HISTÓRIA DA OCUPAÇÃO DA AMAZÔNIA

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A M Ã E - D A - M A T A percorre a floresta chorando e se lamentando pela perda de seus

filhos. Sua aparição está associada a sentimentos de perda e dificuldades na vida: morte de parentes, fome, situações de opressão ou escravidão, no âmbito familiar. Desmatamento, invasões, conflitos entre grupos, no âmbito coletivo. No Acre, fala-se na mãe-da-seringueira, localizando-se o drama num tipo social determinado, o extrativismo da borracha, e dando forma humana ao espírito de uma árvore muito especial, que sofre quando é cortada e fornece “leite” e sustento para a família, exatamente como uma abnegada mãe.

e escravizados. esses povos.200 anos atrás. A segunda parte da viagem nos revela os caminhos percorridos pelos portugueses em suas expedições de reconhe- tado de Tordesilhas. A história do ciclo do “ouro negro” e da borracha é contada com a ajuda da Companhia de Teatro Metamorfose de Manaus. árabes. Neste programa. o uso da mandioca e a confecção da cerâmica. a construção da ferrovia Madeira–Mamoré. O segundo bloco do programa é dedicado aos grandes ciclos econômicos que atraíram enormes quantidades de imigrantes para a região. da qual herdamos alguns costumes como. Rondônia. da área de arqueologia. As grandes obras não trouxeram a prosperidade desejada e agravaram as tensões sociais. Por fim.cimento do território. que durou quase dez anos e resultou em uma das mais importantes coleções de história natural do Brasil. Os grandes projetos agropecuários e os incentivos à exploração de madeira e minério fizeram crescer assustadoramente a taxa de desmatamento. no Pará construído para vigiar a “porta de entrada” da Amazônia. Quando os europeus chegaram. para tentar entender a origem da diversidade étnica da região amazônica. O ponto de partida é o Museu Emílio Goeldi em Belém (PA). de repovoamento da região Norte. nomeados indígenas. que contrastava com a simplicidade dos seringueiros atrelados ao perverso sistema de aviamento – rede de crédito. ocorrido em 1941 durante a Segunda guerra mundial. SINOPSE DO VÍDEO O programa propõe uma viagem pela história da ocupação da Amazônia. com a ajuda da pesquisadora Edite Pereira. Imagens de fortes antigos. comerciantes e seringalistas. principalmente as chamadas “drogas do sertão” – conjunto de especiarias de grande valor para os europeus. pinturas rupestres e cerâmicas nos ajudam a conhecer um pouco da vida dos povos que habitavam a região até 11. Uma filha de imigrantes nos conta a história de sua família que veio para a Amazônia extrair borracha para promover a guerra. O resultado de todo este processo histórico é a diversidade cultural amazônica. em Costa Marques. negros. Como. Os vestígios encontrados. que estava dividido em dois pelo Tra- mentos históricos da região. A promessa de distribuição de terras atraiu milhares de camponeses brasileiros. o declínio da borracha e seus motivos. encontraram uma enorme quantidade de grupos e tribos organizadas com uma cultura própria. foram ignorados pelos europeus. realizada pelos militares. alguns preservados como o do Presépio em Belém. onde o nosso apresentador recua no tempo. asiáticos e brasileiros de todas as partes. principalmente nordestinos. europeus. outros em ruínas como o Príncipe da Beira. PINTURAS RUPESTRES E CERÂMICAS > TRATADO DE TORDESILHAS > EXPEDIÇÕES PORTUGUESAS > DROGAS DO SERTÃO > CICLO DA BORRACHA – SISTEMA DE AVIAMENTO > DECLÍNIO DA BORRACHA > SEGUNDO CICLO DA BORRACHA > PERÍODO DA DITADURA MILITAR – GRANDES PROJETOS X DESMATAMENTO E TENSÃO SOCIAL . conhecida como viagem filosófica. do qual a transamazônica é o maior símbolo. fruto da miscigenação dos povos antigos com os europeus e africanos. nos contam a história da ocupação portuguesa durante a União Ibérica. Narram-se a grande leva de imigrantes europeus e nordestinos. até o seu segundo ciclo. por exemplo. formada pela presença de índios. no tempo de riquezas dos coronéis. por exemplo. que dramatiza alguns aconteci- CONTEÚDOS DO VÍDEO > POVOS ANTIGOS – COSTUMES. Contudo. que trouxe novamente para a região milhares de nordestinos. conhecemos também outras expedições que ajudaram na integração da região Norte e Sul e a primeira expedição cientifica. Ocupação esta movida pelo interesse nas riquezas escondidas na floresta. o programa relata a ocupação.

neste período que os primeiros grupos humanos provenientes da Ásia chegaram de sua longa migração até a América do Sul. serviam de base alimentar para os bandos de caçadores gregários e cujos fósseis podem ser encontrados nos barrancos de muitos dos rios amazônicos. Começava então uma segunda fase do povoamento humano da Amazônia. PRIMEIROS HABITANTES FIQUE POR DENTRO Existem diferentes teorias acerca da ocupação pré-histórica da América.000 e 12. o toxodonte. provavelmente. Essas novas práticas socioculturais.p.000 anos atrás. levaram ao aumento da temperatura e da umidade do planeta.A longa história do povoamento humano na Amazônia começa praticamente junto com a for- MERGULHANDO NO TEMA mação da floresta que conhecemos hoje. o tigre-dentes-de-sabre e diversos outros exemplares de megafauna. PREGUIÇA GIGANTE.000 a 50. deram origem à chamada Cultura de Floresta Tropical. Nesse ambiente proliferavam grandes animais como o mastodonte. (antes do presente) foi.000 anos. A Amazônia era então uma ampla extensão de savanas. por volta de 5. A CULTURA DE FLORESTA TROPICAL Mudanças climáticas e ambientais. especialmente no Acre. as mais recentes pretendem recuar a antiguidade do homem americano entre 30.000 e 6.000 a. provavelmente a migração teve somente procedências mais diversas do que da Ásia. a preguiçagigante. As datas da presença humana variam conforme a teoria. fazendo com que as florestas se expandissem. caracterizada por grupos que praticavam uma agricultura ainda 81 .000 anos. Apesar de ainda não terem sido encontrados vestígios concretos da presença humana na Amazônia durante o período compreendido entre 20. ocorridas entre 7. na qual as populações passaram a contar com recursos alimentares mais diversificados e novas formas de organização social surgiram. com apenas algumas manchas de floresta ao longo dos rios. um dos exemplares da megafauna que habitavam a Amazônia pré-histórica. Eram grupos nômades de caçadores-coletores que perseguiam as grandes manadas de animais. os quais se supõe. A origem também vem sendo revista.

Na Amazônia. que.incipiente. O lendário e mítico. “drogas do sertão” Castanha. desde a Grécia antiga. em 1616. Isso fez com que Carvajal se referisse a elas como as lendárias Amazonas. com as bênçãos da Igreja Católica. tornou-se especialmente famoso o feroz ataque que um grupo de mulheres guerreiras realizou contra a expedição de Orellana. frutos exóticos. que se banhavam com o corpo coberto de ouro em pó. foi organizada uma grande expedição. Além da proteção contra outros europeus. fez os primeiros registros escritos sobre a floresta amazônica e sua diversidade de ambientes e culturas. Gaspar de Carvajal. povoavam a imaginação européia. também nomeou sua imensa floresta: Amazônia. coube a Francisco Caldeira Castelo Branco fundar. A partir dessa nova organização social. deixaram grandes sítios arqueológicos que testemunham seu florescimento por toda a Amazônia. Era necessário alargar os domínios portugueses para oeste. Muitas décadas se passariam antes que novas investidas à região fossem realizadas. Marabitanas e São Joaquim ajudaram no estabelecimento de povoações como a de Rio Branco. A região voltou a pertencer exclusivamente aos cerca de 5 milhões de índios (segundo uma das estimativas existentes) que ali habitavam e que também haviam sido motivo da admiração nos relatos de Carvajal. Com isso. não se inte- CHEGADA ressaram por povoar a Amazônia. COLONIZAÇÃO DOS EUROPEUS: PRIMEIRAS EXPLORAÇÕES PORTUGUESA Apesar de os espanhóis terem seus direitos garantidos pelo Tratado de Tordesilhas. tabaco. A Amazônia já começava a sofrer ameaças de invasão de ingleses. especiarias de alto preço no mercado europeu. além de batizar a maior bacia fluvial do mundo. sal-saparrilha. tal sua quantidade e organização. FIQUE POR DENTRO Entre as muitas peripécias narradas por Gaspar de Carvajal. no entanto. pesca e coleta de frutos e sementes da floresta. em 1637. Por sua vez. o Forte do Presépio que. 82 83 . Somente no final da primeira metade do século XVI. os portugueses não vacilaram em tomar a iniciativa de seu efetivo controle. Os espanhóis ficaram surpresos com a coragem e habilidade daquelas mulheres que pareciam comandar os homens que lutavam junto com elas. Apesar de seu caráter pioneiro. deu origem à atual cidade de Belém e serviu como base para o povoamento da Amazônia. Pesquisadores relacionam a história com cerimônias de índios da Colômbia. ela conseguiu estabelecer marcos de ocupação territorial portuguesa ao longo do rio. A expulsão do Maranhão dos franceses que ali tentaram estabelecer a França Equinocial alertou os portugueses para a importância da defesa da região. os fortes também serviam para estabelecer núcleos de povoamento a partir dos quais pudesse ser estabelecida a colonização. grande parte do que hoje conhecemos como Amazônia brasileira pertencia aos espanhóis. a expedição de Orellana não deixou outros frutos que fossem duradouros. A primeira expedição européia ao grande rio que corta a região foi realizada entre 1540 e 1542 pelo destemido navegador espanhol Francisco de Orellana. o comando da expedição composta por cerca de duas mil pessoas. as duas superpotências da época. Coube ao capitão Pedro Teixeira. Por esse acordo. desde então este rio ficou conhecido como o “río de las amazonas”. na foz do rio Amazonas. peles de animais e outros produtos animais e vegetais coletados por índios e caboclos. rico reino do Eldorado. franceses e holandeses. obedeciam à divisão territorial estabelecida pelo Tratado de Tordesilhas. decisiva para a conquista portuguesa da Amazônia. Assim. os espanhóis deram início ao reconhecimento da região. além de proteger possíveis invasões estrangeiras por via fluvial. Para tanto. Portugal e Espanha. Fantasia ou não. complementada pela caça. Inicialmente. escrevente espanhol. OS FORTES de São José de A terceira fase da ocupação humana da Amazônia corresponde ao povoamento europeu da região. cacau. que des-creveu ter descoberto uma região riquíssima em ouro. sendo a grande maioria índios. Nome que. grande floresta. os grupos pré-históricos amazônicos passaram também a fabricar cerâmica e a ocupar alguns locais por períodos mais prolongados. para assegurar a exploração das riquezas ocultas da floresta. a ocupação humana da Amazônia alcançou o estágio de alta diversificação que os europeus encontraram ao começar a exploração da O Eldorado Este mito teve origem em relatos de Orellanas. os principais recursos explorados pelos portugueses foram a mão-de-obra indígena e as drogas do sertão. Apesar das dificuldades enfrentadas. A partir do surgimento da Cultura de Floresta Tropical. O escrivão dessa expedição. ILUSTRAÇÃO representando as Lendárias Amazonas.

assim como em outras regiões da colônia. De uma área com uma multiplicidade de povos ameríndios que seguiam seu desenvolvimento próprio. O Mapa das Cortes. tais como cacau. Assim. 84 85 . como no Nordeste. os brancos trouxeram doenças contra as quais os índios não possuíam resistência. As doenças palustres ganhavam fama. algodão e arroz. Calcula-se que. O inevitável resultado do processo de escravidão. dizimando aldeias inteiras diante de pajés que não sabiam como curar aquelas moléstias desconhecidas. Os escravos negros que conseguiam fugir se embrenhavam pela floresta e criavam pequenas PA R A S A B E R M A I S Para saber mais sobre a questão indígena . em linhas gerais. país do qual recebia proteção contra a França e a Espanha. território anexo ao reino português. tão marcante nas terras amazônicas. o negro incorporou-se ao ambiente das casas senhoriais e nas atividades domésticas. tuberculose e outras enfermidades rapidamente se alastraram entre os grupos indígenas da região. OS AFRICANOS Pela dificuldade de aprisionamento e pela vulnerabilidade às doenças. canela. Sarampo. em menos de dois séculos. cravo. mas também definiu o princípio que nortearia todas as questões de limites surgidas posteriormente: o uti possidetis . Mas também. gripe. definida. de origem Tupi. civilizados. segundo o qual a terra pertencia ao país de origem dos homens que nela morassem. ou pelo menos amenizada. ambos ocorridos em 1750. ESCRAVIDÃO INDÍGENA comunidades conhecidas como quilombos. a selva impenetrável. na agricultura de subsistência e na pecuária. A partir da segunda metade do século XVIII. A mestiçagem foi estimulada dando origem à população cabocla. as condições climáticas se revelavam extremas para os europeus e o imenso esforço necessário para a extração das riquezas ocultas na floresta tornaram a Amazônia um lugar indomável.Pará. com a chegada dos negros trazidos da África na condição de escravos. Um “inferno verde”. AMAZÔNIA PORTUGUESA O estabelecimento do Tratado de Madri e o início da administração de Marquês de Pombal em Portugal. imposto pelo colonizador ou por meio da ação dos jesuítas. impiedosamente selvagem no imaginário do colonizador. No Baixo Amazonas. As enormes distâncias. marcaram uma nova fase na qual a Amazônia brasileira foi. mergulhe no Capítulo 6. a presença dos negros na população amazônica ficou concentrada no Pará e no Amapá. perigos de diferentes naturezas perturbavam quem quer que tivesse coragem de ali entrar. os índios não se adaptavam a muitas atividades econômicas necessárias ao colonialismo. Q U A I S E R A M A S A R M A S PA R A L U T A R C O N T R A E S S A A V A L A N C H E ? Logo de início ficou claro que nem mesmo toda a tecnologia européia seria capaz de superar as dificuldades apresentadas pelo povoamento da Amazônia. indecifrável. os negros foram empregados nas construções. Caderno 3. 1914. mergulhe no Capítulo 6. Pombal criou a Companhia Geral do Comércio do Grão-Pará e Maranhão que deveria oferecer preços atraentes para as mercadorias ali produzidas a serem consumidas na Europa. puxando o traçado dos rios para leste.ÍNDIOS CAIAPÓS Passou a predominar por toda a Amazônia o uso de uma língua geral. PA R A S A B E R M A I S Para saber mais sobre as comunidades quilombolas . diminuindo artificialmente a área pretendida pelos portugueses – e cumpriram perfeitamente o objetivo de desorientar os negociadores espanhóis. foi a redução maciça da população indígena amazônica. Além de serem capturados pelos soldados portugueses. os índios amazônicos passaram a sofrer a ação dos missionários de diversas ordens religiosas que se dedicavam a convertê-los à fé cristã – boa parte da ação jesuítica dizia respeito à produção de riquezas com o emprego da mãode-obra indígena. serviu de base para as negociações do Tratado de Madri e possuía forte distorção do curso dos rios que cortam as terras a oeste do Brasil. “Povos indígenas e comunidades tradicionais”. em 1740. Tr a t a d o d e M a d r i O Tratado de Madri é um dos mais importantes tratados de limites da história diplomática brasileira porque estabeleceu não só as bases territoriais do Brasil. elaborado a pedido do rei de Portugal. A colonização portuguesa que os transportava ainda se concentrava nas proximidades da foz do rio. o conhecimento que se possuía do interior do continente americano ainda era muito impreciso. nessa época. havia cerca de 50 mil índios vivendo em aldeias formadas por jesuítas e franciscanos. Começou também a introduzir na Amazônia a mão-deobra escrava de origem africana. Não menos importante do que o Tratado de Madri para a inauguração de uma nova fase da história amazônica foi a administração empreendida pelo Marquês de Pombal. Pombal pretendia tirar Portugal da situação de atraso que experimentava frente às demais potências européias e da dependência da Inglaterra. Essas distorções eram propositais. “Povos indígenas e comunidades tradicionais”. a Amazônia havia se tornado. Vale lembrar que. mas a “avalanche” européia trazia muitíssimas armas desconhecidas. a carência da mão-deobra foi suprida. Tão logo subiu ao poder. Poucos subiam o Amazonas. Os diversos povos amazônicos resistiram o quanto puderam. que auxiliava na incorporação dos índios à empresa colonial. ainda em 1750. nas plantações de cacau. Além de uma tecnologia mais avançada. cada vez mais numerosas. Caderno 3.

Belém. mas vieram também italianos. um trabalho penoso e perigoso. transportá-la até as margens dos rios e daí para o comércio nas cidades. os povos indígenas mais arredios que não foram incorporados aos empreendimentos colonialistas. As lutas prosseguiram até 1840. Estes extremos. Pombal pretendia também consolidar o domínio português nas fronteiras do Norte e do Sul do Brasil através da integração dos índios à civilização portuguesa. no Império brasileiro. c. que se ressentia de ter sido afastada das decisões políticas e econômicas do país.PRAÇA DA REPÚBLICA . provocou forte frustração nacionalista da parte da elite amazônica. No final. eram chamados ‘cabanos’. políticos que queriam maior fatia de poder. Pombal determinou a expulsão dos jesuítas de Portugal e seus domínios. Esta Amazônia profunda retinha suas riquezas em segredo e realimentava o mito do “inferno verde”. findo o período das “drogas do sertão” e iniciada uma ocupação mais sistemática da Amazônia. quando os contornos políticos do Brasil seriam definidos com a conquista dos territórios do Amapá e de Roraima. por desmembramento do Grão-Pará. em IGREJA. A Amazônia brasileira permaneceria ainda por muitos anos mergulhada em uma situação de grave decadência econômica e social. A CABANAGEM E A CRISE DA ECONOMIA COLONIAL A VINDA DOS NORDESTINOS A adesão do Pará à independência do Brasil. Fascinados pela promessa de riqueza. casario e traçado de ruas de Manaus Cabanagem Revolta que recebeu esse nome devido a grande presença de homens simples. na parte mais ocidental da floresta. a região experimentaria um novo alento. irrompia no Pará a Cabanagem. assim chamado pela cor escura das “pelas” (bolas) de borracha defumada. índios e mestiços movidos por séculos de dominação e opressão portuguesa. e em especial a Companhia de Jesus. Os missionários. CICLO DO “OURO NEGRO” Outro momento marcante para a “criação” da Amazônia brasileira foi propiciado pela Revolução Industrial. especialmente as regiões dos altos rios. O poder. nem de Portugal nem da Espanha. franceses. O contingente mais numeroso era de sírio-libaneses. Essa jogada política garantiria o aumento das terras portuguesas de acordo com o Tratado de Madri. substância que só existia na floresta amazônica e que passou a valer ouro negro. marcada por ataques e a tomada de Belém. transformou aldeias amazônicas em vilas sob administração civil e implantou uma legislação que estimulava o casamento entre brancos e índios. Em 1835. era uma frente ampla que congregava burgueses nacionalistas insatisfeitos. escravos que ansiavam pela liberdade. A vulcanização da borracha. e do Acre. Somente com a criação da Província do Amazonas. ao Norte. que. militares que desejavam alcançar mais altos postos. eram acusados de tentar criar um estado próprio dentro do reino português. Ouro negro Neste período o látex extraído das seringueiras passou a ser conhecido com ouro negro. que só poderia ser realizado por um exército de homens acostumados à vida mais rude. Belém foi quase totalmente destruída e sua economia devastada. AMAZÔNIA BRASILEIRA Na metade do século XIX. defumá-la até ficar sólida. e os primeiros movimentos de valorização da borracha extraída da seringueira. com o confisco de todos os seus bens. onde foi proclamada a independência do Pará em relação ao Brasil. Esse exército veio do 86 87 . portugueses e ingleses em grande número. o motivou uma intensa migração de homens vindos de todas as partes do mundo. Era necessário colhê-la nas árvores. A fronteira do território da Amazônia brasileira permaneceria móvel até o início do século XX. Em 1759. temos uma nova base cultural estabelecida. no extremo Oeste. proibiu a escravidão indígena. Por isso. por morar em cabanas. 1910. especializados no comércio. permaneciam como área de refúgio dos primeiros habitantes. 1850. continuaria concentrado nas mãos dos conservadores que exploravam o Pará desde o tempo da colônia. A Cabanagem não foi simplesmente uma revolta popular. o saldo foi de 30 mil mortos entre rebeldes e legalistas. espalhada em longas distâncias habitadas por índios. aventuraram-se em cidades e vilas até então isoladas na floresta. novas levas de europeus atravessaram o oceano. em 1823. ainda líquida. Consolidava-se assim a presença portuguesa no imenso território que hoje constitui o Brasil. A borracha estava na floresta.

O sistema de aviamento se constituía numa rede de créditos e se espalhou nos imensos seringais que foram abertos em todos os vales amazônicos. empurrado pela miséria e pelas grandes secas. Biopirataria Comércio ilegal de seres vivos. só perdendo para o café – foi efêmera. Em menos de três décadas a velha pirataria européia conseguiu destruir todos os sonhos de grandeza amazônica. Rapidamente se descobriu que as mudas de seringueira obtidas das sementes contrabandeadas se adaptavam perfeitamente na Ásia. Pagavam suas dívidas com a borracha produzida. esses homens valiam menos que os escravos. roupas e ferramentas. eram extremamente altos. como nestes. cem mil novos trabalhadores para reativar a produção amazônica até o nível desejado. Assim conseguiram reduzir de forma drástica os custos de produção. que. na Amazônia. As autoridades norte-americanas entraram em pânico e voltaram suas atenções então para a Amazônia. SISTEMA SERINGUEIROS Eram obrigados a comprar a crédito somente dos seus seringalistas tudo de que necessitavam para sobreviver: alimentos. 88 89 . Na outra extremidade da sociedade regional. todas as mercadorias que ven- > diam para os seringueiros. E OS SERINGUEIROS? Nas décadas de 1920 e 1930. milhares de seringueiros nordestinos abandonaram os seringais e voltaram derroAS CASAS AVIADORAS tados para suas regiões de origem. que consumiu a vida de milhares de homens. os países aliados não tinham mais acesso à borracha asiática e necessitavam desta matéria-prima principalmente para a indústria bélica. mais que o dobro das necessidades norte-americanas. BATALHA DA BORRACHA Reservatório natural Seringueiras prontas para a produção de 800 mil toneladas de borracha anuais. A Amazônia brasileira se despovoou e entrou em um novo ciclo de decadência econômica.DECLÍNIO DO CICLO DA BORRACHA A euforia econômica proporcionada pela borracha amazônica – que chegou ao posto de segundo produto da pauta de exportações brasileira. de 1884. compravam das firmas exportadoras E X P O RTA D O R A S Na maioria de origem inglesa ou alemã. as exportadoras se capitalizavam nos bancos eu- S E R I N GA L I S TA S Compravam a crédito (aviavam) das Casas Aviadoras. no final de 1941. Pagavam com a produção anual do seringal. neste Caderno. Durante a Segunda Guerra Mundial. látex. mergulhe no Capítulo 3. utilizavam os jornais para anunciar suas atividades. Essa evidente contradição no quadro social do Ciclo da Borracha se devia a um perverso sistema de exploração. Para saber mais sobre as questões que envolvem a biopirataria. e derrubaram os preços internacionais. Logo os ingleses implantaram enormes seringais de cultivo no sudeste asiático. Entretanto. principalmente do sertão do Ceará. Um biopirata inglês contrabandeou da Amazônia grande quantidade de sementes de seringueiras para o Jardim Botânico de Londres. a agricultura passou a ser utilizada e isso fez com que práticas e conhecimentos dos nordestinos se fundissem aos conhecimentos da agricultura indígena. seriam necessários. > ropeus e norte – americanos para financiar o sistema de aviamento e obtinham um extraordinário lucro com a venda da borracha nos mercados industrializados. racionalizando e modernizando a produção da borracha. Todos os membros das famílias participavam da tarefa de transformar o leite da seingueira em látex. Nos seringais. migraram para a Amazônia. UMA ETAPA de preparação do Nordeste do Brasil. como as de 1877 e 1878. uma vez que foi rompido pelos grandes compradores internacionais. DE AVIAMENTO CASAS AVIADORAS Estabelecidas principalmente em Belém e Manaus. o grande reservatório natural da borracha. > as mercadorias que forneciam aos seringalistas e pagavam as exportadoras com a produção dos seringais. pelo menos. Na crise. Antes que o século findasse. mais de 300 mil nordestinos. A rede de crédito do sistema de aviamento era como um castelo de cartas que desabou inteiro. “Ecologia dos ecossistemas”. os seringalistas e grandes comerciantes usufruíam da riqueza fácil proporcionada pela borracha.

e trabalhadores nordestinos. Todas as tentativas de implantação de um novo regime de trabalho. Na página ao lado: cartazes de Jean Pierre Chabloz. Muitos preferiram a Amazônia. seringalista e soldado da borracha. a terra da fartura. O crescimento da produção de borracha na Amazônia nesse período foi infinitamente menor do que o esperado. convocando trabalhadores para o Ciclo da Borracha. especialmente do Ceará. no Ceará. recrutados para a “batalha da borracha”. durante a Segunda Guerra Mundial. aliciadores tratavam de convencer trabalhadores a se alistar como soldados da borracha para auxiliar na vitória aliada. a se apressar em cancelar todos os acordos referentes à produção de borracha amazônica. que não devia repetir os abusos do sistema de aviamento assinado entre FIQUE POR DENTRO Muitas famílias do sertão nordestino tiveram que escolher se seus filhos partiriam para os seringais como soldados da borracha ou então seguiriam para o front para lutar contra os italianos e alemães. Era o fim da Batalha da Borracha. Os velhos mitos do eldorado amazônico voltavam a ganhar força no imaginário popular. Em todas as regiões do Brasil. para o Semta. agora considerado o paraíso verde. fracassaram diante da pressão e poderio das casas aviadoras e dos seringalistas. tão logo a guerral chegou ao fim. cerca de 30 mil flagelados da seca de 1941-42 foram enviados imediatamente para os seringais. Isso levou o governo norte-americano.AS CASAS de comissões conti- nuavam atuantes como mostram os anúncios de 1942. enquanto ao governo brasileiro caberia o encaminhamento de milhares de trabalhadores para os seringais. onde a seca não tinha vez. Só de Fortaleza. quase nunca foi respeitado. mas não da guerra travada por seus soldados. Ficou acertado então que o governo americano passaria a investir fortemente no financiamento da produção de borracha amazônica. Dizia-se que “na Amazônia se junta dinheiro com rodo”. 1943. que continuavam dominando o processo da produção de borracha na Amazônia. O contrato de trabalho. como o fornecimento de suprimentos direto aos seringueiros. A não ser para assegurar os direitos dos seringalistas. 90 91 . o que passou a ser tratado como um heróico esforço de guerra.

A expansão da fronteira pioneira na Amazônia aconteceu simultaneamente em diversas frentes. assegurando. em 1983. Para tanto. Poucos conseguiram tirar algum proveito econômico dessa batalha incompreensível. Teve início a construção da Transamazônica. na época – que abrangiam a mineração na serra dos Carajás. marco de desperdício da economia amazônica. mas com muitas vítimas. imersos na solidão de suas colocações no interior da floresta. o presidente Castelo Branco anunciou a Operação Amazônia e. criou a Sudam (Superintendência para o Desenvolvimento da Amazônia) com amplos poderes para distribuir incentivos fiscais e autorizar créditos para investimentos na indústria e na agricultura. Alguns voltaram para suas regiões de origem como haviam de lá partido. Apesar dos amplos financiamentos concedidos. Outros conseguiram criar raízes na floresta e ali construir suas vidas. (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) aumentou o índice de distribuição de terras para os fazendeiros. a Sudam começou a aprovar grandes projetos agropecuários e o Incra PA R A O N D E F O R A M O S S O L D A D O S D A B A T A L H A D A B O R R A C H A ? Muitos. estimulando um novo movimento de ocupação da Amazônia a partir de grandes projetos mineradores. Nesta área. amparados por um suposto perigo eminente de internacionalização. sem tiros. aparentemente sem armas.AOS SOLDADOS da borracha PA R A S A B E R M A I S > O resultado destas frentes de expansão simultâneas foi a formação da maior fronteira pioneira da história da humanidade. a construção de hidrelétricas. sem um tostão no bolso. envolvendo mais de cem municípios. 92 93 . em meados de 1960. só vindo a descobrir isso anos depois. PERÍODO DA DITADURA MILITAR: NOVA POLÍTICA DESENVOLVIMENTISTA O início deste período. trouxe novas e profundas modificações para a Amazônia. se encontram mais de 90% da área desmatada da Amazônia. Esta é a região hoje conhecida como “Arco do Desmatamento”. com área total superior a 200 milhões de hectares (2 milhões de km 2). Os militares. Isso fez com que a taxa de desmatamento subisse assustadoramente. expandindo a fronteira pioneira. pelo menos em teoria. O período do “milagre econômico” acelerou ainda mais a velocidade dos investimentos em infraestrutura. em 1965. visavam desenvolver economicamente o Norte do país. FIQUE POR DENTRO Foi nesta época que se criou o conceito de Amazônia Legal. UMA DAS ETAPAS da construção da rodovia Transamazônica em Marabá (PA). A fronteira pioneira é a região de maiores conflitos fundiários e de maior impacto sobre o meio ambiente. Os estados e cidades que pertenciam a essa nova delimitação da Amazônia podiam participar do plano de incentivos fiscais e obtenção de créditos. com a abertura de várias estradas e grandes projetos de colonização. iniciaram um período marcado pela implantação de grandes projetos que. caberia aumentar a produção de látex na Amazônia recebendo em troca isenção do serviço militar e tratamento de ex-combatentes. “INTEGRAR PA R A N Ã O E N T R E GA R ” Esse era o discurso oficial do governo militar. em 1968. oferecendo terras amazônicas. mas a degradação e o acirramento das relações sociais em toda a região. segundo se dizia. “TERRAS S E M H O M E N S PA R A H O M E N S S E M T E R R A” Com este discurso o presidente Emílio Médici prometeu resolver o problema do Nordeste. Ao mesmo tempo. o controle brasileiro da região. O objetivo principal era criar pólos de desenvolvimento espalhados por toda a bacia amazônica. Estabeleceu então o PIN (Plano de Integração Nacional) segundo o qual deveriam ser reservados 100 km de cada lado da estrada para o assentamento prioritário de nordestinos. que deveria integrar todo o sul da Amazônia ao cortá-la no sentido leste-oeste. madeireiros e agropecuários. a implantação do pólo tecnológico e industrial da Zona Franca de Manaus e a construção de rodovias – o resultado mais evidente da nova política desenvolvimentista não foi a prosperidade econômica da Amazônia. sequer foram avisados de que a guerra tinha terminado. em apenas 40 anos.

assim como outras lideranças populares. os conflitos foram se tornando cada vez mais explosivos e perigosos. os ribeirinhos. Nesse momento. O modelo de latifúndio dos seringais. artistas. Para responder a isso. promovia a chamada “limpeza do terreno”. seringueiros. Surge então uma forte consciência de que a devastação da floresta amazônica não era somente uma questão ambiental. presidente do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Brasiléia. Apesar de os trabalhadores rurais possuírem formas pacíficas de luta. que reunisse todas as populações tradicionais da Amazônia em defesa de seu bem comum: a grande floresta. Se índios e seringueiros haviam sido inimigos durante o primeiro CNS Conselho Nacional dos Seringueiros. entidade que. sem que a opinião pública brasileira sequer tomasse conhecimento da situação. Em muitos lugares. os segmentos mais progressistas da Igreja Católica reforçaram a luta popular a partir das Comunidades Eclesiais de Base. ou seja. Chico Mendes foi assassinado dentro de sua própria casa. agora precisavam se unir para lutar contra o inimigo comum. Em 1988. nem rápida. e os castanheiros. apesar do nome. O discurso de líderes como Chico Mendes começou a apontar na direção da formação de uma aliança dos povos da floresta. em 1985 foi criado o CNS. dentre outros. as populações tradicionais da floresta começaram a se organizar e a desenvolver diferentes estratégias de resistência. Porém. A FLORESTA: UM BEM AMEAÇ ADO PA R A S A B E R M A I S > Em 1980. foi assassinado. Sua morte desencadeou enorme pressão sobre os organismos financeiros internacionais. reunia também outros setores populares da Amazônia. Repentinamente. tais como os índios. A Amazônia passou a ser respeitada por sua importância. Antes. ribeirinhos e colonos viram suas terras invadidas e devastadas em nome de um novo tipo de progresso que transformava a floresta em terra arrasada. Cruzeiro do Sul / AC. a fazenda para criação de gado. não só para o Brasil. e agora querem a terra para expandir a agricultura e a pecuária. A ALIANÇ A DOS POVOS DA FLORESTA ciclo da borracha. nem toda a notoriedade e legitimidade obtidas pelo movimento dos povos da floresta impediram que seus líderes continuassem a ser mortos. Foram fundados os primeiros sindicatos de trabalhadores rurais no Acre e em outros estados da Amazônia. índios. Wilson Pinheiro. mas social. A partir de 1975. o movimento ambientalista mundial já havia tornado Chico Mendes uma figura pública conhecida e reconhecida em todo o mundo por sua luta em defesa da floresta e de suas populações tradicionais. estudantes e trabalhadores em geral criaram organizações civis e um intenso movimento social se verificou nas cidades de várias regiões fortemente impactadas pela política oficial. a retirada da floresta e do povo que lá vivia. que foram obrigados a rever seus critérios de investimento na Amazônia. propiciava a permanência dos trabalhadores na floresta. mas para o mundo. apesar da proteção de dois policiais que o acompanhavam 24 horas por dia. os colonizadores buscavam a região para explorar as riquezas da floresta. provocada pelo garimpo de ouro na Amazônia/Pará. Intelectuais. como a realização de embates com a participação de mulheres e crianças para impedir as derrubadas da floresta. levando o governo brasileiro a mudar a política de desenvolvimento da região. até então dominante na Amazônia. 94 95 . O novo latifúndio.CENÁRIO DO DESMATAMENTO: DEGRADAÇÃO AMBIENTAL "Lago de madeira". A ocupação ocorrida no período militar teve características distintas das anteriores. Não foi uma luta fácil.

Caderno 3. Dessa forma. dos governos estaduais e de organizações da sociedade civil. A criação e consolidação de Reservas Extrativistas. ao mesmo tempo indomável e frágil. e dentre eles destacamos: > Baixos níveis educacionais. tanto na formulação de políticas públicas quanto na gestão de Unidades de Conservação. cujo objetivo é assegurar a sustentabilidade da utilização dos recursos naturais. Reservas de Desenvolvimento Sustentável e a Demarcação das Terras Indígenas são iniciativas que asseguram o bem-estar social e cultural das populações tradicionais e a manutenção dos estoques florestais e de biodiversidade por elas geridos. R E S E R VA E X T R AT I V I S TA ( R E S E X ) C H I C O M E N D E S . Diante desta situação. N O A C R E A Reserva Extrativista Chico Mendes. o controle e manutenção desses programas requerem uma cooperação que passa pelo sistema de parcerias entre todas as organizações e instituições envolvidas com a Amazônia. Sena Madureira e Rio Branco. mergulhe no Capítulo 9. A Reserva abrange seis municípios acreanos: Assis Brasil. A Ç Õ E S PA R A U M F U T U R O S U S T E N TÁV E L Selecionamos para este capítulo dois exemplos de gestão que estão dando certo. com o objetivo de demonstrar ações inovadoras que vêm sendo implementadas na Amazônia pela mediação do governo federal. 96 97 . que esse processo faz parte da construção de uma consciência ambiental e social mais equilibrada. do qual derivam sérios conflitos pela posse da terra. devem estar diretamente associados à geração de emprego e renda e à questão da sustentabilidade.064 hectares. elaborado por seus moradores e aprovado pelos órgãos ambientais. É também através do Plano que os moradores manifestam seu compromisso em respeitar a legislação ambiental e que o órgão fiscalizador. com parcela significativa de populações analfabetas e de crianças sem acesso à escola. determinando a expulsão de populações tradicionais que passam a engrossar frentes migratórias para a periferia das cidades. é a Unidade de Conservação desta modalidade que conta com a maior extensão territorial: 921. criada em 1990. PA R A S A B E R M A I S Para saber mais sobre as Unidades de Conservação e a história de Chico Mendes . o Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente) verifica o cumprimento do que foi acordado. também. devido às proporções territoriais da região. programas de inclusão social no meio urbano e rural. A história da Amazônia nos revela. os moradores da Resex são os responsáveis pela implementação do Plano e pela gestão dos recursos naturais. mas também o lugar da sociodiversidade. Xapuri. Alcançou-se a consciência de que a Amazônia não é somente um lugar privilegiado da biodiversidade. CHICO MENDES. inesquecível seringueiro que dedicou toda a sua vida à defesa dos trabalhadores e dos povos da floresta. Porém. Brasiléia. Apesar do imenso potencial. A Resex Chico Mendes possui um Plano de Utilização. ainda são poucos os que percebem que dentro dessa floresta. Capixaba. moram populações tradicionais que desenvolveram modos de vida compatíveis com as características especiais desse ecossistema. na Amazônia. No entanto. > Grave quadro de desorganização fundiária. “Áreas Legalmente Protegidas”.D E S A F I O S PA R A O D E S E N V O LV I M E N T O S U S T E N TÁV E L O resultado deste complexo processo de ocupação da Amazônia é um dos traços marcantes da região: a diversidade social. alguns fatores se colocam como desafios para o alcance dos objetivos de um desenvolvimento sustentável da Amazônia.

com 36. N O PA R Á O Mosaico de Tucuruí é uma demonstração de que é possível combinar diferentes modalidades de conservação e assegurar que. ambas. com 29. A criação deste mosaico de UCs (unidades de conservação) teve início a partir de uma demanda das populações locais. tanto a natureza quanto a sociedade sejam beneficiados. mas com algumas restrições. USINA HIDRELÉTRICA de Tucuruí no estado do Pará. Com isso. e abrange todo o espelho d’água do lago e suas margens.049 hectares.500 famílias. que solicitaram a criação de uma Reserva Extrativista.667 hectares. Na APA (Área de Proteção Ambiental) são permitidas atividades econômicas e de lazer. A iniciativa das populações locais contou com o apoio da Eletronorte. os moradores se mobilizaram contra a intensificação das atividades econômicas predatórias sobre as florestas e estoques de peixes e pelo reconhecimento de suas posses nas ilhas do lago. A comissão conseguiu criar mecanismos de gestão compartilhada dos recursos naturais através de um mosaico de Unidades de Conservação. 98 99 . empresa que construiu e opera a usina. Sérios problemas sociais e ambientais foram causados quando foi fechada a barragem de Tucuruí e o nível das águas do Tocantins subiu cerca de 60 m inundando uma grande área e desalojando cerca de 4. Em 1997. a RDS Alcobaça. Em 1999. foram realizados estudos técnicos para fundamentar as propostas de criação das Unidades de Conservação.128 hectares e a RDS Pucuruí-Ararão. PA R A S A B E R M A I S > O mosaico de Unidades de Conservação do Lago de Tucuruí é constituído de duas Reservas Estaduais de Desenvolvimento Sustentável. criadas pelo governo do estado do Pará. todo o lago criado pela construção da Usina Hidrelétrica de Tucuruí é uma área legalmente protegida. dentro do perímetro de uma outra Unidade de Conservação de Uso Sustentável.M O S A I C O D E U N I D A D E S D E C O N S E R VA Ç Ã O D O L A G O D E T U C U R U Í . que ficam. a Área de Proteção Ambiental Lago de Tucuruí. com 586. Foi então criada uma comissão composta por diferentes representantes. visando proteger a biodiversidade da região e regularizar a situação fundiária.

na qual as etapas são cuidadosamente descritas exemplificando um desencadeamento de idéias. Uma forma de realizar a “leitura de imagem” é lembrar com os alunos como o programa começa. Ex: nome. em uma folha de papel pardo.TRABALHANDO COM O TEMA As atividades sugeridas a seguir estão relacionadas à proposta metodológica de educação ambiental apresentada no caderno 1 do kit. uma análise dos locais de origem que apareceram e o número de vezes que cada uma delas aparece. > Façam. Continue perguntando quem tem exemplos de uma data próxima à anterior e vá selecionando os exemplos conforme o seu interesse para construir uma linha do tempo que ilustre o processo de ocupação da Amazônia. até o presente. Escreva de um lado as naturalidades dos alunos e do outro as dos pais. Deixe que eles falem o que pensam ser isto. que puxem para cima duas linhas e escrevam na ponta de cada uma o nome da mãe e do pai (ou dos responsáveis) e os seus lugares de origem. buscando construir uma árvore genealógica. realizando entrevistas com os parentes para tentar descobrir os seus antepassados mais distantes e as suas I M P O R T A N T E > O número de aulas ou encontros necessários para o desenvolvimento das etapas propostas aqui dependerá das diferentes realidades e interações com os alunos. A leitura desse caderno ajudará no desenvolvimento de um projeto de educação ambiental que procura considerar. > Distribua uma folha em branco para cada aluno e peça que escrevam na parte de baixo do papel o nome de cada um e o lugar onde nasceu. É importante lembrar que as atividades que se seguem são apenas algumas sugestões possíveis de estruturar o modo como trabalhar no cotidiano da sala de aula com esses temas. cena a cena. trabalhar e avaliar as particularidades de cada contexto. PRIMEIRO MOMENTO > Pergunte aos alunos quem já ouviu falar em árvore genealógica e se sabem o que é. substitui-la ou somente provocar novas idéias nos professores. motivo da mudança. Assim. A primeira segue passo a passo um processo de trabalho com uma proposta determinada. LEITURA DE IMAGEM Este programa mostra um resumo da história da região amazônica. > Divida ao meio o quadro negro ou uma folha de papel pardo. com um traço e peça para que cada um leia em voz alta a sua naturalidade e a dos seus pais. QUARTO MOMENTO > Relembre com a turma a primeira atividade e faça um paralelo com o programa assistido. pergunte se alguém sabe quem morava na Amazônia antes da data mais antiga marcada na linha do papel. Questionando o porquê e para que implementar uma proposta dessa natureza. data aproximada em que vieram morar na região. o professor pode evocar algumas imagens para que os alunos lembrem dos conteúdos associados a elas. > Junto com o grupo construa o conceito do que é arvore genealógica. que sirva como inspiração para que cada um crie e recrie da sua forma. QUINTO MOMENTO > O professor irá construir. reconstruindo-o e registrando e discutindo as informações associadas a cada cena. Organize com eles um esquema de perguntas que vise suprir as informações que considerem importantes. Levante questões que ajudem a refletir sobre os resultados apresentados. Por exemplo: quais mapas aparecem no programa? O que é falado sobre eles? Ou ainda: quais são os fortes que aparecem no programa? Você conhece algum deles? Lembrar das imagens é mais fácil e ajuda a lembrarmos dos conteúdos. TERCEIRO MOMENTO > Reflexões sobre as imagens e conteúdos do programa. Faça com que marquem na linha a existência desses habitantes e proponha que a turma se organize em grupos para pesquisar mais sobre os diferentes momentos históricos do processo de ocupação da região. aliados a uma prática educacional que valoriza a interdisciplinaridade. uma linha do tempo da história da ocupação da Amazônia a partir das informações trazidas pelos alunos. e ir. cronologicamente. Para ajudar nesse processo. Converse um pouco sobre os primeiros habitantes. Faça um paralelo com o momento histórico. em conjunto. > Pergunte as datas das viagens dos antepassados mais antigos que conseguiram pesquisar. Alerte quanto a tentar montar as informações dentro de uma ordem cronológica. com o objetivo de produzir um livro com essa história. Marque na linha (deixe um pequeno espaço inicial da linha em branco) a data mais antiga. origens. > Quando a linha estiver completa. Organizamos as sugestões de duas formas diferentes. Esperamos que essas sugestões de atividades se somem ao trabalho já desenvolvido por cada instituição e educador. > Sugira que cada um pesquise um pouco mais a sua árvore genealógica. a origem desse antepassado e o motivo de sua mudança. seus ciclos e as pessoas que fizeram parte dessa história. a história da Amazônia. estaremos “reconstruindo”. nacionalidade de origem. Registre tudo no quadro... 100 101 . a transdisciplinaridade e a expressão dos conteúdos através de diferentes linguagens artísticas. Depois. A segunda sugestão indica outras possibilidades de trabalho com o tema que podem complementar a proposta principal. S U G E S TÃ O PA S S O A PA S S O > ANTES DE ASSISTIR AO PROGRAMA | SENSIBILIZAÇÃO PARA O TEMA SEGUNDO MOMENTO > Assista o programa com a turma.

(orgs. pintura e colagem.papel colorido. Manuela C. São Paulo: Companhia das Letras. PROUS. BENCHIMOL. São Paulo: Best Seller. A ecologia humana das populações da Amazônia. 1994. Se preferir. > Juntem os textos para formar um livrinho. Cunha in História dos índios no Brasil.1). É importante elaborar um projeto de trabalho que estabeleça metas e SÉTIMO MOMENTO > Proponha. 2002. 1992. Rio de Janeiro: José Olympio / Governo do Estado do Acre. Brasília: EdUnB. objetivos. > Peça para que cada grupo releia o seu texto procurando dar atenção à correção ortográfica e que façam um desenho ilustrando a história contada. Rio de Janeiro: Codecri. SMITH. Manaus: Valer / Universidade do Amazonas. lembrando as suas datas mais marcantes. mesmo que durante o trabalho ele seja alterado. passo a passo. CUNHA. MARTINELLO. como desenho. Petrópolis (RJ): Vozes. RENARD-CASEVITZ. SEXTO MOMENTO > Cada grupo deverá ler para a turma o texto produzido. André. CUNHA. Arqueologia brasileira. > Propor que cada aluno faça a sua linha do tempo. Anthony. A intenção e o profundamento do trabalho dependerá das prioridades e necessidades do grupo. como forma de socialização do trabalho. reciclado. Um paraíso perdido (org. 102 . Emilio F. MORAN. A “Batalha da Borracha” na Segunda Guerra Mundial e suas conseqüências para o Vale Amazônico. procurando torná-la mais clara e esteticamente agradável. Amazônia: Formação social e cultural. organização de Manuela C. folhas secas . OUTRAS SUGESTÕES > Montar com a turma uma peça teatral que dramatize o processo histórico de ocupação da Amazônia. quando cada educador desenvolve suas especificidades ou ser desenvolvidas por um único educador. Mauro B. História indígena. > Convidem toda a escola e os pais dos alunos para a inauguração da exposição. Euclides da. COMISSÃO PRÓ-ÍNDIO DO ACRE (org. 1992. etc. São Paulo: Companhia das Letras. 1996.BIBLIOGRAFIA > Divida a linha do tempo em grupos e peça que cada um fique responsável por pesquisar o período que lhe coube e escrever um capítulo da história. Edílson. desde quando nasceu até o dia presente. Samuel. 1990. Os conquistadores do Amazonas: quatro séculos de exploração e aventura no maior rio do mundo.). > Elaborar com a turma um grande painel com o mapa da Amazônia que expresse o resultado do processo histórico de ocupação da Amazônia: a diversidade étnica de sua população amazônica. uma exposição com a linha do tempo construída com um pedaço da história de cada livrinho produzido pela turma e as árvores genealógicas elaboradas por cada um. Deixe a sua imaginação livre para criar. criando um encadeamento das atividades. Amazônia. pode trocar os textos entre os grupos de modo que cada um corrija um texto produzido por outro grupo. Esteja aberto para as propostas e demandas dos alunos. todo planejamento pode e deve ser revisto e avaliado. 1988 (Cadernos Ufac n. DICA > Existem várias formas de juntar os textos e desenhos. Enciclopédia da floresta – O Alto Juruá: práticas e conhecimentos das populações.). Não esqueça da capa e da folha dos autores e referências bibliográficas. desenhos e fotos. Rio Branco (RR): Comissão Pró-Índio do Acre. colando. Essa linha pode misturar textos. São Paulo: Ufac. 1986. O acabamento pode ser de pano. Leandro Tocantins). > Sugira que cada aluno reveja a sua árvore genealógica. 1982. grampeando. France-Marie. Elas podem fazer parte de um projeto integrado. I M P O R T A N T E > As atividades práticas/teóricas e a proposta pedagógica sugeridas nesse capítulo mesclam conteúdos de diferentes disciplinas. amarrando com barbante ou similar. 1999. Pedro. A leitura pode respeitar a ordem cronológica da linha do tempo. MARTINS. História Kampa: Memória Ashaninca. Misturar técnicas diferentes. e ALMEIDA. No lugar do seu próprio nome podem elaborar um auto-retrato. a última fronteira.

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