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ESCOLA SUPERIOR DE GUERRA ONTEM E HOJE, SEMPRE ESTUDANDO O BRASIL

DEPARTAMENTO DE ESTUDOS

LS 821/02 DAInt

OCEANIA ESTUDO SOBRE UMA CARACTERIZAÇÃO GEOPOLÍTICA COM FINS DIDÁTICOS

Os textos de Leitura Selecionada, de caráter doutrinário, teórico ou conjuntural, destinados à distribuição interna, às vezes discordantes entre si, visam a trazer novos subsídios aos estudos que aqui se realizam e expressam opiniões dos respectivos autores, não, necessariamente, as da ESG.

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ESCOLA SUPERIOR DE GUERRA DEPARTAMENTO DE ESTUDOS DIVISÃO DE ASSUNTOS INTERNACIONAIS

LS 821/02

OCEANIA ESTUDO SOBRE UMA CARACTERIZAÇÃO GEOPOLÍTICA COM FINS DIDÁTICOS

Rio de Janeiro 2002

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Presidente da República FERNANDO HENRIQUE CARDOSO Ministro de Estado do Ministério da Defesa GERALDO MAGELA DA CRUZ QUINTÃO Comandante e Diretor de Estudos da Escola Superior de Guerra Vice-Almirante ADILSON VIEIRA DE SÁ Subcomandante e Chefe do Departamento de Estudos Brigadeiro-Engenheiro FRANCISCO MOACIR FARIAS MESQUITA

Divisão de Assuntos Internacionais (DAInt) Chefe: Cel Av JORGE CALVÁRIO DOS SANTOS

Escola Superior de Guerra Divisão de Biblioteca, Intercâmbio e Difusão Av. João Luis Alves, s/nº Urca - Rio de Janeiro - Brasil CEP: 22291-090 Telefone: (021) 545-1737 Telex: (021) 30107 - ESSG Fax Fone: 295-7645

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SUMÁRIO

1 - INTRODUÇÃO ........................................................................................... 7 2 - CARACTERIZAÇÃO ................................................................................. 7 3 - MICRONÉSIA............................................................................................. 8 4 - MELANÉSIA .............................................................................................. 10 5 - POLINÉSIA................................................................................................. 11 6 - CONCLUSÃO ............................................................................................. 13 BIBLIOGRAFIA............................................................................................... 17 MAPA 1 ............................................................................................................ 18

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OCEANIA: ESTUDO SOBRE UMA CARACTERIZAÇÃO GEOPOLÍTICA COM FINS DIDÁTICOS

1 - INTRODUÇÃO
Maior dos oceanos (179.700.000 km2) o Pacífico ocupa quase a terça parte do Globo Terrestre, mede de norte para sul 12.000 km e, na região equatorial, de leste para oeste 17.000 km. Nessa imensa massa de água salgada emergem, no setor asiático grandes arquipélagos - Japão, Indonésia e Filipinas, bem como a Australásia reunindo Austrália/Tasmânia/Nova Zelândia, além de ilhas como Taiwan ou Formosa e Nova Guiné ou mesmo Sakalina e Kurilas disputadas pelos governos de Moscou e Tóquio. Em seguida, a monotonia do oceano será interrompida pelo aparecimento de inúmeras ilhas, arquipélagos, atóis e barreiras coralígenas que, no conjunto, formam a chamada Oceania. Entre o Trópico de Câncer ao norte e o de Capricórnio ao sul, foram identificados 3 grupos étnicos mais ou menos definidos que dividiram a Oceania em Micronésia, Melanésia e Polinésia.

2 - CARACTERIZAÇÃO
Em sua maior parte o Pacífico é um mar muito profundo, já que os depósitos terrígenos em seu leito são escassos; e bastante vulcânico, pois os vulcões não existem somente nas ribeiras da Ásia e América. Embora algumas ilhas do Pacífico sejam aparentadas com a Ásia, a maior parte delas são produtos de violentas convulsões sísmicas submarinas. Outras ainda são de origem madrepórica, muito embora os corais construtores assentados no cume de vulcões.

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Os corais que associados aos vulcões atuam como agentes construtores são pólipos de madrepérolas formando ilha em forma de anel coralígeno contínuo ou fragmentado; possui uma bacia interior ocupada por águas tranquilas pouco profundas; e a ilhota anelar assim originada recebe o nome de atol. Quando em grande número formam barreiras de recifes que, no passado provocaram numerosos naufrágios mas, no presente se converteram em pequenos portos de abastecimento ou bases de reconhecimento de navios. O clima basicamente dentro do tropical e subtropical apresenta temperaturas quentes e chuvas abundantes. Os violentos temporais chegam por vezes diminuir a superfície das ilhas enquanto os vendavais arrancam-lhes a vegetação. Os recursos econômicos estão ligados a explotação de madeiras de carpintaria, palmeiras e frutas tropicais, ao lado da pesca generalizada e pecuária em ilhas de maior extensão. Nos últimos anos tem se desenvolvido a mineração sobretudo de fosfato, bauxita e guano, enquanto as variedades de moluscos e corais concorrem para a exportação de madrepérolas e conchas de caracóis A imensidão desse oceano onde são encontradas profundas fossas ou regiões abissais, a monotonia é interrompida com o aparecimento de ilhas, arquipélagos, atóis, barreiras coralígenas.

3 - MICRONÉSIA
Micronésia significando ilhas minúsculas compreende um conjunto de cerca de 1.500 ilhas, localizadas ao norte da Nova Guiné, entre o equador e o Trópico de Câncer, algumas altas de formação vulcânica e outras baixas são coralígenas. As ilhas vulcânicas fazem parte do "cinturão de fogo" do Pacífico, apresentando, no setor ocidental e central, regiões abissais com destaque para a fossa de Nero com 9.635 metros de profundidade. Aí o arquipélago mais setentrional é o de Marianas, homenagem a D. Maria Ana da Austria, esposa de Felipe IV da Espanha; sua superfície é de 640 km2 reunindo 15 ilhas e numerosos recifes. Destacando-se do conjunto a Ilha de Guam (534 km2) no extremo meridional como importante ponto de apoio para as comunicações com as Filipinas. Mantêm-se as Marianas como Estado Livre Associado dos Estados Unidos a partir de 1990 quando iniciou-se a fase da tutela; tutela que se manteve somente para Paláos.

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A profunda fossa de Guam separa as Marianas das Carolinas, arquipélago dividido em vários grupos de leste para oeste por mais de 2.500 km. Aí se encontram cerca de 700 ilhas, em sua maioria desabitadas ocupando superfície de 636 km2. Seu nome é homenagem a Carlos II da Espanha e, do conjunto se destaca Yap (207 km2), estação de enlace de cabos submarinos e telegráficos. O grupo centrado em Truk consta de 70 ilhas basálticas e coralígenas em volta de uma laguna com circunferência de 225 km, onde se produz o taik, cosmético de cor alaranjada, muito apreciado na área. Por sua vez, Ponape (340 km2) é centro de 33 ilhotas cercadas por barreira de recifes guardando as ruínas de Metalanim, cidade com origem ainda envolta em mistério comparada a Veneza pois suas ruas eram canais resguardados por enormes blocos de pedra. O Arquipélago de Marshall que deve seu nome ao Almirante inglês que o explorou (1788) é formado por 33 ilhas, nas quais aves marinhas depositam o guano. Sua superfície total é de 182 km2, tendo como principal ilha Yaluit (17 km2) e atração o atol de Bikini, onde foi lançada em caráter experimental uma bomba atômica. Em seguida se encontra o grupo das Gilbert (297 km2) atravessado pelo equador; possui ao todo 16 ilhas, continuadas pelas outras 9 formadoras de Ellice (25 km2). Encerrando o conjunto da Micronésia as Ilhas de Nauru e Ocean ricas em fosfato, muito embora toda a área tenha na copra o principal produto de exportação. Tanto Ellice quanto Gilbert foram juntamente com Marshall zonas de protetorado britânico. Independente em 1978 as Ilhas Ellice passaram a se denominar Tuvalu; no ano seguinte a independência chegaria às Ilhas Gilbert que se transformam na República de Kiribati.

4 - MELANÉSIA

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A melanina dá ao povo local o tom negro a pele de seus habitantes de cabelos ulótricos, também chamados papuas ou melanésios. E caracteriza, como Melanésia a um de ilhas e arquipélagos vizinhos da Nova Guiné, Austrália e Nova Zelândia, hoje, quase todos independentes. O clima é tropical e as diferenças de um ponto para o outro são tão diminutas que pode se dizer haver um tempo único caracterizado pela elevação constante da temperatura e humidade da atmosfera. Como a área é muito pluviosa a vegetação torna-se exuberante e as planícies muito insalubres. Aí se destaca o Arquipélago de Salomão espalhando-se por área marinha de cerca de 650 km2 com total de ilhas perfazendo 40.464 km2. Defronta-se com a Nova Guiné dividida hoje entre a Indonésia e a Monarquia Papua, onde se interpõe a Ilha de Bismarck. O Arquipélago de Salomão se constitui numa democracia parlamentarista dentro da Comunidade Britânica tendo como Chefe de Estado a Rainha de Inglaterra, representada por um Governador. Mais ao sul se encontra o Arquipélago de Novas Hébridas (12.189 km2) que viveu sempre dentro da influência franco-britânica e que, independente em 1980 adotou o nome de Vanuatú. Compreende cerca de 40 ilhas cuja disposição permite dividi-las em 3 grupos: setentrional, central e meridional entre os quais as comunicações são bastante intensas e feitas por pequenas embarcações ou grandes barcos que aportam na ilha de Efate onde está Vila, a capital, ligada, também, com portos da Indonésia, Austrália e Nova Caledônia, esta ainda sob controle da França. Nessa zona Vanuatu/Nova Caledônia próximo das costas entre 1,5 e 24 km de distância surgem barreiras de recifes coralígenos que só se interrompem defronte a desembocadura de rios, exigindo a cooperação de práticos para se navegar. A Nova Caledônia (16.117 km2) é grande produtora de níquel, cobalto, cromo e outros minérios. Diante do Vanuatu se encontram as Ilhas Fidji (18.344 km2) num total de 322 das quais 106 desabitadas, caracterizadas pelo alto relevo e litoral escarpado. Por sua posição geográfica tem importância como escala na rota dos Estados Unidos/Austrália, encontrando-se na cidade de Nandi um aeroporto internacional. Além da agricultura é zona de explotação de minérios com jazidas de ouro, manganês e prata. Descoberta pelo holandês Tasman (1643) caia em poder da Inglaterra (1805) para, em 1970 se tornar independente sob forma de República.

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Nas proximidades, Tonga é um arquipélago com 150 ilhas e numerosos atóis (697 km2). Centro de uma teocracia quando chegaram os europeus, passava em 1900 a Protetorado Britânico até 1970 quando consegue a independência dentro do sistema monárquico.

5 - POLINÉSIA
Via de regra esse conjunto de numerosas ilhas surge além do meridiano de 180º coincidindo com a linha de troca de datas. Trata-se do mais extenso dos grupos da Oceania, formando, a grosso modo, uma espécie de triângulo com vértice setentrional no Arquipélago do Havaí e base nas unidades ao longo do Trópico de Capricórnio. Em face da influência oceânica não se apresentam diferenças climáticas, dominando na vasta área uma temperatura quente/úmida favorecendo vegetação exuberante. De origem vulcânica essas ilhas são bastante montanhosas, alcançando, por vezes os 4.500 metros, contrastando com ilhotas de coral emergindo apenas o suficiente para não serem cobertas pelas águas. Numa linha paralela aos novos países Tuvalu e Kiribati (Ellice e Gilbert) se impõe ilhas desde Howland no norte até Samoa no sul. Localiza-se Samoa, (3.039 km2) dos quais 2.842 km2 pertencem ao setor oriental, a 200 km de Tonga. Disputada por holandeses e usada como penhor no conflito Estados Unidos/Inglaterra/Alemanha, dividiu-se em 1889 ficando o setor oriental com os Estados Unidos e o ocidental para a Alemanha. Esta última parte, em plebiscito promovido pela ONU ficou independente em 1961 sob forma monárquica. As Ilhas Toqueláu foram anexadas, em 1949 pela Nova Zelândia enquanto Cook e Christmas se mantêm como territórios externos da Austrália. Integram-se na Polinésia Francesa, com estatuto de Território do Ultramar, os Arquipélagos da Sociedade (1.647 km2), Tuamutu (915 km2) e Marquesas (1.274 km2). Verdadeiro rosário de pequenas ilhas e atóis coralígenos Taumutu foi ponto final da viagem da Kon Tiki sendo povoada por coqueiros e constantemente arrasada por violentos temporais. Procurando provar que a região fora povoada pelos incas, o etnólogo norueguês Thor Heyerdhal, numa balsa chamada Kon Tiki, homenagem a

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divindade solar polinésia, saiu de Calláo no Peru em 27 de abril de 1947 atingindo várias ilhas a partir de 31 de julho do mesmo ano. Essa balsa sem pregos nem qualquer peça de metal, foi construída com 9 troncos enormes amarrados com cordas de cânhamo; assemelhava-se aos velhos baixéis incas, dotada de uma cabine de bambu na popa e uma vela quadrada sustentada por dois mastros amarrados. Destacando-se nesse conjunto do Ultramar francês, o já célebre atol de Mururoa, também conhecido como Gambier ou Osnabruck, localizado a 1200 km a leste de Taiti, onde a França iniciou, em 1963, a construção de uma base experimental de mísseis e aí vem realizando seus testes atômicos. Nesse conjunto insular, perfazendo um total de 4.000.000 km2, graças às costumeiras escalas feitas por navios franceses, se constituiu no decorrer do século XIX os Estabelecimentos da Oceania que, em 1959, recebiam o estatuto de Território do Ultramar. Formadas por montanhas que emergiram, a maioria dessas ilhas possuem baías profundas que constituem excelentes portos; aí a pesca é a atividade principal complementada pela agricultura (cana, café e algodão) e explotação de fosfato. Continuando na direção da América do Sul, encontram-se Pitcarn 2 (5km ), pertencente à Inglaterra, celebrizada nos anais de sua Marinha por haver servido de refúgio aos amotinados do Bounty, revoltados em 1789 contra a severidade do Comandante William Bligh. E, se Galápagos pertencente ao Equador é considerado como arquipélago americano, o Chile é, ao lado dos Estados Unidos, país possuidor de ilhas na Oceania; estão agregadas à província do Valparaíso a ilhota de Sala y Gomes e Páscoa ou Rapa Nui (179 km2). Descoberta em 1722 pelo holandês Roggeveen, no dia da Páscoa que lhe deu o nome, é a mais oriental da Polinésia; destaca-se como "museu antropológico" por possuir grandes estátuas monolíticas com até 10 metros de altura, representando enormes cabeças humanas, madeiras esculpidas figurando homens alongados e ainda animais em pedra e madeira. Esta ilha solitária chilena, de megalitos esculpidos entre os quais os sete "moai" de Ahu Akin; se encontra a 3.265 km de Valparaiso e a 5.760 km da Nova Zelândia. Sob o Trópico de Capricórnio se posiciona no oposto, em linha reta do Arquipélago do Havai, sob o Trópico de Câncer. O Arquipélago do Havai (16.635 km2) é o mais rico e mais extenso da Polinésia, emergindo a 3.500 km de San Francisco da Califórnia; aí morreu o navegador inglês Cook, considerado o seu descobridor em 1778.

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O seu clima é agradável, sem registrar as sufocantes marcas dos trópicos, nem as destruidoras tempestades e tufões tão comuns na Polinésia. Havai é a maior ilha do arquipélago, registrando cinco elevações de origem vulcânica dentre as quais o Mauna Loa e Mauna Kea com pouco mais de 4 mil metros. Muito embora seja Oahu a ilha mais povoada, onde se encontram a capital Honolulu e a importante base naval de Pearl Harbour, traduzindo-se por Enseada das Pérolas, um dos pontos mais ativos da Oceania. O Havai pertenceu à França, depois Inglaterra até que em 1898 entrava para a esfera dos Estados Unidos, país bioceânico chegando ao Alasca, dominando as Aleutas e, necessitando do trampolim sobre o Trópico de Câncer, que, em 1959, passava a se constituir no quinquagésimo Estado dos Estados Unidos. Com substanciais interesses no Pacífico trataram os Estados Unidos de instalar outros glacis defensivos anexando Wake de apenas 2 km2 porém de valor geoestratégico por se constituir no ponto de apoio em linha direta Havai/Hong Kong; integrando-se ao conjunto de trampolins, Midway (36 km2) que tem esse nome por se encontrar na metade do caminho Wake/Havai. Constitui-se numa dependência do Havai a ilhota Johnston, nas imediações da ilha inglesa de Washington. Esse ponto de apoio dos Estados Unidos na Polinésia tem uns 4 km2 rodeado por recifes de coral de 25 km por uns 15 de largura que produz guano e recebe visita de pescadores havaianos para a captura do trepang.

5 - CONCLUSÃO
Na Oceania sem continente sua população dispersa se encontra classificada em três grandes grupos étnicos - polinésios, melanésios e micronésios que serviram de ponto de referência para o zoneamento geopolítico da área. Os polinésios ou kunakas têm a pele morena, o cabelo lissótrico como o dos asiáticos. Sua estatura é elevada, o corpo bem proporcional, formando um grupo sobremodo homogêneo apesar da vasta extensão que habita. Sua cultura é superior a dos micronésios e melanésios, muito embora seja equivalente no setor econômico recoletor.

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É desconhecida a origem dos polinésios como a dos antíctones encontrados na América pelos europeus; além dos que apoiam serem eles descendentes de asiáticos, a proeza da expedição de Kon Tiki leva outros a acreditarem em sua origem incaica. Já os micronésios apresentam traços tanto dos polinésios quanto dos melanésios ou "negros oceânicos". Por outro lado, tanto na Micronésia quanto na Melanésia, pela maior proximidade geográfica como a Ásia, ao lado das características peculiaridades dos dois grupos se acentua a presença hindu, indonésia, japonesa ou chinesa. Em se tratando do embate civilizador, os europeus, notadamente franceses e ingleses, substitutos dos primeiros descobridores portugueses e espanhóis, foram os colonizadores da Oceania, sendo secundados pelos Estados Unidos/Japão no setor norte e Austrália/Nova Zelândia na área que lhes é contígua. Caberia aos japoneses, no final do século XIX, migrarem em massa para os arquipélagos da Micronésia; ocuparam, notadamente, possessões alemães das Carolinas, Marianas e Marshall que, em 1918, estiveram sob mandato japonês. Com a derrota militar do Japão em 1945 os referidos arquipélagos passaram para a administração fiduciária dos Estados Unidos. Atualmente esboça-se novo embate dos dois países em face dos Eixos Norte/Sul de natureza tanto de ordem geoeconômica quanto geopolítica que marca na "Nova ordem Mundial" o NAFTA com geocentro nos Estados Unidos e Zona de Co-Prosperidade Asiática tendo no Japão seu Estado Diretor. E é nesse contexto que começam a despontar os primeiros países independentes da Oceania, sobretudo na Micronésia e Melanésia pela influência e maior proximidade para com a Ásia, reduto japonês. O conjunto, porém, tornou-se uno desde os grandes progressos da navegação a vapor no século XIX e construção do Canal do Panamá. Tudo chamando a atenção para as Ilhas Galápagos, pertencentes ao Equador e dinamizando a corrente de circulação entre os arquipélagos e ilhas da Oceania. Essas, até então isoladas num vasto oceano, passaram, dentro do dinamismo geopolítico a ter valor como trampolins estratégicos e apoio de importância econômica nas rotas marítimas e aéreas. Historicamente esses pontos oceânicos começavam a ser objeto de contestações diplomáticas como a de 1840 sobre o Taiti e o de 1919 sobre Yap. E, nesse segmento, no âmbito das Relações Internacionais, transformaram-se nas balizas da ofensiva dos Estados Unidos contra o Japão a partir de 1942.

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A despeito da viagem de circunavegação de Fernão de Magalhães haver incluído o Pacífico como zona a desvendar, pelas ilhas e arquipélagos da Oceania andaram portugueses e bem mais os espanhóis, sem objetivos maiores que os encontrados na América, Ásia e mais secundariamente na África. Caberia, pois, à pesca, sobretudo a do mero, de salmão e baleias em zonas mais afastadas dos grandes centros, levar o homem branco a se interessar pela Oceania. Dentro, pois, do determinismo geográfico que ainda estigmatiza as unidades políticas da Oceania, podemos, de certo modo, aceitar a expressão peremptória de Victor Cousin no livro editado em Paris (1928) sob o título "Introduction à l' Historie de la Philosophie", que na página 17 diz o seguinte: "Dêem-me o mapa de um país, sua configuração, seu clima, suas águas, seus ventos e toda a sua geografia física, dêem-me toda sua produção natural, sua flora, sua zoologia, etc e eu me encarregarei de dizer-lhes, a priori, que tipo de homem haverá nesse país e que papel esse mesmo país representará na História, não acidentalmente, mas necessariamente, não em determinada área, mas em todas". Pela área de que dispõem, as entidades geopolíticas da Oceania carecem de recursos alimentares tendo que contar com territórios estrangeiros para sua subsistência. A explotação econômica vem sendo desigual, baseando-se sobremodo no aproveitamento das matérias-primas minerais entre as quais o fosfato, ouro, prata, manganês, bauxita, cobalto, cromo e níquel. E, esse cenário não é de todo favorável à salvaguarda da independência política que alguns territórios começam a conseguir. Qual o peso ou o destino político que podem aspirar o Tuvalu, Vanatu, o Kiribati, que até para serem localizados nos mapas têm que se valer do topônimo colonial? Dentro do "esplêndido isolamento" insular caracterizado pela Geopolítica, esses países concentrados em si próprios nada mais fazem do que contribuir para a continuidade de civilização arcaicas. No entanto, depreciado em sua maior parte e, praticamente olvidado até o final do século XIX, o Pacífico é hoje cruzado em todas as direções. E, nesse contexto as nações que aí forem se constituindo devem se ater ao fato de que são pontos de grande valia como fontes de escala. Isto concluindo-se que, em qualquer dos oceanos da Terra a maior distância se encontra entre Califórnia/Havai. E disso já se aperceberam os Estados Unidos vendo que San Francisco/Honolulú têm-se 2.402 milhas... de Honolulú/Midway 1.304 milhas... de Midway/Wake 1.185 milhas... de Wake/Guam 1.508 milhas e que de Guam até Manilla já na Ásia têm-se que recorrer ainda 1.589 milhas. E, curiosamente,

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em pleno século XX, ao ser traçada essa rota transpacífico tanto Midway quanto Wake estavam desabitadas.

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BIBLIOGRAFIA
- GEOMUNDO (Tesno VI) - Editora Codex Ltda. Rio, 1967. - O MUNDO HOJE - Anuário Econômico e Geopolítico Mundial - Biblioteca do Exército Editora. Rio, 1994 - ROSPIDE, R. Beltran y/ Vicente Vera. Geografia Universal Ilustrada Volume 2 (Ásia/Oceania/América) - Ediciones AVE, Barcelona, 1955.

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