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Segundo E. H.

Carr, os documentos históricos não apresentam o que o historiador “pensou que aconteceu, o que ele queria que os outros pensassem, ou talvez o que ele próprio queria pensar que tivesse acontecido”. Esta afirmação expressa bem a intenção de José Manoel Tengarrinha e José Jobson de Andrade Arruda em seu texto “A produção de obras historiográficas no Brasil”, ao abordar a posição do historiador não apenas como um registrador dos acontecimentos passados, mas, também, como um construtor da História. Para estes dois historiadores, não houve, no longo intervalo entre os séculos XVI e XIX obras que poderiam ser consideradas históricas por não preencherem os requisitos sugeridos pelos mesmos para ser consideradas como tal. Nas palavras dos autores, “as obras que poderiam ser entendidas como de história foram analisadas sempre nos capítulos das histórias da literatura”. Somente em 1949 surgiu a primeira obra de historiografia brasileira, na opinião dos autores, produzida por José Honório Rodrigues que se tornou referencia para as poucas obras que se seguiram nos anos posteriores até, pelo menos, os anos da década de 1970. Numa opinião mais crítica, os autores dão destaque à obra de Nelson Werneck Sodré, “O que se deve ler para conhecer o Brasil”, por esta obra apresentar um caráter marxista. Esta característica, segundo os autores, permeou grande parte das obras historiográficas brasileiras principalmente nos anos de chumbo da ditadura militar no Brasil de 1968 a meados dos anos 1970. Nestes anos, devido suas atitudes “excludentes e repressivas”, as obras tinham que ser “camufladas” e, por muitas vezes, produzidas em parceria com profissionais de outras áreas. A obra mais significativa deste período, na opinião dos autores, é a “Historiografia brasileira contemporânea: a história em questão”. Acontecimento interessante demonstrado pelos autores é o interesse na história do Brasil por parte de autores estadunidenses, os quais se convencionaram chamar de “brasilianistas”. As obras pesquisadas pelos autores até o momento tratavam do período colonial. O período do império teve um número bem menor de análise, mas obteve trabalhos significativos. A república, no entanto, ficou em “segundo plano”. Sua análise mais significativa só apareceu em 1949 com um artigo produzido por Gilberto Freyre chamado “República”. Somente 15 anos mais tarde Emília Viotti da Costa veio a produzir algo importante sobre este período. Este historiografia sobre este período, mais especificamente as produzidas por Emília Viotti da Costa, demonstrou um caráter positivista quando se debruçou sobre a história dos “vultos” nacionais do período republicano como José Bonifácio.

A “pré-história da produção histórica no Brasil” deve-se. preocupada em mostrar os fatos considerados importantes para o Estado na tentativa de se criar uma identidade nacional pautada nos acontecimentos marcantes onde se encontravam personagens pertencentes à classe social que controlava o país. Rio de Janeiro. janeiromarço de 1961. não por coincidência. São Paulo. Paz e Terra. A produção histórica advinda desta instituição apresenta. que. Contudo. . José Manuel. José Jobson. H. remetiam a movimentos das classes inferiores eram negligenciados. Este tipo de publicação é um exemplo do novo caráter da produção da historiografia brasileira que chega com mais facilidade às mãos do grande público. Foi o próprio instituto que deu as bases para Capistrano de Abreu construir sua rica obra. ARRUDA. 1978. Edward Hallet. Carr na Universidade de Cambridge. Mais da metade das produções do instituto faziam menção ao período colonial. à fundação do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil (IHGB). Que é História? conferências George Macauley Trevelyan proferidas por E. os de 1990. houve o que os autores optaram por chamar de “rejuvenescimento dos estudos historiográficos brasileiros” com a entrada em cena da geração de estudiosos formados na década de 1970 onde surgiu a obra “A História do Brasil” que propõe que a historiografia é bem mais que a produção do conhecimento histórico. Prova disso foi a proliferação de publicação sobre a história da História num grande número de revistas especializadas no assunto em questão. 2ª ed. pois a partir dele é que se deram os primeiros passos para se construir os estudos sobre a Historiografia brasileira nos anos que se seguiram. uma responsabilidade de se tornar algo que abrangesse um público cada vez maior. principalmente. basicamente. TENGARRINHA. Os autores consideram o instituto como a espinha dorsal de toda produção sobre a história do país. agora mais crítica. os autores negam a importância do IHGB para a produção histórica e historiográfica do Brasil que nasceu com esta instituição. Sua obra mais importante é a “História geral do Brasil” de Varnhagem. sobre a História do Brasil. Referências Bibliográficas CARR. segundo os autores. Edusc. uma abordagem totalmente tendenciosa. Historiografia lusobrasileira contemporânea. mas possui. de alguma maneira. aborda a história da Brasil até o ano de 1822.Nos anos 1980 e. Os fatos que. XXXX. também.

Prof. Pere Petit BELÉM MARÇO/2010 . Dr.UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIENCIAS HUMANAS HISTÓRIA CLEBER DE OLIVEIRA AMORIM HISTORIOGRAFIA LUSO-BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA ANÁLISE CRÍTICA (CAPÍTULOS 2 E 3) Trabalho apresentado à disciplina História do Brasil III.