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Aval 3 Ano Medio 2 Bim Enter Prod Texto

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ESCOLA ESTADUAL DE ENS. FUND.

E MÉDIO BURITI AVALIAÇÃO DE INTERPRETAÇÃO E PRODUÇÃO DE TEXTO SEGUNDO BIMESTRE 3º ANO DO ENSINO MÉDIO PARTE I ALUNO (a): ____________________________________________ DATA:_____/______/2010. TURMA: ________.

Inácio da Catingueira e Romano Li, há dias, numa revista a cantoria ou “martelo” que, há perto de setenta anos, Inácio da Catingueira teve com Romano, em Patos, na Paraíba. Inácio da Catingueira, um negro, era apenas Inácio; Romano, pessoa de família, possuía um nome mais comprido - era Francisco Romano de Teixeira, irmão de Veríssimo Romano, cangaceiro e poeta, pai de Josué Romano, também cantador, enfim, um Romano bem classificado, cheio de suficiência, até com alguns discípulos. Nessa antiga pendência, de que se espalharam pelo Nordeste muitas versões, Inácio tratava o outro por “meu branco”, declarava-se inferior a ele. Com imensa bazófia, Romano concordava, achava que era assim mesmo, e de quando em quando introduzia no "martelo" uma palavra difícil com o intuito evidente de atrapalhar o adversário. O preto defendia-se a seu modo, torcia o corpo, inclinava-se modesto: “Seu Romano, eu só garanto é que ciência eu não tenho”. Essa ironia, essa deliciosa malícia negra, não fez mossa na casca de Francisco Romano, que recebeu as alfinetadas como se elas fossem elogios e no fim da cantiga esmagou o inimigo com uma razoável quantidade de burrices, tudo sem nexo, à toa: “Latona, Cibele, Ísis, Vulcano, Netuno...” Jogou o disparate em cima do outro e pediu a resposta, que não podia vir, naturalmente, porque Inácio era analfabeto, nunca ouvira falar em semelhantes horrores e fez o que devia fazer - amunhecou, entregou os pontos, assim: “Seu Romano, desse jeito eu não posso acompanhá-lo. Se desse um nó em "martelo" viria eu desatá-lo. Mas como foi em ciência, cante só, que eu já me calo”. Com o entusiasmo dos ouvintes, Romano, vencedor, ofereceu umas palavras de consolação ao pobre do negro, palavras idiotas que serviram para enterrá-lo. Isto aconteceu há setenta anos. E desde então, o herói de Patos se multiplicou em descendentes que nos têm impingido com abundância variantes de Cibele, Isis, Latona, Vulcano, etc. Muita gente aceita isso. Nauseada, mas aceita, para mostrar sabedoria, quando todos deviam gritar honestamente que, tratando-se de "martelo”, Netuno e Minerva não têm cabimento. Inácio da Catingueira, que homem! Foi uma das figuras mais interessantes da literatura brasileira, apesar de não saber ler. Como os seus olhos brindados de negro viam as coisas! É certo que temos outros sabidos demais. Mas há uma sabedoria alambicada que nos torna ridículos.
RAMOS, Graciliano. Viventes das Alagoas: quadros e costumes do Nordeste. 4. ed. São Paulo, Martins, 1972. p. 137-8.

Glossário Bazófia - sf (ital bazzoffia) 1 Fanfarronice, prosápia, vaidade. 2 Guisado feito de restos de comida. “Martelo” - 14 Reg (Nordeste) Gênero poético-musical, em decimal, usado nas estrofes dos solistas, nos desafios. Mossa - 1 Vestígio de uma pancada ou pressão forte; amolgadela, amolgadura. 2 Abalo, impressão moral.

Situe os dois personagens e discrimine as diferenças básicas que. Tendo tomado conhecimento de que o texto se organiza em três níveis distintos de estruturação. pode-se afirmar que Inácio e Romano cultivam valores diferentes. dois personagens com características diferentes. ( ) Verdadeiro.Questão 1 O produtor do texto construiu uma narrativa onde aparecem. o texto em questão está construído sobre uma oposição básica: superioridade versus inferioridade. distinguem um do outro. TURMA: ________. Basicamente. FUND. segundo o produtor do texto. você vai tentar produzir um texto narrativo a partir da seguinte proposta: . Questão 2 Num nível mais abstrato de leitura. quais são os valores que caracterizam a cultura de um e de outro? Questão 3 Cite uma passagem do texto que sirva para ilustrar que Romano é mais reconhecido socialmente do que Inácio. E MÉDIO BURITI AVALIAÇÃO DE INTERPRETAÇÃO E PRODUÇÃO DE TEXTO SEGUNDO BIMESTRE 3º ANO DO ENSINO MÉDIO PARTE II ALUNO (a): ____________________________________________ DATA:_____/______/2010. no nível da superfície. Questão 5 Num nível mais profundo de leitura. ( ) Falso ESCOLA ESTADUAL DE ENS.

qual o seu grau de instrução. .qual é o grupo a que pertence.quais as recompensas ou castigos que o personagem ganhou com sua atitude.. Como você pode notar. . . a estrutura fundamental (profunda) e a estrutura narrativa do texto já estão previamente estabelecidas pela proposta. como é fisicamente. Você pode escolher a seu gosto o desenvolvimento que a sua imaginação sugerir: ou o personagem submete-se à vontade do grupo contrariando suas convicções. usando de imaginação. em que lugar e em que tempo se situa. qual a sua idade.Seu texto deve girar em torno da Oposição entre obediência e rebeldia. etc. . Para isso.quem é esse personagem.quais são as leis e os costumes a que o personagem deve submeter-se. procure imaginar: . ou age de acordo com a sua consciência e entra em atrito com o grupo. criar o nível superficial (discursivo) do texto. Imagine então um personagem que está em desacordo com as determinações do grupo social em que vive. Cabe a você.

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