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HISTÓRIA DE MOÇAMBIQUE

Primeiros Habitantes de Moçambique Os primeiros habitantes de Moçambique foram provavelmente os Khoisan, que eram caçadores-recolectores. Por volta de 10.000 anos a costa de Moçambique já tinha o perfil aproximado do que apresenta hoje em dia: uma costa baixa, cortada por planícies de aluvião e parcialmente separada do Oceano Índico por um cordão de dunas. Esta configuração confere à região uma grande fertilidade, ostentando ainda hoje grandes extensões de savana onde pululam muitos animais indígenas. Havia portanto condições para a fixação de povos caçadores-recolectores e até de agricultores.

200/300 – 1886 Período Pré-mercantilista ou Período de Pré-imperialismo 200-300 – Expansão e fixação Bantu: Os Bantu são provenientes das grandes florestas congolesas. O termo Bantu foi introduzido pelo investigador alemão Bleek. Os primeiros cereais produzidos pelos Bantu foram o sorgo e o painço, mas a principal actividade económica dos Bantu era a agricultura da Mapira e Mexoeira (base da economia). A ideologia foi sempre importante pois era usada como arma de poder da classe dominante. No século IX – os primeiros mercadores árabe-persas chegaram a costa oriental africana: árabes, indianos, chineses, indonésios e persas. A chegada destes mercadores contribuiu para o surgimento de novos grupos linguísticos dos quais podemos destacar: Kote de Angoxe, os mwani da costa de Cabo Delgado com influência da língua Macua e Maconde e os Nahara da Ilha de Moçambique. O outro impacto da penetração mercantil árabe-persa é o surgimento de novas unidades políticas: reinos Afro-Islâmicos da costa (Xeicados de Quitangonha, Sancul e Sangage e o Sultanato de Angoxe). Por exemplo, em 943 n.e. Al- Masudi refere que Bilad as Sufala (a Terra de Sofala) estava dependente de Sayuna.

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1250 - 1450 – Período de formação e decadência do Estado de Zimbabwe onde o poder político estava concentrado na capital (o grande Zimbabwe).

1200 – 1400 – Formação do Estado Marave Pelos Phiri, provenientes da região de Luba no Congo. Os Marave produziam tecidos de algodão denominados machila, produziam ainda enxadas de cabo Curto através dos quais entravam no mercado internacional. Devido a contradições das interlinhagens a sul do Malawi, ocorreu uma segunda expansão que deu origem aos Estados satélites, dos quais podemos destacar Undi, Lundi, Kaphwite e Biwi.

1440/50 – Formação do Estado dos Mwenemutapas. Formado por grupo de homens vindos do Grande Zimbabwe, dirigidos por Mutota. O centro do Estado localizava-se entre os rios Luie e Mazoe e era circundado por uma cintura de Estados vassalos dos quais podemos destacar: Sedanda, Quissanga, Manica, Barué, Maungwe. No caso da morte de um Mwenemutapa vivia-se um caos e ele era substituído por um individuo designado por Nevinga e que era morto após a eleição do novo Mambo. O ritual de sucessão era dirigido pelos Swikiros. Os novos Mambos no momento da sua entronização cometiam o incesto como forma de se distanciarem das suas famílias. Um culto forte entre os Shonas, era o culto de aos antepassados, os Muzimus. Os Muzimus mais respeitados eram os da classe dominante. Pondoro ou Mondoro significa leão.
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1498 – Chegada de Vasco da Gama à Moçambique No contexto da viagem a India, Vasco da Gama atravessou a região do Cabo e chamou Cabo da Boa Esperança pois, atravessou sem enfrentar enormes dificuldades. Ainda no contexto desta viagem, chegou a Inhambane, onde parou para abastecer e acalmar a tempestade. Chamou terra de boa gente, pois, foi bem recebido.

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Quando ia a passar a região do rio Zambeze viu barcos dos árabes a navegar em alto mar e assim, chamou este rio, rio dos bons sinais.

Ciclo do Ouro (1505 – 1693): 1505 – Marca o início da penetração portuguesa no actual território moçambicano, pois, neste ano, os portugueses fixaram-se em Sofala. 1507 – Os portugueses fixaram-se na Ilha de Moçambique perante a presença de Árabes em Sofala, este facto marcava o término do comércio de ouro vindo dos Mwenemutapas, os árabes desviaram as rotas comerciais para Angoxe, usando a via fluvial do Zambeze. Com a fixação ao longo da costa, os portugueses pretendiam controlar as rotas comerciais. 1511 – Como resposta ao bloqueio comercial dos árabes, os portugueses atacam Angoxe, incendeiam a povoação mas, os árabes continuavam a fazer comércio, fugindo o controlo naval dos portugueses. 1530 – Foi neste contexto que os portugueses decidem penetrar para o interior e como corolário, Sena e Tete são fundados (1530 e 1537 respectivamente), e em 1544 os portugueses fundam Quelimane e chegam a Lourenço Marques. 1561 – Padre Gonçalo de Silveira chega ao Zimbabwe do Mwenemutapa e, o Mwenemutapa reinante é baptizado com o nome de Dom Sebastião. 1607 – Gatsi Lucere, o Mwenemutapa reinante na altura, concedeu aos portugueses todas as minas do Estado depois de o terem ajudado em força militar em Sena a acabar com a insurreição interna comandada por Matuzianhe. 1627 – O Mwenemutapa Caprazine foi deposto e substituído pelo seu tio Mavura, pois Caprazine era oposto aos interesses mercantis portugueses.

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1629 – Mavura é baptizado e cognominado Dom Filipe II e faz amplas concessões aos portugueses. 1693 – Levante armado dirigido por Changamira Dombo contra a presença dos portugueses no interior do Estado dos Mwenemutapas. Este levante está relacionado com o abuso dos mercadores portugueses em cumprir com as normas, tais como: o pagamento da curva. Este levante marca o fim do ciclo de ouro e o início do ciclo de Marfim.

Ciclo de Marfim (1693 – 1750): 1622 – Os Carongas insatisfeitos com a derrota sofrida na batalha com os Lundi, aliam-se aos portugueses e derrotam os Lundi ficando com o domínio da rota comercial de Lomué, Angoxe e Macuana (rota Chire e Mossuril).
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Ciclo de Escravos (1750 – 1836/42): 1762 – Um documento anónimo declarava terem saído 1100 escravos de Moçambique. 1787 – Legalização da venda de armas de fogo, contribuiu para a generalização da caça aos escravos. 1836 – Primeira abolição da escravatura nas possessões portuguesas. 1840 – Criou-se a ficção legal entre os portugueses e os franceses, que consistia em atribuir o estatuto de trabalhadores recrutados ou engajados. 1842 - Segunda abolição da escravatura nas possessões portuguesas após a abolição oficial do comércio de escravos, os reinos afroislâmicos (xeicados e Sultanatos) e os prazos deram continuidade ao comércio de escravos – comércio clandestino. No período do comércio de escravos, as duas zonas onde por excelência se caçavam escravos eram o vale do Zambeze e a faixa litoral, com o respectivo hinterland do rio Ligonha à baía de Memba.

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A partir da segunda metade do seculo XVIII, Quelimane e Ibo são os portos dos Escravos.

Prazos da coroa (1600) Prazos eram propriedades de Terra arrendados pelos portugueses à outros colonos muitos dos quais de origem indiana por um prazo de três gerações. Os prazos surgem como sobreposição a sociedade Shona, com Duas classes sociais: Senhor prazeiro e os A-Chicundas. Faziam uso de uma bebida denominada Muavi, para denunciar os feiticeiros.

Estado de Gaza (1821) 1821 – 1858 – Fundação e governação de Sochangana ou Manicusse; 1858 – Morte de Sochangana, e foi substituído pelo seu filho Maueue que, hostilizou os seus irmãos mais velhos dos quais quem conseguiu fugir foi Muzila (primeira guerra de sucessão). 1862 - A capital de Gaza foi transferida para Mossurize por Maueue, receando ataques pois havia feito muitos inimigos na região. 1884 – Morte de Muzila. É neste contexto que vai ocorrer a segunda guerra de sucessão entre Gungunhana e Mafemane. A Aristocracia Nguni mandou matar Mafemane pois, temia Madungaze. 1889 – Gungunhana transfere a capital de regresso para o vale de Limpopo em Manjacaze, pois, os recursos começavam a escassear em Mossurize e ainda, pretendiam evitar pressões de ingleses e portugueses que pretendiam iniciar a mineração de ouro. O rei de Gaza dirigia cerimónias mágico-religiosas para dar sorte aos homens que partiam para a guerra (Mbengululu).

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Um dos rituais mais importantes do Estado de Gaza realizava-se em Fevereiro com o aparecimento dos primeiros frutos, é o Incualla ou Nkwaya, e ainda chamado por cerimónia nacional das primícias.

Delimitação das fronteiras 1869 – Os portugueses procuraram aliança com o Transvaal e assinaram em Pretória um tratado que reconhecia a Portugal direitos territoriais até aos 26 graus e 30 minutos sul, estabelecendo os montes Libombos como a fronteira de Moçambique e Swazilândia. 1875 – Com a arbitragem do estadista francês Mac-Mahon, delimitou-se definitivamente a fronteira sul de Moçambique entre os portugueses e os ingleses. 1886 – Portugal necessitando de apoio dos alemães para fazer frente aos ingleses na região central de Moçambique, delimitou a fronteira norte de Moçambique. 1891 – Portugal assinou com a Inglaterra um acordo que fixava as fronteiras entre Niassalândia, Rodésias e Moçambique (fronteira ocidental/central). O conflito luso britânico na região central de Moçambique, enquadrase no projecto de unir Moçambique a Angola através do mapa cor-derosa, datado de 1886 e apresentado a camara dos deputados em Portugal em 1887 pelo ministro português dos negócios estrangeiros, Henriques Gomes Barros. Este projecto chocava com o projecto dos ingleses de unir Cabo a Cairo através de uma linha férrea.

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Resistência em Moçambique Sul: No contexto da resistência, na região sul destaca-se Estado de Gaza. Os portugueses usaram como pretexto, a disputa na posse de terras em Angoane onde os chefes Mahazule Nwamatibidjane de Magaia e Zixaxa respectivamente uniram-se contra os portugueses travando a

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batalha de Marracuene (Batalha de Guaza Muthine) a 2 de Fevereiro de 1895. Os dois líderes derrotados refugiam-se no Estado de Gaza e, Ngungunhane recusa ao pedido dos portugueses de entregar os dois exilados. Os portugueses usaram este facto como pretexto para justificar as operações militares contra o Estado de Gaza.

Batalhas Subsequentes: Batalha de Magul - (8 de Setembro de 1895) – onde se encontrava refugiado o Nwamatibidjane. Em Outubro de 1895 esquadrilha de embarcações penetrou pelo Limpopo submetendo Xai-Xai e Bilene. Ngungunhane foi preso e deportado para Açores por Mouzinho de Albuquerque em Mapulanguene. Batalha de Coolela (7 de Novembro 1985) – teve ocorrência numa região próxima a Manjacaze. 21 de Fevereiro de 1897 – Maguiguana Cossa continuou com a resistência travando a batalha de Macotene, onde foi preso e morto por Mouzinho de Albuquerque.
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Centro: Na região centro destacou-se a resistência Barué em 1917, esta que é considerada a maior resistência em Moçambique contra a penetração imperialista. As resistências em Moçambique terminaram após a primeira guerra mundial. O último foco de resistência foi no planalto dos Macondes. Após a ocupação efectiva, o Estado colonial português montou a sua máquina administrativa assente na violência, opressão, através de sipaios, administradores e por vezes chefes tradicionais.

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1894 – Um decreto substituía a pena de prisão pela pena de trabalho correcional com duração de 15 dias a um (1) ano. 1895 – António Enes foi nomeado comissário régio de Moçambique e criou a circunscrição indígena, inovação posta em prática pela primeira vez no então distrito de Lourenço Marques. Circunscrição indígena é uma unidade administrativa onde o colonizador substitui o poder tradicional, exerce as funções de administrados e de Juiz. 1899 – Publicação do código de trabalho rural. Segundo este código, todos indígenas das províncias ultramarinas portuguesas são sujeitos a obrigações morais e legais, de procurar adquirir pelo trabalho os meios que lhes faltam, de substituir e de melhorar a condição social. O autor deste código foi António Enes, aquele de quem Marcelo Caetano disse ser pedra basilar de todo o estudo da moderna administração. 1907 – Aires de Ornelas, responsável da pasta da marinha e discípulo de António Enes, ordenou a publicação da reforma administrativa da Moçambique. 1910 – Estabelecimento da República portuguesa. 1911 – Instituiu-se o cargo de ministro das colonias e dessa forma se abandonava a expressão províncias ultramarinas e proclama-se a descentralização administrativa pela constituição política republicana.
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No contexto da ocupação efectiva, Portugal cedeu as actuais províncias de Niassa e cabo Delgado a Companhia de Niassa, e de igual modo, Manica e Sofala para a administração da Companhia de Moçambique e as de Tete e Zambézia foram submetidas a gestão conjunta do Estado português e as companhias arrendatárias. As províncias de Gaza, Inhambane, Maputo e Nampula ficaram sob administração directa do Estado colonial Português. Companhias de Subarrendatárias); Niassa e Moçambique (majestáticas ou

Companhia de Zambeze (Arrendatária).

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Companhia de Niassa (1891) Surge do decreto de Setembro realizado entre Portugal e a GrãBretanha na perspectiva de traçar novos limites das fronteiras moçambicanas. Ocupava uma área de 160 000 km2, ocupando as actuais províncias de Niassa e Cabo Delgado. Esta companhia foi concedida por carta majestática. O contrato era de 35 anos mas declinou em 1929, passando para o Estado colonial portuguesa depois das crises financeiras. No contexto da exploração desta zona surgiram várias empresas foram desistindo ao concluir que não havia lucros na exploração desta zona: 1897 – 1908 – Formam-se três grupos financeiros: 1897 – Ibo Syndicate, com maior parte das acções; 1899 – Ibo Investiment Trust; 1908 Nyassa Cosolidated que passou a recrutar mão-de-obra para a África do sul. Na cobrança de impostos, a companhia era auxiliada por chefes Afroislâmicos que arrendavam 5% do montante recebido.

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Companhia de Moçambique – surge de um processo que inicia entre: 1878 – 1888. Em 1888 surgia a primeira companhia de Moçambique, fundada por Paiva de Andrade e Oliveira Martins. 1891 – Torna-se Majestática, ocupando as actuais províncias de Manica e Sofala, uma extensão de 134 822 km2. 1892 – Começava a funcionar como companhia majestática e, neste período o numerário que circulava na companhia era: Rupia da India inglesa; Pesos Maria Teresa; Patacas mexicanas; Shillings e moedas portuguesas de cobre e prata. Face a situação financeira do território, estas moedas foram substituídas e adoptaram o uso de moedas de prata e ouro portugueses para os pagamentos, admitindo-se as de cobre como moedas subsidiárias.

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Companhias Arrendatárias 1892 – Companhia do Zambeze 1898 – Companhia do Borror 1904 – Sociedade de Madal 1906 – Empresa Agrícola de Lugela 1920 – Sena Sugar State

O Sul e o Trabalho Migratório 1850 – Os primeiros moçambicanos foram trabalhar nas plantações de açúcar no Natal. 1867 – Descoberta das minas de diamante de Kimberley. A emigração assumiu um caracter mais intenso. 1886 – Descoberta das minas de ouro em Witwatersrand. 1889 – Promulgação do primeiro regulamento para o engajamento de indígenas para a república do Transvaal. Surgia neste contexto, a WENELA que passa a ter monopólio do recrutamento de mão-de-obra para as minas. 1899 – 1902 – Guerra anglo-bóer, ou a paralisação da indústria mineira e ao repatriamento de milhares de milhares de moçambicanos. 1901 – Assinou-se o Modus Vivendi, numa fase em que o Transvaal precisava absolutamente de reabrir as minas. Os britânicos aceitaram respeitar os compromissos existentes sobre as tarifas ferroviárias, era já à modificação do acordo de 1897, que tinha ignorado esta questão.

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1909 – Assinatura da Primeira Convenção entre o Estado colonial português e o Transvaal. Decisões: - Monopólio do recrutamento para WENELA;

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- Portugal desejava pagamento deferido mas ele, feito sob uma base voluntária; - Os produtos agrícolas e industriais de um outro lado da fronteira pudessem circular para ambos países sem taxas aduaneiras; - O contrato passou a ser de 12 meses; - Portugal desejava que 50 a 55% das cargas de Witwatersrand passassem pelo porto e caminhos-de-ferro de Lourenço Marques.

1913 – O governo da União, evocando razões de saúde dos moçambicanos recrutados a norte do paralelo 22 graus sul, proibiu a WENELA de engajar trabalhadores daquela zona. Esta decisão foi também tomada pela administração portuguesa. Para Moçambique, o paralelo 22 graus visou objectivos bem definidos: satisfazer as necessidades das plantações do centro e do norte do país que eram dominados pelo capital inglês.

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1928 – Segunda Convenção Decisões: - Pagamento deferido passa a ser obrigatório; - A convenção reconfirmou a decisão de 1913 que proibia a WENELA de recrutamento para alem do paralelo 22 graus sul. - 50 - 55% das exportações e importações de Witwatersrand deviam transitar por Lourenço Marques.

1934 – Revisão da Convenção de 1928 Em relação aos portos e caminhos-de-ferro, a câmara das minas, pretendia reduzir as cargas a passar por esta zona 47,5% e como recompensa passava a deixar de existir o máximo. Os negociadores portugueses aceitaram a propostas pois, sabiam o valor estratégico do

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porto de Lourenço Marques para os interesses do Transvaal. Sobre a mao-de-obra ficou estabelecido um mínimo de 65 000 trabalhadores a recrutar anualmente.

Acordo de 1940 Este acordo elevava o máximo de trabalhadores a recrutar de 80 000 para 100 000 e a recompensa para o Estado colonial português, a união comprometeu-se a fazer o pagamento deferido em ouro sempre que os portugueses assim o quisessem. O mínimo de trabalhadores a recrutar manteve-se em 65 000 trabalhadores a recrutar anualmente.

O Entendimento de 1952 O segundo entendimento foi assinado em Lourenço Marques entre as autoridades coloniais portuguesas e a WENELA, regulando as condições de emprego de moçambicanos nas novas minas de ouro do Estado livre de Orange (Orange Free State) e ao mesmo tempo regularizando a situação dos tropicais moçambicanos nas minas de Transvaal.
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Decisões: Todos os indígenas da província de Moçambique encontrados nas minas de Orange Free State serão registados e serão empregados nos termos da convenção, mas não contados no referido número total. Os indígenas portugueses encontrados na união poderão ser dirigidos para as minas do Estado Livre de Orange nos termos do parágrafo segundo, mas todos recrutados na colonia serão destinados unicamente as minas do Transvaal. 1961 – A união sul-africana proclama a república e no mesmo ano, a África do sul foi obrigada a abandonar a comunidade das nações britânicas (Commonwealth), permanecendo politicamente mais isolada, o que fez reforçar as relações com os colonialistas portugueses.

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Acordo de 1964 Incluía uma cláusula sobre o pagamento de parte de salário dos mineiros moçambicanos em ouro. A cláusula de ouro reforçou e ampliou em grande medida as vantagens que o sistema de pagamento diferido pois conferia a administração colonial e burguesia portuguesa. A partir de 1964, os trabalhadores só podiam ser empregados com o conhecimento do instituto de trabalho que era responsável pelos negócios indígenas criado em 1961. 1965 – Queda do monopólio da WENELA e estabelecimento de novas empresas recrutadoras: ATLAS, ALGOS e CAMON.

Nacionalismo Económico de Salazar (1930 – 1962/4) Maio de 1915 – Portugal alia-se a Inglaterra, França e Rússia na guerra contra a Alemanha. Devido a condição financeira da Portugal, esta guerra vai provocar uma crise económica que se fez sentir através da desvalorização da moeda. 26 de Maio de 1926 – deu-se o primeiro golpe de Estado em Portugal, dirigido pelo general Gomes da Costa. Foi apoiado de imediato por vários sectores da burguesia portuguesa. 1928 – Salazar torna-se ministro das finanças; 1930 – Salazar torna-se ministro das colonias e é promulgado o Acto Colonial e a Carta Orgânica do império colonial português. Que desenvolveram rigorosamente os princípios já delineados em 1926. É neste contexto que Moçambique deixa de ser autónomo e passa a chamar-se colonia, verifica-se a centralização dos poderes legislativos e financeiros nas mãos do ministro das colonias. 1932 – Salazar torna-se presidente do conselho (Primeiro Ministro). 1933 - Reforma administrativa ultramarina. Com esta reforma a administração ficou sob mandato efectivo de Lisboa, assegurando-se assim o interesse da burguesia portuguesa.
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1938 – Criação da JEAC (Junta de exportação do algodão colonial) com sede em Lisboa.

1940 – Chegou a Moçambique o novo governador-geral José Tristão de Bettencourt com objectivo de dinamizar a economia de Moçambique para beneficiar do mercado europeu no contexto da Segunda Guerra Mundial.

Concordata e Acordo Missionário 7 de Maio de 1940 – foi assinado entre o Estado português e o Vaticano a Concordata e o Acordo Missionário, consagrando desta forma o papel da Igreja como a grande força inspiradora e justificadora do regime colonial fascista português. O acordo missionário seria depois regulamentado pelo estatuto missionário de 1941. Neste contexto o regime transferiu a responsabilidade do ensino rudimental oficial para igreja católica estabelecendo ainda, um rigoroso controlo sobre toda a actividade da igreja.

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1942 – Foi criada a divisão do fomento orizícola que tinha poderes semelhantes aos da JEAC.

Outubro de 1942 – Bettencourt introduziu a circular 818/D7. Esta circular informava que não era suficiente a população rural pagar imposto e a contribuição nas obras públicas. Determinou a partir de então que cada homem devia provar que ganhava dinheiro através de um emprego ou através da venda de produtos agrícolas.

As autoridades deviam registar esta informação em folhas especiais e na caderneta de identificação. A circular tinha como objectivo resolver o problema de falta de mão-de-obra nas plantações da zona norte.

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1942 – O imposto de palhota foi substituído pelo imposto de captação (Mussoco). As mulheres em geral pagavam o chamado imposto reduzido.

1953 – 1958 – Primeiro Plano de Fomento Este plano, previa investimentos na ordem de 1 848 500 contos dos quais, vieram a ser aplicados 1 661 284, assim distribuídos: 63% - Caminhos-de-ferro, portos e transportes aéreos; 34% - Aproveitamento de recursos e povoamento; 3% - Diversos. O primeiro plano de fomento não previa verbas nem para investigação, nem para investigação, nem para saúde pública e ensino. A principal obra deste plano foi a construção quase 300 km de linha férrea de Lourenço Marques a Malvérnia na fronteira com a então Rodésia do Sul. Esta obra ficou concluída em 1956 e nos 3 anos seguintes as receitas dos caminhos-de-ferro e portos de Moçambique aumentaram em 25%.

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Colonatos: Colonato de Limpopo – 1954 Colonato de Revue e Sussundenga na província de Manica; Colonato da Nova Madeira próximo de Lichinga em Niassa na década 60. Os colonos estalados estavam teoricamente proibidos de usar mão-deobra estranha as suas famílias, tinham de entregar 1/6 do rendimento anual a coroa portuguesa até cobrirem os custos da sua estalação. Só depois disto é que adquiriam o título de propriedade.

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1959 – 1964 – Segundo Plano de Fomento Neste plano foi destinada uma pequena verba para a instrução saúde e melhoramento dos locais (abastecimento de água).

Nacionalismo em Moçambique Eduardo Mondlane Nascido em 1920, frequentou a escola secundária de Lemana pertencente a Missão Suíça no norte do Transvaal entre 1944 – 1947. Em 1948 – Passou por uma escola de trabalho social em Johannesburg, tendo regressado a Moçambique no mesmo ano. Em 1949 – Formou em Lourenço Marques com cerca de 20 membros, o Núcleo dos Estudantes Secundários de Moçambique (NESAM). No mesmo ano, ganha bolsa do concelho cristão de Moçambique para estudar ciências sociais na Universidade de Witswatersrand. Contudo, em Agosto do mesmo ano, foi informado da sua expulsão pelo governo sul-africano em cumprimento das novas medidas disciplinarias. 1950 – Eduardo Mondlane e Noémia de Sousa partem para Portugal. 1951 – Mondlane partiu para os EUA onde se doutora em 1957. 16 de Junho de 1960 – Massacre de Moeda, mais de 500 pessoas foram abatidas pelos portugueses. Este ano foi também ano do Massacre de Sharperville a 21 de Março na África do Sul e do banimento do ANC, que marcou o fim de qualquer possibilidade de luta pacífica. Formação de Movimentos Nacionalistas

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1960 – UDENAMO – Em Salisbúria (actual Harare) Zimbabwe 1961 – MANU – No Quénia. 1961 – UNAMI – No Malawi

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1961 – Eduardo Mondlane visita Moçambique e quando regressa decide deixar as Nações Unidas para entrar abertamente na luta de libertação. 1961 – Realização da conferência das organizações Nacionalistas dos territórios portugueses (CONCP) em Casa Branca (Marrocos), na qual tomou a UDENAMO, representada por Marcelino dos Santos que foi eleito secretário-geral.

Formação da FRELIMO 25 de Junho de 1962 – Mondlane conseguiu unir os três movimentos existentes em Dar-Es-Salam e foi criada a FRELIMO e fizeram preparativos para a realização de uma conferência no mês de Setembro seguinte em que se definiram os fins da frente e elaboraria um programa de acção. 23 – 28 de Setembro de 1962 – Realização do Primeiro Congresso da FRELIMO dirigido por Eduardo Mondlane em Dar-Es-Salam. Janeiro de 1963 – O primeiro grupo de jovens partia para Argélia (Samora Machel, Alberto Chipande, Filipe Samuel Magaia e Sebastião Mabote). 25 de Setembro de 1964 – Inicio da luta armada de libertação nacional em Chai, na província de Cabo Delgado. O primeiro combate foi dirigido por Alberto Chipande. 20 – 25 de Julho de 1968 – Realização do Segundo Congresso em Matchedje na província de Niassa. Um dos principais problemas a resolver era o comportamento dos chefes das zonas libertadas de Cabo Delgado. Kavandame não concordou com nenhuma das decisões do II congresso. 22 de Dezembro de 1968 – Paulo Samuel Kancomba é assassinado quando ia passar da Tanzânia para Cabo Delgado.

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Janeiro de 1969 – Kavandame é expulso da FRELIMO e pouco tempo depois entregou-se aos portugueses. 1968 – Morte de Salazar que foi substituído por Marcelo Caetano que deu continuidade a política Fascista até ao II golpe de Estado. 3 de Fevereiro de 1969 – ocorreu o assassinato de Eduardo Mondlane em Dar-Es-Salam. Maio de 1970 – O comité da FRELIMO elegeu Samora Machel para presidente e Marcelino dos Santos para vice-presidente. Maio – Agosto de 1970 – Operação No-Górdio dirigida por Kaulza de Arriaga, chefe máximo do exército colonial português em Moçambique. Esta operação contou com o apoio da NATO. 25 Abril de 1974 – Segundo Golpe de Estado em Portugal dirigido pelo general António de Spínola. 7 de Setembro de 1974 – Acordos de Lusaka. 25 de Junho de 1975 – independência Nacional.
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1977 - Terceiro Congresso da FRELIMO Caracterizado através de um plano de 10 anos – PPI (Plano Perspectivo Indicativo), com objectivo de acabar com o subdesenvolvimento num período de 10 anos. Foi neste congresso que se verifica uma centralização económica e politica. Todas as decisões tomadas a nível central. Estamos no período em que Moçambique procurava seguir a política socialista. 1983 – Durante o quarto congresso, os participantes dirigiram críticas a políticas de desenvolvimento seguidas e, no mesmo ano o governo formulou um programa de acção para contrariar esta tendência económica decrescente.

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Acordo de Incomáti 16 de Março de 1984 – Acordo de Incomáti, tratado de não agressão entre Moçambique e a Africa do Sul, estiveram presentes: Samora Machel e Peter Botha de Moçambique Africa do Sul respectivamente. Neste tratado, Pretória comprometeu-se a deixar de prestar ajuda a RENAMO. 19 de Outubro de 1986 – Em Mbuzine morria Samora Machel. Janeiro de 1887 – Moçambique apresenta o conteúdo do PRE (Plano de Reabilitação Económica, e no mesmo ano chegou a um acordo com as instituições de Bretton Woods (o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional) sobre a forma final do programa. 1990 – Moçambique no encontro de Paris apresentou um programa mais alargado, com as dimensões sociais e de reabilitação económica (PRES) – envolvia privatizações, critérios de rentabilidade, canalização de esferas para agricultura privada e liberalização do comércio.

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Moçambique a Nível Regional 1977 – Moçambique torna-se membro dos países da Linha da Frente (Moçambique, Angola, Tanzânia, Zimbabwe e Zâmbia e Lesotho Swazilândia e Malawi). 1 de Abril de 1980 – Fundação da SADCC que se transformou em SADC em Agosto de 1992 Windhoek na Namíbia. 1994 – Com o fim do Apartheid, a África do Sul entra na SADC.

HISTÓRIA DA ÁFRICA DO SUL

HISTÓRIA DA ÁFRICA DO SUL A África do Sul foi “descoberta” por Bartolomeu Dias que, em 1488, aportou à Ilha Robben, ao largo da atual Cidade do Cabo, na sua abortada viagem para a Índia. A ilha foi, durante muitos anos, utilizada por navegadores portugueses, ingleses e holandeses como posto de reabastecimento. Nessa época, a região era habitada por povos Khoisan, Xhosa, Zulu entre outros; em 1591 um grupo de Khoi-khoi, cansado das práticas comerciais desleais dos europeus, atacou a Ilha Robben.

Colonização Holandesa (1652) Em 6 de Abril de 1652, Jan Van Riebeeck - Da Companhia Holandesa das Índias Orientais, promoveu a colonização da região e fundou a Cidade do Cabo no extremo sul do continente, no sopé da Montanha da Mesa. Durante os séculos XVII e XVIII, a Colônia do Cabo viu chegar e instalarem-se calvinistas, principalmente dos Países Baixos, mas também da Alemanha, França, Escócia e doutros lugares da Europa. Estes calvinistas não conseguiram "disciplinar" os khoisan para as suas atividades agrícolas e quase os exterminaram nas guerras da fronteira do Cabo, também conhecidas como Guerras dos Xhosa ou Guerras dos Cafres. Então, começaram a importar escravos da Indonésia, de Madagáscar e da Índia. Os descendentes destes escravos e dos colonos passaram a ser mais tarde conhecidos como "malaios do Cabo" ("Cape Coloureds" ou "Cape Malays"), chegando a constituir cerca de 50% da população da província do Cabo Ocidental. Colonização Britânica (1795) Os ingleses ocuparam a Cidade do Cabo em 1795, durante a Guerra Anglo-Holandesa. Depois de breve período de domínio holandês entre 1803 e 1806, a cidade tornou-se capital da colónia britânica do Cabo. 1857 - O Transvaal autoproclamou-se República Sul-Africana; 1880-1881 – Primeira Guerra Anglo-Bóer, vencida pelos bóeres; 1899 -1902 – Segunda guerra Anglo- Bóer, vencida pelos ingleses.

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31 de Maio de 1902, o Tratado de Vereeniging – que especificava que o governo britânico era soberano nas repúblicas Bóeres e estes por sua vez assumiriam a dívida de guerra de três milhões de libras dos governos afrikaners.

A União Sul-Africana (31 de Maio de 1910) Depois de quatro anos de negociações, a União Sul-Africana foi criada a 31 de Maio de 1910, incluindo a Colónia do Cabo, a Colónia de Natal, a "Colónia do Rio Orange" (a república boer do "Estado Livre de Orange" tinha sido assim renomeada quando da sua tomada pelos britânicos durante a Segunda Guerra Boer), e o Transvaal, Boer, com o estatuto de Domínio do Império Britânico. Este foi o primeiro passo para a independência da África do Sul que, no entanto, só teve lugar 51 anos mais tarde. 1913 - Lei da Terra ("Natives Land Act") dividiu a África do Sul em áreas onde só negros ou brancos podiam ter a posse da terra: os negros, que constituíam dois terços da população, ficaram com direito a 7,5 % da terra, enquanto os brancos, que eram apenas um quinto da população, ficaram com direito a 92,5% da terra.
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O Apartheid (1948 – 1994) Apartheid ou (separação) foi um regime de segregação racial adoptado de 1948 a 1994 pelos sucessivos governos do Partido Nacional na África do Sul, no qual os direitos da grande maioria dos habitantes foram cerceados pelo governo formado pela minoria branca. A segregação racial na África do Sul teve início ainda no período colonial, mas o apartheid foi introduzido como política oficial após as eleições gerais de 1948. Eleições de 1948 O Partido Reunido Nacional, o principal partido político do nacionalismo Afrikaner, venceu as eleições gerais de 1948 sob a liderança de Daniel

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François Malan, clérico da Igreja Reformada Holandesa. Uma das principais promessas de campanha de Malan era aprofundar a legislação de segregação racial. O Partido Reunido Nacional derrotou por pequena margem o Partido Unido de Jan Smuts – que havia apoiado a noção vaga de lenta integração racial – e formou um governo de coligação com outro partido defensor do nacionalismo africâner, o Partido Afrikaner. Malan instituiu o regime do apartheid, e os dois partidos logo se fundiriam para formar o Partido Nacional. Medidas Estabelecidas pelo Regime do Apartheid 1949 – A Lei de Proibição dos Casamentos Mistos - tornou ilegal (crime) o casamento entre pessoas de raças diferentes. 1950 – A Lei da Imoralidade, tornou crime relações sexuais entre pessoas de raças diferentes, é também aprovada a lei de supressão comunista que baniu o partido comunista sul-africano. 1953 – A Lei de Reserva dos Benefícios Sociais determinou que locais públicos poderiam ser reservados para determinada raça, criando, entre outras coisas, praias, autocarros, hospitais, escolas e universidades segregados. 1956 – Formalizada a descriminação racial no trabalho. 1959 – São criadas universidades específicas para os negros, mistos e indianos. 1970 – A partir dos anos 70 são criadas 10 pátrias tribais (para albergar os negros) autónomas chamadas Bantustões (Ciskei, Transkei, Boputatsana, etc), ao mesmo tempo que os negros eram privados da cidadania sul-africana. Resistência 1912 – Fundação do ANC/ African National Congress (Congresso Nacional Africano).

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1960 - O então líder do ANC Albert Lutuli recebeu o Prêmio Nobel da Paz como chefe do movimento de resistência pacífica ao regime de apartheid. 21 Março 1960 - O protesto contra as Leis do Livre-trânsito, organizado pelo Congresso Pan-Africano, acabou descambando na tragédia de Sharpeville. 1960 – Banimento do ANC e do PAC. Nelson Mandela, alegando que o movimento de resistência pacífica falhara, afirmou que havia chegado o momento do ANC passar a adotar a sabotagem. Na clandestinidade, criou o Umkhonto we Sizwe ("Lanceiro da Nação"), ala militar do ANC Apesar de suas unidades terem detonado bombas nos edifícios do governo nos anos seguintes. 1963 – Nelson Mandela, é acusado de traição e condenado a prisão perpétua, tendo sido levado à uma prisão na Ilha de Robben ao largo da Cidade do Cabo. 1974 – O governo do apartheid, aprova uma lei que obriga o uso do Africâner no ensino secundário nas escolas dos negros. 30 de abril de 1976 - crianças da escola primária Orlando West no Soweto entraram em greve, recusando-se a ir às aulas. 16 Junho 1976 - Os estudantes organizaram um protesto em massa, que acabou com violência - a polícia respondendo com balas às pedras jogadas pelas crianças. O incidente disparou uma onda de violência generalizada por toda a África do Sul, custando centenas de vidas. 1985 a 1988 - Foram os anos mais violentos do regime quando o governo P. W. Botha começou uma campanha para eliminar os opositores. 1989 – F. W. de Klerk sucedeu a Botha como presidente. 2 de Fevereiro de 1990 - Na abertura do parlamento, de Klerk declarou que o apartheid havia fracassado e que as proibições aos partidos políticos, incluindo o ANC, seriam retiradas. Nelson Mandela foi libertado

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da prisão. De Klerk seguiu abolindo todas as leis remanescentes que apoiavam o Apartheid. 10 de Maio de 1994 - Nelson Mandela fez o juramento como presidente da África do Sul diante de uma eufórica multidão.

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Foto: Nelson Mandela (Madiba) – o primeiro presidente negro da África do Sul

FEDERAÇÃO DA RODÉSIA E NIASSALÂNDIA

FEDERAÇÃO DA RODÉSIA E NIASSALÂNDIA (1953)

1888 – A Rodésia original surgiu em 1888 quando Cecil Rhodes, através de sua empresa - British South Africa Company (BSAC), conseguiu direitos de mineração na região. A concessão foi dada através do Tratado Moffat e Concessão Rudd, assinado com o rei Lobengula dos Ndebele. 1910 – A Rodésia se separou em dois protetorados, a Rodésia do Norte (actual Zâmbia) e Rodésia do Sul (actual Zimbabwe). 1953 – As duas Rodésias e o protetorado da Niassalândia (actual Malawi) formaram uma federação chamada Federação da Rodésia e Niassalândia. 1963 – Chega ao fim a federação e os três Estados voltaram a ser distintos entre si. 1965 – A Rodésia do Sul declarou unilateralmente a sua independência, voltando a ser conhecida novamente pelo nome de Rodésia ou República da Rodésia. Esta ficou conhecida como ”Declaração Unilateral de Independência (DUI) ”, visto que, não colhia consentimento da metrópole, a Grã-Bretanha. 1979 – O Reino Unido reassumiu o controlo por um pequeno espaço de tempo, estabelecendo a dominação da Zimbábue-Rodésia (após uma longa guerra civil contra os movimentos ZIPRA e ZANLA e assinatura do Acordo de Lancaster House). 1980 – Finalmente o Estado alcançou a sua independência definitiva e passou a ser o Zimbábue.
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REVOLUÇÃO GLORIOSA INGLESA

REVOLUÇÃO GLORIOSA INGLESA (1688-1689) Carlos I, filho e sucessor de Jaime I, subiu ao trono em 1625. Seu reinado, do mesmo modo que o de seu pai, caracterizou-se pelo absolutismo e pelas perseguições religiosas. Em 1642, os parlamentares e os burgueses iniciaram uma guerra contra o rei. Liderados por Oliver Cromwell derrotaram Carlos I. Cromwell assumiu o poder com o título de “Lorde Protetor “e governou de 1649 a 1658. Em 1651, Cromwell lançou o Acto de Navegação, que ilimitava a entrada e saída de mercadorias da Inglaterra aos navios ingleses e aos navios dos países produtores ou consumidores; com isso, prejudicava o comércio intermediário praticado pelos holandeses. A partir de então, a Inglaterra passou a ser a grande potência marítima mundial, posição que manteve até o fim da Primeira Guerra Mundial, já no século XX. Dois anos após a morte de Cromwell, ocorrida em 1658, o governo voltou às mãos dos Stuart. Com isso, a Inglaterra teve mais dois soberanos de tendências absolutistas: Carlos II, que reinou de 1660 a 1685 e Jaime II, de 1685 a 1688. Além de Ter tendências absolutistas, Jaime II era católico declarado. E seria substituído no trono pelo filho que tivera com sua segunda esposa, também católica. O Parlamento, temendo a volta ao catolicismo e ao absolutismo, uniuse e resolveu “convidar” o príncipe holandês Guilherme d’Orange, casado com Maria Stuart, filha mais velha de Jaime II, a invadir a Inglaterra e depor o rei, “a fim de restabelecer a liberdade e proteger a religião protestante “. Em novembro de 1688, Guilherme desembarcou na Inglaterra com um exército de 14.000 homens, marchou sobre Londres e ocupou-a sem disparar um só tiro. Jaime II fugiu para a França, e Guilherme foi coroado rei com nome de Guilherme III. Essa revolução, ocorrida sem derramamento de sangue, denominou-se Revolução Gloriosa.

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REVOLUÇÃO GLORIOSA INGLESA O novo rei, ao ser coroado, teve de jurar a Declaração de Direitos, que assegurava ao Parlamento o direito de aprovar ou rejeitar impostos, garantia a liberdade individual e a propriedade privada. A Declaração de Direitos estabelecia também o princípio da divisão de poderes.

Dinastia Tudor Chega ao pode através de Henrique VIII em 1509, tinha como características o facto de ser uma dinastia de religião protestante (Anglicanismo), respeitava a liberdade religiosa, não era absolutista na medida que respeitava o parlamento. Os três principais reis desta dinastia foram: Henrique VII, Henrique VIII e Elizabeth I.

Dinastia Stuart Esta dinastia chega ao trono em 1625 pelo rei Carlos I era uma dinastia Absolutista, pertencia a religião católica e com uma ideologia de perseguição religiosa, aumentou drasticamente os impostos sem consultar o parlamento, o que causou o desencadeamento de uma grande tensão social. Os principais reis desta dinastia foram: Jaime I, Carlos I, Carlos II e Jaime II.
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Foto: Jaime II (Dinastia Stuart)

Foto: Guilherme III (responsável pela revolução)

REVOLUÇÃO AMERICANA

REVOLUÇÃO AMERICANA (04 Julho 1776 – 1783) Revolução Americana de 1776 – Teve suas raízes na assinatura do Tratado de Paris - 1763, que finalizou a Guerra dos Sete Anos. Ao final do conflito, o território do Canada foi incorporado pela Inglaterra. Neste contexto, as treze colonias representadas por Massachusetts, Rhode Island, Connecticut, New Hampshire, Nova Jersey, Nova Iorque, Pensilvânia, Delaware, Virgínia, Maryland, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Geórgia começaram a ter seguidos e crescentes conflitos com a metrópole inglesa, pois, devido aos enormes gastos com a guerra, a metrópole aumentou a exploração sobre essas áreas. 5 de Setembro 1774 – Houve o primeiro Congresso Continental de Filadélfia, onde se resolveu acabar com o comércio com a Inglaterra enquanto não se restabelecessem os direitos anteriores a 1763. Esta conferência contou com a presença de 12 colonias e também registouse a ausência da Geórgia.
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1775 – Houve o Segundo Congresso em que as colónias reuniram-se em Filadélfia onde se decidiu a criação de um exército que seria comandado por George Washington, fazendeiro e chefe da milícia da Virgínia. 4 de Julho de 1776 – Representantes das 13 colonias reunidos em Congresso declararam a independência destas colonias inglesas do continente americano. 17 de Outubro de 1777 – Batalha de Saratoga (a decisiva na guerra de independência dos EUA) Os norte-americanos venceram a batalha de Saratoga. Os franceses, polacos, espanhóis e prussianos, países antagonistas da Inglaterra, vieram em auxílio aos rebeldes enviando soldados para ajudar na guerra da independência. 3 de setembro de 1783 – Em Paris, foi assinado o tratado em que os Estados Unidos, representados por John Adams, Benjamin Franklin e John Jay, tiveram sua independência reconhecida, formalmente, pelo Reino da Grã-Bretanha.

REVOLUÇÃO FRANCESA

REVOLUÇÃO FRANCESA (1789 – 1799)

Foto: Queda da Bastilha (símbolo da revolução) a 14 de Julho de 1789.

14 de Julho 1789 – Teve o início a Revolução Francesa com a queda da Bastilha. Revolução Francesa é o nome dado ao conjunto de acontecimentos que, entre 5 de Maio de 1789 e 9 de Novembro de 1799, alteraram o quadro político e social da França. Ela começa com a convocação dos Estados Gerais e a Queda da Bastilha e se encerra com o golpe de Estado do 18 de brumário de Napoleão Bonaparte. A Revolução é considerada como o acontecimento que deu início à Idade Contemporânea, mais duque isso, marca a Abolição ou o fim do feudalismo e a proclamação Declaração Universal dos direitos do Homem e do Cidadão que continha os princípios universais de "Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Estratificação da Sociedade Francesa no Século XVIII (antes da revolução)    Clero ou Primeiro Estado Nobreza ou Segundo Estado Povo ou Terceiro Estado

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Fases da Revolução Francesa 1 - Assembleia Constituinte Decorre de 9 de Julho de 1789 a 7 de Setembro de 1792, teve como principais acontecimentos: - A bandeira dos Bourbons foi substituída por uma tricolor (azul, branca e vermelha), que passou a ser a bandeira nacional. E, em toda a França, foram constituídas unidades de milícia e governos provisórios; - 26 de agosto 1789 – A primeira Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão;

- Agosto de 1790 – Foi votada a Constituição Civil do Clero, separando Igreja e Estado e transformando os clérigos em assalariados do governo. - Setembro de 1791 – Foi promulgada a primeira Constituição que estabelecia na França uma monarquia Constitucional.

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2 - Convenção (1792 – 1795) Convenção Nacional, de 20 de Setembro de 1792 até 26 de Outubro de 1795. A Convenção vem a ficar dominada pelos jacobinos (partido da pequena e média burguesia, liderado por Robespierre), criando-se o Comitê de Salvação Pública e o Comitê de Segurança Geral iniciandose o reino do Terror. A monarquia é abolida e Proclamada a República e a promulgação de uma nova Constituição (21 de setembro de 1792). Muitos nobres abandonam o país, vindo a família de Luís XVI a ser guilhotinada em 1793.

3- O Diretório (1795-1799) O Diretório (1794 a 1799) foi uma fase conservadora, marcada pelo retorno da Alta Burguesia ao poder e pelo aumento do prestígio do Exército apoiado nas vitórias obtidas nas Campanhas externas.

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FRANÇA DA ERA NAPOLEÓNICA

Foto: Napoleão Bonaparte

Napoleão Bonaparte nasceu em 15 de Agosto de 1769 em Ajaccio, Córsega, um ano após a ilha ser transferida para a França pela República de Gênova. 9 de Novembro 1799 – O governo do diretório foi derrubado na França sob o comando de Napoleão Bonaparte, que, junto com os girondinos (alta burguesia), instituiu o consulado, primeira fase do governo de Napoleão. Este golpe ficou conhecido como Golpe 18 de Brumário.
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A Era Napoleônica. Pode-se dividir em três períodos:  Consulado (1799-1804)  Império (1804-1815)  Governo dos Cem Dias (1815)

1799 – Napoleão liderou um golpe de Estado e instalou-se como primeiro cônsul. 1802 – Elevou-se Napoleão ao nível de cônsul vitalício, podendo indicar seu sucessor. 1804 – Aprovou-se a nova fase da era napoleônica com quase 60% dos votos, reinstituiu-se o regime monárquico na França e indicou-se

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Napoleão para ocupar o trono. Realizou-se uma festa em 2 de Dezembro de 1804 para se formalizar a coroação do agora Napoleão I na catedral de Notre-Dame. Napoleão venceu consecutivamente as batalhas de: Austerlitz (na Áustria em 1805) Batalha da Prússia em 1806 Rússia em 1807

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Foto: Batalha de Austerlitz – 1805 (Áustria), vencida pelo exército Napoleónico

Junho de 1815 – Napoleão entra na Bélgica, mas é derrotado por uma coligação anglo-prussiana na Batalha de Waterloo e abdica pela segunda vez, pondo fim ao Império napoleônico. Mas a expansão dos ideais iluministas continuou.

CONFERÊNCIA DE BERLIM

CONFERÊNCIA DE BERLIM A Conferência de Berlim realizada entre 19 de Novembro de 1884 e 26 de Fevereiro de 1885 teve como objectivo organizar, na forma de regras, a ocupação efectiva de África pelas potências coloniais e resultou numa divisão que não respeitou, nem a história, nem as relações étnicas e mesmo familiares dos povos deste continente. O congresso foi organizado pelo Chanceler Otto Von Bismarck da Alemanha assim como participaram ainda a Grã-Bretanha, França, Portugal, Espanha, Itália, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Estados Unidos, Suécia, Áustria-Hungria, Império Otomano.

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Foto: panorama da Sala de Conferências em Berlim

Resultados Como resultado desta conferência, a Grã-Bretanha passou a administrar toda a África Austral, com excepção das colónias portuguesas de Angola e Moçambique e o Sudoeste Africano; Toda a África Oriental, com excepção do Tanganica e partilhou a costa ocidental e o norte com a França, a Espanha e Portugal (Guiné-Bissau e Cabo Verde); O Congo – que estava no centro da disputa, o próprio nome da Conferência em alemão é “Conferência do Congo” – continuou como “propriedade” da Associação Internacional do Congo, cujo principal accionista era o rei Leopoldo II da Bélgica; este país passou ainda a administrar os pequenos reinos das montanhas a leste, o Ruanda e o Burundi.

PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL (1914 – 1918) Este conflito ocorreu sensivelmente de 28 de Julho de 1914 – 11 de Novembro de 1918.

Resultados: Vitória da Tríplice Entente. Fim do Império Alemão, do Império Russo, do Império Otomano e Império Austro-Húngaro. Criação de novos países no Leste Europeu. Criação da Sociedade das Nações (SDN). Principais Blocos Antagónicos (Opostos)  Tríplice Entente – França, Rússia e Grã-Bretanha;  Tríplice Aliança (potências Centrais) – Alemanha, Itália e Imperio Austro-Húngaro.
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Causas da Guerra - Corrida armamentista; - Imperialismo; - Rivalidades entre as grandes potências (espacialmente França e Alemanha); - Advento do Nacionalismo na Europa: Nazismo na Alemanha, Fascismo na Itália, Franquismo em Espanha, Salazarismo em Portugal, etc.

Fases da Guerra  Guerra de Movimento (Julho de 1914 – Outubro 1915); Vantagem da Tríplice Aliança.  Guerra das Trincheiras (Fevereiro de 1915 a Novembro de 1916); Equilíbrio de Forças.  Retorno à Guerra de Movimento (1917 – 1918); viragem e Vitória final da Tríplice Entente.

PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

O principal cenário bélico da primeira fase da Primeira Guerra Mundial estava concentrado nos Balcãs.

Pretexto para o Início da Guerra 28 de Junho 1914 – O arquiduque Francisco Fernando, herdeiro do trono Austro-Húngaro, e sua esposa Sofia, Duquesa de Hohenberg, são assassinados por um Sérvio. Este acontecimento causou uma onda de agitação na Áustria-Hungria e Alemanha e por outro lado na Rússia que era parceira da Sérvia fica atenta à esta situação.

Acontecimentos Subsequentes 26 de Julho 1914 – o Império Austro-Húngaro cortou todas as relações diplomáticas com a Sérvia e declarou guerra ao mesmo. Em 28 de Julho, começa o bombardeio do Império Austro-húngaro à Belgrado (capital da Sérvia). A 1 de Agosto – Alemanha declara guerra a Rússia. A 2 de Agosto 1914 – Alemanha ocupou Luxemburgo, como o passo inicial da invasão à Bélgica e do Plano Schieffen (estratégia de defesa alemã que previa a invasão da França, Inglaterra e Rússia). A 2 de Agosto 1914 – Alemanha declarou guerra à França, e no dia seguinte invadiu a Bélgica.

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7 de Dezembro 1916 – David Lloyd George sucede Henry Asquith (que era primeiro ministro da Grã-Bretanha quando iniciou a primeira guerra mundial). 7 de Novembro 1917 – Os Bolcheviques tomam o poder na URSS após a revolução de Outubro. 16 de Novembro 1917 – Georges Clemenceau torna-se o primeiroministro da França.

PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

Batalha da Jutlândia - 31 de Maio a 1 de Junho de 1916 Foi a maior batalha naval da Primeira Guerra Mundial. A batalha teve lugar de 31 de Maio a 1 de Junho de 1916 e as forças navais combatentes foram as esquadras britânicas e alemães.

Tratado de Brest-Litovski – 3 Março 1917 3 de Março 1918 – A Rússia e a Alemanha assinam o Tratado de BrestLitovsk. Através deste tratado a Rússia retira-se oficialmente da I GM e cede parte do seu território à Alemanha que em troca compromete-se a não invadir o território russo. A Rússia dirigida a esta altura por Vladimir Lenine sai da guerra como forma de salvar a revolução.

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Foto: Retrato da vida nas trincheiras: Infantaria com máscaras de gás

Consequências da I GM no Mapa Geopolítico da Europa Vitória da Tríplice Entente. Fim do Império Alemão, do Império Russo, do Império Otomano e Império Austro-Húngaro. Criação de novos países no Leste Europeu. Criação da Sociedade das Nações (SDN).

SOCIEDADE DAS NAÇÕES

SOCIEDADE DAS NAÇÕES (SDN) (28 de Junho de 1919 - 20 de Abril de 1946)

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Fundação: 28 de Junho de 1919 Extinção: 20 de Abril de 1946 Tipo: Organização Internacional Sede: Genebra, Suíça Línguas oficiais: Inglês, francês e espanhol

Sociedade das Nações, também conhecida como Liga das Nações, foi uma organização internacional, a princípio idealizada em 28 de abril de 1919, em Versalhes, nos subúrbios de Paris, onde as potências vencedoras da Primeira Guerra Mundial se reuniram para negociar um acordo de paz. A SDN tinha na génese da sua criação o objectivo de manter a paz evitando a eclosão de um novo conflito violento. A carta que formaliza a SDN foi assinada por 44 Estados. O Conselho da Sociedade das Nações reuniu-se pela primeira vez em Paris a 16 de Janeiro de 1920, seis dias depois da entrada em vigor do Tratado de Versalhes. A sede da organização passou em Novembro de 1920 para a cidade de Genebra, na Suíça.

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Foto: Palácio das Nações, em Genebra, sede da Liga das Nações desde 1938

SOCIEDADE DAS NAÇÕES

Sua criação foi baseada na proposta de paz conhecida como “Catorze Pontos”, feita pelo presidente dos EUA Woodrow Wilson, porém este país acabou não fazendo parte da SDN devido a falta de aval do Congresso. Fracasso da SDN O surgimento da Segunda Guerra Mundial demonstrou que a SDN tinha falhado no seu objetivo primário, que era o de evitar uma futura guerra mundial. Houve uma variedade de razões para o fracasso, muitas ligadas as deficiências internas e gerais da organização, dentre elas destacam-se: - As origens da SDN como organização criada pelas Forças Aliadas como parte do acordo de paz para pôr fim a Primeira Guerra Mundial fez com que fosse vista como uma "liga dos vitoriosos"; - A suposta neutralidade da Liga costumava manifestar-se como indecisão; - As Grandes potências da época ou não faziam parte ou entraram demasiadamente tarde na organização (EUA, URSS e Alemanha).
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Política de Mandatos da SDN Na persecução da sua política de mandatos, a SDN estabeleceu um mandato do tipo B para todas as colónias da Alemanha em África que passaram a ter uma administração directa da organização, com a excepção do Sudoeste Africano (Namíbia) que teve um mandato do tipo C e passou a ter uma administração da União Sul Africana.

CRISE ECONÓMICA DE 1929

GRANDE DEPRESSÃO

A “Grande Depressão”, também chamada por vezes de Crise de 1929, foi uma grande depressão econômica (crise de super produção) que teve início em 1929, e que persistiu ao longo da década de 1930, terminando apenas com a Segunda Guerra Mundial. A “Grande Depressão” é considerada o pior e o mais longo período de recessão econômica do século XX. Este período de depressão econômica causou altas taxas de desemprego, quedas drásticas do produto interno bruto de diversos países, bem como quedas drásticas na produção industrial, preços de acções, e em praticamente todo medidor de atividade econômica, em diversos países do mundo. O dia 24 de Outubro de 1929 é considerado popularmente o início da Grande Depressão, mas a produção industrial americana já havia começado a cair a partir de Julho do mesmo ano, causando um período de leve recessão econômica que se estendeu até 24 de Outubro, quando valores de acções na bolsa de valores de Nova Iorque, a New York Stock Exchange, caíram drasticamente, desencadeando a “Quinta-Feira Negra”. Para resolver esta crise o governo norte-americano aprovou o New Deal. New Deal O New Deal (cuja tradução literal em português seria "novo acordo" ou "novo trato") foi o nome dado à série de programas implementados nos Estados Unidos entre 1933 e 1937, sob o governo do Presidente Franklin Delano Roosevelt, com o objetivo de recuperar e reformar a economia norte-americana, e assistir os prejudicados pela Grande Depressão. A política de New Deal consistia nas seguintes medidas: • Controle sobre bancos e instituições financeiras e econômicas; • Construção de obras de infra-estruturas para a geração de empregos e aumento do mercado consumidor;

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CRISE ECONÓMICA DE 1929 • Concessão de subsídios e crédito agrícola a pequenos produtores familiares; • Criação de Previdência Social, que estipulou um salário mínimo, além de garantias a idosos, desempregados e inválidos; • Incentivo à criação de sindicatos para aumentar o poder de negociação dos trabalhadores e facilitar a defesa dos novos direitos instituídos.

Resultados A aplicação das técnicas “fordistas” em várias indústrias de bens de consumo promoveu uma queda de preços em todo o país, factor que é tido, juntamente com New Deal, como primordial para a recuperação da economia norte-americana.
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SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

SEGUNDA DA GUERRA MUNDIAL (1 de Setembro de 1939 - 2 de Setembro de 1945) Segunda Guerra Mundial ou II Guerra Mundial foi um conflito militar global que durou de 1939 a 1945, envolvendo a maioria das nações do mundo – incluindo todas as grandes potências – organizadas em duas alianças militares opostas: os Aliados e o Eixo. Foi a guerra mais abrangente da história, com mais de 100 milhões de militares mobilizados. Em estado de "guerra total", os principais envolvidos dedicaram toda sua capacidade econômica, industrial e científica a serviço dos esforços de guerra, deixando de lado a distinção entre recursos civis e militares.

Alguns Antecedentes da II GM 1919 – Crise económica que se seguiu a I GM; 1922 – Mussolini chega ao poder na Itália após a marcha a Roma; 1933 – A Itália invade a Etiópia na chamada segunda Guerra Ítaloetíope; 1933 – Hitler Chega ao poder na Alemanha após vencer eleições e no mesmo ano a Alemanha sai da SDN; 1935 – É restabelecido o serviço militar obrigatório na Alemanha, decisão que contrapunha as resoluções do Tratado de Versalhes (1919). 1938 – A Alemanha anexa a Áustria como forma de expandir a ideologia NAZI. Desfecho Vitória Aliada • Criação da Organização das Nações Unidas • Criação do Estado de Israel • Estabelecimento de duas Superpotências, Estados Unidos e União Soviética, iniciando-se mais tarde a Guerra Fria.
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SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

Blocos Antagónicos (Opostos)  Aliados: França, EUA, Grã-Bretanha, URSS.  Eixo: Alemanha, Itália, Japão. Início das Confrontações Geralmente considera-se o ponto inicial da guerra como sendo a invasão da Polônia pela Alemanha Nazista em 1 de Setembro de 1939 as 4h45 e subsequentes declarações de guerra contra a Alemanha pela França e pela maioria dos países do Império Britânico e da Commonwealth.

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Foto: Tropas alemães invadindo a Polónia

Factos Marcantes da II Guerra 28 de Setembro 1939 – Varsóvia rende-se aos alemães. A fortaleza de Motlin capitula. O ministro de Relações Exteriores alemão Joachim von Ribbentrop e o diplomata soviético Vyacheslav Mikhailovich Molotov reúnem-se na cidade de Brest-Litovsk para decidir a partilha da Polonia, conhecida como Pacto Ribbentrop-Molotov. A Estónia assina um Pacto de Assistência Mútua com a União Soviética. 10 de Maio 1940 – A Alemanha invade Bélgica, França, Luxemburgo e Países Baixos. Winston Churchill torna-se o Primeiro-Ministro do Reino Unido em consequência da renúncia de Neville Chamberlain. As primeiras bombas alemãs da guerra na Inglaterra caem sobre Chilham

SEGUNDA GUERRA MUNDIAL e Petham, em Kent. O Reino Unido invade a Islândia. A Bélgica declara estado de emergência. 28 Maio 1940 – A Bélgica rende-se a Alemanha. Os alemães evacuam Narvik. 14 Junho 1940 – Paris é ocupado pelas tropas alemãs. Governo francês recua novamente, agora para Bordéus. 13 de Outubro de 1943 – Novo governo italiano declara guerra a Alemanha. A 2 de Setembro de 1943, Hitler descobre a traição italiana e ordena a invasão da Itália e o desarmamento do Exercito Italiano. A Itália assina o armistício com os Aliados. Começa a Campanha da Itália. 18 Janeiro 1944 - Termina o Cerco à Leningrado. 12 de Abril de 1945 Presidente norte-americano Franklin D. Roosevelt morre e é sucedido por Harry Truman. 30 de Abril de 1945 Adolf Hitler e sua esposa de um dia, Eva Braun cometem suicídio em Berlim. Karl Donitz e o sucessor segundo o testamento de Hitler.

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Foto: Recorte de jornal, com a notícia da morte de Adolf Hitler

SEGUNDA GUERRA MUNDIAL Guerra no Pacífico

Foto: Ataque japonês à base Naval norte-americana de Pear Harbor no Havai

Ataque a Pearl Harbor (7 de Dezembro 1941) É considerado o ponto de partida da guerra do Pacifico. Foi um ataque aéreo perpetrado pelo Japão a 7 de Dezembro de 1941 como forma de vingar o embargo económico dos EUA. Apesar do sucesso, os japoneses não conseguiram destruir os mais importantes navios. Logo após o ataque, o Presidente Franklin Roosevelt declara guerra ao Japão e ao Eixo. Batalha de Midway (4 Junho de 1942) Foi uma batalha aero-naval travada a partir de 4 Junho de 1942 no Oceano Pacífico entre as forças dos Estados Unidos e do Japão durante a Segunda Guerra Mundial, seis meses depois do ataque japonês a Pearl Harbor. O resultado da batalha foi uma decisiva e crucial vitória para os norte-americanos, lembrada como o mais importante confronto naval da Segunda Guerra e o ponto de virada no conflito.

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Foto: Explosão de Campo Petrolífero em Midway perpetuada pela força aero-naval japonesa

SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

Campanha no Norte de África (1940 – 1943) Desenrolou-se no deserto norte-africano 10 de Junho de 1940 até 16 de Maio de 1943. Ela incluiu campanhas travadas nos desertos líbio e egípcio, no Marrocos e na Argélia (Operação Torch) e na Tunísia (Campanha Tunisina). A ofensiva Anglo-americana dos Aliados no norte de África foi dirigida pelos generais Bernard Montgomery (Grã-Bretanha) e Dwight Eisenhower (EUA). Batalha de El Alamein, Egipto 23 Outubro 1942 Depois de um período de reequipamento e treino, o 8º Exército Inglês lançou uma grande ofensiva, derrotando decisivamente os batalhões ítalo-germânicos durante a Segunda Batalha de El Alamein no fim de Outubro de 1942.
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Operação Torch começou em 8 de Novembro de 1942 e terminou em 11 de Novembro de 1942. Numa tentativa de derrotar as forças alemãs e italianas. Esta operação, teve participação de forças Aliadas dos Estados Unidos e a Grã-Bretanha.

Guerra na Europa Operação Barbarossa (22 Junho 1941) Operação militar alemã para invadir a União Soviética, iniciada em 22 de Junho de 1941 durante a Segunda Guerra Mundial, rompendo assim com o Pacto Ribbentrop-Molotov acordado entre os dois Estados menos de dois anos antes. O principal objectivo da operação barbarossa era a rápida tomada da parte europeia da URSS antes de Janeiro de 1942. 7 de Janeiro 1942 – Termina a Batalha de Moscovo com a contraofensiva soviética e o recuo das forcas alemãs para fora de Moscovo (primeira derrota alemã na guerra).

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Desembarque à Normandia (Dia D) – 6 de Junho de 1944 Com cujo nome de código de "Operação Overlord", foi a invasão das forças dos Estados Unidos, Reino Unido, França Livre e aliados na França ocupada pelos alemães na Segunda Guerra Mundial em 1944. Foi uma decisão política para manter a liberdade na Europa, ocorrida depois da derrota alemã para o Exército Vermelho, na famosa Batalha de Estalinegrado.

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Foto: Desembarque dos Aliados à Normandia (chamado “Dia D”)

Os americanos sofreram por volta de duas mil baixas, pois os tanques Sherman, (disfarçados de Chatas pelo Exército Americano para os esconder, e torná-los um factor surpresa) afundaram. Já o Exército britânico não teve muitas baixas em Gold e Sword, pois seus tanques blindados e especializados (em cortar trincheiras e explodir minas) conseguiram ultrapassar. Era o início da Batalha da Normandia. Apesar da inferioridade aérea, e submetida a constantes bombardeios aéronavais, os alemães resistiram durante mais de um mês antes que os aliados tomassem o primeiro porto, Cherburgo em meados de Julho, o que somado há outro desembarque aliado no sul da França no final de Agosto, forçou o recuo das forças alemãs para a Bélgica. Segundo Desembarque dos Aliados - 15 de Junho de 1944, as forças americanas desembarcam em Saipan, nas ilhas Marianas (sul da França).

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Lançamento das Bombas Atómicas e Fim da II GM Os EUA sob ordem de Harry Truman efectuaram lançamento de duas bombas atómicas sobre as cidades japonesas de Hiroshima (no dia 6 de Agosto de 1945) e Nagasaki (9 de Agosto de 1945). Essas bombas têm efeitos sobre o homem e o meio ambiente até hoje. Para além de uma vingança dos EUA ao Japão (devido aos ataques japoneses às suas bases navais no Pacífico) constituem também uma demostração de força norte-americana à sua rival socialista em tecnologia Nuclear URSS.

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Foto: Explosão de Bomba Atómica em Nagasaki (9 de Agosto de 1945)

7 de Setembro 1945 – Os últimos bolsões japoneses rendem-se na China, Birmânia e Hong Kong, determinando o fim da Segunda Guerra Mundial após seis anos de guerra contra o nazi-fascismo.

PÓS-GUERRA Pós-guerra Em um esforço para manter a paz, os líderes dos aliados, reuniram-se em São Francisco nos (EUA) e formaram a Organização das Nações Unidas (ONU), que oficialmente passou a existir em 24 de outubro de 1945. A ONU tem como principais órgãos: a Assembleia Geral e o Conselho de Segurança. O Conselho de Segurança é composto por 15 membros dos quais 5 são permanentes (EUA, URSS, Grã-Bretanha, França e China.

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Foto: Sede da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova Iorque. A fundação da ONU foi uma das consequências da II Grande Guerra

Plano Marshall (1948-1951) Conjunto de mecanismos levados a cabo pelos EUA para recuperar as economias dos países da Europa que se encontravam mergulhadas numa crise devido aos efeitos devastadores da II GM. Guerra Fria A divisão pós-guerra do mundo foi formalizada por duas alianças militares internacionais (na década de 1950), a Organização do Tratado do Atlântico Norte - OTAN (NATO), liderada pelos Estados Unidos, e o Pacto de Varsóvia, liderado pela União Soviética, o

PÓS-GUERRA longo período de tensões políticas e militares da concorrência entre esses dois grupos, a Guerra Fria, seria acompanhado de uma corrida armamentista sem precedentes e de guerras por procuração – Prox War.

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