ESTADO DE MINAS - TERÇA-FEIRA, 21 DE JANEIRO DE 2003

PÁGINA 23

GERAIS

DESTRUIÇÃO E MORTE

CHUVA

PARA RETIRAR OS MORADORES, QUE INSISTEM EM NÃO DEIXAR A VILA ÀS MARGENS DO ANEL RODOVIÁRIO, NO BAIRRO BETÂNIA, PREFEITURA DE BELO HORIZONTE PODE RECORRER À JUSTIÇA. ESTRADAS DE MINAS VOLTAM A APRESENTAR GRAVES PROBLEMAS
❚ RODOVIAS

Famílias fincam pé na Vila Camponeza
EDUARDO HYBNER

BR-116 tem caminhão de volta em Manhuaçu
Duas rodovias federais que cortam Minas Gerais tiveram ontem o trânsito liberado para veículos pesados. Os trechos da BR-381, próximo a São Gonçalo do Rio Abaixo, na região Central, e da BR116, em Manhuaçu, no Vale do Rio Doce, foram reabertos pela Polícia Rodoviária Federal. Já nas proximidades de Antônio Dias, no quilômetro 274 da BR-381, onde a entrada da ponte sobre o Rio Japão cedeu, o trânsito está sendo feito apenas em uma pista. No trecho da BR-116 entre Caratinga e Realeza, na altura do quilômetro 561, o trânsito continua parcialmente interditado devido a erosões e afundamento da pista. A rodovia, que já estava fechada para ônibus e caminhões, chegou a ficar interditada também para os veículos pequenos por causa de buracos no asfalto. Somente no final da tarde, após a construção de um desvio, o trecho foi liberado para os carros de passeio. Em outro trecho da BR116, no quilômetro 496, próximo a Inhapim, também no Vale do Rio Doce, o asfalto cedeu, deixando o tráfego liberado em apenas uma pista. A BR-262, na altura do quilômetro 18, em Reduto, na Zona da Mata, continua totalmente interditada e não há previsão de obras no local.

MARACAS
Se os moradores da Vila Camponeza não aceitam deixar suas casas, na Vila Maracas, na região do Barreiro, os funcionários da PBH conseguiram convencer cinco famílias a abandonar o local. Segundo a assistente social Marilene Cunha, os moradores foram encaminhados para o Mineirão. Até o final da tarde de ontem, mais de 650 famílias – aproximadamente, 2,1 mil pessoas – foram removidas de áreas de risco em toda capital. remoção das famílias. Segundo ela, o terreno ocupado pelos moradores de maneira irregular pertence ao Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG) e, por isso, a questão também deverá ser discutida com representantes do governo do Estado. Durante as chuvas da semana passada, dois barracos, situados em uma encosta entre a rodovia e o córrego Bonsucesso, foram destruídos, mas ainda assim, a maioria dos moradores afirma que não vai arredar o pé do lugar sem garantias de que a PBH vai dar casas novas para as famílias que aceitarem deixar o local. “Não tem mais perigo. O que tinha que cair já caiu. Além do mais, não tenho para onde ir”, afirmou Inês Gonçalves Santos, cujo barraco teve um dos cômodos destruídos por um

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) pode recorrer à Justiça para remover as famílias da Vila Camponeza, localizada às margens do Anel Rodoviário, na altura do bairro Betânia. Ontem, os funcionários da Secretaria da Coordenação de Gestão Regional Oeste fracassaram em mais uma tentativa de convencer os moradores a abandonar suas casas no último domingo, os servidores, escoltados por policiais militares, passaram o dia no local e não tiveram sucesso. De acordo com a assistente social Marilene Cunha, a posição dos moradores da Vila Camponeza será repassada ao secretário de Coordenação de Gestão Regional Oeste, José Flávio Gomes, a quem caberá a decisão de buscar, na Justiça, a

deslizamento de terra na semana passada. No local, dormiam a sua filha, Alessandra Gonçalves Santos, e seus dois netos, um deles, ainda bebê de colo, que milagrosamente conseguiram sair do lugar antes de a terra atingir a casa. Segundo ela, o companheiro não aceita deixar o local e insiste para que a moradora também permaneça no barraco. Suas duas filhas, no entanto, já estão de saída com as três crianças da casa e devem ir para a casa de parentes em Raposos, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Outra moradora, Lindraci Alves Ribeiro, que mora com a filha de 10 anos em outra casa da vila, passou mais de uma hora conversando com funcionários da prefeitura mas não concordou em sair do local.

BARREIRAS
A chuva provocou queda de barreiras e prejudicou o trânsito, ontem, em diversas rodovias da Zona da Mata. No km 2 da MG-860, que liga os municípios de Guarani e Descoberto, e na MG-353, o trânsito ficou lento durante toda a manhã. Na MG-447, que vai de Barbacena até Rio Pomba, um deslizamento de terra dificultou a passagem dos veículos. A situação é pior na BR-120, que liga Cataguases a Leopoldina. Parte da pista cedeu no km 764 e o trânsito estava sendo feito em meia pista.

PERIGO NAS PISTAS
Veja a situação das estradas federais em Minas
G Os motoristas que seguem para o Espírito Santo vão enfrentar mais um

obstáculo. A BR-381, sentido Belo Horizonte/Vitória, foi interditada porque a ponte sobre o rio Una, no Km 376, em São Gonçalo do Rio Abaixo, a 60 quilômetros de Belo Horizonte, está condenada. Segundo a Polícia Rodoviária Federal somente veículos pequenos podem pegar o desvio que passa por dentro de São Gonçalo do Rio Abaixo e seguir viagem. Caminhões e ônibus devem pegar a BR-040, passar por Barbacena e seguir em direção da BR-101. O desvio aumenta o percurso em 120 quilômetros.
G Em Reduto, na BR-262, Km 18, a pista está totalmente interditada devido a uma

queda de pista. O desvio está sendo feito por Manhumirim. Na BR-116, Km 561, a pista afundou e os caminhões estão esperando liberação para seguir viagem. BR-381
G Km 376 - Em São

BA Brasília GO
BR 040 BR 116 BR 381

Gonçalo do Rio Abaixo, a cabeceira da ponte sobre o Rio Una está cedendo. O trecho está interditado. BR-262 G Km 371 - No sentido Betim/Juatuba, parte da pista está interditada devido a uma erosão. G Km 367- No sentido Pará de Minas/Belo Horizonte, o acostamento está comprometido por causa de uma erosão. O acostamento está parcialmente interditado. G Km 172- Em São Domingos do Prata, foi feita obra de emergência. O trânsito está fluindo em
Fonte: Polícias rodoviárias estadual e federal

BR 262

Belo Horizonte
BR 040

BR 262

ES

Vitória RJ Rio de Janeiro

SP

BR 381

EULER JÚNIOR

FRACASSO

Pelo segundo dia consecutivo, moradores ignoraram os apelos dos funcionários da Secretaria da Coordenação e decidiram continuar no bairro

meia pista, passando um carro por vez. G Km 18- Em Reduto, queda de pista e a via está totalmente interditada. BR-116
G Km 561- Em Manhuaçu,

profundidade e 40 metros de comprimento. Interdição parcial da pista. BR-040
G Km 532 - No sentido

Pedreiro quer distância do risco
A camiseta foi encontrada nos escombros dos barracos destruídos pelo deslizamento da encosta no Bairro Industrial no sábado, e logo chamou a atenção do servente de pedreiro Jaime Magalhães dos Santos, de 19 anos. A peça de roupa foi a única lembrança que restou de um amigo querido vitimado pelo acidente que matou dez pessoas e feriu outras duas na última quinta-feira e foi guardada com muito carinho. “O Vílson não eram meu parente, mas fomos criados juntos e eu o considerava praticamente como um irmão”, afirmou. O servente também morava em dos barracos que foram totalmente destruídos no acidente, mas o destino impediu que ele, sua mulher e a filha de apenas dois anos, tivessem o mesmo fim trágico das outras pessoas que perderam a vida no local. Há cerca de duas semanas, o servente, que na época estava desempregado, arrumou um trabalho no bairro São Caetano, em Betim, onde já moravam alguns de seus parentes. E trancou o seu barraco no bairro das Indústrias, levando a mulher e a filha para a casa de outros parentes, já que ia ficar muito tempo fora de casa. “Na quinta-feira, quando cheguei do trabalho, minha irmã me deu a notícia do deslizamento. Saí de casa do jeito que estava. Entrei no ônibus sem ter dinheiro para pagar a passagem. Só queria chegar lá”, lembrou. Desde então, Jaime acompanhou todo o trabalho de busca realizado pelo Corpo de Bombeiros no local onde ocorreu o acidente e presenciou o resgate dos corpos de todas as pessoas vitimadas pelo acidente - gente com a qual estava acostumado a conviver. “Eu nasci e fui criado aqui. Perdi uma sobrinha, a Natália. Agora, estou procurando um lugar para morar, nem que seja pagando aluguel. Vou lutar, mas, para cá, não volto nunca mais”, completou. (EH)

Sete Lagoas para BH, está com acostamento comprometido devido a pista afundada em 1 metro e 30 centímetros de erosão da pista.