DINÂMICA SOCIOESPACIAL EM CUIABÁ FACE A COPA 2014: UM ESTUDO SOBRE O ENTORNO DO ESTÁDIO VERDÃO

Frankes Marcio Batista Siqueira1

Sônia ReginaRomancini2

Resumo
A pr op osta dest e ar tigo é ana lisar o pr ocess o de pr oduçã o e r epr odu çã o do espaço ur bano, no qu e s e r ef er e à mer cant ilizaçã o no ent or no do está di o “Ver dão” e atual “ Ar ena Pantanal” no mu nicíp io de Cu iabá .Ent ender est e pr ocess o imp lica em compr eender a nt es de t udo, as contr adições do modo d e pr oduçã o capitalista na r egião metr op olita na de Cuiabá, qu er seja na sua espacia lidade ou na sua dinâ mica temp or al. As r ápidas mu da nças do us o de s olo na r egiã o onde está send o r econstr uído o estádio qu e s er á u ma das s edes da copa 2014, e a valor izaçã o imob iliár ia na r egião ver emo s no tr abalho qu e s e s egu e.

Palavras Chave: Cuiabá-MT; Copa do Mundo, especulação imobiliária.

Introdução: Cuiabá capit al de Mat o Grosso começa a so frer pro fundas

t ransfor mações no seu espaço fís ico e no cot idiano de sua população lo cal. Mudanças essas result ant es do inicio das o bras para a copa 2014 na qual o Brasil será a sede e Cuiabá co mo subsede. Mudanças essas que int er ferem na mo bilidade ur bana da cidade, na ger ação de empregos e renda e na valor ização imo biliár ia, pr inc ipalment e, no ent orno das

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Al un o do Pr ogr a ma de Pós - Gr a dua çã o em Ge ogr a fi a da Un i ver si da de Fed er a l de Ma t o Gr oss o ( UF MT ). E ma i l : fr an kesm ar ci o@ ya h oo. c om . br
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Pr ofe ss or a do Depa r t am en t o de Ge ogr a fi a da Un i ver si da de Feder a l de Ma t o Gr oss o (UFMT ).

p. de for ma a impr imir nest e t ipo de pesquis a um ma ior pot encial para seu apro veit ament o na tomada de decisão do Est ado. ocorrendo uma expropr iação da população local e apropr iação do solo ur bano pelo s agent es de mercado o que proporciona uma excess iva valor ização do espaço urbano. No caso do Br asil. (S ANT OS. O r etar do da ur banização nos país es do ‘Sul’ é s egu ido por uma ver da deir a r evolu ção ur bana. Co mpreender os processos e cr it ér io s que est ão inclusos na alocação e hier arquização dos invest imentos públicos e pr ivados pode se const it uir em uma peça import ant e para a reorganização dos est udos nacio nais so bre rede urbana. sendo considerado . 1988. do mercado e da sociedade. 41 -42) .5 entr e 1920 e 1980 . enquant o nos país es sub des envolvidos o mu lt ip lica dor s e apr oxima de 6. O desenvo lviment o do t ema se apo ia na grande relevância dess a mer cant ilização. a vassalador nos pa ís es d o T er ceir o Mundo. port ant o um processo recent e. A popu laçã o ur bana dos país es subdes envolvidos (t oma das ap enas as cidades com ma is de vint e mil hab itant es) é mu lt ip lica da por 2. exp andindo -se post erior ment e para alguns países da Ásia e Amér ica do Nort e. A migração rural-ur bana aceler a-se pro vocando um processo de urbanização. Nos países e m desenvo lviment o como é o caso do Brasil e dema is países na mesma sit uação esse processo aceler a-se após a II Guerra Mundia l. o que dificult a a apropr iação do espaço.pr incipais ruas e avenidas da cidade e t ambé m no ent orno da const rução do novo est ádio que receber á o no me de “Arena Pant anal”. hoje. A dinâmica socioespacial A cidade é um produto da prát ica capit alis t a com a indust r ialização inic iada no século XVIII na Europa. a popu lação ur bana é pr atica ment e mu lt ip lica da p or cinco nos últ imos tr inta e cinco anos e p or mais de tr ês nos últ imos vint e e cinco anos. O f enômeno da ur banizaçã o é. O objet ivo desse t rabalho é uma análise nos fundament os que explica m a met eórica valor ização do espaço na região met ropolit ana de Cuiabá e de seu ent orno e as desiguald ades geradas por t al valor ização.

Har vey (1980) explica que. t ornando -se palco das lut as de classes devido aos conflit os sociais consequent es da fragment ação desigual gerada pelo capit alis mo. concor r ent es qu e mu itas vezes s e associa m) t endem a se apoder ar de fu nções . atr ibutos. em “O dir et o à cidade”. um imó ve l t em valor de uso enquant o ele reside em seu int er ior. p. apesar de suas dif er enças e às vezes de s eus conf lit os. O espaço urbano capit alist a por ser muito dinâmico é mut ável e co m isso a fragment ação do espaço socio econômico t orna-se cada vez mais lat ent e. Lefebvr e. devido a sua nat ureza dinâmica. pr er r ogativas da socieda de ur bana. alt it udes que var iam de 146 a 259 met ros (CUI ABÁ. Cent ro Geodésico da Amér ica do Sul.O espaço urbano co mo reflexo e condicio nant e da sociedade capit alist a possui uma t emporalidade dife rent e do espaço rural. e é ainda o lugar onde as diversas classes sociais se reproduzem.) O Estado e a E mpr esa.. pois são int er mediár io s e obt ê m lucros a part ir dest e valor . t em um modo dist int o de det erminar os seus va lores de uso e de t roca: para o usuár io propr iet ár io. cada grupo que co nso me a t err a urbana. os corret ores de imó veis t ê m int eresse apenas no valor de t roca. O espaço urbano t ambém é mut ável. 2 001. as inst it uições gover nament ais at uam indiret ament e na valor ização fundiár ia e imo biliár ia ao melhorar a infraest rut ura e os ser viços público s em uma dada part e da cidade. o que faz co m que o espaço urbano seja produt o das relações so ciais acumuladas durant e o t empo. . cada um da sua maneira. or a os dois ( r iva is. as inst it uições financeiras t êm int eresse no valor de t roca a part ir do financiament o. gerando conseqüências no biót ipo urbano. Cuiabá t em co mo coordenadas geográficas: 15  35’56” de Lat it ude Sul e 56  06’01” de Longit ude Oest e.79 -95). or a a empr esa. conver gem par a a segr ega ção (L EFEBVRE. 2010). co m u m r it mo muit o dist int o do out rora dominant e espaço rural. o de uso para os seus client es e o de t roca para si mesmo s. e t em valor de t roca no mo ment o em que o vende. (. co ment a que: Or a o Estado. A or igem de sua ocupação est á na exploração bandeirant e do século XVIII.. sendo sua fundação dat ada do ano de 1719. os incorporadores t êm int eresse em ambo s os valores. na área urbana. apresent ando.

e expa nsão da pecuár ia.. a avenida Prainha próxima a igreja do Rosár io. Cuiabá t ornou-se capit al da província sendo que na época t inha apenas set e mil habit ant es. co mo muit os exemplo s de cidades que surgiram devido as exped ições bandeirant es em busca de índ ios.. correspondendo aos dias de ho je. buscou-se apoio em Vilar inho Net o que afir ma: [.Segundo Azevedo (1957). 395.254 habit ant es e m 1970. onde garant iu o ficia lment e essa porção de t erra para os Port ugueses.] após a constr uçã o de Br asília. ou seja. A população urbana que era de 88. Para evidenciar esse aspect o. s endo denomi na da de “Por tal da . Porém em 1722 desco br ir am ouro.O est e. Cuiabá co mo port a de ent rada para a Amazônia viu sua população crescer vert iginosament e a part ir de ent ão. qu e pr ovocou u m f or t e impu ls o des envolviment ista a toda a regiã o Centr o. apesar de não haver convergência sobre o assunt o . at é porque at é aquela dat a ainda vigorava o trat ado de Tordesilhas. a fundação de Cuiabá no século XVIII. A const rução de Brasília a part ir da década de 1950 impuls io nou a migração para o Cent ro -Oest e. at ingiu 198. O declínio da exploração de ouro de aluvião provocou um “esvazia ment o” da capit al. desp ont ou como centr o de capacitaçã o de r ecur sos par a a amp liaçã o da ár ea agr íc ola. por razoes est rat égicas da coroa Port uguesa a fim de cont er o avanço de espanhó is vindos da Bo lívia. sendo que só chegou aos cinquent a mil habit ant es em meados do século XX.086 em 1980. Cuiabá. A par tir da s egu nda meta de da déca da de 6 0. o Estado de Mato Gr oss o é incor p or ado a o pr ocess o de expa nsão do capital naciona l na Amazônia e. pois muit os dos migrant es que buscavam a Amazô nia via m e m Cuiabá a possibilidade de ascensão socia l. Vila Bela da Sant íssima Tr indade t orno u-se a pr imeira capit al da capit ania. a cida de de Cu iabá int egr a -s e ef et iva ment e a o pr ocess o pr odut ivo nacional. no ent ant o os reflexos na cidade de Cuiabá co meçam a part ir da década de 19 70 no gover no milit ar que t inha co mo lema “int egrar para não ent regar”.662 em 1991 e 551. Co m a cr iação da Capit ania de Mat o Grosso em 1748. 2011). ai. como a Capital do Estado e com localização estr atégica. po is o t rat ado de Madr i só fo i assinado em 1750.350 habit ant es em 2010 (IBGE. Só em 1835. int egrar a Amazô nia ao Cent ro -Sul do país. hist oriadores acredit am que ist o ocorreu nas Lavras do Sut il.

Amazônia” e tr ansf or ma da. GROSTEIN e BIDERMAN. (. KOWARICK. Co mo dest acado por vár ios aut ores (KOWARI CK. 1991. cr iado através da Le i Co mp lement ar 083 de 18 de maio de 2001. fo i cr iada a pr imeir a região met ropolit ana do est ado de Mat o Grosso.. t endo como função urbana a prest ação de ser viços. Mat o Grosso junt o com out ros . para at ender esse cr escent e processo migr at ório. Várzea Gr ande. sendo co mpost a pelos municíp ios de Cuiabá.) IV:direito à Cidade para todos. ao trabalho e ao lazer.] (VI L ARIN HO NET O. de acor do com os def ens or es d o capital. Diant e disso vár ios est ados brasileiros se propuseram a sediar jogos desse event o. A met ropolização aliada as migrações t em co mo consequência u m macrocefalismo urbano e uma valor ização dos imó veis na área urbana do munic ípio de Cuiabá.) VII . 1979 . compreend endo o direit o à terra urbana.2002. o Brasil fo i esco lhido pela FI FA ( Fédérat ion I nt ernacio nale de Foot ball Associat io n) co mo país sede da Copa do Mundo de 2014.. em p ólo de des envolviment o [.a Const it uição Federa l de 1988 no seu art igo 25 da compet ência aos est ados da Feder ação a prerrogat iva mediant e a lei co mple ment ar a cr iação dessas regiõ es met ropolit anas. Esse processo migrat ór io t em provocado um inchaço de Cuiabá que passa por um processo de co nur bação com Várzea Grande. à infra -estrutura urbana... aos serviços públi cos.. at ravés da Lei est adual 359/2009. Dest e processo encont ramos a for mação do Aglo merado Urbano Cuiabá/Várzea Grande. Do ponto de vist a for mal. que se revela pelo modelo de organização socioespacial cent ro/per ifer ia.direito universal à moradia digna”. ROLNI K e SOME KH. p. ao transporte.286). co nt rar iando as d iret r izes do plano dir et or de desenvolviment o est rat égico de Cuiabá que nos diz no seu art igo 50 Art 50-“ O Plano Diretor de D esen volvim ento Estratégico d e Cuiabá rege-s e pelos s eguintes prin cípios : (. Sant o Ant ônio e Nossa Senhora de Livrament o .. MEYER. ao saneamento ambiental. 2004). Alé m dos mot ivos explicit ados acima. à moradia. Já no ano de 2009. o processo de urbanização e met ropolização brasileir a pode ser considerado um processo espoliat ivo.

mas t ambém nos bair ros do seu ent orno. Esses índ ices de aument o fogem a lógica do mercado . melhor ia da est rut ura t uríst ica para aproveit ar as belezas nat urais cont idas no Est ado. pert ence ao bairro Cidade Alt a. Os lot es não edificados e at é os edificados t em sido “at acados”.est ados fo i esco lhido pela FI FA para sediar alguns desses jogos. é um bairro compost o de const ruções residenciais. Essa possibilidade só se t ornou possível. onde do minant ement e são habit ados por cuiabanos. pois a valor ização do espaço em out ras áreas da cidade e e m out ras part es do Cent ro Oest e est á aquém desses índices. Sendo assim.se as exigências da FI FA.a saber: I lhas do Sul co mpost o de t rês torres e o condomínio I lha dos açores co mpost o de duas t orres. o est ado de Mato Grosso se propôs a fazer uma reest rut uração na mo bilidade urbana. deno minado de “Verdão”. é um bairro pouco vert icalizado co mpost o por dois condo mínios desse t ipo. graças ao co mpro met iment o por part e do setor público de Mat o Grosso em reco nst rução do est ádio governador José Fragelli. pelos agent es imo biliár ios co m lot es que foram valor izados em do is anos em ma is de cent o e cinquent a por cent o (150%). Para sediar esses jogos. A divulgação que Cuiabá ser ia uma das sedes da copa do Mundo t em provocado um cresciment o vert igino so dos preços dos imó ve is. Sendo a part ir de agora deno minada de “Arena Pant anal”. não só no bairro Verdão . expansão da rede hot eleira co m capit ais pr ivados e incent ivo s gover nament ais a fim de adequar. A esco lha das cidades sede ocorreu em maio de 2009 e a part ir da í percebemos mudanças no comport ament o e dinâmica de diver sos ba irro s da cidade de Cuiabá. Os at ores do set or privado são nort eados pelos já co nsagrados cr it ér io s em análises mer cado lógicas ent re esses cr it ér ios t emos: demanda pot encial por novos . t em sua ocupação ant er ior a const rução do est ádio. Essa esco lha fo i mot ivada pela grande bio diver sidade do est ado e pela pujança econô mica vivida por Mato Grosso nas últ imas décadas. O lot eament o Verdão . est á lo calizado na região Oest e da Cidade. chegando ao disparat e de serem mais valor izados que os espaços de t erra encont rados e m condo mínio s de luxo da cidade.

nas for mas . do parcelamento e da ocupaçã o do solo urbano. são rapidament e ocupados pelos t rabalhadores da nova Arena..“promo ver o ordena mento territorial mediant e planejamento e control e do uso. pois a mesma empr ega ma is de quat rocent os e cinquent a fu nc io nár io s ( julho/20110).. Fica claro o mo ment o crucial e m que se transfor ma o entorno da Arena Pant anal em “o bjet o de desejo” do capit al ur bano.. responsável pelo port e e caract er íst ica que ho je apr esent a e que se reorganiza para que possa funcionar segundo uma nova lógica. po is veja mos: a pr incipal rua do bairro que é a avenida Dr.90 Constituem diretrizes gerais do desenvolvim ent o Estratégico do Município. A co nst rução da Arena Pant ana l est ará ligada a uma no va mo bilidade ur bana e co m isso se dest aca o start do processo co m o qua l Cuiabá acelera seu cresciment o e cujo rit mo se int ensificará nas décadas subsequ ent es. sendo que boa part e deles é cont rat ada em out ros est ados. infraest rut ura urbana promet ida.imó veis na região. Segundo dados levant ados junt o a prefe it ura munic ipal de Cuiabá.00 sendo que os valores acrescem a medida que nos aproximar mos ao est ádio. número de empresas na região.. que fo i planejada co mo arruament o residencial. Como respost a a cidade co meça a most rar expressivo s sinais de t ransfor mação. e alg uns est ão em processo de venda ou aluguel. percebidos não apenas na pa isagem. Agr íco la Paes de Barros.. de modo a assegurar o cumprim ento da função social da propriedade”. ent re out ros cr it ér ios. o met ro quadrado ao longo da avenida Dr. est á se tornando uma no va cent ralidade co m grande diversidade de est abelec iment os comerciais. cabendo à Pref eitura Municipal de Cuiabá: (. Novament e nos alicer çamo s ao plano dir et or que nos diz: Art.. de forma a combater e evitar: (.) XV. Os imó veis r esidencia is próximos a Arena Pant anal que est ão e m processo de locação.00 a R$450. A co nst rução da Ar ena Pant anal no bairro t em proporcionado profundas mudanças nas caract er íst icas do bairro .) d) o uso especulativo da terra com o reser va de valor. Agr íco la Paes de Barros var ia ent re R$270. sendo que r est am apenas pouquíssimo s imó veis residenc iais.

est imulando as parcer ias do poder público e pr ivado. as cidades que nasceram e crescera m por planos não t iver a m seu desenvo lviment o aco mpanhado por um processo cont ínuo de planeja ment o que adapt asse os planos ao dinamismo dos processos urbanos. não houve um planeja ment o urbano. Seja co mo for.urbanas que passam a se impor. o econô mico (que produz o espaço como condição e produto da acumulação) e o social (que nos co loca diant e das cont radições geradas na prát ica socioespacia l co mo plano da reprodução da vida). int ensifica a ocupação do solo. t ambém. p or sua vez. A t eórica ressalt a que a art iculação desses níveis se efet iva pela mediação do Est ado. como em grande part e das cidades brasileiras. confor me explic it a Sant os (2004). . Confir mando com isso o que nos diz Corrêa: A r ede ur bana de u m pa ís r ef let e em gr a nde medida o nível d e int egr ação dos s ist emas pr odut ivo. Hoje. Esta r ede. sendo necessár ia uma renovação das caract er íst icas físicas da cidade. que organiza as relações sociais por meio da reprodução do espaço. são inúmeros os sina is que mo st ram essa “nova” cidade e evident e a produção selet iva do espaço. mas. O capit alis mo busca part icipar da organização do espaço urbano ocupando e produzindo novos espaços. lócus de t oma da de decisão (CORRÊ A. f ina nceir o e s ociocu ltur al em s eu ter r it ór io. E m Cuiabá. nas no vas for mas de ocupação do espaço. quando descreve as caract er íst icas das cidades organizadas segundo essa lóg ica econô mica. tamb ém inf lu encia a for ma como a qu eles s ist emas s e or ganiza m t er r it or ial ment e p or mei o do pap el das cida des enqua nt o pólos or ga nizador es de pr ocess os econômicos e sociais. as co nt ribuições de Car los (2001) sobr e o processo de reprodução espacial na met rópole que se realiza na art iculação de t rês níveis: o polít ico (que se revela na gest ão polít ica do espaço). for mando áreas especializadas. Est es fat os ficam c lar ificados no at ual processo de reconst rução do est ádio e at uais mudanças do espaço do ent orno da nova arena fut ebo líst ica. 1995) Dest acam-se. t ambém. Essa cirurgia ur bana t em se most rado ineficaz ao longo da hist ória das difer ent es cidades brasileiras.

t er clareza se o conjunt o dos seus efeit os eleva ou rest r inge o bem. própr io das cidades brasileiras. O est udo realizado demo nst ra que a produção do espaço urbano em Cuiabá corresponde ao processo de mer cant ilização do solo. v. Deve.se. . Polít icas urbanas e regio nais podem afet ar o padrão t errit orial de desenvo lviment o econô mico e social do munic ípio de var iadas for mas. essa vit alidade econô mica. isso leva nat uralment e a uma mudança no perfil socioeco nô mico do ent orno que cert ament e ser á sent ida a part ir de nova co let a de dados pelo I BGE.Considerações finais O est udo evidencia que a produção do espaço urbano em Cuiabá est á em consonância co m o processo de urbanização espo liat ivo. Aro ldo de. a ent rada de grandes empresas nacio nais que. 1957. e est á acima da média da valor ização nas demais part es da cidade. at ualment e. no ent orno do est ádio que abr igará os jogos da Copa de 2014 é surpreendent e. São Paulo: Anais da Associação dos Geógrafos Brasileiros. Esse processo const it ui um negócio lucrat ivo para os empreendedores imo biliár io s. VII t omo II. dos meio s de t ransport e colet ivo e demais ser viços ur banos. dest acando -se. Cuiabá: est udo de Geografia Ur bana. da moradia. A valor ização do espaço em t oda a cidade de Cuiabá é inegável. A per ifer ização das classes populares reflet e a segregação socioespacia l e a consequ ent e exclusão dos benefíc io s urbanos das camadas menos favorecidas da população. surpreende at é aos agent es empreendedores e incorporadores que sempre at uaram no munic ípio. Essa mudança ocorre porque as pessoas são at raídas pelas propost as de melhor ia de infraest rut ura possibilit adas pela nova “Ar ena Pant anal”. port ant o.est ar de sua população. Referências Bibliográficas: AZEVEDO. muit as vezes se associam a empresas locais.

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