abertas com bandagens estéreis ou panos limpo antes de aplicar a tala. • Toda lesão de extremidades deve ser imobilizada antes do paciente ser movimentado.MANUAL DE EMERGÊNCIAS AQUÁTICAS – Dr David Szpilman • Incapacidade funcional e mobilidade anormal. Ocorre com maior freqüência em dedos e ombro. Na dúvida. arcos costais e esterno ➪ crânio ➪ pelve ➪ pernas ➪ braços. Em extremidades edemaciadas (inchadas) é necessário cortá-los com instrumento apropriado. COMPLICAÇÕES DAS FRATURAS E DAS LUXAÇÕES Lesão Vascular: Algumas fraturas como as de fêmur e bacia. Infecção: O socorrista não deve tentar efetuar a limpeza da superfície de ossos expostos. A lesão dos tecidos pode ser muito grave. No entanto.ABC da vida. nervos e a cápsula articular. Lesão Nervosa: Podem complicar as fraturas e as luxações. PRINCÍPIOS BÁSICOS DE IMOBILIZAÇÃO 1. Podem ser de grau mínimo ou complexo com ruptura completa do ligamento. 290 . freqüentemente são as lesões mais evidentes no politraumatizado. 2. • Muitas vezes é impossível diferenciar entre os diversos tipos de lesões no ambiente préhospitalar. Pode ocorrer ruptura do tendão. Luxações: lesões em que a extremidade de um dos ossos que compõe uma articulação é deslocada de seu lugar. podem produzir hemorragias graves levando ao choque hemorrágico. afetando vasos sangüíneos. sendo avaliadas durante o exame secundário. Em pacientes com risco de vida iminente não imobilize as extremidades. Descubra a lesão cortando a roupa e inspecione o segmento afetado observando feridas abertas. desviando a atenção do socorrista de lesões ocultas mais graves. imobilize. Remova anéis e braceletes que podem comprometer a vascularização. CONDUTA NAS FRATURAS E LUXAÇÕES • • • • • Exame primário . Transporte o paciente alinhado sobre prancha longa ou objeto similar (prancha de surf). Geralmente são causadas por hiperextensão ou por contrações violentas. 3. Sempre compare uma extremidade com a outra. sensação anormal.

no superior o pulso radial. 6. realinhe e reimobilize. 8. 10. 9.reduz a dor e o edema. Imobilize o membro cobrindo uma articulação acima e abaixo da lesão.SOCIEDADE BRASILEIRA DE SALVAMENTO AQUÁTICO .SOBRASA 4. 4. Se houver resistência imobilize na posição encontrada. Se possível eleve a extremidade após o procedimento. Mantenha a estabilidade acima e abaixo da área afetada. Caso os pulsos desapareçam depois da imobilização retire o imobilizador. Aplique a tala imobilizando com as mãos o segmento lesado de modo a minimizar movimentos do membro. 7. Coloque as extremidades em posição anatômica e alinhada. 5. 6. No membro inferior palpe o pulso pedioso. produz hemostasia (controle da hemorragia) e diminui a lesão tecidual. a sensibilidade e a cor dos dedos. Recheque a temperatura. Aplique bolsa de gelo somente em lesão sem fratura . Não reduza fraturas ou luxações no ambiente pré-hospitalar. Imobilizadores Rígidos: 291 . Verifique o pulso arterial distal a fratura e teste a sensibilidade e movimentação de dedos antes e depois da imobilização. Fixe a imobilização ao tórax com outra bandagem. 3. Não permita que o paciente ande com lesões em membros inferiores. Cheque a temperatura. até que a tala esteja colocada. Proteja o ponto do nó no pescoço. Coloque uma bandagem sob o braço afetado com a base do triangulo voltada para o cotovelo e com as 2 pontas por sobre o pescoço. 5. 2. Acolchoar imobilizadores rígidos para evitar ferimentos em pontos de pressão. A imobilização alivia a dor. e a cor dos dedos. a sensibilidade. EQUIPAMENTOS PARA IMOBILIZAÇÃO DE MEMBROS Bandagens: Figura – 1.

Mantenha a estabilidade acima e abaixo da área afetada. 2. 2. 4. 5. Figura . Cheque a temperatura. Mantenha a estabilidade acima e abaixo da lesão. Travesseiros: 292 . Coloque as duas pernas juntas.1. a sensibilidade. 6. e a cor dos dedos. 4. Coloque várias bandagens triangulares acima e abaixo da lesão.1. Recheque a temperatura. 3. Coloque uma superfície rígida sob a área afetada incluindo as articulações acima e abaixo. 3. Imobilização anatômica: Utilizada apenas em casos de fraturas de membros inferiores e dedos. a sensibilidade e a cor. Cheque a temperatura. a sensibilidade e a cor dos dedos. fixe as bandagens. Coloque várias bandagens sob a área afetada e o fixador anatômico.MANUAL DE EMERGÊNCIAS AQUÁTICAS – Dr David Szpilman Figura . e a cor. 5. Recheque a temperatura. a sensibilidade.

• A coluna cervical é o local mais comum de TRM. Esportes. a sensibilidade e a cor. Mergulho em água rasa. 2. 2. Sangramentos via nasal (rinorragia) e pelo ouvido (otorragia) geralmente é sinônimo de TCE.ABC da vida.1. ABORDAGEM DA VÍTIMA 1. Lesão em “chicote” (acidente de carro) 293 . isoladamente ou em qualquer combinação. 4. Mantenha a estabilidade acima e abaixo da área afetada. Observar cuidados com a coluna cervical: Estabilizar manualmente a cabeça e o pescoço.TRAUMA RAQUI-MEDULAR (TRM) • Lesão da coluna vertebral ou medula espinhal.AVDI • Suspeitar sempre de lesão de coluna cervical em pacientes com TCE. a sensibilidade. • Os traumatismos da cabeça podem envolver o couro cabeludo. • As causas mais comuns de TRM são: Quedas. 7 . • Trauma com sonolência. Acidentes de motocicleta e automóvel. confusão. Controlar hemorragias 4. • 70% das vítimas de acidentes automobilísticos apresentam TCE. TRAUMATISMO CRÂNIO-ENCEFÁLICO (TCE) • O TCE é causa importante de morte nos traumas.SOBRASA Figura Imobilização com Travesseiro . Exame Primário . e a cor. 5. crânio e encéfalo. 5. a vítima deve ser virada em bloco para o decúbito lateral de forma a preservar a imobilização da coluna cervical.SOCIEDADE BRASILEIRA DE SALVAMENTO AQUÁTICO . Exame Secundário: consciência . Nos casos onde ocorra vômitos. 3. 3. agitação ou inconsciência de curta ou longa duração pensar em TCE. 6. Coloque uma superfície rígida sob a área afetada incluindo as articulações acima e abaixo. Coloque várias bandagens triangulares acima e abaixo da lesão. 6. Recheque a temperatura. Acidentes por arma de fogo. Cheque a temperatura. LESÕES DE COURO CABELUDO • Podem causar hemorragia devido a sua intensa quantidade de vasos. • O Traumatismo Raqui-Medular (TRM) ocorre em 5 a 10% dos casos de TCE.

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• Mecanismos possíveis de lesão raqui-medular – hiperextensão, hiperflexão, compressão, rotação, torção lateral, tração. • A coluna tem a função de sustentar o corpo e proteger no seu interior a medula espinhal, que liga o cérebro aos órgãos através de nervos. • 10% das lesões medulares ocorrem por manipulação incorreta das vítimas de trauma, por socorristas ou pessoal não habilitado. • Lembre-se que 17% dos pacientes com lesões de coluna foram encontrados andando na cena do trauma ou foram ao hospital por seus próprios meios - Não hesite em imobilizar. SUSPEITAR DE TRM NOS SEGUINTES CASOS: • Mecanismo de lesão sugestivo (causas de TRM), mesmo sem sintomas. • Vítimas inconscientes que sofreram algum tipo de trauma. • Dor em qualquer região da coluna vertebral. • Traumatismo facial grave ou traumatismo de crânio fechado. • “Formigamento” (anestesia) ou paralizia de qualquer parte do corpo abaixo do pescoço. • Priapismo (enrijecimento do pênis de forma involuntária). • Mergulho em água rasa CUIDADOS NO TRM • Exame primário - ABC da vida • Imobilize a cabeça/pescoço em posição neutra com colar cervical ou com as mãos. • Remova o capacete em caso de PCR ou insuficiência respiratória. • Não mova o paciente a menos que seja necessário. Caso tenha que movê-lo utilize a técnica em monobloco (capítulo de transporte). • Suspeitar sempre de lesão de coluna cervical em pacientes com TCE • A proteção da coluna cervical deve ser uma das prioridades do tratamento pré-hospitalar, a não ser que outra situação esteja produzindo risco de vida iminente. EQUIPAMENTOS DE IMOBILIZAÇÃO CERVICAL Colar Cervical Técnica de aplicação: • alinhe a cabeça e pescoço do paciente se não houver resistência ou dor e mantenha a estabilização manual. • O outro guarda-vidas aplica o colar ao pescoço da vítima. • O paciente lúcido deve ser alertado contra o risco de movimentar-se. • Mantenha a imobilização manual mesmo com o colar aplicado. Improvisação: cobertor ou camisa e cintos

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Imobilizador de cabeça - dispositivo para impedir os movimentos laterais da coluna. São dois anteparos de espuma que são fixados a prancha longa através de um velcro. Improvisação: sacos de areia, tijolos ou anteparos que impeçam os movimentos laterais da cabeça. Nota: Ver também TRM em Parte Especial I - Afogamento

8.TRAUMA OCULAR
• • Causas: corpos estranhos; queimaduras, luminosidade excessiva, agente químico, lacerações e contusões. Em traumatismos pode haver exteriorização do globo ocular. Sinais e sintomas: Dor, irritação, ardência, visão turva, feridas abertas, objetos estranhos. CONDUTA PRÉ-HOSPITALAR: 1. Exame primário - ABC da vida 2. Irrigação ocular com soro fisiológico ou água durante vários minutos em caso de lesão por agentes químicos ou na presença de corpos estranhos. 3. Não utilizar medicamentos tópicos (colírios ou anestésicos) sem prescrição. 4. Não remova objetos empalados. Estabilize-os com curativo apropriado não-compressivo. 5. Oclua os dois olhos com gaze umedecida, mesmo em lesões de um olho. 6. Em caso de exteriorização do globo ocular, não tente recolocá-lo. Efetue a oclusão ocular bilateral. 7. Não remova lentes de contato.

9. TRAUMA DE NARIZ
Os traumas do nariz levam geralmente a um sangramento leve. 1. Coloque a vítima sentada com a cabeça para frente. 2. Comprima ambas as narinas no ponto de inserção das asas do nariz. Em caso do sangramento não parar: 3. Aplique gelo no local de compressão, ou; 4. Comprima o lábio superior imediatamente abaixo do nariz. Ao cessar o sangramento, peça a vítima para: • Não assoar o nariz ou espirrar. • Após algumas horas, colocar gentilmente um pouco de vaselina no nariz afetado. Você deve levar a vítima ao hospital se: • O sangramento recomeçar.

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• Houver inconsciência - Coloque a vítima em posição lateral de segurança e leve-a ao hospital. Se houver um objeto estranho (inseto e outros): • Retire somente se estiver ao seu alcance. • Se não estiver, não introduza pinças ou dedos - Leve a vítima ao hospital.

10. TRAUMA DE BOCA
Os traumas na boca levam geralmente a um sangramento. • Coloque a vítima sentada com a cabeça ligeiramente para frente se não houver suspeita de trauma de crâneo ou coluna. Isto permitirá que o sangue saia da boca. 1. Lábio - coloque uma gase enrolada ou pano limpo entre o lábio e a gengiva. 2. Língua - Aplique pressão direta ou coloque gelo. 3. Dentes • Coloque uma gase enrolada ou pano limpo no local do dente, e peça a vítima para morder gentilmente. • Coloque o dente em leite ou água. • O dente só deve ser colocado no local de onde saiu, se a vítima não for criança ou se não houver sangramento importante. • A vítima então é levada para o dentista reimplantar o dente, somente nos casos onde não houver outras prioridades. O dente deve ser reimplantado em menos de 1 hora. • Se a vítima estiver inconsciente, coloque-a em posição lateral de segurança. • Solicite a vítima que evite engolir o sangue, já que ele produz náuseas.

11. TRAUMA DE ORELHA – PAVILHÃO AUDITIVO
• • Se houver sangramento, realizar compressão local e avaliar se o sangramento é interno (TCE?) – ABC da vida. Se houver objetos estranhos (insetos e outros) retirar somente se estiver ao seu alcance, se não estiver não introduza pinças ou dedo, leve a vítima ao hospital.

12. TRAUMA DE TÓRAX
O tórax contém estruturas vitais como coração, pulmões e vários vasos sanguíneos importantes. • • As lesões mais comuns são as contusões, fraturas de costelas e esterno e as feridas penetrantes. Os fatores críticos são: hemorragias graves, distúrbios respiratório e cardíaco.

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ABC da vida. Estabilize-os na situação encontrada.ABC da vida. 13. Aberto ou penetrante . TRAUMA ABDOMINAL • • Podem apresentar hemorragia interna severa. • Não retire objetos empalados. • Não retire objetos empalados e sim os estabilize na situação em que forem encontrados. se possível. A complicação mais temida é a hemorragia interna. • Nunca tentar recolocar as alças intestinais para dentro do abdome. 14. em posição lateral sobre o tórax lesado. com pernas flexionadas. TRAUMA NO IDOSO 297 . • Transportar o paciente.SOBRASA Conduta • Exame primário . que pode produzir o choque. Os traumas abdominais podem ser: o o • Fechado . em curto espaço de tempo. • Feridas abertas devem ser cobertas com curativo oclusivo impermeável de modo a deixar três bordas vedadas e uma livre permitindo a saída e impossibilitando a entrada de ar.causam danos às vísceras sem que haja penetração da cavidade abdominal.expõe vísceras ou sangramentos externos. suspeitar sempre de hemorragia interna por lesão de órgãos abdominais. • Transporte o paciente ao hospital para avaliação médica o mais breve possível. • Paciente politraumatizado evoluindo com choque. • Administre oxigênio sob máscara a 15 litros/min. TRATAMENTO PRÉ-HOSPITALAR • Exame primário . • Imobilizar o braço correspondente ao lado da lesão sobre as costelas fraturadas. • Aqueça a vítima com cobertores.SOCIEDADE BRASILEIRA DE SALVAMENTO AQUÁTICO . • Tome cuidado para que curativos e imobilizações não restrinjam a expansão do tórax. • Aplicar curativo impermeável e oclusivo umedecido em soro fisiológico nas feridas abertas com alças evisceradas (para fora). • Trate o choque se houver. • Posicionar a vítima deitada. • Não forneça líquido ou alimentos a pacientes com trauma abdominal.

Sempre aqueça a criança e ofereça se possível O2 sob máscara a 10 litros/min. que deve ser em posição neutra. de onde ela não pode sair por seus próprios meios.90 Freqüência respiratória 45 .60 40 25 20 • Na imobilização e no transporte as únicas diferenças para o adulto são: 1. IDADE Recém Nato 1 ano 6 a 10 anos > 10 anos Freqüência cardíaca 140 . 298 . não tente reduzir ou alinhar o membro. Acione sempre um segundo socorrista para lhe auxiliar. O transporte de grávida maiores de 6 meses de gestação deve ser feito em decúbito lateral esquerdo salvo em casos de suspeita de TRM ou TCE. TRAUMA NA GRÁVIDA • • • • • • • • ABC da vida Não tentar avaliar se o feto está vivo – não perca tempo neste momento.MANUAL DE EMERGÊNCIAS AQUÁTICAS – Dr David Szpilman • • • ABC da vida Pequenas quedas ou traumas podem causar grandes fraturas A fratura mais comum – colo de fêmur – verifique o membro inferior que estará encurtado e com rotação lateral – Imobilize a perna junto com o quadril e o outro membro não fraturado. Cuidado na extricação.180 120 – 150 80 – 110 60 . TRAUMA EM CRIANÇA • • • • • É um trauma grave e de difícil diagnóstico pois a comunicação e a extricação são mais difíceis. A freqüências cardíaca e respiratória são normalmente ligeiramente maiores do que o adulto. O recém-nato deve ser manipulado como um todo (sempre em bloco). 2. 15. Observe que crianças sonolentas ou muito quietas na cena do acidente pode significar gravidade. A tira do imobilizador de cabeça em vez de passar no queixo passa embaixo do nariz. 16. Oferecer sempre oxig6enio a 15 litros/min. Não oferecer água ou alimentos e cuidado com os vômitos. EXTRICAÇÃO • É a retirada da vítima de um local. sob máscara se possível. Se o mecanismo de trauma foi frontal – o primeiro trauma foi com feto. 17. A hemorragia vaginal pode ser causa de choque se importante – tratar como choque.

• Após retirar o capacete mantenha a fixação da cabeça e coloque o colar cervical. 18.SOBRASA • No caso de confinamento. Remova a vítima 7. Obtenha acesso ao paciente 3.Retirada de Capacete: As vitimas por acidentes de motocicleta. mantenha a fixação enquanto tira o capacete. Obstrução de vias aéreas que não pode ser removida de forma mecânica 299 .Chave de Rauteck: retira rapidamente e sem equipamento. 2.SOCIEDADE BRASILEIRA DE SALVAMENTO AQUÁTICO . PCR sem resposta. Seqüência da Extricação 1. Reconheça a cena. Realize exame primário e ABC da vida 4. • Fixe a cabeça. solte a jugular do capacete. Afaste os obstáculos físicos 6. SITUAÇÕES PEGUE/REMOVA RÁPIDO (load and go) São situação onde o exame primário (ABC) mostra que a vítima está em risco iminente de morte e deve ser removido imediatamente para atendimento de Suporte Avançado de vida por ambulância ou levado ao hospital. Imobilize o paciente dando prioridade a coluna cervical 5. retire as ferragens e escombros da vítima e não a vítima das ferragens. Transporte a vítima EXTRICAÇÃO DE VEÍCULOS 1 . 2 . Reimobilize o paciente caso necessário 8. vítima de acidente automobilístico do banco dianteiro. Está indicada em situações de risco de incêndio ou explosão. devem ter o capacete retirado antes da chegada da ambulancia somente se houver incosciência.

19. TRANSPORTE DE EMERGÊNCIA 1 . • Situação pegue e remova rápido a vítima . • Houver presença de ameaça ambiental ou materiais perigosos. • Os métodos de transporte são precários e podem agravar lesões existentes. Transporte rapidamente quando: • Houver perigo de incêndio.Técnicas com 2 ou mais Socorristas: Vítima que pode andar Apoio Lateral Simples Vítima que não pode andar Consciente a .Arrastamento pela Roupa b . • A presença de riscos no local. • Em situações de risco iminente para o socorrista ou para a vítima transporte-o rapidamente para lugar seguro. diagnóstico do paciente e o local do acidente influenciam o tipo de transporte. • A vítima deve ser estabilizada e imobilizada antes do transporte.Técnicas com Um Socorrista: Pacientes capazes de andar a .Apoio Lateral Simples Pacientes que não podem andar a .Transporte pelas Extremidades 300 . • Há impossibilidade de proteger a cena do acidente.situação “load and go”. RESGATE E TRANSPORTE • Se possível não transporte à vítima e aguarde o socorro médico.Arrastamento por Cobertor c . preferivelmente por equipe especializada para não provocar lesões adicionais ao paciente. n° de pessoas disponíveis.MANUAL DE EMERGÊNCIAS AQUÁTICAS – Dr David Szpilman Condições que impeçam de respirar como: Tórax aberto. Choque. pneumotórax hipertensivo e sangramento pulmonar volumoso. • Os movimentos devem ser sempre em conjunto com o outro socorrista. explosão ou desabamento. devendo ser reservados para situações especiais e transportes de curta distância.Transporte tipo Bombeiro 2 . tórax instável. • Há impossibilidade de obter acesso ao paciente que necessita cuidados de emergência.

Transporte em cadeirinha Vítimas Inconscientes a .Prancha Longa: É o equipamento indicado para remover pacientes politraumatizados. cordas.Rolamento de 180 graus: Empregado para vítimas encontradas em decúbito ventral.Choque: Decúbito dorsal com as extremidades inferiores elevadas.Rolamento de 90 graus: Utilizado para vítimas em decúbito dorsal. paletós.SOBRASA b .Elevação em braço b .Gestantes: Decúbito lateral esquerdo em posição de permitir assistência ao parto.Pacientes traumatizados 1 . 1 .Inconsciente: Decúbito lateral esquerdo para prevenir a aspiração. 2 . 3 .Pacientes Não Traumáticos 1 . prancha de surf. b . • Nos casos especiais em que não houver ambulância disponível: utilizar veículos grandes como caminhonetes. ônibus ou caminhões para que se possa deitar a vítima.Padiola Utilização de Padiola improvisada com cobertor b . sacos de pano.Choque com falta de ar: Semi-sentados. 4 . IMPROVISAÇÃO DE EQUIPAMENTOS a . SELEÇÃO DO MÉTODO APROPRIADO PARA TRANSPORTE • Transporte por equipe especializada sempre que possível em ambulância.Decúbito dorsal sobre a prancha longa. camisas. ou uma tábua longa e resistente.Improvisação de maca ou padiola: cabos de vassoura. b . POSIÇÃO DO PACIENTE DURANTE O TRANSPORTE a . 2 . • Dirija com segurança para evitar acidentes. lonas. 3 . cobertores.Elevação Manual Direta Elevação Manual Direta EQUIPAMENTOS DE TRANSPORTE a . TRANSPORTE AÉREO (figura retirada do manual de Socorro de Emergência do GSE) 301 .SOCIEDADE BRASILEIRA DE SALVAMENTO AQUÁTICO .Elevação a Cavaleiro: Indicada em vítimas encontradas em decúbito dorsal.Improvisação de prancha longa: porta.

Aproxime-se da aeronave curvado. Vítimas graves em locais distantes onde o transporte terrestre atrasar o socorro da vítima. Observar cuidados com objetos altos. Não se aproxime correndo.MANUAL DE EMERGÊNCIAS AQUÁTICAS – Dr David Szpilman O guarda-vidas/socorrista deve ter conhecimento da necessidade de transporte aero-médico sabendo indicar ou não este tipo de transporte. planos. Evitar o rotor de cauda. b) Acesso ao pouso da aeronave Espaços amplos. porém não determina nenhuma consequência mais séria. com o solo firme e não arenoso. 20. Fixar cobertores e outros objetos para evitar ser desprendido com o deslocamento de ar gerado pelo rotor. DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS NO SOCORRO AIDS. a) Indicações Vítimas graves em locais de difícil acesso por veículos terrestre. Nunca se aproxime vindo de um plano elevado. para evitar colisões com o rotor principal. c) Aproximação da aeronave Pela frente ou laterais da aeronave e sempre após autorização do piloto. • Os germes mais comuns são os vírus e as bactérias. e Hepatite B • Algumas doenças infecciosas podem ser passadas de uma para outra pessoa. 302 . A área mínima para o pouso de uma aeronave é de 20 m2 durante o dia e 30 m2 à noite. livres de obstáculos suspensos (fios elétricos e galhos de árvores). tais como suporte de soro. • Um simples resfriado pode passar rapidamente de uma pessoa para outra.

• O vírus D é de transmissão parenteral e só ocorre associado ao vírus B. • Não compartilhe agulhas ou seringas. • O vírus B é transmitido através do sangue ou via sexual. HEPATITE • O vírus A é transmitido através da água ou alimentos contaminados por fezes de doentes. que ofereçam proteção contra estes fluidos. • Use luvas protetoras quando em contato com sangue ou outras secreções corporais. • O vírus entra no organismo provocando defeitos no sistema de defesa contra infecções. Contato direto do vírus com o sangue (transfusões. • Lave suas mãos com água e sabão imediatamente após o socorro. A saliva não demonstrou transmitir HIV. • Não toque em objetos contaminados com sangue. COMO OCORRE A TRANSMISSÃO 1. ou vagina. • O vírus C é transmitido através do sangue e sexual. como o vírus B.SOBRASA • As doença que mais preocupam os guarda. • Use sempre que possível barreiras como luvas. portanto é maior a possibilidade de você prestar atendimento a um familiar ou a um amigo. • Vacinação: é recomendada a vacina anti-hepatite B em 3 doses (dias 1.procure o médico imediatamente. • Não coma.SOCIEDADE BRASILEIRA DE SALVAMENTO AQUÁTICO . 5. O vírus não pode penetrar na pele íntegra. • Em caso de exposição . tecidos. beba ou toque em sua boca. reto. SÍNDROME DA IMUNODEFICIÊNCIA ADQUIRIDA HUMANA: (SIDA / AIDS) • Causada pelo “vírus da imunodeficiência humana” (HIV). boca.vidas durante os primeiros socorros são a AIDS e a Hepatite B. garganta. • Evite promiscuidade sexual (múltiplos parceiros). nariz ou olhos durante os primeiros socorros. uso compartilhados de drogas venosas). 303 . Prevenção • Use preservativos de látex ("camisinha") na relação sexual. • Sempre tenha precaução para não entrar em contato com os líquidos corpóreos da vítima. • Se você não possuir nenhum corte na pele ou feridas. 2. Através da amamentação ou do parto 4. 30 e 180). • A maioria das emergências ocorrem dentro ou perto de seu domicílo. a possibilidade de adquirir doenças é muito pequena. 3. Contato íntimo (sexual) com a membrana mucosa dos olhos. máscara para ventilação da vítima.

Não existe mais grupo de risco. deixou de se proteger. • Coma é a ausência de qualquer resposta compreensível a qualquer estímulo externo ou necessidade interna.ABC da vida 3 . Seja solidário. copos. amizade e fraternidade não transmitem a doença.EMERGÊNCIAS CLÍNICAS 1. não transmite SIDA. • Não fazer aleitamento materno cruzado (o recém nato só pode ser amamentado pela própria mãe. • Não compartilhe agulhas ou seringas. como pessoas com muitos parceiros sexuais e viciados em drogas endovenosas. • Evite o contato com sangue. podem ter a infecção e transmiti-la a seu parceiro. pratos ou talheres. • SIDA não é doença de homossexual ou prostitutas. aperto de mão. escolas. que simplesmente por não acreditar que todos estamos expostos ao risco de infecção. Raramente transmite à equipe de saúde. poderia ser você! PARTE D . • Não se pega SIDA pelo ar ou por picada de mosquitos. AVALIAÇÃO PRÉ-HOSPITALAR DO PACIENTE EM COMA 1 . o preconceito e as idéias equivocadas sim. Vale a pena lembrar: • O contato social: beijo no rosto. procure ajuda médica para tratamento. • Pessoas com SIDA não precisam e não devem ser afastadas de suas casas. entretanto os chamados comportamentos de risco.Exame primário . O coma é um sinal e não uma doença. Amor. Há. e abraço. A irresponsabilidade. COMA • Os neurônios são células com uma sensibilidade muito grande a falta de oxigênio (O2) e glicose. Lembre-se que o indivíduo com SIDA é como um de nós. Prevenção • Use preservativo de látex ("camisinha") em todas as relações sexuais. Aquele doente na sua frente.MANUAL DE EMERGÊNCIAS AQUÁTICAS – Dr David Szpilman 6. sêmen e secreção vaginal dos portadores do vírus.Exame secundário 304 .Avaliação da cena 2 . • Não se pega SIDA compartilhando o uso de vaso sanitário. também pessoas que têm vida sexual heterosexual. • Evite a promiscuidade sexual (múltiplos parceiros). não podendo ter “ama de leite”). trabalho ou comunidades. Todas as pessoas com vida sexualmente ativa. através de acidentes com material perfuro-cortante como agulhas ou lâminas de bisturis contaminados. já que não oferecem risco de contágio desta forma. A ausência de O2 por 4 a 6 minutos pode causar a morte cerebral. Estão expostas à doença. Não esqueça! .

• Se houver suspeita de diabetes: • O coma hipoglicêmico é uma grave emergência. • Na dúvida entre o coma hipoglicêmico e hiperglicêmico. CONVULSÕES • A convulsão é uma descarga elétrica produzida dentro do cérebro que estimula uma parte (crise localizada) de forma anormal. • Uma pessoa em coma diabético pode ser confundida com estado de embriaguez. Febre elevada (crianças < 6 anos). Trauma. podendo se estender a todo ele (crise generalizada). ◊ Vítima consciente . Causas: • • • • • Epilepsia.sensações de alucinações ou outros sintomas que precedem a crise 305 . • Estabilize a coluna cervical. seringas e frascos de medicamento. • Não forneça alimentos ou liquidos pela boca em alterado. Tratamento complementar • Ofereça oxigênio sob máscara a 15 litros/min se possível.fornecer suco de frutas. convulsões e outras.SOCIEDADE BRASILEIRA DE SALVAMENTO AQUÁTICO .Avaliação do diagnóstico • Inspecione o local à procura de evidências de trauma. garrafas de bebida. pacientes com nivel de consciência 2. CRISE CONVULSIVA GENERALIZADA OU TÔNICO-CLÔNICA 1. frascos de medicamento e drogas. notas de suicídio. açúcar ou mel ◊ Vítima inconsciente coloque açúcar ou mel sob sua língua ou esfregue-os entre suas gengivas e bochechas. Se não for diagnosticado e corrigido rapidamente pela administração de açúcar. AVE. o paciente pode morrer. • Procure evidências de diabetes e uso de insulina. Aura . refrigerante. • Esta descarga provocará uma sensação ou movimentação de grupos de músculos dependendo da área responsável e da função cerebral que ela represente. administre açúcar. Intoxicações (drogas e outros).SOBRASA 4 . • Procure obter informações com acompanhantes ou testemunhas sobre a ocorrência de trauma. • Examine os bolsos da vítima para procurar identificação.

• Não tente introduzir objetos na boca do paciente durante a convulsão. • Exame primário . o socorrista deve se preparar para ocorrência de novo episódio convulsivo.ISQUEMIA CARDÍACA • O coração recebe seu sangue com oxigênio através das artérias coronárias. • Movimente a vítima só se houver risco imediato de vida (afogamento.Uma vez iniciada a crise. 306 . queda de escada. • Contenha hemorragias externas. Após a crise • Coloque na posição lateral de segurança.MANUAL DE EMERGÊNCIAS AQUÁTICAS – Dr David Szpilman 2. 3. • Resfrie crianças febris com toalhas molhadas com água na temperatura ambiente. EMERGÊNCIA CARDÍACA DOENÇA CORONARIANA . MEDIDAS BÁSICAS • Avaliação do local. 3. você não pode para-la e deve normalmente durar menos que um minuto. • Após a crise a perda da consciência é recuperada gradativamente em minutos a horas. • Ocorre produção excessiva de saliva.ABC da vida • Medidas de auto-proteção. • Coloque apoio sob a cabeça do paciente para protegê-la. Fase clônica . com movimentos intensos. • Permaneça calmo. • Hiperextenda o pescoço se após as convulsões.perda da consciência e contração muscular contínua. • Não tente conter a vítima. • Geralmente há apnéia e perda de urina e/ou fezes involuntária. etc). No início a contração da muscular produz um grito. Fase tônica . Se isto não ocorrer. a respiração não for eficaz.dura entre 30 e 60 segundos . • A vítima recupera a consciência em 10 minutos após a crise.dura 15 a 20 segundos . • A epilepsia não é uma doença transmissível. tais como o uso de luvas. inclusive do diafragma.alternância de contrações musculares e relaxamento em rápida sucessão. • Ajude à ventilação com o boca-a-boca caso esta não retorne após a convulsão. • Afaste da vítima objetos que possam machucá-la.

A fibrilação ventricular. Se a área infartada for critica ou extensa. A dor do infarto e da angina aparecem na mesma localização. nãuseas e vômitos. porém a angina raramente dura mais que cinco minutos. • Infarto agudo do Miocárdio . Não melhora com repouso ou vasodilatador (remédios). Se comporta como uma parada cardíaca (ausencia de pulso carotídeo) e pode ser revertida com as manobras de compressões cardíacas . a maior causa de morte fora do hospital. Portanto. stress. Sudorese fria profusa. 307 . Sinais e sintomas • • • • • • • Dor imediata e severa na localização do torax (local semelhante a angina de peito).ABC da vida. o paciente pode evoluir com parada cardiaca. face anterior do braço esquerdo. vômitos e falta de ar.a dor dura geralmente mais de 5 minutos. ansiedade. Administre oxigênio sob máscara a 15 litros por minuto. • Alguns casos se acompanham por sudorese fria.dor no peito por obstrução completa . ansiedade e falta de ar. e geralmente melhora com o repouso. e região do estômago. A dor torácica pode irradiarse para a base do pescoço.dor no peito por obstrução incompleta das artérias coronarias . Os sinais vitais podem estar dentro dos parâmetros normais ou estarem alterados. dorso. mandibula. o diagnóstico diferencial entre estas 2 condições só deve ser efetuado pelo médico. INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO (IAM) • É a necrose (morte) de área do músculo cardíaco produzido por uma redução prolongada ou obstrução completa na irrigação sangüínea para o coração. • Angina de peito . ou alimentação pesada.SOBRASA • As artérias coronárias obstruídas por aterosclerose reduzem o fluxo de sangue para o coração. • O IAM é a causa de maior número de mortes no ambiente pré-hospitalar. • • • Deixe o paciente em repouso absoluto.SOCIEDADE BRASILEIRA DE SALVAMENTO AQUÁTICO .ABC da vida. afrouxe as roupas e não permita que o paciente ande. Mantenha o paciente sob constante observação e tranqüilize-o.a dor dura geralmente menos de 5 minutos. O IAM pode aparecer somente com mal estar e sem dor. MEDIDAS PRÉ-HOSPITALARES • Exame primário . • Geralmente a dor surge com o exercício físico. • É mais comum em homens acima de 30 anos de idade. • O tratamento do socorrista. ANGINA DE PEITO: • Dor ou desconforto que surge no tórax. a localização da dor e sua irradiação são semelhantes ao IAM.

MANUAL DE EMERGÊNCIAS AQUÁTICAS – Dr David Szpilman • • • Caso o paciente faça uso crônico de nitrato sublingual (isordil) com prescrição médica.use luvas e vestes apropriadas e em determinados casos aparelhos de ventilação individual (barreira de proteção . • Evite sua contaminação . • Procure identificar a substãncia. • Medicamentos (à critério do médico). maior é a possibilidade de reduzir a área de infarto através do uso de medicações que dissolvem o coágulo nas artérias coronárias. A dose é de 5 mg (1 comprimido) por via sublingual. Até prova em contrário qualquer paciente adulto com dor torácica aguda de forte intensidade deve ser considerado como vítima de infarto agudo do miocárdio.Procure rapidamente pela substância. ◊ Modo de exposição.Quanto mais rápido o paciente chegar ao hospital. Hospital . inalação. INTOXICAÇÕES EXÓGENAS . ◊ Quantidade ingerida. Cheque os sinais vitais. • Avalie a cena . ◊ História pregressa (uso de drogas. administração venosa e absorção cutânea. MEDIDAS DE PREVENÇÃO • Caminhe diariamente e reduza a ansiedade e o stress. Aqueça a vítima hipotérmica e resfrie as hipertermicas.ABC da vida. ◊ Tempo decorrido desde a ingestão ou exposição. • Dilua o veneno com ingestão de água se o paciente estiver consciente. • Evite o tabagismo e reduza a obesidade. picada. • O envenenamento acidental acontece mais em crianças. este medicamento pode ser administrado.ENVENENAMENTOS • A exposição pode ser por ingestão.pocket mask). • Evite alimentos ricos em colesterol. 308 . • Evite a administração de antídotos caseiros por leigos. suicídio e outros). • Obtenha informações de acompanhantes: ◊ Tipo de substância. 4. TRATAMENTO PRÉ-HOSPITALAR • • • Exame primário . ◊ Circunstâncias da exposição (acidental ou proposital).

• As roupas da vítima são retiradas. • É importante o contato com Centros de Intoxicação. guardando-as em recipiente marcado sem se contaminar. para auxílio nas decisões terapêuticas no local e quanto ao hospital de referência mais apto a receber a vítima. DESCONTAMINAÇÃO OCULAR • Inicie irrigação com solução salina ou água. • Proteja os equipamentos da ambulância ou carro com plásticos ou cobertores. O telefone da Central de Intoxicação no Rio de Janeiro é: (021) 2290-3344. • Sede com boca e língua secas. • Estabeleça um Centro de Triagem (CT) a uma distância segura. iniciando-se a lavagem do paciente com água que deve ser armazenada se possível em um recipiente de contenção. e pouca urina de cor amarelo forte são os primeiros sinais. 5.SOCIEDADE BRASILEIRA DE SALVAMENTO AQUÁTICO . • Somente penetre na área contaminada após a identificação do agente tóxico. • Causada por perdas líquidas de qualquer natureza.SOBRASA • Telefone para Central de Intoxicação. • Se o paciente estiver inconsciente. • A vítima é levada para a Zona Limpa. • Na Zona Perigosa são realizados apenas o exame primário . DESIDRATAÇÃO • O corpo humano adulto tem 60% de seu peso em água. para não sofrer efeito de vapores tóxicos. CONDUTA EM ACIDENTES COM MATERIAIS TÓXICOS • Ao chegar ao local . viaturas de resgate e combate a incêndio. O CT sempre deve ficar situado a favor do vento.ABC. O mecanismo da sede é o principal mecanismo do balanço de água no organismo. espalhando resíduos tóxicos.Será feita no hospital. 309 . DESCONTAMINAÇÃO CUTÂNEA • Retire vestes contaminadas. • Remova a vítima do local contaminado.solicite apoio de policiamento. Nunca utilize soluções neutralizantes. É importante que a equipe de socorro não aumente a área contaminada. coloque-o em posição lateral de segurança. • A descontaminação precede o transporte para sua proteção. trajando vestes de proteção e aparelhos individuais de respiração. • Lave a pele com grandes volumes de água. DESCONTAMINAÇÃO GASTROINTESTINAL . DESCONTAMINAÇÃO • Cuidado para não se contaminar.

• Existe parada na eliminação de urina ou fezes. • Existem vômitos que impeçam a alimentação. ou utilizar um solução caseira. • No caso de trauma . perda de sensibilidade ou algum outro sinal ou sintoma que afete significativamente o 310 . 3 . fraqueza muscular.Apresentam a história. • Aparece com o esforço físico. Só forneça água se a vítima estiver consciente.impossibilidade de movimentação do membro afetado. • For acompanhada de dificuldades na respiração ou tonteiras importantes. hematoma importante. e aumente gradativamente o volume. REHIDRATE. (perdas líquidas maiores que 12%) . # Em crianças ofereça pequenos volumes em seringas ou “chucas” a cada 5 – 10 min. DOR O paciente com dor deve procurar o médico rapidamente quando: • Dor de forte intensidade que impossibilite realizar suas tarefas normais. • Desidratação moderada e grave = Reposição via oral de 5 a 8% do peso corporal (2.5 a 5 litros). ⇒ Sal .1 litro. podendo apresentar sinais de choque. • A dor acorda o paciente à noite.Paciente com grandes queixas sintomáticas e hipotensão arterial. ⇒ Açúcar . 6. • Como solução oral. e/ou coma. • Existe sangramento associado. com soluções hidratantes. • Hipotensão arterial e taquicardia.Desidratação grave Conduta pré-hospitalar • Desidratação leve = Reposição via oral de 5% do peso corporal/24hrs (2. • Existe febre associada. as queixas e o exame físico alterado com tonteiras ao se levantar e taquicardia. taquicardia.Desidratação leve (perdas líquidas até 5% do peso corporal) . • Um analgésico simples não resultar em melhora. O déficit de água pode ser dividido quantitativamente 1 . com a seguinte composição: ⇒ Água .Nestes casos a história e as queixas predominam sobre o exame físico.1/2 colher de chá.Desidratação moderada (perdas líquidas de 5 a 12%) . apatia e sonolência. podemos utilizar – PEDIALITE 90 (recomendado pela OMS).MANUAL DE EMERGÊNCIAS AQUÁTICAS – Dr David Szpilman • Tonteiras.5 a 5 litros) + reposição venosa no hospital. 2 .1 colher de sopa.

evitando coçar a lesão.8 0C em casos de mal estar geral. • Faça calor úmido local 3 a 5 vezes ao dia para acelerar o rompimento da lesão e drenagem. Banhos a 37 0C em caso de resistência a queda da temperatura com medicamentos. e dor muscular. Foliculite. e Erisipela. • Corte as unhas bem rentes ao dedo e escove-as adequadamente. • Se a dor persistir por mais de 24 hs. distúrbios visuais. • Antibiótico sistêmico caso o tratamento local não seja eficiente (a critério do médico). Procure um médico para detectar a causa da febre. • A pele é o local mais freqüente de ocorrência destes ferimentos. 3. • Após limpeza use antisséptico ou um creme antibiótico. Furunculose. ou distúrbios de comportamento e consciência.procure um médico para achar a causa. • Existem basicamente 4 tipos de infecções: Impetigo. procure ajuda médica. • For acompanhada por tonteiras.5 0C em crianças menores de 6 anos.SOBRASA bem estar da pessoa. Tratamento: • Limpe diariamente com água e sabão até retirar as bolhas e realize curativo fechado. falta de apetite. acima de 38. • Houver desidratação ou hipotensão arterial. FEBRE • A febre é o aumento da temperatura corporal acima de 37. Evite a desidratação: reponha líquidos perdidos pela febre. Tratamento: Nos casos de dor isolada • Utilize um analgésico comum a cada 6 hs e repouso. Reduza a febre com medicamentos até de 4/4 hs se necessário. • Trate-a quando: ultrapassar 37. • For acompanhada de icterícia (amarelão). • Faça repouso com a perna ou o local comprometido mais elevado. 8. Geralmente são suficientes. Prevenção: 311 . 2. INFECÇÃO DE PELE • Todos nós estamos sujeitos a traumas em nosso dia-a-dia. embora possa provocar cansaço. Tratamento: 1.5 0C • A febre é geralmente benéfica ao organismo humano. ou acima de 40 0C em adultos.SOCIEDADE BRASILEIRA DE SALVAMENTO AQUÁTICO . 4. A dor é apenas um sintoma da doença . 7.

• Após ferimento na pele. DETERMINE A SEVERIDADE DA LESÃO • É essencial determinar se a vítima deve ou não ser transportada para um centro de queimados. • Queimaduras elétricas ou por radiação nuclear são bem mais graves que a térmica. química ou radioativa. • A severidade da lesão depende de uma série de fatores: profundidade da queimadura. ocorrendo nas residências. 312 . Pele esbranquiçada ou carbonizada e ausência de dor. comprometimento de vias aéreas e estado prévio da vítima. A limpeza evita a possibilidade de infecções. • Evite produtos químicos em excesso como cremes de beleza. Agente mais comum: sol. PARTE E .ACIDENTES TÉRMO/ELÉTRICOS 1 . Profundidade da Lesão: Existem vários graus de profundidade em uma mesma lesão. Em crianças a palma da mão eqüivale a 1% da SCQ.Epiderme.Derme (camada média).Superfície Corporal Queimada (SCQ): • Regra dos Nove: Utilizada mais em adultos. Bolhas e dor moderada a severa. Local afetado . 1º GRAU • • • 2º GRAU • • • 3º GRAU • • • Local afetado . Estima-se que a cabeça e cada membro superior representem 9% da SCQ. Agente mais comum: Contato direto com eletricidade ou chama. até que apresente um aspecto limpo. • Evite talco como antitranspirante axilar. Extensão da Lesão . Agente mais comum: líquidos aquecidos. lave bem com água corrente limpa e sabão. elétrica. percentual de superfície corporal queimada. localização da queimadura. • As queimaduras podem ter origem térmica. Pele avermelhada e seca com dor leve a moderada.Hipoderme (camada profunda). Em caso de dúvida: Procure o médico. cada membro inferior 18% da SCQ e o tronco 36 % da SCQ.QUEIMADURAS • A maior parte das queimaduras são de pequena gravidade. associação com outras lesões. Depende das camadas da pele afetadas. e repita diariamente.MANUAL DE EMERGÊNCIAS AQUÁTICAS – Dr David Szpilman • Evite traumas repetidos sobre a pele sensível. Local afetado .

Exame primário .SOCIEDADE BRASILEIRA DE SALVAMENTO AQUÁTICO . Resfrie a lesão. rouquidão e estridor. face. pés. • Face: associa-se com queimaduras de vias aéreas. • Pacientes com queimaduras elétricas. abafando com cobertor ou rolando com a vítima no chão. • Olhos: podem causar lesão de córnea e cegueira. Esta conduta é válida até 60 minutos após a lesão. especialmente no pescoço (obstrução de vias aéreas). 313 . observando cuidados de auto-proteção. desligue a fonte de energia antes de tocar na vítima. Em caso de queimaduras elétricas.SOBRASA Localização da Lesão: as seguintes áreas são consideradas lesões graves. DEFINIÇÃO DE GRANDE QUEIMADO . Lave copiosamente com água corrente lesões por produtos químicos. pois a energia térmica demora a se dissipar. as queimaduras podem se associar a outras lesões como fraturas e hemorragias internas. • Mãos e pés: podem produzir incapacidade permanente após o processo de cicatrização. • Queimadura de 2° Grau > 20% da SCQ em crianças. Inalação de Fumaça ou Gases . irrigando-a com água na temperatura ambiente. escarro carbonáceo. • Queimadura de 3° Grau > 10% da SCQ • Lesões associadas graves (fraturas e outras). TRATAMENTO PRÉ-HOSPITALAR • • • • • • • • Apague o fogo com água. inalação de fumaça e intoxicação por monóxido de carbono. • Genital: tem alta incidência de infecção sendo de difícil tratamento.Suspeite quando a vítima for resgatada de incêndios em locais fechados. • Lesões em mãos. • Qualquer queimadura circunferencial profunda pode causar complicações graves. Com base nestes parâmetros encaminhe ao hospital. tórax (restrição a ventilação pulmonar) e extremidades (obstrução a circulação). olhos e períneo.ABC da vida. • Queimados com lesões moderadas com outras doenças. Lesões Associadas: Em ocorrências como explosões e acidentes automobilísticos. Remova as roupas da vítima e faça uma estimativa da SCQ pela regra dos nove. • Lesão por inalação.GRAVE .TRANSPORTE AO HOSPITAL • Queimadura de 2° Grau > 25% da SCQ em adultos. Produzem desfiguração. apresentar pêlos nasais queimados. Não rompa bolhas íntegras e não use gelo no local. Em caso de hipotermia envolva a vítima em lençóis limpos para reduzir a perda de calor e a contaminação bacteriana.

Observe as vias respiratórias em vítimas com queimadura facial. A eletricidade provocar PCR.Procure ajuda médica para orientação. água sanitária. Trate o choque e traumas associados. Aqueça a vítima com o calor corporal dos socorristas. Nunca dê bebidas alcoólicas a vítimas com hipotermia.forneça líquidos aquecidos. apatia. pasta de dente. e contenha hemorragias externas e imobilize fraturas. jornais.ABC da vida. HIPOTERMIA (BAIXA TEMPERATURA CORPORAL) • • • • • • • • • • • Temperatura corporal < 35º C. Parada cardíaca pode ocorrer. Se o paciente estiver consciente . Observe sinais vitais e sinais de choque. sonolência. 314 . ou revistas. TRATAMENTO RESIDENCIAL • Só deve ser tentado em queimaduras de 10 de qualquer SCQ e 20 grau de pequena extensão. facilitando a própria infecção. Leve a vítima ao hospital mesmo que a lesão pareça superficial. impedindo a existência de qualquer material tecidual morto. que possa facilitar uma infecção. • Mantenha o local sempre limpo. Exame primário . Cubra a área queimada com plástico estéril. Remova roupa molhada e envolva com cobertores secos.MANUAL DE EMERGÊNCIAS AQUÁTICAS – Dr David Szpilman • • • • • • • • • Retire relógio. ou outro agente que possa ter originado o fato. Ofereça oxigênio sob máscara a 15 litros/min em todos os casos de 2o e 3o graus. vento. Confusão mental. Não aplique na queimadura: manteiga. anéis e braceletes. Perda de coordenação motora. 2. tremores e sensação de frio. Coloque o paciente em banho morno à 38-40ºC. • Não rompa propositadamente as bolhas. já que a sua retirada na limpeza diária é dolorosa. • Retire a pele quando as bolhas se romperem. reações lentas até a inconsciência. lavando 2 vezes ao dia com água e sabão. Queimaduras elétricas são difíceis de avaliar. Não ofereça medicamentos ou alimentação oral até que o paciente tenha sido avaliado. • Queimadura com infecção . • O uso de pomadas deve ficar restrito aos casos de infecção. Tratamento Retire a vítima da água. pomadas ou óleos.

• Existem quatro tipos de doenças relacionadas ao calor: Síncope. quando se mudam para climas mais quentes. DOENÇAS PROVOCADAS PELO CALOR • O equilíbrio do calor no corpo humano é resultado do balanço entre a produção e a perda.SÍNCOPE Súbita perda da consciência em consequência de uma vasodilatação (dilatação dos vasos) cutânea (na pele). 315 . • A pele está tipicamente fria e úmida. • As atividades de trabalho e esportes mais pesados devem ser planejadas para períodos de menor calor. • As cãimbras ocorrem quando a perda de sal e água pelo suor. são repostas apenas com água. Cãimbras. D. Tratamento: • Repouso em lugar fresco por 1 a 3 dias.CÃIMBRAS • A perda de líquidos e eletrólitos (sódio e potássio) pode resultar em cãimbras de duração de 1 a 3 minutos nos músculos mais utilizados. • Pessoas acostumadas ao clima frio (ou menos quente) devem. • Avaliação médica regular dos indivíduos que trabalhem em ambientes quentes. 3. permitir um tempo de aclimatação. e o pulso esta fraco.1 . resultando em queda da pressão arterial (hipotensão arterial). além de usar líquidos com mais abundância. • Reponha líquidos generosamente (Um copo de água a cada ½ hora) se estiver consciente. • Geralmente existe história de atividade física precedendo os sintomas. • História típica de atividade física de 2 hs ou mais precedendo o quadro.100 a 200 ml de h/h (ver desidratação).SOCIEDADE BRASILEIRA DE SALVAMENTO AQUÁTICO .SOBRASA • • A sala de máquinas de embarcações são locais aquecidos. Inicie sempre RCP em vítimas hipotérmicas mesmo que você acredite que o paciente está “morto” há várias horas. Insolação e Intermação C. Medidas Preventivas: • Identificar os indivíduos com dificuldade de perda de calor e portanto mais expostos a estas doenças (estrangeiros). • A produção de suor e evaporação são os maiores mecanismos de remoção do calor.2 . • Solução reidratante . Tratamento: • Repouso em lugar fresco com as pernas elevadas acima da cabeça.

e até psicose. quente e seca. Tratamento: • Exame primário . D. Se consciente. histeria. fraqueza. Tratamento Mova o paciente para a sombra. • Sonolência ou inconsciência. • Taquicardia. • Pele vermelha. • Caso não suporte a hidratação oral .INSOLAÇÃO Provocada pela exposição excessiva aos raios solares • • • • Suor.4 .Leve ao hospital.3 . sede. • Confusão mental. hipotensão arterial e respiração rápida.MANUAL DE EMERGÊNCIAS AQUÁTICAS – Dr David Szpilman D. ansiedade. dor de cabeça. formigamento. podendo ultrapassar 41ºC. • Elevação da temperatura corporal. Afrouxe vestimentas. • Molhe a vítima com água fria. • Intermação é uma emergência que requer tratamento imediato. fraqueza. em que é ultrapassada a capacidade de suor para perda de calor. • Repouso na sombra ou lugar fresco e retirar vestimenta. náuseas. • Câimbras. forneça água fria. pele úmida e fria e tremores. em ambiente arejado.ABC da vida.INTERMAÇÃO • Provocado pelo trabalho muscular intenso por longo período em ambientes quentes e pouco arejados. dor de cabeça. 316 . • Solução de reidratação oral. com 1 a 2 litros em 2 a 4 hs se estiver consciente.

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