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04/10/2013

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TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO

Processo TC nº @04253/11

Objeto: Prestação de Contas Anuais Relator: Conselheiro Fernando Rodrigues Catão Responsável: Maria Luzinete dos Santos

Ementa. FUNDO MUNICIPAL DE SAÚDE DE SAPÉ. PRESTAÇÃO DE CONTAS ANUAIS. ORDENADOR DE DESPESAS. Exercício de 2011. Gestão da Sra. Maria Luzinete dos Santos. INFRAÇÕES GRAVES A NORMA LEGAL. FALHAS CONTÁBEIS MEDIANTE REGISTRO IRREGULAR. DESPESA NÃO COMPROVADA. DÉFICIT ORÇAMENTÁRIO E FINANCEIRO. IRREGULARIDADES COM PESSOAL. IRREGULARIDADES PREVIDENCIÁRIAS. NÃO REGISTRO DE OBRIGAÇÕES PATRONAIS NÃO REPASSADAS. DESPESAS NÃO COMPROVADAS COM PAGAMENTO JUNTO À PREVSAPÉ. JULGAMENTO IRREGULAR DAS CONTAS. MULTA PESSOAL. ASSINAÇÃO DE PRAZO. RECOMENDAÇÃO DE PROVIDÊNCIAS. ACÓRDÃO AC1 TC 758 /2013 RELATÓRIO Cuidam os presentes autos eletrônicos da Prestação de Contas Anuais do Fundo Municipal de Saúde de Sapé1, relativa ao exercício de 2010, de responsabilidade da gestora Sra. Maria Luzinete dos Santos. A Unidade Técnica de instrução, após análise da documentação encartada nos autos deste processo, realização de diligência in loco2 e análise da defesa, assinalou que a prestação de contas foi encaminhada ao Tribunal dentro do prazo regulamentar e ressaltou os principais aspectos institucionais e legais da entidade em comento, pondo em destaque os seguintes aspectos: 1. O orçamento3 para o exercício estimou a receita no valor de R$ 7.237.339,22 e fixou a despesa em igual. 2. As despesas com pessoal e encargos sociais somaram R$ 6.168.994,33; 3. O Fundo Municipal de Saúde possui dos regimes Previdenciários – PróprioPrevsapé e o regime geral – INSS;

O Fundo Municipal de Saúde de Sapé foi criado pela Municipal nº 640/92, de 04/08/1992, tendo como objetivo criar condições financeiras e de gerência dos recursos destinados ao desenvolvimento das ações de saúde, executadas ou coordenadas pelo Departamento Municipal de Saúde, compreendendo o atendimento à saúde universalizado, integral, regionalizado e hierarquizado, a vigilância sanitária, a vigilância epidemiológica, o controle e a fiscalização das agressões ao meio ambiente. 2 Período 16 e 20 de maio de 2011 3 Autorização: Lei 9.331, de 12/01/2011 Receita Valor Despesa Valor – R$ Receita Corrente 7.545.472,36 Despesa Corrente 11.867.424,97 Receita de Capital - Despesa de Capital 119.984,50 Déficit 4.441.937,11 Total 11.987.409,47 Total 11.987.409,47

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Processo TC nº @04253/11

4. Não contabilização de despesa orçamentária no valor de R$ 1.324.183,884, maculando a Lei de Responsabilidade Fiscal no que se refere ao equilíbrio entre receitas e despesas e limites de pessoal, infringindo os art. 35 e 50 das leis 4.320/64 e 101/2000 respectivamente; 5. Balanços Orçamentário, Financeiro e Patrimonial incorretamente elaborados, não representando a real situação da execução orçamentária do exercício, em razão da não contabilização de contribuição Patronal (INSS e Prevsapé) no valor de R$ 1.324.183,88. 6. Co-responsabilidade da gestora do Fundo na utilização de créditos adicionais suplementares e especiais sem fontes de recursos para cobertura, respectivamente, nos valores de R$ 1.730.108,47 e de R$ 98.866,86 (item 4 – fl. 44) 7. Priorização na contratação de servidores comissionados e prestadores de serviços, infringindo o art. 37, II da Constituição Federal, no que diz respeito à burla ao Concurso Público – item 4.6.1; ( A defesa não se manifestou) 8. Despesa não comprovada com pagamento da Prevsapé no valor de R$ 59.797,645, causando prejuízo ao fundo – item 4.1.1 ; v. doc. 09231/11 9. Não contabilização das contribuições previdenciárias à Prevsapé no valor de R$ 208.908,97; 10. Repasse a menor à Prevsapé de contribuição previdenciária no valor de R$ 105.139,316, caracterizando apropriação indébita;- item 4.7 – doc. TC 9215/11.
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Esta despesa diz respeito a despesas efetivas com encargos sociais –INSS e Prevsapé – Doc. TC 09076/11
Valor – R$ 5.142.918,83 5.142.918,83 1.131.442,14 16.167,23 1.115.274,91 1.026.075,50 1.026.075,50 208.908,97 208.908,97 1.324.183,88

Demonstrativo das Despesas não contabilizadas Discriminação a) Desp. Pessoa Reg. Geral (INSS) empenhada em 2010 b) Total despesa pessoal Reg. Geral (INSS) b=a c) INSS patronal devido (FMS) c=(0,22xb) d) INSS patronal contabilizado devidamente em 2010 -FMS e) Desp. não contab. em 2010 com INSS patronal-FMS e=c-d f) Desp. Pessoal do Reg. Próprio (Prevsapé)empenhada 2010 g) Total despesa pessoal do Regime Próprio (Prevsapé) g=f h) Prevsapé patronal devido (FMS) h= (0,2036 xg) i) Prevsapé patronal contabilizado devidaente em 2010 - FMS j) Desp. não contab. em 2010 com INSS patronal – FMS j=g-h l) Total desp. não contab. com contrib. Patronal (INSS e Prevsapé) l=e+j
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DESPESAS COM A PREVSAPÉ NÃO COMPROVADAS DISCRIMINAÇÃO a) Despesa extra-orçamentária paga a Prevsapé (segurados) b) Despesa orçametária pagão com Prevsapé (parcelamento) c) Despesa com Prevsapé paga – parte patronal d) Total da despesa contabilizada e paga com Prevsapé d=(a+b+c) e) Despesa comprovada com Prevsapé conforme demonstrativo de receita do Instituto f) Despesa não comprovada com Prevsapé f= (d-e)
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VALOR – R$ 126.084,47 126.084,47 66.286,83 59.797,64

Discriminação Retenção Recolhimento Diferença

Valor – R$ 231.223,78 126.084,47 105.139,31

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11. Falta de contabilização da contribuição patronal ao INSS no valor de R$ 1.115.274,91; 12. Repasse a menor ao INSS de contribuição previdenciária no valor de R$336.499,687, caracterizando apropriação indébita– item 4.7 – doc. TC 09215/11; 13. 13. Deficiência no funcionamento das equipes do PSF, por estarem incompletas e falta de cumprimento da carga horária de trabalho dos profissionais da área de saúde ligada a estas equipes, comprometendo o serviço de saúde municipal – item 7.3. Submetidos os autos ao Órgão Ministerial este se manifestou, em síntese, pela: a) IRREGULARIDADE DAS CONTAS do exercício de 2010 da gestora do Fundo Municipal de Saúde de Sapé, Sr.ª Maria Luzinete dos Santos, conforme o art.16, III, b e c da LOTC/PB; b) COMINAÇÃO da MULTA prevista no inc. II do art. 56 à citada gestora; c) ASSINAÇÃO DE PRAZO à Sr.ª Maria Luzinete dos Santos para, sob pena de imputação de débito e de aplicação de multa com fulcro no artigo 55 da LOTC/PB, dentre outros aspectos, proceder à comprovação das despesas junto à PREVSAPÉ, nos termos a ser fixados no ato formalizador; d) baixa de RECOMENDAÇÃO à atual gestão do Fundo Municipal de Saúde de Sapé a fim de evitar a reincidência nas irregularidades aqui esquadrinhadas e, especialmente, de provocar o Chefe do Poder Executivo de Sapé para dotar o quadro de pessoal do Fundo de servidores efetivos e observar fidedignamente as determinações da Portaria GM/MS n.º 648/2006 – e eventuais alterações posteriores – no concernente ao funcionamento do Programa Saúde da Família na Comuna; e) REPRESENTAÇÃO ao Ministério Público Estadual e à Receita Federal do Brasil por força da natureza das irregularidades de responsabilidade da Sr.ª Maria Luzinete dos Santos, com vistas à tomada das providências cabíveis no âmbito das respectivas atribuições.

VOTO DO CONSELHEIRO RELATOR

A situação processual é reveladora de má gestão administração e, por isso mesmo, não autoriza o Relator a se manifestar favoravelmente à aprovação das presentes contas, todavia, requer algumas considerações.

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Discriminação Retenção Recolhimento Diferença

Valor – R$ 358.240,88 21.741,20 336.499,68

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Inicio me reportando aos aspectos apontados pela DIAGM V tocante a créditos adicionais suplementares sem fonte de recursos para cobertura no valor de R$ 1.730.108,47, bem como a utilização de créditos adicionais especiais sem fontes para cobertura no montante de R$ 98.866,86, por entender trata-se de irregularidade da competência do Chefe do Poder Executivo. Respeitante a situação de pessoal deste Ente, de acordo com levantamento produzido pela instrução, observou-se 173 contratos por excepcional interesse, sem que se tenha observado qualquer demonstração da excepcionalidade, caracterizando possível burla ao concurso público, razão pela qual urge providências no sentido de regularizar a situação visando ao restabelecimento da legalidade. Reportando-me às despesas não comprovadas no valor de R$ 59.797,648, entendo que os argumentos apresentados pela defesa não são convincentes. A uma, os documentos 08 e 09 por ela apresentados são apócrifos, i. e, estão sem assinatura do contador e da Secretária de Saúde, não possuindo, portanto, qualquer valor probante; a duas, a informação não se harmoniza com a do SAGRES; a três, não há comprovação de que realmente o valor de R$ 126.084,47, registrado no Balanço Financeiro, seja realmente de empréstimo consignado junto ao Banco Bradesco, já que, também, não foi sequer demonstrado o contrato celebrado com a mencionada instituição bancária. Respeitante a informação da Auditoria constante do item 4.5 acerca da Evolução da Dívida, este merece reparo, de vez que, de acordo com o Anexo XIV – Balanço Patrimonial, esta situação diz respeito ao Passivo Financeiro do Fundo e não da Dívida Municipal, conforme consignado às fls. 46. Acerca deste fato, chamo a atenção da DIAGM V para ter mais cautela na apresentação das informações, de modo a contribuir e não dificultar a boa compreensão e avaliação dos fatos observados na gestão do jurisdicionado. Causa-me, também espécie, a informação de que foram gastos com despesa Corrente R$ 11.867.424,97 e com despesa de Capital, tão somente, R$ 119.984,50, revelando que a despesa destinou-se, em quase sua totalidade para pagamento de servidores e despesas com material de consumo, desprezando-se assim, uma política de investimentos de modo a melhorar o serviço de saúde do município. Tecidas estas considerações e, em sintonia com a manifestação Ministerial, voto no sentido de que esta Câmara: a) Julgue IRREGULAR AS CONTAS da gestora do Fundo Municipal de Saúde de Sapé, Sr.ª Maria Luzinete dos Santos, relativas ao exercício de 2010. b) Aplique a Sra. Maria Luzinete dos Santos, com apoio no inciso II do art. 56 da LOTCE/PB, multa no valor de R$ 4.150,00, em razão do descumprimento às normas legais;

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DESPESAS COM A PREVSAPÉ NÃO COMPROVADAS DISCRIMINAÇÃO a) Despesa extra-orçamentária paga a Prevsapé (segurados) b) Despesa orçametária pagão com Prevsapé (parcelamento) c) Despesa com Prevsapé paga – parte patronal d) Total da despesa contabilizada e paga com Prevsapé d=(a+b+c) e) Despesa comprovada com Prevsapé conforme demonstrativo de receita do Instituto f) Despesa não comprovada com Prevsapé f= (d-e)

VALOR – R$ 126.084,47 126.084,47 66.286,83 59.797,64

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Processo TC nº @04253/11

c) Impute o débito no valor de R$59.797,64 relativo à despesa não comprovadas com pagamento à Prevsapé. d) Assine o prazo de sessenta (60) dias, a contar da data da publicação do presente Acórdão, para efetuar o recolhimento ao erário municipal da importância objeto da imputação de débito e ao erário estadual da importância relativa ao débito objeto da multa, sob pena de cobrança executiva desde já recomendada. e) Recomende à atual gestão do Fundo Municipal de Sapé a fim de evitar a reincidência nas irregularidades aqui apontadas e, especialmente, no sentido de provocar o Chefe do Poder Executivo de Sapé para adotar providências no sentido de dotar o quadro de pessoal do Fundo nos termos previstos na Constituição Federal, para fins de admissão de pessoal, observando o princípio constitucional do concurso público e os limites previstos para contratação por excepcional interesse público. f) Recomende ainda, estrita observância às determinações da Portaria GM/MS n.º 648/2006 – e eventuais alterações posteriores – no concernente ao funcionamento do Programa Saúde da Família na Comuna e, bem assim, no sentido de dar a devida atenção à elaboração dos demonstrativos contábeis, para que estes reflitam, em conformidade com as normas legais. g) Represente à Receita Federal do Brasil em razão do repasse a menor ao INSS de contribuição previdenciária no valor de R$336.499,68 com vistas à tomada das providências cabíveis. DECISÃO DA 1ª CÂMARA DO TRIBUNAL DE CONTAS VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS os presentes autos do Processo eletrônico TC nº 04253/11, referente à Prestação de Contas anuais do Fundo Municipal de Saúde de Sapé, relativa ao exercício de 2010, de responsabilidade da gestora Sra. Maria Luzinete dos Santos, ACORDAM OS MEMBROS DO TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DA PARAÍBA, à unanimidade, em sessão plenária realizada nesta data, em: a) Julgar IRREGULAR AS CONTAS da gestora do Fundo Municipal de Saúde de Sapé, Sr.ª Maria Luzinete dos Santos, relativas ao exercício de 2010. b) Imputar o débito no valor de R$59.797,64 relativo à despesa não comprovadas com pagamento à Prevsapé. c) Aplicar a Sra. Maria Luzinete dos Santos, com apoio no inciso II do art. 56 da LOTCE/PB, multa no valor de R$ 2.000,00, em razão do descumprimento às normas legais; d) Assinar o prazo de sessenta (60) dias, a contar da data da publicação do presente Acórdão, para efetuar o recolhimento ao erário municipal da importância objeto da imputação de débito e ao erário estadual da importância relativa ao débito objeto da multa, sob pena de cobrança executiva desde já recomendada. e) Recomendar à atual gestão do Fundo Municipal de Sapé a fim de evitar a reincidência nas irregularidades aqui apontadas e, especialmente, no sentido de provocar o Chefe do Poder Executivo de Sapé para adotar providências no sentido de dotar o quadro de pessoal do Fundo nos termos previstos na Constituição Federal, para fins de admissão de pessoal, observando

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o princípio constitucional do concurso público e os limites previstos para contratação por excepcional interesse público. f) Recomendar ainda, estrita observância às determinações da Portaria GM/MS n.º 648/2006 – e eventuais alterações posteriores – no concernente ao funcionamento do Programa Saúde da Família na Comuna e, bem assim, no sentido de dar a devida atenção à elaboração dos demonstrativos contábeis, para que estes reflitam, em conformidade com as normas legais. g) Representar à Receita Federal do Brasil em razão do repasse a menor ao INSS de contribuição previdenciária no valor de R$ 336.499,68 com vistas à tomada das providências cabíveis. Presente ao julgamento o representante do Ministério Público junto a este Tribunal. Publique-se, registre-se e cumpra-se. TCE – Sala das Sessões da 1ª Câmara – Mini-Plenário Conselheiro Adailton Coelho Costa. João Pessoa, 04 de abril de 2013.

Em 4 de Abril de 2013

Cons. Arthur Paredes Cunha Lima PRESIDENTE

Cons. Fernando Rodrigues Catão RELATOR

Marcílio Toscano Franca Filho MEMBRO DO MINISTÉRIO PÚBLICO

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