MANUAL TÉCNICO, 20

ISSN 1983-5671

José Ronaldo de Macedo Claudio Lucas Capeche Adoildo da Silva Melo

20

Niterói-RJ abril de 2009

MANUAL TÉCNICO, 20

ISSN 1983-5671

José Ronaldo de Macedo Claudio Lucas Capeche Adoildo da Silva Melo

20

Niterói-RJ abril de 2009

PROGRAMA RIO RURAL Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento Superintendência de Desenvolvimento Sustentável Alameda São Boaventura, 770 - Fonseca - 24120-191 - Niterói - RJ Telefones : (21) 2625-8184 e (21) 2299-9520 E-mail: microbacias@agricultura.rj.gov.br

Governador do Estado do Rio de Janeiro Sérgio Cabral

Secretário de Estado de Agricultura, Pecuária,Pesca e Abastecimento Christino Áureo da Silva

Superintendente de Desenvolvimento Sustentável Nelson Teixeira Alves Filho

Macedo, José Ronaldo de. Recomendação de manejo e conservação de solo e água / José Ronaldo de Macedo, Cláudio Lucas Capeche, Adoildo da Silva Melo. -- Niterói : Programa Rio Rural, 2009. 45 p. ; 30 cm. -- (Programa Rio Rural. Manual Técnico ; 20) Programa de Desenvolvimento Rural Sustentável em Microbacias Hidrográficas do Estado do Rio de Janeiro. Secretaria de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento. Projeto: Gerenciamento Integrado de Agroecossistemas em Microbacias Hidrográficas do Norte-Noroeste Fluminense. ISSN 1983-5671 1. Conservação do solo. 2. Conservação da água. I. Capeche, Cláudio Lucas. II. Melo, Adoildo da Silva. III. Série. IV. Título. CDD 631.4

Sumário

1. Apresentação.............................................................................5 2. Introdução.................................................................................6 3. Conceitos de erosão dos solos......................................................6 4. Sistemas de cultivo...................................................................10 5. Preparo do solo.........................................................................12 6. Manejo e conservação dos recursos naturais................................14 7. Adição de matéria orgânica.........................................................36 8. Rotação de culturas...................................................................42 9. Locação de estradas e caminhos..................................................43 10. Referências bibliográficas..........................................................44

ainda. Com essa motivação. denominado Projeto Rio Rural-GEF. Apresentação Esta publicação reúne conceitos e instruções sobre práticas edáficas nas áreas de manejo e conservação de solo e água e pretende contribuir para o entendimento dos processos de erosão e de como ela pode ser evitada e mitigada.Rio de Janeiro-RJ.Sc. é necessário que mudanças significativas ocorram quanto à compreensão sobre o que é conservação de solo e água. Agr.Recomendações de manejo e conservação de solo e água José Ronaldo de Macedo1 Claudio Lucas Capeche2 Adoildo da Silva Melo3 1. Eng. pesquisadores e agentes de financiamentos agropecuários.. Pesquisador da Embrapa Solos.. considerar os pontos de vistas dos agricultores. Pesca e Abastecimento (SEAPPA). PhD. Faz-se necessária a construção participativa entre esses atores para a consolidação dos pilares para o sucesso na conservação do solo e da água. Rua Jardim Botânico. É preciso entender que as complexidades das interações existentes nas áreas rurais.Jardim Botânico 22460-000 . M. Agr.. extensionistas. 5 . visando ao planejamento da propriedade e ao sucesso da adoção das práticas vegetativas e mecânicas na conservação do solo e da água. em parceria com a Superintendência de Desenvolvimento Sustentável da Secretaria Estadual de Agricultura. exigem mudança de atitude de todos os atores envolvidos. Para que haja o engajamento da população rural na prevenção e mitigação dos processos erosivos do solo. Agr. Pecuária. encarando que a erosão acelerada do solo e o assoreamento dos mananciais hídricos é consequência ecológica do uso ou manejo inadequado das terras. dos técnicos em conservação e da comunidade local. associando-os aos conhecimentos técnico-científicos atuais e disponíveis. entre o meio ambiente. Eng.. 1024 . Pesquisador da Embrapa Solos. 1 2 3 Eng. Pesquisador da Embrapa Solos. agregando informações necessárias para permitir o crescimento da agropecuária brasileira em bases sustentáveis. o presente documento foi elaborado pela Embrapa Solos. a economia e os fatores humanos. É necessário. com recursos do Global Environment Facility – por meio do projeto “Manejo Sustentável de Recursos Naturais em Microbacias do Norte-Noroeste Fluminense. sem afetar a produtividade e a rentabilidade dos empreendimentos agropecuários. sejam eles produtores.

torna-se vital ter em mente os princípios básicos da conservação do solo. o entupimento dos poros e a formação de crosta superficial. Porém. devem-se adotar práticas agrícolas que mantenham e/ou elevem a capacidade de infiltração da água no solo e reduzam o escorrimento superficial e a formação de enxurradas. Diante desse fenômeno desolador. devido à utilização inadequada e intensiva desse recurso natural não renovável. O problema da erosão assume proporções alarmantes em muitas regiões do país e tende a se agravar. sendo uma das maiores ameaças à agricultura e ao meio ambiente. o problema 6 . imperceptível nos seus estágios iniciais. 1993). a erosão é a realização de uma quantidade de trabalho no desprendimento do material de solo e no seu transporte (BAHIA et al. até os grandes voçorocamentos. em breve. Em segundo lugar. Para se começar a proteger o solo devidamente. desde a erosão laminar. ou. que causa a destruição dos agregados do solo.2. técnicos e órgãos governamentais e não governamentais. vem preocupando os agrônomos. 3. geralmente promovida e acelerada pelo homem. Os seus efeitos negativos são sentidos. reduz a infiltração da água no solo e contribui para a formação de enxurradas. LOMBARDI NETO.. manejando-o adequadamente dentro das suas potencialidades. progressivamente. outro agente muito importante que acelera a erosão (BERTOLINI. Essa crosta. Por isso. No aspecto físico. tem-se de criar uma mentalidade conservacionista. A erosão. A velocidade do processo está diretamente associada aos fatores extrínsecos e intrínsecos do solo.. principalmente a antrópica. procurar manter o solo coberto o máximo de tempo possível durante o ciclo das culturas e após a colheita. sendo chamada de erosão geológica ou natural (CURI et al. com a demanda de mais insumos para poder manter a mesma produtividade anterior. 1993). tem-se o esgotamento total do solo e seu posterior abandono. Para que esses princípios básicos possam ser seguidos. com o objetivo de minimizar e/ou impedir o impacto direto da gota da chuva sobre o solo. Conceitos de erosão dos solos Erosão significa desgaste e é ela a responsável pela formação dos solos. Finalmente. Principalmente em áreas agrícolas. ou se protege devidamente o solo. tendo como consequência a perda de produtividade das culturas e o aumento dos custos de produção. Introdução A erosão dos solos é um processo geológico. devem-se considerar os seguintes pontos: em primeiro lugar. 1992). restarão apenas terras improdutivas. devido à perda das camadas mais férteis do solo. além de dificultar a germinação das sementes. uma série de técnicas agrícolas deve ser utilizada por todos que lidam com as atividades rurais a fim de se alcançar o perfeito controle da erosão. sendo observadas variadas formas. porém o seu agravamento em solos agrícolas se deve à quebra do equilíbrio natural entre o solo e o ambiente.

são mais influenciadas pelas características das chuvas. que é uma das fases do ciclo hidrológico. desbalanço de nutrientes. A forma e a intensidade da erosão hídrica. sob a ação da gravidade. movimento de massa. 15% das terras do planeta já foram severamente degradados por atividades humanas. a contaminação dos recursos hídricos. a principal causa da degradação do solo é a erosão hídrica e as atividades que contribuem para o aumento das perdas do solo. ecossistema e região. ● Erosão eólica: perda de horizontes superficiais. da cobertura vegetal e do manejo da terra. movimenta-se na superfície do solo no sentido da sua pendente. salinização. deformação do terreno. ocorrendo a interação de todos esses fatores. Com o incremento das atividades agropecuárias. a perda de nutrientes (6. poluição. ● Física: compactação. Vale ressaltar que.. que é o processo de desagregação e arrastamento das partículas de solo produzido pela ação da água das chuvas ou do vento. correspondente ao conjunto de águas que. a deformação do terreno (13%). em ambientes tropicais e subtropicais.é a erosão provocada pela ação da água. houve o aumento de pressão pelo uso do solo. ● Biológica: redução da biomassa. Ela faz parte do ecossistema e está relacionada com o escoamento superficial. deposição. aeração deficiente. deformação do terreno. Principais agentes de erosão nas regiões tropicais ● Hídrica . Com a erosão dos solos. que é definida por valores relativos à sua capacidade de cumprir uma função específica. Dentre as formas mais comuns de degradação. ● Química: perda de nutrientes e/ou matéria orgânica. além do empobrecimento pela perda de nutrientes e matéria orgânica e do próprio solo. De acordo com estudos do ISRIC/UNEP. que tem sido feito de forma inadequada. em parceria com a Embrapa Solos. inundação.9) (HERNANI et al.ocorre quando o processo é acelerado pela ação antrópica e atinge níveis danosos ao meio ambiente. gerando o que se pode chamar de erosão agrícola dos solos.. é afetada diretamente pelos processos erosivos e pode ser determinada para diferentes escalas: campo. ocorre. 2002). Erosão e qualidade do solo A qualidade do solo. acidificação. deposição. da topografia. excesso ou falta de água. 2002). selamento ou encrostamento superficial. propriedade agrícola. 7 . embora estejam relacionadas com atributos intrínsecos do solo. redução da biodiversidade (HERNANI et al. movimento de massa. Tipos de degradação dos solos ● Erosão hídrica: perda de horizontes superficiais.9%) e a salinização (3. destacam-se a perda da camada superficial (70%). também.

combinados com os da enxurrada.é a erosão provocada pela ação dos ventos. as partículas mais grosseiras (areia). A erosão eólica está mais relacionada às grandes planícies sem cobertura vegetal. Nessas regiões. em sulcos e em voçorocas. que é a medida dos efeitos de impacto. a erosão hídrica é um processo complexo que ocorre em quatro fases: impacto das gotas de chuva.as gostas de chuva que golpeiam o solo contribuem para a erosão. isto é.As características das chuvas determinam o seu potencial erosivo. em algumas regiões específicas do país. 8 . inicialmente provoca o umedecimento dos agregados. Transporte . 1980). Porém. salpico e turbulência provocados pela queda das gotas de chuva sobre o solo. O potencial erosivo é avaliado em termos de erosividade. pois desprendem as partículas do solo no local do impacto. Sendo a erosão hídrica o agente mais importante em regiões tropicais. as partículas desprendidas e imprimem energia em forma de turbulência à água da superfície. Desagregação . desagregação de partículas do solo. transporte e deposição. a enxurrada se move no sentido da declividade (morro abaixo). podendo concentrar-se em pequenas depressões. posteriormente. que transportam as partículas do solo (EMBRAPA. que tende a decrescer com o tempo. que é função da intensidade. Com a continuidade da chuva e o impacto das gotas. mas sempre ganhará velocidade à medida que o volume da suspensão e a declividade do terreno aumentarem. principalmente nas regiões Nordeste e Sul. ● Eólica . A erosão eólica é provocada pela ação do vento e será mais intensa quanto maior a sua velocidade e a área livre de vegetação ou obstáculos naturais. Com isso. Uma vez estabelecido o escoamento. A distância de deposição está diretamente relacionada à intensidade e à duração do processo. tanto pelo umedecimento do solo como pelo efeito decorrente do selamento ou encrostamento superficial. não é a forma mais grave de degradação.a precipitação que atinge a superfície do solo. ocorre processo acelerado de desertificação. A quantidade de agregados desintegrados em partículas menores e salpicados cresce com o aumento da energia cinética da precipitação. transportam. reduzindo suas forças coesivas. da velocidade e do tamanho das gotas da chuva. Impacto . As principais formas de expressão da erosão hídrica são a laminar. Deposição . os agregados são desintegrados em partículas menores e ocorre o processo de salpicamento. a ela será dada maior ênfase nesta publicação. Etapas do processo de erosão hídrica Segundo Bahia et al. são removidas as partículas mais finas (argila e silte) e.ocorre quando a carga de sedimentos é maior do que a capacidade de transporte da enxurrada. a capacidade de causar erosão. a sua capacidade de gerar atrito e desagregação se amplia. a energia cinética do vento desloca as partículas do solo. por salpicamento.só ocorre a partir do momento em que a intensidade da precipitação excede a taxa de infiltração. No Brasil. Dependendo da força e da velocidade do vento. (1992).

. Afeta as partículas liberadas por salpicamento. Vista lateral Vista superior ● Erosão laminar: consiste na perda de camada superficial de forma uniforme do solo em terreno com certa declividade. ravinas e voçorocas: caracteriza-se pela formação de canais (sulcos) de diferentes profundidades e comprimentos na superfície do solo. a erosão passa de laminar para sulcos. O processo de salpicamento pode ocasionar o selamento/encrostamento da superfície do solo. 150cm. aumentando.Formas de erosão hídrica ● Erosão por salpicamento: deve-se ao impacto das gotas de chuva sobre os agregados instáveis num solo desnudo. só se identificando pela faixa do solo em que. no máximo. As suas dimensões e a extensão dos danos que podem causar estão intimamente relacionadas com o clima. Pela área de contribuição da bacia. As partículas de deslocam. não há concentração da água. os elementos grossos na superfície aparecem limpos. ravinas e. as voçorocas são consideradas pequenas quando a área de drenagem é menor do que dois hectares. o poder erosivo devido ao ganho de energia cinética pelo volume e velocidade da enxurrada. citado por Bertoni e Lombardi (1985). Ocorre a concentração das águas das chuvas nesses canais. logo em seguida. também. 1978). Nesse caso. reduzindo ou eliminando a infiltração da água. Sucessivamente. assim. 9 . pois as partículas não atingem grandes distâncias e. quando têm de um a cinco metros de profundidade e pequenas. produz-se movimento lento e repetitivo. com a topografia do terreno. 1999). As voçorocas são classificadas pela sua profundidade e pela área de contribuição de sua bacia. porque o processo ocorre em todas as direções. ● Erosão por sulcos. Caracteriza-se pela remoção de camadas delgadas do solo em toda a área. quando têm mais de vinte hectares. com trajetória no formato de serra (PORTA et al. depois de uma chuva. É um processo pouco aparente. afirma que as voçorocas são profundas quando têm mais de cinco metros de profundidade. para o estágio chamado de voçorocas. Esse tipo de erosão pode ser facilmente eliminado com a utilização de equipamentos agrícolas adequados. sendo mais afetados os solos constituídos de areias finas. tipo de solo e forma de manejo (ALVES. quando têm de dois a vinte hectares e grandes. Não há muita perda de material. quando têm menos de um metro de profundidade. Ireland (1934). médias. médias. Quando o processo ocorre numa pendente. sua geologia. Produzem-se pequenos buracos devido ao impacto da gota da chuva com a liberação de partículas de solo.

consequentemente. incorporação de herbicidas e fertilizantes. fazendo aumentar os efeitos da água quando passa pelo canal. produzindo ambiente favorável ao desenvolvimento inicial da cultura implantada. escarificação etc. o peso das máquinas e implementos pode imprimir a aproximação das partículas. além da incorporação dos resíduos. ou ainda. As ravinas e voçorocas podem produzir movimento de massa em suas paredes pela liberação brusca de partículas. pode ser dividido em três categorias: ● Preparo primário: refere-se às operações mais profundas e grosseiras que visam. ● Preparo secundário: são todas as operações subsequentes ao preparo primário. enterrar os restos da cultura anterior e. como o nivelamento do terreno. e eliminação de ervas daninhas no início de seu desenvolvimento. Isso faz com que haja maior suscetibilidade à desagregação e ao transporte. na diminuição do tamanho dos agregados. O preparo do solo resulta. deixando o solo descoberto. geralmente. Exemplo: gradagem. destorroamento. fazer amontoa etc.● Erosão por solapamento e deslocamento ou escorregamento: são formas de erosão características de áreas declivosas ou de que o processo de erosão por voçorocamento continua ativo. Com o passar do tempo. pode haver remoção preferencial deste material. basicamente. Além disso. resultando na redução da agregação promovida por eles. Exemplo: capina mecânica etc. emergência das plântulas. provocando o desbarrancamento. também. eliminar as ervas daninhas. O preparo do solo é uma prática agrícola que tem como objetivo oferecer condições ideais para a semeadura. desenvolvimento e produtividade das culturas. germinação. os processos de expansão e contração fazem com que o material na borda do talude se fragmente e acelere o processo de erosão. operação com enxada rotativa etc. 10 . eliminar e enterrar as ervas daninhas estabelecidas. ocorre a diminuição do conteúdo de matéria orgânica e. caso a mineralogia da argila for de atividade alta. 4. principalmente. aumento temporário do espaço poroso e da atividade microbiana. Se o horizonte subsuperficial for siltoso. De forma geral. do número de micro-organismos. Exemplo: aração. decorrendo na formação de camadas compactadas. pois interfere diretamente na cobertura vegetal e nas características físicas e biológicas do solo. Em função dessas alterações físicas. ● Cultivo do solo após o plantio: utilização de práticas após a cultura ser implantada visando. tornar o solo mais friável. ou seja. o preparo é a prática que mais induz à erosão do solo na agricultura. maior suscetibilidade à erosão. Sistemas de cultivo O sistema de cultivo tem grande importância nas perdas de solo.

Isso ocorre quando o solo se encontra úmido. Se estiver muito seco. Condições de umidade no solo As alterações que ocorrem no solo por ocasião do preparo são determinadas. evitando a desagregação excessiva. e a adesão. já que o solo se molda com facilidade (caráter denominado de plasticidade). Deve-se efetuar o preparo do solo num ponto de umidade onde ele apresenta a menor atração entre as partículas. pelo tipo de implemento utilizado. bem como a formação de torrões sem. os implementos de preparo do solo devem se adaptar às condições e tipos de solo. diminuindo as perdas de solo. Se o solo estiver muito úmido no momento do preparo. à preservação das características físicas e biológicas na camada de preparo. 11 Fluidez . em grande parte.1). mas o conteúdo de umidade no momento da realização da prática também é importante. que é a condição de friabilidade (Fig. consequentemente. na presença de água. no entanto. visando. principalmente. dada pelo somatório das forças de coesão e de adesão. As forças de atração entre as partículas são a coesão. Fonte: Kohnke (1968). haverá maior consumo de energia e ocorrerá compactação. aumentando a infiltração e.Portanto. ou seja. com teor de umidade que possibilite fácil esboroamento dos agregados. Grau de consistência Friabilidade Pegajosidade Platicidade seco Dureza ligeiramente úmido úmido muito úmido saturado Conteúdo de água Figura 1 .Relação entre as forças de coesão e de adesão que atuam no solo sob diferentes condições de umidade. também haverá maior consumo de energia. quando na ausência de umidade. ocorrerem significativos prejuízos à estrutura. adaptado pelos autores. devido à maior necessidade de potência do maquinário utilizado.

outro aspecto a ser considerado é a realização do preparo do solo em contorno. Em muitas ocasiões. Isso só é conseguido através de atividade biológica (macro e micro-organismos e sistema radicular). Segundo esses preceitos. Observa-se. maior densidade e 12 . passados apenas seis anos de preparo. houve aumento da densidade global do solo. mas. ● Plantio direto . podem ser identificados três tipos básicos de preparo do solo: ● Convencional . Em trabalhos efetuados em Campos de Lages. ou seja. o melhor preparo é aquele que envolve menor número de operações e deixa o máximo de resíduos culturais na superfície. além de assorear rios e açudes e de formar voçorocas.Sentido de preparo do solo Além da umidade. da forma e intensidade de seu uso. o efeito benéfico de determinado implemento pode ser anulado pelo uso inadequado. de forma a proteger os agregados do solo do impacto direto das gotas de chuva. ● Reduzido . Alguns resultados de pesquisa vislumbram as diferenças entre os métodos de preparo de solo e suas vantagens e desvantagens. físicas e biológicas não depende apenas do implemento empregado. acompanhada de redução da macroporosidade. matéria orgânica e sementes. da resistência à penetração de raízes e da microporosidade.2) e arado de aiveca com tração animal em nível (Fig.pode ser definido como a técnica de colocação da semente ou muda em sulco ou cova no solo não revolvido. Também houve formação de camada compactada subsuperficial. na figura 3. da porosidade total e da infiltração de água no solo. 5. pois. Preparo do solo O efeito do preparo do solo sobre suas propriedades químicas. podem ser observados os efeitos do preparo do solo com arado de disco tracionado por trator morro abaixo (Fig. que nenhum implemento de preparo promove melhorias na estrutura do solo. As entrelinhas permanecem cobertas pela resteva de culturas anteriores ou de plantas cultivadas especialmente com essa finalidade. Nas figuras a seguir. Bertol (1989) observou que. O preparo do solo “morro abaixo” sempre deve ser evitado.o principal aspecto desse sistema de preparo é o reduzido número de operações. com largura e profundidade suficientes para obter a adequada cobertura e o adequado contato da semente ou muda com a terra. no entanto. transversal ao sentido do declive. com sete lavouras de alho sob preparo com subsolagem + aração + duas gradagens + enxada rotativa. A simples adoção dessa prática representa redução de até 50% nas perdas de solo. Deve-se considerar. a erosão é intensificada.envolve uma ou mais arações e duas ou mais gradagens. o solo permanece com no mínimo 50% da cobertura e o revolvimento máximo para a abertura do sulco ou cova é de 25 a 30% da área total. Sob o ponto de vista da conservação.3). nessas condições. o que promove perda de nutrientes. Baseado no tipo de implemento e na intensidade de seu uso. também.

aprofundamento das raízes. pelo aspecto maciço e pela linha de pé de arado. Wünsche e Denardin (1980) compararam dois manejos da palhada com preparo convencional nas culturas de soja e trigo em Passo Fundo-RS. Figura 3 . Além disso. 1995).Aspecto visual do perfil de solo preparado com arado de aiveca com tração animal (Paty do Alferes-RJ. sentido morro abaixo (Paty do Alferes-RJ. observando que a perda de solo quando houve a incorporação da palhada foi de somente 30% em relação à perda verificada quando foi feito o manejo com queima dos restos culturais (Tabela 1). Camada compactada Figura 2 . 1995). que pode ser constatado na figura 2. os dados de penetrômetro indicam adensamento do perfil do solo. 13 .Aspecto visual do perfil de solo preparado com arado de disco tracionado por trator.

com reflexos positivos na melhoria da estrutura. A caracterização ambiental e o planejamento de uso das terras da propriedade devem ser feitos por técnicos atuantes na área agrícola. os restos deverão ser amontoados e enleirados para a queima. Manejo e conservação dos recursos naturais Planejamento conservacionista O planejamento conservacionista é essencial para se obterem melhores rendimentos na exploração das culturas. 14 . o que proporcionou o aumento da infiltração de água no solo. proporcionando o desenvolvimento socioeconômico do produtor rural e sua família. Figura 4 . assim como a conservação dos recursos naturais da propriedade agrícola (Fig.7 Esses resultados foram atribuídos à incorporação da palhada ao contrário da queima.Tabela 1 . então. visando obter o máximo rendimento da terra por unidade de área plantada. Terraços ao fundo associados com capineira protegendo o curral (nov. Tratamento Preparo convencional (1 aração + 2 gradagens) com queima de palhada Preparo convencional (1 aração + 2 gradagens) com incorporação da palhada Perda de solo (t/ha) 12.Perda média de solo por erosão em dois anos agrícolas. aumentando a quantidade de matéria orgânica no solo. A queima dos restos vegetais deve ser feita apenas por medidas fitossanitárias. sob chuva natural.8 3.Visão panorâmica de uma propriedade no município de Lagoa Dourada-MG. com planejamento conservacionista. quando. 6.4)./95). nas culturas de trigo e soja em Latossolo Vermelho-Escuro.

grau de erosão e uso atual. brejos etc. As principais características dos solos que devem ser levantadas são: profundidade efetiva. .03m de espessura. teor de matéria orgânica. essencialmente. inclinadas. a distribuição dos cultivos na propriedade é o ponto chave no planejamento conservacionista. grotas. isto é. é certo que essas características podem variar de área para área. pastagem e reflorestamento. Em consonância com a adequada distribuição dos cultivos. 1994).mapeamento da área. perenes. mas sim integradas. medindo 4. cálculo da declividade e determinação das curvas de nível O nivelamento de uma vertente é imprescindível em trabalhos de conservação do solo. devem-se associar outras técnicas vegetativas e mecânicas. nível de precisão. Deve-se construir uma régua de madeira aparelhada. Nesse caso. Por isso. o que permitirá o cálculo da inclinação ou pendente (declividade) do terreno. permeabilidade. nivelamento composto e interpretação aerofotogramétrica.levantamento e anotações das informações características principais dos solos e hidrologia.É necessário ter em mente que a propriedade não é constituída somente por um tipo de solo e este não ocorre em apenas um tipo de relevo. Cada tipo de solo tem sua aptidão (RAMALHO. Os diversos métodos de conservação do solo visam reduzir/evitar a ação da água da chuva sobre o terreno. Determina-se a pendente através de métodos expeditos ou por processos de precisão. BEEK.reconhecimento das características da flora para preservá-la em locais a serem estudados em função dos levantamentos anteriores. em: . reação do solo (alcalinidade ou acidez).00m de comprimento por 0. Via de regra.08m de largura e 0. O planejamento determinará as áreas mais apropriadas para o plantio de culturas anuais. Os nivelamentos de precisão podem ser feitos com clinômetro. No meio da 15 . entre outras e determinará as medidas de controle à erosão a serem adotadas. é necessário identificar essas diferentes áreas. Nivelamento utilizando régua e nível de pedreiro: é o tipo de nivelamento mais rudimentar. dentro da mesma propriedade. inclinação. Embora possa parecer que as terras possuam características pedológicas semelhantes. textura. Métodos de controle da erosão Os dois fatores que concorrem diretamente para a erosão do solo são a declividade do terreno e o volume e intensidade da precipitação. pois o planejamento conservacionista não é composto de técnicas isoladas. a propriedade rural é dotada de terras planas. . podem-se determinar as diferenças de altitude entre dois ou mais pontos consecutivos. os solos devem ser usados com culturas mais adequadas a sua capacidade de uso. esquadros e nível de mangueira. Nivelamento. pois. Os nivelamentos expeditos podem ser feitos com régua e nível de pedreiro. teodolito. básicas a respeito das . A caracterização ambiental consiste. através dele.reconhecimento e levantamento topográfico da área a ser explorada.

para uma distância horizontal de 100. se para uma distância horizontal (DH) existe uma diferença de nível (DV). dispõe-se a régua graduada na posição vertical e mede-se a distância que vai do terreno até a ripa. 100 = 25% 180 Outro modo de operação consiste em se colocar a ripa horizontalmente. serem feitos os cálculos necessários.régua. com uma das pontas apoiada sobre o terreno e o restante na direção da linha de maior declive.. Anota-se essa leitura e marca-se esse ponto do terreno. Se a ripa é de 4m de comprimento. EDH 100 ⇒ EDV I Exemplo: DH = 180. Essa altura vai da base da régua até a superfície do solo (Fig. Levanta-se a outra ponta até que o nível de bolha.Determinação da declividade com nível régua. instala-se um nível de pedreiro. Desloca-se a ripa até que uma das pontas fique novamente na posição horizontal e efetua-se nova leitura da régua. acuse que a mesma está em nível. Fonte: Seixas (1984) Vê-se na figura 5: DH = distância horizontal = AB DV = distância vertical = A’A = E (ab+cd+ef+gh+. realizam-se cinco leituras de diferença 16 . no escritório.5). No campo. será obtido o desnível I. procedendo à leitura da altura (h) com uma trena metálica de bolso. Figura 5 . Anotam-se todas as leituras no campo para depois.00m I= EDV * 100 % EDH I = 45 .00m DV = 45. coloca-se a régua em nível no sentido do alinhamento do declive. colocado no centro da ripa..+xy) E = Somatório I = Inclinação (%) Logo.

∑ DH = N x distância entre os pés do esquadro. e com o auxílio de um nível pedreiro nos dois últimos (Fig.Triângulo 17 . Exemplo: Usando-se uma ripa de 4m. para uma distância de 100 metros. fazendo uma regra de três. na forma triangular.. As distâncias horizontais parciais são dadas pelas medidas entre os pés do esquadro (Fig. 1984). serão aproximados para 6%.100 m X = 5.2.+xy).000 cm. ∑ DV = somatório da diferença vertical. 24 e 16cm. na prática. 116 cm ---------------. funcionam com o auxílio de um fio de prumo. Procede-se ao nivelamento de modo semelhante ao da régua. tomando-se as ordenadas verticais com o auxílio de trena de bolso ou régua graduada. 7 e 8) (SEIXAS. Logo. ∑ DH = somatório da diferença horizontal. onde: N = número de leituras. tem-se que. que fica suspenso quando o mesmo está em nível e à superfície do terreno.6. Logo. Essa é a diferença obtida para uma distância de 20 metros. As distâncias ou ordenadas verticais se referem ao comprimento do pé do trapézio.80 % Nivelamento com esquadros: os esquadros são equipamentos bastante simples e de fácil construção que. são efetuadas as seguintes leituras de diferença de altura: 25. 28. retangular ou trapezoidal.9 e 10). ∑ DV = (ab+cd+ef+.80 metros. a soma será de 116cm. Somando-se estas leituras e multiplicando por cinco.de altura (vertical) para atingir os 20m. 23. serão obtidos 5. obtém-se a porcentagem da declividade. Figura 6 . a declividade desse terreno será de 5. no primeiro caso.8% que. assim como X ---------------------. Portanto..

Instrumentos expeditos para cálculo de nivelamento.Determinação de declividade com trapézio Fonte: Seixas (1984) 18 .Trapézio Figuras 6. 7 e 8 .Figura 7 . Figura 9 .Esquadro Figura 8 . declividade e marcação de curvas de nível.

As duas réguas são conectadas a uma mangueira plástica. para o cálculo da declividade.11 e 12). Se o aparelho estiver a 1.Determinação da declividade com triângulo Fonte: Seixas (1984) Em função da diferença de nível obtida. Dessa posição. calcula-se a inclinação pelo mesmo processo descrito para a régua. medese o ângulo de inclinação entre o ponto A de visada (onde o aparelho encontrase localizado) e o ponto B. A diferença de nível entre os pontos será obtida pela soma algébrica das diferenças parciais de nível (Fig. Enche a mangueira com água. com 1/2” de diâmetro e cujo comprimento pode variar de 10 a 20 metros. o ponto visado deverá ter obrigatoriamente a mesma altura. por exemplo. Nivelamento com clinômetro: sabendo-se a distância horizontal DH entre dois pontos quaisquer. estando este na mesma altura de referência. onde: DN = diferença de nível. L = comprimento da mangueira e h = altura.015m de espessura e 0. O método baseia-se no principio dos vasos comunicantes. 19 . O nível é instalado em uma ponta da linha a ser nivelada ou fora dela. Nivelamento com nível de mangueira: o nível de mangueira pode ser formado por duas réguas de madeira com 2.70m de altura (altura dos olhos do observador). e com o auxílio de um clinômetro. Obtém-se a diferença de nível. esticando-se a mangueira horizontalmente no sentido da inclinação. As extremidades da mangueira coincidem com a graduação superior de cada régua e a parte da mangueira que coincide com cada uma das réguas vai nela fixada. As réguas são graduadas em centímetros e providas de um pé retangular para apoio no solo.00m de altura por 0. acima e abaixo do local onde está instalado o aparelho. sendo que a diferença de nível relacionada com a distância horizontal parcial (que é o comprimento da mangueira) é determinada pela expressão: DN = 100 * h / L . A e B. transparente. Nivelamento com nível de precisão: através desse método é possível o estudo do perfil topográfico. tendo-se o cuidado de extrair as bolhas de ar.Figura 10 . são lidas as cotas de todas as estacas possíveis.07m de largura.

52 – (0.Figura 11 . porque vai ser necessária a mudança do aparelho em uma sequência de nivelamentos simples.37 . preenche-se uma caderneta de campo.90 Leitura Negativa Nivelamento composto: aplica-se esse processo quando o desnível é superior à altura da mira (4.07 0.85 + 1.Nivelamento simples com nível óptico Fonte: Seixas (1984) Figura 12 .00m).1. deve-se ter em mente os seguintes conceitos: 20 . como no exemplo a seguir: Estaca Positiva 0 1 2 3 4 DN – diferença de nível DN = 0.52 0.90) * DN = 2. Para tanto.85 1.40 0.40 + 0.Nivelamento composto com nível óptico Fonte: Seixas (1984) À medida que se procede ao nivelamento.30 * DN = 1.

colocam-se piquetes (Fig.00 PI 1. Quando o plano de referência é o nível do mar. 1984). no sentido transversal à linha de declive. 21 . . Locação das curvas de nível As curvas de nível podem ser locadas em campo por meio de instrumental rudimentar ou com aparelhos de precisão.altura do aparelho: (I) refere-se à altura do fio médio da luneta com relação ao plano de referência. de tal sorte que.80 2. de tal sorte que no decorrer da operação não existam contas negativas. tem-se um a visada à ré e uma ou mais visadas à vante.30 101.referência de nível: (RN) pode ser uma cota arbitrária. até a penúltima estaca a ser vista de uma estação com o nível. . calcula-se o espaçamento das niveladas ou linhas mestras com o auxílio de tabela própria. para cada trecho de uma estação.50 3. locação com nível de precisão.50 102. Locação com esquadros: o trabalho inicia calculando-se a declividade do terreno por um dos métodos citados anteriormente. sobre ou ao lado da linha a ser nivelada.. Uma vez determinada a inclinação.00 101.visada à vante: as leituras da mira. Elas podem ser denominadas de Pontos Intermediários (PI) e Pontos de Mudança (PM).10 Cotas 100. Os processos mais utilizados são: locação com esquadros. Os pontos intermediários são determinados pelas visadas de vante. 13 e 14) (SEIXAS.50 3. estando o aparelho nivelado.visada à ré: ao se começar o nivelamento.000m).50 105.00 104. seja para a locação de estruturas mecânicas ou vegetativas. A última estaca possível de ser focalizada antes de se mudar o aparelho chama-se ponto de mudança. consistindo na alternância de posições do trapézio ou do triângulo.00 Ai 102. A demarcação deve ser iniciada a partir da parte mais elevada da vertente. locação com nível de mangueira. No andamento do serviço. Os pontos da mesma cota são obtidos pela centralização da bolha no nível de pedreiro ou pela verticalidade dada pelo fio de prumo. preenche-se a seguinte caderneta de campo: Estacas 0 1 2 3 4 5 Ré 2.90 As cotas adicionadas às visadas à ré dão a altura do aparelho. Os pontos intermediários e os pontos de mudança do aparelho fornecem as cotas.20 102. a referência de nível é o zero. e locação com teodolito. Nos pontos nivelados.70 PM 0. o nível de precisão é instalado em um determinado pontol. a visada feita sobre a primeira estação chama-se visada à ré. feitas a partir da 1ª visada. Por convenção. são chamadas de visadas à vante. .00 0. verificada pela referência a um indicador no meio exato do travessão do esquadro triangular. atribuindo-se a ela um valor elevado (100 ou 1.

Fonte: Seixas (1984) 22 . com a mangueira esticada. colocando-se varas para a orientação dos trabalhos mecanizados (Fig.Figura 13 . procurando os pontos da mesma altitude que são dados pela coincidência dos níveis de água em cada uma das réguas graduadas. Figura 15 .Locação das curvas de nível com trapézio Figura 14 . Locação com nível de mangueira: o processo consiste em se alternar as réguas graduadas.15).Locação das curvas de nível com nível de mangueira.Locação das curvas de nível com triângulo.

16).5% (5º/oo) para se construir um canal em contorno. e obtido o espaçamento entre as niveladas. segundo a conveniência. d DN = 20 * 0. Figura 16 . podendo a baliza receber nova marca de referência ou continuar com a mesma. o trabalho tem início a partir da parte superior da vertente. o balizeiro caminha de 20 a 30 metros. de acordo com a sua finalidade.Locação com nível de precisão ou teodolito: é o processo que fornece maior precisão. O seu gradiente ou pendente é variável. Instala-se o aparelho no ponto inicial da linha de nível a ser locada. até que o fio médio da luneta do aparelho coincida com a marca feita na baliza (Fig. Tendose a direção predeterminada. DN = DH . Fonte: Seixas (1984) Dessa forma. Visando-se uma baliza.Locação das curvas de nível com nível óptico. coloca-se uma referência na altura correspondente à visada. sendo o estaqueamento de 20 em 20 metros. efetuada com o fio médio da luneta. sendo que no último ponto o aparelho será transferido e reinstalado. podendo-se instalá-la acima ou abaixo desse ponto. sempre no sentido perpendicular ao declive. Calculada a declividade por meio de nivelamento simples ou composto. tomada das distâncias horizontais.005 DN = 0. Locação de curvas com gradiente (curvas em desnível): curvas com gradientes têm as características de apresentarem declividades uniformes ou variáveis. Exemplo: Locar uma curva em desnível com 0.01 metro Onde: DN = diferença de nível DH = distância horizontal d = desnível desejado 23 . utilizando-se de nível de precisão. Para a marcação dos pontos subsequentes. marcam-se com piquetes quantos pontos sejam alcançados pela luneta. com mira. podendo ser de 1º/oo (um por mil) a até 5º/oo (cinco por mil). basta encontrar diretamente no campo os desníveis requeridos.

mostrando: A .Representação esquemática de um terraço em perfil. 1994). Um processo expedito consiste no uso do esquadro retangular ou trapezoidal. basta abaixar no pé ajustável uma distância de 0.. De 20 em 20m. com determinada leitura da mira. Quando uma leitura não puder ser feita por ultrapassar a altura da mira. até que se atinja o ponto final. principalmente quando ocorrem chuvas de grande intensidade. canais escoadouros ou divergentes. B . aumentando a infiltração da água no solo. marcam-se 20 metros e procura-se um ponto sobre este raio que proporcione uma visada de 0. que visa reduzir a velocidade da água das chuvas erosivas que escorrem sobre o terreno. Por exemplo: com distância de 3 metros entre os pés e desejando-se locar uma linha com 3º/oo de declive. a 3a com 3cm e assim por diante. Figura 17 . LOMBARDI NETO. Terraceamento Para se controlar o escorrimento superficial. As figuras 17 e 18 mostram o detalhe de um terraço e o uso de um conjunto de terraços projetados e construídos. bacias de captação de águas pluviais. Os terraços visam. também. 24 . a redução da velocidade e subdividindo o volume do deflúvio superficial. a bolha terá de estar nivelada. Fonte: Lombardi Neto et al. que visa formar obstáculos físicos e parcelar o comprimento de rampa. como terraços. dos mais utilizados.faixa de movimentação de terra. (1994). muda-se o aparelho para outra estação.01m (ou 1cm) maior.o canal.9 cm). às vezes. vão sendo feitas visadas sempre cumulativas. também. É um método mecânico. havendo necessidade de procedimentos para reduzir a velocidade e a capacidade de transporte através de barreiras mecâncias e. uma vez que o terreno está em declive. disciplinar o escoamento das águas até um leito estável de drenagem natural ou artificial. até obras de engenharia. (BERTOLINI. recomeçando-se o trabalho do último ponto lido. como no caso de exemplo. segundo as condições locais. para controlar a erosão de determinada área. ou seja: a 2a visada com 2cm. possibilitando.009m (0. Com esse desnível. com um dos pés ajustáveis. assim. nem sempre são suficientes as técnicas de aumento da cobertura vegetal e da infiltração. Terraceamento é um dos métodos de conservação do solo mais antigos e.Camalhão ou dique e C . barragens etc.Procedimento em campo: a partir do ponto A.

Terraços com gradiente e plantio de milho em curvas de nível (abril/96). Figura 19 . deve-se fazer estudo criterioso das condições locais de clima. obrigatoriamente. É importante ressaltar que essa prática deve. rotação de culturas. (Fig. para que se tenha segurança e eficiência no controle da erosão.19). estar associada a outras práticas conservacionistas. O terraceamento é indicado para terrenos com declividade entre 6 e 12%. Fonte: Lombardi Neto et al. cordões vegetados. 25 . como também pode ser necessária a sua indicação em encostas menos íngrimes. solo.Representação esquemática de um terraceamento mostrando a retenção das águas da enxurrada e o parcelamento do declive.Figura 18 . manutenção da cobertura morta etc. plantio em faixas de retenção. dependendo da intensidade das chuvas e da suscetibilidade do solo à erosão.Associação de práticas conservacionistas em Lagoa Dourada-MG. (1994). culturas a serem implantadas. com sucesso. em declives maiores. porém pode ser usado. Devido ao custo relativamente alto de construção e manutenção do sistema de terraceamento. sistema de cultivo. como plantio em curva de nível. declividade do terreno e equipamentos disponíveis. alternância de capinas.

As culturas e o sistema de cultivo se relacionam diretamente com a intensidade de mecanização. média ou larga) e na definição se o terraço será do tipo comum ou patamar (acima de 18% de declividade. Para que o sistema de terraceamento funcione com plena eficiência.De acordo com a topografia da região.acima de 15%. É importante que o terraço seja construído com capacidade e segurança para reter o excedente das águas pluviais. cultura a ser implantada. parte se infiltra e o excedente escoa pela superfície. que por sua vez deve ser levado em consideração no dimensionamento da capacidade de retenção e condução de água. mesmo em área que. A quantidade. Quando em desnível. condições climáticas. enquanto a seção transversal deve ser dimensionada em função do volume de água possível de ser escoada pela superfície do terreno situada imediatamente acima do terraço. a declividade e a intensidade da precipitação determinam se o terraço será de infiltração (em nível) ou com gradiente (em desnível). recomenda-se a construção de terraço do tipo patamar). construído com o arado terraceador de discos ou com lâmina terraceadora. Espaçamento entre terraços: em função das características de solo. buscando-se eficiente controle da erosão. 26 . é indicado o uso do terraço do tipo base estreita. este deverá reter todo o volume de água escorrida para posterior infiltração. média ou larga. sistema de cultivo e disponibilidade de maquinário. para posteriormente ela se infiltrar ou na condução disciplinada das águas do deflúvio superficial. tanto no que diz respeito ao espaçamento entre terraços. define-se o tipo de terraço que melhor atenderá a cada gleba. As características físicas do solo. sem causar transtornos ao agricultor durante as operações agrícolas. Se em nível. . Das águas pluviais que caem na superfície do solo. assim como no espaçamento entre terraços. independente da sua forma. assim como a situação financeira do agricultor. . é necessário o correto dimensionamento. é indicado o uso do terraço de base larga. como em relação a sua seção transversal. como a limpeza do canal e do camalhão. deverá dar vazão ao escorrimento superficial de forma disciplinada.20). condicionam o tipo de terraço em função da maior ou menor capacidade de movimentação de terra. seja transformada em pastagens.de 12 a 15%. topografia. sem causar erosão em seu interior (Fig. As máquinas e implementos disponíveis. da resistência que o solo oferece à erosão. intensidade e distribuição das chuvas são fatores fundamentais no volume do deflúvio superficial. O espaçamento entre terraços é calculado em função da capacidade de infiltração de água pelos solos. que orientará na escolha do terraço de base estreita. futuramente. A declividade do terreno é fator determinante na largura da faixa de movimentação de terra (terraço de base estreita. recomenda-se o uso de terraços com faixa viva. recomenda-se que os terraços sigam os seguintes padrões: .até 12%. do uso e manejo do solo. sendo recolhida pelo terraço. construído com lâmina terraceadora. Os terraços devem receber manutenção periódica.

● Nos solos com horizonte B latossólico. ● Dimensionamento do espaçamento entre terraços utilizando tabelas empíricas ou adaptadas de outros países. aumenta o volume da enxurrada e contribui para o rompimento dos terraços devido ao transbordamento de água sobre os camalhões. Essa camada diminui a infiltração da água da chuva.Figura 20 . embora as pesquisas tenham mostrado que diferentes culturas anuais e permanentes oferecem diferentes proteções ao solo no processo de erosão. ● As tabelas em uso não fazem distinção entre tipos de uso da terra. ou no próprio substrato rochoso. 27 . à profundidade de 10 a 20cm. que se caracteriza por ter baixa taxa de infiltração. quando rompe o camalhão do terraço que é construído predominantemente com material mais arenoso do horizonte A. Dados recentes de pesquisas comprovam que diferentes sistemas de preparo do solo e manejos de restos culturais possibilitam perdas de solo e água diferenciadas. o uso intensivo e inadequado de máquinas e implementos pesados tem ocasionado a formação de camada compactada e pouco permeável. sendo as seguintes as principais causas diagnosticadas: ● Utilização do terraço como prática conservacionista isolada. principalmente aqueles com horizonte B textural ou que sejam rasos (profundidade menor do que 50cm). ocorrem fracassos. com número pequeno e insuficiente de informações que não levam em conta as classes de solos identificadas em levantamentos pedológicos mais recentes. ● As tabelas em uso também não levam em consideração o sistema de preparo do solo e o manejo dos restos culturais. nos solos menos permeáveis. ● Maioria dos terraços construídos em nível sem considerar o tipo de solo. ainda existe muita erosão nas áreas terraceadas. o que diminui a sua eficiência. além de culturas anuais ou permanentes.Detalhe de terraço com gradiente construído com arado de disco Prados-MG (out/95). pois o fundo do canal do terraço pode vir a se localizar no horizonte B. Mesmo o terraço sendo a prática conservacionista mais difundida entre os produtores. Como consequência. Dessa forma. principalmente o Latossolo Roxo. a água acumula-se no canal até transbordar.

PC e M.25 B moderado rápida/rápida rápida/moderada lenta/rápida lenta/moderada rápida/moderada Rápida/moderada ou lenta/lenta 1. em solos permeáveis. ** Somente com mudança textural abrupta entre os horizontes A e B. Novas tabelas para o cálculo do espaçamento dos terraços foram desenvolvidas em função do efetivo controle da erosão. K = índice variável para cada tipo de solo. 1994). LE. *** Somente aqueles com horizonte A arenoso. gr. LVr. Grupo de resistência à erosão Principais Características Profundidade muito profundo (>2. As novas tabelas consideram a cobertura vegetal proporcionada pela época de ocorrência das chuvas (início ou fim do cultivo).0m) ou profundo (1 a 2m) profundo Permeabilidade Textura média/média m.5 1. em metros. D = declive do terreno.. R.60cm2 a 0. Li-ag. o terraço é construído com seção transversal menor que o necessário (ao redor de 0. PVls. arg.4518 * K * D Onde: 0.10 C baixo D muito baixo profundo moderadamente profundo moderadamente profundo >1. PVp. além da erodibilidade de classes de solos identificadas em levantamentos pedológicos recentes (BERTOLINI. LV. Para a organização da tabela de espaçamento de terraços utilizando a equação apresentada. Cálculo do espaçamento entre terraços: a equação usada para determinar o espaçamento vertical entre terraços é: EV = 0. fazendo com que.70cm2). não tenham capacidade suficiente para reter toda a água das chuvas. Li-b. RLV. representando avanço por estarem apoiadas em dados de pesquisas sobre perdas por erosão de solo e água. Solos Estabeleceram-se quatro grupos de solos.2 1. /m.75 * Média da porcentagem de argila do horizonte B (excluindo B3) sobre a média da porcentagem de argila de todo horizonte.Agrupamento de solos segundo suas qualidades. PVls. com respectivos índices a serem utilizados na fórmula para a determinação do espaçamento entre terraços. de acordo com qualidades e características (Quadro 1). m = fator de manejo do solo (preparo do solo e manejo dos restos culturais). Lea*** e LVa*** Pml. características e resistência à erosão e seus respectivos índices. os sistemas de preparo do solo e o manejo de restos culturais. Li-ac. arg. que serão detalhados a seguir. LVt. muito variável Razão Textural* Grandes Grupos de Solos LR. Lea e LVa PLn.2 a 1. em porcentagem.90 muito variável 0. LH. RPV. 28 . preparo do solo e manejo dos restos culturais e declividade. foram adotados critérios referentes ao solo. Li-fi. uso da terra. et al./m.58 *( u+m ) 2 EV = espaçamento vertical entre terraços.5 0. argilosa arenosa/média** média/argilosa** arenosa/argilosa arenosa/m. TE. argilosa/arg arenosa/média arenosa/argilosa média/argilosa argil. arg. Quadro 1 . e PVp (rasos) Índice k A alto rápida/rápida moderada/rápida < 1.● Frequentemente. u = fator de uso do solo.

Grupo 1 2 3 4 5 6 7 Culturas feijão.50 0. melão e leguminosas para adubação verde milho. cana-de-açúcar. cevada. mandioca e mamona amendoim. influi diretamente no processo erosivo. girassol e fumo soja.75 1. Com base nos dados de pesquisa relativos à intensidade de perdas de solo e água.75 2. sorgo. trigo. melancia. algodão. não citadas no Quadro 2.25 1. cada um. uma das principais causas do insucesso na utilização do terraceamento. sendo. cacau e seringueira Índice “U” 0. as principais culturas foram reunidas em sete grupos.00 Outras culturas.50 1. Os diferentes tipos de manejo de restos culturais e os equipamentos mais comuns usados na agricultura foram reunidos em cinco grupos. um índice que será utilizado como fator de uso do solo e manejo dos restos culturais na equação de espaçamento de terraços (Quadro 3). abóbora. como o abacaxi banana. recebendo. Quadro 2 . Isso demonstra que cada cultura.00 1.Grupo de culturas e seus respectivos índices. café. deverão ser enquadradas nos grupos em função da semelhança da intensidade de cobertura vegetal do sistema radicular. aveia. recebendo cada grupo um índice a ser utilizado como fator de uso da terra na equação (Quadro 2). conforme já ressaltado. outras culturas de inverno e frutíferas de ciclo curto. café. cebola. Preparo do solo e manejo dos restos culturais A tabela antiga utilizada para determinação do espaçamento entre terraços não considerava o sistema de preparo do solo e o manejo dos restos culturais. centeio. arroz alho. 29 . citros e frutíferas permanentes banana. batatinha. citros e frutíferas permanentes pastagens e/ou capineiras reflorestamento. devido à densidade de cobertura vegetal e do sistema radicular.Uso da terra Resultados de pesquisas têm mostrado que as diferentes culturas anuais apresentam efeitos diversos nas perdas de solo e água por erosão.

herbicidas (plantio direto) 1.Limitações para uso do terreno em função da declividade nos diferentes grupos de solos.Grupo de preparo do solo e manejo de restos culturais e seus índices. Quadro 4 . Grupos 1 2 Preparo primário Grade aradora (ou pesada) ou enxada rotativa Preparo secundário Grade niveladora Restos culturais Incorporados ou queimados Incorporados ou queimados Parcialmente incorporados com ou sem rotação de culturas Parcialmente incorporados com ou sem rotação de culturas Índices 0. o espaçamento horizontal mínimo entre eles deve ser em torno de 12 metros.75 Arado de disco ou Grade niveladora aiveca Grade leve Grade niveladora 3 1. as declividades máximas em que se recomenda a adoção do terraceamento variam em função do tipo de solo (Quadro 4). assim como os cultivos mecânicos. procurar enquadrá-lo no grupo mais semelhante. Além da limitação mecânica na construção e manutenção dos terraços e cultivos. Espaçamentos menores tornam-se antieconômicos.Quadro 3 . pois dificultam a construção e a manutenção dos terraços.: caso o tipo de preparo do solo e manejo dos restos culturais não tenha sido mencionado.00 Obs. roçadeira rolo-faca. Declividade máxima (%) 16 14 12 12 30 . Declividade do Terreno Para que os terraços sejam viáveis de implantação e permitam o trabalho eficiente das máquinas agrícolas.50 5 Inexistente Superfície do terreno 2.50 0. Grupo de solo* A B C D * Ver Quadro 1.00 4 Arado escarificador Grade niveladora Plantio sem revolvimento do solo.

30 21.50 2. em que o espaçamento é determinado em função do solo.30 EH 40.4518 * K * D 0.30 27.60 24.11 1.61 2.90 25.40 EV 0.89 2.07 1.05 1.13 1.80 18.26 1.61 0.78 1.20 16.90 23.82 Solo B EH 49.51 0.15 2.60 31.70 19.00 (tabela unitária).02 2. Aplicando-se valores de uso e manejo (Quadros 3 e 4) na expressão (u + m)/2.40 22.60 22. EV D Onde: EH = espaçamento horizontal.60 28.72 2.30 TERRAÇOS EM DESNÍVEL Solo C EV 0.40 11.90 17.30 23.70 26. com uso e manejo predefinidos.00.20 2.56 0.27 2.90 18.10 17.76 0.20 17.00 (tabela unitária).00 16.15 1.40 21.40 1.00 2.58 *( u+m ) 2 O espaçamento horizontal é dado pela equação 2: EH = 100 . obtém-se o índice que será multiplicado pelo valor da declividade encontrado na Tabela 2 para estabelecer o espaçamento entre os terraços de cada gleba.00 20. TERRAÇOS EM NÍVEL Declive (%) 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 Solo A EH 56. EV = espaçamento vertical. D = Declividade (%) Procedendo-se aos cálculos para as variáveis de solo e declividade do terreno das equações 1 e 2.84 1.60 1.80 25. mantendo os fatores de uso e manejo constante iguais a 1.60 22.50 14. Uso da tabela A Tabela 2 permite estabelecer os espaçamentos vertical e horizontal entre os terraços rapidamente.90 14.36 1.75 1.86 0.00 15.70 37.20 31.96 1. que leva em consideração o solo e a declividade.70 20.72 Solo D EH 33.89 2.36 1.40 18.39 2. declividade e uso da terra.64 0.26 1. construiu-se a Tabela 2 para valores de (u + m)/2 igual a 1.77 0.54 1.20 13.41 0.94 1.40 25.Espaçamento entre terraços para valores de (u + m)/2 igual a 1.20 35.90 EV 0. Tabela 2 .55 1.20 18.70 30.20 18.43 Declive (%) 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 EH – Espaçamento horizontal EV – Espaçamento vertical 31 .80 19.60 18.60 EV 0.34 0.66 1.90 16.44 1.03 1.90 12.10 2.Organização das tabelas para determinação do espaçamento entre terraços A organização da tabela para determinar os espaçamentos vertical e horizontal foi feita com base na equação 1: EV = 0.50 42.20 15.00 14.45 1.50 20.91 1.60 19.74 0.50 16.50 12. dispensando o cálculo da equação 1.29 1.63 1.26 1.21 1.50 0.90 19.00 17.

textura média. com preparo do solo feito com arado de discos e grade niveladora. o espaçamento vertical será: EV = 1.25 O valor dos índices de uso será: (1.arado de disco.75 x 1.Deseja-se terracear uma gleba com solo Latossolo Roxo.70m.50 = 1. apresenta o valor EV = 1. com declividade média de 7%.50 .grade aradora.125 = 28.75 e EH = 24.70m. tem-se: u + m = 0. com declividade média de 8%. no inverno. o espaçamento vertical entre terraços será de 1. restos queimados = 0. esse solo enquadra-se no grupo A (Quadro 1).25 = 0. como o valor de uso e manejo é de 0. porém. sendo o preparo do solo com grade pesada. se o agricultor adotar o preparo de solo com arado escarificador.75 2 A Tabela 2 para o solo do grupo A. o espaçamento horizontal será de 28.75 (Quadro 3).15m.75 O valor do índice de manejo será: (0.75 x 0. em que os restos da cultura anterior serão queimados.31m. ter-se-á: EV = 1. Latossolo Vermelho-Escuro distrófico.125 2 2 O Quadro 3 apresenta os valores de preparo e manejo de restos culturais.50 + 0.90. com índice de 0.125 2 2 Nesse caso.125 = 1.75. Pelas características descritas. fase arenosa ou. com trigo.00. Aplicando-se esses valores na expressão (u + m)/2.75 (Quadro 2) e o manejo descrito enquadra-se no grupo 2.90 x 0. Portanto.Exemplo 1 .75 = 18.Deseja-se terracear uma gleba com solo Latossolo Vermelho-Escuro.15m.90 x 1.75 = 1.625 2 2 32 . sendo o preparo do solo feito com arado de disco. EH = 24.00 + 1.75 + 0. a cultura do algodão tem como índice de uso 0. segundo mapas mais recentes. .97m. No mesmo caso.31m e o espaçamento horizontal de 18. O Quadro 2 apresenta os índices de uso para as culturas: soja = 1. a ser cultivado com algodão continuamente.75) = 1. restos incorporados = 0. grade leve e restos culturais parcialmente incorporados. Exemplo 2 . com declividade de 7%.75 + 1. queimando-se os restos da cultura anterior.75 = 0. a ser cultivada com soja no verão.25) = 2.25 = 1. A moderado. Para essas condições de uso e manejo. tem-se: 0. EH = 24. trigo = 1. incorporando os restos de cultura da soja.

A cobertura do solo pode ser alcançada com um rápido crescimento da cultura.438 2 2 O espaçamento vertical será de: EV = 1. proporciona ao agricultor opções de alteração do espaçamento em função de diferentes manejos de restos culturais.72m.89 x 1. É importante ressaltar que esse sistema para determinação do espaçamento dos terraços está basicamente assentado sobre resultados de pesquisas.Os índices de uso e manejo para entrar na tabela serão: (1.438 = 2. Isoladamente. É importante ressaltar que.750 = 0.125 + 0. usos e preparo do solo. químicas e biológicas do solo. Nota-se que o maior número de variáveis possível a ser aplicado no novo sistema torna-o mais condizente com a realidade. drenagem imperfeita etc. como eram usados nas tabelas anteriores. Além de conferir maior segurança no uso do terraceamento.21). atualmente. é prejudicada pela baixa fertilidade.50 = 1. o cálculo do espaçamento dos terraços deve usar como critério a cultura que será plantada no período de maior intensidade pluviométrica.875 = 1. o manejo de restos culturais e as características físicas do solo dadas por levantamentos pedológicos recentes são da maior importância quando aliados à declividade e à textura da camada superficial do solo. se o agricultor adotar para a soja o plantio direto e para o trigo o arado escarificador. que permitirá a proteção contra as gotas da chuva. permitindo melhor planejamento das práticas conservacionistas a serem adotadas em cada gleba. porém. O rápido crescimento das culturas é proporcionado por adequadas características físicas. 33 . não transmitem o que está sendo realizado em termos de movimentação do solo. o valor do índice de manejo será: m = 2.89 x 0.875 2 2 O espaçamento entre terraços será: EV= 1. seja ela com plantas em crescimento (cobertura viva) ou com a palhada dessas plantas (Fig.50 = 3. Cobertura vegetal/cobertura morta O fator isolado mais importante que influi sobre a erosão ou perdas de solo por enxurrada é a cobertura do solo.875 = 1. os dois últimos fatores. Ao contrário. No mesmo caso. como os produtores estão fazendo mais de um cultivo por ano e em sistema de rotação de culturas.65m. que mostram que o preparo do solo. compactação (pé de grade).750) = 2.0625) = 1.125 + 1.750 2 2 O índice de uso e manejo para entrar na tabela será: (1.0 + 1.

o plantio consorciado com outras culturas deve ser efetuado. por exemplo. 34 . a temperatura pode facilmente atingir 60 a 65ºC durante o dia. a palhada ajuda a manter a umidade do solo. a não ser por medidas fitossanitárias. do sol e do vento.O conhecimento do estado nutricional do solo. químicas e biológicas. Quando determinadas culturas não fornecerem adequada cobertura do solo. através da análise química. promovendo melhor proteção após a colheita. mas sim preservados sobre a superfície do solo. oferecendo às culturas melhores condições para resistirem. mantendo e aumentando o teor de matéria orgânica. ou seja. roçar o mato. diminuindo a necessidade da capinas e.Cobertura morta de mucuna protegendo o solo contra a erosão. em vez de capinar. mantendo-a adequada para o desenvolvimento dos macro e micro-organismos do solo. simplesmente. Outras formas de se manter o solo coberto e protegido durante o ciclo da lavoura e após a colheita é adotar o sistema de plantio direto. A palhada também atenua a variação brusca da temperatura. por maior tempo. consequentemente. têm sua sobrevivência comprometida. evitando-se a sua incorporação. 1997). tão importantes para a manutenção de suas características físicas. é de grande importância. A palhada ainda reduz a incidência de ervas daninhas. A permanência dos restos culturais ou de qualquer outro tipo de palhada é fundamental para a proteção dos solos contra a ação da chuva. a exposição do solo à ação dos agentes erosivos (SATURNINO. do nível de macro e micronutrientes disponíveis à cultura. LANDERS. quando. Além disso. como o feijoeiro e a soja. pois permitirá ao produtor programar a calagem e as adubações minerais. que permitirão o rápido crescimento das plantas e a cobertura de toda a área de plantio. verde e orgânica. deverão ser amontoados para a queima. cultivo mínimo ou. Em solos desnudos ou sem cobertura. Figura 21 . as bactérias que fixam nitrogênio no sistema radicular das leguminosas. então. a períodos de seca. Nessas condições. Os resíduos das culturas não devem ser queimados. Isso reduzirá o risco potencial de erosão e permitirá que maior quantidade de massa vegetal seja devolvida ao solo.

provoque erosão. Cordão vegetal É uma prática simples. grevilea. cedrinho. humana ou na industrialização caseira. que algumas espécies utilizadas para formar o cordão vegetal podem ser usadas na alimentação animal. que podem ser plantadas em nível ou desnível. aumentando a renda familiar. antes cheia de pedras. que é a erosão eólica (ação dos ventos). Além disso. considera-se 1 metro de altura de quebra-vento para 10 metros de proteção. recomendada para a pequena e média propriedade. abrem-se dois ou três sulcos com arado de tração animal. plantando-se as mudas das espécies recomendadas. dependendo das características do solo. Os vegetais mais usados para esse fim são o capim “camerun” (capim elefante). em áreas que não possibilitam a construção de terraços devido à declividade. Normalmente. Sua construção consiste na abertura de um canal. muitas vezes pouco perceptível ou valorizada. capim cidreira. capim cidreira e capim vetiver. Uma das principais técnicas utilizadas para minimizar os efeitos nocivos dos ventos sobre os solos e culturas é o uso de cortinas vegetais. demarcando os talhões que estarão protegidos. Elas podem ser plantadas sobre a crista dos camalhões ou mesmo em linhas. possibilitando segurar a terra e não deixar que a água da chuva. Cordão de pedra É também uma prática adaptada à pequena propriedade. Consiste no plantio de espécies que apresentem rápido crescimento do sistema radicular e da parte aérea. capim “camerun anão” (elefante anão). entre outras. eucalipto. O cordão vegetal funciona como barreira física. correndo morro abaixo. Além de ajudar no controle da erosão. 35 .Quebra-ventos ou cortinas vegetais Existe uma forma de erosão. Algumas espécies usadas são a cana-de-açúcar. O espaçamento entre um cordão e outro não deve ser menor que 10 metros. é bom salientar. acácia negra e outros. ou nas quais a mecanização é realizada por tração animal. A regra básica a ser observada na instalação de quebra-ventos é a proporção entre a altura da cortina vegetal e a área protegida. feijão guandu. Portanto. onde as pedras vão sendo empilhadas. Para se formar o cordão vegetal. geralmente em nível. desidratando. evitando que a água da chuva que não se infiltrar ganhe velocidade e provoque erosão. os ventos fortes são extremamente prejudiciais às culturas. reduz a velocidade de escoamento das águas das chuvas e possibilita o aproveitamento da área. queimando e acamando as plantas. numa faixa de até um metro. logicamente naquelas localizadas em áreas com pedras soltas aflorando à superfície. é considerada uma prática conservacionista complementar. Além da erosão.

químicas e biológicas. o agricultor nem sempre tem a chance de encontrar com facilidade o esterco de animais (seja pela disponibilidade do produto. Benefícios da adubação verde ● Proteção da camada superficial do solo contra as chuvas de alta intensidade. ● Manutenção de elevadas taxas de infiltração de água pelo efeito combinado do sistema radicular e da cobertura vegetal. ● O sistema radicular rompe camadas adensadas e promove a aeração e a estruturação das partículas. aumentando a disponibilidade de água para as culturas comerciais. a adubação verde entra no planejamento conservacionista da propriedade. impacto direto da gota da chuva e ação dos ventos. apenas. Desse modo visa-se proteger o solo contra as variações de temperatura. para cobertura do solo ou incorporação. sendo deixada na superfície do solo. permitindo o adequado crescimento das culturas. sucessão ou consorciação. com seu sistema radicular abundante. consegue-se. Entretanto. ● Atenua a amplitude térmica e diminui a evaporação. incorporar nitrogênio ao sistema de plantio. o teor de matéria orgânica. composto orgânico e húmus de minhocas. Uma forma de conseguir adubo orgânico de boa qualidade é através do composto. restos de culturas. suínos etc). Atualmente. em rotação ou não. enquanto a cobertura evita a desagregação e o selamento superficial. o conceito de adubação verde não se resume. seja pelo custo) ou de fazer a adubação verde. através da prática de rotação de cultura. Esse aporte de matéria orgânica pode ser feito de várias maneiras. 1994). Esse conceito abrange a tradicional prática de incorporação de leguminosas. deixam canais no solo. Adição de matéria orgânica A adição de matéria orgânica ao solo tem por objetivo melhorar suas condições físicas. como participante do processo de conservação de solo. na incorporação da massa produzida. sol e vento. As raízes. 36 . entre outras. contribuem para estruturar o solo ao mesmo tempo em que aumenta o aporte de matéria orgânica abaixo da superfície (SANTA CATARINA. Adubação verde A adubação verde pode ser conceituada como o manejo de plantas visando à melhoria ou à manutenção da capacidade produtiva do solo. sem incorporação. após sua decomposição. Nesse contexto. reduzindo a velocidade do escoamento superficial. ao longo dos anos. As gramíneas. ainda. induzindo ao “preparo biológico do solo”. já que é considerada. como também a utilização de outras espécies vegetais. através da adubação verde. adubação com esterco de animais (boi. mantendo ou até mesmo elevando. Quando a rotação é feita utilizando-se leguminosas como cultura principal ou na forma de adubo verde. ● Promove grande e contínuo aporte de massa vegetal ao solo. reduzindo os custos com fertilizantes nitrogenados. também.7.

dificultando o cultivo de culturas de sucessão. ● Apresentar potencial para múltipla utilização na propriedade. ● Produção de elevadas quantidades de sementes. ● Apresentar baixo nível de ataque de pragas e doenças. por reter os nutrientes na fitomassa e liberá-los de forma gradual durante a decomposição do tecido vegetal. ● Capacidade de reciclagem de nutrientes. apresentando elevadas quantidades de nutrientes na fitomassa. ● Apresenta múltiplos usos na propriedade. não se comportando como planta hospedeira. ● Diminui a lixiviação de nutrientes. ● Reduz a população de ervas daninhas através do efeito supressor e/ou alelopático. Características importantes para a escolha dos adubos verdes ● Apresentar rápido crescimento inicial e eficiente cobertura do solo. ● Apresentar sistema radicular profundo e bem desenvolvido. devido ao rápido crescimento inicial e exuberante desenvolvimento da massa vegetal. A adubação verde. cuja atividade melhora a dinâmica física e química do solo. 37 . na alimentação humana (tremoço e guandu) ou como fonte de madeira e lenha (leucena e sabiá). ● Produção de elevadas quantidades de fitomassa (massa verde e seca). atenua esse problema. podendo representar importante economia desse nutriente na adubação das culturas comerciais. além de melhorar o balanço de nitrogênio no solo. ● As espécies devem ser de fácil manejo (incorporação ou acamamento) para implantação dos cultivos de sucessão. O sistema radicular bem desenvolvido de muitos adubos verdes tem a capacidade de translocar os nutrientes que se encontram em camadas profundas para as camadas superficiais.● Promove a reciclagem de nutrientes. ervilhaca. micro-organismos do solo. ● Promove a adição de nitrogênio ao solo através da fixação biológica por parte das leguminosas. guandu e lab-lab). podendo ser utilizados na alimentação animal (aveia. Alguns adubos verdes possuem elevada qualidade nutritiva. principalmente. tornando-os novamente disponíveis para as culturas de sucessão. ● O crescimento vegetal dos adubos verdes e sua decomposição ativam o ciclo de muitas espécies de macro-organismos e. ● Apresentar tolerância ou resistência à seca e à geada. ● Facilidade de implantação e condução a campo. ● Apresentar tolerância à baixa fertilidade e facilidade de adaptação a solos degradados. ● Não devem comportar-se como invasoras.

geralmente na entressafra das principais culturas comerciais.Consórcio da cultura de maracujá com feijão-deporco no município de Capitão Poço-PA (novembro de 1992). por possuírem sistema radicular profundo e elevada produção de fitomasssa. Figura 22 . como cordões de vegetação. ou para controlar a erosão. 38 . leucena e tefrósia. aporte de nitrogênio. xinxo e nabo forrageiro.Modalidades de adubação verde Adubação verde de primavera/verão: consiste no plantio de adubos verdes no período de outubro a janeiro. Adubação verde perene em áreas de pousio: a utilização de adubos verdes em áreas degradadas pelo manejo. As principais vantagens são: proteção de áreas agrícolas na entressafra para o controle da erosão. ou ainda em áreas que temporariamente não estão sendo cultivadas pode ser uma prática viável. redução das perdas de nutrientes por lixiviação. Para atenuar o problema. guandu e crotalárias. O maior incoveniente é a ocupação do solo durante o período em que são cultivadas as principais culturas. possibilidade de utilização na alimentação animal e cobertura morta para preparos conservacionistas do solo. As principais vantagens são: grande produção de massa vegetal. Adubação verde de outono/inverno: prevê a utilização desses adubos no inverno. espégula ou gorga. indigófera. ervilha forrageira. feijão-de-porco. diminuição da infestação de ervas daninhas. As principais espécies utilizadas são: guandu. As principais espécies utilizadas são: aveia preta. As principais espécies utilizadas são: mucuna. ervilhaca.22). recomenda-se subdividir a propriedade em glebas e utilizar a adubação verde de forma escalonada. apresentam as vantagens de recuperação das características do solo e possibilidade de utilização na alimentação animal. elevada quantidade de N fixado biologicamente e cobertura do solo durante o período de chuvas de alta intensidade. Adubação verde intercalar com culturas: o adubo verde é semeado na entrelinha da cultura comercial. É especialmente adaptada a situações em que o solo deve ser utilizado da forma mais intensiva possível (Fig. Essas plantas.

gerando um produto menos estável e de menor qualidade (Quadro 1). Relação superior a 50 provoca o retardamento do início da compostagem. que tendem a secar o material. bagaços de frutas. serragem etc.440kg/ha). A intensa atividade do processo provoca altas temperaturas. Essas perdas podem ser reduzidas pela incorporação de superfosfatos ou termofosfatos à razão de 7 a 12kg/t de resíduo compostado. relativamente estável.5 a 3. recomenda-se a fragmentação em pedaços menores. podem ser compostados de forma exclusiva ou combinada com outros materiais de elevada relação carbono/nitrogêrnio. cana e arroz). seguindo-se o feijãode-porco (14%) e a ervilhaca (10%). Quando a relação é inferior a 20 e 25. A compostagem é o processo de decomposição aeróbia dos resíduos orgânicos em húmus. como palhas 39 . Estercos de animais geralmente apresentam relações C/N inferiores a 25 e sua compostagem exclusiva acarreta perdas de nitrogênio em forma de amônia.Alguns resultados de pesquisa indicam que. Qualidade e tamanho das partículas do material A relação carbono/nitrogênio deve propiciar o crescimento e atividade dos micro-organismos envolvidos. Numa avaliação de leguminosas anuais no período de cinco anos. o efeito da intercalação da mucuna é excelente em solos com cultivos contínuos. Os dejetos animais. desse total. ocasionando perdas de nitrogênio do material. ocorre a amonificação. Em casos de falta d’água. ricos em nitrogênio. materiais absorventes. ela pode ser regada uniformemente sobre o material em compostagem. Teor de umidade O nível adequado de umidade no composto é entre 40 e 60%. o teor de umidade. A concentração final de nitrogênio do composto fica em torno de 2. O excesso de água tende a provocar condições anaeróbias com consequente liberação de odores desagradáveis. a presença de oxigênio. Quando os resíduos agrícolas apresentam-se em partes inteiras (colmo e palha de milho. porém o efeito em solos em pousio é pequeno e variável com o ano. a temperatura. sendo ideal no máximo de 30. Compostagem Os resíduos de origem vegetal e animal contêm apreciáveis quantidades de nutrientes. possível de ser realizada pelo produtor na propriedade. que podem ser aproveitados através de processamento simples. A variação da relação C/N pode ser de 30 a 50. 50 a 70% se apresentam em forma prontamente assimilável pelas plantas. As principais condições para a decomposição efetiva são a qualidade e o tamanho das partículas do material usado. em geral. sendo que. Em caso de excesso de água. sendo o tempo de processamento 50% maior.0%. como a compostagem. foi observado que a mucuna intercalada ao milho promoveu aumento de 21% na produção de grãos em relação à testemunha (4. como palhadas. nitrogênio e carbono em proporções adequadas e pH. prejudicando o processo.

A pilha deve ter 3 a 4m de largura por 1. contornado com valas de escoamento da água de chuva.23). Aeração do composto A quantidade de oxigênio é de vital importância para a eficiente oxidação da matéria orgânica. a temperatura se mantiver baixa. espalha-se uma camada de 5 a 7cm de esterco de curral.e serragem.o contato é frio ou levemente morno. sobre a qual se depositará ainda uma camada de sapé ou outro capim para proteção contra a chuva e evaporação. de oito a dez semanas. Se após a aeração. alguns pedaços de barras de ferro. molhando-se novamente o material. devem ser incorporados até a adequação do teor de umidade. . O tempo de duração é. O local deve ser plano ou ter pequeno caimento. após. 40 . devendo-se compactar o material. . A necessidade de rega verifica-se pela temperatura do composto.o contato insuportável indica demasiada elevação da temperatura. Temperatura e pH A temperatura e o pH variam de modo interdependente de acordo com o estágio da compostagem. Inicia-se a construção da pilha de composto distribuindo-se uniformemente uma camada de resíduos vegetais.8m de altura para facilitar o manuseio.o contato suportável indica que o processo de fermentação está normal. Segue-se essa sequência até completar a altura desejada. podendo ser utilizado. ou regar uniformemente com água. como se fosse bater feijão. Por cima dessa camada. normalmente. até o fundo. O composto pronto não atrai moscas. A última camada deve ser de resíduos vegetais. devem ser molhados e. O adequado suprimento de oxigênio é atingido pelo revolvimento do material em compostagem em intervalos de duas semanas. o produto está pronto. de preferência bem fragmentados. indicando necessidade de revolvimento ou ainda que o processo de compostagem já está no final. sua elevação demasiada exige umedecimento. não oferece condições para sua multiplicação e não tem cheiro. A compostagem deve obedecer à proporção de três partes de resíduos vegetais para uma parte de dejetos animais (Fig. podem ocorrer três situações: . Quando os resíduos dessa primeira camada se constituírem por partes de plantas inteiras. comprimidos por meio de varas. de 15 a 25 cm de espessura. Seu comprimento pode variar de acordo com a quantidade de material disponível e com o espaço para revolvimento. O monitoramento da temperatura pode ser realizado mantendo-se introduzidos no composto. se úmido. Retirando-se essas barras e tocando-as com a mão.5 a 1. O material pronto apresenta-se quebradiço quando seco e moldável quando úmido. Preparo da meda ou leira O preparo do composto requer local próprio e próximo do local de sua utilização e de fonte de água. O local das pilhas deve ser protegido das enxurradas. se estiver seco.

Montagem da meda de compostagem.Figura 23 . Fonte: Oliveira Filho et al. (1987) 41 .

cuja produção será utilizada na própria propriedade (exemplo: milho x suíno). Rotação de culturas Entende-se por rotação de culturas a sequência ordenada de diferentes culturas. nas quais. A rotação de culturas é fundamentada: ● no fato de uma cultura extrair do solo maiores quantidades de determinados nutrientes do que outros. ● no controle de pragas e doenças. ● nos diferentes sistemas radiculares que exploram profundidades variáveis do solo. 8. ● na adição de materiais orgânicos de qualidade diferenciada. ● nos diferentes tipos de cobertura do solo. ● diminui a incidência de pragas e doenças. ● melhores resultados econômicos. de preferência coberto com lona de polietileno ou sacos velhos de fibra. necessitando. Pequenas propriedades rurais. através do adequado planejamento das culturas. no tempo e no espaço. 42 . melhor. Uma boa adubação exige dosagens de 15 a 30 toneladas de composto por hectare. que consiste na decomposição de restos orgânicos por minhocas. As concentrações dos elementos fertilizantes dos compostos orgânicos variam. duas situações devem ser consideradas: Médias e grandes propriedades rurais. Entretanto. Em relação ao sistema de rotação de culturas. A condição ideal do sistema de rotação de culturas é a que adiciona matéria orgânica ao solo de forma contínua. A utilização do fertilizante orgânico pode ser combinada com a adubação mineral. sendo normalmente de 1 a 2% de N e de 0. muitas vezes.Utilização do composto Quanto mais rápida a utilização composto. de toda a área disponível para determinada cultura. Não se deve misturar o composto com calcário. o composto deve ser armazenado em local protegido do sol e da chuva. é possível adotar um sistema de rotação para culturas econômicas. No caso da associação. ● controla ervas daninhas com o mínimo de despesas. pois esse processo provocaria perdas de N. Principais vantagens da rotação: ● otimiza a fertilidade do solo. Outro método de produção de matéria orgânica de boa qualidade é a vermicompostagem. que não dispõem de área suficiente para um programa de rotação das culturas econômicas. além dos micronutrientes. pela disponibilidade de área. o que poderá ser percebido pelo cheiro de amônia.5 a 1% de P e K. quando não for possível. a adubação mineral deverá ser aplicada alguns dias após a distribuição do composto orgânico.

● procurar fazer rotação mesmo nas culturas mais sujeitas a doenças. os terraços (quando existirem) devem ser respeitados. No caso de construção perpendicular aos espigões. a construção de caixas de retenção (ou bacias de captação de água) laterais. que têm a função de segurar a água que escorre na estrada. Quando da adoção de programa de rotação de culturas. plantando-se. ● as culturas mantenham o solo sempre coberto. recomenda-se que o técnico oriente diretamente os agricultores para: ● adotar sistemas de consórcio visando ao melhor aproveitamento das áreas e maior resultado econômico. muitas vezes. ● as culturas conservem a bioestrutura do solo. o que aumenta o seu potencial erosivo. ainda. ● os implementos agrícolas sirvam para as diferentes culturas. ● utilizar culturas de inverno para adubação verde e/ou pastagem. é desejável que: ● a cultura anterior beneficie a posterior. ganhando velocidade. uma cultura aproveitadora após uma exigente. como é o caso da mucuna. É de fundamental importância. acompanhando as elevações dos camalhões. pois faz com que a água da enxurrada acumule em determinados pontos e em grande volume. As estradas devem ser localizadas procurando acompanhar os espigões ou ser construídas de maneira a ficarem com declives suaves. tão importantes no escoamento da produção. pelos mais graves problemas de erosão. 9. de preferência. ● utilizar leguminosas de verão nas áreas de milho solteiro. pragas e invasoras. ● intercalar culturas que permitam o máximo de rendimentos por efeitos positivos de alelopatia e/ou incorporação de nutrientes para a cultura seguinte (leguminosa x gramínea). 43 . A má locação dessas estradas é responsável. ● haja o completo aproveitamento do adubo aplicado. tomate e pimentão.Com vistas à pequena propriedade. Locação de estradas e caminhos Um dos principais fatores causadores de erosão nas áreas agrícolas são as estradas vicinais. caso do feijão. ● haja controle de doenças. ● as culturas tenham mercado compensador e/ou possam ser utilizadas na propriedade.

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PECUÁRIA.SECRETARIA DE AGRICULTURA. PESCA E ABASTECIMENTO SUPERINTENDÊNCIA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL .

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