DICIONÁRIO DE POLÍTICA

Política BOBBIO, N. et al. Dicionário de Política, 12ª ed. BSB: UnB, 2002. p. 954-963
I. O SIGNIFICADO CLÁSSICO E MODERNO DE POLÍTICA. [Significado Clássico] Derivado do adjetivo originado de pólis (politikós), que significa tudo o que se refere à vida da cidade e, conseqüentemente, compreende toda a sorte de relações sociais, o que é urbano, civil, público, e até mesmo sociável e social, tanto que o "político" vem a coincidir com o "social". O termo Política se expandiu graças à influência da grande obra de Aristóteles, intitulada Política, • primeiro tratado sobre a natureza, funções e divisão do Estado, e sobre as várias formas de Governo • significação mais comum de arte ou ciência do Governo • de reflexão, não importa se com intenções meramente descritivas [como é] ou também normativas [como deveria ser], dois aspectos dificilmente discrimináveis, sobre as coisas da cidade. O termo Política foi usado durante séculos para designar principalmente obras dedicadas ao estudo daquela esfera de atividades humanas que se refere de algum modo às coisas do Estado

[Significado Moderno] Seu significado original, substituído pouco a pouco por outras expressões como "ciência do Estado", "doutrina do Estado", "ciência política", "filosofia política", etc., Usado para indicar a atividade ou conjunto de atividades que, de alguma maneira, têm como termo de referência a pólis, ou seja, o Estado. [se refere ao Estado, de forma menos ampla, e não propriamente a todas as suas “coisas”] A pólis é, por vezes, o sujeito Atos de ordenar, proibir, legislar, o tirar e transferir recursos de um setor da sociedade para outros, etc.; Outras vezes a pólis é objeto Atos de conquista, manutenção, defesa, ampliação, robustecimento, derrubada, a destruição do poder estatal, etc. [Dada essa focalização, o que os antigos chamariam apenas de história da Política, hoje se chama] história das doutrinas ou das idéias políticas ou, mais genericamente, história do pensamento político

etc. o fato de o poder político se diferenciar do poder paterno e do poder despótico por estar voltado para o interesse dos governantes ou por se basear no consenso. A TIPOLOGIA CLÁSSICA DAS FORMAS DE PODER. entre soberano e súditos. eram consideradas três formas principais de poder: Aristóteles Baseada no interesse daquele em benefício de quem se exerce o poder interesse dos filhos interesse do senhor interesse de quem governa e é governado Locke Fundamento da obrigação Natureza Castigo Consenso Motivos ex natura ex delicto ex contractu poder paterno poder despótico poder político Na verdade. entendida como forma de atividade ou de práxis humana. malgrado seu. está estreitamente ligado ao de poder. o comportamento” “poder como posse dos meios (entre os quais se contam como principais o domínio sobre os outros e sobre a natureza) que permitem alcançar justamente uma ‘vantagem qualquer’ ou os ‘efeitos desejados’.II. entre autoridade e obediência. não constitui caráter distintivo de qualquer Governo. [SE Poder] como "consistente nos meios adequados à obtenção de qualquer vantagem" (Hobbes) "conjunto dos meios que permitem alcançar os efeitos desejados" (Russell). o domínio sobre os outros homens “uma relação entre dois sujeitos.” Poder político pertence à categoria do poder do homem sobre outro homem [o poder político é apenas uma delas]: como relação entre governantes e governados. Sendo um destes meios. mas só do bom Governo: não é uma conotação da relação política como tal [descritiva]. além do domínio da natureza. O conceito de Política. . dos quais um impõe ao outro a própria vontade e lhe determina. entre Estado e cidadãos. mas da relação política referente ao Governo tal qual deveria ser [normativa]. [ENTÃO] Na tradição clássica que remonta especificamente a Aristóteles.

para se defenderem dos ataques externos. o poder político é. o poder supremo. ou para impedirem. Um conceito amplíssimo do poder. o poder ao qual todos os demais estão de algum modo subordinados: o poder coativo é. de longe o meio mais eficaz para condicionar os comportamentos.III. ou como extrema ra tio. com a desagregação do grupo. aquele a que recorrem todos os grupos sociais (a classe dominante). momento do domínio – Sociedade Política ou Estado Poder espiritual (momento principal) Poder temporal – imperium Como poder cujo meio específico é a força. em última instância. momento do consenso – Sociedade Civil Supra-estrutura. em toda a sociedade de desiguais. Três grandes classes de poder: Classe de Poder econômico ideológico político Posse dos meios de produção formulação de idéias coação – força física Desigualdade ricos e pobres sábios e ignorantes fortes e fracos Sistema Social organização das forças produtivas organização do consenso organização da coação Teoria Tradicional Poder temporal dominium Teoria Marxista Base real ou estrutura (momento principal) Supra-estrutura. A TIPOLOGIA MODERNA DAS FORMAS DE PODER. de ser eliminados. . de fato. O critério de classificação das várias formas de poder que se baseia nos meios de que se serve o sujeito ativo da relação para determinar o comportamento do sujeito passivo. ou seja.

que os tornava iguais no estado de natureza. e não pode deixar de ser. senão mediante a organização sistemática e eficaz do monopólio da força. Quanto à esfera econômica: no Estado coletivista se estende. a pretensão do monopólio da legítima coerção física. são capazes de tomar decisões eficazes e legítimas sobre a distribuição e destinação dos recursos (não apenas econômicos se aplicam para todos Inclusividade . se bem que dentro de certos limites. [Frente à monopolização]. para o reino sem tempo da utopia. ou da a n a rch ía à a r ch ía . como tal. caracterizado pela liberdade de opinião. Neste sentido tornou-se já clássica a definição de Max Weber: "Por Estado se há de entender uma empresa institucional de caráter político onde o aparelho administrativo leva avante. com autoridade para intervir em caso de violação daquelas. no âmbito de seu domínio. alvo que não pode ser alcançado. ou seja. [sobre a monopolização do poder] O uso da força é uma condição necessária. de modo imperativo. em todas as esferas possíveis da atividade dos membros do grupo e de encaminhar tal atividade ao fim desejado ou de desviar de um fim não desejado. do Estado apolítico ao Estado político. assim como ao iludirem as infiltrações. à margem da história. em certa medida e com êxito. e eles sós. constituiria um verdadeiro e autêntico salto qualitativo. que doravante será o único autorizado a usar a força contra eles. por meio de instrumentos de ordenamento jurídico. ou a um único corpo. com vistas ao cumprimento das leis" (1. ocorre quando os indivíduos renunciam ao direito de usar cada um a própria força. Como conseqüência direta da monopolização da força. no Estado laico o poder fica aquém dela.[coação restrita ao Estado] os detentores do poder político não permitem. . são características do poder político: Exclusividade . Quanto a todas as esferas: no Estado totalitário é o Estado todo abrangente. a politização integral das relações sociais. por via do antagonismo de classes.os detentores do poder político têm a possibilidade de intervir. isto é. é por isso que cada Estado é. fruto de um processo de monopolização acompanha p a r i p a s s u o processo de incriminação e punição de todos os atos de violência que não sejam executados por pessoas autorizadas pelos detentores e beneficiários de tal monopólio. mas não suficiente para a existência do poder político. Não há grupo social organizado que tenha podido até hoje consentir a desmonopolização do poder coativo. de um conjunto de normas primárias destinadas aos membros do grupo e de normas secundárias destinadas a funcionários especializados. a formação de grupos armados independentes e ao debelarem ou dispersarem os que porventura se vierem formando. um exemplo disso está no Estado liberal-democrático. para o confiar a uma única pessoa. 53). o poder político se impõe limites: Quanto à esfera religiosa: no Estado autocrático se estende. a passagem do Estado de natureza ao Estado civil.IV. O PODER POLÍTICO. o que significaria nada mais nada menos que o fim do Estado e que. Nos Estados históricos há todavia grupos políticos organizados que consentiram a desmonopolização do poder ideológico e do poder econômico. [citar a teoria do Buchanan sobre a deseconomia da predação e defesa individual e a economia dos direitos] Na hipótese histórica da teoria do Estado de Marx e de Engels. O que caracteriza o poder político é a exclusividade do uso da força em relação à totalidade dos grupos que atuam num determinado contexto social. as instituições políticas têm a função primordial de permitir à classe dominante manter seu domínio. é um caso-limite. no Estado liberal clássico fica aquém dela. as ingerências ou as agressões de grupos políticos do exterior Universalidade – os detentores do poder político. [A monopolização se dá:] Na hipótese [abstrata] hobbesiana que serve de fundamento à teoria moderna do Estado. a política absorve todas as outras esferas da vida [tudo submetido à coerção]. e pela pluralidade dos centros de poder econômico. uma ditadura. o Estado a que nenhuma esfera da atividade humana escapa.

. segundo o qual é bom que cada um faça o que lhe incumbe dentro da sociedade como um todo (República. . está totalmente unido ao meio. o bem comum. nem tampouco o Estado. Porém há um fim mínimo na Política: a ordem pública nas relações internas e a defesa da integridade nacional nas relações de um Estado com os outros Estados. indicando o alvo da sua ação de grupo. justiça e ordem são a mesma coisa. ou. pois não definem o que é concreta e normalmente a Política. como se diz. fim em si mesmo). porque.. l278b ). mas viver bem (Política. • • Aristóteles afirma que o fim da Política não é viver. o monopólio da força As definições teleológicas tradicionais de Política não são definições descritivas. Platão afirma que o fim da Política é a justiça como o princípio.V. por outras palavras. são considerados prioritários para o grupo (ou para a classe nele dominante) Isto quer dizer que a Política não tem fins perpetuamente estabelecidos.. meio e fim. como felicidade.. esse fim. portanto. Os fins que se pretende alcançar pela ação dos políticos são aqueles que. ao mesmo tempo. a ordem. porque é a co n d it i o sin e q u a n o n para a consecução de todos os demais fins. O FIM DA POLÍTICA. 433a ). que não lhe é certamente exclusivo. mas prescritivas. específico e indispensável à sua essência: o uso da força" (1. Não há nenhum escopo que os grupos políticos não se hajam alguma vez proposto. Max Weber: "Não é possível definir um grupo político. A ordem é. mas é. em cada situação. liberdade. e muito menos um fim que os compreenda a todos e que possa ser considerado como o seu verdadeiro fim: os fins da Política são tantos quantas são as metas que um grupo organizado se propõe. • [Bobbio se opõe à definição de política] como uma forma de poder que não tem outro fim senão o próprio poder (onde o poder é. em todo o caso. [Sobre a finalidade da política] [A “explicação” mecanicista referida aos meios se contrapõe à “explicação” teleológica tradicional que tentam definir a Política pelo fim ou fins que ela persegue]. Há outras noções de fim. Só se pode. de acordo com os tempos e circunstâncias. 54). Este fim é o mínimo. igualdade. ou deveria ser. o resultado imediato da organização do poder coativo. mas indicam como é que ela deveria ser para ser uma boa Política. definir o caráter político de um grupo social pelo meio.

pois. . tanto mais ela se tornará política. etc. retórico ou doutrinário]. contestação]. oposições. o uso da força para pôr fim à luta. pelo menos. O conflito por excelência é a guerra: a vita mea é a mors tua.VI. "Quanto mais uma oposição se desenvolver no sentido da distinção amigo-inimigo.. belo-feio. É característico do Estado eliminar. A POLÍTICA COMO RELAÇÃO AMIGO-INIMIGO. fundadas também em oposições fundamentais. de arte. É. como bom-mau. e não os conflitos agonísticos [desportivo. 445). p. Para Schmitt e Freund a Política tem que avir-se com os conflitos humanos: os do tipo antagonísticos [rivalidades. não tolerando senão as simples rivalidades agonísticas ou as lutas dos partidos. Segundo Carl Schmitt a esfera da Política coincide com a da relação amigo-inimigo. etc.. claro que a oposição amigo-inimigo é politicamente fundamental" (Freund.. dentro dos limites da sua competência. A relação amigo-inimigo tem como elemento distintivo resolver conflitos pela força ou. O campo de origem e de aplicação da Política: o antagonismo A função da Política: atividade de associar e defender os amigos e de desagregar e combater os inimigos. Política é fundada nesta oposição fundamental assim como a moral. e reservando ao Governo o direito de indicar o inimigo externo. a divisão dos seus membros ou grupos internos em amigos e inimigos. incompatibilidade.

o mercado como lugar em que os indivíduos se encontram independentemente de qualquer imposição. criando a contraposição do poder espiritual ao poder temporal. criando a contraposição (para usarmos a terminologia hegeliana. fim de toda a forma de organização social. bem entendido. estimulada pela incessante disputa pela posse dos bens materiais. por conseguinte. pela primeira vez. O fim da Política significa o fim de uma sociedade para cuja coesão sejam indispensáveis as relações de poder político. onde se desenvolve a atividade econômica dos indivíduos. duma sociedade que. O POLÍTICO E O SOCIAL. algo desconhecido no mundo antigo. . no uso da força. Dois tipos ideais surgem daí: se ele se estende configura o Estado absoluto. pura e simplesmente.VII. o a economia mercantil burguesa subtraiu o domínio das relações econômicas da esfera da Política. em última instância. se ele se atém configura o Estado liberal [Do restrito para o ausente] O avanço da emancipação política da sociedade quanto ao Estado no século XIX fez com que. por outro. para Hobbes. seja em relação à sociedade religiosa (a ecclesia contraposta à civitas). herdada de Marx e hoje de uso comum) da sociedade civil à sociedade política. por sua natureza. se distingue da sociedade política e não pode ser com ela confundida. ou seja. o problema das relações entre a potestas simbolizada no grande Leviatã. isto é relações de domínio fundadas. da Política é. Fim da Política não significa. Exemplo é a teoria política de Hobbes no De Cive onde se contrapõem os seguintes conceitos: a libertas designa o espaço das relações naturais. a Filosofia Política aventasse a hipótese da desaparição do Estado num futuro mais ou menos remoto e da conseqüente absorção do político pelo social. • Isso restringe tanto o âmbito do "político" quanto do "social". fim daquela forma de organização social que se rege pelo uso exclusivo do poder coativo. • Há que se observar que historicamente: o o cristianismo subtraiu o domínio da vida religiosa da esfera da Política. o Estado de natureza (interpretado recentemente como prefiguração da sociedade de mercado) a religio indica o espaço reservado à formação e expansão da vida espiritual. coisa que também era ignorada do mundo antigo. Na modernidade há uma contínua reflexão sobre o que distingue a esfera da Política da não-Política O tema fundamental da filosofia política moderna é o tema dos limites do Estado como organização da esfera política. cuja concretização histórica se dá na instituição da Igreja. por um lado. rejeita a plena coincidência de um com o outro. [Do amplo para o restrito] Se na tradição clássica. a potestas simbolizada no grande Leviatã O problema fundamental do Estado e. contraposto ao ordenamento coativo do Estado). Significa. da esfera privada ou do burguês à esfera pública ou do cidadão. e a libertas e a religio. do fim [extinção] da Política. isto é. Na doutrina moderna Política é reduzida à atividade direta ou indiretamente relacionada com a organização do poder coativo e se caracteriza pela contínua busca de uma delimitação do que é político (o reino de César) do que não é político. seja em relação à sociedade civil (a sociedade natural. a esfera da Política compreende toda a sorte de relações sociais e a filosofia política clássica se baseia no estudo da estrutura da pólis e das suas variadas formas históricas ou ideais.

conseqüentemente.. o profeta. conforme a qual é preciso responder pelas conseqüências previsíveis das próprias ações" (La politica come professione. Porém. Para este "virtude" significa disposição para o bem moral (contraposto ao útil) do outro. • Pela ética da convicção: ". p. o homem de Estado. alcançada a partir da formação do Estado moderno e sua gradual emancipação da Igreja. à absoluta supremacia da Política. o pedagogo. A Política e a moral se referem ao mesmo objeto: a ação ou da práxis humana. . POLÍTICA E MORAL. 142). Máxima maquiavélica : "o fim justifica os meios" A ação moral é avaliada por normas cujos preceitos (princípios) são categóricos. in II lavoro intellettuale come professione. • • A ação política é avaliada pelos resultados (fins) da ação. onde o que importa é a certeza e fecundidade dos resultados. Para este virtude é a capacidade do príncipe forte e sagaz que. o criador da cidade terrena. triunfa no intento de manter e consolidar o próprio domínio. utilizam princípios ou critérios diversos de justificação e avaliação da ação humana Pode haver ações morais que são impolíticas (ou apolíticas). usando conjuntamente das artes da raposa e do leão. há uma diferença insuperável entre o agir segundo a máxima da ética da convicção. 1948. à subordinação desta ao Estado e. que em termos religiosos soa assim: 'O cristão age como justo e deixa o resultado nas mãos de Deus'. o sábio que tem os olhos postos na cidade celeste. O critério que se julga boa ou má uma ação política é diferente do critério que considera boa ou má uma ação moral. em casos extremos. o condutor de homens. a impoliticidade da moral e Pode haver ações políticas que são imorais (ou amorais). a imoralidade da Política. A descoberta desta distinção que é atribuída a Maquiavel É geralmente apresentada como problema da autonomia da Política.. dois universos éticos que se movem segundo princípios diversos e contrapostos: • de um lado está o homem de fé. A relação entre Política e não-Política. implica na problematização relação entre Política e moral. pelos quais ele será publicamente julgado com base no sucesso. e o agir segundo a máxima da ética da responsabilidade. Máxima: “não há outro fim senão o de cumprir o próprio dever” Weber interpreta esta oposição distinguindo ética da convicção e ética da responsabilidade. Torino. que chegou até. onde o que conta é a pureza de intenções e a coerência da ação com a intenção pela qual ele será publicamente julgado.VIII.

vol. Introduzione alla filosofia politica (1970) Isedi. RITTER. D. LASSWELL. Il Mulino. e KAPLAN. M. Milano 1961. L'essence du politique. A. Economia e società (1922). GREAVES. Bologna 1958. Il Mulino. Sempre que um grupo social age em própria defesa contra outro grupo. Giuffrè. G. e POWELL. a Igreja. O contraste entre moral e Política. CRICK. Etas Libri. La scienza politica. N. STOPPINO. Bari 1966. Não há necessidade da violência individual. BIBLIOGRAFIA ALBERTINI. Milano 1969. Sirey. G. Onde é que reside a diferença entre esses dois contextos ? • o critério da ética da convicção é geralmente usado para julgar as ações individuais. Milano 1963. London 1958. ALMOND. Bologna 1970. ao passo que. ou praticadas por um indivíduo. No caso de violência individual. VI. R. uma ética que responde à mesma lógica da razão de Estado. • enquanto o critério da ética da responsabilidade se usa ordinariamente para julgar ações de grupo. vol. Difesa della politica (1962). II. Milano 1968. B. R. in "Storia delle idee politiche economiche sociali". The foundation of political theory. porque basta a violência coletiva: a moral pode resolver ser tão severa com a violência individual. 5 1-5. Por "razão de Estado" se entende aquele conjunto de princípios e máximas segundo os quais ações que não seriam justificadas. DAHL. em confronto com as que valem para o indivíduo dentro do grupo. Laterza. o recurso à justificação da violência como extrema ratio é usual. Feltrinelli. Paris 1965. etc. Bologna 1972. Bologna 1967. J. Roma 1972. M. entendida como autonomia dos princípios e regras de ação que valem para o grupo como totalidade. B. entendido como contraste entre ética individual e ética de grupo. porque se fundamenta na aceitação de uma convivência que se rege pela prática contínua da violência coletiva. in "La politica ed altri saggi". Milano 1971. A. Introduzione alla scienza politica (1963). p. se apela a uma ética diversa da geralmente válida para os indivíduos. Milano l972³. G. Il potere (1938). I. Potere e società (1950). G. C. a nação. G. DUVERGER. Bologna 1969. não se pode recorrer quase nunca ao critério de justificação da extrema ratio (salvo quando em legítima defesa). Editori Riuniti. Il Mulino. FRIEDRICH. se praticadas só pelo indivíduo. UTET. Il secolo ventesimo. M. mas em nome e por conta do próprio grupo. 201-42. Il volto demoniaco del potere (1948). Razão de Estado representa o princípio da autonomia da Política. Bell. Il Mulino. seja ele o povo. 207-52. SCHMITT. La politica. RUSSELL. nas relações entre grupos.IX. Politica comparata (1966). a classe. serve também para ilustrar e explicar a secular disputa existente em torno à "razão de Estado". vol. Torino 1972. são não só justificadas como também por vezes exaltadas e glorificadas se praticadas pelo príncipe ou por quem quer que exerça o poder em nome do Estado. Potere politico e stato. H. p. Il Mulino. C. WEBER. M. B. A afirmação de que a Política é a razão do Estado encontra perfeita correspondência na afirmação de que a moral é a razão do indivíduo. FREUND. o partido. Comunità. A POLÍTICA COMO ÉTICA DO GRUPO. H. porque o Estado é a coletividade em seu mais alto grau de expressão e de potência. Potere politico e classi sociali (1968). SARTORI. . Introduzione alla politica (1964). Giuffrè. POULANTZAS. Le categorie del politico (1927). Razão de Estado não é senão um aspecto da ética de grupo.

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