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UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARAÚ CURSO: LETRAS HAB.

EM LÍNGUA PORTUGUESA ARTIGO CIENTÍFICO PROBLEMAS DA FALA: GAGUEIRA Shirley Ramos Teixeira¹ Isabel Carolina Rodrigues Albuquerque²

RESUMO Este artigo tem como objetivo conceituar a gagueira de forma correta, informar ao leitor sobre esse distúrbio e suas implicações, neste incluindo-se sintomas características próprias e tratamento da mesma. Os autores que fundamentaram o artigo foram Azevedo (2006), lemos (1999). De início falou-se sobre o conceito da gagueira e como ela é vista por muitos que não conhecem esse distúrbio. Em seguida sobre os diversos sintomas que podem ser apresentados na gagueira, nas diferenças situações em que esta pode apresentar-se e em suas diferentes formas. E por fim falou-se nas melhores formas de lidar com a gagueira, seja para o gago como para quem convive com uma pessoa que seja portadora da gagueira, e ressaltou-se a importância de conhecê-la em todos seus aspectos e lidar em quaisquer situações. PALAVRAS-CHAVE Criança. Gagueira. Tratamento. Convivência.

1.

INTRODUÇÃO

Este trabalho nasceu da curiosidade que se tinha a respeito de demonstrar a importância que o educador tem de conhecer e lidar com crianças que apresentam algum tipo de distúrbio da fala, como a gagueira, que delimita o entendimento da pessoa com quem a criança gaga comunica-se, se esta não o aceitar e tentar compreendê-lo.
¹ Acadêmica do curso de Letras- hab. em língua portuguesa da Universidade Estadual Vale do Acaraú do 5º período da disciplina de Aquisição da Linguagem do turno da noite. ² Acadêmica do curso de Letras- hab. em língua portuguesa da Universidade Estadual Vale do Acaraú do 5º período da disciplina de Aquisição da Linguagem do turno da noite.

da mesma forma das outras crianças que não apresentam nenhum tipo de distúrbio da fala. mas também na companhia de seus familiares. sílabas. 2. não por não gostar do ato da fala. A gagueira atinge mais pessoas do sexo masculino do que o sexo feminino. importantes e que em sua grande maioria causam vergonha para os portadores dessas anomalias. pior e menosprezado de tal forma que chega ao ponto de parar de comunicar-se não só no convívio com os colegas. Nesse caso a gagueira é passageira. a vontade do gago de comunicar-se através da linguagem oral. causa bloqueios na fala. já que a criança gaga pode e deve interagir normalmente com todos que estejam inseridos no seu meio.ma.2 A linguagem é uma das maiores riquezas possuídas pelo homem.mamãe” costuma acontecer na época em que a criança está iniciando a fala. prolongamento e repetição de sons. Essa característica tende a desaparecer quando o léxico da criança evolui e ela acostuma-se com a verbalização.mamãe. Estudar a mesma não é algo fácil. O conhecimento de tal distúrbio é imprescindível para os profissionais e estudantes da área de ensino. faz-se acompanhar frequentemente por tensão muscular. e os bloqueios dos movimentos da fala. hesitações. reduzindo assim. sentindo dificuldade para encontrar o que vai dizer. Estes ocorrem mais especificamente na pronúncia da primeira sílaba. palavras ou frases. principalmente quando ao estuda-la surgem as deficiências sérias. rápido piscar de olhos. é a mais comum desordem de influência da fala. A gagueira faz com que o doente se sinta menor que os outros. mas por sentir vergonha da maneira como fala. Porém. no início da pronunciação das palavras ou frases. A repetição de sílabas e palavras “ma. GAGUEIRA A disfemia conhecida popularmente como gagueira ou gaguez. irregularidades respiratórias e caretas. por tanto começa a repetir as palavras até conseguir expressar o que realmente intenciona. E a aceitação da criança com gagueira no meio é essencial pra o tratamento e manifestações linguísticas da mesma. Suas principais características são a repetição de sílabas. nem sempre isso . prolongamentos de sons. atingindo cerca de 70 milhões de pessoas no mundo (dois milhões no Brasil).

o que eles não conseguem e quando pressionados tendem a falar . mas também pode aparecer apenas em situações em que a pessoa sente-se pressionada. É possível fazer uma analogia da gagueira inicial na criança ao ato monitor. como colocar a mão no bolso. ao desenvolver-se a fala da criança. Ao gaguejar os doentes. p.ma. em que há repetição. angustia-se e cobra dela uma postura incompatível para aquele momento. os pais percebem que não há nada de errado com o desenvolvimento motor da criança. a família muito comumente posa a identificar a criança gaga. prolongamento ou interrupção dos sons que iniciam as palavras. ou até mesmo quando utilizam de um determinado ritual que a eles ajudam. onde existem súbitas repetições de sílabas e palavras. arquejar. Como nomeia Azevedo (2012. esfregar as mãos ou inclinar a cabeça. em muitos casos a gagueira torna-se algo que o doente terá que levar pelo resto da vida. A gagueira pode ser contínua. ORIGEM DA GAGUEIRA A criança quando pequena passa por um processo natural de gagueira. apertar alguma parte do corpo. enfim algum gesto ou situação com o qual sintam-se mais seguros para falar. normalmente. Pois os pais muitas vezes não entendem sobre esse problema e cobram-lhes a forma correta de pronunciar as palavras. 3. O mesmo acontece com a fala. Quando a criança começa a dar seus primeiros passos. também acompanham algum outro tipo de “manias” tais como fazer caretas. com o passar do tempo a criança consegue andar direito chegando a correr.1) apud Friedman (2004). pois sentem-se mais confiantes e capazes.mamãe”. os pais estão sempre observando. Alguns gagos falam sem gaguejar quando se encontram sozinhos. quando cantam. A gagueira pode patológica quando são observadas emissões do tipo “mma. sapatear. um certo prolongamento de sons e hesitações ao falar. os pais devem ficar bem atentos e identificar o quanto antes se existe algum problema nesse desenvolvimento.m.3 acontece. entre outras atitudes estranhas que não absolutamente nada a ver com a fala. e acontecem à medida que a gravidade do distúrbio aumenta.

quando criança fala “comei” por já conhecer a palavra “cantei”. por exemplo. a mais interessante é a terceira por que é nela que se observam hesitações por parte da criança. Porém. A pressão estabelecida pelos seus familiares só tende a agravar a situação. repetições de sílabas e palavras. Na primeira posição a criança encontrase circunscrita à fala do outro. esse fator sugere que é uma base genética. Os tipos de provas apresentadas em apoio à etiologia orgânica da gagueira podem ser definidas como. As teorias mais antigas sobre a origem da gagueira relatam fatores orgânicos. com mis dificuldades. procura contrapor os processos metafóricos e metonímicos à visão desenvolvimentista da psicologia. é associada a nascimentos de bebês gêmeos ou prematuros. é o momento das autocorreções e do seu efeito no outro que pode tomá-las como gagueira. consequentemente. desencadeiam ou agravam o quadro clinico. bem numerosos componentes fisiológicos.4 menos e. Na terceira. que são os principais sintomas da gagueira. como a hereditariedade e a falta de preponderância de um hemisfério cerebral. também pode ser associada às causas funcionais que podem ser de fatores funcionais. Na segunda posição a criança já é um falante submetido ao movimento da língua que ocorre. como a perda de um ente querido. Ainda no aspecto orgânico. Das três. um acidente ou quando a pessoa é severamente surpreendida. as infecções por encefalites ou doenças infecciosas como a meningite e as epilepsias. a incidência de crianças nascerem com gagueira é maior em famílias que já possuam pessoas gagas. Esta ocorrendo com mais frequência os casos em que a criança sofre algum tipo . porem hoje esse distúrbio é definido como uma doença de diversas causas que predispõem. prolongamento de sons. As teorias neurológicas apontam como causadores da gagueira traumas de nascimento (acidente de fórceps). existem várias teorias que afirmam que a gagueira é causada por perturbações locais no aparelho fonador. configura-se um deslocamento do sujeito falante em relação a sua fala e a do outro. A teoria glandular defende que a causa está no aumento ou diminuição das glândulas sexuais ou suprarrenal. Entre os gagos é mais frequente existirem distúrbios do sistema nervoso central. mais frequentes em pessoas canhotas de nascença ou que preferiram mudar sua preferencia de lados. Lemos (1999). determinam.

quando está aprendendo a falar. 4. Mudança de tonalidade faz o doente esquecer-se da gagueira. faz com que o gago aumente o tom da voz. hesitações de sons e palavras. provoca um efeito relaxante. o doente aprende a falar em tons sussurrantes. A primária onda a criança ainda não é consciente de suas dificuldades da fala. . ou seja. ocorre nas maiorias das vezes com crianças de dois a quatro anos. Estímulo de canto que provoca mudança de tonalidade. entrando na escola ou na adolescência. altera a intensidade da voz. Os pais de pessoas gagas geralmente são perfeccionistas e exigem muito de seus filhos. que ao sentir dificuldade a falar certas palavras teme gaguejar o que por consequência.5 de pressão social como. enganam o ouvinte de sua gagueira e diminuem a velocidade ao falar. facilitam a sincronização dos movimentos da fala que facilitam a programação das sequências articulatórias. torna a gagueira mais frequente. FASES DA GAGUEIRA A gagueira é distinguida por duas fases. Na fase secundária o doente já foi classificado como gago tanto pelas outras pessoas quanto por si mesmo. Estimulo rítmico ajudam a regular a respiração. Existem alguns estímulos para diminuir a gagueira. musica) que impedem que o gago escute sua voz. pois o mesmo fica preocupado em manter seu novo tom de voz e por fim baixar a intensidade. os mais comuns são: O estimulo auditivo (quedas d’água. 5. Classificação da Gagueira A classificação da gagueira é dada de acordo com o estudo dos sintomas. reduzindo a ansiedade. que acaba facilitando a fala. murmúrio que simplifica e coordena a respiração e a articulação. das atitudes e das diferentes situações em que a criança pode se encontrar. As teorias psicológicas afirmam que a gagueira ocorre quando há muito stress ou crises no meio onde essa criança está inserida. embora havendo bloqueios. já que o doente tem maior dificuldade ao falar e respirar juntos. causada pela própria insegurança. trem em movimento.

pois cabem a eles formar as reações das outras crianças ao se depararem com a dificuldade do coleguinha que possui esse distúrbio. Os pais são de uma enorme importância para a criança mesmo quando ela já está no meio escolar.2. pois existem várias maneiras tais como os exercícios respiratórios.2.Contínua – aparece em todas as condições.3Prolongamento da primeira letra.3. 5. COMO LIDAR COM UMA CRIANÇA GAGA Ao lidar com uma criança gaga é muito importante observar bem a criança. 5.2. seja consoante ou vogal. em casa devem evitar certas atitudes par não tornar a criança cada vez mais retraída.1.4. Simples – quando não acompanhada de movimentos. Associada – quando acompanhada de movimentos.Secundária – quando há evidência de componentes emocionais.Circunstancial – aparece em determinadas condições ou situações.1.1. Os pais.Quanto à pronúncia: 5.1. 5.1. 6.6 A classificação pode ser: 5.3. 5.2. Quanto aos movimentos: 5. 5. pois ela ainda possui uma forte ligação com o meio familiar.3.2. Ao conversar falar mais baixo e devagar para que a criança tanto compreenda melhor como .Repetição da primeira sílaba.1.2.Quanto ao aparecimento: 5.Quanto à emoção: 5.2. a psicoterapia e a hipnose.2.4. porém esses têm o mesmo objetivo que é fazer com que o portador da gagueira consiga se comunicar de uma maneira melhor quando lhe for preciso. como não criticar a maneira da criança falar. não só na classe.Repetição de consoantes.Primária – quando não está ligada à emoção. mas também no intervalo das aulas. porém os professores também têm um papel crucial no desempenho e desenvolvimento da fala da criança. 5.4. 5. 5.1.

Questionar o que lhes for óbvio e que a mesma saiba a resposta. . METODOLOGIA Esse trabalho é resultado de uma pesquisa bibliográfica. da melhor maneira possível. Matriculá-la em uma escola pré-primária para que esta acostume-se a jogar. Esses autores apesentaram em seus trabalhos muitas informações e levantaram discursões sobre o assunto. tornar o ambiente calmo evitando falar alto. o dever é do professor que irá tentar tornar as coisas mais fáceis para criança gaga. para poder educar todos os seus alunos. por tanto. aceitando-a para que a mesma não sinta-se rejeitada e adquira mais confiança em si. interrupções e impaciência o máximo possível e incite as outras crianças a fazer o mesmo. mas não forçadamente e não chamar a atenção para a gagueira do aluno. deixar vista as suas qualidades. pintar e desenvolva a fala. brincar. O gago dente vergonha de sua dificuldade. eliminando dificuldades. . rápido e sem dar ordens. Já na sala de aula. Procurando sempre o melhor tratamento para a dificuldade e melhor convívio entre todos. porém ao sentir-se um pouco mais confiante. é imprecindível para o profissional da área de ensino conhecer essa disfemia. sem diferenças ou preconceitos. seja os que têm alguma deficiência de linguagem ou não. E teve como subsídio teórico Azevedo (2006). assim tende a falar apenas o essencial. Ensinando-os a lidar e respeitar todos que se incluem no seu meio. 7. ele irá se expressar mais e (na maioria das vezes) melhor. 8.7 comunique-se com maior facilidade. CONSIDERAÇÕES FINAIS A gagueira é um dos distúrbios de linguagem mais comuns e. nuca esquecendo-se da importância de conhecer e lidar melhor com essa disfemia. sempre que possível é bom dar-lhe oportunidade de falar.

A gagueira na perspectiva linguístico discursiva: um olhar sobre a terapia. COELHO. Nádia.org.5 ed. São Paulo: Ática. Acesso em: 08 jun. Disponível em:<http://www. . Problemas da Aprendizagem.200 f. ( tese de doutorado) – curso de pós graduação em letras. 2 ed. Universidade Federal da Paraíba. Aquisição da linguagem: Uma Abordagem psicolinguística. São Paulo: Contexto.br/>>. Maria Teresa.2006.8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AZEVEDO. FÓRUM Online: Dia Internacional de Atenção à Gagueira. 2012. JOSÉ. RÉ. 2012.abragagueira. Elisabete da Assunção. Alessandra Del. João Pessoa. 2006. 1993.