DIREITO FISCAL

PROF. DOUTOR CASALTA NABAIS (MANUAL DE DIREITO FISCAL)
JR - FDUC

http://apontamentosdireito.atspace.com/index.html DIREITO FINANCEIRO, DIREITO TRIBUTÁRIO E DIREITO FISCAL Dadas as múltiplas e diversificadas funções que os actuais ordenamentos colocam a seu cargo, o Estado e demais entes públicos carecem de vários bens materiais e recursos humanos, necessitando de grandes quantidades de dinheiro para adquirir os primeiros e remunerar os segundos, o que exige, um Estado não patrimonial, que todo dinheiro seja obtido, em larga medida, junto aos agentes económicos privados, daí que a actividade financeira do Estado (obtenção e gestão de receitas e realização de despesas) se reconduza à percepção, gestão e dispêndio dos meios pecuniários obtidos junto dos agentes privados. Estando a actividade financeira sujeita a normas jurídicas, será ao conjunto destas que denominamos por direito financeiro, direito financeiro público (public finance law). Ora, a actividade financeira não constitui uma actividade homogénea, apresentando – se o direito financeiro como conjunto bastante heterogéneo de normas jurídicas. Desta forma o direito financeiro estende-se por três sectores bem diversos: O direito das receitas O direito das despesas O direito da administração ou gestão financeira Cada um destes sectores ou não levanta o problema de uma especifica disciplina jurídica ou apresenta uma visível heterogeneidade. Na primeira situação teremos o grosso do direito das despesas publicas que se distribui pelos diversos sectores do direito de acção e intervenção Estadual, pelo que se reconduz ao direito administrativo sem que, quanto à intervenção económica e social, podemos referir o direito da economia quanto às despesas cuja realização tenha por objectivo essa intervenção. O mesmo se poderá dizer quanto ao direito da gestão financeira que rege a administração financeira e cujo domínio mais unificado é constituído pelo direito orçamental, ou orçamentário ou direito da contabilidade pública em sentido amplo, que não deixa de ser um sector do direito administrativo. Quanto à segunda situação (sectores do direito financeiro que apresentam uma heterogeneidade) encontramos o direito das receitas que se distribui por: Direito patrimonial – relativo às receitas patrimoniais dos entes públicos, derivadas do

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património imobiliário dos domínios rurais e das explorações industriais e comerciantes de utilidade publica (Direito do credito público – disciplina o recurso ao credito por parte das entidades publicas e a gestão da divida publica (Direito tributário – direito que disciplina as receitas coactivas do Estado e demais entidades publicas, no qual se destaca o direito fiscal – relativo ao mais importante sector das receitas coactivas, os impostos. Deste modo, a doutrina procurou isolar um sector amplo do ramo do direito financeiro: - O direito tributário: esta é a solução adoptada sobretudo pela doutrina Italiana, Espanhola e Brasileira, apoiadas em disposições constitucionais que consagram um regime jurídico especifico para a generalidade dos tributos e não apenas para os impostos, nomeadamente no que se refere ao principio da legalidade. Direito fiscal: por esta opção têm-se pronunciado tradicionalmente as doutrinas portuguesa, francesa, alemã, para cuja posição invocam as especificidades previstas a nível constitucional, quanto à legalidade dos impostos, e os princípios deduzidos do conjunto das disposições constitucionais relativas aos impostos, ou seja, princípios da constituição fiscal. Porém, a diferença no estudo do universo das matérias versadas nos manuais de direito tributário e de direito fiscal não é assim tão grande, uma vez que exerce os primeiros desenvolvimentos o tratamento das taxas, enquanto nos segundos estas estarão totalmente ausentes. Desta forma, o direito fiscal é sobretudo, tal como o direito tributário, o direito dos impostos. Assim, para termos uma imagem mais precisa do direito fiscal, impõe-se precisar o seu objecto e delimitar o seu conteúdo. Conceito de imposto Podemos definir imposto com base em três elementos: (Elemento objectivo: a este nível, dizemos que se trata de uma prestação pecuniária unilateral, definitiva e coactiva; (Elemento subjectivo: por sua vez, além dos elementos objectivos, podemos dizer que os impostos são exigidos a detentores de capacidade contributiva, a favor de entidades que exercem tarefas públicas; (Elemento teleológico: o imposto é exigido a entidades que exerçam tarefas públicas para a realização dessas funções, conquanto que não tenham carácter sancionatório; Assim, 1. Prestação: desta forma, o imposto integra uma relação de natureza obrigacional e não de natureza real, contrariamente ao defendido por uma certa doutrina Italiana, para quem certos impostos (impostos fundiários e impostos aduaneiros teriam uma eficácia real) – isto não exclui que certos impostos possam ser qualificados como obrigação real ou propter rem. Pecuniária: sem querermos dar uma noção intemporal, sem explicar a evolução passada, podemos dizer que o imposto é uma prestação de dare pecunia ou concretizada em dinheiro. Desta forma rejeitamos a concepção dos que contestam a

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natureza pecuniária dos impostos, vendo neles também as prestações em espécie (impostos sobre a produção de petróleos e outros minérios, que segundo Casalta Navais, não são impostos mas taxas) e as prestações de facto positivo ou negativo (serviço militar, requisição administrativa e expropriação por utilidade publica) 3. Prestação unilateral: desta forma, ao imposto não corresponde qualquer contraprestação genérica em favor do contribuinte. Desta forma, os impostos distinguem-se dos tributos bilaterais (taxas), os quais pressupõe uma relação jurídica do tipo do ut des. Desta forma, nesta distinção, assenta também a distinção entre imposto e taxa. Nestas, ao contrário daquilo que se verifica nos impostos, à prestação particular em favor do Estado ou outros entes públicos corresponde uma contraprestação específica (art. 4º/2 LGT): - Prestação de um serviço publico: propinas, emolumentos notariais, taxa de justiça; - Utilização de um bem do domínio publico: portagens, taxas de aeroporto, etc; - Remoção de um obstáculo jurídico à actividade dos particulares: licenças de uso e porte de arma, de caça, etc. Quanto ás taxas de remoção de limites jurídicos (licenças) impõe-se duas notas: - O seu pressuposto de facto reconduz-se também à prestação de um serviço publico (daí que em Espanha e Itália não se faça menção à remoção do obstáculo juridico enquanto pressuposto de facto); - Tais tributos apenas se configurarão como taxas nos casos em que o obstáculo constitua um obstáculo real, configurando-se já como um imposto quando seja artificialmente exigido para, ao remove-lo, a administração cobrar uma receita (licenças fiscais): não há ai qualquer contraprestação real a favor do contribuinte, tratando-se de uma verdadeira actividade de lançamento e cobrança de um imposto: veja-se os casos de verdadeiras licenças fiscais previstas nos Acs. TC 558/98 e 63/99 quanto à publicidade mediante anúncios, sendo os tributos exigidos pelo município de Guimarães e de Lisboa – Inconstitucionais. Teixeira Ribeiro chega mesmo a considerar como impostos a licença de uso e porte de armas (que seriam licenças fiscais) entendimento que deve ser rejeitado, uma vez que estamos perante específicos interesses públicos reais e não perante um estratagema qualquer com vista à obtenção de receitas (terão, porém que passar pelo teste da proporcionalidade – prestação / contraprestação especifica). 4. Prestação definitiva: o imposto apresenta-se-nos como uma prestação que não dá lugar a qualquer reembolso, restituição ou indemnização. Deste modo, é não apenas uma prestação unilateral no presente mas como também no futuro. Assim se distingue o imposto do empréstimo forçado (apenas o oneroso, pois no empréstimo forçado gratuito estamos já perante um imposto no montante dos juros) que é uma prestação unilateral – definitiva. Por fim, objectivamente, o imposto é uma prestação coactiva, uma prestação ex lege: surge por encontro do pressuposto de facto do imposto (facto tributário) com a lei, independentemente da vontade do contribuinte nesse sentido (art. 36º/1 e 2 LGT). Deste modo, podemos dizer que os impostos são prestações duplamente coactivas: quanto ao nascimento e quanto ao cumprimento.

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4 . muitas vezes. Porém. Segundo a posição do curso devemos seguir uma posição dicotómica entre impostos e taxas. permitindo que possam ser exigidos impostos por pessoas colectivas privadas às quais a lei atribua a qualidade de titulares activos de relações jurídicas fiscais. objecto de uma divisão binária entre tributos unilaterais e bilaterais (taxas). das finalidades dos impostos estão excluídas as finalidades sancionatórias. os impostos são: Exigidos a detentores de capacidade contributiva: assim. em suporte indiscutível dum estado fiscal de direito – a capacidade contributiva (4º/1 LGT). Impostos extra fiscais: visam obstar à manifestação do facto gerador do imposto. os impostos são utilizados como vista a evitar determinados comportamentos económicos e sociais dos seus destinatários: desta forma não estaremos perante impostos subsumíveis na constituição fiscal mas perante medidas de intervenção económica e social. entre nós. ALGUMAS FIGURAS AFINS DOS IMPOSTOS Divisão dicotómica dos tributos A figura dos tributos tem sido. no actual estado social. mas nunca perante um imposto. ou seja. Não são dominados por uma exigente reserva de lei e pelo princípio da igualdade aferido pela capacidade contributiva mas antes por uma flexibilização do principio da legalidade e por exigências do principio da proporcionalidade em sentido amplo: Assim cumpre distinguir: Impostos fiscais: têm como finalidade principal a obtenção de receitas. A favor de entidades que exerçam funções ou tarefas publicas: com esta nota pretende-se não limitar a titularidade activa dos impostos exclusivamente às pessoas colectivas publicas. os impostos. aqui estaremos perante multas (sanções pecuniárias penais) – coimas: sanções contra – ordenacionais – confiscos (sanção penal que se traduz na apreensão em instrumentos utilizados na pratica de um ilícito) – indemnização (reparação do prejuízo causado a outrem com a pratica de facto ilícito). próprias dos próprios membros. na medida em que. Acrescente-se que as funções ou tarefas publicas assumem aqui um carácter geral. dizem respeito à totalidade dos contribuintes e não a partes destes excluindo – se do conceito de impostos aquilo que poderíamos designar por tributos associativos (quotas obrigatórias para as ordens profissionais) que têm por finalidade o financiamento de tarefas publicas especiais. prosseguem os mais variados objectivos de natureza económico e social. não faz com que eles deixem de ser impostos especiais.De um ponto de vista subjectivo. pela própria natureza (aprovados pelos respectivos associados ou seus representantes) concretizam a ideia de auto – tributação. ou de uma repartição tripartida entre impostos. Desta forma. procura-se por este critério importar para o próprio conceito de imposto o critério material da igualdade ou justiça fiscal. Por fim. Teleologicamente: o imposto é exigido pelas entidades que exerçam funções publicas para a realização das suas funções de carácter não sancionatório: isto significa que os impostos não podem ter finalidades sancionatórias. taxas e contribuições ou tributos especiais. o facto de tais tributos se afastarem da observância do principio da legalidade. Assim.

Desta forma. ou melhor. dos contribuintes. um tributo terá que ter carácter bilateral mas também terá que existir proporcionalidade entre o tributo e a respectiva contraprestação específica. TC.5%. entendido aquele como um ramo de direito administrativo que tem suporte constitucional.Desta forma não se importarão para o direito fiscal a diversidade de designações que se verifica em sede de direito financeiro. Assim. Será. 0. Um sector onde a analise deste problema já foi mais longe é no das taxas por infra-estruturas urbanísticas – será necessário verificar o carácter bilateral das taxas de urbanização (se já se verificaram as infra – estruturas – Ac. TC 357/99 ou se a ordem jurídica prevê a possibilidade jurídica de exigir a realização das mesmas – Ac. comercial e de navios. e não de actividades dos particulares. Na anterior disciplina. TC 410/2000). de um posto de vista jurídico – constitucional teremos que fazer o teste da sua medida ou do seu critério. uma vez que os emolumentos devidos para registo predial. 5 . onde se prevê uma regime jurídico. Não deixam de ter por base manifestações da capacidade contributiva resultantes do exercício de uma actividade administrativa. estando perante um imposto se apenas puder ser aferido com base na capacidade contributiva do contribuinte ou perante uma taxa se for susceptível de ser aferida com base na ideia de proporcionalidade. não em função dos custos do serviço de registo ou do serviço notarial prestado mas sim em função da capacidade contributiva.4% e 0. Proporcionalidade. para sabermos se estamos perante um imposto ou uma taxa. Desta forma. enquanto as taxas se bastam com a reserva parlamentar do seu regime geral e assentam no principio da proporcionalidade entre a taxa e a prestação estadual prestada ou entre a taxa e os custos causados à comunidade. diverso do regime jurídico das taxas. terão que passar por dois testes: Bilateralidade. os tributos reconduzir-se-ão às taxas ou aos impostos. tendo por base o principio da capacidade contributiva. Desta forma. porém. Desta forma poderemos referir as diversas manifestações do referido encargo de mais valia. 558/98 e 63/99 que consideram como licenças fiscais determinados tributos).3%. Desta forma os emolumentos eram. apesar de na jurisprudência do TC e na CRP e na LGT aparecer a figura das demais contribuições a favor de entidades publicas. quanto a inscrição estavam sujeitas a uma aliquota com quatro escalões: 1%. 0. os impostos obedecem a um exigente principio da legalidade. será um tributo que se deverá guiar pelo regime próprio dos impostos caso tenhamos por base o critério da capacidade contributiva (vejam-se a propósito os acs. também necessário averiguar qual será o critério em que assentam as taxas urbanísticas: será uma taxa se assenta num critério de proporcionalidade entre a prestação e a contra – prestação. Via de regra os emolumentos notariais são concebidos como taxas pois visam remunerar os funcionários do respectivo serviço público. Desta forma. Desta forma não respeitavam o princípio constitucional da legalidade de modo que o referido diploma padecia de uma inconstitucionalidade orgânica (artº 165º/1/i CRP). vindo a doutrina a pronunciar-se no sentido de a equiparar a um imposto por duas ordens de razoes: Não se vislumbram a uma prestação especifica a favor do contribuinte (unilateralidade). Além disso tais emolumentos estavam ainda desconformes com o direito comunitário tal como foi julgado em sede de recurso pré – judicial para o TJCE. tudo nos leva a concluir que estaríamos perante um imposto.

Um exemplo de contribuição por melhoria podemos encontrar no encargo de mais valia. encontrando a figura dos tributos especiais entre os impostos e as taxas. encargo que deverá ser tributado aquando da respectiva licença de construção.Já por seu vez serão taxas as propinas universitárias (Ac. Deste logo. TC 148/94). é costume fazer uma distinção há muito consolidada na doutrina Italiana e Espanhola: Contribuição de melhoria: verifica-se quando é devida uma prestação. por parte de todos aqueles a quem indirectamente a actividade beneficia. A partir disto podemos dizer que tais tributos não passam de impostos. cobrado a favor da JAE. aumentando-a. o que nos impõe falar sobre esta figura. é conhecida a divisão tripartida dos tributos. Contribuições especiais de segunda geração: 4. AS CONTRIBUIÇÕES PARAFISCAIS: ESPECIAIS. o das demais contribuições financeiras não terá um regime próprio. TC. a actividade administrativa pública limita-se a obstar a que surjam manifestações negativas. 6 . ou limita-se a manter essa capacidade. uma contribuição especial tributável sobre o valor de prédios rústicos que. Contribuição especial incidente sobre o aumento de valor dos prédios rústicos. 640/95). em virtude de uma vantagem económica particular que resulta de uma actividade administrativa. Encargo de mais valia incidente sobre prédios rústicos a uma taxa de 60% sobre o aumento do valor. 3. nas segundas. tais manifestações da capacidade contributiva operam de maneira diferente conforme se trate de contribuição de melhoria ou contribuição por maiores despesas: enquanto nas primeiras a actividade administrativa pública provoca manifestações positivas desta capacidade. há uma contrapartida pública que se traduz numa vantagem indeterminada relativamente a cada um dos contribuintes mas determinável em relação ao grupo beneficiado com aquela actuação administrativa. Desta forma parece que o tertium genus. em virtude da simples aprovação dos planos de urbanização. 2. tal como acontece com os impostos. AS TARIFAS E AS RECEITAS A opção pela divisão dicotómica em sede juridico – constitucional não significa que não possamos optar por uma outra divisão em sede no direito financeiro. 1139/96). como consequência da construção de ponte entre em Lisboa e Almada. por virtude de obras de urbanização ou construção de infra-estruturas ficam aptos para a construção. embora tenham por base manifestações da capacidade contributiva de determinados grupos resultantes do exercício de uma actividade administrativa e não de uma actividade dos contribuintes. Este tributo tem seis manifestações (três de primeira geração e três de segunda geração): 1. Encargo de mais valia na titularidade dos municípios e incidente à taxa de 50% sobre o (aumento) dos prédios rústicos. Encargo de mais valia incidente sobre o aumento do valor dos prédios rústicos valorizados em virtude da construção de estradas. as taxas quanto à realização de infra – estruturas urbanísticas e a taxa de recolha de lixo (Ac. Nesta sede. Desta forma. Desta forma. Contribuição por maior despesa: ocorre naquelas situações em que é devida uma prestação em virtude de as coisas possuídas ou uma actividade exercida pelos particulares darem origem a uma maior despesa das autoridades publicas. etc. as portagens pagas na ponte 25 de Abril (Ac.

terrenos para construção e áreas resultantes da demolição de prédios urbanos devido à realização da Expo 98. quanto às contribuições. de acordo com os momentos da vida do imposto. contribuições para a segurança social—considerados como imposto . os impostos de circulação e camionagem são também impostos de um ponto de vista fiscal e as taxas de recolha de lixo. não deverão ser inferiores ao custo. como contribuições de maiores despesas. como é característica dos preços): dai que seja preferível a designação de tarifas no que concerne às taxas equivalentes. as quais podem ser fixadas pela câmara municipal. tributos ou receitas parafiscais são tributos (art. actividade ou situação que dá origem ao imposto (pressuposto de facto). 3º LGT) colocados para a cobertura de despesas das pessoas colectivas não territoriais.terrenos para construção e áreas resultantes da demolição de prédios urbanos já existentes. alguns autores indicam como integrantes das contribuições especiais. Apesar da caracterização própria de que estas figuras são susceptíveis somos levados a reconduzir todos os tributos a duas figuras: taxas ou impostos. Desta forma como tarifas poder-se-ão configurar as previstas no artigo 20º da LFL. Quanto às tarifas segundo Casalta Navais esta são um especial tipo de taxas (exprimem não apenas uma equivalência jurídica. poderemos dizer que encontramos dois momentos na sua vida: O momento do seu estabelecimento. ou seja. efectivação. Contribuição especial incidente sobre o aumento do valor dos prédios rústicos resultante da demolição dos prédios urbanos dos concelhos beneficiados pelo investimento realizado na IREL. Por fim. CRIL. porém. os impostos de circulação e camionagem e as taxas de esgotos e saneamento: segundo Casalta Navais. instituição ou incidência. administração ou gestão. estas tarifas – taxas distinguem – se. No primeiro momento trata-se de definir o se e o quando do imposto: a) Facto. Contribuição especial incidente sobre o aumento do valor dos prédios rústicos. criação. mas também uma equivalência económica. por outro lado. 5. CREP e CRIP. não tendo que ser estabelecidas pela assembleia municipal. são tributos objecto de uma verdadeira consignação subjectiva de receitas (taxas para organismos de coordenação económica. regime de que a tarifa – preço publico não beneficia. 7 . OS MOMENTOS DA VIDA DO IMPOSTO: Numa perspectiva dinâmica. . Além do encargo de mais valia em sentido lato. b) Sujeitos activos e passivos da obrigação do imposto. directa e indirectamente suportadas com o fornecimento de bens e com a prestação do serviço. O momento da sua aplicação. 6. . esgostos e saneamento são verdadeiras taxas. na área dos municípios beneficiados pela construção da nova ponte sobre o Tejo. ou seja. das tarifas – preços públicos pois enquanto às primeiras se apresentam como obrigação ex lege que implicam a aplicação de um regime de direito público (uma série de prerrogativas atenienentes à garantia e execução).

efectivação e gestão do imposto. Englobamento dos diversos rendimentos líquidos . 2. quer na cobrança coerciva.No lançamento identificam-se os contribuintes pelo lançamento subjectivo e determina-se a matéria colectável e a taxa ( se houver pluralidade de taxas). 8 . 4. a liquidação pode ser mais ou menos complexa: assim bastante complexa será a liquidação do imposto de IRS que se desdobra nas seguintes operações: 1. aplicação do quociente conjugal. Aplicação desta ao rendimento colectável. Aqui temos o procedimento fiscal: sequência funcional de actos conducentes à identificação do sujeito passivo e à determinação do imposto a pagar. obtendo-se o rendimento liquido global. colecta que coincidirá com o imposto a pagar (excepto se houver deduções à colecta. Assim. d) Se não há imposto ou há menos imposto. No segundo momento procede-se à aplicação. Esta administração ou gestão pertence cada vez menos a administração fiscal mas também aos particulares. Abatimento das despesas com pensões a que o sujeito passivo esteja obrigado por sentença transitada em julgado ou acordo judicial homologado. Assim. Consoante o tipo de imposto. Determinação da taxa aplicável. 6. nesta fase não se está a criar ou instituir um imposto mas apenas a administra-lo e a geri-lo. em regra definido pelo valor sobre o qual recai (definição em abstracto da matéria colectável) mediante a percentagem ou quantidade desse valor (taxa e eventualmente das deduções à colecta. 5. Saber o que cabe e o que não cabe neste momento é importante na medida em que se trata de um momento normativo. traduzível nas operações de lançamento.c) O montante do imposto. determinando-se a colecta. Apuramento do rendimento bruto por categoria (vejamos a varias categorias nos arts. aplicando a taxa à matéria colectável. quer na cobrança voluntária. se for preciso recorrer à apreensão dos bens necessários à solvência do débito fiscal do devedor. Assim estamos aqui perante o momento administrativo dos impostos. não subordinado ao exigente principio da legalidade fiscal mas bastando-se pelo principio da legalidade da administração. . visto que a sua disciplina está subordinada às exigências do princípio da legalidade fiscal. obtenção da categoria liquida. mediante o lançamento objectivo. se há lugar ao pagamento espontâneo pelo contribuinte do montante liquidado. quer na qualidade de contribuintes. caso em que a liquidação também abarcará esta ultima operação). o imposto vai entrar nos cofres do Estado.Na cobrança. 3. nomeadamente as empresas. Dedução das despesas realizadas para obtenção das receitas. 7. . quer na qualidade de terceiros.Na liquidação. liquidação e cobrança do imposto. assim se determinando a rendimento colectável. . No caso dos contribuintes casados. por força de benefícios fiscais. determina-se a colecta. 1º a 12º do CIRS).

são deduzidos ao produto nacional (bruto ou liquido) para apurar o rendimento nacional (liquido). os impostos directos são os que não constituem custos de produção das empresas e os impostos indirectos aqueles que constituem custos de produção das empresas. Assim a distinção entre impostos directos e indirectos virá a coincidir com a distinção entre impostos periódicos e impostos instantâneos ou de obrigação única. uma vez que os impostos directos não integram os preços dos bens ou serviços. Isto significa que os impostos indirectos correspondem.Periódicos / obrigação única. as quais nos darão o montante da pagar). aos impostos sobre o consumo. de um ponto de vista dinâmico será necessário observar de forma adequada o momento da instituição ou do estabelecimento dos impostos do momento da sua aplicação ou efectivação. os impostos indirectos. Desta forma. quanto aos critérios económicos enumeramos (além do critério económico – financeiro e do critério da repercussão económica) o critério económico stricto sensu ou da contabilidade nacional: este critério tem em conta a natureza económica dos impostos. ALGUMAS CLASSIFIAÇOES DE IMPOSTOS: . Assim. Desta forma.Fiscais/extrafiscais. . . . que dá origem a uma obrigação de imposto isolada. segurança social.etc Impostos directos e impostos indirectos: são diversos os critérios económicos e os critérios jurídicos que tem servido para esta clássica distinção dos impostos. à saúde. na configuração instantânea ou duradoura do elemento temporal do facto tributário. . Contrariamente se a relação jurídica fonte da obrigação de imposto tiver na base situações estáveis (que se prolongam no tempo) o que dará origem a obrigações periódicas. a distinção entre impostos directos e indirectos reside no tipo de relação jurídica fonte da obrigação do imposto. educação.Gerais/especiais.Estaduais/ não estaduais. habituação.Reais / pessoais. . neste sentido. estamos perante um imposto indirecto. ou seja. Deduções à colecta (despesas de carácter pessoal das famílias adstritas à realização dos direitos sociais. Será necessário averiguar qual ou quais os critérios adoptados pelo nosso ordenamento 9 . Isto porque o rendimento nacional é igual ao produto nacional menos os impostos indirectos ou impostos sobre o consumo. Quanto aos critérios jurídicos (além do critério do lançamento administrativo de Otto Magger ou o critério o nol nominativo) cumpre analisar o critério do tipo de relação jurídica base do imposto: de acordo com este critério. Assim.Directos / indirectos.8. Ou seja. não são tidos no apuramento do produto ou rendimento nacionais. a sua integração ou não nos custos de produção das empresas. . .Quota fixa/ variável . numa relação de carácter instantâneo. pelo que estaremos perante impostos directos. se a fonte do imposto é um facto isolado ou factos ou actos sem continuidade entre si.Principais/acessórios. uma vez que integram os respectivos preços.

actualmente disciplinada. dado que esta distinção tem já uma grande importância no passado. Porem. a não ser a nota histórica. o artigo 93º TCE prevê a harmonização das legislações fiscais nacionais no que respeita à tributação indirecta. Deste modo. A este respeito. nada mais haverá para acrescentar. quanto a impostos que não sejam impostos indirectos. o teor do preceito e os trabalhos preparatórios levam-nos a concluir que se quis limitar temporalmente o privilegio creditório imobiliário geral no caso dos impostos directos ou periódicos. o chefe de repartição extraía os conhecimentos da cobrança (com identificação do objecto. Assim. conceder exonerações e reembolsos à exportação e o lançamento de direitos de compensação à importação. Os artigos 92º e 93º do Tratado da CE: este terá querido harmonizar as legilações nacionais quanto à tributação da despesa. no que concerne ao orçamento e contabilidade publica do estado. há consenso em que elas segue o critério da contabilidade nacional introduzida pelo DL 305/71. fazendo-se a liquidação com base nos dados na posse da repartição das finanças (fornecidos pelo contribuinte ou obtidos por esta). o artigo 92º TCE permite aos Estados. Por outro lado. que coincide com o terceiro critério jurídico da distinção entre impostos directos e impostos indirectos assenta é o previsto no artigo 736º/1 CC. a título de tributação indirecta. a tributação do consumo. tínhamos a cobrança virtual. 4. a)Nos impostos periódicos. segundo a qual os impostos directos se identificam com os impostos periódicos e os impostos indirectos com os de prestação única . da natureza do imposto e da importância da colecta) e enunciaria os 10 . parece que se quis seguir o critério da contabilidade nacional. 2. a tributação do rendimento e do património e. no DL 26/2002 de 14fev o qual contem o classificador económico das receitas e despesas publicas e no respeitante ao orçamento e contabilidade das autarquias locais no DL 54-A/99. No 736º/2 CC: quanto a este artigo. Impostos periódicos e impostos de obrigação única: o critério que esta distinção. harmonização que tem uma particular importância no estabelecimento e realização do mercado interno. nos impostos periódicos e nos impostos de obrigação única o trânsito da fase de lançamento e liquidação (da responsabilidade do Ministério das Finanças) para a fase da cobrança (a cargo da tesouraria da fazenda publica). 5. O artigo 261º/1 CRP: dada a ausência de qualquer indicação no sentido da expressão impostos directos. Desta forma. a título de tributação directa. de acordo com o objectivo de tais preceitos facilmente se conclui que está aqui subjacente o critério da contabilidade nacional. tendo uma parte significativa destes impostos por objecto rendimentos rendimentos antecipadamente conhecidos pela administração fiscal (nomeadamente rendimentos reais presumidos ou mesmo rendimentos normais) e fazendo-se de maneira diferente. Classificação orçamental das receitas fiscais: quanto à arrumação orçamental das receitas fiscais. parece que houve a pretensão de se contrapor. 3. sendo este o preceito que tem servido às diversas directivas adoptadas em sede de IVA e nos impostos especiais sobre o consumo. a doutrina e jurisprudência que tem como base o critério jurídico do tipo de relação jurídica base do imposto. De acordo com o artigo 6º/1 e 2.jurídico fiscal? 1. do sujeito passivo.

a qual. colocarse-á o problema do fraccionamento jurídico desse facto. se os impostos instantâneos não levantam problemas de maior. tal como acontece com o imposto de solo. muitas vezes. Findo este prazo. compreende-se que a importância da distinção encontra sede. uma vez realizada a liquidação. Se não fosse pago. o regime da cobrança virtual foi extinto pelo anterior artigo 40º do anterior regime da tesouraria do estado. nos impostos periódicos conta-se após após o final do ano em que se verificou o facto tributário. seria o próprio sujeito passivo que solicitava o título de cobrança (guias de pagamento) na repartição de finanças. a cobrança eventual concretizava-se em título virtual. O tesoureiro da fazenda pública emitia os anúncios aos contribuintes para estes pagarem o imposto no prazo de pagamento à boca do cofre ou no prazo pagamento com juros de mora. embora beneficie de uma desconto no casos de se optar pelo pagamento a pronto – art. pois têm na base critérios intemporilisticos. a requerimento dos interessados. Refira-se ainda que. indo depois pagar o imposto na tesouraria da fazenda pública. iram levar à extracção da certidão de divida a qual servirá como título executivo em sede de execução fiscal. 45º CIS) e o IMI que é pago em duas prestações se ultrapassar determinado montante. IMT. nos impostos periódicos os prazos de cobrança são divulgados na comunicação social – artigo 79º CPPT. Conforme previsto no artigo 42º LGT. etc. nos impostos de prestação / obrigação instantânea. não sendo pagos. apesar de não se tratar efectivamente de um documento único).etc). assim. se utiliza a expressão ―impostos de prestação única‖ em vez de impostos de obrigação única. a que se seguia o processo. Assim. extraindo certidões dos (. tendo este instituído o chamado documento de cobrança para a cobrança da generalidade do imposto (―documento único de cobrança. mormente em sede da contagem dos prazos de caducidade da liquidação e prescrição da obrigação do imposto (arts. ser pagos a prestações os impostos em relação aos quais a lei o preveja. Por outro lado.respectivos dados ao tesoureiro da fazenda publica (enunciando os oficiosamente ou debitandoos). o que não parece correcto pois os impostos de obrigação única podem ser pagos em prestações: o imposto do selo sobre transmissões gratuitas pode ser pago em prestações. contínua a haver impostos cobrados com base em guias de pagamento. o problema do período do imposto que tende a coincidir com o ano cível. caso em que o prazo se conta após o final do ano civil em que se verificou a exigibilidade do imposto ou facto tributário.IVA. 45º/4 e 48º/1 LGT). Impostos reais e impostos pessoais: quanto ao peso relativo da incidência real e da incidência pessoal. já os impostos duradouros uma vez que têm por base do facto tributário um elemento temporal que tende a manter-se. Por outro lado. Dai que hoje os impostos tenham por base o título de cobrança fundamentalmente o documento de cobrança ou as guias de pagamento.) de cobrança não cobrados e enviando-os ao chefe de repartição de finanças para este iniciar o processo de execução fiscal com base no título executivo constante da referida certidão.IRC. podemos falar em impostos reais e impostos pessoais. contam-se a partir do momento em que teve lugar o facto tributário (Excepto no IVA e nos impostos sobre o rendimento quando a tributação seja efectuada mediante retenção na fonte a titulo definitivo. Porém. Isto tem importância. sobretudo na configuração do elemento temporal do facto tributário: assim. b) Nos impostos de obrigação única: neste teríamos a chamada cobrança eventual. podem. Nos primeiros atinge-se a matéria colectável objectivamente determinável com a abstracção da concreta situação económica e social do contribuinte (IMI. ou seja. os quais. nos segundos tem-se em conta a situação 11 . o tesoureiro procedia ao relaxe daqueles títulos de cobrança.

esta não é muito utilizada pelos juristas para os quais esta assenta apenas em critérios económicos. sobre o património e sobre o consumo: embora esta seja das classificações mais correctas (?) actualmente (nomeadamente no seio do IMI e da OCDE. sobre o património (104º/5) e sobre o consumo (104º/4). nos impostos sobre o rendimento tributa-se o rendimento – produto (acréscimo em bens obtidos durante o correspondente período a titulo de contribuição para a actividade produtiva) ou o rendimento – acréscimo (o qual engloba também os bens obtidos a outro titulo. habitação e segurança social) Divisão do rendimento colectável por dois (quociente conjugal ou spliting) no caso dos contribuintes casados ou unidos de facto. Toma em consideração os encargos familiares. Como características dos impostos pessoais. estes: Atendem ao rendimento global do contribuinte. Nos impostos sobre o consumo tributa-se o rendimento ou património utilizado no consumo. Imposto sobre o rendimento. ou tendo os em conta através das deduções à colecta. Segundo o nosso sistema fiscal. Consideração dos encargos com a família dos contribuintes (despesas com educação. temos seguido esta distinção como: Impostos sobre o rendimento : o IRS (tributa o rendimento global das pessoas singulares. incluindo as empresas individuais) e o IRC (tributa o lucro das empresas colectivas ou o rendimento das demais pessoas colectivas: a estes poderíamos acrescentar a taxa social única (contribuição para a segurança social. saúde. Os impostos pessoais podem ser mais ou menos pessoais conforme partilhem de mais ou menos características: um exemplo de pessoalizaçao parcial encontrava-se no imposto sobre sucessões e doações. que não deixam de constituir impostos sobre o rendimento do trabalho dependente). estas características residem em: (Tendencial) incidência sobre a globalidade dos rendimentos. o valor da sua fortuna e rendimentos e o montante dos seus encargos tal como acontece no IRS. abatendo-os à matéria colectável. capital lucrativo ou bens de consumo duradouro). com uma taxa progressiva (em função do valor da quota hereditária e do grau de parentesco) e uma isenção até determinado montante dos bens adquiridos. Progressividade da taxa. Excluem de tributação o mínimo de existência. Porém. não pode deixar de ser referida pois constata-se a sua crescente importância em sede de direito Europeu e mesmo de direito. nomeadamente com a concretização no artigo 104ºCRP dos impostos sobre o rendimento pessoal (104/1).Já nos impostos sobre o património tributa-se a titularidade ou transmissão de valores pecuniários líquidos (que constituam capital produtivo. Assim. Deste modo. ou seja.económica e social do contribuinte.  Não tributação do mínimo de existência (embora previsto apenas para o rendimento provenientes do trabalho dependente. em sede de IRS. sem dano para o património inicial – deste modo integra também os incrementos patrimoniais. nomeadamente as mais valias). sobre o rendimento empresarial (104º/2). 12 .

as relações de emprego publico dos seus funcionários e agentes. com o CPTA e o novo ETAF. teremos ainda que falar de outros como o imposto de selo. propriamente dito. uma vez que integram objectivos de natureza económica e social: daí que não se lhes aplique.2º/6 e 7. suas atribuições. pelo menos.Impostos sobre o património: o IMI. o procedimento fiscal e o acto fiscal em que este desemboca não passam dum acto administrativo e de um procedimento administrativo especiais. . Impostos sobre o consumo: O IVA e os IEC´S (imposto sobre produtos petrolíferos. o imposto municipal sobre veículos. etc). quer se tivermos em conta a actividade administrativa fiscal. imposto sobre o tabaco. quanto à organização administrativa fiscal. Quanto à actividade fiscal será de igual forma clara a sua recondução à actividade administrativa e à sua disciplina pelo direito administrativo. 102º/1 LGT. assim como o CPA – art 2ºCPPT. desde logo. imposto sobre o álcool e as bebidas alcoólicas e o imposto automóvel. sendo que do direito administrativo decorre uma boa parte dos institutos do direito fiscal. todos os princípios da constituição fiscal (flexibilização do principio da legalidade etc. Isto é assim tanto em sede de direito substantivo como em sede de direito processual ou de direito judiciário. mandando ainda aplicar o CPTA ao recurso contencioso dos actos administrativos em matéria tributária que não comporte a apreciação do acto de liquidação da autoria da administração tributária e nos conflitos de competência – artigo 97º/2 e 3 CPTT. Além destes impostos. completou-se a agregação de todos os tribunais administrativos e fiscais. 13 . o qual incide sobre o património mobiliário detido e cuja matéria colectável é constituída pelo valor patrimonial dos prédios rústicos e urbanos. a favor de pessoas singulares ( a estes poderíamos acrescentar o imposto rodoviário. Isto acaba por ter suporte no CPA art. Assim. Impostos fiscais e impostos extra-fiscais: esta é uma distinção que se refere ao elemento teleológico do imposto: será importante referir que os impostos extra fiscais não integram o direito fiscal mas o direito económico fiscal. a administração fiscal constitui uma parcela da administração financeira do Estado a quem está confiada a recolha de meios financeiros indispensáveis à realização de fins do Estado: daí que sejam muitos os aspectos da administração fiscal regulados pelo direito administrativo (organização dos serviços. ) RELAÇÕES DO DIREITO FISCAL COM OUTROS RAMOS DE DIREITO Direito fiscal e direito administrativo: a grande relação entre o direito fiscal e o direito administrativo manifesta-se. Quanto à organização judiciária fiscal. etc. no facto de aquele ser um sub – ramo deste. o imposto para o serviço nacional de bombeiros e o imposto de jogo. Por fim. Por outro lado. o imposto de camionagem. o imposto de selo sobre a aquisição de imóveis. na LGT art. Assim.2º/c que manda aplicar também às sentenças dos tribunais tributários o regime da execução das sentenças dos tribunais administrativos art. o CPPT considera que são seu direito substantivo o ETAF e o CPTA. . competências. as funções administrativas que é necessário para por em funcionamento a maquina fiscal. o IMT que tributa a transmissão onerosa de bens imóveis e o IS que incide sobre a transmissão gratuita de bens moveis ou imóveis por actos inter vivos ou mortis causa. os tribunais fiscais integram a mesma jurisdição (tribunais administrativos e fiscais) de acordo com o novo ETAF. Desta forma. quer mesmo em sede de organização judiciária fiscal.

acontecendo também o direito administrativo a convocar o direito fiscal – arts 149º/3 e 155º CPA.Nabais defende que neste caso. quem esteja encarregue de aplicar estes conceitos. Direito fiscal e direito privado: há muitos e estreitos pontos de contacto do direito fiscal com o direito privado – direito civil e direito comercial. para se proceder à tributação real. no artigo 228º CPC. quando nada foi dito. Isto explica o recurso do direito fiscal a conceitos de direito privado. 43º/5 CIRC. Uma outra questão relacionada com o valor na espera jurídica fiscal dos conceitos de direito privado prende-se com o relevo que têm para o direito fiscal os negócios jurídicos de direito privado que enfermem de um vício que afecte a sua validade ou eficácia. Este problema tem actualmente resposta no LGT (36º/4 e 38º/1). O problema apenas surge quando o legislador fiscal se limita a utilizar os conceitos de direito privado. O mesmo se verifica em sede de IRS e de IRC. Quanto à simulação. em relação aos quais se coloca a questão se estes conservam o mesmo sentido que lhes é dado em direito privado ou se são reelaborados.note-se que nem sempre é o direito fiscal a convocar o direito administrativo. Porém. Quando haja simulação. os deverá aplicar no sentido que. em sede de direito civil e de direito comercial integram o conceito de indemnização. não se deverá defender uma interpretação literal das normas. parecer mais defensável. C. muitas são as vezes em que a lei adopta os conceitos de direito privado. como nos casos em que se chega a uma tal conclusão por interpretação e aplicação conjugada e harmonizada e harmonizada de vários preceitos legais. em termos diversos dos do código civil. a obrigação de pagar imposto tende a uma estrutura idêntica e utiliza princípios e conceitos do direito das obrigações. como acontece com o conceito de transmissões de imóveis no IMT (art 2º/2 e 3 CIMT). Esta orientação metodológica passou a ter consagração legal no artigo 11º/2 LGT. pode o intérprete chegar à conclusão que estamos perante um sentido próprio ou especifico do direito fiscal. Desde logo. Daí que. O mais importante ponto de contacto surge na circunstancia de o direito fiscal ligar a obrigação de pagar imposto à pratica de actos. Isto levou a uma discussão na doutrina entre aqueles que defendem que. Isto já não acontece no direito fiscal onde se perfilha um conceito mais estreito de indemnização excluindo dele os juros moratórios devidos pelo atraso na liquidação da indemnização – artigo 5º/2/g CIRS. Neste sentido. não nos podemos esquecer do 14 . CPTT)a cobrança de obrigações pecuniárias dos particulares resultantes de actos administrativos. mas mesmo que outro sentido não decorra directamente da lei. Igualmente há preceitos específicos de direito fiscal a afastar o sentido dos conceitos e a aplicação das correspondentes normas de direito privado. aplica-se o previsto no artigo 390º LGT. o núcleo central da relação tributaria tem a estrutura de uma obrigação (de um lado está um poder de exigir do contribuinte do outro o dever de a realizar). os conceitos de direito privado seriam utilizados no sentido que lhes é dado no direito privado e aqueles que defendem a autonomia dos conceitos de direito fiscal. daí que não apenas quando decorrer directamente da lei se deve interpretar a norma de acordo com o seu contexto. Exemplo disso é o que se verifica quanto aos juros de mora que integram o conceito de indemnização devida ao abrigo de contratos de seguro quer. 10º/3/a CIRS e art. tal ainda não é isenta de reparos. O mesmo se verifica quanto aos conceitos de notificação e citação definidos no artigo 35º CPPT. se declare obtenha a declaração de nulidade de negócio simulado. de acordo com a hermenêutica jurídica. que remetem para o processo de execução fiscal (148º ss. ao exercício de actividades ou ao gozo de situações disciplinadas enquanto tal pelo direito privado. uma vez que. tal como acontece nos arts. Isto significa que é necessário que.

o que na regra acaba por vingar é a prevalência do negócio simulado. Desta forma. visto que na relação jurídica fiscal constitui-se pelo facto tributário previsto na lei. Por outro lado. têm alguma representação no Banco de Portugal e no instituto de seguros de Portugal. seja porque a ordem jurídica o impõe. a administração fiscal. sobretudo no que se refere ao sector do direito fiscal das empresas ou dos negócios. não surpreende que o direito fiscal influencie também o direito privado. a verdade é que. Esta influência revela-se mormente no proseisismo (!) do direito fiscal face ao direito privado. quanto a contabilidade das instituições bancárias e seguradoras. o mesmo tem uma estrutura peculiar. tendo em conta as exigências do princípio da sistematicidade ou da coerência lógica do sistema jurídico no seu todo. Entre o direito fiscal e o direito privado há. 103º/1/c RGET). temos um ramo do direito comercial – o direito contabilístico – que tem uma grande importância para o direito fiscal. Da mesma forma. foi com o CCI que se impôs determinadas regras contabilísticas (1963). Desta forma dificilmente poderá o direito fiscal desempenhar a sua função se não estiver articulado com o direito que integra diversos domínios do direito comercial. a administração tributária pode. mais especificamente para o direito fiscal das empresas. no artigo 38º/2 LGT são proib as clausulas de abuso. Quanto ao POC. De um lado. o legislador comercial não mais se mais interessar por estas após 1888. as instituições bancárias e as seguradoras. verificados certos pressupostos. porém. porém. POC para o qual aquele articulado remete. depois. Assim. ao título meramente exemplificativo. poderá. Assim. uma vez que o direito fiscal está muito dependente do direito da contabilidade no que se refere ao lucro tributável. independentemente da vontade das partes: daí não existir nas obrigações fiscais a autonomia da vontade (36ºLGT). Porém. Direito fiscal e direito internacional: o direito fiscal tem também relações com o direito internacional. quer o direito civil quer o direito comercial continuam a modelar o direito fiscal. apesar de o artigo 39LGT vá no sentido da prevalência do negocio dissimulado face ao negocio simulado. Desta forma. obter a declaração de nulidade do negócio jurídico cujo preço foi objecto de anulação. a disciplina jurídica da contabilidade das empresas. propriamente dito. Por outro lado. sendo integrado por um articulado próprio de um diploma legal e pelo. Seja porque as partes por ele optam. em geral não conta apenas do POC. a verdade é que a pesada moldura penal é de aplicação diminuta ou mesmo nula. desconsiderar actos ou negócios jurídicos que hajam sido praticados com o objectivo de obstar à tributação ou obter vantagens fiscais. Desta forma. as relações entre o direito fiscal e o direito privado não têm um carácter meramente unilateral. Quando falamos aqui de direito internacional queremos falar aqui de direito internacional público: é cada vez mais visível nos ordenamentos fiscais nacionais a existência de 15 .fraco ou ineficaz combate aos negócios jurídicos simulados pelo nosso direito fiscal. uma grande autonomia do primeiro. o combate penal à simulação não leva o melhor resultado: apesar de a simulação integrar o crime de fraude fiscal (art. mas é também integrada pelas directrizes contabilísticas e pelas interpretações técnicas do POC e pelas directerizes contabilísticas elaboradas pela comissão de normalização contabilística (CNB). de acordo com o nº2 e a enorme amplitude dos negócios jurídicos celebrados com o recurso a documento autentico. Quando se trate de uma simulação de preço. podemos dizer que.

três tipos de normas: Normas de fonte interna. prevalece a norma convencional (cfr. procura-se mais tratar do direito fiscal internacional (normas que regulam situações fiscais internacionais) do que direito internacional fiscal (normas provenientes de convenções internacionais. Estas situações têm uma importância fundamental crescente. sempre que se verifique um conflito entre convenção de direito internacional e norma de direito interno. Numa outra perspectiva. podemos distinguir.segmentos de direito internacional fiscal (normas fiscais provenientes quase exclusivamente de convenções internacionais e visam situações internacionais ou plurilocalizadas. Porém. será preferível trata-lo autonomamente na sua relação com o direito fiscal (embora o direito comunitário prevaleça sobre o direito interno). No direito fiscal internacional encontramos dois grandes tipos de normas: As normas substanciais que delimitam a competência legislativa dos Estados em presença. apesar de estes parecerem pretender mais do que lhes é permitido (é permitido apenas à constituição a definição das fontes e sua hierarquização). há relações importantes entre o direito fiscal e o direito comunitário. cuja violação dá origem a problemas de direito internacional publico. Arts 81º/2 CIRS e 85/2 CIRC). Alguns aspectos do direito fiscal interno exigem uma harmonização ao nível comunitário (direito comunitário fiscal interestadual). este empenho tem sido levado a cabo pela generalidade dos países. havendo cada vez maior internacionalização das relações por forca da globalização dos mercados. comunitária ou internacional que contém a regulamentação directa (mediante normas materiais) ou indirectamente (mediante normas de conflitos) dos factos internacionalmente plurilocalizados. direito fiscal externo. Normas meramente instrumentais que se limitam a definir a competência dos órgãos administrativos ou a jurisdição dos órgãos judiciais nacionais para actuarem quanto a questões ligadas a mais do que uma ordem jurídica ou. Dai a actual luta contra a evasão fiscal e a dupla tributação. no sentido em que: Existe um direito comunitário fiscal próprio: há impostos comunitários próprios. Normas de fonte comunitária que integram o direito comunitário internacional fiscal. responsabilidade dos Estados. ou seja. seguindo estes as soluções propostas pela convenção modelo da OCDE. nem sempre a disciplina comunitária é integral: tal 16 . Daí que o frequente seja seleccionar o conjunto de normas de origem interna. Direito fiscal e direito comunitário: embora possamos conceber o direito comunitário com um domínio especial do direito internacional. na perspectiva das fontes das normas que disciplinam as situações fiscais. Normas de fonte internacional. No que se refere aos impostos comunitários. Por forca da primazia do direito internacional. hoje. em que medida os actos administrativos ou judiciais de execução (?) podem produzir efeitos no território de outro estado. Ora. tendo ainda normas de conflito (de fonte interna ou internacional). que têm contacto com mais do que uma ordem juridico – fiscal dotadas de poder de tributar. simultaneamente direito internacional fiscal e direito fiscal internacional. facilitadas por aquela internacionalização.

Daí que não possa ser um preço muito elevado porque senão não se vê como será preservada a liberdade que é suposto servir (um preço aceitável e limitado). A lei passou a ser compreendida como expressão dos interesses que em cada momento tem reconhecimento no parlamento. A dupla tributação levou à directiva 90/436 CEE com vista a elimiar esta. ou seja. Quando pode tributar. Esta tutela. Quanto pode. Sem duvida que o direito dos impostos se encontra moldado pela constituição fiscal. a tutela dos contribuintes em face do poder tributário limitava-se ao princípio da legalidade fiscal. O PRINCÍPIO DA LEGALIDADE FISCAL Tradicionalmente. Formais – Quem pode tributar. com os impostos extrafiscais agrícolas de realização do PAC. Apesar de a gestão e administração destes impostos seja da competência da comunidade. com a tributação compensadora e com a tributação anti – dumping. uma vez que o exercício desta gestão continua nas mãos da administração aduaneira dos estados membros. entendido como um qualificado princípio da legalidade da administração.ocorre quanto aos impostos aduaneiros. de traduzir numa tutela dos contribuintes próxima do que actualmente reclamamos apelando a critérios materiais. Quanto ao direito de harmonização fiscal este apresenta diversos graus de concretização que pode ser levada a cabo por diversas vias e se refere não apenas quanto à tributação do consumo mas também à tributação directa. no sentido de que os actuais impostos são o preço por termos a sociedade que temos. no estado liberal. conjunto de princípios juridico constitucionais: Materiais As partes que pode tributar. »»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»FONTES  A Constituição: a Constituição é indiscutivelmente o primeiro dos modos de revelação das normas jurídico fiscais. 17 . Assim. Assim. uma sociedade assente na ideia de liberdade. mediante a pauta aduaneira comum. a ideia de estado fiscal concretiza-se no princípio da liberdade. os estados não deixam de ter alguma competência normativa nesta sede. instrumentos da política comercial comum. o Estado fiscal não se apresenta como o contrapolo do estado de direito mas antes se trata de um dos mais genuínos e mais típicos suportes financeiros do estado de direito: assim. de modo que a lei deixou de ser garantia da sua qualidade : daí que sejam precisos princípios materiais que lhe devolvam a qualidade perdida. Como pode tributar. estas situações tendem a ser objecto de uma disciplina supranacional em vez da tradicional disciplina internacional. Importância tem a disciplina comunitária de harmonização dirigida a evitar a dupla tributação e a evasão fiscal que decorrem de situações fiscais localizadas em vários estados (conexão com vários estados membros). não deixou.

Quanto aos impostos Medievais. ou seja. 1ªparte. 8º/2/a LGT. Aqui temos a intensidade da reserva de lei fiscal que implica que a lei contenha os elementos essenciais de cada imposto. a lei deve abranger todas as normas relativas à incidência objectiva (material. temporal.O principio da legalidade fiscal tem na sua base a ideia de auto – tributação ou auto – imposição. Principio de reserva de lei (material): também designada como principio da reserva material contendistica (?) este principio geralmente designasse por principio da tipicidade. dentro de determinadas coordenadas previstas na lei de autorização . brutada na magna charta libertatum e no principio da constituição Norte Americana ―No taxat ion without representation‖. . Porém. a reserva que decorre do princípio da legalidade fiscal não abrange a liquidação e cobrança dos impostos. Posteriormente. 2. instituem-se dois institutos diferentes: .A notação anual da cobrança dos impostos pela aprovação anual do orçamento pelo parlamento. A deliberação da cobrança de impostos tinha que ser aprovada pela corte. 227º/1/i e 238º CRP). tal como foi defendido pelo TC. de acordo com o art. Isto não significa que a disciplina da liquidação e da cobrança não esteja sujeita a outras reservas de lei. a taxa. à incidência subjectiva (sujeitos activos e passivos. Em contrapartida. determina a incidência de cada imposto. as taxas e os benefícios fiscais. decreto lei ou diploma legislativo regional. exigindo que a lei contenha a disciplina tão completa quão possível da matéria reservada. podemos apontar-lhes como características: Os impostos tinham um carácter extraordinário. pois o suporte financeiro era. incluindo contribuintes. os benefícios fiscais e as garantias dos contribuintes. quando se localize em matérias constitucionalmente reservadas. Deverá abranger estas matérias quer se trate da criação ou aumento dos impostos. responsáveis. as assembleias legislativas regionais ou as assembleias das autarquias locais a estabelecer. sobretudo dado pelos rendimentos proporcionados pelos bens e direitos. que estende o princípio da legalidade tributária à 18 . Este princípio desdobra-se em dois segmentos: 1. nos termos do arttigo 103º/2 CRP integra quanto a cada imposto.A exigência de os impostos serem criados e disciplinados nos seus elementos essenciais através de lei do parlamento (principio da legalidade fiscal).etc). a incidência. o que. ou formal. o que implica que hoje haja uma intervenção de lei parlamentar (material a fixar a própria disciplina dos impostos. quer se trate da sua diminuição ou extinção. ou seja. substitutos. essa disciplina (165º/i. quantitativa e espacial). e em termos determinados ou determináveis. cuja disciplina apenas está sujeita ao princípio da legalidade da administração pública. a reserva apenas é exigida se e na medida em que estas sejam objecto de restrição ou condicionamento e já não quando forem objecto de ampliamento (165º/1/b CRP). autorizando o governo. Principio da reserva de lei (formal). Isto significa que não aderimos à posição doutrinaria que entende que o artigo 103ª/3 CRP no sentido de que a vida do imposto (momento de liquidação e cobrança) estão sujeitos à reserva de diploma legislativo: lei.

ínsito no princípio do Estado de Direito democrático (2CRP) impõe-se ao legislador e limita-o em dois sentidos: 19 . mormente porque propiciava uma grande evasão fiscal. por interferência de outros princípios constitucionais.11º CIVA e art. art. o principio da legalidade fiscal. sob pena de haver um silent tax incompatível com o principio da legalidade fiscal – artigo 73º CIEC. hoje há um suporte constitucional no artigo 234º/4 CRP que prevê a atribuição de poderes tributários às autarquias locais. no seu aspecto vertical não se esgota no que até aqui referimos. levem a disciplina dos impostos o mais longe possível. quer aquelas soluções que são economicamente insuportáveis – isto está na base de: Concessão de uma margem de livre decisão à administração fiscal (29º/4 CIRS. Tal como acontece noutros domínios objecto de uma legalidade qualificada.etc). tendo em conta o artigo 11º/4 LGT. excepto os regulamentos das autarquias locais que podem versar inclusivamente sobre matéria essencial dos impostos (tenha-se sempre em ressalva que o artigo 8º LGT é um principio legal e não um principio constitucional). porém. 26º/5. face a esta exigência legal. sendo também essencial que a lei ou decreto lei autorizado. Exigência de determinabilidade do principio da legalidade fiscal que apenas se deverá referir face a normas de tributação fictícia (como as que se limitam a actualizar os elementos essenciais dos impostos por força da inflação: assim. delegar certos aspectos dos elementos essenciais dos impostos ao poder normativo das autarquias locais ou admita mesmo recurso à analogia. o legislador fiscal deverá proceder ou autorizar a administração a actualizar os impostos de acordo com a taxa de inflação. O PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURIDICA O princípio da segurança jurídica. concluiremos que. Quanto ao princípio da igualdade fiscal. isto não impede em absoluto a possibilidade de. onde se inclui o poder tributário em sentido estrito (poder de as autarquias criar impostos ou disciplinar os seus elementos essenciais)).Porém. 2º/4 CIVA. 27º/2 e 28º/3 CIRS). incluindo os prazos de prescrição e caducidade. Quanto à interferência de outros princípios com o principio da legalidade fiscal diremos que: Quanto ao princípio da autonomia local. Começando pelo principio da praticabilidade. por razões de praticabilidade em que sobressai a luta contra a fraude e evasão fiscal. a liquidação e cobrança dos impostos não pode constar de regulamento.9. Conceitos mistos ou copulativos (que associam conceitos indeterminados com a atribuição de discricionariedade) art. 40º/1 CIRC. que se utilizem conceitos indeterminados ou socorrer-se mesmo da atribuição da discricionariedade à administração fiscal ou.liquidação e cobrança dos tributos. é proibido ao juiz e à administração aplicar normas fiscais analogicamente relativamente aos elementos essenciais do imposto. Utilização de conceitos indeterminados pelo legislador fiscal (art. deste decorrerá a exclusão das exigências da determinabilidade que leve a soluções impossíveis de lavar à pratica. na nossa opinião ele vinha legitimar a admissão da colmatação de lacunas nos casos em que a lei o permitisse.

Porém. podemos dizer que a primeira limitação decorrente do principio da segurança jurídica está desactivada em larga medida por força do principio de não retroactividade dos impostos (103º CRP). será por este princípio que se resolverão os problemas que se colocam na delimitação entre rectroatividade própria e imprópria ou entre rectroprovocaçao dos efeitos e conexão a factos passados. afirmado contra os privilégios próprios do Estado pré-liberal. baseandose em diversos argumentos como os que decorrem da retroactividade. havendo que observar se estamos perante leis interpretativas materiais ou meramente formais. obstando a que estes sejam agravados retroactivamente (se tais deveres forem configuráveis como restrições a direitos. a proibição de normas fiscais rectroativas de incidência oneradora da situação jurídica dos contribuintes. Efectivamente. decorrem da ponderação entre o interesse público (que se efectiva na revogação da lei que beneficia) e os interesses dos particulares na manutenção da lei que prevê os benefícios fiscais. o princípio da segurança jurídica opera ainda em sede de numerosos deveres ou obrigações fiscais de natureza acessória que impendem sobre os particulares. liberdades e garantias aplicar-se-á o a proibição da retroactividade do artigo 18º/3 CRP O PRINCÍPIO DA IGUALDADE FISCAL O princípio da igualdade sempre se reconduziu a uma específica expressão do princípio geral da igualdade no seu sentido material (ou igualdade na lei). A mesma ponderação terá ainda que ser feita quando a administração ou o legislador pretender recuperar impostos em virtude da anterior interpretação ilegal da administração ou excluir da zona de incidência ou os atirar para os benefícios fiscais. impuser retroactividade a interpretação da lei fiscal. Porém. segundo casalta Nabais. Desta forma. Na livre revogabilidade e alterabilidade das leis fiscais favoráveis. Na sua expressão de princípio da tutela da confiança. da tutela dos direitos adquiridos ou da irrevogabilidade dos actos constitutivos de direitos ou interesses legalmente protegidos. O princípio da segurança jurídica impõe também uma gesetzkonstang. com expressão sobretudo na limitação ou exclusão da ―livre revogabilidade‖ das leis relativas a benefícios fiscais. assim à ponderação entre o interesse público e a imperiosidade de obter receitas e o interesse na parte da confiança dos contribuintes.Na edição de normas retroactivas desfavoráveis. o principio da igualdade fiscal teve sempre ínsita sobretudo a ideia de: 20 . dispõe agora de consagração constitucional expressa. Mas o princípio já se aplicará como critério de ponderação em situações de rectroatividade imprópria ou quando não haja qualquer rectroactividade mas haja que tutelar a confiança depositada na actuação dos órgãos do Estado. nos que. Esta é uma exigência que alguma doutrina aceita com uma grande latitude. Porém. um tal princípio aplica-se directamente também à administração fiscal quando estabeleça margem legal de livre decisão em que o parâmetro imediato seja a constituição. Desde logo. procedendo. Assim acontecerá com as leis que contenham uma interpretação autêntica. o princípio da segurança jurídica não foi absolvido pelo nosso preceito constitucional: quando haja uma aplicação retroactiva verdadeira ou própria não se aplicará este princípio.

Generalidade ou universalidade. apenas se invocando quanto aos tributos bilaterais . Porém.Pressuposto: exige não só que todos os tributos. Este implica assim igual imposto para os que dispõem de igual capacidade contributiva (igualdade horizontal) e diferente imposto (em termos qualitativos ou quantitativos) para os que dispõem de diferente capacidade contributiva na proporção desta diferença (igualdade vertical). As objecções ao princípio da capacidade contributiva são fundamentalmente três:  Ter por objectivo o nivelamento social e aniquilamento da liberdade individual. objecção que tem como alvo o próprio estado fiscal social. nos termos da qual todos os cidadãos se encontram adstritos ao cumprimento do dever de pagar impostos.  Ser um conceito indeterminável e equívoco que. para além de esquecer os múltiplos conceitos indeterminados com guarida nas actuais constituições que as jurisdições constitucionais tem de interpretar e aplicar. mas também os próprios benefícios fiscais tenham por objecto "bens fiscais". por conseguinte. partilha da ideia do carácter meramente programático dum tal princípio. caso se opte pela teoria do sacrifício proporcional ou relativo.nem na teoria do sacrifício . a capacidade contributiva constitui: .  A sua falta de previsão constitucional expressa mais não é do que uma expressão do tradicional e arreigado positivismo que tem assolado o direito dos impostos. além de ser impraticável e não estar em sintonia com o estado social. a exigir que semelhante dever seja aferido por um mesmo critério – o critério da capacidade contributiva. O princípio da capacidade contributiva. Ora bem. enquanto termo de comparação da igualdade no domínio dos impostos. numa perspectiva meramente doutrinal. A capacidade contributiva não dispõe dum suporte adequado nem na teoria do benefício (ou da equivalência) – está vinculada a uma ideia contratualista do estado. excluindo da tributação. não carece dum específico e directo preceito constitucional. e de indiciar. tendo por fundamento o princípio da igualdade articulado com os demais princípios e preceitos da respectiva "CRP fiscal" e não qualquer outro (nomeadamente o princípio da socialidade). os conceitos de benefício e de sacrifício não são de rejeitar em absoluto. Uniformidade. uma tributação proporcional. a teoria do sacrifício proporcional ou a teoria do sacrifício marginal).conduz-nos a três diferentes igualdades (consoante se perfilhe a teoria do sacrifício igual. seja na riqueza possuída ou utilizada. em que naturalmente se incluem os impostos extrafiscais. sobretudo o conceito de sacrifício que permitir ancorar a ideia de que os impostos que cada um deve suportar hão-de basear-se seja no rendimento obtido ou utilizado. tanto o mínimo 21 . não nos dando qualquer destas uma resposta unívoca no concernente a taxa dos impostos.

entre nós. especial densidade no concernente aos impostos sobre o rendimento. seja ao nível dos correspondentes resultados. um conceito que. ao exigir um conceito de rendimento mais amplo do que o do rendimento-produto. na selecção e articulação dos factos tributários. o princípio da capacidade contributiva tem importantes préstimos quanto aos problemas da tributação do capital ou património ou da dupla (ou múltipla) tributação.  A necessidade duma válvula de escape para obstar a situações de grave iniquidade no caso da tributação assente em ficções. Sem os resolver. manifestação dessa capacidade. tanto das capitações como dos impostos retroactivos. Um tal princípio tem. em assinalável medida. identificado com o rendimento-acréscimo ou. indiciando-nos antes a opção por impostos proporcionais. sejam cidadãos ou estrangeiros. somente aos contribuintes (e não a outros sujeitos passivos fiscais). Exigência que.existencial como o chamado máximo confiscatório.  O questionar da específica configuração dos pagamentos antecipados de impostos e da proibição absoluta da aplicação analógica das normas jurídicas fiscais essenciais. . apenas os impostos fiscais e no concernente a respectiva obrigação de imposto e diz respeito. trata-se de um suporte insuficiente da (in)admissibilidade.Critério da tributação: a capacidade contributiva rejeita que o conjunto dos impostos (o sistema fiscal) e cada um dos impostos de per si tenham por base qualquer outro critério. seja ao nível das respectivas normas. Daqui decorre:  A Inconstitucionalidade das presunções absolutas de tributação e das chamadas sanções impróprias. não integra todo e qualquer aumento de valor aquisitivo como a generalidade dos rendimentos em espécie ou das aquisições a título gratuito e fica. Em relação ao quantum da tributação. embora. porém. tem ainda 22 . numa versão mais recente. porém. em termos objectivos. a capacidade contributiva não constitui qualquer suporte da progressividade do sistema fiscal ou dos impostos. da tributação dos proventos derivados das actividades ilícitas ou da tributação dos rendimentos nominais. pessoas singulares ou colectivas. este princípio afasta o legislador fiscal do arbítrio. em geral. obrigando-o a que. construa em objecto e matéria colectável de cada imposto um determinado pressuposto económico. uma base insuficiente para solucionar problemas como os do instituto do solve et repete. com o rendimento do mercado. De um lado. em contrapartida. constituindo a causa da tributação. o âmbito da capacidade contributiva será apenas. De acordo com este critério. Constitui. em termos subjectivos. na margem de liberdade do legislador. se atenha a revelações da capacidade contributiva.

d) Uma tributação do consumo adaptada ao desenvolvimento económico e a justiça social. ao imposto sobre o rendimento. a diminuição das desigualdades (art. 23 . 104º.um suporte constitucional suplementar. 4º/1 LGT. quer o princípio do rendimento disponível. A nossa CRP recorta o desenho do nosso sistema fiscal em dois momentos: 1. sejam as necessárias a subsistência do casal e sua família (mínimo de existência conjugal ou familiar) – art. a CRP exige um imposto: 1) Único. b) A tributação real como regra da tributação do rendimento das empresas. está bem patente em disposições legais. a exigir que a soma dos rendimentos líquidos sejam abatidas as despesas privadas. implica quer o princípio do rendimento líquido. O imposto sobre o rendimento pessoal: Quanto à tributação do rendimento pessoal. a impor que a cada categoria de rendimento sejam deduzidas as despesas específicas para a sua obtenção. 103. a importância crescente do princípio da capacidade contributiva. De outro lado. sobretudo de natureza quantitativa. conforme estabelece o 103º/1 CRP (finalidade financeira seguida de uma finalidade de carácter extrafiscal) 2.Fixação das finalidades do sistema fiscal. nº 1) e. O RECORTE CONSTITUCIONAL DO SISTEMA FISCAL: O actual apelo (de iure condendo) a específicos limites constitucionais aos impostos. Aliás.Recorte dos exactos contornos do nosso sistema fiscal no art. 6º/1 LGT. sejam as imprescindíveis à própria existência do contribuinte (mínimo de existência individual). pelo que o mais frequente é que esses limites respeitem à distribuição constitucional do poder tributário e/ou das receitas fiscais entre os diversos níveis da estrutura descentrada dos Estados e ao quadro constitucional traçado para o sistema fiscal. 104º/ 1). em que se prevê: a) Um imposto único e progressivo sobre o rendimento pessoal. ao imputar-se ao sistema fiscal o objectivo duma repartição justa dos rendimentos e da riqueza (art. como pressuposto e critério da tributação no nosso sistema jurídico fiscal. como o art. 2) Progressivo 3) Tenha em conta as necessidades e os rendimentos do agregado familiar. c) Uma tributação do património que contribua para a igualdade dos cidadãos. está longe de ter adesão significativa na doutrina e de conseguir um lugar nas constituições.

por conseguinte. Estas exigências de unicidade e progressividade. há que dizer alguma coisa sobre a regra da tributação das empresas pelo rendimento real. adoptada na reforma fiscal. mediante taxas liberatórias. 78º CIRS) e. habitação e segurança social. nos parecem demasiado baixos.043 até € 39. o facto de ela estar actualmente distribuída pelo IRS. em especial as que incidem sobre os rendimentos dos escalões superiores. educação. são postas em causa pela tributação de amplos rendimentos. atendendo a realidade das economias das famílias portuguesas.197. já que. estas exigências constitucionais continuam a não ser respeitadas pelo nosso sistema fiscal. como o princípio da praticabilidade das soluções. Igualmente a consideração das necessidades e rendimentos do agregado familiar está longe de se verificar. uma vez que se não tem devidamente em consideração nem o número nem a situação específica dos dependentes que integram o agregado familiar. CIRS). A cada um destes aspectos vamos dedicar as linhas que se seguem. Também o ritmo da progressividade do IRS levanta algumas dúvidas quanto a sua constitucionalidade. até aqueles patamares mínimos que o nosso Estado social está em condições de satisfazer a todos os cidadãos. objecto duma tributação separada e proporcional. já que as despesas da família realizadas com a satisfação dos direitos sociais a saúde. 71º CIRS. definitivas e relativamente baixas. de contribuintes abrangidos pelo actual 4º escalão. constitui uma exigência constitucional como defendeu a Comissão que preparou a reforma. em termos manifestamente muito limitados. e pelo IRC. em que são tributadas as empresas colectivas. atentos a diversidade e o universo de montantes de rendimentos e. que sujeita a taxa de 34% os rendimentos que vão de mais de € 17. torna o imposto proporcional relativamente a grupos de contribuintes com assinaláveis diferenças de rendimento. especialmente em relação as despesas com a educação. 24 . em que são tributadas as empresas singulares. o que se exige pela convocação de outros preceitos constitucionais. 56º ss. impõe-nos algumas considerações.Todavia. Enfim. mas em sede das deduções à colecta (art. 71º/3/a) CIRS). nomeadamente pela exigência do bom funcionamento do mercado financeiro (art. A tributação das empresas Embora a tributação das empresas seja referida apenas no 104º/2. nomeadamente a de saber se essa solução. também os níveis de rendimento a que se aplicam as diversas taxas marginais. muito embora as coisas tenham melhorado com a LRF de 2000. não são tidas em conta em sede de abatimentos ao rendimento líquido total (art. conforme previsto no art. Por outro lado.

a CRP em lado algum impõe isso. embora por via indirecta. 32º do CIRS). Desta forma. Uma afirmação que tem diversas manifestações. regendo. nada refere quanto à tributação das empresas. 2) O fenómeno da transparência fiscal que conduz a que. o princípio da liberdade de configuração jurídica. excepto quanto às pessoas físicas. ao falar em imposto sobre o rendimento pessoal e ao exigir que este seja único. ela assentará sobre o seu rendimento real. progressivo e tenha em conta as necessidades e os rendimentos do agregado familiar. Se o mencionado preceito implicasse a integração da tributação do rendimento dos empresários individuais no IRS. Ora. a constituição deixa ao legislador a liberdade de exigir ou não a forma jurídica em que se consubstancie a personalidade colectiva. sendo a distribuição da tributação das empresas entre o IRS e o IRC é. a exigência constitucional de unicidade de tributação do rendimento pessoal (art. apenas referindo o nº 2 que. as quais. 104º/1 CRP. haja lugar a tributação em IRS dos seus membros (arts. segundo quanto nos é dado saber. 6º e 12º do CIRC). tais como: 1) o apuramento do lucro tributável das empresas individuais é determinado através da aplicação do CIRC (art. 4) A separação entre o património empresarial e o património pessoal relativamente ao titular do EIRL para efeitos da responsabilidade tributária (art. teriam de adoptar a forma de pessoa colectiva. a inserção na tributação deste imposto de diversas entidades desprovidas de personalidade jurídica (art. isso significada que a CRP. Ora. 2º do CIRC). por conseguinte. não devemos entender que no nº 1 a CRP se queira referir às pessoas singulares. se a do direito fiscal. bastante artificial. 104º/1 CRP) não implica a tributação em sede do IRS das empresas individuais: O art.a) A tributação das empresas singulares em IRS: ao contrário do que defendeu a comissão. 82º/3. 12º/2. caso contrário ter-se-ia referido no nº 2 às pessoas colectivas. se a do direito em geral. a haver tributação do rendimento das empresas. 5) A separação entre o património empresarial e o património pessoal dos titulares de rendimentos empresariais e profissionais para efeitos de imputação de proveitos e custos (art. podendo tal revelar-se mesmo inconstitucional: 25 . Haveria sempre que questionar qual a personalidade aqui relevante. Por quanto vimos de dizer. 29º do CIRS). a CRP não exige a tributação em IRS do rendimento das empresas singulares. impunha uma determinada forma jurídica para o exercício da actividade económica por parte dos indivíduos e suas organizações empresariais. e 87. tal como o faz nos arts. 3) A consideração como sujeitos passivos de IRC e. para integrarem o domínio da incidência do IRC. uma vez que estas não coincidem. em vez da tributação em IRC de certas entidades dotadas de personalidade jurídica. a seu modo. 25º da LGT).

podendo o mesmo ser posto em prática gradual e progressivamente. Mas. preceito que não é mais que uma concretização e explicitação dos princípios da capacidade contributiva e da igualdade fiscal. Pois a própria. o art. a ser levado demasiado a sério. Não exige. em alguma medida. ou seja. porém. 3) O contexto histórico e as exigências do preceito. por conseguinte. Isto não pode excluir qualquer possibilidade de recurso a tributação dos rendimentos empresariais baseada em rendimentos normais. 2) O cariz dirigente do preceito. vai o 26 . O legislador. O que supõe esse programa não ter de se concretizar de uma só vez. b) O princípio do rendimento real. progressivo e não discriminatório negativamente da família. Um entendimento do princípio da tributação pelo rendimento real. tem por base múltiplos pressupostos mais construídos. há-de poder estabelecer a tributação com base em rendimentos normais designadamente em relação aos pequenos contribuintes e as empresas com elevado potencial de evasão fiscal: 1) O mito do rendimento real. 104º CRP como um verdadeiro programa constitucional de reforma fiscal. Pois a contraposição do nº 1 com o nº 2 desse preceito é entre "o imposto sobre o rendimento pessoal" e "a tributação das empresas" e não entre "o imposto sobre o rendimento das pessoas singulares" e "o imposto sobre o rendimento das pessoas colectivas". no rendimento de um ano ou no rendimento médio de uma série de anos. aparecendo o art. 104º da CRP prescreve que o imposto sobre o rendimento pessoal seja único. Outro aspecto do recorte constitucional da tributação das empresas. O rendimento real não deixa de ser. conduziria mesmo a conc1usão de que o próprio rendimento apurado com base na contabilidade. um rendimento normal. que uma empresa poderia obter operando em condições normais. não satisfaria as exigências constitucionais da tributação pelo rendimento real. qualquer imposto com tais características sobre o rendimento empresarial. Mas o apuramento do sentido do preceito constitucional exige que se atente também no seu cariz dirigente. porque ainda assim afastado da realidade. 104º/2 CRP. contabilidade em que assenta. prende-se com o sentido da exigência da tributação das empresas pelo seu rendimento real – efectivo ou presumido – constante do art. Pode conduzir a um tratamento discriminatório do rendimento empresarial dos empresários individuais (sujeitos a uma taxa marginal máxima de 42%) face ao rendimento dos empresários colectivos ou societários (dada a baixa da taxa geral de IRC (25%) e a aplicação de uma taxa reduzida de 20% as micro-empresas colectivas abrangidas pelo regime simplificado).  O entendimento em questão pode afectar a manifestação da liberdade de iniciativa e actividade económicas traduzida na liberdade de configuração jurídica da actividade empresarial. Em suma. ficcionados. na medida em que o integram componentes apuradas mais em termos de normalidade do que em termos de exacta e rigorosa realidade. no mesmo sentido. do que verificados.

recurso a suprimentos. impõe-se o princípio da liberdade de gestão fiscal das empresas (arts. 2) O financiamento – autofinanciamento. de modo a garantir a equi-librada concorrência entre as empresas. Assim. a discriminação de 27 . Daí que a medida da tributação do rendimento das empresas. Fora do domínio onde tal seja possível ( PME's e micro-empresas). c) Liberdade de gestão fiscal. em que se estabelece. para escolher: 1) A forma e organização da empresa. A política de gestão de défices. venham a ser tributadas a partir de outros elementos. o que obsta a que haja retrocesso neste domínio. concretiza-se no princípio da neutralidade fiscal. consideradas na sua realidade empresarial e económica. 61º. mas sim pelo seu rendimento normal. Por esta forma pretendeu-se excluir a regra da sua tributação pelo rendimento normal. nenhum motivo ou fundamento se vislumbra que possa suportar uma excepção. 81º/e) CRP. tenha passado a ser. Nesta sede. Mas não impede que haja empresas que não sejam tributadas pelo seu rendimento real. o seu rendimento real. 80º/e). nomeadamente porque optaram pela contabilidade organizada. a CRP apenas exige que ela constitua um instrumento de igualdade entre os cidadãos. afiliadas e estabelecimentos estáveis. heterofinanciamento. nomeadamente. por exigência constitucional. guiando-se pelo planeamento fiscal (tax planning). o qual tem clara expressão no art. as empresas têm liberdade. e 86º CRP) e a exigência para o Estado de neutralidade fiscal. um modelo com grande tradição no direito fiscal português. A tributação do património: Quanto à tributação do património. Mas a liberdade de gestão fiscal das empresas. um objectivo que abre a porta ao legislador para proceder. como incumbência prioritária do Estado. A diminuição das desigualdades é assim o objectivo constitucional da tributação do património. A política de reintegrações e amortizações. o legislador está assim proibido de subtrair ao modelo de tributação pelo rendimento real empresas relativamente as quais. assegurar o funcionamento eficiente dos mercados.momento histórico em que esse preceito foi adoptado e o específico ambiente em que a CRP foi elaborada e aprovada. Pois o que esse preceito impede é que as empresas que tenham todas as condições para revelarem o seu rendimento real. vista pelo lado do Estado. nomeadamente. 3) 4) 5) O local da sede da empresa.

tributando os mais elevados e isentando os mais baixos ou adoptando taxas progressivas. O DIREITO COMUNITÁRIO: O direito da actual União Europeia constitui uma fonte cada vez mais importante do direito fiscal. a tributação anti-dumping e a tributação compensadora. por outro. IMT e IS sobre as transmissões gratuitas. podendo mesmo falar de direito comunitário fiscal. Neste. o que não quer dizer que essa reforma. uma vez que são geridos pelos estados. a oneração dos consumos de luxo – esta já deveria ser eliminada pela crescente incompatibilidade com as obrigações decorrentes da integração de Portugal na União Europeia (proibição das taxas agravadas de IVA). 1) A tributação que suporta a união aduaneira concretizada na pauta aduaneira comum. já que o IMI. cabe. ainda que estejam na titularidade da União. 3) Os impostos sobre os funcionários europeus. Direito comunitário fiscal interestadual: este segmento respeita harmonização e à cooperação fiscal entre os Estados membros. consubstanciada fundamentalmente na fixação do valor dos prédios. A tributação do consumo Quanto à tributação do consumo. a CRP exige. que ela vise a adaptação da estrutura do consumo a evolução das necessidades do desenvolvimento económico e da justiça social e. levava apenas os prédios novos fossem tributados e que o valor dos prédios fosse fixado em termos arbitrários. em alguma medida. no qual se descortinam dois segmentos: Direito comunitário fiscal próprio: este é o que disciplina os impostos comunitários próprios. uma vez que veio por termo a situação de manifesta injustiça decorrente da total desactualização do valor dos prédios que. na prática. não tenha sido muito positiva. Este objectivo não foi tido em conta na reforma da tributação do património de 2003/2004. em que temos. 2) Os impostos niveladores agrícolas. por um lado.patrimónios. aos estados. enquanto a disciplina jurídica dos outros dois. Apenas quanto a estes releva exclusivamente o direito comunitário. temos: à 28 .

a) Desde logo. entradas de activos e permuta de acções entre sociedades de diferentes Estados membros. embora o Tratado de Roma e a legislação comunitária não façam qualquer distinção. em que se procura através de convenções e directivas formar uma base comum de princípios e regras. assim como às vias ou formas de harmonização. são também o Código de Conduta relativo à fiscalidade das empresas. tendo por objecto não actos normativos nacionais.  Harmonização stricto sensu ou a harmonização tout court de legislações. Do exposto. Por seu turno. mas também os próprios direitos nacionais se tornem similares. podemos concluir que a harmonização fiscal representa uma solução racional de compromisso entre a necessidade de eliminar as disparidades fiscais existentes entre os Estados membros e a salvaguarda da autonomia destes em sede da sua competência legislativa ou jurisdicional. podemos dizer que a harmonização pode ser: 29 . o exercício da competência legislativa nacional. 92º e 93º TCE). isto é. bebidas alcoólicas e produtos petrolíferos (arts. à tributação dos juros pagos a pessoas singulares e à tributação dos juros e royalties pagos por sociedades associadas. mas o exercício do poder político ou governamental num dado sector.  Aproximação de legislações (ou coordenação de legislações ou mera coordenação de legislações) que se localiza ao nível da cooperação internacional dos Estados. 2) A disciplina de alguns aspectos avulsos da tributação directa das empresas (art. concretizada no regime fiscal comum aplicável às fusões. quanto aos níveis de harmonização. sem limitar. a doutrina distingue: (Mera) coordenação: segundo alguns autores. A respeito do direito de harmonização fiscal é de fazer aqui menção aos níveis de harmonização. que envolve a eliminação total das disparidades e o consequente abrir mão de parcelas significativas da soberania fiscal e que tem por instrumento exclusivamente os regulamentos comunitários.1) A disciplina dos impostos indirectos – do IVA e dos impostos especiais sobre o consumo respeitantes ao tabaco.  Unificação ou uniformização. operaria apenas ao nível das políticas dos Estados membros. cisões. 94º TCE). de maneira a que não só as soluções. quanto às vias ou meios de harmonização fiscal. a directiva relativa ao comércio electrónico e as directivas respeitantes à tributação da poupança. nesta sede. no regime fiscal comum aplicável às sociedades mãe e sociedades afiliadas de diferentes Estados membros e na eliminação da dupla tributação em caso de correcção de lucros de empresas associadas De mencionar. contudo. em que se procede à erradicação das disparidades existentes entre as legislações nacionais de modo a chegar a soluções idênticas.

Porém. não tem impedido a harmonização da tributação directa. ao fim e ao cabo. mas sobretudo através da harmonização negativa ou jurisprudencial. quanto à harmonização fiscal. embora tenha sido neste sector que atingiu um grau de concretização e desenvolvimento sem paralelo (IVA.1) Jurídica. nomeadamente por força do princípio da não discriminação (art. compreende-se que os Estados. é fraco o seu peso no financiamento do orçamento comunitário e. tem havido muitas propostas. A harmonização fiscal não se limita à tributação do consumo. mas poucas e fracas realizações. quer pela perda por parte dos Estados da política monetária e cambial associada à forte limitação da política fiscal. quanto à tributação directa. levou a União Europeia a virar-se para um ―direito soft‖. conseguida pela harmonização positiva ou legislativa. Apesar da harmonização. decisões ou convenções ou a harmonização negativa ou jurisprudencial. e sendo muito cautelosos. que é levada a cabo através das decisões do TJCE. a harmonização fiscal não é um fim em si mesmo. a falta de consenso na adopção de normas comunitárias. há o risco de o seu cumprimento ficar dependente. quando levada a cabo por instrumentos jurídicos: a harmonização positiva ou legislativa. por ser um instrumento político. que é realizada através de regulamentos. quando é concretizada através de instrumentos políticos como são os códigos de conduta. o qual exprime apenas um compromisso político assumido pelos Estados membros no sentido de adoptarem medidas fiscais concordantes com os objectivos que a União pretende ver concretizados em sede da harmonização fiscal da tributação das empresas. recomendações. 2) Política. directivas. se refugiem na soberania fiscal que lhes resta. AS CONVENÇÕES INTERNACIONAIS: 30 . Com efeito. quer por força da tradicional regra da unanimidade em matéria fiscal. quanto a estes. Mas a ausência de preceitos no TCE. que abriram mão da sua política monetária e cambial. na aceitação de novas áreas de harmonização fiscal ou de aprofundamento das áreas já existentes. pela aprovação de um Código de Conduta no domínio da fiscalidade das empresas. e impostos especiais sobre o consumo) pois. 12º TCE). mas tão-só um meio para eliminar os obstáculos fiscais ao livre movimento de mercadorias. teremos que chamar à atenção para o fraco avanço do direito fiscal comunitário em geral: quanto aos impostos comunitários. quanto à harmonização fiscal da tributação das empresas. pessoas. serviços e capitais dentro da Comunidade. de que é exemplo o Código de Conduta sobre a fiscalidade das empresas. Assim. mantendo a regra da unanimidade na adopção de medidas fiscais. do peso político dos Estados.

o que está bem patente no número de CDT‘s celebradas por Portugal. podendo. por força do art. quatro notas importantes:  As convenções de dupla tributação não têm que assumir a forma de tratado. os mesmos têm de ser aprovados pela AR. apenas aplicável na falta de convenção. num assunto internacional. sendo certo que. embora se faça alusão a que pode haver tratados internacionais com repercussões fiscais (Concordata de Portugal com a Santa Sé. 164º/t) e 166º/2 CRP) – lei de autorização comum ou constante da LOE Já relativamente aos outros aspectos dos impostos o decreto-lei e o decreto legislativo regional podem intervir sem necessidade de uma prévia intervenção legislativa da AR. 161º/i) CRP assumir também a forma de acordos. liquidação e cobrança dos impostos. 31 . à medida que o direito comunitário fiscal progride e a luta contra a dupla tributação através de instrumentos de harmonização fiscal supranacional. por imposição da abertura da sua economia ao exterior.  As convenções celebradas com países membros da União Europeia tendem a perder bastante da sua importância. Quanto às convenções de dupla tributação. tal como a de todas as economias abertas. A este respeito. nos últimos anos. de haver necessariamente uma intervenção prévia de lei parlamentar simples (assumindo apenas quanto à lei das finanças das regiões autónomas a forma de lei orgânica – arts. AS LEIS: Queremos aqui tomar a lei como o diploma legislativo: as leis (da AR). temos em mente os tratados e acordos em matéria fiscal para evitar a dupla tributação ou lutar contra a evasão e fraude fiscais. os decretos-lei (do Governo) e os decretos legislativos regionais (das assembleias regionais). quando assumam esta forma. em consequência da internacionalização da economia.  Portugal. 8º CRP. a seu modo. nos termos do art. o que levou a que a mesma se tenha convertido. Quanto aos elementos essenciais dos impostos tem. acelerou.Ao falarmos de convenções internacionais como fonte de direito fiscal. em sede de lançamento. passou a ter que se adaptar. porém. por exemplo). a nossa tributação. 85º CIRC e 81º CIRS) como o crédito de imposto igual a menor da importância.  A dupla tributação internacional também é afastada através de regimes internos unilaterais (art. a celebração de convenções de dupla tributação sobre o rendimento com os seus mais importantes parceiros comerciais. designadamente. Assim acontece.

em IRC. versar sobre a liquidação (lato sensu) ou a cobrança dos impostos. por força do princípio da legalidade da administração (art. essa vinculação cesse quando a administração actue em cumprimento de decisão judicial (nº 7) Não sendo vinculativos nem para particulares nem para os tribunais. até por paralelismo com o que acontece com o poder tributário do Estado e das regiões autónomas. Segundo o art. Quanto às demais matérias tributárias os regulamentos poderão intervir se e na medida em que o princípio geral da legalidade da administração o permita e não haja disposição legal a impedi-lo. disciplinar os elementos essenciais dos impostos nem. 68º/4/b) LGT. tiverem sido obrigatoriamente constituídas pelas empresas sujeitas à sua supervisão. 14º/4 LAL. não podem. obrigatórios apenas para os órgãos situados hierarquicamente abaixo do órgão autor dos mesmos. quando esteja em causa o exercício de alguma parcela do poder tributário. como bem se compreende. Apesar disso. e por força de uma imposição de carácter genérico e abstracto. estes têm expressão importante também no domínio do direito fiscal. estabelecendo que cabe exclusivamente ao dirigente máximo do serviço ou ao funcionário em quem ele tiver 32 . em virtude do princípio da legalidade fiscal. veio estabelecer alguma disciplina neste domínio. o legislador do CPPT. é de referir que. não sendo vinculativos nem para os particulares nem para os tribunais. das regiões autónomas ou das autarquias locais.OS REGULAMENTOS: Os regulamentos do Governo. a administração tributária está vinculada às orientações administrativas. podem ser deduzidas as provisões que. sendo. 112º/4-8 CIMI e no art. Relativamente aos regulamentos das autarquias locais. regulamentos internos que. só esta lhes deve obediência. por terem como destinatário apenas a administração tributária. estas orientações não deixam de ser jurídicas. Movido certamente por essa preocupação. sendo do maior interesse prático dos contribuintes o respectivo conhecimento e sua publicação. devendo a validade dos actos tributários ser aferida pelo confronto com a norma legal e não com o regulamento interno. Quanto aos regulamentos de certas entidades públicas (avisos do banco de Portugal e normas regulamentares do Instituto de Seguros de Portugal). pois. um tal poder só pode ser exercido pelo órgão deliberativo — a assembleia municipal – como se deve concluir. no respeitante à derrama. Um problema que aqui se coloca é o de saber qual o relevo das chamadas orientações administrativas. 8º/2/a) LGT). o que se pode também ver concretizado no art. etc. nos termos do art. para efeitos da determinação do lucro tributável. pois. dispondo portanto em contrário. 33º/1/d) CIRC. tais regulamentos não integram normas aplicáveis à resolução dos casos concretos. de harmonia com a disciplina definida pelo Banco de Portugal ou pelo Instituto de Seguros de Portugal. muito embora.

Muito embora se trate de normas regulamentares que integram o direito da contabilidade e não o direito fiscal são de referir também as normas elaboradas e aprovadas pela Comissão de Normalização Contabilística (CNC). de efeito obrigatório. Temos aqui dois tipos: Contratos fiscais em que a administração tributária contrata com o próprio contribuinte ou sujeito passivo aspectos da liquidação ou cobrança do respectivo imposto (contrato de avença no imposto do jogo. stricto sensu e os que têm por objecto o lançamento. contendo as orientações genéricas e faculte aos contribuintes o acesso directo a essa base de dados (art. o contribuinte e se concretizam sobretudo na atribuição de benefícios fiscais. como acontece no art. a administração fiscal e o próprio sujeito passivo da correspondente relação jurídica fiscal. distinguem-se dois tipos de contratos:  Contratos fiscais stricto sensu: têm por objecto. o titular do poder tributário ou. 55°). 37º LGT. mormente de benefícios fiscais dinâmicos. lato sensu.delegado a competência para emitir orientações genéricas visando a uniformização da interpretação e aplicação das normas tributárias pelos serviços (art. OS CONTRATOS: Os contratos fiscais encontram-se previstos no art. elaboradas pela CNC. como sujeito activo. 39° EBF. incentivos ou estímulos fiscais. Ora bem.  Contratos fiscais. ou terceiros. A CNC elabora dois tipos de regulamentos de normalização contabilística em desenvolvimento e interpretação do POC: 1) Directrizes contabilísticas. em que intervêm. embora funcionando administrativa e financeiramente no âmbito do Ministério das Finanças. a este propósito. as empresas tendem crescentemente a aplicar as chamadas normas contabilísticas internacionais (NIC‘s). Por isso. de outro lado. o se e/ou o quanto da incidência do imposto. veio impor que a administração tributária organize uma base de dados. 56°). 2) as interpretações técnicas do POC e das directrizes contabilísticas. Dada a actual internacionalização fiscal. De outro lado. de um lado. embora sujeitas a homologação do Ministro das Finanças. isto é. permanentemente actualizada. por exemplo). em que intervêm. em alguma medida. impõese saber se estes assumem ou não a qualidade de fontes do direito dos impostos. Contratos fiscais em que a administração tributária contrata com certas entidades a prestação de serviços relativamente à liquidação e 33 . bem como os United States GAAP‘s. por delegação. um organismo tecnicamente independente. a administração fiscal e. que integram os contratos. a liquidação ou a cobrança do imposto.

CPPT. nas diversas modalidades que assumem. os contratos fiscais em sentido amplo. pois integra apenas uma parte da disciplina geral e mesmo esta diz respeito apenas aos impostos. Note-se que a legislação fiscal se mantém ainda diversificada e numeros — LGT. uma vez que. sendo paradigmático a divisão da disciplina anteriormente contemplada no CPT pela LGT e pelo CPPT e. logo não são fontes de direito fiscal. como o próprio nome indica: de um lado. podemos referir o CPPT. de outro. 54º a princípio relativo ao processo tributário (arts. O direito processual quanto às infracções fiscais consta do RGIT. 3º/3) Em sede de codificação geral do direito fiscal. Na verdade estamos perante uma ―codificação‖ que não configura nem uma lei geral nem uma lei tributária. previsto no art. que consta ou do CPPT ou de legislação avulsa. 51º/1 CPPT) Assim. Quanto ao CPPT regula. devemos apontar a verdadeira desordem que reina neste sector jurídico. foi excluído o grosso do direito procedimental tributário.cobrança de impostos alheios (por exemplo. o CIRS e o CIRC (da década de 80). apenas integra alguns princípios jurídica tributária (arts. relativos à ordem direito substantivo 15º a 53º) e alguns 94º) e um ou outro Assim. etc. a proliferação de legislação avulsa sobretudo no domínio dos benefícios fiscais. constante do CPPT. o sector mais importante do tributário geral. dizem respeito a situações concretas e individuais. levando à falta de articulação entre a 34 . Desta forma. de outro. refere que regime geral das taxas e demais contribuições financeiras a favor de entidades publicas consta de lei especial (art. Quanto ao conteúdo. A CODIFICAÇÃO DO DIREITO FISCAL: A codificação da parte geral do direito fiscal consta agora aparentemente da LGT. o CIS de 1999. temos codificações especiais: códigos relativos aos impostos integrantes do nosso sistema fiscal: CIVA. 1º a 14º). seja em sede da disciplina específica de cada um dos procedimentos tributários. o CIEC. o procedimento tributário e. De outro lado. aspectos gerais do direito procedimental tributário (arts. em que os variados lobbies conseguem extorquir benefícios fiscais. polarizado na relação jurídica tributária (arts. 95° a 105º). os processos tributários de impugnação judicial e de execução fiscal. o RGJT. EBF. o EBF. mais recentemente. o contrato de prestação de serviços. o CIMI e o CIMT. a LGT acaba por se aplicar apenas aos impostos. Ao lado das codificações gerais.

como as da interpretação literal. Depois. é de seguir a orientação no sentido de que as normas jurídicas fiscais se interpretam como quaisquer outras normas jurídicas (art. INTEGRAÇÃO E EFICÁCIA DO DIREITO FISCAL: A INTERPRETAÇÃO DAS NORMAS JURÍDICO-FISCAIS: A respeito da interpretação das normas jurídicas fiscais. do Modelo de Convenção da OCDE que estabelece que qualquer expressão que numa CDT não se encontre definida terá o significado que lhe é atribuído pela legislação desse Estado contratante relativa ao correspondente imposto. pelo art. o legislador parece ter cedido à tentação de consagrar a teoria económica. naturalmente apenas na exacta medida em que a teoria da interpretação a convoque. por se terem que articular normas provenientes de diversas fontes. a da interpretação económica ou a da interpretação funcional. a menos que o contexto imponha interpretação diferente. 35 . de modo que não sejam incompatíveis com este. Por isso. Porém. tarefa que deveria ser levada a cargo pelo legislador. de acordo com o princípio constitucional da legalidade fiscal. e de fontes de diversos níveis normativos. A INTEGRAÇÃO DAS NORMAS JURÍDICO-FISCAIS: Desde logo. é de referir a tradicional proibição de recurso à analogia ou qualquer outra forma de integração das lacunas no domínio dos elementos essenciais dos impostos. 3º/2.disciplina geral e a disciplina especial e à proliferação de numerosa legislação avulsa. na interpretação das CDT‘s. é de sublinhar a importância do recurso ao Modelo de Convenção Fiscal sobre o Rendimento e o Património da OCDE e seus comentários. Daí que Casalta Nabais entenda que deve ser um direito dos contribuintes a existência de uma legislação estruturada. devendo este ter-se por não escrito ou então como contradizendo o nº 1. 31º e 32° CVDT). Uma orientação que não obsta a que a substância económica dos factos tributários seja tida em conta. Particular alusão merece o art. INTERPRETAÇÃO. 11º/3 LGT. não só no domínio dos benefícios fiscais. nomeadamente as normas das convenções de dupla tributação com o direito comunitário. 11º/1 LGT). sob pena de inconstitucionalidade. embora devam ser interpretadas de acordo com a doutrina geral da interpretação das convenções internacionais (arts. Quanto à interpretação das convenções de dupla tributação há que aludir à complexidade de que se reveste a tarefa interpretativa das CDT‘s. é de afirmar a rejeição das teorias específicas que neste domínio têm sido propostas.

por aquele preceito da LGT. independentemente portanto do meio através do qual a mesma se faça. No entanto. prevê o art. 12º LGT). A EFICÁCIA DAS NORMAS JURÍDICO-FISCAIS: A eficácia temporal: Quanto à eficácia temporal das normas jurídico-fiscais. propondo uma ponderação entre o princípio da legalidade fiscal. entre a qual se destaca Casalta Nabais. 297º do CC. a reclamar justiça fiscal. tal como decorre a nível constitucional (art. comporta duas importantes excepções: não se aplica se afectar garantias. 5º/3). alguma doutrina actual. dentro de certos limites. a integração de lacunas no domínio das normas integrantes da reserva de lei fiscal. respeitante ao prazo máximo da contagem dos juros de mora relativos aos regimes excepcionais de pagamento em prestações em vigor (art. apenas assume especificidade o problema da sucessão das normas fiscais no tempo. Assim. 11º/4 LGT. 5º do DL que aprovou a LGT. em que foram encurtados os prazos da prescrição. o art. o qual proíbe. a título autónomo. Isto significa que. de dez para oito anos. Pois bem. de cinco para quatro anos. e da caducidade. aos quais se aplicam os novos prazos de prescrição independentemente das suspensões e interrupções do prazo (art. e o princípio da igualdade fiscal. já os aplicadores de tais normas. o princípio da aplicação imediata da lei nova aos procedimentos e processos em curso. o direito dos impostos rege-se pelo princípio constitucional e legal da não retroactividade. em direito fiscal. outra. contesta uma rejeição absoluta da integração do direito fiscal essencial. a criação ou aumento retroactivo dos impostos) e a nível legal (art. estão em absoluto proibidos de integrar tais lacunas. o qual deve ser interpretado no sentido de afastar a colmatação de lacunas no domínio coberto pela reserva de lei fiscal.Assim. admite-se a integração das lacunas em sede do direito fiscal essencial sempre que a lei especificamente a preveja dentro da referida ponderação de bens jurídico-constitucionais. 36 . Relativamente às normas sobre prazos. a exigir segurança jurídica. tenham por função o desenvolvimento de normas de incidência tributária. 5º/2). uma respeitante aos impostos já abolidos à data da entrada em vigor da LGT. 103º/3 CRP. embora respeitantes ao procedimento de determinação da matéria tributável. estabeleceu a aplicação do art. Embora seja consensual a argumentação a favor da exclusão da integração das lacunas no domínio da reserva de lei fiscal. direitos ou interesses legítimos anteriormente constituídos dos contribuintes nem tratando-se de normas que. este preceito aplica-se apenas à prescrição e com duas importantes excepções. Embora o legislador não esteja impedido de admitir.

e no n° 2 o princípio da territorialidade pessoal ou subjectiva. CIRS.world wide income principle) e o local da produção do rendimento (o que leva a uma tributação limitada dos rendimentos produzidos no território. 4º CIRC e 2º. como facilmente se compreenderá. Com a progressiva internacionalização da economia. o novo prazo aplica-se aos factos tributários ocorridos a partir de 1 de Janeiro de 1998 (art. o domicílio ou a residência do sujeito passivo. A eficácia espacial: A eficácia espacial das normas rege-se tradicionalmente pelo chamado princípio da territorialidade. Tradicionalmente o princípio da territorialidade referia-se à conexão com o território de elementos de carácter real ou objectivo dos factos tributários. mas elementos subjectivos diversos da nacionalidade. as leis tributárias apenas se aplicam aos factos ocorridos no território da ordem jurídica a que pertencem. diversos da nacionalidade. 15º ss. rejeitando-se a conexão com o território de elementos de carácter pessoal ou subjectivo. no domínio dos impostos sobre o património. sem prejuízo do previsto em convenções internacionais celebradas por Portugal e de disposições legais em contrário como o art. há uma tendência para a personalização da tributação. Isto mesmo está. Quanto aos elementos de conexão dos diversos tipos de impostos:  Impostos sobre o rendimento.source principle). independentemente da sua origem. consagrado no art.Já quanto à caducidade do direito de liquidação dos tributos e da revisão dos actos tributários. de modo que as legislações internas ou as convenções internacionais passaram a eleger como elementos relevantes de conexão com o território já não aspectos objectivos ou reais. inclusivamente aos estrangeiros).  Tributação do património (ou do capital): temos como elementos de conexão legítimos dois elementos: a residência do proprietário ou titular dos bens patrimoniais e o lugar da situação dos mesmos. como a sede. o domicilio ou a residência do contribuinte. A territorialidade tem assim um vector negativo (as leis estrangeiras não se aplicam no território do país em causa) e um vector positivo (as leis tributárias internas aplicam-se no território nacional. sejam impostos sobre o 37 . consagrando este no nº 1 o princípio da territorialidade objectiva ou real. segundo o princípio da universidade ou do rendimento mundial . Todavia. e 13º a 15º CIVA. a seu modo. 6º. como a nacionalidade. os elementos de conexão legítimos são a residência do beneficiário do rendimento (o qual conduz à tributação do rendimento global. de modo generalizado. pela aplicação do princípio da territorialidade . Segundo o seu entendimento clássico. 5º/5). independentemente portanto de outras características que eventualmente possam ocorrer na situação em causa. 13º LGT.

o princípio do domicílio do de cujus ou do doador. Quanto às conexões relevantes iure gentium.  Impostos sobre o consumo: nestes. então estamos confrontados com o problema da dupla tributação. os elementos de conexão são a origem ou o destino dos bens transaccionados. É também pelo princípio do destino que se continuam a reger as transacções intracomunitárias. ressalva-se o: * Abuso de conexão (excess of jurisdiction). sendo que. no concernente à transmissão de bens móveis. ainda que tenham sido planeada a substituição pelo princípio da origem. que ocorrerá quando alguém que não é residente em qualquer dos Estados contratantes de uma CDT desloca a sua residência para um daqueles Estados com o único propósito de beneficiar do regime mais favorável da convenção. Mas sendo legítimo. a identidade do período da tributação e a identidade do imposto) 38 . Esta é a regra do nosso direito interno. o Modelo de Convenção da OCDE de dupla tributação relativo às sucessões e doações. prática que começa a ser prevenida nas próprias CDT‘s. de aplicação praticamente inevitável em sede da tributação do património imobiliário. do herdeiro. sejam impostos sobre as transmissões do património. o que teve a oposição dos Estados-membros economicamente mais fracos. sendo a regra a de que os impostos sobre o consumo devem ser lançados no país do consumo. revertendo assim em benefício dos Estados em que são consumidos os bens sobre que incidem ou em que é executada materialmente a prestação de serviços. adoptaram como elemento de conexão o locus rei situe. apenas atingindo os bens situados no território nacional. costuma exigir-se a regra das quatro identidades (a identidade do objecto. 4/3/e) /1). 4º/3 e 4 do CIS) e de IRC das transmissões gratuitas (art. que se verificará quando um Estado pretenda tributar situações que com ele não têm qualquer conexão ou têm conexões de todo desrazoáveis. Como requisito da identidade do facto tributário. do legatário ou do donatário. seja qual for a nacionalidade ou o domicílio do de cujus. a identidade do sujeito. em sede de tributação em IS (art. * Abuso de convenções (treaty shopping).património detido. no país de origem. como os IEC‘s. Daí que. tem aplicação importante o princípio da lex rei sitae. do ponto de vista do direito internacional público. CIRC). fortemente dependentes da importação de bens e serviços provenientes de outros estados membros. convocar diferentes elementos de conexão relativamente ao mesmo tipo de imposto. se proceda em geral à isenção com restituição (IVA) ou isenção do imposto no momento da exportação (impostos monofásicos. adoptou como regra geral. Porém. do doador. configurada como uma situação de concurso de normas. não havendo Portugal celebrado qualquer CDT.

da dupla tributação económica (ou sobreposição de impostos). Cumpre ainda fazer a destrinça entre dupla tributação internacional (um facto tributário está em conexão com dois ou mais ordenamentos tributários distintos pertencentes a Estados soberanos) e dupla tributação interterritorial (um facto tributário está em conexão com dois ou mais ordenamentos tributários distintos pertencentes a espaços fiscais diferentes dentro do mesmo território soberano). de acordo com o ius gentium. Para eliminar ou atenuar a dupla tributação do rendimento. quanto aos impostos sobre a transmissão de bens ou sobre o consumo. De referir é. em que essa identidade está presente. relevando apenas a identidade do objecto. de resto dos arts. porque tem legitimidade para tributar a globalidade dos rendimentos dos seus residentes. da legislação ordinária ou mesmo de decisões do poder judiciário) adoptar regras tendentes a eliminar a dupla tributação. o que pode ser feito mediante vários métodos: * Método da isenção – conhece duas modalidades: a) Isenção integral – O rendimento de fonte externa não é tido em consideração em sede da tributação dos rendimentos de fonte interna. Por sua vez. Todavia. como constam.A este propósito importa referir que há quem entenda que a identidade do sujeito não é exigida. o ónus de eliminar ou atenuar a dupla tributação daí decorrente. a posição que colhe maior adesão é a que distingue entre a dupla tributação jurídica. para efeitos de determinação da taxa progressiva aplicável ao rendimento global (de fonte interna). 39 . não nos devemos guiar por rígidos critérios formais. * Método da imputação ou do crédito de imposto (Tax credit). bastando-se assim a dupla tributação com as restantes três identidades. em que essa identidade está ausente (como na tributação dos dividendos que são tributados em IRC enquanto rendimento da sociedade e em IRS (ou IRC) enquanto rendimento distribuído aos sócios). a este respeito. em que o poder central pode (por força de normas constitucionais. 23º-A e 23º-B do Modelo de Convenção da OCDE: a) Imputação integral – se o Estado da residência deduz o imposto efectivamente pago no país da origem do rendimento. considerando que as mesmas se verificam sempre que haja uma identidade substancial. incumbe ao Estado da residência. quer quanto à identidade do sujeito. Note-se que a identidade do período de tributação apenas releva em sede dos impostos periódicos. juntamente com os de fonte interna. b) Isenção com progressividade – O rendimento de fonte externa é tomado em consideração. quer quanto à identidade do imposto. a solução específica da dupla tributação interterritorial.

o do Estado da fonte dos rendimentos e o do Estado da residência. podemos indicar os titulares do poder tributário stricto senso. Em contrapartida. praticadas por países em desenvolvimento.b) Imputação ordinária – se o Estado da residência limita a dedução à fracção do seu próprio imposto correspondente aos rendimentos provenientes do país da fonte. os retentores. Estes dois constam de CDT‘s com Portugal. os responsáveis fiscais. O método da imputação conhece ainda duas outras modalidades. que hoje já se não verifica. 81° CIRS e 85º CIRC e nas CDT‘s subscritas por Portugal. encontramos o contribuinte. inscritos num quadro de cooperação muito estreito e de auxílio ao desenvolvimento desses países (havendo mesmo isenção em ambos os países contratantes das remunerações a investigadores). os titulares da capacidade tributária activa e os titulares da competência tributária. A RELAÇÃO JURÍDICA FISCAL: A complexidade da relação jurídica fiscal: Como primeira nota à relação jurídica-fiscal. 40 . os suportadores económicos do imposto (em caso de repercussão) e os sujeitos passivos das múltiplas e diversificadas obrigações ou deveres acessórios. d) Crédito de imposto presumido (matching credit) – o Estado da residência deduz um montante superior ao do imposto correspondente à taxa normal de retenção na fonte em vigor no país da origem dos rendimentos. que podem ser particulares. designadamente as que procuram evitar que as medidas de desoneração fiscal. sem que este consagre a reciprocidade. os sucessores. os substitutos. o que se verificou nas CDT‘s com Moçambique e com Cabo Verde. redundem em proveito do tesouro dos países dos investidores: c) Crédito de imposto fictício (tax sparing credit) – o Estado da residência não deduz o imposto efectivamente pago no país da origem dos rendimentos. a que podemos ainda acrescentar. Havendo um duplo benefício fiscal. a seu modo. Este último o método adoptado pelo nosso direito interno nos arts. justifica-se a adopção destes Portugal em CDT‘s com países com um nível de desenvolvimento económico consideravelmente inferior. mas o imposto que teria sido pago não fosse a circunstância de aí tais rendimentos serem objecto de isenção (o que faz deste método esquema de concorrência desleal por parte de investidores de alguns países). os titulares da correspondente receita fiscal. + Quanto aos sujeitos passivos. podemos apontar a sua complexidade: + Quanto aos titulares activos. solução que se justificava dado o relativo atraso económico de Portugal. como forma de atrair investimento estrangeiro.

esta é complexa. etc) + Mesmo quanto à relação fiscal em sentido estrito. os actos tributários (lato sensu) – competência tributária. a juros moratórios. em relações entre os particulares e a administração tributária. em concretização do princípio da cooperação da administração e do contribuinte (art. Na primeira dessas relações temos a Administração Fiscal numa relação de supremacia/subordinação com o contribuinte ou sujeito passivo do imposto. praticando os correspondentes actos de autoridade ou actos administrativos. seja por terceiros. Na segunda dessas relações. no direito de o sub-rogado nos direitos na Fazenda Pública satisfazer o seu crédito nos mesmos termos desta. no direito de regresso dos responsáveis tributários. como na concepção clássica. utilizamos esta como sinónimo de deveres acessórios. esta desdobra-se na relação fiscal em sentido estrito e em diversas relações jurídicas acessórias. desde logo visível no duplo papel que a estrutura orgânica constituída pela administração fiscal em sentido amplo assume no domínio dos impostos. isto é.empresas. responsável. Por outro lado. temos a Fazenda Pública (ou o Fisco) enquanto credora da prestação constituída pelo imposto numa relação de natureza paritária com o devedor do imposto. intermediários entre os contribuintes com a administração tributária (despachantes oficiais. sucessor. Graficamente podemos apresentar as duas relacões: Refira-se que. substituto. embora seja titular de um direito de crédito – capacidade tributária – rodeado de particulares garantias. conservadores e oficiais de justiça (art. apesar de a legislação falar sempre de obrigações acessórias. 123º CIRS) e profissionais liberais. Quanto à relação fiscal em sentido amplo. temos. não sendo esta uma relação que de 41 . mas são relações entre particulares (dever de reter o imposto alheio. ao agravamento da colecta em caso de reclamação ou pedido de revisão da matéria colectável infundados. Quanto ao conteúdo. embora. 48° CPPT) fala-se em deveres de cooperação do contribuinte para com a administração tributária.. as mais diversificadas obrigações ou deveres acessórios: prestações de natureza pecuniária (como as relativas a juros compensatórios. ao lado da obrigação de imposto a satisfazer pelo contribuinte. mas também oficiais públicos como os notários. etc. prestações de carácter formal ou prestações de facere a satisfazer seja pelo contribuinte.). apresentando-se munida do correspondente poder administrativo – poder de liquidação (um poder funcional ou poder/dever) – para aplicar as leis fiscais. de repercutir o imposto. etc. sendo certo que estas nem sempre se concretizam. os revisores oficiais de contas e os técnicos oficiais de contas).

59º). a oposição. por outro lado. incluindo quando incida sobre os pressupostos da responsabilidade subsidiária. a anulação da dívida. na relação de imposto e. nas obrigações ou deveres acessórios. admitir o pagamento em prestações ou conceder o perdão da dívida (art. podem distinguir -se 1) Obrigações ou deveres secundários. 42 . a sua execução não está dependente de qualquer outra pronúncia para além da constituída pelo próprio acto tributário. de um lado. a venda dos bens penhorados. 7º CPA) e na LGT (art. a anulação da venda e as reclamações dos actos materialmente administrativos praticados pelos órgãos da administração tributária em sede da execução fiscal – art. 4) Semi-executória: A sua execução corre. A obrigação fiscal: A relação jurídica fiscal desdobra-se. em parte. terminologia usada no direito administrativo geral (art. será mais adequada a designação de deveres de colaboração.natureza paritária. em diversas relações jurídicas acessórias. de execução e. Por fim. o núcleo central da relação jurídica fiscal é constituído pela obrigação de imposto que. em princípio. a citação dos executados. o que se traduz nomeadamente na presunção de legalidade do acto de liquidação ou acto tributário que suporta a sua exigibilidade. 36º/3 LGT e 85º/3 CPPT). de outro. que integram os deveres acessórios da prestação principal destinados a preparar o cumprimento ou assegurar a perfeita execução da prestação e os deveres relativos a prestações substitutivas ou complementares da prestação principal. portanto. 2) Deveres de conduta. a reversão da execução contra terceiros. tem uma série de características peculiares: 1) Legal: trata duma obrigação ex lege. 2) Pública: A sua disciplina jurídica integra o direito público. 36º/1 LGT). na administração tributária (a instauração da execução. que visam o regular desenvolvimento da relação de imposto e se baseiam no princípio da boa fé. Porém. a penhora dos bens. a graduação e verificação dos créditos. Exceptuam-se os casos em que o contribuinte está legalmente autorizado a requerer o pagamento em prestações – requerido antes da instauração do processo de execução fiscal ou após esse processo. em parte. o acto tributário não é autoexequível. a extinção da execução. que nasce do encontro com o facto gerador com a hipótese legal (art. quaisquer poderes para conceder moratórias. nos tribunais tributários (embargos. carecendo. 3) Exequível e executiva: Por um lado. 151º CPPT). e todos os demais que não sejam praticados nos tribunais tributários) e. apesar de ser estruturalmente um direito de crédito como qualquer outro. 5) Indisponível e irrenunciável: Ao credor não cabem.

arts. 7) Especialmente garantida: As garantias especiais que rodeiam o crédito tributário colocam o credor tributário numa posição vantajosa face aos credores comuns O sujeito activo da relação jurídica fiscal: A titularidade activa da relação jurídico-fiscal. indisponível (a título definitivo ou a título temporário). stricto sensu: Este consubstancia-se no poder conferido constitucionalmente ao legislador para estabelecer os impostos (Steuererfindungsrecht) e a sua disciplina essencial. é a propósito do poder tributário que ainda faz sentido falar de soberania fiscal. cada vez mais legalmente incumbidos de liquidar e entregar nos cofres do Estado os mais diversos impostos. mas que. abstracto. originário e legal. Competência tributária diz respeito à administração ou gestão dos impostos. sendo estas certidões que servirão de base à instauração do correspondente processo de execução fiscal — art. constituídos pelas certidões de dívida extraídas pelos serviços competentes das notas de cobrança ou de outros elementos que tiverem ao seu dispor. Por fim. liquidação e cobrança dos impostos. 42º LGT. em sentido amplo.ou ainda no quadro do processo conducente à celebração de acordo de recuperação de créditos do Estado (arts. expressa na função legislativa como manifestação normativa do ―poder jurídico supremo‖ do Estado. Por outro lado. se divide entre a administração fiscal e os particulares (os contribuintes e terceiros). consistindo na titularidade do crédito de imposto e demais direitos tributários. um nível separado dos outros níveis. uma competência que tradicionalmente cabia à administração fiscal. imprescindível. permanente e limitado (em que se inclui o seu carácter territorial). que cabem a outras estruturas da descentração estadual contemporânea. traduzida no lançamento. Capacidade tributária activa traduz a qualidade de sujeito activo da relação de crédito em que a relação fiscal se consubstancia. 88º CPPT. este é um poder constitucional. comporta diversas situações. Poder tributário. quanto às dívidas de IRS e IRC). 6) Autotitulada: A administração fiscal — o Fisco — cria os seus próprios títulos executivos. caracterizando o poder tributário. deve-se podemos dizer que o mesmo foi objecto de um desenvolvimento de sentido totalmente oposto entre os Estados federais (concentração) e os Estados unitários (descentração). uma qualidade que é inerente à 43 . e 196º do CPPT. Quanto a este. notas estas que apenas cabem ao poder tributário estadual. 86º/3. 29º a 37º do RCR. hoje em dia. pelo que nem todo o poder tributário pode ser tido como um poder soberano.

devendo. desta forma. como o responsável fiscal). como ocorreu na Região Autónoma da Madeira. os credores. quando legalmente prevista. cumpre referir que. em relação ao qual se verifica o referido desfalque patrimonial. suporta economicamente o imposto). Titularidade da receita dos impostos. a repercussão também convoca o suportador do imposto em termos jurídicos (há uma obrigação jurídica de repercussão a que acresce uma obrigação natural de repercussão 44 . a menos que haja lugar à regionalização das direcções de finanças sedeadas nas regiões autónomas. Assim. o titular da manifestação de capacidade contributiva que a lei tem em vista atingir. Quanto ao sujeito activo da relação jurídica fiscal dos impostos de receita regional ou municipal. distinção que deve ser recusada uma vez que. isto é. 51º/2/c) LFRA e 18º/1 e 2 LGT). não havendo legislação a considerar a administração fiscal do Estado como representante legal dos municípios. o contribuinte apresenta-se como um devedor qualificado. suportar o desfalque patrimonial que o imposto acarreta. que suporta o desfalque patrimonial pelo fenómeno económico da repercussão do imposto. como o sucessor legal) e principal (e não acessório. lato sensu. ou seja. a este respeito. das correspondentes relações jurídico-fiscais. tratando-se de um devedor a título directo (e não indirecto. a pessoa relativamente à qual se verifica o facto tributário. como o contribuinte indirecto. as receitas proporcionadas por certos impostos estejam subjectivamente consignadas a determinados entes públicos que não tenham todas ou algumas das outras titularidades fiscais activas. Esta ideia é ainda mais visível quanto aos impostos de receita municipal. por imposição constitucional ou legal. a doutrina costuma distinguir: + Contribuinte. uma situação que se verifica naqueles casos em que. Alguns autores. quer a afirmação da qualidade de sujeito activo da respectiva região autónoma relativamente aos impostos nela cobrados. distinguem o contribuinte de direito (aquele em relação ao qual se verifica o facto gerador) do contribuinte de facto (aquele que.personalidade tributária activa ou susceptibilidade de ser sujeito activo da relação jurídica tributária (art. não nos força à conclusão de que as regiões autónomas são os sujeitos activos. originário (e não derivado. 51º LFRA. 15° LGT). O sujeito passivo da relação jurídica fiscal: Contribuinte. nos Estatutos políticoadministrativos dos Açores e da Madeira e no art. como o substituto tributário). administrados pela administração fiscal do Estado. seja ele ou não o devedor do imposto. quer a qualificação da administração fiscal do Estado sedeada nas regiões autónomas como representante legal da respectiva administração regional relativamente a esses mesmos impostos (art. Por outro lado. devedor do imposto e sujeito passivo: Quanto ao sujeito ou titular passivo. pela repercussão. é de sublinhar que tanto é contribuinte o contribuinte directo.

2º/1 CIVA1. derivados ou acessórios. o sujeito passivo (stricto sensu) que deve satisfazer perante o credor fiscal a obrigação de imposto. mencionem indevidamente IVA. ou seja. sendo o devedor do imposto um qualificado sujeito passivo. o que configura. nos termos do CIVA. Daí que não admire que o art. contra a lógica do sistema. em sede do IVA. o qual engloba no conceito os substitutos e os representantes legais. d) as pessoas singulares colectivas que. o crédito de imposto. não apenas as pessoas singulares ou colectivas sujeitos no IVA. identificando-o com o de devedor do imposto lato sensu. Quanto ao art. o correspondente acto tributário. Por seu lado. são considerados sujeitos passivos do IVA nas aquisições intracomunitárias. singular ou colectiva. 9º/1 CPPT. Finalmente. uma vez que nessa hipótese é devido IRS de que são devedores os sócios). por vezes. b) as pessoas singulares ou colectivas que de modo independente pratiquem urna só operação que esteja sujeita a IRS ou IRC. quando há outros sujeitos passivos além destes. dos arts. 6º e 12º CIRC e 92º CIRS. utilizando uma noção de sujeito passivo com um sentido demasiado estrito. que aquele preceito exclui. não coincidam (como nas sociedades transparentes. + Devedor do imposto. realizem importação de bens e as pessoas singulares ou colectivas que efectuem operações intracomunitárias. 1 a) as pessoas singulares ou colectivas que de modo independente e com carácter de habitualidade exerçam actividades de produção. o sujeito passivo da relação jurídica tributária é definido no art.material. uma situação em que adquirentes dos bens ou serviços. 2º/2/a) RIVATI. que suportam economicamente imposto. logo. 18º/3 e 4 LGT. em sede de IVA. acrescendo ainda a falta de harmonização com o art. Em sentido estrito. este é criticável. segundo a legislação aduaneira. sujeitos passivos de IRC. segundo o art. o devedor do imposto limitar-se-ia ao chamado devedor principal ou originário. 2º/1 CIVA e no art. Quanto a estas titularidades. 18º/4/a) LGT reconheça legitimidade processual activa ao consumidor final para impugnar. mas também ―os particulares que efectuem aquisições intracomunitárias de meios de transporte novos‖. os sujeitos passivos são enumerados no art. a satisfação do crédito de imposto. 45 . comércio ou prestação de serviços. 18º/3 e 4 LGT. administrativa ou judicialmente. em factura ou documento equivalente. e) o Estado e as demais entidades de direito público relativamente a actividades que não respeitem ao exercício de poderes de autoridade. c) as pessoas singulares ou colectivas que. a quem o Fisco exige. o devedor do imposto abrange também os chamados devedores indirectos. em segunda linha. mas que não são devedoras desse imposto. aos quais o Fisco exige. são sujeitos passivos os previstos no art. em primeira linha. são qualificados como sujeitos passivos do IVA (reverse charge). a que a lei imponha o dever de efectuar uma prestação tributária (prestação de imposto ou prestações que constituam obrigações acessórias. Num sentido mais amplo. + Sujeito passivo (lato sensu) da relação fiscal é toda e qualquer pessoa. 2º/2/a) RIVATI. não admira que.

É ainda de mencionar também a capacidade tributária de exercício (ou de agir) como a medida dos direitos e deveres que cada sujeito pode exercer e cumprir por si. 15º e 16º/2 LGT. a qualidade de ser titular dos direitos e deveres tributários correspondentes. mas tão-só uma unidade fiscal para efeitos da tributação conjunta da família em sede deste imposto. o que não obsta a que qualquer dos cônjuges possa praticar todos os actos relativos à situação tributária do agregado familiar e ainda os relativos aos bens ou interesses do outro cônjuge. 6º e 12º CIRC). 104º CRP e 13º CIRS). como quando considera sujeitos tributários entidades desprovidas de personalidade jurídica (art. ao invés. Por seu lado. ao conceito de sujeito passivo lato sensu. o agregado familiar (art. ou seja. ideia confirmada pela isenção prevista. Em conclusão. e b) os demais devedores de imposto (substitutos. previstas nas leis tributárias. mesmo quando sejam simultaneamente também sujeitos activos dos mesmos impostos. Assim. o conceito de sujeito passivo subjacente é muito amplo o que torna claro não haver qualquer coincidência com os correspondentes conceitos da LGT. em que. são sujeitos passivos das relações jurídicas tributárias os detentores de personalidade jurídica. 2º/2. responsáveis.arts. e outros). 16º/5 e 6 LGT. 46 . assim como pelo art. e 9º do CIRC). não constitui sujeito passivo de IRS. com excepção do CIVA e do RIVATI. nos devedores de imposto em sentido amplo. em vez de serem tributadas as sociedades em IRC. em sede de IRC (art.Tanto no CIVA como no RIVATI. 3 e 4. 2º CIRC) ou. A personalidade e a capacidade tributárias: De acordo com os arts. desde que verificados os requisitos do art. a personalidade tributária traduz-se na susceptibilidade de ser sujeito (activo ou passivo) de relações tributárias. em que temos: 1) sujeitos passivos stricto sensu ou devedores do imposto lato sensu e 2) os demais obrigados tributários. sendo inerente a esta a capacidade tributária (de gozo). a não ser que a lei fiscal diga o contrário. ou melhor. Quanto à personalidade tributária. não considera sujeitos tributários entidades detentoras de personalidade jurídica (sociedades sujeitas a transparência fiscal . Depois nada obsta a que as pessoas colectivas públicas sejam sujeitos passivos da obrigação de imposto. podemos reconduzir as titularidades passivas. temos ainda: a) os devedores do imposto em sentido estrito ou contribuintes. o tributados os sócios em IRS. 2º/1/a). note-se que a família.

A representação legal. Quanto à gestão de negócios. remete para a teoria da representação em direito civil. 130º CIRS e 118º CIRC. tal como prevista no art 5º/1 CPPT. Note-se.CIVA. CIRS e 109º ss. que tanto pode ser uma pessoa singular como uma pessoa colectiva. nos termos dos arts. salvo disposição em contrário: a) para as pessoas singulares. em que são considerados sujeitos passivos de IVA o Estado e as demais pessoas colectivas de direito público quando realizem operações que não se integrem no exercício dos seus poderes de autoridade. interditos e inabilitados) essa incapacidade é suprida pelos representantes legais — os pais. o mandato tributário e a gestão de negócios: Relativamente à representação legal ou através de mandato. 16º/CIRS e 2º/3 CIRC. na medida em que pretenda impor a constituição de advogado ou de solicitador na impugnação administrativa de actos tributários. O domicílio fiscal: Nos termos dos arts. 17º/1 LGT são os arts. 19º/1 LGT. 16º/1 LGT e o art. Assim. A lei fiscal prevê também a representação voluntária concretizada através do mandato fiscal. devemos ter em conta o disposto no art. que a lei civil para a qual remete o art. 464º a 472º CC. levanta a questão se não estamos aqui perante uma expressão da excessiva intermediação burocráticocorporativa no exercício das liberdades e direitos dos contribuintes. Assim. Os não residentes. 3 e 4 LGT que. O que também não obsta a que a mesma pessoa desempenhe ambos os papéis. De chamar é aqui a atenção para o que dispõe. tutores ou curadores. interditos e inabilitados) há que ter em conta o art. Do gestor de negócios dos não residentes distingue-se o mero representante legal. que nem todos os sujeitos tributários têm (menores. de acordo com o previsto no art. o domicílio do sujeito passivo é. com residência. rege o art. 17º LGT. sendo a presunção prevista no nº 3 desse artigo uma presunção elidível. o art. sede ou direcção efectiva em território português. em termos inovadores. sendo importante aqui mencionar o art. bem como. 16º/1. no caso de incapacidade de exercício ou de agir (menores. no essencial. cuja função é a garantia do cumprimento das obrigações acessórias previstas nos arts. CIRC. ―os gestores de bens ou direitos de não residentes sem estabelecimento estável em território português são solidariamente responsáveis em relação a estes e entre si por todas as contribuições e impostos dos não residentes relativos ao exercício a seu cargo‖. 27º LGT (responsabilidade dos gestores de bens ou direitos de não residentes). o local da 47 . têm que dispor de representante legal. 5º/1 CPPT. 19º/4 LGT. os que obtenham rendimentos em Portugal e não disponham de estabelecimento estável em território português. 5º/2 CPPT que. 112º ss. Quanto à capacidade tributária de exercício.

sendo que. tanto para as pessoas singulares como para as pessoas colectivas. foi instituído entre nós. O estabelecimento estável: Quanto ao estabelecimento estável (por vezes designado menos correctamente por estabelecimento permanente). ainda que dele isentas. * Elemento dinâmico. do seu estabelecimento estável em Portugal. incluindo portanto as não residentes mesmo que obtenham no território português apenas rendimentos sujeitos a tributação por retenção na fonte a título definitivo. entretanto alterado por diversos DL‘s posteriores. 48 . designar um representante com residência em território nacional. para efeitos tributários. o que ocorre sobretudo com a dupla residência das sociedades. este é definido no art. CIRS. pelo DL nº 463/79. na falta destas. 19º/4 e 5 LGT que os sujeitos passivos residentes no estrangeiro ou em território nacional. O número de identificação fiscal: O número de identificação fiscal. Isto revela-nos um conceito de estabelecimento estável que se aproxima do constante no Modelo de Convenção OCDE. 5º/1 CIRC. 19º/2 LGT). além das sanções que desencadeia. 19º/6 LGT). definida em termos amplos no art. b) para as pessoas colectivas. porém. constituído pela organização através da qual é exercida uma certa actividade (―qualquer instalação fixa‖. que se ausentem por período superior a seis meses. incluindo os de reclamação. Por seu lado. Estão obrigadas a solicitar à DGCI o número fiscal de contribuinte todas as pessoas singulares sujeitas a imposto. Prevê ainda no art. 5º/2 CIRC). contendo dois elementos de verificação cumulativa: * Elemento estático. constituído pela actividade exercida considerada em si mesma (definida no art. 5º/3 ss. Esta aproximação está. o local da sede ou direcção efectiva ou. há situações em que os contribuintes acabam por dispor legalmente de duplo domicílio fiscal. que Portugal vem adoptado na CDT‘s. recurso ou impugnação. de 30 de Novembro.residência habitual. dessa designação depende o exercício dos direitos dos sujeitos passivos perante a administração tributária. longe de ser completa pela inclusão no conceito do previsto no art. devem. 4º/3 CIRC). A mudança de domicílio deve ser comunicada à administração tributária (art. podendo este ser oficiosamente rectificado pela Administração Fiscal (art. o número fiscal das pessoas colectivas e entidades equiparadas corresponde ao que lhes for atribuído pelo registo Nacional de Pessoas Colectivas. Apesar de tudo.

quando. Assim e de um lado. mediante taxas liberatórias e art. sendo ambos contribuintes. mas também os pagamentos por conta de imposto efectuados por terceiro. abrangendo não apenas a verdadeira retenção na fonte. pode haver retenção na fonte sem haver substituição tributária. reconduz a substituição tributária à que se concretiza na técnica da retenção na fonte. apesar da afinidade traduzida em ser a capacidade contributiva do suportador do imposto e do substituído a visada. Neste domínio. como se verifica. 34º e 33º. sobretudo quando esta é legalmente exigida. reduzindo o substituto a um retentor do imposto.O número de identificação fiscal acompanha o contribuinte em todas as suas relações tributárias. integra nos pagamentos por conta não só as entregas pecuniárias antecipadas efectuadas pelo próprio contribuinte. por exemplo. O problema coloca-se quanto à existência de substituição parcial a ―substituição‖ é também parcial quanto à obrigação de imposto (se a retenção na fonte pelo substituto tem o carácter de ―pagamentos por conta‖ do imposto do contribuinte devido a final). Quanto à distinção entre a substituição tributária e a repercussão fiscal. O que não é posto em causa pelos direitos de impugnação ou outros reconhecidos ao suportador do imposto. A substituição tributária: Noção e espécies: A substituição tributária verifica-se. 88º/3 CIRC) e substituição parcial (o substituído tem de cumprir a generalidade ou algumas das obrigações fiscais acessórias). 20º LGT. no IRS relativamente aos 49 . como se verifica em relação à Contribuição para o Audiovisual. a prestação tributária for exigida a pessoa diferente do contribuinte‖ (nº 1). Por outro lado. costuma distinguir-se entre substituição total (quando a substituição abrange tanto a obrigação de imposto como a generalidade das obrigações fiscais acessórias – art. quando é possível haver substituição tributária sem retenção. pelo menos em sentido próprio. entendimento consonante com os conceitos de retenção na fonte e de pagamento por conta dos arts. De outro lado. 71º CIRS. por imposição da lei. devendo ser mencionado pelo contribuinte nos requerimentos ou petições dirigidas à administração tributária ou aos tribunais tributários. mas também as entregas efectuadas por terceiro. só o substituído se apresenta como sujeito passivo da relação fiscal. em que a lei qualifica de substituição tributária uma situação em que não há retenção na fonte nem pagamento por conta de terceiro. nos termos do art. havendo retenção na fonte com carácter definitivo. sendo a mesma ―efectivada através do mecanismo da retenção na fonte do imposto devido‖ (nº 2).

ficando ainda este sujeito aos juros compensatórios desde o termo do prazo da entrega (dia 20 do mês seguinte ao da ocorrência da retenção) até ao termo do prazo para a apresentação da declaração pelo contribuinte ou até à data da entrega do imposto retido se anterior. Quanto à relação entre o substituto e o substituído. o substituto é o responsável originário e o substituído o responsável subsidiário pelo pagamento das importâncias que deviam ter sido retidas e não o foram. Nos termos do art. mas antes de um pagamento por conta realizado por terceiro. Regime jurídico: A substituição tributária concretiza-se numa relação de tipo triangular entre o substituto. temos um direito de retenção ou de regresso do substituto face ao substituído ou contribuinte. quanto à relação entre o credor (Fisco) e o devedor. será o contribuinte o responsável originário pelo pagamento do imposto. Por isso. mas é exigido apenas que pessoa diferente do contribuinte efectue pagamentos por conta da futura prestação tributária deste. tendo. a administração fiscal e o contribuinte ou substituído. 3) Restantes casos de retenção na fonte (a retenção não é a título de pagamento por conta do imposto do contribuinte devido a final). ficando o substituído desonerado de qualquer responsabilidade pelo seu pagamento. sendo o substituto o único responsável. 28º/2 LGT a considere uma substituição parece-nos que efectivamente não se deve falar aqui de verdadeira substituição tributária. todas reconduzindo-a a institutos de natureza substantiva 50 . um devedor primário. Assim. e um devedor secundário. cabe a este a responsabilidade originária pelo imposto não retido e ao substituto a responsabilidade subsidiária. há na substituição tributária três situações de responsabilidade tributária a saber: 1) O imposto ter sido retido e não entregue nos cofres do Estado. em primeira linha ou originário. 28º LGT.rendimentos do trabalho dependente e na generalidade das retenções na fonte em IRC. de segunda linha ou responsável subsidiário. Apesar do art. que é o substituído ou contribuinte. que é o substituto. 2) A retenção ser efectuada a título de pagamento por conta do imposto do substituído ou contribuinte devido a final. caso o retentor não tenha procedido à retenção. em que o substituto não procede à retenção. Ideia sobre a sua natureza: Várias têm sido as teorias adiantadas para explicar a natureza jurídica da substituição tributária. trata-se de uma substituição em sentido impróprio. pois aqui a prestação tributária não é exigida a pessoa diferente do contribuinte.

21º/1 LGT. 22º/1 LGT) tanto ao devedor como ao responsável ou responsáveis. A responsabilidade tributária: A responsabilidade tributária é. sendo imperioso distinguir entre solidariedade tributária e responsabilidade tributária fiscal. A responsabilidade tributária: O direito fiscal labora com um conceito restrito de responsabilidade. nos termos dos arts. 213º do Código Aduaneiro Comunitário. 22º/3 e 23º LGT e 159º e 160º CPPT. por via de regra. 107º do CIRC. Daí que haja quem veja no substituto um órgão de cobrança da administração tributária e na substituição uma forma de execução fiscal. sendo esta uma figura própria. tal recondução não deve ser feita. uma subrogação na relação de débito.art. 4) Na hipótese do art. 2) Quando se preencham os pressupostos do art. Isto apenas acontece quando expressamente previsto na lei como: 1) Quando os pressupostos do facto tributário se verifiquem em relação a mais de uma pessoa – art. um agir em nome próprio com eficácia sobre a esfera jurídica alheia. podendo ser subsidiária ou solidária na relação entre os diversos responsáveis no caso de pluralidade de responsáveis tributários. A solidariedade tributária: Esta verifica-se quando o credor do imposto pode exigir o cumprimento integral da dívida tributária (incluindo os juros e demais encargos legais . que prescreve: ―quando existam vários devedores por uma mesma dívida aduaneira. 3) Na hipótese do art. 21º/2 LGT. conhecidos do direito público ou do direito privado. uma representação ex lege de direito público. 7) Nos casos previstos no art. Para Casalta Nabais. 72º e 72º-A CIVA. estes ficam obrigados ao pagamento dessa dívida a título solidário‖. 6) Nas hipóteses do art. 42º do Código do IS.ou processual. entre responsabilidade solidária e responsabilidade subsidiária seja 51 . típica do direito fiscal. etc. de natureza subsidiária face ao devedor originário. Daí que a distinção. uma delegação legal. dentro desta responsabilidade subsidiária face ao dever originário. uma cessão de crédito. 5) No caso do art. 27º LGT.

8º/1 RGIT prevê a responsabilidade subsidiária dos administradores. 24º LGT). Assim. Isto coloca-nos de perante uma situação de injustiça que impressiona sobretudo pelo facto de. funções e solidariamente entre si. 24º. em relação à anterior legislação. a administração ou gestão das sociedades se converter numa actividade de alto risco que ou afugenta os administradores sérios ou fomenta expedientes lícitos para obstar à aplicação de tão severos efeitos. cooperativas e empresas públicas (art. por essa via e sem que o Fisco retire daí qualquer proveito visível. a execução reverte contra todos os responsáveis tributários se forem responsáveis subsidiários a fim de apurar as quantias por que responde cada um deles. 8º/1 RGIT. directores ou gerentes e outras pessoas que exerçam funções de administração nas sociedades. podemos indicar as previstas nos arts. nas situações previstas no nº 1. 8º/1/a) RGIT) ou quando a decisão condenatória tenha sido notificada no período do exercício do cargo e lhes seja imputável a falta de pagamento (art. Alguns casos de responsabilidade tributária: Como situações mais significativas de responsabilidade tributária. Porém é ainda criticável a distribuição do ónus de prova previsto na al. verificou-se modificação do seu âmbito como uma distribuição mais equilibrada do ónus da prova. 25º e 28º LGT. ainda que só de facto. ou pode reverter apenas contra um deles.relevante apenas quando haja pluralidade de responsáveis. mais favorável aos administradores ou gerentes. enquanto prova da ausência de culpa. na medida em que compete à administração tributária a prova de culpa dos administradores e gerentes. estes são subsidiariamente responsáveis em relação às sociedades ou demais pessoas colectivas em que exerçam. gerentes e outras pessoas quando tenha sido por culpa sua que o património se tornou insuficiente (art. não existe em qualquer dos casos qualquer presunção de culpa. tratando-se de responsabilidade solidária. revelando-se uma verdadeira diabolica probatio e. A responsabilidade civil pelas multas e coimas fiscais: Quanto a estas prescreve o art. Ao contrário do que acontecia na lei anterior. prevendo-se duas hipóteses:  Os administradores ou gerentes não colaboraram dolosamente na prática da infracção fiscal: o art. b). a exigência da prova de ausência de culpa não é inteiramente conforme com os princípios da igualdade e da proporcionalidade por inadequada ponderação entre os bens jurídicos constituídos (o interesse público na percepção dos impostos e os interesses dos particulares). Quanto à responsabilidade dos administradores. por isso mesmo demasiado onerosa. Daí que. 8º/1/b) RGIT). pois verificada a insuficiência de bens penhoráveis do devedor e sucessores. segundo Casalta Nabais. 52 .

2) Tenha o terceiro requerido a subrogação. se será aplicável o instituto da sub-rogação ao direito de regresso (contra o devedor originário ou contra os demais responsáveis solidários) dos responsáveis fiscais que tenham satisfeito o crédito fiscal do devedor originário. prevê a responsabilidade solidária. pois há um relevante interesse público que está na base da cobrança dos impostos. solução que mais não é que uma emanação da responsabilidade pelo dano em caso de pluralidade dos responsáveis. 53 . 41º LGT e 91º e 92º CPPT prevêem e disciplinam a figura da subrogação. não havendo qualquer objecção a tal extensão da sub-rogação. Tanto mais que o imposto pago pelos responsáveis fiscais não deixa de ser um pagamento de imposto por terceiros. 29º/ 1 e 3 LGT. de excepção não se deve falar a cessão de créditos para titularização – L 103/2003. ao instituir o regime de sub-rogação. 41º/2 LGT. 41º/1 LGT). o sub-rogado fica com as mesmas garantias. prevê o princípio da intransmissibilidade dos créditos e das dívidas tributárias. qualquer pessoa pode pagar as dívidas fiscais de outrem. por via de regra. impõe-se que: 1) Tenha decorrido o prazo do pagamento voluntário do imposto. pessoais e reais. 29º/2 LGT – e sub-rogação nos direitos da Fazenda Pública – art. de 5 de Dezembro. Questiona-se. Ressalvam-se os casos expressamente previstos na lei: sucessão legal – art. A sub-rogação nos direitos da Fazenda Pública: Pela sub-rogação nos direitos da Fazenda Pública (art. de jure condendo. 92º CPPT). 497º CC. regidas pelo direito privado. Assim. Recusa-se assim. 8º/6 RGIT. muito embora as relações deste terceiro com o sujeito passivo ou devedor do imposto sejam. 3) Tenha obtido autorização do devedor do imposto ou provado interesse legítimo. previsto no art. solução que está de acordo com o carácter seu indisponível e irrenunciável. Verificados estes requisitos. Os administradores ou gerentes não colaboraram dolosamente na prática da infracção fiscal: o art. A transmissão da obrigação fiscal: O art. visou incentivar o pagamento dos impostos por terceiros. o argumento de que o legislador. Os arts. que tinha o crédito da Fazenda Pública e dispõe do processo de execução fiscal que cabia à Fazenda Pública (art. tanto face ao agente principal da infracção como entre os colaboradores.

A extinção da obrigação fiscal 54 . há também que distinguir consoante a herança tenha sido aceita pura e simplesmente ou a benefício de inventário. sujeitos a condição ou litigiosos. Depois. pois o cessionário dos créditos não entra nas correspondentes relações fiscais. veja-se a profunda diferença entre os créditos fiscais e os créditos comuns. a cessão abrange os créditos emergentes de relações jurídico-tributárias. 2071º CC. ou por ajuste directo. mas não relações fiscais. não estamos perante uma verdadeira transmissão da obrigação fiscal pelo lado activo. completa e irrevogável. com ou sem prévia publicação de anúncio. A cessão de créditos para titularização: Com a L 103/2003 foi introduzida entre nós um regime próprio de cessação de créditos fiscais do Estado e da segurança social. As relações de carácter contratual que suportam a cessão de créditos desenrolam-se apenas entre os cessionários e a administração fiscal. mantendo os créditos a sua natureza e o processo de cobrança. A cessão de créditos pode ser realizada por negociação. em bloco e a título oneroso. em que será citado. Assim. em que será mandado citar cada um dos herdeiros para pagar o que proporcionalmente lhe competir na dívida exequenda. podendo o preço inicial da cessão ser inferior ao seu valor nominal. A sucessão legal: A sucessão legal (art. 155º CPPT). Nos termos do art. As obrigações fiscais do de cujus transmitem-se aos respectivos sucessores. 1º dessa Lei. 29º/2 LGT) configura uma manifestação da obrigação tributária pelo lado passivo. Quanto à efectivação da responsabilidade dos sucessores (art. ainda que se encontrem vencidos.Quanto ao argumento de que assim se estariam a colocar os titulares do direito de regresso numa posição privilegiada face aos demais credores do sujeito passivo. da situação em que ainda não houve partilha. trata-se de uma cessão efectiva. apenas até às forças da herança ou do legado. o cabeça-de-casal ou qualquer dos herdeiros sob pena de cominação de penhora em quaisquer bens da herança. porém. constituindo relações de crédito. Assim. consoante esteja ou não a correr inventário. que se mantêm exclusivamente entre os contribuintes ou devedores dos impostos e a administração tributária. uma vez que a distribuição do ónus da prova quanto à insuficiência dos bens é diversa. nos termos do art. há que distinguir a situação em que já houve partilha. com o objectivo de obter receitas extraordinárias a fim de combater o défice das nossas contas públicas. para efeitos da sua titularização. conservando as garantias e privilégios.

44°/2 LGT. 44º/1 e 3 LGT). 40º LGT e 84º ss. que a liquidação dos juros de mora não poderá ultrapassar os últimos três anos anteriores à data do pagamento da dívida sobre que incidem. prevendo o art. como acontece com o IRS e o IRC.5% estando as dívidas cobertas por garantias reais constituídas por iniciativa da entidade credora ou por ela aceites e para as dívidas cobertas por garantia bancária. 40º/1 LGT a que se junta o pagamento electrónico nas máquinas ATM. os quais se distinguem dos juros compensatórios. Quanto aos juros de mora. por facto imputável ao sujeito passivo. Após o prazo para o pagamento voluntário. Por outro lado. Caso não se verifique o cumprimento voluntário. a possibilidade de o contribuinte requerer o pagamento em prestações. porém. Os juros compensatórios são devidos ―quando. verificadas as condições do art. cumpre ainda lembrar que a taxa em causa é. mediante as diversas formas previstas no art. 42º LGT). actualmente 1% ao mês. Outros modos de extinção da obrigação fiscal: 55 . ou coercivo (arts. Terminado o prazo de pagamento voluntário (arts. então tem lugar a extracção da certidão de dívida por parte dos serviços competentes com base nos elementos que disponham (art. CPPT). 35º/1 e 10º LGT). 86°/4 CPPT. Lembre-se aqui o princípio da indisponibilidade da obrigação fiscal. actualmente 4% ao ano. 42° LGT e 86° CPPT). for retardada a liquidação de parte ou da totalidade do imposto devido ou a entrega de imposto a pagar antecipadamente. sendo a sua taxa equivalente à taxa dos juros legais fixados no art. que pode ser voluntário. reduzida a 0.O cumprimento A forma normal de extinção da obrigação fiscal é o seu cumprimento. começam a contar juros de mora. o contribuinte pode: 1) Requerer o pagamento em prestações se e na medida em que as leis tributárias assim o contemplem. sendo a sua taxa a definida para as dívidas ao Estado e outras entidades públicas (art. O cumprimento ou pagamento voluntário das dívidas tributárias é o que é efectuado dentro do prazo estabelecido nas leis tributárias. 559º/1 CC. 2) Efectuar pagamentos por conta de dívidas por tributos constantes das notas de cobrança. quando não possa cumprir integralmente e de uma vez só a dívida tributária (art. não contando para este efeito os períodos durante os quais a liquidação de juros tenha estado legalmente suspensa. Os juros de mora são devidos quando o sujeito passivo não pague o imposto no prazo legal. ou retido ou a reter no âmbito da substituição tributária‖ (arts. existe um limite legal ao montante de juros de mora a favor do credor fiscal. admitindo-se. 88º CPPT) – o designado relaxe da legislação anterior.

quanto às dívidas de impostos cujo prazo de pagamento voluntário ainda não tenha terminado. 48º/1). Com a substituição pelo IS. não haveria no primeiro caso apontado lugar para a figura da confusão. Quanto à compensação. 48° e 49º LGT) prescrevem. o art. prazo que não será aplicável quando a lei outro dispuser (por exemplo. quer no próprio processo de execução fiscal (arts. de 17 de Outubro. apenas serão admitidas quando previsto na lei (40º/2 LGT). Outro exemplo é o que se verifica quando o contribuinte sucede ao terceiro sub-rogado nos direitos da Fazenda Pública. conhecendo duas modalidades: 1) A compensação por iniciativa da administração fiscal (art. contados nos mesmos termos que acabamos de ver para a prescrição. 8°/5 CIMI. As dívidas tributárias (arts. e art. impugnação ou recurso (art. nos impostos periódicos. Dado que as heranças jacentes têm a natureza de património autónomo (art. que deve ser exercido no prazo de quatro anos. O prazo da prescrição interrompe-se pela citação. Assim. impugnação e pedido de revisão oficiosa da liquidação do imposto. Quanto à dação em cumprimento ou em pagamento. 872° CC) e que são consideradas sujeitos passivos de IRC. no prazo de oito anos contados. de IMI e de IS (art. como acontecia com o extinto imposto sobre sucessões e doações quando o Estado fosse chamado à sucessão do contribuinte. CPPT). Da prescrição distingue-se a caducidade do poder de que a administração tributária dispõe para liquidar os impostos (arts. 10º do DL 411/91. tanto os arts. 89°/1 CPPT). a partir do termo do ano em que se verificou o facto tributário e. salvo o disposto em lei especial.Há outros modos de extinção da obrigação fiscal. devem ser vistos como concretizações do referido regime geral da compensação. a dação em cumprimento e a compensação. art. como o art. esta é admitida quer antes da instauração da execução fiscal. Alguns autores de extinção defendem a extinção da obrigação fiscal por confusão. recurso hierárquico. 2) A compensação por iniciativa do contribuinte (art. Relativamente à dação em cumprimento e à compensação. no respeitante às contribuições para a segurança social. o CPPT configura-a actualmente como um modo geral de extinção da obrigação fiscal. 90° CPPT). 85º/3 e 102º CIRS. 2°/2/a) CIS). no âmbito de processo conducente à celebração de acordo de recuperação de créditos de Estado (art. e suspende-se por motivo de paragem do processo de execução fiscal em virtude de pagamento de prestações legalmente autorizadas ou de reclamação. rec1amação. 201° ss. 2°/2 CIRC. 45° a 47° LGT). 87° CPPT). como a prescrição. 49º/1 e 3 LGT). nos impostos de obrigação única. este abrange apenas as 56 . 35º/1 CIMT). a partir da data em que o facto tributário ocorreu (art.

tudo se conjuga no sentido de ocorrer a extinção da obrigação tributária por confusão.O privilégio mobiliário especial sobre os bens móveis transmitidos relativamente aos créditos fiscais resultantes do IS sobre as transmissões gratuitas (art. Já quando o contribuinte suceder ao terceiro sub-rogado nos direitos da Fazenda Pública. imposto em relação ao qual o Estado se encontra isento (art. Quanto às garantias especiais reais dos créditos tributários.O privilégio imobiliário geral sobre os bens existentes no património do devedor no momento da penhora ou outro acto equivalente para pagamento do IRS e IRC relativamente aos três últimos anos (arts.O privilégio mobiliário geral sobre os bens existentes no património do devedor no momento da penhora ou outro acto equivalente para pagamento do IRS e IRC relativos aos três últimos anos (arts. 111º CIRS e 108º CIRC). Ainda em sede de garantias gerais dos credores tributários. segundo o qual impende sobre o juiz de qualquer execução comum a obrigação de citar a administração tributária para esta reclamar os créditos da Fazenda Pública. é de fazer referência à importante garantia de natureza processual constante do art. quer de natureza real.O privilégio imobiliário especial sobre os bens sujeitos a IMI para pagamento desse imposto relativo aos três últimos anos (arts. As garantias especiais: Além desta garantia geral. os credores tributários dispõe também de garantias especiais. 744º/1 CC e 122° 57 . quer de natureza pessoal (responsabilidade tributária). 601° e 817° CC. sendo as realizadas a favor das pessoas colectivas tributadas em IRC. 111º CIRS e 108° CIRC). 80º CPPT. 736° CC. . 2°/2 CIS. 50°/2/a) LGT): . . tal como decorre já dos arts.transmissões a favor das pessoas singulares. 738°/2 CC). As garantias de cumprimento da obrigação fiscal: A garantia geral: Nos termos do art. e arts. 21°/2. e 9º do CIRC). . 50°/1 LGT o Estado ou outro credor tributário tem no património do devedor a garantia do seu crédito. contam-se : a) Privilégios Creditórios (art.

pretenda obter a suspensão do procedimento ou processo de execução fiscal – arts. 865º/4 e 873º CPC. como os de impugnação administrativa. 169º. 170º.1. mormente para que a impugnação judicial tenha efeito suspensivo (art. 183º e 183º-A do CPPT. nos termos em que a lei os preveja. Quando o risco financeiro o torne recomendável (art. Note-se que a reclamação de créditos garantidos por tais privilégios. O art. b) O Penhor e a hipoteca: Segundo os arts. ao exercer determinados direitos. pode não ter lugar ou apresentar-se limitada relativamente aos quantitativos dos créditos reclamados — cfr. Generalidades A respeito dos órgãos da administração fiscal.CIMI) e sobre os bens cuja transmissão está sujeita ao IMT ou ao IS (art. 50°/2/c) LGT prevê o direito de retenção de quaisquer mercadorias sujeitas à acção fiscal de que o sujeito passivo seja proprietário. O art. A garantia dos créditos tributários é ainda assegurada pela prestação de garantia idónea. de impugnação judicial e de recurso judicial. d) A prestação de caução. poderá fundamentadamente constituir penhor ou hipoteca legal. 97º CIRE). 199°/2 CPPT impõe ainda a prestação de garantia idónea (penhor ou hipoteca voluntária). quando o contribuinte.Os órgãos da administração fiscal 30. 744º/2 CC). refira-se a sua extinção quando ocorra a declaração de insolvência (art. CAPÍTULO III A ACTIVIDADE ADMINISTRATIVA FISCAL 30. que deverá ser registada na conservatória do registo predial competente. devendo o seu registo ser feito a favor da Fazenda Pública. 50º/2/b) e 50º/3 LGT podem constituir-se. a favor da Fazenda Pública. penhor ou hipoteca legal quando essas garantias se revelem necessárias à cobrança efectiva da dívida ou quando o imposto incida sobre a propriedade dos bens. para garantia dos créditos tributários. 103º/3 CPPT). uma garantia que típica do direito aduaneiro. devemos começar por dar sumária nota das profundas alterações que se verificaram na administração ou 58 . c) O direito de retenção. Quanto aos privilégios creditórios e às hipotecas legais. 195º CPPT) o órgão da execução fiscal. arts. em que se incluem naturalmente os créditos fiscais e os créditos da Segurança Social.

este Ministério é bastante complexo. que é um serviço de fiscalização do MFAP. e uma direcção geral de apoio àquelas — a Direcção-Geral de Informática e de Apoio aos Serviços Tributários e Aduaneiros. mais especificamente no Ministério das Finanças e da Administração Pública (MFAP). Pois segundo a sua lei orgânica (constante do DL nº 47/2005. a Direcção-Geral das Alfândegas e dos Impostos Especiais sobre o Consumo (DGAIEC). cujas marcas mais visíveis eram. reestruturado pelo DL 249/98. a Direcção-Geral de Informática e de Apoio aos Serviços Tributários e Aduaneiros (DGITA) e a Inspecção-Geral de Finanças (IGF). tem a seu cargo a fiscalização das entidades do sector público administrativo e empresarial. Trata-se dum serviço altamente especializado que. Já o sistema actual é fundamentalmente um sistema de administração privada dos impostos. Entre tais serviços. deixou de se verificar aquela separação entre a liquidação e a cobrança. foi constituído pela LOMFAP o Conselho de Administração das Contribuições e Impostos (CACI). a administração fiscal integra-se organicamente num departamento ministerial. de um lado. 4) Um órgão consultivo: o Conselho Superior de Finanças. Como acabamos de ver. ao tempo designada fazenda nacional). de acordo com o nº 3 do art. de 24 de Fevereiro). Mas. ao qual incumbe o exercício das competências dos directores-gerais das DGCI. a cargo dos órgãos locais da Direcção Geral do Tesouro (as tesouraria da fazenda pública. A coroar estas três direcções gerais. O sistema anterior assentava numa administração pública dos impostos. haver uma separação total entre os órgãos competentes para a liquidação. bem como dos sectores privado e cooperativo quando sujeitos de relações financeiras ou tributárias com o Estado ou com a União Europeia. merece referência também a Inspecção-Geral das Finanças. a de a liquidação e cobrança da generalidade dos impostos ser da responsabilidade de órgãos locais e.gestão dos impostos com a passagem do sistema fiscal resultante da reforma fiscal dos anos sessenta para a o sistema fiscal actual resultante da reforma fiscal dos anos oitenta do século passado. 3) diversos serviços de administração indirecta sob superintendência ou tutela e superintendência do Ministro das Finanças. segundo LOMFAP. a cargo fundamentalmente das empresas. DGAIEC e DGITA. temos: 1) diversos serviços de administração directa de que são de destacar a Direcção-Geral dos impostos (DGCI). em que. no que aos impostos mais directamente diz respeito. ou 59 . 2) três fundos autónomos não personalizados. 2° deste diploma. corno será fácil de compreender. Ora bem. de 1 de Agosto. a cargo dos órgãos locais da DGCI (as repartições de finanças). mesmo quando a liquidação e cobrança é da responsabilidade da administração fiscal. ternos duas direcções gerais operacionais: a Direcção-Geral dos Impostos e a Direcção-Geral das Alfândegas e dos Impostos Especiais sobre o Consumo. para além destes serviços directamente ligados à gestão dos impostos. já que é constituído por múltiplos e diversificados serviços. de outro. e os órgãos competentes para a sua cobrança.

é de começar por dizer que estas direcções gerais têm uma estrutura bastante complexa. Como facilmente se compreenderá. nos quais. o DL nº 249/98 fala também de relações tributárias. três direcções de serviços relativas ao IVA — a Direcção de Serviços do Imposto sobre o Valor Acrescentado. Corno facilmente se compreende. uma direcção de serviços relativa aos impostos de selo e das transmissões do património — Direcção de Serviços dos Impostos de Seio e das Transmissões do Património. regional e local e às empresas e particulares enquanto sujeitos de relações financeiras. traduzida designadamente em serem integradas por serviços centrais e serviços periféricos. diversos serviços distribuídos por serviços de apoio e serviços operacionais que. particulares ou empresas. Por isso.quando se mostre indispensável ao controlo indirecto de quaisquer entidades abrangidas pela sua acção. uma direcção de serviços relativa às avaliações de bens — a Direcção de Serviços de Avaliações. interessam aqui sobretudo a DGCI e a DGAIEC. distinguindo justamente entre serviços centrais e serviços periféricos. uma direcção de serviços relativa ao IMI — a Direcção de Serviços do Imposto Municipal sobre Bens Imóveis. tendo em conta a anterior lei orgânica da DGCI. os impostos sobre o património e os impostos gerais sobre o consumo. e duas direcções de serviços relativas à fiscalização: a Direcção de Serviços de Prevenção e Inspecção Tributária e a 60 . Vejamos cada uma delas de per si. abrangendo também os contribuintes. ao todo. a nível central. perfazem mais de urna vintena de direcções de serviços. Interessam-nos naturalmente aqui as direcções de serviços operacionais. a Direcção de Serviços do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas e a Direcção de Serviços de Cobrança dos Impostos sobre o Rendimento. trata-se da mais complexa das direcções gerais da administração fiscal. As DGCI e DGAIEC: A este respeito. a Direcção de Serviços de Cobrança do Imposto sobre o Valor Acrescentado e a Direcção de Serviços de Reembolsos do Imposto sobre o Valor Acrescentado. tendo em conta que a DGITA tem por função apoiar a DGCI e a DGAIEC no domínio dos sistemas e tecnologias da informação. Uma ideia muito rápida sobre essas duas direcções gerais. Daí que a IGF disponha agora de poderes de fiscalização que não se limitam aos serviços da administração central. integram-na. A DGCI tem por função administrar os impostos sobre o rendimento. 30. sendo composta por numerosos serviços. em conformidade com as políticas definidas pelo Governo no domínio tributário.2. Ao contrário da legislação anterior que falava apenas de relações financeiras. são de destacar: três direcções de serviços relativas aos impostos sobre o rendimento — a Direcção de Serviços do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares. muito embora quanto a estes a sua intervenção deva ser considerada excepcional e supletiva face à fiscalização da administração tributária comum.

pertence à Direcção de Serviços de Cobrança do IVA. Uma consideração mais acerca da DGCI. mesmo quando a liquidação e cobrança pertencem à administração tributária. corno vimos integra a DGCI. em conformidade com as normas comunitárias e as políticas definidas pelo Governo: a) exercer o controlo da fronteira externa da União Europeia e do território aduaneiro nacional para fins fiscais. De outro lado. contribuintes ou terceiros. já não se verifica. nos casos de autoliquidação. Por seu turno. estabelecidas em função do número dos contribuintes e do volume de serviço. e a cobrança da competência da Direcção-Geral do Tesouro. a nível local ou municipal. tendo as suas competências sido assumidas pela Direcção Regional dos Assuntos Fiscais. a cargo dos seus serviços locais. a cargo da DGCI. os serviços periféricos locais. nem sempre aquela separação entre liquidação. número de contribuintes e especificidade e volume de serviço. como vimos. a DGAJEC tem por função. Planeamento e Coordenação da Prevenção e Inspecção Tributária. Através deste diploma legal foram transferidas para a Região Autónoma da Madeira as atribuições e competências da Direcção de Finanças da Região Autónoma da Madeira. a qual foi consequentemente extinta. 149º do CPPT). denominados direcções de finanças. as direcções de finanças dispõem de serviços operativos e serviços de apoio que serão adequados à sua área. como é o caso do IVA cuja cobrança. hoje em dia. pois a generalidade deles são liquidados e cobrados pelos próprios particulares. por um lado. a cargo das então repartições de finanças. os impostos liquidados e cobrados pelos serviços periféricos locais da administração tributária. Uma situação que. cuja direcção cabe ao respectivo chefe de finanças. da competência da DGCI. através dos serviços de finanças. as tesourarias da Fazenda Pública. Por seu lado são serviços periféricos da DGCI. É de assinalar. traduzida no lançamento e liquidação. que a Direcção de Finanças da Região Autónoma da Madeira foi objecto de regionalização pelo já mencionado Decreto-Lei 18/2005. ou pelos serviços centrais da administração tributária. nesta sede. denominados serviços de finanças. a cobrança coerciva dos tributos (art. que vêm sendo objecto de integração na DGCI. de 31 de Agosto. os chamados serviços periféricos regionais. correspondentes às anteriores direcções distritais de finanças. por via de regra. de 18 de Janeiro. 61 . se mantém.Direcção de Serviços de Estudos. e cobrança a cargo da DGT. Assim como pertence à DGCI. para aludir à tradicional separação entre a gestão ou administração dos impostos. cuja orgânica consta do Decreto Regulamentar Regional 29-A12005. Por um lado. cuja direcção cabe a um director de finanças e. Por seu lado. correspondentes às anteriores repartições de finanças ou aos bairros fiscais (de Lisboa e Porto). a qual. Quanto à sua estrutura. os serviços de finanças podem ser constituídos por secções. são cada vez mais raros.

centrais e periféricos. não admira que os órgãos e serviços em que se desdobram. sobre as contestações de carácter técnico-aduaneiro relacionadas com a classificação pautal. verificadas certas condições. por sua vez. se apresentem organizados segundo uma estrita hierarquia administrativa. origem ou valor das mercadorias suscitadas no acto de verificação das mercadorias ou posteriormente ao seu desalfandegamento. Nos termos dos revogados arts. dirigidos pelo director-geral das alfândegas e dos impostos especiais sobre o consumo. centrais e periféricos. temos três níveis hierárquicos de órgãos e serviços. 86° e 87° do CPT. como resulta do que acabamos de dizer. 30. as direcções de finanças cada uma delas dirigida pelo respectivo director de finanças. e b) administrar os impostos especiais sobre o consumo. a sua área territorial. no respeitante à DGAIEC. sendo que este é subalterno do director de finanças e este. Destaque merece o Conselho Técnico-Aduaneiro. cada um deles correspondente. e as delegações aduaneiras e os postos aduaneiros cada um deles dirigido pelo respectivo chefe de delegação aduaneira ou pelo respectivo coordenador de posto aduaneiro. e os serviços de finanças cada um deles dirigido pelo respectivo chefe de finanças. por chefes de delegação (directamente dependentes dos directores de alfândega) e por coordenadores (directamente dependentes dos directores de alfândega ou dos chefes de delegação). temos: o conjunto dos seus órgãos e serviços. 85°. Relativamente aos serviços periféricos. numa importante manifestação de colaboração dos particulares com a administração tributária. na dependência do director-geral. pois. podem assumir natureza especializada). Assim e quanto à DGCI temos: o conjunto dos seus órgãos e serviços. Os órgãos de revisão e os órgãos e comissões de avaliação: Comum a estes órgãos e comissões é o facto de se tratar de órgãos de composição mista. a) Os órgãos de revisão da matéria tributável. são compostos por peritos designados pela administração tributária e pelo sujeito passivo ou seu representante. Por seu turno. subalterno do director-geral dos impostos. e por unidades orgânicas de carácter local. inserindo-se a DGCI e a DGAIEC na administração directa do Estado. as alfândegas cada uma delas dirigida pelo respectivo director de alfândega. respectivamente. Hierarquia em que. das decisões de fixação da matéria tributável com 62 . Acrescente-se que.económicos e de protecção da sociedade.3. dirigidos pelo director-geral dos impostos. a DGAIEC é integrada por unidades orgânicas de carácter regional. de resto. as delegações aduaneiras e os postos aduaneiros que são dirigidas. ao qual compete decidir. as alfândegas que são dirigidas por directores de alfândega (que. Quanto aos serviços centrais da DGAIEC são de referir o director-geral e o Conselho Técnico-Aduaneiro.

na avaliação dos prédios para efeitos dos IMI. Já as comissões de avaliação. a órgãos que na sua estrutura e modus decidendi se assemelham aos órgãos de natureza arbitral. pois. estatuto e remuneração da Comissão consta da Portaria nº 640/99 de 12 de Agosto. 58º e 59º e 62° e 63º do CIMI). IRS e IRC. a referida reclamação necessária foi convertida num pedido de revisão necessária da determinação da matéria tributável por métodos indirectos. Realizam. CREP e CRIP. para os prédios rústicos. Ainda nesta sede de revisão da matéria colectável com base em métodos indirectos. Porém. Trata-se dum órgão criado e regulado pelo art. um dos quais preside. b) Os órgãos de coordenação e as comissões de avaliação dos prédios. para os prédios urbanos. mais concretamente. Tais comissões podiam socorrer-se do apoio de peritos independentes nos termos dos arts. levarão a cabo a tarefa de proceder à avaliação. realizam a avaliação dos prédios rústicos e urbanos. estabelecendo ou desenvolvendo os parâmetros legais dentro dos quais os peritos avaliadores permanentes ou os peritos locais. Segundo o CIMI. de outro lado. E. a CNAPR e as JAM‘s e. nos termos dos arts. do IMI). c) As comissões de avaliação previstas nos regulamentos das contribuições especiais relativas às obras de construção da nova ponte do Tejo. e dois vogais. de um lado. cuja competência é a elaboração das listas trienais de peritos independentes a funcionar junto das direcções de finanças. 94º da LGT. IMT. e pelo sujeito passivo ou seu representante (arts. nos termos do art. 85°-A e 85°-B do CPT sempre que a situação a apreciar envolvesse especial complexidade e a matéria tributável reclamada fosse superior ao produto do salário mínimo nacional mais elevado por 250. a CNAPU. a segunda avaliação. a qual. antes coordenam e supervisionam a avaliação destes. Tratase de órgãos que não procedem à avaliação dos prédios. da realização da Expo/98 e da construção da CREL. intervêm. as comissões de avaliação. este órgão de natureza paritária que fixa a matéria colectável em sede do procedimento de revisão da matéria colectável com base em métodos indirectos. CRIL.fundamento na errónea quantificação por métodos indiciários havia reclamação necessária para as chamadas comissões distritais de revisão. um dos quais era igualmente delegado da Fazenda Pública e o outro nomeado pelo contribuinte. é importante referir a Comissão Nacional de Revisão. os órgãos de coordenação da avaliação e. delegado da Fazenda Pública. Nos órgãos de coordenação da avaliação temos. a funcionar junto das direcções distritais de finanças. que deve ser dirigido. que são compostas por dois peritos regionais designados pelo director e finanças. Tratava-se de comissões constituídas por um presidente. consoante se trate de prédios rústicos ou de prédios urbanos (arts. e 76º/2. 74°/1. com a entrada em vigor da LGT. tem a natureza de uma avaliação necessária para efeitos da sua impugnação judicial. cuja função é a avaliação 63 . Acrescente-se que a regulamentação do funcionamento. 77° CIMI. IS. 91º e 92º da LGT.

concretizado numa liquidação normal ou numa liquidação algo especial (como são a liquidação consequente e a liquidação adicional). de elisão de presunções de incidência tributária. No entanto. a reclamação. ou seja. a qual será levada a cabo por comissões constituídas por um representante da Direcção-Geral das Alfândegas e dos Impostos Especiais sobre o Consumo. podemos dizer que temos aqui três tipos de procedimentos tributários: * Procedimento tributário. cuja diversidade é patente. 54º LGT é apresentada uma lista bastante extensa das diversas fases que o procedimento tributário compreende. que presidirá e coordenará os trabalhos. d) As comissões de avaliação dos veículos automóveis usados provenientes da União Europeia. dá uma lista bastante extensa dos procedimentos. de levantamento administrativo do dever de sigilo bancário e de inspecção tributária). o recurso hierárquico. c) Procedimentos que desembocam em actos de não tributação ou de tributação menor como o de atribuição de benefícios fiscais.) O conceito de procedimento tributário não deixa de se integrar no conceito de procedimento administrativo (art. O procedimento tributário: Ideia de procedimento tributário: O procedimento tributário compreende toda a sucessão de actos dirigida à declaração de direitos tributários (arts. o dirigido à edição de um acto tributário. b) Procedimentos inseridos basicamente na fiscalização e inspecção tributárias (como os de aplicação de normas anti-abuso. Nos art.dos prédios rústicos. a contestação pautal. * Procedimentos dirigidos à edição de outros actos que não o acto tributário: a) Procedimentos prévios de actos tributários ou liquidações (como os procedimentos de informação vinculativa e de avaliação prévia). 54° LGT e 44º CPPT). 1º/1 CPA) como ―a sucessão ordenada de actos e formalidades tendentes à formação e manifestação da vontade da Administração 64 . por um representante da Direcção-Geral de Viação e pelo proprietário do veículo. avaliação a que haverá que proceder quando o contribuinte opte pelo método alternativo de cálculo do imposto Automóvel. etc. Estas são constituídas pelo contribuinte ou seu representante e por dois peritos nomeados pela DGCI entre os incluídos em listas das direcções de finanças. terrenos para construção e áreas resultantes da demolição de prédios urbanos devido à realização dessas obras. que embora não seja taxativa. * Procedimentos de natureza contenciosa: Têm por base uma contenda e estão orientados para a solução da mesma pela administração tributária (revisão dos actos tributámos.

Será necessário ter cuidado. (que. no dizer do art. integrava tradicionalmente a fase preparatória) a cargo em princípio do órgão que vai decidir o procedimento e com base em elementos fornecidos pelo sujeito passivo ou por terceiro ou obtidos pela administração fiscal (arts. na falta ou vício destas. o procedimento é conhecido por ―processo administrativo‖. 69° a 80° LGT. 77° a 80° LGT).Pública ou à sua execução‖. Quanto à instrução. 1º/2 CPA. O procedimento de liquidação: A dinâmica do procedimento: Em termos abstractos. Porém. * Fase executiva ou da cobrança. o que se traduz na importância fundamental da declaração (de rendimentos) do sujeito 65 . em concreto. ou seja. em que se produz um acto administrativo definitivo. com base nas declarações do contribuinte ou. 59º/1 CPPT). através de duas manifestações: Por um lado. 69° e 70° LGT). sendo também importante em sede de processo tributário. o procedimento tributário integra: * Fase da iniciativa. em que. 7l° a 76° LGT). juntamente com a fase da iniciativa. 50º CPPT. porém. * Fase da decisão (arts. desencadeada pelos interessados. 111º CPPT. em todos os elementos de que disponha ou venha a obter a entidade competente (art. LGT) como para a generalidade das demais leis tributárias a expressão processo tributário é reservada para designar o processo (judicial) tributário. pela administração ou por denúncia de terceiro (arts. 60° CPPT. na utilização do conceito de processo tributário com o sentido previsto no art. coloca-se o problema da distribuição do ónus da prova entre a administração tributária e o contribuinte ou o sujeito passivo em sede do procedimento tributário. e que. já que tanto para a LGT (arts. o procedimento de liquidação dos impostos é o procedimento tributário por excelência. nos termos do art. * Fase da instrução. diluiu-se o lançamento administrativo concretizado na maior intervenção no procedimento dos sujeitos passivos (contribuinte ou terceiros). enquanto conjunto de documentos. são admitidos todos os meios de prova. a realidade do procedimento tributário alterou-se radicalmente nas últimas décadas. nos termos do art. nos termos dos arts. 74° a 76° LGT. segundo os art. sobretudo com as alterações introduzidas no sistema fiscal pela profunda reforma fiscal dos anos oitenta. 57° LGT tem de ser concluído no prazo de seis meses. cuja disciplina consta dos arts. 95º ss. sendo que. Apesar dos diversos procedimentos tributários que referimos.

pode ser: * Liquidação com base na declaração do contribuinte. (como acontece com os CTT. cada vez mais a intervenção da administração tributária se limita a uma eventual intervenção a posteriori com o objectivo de verificar e controlar as actuações dos particulares. o conjunto de todas as operações destinadas a apurar o montante do imposto. Em sede de liquidação dos impostos. um fenómeno reforçado com a afirmação do princípio da contratação (art. quanto à cobrança de impostos. Instituições Bancárias e da Sociedade Interbancária de Serviços . pode ser: * Liquidação primária ou de 1º grau. * Liquidação em substituição. com o recurso a meios informáticos). 45° a 47° LGT. A liquidação administrativa. lato sensu. do IRC e da CA. ou por terceiros particulares. ou seja. Nos termos dos arts. * Liquidação secundária ou de 2° grau (ou liquidação adicional. * Autoliquidação: a liquidação levada a cabo pelo próprio particular. quanto ao objecto. quanto à iniciativa procedimental. A liquidação administrativa. assistiu-se à sua crescente entrega a empresas sem qualquer tipo de relação com o respectivo contribuinte. o direito de liquidar os tributos caduca se a liquidação não for validamente notificada ao contribuinte no prazo de quatro anos (que suspende nos termos do art. * Liquidação por iniciativa oficiosa. * Liquidação por iniciativa de terceiro. realizada. temos: * Liquidação administrativa levada a cabo pela administração tributária. ou identificar o 66 . 45º/4 LGT. 51º CPPT). 46º LGT) contados de acordo com o art. Por outro lado. As operações da liquidação: A liquidação.SIBS) para a cobrança do IRS. aliás. quer na liquidação não administrativa feita pelo próprio contribuinte (autoliquidação) ou por terceiro (liquidação em substituição). A tipologia da liquidação tributária: De acordo com o órgão ou sujeito competente para a realizar.passivo para a determinação da matéria colectável (que conduz a uma liquidação administrativa de carácter automático. a qual ocorre frequentemente de acções de inspecção. compreende: 1) Lançamento subjectivo destinado a determinar contribuinte ou sujeito passivo da relação jurídica fiscal.

no caso de pluralidade de taxas. * Avaliação: caso a matéria colectável for determinada através de métodos que. pela verificação desses elementos ou operações matemáticas com bases nestes. não podem deixar de envolver uma margem de subjectividade. 81º LGT): visa determinar o valor real dos rendimentos ou bens sujeitos a tributação. traduzida na determinação da colecta pela aplicação da taxa à matéria colectável ou tributável. presunções ou outros elementos de que a administração tributária disponha. as regras da avaliação directa (arts. 3) Liquidação. b) Avaliação indirecta: visa determinar o valor dos rendimentos ou bens tributáveis a partir de indícios. no caso dos regimes simplificados. cumpre dizer que a avaliação indirecta tem carácter excepcional. no caso de impossibilidade de comprovação e quantificação directa. stricto sensu. distingue-se: a) Avaliação directa (art.2) Lançamento objectivo pelo qual se determina a matéria colectável ou tributável do imposto e a taxa a aplicar. 84º/1 LGT). Por outro lado. 2) Determinação da matéria colectável por métodos indirectos. pelo que se lhe aplicam. no caso de afastamento do rendimento declarado em face às manifestações de fortuna e ao acréscimo de património ou de consumo evidenciados. 81º/1 LGT): * Mero cálculo: caso a matéria colectável seja determinada com base em elementos exclusivamente objectivos (como a contabilidade e respectiva documentação). Nesta sede. quando a lei nada prescrever em contrário. Quanto aos casos em que é admitida. sendo que em tais casos não pode a administração tributária deixar de lançar mão dela. 87° LGT. De entre todas essas operações. admitida apenas nos casos e nas condições expressamente previstas na lei (art. (avaliação de bens – CIMI – e avaliação por métodos indirectos). 4) Presunção de não declaração de rendimentos. 4) Deduções à colecta. a avaliação indirecta só pode efectuar-se nos casos previstos no art. mesmo com utilização de critérios objectivos (art. no caso de desvio significativo do lucro apurado para menos e no caso de sistemáticos resultados negativos ou nulos. destaca-se a determinação da matéria colectável (art. A avaliação por métodos indirectos: Desde logo. podendo distinguir quatro tipos de situações: 1) Tributação normal (por opção). 81°/1 e 85° LGT). 87° LGT). é subsidiária da avaliação directa. 67 . 3) Tributação normal imposta.

estamos perante uma verdadeira situação de determinação da matéria colectável por métodos indirectos. * A matéria colectável é determinada com base numa combinação de elementos objectivos e subjectivos (impossibilidade de comprovação e quantificação directa ou sistemática apresentação de resultados tributáveis nulos ou de prejuízos). cujo volume de vendas não seja superior a € 149. quanto ao IRS. de afastamento dos padrões de rendimento evidenciados pelas manifestações de fortuna ou pelo acréscimo de património ou de consumo. quanto aos critérios em que a avaliação indirecta se deve basear.250 no IRC. Por outro lado. mas no rendimento normal a apurar com base em ―indicadores objectivos de base técnico-científica‖. logo à partida. e os coeficientes previstos no art. 53º CIRC. apurar um rendimento normal. pretendendo-se.639. que tem por suporte indicadores objectivos de base técnico-científica definidos para cada um dos diferentes sectores da actividade económica. temos aqui são três regimes simplificados ou três graus de simplificação da tributação: 1) Regime ordinário. bem como no caso de indicadores de actividade inferiores aos normais).37 no IRC.37 ou cujo valor ilíquido dos restantes rendimentos da categoria B não seja superior a € 99. trata-se de regimes aplicáveis a pequenos contribuintes ou a pequenas empresas. quanto ao IRS e ao IRC. O que configura a aplicação de colectas mínimas indirectas já que determinadas através de matérias tributáveis mínimas. 2) Regime transitório. Estes regimes traduzem-se em a tributação não assentar no rendimento real. Enquanto tais indicadores não forem aprovados. e a empresas cujo volume total anual de proveitos não seja superior a € 149.759. que tem por base coeficientes definidos na própria lei (regime dos coeficientes). a implementar no futuro (regime dos indicadores). presumindo-se rendimentos não declarados se o contribuinte não justificar esses outros rendimentos.639. 28° e 31° CIRS e 53° CIRC). Assim. diverso do rendimento real revelado pela contabilidade.Rigorosamente. 31º CIRS. apenas no caso de impossibilidade de comprovação e quantificação directa. ou há lugar à inversão do ónus da prova. Em relação aos regimes simplificados de tributação (arts. que assim é afastada. são de distinguir dois grandes grupos de situações: * A matéria tributável é determinada com base em elementos exclusivamente objectivos (casos de regime simplificado de tributação. aplicam-se os coeficientes do art. Esse rendimento colectável tem por montante mínimo € 3. 68 . nos restantes casos.58 no IRS. quanto ao IRC.125 no IRS e € 6.

o rendimento padrão correspondente a essas manifestações constantes do art. o acordo entre o perito do contribuinte e o perito da administração tributária na determinação da matéria tributável por métodos indirectos. na medida em que será mais próximo do real o rendimento destes (porque apurado com base em critérios objectivos e subjectivos). mas que apresentem desvios significativos. insusceptível de revisão e de impugnação administrativa ou judicial (art. justificar-se-ia que fosse justamente a inversa.125 em IRS e a € 6. não haja aqui lugar a qualquer impugnação administrativa necessária. Enfim. 90º/2 LGT. a enquadrar na categoria G. podem vir a ser tributados com base em elementos exclusivamente objectivos do art. nos termos em que o são os actos em matéria tributária embora. Não havendo acordo. Quanto à situação de afastamento dos padrões de rendimento evidenciados pelas manifestações de fortuna ou pelo acréscimo de património ou de consumo. 69 . a haver lugar a alguma discriminação neste domínio. a sua impugnação depende do prévio procedimento de revisão da matéria colectável previsto e regulado no art. a matéria colectável é determinada segundo esses indicadores (art. porque estamos face a um acto em matéria tributária de 2º grau. não sendo tal lista taxativa. os contribuintes que disponham de contabilidade organizada e irrepreensível. quando os contribuintes que não disponham de contabilidade organizada ou a mesma não mereça qualquer confiança. mas também porque uma enumeração exaustiva é incompatível com o carácter subsidiário da avaliação por métodos indirectos. a determinação da matéria colectável deve basear-se nos critérios constantes do art. Assim.250 em IRC quando o rendimento colectável decorrente da aplicação daqueles coeficientes for inferior a tais montantes (regime do imposto mínimo). são tributados com base nos referidos elementos objectivos e subjectivos do art. constituindo. fixado através do estabelecimento de um rendimento tributável mínimo (minimum taxable income) igual a € 3. 90º/1 LGT. 90°/1 LGT. 91º LGT. a fixação da matéria tributável pela administração tributária é susceptível de revisão e de impugnação administrativa ou judicial. Quanto à avaliação da matéria tributável por métodos indirectos.3) Imposto mínimo (minimum tax). pois leva a uma discriminação negativa dos contribuintes que possuem uma contabilidade organizada em face daqueles que a não possuem. Isto constitui uma solução de todo inaceitável. caso resolvido. Ora. 92º/5 LGT). Nos casos de impossibilidade de determinação directa e exacta da matéria colectável e de sistemática apresentação de resultados tributáveis negativos ou nulos. relativamente à situação de afastamento significativo para menos dos indicadores objectivos de actividade. considera-se como rendimento tributável em IRS. 89º-A LGT. 90º/2 LGT). não só pelo teor contextual. neste procedimento.

Não tendo havido acordo, se a administração tributária resolver em sentido diferente do parecer coincidente do perito do contribuinte e do perito independente, a reclamação graciosa ou a impugnação judicial que se seguir têm efeito suspensivo, independentemente da prestação de garantia quanto à parte da liquidação controvertida em que aqueles peritos estiverem de acordo.

Caracterização da liquidação:
A liquidação constitui um acto administrativo exequível, executivo, semiexecutório e que, dado o seu carácter, por um lado, estritamente vinculado e, por outro, largamente massificado, se presta a ser praticado com o recurso a meios informáticos.

A natureza da liquidação:
Nesta sede, colocam-se essencialmente 2 questões: 1) A liquidação (administrativa) tem natureza constitutiva ou declarativa? O art. 36º LGT dispõe que a relação tributária se constitui com a verificação do facto tributário: daí aí a natureza declarativa do acto de liquidação. Parece-nos tratar-se de verificação constitutiva da existência da obrigação de imposto, cujos efeitos se reportam ao momento da verificação do facto tributário (retrodatação de efeitos). 2) Constituirá a liquidação feita pelo particular — autoliquidação ou liquidação por terceiro — um verdadeiro acto administrativo de liquidação? É de crer que se trata de um acto tributário definitivo (caso do IRS e IRC em que os rendimentos não são englobáveis ou englobados) ou provisório (caso do IRS e IRC em que os rendimentos vêm a ser englobados) relativamente ao qual se verifica uma homologação implícita pela administração tributária decorrente da aceitação do pagamento do imposto, construção que parece mesmo ser suportada pelas disposições normativas que estabelecem o pagamento de juros de mora no caso de não pagamento do imposto auto liquidado (art. 101º do CIRC) ou prevêem a impugnação judicial das autoliquidações nalguns casos mesmo sem dependência de prévia reclamação administrativa necessária (art. 131° do CPPT).

A fundamentação do acto tributário:
A exigência de fundamentação é um dos requisitos importantes do acto tributário, cuja disciplina consta do art. 77° LGT. Destaque merece a fundamentação da avaliação da matéria colectável, a qual, nos termos do art. 84°/3 LGT, ―contém obrigatoriamente a indicação dos critérios utilizados e a ponderação dos factores que influenciaram a determinação do resultado‖.

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Particulares cuidados exige a fundamentação da avaliação da matéria colectável por métodos indirectos (art. 77º/4 e 5 LGT) caso em que a fundamentação deve especificar os motivos da impossibilidade da comprovação e quantificação exacta da matéria tributável ou descrever o afastamento da matéria tributável do sujeito passivo dos indicadores objectivos de base técnico-científica e, bem assim, indicar os critérios utilizados na sua determinação. No caso de afastamento da matéria tributável dos indicadores objectivos de base técnico-científica, dever a fundamentação incluir também as razões da não-aceitação das justificações apresentadas pelo contribuinte. Coloca-se o problema da consequência de a notificação do acto tributário não ser acompanhada da notificação da sua fundamentação, sendo esta garantia constitucional (art. 268º/3 CRP). Segundo a jurisprudência do STA e alguma doutrina, a falta de notificação da fundamentação não afectaria a legalidade do acto, tendo por consequência o previsto no art. 37º CPPT. Contra esse entendimento se vem pronunciando parte significativa da doutrina, que considera este artigo inconstitucional, na medida em que viola a garantia constitucional, pois o art. 37º CPPT, numa interpretação conforme à CRP, consagra uma faculdade para o sujeito passivo e não um ónus cujo incumprimento redunde na sanação da falta de notificação da fundamentação.

A invalidade do acto tributário:
Nada dispondo a legislação fiscal quanto à invalidade dos actos tributários, parece ser de aplicar o previsto nos arts. 133° a 136° CPA, podendo os actos tributários ser nulos (ou mesmo inexistentes) e anuláveis. Assim, em regra, os actos tributários são anuláveis e apenas excepcionalmente nulos, nomeadamente nos casos previstos no art. 133° CPA. Quanto à nulidade e anulabilidade dos actos tributários, será de recusar a orientação do STA, que tem vindo a considerar como meramente anuláveis os actos tributários consequentes de actos nulos, argumentando que não será de aplicar o art. l33º/2/t) CPA, por haver no direito fiscal solução específica. Desde logo, não descortinamos qualquer disposição no direito fiscal que afaste a orientação prevista no CPA. Por outro lado, caso houvesse uma tal disposição especial no direito dos impostos, tal redundaria numa discriminação inconstitucional dos contribuintes face aos administrados, tanto mais que, a haver qualquer discriminação, em face da posição constitucional mais garantida dos contribuintes, justificar-se-ia a situação inversa. Apesar disto, é de crer que se deverão fixar limites temporais à invocação de nulidade, e modo a impedir que os actos tributários sejam invocados ad aeternum.

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A revisão do acto tributário:
Nos termos do art. 78º LGT, são de mencionar aqui quatro situações: 1) Revisão por iniciativa do sujeito passivo, que pode ser efectuada no prazo da reclamação administrativa (120 dias, nos termos do art. 70º/1 CPPT), com fundamento em qualquer ilegalidade; 2) Revisão por iniciativa da administração tributária, que pode ser realizada no prazo de quatro anos após a liquidação ou a todo o tempo se o tributo ainda não tiver sido pago, com fundamento em erro imputável aos serviços; este não se confunde com o prazo de caducidade do poder de liquidação pois, enquanto este se conta a partir da ocorrência do facto tributário, aquele conta-se a partir da liquidação ou acto tributário (que deve ser aqui entendido em termos hábeis, de modo a abranger actos materialmente idênticos, como é o caso da determinação da matéria tributável quando não dê origem à liquidação de qualquer tributo, um acto relevante, designadamente, para o apuramento de prejuízos reportáveis nos exercícios posteriores)

3) Revisão do acto tributário por motivo de duplicação da colecta, que pode efectuar-se, seja qual for o fundamento, no prazo de quatro anos; 4) Revisão excepcional da matéria tributável quando autorizada pelo dirigente máximo do serviço, nos três anos posteriores ao do acto tributário, com fundamento em injustiça grave ou notória. De saudar é a aproximação do prazo previsto nos números 4 e 6 ao prazo de que dispõe a administração tributária para proceder à sua revisão oficiosa, o que leva a um maior equilíbrio entre os direitos dos contribuintes e os poderes da administração tributária.

A revogação, ratificação, reforma, conversão e recticação do acto tributário:
O art. 79° LGT regula a revogação, ratificação, reforma, conversão e rectificação dos actos tributários em sentido amplo. Nos termos do art. 79º/1 LGT, os actos tributários podem revogar, total ou parcialmente, reformar, ratificar ou converter acto anterior, nos prazos da sua revisão. Por seu lado, segundo o nº 2 do mesmo artigo, a administração tributária pode rectificar as declarações dos contribuintes em caso de erros de cálculo ou escrita. Quanto à revogação, na falta de específicos preceitos de direito fiscal, aplicam-se os correspondentes do CPA: assim, embora os actos tributários se apresentem como livremente revogáveis (arts. 79º LGT e 140º CPA) essa revogabilidade tem importantes limites, não podendo ser revogados os actos tributários constitutivos de direitos ou interesses legalmente protegidos, excepto na

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a cobrança do IRS. porque pressupõe o aproveitamento de elementos válidos de actos ilegais. o contribuinte e os responsáveis subsidiários) concordem na revogação e não se trate de direitos ou interesses indisponíveis (art. a caixa mantém-se a mesma. estes institutos apenas são possíveis quanto a actos existentes e a actos anuláveis (art. o certo é que o regime da cobrança virtual ainda é aplicável aos tributos relativamente aos quais a lei continue a utilizar essa terminologia. ela pode ter por objecto puras declarações ou o próprio acto tributário. a execução fiscal pode ser instaurada antes de decorrido o prazo para a impugnação do correspondente acto de liquidação. reforma e conversão dos actos tributários. o sistema actual conhece apenas duas modalidades: 1) Pagamento voluntário. do IRC e do IMI pode ser feita pelos CTT. como os erros de escrita. Por fim. Consequentemente. A cobrança do imposto: Liquidado o imposto segue-se a sua cobrança. 73 . por força do princípio da unidade de caixa ou princípio da não consignação. Porém. que corresponde ao pagamento. embora a tradicional distinção entre cobrança virtual e cobrança eventual. 42º da LGT.parte em que sejam desfavoráveis aos interesses dos seus destinatários ou quando todos os interessados (administração tributária. tenha perdido quase todo o seu interesse com a extinção do regime de cobrança virtual. 2) Cobrança coerciva. 147º CPPT). Quanto à ratificação. reforma e conversão dos actos tributários anuláveis as normas da revogação (art. Três notas preliminares: Desde logo. não podemos esquecer a possibilidade de que o contribuinte dispõe para requerer o pagamento em prestações (arts. os visados nas chamadas correcções meramente aritméticas das declarações. apesar da diversidade tanto das entidades cobradoras como das modalidades e processos de cobrança dos impostos. 140 CPA). Note-se que são aplicáveis à ratificação. instituições bancárias e sistema electrónico constituído pela rede de máquinas ATM e pela própria Internet. 86º do CPPT). Quanto à rectificação. envolvendo esta tanto os erros de cálculo. 137º/1 CPA). As fases da cobrança: Ao invés do tradicional sistema que conhecia três modalidades de cobrança. Por outro lado.

pelo presidente da autarquia. embora o art. deverão ser praticados pela administração tributária. 151º/1. 188° ss. Tramitação da execução fiscal: Quanto à tramitação da execução (arts. Quanto às autarquias locais. a reversão da execução contra terceiros. 86°/4 CPPT): assim. prescreve o art. 149 CPPT). Os demais actos. 148º CPPT. a penhora dos bens. No respeitante à competência da execução fiscal. 7º/2 do DL que aprovou o CPPT.. a citação dos executados. competindo às secções de processo das delegações do Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social. CPPT). 103º LGT e 148º ss. Âmbito e competência: Quanto ao âmbito da execução fiscal. nos termos do art. o contribuinte pode requerer o pagamento em prestações ou efectuar pagamentos por conta de dívidas por tributos constantes das notas de cobrança (verificadas as condições do art. em parte. Assim. A execução fiscal: A cobrança coerciva é a que é realizada pelo processo de execução fiscal (arts. este apenas é um processo judicial se e na medida em que tenha de ser praticado algum dos mencionados actos de natureza judicial. nos tribunais tributários. afinal de contas. que corre. terminado o prazo de pagamento voluntário. em parte nos órgãos periféricos locais da administração fiscal e. deve-se concluir que. é de salientar a distinção entre os actos da competência da administração fiscal e os actos da competência dos tribunais tributários. CPPT). nomeadamente as relativas às contribuições sociais. subsistem as três referidas fases (aquelas duas e a cobrança com juros de mora). a instauração e instrução do processo de execução das dívidas à segurança social. 42° LGT e 86° CPPT. competindo aos tribunais tributários da área sede da execução os correspondentes actos judiciais. a extinção da execução. a competência dos tribunais tributários está prevista no art. Assim. a anulação da dívida. esta começa com a instauração da execução mediante despacho nos títulos executivos ou em relação 74 . etc. Isto vale também em sede da execução das dívidas à segurança social. a venda dos bens penhorados.Nos termos dos arts. 103° LGT disponha que o processo de execução fiscal tem natureza judicial. às taxas e prestações pecuniárias acessórias. as competências atribuídas pelo CPPT ao dirigente máximo do serviço ou a órgãos executivos da administração tributária serão exercidas. designadamente a instauração da execução. mais precisamente o serviço periférico local da administração tributária (art.

quando ao interessado não tenha sido 75 . cabendo ao exequente o direito de nomear bens à penhora. 204º/1/h) CPPT temos as ilegalidades em abstracto. 203º CPPT. cabendo aquela à administração tributária e estas aos tribunais tributários. excepto no caso previsto no art. é obrigatória a divulgação das vendas no processo de execução fiscal através da Internet. 214° CPPT. previsto no art. 252°/1 e 9 CPPT. Proferido este despacho. Feita a penhora. 149º e 150º CPPT) ordenará a citação do executado (arts. Além disso. 97°/1/o) CPPT). tem lugar a convocação dos credores. 20º/2 CPPT. segundo o art. a administração tributária procede à venda dos bens penhorados feita. É ainda de aludir à providência cautelar contemplada no art. 193°/4. Refira-se que. em que o acto tributário se baseia. contado nos termos do CPC. estamos perante uma mini-acção declarativa enxertada no processo de execução fiscal. 191° a 193°). a verificação e a graduação dos créditos. Finalmente. mesmo conduzindo à sua anulabilidade. no caso de estas terem por base vícios que conduzam à sua nulidade ou. intentada pelo executado e cujo objecto é justamente a discussão da existência do crédito de imposto exigido pelo Fisco com base em algum dos fundamentos previstos nas diversas alíneas do art. não é admitida a discussão da ilegalidade do acto tributário. no prazo de 24 horas após o recebimento e efectuado o correspondente registo. estamos perante mais uma forma processual de impugnação do acto tributário.destes. seja considerado um prazo judicial. no caso de citação por via postal. de normas de valor hierárquico superior. e as ilegalidades concretas. Quanto à oposição à execução (arts. Entre as ilegalidades que podem ser apreciadas e decididas nos termos do art. se compreende que o prazo para a sua dedução. a venda dos bens não poderá ter lugar antes de decorridos 30 dias sobre o termo do prazo da oposição à execução. 203° ss. Julgada a oposição à execução ou decorrido o prazo para esta ser deduzida. Segue-se a oposição à execução fiscal se o executado a deduzir. tem lugar a apreensão dos bens através da penhora pelo competente serviço de finanças. não admirando que o art. traduzidas na violação por parte das próprias normas. 204°/1 CPPT. de acordo com a remissão prevista do art. em princípio. concretizadas nos actos de aplicação da lei. da situação dos bens ou da liquidação – art. Porque se integra no processo tributário judicial (art. CPPT). 204°/2 CPPT mande aplicar a um tal processo de oposição as disposições relativas ao processo de impugnação. em que se comunicarão ao devedor os prazos para a oposição à execução e para requerer o pagamento em prestações ou a dação em pagamento. No processo de oposição à execução. 204º/1/ h) CPPT. podendo o representante da Fazenda Pública requerer junto do competente tribunal tributário arresto em bens suficientes para garantir a dívida exequenda e o acrescido. nos termos do art. Assim. o órgão da execução fiscal (o serviço periférico local da administração tributária do domicilio ou sede do devedor. por meio de propostas em carta fechada.

o direito de audiência prévia da pessoa contra quem é dirigida a reversão relativamente à decisão de reversão. substitutos tributários e responsáveis subsidiários. há lugar ao prosseguimento da execução. a todo o tempo e sem necessidade de nova citação. Consta dos arts. * Informações e documentos bancários (art. a administração tributária pode. 259º ss. 23°/4. 157°. pois apenas após o despacho de reversão o revertido tem possibilidade de se defender do correspondente acto tributário. que a LGT prescreve. De acordo com o art. Quanto à declaração em falhas (arts. a sujeitos passivos que aufiram rendimentos da categoria B de IRS e de IRC. 63°-A) em que as instituições de crédito e sociedades financeiras têm a obrigação de fornecer o valor dos pagamentos com cartões de crédito e de débito. 159° e 160° CPPT. através de acto da administração tributária. Quanto à reversão da execução contra terceiros. pode-se dar pelo pagamento pelo executado ou outra pessoa da dívida exequenda e acrescido (arts. embora nunca depois de os respectivos bens terem sido vendidos (art. 63°-B) que na versão da LOE/2005. sem por qualquer forma identificar os titulares dos referidos cartões. no seu art. que pode ocorre em dois tipos de situações: * Informações relativas a operações financeiras (art. situação que é susceptível de acontecer no caso de reversão da execução. da competência do órgão da execução fiscal. em certos casos. O procedimento de derrogação do dever de sigilo bancário: Nos termos dos arts. possuidores. a disciplina da reversão contra terceiros adquirentes de bens. 272º CPPT. 272º ss. distribuindo-se por dez extensos números. Quanto à extinção do processo da execução fiscal. Mediante os embargos de terceiro. se tornou um preceito visivelmente complexo. 274° CPPT. CPPT) ou através de pagamento coercivo (arts. CPPT). é de assinalar. o lesado pode fazer valer os seus direitos em face de acto ofensivo da posse ou direito no prazo de 30 dias contados desde o dia em que tal acto ofensivo foi praticado. respectivamente. 237º CPPC). efectuados por seu intermédio.dada antes qualquer oportunidade de impugnação. derrogar o dever de sigilo bancário. 158°. logo que tenham cessado aqueles condicionalismos. CPPT). 264º ss. daí não possa ser considerado como um modo de extinção do processo de execução fiscal. esta verifica-se nos casos previstos no art. antes de mais. deduzidos junto do órgão de execução fiscal. Aí temos três tipos de situações: 1) O acesso a todas as informações ou documentos bancários sem dependência do consentimento do titular dos elementos protegidos quando existam: 76 . 63°-A e 63°-B LGT.

para fins fiscais. nos termos do artigo 89º-A. em todos os casos de levantamento do dever de sigilo bancário. De acordo com o nº 5. quando estejam verificados os pressupostos para o recurso a uma avaliação indirecta. nos termos do art. nos termos do nº 4. se exige que as respectivas decisões sejam fundamentadas com expressa menção dos motivos concretos que as justificam.a) Indícios da prática de crime em matéria tributária. em geral. Por outro lado. 3) O acesso a todos os documentos bancários. quando: a) Se verifique a impossibilidade de comprovação e qualificação directa e exacta da matéria tributável (nos termos do art. dependem da audição prévia do 77 . b) O contribuinte usufrua de benefícios fiscais ou de regimes fiscais privilegiados. estão sujeitas a estes três tipos de levantamento administrativo do sigilo bancário não só o contribuinte. dos padrões de rendimento que razoavelmente possam permitir as manifestações de riqueza evidenciadas pelo sujeito passivo. nas situações identificadas sob os números 2 e 3. b) Se verifique a situação prevista no artigo 87°/f) CPPT ou os rendimentos declarados em sede de IRS se afastarem significativamente. nas situações de recusa da sua exibição ou de autorização para a sua consulta. c) Seja necessário. comprovar a aplicação de subsídios públicos de qualquer natureza. 2) O acesso directo aos documentos bancários. o levantamento do dever de sigilo bancário. havendo necessidade de controlar os respectivos pressupostos e apenas para esse efeito. sem razão justificada. mas também as entidades que com ele encontrem numa relação de domínio. sem possibilidade de delegação. sendo para tal competente apenas o director-geral dos impostos ou ao director-geral da alfândegas e dos impostos especiais sobre o consumo ou aos seus substitutos legais. Para compreendermos o regime do levantamento administrativo do sigilo bancário. b) Factos concretamente identificados indiciadores da falta de veracidade do declarado. nas situações de recusa de exibição daqueles documentos ou de autorização para a sua consulta. para menos. assinale-se que. excepto às informações prestadas para justificar o recurso ao crédito. 63º-B/7 CPPT. 88º CPPT) e. quando: a) Se trate de documentos de suporte de registos contabilísticos dos sujeitos passivos de IRS e IRC que se encontrem sujeitos a contabilidade organizada.

De acordo com os arts. o acesso da administração tributária a informação bancária relevante relativa a familiares ou terceiros que se encontrem numa relação especial com o contribuinte depende de autorização judicial expressa. nos segundos temos a impugnação judicial de actos ou normas nos tribunais fiscais. como acontece no julgamento das infracções fiscais que constituam crimes e nas aparentemente inexistentes hipóteses de execução fiscal nos tribunais judiciais. a ordem dos tribunais administrativos e fiscais. A garantia dos contribuintes: Desde logo cumpre referir que. 26º e 27º. temos: 78 . em que a resolução destas questões é pedida à própria administração fiscal. estas são apreciadas por tribunais especializados — os tribunais fiscais — que integram. Apenas excepcionalmente os tribunais judiciais lidam com a matéria do direito fiscal. entre nós não existe uma lei que reúna e codifique o conjunto das garantias dos contribuintes. em nome do combate à evasão e fraude fiscais. se mostra necessário e adequado a tal objectivo e respeitador da proporcionalidade na afectação dos direitos.contribuinte e são susceptíveis de recurso judicial respectivamente com efeito meramente devolutivo e com efeito suspensivo. ficando a dúvida se tão significativo alargamento da derrogação do sigilo bancário. cuja disciplina orgânica consta do ETAF. de modo algum. Por fim. Os meios impugnatórios administrativos e judiciais: Por meios impugnatórios entendemos aqui tanto os meios administrativos como os meios judiciais ou jurisdicionais: nos primeiros temos as reclamações e os recursos hierárquicos. Alusão à organização judiciária fiscal: No que se refere às questões tributárias. menos garantidas. como subordem. liberdades e garantias fundamentais dos contribuintes. após audição do visado. 38º e 49º do ETAF. o que não significa que estas estejam. Os tribunais fiscais têm três níveis. Isto revela-nos uma derrogação administrativa do sigilo bancário bastante mais aberta do que a contemplada na lei anterior. nos termos do n° 8 desse artigo. constituindo o 2° e o 3° níveis um tronco comum com os tribunais administrativos.

ao prescrever que ―os actos em matéria tributária que não sejam puramente pessoais podem ser praticados pelo gestor de negócios. parece-nos que elas são utilizadas como sinónimas. abarcando todos e quaisquer actos que possam ser praticados no domínio das relações tributárias. estabelecendo que ―todos os actos em matéria tributária que lesem direitos ou interesses legalmente protegidos são impugnáveis ou recorríveis nos termos da lei‖ e no art. 95º (que integra ―outros actos administrativos em matéria tributária‖ na lista exemplificativa de actos considerados lesivos dos direitos ou interesses legalmente protegidos dos interessados para efeitos da sua impugnação ou recurso judicial). os recursos interpostos de decisões dos tribunais tributários cujo fundamento não seja exclusivamente de direito e. isto é. Quanto às expressões actos administrativos em matéria tributária e actos administrativos relativos a questões fiscais (ou tributárias). Os actos impugnáveis: Na actual legislação fiscal geral — LGT e CPPT — além de actos tributários. ―actos administrativos em matéria tributária‖ e ―actos administrativos relativos a questões tributárias‖. os recursos interpostos de decisões dos TCA‘s e. 12º/2. 79 . a impugnação das normas regulamentares fiscais cuja competência não seja dos tribunais tributários e a impugnação dos actos administrativos dos membros do Governo respeitantes a questões fiscais. Os tribunais tributários. em 1ª instância. em 2º instância. dispõem da competência regra no domínio da justiça fiscal. os actos em matéria tributária stricto sensu e os actos administrativos respeitantes a questões fiscais ou tributárias. que julga. fala-se também de ―actos em matéria tributária‖. 17º/1. No art. em 1ª instância. 54º (que inclui tais actos na lista exemplificativa de actos em que desembocam os procedimentos tributários). a impugnação dos actos administrativos do Conselho de Ministros respeitantes a questões fiscais. produzindo efeitos em relação ao dono do negócio nos termos da lei civil‖. como tribunais administrativos e fiscais. c) do nº 1 do art. 9º/2 LGT fala-se de actos em matéria tributária. Por seu lado. Assim o sugere a LGT nas als. 60º (em que se garante o direito de audição antes da revogação de qualquer benefício ou acto administrativo em matéria tributária) e h) do nº 2 do art. em 2ª instância. e) do nº 1 do art. que funcionam agregados aos tribunais administrativos de círculo. parecendo estar a referir-se aos actos administrativos em matéria tributária. o CPPT utiliza essa expressão no art. A LGT parece utilizar nestes preceitos a expressão actos em matéria tributária num sentido muito amplo.  A 2ª secção dos TCA‘s que julgam. os recursos contra decisões dos tribunais tributários quando o seu fundamento seja exclusivamente de direito (recurso per saltum).  A 2ª Secção do STA.

que se referem a ―actos administrativos em matéria tributária‖. por seu turno. dos actos tributários e dos actos administrativos em matéria tributária (ou respeitantes a questões tributárias). 10º/1/d) e 97º/1/d) e 2. por um lado. de outro lado. vejamos então as diversas hipóteses de impugnação administrativa e judicial dos actos em matéria tributária (stricto sensu). susceptíveis portanto de impugnação contenciosa directa para os 80 . uma actividade que. como acontece abundantemente no IRS e em menor medida no IRC). isto é. é de assinalar que os actos de liquidação dos impostos. os actos tributários em sentido estrito ou actos de liquidação de tributos e. os demais actos praticados em sede das relações jurídicas fiscais. A este respeito. nos arts. seja das normas editadas pela administração tributária. sempre foram considerados verdadeiros actos administrativos. e nas deduções à colecta (caso as haja. à determinação do imposto. e no art. na liquidação em sentido estrito. os actos em matéria tributária em sentido amplo.4. Ao que se seguirá a consideração de outros meios impugnatórios e da impugnação seja de actos cujas especificidades reclamam um tratamento autónomo. isto é. A impugnação de actos tributários: Quanto aos actos tributários. por sua vez: 1) os actos em matéria tributária em sentido estrito. Nestes últimos temos. em mente a fase constitutiva do procedimento tributário em que se apura quem é o devedor do imposto e se determina qual é o seu montante. em que temos. de um lado. como facilmente se compreenderá. Vejamos isto através de um esquema: E. como é cada vez mais frequente) e. e 2) os actos administrativos em matéria tributária ou actos administrativos relativos a questões tributárias. os quais em sentido amplo englobam o conjunto de operações destinadas. por outro. à identificação do contribuinte ou do devedor do imposto (caso não coincidam. quando aqui falamos de actos tributários ou de liquidações temos. 97º/1/p) que alude a ―actos administrativos relativos a questões tributárias‖. fixada assim a terminologia dos actos impugnáveis. 37. concretizada na aplicação da taxa ou alíquota à matéria tributável (ou colectável) assim se obtendo a colecta. Pois bem.Também o CPPT parece ir no mesmo sentido. Atento o exposto. é de concluir que podemos falar de actos tributários em sentido amplo. é de começar por dizer que se trata de actos de liquidação administrativa do imposto. ou mais em geral dos tributos. os actos preparatórios de actos tributários. ainda se desdobra na determinação da matéria tributável.

os actos tributários por iniciativa do contribuinte. Da decisão de indeferimento da reclamação cabe quer recurso hierárquico facultativo a interpor no prazo de 30 dias e com efeito devolutivo (arts. uma vez que a reclamação representa. em excepção à regra tradicional. em si mesma. a reclamação visa anular. nº 1. total ou parcialmente. de 22 de Abril. do CPPT). é competente para decidir a reclamação o dirigente do órgão periférico regional da área do domicílio ou sede do contribuinte. Caso o valor do processo não exceda o quíntuplo da alçada do tribunal tributário e a questão a resolver seja simples decidirá o órgão periférico local. no prazo de 10 dias após a notificação para o efeito. através de reclamação ou de reclamação seguida de recurso hierárquico. substitutos e responsáveis. 76º. 66º. que vem a mesma designada na lei por reclamação graciosa. 99° do CPPT . 37. que. da situação dos bens ou da liquidação. 73º do CPPT. urna contenda. apresentar uma petição. embora sendo tradicional. é competente o dirigente máximo do serviço. em princípio. antes de urna palavra sobre cada um deles. por via de regra praticados pelos órgãos subalternos da administração fiscal. há que evitar. ao órgão periférico regional. quando não seja ele a decidir.6. os (então) chefes das repartições de finanças. salvo quando o contribuinte. a requerer essa suspensão. os actos tributários. vigente no nosso direito administrativo geral. natureza facultativa. E. 68º a 77º e 66º a 67º do CPPT. segundo o art. respectivamente. é o director-geral. e 67º. quer impugnação judicial a deduzir no prazo de 15 dias 81 . ao competente serviço de finanças.tribunais tributários. no respeitante à reclamação. nº 2. depois de prestada garantia adequada nos termos do CPPT. Segue um procedimento simples em que se dispensam formalidades essenciais e não tem efeito suspensivo. nº 1. devemos observar. 70° do CPPT. embora a decidir pela própria administração tributária. urna designação que. tendo por conseguinte a sua impugnação administrativa. segundo o art. sem prejuízo da sua eventual revisão ou impugnação nos termos da lei‖. Em princípio. Nos termos do nº 1 do art. com base nos fundamentos previstos no art. Pois bem. da impugnação administrativa necessária dos actos dos órgãos administrativos subalternos. 60º do CPPT. Quando não haja órgão periférico regional. nos arts. a reclamação deve ser deduzida no prazo de 120 dias a contar dos factos que relevam para a impugnação judicial e com base nos fundamentos desta. Assinale-se que cabe sempre a este órgão a instrução do processo que remeterá. Ou seja. sempre foram tidos corno actos administrativos definitivos. Reclamação e recurso hierárquico contra actos da administração tributária: Estes meios impugnatórios vêm regulados. Um entendimento que consta agora do art. Com efeito. em que se prescreve: ―os actos tributários praticados por autoridade fiscal competente em razão da matéria são definitivos quanto à fixação dos direitos dos contribuintes. 54º do Decreto-Lei nº 135/99.

por outro lado. 102º/2. por um lado. Refira-se ainda que o recurso hierárquico deve ser decidido no prazo máximo de 60 dias. quando tiver efeitos meramente devolutivos. 76º. o recurso hierárquico tem natureza facultativa e efeito devolutivo. nem no referido art. não obstante este preceito dispor que o recurso hierárquico seja dirigido ao mais elevado superior hierárquico do autor do acto (doutrina coincidente com a do art. nem no art. embora tudo leve a crer que ele deve ser interposto para quem seja competente para conhecer do recurso hierárquico primário. Quando excepcionalmente tenha efeito suspensivo. que no domínio da administração tributária do Estado é o Ministro da Finanças. do CPPT). dispõe o art. prescreve o nº 3 do art. O que significa que. salvo lei especial. 66º/3) Por via de regra. Todavia. devendo este ser dirigido ao mais elevado superior hierárquico do autor do acto e interposto perante o autor deste no prazo de 30 dias a contar da sua notificação (nº 2). 80º LGT e 169º/2 CPA). seria razoável aplicar a esse recurso o prazo previsto no nº 2 do art. o Director-Geral dos Impostos ou o Director-Geral das Alfândegas e dos Impostos Especiais sobre o Consumo. as decisões dos órgãos da administração tributária são susceptíveis de recurso hierárquico (nº 1). o recurso limita-se à parte da decisão contestada. do recurso hierárquico em que se impugna o acto tributário e não da decisão proferida em reclamação contra esse acto. e. Como. Os recursos hierárquicos devem subir no prazo de 15 dias. Durante este prazo pode o autor do acto recorrido revogá-lo total ou parcialmente (art. 102º. Segundo o nº 2 do art. 47º do mesmo CPPT que o pedido de reapreciação da decisão (em que o recurso hierárquico se traduz) deve. que estabelece expressamente o prazo para esse recurso contencioso. ser dirigido ao dirigente máximo do serviço ou a quem ele tiver delegado essa competência. 66º do CPPT que.após a notificação (art. e) do nº 1 do art. como acontece no caso do art. 76º. da decisão que recaia sobre o recurso hierárquico é possível recurso contencioso. atento o disposto na al. Quanto ao recurso hierárquico. dada a similitude com a impugnação da decisão (primária) sobre a reclamação. ou seja. 102º. deve aplicar-se o prazo de 90 dias previsto neste preceito. com um seu extracto. 102º para a impugnação da decisão sobre a reclamação. Todavia. que é na administração tributária do Estado e consoante a área de competência. acompanhados do processo a que respeite o acto ou. salvo se contra tal decisão já tiver sido deduzida impugnação judicial com o mesmo objecto. decorrido este prazo sem que haja sido tomada uma 82 . 75º CIVA (quando tenha por objecto decisões da DGCI relativas à passagem do regime de isenção para o regime de tributação em IVA). o prazo de 15 dias após a notificação da decisão do recurso hierárquico. Não diz o CPPT para quem se interpõe este recurso hierárquico. isto é. sem prejuízo do princípio do duplo grau de decisão (de cujo entendimento já tratámos).

CPPT. das retenções na fonte feitas pelos substitutos fiscais e dos pagamentos realizados pelo contribuinte por conta do imposto a pagar aquando do acerto de contas no final do ano fiscal. então.8. o que ocorre sobretudo no IRS relativo aos rendimentos do trabalho dependente. no prazo de dois anos. consoante os casos. Nestas situações podem impugnar as retenções na fonte tanto o substituto como o substituído. impugnar judicialmente. 83 . nº 2. a uma ―administrativização‖ desses actos dos particulares. no prazo de 30 dias contados. aos rendimentos auferidos por não residentes e aos rendimentos de capitais e. e para o órgão periférico local da administração tributária. reclamando para o referido órgão periférico regional. A impugnação dos actos de autoliquidação. a contar do pagamento ou da entrega da declaração-liquidação. o contribuinte dispõe de dois anos. a reclamação prévia para o órgão periférico regional. 131º ss. comum a estas três situações é o facto de em todas elas haver lugar a uma impugnação administrativa necessária. No caso de indeferimento expresso ou silente da reclamação. 131º). substituição tributária e pagamentos por conta: Como se deduz dos arts. a entrega ou retenção de imposto em excesso. nas duas primeiras situações. respectivamente. pressuposto da impugnação judicial das liquidações feitas pelo próprio contribuinte. na terceira. podendo o interessado interpor recurso contencioso se se tratar de recurso hierárquico necessário ou de recurso hierárquico interposto de decisão de indeferimento de reclamação graciosa nos termos do art. Algo idêntico vale no concernente às retenções na fonte no ao de substituição tributária. que não possa ser descontado nas entregas seguintes do ano do pagamento devido. que é a regra do IRC e do IVA. se considera o recurso tacitarnente indeferido. Constitui. no respeitante à autoliquidação. 37.decisão. no prazo de dois anos a contar da referida entrega. às pensões. 132º). reclamando primeiramente para o órgão periférico regional da administração tributária. do CPPT. O substituto. pode impugnar esse excesso. assim. 76º. nas contribuições dos trabalhadores para a Segurança Social. em caso de excesso de entrega de imposto face ao imposto retido. nos mesmos termos em que pode ser impugnado o acto de liquidação (art. Em caso de indeferimento expresso ou silente da reclamação pode. impugnar a retenção na fonte a mais que lhe tenha sido efectuada. da notificação do indeferimento ou da formação do acto silente art. para reclamar para o competente órgão periférico regional da administração tributária. Assim. bem assim. no prazo de 30 dias. Também o substituído pode. quer o substituto quer o substituído. se se tratar de retenção definitiva e não tiver portanto natureza de pagamento por conta do imposto devido a final. o contribuinte pode impugnar judicialmente a liquidação efectuada. e não indeferimento. ou seja.

97º do CPPT. 39. 84 . dirigida ao juiz do tribunal competente. também os pagamentos por conta. de actos administrativos em matéria tributária que comportem a apreciação da legalidade do acto de liquidação de tributos. Na verdade. 131º e do nº 6 do art. é de assinalar que este processo. se dispensa a reclamação prévia para o órgão periférico regional quando o fundamento da sua impugnação for exclusivamente matéria de direito e as autoliquidações ou as retenções na fonte tenham sido efectuadas de acordo com as orientações genéricas emitidas pela administração tributária. está regulado no CPTA. exponha os factos e as razões de direito que fundamentam o pedido. Neste caso a impugnação judicial deve ser deduzida no prazo de 90 dias a contar dos factos referidos nos termos do nº 1 do art. em caso de indeferimento expresso ou silente dessa reclamação. indique o valor do processo ou a forma como pretende a sua determinação a efectuar pelos serviços competentes da administração tributária (art. de outro. E justamente isto que se prescreve nos nº 1 e 2 do art. compreende-se que lhe dediquemos aqui mais algumas linhas: de um lado. Com efeito. bem assim. Ora bem. desde logo por ser o processo tributário paradigma. 108º). para aludirmos aos efeitos das sentenças que anulem os actos impugnados. Igualmente. os pagamentos por conta podem ser impugnados. de actos de liquidação de tributos e. O processo de impugnação judicial: Referência mais desenvolvida merece o processo de impugnação judicial. 99º ss. A tramitação do processo de impugnação judicial: Antes de mais. o recurso contencioso dos actos administrativos em matéria tributária. em que o impugnante identifique o acto impugnado e a entidade que o praticou. com fundamento em erro nos pressupostos da sua existência ou do seu quantitativo quando determinado pela administração tributária. 132°). que não comportem a apreciação da legalidade do acto de liquidação de tributos.1. tanto em relação aos actos de autoliquidação como aos actos de substituição tributária. 102º (ex vi do nº 3 do art. CPPT. Por isso. através de reclamação para o órgão periférico local da administração tributária competente. os pagamentos que o próprio contribuinte faz a título de pagamento do imposto devido a final. isto é.Refira-se que. 133º). a interpor no prazo de 30 dias após o pagamento indevido. 39. a impugnação judicial começa com uma petição inicial articulada. o contribuinte pode impugnar judicialmente os pagamentos nos mesmos termos do acto de liquidação (art. apenas se aplica à impugnação de actos tributários. Finalmente. para darmos conta da sua tramitação. como acontece no IRS devido pelos rendimentos empresariais e profissionais e no IRC não podem ser impugnados judicialmente sem prévia reclamação graciosa. regulado nos arts.

a qual passa. o processo administrativo ao órgão periférico local da situação dos bens ou da liquidação. a qual consistirá em garantia bancária. pela garantia de impugnação de quaisquer actos administrativos ilegais. de garantia idónea. esbarraria na inconstitucionalidade. constante do art. este procederá ao seu envio ao tribunal tributário competente no prazo de 5 dias após o pagamento da taxa de justiça inicial (art. Recebida a impugnação. Se o fundamento da impugnação for a nulidade. 103º. o juiz ordena a notificação do representante da Fazenda Pública para. no prazo de 10 dias após a notificação pelo tribunal. 103º/3). sendo certo que o juiz pode. 6) conhecimento de outros actos lesivos de interesses legalmente protegidos. qualquer pretensão de subordinar a impugnação judicial ao princípio da tipicidade dos vícios ou aberturas alegáveis. no prazo de 90 dias. à face da garantia duma tutela jurisdicional efectiva. contestar e solicitar a produção de prova adicional. designadamente. 99º meramente indicativa. O que se compreende. caução. 2) notificação dos restantes actos tributários. a impugnação será apresentada no prazo de 90 dias contados a partir dos factos seguintes: 1) termo do prazo para pagamento voluntário das prestações tributárias legalmente notificadas ao contribuinte. processo que este serviço deve organizar e remeter ao referido representante no prazo de 30 dias a contar do pedido. não poderia ser de outro modo. 268º/4 CRP. Saliente-se que. o nº 3 do referido art. ou qualquer outro meio susceptível de assegurar os créditos do credor (arts.s 1 e 2). 4) formação da presunção de indeferimento tácito. da situação dos bens ou da liquidação (art. 102º. penhor ou hipoteca voluntária caso haja a concordância da administração tributária. n. nos termos dos nums 3 e 5 do 111º. pois a lista constante do art. mesmo quando não dêem origem a qualquer liquidação. a todo o tempo. sem que disso houvesse necessidade. A impugnação tem efeito suspensivo mediante a prestação. O representante da Fazenda Pública deve solicitar no prazo de três dias. 102º. serão apensos à impugnação judicial a reclamação e o recurso hierárquico apresentados antes da 85 . considerando-se os actos tributários praticados na área do domicflio ou sede do contribuinte. 5) notificação dos restantes actos que possam ser objecto de impugnação autónoma. No caso de a petição ser apresentada no serviço periférico local. e 199º). A petição deve ser apresentada no tribunal administrativo e fiscal competente ou serviço periférico local da administração tributária onde haja sido ou deva legalmente considerar-se praticado o acto. pois. Na verdade. 103º/4. 3) citação dos responsáveis subsidiários em processo de execução fiscal. ordenar ao serviço periférico local essa remessa mesmo na falta de contestação (arts. Com a contestação deve o representante da Fazenda Pública remeter ao tribunal o processo administrativo. seguro-caução. A impugnação judicial tem por base qualquer ilegalidade.De acordo com o art. naturalmente que a impugnação pode ser deduzida a todo o tempo. 1l0º e 111º). Assim o prescreve.

86 . quanto à prova por presunções. à recepção desta pronúncia. 75º) e o carácter de presunção relativa das presunções constantes de normas de incidência. Fase que terá lugar no competente tribunal tributário. antes do conhecimento imediato do pedido. de 8 de Junho. sendo os actos tributários de natureza indisponível. sendo também de facto. já que.recepção da petição de impugnação ou apresentados posteriormente à petição caso tenham fundamento diverso do da impugnação. Por seu lado. 73º). após vista ao Ministério Público. embora a eventual aceitação dos factos tributários pelo contribuinte constitua elemento de livre apreciação pelo juiz. o representante da Fazenda Pública suscitar questão que obste ao conhecimento do pedido. Segundo este preceito. Caso não possa conhecer-se logo do pedido. 108º CPPT pela L 15/2001. o juiz. De acordo com o art. terá então lugar a fase da instrução ou da produção da prova (arts. Quanto à prova por confissão do contribuinte. conhecerá logo do pedido se a questão for apenas de direito ou. a prova testemunhal e a prova por presunções. a prova documental. já que admitem sempre prova em contrário (art. a prova pericial ou por arbitramento. se a questão a resolver for de manifesta simplicidade e se dispuser de elementos para o efeito necessários pode o dirigente do órgão periférico local. no prazo de 10 dias. 114º a 119º). porém. 113º. se o valor do processo não exceder o quíntuplo da alçada do tribunal tributário. seguindo-se. o processo fornecer os elementos necessários. em virtude da revogação do nº 4 do art. A revogação parcial do acto impugnado é notificada nos três dias subsequentes ao impugnante para. a presunção de veracidade das declarações do contribuinte (art. revogar total ou parcialmente o acto impugnado. são de mencionar disposições da LGT que estabelecem a presunção de boa fé da actuação dos contribuintes e da administração tributária (art. é de referir que são aqui admitidos todos os meios gerais de prova. Quanto aos meios de prova. A respeito da instrução é de fazer menção à repartição do ónus ia prova. Se. ou seja. no prazo de trinta dias em que devem organizar e remeter o processo administrativo ao representante da Fazenda Pública. se pronunciar. A revogação total do acto impugnado é notificada ao representante da Fazenda Pública nos três dias subsequentes a fim de promover a extinção do processo. será ouvido o impugnante. deixou de se poder produzir a prova no órgão periférico local da administração tributária. a prova por inspecção. ou o dirigente do órgão periférico regional. se o valor do processo exceder esse montante. pode haver lugar ao conhecimento imediato do pedido. à presunção de verdade das declarações e outros elementos dos contribuintes e ao valor probatório das informações prestadas pela inspecção tributária. 112º. Junta a posição do representante da Fazenda Pública ou decorrido o respectivo prazo. a notificação ao representante da Fazenda Pública para contestar no prazo de 30 dias. 59º/2). nos termos do art. parece não ser de admitir como prova plena. então.

Enfim. compete à administração tributária o ónus da prova da verificação dos pressupostos da sua aplicação. as suas regras devem valer igualmente para o processo tributário que se lhe seguir. no respeitante à presunção de verdade das declarações e outros elementos dos contribuintes. deverá o acto impugnado ser anulado‖. 100º do CPPT. O que traduz uma concretização da eliminação. 2 — Quando os elementos de prova dos factos estiverem em poder da administração tributária. uma terceira nota para assinalar que constitui uma aplicação prática no processo de impugnação judicial da regra geral sobre o ónus da prova. 74º da LGT. Uma solução que se expunha a críticas. A primeira. pondo assim termo à situação vigente no domínio do CPT. o ónus previsto no número anterior considera-se satisfeito caso o interessado tenha procedido à sua correcta identificação junto da administração tributária. em que o ónus da prova recaía essencialmente sobre a administração tributária. que prescreve: ―sempre que da prova produzida resulte a fundada dúvida sobre a existência e quantificação do facto tributário. quando estiverem organizados de acordo com a legislação comercial e fiscal. 87 . Um regime de distribuição do ónus da prova em relação ao qual sejam-nos permitidas três notas. enunciada no transcrito nº 1 do art. 75º/1 e 2 LGT que se presumem verdadeiras e de boa fé as declarações dos contribuintes apresentadas nos termos previstos na lei. para esclarecer que. A segunda. substituindo-a por uma presunção de veracidade dos actos dos contribuintes e demais sujeitos passivos. Por seu lado. Presunção que não abrange a indispensabilidade dos custos ou perdas para a formação do rendimento sujeito a IRC. consta eia agora do art. para assinalar que se trata de um regime que é de louvar na medida em que veio reequilibrar em termos mais aceitáveis a distribuição do ónus da prova em sede do procedimento e do processo tributário entre o contribuinte e a administração tributária. cujo ónus da prova cabe ao contribuinte.No que concerne à repartição do ónus da prova entre a administração tributária e o contribuinte ou o sujeito passivo. em que se dispõe: ―1 — O ónus da prova dos factos constitutivos dos direitos da administração tributária ou dos contribuintes recai sobre quem os invoque. 74º da LGT. sobretudo dado a total ausência duma qualquer compensação em sede de atribuição de prerrogativas de informação à administração tributária. da presunção de legalidade dos actos da administração tributária. cabendo ao sujeito passivo o ónus da prova do excesso na respectiva quantificação‖. o disposto no nº 1 do art. 33º/1 CIRC. no domínio da justiça tributária. 3 — Em caso de determinação da matéria tributável por métodos indirectos. como resulta do art. muito embora este regime seja dirigido à distribuição do ónus da prova no procedimento tributário. prescreve o art. bem como os dados e apuramentos inscritos na sua contabilidade ou escrita.

depois. quando fundamentadas e baseadas em critérios objectivos. segundo o seu prudente critério. inexactidões ou indícios fundados de que não reflectem a matéria tributável real do sujeito passivo. dos indicadores objectivos da actividade de base técnico-científica previstos na lei. Se não tiver sido suscitada qualquer questão desta índole. não podendo. se pronunciar expressamente sobre as questões de legalidade que tenham sido suscitadas no processo ou suscitar outras nos termos das suas competências legais (art. uma inversão do ónus da prova. quer da Fazenda Pública. 3) a matéria tributável se afastar significativamente para menos. recaindo sobre o contribuinte. quando: 1) as declarações. erros. seguirá a ordem dos 88 . levantar questões novas de legalidade. vão os autos com vista ao Ministério Público para. De modo idêntico. diz o art. se pretender. contabilidade ou escrita revelarem omissões. devendo o teor das mesmas ser notificado ao impugnante logo que juntas ao processo para que este. que não será superior a 30 dias. sem razão justificativa. quanto ao valor probatório das informações prestadas pela inspecção tributária. Apresentadas as alegações ou decorrido o respectivo prazo. portanto. dará prioridade aos vícios cuja procedência determine. ordenando o juiz a notificação dos interessados (impugnante e representante da Fazenda Pública) para alegarem por escrito no prazo fixado pelo juiz. 2) o contribuinte não cumprir os deveres que lhe couberem de esclarecimento da sua situação tributária. 1 15º do CPPT que as informações oficiais só têm força probatória quando devidamente fundamentadas de acordo com critérios objectivos. havendo. Se o MP suscitar questão que obste ao conhecimento do pedido. 4) os rendimentos declarados em IRS se afastarem significativamente para menos. dos padrões de rendimento correspondentes às manifestações de fortuna evidenciadas pelo sujeito passivo nos termos do art. nos termos da lei. o MP apenas pode pronunciar-se sobre as questões de legalidade que tenham sido suscitadas no processo ou suscitar questões que obstem ao conhecimento do pedido. Dentro dos vícios do primeiro grupo. 121º). nos 10 dias seguintes à sua apresentação. é desprovida de sanção. os vícios arguidos que conduzam à sua anulação. 76°/1 LGT que as mesmas fazem fé em juízo. Contudo a falta de alegações quer do impugnante. a seguir à audição das entidades referidas. Como resulta do que fica transcrito. 89º-A da LGT. Finda a produção da prova. por conseguinte. Por sua vez. urna mais estável ou eficaz tutela dos interesses do ofendido. Nesta o tribunal apreciará prioritariamente os vícios que conduzem à declaração de inexistência ou nulidade do acto impugnado e. tendo-o sido. Enfim. dentro dos vícios do segundo grupo. então serão ouvidos sobre ela o impugnante e o representante da Fazenda Pública. são os autos conclusos ao juiz ou ao relator para proferir a decisão — a sentença ou o acórdão. ou. prescreve o art. possa impugnar a sua genuinidade. inicia-se a fase das alegações.Uma presunção que também se não verifica. sem razão justificativa. a menos que se verifique legítima recusa da prestação de informações.

a prática de actos que afrontem o núcleo essencial da função administrativa. ao anular essa parte. da separação entre a administração e a jurisdição. de outro lado.vícios indicada pelo impugnante. o tribunal limitar-se-ia a anular o acto tributário mesmo que apenas parcialmente ilegal. por seu turno. entendemos que devem ser invocadas sobretudo razões ligadas ao próprio âmbito do contencioso de mera anulação. mas apenas parte dele. anularem uma parte do acto tributário e. Referência aos efeitos das sentenças anulatórias de actos tributários: Como os efeitos destas sentenças anulatórias não diferem dos efeitos das sentenças anulatórias dos actos administrativos proferidas pela jurisdição administrativa. Daí que nos limitemos a assinalar um aspecto que. Domínios esses que se reconduzem: i) a intangibilidade do caso julgado 89 . porque o objecto de anulação não seria o acto tributário na sua totalidade. de um lado. A natureza de sentença de plena jurisdição da sentença de anulação parcial do acto. Estamos a referir-nos à anulação parcial do acto tributário por parte dos tribunais tributários. nada diz relativamente à parte do acto que se mantém. Um sistema de administração executiva em que os limites à plena jurisdição de um tal contencioso só serão de aceitar em relação àqueles domínios ou aspectos da acção administrativa em que a plena jurisdição implique para o juiz tributário. Todavia. e pela nossa parte. enquanto juiz administrativo. o certo é que os nossos tribunais fiscais sempre têm procedido à anulação parcial dos actos tributários nesta situação. manterem a outra parte do acto tributário. competindo à administração tributária a renovação do acto na parte não ilegal. por ser relativamente frequente no direito fiscal. De outro lado. podem invocar-se razões que se prendem com os princípios processuais. 39. que impunha a esta um estrito contencioso administrativo de mera anulação.2. num sistema de administração executiva corno o nosso. tem neste sector do ordenamento jurídico um relevo que não tem no direito administrativo geral. pode ter por suporte duas ordens de razões. designadamente pelo STA. para que da sentença ou acórdão do tribunal saia logo urna definição da situação que não careça de qualquer nova pronúncia da administração tributária. Uma situação que ocorre com bastante frequência e que se traduz em os tribunais. Nesta visão das coisas. não temos nesta sede que proceder a quaisquer desenvolvimentos. 2) a natureza de sentença de plena jurisdição da sentença de anulação parcial do acto. De um lado. sempre que este estabeleça entre eles uma relação de subsidiariedade. o tribunal. como o princípio da economia processual ou o princípio da oficialidade. uma solução que parece impor-se com base em dois argumentos: 1) a divisibilidade do acto tributário. A seguirem-se aqui os cânones clássicos da separação de poderes. A divisibilidade do acto tributário é o argumento utilizado pelos tribunais fiscais.

que em tal sistema pode acarretar. Alusão à execução das sentenças anulatórias de actos tributários: Uma alusão. por via de regra. remetendo a lei fiscal. não é invocável causa legítima de inexecução. Mais especificamente. leva-nos a perguntar se não haverá casos em que tenha de se 90 . se impõe no respeitante à execução das sentenças anulatórias de actos tributários. naturalmente muito sumária. e ii) o respeito pelos tribunais das áreas deixadas à livre apreciação e decisão administrativa. de urna quantia pecuniária. para o regime da execução das sentenças dos tribunais administrativos. conquanto que esta fixação não se traduza na interferência do tribunal naquele núcleo essencial da função administrativa. correspondente à liquidação ou à parte da liquidação do imposto anulada pelo tribunal. uma vez que parece assentar na ingénua abstracção de que o Estado vive do ar e. Pelo que a execução das sentenças anulatórias de actos tributários rege-se actualmente pelos arts. Mas que. poderá originar dificuldades. por mais elevadas que se apresentem. a execução das sentenças anulatórias de actos tributários não dispõe de um regime próprio. de um regime específico no direito fiscal. jamais se deparará com quaisquer limites em sede da satisfação de somas pecuniárias. em que se prescreve: ―sem prejuízo do disposto no artigo 177º. a insustentabilidade financeira do Estado. Neste preciso sentido dispõe agora o art. não é invocável a existência de causa legítima de inexecução e o pagamento deve ser realizado no prazo de 30 dias‖. lembrando de resto algo já referido num quadro mais amplo. E que. tem poder não só para anular a parte ilegal. devemos salientar aqui duas ideias. ou melhor na restituição. pelo seu carácter peremptório. uma hipótese que. por seu lado. do CPTA. Efectivamente. da possibilidade de invocação de causa legítima de inexecução das sentenças anulatórias de actos tributários.administrativo. Pelo que o tribunal.3. atenta a natureza vinculada do acto tributário. concretizando-se a execução de tais sentenças no pagamento. mas também para fixar a parte não ilegal do acto tributário. não será frequente. 175º/3. por conseguinte. 39. 157º a 179º do CPTA. A segunda ideia. O que ocorrerá caso essa fixação envolva uma margem de livre apreciação ou de livre decisão para a administração tributária. Uma disposição que no direito fiscal não levantará problemas dado estarmos perante sentenças cuja execução passa pela não cobrança ou restituição de impostos cuja liquidação foi anulada. A primeira tem a ver com o regime da execução das sentenças anulatórias de actos tributários. isto é. quando a execução da sentença consista no pagamento de uma quantia pecuniária. Na verdade. para o regime da execução das sentenças anulatórias dos actos administrativos. mais especificamente o nº 1 do art. 102º LGT. prende-se com a exclusão legal. no tipo de situações em análise. em geral.

porém. Secção A . o chamado Imposto Complementar que tributava. 50. e um imposto de sobreposição. num segundo momento.considerar existir causa legítima de inexecução por se tratar de montantes que ponham em causa a gestão financeira do Estado. do trespasse de locais afectos ao exercício de profissões liberais. da transmissão onerosa de elementos do activo imobilizado das empresas ou de bens mantidos como reserva. e 5) a Contribuição Predial relativa ao rendimento da propriedade rústica e urbana. tinha por objectivo personalizar a tributação do rendimento das pessoas singulares. objecto de tributação no Imposto Complementar. que se traduzia num agravamento. dotado de uma taxa progressiva e de outras características típicas dos impostos pessoais. cujos rendimentos estavam também sujeitos ao Imposto Complementar. de novo. silvícola e pecuária (um imposto que praticamente não chegou a ser aplicado. A reforma fiscal dos anos sessenta (1958-1966): Vejamos. da Contribuição Industrial incidente sobre as sociedades comerciais ou civis sob forma comercial e demais pessoas colectivas. uma vez que. o qual. verificava-se uma tributação dualista constituída por: um conjunto de impostos parcelares ou cedulares. 2) a Contribuição Industrial relativa ao rendimento proveniente da actividade industrial e comercial. como se configurava a tributação do rendimento. eram: 1) o Imposto Profissional relativo ao rendimento do trabalho dependente e do trabalho independente dos profissionais liberais ou independentes constante da tabela anexa ao código desse imposto. 50. Os impostos parcelares. 91 . 4) o Imposto sobre a Indústria Agrícola relativo ao rendimento proveniente da actividade agrícola. Sobre os rendimentos tributados nestes impostos cedulares incidia. então. Para além destes impostos. Secção B. como já referimos. e 2) o Imposto Complementar. realizado através de um típico adicionamento. e da incorporação de reservas no capital social das sociedades por acções) cujos rendimentos não eram. havia ainda: 1) o imposto de mais-valias (que tributava o rendimento proveniente de algumas mais-valias realizadas — as provenientes da transmissão onerosa de terrenos para construção. integrado por um imposto por cada parcela ou cédula de rendimento. com critérios de personalização aquelas parcelas de rendimento. tendo sido várias vezes suspenso e reposto em vigor. A tributação do rendimento: No respeitante à tributação do rendimento. foi objecto de restituição nos anos em que chegou a ser cobrado). do património e do consumo no sistema fiscal resultante da reforma fiscal levada a cabo entre os anos de 1958 e 1966 e que vigorou até à adopção do sistema fiscal actual. o Imposto Complementar. 3) o Imposto de Capitais relativo ao rendimento da aplicação de capitais.1.

incidente sobre as transacções no grossista ou no importador. o imposto de sisa.2. dos bens imóveis e móveis (ou do património imobiliário e mobiliário). foi vítima de uma verdadeira contra-reforma fiscal. a que. por acto inter vivos ou inortis causa. o sistema fiscal de então conhecia apenas dois impostos incidentes ambos sobre o património aquando da sua transmissão: por um lado. assistiu-se pela primeira vez. um imposto sobre o rendimento predial. a seu lado. Traduziu-se ela. em vez de se desenvolver no sentido traçado e subjacente aos diplomas legais que a concretizaram. por exemplo. de um imposto geral sobre o consumo – o chamado Imposto de Transacções. A tributação do património: No referente aos impostos sobre o património. A tributação do consumo: Finalmente. à introdução. o imposto de turismo e o imposto sobre especialidades farmacêuticas. até então.3. na não implementação pela administração tributária das medidas que as leis exigiam e. 104. Um imposto. 50. o imposto sobre as sucessões e doações. entre nós. no entanto. em 1966. de resto. típico dum país pouco desenvolvido. já que a única alteração visível levada a cabo foi a que. para nos referirmos apenas a dois dos abolidos aquando da introdução do IVA. no sentido do progressivo aumento do peso do imposto complementar na tributação das pessoas e da tributação pelo rendimento real na tributação das empresas. por outro. subsistissem diversos impostos especiais sobre o consumo. No respeitante ao imposto de transacções. refira-se que se tratava de um imposto monofásico. tendo esta substituído. 51. como. a título complementar. incidente sobre a transmissão onerosa dos bens imóveis (ou do património imobiliário). como é. que o sistema de tributação do rendimento instituído pela reforma fiscal dos anos sessenta. em Contribuição Autárquica. de um lado. 50. existiam os mais diversos e variados impostos especiais sobre o consumo. isto é.1.Refira-se. de outro lado. cuja existência não obstou. Pois. Impostos que praticamente se mantiveram até à recente reforma da tributação do património em 2003/04. no respeitante aos prédios não arrendados a anterior tributação do rendimento em Contribuição Predial e em Imposto Complementar.° da Constituição): 51. no retrocesso legislativo que não tardou a surgir. transformou a Contribuição Predial. em 1988. um imposto sobre o património. incidente sobre a transmissão gratuita. no respeitante à tributação do consumo. A tributação do rendimento: 92 . O quadro constitucional (art.

atentas essas razões de ordem técnica. assim. a Constituição permite. A tributação do rendimento pessoal Nos termos do n. ao contrário do que defenderam alguns autores e acabou por ser consagrado nos CIRS e CIRC. nas condições mais frequentes nessa época e lugar e com a diligência. seja este o rendimento médio de uma série de anos. não estarem satisfeitas no respeitante à tributação dos rendimentos proporcionados pelas aplicações financeiras (rendimentos do capital e mais valias). deixou em larga medida de ter razão com o regime instituído pela Lei n. que a tributação das empresas se possa fazer pelo rendimento normal. respeitante à tributação das empresas. através da LOE/2002 e. háde fazer-se através de um imposto que seja: 1) único. valores que integram a tríade que há que ter em conta de forma equilibrada em qualquer medida de reforma fiscal.A Constituição contém dois preceitos relativos à tributação do rendimento: um.1. relativo à tributação do rendimento pessoal. mormente as da unicidade e da progressividade do imposto. de 31 de Maio. às quais se somaram razões de ordem política assentes na forte contestação política que originou. A respeito da tributação das empresas remetemos aqui para o que escrevemos relativamente à tributação do rendimento das empresas singulares. deixando sem a devida consideração os valores da eficiência e da simplicidade. A regra constitucional da tributação das empresas é. Pois somos de opinião que a Constituição não impõe.1. técnica e preços geralmente praticados). 51. que uma empresa poderia obter operando em condições normais (isto é. as empresas são tributadas pelo seu rendimento real.° 30-G/2000. Ora bem. a tributação do rendimento pessoal. que uma empresa poderia obter operando em condições normais. Um tratamento em relação ao qual era de perguntar se não foi dominado em excesso por preocupações de justiça ou equidade. a este respeito. tornavam clara a impossibilidade prática da sua aplicação. devemos começar por dizer que a crítica que fazíamos na 1ª edição no sentido de tais exigências constitucionais. 104° CRP. que as empresas singulares 93 . que. a da tributação pelo rendimento real — efectivo ou presumido. excepcionalmente.2. A tributação das empresas: Em princípio.1. de um lado. O que veio a ocorrer. outro.° 1 do art. prescreve a Constituição. Pois a diversidade de regimes. através da L 16-A/2002. seja o rendimento de determinado ano. Deste modo. por isso. todo esse regime das mais-valias tenha sido anulado posteriormente. 2) progressivo e 3) tenha em conta as necessidades e os rendimentos do agregado familiar. de outro lado. 51. Não admira. aliada às múltiplas e diversificadas taxas a aplicar e à barragem de obrigações acessórias em que o sistema se apoiava.

° 3 do então art. na versão anterior do n. A diminuição das desigualdades constitui assim o objectivo constitucional da tributação do património. em consequência das exigências constantes do art. a questão da sua crescente incompatibilidade com as obrigações decorrentes da nossa integração na União Europeia. uma tributação que foi. ficou assim constitucionalmente aberto o caminho para a tributação geral do património. teria sido. urna vez que o cumprimento desta não pode passar pela utilização do IVA. da imposição constitucional de oneração fiscal dos consumos de luxo levanta. Por isso. tributando os mais elevados e isentando os mais baixos ou adoptando taxas progressivas.° da CRP. em vez de ser tributado em IRS. porém. 107. aliás proposta pela Comissão de Reforma da Tributação do Património. todavia. O sistema fiscal decorrente das reformas de 1985/869 1988/89 e 2003/04: Como já por mais de uma vez demos conta. não veio a verificar-se.2. o qual. a seu modo. recorde-se. um objectivo que abre a porta para o legislador proceder à discriminação de patrimónios. não obsta totalmente à actuação do legislador nesse sentido. levada a cabo por etapas. era imputado ao imposto sobre as sucessões e doações. de resto. A tributação do património: A tributação do património há-de constituir um instrumento de igualdade entre os cidadãos. tendo sido. corno vamos ver. O que. que a tributação do consumo visa a adaptação da estrutura do consumo à evolução das necessidades do desenvolvimento económico e da justiça social e. ter eliminado da Constituição essa referência à oneração dos consumos de luxo. A manutenção. evitando assim colocar o legislador na situação de incumprimento da referida imposição constitucional. abolida em 1995 a que existiu entre nós. o actual sistema fiscal é o resultado da concretização. 52. Pois bem. Objectivo esse que.3. a Constituição ainda seria respeitada caso o rendimento das empresas singulares fosse separado do rendimento pessoal do seu titular e tributado em IRC. Por conseguinte. 12º/3 da Sexta Directiva do IVA. 51. E que esta proíbe a existência de taxas agravadas de IVA. como o Imposto Automóvel. a nosso ver. a nosso ver. A nosso ver. não deixa de traduzir uma tributação agravada de consumos de luxo. a oneração dos consumos de luxo. mais avisado. mas que. essas etapas foram: a reforma da 94 .tenham de ser tributadas em IRS. 51. 104º CRP. na Revisão Constitucional de 1997. do programa de reforma fiscal constante do actual art. por outro. na redacção resultante das Directivas 92/77CEE e 92/111/CEE. A tributação do consumo: A este respeito dispõe a Constituição. por um lado. pois este pode utilizar outros impostos com esse desiderato.

embora superior ao do regime de isenção. as transmissões de bens em 2ª mão ou de objectos de arte e. nos termos do qual esse montante nos é dado pela diferença entre o montante que resulta da aplicação da taxa ao valor das vendas ou prestações de serviços prestados. podemos integrar também. IMT e IS (sobre as transmissões gratuitas) em 2003/04. as importações e a aquisição intracomunitária de bens. a prestação de serviços.1. regimes cuja distinção reside basicamente no método utilizado na determinação do montante do imposto. bem assim. temos um IVA em que o montante da dívida de cada sujeito passivo é apurado através do chamado método de dedução imposto do imposto. 52. durante determinado período. não possuindo nem sendo obrigadas a possuir contabilidade organizada e com um volume de negócios que. para além dum regime geral. o consumo foi o primeiro sector do nosso sistema fiscal a ser objecto de reforma. no respeitante aos regimes especiais. temos: o regime especial de isenção (em que se isentam de IVA os contribuintes que. Regimes especiais em que. vejamos então o resultado a que se chegou em sede da tributação do consumo.tributação do consumo com a introdução do IVA em 1985/86. da tributação do rendimento e da tributação do património. o seu volume de negócios não ultrapasse um certo montante). a reforma da tributação do rendimento com a criação do IRS e do IRC em 1988/89 e a reforma da tributação do património com adopção dos IMI. a reforma dos diversos impostos especiais sobre o consumo — os IEC‘s. A que se seguiu. e o regime especial dos pequenos retalhistas (a que estão sujeitas as pessoas singulares que. Reforma que. nome sob o qual. diversos regimes especiais. Por sua vez. o IVA correspondente a 25% do imposto suportado nas aquisições de bens. A tributação do consumo: Como referimos. na vigência da actual Constituição. Seguindo esta ordem cronológica das reformas. se apresentam as tradicionais contribuições para a Segurança Social. Todavia. anos mais tarde. e o montante do imposto suportado nas aquisições efectuadas durante o mesmo período. não possuindo nem sendo obrigados a possuir contabilidade organizada para efeitos de IRS ou de IRC. não ultrapasse certo montante) que pagam sem qualquer direito a dedução. O IVA é um imposto geral sobre o consumo em que se tributam as transmissões de bens. em 1985/85. através da introdução de um imposto geral sobre o consumo — o IVA. Quando obedece ao regime geral. a seu modo. as agências de 95 . A que vamos acrescentar uma referência à Taxa Social Única. tanto num caso como no outro foi impulsionada pelo direito comunitário. como também já sabemos. o IVA comporta. método do crédito do imposto ou método indirecto subtractivo. bem como a outros impostos. a partir de 1986.

viagens e os organizadores de circuitos turísticos, casos em que o montante de IVA é determinado segundo o método de dedução base da base, aplicando a taxa do imposto à diferença entre o valor das aquisições ou compras e o valor das vendas. Quanto aos IEC‘s, são de referenciar: por um lado, o imposto sobre Produtos Petrolíferos (ISP), o Imposto sobre o Tabaco (IT) e o Imposto sobre o Álcool e as Bebidas Alcoólicas (IABA) que, por serem impostos objecto de harmonização comunitária, a sua disciplina foi unificada no Código dos Impostos Especiais sobre o Consumo (CIEC); e, por outro lado, o Imposto Automóvel (IA). 52.2. A tributação do rendimento: Com vista a dar cumprimento ao programa constitucional de reforma da tributação do rendimento, em 1988/89, foram criados, em substituição dos anteriores impostos parcelares e imposto complementar, dois impostos: o imposto sobre o rendimento das pessoas singulares (nestas incluídas as empresas individuais) e o imposto sobre o rendimento das pessoas colectivas (em que naturalmente sobressaem as empresas colectivas, ou seja, as sociedades comerciais). Não obstante não se terem mantido os propósitos iniciais, mais consentâneos com as exigências constitucionais, expressos na ‗Exposição de Motivos‖ apresentada à AR pelo Governo no início da reforma fiscal da tributação do rendimento, ainda assim o IRS e o IRC, resultantes da reforma levada a cabo em 1988, constituem obra de real valia‖. Obra traduzida, de um lado, num imposto pessoal sobre o rendimento das pessoas singulares e, de outro lado, num imposto real sobre o rendimento das pessoas colectivas. No sentido de o IRS constituir um imposto pessoal, podemos apontar as seguintes notas: 1) incide tendencialmente sobre o rendimento global, em que temos: a categoria A, relativa aos rendimentos do trabalho dependente; a categoria B relativa aos rendimentos empresarias e profissionais; a categoria E, relativa aos rendimentos de capitais; a categoria F, relativa aos rendimentos prediais; a categoria G, relativa aos incrementos patrimoniais, entre os quais se contam as mais-valias; e a categoria H, relativa às pensões (arts. 1º a 11º); 2) estabelece a intangibilidade do mínimo de existência, embora previsto apenas para os titulares de rendimentos predominantemente originados em trabalho dependente (art. 70.°) e, a seu modo, para os titulares dos rendimentos resultantes das actividades agrícolas, silvícolas e pecuárias (art. 3º/4); 3) toma em consideração a situação pessoal do contribuinte prevendo o abatimento à matéria colectável de certas pensões pagas pelo sujeito passivo (art, 56°) e a dedução à colecta de parte das despesas com a saúde, educação, habitação e segurança social realizadas com os membros do agregado familiar (arts. 78°, 82°, 83°, 84° e 86°), de importâncias fixas por cada um dos membros do mesmo agregado (ali. 79.°) e do imposto pago no estrangeiro por rendimentos aí auferidos (art. 81º); 4) sujeita os respectivos rendimentos a uma taxa progressiva (art. 68,°); e 5) neutraliza a tributação conjunta dos rendimentos dos sujeitos casados ou unidos de facto através do quociente conjugal ou splitting (art. 69.°).

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Carácter global este que foi reforçado pela L 30-G12000. Para o que contribuiu a redefinição da categoria G de rendimentos, constituída agora pelos incrementos patrimoniais, bem mais abrangente do que as anteriores categorias G (mais-valias) e 1 (outros rendimentos) 21 Por seu turno, quanto ao carácter real do IRC, podemos referir que se trata de um imposto de taxa proporcional, pois tributa pela taxa de 25% (ou de 20%, no caso de sujeitos passivos que não constituam empresas ou estejam abrangidos pelo regime simplificado) o lucro ou o rendimento global dos respectivos contribuintes. Tributa o lucro, que é igual à diferença entre os valores do património líquido no fim e no início do período da tributação, quando se tratar de empresas, ou seja, entidades que exerçam a título principal urna actividade de natureza comercial, industrial ou agrícola, considerando-se que é esse sempre o caso das sociedades comerciais ou civis sob a forma comercial, das cooperativas e das empresas públicas. E tributa o rendimento global, que nos é dado pela soma algébrica dos rendimentos das diversas categorias consideradas para efeitos do IRS, quando se tratar de pessoas colectivas que não exercem a título principal uma actividade de natureza comercial, industrial ou agrícola.

52.3. A tributação do património:
Esta foi a última parcela do sistema fiscal a ser objecto de reforma, efectivada através duma tributação estática através do IMI, e duma tributação dinâmica através do IMT e do IS (sobre as transmissões gratuitas). Uma reforma que diga-se de passagem, foi mais na forma do que na substância, uma vez que o IMI não passa, a seu modo, de um novo nome para a anterior Contribuição Autárquica (que vigorou entre 1989 e 1993), o IMT mais não é, em rigor, do que uma nova designação para a velhinha sisa (baptizada de imposto municipal de sisa em 1991), e o IS (sobre as transmissões gratuitas) se apresenta como uma versão limitada e proporcional do anterior imposto sobre as sucessões e doações (pois não integra, em virtude de exclusão, as transmissões gratuitas a favor das pessoas colectivas, nem, em virtude de isenção, as transmissões gratuitas a favor dos herdeiros legitimários, e está sujeito a uma taxa proporcional de 10%). Pelo que a reforma em causa se traduziu sobretudo numa profunda reforma do sistema de avaliação da propriedade, em especial da propriedade urbana, o qual passou a ser dotado de um quadro legal de avaliações totalmente assente em factores objectivos, de grande simplicidade e coerência interna, sem espaço para a subjectividade e discricionaridade do avaliador. Pois bem, o IMI incide sobre o valor patrimonial tributário dos prédios rústicos e urbanos situados em território nacional, constituindo receita dos municípios onde os mesmos se localizam. Por sua vez, o IMT, tributa a transmissão, a título oneroso, dos bens imóveis, sendo seu sujeito passivo o comprador ou adquirente desses bens, constituindo também receita dos municípios.

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Finalmente, o IS (sobre as transmissões gratuitas) incide sobre a transmissão, a título gratuito por acto mortis causa ou por acto inter vivos, dos bens móveis e imóveis a favor de pessoas singulares. Pois as transmissões patrimoniais gratuitas a favor de pessoas colectivas passaram a ser tributadas em sede do IRC, integrando as variações patrimoniais positivas do lucro das empresas societárias ou colectivas e o rendimento global das pessoas colectivas que não sejam empresas, a título de incrementos patrimoniais.

52,4. A Taxa Social Única e outros impostos:
Para além dos impostos referidos, são de mencionar ainda a Taxa Social Única e outros impostos. A Taxa Social Única, uma designação resultante da reforma de 1986, a qual procedeu à integração das então chamadas quotizações para o Fundo de Desemprego nas contribuições obrigatórias para a Segurança Social, unificou a taxa contributiva para a segurança social dos trabalhadores por conta de outrem e respectivas entidades patronais. Por seu turno, quanto aos outros impostos, temos: 1) O Imposto Municipal sobre Veículos, que incide sobre o uso e fruição de automóveis ligeiros, de passageiros e mistos, de aeronaves e de barcos de recreio particulares; 2) O Imposto de Selo (propriamente dito). que incide sobre todos os actos, contratos, documentos, títulos, livros, papéis e outros factos previstos na correspondente Tabela Geral; 3) O Imposto para o Serviço Nacional de Bombeiros, um imposto de receita consignada a este Serviço que é cobrado pelas companhias de seguros juntamente com os respectivos prémios, sendo a sua taxa de 13% ou 6%; 4) Os impostos Rodoviáriós, em que ternos: o Imposto de Circulação, que incide sobre o uso e fruição dos veículos afectos ao transporte de mercadorias por conta própria ou à actividade de aluguer de veículos sem condutor, quando os mesmos se destinem ao transporte particular; e o Imposto de Camionagem, que incide sobre o uso e fruição dos veículos afectos ao transporte público rodoviário de mercadorias ou à actividade de aluguer de veículos sem condutor quando os mesmos se destinem exclusivamente ao transporte público;

5) O Imposto de Jogo, um imposto especial sobre a actividade de exploração
de jogos de fortuna e azar desenvolvida pelas empresas concessionárias e exercida dentro dos imóveis afectos à respectiva concessão, substituindo, relativamente aos rendimentos provenientes dessa actividade, qualquer outra tributação, designadamente a tributação em IRC; 6) A Contribuição para o Audiovisual (CAV), um imposto sobra o consumo de energia eléctrica, com a receita consignada

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qual tem sido a evolução recente das receitas de cada um dos principais impostos. as das contribuições para a Segurança Social. as pessoas singulares residentes e. servindo-nos para o efeito das receitas orçamentadas no OE/2006.° e segs. A receita dos principais impostos: Olhemos agora para as receitas proporcionadas pelos impostos mais importantes do nosso sistema fiscal. 53. as dos impostos directos. Incidência: 56. segundo o princípio da universalidade ou do rendimento mundial (world wide income principle). A incidência pessoal: De acordo com os arts. mediante uma visão panorâmica. Aí temos a seguinte estrutura de receitas. apresentando as suas importâncias em euros: primeiro. as pessoas singulares não residentes. depois. 13. Vejamos. finalmente. que são tributadas apenas pelos rendimentos obtidos em Portugal. 99 . as dos impostos indirectos.1. incluindo os obtidos fora do território nacional. na estrutura redictícia dos impostos que integram o nosso sistema fiscal.1. do CIRS.1.° 30/2003. comparemos as receitas dos nossos impostos com as dos impostos dos países da União Europeia. ou seja. (ver gráficos) VISÃO GERAL DOS IMPOSTOS PORTUGUESES 56. depois. Finalmente. São assim sujeitos passivos do IRS: — As pessoas singulares (incluindo as empresas individuais. de 22 de Agosto. Comecemos pelo montante de receitas proporcionados por cada um.ao financiamento do serviço público de radiodifusão e de televisão. 53.1. por um lado. A actual estrutura do sistema fiscal português Mas atentemos. ou seja segundo o princípio da territorialidade (em sentido estrito ou da fonte. 6° do CIRC) residentes (que tenham domicilio) em território nacional. que são tributadas pela totalidade dos seus rendimentos. isto é. nos termos do art. — As pessoas singulares não residentes (que não tenham domicilio) em território nacional. criado pela Lei n. por outro. O IRS: 56. são sujeitos passivos do IRS. o EIRL e os membros das pessoas colectivas sujeitas ao regime de transparência fiscal.

que foram sendo introduzidas no âmbito dessa categoria e se situam na sua periferia. temos rendimentos provenientes das remunerações pagas ou postas à disposição do respectivo titular no âmbito de uma relação jurídica de trabalho subordinado. ex-cônjuges. Pois. os maiores em certas circunstâncias e. uma solução que. forem rendimentos imputáveis a um estabelecimento estável. um conjunto relativamente homogéneo que forma o núcleo central da categoria. o qual é constituído. a respeito da tributação do agregado familiar. nos termos do art. 3) do contrato de aquisição de serviços ou outro de idêntica 100 . os adoptados e os enteados menores e. comporta uma importante excepção. na medida em que discrimina os casados face aos unidos de facto. pelos cônjuges não separados judicialmente de pessoas e bens e pelos seus dependentes.segundo o source principie) ou da obrigação tributária limitada (beschränkte Steuerpflicht). é o art. pai ou mãe solteiros ou adoptante solteiro e seus dependentes. é de referir que o princípio da tributação limitada aos rendimentos da fonte. Nas mencionadas situações nucleares da categoria.1. briga com a Constituição cujo art. por cada um dos cônjuges. 18º. toda uma série heterogénea de remunerações equiparadas às do trabalho por conta de outrem. 14° CIRS. ao contrário do que acontece com os casados que estão obrigados à tributação conjunta. podem optar pela tributação conjunta ou manterem-se na tributação separada. no respeitante aos rendimentos dos não residentes.2. as remunerações decorrentes de trabalho por conta de outrem. Por seu lado. 2) do contrato legalmente equiparado ao contrato de trabalho. então a tributação em IRS incidirá sobre a totalidade dos rendimentos imputáveis ao estabelecimento estável. de outro lado. bem assim. 36. De referir. em que se prescreve: ―as pessoas que vivendo em união de facto preencham os pressupostos constantes da lei respectiva. ou seja. se os rendimentos dos não residentes. em que naturalmente sobressaem os rendimentos empresariais ou profissionais. Tratando-se de residentes e existindo agregado familiar o imposto é devido pelo conjunto dos rendimentos das pessoas que constituem o agregado. mesmo quando provenientes de actos ilícitos.° por certo não permite esta espécie de discriminação inversa. Categoria A — ―rendimentos do trabalho dependente‖. 56. podem optar pelo regime de tributação dos sujeitos passivos casados e não separados judicialmente de pessoas e bens‖ que significa que os unidos de facto. em que claramente se distinguem: de um lado. A incidência real: Segundo os arts. sendo estes os filhos. os rendimentos resultantes: 1) do contrato de trabalho. no caso de agregados familiares biparentais. 1º a 11º do CIRS. no caso de agregados monoparentais. o IRS incide sobre o valor anual dos seguintes rendimentos. Nesta categoria insere-se um conjunto muito numeroso e diversificado de situações.

pré-aposentação. por razões que bem se compreendem. etc. cada vez mais. nas situações periféricas da categoria. não importa a que título. A atribuição desses benefícios enquadra-se. antes de verificados os requisitos exigidos nos regimes obrigatórios de segurança social para a passagem à situação de reforma e. abonos ou pagamento de determinadas despesas. no seu trabalho tenha que movimentar numerário na parte em que excedam 5% da remuneração mensal fixa. de outro. considerando-se. 4) as ajudas de custo e as importâncias auferidas pela utilização de automóvel próprio em serviço da entidade patronal. Embora se impusesse um tratamento minimamente desenvolvido relativamente a cada uma destas espécies de rendimento. em sofisticados sistemas de 101 . benefícios ou regalias não incluídos na remuneração principal que sejam auferidos devido à prestação. vamos limitar-nos aqui a algumas palavras no concernente às remunerações acessórias e às indemnizações. 5) da atribuição a título de pré-reforma. de um lado. encontramos toda uma série de situações que a lei considera ainda rendimentos do trabalho dependente. que constituam encargo do beneficiário. com ou sem prestação de trabalho. Por seu lado. entre as quais podemos mencionar: 1) as remunerações dos órgãos estatutários das pessoas colectivas (excepto dos que nelas participem como revisores oficiais de contas). O que caracteriza estas remunerações é o facto de terem normalmente um carácter complementar face à remuneração devida pela prestação de trabalho. as prestações que continuem a ser devidas até que se verifiquem os requisitos necessários à passagem à situação de reforma. Podem consistir quer em prestações de natureza pecuniária como subsídios. Nos termos da alínea b) do nº 3 do art. 6) de prestações atribuídas. vamos referir-nos. como uma manifestação da sua capacidade contributiva. as remunerações acessórias são definidas como os direitos. devida a título de participação nas campanhas de pesca aos pescadores que limitem a sua actuação à prestação de trabalho fixa. bem assim.natureza em que o trabalho seja prestado sob a autoridade e direcção do adquirente dos serviços. 6) a quota-parte. 4) do exercício de função. ao seu conceito e. incluindo as que respeitem ao incumprimento das condições contratuais. 2º CIRS. às situações que as integram. extinção ou modificação de relação jurídica que origine rendimentos de trabalho dependente. por isso. na parte em que ambas não excedam os limites legais: 5) quaisquer indemnizações resultantes da constituição. serviço ou cargo público. quando não atribuídas pela entidade patronal: etc. ainda que constituam um encargo directo ou indirecto da entidade patronal e façam parte dos benefícios que o trabalhador recebe em virtude dessa prestação. 3) os abonos para falhas devidos a quem. E relativamente às remunerações acessórias (fringe benefits). 2) as chamadas remunerações acessórias. ou cru conexão com esta e constituam para o seu beneficiário uma vantagem económica. acrescida dos descontos para a segurança social. o fornecimento de refeições no local de trabalho. reserva. quer em prestações sem natureza pecuniária como a atribuição de casa ou automóvel de função. 7) as gratificações auferidas pela prestação ou em razão da prestação de trabalho.

a título de valorização patrimonial daqueles valores ou direitos. de subscrição. não conexas com as funções exercidas pelo trabalhador ao serviço da mesma entidade. 6) as importâncias dispendidas pela entidade patronal com viagens e estadas. segundo o disposto nas al. extinção ou modificação de relação jurídica que origine rendimentos desta categoria.675. fundos de poupança reforma ou quaisquer regimes complementares de segurança social. 2. mas sem prejuízo do disposto no n. através dos quais a entidade patronal procura minorar a carga fiscal que incide sobre os trabalhadores. Pois bem. criados em benefício dos trabalhadores ou membros de órgãos sociais.° 3 do art. independentemente do índice utilizado para a respectiva determinação. 8) os rendimentos. e. este prescreve que a tributação incide apenas na parte correspondente a urna vez e meia 102 . diminuindo consequentemente os custos empresariais do factor trabalho.° 4 desse art.43 e cuja taxa não seja inferior a 65% da prevista no DL 138/98. obrigatória ou facultativamente. as indemnizações em causa integram a categoria A. bem assim. Uma palavra agora no respeitante à situação periférica constituída por quaisquer indemnizações resultantes da constituição. pela entidade patronal com seguros e operações do ramo ―vida‖. em dinheiro ou em espécie. de turismo e similares. de atribuição ou outros de efeito equivalente. fundos de pensões. desde que constituam direitos adquiridos e individualizados dos respectivos beneficiários. segundo o preceito do CIRS em referência elas distribuem por dez números. 3) as importâncias dispendidas. ou em 70% sempre que o respectivo subsídio seja atribuído através de vaies de refeição. com excepção dos destinados a aquisição de habitação própria de valor não superior a € 134. Porém. pagos ou colocados à disposição a título de direito a rendimento inerente a valores mobiliários ou direitos equiparados. e) do n. de qualquer viatura que tenha originado encargos parva entidade patronal. de atribuição ou outros de efeito equivalente sobre valores mobiliários ou direitos equiparados. 9) os resultantes da utilização pessoal pelo trabalhador ou membro de órgão social de viatura automóvel que gere encargos para a entidade patronal (quando exista acordo entre o trabalhador ou membro de órgão social e a entidade patronal sobre a imputação àquele da viatura) 10) a aquisição pelo trabalhador ou membro de órgão social. Relativamente às situações que integram essas remunerações. ainda que estes revistam a natureza ideal. 7) os ganhos derivados de pianos de opções.planeamento fiscal. 2) o subsídio de refeição. a saber: 1) os abonos de famfiia e respectivas prestações complementares. 4) os subsídios de residência ou equivalentes ou a utilização da casa de habitação fornecida pela entidade patronal 5) os resultantes de empréstimos sem juros ou a taxa de juro inferior à de referência para o tipo de operação em causa.°. por preço inferior ao valor de mercado. ainda que de natureza ideal (stock options). concedidos ou suportados pela entidade patronal. 2°. de 16 de Maio. na parte em que não excedam os limites legais. na parte em que exceder 50% o limite legal. derivados de pianos de subscrição.

actividades hoteleiras e similares. designadamente as resultantes da transferência para o património particular dos empresários de quaisquer bens afectos ao activo da empresa.o valor médio das remunerações regulares com carácter de retribuição sujeitas a imposto. designadamente. Esta integra os rendimentos: 1) decorrentes do exercício de qualquer actividade comercial. industrial.° de anos ou fracção de antiguidade ao serviço na entidade pagadora da indemnização. agrícola. a título de indemnização. comercial ou cientifico. I — indemnização. pesca. agências de viagens e turismo. definidas nos termos do Código do IRC. industrial. assim como pela mudança do local do respectivo exercício. conexas com a actividade exercida. agrícola. 4) as importâncias relativas à cessão temporária de exploração de estabelecimento. 6) os provenientes da práticas de actos isolados referentes à actividade comercial. nomeadamente a sua redução. 2) auferidos no exercício. Consideram-se ainda rendimentos desta categoria: 1) os rendimentos prediais e de capitais imputáveis a actividades empresariais e profissionais. 5) os subsídios ou subvenções obtidos no âmbito de qualquer actividade comercial. agrícola. silvícola ou pecuária. por conta própria. quando auferidos pelo seu titular originário. industrial. artesanato: actividades agrícolas e pecuárias não conexas com a exploração 103 . Pelo que a importância sujeita a IRS é calculada de acordo com a seguinte fórmula: Sendo: R — rendimento tributável. transportes. pecuária ou de prestação de serviços. silvícola. Categoria B — ―rendimentos empresariais e profissionais‖. 3) os provenientes da propriedade intelectual ou industrial ou das prestação de informações respeitantes a uma experiência adquirida no sector industrial. fabricação. suspensão e cessação. bem como venda ou exploração do direito real de habitação periódica. multiplicado pelo número de anos ou fracção de antiguidade ou de exercício de funções na entidade devedora. pecuária ou de prestação de serviços. auferidas nos últimos 12 meses. as seguintes: compra e venda. 2) as maisvalias apuradas no âmbito das actividades empresariais e profissionais. 3) as importâncias auferidas. Rm — total das remunerações regulares com carácter de retribuição sujeitas a imposto nos últimos 12 meses. construção civil. restauração e bebidas. de qualquer actividade de prestação de serviços ainda que conexas com qualquer actividade mencionada no número anterior. urbanísticas e exploração de loteamentos. explorações mineiras e outras indústrias extractivas. São consideradas actividades comerciais e industriais. silvícola. n — n.

industriais. continua a haver um tratamento diferenciado dos rendimentos profissionais face aos rendimentos das actividades comerciais. as seguintes: as comerciais ou industriais. meramente acessórias ou complementares daquelas. Estes integram as rendas dos prédios rústicos. e dentro destes últimos. quando não auferidos pelo respectivo autor ou titular originário. seja ao carácter remunerado dos mesmos. os juros e outros rendimentos de títulos. comercial ou científico. Categoria E — ―rendimentos de capitais‖. que utilizem. constantes do art. pois. designadamente. os lucros das entidades sujeitas ao imposto sobre o rendimento das pessoas colectivas colocados à disposição dos respectivos associados ou titulares e os rendimentos provenientes de contratos que tenham por objecto a cessão ou utilização temporária de direitos da propriedade intelectual ou industrial ou a prestação de informações respeitantes a uma experiência adquirida no sector industrial. 6º CIRS. Presunções que. os juros derivados de depósitos à ordem ou a prazo em instituições financeiras. 3° e 4° do CIRS. dependentes daquelas actividades. explorados directamente ou por terceiro. declaração do Banco de Portugal ou reconhecimento pela DGCI. de forma exclusiva. Trata-se dos rendimentos resultantes da aplicação de capitais. ainda. Categoria F — ―rendimentos prediais‖. como resulta deste artigo e dos arts. A respeito desta categoria devemos sublinhar que. incluindo os títulos de dívida pública. nomeadamente. comercial ou científico. são consideradas actividades agrícolas. é manifesto que a mesma não foi conseguida. em que se compreendem. silvícolas ou pecuárias. não se operou uma verdadeira integração desses rendimentos. a caça e a exploração de pastos naturais. silvícolas e pecuárias. acto administrativo. silvícolas e pecuárias. quando não constituam rendimentos prediais. não obstante a intenção de integração do conjunto dos rendimentos empresariais e profissionais da L 30G/2000. como resulta dos complexos arts. actividades agrícolas. entre os rendimentos das actividades comerciais e industriais e os rendimentos das actividades agrícolas. a exploração de marinhas de sal. a investigação e obtenção de novas variedades animais e vegetais. urbanos e mistos pagos ou colocados à disposição dos respectivos titulares e 104 . os juros provenientes de contratos de mútuo e de abertura de crédito. silvícolas ou pecuárias. água e outros produtos espontâneos. A respeito dos rendimentos de capitais é de chamar a atenção para as diversas presunções relativas seja à existência de mútuos. bem como os derivados de assistência técnica e. os decorrentes do uso ou concessão do uso de equipamento agrícola e industrial. agrícolas.da terra ou em que esta tenha carácter manifestamente acessório. Efectivamente. os produtos das próprias explorações agrícolas. silvícolas e pecuárias integradas noutras de natureza comercial ou industrial Por seu lado. 73° LGT e 64° CPPT são elidíveis através de prova em contrário produzida com base em decisão judicial.

de rendimentos do trabalho dependente de ontem. Como é fácil de ver. de partes sociais e da propriedade intelectual ou industrial (quando. não sendo considerados rendimentos empresariais e profissionais. e bem assim a diferença de rendas obtidas pelo sublocador. os ganhos que. corno já referimos. e que não sejam consideradas rendimentos do trabalho dependente. 88. incluindo as dos bens móveis que aí se encontrem. operações relativas a instrumentos financeiros derivados e operações relativas a warrants autónomos. fundamentalmente. por razões que se prendem sobretudo com a vantajosa dedução específica com que foram 105 . ao que julgamos. sejam devidas a título de pensões de aposentação ou de reforma. não sendo havidas como rendimentos de trabalho subordinado. Como claramente decorre da norma de incidência relativa a esta categoria. Muito embora. velhice. pois trata-se.decorrentes da locação de tais prédios ou de cessões de exploração de estabelecimentos comerciais ou industriais. devidas no âmbito de regime complementar de segurança social em razão de contribuição da entidade patronal. Por isso. Categoria G — ―incrementos patrimoniais‖. Daí que não vejamos obstáculo a que fossem integrados na categoria A. Por seu lado. Todavia. da cessação de posições contratuais ou outros direitos relativos a imóveis. Ampliada pela L 30-G/2000. ou quaisquer outras entidades. no que constitui uma excepção (difícil de explicar) à regra da não tributação do rendimento imputado à casa de habitação. Consideram-se como tais: as prestações que. estamos perante rendimentos muito semelhantes aos rendimentos do trabalho dependente. integram esta categoria. ou de sobrevivência e outras de idêntica natureza e ainda as pensões de alimentos: as prestações a cargo das seguradoras. 87º. Categoria H — ―pensões‖. esse rendimento possa ser tributado a outro título. o rendimento imputado à casa de habitação. considerando-se como tais apenas os destinados a ressarcir os benefícios líquidos deixados de obter em consequência da lesão. de capitais ou prediais. a título de mais-valias. a título de rendimentos prediais. como acontece no domínio da categoria A com o rendimento imputado à utilização pelo trabalhador de casa de habitação fornecida pela entidade patronal. as rendas temporárias ou vitalícias. não integram o rendimento tributável em IRS. como acontecia antes. relativamente a esta o transmitente não seja o seu titular originário). a título de outros incrementos patrimoniais. invalidez. fundos de pensões. quaisquer outras pensões ou subvenções.°-A LGT. resultem da alienação onerosa de direitos reais. esta categoria abrange agora não apenas as mais-valias.° e 89. as importâncias auferidas em virtude de obrigações de não concorrência e os acréscimos patrimoniais não justificados determinados nos termos dos arts. temos as indemnizações que visem a reparação de danos emergentes não comprovados e de lucros cessantes. mas também outros incrementos patrimoniais.

28° a 39°). é o de saber se vigora entre nós o princípio da intercomunicabilidade dos custos das diversas categorias de rendimento. nesta sede. a dedução específica concretiza-se de maneira diferente consoante os sujeitos passivos se insiram no regime simplificado ou no regime normal de determinação dos rendimentos. um princípio que parece decorrer do princípio da capacidade 106 . no respeitante aos rendimentos empresariais profissionais. se coloca. que reduziu a mencionada dedução específica.contemplados. Relativamente ao trabalho dependente essa dedução corresponde a 72% de doze vezes o salário mínimo nacional mais elevado. foram objecto de uma categoria própria. duma dedução específica particularmente vantajosa. Finalmente. ainda é mais do dobro da dedução específica dos trabalhadores no activo (art. se o montante das contribuições obrigatórias para os regimes de protecção social e para subsistemas de saúde for superior aquele montante. A determinação da matéria colectável 56. 41°). Nas categorias E e G não há lugar a qualquer dedução específica (a não ser. Por seu lado.500. em relação à categoria G. sem qualquer explicação que a suporte. 22°). As diversas etapas de determinação da matéria colectável A determinação da matéria colectável comporta os seguintes momentos: a) Apuramento do rendimento líquido de cada categoria através da subtracção ao rendimento ilíquido (ou bruto) de cada categoria das deduções especificas (que. o que se obtém somando os rendimentos líquidos apurados nos termos referidos (art. b) Apuramento do chamado rendimento global líquido ou rendimento líquido total através do englobamento dos rendimentos das diversas categorias. Na categoria F a dedução específica está limitada às despesas de manutenção e de conservação suportadas pelo sujeito passivo e devidamente documentadas. a dedução será igual ao montante total dessas contribuições (art. a qual.5. são constituídas pelas despesas necessárias à obtenção do respectivo rendimento) dessa mesma categoria. quando se verifique esta última situação. se seguem as regras estabelecidas no CIRC (arts.1. Um problema importante que. e ao IMI que incida sobre o valor dos prédios cujo rendimento tenha sido englobado (art. sendo certo que. uma vez que. mesmo depois da sua redução pela LOE/2006 para € 7. 25°). beneficia a categoria H. as respeitantes às menos valias e à dupla tributação económica) — arts. 53°). basicamente. intenção já começada a concretizar na LOE/2006. a qual não tem qualquer explicação. 56. 40° e 40°-A e 42° a 52º.5.

a disponibilidade de um 107 . outra. Todavia.5 10.3037 O montante do rendimento colectável.°. para os titulares de rendimentos predominantemente originados em trabalho dependente. 69°).5986 34 27. à qual se aplicará a taxa da coluna (B) correspondente a esse escalão. A taxa 56. no caso de cônjuges casados e não separados judicialmente de pessoas e bens e dos unidos de facto que tenham optado pela tributação conjunta. que se concretiza através da divisão por dois do rendimento colectável.5000 13 11. 56. parece consagrar um tal princípio. logo nos damos conta de que um tal princípio é totalmente infirmado. Pois bem.1. vigora o princípio oposto. ou seja o princípio da não intercomunicabilidade dos custos. de modo a encontrar a taxa aplicável a todo o rendimento colectável (art. o n.3471 23. segundo o art. 56°). ao dispor que ―sem prejuízo do disposto nos números seguintes.5 18. nos termos do art. 68. uma vez que neles é negada inclusive a intercomunicabilidade de custos dentro da própria categoria B.6. igual ao limite maior dos escalões que nele couber. será dividido em duas partes: uma. d) Apuramento do quociente conjugal. c) A dedução ao rendimento líquido total dos chamados abatimentos. As taxas gerais: As taxas gerais do IRS são. a que se aplicará a taxa da coluna (A) respeitante ao escalão imediatamente superior.451. lendo o disposto nos números seguintes desse artigo.8701 ----- É de acrescentar que.1545 40 42 30.contributiva. quando superior a € 4. é dedutível ao conjunto dos rendimentos líquidos sujeitos a tributação o resultado líquido negativo apurado em qualquer categoria de rendimentos‖. na prática. Por isso. da aplicação das taxas nos termos que acabamos de ver não pode resultar. à primeira vista. 36.° 1 do art. 70° CIRS.6. mais especificamente do seu vector qualificado conhecido por princípio do rendimento líquido. bem podemos dizer que. as seguintes: Rendimento colectável (em euros) Normal (A) até 4451 de + de 4451 até 6732 de + de 6732 até 16692 de + de 16 692 até 38 391 de + de 38 391 até 55 639 de + de 55 639 até 60 000 superior a 60 000 Taxa (%) Média (B) 10. que agora se limitam às importâncias respeitantes aos encargos com pensões a que o sujeito passivo esteja obrigado por sentença judicial ou acordo judicialmente homologado u Feitos os referidos abatimentos. apura-se o chamado rendimento colectável (art. 55°. igual ao excedente.5 30.

para os lucros colocados à disposição dos respectivos associados ou titulares devidos por entidades sujeitas a IRC. c) De 15% para os rendimentos provenientes de contratos que tenham por objecto a cessão ou utilização temporária de direitos da propriedade intelectual ou industrial ou a prestação de informações respeitantes a uma experiência adquirida no sector industrial. 72°). e os rendimentos decorrentes das actividades previstas na lista anexa ao CIRS (art. em contrapartida. e designadarnente com carácter liberatório. não podem deixar de constituir uma situação excepcional no respeitante aos rendimentos dos residentes. Taxas especiais: Mas. por razões que se prendem com os princípios constitucionais da unicidade e da progressividade. 71º/4). ao lado destas taxas de carácter geral. 72°/2). comercial ou científico. para os rendimentos do trabalho dependente e do exercício. b) De 20% para os rendimentos de capitais não expressamente tributados a taxa diferente (art. nem resultar qualquer imposto para os mesmos rendimentos. noutros casos são taxas de tributação autónoma (art. por óbvias razões de praticabilidade. 71°/1. cuja matéria colectável. como taxas liberatórias. e das pensões (art. urna situação normal relativamente aos rendimentos dos não residentes. e l01º/1/b)). por conta própria. Quanto aos não residentes temos. 71º/3/d)). Como taxas de tributação autónoma dos rendimentos de não residentes./a). temos as taxas especiais de carácter proporcional. d) e e)).775. constitui. após a aplicação do quociente conjugal. as seguintes: a) De 25% para os rendimentos atribuídos aos associados e provenientes de partilha no caso de liquidação de sociedade ou outra entidade. ternos. os rendimentos resultantes das comissões de intermediação na celebração de quaisquer contratos e os rendimentos provenientes da propriedade intelectual auferidos por titulares não originários (art. c). pois concretizam o pagamento integral do IRS através do mecanismo da retenção na fonte (art. seja igual ou inferior a € 1. quando não auferidos pelo respectivo autor ou titular originário. que em muitos casos constituem taxas liberatórias.6. 71º/2. por seu lado.2. de qualquer actividade de prestação de serviços.rendimento líquido de imposto inferior ao valor anual da retribuição mínima mensal acrescida de 20%. A aplicação de taxas especiais. 108 . 71°). 56. as seguintes: a) De 30% sobre os rendimentos imputáveis a estabelecimento estável situado em território português (art.

diga respeito a sujeitos passivos que hajam recebido apenas rendimentos das categorias A e H. a liquidação deve ser levada a cabo: 1) até 30 de Abril. dividindo o rendimento colectável por 2 a fim de seleccionarmos a taxa aplicável a este quociente. 2) até 30 de Maio. 3) até 31 de Julho. Do ponto de vista das operações da liquidação. 77°. Por sua vez. nominativos ou ao portador. 72º/1). 5º (art. quando não atribuídas pela entidade patronal nem por entidade que com esta mantenha relações de grupo. para os rendimentos de títulos de dívida. para os rendimentos de operações de swaps e decorrentes de capitais referidos no n.prestação de trabalho. 72º/3) 56.° 3 do art. há que proceder à liquidação stricto sensu. 71º/3/a). como há multiplicidade de taxas. Por seu lado. 75°. relativamente aos residentes temos as seguintes taxas liberatórias: a) . A liquidação e cobrança: Nos termos do art. incluindo os certificados de depósito. se verifique a situação contemplada na al.b) De 25% sobre as mais-valias realizadas e os rendimentos prediais auferidos em território português e não imputáveis a estabelecimento estável.°. contas de títulos com garantia de preços ou de outras operações similares ou afins. muito 109 . quando. b) De 25% para os rendimentos constituídos por prémios de lotarias. à aplicação da taxa ao rendimento colectável para apurar a colecta. c) De 20% para os juros de depósito à ordem e a prazo. quando tenha por base a declaração cujo prazo de entrega é de 1 de Fevereiro a 15 de Março.° 1 do art. pois estamos perante uma taxa progressiva. Mas. proceder ao apuramento do quociente conjugal. ou seja. 71º/1). b) e c)). Como taxa de tributação autónoma de residentes. a liquidação do IRS compete aos serviços centrais da DGCI. para os De 35% para os rendimentos constituídos por prémios de rifas. nos termos sumários que vimos. isto é. de apostas mútuas desportivas e do bingo (art. bem como os rendimentos de operações de reporte. segundo o art. b) do n. domínio ou simples participação (art. temos de seleccionar qual a taxa ou taxas aplicáveis e. apurado o rendimento colectável.7. 76. 71º/2/f)). ternos a de 10% sobre as gratificações auferidas pela prestação ou em razão da . totoloto e jogo do loto. diga respeito a sujeitos passivos que hajam recebido rendimentos de outras categorias. ou de 15% quando se trate de rendimentos prediais (art. isto é. cessões de crédito. quando se tratar de contribuintes casados ou unidos de facto (no caso de terem optado pela tributação conjunta). não tendo sido apresentada a declaração de rendimentos. quando tenha por base a declaração cujo prazo de entrega é de 16 de Março a 30 de Abril. bem corno de sorteios ou concursos (art.

Aliás. temos apurada a colecta do IRS. o que é o mesmo. 2 e 3 do art. constantes dos arts. compreende-se que. é óbvio que tais pagamentos hão-de ser deduzidos à colecta do IRS.° 3 do referido art. 81º. como se trata. as seguintes: 1) Os montantes relativos aos sujeitos passivos correspondentes às seguintes percentagens do valor mensal do salário mínimo nacional mais elevado: 60% por cada sujeito passivo não casado. a dedução a efectuar não pode ultrapassar o imposto pago no estrangeiro nos termos previstos na convenção. De outro lado. entre outras. o remanescente podia ser deduzido até ao fim dos cinco exercícios seguintes. 4) 30% das despesas com a educação até ao limite de 160% do valor mensal do salário mínimo nacional mais elevado. Entre estas salientam-se. caso exista convenção para eliminar a dupla tributação celebrada por Portugal. e 55% por ascendente que viva efectivamente em comunhão de habitação com o sujeito passivo e não aufira rendimentos superiores à pensão mínima do regime geral (art.° a 88. à qual há que proceder a numerosas deduções — as deduções constantes dos arts. quando superiores ao imposto devido. ao produto deste quociente por 2. é de mencionar que o crédito de imposto por prejuízos importados. 50% por cada sujeito passivo casado. Assim o prescrevem. 80% por sujeito passivo nas famílias monoparentais. como não podia deixar de ser. 78. os nums. os Pagamentos por conta efectuados relativamente aos rendimentos da categoria B. no caso de o crédito de imposto não poder ser totalmente utilizado por insuficiência de colecta no exercício em que os rendimentos obtidos fossem incluídos na base tributável. introduzido pela L0E/99. E que tratando-se. foi eliminado pela Lei do Orçamento Rectificativo para 2005. por constituírem deduções à colecta por natureza. limite este elevado em montante correspondente a 30% do referido valor por cada dependente nos agregados com três ou mais dependentes (art. ou. 40% por cada dependente que não seja sujeito passivo do impostos. 81º). justamente porque têm uma tal natureza. ao revogar o n. 83°). de antecipações do cumprimento da obrigação do imposto. seus descendentes e colaterais até ao 3° grau que não possuam rendimentos superiores ao salário mínimo nacional mais elevado. 2) O crédito de imposto (igual ao imposto pago no estrangeiro ou à fracção da colecta do IRS correspondente aos rendimentos auferidos no estrangeiro se aquele for superior) por dupla tributação internacional dos titulares de rendimentos das diferentes categorias obtidos no estrangeiro (art. com o 110 . Quanto às demais deduções à colecta. Realizada esta operação. 5) 25% das despesas com lares e outras instituições de apoio à terceira idade relativas aos sujeitos passivos. 78° a 88° CIRS.embora esta taxa se aplique a todo o rendimento colectável e não apenas a este quociente. 79°). 78°. 3) 30% das despesas com a saúde (art. É de referir que neste artigo se prescreve que. confiram o direito ao reembolso da diferença. 82°). em que se previa que. temos.°.

limite (art. aprovado pelo DL 321-A190. em larga medida. 102°. pelos rendimentos das outras categorias nos termos dos arts.°). seja através da retenção na fonte. líquidas de subsídios ou comparticipações oficiais. Setembro e Dezembro. Assim. na parte que respeitem a juros e amortizações das correspondentes dívidas. segue-se a sua cobrança ou pagamento. construção ou beneficiação de imóveis para a habitação própria e permanente ou arrendamento para habitação permanente do arrendatário. relativos a: a) juros e amortizações de dívidas contraídas com a aquisição. quando referentes a contratos de arrendamento celebrados a coberto do Regime de Arrendamento Urbano. situados em território — as português. b) prestações devidas em resultado de contratos celebrados com cooperativas de habitação ou no âmbito de compras em grupo. é de referir que esta forma antecipada de pagamento se aplica apenas aos rendimentos da categoria B. os quais vêm regulados no art. 8) benefícios fiscais nos termos e dentro dos limites estabelecidos no EBF ou na legislação aplicável (art. obtém-se o montante do imposto a pagar. 84. no respeitante aos pagamentos por conta. Assim é objecto de retenção na fonte o IRS devido pelos rendimentos do trabalho dependente (com excepção de alguns deles) e das pensões (com excepção das de alimentos) e. até ao dia 20 de cada um dos meses de Julho. 99° a 101º. Subtraídas à colecta as deduções.° 3 e 4 do art. antecipadamente. é de assinalar que o IRS é pago. seja através dos pagamentos por conta. bem assim. para a aquisição de imóveis destinados à habitação própria e permanente ou arrendamento para habitação permanente do arrendatário. Por seu lado. consoante se trate de sujeitos passivos não casados ou separados judicialmente de pessoas e bens ou de sujeitos passivos casados e não separados judicialmente de pessoas e bens (art. 7) 25% dos prémios de seguros até ao limite de € 59 ou € 118. 98°. até ao dia 20 do mês seguinte àquele em que as retenções tiverem sido efectuadas. nos termos deste preceito. liquidado o imposto. de 15 de Outubro. suportadas a título de renda pelo arrendatário de prédio urbano ou da sua fracção autónoma para fins de habitação permanente. Enfim. Quanto a este. até ao limite de € 562. c) importâncias. 85°). 111 . Segundo os n. os sujeitos passivos dos rendimentos da categoria B efectuarão obrigatoriamente três pagamentos por conta do imposto devido a final. o imposto retido deve ser pago mensalmente. até ao limite de € 562 (art. a que aludimos. até ao limite de € 562. 88°). de € 323 6) 30% dos encargos com imóveis. 86°).

25° e segs) = Rendimento líquido por cada categoria Soma dos rendimentos líquidos por cada categoria ou englobamento (art. 76° e 77°) que esse prazo é até 31 de Maio do ano da liquidação no caso dos rendimentos serem apenas rendimentos das categorias A e H. corno decorre do que dissemos em sede geral. RLT = rendimento liquido total do penúltimo ano. há que fazer alusão aos locais e ao prazo do pagamento normal do imposto liquidado. 78°. Pois bem. nos termos dos arts. a sequência das operações de determinação do IRS: Determinação do rendimento bruto por categoria Deduções específicas p/cada categoria (arts. líquida das deduções a que se refere o n° 1 do art. R = total das retenções efectuadas no penúltimo ano nos rendimentos da categoria B. das disposições pertinentes do RCR. Esquema de determinação do IRS: Vejamos. Para terminarmos o tratamento dedicado ao IRS.A totalidade dos pagamentos por conta montante calculado com base na seguinte fórmula: é igual a 85% do Sendo: C = colecta do penúltimo ano. 60°. 22°) 112 . 56. o IRS pode ser pago em qualquer serviço de finanças. 97° (em articulação com os arts. com excepção da relativa à dupla tributação internacional. 98°/2 e 105° CIRS e. na respectiva caixa 105 nas estações dos CTT. em qualquer dos balcões das instituições de crédito autorizadas e nos postos servidos por máquinas ATM (postos ―multibanco‖).8. dispõe o art. quanto ao prazo do pagamento normal do IRS liquidado. Por seu lado. num quadro. RLB = rendimento líquido positivo do penúltimo ano da categoria B. bem assim. e até 30 de Julho no caso de haver rendimentos de outras categorias.

=
Rendimento englobado Algumas perdas (art. 55°) = Rendimento global líquido Abatimentos (art. 56°)

=
Rendimento colectável (art. 56°)

Sendo contribuintes casados ou em união de facto: spliting ou divisão por 2 (art. 69º/1) x taxa (arts. 68° e 70° — 73°)

Sendo contribuintes casados ou em união de facto: x 2 (art, 69°/2) x 2 colecta Deduções à colecta: por sujeitos passivos e dependentes — art. 79º Por despesas sociais — arts. 82° — 84° e 87°, Por impostos já suportados — arts. 80° e Por crédito de imposto por dupla tributação internacional — art. 81º, Por benefícios fiscais — arts. 85°, 86° e 88° = imposto a pagar

57. O IRC:

57.1. Incidência:
57.1.1. A incidência pessoal:

113

Segundo o art. 2° CIRC, constituem sujeitos passivos do IRC: — As pessoas colectivas (sociedades comerciais, sociedades civis sob forma comercial, cooperativas, empresas públicas e demais pessoas colectivas de direito público ou privado) com sede ou direcção efectiva em território português (consideradas residentes); — As entidades desprovidas de personalidade jurídica com sede ou direcção efectiva em território português (consideradas residentes), cujos rendimentos não sejam tributáveis em IRS ou em IRC directamente na titularidade das pessoas singulares ou colectivas, em que se incluem, designadamente as heranças jacentes, as sociedades e associações sem personalidade jurídica, as pessoas colectivas em relação às quais tenha sido declarada a invalidade e as sociedades comerciais ou civis sob forma comercial anteriormente ao registo; — as entidades com ou sem personalidade jurídica que não tenham a sede nem a direcção efectiva em território português (considerada.s não residentes) e cujos rendimentos nele obtidos não estejam sujeitos a IRS. 57.1.1. A incidência real: Do ponto da incidência real, o IRC incide sobre os rendimentos obtidos, mesmo quando provenientes de actos ilícitos no período da tributação, havendo que proceder, quanto à base do imposto, à distinção entre as entidades residentes e as entidades não residentes nos termos do art. 3º CIRC. Pois bem, segundo este preceito, a base do imposto, relativamente às entidades residentes, é a seguinte: — se exercerem, a título principal, uma actividade de natureza comercial, industrial ou agrícola (considerando-se que é sempre esse o caso das sociedades comerciais ou civis sob a forma comercial, das cooperativas e das empresa públicas), a base do imposto é o lucro, definido como a diferença entre os valores do património líquido no fim e no início do período de tributação, com as correcções estabelecidas na lei; — se não exercerem, a título principal, uma actividade de natureza comercial, industrial ou agrícola, então a base do imposto é o rendimento global, correspondente à soma algébrica dos rendimentos das várias categorias consideradas para efeitos do IRS, categorias essas que, por razões que se prendem com a sua natureza de pessoas colectivas, não poderão ir além das B (acessória), E. F e G. Por seu turno, a base do imposto, relativamente às entidades não residentes é a seguinte: — Se dispuserem em território português de estabelecimento estável, a base do imposto é o lucro imputável ao estabelecimento estável; — se não tiverem estabelecimento estável em território português, ou, tendo-o, esses rendimentos não sejam imputáveis ao mesmo, a base do imposto é constituída por cada um dos rendimentos das deferentes categorias consideradas para efeitos do

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IRS, ou seja, atenta a sua natureza de pessoas colectivas, por cada um dos rendimentos das categorias B, E, F e G. 57.1.3. A extensão da obrigação de imposto: À semelhança do que acontece no IRS, a obrigação de imposto em IRC nos termos do art. 4º CIRC, um âmbito muito dïferente consoante se trate de entidades residentes ou de entidades não residentes. Assim, enquanto as entidades residentes estão sujeitas a urna obrigação pessoal, pelo que pagam IRC pela totalidade dos seus rendimentos, quer sejam obtidos no território português, quer sejam obtidos no estrangeiro, obedecendo ao princípio do rendimento mundial (world wide income principle), as entidades não residentes estão sujeitas a uma obrigação real, pelo que pagam IRC apenas relativamente aos rendimentos obtidos em território português, guiando-se pelo princípio da fonte (source principle). Consideram-se obtidos em território português, para efeitos de tributação das entidades não residentes, além dos rendimentos imputáveis a estabelecimento estável situado nesse território: a) os rendimentos relativos a imóveis situados em território português, incluindo os derivados da sua transmissão onerosa; b) os ganhos resultantes da transmissão onerosa de partes representativas do capital de entidades com sede ou direcção efectiva em território português ou de outros valores mobiliários emitidos por entidades que aí tenham sede ou direcção efectiva, ou ainda de partes de capital ou outros valores mobiliários quando, não se verificando essas condições, o pagamento dos respectivos rendimentos seja imputável a estabelecimento estável no mesmo território; c) rendimentos derivados do exercício em território português da actividade de profissionais de espectáculo ou desportistas; d) rendimentos diversos cujo devedor tenha residência, sede ou direcção efectiva em território português ou cujo pagamento seja imputável a um estabelecimento estável nele situado. Entre estes últimos contam-se: os provenientes da propriedade intelectual ou industrial e bem assim da prestação de informações respeitantes a uma experiência adquirida num sector industrial, comercial ou científico; os derivados do uso ou da concessão do uso de equipamento agrícola, industrial, comercial ou científico; os derivados de assistência técnica; outros rendimentos de aplicação de capitais; remunerações auferidas na qualidade de membros de órgãos estatutários de pessoas colectivas e outras entidades, ganhos de jogo, lotarias e apostas mútuas. Por seu lado, quanto ao estabelecimento estável, como já referimos, este é definido no art. 5° corno ―qualquer instalação fixa através da qual seja exercida uma actividade de natureza comercial, industrial ou agrícola‖ . O que implica a existência cumulativa de dois elementos: um elemento estático, constituído pela organização através da qual é exercida uma determinada actividade, e um elemento dinâmico, constituído pela actividade exercida considerada em si mesma.

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a certas sociedades residentes. o regime de transparência fiscal aplica-se a: 1) sociedades civis não constituídas sob forma comercial. d) uma fábrica: e) uma oficina. podemos estar perante sociedades civis simples. no que concerne às sociedades de profissionais e às sociedades de administração de bens cujo capital social pertença maioritariamente a um grupo familiar ou a um pequeno número de sócios. 6°). eliminar a dupla tributação económica dos lucros distribuídos. é de assinalar que a lei ao mencionar ―qualquer instalação fixa‖ concebe os estabelecimentos estáveis como estabelecimentos reais. segundo o preâmbulo do CIRC. que dispõe: ―incluem-se na noção de estabelecimento estável. relativa a agrupamentos de sociedades (nums.4. sendo antes tributados os sócios em IRS. industrial ou agrícola todas as actividades que consistam na realização de operações económicas de carácter empresarial. 3. em relação à actividade exercida. desde que satisfeitas as condições estipuladas no número anterior: a) um local de direcção: b) uma sucursal. segundo o 11. c) um escritório. 109°/7). a lei fiscal a define em termos muito amplos. sociedades civis na forma comercial ou mesmo sociedades comerciais. quanto à segunda situação. ―são consideradas de natureza comercial. corno consta do art. 2. 2 e 3 do art. outra. no respeitante ao tipo de organização. O que significa que estas sociedades. O que vale igualmente para as sociedades unipessoais. Quanto à primeira situação.°. uma pedreira ou qualquer outro local de extracção de recursos naturais situado em território português‖. como é. aplicado um regime de transparência fiscal. 2) sociedades de profissionais e 3) sociedades de administração de bens cujo capital social pertença maioritariamente a um grupo familiar ou a um pequeno número de sócios em determinadas condições. Esclareça-se que esta situação de transparência fiscal não abrange apenas as sociedades civis simples.1. 6°). Trata-se dum regime que. as sociedades de pessoas têm. entre nós e ao contrário do que acontece em geral lá fora. Temos neste regime duas situações: uma. previsto no art. 12. salvo quanto às tributações autónomas (art.0 do CIRC. 57. De outro lado.Lembramos que. um poço de petróleo ou de gás. 1. por exemplo. já que. f) uma mina. Por seu turno. temos os agrupamentos complementares de empresas (ACE) e os agrupamentos europeus de interesse 116 . 6º CIRC. um tratamento idêntico às sociedades de capitais. O que é concretizado no n.0 4 do art.° 2 do referido art. É todavia. e 3) combater a evasão fiscal através da criação artificial de sociedades. 3 e 4 do art. relativa a sociedades simples (nums. 5º. o caso das sociedades de advogados. incluindo as prestações de serviços‖. pois. não são tributadas em IRC. conquanto que não esteja legalmente imposta a forma de sociedade civil simples. tem três objectivos: 1) garantir a neutralidade fiscal entre a tributação das pessoas singulares e a tributação das pessoas colectivas. O regime de transparência fiscal: Para efeitos de IRC.

6° não dispensa estas da apresentação da declaração de inscrição. a sequência das operações de determinação do IRC: Proveitos e ganhos (art. integrando-se assim na categoria B de rendimento do IRS no respeitante aos sócios singulares (art. com sede ou direcção efectiva em território português. sempre que. 20°) - 117 . muito embora. que se constituam e funcionem nos termos legais são também imputáveis directamente aos respectivos membros. mas nunca repercutido nos demais rendimentos dos sócios em sede do IRS ou do IRC desse ano ou de anos posteriores. Assim o estabelece o n. Há. pode ser este reportado em sede do IRC da sociedade ou entidade transparente no lucro dos seis anos seguintes. e a obrigação de declaração de cada um dos sócios no quadro da declaração de rendimentos que tem que fazer em sede do IRS ou do IRC. relativamente às entidades transparentes. ao dispor que ―os lucros ou prejuízos do exercício. segundo o qual a não tributação em IRC das entidades abrangidas pelo regime de transparência fiscal nos termos do art. é de ter presente o que dispõe o n° 7 do art. mormente de obrigações declarativas. num quadro. lugar a uma dupla obrigação de declaração de rendimentos — a obrigação de declaração da sociedade em sede do IRC. O regime de transparência traduz-se em o lucro tributável ser apurado em relação à sociedade ou entidade transparente. da declaração periódica de rendimentos e da declaração anual de informação contabilística e fiscal. 92°. 47º. Acrescentemos mais duas notas. 1 e 7 do art. depois. Também a estes agrupamentos é aplicado o regime de transparência fiscal. integrando-se no seu rendimento tributável‖. Esquema de determinação do IRC: Vejamos. nos termos do CIRC. 20° do CIRS) ou no IRC da sociedade agrupada. assim. 578. 109°. segundo o art. dos agrupamentos complementares de empresas e dos agrupamentos europeus de interesse económico. haja lugar a correcções que determinem alteração dos montantes imputados ao sócios ou membros. no respeitante ao correspondente rendimento imputado. de alterações ou de cancelamento no registo de sujeitos passivos de IRC. Uma para dizer que. cobrando ou anulando em consequência as diferenças apuradas. como decorre dos nums. em caso de prejuízo.económico (AEIE). apurados nos termos deste Código. a DGCI promove as correspondentes modificações na liquidação a estes efectuada.°. imputado aos sócios na proporção da respectiva quota (que se presume igual se nada estiver estabelecido em contrário no pacto social ou no acto constitutivo da entidade). Em termos de obrigações acessórias.° 2 do art. o mesmo seja. relativamente ao lucro apurado. Outra para referir que. 6.

24°) +/correcções fiscais (arts.) = IRC a pagar 59.1. 23°) = Resultado líquido + Variações patrimoniais positivas não reflectidas no resultado (art. 21°) Variações patrimoniais negativas não reflectidas no resultado (art. 58°-62°) Deduções para eliminação da dupla tributação económica (art.. 15°/1/b). 2)) = Matéria colectável (art. Introdução: 118 .Custos e perdas (art. 47°) Benefícios fiscais. benefícios fiscais. se forem deduções ao lucro tributável (art.15º/1) x taxa (art. retenções na fonte — arts. pagamento especial por conta. O IVA: 59. 83° e segs. 46°) = Lucro tributável – Prejuízos fiscais (art. 80°) = Colecta Deduções à colecta (crédito de imposto por dupla tributação internacional.

o IVA apresenta-se como um imposto sobre o consumo em que o montante da dívida de cada sujeito passivo é apurado através do chamado método de dedução imposto do imposto. os quais pagam.975.879. o IVA social mais não é do que a consignação de 1% do ―IVA normal‖ à Segurança Social. Trata-se duro imposto que comporta um regime geral e diversos regimes especiais. constitui uma verba inscrita no 119 . não ultrapasse o montante de € 49. têm um volume de negócios que. Quando segue o seu regime geral. durante determinado período. no caso dos pequenos retalhistas. No segundo.96 ou. temos: — O regime especial de isenção (em que se isentam de IVA os sujeitos passivos que.5% e compensar essa diminuição com a afectação da receita adicional proporcionada pelo aumento da taxa normal de IVA de 16% para 17%. as transmissões de bens em segunda mão ou de objectos de arte e. por um lado. Por sua vez. já que actualmente o ―IVA turístico‖. as agências de viagens e os organizadores de circuitos turísticos. No primeiro. introduzida pela LOE/95. quando se decidiu diminuir a contribuição patronal para a Segurança Social de 24% para 23. É de advertir que não constituem quaisquer regimes especiais de IVA algumas situações conhecidas por designações que parecem ir nesse sentido. Por isso. — Regimes especiais têm também. nem uma consignação desse tipo se verifica. o seu volume de negócios não ultrapasse o montante de € 9. que a partir do Orçamento do Estado para 1998 vem sendo referido como transferência a título de IVA‖. o IVA correspondente a 25% do imposto suportado nas aquisições de bens — arts. em que se tributam as transmissões de bens. do CIVA. e o montante do imposto suportado nas aquisições efectuadas durante o mesmo período. sem qualquer direito a dedução. aplicando a taxa do imposto à diferença entre o valor das aquisições ou compras e o valor das vendas. não possuindo nem sendo obrigados a possuir contabilidade organizada para efeitos de IRS ou de IRC. não possuindo nem sendo obrigadas a possuir contabilidade organizada. com efeitos a partir de 1995. do crédito do imposto ou método indirecto subtractivo.95) — arts. no respeitante aos regimes especiais. por outro. trat ase de uma consignação de receitas do IVA à Segurança Social. como são os impropriamente designados ―IVA social‖ e ―IVA turístico‖. o montante de € 12. as importações e a aquisição intracomunitária de bens. nos termos do qual esse montante nos é dado pela diferença entre o montante que resulta da aplicação da taxa ao valor das vendas ou prestações de serviços. — O regime especial dos pequenos retalhistas (a que estão sujeitos as pessoas singulares que. casos em que o montante de IVA é determinado segundo o método de dedução base da base. a prestação de serviços.469.79). embora superior ao do regime de isenção. 60° ss. 53° ss. o IVA é um imposto geral sobre o consumo.Como já referimos. qualquer deles objecto dum razoável grau de harmonização comunitária. CIVA.

edifícios ou construções. Segundo o art. duma compensação pela perda das receitas do anterior imposto de turismo integrado no IVA. nesse ano e nos que se seguiram. nas circunstâncias anteriores. Por sua vez. abrangendo as águas. na falta de licença. edifícios e construções de qualquer natureza nela incorporados ou assentes. em circunstâncias normais.° e 5º do CIMI os prédios podem ser rústicos. 2º CIMI. entre outros: a) os que estejam afectos ou simplesmente tenham como destino normal uma utilização geradora de rendimentos agrícolas: b) os que.1. exceptuando-se os terrenos em que as entidades competentes vedem qualquer daquelas operações. São qualificados de prédios rústicos. dotados de autonomia económica em relação ao terreno onde se encontram implantados. Trata-se.Orçamento do Estado sem qualquer ligação ao IVA (ou a qualquer outro imposto) destinada aos organismos encarregados da promoção turística. 1º do respectivo Código.1. Incidência 61. tenha valor económico. designadamente os localizados em 120 . para os quais tenha sido concedida licença ou autorização de operação de loteamento ou de construção. e do facto de. 61. comerciais. os municípios ou regiões de turismo. a perda da receita daquele imposto ter sido compensada por um montante proveniente das receitas do IVA. desde que faça parte do património de uma pessoa singular ou colectiva e. Pelo que temos um IMI rústico e um IMI urbano. se encontrem construídos ou disponham apenas de edifícios ou construções de carácter acessório sem autonomia económica e de reduzido valor. entende-se por prédio: 1) toda a fracção de território. 3°. A incidência real Nos termos do art. O imposto municipal sobre imóveis: 61. quando este foi criado em 1986. b) Os terrenos para construção — os terrenos situados dentro ou fora de um aglomerado urbano. urbanos ou mistos. e ainda aqueles que assim tenham sido declarados no título aquisitivo. são considerados prédios urbanos todos aqueles que não devam qualificar-se como prédios rústicos. Uma designação que ficou a dever-se apenas a razões históricas ligadas à origem dessa verba. 2) as águas. pois que a mesma nasceu da integração do anterior imposto de turismo no IVA. Nos termos dos arts.1. assim. com carácter de permanência. embora situados numa fracção de território que constitua parte integrante de um património diverso ou não tenha natureza patrimonial. ainda que afectos a fins diversos. que tenham como destino normal cada um desses fins. entre os quais temos: a) Os prédios habitacionais. plantações. o IMI é um imposto de receita municipal que incide sobre o valor patrimonial tributário dos prédios rústicos e urbanos situados no território português. 4. industriais ou para serviços — os edifícios ou construções para tal licenciados ou. constituindo receita do município onde os mesmos se localizam. plantações.

as pessoas singulares ou colectivas que sejam proprietárias. do direito de propriedade ou de figuras parcelares desse direito. No caso de prédio que faça parte de herança indivisa. só assim não sendo nos casos em que a lei fiscal.1. representada pelo cabeça de casal. na falta de inscrição. que foram extintas entre nós. devem qualificar-se como prédios mistos todos aqueles que tenham urna parte rústica e uma parte urbana. Na verdade. 8º/1 CIMI. dispuser em sentido contrário. tratavase do único sobrevivente dos impostos mais típicos e importantes do ancien régime — as sisas. Incidência pessoal: São sujeitos passivos do IMI. quem tiver a posse do prédio. logo que verificada a tradição destes. no respeitante aos bens móveis (por constituírem um entrave inadmissível ao comércio). 2º CIMT. com o do direito privado. Em sede da incidência objectiva e territorial. Nas primeiras. O imposto municipal sobre a transmissão onerosa de imóveis: 62. infra-estruturas ou equipamentos públicos. a título oneroso. que surgiram apenas com a aprovação do CIMT. nos termos do art. nomeadamente com o objectivo de prevenir a fuga ao imposto.2. há umas tradicionais. Considera-se proprietário. usufrutuárias ou superficiárias do prédio em 31 de Dezembro do ano a que o imposto respeita. sobre bens imóveis situados no território nacional. excises (que incidiam sobre a transmissão onerosa de quaisquer bens. O que acontece em muitas situações que. áreas protegidas ou que. e outras novas. configuram transmissões para efeitos do IMT. de acordo com os planos municipais de ordenamento do território. um dos célebres decretos da reforma de Mouzinho da Silveira que instauraram em Portugal a disciplina jurídica própria dum Estado moderno. excepto se se tratar de promessa de compra de habitação para residência própria e permanente do 121 . coincide. este imposto de receita municipal incide sobre as transmissões. O conceito fiscal de transmissão (bem como os de onerosidade e de imóvel). Incidência: O IMT veio substituir em 2004 um dos mais antigos impostos portugueses: a sisa. ou quando o promitente comprador ou os promitentes mutuantes já estejam usufruindo os bens. em princípio. Entre essas. segundo o art. temos: 1) as promessas de compra e venda ou de troca de bens imóveis. acises. para efeitos deste imposto. sem que nenhuma delas possa qualificar-se como principal. 61. que já estavam previstas no Imposto Municipal de Sisa. 62. o imposto é devido pela herança indivisa. usufrutuário ou superficiário quem corno tal figure na matriz naquela data ou.zonas verdes. se designava imposto municipal de sisa. Finalmente. não integrando o conceito civilístico de transmissão. que desde 1991. móveis ou imóveis) —. pelo Decreto de 19 de Abril de 1832.1. estejam afectos a espaços.

3) os arrendamentos e subarrendamentos a longo prazo. 2) a cessão da posição contratual decorrente de contrato-promessa de aquisição e alienação de bens imóveis. pago por acto ou facto translativo que não chegou a concretizar-se. em comandita ou por quotas. ou tentaram operar. essas transmissões. isto é. o qual. ou resulte de prorrogação do contrato inicial. 63. O imposto de selo 63. etc. seja este prazo inicialmente contratado. Por seu lado. corresponde ao comprador. Depois. um pouco à semelhança do que ocorre no domínio do direito alfandegário com as conhecidas pautas aduaneiras. aquele que recebe os bens transmitidos. Daí que o reembolso do IMT. entre as segundas podemos referir: 1) a celebração de contratopromessa de aquisição e alienação de bens imóveis com cláusula de cessão da posição contratual a terceiro. Já que. apenas seja admitido se e na medida em haja lugar à anulação oficiosa ou por via judicial do correspondente acto de liquidação (arts. e 4) as aquisições de partes sociais ou de quotas nas sociedades em nome colectivo. que é o imposto de selo tradicional. que é um imposto sobre o património transmitido gratuitamente a favor de pessoas singulares. como resulta do que vimos de dizer. as transmissões patrimoniais gratuitas a favor de pessoas colectivas. e 2) o imposto de selo sobre as transmissões gratuitas. 2) os arrendamentos com cláusula de os bens arrendados se tornarem propriedade do arrendatário uma vez satisfeitas todas a rendas. aquele que aqui mais nos interessa. 3) a outorga de procuração com a renúncia ao direito de revogação. o tradicional imposto de selo passou efectivamente a ter uma dupla natureza.1. considerando-se como tais os que devam durar mais de trinta anos. A este respeito. contendo aquele a disciplina geral do imposto e esta a lista dos factos tributários com as correspondentes taxas ad valorem ou taxas específicas. no caso de venda. como vimos. Pelo que respeita à sua incidência subjectiva. a saber: 1) o imposto de selo propriamente dito. é de sublinhar que se consideram as transmissões efectivas. o IMT tem por sujeito passivo o transmissário. devemos dizer alguma coisa sobre esse imposto em geral. quando algum dos sócios fique a dispor de pelo menos 75% do capital social. desdobrando-se em dois impostos de selo.adquirente ou do seu agregado familiar. passaram a integrar as variações patrimoniais positivas 122 . 44° a 46° do CIMT). Introdução: os dois impostos de selo: Antes de tratarmos do imposto de selo sobre as transmissões gratuitas. se distribuir pelo Código do imposto de Selo e pela Tabela Geral do Imposto de Selo. E uma primeira consideração prende-se com o facto de a disciplina deste imposto. com a reforma da tributação do património de 2003/04 e a consequente abolição do anterior imposto sobre sucessões e doações. sem cuidar da validade dos actos pelos quais se operaram. é de assinalar que.

do lucro das empresas colectivas ou o rendimento global das pessoas colectivas que não sejam empresas. a título de incrementos patrimoniais. 123 . nos termos das verbas 1. Daí que o CIS contenha efectivamente a disciplina jurídica de dois impostos diferentes. que mais não é do que uma descrição sumária da sua dinâmica. não possamos deixar de ter presente esse dualismo nos termos em que ele se verifica. da Tabela Geral. havendo lugar a cumulação destes sem que possa falar-se de uma dupla tributação. e 1.1. por isso. como acontece na transmissão gratuita de bens sujeitos ao IS sobre transmissão gratuita à taxa de 10% e ao IS propriamente dito à taxa de 0.8%. não admirando. que no tratamento do imposto de selo que se segue. que a mesma situação tributária possa integrar o âmbito de incidência de ambos os impostos. assim. Compreende-se.2.

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