Prof. Ms.

Waldir de Pinho Veloso
A Arte de Falar em Público

Prof. Ms. Waldir de Pinho Veloso
A Arte de Falar em Público que seja qualificada como uma observação acaciana – que o ser humano é o melhor retrato da comunicação. E, dos que vivem em sociedade, é o único que fala, escreve e é capaz de articular um texto oral ou escrito. O que pode causar alguma preocupação inicial quanto ao ato de falar em público ou de escrever um texto merece a análise por dois ângulos. O primeiro é quanto à falta de costume, o que pode causar apreensão e até mesmo nervosismo. Também o costume de falar com alguns vícios faz com que o acadêmico ou a pessoa em geral não se preocupe em corrigir tais erros, por considerá-los pertencentes à lista do que se pode chamar de correto. Em termos profissionais, cada vez mais o mundo se apresenta ávido em receber pessoas mais capacitadas. A graduação, a pós-graduação, o estágio, o trabalho voluntário e o estudo continuado são, sempre em um crescente que marca, as exigências do mercado. E o destaque está entre os candidatos que têm conhecimento do idioma em quantidade e qualidade, já que muitos dizem ter o conhecimento técnico. Para ocupar um local de destaque, portanto, há necessidade de algumas preocupações. No presente trabalho, em tom de ensaio, as questões propostas são quanto ao ato de falar em público. E a visão a ser exposta é a de que se trata de uma arte de possível desenvolvimento. 2 O ATO DE FALAR EM PÚBLICO Se o ato de falar em público é da profissão que o Acadêmico utilizará quando findar a sua graduação, a arte quanto às técnicas deve ser desenvolvida com a maior brevidade possível. Por profissões que têm a oratória como predominância ou qualidade mínima, pode-se lembrar da advocacia, do magistério e da política partidária. O advogado precisa argumentar em todos os momentos. O professor vive de explicar aos seus pupilos o que quer transmitir em termos de melhor ensinamento – inclusive, como espelho de comunicador. A vida do político está estritamente dependente do seu poder de dialogar e convencer pelo seu diálogo. Em todas as profissões, porém, a argumentatividade é da essência mínima. Saber argumentar para convencer é essencial e claramente explicável para um vendedor balconista. Qualquer profissional de nível superior, porém, deve saber argumentar sobre os seus projetos, seus trabalhos, suas propostas de trabalho. Não importa, portanto, qual a profissão escolhida: sempre haverá necessidade de saber expor, para o público, algo relacionado ao que o curso superior ensinou – ou tentou ensinar. O tamanho do público é, quase sempre, menos importante do que a qualidade do público.

A ARTE DE FALAR EM PÚBLICO
Sumário. 1 Introdução; 2 O ato de Falar em Público; 2.1 A Qualidade do Público; 3 Oratória; 3 O Início; 4 A Iniciação do Falar em Público; 5 A Preparação Geral para o Falar; 5.1 As Questões Pessoais; 5.2 A Qualidade da Fala; 5.3 Postura; 6 O Início do Falar; 6.1 Exercícios, Auto-Ajuda e Orações Iniciais; 7 O Desenvolvimento do Falar; 7.1 Durante a Apresentação; 7.2 As Perguntas e a Participação da Platéia; 8 O Encerramento do Falar; 9 Conclusão; 10 Bibliografia sobre a Arte de Falar em Público; 11 O Autor; 12 Referências e Citações Bibliográficas.

1 INTRODUÇÃO Em diversos momentos, pessoas são chamadas ao palco para o exercício de situações para as quais não houve preparação prévia. Em outras oportunidades, há o aviso com antecedência e, ainda que mentalmente, há a formatação das idéias. Em todas as ocasiões, porém, o que fica dito naquele momento pode marcar positiva ou negativamente. Ou cair no esquecimento. Tudo dependerá da qualidade – positiva ou negativa – da fala. Ou da inexpressividade do discurso. Em termos de ascensão profissional, um texto amorfo ou com redação sofrível é o mais devastador dos “cartões de visita”. A fala desordenada e desprovida de conteúdo significativo é o maior chamariz para o “não” que a vida oferece a todos. Uma apresentação inarticulada carrega, em si, a reprovação. Por outro lado, a feitura de um trabalho escolar pode ser suficiente para uma boa nota. Especialmente quando há limitação quanto à elaboração. Nestes casos, a digitação bem cuidada, a formatação – incluindo margens apropriadas e escolhas dos tipos e tamanhos certos das letras da impressão – e a própria apresentação visual são suficientes. Há vezes, porém, que o resultado ou a avaliação do trabalho escolar se dá não somente com a sua entrega ao professor e, sim, com a apresentação em público da pesquisa feita. Também há oportunidades de apresentação de resultados de pesquisas acadêmicas em Congressos, Seminários e outros eventos de divulgação de trabalhos acadêmicos. Outras vezes, um simples aviso em sala de aula requer algumas preocupações quanto à comunicação. Para todos esses eventos, a questão do costume de falar em público passa a ter grande importância para o acadêmico, o candidato a uma vaga ou, simplesmente, ao ser humano em toda a sua plenitude. Deve-se lembrar – ainda

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E assim. porém. DVD’s. fitas e outras técnicas. da repetição. 4 A INICIAÇÃO DO FALAR EM PÚBLICO Em tudo na vida. Ms. mas a cultura é mais imprescindível do que a escolaridade. A graduação escolar é maneira de aquisição de 2 . deve-se lembrar que. Entre os quais. a de que falar – ou cantar. como se vestir e como impostar a voz de forma a convencer. Principalmente. quando se trata da apresentação de um trabalho escolar. uma pessoa que convence pelo modo de expor as idéias. agradar a todos. Mas. sobretudo. como falar bem em público. Sendo uma arte. Um dos motivos é a lembrança de que. a escolaridade sem cultura é inócua porque não prepara o aluno para a vida. Há vezes. a postura do falante. Todos esses meios são muitíssimo válidos porque sempre trazem uma inovação. Uma delas. a parte teórica se desdobra em como se portar no palco ou palanque. para o mundo. em família e em sala de aulas. como um fonoaudiólogo ou um professor especial para ensinar a dominar a própria voz. Se fosse um dom. A escolaridade ajuda. Se se trata de uma apresentação de uma proposta de trabalho a um grupo supostamente importante. apenas quem o tivesse como qualidade inata poderia exercê-lo. o prazer para quem conduz uma apresentação em sala de aula pode ser compensada pela qualidade do público em face da quantidade inicialmente esperada. mas não é ponto essencial. uma aula com poucos alunos permite o enfoque de alguns temas transversais e até a oportunidade de maior e mais demorada participação dos poucos presentes. Waldir de Pinho Veloso A Arte de Falar em Público cultura. porém. também. uma adaptação às novas situações e. que pode ser qualificada como a base do conhecimento. e se a contratação do trabalho é de muita importância para o proponente. Em se tratando de falar em público. Além dos cursos presenciais especializados em oratória. No fim. por exemplo. é o público a quem a fala é destinada. os artistas de televisão quase sempre foram freqüentadores de aulas especiais. 3 ORATÓRIA A oratória é a arte de falar em público. Fazer-se orador é tarefa própria da observação de regras básicas e da repetição. há vasto material para ensino remoto que inclui livros. Há diversos motivos pelos quais os colegas são os ouvintes mais importantes. vários tópicos são estudados. sobretudo. sobretudo. em uma sala de aulas. a mesma situação 2. Nos cursos de oratória. O exercício constante faz de qualquer pessoa um pregador. a análise do professor a cada momento da exposição por parte do aluno. A soma deste conhecimento é de grande importância para quem quer se fazer bom aluno na arte da oratória. quando é o caso – em pé faz com que a voz seja exposta de forma mais qualificada. a leitura de textos. uma fala ou apresentar um trabalho. que a platéia pode ser considerada não muito exigente. Mas. Ms.Prof. É uma arte porque pode ser desenvolvida. todos são iguais porque todos são alunos. A arte pode ser manifestada. impressionar pela comunicação que convence de que há qualidade a ser envolvida no desenvolvimento do trabalho proposto. a experiência dos expositores em setores diversos. sempre há uma primeira oportunidade. Na versão prática. como reanimar os membros da platéia em determinados momentos. ou a média dos presentes. não há dúvidas de que a pessoa que se dispõe a falar em público deve dominar algumas técnicas de importância. e até a indicação de correção da voz com a procura de uma pessoa especializada. Em resumo essencial: a arte de falar em público é fruto do exercício. é grande. para os desafios que as sinuosas situações lhe apresentarão. Em cursos de oratória. o melhor início é na sala de aula. argumentar. em presença dos colegas. do treino. um orador. passa a ser a meta perseguida. pode ser desenvolvida. há técnicas especiais como se vestir bem e formalmente. normalmente com prática. como falar de forma a segurar a atenção da platéia. o treinamento de discursos e. Em qualquer hipótese. porém. Há técnicas simples. Há pessoas que convencem pelo falar sem ter grande graduação escolar. O desenvolvimento da oratória se dá a cada momento. a sala cheia é motivante. Neste último ponto.1 A QUALIDADE DO PÚBLICO Quase sempre. Há perguntas em sala de aulas que são maneiras indiretas de afirmar. a repetição. apresentar um porta-fólio contendo outros trabalhos anteriormente já desenvolvidos e. Não há segredo ou dica maior do que o exercício continuado. Depois. que não dependem de cursos de oratória para ser observadas. Waldir de Pinho Veloso A Arte de Falar em Público Prof. o fator determinante para que uma pessoa se sinta mais ou menos à vontade na hora de expor uma idéia. extremamente simples. Deve-se deixar claro que há cursos especiais de oratória que têm como função ensinar. em simples conversa com amigos. Por outro lado. convencer. Em aulas.

vestir-se adequadamente para o ambiente. treinar a fala. também faz parte do item “material” o ato de conferir. a colocação de microfones deve ser previamente testada e a regulagem destes e outros equipamentos deve ser confiada a pessoas capazes e. previamente) e em suportes diversos como pen drive. impregnam o orador de tranqüilidade e o centram unicamente no ato de falar e o livram dos apegos às formas materiais. este último modelo é bastante aconselhável para a fala quando o locutor se movimenta no palco (certamente. tanto em discurso escrito quanto em anotações de tópicos a serem seguidos. 5 A PREPARAÇÃO GERAL PARA O FALAR Antes de cada oportunidade do mergulho no ato de falar. ficando o microfone de mão com a última colocação em termos de praticidade. Falar sobre o que está na experiência de vida traz a certeza de que não haverá tropeços. com a utilização de roupas que não exijam atenção do palestrante. a melhor modalidade de microfone é o de lapela. DVD e disquete (a • Prof. deve-se numerar as folhas de forma que. é o ambiente mais apropriado para o desenvolvimento das técnicas de falar em público. Após o domínio em frente aos pequenos públicos. Sem dúvidas. sabe o que fala. As questões técnicas também merecem destaque neste item. corrigindo os erros sanáveis e. Quando se pensa em ambientação. a ordem seja facilmente será recuperada. como improviso por parte do palestrante (especialmente. autoconfiança e conteúdo a ser exposto. preparar material substituto para o caso de o material ou o equipamento mais apropriado sofrer falha ou pane (ter sempre folhas impressas para serem entregues. Um pacote de folhas que cai pode trazer uma desordem descomunal e vexatória. com a lembrança de que falar em público é questão de autodomínio. Primeiramente porque o conhecimento adicional é capaz de abrilhantar uma exposição oral. Grande participação pode ter o professor. Entre as sugestões. Quando o enunciado se der por meio de texto escrito. de sobra. por motivos inesperados. as letras devem ser grandes e destacadas por bons espaços entre as linhas. não.Prof. sendo discurso escrito. também a impressão deve ser forte até mesmo porque pode ser que. por qualquer motivo. Em segunda oportunidade. a sala de aula. Falar sobre assunto sem a segurança de quem o domina completamente é fator que contribui para a própria pessoa já se sentir a antecipada derrota. a sala de aulas é um pequeno público. pois cabe a este o foco exclusivo na apresentação. O melhor mesmo é iniciar em sala de aulas. sem texto para leitura integral). Waldir de Pinho Veloso A Arte de Falar em Público multiplicidade de suportes físicos se deve a possível desconhecimento dos equipamentos disponibilizados para fazê-los funcionar). a luminosidade. para o dobro do tempo projetado inicialmente. antes de cada manifestação em palco ou mesmo perante colegas em sala de aula. depois. a mudança para um número maior de pessoas é tão natural quanto enfrentar os mesmos e velhos ouvintes. com base nesse tempo. Um conselho válido é o conhecimento. se não é exímio no setor). previamente. pode ser que. saber. em havendo uma mistura. ao deixar as mãos livres. galgar o mundo. destacam-se: • preparar o material e fazer teste sobre o seu funcionamento (tudo. • • • • • • • Sobre microfones. alguns detalhes. prévio. faltou o outro orador da sessão) e o centro das atenções seja em único locutor. E isso deixa os colegas menos críticos em relação a quem está falando. o tempo seja expandido de última hora (por exemplo. além da certeza de que todo o assunto está concretizado no conhecimento. na apresentação de trabalhos acadêmicos. Ms. sobre o local. Ao programar uma fala para determinado tempo. Ms. Waldir de Pinho Veloso A Arte de Falar em Público vivida por um colega foi vivida por outros ou ainda o será. chegar a um auditório em que se reúnem diversos colegas e. e. devese tomar algumas providências. mas ainda conhecido. sempre é bom ter outros argumentos prontos. Não basta incentivar as falas individuais dos alunos. Um conjunto de salas de uma mesma escola já é um público mais avantajado. do tema a ser discutido. De outra face. Quem sabe o que faz. caso a projeção cause problemas). qual o tempo disponível para a apresentação. preparar o material e treinar a apresentação perante pessoas da confiança ou com gravação para análise de correção de erros. 3 . o local em que se ficará para fazer a leitura ou a fala não tenha boa iluminação. tendo total conhecimento da ordem seqüencial da fala. a escolha do melhor lugar no palco para se situar durante a fala e até mesmo a distância segura que venha evitar tropeços físicos ou mesmo vir a cair do ou no palco. ou seja. porque. É preciso e extremamente necessário que exija que os colegas respeitem as opiniões das pessoas que estão falando. para seqüência lógica da exposição. há maior segurança do material. conferindo se o tempo da exposição confere com o destinado ao tema. Sobretudo. Além de trazerem a certeza de que haverá sucesso na condução do tema a ser exposto. O microfone de pedestal também oferece segurança. previamente.

normalmente não há captação de voz. antes do início da apresentação. ganha-se com a familiaridade com o local e com as primeiras pessoas que chegarem. e. Justificar um atraso. Para as mulheres. até mesmo. Se a parte de onde sai o fio – nos que têm fios – ficar mais próximo do peito e a voz chegar ao microfone em sua lateral. Os tenores. Até mesmo porque a busca por cultura não contém limites de idade. alguns exercícios ou práticas preparatórias. Uma conversa particular com as primeiras pessoas que chegam pode trazer. como os diversos instrumentos. Uma camisa com gravata já é uma ajuda capaz. Nesta última forma. Waldir de Pinho Veloso A Arte de Falar em Público Normalmente. Obviamente. agradam a todos. algumas posições assumidas pela platéia e também Prof. Querem. e sempre que possível. Se se tratar de um texto escrito. não é de boa técnica que este receba pancadas iniciais para conferência se expande o som em boa qualidade. não. por natureza. A exceção fica para os microfones de gravação em estúdios que. Nada mais. Outra informação complementar é ligada à preparação em relação ao ambiente propriamente dito. os microfones captam a voz com qualidade somente quando colocados com sua parte central exatamente em frente à boca. além da segurança do que os ouvintes buscam com a palestra. deve-se evitar. Dizer. a primeira vez propriamente dita). Na volta aos tópicos sobre a preparação do ambiente e do que falar. e. um comentário.1 AS QUESTÕES PESSOAIS Comumente. ouvem-se explicações desnecessárias por parte de oradores. por exemplo. os vocais e a sonorização como um todo. por sobra. mas não significa que pessoas adultas não estejam no local. poucos minutos antes de entrar em ação. Ms. ao iniciar o contato com o microfone. A técnica de projeção de diapositivos (eslaides. as sopranos e os cantores líricos como um todo costumam estar sempre com um lenço especial ou uma espécie de toalha enrolada no pescoço. 4 . com isso. o cachecol em épocas ou locais mais frios. oradores e pronunciadores de discursos. neste caso. E. com outras palavras que complementam o que já está escrito. que haja complementação com dados importantes e que demonstrem e comprovem o entrosamento do palestrante com o tema exposto. copiado – ou pela forma negativa. perante uma câmera ou outro método de gravação para posterior análise. que a garganta está inflamada pode passar a impressão de que não houve a preocupação necessária para com o momento e que. E. nos dias que antecedem a apresentação em público. caberia ao palestrante ter feito o teste antecipadamente e. Waldir de Pinho Veloso A Arte de Falar em Público algumas amostras da qualidade socioeconômica dos ouvintes. sim. margarina). em sendo técnicas inovadoras. Melhor ainda é o treinamento perante um grupo de amigos (os amigos não criticam.Prof. de bom exemplo para outros membros da platéia utilizarem quando chegar a vez de também participarem de fala em público. quem utiliza sempre dos recursos vocais para o exercício da profissão e as pessoas que vão falar em público devem se preocupar em manter aquecido o pescoço. apenas manter a garganta sempre aquecida. estatísticas e percentuais que são resultados de pesquisas. para não captar barulhos extras como objetos que caem ou de pessoas próximas. deve-se comer uma maçã ou um pedaço de pão de sal com manteiga (em últimos casos. E a explicação é que as cordas vocais têm que estar em temperatura apropriada para que a voz seja qualificada. as ilustrações completam o visual. sim. se a fala é destinada a vestibulandos. portanto. ainda indicam os melhoramentos necessários). quem deve tirar proveito com os erros alheios é o ouvinte. powerpoint ou outros elementos da multimídia) é muitíssimo interessante quando há gráficos. bebidas e outros alimentos gelados. Se a técnica a ser utilizada for a projeção de transparências diapositivas (eslaides. na hora da apresentação. haverá uma predominância de jovens. Erro fatal é alguém anunciar que se trata da primeira vez que está enfrentando o público (não de trata de a oportunidade número um na localidade. como professores. Pedir desculpas prévias por um nervosismo que sequer foi demonstrado (ainda) somente mostrará que há nervosismo. o prévio treinamento da fala pode ser feito em frente a um espelho. Nestes casos. E. um conhecimento do nível cultural dos ouvintes. para evitar que também faça tropeços quando estiver como foco das atenções. se na platéia há crianças mescladas a adultos ou se é constituída de jovens. deve-se evitar a leitura completa do que está sendo projetado. prendem a atenção. Especialmente por parte de quem tem por profissão fazer uso constante da voz. e. neste momento. Ao chegar primeiramente ao ambiente. que podem ser também pelo sistema powerpoint) com explicação a cada cena. os ouvintes são desimportantes. Preferencialmente. servem. dependendo do caso. 5. como as citadas anteriormente. Também se analisa. Por último. deve-se treinar a leitura ou o ato de passar as folhas com os tópicos. Há observações que são aplicadas por analogia em outros segmentos. Ms. Deve-se ter em mente que quem se expõe em público poderá vir a servir de exemplo pelo lado bom – e. Adicionalmente. Para todos. O mais comum é que uma pessoa tenha feito a instalação correta do microfone. Os microfones são projetados para ser colocados em linha que forme um ângulo de 90 graus com a cabeça e a boca. Assim. devem captar todos os sons próximos. uma voz embargada ou outra situação pode até chamar a atenção do público para uma qualidade ainda não percebida.

Prof. E sempre há. que todo profissional de um determinado setor tem tal comportamento poderá até agradar a uns poucos. comunicação. 5. buscar substituir uma palavra em bom Português por outra em outro idioma é a utilização do estrangeirismo. Mesmo assim. e há que se falar sobre um livro. o termo em outra língua deve ser precedido ou sucedido de uma explicação plausível. é altamente pernicioso anunciar-se grande torcedor de um time de futebol porque sempre haverá opositores entre os ouvintes. quando há o domínio do que será dito. Se o fato for de surpresa. Palavrões não cabem em qualquer falar. Se o convite é de última hora (no sentido de hora do evento). E a certeza de que tudo dará certo já consolida ponto dos mais importantes. a confiança trará naturalidade na exposição e. O ouvinte quer ouvir palavras. É preferível pronunciar pausadamente expressões como “a lagoa azul” do que. O linguajar deve estar apropriado para todos os presentes. Há determinados segmentos que são mais propícios a entender termos em outras línguas. em todos os lugares. além das rápidas análises que se pode fazer do tema. que as palavras se limitem ao que foi apresentado a todos – afinal. Portanto. é normalíssimo. 5 . Estudar o tema. o que se espera é a manifestação do conhecimento geral e de mundo. Por isso. como as áreas de tecnologia. rapidamente. mas ao falar “dê” não pode haver ênfase tamanha que demonstre artificialidade ou fique com aparência de leitura feita por crianças em séries iniciais. Dentre as impropriedades mais comuns. Se a surpresa ser quanto a um comentário de um filme projetado. Também não deve o palestrante tentar justificar com questões pessoais como pequenos inconvenientes ou incômodos. um breve histórico ou uma adaptação a um momento – encaixar-seá muitíssimo bem. sob pena de não ter valor o que está falando. Não é aconselhável eliminar letras de certas palavras. além de dar o tom coloquial ao que deve ser solene. não se deve optar por estrangeirismos. o que. declaram que não o leram. trazendo inovações. Waldir de Pinho Veloso A Arte de Falar em Público tratado. Igualmente. o que se espera é a responsabilidade. É obrigação de quem se expõe em público preocupar-se com a pronúncia das palavras de forma correta. Em um discurso solene. o próprio orador avisar não se preparou o suficiente. Com este trio. mas também pela pronúncia das palavras de forma inteira. Ms. deve-se evitar a pronúncia “di”. Dizer bem de si próprio pode levar o ouvinte a concluir que está em frente a um convencido. como exemplo. A auto-apresentação exige qualidade especial ao ser exposta. em início de apresentações. sem emendar as sílabas finais de um termo com as sílabas iniciais ou únicas das próximas palavras. Por exemplo. ainda que informal. deve-se lembrar que o palestrante estará. Logo. porém. falar algo que tanto pode ser “alagoa” quanto “lagoazul”. Outras vezes. que se diga “di” quando se escreve “de”. as palavras jamais devem ser de manifestações de preconceito ou que possam ferir os sentimentos de pessoas – por suas famílias – ou integrantes de algumas corporações. não deve ser artificial e descompassada com a própria pessoa que fala. Se a fala é sobre um tema que já deve ser do conhecimento de todos. pode-se ter a certeza de que praticamente nada dará errado. falam que desconhecem o assunto. Não apenas quanto à gramática. as palavras devem ser bem pronunciadas e todo tipo de gíria e palavras de baixo nível deve ser eliminado por completo. as reclamações da parte do palestrante. Se. que não terá nada a aprender com aquela pessoa tão simples e banal. por exemplo. sempre condenado. o palestrante quer demonstrar muita modéstia no início do falar. A pronúncia mais adequada é a de quem fala toda a palavra. Dizer. pelo menos em termos de maioria. Mas. preparar-se para a exposição e conhecer além do que será falado. basta ler algumas partes. encanto.2 A QUALIDADE DA FALA Algumas informações sobre a fala devem ser observadas. Não. Colocar-se contra parte da platéia é desaconselhável. o restante da platéia também viu e ouviu somente o que o analista acompanhou e não exigirá tanta manifestação técnica. Ms. mostra despreparo lingüístico. obrigatoriamente. uma posição que pode ser assumida pelo palestrante. em todo o Brasil. Waldir de Pinho Veloso A Arte de Falar em Público Não é incomum ouvir. A primeira delas é que. Na exposição. Quando se trata de distribuição anterior da função. sobrará espaço para outras preocupações. Quando não há o substituto em língua pátria para uma expressão não integrante do léxico. apressadamente. Palavras como “estão”. um conhecimento de mundo – uma comparação. por outro lado. parentes ou amigos de todas as castas. pessoas são chamadas de improviso à frente e. como desculpas antecipadas pelo auto-anunciado fracasso. pessoas são previamente escolhidas para falar sobre um livro e. pode levar o ouvinte a concluir. assim. prematuramente. Um erro crasso. o uso de jargões – palavras ou frases conhecidas praticamente por um segmento ou profissão – precisa ser muito bem medido e comedido. Ao desenvolver a palestra. A pronúncia. A crítica a governantes deve circunscrever-se a uma palestra em uma convenção políticoeleitoral de um partido político de oposição declarada. mas sempre podem estar presentes os integrantes desses segmentos. As explicações de cunho pessoal somente se mostram convenientes se são do tamanho de uma perda irreparável ou uma doença forte. Há. em público. o primeiro ponto para que a enunciação possa fluir intensamente é o domínio do tema a ser Prof. ainda que o público seja selecionado.

Este local pode ser uma tribuna. É que misturam fala com postura. em princípio deve ser o mais apropriado para as condições locais. Conhecer a norma culta – o chamado Português padrão ou escolar – e utilizá-la apropriadamente é o mínimo que o mercado atual exige de um candidato a um posto. a elevação do tom é de boa técnica. Fora deste contexto. dominar a Língua Portuguesa de maneira mais ampla pode significar a diferença entre atingir o topo ou. Há momentos. ainda que atrás de uma tribuna. uma palestra ou em uma simples apresentação em sala de aulas. Considerando. Pode ser também o fato de estar em pé na frente dos colegas de sala ou na frente das câmeras de televisão – um caso típico de solidão imediata e presença de enorme público de forma mediata. deve imperar. que estão sendo extintos de forma incontornável. Jamais se deve colocar o peso do corpo ora sobre uma das pernas e ora sobre a outra. por fim. ou este não expande o som com qualidade. que a fala é a exteriorização do conhecimento gramatical. a emoção não deve estar entremeada de risos e. o normal é que a altura da voz seja a de uma conversa pessoal. Ao ler um texto escrito. dão bom acabamento aos dizeres. em discursos lidos – pode levar os conhecidos membros da platéia a concluir que o texto não é de autoria de quem o pronuncia. se aqui estivessem. Devem estar não muito separadas por questão estética e não juntas para dar equilíbrio maior. deve-se levar em consideração o conhecimento das palavras a serem escritas ou pronunciadas de improviso. fora do contexto. pois se o palestrante tem dizeres cotidianos não condizentes com o que está lendo – principalmente. uma parte mostra-se como complemento da outra. o seu tom. pior ainda. não podem ser pronunciadas como “tão”. Waldir de Pinho Veloso A Arte de Falar em Público “primeiro”. ainda que não escrito. Inclusive. é importante não utilizar de palavras muito fora da realidade. não se deve escorar na mesa ou mostrar-se muito à vontade (no sentido de desleixadamente) em cena. No mundo globalizado da atualidade. as chamadas palavras rebuscadas. ficar na base. Por exemplo. Algumas construções eruditas. Quando se trata de falar em público. “pensando” e outras. há palavras que são repetidas a todo instante. Ingredientes suficientes para trazer o desinteresse por parte do público. haveria necessidade de referência a eles também no segmento anterior. um desenvolvimento que possa acrescentar conhecimento aos ouvintes e uma conclusão que convence. Obviamente.Prof. Comumente. porém. Ainda quanto à fala. Quase sempre. há técnicas como altear a voz ou manter o olhar mais direcionado para o lado em que o grupo ocupa. Quando a fala é em pé. às vezes. Os braços não podem ficar cruzados ou como escoras em paredes ou tribuna. 6 . Como todo texto. Logo. se há o uso de microfone. do discurso. “primêru” e “pensânu”. Ms. pois em um discurso. um palco. Ms. O policiamento das próprias expressões acontece quando se passa a prestar atenção na repercussão que a fala deve ter. a atenção deve centrar-se na forma firme de estar no palco. motivo. por seu turno. o corpo deve fazer parte da comunicação. Grande parte do ganho em uma apresentação em público vem do modo com que o ocupante do centro das atenções se comporta naquele local de destaque. A exposição é lógica quando tem um início explicativo do porquê da fala. piadas. deve-se cuidar com a máxima deferência para que não haja estes vícios. E se o assunto é alegre. que convence que valeu a pena ter ouvido. Quando quem fala está sentado. como nos discursos. A cautela. E os vícios de linguagem precisam ser completamente abolidos. Se o ambiente é grande e não há microfone.3 POSTURA Os três últimos parágrafos anteriores poderiam estar locados no presente tópico. Deve haver preocupação com as mãos – que não podem ficar em bolsos. na fala cotidiana. Mas. aliás. somente há coerência quando há uma seqüência lógica. há necessidade de altear um pouco a voz. As pernas devem suportar o corpo de forma uniforme. Para todos estes momentos. E pode representar o divisor de caminhos que quedam para o submundo ou alçam para o auge. as reservas de vagas são de empregos cada vez menos valorizados e. um tablado. o estoque de palavras que o locutor domina – e as encaixa bem e na hora exata – dará maior qualidade ao texto exposto. há duas observações. Nestes momentos. Waldir de Pinho Veloso A Arte de Falar em Público se no papel e deixar de olhar para o ouvinte é tida como atitude de desprezo da parte mais importante e motivo da existência do falar em público. a face deve exprimir o contentamento como complemento do que está escrito. quando muito. que a fala exige empolgação. Em momentos fúnebres. deve-se ter a preocupação de sempre estar com os olhos também direcionados ao público ouvinte. Quanto aos ombros. deve-se evitar as frases que não comunicam nada. 5. As citações de autores clássicos sempre fornecem qualidade ao texto escrito ou falado. E. Se o palestrante notar que algum grupo da platéia está se dispersando. porém. taxativamente proibidas. Fixar- Prof. São exemplos negativos as perguntas inócuas como “né?” “ceintendeu?” e outras. Deixá-los caídos pode passar a idéia de extrema humildade – e quem quer ouvir pensa que irá aprender algo com o palestrante e pensa também que este aprendizado não virá de pessoa humilde ao extremo – mas a elevação demasiada dos ombros e da cabeça demonstra arrogância e convencimento. porém.

o início de uma fala serve como uma primeira impressão. em demonstração de nervosismo) ou mesmo ocupar-se conversando com alguém que não esteja com predisposição à feitura de críticas: se possível. como movimentar braços. Uma delas consiste em ter um resumo do currículo lido por um anfitrião ou mesmo a autoapresentação do palestrante. mas meramente esotérica – não é demais pensar positivamente. por natureza. Para despertar e prender a atenção de quem ouve.Prof. faça-o com segurança. tribuna ou na frente dos colegas de sala. controlará o restante do tempo. quando as vêem pela primeira vez. Outra forma é fazer um pequeno resumo. ainda na fase dos exercícios prévios. Waldir de Pinho Veloso A Arte de Falar em Público Prof. Entre os ouvintes poderá estar grande parte dos que gostariam de ouvir referências a ilustres figuras regionais ou cujos temas abordados guardam semelhança com o que será exposto. considerando que em naufrágios não há nem um ser humano que se diga ateu. Para bem impressionar. com passos firmes e com cuidado para não tropeçar ou cair de lugares mais elevados (as “pegadinhas” correm o mundo todo. que escapam destas falsas ajudas. de público-alvo e de faixa etária dos ouvintes. Dar início reconhecendo as qualidades do auditório pode ser uma boa recomendação quando há grande quantidade de pessoas. Ao caminhar para o palco. Se o público é diminuto. quase sempre ligados à área da neurolingüística. o pensamento positivo e a auto-ajuda nos momentos iniciais de uma oração em público.1 EXERCÍCIOS. o ponto de equilíbrio é a sobriedade. ou que já as conhece e têm o privilégio de uma nova presença. Muitas pessoas preferem mostrar que estão adorando a cidade e sua gente. buscando uma intercessão junto a Deus. Somente cabem improvisos quando houver um imprevisto não controlável (como a falha em equipamento) ou quando o orador já domina por completo as técnicas de apresentação em público. A saudação aos ouvintes já deve ser uma forma de aproximação e cumplicidade do ouvinte para com o falante. causa uma má impressão desde a primeira vista. com alguém que traga positividade. E. No setor da auto-ajuda propriamente dita – e sem qualquer influência física. 6 O INÍCIO DO FALAR Motivos de preocupações várias. algumas técnicas podem ser observadas. o momento é de início e não do desenrolar do tema. como dito. Ao tomar o lugar na mesa. como introdução do que será abordado com profundidade durante a fala. aquele povo presente foge do padrão esperado. As condições planejadas para o início devem ser seguidas à risca. Variam de ocasião para ocasião e entre estilos de pessoas. Quando se está em uma localidade diferente do local onde vive. deve-se exercer os dons em quantidades próprias e específicas. é uma forma discreta de mostrar competência: houve novo convite porque agradou da vez anterior. Há exercícios físicos. sem jamais 6. As partes que podem trazer contradições somente devem aparecer em momento de maior discussão ou profundidade da matéria. Ms. quando se tem treino. sempre é recomendável um pedido aos anjos e santos. prevendo a certeza da vitória e o reconhecimento pelos integrantes da audição. Pode. e mostram pessoas caindo de passarelas em momentos em que são destaques e centro das atenções). portanto. há duas técnicas de demonstração de que o palestrante conhece o tema a ser exposto. a tranqüilidade autêntica. tentar mostrar que a qualidade supera a quantidade pode demonstrar que havia a expectativa de outro público e que. E. fazer simples alongamentos e o ato de balançar o pescoço por alguns minutos. como quase tudo em auto-ajuda. E. têm utilidade. AUTO-AJUDA E ORAÇÕES INICIAIS Há cursos especiais. Ms. Respirar profundamente é exercício excelente até para as cordas vocais. As técnicas são variadas e. tendem mais a levar a pessoa a se sentir dotada de uma tranqüilidade que vem de si própria. Por outro lado. 7 . Antes do início da palestra propriamente dita. em vez de aproximar. Waldir de Pinho Veloso A Arte de Falar em Público colocar um ponto polêmico. Repete-se: somente nos primeiros momentos há uma atenção especial quanto à firmeza e segurança necessárias. Outros movimentos. Na fase intermediária. E com qualidade. pense em manter a calma e a segurança nos primeiros momentos e. confiança e segurança. O exagero na demonstração de confiança pode ser interpretado como convencimento e menosprezo pelo ouvinte. quando estão repetindo a visita. Há vezes que a referência a uma família de políticos pode trazer desagrado a outra família partidariamente adversária. Neste último caso. uma referência a algum fato ou família da região pode trazer uma aproximação. Especialmente. que preparam os oradores para o relaxamento. O tempo se encarrega do restante. porém. o excesso de humildade pode ser interpretado como desconhecimento sobre o assunto a ser explicado. sendo sucesso na televisão. jamais ficar esfregando mãos durante a fala. como esfregar suavemente as mãos (mas.

fatos e histórias complementares. para hidratação das cordas vocais. quero dizer ‘estão’”). além da grandeza do tema a ser abordado. e. ainda no exemplo. fotografias e outros meios de levar a todos as informações que – preferencialmente – só a pesquisa que está sendo exposta conseguiu mostrar. com as técnicas da denominada multimídia. com gráficos. deve-se tomar água. tentar agir com naturalidade é a receita própria. e houve a pronúncia pluralizada “estão”. não deve sê-lo de última hora. uma retrospectiva histórica do tema é necessária para a situação da matéria. é mais fácil passar toda a frase restante para o plural ou acrescentar uma outra situação a seguir e de forma a justificar o plural do que dizer “desculpem-me. para acompanhamento do seu desenvolver. Sempre que possível. deve-se também utilizar de recursos de oratória. Waldir de Pinho Veloso A Arte de Falar em Público 7 O DESENVOLVIMENTO DO FALAR Feita a introdução.Prof. Os lembretes da ordem da articulação das idéias podem estar impressos ou na tela de um computador portátil. Se for um discurso escrito previamente. por erro. lembrar que a platéia não está com o texto em mãos. ilustrações. Em termos acadêmicos. Em caso de equívocos. o texto continha o verbo “está” porque a referência é à Faculdade. Durante a exposição. exceto em se tratando de números ou frases atribuídas a pessoas cujos pensamentos vêm completar a apresentação. Se não foi motivo de atenção inicial. pronunciou-se “estão”. alguma referência à história sempre causa uma boa ligação do aparecimento do assunto e a sua importância em permanecer aceso até o presente. Se. As lembranças de última hora costumam ser entremeadas de omissões de nomes. Ms. sob pena de não lhes ser acréscimo de saber. que liga a introdução a este meio ou desenvolvimento. Sempre que possível. há sempre um porquê de o palestrante estar ocupando a tribuna. para isto. Quase sempre. Waldir de Pinho Veloso A Arte de Falar em Público atenção do palestrante será a sua arte de falar. a partir do presente momento é que aparecem todos os detalhes revelados com o estudo. Ou de discurso escrito. pois cada transparência projetada é um aviso do momento certo para a explicação seqüenciada da fala. pode ser feita com uma frase curta na qual se encerra o resumo do tema a ser tratado. quantidade. E. Ainda em termos de pesquisa. de fato. é quase sempre mais aconselhável tentar corrigir sem voltar e pronunciar o que está escrito do que ultrapassar o momento apresentando solução de improviso (exemplo: se está escrito “está” porque a frase complementar encontra-se no singular e. deve-se ter em mãos uma folha com anotações dos tópicos. o centro da Prof. Histórico. Para conseguir esta positividade. importância e outros tópicos do estudo devem ser expostos com exatidão e consciência. se houver um erro corrigível. É dispensável esta técnica apenas e tãosomente quando há projeção de eslaides. a apresentação do problema exigirá a amostra de qual a solução a que se chegou. haverá tranqüilidade da parte do palestrante. o entendimento pode ser no sentido de que houve desprezo para com os ouvintes e presentes. A retomada. para a reconstrução da pesquisa. Hora de o palestrante mostrar por que está em local de destaque em relação aos demais. A correção tem o poder de chama a atenção para quem não estava necessariamente entrosado com a exata seqüência. Claro. Neste ponto. por parte de quem quiser entre os presentes. Caso na introdução tenha sido feito um sumário do tema a ser abordado. A hora é a de mostrar depoimentos de pessoas pesquisadas. Ainda em se tratando de discurso escrito. Não havendo preocupações extraordinárias. evolução. textos. Deve-se frisar que se deve evitar fazer leitura do que está em mãos ou do conteúdo da projeção. 7. será uma arte bem executada. Ms. Dependendo de condições como público-alvo e grau de ineditismo do tema tratado. vem a parte que é o motivo da exposição. água não gelada. com exibição de multimídia ou a fala de modo a causar impacto positivo. vale pegar as últimas informações expostas e começar daí o aprofundamento do falar. Quando a fala é improvisada. é só manter a linha inicialmente traçada. não é aconselhável completar a ordem escrita com falas improvisadas. Logo. comparação. Logo. Estas mudanças não devem ocorrer mesmo em não sendo o texto escrito. porque demonstra que a escrita não recebeu as preocupações prévias. Mesmo não necessária no contexto. demonstração de segurança na exposição e completo conhecimento do tema em desenvolvimento. E se 8 .1 DURANTE A APRESENTAÇÃO Estando tudo previamente preparado e conferido. há o desenvolvimento do tema proposto. os números importantes que foram descobertos e qual o melhor caminho que deve ser trilhado. as informações devem ser desconhecidas ou pretensamente desconhecidas da platéia. Quando se trata de uma pesquisa. Especialmente em textos escritos. pode-se falar “a Faculdade e seus acadêmicos” e continuar a frase como se a parte “e seus acadêmicos” estivesse previamente preparada e escrita com antecedência. a improvisação adicional correspondente a acréscimos fora do tema. necessárias e suficientes. a correção traz maior prejuízo do que a explicação que foi exposta de forma não correta.

Por último. local de destaque. mesclando textos com cenas de filmes. dos temas desenvolvidos. Ms. Ms. apresentação de gráficos coloridos ou animação como demonstrativos do que está sendo exposto. Prof. com tema distinto. até por cumprimento da lei. pode-se utilizar de recursos tecnológicos como forma de diversificação. fixação e lembrança posterior e acompanhamento do desenrolar da apresentação. o casamento de gestos e palavras deve ser perfeito. sendo que. Legalmente. O próprio tempo se encarregará de mostrar que houve uma simples falha ao expor e. deve-se calcular bem o tempo da apresentação em comparação com o tempo que foi disponibilizado. Sempre é necessário fazer os chamados créditos às frases. a melhor técnica é. Há estudos que revelam que uma exposição apenas verbal é esquecida no terceiro dia por 90% dos que estavam presentes. deve ter a prévia autorização do autor. A principal função é não terminar antes e não extrapolar o tempo ou ter que resumir a parte final para não ultrapassar o marco temporal. o local. a exposição de recursos como cena de cinema. Waldir de Pinho Veloso A Arte de Falar em Público alguém estava prestando atenção. por filmes. neste momento. Caso haja pane no microfone ou outro equipamento. E esta observação tanto vale para o palestrante quanto para o professor em seu dia a dia e. não. pode ser que não domine o tema a ponto de notar o equívoco. O público merece ser olhado de frente. deve aparecer o nome do autor da frase. Afinal. repetir o óbvio e consabido não é motivo de estar em um palco. A segunda técnica é o treino da arte de discurso. um fato inconsciente. Se o microfone estiver fixo em um pedestal. copiarem outras e completarem as demais por suas próprias conclusões. Se a apresentação permitir. No desenvolver da exposição. explicar ao público que a apresentação será desenvolvida de forma corrida. Mas.Prof. por sinal. sem interrupções e. Waldir de Pinho Veloso A Arte de Falar em Público Há importância também quanto aos gestos – também por isso. Se houver uso de tecnologia como mostrar filmes. de fato. Gesticular é arte que se aprende em cursos de oratória. o que fará sobrar tranqüilidade ao palestrante para ação com maior naturalidade. a liberdade para as mãos. Os objetivos dos efeitos visuais se escoram em um tripé composto de destaque para as informações. sim. ilustrações. Mais um motivo para conhecer. E o assunto a ser exposto deve ser transmitido de forma a expor o máximo conhecimento adicional possível. porém discretas. um erro. Principalmente. se o texto desenvolvido não é escrito mas há uma projeção de uma frase em um telão. ao notar que o orador continua agindo com naturalidade. sempre há os ouvintes que se posicionam em locais distantes. por estar de frente para alunos ou colegas com quem se convive por um semestre ou um ano. supera em 65% o grau de percepção. vale a criatividade do palestrante. E também a eles devem chegar a visão das letras. apenas uma troca de palavras na hora de expressar. ao fim. Em uma palestra. gráficos. o que tornará diferente a situação de constrangimento inicial). E chega-se a este ponto com duas técnicas especiais: a primeira. Mais do que necessário. previamente. O uso de equipamento tecnológico é ideal para ajudar na fixação. E por muito maior tempo. as mãos do palestrante devem ficar livres. para tentar corrigir as falhas que aconteceram. a entrega de uma folha ou a anotação dos tópicos ou esquemas no quadro já fazem as vezes de equipamentos tecnológicos. e que. dos próprios pronunciamentos. com o pagamento dos direitos autorais. além de colocar-se à disposição para questionamentos. A moderação deve imperar. para os alunos que estiverem fazendo técnicas de Seminário Acadêmico (apresentação de trabalhos escolares). Normalmente. A fala deve manter o máximo respeito pelo público. e não haja operadores presentes para a adequação. Por sinal. Em sala de aula. o tamanho das letras deve ser de forma a permitir a visualização por todos da platéia. não é um erro e.2 AS PERGUNTAS E A PARTICIPAÇÃO DA PLATÉIA Há tipo de palestra que permite a discussão do tema. por seu turno. sendo uma delas a observação. feito pelo professor ou pelos colegas em Seminário. O mesmo quanto aos modelos de fixação em lapela ou que se encaixam na cabeça. quase sempre é válida a correção. pode-se utilizar de técnicas como fazer um pequeno resumo com a naturalidade de quem já previra esta feitura. o domínio da platéia pode até ser feito com bom humor (que pode até chegar a uma piadinha discreta e que se encaixa com a situação. em caso de sobra de tempo. É que os alunos já estão preparados para gravarem algumas explicações. entenderá que ocorreu apenas um equívoco na pronúncia. A polidez e a educação devem imperar. músicas e outros recursos relacionados ao tema exposto. com a lembrança de que mesmo que haja espaço sobrando em lugares mais próximos do telão. Somente quem tem conteúdo deveria se expor para falar. sempre cabe o uso da tecnologia. Assim. aprendizado e fixação. será aberta a oportunidade para debates. 7. E. demonstração de gráficos e outros estudos. ao iniciar a exposição. Se for o caso. em cores variadas. se alguém percebeu o erro. cenas e ilustrações alheias. tendo conhecimento do tema e dominando o assunto com profundidade. destes presentes. alguns sequer entenderão a exposição no exato momento em que está sendo mostrada. 9 . por parte do participante passivo. em ocasiões de apresentação de trabalhos escolares. Quando se trata de um trabalho em sala de aula.

inclusive. Se as primeiras palavras ou os primeiros capítulos não trouxerem elementos que prendam o leitor.Prof. quem se sente “obrigado a retribuir” é o ouvinte. una uma pergunta a outra se há semelhança entre elas e. o raciocínio rápido. nas respostas. com reconhecimento da boa qualidade do auditório. façam apenas manifestações. deve-se dar uma ênfase maior na entonação e impostação da voz para que todos se voltem exclusivamente para o texto em lume. pode ser um acréscimo de conhecimento entre o já detido pelos presentes na audição. sobretudo. mas era somente o que tinha a dizer” são. Quem está fazendo uma apresentação de um trabalho acadêmico ou uma palestra deve. simplesmente. complementos e observação. tanto é que este ouvinte é que deve ter dito o prazer de ouvir. Se as palavras iniciais não forem bem expostas. Não. de lembrar uma frase que faz parte da música “Coração Tranqüilo”. Também o fim de um livro deve ser motivo de lembrança por parte do leitor. Um fim classificado como insosso pode comprometer todo o desenrolar do texto. Quando há participação dos ouvintes. O desenvolvimento deve trazer um conteúdo capaz de acrescentar ao ouvinte. de autoria de Walter Franco e que diz: “Tudo é uma questão de manter/ a mente quieta/ a espinha ereta/ e o coração tranqüilo”. 8 O ENCERRAMENTO DO FALAR A figura da comparação é a de um livro. sem dúvidas. de fato. caracteristicamente. um desvio de rota. o fim é o momento marcante e que determinará. Prof. também. as perguntas devem ser dirigidas de forma escrita. que em vez de perguntas. E. por parte da platéia. Ms. ao fim de um discurso “tenho dito” ou algo como “era o assunto pelo qual eu vim falar” ou ainda “não sei se agradou. 10 . É hora de receber os aplausos não porque está livrando os ouvintes. Há grande importância do início para que haja a atenção dos ouvintes. e. o leitor se dispersará. com perguntas. de preferência. O próprio agradecimento deve ser no meio de uma frase de demonstração da satisfação e da felicidade pelo momento. O bom falante é o que consegue mudar a trajetória da vida do ouvinte. sob pena de este entender que perdeu tempo com a palestra. estar preparado para quaisquer perguntas. Mas. o seu estudo. mas porque aquela audição foi lucrativa para estes ouvintes. É desejável que não haja repetição de frases prontas e já tantas vezes ditas. Não. a memória e a capacidade de contornar situações desagradáveis se mostram. o contrário. não sabe sobre o tema. Alguns recursos próprios são a retrospectiva do que ficou exposto. controlar as respostas e dosar a fala a seguir. Waldir de Pinho Veloso A Arte de Falar em Público Preferencialmente. Waldir de Pinho Veloso A Arte de Falar em Público Se há um texto escrito e um discurso é pronunciado. quem é convidado a falar deve ocupar um destaque bem maior do que o ouvinte. Não significa. aparece o melhor momento para ajustar e segurar os ímpetos. Dizer “obrigado” ao fim é interpretado pelos estudiosos como desaconselhável com a explicação de que se alguém foi convidado a dar uma palestra. deve-se ter um conhecimento adicional sobre o tema. Na fala. porém. E é o momento de deixar entre os ouvintes algum questionamento que deverá pautar o comportamento de todos daquele momento em diante. conduzindo-o ou reconduzindo-o ao caminho que foi mostrado na palestra. dentro ou próximo do tema. sem que a própria fala se encarregue de dizer que pede a atenção de todos – que culminará no ato final a ponto de requerer aplausos de uma forma quase natural. 9 CONCLUSÃO O texto presente chega ao fim. Isto evita que pessoas tomem o microfone para fazer longos discursos e. também. Também a forma escrita fará com que o intermediário ou o próprio palestrante faça um filtro das formas das perguntas. Há práticas a serem insertas e há pesquisas a serem feitas. Hora. um conhecimento geral – que se obtém com constante e ilimitada leitura – para buscar socorro em frases que se encaixam na explicação. Em outras palavras. o autocontrole. a paciência. um agradecimento pela oportunidade. Ms. Deve-se lembrar que quem expõe uma questão complexa já detém conhecimento do assunto em grande quantidade e somente sentirá satisfação na resposta se ela vier a lhe acrescentar algo. obrigatoriamente. o mesmo acontece. em uma forma de um extrato do que de mais relevante ficou tratado. Assim. Pode ser uma nova maneira de ver e de se referir a um assunto ou. haverá desistência. se o ouvinte recomendará a outrem assistir as falas daquela pessoa que já foi ouvida. devese reservar algum recurso de chamar a atenção – de forma natural. Entre as últimas palavras. Principalmente se a resposta comportar explicações fora da programação. Se as idéias não forem bem expostas no início. a inteligência. fora de propósito. é preferível dizer que não domina completamente aquela parte do que tentar dizer que conhece o que. não prenderá o leitor para chegar ao meio. evite repetição de questionamentos. Dizer. Se há comentário sobre eslaides.

nestes. São Paulo: 2006. o material impresso – o livro. 2005. Tradução de Bárbara Theoto Lambert. pessoas que estão merecendo destaque na atualidade. Assim é que se fala. Como já frisado. Comunicação essencial. Há. e. Waldir de Pinho Veloso A Arte de Falar em Público Um conselho final vem do Professor Wanderlino Arruda: “Deve-se falar em pé. serão mostrados alguns nomes de livros. ed. ed. 2006. BRADY Loretta. Dominic. porque têm cursos de oratória sediados nos grandes centros e. alguns livros que tratam do assunto. de São Paulo. Autor. validamente. 2005. Waldir de Pinho Veloso A Arte de Falar em Público O’BRIEN. todos pela Editora IOB Thomson. PASSADORI. principalmente. com seus autores e fontes de edição. ______. ed. Há. Há ainda outros autores que aparecem como destaque porque suas editoras têm espaços publicitários insertos em programas de televisão como se fossem notícias. Por isso. Houve a escolha do formato científico de fazer referência.Prof. dos livros “Comentários aos Direitos Reais no Código Civil”. a seguir. São Paulo: Saraiva. 2005. ______. como um exercício a mais por parte dos estudantes de cursos superiores. 11 . Portanto. 2006. 11. de outra forma. Professor Universitário nas Faculdades Santo Agostinho e escritor. ______. a seguir. que tratam do tema ora em destaque. São Paulo: Gente. 111. BORGES. Recursos audiovisuais nas apresentações de sucesso. ed. São Paulo: Publifolha. unicamente por competência. 2006. São Paulo: Saraiva. Como já anotado. São Paulo: Loyola. ______. Reinaldo. Como falar de improviso e outras técnicas de apresentação. 27. Também porque diversos meios adicionais como DVD são acréscimos que acompanham os livros. Prefácio de Márcio Thomaz Bastos. Poderiam estar apresentados em forma de parágrafos. Outras. Ms. POLITO. portanto. São Paulo: Saraiva. 10 BIBLIOGRAFIA SOBRE A ARTE DE FALAR EM PÚBLICO Há diversos meios de ensinar. oral ou graficamente. O campeão em publicações e edições renovadas é Reinaldo Polito. 28. predominância da modalidade impressa para a arte de ensinar a fazer bons discursos. Prof. Reinaldo. ______. DVD’s. Dissertações. São Paulo: United Press. Inicialmente porque a substituição total do impresso por outros suportes ainda não é uma realidade mundial. dentre outros. ed. Como falar corretamente e sem inibições. John. para que todos o aplaudam”. ed. para que todos o ouçam. escrever corretamente. 11. 2007. 9. CD’s. pouco. Algumas. o que ajuda a divulgar os trabalhos. ______. 2007. POWELL. Samuel. Falar em público: técnicas e dicas simples para memorizar discursos rapidamente. Vença o medo de falar em público. São Paulo: Saraiva. 1994. a forma impressa. como CD’s e DVD’s. Arrancar máscaras e abandonar papéis: a comunicação pessoal em 25 passos. Pequeno manual de comunicação oral e marketing pessoal. Superdicas para falar bem em conversas e apresentações. em alguns livros a seguir indicados. São Paulo: Saraiva. como falar em público. Há vários motivos para que os livros estejam entre os mais firmes e valiosos entre os meios ou suportes físicos. 11 O AUTOR Waldir de Pinho Veloso é Advogado. redigir sem traumas um texto a ser apresentado visual. 2005. “Filosofia do Direito” e “Como Redigir Trabalhos Acadêmicos: Monografias. São Paulo: Saraiva. propriamente dito – vem acompanhado de outros suportes físicos para condução de outras tecnologias. há a divulgação do material em formato de livro. Teses e TCC”. variam de cursos em fitas. para que todos o vejam. Seja um ótimo orador. alto. Ms.

Waldir de Pinho. Waldir de Pinho Veloso A Arte de Falar em Público 12 . da Associação Brasileira de Normas Técnicas. obrigatoriamente. Prof. indicar o autor e a fonte.023/2002. Waldir de Pinho Veloso A Arte de Falar em Público 12 REFERÊNCIAS E CITAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS A citação de qualquer parte deste trabalho deverá. este ensaio deve aparecer com as seguintes referências: VELOSO. Ms.waldirdepinhoveloso.Prof. Acesso em: (colocar a data como 10 set. Ms. 2007).pdf>. Disponível em: <http://www. De conformidade com a NBR 6.com/artigos/aartedefalarempublico. A arte de falar em público.

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