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Romantismo Quisera repousar desta vida de agora, e esquecer no silêncio a dor que me lacera...

- não posso ter em mim o ardor da primavera, - na casa de meu peito uma saudade chora... E há sempre uma lembrança a recordar de outrora que me faz sonhador... E há sempre uma quimera, que ainda vive em minha alma à semelhança da hera pregada sobre o muro em ruínas que a vigora... Quisera me afastar do mundo, e a alma selvagem repousar bem distante à beira de um remanso entre o beijo do vento e o choro da folhagem... E esperar sem ninguém o prosseguir da vida... Depois... chegando a morte, em preito ao meu descanso deixar a minha cruz na solidão perdida!... JG de Araujo Jorge

respiraremos a frescura dos verdes reinos encantados das lianas e da fonte pura. de tão magoado romantismo. resumo de todas as vidas. em busca de flores de prata.secas borboletas caídas e choraremos sua história. Nas pedras.Romantismo Seremos ainda românticos e entraremos na densa mata. invisíveis cânticos. sentados. de aéreos. E tão românticos seremos. que as folhas dos galhos supremos que se desprenderem do abismo pousarão na nossa memória . Cecília Meireles . à sombra.

Tremo dele. querida. Sucumbe-me a alma à ventura: O excesso de gozo é dor. e delirante Sinto que se exaure em mim Ou a vida ou a razão.Gozo e dor Se estou contente. Não sei se morro ou se vivo. sim. Almeida Garrett . falta-me a vida. É que não há ser bastante Para este gozar sem fim Que me inunda o coração. e a tristeza Vaga. No coração me poisou. inerte e sem motivo. Ai não. Com esta imensa ternura De que me enche o teu amor? Não. Absorto em tua beleza. Dói-me alma. Porque a vida me parou.

divino. eterno.. Como facho do Destino. Nem ficou mais de meu ser.Seus olhos Seus olhos . Que. Almeida Garrett .se eu sei pintar O que os meus olhos cegou Não tinham luz de brilhar.e suave Ao mesmo tempo: mas grave E de tão fatal poder. num só momento que a vi. Divino. Senão a cinza em que ardi.. E o fogo que a ateou Vivaz. Era chama de queimar. Queimar toda alma senti. eterno! .

E eu n'alma . Ai! não te amo. não. Não te amo. De ti medo e terror. Não te amo. não. Não chega ao coração. ó bela.. e só te quero De um querer bruto e fero Que o sangue me devora.. que é forçado. Almeida Garrett . A calma .tenho a calma. E a vida .. quero-te: o amor é vida.do jazigo. não! Ai! não te amo.nem sentida A trago eu já comigo.Não te amo Não te amo. e não te amo. E infame sou. quero-te: o amor vem d'alma. Mas amar!. Quem ama a aziaga estrela Que lhe luz na má hora Da sua perdição? E quero-te. não te amo. e tanto Que de mim tenho espanto.. e eu não te amo. não. De mau. Ai! não te amo. não. Mas oh! não te amo. És bela. porque te quero. feitiço azado Este indigno furor.