Vine, Horton, Thiessen e — principalmente — a Bíblia explicam por que o Homem Jesus não é igual (e sim semelhante) ao primeiro

Adão e a nós
Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens. Filipenses 2.5-7, ARA Teólogos há que — por sua conta e risco — têm ignorado ou minimizado a evidente diferença entre igualdade e semelhança na passagem acima. Mas ela assevera claramente duas coisas: (1) Jesus é igual a Deus Pai (isto é, 100% Deus); (2) ao se encarnar, o Senhor não teve por usurpação o ser igual a Deus Pai e tornou-se semelhante aos homens. Como veremos neste artigo, no que concerne à personalidade ímpar do Deus-Homem não podemos ignorar ou minimizar o fato de que Ele é igual a Deus Pai (isto é, 100% Deus) e semelhante aos homens (Hb 2.17,18, Rm 8.3; Fp 2.6-11). E isso torna o clichê “Jesus é 100% homem” passível de averiguação à luz da Bíblia. Ao definir o termo “igualdade” (gr. isos), W.E. Vine assevera que Jesus é igual a Deus Pai, isto é, 100% Deus — essa verdade é inquestionável e incontestável. Segundo ele, o termo denota: “o mesmo em tamanho, número, qualidade, etc.”. E explica: “[o termo isos] é traduzido por ‘igual’ em Jo 5.18; Fp 2.6, onde a palavra está no plural neutro, literalmente, ‘igualdades’” (VINE, W. E., Dicionário Vine, CPAD, p.699-700). Fica claro pela definição de Vine, que Jesus não é semelhante ao Pai, mas igual a Ele, haja vista o termo contido em Filipenses 2.6 denotar “o mesmo em tamanho, número e qualidade”. Vine também define o termo “semelhança”, distinguindo-o de “igualdade” e demonstrando que o Senhor Jesus, o Deus-Homem, não é igual aos homens (isto é, não é 100% homem), e sim semelhante a eles. Semelhança é, prioritariamente, o mesmo que similitude, analogia, afinidade, parecença. E igualdade denota, primacialmente, identidade. Citando Gifford, que, por sua vez, evoca Meyer, Vine assevera: A expressão ‘semelhança de homens’ (ARA) por si só não implica, muito menos exclui ou diminui, a realidade da natureza que Cristo assumiu. Isto [...] está declarado nas palavras ‘forma de servo’. ‘Paulo simplesmente diz semelhante aos homens, porque, de fato, Cristo, embora sem dúvida Homem perfeito (Rm 5.15; 1 Co 15.21; 1 Tm 2.5), foi, por causa da natureza divina presente nEle, não apenas e meramente homem, [...] mas o Filho encarnado de Deus’.” VINE, W.E., Dicionário Vine, CPAD, p.982 Considerando as precisas definições feitas por Vine, afirmar que Jesus é 100% homem, no sentido de que Ele é idêntico a Adão antes da Queda ou a nós, não reflete boa exegese. Há teólogos que minimizam essa tese e até riem de quem a defende. Entretanto, como existe diferença significativa entre “semelhança” (gr. homoiõma) e “igualdade” (gr. isos), segue-se que Cristo é, sem dúvidas, Homem único, incomparável, monogenes (Jo 1.14). Ao discorrer sobre essa perfeita e incomparável Humanidade do Senhor Jesus, David R. Nichols, um dos autores da Teologia Sistemática editada por Stanley M. Horton, afirma: “Ele experimentou a existência linear e corpórea do homem que podia morrer, e morreu mesmo. Neste sentido, parecia viver a humanidade existencial. Ele era, ainda, impecável — e nunca houve outro ser humano assim — e foi ressuscitado pelo Pai à incorrupção. A humanidade essencial de Jesus parece ter estado presente nessas realidades. A revelação de Deus Filho na carne realmente pode ser um desafio

100% Deus). Moule. 2. Scribner’s Sons. foi limitado em Seu conhecimento (Mc. 11:13. e a Si mesmo ofereceu a Deus pelo Espírito Santo (Hb. 1898). A. ensinou (Atos 1:2). No entanto. cf. ao abordar esse assunto: “Em Rm. embora não pecaminosa em si mesma. semelhante a nós. cf. porque não é pecaminosa’.” HORTON. Hb. esse clichê pode induzir o estudioso da Bíblia à ideia errônea de que o Unigênito do Pai — o Deus encarnado —. Cl. 4:6). o Deus-Homem. 1:22. (…) Assim. para nós. 13:32. Paulo diz que Deus enviou Seu próprio Filho ‘em semelhança de carne pecaminosa’. dependente de Seu Pai para ter forças. 8:3. 5. o monogenes. conforme demonstrado anteriormente. pois. (.15. Em Cristo. mas. e realizou milagres (Mt. Imprensa Batista Regular do Brasil. Sl. como Homem. igualado. pode ser equiparado. o que poderia parecer significar que a carne era irreal. Headlam. ao mesmo tempo. 4:2. mas apenas de exercê-los independentemente. com sede (Jo. Jo. não é igual a nós nem idêntico a Adão antes da Queda. Ciro Sanches Zibordi . dormiu (Mt. entretanto.. Jo. 8:24. p. Mas o renomado teólogo Henry Clarence Thiessen é ainda mais claro.193.15. Romans.7).) Ao mostrar essas fraquezas não pecaminosas da natureza humana de Cristo. Ele [Jesus] ficou cansado (Jo.C. 12:28). ‘como’. 5:30-34. P. é igual a Deus Pai (isto é. 19:28). empregar o bordão teológico “Jesus é 100% homem” como uma verdade bíblica inquestionável.212-216.. Ele não havia Se esvaziado de seus atributos divinos. Tiago 1:13). podemos afirmar peremptoriamente que Jesus. Teologia Sistemática. são para nós ocasiões para pecarmos.18. CPAD. com fome (Mt. Palestras em Teologia Sistemática. Wm. 4.. é fundamental crermos que Jesus era completamente humano. como Deus. indubitavelmente semelhante (e não igual) a Adão antes da Queda e a nós.332 Segundo o parecer dos eruditos mencionados e — principalmente — de acordo com as Escrituras. nunca nos esquecermos que Ele também era. e era ‘como’ a nossa ‘carne’ pecaminosa por estar sujeita a todas as necessidades e enfermidades que. Moule diz: O apóstolo Paulo toma muito cuidado para não dizer ‘em carne pecaminosa’.C.” THIESSEN. 1:35. Sanday. Epistle to the Romans (Epístola aos Romanos) (New York: Chas. pois orou (Mc. em Cambridge Bible for Schools and Colleges (Cambridge: University Press. pois ‘não havia Nele pecado’ quanto a todo o Seu ser santo. etc. 6. 11. Como vimos. 21:18).C. uma falácia. foi tentado (Hb. pág. p. Mas nem tampouco diz que em semelhança de carne.138 e seguintes. Rm.). É.34). O Filho Eterno assumiu ‘carne’ verdadeira (Jo. Atos 10:38).capaz de esgotar todas as nossas tentativas de explicá-la. precisamos. uma perspectiva pentecostal. ao ser humano criado pelo Senhor. Sanday e Headlam comentam a respeito desta expressão: ‘A carne de Cristo é ‘como’ a nossa só porque é carne. 1896). H. Henry Clarence. 121:4). 9:5. 9:14. Deus verdadeiro. Stanley M. um equívoco. 1:14.

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