UPORTO

REVISTA DOS ANTIGOS ALUNOS DA UNIVERSIDADE DO PORTO

Nº9 | OUTUBRO DE 2003 | TRIMESTRAL | 2,5 EUROS

Aprender a ver - entrevista com Álvaro Siza
Academia Real da Marinha e Comércio

Um olhar sobre as origens

PASSEIO DE BARCO A BARCA D’ALVA
Antigos Alunos da Universidade do Porto

Embarcámos na estação de S. Bento, no Porto, às 14,50 horas até à Régua e aí mudámos para outro comboio com destino ao Pocinho saindo no Pinhão. A viagem correu bem, ocupámos dois compartimentos e lá fomos, um calor de morrer (para quem quase desmarcou tudo por medo do mau tempo no início da semana!!!!). A primeira parte da viagem foi-nos mostrando algumas estações da linha do Douro renovadas e mais tarde a paisagem do Douro. Qualquer que seja o ângulo o Douro é duma beleza estonteante!!!!!!!!! Na estação do Pinhão deparámos com dois lindos painéis de azulejos que retratam o espírito que anima esta vila: o rio serpenteando entre vinhas em socalcos encosta acima e o famoso Cachão da Valeira. A vila de Pinhão é uma localidade de referência na Região Demarcada, pela qualidade dos seus vinhos e pela concentração de quintas e solares. Éramos aguardados pela nossa guia, Mariana, que nos acompanhou até ao fim da viagem. Apanhámos um pequeno autocarro que nos levou até Sabrosa, a 15Km, do Pinhão. Em Sabrosa ficámos hospedados no “Solar dos Canavarros Hotel”. Este magnífico Solar do século XVII situa-se no centro da vila, de frente para a avenida principal e com o vale do rio Douro e as quintas do Vinho do Porto por paisagem. Instalámo-nos e alguns ainda tomaram um banho na piscina e fomos jantar. Acabado o jantar demos uma volta pela vila, passando, pela Câmara, onde em frente há um jardim com um lago, onde se encontra uma estátua de um rapazinho a brincar com um barco. Esse rapaz é Fernão de Magalhães, natural de Sabrosa. A noite estava muito agradável, amena, e todos estavam bem dispostos. De regresso ao hotel passámos por um pequeno bar, “Bar Jovem” cuja proprietária, a D. Fátima era de uma alegria contagiante. Começa a conversar sobre a terra, seus monumentos, a Igreja, a Câmara, a casa de Fernão de Magalhães depois de nos contar a sua vida, pois esteve na Alemanha 16 anos. Entrámos no bar a tomar uma bebida, na companhia da D. Fátima. Sabrosa é uma vila sossegada, limpa em que as pessoas podem passear à noite sem perigo algum. Para nós, habituados ao Porto, ao barulho e à insegurança foi uma estranha sensação…. Ainda há paraísos perdidos. No dia seguinte regressámos ao Pinhão onde embarcámos no barco “Rabelo Ré Douro”. Ao ver o barco rabelo e todo a gente para entrar assustámo-nos um pouco, pois pareceu-nos muito pequeno

para as pessoas que estavam a embarcar. Foi um pouco confuso! Contudo asseguraram-nos que estava tudo bem, o barco tinha capacidade para 120 pessoas, mas apenas iriam cerca de 80. A viagem durou seis horas. Almoçámos a bordo; o almoço coincidiu com a passagem pela barragem da Valeira (a primeira deste nosso passeio), contudo isso não impediu que alguns de nós adiassem a sua refeição a observar todo o mecanismo do fecho da eclusa, com 34 metros de altura, a subida das águas e a saída do barco. Chegámos então a um lugar mítico do rio, o cachão da Valeira que ficou para sempre imortalizado pelo episódio do Barão de Forrester, que aqui naufragou e perdeu a vida. Nesse tempo o rio corria aqui apertado entre grandes rochedos em turbulentos rápidos. Lugar belo mas temido! Foi aqui que se começou a concretizar a navegabilidade do rio, com a destruição do cachão entre 1780 e 1792, mandada realizar pela rainha D. Maria I. A destruição do Cachão pode ser considerada como a primeira obra de aproveitamento do Douro. Continuámos a viagem e chegámos à barragem do Pocinho que fica a 180 Km da Foz do rio. Nesta barragem as águas sobem 20 m. Chegámos a Barca D’Alva às 17 horas onde saímos, acabando aqui um passeio magnífico pelo Douro, deixando, contudo pelo menos a alguns de nós, a vontade de prosseguir pelo Douro internacional numa outra oportunidade. A Vila de Barca D’Alva perdeu imenso com o encerramento da linha de caminho de ferro estando a sua população reduzida a apenas 150 habitantes. Desembarcámos e o nosso autocarro esperava-nos, para nos levar para a Régua onde apanhámos o comboio de regresso ao Porto.
Maria Natália Vicente

OUTRAS ACTIVIDADES 8 de Novembro de 2003
20H00’, Instituto Ciências Biomédicas Abel Salazar. Porto

JANTAR CONVÍVIO inscrições e informações 22 608 3572 (Lina Santos) 20 de Dezembro de 2003

21H30’, Igreja da Paróquia de S João da Foz. Porto

CONCERTO - Coral do ICBAS - Philipe Bullock, organista (Universidade de Oxford) - Helen Arnold, solista (Universidade de Cambridge)

N.R.: O texto de Maria Natália Vicente refere-se a um passeio ao Douro realizado nos passados dias 13 e 14 de Setembro de 2003, iniciativa da Associação de Antigos Alunos da Universidade do Porto.

© CORÁLIA VICENTE

UP

ORTO EDITORIAL

Que razões para reduzir os numeri clausi?

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Quando se publica o presente número 9 da revista UPorto são já conhecidos os dados relativos à 1.ª fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior, os quais constituem objecto de apreciação em artigo próprio, podendo um primeiro tratamento de âmbito geral ser também encontrado no endereço electrónico www.up.pt/ estudarup/Acesso2003.pdf. A divulgação destes dados suscita, pois, um breve comentário aos cortes nos numeri clausi que lesaram não só a Universidade do Porto como, acima de tudo, um significativo conjunto de estudantes bem classificados, impedidos de acederem às licenciaturas e faculdades em que justificadamente poderiam ter encontrado acolhimento. Continuam sem explicação oficial as verdadeiras razões que levaram o Ministério da Ciência e do Ensino Superior a impor uma redução de 10% nos números de vagas de ingresso nos cursos de licenciatura, excepção feita aos cursos nas áreas de medicina, medicina veterinária e outros na área da saúde, ciências físicas, matemática e estatística, informática, tecnologias e artes. Áreas como as de arquitectura, desporto e educação física, direito, economia e gestão e psicologia ficaram, pois, com os numeri clausi limitados a 90% dos do ano anterior. Que razões poderão ser invocadas para estes cortes? Falta de recursos não foi certamente, pois as escolas afectadas pelos cortes já demonstraram possuir os meios humanos e materiais adequados à leccionação das licenciaturas (como decorre de relatórios de avaliação e do generalizado reconhecimento público), enquanto que a procura por parte dos estudantes, mesmo apenas em primeira opção, é superabundante e qualificada. Terá sido racionalizar a distribuição de estudantes pela rede nacional de ensino superior? Tal objectivo não se verificou também, pois os dados disponíveis demonstram que, nas instituições não situadas na faixa litoral mais densamente povoada (do Minho à Península de Setúbal), os poucos exemplos de ligeiros aumentos dos números globais de candidatos apenas se relacionaram com a abertura de novos cursos… Razões de empregabilidade não parecem igualmente ter sentido, pois aos cursos da nossa Universidade acima referidos tem correspondido, na grande maioria dos casos, o início de uma actividade profissional muito pouco tempo após a conclusão da licenciatura. A promoção da qualidade? Ou de algum tipo de rentabilidade? Decididamente, não! O corte de 10% foi indiscriminado, tratando do mesmo modo as instituições de melhor ou de não tão boa qualidade, ou com maior ou menor procura, ignorando as capacidades realmente instaladas e a rentabilização de equipamentos e infra-estruturas físicas para cuja aquisição ou construção foram recentemente canalizados investimentos significativos. A razão principal parece ter sido dissimular numa redução dos números de alunos a diminuição das dotações orçamentais atribuídas ao ensino superior. Para a Universidade do Porto, na fundada esperança de que a avaliação dos resultados vá fazer com que esta medida não se repita em anos próximos, teria sido preferível assumir objectivamente esses cortes no financiamento sem intervir na estabilidade dos numeri clausi, respeitando as directivas dos planos estratégicos que a Universidade vem observando nos últimos anos. J. Novais Barbosa (Engenharia Civil, 1957)
REITOR DA UNIVERSIDADE DO PORTO

SUMÁRIO UP

ORTO

UPORTO Nº 9 REVISTA DOS ANTIGOS ALUNOS DA UNIVERSIDADE DO PORTO DIRECTOR JOSÉ NOVAIS BARBOSA EDIÇÃO E PROPRIEDADE UNIVERSIDADE DO PORTO; RUA D. MANUEL II. 4050-345 PORTO. T. 226073565 + F. 226098736. PUBLICAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DA UNIVERSIDADE DO PORTO COMO DEVER ESPECIAL, CONFORME ART. 8º AL. E. DOS ESTATUTOS DA ASSOCIAÇÃO DOS ANTIGOS ALUNOS CONSELHO EDITORIAL ALBERTO CARNEIRO, ARMANDO LUÍS CARVALHO HOMEM, JORGE FIEL, JOSÉ FERREIRA GOMES, LUÍS MIGUEL DUARTE, RUI GUIMARÃES E RUI MOTA CARDOSO SUPERVISÃO EDITORIAL ISABEL PACHECO, JOÃO CORREIA REDACÇÃO ANABELA SANTOS SECRETARIADO PAULA FERREIRA COLABORAM NESTE NÚMERO AMÉLIA RICON FERRAZ, ANTÓNIO MARQUES, ARQUIVO HISTÓRICO MUNICIPAL DO PORTO ROSÁRIO GUIMARÂES, BERNARDO PINTO DE ALMEIDA, BIBLIOTECA PÚBLICA MUNICIPAL DO PORTO - PAULA BONIFÁCIO, BRUNO JARRAIS, FRANCISCO RIBEIRO DA SILVA, GÉMEO LUÍS, GERMANO SILVA, JOAQUIM BARROCA, JOSÉ MAIA, LUÍS MIGUEL DUARTE, M. A. V. RIBEIRO DA SILVA, MUSEU NACIONAL DE SOARES DOS REIS - PAULA OLIVEIRA E TERESA VIANA, PEDRO NUNO TEIXEIRA, ROMERO BANDEIRA. FOTOGRAFIA 1/2 FORMATO DESIGN R+C=CR ARTE E DESIGN, LDA EXECUÇÃO GRÁFICA MULTIPONTO , S. S. A. A. -- PORTO PORTO MULTIPONTO, RUA D. JOÃO IV, 691/700 • 4000-299 PORTO DEPÓSITO LEGAL 149487/00 TIRAGEM 40.000 EXEMPLARES PERIODICIDADE TRIMESTRAL NA CAPA INVERSÃO DE AUTO-RETRATO DE SIZA VIEIRA NA 1ª PÁGINA
PROJECTO ACADÉMICO, DESENVOLVIDO PELOS FINALISTAS DE DESIGN, DA FACULDADE DE BELAS ARTES DA UNIVERSIDADE DO PORTO. ‘02/’03 LEONARDO PEREIRA, MARTA MADUREIRA E NUNO MARTINS

EDITORIAL - 2 Que razões para reduzir os numeri clausi UP NOTÍCIAS - 4

RETRATO DA UP - 14 “Um Projecto Profundamente Egoísta” Um projecto das Belas Artes, chamado “Identidades”, que leva esperança a quem além-mar precisa e traz motivos para reforçar o ego de quem o executa. COMENTÁRIO - 16 A FCDEF-UP e a actividade de investigação Uma reflexão sobre a investigação na Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física, por António Marques e José Maia, professores da FCDEF. NA CAPA - 18 Precursora da Universidade nasce por impulso do comércio Por impulso do comércio do vinho do Porto foi criada a Academia Real da Marinha e Comércio, precursora da Universidade. A cidade vivia um período de grande dinamismo económico interrompido pelas invasões francesas. Curiosamente, no ano lectivo de 1813/1814, o nível de sucesso de Matemática seria de quase 80 por cento. EM CONSTRUÇÃO - 24 Teste inovador mede tempo de vida da cerveja O Centro de Investigação em Química da UP descobriu um teste para avaliar o envelhecimento da cerveja. PERFIL - 28 “Temos que nos libertar da experiência” Visita guiada ao percurso e às ideias de um dos arquitectos mais admirados no mundo que, por motivos de aposentação, deixou recentemente de ser docente da Universidade do Porto. Entrevista a Álvaro Siza por Bernardo Pinto de Almeida, escritor, crítico de arte e professor das Faculdade de Belas Artes.

PERSPECTIVA - 34 Mercados e Ensino Superior em Portugal Em tempo de mudanças no Ensino Superior, a UPorto volta a abordar na secção Perspectiva. Pedro Nuno Teixeira, investigador do CIPES, aponta caminhos a seguir. MEMÓRIAS - 36 Ricardo Jorge, um paradigma Um olhar sobre aspectos menos conhecidos de Ricardo Jorge, médico formado na Escola do Porto, principal protagonista na luta contra a epidemia que atingiu a cidade entre Setembro de 1899 e Fevereiro do ano seguinte. Texto de Romero Bandeira, professor do ICBAS. ESTÓRIAS - 38 Como “cilindrar” uma aula Estória contada por Joaquim Barroca (Engª Electrotécnica, 1942) SABER MAIS - 40

CRÓNICA - 42 Triângulos III – Equilátero Terceiro e último triângulo das crónicas de José Augusto Seabra na UPorto. AGENDA - 43

MEMBRO DA ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA PARA O CONTROLO DE TIRAGEM E CIRCULAÇÃO

662 candidatos. Gestão e Engenharia Industrial (153. Psicologia.5 valores. o que representa uma taxa de preenchimento de 91. Menos sorte tiveram os 112 candidatos que tinham escolhido Economia em primeira opção. A quebra mais acentuada na procura verificou-se nas áreas científicas (por exemplo nos cursos de Engenharia sobraram pouco mais de três mil vagas). verificou-se também na UP em: Medicina (185. seguida da Universidade de Lisboa com 137. Em Arquitectura.3). Economia. 9 em cada 10.0 valores. de um universo de 41. De acordo com a classificação média ponderada do último aluno colocado (tendo como factor de ponderação o número de colocados em cada curso). mas só entraram 108 (houve menos 12 vagas do que o ano passado). sendo a última nota de acesso de 158. A nível nacional. Desporto e Educação Física.3 valores. variante de Estudos Portugueses (141. O último colocado tinha média de 122.768 vagas abertas na 1ª fase entraram 3.0). o que. Economia foi um dos cursos em que mais se verificou o emagrecimento do número de vagas. cursos que registaram as melhores notas de acesso a nível nacional. Direito. Sociologia (148.4).8 valores. mas também nas áreas de humanidades e educação. O último aluno a ser colocado entrou com média de 140. uma diminuição que na UP veio afectar principalmente os cursos de Arquitectura. as 90 vagas (menos 10 do que no ano passado) foram todas preenchidas. Para as 3.3).3).5). a nível nacional.4 alunos por vaga. Medicina Veterinária (176.8 e da Universidade de Coimbra com 136. A maior parte teve sucesso. Em Coimbra. registaram-se 1.0).6 valores. Isto não significa um menor rigor nos critérios de acesso. Física (160. empresariais. mas atrai 4|5 Mais uma vez os alunos com melhor média ponderada vêm para a Universidade do Porto (UP). 36. a nota do último aluno colocado foi de 180 pontos. foi primeira opção para 132 alunos.447 alunos. com os 200 valores que conseguiu nas provas nacionais. foram excluídos 132 alunos que concorreram ao curso como primeira opção. Contas feitas. direito. Em Direito.8). Entre os alunos que apresentaram Arquitectura como primeira opção há 3. no total. O Ministério da Ciência e do Ensino Superior decidiu reduzir o número de vagas.2) e Geografia (116. bem pelo contrário.5 candidatos (primeira opção) por vaga. . Biologia (144. perfaz 2. Ciências da Educação (160. Neste caso. Grande parte dos candidatos procurou uma formação nas áreas das ciências sociais. a UP aparece logo à cabeça com 142.5). Línguas e Literaturas Modernas. Este continua a ser um dos cursos mais procurados. mas não conseguiram entrar. Para além dos cursos já referidos. saúde e protecção social. o número de vagas é superior (360) e o último aluno entrou com média de 132. Entre os estudantes que optaram pela UP está a aluna da Guarda que teve a melhor nota do país.UP ORTO UP NOTÍCIA Acesso ao Ensino Superior 2003/2004 UP exige. Arqueologia (125. Houve 381 alunos que tinham colocado Psicologia em primeira opção e não conseguiram entrar. Ana Catarina Costa.0). Gestão e Desporto e Educação Física. ou seja.4 candidatos por vaga já que 263 alunos ficaram de fora.077 conseguiram ter acesso ao ensino superior logo na 1ª fase. o que resulta em 4. Psicologia também sofreu um corte no número de vagas (de 124 para 112) e o último aluno entrou com uma média de 172.8). Ciências Farmacêuticas (168.2).1 candidatos por vaga. a mais elevada a nível nacional. teve acesso garantido à Faculdade de Arquitectura.5%. Biologia e Geologia – Ensino de – (130. Bioquímica (165.8 valores. Arquitectura Paisagista (126.2 valores).5 valores. já que 64% dos candidatos entraram no curso que escolheram como primeira opção. de 240 passaram para 216. O curso registou uma taxa de ocupação de 100% para 108 vagas (menos 12 do que no ano transacto). a melhor nota do último aluno colocado.

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lá está. na Mongólia. realmente. e novo esclarecimento do professor: “Significa parecido com um ganso. Simultaneamente. Se puder. um dos maiores carnívoros terrestres encontrados até hoje. incluindo restos de esqueletos e ninhos de ovos (com ossos de embriões) do Lourinhanosaurus antunesi.) Estamos perante uma exposição de qualidade a nível mundial”. no Pavilhão Rosa Mota. já os olhos “de palmo e meio” da Sofia escapavam pelo corredor. Entre os esqueletos completos. A crer na avaliação da Sofia. Iniciativa do Museu de História Natural da Faculdade de Ciências. Muitos destes animais morreram em tempestades de areia ou submersos na lama. PROTOCERATOPS (CRÂNIO ADULTO) 85-77 Ma ROBOT KOKORO DO TYRANNOSAURUS REX RUI RIO. A jazida encontrada no deserto do Gobi é uma das mais notáveis a nível mundial. vindo do Museu de História Natural de Londres. desta vez junto do Anserimimus. FREDERICO SODRÉ BORGES E NOVAIS BARBOSA . dezasseis lonas negras cobrirão as mais de setecentas janelas do Pavilhão Rosa Mota. a mãe crocodilo colocava lá os ovos para que o dinossauro tomasse conta deles. É curioso que há ovos de crocodilo junto dos ovos de dinossauro. Novais Barbosa reconheceu que a abertura demonstrada pela autarquia foi “muito além do que poderíamos imaginar” e mostrou-se convencido de que a exposição será “um grande êxito para a região e para o país”. O Reitor da Universidade do Porto. volto cá”..UP ORTO UP NOTÍCIA Da areia do deserto para o granito da cidade 6|7 A Sofia. e em colaboração com o GEAL – Museu da Lourinhã. o famoso Tyrannosaurus rex. ia ouvindo atentamente as explicações: “Tarbosaurus significa assustador e. juntamente com fósseis do Cretácico superior. ou seja. respondendo ao apelo ruidoso dos robots Kokoro. Para Rui Rio este foi “mais um casamento feliz entre a Câmara e a Universidade do Porto (. decorre uma mostra de dinossauros portugueses do Jurássico (de 208 a 144 Ma). A uma escala de 60%. Era um pai mais poderoso. daí a possibilidade de recuperação dos fósseis com uma integridade muito satisfatória”. De dimensões mais reduzidas temos.um embrião ainda dentro do ovo. último dia da exposição. quer na protecção do material exposto. Por esta altura. por exemplo. reconhece o Director do Museu de História Natural da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.. A exposição central é constituída por fósseis de idade Cretácica (de há 66 a 120 Ma) descobertos no deserto do Gobi. daí o cuidado extremo quer na montagem. o prognóstico não deverá fintar o resultado final: “Gostei muito e não achei nada assustador. Uns passos à frente. Poderia atingir algumas dezenas de quilómetros por hora. um ninho de ovos do Oviraptor e nova explicação do professor Frederico Sodré Borges: “Aqui temos um caso único . de oito anos. o Gallimimus e o Oviraptor. a exposição foi promovida pela Universidade e pela autarquia portuense. Nova paragem. Era muito ágil”. o Psittacosaurus (do tamanho de um cão) e um Protoceratops recém-nascido. Até 21 de Dezembro. Para além da espectacularidade. é um animal imponente”. “É um dinossauro de corrida” remata Rui Rio. a importância científica destes fósseis é espantosa pelo seu grau de preservação e integridade. “E ainda falta a massa muscular”. acrescenta o Presidente da Câmara do Porto que esteve presente na abertura da exposição sobre dinossauros. de destacar o Tarbosaurus (com mais de 10 metros de comprimento).

ALVÃO. explica Carlo Morici. 1. Igreja das Antas e Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade do Porto. Joaquim Sarmento. É uma das espécies presentes no bosque termófilo. desenvolveu um trabalho inovador na área das estruturas em betão esforçado e pré-esforçado e foi o projectista e director técnico de obras como o antigo Estádio das Antas. Igreja da Senhora da Conceição. As anteriores palmeiras que o acompanhavam desde os primórdios do século XX e marcaram de forma indelével a imagem da Praça. local onde se podem desenvolver com menos restrições de espaço. PRAÇA GOMES TEIXEIRA. Resistem ao encharcamento temporário do solo provocado pelas chuvadas repentinas. da Universidade do Porto e da própria Faculdade. duas novas interlocutoras. Joaquim Sarmento. por cima do parque de estacionamento. que lhe permite procurar água subterrânea no solo circundante até longas distâncias. 1940. CX0198 ALV0072 2. o arquitecto espanhol responsável pelo projecto da Gare do Oriente. entre várias outras. sempre de origem vulcânica e habitualmente férteis. Muito acarinhado como docente na Faculdade de Engenharia. começavam a mostrar sinais de pouca saúde após a construção do parque de estacionamento subterrâneo. SET’03 . Estas foram transferidas para o jardim da Alameda de Fernão Magalhães. embora seja uma das mais apreciadas e cultivadas plantas de grande porte no mundo inteiro. C. publicação editada pela International Palm Society. à sua frente. a empresa concessionária do parque de estacionamento tratou da substituição das quase centenárias Phoenix canariensis em meados de Setembro passado. não foi suficiente para manter os dois espécimes em boas condições. logo no início da obra. de 86 anos.Novas palmeiras na Praça dos Leões Joaquim Sarmento recebe Prémio Leonardo Da Vinci O secular edifício da Faculdade de Ciências passou a ter. Esta espécie de palmeiras pode encontrar-se naturalmente numa vasta variedade de solos. A complexa operação que tentou preservar o espaço vital das duas palmeiras com a construção de grandes canteiros. O Prémio Leonardo Da Vinci distinguiu pela primeira vez um português na sua última edição. o habitat natural da Phoenix canariensis é nas Canárias. Como tal. licenciado pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e director da mesma faculdade (de Dezembro de 1973 a 29 de Abril de 1974) foi agraciado com este galardão máximo atribuído pela Sociedade Europeia para a Formação de Engenheiros (SEFI). Na edição anterior. A Phoenix canariensis dispõe de um sistema radicular extenso. o prémio fora concedido a Santiago Calatrava. área ligeiramente seca da região mediterrânica. ARQUIVO DE FOTOGRAFIA DO PORTO . Mercado de Matosinhos.CPF/MC. LUÍS FERREIRA ALVES. ANOS 90 3. Mercado do Bom Sucesso. Tal como sugere o nome científico. num texto publicado na edição de Abril de 1998 da Principes.

aquando da descoberta de um conjunto de instrumentos antigos de Física num sótão de um edifício da universidade. no dia 1 de Outubro de 2003. AMÉLIA RICON FERRAZ Directora do Museu de História da Medicina “Maximiano Lemos” da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto 8|9 3 ASPECTOS DO MUSEU MAXIMIANO LEMOS . É reconhecido internacionalmente o valor museológico das colecções de Dentisteria e Oftalmologia. foi pessoalmente entregue pelo Conservador do Museu. Outrora era prática comum noticiarem-se nos jornais da cidade mesmo as pequenas doações feitas ao Museu. entre os especialistas provenientes de diversos países. Mais recentemente incluiu a Medicina Veterinária. Constitui uma importante fonte de informação médico-histórica que deverá ser analisada em paralelo com a colecção de fotografias de Dermatologia existente. educativo e orientado para o público. É um centro especializado na gestão e apresentação das colecções da universidade. bem como das organizações profissionais holandesas de Dentisteria. das provenientes do Centro Médico Académico de Utrecht. sobre a vida académica. uma das universidades tradicionais e da maior representatividade na Holanda. de Biologia e Medicina. efectuadas pelo Departamento de Dermatologia do Hospital Escolar de Utrecht. Doutor Willem J. O retorno a esta tradição visa divulgar o evento. A organização do X Congresso da Associação Europeia de Museus de História das Ciências Médicas. a cerimónia de entrega de uma importante doação ao Museu de História da Medicina. que reproduz a clínica dermatológica da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto no tempo do Professor Luís Freitas Viegas. Sucederam a este primeiro grupo de objectos outros relativos à história da universidade. O museu procura distinguir-se ao ser um centro da ciência. recebeu alguns dos profissionais do Museu Universitário de Utrecht. o museu situa-se no centro histórico da cidade e engloba o antigo jardim botânico. Uma colecção de 1800 fotografias de lesões dermatológicas (da primeira metade do século XX). Datam de 1996 as primeiras relações profissionais desenvolvidas entre o museu universitário de Utrecht e o Museu de História da Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Mulder.UP ORTO UP NOTÍCIA Museu de Medicina recebe acervo fotográfico de dermatologia Na Sala do Conselho da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto decorreu. Oftalmologia e Medicina Veterinária. primeiro regente da disciplina e introdutor dos estudos dermatológicos no Porto. Desde 1966. O Museu Universitário de Utrecht foi fundado em 1928. A presente doação vem ampliar o acervo fotográfico do Museu. no âmbito de um workshop subordinado ao tema “Conservation and restoration of the medical historical instruments” que decorreu no Museu de História da Medicina de Minsk. pelo Museu de História da Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (2000). proveniente do Museu Universitário de Utrecht. na Bielorussia. homenagear a pessoa ou entidade doadora e avivar na memória a crucial importância de que se reveste a salvaguarda do património para o conhecimento das Ciências Médicas.

produção de vacinas e medicamentos. o seu principal responsável. sem dúvida. licenciou-se em Engenharia Químico-Industrial (1945) pela FEUP e doutorou-se em Engenharia Químico-Industrial (1951) pela mesma Faculdade. A Fundação será representada pelo seu presidente. João Cabral. para a Universidade do Porto: epidemiologia e vigilância sanitária. biologia molecular e parasitária. no Brasil. Assim criou as condições para uma actividade de investigação hoje internacionalmente reconhecida. formulação de estratégias de saúde pública. novos medicamentos e fármaco-vigilância. Com o protocolo assinado será possível desenvolver medidas de cooperação e intercâmbio de docentes e investigadores. nomeadamente. professor das disciplinas de Álgebra e Teoria dos Números. foi um mestre de várias gerações de matemáticos da Universidade do Porto. Durante os anos 60 exerceu docência naquela Universidade. M. às 15h00 no anfiteatro da reitoria da UP. PRESIDENTE DA FIOCRUZ JOSÉ MORGADO JOÃO DE OLIVEIRA CABRAL . Efectuou toda a sua carreira docente na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. que proferirá uma palestra também no dia 11. V . para onde emigrou depois de ter sido afastado da carreira académica por razões políticas. iniciando-a como 2º Assistente do 2º Grupo (Química) em 1946. onde criou (em parceria com Ruy Luís Gomes) o curso de Mestrado em Matemática. foi ainda uma referência na Universidade Federal de Pernambuco. mestre de matemáticos (1921-2003) A Universidade do Porto vai assinar no dia 11 de Novembro um protocolo com uma instituição brasileira que tem tido um papel de grande importância ao nível da saúde pública na América Latina. Faleceu no Porto em 11 de Outubro de 2003. Professor da FCDUP José Cardoso Morgado Júnior. Paulo Marchiori Buss. a que ficará para sempre ligado o nome e acção do Prof. por aposentação de Ruy Luís Gomes. desenvolver parcerias em investigação que podem alargar-se a diversas áreas de interesse para as duas instituições. Foi fundador do Centro de Lata Cultura de Matemática e da Universidade Popular do Porto. A Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) desenvolve actividades de. e depois assumindo a direcção da equipa reitoral até Novembro de 1976.Universidade assina cooperação com Fundação Oswaldo Cruz João de Oliveira Cabral (1921-2003) José Morgado. Antes desse período. Exerceu também cargos de gestão na Universidade. durante o mandato de Ruy Luís Gomes. o primeiro Reitor após o 25 de Abril de 1974. Nasceu em Alijó em 1921 e faleceu a 8 de Outubro deste ano. saúde pública e políticas de saúde. RIBEIRO SILVA. ao sentir a necessidade de criar condições para que alguns dos membros mais jovens do Departamento fossem realizar trabalho de investigação e efectuar os seus doutoramentos em Universidades estrangeiras. investigação pura e aplicada. saúde ocupacional e métodos de diagnóstico. A acção do Professor João Cabral no Departamento de Química da Faculdade de Ciências do Porto fica marcada pela visão estratégica de futuro que teve nas décadas de 60 e 70. saúde ambiental. A. João de Oliveira Cabral nasceu em 14 de Julho de 1921. Grande parte dos elementos do actual corpo docente do Departamento de Matemática da UP foram seus alunos. entre outras. ensino e formação de recursos humanos. para a modernização e expansão científica do Departamento. Jubilou-se em 1991. no Porto. entre outras. DA PAULO BUSS. um dos seus grandes obreiros e. primeiro como Vice-Reitor. tendo sido sucessivamente nomeado Professor Extraordinário (1965) e Professor Catedrático (1967).

etnográfica e académica. e depois concluiu mais duas licenciaturas: em Teologia e em Ciências Sociais. por aposentação. O Orfeão. O seu mérito já foi reconhecido com diversas distinções. tendo publicado diversos estudos sobre a cultura e aspectos culturais na região Norte. Durante 21 anos foi quadro da Comissão de Coordenação da Região Norte. os graus de Comendador da Ordem de Instrução Pública e Comendador da Ordem da Benemerência. Manuel II. passou para a Rua dos Bragas. padre jesuíta. promovida pelo Centro Nacional de Cultura. será reservada uma sala para o núcleo museológico. guiou uma visita ao Japão. nomeadamente a Medalha de Ouro de Mérito Artístico da Cidade do Porto. desenvolveu ainda algum trabalho sobre o Oriente. O quase centenário Orfeão Universitário do Porto. editado pela Universidade do Porto (ver secção Saber Mais) JOSÉ MARIA CABRAL FERREIRA . que trabalham activamente nos 19 grupos que o constituem e se aglomeram sob três grandes vertentes: a Coral. 4050-123 Porto. primeiro. o Coral de Letras e o Núcleo de Etnografia e Folclore da Academia do Porto (NEFAP). Recentemente. espaço que partilhará com os Antigos Orfeonistas do Porto. proferiu a última aula a 17 de Outubro.UP ORTO UP NOTÍCIA Última aula de José Maria Cabral Ferreira Orfeão lança livro de memórias e muda de instalações 10 | 11 Docente na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto. antigas instalações da Faculdade de Engenharia. em Filosofia e Letras. a Etnográfica e a Académica. Das traseiras da Reitoria da Universidade do Porto. Morada da nova sede: Rua dos Bragas 289. um livro de memórias desde a fundação em 1912. é constituído por 19 grupos que desenvolvem actividade em três áreas fundamentais: coral. José Maria Cabral Ferreira. e o estatuto de Pessoa Colectiva de Utilidade Pública. fundado em 1912. Após uma breve passagem pelo Instituto Superior de Agronomia. o Orfeão lançou “Amores de Estudante – Notas Históricas do Orfeão Universitário do Porto”. ultimamente responsável pela cadeira de Antropologia do Espaço. Nos dias que correm o OUP é constituído por cerca de 200 estudantes das várias faculdades da Universidade do Porto. mudou de instalações. em 1992. licenciou-se. Nas novas instalações. e quatro anos depois publicou “O Bairro Português de Malaca” (Edições Afrontamento). na Rua D. mais concretamente do Departamento de Mecânica. 70 anos. José Maria Cabral Ferreira. no qual participam o Orfeão e os Antigos Orfeonistas.

também. as três principais áreas de actuação de Abel Salazar. teremos uma teoria. No limite teremos uma sucessão concêntrica de anéis do conhecimento que passam pelos vértices mais externos dos sucessivos triângulos. Identificamos. Prossigamos fractalmente. que é a escala do próprio pensamento (o pensamento é transescalar).Colóquio interdisciplinar Qual é a Medida do Mundo? . que melhor representam a natureza generativa do conhecimento terá sido Abel Salazar. A iniciativa promovida pelo Instituto de Recursos e Iniciativas Comuns da Universidade do Porto. Se tivermos pouco conhecimento o mundo parece-nos pequeno e confuso. de “mundos dentro do mundo”. de mundos que se desdobram iludindo cada vez mais a sua dimensão. uma geometria do conhecimento. o detonador da discussão e a vontade de fazermos da escala de Abel Salazar um modelo de conhecimento. assim. numa escala a que podemos chamar natural. na escala microscópica. a esta questão.R. imaginemos que cada um dos vértices deste triângulo inicial é. reparte-se por 21 áreas fundamentais do conhecimento.UP e director do Instituto das Artes (IA) PAULO CUNHA E SILVA N. Professor da FCDEF. mas também uma matriz para suportar os interlocutores da Universidade do Porto que foram chamados a responder àquela questão. três escalas iniciais na actividade de Abel Salazar que podem funcionar como três vértices de um triângulo que tenta configurar o círculo do conhecimento (a arte. Esta tensão entre o círculo e o triângulo é. O programa detalhado pode ser consultado na agenda deste número da UPorto. como artista plástico. médico e professor da Universidade do Porto. O colóquio decorre às quintasfeiras. assim. vértice de um novo triângulo. subdivisões da arte. Agora. Abel Salazar movia-se e actuava em múltiplas escalas: como histologista. com os outros dois assim gerados. a ciência e a filosofia). . a matriz que utilizaremos para responder. O conhecimento é um criador de mundos.A Escala de Abel Salazar À primeira vista a resposta é simples: a medida do mundo é a medida do conhecimento que temos dele. no auditório da Reitoria da Universidade do Porto. se tivermos muito conhecimento o mundo parece-nos grande e complexo. Este texto de Paulo Cunha e Silva acompanha o desdobrável de apresentação do colóquio. Ou seja. Este novo triângulo. como pensador. filosofia e ciência. ou seja. Uma das personalidades da Universidade do Porto que melhor contemplam esta ideia de multiplicação e desdobramento. entre 6 de Novembro de 2003 e 1 de Abril de 2004 (com interrupção no dia 18 de Dezembro e nos feriados da época natalícia). com um colóquio interdisciplinar. numa superescala. Abel Salazar será. configura um círculo mais detalhado do conhecimento. ele próprio.

de dois em dois anos. A distinção é atribuída pelo Instituto Arquitecto José Marques da Silva. . Impor-lhe uma orientação.com A futura cantina e residência que começou a ser construída junto à Faculdade de Letras da Universidade do Porto será constituída por 255 quartos duplos e. aqui e ali. Está previsto estacionamento para 173 veículos. nos anos lectivos de 1997/1998 + 1998/1999 e 1999/2000 + 2000/2001. Entrecruzando vontades avulsas. em 1947. resume Flávia Pinto. O projecto é da autoria do arquitecto Tasso de Sousa. Os objectivos são claros: integrar o cidadão brasileiro na sociedade portuguesa. daí que o próximo passo seja “recorrer a cada faculdade e respectivo conselho directivo para fazer o levantamento do registo dos alunos”. a BRASUP conta com uma base de dados de 100 alunos.UP ORTO UP NOTÍCIA Alunos brasileiros já têm associação Nova cantina e mais 255 quartos junto às Letras Instituto Marques da Silva atribui prémios a finalistas de Arquitectura 12 | 13 A ideia ia surgindo. criar condições para que possam desenvolver projectos científicos e promover uma consolidação nas relações bilaterais. O universo total de alunos brasileiros ainda não é conhecido. a 1 de Outubro passado. Actualmente. Flávia Pinto. O desafio foi lançado pelo Vice-Reitor Ferreira Gomes durante uma ceia de Natal oferecida pela Universidade do Porto (UP) aos alunos brasileiros e dos PALOP: criar uma Associação de Cidadãos Brasileiros na UP. no final de um jantar. um número que tende a aumentar já que corresponde apenas ao número de alunos brasileiros inscritos em cursos de doutoramento na UP. Ao falecer. um restaurante que pode vir a funcionar como snack-bar e uma cafetaria. Era preciso fixá-la. nos pisos inferiores. também autor do projecto da Faculdade de Letras. com capacidade máxima de 3000 refeições/dia. trata-se de proporcionar uma “integração rápida no país”. deixou à Universidade do Porto um importante conjunto de bens de onde se destaca a sua casa e jardim na Praça Marquês de Pombal. Paulo Miguel Silvestre de Almeida Ferreira e Maria Inês Coutinho de Seabra Castel-Branco foram os dois finalistas distinguidos com o Prémio Marques da Silva. de duas edições do Prémio. esclarecê-lo em relação aos trâmites legais portugueses. mestranda em Estudos Portugueses e Brasileiros e Directora de Acolhimento e Mobilidade da BRASUP. uma cantina com duas linhas de self-service. Qualquer pedido de informação ou comentário pode ser encaminhado para: brasup@hotmail. Quatro meses depois. correspondendo à atribuição simultânea. respectivamente. reconhece que o projecto está ainda numa fase embrionária. atribuído ao melhor aluno da licenciatura em Arquitectura. Os premiados foram os finalistas com média final de curso mais elevada. No fundo. organismo da esfera da Universidade do Porto que resulta de uma disposição testamentária de Marques da Silva. entre cafés. com classificação igual ou superior a 16 valores. no dia 10 de Abril de 2003. realiza-se a primeira Assembleia Geral com todos os cidadãos brasileiros com vínculo à UP.

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Num âmbito mais pleno. tem procurado até hoje caminhos que permitam uma confrontação directa com diferentes realidades. Cruzamento de realidades Estamos numa escola primária que fica na periferia de Maputo (em Mavalane). “Este é um projecto de afabilidades. É que a prática da solidariedade também pode ser desconcertante. Por exemplo. Criado em 1996. mas sim um conhecimento cruzado de culturas e identidades. Isto tem a ver com o posicionamento que defendemos. os lápis de cor. de enriquecimento pessoal na confrontação com outras culturas através de experiências artísticas e vivenciais. Muito contrabando. há muito neocolonialismo. face à complexidade dos problemas contemporâneos? Foi com base nesta problemática que nasceu o projecto Identidades. de cruzamento de realidades. vêem cerca de cinco ou seis mil crianças que não têm escola. Sejamos francos. na sequência de algumas acções de intercâmbio cultural com Moçambique. num acto profundamente pessoal”. Se olharem pela janela. traduz este episódio em duas reflexões fundamentais: “Perceber o quanto desperdiçamos e o que alguns gestos de altruísmo contêm de veneno”. O projecto Identidades nasce em 1996. Não pretendemos fomentar uma mescla cultural. como as da professora desta escola: “Eu não acho bem que vocês tragam este material. O projecto conta com o apoio da Reitoria da Universidade do Porto. mas não nos queremos misturar”. Eu vou dar um a cada aluno. Surge no seguimento de uma procura interior. Sem voluntarismos inócuos. “Perceber o quanto desperdiçamos e o que alguns gestos de altruísmo contêm de veneno”. Tem cerca de 400 alunos. coordenador do projecto Identidades e professor na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Não uma relação fechada. Para José Paiva o Identidades “é uma demonstração do que uma universidade pode ser.UP ORTO RETRATO DA UP HOJE Identidades “UM PROJECTO PROFUNDAMENTE EGOÍSTA” CUVETE. É uma escola primária feita por uma comunidade de mulheres. E quando acabar o lápis de cor? Regressam ao preto e nunca mais voltam a ter a mesma experiência? É bom ou é mau? Sabem quanto custa ter esta escola aberta? No vosso dinheiro. “uma grande confusão no terreno da solidariedade... como cidadãos. ÁGUA. Depois de Moçambique as iniciativas sucedem-se com artistas de Cabo Verde e do Brasil. José Paiva considera que não existe “contradição entre egoísmo e altruísmo”. procuramos enfrentar problemas como o da globalização e do desenvolvimento da humanidade. Não é altruísta. se calhar. a Cooperativa Cultural Gesto e outras instituições dos países com os quais interage. Um espírito que também se quer bem musculado. Não estamos contra nada. mas também de organismos como a Associação Cultural e Recreativa de Tondela (ACERT). o valor corresponde ao que vocês gastaram nestes lápis. No fundo. na base da troca de conhecimentos científicos. Os artistas vivem num mundo de comunicação com o exterior e têm responsabilidades éticas no envolvimento com as comunidades e com os problemas de desenvolvimento dessas comunidades”. conseguimos materializar esse acto solidário. A equipa do projecto Identidades chegou com algum material didáctico na bagagem e aquela dose de altruísmo que serve de balão de oxigénio ao espírito solidário. Porque é que com esse dinheiro vocês não criam uma escola aqui ao lado? Basta pagar a um professor. nomeadamente quando não se tem resposta na ponta da língua para dúvidas. mas uma relação mais íntima com a vida”. É uma rede de amizades recíprocas.” José Paiva. carências e afectividades. A primeira paragem foi em Moçambique. José Paiva atira com outra convicção que consolida o Identidades: “É um projecto profundamente egoísta. . Um grupo de alunos e professores de Belas Artes começa por desenvolver um contacto permanente com artistas plásticos moçambicanos e com a Escola Nacional de Artes Visuais (em Maputo) e após o primeiro trabalho conjunto (com alunos portugueses e moçambicanos) o grupo adquire consistência e decide instituir-se como um movimento contínuo de relações. 1996 RUI MENDONÇA 14 | 15 Como se posiciona o artista no mundo. existe sim. FOTO-LITH E FOTOGRAFIA.

. Pedro”. MATALANA 2002 PRINCIPAIS EVENTOS MOÇAMBIQUE 1997 . 2001 . . Cada desenho ou imagem original será entregue a um escritor e servirá de mote para a criação de um texto original. WOKSHOP DE CERÂMICA. 2003 . ESCULTOR CARLOS BARREIRA 3.Trabalho de colaboração com a ENAV que resultou na elaboração de um Plano de Desenvolvimento Estratégico e numa plataforma de apoio à formação contínua do corpo docente. Projectos em marcha .1. WORKSHOP DE PEDRA. brasileiros e cabo-verdianos).calcetamento do passeio em frente ao Museu Nacional de Arte (MUSART) sob orientação de um calceteiro português. -“Pelo Nordeste do Brasil” Visita cultural: Recife.Cursos livres de Agosto. . Álvaro Siza Vieira. 1999 . Caruará.“Colectânea Breve de Literatura Moçambicana” (com textos ilustrados por artistas portugueses. etc). (Todos estes eventos foram sempre acompanhados por outro tipo de iniciativas como exposições.Oficinas de arte pública junto de comunidades da periferia da cidade do Recife. .Apoio à criação de uma Escola Internacional de Arte em Mindelo.Estudo e pesquisa sobre a pedra de Cabo Verde (e respectivas potencialidades escultóricas). leilões. .Acolhimento de docentes da ENAV em Portugal para a realização de Estágios pedagógico-profissionais em diversas áreas. Vicente (Atelier Mar) com a participação de portugueses e moçambicanos (oficinas artísticas).Celebração de um protocolo assinado entre a Gesto e o MUSART para montagem de uma oficina de serigrafia e apoio técnico de formação.Será editado o livro “Imagem passa a palavra”. .Programa de intercâmbio sediado na ilha de S. viagens. recorrendo a desenhos de artistas moçambicanos.1ª acção de intercâmbio artístico na Escola Nacional de Artes Visuais (ENAV) que se traduziu na concretização de “oficinas” de formação. 2002 . Contará com a colaboração de cerca de 50 artistas plásticos do mundo da lusofonia. MENINO A DESENHAR 2. PORTUGAL 2001 . BRASIL 2002 . Pesqueira.Arte pública – “Vamos caiar S. debates. . PEDRO 5.Arte pública .intervenção no Bairro de Hulene CABO VERDE 2000 . WORKSHOP “ARTE PÚBLICA” VAMOS CAIAR S.Pintura colectiva de uma das fachadas do edifício do Centro Cultural de Matalana. Ilha de Massangano e Salvador. PINTORA EMÍLIA ALÍRIO 4.Encontro com estudantes e artistas plásticos dos quatro países envolvidos no projecto que resultou na produção de escultura monumental. Petrolina. José Craveirinha e Mia Couto são alguns dos nomes envolvidos no projecto. Edições: 2000 .Arte pública .

na sua classificação de periódicos. e a sua organização resultou de uma parceria entre a Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física e o Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina. correspondido à vontade da Faculdade em criar uma área autónoma de candidatura a financiamento de projectos em “Ciências do Desporto”. quer a nível nacional quer internacional. sendo avaliados como bons. no cumprimento de exigências académicas. este evento veio para Portugal e para a cidade do Porto. a ausência de um trabalho conjunto nos diferentes domínios de investigação limita o crescimento do potencial existente. novas ideias. é ainda pouco significativa uma actividade de investigação ao nível dos laboratórios que congregue docentes e investigadores de várias formações científicas e também estudantes que. Recorde-se que o ISI Journal of Citation Reports já consagra. Desta forma. Como nas palavras de Mia Couto: “Só um mundo novo nós queremos: o que tenha tudo de novo e nada de mundo” . novas experiências. Existe a consciência de que a promoção de projectos interdisciplinares. O encontro contou com participantes dos 5 continentes. Num mesmo quadro de desenvolvimento de uma cultura científica e de promoção da actividade de investigação deve ser entendida a organização de grandes reuniões científicas internacionais. tem sido difícil a consolidação de uma cultura científica e de uma estrutura de organização da actividade de investigação que potencie o enorme esforço e dedicação desenvolvidos pela grande maioria dos investigadores da Faculdade nos diferentes trabalhos em que estão envolvidos. Este ano. até hoje. Esta dinâmica é portadora de um enorme potencial de desenvolvimento de todos os docentes e investigadores da FCDEF e de todos os que de fora se encontram e se cruzam por cá. sejam trocados novos saberes. Oded Bar-Or e Per-Olof Astrand. possam associar-se a equipas e projectos pesquisa. quer a nível nacional quer internacional. debate e divulgação de aspectos ligados ao exercício físico e desporto da criança e do jovem. novas descobertas. o crescimento da Faculdade tem sido fundamentalmente conseguido à custa das necessidades decorrentes da realização de provas académicas. novas ideias. novas experiências. poderá aumentar a qualidade e a inovação nos projectos e simultaneamente atrair maiores financiamentos externos. a partir de desafios equacionados nos domínios das diversas áreas científicas.os Professores Joseph Rutenfranz. Por outro lado.UP ORTO COMENTÁRIO A FCDEF-UP e a actividade de investigação 16 | 17 O esforço de consolidação de estruturas laboratoriais e de formação de equipas de investigação mais coesas e bem preparadas tem encontrado um obstáculo no facto de a Fundação para a Ciência e Tecnologia não ter ainda. Do ponto de vista da investigação. que contará com cerca de FCDEF no centro do debate científico A Faculdade definiu de forma consciente e objectiva que deverá constituir-se como um ponto de encontro onde. Isto é. nos quais pretende envolver o melhor do seu potencial humano e de recursos técnicos. Neste quadro. os laboratórios não estão ainda dotados de meios humanos e técnicos que permitam responder às exigências dos diferentes estudos. Assim. a Faculdade assumiu e assumirá importantes desafios a este nível. seriam segundo os avaliadores coordenados por investigadores inexperientes. novas descobertas. pois ajudou a abrir caminhos. Os seus progenitores foram figuras do maior destaque mundial no domínio da Fisiologia do Exercício . sejam trocados novos saberes. A Faculdade definiu de forma consciente e objectiva que deverá constituir-se como um ponto de encontro onde. Em Setembro de 2004 a nossa Faculdade organizará na cidade do Porto o X Congresso de Ciências do Desporto e de Educação Física dos Países de Língua Portuguesa. Em consequência têm sido inviabilizados muitos projectos da Faculdade que. não deixa de ser limitativo no alcance que pode e deve ter uma política de investigação científica. . as “Ciências do Desporto” como uma área científica autónoma. Disso são exemplo a recente (15 – 18 de Setembro último) organização do 22nd Pediatric Work Physiology Meeting que se constitui simultaneamente numa instituição e num espaço de investigação. o que não deixando de ser positivo. num quadro temporal mais próximo.

Trata-se de uma reunião científica que decorre há 15 anos já e de que a Faculdade foi uma das duas entidades fundadoras. Lisboa e São Luís do Maranhão. afirmação e reconhecimento da FCDEF-UP e de todos quantos se dedicam ao estudo e investigação na área em apreço. É aliás a 2ª vez que teremos a honra de organizar o Congresso. Florianópolis. Trata-se do Xth World Symposium on Biomechanics and Medicine in Swimming.> PUB 600 participantes. ANTÓNIO MARQUES PROFESSOR E PRESIDENTE DO CONSELHO CIENTÍFICO DA FCDEF.UP JOSÉ MAIA PROFESSOR E VICE-PRESIDENTE DO CONSELHO CIENTÍFICO DA FCDEF. entre os quais os melhores investigadores dos países de língua portuguesa nesta área de conhecimento. que contará com a participação dos melhores especialistas do mundo. Um outro evento internacional importante acontecerá na Faculdade em 2006. Do exposto depreende-se bem a importância que estas reuniões internacionais têm para a internacionalização. Corunha. Maputo. que teve também já lugar em cidades como o Rio de Janeiro.UP . Coimbra. Recife.

O recurso ao vinho para obter receitas. As origens A génese deste novo estabelecimento de ensino da cidade do Porto é curiosa e exemplar porque resulta da convergência e da conjugação de vários interesses e vontades: i) a Junta Administrativa da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro que sentia bem a falta de técnicos competentes nas áreas da contabilidade. Porquê? Porque já se cobravam 4 réis nos meses de Abril e Maio para as obras das estradas do Douro.UP ORTO NA CAPA Duzentos anos da Academia Real da Marinha e Comércio Precursora da Universidade nasce por impulso do comércio ASPECTOS DA ACADEMIA POLITÉCNICA. Livres apenas na aparência visto que. militares e civis. A substância do discurso a proferir devia seguir e seguiu as directrizes constantes nos Estatutos. iii) A Câmara Municipal por três ordens de razões não deveria ficar de fora: primeiro porque a Academia iria aproveitar-se das infraestruturas do Colégio dos Meninos Órfãos que desde a sua fundação. e nos meses de Dezembro a Março recebia-se 1 real para as despesas da Casa da Correição. da escrita e da comunicação internacional e da marinha mercante numa cidade cuja actividade económica primordial era o comércio com o exterior. Língua e Francesa. Escrita. O mesmo alvará acrescenta as aulas de Filosofia Racional e Moral e de Agricultura. para as obras públicas e da barra do Douro. Esta última nunca conheceu grande sucesso. sendo insuficientes para a nova instituição as instalações e as rendas do dito Colégio era necessário aumentar umas e outras. e consistiu numa sessão organizada segundo o ritual previsto nos Estatutos. Dos 33 que se inscreveram em 1819 nem um só se submeteu a exame. que toma a iniciativa de propor a fundação. foi festivamente inaugurada a actividade lectiva da Academia Real da Marinha e do Comércio da cidade do Porto. A aula de Desenho existia antes e foi retomada expressamente no alvará de 29 de Julho do mesmo ano. Em 1811 foi criada a aula denominada de Primeiras Letras que compreendia Gramática Portuguesa. como convinha. embora superprotegida pelo poder público. Um Te Deum Laudamus cantado e acompanhado por música instrumental coroou. Embora a média anual de inscrições tivesse baixado substancialmente em relação aos números iniciais. terceiro. porque no Antigo Regime. CARDOSO VILANOVA. momento tão significativo para a causa da instrução pública. nada do que acontecia numa cidade. em 1651. mormente no domínio da instrução. Comércio (durante um biénio). era apoiado e tutelado pela edilidade. 18 | 19 Na tarde do dia 4 de Novembro de 1803. de muito repetido. (um real em cada quartilho vendido nos meses de Junho a Novembro) a cobrar sobre o consumo de vinho dentro de muros e nos arredores. O decreto fundador de 9 de Fevereiro de 1803 não previa mais que 4 aulas: Matemática (ao longo de um triénio). não era nada que os contemporâneos estranhassem. ao Lente do 3º ano de Matemáticas. A sustentação financeira da nova Academia assentaria num tributo. contam-se por milhares os estudantes que ao longo dos seus 34 anos de vida frequentaram as diversas «Aulas». Mas a proposta da Junta Administrativa da Companhia Geral é muito hábil ao propor precisamente aqueles meses. Aritmética e Catecismo. no mesmo local onde hoje se ergue a Faculdade de Ciências. ii) O governo central de quem dependia a autorização final e que estava predisposto a concedê-la à segunda cidade do Reino uma vez que havia precedentes bem sucedidos na Capital e alguma experiência acumulada na cidade requerente. 1833. na presença das autoridades eclesiásticas. A aula de Náutica parece ter sido integrada na Aula de Matemáticas que também se chama algures nos documentos Doutrinas Matemáticas e Navegação (alvará de 29 de Julho). como estava regulado. Bastará recordar que entre 1819 e 1829 (período de funcionamento) matricularam-se nela 86 candidatos mas não mais que 7 obtiveram aprovação. O acto oficial de abertura teve lugar na Igreja de Nossa Senhora da Graça anexa ao Colégio dos Meninos Órfãos. recebia-se 1 real por cada quartilho. Em 1813 entre matriculados de novo e reconduzidos frequentavam-na O desempenho . era estranho à jurisdição municipal. para além de outras taxas e impostos. ritual reforçado pelas circunstâncias do local em que decorreu a reunião. porque. Aqueles seis meses do ano estavam livres. ficando as reprogramadas fontes de financiamento sob administração da Câmara. Que a criação da Academia Real correspondeu a um anseio generalizado parece fluir do número de matrículas que se verificaram no primeiro ano: nada menos que 624 (o que não quer dizer igual quantidade de alunos visto que alguns se inscreviam em mais que uma «aula»). A oração de sapiência coube. ou seja na área de monopólio da Companhia do Alto Douro. Sublinhe-se que é uma empresa de capital privado. segundo. durante todo o ano. João Baptista Fetal da Silva Lisboa. Língua Inglesa.

Porquê? Porque assim. 22 dos Estatutos que prescreve a obrigatoriedade de um exame final sobre todas as matérias leccionadas durante os três anos da Aula de Matemática. em os parágrafos segundo. titulo sexto. para além de dados sobre idade.143 alunos. convém valorizar nesta perspectiva o estipulado no art. Curiosamente no curso de Matemáticas o nível de sucesso estaria próximo dos 80%. de muito repetido. Mas alguns dos docentes eram. merecendo posição de destaque neste contexto a Aula de Matemáticas. 24 . A fonte. informa-nos sobre o aproveitamento escolar. Algumas notas sobre os alunos e a frequência Que objectivos moveriam os jovens a candidatarem-se à Academia? Certamente o desejo de conseguir boas condições de vida. A isenção militar explica que tenha ido parar ao Arquivo Histórico-Militar um excelente conjunto documental que nos informa amplamente sobre os alunos inscritos em cada Aula no ano lectivo de 1813/1814. terceiro e quarto». naturalidade e extracção sócio-económica. MANUEL MARQUES DE AGUIAR. No conjunto. capitulo segundo dos Estatutos da nova reforma da Universidade de Coimbra. Outro pormenor a registar é o contido no art. 1789). FRANCISCO RIBEIRO DA SILVA Vice-Reitor da Universidade do Porto PORMENOR DE ILUSTRAÇÃO DA CIDADE DO PORTO (GODINHO. eles não eram todos iguais. com maior expressão nas línguas vivas. de facto. não era nada que os contemporâneos estranhassem A Academia Real da Marinha e do Comércio e a Universidade Entendemos que à Universidade do Porto assiste o pleno direito de ver na Academia Real da Marinha e do Comércio raízes da sua própria existência. entre os quais se contavam os órfãos do Colégio. . a vontade de fugir ao recrutamento militar seria motivação primeira. reza o documento. previa-se que os formados por esta Academia pudessem exercer essas funções. eram cursos técnicos que provavelmente preparavam bons profissionais mas ninguém ousaria chamar-lhes cursos universitários. 50 dos mesmos Estatutos: não poderiam ser consultados para Lentes ou Substitutos das Faculdades de Matemática. Para este efeito. A Universidade do Porto. Porquê? Não era certamente pelo nível dos cursos. de nível superior e tinham iniciado a carreira profissional na Universidade. oferecendo-nos uma verdadeira radiografia da vida académica da instituição. O recurso ao vinho para obter receitas.COLÉGIO DOS ORFÃOS EM CIMA: GRAVURA DO PORTO. Mas. percebe-se que a data de 1762 (criação da Aula de Náutica) seja igualmente relevante. consciente ou inconscientemente. escaparia menos gente ao recrutamento e poder-se-iam recrutar moços com uma certa instrução. para muitos. de alguma forma assim o entendeu. E explica também a sugestão que é dada ao ministro da Guerra e da Marinha para que as Aulas de Preparatórios para a Universidade não admitissem candidatos com mais de 16 anos e que em nenhuma Aula ou Academia se aceitassem alunos com mais de 15 anos. a mocidade começaria mais cedo a frequentar as Aulas. O insucesso nesse ano atingiu cerca de 35%. 1791. Aliás. Pelo menos era assim nos tempos que se seguiram às invasões francesas. de tal modo que o Poder entendeu excluir desse privilégio os que se haviam inscrito após o dia 28 de Setembro de 1813. Do mesmo modo. para futuro. É o caso do Lente de Agricultura Joaquim Navarro de Andrade e de vários Directores Literários da Academia. quando adoptou como legenda a guarnecer a sua medalha a máxima latina virtus unita fortius agit que pertenceu originalmente à Academia Real da Marinha e do Comércio. punha-se em equivalência o curso da Universidade com o da Academia. Mas. Ora «a forma deste acto será regulada em tudo pelo que se acha disposto no Livro terceiro. E se a dita Academia surgiu na continuidade das Aulas de Náutica e Desenho (ostensivamente a existência dessas Aulas é invocada como argumento a favor no requerimento de fundação dirigido ao Príncipe Regente). Filosofia e Agricultura senão indivíduos licenciados pela Universidade de Coimbra.

.desde que se obrigasse a fazê-lo no espaço de quatro anos. assim chamada por nela ter vivido. Caiu de velho. restam duas ou três casas de rés-do-chão e primeiro andar que ficam a nascente daquele largo. assistiu ao massacre dos implicados na revolta dos taberneiros. Regressemos à Cordoaria do tempo em que por ali andavam os cordoeiros entregues à árdua tarefa de entrançar os seus cordames. a cidade continuava voltada para o rio. ficava o convento dos religiosos carmelitas e a igreja dos Irmãos Terceiros. por sua vez.UP ORTO NA CAPA Que resta no antigo olival do tempo da Academia Real ACADEMIA POLITÉCNICA. As duas margens foram ligadas por uma . onde. da Academia Real da Marinha e Comércio. ao longo dos caminhos que ligavam com as principais entradas da cidade medieval e através dos terrenos de cultivo e das hortas viçosas que proliferavam em torno dos velhos muros. deu origem a que a cidade tivesse de se expandir e começasse a estender-se para fora da antiga muralha chamada fernandina que durante séculos a delimitara. e apesar das profundas transformações urbanísticas que se iam operando. GERMANO SILVA Jornalista e historiador do Porto Porém. Ali perto. devem ser. até há meia dúzia de anos. João e a desaparecida capela de Nossa Senhora da Batalha. Com efeito. protagonizou uma das maiores tragédias que enlutou o Porto: o desastre da Ponta das Barcas ocorrido em Março de 1809. era através do Douro que se fazia a maior parte do intenso tráfego mercantil com as ricas províncias do interior mas também com o exterior. apesar das alterações sofridas ao longo dos séculos. ainda mantém as características de uma casa típica do século XVI. corria a Viela do Assis. Resistiu a furacões. 20 | 21 O prédio com o número 60 do Campo dos Mártires da Pátria que. Refiro-me a um “hulmus” que fora plantado em 1612 e que os portuenses conheciam pela popular designação de Árvore da Forca apesar de nunca ninguém ter sido nela enforcado. a Cordoaria dos nossos dias. estreita e sinuosa. artéria imunda. Desapareceu quando se procedeu ao arranjo urbanístico do actual Largo do Prof.. coevos da criação. que concedia gratuitamente os terrenos ocupados pelas torres e muros do Porto a quem nesses lugares pretendesse construir . que se estendia desde a Rua do Carmo até ao vasto campo da Cordoaria. UMA CIDADE VOLTADA PARA O RIO ponte de barcas que se inaugurou em Agosto de 1806 e que. Paralela à Viela do Loureiro. Abel Salazar. em 1794. no velhinho “rocio da cidade”. o consulado da França. cujo hospital. Esse desenvolvimento trouxe. um significativo aumento da população o que. durante a segunda invasão francesa. mas ainda no perímetro do amplo campo do Olival. já fora da Cordoaria. Quase tudo isto já desapareceu. mais recentemente. Em Vila Nova de Gaia estavam sediadas as principais casas e respectivos armazéns do Vinho do Porto. no tempo da rainha D. já no século XIX. três anos depois. Dessa época. É mais que provável que vinha daquele tempo a já desaparecida Viela do Loureiro. em 1803. a par com o edifício da antiga cadeia e a capela de S. os únicos elementos existentes. foram construídos em terrenos por onde passava o antigo muro defensivo. o médico Assis Vaz que habitou a casa arredondada que faz esquina do Campo dos Mártires da Pátria com a Praça de Parada Leitão.. José das Taipas. sensivelmente a meio desta. A cidade nos começos do século XIX atravessava um período de alguma prosperidade que já vinha. Foi por essa altura que se começou a desmantelar o pano da muralha que subia ao longo das ruas de Trás e dos Clérigos. mas. A actual Travessa do Carmo chamou-se. a um incêndio. ainda nos nossos dias funcionou um hotel e. desapareceu um dos mais curiosos símbolos da Cordoaria que era anterior à fundação da Academia. verdadeiramente. começaram a ser abertos novos arruamentos à margem dos quais iam aparecendo novas habitações em cuja construção se empregava a pedra que ia sendo extraída dos montes e escarpas que se arrasavam. desde os meados do século anterior. Os pesados blocos de granito que de lá saiam foram aproveitados para a construção do paredão do “cais novo de Monchique” que vai de Miragaia até Massarelos. nomeadamente com o Brasil e com a Inglaterra. O Teatro de S. como consequência natural e compreensível. Há meia dúzia de anos. de pé. 1882. Anteriormente esta imunda artéria teve um triste nome: Viela do Enforcado. construído no antigo Largo dos Ferradores (actual Praça de Carlos Alberto) começou a receber os primeiros doentes em 1800. Viela dos Poços e ligava com a Viela do Loureiro. em tempos muito recuados. em crescendo. Maria I. O desmantelamento da muralha havia começado.. Entretanto. viu construir o edifício da Academia e ficou. se tanto.

seguida de um Te Deum. professor de História da Cultura Moderna da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. reconstituição da abertura oficial das aulas da antiga instituição e uma exposição. patente no Salão Nobre da Faculdade de Ciências e na sala anexa entre 14 de Novembro e 15 de Dezembro. no Salão Nobre da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. será reconstituída pelo grupo de expressão dramática Limite Zero. ÁRVORE DA FORCA © MARCO . livros. PRAÇA GOMES TEIXEIRA. inclui instrumentos científicos. APR 3188. ARQUIVO DE FOTOGRAFIA DO PORTO -CPF/MC. pinturas e gravuras das colecções do Museu Nacional de Soares dos Reis. A cerimónia comemorativa decorre a 4 de Novembro. Inclui também garrafas de vinho do Porto da época. lente do 3º ano de Matemáticas. A exposição. PAZ DOS REIS. documentos diversos. XX.Universidade reconstitui abertura das aulas As comemorações dos 200 anos da Antiga Academia Real da Marinha e Comércio incluem uma cerimónia com oração de sapiência proferida por Cândido dos Santos. interpretado pelo Coral de Letras na escadaria da Faculdade. simbolizando o papel determinante que a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas desempenhou na criação da antiga Academia Real. do Colégio dos Órfãos e ainda da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. a partir das 15 horas. A oração de sapiência inaugural da Academia Real. INÍCIO DO SÉC. proferida por João Baptista Fetal da Silva Lisboa. manuais.

1837 1836 1886 1888 Luz eléctrica no Porto.CPF/MC. João. Biblioteca Municipal dirigida por Sampaio Bruno. Suicídio de Camilo Castelo Branco. (7) 1890 Academia Real da Marinha e Comércio substituída pela Academia Politécnica. APR 3415 Invasões Francesas. 1913. Porto isolado (e humilhado) por um cordão sanitário. 1895 Abre a Circunvalação. 1881 É fundada a Associação Comercial do Porto. 1975) 22 | 23 1762 1770 Criada a Aula de Náutica do Porto. 1807-1810 1825 1832 “Nasce”. APR 3415 Criado o Liceu Central do Porto. Inaugurada a Ponte Pênsil. o cinema português. (4) Abertura ao público do Museu Portuense. Moreira de Sá cria o Orfeão Portuense. no Porto. Criada a Escola Médico-Cirúrgica do Porto. Alexandre Herculano trabalha como bibliotecário na Real Biblioteca Pública do Porto. 1º comboio chega à Estação de FOTO DE ALVÃO. Rodrigues de Freitas. no Porto. 1832-1833 1833 Início da iluminação a gás na cidade. 1855 1865 Ultimatum britânico. (2) 1803-1807 Revolta republicana do 31 de Janeiro. 1911 1878 O Porto elege o 1º deputado republicano. Criação da Universidade do Porto . Nasce a revista O Tripeiro. liberais ocupam o Porto. (5) IMAGEM DE “O BILHETE POSTAL ILUSTRADO E A HISTÓRIA URBANA DO PORTO” EDITORIAL CAMINHO Surto de peste bubónica. Nascimento. Exposição Internacional da Indústria (Palácio de Cristal). 1834 Inauguração da ponte ferroviária Maria Pia (do gabinete de Eiffel). Incêndio do Teatro Baquet. Nasce a Associação Industrial Portuense. (1) FOTO DE PAZ DOS REIS. quando Aurélio da Paz dos Reis filma a S. 1891 1786 1798 1799 Morte de João de Almada e Melo. (6) IMAGEM DE “O BILHETE POSTAL ILUSTRADO E A HISTÓRIA URBANA DO PORTO” EDITORIAL CAMINHO 1ª ligação telefónica com Lisboa. Entra em funcionamento a Escola Industrial do Porto. 1896 Construída a Academia Real da Marinha e Comércio da Cidade do Porto. 1840 1843 1849 1852 1854 Nasce a Aula de Debuxo e Desenho. ATELIER DE JÚLIO PINA. 1779 Criada a Academia Portuense de Belas-Artes. Inaugurado o Teatro de S. (8) 1899 Saída das Operárias da Camisaria Confiança.UP ORTO NA CAPA Cronologia A pré-história da Universidade em 36 datas LUÍS MIGUEL DUARTE (HISTÓRIA. Bento. Colocação da 1ª pedra do Hospital de Santo António. (3) Desembarque do exército liberal no Pampelido. Abre o Mercado Ferreira Borges. ARQUIVO DE FOTOGRAFIA DO PORTO CPF/MC. Primeiro carro eléctrico da Península. no Porto. de Almeida Garrett. 1904 1908 1909 1877 Cerco do Porto. ARQUIVO DE FOTOGRAFIA DO PORTO .

PLANTA DA CIDADE EM 1839 . 3. 7. 6. 5.1. 2. 4. 8.

Assim. também. e conta com o apoio da Agência de Inovação. no Institut Français de la Brasserie et de la Malterie. há já muito tempo que as cervejeiras usam a medição da concentração de diacetilo para saberem quando terminar o processo de fermentação. Eureka! Aproximadamente a meio deste estudo (meados de 1994). onde o responsável pela qualidade de então. pois já tinha chegado a acordo com o cliente francês! A investigação científica. sendo um trabalho metódico não está imune ao acaso. Cristina Gonçalves. acaba de implementar um teste que permite avaliar o envelhecimento da bebida. com especial destaque para o Director do Departamento de Qualidade. actualmente em curso. como Portugal. chegaram à conclusão de que o método detectava não só o ácido oxálico mas todo um conjunto de compostos orgânicos importantes. a sua equipa dedicou-se a esse estudo e passados cerca de seis meses concluiu que o composto era de facto. O tempo de vida da cerveja é importante para as cervejeiras instaladas em países com climas amenos. Em França. De facto. o diacetilo. segundo. muito dispendiosos. nomeadamente o ácido oxálico. Foi então que os membros do Departamento de Química da Faculdade de Ciências planearam o desenvolvimento de um método voltamétrico de determinação rápida. Entre estes estava o diacetilo. O referido composto. assistente do Departamento de Química. Aquiles Barros. Nessa altura. Foi então que o fabricante de rolhas entrou em contacto com Carlos Corrêa. consequentemente. Augusto Ferreira e pela sua responsável pela assessoria técnica. as rolhas apresentam uma coloração rosa. que por vezes conduzem a resultados visíveis. após ter patenteado um método que permite a determinação do ponto ideal de fermentação da cerveja. é duplamente importante: primeiro. evitando a complexidade dos métodos actuais. se tivermos em conta que a temperatura acelera o processo de envelhecimento. mas esta medição é conseguida através de métodos espectrofotométricos e cromatográficos. na esperança de que conseguisse descobrir se o corante era ou não proibido. os investigadores decidiram continuar o estudo sobre a detecção voltamétrica de outros compostos utilizados na produção industrial de rolhas. está practicamente concluído o trabalho de doutoramento de Luís Guido. professor associado no Departamento de Química e investigador da linha 3 do Centro de Investigação em Química da Universidade do Porto (CIQ). Carlos Corrêa resolveu contactar um especialista na detecção voltamétrica de corantes em géneros alimentares e cosméticos. Efectivamente. professor catedrático do Departamento de Química da Faculdade de Ciências. a participação da Unicer. Aquiles Barros e a sua equipa decidiram explorar outras aplicações deste método ligadas ao estudo da cerveja. . com supervisão do professor Patrick Boivin. a Unicer. será possível determinar em poucos minutos o ponto de fermentação e maturação ideal no fabrico da cerveja. No seguimento deste estudo. porque a diminuição brusca da sua concentração aquando do fabrico assinala o fim do processo de fermentação da cerveja. proibido. simples e em fluxo (Figura 1). Este foi o tema inicial do trabalho de doutoramento de José António Rodrigues. a Carlsberg e a Controlo e Automação Industrial. Em meados do ano de 1990. a companhia francesa alegava que o fabricante português tinha utilizado na produção daquelas rolhas um corante mais barato e não permitido por lei. que após uma rápida pesquisa se veio a saber de extrema importância no processo de fabrico da cerveja. ameaçando-o de retaliações legais.UP ORTO UNIVERSIDADE EM CONSTRUÇÃO Teste inovador mede tempo de vida da cerveja 24 | 25 Uma equipa de investigadores do Centro de Investigação em Química da Universidade do Porto (CIQ). muito complexos e demorados e. ou seja. No entretanto. essa informação já não interessava à empresa fabricante de rolhas. um especialista de renome na área da cerveja. Neste âmbito. Não sendo essa a sua área de investigação. Machado Cruz. agora professor auxiliar no Departamento de Química. parcialmente realizado em França. uma pequena empresa nacional produziu e exportou um milhão de rolhas para uma companhia de vinhos francesa. Este método já foi optimizado no laboratório e encontra-se em curso a concepção de um protótipo automático nas instalações da Unicer. liderada por Aquiles Barros. Aí surgiu o primeiro contacto com a Unicer. ao encadeamento aleatório de pequenos acontecimentos. Este projecto inovador e ambicioso já deu origem a um registo de patente nacional datado de Outubro de 2002 e a um processo de patente europeia. De referir. aquando da sua produção são mergulhadas num corante. Inovação e Desenvolvimento. O projecto resulta de uma parceria entre a Universidade do Porto. Machado Cruz prontamente referiu a importância do envelhecimento da bebida. ficou entusiasmado com os resultados apresentados pelos universitários. No entanto. porque confere à cerveja um sabor desagradável.

Tudo isto acontece quase em simultâneo com o resultado da avaliação trienal da FCT às unidades de I&D. é possível obter uma medida precisa do grau de envelhecimento da cerveja. FIGURA 1. medindo voltametricamente as quantidades de acetaldeído e de dióxido de enxofre e calculando a razão entre estas.Precisão nos resultados Já há muitos anos que as indústrias cervejeiras recorrem a painéis de provadores de cerveja para avaliar o tempo de vida dos seus produtos. como diz Aquiles Barros...) fiáveis indicadores químicos do envelhecimento da cerveja. este grupo de investigadores conseguiu mais uma vez desenvolver um método analítico voltamétrico que permite a determinação rigorosa de acetaldeído e dióxido de enxofre. prevenindo a formação de aldeídos. À medida que o dióxido de enxofre vai desaparecendo. DETERMINAÇÃO VOLTAMÉTRICA EM FLUXO DO DIACETILO NA CERVEJA vão-se formando aldeídos e a cerveja perde qualidade. tendo o CIQ obtido a classificação máxima: Excelente! . que são responsáveis pelo mau gosto da cerveja envelhecida. o reconhecimento de duas revistas científicas generalistas de prestígio inquestionável. mostrando que esses dois compostos podem ser utilizados como indicadores químicos do envelhecimento da cerveja. Uma das recentes publicações deste estudo editada por uma revista científica norteamericana conceituada. Então. mereceu Membros do Departamento de Química da Faculdade de Ciências conseguiram desenvolver um método que permite a determinação rigorosa de (. No entanto. a New Scientist e a Chemistry in Britain. algo que acontece “uma vez na vida” . como o nonenal. a Journal of Agricultural and Food Chemistry. O dióxido de enxofre funciona como antioxidante. Os resultados do estudo revelaram-se muito próximos dos obtidos por um painel de provadores especializados (Figura 2).

permitindo a análise simples e rigorosa de metais pesados em águas contaminadas.CERVEJA ENVELHECIDA NATURALMENTE (6 MESES A 20ºC). surgiu em meados dos anos trinta e é uma técnica analítica que permite análises qualitativas e quantitativas. com novos recursos electrónicos.CERVEJA ENVELHECIDA ARTIFICIALMENTE (UMA SEMANA A 37ºC). contam já com outros projectos em curso. embora privilegiando a investigação. e que. A voltametria. LEGENDA: A . a determinação do nonenal na cerveja por HPLC (cromatografia líquida de alta pressão). . B . evitando a complexidade dos métodos actuais. a voltametria voltava em força. um sonho de futuro passa por ter uma unidade de análises de cerveja e outros géneros alimentícios. No entanto.CERVEJA FRESCA. bem estruturada. A base do método consiste na medição da variação da intensidade de corrente que passa entre dois eléctrodos mergulhados na amostra quando se faz variar a diferença de potencial entre eles. C B GRAU DE ENVELHECIMENTO A TESTE VOLTAMÉTRICO PAINEL DE PROVADORES 26 | 27 Para o professor e investigador Aquiles Barros. também permita prestações de serviços a entidades nacionais e até internacionais”. a detecção de iões metálicos na cerveja e nas suas matérias primas. inicialmente designada por polarografia. BRUNO JARRAIS Licenciado em química pela FCUP O MÉTODO VOLTAMÉTRICO Será possível determinar o ponto de fermentação e maturação ideal no fabrico da cerveja em poucos minutos.UP ORTO UNIVERSIDADE EM CONSTRUÇÃO FIGURA 2. a determinação de ácido ascórbico em refrigerantes e a determinação da vitalidade da levedura. com o aparecimento de novas metodologias analíticas. Os resultados obtidos (voltagramas) permitem conhecer rigorosamente a concentração de uma ou mais espécies presentes na amostra. Só na década de oitenta. foi atribuído o Prémio Nobel da Química a Jaroslav Heyrovsky pelo seu trabalho no desenvolvimento das técnicas polarográficas. Estes planos incluem o estudo dos factores que influenciam o envelhecimento da cerveja. PERSPECTIVAS FUTURAS Os investigadores envolvidos neste projecto. COMPARAÇÃO DOS RESULTADOS DO TESTE VOLTAMÉTRICO COM OS DO PAINEL DE PROVADORES DA UNICER. a partir de 1960. todos eles ligados também à química alimentar. “incorporada no Departamento de Química. C . Em 1959. a voltametria quase caiu no esquecimento.

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arquitectos e estudantes. Depois. o Mário Bonito. Era ele e o Viana de Lima. T ambém o esforço para a transformação da escola em faculdade e o debate em torno da construção do edifício… De qualquer maneira. no julgamento dos estudantes da Escola do Porto. interno e externo. que dá umas aulas e mantém uma actividade docente limitada. naquilo que prende. e transformou totalmente a Escola. o Ricca. Houve também uma interrupção porque.por exemplo. uma evidente de falta de tempo já. Depois . Há algum momento em que julgue que a Escola do Porto tenha sido particularmente decisiva na arquitectura portuguesa? Sim. deu-se a demissão global dos professores. que não estava então na faculdade. e muitos outros. tendo dado a sua última aula no passado dia 1 de Outubro. através do SAAL (Serviço de Apoio Ambulatório Local). a equipa de estudantes que conheciam aquela população. Mas sou um elemento marginal dentro da Escola. mas também muito criativo. DE ALMEIDA: Qual é a sua memória sintética deste tempo? ÁLVARO SIZA: Houve muitas diferenças de intensidade. Museu de Arte Contemporânea de Serralves. era mais ou menos essa a atmosfera. Álvaro Siza. uma pressão de transformação grande e. houve prisões . T rabalhava-se por exemplo em S. a dada altura. nos anos 60. T ambém pelo contacto internacional que alguns deles tinham. Carlos Ramos. a Manuela Sambade. o Carlos Loureiro. Porque houve aquele período de grande contacto com as populações. Depois o 25 de Abril. o Prémio Pritzker. reafirma nesta entrevista a sua concepção da arquitectura entendida como arte. onde se considera um elemento marginal.” BERNARDO P. Quando sucedeu a Joaquim Lopes. Um período muito conturbado e muito confuso.UP ORTO PERFIL Álvaro Siza entrevistado por Bernardo Pinto de Almeida “Temos que nos libertar da experiência” 28| 29 Álvaro Siza. depois de 74. era gente nova. em particular Távora. foi o introdutor da contemporaneidade na Escola. passei para um regime de cerca de 20% do tempo. E houve um acontecimento que envolveu as duas. ao fim de quase 50 anos de carreira. apartamentos Schlesisches Tor em Kreuzberg (Alemanha). uma participação envolvendo alunos e alguns professores. no pós-25 de Abril. houve a reforma em cuja reformulação estiveram as escolas quer de Lisboa quer a do Porto. para acumulação da vida profissional com a vida de professor. acompanhou as sucessivas mudanças da escola de arquitectura do Porto. Há 5 anos pedi para me reduzirem o tempo de serviço. portanto tenho uma participação reduzida. que era membro do CIAM (Congresso Internacional da Arquitectura Moderna). Houve estudantes que participaram activamente. e da Faculdade de Arquitectura. no período do Inquérito e através de pessoas que estavam dentro da Escola e que faziam da actividade profissional e docente uma única coisa. chamou uma nova geração de professores. após 35 anos de ensino com algumas interrupções. que foi muito influente na evolução da arquitectura aqui. que em 1992 recebeu o mais prestigiado galardão da Arquitectura. a T eresa Fonseca. o Octávio Filgueiras. afirma: “temos de usar a experiência naquilo que ela garante. V oltei mais tarde. e então entraram o Távora. depois de sucessivas exigências de reformulação do curso. onde depois fui chamado a dirigir. mas também libertar-nos dela. na altura eram o Eduardo Souto Moura. em 70 ou 72. o arquitecto português mais distinguido internacionalmente e dos que mais contribuiram para a consolidação do prestígio da designada Escola do Porto. a Graça Nieto. ao Bairro da Malagueira em Évora e à Igreja de Marco de Canavezes. como pessoa de grande conhecimento e inteligência que era. lembro-me também do clima. por onde passou muita gente. Mais tarde. o Alcino Soutinho. Acho que escolheu muitíssimo bem. dos arquitectos que o influenciaram. por várias razões. o Inquérito à Arquitectura Portuguesa. juntamente com o Domingos T avares. fala das relações entre a modernidade e a pós-modernidade. não muito mais velha que os próprios estudantes. o Adalberto Dias. que era uma outra pequena escola. o Hestnes. Carlos Ramos foi determinante para a defesa. Quais julga terem sido as grandes fases dessas mudanças? A primeira a que assisti foi na sequência da entrada de mestre Carlos Ramos como director. Hoje. houve grande agitação nas universidades em geral. A escola mudou completamente. pode dizer-se. Vitor. Desde o edifício da Faculdade de Arquitectura. e fazia o relato muito directamente dentro da Escola e também no seu próprio estúdio. havia um grande contacto. A direcção do Távora formou uma equipa coesa. as suas obras são visitadas. e até como estudante. um caos criativo. e talvez de energia. Era uma escola pequena. acaba de se jubilar na Universidade do Porto. estudadas e admiradas por multidões de curiosos.

sobre uma pretendida intrusão e interferência..Arquitectura é Arte. da arquitectura. e isso está no meu espírito desde sempre. o desenho ganhou muita força. e foi muito útil — ainda hoje desenho muito e sempre o fiz — como ferramenta para o trabalho do arquitecto. E é na reflexão feita nesse percurso. professor de construção. Aprender a ver. Trabalhei com ele na redacção do documento que foi enviado ao ministério. e não digo isso por vaidade ou orgulho. Além de trabalhar nalgum escritório e aprender aí. porque também há muita “construção civil”. um desenhador extraordinário que dava as aulas de Ornato. De maneira que não consigo dizer: esta agrada-me mais. vai ver o Bacon. Que me lembre agora de repente. Carlos Ramos. e isso está no meu espírito desde sempre Teve mestres determinantes na sua formação? Sem dúvida. quem vai lá. particularmente da Áustria decadentista.. são coisas que se dizem… ARQUITECTURA É ARTE Se tivesse que escolher uma das suas obras ao longo destes 50 anos de carreira qual escolheria? Há quem o acuse. representado . do que seria um entendimento mais concreto. que reconheço a minha acção como arquitecto. influenciado é-se sempre. gostaria de ter sido escultor e que a arquitectura foi uma segunda escolha. mestres e colegas. Isto é. é uma afirmação gratuita. é de tal ordem experimental que se perde. e há que compreender a essa luz as afirmações de quem era. para um arquitecto e para todas as pessoas. Porque estão a funcionar. e permite uma comunicação rápida com os outros – e falar de arquitectura é falar de trabalho de equipa – e connosco próprios. Ou. começávamos por formar pequenos grupos e alugar uma sala. dão-me vontade de rir. em que o dono da obra. é sabido que os edifícios que eu faço são visitadíssimos. em particular Fernando Távora . e o Louvre. Arquitectura é Arte. As afirmações que se fazem de que colide. num primeiro momento. de que a sua arquitectura. Para mim é. Um dos problemas que pressinto nesse mal estar. Não me esqueço das aulas do Manuel Marques. Quando se faz a exposição do Francis Bacon. não creio. Não há interferência nenhuma. em certos aspectos. um grande artista. exactamente pela percepção de como isso é importante para aprender a ver. por uma razão muito simples. Se há exemplo de um grande artista que é arquitecto é Loos. em funcionalidade e em comunicação imediata. É quase como um livro de bordo. Então. ninguém se distrai com a arquitectura. e tantos exemplos que se podiam dar. porque há um espírito de época que está presente em pensamento. apreciei o caso da Faculdade de Jornalismo de Santiago.. Não é por acaso que uma das coisas novas numa dessas reformulações do ensino. mas a ver em profundidade. mas lá comunicativos são. nalguns casos. foi que no debate que então houve e nas medidas tomadas. comentários? Bem. evidentemente. Arnaldo Araújo. sobretudo. em detalhe. Começávamos assim. Se quer que lhe diga o que penso é. mais eficaz. E também não vejo uma coisa que é muito afirmada. Falar de uma influência formal. quando se faz no museu de Santiago o Chilida. em globalidade. não só olhar. como as frases de Adolf Loos. já depois de 74. que é fundamental. de ser mais artista do que arquitecto.o primeiro sítio onde trabalhei com uma certa duração foi o escritório dele — ou Octávio Filgueiras. Que não sejam funcionais.. nessa tal crise. com os Museus de Serralves ou de Santiago. Julga que a sua arquitectura foi influenciada pelas artes plásticas? Bem. olhe. Não vejo essa linha de fronteira. é coisa que não entendo. Mas depois dessa geração houve vários a quem devo muitíssimo. é muito útil. Loureiro e tantos outros. Podem usar-se argumentos no sentido de dizer que isto é uma afirmação bárbara. O trabalho de desenho acelera isso e dá outra capacidade de ver que é fundamental. Quanto a comunicativo. Sendo turmas pequenas havia uma grande relação entre nós. que tem uma arquitectura marcadíssima. fazer os primeiros trabalhos. ou não seja funcional. porque quando há uma exposição boa. que inclui obras muito variadas. o Stedelijk? Há aí uns equívocos que custam a entender. Vê a arquitectura como uma arte? Declarou muitas vezes que. Porque o desenho é mais rápido do que o computador em certos aspectos. Como reage a esses Tinha uma grande dificuldade porque todas têm coisas bem e coisas mal. Depois. como sabe. O treino do desenho. o Rijksmuseum. Em parte será para dizer mal deles. para dar um exemplo. coisas pequeninas. é o facto de que vão multidões visitálos por causa da arquitectura. Rogério de Azevedo. que o que eu faço não seja comunicativo. alguns há 45 anos. Nem sempre o será. dizem que eu sou artista porque sou um arquitecto. desde logo. que reagia a determinadas circunstâncias da sua época. sujeitos a grandes transformações.

e sem margem para discussão. precisava. foi a absoluta travessia do deserto. Porque há problemas de ordem financeira. houve um período em que era quase exclusivamente solicitado para habitação social. houve maior divulgação da cultura portuguesa em geral. não há dúvida de que comunicam. Outra é degradar. em certos casos. muito estimulante mas difícil. através do Nuno Portas. e não só com Espanha. como se faz em toda a parte civilizada. e ele lá estava. ou em reformulação. Depois. conflituosa por vezes. mas parece-me que a coisa mais simples seria limpar os algerozes uma vez por ano. Havia um programa muito claro. por vezes dificuldades na aprovação de projectos. todas as semanas. Em Portugal tenho muitas solicitações. absolutamente. porque o curso foi-se transformando. mas realizações poucas. Depois. para a minha própria formação. e por vezes é criticado. etc. Há cerca de 20 anos. de infindável relacionamento 30 | 31 pelo Reitor. Não havia um risco numa carteira.. diminuíram as distâncias. porque estamos sempre a ganhar experiência. e também a possibilidade de ver . Depois o contacto trouxe o convite para apresentar trabalho em escolas de arquitectura. decorrente da entrada na Universidade e da actualização dos cursos. Foi uma obra muito difícil. Mas já tive uma desilusão e soube que tinha sido colocada uma nova guarda no exterior. relativamente cedo. estava ligada a isso. Eu ia lá. o jardim arranjado. reflexo da divulgação que tiveram as obras do SAAL. Lá está. de fazer outro tipo de obra e foi através de concursos que o consegui. o que é claro que tem que ver com a comunidade europeia. também não acho que seja pouco flexível. A começar. ao que me contaram. Portanto a sua leitura correcta deverá ser feita nessa perspectiva. mas estava em curso uma reflexão que atravessou todo o processo de construção. estava limpa. terem sido barbaramente derrubados os plátanos da Av. Essa situação transformou-se? Quais são as grandes etapas da sua carreira internacional? . Uma coisa é utilizar um edifício e utilizá-lo bem. e lá vai resistindo. porque estava a trabalhar num território em formação. RECONHECIMENTO INTERNACIONAL . e muito circunstancialmente. Mas há uma coisa muito importante a não esquecer. por isso se fala tanto que era a opção então considerada boa por quem o organizou. com uma distribuição muito precisa pelo edifício. muito menos reconhecimento do seu trabalho. Portanto o que está ali. e feita sob aquela particular atenção com que os arquitectos encaram a arquitectura que se vai fazendo. há muitos anos. é um programa específico. que o ensino se deveria processar em salas separadas de 15 estudantes. e nas decisões que foram tomadas. formalmente e no papel. Isto não é querer que as obras estejam paradas. sobretudo obra pública. salas teóricas também para 15 estudantes. A construção esteve sempre envolvida numa reformulação interna paralela. estava em presença o facto de você praticamente só ter obra concretizada a nível internacional. muito pouco. escolas. para mim e outros companheiros. coisas que não é habitual ver. o anula. Também recebi muitas críticas pelo facto de ser pouco flexível. alterá-lo sem razão nem coerência. De maneira que a minha reacção a certas críticas desse tipo é: sim senhor. em vez de aumentar o detalhe. mas mesmo lá fora comecei por trabalhar em habitação social. oportunidades de contacto com arquitectos.UP ORTO PERFIL A arquitectura é um tema de espaço e de relacionamento. Interrompido o programa. na sequência do SAAL. Tive que trabalhar muito para sair disso. até porque aumentou o intercâmbio. Antes do mais. o O que representou para si o ter projectado o edifício da Faculdade de Arquitectura do Porto? Bem. que tinha então um grande contacto internacional. Primeiro. Há sempre muitas circunstâncias que envolvem as obras e que são. E ao fim de não sei quantos anos a obra estava impecável. da mudança de pessoas. foi preocupante pelas indefinições que havia no campus como um todo. pouco. etc. e é claro que tem que entrar água. neste momento recebe mestrados. o facto de ter tido.. e em Portugal haver muito menos obras suas. realizam-se workshops e uma série de actividades. Eu lembro-me de. Olhe. Encargos e obra de certa dimensão. analisadas com uma lupa que. não me parece que houvesse desconhecimento. na Faculdade de Arquitectura do Porto entra água todos os anos porque não se limpam os algerozes. começou a gostar muito dela. sem nada me ter sido dito e. numa outra conversa que tivemos. primeiramente em Espanha. da Boavista porque entupiam os algerozes. O primeiro museu. portanto uma maior relação com outras culturas. E às minhas auto-críticas também.lá está! de ver -. delas Uma grande preocupação. após a fase das estruturas. depois outros trabalhos lá fora. recebido e cumprido. A outras estou atento. e estava interessado. traindo a integridade da obra. É que o programa exigiu.

no meu espírito vale sem dúvida falar de Loos.. que para ele a arquitectura começava quando uma senhora mudava uma cadeira de lugar na sala… Mas se tivesse que eleger os seus habitantes dessa grande casa do século XX. Para mim a arquitectura é um tema de espaço e de relacionamento. o recente Pritzker. Julgo que isso nunca me modificou em nada. muito interessante. Uma delas é que seria uma família muito grande e uma família muito grande não pode estar dentro da mesma casa. ou coisa assim. Fernando Távora disse-me. mas também aos afectos. da sua abertura a diferentes usos. paralelas. Esses principalmente. De maneira que fico muito satisfeito. Para citar nomes. Sendo. na consolidação de uma ideia ligada à consciência e à acção. de participar. Falava de Corbusier. portanto de não estar longe do debate contemporâneo como se estava nos anos 50. nessa altura. pode-se dizer sem exagerar. Olhe Utzon. as primeiras publicações sobre arquitectura portuguesa e o impacto do trabalho do SAAL. porque Portugal não é um país que tenha muitos artistas. Os mais prestigiados prémios internacionais têm sido atribuídos à sua obra. para a formação de um arquitecto. como eu dizia. Como é que isso interfere no seu trabalho? De quem é que se sente familiar na arquitectura contemporânea? Quais são os arquitectos de que se sente próximo? Familiar. A arquitectura define-se pelas relações que estabelece. é uma possibilidade de conhecer de perto o que se vai fazendo e. Hoje há muitos. quem seriam? Bem. Como quando a senhora pega numa cadeira — e estou de acordo que sim. para o dizer de uma forma muito esquemática. sem dúvida. o que não sei se estava implícito na sua pergunta. que nos anos 50 foi um verdadeiro choque na evolução da arquitectura. de Frank Lloyd Wright. Agora. habitação social. não só com o Brasil ou a França. Depois há Gropius. e essas circunstâncias são muito variadas. e já falou há pouco de Adolph Loos. não há ninguém que não fique satisfeito por receber um prémio. Não há praticamente exemplo de forma arquitectónica que não tenha abordado. um factor favorável. Há circunstâncias que determinam que seja A. Você tem desenhado igrejas. É uma quantidade de gente… Acho que é uma resposta poética. museus. de Alvar Aalto. em tempos. Seria uma cidade. entende que quanto mais diversificar mais enriquece o seu próprio trabalho? Entendo que. Tem preferência por uma forma ou. por várias razões. pelo contrário. havia dois ou três.. uma figura determinante da arquitectura. contactos alargados. com o impacto que teve e a atenção que chamou sobre Portugal e a sua cultura. porque tenho sempre presente que num prémio há muito de circunstancial. É um estímulo. provocou o conhecimento da cultura arquitectónica portuguesa. Os suecos anteriores. o facto de sermos de um país com menos centralidade será.. uma de um meio em que o decorativismo era dominante. enfim. que aí começa a arquitectura — mas na concretização. e de forma participada. Niemeyer. não só a competência. e é cada vez mais. Acho que Loos foi. Eventualmente. que tenham tal reconhecimento. criadores. depende da escolha da cadeira. no sentido de que tudo está relacionado e de que tudo tem um centro – o braço da senhora ou outra forma de presença qualquer. tinha que recorrer aos afectos. algumas involuntárias. é indispensável essa variação. Quando A recebe um prémio podia ter sido B ou C. meia dúzia de arquitectos com contactos internacionais. o que é que diria? Se calhar não era capaz. um . estimula-me e obriga-me também. porque havia quase duas vias. mas isso implica imediatamente o próprio espaço.. O que há. a arquitectura começa quando há muito sentido na forma como se muda a cadeira. e é assim. e não me parece pertinente. Repare. que terminou tão abruptamente e tão vilipendiado e que. até com uma cadência por vezes difícil de acompanhar.E depois o 25 de Abril. E. da sua colocação no espaço. não me sinto. propriamente. julgo que há um consenso. mas globalmente. e outra de um meio onde a máquina dominava. no exemplo da cadeira. mas não fico de modo algum diferente no sentido de dizer: pronto já tive este prémio! Fantástico! ESPAÇO E RELAÇÃO Se lhe pedisse para me dar uma definição muito sintética do que é a arquitectura para si hoje. eventualmente. universidades. de infindável relacionamento. esses contrastes. hoje.… mas há outras personalidades fortíssimas. de Mihes Van der Rohe. em certas circunstâncias.

o aspecto comunicativo de que algo mudou. o contacto. Têmo-la. mesmo como educação da visão. Nunca tinha pensado fazer um hospital. mas também temos que nos libertar dela. repare. Nunca ninguém sequer me classificaria para um concurso. que depois a influencia no sentido das coisas de que gosta. bom.. tê-la pensado. Há. essa crença ilimitada na experiência. levando essa situação ao limite. nunca mais acaba. na globalidade 32 | 33 problema de relacionamento. E um dos problemas. de que muita gente não se apercebe – e muitos agentes activam o aparecimento e a expansão da palavra pós-modernidade – pareceme natural. há que a conhecer através de várias abordagens. De maneira que. sobre a pós-modernidade. a necessidade de que isso seja assumido por inteiro. não lhe podemos entregar o trabalho. em Portugal.UP ORTO PERFIL Aprender a ver é fundamental. naquilo que ela prende. hoje. Pode haver uma maior ou menor participação de um arquitecto. Nunca se desenha uma cidade inteira. Ninguém tenha a ilusão de que desenha uma cidade. Niemeyer não a desenhou toda. O próprio termo pós-modernidade foi cunhado no interior do campo da arquitectura. vazia. puxa a cadeira como dizia o Távora. nesse caso havia mais arquitectos do que na Malagueira. mas não é o que interessa mais. por exemplo o sanatório do Alvar Aalto. no início. porque nunca fez nada. são discutíveis. que no fundo se traduz em humanização num colectivo e solidariedade também. mas quando uma senhora põe um jarro numa mesa. agora participei num concurso para um hospital. que começou por ser a cidade dos operários e que se foi desenvolvendo também. espontaneamente. desenhar uma cidade inteira? Eu tenho uma experiência que foi desenhar um bocado A necessidade de tomar consciência das transformações profundíssimas que houve. a experiência pode ser um contra. para isso.. mas é só uma espécie de empurrão. o curriculum. porque aí temos que nos libertar da experiência. Ele fez todo o tipo de programas que se possa imaginar. seria de resto a negação do que é uma cidade. porque o termo passou. mais arquitectos do que na minha equipa. Não quer dizer que.. é uma tendência à outrance em especializar. a contradição da cidade que surgiu ao lado. as fundações primeiras. e para desenhar uma casa é preciso ter desenhado uma cadeira. é preciso ter experimentado — ou isso faz-se melhor experimentando — . e isso para os mais jovens é uma dificuldade grande. porque é um tema muito complexo. E isso acontece também numa casa. ou de um autor. antes mesmo de o ser noutras disciplinas. e tão rápidas que às vezes não é possível assimilá-las.. Desde logo. a grande escala. mas tê-la presente. como Niemeyer. em Portugal e em toda a parte. que quiseram que eu fizesse parte da equipa. porque depois a cidade desenvolve-se. que depois se projecta na solicitação que é feita. Há hoje uma transformação no debate sobre arquitectura. é muito diferente.. mas a ver em profundidade. nesse contexto de relacionamento total do nosso mundo. isso é determinante. foi como que uma pedra de fundação. e mais isto e mais aquilo. Mas há realmente essa tendência. mas este é considerado particularmente complexo. em detalhe. seja necessário desenhar concretamente a cadeira. nunca fez nada. . Os usos que depois se faz mais da palavra do que do conceito. Por exemplo. Pelo contrário. ninguém lhe quer dar nada a fazer. poderíamos dizer que este raciocínio levaria a que nenhum arquitecto fizesse arquitectura. juntamente com 20 colegas espanhóis. A experiência interessa muito. hoje. etc. Mas Brasília. o estudo. que é a Malagueira. O que interessa mais é o empenho. Agora o que se pode é desenhar como que um impulso. Para trabalhar numa paisagem rural é necessário ter a experiência do urbano. da percepção de escala. é evidente! Uma situação de pós-modernidade. todos participámos disso.. Mas os hospitais mais extraordinários que eu conheço não são feitos por especialistas. para desenhar uma cadeira. Como é que vê a pertinência da discussão de uma arquitectura pós-moderna feita contra a arquitectura moderna? Gostava de. Em determinado momento já se falava assim como um estilo.. é preciso ter desenhado uma casa. na criação de uma cidade.. nunca fiz. a abertura. O debate que se criou em torno disso e a tomada de consciência. Porque. e houve naturalmente uma comunicação entre as duas. O desenhar. e há exemplos históricos. Não só a olhar. que nunca tinha feito um hospital. em Évora. de um sector da cidade. Em arquitectura já não se fala em postmodern. Se este não fez uma escola. um arquitecto jovem. é necessário. como de resto são todos os temas. O arquitecto desenha a casa toda. na paisagem. MODERNIDADE E PÓS-MODERNIDADE significativo de cidade. no debate dos próprios arquitectos. ou mesmo tomar consciência. embora fosse exactamente contra os estilos. e recebe uns presentes para a casa e no Natal vai comprar um tapete e faz uma viagem e traz uma figura africana. e depois nos concursos em que é apresentada a equipa. Para desenhar uma casa pequena. temos que a usar naquilo que ela garante. ou vai à feira e compra uma T-shirt que guarda no armário.

outras de que se não gosta.Considera que a sua arquitectura participa disso? Considero que a arquitectura que eu faço. sobretudo se recebeu também um testemunho ele próprio. espero. É temporário. em termos de colectivo. Agora. FOTOS DA ENTREVISTA POR BERNARDO PINTO DE ALMEIDA (HISTÓRIA. Gosta da vida então? Gosto. Mas mesmo em situações de grande fragilidade as pessoas gostam da vida. não tem sentido absolutamente nenhum! Há uma condição a que podemos chamar transitoriamente pós-modernidade. nos filmes.. Não tenho nenhuma mensagem para o futuro. O que é que gostaria de passar como comunicação de uma experiência a um jovem arquitecto? Julgo que não poderei passar mais do que a experiência que eu próprio tive e que haverá alguma utilidade em passar a outras gerações a experiência que a anterior teve. preferia estar cá. eu preferia não ser lembrado. nos registos. ou respostas. Há coisas da vida de que se gosta. e que envolve. senão já me tinha suicidado.. não é a mesma do que seria atrás. há outras que são muito dolorosas. como é que gostava de ser lembrado? Ah. Também não conhecem outra coisa que não seja a vida. sem dúvida que gosto. porque a história não fica toda nos livros. Uma última pergunta. 1975) . dizer o arquitecto tal é um pós-moderno. no meu próprio espírito e relativamente àquilo que significa produzir arquitectura. mais atrás. aspectos dessa grande transformação.

estes não são dominantes. pode significar que estas não estão a operar da forma mais eficiente. desenvolvido desde os finais dos anos oitenta. como forma de utilizarem mais eficientemente os recursos que a sociedade lhes atribui. Existe além disso pouca liberdade de escolha quanto à estrutura do curso a frequentar. a existência de concorrência entre aqueles que procuram e aqueles que oferecem. para estes puderem escolher as decisões que lhes parecem melhor prover os seus objectivos. O processo de autonomia. Do lado da procura. Este efeito. Em termos da procura. No caso do sub-sector privado a autonomia administrativa e de fixação de preços são mais visíveis. 1995) PROFESSOR DA FACULDADE DE ECONOMIA DA UNIVERSIDADE DO PORTO MEMBRO DO CIPES – CENTRO DE INVESTIGAÇÃO DE POLÍTICAS DE ENSINO SUPERIOR 34 | 35 Nos últimos tempos muito se tem falado da necessidade de as instituições de ensino superior se aproximarem cada vez mais duma lógica de mercado. conjugado com o baixo nível das propinas no sector público. nomeadamente no maioritário sub-sector público. exceptuando-se a possibilidade de escolher uma quantas disciplinas opcionais. regras. Mercado. ainda que muito mais efectiva no que concerne os financeiros do que os humanos. que estes dispusessem de informação adequada acerca dos custos. mas pouco Será esta uma realidade plausível? Bom. Para nos aproximarmos duma realidade de mercado no ensino superior seria preciso que se verificassem importantes mudanças ao nível da oferta (Instituições de ensino superior) e ao nível da procura (estudantes). levando a um excesso de procura pelo facto desta não assumir a totalidade dos custos das suas escolhas. Ainda mais significativas parecem ser as limitações ao nível da informação disponível. Para que este seja um instrumento eficaz de coordenação de vontades é necessária: a liberdade tanto quanto possível de actuação dos agentes. Na oferta seria necessário reduzir as limitações à entrada e saída de instituições do sistema. nomeadamente a capacidade de estas puderem dispor dos seus recursos da forma mais conveniente à prossecução dos seus objectivos. as dificuldades na construção dum relacionamento de confiança mútua e de transparência entre estas instituições e a entidade reguladora (Estado) contribuíram para a permanência dum estatuto de alguma menoridade no que respeita à autonomia na criação e diversificação de oferta de ensino superior. as escolhas dos estudantes estão limitadas pela existência dum numerus clausus que tem impacto decisivo no acesso a algumas áreas e instituições. ainda que de forma diferenciada (mais para as universidades do que para os politécnicos). ainda que estes continuem a constituir uma parte muito pouco significativa do orçamento das instituições públicas. que tivessem a capacidade de dispor dos seus recursos (financeiros e humanos). que estas pudessem definir com ampla margem quais o cursos oferecidos e a estrutura dos mesmos. e a expansão do ensino superior nas últimas décadas alargou significativamente a quantidade e a diversidade de oferta de ensino superior. coloca-nos perante uma situação em que a procura de ensino superior. pois caso contrário o contexto de escolha seria socialmente distorcido. alterou substancialmente o relacionamento entre estado e instituições públicas. apesar de manifestar a presença de elementos de mercado.UP ORTO PERSPECTIVA Mercados e Ensino Superior em Portugal PEDRO NUNO TEIXEIRA (ECONOMIA. sobretudo no que concerne os custos e benefícios presentes e futuros associados à frequência deste ou daquele curso. está claramente distorcida em termos de critérios de natureza económica. alargando de forma visível a capacidade de decisão das últimas. de facto em Portugal temos instituições públicas e privadas. e que os preços a pagar fossem correlativos do custo real. No entanto. claras e conhecidas por todos. Parece portanto que o sistema português. seria necessário que aos futuros estudantes fosse possível escolher a instituição e o curso que pretendem frequentar. e finalmente. Este processo de autonomia institucional trouxe uma muito maior capacidade para decidir sobre os seus recursos. benefícios e da qualidade das várias instituições e cursos à sua escolha. os economistas entendem um mecanismo de articulação entre vontades de compra (procura) e de venda (oferta) dum determinado bem ou serviço. que existam mecanismos eficazes de disseminação da informação. desde que cumprindo os requisitos mínimos estabelecidos para a sua frequência. através dum conjunto de regras que enquadram a formação de preços e de mecanismos do seu ajustamento. e finalmente que pudessem estabelecer livremente os preços que consideram adequados para os serviços prestados. se é certo que os estudantes têm alguma liberdade de escolha quanto à instituição. Por mercado. Será esta situação motivo de preocupação ou de conforto? Poderá ser motivo de preocupação se tivermos presente que as limitações a actividade das instituições de ensino superior. Poderá ainda ser motivo de preocupação se estivermos perante uma situação em que o número de cursos e o seu tipo não reflectem completamente nem as possibilidades das instituições . Foram actualizados os valores das propinas. Valerá por isso a pena analisar as implicações duma regulação de mercado aplicada ao ensino superior.

Os erros e omissões são apenas da minha responsabilidade. alterando as regras por si definidas quando os resultados não são os que o Estado conjunturalmente desejaria. Ao nível do sub-sector público. Parece essencial aprofundar a autonomia financeira e de gestão de recursos humanos . Em relação às instituições parece essencial aprofundar a autonomia financeira e repensar a muito limitada capacidade de autonomia na gestão dos recursos humanos. em termos financeiros e administrativos. dentro da mesma instituição. poderá acontecer. devem consolidar-se os esforços de transparência e estabilidade nas relações com as instituições. de modo a gerar confiança no sistema. o Estado ao subsidiar a procura de ensino superior estará a diminuir ambos riscos. Ao nível do sub-sector privado. deve o Estado resistir à tentação de interferir. incrementando a capacidade de escolha das instituições e dos alunos. velando para que as instituições cumpram certos critérios de funcionamento (faltando saber se existe capacidade para o concretizar). e podendo discutir-se a manutenção ou não da nomeação definitiva. mobilidade e papel do estado No entanto. NOTA: As reflexões aqui expressas beneficiaram de muitas discussões com uma lista longa e ilustre de colegas da Faculdade de Economia e do CIPES. Este risco poderá ainda ser mais significativo no caso dos estudantes oriundos de estratos sócio-económicos mais desfavorecidos.nem as necessidades dos estudantes. Além disso. Os agentes devem perceber quão perverso é para a imagem dos privados a percepção de incumprimento e de facilitismo. mas sim monitorizar. Será de equacionar a possibilidade dos funcionários (docentes incluídos) passarem a ter um contrato de trabalho idêntico a muitos outros trabalhadores por conta de outrem. desenvolvendo as possibilidades dos alunos poderem frequentar disciplinas de outras áreas. dado existirem indicações que o bem ensino superior beneficia também a sociedade em geral. haverá porventura espaço para que estas desempenhem um papel mais importante. Parece haver razões fortes para alguma intervenção ao nível dos preços. os estudantes subestimem os seus benefícios futuros. o facto do papel do mercado ser limitado poderá ter subjacente razões ponderosas. Em relação aos alunos. ou de aversão ao risco. Ao Estado não deve competir controlar o funcionamento quotidiano. se estes forem menos optimistas quanto aos benefícios futuros dum diploma superior. Se é certo porém que há razões importantes para o exercício de alguma moderação das forças de mercado. Poderá finalmente ser motivo de preocupação se considerarmos que as escolhas dos estudantes estão a ser feitas em condições de informação muito limitada e em muitos casos inflacionadas por um custo muito abaixo do seu valor real. Poderá justificar-se a definição de limitações à entrada de novas instituições e à expansão da oferta de cursos com base em critérios de qualidade. levando-os a procurarem o bem ensino superior em quantidade aquém daquela que seria desejável. e no limite de poderem mudar de instituição com perda muito limitada de créditos. que num contexto de informação imperfeita. o Estado deve contribuir para que se faça a separação entre os projectos sérios de ensino e investigação e aqueles que viram na expansão do passado recente uma oportunidade de ganho fácil. Autonomia. introduzindo-se mecanismos eficazes de avaliação periódica. julgo que seria positivo avançar na mobilidade intra e inter-institucional destes. Seria também desejável prosseguir o caminho de clarificação e estabilização nas relações entre o Estado e as instituições. levando por isso a efeitos indesejáveis do ponto de vista da equidade. Sendo assim. Muito especialmente.

Pelas vesperas já a prenhe fossa fôra tacteada pelo providencial carreiro das cercanias. ao contrário do Dr. como todos sabemos. O lavrador mergulha o marmeleiro.» E mais adiante. em 1883. catapultou-o para além fronteiras.UP ORTO MEMÓRIAS Ricardo Jorge. more canino. O número de implicados e a sua reacção às medidas sanitárias foi de tal forma que. funga fortemente. pelo rigor e qualidade científicos postos na intervenção no terreno. Amigo do seu amigo e embora não sendo psiquiatra. elaborou um parecer desse foro datado de 2 de Agosto de 1886. Mas o dia terrível aproxima-se. até a sua integridade física. se a Escola do Porto perdeu um professor notável e a cidade um grande médico. na sua dissertação inaugural. Bell». Não é de hoje a força dos media. Sempre escreveu um português vernáculo. é forçoso fraquear-lhe os sphyncteres e esvaziar-lhe o ventre immundo. se é conhecedor fino e meticuloso. na pág. parte para o estrangeiro (Coelho. foi o principal protagonista desse surto epidémico que configurou uma situação claramente enquadrada no âmbito da Medicina de Catástrofe. e bem santo que elle é! Veio de varapau besuntado do visco d’inspecções analogas. é o seu estercometro. à estupidez e ao poder económico. ao tempo responsável pelo «Comércio do Porto». Nascido no Porto em 9 de Abril de 1858 e tendo-se licenciado em 1879 na Escola Médico-Cirúrgica do Porto aos 21 anos. e apesar das múltiplas diligências encetadas por Armindo Vilela. ou se ageita. que foi um termo só estatuído no ano seguinte por Charcot (Correia. toca com a ponta da língua no pau de prova e ratifica pelo paladar as qualidades adubantes da fazenda. sopesa a massa. Um tableau zolaista – ultima manière. num total de 320 casos. em 1880. 1960). Quando. 83 escreve: «Os urinatorios do Porto são raros. apresenta como dissertação de concurso à Escola Médico-Cirúrgica as «Localizações Motrizes do Cérebro» era bem a chama do investigador que se fazia sentir e. com umas intercadencias de protestos impotentes. em que se verificaram 112 óbitos. A cova da cloaca chegou à última semana de gestação. Em 1879. Calcula a cubagem. no cunhal d’uma porta e no canto da parede. isso o levou a retirar-se para Lisboa. do relatório apresentado à Comissão Municipal de Saneamento (Jorge R 1888b) transcreve-se. perguntou ao fundo da escada – Ha estrume pr’a bender? Ha. até ao fim do séc. Assim. sem engulhos. de S. sim. Conforme Lain Entralgo (1982) nos transmite. Bento Carqueja. Cosme ou de S. tendo pessoalmente . pois não ha de haver! Entabola-se o sortido negocio. ou tem de soffrear a vontade imperiosa de verter suas aguas. A sua Escola era-lhe profundamente querida e assim «em nome d’uma grande dívida de gratidão» dedica em 1896 os seus «Ensaios Científicos e Críticos» aos colegas da Escola Médico-Cirúrgica do Porto. o fisiopatológico e o etiopatológico. não recua perante os extremos da analyse organoleptica. A epidemia de peste bubónica no Porto. Porém. XIX vários são os métodos de diagnóstico em voga: o anátomo-clínico. o Prof. nunca conseguiu a almejada reconciliação com Ricardo Jorge. à ignorância. demorando-se em Estrasburgo e em Paris. com uma taxa de letalidade de 35% (Correia. Pode aqui ser trazida à colação a célebre frase de Santiago Ramon y Cajal (1978): «Poco vales si tu muerte no es deseada por muchas personas». que em Setembro daquele ano indiciava um agravamento e que se dilatou até Fevereiro de 1900. Com voz de pregão. o país lucrou porque se ganhou um Director Geral de Saúde extraordinário e um perito de excepcional renome no Office International d’Hygiène Publique. envia em 1885 o célebre relatório ao Conselho Superior de Instrução Pública. a quem aquele perdoou. Mamede. póde fazer-se alongado trajecto sem que se depare um mijadeiro. se mal orientada e aliada ao medo. e. Regressado a Portugal. ácido e muitas vezes com graça hilariante. À vara adheriu uma camada grossa e verde-negra. Lá se vai suportando fleugmaticamente o rescendor. tendo publicado a obra «De L’Électrométrie et de L’Èlectro-Diagnostic à Propos de la Paralysie Faciale de Ch. um paradigma 36 | 37 O ano de 1899 foi crucial para Ricardo Jorge. provou-o à saciedade. amassa-a entre os dedos. aprecia-lhe a cambiante. como ele repetidamente afirmou: «Médico hei-de sê-lo sempre e português retinto até à hora da morte». e. Ricardo Jorge (1888a) acerca deles se espraiou largamente. 1929). 1960). dado que tudo perigava. era porém possuidor de uma sensibilidade profunda. O transeunte. que. o dies illa desejado e temido como um dia de parto. um pau milagroso que repelle os transeuntes a distancia. pode desencadear acções nefastas como a acima mencionada. Não ha remédio. esta situação longe de abafar o prestígio e o mérito científicos de Ricardo Jorge. Lecciona na Escola do Porto Histologia e Fisiologia e inaugura um curso livre de Neurologia. Afonso Costa. tendo sido aqui também um precursor. «Um Ensaio sobre o Nervosismo» escreve sobre a história da Neurologia. o alçapão já reçuma as bôrras fetidas. às págs 37 e 38: «Chega a crise da evacuação da fossa.» Profundamente contundente quando necessário.

parte II da sua monumental obra «O Mundo Fascinante da Medicina». Porto Jorge R (1888a). 1961). o Estilo. porém. Porto Marañon G (1948). Madrid Higiene Dr. para internamento. regente da cadeira de História da Medicina Coordenador do Mestrado de Medicina de Catástrofe . aos 80 anos. Typographia Occidental. Correia F (1960). . 1º vol. Porto Lemos M (1974). Localisações Motrizes no Cerebro Ensayos Científicos e Críticos De L’Électrométrie et de L’Èlectro-Diagnostic à Propos de la Paralysie Faciale de Ch. Barcelona . Liv. ARQUIVO DE FOTOGRAFIA DO PORTO . foi a «Rebellion de las Massas» de Ortega y Gasset. J. Typographia Occidental. filho do seu amigo Camilo Castelo Branco (Lemos. Occidental. . . Câmara do Porto Professor do ICBAS. T eixeira. Porto Jorge R (1888b). APR 2948. Jorge R (1880). Liv. Espasa-Calpe SA. traça uma preclara informação biobibliográfica de nosso autor. Lisboa . Aillaud e Bertrand. Ed. pese embora ter sido anunciado. . Breve Ensaio Histórico . No edifício do Campo de Santana falece a 29 de Julho de 1939. Moreno A (1997). Ed. as Lições e o Prestígio de Ricardo Jorge . APR 2932. que em nossa modesta opinião deveria existir em toda a biblioteca universitária. cotejando. BIBLIOGRAFIA : Coelho E (1929). Luso espanhola. .1899. . encarecendo a sua acção de sempre. Sup. III. Porto Jorge R (1886). 2º ed. um dos últimos livros que lhe pediu para ler. Jorge R (1899). Inova. No estudo «A Intercultura de Portugal e Espanha no Passado e no Futuro» faz a apologia dum novo renascimento peninsular com a sua consequente expansão. não nos custará entender que na fase final da sua vida uma boa parte das principais provas de carinho. C. designadamente em mortalidade urbana. Lisboa . PAZ DOS REIS. Autor. – Lisboa Coelho E (1961). Ed. RICARDO JORGE E EQUIPA. Typographia. 10º ed. Armando Moreno (1997) no vol. Lisboa Ramon y Cajal (1978). Obra original quanto às tabelas apresentadas. admiração e amizade lhe tivessem vindo do estrangeiro. El Diagnostico Medico. Segundo Eduardo Coelho (1961). Bell Saneamento do Porto Demographia e Hygiene da Cidade do Porto Camilo e os Médicos Españoles Fuera de España O Mundo Fascinante da Medicina Charlas de Café Entralgo L (1982). RICARDO JORGE. S. ARQUIVO DE FOTOGRAFIA DO PORTO .CPF/MC. Espasa-Calpe SA. C. 2º ed. Paris Ricardo Jorge. sobre a qual anteriormente só duas tinham sido publicadas: as de Berlim e Hamburgo. 1974). ROMERO BANDEIRA . Salvat. O Prof Ricardo Jorge.1899. 12 vol.CPF/MC. Madrid . No ano crítico de 1899 publica uma obra de grande nomeada: «Demografia e Higiene da Cidade do Porto». Inst. Ricardo Jorge. o segundo volume desta obra. o Médico e o Humanista A Vida. acompanhado ao hospital. Typographia A. Jorge Castelo Branco. Ed. Ricardo Jorge foi um iberista convicto. por exemplo. a Obra. Historia y Teoria. a vida de Ricardo Jorge com os biografados por Marañon (1948) no livrinho «Españoles Fuera de España».PAZ DOS REIS. nunca chegou a ser publicado (Coelho.

Como a agitação na aula começava a ser grande e os alunos mais próximos das janelas se esforçavam por espreitar tentando ver se a máquina ainda lá estava. o Mestre. 1942) ILUSTRAÇÃO DE GÉMEO LUÍS . era utilizada para regularizar o pavimento das ruas em macadame ou em paralelipípedos de granito uma máquina movida a vapor e que empurrava. JOAQUIM BARROCA (Engenharia Electrotécnica. contava uma “estória” ocorrida numa aula de um Lente que. Chamava-se a essa máquina “o cilindro” e. olhando para a turma por cima das suas lunetas e acentuando o sorriso. tocasse o apito constantemente. dizendo: “Não. mantinha na face um sorriso matreiro. A reacção do Lente levou os alunos a imaginarem uma forma de não terem aulas pelo menos durante dias. abanava o dedo indicador de uma das mãos desenhando no ar um sinal negativo. Contudo. Assim sucedeu e o Mestre teve a reacção esperada pelos rapazes.UP ORTO ESTÓRIAS Uma estória in illo tempore Como “cilindrar” uma aula 38 | 39 Um tio meu. não nos atormentando os ouvidos como sucede hoje. um grande cilindro de pedra. o ruído provocado pelo tal apito do “cilindro” na sua função de calcetar a rua situada entre o edifício da Universidade e o então mercado do Anjo irritou o Mestre de tal forma que este suspendeu a aula. Durante uma aula regida pelo Lente Lebre. ao terceiro dia. se a memória não me falha. tinha como apelido Lebre. Foram falar com o condutor do “cilindro” e deram-lhe uns tostões para que este. o silêncio era total com grande satisfação do Professor que. embora nesses longínquos anos da década de 20 o trânsito fosse tanto que quando se avistava um veículo ao longe se exclamava “lá vem um”. Isto passava-se nos tempos em que os decibéis que circulavam no ar eram em quantidades bem menores. formado em Engenharia Electrónica pela UP durante os anos 20. Nessa época. servindo de rodado. enquanto palestrava sobre a matéria em questão. não que eu fui lá e dei-lhe mais”. não. o condutor da tal máquina puxava constantemente o cordão que accionava o apito que tinha um silvo muito estridente. nos dias tais e tais às horas da aulas. ele hoje não apita.

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especialmente com relevância jurídico-económica. no cenário internacional. Rui Coelho destaca. tributação de instituições financeiras nas zonas Revista Portuguesa de Psicossomática. nº1 (Jan/Jul 2003) FACULDADE DE CIÊNCIAS DO DESPORTO E EDUCAÇÃO FÍSICA A partir da edição de Janeiro/Junho de 2003. escreve Jorge Bento. tanto na função de editores como na de autores. nº9 (Jan/Jun 2003) SOCIEDADE PORTUGUESA DE PSICOSSOMÁTICA Revista editada pela Sociedade Portuguesa de Psicossomática. o reconhecimento do trabalho desenvolvido.50 euros EDIÇÃO: FCDEF. os comentários publicados nesta edição de Novembro de 2002 referem-se a acórdãos de 1999. dirigida por Rui Coelho e cujo conselho editorial integra vários professores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. 2001 e 2002. Sport Information Resource Centre. EDIÇÃO: Almedina PREÇO: 9 euros EDIÇÃO: Sociedade Portuguesa de Psicossomática méritos junto das pessoas e instituições que. professor jubilado da Faculdade de Medicina da UP: “Stresse. Vol. Jaime Milheiro e Rui Mota Cardoso (também membro do conselho editorial da UPorto). Revista Portuguesa de Ciências do Desporto. tributação em sede de IV A dos chamados “bens em segunda mão” . a Revista Portuguesa de Ciências do Desporto está indexada na base de referência bibliográfica internacional disponibilizada pelo SPORT Discus. José Luís Pais Ribeiro e Constança Paúl. mas também “um convite à tomada de consciência sobre o muito que falta andar” . métodos de determinação indirecta da matéria colectável e custos fiscalmente dedutíveis. coloca ainda mais alta a exigência de qualidade” . a partir deste número a Revista Portuguesa de Ciências do Desporto passa a ter o patrocínio da Fundação para a Ciência e T ecnologia.) As edições anuais de Jurisprudência Fiscal Anotada do Supremo T ribunal Administrativo têm sido elaboradas no âmbito das actividades de investigação do CIJE-Centro de Investigação Jurídico-Económica da Faculdade de Direito da Universidade do Porto. director do periódico e presidente do conselho directivo da Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física. investigação e configuração científica do desporto” . o artigo de Hipólito Reis. como António Coimbra de Matos (também presidente da Sociedade Portuguesa de Psicossomática). Vários outros professores e investigadores da Faculdade de Medicina e da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da UP assinam artigos neste número: Soares Fortunato. Equilíbrio e Bem-Estar na Perspectiva do Sucesso” . No editorial do número 9 da Revista Portuguesa de Psicossomática.UP ORTO SABER MAIS 40 | 41 Jurisprudência Fiscal Anotada do Supremo Tribunal Administrativo GLÓRIA TEIXEIRA (COORD. Por outro lado. importação de mercadorias e tratamento aduaneiro aplicável. 3. entre outros. o que significa. na opinião do presidente do conselho directivo. PREÇO: 7. entre outros.UP PREÇO: 15 euros . O director reafirma o caminho do rigor e da excelência que leva à prossecução do objectivo principal: “Congregar os especialistas do mundo lusófono e promover o reconhecimento dos seus off-shore. uma das bases de dados acessíveis através da página de bibliotecas no sítio da Universidade do Porto. Neste caso. Os acórdãos versam sobre a responsabilidade dos administradores e gerentes pelas dívidas tributárias. ao terceiro ano de vida. centrados na temática da tributação da empresa. se consagram à reflexão. A indexação da revista constitui “um factor de júbilo para os que exercem o seu labor na revista.

A tradução para língua portuguesa é da autoria de Maria Pires de Carvalho. concertos.50 euros “Bendita é a ideia de se escrever e publicar este documento. escrita e coligida pelo orfeonista Hugo Silva: perpetuar a história e as memórias deste organismo circum-escolar da UP . nas diferentes facetas que foi apresentando desde o que pode considerar-se a sua fundação em 1912. Para adquirir este CD-ROM.quem não tem história nunca existiu. digressões pelo país e pelo estrangeiro” . 22 3401443).pt EDIÇÃO: Universidade do Porto PREÇO: 25 euros . bem se pode dizer: .up. Inclui ainda centenas de documentos sobre o Processo de Bolonha: documentos fundamentais. Este livro de memórias reúne documentação e aborda a história do Orfeão desde a sua fundação em 1912 até 2002. uma possibilidade de pôr ordem nos ‘emaranhamentos’ de que fala Gombrich” . 4099-002 Porto (telef. SIMONETTA DI SIENO. “Impacto da construção da área europeia de ensino superior em Portugal (conclusões)” . No texto de apresentação do livro. na introdução do livro “ Amores de Estudante” . professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. CRISTINA TURRINI TRADUÇÃO: MARIA PIRES DE CARV ALHO Amores de Estudante – Notas Históricas do Orfeão Universitário do Porto ORFEÃO UNIVERSITÁRIO DO PORTO Este “arquivo documental sobre a construção do Espaço Europeu de Ensino Superior” . 27 de Maio e 12 de Junho deste ano. contacte: Fundação Gomes T eixeira (Benilde Lopes). EDIÇÃO: Universidade do Porto PREÇO: 5 euros EDIÇÃO: Associação Atractor PREÇO: 12. afirma Aureliano da Fonseca. porque. MARIA DEDÒ. Para adquirir o livro.atractor. os autores explicam: “Este livro propõe-se como roteiro no mundo da simetria. congrega um conjunto de documentos sobre a adaptação do ensino superior português ao espaço europeu que até agora estavam dispersos por diversas publicações e ainda as comunicações apresentadas nos quatro seminários “Reflectir Bolonha: Reformar o Ensino Superior” . sem dúvida. “Educação Académica e capacitação profissional (cursos profissionalizantes)”. afinal. mas é muito mais do que um simples catálogo dessa exposição” . consulte o sítio da associação na Internet ou dirija-se directamente às suas instalações na sala 418 (4º piso) da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. saraus. récitas.pt). A exposição e agora a edição deste livro são da responsabilidade da Atractor (http:// www. professora da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. Narra uma viagem guiada pela matemática. é. boas práticas. reconhecimento académico e ECTS. pode oferecer-nos uma acuidade de visão suficiente para detectarmos a harmonia oculta em formas aparentemente distintas. “Este livro é um excelente complemento à exposição ‘Simetria . Os temas dos quatro seminários são: “Paradigma da aprendizagem Universidade e Politécnico (ciências e engenharia)”. 13 de Maio. festivais. melhor tem representado a Universidade do Porto. “ Aprender e aprender a ensinar (formação de professores)”.Reflectir Bolonha: Reformar o Ensino Superior JOSÉ FERREIRA GOMES (COORD) O Ritmo das Formas PAOLO BELLINGERI. a organização de estudantes que. promovidos pela Universidade do Porto nos dias 13 de Abril.Jogos de Espelhos’ . e-mail: livrariareit. A frase guarda. Praça Gomes T eixeira. e persistirá para sempre se a escreve” . em todas as épocas. A importância desta edição para a história da própria Universidade é explicada pelo Reitor José Novais Barbosa na apresentação impressa no início do livro. e ajudar-nos a descobrir uma chave de leitura significativa. “O Orfeão Universitário do Porto. pela Universidade do Porto. coordenada pela Orfeão Académico do Porto. graus conjuntos. Documentos nacionais de Portugal e de muitos outros países europeus também constam desta edição. que é o subtítulo desta edição em CD-ROM. mobilidade. assinalando de uma forma extremamente digna e enriquecedora a presença desta em inúmeros espectáculos. associação constituída. 22 6073563. T . que. entre outras entidades. o objectivo último desta edição da Universidade do Porto. orfeonista e tuno de 1937 a 1942. como disciplina incumbida de representar o mundo real sob forma abstracta.

Para lá da sua colaboração ocasional ou casuística. não um espaço de cooperação. inserindo-se mais profundamente na vida quotidiana dos cidadãos. não no seu interior mas enquanto seu prolongamento na sociedade envolvente. cumprindo melhor a sua missão de serviço. que desvirtuam o sentido do triângulo. EMBAIXADOR E EX-MINISTRO DA EDUCAÇÃO 42 | 43 III – EQUILÁTERO Escrevemos na primeira desta três crónicas que o símbolo geométrico do triângulo deveria ser tomado como uma “metáfora estrutural e funcional”. cujas ressonâncias e significações esotéricas são mal conhecidas. são altamente nocivos a uma evolução progressiva da vida universitária. a capacidade de iniciativa dos antigos alunos de uma Universidade são essenciais para a renovação desta. pela participação convergente das três componentes essenciais de uma comunidade que não seja já apenas a tradicional universitas magistrorum et scholarium. em sintonia com as transformações da vida económica. através de uma sinergia da actividade pedagógica. mas permite conceber as suas virtualidades construtivas. alunos e exalunos. depois de ter sido escaleno ou quando muito isósceles. mas de tensões. depende o seu funcionamento e a sua qualidade institucional. quando for caso disso. entre os seus elementos. Os hiatos geracionais. o triângulo é um modelo abstracto. Sem ela. através de uma cooperação entre professores. renovando-se e fortalecendo-se. Esperamos ter iniciado alguns dos leitores aos seus mistérios… . que no fluxo das gerações se sucedem. pelo que hão-de ser solicitados a participar quer na sua gestão interna. dela continuam de certo modo a fazer parte integrante. permite imaginar-se o que irá pouco a pouco tendo lugar algures. Os conhecimentos adquiridos. Utopia? Mas a utopia é justamente aquilo que. conhecendo os seus problemas e as suas aspirações. senão sempre a perfazer. maior ou menor. social e cultural. no quadro de um desenvolvimento orientado para a satisfação das necessidades fundamentais e para a realização dos valores humanos superiores. quer na sua projecção externa. fechada sobre si. não tendo jamais lugar nenhures. mais ou menos centradas ou acentradas.UP ORTO CRÓNICA TRIÂNGULOS JOSÉ AUGUSTO SEABRA PROFESSOR DA FLUP. de cuja transcendência formal decorra necessariamente uma imanência real. É pois a essa amizade que no termo destes artigos queremos fazer apelo. A igualdade dos lados do triângulo universitário não será talvez nunca perfeita. É curioso que os teóricos da lógica combinatória dão o exemplo do triângulo e dos respectivos lados como um paradigma do que chamam as “configurações da amizade”. dando corpo a todas as potencialidades criadoras de uns e outros. Por outras palavras. sem que a passagem de testemunho signifique um abandono mas sim uma continuidade. de forma permanente. como há muito se sabe. conflitos. tendo por ela passado. rivalidades e até incompatibilidades. Outras configurações poderiam ter sido propostas. a experiência vivida. evidentemente. O triângulo equilátero é a via que aqui delineámos nesse sentido. que não se pode interpretar nem aplicar à letra. Assim a Universidade ganhará uma nova dimensão. Eis o caso precisamente do triângulo universitário: da amizade. Da conjunção harmoniosa do contributo de cada lado do triângulo para a arquitectura da Universidade resultará por certo um mais fecundo aproveitamento da diversidade e da qualidade dos seus elementos. símbolo por excelência da fraternidade. estudantes e ex-alunos num projecto em que a busca e a transmissão do saber e do saber fazer esteja constantemente em acto. de um paradigma e não de um arquétipo. Na geometria variável desse triângulo universitário é admissível que ele se torne tendencialmente equilátero. importa saber articular os seus vínculos à comunidade académica. A reforma das Universidades não pode ser levada a cabo. Trata-se. da investigação científica e das suas modalidades de aplicação técnica e profissional. apenas a partir do seu seio. a vida da Universidade pode tornar-se. tão frequentes entre nós. mas sobretudo por exigência da comunidade. mas uma estrutura de acolhimento aberta a todos aqueles que. que nos permitisse reflectir sobre uma organização possível da Universidade enquanto construção arquitectónica institucional baseada no equilíbrio entre os três lados dessa figura ideal da relação entre mestres. Esta disporia assim de um istmo de contacto constante com a sociedade civil.

JOB SEARCH DURATION AND ACCEPTED WAGES” John Addison. Sessão de abertura: Paulo Cunha e Silva Pedro Pitta Cientista: Nuno Grande Imunologia: Maria de Sousa Auditório da Reitoria da Universidade do Porto. O Congresso destina-se a todas as pessoas que desenvolvem a sua actividade.up. do Departamento de Economia da Universidade da Carolina do Sul. 4 DE DEZEMBRO DE 2003 “INTERDISCIPLINARIDADE NA ECONOMIA” Pelas 15h30. CONFERÊNCIAS E SEMINÁRIOS 5 A 7 DE NOVEMBRO DE 2003 II CONGRESSO INTERNACIONAL “MULHERES E DESPORTO: AGIR PARA A MUDANÇA” Fac. sala 260 da Faculdade de Economia da Universidade do Porto.fep. a participação das mulheres na actividade física e desportiva. 15 euros para estudantes e 60 euros para outras/os interessados.htm ORGANIZAÇÃO: Instituto de Engenharia Biomédica da Universidade do Porto (INEB. Instituto Ciências Biomédicas Abel Salazar 06/Novembro/2003 5ª feira às 18h00. Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar e Auditório da Reitoria da Universidade do Porto.16th INTERNATIONAL SYMPOSIUM ON CERAMICS IN MEDICINE” Centro de Congressos e Exposições Alfândega. para: Congresso Mulheres e Desporto. nos Estados Unidos. a inscrição terá um custo de 25 euros para sócias/os.pt/html/ registration_forms.up. profissional ou voluntária. ORGANIZAÇÃO: IRICUP .up. DO TRABALHO E DA EMPRESA (CETE) Pelas 15h30.pt/md2003/ 3 A 6 DE NOVEMBRO DE 2003 SEMINÁRIO DE ECONOMIA DO CENTRO DE ESTUDOS DE ECONOMIA INDUSTRIAL.bioceramics16. serão pagos 100 euros por qualquer tipo de inscrição.CONGRESSOS.pt www. 16.htm) Após impresso. As inscrições poderão ser efectuadas através da internet.UP) . da filosofia e da ciência. Tecnologia. ORGANIZAÇÃO: FCDEF e Associação Portuguesa Mulher e Desporto INFORMAÇÕES: Organização do Congresso – md2003@fcdef. “Agir para a mudança”.pt Associação Portuguesa Mulher e Desporto – apmdesporto@netcabo. na área do desporto e da educação física. Porto. 226074982 + F. 225571100 + F. em http:// www. propiciadoras das condições necessárias para uma ampla participação de raparigas e mulheres a todos os níveis e esferas de competência no meio desportivo. Comunicação Social INSCRIÇÕES: Os interessados deverão preencher o respectivo formulário (disponível em www.up. deverá ser enviado por correio. INEB.UP) INFORMAÇÕES: T.pt/md2003/frames. juntamente com o cheque e à ordem de “Associação Portuguesa a Mulher e o Desporto”. Persistem na nossa sociedade um conjunto de obstáculos que dificultam. Desporto. sala 260 da Faculdade de Economia da Universidade do Porto. Saúde/Recreação e Lazer. em igualdade de circunstâncias e contextos.bioceramics16. Rua Angra do Heroísmo. ÁREAS TEMÁTICAS: Educação Física. e terá como conferencistas diferentes personalidades ligadas à Universidade do Porto.up. Trata-se de um colóquio interdisciplinar que se reparte por 21 áreas fundamentais da arte. 13/Novembro/2003 Genética: António Amorim 20/Novembro/2003 Patologia: Manuel Sobrinho Simões 27/Novembro/2003 Matemática: Corália Vicente 04/Dezembro/2003 Astronomia: Teresa Lago 11/Dezembro/2003 Engenharia: Raimundo Moreno Delgado 18/Dezembro/2003 Direito: Cândido Agra 8/Janeiro/2004 Desporto: Jorge Bento . 2790 – 306 QUEIJAS Até 10 de Outubro. 226094567 bioceramics16@ineb. “RESERVATION WAGES.ineb.UP e Fac. é o lema escolhido para sugerir as direcções de actuação desejáveis. de Ciências do Desporto e de Educação Física da Universidade do Porto (FCDEF).pt/investigacao/seminarios 6 A 9 DE NOVEMBRO DE 2003 “BIOCERAMICS 16 .pt/ 6 DE NOVEMBRO DE 2003 A 1 DE ABRIL DE 2004 COLOQUIO INTERDISCIPLINAR – QUAL É A MEDIDA DO MUNDO? A ESCALA DE ABEL SALAZAR.up. bem como apontar algumas soluções que permitam preveni-las.fcdef. Após essa data. Instituto de Recursos e Iniciativas Comuns da Universidade do Porto. A realização deste II Congresso Internacional tem como finalidades contribuir para a discussão das causas que originam as atitudes sexistas no desporto. Carlos Pimenta (FEP.pt http://www. de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) INFORMAÇÕES: Secretariado T.up.ineb. Inovação do Quadro Comunitário de Apoio III.fcdef.Laboratório de Biomateriais APOIOS: Fundação para a Ciência e a Tecnologia – Apoio do Programa Operacional Ciência. 225505050 webmaster@fep.up.pt www.

incentivar as empresas portuguesas. Este colóquio garante. No início de cada sessão haverá lições plenárias proferidas por convidados com curriculum relevante nos respectivos temas. 4150-564 Porto T. 226077172 + F. 4150 – 564 Porto T.M. 226077153 deper@letras. salvo se excederem a lotação das salas. fax.up. o pagamento de 15 euros. INSCRIÇÕES: 800 euros (após o dia 30 de Junho) ORGANIZAÇÃO: A. até à data. a conhecê-las e implementá-las para as tornar mais competitivas. para: Departamento de Estudos Portugueses e Estudos Românicos da FLUP Via Panorâmica.letras. Institut Français de Porto .pt http://www. s/n T. produtoras de bens e serviços. telefone ou e-mail (preferencialmente). s/n. 4150 – 564 Porto T.up. 225081400 + F.up.pt + www. 226097029 + gfm@letras. Ferreira INFORMAÇÕES: Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.UP ORTO AGENDA 44 | 45 15/Janeiro/2004 Economia: Daniel Bessa 22/Janeiro/2004 Sociologia: João Teixeira Lopes 29/Janeiro/2004 Letras: Isabel Pires de Lima 5/Fevereiro/2004 Antropologia: Vítor Oliveira Jorge 12/Fevereiro/2004 Arquitectura: Pedro Gadanho 19/Fevereiro/2004 Urbanismo: Nuno Portas 26/Fevereiro/2004 Design: Heitor Alvelos 4/Março/2004 Música: António Pinho Vargas 11/Março/2004 Teatro: Paulo Eduardo Carvalho 18/Março/2004 Cinema: Jorge de Campos 25/Março/2004 Filosofia: Maria José Cantista 01/Abril/2004 Artista: Ângelo de Sousa 7 A 21 DE NOVEMBRO DE 2003. a presença de noventa especialistas nacionais e internacionais. A. em http://www.pt/if/gfm 11 DE NOVEMBRO DE 2003.up. sendo necessário. Iniciativa no âmbito da assinatura de um protocolo entre a Universidade do Porto e a Fundação brasileira Oswaldo Cruz 11 E 12 DE NOVEMBRO DE 2003 NOVUS2003 “GESTÃO DO DESENVOLVIMENTO DE NOVOS PRODUTOS E SERVIÇOS – INOVAR PARA COMPETIR” Auditório da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) Esta conferência tem como objectivo analisar/ discutir as metodologias.Ambassade de France au Portugal e Caixa Geral de Depósitos INFORMAÇÕES: Os pedidos poderão ser efectuados por correio. Piso 1.pt/ deper. da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.pt http://www.up. 225081441 feup@fe.up. 14h30 SEMINÁRIO INFORMAL DE FILOSOFIA MEDIEVAL Sala do Departamento de Filosofia.pt/deper/ . Nota: As inscrições serão aceites até 12 de Novembro. s/n. estratégias e práticas utilizadas pelas empresas no sentido de potenciar a taxa de sucesso associada à concepção e comercialização de novos produtos e. FLUP. até 12 de Novembro. 226077182/67/00 + F. até à mesma data.letras. Victor” Gabriela Poças 21/Novembro – Sessão de encerramento “Orientações fundamentais da patrística grega”. 15H00 CONFERÊNCIA DE PAULO MARCHIORI BUSS.letras. qualquer que seja o sector económico em que se integram. Roberto Frias. PRESIDENTE DA FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ (FIOCRUZ) Auditório da Reitoria da Universidade do Porto.fe.up. INSCRIÇÕES: Os interessados em assistir às sessões deverão inscrever-se por e-mail. 7/Novembro “As ‘dualidades conceptuais’ na filosofia de Hugo de S. 226077181 13 A 15 DE NOVEMBRO DE 2003 COLÓQUIO INTERNACIONAL “LITERATURA E HISTÓRIA” Fac. Victor” José Filipe Silva 14/Novembro “A doutrina do Raptus em Ricardo de S. ORGANIZAÇÃO: Departamento de Estudos Portugueses e Estudos Românicos (DEPER) da FLUP APOIOS: Reitoria da Universidade do Porto. s/n.J. Rua Dr. em particular. de Letras da Universidade do Porto (FLUP).pt 13 A 14 DE NOVEMBRO DE 2003 ENCONTRO INTERNACIONAL: “LIGAS METÁLICAS: INVESTIGAÇÃO E CONSERVAÇÃO” Anfiteatro 2 da Faculdade de Letras da Universidade do Porto INSCRIÇÕES: até 7 de Novembro de 2003 Inscrição normal: 50 Euros Inscrição para estudantes: 25 Euros ORGANIZAÇÃO: Departamento de Ciências e Técnicas do Património Faculdade de Letras da Universidade do Porto INFORMAÇÕES: Via Panorâmica. Torre B. Maria Cândida Pacheco INFORMAÇÕES: Via panorâmica. Fernandes (Presidente) e A.

cedidos pelo Museu da Lourinhã. de Letras da Universidade do Porto (FLUP). de Medicina da Universidade do Porto INFORMAÇÕES: Serviço de Cirurgia B.letras.aefdup.CIIMAR INFORMAÇÕES: Rua dos Bragas.org EXPOSIÇÕES 22 DE SETEMBRO A 21 DE DEZEMBRO DE 2003 “DINOSSAUROS CHEGARAM AO PORTO” Pavilhão Rosa Mota.up.pt/upi/ilc/INDEX1. dedicado à Matemática.pt ou telf. com carácter permanente.up. TREINO E NOVAS TECNOLOGIAS Hotel Porto Palácio. de Medicina da Universidade do Porto. Marino. INFORMAÇÕES: Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa Faculdade de Letras do Porto.pt/qui 5 A 9 DE JULHO DE 2004 IV CONGRESSO IBÉRICO DE LIMNOLOGIA / XII CONGRESSO DE LA ASOCIACIÓN ESPAÑOLA DE LIMNOLOGÍA INSCRIÇÕES: Abertura em Outubro 2003 Fim da Submissão de resumos: Fim de Janeiro de 2004 Aceitação dos resumos: Março 2004 Inscrição a preços reduzidos: Até final de Abril de 2004 Programa final do congresso: Junho 2004 ORGANIZAÇÃO: Centro Interdisciplinar da Investigação Marinha e Ambiental da UP .pt/atractor/simetria . e ainda robots Kokoro (o Tyranossaurus rex é um deles). 17/Novembro “Interrupção voluntária da gravidez – perspectiva jurídica e política” 18/Novembro “Reforma judicial – como? Onde? Quando?” 19/Novembro “A Literatura e o Direito” 20/Novembro “Constituição europeia – De onde vem? Para onde vai? ORGANIZAÇÃO: Associação de Estudantes da Faculdade de Direito do Porto (AEFDUP) INFORMAÇÕES: www. ilustra de modo interactivo o problema da classificação das figuras com base no seu tipo de simetria.HTM 27 E 28 DE NOVEMBRO DE 2003 CONGRESSO INTERNACIONAL “LITERATURA E IDENTIDADES” Fac. 225512308 cardosooliveira@hotmail. + F. por e-mail expos@atractor. A iniciativa é do Museu de História Natural da Fac. 15 NOVEMBRO DE 2003 – data limite de recepção dos resumos das intervenções. na Praça Gomes Teixeira INFORMAÇÕES: Associação Atractor T.fc. Hospital de S. Porto. P4051-452 Porto ilc@letras. de Ciências da Universidade do Porto. Exposição sobre dinossaurios centrada nos vestígios encontrados no actual Deserto de Gobi. o futuro Centro Ciência Viva de Ovar.pt/eara 20 A 22 NOVEMBRO CIRURGIA: EDUCAÇÃO. INFORMAÇÕES: T. (+351) 22 339 06 08 E-mail: limnol2004@cimar.fpce.up.pt/upi/ilc/INDEX1. A versão portuguesa foi realizada pela Associação Atractor para assinalar a entrada em funcionamento das novas instalações dos Departamentos de Matemática e integrará.up. 223401443 + expos@atractor. Apartado 55038. ORGANIZAÇÃO: Universidade do Porto Câmara Municipal do Porto HORÁRIO: das 10h às 23h “SIMETRIA – JOGOS DE ESPELHOS” VERSÃO PERMANENTE A partir da observação das simetrias presentes em alguns desenhos ou poliedros. Helsínquia e S. Doutor Cardoso de Oliveira Fac.up.com 20 E 21 DE NOVEMBRO DE 2003 1º CONGRESSO INTERNACIONAL “‘JANGADA DE PEDRA’: UTOPIA E O PENSAMENTO IBÉRICO” Fac.17 A 20 DE NOVEMBRO DE 2003 VI SEMANA CULTURAL DA AEFDUP Faculdade de Direito do Porto.223401443. Está aberta ao público e a visitas guiadas dirigidas a professores e alunos. Fac. Mongólia. uma jazida mundialmente famosa pela diversidade e pelo estado de conservação dos fósseis. LOCAL: Pórtico do edifício central da FCUP. de Letras da Universidade do Porto (FLUP). MARCAÇÕES: A realização de visitas está sujeita a marcação prévia. que será enriquecida com outros elementos. INFORMAÇÕES: Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa Faculdade de Letras do Porto Apartado 55038. P4051-452 Porto ilc@letras.org aefdup@direito. 177 4050-123 PORTO-PORTUGAL T.pt www. Para além de esqueletos genuínos dos dinossauros incluirá vestígios encontrados em Portugal. 226082955 + F. João T.HTM 28 A 31 DE JANEIRO DE 2004 IX EPI – ENCONTRO PEPTÍDICO IBÉRICO Departamento de Química da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. 226082959 http://www. A exposição sobre os dinossauros do deserto de Gobi já esteve em Milão.pt www. As inscrições prévias serão efectuadas até 15 de Fevereiro INFORMAÇÕES: www.up.:Prof. de preferência.letras. (+351) 22 340 18 00 / 37 F. ORGANIZAÇÃO: Serviço de siderurgia B Dir.fc.up.up.pt 5 A 8 DE MAIO DE 2004 9th BIENNIAL CONFERENCE OF THE EUROPEAN ASSOCIATION RESEARCH ON ADOLESCENCE – EARA Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto.pt www.

http://www. a partir das 18h00 ORGANIZAÇÃO: AEFEP 5 E 6 DE DEZEMBRO CONCERTO DE NATAL PELA ORQUESTRA NACIONAL DO PORTO E CORO DO CÍRCULO PORTUENSE DE ÓPERA Claustros do Mosteiro de São Bento da Vitória.astro. 04): até 20 de Fev.pt EDUCAÇÃO ENGENHARIA CONTÍNUA Rotulagem de Produtos Alimentares 6 E 7 NOVEMBRO03 Humidade na Construção 14 NOV. 1803-1837 Salão Nobre da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.225081412/14 + F. 03 a 11 Jun.up. a partir das 17h30 ORGANIZAÇÃO: Cooperativa Árvore . 03 2º SEMESTRE ( 22 Mar.11 E 12 DEZ.UP ORTO AGENDA 46 | 47 VERSÃO ITINERANTE A versão itinerante da Exposição Simetria Jogos de Espelhos permite levar a exposição a regiões fora do Porto.up. 04): até 16 de Out. 03 INFORMAÇÕES: SECD – Serviço de Educação Contínua e de Desenvolvimento da FEUP T.fep. 04 ORGANIZAÇÃO: Departamento de Estudos Portugueses e Estudos Romanos. 4150-762 Porto T.pt + www.pt www. de 04 ORGANIZAÇÃO: Departamento de Estudos OUTROS EVENTOS 4 DE NOVEMBRO.pt/atractor/ simetria INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO DE ARTE “JOVENS ARTISTAS” FEP. 03 2º SEMESTRE (23 Fev.225081440 secd@fe.up.5. 03 a 18 Jun. a partir das 21h30 INFORMAÇÕES: http://www. 04): até 3 de Out. Reconstituição teatral da primeira aula da Academia Real da Marinha e do Comércio (1803) pelo grupo Limite Zero . professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade do Porto .letras. Oração de sapiência com Cândido dos Santos.UP. quando as condições meteorológicas o permitam. 03 a 13 de Fev. s/n 4150-564 Porto T. ORGANIZAÇÃO: Estudantes do Departamento de Ciências e Técnicas do Património (DCTP) INFORMAÇÕES: www. 03 a 13 de Fev.fc. Te Deum pelo Coral de Letras MARÇO/DEZEMBRO PROGRAMA DAS COMEMORAÇÕES DO 50º ANIVERSÁRIO DA FEP.html LOCAIS DE EXIBIÇÃO (a confirmar): ProfMat2003. 03 Patologia e Reabilitação de Edifícios 21 NOV.letras.up. 226077153 deper@letras. Évora: 12 Janeiro a 1 de Fevereiro INFORMAÇÕES: Associação Atractor T.up. nos Paços Perdidos da FEP. 226077167/00 + F. a partir das 16h00 Inauguração da Exposição de Homenagem a Viana de Lima. .pt/novidades/indice 8 A 13 DE DEZEMBRO DE 2003 IV SEMANA DA HISTÓRIA DA ARTE: ENTRE A EXPERIÊNCIA SOCIAL E O IMAGINÁRIO Anfiteatro Nobre da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. 226089835/6/7 + nucleo@astro. Abertura . 04): até 26 Fev. As sessões realizam-se entre as 21 e as 22h.atractor. 15HOO 2º CENTENÁRIO DA ACADEMIA REAL DA MARINHA E DO COMÉRCIO.UP.UP 5 DE NOVEMBRO 50º ANIVERSÁRIO DA 1ª AULA DE 1953 E SESSÃO SOLENE DE ABERTURA DO ANO LECTIVO 2003/2004 Salão Nobre da FEP.up.up. ORGANIZAÇÃO: Núcleo de Divulgação do Centro de Astrofísica da UP INFORMAÇÕES: Centro de Astrofísica da Universidade do Porto Rua das Estrelas.up.UP. FLUP INFORMAÇÕES: Via Panorâmica. Santarém: 12 a 25 de Novembro.pt 13 DE NOVEMBRO E 11 DE DEZEMBRO CICLO DE OBSERVAÇÃO ASTRONÓMICA “MAIS PERTO DAS ESTRELAS” Centro de Astrofísica da Universidade do Porto.pt + www.pt/simetria/geral/expoiti. 03 Projecto e Construção de Estruturas de Madeira&endash 4.pt LETRAS DE 6 DE OUTUBRO DE 2003 A 18 DE JUNHO DE 2004 CURSO ANUAL 2003/2004 de LÍNGUA E CULTURA PORTUGUESA PARA ESTRANGEIROS INSCRIÇÕES: 1º SEMESTRE (6 de Out. 223401443 expos@atractor.pt/deper 20 DE OUTUBRO DE 2003 A 18 DE JUNHO DE 2004 CURSO PÓS-LABORAL 2003/2004 DE LÍNGUA E CULTURA PORTUGUESAS PARA ESTRANGEIROS INSCRIÇÕES: 1º SEMESTRE (20 Nov.

pt ESCOLA DE GESTÃO DO PORTO NOVEMBRO DE 2003 FORMAÇÃO DE CURTA E MÉDIA DURAÇÃO PARA EXECUTIVOS Curso de E-Business INFORMAÇÕES: Antonieta Silva T.UP T.pt .letras.pt + www. FLUP INFORMAÇÕES: Via Panorâmica.letras. 226100861 asilva@egp.up. 226077167/00 + F.04 Entidade Responsável: DEPER. 226077153 deper@letras.pt + www.up.pt/deper 23 DE FEVEREIRO A 19 DE MARÇO DE 2004 CURSO INTENSIVO DE LÍNGUA PORTUGUESA PARA ESTRANGEIROS 02/03.up. 4150-564 Porto T. 226079725/226079726 scarvalho@psi. 4150-564 Porto T.up.pt/deper MEDICINA PÓS-GRADUAÇÕES: NOV. 03 Medicina da Dor Módulo de Anatomofisiologia da Dor Serviço de Cardiologia: Actividades bi-semanais do Serviço de Cardiologia e Unidade de Cardiologia Serviço de Cirurgia: Cursos de pequena cirurgia Curso de actualização em cirurgia endócrina Reunião internacional de cirurgia sobre “educação.up.Portugueses e Estudos Romanos. 226077153 deper@letras. 226153272 + F. s/n. 226079700 Ext: 208/370 F. FLUP Via Panorâmica. 226077167/00 + F. s/n. treino e novas tecnologias” Serviço de Urologia: Curso para Clínicos gerais sobre Hipertrofia benigna da Próstata FORMAÇÃO CONTÍNUA: Medicina Legal e Ciências Forenses 7 NOVEMBROA 5 DEZEMBRO 2003 Psiquiatria e Psicologia Forense 7 NOVEMBRO 2003 Gabinete de Educação Médica: 2º Seminário sobre Comissões de Ética 14 E 15 DE NOVEMBRO 2003 Serviço de Doenças Infecciosas: 1º Encontro Nacional da Clínica de Ambulatório VIH/Hospitais de Dia FORMAÇÃO CONTÍNUA: 4 A 9 DE NOVEMBRO 2003 Bibliotecas Escolares: formação de professores bibliotecários 26 DE NOVEMBRO 2003 A 31 DE JULHO 2004 Supervisão Clínica de Jovens 27 DE NOVEMBRO 2003 A 31 DE JULHO 2004 Supervisão Clínica de Crianças 27 DE NOVEMBRO DE 2003 E 03 A 31 DE JULHO DE 2004 As Provas Projectivas de Rorschach e Zulligier INFORMAÇÕES: Gabinete para a Educação Contínua da FPCE.up.

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