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XX Simpósio Nacional de Ensino de Física SNEF 2013 São Paulo, SP

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DIFERENTES LINGUAGENS NO ENSINO DE FÍSICA

Edimara Fernandes Vieira 1, 2 , Sergio Camargo 3

1 Universidade Federal do Paraná/ Departamento de Física/ efv08@ufpr.br 2 Bolsista do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação a Docência (PIBID)

3 Universidade Federal do Paraná/ Departamento de Teoria e Prática Ensino/Programa de Pós Graduação em Educação em Ciência e em Matemática/ s.camargo@ufpr.br

Resumo

Este trabalho foi desenvolvido em uma escola de educação básica da rede pública no âmbito do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) de Física, da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e teve como objetivo discutir a importância e o uso das novas formas de linguagens no ensino de física como ferramentas para a aprendizagem dos conceitos físicos. Os dados foram constituídos em duas etapas, na primeira foi realizada uma revisão da literatura sobre as novas formas de linguagens e suas principais características, onde as formas de linguagens mais marcantes para o ensino de física foram:

as Tirinhas e Histórias em Quadrinhos (HQs), os Textos Científicos de Divulgação retirados de mídia comum, os Vídeos (experimentais e televisivos) e os poemas. A segunda etapa esteve destinada a análise das informações coletadas em sala de aula, onde foi possível identificar as potencialidades destas linguagens, propiciando o entendimento da importância de posturas metodológicas e didáticas diferenciadas a fim de proporcionar situações de aprendizagens mais significativas em sala de aula.

Palavras-chave: linguagens; ensino de física; situações de aprendizagem.

Introdução

A infinidade de tecnologias a disposição dos estudantes, a crescente produção e divulgação de informações científicas por meio das mídias comuns associado a uma escola pública desatualizada, ressalta a crescente cobrança da sociedade por mudanças na educação nítidas nos Parâmetros Curriculares Nacionais de Educação (MEC, 1999), que expõem a necessidade de situações de aprendizagem mais significativa baseadas nas novas teorias da educação. A proposta deste trabalho baseia-se no desenvolvimento da compreensão do que é linguagem com suas diferentes ramificações, sua utilização no processo de construção do conhecimento e como a associação das linguagens pode ser entendida no processo de ensino aprendizagem, a fim de definir sua potencialidade como instrumento de ensino e sua fragilidade dentro da perspectiva de adequação de materiais didáticos, preparação de docentes em sua formação e os prováveis equívocos em sua abordagem. O que se propõe não é o abandono das linguagens dominantes, mas sim a incorporação das novas linguagens no cotidiano escolar, como elo entre a realidade cultural do estudante e o conhecimento científico.

O conhecimento alternativo dos alunos pode ser entendido de forma abrangente, variando de conceitos elaborados até ideias simplistas, que podem ou não estar de acordo com conhecimentos científicos. No processo de construção do

conhecimento, na maioria dos casos, estas concepções entram em conflito com a

“verdade” científica e não podem ser descartadas, deve ocorrer uma transposição de

significados onde o conhecimento prévio seja gradativamente transformado em

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conhecimento científico (MOREIRA, 2003). Logo a aprendizagem do aluno pode ser dita significativa, quando este é capaz de absorver, interpretar e transmitir o conhecimento recebido de forma espontânea a fim de contextualizá-la em situações distintas das do ambiente escolar. Assim alguns fatores devem ser considerados, como a disposição do aluno em desenvolver a aprendizagem significativa de forma espontânea, a relação proximal e afetiva também é um fator relevante, pois o evento educacional está diretamente ligado às experiências afetivas que orientam as interações do cotidiano da aula e promovem ou não zonas de desenvolvimento proximal e a abordagem dos novos conhecimentos deve ser efetuada de maneira significativa em conteúdo e material didático, para potencializar a transformação das concepções prévias em conhecimentos significativos (TAVARES, 2008). Logo a aprendizagem significativa é um conjunto de fatores relacionados às percepções dos alunos e professores diretamente ligadas às formas de linguagens abordadas no processo de ensino aprendizagem.

As Novas Linguagens: Perspectivas e Dificuldades

A aprendizagem dos conceitos físicos pode ser mais significativa se primeiro entendermos o que é linguagem e qual a sua relação com a transmissão e recepção do conhecimento, para direcionar uma busca que contemple as possibilidades que esta temática oferece no processo de ensino-aprendizagem. Afinal a linguagem refere-se aos processos de signos e seus significados demarcam as características culturais formadas no processo de comunicação humana, pois segundo Marcondes:

A linguagem é uma característica humana de pré-requisito para a evolução da cultura como nós a entendemos, uma cultura crescentemente acumulativa. Uma linguagem cada vez mais sofisticada no sentido de ser capaz de expressar pensamento simbólico, ou seja, capaz de contar, descrever, reapresentar, socializar situações, na ausência delas, argumentar, convencer, se torna um forte mecanismo de cooperação e articulação social (MARCONDES, 2010 p. 08).

A linguagem, em seus mais diversos formatos expressa não somente a evolução cultural, mas a intelectual e científica, sendo a própria física uma forma de linguagem, que se apropria da linguagem falada e escrita para transmitir uma nova forma, que expressa o conhecimento científico. O entendimento das linguagens vai além de compreender os símbolos, é necessário entender as variações de formatos como pré-requisito para a promoção da interação entre a linguagem do aluno e a científica, onde a decodificação destas linguagens terá como resultado o desenvolvimento do conhecimento (MOREIRA, 2003), logo este processo exige o esclarecimento de quais são as linguagens mais adequadas para promover efetivamente esta interação dentro e fora do ambiente escolar.

Tirinhas e Histórias em Quadrinhos (HQs)

O uso de Tirinhas e Histórias em Quadrinhos (HQs) nos últimos anos obteve maior atenção dos educadores por estar presente no cotidiano dos alunos e apresentar um alto potencial como facilitador no processo de construção do conhecimento científico, devido ao formato de leitura acessível, prazerosa e de fácil entendimento (PIZARRO, 2009). Mas esta linguagem deve ser selecionada de forma criteriosa, afinal é um material de mídia comum sem responsabilidade conceitual, didática e/ou metodológica que infere ao professor a responsabilidade da elaboração

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de um contexto que propicie a relação entre a linguagem dos HQs e a científica. E esta relação é uma das grandes preocupações evidenciadas quanto ao uso desta linguagem, pois a construção dos conhecimentos escolares dentro desta temática deve ser objetivada, para que não se resuma a uma ilustração lúdica da ciência e seja banalizada como linguagem simplista como afirma Carvalho & Martins:

Consideramos extremamente necessário apresentar formas de se aplicar as HQs em sala de aula, visto que, se apenas nos referíssemos aos saberes científicos contidos em cada história, não cumpriríamos o nosso intuito inicial, que é o de tecer possibilidades para o ensino de Ciências. Dessa forma, evidenciaremos que as HQs não são uma mera ilustração para se ensinar Ciências, mas podem permear toda a

proposta didática (CARVALHO & MARTINS, 2009, p.135).

Poesia

A importância da linguagem poética apresenta-se devido a crescente necessidade do desenvolvimento cultural dos indivíduos, a fim de enfraquecer a concepção corrente de que cultura e ciência são modalidades distintas, o que de fato é um equívoco, pois a evolução científica faz-se presente nas mais diversas manifestações artísticas ao longo de nossa história (GOUVEIA, 2004). Assim a poesia é uma linguagem interessante para justificar a ideia de porque ensinar física, visto que a linguagem científica também se faz necessária para o entendimento da linguagem artística. Segundo a visão de Lima, Barros & Terrazan (2004), algumas considerações a respeito da leitura de poesias em sala de aula devem ser feitas, como a simpatia pela leitura de poesias por parte do professor e dos alunos, a fim de desenvolver uma representação investigativa e prazerosa do conteúdo. A intuição dos leitores, que propicie o entendimento daquilo que esta além dos símbolos. A inteligência, a partir da qual a linguagem poética pode ser decodificada em linguagem científica, com a finalidade de entender que a imaginação é peça fundamental para a formulação dos conhecimentos científicos. A abordagem da poesia no ensino de física traz novas discussões a respeito da interdisciplinaridade e do resgate pelo prazer de ensinar e aprender física e deve ser encarada como uma ferramenta didática abrangente e completa e não apenas como item contextualizador e/ou motivador.

Textos Científicos

O texto científico de divulgação está cada vez mais presente em jornais e revistas, por consequência, mais acessível aos alunos e pode ser introduzido no ambiente escolar de forma seletiva, onde diversas finalidades podem ser atribuídas a este formato, como motivação, contato com informações científicas atualizadas, aproximação dos conteúdos escolares aos conteúdos de mídia, contextualização, complementação de material didático, introdução a conceitos tecnológicos e o estabelecimento das relações entre a linguagem do aluno e a científica por meio da linguagem contida neste formato de texto. Este tipo de abordagem propicia ao professor não apenas a busca por materias que estejam além do livro didático, mas que possam caracterizar uma nova forma de abordar os fenômenos físicos conforme afirmam Alves, Pavanelli & Ribeiro:

A utilização das reportagens de física do ensino médio, por sua vez, pode contribuir para dar maior abrangência aos temas de física tratados nesse nível de ensino, ampliando o olhar do aluno para a ciência da atualidade, seus processos e produtos,

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e trazendo para a sala de aula novos assuntos, novos enfoques e novas questões. ( Os materiais de divulgação científica, por apresentarem diferentes formas e linguagens daquelas características de materiais didáticos, assim como por abordarem temas de atualidade, possuem um grande potencial para serem explorados como instrumento de apoio ao trabalho do professor em sala de aula. (ALVES, PAVANELLI & RIBEIRO, 2009, p.09).

...

)

Pois abordagem apresentada em livros didáticos referentes aos temas científico-tecnológicos é feita de forma superficial, enquanto que os artigos científicos tratam destes temas com formato muito técnico, demarcando a importância de textos extraídos de mídia comum que subtrai o rigor científico, mas insere uma visão global e aprofundada do tema, propiciando ao aluno um formato de leitura científica que pode ser desenvolvida fora do cotidiano escolar (ALMEIDA & RICON, 1993).

Vídeos

A discussão desta forma de linguagem pode parecer deslocada, afinal o vídeo já se faz presente nos ambientes de ensino há anos, mas a questão proposta está relacionada à utilização desta linguagem. Assim são entendidos como materiais potencializadores os vídeos demonstrativos, informativos, televisivos e cinematográficos, repudiando o uso indiscriminado de vídeo-aulas prontas, que possuem uma abordagem altamente tendenciosa e não isenta de manifestações políticas e comerciais, muitas vezes autoexplicativa, trazendo um modelo de aula pronto que faz o papel do professor parecer desnecessário em sala de aula (SARTORI & RAMOS, 2007). Afinal a função do vídeo não é substituir ou banalizar o papel do professor, mas compor a aula como material didático e pedagógico de alto significado, interligando professor e aluno através de uma linguagem comum, onde o sucesso desta prática será alcançado mediante planejamento. Entendendo que todo trabalho com linguagem audiovisual necessita da mediação do professor para a leitura do conteúdo abordado, pois independentemente desta forma linguagem estar inserida no cotidiano do aluno, a leitura de materiais retirados de cinema, internet e televisão, assim como vídeos técnicos e/ou didáticos é efetuado a partir de um referencial científico, podendo ser entendido como uma nova forma de linguagem, a qual os alunos não estão familiarizados (ROSA, 2000). Assim o vídeo deve ser compreendido como material didático complementar, desde que sejam dirigidos e planejados de acordo com o formato cultural e cognitivo dos alunos tendo a consciência de que o vídeo por si não tem poder de desenvolver a aprendizagem do aluno e sim o conjunto elaborado ao qual este vídeo pertence (SARTORI & RAMOS,

2007).

Desenvolvimento da Pesquisa

Partindo do conhecimento estabelecido sobre as novas linguagens no ensino de física e do entendimento do que representa a aprendizagem significativa no processo de construção do conhecimento, foram desenvolvidas varias atividades com vinte alunos de uma Escola de Educação Básica da Rede Pública da cidade de Curitiba com faixa etária entre quinze e dezessete anos, utilizando as formas de linguagem apresentadas anteriormente. As aulas foram preparadas e ministradas a fim de analisar seu impacto sobre a cognição dos estudantes e avaliar o quanto este material pode ser significativo. Todas as abordagens contaram com uma

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configuração envolvendo duas ou mais formas de linguagens simultaneamente, mas o desenvolvimento da análise dos resultados coletados em sala de aula foi tratado dentro das especificidades de cada linguagem.

Atividades Desenvolvidas

As atividades envolvendo as Tirinhas e Histórias em Quadrinhos (HQs) foram aplicadas em um conjunto composto por três sequências de tirinhas, a primeira continha apenas imagens e a segunda e terceira continham imagens e diálogos, contemplando uma sequência de seis aulas, aos alunos foi proposto que analisassem a relação dos conceitos físicos trabalhados com as imagens e diálogos presentes nos HQs, a justificativa das análises desenvolvidas e se houvessem distorções conceituais nos HQs, que estas fossem corrigidas. A abordagem envolvendo Poesia foi aplicada em um conjunto de seis aulas, compostos por três atividades envolvendo quatro poemas retirados da internet, readaptados para uso em sala de aula e associado à outra forma de linguagem, para o desenvolvimento das atividades em sala de aula, foram solicitados aos alunos que lessem os poemas, identificassem as metáforas poéticas apresentadas, sua relação com os conceitos físicos estudados nas aulas e justificassem suas escolhas com base no formato de linguagem ao qual esteve associado. As atividades relacionadas aos Textos Científicos envolveram reportagens retiradas da internet e desenvolvidas em uma sequência de quatro aulas, compondo dois conjuntos didáticos, assim foram solicitados aos alunos que lessem os textos, fizessem anotações dos trechos que considerassem mais importantes, compartilhassem estes trechos com os demais colegas por meio de diálogos orientados pelo professor e posteriormente desenvolvessem narrações individuais contendo as explicações conceituais dos trechos selecionados. As atividades com Vídeos foram elaboradas para compor um conjunto de dez aulas, onde foi apresentado um vídeo em cada aula, todos os vídeos envolvidos foram previamente editados e continham entre trinta segundos e cinco minutos e eram classificados em vídeos experimentais demonstrativos e televisivos retirados de seriados, telejornais e documentários, com intuito de complementar as demais linguagens apresentadas e os conceitos físicos trabalhados, onde a atividade proposta aos alunos esteve centrada na promoção de diálogos e/ou discussões a respeito dos fenômenos evidenciados nos vídeos e a associação desta linguagem audiovisual às demais formas de linguagens expostas em sala de aula.

Resultados das atividades

Na realização das atividades com HQs os alunos elaboraram a análise dos diálogos, imagens, possíveis distorções e justificativas separadamente. Na análise dos diálogos, foi observado que pouco mais da metade dos alunos identificou os conceitos físicos contidos e estudados anteriormente, enquanto que a análise das imagens foi demarcada identificação dos conceitos discutidos pela maioria dos alunos. Quanto confrontados com distorções conceituais os alunos apresentaram grande facilidade em identificá-las e/ou corrigi-las utilizando outra forma de linguagem associada. Mas as justificativas das análises das imagens e diálogos foram a maior dificuldade enfrentada pelo grupo de alunos, pois a maioria não conseguiu escrever suas ideias, resumindo-se a justificativas simplistas retiradas literalmente de outra forma de linguagem ou reprodução fiel do que foi falado pelo

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professor ou colegas durante a aula, menos da metade dos alunos expressaram respostas próprias e bem elaboradas, a Figura 01 ilustra o desempenho dos alunos diante dos itens solicitados para desenvolvimento das atividades.

XX Simpósio Nacional de Ensino de Física – SNEF 2013 – São Paulo, SP 6 professor

Figura 01: Alunos que desenvolveram positivamente as atividades com HQs.

Durante a leitura das Poesias, pode-se observar o estranhamento dos alunos quanto à introdução da nova linguagem no ambiente escolar e um preconceito inicial em desenvolver as atividades. Dentro da proposta alguns alunos optaram em desenvolver um formato de dicionário científico-poético, onde de um lado constavam às metáforas poéticas e de outro lado seus significados físicos retirados de outras fontes, como o livro didático. Outros privilegiaram discutir os significados das metáforas poéticas a partir de um conjunto de elementos que envolveram as linguagens apresentadas anteriormente e elementos interpretativos fruto da transposição das concepções alternativas em conhecimento significativo. Em ambas as abordagens elaboradas pelos alunos foram evidenciadas o uso de das palavras chaves contidas nos poemas e fenômenos ou conceitos físicos evidenciados em outras formas de linguagens trabalhadas ou discussões desenvolvidas. Ficou evidente que a maioria dos alunos superou o preconceito inicial e encontrou uma relação entre o poema e a competência física estuda conforme indicam trechos extraídos das atividades desenvolvidas.

(...)

É engraçado como uma poesia boba pode falar de física, nunca vi uma coisa dessas antes.

(Aluna T.T.).

A tecnologia que “tá” no poema parece fora da realidade, mas não é que faz sentido com o que “tá” escrito na reportagem e apareceu no vídeo da experiência (Aluno B. F.).

(...)

O poema passa uma mensagem que junta sentimentos como amor e alegria com os

assuntos da ciência como se isso fosse normal. (Aluna D. B.).

(...)

no começo achei muito “fresca” essa coisa de poesia e ciência, mas agora eu achei legal

(Aluno Z. C.).

A poesia explica exatamente a mesma coisa que esta no livro (didática), só que com rimas,

meio estranho, mas bem legal (

...

) (Aluno M.L.).

Nos diálogos desenvolvidos a partir dos Textos Científicos, os tópicos selecionados pelos alunos puderam ser classificados em três grupos, abordagem numérica, conceitual e tecnológica. A maior dificuldade evidenciada pelos alunos foi à construção de uma narração que envolvesse as três abordagens, assim maioria dos alunos preferiu elaborar o texto com apenas uma abordagem. Na confecção dos textos os alunos deixam nítida a abordagem escolhida, os que optaram pela abordagem numérica analisaram minuciosamente os valores contidos em tabelas e/ou gráficos e associaram às linguagens matemáticas que haviam sido estudadas anteriormente, os que optaram em discutir os fenômenos conceituais identificados estabeleceram relações com as discussões elaboradas por meio de outro formato de linguagem e os que abordaram o contexto tecnológico estabeleceram ligações entre

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eventos cotidianos e setores da sociedade que produzem e utilizam esta tecnologia, conforme indica a Figura 02.

XX Simpósio Nacional de Ensino de Física – SNEF 2013 – São Paulo, SP 7 eventos

Figura 02: Abordagem selecionada pelos alunos para análise dos Textos Científicos.

Os alunos que desenvolveram os textos sobre um único tópico conseguiram discutir a abordagem escolhida de forma coerente utilizando elementos fornecidos pelos textos, questões estudadas em sala de aula e eventos cotidianos, enquanto que os alunos que trabalharam com as três abordagens simultaneamente desenvolveram textos superficiais, simplistas e marcados por concepções alternativas.

A análise do impacto dos vídeos sobre a aprendizagem dos alunos esteve diretamente ligada à relação estabelecida com as demais linguagens trabalhadas, pois nas atividades relacionadas aos HQs, Poesias e Textos Científicos, de acordo com a especificidade de cada linguagem, a maioria dos alunos inseriu elementos contidos nos vídeos em alguma etapa das atividades elaboradas, a fim de desenvolver justificativas, análises e/ou exemplos, conforme apresenta a Figura 03.

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Figura 03: Elementos da linguagem audiovisual nas atividades desenvolvidas.

O grau de participação dos estudantes nos diálogos e discussões foi acentuado em aulas onde a linguagem audiovisual esteve presente, pois se sentiam mais confiantes para exporem suas interpretações e/ou concepções alternativas. Entre os vídeos apresentados os mais significativos foram os vídeos retirados de telejornais e seriados de televisão por estarem mais próximos do cotidiano destes alunos. Os vídeos que tendiam a explicar fenômenos, como os vídeos experimentais demonstrativos e documentários eram entendidos pelos alunos como material ilustrador e não obtinham impacto direto sobre os alunos, mas ainda assim eram incorporados nas demais atividades desenvolvidas.

Considerações Finais

A análise das atividades realizadas evidenciou a receptividade dos alunos quanto à inserção de novas linguagens nas aulas de física, possibilitados pelo desenvolvimento de atividades contendo diversas formas de literaturas, a partir de um formato centrado na figura do aluno, onde o professor assume o papel de

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companheiro mediador dos conhecimentos escolares, estimulando as descobertas individuais e o confronto das concepções alternativas dos alunos com os conhecimentos científicos, promovendo cenários que possibilitem uma aprendizagem mais significativa. As atividades envolvendo as novas linguagens apresentaram várias questões comuns, como a importância da presença do professor na seleção, edição, contextualização, abordagem e direcionamento da leitura das linguagens e a importância do trabalho conjunto das diversas linguagens como ponte entre os alunos e a física, expondo que não existem linguagens privilegiadas e sim aquelas que melhor se adéquam a cognição do público atendido.

Referências

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