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Diferença entre o uso do Ácido Mandélico e do Retinóico

Medicina Estética Em resposta à internauta Marcella, vamos falar um pouco sobre o uso desses dois importantes ácidos: O ácido mandélico é um alfahidróxiácido que faz um peeling químico superficial, ou seja, a esfoliação superficial da pele. Está indicado para eliminar a camada de células mortas da pele, principalmente em pele mais morenas. Sua penetração é superficial e um pouco irregular, é um ácido tempodependente, que tem que ser retirado e neutralizado. O ácido retinóico é um retinóide que também tem ação esfoliante (peeling químico superficial), queratolítica (diminui a camada de queratina da pele

potencializando a ação de outros cosméticos) e sebonormalizadora diminuindo a oleosidade da pele. Como para o tratamento das estrias o intuito é a efoliação da pele, ambos os ácidos estão indicados. A diferença crucial entre eles é que o ácido retinóico é muito fotossensibilizante, ou seja, é inimigo do sol e pode cursar com manchas se for exposto ao sol. Já o ácido mandélico não reage com o sol, então é um ácido mais indicado no verão.

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Obrigado Sua mensagem foi enviada com sucesso. O uso da Isotretinoína na cura da Acne Recebemos muitas perguntas de pacientes que sofrem de graus elevados de acne com indicação do uso da Isotretinoína via oral como opção de cura da acne. Contra-indicações de Drenagem Linfática Recebemos muitas perguntas sobre contra-indicações de drenagem linfática, desta forma esclarecemos o seguinte: A circulação linfática é um meio de transporte dentro do nosso corpo, assim sendo, ela distribui a linfa de gânglio para gânglio, de forma tal a manter o equilíbrio corporal.

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33 Comentários para “Diferença entre o uso do Ácido Mandélico e do Retinóico”
alessandra diz: 30 de Maio, 2010 as 17:27 tinha manchas na pele usei acido retinóico c/ acido glicolico elas sumiram . 2. Regina diz: 25 de Maio, 2010 as 16:19 Regina: tinha muitas manchas no rosto. Fiz um tratamento com ácido mandélico acompanhada por uma dermato e o resultado foi ótimo. fazia peeling com ácido mandélico cada 15 dias e usava também a noite, com uma concentração mais baixa, durante o dia filtro solar fator 60. o tratamento foi demorado (1 ano -) mas valeu a pena…. Clínica de Medicina Estética Scorpios diz: 3. 13 de Maio, 2010 as 14:33 Prezada Sonia, Sim, a argila branca é muito boa para clarear manchas, contudo nem sempre a mancha irá sumir somente com o uso da argila. O importante é você realizar um tratamento com ácidos e ativos clareadores e inibidores da tirosinase (que inibem a formação da mancha). O uso de ácidos por conta própria não é recomendado, pois para cada tipo de mancha e pele, há um tratamento adequado. sonia diz: 4. 12 de Maio, 2010 as 13:40 olá! bom este espaço vou aproveitar e perguntar se o uso de argila branca realmente combate as manchas do rosto porque já usei vários ácidos e nada acaba com ela e existem outros que assim que coloco no

1.

rosto começa a arder e eu lavo imediatamente o rosto tenho medo de causar alguma lesão.o que faço com a argila é boa ou não? 5. Ana Lucia Pereira Martins diz: 31 de Março, 2010 as 9:55 Encontrei esta página, quando procurava mais informações sobre ácidos.Achei ótima. Sou Técnica em Estética trabalho com ácido. indicarei esta página às minhas clientes, para que possam buscar ainda mais informações. Obrigada Clínica de Medicina Estética Scorpios diz: 6. 26 de Fevereiro, 2010 as 21:18 Prezada Maryse, O uso do ácido mandélico é de uso restrito à profissionais de estética e dermatologistas, pois somente eles possuem conhecimento para avaliar o tempo de aplicação em cada região, que nem sempre é o mesmo em toda a face, tomando inclusive muito cuidado nas regiões mais sensíveis como canto dos olhos, boca, pálpebra. Recomendo que procure um dermatologista para que ele possa avaliar o grau de queimadura ocasionada, para iniciar um tratamento específico. 7. maryse diz: 26 de Fevereiro, 2010 as 19:09 por favor estou fazendo trat/o com acido mandelico 30%, e sempre deu certo,fui passar ontem e na área perto da pálpebra inferior,e uma pequena parte do nariz, ficou todo escura. Parece que queimou a pele.. náo se foi porque na hora que passei nao ardia, e acabei deixando um pouco mais. O que posso fazer para clarear?me oriente 8. Ester Lopes diz: 24 de Fevereiro, 2010 as 12:56 é muito importante ressaltar que acidos so e para profissionais q estão preparados para fazer este tipo de tratamentos como um Dermatologista e Esteticista(graduada)obrigada. Clínica de Medicina Estética Scorpios diz: 9. 16 de Fevereiro, 2010 as 14:14 Prezado Felipe, O ácido glicólico assim como o ácido kójico são ativos muito utilizados para clareamento de manchas, contudo sua indicação deve ser feita após avaliação do tipo de pele e mancha, a fim de evitar possíveis efeitos rebote e piora da mancha. Recomendo que procure pelo seu médico para que ele possa te indicar o melhor tratamento e creme adequado ao seu tipo de pele e mancha. 10. Felipe diz: 16 de Fevereiro, 2010 as 13:51 Ola , tinha muitas espinhas no rosto e comecei a usar acido azelaico 20% e consequir nao ter mas espinhas , agora estou como muitas manchas no rosto e gostaria de saber se e indicado eu usar todas as noites acido glicolico 10% e acido Kójico ? Muito obrigado pela atençao 11. Clínica de Medicina Estética Scorpios diz: 12 de Dezembro, 2009 as 13:24 Prezada Monica, Os cremes para manchas se corretamente utilizados e indicados (avaliado o tipo de pele, tipo de mancha) não provocam manchas, contudo o que ocorre é que nem sempre o cliente toma as devidas

precauções de proteção solar, além do uso indiscriminado de produtos clareadores, que não são indicados para o tipo de pele, também pode piorar o estado das manchas. 12. Monica diz: 10 de Dezembro, 2009 as 19:36 Olá estou com algumas manchas no rosto tipo melasma,,fui na medica e ela me receitou vitacid plus mas percebi uma piora,,,agora fui em outra e ela me indicou arbutim,,,acido gojico,,algo assim,,,tenho medo pois trabalho mesmo q mta proteção no sol,,,,qro saber se pelo menos estes medicamentos n pioraram mhas manchas! 13. Clínica de Medicina Estética Scorpios diz: 26 de Novembro, 2009 as 12:08 Prezada Charlene, Durante a gravidez e amamentação é proibida a utilização de qualquer tipo de ácido, incluindo o ácido retinóico, pois o mesmo pode contaminar o leite. 14. CHARLENE diz: 26 de Novembro, 2009 as 11:47 GOSTARIA DE SABER SE POSSO USAR ACIDO RETINOICO NO ROSTO MESMO AMAMENTANDO. NAO DOU OUTRO TIPO DE COMIDA A MINHA BEBE. SO AMAMENTO. GRATA. 15. Clínica de Medicina Estética Scorpios diz: 29 de Outubro, 2009 as 18:57 Prezada Silvania, O peeling com ácido mandélico é uma das opçõe existentes no mercado para o tratamento de manchas, além deste exitem outros como lasers, crioterapia, etc. A indicação de uma ou outra técnica deve levar em conta seu tipo de pele, tipo de mancha, profundidade, etc, por isso a avaliação médica é importante para a escolha do melhor tratamento. 16. silvania diz: 29 de Outubro, 2009 as 12:00 Ao ver uma reportagem sobre o acido mandelico, gostaria saber ele resolveria para peeling de manchas das mãos, que muito chamam de manchas de idoso, apesar de ter começado muito cedo em mim, tenho 47 anos já tenho muitas manchas, e isso me incomoda muito, gostaria de obter uma resposta se esse acido resolveria, ou o que devo usar nesse caso, Meu muito obrigado, se for atendida 17. Clínica de Medicina Estética Scorpios diz: 19 de Outubro, 2009 as 18:05 Prezada Nayara, O tratamento para peles morenas merece atenção especial, para evitar possíveis manchas na pele. Além do laser que é uma ótima opção, existem outras técnicas estéticas a preços mais acessíveis, como carboxiterapia, peelings, cremes à base de ácido retinóico. Consulte um dermatologista, que com certeza ele poderá lhe mostrar as opções existentes para a sua pele. 18. nayara diz: 19 de Outubro, 2009 as 11:34 Ola boa tarde,adorei o site de voces eu tbm estou a procura de um tratamento para estrias eu tive meu bebe ja faz sete meses e fiquei com muitas estrias na barriga e quadril tem algumas meio esbranquicadas sou morena e esta me incomodando muito, a

dermatologista me indicou sessoes a laser ,mas é muito caro,entao me ajudem por favor! 19. Clínica de Medicina Estética Scorpios diz: 8 de Setembro, 2009 as 19:11 Prezada Ariana, O ácido mandélico e hidroquinona são indicados para o tratamento de manchas, contudo devem ser utilizados somente após avaliação médica, pois seu uso indiscriminado pode piorar o estado das manchas. 20. ariana caldas diz: 8 de Setembro, 2009 as 18:09 Gostaria de saber se eu posso usar o ácido mandélico e a hidroquinona nas manchas pois devido o meu fototipo de pele tenho muitas manchas que me encomoda muito,qualquer coisinha vira uma mancha escura e horosa. 21. Clínica de Medicina Estética Scorpios diz: 3 de Setembro, 2009 as 12:13 Prezada Lucineide, Sim, o ácido mandélico é usado para suavizar manchas da pele. Mas lembre-se que seu uso deve ser feito somente por profissional capacitado, para evitar a piora do estado da mancha. 22. lucineide diz: 21 de Julho, 2009 as 19:15 oi minha cabelereira me endicou àcido mandèlico para tirar manchas do rosta eu gostaria de saber se e bom mesmo 23. Irismar diz: 13 de Julho, 2009 as 21:26 E o ácido mandelico á 10% é superficial? 24. Luciana diz: 27 de Junho, 2009 as 18:40 Preciso de ajuda urgente!!! estou desesperada e em panico. Inventei de fazer um peeling de ácido mandelico recomendado por uma esteticista que deixou uma mancha no rosto. Na tentativa de tirar a mancha, usei o Vitacid Plus que deixou uma mancha completamente preta maior ainda. Agora estou desesperada. O que devo fazer? usei o vitacid somente por 3 dias e seguindo todas as recomendacoes de filtro solar 60 e nenhuma exposicao ao sol, mesmo assim a mancha vermelha deu lugar a esta mancha preta. Me ajude pelo amor de Deus!!! nao estou conseguindo sair na rua e sequer me olhar no espelho. 25. Rose diz: 18 de Junho, 2009 as 23:03 O que è acido hidroxipropiônico e perffluordecalina 26. Clínica de Medicina Estética Scorpios diz: 18 de Maio, 2009 as 16:11 Oi, Fabiana Pode sim, somente durante o dia e a noite deve ser usado o ácido no local das estrias. Abs. 27. Fabiana diz: 10 de Maio, 2009 as 22:47 Estou fazendo tratamento para estrias com acido retinoico 0,025%. Gostaria de saber se posso usar hidratante. 28. andrea reny diz: 26 de Março, 2009 as 21:56

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tenho estrias na barriga isso me incomodo muito estou disposta a fazer o tratamento gostaria de uma indicação me mande resposta pelo meu imail obrigada 29. Irene Alban diz: 18 de Março, 2008 as 10:47 Gostaria de saber se posso usar o ácido mandélico mesmo amamentando.Meu bêbe está com 07 meses. obrigada 30. MAGNASILVESTRE diz: 14 de Março, 2008 as 15:42 GOSTARIA DE SABER SE POSSO USAR ACIDO RETINOICO A 5% EM CASA 31. Scorpios Medicina Estética diz: 28 de Janeiro, 2008 as 18:47 Prezada Cláudia, O ácido que você está usando não pode ser exposto ao sol, portanto, tomar sol de biquini nem pensar, mas se você sair com uma roupa que cubra o local das estrias e ainda usar filtro solar por baixo da roupa pode sim. 32. claudia diz: 24 de Janeiro, 2008 as 22:48 eu estou fazendo um tratamento para estria. A médica receitou um creme hidratante primeiro, antes de usar o ácido, que é para para de sair estrias. mas qdo ela passar o ácido, eu nao posso sair no sol nem de short? ou seja, tanpando o local que esta com ácido? 33. claudia diz: 24 de Janeiro, 2008 as 22:47 eu estou fazendo um tratamento para estria. A médica receitou um creme hidratante primeiro, antes de usar o ácido, que é para para de sair estrias. mas qdo ela passar o ácido, eu nao posso sair no sol nem de short?

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O modelo de desenvolvimento atual, desigual, excludente e esgotante dos recursos naturais, tem levado à produção de níveis alarmantes de poluição do solo, ar e água, destruição da biodiversidade animal e vegetal e ao rápido esgotamento das reservas minerais e demais recursos não renováveis em praticamente todas as regiões do globo. Resíduos industriais, águas servidas (aquela que foi utilizada em residências) e os esgotos domésticos ainda são despejados diretamente nos cursos de água em grande parte do Estado. Rural-fertilizntes

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Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global O Tratado de Educação vem em último lugar na lista. E assim foi no processo de inclusão do mesmo no rol dos Tratados, como havia sido decidido pela coordenação do processo coletivo durante o IV PrepCom, realizado em Nova York em 1991. Muitas pessoas não entendiam como se podia pensar num Tratado com este tema. Outras, ao contrário, insistiam na importância de fazê-lo, principalmente porque este seria o Tratado com condições de ser o elo de ligação entre todos os demais, uma vez que a educação, a reciclagem, a renovação dos seres humanos era, em última instância, o que definia a possibilidade de aplicar os demais Tratados.

Foi uma aventura o processo de elaboração e aprovação, levando em conta as possibilidades e limitações das ONGS e Movimentos Sociais que tinham pouca prática de participação em eventos planetários como a Conferência da Rio 92. Mas foi uma experiência privilegiada, demonstrativa de que era possível redigir um documento em comum, a inúmeras mãos e inúmeras culturas diferenciadas. O Tratado, assim como a carta que o antecedeu, circulou nos 5 continentes e foi objeto de seminários, oficinas, encontros em diversos países. Recebemos retornos do Brasil e de todos os demais países da América Latina, de países europeus como a Alemanha, Itália, França, Bélgica, Rússia, da Ásia e do Pacífico - como o Japão e a Austrália - dos Estados Unidos e Canadá. Havia depoimentos impressionantes vindos de lugares

o início de um processo de se pensar a educação de forma holística e a partir da vida. trazidos pelas Faculdades Latino-americanas –FLACAM. Além da equipe brasileira e das instituições organizadoras. centenas de pessoas circulavam pela tenda cujas paredes haviam sido forradas com painéis de exemplos de “nossas próprias soluções”. exposições. leitura e diálogo sobre o texto preparado para o tratado. Durante 05 dias. música. O Tratado de Educação Ambiental representou. Para citar apenas um exemplo. sem dúvida. permitiram que. seminários de debates e novos programas educacionais tanto na rede formal de ensino como em ONGs e movimentos sociais. projeto então dirigido por Joãozinho Trinta que se somou a esta iniciativa. teatro sobre Educação Ambiental e. uma das maiores espalhadas na praia do Flamengo era a Tenda da Jornada Internacional de Educação Ambiental que acolhia o Tratado. onde cada palavra foi alvo de muita reflexão antes da . Seminários. A comissão que sistematizou o texto. todas as tardes. se chegasse a um texto aprovado em plenária em 04 idiomas e lançado nas ruas do Rio de Janeiro por ocasião da Marcha Final do Fórum Global. com a participação das 2 mil crianças da Escola de Samba Flor do Amanhã. descrevo brevemente o que ocorreu com o título do documento. para ser estudado e aprovado. Seus depoimentos são bastante significativos sobre o que este texto significou. painéis. ao final. 06.desconhecidos. Ele vem orientando pesquisas. querendo contribuir para a elaboração de um “pacto humano” que dissesse como queremos construir este planeta de agora em diante e qual é o compromisso para o novo milênio que nós queremos assumir. outras pessoas juntaram-se no Rio em uma comissão ad hoc para revisar o texto e dialogar intensamente. A tenda n. procurou ao máximo ser fiel aos anseios expressos nas contribuições recebidas.

uma vez que toda e qualquer educação deve conter este elemento. a palavra “Tratado” era importante de ser mantida no contexto dos demais 35 “Tratados” redigidos pelas ONGs e Movimentos Sociais. de discussões acaloradas. Tratado? O termo não era aceito por algumas pessoas porque. Não era isso que pensava a maioria dos participantes do Sul. um termo muito significativo para representar o que ali fazíamos nós. Educação Ambiental? Por quê? Por que não só Educação? Várias ONGs do Norte insistiam em eliminar o termo “ambiental”. propositalmente. insistiam. educadoras e educadores para selar nossos acordos de cooperação internacional sobre o tema que era nosso: a Educação Ambiental. além disso.educação ambiental para o desenvolvimento sustentável e responsabilidade global foi fortemente questionada pelos que traziam dados concretos . para indicar o meio ambiente o foco de ações de aprendizagem transformadora. que dividiu o continente latino-americano em 2 partes por uma decisão papal. principalmente pela insistência de latino-americanos e asiáticos manteve-se. onde a questão ambiental ainda estava longe de ser um tema abordado e realmente trabalhado na transversalidade e era. Para outros. Era. jamais um trabalho de educação poderia ter.aprovação. por vezes. o Título: Tratado de Educação Ambiental. efetivamente. efetivamente. símbolo da necessária mudança de relação entre países e hemisférios. apesar de nunca se chegar a conseqüências como O Tratado de Tordesilhas. por exemplo. A primeira idéia . Finalmente. Tudo foi colocado “sobre a mesa” e tudo foi objeto de diálogo e. Desenvolvimento Sustentável foi outro termo que evoluiu consideravelmente no título do Tratado. o efeito de um “Tratado” no rigor do termo.

no plural . Aqui nós latino-americanos. lutadores. pois a responsabilidade global não pode ser atribuída da mesma maneira a países. “Se é que estamos no mesmo barco. “O que temos que pensar é no reordenamento da vida no planeta e não em crescimento. Esta construção do título: Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global é bem ilustrativa do que foi a aprovação do Tratado item por item. “Não nos podem atribuir a todos a mesma responsabilidade daqueles que se apropriaram do planeta e pretendem conduzi-lo a seu modo”. Após muitas contribuições. insistiam muitos. uma vez que não se pode contrapor um modelo hegemônico a outro modelo hegemônico global. um pacto de Educação Ambiental não é consenso.. mostrando que o desenvolvimento – concebido como crescimento econômico conforme modelo atual. É diálogo no conflito. ponto por ponto. comentavam outros. é saber chegar onde é possível chegar com aquele grupo naquela hora.da realidade de seus países e do mundo. pois chegamos aos limites e. diziam alguns. inclusive. Finalmente. corporações e instituições que deterioram o mundo muito mais do que outros. não estamos no mesmo andar”. foi aceita somente após ter sido aprovada a concepção diversificada e plural de sociedades sustentáveis. extrapolamos os mesmos”. aguerridos. emergiu e foi aprovado o conceito de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis . ao contrário do que alguns educadores atribuem. vindos de uma história de Educação Ambiental construída na . a expressão inicial e exclusiva de Responsabilidade Global proposta por alguns educadores do Norte – que insistiam na idéia de que “estamos todos no mesmo barco”. nunca poderá ser sustentável. Marcos Sorrentino comenta: “Um documento comum. Uma grande mesa de negociação.

também os paquistaneses pediram que não entrasse esta expressão. porque em seu país. os ingleses e canadenses pediram que na versão deles não entrasse e. porque podiam ser presos se eles compartilhassem de uma organização que assinava um Tratado que falasse que educação ambiental tinha conteúdo político. Então se caminhou para uma negociação onde tivemos um tratado elaborado e redigido por várias mãos. coletivo. em função da continuidade. Por quê? No item em que dizíamos: "a educação ambiental é um ato político”. sem negligenciar a experiência que cada um tem em diferentes formas de Educação Ambiental e assim. é importante e necessário que nossas ações no sentido de nos autoeducar passem pela nossa capacidade de dialogar outros fazeres educacionais e ambientalistas para aprimorarmos a nossa capacidade de fazer Educação Ambiental. e tínhamos que conseguir encontrar um lugar comum.. caso entrasse. enquanto pessoa. Por outro lado. Mas passa também pela nossa capacidade de dialogar nesta diversidade. cada um fazendo um tipo de Educação Ambiental.. de norte americano e de outros lugares do planeta que vinham de práticas sociais diferentes. grupo. Chegamos ao ponto de fazer concessões. a palavra ideologia e a palavra política na versão em inglês não consta. tínhamos uma visão diferente de ingleses. se uma ONG usasse a palavra política não teria mais financiamento. por muitas pessoas e acima de tudo importante para quem o escreveu e aprovou. Isto não quer dizer que desejamos que a Educação Ambiental permaneça como uma colcha de retalhos. não assinariam o Tratado. aos regimes militares deste continente.resistência aos regimes autoritários. . construirmos coletivamente a perspectiva de Educação Ambiental para este país e planeta. por vezes estranho ou não aceito por outros. Por exemplo.

uma professora universitária e escritora de renome na área de educação. Ao que Rachel Trajber. nenhuma das vertentes que fazem esse colorido que a gente presencia na historia da Educação Ambiental”. outros atuam em uma perspectiva ética de valores. no Pronea. isoladas em seu conjunto. este documento. Todas essas ações. E isto foi previsto e está escrito no primeiro parágrafo do mesmo. falou que o tratado de Educação Ambiental foi “um divisor de águas” na história da Educação Ambiental. feito com mãos e mentes de mais de 600 educadores e educadoras da sociedade civil de todo o mundo. em livros. E a comprovação de que é uma referência política eu tive a alguns anos quando a Educadora Ambiental Maria Villaverde. pela primeira vez. ao comparálo com tantos outros documentos publicados posteriomente. que nós educadoras e educadores. tem uma síntese no Tratado de Educação Ambiental. verificamos que esta é e será uma referência permanente”. Em termos de documentos internacionais. outros em uma perspectiva conservacionista. Mas de qualquer forma ele serve como uma referência política. A metodologia participativa com foco na aprendizagem através da ação articuladora marcou todas as pessoas que participaram do processo.É evidente que o Tratado precisa ser aprimorado. nas ultimas décadas batalhamos para que acontecesse. ao vê-lo republicado em múltiplas instâncias na Internet. que procura não menosprezar e nem desvalorizar nenhuma das contribuições. sintetiza a convergência das sínteses. acrescenta: “Ao requisitar o Tratado. . em Madri. às vezes até de forma não consciente. “O tratado foi pioneiro na aprendizagem de construção coletiva de um documento global. Às vezes muitos de nós atuam em Educação Ambiental dentro de uma perspectiva sócio-política. atual Diretora da Coordenadoria de Educação Ambiental do MEC.

mas buscou-se a maneira de promover a escuta. e assim chegar a um maior discernimento. Surgiram conflitos e contradições. comenta Rachel Trajber. redigido e traduzido em quatro idiomas. que precederam a Cúpula da Terra na Rio 92. . resultado deste viver consciente. permitiu criar um processo para a participação de pessoas de todas as partes do mundo preocupadas por estas relações e responsabilidades”. aspectos. a partir dali. conseguir cumprir com cidadania planetária e global. mas o tempo todo aprendemos a colocar os próprios princípios na pauta”. o diálogo e o discernimento dos vários temas. preocupações. O resultado foi um tratado extenso e bastante completo. Conseguimos chegar à Jornada Internacional de Educação Ambiental da Rio 92 com o Tratado sistematizado. O processo foi muito educativo e criador de consciência. com passos a seguir para assegurar que sociedades/comunidades consigam viver de maneira sustentável e. acrescenta: “A maneira inclusiva como se trabalhou o Tratado através da participação das Comissões Preparatórias da ONU. educadora internacionalmente reconhecida por sua atuação na reconstrução de El Salvador após a guerra. Trabalhamos por grupos e em diferentes idiomas. do oriente e do ocidente. produto da cooperação e participação da sociedade civil no contexto da Cúpula da terra.“Em alguns momentos parecia que nunca conseguiríamos construir um texto que trouxesse o consenso e a essência da utopia dos povos do norte e do sul. através de seus vários processos. sabiamente alimentados pela coordenação do processo. Marta Benavides. usando material preparado para promover a máxima participação e o diálogo.

cada pedaço deste Planeta tenha seu próprio tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis de Responsabilidade Global”. convicções acumuladas por movimentos sociais. que cada escola tenha seu tratado. atual Diretor do Conama. “O Tratado pode ser visto como a construção social de um conceito de educação orientada para sociedades sustentáveis a partir de olhares educativos de todos os continentes. Daí. Seria bom que o Tratado continuasse a ensejar movimentos e interações nacionais e internacionais e em diferentes sentidos. no contexto de políticas e programas socioambientais. até o tratado aprovado na Jornada Internacional. A experiência do Tratado mostra o quanto é importante o processo de formulação de documentos como esse. Por exemplo. para que se produzam outros tratados.Para Nilo Diniz. cada município produza o seu tratado. . Porque não foram apenas aportes técnicos que conformaram as propostas e princípios reunidos ali. Foram experiências socioculturais. E continua: “É por isso que considero o Tratado resultado de uma construção social. verificando e/ou estimulando a aplicação de seus princípios em ações governamentais ou não governamentais em nível local. compromissos de educadores e educadoras e líderes na vivência com diferentes comunidades. instigante. A implementação da Agenda 21 local poderia ser um bom caso”. políticas e de experiências diferenciadas”. A função dele é ser provocador. observamos diversas mediações conceituais. Marcos Sorrentino acrescenta: “O Tratado tem também a virtude de ser estimulo para debates.

.. Neste entendimento.Neste espírito.” e a insistência era na capacitação dos mesmos para a proteção do ambiente.. pilar da Educação Ambiental em qualquer nível ou circunstância em que a mesma se realiza. juntamente com a Carta da Terra. em nossas práticas nas relações ser humano/ser humano. Não é certo dizer. O Tratado. nosso planeta. há que lembrar como uma verdadeira revolução em relação aos destinatários da Educação Ambiental. nossos recursos naturais. salvamos possivelmente a possibilidade do ser humano continuar num planeta saudável e em paz. as mulheres e imigrantes. E isto nos leva a rever até nossa própria linguagem. ambos gestados no processo que antecedeu e seguiu a Rio 92. nestas instâncias tornou-se. os jovens. por exemplo: ‘nosso meio ambiente.” Esta re-edição do Tratado coincide com a realização do V Fórum Brasileiro de Educação Ambiental alimentado pela Rede Brasileira de Educação Ambiental/REBEA. Marta Benavides complementa: “o processo de desenvolvimento do Tratado serviu-me para desenvolver o conceito sustentabilidade como forma de educação sobre a consciência da cidadania planetária e da governabilidade global. Finalmente. nossa terra’. a mudança de eixo que trouxe o Plano de Ação do Tratado. mas com as mudanças que nós. Só investimos naquilo que acreditamos. ser humano/natureza. Os princípios do Tratado apontam claramente o norte. no Tratado ficou evidente . Enquanto o foco do texto oficial da Conferência eram: “as crianças. sabemos que não podemos salvar o planeta. os humanos temos que fazer. na manifestação da paz sustentável como base da justiça social e a saúde do planeta e a forma de Ser Futuro Aqui e Agora. com capacidade de levar respeitosamente em consideração os processos naturais e criar sociedades fundamentadas no cultivo da comunidade. Porque nada disso é nosso..

Objetivos: *avaliar a org visando reconhecer suas potencialidades e dificuldades e detectar fatores limitantes de sua eficiência e eficácia.10. então. atitudes.produtividade no trabalho e satisfação das pessoas envolvidas na org.2004.que “Todos Somos Aprendizes” e todos os Atores Sociais que interferem na qualidade do ambiente e de vida precisam reorientar seus valores e princípios em função da sustentabilidade e investir.traçar o perfil Da organização. Toledo.motivação.Analisar comportamentos. Colado de <file:///C:\Users\nice\Desktop\artigo_MOEMA-Tratado.onde se está:Análise interna(pontos fortes e fracos) e externa(oportunidades e ameaças) *Instrumento de coleta de informações para conhecer a realidade interna. .doc> Diagnóstico organizacional *primeira fase do processo de elaboração e implantação de estratégias Como se está. aptidões que permitam a necessária participação cidadã local e planetária. 20.Descobrir situação atual da empresa para solução adequada e melhoria dos resultados. na necessária aquisição de conhecimento sobre a realidade ambiental para criar consciência. Obj geral do diagnóstico organizacional é apresentar um quadro confiável da real situação da empresa para estabelecer ações para o aprimoramento organizacional.

Integração das externalidades e internalidades identificando opções .Esta avaliação é a analise swot Strengths.Asim identifica-se estratégias para explorar as oportunidades e diminuir o impacto das ameaças.concorrentes e as agências reguladoras.financeira. Ambiente Organizacional Ambiente nterno:área de marketing.weaknesses. Análise SWOT O processo de monitoração do amb organizacional é composto por todos os fatores tanto internos como externos à organização.rh.demográficos.planej estratégico e gerência de produtos e mercados.produção Ambiete operacional ou de tarefa: externo à org com implicações específicas e imediatas na adm da organizaçãoClientes.economicos.fornecedores.Peter 1993 Para formular uma estratégia ou planejamento deve-se analisar as principais tendencias do amb externo e conhecer competencias e recursos da org. que possam afetar seu progresso para atingir metas.legais Certo. Avaliar o ambiente para a adm reagir adequadamente e adaptar-se às mudanças.Block -mobilizar a ação sobre um problema.opportunities e threats.Problemas técnicos adam envolvem sistemas financ e de produção(engenharia)e recursos humanos.a qual melhore o funcionamento da org. . Ambiente geral:amplo escopo e menor aplicação imediata como aspectos sociais.

fornecedores de recursos entre outros. tecnologias e condições do ambiente natural. Dentro deste ambiente estão inseridos os fatores ambientais gerais econômicos. incluem também as influências ambientais específicas como clientes. professores da universidade de Harvad Business School foram os precursores. jr (1999). A tradução para o português implica no termo FOFA (Forças. Quando as condições externas mudam. Jr. socioculturais. Fraquezas. O ambiente externo é uma força importante e complexa com a qual as organizações e seus gerentes têm que conviver. porém. Ameaças). a sua aplicação pode conter limitações devido a subjetividade de julgamento. agarre as oportunidades e proteja-se contra as ameaças” há mais de dois mil anos atrás. p. Objetivo é identificar neste ponto. mas. Quais são nossas oportunidades? Novos mercados possíveis? Economia forte? Rivais de mercado fracos? Tecnologias emergentes? Crescimento do mercado existente? . 1999). (2007). 1999. reconheça as fraquezas..A origem da técnica SWOT ainda é duvidosa. é uma ferramenta muito utilizada devido à facilidade e por permitir uma analise especifica dos recursos organizacionais.113 A segunda e última etapa da análise SWOT segundo Schemerhorn. alguns autores alegam que Keneth Andrews e Roland Chistensen. político-legais. Oportunidades.C) utilizava-se do conceito “Concentre-se nos pontos fortes. Após esclarecimento da missão da organização é necessário avaliar as condições do ambiente atual e futuro e como ele pode afetar a realização das estratégias. Figura 2 Fonte: Schemerhorn. Para Alves et al. isso exige vigilância constante e habilidade para interpretar corretamente as tendências ambientais e usar esse entendimento para fazer estratégias de sucesso e planos de ação (SCHEMERHORN. concorrentes. Sun Tzu (500 a. envolve a análise das oportunidades e ameaças. JR. JR 1999). suas implicações potenciais para a formulação e implementação da estratégia também mudam. competências distintivas ou pontos fortes especiais que dão ou podem dar para a organização uma vantagem competitiva nos domínios de sua operação (SCHEMERHORN.

ufmg.linhas mestras que indicam limites ou restrições sobre aquilo que se quer conseguir. Avaliar a estrutura da organização visando o reconhecimento de suas potencialidades e dificuldades.Quais são nossos pontos fracos? Instalações antigas? P&D inadequadas? Tecnologias obsoletas? Gerencia fraca? Falhas no planejamento passado? Quais são nossos pontos fortes? Eficiência na produção? Força de trabalho habilidosa? Boa participação de mercado? Solidez financeira? Reputação superior? Quais são nossas ameaças? Novos concorrentes? Carência de recursos? Mudança de gosto de mercado? Novos regulamentos? Produtos substitutos? Avaliação externa da organização Avaliação interna da organização Análise SWOT diagnóstico organizacional O Diagnóstico Organizacional é um instrumento de coleta de informações da empresa.política e planos Missão:finalidade para que serve Visão: o que é Estratégias pretendidas são políticas ou planos. a motivação. . para que o empresário tome conhecimento de todas as dimensões envolvidas. Analisar os comportamentos.br/~rhjr/servicos/diagnostico-organizacional/> A ciência faz bem a Cacia faz certo A perspectiva estratégica que ajuda a enncontrat um compromisso entre a eficiência e a eficácia]gestão estratégica -visão temporal mais favorável a sobrevivência da org que dirige o pensamento simult para ações de curto e longo prazo. a produtividade no trabalho e também a satisfação das pessoas envolvidas na organização.fafich. Visa descobrir a situação presente da empresa para indicar soluções adequadas e de melhoria dos resultados. Buscar alternativas de ações e implantação de soluções para o melhor desempenho da empresa. • • • • Colado de <http://www.planos-meios que usamos para chegar a certos fins. com o intuito de conhecer sua realidade interna. traçar o perfil da organização. estipulando um plano de análise. O Diagnóstico Organizacional tem como objetivos: Detectar possíveis fatores limitantes da eficácia da organização. Estratégias pretendidas: finalidade.

estas funções podem ser ligadas através de uma estrutura chamada cadeia de valores(aglutina todas as funções capazes de p roduzir valor percebido pelo cliente.)produção. Às multinacionais. Ou Segmentar (operações sobre esses produtos devem ser repartidas por diferentes Sbus. IMPLEMENTAÇÃO DA ESTRATÉGIA: É o processo de transformar estrat pretendida em realizada.venda e serviços contribuem diretamente com valor para o cliente.estratégia de descentralização chama-se Estratégia multinacional pq cada unidade é respons pelo seu mercado nacional.Gestores devem conhecer as capacidades e limites da sua organização.SWOT é caracterizada pelo cruzamento entre as forças e fraquezas internas com as oport e ameaças externas.gestão de Rh sõa secundárias.-Função primária. Integração: elementos dentro da empresa.ratificar que os resultados dependem d a imagem e o valor que a org dá a seus clientes.regras ou a cultura da org desde que influencie o comportament dos colabordores. Gestão. marketing. Na gestão incremental o Planejamento estratégico é um processo linear Os planos estrat constroem linhas mestras para orientação do trabalho de cada um.qdo as ações de benchmarking agregam valor. meios de controle premios.'as vezes é licito não considerar a concorrência inimiga.não se preocupa em definir um conj de tarefas a ser realizada por .SBU(stratégic bussines unit)produtos que pertencem a mesma unidade estratégica de negócios.concorrência/ameaça.oportunidades e ameaças e forças e fraquezas.h´bridas reproduzem ambas.o mais difícil é integrar os objetivos em curto prazo com os em longo prazo descritos na missão e visão da organização.Formulação da estratégia e implementação da estratégia Análise estratégica: objetivos estratégicos.Gestão estrategica: Análise estratégica. Através do controle:esforços são focados no mesmo objetivo e possíveis ajustes devido a imprevistos.sobre a concorrência(adversários).ligar funções aos megócios. Nivel funcional identificar vantagens competitivas para a progressão do negócio . Nivel empresarial:competencias fechadas.estrutura organizacional .controle e liderança.é desta analise q depende o sucesso da gestão estratégica. requisitos:delegação de responsabilidade e eficazes canais de comunicação.MISSÃO E OBJETIVOS canaliza gestores e empregados na mesma direção. Ambiente:recursos exteriores a org novos clientes -oportunidades.empresas se posicionam camo de batalha para aumentar sua fatia no mercado.força:mão de obra qualificada fraqueza:sistema de informação obsoleto.sistema de informação.VISÃO.é composta por:integração. Finalidades estrat são o alvo a atingir e o elemento concentrador que permite à org conquistar o objetivo colimado. Nivel internacional.Se uma empresa tem algumas de suas forças decorrentes de comp fech entã essa área reresenta oportunidade de diversificar os negócios da empresa.negócios às empresas e as operações inernc. Formulação da Estratégia: Nível de negócios -+importante.Tal valor deve ser desenvolvido em várias áreas funcionais do negócio.produzem valor de forma indireta.temos a estratégia globl que centraliza as operações .

A comunicação da visão é através da missão e da liderança. O desafio das empresas às vezes é o resultado de sua incapacidade de regenerar suas estratégias. por meio dos cenários. os dirigentes das organizações verificam ameaças e oportunidades.oferece à org uma revisão de situações futuras e respectivas probabilidades de ocorrência de mudanças e confirmação de tendências • • • • • • • . Qual é o propósito?qual o diferencial?qual a diferença do negocio daqui a 3 ou 5 anos?quem são ou deverão ser os principais clientes e o segmento do mercado? Quais são e quais serão os principais produtos?e as preocupações econ. Missão . Visão-o que é-refere-se a obj gerais e longo prazo. das estratégias.a gestão estratég repensa e a justa continuamente os planos e atividades da org HIERARQUI DE FINALIDADES ESTRATÉGICAS: VISÃO MISSÃO E OBJETIVOS A visão provoca empenho de todos na missão da org através do trabalho realizado com base nos objetivos estratégicos.pra que serve Maneira pela qual a visão torna-se tangível.e sugere padrões para o comportamento ético dos indivíduos.descreve spirações para o futuro sem especificar os meios para alcançar.MASON PEARSON 94). É o ponto de partida na adm estratégica E o futuro das org Importância devido a instabilidade ambiental e à questão da competitividade(as empresas têm que se antecipar e adaptar com rapidez às condições do mercado. TEM COMO PROPÓSITO adotar medidas decisivas e resultados na condução de atitudes pró-ativas na gestão das org.BETHLEM98. A análise ambiental.?quais valores.O Plan Estrg é uma ferramenta indispensável na gestão a fim de precaverem-se daas incertzas com técnicas e processos adm que permitam o planejamento de seu futuro. O planej estrg é fundamental: favorece a discussão da missão.99.STONER E FRERMAN. métodos e ações(ANSOFF E McDONNELL93.estabelece padrões para o desempenho da org em múltiplas dimensões .a elaboração de seus objetivos.das diretrizes e dos mecanismos de controle e avaliação(CAMPOS 02).Em ambientes instáveis.cada indv. Objetivos Planejamento Estratégico CONSIDERAÇÕES *Adoção de modernas filosofias para Habilitar as organizações a utilizálas na obtenção de uma visão de futuro.princip na nova economia digital(LIAUTAUD02. As org estão procurando adaptar-se as constantes mudanças ambientais e incertezas.MITROFF.aspirações e prioridades filosóficas? Uma missão que responde a estas perguntas: estabelece os limites que servem de orientação na formulação estratégica.estratégias.DRUCKER93.dos objetivos.A visão é para inspirar e motivar.das políticas.

menos elaborado.prioridades e seus fins-utilização eficaz d osrecursos 2-DEFINIR SITUAÇÃO ATUA. É necessário que a Missão tenha certa flexibilidade. Qual é o negócio? Qual será o negócio (se nenhum esforço de mudança for feito)? Qual deveria ser o negócio? As respostas vão depender de respostas a outras perguntas: Quem é seu cliente? Quem será o seu cliente? Quem deveria ser o seu cliente? Que abrangência precisa ter o seu negócio? Onde está seu cliente? Onde estará seu cliente? O que compra seu cliente? O que comprará seu cliente? • • • • • • • • DEFINIÇÃO DA MISSÃO Para que serve?? pontos comuns que devem ser sempre considerados: segmentos-alvo.apto a ser usado caso ocorra mudanças radicais no ambiente. é preciso repensar a Missão da Organização.e ou DEFINIR METAS.através da comunicação 3-DETERMINAR FACILIDADES E BARREIRAS. ELABORAÇÃO DO PLANO CONTINGENCIAL Plano reserva. Periodicamente.PLANEJ ESTRATÉGICO (STONER E FREEMAN99) 1-ESTABELECER OBJETIVOS.swot-anaálise interna e externa 4-CONJ DE MEDIDAS. tecnologia. DEFINIÇÃO DA FILOSOFIA DE ATUAÇÃO DEFINIÇÃO DAS POLÍTICAS DEFINIÇÃO DOS OBJETIVOS E METAS FORMULAÇÃO DE ESTRATÉGIAS CHECAGEM DA CONSISTÊNCIA DO PLANO IMPLEMENTAÇÃO . balanced scorecard -04 perspectivas de indicadores interdependentes formando um sistema cíclico.pontos fortes e fracos.(outro plano) Planej estrt VASCONCELLOS FILHO 84 DEFINIÇÃO DO NEGÓCIO Refere-se aos limites físicos e psicológicos na sua atuação. benefícios demandados X benefícios oferecidos e crenças e valores dos dirigentes. a fim de acompanhar as mudanças ambientais. Todas têm que ser observadas 200 gr açu1KG MORANGO . no sentido de influenciar e ser influenciada pelo ambiente. escopo-geográfico.oportunidades. ANÁLISE DO AMBIENTE investgação das forças internas e externas tem como objetivo a identificação de ameaças.

Desvantagens: Aumento dos preços internos. Abrir fronteiras para o comércio.incentivando o desenv econ interno. muitas barreiras alfandegárias caíram e o comércio internacional passou a ser estimulado e ganhou força. Mesmo assim.EX. o livre comércio. Países que se negaram a entrar no comércio internacional.SUCO DE 1 LIMÃO Protecionismo Conjunto de medidas para favorecer as atividades econômica internas.É usada por todos os países em maior ou menor grau. Incentivo a novas tecnologias. o protecionismo é o meio econômico para lograr o objetivo político de uma nação independente. principalmente na área agrícola. visando combater práticas comerciais protecionistas.subsídios à industria nacional. Acomodação da indústria interna Atraso tecnológico Perda de mercados externos. como forma de proteger os agentes econômicos nacionais. Fatores positivos: protege a economia nac.a importação de produtos e a concorrência estrangeira. Criação de altas tarifas e normas técnicas de qualidade para prod estrangeiros.quantidade de serviços estrang no mercado nacional ou % do acionista estrangeiro. é meio econômico para lograr o objetivo político de nações interdependentes. abrindo suas economias. Na segunda metade do século XX.acomodação das empresas nacionais e aumento dos preços internos. Desvan Agens:Essas políticas podem fazer com que o país perca espaço no mercado externo. passaram a ter seu desenvolvimento econômico prejudicado. A OMC (Organização Mundial do Comércio) regula o comércio internacional. o protecionismo perdeu força e é considerado uma prática econômica desleal.reduzindo e dificultando ao máximo. Com o processo de globalização da economia. muitos países ainda usam o mecanismo do subsídio.garante a criação de empregos e incentiva o desenvolvimento de novas tecnologias.Fixação de cotas limitando o núm de produtos.provocar atraso tecnológico . Vantagens : proteção da indus e agicult do país Garantia de empregos internos.Cujo papel é promover a liberalização do comércio internacional.O oposto desta dourina é o livre comércio.consequência natural do protecionismo Enfraquece a política de combate a fome e ao desenvolvimento dos países pobres.reduzindo a lucratividade dos mesmos. . Nos dias atuais. A diminuição do comércio . da concorrência externa. O responsável pela fiscalização do com entre os países e seus atos protecionistas é a OMC. o protecionismo começou a perder força.

O neoliberalismo. Aldeia global esta relacionada com uma rede de conexões que deixam distâncias cada vez mais curtas.Com sede em genebra(Suiça) foi fundada em 1994 durante a conferência de Marrakech. logo após a queda do socialismo no leste europeu e na União Soviética.principais Temas:Tarifas de comércio internacional.objetivo: diminuição das barreiras comerciais e do protecionismo comercial no mundo focando o livre comércio para as nações em processo de desenvolvimento econômico.as pessoas.facilitando as relações culturais e econômicas de forma rápida e eficiente. muitas empresas multinacionais buscaram conquistar novos mercados consumidores. Neste contexto histórico. A concorrência fez com que as empresas utilizassem cada vez mais recursos tecnológicos para baratear os preços e também para estabelecerem contatos comerciais e financeiros de forma . Funções da OMC: -regulamentar e fiscalizar o comércio mundial. -Criar situações e momentos(rodadas) para que sejam firmados acordos comerciais internacionais -Supervisionar o cumprimento dos acordos comerciais entre os países membros REUNIÕES-Rodadas. -Resolver conflitos comerciais entre países membros.processos de facilitação de comércio. Origens da Globalização e suas Características Muitos historiadores afirmam que este processo teve início nos séculos XV e XVI com as Grandes Navegações e Descobertas Marítimas.OMC é uma inst. Globalização: processo econômico e social que estabelece uma integração entre os países e pessoas do mundo todo.os gov e as empresas trocam idéias. principalmente dos países recém saídos do socialismo. Rodada de Doha inicio em 2001 participação de 149 países incluso Brasil. impulsionou o processo de globalização econômica.Através deste processo.subsídios agrícolas e regras comerciais. Inernac que atua na fiscalização e regulamentação do comercio mundil.Têm como objeivo Estabelecer acordos comerciais em nível mundial.realizam transações financeiras e comerciais e espalham aspectos culturais no 4 cantos do planeta. estabelecendo relações comerciais e culturais. Porém. a globalização efetivou-se no final do século XX. Com os mercados internos saturados.Ocorrem de tempos em tempos e costumam durar anos . o homem europeu entrou em contato com povos de outros continentes. -Gerenciar acordos comerciais tendo como parâmetro a globalização da economia. que ganhou força na década de 1970.

que estabelece fundamentos da futura integração política. cada país. Colado de <http://www.suapesquisa. das redes de computadores. a Comecom. Malta. França. o Pacto Andino e a Apec. o Tratado da Comunidade Econômica Européia (CEE). Luxemburgo. casas de câmbio. Reino Unido. Dinamarca. Estes blocos se fortalecem cada vez mais e já se relacionam entre si. . Investiram muito em tecnologia e educação nas décadas de 1980 e 1990. Portugal. o Tratado de Maastricht. financeiras) criaram um sistema rápido e eficiente para favorecer a transferência de capital e comercialização de ações em nível mundial. e comercializado em diversos países do mundo. surgiram a União Européia. Optam por países onde a mão-de-obra. cujo objetivo principal é aumentar as relações comerciais entre os membros. Cingapura e Coréia do Sul) são países que souberam usufruir dos benefícios da globalização. Eslovênia. Polônia. Muitas delas. Os tigres asiáticos (Hong Kong. Cróacia e Turquia encontram-se em fase de negociação. produzido na China.. casas de câmbio. Letônia. Taiwan.Bélgica. O tratados que definem a União Européia são: o Tratado da Comunidade Européia do Carvão e do Aço (CECA). Neste contexto. o NAFTA. Romênia e Suécia. político e social de 27 países europeus que participam de um projeto de integração política e econômica. Um tênis. Grécia. Atualmente. Desta forma. produzem suas mercadorias em vários países com o objetivo de reduzir os custos. com matéria-prima do Brasil. Estes países são politicamente democráticos. podem ser feitos em questões de segundos através da Internet ou de telefone celular. Neste último tratado. Bulgária. se destaca acordos de segurança e política exterior. Hungria.com/globalizacao/> O que é a União Européia? A UE (União Européia) é um bloco econômico. Áustria. o Mercosul. Para facilitar as relações econômicas. Espanha.suapesquisa. financeiras) criaram um sistema rápido e eficiente para favorecer a transferência de capital e comercialização de ações em nível mundial. Blocos Econômicos e Globalização Dentro deste processo econômico. dos meios de comunicação via satélite etc. Bolsa de valores: tecnologia e negociações em nível mundial. Investimentos. Eslováquia. as instituições financeiras (bancos. Estônia. pagamentos e transferências bancárias. a matéria-prima e a energia são mais baratas. Investimentos. com um Estado de direito em vigor. Colado de <http://www. são grandes exportadores e apresentam ótimos índices de desenvolvimento econômico e social. Itália.rápida e eficiente. por exemplo. entra a utilização da Internet.. conseguiram baratear custos de produção e agregar tecnologias aos produtos. Neste contexto. muitos países se juntaram e formaram blocos econômicos. o Tratado da Comunidade Européia da Energia Atômica (EURATOM) e o Tratado da União Européia (UE). as instituições financeiras (bancos. consegue mais força nas relações comerciais internacionais. pagamentos e transferências bancárias.com/globalizacao/> Para facilitar as relações econômicas. podem ser feitos em questões de segundos através da Internet ou de telefone celular. Irlanda. República. Finlândia. através do euro. ao fazer parte de um bloco econômico.. Como resultado. assim como a confirmação de um Constituição Política para a União Européia e a integração monetária. Macedônia. Uma outra característica importante da globalização é a busca pelo barateamento do processo produtivo pelas indústrias. Países Baixos (Holanda).Os países integrantes são: Alemanha. Chipre. pode ser projetado nos Estados Unidos. Lituânia.

França. Notas de Euro Objetivos da União Européia . Em tese. Todos estes órgãos possuem representantes de todos os países membros.com/uniaoeuropeia/> Introdução Com a economia mundial globalizada. podendo ser renovado uma única vez. A partir de janeiro de 2002. Itália. Bélgica. Luxemburgo. Estes são criados com a finalidade de facilitar o comércio entre os países membros. A Moeda Única: o euro Com o propósito de unificação monetária e facilitação do comércio entre os países membros. . os países membros (exceção da Grã-Bretanha) adotaram o euro para livre circulação na chamada Zona do Euro.Melhorar as condições de livre comércio entre os países membros. Áustria. Finlândia e Suécia.O presidente da União Européia é eleito pelos membros do Conselho Europeu e tem mandato de dois anos e meio. o comércio entre os países constituintes de um bloco econômico aumenta e gera crescimento econômico para os países. A União Européia também possui políticas trabalhistas. a Comissão. . Bélgica. Chipre.Melhorar as condições de vida e de trabalho dos cidadãos europeus. UNIÃO EUROPÉIA A União Européia ( UE ) foi oficializada no ano de 1992. Espanha. Irlanda.Proporcionar um ambiente de paz. Holanda (Países Baixos).A partir do ano de 2014. Reino Unido. a União Européia adotou uma única moeda. . o Conselho e o Tribunal de Justiça.Fomentar o desenvolvimento econômico dos países em fase de crescimento. Voce Sabia? . harmonia e equilíbrio na Europa. . Dinamarca. podem circular e estabelecer residência livremente pelos países da União Européia. Espanha. Itália. Estônia.Para o funcionamento de suas funções. República da Irlanda. Os cidadãos dos países membros são também cidadãos da União Européia e. Os países que fazem parte da Zona do Euro são: Alemanha.Promover a unidade política e econômica da Europa. pois cada vez mais o comércio entre blocos econômicos cresce. Esta é a nova tendência mundial. . Finlândia. portanto. as leis da União Européia só serão aprovadas se tiverem o voto Colado de <http://www. Este bloco é formado pelos seguintes países : Alemanha. Áustria. Parlamento Europeu e Conselho de Ministros. Malta Países Baixos e Portugal. Luxemburgo. que envolve 17 países. de defesa.Reduzir as desigualdades sociais e econômicas entre as regiões. Geralmente estes blocos são formados por países vizinhos ou que possuam afinidades culturais ou comerciais.suapesquisa. um sistema financeiro e bancário comum. Grécia. Grécia. através do Tratado de Maastricht. a União Européia conta com instituições básicas como o Parlamento. Portugal. Eslovênia. A UE possui os seguintes órgãos : Comissão Européia. Economistas afirmam que ficar de fora de um bloco econômico é viver isolado do mundo comercial. Eslováquia. Os países membros da União Européia e os 19 países de maiores economias do mundo fazem parte do G20. Adotam redução ou isenção de impostos ou de tarifas alfandegárias e buscam soluções em comum para problemas comerciais. . Veremos abaixo uma relação dos principais blocos econômicos da atualidade e suas características. França. Os países da União Européia também são representados nas reuniões anuais do G-8 (Grupo dos Oito). Este bloco possui uma moeda única que é o EURO. de combate ao crime e de imigração em comum. a tendência comercial é a formação de blocos econômicos. .

Holanda e Luxemburgo. Brasil. Colômbia. Futuramente. APEC A APEC (Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico) foi criada em 1993 na Conferência de Seattle (Estados Unidos da América). Venezuela . Não é uma zona livre de comércio. Cingapura. O objetivo principal do Mercosul é eliminar as barreiras comerciais entre os países. chega-se a metade de toda produção mundial. Vietnã e Chile. Tailândia. Uruguai. objetivos. estuda-se a entrada de novos membros. proteção comercial e padrões e leis financeiras. Malásia. países do Mercosul. Quando estiver em pleno funcionamento (previsão para 2020). Japão. Foi criado no ano de 1969 para integrar economicamente os países membros. Rússia. Hong Kong (região administrativa especial da China). o Brasil e o Mercosul. como o Chile e a Bolívia. Formosa (também conhecida como Taiwan). Peru e Venezuela. Filipinas. MERCOSUL O Mercosul ( Mercado Comum do Sul ) foi oficialmente estabelecido em março de 1991. PACTO ANDINO Outro bloco econômico da América do Sul é formado por: Bolívia. Papua Nova Guiné. este bloco econômico envolve a Bélgica. Equador. será o maior bloco econômico do mundo.suapesquisa. embora os Estados Unidos sejam o principal parceiro econômico do bloco.NAFTA Fazem parte do NAFTA ( Tratado Norte-Americano de Livre Comércio ) os seguintes países: Estados Unidos. Colado de <http://www. Austrália. globalização. Canadá. Estabeleceu o fim das barreiras alfandegárias. Peru. Outro objetivo é estabelecer tarifa zero entre os países e num futuro próximo. México. uma moeda única. porém reduziu tarifas de aproximadamente 20 mil produtos. China.com/blocoseconomicos/> Mercosul Economia do Mercosul. regras comerciais em comum. dificuldades do Mercosul. Nova Zelândia. aumentando o comércio entre eles. México e Canadá. Argentina. Uruguai e Argentina. Indonésia. comércio internacional. Brunei. As relações comerciais entre os países membros chegam a valores importantes. É formado pelos seguintes países da América do Sul : Brasil. O BENELUX foi criado em 1958 e entrou em operação em 1 de novembro de 1960. Começou a funcionar no início de 1994 e oferece aos países membros vantagens no acesso aos mercados dos países. Somadas as produções industriais de todos os países. blocos econômicos. BENELUX Considerado o embrião da União Européia. Integram este bloco econômicos os seguintes países: Estados Unidos da América. Paraguai. Paraguai. Coréia do Sul.

pois assinaram tratados comerciais e já estão organizando suas economias para tanto. Paraguai e Uruguai. Chile. No mesmo ano. prejudicando o produtor e o comércio argentino. os países do Mercosul juntos concentram uma população estimada em 311 milhões de habitantes e um PIB (Produto Interno Bruto) de aproximadamente 2 trilhões de dólares. Embora tenha sido criado apenas em 1991. Peru e Bolívia poderão entrar neste bloco econômico. há planos para a adoção de uma moeda única. Atualmente. o Brasil recorreu à OMC ( Organização Mundial do Comércio ). fogões ). Estabelece-se um plano de uniformização de taxas de juros. micro-ondas. pois a Argentina estabeleceu barreiras aos tecidos de algodão e lã produzidos no Brasil. Os membros deste importante bloco econômico do América do Sul são os seguintes países : Argentina. Participam até o momento como países associados ao Mercosul. Bandeira do Mercosul Conclusão . A aprovação da entrada da Venezuela está na dependência de aprovação do Congresso Nacional do Paraguai. Brasil. Colômbia. Os conflitos comerciais entre Brasil e Argentina As duas maiores economias do Mercosul enfrentam algumas dificuldades nas relações comerciais. índice de déficit e taxas deinflação. a exemplo do fez o Mercado Comum Europeu. Etapas e avanços No ano de 1995. A Argentina está impondo algumas barreiras no setor automobilístico e da linha branca ( geladeiras. foi instalada a zona de livre comércio entre os países membros. Em 1999. os esboços deste acordo datam da década de 1980. um importante passo foi dado no sentido de integração econômica entre os países membros. pois os congressos nacionais do Brasil. Estas dificuldades estão sendo discutidas e os governos estão caminhando e negociando no sentido de superar barreiras e fazer com que o bloco econômico funcione plenamente. a Argentina começa a exigir selo de qualidade nos calçados vindos do Brasil. Futuramente. Alguns produtos não entraram neste acordo e possuem tarifação especial por serem considerados estratégicos ou por aguardarem legislação comercial específica. Na área agrícola também ocorrem dificuldades de integração. pois a livre entrada dos produtos brasileiros está dificultando o crescimento destes setores na Argentina. pois os argentinos alegam que o governo brasileiro oferece subsídios aos produtores de açúcar. quando Brasil e Argentina assinaram vários acordos comerciais com o objetivo de integração. Desta forma.Equador.Mapa do Mercosul (clique na imagem para ampliar) Criação O Mercado Comum do Sul ( Mercosul ) foi criado em 26/03/1991 com a assinatura do Tratado de Assunção no Paraguai. A partir deste ano. cerca de 90% das mercadorias produzidas nos países membros podem ser comercializadas sem tarifas comerciais. Esta medida visava prejudicar a entrada de calçados brasileiros no mercado argentino. Argentina e Uruguai já aprovaram a entrada da Venezuela no Mercosul. o produto chegaria ao mercado argentino a um preço muito competitivo. Em julho de 1999.

como o NAFTA e a União Européia. Desde o Relatório Meadows-1972 -Posição do clube de Roma acerca dos limites de crescimento econômico determinados pela finitude dos recursos naturais até o Relatório Brundtland-1987 o debate inernac. V. Economia do Meio Ambiente: teoria e prática. 1997.suapesquisa.adquire dimensão social e política a partir do final dos ano 60. H. LUSTOSA. IPEA/MMA/PNUD/CNPq. Rio de Janeiro..suapesquisa. muito em breve. Manual para Valoração Econômica dos Recursos Naturais.com/mercosul/> Veja também: Mercosul União Européia NAFTA APEC Livros sobre blocos econômicos Colado de <http://www. Área de Concentração III Assunto Conversações sobre questão ambiental A" questão ambiental" antes restrita à esfera científica. P. VINHA. 344p. Participar de um bloco econômico forte será de extrema importância para o Brasil.Espera-se que o Mercosul supere suas dificuldades e comece a funcionar plenamente e possibilite a entrada de novos parceiros da América do Sul. além de facilitar as relações comerciais entre o Mercosul e outros blocos econômicos. da (orgs). dentro desta economia globalizada as relações comerciais não mais acontecerão entre países. Ronaldo. C. Economistas renomados afirmam que. Visa duas posições: . Esta integração econômica. Rio de Janeiro: Elsevier. mas sim entre blocos econômicos. aumentaria o desenvolvimento econômico nos países membros.com/blocoseconomicos/> > MAY. 2003. Colado de <http://www. M. SEROA DA MOTTA. bem sucedida.

Essa resoluçõ 001/86 transformou-se em categoria básica das políticas públicas.ou instituição púb ou privada o conceito pode esar mais orientado para um dos três pilares da sustentabilidade: social.se constitui na principal iniciativa de construção de uma agenda de responsabilidade socioambiental governamental buscando estabelecer um novo padrão de responsabilidade nas atividades econômicas. Segund o CONAMA -cons nac do meio ambiente IMPACTO A MBIENTAL qualquer alteração das propriedades físicas.consumidores. com a assunção de responsabilidades sobre questões sociais e ambientais relacionadas a todos os públicos com os quais a instituição interage: trabalhadores. governo. A A3P tem como princípios a inserção dos critérios socioambientais nas atividades .Crescimeno zero-clube de Roma o o direto de crescimento dos países em desenvolvimento. surge como alternativa até que o conceito de DESENVOLVIMENO SUStENtÁVEL surge pela primeira vez em Estocolmo 1979.químicas ou biológicas do meio ambiente. empresas.Ecologia eEquidade intra e entre gerações.o conceito de ECODESENVOLVIMENTO-indicando a necessidade de preservação do meio ambiene como condição necessária ao desnevolvimento.pilar central que define alguns dos principais instrumentos da nossa política ambiental. O que é A3P? A Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P) é um programa que visa implantar a responsabilidade socioambiental nas atividades administrativas e operacionais da administração pública. . esta forma de abordar o problema é muito limitada. sociais e ambientais na administração pública. O aspecto mais importante relacionado à RSA é entender que a responsabilidade socioambiental é mais do que um conceito. Atualmente a A3P – Agenda Ambiental na Administração Pública . RESPONSABILIDADE SÓCIO AMBIENTAL Resumo A3P Não existe conceito único e universal para RSA DEPENDE do país.Em casos em que os processos de transformação do espaço físicos são determ pela influência ou ação simultânea de varios agentes. organizações da sociedade civil.causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante da atividade humana.O conceito de desenv sustentável é normativo e estabelece a possibilidade de desenv econômico efetivom se alicerçado no tripé: Eficiência econômica.exemplo processo de urbanização ou de expansão agentes. investidores e acionistas. a exemplo dos processos de urbanização ou de expansão da fronteira agrícola. trata-se de um processo contínuo e progressivo de desenvolvimento de competências cidadãs para avanço em direção à sustentabilidade no âmbito da administração pública. ambiental e econômico. comunidade e o próprio meio ambiente. mercado e concorrentes.esfera de gov.

e ainda na Declaração de Johannesburgo que institui a “adoção do consumo sustentável como princípio basilar do desenvolvimento sustentável”. no âmbito do programa de Educação Ambiental. estimulando-os a incorporar princípios e critérios de gestão ambiental em suas atividades rotineiras. na categoria Meio Ambiente. conhecido pela sigla A3P. compras e contratação de serviços pelo governo até a uma gestão adequada dos resíduos gerados e dos recursos naturais utilizados. com a reestruturação do Ministério do Meio Ambiente. Essa medida garantiu recursos para que a A3P possa ser efetivamente implantada e tornar-se um novo referencial de sustentabilidade das atividades pública A partir de 2007.como um projeto do Ministério do Meio Ambiente. Em 2002. no Princípio 8 da Declaração do Rio/92 que afirma que “os Estados devem reduzir e eliminar padrões insustentáveis de produção e consumo e promover políticas demográficas adequadas”. a A3P foi reconhecida pela Unesco devido à relevância do seu trabalho e dos resultados positivos que obteve ao longo do seu desenvolvimento ganhando o prêmio “O melhor dos exemplos”. a A3P foi incluída no PPA 2004/2007 como ação. além de promover a melhoria na qualidade de vida no ambiente de trabalho. da Secretaria de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental (SAIC). tendo por objetivoa revisão dos padrões de produção e consumo e a adoção de novos referenciais de sustentabilidade Dois anos após o lançamento do projeto. Nesse novo arranjo institucional a A3P foi fortalecida enquanto Agenda de Responsabilidade . Diante da sua importância.regimentais. A A3P surgiu em 1999. foi criado o Programa Agenda Ambiental na Administração Pública. cujo objetivo era sensibilizar os gestores públicos para a importância das questões ambientais. que vão desde uma mudança nos investimentos. ambiental nas instituições da administração pública. a A3P passou a integrar o Departamento de Cidadania e Responsabilidade Socioambiental (DCRS). O programa se fundamenta nas recomendações do Capítulo IV da Agenda 21 que indica aos países o “estabelecimento de programas voltados ao exame dos padrões insustentáveis de produção e consumo e o desenvolvimento de políticas e estratégias nacionais de estímulo a mudanças nos padrões insustentáveis de consumo”.

o principal desafio da A3P é promover a Responsabilidade Socioambiental como política governamental auxiliando na integração da agenda de crescimento econômico com o desenvolvimento sustentável. no âmbito da administração pública. • Reduzir o impacto socioambiental negativo causado pela execução das atividades de caráter administrativo e operacional. Os cinco eixos temáticos prioritários da A3P – uso racional dos recursos naturais e bens públicos. Quais são os eixos temáticos da A3P? A A3P foi estrutura a partir de cinco eixos temáticos prioritários e as ações decorrentes de cada um foram definidas tendo por base a política dos 5 R’s: Repensar.inserindo na gerencia o conceito de desenvolvimento da ecoeficiência no Brasil.com redução nos custos associados aos desperdícios de água.energia e materiais alcançando benefícios ambientais pela redução progressiva de geração de resíduos sólidos.Socioambiental do Governo e passou a ser uma das principais ações para proposição e estabelecimento de um novo padrão de responsabilidade nas atividades econômicas na gestão pública que englobe a gestão ambiental. • Promover a economia de recursos naturais e redução de gastos institucionais.no mínimo. Atualmente.efluentes líquidos e emissões atmosféricas. • Contribuir para a melhoria da qualidade de vida. Reduzir. sensibilização e capacitação dos servidores e licitações sustentáveis - Ecoeficiência Fornecimento de bens e serviços a preços competitivos que satisfaçam as necessidades humanas e que tragam qualidade de vida co m redução do impacto ambiental e do consumo de recursos em nível. A A3P também busca: • Sensibilizar os gestores públicos para as questões socioambientais. qualidade de vida no ambiente de trabalho. no âmbito da administração pública. gestão adequada dos resíduos gerados. . • Contribuir para revisão dos padrões de produção e consumo e na adoção de novos referenciais. social e econômica. por meio da inserção de princípios e práticas de sustentabilidade socioambiental.qualidade em seus produtos. Reaproveitar. equivalente à capacidade de sustentação estimada da terra.(CEBDS conselho empresarial brasileiro para o desenv sustentável). Empresas Ecoeficientes: Conseguem benefícios econômicos.rapidez em seus processos. Quais são os objetivos da A3P? A A3P tem como principal objetivo estimular a reflexão e a mudança de atitude dos servidores para que os mesmos incorporem os critérios para gestão socioambiental em suas atividades rotineiras. Reciclar e Recusar consumir produtos que gerem impactos socioambientais significativos.

econômica e ambiental integrada aos processos. de instalações e de informação e treinamento2.promove o desenv sustenável e difunde o conceito de ecoeficiência e a metodologia de Produção mais Limpa PmaisL como instrumentos para aumentar a competitividade. A predominância das modificações de housekeeping nos resultados mostra que a realidade brasileira prioriza soluções de baixo custo 10 e essas soluções poderiam ser aplicadas em muitos casos aos estabelecimentos de saúde.e energia e incremento na geração de resíduos sólidos. ambientais e de saúde ocupacional. modificações para a eliminação desses desperdícios podem ser sugeridas.energia e materiais para verificar desperdícios ocultos com aumento no gasto de água. de benefício econômico. limpeza e boas práticas de qualidade e/ou processo.água. resíduos sólidos e emissões atmosféricas) de cada etapa do processo. minimização ou reciclagem de resíduos e emissões gerados em um processo produtivo.efluentes líquidos e emissões atmosféricas.inovação e a responsabilidade ambiental no setor produtivo brasileiro.RBPL-final de 1999 coordenada pela CEBDS. -promoção de condições ótimas de segurança e saúde ocupacional. favorecendo a inovação. matérias-primas. trazendo benefícios econômicos. no período de 1999/2002. Envolve otimização de parâmetros operacionais. padronização de procedimentos. Por esse balanço os desperdícios referentes a cada etapa do processo podem ser quantificados e analisados economicamente. Benefícios da ecoeficiência.10.Os desperdícios estão relacionados a fatores como problemas operacionais.0% das medidas adotadas e implementadas nos programas. Housekeeping é um termo internacional para designar organização. foram consideradas medidas simples e de baixo custo. segundo o CEBDS. sendo as modificações de housekeeping as mais adotadas. a rede de produção mais limpa. metodologia PmaisL É a aplicação contínua de uma estratégia técnica.produtos e serviços para aumentar a eficiência no uso de matérias. e energia mediante a não-geração. Através dela a ecoeficiência de uma empresa pode ser demonstrada quantitativamente. -melhoria da imagem e do relacionamento com os órgãos ambientais e com a comunidade. energia. reduzindo os riscos e responsabilidades derivadas. auxiliares e insumos) e todas as saídas (efluentes líquidos. no Brasil. havendo desse modo influência direta nos custos relativos. > . -melhoria da eficiência e competitividade. qualidade de materiais e à falta de procedimentos e de treinamento adequado das equipes 2. Implantação da Ecoeficiência O processo de produção é permanentemente monitorado e identificadas fontes de água. com obtenção não só de benefícios ambientais. 42. De acordo com cada situação.minimização dos danos ambientais. mas também. melhoria do sistema de compras e vendas e melhoria nos sistemas de manutenção de equipamentos. Após é realizado um balanço de massa e energia em que são quantificadas todas as entradas (água.primas.

junto a outras instâncias federais.desenvolvimento.CONAMA e a outros órgãos colegiados a discussão de estratégias.desenvolvimento. de iniciativas voltadas ao fomento de programas da Agenda 21 Brasileira. Indústria e Comércio Exterior .Ministério do Desenvolvimento.Secretaria de Desenvolvimento da Produção • • • FINALIDADE: Propor à Câmara de Políticas dos Recursos Naturais estratégias. acompanhar a elaboração e avaliação da implementação do Plano Plurianual. programas e instrumentos de desenvolvimento sustentável ao Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República. disseminar as Agendas 21 Brasileira e Locais em eventos públicos. Indústria e Comércio Exterior .gov.Indicado pelo Ministro do Desenvolvimento.Indicado pelo Ministro do Desenvolvimento. Indústria e Comércio Exterior . propor ao Conselho Nacional do Meio Ambiente .Secretaria de Desenvolvimento da Produção Membro Suplente do Colegiado . da Lei de Diretrizes Orçamentárias e da Lei do Orçamento Anual.br/sitio/interna/interna. apoiar processos de elaboração.php? area=1&menu=760&refr=482> Colado de <http://www.CPDS COMPOSIÇÃO: Membro Efetivo do Colegiado . Indústria e Comércio Exterior . e aprovar o seu regimento interno.Ministério do Desenvolvimento. subsidiar posições brasileiras nos foros internacionais para o desenvolvimento sustentável e acompanhar a implementação dos respectivos acordos multilaterais.br/sitio/interna/interna. tendo como referência a Agenda 21 Brasileira e estratégias de desenvolvimento sustentável. implementação e revisões periódicas das Agendas 21 Locais. promover articulação com a Frente Parlamentar Mista para o Desenvolvimento Sustentável e Apoio às Agendas 21 Locais. propor estratégias. Colado de <http://www.gov. instrumentos e recomendações voltados para o desenvolvimento sustentável do País. programas e instrumentos de ações da Agenda 21.php? area=1&menu=760&refr=482> quarta-feira. propor mecanismos de financiamento das Agendas 21 Locais e participar.• • Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e da Agenda 21 Brasileira . coordenar e acompanhar a implementação e as revisões periódicas da Agenda 21 Brasileira. 5 de janeiro de 2011 15:18 .

LDO e da LOA com referência a Agnd 21 Bras e estratégias de desenv SustvL.um representante de cada órgão e entidade a seguir indicados: a) Ministério do Meio Ambiente. . XI .subsidiar posições bras nos foros interncS para o desenv Sustvl e acompanhar a implementação dos acordos multilaterais. d) Ministério da Ciência e Tecnologia.coordenar e acompanhar a implementação e as revisões periódicas da Agnd 21 Brasileira.apoiar processos de elaboração. i) Ministério da Cultura. Orçamento e Gestão. IX . III .acompanhar a elaboração e avaliação da implementação do PPA. programas e instrumentos de desenv SustvL ao Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República. II .promover articulação com a Frente Parlamentar Mista para o Desenvolvimento Sustentável e Apoio às Agendas 21 Locais. Pecuária e Abastecimento.propor estratégias. IV . VIII . VII . Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e Agenda 21 Brasileira dese Câmara de Políticas dos Recursos Naturais e Comissão de Políticas desenv SustvL Art. que o presidirá. b) Ministério do Planejamento. 3º A Comissão será integrada por: I . V .aprovar o seu regimento interno.propor ao CONAMA e a outros órgãos colegiados a discussão de estratégias. X .propor mecanismos de financiamento das Agnds 21 Locais e fomento de programas da Agnda 21 Brasileira.propor à CPRN estratégias.I . instrumentos e recomendações para o desenv SustvL. n) Ministério da Integração Nacional.disseminar as Agends 21 Bras e Locais em eventos públicos. m) Ministério da Agricultura. VI . j) Ministério do Trabalho e Emprego. programas e instrumentos de ações da Agnd 21. h) Ministério da Fazenda. g) Ministério da Educação. c) Casa Civil da Presidência da República. l) Ministério do Desenvolvimento Agrário. que exercerá a vicepresidência. e) Ministério das Relações Exteriores. implementação e revisões periódicas das Agnd 21 Locais. f) Ministério das Cidades.

dois representantes de: a) entidades empresariais. e b) de centrais sindicais. a serem indicados de comum acordo entre a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência . MOTTA (1998) enfatiza que o valor econômico dos recursos ambientais é retirado de todos os seus atributos. alíneas "a" e "b". p) Ministério do Desenvolvimento. Parágrafo único. alíneas "b" a "p". Quando os custos da degradação ecológica não são pagos por aqueles que a geram. A VALORAÇÃO ECONÔMICA NA GESTÃO AMBIENTAL Conforme tem sido amplamente debatido. a proteção do meio ambiente é basicamente uma questão de eqüidade inter e intra-temporal. Academia Brasileira de Ciências e Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras . II . Ou .dos titulares dos segmentos e organizações previstas nos incisos I. e g) Fórum de Reforma Urbana.três representantes: a) do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente eo Desenvolvimento. do caput deste artigo.SBPC. III . e que estes podem estar ou não correlacionados com o uso do recurso. q) Associação Nacional de Municípios e Meio Ambiente . e II .CRUB. d) comunidades tradicionais. mediante indicação: I . e r) Associação Brasileira das Entidades de Meio Ambiente . IV . III. Os membros da Comissão. titulares e suplentes. serão designados pelo Ministro de Estado do Meio Ambiente. Valoração econômica dos recursos naturais: conceitos e métodos A valoração econ visa resguardar o equilíbrio ecólg e os recs ambientais em consonância com o desenv Social e Econ. alíneas "q" e "r". e) organizações de direitos do consumidor.um representante de cada segmento da sociedade civil a seguir indicado: a) entidades representativas da juventude. no caso do inciso I.ANAMMA. e IV.o) Ministério da Saúde. nos demais casos. alíneas "a" e "b". e b) organizações da comunidade científica.ABEMA. f) Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável CEBDS. estes custos são externalidades para o sistema econômico. alíneas "a" a "g". Indústria e Comércio Exterior. 2. c) comunidades indígenas. b) organizações de direitos humanos.dos Ministros de Estado a que estiverem subordinados. II.

Por outro lado. devem ser também definidos segundo quem se apropria ou sofre as consequências destes. custos que afetam terceiros sem a devida compensação. cuja conservação acarretará na recuperação ou manutenção destes para a sociedade. da melhor maneira possível. desse modo. critério econômico no gerenciamento dos recursos naturais (i) Análise Custo-Benefício (ACB)determinant prioridades (ii) Análise Custo-Utilidade (ACU)determin priorodades (iii) Análise Custo-Eficiência (ACE) definição de ações DETERMINANDO PRIORIDADES COM O CRITÉRIO ECONÔMICO a) Análise Custo-Benefício (ACB) A ACB é a técnica econômica mais utilizada para a determinação de prioridades na avaliação de políticas. então. assim como os custos. incorridos a cada momento do tempo t para realizar uma ação. os custos representam o bem-estar que se deixou de ter em função do desvio dos recursos da economia para políticas ambientais em detrimento de outras atividades econômicas. dificuldades da gestão ambiental: (i) baixas provisões orçamentárias face aos altos custos de gerenciamento (ii) políticas econômicas indutoras de perdas ambientais. versus os respectivos benefícios (bt) gerados ao longo do . isto é. ACB é possível. O resultado é um padrão de apropriação do capital natural onde os benefícios são providos para alguns usuários de recursos ambientais sem que estes compensem os custos incorridos por usuários excluídos. Isto é. e (iii) questões de eqüidade que dificultam o cumprimento da lei. identificar as estratégias cujas prioridades aproveitam. Seu objetivo é comparar custos e benefícios associados aos impactos das estratégias alternativas de políticas em termos de seus valores monetários. estratégias cujos benefícios excedem os custos. os recursos. identificar beneficiários e perdedores para apontar as questões eqüitativas resultantes. conseqüentemente. INDICADORES DE VIABILIDADE Uma análise de custo-benefício (ACB) é a comparação dos custos de investimento e operação (ct). Note que benefícios são aqueles bens e serviços ecológicos. Atividades econômicas são. arcando os custos que estas decisões podem implicar. os padrões de consumo das pessoas são forjados sem nenhuma internalização dos custos ambientais. impactando positivamente o bem-estar das pessoas. Além disso. as gerações futuras serão deixadas com um estoque de capital natural resultante das decisões das gerações atuais.seja. Os benefícios. planejadas sem levar em conta essas externalidades ambientais e.

Eles são instrumentos poderosos para apontar valores de certos serviços ambientais quando percebidos de uma maneira isolada.ct /(1+TIR)t = 0 Viabilidade será dada quando TIR ³ d. note que a relação B/C pode ser computada diferentemente de acordo com o entendimento do sinal dos custos e benefícios e. Com base nos indicadores da ACB é possível ordenar as diversas alternaticas de ação. as preferências individuais podem subvalorizar os serviços biológicos. dependendo da distribuição dos custos e benefícios (por exemplo. o ordenamento com base em valores de TIR poderá ser realizado sem considerar d e. Como custo é um benefício negativo e vice-versa. sim. assim. Embora todos os três permitam indicar a viabilidade de uma ação de forma inequívoca. Dessa forma. grau de ameaça. bruscas variações em períodos distintos) ao longo do tempo. entretanto. Ao invés de usar uma única medida do valor monetário de um determinado benefício. vulnerabilidade. a escolha de um indicador dependerá das informações desejadas pelo analista e das características das ações em análise. a questão principal está relacionada com a limitada capacidade destes métodos de capturar os valores das funções ecossistêmicas. apenas por seus valores. por exemplo: insubstitutibilidade. Entretanto. VPL ³ 0 indica viabilidade e as ações podem ser ordenadas de acordo com as magnitudes do VPL. Taxa interna de retorno (TIR): S bt . Note. representatividade e criticabilidade . TIR pode não ser única. gerar ordenações diferentes. Relação benefício-custo (B/C): Viabilidade será indicada com B/C ³ 1 e ações podem ser indicadas de acordo com as magnitudes de B/C. como. Existem três opções de indicadores para ACB. O conhecimento e a percepção das pessoas sobre as funções ecossistêmicas é bastante limitado e. assim. mas.tempo. Entretanto. o ordenamento de ações resultante pode variar por tipo de indicador. que o ordenamento resultante deste indicador depende basicamente da taxa de desconto (d) e da magnitude das necessidades de investimento que determinam o nível de VPL. os indicadores são calculados para valores econômicos e também para o critério ecológico.ct /(1+d)t Calcula-se a diferença do valor descontado dos benefícios sobre o valor descontado dos custos. Análise Custo-Utilidade (e viabilidade institucional) (ACU) Têm-se observado consideráveis esforços de pesquisa para calcular um indicador de benefícios capaz de integrar os critérios econômico e ecológico4. Tal comparação permite analisar a viabilidade da ação. Valor presente líquido (VPL):VPL = S bt .

distributivos e ambientais . o que os tomadores de decisão podem fazer é empreender uma análise custo-eficiência. o que os tomadores de decisão podem fazer é empreender uma análise custo-eficiência. minimiza custos de administração . ANÁLISE FISCAL (PERSPECTIVA DO TESOURO) Maximiza receita fiscal.ACB utilizando preços de mercado sem subsídios e outras distorções de mercado. Neste caso. no sentido de relevar todos os perdedores e beneficiários ANÁLISE PRIVADA (PERSPECTIVA DO USUÁRIO) Maximiza receita. Desta maneira. minimiza os custos de oportunidade . minimiza custos . é possível identificar a opção que assegura a obtenção do resultado desejado aos menores custos. . c) Análise Custo-Eficiência (ACE) Caso a estimação de benefícios ou utilidade se mostrar muito difícil ou com custos acima da capacidade institucional.ACB utilizando preços de mercado sem subsídios e outras distorções de mercado. ANÁLISE SOCIAL (PERSPECTIVA DISTRIBUTIVA) Maximiza o bem-estar total. ajustando estes com pesos distributivos para incorporar questões de equidade (excluindo a valoração monetária de externalidades ambientais). ANÁLISE ECONÔMICA (PERSPECTIVA DA EFICIÊNCIA) Maximiza o bem-estar total. prioridades serão ordenadas somente com base somente no critério ecológico. assim. minimiza custos de oportunidade e distributivos .O uso da ACB pode ser mais útil quando apresentada em distintas perspectivas. Neste caso. A ACE considera as várias opções disponíveis para se alcançar uma prioridade política pré-definida e compara os custos relativos destas em atingir seus objetivos.ACB mensurando apenas os ganhos e perdas de receita fiscal e seus respectivos custos de administração. A ACE considera as várias opções disponí veis pa c) Análise Custo-Eficiência (ACE) Caso a estimação de benefícios ou utilidade se mostrar muito difícil ou com custos acima da capacidade institucional. prioridades serão ordenadas somente com base somente no critério ecológico. ajustando estes com pesos distributivos eincluindo a valoração monetária de externalidades ambientais O desenvolvimento de uma base de dados sobre biodiversidade é um prérequisito para autilização desta abordagem ACU é uma abordagem muito custosa e. do compromisso político e da aceitação social nos países em desenvolvimento. . ANÁLISE DE SUSTENTABILIDADE (PERSPECTIVA ECOLÓGICA) Maximiza o bem-estar total.ACB utilizando preços de mercado sem considerar externalidades. estaria acima da capacidade institucional. minimiza custos de oportunidade.ACB utilizando preços de mercado sem subsídios e outras distorções de mercado.

A renda líquida abdicada pela restrição destas atividades é uma boa medida do custo de oportunidade associado com a criação desta unidade de conservação. Para tal. o custo de oportunidade da conservação.e. i. O uso de renda líquida decorre do fato de que a renda bruta destas atividades sacrificadas tem que ser deduzida dos seus custos de produção. O objetivo principal aqui é representar os custos incorridos pelos diferentes agentes envolvidos com a proteção ambiental para auxiliar no processo político de definição de prioridades. A ACE deve ser encarada como um instrumental para definição de ações. Os custos associados aos investimentos.ACE não ordena opções para definir prioridades. a seguir estão sugeridas algumas formas: (i) custos de oportunidade sustentado por classes de renda ou setores econômicos. que também restringem recursos para a economia. custos dos recursos alocados para investimentos e gastos ambientais. tendo em vista que a prioridade já foi devidamente definida MEDINDO OS CUSTOS DE OPORTUNIDADE DA PROTEÇÃO AMBIENTAL Os custos de oportunidade são mensurados levando-se em conta o consumo de bens e serviços que foi abdicado. (ii) custos de oportunidade associados à receita fiscal perdida pelos governos local e central. como foi mencionado na subseção anterior relativa a ACB. (iii) gastos de conservação incorridos pelos governos central e local. visto que demandam recursos que poderiam estar sendo utilizados em outras atividades. o valor econômico dos recursos ambientais geralmente não . Discriminações (i) e (ii) assim como (iii) e (iv) podem ser parte integrante uma da Ronaldo Seroa da Motta . e (iv) gastos de conservação incorridos pelas agências ambientais e proprietários privados da área do sítio natural.9 outra. a renda líquida significa a receita líquida provida pelas atividades sacrificadas e representaria. manutenção e operação das ações para a proteção ambiental (gastos de proteção) também devem ser somados aos custos de oportunidade. O VALOR ECONÔMICO DOS RECURSOS AMBIENTAIS Conforme discutido anteriormente. apesar de serem medidas distintas.6 É também relevante discriminar os custos de oportunidade e os gastos de proteção por agentes envolvidos. Note que os custos discriminados não são mutuamente exclusivos e seus valores não devem ser somados. assim.

é observável no mercado através de preços que reflitam seu custo de oportunidade. das modalidades e das utilizações do crescimento. sem comprometer a capacidade das gerações futuras também fazê-lo. que estes atributos podem estar ou não associados a um uso. designado à época como “abordagem do ecodesenvolvimento” e.” Como o impacto do setor industrial na deterioração ambiental é significativo. Então. visitação ou outra atividade de produção ou consumo direto. Três critérios fundamentais devem ser obedecidos simultaneamente: eqüidade social. vinculados e devem ser tratados mediante a mudança do conteúdo. é comum na literatura desagregar o valor econômico do recurso ambiental (VERA) em valor de uso (VU) e valor de não-uso (VNU). Assim. renomeado “desenvolvimento sustentável” (Sachs. indissoluvelmente. é fundamental que sejam consideradas as externalidades negativas provocadas pelo processo produtivo no meio ambiente e a necessidade de internalização econômica desses efeitos. Valores de uso podem ser. por exemplo. que não tem como objetivo dar um “preço” a um certo tipo de meio ambiente e sim mostrar o valor econômico que ele pode oferecer e o prejuízo irrecuperável que pode haver caso seja destruído (Figueroa. De acordo com Merico (1996). A proposta da avaliação econômica do meio ambiente. “a mudança paradigmática aparece como um elemento reorganizador dos processos econômicos. segundo. posteriormente. cujo principal eixo é a busca da sustentabilidade. na forma de extração. o consumo de um recurso ambiental se realiza via uso e nãouso. Ou seja. desagregados em: Valor de Uso Direto (VUD) . por sua vez. entendida como a capacidade das gerações presentes alcançarem suas necessidades.quando o indivíduo se utiliza atualmente de um recurso. ATÉ PAG 23 O desenvolvimento e o meio ambiente estão. como identificar este valor econômico? devemos perceber que o valor econômico dos recursos ambientais é derivado de todos os seus atributos e. Esse conceito normativo básico emergiu da Conferência de Estocolmo em 1972. 1993). prudência ecológica e eficiência econômica. 1996) .

as características essenciais do desenvolvimento sustentável para a sociedade necessitam de três imperativos ecológicos: a) o tamanho da população na Terra deve ser relativamente estável (ou decrescente). regulação climática. uma tentativa de corrigir as tendências negativas do livre mercado. c) de manutenção da oferta de serviços ambientais. de acordo com Cavalcanti (1996): a) de provisão de recursos. e altas taxas de emprego. primordialmente. b) a população global e suas atividades não devem ultrapassar os limites dos recursos naturais impostos pela biosfera. Ter a idéia de quanto vale o ambiente natural e incluir esses valores na análise econômica é. b) não lançar aos ecossistemas mais que sua capacidade de absorção (Merico. 1996) processo econômico é verdadeiramente sustentável quando três funções ambientais críticas não são desrespeitadas. c) a organização da sociedade e o sistema econômico devem ser tais que a saúde humana e a qualidade de vida. b) de absorção e neutralização dos dejetos da atividade econômica. b) otimizar a eficiência dos recursos não renováveis utilizados. desde as condições de amenidade propiciadas pelo “verde” a funções como a de estabilidade climática. pelo menos. não dependam do aumento dos níveis de consumo e dos produtos dos recursos naturais ou de atividades que diminuam a produtividade do ecossistema. sujeito a substituição desses recursos por novas tecnologias. ciclo hidrológico. mantendo os serviços e a qualidade da ação de recursos com o passar do tempo. Pode . implicando a aceitação das seguintes regras: a) utilizar recursos renováveis com taxas menores ou iguais à taxa natural de regeneração. proteção da camada de ozônio e por tantos outros Este desenvolvimento envolverá.segundo Merico (1996). . A internalização de custos ambientais é um passo importante no controle do uso dos recursos e serviços naturais. não há dinheiro ou tecnologia capaz de substituir os serviços ambientais proporcionados pela biodiversidade. mudança estrutural dentro da economia e da sociedade. limites biofísicos sustentáveis: a) não retirar dos ecossistemas mais que sua capacidade de regeneração. Segundo Common (1995).

ou mesmo todo um ecossistema. Incluem-se. Representam métodos que encontram bastante utilização para a valoração do consumo de capital natural. Evidenciam-se as preferências individuais. não pode ser valorado. pelo comportamento do mercado. MÉTODOS INDIRETOS Os métodos indiretos são aplicados quando um impacto ambiental.conduzir também à adoção de meios mais eficientes de se conter a poluição e de uso eficiente da energia e recursos. que estão relacionadas com as funções de utilidade. It’s not about the transformation of environmental good of a . The survey of the methodologies proposed for economical valorization the environmental goods. through the simulation of a hypothetic market. esses métodos repousam sobre a utilização de um mercado de substituição definido pela análise dos comportamentos reais. independent if there are prices of the market relating to them. os métodos de valoração contingente. VALOR ECONÔMICO TOTAL-IMPRIMIR PG 30 métodos de valoração ambiental MÉTODOS DIRETOS Os métodos diretos podem estar diretamente relacionados com os preços de mercado ou produtividade. These. e são baseados nas relações físicas que descrevem causa e efeito. mesmo que indiretamente. principalmente quando se objetiva a contabilidade de estoques de recursos naturais e sua dedução da contabilidade de renda (nacional ou regional). The present study has the aim to show some methods about the valorization of the environmental goods. principalmente. Contas ambientais Contas Ambientais são uma alternativa sugerida para a incorporação das variáveis ambientais na mensuração das atividades econômicas. methods have the purpose to help an estimative or attribution of economic value to the environmental resources. Assim. um determinado elemento do ecossistema. custos de viagens e os valores hedônicos.

chaves e mapa mental. comparações. pois já nos dois primeiros parágrafos ele pôde ver que eu tinha acertado. Descanso de 10 minutos. Conclusão: com isso. com diversas comparações e distinções. Nos demais.No dia seguinte recomeça-se lendo novamente TODOS os conceitos. realizados no dia. elabore uma dissertação a respeito do tema da pergunta.br/2006/11/provas-dissertativas-subjetiva. fazendo conexões com outras matérias. distinções. but the mensuration of the individual preferences about the alteration of the environment. 6)elaboração das chaves. Nos demais parágrafos eu praticamente elaborei uma dissertação a respeito do tema. 3) identificar os conceitos.br/2006/11/provas-dissertativas-subjetiva. Ao final eu concluí anotando novamente as respostas que já haviam sido fixadas nos dois primeiros parágrafos. por itens: 1) leitura completa inicial. anotando a legislação e descrevendo exemplos.blog. eu tanto respondi para um examinador conciso. Resumindo. tudo dentro dos 50 minutos. 7) elaboração do mapa mental e 8) repasse ao final do dia dos conceitos. The present work has the aim to evoluate the application of the methods of the val Complementando para utilizar toda a técnica.blog.concurseiro. consistiu no seguinte: nos dois primeiros parágrafos das respostas eu respondi sucintamente as perguntas. Colado de <http://www. Colado de <http://www. 5) identificar as diferenciações ou classificações. utilizando todas as informações das chaves e mapas mentais. 2) releitura.concurseiro.product of the market.html> Colado de <http://www. No final conclua novamente com a resposta. pois isso propicia a memorização. quando pude demonstrar que conhecia com profundidade as matérias. descrevendo exemplos.br/2006/10/superdicas-de-estudo-o-mtodo. visto que minha nota foi 8 (oito) em segunda fase da Magistratura do Trabalho.blog.html> Roteiro de Estudo de caso1-Questões norteadoras Que?quem?como?por que? E qual? 2Identificação do local ou pessoa em estudo 3 resumo dos problemas 4fund teorica embasado na literaatura identificar como e por quê? 5alternativas ou propostas busca na lit estatégias para resoluçao do probl Ações descrever a solução escolhida Discussão e conclusão . quanto para o mais prolixo. a técnica de resposta para pergunta dissertativa é a seguinte: responda sucintamente já nos dois primeiros parágrafos. 4) anotar em separados os conceitos.concurseiro. chaves e mapas mentais já elaborados desde o início do estudo.html> A técnica de resposta que utilizei para ser aprovado em prova dissertativa.

Como programa. transversalidade. compatibilizando a conservação ambiental. compreensão dos conceitos de cidadania e de sua aplicação. da participação e da ação coletiva da sociedade foi reconhecida no Programa Lula.Agenda 21 Brasileira A Agenda 21 Brasileira é um processo e instrumento de planejamento participativo para o desenvolvimento sustentável e que tem como eixo central a sustentabilidade. que tem provado ser um guia eficiente para processos de união da sociedade. Implementação da Agenda 21 brasileira (a partir de 2003) A posse do Governo Luíz Inácio Lula da Silva coincidiu com o início da fase de implementação da Agenda 21 Brasileira. estando coadunada com as diretrizes da política ambiental do Governo. O documento Agenda 21 Brasileira foi concluído em 2002. foi coordenado pela Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e da Agenda 21 Nacional (CPDS) e teve o envolvimento de cerca de 40 mil pessoas de todo o Brasil. a Agenda 21 Brasileira não somente entrou na fase de implementação assistida pela CPDS. é hoje um dos grandes instrumentos de formação de políticas públicas no Brasil. passando a ser instrumento fundamental para a construção do Brasil Sustentável. Trata-se. pelo atual governo. Um outro grande passo foi a utilização dos princípios e estratégias da Agenda 21 Brasileira como subsídios para a Conferência Nacional de Meio Ambiente. e suas diretrizes inseridas tanto no Plano de Governo quanto em suas orientações estratégicas. sendo construída a partir das diretrizes da Agenda 21 global. a Agenda 21. Esse processo que se deu de 1996 a 2002. portanto. desenvolvimento sustentável. ela adquire mais força política e institucional. a justiça social eo crescimento econômico. como também foi elevada à condição de Programa do Plano Plurianual. de um instrumento fundamental para a construção da democracia participativa e da cidadania ativa no País. fortalecimento do Sisnama e participação social e adotando referenciais importantes como a Carta da Terra. A partir de 2003. O documento é resultado de uma vasta consulta à população brasileira. Conferência . (PPA 2004-2007). Portanto. A importância da Agenda como instrumento propulsor da democracia. A primeira fase foi a construção da Agenda 21 Brasileira.

a Agenda 21 Brasileira tem agora o desafio de fazer com que todas as suas diretrizes e ações prioritárias sejam conhecidas. por meio da atuação da Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e Agenda 21 Brasileira (CPDS). o que lhe confere maior alcance. identificação e promoção de instrumentos financeiros. um dos passos fundamentais do atual governo foi transformá-la em programa no Plano Plurianual do Governo (PPA 2004/2007). · Orientar para a elaboração e implementação das Agendas 21 Locais. seminários. uma escola. análise. A prioridade é orientar para a elaboração e implementação de Agendas 21 Locais com base nos princípios da Agenda 21 Brasileira que. Em resumo. elaborar e implementar as Agendas 21 Locais e a formação continuada em Agenda 21. definição de indicadores de desempenho. dentre outros. capilaridade e importância como política pública. Esta ampla inserção da Agenda 21 remete à necessidade de se elaborar e implementar políticas públicas em cada município e em cada região brasileira. workshops e de . até um bairro. entendidas e transmitidas. Promover a educação para a sustentabilidade através da disseminação e intercâmbio de informações e experiências por meio de cursos.das Cidades e Conferência da Saúde. difusão e intercâmbio de experiências. a partir do envolvimento dos agentes regionais e locais. reconhece a importância do nível local na concretização de políticas públicas sustentáveis. promoção da inclusão das propostas da Agenda 21 Brasileira nos Planos das Agendas 21 Locais. quase três vezes o número levantado até 2002. município. Passada a etapa da elaboração. mecanismos de implementação e monitoramento. existem mais de 544 processos de Agenda 21 Locais em andamento no Brasil. troca de informações. entre outros. sendo consolidado.implementação do Sistema da Agenda 21. O Programa Agenda 21 é composto por três ações estratégicas que estão sendo realizadas com a sociedade civil: implementar a Agenda 21 Brasileira. Atualmente. integração das políticas públicas. são estes os principais desafios do Programa Agenda 21: · Implementar a Agenda 21 Brasileira. bacia hidrográfica. · Implementar a formação continuada em Agenda 21. A Agenda 21 Local é um dos principais instrumentos para se conduzir processos de mobilização. O processo deve ser articulado com outros projetos. programas e atividades do governo e sociedade. geração de consensos em torno dos problemas e soluções locais e estabelecimento de prioridades para a gestão de desde um estado. Para isso. em consonância com a Agenda global. unidade de conservação.

nas comunidades e na escola. Esta ação é fundamental para que os processos de Agendas 21 Locais ganhem um salto de qualidade. respeitando o estágio em que a Agenda 21 Local em questão está. na construção de uma democracia participativa no Brasil. Esta frente.000 pessoas de todas as regiões brasileiras. e participantes dos Fóruns Locais da Agenda 21. de junho de 2004. trabalho conjunto com interlocutores locais. durante o Fórum Social Mundial. e a segunda em 15 de setembro de 2004. nos dias 07 e 08 de novembro de 2003. envolveu. buscando o fortalecimento da sociedade e do poder local e reforçando que a Agenda 21 só se realiza quando há participação das pessoas. a nova constituição da CPDS se deu por meio de Decreto Presidencial de 03 de fevereiro de 2004. voltado para a formação de cerca de 10 mil professores das escolas públicas do País que. identificação das atividades. a Anamma e a Abema e 17 da sociedade civil tomaram posse no dia 1º. além dos professores.material didático. do Conselho de Governo. · Realização do primeiro Encontro Nacional das Agendas 21 Locais. custos. nos níveis federal. O II Encontro das Agendas 21 Locais será realizado em janeiro de 2005. · Programa de Formação em Agenda 21. estadual e . necessidades. Estas atividades estão sendo desenvolvidas de forma descentralizada. autoridades governamentais e não governamentais. Destacamos as seguintes atividades: · Ampliação da CPDS: Criada no âmbito da Câmara de Políticas dos Recursos Naturais. Agenda 21 brasileira em ação No âmbito do Programa Agenda 21. discutiram a importância de se implementar a Agenda 21 nos municípios. em Porto Alegre-RS. estratégias de implementação. Os novos membros que incluem 15 ministérios. aplicação de metodologias apropriadas. dessa forma. A primeira reunião da nova composição aconteceu no dia 1º de julho. através de cinco programas de TV. através da formulação de bases técnicas e políticas para a sua formação. avançando. em Belo Horizonte. as principais atividades realizadas em 2003 e 2004 refletem a abrangência e a capilaridade que a Agenda 21 está conquistando no Brasil. Esse programa. da sociedade civil e de governos. · Participação na consolidação da Frente Parlamentar Mista para o Desenvolvimento Sustentável e Apoio às Agendas 21 Locais. tem como principal objetivo articular o poder legislativo brasileiro. veiculado pela TVE em outubro de 2003. composta de 107 deputados federais e 26 senadores. com a participação de cerca de 2.

Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. em conjunto com o FNMA. do Edital 02/2003 . Ministério da Integração Nacional. disseminação de informações relacionadas a eles e mecanismos de comunicação com a sociedade civil. Caixa Econômica Federal. Ministério da Agricultura. São seis os Cadernos publicados até o presente: Agenda 21 e a Sustentabilidade das Cidades. foram efetivadas parcerias e convênios com o Ministério da Educação. Fórum Brasileiro das ONGs para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento. . 64 projetos de todas as regiões brasileiras. foram aprovados. Agenda 21 local A Agenda 21 Local é um instrumento de planejamento de políticas públicas que envolve tanto a sociedade civil e o governo em um processo amplo e participativo de consulta sobre os problemas ambientais. Ainda. · Publicação de mil exemplares da segunda edição da Agenda 21 Brasileira: Ações Prioritárias e Resultado da Consulta Nacional.Construção de Agendas 21 Locais. contendo apresentação da Ministra Marina Silva e a nova composição da CPDS. Uma Nova Agenda para a Amazônia. Ministério da Cultura. Ao todo foram cerca de 920 pessoas capacitadas em 25 eventos. em dezembro de 2003. O capítulo 28 da Agenda 21 global estabelece que "cada autoridade em cada país implemente uma Agenda 21 local tendo como base de ação a construção. Mata Atlântica o Futuro é Agora. Agenda 21 e o Setor Mineral. que incluiu a participação ativa no processo de capacitação de gestores municipais e de ONGs. Ministério das Cidades. com financiamento. Agenda 21. No final do processo. Banco do Brasil. em todos os estados brasileiros. Ministério do Desenvolvimento Agrário. Confea/CREA. Banco do Nordeste e prefeituras brasileiras. · Elaboração e monitoramento. Pecuária e Abastecimento e Ministério de Minas e Energia. Ministério da Saúde. Agenda 21: Um Novo Modelo de Civilização. · Publicação da Série Cadernos de Debate Agenda 21 e Sustentabilidade com o objetivo de contribuir para a discussão sobre os caminhos do desenvolvimento sustentável no País. sociais e econômicos locais e o debate sobre soluções para esses problemas através da identificação e implementação de ações concretas que visem o desenvolvimento sustentável local. o Semi-Árido e a Luta contra a Desertificação. para a confecção de projetos para o edital. para permitir uma maior fluência na discussão dos temas ambientais.municipal.

cuja maioria das experiências existentes têm-se mostrado muito bem sucedidas. a Agenda 21 Local é processo e documento de referência para Planos Diretores e orçamento municipais. áreas protegidas. podendo também ser desenvolvida por comunidades rurais. na construção de propostas pactuadas. a participação e cooperação das autoridades locais são fatores determinantes para o alcance de seus objetivos. entre outros. De fato. O processo de Agenda 21 Local pode começar tanto por iniciativa do poder público quanto da sociedade civil. que devem servir de subsídios à elaboração de políticas públicas sustentáveis. nos biomas brasileiros é uma demanda crescente. na empresa. e em diferentes territorialidades. Ainda segundo a Agenda 21. governo e sociedade estão utilizando este poderoso instrumento de planejamento estratégico participativo para a construção de cenários consensuados. Desta forma. a Agenda 21 na escola. reforçando ações dos setores relevantes. descentralização e controle social e incorporação de uma visão multidisciplinar em todas as etapas do processo. E. voltadas para a elaboração de uma visão de futuro entre os diferentes atores envolvidos. estabelecendo políticas ambientais locais e prestando assistência na implementação de políticas ambientais nacionais". orientadas para harmonizar desenvolvimento econômico. a construção da Agenda 21 Local vem ao encontro com a necessidade de se construir instrumentos de gestão e planejamento para o desenvolvimento sustentável. condução de um processo contínuo e sustentável. em bairros. Para o governo brasileiro. social e ambiental local. Processo de construção da Agenda 21 Local Sugerimos também a leitura do Passo a Passo da Agenda 21 Local O ponto de partida é a formação de um grupo de trabalho composto por representantes da sociedade e governo (no caso de um município ou determinada . como muitos dos problemas e soluções apresentados neste documento têm suas raízes nas atividades locais. justiça social e equilíbrio ambiental. Principais desafios Os principais desafios da Agenda 21 Local consistem no planejamento voltado para a ação compartilhada.operacionalização e manutenção da infra-estrutura econômica. em regime de coresponsabilidade. bacias hidrográficas.

acompanhar e avaliar um plano de desenvolvimento sustentável local de forma participativa. em função das particularidades locais · Os papéis dos diferentes participantes do processo · A identificação de meios de financiamento para a elaboração da Agenda 21 Local · Negociações junto ao poder local sobre a institucionalização do processo de construção e implementação da Agenda 21 Local A criação de um Fórum permanente de desenvolvimento sustentável local ou seja.com o real envolvimento dos diferentes atores é etapa seguinte e meta fundamental para a sustentabilidade dos processos. objetivos. trazendo de volta ao grupo os resultados e encaminhamentos acordados junto aos demais parceiros. instituição de ensino. por exemplo). As atribuições desse grupo devem envolver desde a mobilização e a difusão dos conceitos e pressupostos da Agenda 21. ONG. terá a missão de preparar. até a elaboração de uma matriz para a consulta à população sobre problemas enfrentados e possíveis soluções. incluindo o estabelecimento de ações sustentáveis prioritárias a serem implementadas no processo de construção da Agenda 21 Local. que deve constar basicamente de: · Missão.territorialidade). Este Fórum. É essencial que os participantes sejam escolhidos pelos membros de seu setor e que o represente levando para o Fórum as questões nele consensuadas. envolvendo: · O estabelecimento de uma metodologia de trabalho · A reunião de informações sobre as questões chaves de desenvolvimento local A identificação dos setores da sociedade que devem estar representados. os diferentes pontos de vista e anseios dos seus participantes. que aborde os aspectos ambientais. atribuições · Freqüência e coordenação das reuniões · Forma de registro e responsáveis pela confecção e divulgação das minutas · Como os objetivos serão alcançados · Tempo de mandato e forma de substituição dos membros A principal função do Fórum é definir os seus princípios estruturantes e uma visão de futuro desejado pela comunidade. a ser institucionalizado pelo Poder Executivo ou Legislativo. sociais e econômicos locais . que represente. Essa visão deve ser traduzida em ações . podendo ter a liderança de qualquer segmento da comunidade (governo. O Fórum requer um regimento interno. da melhor forma.

culturais e históricas de um determinado local. Cada membro. econômicas. capazes de catalisar a opinião pública e outros apoios. instituições de pesquisa e ensino. é necessário o estabelecimento de uma estrutura. para que os objetivos da Agenda 21 Local sejam atingidos. conscientização da população. seja nas instalações das prefeituras ou de uma instituição parceira. criando as condições para a formação do cenário de futuro desejável. no plano governamental existe um papel específico para cada uma das esferas de governo na definição de políticas publicas. cada setor tem o seu papel. Esta secretaria precisará de espaço físico. ações estratégicas para a proteção do solo. na forma de Secretaria Executiva. movimentos sociais. definição de temas. capacitação e institucionalização dos processos de agenda 21. da água e da diversidade biológica. Como exemplo de eixos temáticos para que as ações da Agenda 21 local possam se desenvolver temos: ações estratégicas para a proteção da atmosfera. Assim. O papel de cada um Alcançar as mudanças necessárias para o sucesso da Agenda 21 Local demanda a ação dos grupos e indivíduos: lares. O plano federal define as políticas gerais e estruturantes do País elaborando diretrizes e . acesso a serviços de informação. Para garantir agilidade e eficácia às resoluções do Fórum. existe um amplo processo que depende da sensibilização e do estágio de amadurecimento de cada comunidade na discussão dos temas públicos de forma participativa. caberá também ao Fórum a escolha de temas críticos. ações estratégicas para a pobreza. ONGs. organizações comunitárias. O da elaboração. Para a definição dessas ações.a serem incluídas nos processos de planejamento dos municípios e regiões envolvidos. ou seja. Para exemplificar. este pode desenvolver a sua Agenda 21 local enfocando um ou mais eixos temáticos. educação para a Agenda 21 e troca de informações. acesso a emprego. elaboração de diagnósticos. De acordo com as características geográficas. Assim. observando as diferentes experiências de Agenda 21 no Brasil podemos identificar diferentes estágios. produtores e empresas de pequeno a médio portes. que deve contar com recursos humanos e financeiros para suprir as necessidades de implementação do processo. qual seja: o da sensibilização. formulação de propostas e definição de meios de implementação e o estágio da implantação propriamente dito. saúde e igualdade social e assentamentos. governos e organizações governamentais locais e regionais.

o compromisso democrático impõe a todas as etapas do processo de planejamento o fortalecimento de estruturas participativas e a negação de procedimentos autoritários. que teve como ponto de partida a Constituição Federal de 1988. Em última instância. assim. As lutas. em atendimento ao principio federativo. É no Congresso Nacional . mesmo sendo um grande avanço na legitimação do processo de tomada de decisão do setor público. A sociedade civil tem papel fundamental no monitoramento da Agenda 21 Local. requerendo que as informações estejam disponíveis para análise. a sociedade civil pode se aproximar da comunidade de forma que esta seja mais efetiva na cobrança pela implementação das ações identificadas pela Agenda Local e na realização de campanhas de conscientização. é na própria democracia representativa que os segmentos não organizados da sociedade civil encontram espaço de interlocução e de expressão. exercício semelhante de formulação de políticas públicas. mas isso só pode ocorrer se os governos exercerem as leis de forma transparente. Negociar é assumir as diferenças e reconhecer nos conflitos de interesse a essência da experiência e dos compromissos democráticos. Aos estados e municípios cabe. Ainda. tem estimulado diferentes formas de participação nas políticas públicas dos segmentos organizados da sociedade civil. em seu espaço territorial. Observa-se que muitas instituições dos três níveis de governo estão transformando seu modelo de atuação com o objetivo de mobilizar os recursos latentes das comunidades locais e regionais. O planejamento governamental deve ser um processo de negociação permanente entre o Estado e as instituições da sociedade. Democracia participativa e as lições aprendidas O avanço das práticas democráticas no Brasil. a democracia participativa. de assuntos específicos de cada territorialidade abordando temas cujas decisões estão em sua esfera de atuação.princípios. Desta forma. Entretanto. para incorporá-los na formulação e na execução de programas e projetos de desenvolvimento. cria-se harmonia entre as competências e o apoio mútuo na formulação e implementação de ações para o desenvolvimento sustentável. os conflitos e as dissidências são formas pelas quais a liberdade se converte em liberdades públicas. mantendo uma atuação ativa e crítica. concretas. não pode nem deve ser considerada substituta da democracia representativa que precisa ser fortalecida e instrumentalizada. Contando com a participação ativa dos parceiros. a Agenda 21 Local tratará. Desse modo. que inibem a criatividade e o espírito crítico.

merecem destaque algumas lições positivas para futuras experiências de planejamento no país. Um processo de planejamento participativo com o porte do realizado durante a construção da Agenda 21. não pode limitar-se à consolidação de um documento sem conseqüências práticas para as políticas. 12 Agenda brasileira Os resultados dessa experiência de planejamento participativo são relevantes. tanto no que se refere à eficácia operacional como à pedagogia social: · o processo organizado. analisadas e avaliadas na construção da Agenda 21 Brasileira. quanto em termos do volume de informações coletadas. micro e macrorregiões) e pela abertura temática favorecida pelo conceito de sustentabilidade ampliada e progressiva. entre os quais destacam-se: Relatório Rio-92. programas e projetos de desenvolvimento sustentável indispensáveis à promoção das mudanças demandadas pela sociedade brasileira. estados. processadas. em diretrizes isoladas de governo de uma única gestão administrativa. O significado dessa experiência se revela pela abrangência do público-alvo (de pequenas comunidades rurais às organizações empresariais mais expressivas na formação do PIB brasileiro). até mesmo. ou em mobilização de esperanças desencontradas e dispersas quanto aos objetivos de médio e longo prazo. pela amplitude geográfica (localidades. que continuará na fase seguinte. sistematizado e recorrente de participação nas decisões será o meio de evitar que os programas e projetos se transformem em exercício de voluntarismo tecnocrático. ou. Projeto Áridas. Não há a menor dúvida de que o processo de elaboração da Agenda 21 Brasileira é a mais ampla experiência de planejamento participativo desenvolvida no país no período posterior à Constituição Federal de 1988.que são votadas as leis do país. Essas informações serão essenciais para a formulação de processos de planejamento em diferentes níveis setoriais e espaciais. tanto em termos da mobilização dos grupos sociais que serão afetados pelas políticas de desenvolvimento sustentável. decisivas para a implementação do desenvolvimento sustentável. embora haja o registro de encontros de grande consulta e participação. Concluída tão valiosa experiência. da implementação das ações. Agenda Positiva da Amazônia e Conferência Nacional de Ciência e Tecnologia. .

técnicos e líderes empresariais a se mobilizar para a execução de programas e projetos de desenvolvimento sustentável. não serão obstáculos intransponíveis ao avanço de soluções adequadas. por meio da ação dialógica. em função de suas características econômicas. É importante observar como se comportam no processo de participação. esses programas e projetos têm elevado conteúdo redistributivo e passam a ter especial importância no contexto socioeconômico do país. sem que se comprometa a autonomia políticoinstitucional dessas comunidades. dos pactos e das coalizões. promotoras do bem-estar social são o caminho que os três níveis de governo devem utilizar para o reencontro e a articulação com os segmentos da sociedade civil nos seus processos de planejamento e de tomada de decisão. interesses e capitais intangíveis. o que nem sempre ocorre de forma espontânea. sociais e culturais. quando se tenta atenuar o elevado grau de desigualdades sociais e de desequilíbrios regionais que poderão atingir situação politicamente intolerável. Às vezes torna-se necessário induzir o processo naquelas situações onde as comunidades não dispõem de recursos de mobilização (especialmente sobre seus direitos de cidadão) e de familiaridade com modelos de ação coletiva organizada. Como conseqüência prática. 13 · as políticas de desenvolvimento sustentável. da discussão e do debate. da negociação e da barganha. em torno de cada tema ou região. · as diferentes comunidades tendem a se envolver no processo de concepção e de implementação de cada programa ou projeto de desenvolvimento sustentável de forma diferente. ao contrário. o que atrai novas vontades. será possível garantir a canalização positiva desses conflitos de interesses na direção de soluções criativas e equânimes. são definidas as soluções mais próximas da realidade e dos meios que as organizações e as comunidades dispõem. · os inevitáveis conflitos dos programas e projetos. Definição de prioridades e gestão de conflitos A Agenda 21 Brasileira não está estruturada apenas como um conjunto hierarquizado e . todos indispensáveis aos processos de mudança.· a pedagogia social da participação leva setores da comunidade.

a pressão de grupos de interesse. contrapondo os objetivos restritos do crescimento econômico às exigências mais amplas da sustentabilidade. para que o processo de implementação se viabilize em torno das estratégias e ações propostas. 14 A ausência de negociação no processo de planejamento leva os conflitos entre objetivos a soluções casuísticas. Esse esclarecimento é indispensável uma vez que os planos de desenvolvimento no Brasil tendem. para consolidálos num processo de desenvolvimento sustentável. É o princípio da progressividade atuando em favor do desenvolvimento sustentável. a listar objetivos e diretrizes potencialmente conflitivos sem explicitar para o poder público os valores e preferências envolvidos. que refletem. apenas com ganhadores. com grande probabilidade. trazendo à tona os inúmeros conflitos de interesses entre diferentes atores sociais. para aliviar as pressões de curto prazo onde predomine o cálculo econômico imediato.interdependente de recomendações gerais. é o mesmo que produz os benefícios do crescimento do emprego. O desconhecimento dessa realidade na formulação e na execução das políticas de desenvolvimento sustentável pode transformá-las em letra morta. no longo prazo. camuflando as tensões e os conflitos econômicos e político-institucionais que. em geral. gerador de impactos negativos. a concepção de sustentabilidade ampliada seja um jogo de soma positiva. e entre instituições públicas e organizações privadas. as políticas. Experiências históricas de exploração predatória dos diferentes biomas ilustram os desafios da sustentabilidade. mesmo que. estabelecer equilíbrio negociado entre os objetivos e as estratégias das políticas ambientais e de desenvolvimento econômico e social. Ao contrário. pois. programas e projetos de desenvolvimento socioambiental têm . em última instância. A Agenda 21 Brasileira procura. Da mesma forma. recomenda-se maior nitidez nas negociações de médio e longo prazo. o processo produtivo. irão emergir quando de sua implementação. durante a consulta nacional com freqüência surgiram conflitos e tensões políticas e sociais. da renda e da arrecadação tributária. dentro do atual padrão de acumulação e de crescimento econômico do país. Historicamente. Nesses casos. As políticas de desenvolvimento sustentável nem sempre são jogos de soma positiva.

com capacidade gerencial. · o sistema de planejamento governamental disponha de recursos humanos qualificados. Entretanto. · o conjunto do empresariado se posicione de forma proativa quanto às suas responsabilidades sociais e ambientais. é preciso entender que esta Agenda não se resume a um conjunto de políticas imediatas. · a estrutura do sistema político nacional apresente maior grau de abertura para as políticas de redução das desigualdades e de eliminação da pobreza absoluta. Para que essas propostas estratégicas possam ser executadas com maior eficácia e velocidade será indispensável que: · o nível de consciência ambiental e de educação para a sustentabilidade avance. políticoinstitucionais e culturais que limitam sua implementação. programas e projetos de desenvolvimento sustentável implementados em diferentes setores e regiões do país. ou de mecanismos efetivos de mercado. Esse compromisso político com os conceitos e as estratégias propostas poderá contribuir. A Agenda 21 Brasileira sugere que. As ações prioritárias da Agenda 21 Brasileira ressaltam o seu caráter afirmativo. Para evitar a impressão de que se está propondo à sociedade uma miríade de utopias. ou ainda com as conhecidas estruturas regulatórias de comando e controle. desde que se leve em consideração às restrições econômicas. de forma significativa. em anos recentes. para tornar realidade tantos e diversos objetivos. condizente com a legitimidade que adquiriu em virtude de ampla consulta e participação nacional. Ações prioritárias da Agenda 21: possibilidades e restrições A Agenda 21 Brasileira é uma proposta realista e exeqüível de desenvolvimento sustentável.demonstrado menor poder de barganha. distribuídos de modo adequado nas diversas instituições públicas responsáveis. para que sejam mais facilmente superadas as restrições à sua implantação. Ela deve introduzir. em . a Agenda 21 Brasileira apresenta experiências bem-sucedidas de políticas. que são prova concreta de que o desenvolvimento sustentável está a caminho. por meio de negociação entre as instituições públicas e privadas. sejam ampliados os instrumentos de intervenção. de curto prazo. · a sociedade seja mais participativa e que tome maior número de iniciativas próprias em favor da sustentabilidade. · as fontes possíveis de recursos financeiros sejam identificadas em favor de programas inovadores estruturantes e de alta visibilidade.

está em jogo a vida dos seres e da própria espécie humana (gerações futuras). social e político que desempenham em sua comunidade. em nível internacional. portanto. de um processo social em que os atores pactuam gradativa e sucessivamente novos consensos em torno de uma Agenda possível. que a Agenda 21 Brasileira não é um plano de governo.O desenvolvimento e a sustentabilidade ampliada e progressiva O conceito de desenvolvimento sustentável está em construção. A CPDS 16 1 . compromissos graduais de médio ou de longo prazos. ora de forma combinada nas dinâmicas do processo de construção social do desenvolvimento sustentável.relação às questões mais delicadas. Uma nova parceria. antes de tudo. a partir dos enunciados do Relatório Brundtland e aparecem ora isoladas. · dimensão temporal. econômico. Praticar a Agenda 21 pressupõe a tomada de consciência individual dos cidadãos sobre o papel ambiental. que induz a sociedade a compartilhar responsabilidades e decisões junto com os governos. rompendo . · A dimensão ética. mas um compromisso da sociedade em termos de escolha de cenários futuros. uma vez mais. paulatinamente. a integração de toda a sociedade na construção desse futuro que desejamos ver realizado. que determina a necessidade de planejar a longo prazo. onde se destaca o reconhecimento de que no almejado equilíbrio ecológico está em jogo mais que um padrão duradouro de organização da sociedade. Exige. permite maior sinergia em torno de um projeto nacional de desenvolvimento sustentável. 15 com tempo e condições para que as empresas e os agentes sociais se adaptem à nova realidade e sejam capazes de superar. os obstáculos à sua execução. Seu ponto de partida foi o compromisso político. Esse desafio implica assumir que os princípios e premissas que devem orientar a sua implementação são ainda experimentais e dependem. rumo ao futuro que se deseja sustentável. ampliando as chances de implementação bem-sucedida. que compatibilizasse as necessidades de crescimento com a redução da pobreza e a conservação ambiental. é preciso ressaltar. com um modelo de desenvolvimento em novas bases. Pelo menos quatro dimensões complementam a questão econômica. Por fim.

e contribua para a sustentabilidade progressiva. força de lei. a territorial. e sim. paulatinamente. a científica e tecnológica. tornando-os administráveis no tempo e no espaço. Para isso. de contorno ainda pouco definido. 17 promover um círculo virtuoso. do conhecimento e dos serviços. A base conceitual da Agenda 21 aponta. em que a produção obedeça a critérios de conservação ambiental duradouros e de aperfeiçoamento progressivo nos padrões de distribuição de renda. exclui dos benefícios que gera grande parte da sociedade. simultaneamente. É preciso. em síntese. Progressividade não significa adiar decisões e ações vitais para a sustentabilidade.com a lógica imediatista. . A Agenda 21 Brasileira consagrou o conceito de sustentabilidade ampliada e progressiva. Esse modelo. envolve questões polêmicas e posições de princípios tão amplos quanto à tão controvertida ‘globalização'. já a sustentabilidade progressiva significa que não se deve aguçar os conflitos a ponto de torná-los inegociáveis. A sustentabilidade ampliada preconiza a idéia da sustentabilidade permeando todas as dimensões da vida: a econômica. · a dimensão prática. e sim. com a ratificação pelo Congresso). a pobreza e as desigualdades . que expressa o consenso de que só uma sociedade sustentável menos desigual e com pluralismo político . fragmentá-los em fatias menos complexas. · a dimensão social. retirar. portanto. que além de prejudicial ao meio ambiente. que reconhece necessária a mudança de hábitos de produção de consumo e de comportamentos.reduzir a degradação do meio ambiente e. a legitimidade de mecanismos e instrumentos que contribuem para que a economia e a sociedade permaneçam em bases insustentáveis. e estabelece o princípio da precaução (adotado em várias convenções internacionais de que o Brasil é signatário e que tem. Globalização solidária e a Agenda 21 A Agenda 21 Brasileira tem compromisso com um novo paradigma de desenvolvimento que vem se delineando há décadas. na passagem da sociedade industrial para a sociedade da informação. formalmente inaugurada em 1991 com o fim da Guerra Fria.pode produzir o desenvolvimento sustentável. internamente. é preciso romper o círculo vicioso da produção. a política e a cultural. para a importância de se construir um programa de transição que contemple as questões centrais . a social.

da partilha das conquistas do todo da comunidade internacional. De igual gravidade é a imposição artificial de modos de vida e hábitos de consumo perdulários que destroem a cultura tradicional pela via das comunicações. tem sido concentradora da renda e da riqueza. mas generosa em distribuir pelo mundo. estariam excluídos. sociais e científicas. Como lidar com o volume crescente de resíduos perigosos em função do aumento vertiginoso de produtos descartáveis? Como encontrar solução para a destruição das culturas tradicionais que. da informação e da tecnologia. na qual imperam o capital especulativo e os paraísos fiscais. incorporando os países em desenvolvimento e os marginalizados que. exacerbando o individualismo e o consumismo que. o desemprego crescente e as zonas de pobreza. protegiam o ser humano das incertezas da vida com modestas mas eficientes economias familiares de subsistência e de apoio social? Como conviver com a alimentação industrializada que institucionaliza a obesidade e a ‘indústria do regime' em todos os países do mundo? 18 Esses são alguns exemplos clássicos de insustentabilidade que demonstram a irracionalidade dos padrões de consumo vigentes na sociedade. baseada em valores comuns e em objetivos partilhados de integração e de expansão. mudar a natureza e a direção do modelo de desenvolvimento dominante no mundo. de alta competição que. É esse o esforço que o Brasil vem buscando empreendendo nos foros internacionais e . seus próprios parceiros. dita as próprias regras. especialmente com a sua periferia. bem ou mal. em geral. O desafio é.Favorecida pela nova tecnologia das comunicações e pela redução dos fretes que estimularam as transações nos mais diversos níveis. além das estruturas de privilégios que favorecem. a chamada globalização vem se construindo em torno de uma ordem mundial hierárquica e desregulada. a violência. não têm condições de atender à maioria da população mundial. Essa ordem ou desordem. de outra forma. mesmo na periferia. por sua natureza. aproveitando de outra maneira potencialidades humanas. de antemão. que contrastam com as carências da maioria excluída e com as impossibilidades de uma civilização mais solidária. é defender uma globalização solidária. portanto.

No extremo oposto da globalização assimétrica. os mesmos valores e princípios que nortearam o pacto global em torno do novo desenvolvimento. Essa agenda elegeu como princípios norteadores do consenso os temas: mudança de padrões de produção e consumo. da sustentabilidade e da eqüidade e. dos países que compõem a comunidade internacional. há vinte anos. Coube a cada país definir a sua própria Agenda Nacional. na soberania e na responsabilidade comum. da governança global. no Cairo. inspirado nos princípios da Carta da Terra. o Norte e o Sul. quando ao concluir a sua Agenda 21 que prevê ações e meios de implementação capazes de promover as mudanças desejadas pela sociedade brasileira. com os mesmos métodos participativos. tem sido insuficiente para garantir ao país os 19 patamares necessários de emprego e renda. o combate à pobreza e à promoção dos direitos sociais. com determinação. O reencontro com o desenvolvimento: um consenso nacional É consenso nacional que se deve retomar. tem direção e sabe para onde ir. realizadas pelas Nações Unidas. Hoje a sociedade brasileira acredita não ser possível governar em clima de ‘populismo fiscal'. o mundo não é mais o mesmo. e a cooperação internacional entre os dois ‘pólos simbólicos'. A partir da última rodada de encontros internacionais iniciados no Rio de Janeiro e os subseqüentes em Viena. as possibilidades de receita e gasto. irradiando o desenvolvimento sustentável e o princípio da parceria para os encontros seguintes. no ciclo de conferências realizadas nas duas últimas décadas. inclusão das mulheres e das crianças e. um processo de desenvolvimento acelerado que. sobretudo. uma agenda global para a humanidade. mas diferenciada. finalizados com a Declaração do Milleniun. a Agenda 21 foi também o documento mais abrangente. em Pequim e Istambul. em especial.internamente. destacou-se o desenvolvimento sustentável como idéia/força propulsora de um novo desenvolvimento. em Copenhague. no qual as promessas ultrapassam. Também é consenso que a retomada desse desenvolvimento deve se pautar pelo paradigma do desenvolvimento sustentável. A . Tendo sido concebida na primeira reunião do ciclo das grandes conferências internacionais. Nesse amplo painel. de forma exagerada. situa-se o esforço bemsucedido das Nações Unidas em definir. que aproximasse ambientalistas e desenvolvimentistas. direitos humanos.

resistência inusitada. brasileiros. o Brasil projetou sua liderança industrial entre os países de passado colonial e do então denominado Terceiro Mundo. e consolidação de doloroso ajuste em clima de negociação democrática. O desenvolvimento tem sido para nós. Não resta dúvida de que energia e esforços foram canalizados contra a desordem financeira e em favor da estabilização da economia que. Os mecanismos de recompensa gerados pela mobilidade neutralizaram. Ao contrário do que ocorreu no passado.tão esperada retomada do desenvolvimento somente poderá ocorrer à medida que certo número de novos requisitos. As dimensões social. de crescimento quase ininterrupto a taxas. crescimento esse pouco significativo quando se leva em consideração a necessidade de gerar mais empregos e menos desperdício no país. com diminuição da taxa de inflação. os efeitos perversos da concentração da renda e da desigualdade social que. mas que se limitou a 8% na década de 1990. é anseio de todos retomar o crescimento. tônica de nosso passado recente. ambiental. seja atendido. um encontro marcado com o destino. Esse é o sentido mais profundo da dimensão holística no novo paradigma de desenvolvimento sustentável. hoje a mesma palavra designa um conjunto de variáveis. em média. Por conta de muitas décadas bem-sucedidas. convergentes. Desenvolvimento e poupança interna 20 É preciso conceder especial atenção ao crescimento do mercado interno que. sem diminuir o . que transcendem a economia em seu sentido estrito. Isso significa que a concepção do desenvolvimento tornou-se mais complexa e que as diferentes dimensões que o compõem comportam-se de maneira interdependente. Essa posição privilegiada garantiu à população altos índices de mobilidade social em termos comparados. fato inédito na história republicana. vocação histórica. por várias décadas. político-institucional. quando o termo desenvolvimento praticamente se confundia com o crescimento econômico. em boa parte. além de ter enfrentado uma ordem internacional conturbada e uma retração de investimentos encontrou. científico-tecnológica e cultural impregnam o paradigma de tal sorte que fica difícil até mesmo distingui-las ou precisar entre elas a mais relevante. novas e interdependentes. principalmente nos grupos domésticos dependentes da correção monetária. Finda essa primeira etapa. muito altas. passaram despercebidos para a maioria da sociedade brasileira.

consolidado pelo controle da dívida. que internalizam a dimensão da sustentabilidade nos diversos níveis. comunicação. de informação. oferece e apresenta uma perspectiva mais abrangente do que o desenvolvimento sustentado. com velocidade inusitada. o humano e o social. 30% da população brasileira vivem . designou-se o termo já em desuso de ‘desenvolvimento sustentado' que. Da mesma forma. cenário da Agenda 21. O desenvolvimento sustentável deve ser entendido como um conjunto de mudanças estruturais articuladas. tendo em vista a redução do estoque de recursos naturais no último século e suas conseqüências ecológicas de médio e longo prazos. Na nova sociedade. a responsabilidade fiscal e o equilíbrio orçamentário e financeiro. é fundamental também cuidar da pauta de importações. contribuindo para o equilíbrio da balança de pagamentos. Desenvolvimento sustentado e desenvolvimento sustentável O desenvolvimento conquistado nos últimos dez anos precisa vigorar. o capital humano é o motor de um sistema que se retroalimenta. serviços e conhecimento. freqüentemente. indispensáveis para se atingir novo patamar de crescimento. pode reduzir a dependência excessiva do capital externo e ampliar a capacidade de poupança do país. A esse conjunto de medidas restritivas. além disso. combatendo o consumo supérfluo. se confunde com ‘desenvolvimento sustentável'. dentro do novo modelo da sociedade da informação e do conhecimento. que é apenas uma dimensão relevante da macroeconomia e pré-condição para a continuidade do crescimento. todos pré-requisitos indispensáveis ao fortalecimento democrático e à construção da cidadania. o capital produtivo e o financeiro precisam caminhar de mãos dadas com o capital natural.esforço de exportação. em clima previsível de crescimento com estabilidade. A inclusão social e o empreendedorismo Existe um consenso nacional quanto à importância que deve ser atribuída à redução das desigualdades e ao combate à pobreza nos próximos anos. por meio da expansão do mercado interno e do nível e qualidade do emprego. O aumento da produtividade que vem ocorrendo em dimensões expressivas é fator decisivo que permitirá maior ousadia nas políticas de distribuição de renda e de erradicação da miséria absoluta. Ao mesmo tempo. gerador e distribuidor de riquezas. daqui para frente.

informações. conhecimentos e bens tangíveis e intangíveis. Amazônia.) e sim para as mesorregiões ou microrregiões menores. Portanto. já vem ocorrendo. e o tratamento particularizado para a agricultura familiar e os micro. inventar. Valorização do capital humano. A nova dimensão regional do desenvolvimento Para tornar efetiva a diminuição da pobreza.na linha da pobreza. alimentada pelo conhecimento. a informação. incompatíveis com o seu patamar de . cultural e científicotecnológica. criar. e para a melhoria da qualidade das políticas sociais. O modelo que começa a entrar em vigor deve ser concebido não mais para as grandes regiões como um todo (Nordeste. em contraposição ao estilo até então vigente. dentro de certos limites. etc. precisamos incorporar ao desenvolvimento nacional as chamadas ‘regiões periféricas'. a comunicação que se configuram como peças-chave na economia e na sociedade do século XXI. Uma nova concepção de desenvolvimento regional vem sendo amadurecida nos últimos anos. O Brasil tem graves carências educacionais. Devemos de forma mais audaciosa e persistente combater as razões pelas quais fracassaram as políticas de integração regional. capazes de gerar serviços. pequenos e médios produtores e empresários rurais e urbanos que. o novo modelo de desenvolvimento advoga o fortalecimento do empreendedorismo na economia brasileira. que criem as condições necessárias para inovar. Políticas deliberadas de inclusão social devem estar voltadas para as origens e os focos da desigualdade e da pobreza. exigindo modelo inovador para as agências regionais de desenvolvimento. Os mecanismos de inclusão devem ser concretizados por meio da flexibilização e ampliação do sistema oficial de crédito. do conhecimento e da qualidade de vida O capital humano é a grande âncora do desenvolvimento na sociedade de serviços. e da desburocratização dos procedimentos de legalização que tanto oneram o "custo Brasil". um país ou uma comunidade equivalem à sua densidade educacional. No mundo pós-moderno. capazes de produzir diagnósticos precisos sobre suas condições reais e suas oportunidades de alavancar o desenvolvimento. Rompendo a 21 tradição de hegemonia da grande propriedade e do grande capital. é necessário o desenvolvimento de políticas compatíveis com as necessidades e demandas desse segmento.

a partir da ‘arte de associar'. sob esse aspecto. 23 Natureza e identidade nacional: símbolo de um compromisso A nova ordem em construção tem como um de seus fundamentos a adoção de um pacto natural que estabeleça o equilíbrio ecológico entre a ação do homem e a proteção da natureza. a indústria da comunicação. projetando-se como uma dimensão relevante da identidade nacional. No entanto. É inegável que o Brasil da última década operou. ciência e tecnologia. com esforço próprio. Legislação. uma verdadeira revolução social de caráter participativo. em última instância.é compromisso de honra. Devemos registrar também o grande potencial pouco aproveitado na produção cultural. cujo alcance simbólico transcende a questão ambiental. especialmente. Os sete grandes biomas do país antes de serem ‘patrimônios da humanidade'. financiamento e políticas destinadas a esse fim não devem ser apenas o reconhecimento de que na área cultural decide-se o destino e a identidade dos países em uma economia cada vez 22 mais globalizada. Estenderam-se . da formação intensiva de recursos humanos que permitam a melhor qualificação gerencial do país e a retomada do desenvolvimento em patamares superiores de inovação. que representa nossa identidade e nossas raízes. inclusive no orçamento. são riquezas brasileiras. O poder da governança e do capital social No século XXI emerge o poder transformador do capital social que. significa capacidade de gerar ações e resolver problemas a baixo custo.sem dúvida. como também que é nessa área que se abrem oportunidades inéditas de fortalecimento da indústria cultural brasileira de projeção latino-americana e internacional. Pesquisas de entidades governamentais e não-governamentais indicam a preocupação crescente dos brasileiros com o destino de seus recursos naturais. aumentando o número de conselhos que se introduziram em todas as esferas de políticas públicas.desenvolvimento. é possível avançar no terreno da capacitação. o maior do planeta . valorizadas pela população e que precisam ser preservadas para as gerações futuras. como televisão e cinema. Conservar o patrimônio natural herdado de nossos antepassados . e sempre em parceria com as experiências internacionais de vanguarda. renovado na Conferência de 1992.

Finalmente. o avanço dos consórcios e do princípio da responsabilidade fiscal. ampliou-se o número e a força do terceiro setor como parceiro privilegiado da esfera governamental e das empresas e como expressão de uma sociedade autônoma. exigem a edificação de nova ética. Foram ainda aperfeiçoados os mecanismos de cooperação e de controle social do Governo. apoiadas no fluxo financeiro internacional e no desenvolvimento de tecnologias. Nessa perspectiva. As dificuldades se devem ao enfraquecimento do aparelho estatal e à obsolescência de uma cultura organizacional centralista e corporativa. Talvez por esta razão tenhamos avançado tanto na formulação e 24 construção do consenso em torno de novas políticas. Um dos mecanismos de governança mais poderosos reside hoje na cooperação (ao invés da competição) entre os três poderes. há também conquistas importantes. visto que nosso processo decisório contém imperfeições. No entanto. em virtude de uma forte tradição clientelista e corporativa em detrimento de nossa capacidade associativa. Ética do respeito à vida: solidariedade global e pacto natural A vulnerabilidade da população e do meio ambiente e o potencial de impacto das atividades humanas. muito nos resta ainda a ser feito. No entanto. cabe investir com vigor na informação para a decisão. Tais informações irão permitir melhor acompanhamento das ações públicas relevantes. no entanto. superposições e incongruências resultantes da precariedade das análises. que não dispõe de instrumentos adequados. Cabe uma referência especial ao Ministério Público e ao seu papel indutor de mudanças nas práticas políticas em favor dos compromissos da Constituição de 1988. em especial as relativas à Agenda 21 Brasileira. No domínio mais amplo do que se denomina hoje governança. como a descentralização política e administrativa. mas tão pouco em sua concretização. o desenvolvimento sustentável é uma proposta que tem em seu horizonte a modernidade ética e não apenas a modernidade técnica. ainda padecem de lentidão nos três níveis de governo. é também na área da governança que se concentram nossos mais graves problemas gerenciais que dificultam o caminho da sustentabilidade. Da mesma forma.as parcerias que. o que significa incorporar ao ‘mundo . dados e levantamentos necessários para tomar a decisão mais apropriada. capaz de contribuir para a perenização da vida.

na política. refletem o consenso geral do que desejamos ver projetado para o futuro. impregnando os meios de 25 comunicação e influenciando jovens e crianças. o poder e a influência do dinheiro. nas empresas e. tendo em vista o aperfeiçoamento democrático. nacionais e mundiais. Questionar a ‘ética do resultado' como fim último a ser obtido pelas sociedades é prioridade máxima que exige o fortalecimento dos valores morais em todos os domínios da vida social. (caboclos. solidária. expectativas difusas em favor de grandes mudanças éticas. estiver gravemente comprometida. pela revolução tecnológica e pelas novas oportunidades que se descortinam com o aumento da produtividade e do tempo de lazer. quilombolas. sobretudo. pescadores. que lhe abastece de recursos materiais e energéticos. destinam-se as grandes mudanças que. O individualismo exacerbado. econômicas e sociais. Parceiros e cúmplices do desenvolvimento sustentável Nesse longo percurso que é a construção do desenvolvimento sustentável. fruto das desilusões que decorrem da decadência da velha sociedade industrial e da ausência de solidariedade e ética no trato do interesse público. generalizada desconfiança da política. que reduza os profundos desequilíbrios e desigualdades entre as nações e que seja capaz de pautar-se por valores humanos de diversidade cultural e étnica e de cooperação inspirada no respeito aos direitos humanos. na família. Referência deve ser feita às populações tradicionais. O conceito de sustentabilidade remete a uma reforma radical nas noções de eficácia e de racionalidade econômica e nos obriga a considerar outras dimensões culturais. É inevitável constatar que existe hoje. ciosas de igualdade de gênero e de justiça social. sintetizadas pela Comissão. éticas e simbólicas uma vez que a atividade econômica não se desenvolverá sustentavelmente se a natureza. adiadas até então. Aos jovens e às crianças. na escola. estão em descompasso com o horizonte de possibilidades abertas pelas descobertas científicas. pacífica e justa. cabe um papel especial às mulheres. no Brasil e no mundo. entre .da necessidade' o novo compromisso com a promoção da vida. é essencial fortalecer os fóruns globais multilaterais para defender com vigor uma ordem global ética. as desigualdades crescentes. Existem de fato. a extensão da violência como estilo de vida. Nesse contexto. culturais.

aos povos indígenas. junto com o município.Contexto internacional e o cenário atual do país A Agenda 21 Brasileira deve estar em sintonia com as grandes transformações econômicas. da cultura e do conhecimento. compreenderam o sentido histórico da Conferência de 1992. que contribuem para disseminar as novas práticas de desenvolvimento sustentável. . que identifica ampla gama de segmentos antes excluídos do desenvolvimento. incansáveis. de inovar e de realizar dos empresários brasileiros. representada pela comunidade científica e cultural e por sua contribuição notável. denunciando fatos ignorados. militam em favor das causas mais difíceis da sustentabilidade. preservando a sabedoria dos valores recebidos que são patrimônio inestimável hoje e para o futuro. sustento. Nenhuma transformação importante poderá ocorrer sem a arte de identificar oportunidades. a federação inovadora que o Brasil vem construindo. 26 A incorporação de novos atores é a marca registrada da Agenda 21. Aos ambientalistas e aos movimentos sociais que. que lhes dá e a nós. Ao poder local que anima e preside "as boas práticas do desenvolvimento sustentável" e aos governos federal e estaduais que simbolizam. quanto no plano prático.outros). a todos os que sobreviveram às devastações ambientais e culturais do século XX. nem motivação ou conhecimento. da eqüidade e da justiça. que cedo. em favor dos que não têm voz. sempre em busca do fortalecimento da identidade e da integração nacional. 27 2 . mas afetados pela automação e desemprego. aos trabalhadores urbanos. A sustentabilidade da Agenda 21 é plural nos seus objetivos e nos seus protagonistas. como parceiros do desenvolvimento sustentável. Finalmente. erros políticos e cumplicidades equivocadas. tanto na área de pesquisas e estudos. que batalham pela sobrevivência em situações adversas. aos trabalhadores rurais em sua longa luta pela posse da terra. de tradição sindical e associativa. o da execução de projetos. Aos pequenos produtores e empresários. a sustentabilidade exige uma dimensão comunicativa. À criatividade da ciência. possibilitada pela rede de organizações não-governamentais e pela mídia.

· a ênfase no conhecimento como um fator de produção e a importância de investimentos na criação do conhecimento e nas atividades de pesquisa e desenvolvimento. · a redefinição do papel do estado nas economias de mercado. ocorridas nas últimas décadas. além dos avanços tecnológicos nas comunicações. Uma revolução nos negócios econômicos internacionais ocorreu na medida que as empresas multinacionais e os investimentos externos diretos tiveram um impacto profundo em quase todos os aspectos da economia mundial. Avanços tecnológicos nos sistemas de comunicação e de transporte reduziram custos de acessibilidade e estimularam fortemente a expansão do comércio. Mercosul). com profundas mudanças nas características de novos produtos. como forma de gerar maior grau de liberdade para a conquista da sustentabilidade. Nafta. · a consolidação da terceira revolução científica e tecnológica. tais como os derivativos.sociais e tecnológicas no mundo e no Brasil. . para melhor qualificar o contexto contemporâneo em que irão se inserir as políticas de desenvolvimento sustentável no nosso país. A desregulamentação financeira e a criação de novos instrumentos financeiros. Merecem especial ênfase por causa de suas implicações para a sustentabilidade: · o processo de globalização econômica e financeira. · as novas responsabilidades assumidas pelas organizações nãogovernamentais quanto às questões sociais e ambientais. com suas pressões diretas e indiretas sobre a base dos recursos naturais dos países em desenvolvimento e sua propensão a amplificar as assimetrias sociais e espaciais de desenvolvimento. de novos processos tecnológicos e de novas técnicas de gestão. com o risco de se minimizarem a concepção e a implementação de políticas ativas de desenvolvimento sustentável. contribuíram para a formação de um sistema financeiro internacional mais integrado. · o novo padrão demográfico do Brasil e suas conseqüências econômicas e sociais. As barreiras econômicas caíram significativamente devido às sucessivas rodadas de negociações do comércio internacional e aos acordos de integração regional (OMC. Globalização econômica e financeira e a terceira revolução industrial Nas três últimas décadas ocorreu um avanço do processo de globalização econômica e financeira.

nos processos tecnológicos e nas técnicas de gestão. em vez da intensidade em materiais e energia que predominam nos sistemas produtivos tradicionais. · maior flexibilidade nos processos de produção. distributiva e de estabilização.5 trilhões de compras e vendas de ativos financeiros contra apenas US$ 25 bilhões de comércio. Nessas mudanças destacam-se as seguintes tendências: · maior intensidade de informações. por dia. Esses impactos são particularmente intensos nas micro e pequenas empresas brasileiras. Como muitos desses fluxos financeiros são de curto prazo. impuseram a necessidade de reestruturação das empresas e das organizações para enfrentar os desafios da integração competitiva. Cenário atual do Brasil Em todos os países da América Latina. assiste-se. altamente voláteis e especulativos. em muitos aspectos. ampliou os fluxos de comércio internacional que. renováveis e nãorenováveis. com maior ênfase à configuração de sistemas do que à automação. com implicações fundamentais para as estruturas de mercado e modelos da organização empresarial e suas tendências locacionais. para atender às exigências da nova divisão internacional do trabalho. a uma profunda mudança no papel do Estado na economia. A redução do tempo e do espaço. conjugados com a maior abertura externa das economias nacionais. resultante dos impactos multifacetados da terceira revolução científica e tecnológica. . atualmente. as transações financeiras internacionais superaram as transações de bens e serviços: US$ 1. A consolidação da terceira revolução industrial provocou profundas mudanças na produção. b) a possibilidade de que venha a se aprofundar a reprodução das desigualdades sociais e os desequilíbrios regionais de desenvolvimento.28 Atualmente. · nova eficiência organizacional. A forma de inserção das economias em desenvolvimento nesse processo de globalização coloca duas questões fundamentais para a construção da Agenda 21: a) os impactos sobre a intensidade e o modo de exploração de recursos naturais. as finanças internacionais tornaram-se a dimensão mais instável da economia capitalista globalizada. onde eficiência e produtividade não estão necessariamente vinculadas às economias de escala na produção em massa. em sua tríplice função alocativa.

mais aberta. de natureza microeconômica e se realiza pela reestruturação organizacional das empresas privatizadas e pelos investimentos de modernização para sua competitividade dinâmica. que o Brasil ainda deverá contar com o papel do Estado. autorizadas a partir dos três últimos anos. a economia brasileira passou a dispor de melhores condições institucionais e oportunidades econômicas para configurar um ciclo de expansão. Em função dos processos de privatizações iniciados na última 29 década. mais privatizada e. das concessões de serviços públicos. A economia brasileira tornou-se. · regulamentar a operação de setores estratégicos (energia elétrica. mas também para: · coordenar o processo de desenvolvimento nacional. É preciso enfatizar. menos regulamentada. telecomunicações e . · articular programas de geração de emprego e renda. com os recursos obtidos sendo dirigidos para a redução do desequilíbrio das contas públicas e para financiar o déficit em conta corrente quando houver significativa participação do capital estrangeiro nesse processo. por meio de políticas sociais compensatórias. portanto. em primeira instância. contudo. não apenas para garantir a oferta dos serviços públicos tradicionais. por meio de mecanismos de intervenção indireta e de planejamento indicativo.Durante quase todo o período do pós-guerra. pois. Não resta dúvida de que a reforma do Estado tem se constituído em um vigoroso evento portador de mudanças no Brasil. O segundo e mais duradouro impacto é. · conceber e executar um conjunto de políticas econômicas que mantenham a consistência macroeconômica. assim como no esforço de contenção dos processos inflacionários em cada país latino-americano. fundamentalmente. · promover melhor distribuição da renda e da riqueza. o impacto das vendas das empresas estatais. das desregulamentações adotadas particularmente nas relações de comércio internacional e da integração na união alfandegária do Mercosul. ao longo dos próximos anos. neste início de século XXI. os estados nacionais exerceram papel insubstituível na promoção do crescimento econômico. é de natureza macroeconômica. na formulação e na implementação de políticas sociais compensatórias. No caso específico do processo de privatização. mais propensa ao crescimento sustentado.

a sustentabilidade ambiental e a eqüidade social. importantes mudanças de valores e de comportamentos se refletiram na estrutura e configuração da família brasileira. pois. a população brasileira deverá se estacionar em torno de 250 milhões de habitantes. Os relatórios de desenvolvimento humano da Organização das Nações Unidas têm destacado que são inúmeras as conseqüências desse novo padrão demográfico para o novo ciclo de crescimento econômico. No final da década de 1960.petróleo) para o crescimento econômico. técnica e financeiramente. em função do declínio ainda maior da taxa de fecundidade. Recursos que vinham sendo utilizados para a expansão da capacidade de atendimento do sistema educacional brasileiro poderão ser realocados em programas de qualidade nesse mesmo sistema. Segundo. em meados deste século. Limitado inicialmente aos grupos sociais urbanos de renda mais elevada das regiões desenvolvidas. e conseqüências específicas na dinâmica de mercados de diversos bens e serviços. a exemplo do papel da mulher na sociedade e as repercussões sobre sua crescente participação no mercado de trabalho. · atenuar os desequilíbrios regionais de desenvolvimento. segmentos seletivos da economia brasileira (pequenas e médias empresas. a população em idade escolar a ser atendida nos diferentes níveis de ensino vem crescendo em ritmo cada vez menor. Primeiro. · apoiar. O novo padrão demográfico se caracteriza. para as políticas sociais do Brasil e. exportações) para ampliar sua capacidade competitiva ou estabilizar sua renda. conseqüentemente. além de diminuir a pressão sobre o . levando à desaceleração do ritmo de crescimento populacional. Além do mais. por mudanças na estrutura etária. para as estratégias empresariais de marketing. esse processo se estendeu a todas as classes sociais e nas diversas 30 regiões. Nos últimos vinte anos ocorreram mudanças substanciais no padrão demográfico do Brasil que terão conseqüências gerais e profundas no seu processo de desenvolvimento econômico e social. Projeta-se que. com maior participação relativa dos idosos e menor participação relativa do contingente com menos de 15 anos. e assim deverá continuar. tem início um processo rápido e generalizado de declínio da fecundidade. pequenos produtores rurais. a expansão mais lenta da população jovem.

como as pessoas idosas pertencerão a famílias cada vez menores (tendência a famílias com apenas dois filhos). medicina geriátrica) e num desafio para a reestruturação dos gastos públicos. contribuindo para a formação do déficit do setor público consolidado no Brasil. que apresenta um quadro de morbidade bem específico e de tratamento mais caro. o aumento da relação entre idosos e pessoas em idade ativa. sob muitos aspectos. poderão ter menor amparo dos filhos e parentes. desde as mudanças ocorridas na Constituição de 1988. deverá acentuar significativamente o grave desequilíbrio no sistema previdenciário brasileiro. A atual fase de transição demográfica brasileira apresenta um período crucial e de grandes oportunidades sob os mais diferentes aspectos. poderão provocar a emergência de uma importante fonte de poupança privada no país. as características de qualidade da mão-de-obra. além de responder de forma mais eficaz às necessidades da população idosa nas próximas décadas. para cima ou para baixo. oferece. necessária para um ciclo de expansão intensivo em informação e conhecimento. também. a redução na proporção de jovens na população total e as novas demandas geradas pelo aumento absoluto e da proporção dos idosos. o sistema de saúde. Terceiro. público e privado. envolvendo o redimensionamento. se as reformas institucionais não avançarem. Finalmente. condições mais favoráveis para uma melhor preparação técnica das pessoas antes de seu ingresso no mercado de trabalho ou no próprio local de trabalho. Essas reformas. assim. podem se transformar numa oportunidade para formulação de estratégias de mercados do setor privado (diferenciação e diversificação dos produtos de consumo. deverá se preparar para atender adequadamente a essa parcela crescente da população. previdência complementar. de programas de assistência à . O caso da previdência oficial é ilustrativo e evidencia um desequilíbrio atuarial crônico. ao abrirem espaço para a ampliação da previdência complementar pelos fundos privados. nas próximas décadas. planos de saúde. Assim. 31 Esse déficit poderá se tornar crônico e superar 3% do PIB nos primeiros anos deste século. melhorando-se. Portanto.mercado de trabalho.

maior participação das mulheres na composição do orçamento doméstico e controle sobre o número preferencial de filhos certamente irão transformar as relações de mercado. maiores as chances de incluir um número maior de famílias nos padrões civilizados de consumo privado e público. a partir das tendências e oportunidades no seu ambiente interno e externo. da quantidade de recursos que cada nível de governo e o setor produtivo nacional estão propensos a alocar em conhecimento e pesquisa e na eficácia de sua utilização. a sociedade brasileira terá que realizar uma escolha entre os futuros possíveis. Entre as muitas megatendências mundiais. Pessoas qualificadas são indispensáveis para a criação de novas idéias. O crescimento econômico é desejável porque ele traz mais empregos. é importante lembrar as novas responsabilidades que vêm sendo assumidas pelas organizações empresariais quanto às condições sociais e ambientais nas regiões e países em que se localizam para a promoção do seu crescimento. 32 O crescimento econômico é. O capital humano e as habilidades de um país ou região determinam o seu crescimento econômico no longo prazo e suas chances de transformar esse crescimento em processos de desenvolvimento. de qualificação da mão-de-obra. de saúde da terceira idade e de qualidade total no ensino fundamental. mas não suficiente para o desenvolvimento sustentável. o . Assim. enfatizam o conhecimento e o investimento em atividades de pesquisa e desenvolvimento como fatores fundamentais. Da mesma forma. mais renda. Mantidas as atuais características do padrão de crescimento econômico e de acumulação de capital no país. mudanças de valores e de comportamento na estrutura da família brasileira. produtos e processos tecnológicos e para operar e manter equipamentos mais complexos.maternidade. Uma escolha entre os futuros possíveis As novas idéias que procuram explicar por que alguns países e regiões crescem e se desenvolvem mais rapidamente do que os demais. no entanto. com eficiência. em grande parte. mais bens e serviços à população. tornou-se evidente que os diferenciais de competitividade dependem. uma condição necessária. de creches. Quanto mais rápido o ritmo do crescimento. Com a globalização econômica e financeira.

A solução para esse e outros problemas semelhantes é mudar os padrões de consumo e combater a cultura do desperdício. quanto de velhas práticas de uma sociedade tradicional acostumada à fartura dos recursos naturais e a hábitos ingênuos de generosidade e esbanjamento. · é lento o avanço dos programas de educação ambiental que poderiam contribuir para alterar o quadro atual de deterioração ambiental.cenário tendencial de evolução dos indicadores de desenvolvimento sustentável poderá vir a ser de crescente deterioração. é tão importante quanto superar o paradoxo que envolve os mais pobres: muitas vezes. · ainda é pouco expressivo o volume de recursos públicos e privados que vêm sendo alocados no desenvolvimento científico e tecnológico para enfrentar as questões de desenvolvimento sustentável no Brasil. falta comida na mesa. a poluição por objetos descartáveis e a geração de . A Agenda 21 Brasileira se apresenta como uma alternativa de futuro possível e desejável definida por ampla parcela dos atores sociais brasileiros envolvidos em seu processo de construção. Exigir contenção e sobriedade de nossas elites.Plataforma das 21 ações prioritárias A economia da poupança na sociedade do conhecimento Objetivo 1 Produção e consumo sustentáveis contra a cultura do desperdício Vivemos vinte e quatro horas por dia na cultura do desperdício. que continuam resultando em deterioração do seu capital natural e em reforço dos mecanismos sociais de reprodução da pobreza. · existem componentes autônomos nos processos de decisões descentralizadas de produção e de consumo nas diversas regiões do país. As chances de execução de políticas de desenvolvimento sustentável no Brasil dependem. aí incluindo a alta classe média. 33 3 . mas mesmo na pobreza. implementam e controlam as políticas de desenvolvimento sustentável. da alteração desse quadro. · a ausência de um efetivo sistema nacional de planejamento no país dificulta a inserção das questões de desenvolvimento sustentável na agenda de prioridades do Governo Federal. o desperdício continua. uma vez que: · a crise fiscal e financeira dos três níveis de governo é um fator impeditivo da maior eficácia dos órgãos públicos que formulam. em grande parte. O gasto desnecessário com embalagens. decorrentes de fatores econômicos e culturais. decorrente tanto dos novos hábitos.

quantidades exageradas de lixo estão entre as conseqüências perniciosas dos modelos de consumo adotados no Brasil. gerando notícias capazes de conscientizar a opinião pública sobre a necessária mudança de comportamentos. em última instância. que é. mas também herdado da sociedade colonial e escravista. copiados de países mais desenvolvidos. públicos e . · Iniciar com uma campanha contra o desperdício de água e energia.para serem usados em seu papel relevante de pedagogia social. Enquanto concessão de interesse público. manter a população consciente das conseqüências do desperdício e não apelar à economia apenas em situação de crise. que deve adquirir feição específica e diferenciada para as diferentes regiões brasileiras. esperar pelas mudanças culturais. o terceiro setor e as lideranças comunitárias para tomada de consciência e mudança de hábitos. O combate ao desperdício ainda durante o processo produtivo. É dever das autoridades e dos meios de comunicação. porém. rádio e jornal . 34 Ações e recomendações · Desencadear uma campanha nacional contra o desperdício envolvendo os três níveis de governo. · Mobilizar os meios de comunicação . A construção civil é um segmento que tem muito a contribuir. a mídia. pela adoção de tecnologias menos intensivas em energia e que requeiram menos matérias-primas. como. por exemplo. Existem dois aspectos distintos a serem tratados no combate ao desperdício. e até mesmo seu marketing. como aconteceu em 2001.televisão. A cultura da poupança deve ser construída pela boa informação. as empresas. A mudança dos padrões de consumo. · Promover a cultura da poupança para a produção de bens e serviços. naturalmente lentas. devem em seus horários obrigatórios de veiculação de informação de interesse social. buscando alternativas para o desperdício praticado nos canteiros de obras. produzir campanhas voluntárias de esclarecimento. como já pode ser observado com a valorização do chamado consumo sustentável. bem como para os diferentes setores produtivos. Não é preciso. durante a escassez de hidreletricidade.Uma população consciente forçará as empresas a mudar seus métodos e processos. uma mudança de cultura e a destinação dos resíduos.

Criou-se uma posição proativa de resolver problemas e encontrar soluções. O comprometimento das empresas com a sustentabilidade inicia-se pelo cumprimento das exigências da legislação ambiental. freqüentemente desativadas. pelos empresários. Objetivo 2 Ecoeficiência e responsabilidade social das empresas No Brasil foi surpreendente a assimilação dos desafios e compromissos registrados na Conferência de 1992. Divulgar catálogos de tecnologias apropriadas e disponibilizá-las. para evitar investimento em caras e inadequadas usinas de lixo. Tais compromissos contribuem para melhorar a imagem da empresa. por serem endógenos e espontâneos. · Estimular a simplificação das embalagens e restringir a produção de descartáveis garantindo ao consumidor a disponibilidade de produtos em embalagens retornáveis e/ou reaproveitáveis. com base no reaproveitamento e na redução da geração de lixo. os quais. · Definir uma legislação de resíduos sólidos. evitando a superposição de ações. com a . devem ser estimulados. · Divulgar experiências inovadoras para que. seja aperfeiçoando o modelo de gestão empresarial. seja adotando novas tecnologias menos poluidoras. ao invés de atrapalhar a atividade produtiva. em nível local.privados. em realidade contribui para a criação de 35 resultados positivos. tendem a ser mais eficiente e. · Estimular o combate ao desperdício na construção civil pela adoção de tecnologias adequadas que promovam a segurança do trabalhador. portanto. aos municípios brasileiros. além de aumentar a produtividade e a competitividade. se adotem formas criativas de destinação dos resíduos. a irracionalidade dos procedimentos e os gastos supérfluos. Preparar as empresas brasileiras para competir internacionalmente em condições ideais de ecoeficiência e responsabilidade social é condição necessária à expansão e internacionalização de seus negócios em ambiente competitivo com os padrões hoje vigentes. O espírito prático desse empresariado assimilou a idéia de que a ecoeficiência e o meio ambiente. passando por programas internos de conscientização e de adoção de normas voluntárias. com claras definições de obrigações e responsabilidades para os diferentes atores sociais.

como sinônimo de aumento da rentabilidade. para a redução de gastos de energia. cujos tamanho e importância justificam a adoção de práticas exemplares que divulgam e dão prestígio nacional e internacional. mais avançadas. que aumentam a eficiência pela incorporação de valores éticos e culturais ao processo de decisão. Ações e recomendações · Criar condições para que as empresas brasileiras adotem os princípios de ecoeficiência e de responsabilidade social. Nesse sentido.incorporação de novos instrumentos de gestão e novas tecnologias. · Adotar os procedimentos adequados para minimizar efeitos adversos na saúde e no meio ambiente com a utilização de: i) desenvolvimento de padrões mais seguros de embalagem e rotulagem. um agente de controle ambiental. por serem agentes multiplicadores. · Estimular a criação de centros de produção mais limpa e de energia renovável. em função do tipo de atividade que exercem e do tipo de impacto que produzem. Cada empresa deve ser. em complementação aos instrumentos tradicionais de comando e controle. · Promover parcerias entre as grandes. O maior desafio da gestão ambiental é levar em conta a diversidade de situações que as empresas enfrentam. voluntariamente. precisam encontrar soluções tecnológicas e gerenciais acessíveis. É preciso ter em mente que a ecoeficiência nas empresas tem como principal ponto de referência as multinacionais e as estatais ou ex-estatais. As parcerias implicam cooperação tecnológica e transferência de tecnologia. 36 · Incentivar a ecoeficiência empresarial por meio dos mecanismos de certificação. médias e pequenas empresas para a difusão do conceito de ecoeficiência. para a produção mais limpa. As micro. · Promover parcerias entre empresas de diferentes portes como forma de disseminar o acesso aos padrões de qualidade dos mercados nacional e internacional. No entanto. água e outros recursos e insumos de produção. ii) consideração dos conceitos de ciclo de vida dos produtos . pequenas e médias empresas encontram dificuldades para enfrentar o desafio da ecoeficiência. a promoção do arranjo de sistemas produtivos locais com competitividade sistêmica tem se mostrado uma prática exitosa em várias regiões do país.

regional e local. especialmente o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo. sociedade civil e as empresas. · Integrar as empresas brasileiras à ação internacional pelo desenvolvimento sustentável. · Facilitar o acesso a financiamentos às micro e pequenas empresas pelos bancos oficiais e agências de fomento de caráter nacional. os investimentos alocados e os cronogramas de execução. viabilizando maior inclusão nos circuitos de produção. 37 Deve ser indutora da integração nacional e regional e facilitadora da redução das desigualdades regionais e sociais. criando oportunidades de negócios favoráveis ao seu crescimento e sua inovação. . infra-estrutura e integração regional O papel da infra-estrutura na promoção do desenvolvimento sustentável é o de criar as précondições para o desenvolvimento econômico e prover bens e serviços essenciais à melhoria da qualidade de vida da população. · Promover a recuperação do passivo ambiental das empresas por meio de termos de ajuste de conduta. para a busca criativa de novas soluções técnicas e gerenciais visando à produção sustentável. · Promover parcerias entre as universidades. para que eles se tornem agentes promotores da ecoeficiência em suas empresas. institutos de pesquisas. as micro. · Prover a capacitação.pelo uso de sistemas de gestão ambiental. nos quais fiquem claramente estabelecidos os compromissos sobre as técnicas de recuperação. Objetivo 3 Retomada do planejamento estratégico. pequenas e médias empresas possam se beneficiar com recursos de projetos de redução de emissões de gases de efeito estufa e de seqüestro de carbono. para proporcionar acesso equânime às oportunidades no espaço nacional e internacional. monitoramento e relatórios de desempenho e medidas corretivas. cidadania e consumo. para que. técnicas de produção mais limpa e sistema de gerenciamento de resíduos. · Difundir amplamente a Convenção Quadro de Mudança do Clima e o Protocolo de Quioto. sendo este um dos objetivos centrais do desenvolvimento sustentável. órgãos governamentais. e iii) desenvolvimento de procedimentos voluntários de auto-avaliação. a conscientização e a educação dos empregados.

Do ponto de vista ambiental. inteiramente. tecnologia. Em conseqüência. sendo mais avançado nos setores de energia e comunicações. A regulação exige estudos prévios.Cabe ao Estado promover a integração e criar condições de coordenação das ações públicas. sobretudo. No plano da gestão. por meio da definição de estratégias integradoras das ações. o desempenho dos diversos órgãos é bem variável. do ponto de vista econômico-social e de utilização dos recursos naturais. mas ainda não realizados. mas a postura dos órgãos tem sido mais reativa do que proativa. Os níveis do avanço institucional e do marco regulatório são muito diferentes. A tendência geral tem sido a da terceirização dos serviços. dependendo do setor de infra-estrutura considerado. têm-se verificado avanços no trato das questões. que segue outra lógica. de forma que sua eficiência não está garantida. planejamento. visando à redução das desigualdades regionais e . Muitas das questões da infra-estrutura requerem uma coordenação suprasetorial para captar externalidades. O sistema está hoje pautado. são muitos os vazios institucionais e as disfunções que precisam ser corrigidos. articular sinergias. já realizados nos setores de energia e comunicações. governamentais e não-governamentais que garantam a ação sistêmica entre os diferentes setores da infra-estrutura. montagem de sistemas de informação para gestão. o que significa que a relação entre produção de serviços e desenvolvimento sustentável. O grande problema é que essa terceirização não se tem feito acompanhar por reformas administrativo-institucionais para um gerenciamento eficiente dos serviços contratados. nos setores de transportes de carga e urbanos. e que orientaram a regulação setorial. nas decisões que envolvam a expansão e a modernização dos serviços. controle. No campo da infra-estrutura existe uma ausência de visão sistêmica decorrente da falta de um projeto nacional de desenvolvimento sustentável. coibir interações perversas e dar solução comum a problemas de financiamento. e ainda embrionário no setor de transportes de carga e urbanos. operação e fiscalização. pode estar ameaçada. fiscalização e o uso mais adequado e sustentável dos recursos naturais. Ações e recomendações · Integrar o planejamento regional como parte explícita do planejamento para o desenvolvimento sustentável do país. planejamento. pelo crescimento do mercado onde este se encontra.

em execução no Brasil. mas também como oportunidades de investimentos. · Incorporar a dimensão ambiental nos processos de elaboração de planos e projetos. etc. dentro das diretrizes que compatibilizem a vocação exportadora com os interesses do mercado interno. indicando as instâncias executivas responsáveis por planejamento. regulação. correntes e de capital. em especial nos macroeixos de integração e desenvolvimento. pela apropriação de seus custos diretos e indiretos.38 intra-regionais. neles incluindo os passivos ambientais. garantindo a transparência das ações e dos custos envolvidos. · Instituir mecanismos que garantam transparência na contabilidade ambiental de projetos de infra-estrutura. o planejamento integrado do transporte interestadual e urbano. · Planejar a infra-estrutura de forma integrada. · Implantar projetos de infra-estrutura levando em conta as especificidades potencialidades e fragilidades . não só como restrições. passados e futuros. bem como da relação entre o público e o privado.do território. em função da promoção do desenvolvimento sustentável orientado para a integração nacional. a promoção da intermodalidade no transporte. social e política do espaço nacional. · Priorizar o aumento da eficiência e da conservação de energia. . · Efetuar uma avaliação crítica das políticas regionais. · Promover a universalização do acesso a energia e comunicação como forma de aplicação do princípio da sustentabilidade na promoção da infra-estrutura. com o objetivo de adaptá-las a planos coerentes de desenvolvimento sustentável dentro de uma lógica microrregional ou mesorregional. às diretrizes e aos parâmetros de âmbito nacional. · Definir com maior clareza o papel das agências reguladoras e aperfeiçoar seu poder arbitral e seus processos de regulação. · Implementar a interligação entre os macroeixos de integração e de desenvolvimento de forma a fortalecer seu papel indutor de desenvolvimento e impedir a fragmentação econômica. inclusive dos incentivos fiscais. e integrando programas e projetos. · Reforçar o papel do planejamento de longo prazo da infra-estrutura. evitando impactos ambientais negativos mediante adoção de alternativas tecnologicamente mais sustentáveis. permitindo inclusive a participação dos cidadãos no processo de acompanhamento e controle.

Nos últimos duzentos anos. o princípio constitucional da subsidiariedade. pensando sempre no atendimento das necessidades regionais e na promoção do seu desenvolvimento sustentável. é preciso investir nas energias renováveis. órgãos municipais. É preciso considerar que a participação das fontes renováveis na oferta interna de energia. altamente poluentes e não-renováveis e que são hoje os grandes responsáveis pelo efeito estufa. · Criar um fórum nacional com ampla participação das agências regionais de desenvolvimento. 39 · Criar um suporte de infra-estrutura e instrumentos de atração locacional em cidades de médio porte. as questões federativas e as atribuições regionais. embora decrescente. Para que não haja retrocesso na matriz energética do país. No entanto. mais limpo e renovável. federais e representantes da sociedade civil. O Brasil tem uma matriz energética eminentemente limpa. evitando a repetição de experiências negativas e de erros de planejamento urbano observados no desenvolvimento das metrópoles. estaduais e municipais. para a viabilidade de programas e projetos de criação e desenvolvimento dos transportes ferroviário e marítimo de passageiros.· Respeitar. o desenvolvimento industrial teve como fonte de energia básica o carvão e o petróleo. Objetivo 4 Energia renovável e a biomassa A energia é o fator essencial de promoção do desenvolvimento. no que diz respeito à eletricidade: mais de 95% dela provém de fontes hídricas. É pela capacidade de gerar e consumir energia que se mede o nível de progresso técnico de uma civilização. estaduais. para 58% em 2000. ainda permanece alta. em 1990. tendo passado de 62%. Caminhamos para um modelo energético diversificado. como se viu em 2001. bem como programas destinados à segurança rodoviária e à redução de acidentes. na reformulação do sistema institucional de incentivos fiscais. · Elaborar um plano diretor nacional de transporte de passageiros a longa distância. para discutir e avaliar a forma de adequar os fundos regionais para serem gerenciados pelas novas agências. . dependente das condições meteorológicas. Não resta dúvida de que precisamos construir urgentemente alternativas ao uso do petróleo. entidades de desenvolvimento regional. essa configuração deixa o país vulnerável.

propiciando sua reconversão. médio e longo prazos. Esse crescimento deve continuar considerando o potencial que existe no Brasil e sua capacidade de atender a demandas descentralizadas. Uma fonte 40 não-renovável. considerando sempre as disponibilidades e as necessidades regionais. no mundo. Ações e recomendações · Tratar como prioridade o incentivo ao uso eficiente e à conservação de energia. único programa bemsucedido. O uso de energia solar está se expandindo. Também o dendê. É preciso aumentar a eficiência no seu uso e na sua conservação. de substituição em larga escala dos derivados de petróleo. permanente e transparente sobre os planos de expansão para o futuro. O desafio que se apresenta é integrar todas essas opções para garantir. que vem contribuindo cada vez mais para a composição da matriz energética brasileira. mais baratos e mais racionais que o aumento da oferta. A energia de biomassa a partir de bagaço de cana. são fontes renováveis de energia e permitem dar um uso econômico a rejeitos que muitas vezes são simplesmente incinerados. a mamona e diversas espécies nativas são fontes potenciais de combustível. inclusive introduzindo nas discussões a busca de alternativas sustentáveis à atual estratégia de consumo e uso de energia. · Reestruturar o Pró-Álcool e desvinculá-lo dos interesses do velho setor sucro-alcooleiro. que usam derivados de soja. podem diversificar e tornar mais limpa a matriz energética brasileira. O biodiesel e as misturas de combustíveis. que podem apresentar resultados mais rápidos. aumentar o suprimento energético em bases cada vez mais limpas. de modo sustentável. por meio de um debate amplo. porém. Algumas regiões do Brasil apresentam grande potencial para a produção de energia eólica e diversas empresas vêm investindo no ramo. em combustão direta ou em gaseificação. · Retomar a função de planejamento de curto. Não basta. rejeitos de serrarias e lenha. . o suprimento de energia necessário.O Brasil tem a valiosa experiência do Pró-Álcool. O racionamento imposto pela escassez de chuvas no ano de 2001 mostrou que a sociedade e as empresas estão dispostas a cooperar. seja a fotovoltaica seja a solar térmica. o babaçu. para o setor energético. abundante em nosso país. · Desenvolver e incorporar tecnologias de fontes renováveis de energia. · Prover recursos financeiros e humanos para a pesquisa e desenvolvimento de opções para produção de energia renovável. é o gás natural.

Levando em conta a universalidade do saber. a pouca tradição das empresas brasileiras que. Conhecimento é poder. O Brasil tem obtido resultados expressivos nas áreas científica e cultural. é prioridade máxima inserir o Brasil na linha de frente da produção científica e tecnológica de atualidade mundial. Outro problema estrutural refere-se aos baixos níveis médios de educação dos trabalhadores brasileiros. da tecnologia. garantida pela mão-de-obra barata. publicamos mais estudos científicos de nível internacional do que registramos patentes. o que chama a atenção é o fato de que produzimos mais ciência do que somos capazes de transformá-la em inovação tecnológica. notadamente no meio rural e nas localidades urbanas isoladas. promovendo a universalização do acesso ao uso de energia elétrica. pelos subsídios estatais e pela exploração predatória dos recursos naturais.· Priorizar o uso de fontes alternativas renováveis. entrando na era da globalização tecnológica. ou seja. Isso significa 41 também ocupar nichos competitivos associados a oportunidades e vocações nacionais ou regionais. o ritmo com que se propagam. da cultura e dos serviços. Objetivo 5 Informação e conhecimento para o desenvolvimento sustentável O conhecimento e a tecnologia têm sido o alicerce de todas as civilizações e culturas. não necessitaram de esforço tecnológico para assegurar sua competitividade. Com o volume de conhecimento multiplicado por milhões de vezes desde a Grécia Antiga. O país limitou-se a absorver ou. em alguns casos. No entanto. mas que funciona desvinculada das necessidades do processo produtivo. o seu valor é cada vez maior. em parte compensada pela elevada qualificação da produção científica. a aperfeiçoar as inovações geradas nas economias desenvolvidas. especialmente nas últimas décadas. Isso se deve. Para superar tais impasses. e a forma como a sociedade as assimila no campo da ciência. é preciso consolidar ilhas nacionais de . em boa parte. entendido não como forma de dominação. no ciclo áureo do desenvolvimento nacional. O que diferencia a nossa época das demais é a quantidade e a qualidade das inovações geradas. mas como possibilidade de fazer. e merecido especial destaque dentre os demais países em desenvolvimento.

· Democratizar a distribuição dos recursos humanos em ciência e tecnologia no espaço regional brasileiro e envolver diretamente os centros de pesquisas e as universidades. mesorregionais e microrregionais. nas avaliações de projetos e outras iniciativas de C&T. tais como qualidade. para o êxito da promoção do desenvolvimento sustentável. relevância e mérito. Especial atenção deve ser dada ao chamado conhecimento tradicional. para as pesquisas relacionadas ao desenvolvimento sustentável. · Fortalecer os mecanismos de educação para a ciência e tecnologia e de disseminação da informação científica e tecnológica para o desenvolvimento sustentável. inclusive por meio da mídia. a partir do qual é possível desenvolver pesquisas importantes. inclusive financeiros. especialmente nas áreas em que o Brasil já tem investido e em outras que possui vocação natural conferida por sua base de recursos naturais. assim como os fundos setoriais. em adição aos já utilizados. É fundamental. promovendo integração entre os produtores do conhecimento e seus usuários. estimulando. · Prover recursos financeiros e materiais para a manutenção de pesquisadores e cientistas no Brasil. especialmente nas áreas relacionadas à biologia e à medicina. Ações e recomendações · Prover incentivos. . 42 · Assegurar a adequada formação e capacitação de recursos humanos em ciência. considerando as especificidades e necessidades regionais. a curiosidade e o desejo de saber sempre mais. os conceitos e as diretrizes do desenvolvimento sustentável.competência que nos permitam competir com outros países de maneira crescente. O conhecimento científico e tecnológico é parte integrante do conhecimento do cotidiano e da formação de cidadãos. tecnologia e inovação para o desenvolvimento sustentável. · Incorporar. · Promover a alfabetização científica e tecnológica em todos os níveis do ensino. que a educação para a ciência e a tecnologia perpasse todos os níveis do ensino. Privar alguém de conhecimento científico e tecnológico significa excluir um cidadão de um processo de amadurecimento essencial para sua evolução pessoal e sua inserção no mercado de trabalho. na promoção e na execução dos planos de desenvolvimento sustentável regionais.

uma vez que é a formação do ser humano que torna possível o pleno aproveitamento de suas potencialidades e do seu desenvolvimento moral. À medida que se torna mais disseminado o conceito de responsabilidade social. Devemos entendê-la como a dimensão mais nobre e relevante da vida. de forma a ampliar sua participação na matriz energética brasileira. buscando associar aumento de produtividade com formas de produção apoiadas em técnicas que contemplem a conservação e a reconstituição da diversidade biológica. na forma de parcerias. formação de redes de inovação. maior deve ser o esforço dos órgãos governamentais para captar recursos privados. buscando assegurar o uso desses recursos para o desenvolvimento de tecnologias mais limpas e poupadoras de recursos naturais. · Fortalecer o desenvolvimento tecnológico e apoiar a utilização de fontes energéticas alternativas que sejam ambientalmente seguras e limpas. material e espiritual . projetos cooperativos. plataformas tecnológicas e a propriedade intelectual.· Promover a geração e a disseminação de conhecimentos sobre a utilização sustentável dos recursos naturais renováveis e não-renováveis. promovendo a transferência. prevendo mecanismos de transferência dos conhecimentos gerados para os setores público e privado e apoiando incubadoras de empresas. · Prover mecanismos para estimular as empresas a trabalharem em parceria com universidades e centros públicos de pesquisa. · Buscar maior integração entre os setores público e privado nos investimentos de P&D. arranjos locais. · Contribuir para a criação de um ambiente favorável à inovação. que garanta justa repartição de benefícios advindos do uso desses conhecimentos. · Estimular a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias e práticas de produção agrícola sustentáveis. o acesso e o desenvolvimento de tecnologias limpas. · Fomentar a cooperação internacional em C&T para o desenvolvimento sustentável. 43 Inclusão social para uma sociedade solidária Objetivo 6 Educação permanente para o trabalho e a vida A educação é uma prioridade máxima. · Desenvolver e implementar estratégias para a proteção efetiva dos conhecimentos tradicionais.

especialmente no pré-escolar. apenas 2. como demonstram os dados sobre os egressos do ano 20002. Estamos. Tendo em vista a enorme importância da educação na nova sociedade. afinal. que sempre se renova. Esse processo contínuo de aprendizado. O resultado desse quadro adverso é dos mais desanimadores. o que se precisa garantir é a capacidade intelectual de entendimento na leitura de um jornal. vivendo no limiar de uma nova sociedade do conhecimento. é o que entendemos por educação permanente. dispor de cidadãos bem preparados e capacitados. uma vez que a carência de educação é considerada a principal responsável por 40% da pobreza do país1. No século XXI. seria inútil insistir sobre a importância da comunicação entre instituições e pessoas. onde a criança se familiariza de maneira leve e descontraída com dimensões. Uma das razões pelas quais a boa formação é tão importante na sociedade e na economia moderna é que as profissões perderam sua estratificação e imobilidade e ganharam maior flexibilidade.6% dos alunos conseguem terminar o ensino fundamental.O que precisa ser aferido não é o ato mecânico de ler ou escrever. um livro ou um manual de instrução.ao longo de toda a existência. 44 de literamento pois. no prazo correto. ou sobre como tais virtudes são essenciais para o . Na era da informação. muda o perfil do trabalho.1 milhões que entraram na 1a série em 1993.6 milhões completaram a 8a série em 2000. como o aumento do número de alunos matriculados de 11% entre 1994 e 2001. Ipea. 2 Dos 6. de forma oral ou escrita. a partir do berço e dos cuidados familiares. mas o grau de analfabetismo funcional hoje substituído pela idéia 1 Ricardo Paes de Barros. segundo o impacto da tecnologia. estando em permanente remodelagem. nos primeiros anos de vida. com boa formação humanística. sabese que apenas 42. e em seguida. conceitos e temas essenciais ao pleno êxito de sua alfabetização e de seu aperfeiçoamento futuro. é fundamental observar que o conceito original de alfabetização está ultrapassado. O analfabetismo funcional e o fortalecimento do ciclo básico A educação começa na mais tenra infância. Como o conhecimento avança no domínio interdisciplinar. O Brasil apresenta na área educacional um atraso crônico e estrutural. científica e artística será necessário para atingir desenvolvimento e melhor qualidade de vida. Apesar de alguns avanços recentes. da informação e das novas descobertas.

passamos a considerar como ensino fundamental o ciclo de formação que se estende da pré-escola até o limiar do segundo grau. A descentralização dos recursos federais diretamente para a unidade escolar foi um avanço que precisa ser ainda mais fortalecido com escolas em tempo integral ou semi-integral. No entanto. havendo reconhecimento social apenas nas funções identificadas com as elites. A educação moderna. tendo em vista a redução das desigualdades sociais que pesam ainda contra a maioria do povo brasileiro. a família raramente tem possibilidades de dar apoio ao aluno nos trabalhos e na vida cotidiana da escola. Era arraigado o preconceito contra o trabalho manual. Como as mulheres entraram maciçamente no mercado de trabalho. O saber prático e a educação profissional O investimento em educação exige também uma boa dose de saber prático. ao contrário. são ainda precários o nível de formação do professor. sua base salarial. requer múltiplos dons e habilidades práticas que são a ferramenta necessária para atividades as mais diversas. essa é uma razão a mais para atribuir à escola um importante papel na formação geral de nossas crianças. A velha oposição entre o ensino 45 . que nosso sistema oficial sempre ignorou ou desprezou. Nesse período crucial.desempenho profissional e para a vida social dos cidadãos em suas atividades públicas. devem ser vistas como essenciais para motivar as crianças. o que agrava as distâncias sociais já nos primeiros anos de ensino. as condições materiais da escola e. Sendo assim. um compromisso orientado em torno da escola e de sua importância cívica na formação das crianças e dos jovens. A escola-cidadã contra a pedagogia da repetência A melhoria da qualidade do ensino no Brasil exige. definem-se os limites e as oportunidades da criança e do jovem para o resto de sua vida. Iniciativas recentes de envolvimento maior das associações de pais de alunos. São importantes os progressos recentes que praticamente completaram a universalização do acesso à escola e ampliaram os anos de escolaridade. profissionais e voluntárias. no acompanhamento das atividades de seus filhos. como conseqüência. de pelo menos cinco horas por dia. valorizar os seus progressos e garantir melhores condições de ensino. acima de tudo. a qualidade do ensino. Na classe trabalhadora.

com a ajuda do terceiro setor. e otimizando as boas bibliotecas. evitando excessivas especializações funcionais e reduzir os seus custos quando e onde houver indícios de desperdício. Nesse caso. buscando enfrentar em cada unidade escolar. Ações e recomendações: · Instituir a Agenda 21 da escola e do bairro. · Introduzir no país. além da bolsa-escola e do programa de renda mínima por meio da educação. videotecas. de professores e alunos. o sistema de bolsa de estudos por mérito. integrando-a ao bairro e à cidade. · Incentivar a participação de pais de alunos na gerência da escola. seus múltiplos problemas. · Universalizar o sistema de ensino em tempo integral e combater o analfabetismo funcional. reformular o sistema regulatório. deverão ter papel especial as áreas de pesquisa e de extensão que deveriam trabalhar juntas em programas de treinamento e capacitação em massa. financiado pelos governos. . também. Finalmente. pela via da avaliação e do acompanhamento dos resultados atingidos. É preciso. centros culturais e esportivos. também. para o seu fortalecimento e integração proativa no novo ciclo de desenvolvimento que ora se inicia. mas esse processo deve ser submetido ao controle de qualidade. · Transformar a escola em centro de excelência e cidadania. cabe recomendar a reforma do ensino superior nas universidades públicas. A massificação do ensino superior se constituiu num avanço da última década. cartorial e burocratizado. mobilizando as universidades e os mais diversos segmentos. outra deficiência estrutural do sistema educacional brasileiro. concentrando a energia coletiva em favor de mudanças que melhorem as condições de trabalho e de ensino. Esses centros poderiam se converter numa rede conectando escolas próximas. excessivamente centralizador. pelas fundações privadas ou pelas empresas. importantes para romper o gargalo entre o ensino fundamental e o nível superior. · Desburocratizar a escola. para melhoria da qualidade do ensino e aproveitamento escolar. Avanços no ensino técnico são. em favor de maior autonomia e responsabilidade da vida universitária. · Desenvolver planos de capacitação intensivos para qualificar professores.profissionalizante e o ensino humanístico deve ser resolvida. ajudando no aproveitamento escolar e contribuindo para captar recursos externos. públicos ou privados.

voltados para a capacitação em desenvolvimento sustentável. Como a esperança de vida cresce no Brasil e no mundo. o ensino profissionalizante que irá oferecer mão-de-obra qualificada para as múltiplas tarefas que se desenham na nova sociedade da informação. 46 · Converter os campi universitários em centros de referência. Esse esforço de prevenção e de precaução envolve o fortalecimento das ações em defesa do consumidor e o controle dos alimentos e remédios. ao contrário. pesquisa e desenvolvimento. ativa e produtiva. de combate à pobreza. nas quais as cardiovasculares ocupam o primeiro lugar e as neoplasias. As doenças que provocam danos ou a morte (IBGE. 2001) estão classificadas em três tipos diversos: em primeiro lugar. Dispensar os alimentos cancerígenos e abandonar o cigarro que provoca o câncer no pulmão. o princípio ambiental da prevenção e da precaução. Objetivo 7 Promover a saúde e evitar a doença. . provocando a morte ou. mais do que em qualquer outra. por todos os meios. prolongando a vida. reduzindo os custos hospitalares e assegurando a qualidade de vida. Deve-se aplicar na área de saúde. mas cujos resultados sobre a saúde humana são ainda ignorados. estimulando seus vínculos com os projetos de desenvolvimento regional. as condições de trabalho. de fortalecimento da identidade cultural e de implantação de projetos de interesse local. O atendimento universal oferecido pelo setor público para esses pacientes é altamente deficiente e precisa ser democratizado por maior oferta de serviço especializado. que pode reduzir tanto as doenças ligadas à pobreza quanto as que surgem sob o impacto do progresso científico e tecnológico. democratizando o SUS A origem ambiental das doenças é bem conhecida e essa relação foi sendo desvendada pelas experiências científicas que nos mostram como o ambiente natural. que podem ser estimuladas por campanhas de esclarecimento e por medidas concretas do setor público. o terceiro. de higiene e salubridade tanto quanto a alimentação e a segurança afetam a saúde. torna-se cada vez mais crucial que a longevidade venha acompanhada de boas condições de saúde. de moradia. A prevenção recomenda ainda mudanças culturais de hábitos e de consumo. as crônico-degenerativas.· Valorizar.

mas sempre limitados do ponto de vista das realizações. de fundo socioambiental. fazendo exercícios e se alimentando de forma equilibrada é a melhor forma de garantir a saúde da maioria da população brasileira. embora de maneira desigual entre regiões e grupos sociais. no entanto. em detrimento de municípios e áreas mais pobres que estão excluídos da rede. os acidentes e a violência que fazem crescer o setor de traumatologia dos hospitais brasileiros. com a ajuda dos conselhos de saúde. Finalmente. prosperaram os consórcios. além de programas sanitários e do saneamento básico . dar prioridade aos investimentos públicos que eliminem essas "doenças da pobreza".evitar a vida sedentária. estão as chamadas "causas externas". Uma distorção organizacional do sistema. Essas são. nos quais o Brasil tem as mais altas estatísticas mundiais e que levam os trabalhadores a exposições excessivas a riscos físicos e químicos. que são a sexta causa de óbito e que estão declinantes. Nesse caso.especialmente as de veiculação hídrica. 47 Em segundo lugar. as "doenças do progresso". mais dependentes das políticas governamentais de vacinação em massa e de campanhas de promoção da saúde popular. um grande entrave: sufocado pelo aumento da demanda. que precisa ser corrigida é o fato de que a rede existente absorve desproporcionalmente os recursos disponíveis. em geral. teve. sem dúvida. embora tenha conseguido. o sistema único de saúde (SUS) foi incapaz de responder à altura das necessidades e expectativas. o excesso de carboidratos e de açúcar. antes distribuído de forma corporativa. Esse fato. definindo aos poucos formas efetivas de cooperação entre o governo federal e o poder local. descentralizar os serviços para o município. com sucesso. que representa uma enorme evolução social. estão classificadas as doenças infecto-parasitárias. pela alimentação excessiva que tornou a obesidade. independentemente de sua contribuição ao sistema. A Constituição de 1988 universalizou o acesso ao atendimento médico. uma vez que os municípios menores e . sobretudo das crianças e dos jovens. Deve-se. os acidentes de trânsito e com armas de fogo. mas aí devemos incluir também os acidentes de trabalho. um problema de saúde pública. isto é. de modo geral. permitindo o livre acesso aos hospitais para todos os cidadãos brasileiros. estimuladas pelas atividades sedentárias. São.

.mais pobres não têm outra escolha senão utilizar os serviços do município. estabelecer um sistema coerente que comece com forte política preventiva e progressivamente envolva os postos de saúde. garantindo condições para acompanhamento e tratamento. impedindo que estes interfiram no processo de aprendizagem. é o serviço hospitalar possível. . evitando a doença. partes integrantes do Sistema Único de Saúde _ SUS. preventivas e curativas. introduzindo consultas com hora marcada. usar a caderneta-saúde ou seu equivalente eletrônico. · Promover a articulação entre os setores governamentais e destes com a sociedade. tratar e acompanhar alunos com problemas de saúde. A ambulância. diabetes. o acompanhamento médico no curso da vida. com o fim de diagnosticar. · Melhorar a rede de saúde hierarquizando o atendimento médico em função de sua complexidade. com base em programas como dos agentes 48 comunitários e de saúde de família. Para isso. · Promover o desenvolvimento de ações educativas. prevenção e controle de doenças e de assistência integral. solo. sobretudo para os mais pobres. desnutrição. · Aprimorar mecanismos de implementação da vigilância em saúde relacionada à qualidade de água. · Intensificar e universalizar ações de promoção à saúde. · Ampliar as ações de detecção precoce dos problemas de saúde. registrando o diagnóstico médico e o seu receituário de maneira a permitir. câncer de colo de útero. os hospitais de emergência e os especializados. para uma política integrada de redução de risco à saúde e melhoria das condições de vida da população. que acompanharia o indivíduo do nascimento à morte. defeitos congênitos etc. de forma a eliminar ou reduzir fatores de risco à saúde. pólo da região. tendo em vista a melhoria dos seus serviços médicos e a qualidade do atendimento. serviços e ambientes de trabalho. nesse caso. nível de gravidade e de especialização. como hipertensão. Para corrigir tais desequilíbrios é necessário priorizar ações preventivas de promoção da saúde. produtos. Ações e recomendações · Promover a elaboração da Agenda 21 dos hospitais brasileiros.

direção perigosa. As mesorregiões3 pobres e as periferias metropolitanas Os focos espaciais de pobreza são áreas prioritárias de atuação e encontram-se concentrados em 17 mesorregiões pobres distribuídas nos diferentes estados. comportamento sexual seguro. Essa melhora de indicadores sociais pode ser resultado de programas e ações convergentes de políticas públicas que induzam à redução da pobreza (até um salário mínimo) nos próximos dez anos. No que diz respeito à distribuição de renda. São. segundo as quais. Melhorar os indicadores sociais é indispensável para o país ficar mais confortável em seu posto de uma das dez maiores economias do mundo. Para a modificação desse quadro exige-se forte mobilização governamental e intensa participação civil no plano das organizações não-governamentais das empresas. enquanto os 50% mais pobres se limitam a apenas 8%. com a perspectiva de sua eliminação. 10% da população detêm o controle de 50% da renda. dietas adequadas. médio e longo prazos. As carências de infraestrutura e o precário acesso aos bens e serviços públicos é um estímulo à emigração para os centros urbanos. Esta é. uma prioridade nacional de curto. Na periferia das regiões metropolitanas a situação de marginalidade é grave. em geral. trata-se de reduzir as desigualdades extremas entre brasileiros. uso do álcool e outras drogas. Objetivo 8 Inclusão social e distribuição de renda Existe um consenso nacional quanto à importância que deve ser atribuída à redução das desigualdades sociais e ao combate à pobreza. áreas sujeitas à estagnação econômica ou em situação de isolamento. 49 Tais proporções são eticamente inaceitáveis dentro dos padrões de justiça social que almejamos para garantir as condições mínimas de cidadania a todos os brasileiros. tendo em vista os contrastes com as áreas mais nobres do centro e a extrema precariedade das condições habitacionais e dos serviços públicos. das associações civis e de bairro. das entidades religiosas. sem dúvida.· Priorizar como política de saúde pública as ações educativas quanto ao tabagismo. . que não pode ser postergada sob nenhum pretexto. de forma a evitar que esses fatores de risco se transformem em elementos desencadeadores de processos patológicos graves e irreversíveis. Melhorar tamanhas desproporções é dever de todos.

levando-o a níveis mais aceitáveis. isto é. Entorno de Manaus Fundão da Baía de Guanabara e Cristalino). que são espaços territoriais sub-nacionais de confluência entre duas ou mais unidades da federação. especialmente em educação fundamental e no ensino médio. Bacia do Itabapoana. Vale do Jequitinhonha/Mucuri. Grande Fronteira do Mercosul e Chapada das Mangabeiras) e 4 Projetos criados pelo Ministério por intermédio de Portaria Ministerial (Ilhas do Baixo Amazonas. nacional e internacional. por meio de 13 Programas de Desenvolvimento Integrado e Sustentável de Mesorregiões Diferenciadas inclusos no Avança Brasil (Alto Solimões. destacam-se as Mesorregiões.6 atuais para 0. é imperativo que se ampliem os recursos financeiros e humanos para programas de redução das desigualdades sociais evitando superposições e maximizando a convergência de programas complementares.4. em tais casos. Metade Sul do Rio Grande do Sul. Águas Emendadas. Ações e recomendações · Reduzir o Índice de Gini. · Adotar a gestão integrada de políticas públicas de desenvolvimento sustentável nas 17 . devido à sua eficácia em concentrar esforços para alcançar resultados a partir de experiências-piloto bem-sucedidas. e que varia de zero a um. Reforçar iniciativas não-governamentais é. 3 Entre as estratégias de atuação territorial definidas no contexto da proposta da Política Nacional de Integração e de Desenvolvimento Regional do Ministério da Integração Nacional. 50 · Ampliar programas governamentais nos três níveis de governo. de forma sustentável. Bico do Papagaio. Chapada do Araripe. Zona da Mata Canavieira. · Investir maciçamente em capital humano e em capacitação profissional. Xingó. dos 0. Essas ações vêm sendo realizadas em 17 Mesorregiões. Vale do Rio Acre. Vale do Ribeira-Guaraqueçaba. propícios ao desenvolvimento de atividades produtivas e de cooperação intermunicipal ou interestadual O desafio é a implementação de ações que promovam a inserção competitiva da produção mesorregional em nível local. como o da bolsaescola e de renda mínima.Por outro lado. especialmente necessário. visando à melhor qualidade do ensino e seus instrumentos pedagógicos. A profissão do professor precisa ser valorizada socialmente e seu nível salarial precisa ser compatível com a sua missão social. ou de fronteiras com países vizinhos. que mede o nível de distribuição da propriedade e da renda segundo padrões internacionais.

do trabalho voluntário do terceiro setor e. infraestrutura. para reduzir a desigualdade de renda. isoladas ou excluídas. · Democratizar a justiça. 50% inferiores aos da população branca. · Melhorar a qualidade de vida e a justiça social nas regiões metropolitanas. Outro vetor de desigualdades é a vulnerável população jovem. com baixo nível de renda. · Desburocratizar procedimentos que dificultam a vida e a sobrevivência do cidadão. com menor valor agregado nas suas atividades. especialmente aquelas que desempenham hoje a função de chefes de família. bem como no terceiro setor. por meio do Juizado de Pequenas Causas. com poucas oportunidades. · Universalizar as regras de acesso ao crédito. pela democratização do acesso aos serviços públicos de qualidade. sobretudo. e pelo investimento em infra-estrutura social. especialmente transporte de massas. tornando-o mais acessível à maioria da população.mesorregiões já oficialmente reconhecidas. de políticas públicas mais eficazes. além de ser a principal vítima da violência urbana. das drogas e de situações de risco. jovens As desigualdades sociais incidem especialmente sobre a população negra cujos indicadores sociais são. habitação. · Mobilizar parcerias por meio da "responsabilidade social" das empresas. propor e implementar soluções sobre o destino das "crianças de rua". para discutir. em média. negros. que os homens. melhorar o atendimento integrado das demandas da população. entendendo que o problema é de todos os . como áreas-foco das desigualdades sociais do país favorecendo a inserção das três mesorregiões ainda não inseridas no atual Plano Plurianual do Governo Federal. saúde e educação. incentivando os pequenos e novos empreendedores. facilitando o acesso aos serviços públicos oferecidos pelos governos. Proteger os segmentos mais vulneráveis da população: mulheres. fazendo a justiça chegar ao cidadão comum e às comunidades marginalizadas. ao registro civil e aos documentos oficiais que garantam a cidadania. cuja taxa de desemprego é bem mais alta que a da população adulta. Ações e recomendações 51 · Promover uma ampla campanha de mobilização das diferentes instituições públicas e privadas. Outra fonte de desequilíbrio social pode ser identificada nas mulheres.

brasileiros e que sua solução é de responsabilidade de toda sociedade. · Implementar programas de treinamento e capacitação profissional para jovens articulados com programas de promoção do primeiro emprego. o que representa mais um prejuízo econômico. Deve-se ter em mente que "universalizar o saneamento" implica divulgar técnicas e prover recursos para o abastecimento de água e a disposição de esgoto e lixo. portanto. é importante que dejetos de animais sejam adequadamente dispostos e/ou tratados. estímulo à cidadania e esperança no futuro. 20% da população brasileira não é atendida por abastecimento de água. eticamente é inaceitável que expressiva parcela da população brasileira não disponha de coleta de esgotos e lixo. Os corpos d'água. Torna-se necessária. uma ação coordenada que ultrapasse os limites do espaço urbano. · Promover atividades de esporte e cultura e freqüência aos teatros e museus. não são raros os casos em que contaminam rios. Objetivo 9 Universalizar o saneamento ambiental protegendo o ambiente e a saúde Cada um real investido em saneamento básico propicia a economia de cinco reais em atendimento médico. ou pela conseqüência sobre a saúde da população. contribuindo para o surgimento de doenças de veiculação hídrica. deve ser incluído o custo de despoluição de rios e baías. é essa a conta feita pelos estudiosos do assunto para reivindicar a ampliação dos investimentos nesse setor vital para a economia e a saúde de uma nação. diminuindo sua produtividade e sobrecarregando a rede hospitalar. Segundo dados de 1999 da PNAD . contaminados. Na conta da falta de saneamento ambiental. Informações seguras sobre o quadro nos resíduos sólidos e na drenagem urbana ainda se constituem num desafio para as instituições responsáveis por indicadores socioambientais. pela indisponibilidade.Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar. 57% não têm seus esgotos ligados à rede pública e 80% não têm tratamento de esgotos. como forma de proteção contra a marginalidade. Nas zonas rurais. têm sua produtividade reduzida. seja de forma direta. · Estabelecer políticas de renda mínima para mulheres chefes de família. para crianças em estado de risco. 52 . · Estabelecer política de equivalência salarial entre negros e brancos. pois. Além do mais. também. riachos e lençóis subterrâneos de água. nas zonas rurais. Com algumas pequenas variações.

· Eliminar os lixões. · Criar um sistema de saneamento ambiental no país com forte controle social. redução de imposto predial em função da área permeável remanescente. · Estimular as comunidades a fiscalizar a correta e completa execução das obras de saneamento ambiental. · Divulgar técnicas seguras e higiênicas de obtenção e consumo de água na zona rural. · Priorizar a proteção dos corpos hídricos poluídos. especialmente os destinados à universalização do saneamento básico. por exemplo. em trechos das bacias do Paraíba do Sul. até o final desta década. nos próximos dez anos. bem como métodos corretos de disposição de esgotos e de lixo. por meio da coleta e reciclagem do lixo. evitando a contaminação das águas pluviais e subterrâneas. · Atuar em conjunto com organizações não-governamentais e governos para divulgação das boas práticas de saneamento ambiental. . do Tietê. cobrança por impermeabilização proporcional à área impermeabilizada do imóvel. causa de inundações potencialmente geradoras de doenças e deseconomias urbanas.Ações e recomendações · Priorizar os investimentos em infra-estrutura urbana. · Promover hábitos de redução do lixo e a implantação da coleta seletiva voltada para reciclagem e aproveitamento industrial. o que agrava os efeitos das enchentes nas áreas urbanas. ou punitivas. do São Francisco e da Baía da Guanabara. · Adotar medidas de incentivo à redução da impermeabilização do solo das cidades. em bacias hidrográficas críticas e nas baías e zonas costeiras densamente povoadas. Estima-se serem necessários US$ 20 bilhões para abastecimento de água e coleta e tratamento primário e secundário de esgoto. · Inserir a drenagem urbana como questão de saúde pública e desenvolver programas de combate à impermeabilização excessiva do solo urbano. promovendo o tratamento adequado em aterros sanitários. · Promover a universalização do acesso à água e ao esgoto. ampliando para 60% o tratamento secundário de esgoto na próxima década. · Promover programas de geração de renda para população mais pobre dos grandes centros urbanos. por meio de adoção de medidas compensatórias. abrindo-lhes canais que permitam a apresentação de reclamações e a formulação de denúncias.

A criação dessa instância não foi efetivada tendo em vista a autonomia do município. não só para o fortalecimento do local. se faz necessário pensar na gestão do espaço metropolitano que ainda vem reclamando por uma autoridade metropolitana de gestão. a dispersão partidária e a competição que predominam entre as diferentes escalas de cidades. por entender que eles são mais adequados quando se verifica a necessidade de gerar recursos adicionais para promoção de projetos indutores da sustentabilidade urbana. de modo a permitir o planejamento intersetorial e a implementação de programas conjuntos de ordenamento territorial urbano. Por outro lado é importante estabelecer a descentralização das instâncias decisórias e serviços. deve-se privilegiar aqueles de natureza econômica. A omissão das diferentes instâncias de . sobretudo no que se refere aos assentamentos informais ou irregulares e às atividades industriais.53 Estratégia para a sustentabilidade urbana e rural Objetivo 10 Gestão do espaço urbano e a autoridade metropolitana A sustentabilidade das cidades tem que ser situada na conjuntura e dentro das opções de desenvolvimento nacional. projetos e ações de desenvolvimento urbano. A sua viabilidade depende da capacidade das estratégias de promoção da sustentabilidade integrarem os planos. Por fim. O desafio atual da gestão das cidades passa ainda pela busca de modelos de políticas que combinem as novas exigências da economia globalizada à regulação pública da produção da cidade e ao enfrentamento do quadro de exclusão social e de deterioração ambiental. estaduais e federais. de habitação. Entre os instrumentos de incentivo. transportes e geração de emprego e renda. As políticas federais têm um papel indutor fundamental na promoção do desenvolvimento sustentável como um todo. Deve-se promover a mudança de enfoque nas políticas de desenvolvimento e de preservação do ambiente urbano. Essa mudança deve ser operada com a substituição paulatina dos instrumentos punitivos e restritivos para os instrumentos de incentivo e negociação. como para o incentivo da co-gestão entre os diferentes segmentos da sociedade. metropolitanos. A necessária reorientação das políticas e do desenvolvimento urbano depende radicalmente da reestruturação significativa dos sistemas de gestão municipais.

tornando-o mais ativo e promotor do desenvolvimento urbano sustentável. visando gerar recursos para programas habitacionais e de melhorias do meio ambiente. do artigo 25 da Constituição. aglomeração urbana. negociação e de controle da intervenção urbana. criando a Autoridade Metropolitana. · Criar e/ou fortalecer órgãos de planejamento urbano e regional reforçando a dimensão ambiental em suas estruturas técnico-burocráticas. visando ampliar a oferta de alternativas habitacionais e o acesso à moradia adequada para aqueles que não têm condições de adquirir uma unidade habitacional. de parcela da valorização fundiária.governo em relação ao espaço metropolitano vem gerando a ingovernabilidade. significa criar uma legislação comum e consórcios participativos entre as prefeituras das regiões metropolitanas para a gestão integrada de seus serviços públicos. · Promover a elaboração dos planos diretores. pela aplicação efetiva de instrumentos de regulação do solo _ urbano e rural _ e da adoção de mecanismos de controle e fiscalização eficazes. · Garantir a governança e a sustentabilidade das cidades. pelo aproveitamento do estoque existente e recuperação das áreas centrais degradadas. resultante dos investimentos em infra-estrutura e melhorias urbanas. 54 Ações e recomendações · Promover a reforma do Estado. · Implementar instrumentos de recuperação. aperfeiçoando suas bases de dados sobre unidades territoriais de gestão e planejamento. Na prática. · Combater a produção irregular e ilegal de lotes urbanos e o crescimento desnecessário da área de expansão urbana das cidades. dentro da nova filosofia do federalismo cooperativo. por lei complementar. pelo Poder Público. que precisa ser reparada com a regulamentação. · Fortalecer a dimensão territorial no planejamento estadual. microrregião ou a mesma bacia hidrográfica. · Promover o aperfeiçoamento do sistema tributário brasileiro nos três níveis de governo . · Desenvolver linhas específicas para a locação social. conforme exigência do Estatuto da Cidade que põe à disposição dos governantes e da população. estimulando a regionalização interna dos estados federados e a cooperação entre municípios que tenham problemas urbanos e ambientais comuns por integrarem região metropolitana. novos instrumentos de ação.

ao mesmo tempo. Isto é. acredita-se que a população rural estaria condenada a se encolher devido à completa generalização de imensas pastagens extensivas. vivendo em pré-cidades.visando à incorporação e à viabilização de instrumentos econômicos que promovam o uso sustentável dos recursos naturais e a adoção de princípios de extrafiscalidade que estimulem ações. ao contrário. à espera de melhores condições de vida e de trabalho que os aproximem do exercício da cidadania. essa suposta inevitabilidade do "êxodo rural" tem sido cada vez mais contrariada por evidências que destacam. empreendimentos e comportamentos sustentáveis dos agentes públicos e privados. o potencial ainda inexplorado de desenvolvimento do interior do país. água potável e eletricidade _ reforçam a idéia de que o chamado "êxodo rural" seria uma imposição inescapável. abrigo dos excedentes de mão-de-obra agropecuária. uma combinação que tornaria redundante a maior parte dos quase vinte milhões de pessoas ocupadas em cinco milhões de estabelecimentos agrícolas. Todavia. Milhões de candidatos à urbanização. ao lado de sistemas de produção de grãos altamente mecanizados. Hoje. melhorando a qualidade e a eficiência tanto institucional quanto dos serviços prestados à população. A predominância de uma agricultura sem pessoas. dando. cuja base é a pluriatividade e a multifuncionalidade da agropecuária de pequeno porte. ou assistencialista. · Implementar sistemas integrados de gestão urbana e que contemplem a descentralização e as parcerias. habitação. Perceber que é possível reduzir a dívida social. 55 Objetivo 11 Desenvolvimento sustentável do Brasil rural É preciso redescobrir o potencial de desenvolvimento sustentável do Brasil rural. Ele seria o custo de um tipo de progresso que não poderia fugir à proliferação das favelas e periferias urbanas. baseado na modernização da chamada "agricultura familiar" e nas amplas oportunidades de geração de empregos rurais nos setores terciário e . baseado na maior capacidade de absorção de força de trabalho dos sistemas produtivos de caráter familiar. somada a uma visão exclusivamente compensatória. dos programas que vêm promovendo o acesso de trabalhadores rurais a ativos físicos essenciais _ como a propriedade da terra. um novo impulso à economia nacional e um fim às práticas de exploração predatória dos imensos recursos naturais do país.

a partir de diretrizes básicas definidas em planos quadrienais de desenvolvimento sustentável do Brasil rural.6 milhões. 311. pelo menos 400 são e continuarão sendo profundamente rurais.4 milhões. a começar pela diversificação dos sistemas produtivos do setor agropecuário. de 1938.500 municípios do Brasil rural e outros 22 milhões em 570 municípios suficientemente ambivalentes para que sejam considerados ‘rurbanos'. 50 são predominantemente urbanas e incluem as 12 aglomerações metropolitanas. contudo. onde qualquer sede de município é uma cidade e qualquer sede de distrito é uma vila.8 para 169. incentivos ao surgimento de articulações locais participativas. passando de 11 para 14.109 municípios rurais houve crescimento populacional bem superior às médias estaduais e nacionais durante a década de 1990. substituindo-o por legislação que contenha novas definições legais de cidade e de vila. passando de 146. sociais e pessoais. enquanto a população brasileira crescia 15. Destas. Das restantes 450. · Descentralizar as ações de desenvolvimento rural. incentivos à participação local no processo de zoneamento ecológicoeconômico.3%. Ações e recomendações · Revogar o Decreto-Lei n. baseadas em critérios funcionais semelhantes aos que hoje são internacionalmente adotados. é que em 1. A apreciação mais realista do Brasil rural deve começar pela correção do critério legal criado pelo Estado Novo. priorizando as organizações e atores locais. A população desses 56 municípios rurais atraentes aumentou 31. Tudo isso indica que está em curso no Brasil um processo de recomposição territorial que dará origem a algo em torno de 500 microrregiões. Não somente pelas possibilidades de "industrialização difusa". incentivos à valorização da biodiversidade. tanto municipais como intermunicipais.secundário. mediante: incentivos à diversificação das atividades econômicas. O mais importante.vivem nos 4. · Promover a parceria da União com os estados e os municípios nas políticas de desenvolvimento rural. Estimativas baseadas em critérios atualmente em uso nas organizações internacionais indicam que quase um terço da população _ 52 milhões de pessoas . É a contagem de todos os residentes em sedes de municípios e de distritos que dá origem a essa ficção de que a população rural _ inferior a 19% em 2000 _ chegaria a 10% por volta de 2015 e teria desaparecido antes de 2030.5%. ao . como numa infinidade de serviços técnicos.

aproveitamento da biomassa e à adoção de biotecnologias baseadas no princípio da precaução. para o ordenamento territorial. por meio de projetos de sustentabilidade social. por meio das políticas de desenvolvimento rural da União e dos estados. por meio de mecanismos como a desapropriação e/ou aquisição de imóveis. pelos trabalhadores rurais. os municípios de pequeno e médio porte a formarem articulações intermunicipais microrregionais com o objetivo de valorizar o território que compartilham. à expansão e ao fortalecimento das empresas de pequeno porte de caráter familiar. associações e consórcios. 57 · Ampliar e consolidar rede de parcerias públicas e privadas. · Assegurar que o Plano de Desenvolvimento dos Assentamentos/PDA . que inclui aqüicultores. econômica e ecológica. etnia e idade. como forma de minimizar os impactos sobre os recursos naturais e evitar o abandono das áreas. aos agricultores familiares dos assentamentos de reforma agrária. · Promover a desconcentração fundiária e o acesso à terra. pelos assentados. social e ambiental para os projetos de reforma agrária. gênero. incentivos à expansão e ao fortalecimento das empresas de pequeno porte de caráter familiar. a começar pela agricultura familiar. a começar pela agricultura familiar. propiciando o fomento e racionalização dos recursos.seja elaborado de forma a garantir sustentabilidade econômica. práticas e gestão do Programa Nacional de Reforma Agrária. seja mediante pactos informais. incentivos à redução das desigualdades de renda. estruturação e integração dos projetos de assentamento às políticas de desenvolvimento local. a destinação de terras públicas e o arrendamento rural. ou pela criação de agências microrregionais de desenvolvimento. · Elaborar política integrada de assistência técnica e capacitação das famílias assentadas que contemple demandas decorrentes da instalação. extrativistas e pescadores. · O apoio e ajuda da União às articulações intermunicipais devem ser dirigidos prioritariamente: à realização do zoneamento ecológico-econômico. · Promover as ações necessárias para implementar a lei de registros públicos e elaborar os planos integrados de destinação das terras públicas. · Incentivar. .

V) habitação. d) a reconstrução sobre novas bases da educação rural. Objetivo 12 Promoção da agricultura sustentável 58 A idéia de uma agricultura sustentável revela o desejo social de novos métodos que conservem os recursos naturais e forneçam produtos mais saudáveis. VIII) seguro. particularmente no que se refere ao manejo dos recursos naturais das microbacias hidrográficas. assistência técnica e comercialização). VI) infra-estrutura e serviços. e aos deficientes. como a agricultura. · Todos os programas de desenvolvimento sustentável do Brasil rural deverão ter um forte componente de ações afirmativas voltadas às mulheres. · Todos os programas de desenvolvimento sustentável do Brasil rural deverão ter um forte componente de educação ambiental. na medida que ela é envolvida e integrada pela indústria e pelos serviços. IX) cooperativismo e associativismo. VII) crédito.· As políticas de desenvolvimento rural da União e dos estados deverão integrar pelo menos as seguintes dez dimensões das ações governamentais: I) educação. Aplicada isoladamente a um setor da economia. Não será fácil implantar uma agricultura que preserve os recursos naturais e o meio ambiente. sem comprometer os níveis tecnológicos já alcançados. capacitação. IV) saúde. II) assistência técnica e extensão integradas às redes de pesquisa. · O desenvolvimento sustentável do Brasil rural deve se tornar um dos macroobjetivos do Plano Plurianual (PPA). c) a diversificação das economias rurais. capacitação e profissionalização. Essa constatação é ainda mais crucial para a agricultura atualmente praticada. infra-estrutura e serviços públicos municipais. por meio do apoio à criação de micro e pequenas empresas. dificilmente a noção de sustentabilidade fará sentido. às crianças. composto de diversos programas. III) manejo dos recursos naturais das microbacias hidrográficas. aos índios. X) comercialização. b) o fortalecimento da agricultura familiar (pelas cinco diretivas do Pronaf: crédito. entre os quais pelo menos quatro devem ser considerados estratégicos: a) a promoção do acesso à terra (pelos assentamentos de reforma agrária e das ações de crédito fundiário para combate da pobreza rural). de segurança alimentar. . aos negros.

já que as soluções consideradas "sustentáveis" são específicas dos ecossistemas e exigentes em conhecimento agroecológico _ portanto, de difícil multiplicação. São raras as práticas "sustentáveis" que podem ser adotadas em larga escala. É possível que a situação se altere sob pressão social, mas não com a velocidade embutida na idéia de "revolução super ou duplamente verde". Não há por que pensar que a biologia molecular, combinada com a emergente agroecologia, venha revolucionar a produção de alimentos em trinta anos. Existe, portanto, uma relação dialética entre inovação e conflito. O que está em questão não é apenas o ritmo das inovações. Também são decisivas as modalidades de regulação dos conflitos, tanto para a força das tendências inovadoras quanto para os tipos de inovação. Sul e Sudeste A partir do final da década de 1960, com o pacote tecnológico da ‘Revolução Verde' _ fertilização química dos solos, mecanização do plantio e colheita e controle químico de pragas _ o esgotamento das áreas de lavoura baseadas essencialmente em sistemas de queimada e rotação de culturas foi contornado no Sul e Sudeste do país. Essa substituição de bases técnicas permitiu a implantação de monoculturas em larga escala, favorecidas por subsídios no crédito, investimentos em pesquisa e extensão agrícola, além da fase ascendente da economia brasileira. A despeito dos fortes ganhos de produtividade, essa dinâmica logo foi abalada pelos problemas sociais e ambientais gerados, que persistem até os dias atuais. Nordeste Mais de dois terços dos pobres rurais brasileiros estão no Nordeste. Qualquer ação integrada que se proponha para melhorar a situação rural dessa região, pelo aumento da produtividade agrícola, terá de enfrentar o histórico problema da seca na grande mancha semi-árida que abrange 70% de uma área da região e 63% de sua população. 59 Um dos grandes obstáculos a uma solução efetiva para a falta de água no semi-árido é a visão de que se trata única e exclusivamente de um problema ecológico ou climático. O que mais importa é a coincidência entre a fragilidade social e a limitação agroecológica do conjunto das unidades geoambientais que formam o "Nordeste seco". As iniciativas de enfrentamento dessa problemática acabam muitas vezes por agravá-las, somando-se às causas.

Nos últimos trinta anos houve forte alteração da realidade econômica do Nordeste, com o surgimento de pólos ou manchas de dinamismo econômico, cujas ligações com a agropecuária mais tradicional da região ainda são pouco estudadas. O crescimento econômico da região foi fortalecido em razão desses pólos, mas não significou desenvolvimento humano efetivo para a maior parte dos nordestinos. A principal característica da região continua a ser a pobreza extrema de grande parte de seus habitantes. Centro-Oeste Considerados improdutivos até o final da década de 1960, os solos do cerrado respondem hoje por 30% dos principais cultivos brasileiros, além de abrigar 40% do rebanho bovino e 20% dos suínos do país. Apenas 7% do cerrado, entretanto, não sofreu algum tipo de exploração intensiva ou extensiva. É preciso lembrar, porém, que o crescimento de culturas nesses solos supõe sua adaptação, bem como a do regime hídrico, a plantas cujas exigências não podem ser satisfeitas pelos recursos disponíveis. A mecanização, o uso em larga escala de fertilizantes químicos, de agrotóxicos e da irrigação contribuem decisivamente para empobrecer a diversidade genética desses ambientes. Assim, em detrimento de sua enorme riqueza natural, as regiões brasileiras de cerrados foram e continuam sendo vistas, por políticas públicas e pelos agentes privados que investem na área, como fronteira agropecuária. Deve ser revista a ótica de que os cerrados representam essencialmente uma área a ser ocupada, onde as dificuldades naturais impostas pelos ecossistemas devem ser vencidas para adaptá-los às exigências da produção agropecuária. Cerca de um quarto de seus 220 milhões de hectares já foi incorporado à dinâmica produtiva, respondendo por grande parte da oferta de grãos, de gado de leite e de corte do país. Norte A ótica da "ocupação" dos espaços como estratégia de soberania e desenvolvimento do país guiou a quase totalidade dos projetos governamentais para a Amazônia nas décadas de 1960 e 1970. Os planos de desenvolvimento foram direcionados para favorecer a implantação de grandes projetos, por meio de subsídios e incentivos fiscais e do acesso facilitado à terra para grandes grupos privados. Como conseqüência, encontram-se a concentração fundiária e o

conflito no campo, a aceleração do desmatamento, a desorganização do espaço social e 60 cultural das comunidades locais, os desequilíbrios ecológicos, causados pelas hidrelétricas, a poluição por mercúrio e a pauperização das cidades. No rastro desses programas chegou também a pecuária extensiva que, em estreita simbiose com a extração madeireira, tornou-se protagonista de problemas ecológicos na Amazônia. A extração madeireira constitui o terceiro produto na pauta de exportações paraenses. Da região Amazônica são extraídos praticamente 80% da produção nacional de madeiras em tora. A importância econômica do setor madeireiro pode ser dimensionada pelo fato de representar 40% das exportações brasileiras de madeira. A agricultura familiar na região abrange hoje uma diversidade de sistemas de plantio desde os pequenos cultivos de sobrevivência dos caboclos e ribeirinhos, até os cultivos anuais e perenes, além da pecuária. De maneira geral, a agricultura praticada tem evoluído mais em função do aumento da área plantada do que em função de ganhos de produtividade. As desvantagens comparativas da agricultura familiar na Amazônia forçam os produtores à sobreexploração dos recursos, promovendo a rotação acelerada de áreas e a adoção de práticas inadequadas de manejos, como o fogo. Entre essas desvantagens podem ser citadas a própria estrutura fundiária, as dificuldades de acesso ao mercado, à tecnologia, ao conhecimento e às políticas de crédito. A tendência inevitável nessa dinâmica produtiva é a ocupação de novas áreas. Apesar do fim dos incentivos fiscais e da queda nos preços das terras, diminuindo sua atração como reserva de valor, o investimento em terras para a pecuária bovina continua a apresentar alta taxa de retorno, em função do baixo custo de formação de pastagens e da resistência do gado zebuíno, sobretudo. As tecnologias de implantação e manejo são precárias, resultando, quase sempre, na degradação das pastagens e estímulo à ocupação de novas áreas. A sustentabilidade da agricultura empresarial também apresenta níveis preocupantes, em função, principalmente, de doenças e pragas e de problemas de mercado. A fragilidade das cadeias produtivas, que impede que se completem todas as operações de processamento, beneficiamento, embalagem e incorporação de outros serviços, dificulta a implantação de

agroindústrias na Amazônia. Para alteração do quadro apresentado se faz necessário que as lideranças representantes dos diversos segmentos da sociedade sejam induzidas a uma articulação da qual resultem ações transformadoras. Seria ilusório acreditar que a superação dos obstáculos à sustentabilidade na agricultura venha de fora ou resulte de algum tipo de ação isolada de organizações públicas ou privadas. Ações e recomendações 61 · Incentivar o manejo sustentável dos sistemas produtivos adotando as bacias hidrográficas como unidades de planejamento e gestão ambiental e promovendo a realização do zoneamento ecológico-econômico, inclusive com a utilização da vinculação de crédito. · Promover a reestruturação dos órgãos públicos, federais, estaduais e municipais, nos setores de pesquisa, ensino, assistência técnica, extensão rural e meio ambiente, para a otimização de suas atribuições na promoção do desenvolvimento sustentável. · Adotar o ‘princípio da precaução' em relação ao uso e plantio de alimentos transgênicos vegetais e animais, até que se tenham informações científicas claras e precisas, assim como o consenso da sociedade, sobre todos os aspectos jurídicos, de segurança ambiental e de saúde, que envolvem esses insumos. · Criar obrigatoriedade de rotulagem visível para os produtos transgênicos, cuja produção e comercialização tenham sido liberadas, de acordo com o ‘princípio da precaução'. · Adotar práticas de manejo de solo que satisfaçam aos três princípios básicos de controle da erosão: evitar o impacto das gotas de chuva; dificultar o escoamento superficial e facilitar a infiltração de água no solo. · Instituir mecanismos políticos, legais, educacionais e científicos que assegurem programas de monitoramento e controle de resíduos de agrotóxicos nos alimentos, inclusive importados, e no meio ambiente, particularmente nos corpos d'água superficiais e subterrâneos. · Identificar e sistematizar nos diferentes biomas e ecossistemas físicos, as principais experiências produtivas em bases sustentáveis, valorizando-as e disseminando-as por meio de diversificados mecanismos de difusão e sensibilização.

· Desenvolver um conjunto de indicadores de sustentabilidade para a agricultura, para fins de monitoramento comparativo de diferentes categorias de sistemas produtivos e para estimular o gerenciamento ambiental de unidades de produção agrícola. · Identificar e sistematizar um conjunto de pesquisas necessárias à transição para a agricultura sustentável, contemplando, prioritariamente, aspectos relacionados a: gestão ambiental; manejo sustentável dos sistemas produtivos; ampliação da diversidade biológica dos agroecossistemas; melhoria nas condições dos solos; redução do uso de agrotóxicos e de outros poluentes. · Fortalecer a base de conhecimento e desenvolvimento de sistemas de informação e monitoramento para as regiões suscetíveis à desertificação e à seca, incluindo os aspectos econômicos e sociais desses ecossistemas. · Estimular a construção de sistemas de informação que permitam retratar as reais condições de saúde da população em geral e dos trabalhadores, em particular, criando as condições para sua prevenção e tratamento. · Estimular a capacitação dos profissionais de saúde que atuam na rede pública, em sintonia com a realidade do trabalho rural, inclusive para a realização de pesquisas 62 regionais que levem a um adequado balanceamento da dieta da população rural, como forma de suprimir a chamada desnutrição. 63 Objetivo 13 Promover a Agenda 21 Local e o desenvolvimento integrado e sustentável Uma das grandes conquistas da última década foi o avanço na concepção do desenvolvimento que passou a ser visto de forma descentralizada e participativa, focalizada de maneira original no poder local. O processo de elaboração da Agenda 21 Brasileira teve sua metodologia adaptada para os diversos municípios, estados e regiões do país, e hoje já são contabilizadas mais de duzentas iniciativas de elaboração de Agendas 21 locais. Muitas, vale destacar, antecedem a própria elaboração da Agenda 21 Brasileira. A idéia de gestão integrada do desenvolvimento local, antes de natureza estritamente rural, hoje avançou para experiência microrregional, com a metodologia dos arranjos produtivos locais e das cadeias produtivas integradas. No Brasil, o programa Comunidade Ativa elegeu o Desenvolvimento Local Integrado e

Sustentável (DLIS) como metodologia oficial a ser aplicada nos municípios pobres brasileiros pelos fóruns locais em parceria com a comunidade/governo. O mesmo método foi adotado pelo programa Faróis de Desenvolvimento do Banco do Nordeste e pelo projeto Alvorada, todos eles voltados para pequenas cidades de baixa renda. O fato é que fóruns de desenvolvimento local (ou de Agenda 21) congregando as lideranças governamentais e civis para definir o destino de suas localidades adquiriram diferentes feições e estilos, seja adotando metodologias organizacionais de planejamento estratégico, seja estabelecendo pactos e entendimentos em torno de bacias hidrográficas ou projetos futuros. No processo de construção do desenvolvimento local emergem as novas identidades locais, baseadas em realizações e feitos passados, mas também nas potencialidades do município e nas características da região. Essas novas identidades têm sido a alavanca dos projetos de desenvolvimento sustentável. A longa lista de experiências de transformação local, revelam as aspirações de mudança coletiva que alcançam até mesmo as mais simples e longínquas comunidades brasileiras. Em nome delas, e sob a inspiração de suas lições e de seus avanços, recomenda-se a extensão desse processo a todas as cidades brasileiras. É importante reconhecer que o surto de mudanças no plano local não seria possível sem as transformações iniciadas a partir da Constituição de 1988, que desencadearam o mais radical e consistente processo de descentralização que o país já conheceu em sua vida independente. 64 No entanto, vale notar a fragilidade da maioria dos municípios brasileiros e a complexidade dos processos econômicos e sociais dos quais depende sua prosperidade e até mesmo sua sobrevivência. Fóruns locais em cidades isoladas, pobres e pequenas, revelaram-se, na prática, insuficientes, se não forem acompanhados de iniciativas complementares no plano institucional. Ações e recomendações · Definir, inclusive inserindo no PPA, que os órgãos de governo devem dar prioridade ao financiamento de ações municipais que constem da Agenda 21 local, por meio de planos estratégicos e processos participativos locais, microrregionais ou mesorregionais. · Incentivar a realização da Agenda 21 Local em parceria governo/sociedade, com o

objetivo de definir um plano estratégico e participativo envolvendo ações no plano econômico, social e ambiental para o desenvolvimento das pequenas, médias e grandes cidades brasileiras. · Elaborar indicadores de desenvolvimento sustentável adotando os princípios e estratégias contidos na Agenda 21 Brasileira. · Realizar o zoneamento ecológico-econômico como instrumento de apoio à definição de um plano de desenvolvimento local integrado. · Estimular parcerias intermunicipais e de consórcios para solução de problemas comuns e otimização de recursos humanos e financeiros. · Promover o fortalecimento de cadeias produtivas locais, como meio de fortalecer a economia sustentável dos pequenos e médios municípios. · Definir a vocação produtiva da cidade em harmonia com sua identidade cultural e ambiental como forma de planejar oportunidades de ampliação de emprego e renda, bem como construir o espaço social de integração e convivência de trabalho e lazer. Objetivo 14 Implantar o transporte de massa e a mobilidade sustentável Mobilidade sustentável. Estas duas palavras definem um amplo conceito, que contempla não apenas o transporte, mas diversos aspectos a ele associados, que necessitam de rápido aprimoramento para que se alcance um estágio sustentável de desenvolvimento econômico, social e ambiental. A questão da mobilidade está relacionada com as economias e deseconomias de escala, envolvendo grandes aglomerações e os complexos interesses econômicos e sociais de uma sociedade de massa. Um tempo excessivo gasto com transporte tem custos econômicos e sociais altos que afetam a competitividade, com a perda de tempo e aumento do custo. 65 Também afeta a produtividade do trabalho, uma vez que se perde tempo na locomoção de pequenos e grandes trajetos, em função dos engarrafamentos. O problema atinge a todos, pobres e ricos, forçando democraticamente a maioria da população à permanência no trânsito várias horas por dia. O serviço de ônibus é precário, os horários incertos e os trajetos inadequados. Qualquer tentativa de integração dos transportes entre as capitais e suas respectivas periferias é inviabilizada pelos interesses divergentes dos proprietários das empresas de transporte urbano.

É por essa razão que o cartão eletrônico, que permite a livre circulação por menor preço, não prospera. As empresas de ônibus, por outro lado, são obrigadas a ceder espaço para os microônibus, que menores e mais flexíveis, vêm disputando a preferência dos usuários de transporte urbano. Existe, sem dúvida, cumplicidade política entre o poder municipal e os donos de empresas de ônibus que impedem a integração da região metropolitana em um único sistema de transportes coletivos. As cidades de porte médio em processo de crescimento precisam, preventivamente, adotar soluções, como o metrô de superfície, para evitar problemas futuros. A melhoria do transporte exige que se repense a estrutura urbana e as suas regras de ordenamento. As empresas devem se envolver na solução dos problemas junto com as autoridades públicas. Para mudar tal estado de coisas será preciso planejar e financiar, com absoluta prioridade, novos meios de transporte de massa que permitam, inclusive, modificar hábitos arraigados, como o uso do automóvel por um só indivíduo. É preciso ter sempre em vista que a estrutura de transporte tem papel decisivo no desenho urbano e que esse é um motivo de favelização, pois as pessoas tendem a buscar, a qualquer custo, maior proximidade com o seu local de trabalho. A melhor maneira de evitar a favelização é adotar uma política conjugada de transportes e habitação popular. Com certeza, uma das maiores barreiras para a implantação da mobilidade sustentável é ‘a cultura do automóvel' que propaga o veículo, sem cessar, para segmentos cada vez mais amplos da sociedade em função da precariedade do transporte público, ao qual falta capilaridade, regularidade e integração para melhor servir a população metropolitana brasileira. A dimensão ambiental deve ser cuidadosamente considerada, visto que os veículos estão entre as principais fontes de emissão de gases poluentes e outros poluentes, muitos dos quais altamente nocivos à saúde humana, tais como os óxidos de enxofre e de nitrogênio. Ações e recomendações · Promover a implantação de redes de transportes integrados de massa nas grandes aglomerações, especialmente metrôs e trens rápidos, articulados a outros meios 66 complementares, com a adoção do cartão eletrônico.Tais projetos devem ser concebidos preventivamente nas cidades e regiões metropolitanas em formação ou em

franca expansão. · Promover a descentralização das cidades, incentivando a instalação de empresas fora dos centros urbanos mais adensados. A descentralização deverá ser executada simultaneamente com a melhoria das opções de transporte. · As empresas devem estudar a possibilidade de instituir o escalonamento nos horários de trabalho, assim como a opção de oferecer transporte a seus funcionários. Instituir, na medida do possível, o trabalho em casa, o que já é plenamente possível em uma variedade de atividades econômicas. · Conceber os instrumentos e as agências político-institucionais adequadas, nas esferas municipal, estadual e federal, capazes de garantir recursos públicos e privados, materiais e financeiros, para viabilizar investimentos em transportes de massa. · Criar programas consistentes de otimização dos sistemas integrados de transportes urbanos, principalmente nas regiões metropolitanas, a fim de priorizar projetos que incluam sistemas estruturadores (trens, metrôs e o hidroviário, onde possível), que façam uso de energia limpa, como eixos de integração intermodal. · Evitar a concentração dos recursos no provimento de infra-estrutura voltada preferencialmente para o transporte individual, que provoca engarrafamentos, sobrecarrega o sistema viário e marginaliza a periferia excluída, agravando seus problemas habitacionais. · Incentivar a produção e o uso de veículos movidos por energia com menor potencial poluidor, especialmente aqueles a serem utilizados nos sistemas de transporte coletivo. · Incentivar o uso de combustíveis como álcool e gás, menos poluentes que gasolina e diesel. · Implementar sistemas de gestão de trânsito para minimizar os congestionamentos e os respectivos efeitos de desperdício de energia e aumento da poluição. · Envolver no planejamento da mobilidade sustentável, os transportes de carga, para racionalização do trânsito nas cidades e nas estradas próximas. · Aplicar rigorosamente o princípio da prevenção contra a violência no trânsito, criar intensa mobilização em torno do Código de Trânsito, recentemente aprovado pelo Congresso Nacional, mas sujeito às mais diversas pressões e retrocessos. · Monitorar as estatísticas oficiais e os índices de mortes e acidentes nas estradas e nas

o Tietê é um modelo de descaso com as águas doces e o rio Paraíba do Sul reclama ações de revitalização. que banha uma extensa região pobre e carente de água. dirimindo conflitos. nº 9. Isso não significa que estamos propondo a "privatização do uso da água" pois o Comitê da .ruas. biodiversidade e florestas Objetivo 15 Preservar a quantidade e melhorar a qualidade da água nas bacias hidrográficas O Brasil tem em seu território mais de 15% da água doce em forma líquida do mundo. adotá-los como um bem a ser protegido e dotar o Comitê de um corpo representativo. Muitos desses. bem como a aplicação dos instrumentos de outorga e cobrança pelo uso da água. como forma de mobilizar os cidadãos contra a violência no trânsito. agravando os conflitos de seu uso. e de uma Agência Nacional de Águas (ANA). o rio São Francisco. contudo. 67 Recursos naturais estratégicos: água. já estão comprometidos pela ação humana. eis um dos principais desafios que iremos enfrentar nos próximos dez anos. enquanto a Amazônia é cortada por um sem-número de rios. encarregada de gerir o sistema como um todo. O novo modelo exige que as ações em cada bacia sejam definidas participativamente por meio de seu comitê e sua agência. obrigado a arcar com os custos crescentes na área de traumatologia. Para enfrentar todos esses problemas dispomos da Lei de Recursos Hídricos. Fazer a população participar do destino de seus rios mais próximos. à economia do país e ao Sistema Único de Saúde. aplicando cobranças e estabelecendo políticas de correção das questões consideradas prioritárias. em especial entre os setores de irrigação e hidroelétrico. mas sua distribuição é desigual: o Nordeste sofre com a desertificação. é uma medida que sinalizará a sociedade para a necessária racionalização do seu uso.433. os rios são ameaçados por práticas agrícolas inadequadas. Adotar sistema de acompanhamento da Política Nacional de Gestão dos Recursos Hídricos por meio de Indicadores de Desenvolvimento Sustentável das Bacias e Subbacias hidrográficas. Da mesma forma. especialmente com finalidades de uso econômico. No Pantanal. aprovada em 1997. Na Região Sudeste. vem sofrendo redução de sua disponibilidade hídrica. que tantas perdas e danos vêm infligindo à vida humana.

uma vez que a maioria das grandes cidades brasileiras cresceu sem nenhum planejamento. Ações e recomendações · Difundir a consciência de que a água é um bem finito. Mas considera-se também que. sendo a água um recurso escasso e estratégico e um bem econômico de grande valor. em pontos críticos das bacias hidrográficas brasileiras. que além de poluição e doenças. como a irrigação. devido aos efeitos negativos múltiplos. em grande parte. que dá prioridade máxima para a água de beber e a dessedentação dos animais. A efetiva aplicação da Lei de Recursos Hídricos é reconhecida pelos diferentes segmentos sociais que participaram da Consulta Nacional da Agenda 21 Brasileira como o instrumento adequado para fazer frente aos problemas acima referidos. Nas áreas rurais. seu uso para atividades agrícolas ou industriais. mas à economia como um todo. O combate a tais problemas depende. protegendo os mananciais e combatendo o desmatamento das matas ciliares. tendo em vista a enorme concentração de grandes e pequenas cidades na região litorânea que canalizam esgoto e lixo para o mar. deve ser contabilizado como custo para estimular o tratamento dos resíduos ou para permitir a reposição. . trazendo danos sociais e econômicos não só à população diretamente atingida. O Oceano Atlântico é a principal vítima da urbanização brasileira. especialmente nas áreas densamente povoadas ou sujeitas à ocupação para atividades agrícolas. sendo muito farto na Amazônia despovoada e muito escasso no semi-árido nordestino. especialmente as de grande porte. as margens dos rios sofrem ocupação irregular e estão tomadas por depósitos de lixo. É urgente aumentar a quantidade de água disponível. pois chegam aos rios por carreamento ou atingem os lençóis subterrâneos por infiltração. bem como a ocupação irregular que provoca o assoreamento das margens dos rios. do estabelecimento de políticas urbanas adequadas. espacialmente mal distribuído no nosso país.Bacia pode e deve facilitar o seu acesso. agravam os efeitos das enchentes. defensivos agrícolas e fertilizantes constituem um fator de contaminação tanto da água quanto do solo. 68 Nos centros urbanos.

quanto às conseqüências do desperdício de água. · Assegurar a preservação dos mananciais. o que implica. nos próximos cinco anos.· Implementar a Política Nacional de Gestão dos Recursos Hídricos. · Impedir. nos centros urbanos. além do cumprimento da legislação o desenvolvimento e a execução de políticas habitacionais para população de baixa renda. perda de água e desertificação. implantando de forma modelar e prioritária. · Combater a poluição do solo e da água e monitorar os seus efeitos sobre o meio ambiente nas suas mais diversas modalidades. controle do desmatamento e corredores de biodiversidade O Brasil é o país de maior biodiversidade de todo o Planeta e abriga a maior extensão contínua . · Estimular e facilitar a adoção de práticas agrícolas e de tecnologias de irrigação de baixo impacto sobre o solo e as águas. empresas públicas. São Francisco. os Comitês e Agências de Bacias Hidrográficas dos rios Paraíba do Sul. Paraná-Tietê e Araguaia-Tocantins. especialmente as ribeirinhas. pelo estabelecimento de florestas protetoras e proteger as margens dos rios e os topos das chapadas do Brasil Central. especialmente resíduos perigosos. derramamento de óleo e melhoria da qualidade dos serviços. de alta toxidade e nocivos aos recursos naturais e à vida humana. a ocupação ilegal das margens de rios e lagoas. As escolas e a mídia são parceiros privilegiados para implementação dessa ação. recuperando com prioridade absoluta suas matas ciliares. · Promover a modernização da infra-estrutura hídrica de uso comum e de irrigação associado ao agronegócio no marco do desenvolvimento sustentável. de forma a assegurar sua competitividade internacional controlando rejeitos. 69 · Implantar um sistema de gestão ambiental nas áreas portuárias. governos locais e as comunidades. mobilizando grandes produtores. · Promover a educação ambiental. desenvolvendo na população a percepção da estreita relação entre desmatamento. em torno dos pontos críticos do rio São Francisco. · Desenvolver e difundir tecnologias de reutilização da água para uso industrial. · Desencadear um programa de educação ambiental no Nordeste. principalmente das crianças e dos jovens nos centros urbanos. Objetivo 16 Política florestal.

de florestas tropicais. sobretudo de implementar um sistema de unidades de . do Sul ao Nordeste e que hoje está reduzida a menos de 7% de sua área original. nela estão representados 1.400 espécies de vertebrados terrestres conhecidas. Desde então. que legitimamente anseiam sua inclusão na sociedade brasileira. dos quais 21% são endêmicos. jamais saberemos o que se perdeu da Mata Atlântica. Toda e qualquer iniciativa deve ter como objetivo a melhoria da qualidade de vida dessas populações. entre 1978 e 1996. O número de plantas em nosso país está calculado entre 50 mil e 56 mil. nas áreas críticas dos biomas ameaçados. mas também de preservação de processos de reprodução de cadeias interdependentes de seres vivos. Alguns números expressam a primeira posição do Brasil entre os países megabiodiversos: das 24. essa média vem diminuindo paulatinamente.800 vertebrados terrestres. embora seja nosso bioma porcentualmente menos destruído. É preciso promover o reflorestamento. também. ainda não é o bastante. A Amazônia. Se ainda não conhecemos todas as potencialidades da Amazônia. As ações prioritárias para conservação devem refletir a situação atual dos biomas. O Brasil destacou-se no cenário internacional da política de biodiversidade operacionalizando e ajustando à realidade nacional o conceito de "corredores de biodiversidade" que são áreas 70 contínuas não apenas de preservação de espécies isoladas. foi desflorestando. tomar providências que garantam a exploração sustentável dos recursos faunísticos e florísticos sem que se destruam os ecossistemas. pois. à incrível média de 52 quilômetros quadrados por dia. É indispensável. porém. Isso. Mamirauá é um notável exemplo de unidade de conservação bem-sucedida. ou 13% do total. ou 20% do total mundial. trata-se. É preciso. Na Amazônia e Pantanal. que cobria cerca de um milhão de quilômetros quadrados ao longo do litoral. O objetivo aqui proposto é atingir a taxa de desmatamento zero nos próximos dez anos. compreendendo hoje cinco milhões de hectares. 3 mil. Ainda assim. vive em nosso território. que se levem em consideração as necessidades das populações que residem nas áreas que se pretende proteger. a reconstituição das áreas que perderam sua cobertura vegetal original.

O Cerrado apresenta grande heterogeneidade de ocupação antrópica e riqueza comparável à da Amazônia. compatível com a alta biodiversidade e o caráter de ocupação humana extensiva e de baixo impacto que se visa manter. Em áreas mais densamente povoadas e com significativa degradação. · Aplicar estrategicamente os recursos tecnológicos disponíveis de forma a manter a . com prioridade nos corredores de biodiversidade. com outros ainda em planejamento na transição cerrado-caatinga. um no Cerrado e Pantanal. São formas de conciliar a presença humana e a conservação da biodiversidade em escalas regionais da ordem de dezenas de milhares de quilômetros quadrados. bem como recuperação nas Áreas de Proteção Ambiental e Áreas de Proteção Permanente. 71 · Limitar radicalmente o uso das queimadas como instrumento de manejo do solo. tendo em vista seus impactos altamente negativos sobre a biodiversidade. No Brasil. como a Mata Atlântica e a Caatinga. e no vale do São Francisco. e usando indicadores para assegurar as metas de desmatamento Zero na Mata Atlântica. deve-se preservar tudo o que restou. e saúde humana. · Incentivar a recuperação de terras desmatadas e abandonadas. na forma de mosaico de áreas de biota natural e áreas de uso econômico compatíveis com a cobertura vegetal primitiva. Ações e recomendações Controle do desmatamento: mais estímulo de subsídios e crédito · Realizar a transição das formas predatórias para formas sustentáveis de uso dos ecossistemas brasileiros. fertilidade do solo a longo prazo. definindo instrumentos de gestão apropriados. Na Mata Atlântica em particular. e empreender ações de recuperação e interligação das reservas existentes. na forma de corredores de biodiversidade. dois na Mata Atlântica. estão sendo implementados cinco corredores na Amazônia.conservação de grande porte. ou subaproveitadas. inseridas em uma matriz de ocupação humana contemplando atividades econômicas de todos os tipos. justificando tanto a criação e consolidação de corredores como a conservação dos últimos blocos intactos. Os corredores de biodiversidade permitem reunir na mesma paisagem um conjunto de áreas protegidas interligadas. o objetivo do Desmatamento Zero e Perda de Biodiversidade Zero representa a melhor esperança para sobrevivência do bioma.

72 . tanto para o mercado consumidor interno quanto ao mercado exportador de madeira. por meio da recomposição dos biomas naturais em propriedades rurais. bem como a participação brasileira na política internacional de emissão de CO² por meio da absorção de dividendos para o seqüestro de carbono pela manutenção de florestas tropicais. tanto na esfera federal quanto na estadual. de forma a garantir o fornecimento de matéria-prima florestal a médio e longo prazos. para o reflorestamento. assim. · Apoiar medidas para melhorar a exploração econômica da floresta em pé. anteriormente à concessão de títulos de posse. pelo incentivo à criação de associações de reflorestamento e da melhoria do controle quanto ao cumprimento desse dispositivo legal. os corredores ecológicos. mediante a elaboração de planos de manejo florestal. a extração de frutos e sementes. principalmente quanto à utilização de espécies florestais nativas. · Desenvolver mecanismos de acesso a créditos e subsídios para a recuperação de áreas degradadas.integridade das áreas protegidas por lei. as unidades de conservação. · Dar apoio à pesquisa florestal. bem como os fragmentos existentes dos biomas ameaçados. garantindo-se. de reserva legal. a demarcação de uma reserva legal de uso comum aos assentados e a manutenção da integridade das áreas de preservação permanente. · Limitar a concessão de créditos para a expansão da fronteira agrícola em áreas de fragilidade ambiental. · Fortalecer a política de utilização dos créditos de reposição florestal. tendo como base as informações dos zoneamentos ecológicoeconômicos e o cumprimento integral da legislação ambiental vigente. tais como o desenvolvimento do ecoturismo. Florestas plantadas: aumento da oferta de produtos florestais · Assegurar o controle de oferta e demanda de produtos florestais pelo mecanismo de concessão de exploração sustentável das florestas nacionais. · Respeitar a legislação ambiental nas iniciativas de política agrária no Brasil. tais como as de preservação permanente. em relação ao cumprimento dos requisitos básicos para licenciamento ambiental dos empreendimentos.

· Estabelecer mecanismos de planejamento para paisagens sustentáveis que conciliem . Devem ser incluídas as áreas de fármacos. o que tornará possível avaliar a conveniência e a possibilidade de sua exploração sustentável. e de comunidades e ecossistemas. com critérios de representatividade geográfica. representatividade regional e interesse nacional. além de sucos e alimentos. · Dar condições à manutenção de um setor de biotecnologia baseado na remuneração dos serviços de biodiversidade. · Incentivar a silvicultura. bem como da microbiótica. área na qual o Brasil já conquistou renome mundial. para garantir o suprimento de madeira proveniente de florestas plantadas. perfumes e cosméticos de alto valor agregado. tendo em vista o aproveitamento econômico de produtos da fauna e da flora. priorizando as unidades que tenham maiores contribuições para a biodiversidade do sistema como um todo. taxonômica. utilizando-se de mecanismos de compensação de uma área pela outra ou de regeneração natural de áreas exploradas com atividades agropecuárias. Proteção e uso da biodiversidade · Expandir o sistema público de unidades de conservação de forma a assegurar em seu âmbito a conservação de todas as espécies da biota brasileira. gere empregos e garanta os recursos para a conservação de todas as demais áreas de interesse ecológico e/ou cultural. tanto na área de tecnologia e pesquisa quanto nas políticas de financiamento. · Desenvolver um plano nacional de ecoturismo que proporcione a entrada de divisas. · l Atribuir valor econômico embutindo o custo de deplecionamento dos bens naturais. o que tornará possível avaliar a conveniência e a possibilidade de sua exploração sustentável.· Promover ampla campanha de recomposição e averbação de áreas de reserva legal. medicina natural. · Atribuir valor econômico aos recursos naturais. · Prover recursos e capacitar pessoal para as pesquisas biotecnológicas. capazes de garantir emprego e renda. segundo critérios de competitividade. para subsidiar as decisões de conservação e permitir a base para o licenciamento e valoração dos produtos de biodiversidade. · Apoiar programas de inventário científico da biodiversidade.

pelo estímulo às florestas plantadas e atividades de agrossilvicultura em áreas florestais degradadas. com representatividade de todas as grandes subdivisões biogeográficas das regiões. · Garantir que os detentores das matérias-primas ou dos conhecimentos que levem ao aproveitamento econômico de exemplares de nossa biodiversidade sejam justamente remunerados. · Revisar a "lista oficial das espécies da fauna e da flora brasileira ameaçadas de extinção" com vistas a estabelecer os mecanismos de proteção e o desenvolvimento de plantios e criadouros para sua recuperação. a remessa e a repartição. ao invés de concentrar em ações mitigatórias emergenciais. por intermédio de ações do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético. · Agilizar a elaboração. opções de subsistência e oportunidades para melhorar sua qualidade de vida. Estimular as comunidades locais a serem os principais beneficiários de atividades de conservação. preservando sua floresta e garantindo-lhe o desenvolvimento sustentável. com o financiamento de bancos regionais. Encorajar a transição de atividades extrativas para atividades de serviços ambientais. · Educar e conscientizar as populações locais para a importância da preservação dos biomas. oferecendo-lhes. justa e eqüitativa. Ações exemplares nos biomas ameaçados · Implementar programas de corredores de biodiversidade em todos os biomas. · Incorporar de forma mais efetiva a Amazônia à comunidade nacional. dos benefícios decorrentes da utilização dos recursos genéticos nacionais. 73 · Instituir normas e criar sistemas de fiscalização e controle que permitam o efetivo combate à biopirataria. · Utilizar recursos de indenização e compensação ambiental para a implementação de sistemas de áreas protegidas que conservem a biota a longo prazo. ao mesmo tempo.a formação de sistemas de áreas protegidas e áreas de uso econômico em matrizes regionais. do zoneamento ecológicoeconômico que deverá ser adotado como instrumento básico de qualquer ação de planejamento . de forma participativa. · Fazer presente a ação governamental na determinação dos procedimentos legais para o acesso.

· Desenvolver projetos de conservação na mesma escala conceitual e geográfica dos grandes projetos de infra-estrutura ora sendo propagados pelo governo federal. para que o conhecimento possa ser gerado e aplicado localmente. que agrava o desmatamento e acelera o processo de desertificação já instalado. O objetivo é chegar ao desmatamento zero. e que possam demonstrar a sustentabilidade na conservação da biodiversidade regional e nacional. e de plantio de espécies comerciais para reduzir a pressão sobre a vegetação nativa. uma política de reflorestamento nativo. · Combater a desertificação na região Nordeste. · Abolir da área do semi-árido o assistencialismo sobre a forma de frentes de emergência. concomitantemente. cujos preços vêm caindo no mercado internacional. · Garantir. junto com a valorização da tecnologia e da energia renovável. realizando. o desmatamento zero nas zonas críticas da Mata Atlântica. · Capacitar o homem do campo para a convivência com a seca.territorial. consórcios e o poder . de maneira a diminuir o consumo indiscriminado de biomassa. · l Integrar efetivamente a Amazônia ao restante do Brasil. incentivando o uso de tecnologias já comprovadas e difundidas por centros de pesquisa e organizações não74 governamentais com experiências no manejo dos recursos naturais em regiões semiáridas. · Promover ações de reflorestamento para a reconstituição da caatinga. ampliando e fortalecendo o número de unidades de pesquisa nela sediadas. absorvendo-se no processo os conhecimentos tradicionais. como alternativa substitutiva ao uso incipiente da biomassa. pelo desmatamento. produto exportador de baixo valor agregado. especialmente no Rio de Janeiro e sul da Bahia. incluindo os corredores de biodiversidade. · Priorizar a execução do "Programa Pantanal". e evitar obras de hidrovias que alterem o ciclo das águas na região. e substituir a cultura extensiva da soja. na região Sudeste. Condicionar a implementação de projetos de infra-estrutura àqueles que estejam integrados com projetos de conservação. Governança e ética para a promoção da sustentabilidade Objetivo 17 Descentralização e o pacto federativo: parcerias. · Preservar o cerrado. · Prover meios e recursos para a utilização de fontes alternativas de energia. por meio de um programa de combate à miséria. construindo investimentos em infra-estrutura para viabilizar o desenvolvimento sustentável. evitando o seu desmatamento.

produção de conhecimento e lógicas econômicas. é natural que os municípios tenham sido os principais beneficiários da descentralização fiscal. mas em nenhum país como no Brasil esse processo assumiu a velocidade e a dimensão transformadora de um novo pacto federativo. a dimensão territorial e sua maior proximidade da população. O resultado dessas competências difusas é. tornando sua dinâmica muito lenta para responder com rapidez necessária as mudanças de hábitos. O novo pacto federativo. mas também pelas mudanças tecnológicas que revolucionaram o sistema produtivo. a segunda. em geral. por conta da omissão legislativa que. Considerando a extensão geográfica do país. não apenas em razão da crise fiscal que afetou inúmeros países. O principal deles é a questão das competências comuns entre os três entes federados. A boa governança recomenda a descentralização que vem se realizando por toda parte. política e administrativa. a ingovernabilidade que resulta em duas situações antagônicas: a primeira delas é quando existe superposição e dois ou mais entes federados disputam a mesma função. privilegiou o fortalecimento do município dentro do chamado ‘federalismo cooperativo'. Diante dos novos desafios surgem modalidades de governo descentralizado atuando em parceria com a sociedade civil. anunciado pela Constituição de 1988. é a omissão de todos quando os problemas se . Chama especialmente a atenção o avanço das relações de cooperação entre os três níveis de governo. consolidando novas estruturas e relações de 75 parceria entre sociedade e governo. desperdiçando tempo e dinheiro e estimulando a competição desorganizada. Apesar dos avanços obtidos e do inegável sucesso da descentralização municipalista. embora seja necessário o fortalecimento da engenharia institucional dessa cadeia federativa que é a marca registrada de nosso federalismo.local O papel do Estado está em processo de redefinição. sem a jurisprudência necessária para distribuir atribuições. realizando projetos e transferindo recursos para as mesmas áreas. preferiu deixar as competências indefinidas. tão freqüente quanto a primeira. alguns problemas permanecem em pauta exigindo soluções imediatas.

Indubitavelmente. criando estruturas viciadas pouco recomendáveis para o aperfeiçoamento democrático. A presença da sociedade civil exerce um papel de vigilância e controle extremamente benéfica diante da autoridade estatal fortalecida no município. Os consórcios têm-se constituído em verdadeiros embriões de uma nova regionalização. muitas vezes sem sintonia com as prioridades municipais. Fortalecer a sociedade civil para que seus agentes disponham de informações precisas e meios de acompanhar e reagir a tais ocorrências é um dos itens mais importante da agenda da governança e da pauta de descentralização. Mas também nesse caso. Em ambos os casos. o patrimonialismo político brasileiro enfraqueceu-se nos últimos anos e a democracia participativa ampliou os seus espaços. O equilíbrio de poder e de controle mútuo entre os três entes federativos é uma válvula de segurança eficaz que protege a sociedade. Finalmente. os efeitos perversos incidem sobre a população. ou quando exigem soluções mais duras e de longo prazo. O maior obstáculo institucional à implantação do desenvolvimento sustentável no plano regional e local é a fragmentação política do municipalismo. por exigência federal 76 todas as áreas beneficiadas pela transferência de recursos para o plano municipal. dinamizada pela enorme difusão dos conselhos municipais. Ações e recomendações . na medida que os três entes se interessam pelos assuntos que lhes rendem resultados políticos imediatos. Outro ponto relevante é que. a proliferação de conselhos e de fundos especializados estão criando superposições e irracionalidades de uso dos recursos humanos e financeiros.avolumam. as lideranças acabam sendo sempre as mesmas nos diversos conselhos. a área decisiva de consolidação da governança é a democracia participativa. nos pequenos e médios municípios. aumenta a transparência e o controle e consolida a máxima do federalismo cooperativo: descentralização com centralidade. existem problemas que precisam ser corrigidos. se omitindo quando seus custos políticos se tornam muito altos. enfraquecendo as partes em benefício do todo. Sua operacionalização ainda é difícil por falta da regulamentação do artigo 241 da Constituição Federal. A situação agrava-se ainda mais quando os municípios consorciados pertencem a diferentes unidades estaduais. cobrindo. A lei atual apresenta empecilhos legais que dificultam ações conjuntas. Em primeiro lugar.

· Aperfeiçoar os mecanismos de controle social. buscando soluções para seus mais graves problemas. pela ordem. estadual e federal quando o ente situado em nível espacial inferior. as diferentes áreas setoriais em que ainda se dividem as estruturas governamentais. O sistema de informação é peça essencial nesse novo modelo de gestão. por meio de um novo modelo de gestão integrada. visto .· Fortalecer o federalismo cooperativo e definir as competências entre o Governo Federal. atentas à integridade de seus recursos naturais e às exigências do meio ambiente urbano. adequadamente. mas ele ainda é precário e pouco pode ajudar na tomada de decisões dos governantes que operam com consultas informais e com a observação direta e intuitiva. · Capacitar lideranças sociais para o desenvolvimento sustentável e preparar o terceiro setor para uma atuação mais informada tecnicamente e isenta politicamente no quadro municipal brasileiro. que identifiquem a sua vocação produtiva. Elaborar lei complementar para o artigo 23 da Constituição Federal. · Instituir o princípio de subsidiariedade que determina prioridade para ações de interesse da sociedade civil e. que regula o tema. levando em conta o seu tamanho. renda e condições institucionais na configuração espacial brasileira. articulando. os estados e municípios. · Capacitar e racionalizar as competências e a ação dos conselhos. a ação municipal. · Regulamentar o artigo 241 da Constituição Federal para fortalecer a cooperação intermunicipal. transparência e o acompanhamento dos compromissos públicos assumidos pelos governos. integrando suas áreas de competência para a otimização de recursos humanos em nível local. Essa fragilidade institucional tem enfraquecido o aparelho do Estado. por meio de estímulo aos consórcios que integram as microrregiões. possibilitando o desenvolvimento de planos de desenvolvimento sustentável. não for capaz de exercer suas funções. de maneira transversal. 77 Objetivo 18 Modernização do Estado: gestão ambiental e instrumentos econômicos A reforma administrativa deve procurar formas de internalizar o desenvolvimento sustentável e suas estratégias nas políticas de governo.

No entanto. por meio de instrumentos econômicos. seja no que diz respeito ao planejamento e geração da informação para a tomada de decisões. em detrimento de funções de execução direta. no gerenciamento dos recursos hídricos e na conservação florestal estão em curso para complementar as ações de comando e controle na busca de maior eficiência. de grandes proporções. embora não haja dúvidas quanto à importância de seu poder de coordenação. mais condizente com a realidade e as tendências do século XXI. para uma política que. O aporte de recursos para reformulação dos órgãos gestores é de fundamental importância. que vem apresentando ineficiência. que ultrapassa a capacidade real de atuação das estruturas oficiais. Algumas ações inovadoras demonstram que a gestão ambiental começa a sair da fase mitigadora ou reparadora para a fase preventiva e indutora de usos compatíveis com a preservação. transferidas para os municípios. como para a atividade de fiscalização. em geral. esse novo Estado ainda não está inteiramente definido. começa a delinear-se um novo modelo de estado dotado de um marco regulatório fundamentado em novos modelos institucionais de distribuição de funções em parceria. Experiências na gestão da poluição industrial. É urgente a necessidade de reformulação da política fundamentada em restrições legais de comando e controle. não ficando a área ambiental e social a mitigar impactos gerados por políticas econômicas. Mesmo diante dessas dificuldades. informação e controle. sem perder a força nos processos de correção.como inoperante pela população. Por outro lado é necessário estabelecer um sistema de monitoramento para um efetivo acompanhamento por parte da . mais aberto e flexível e. fomente a internalização dos custos ambientais nos processos produtivos. 78 É necessária a promoção de um planejamento que integre as diferentes dimensões do desenvolvimento. sobretudo. A estruturação de um sistema de informações para o desenvolvimento sustentável é um desafio que os governos devem enfrentar e que exige um esforço conjunto. abrindo caminho para um novo modelo de Estado. O resultado prático é que se enfraqueceu a burocracia de estilo patrimonial e centralizador que dominou a política brasileira por décadas.

particularmente sobre os setores produtivos objeto de privatização de empresas estatais. · Instituir um sistema de informação com a definição de indicadores de desenvolvimento sustentável para o gerenciamento das políticas públicas. · Implementar as mudanças necessárias na legislação ambiental para implantação dos instrumentos econômicos em complementação aos instrumentos de comando e controle. · Apoiar e capacitar os consórcios intermunicipais. por sua condição de destacado país em desenvolvimento. compromissos com cronogramas físicofinanceiros e de desempenho ambiental amparados por garantias bancárias ou fiduciárias. com a participação de ONG's e da sociedade civil para processos de gestão compartilhada e promotora do desenvolvimento sustentável. tem credenciais para atuar ativamente na . priorizados a partir da consideração da capacidade de suporte dos ecossistemas e não apenas para cumprir um rito burocrático. A prática de "correr atrás do prejuízo" só será modificada com uma reestruturação efetiva do Estado. por sua condição de líder dos estoques remanescentes de recursos naturais. conjugada à implementação de indicadores de desempenho e de processos contínuos de melhoria da gestão. mediante criação de agências regulatórias. Objetivo 19 Relações internacionais e governança global para o desenvolvimento sustentável 79 O Brasil. · Melhorar o desempenho na prestação de serviços públicos típicos de Estado. segurança e previdência social. · Fortalecer a capacidade regulatória do Estado. · Introduzir um novo modelo de gestão ambiental integrado às ações setoriais de governo. objetivos e metas. que se reforçou ao sediar a Conferência de 1992. e ainda por sua tradição diplomática. · Estabelecer termos de compromisso para a solução dos passivos ambientais com a inclusão da lógica financeira. isto é. instituindo mecanismos de controle preventivo e corretivo das atividades e processos impactantes. numa estrutura matricial. Ações e Recomendações · Estimular o planejamento estratégico em todos os órgãos e entidades. em atividades como arrecadação. compreendendo a definição de missão.sociedade.

É preciso. têm poder de veto. como o continente africano. tanto no sentido Norte-Sul. Apesar desses ganhos. defendendo a solidariedade entre países e povos. Atender aos interesses comuns de todos os países é um objetivo prioritário que não pode ser adiado sob pena de agravar ainda mais a desconfiança contra a . portanto. quanto no sentido Sul-Sul é fundamental para disseminar os benefícios da globalização a regiões até agora excluídas. tanto nos planos nacionais quanto entre os países e regiões. mediante o estabelecimento de mecanismos que assegurem maior representatividade aos países em desenvolvimento e democratizar o uso de tais instituições e de seus instrumentos. de acesso às tecnologias de informação e à educação. bem como em termos de desenvolvimento tecnológico. fortalecer a legitimidade das instituições multilaterais e dos organismos financeiros internacionais. A eliminação das barreiras comerciais vigentes nos países desenvolvidos em relação às exportações dos países em desenvolvimento constitui desafio adicional a ser superado pelo processo de globalização.proposição e negociação de políticas de desenvolvimento sustentável no plano global que já vem liderando nas discussões internacionais de que são exemplos as tratativas sobre mudanças climáticas e biodiversidade. é objetivo estratégico assegurar e promover o aperfeiçoamento da governança global para o desenvolvimento sustentável. subsistem padrões diferenciados de produção e consumo. integração cultural e educacional. de fato. fortemente representados pelos interesses dos Estados Unidos que. É evidente a perda de legitimidade dos organismos econômico-financeiros multilaterais. outro problema de governança global é o fato de que existem impasses institucionais a serem superados em função da obsolescência do sistema originário de Bretton Woods e das condições gerais que presidiram a criação das Nações Unidas no período que se seguiu à Segunda Guerra Mundial. representando importante fator de legitimidade da internacionalização da economia. benefícios significativos à comunidade internacional em termos de eficiência e crescimento econômico. Diante desse quadro. O aprofundamento da cooperação internacional. pois. a globalização apresenta o risco de produzir um aumento das desigualdades. neles. A aceleração da globalização na última década proporcionou. Além da iniqüidade.

a ordem global emergente caminha institucionalmente quase à deriva e os conflitos globais começam a emergir cada vez mais fora do espaço de negociação para o qual essas instituições multilaterais foram.4% para 0.3%. O Global Environmental Facility (GEF). Para implementar ações prioritárias de desenvolvimento sustentável pesam a falta dos recursos acordados pela cooperação internacional em 1992.nova ordem global nascente. segundo a pesquisa. que passariam de 0. devem ser mais ouvidas no Congresso. apenas investiu 6. Por falta ou por excesso. Tais considerações pretendem chamar a atenção para a importância de uma política externa . Pesquisa recente sobre a agenda internacional do Brasil.7% e na realidade caíram para 0. É preciso. faltam às Nações Unidas os instrumentos financeiros e administrativos. nos municípios e nas empresas. aponta que 99% dos entrevistados entendem que o Brasil deve desempenhar papel como protagonista nas relações internacionais e exercer uma liderança compatível com o seu imenso território e com sua sofisticada tradição diplomática4. portanto. Em sentido oposto. criadas. a seu tempo. envolver cada vez mais as lideranças do país que. É nesse contexto que vem se destacando a proposta de criar a Taxa Tobin. penalizando o capital especulativo e canalizando os recursos para prioridades sociais que pretendemos sejam também ambientais. que prometeu aos países em desenvolvimento 40 bilhões de dólares. para apoiar as negociações que o país desenvolve na comunidade internacional. No entanto. existe uma decepção generalizada no que diz 80 respeito à realização de tais objetivos e ao papel dos organismos multilaterais como coordenadores e impulsionadores dos compromissos assumidos. existe uma dependência excessiva de organismos como o FMI e o Banco Mundial à orientação americana. constituída de um número cada vez maior de países. nas organizações não-governamentais. A despeito do êxito e da relevância dos serviços prestados pelas Nações Unidas na definição de uma ‘agenda global' para o novo milênio. realizada com 149 lideranças governamentais e não-governamentais ligadas à "comunidade brasileira de política externa". economicamente frágeis e com peso político reduzido nas negociações internacionais. em função do não-pagamento das cotas americanas e da desconfiança dos Estados Unidos contra uma instituição fragmentada.7%.

Objetivo 20 Cultura cívica e novas identidades na sociedade da comunicação A formação de capital social A longa crise do Estado em países onde o setor público foi o grande propulsor do desenvolvimento. · Criar a Taxa Tobin contra o capital especulativo e em favor do combate à miséria e à proteção do meio ambiente. fóruns e instituições globais. como o grupo dos países amazônicos vem realizando por meio do Tratado de Cooperação Amazônica TCA. que propiciem comparações seguras entre os países e regiões. 81 · Ampliar o envolvimento dos cidadãos com as relações internacionais. um estudo sobre a comunidade brasileira de política externa. Ações e recomendações · Fortalecimento das instituições governamentais que atuam na representação do Brasil nas discussões internacionais e uma crescente articulação com as entidades da sociedade civil. sociais. · Fortalecer a produção de indicadores internacionais. unindo governo e sociedade em torno da projeção internacional do Brasil. liderar e aplicar as resoluções e convenções aprovadas pelas Nações Unidas e dar prioridade para que essas medidas sejam implementadas internamente. CEBRI. · Defender regras mais eqüitativas para o comércio internacional que beneficiem os países em desenvolvimento e não apenas os desenvolvidos. reformulando o seu Conselho de Segurança e garantindo um assento para o Brasil. científico-tecnológicas e ambientais. por meio de atividades profissionais e da participação maior e mais ativa do Brasil nos organismos multilaterais. 2001. integrando organismos que lidam com ações econômicas.A Agenda Internacional do Brasil. gerou um vazio político que só poderá ser preenchido com o fortalecimento e . · Fortalecer as Nações Unidas como organismo representativo de uma ordem global justa e solidária. dos interesses nacionais e do reconhecimento dos avanços recentes e dos que iremos perseguir no futuro. e acelerar sua reforma institucional. · Participar. 4 Amaury de Souza . · Fazer propostas viáveis de reforma das Nações Unidas na área do desenvolvimento sustentável.dotada de forte legitimidade e coesão interna. como o de Tarapoto.

uma contabilidade mais transparente. Este fenômeno mundial representa um esforço de ‘delegar poder' (empowerment) aos atores sociais relevantes na nova sociedade e. e ainda para alimentar o fluxo de informações dirigido à mídia em suas diversas formas. 9. são instrumentos básicos para controlar os impactos sociais e ambientais. As OSCIPs poderão celebrar os termos de parceria com o governo que pede.790/99). possibilitando uma compreensão do seu campo específico de ação e diferenciando-o daquele do Estado .608/98 que regulamenta o Serviço Voluntário. .primeiro setor . ou no de terceiros. Duas leis importantes têm contribuído para uma maior profissionalização do terceiro setor no Brasil: i) a Lei n. de fato. ii) a Lei n. Estas entidades vêm desenvolvendo inúmeras parcerias com os três níveis de governo. pagamento de impostos e direitos trabalhistas semelhantes aos das empresas. Essas informações são de vital importância para conscientizar a população e para promover mudanças culturais de comportamento. de fato.790/99 que cria a Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP). melhorando o nível gerencial auxiliadas por um sistema de informações mais eficiente e adequado. Os indicadores. 9. com vistas a facilitar as relações entre a sociedade e o governo nos projetos governamentais ou de interesse coletivo. pode-se afirmar que a sociedade civil e as organizações comunitárias são capazes de fazer em seu próprio benefício. segundo determina a sua lei de criação (9. para produzir indicadores de acompanhamento e monitoramento dos problemas. com melhores resultados e menores custos. Em princípio. 82 O terceiro setor compõe-se de uma heterogênea gama de organizações não-governamentais (ONG's) juridicamente registradas como associações ou como fundações. O termo terceiro setor tem sido usado para se referir a essas organizações da sociedade civil. uma forma concreta de acumulação de capital social diante das novas exigências da sociedade e da política do século XXI. introduz o chamado termo de parceria.segundo setor.e das empresas privadas . Esta. mas precisam profissionalizar-se ainda mais.a capacitação da sociedade civil para dividir responsabilidades e conduzir ações sociais de interesse público. projetos que mobilizem a energia social disponível. em troca.

fundamental. As teorias racistas foram derrotadas em favor da idéia de que a força da nossa cultura reside na combinação constitutiva de raças que convergem e na força da miscigenação como forma de enriquecimento social e cultural. que as elites brasileiras. mostrou que 58% das empresas do Sudeste investem em iniciativas sociais. pouco afeita à participação civil. que são híbridos descolados do aparelho estatal e que incorporam a representação da sociedade no processo de gestão de órgãos que não detêm o monopólio das funções de Estado. feita pelo Ipea. A diversidade cultural como marca brasileira A cultura cívica e o capital social são. 83 A convivência com a diversidade é. uma das principais bandeiras na agenda da sociedade global que valoriza as novas identidades e suas manifestações mais significativas. incipiente e dispersa. que foi estendida para outros povos que para cá vieram nos últimos cento e cinqüenta anos. no passado. . É portanto. eram socialmente passivas e cujo protagonismo econômico era dependente do Estado. hoje. originalmente passivas e dependentes dos interesses coloniais ou externos e internamente habituadas à subserviência diante do Estado e de sua burocracia reguladora e centralista. As empresas que. Procurando corrigir algumas graves distorções sociais e de renda. Esta combinação singular contrastou com outros modelos culturais de oposição das raças e de recusa radical a qualquer forma de convivência. desenvolvimento das comunidades e a responsabilidade social e ambiental. presentes em todas as regiões do país. Para isso contribuíram a herança histórica e os valores culturais de nossas elites. que pesam contra as minorias étnicas. Pesquisa recente. caminham hoje com esforço próprio _ por meio de suas fundações ou em parcerias com outras organizações _ e estão cada vez mais envolvidas com projetos de educação. inseparáveis de uma identidade cultural que se formou depois de décadas de rejeição da miscigenação.Deve-se ressaltar ainda a existência das organizações sociais. em nosso país. desejamos afirmar a importância da contribuição nacional à idéia de diversidade cultural. também recentemente criadas. As novas elites e os meios de comunicação A sociedade brasileira ainda é desequilibrada e desigual.

que costumam atrair um público mais reduzido. cujo objetivo seria fixar normas eticamente aceitáveis que.busquem familiarizar-se com os novos valores do desenvolvimento sustentável e com o espírito que preside a Agenda 21. de fato. a mais nobre das atividades sociais de interesse público que a mídia deve desempenhar. sobre jovens e crianças. 84 Em sentido inverso.para projetos de . uma vez que as excessivas horas de exposição a tornam fonte de influência maior. é grande a influência. observa-se grandes progressos em direção ao chamado marketing social e ambiental. cada vez mais monopolizadas por grupos políticos que. além de campanhas cívicas de conscientização em favor da doação de órgãos e contra as drogas. mas esses temas podem e devem multiplicar-se ainda mais em favor das grandes causas de interesse cívico contidas na Agenda 21 Brasileira. portanto. especialmente da televisão. Na sociedade de massas em que vivemos.que já prevalecem na área cultural e no fundo da criança e do adolescente . precisa dispor de redes alternativas de informação e de cultura. que entre em vigor o tão esperado Conselho Nacional de Comunicação. carente de educação. induza os donos das empresas de comunicação a fixar limites razoáveis e de bom senso para suas programações. É preciso. sem ferir a liberdade de imprensa. A divulgação de temas de interesse público também vem crescendo na área de meio ambiente. As televisões educativas e TVs comunitárias podem ser fortalecidas para melhor cumprirem sua função social local. Tendo em vista a competição exacerbada para ganhar uma audiência formada por um público precariamente alfabetizado. As empresas de comunicação possuem um papel importante na construção do desenvolvimento sustentável. mas numericamente muito significativo e estrategicamente importante do ponto de vista cultural. especialmente quanto aos princípios de governança e da autoresponsabilidade. A sociedade. detêm o controle da informação. os programas perdem a qualidade e procuram atrair o público de qualquer maneira. até hoje ignorado. Formar consciências foi no passado e continua sendo no presente. acima da família e da escola. Outra reivindicação da sociedade diz respeito às televisões regionais. Ações e recomendações · Criar mecanismos para que o terceiro setor receba incentivos fiscais .

· Promover a cultura negra reduzindo diferenças sociais por meio da valorização de sua memória cultural e étnica e da promoção de oportunidades profissionais. marcadas pelos valores pósmodernos de integração e convivência cultural com as diferenças. · Incentivar nos jovens e idosos o gosto pelo serviço civil voluntário. de trocas e de integração das etnias e das religiões. com o apoio da mídia. adaptada à realidade das reservas indígenas mas também ao uso sustentável dos recursos naturais. 85 · Implementar o Plano Integrado de Ação Governamental para o Desenvolvimento da Política Nacional da Pessoa Idosa. de educação e saúde dos povos indígenas. a implementação de projetos culturais. as grandes empresas e as lideranças intermediárias do país ao desenvolvimento do espírito cívico. · Consolidar um balanço das experiências de educação ambiental e desenvolvimento sustentável no Brasil e avaliar os seus resultados. pesquisas. · l Viabilizar. pelas ações comunitárias. · Fortalecer o papel protagonista da mulher na sociedade. · Valorizar a identidade e a diversidade cultural brasileiras. econômicos. · Estimular as elites brasileiras. incorporando seus valores ancestrais de respeito à natureza. . · Realizar projetos de educação ambiental e de capacitação para viabilização das ações propostas na Agenda 21. protegendo-a da biopirataria e garantindo o acesso a bens e serviços. operações de socorro e conservação da natureza. especialmente os relacionados ao combate à pobreza e ao meio ambiente. ambientais. à paz e à coesão social e estimular a igualdade de gênero. inclusive na política. debates ou estudos. · Realizar trabalho de mobilização em torno da educação formal e informal nas comunidades. às ações em parceria e ao trabalho voluntário. · Valorizar a cultura indígena e sua preservação apressando a aprovação do Estatuto do Índio e a criação de um novo tipo de unidade de conservação. estimulando ações de tipo cooperativo. de eqüidade social. como forma de envolvê-las com os problemas comuns da população.desenvolvimento sustentável. para estimular o interesse pelo aprendizado e aperfeiçoamento profissional ou pessoal por meio de atividades culturais. por meio dos programas regionais.

a devastação ambiental. Problemas e situações como a manipulação genética. A expansão das fronteiras do conhecimento racional e a crença incondicional de que a tecnologia pode resolver todos os problemas enfrentados pelo ser humano é um ponto sensível que se confunde com a laicização e a especialização excessiva e com a perda de referências humanas e afetivas. estabelece condições de previsibilidade necessárias ao bom funcionamento do corpo social. com o objetivo de proteger o conjunto de seus membros contra os interesses de uma minoria. O enfraquecimento do Estado. Objetivo 21 Pedagogia da sustentabilidade: ética e solidariedade O principal fundamento da boa governança é o compromisso com a ética. os laços de família e de vizinhança.como já ocorreu em outras civilizações do passado . e. especialmente. Ao fixar limites para o comportamento individual. portanto. os resíduos perigosos. a idéia-força de uma civilização planetária. comprometendo a continuidade da vida. A Agenda 21 propõe a pedagogia da sustentabilidade como modeladora dos códigos éticos do século XXI.· Desencadear um movimento popular de conscientização da mídia para desempenho de seu papel de pedagogia social. A prosperidade material se fez acompanhar . Surge. em realidade. impõem uma ética entre gerações cuja conseqüência exige extrema responsabilidade e precaução. a solidariedade grupal. Esse processo corrosivo provoca sérios danos morais e materiais à comunidade humana. da justiça e em torno de temas que afetam todos os seres humanos: a . Mas o fato novo foi a crise ecológica e a possibilidade de esgotamento de nossos recursos naturais. inclusive no mundo privado e dos negócios. ligada a uma sociedade mundial que comungue dos mesmos ideais de celebração da vida. a partir dessas grandes lacunas. da solidariedade. as armas de extermínio. aqui entendida como um código de valores partilhados por toda a sociedade. O individualismo predatório mina as bases mais sólidas da vida em sociedade. enquanto outras permanecem totalmente descrentes.de um profundo vazio moral. os transplantes de órgãos. a ética. a desorganização social e a ênfase na vida material aumentam os sentimentos coletivos de falta de proteção e abandono que levam muitas pessoas para o misticismo.

É a ‘modernidade ética' contrapondo-se à ‘modernidade técnica' que predominou no século XX. A Carta da Terra é um compromisso idealizado na Conferência de 1992 que foi assumido pela sociedade civil e lançado na Holanda. nas escolas. junto com o sentido 86 budista da compaixão. Ações e recomendações · Divulgar a Carta da Terra e debater os seus princípios inovadores e interdependentes nas instituições de governo.alimentação. reconhece os princípios básicos. sociedade civil e empresários. mas que aspiramos promover em escala mundial. e demais ações que não se conheçam previamente os impactos socioambientais decorrentes de sua adoção. a comunicação. · Estabelecer códigos de ética profissionais que se empenhem no cumprimento de normas e preceitos morais e éticos e que garantam a transparência de suas ações e o controle social do cidadão sobre os serviços que o afetam. um dos redatores da Carta da Terra. · Incentivar o maior número possível de empresas. para a adoção do princípio da responsabilidade social cooperativista. a educação. a propina ou qualquer forma de cumplicidade que prejudique o bem público e o interesse legítimo dos cidadãos. universidades e empresas. em 2001. A Agenda 21 Brasileira reforça a necessidade de divulgação dos princípios da Carta enquanto guia para os governos. Sua visão ética afirma uma pedagogia da sustentabilidade. e seu objetivo é inspirar a humanidade em seus códigos de conduta. A Carta da Terra é um instrumento educacional de promoção do desenvolvimento sustentável que já conta com o apoio da Unesco para divulgá-la mundialmente. · Adotar o princípio da precaução em relação às novas tecnologias. o ar. a moradia. a segurança. proposta por Leonardo Boff. de uma civilização planetária. a água. · Fortalecer o Conselho de Ética do setor público. ainda utópica. · Combater a corrupção. da sociedade organizada. Essa dependência comum das fontes naturais e sociais da existência exige uma nova ética do cuidado. a saúde. 87 4 .Meios de implementação: mecanismos institucionais e instrumentos Restrições e condicionalidades: os limites do possível . interdependentes e indivisíveis.

pois. das regiões e de áreas específicas. das principais condicionalidades econômico-financeiras e políticoinstitucionais do país. Entretanto. que resultam da concentração de decisões e instrumentos de política econômica nas mãos do poder federal. em nome da sociedade. assim como a distribuição de seus custos e benefícios entre diversas pessoas e grupos sociais. por exemplo. há restrições às decisões de planejamento em nível subnacional. não são exeqüíveis segundo as expectativas da população. dos processos sociais em andamento e da escassa disponibilidade de recursos em escala nacional e regional. no sistema de planejamento do desenvolvimento sustentável. a alocação de recursos escassos. A existência de restrições e condicionamentos político-institucionais envolve uma série de decisões que têm de ser analisadas para efetivar alternativas e escolhas a serem feitas. no seu processo decisório. programas e projetos de desenvolvimento sustentável. Para que as estratégias de desenvolvimento sustentável da Agenda 21 Brasileira sejam efetivamente implementadas. é fundamental que haja uma explícita incorporação. que retira. Hoje o processo de desenvolvimento nacional possui restrições que provêm das prioridades estabelecidas pelo poder federal como. de outro. o controle de gastos públicos e a aplicação de recursos para financiamentos diversos. onde os planejadores tendem historicamente a definir. dependem de negociações políticas e das transformações impostas pelo próprio processo de desenvolvimento sustentável. são decisões de natureza eminentemente política. É possível calcular as necessidades de financiamento plurianual das políticas. Esses condicionamentos aparecem como restrições à efetivação das alternativas de desenvolvimento. mas nem sempre em caráter definitivo. a autonomia de decisão. objetivos e metas que. em face da política de estabilização econômica em curso. que podem ter usos alternativos em diferentes programas e projetos. Porém. médio e longo prazos. programas e projetos da Agenda 21 Brasileira. no curto.A Agenda 21 Brasileira adotou uma perspectiva realista sobre as diferentes formas de restrições e condicionalidades que se impõem à execução de políticas. Levando em consideração a capacidade de implementação das agências públicas e privadas. um elenco de prioridades e a interdependência técnica e . de um lado. não representam as suas aspirações e.

principalmente. também.intertemporal entre as diversas ações. Vale dizer. maiores serão os níveis de sacrifício impostos ao bem-estar da população.2% da dívida variou segundo as mudanças nessa taxa) e da desvalorização do real (em abril de 2002 a dívida chegou a R$ 685 bilhões. seja colocada a questão da sua solvência. os valores serão sempre muito superiores à atual realidade fiscal e financeira. utilizados para pagamento de parcela dos serviços da dívida pública.6% e a 7. as principais propostas da Agenda 21 Brasileira. sobre o custeio da máquina administrativa e. quanto à realização das metas dos superávits primários no orçamento público consolidado. 51. o qual inclui os três níveis de governo. ainda não são suficientes para cobrir os compromissos de cada ano. valores que equivalem. o pagamento de juros consumiu cerca de R$ 214 bilhões. Como é limitada a capacidade do Governo Federal em financiar a rolagem da dívida e como o seu valor total tende a aumentar. chegando a R$ 92. eles resultam em maior controle sobre as despesas de pessoal. na parcela não vinculada dos gastos públicos. a 7. a médio e longo prazos. mais cedo ou mais tarde. pode se obter um quadro financeiro de fontes para implementar.1% do PIB. expandir as despesas com as novas demandas da Agenda 21 Brasileira. sobre os investimentos de infra-estrutura econômica e social. é preciso evitar que. em 2001. principalmente. O Governo Federal tem cumprido e superado os seus compromissos com o FMI. sendo que 27. torna-se imprescindível a geração e a gestão adequada dos superávits primários.7 bilhões. . Como esses superávits são obtidos por meio do contingenciamento das cotas orçamentárias e incidem. O aumento das despesas financeiras é em função da elevação da taxa básica de juros do Banco Central (em abril de 2002. 88 Entretanto.4 bilhões.8% deste total estava atrelado à variação do dólar). respectivamente. Entre 1998 e 2000.2%. tornando difícil. por mais conservadoras que sejam as estimativas. quanto maiores os valores da meta do superávit primário a serem obtidos. os gastos foram de R$ 86. Isso é mais verdadeiro quando se constata que os megavalores dos superávits primários. mesmo com os elevados custos de oportunidade para a sociedade. e para 2002 estima-se um crescimento de 7. Assim. as empresas estatais e a previdência social.

o que se busca é um mínimo de integração dentro de um processo de desenvolvimento. sem ter a pretensão de esgotar todos os mecanismos institucionais e instrumentos que podem ser mobilizados para a implementação da Agenda 21 Brasileira. se encontra em fase de reconstrução após uma seqüência de reformas administrativas malsucedidas ao longo dos últimos anos. participação comunitária e de regionalização. Antes de apresentar alguns desses mecanismos e instrumentos. alguns controlados por decisões da iniciativa privada. a implementação de políticas de desenvolvimento sustentável envolve problemas de coordenação entre diferentes setores dos três níveis de governo. o sistema financeiro vai demandar mais e mais prêmio de risco para absorver papéis do Tesouro Nacional. é preciso lembrar que há um elenco de dificuldades político-administrativas quando se busca operacionalizar o conceito de desenvolvimento sustentável na gestão do cotidiano das políticas públicas. entre transformações produtivas. Por isso. no Brasil. Alguns mais tradicionais. também. uma diversidade desses mecanismos e instrumentos quanto ao seu grau de descentralização administrativa. outros mais 89 inovadores. colocar todo o peso da implementação das políticas de desenvolvimento sustentável sobre despesas adicionais de custeio e de investimento pode ser uma decisão equivocada e carregada de riscos e incertezas. equipes técnicas . E essa integração tem que acontecer dentro de um aparelho burocrático que. numa perspectiva de sustentabilidade ampliada e progressiva. uma vez que elas implicam em fontes fiscais de financiamento não disponíveis. A Figura 1 apresenta objetivos e alternativas de intervenção governamental nas políticas de desenvolvimento sustentável. muitos da alçada do setor público. eqüidade social e proteção ambiental. Na Agenda 21 Brasileira. As propostas possíveis: reinvenção de novos instrumentos Existem inúmeros mecanismos institucionais e instrumentos que podem contribuir para o processo de implementação da Agenda 21 Brasileira. Usualmente. por causa dos indispensáveis ajustes estruturais do setor público. ou pela elevação da taxa básica de juros ou pela opção por títulos corrigidos pela variação cambial. há.Se não houver prioridade política para essa gestão.

No caso específico das políticas ambientais. a eliminação de setorialismos injustificáveis. principalmente. fechando-se em torno de missões e temas programáticos. os três níveis de governo no Brasil têm utilizado crescentemente estruturas e mecanismos de regulamentação (leis. específicos e. nem mesmo na ausência de mecanismos institucionais e instrumentos (ver Box 1). protegendo-se de interferências das atividades de coordenação externa. na ausência de bases conceituais ou de estruturas organizacionais para a sua efetividade. agências públicas. envolvendo a mediação de conflitos. nas organizações responsáveis por uma perspectiva integrada dessa política no país. segurança no trabalho. defesa do consumidor. por exemplo. com o avanço do processo de privatização dos setores de infra-estrutura econômica. Os problemas de insucessos podem estar ou nas dificuldades políticoinstitucionais para a sua implementação. uma questão fundamental se coloca em termos da incorporação de novos instrumentos e mecanismos econômicos como elementos complementares às decisões tomadas dentro do estilo de comando e controle. foram criadas agências regulatórias para telecomunicação. Em uma primeira etapa elas se concentravam nas áreas das políticas sociais (saúde. ou na necessidade de reinvenção de instrumentos mais adequados para tratar 90 das complexas questões de sustentabilidade multifacetada. Os problemas de insucesso na implementação do desenvolvimento sustentável não se encontram. o empresariado e organizações nãogovernamentais na formação de parcerias. portarias) para implementar as mais diferentes políticas públicas. As instituições tendem a desenvolver seu território próprio de decisão. Ao longo das últimas décadas. quanto mais intensos os processos . a promoção de consensos e a busca do dinamismo efetivo em lugar das divisões formais. Há uma tendência em diversos países no sentido de que. energia e petróleo. Esse processo de coordenação resulta em inúmeros obstáculos técnicos. Mais recentemente. educação). decretos. As ações da Agenda 21 Brasileira são de natureza programática em busca de resultados práticos. muitas vezes. ao mesmo tempo. para fazer acontecer os objetivos e as metas estruturantes de um processo de desenvolvimento sustentável.interdisciplinares.

o caso das agências regulatórias. que serve de base institucional para a concepção e a execução das políticas de desenvolvimento sustentável. que possuem o controle social externo ainda limitado.de privatizações e de concessões de serviços públicos. 91 FIGURA 1 Objetivos e Alternativas de Intervenção Governamental nas Políticas de Desenvolvimento Sustentável Fonte: F. inclusive as que venham a utilizar mais amplamente os mecanismos baseados em mercado. criadas após as privatizações abrangentes ou parciais dos setores de infra-estrutura econômica e de energia (Anatel. 92 AGENDA 21 BRASILEIRA Economia da poupança na sociedade do conhecimento Inclusão social para uma sociedade solidária Estratégia para a sustentabilidade urbana e rural Recursos naturais estratégicos: água. É evidente que não se pode subestimar o conjunto das estruturas regulatórias do país. ANA). é fundamental que sejam aperfeiçoados tecnicamente e fortalecidos politicamente. ANP. Citese. Dada a inequívoca importância das estruturas e dos mecanismos regulatórios para o processo de implementação das políticas de desenvolvimento sustentável. Atlas (adaptação). etc. Regulamentaçõe s Mecanismos de Financiamento . o Brasil ainda está em fase de aprendizado histórico para lidar com esses mecanismos institucionais. Rezende. Em muitas situações. Ed. biodiversidade e DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Alternativas de Intervenção Intervenção Direta Gastos Públicos Empreendimentos Governamentais Intervenção Indireta Política Fiscal. maior necessidade de se criar e executar mecanismos de regulamentação. Financeira. por exemplo. Aneel. Finanças Públicas.

Uma das principais características que tem destacado a política nacional do meio ambiente no Brasil é a participação ativa dos segmentos organizados da sociedade civil e dos conselhos consultivos nos três níveis de governo.· Impostos. e executores. do efetivo comprometimento político do Poder Executivo com esse mecanismo democrático de tomada de decisões. de um lado. e tendo como suporte uma legislação contra os crimes ambientais cada vez mais rigorosa e específica. · Depósitos restituíveis. No Governo Federal. de outro. com órgãos consultivos. e. quando comparado com outros países da América Latina. da intensidade de mobilização que ocorre no âmbito da sociedade civil para potencializar a possibilidade de estar presente na condução das decisões de desenvolvimento sustentável em nível federal. a representação social se dá por meio de movimentos sociais e organizações não-governamentais que compõem o que se denomina terceiro setor no país. · Fundos especiais. · Taxas. · Financiament os multilaterais. etc. órgão consultivo e .Essa participação tem sido institucionalizada desde os anos de 1980 e sua eficácia tem dependido. assim como de um Sistema Nacional do Meio Ambiente dos mais bem estruturados e operantes com ramificações nos três níveis de governo. estadual ou local. · Certificados negociáveis. o Conselho Nacional do Meio Ambiente _ Conama. Usualmente. deliberativos. Coordenação Administrativa Incentivos às experiências de desenvolviment o endógeno Incentivos à formação de parcerias BOX 1 CONSELHOS DO MEIO AMBIENTE: A PARTICIPAÇÃO INSTITUCIONALIZADA O Brasil. dispõe de uma larga experiência de sucessos para promover políticas de desenvolvimento econômico e social.

mediante representação do Ibama. estaduais e municipais. entre as competências do Conama: I. Entretanto. deliberar sobre normas e padrões compatíveis com o meio ambiente ecologicamente equilibrado. estabelecer. IV. ainda. O papel dos Conselhos do Meio Ambiente nos três níveis de governo. a realização de estudos das alternativas e das possíveis conseqüências ambientais de projetos públicos ou privados. as informações indispensáveis para apreciação dos estudos de impacto ambiental. tem a finalidade de assessorar. tenderá a se tornar cada vez mais relevante na formulação e no controle de políticas ambientais e sociais. e respectivos relatórios. na medida que progredir o grau de consciência ecológica e de responsabilidade social do cidadão brasileiro e se consolidarem as práticas democráticas na gestão das políticas públicas. especialmente nas áreas consideradas patrimônio nacional. assim como dos diferentes conselhos das mais diversas políticas sociais. normas e padrões nacionais de controle da poluição por veículos automotores. em caráter geral ou condicional. O Ibama. 93 III. privativamente. Incluem-se. com caráter deliberativo e participação social e. possuir em seus quadros. requisitando aos órgãos federais. quando julgar necessário. poderá delegar aos estados o licenciamento de atividades com significativo impacto ambiental de âmbito regional. determinar. no caso de obras ou atividades de significativa degradação ambiental. quando possível.deliberativo do Sistema Nacional do Meio Ambiente. no âmbito de sua competência. II. deverão ter instalados os Conselhos de Meio Ambiente. ou à sua disposição. bem como às entidade privadas. as exigências. a perda ou restrição de benefícios fiscais concedidos pelo Poder Público. estudar e propor diretrizes de políticas governamentais para o meio ambiente e. para exercerem suas competências licenciatórias. e a perda ou suspensão de participação em linhas de financiamento em estabelecimentos oficiais de crédito. uniformizando. normas e critérios para licenciamento de atividades efetiva ou potencialmente poluidoras. estabelecer. profissionais legalmente habilitados. os entes federados. A intervenção direta por meio dos gastos públicos . aeronaves e embarcações. determinar. mediante proposta do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente _ Ibama. ressalvada sua competência supletiva. mediante audiência dos ministérios competentes.

O hiato de recursos acumulado no passado é tão grandioso que o crescimento dos recursos fiscais ainda pode ficar muito aquém das necessidades de financiamento da Agenda 21 Brasileira. Da mesma forma. em períodos em que a estabilidade da economia brasileira tem exigido. Por isso. contribuições parafiscais). ocorreu a 94 criação de fundos setoriais vinculados ao financiamento da Política Nacional de Ciência e Tecnologia. embora seja desaconselhável do ponto de vista do interesse nacional. as dificuldades operacionais para um maior sucesso das estruturas regulatórias. desde 1988. o contingenciamento de recursos diante de eventuais desequilíbrios macroeconômicos. saúde e desenvolvimento regional. a partir da Constituição de 1988. tem muito a ver com a mencionada crise fiscal e financeira pela qual passa o país. torna-se necessário avaliar em que medida mecanismos e instrumentos de mercado podem ser utilizados para aliviar a carga das demandas para ações de desenvolvimento sustentável nos orçamentos fiscais dos três níveis de governo. que todo esforço de negociação para expandir as cotas orçamentárias nos três níveis de governo. Criação de fundos A proposta de criação de um fundo especial para o financiamento das ações de desenvolvimento sustentável definidas no processo de elaboração da Agenda 21 se concretizaria pela vinculação adicional de receitas tributárias (impostos. É evidente. deve ser estimulado. Estas vinculações foram um caminho encontrado. taxas.No Brasil. é fundamental valorizar o papel do segundo setor (organizações empresariais) e do terceiro setor (organizações sem fins . pelos setores de educação. que se amplie ainda mais as vinculações dos parcos recursos livres dos orçamentos de custeio e capital para financiar a Agenda 21 Brasileira. relacionadas com as ações de desenvolvimento sustentável. para reduzir as incertezas quanto à efetividade dos seus gastos. mesmo considerando os grandes avanços que vêm sendo conquistados no processo de formulação e de implementação dos orçamentos fiscais no Brasil. como mecanismo predominante na execução das políticas públicas. Mais recentemente. Isso nos remete necessariamente a soluções de caráter mais radical para inovar fontes de financiamento dos orçamentos fiscais para a implementação da Agenda 21 Brasileira. recorrentemente.

Em situações especiais. é uma das alternativas de financiamento do desenvolvimento sustentável. repele-se hoje o que se fazia ontem. segundo as diretrizes propostas por novas estratégias de desenvolvimento. como prioritárias diante das novas estratégias da Agenda 21 Brasileira. de cotas preestabelecidas ou corrigidas segundo regras uniformes. na reordenação e na integração de programas e projetos que diferentes instituições do setor público vêm executando. O Orçamento Plurianual de Investimentos pode ser uma alternativa para orientar a reestruturação dos gastos públicos ao longo do tempo. por meio de mudanças nos orçamentos anuais. estados e municípios de maior complexidade econômica e social (centros metropolitanos e cidades de porte médio). pelos três níveis de governo. nenhum órgão da Administração direta ou indireta dispõe. com pequenas alterações quanto à introdução de novas atividades ou projetos. De acordo com a metodologia do orçamento de base zero. Dessa forma. Na verdade. deve haver uma sólida justificativa para cada programa. Orçamento de base zero A reprogramação dos recursos públicos que já estão sendo normalmente aplicados.lucrativos) na concepção e na formação de parcerias de programas e projetos de desenvolvimento sustentável. há uma forte tendência para que os orçamentos de cada ano sejam uma reprodução da estrutura de gastos do ano anterior. prática relativamente comum em grandes corporações privadas e na administração pública de alguns países desenvolvidos. de forma a redirecionar os recursos correspondentes a esses programas e projetos. pode ser recomendável para o país. inicialmente. mais importante do que as tentativas de vincular receitas ou de gerar fundos adicionais. sem uma perspectiva crítica da composição das despesas de custeio e de investimento. subprograma. e com grande chance de ser feito amanhã o que se 95 propõe para hoje. Normalmente. São grandes as possibilidades de que as atuais estruturas de gastos não sejam consideradas em seu conteúdo ou em sua forma. projeto ou . A função de reprogramação orçamentária consiste na desativação. Até mesmo os gastos em programas com receitas vinculadas poderiam ser reestruturados em nível desagregado das características dos seus projetos e atividades. que realizem um processo de reprogramação a partir de uma experiência de formulação e execução do orçamento de base zero.

desonerações. a mudanças na política tributária (alíquotas diferenciadas de impostos e taxas. Nesses casos. como as que se inserem na Agenda 21 Brasileira. são esses instrumentos que geraram o maior número de "falhas de governo" no processo de desenvolvimento sustentável no país. estrutura-se o novo orçamento. tendo como referência estratégias de desenvolvimento. recorre-se. para apoiar ações de desenvolvimento e corrigir "falhas de mercado". a fim de se ter acesso aos recursos fiscais. isenções). com certa freqüência. No caso específico dos incentivos fiscais da promoção do desenvolvimento das regiões Norte e . sendo acessados geralmente por meio de negociações políticas no Executivo e no Legislativo. por problemas de concepção e de implementação das políticas públicas. o poder público tem utilizado os instrumentos fiscais e financeiros de intervenção indireta para atingir os objetivos das políticas de desenvolvimento. é comum que o seu uso esteja freqüentemente associado às mais diferentes mazelas. Para uma maior eficácia recomenda-se que esse tipo de reformulação conceitual do orçamento se processe uma única vez e no primeiro ano de cada mandato. os instrumentos fiscais e financeiros têm sido usados na ocorrência de determinadas atividades de mérito sociocultural inquestionável. locais. Em geral. A intervenção indireta das políticas fiscal e financeira Historicamente. A partir do conjunto de demandas multifacetadas. empresariais e burocráticos. por meio de programas e projetos de natureza meritória. ou quando surgem externalidades negativas na implantação ou operação desses investimentos. 96 Incentivos fiscais Os incentivos fiscais se apresentam como o instrumento mais utilizado na promoção de soluções para problemas de redistribuição de benefícios sociais e oportunidades econômicas. Ao mesmo tempo. dadas as eventuais dificuldades político-institucionais para a sua implementação.atividade a ser incluída no orçamento. Por serem recursos com baixo custo de oportunidade econômica para os que deles se beneficiam. quando há discrepâncias entre a taxa de rentabilidade privada e a taxa de rentabilidade social de determinados investimentos. uma vez que por trás de cada real de despesa pública há sempre um conjunto de interesses regionais. O uso desses instrumentos poderá ser eficaz na implementação das múltiplas ações propostas na Agenda 21 Brasileira.

A última norma a respeito. tais como: · a falta de interesse da maioria dos investidores.145. os fundos financeiros forneceriam empréstimos em condições mais favoráveis.IRPJ. · a enorme ineficiência na aplicação desse instrumento. no que se refere à concessão de auxílio financeiro à instalação ou 97 modernização de empreendimentos produtivos nas regiões Norte. Fundos de desenvolvimento regionais e instrumentos tributários Os fundos de desenvolvimento regionais. que exercem o direito de optar pela aplicação de parcela do imposto devido para investimentos. de 2 de maio de 2001. · a frouxidão dos critérios aplicados à aprovação dos projetos. compondo uma equação capaz de compensar as desvantagens iniciais de investir nas regiões menos desenvolvidas do . de acordo com os critérios estabelecidos na legislação. · a interferência na gestão da política de incentivos. entre outros.Nordeste. Alimentados pelo repasse de receitas tributárias da União. Em tese. os Fundos de Desenvolvimento Regional . com o conseqüente descaso entre os fluxos de demandas de recursos e de ingresso das aplicações nos fundos respectivos. nos resultados de sua aplicação. Enquanto os incentivos aportariam recursos mediante capitalização.FNO. com exceção de alguns poucos que executam projetos próprios. deveriam reforçar a ação dos incentivos. transforma esses incentivos em um fundo orçamentário com vigência limitada ao exercício de 2013. com base em renúncias de arrecadação do Imposto Sobre a Renda de Pessoas Jurídicas . corrupção. esses incentivos devem evitar os vícios de concepção já registrados em estudos recentes do Governo Federal. Uma vez utilizados para implementar programas e projetos de desenvolvimento sustentável propostos na Agenda 21 Brasileira. Nordeste e Centro-Oeste.fornecem empréstimos a juros subsidiados a pequenas e médias empresas. · a atitude passiva do poder público com respeito ao uso dos recursos proporcionados pela renúncia fiscal. criados pela Constituição de 1988. FNE e FCO . os instrumentos e fundos poderiam atuar complementarmente para aumentar a eficácia de suas aplicações. consubstanciada na Medida Provisória nº 2. os incentivos fiscais têm sido alvo freqüente de denúncias de favoritismo. ineficiência e desperdício. · a manutenção de um vínculo não justificável entre o contribuinte que se utiliza do incentivo e a propriedade do capital transferido para a região. a ponto de estarem ameaçados de extinção.

É indispensável que o BNDES. para adequá-los à implementação da Agenda 21 Brasileira. a CEF e o BB. programas e projetos de desenvolvimento sustentável. Algumas unidades da Federação têm legislado no sentido de que haja pesos distributivos na repartição da cota-parte livre. está a incorporação das dimensões social e ambiental na avaliação de financiamentos oficiais e na concessão de incentivos fiscais. CEF. um papel especial para as instituições públicas financeiras federais (BB. é possível identificar um conjunto de razões que justificam a ação de financiamento e de fomento como uma ação de governo. Na prática. Mesmo com as dificuldades operacionais e os obstáculos políticoinstitucionais. Cite-se. incentivos e créditos não foram capazes de provocar as mudanças esperadas nos cenários econômicos regionais. observadas as necessárias correções quanto ao seu gerenciamento. como exemplo. Basa. o BNB. Há. em transição. BNDES.país. nesse sentido. decorrentes das deficiências de infra-estrutura econômica e social. cuja aplicação é definida por lei estadual e constitui enorme possibilidade para a promoção de políticas. ainda existe espaço políticoinstitucional para mudanças incrementais em diversos instrumentos tributários. A promoção de ações de desenvolvimento sustentável se constitui numa transição e os mecanismos de mercado demonstram incapacidade de atender às demandas da sociedade. Há uma larga experiência internacional em se incorporar as avaliações de mérito social e ambiental em projetos de investimento com financiamento público ou privado. essa complementação nunca existiu. financiamentos e o papel dos bancos de desenvolvimento Entre os mecanismos e instrumentos de mercado subsidiários às políticas de desenvolvimento sustentável. Independentemente de uma ampla e indispensável reforma tributária. embora esse processo ainda apresente dificuldades técnicas e controvérsias conceituais. Incentivos fiscais. Mesmo com o 98 progresso das privatizações nos sistemas financeiros. BNB) no processo de implementação da Agenda 21 Brasileira. até mesmo nas economias tipicamente capitalistas. o Basa. a cota-parte do ICMS. Operando sob lógicas distintas e gerenciados de forma independente. os instrumentos tributários apresentam um grande potencial para a implementação da Agenda 21 Brasileira. de tal forma que têm estimulado a preservação do meio ambiente nos municípios. assim como as novas Agências de .

as dimensões social e ambiental como critérios decisivos nos seus financiamentos. 99 Um grande número dos projetos de investimentos na área social ou de preservação ecológica se situa dentro da análise custo-efetividade. também. quando de sua implantação e operação. por obrigação legal. Nela. os benefícios são especificados exogenamente (a geração de emprego em áreas deprimidas economicamente. deve-se. a conservação ou a preservação de uma reserva florestal) e o problema passa a ser como minimizar os custos associados com um dado perfil de benefícios. que deixem de incentivar os projetos mais apropriados do ponto de vista das políticas sociais de maior poder redistributivista e do equilíbrio do ecossistema regional (ver Box 2). Esta abordagem de regulamentação vem funcionando adequadamente em alguns estados e municípios da Federação. de forma sistemática. onde os órgãos oficiais de controle ambiental têm sido consultados previamente. de um lado. avaliá-lo quanto ao seu enquadramento nas legislações ambiental e sociais vigentes. que venham ocorrer efeitos distributivos que concentrem grandes danos ambientais provocados pelos projetos de investimentos subsidiados com dinheiro público. antes de submetê-lo a um processo de financiamento ou de concessão de incentivo fiscal. e. É evidente que . Adene e Adeco) incorporem. A própria existência desta estrutura regulatória é muitas vezes suficiente para que o investidor faça ajustes prévios nas características do projeto (tecnologia. A análise custo-efetividade é uma variante da análise custo-benefício mais simples de ser desenvolvida operacionalmente. Com a inclusão dos benefícios ou dos custos sociais e ecológicos no fluxo de caixa de um projeto de investimento.Desenvolvimento Regional (ADA. é o abandono da análise ampliada dos custos e dos benefícios e a utilização do custo-efetividade. onde são avaliadas as condições de trabalho na cadeia produtiva em que se insere o projeto financiado ou subsidiado. antes da aprovação de um financiamento favorecido ou de um subsídio a ser concedido a um projeto de investimento. muitas vezes de difícil quantificação. Um caminho alternativo para o tratamento dessas questões. do outro lado. empréstimos ou concessão de incentivos fiscais para evitar. organização do trabalho). microlocalização.

à semelhança de iniciativa do BNDES. e de priorizar ações de apoio ao desenvolvimento sustentável. as instituições signatárias e o Ministério do Meio Ambiente (MMA) estabeleceram.dos responsáveis pelo não atendimento de obrigações pecuniárias referentes à legislação ambiental. · estimular a criação de facilidades creditícias para aquelas empresas que implementarem sistemas de gestão ambiental e processos de certificação. o que os proibiria de acesso aos créditos e financiamentos oficiais. · priorizar projetos identificados com maior sustentabilidade ambiental. suspenso por meio de liminar junto ao Supremo Tribunal Federal e aguarda julgamento do . mais de doze mil situações irregulares. as seguintes prioridades: · definir critérios para análise da dimensão ambiental na alocação de créditos e financiamentos. Na carta. Visando à implementação das atividades decorrentes do Protocolo Verde. foi assinada a Carta de Princípios para o Desenvolvimento Sustentável pelos cinco bancos controlados pelo Governo Federal: o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social _ BNDES. as cinco instituições financeiras federais assumem o compromisso de incorporar a dimensão ambiental no seu sistema de análise e avaliação de projetos. Houve. segundo o MMA. envolvendo. conhecida como ‘Protocolo Verde'. também. em 1996. o Banco do Nordeste do Brasil _ BNB e o Banco da Amazônia _ Basa. sobre o que se entende por benefício de um projeto. O recurso ao Cadin foi. o Banco do Brasil _ BB.000. Buscou-se. sujeitas à interrupção do processo de concessão de crédito por parte das instituições federais. a Caixa Econômica Federal _ CEF. Uma primeira iniciativa nesse sentido gerou grandes impactos. · identificar novos mecanismos para incrementar a disponibilidade de fundos financeiros para projetos de investimentos de desenvolvimento sustentável. pode afetar.um processo de decisão exógena. a ordem de prioridade dos investimentos e que esse método de análise seja fortemente passível de decisões políticas envolvendo interesses velados. todavia. como a ISO 14. igualmente. BOX 2 O PROTOCOLO VERDE Em novembro de 1995. contribuir para a criação de unidades ambientais dentro das agências financeiras. uma tentativa de inclusão no Cadastro Informativo de Créditos Não-Quitados do Setor Público Federal Cadin . de maneira profunda. capacitando-as a operacionalizar as diretrizes do Protocolo Verde.

100 O Protocolo Verde trouxe muitos avanços nas instituições financeiras federais que passaram a lidar melhor com a questão da sustentabilidade ao priorizar e aprovar a concessão de seus créditos e financiamentos. inclusive por meio de empréstimos subsidiados. a partir da formação de parcerias governo/sociedade. particularmente no processo de financiamento de negócios sustentáveis e no detalhamento técnico da avaliação dos custos e benefícios ecológicos a serem considerados na rentabilidade social dos projetos. o que exigirá uma taxa de investimento próxima de 25% do PIB. signatárias do Protocolo Verde.mérito. o Brasil não pode deixar escapar a oportunidade ímpar para influenciar. Considerando-se que grande parcela dos financiamentos para esses investimentos virá das instituições financeiras federais. dependendo dos ganhos de produtividade na capacidade produtiva instalada e da composição setorial dos investimentos. Um caminho alternativo tem sido a geração de sinergias de recursos. Inúmeras experiências de cooperação entre os governos e entidades da sociedade civil (o . Entretanto. decisivamente. já começa a se observar que o nível dos investimentos caminha para um patamar superior a 20% do PIB. A partir da estabilidade econômica conquistada pelo Plano Real. a incorporação da dimensão ambiental no processo de formação de capital do país. e dos organismos multilaterais de fomento (BIRD. as quais têm trazido resultados surpreendentes para a melhoria das condições de vida. após as reformas institucionais e sua consolidação no século XXI. A construção de parcerias governo/sociedade As chances de implementação da Agenda 21 seriam reduzidas se as soluções dos problemas de desenvolvimento sustentável dependessem apenas de recursos fiscais dos três níveis de governo. e que a poupança externa volta a ser uma expressiva fonte de financiamento desses investimentos (de 3 a 4% do PIB). Na verdade. é preciso redefinir o conceito de desenvolvimento para que possamos dispor de um horizonte ampliado para tratar a questão. ao contrário dos anos de 1970 e de 1980 quando contribuíram significativamente para a degradação de ecossistemas rurais e urbanos. ainda há muito progresso para se realizar. A expectativa predominante é a de que. o Brasil possa retomar sua trajetória histórica de crescimento de 7% ao ano. BID) sempre atentos à questão ambiental em suas linhas de empréstimos.

gerados em regime de subcontratação. exercícios de proselitismo político ou campo de frustração para os seus beneficiários. a partir de nichos de mercado devidamente identificados: produtos diferenciados pela qualidade. os . sob os mais diferentes critérios de avaliação: são praticamente nulos os índices de inadimplência no crédito popular. estimulando a prática da cidadania responsável. Numa etapa posterior. estavam centrados no atendimento das necessidades básicas da população e se destinavam a melhorar as condições de habitação. de geração de renda e de emprego. Em geral. em nosso país. Essas condições de sustentabilidade podem ser mapeadas a partir de indicadores que avaliam a prática da ação coletiva das associações comunitárias.chamado terceiro setor) têm se acumulado durante as últimas décadas. esses projetos têm algumas características semelhantes registradas a partir de um grande número de experiências já realizadas e considerando seus fundamentos comuns. de sistemas simplificados de abastecimento alimentar em áreas periféricas dos grandes centros urbanos. tem sido muito positivo. identificou-se que o seu estilo de mobilizar ações "de baixo para cima". o grau de endogenia dos grupos sociais específicos na definição de projetos e na ativação de recursos latentes. também. para a promoção de micro e pequenos projetos de geração de renda e de emprego. educação. São projetos que buscam condições de sustentabilidade ao longo do tempo. em diferentes países em desenvolvimento. para a busca de formas alternativas de conceber e executar projetos de desenvolvimento econômico e social. O resultado geral dessas experiências de parcerias em programas e projetos de combate à pobreza. a qualidade das lideranças na sua capacidade de gestão e de mobilização articulada nos interesses e nas emoções da população-alvo. São projetos que. para evitar que se tornem meras experiências de vitrine. substitutivos da economia de subsistência. evoluiu-se para uma nova geração de projetos que organizavam a prestação de serviços onde as falhas da economia de mercado se tornavam evidentes: a organização da oferta de crédito popular (diversas experiências de banco do povo). inicialmente. Da mesma forma. saúde e nutrição dos mais carentes. desde sua definição inicial até as diferentes etapas de sua implementação. poderia ser adotado. 101 São projetos que envolvem uma intensa participação de segmentos organizados da sociedade civil.

a metodologia adotada para viabilizar os projetos elimina desperdícios. em primeiro lugar. embora possa haver condições mais favoráveis para aquelas que atuam na produção de bens de consumo popular. aglutina recursos dispersos e restringe as práticas de corrupção administrativa. numa economia cada vez mais globalizada do ponto de vista das suas transações comerciais e financeiras. sistemas produtivos locais de micro e pequenas empresas podem ser promovidos mais eficazmente por meio da organização de experiências locais ou microrregionais de desenvolvimento endógeno. as quais têm sido conduzidas pioneiramente. no Brasil. é a definição dos que podem potencializar os recursos latentes. pequenas e médias empresas. nesse caso. exercita-se a prática da cidadania e daí emerge um novo quadro de lideranças comunitárias. e ao organizar linhas de financiamento de custos e prazos mais compatíveis com a situação de fragilidade dessas empresas têm-se instrumentos a serem utilizados com histórico de avanços tanto no Governo Federal como nos estaduais. há. embora possa haver diferenciação dos instrumentos a favor de áreas economicamente deprimidas. ou de que bens e serviços estejam produzindo. pequenas e médias empresas especializadas e com uma série de problemas comuns de . executar e controlar os projetos. Por outro lado. Ao simplificar os seus sistemas tributários em termos burocráticos e de carga de impostos e taxas para as micro. um conjunto de instrumentos econômicos. Para atingir esse objetivo. formados por conjuntos de micro. O que estamos apontando como meios de implantação. Começam a surgir no Brasil práticas de metodologias para lidar com problemas de competitividade dinâmica em arranjos ou sistemas produtivos locais (SPL). Promoção da competitividade sistêmica 102 Um dos principais desafios da construção da Agenda 21 Brasileira é a concepção e a implementação de políticas públicas para dar às micro.projetos executados dentro desse novo paradigma têm custos extremamente reduzidos. pequenas e médias empresas brasileiras condições de competitividade sistêmica. nos últimos cinco anos. por diversas instituições públicas e privadas. financeiros e administrativos que podem beneficiar essas empresas de forma geral. na dinâmica de conceber. independentemente de que região se localizem.

marketing. de forma sistemática. mapeando pontos de estrangulamento e oportunidades perdidas. normalmente. sociais e de qualidade ambiental. diversificação da base produtiva. algumas etapas: · promoção de um processo de desenvolvimento endógeno a partir da mobilização social e política decorrente de um ambiente de insatisfação ou inconformismo entre os grupos sociais quanto ao mau desempenho dos indicadores econômicos. Um processo de desenvolvimento endógeno é concebido e executado a partir da capacidade que dispõe determinada comunidade para a mobilização social e política de recursos humanos. 103 · estruturação do inconformismo. novos materiais versus materiais tradicionais). na área em que se localiza. logística. · identificação. que em geral envolve reflexões organizadas quanto ao baixo desempenho dos indicadores econômicos (taxa de crescimento do produto territorial. Ainda vale destacar que a promoção do desenvolvimento produtivo local com condições de competitividade passa por decisões em vários níveis: · no campo das decisões privadas. ameaças e riscos que envolvem a dinâmica e a sustentabilidade de cada sistema produtivo local com potencial específico. índice de valor agregado. do conjunto de chances. · por meio de novas técnicas de gestão e de produção é crescente a economia de insumos e fatores básicos (redução nos coeficientes técnicos de produção) nos processos de transformação industrial mais avançados.tecnologia. A competitividade deve ser incentivada diante da irreversibilidade do processo de abertura da economia brasileira. que se referem às decisões típicas de responsabilidade . adensamento da cadeia de valor econômico) e dos indicadores de sustentabilidade ambiental quanto ao subaproveitamento das oportunidades de investimentos disponíveis. materiais e institucionais. encolhendo ainda mais os mercados desses produtos. Esse tipo de processo percorre. em uma determinada localidade ou região. tornando-se indispensável um processo de melhorias: · por meio de inovações tecnológicas os países industrializados estão conseguindo aumentar suas possibilidades de substituição dos produtos intensivos em fatores básicos (fibras sintéticas versus fibras naturais. levam os principais atores a um comportamento proativo de maior cooperação e integração dos interesses locais.

o governo aplica taxas. · alteração indireta de preços e custos por meio de medidas fiscais ou financeiras: quando ocorrem subsídios diretos. bônus de desempenho ou aplicação de multas. se as empresas não abandonarem atitudes defensivas quando ocorrerem resultados adversos. Uso de mecanismos e instrumentos de mercado na implementação das políticas ambientais da Agenda 21 Brasileira Os instrumentos econômicos mais relevantes para a formulação e a execução das políticas de desenvolvimento ambiental podem ser definidos e classificados de diferentes formas. pelos três níveis de governo. · no campo das decisões comunitárias. impostos ou multas aos poluidores individuais ou aos usuários de recursos. envolvendo a localização das atividades. as relações capital/trabalho. .do empresário individual sobre o que ocorre dentro da fábrica ou da propriedade rural. de resolvê-los. assim como quando sistemas de depósitos restituíveis são operacionalizados. A organização de um sistema produtivo de base local é um jogo de soma positiva. baseado no uso do recurso e na natureza do meio recipiente. com benefícios maiores ou menores. infraestrutura) e semipúblicos ou meritórios (saúde. segurança. isoladamente. por meio de: · alteração direta dos níveis de preços e de custos: ocorre quando impostos e taxas são aplicados diretamente a produtos e aos seus processos que geram estes produtos. educação) nas áreas em que se localizam os arranjos produtivos locais. de consumo e de investimento. a escolha de tecnologias. financiamentos facilitados ou incentivos fiscais (de imposto de renda. no sentido da sustentabilidade ambiental. e em valores suficientemente elevados para reduzir impactos desfavoráveis. na medida que permite às empresas resolverem problemas comuns. Esses instrumentos pretendem estimular comportamentos de produção. se não for eliminado o clima de desconfiança entre elas. se não vier a se instalar entre as empresas que o compõem um ambiente de competição cooperativa. que se referem à oferta. de depreciação acelerada). sem condições. · no campo das decisões governamentais. a adoção das técnicas de gestão. 104 É óbvio que o desenvolvimento local tem reduzidas chances de se estruturar e de se consolidar. que se referem a problemas comuns às empresas que compõem o sistema produtivo de base local. de serviços públicos tradicionais (justiça.

as partes prejudicadas fazem acordos por meio de litígios e cortes de justiça. particularmente os da OCDE. que permitam identificar os "ambientalmente amigáveis". que poderiam dar suporte efetivo para a concepção e a implementação de políticas de sustentabilidade ambiental. no apoio a mercados. Seria pago pelas empresas que. Por exemplo. para se ganhar maior eficácia na condução das políticas ambientais. pagar todos os danos aos prejudicados. · legislação rígida sobre passivos ambientais: o poluidor ou usuário do recurso deve. Existem mais de uma centena de instrumentos econômicos diferenciados. nas fases de implantação. esquemas de seguro para atender ao passivo ambiental). poluidores ou usuários de recurso negociam as permissões por meio de preços de mercado não regulados. tais como: · permissões negociáveis: o governo estabelece um sistema de permissões negociáveis para poluição ou uso de recurso. provocassem danos ambientais pela descarga de resíduos no meio ambiente. de operação e de manutenção de seus empreendimentos. as suas alíquotas diferenciadas seriam calibradas de acordo com o dano que a poluição do empreendimento provoca. 105 · classificação de desempenho: o governo apóia programas de certificação ou de classificação que requeiram a divulgação de informações ambientais de produtos de uso final. há instrumentos formulados a partir de legislação modificada ou de regulação (emissões de títulos negociáveis. de acordo com sua contribuição positiva ou negativa para o processo de desenvolvimento sustentável no Brasil. há situações em que as autoridades públicas se responsabilizam pela estabilização de preços ou pela organização (materiais secundários de reciclagem. estruturação de ecomercados). o uso potencial dos denominados "impostos verdes" visando estimular ou desestimular a produção e o consumo dos bens e serviços. sendo utilizados em muitos países. ou econômico. Basicamente. um imposto verde representa a imposição de uma taxa sobre a poluição ou degradação ambiental. leiloa ou distribui as permissões e monitora o cumprimento. Imposto verde Não é uma tarefa simples a introdução de qualquer mecanismo de mercado. O imposto verde tem como fundamento a proposta de que os poluidores deveriam pagar uma taxa .· criação ou apoio a mercados: no mercado. por lei.

As vantagens dos impostos verdes na alocação eficiente de recursos e sua importância num projeto de reforma tributária no Brasil estão mencionadas no Box 3. o tema é recorrente porque o nosso sistema. a sua introdução no sistema tributário nacional merece estudos cuidadosos por causa de seus efeitos distributivos e macroeconômicos. parte-se para uma solução operacional de compromisso diante de informações imperfeitas. no presente e no futuro. mas. Em geral.baseada numa estimativa do dano causado pela sua emissão de poluentes. em lugar de regulamentações. por critérios de eficiência. Muitos países. certamente. Entretanto. provocará aumentos nos preços e diminuição do consumo dos produtos tributados. A sua introdução. Outros países. No momento não é possível realizar um cálculo preciso da carga tributária adequada no imposto verde. como os Estados Unidos e a Alemanha. não apenas no Brasil. que vêm adotando alguma forma do imposto verde. traz problemas específicos que não podem ser desprezados. contudo. A perda de bem-estar com a queda do consumo dos produtos tributados. refletir os custos da poluição. BOX 3 OS IMPOSTOS VERDES NA REFORMA TRIBUTÁRIA DO BRASIL Reforma tributária é um tema recorrente. os impostos e taxas antipoluição irão incidir sobre os segmentos mais pobres da população. 106 A opção por impostos e taxas. sabem dessas limitações. inclusive não intencional. Se o sistema tributário for marcadamente regressivo. não é propício à harmonização com outros sistemas tributários. No caso brasileiro. como o Brasil. ainda assim. o imposto verde deveria. além de seus impactos sobre a competitividade/preço dos produtos taxados no comércio internacional. induz à sonegação. A globalização e os acordos de integração requerem sistemas tributários com características . consideram o uso de impostos e taxas uma intervenção mais apropriada do que o uso intensivo de regulamentações. acompanhados por multas para os que desrespeitarem esses padrões. que estabelece padrões quantitativos de emissões de poluentes. estão também discutindo ou discutiram recentemente reformas em seus sistemas tributários. é demasiado complexo. tem de ser comparada com os ganhos de bem-estar para os indivíduos afetados pela poluição. com a redução ou a eliminação dos danos ambientais. Assim. prejudica a competitividade. em termos gerais tem estrutura obsoleta.

Entretanto. Há. · impostos e taxas incentivam as empresas a aplicar fundos próprios ou de empréstimos em pesquisa e desenvolvimento nas tecnologias de redução da poluição ou em processos de produção menos poluentes. avanços na legislação do IR. A simplicidade é uma demanda permanente da sociedade brasileira. uma empresa não tem incentivo para reduzir as emissões abaixo deste padrão. estará em desvantagem comercial quando comparado com os seus competidores. · desde que um padrão de poluição tenha sido definido. o que é mais eficiente do que o 107 risco de que os padrões fixos de emissão. unilateralmente impondo-os à sua economia. a evolução da guerra fiscal. cujo sintoma evidente foi o movimento de apoio ao imposto único. pressões por vinculações de receita. Por ocasião da apresentação do primeiro projeto de reforma tributária pelo Governo Federal. O debate sobre o conteúdo de uma reforma tributária será uma oportunidade muito especial para avaliar os custos e benefícios sociais da introdução dos chamados impostos verdes no sistema tributário brasileiro. afetando a competitividade . harmonizar sistemas complexos e com muitas exceções. tornam indispensável e inadiável que se faça reforma mais abrangente. a forma de definir esse processo é a chamada busca de "harmonização" entre os sistemas tributários. São características indispensáveis ao processo de harmonização. problemas relacionados com o comércio internacional. · impostos e taxas sobre determinados produtos podem reduzir a emissão de poluentes associados. Se um país isoladamente estabelece os impostos verdes. os quais quanto mais elevados mais estimulam a empresa a reduzir as emissões. a simplicidade e a generalidade. senão impossível. diferentemente dos impostos e taxas. discussão e aprovação de uma reforma parcial. sejam desrespeitados por falta de uma fiscalização permanente e onerosa in loco. É difícil. era aceitável e compreensível a proposição. Estes apresentam as seguintes características de eficiência para as políticas ambientais: · os impostos ou taxas são administrados pelas estruturas burocráticas existentes nos três níveis de governo e com menor risco relativo de evasão. a abertura e a globalização. também.fundamentais comuns no mundo inteiro. por exemplo.

muitos impostos verdes (sobre a emissão de carbono. por meio de algum tipo de acordo generalizado de comércio. basicamente) não equipados com mecanismos antipoluição (conversor catalítico. envia sinais corretos para produtores (diminuindo os seus lucros) e para consumidores (elevando os preços de compra) sobre os custos dos danos ambientais provocados por estes produtos. taxas de produtos. o que dependerá das condições de oferta e de procura. para induzir a 108 adoção de equipamentos de controle da poluição do ar e para desestímulo à aquisição de bens duráveis de consumo (automóveis. assim como para atingir padrões desejáveis de efluentes diferenciados e. que muitas vezes não conseguem se diferenciar dos impostos verdes sobre produtos. estimulando-os a se dedicar à produção e ao consumo de produtos com menores índices de poluição e danos ambientais. Assim. por meio dos impostos e taxas ambientais. se os produtos são retornados a algum ponto de coleta legalmente autorizado depois de usado. taxas dos usuários (princípio usuário/pagador). Como os produtores somente produzem aquelas mercadorias que são demandadas pelos consumidores. Mas. co-responsáveis por qualquer poluição. o depósito é restituído. também. visando a obter receitas com o propósito de formação de fundos especificamente destinados a melhorar a qualidade da água. em cada uma dessas situações. das normas e dos decretos. Depósitos restituíveis O sistema de depósitos restituíveis envolve depósitos pagos por produtos potencialmente poluidores. se forem introduzidos simultaneamente por diversos países. por exemplo). O sistema de bônus de desempenho e bônus de garantia são . estes devem ser. por exemplo) somente tenderão a ser implantados para os produtos comercializáveis.de suas exportações. pelo menos em parte. a proporção paga pelos consumidores deve ser comparada com a proporção paga pelos produtores. em muitos países têm sido utilizadas para controlar a poluição hídrica. há argumentos que precisam ser ponderados. Taxas. principalmente em se tratando de commodities. O mercado. Para qualquer imposto verde. Entre as principais taxas. Taxas ambientais O sistema de taxas é uma forma de ampliar o espaço do uso dos instrumentos econômicos em caráter complementar ou substitutivo ao espaço dos regulamentos. destacam-se: taxas de emissão de efluentes (princípio poluidor/pagador).

acabam por se tornar mais úteis como fonte de receita fiscal do que como instrumento dos objetivos de política ambiental.). as agências têm buscado combinar esses instrumentos de incentivos econômicos com processos e estruturas administrativas de regulamentações diretas. promotoras do desenvolvimento sustentável. muitas vezes. Considerações sobre as alternativas possíveis O Brasil não tem escassez de recursos para financiar políticas redistributivas. ele poderá acomodar de forma equilibrada os objetivos múltiplos de um processo de desenvolvimento sustentável. O Brasil poderá superar uma visão dominante do crescimento econômico com elevados custos sociais e ecológicos. preservação de espécies. para perseguir uma trajetória de desenvolvimento onde se consigam ganhos expressivos para a sociedade brasileira em termos da redução do número de pessoas em regime de pobreza absoluta ou crítica. reversão da polarização espacial. Outra utilização desses sistemas é a caução para recuperação de passivos ambientais. se as atividades conduzidas por essas empresas não atenderem a uma prática ambiental aceitável (preservação de mananciais. Assim.sistemas similares que requerem o pagamento de um bônus de desempenho ou depósito de segurança (por uma empresa mineradora ou madeireira). Como resultado. pode ser suficiente para atenuar sensivelmente os inaceitáveis e injustos padrões de desigualdades no país. etc. Admite-se que as agências de proteção ambiental desses países tendem a fixar as taxas em nível muito baixo. melhoria dos indicadores de qualidade de vida e uso racional dos recursos ambientais numa perspectiva dos interesses entre gerações presentes e futuras. A própria experiência dos países da OCDE mostra que há uma divergência entre a teoria e a prática no uso dos instrumentos de estímulos econômicos. Uma alocação mais eficiente e eficaz dos recursos disponíveis. atenuação das desigualdades sociais. Esta alternativa já é aplicada em vários países da OCDE e garante a recomposição ou a reabilitação de áreas comprometidas por atividades degradadoras. Dependendo da configuração político-institucional do novo ciclo de 109 expansão. 110 . os custos de recuperação ou de limpeza ambiental serão pagos com fundos dos depósitos ou dos bônus. de forma tal que não se consegue atingir os objetivos de qualidade ambiental programados.

por exemplo. as estratégias são de curto prazo (políticas sociais de natureza compensatória). devem. Na análise dos efeitos distributivos desses projetos não diretamente produtivos. é preciso. não se pode afirmar que os critérios de eficiência econômica e de eqüidade social (ou de distribuição de renda e de riqueza) que orientam a seleção e a prioridade de estratégias de desenvolvimento sustentável sejam mutuamente excludentes. portanto. intencionalmente. mostra que o aumento da eficiência econômica e. que sejam identificados os conflitos de interesses de curto prazo entre os diferentes objetivos de desenvolvimento sustentável que estão contidos nas ações e recomendações propostas.5 . necessariamente.Conflitos de interesses e o desenvolvimento sustentável Para delimitar as estratégias de desenvolvimento da Agenda 21 Brasileira. da produtividade e da competitividade. Contudo. o objetivo distributivista colocará todo o empenho. por meio de benefícios derivados dos salários e dos rendimentos privados gerados pelos projetos produtivos e também dos benefícios dos projetos sociais não diretamente produtivos (como é o caso da educação e saúde). À medida que a ênfase está na solução de problemas sociais pela alocação de fundos em programas diretamente ligados a esse setor. Nessas questões. nas ações e medidas que tenham maior probabilidade de beneficiar os grupos sociais de baixa renda. As diferentes ações da Agenda 21 Brasileira irão afetar a distribuição da renda e da riqueza em suas áreas de atuação. a fim de dimensionar a intensidade do esforço de negociação para a superação dos mesmos. a regra geral é o provável insucesso das ações e medidas propostas para gerar mais eqüidade social. 111 . Eficiência econômica versus eqüidade social Em princípio. em aumento do bem-estar socioeconômico dos cidadãos mais pobres da comunidade. em vários países. Os programas ou projetos de natureza distributiva. é indispensável estabelecer os alicerces para a construção das políticas públicas. ser eficientes sob o aspecto econômico. O que interessa ressaltar é a ênfase dada ao programa ou projeto a ser executado. A experiência de longos anos. nem na redução do desemprego e do subemprego. A separação dos critérios de eficiência e distribuição não se deve à idéia de que sejam antagônicos. pode não resultar. Para que estas políticas sejam factíveis. é importante introduzir a dimensão temporal. na maioria das vezes. inicialmente.

sob a dimensão ambiental. a dimensão ambiental como variável relevante para a aprovação dos financiamentos. Eficiência econômica e sustentabilidade ambiental O uso econômico dos recursos ambientais pode colocar uma grave questão para as presentes e as futuras gerações. Crescimento e eqüidade podem ser objetivos conflitivos. A relação dependerá das políticas que se adotem. Assim. adotado para a promoção do crescimento das áreas menos desenvolvidas do Brasil. As estratégias que compõem o processo de desenvolvimento sustentável da Agenda 21 Brasileira. Na verdade. que garantem taxas de crescimento econômico sustentável entre gerações. pequenas e médias empresas no processo de globalização. não vinha incluindo. em geral tem estimulado o uso predatório dos recursos ambientais em diversos contextos históricos. definem o uso eficiente e racional dos recursos naturais. O próprio sistema de incentivos fiscais e financeiros. bem como sua . No longo prazo. entre os seus critérios de avaliação dos projetos de investimentos. as políticas ambientais de sustentabilidade da agricultura nos cerrados ou do extrativismo na Amazônia. por exemplo) pode melhorar consideravelmente as carências existentes e virá a se constituir em solução mais adequada e com maior sustentabilidade. As maiores possibilidades de conflito podem ocorrer entre aquelas políticas em que ambos os objetivos são complementares no longo prazo.Quando se introduz a dimensão de longo prazo. até recentemente. mas contrários no curto prazo. por exemplo. ainda que possam reduzir as taxas de crescimento do PIB no curto prazo. muitos projetos incentivados da Amazônia e do Centro-Oeste contribuíram para a devastação da flora e da fauna em extensas áreas de florestas tropicais e de cerrado. eficiência e distribuição estão bastante interligados. como podem chegar a ser complementares ou independentes. as estratégias têm de considerar que o uso alternativo de fundos em projetos com efeitos distributivos positivos (a mobilização de cadeias produtivas endógenas em áreas de alto risco social. A compatibilidade entre crescimento econômico e sustentabilidade ambiental não ocorre como conseqüência natural do jogo espontâneo de mercado. como. se não for conduzido segundo critérios de sustentabilidade. o que pode ser ilustrado pela questão das micro. a livre mobilização dos fatores de produção pelos mecanismos de mercado.

desde que observado o imperativo moral de respeito pelas necessidades das gerações futuras. desde que seja possível. Neste caso. c) manter sempre os fluxos de resíduos no meio ambiente no nível igual ou abaixo de sua capacidade assimilativa. a Agenda 21 Brasileira destaca a vinculação dos interesses individuais com o valor econômico da natureza de onde poderão extrair benefícios líquidos para as atuais e as futuras gerações. ao longo do tempo. a Agenda 21 Brasileira propõe uma definição operacional para o processo de desenvolvimento sustentável. orientando-se para a melhoria da qualidade de vida da população. desde que adotem processos tecnológicos e padrões de consumo ecologicamente corretos. Em relação às articulações entre os subsistemas econômicos e os subsistemas ecológicos. dão a dimensão da gravidade da questão ambiental em termos da destruição e da degradação do capital natural em diversas . Regionalismos e escassez de recursos naturais A consulta nacional da Agenda 21 Brasileira em suas diferentes etapas traz sugestões e estratégias de desenvolvimento sustentável que. Como não tem sido de sucesso a história dos processos de implementação de leis que tentam disciplinar os interesses individuais em função dos interesses coletivos. ancorados em intensa mobilização dos movimentos conservacionistas. uma concepção alternativa de desenvolvimento. nos dão certa a garantia de que. é fundamental trabalhar a consciência social de empresários e consumidores num comprometimento permanente com a dimensão do desenvolvimento sustentável em suas decisões cotidianas e estratégicas. sujeito ao grau de substituição entre recursos e progresso tecnológico.valoração. b) otimizar a eficiência com que recursos não-renováveis são usados. 112 Os dispositivos legais como a lei dos crimes ambientais. Esta manutenção implica. por si só. no Brasil. na qual a questão ambiental não seja tratada à margem das principais decisões sobre a acumulação de capital e seus efeitos distributivos. segundo o qual este envolve a maximização dos benefícios líquidos do desenvolvimento econômico. a tendência é prevalecer. sujeito à manutenção dos serviços e da qualidade dos recursos naturais ao longo do tempo. a aceitação das seguintes regras: a) utilizar os recursos renováveis a taxas menores ou iguais à taxa natural que podem regenerar.

fundamentalmente. para promover ações compensatórias do ponto de vista da eqüidade social.localidades e microrregiões do país.2% do seu PIB. recuperação ou preservação por parte dos agentes econômicos (produtores e consumidores) situados nestas áreas. sendo que na pauta destas importações há o predomínio de produtos naturais: produtos alimentares (29. Como tende a crescer significativamente este processo de postergar políticas ambientais que possam impor o uso racional dos recursos naturais nas áreas mais desenvolvidas . contudo. quando ocorre: uma . madeira. para mobilizar as potencialidades de expansão econômica das áreas periféricas. Em 1995 as importações de bens e serviços do Sudeste. de recursos ambientais de outras regiões. madeira e mobiliário (3. já estão identificados sentimentos regionalistas nas áreas exportadoras (particularmente no Norte e no Centro-Oeste). 113 Uma explicação plausível para esta situação está relacionada às possibilidades de que as regiões Sul e Sudeste possam se abastecer. O país precisa utilizar sua capacidade político-administrativa para coordenar a execução de políticas públicas de médio e de longo prazos. qual seja.5%). As estratégias de desenvolvimento sustentável da Agenda 21 Brasileira estão atentas a possíveis movimentos regionalistas por força de tensões sociais e políticas provocadas. biodiversidade) ainda não têm se manifestado de maneira expressiva por seus preços de mercado nas áreas mais desenvolvidas do país.0%). assim como ações de crescimento. pela difusão desigual da dinâmica do crescimento econômico no espaço nacional. Esses movimentos regionalistas podem se manifestar em diferentes situações. chegaram a 8. a construção de uma economia de solidariedade regional. e compensações ambientais para atenuar os desequilíbrios regionais de bem-estar das populações. agropecuária (23.as que mais avançaram na destruição de seus recursos naturais renováveis e nãorenováveis -. vestuário e calçados (4. que a escassez crescente de alguns recursos naturais (água. sendo este um dos desafios da Agenda 21 Brasileira.0%). É curioso observar. regularizando a sua oferta por meio de importações inter-regionais. a baixo custo. e tendo em vista a possibilidade de importações inter-regionais de produtos com alta intensidade destes recursos. originárias das demais regiões brasileiras. toda vez que ocorrer expansão da demanda local. o que tem reduzido os impactos e estímulos indispensáveis para a sua conservação.8%).

com eqüidade e sustentabilidade ambiental. Políticas econômicas de curto prazo. promover a reestruturação produtiva das localidades e microrregiões onde o processo de crescimento econômico vem promovendo uma ampla devastação da sua base de recursos naturais. a consolidação do ajuste fiscal e financeiro. Um país com dimensões geográficas e heterogeneidade sociocultural tem. assim como da base de recursos naturais das demais áreas onde se abastecem direta ou indiretamente destes recursos. com as políticas de desenvolvimento de médio e de longo prazos. Assim. as instituições públicas e as privadas das áreas mais desenvolvidas de um país pretendem. por meio de políticas públicas que promovam o crescimento econômico. pela manipulação de sua força de decisão pelo poder político central. .perversa transferência inter-regional de excedentes produtivos. para promoção do desenvolvimento sustentável das áreas periféricas do país e. a Agenda 21 114 Brasileira contém estratégias político-institucionais para o controle dos conflitos regionais. Nesse último caso. desconhecendo os interesses dos grupos sociais locais quanto ao seu próprio desenvolvimento. também. de um lado. a superação do atual quadro de desigualdades sociais e regionais. Nesse sentido. relações de dependência entre regiões. têm de ser operadas dentro das restrições impostas por um tempo histórico e irreversível. por meio de ações programadas. Esta questão inclui. particularmente. a intensidade e a cronologia do uso dos recursos naturais e dos recursos energéticos das áreas menos desenvolvidas. a preservação da sua unidade nacional. deixando de considerar estas regiões tão-somente como "grandes almoxarifados de recursos naturais e recursos energéticos" à disposição dos eixos mais desenvolvidos. uma persistente deterioração nos termos de intercâmbio inter-regional. que lidam com problemas de inflação. particularmente daquelas localizadas na fronteira externa da economia nacional. Políticas de curto prazo versus políticas de desenvolvimento A concepção e a implementação de políticas de desenvolvimento sustentável no Brasil colocam em questão os problemas de articulação dos objetivos das políticas econômicas de curto prazo. e. definir a forma. de flutuações nos níveis de emprego ou de geração de renda. como um dos principais objetivos de desenvolvimento. torna-se indispensável. de outro. para a melhoria da qualidade de vida de seus habitantes.

uma sociedade em regime de inflação crônica e de inconsistências macroeconômicas. a atenuação dos desequilíbrios regionais e o êxodo rural. as políticas econômicas podem fracassar.É indispensável tomar estas restrições e condicionalidades como ponto de partida. num processo de reforma e de modernização do Estado brasileiro. desde a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento em 1992. instrumentos de políticas públicas para promover ações compensatórias do ponto de vista da eqüidade social. programas e projetos de desenvolvimento que procuram articular crescimento econômico. Há uma expectativa de que o Estado possa coordenar. eqüidade social e sustentabilidade ambiental. que somente são eficazes no longo prazo. este venha a desempenhar um papel mais amplo do que apenas coordenar e manter a consistência do equilíbrio macroeconômico. numa sociedade em regime de rigoroso ajuste fiscal e financeiro. antes de se consolidar a estabilidade econômica. Por outro lado. Vale dizer. também. para atenuar os desequilíbrios regionais de bem-estar das populações. Na verdade. as soluções dos problemas de estrutura ficariam cronologicamente condicionados pelas soluções dos problemas de conjuntura (os de curto prazo). Se. 115 Assim. quisermos resolver graves questões econômicas com orientações estratégicas. é de se esperar que. o Brasil vem concebendo e executando políticas. para mobilizar as potencialidades de expansão econômica das áreas menos desenvolvidas ou estagnadas. 116 6 . nos momentos tumultuados do presente. inclina-se a considerar as políticas de médio e longo prazos como supérfluas e residuais. Pressupõe-se que os problemas de curto prazo (inflação. déficits públicos) sejam tão críticos e dominantes que não haveria condições para que esta sociedade se programasse para tratar das questões de médio e longo prazos que são a erradicação da pobreza absoluta. além de garantir a oferta de bens e serviços públicos tradicionais. como sinaliza a tendência neoliberal. no Rio de Janeiro.Do Rio a Joanesburgo: os avanços da última década no Brasil A conclusão do processo de elaboração da Agenda 21 Brasileira não significa que se está partindo de um ponto zero em termos de desenvolvimento sustentável. num caminho que acumula erros e acertos e que tem se baseado na negociação entre os diferentes . e ações de crescimento.

têm retrocedido no caminho da sustentabilidade. o Estatuto da Cidade. Recente pesquisa do Instituto de . dentre elas: a criação da Agência Nacional de Águas. Nenhum país do mundo logrou esse objetivo e alguns. o programa de fortalecimento da agricultura familiar. Diante da abrangência desses exemplos já está em curso a elaboração de um primeiro relatório de implementação5. o Brasil ainda está longe de se tornar econômica. o programa de erradicação do trabalho infantil. Em dez anos. nas mais diferentes áreas relacionadas durante o processo de elaboração da Agenda 21 Brasileira já foram implementadas ou estão em fase de implementação. os programas saúde da família e agentes comunitários de saúde. Sem dúvida. a bolsaalimentação. passos importantíssimos foram dados e. é preciso reconhecer que há numerosos avanços e complexos obstáculos a superar. ao contrário. se o progresso rumo a uma nação mais sustentável não se processou na velocidade desejada. 117 Envolvimento do empresariado Segmento que rapidamente compreendeu a mudança de paradigma procurando adaptar-se. seria injustiça negar os progressos registrados pelo Brasil desde a Conferência de 1992. De tudo o que ocorreu desde 1992. Hoje. projetos e parcerias reivindicados pelos diferentes segmentos sociais ao longo do processo de consulta da Agenda 21 Brasileira demandou a elaboração de um relatório de implementação de ações nos diferentes segmentos representados pela CPDS no exato momento em que se lança o documento da Agenda 21. Os avanços não estão restritos à implementação de processos de gestão ambiental ou de desenvolvimento de programas de responsabilidade social. instrumentos econômicos de gestão ambiental. bolsa-escola. pode-se citar dois bons exemplos de iniciativas nascidas dentro da própria sociedade: 5 A quantidade de ações.segmentos da sociedade. boa parcela dos empresários nacionais tem uma nova compreensão de seu papel como agente transformador de nossa sociedade. Nesse sentido. social e ambientalmente sustentável. uma série de demandas. Mas. a alfabetização solidária. trabalho que permitirá o monitoramento necessário a um plano de desenvolvimento da abrangência da Agenda 21 Brasileira. São exemplos do amadurecimento do processo democrático em prol da sustentabilidade.

O tema do meio ambiente e consumo. além do preço e da qualidade dos produtos. Evidentemente essas pesquisas são uma primeira amostra. constata que a maior parte das empresas do setor privado brasileiro investe na área social principalmente por meio de ações assistencialistas. a criação e implementação da Agência Nacional de Águas. apareceu nos resultados da pesquisa de forma surpreendente e mostra que a população brasileira vem incorporando práticas de consumo que levam em consideração outros atributos. projetos e programas vêm criando instrumentos mais eficientes que possibilitem a transição para o novo modelo de desenvolvimento sustentável. são importantes exemplos desse processo. É necessária uma investigação mais apurada para que se possa afirmar que os brasileiros já estão entrando na era do consumo "ambientalmente correto".140 empresas utilizadas na amostra de um total de 782 mil empresas privadas do país. nas pesquisas do Instituto Superior de Estudos da Religião . a lei que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação. Avanços na consciência socioambiental da sociedade Outro destaque nesses dez anos pós-Conferência de 1992.Pesquisas Econômicas Aplicadas .Iser e do Ministério do Meio Ambiente mostram claramente o potencial de envolvimento da população em ações proativas.Ipea. Área ambiental 118 Não se pode subestimar o esforço e os avanços realizados nos últimos dez anos para consolidar as políticas ambientais no Brasil. O investimento chega a R$ 4. a concepção e execução de programas inovadores de econegócios. A promulgação e execução da Lei dos Crimes Ambientais. como o trabalho voluntário.4% do PIB daquele ano. 1997 e 2001. é o avanço da consciência socioambiental da sociedade brasileira. o Novo Código Florestal. órgão do Governo Federal. BOX 4 A LEI DOS CRIMES AMBIENTAIS . a mobilização comunitária nos diferentes projetos e a melhoria dos instrumentos de política ambiental. denominando consumo sustentável. Das 9. além da disposição de participar de campanhas contra o desperdício dos recursos naturais. o equivalente a 0. 59% investiram de alguma forma na área social no ano 2000. Destaques na ação institucional Um conjunto de leis.7 bilhões em 2000. Entrevistas realizadas em 1992.

por exemplo. Área de ciência e tecnologia . estadual e municipal. Embora seja prematura uma avaliação mais abrangente dos impactos do conjunto de leis. dificilmente poderão ser implementados objetivos e metas de conservação e preservação dos ecossistemas urbanos e rurais do país. em princípio. não há dúvida de que.) diretamente formuladas pelos três níveis de governo (União. co-autoras ou partícipes do mesmo fato. estados e municípios) e. dentro do contexto do Sistema Nacional de Meio Ambiente. prestação pecuniária. Legislativo e Judiciário. suspensão parcial ou total de atividades. decretos. se apoiaram predominantemente no uso de regulamentações (leis. a periodicidade da renovação das licenças ambientais e as instâncias responsáveis pelo licenciamento.605 de fevereiro de 1998. como. A Lei dos Crimes Ambientais compõe a referência jurídica fundamental para dar suporte às ações de defesa do meio ambiente e às próprias resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). o processo de licenciamento tornou-se mais detalhado e disciplinado pela Resolução Conama nº 237/97. As penas restritivas de direito previstas por esta lei são: prestação de serviços à comunidade. nas quatro últimas décadas. Essas regulamentações têm na Lei Federal nº 9. de produzir e de investir.pelas atividades lesivas ao meio ambiente. a que estabelece os procedimentos do licenciamento ambiental das atividades potencialmente poluidoras. normas e resoluções sobre o processo de desenvolvimento sustentável no Brasil. uma estrutura jurídica que define as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente _ A Lei de Crimes Ambientais. recolhimento domiciliar. A Lei dos Crimes Ambientais responsabiliza as pessoas jurídicas administrativa. sem uma estrutura regulatória moderna. portarias. autoras. Na atualidade. que estabelece os tipos de empreendimentos a serem submetidos ao licenciamento. que abrange as esferas federal.As políticas ambientais no Brasil. etc. A responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das pessoas físicas. a própria existência de uma estrutura regulatória numa economia de mercado leva os agentes econômicos descentralizados a incorporar a probabilidade de sanções penais na análise de risco de suas decisões de consumir. interdição temporária de direitos. articuladas entre os Poderes Executivo. civil e penalmente . os procedimentos e prazos adotados durante o licenciamento. Na 119 verdade.

120 demonstrando a importância da utilização de C&T no processo de fiscalização e controle. Assim. um crescimento de 153%. Os indicadores mostram um aumento expressivo no número de brasileiros com formação adequada à atividade científica e tecnológica. que tem cerca de 4 milhões de km2 de área com fisionomia florestal. claramente impactantes do meio ambiente. para orientar as políticas públicas e as decisões privadas. o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais _ Inpe. processos e políticas públicas. permitindo que as atividades de exploração não autorizadas fossem identificadas. 7. assim como na definição de políticas de desenvolvimento para a região. Se em 1992.374.272 pessoas concluíram o mestrado. conforme o quadro abaixo. triplicou no período. já haviam sido sustadas. O conhecimento sobre a natureza e a sociedade amazônicas aumentou consideravelmente na . era necessário conhecer melhor a Amazônia e o impacto das atividades humanas sobre ela. Já o número de doutores formados. A abrangência espacial e a periodicidade anual tornaram o Prodes um projeto singular em escala internacional. Adicionalmente. Dados anuais de desflorestamento podem ser agregados. passando de 1. CONTROLE DO DESMATAMENTO A Conferência de 1992 encontrou o Brasil discutindo como promover o desenvolvimento da Amazônia sem abrir mão de seu patrimônio natural. o Brasil presenciou importante progresso na área da ciência e tecnologia. por ano. O projeto é baseado na análise das 229 cenas do satélite Landsat que cobre a região. Um exemplo notável é o avanço de conhecimentos sobre a Amazônia. estimativas da atividade de exploração madeireira no período 1988/1998 foram geradas a partir dos dados adquiridos pelo satélite Landsat.Na última década. Algumas atividades.344. como incentivos fiscais para a pecuária extensiva e obras de infra-estrutura sem planejamento ambiental. Uma preocupação central era conhecer a extensão e a localização do desflorestamento. em 2000 esse número subiu para 18. permitindo a visualização da distribuição espacial dos desflorestamentos na região. Esses números teriam pouco significado se os conhecimentos gerados não estivessem sendo utilizados para apoiar a tomada de decisão e o gerenciamento de produtos.759 para 5. Entretanto. implantou o Projeto Prodes com o objetivo de assegurar a continuidade da geração de estimativas oficiais de desflorestamento.

por meio do manejo participativo. utilizando o conhecimento produzido com ética e responsabilidade. após quase duas décadas de experiências de superinflação. O Livro Verde de Ciência. Destaque para o Museu Paraense Emílio Goeldi. entre lideranças políticas. Essas condições ficaram mais nítidas a partir do processo de desvalorização do real. o setor empresarial e o governo em torno de um projeto comum. Qualificado como Organização Social em 1999. localizado nas várzeas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. no estado do Amazonas. biotecnologia. o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá.última década e os institutos de pesquisa da região tiveram papel fundamental nessa conquista. Seu preparo envolveu um amplo processo de consulta onde centenas de pessoas foram ouvidas. os processos ecológicos e evolutivos. unindo a sociedade civil. por não terem acesso aos mecanismos de indexação e de dolarização nos mercados financeiros. possa ser mantida a biodiversidade. A gestão das reformas para a retomada do crescimento econômico A partir de 1994. Ainda na área de C&T é importante citar a criação dos fundos setoriais. que garantirão recursos permanentes para o desenvolvimento científico e tecnológico em diversas áreas. empresariais. o Brasil conseguiu estabilizar sua moeda com a implantação do Plano Real. dentro de um novo paradigma de sustentabilidade. preparando o país para enfrentar os desafios da sociedade da informação e do conhecimento. Tecnologia e Inovação que aborda o papel do conhecimento e da inovação no desenvolvimento social e econômico é exemplo desse projeto. saúde e agronegócio. próximo a Tefé. O planejamento e a governança da ciência. recursos hídricos. A estabilização monetária interrompeu um grave processo de empobrecimento dos grupos de baixa renda que acabavam por pagar o imposto inflacionário pela perda do poder aquisitivo de seus salários. Com a moeda estável. esse instituto tem por missão desenvolver um modelo de área protegida para grandes florestas tropicais onde. quando as exportações brasileiras tiveram uma melhoria na sua 121 . Sua função será nortear a política do setor nesta primeira década do século. acadêmicas e do governo. como energia. criaram-se condições mais favoráveis para um novo ciclo de expansão econômica. tecnologia e inovação para a próxima década também estão sendo feitos dentro dos princípios da sustentabilidade. desde janeiro de 1999.

após quatro anos de um câmbio quase fixo. a taxa média de crescimento anual do PIB está em 2.competitividade/preço. o qual se espera venha a ter características de sustentabilidade bem definidas (Ver Box 5). de grandes projetos de investimentos como os que ocorreram durante os períodos do "Milagre Econômico" e do II PND. A Agenda 21 Brasileira parte de um novo ciclo de expansão da economia brasileira. Da mesma forma. buscou-se descentralizar as ações estimulando práticas participativas dos beneficiários. contudo. constituído por grandes projetos de investimentos infra-estruturais. Se olharmos para a nossa história recente. de fato. criou-se uma rede de proteção social. após a consolidação da estabilidade monetária e encerrada a execução da segunda geração de reformas econômicas e institucionais. assim como de suas fontes de financiamento e de seus impactos ambientais. Foram concebidas e implementadas diferentes políticas públicas. Muitos destes investimentos ainda precisam ser detalhados do ponto de vista microeconômico. a serem implementadas antes que venha a se configurar um ciclo de expansão. os gastos sociais das grandes empresas do segundo setor e organizações empresariais com fins lucrativos se expandiram. Será o terceiro desde a II Grande Guerra. Constituem-se.4%. caracterizado pela liderança de inúmeros grandes projetos 122 . mais recursos fiscais foram alocados nos setores de saúde e educação. com destaque para a tributária e a previdenciária. Até o momento. Existe um conjunto de reformas. BOX 5 OS GRANDES PROJETOS DE INVESTIMENTO NO II CICLO DE EXPANSÃO DA ECONOMIA BRASILEIRA A atual administração do Governo Federal concebeu e deu início à execução do Programa dos Eixos Nacionais de Integração e Desenvolvimento. que lições podemos tirar da concepção e da implementação desses grandes projetos de investimentos? O ciclo de expansão da economia brasileira nos anos setenta foi. como base para um novo ciclo de expansão da economia brasileira pós-estabilização monetária. Área social Durante os anos de 1990 o Brasil apresentou grandes avanços no seu processo de desenvolvimento social. ampliou-se o grau de transparência e de simplificação administrativa. o que ainda é insuficiente para equacionar os problemas de desemprego e de subemprego.

usualmente. gás e carvão. Eles podem contribuir de maneira significativa para a redefinição das potencialidades de desenvolvimento . a maioria das quais para o desenvolvimento de atividades básicas. os custos sociais e ecológicos de sua implantação e operação. cobre e alumínio. grandes represas e obras de infraestrutura . o emprego gerado na fase de implantação dos projetos se reduziu de forma significativa durante a fase de operação.de investimento responsáveis por altos custos diretos e indiretos em termos de danos ao meio ambiente e ao processo de desenvolvimento socioeconômico das áreas em que se inseriram.. portuários. uma expressão que abrange "grandes unidades produtivas. sociais. condenando ao subemprego ou desemprego grandes setores de migrantes não-capacitados.. incluindo as suas externalidades ambientais. Assim. em outra escala. no uso predatório de sua base de recursos naturais.. os efeitos conjugados dos grandes investimentos acabaram resultando no agravamento da natureza dualística das economias regionais da periferia. com o agravante de que as necessidades de capacitação diferem em ambos os momentos. usinas nucleares. deve-se dar especial atenção ao fato de que os grandes projetos de investimento não resultam apenas em mazelas econômicas. Por grandes projetos de investimento se entende. As razões para esses danos são múltiplas. outras para extração de petróleo. Do ponto de vista político. nos seus fluxos de caixa. Por outro lado. culturais ou ambientais nas regiões em que se inserem. complexos industriais. como arranque ou início de possíveis cadeias produtivas para a produção de aço. e. na análise e na avaliação desses projetos para fins de financiamento. dedicadas à sua exploração em bruto e/ou transformação em refinarias ou centrais termelétricas . etc. geotérmicas.". visando a obter critérios de investimento que calculassem a rentabilidade social dos projetos. no aumento das desigualdades sociais entre grupos residentes nessas regiões. registra-se que. no acréscimo dos diferenciais de renda e de produtividade entre as suas áreas urbanas e rurais.. propostas ou dissidências. no qual os grupos mais afetados pelos danos sociais e ecológicos não tiveram a oportunidade de manifestar suas críticas. e. em geral. Do ponto de vista social. Do ponto de vista técnico. não se incorporavam. a maioria desses projetos foi concebida e implementada durante um período de autoritarismo político. como parece encerrar a análise de alguns casos pesquisados no Brasil.

nessas regiões. Como é de se esperar que, a partir de um novo ciclo de expansão da economia brasileira, surja a imperiosa necessidade de realizar novos grandes projetos de investimento, é fundamental que as lições apreendidas do passado sejam inteligentemente absorvidas. É indispensável que estes novos investimentos possam vir a se concretizar também com novas características: mais 123 articulados com a base produtiva regional; com maior amplitude distributiva; com melhor definição e controle de seus impactos ambientais e; com maior liderança empresarial do setor privado. A divulgação do Censo de 2000 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE mostra que houve melhorias substantivas em quase todos os indicadores, de 1992 a 1999: · a mortalidade infantil caiu de 44 para 29 óbitos por mil nascidos vivos, uma queda de 34% em menos de uma década; · a média de anos de estudo da população de 15 a 55 anos subiu de 5,7 (1992) para 6,6 (1999), um acréscimo de 16%; · a taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais, sofreu uma redução de 23%, passando de 17,2 para 13,3; · o número de domicílios com saneamento básico adequado subiu de 50,3% (1992) para 59,4% (1999). Entretanto, a análise dos dados demonstra que a melhoria dos indicadores sociais nos anos de 1990 não foi acompanhada de atenuação das desigualdades sociais. As desigualdades nos planos regional, de renda, racial e gênero, praticamente permaneceram inalteradas na década. O próprio IBGE admite que é menos difícil combater a pobreza do que as desigualdades. Mesmo que o país venha a vivenciar um novo ciclo de crescimento econômico com sustentabilidade, não há garantia de que as desigualdades sociais possam ser atenuadas. Indicadores do processo de discriminação social podem ser mencionados a partir do relatório do IBGE, como, por exemplo: quanto maior o salário, maior a diferença entre brancos, negros e pardos; entre 1992 e 1999, o aumento de um ano de estudo correspondeu a uma elevação de 1,2 salários no rendimento de brancos e de apenas meio salário para negros e pardos; na década de 1990, houve uma queda generalizada no número de famílias vivendo com até meio salário mínimo per capita, mas, em 1999, ainda se encontravam nessa situação 26,2% das famílias negras e 30,4% das famílias pardas, para 12,7% das famílias brancas.

A desigualdade em nível regional é bastante significativa, principalmente quando se observam os dados de 1999 da região Nordeste. Em relação ao rendimento médio da população ocupada, o IBGE observa que a remuneração cresceu substancialmente de 1992 para 1999. A região Sudeste continuou apresentando o maior valor de rendimento dos ocupados: R$ 631,20 contra R$ 314,70 da população ocupada do Nordeste. O Nordeste ficou com o menor rendimento médio dos 40% 124 mais pobres: 0,61% do salário mínimo; o Sudeste continua a apresentar o maior rendimento, com 1,35% do salário mínimo. A renda média dos 10% mais ricos representa mais de 50 vezes a renda média dos 10% mais pobres. Essa desigualdade persiste no tempo. Segundo estudos do Ipea, não há diferença significativa entre o elevado grau de desigualdade de 1998 e o de 1970, por exemplo. Nem há sinais de que essas desigualdades venham a se atenuar num futuro próximo, mantidas as atuais características dos padrões de crescimento econômico e das políticas públicas de natureza compensatória. A Agenda 21 Brasileira deverá exercer um importante papel na concepção de políticas públicas que venham a reduzir esse quadro de desigualdades e discriminações sociais, levando a uma melhoria dos componentes do desenvolvimento humano. Nada mais incômodo para o Brasil do que comemorar 500 anos de seu descobrimento com um dos maiores níveis de desigualdades sociais do mundo. O Brasil não é mais um país pobre. Sua renda per capita o situa entre o terço dos países considerados mais ricos; 77% da população mundial vivem em países com renda per capita inferior à do Brasil. O crescimento econômico é uma condição necessária mas não suficiente para o desenvolvimento sustentável, que pressupõe um processo de inclusão social, com uma vasta gama de oportunidades e opções para as pessoas. Além de empregos de melhor qualidade e de rendas mais elevadas, é preciso que os brasileiros, todos os brasileiros, desfrutem de uma vida longa e saudável, adquiram conhecimentos técnicos e culturais, tenham acesso aos recursos necessários a um padrão de vida decente. Não pode haver desenvolvimento enquanto houver iniqüidades sociais crônicas no nosso país. Crescimento e eqüidade podem ser objetivos conflitantes, como podem chegar a ser

complementares ou independentes. A relação dependerá das políticas adotadas. As maiores possibilidades de conflito podem ocorrer entre aquelas políticas cujos objetivos são complementares no longo prazo, mas contrários no curto prazo, como por exemplo, as políticas ambientais de sustentabilidade da agricultura nos cerrados ou do extrativismo na Amazônia. Em qualquer hipótese, é indispensável que, a partir dos compromissos assumidos na Agenda 21 Brasileira, se intensifiquem a formulação e a execução de políticas ativas de redistribuição da renda e da riqueza nacional. Algumas dessas políticas são de impacto no curto prazo e buscam correções transitórias das desigualdades por meio de programas de segurança alimentar ou de renda mínima, por exemplo. Outras são de natureza estrutural e pretendem ter efeitos duradouros 125 sobre a eqüidade social, como por exemplo os investimentos em educação, reforma agrária e descentralização industrial. 126 7 - Um novo pacto social: a concretização da Agenda 21 A Agenda 21 Brasileira, desde a sua concepção, foi interpretada como ponto de partida de grandes transformações, a partir das aspirações coletivas e das escolhas de expressivos segmentos de vanguarda de nossa sociedade. Em nenhum momento, porém, a Agenda foi pensada como documento de governo, com diretrizes e estratégias para dar subsídio apenas às políticas governamentais. A contribuição federal é decisiva, à medida que as propostas aprovadas sejam introduzidas, como acordado, nas prioridades do próximo Plano Plurianual e sejam consideradas com destaque nos recursos do orçamento federal. Os estados e os municípios deverão, igualmente, cooperar para a implementação das ações recomendadas. Da mesma forma, as empresas terão muito a contribuir com o portfólio de projetos e recomendações aprovados, fazendo uso de muita imaginação e criatividade, tanto quanto de recursos próprios ou em parceria, para executá-los em sua agenda de prioridades. As diferentes organizações da sociedade civil distribuem-se, preferencialmente, em torno de temas e problemas em relação aos quais já definiram habilidades e competência específica sendo, portanto, credenciadas para exercer, na prática, o importante papel de desencadear as ações relevantes que julgarem pertinentes e significativas.

No entanto, o escopo da Agenda envolve também problemas estruturais mais amplos, por demandarem maior consenso e soluções integradas, de médio e longo prazos. Questões estratégicas como competitividade sistêmica, eqüidade social e sustentabilidade ambiental só poderão ser tratadas a partir de responsabilidades efetivas e compartilhadas entre os diferentes segmentos sociais. As tarefas que a Agenda propõe não são afetas tão-somente aos governos, empresários, organizações civis. Elas exigem a participação intensa do Poder Legislativo nos três níveis de governo, do Ministério Público, e precisam agora ser distribuídas em função de competências, preferências e habilidades próprias das diferentes instituições. Nesse processo, toda a sociedade precisa ser mobilizada para construir sinergias, ativar recursos latentes e, principalmente, praticar a cidadania na estruturação dessa nova ordem, que traga bem-estar, justiça e qualidade de vida para as atuais e futuras gerações de brasileiros. 127 A força da Agenda 21 Brasileira reside na ampla participação que alcançou durante a sua elaboração e na construção de um processo de co-responsabilidade para a fase de implementação de suas ações e recomendações. Trata-se, em realidade, de um pacto social. Apesar de todo esforço despendido, é agora que tem início o grande desafio: a etapa de implementação. A Agenda 21 Brasileira começa efetivamente a existir a partir do momento em que foi concluída a fase de definição de ações prioritárias e identificados os mecanismos institucionais e instrumentos econômicos indispensáveis ao seu exercício. 128 Atribuições da Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e Agenda 21 Brasileira - CPDS DECRETO DE 3 DE FEVEREIRO DE 2004 Cria, no âmbito da Câmara de Políticas dos Recursos Naturais, do Conselho de Governo, a Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e da Agenda 21 Brasileira, e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso VI, alínea "a", da Constituição, DECRETA: Art. 1º Fica criada, no âmbito da Câmara de Políticas dos Recursos Naturais, do Conselho de Governo, a Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e da

Agenda 21 Brasileira, com a finalidade de propor estratégias de desenvolvimento sustentável. Art. 2º À Comissão compete: I - propor à Câmara de Políticas dos Recursos Naturais estratégias, instrumentos e recomendações voltados para o desenvolvimento sustentável do País; II - coordenar e acompanhar a implementação e as revisões periódicas da Agenda 21 Brasileira; III - apoiar processos de elaboração, implementação e revisões periódicas das Agendas 21 Locais; IV - propor estratégias, programas e instrumentos de desenvolvimento sustentável ao Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República; V - propor ao Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA e a outros órgãos colegiados a discussão de estratégias, programas e instrumentos de ações da Agenda 21; VI - acompanhar a elaboração e avaliação da implementação do Plano Plurianual, da Lei de Diretrizes Orçamentárias e da Lei do Orçamento Anual, tendo como referência a Agenda 21 Brasileira e estratégias de desenvolvimento sustentável; VII - promover articulação com a Frente Parlamentar Mista para o Desenvolvimento Sustentável e Apoio às Agendas 21 Locais; VIII - propor mecanismos de financiamento das Agendas 21 Locais e participar, junto a outras instâncias federais, de iniciativas voltadas ao fomento de programas da Agenda 21 Brasileira; IX - subsidiar posições brasileiras nos foros internacionais para o desenvolvimento sustentável e acompanhar a implementação dos respectivos acordos multilaterais; X - disseminar as Agendas 21 Brasileira e Locais em eventos públicos; e XI - aprovar o seu regimento interno. Art. 3º A Comissão será integrada por: I - um representante de cada órgão e entidade a seguir indicados: a) Ministério do Meio Ambiente, que o presidirá; b) Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, que exercerá a vicepresidência; c) Casa Civil da Presidência da República; d) Ministério da Ciência e Tecnologia; e) Ministério das Relações Exteriores; f) Ministério das Cidades; g) Ministério da Educação; h) Ministério da Fazenda; i) Ministério da Cultura; j) Ministério do Trabalho e Emprego; l) Ministério do Desenvolvimento Agrário;

m) Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; n) Ministério da Integração Nacional; o) Ministério da Saúde; p) Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; q) Associação Nacional de Municípios e Meio Ambiente - ANAMMA; e r) Associação Brasileira das Entidades de Meio Ambiente - ABEMA; II - um representante de cada segmento da sociedade civil a seguir indicado: a) entidades representativas da juventude; b) organizações de direitos humanos; c) comunidades indígenas; d) comunidades tradicionais; e) organizações de direitos do consumidor; f) Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável CEBDS; e g) Fórum de Reforma Urbana; III - dois representantes de: a) entidades empresariais; e b) organizações da comunidade científica, a serem indicados de comum acordo entre a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência - SBPC, Academia Brasileira de Ciências e Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras - CRUB; IV - três representantes: a) do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente eo Desenvolvimento; e b) de centrais sindicais. Parágrafo único. Os membros da Comissão, titulares e suplentes, serão designados pelo Ministro de Estado do Meio Ambiente, mediante indicação: I - dos Ministros de Estado a que estiverem subordinados, no caso do inciso I, alíneas "b" a "p", do caput deste artigo; e II - dos titulares dos segmentos e organizações previstas nos incisos I, alíneas "q" e "r", II, alíneas "a" a "g", III, alíneas "a" e "b", e IV, alíneas "a" e "b", nos demais casos. Art. 4º A Comissão poderá instituir grupos de trabalho temáticos, integrados por representantes de órgãos e entidades governamentais da administração federal, estadual e municipal e da sociedade civil. Art. 5º O Ministério do Meio Ambiente proverá o apoio técnicoadministrativo necessário ao funcionamento da Comissão. Art. 6º A participação na Comissão será considerada prestação de serviços relevantes, não remunerada. Art. 7º A Comissão deverá, no prazo de trinta dias a contar da data de sua instalação, elaborar o seu regimento interno. Art. 8º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 9º Ficam revogados o Decreto de 26 de fevereiro de 1997, que dispõe sobre a criação da Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e da Agenda 21 Nacional e o Decreto de 28 de novembro de 2003, que cria, no âmbito da Câmara de Políticas dos Recursos Naturais, do Conselho de Governo, a Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e da Agenda 21 Brasileira. Brasília, 3 de fevereiro de 2004; 183º da Independência e 116º da República. LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA Marina Silva Este texto não substitui o publicado no D.O.U. de 4.2.2004

Agenda 21 Brasileira A Agenda 21 Brasileira é um processo e instrumento de planejamento participativo para o desenvolvimento sustentável e que tem como eixo central a sustentabilidade, compatibilizando a conservação ambiental, a justiça social eo crescimento econômico. O documento é resultado de uma vasta consulta à população brasileira, sendo construída a partir das diretrizes da Agenda 21 global. Trata-se, portanto, de um instrumento fundamental para a construção da democracia participativa e da cidadania ativa no País. A primeira fase foi a construção da Agenda 21 Brasileira. Esse processo que se deu de 1996 a 2002, foi coordenado pela Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e da Agenda 21 Nacional (CPDS) e teve o envolvimento de cerca de 40 mil pessoas de todo o Brasil. O documento Agenda 21 Brasileira foi concluído em 2002. A partir de 2003, a Agenda 21 Brasileira não somente entrou na fase de implementação assistida pela CPDS, como também foi elevada à condição de Programa do Plano Plurianual, (PPA 2004-2007), pelo atual governo. Como programa, ela adquire mais força política e institucional, passando a ser instrumento fundamental para a construção do Brasil Sustentável, estando coadunada com as diretrizes da política ambiental do Governo, transversalidade, desenvolvimento sustentável, fortalecimento do Sisnama e participação social e adotando referenciais importantes como a Carta da Terra.

Portanto, a Agenda 21, que tem provado ser um guia eficiente para processos de união da sociedade, compreensão dos conceitos de cidadania e de sua aplicação, é hoje um dos grandes instrumentos de formação de políticas públicas no Brasil. Implementação da Agenda 21 brasileira (a partir de 2003) A posse do Governo Luíz Inácio Lula da Silva coincidiu com o início da fase de implementação da Agenda 21 Brasileira. A importância da Agenda como instrumento propulsor da democracia, da participação e da ação coletiva da sociedade foi reconhecida no Programa Lula, e suas diretrizes inseridas tanto no Plano de Governo quanto em suas orientações estratégicas. Um outro grande passo foi a utilização dos princípios e estratégias da Agenda 21 Brasileira como subsídios para a Conferência Nacional de Meio Ambiente, Conferência das Cidades e Conferência da Saúde. Esta ampla inserção da Agenda 21 remete à necessidade de se elaborar e implementar políticas públicas em cada município e em cada região brasileira. Para isso, um dos passos fundamentais do atual governo foi transformá-la em programa no Plano Plurianual do Governo (PPA 2004/2007), o que lhe confere maior alcance, capilaridade e importância como política pública. O Programa Agenda 21 é composto por três ações estratégicas que estão sendo realizadas com a sociedade civil: implementar a Agenda 21 Brasileira; elaborar e implementar as Agendas 21 Locais e a formação continuada em Agenda 21. A prioridade é orientar para a elaboração e implementação de Agendas 21 Locais com base nos princípios da Agenda 21 Brasileira que, em consonância com a Agenda global, reconhece a importância do nível local na concretização de políticas públicas sustentáveis. Atualmente, existem mais de 544 processos de Agenda 21 Locais em andamento no Brasil, quase três vezes o número levantado até 2002. Em resumo, são estes os principais desafios do Programa Agenda 21: · Implementar a Agenda 21 Brasileira. Passada a etapa da elaboração, a Agenda 21 Brasileira tem agora o desafio de fazer com que todas as suas diretrizes e ações prioritárias sejam conhecidas, entendidas e transmitidas, entre outros, por meio da atuação da Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e Agenda 21 Brasileira (CPDS);implementação do Sistema da Agenda 21; mecanismos de implementação e monitoramento; integração das

políticas públicas; promoção da inclusão das propostas da Agenda 21 Brasileira nos Planos das Agendas 21 Locais. · Orientar para a elaboração e implementação das Agendas 21 Locais. A Agenda 21 Local é um dos principais instrumentos para se conduzir processos de mobilização, troca de informações, geração de consensos em torno dos problemas e soluções locais e estabelecimento de prioridades para a gestão de desde um estado, município, bacia hidrográfica, unidade de conservação, até um bairro, uma escola. O processo deve ser articulado com outros projetos, programas e atividades do governo e sociedade, sendo consolidado, dentre outros, a partir do envolvimento dos agentes regionais e locais; análise, identificação e promoção de instrumentos financeiros; difusão e intercâmbio de experiências; definição de indicadores de desempenho. · Implementar a formação continuada em Agenda 21. Promover a educação para a sustentabilidade através da disseminação e intercâmbio de informações e experiências por meio de cursos, seminários, workshops e de material didático. Esta ação é fundamental para que os processos de Agendas 21 Locais ganhem um salto de qualidade, através da formulação de bases técnicas e políticas para a sua formação; trabalho conjunto com interlocutores locais; identificação das atividades, necessidades, custos, estratégias de implementação; aplicação de metodologias apropriadas, respeitando o estágio em que a Agenda 21 Local em questão está. Agenda 21 brasileira em ação No âmbito do Programa Agenda 21, as principais atividades realizadas em 2003 e 2004 refletem a abrangência e a capilaridade que a Agenda 21 está conquistando no Brasil. Estas atividades estão sendo desenvolvidas de forma descentralizada, buscando o fortalecimento da sociedade e do poder local e reforçando que a Agenda 21 só se realiza quando há participação das pessoas, avançando, dessa forma, na construção de uma democracia participativa no Brasil. Destacamos as seguintes atividades: · Ampliação da CPDS: Criada no âmbito da Câmara de Políticas dos Recursos Naturais, do Conselho de Governo, a nova constituição da CPDS se deu por meio de Decreto Presidencial de 03 de fevereiro de 2004. Os novos membros que incluem 15 ministérios, a Anamma e a Abema e 17 da sociedade civil tomaram posse no dia 1º. de junho de 2004. A primeira reunião da nova composição aconteceu no dia 1º de julho, e a segunda em 15 de setembro de 2004. · Realização do primeiro Encontro Nacional das Agendas 21 Locais, nos

que incluiu a participação ativa no processo de capacitação de gestores municipais e de ONGs. · Publicação de mil exemplares da segunda edição da Agenda 21 Brasileira: Ações Prioritárias e Resultado da Consulta Nacional. estadual e municipal. e participantes dos Fóruns Locais da Agenda 21. · Programa de Formação em Agenda 21. da sociedade civil e de governos. · Elaboração e monitoramento. Agenda 21. envolveu. Ministério das Cidades.000 pessoas de todas as regiões brasileiras. veiculado pela TVE em outubro de 2003. foram efetivadas parcerias e convênios com o Ministério da Educação. para a confecção de projetos para o edital. Ao todo foram cerca de 920 pessoas capacitadas em 25 eventos. através de cinco programas de TV.Construção de Agendas 21 Locais. do Edital 02/2003 . o Semi-Árido e a Luta contra a Desertificação. nas comunidades e na escola. Uma Nova Agenda para a Amazônia. Agenda 21 e o Setor Mineral. discutiram a importância de se implementar a Agenda 21 nos municípios. voltado para a formação de cerca de 10 mil professores das escolas públicas do País que. em Porto Alegre-RS. · Publicação da Série Cadernos de Debate Agenda 21 e Sustentabilidade com o objetivo de contribuir para a discussão sobre os caminhos do desenvolvimento sustentável no País. São seis os Cadernos publicados até o presente: Agenda 21 e a Sustentabilidade das Cidades. Ministério do Desenvolvimento Agrário. além dos professores. Ministério da Saúde. Esta frente. foram aprovados. autoridades governamentais e não governamentais. Ainda. contendo apresentação da Ministra Marina Silva e a nova composição da CPDS.dias 07 e 08 de novembro de 2003. · Participação na consolidação da Frente Parlamentar Mista para o Desenvolvimento Sustentável e Apoio às Agendas 21 Locais. 64 projetos de todas as regiões brasileiras. Mata Atlântica o Futuro é Agora. para permitir uma maior fluência na discussão dos temas ambientais. Esse programa. em Belo Horizonte. com a participação de cerca de 2. Agenda 21: Um Novo Modelo de Civilização. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. composta de 107 deputados federais e 26 senadores. em dezembro de 2003. com financiamento. Ministério da Cultura. durante o Fórum Social Mundial. . em conjunto com o FNMA. disseminação de informações relacionadas a eles e mecanismos de comunicação com a sociedade civil. tem como principal objetivo articular o poder legislativo brasileiro. nos níveis federal. No final do processo. O II Encontro das Agendas 21 Locais será realizado em janeiro de 2005. em todos os estados brasileiros.

E. Principais desafios Os principais desafios da Agenda 21 Local consistem no planejamento voltado . como muitos dos problemas e soluções apresentados neste documento têm suas raízes nas atividades locais. Ainda segundo a Agenda 21. O capítulo 28 da Agenda 21 global estabelece que "cada autoridade em cada país implemente uma Agenda 21 local tendo como base de ação a construção. bacias hidrográficas. operacionalização e manutenção da infra-estrutura econômica. na empresa. nos biomas brasileiros é uma demanda crescente. Ministério da Agricultura. O processo de Agenda 21 Local pode começar tanto por iniciativa do poder público quanto da sociedade civil. Confea/CREA. a construção da Agenda 21 Local vem ao encontro com a necessidade de se construir instrumentos de gestão e planejamento para o desenvolvimento sustentável. De fato. Pecuária e Abastecimento e Ministério de Minas e Energia. podendo também ser desenvolvida por comunidades rurais. Caixa Econômica Federal. e em diferentes territorialidades. Para o governo brasileiro. social e ambiental local. a Agenda 21 Local é processo e documento de referência para Planos Diretores e orçamento municipais. Banco do Nordeste e prefeituras brasileiras. em bairros. estabelecendo políticas ambientais locais e prestando assistência na implementação de políticas ambientais nacionais". a Agenda 21 na escola. áreas protegidas. Banco do Brasil. sociais e econômicos locais e o debate sobre soluções para esses problemas através da identificação e implementação de ações concretas que visem o desenvolvimento sustentável local. Fórum Brasileiro das ONGs para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento. reforçando ações dos setores relevantes. Agenda 21 local A Agenda 21 Local é um instrumento de planejamento de políticas públicas que envolve tanto a sociedade civil e o governo em um processo amplo e participativo de consulta sobre os problemas ambientais. entre outros. a participação e cooperação das autoridades locais são fatores determinantes para o alcance de seus objetivos. cuja maioria das experiências existentes têm-se mostrado muito bem sucedidas.Ministério da Integração Nacional.

sociais e econômicos locais .com o real envolvimento dos diferentes atores é etapa seguinte e meta fundamental para a sustentabilidade dos processos. Este Fórum. que devem servir de subsídios à elaboração de políticas públicas sustentáveis. justiça social e equilíbrio ambiental. Processo de construção da Agenda 21 Local Sugerimos também a leitura do Passo a Passo da Agenda 21 Local O ponto de partida é a formação de um grupo de trabalho composto por representantes da sociedade e governo (no caso de um município ou determinada territorialidade). voltadas para a elaboração de uma visão de futuro entre os diferentes atores envolvidos. governo e sociedade estão utilizando este poderoso instrumento de planejamento estratégico participativo para a construção de cenários consensuados. podendo ter a liderança de qualquer segmento da comunidade (governo. orientadas para harmonizar desenvolvimento econômico. que aborde os aspectos ambientais. em função das particularidades locais · Os papéis dos diferentes participantes do processo · A identificação de meios de financiamento para a elaboração da Agenda 21 Local · Negociações junto ao poder local sobre a institucionalização do processo de construção e implementação da Agenda 21 Local A criação de um Fórum permanente de desenvolvimento sustentável local ou seja. instituição de ensino. até a elaboração de uma matriz para a consulta à população sobre problemas enfrentados e possíveis soluções. condução de um processo contínuo e sustentável. As atribuições desse grupo devem envolver desde a mobilização e a difusão dos conceitos e pressupostos da Agenda 21.para a ação compartilhada. por exemplo). incluindo o estabelecimento de ações sustentáveis prioritárias a serem implementadas no processo de construção da Agenda 21 Local. ONG. em regime de coresponsabilidade. descentralização e controle social e incorporação de uma visão multidisciplinar em todas as etapas do processo. a ser institucionalizado pelo Poder . na construção de propostas pactuadas. Desta forma. envolvendo: · O estabelecimento de uma metodologia de trabalho · A reunião de informações sobre as questões chaves de desenvolvimento local A identificação dos setores da sociedade que devem estar representados.

atribuições · Freqüência e coordenação das reuniões · Forma de registro e responsáveis pela confecção e divulgação das minutas · Como os objetivos serão alcançados · Tempo de mandato e forma de substituição dos membros A principal função do Fórum é definir os seus princípios estruturantes e uma visão de futuro desejado pela comunidade. objetivos. ações estratégicas para a proteção do solo. ações estratégicas para a pobreza. da água e da diversidade biológica. Para a definição dessas ações. para que os objetivos da Agenda 21 Local sejam atingidos. culturais e históricas de um determinado local. que deve constar basicamente de: · Missão. criando as condições para a formação do cenário de futuro desejável. Assim. O Fórum requer um regimento interno. caberá também ao Fórum a escolha de temas críticos. educação para a Agenda 21 e troca de informações. seja nas instalações das prefeituras ou de uma instituição parceira. Esta secretaria precisará de espaço físico. acompanhar e avaliar um plano de desenvolvimento sustentável local de forma participativa. acesso a serviços de informação. os diferentes pontos de vista e anseios dos seus participantes. É essencial que os participantes sejam escolhidos pelos membros de seu setor e que o represente levando para o Fórum as questões nele consensuadas. conscientização da população. que represente. Como exemplo de eixos temáticos para que as ações da Agenda 21 local possam se desenvolver temos: ações estratégicas para a proteção da atmosfera. terá a missão de preparar. Essa visão deve ser traduzida em ações a serem incluídas nos processos de planejamento dos municípios e regiões envolvidos. na forma de Secretaria Executiva.Executivo ou Legislativo. econômicas. Para garantir agilidade e eficácia às resoluções do Fórum. acesso a emprego. trazendo de volta ao grupo os resultados e encaminhamentos acordados junto aos demais parceiros. da melhor forma. é necessário o estabelecimento de uma estrutura. capazes de catalisar a opinião pública e outros apoios. que deve contar com recursos humanos e financeiros para suprir as necessidades de implementação do processo. De acordo com as características geográficas. existe um . este pode desenvolver a sua Agenda 21 local enfocando um ou mais eixos temáticos. saúde e igualdade social e assentamentos.

observando as diferentes experiências de Agenda 21 no Brasil podemos identificar diferentes estágios. produtores e empresas de pequeno a médio portes. requerendo que as informações estejam disponíveis para análise. cria-se harmonia entre as competências e o apoio mútuo na formulação e implementação de ações para o desenvolvimento sustentável. definição de temas. O papel de cada um Alcançar as mudanças necessárias para o sucesso da Agenda 21 Local demanda a ação dos grupos e indivíduos: lares. organizações comunitárias. ou seja. O plano federal define as políticas gerais e estruturantes do País elaborando diretrizes e princípios. Para exemplificar. Cada membro. Desta forma. Observa-se que muitas instituições dos três níveis de governo estão transformando seu modelo de atuação com o objetivo de mobilizar os recursos latentes das comunidades locais e regionais. O da elaboração. mas isso só pode ocorrer se os governos exercerem as leis de forma transparente. elaboração de diagnósticos. em seu espaço territorial. cada setor tem o seu papel. movimentos sociais. instituições de pesquisa e ensino. formulação de propostas e definição de meios de implementação e o estágio da implantação propriamente dito. Ainda. que teve como ponto de partida a Constituição Federal de 1988. em atendimento ao principio federativo.amplo processo que depende da sensibilização e do estágio de amadurecimento de cada comunidade na discussão dos temas públicos de forma participativa. Assim. a Agenda 21 Local tratará. qual seja: o da sensibilização. governos e organizações governamentais locais e regionais. Contando com a participação ativa dos parceiros. de assuntos específicos de cada territorialidade abordando temas cujas decisões estão em sua esfera de atuação. assim. Aos estados e municípios cabe. mantendo uma atuação ativa e crítica. a sociedade civil pode se aproximar da comunidade de forma que esta seja mais efetiva na cobrança pela implementação das ações identificadas pela Agenda Local e na realização de campanhas de conscientização. no plano governamental existe um papel específico para cada uma das esferas de governo na definição de políticas publicas. tem estimulado diferentes formas de participação nas políticas públicas dos segmentos organizados da sociedade civil. Democracia participativa e as lições aprendidas O avanço das práticas democráticas no Brasil. ONGs. capacitação e institucionalização dos processos de agenda 21. A sociedade civil tem papel fundamental no monitoramento da Agenda 21 Local. O planejamento governamental deve ser um processo de negociação permanente entre o Estado e as instituições da sociedade. exercício semelhante de formulação de políticas públicas. para incorporá-los na formulação e na execução .

mesmo sendo um grande avanço na legitimação do processo de tomada de decisão do setor público. Entretanto. pela amplitude geográfica (localidades. o compromisso democrático impõe a todas as etapas do processo de planejamento o fortalecimento de estruturas participativas e a negação de procedimentos autoritários. não pode nem deve ser considerada substituta da democracia representativa que precisa ser fortalecida e instrumentalizada. Agenda Positiva da Amazônia e Conferência Nacional de Ciência e Tecnologia. tanto em termos da mobilização dos grupos sociais que serão afetados pelas políticas de desenvolvimento sustentável. analisadas e avaliadas na construção da Agenda 21 Brasileira. Em última instância. processadas. é na própria democracia representativa que os segmentos não organizados da sociedade civil encontram espaço de interlocução e de expressão. As lutas. concretas. 12 Agenda brasileira Os resultados dessa experiência de planejamento participativo são relevantes. É no Congresso Nacional que são votadas as leis do país. micro e macrorregiões) e pela abertura temática favorecida pelo conceito de sustentabilidade ampliada e progressiva. . os conflitos e as dissidências são formas pelas quais a liberdade se converte em liberdades públicas. embora haja o registro de encontros de grande consulta e participação.de programas e projetos de desenvolvimento. Não há a menor dúvida de que o processo de elaboração da Agenda 21 Brasileira é a mais ampla experiência de planejamento participativo desenvolvida no país no período posterior à Constituição Federal de 1988. Negociar é assumir as diferenças e reconhecer nos conflitos de interesse a essência da experiência e dos compromissos democráticos. decisivas para a implementação do desenvolvimento sustentável. O significado dessa experiência se revela pela abrangência do público-alvo (de pequenas comunidades rurais às organizações empresariais mais expressivas na formação do PIB brasileiro). entre os quais destacam-se: Relatório Rio-92. quanto em termos do volume de informações coletadas. que inibem a criatividade e o espírito crítico. Desse modo. Projeto Áridas. estados. a democracia participativa. Essas informações serão essenciais para a formulação de processos de planejamento em diferentes níveis setoriais e espaciais.

programas e projetos de desenvolvimento sustentável indispensáveis à promoção das mudanças demandadas pela sociedade brasileira. em diretrizes isoladas de governo de uma única gestão administrativa. o que nem sempre ocorre de forma espontânea. ou. sistematizado e recorrente de participação nas decisões será o meio de evitar que os programas e projetos se transformem em exercício de voluntarismo tecnocrático. da negociação e da barganha. da discussão e do debate. É importante observar como se comportam no processo de participação. ao contrário. merecem destaque algumas lições positivas para futuras experiências de planejamento no país. o que atrai novas vontades. Como conseqüência prática. até mesmo.Um processo de planejamento participativo com o porte do realizado durante a construção da Agenda 21. técnicos e líderes empresariais a se mobilizar para a execução de programas e projetos de desenvolvimento sustentável. da implementação das ações. em função de suas características econômicas. são definidas as soluções mais próximas da realidade e dos meios que as organizações e as comunidades dispõem. não serão obstáculos intransponíveis ao avanço de soluções adequadas. Às vezes torna-se necessário induzir o processo naquelas situações onde as comunidades não dispõem de recursos de mobilização . · as diferentes comunidades tendem a se envolver no processo de concepção e de implementação de cada programa ou projeto de desenvolvimento sustentável de forma diferente. tanto no que se refere à eficácia operacional como à pedagogia social: · o processo organizado. todos indispensáveis aos processos de mudança. ou em mobilização de esperanças desencontradas e dispersas quanto aos objetivos de médio e longo prazo. não pode limitar-se à consolidação de um documento sem conseqüências práticas para as políticas. sociais e culturais. será possível garantir a canalização positiva desses conflitos de interesses na direção de soluções criativas e equânimes. que continuará na fase seguinte. em torno de cada tema ou região. · os inevitáveis conflitos dos programas e projetos. · a pedagogia social da participação leva setores da comunidade. por meio da ação dialógica. interesses e capitais intangíveis. Concluída tão valiosa experiência. dos pactos e das coalizões.

As políticas de desenvolvimento sustentável nem sempre são jogos de soma positiva. . 13 · as políticas de desenvolvimento sustentável. Experiências históricas de exploração predatória dos diferentes biomas ilustram os desafios da sustentabilidade. Nesses casos. da renda e da arrecadação tributária. para aliviar as pressões de curto prazo onde predomine o cálculo econômico imediato. dentro do atual padrão de acumulação e de crescimento econômico do país. e entre instituições públicas e organizações privadas. gerador de impactos negativos. promotoras do bem-estar social são o caminho que os três níveis de governo devem utilizar para o reencontro e a articulação com os segmentos da sociedade civil nos seus processos de planejamento e de tomada de decisão. sem que se comprometa a autonomia políticoinstitucional dessas comunidades. esses programas e projetos têm elevado conteúdo redistributivo e passam a ter especial importância no contexto socioeconômico do país. quando se tenta atenuar o elevado grau de desigualdades sociais e de desequilíbrios regionais que poderão atingir situação politicamente intolerável. com grande probabilidade. para que o processo de implementação se viabilize em torno das estratégias e ações propostas.(especialmente sobre seus direitos de cidadão) e de familiaridade com modelos de ação coletiva organizada. Da mesma forma. irão emergir quando de sua implementação. recomenda-se maior nitidez nas negociações de médio e longo prazo. camuflando as tensões e os conflitos econômicos e político-institucionais que. apenas com ganhadores. trazendo à tona os inúmeros conflitos de interesses entre diferentes atores sociais. contrapondo os objetivos restritos do crescimento econômico às exigências mais amplas da sustentabilidade. é o mesmo que produz os benefícios do crescimento do emprego. Ao contrário. o processo produtivo. É o princípio da progressividade atuando em favor do desenvolvimento sustentável. durante a consulta nacional com freqüência surgiram conflitos e tensões políticas e sociais. Definição de prioridades e gestão de conflitos A Agenda 21 Brasileira não está estruturada apenas como um conjunto hierarquizado e interdependente de recomendações gerais.

· a sociedade seja mais participativa e que tome maior número de iniciativas próprias em favor da sustentabilidade. Historicamente. · as fontes possíveis de recursos financeiros sejam identificadas em favor de programas inovadores estruturantes e de alta visibilidade.O desconhecimento dessa realidade na formulação e na execução das políticas de desenvolvimento sustentável pode transformá-las em letra morta. que refletem. para consolidálos num processo de desenvolvimento sustentável. Ações prioritárias da Agenda 21: possibilidades e restrições A Agenda 21 Brasileira é uma proposta realista e exeqüível de desenvolvimento sustentável. 14 A ausência de negociação no processo de planejamento leva os conflitos entre objetivos a soluções casuísticas. estabelecer equilíbrio negociado entre os objetivos e as estratégias das políticas ambientais e de desenvolvimento econômico e social. a concepção de sustentabilidade ampliada seja um jogo de soma positiva. · o conjunto do empresariado se posicione de forma proativa quanto às suas responsabilidades sociais e ambientais. a listar objetivos e diretrizes potencialmente conflitivos sem explicitar para o poder público os valores e preferências envolvidos. desde que se leve em consideração às restrições econômicas. As ações prioritárias da Agenda 21 Brasileira ressaltam o seu caráter afirmativo. no longo prazo. · a estrutura do sistema político nacional apresente maior grau de abertura para as políticas de redução das desigualdades e de eliminação da pobreza absoluta. mesmo que. em última instância. A Agenda 21 Brasileira procura. · o sistema de planejamento governamental disponha de recursos humanos qualificados. políticoinstitucionais e culturais que limitam sua implementação. as políticas. Esse esclarecimento é indispensável uma vez que os planos de desenvolvimento no Brasil tendem. condizente . distribuídos de modo adequado nas diversas instituições públicas responsáveis. a pressão de grupos de interesse. Para que essas propostas estratégicas possam ser executadas com maior eficácia e velocidade será indispensável que: · o nível de consciência ambiental e de educação para a sustentabilidade avance. pois. programas e projetos de desenvolvimento socioambiental têm demonstrado menor poder de barganha. com capacidade gerencial. em geral.

econômico. é preciso entender que esta Agenda não se resume a um conjunto de políticas imediatas. uma vez mais. programas e projetos de desenvolvimento sustentável implementados em diferentes setores e regiões do país. os obstáculos à sua execução. A Agenda 21 Brasileira sugere que. Seu ponto de partida foi o . mas um compromisso da sociedade em termos de escolha de cenários futuros. Exige.O desenvolvimento e a sustentabilidade ampliada e progressiva O conceito de desenvolvimento sustentável está em construção. a Agenda 21 Brasileira apresenta experiências bem-sucedidas de políticas. a integração de toda a sociedade na construção desse futuro que desejamos ver realizado. A CPDS 16 1 . que induz a sociedade a compartilhar responsabilidades e decisões junto com os governos. por meio de negociação entre as instituições públicas e privadas. Praticar a Agenda 21 pressupõe a tomada de consciência individual dos cidadãos sobre o papel ambiental. ou de mecanismos efetivos de mercado. permite maior sinergia em torno de um projeto nacional de desenvolvimento sustentável. para tornar realidade tantos e diversos objetivos.com a legitimidade que adquiriu em virtude de ampla consulta e participação nacional. é preciso ressaltar. para que sejam mais facilmente superadas as restrições à sua implantação. em anos recentes. que a Agenda 21 Brasileira não é um plano de governo. Para evitar a impressão de que se está propondo à sociedade uma miríade de utopias. ampliando as chances de implementação bem-sucedida. que são prova concreta de que o desenvolvimento sustentável está a caminho. Ela deve introduzir. ou ainda com as conhecidas estruturas regulatórias de comando e controle. em relação às questões mais delicadas. sejam ampliados os instrumentos de intervenção. compromissos graduais de médio ou de longo prazos. Por fim. paulatinamente. de curto prazo. portanto. social e político que desempenham em sua comunidade. Esse compromisso político com os conceitos e as estratégias propostas poderá contribuir. 15 com tempo e condições para que as empresas e os agentes sociais se adaptem à nova realidade e sejam capazes de superar. Uma nova parceria. de forma significativa. Entretanto.

que reconhece necessária a mudança de hábitos de produção de consumo e de comportamentos. a legitimidade de mecanismos e instrumentos que contribuem para que a economia e a sociedade permaneçam em bases insustentáveis. exclui dos benefícios que gera grande parte da sociedade. Pelo menos quatro dimensões complementam a questão econômica. onde se destaca o reconhecimento de que no almejado equilíbrio ecológico está em jogo mais que um padrão duradouro de organização da sociedade. portanto. · A dimensão ética. e estabelece o princípio da precaução (adotado em várias convenções internacionais de que o Brasil é signatário e que tem. · a dimensão prática.reduzir a degradação do meio ambiente e. internamente. que determina a necessidade de planejar a longo prazo. · a dimensão social. a partir dos enunciados do Relatório Brundtland e aparecem ora isoladas. em nível internacional. Para isso. é preciso romper o círculo vicioso da produção. Progressividade não significa adiar decisões e ações vitais para a sustentabilidade. com a ratificação pelo Congresso). e sim. de um processo social em que os atores pactuam gradativa e sucessivamente novos consensos em torno de uma Agenda possível. ora de forma combinada nas dinâmicas do processo de construção social do desenvolvimento sustentável. Esse desafio implica assumir que os princípios e premissas que devem orientar a sua implementação são ainda experimentais e dependem. rompendo com a lógica imediatista. antes de tudo. está em jogo a vida dos seres e da própria espécie humana (gerações futuras).e contribua para a sustentabilidade progressiva.pode produzir o desenvolvimento sustentável. em síntese. que expressa o consenso de que só uma sociedade sustentável menos desigual e com pluralismo político . que compatibilizasse as necessidades de crescimento com a redução da pobreza e a conservação ambiental. A base conceitual da Agenda 21 aponta. para a importância de se construir um programa de transição que contemple as questões centrais . rumo ao futuro que se deseja sustentável. 17 . · dimensão temporal. que além de prejudicial ao meio ambiente. simultaneamente.compromisso político. paulatinamente. com um modelo de desenvolvimento em novas bases. a pobreza e as desigualdades . retirar. É preciso. força de lei.

Esse modelo. mas generosa em distribuir pelo mundo. a científica e tecnológica. tornando-os administráveis no tempo e no espaço. Favorecida pela nova tecnologia das comunicações e pela redução dos fretes que estimularam as transações nos mais diversos níveis. além das estruturas de privilégios que favorecem. a violência. a territorial. Globalização solidária e a Agenda 21 A Agenda 21 Brasileira tem compromisso com um novo paradigma de desenvolvimento que vem se delineando há décadas. seus próprios parceiros. especialmente com a sua periferia. na qual imperam o capital especulativo e os paraísos fiscais. por sua natureza. bem ou mal.promover um círculo virtuoso. a política e a cultural. não têm condições de atender à maioria da população mundial. tem sido concentradora da renda e da riqueza. em geral. em que a produção obedeça a critérios de conservação ambiental duradouros e de aperfeiçoamento progressivo nos padrões de distribuição de renda. de contorno ainda pouco definido. dita as próprias regras. protegiam o ser humano das incertezas da vida com modestas mas eficientes . do conhecimento e dos serviços. a social. na passagem da sociedade industrial para a sociedade da informação. já a sustentabilidade progressiva significa que não se deve aguçar os conflitos a ponto de torná-los inegociáveis. exacerbando o individualismo e o consumismo que. a chamada globalização vem se construindo em torno de uma ordem mundial hierárquica e desregulada. mesmo na periferia. e sim. envolve questões polêmicas e posições de princípios tão amplos quanto à tão controvertida ‘globalização'. Essa ordem ou desordem. A sustentabilidade ampliada preconiza a idéia da sustentabilidade permeando todas as dimensões da vida: a econômica. A Agenda 21 Brasileira consagrou o conceito de sustentabilidade ampliada e progressiva. formalmente inaugurada em 1991 com o fim da Guerra Fria. de alta competição que. fragmentá-los em fatias menos complexas. Como lidar com o volume crescente de resíduos perigosos em função do aumento vertiginoso de produtos descartáveis? Como encontrar solução para a destruição das culturas tradicionais que. o desemprego crescente e as zonas de pobreza. da informação e da tecnologia. De igual gravidade é a imposição artificial de modos de vida e hábitos de consumo perdulários que destroem a cultura tradicional pela via das comunicações.

situa-se o esforço bemsucedido das Nações Unidas em definir. em Copenhague. direitos humanos. no ciclo de conferências realizadas nas duas últimas décadas. irradiando o desenvolvimento sustentável e o princípio da parceria para os encontros seguintes.economias familiares de subsistência e de apoio social? Como conviver com a alimentação industrializada que institucionaliza a obesidade e a ‘indústria do regime' em todos os países do mundo? 18 Esses são alguns exemplos clássicos de insustentabilidade que demonstram a irracionalidade dos padrões de consumo vigentes na sociedade. de outra forma. de antemão. em Pequim e Istambul. portanto. finalizados com a . incorporando os países em desenvolvimento e os marginalizados que. que contrastam com as carências da maioria excluída e com as impossibilidades de uma civilização mais solidária. da partilha das conquistas do todo da comunidade internacional. o combate à pobreza e à promoção dos direitos sociais. que aproximasse ambientalistas e desenvolvimentistas. A partir da última rodada de encontros internacionais iniciados no Rio de Janeiro e os subseqüentes em Viena. mudar a natureza e a direção do modelo de desenvolvimento dominante no mundo. aproveitando de outra maneira potencialidades humanas. estariam excluídos. É esse o esforço que o Brasil vem buscando empreendendo nos foros internacionais e internamente. Tendo sido concebida na primeira reunião do ciclo das grandes conferências internacionais. inclusão das mulheres e das crianças e. No extremo oposto da globalização assimétrica. Essa agenda elegeu como princípios norteadores do consenso os temas: mudança de padrões de produção e consumo. a Agenda 21 foi também o documento mais abrangente. destacou-se o desenvolvimento sustentável como idéia/força propulsora de um novo desenvolvimento. Nesse amplo painel. no Cairo. sociais e científicas. realizadas pelas Nações Unidas. quando ao concluir a sua Agenda 21 que prevê ações e meios de implementação capazes de promover as mudanças desejadas pela sociedade brasileira. baseada em valores comuns e em objetivos partilhados de integração e de expansão. uma agenda global para a humanidade. O desafio é. e a cooperação internacional entre os dois ‘pólos simbólicos'. o Norte e o Sul. é defender uma globalização solidária. em especial.

O reencontro com o desenvolvimento: um consenso nacional É consenso nacional que se deve retomar. Coube a cada país definir a sua própria Agenda Nacional. com diminuição da taxa de inflação. Isso significa que a concepção do desenvolvimento tornou-se mais complexa e que as diferentes dimensões que o compõem comportam-se de maneira interdependente. Ao contrário do que ocorreu no passado. novas e interdependentes. As dimensões social. há vinte anos. com determinação. que transcendem a economia em seu sentido estrito. Hoje a sociedade brasileira acredita não ser possível governar em clima de ‘populismo fiscal'. tem direção e sabe para onde ir. Também é consenso que a retomada desse desenvolvimento deve se pautar pelo paradigma do desenvolvimento sustentável. o mundo não é mais o mesmo. mas diferenciada. um processo de desenvolvimento acelerado que. no qual as promessas ultrapassam. além de ter enfrentado uma ordem internacional conturbada e uma retração de investimentos encontrou.Declaração do Milleniun. da sustentabilidade e da eqüidade e. resistência inusitada. Esse é o sentido mais profundo da dimensão holística no novo paradigma de desenvolvimento sustentável. seja atendido. científico-tecnológica e cultural impregnam o paradigma de tal sorte que fica difícil até mesmo distingui-las ou precisar entre elas a mais relevante. da governança global. principalmente nos grupos domésticos dependentes da correção monetária. Finda essa primeira etapa. político-institucional. as possibilidades de receita e gasto. hoje a mesma palavra designa um conjunto de variáveis. de forma exagerada. quando o termo desenvolvimento praticamente se confundia com o crescimento econômico. com os mesmos métodos participativos. tem sido insuficiente para garantir ao país os 19 patamares necessários de emprego e renda. Não resta dúvida de que energia e esforços foram canalizados contra a desordem financeira e em favor da estabilização da economia que. na soberania e na responsabilidade comum. inspirado nos princípios da Carta da Terra. sobretudo. dos países que compõem a comunidade internacional. A tão esperada retomada do desenvolvimento somente poderá ocorrer à medida que certo número de novos requisitos. convergentes. fato inédito na história . ambiental. os mesmos valores e princípios que nortearam o pacto global em torno do novo desenvolvimento.

O aumento da produtividade que vem ocorrendo em dimensões expressivas é fator decisivo que permitirá maior ousadia nas políticas de distribuição de renda e de erradicação da miséria absoluta. serviços e conhecimento. vocação histórica. sem diminuir o esforço de exportação. de crescimento quase ininterrupto a taxas. todos pré-requisitos indispensáveis ao fortalecimento democrático e à construção da cidadania. O desenvolvimento tem sido para nós. Essa posição privilegiada garantiu à população altos índices de mobilidade social em termos comparados. um encontro marcado com o destino. em boa parte. com velocidade inusitada. Os mecanismos de recompensa gerados pela mobilidade neutralizaram. pode reduzir a dependência excessiva do capital externo e ampliar a capacidade de poupança do país. daqui para frente. mas que se limitou a 8% na década de 1990. Ao mesmo tempo. tendo em vista a redução do estoque de recursos naturais no último século e suas conseqüências ecológicas de médio e longo prazos. brasileiros. passaram despercebidos para a maioria da sociedade brasileira. por várias décadas. o humano e o social. é anseio de todos retomar o crescimento. combatendo o consumo supérfluo. os efeitos perversos da concentração da renda e da desigualdade social que. de informação. crescimento esse pouco significativo quando se leva em consideração a necessidade de gerar mais empregos e menos desperdício no país. Desenvolvimento e poupança interna 20 É preciso conceder especial atenção ao crescimento do mercado interno que. Na nova sociedade. o Brasil projetou sua liderança industrial entre os países de passado colonial e do então denominado Terceiro Mundo. e consolidação de doloroso ajuste em clima de negociação democrática. Por conta de muitas décadas bem-sucedidas. é fundamental também cuidar da pauta de importações. Da mesma forma. cenário da Agenda 21.republicana. tônica de nosso passado recente. contribuindo para o equilíbrio da balança de pagamentos. comunicação. o capital produtivo e o financeiro precisam caminhar de mãos dadas com o capital natural. Desenvolvimento sustentado e desenvolvimento sustentável O desenvolvimento conquistado nos últimos dez anos precisa vigorar. o capital humano é o motor de um sistema que se retroalimenta. gerador e distribuidor de riquezas. muito altas. por meio da expansão do mercado interno e do nível e qualidade do emprego. em . em média.

dentro de certos limites. e para a melhoria da qualidade das políticas sociais. consolidado pelo controle da dívida. A esse conjunto de medidas restritivas. em contraposição ao estilo até então vigente. indispensáveis para se atingir novo patamar de crescimento. oferece e apresenta uma perspectiva mais abrangente do que o desenvolvimento sustentado. já vem ocorrendo. 30% da população brasileira vivem na linha da pobreza. designou-se o termo já em desuso de ‘desenvolvimento sustentado' que. A nova dimensão regional do desenvolvimento Para tornar efetiva a diminuição da pobreza. pequenos e médios produtores e empresários rurais e urbanos que. se confunde com ‘desenvolvimento sustentável'. Devemos de . o novo modelo de desenvolvimento advoga o fortalecimento do empreendedorismo na economia brasileira. dentro do novo modelo da sociedade da informação e do conhecimento. e da desburocratização dos procedimentos de legalização que tanto oneram o "custo Brasil". Rompendo a 21 tradição de hegemonia da grande propriedade e do grande capital. A inclusão social e o empreendedorismo Existe um consenso nacional quanto à importância que deve ser atribuída à redução das desigualdades e ao combate à pobreza nos próximos anos.clima previsível de crescimento com estabilidade. exigindo modelo inovador para as agências regionais de desenvolvimento. que internalizam a dimensão da sustentabilidade nos diversos níveis. é necessário o desenvolvimento de políticas compatíveis com as necessidades e demandas desse segmento. Os mecanismos de inclusão devem ser concretizados por meio da flexibilização e ampliação do sistema oficial de crédito. Políticas deliberadas de inclusão social devem estar voltadas para as origens e os focos da desigualdade e da pobreza. Portanto. que é apenas uma dimensão relevante da macroeconomia e pré-condição para a continuidade do crescimento. além disso. e o tratamento particularizado para a agricultura familiar e os micro. Uma nova concepção de desenvolvimento regional vem sendo amadurecida nos últimos anos. a responsabilidade fiscal e o equilíbrio orçamentário e financeiro. precisamos incorporar ao desenvolvimento nacional as chamadas ‘regiões periféricas'. freqüentemente. O desenvolvimento sustentável deve ser entendido como um conjunto de mudanças estruturais articuladas.

conhecimentos e bens tangíveis e intangíveis. a comunicação que se configuram como peças-chave na economia e na sociedade do século XXI. No mundo pós-moderno. informações. O modelo que começa a entrar em vigor deve ser concebido não mais para as grandes regiões como um todo (Nordeste. Valorização do capital humano. Pesquisas de entidades governamentais e não-governamentais indicam a preocupação .) e sim para as mesorregiões ou microrregiões menores. a informação. criar. alimentada pelo conhecimento. financiamento e políticas destinadas a esse fim não devem ser apenas o reconhecimento de que na área cultural decide-se o destino e a identidade dos países em uma economia cada vez 22 mais globalizada. com esforço próprio. cultural e científicotecnológica. que criem as condições necessárias para inovar. Legislação. como televisão e cinema. Amazônia. ciência e tecnologia. da formação intensiva de recursos humanos que permitam a melhor qualificação gerencial do país e a retomada do desenvolvimento em patamares superiores de inovação. O Brasil tem graves carências educacionais. do conhecimento e da qualidade de vida O capital humano é a grande âncora do desenvolvimento na sociedade de serviços. capazes de gerar serviços. incompatíveis com o seu patamar de desenvolvimento. Devemos registrar também o grande potencial pouco aproveitado na produção cultural. No entanto. um país ou uma comunidade equivalem à sua densidade educacional. como também que é nessa área que se abrem oportunidades inéditas de fortalecimento da indústria cultural brasileira de projeção latino-americana e internacional. etc. 23 Natureza e identidade nacional: símbolo de um compromisso A nova ordem em construção tem como um de seus fundamentos a adoção de um pacto natural que estabeleça o equilíbrio ecológico entre a ação do homem e a proteção da natureza. é possível avançar no terreno da capacitação. especialmente.forma mais audaciosa e persistente combater as razões pelas quais fracassaram as políticas de integração regional. capazes de produzir diagnósticos precisos sobre suas condições reais e suas oportunidades de alavancar o desenvolvimento. a indústria da comunicação. e sempre em parceria com as experiências internacionais de vanguarda. inventar.

valorizadas pela população e que precisam ser preservadas para as gerações futuras. significa capacidade de gerar ações e resolver problemas a baixo custo. aumentando o número de conselhos que se introduziram em todas as esferas de políticas públicas. o avanço dos consórcios e do princípio da responsabilidade fiscal. ampliou-se o número e a força do terceiro setor como parceiro privilegiado da esfera governamental e das empresas e como expressão de uma sociedade autônoma.crescente dos brasileiros com o destino de seus recursos naturais. Um dos mecanismos de governança mais poderosos reside hoje na cooperação (ao invés da competição) entre os três poderes. ainda padecem de lentidão nos três níveis de governo. sob esse aspecto. projetando-se como uma dimensão relevante da identidade nacional. muito nos resta ainda a ser feito. como a descentralização política e administrativa.é compromisso de honra. em virtude de uma forte tradição clientelista e corporativa em detrimento de nossa capacidade associativa. a partir da ‘arte de associar'. As dificuldades se devem ao enfraquecimento do aparelho estatal e à obsolescência de uma cultura organizacional . O poder da governança e do capital social No século XXI emerge o poder transformador do capital social que. No entanto. Cabe uma referência especial ao Ministério Público e ao seu papel indutor de mudanças nas práticas políticas em favor dos compromissos da Constituição de 1988. Foram ainda aperfeiçoados os mecanismos de cooperação e de controle social do Governo. é também na área da governança que se concentram nossos mais graves problemas gerenciais que dificultam o caminho da sustentabilidade. É inegável que o Brasil da última década operou. uma verdadeira revolução social de caráter participativo. cujo alcance simbólico transcende a questão ambiental. há também conquistas importantes. inclusive no orçamento. renovado na Conferência de 1992. Os sete grandes biomas do país antes de serem ‘patrimônios da humanidade'. Estenderam-se as parcerias que. o maior do planeta . No entanto. Conservar o patrimônio natural herdado de nossos antepassados . Da mesma forma. no entanto. são riquezas brasileiras.sem dúvida. em última instância. No domínio mais amplo do que se denomina hoje governança. que representa nossa identidade e nossas raízes.

o que significa incorporar ao ‘mundo da necessidade' o novo compromisso com a promoção da vida. que não dispõe de instrumentos adequados. em especial as relativas à Agenda 21 Brasileira. Finalmente. na família. sobretudo. capaz de contribuir para a perenização da vida.centralista e corporativa. éticas e simbólicas uma vez que a atividade econômica não se desenvolverá sustentavelmente se a natureza. tendo em vista o aperfeiçoamento democrático. apoiadas no fluxo financeiro internacional e no desenvolvimento de tecnologias. É inevitável constatar que existe hoje. visto que nosso processo decisório contém imperfeições. solidária. Questionar a ‘ética do resultado' como fim último a ser obtido pelas sociedades é prioridade máxima que exige o fortalecimento dos valores morais em todos os domínios da vida social. que lhe abastece de recursos materiais e energéticos. generalizada desconfiança da política. O conceito de sustentabilidade remete a uma reforma radical nas noções de eficácia e de racionalidade econômica e nos obriga a considerar outras dimensões culturais. Talvez por esta razão tenhamos avançado tanto na formulação e 24 construção do consenso em torno de novas políticas. fruto das desilusões que decorrem da decadência da velha sociedade industrial e da . é essencial fortalecer os fóruns globais multilaterais para defender com vigor uma ordem global ética. na escola. mas tão pouco em sua concretização. Nesse contexto. no Brasil e no mundo. o desenvolvimento sustentável é uma proposta que tem em seu horizonte a modernidade ética e não apenas a modernidade técnica. que reduza os profundos desequilíbrios e desigualdades entre as nações e que seja capaz de pautar-se por valores humanos de diversidade cultural e étnica e de cooperação inspirada no respeito aos direitos humanos. exigem a edificação de nova ética. pacífica e justa. nas empresas e. na política. Nessa perspectiva. Ética do respeito à vida: solidariedade global e pacto natural A vulnerabilidade da população e do meio ambiente e o potencial de impacto das atividades humanas. dados e levantamentos necessários para tomar a decisão mais apropriada. Tais informações irão permitir melhor acompanhamento das ações públicas relevantes. cabe investir com vigor na informação para a decisão. estiver gravemente comprometida. superposições e incongruências resultantes da precariedade das análises.

aos povos indígenas. Nenhuma transformação importante poderá ocorrer sem a arte de identificar oportunidades. em favor dos que não têm voz. adiadas até então. que lhes dá e a nós. a extensão da violência como estilo de vida. compreenderam o sentido histórico da Conferência de 1992. Existem de fato. de inovar e de realizar dos empresários brasileiros. Parceiros e cúmplices do desenvolvimento sustentável Nesse longo percurso que é a construção do desenvolvimento sustentável. cabe um papel especial às mulheres. de tradição sindical e associativa. aos trabalhadores urbanos. a todos os que sobreviveram às devastações ambientais e culturais do século XX. entre outros). aos trabalhadores rurais em sua longa luta pela posse da terra.ausência de solidariedade e ética no trato do interesse público. que batalham pela sobrevivência em situações adversas. que cedo. pela revolução tecnológica e pelas novas oportunidades que se descortinam com o aumento da produtividade e do tempo de lazer. a federação inovadora . (caboclos. O individualismo exacerbado. preservando a sabedoria dos valores recebidos que são patrimônio inestimável hoje e para o futuro. Aos ambientalistas e aos movimentos sociais que. destinam-se as grandes mudanças que. incansáveis. as desigualdades crescentes. sustento. Referência deve ser feita às populações tradicionais. estão em descompasso com o horizonte de possibilidades abertas pelas descobertas científicas. refletem o consenso geral do que desejamos ver projetado para o futuro. nem motivação ou conhecimento. denunciando fatos ignorados. o poder e a influência do dinheiro. Aos pequenos produtores e empresários. expectativas difusas em favor de grandes mudanças éticas. culturais. Ao poder local que anima e preside "as boas práticas do desenvolvimento sustentável" e aos governos federal e estaduais que simbolizam. da eqüidade e da justiça. quilombolas. erros políticos e cumplicidades equivocadas. impregnando os meios de 25 comunicação e influenciando jovens e crianças. nacionais e mundiais. Aos jovens e às crianças. ciosas de igualdade de gênero e de justiça social. econômicas e sociais. militam em favor das causas mais difíceis da sustentabilidade. pescadores. mas afetados pela automação e desemprego. sintetizadas pela Comissão. junto com o município.

quanto no plano prático.Contexto internacional e o cenário atual do país A Agenda 21 Brasileira deve estar em sintonia com as grandes transformações econômicas. sempre em busca do fortalecimento da identidade e da integração nacional. tanto na área de pesquisas e estudos. com o risco de se minimizarem a concepção e a implementação de políticas ativas de desenvolvimento sustentável. para melhor qualificar o contexto contemporâneo em que irão se inserir as políticas de desenvolvimento sustentável no nosso país. · o novo padrão demográfico do Brasil e suas conseqüências econômicas e sociais. de novos processos tecnológicos e de novas técnicas de gestão. que identifica ampla gama de segmentos antes excluídos do desenvolvimento. a sustentabilidade exige uma dimensão comunicativa. que contribuem para disseminar as novas práticas de desenvolvimento sustentável. como forma de gerar maior grau de liberdade para a conquista da . possibilitada pela rede de organizações não-governamentais e pela mídia. Merecem especial ênfase por causa de suas implicações para a sustentabilidade: · o processo de globalização econômica e financeira. com suas pressões diretas e indiretas sobre a base dos recursos naturais dos países em desenvolvimento e sua propensão a amplificar as assimetrias sociais e espaciais de desenvolvimento. sociais e tecnológicas no mundo e no Brasil.que o Brasil vem construindo. o da execução de projetos. · a consolidação da terceira revolução científica e tecnológica. 27 2 . Finalmente. da cultura e do conhecimento. com profundas mudanças nas características de novos produtos. À criatividade da ciência. 26 A incorporação de novos atores é a marca registrada da Agenda 21. A sustentabilidade da Agenda 21 é plural nos seus objetivos e nos seus protagonistas. · a ênfase no conhecimento como um fator de produção e a importância de investimentos na criação do conhecimento e nas atividades de pesquisa e desenvolvimento. como parceiros do desenvolvimento sustentável. ocorridas nas últimas décadas. · a redefinição do papel do estado nas economias de mercado. representada pela comunidade científica e cultural e por sua contribuição notável.

contribuíram para a formação de um sistema financeiro internacional mais integrado. Esses impactos são particularmente intensos nas micro e pequenas empresas brasileiras. Avanços tecnológicos nos sistemas de comunicação e de transporte reduziram custos de acessibilidade e estimularam fortemente a expansão do comércio. . por dia. Como muitos desses fluxos financeiros são de curto prazo. Nafta. Uma revolução nos negócios econômicos internacionais ocorreu na medida que as empresas multinacionais e os investimentos externos diretos tiveram um impacto profundo em quase todos os aspectos da economia mundial.5 trilhões de compras e vendas de ativos financeiros contra apenas US$ 25 bilhões de comércio. em muitos aspectos. as transações financeiras internacionais superaram as transações de bens e serviços: US$ 1. tais como os derivativos. b) a possibilidade de que venha a se aprofundar a reprodução das desigualdades sociais e os desequilíbrios regionais de desenvolvimento. · as novas responsabilidades assumidas pelas organizações nãogovernamentais quanto às questões sociais e ambientais. A forma de inserção das economias em desenvolvimento nesse processo de globalização coloca duas questões fundamentais para a construção da Agenda 21: a) os impactos sobre a intensidade e o modo de exploração de recursos naturais. renováveis e nãorenováveis. As barreiras econômicas caíram significativamente devido às sucessivas rodadas de negociações do comércio internacional e aos acordos de integração regional (OMC. nos processos tecnológicos e nas técnicas de gestão. além dos avanços tecnológicos nas comunicações.sustentabilidade. com implicações fundamentais para as estruturas de mercado e modelos da organização empresarial e suas tendências locacionais. Globalização econômica e financeira e a terceira revolução industrial Nas três últimas décadas ocorreu um avanço do processo de globalização econômica e financeira. altamente voláteis e especulativos. A consolidação da terceira revolução industrial provocou profundas mudanças na produção. as finanças internacionais tornaram-se a dimensão mais instável da economia capitalista globalizada. A desregulamentação financeira e a criação de novos instrumentos financeiros. para atender às exigências da nova divisão internacional do trabalho. Mercosul). 28 Atualmente.

Em função dos processos de privatizações iniciados na última 29 década. na formulação e na implementação de políticas sociais compensatórias. mais aberta. é de natureza macroeconômica. com maior ênfase à configuração de sistemas do que à automação. ampliou os fluxos de comércio internacional que. · maior flexibilidade nos processos de produção. resultante dos impactos multifacetados da terceira revolução científica e tecnológica. em sua tríplice função alocativa. Não resta dúvida de que a reforma do Estado tem se constituído em um vigoroso evento portador de mudanças no Brasil. impuseram a necessidade de reestruturação das empresas e das organizações para enfrentar os desafios da integração competitiva. assim como no esforço de contenção dos processos inflacionários em cada país latino-americano. das concessões de serviços públicos. atualmente. com os recursos obtidos sendo dirigidos para a redução do desequilíbrio das contas públicas e para financiar o déficit em conta corrente . portanto. menos regulamentada. em vez da intensidade em materiais e energia que predominam nos sistemas produtivos tradicionais. autorizadas a partir dos três últimos anos. distributiva e de estabilização. Cenário atual do Brasil Em todos os países da América Latina. conjugados com a maior abertura externa das economias nacionais. Durante quase todo o período do pós-guerra. A economia brasileira tornou-se. No caso específico do processo de privatização. o impacto das vendas das empresas estatais. em primeira instância. onde eficiência e produtividade não estão necessariamente vinculadas às economias de escala na produção em massa.Nessas mudanças destacam-se as seguintes tendências: · maior intensidade de informações. a uma profunda mudança no papel do Estado na economia. assiste-se. neste início de século XXI. pois. mais propensa ao crescimento sustentado. mais privatizada e. a economia brasileira passou a dispor de melhores condições institucionais e oportunidades econômicas para configurar um ciclo de expansão. · nova eficiência organizacional. A redução do tempo e do espaço. os estados nacionais exerceram papel insubstituível na promoção do crescimento econômico. das desregulamentações adotadas particularmente nas relações de comércio internacional e da integração na união alfandegária do Mercosul.

de natureza microeconômica e se realiza pela reestruturação organizacional das empresas privatizadas e pelos investimentos de modernização para sua competitividade dinâmica. O segundo e mais duradouro impacto é. e conseqüências específicas na dinâmica de mercados de diversos bens e serviços. No final da década de 1960. · apoiar. técnica e financeiramente. · regulamentar a operação de setores estratégicos (energia elétrica. que o Brasil ainda deverá contar com o papel do Estado. tem início um processo rápido e generalizado de declínio da fecundidade. a sustentabilidade ambiental e a eqüidade social. pequenos produtores rurais.quando houver significativa participação do capital estrangeiro nesse processo. segmentos seletivos da economia brasileira (pequenas e médias empresas. ao longo dos próximos anos. · promover melhor distribuição da renda e da riqueza. exportações) para ampliar sua capacidade competitiva ou estabilizar sua renda. · conceber e executar um conjunto de políticas econômicas que mantenham a consistência macroeconômica. Nos últimos vinte anos ocorreram mudanças substanciais no padrão demográfico do Brasil que terão conseqüências gerais e profundas no seu processo de desenvolvimento econômico e social. por meio de mecanismos de intervenção indireta e de planejamento indicativo. telecomunicações e petróleo) para o crescimento econômico. É preciso enfatizar. Além do mais. Limitado inicialmente aos grupos sociais urbanos de renda mais elevada das regiões desenvolvidas. mas também para: · coordenar o processo de desenvolvimento nacional. . fundamentalmente. contudo. importantes mudanças de valores e de comportamentos se refletiram na estrutura e configuração da família brasileira. por meio de políticas sociais compensatórias. não apenas para garantir a oferta dos serviços públicos tradicionais. · articular programas de geração de emprego e renda. esse processo se estendeu a todas as classes sociais e nas diversas 30 regiões. a exemplo do papel da mulher na sociedade e as repercussões sobre sua crescente participação no mercado de trabalho. · atenuar os desequilíbrios regionais de desenvolvimento. levando à desaceleração do ritmo de crescimento populacional.

Primeiro. Portanto. pois. nas próximas décadas. o sistema de saúde. para as políticas sociais do Brasil e. poderão ter menor amparo dos filhos e parentes. Os relatórios de desenvolvimento humano da Organização das Nações Unidas têm destacado que são inúmeras as conseqüências desse novo padrão demográfico para o novo ciclo de crescimento econômico. condições mais favoráveis para uma melhor preparação técnica das pessoas antes de seu ingresso no mercado de trabalho ou no próprio local de trabalho. deverá se preparar para atender adequadamente a essa parcela crescente da população.O novo padrão demográfico se caracteriza. em meados deste século. público e privado. Segundo. Finalmente. deverá acentuar significativamente o grave desequilíbrio no sistema previdenciário brasileiro. como as pessoas idosas pertencerão a famílias cada vez menores (tendência a famílias com apenas dois filhos). além de diminuir a pressão sobre o mercado de trabalho. as características de qualidade da mão-de-obra. desde as mudanças ocorridas na Constituição de 1988. A atual fase de transição demográfica brasileira apresenta um período crucial e de grandes oportunidades sob os mais diferentes aspectos. O caso da previdência oficial é ilustrativo e evidencia um desequilíbrio atuarial crônico. oferece. também. para as estratégias empresariais de marketing. por mudanças na estrutura etária. assim. contribuindo para a formação do déficit do setor público consolidado no Brasil. necessária para um ciclo de expansão intensivo em informação e conhecimento. a população em idade escolar a ser atendida nos diferentes níveis de ensino vem crescendo em ritmo cada vez menor. Recursos que vinham sendo utilizados para a expansão da capacidade de atendimento do sistema educacional brasileiro poderão ser realocados em programas de qualidade nesse mesmo sistema. conseqüentemente. em função do declínio ainda maior da taxa de fecundidade. que apresenta um quadro de morbidade bem específico e de tratamento mais caro. Projeta-se que. a população brasileira deverá se estacionar em torno de 250 milhões de habitantes. a expansão mais lenta da população jovem. e assim deverá continuar. o aumento da relação entre idosos e pessoas em idade ativa. melhorando-se. Terceiro. com maior participação relativa dos idosos e menor participação relativa do contingente com menos de 15 anos. .

da quantidade de recursos que cada nível de governo e o setor produtivo nacional estão propensos a alocar em conhecimento e pesquisa e na eficácia de sua utilização. Com a globalização econômica e financeira. mudanças de valores e de comportamento na estrutura da família brasileira. . tornou-se evidente que os diferenciais de competitividade dependem. de saúde da terceira idade e de qualidade total no ensino fundamental. em grande parte. medicina geriátrica) e num desafio para a reestruturação dos gastos públicos. de qualificação da mão-de-obra.31 Esse déficit poderá se tornar crônico e superar 3% do PIB nos primeiros anos deste século. Essas reformas. podem se transformar numa oportunidade para formulação de estratégias de mercados do setor privado (diferenciação e diversificação dos produtos de consumo. Uma escolha entre os futuros possíveis As novas idéias que procuram explicar por que alguns países e regiões crescem e se desenvolvem mais rapidamente do que os demais. planos de saúde. de programas de assistência à maternidade. de creches. para cima ou para baixo. além de responder de forma mais eficaz às necessidades da população idosa nas próximas décadas. envolvendo o redimensionamento. a redução na proporção de jovens na população total e as novas demandas geradas pelo aumento absoluto e da proporção dos idosos. enfatizam o conhecimento e o investimento em atividades de pesquisa e desenvolvimento como fatores fundamentais. Da mesma forma. sob muitos aspectos. Pessoas qualificadas são indispensáveis para a criação de novas idéias. Assim. poderão provocar a emergência de uma importante fonte de poupança privada no país. maior participação das mulheres na composição do orçamento doméstico e controle sobre o número preferencial de filhos certamente irão transformar as relações de mercado. produtos e processos tecnológicos e para operar e manter equipamentos mais complexos. ao abrirem espaço para a ampliação da previdência complementar pelos fundos privados. com eficiência. se as reformas institucionais não avançarem. O capital humano e as habilidades de um país ou região determinam o seu crescimento econômico no longo prazo e suas chances de transformar esse crescimento em processos de desenvolvimento. previdência complementar.

Entre as muitas megatendências mundiais. · existem componentes autônomos nos processos de decisões descentralizadas de produção e de consumo nas diversas regiões do país. decorrentes de fatores econômicos e culturais. Quanto mais rápido o ritmo do crescimento. 32 O crescimento econômico é. A Agenda 21 Brasileira se apresenta como uma . · é lento o avanço dos programas de educação ambiental que poderiam contribuir para alterar o quadro atual de deterioração ambiental. uma condição necessária. Assim. no entanto. mas não suficiente para o desenvolvimento sustentável. da alteração desse quadro. a partir das tendências e oportunidades no seu ambiente interno e externo. mais renda. As chances de execução de políticas de desenvolvimento sustentável no Brasil dependem. a sociedade brasileira terá que realizar uma escolha entre os futuros possíveis. mais bens e serviços à população. maiores as chances de incluir um número maior de famílias nos padrões civilizados de consumo privado e público. que continuam resultando em deterioração do seu capital natural e em reforço dos mecanismos sociais de reprodução da pobreza. em grande parte. · a ausência de um efetivo sistema nacional de planejamento no país dificulta a inserção das questões de desenvolvimento sustentável na agenda de prioridades do Governo Federal. uma vez que: · a crise fiscal e financeira dos três níveis de governo é um fator impeditivo da maior eficácia dos órgãos públicos que formulam. O crescimento econômico é desejável porque ele traz mais empregos. o cenário tendencial de evolução dos indicadores de desenvolvimento sustentável poderá vir a ser de crescente deterioração. Mantidas as atuais características do padrão de crescimento econômico e de acumulação de capital no país. · ainda é pouco expressivo o volume de recursos públicos e privados que vêm sendo alocados no desenvolvimento científico e tecnológico para enfrentar as questões de desenvolvimento sustentável no Brasil. implementam e controlam as políticas de desenvolvimento sustentável. é importante lembrar as novas responsabilidades que vêm sendo assumidas pelas organizações empresariais quanto às condições sociais e ambientais nas regiões e países em que se localizam para a promoção do seu crescimento.

esperar pelas mudanças culturais. durante a escassez de hidreletricidade. A construção civil é um segmento que tem muito a contribuir. uma mudança de cultura e a destinação dos resíduos. mas também herdado da sociedade colonial e escravista. aí incluindo a alta classe média. 34 Ações e recomendações . como já pode ser observado com a valorização do chamado consumo sustentável.Uma população consciente forçará as empresas a mudar seus métodos e processos. e até mesmo seu marketing. naturalmente lentas. buscando alternativas para o desperdício praticado nos canteiros de obras. mas mesmo na pobreza. 33 3 . É dever das autoridades e dos meios de comunicação. pela adoção de tecnologias menos intensivas em energia e que requeiram menos matérias-primas. porém. A mudança dos padrões de consumo. o desperdício continua. Existem dois aspectos distintos a serem tratados no combate ao desperdício. falta comida na mesa. que é. a poluição por objetos descartáveis e a geração de quantidades exageradas de lixo estão entre as conseqüências perniciosas dos modelos de consumo adotados no Brasil.alternativa de futuro possível e desejável definida por ampla parcela dos atores sociais brasileiros envolvidos em seu processo de construção. quanto de velhas práticas de uma sociedade tradicional acostumada à fartura dos recursos naturais e a hábitos ingênuos de generosidade e esbanjamento. em última instância. como aconteceu em 2001. decorrente tanto dos novos hábitos. manter a população consciente das conseqüências do desperdício e não apelar à economia apenas em situação de crise. O gasto desnecessário com embalagens. como. O combate ao desperdício ainda durante o processo produtivo. Não é preciso. A solução para esse e outros problemas semelhantes é mudar os padrões de consumo e combater a cultura do desperdício. por exemplo. copiados de países mais desenvolvidos.Plataforma das 21 ações prioritárias A economia da poupança na sociedade do conhecimento Objetivo 1 Produção e consumo sustentáveis contra a cultura do desperdício Vivemos vinte e quatro horas por dia na cultura do desperdício. A cultura da poupança deve ser construída pela boa informação. é tão importante quanto superar o paradoxo que envolve os mais pobres: muitas vezes. Exigir contenção e sobriedade de nossas elites.

televisão. a mídia. a irracionalidade dos procedimentos e os gastos supérfluos. · Iniciar com uma campanha contra o desperdício de água e energia. devem em seus horários obrigatórios de veiculação de informação de interesse social. públicos e privados. pelos empresários. Objetivo 2 Ecoeficiência e responsabilidade social das empresas No Brasil foi surpreendente a assimilação dos desafios e compromissos registrados na Conferência de 1992.· Desencadear uma campanha nacional contra o desperdício envolvendo os três níveis de governo. bem como para os diferentes setores produtivos. se adotem formas criativas de destinação dos resíduos. · Estimular a simplificação das embalagens e restringir a produção de descartáveis garantindo ao consumidor a disponibilidade de produtos em embalagens retornáveis e/ou reaproveitáveis. . · Mobilizar os meios de comunicação . aos municípios brasileiros. que deve adquirir feição específica e diferenciada para as diferentes regiões brasileiras. · Divulgar experiências inovadoras para que. rádio e jornal . com base no reaproveitamento e na redução da geração de lixo. produzir campanhas voluntárias de esclarecimento.para serem usados em seu papel relevante de pedagogia social. gerando notícias capazes de conscientizar a opinião pública sobre a necessária mudança de comportamentos. · Promover a cultura da poupança para a produção de bens e serviços. · Definir uma legislação de resíduos sólidos. · Estimular o combate ao desperdício na construção civil pela adoção de tecnologias adequadas que promovam a segurança do trabalhador. o terceiro setor e as lideranças comunitárias para tomada de consciência e mudança de hábitos. Enquanto concessão de interesse público. Divulgar catálogos de tecnologias apropriadas e disponibilizá-las. para evitar investimento em caras e inadequadas usinas de lixo. em nível local. Criou-se uma posição proativa de resolver problemas e encontrar soluções. evitando a superposição de ações. freqüentemente desativadas. as empresas. seja aperfeiçoando o modelo de gestão empresarial. com claras definições de obrigações e responsabilidades para os diferentes atores sociais. seja adotando novas tecnologias menos poluidoras.

cujos tamanho e importância justificam a adoção de práticas exemplares que divulgam e dão prestígio nacional e internacional. portanto. os quais. O maior desafio da gestão ambiental é levar em conta a diversidade de situações que as empresas enfrentam. Preparar as empresas brasileiras para competir internacionalmente em condições ideais de ecoeficiência e responsabilidade social é condição necessária à expansão e internacionalização de seus negócios em ambiente competitivo com os padrões hoje vigentes. As micro. pequenas e médias empresas encontram dificuldades para enfrentar o desafio da ecoeficiência. É preciso ter em mente que a ecoeficiência nas empresas tem como principal ponto de referência as multinacionais e as estatais ou ex-estatais. devem ser estimulados. Ações e recomendações · Criar condições para que as empresas brasileiras adotem os princípios de ecoeficiência e de responsabilidade social. mais avançadas.O espírito prático desse empresariado assimilou a idéia de que a ecoeficiência e o meio ambiente. · Promover parcerias entre empresas de diferentes portes como forma de disseminar o acesso aos padrões de qualidade dos mercados nacional e internacional. em função do tipo de atividade que exercem e do tipo de impacto que produzem. a promoção do arranjo de sistemas produtivos locais com competitividade sistêmica tem se mostrado uma prática exitosa em várias regiões do país. ao invés de atrapalhar a atividade produtiva. O comprometimento das empresas com a sustentabilidade inicia-se pelo cumprimento das exigências da legislação ambiental. As parcerias . precisam encontrar soluções tecnológicas e gerenciais acessíveis. além de aumentar a produtividade e a competitividade. que aumentam a eficiência pela incorporação de valores éticos e culturais ao processo de decisão. com a incorporação de novos instrumentos de gestão e novas tecnologias. em realidade contribui para a criação de 35 resultados positivos. Tais compromissos contribuem para melhorar a imagem da empresa. passando por programas internos de conscientização e de adoção de normas voluntárias. No entanto. tendem a ser mais eficiente e. Nesse sentido. por serem endógenos e espontâneos. por serem agentes multiplicadores.

· Promover a recuperação do passivo ambiental das empresas por meio de termos de ajuste de conduta. e iii) desenvolvimento de procedimentos voluntários de auto-avaliação. regional e local. sociedade civil e as empresas. para a produção mais limpa. em complementação aos instrumentos tradicionais de comando e controle. para a redução de gastos de energia. · Promover parcerias entre as universidades. 36 · Incentivar a ecoeficiência empresarial por meio dos mecanismos de certificação. técnicas de produção mais limpa e sistema de gerenciamento de resíduos. para que eles se tornem agentes promotores da ecoeficiência em suas empresas. · Difundir amplamente a Convenção Quadro de Mudança do Clima e o Protocolo de Quioto. para a busca criativa de novas soluções técnicas e gerenciais visando à produção sustentável. institutos de pesquisas. água e outros recursos e insumos de produção. especialmente o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo. · Facilitar o acesso a financiamentos às micro e pequenas empresas pelos bancos oficiais e agências de fomento de caráter nacional. órgãos governamentais. ii) consideração dos conceitos de ciclo de vida dos produtos pelo uso de sistemas de gestão ambiental. para que. · Estimular a criação de centros de produção mais limpa e de energia renovável. as micro. · Promover parcerias entre as grandes. · Adotar os procedimentos adequados para minimizar efeitos adversos na saúde e no meio ambiente com a utilização de: i) desenvolvimento de padrões mais seguros de embalagem e rotulagem. Cada empresa deve ser. médias e pequenas empresas para a difusão do conceito de ecoeficiência. um agente de controle ambiental. a conscientização e a educação dos empregados.implicam cooperação tecnológica e transferência de tecnologia. pequenas e médias empresas possam se beneficiar com recursos de projetos de redução de emissões de gases de efeito estufa e de seqüestro de carbono. · Prover a capacitação. como sinônimo de aumento da rentabilidade. voluntariamente. monitoramento e relatórios de desempenho e medidas corretivas. nos quais fiquem claramente estabelecidos os compromissos sobre as técnicas de recuperação. · Integrar as empresas brasileiras à ação internacional pelo desenvolvimento . os investimentos alocados e os cronogramas de execução.

Muitas das questões da infra-estrutura requerem uma coordenação suprasetorial para captar externalidades. articular sinergias. infra-estrutura e integração regional O papel da infra-estrutura na promoção do desenvolvimento sustentável é o de criar as précondições para o desenvolvimento econômico e prover bens e serviços essenciais à melhoria da qualidade de vida da população. para proporcionar acesso equânime às oportunidades no espaço nacional e internacional. viabilizando maior inclusão nos circuitos de produção. cidadania e consumo. que segue outra lógica. No campo da infra-estrutura existe uma ausência de visão sistêmica decorrente da falta de um projeto nacional de desenvolvimento sustentável. do ponto de vista econômico-social e de utilização dos recursos naturais. O sistema está hoje pautado. e ainda embrionário no setor de transportes de carga e urbanos. planejamento. dependendo do setor de infra-estrutura considerado. por meio da definição de estratégias integradoras das ações. coibir interações perversas e dar solução comum a problemas de financiamento. sendo este um dos objetivos centrais do desenvolvimento sustentável. governamentais e não-governamentais que garantam a ação sistêmica entre os diferentes setores da infra-estrutura. pode estar ameaçada. operação e fiscalização. 37 Deve ser indutora da integração nacional e regional e facilitadora da redução das desigualdades regionais e sociais. nas decisões que envolvam a expansão e a modernização dos serviços. tecnologia. planejamento. Em . o que significa que a relação entre produção de serviços e desenvolvimento sustentável. Cabe ao Estado promover a integração e criar condições de coordenação das ações públicas. fiscalização e o uso mais adequado e sustentável dos recursos naturais. controle. sendo mais avançado nos setores de energia e comunicações. pelo crescimento do mercado onde este se encontra. criando oportunidades de negócios favoráveis ao seu crescimento e sua inovação. montagem de sistemas de informação para gestão. Objetivo 3 Retomada do planejamento estratégico.sustentável. Os níveis do avanço institucional e do marco regulatório são muito diferentes. sobretudo.

evitando impactos ambientais negativos mediante adoção de alternativas tecnologicamente mais sustentáveis. e que orientaram a regulação setorial. · Instituir mecanismos que garantam transparência na contabilidade ambiental de projetos de infra-estrutura. são muitos os vazios institucionais e as disfunções que precisam ser corrigidos. etc. regulação. o desempenho dos diversos órgãos é bem variável. · Reforçar o papel do planejamento de longo prazo da infra-estrutura. nos setores de transportes de carga e urbanos. · Priorizar o aumento da eficiência e da conservação de energia. às diretrizes e aos parâmetros de âmbito nacional. correntes e de capital. A regulação exige estudos prévios. em função da promoção do desenvolvimento sustentável orientado para a integração nacional. · Efetuar uma avaliação crítica das políticas regionais. passados e futuros. dentro das diretrizes que compatibilizem a vocação exportadora com os interesses do mercado interno. inteiramente. No plano da gestão. e integrando programas e projetos. já realizados nos setores de energia e comunicações. pela apropriação de seus custos diretos e indiretos. · Planejar a infra-estrutura de forma integrada. Do ponto de vista ambiental. inclusive dos incentivos fiscais.conseqüência. com o objetivo de adaptá-las a planos coerentes de desenvolvimento sustentável dentro de uma lógica microrregional ou mesorregional. a promoção da intermodalidade no transporte. A tendência geral tem sido a da terceirização dos serviços. indicando as instâncias executivas responsáveis por planejamento. têm-se verificado avanços no trato das questões. neles incluindo os passivos ambientais. Ações e recomendações · Integrar o planejamento regional como parte explícita do planejamento para o desenvolvimento sustentável do país. em execução no Brasil. · Implantar projetos de infra-estrutura levando em conta as especificidades potencialidades e fragilidades . de forma que sua eficiência não está garantida. o planejamento integrado do transporte interestadual e urbano. mas ainda não realizados.do território. O grande problema é que essa terceirização não se tem feito acompanhar por reformas administrativo-institucionais para um gerenciamento eficiente dos serviços contratados. visando à redução das desigualdades regionais e 38 intra-regionais. mas a postura dos órgãos tem sido mais reativa do que proativa. .

39 · Criar um suporte de infra-estrutura e instrumentos de atração locacional em cidades de médio porte. o princípio constitucional da subsidiariedade. as questões federativas e as atribuições regionais. entidades de desenvolvimento regional. na reformulação do sistema institucional de incentivos fiscais. mas também como oportunidades de investimentos. bem como programas destinados à segurança rodoviária e à redução de acidentes. evitando a repetição de experiências negativas e de erros de planejamento urbano observados no desenvolvimento das metrópoles. não só como restrições. estaduais.· Promover a universalização do acesso a energia e comunicação como forma de aplicação do princípio da sustentabilidade na promoção da infra-estrutura. em especial nos macroeixos de integração e desenvolvimento. para a viabilidade de programas e projetos de criação e desenvolvimento dos transportes ferroviário e marítimo de passageiros. · Incorporar a dimensão ambiental nos processos de elaboração de planos e projetos. federais e representantes da sociedade civil. estaduais e municipais. permitindo inclusive a participação dos cidadãos no processo de acompanhamento e controle. o desenvolvimento industrial teve como fonte de energia básica o carvão e o . social e política do espaço nacional. bem como da relação entre o público e o privado. · Elaborar um plano diretor nacional de transporte de passageiros a longa distância. · Respeitar. garantindo a transparência das ações e dos custos envolvidos. · Implementar a interligação entre os macroeixos de integração e de desenvolvimento de forma a fortalecer seu papel indutor de desenvolvimento e impedir a fragmentação econômica. Objetivo 4 Energia renovável e a biomassa A energia é o fator essencial de promoção do desenvolvimento. órgãos municipais. Nos últimos duzentos anos. para discutir e avaliar a forma de adequar os fundos regionais para serem gerenciados pelas novas agências. · Criar um fórum nacional com ampla participação das agências regionais de desenvolvimento. É pela capacidade de gerar e consumir energia que se mede o nível de progresso técnico de uma civilização. · Definir com maior clareza o papel das agências reguladoras e aperfeiçoar seu poder arbitral e seus processos de regulação.

dependente das condições meteorológicas. aumentar o suprimento energético em bases cada vez mais limpas. no mundo. que vem contribuindo cada vez mais para a composição da matriz energética brasileira. porém. O Brasil tem uma matriz energética eminentemente limpa. Para que não haja retrocesso na matriz energética do país. Caminhamos para um modelo energético diversificado. O Brasil tem a valiosa experiência do Pró-Álcool. É preciso aumentar a eficiência no seu uso e na sua conservação. tendo passado de 62%. essa configuração deixa o país vulnerável. rejeitos de serrarias e lenha. único programa bemsucedido. no que diz respeito à eletricidade: mais de 95% dela provém de fontes hídricas. mais limpo e renovável. Também o dendê. a mamona e diversas espécies nativas são fontes potenciais de combustível. podem diversificar e tornar mais limpa a matriz energética brasileira. O desafio que se apresenta é integrar todas essas opções para garantir. No entanto. o babaçu.petróleo. é preciso investir nas energias renováveis. seja a fotovoltaica seja a solar térmica. em combustão direta ou em gaseificação. Não basta. pensando sempre no atendimento das necessidades regionais e na promoção do seu desenvolvimento sustentável. O uso de energia solar está se expandindo. é o gás natural. É preciso considerar que a participação das fontes renováveis na oferta interna de energia. Algumas regiões do Brasil apresentam grande potencial para a produção de energia eólica e diversas empresas vêm investindo no ramo. para 58% em 2000. de substituição em larga escala dos derivados de petróleo. Não resta dúvida de que precisamos construir urgentemente alternativas ao uso do petróleo. que usam derivados de soja. abundante em nosso país. Esse crescimento deve continuar considerando o potencial que existe no Brasil e sua capacidade de atender a demandas descentralizadas. em 1990. Ações e recomendações . ainda permanece alta. são fontes renováveis de energia e permitem dar um uso econômico a rejeitos que muitas vezes são simplesmente incinerados. altamente poluentes e não-renováveis e que são hoje os grandes responsáveis pelo efeito estufa. de modo sustentável. como se viu em 2001. O biodiesel e as misturas de combustíveis. o suprimento de energia necessário. Uma fonte 40 não-renovável. embora decrescente. A energia de biomassa a partir de bagaço de cana.

o que chama a atenção é . · Reestruturar o Pró-Álcool e desvinculá-lo dos interesses do velho setor sucro-alcooleiro. No entanto. notadamente no meio rural e nas localidades urbanas isoladas.· Tratar como prioridade o incentivo ao uso eficiente e à conservação de energia. entendido não como forma de dominação. e merecido especial destaque dentre os demais países em desenvolvimento. mais baratos e mais racionais que o aumento da oferta. médio e longo prazos. considerando sempre as disponibilidades e as necessidades regionais. o ritmo com que se propagam. O Brasil tem obtido resultados expressivos nas áreas científica e cultural. Levando em conta a universalidade do saber. para o setor energético. permanente e transparente sobre os planos de expansão para o futuro. por meio de um debate amplo. · Retomar a função de planejamento de curto. · Desenvolver e incorporar tecnologias de fontes renováveis de energia. é prioridade máxima inserir o Brasil na linha de frente da produção científica e tecnológica de atualidade mundial. Isso significa 41 também ocupar nichos competitivos associados a oportunidades e vocações nacionais ou regionais. especialmente nas últimas décadas. · Prover recursos financeiros e humanos para a pesquisa e desenvolvimento de opções para produção de energia renovável. Com o volume de conhecimento multiplicado por milhões de vezes desde a Grécia Antiga. Conhecimento é poder. propiciando sua reconversão. O que diferencia a nossa época das demais é a quantidade e a qualidade das inovações geradas. mas como possibilidade de fazer. da cultura e dos serviços. Objetivo 5 Informação e conhecimento para o desenvolvimento sustentável O conhecimento e a tecnologia têm sido o alicerce de todas as civilizações e culturas. O racionamento imposto pela escassez de chuvas no ano de 2001 mostrou que a sociedade e as empresas estão dispostas a cooperar. que podem apresentar resultados mais rápidos. e a forma como a sociedade as assimila no campo da ciência. o seu valor é cada vez maior. · Priorizar o uso de fontes alternativas renováveis. inclusive introduzindo nas discussões a busca de alternativas sustentáveis à atual estratégia de consumo e uso de energia. promovendo a universalização do acesso ao uso de energia elétrica. da tecnologia.

em boa parte. O país limitou-se a absorver ou. garantida pela mão-de-obra barata. Ações e recomendações · Prover incentivos. Outro problema estrutural refere-se aos baixos níveis médios de educação dos trabalhadores brasileiros. inclusive financeiros. 42 . a pouca tradição das empresas brasileiras que. a curiosidade e o desejo de saber sempre mais. É fundamental. pelos subsídios estatais e pela exploração predatória dos recursos naturais. especialmente nas áreas em que o Brasil já tem investido e em outras que possui vocação natural conferida por sua base de recursos naturais. para o êxito da promoção do desenvolvimento sustentável. para as pesquisas relacionadas ao desenvolvimento sustentável. em parte compensada pela elevada qualificação da produção científica. estimulando. entrando na era da globalização tecnológica. mas que funciona desvinculada das necessidades do processo produtivo. · Promover a alfabetização científica e tecnológica em todos os níveis do ensino.o fato de que produzimos mais ciência do que somos capazes de transformá-la em inovação tecnológica. Privar alguém de conhecimento científico e tecnológico significa excluir um cidadão de um processo de amadurecimento essencial para sua evolução pessoal e sua inserção no mercado de trabalho. não necessitaram de esforço tecnológico para assegurar sua competitividade. é preciso consolidar ilhas nacionais de competência que nos permitam competir com outros países de maneira crescente. a aperfeiçoar as inovações geradas nas economias desenvolvidas. ou seja. no ciclo áureo do desenvolvimento nacional. inclusive por meio da mídia. em alguns casos. especialmente nas áreas relacionadas à biologia e à medicina. publicamos mais estudos científicos de nível internacional do que registramos patentes. Especial atenção deve ser dada ao chamado conhecimento tradicional. Isso se deve. a partir do qual é possível desenvolver pesquisas importantes. que a educação para a ciência e a tecnologia perpasse todos os níveis do ensino. O conhecimento científico e tecnológico é parte integrante do conhecimento do cotidiano e da formação de cidadãos. Para superar tais impasses.

buscando assegurar o uso desses recursos para o desenvolvimento de tecnologias mais limpas e poupadoras de recursos naturais. · Promover a geração e a disseminação de conhecimentos sobre a utilização sustentável dos recursos naturais renováveis e não-renováveis. na forma de parcerias. . assim como os fundos setoriais. relevância e mérito. o acesso e o desenvolvimento de tecnologias limpas. promovendo a transferência. considerando as especificidades e necessidades regionais. na promoção e na execução dos planos de desenvolvimento sustentável regionais. tais como qualidade. de forma a ampliar sua participação na matriz energética brasileira. os conceitos e as diretrizes do desenvolvimento sustentável. nas avaliações de projetos e outras iniciativas de C&T. tecnologia e inovação para o desenvolvimento sustentável. · Fortalecer o desenvolvimento tecnológico e apoiar a utilização de fontes energéticas alternativas que sejam ambientalmente seguras e limpas. buscando associar aumento de produtividade com formas de produção apoiadas em técnicas que contemplem a conservação e a reconstituição da diversidade biológica. maior deve ser o esforço dos órgãos governamentais para captar recursos privados.· Assegurar a adequada formação e capacitação de recursos humanos em ciência. · Fomentar a cooperação internacional em C&T para o desenvolvimento sustentável. em adição aos já utilizados. promovendo integração entre os produtores do conhecimento e seus usuários. · Incorporar. · Prover mecanismos para estimular as empresas a trabalharem em parceria com universidades e centros públicos de pesquisa. · Buscar maior integração entre os setores público e privado nos investimentos de P&D. · Prover recursos financeiros e materiais para a manutenção de pesquisadores e cientistas no Brasil. mesorregionais e microrregionais. · Fortalecer os mecanismos de educação para a ciência e tecnologia e de disseminação da informação científica e tecnológica para o desenvolvimento sustentável. · Democratizar a distribuição dos recursos humanos em ciência e tecnologia no espaço regional brasileiro e envolver diretamente os centros de pesquisas e as universidades. · Estimular a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias e práticas de produção agrícola sustentáveis. À medida que se torna mais disseminado o conceito de responsabilidade social.

segundo o impacto da tecnologia. Estamos. material e espiritual ao longo de toda a existência. como o aumento do número de alunos matriculados de 11% entre 1994 e 2001. no prazo correto. plataformas tecnológicas e a propriedade intelectual. 43 Inclusão social para uma sociedade solidária Objetivo 6 Educação permanente para o trabalho e a vida A educação é uma prioridade máxima. No século XXI. · Desenvolver e implementar estratégias para a proteção efetiva dos conhecimentos tradicionais. com boa formação humanística. Uma das razões pelas quais a boa formação é tão importante na sociedade e na economia moderna é que as profissões perderam sua estratificação e imobilidade e ganharam maior flexibilidade.6% dos alunos conseguem terminar o ensino fundamental. arranjos locais. prevendo mecanismos de transferência dos conhecimentos gerados para os setores público e privado e apoiando incubadoras de empresas. como demonstram os dados sobre os egressos do ano 20002. que sempre se renova. O analfabetismo funcional e o fortalecimento do ciclo básico . Como o conhecimento avança no domínio interdisciplinar. formação de redes de inovação. é o que entendemos por educação permanente. muda o perfil do trabalho. Esse processo contínuo de aprendizado. que garanta justa repartição de benefícios advindos do uso desses conhecimentos. uma vez que é a formação do ser humano que torna possível o pleno aproveitamento de suas potencialidades e do seu desenvolvimento moral. da informação e das novas descobertas. afinal. uma vez que a carência de educação é considerada a principal responsável por 40% da pobreza do país1. projetos cooperativos. Apesar de alguns avanços recentes. vivendo no limiar de uma nova sociedade do conhecimento.· Contribuir para a criação de um ambiente favorável à inovação. sabese que apenas 42. O Brasil apresenta na área educacional um atraso crônico e estrutural. O resultado desse quadro adverso é dos mais desanimadores. dispor de cidadãos bem preparados e capacitados. estando em permanente remodelagem. Devemos entendê-la como a dimensão mais nobre e relevante da vida. científica e artística será necessário para atingir desenvolvimento e melhor qualidade de vida.

especialmente no pré-escolar. apenas 2. seria inútil insistir sobre a importância da comunicação entre instituições e pessoas. Tendo em vista a enorme importância da educação na nova sociedade.A educação começa na mais tenra infância. as condições materiais da escola e. No entanto. onde a criança se familiariza de maneira leve e descontraída com dimensões.O que precisa ser aferido não é o ato mecânico de ler ou escrever. Como as mulheres entraram maciçamente no mercado de trabalho. a partir do berço e dos cuidados familiares. o que se precisa garantir é a capacidade intelectual de entendimento na leitura de um jornal. Nesse período crucial. Ipea. A descentralização dos recursos federais diretamente para a unidade escolar foi um avanço que precisa ser ainda mais fortalecido com escolas em tempo integral ou semi-integral. definem-se os limites e as oportunidades da criança e do jovem para o resto de sua vida. A escola-cidadã contra a pedagogia da repetência A melhoria da qualidade do ensino no Brasil exige. um livro ou um manual de instrução. Na era da informação. e em seguida. conceitos e temas essenciais ao pleno êxito de sua alfabetização e de seu aperfeiçoamento futuro. sua base salarial. é fundamental observar que o conceito original de alfabetização está ultrapassado. mas o grau de analfabetismo funcional hoje substituído pela idéia 1 Ricardo Paes de Barros. a qualidade do ensino. acima de tudo. 44 de literamento pois. passamos a considerar como ensino fundamental o ciclo de formação que se estende da pré-escola até o limiar do segundo grau. profissionais e voluntárias. ou sobre como tais virtudes são essenciais para o desempenho profissional e para a vida social dos cidadãos em suas atividades públicas. São importantes os progressos recentes que praticamente completaram a universalização do acesso à escola e ampliaram os anos de escolaridade. nos primeiros anos de vida. tendo em vista a redução das desigualdades sociais que pesam ainda contra a maioria do povo brasileiro.1 milhões que entraram na 1a série em 1993. são ainda precários o nível de formação do professor. um compromisso orientado em torno da escola e de sua importância cívica na formação das crianças e dos jovens. de forma oral ou escrita.6 milhões completaram a 8a série em 2000. Sendo assim. . 2 Dos 6. como conseqüência. de pelo menos cinco horas por dia.

Finalmente. devem ser vistas como essenciais para motivar as crianças. excessivamente centralizador. no acompanhamento das atividades de seus filhos. valorizar os seus progressos e garantir melhores condições de ensino. Na classe trabalhadora. A massificação do ensino superior se constituiu num avanço da última década. cabe recomendar a reforma do ensino superior nas universidades públicas. Nesse caso. cartorial e burocratizado. seus múltiplos problemas. A educação moderna. outra deficiência estrutural do sistema educacional brasileiro. reformular o sistema regulatório. Era arraigado o preconceito contra o trabalho manual. ao contrário. requer múltiplos dons e habilidades práticas que são a ferramenta necessária para atividades as mais diversas. que nosso sistema oficial sempre ignorou ou desprezou. em favor de maior autonomia e responsabilidade da vida universitária.essa é uma razão a mais para atribuir à escola um importante papel na formação geral de nossas crianças. buscando enfrentar em cada unidade escolar. o que agrava as distâncias sociais já nos primeiros anos de ensino. pela via da avaliação e do acompanhamento dos resultados atingidos. importantes para romper o gargalo entre o ensino fundamental e o nível superior. Avanços no ensino técnico são. A velha oposição entre o ensino 45 profissionalizante e o ensino humanístico deve ser resolvida. O saber prático e a educação profissional O investimento em educação exige também uma boa dose de saber prático. concentrando a energia coletiva em favor de mudanças que melhorem as condições de trabalho e de ensino. havendo reconhecimento social apenas nas funções identificadas com as elites. É preciso. . também. mas esse processo deve ser submetido ao controle de qualidade. deverão ter papel especial as áreas de pesquisa e de extensão que deveriam trabalhar juntas em programas de treinamento e capacitação em massa. Iniciativas recentes de envolvimento maior das associações de pais de alunos. a família raramente tem possibilidades de dar apoio ao aluno nos trabalhos e na vida cotidiana da escola. para o seu fortalecimento e integração proativa no novo ciclo de desenvolvimento que ora se inicia. Ações e recomendações: · Instituir a Agenda 21 da escola e do bairro. de professores e alunos. também.

evitando excessivas especializações funcionais e reduzir os seus custos quando e onde houver indícios de desperdício. videotecas. públicos ou privados. voltados para a capacitação em desenvolvimento sustentável. prolongando a vida. · Transformar a escola em centro de excelência e cidadania. pelas fundações privadas ou pelas empresas. · Desenvolver planos de capacitação intensivos para qualificar professores. Objetivo 7 Promover a saúde e evitar a doença. estimulando seus vínculos com os projetos de desenvolvimento regional. ao contrário. 46 · Converter os campi universitários em centros de referência. integrando-a ao bairro e à cidade. · Valorizar. o ensino profissionalizante que irá oferecer mão-de-obra qualificada para as múltiplas tarefas que se desenham na nova sociedade da informação. de higiene e salubridade tanto quanto a alimentação e a segurança afetam a saúde. de moradia. Deve-se aplicar na área de . além da bolsa-escola e do programa de renda mínima por meio da educação. reduzindo os custos hospitalares e assegurando a qualidade de vida. por todos os meios. de combate à pobreza. ativa e produtiva. Como a esperança de vida cresce no Brasil e no mundo. financiado pelos governos. o sistema de bolsa de estudos por mérito. · Universalizar o sistema de ensino em tempo integral e combater o analfabetismo funcional. de fortalecimento da identidade cultural e de implantação de projetos de interesse local. mobilizando as universidades e os mais diversos segmentos. democratizando o SUS A origem ambiental das doenças é bem conhecida e essa relação foi sendo desvendada pelas experiências científicas que nos mostram como o ambiente natural. provocando a morte ou. Esses centros poderiam se converter numa rede conectando escolas próximas. · Incentivar a participação de pais de alunos na gerência da escola. as condições de trabalho. ajudando no aproveitamento escolar e contribuindo para captar recursos externos. com a ajuda do terceiro setor. centros culturais e esportivos.· Introduzir no país. · Desburocratizar a escola. e otimizando as boas bibliotecas. pesquisa e desenvolvimento. torna-se cada vez mais crucial que a longevidade venha acompanhada de boas condições de saúde. para melhoria da qualidade do ensino e aproveitamento escolar.

que pode reduzir tanto as doenças ligadas à pobreza quanto as que surgem sob o impacto do progresso científico e tecnológico. São. que são a sexta causa de óbito e que estão declinantes. pela alimentação excessiva que tornou a obesidade. sem dúvida. de fundo socioambiental. em geral. de modo geral. isto é. as crônico-degenerativas. embora de maneira desigual entre regiões e grupos sociais. que podem ser estimuladas por campanhas de esclarecimento e por medidas concretas do setor público. o terceiro. 47 Em segundo lugar. os acidentes de trânsito e com armas de fogo. A prevenção recomenda ainda mudanças culturais de hábitos e de consumo. evitar a vida sedentária. o princípio ambiental da prevenção e da precaução. dar prioridade aos investimentos públicos que eliminem essas "doenças da pobreza". mais do que em qualquer outra. Essas são. estão as chamadas "causas externas". mais dependentes das políticas governamentais de vacinação em massa e de campanhas de promoção da saúde popular. estimuladas pelas atividades sedentárias. As doenças que provocam danos ou a morte (IBGE. Deve-se. nas quais as cardiovasculares ocupam o primeiro lugar e as neoplasias. Finalmente. um problema de saúde pública. 2001) estão classificadas em três tipos diversos: em primeiro lugar.saúde. sobretudo das crianças e dos jovens. os acidentes e a violência que fazem crescer o setor de traumatologia dos hospitais brasileiros. estão classificadas as doenças infecto-parasitárias. Esse esforço de prevenção e de precaução envolve o fortalecimento das ações em defesa do consumidor e o controle dos alimentos e remédios. nos quais o Brasil tem as mais altas estatísticas mundiais e que levam os trabalhadores a exposições excessivas a riscos físicos e químicos. mas aí devemos incluir também os acidentes de trabalho. além de programas sanitários e do . fazendo exercícios e se alimentando de forma equilibrada é a melhor forma de garantir a saúde da maioria da população brasileira. mas cujos resultados sobre a saúde humana são ainda ignorados. as "doenças do progresso". O atendimento universal oferecido pelo setor público para esses pacientes é altamente deficiente e precisa ser democratizado por maior oferta de serviço especializado. Dispensar os alimentos cancerígenos e abandonar o cigarro que provoca o câncer no pulmão. o excesso de carboidratos e de açúcar.

nível de gravidade e de especialização. um grande entrave: sufocado pelo aumento da demanda. prosperaram os consórcios. independentemente de sua contribuição ao sistema. prevenção e controle de doenças e de assistência integral. com a ajuda dos conselhos de saúde. Para isso. que representa uma enorme evolução social. permitindo o livre acesso aos hospitais para todos os cidadãos brasileiros. introduzindo consultas com hora marcada. uma vez que os municípios menores e mais pobres não têm outra escolha senão utilizar os serviços do município. que precisa ser corrigida é o fato de que a rede existente absorve desproporcionalmente os recursos disponíveis. no entanto. antes distribuído de forma corporativa. o sistema único de saúde (SUS) foi incapaz de responder à altura das necessidades e expectativas. · Melhorar a rede de saúde hierarquizando o atendimento médico em função de sua complexidade. descentralizar os serviços para o município. o acompanhamento médico no curso da vida. em detrimento de municípios e áreas mais pobres que estão excluídos da rede. A ambulância. sobretudo para os mais pobres. embora tenha conseguido. A Constituição de 1988 universalizou o acesso ao atendimento médico. é o serviço hospitalar possível. Ações e recomendações · Promover a elaboração da Agenda 21 dos hospitais brasileiros. Uma distorção organizacional do sistema. definindo aos poucos formas efetivas de cooperação entre o governo federal e o poder local. nesse caso. Esse fato.saneamento básico . que acompanharia o indivíduo do nascimento à morte. com base em programas como dos agentes 48 comunitários e de saúde de família. usar a caderneta-saúde ou seu equivalente eletrônico. evitando a doença. partes integrantes do Sistema Único de Saúde _ SUS. · Intensificar e universalizar ações de promoção à saúde. pólo da região. mas sempre limitados do ponto de vista das realizações. com sucesso. tendo em vista a melhoria dos seus serviços médicos e a qualidade do atendimento. registrando o diagnóstico médico e o seu receituário de maneira a permitir. Nesse caso. Para corrigir tais desequilíbrios é necessário priorizar ações preventivas de promoção da saúde. teve.especialmente as de veiculação hídrica. estabelecer um sistema .

sem dúvida. desnutrição. Melhorar os indicadores sociais é indispensável para o país ficar mais confortável em seu posto de uma das dez maiores economias do mundo. garantindo condições para acompanhamento e tratamento. serviços e ambientes de trabalho. que não pode ser postergada sob nenhum pretexto. · Ampliar as ações de detecção precoce dos problemas de saúde.. · Aprimorar mecanismos de implementação da vigilância em saúde relacionada à qualidade de água. 10% da população detêm o controle de 50% da renda. como hipertensão. para uma política integrada de redução de risco à saúde e melhoria das condições de vida da população. solo. dietas adequadas. uma prioridade nacional de curto. de forma a eliminar ou reduzir fatores de risco à saúde.coerente que comece com forte política preventiva e progressivamente envolva os postos de saúde. trata-se de reduzir as desigualdades extremas entre brasileiros. produtos. médio e longo prazos. Esta é. segundo as quais. preventivas e curativas. direção perigosa. Objetivo 8 Inclusão social e distribuição de renda Existe um consenso nacional quanto à importância que deve ser atribuída à redução das desigualdades sociais e ao combate à pobreza. enquanto os 50% mais pobres se limitam a apenas 8%. 49 Tais proporções são eticamente inaceitáveis dentro dos padrões de justiça social que . · Promover a articulação entre os setores governamentais e destes com a sociedade. Essa melhora de indicadores sociais pode ser resultado de programas e ações convergentes de políticas públicas que induzam à redução da pobreza (até um salário mínimo) nos próximos dez anos. comportamento sexual seguro. No que diz respeito à distribuição de renda. uso do álcool e outras drogas. com o fim de diagnosticar. de forma a evitar que esses fatores de risco se transformem em elementos desencadeadores de processos patológicos graves e irreversíveis. os hospitais de emergência e os especializados. impedindo que estes interfiram no processo de aprendizagem. · Promover o desenvolvimento de ações educativas. tratar e acompanhar alunos com problemas de saúde. defeitos congênitos etc. diabetes. · Priorizar como política de saúde pública as ações educativas quanto ao tabagismo. com a perspectiva de sua eliminação. câncer de colo de útero.

propícios ao desenvolvimento de atividades produtivas e de cooperação intermunicipal ou interestadual O desafio é a implementação de ações que promovam a inserção competitiva da produção mesorregional em nível local. Para a modificação desse quadro exige-se forte mobilização governamental e intensa participação civil no plano das organizações não-governamentais das empresas. levando-o a níveis mais aceitáveis. isto é. Bico do Papagaio. Bacia do Itabapoana. As carências de infraestrutura e o precário acesso aos bens e serviços públicos é um estímulo à emigração para os centros urbanos. Melhorar tamanhas desproporções é dever de todos. Na periferia das regiões metropolitanas a situação de marginalidade é grave. Vale do . por meio de 13 Programas de Desenvolvimento Integrado e Sustentável de Mesorregiões Diferenciadas inclusos no Avança Brasil (Alto Solimões. São.almejamos para garantir as condições mínimas de cidadania a todos os brasileiros. que mede o nível de distribuição da propriedade e da renda segundo padrões internacionais. áreas sujeitas à estagnação econômica ou em situação de isolamento. tendo em vista os contrastes com as áreas mais nobres do centro e a extrema precariedade das condições habitacionais e dos serviços públicos. Zona da Mata Canavieira. Águas Emendadas. é imperativo que se ampliem os recursos financeiros e humanos para programas de redução das desigualdades sociais evitando superposições e maximizando a convergência de programas complementares. Xingó. destacam-se as Mesorregiões. 3 Entre as estratégias de atuação territorial definidas no contexto da proposta da Política Nacional de Integração e de Desenvolvimento Regional do Ministério da Integração Nacional. Por outro lado. em geral. Vale do Rio Acre. das associações civis e de bairro. Chapada do Araripe. As mesorregiões3 pobres e as periferias metropolitanas Os focos espaciais de pobreza são áreas prioritárias de atuação e encontram-se concentrados em 17 mesorregiões pobres distribuídas nos diferentes estados. nacional e internacional. que são espaços territoriais sub-nacionais de confluência entre duas ou mais unidades da federação. de forma sustentável.6 atuais para 0. Metade Sul do Rio Grande do Sul.4. ou de fronteiras com países vizinhos. Ações e recomendações · Reduzir o Índice de Gini. e que varia de zero a um. das entidades religiosas. Vale do Jequitinhonha/Mucuri. Essas ações vêm sendo realizadas em 17 Mesorregiões. dos 0.

especialmente transporte de massas. e pelo investimento em infra-estrutura social. · Mobilizar parcerias por meio da "responsabilidade social" das empresas. · Universalizar as regras de acesso ao crédito.Ribeira-Guaraqueçaba. melhorar o atendimento integrado das demandas da população. devido à sua eficácia em concentrar esforços para alcançar resultados a partir de experiências-piloto bem-sucedidas. para reduzir a desigualdade de renda. infraestrutura. habitação. Grande Fronteira do Mercosul e Chapada das Mangabeiras) e 4 Projetos criados pelo Ministério por intermédio de Portaria Ministerial (Ilhas do Baixo Amazonas. 50 · Ampliar programas governamentais nos três níveis de governo. fazendo a justiça chegar ao cidadão comum e às comunidades marginalizadas. · Investir maciçamente em capital humano e em capacitação profissional. saúde e educação. · Desburocratizar procedimentos que dificultam a vida e a sobrevivência do cidadão. Proteger os segmentos mais vulneráveis da população: mulheres. de políticas públicas mais eficazes. sobretudo. Reforçar iniciativas não-governamentais é. do trabalho voluntário do terceiro setor e. negros. incentivando os pequenos e novos empreendedores. Entorno de Manaus Fundão da Baía de Guanabara e Cristalino). A profissão do professor precisa ser valorizada socialmente e seu nível salarial precisa ser compatível com a sua missão social. como áreas-foco das desigualdades sociais do país favorecendo a inserção das três mesorregiões ainda não inseridas no atual Plano Plurianual do Governo Federal. · Adotar a gestão integrada de políticas públicas de desenvolvimento sustentável nas 17 mesorregiões já oficialmente reconhecidas. . por meio do Juizado de Pequenas Causas. · Melhorar a qualidade de vida e a justiça social nas regiões metropolitanas. pela democratização do acesso aos serviços públicos de qualidade. · Democratizar a justiça. especialmente em educação fundamental e no ensino médio. especialmente necessário. ao registro civil e aos documentos oficiais que garantam a cidadania. visando à melhor qualidade do ensino e seus instrumentos pedagógicos. tornando-o mais acessível à maioria da população. em tais casos. isoladas ou excluídas. como o da bolsaescola e de renda mínima. facilitando o acesso aos serviços públicos oferecidos pelos governos.

com baixo nível de renda. bem como no terceiro setor. . · Implementar programas de treinamento e capacitação profissional para jovens articulados com programas de promoção do primeiro emprego. que os homens. Informações seguras sobre o quadro nos resíduos sólidos e na drenagem urbana ainda se constituem num desafio para as instituições responsáveis por indicadores socioambientais.jovens As desigualdades sociais incidem especialmente sobre a população negra cujos indicadores sociais são. com poucas oportunidades. Outra fonte de desequilíbrio social pode ser identificada nas mulheres. 50% inferiores aos da população branca. Objetivo 9 Universalizar o saneamento ambiental protegendo o ambiente e a saúde Cada um real investido em saneamento básico propicia a economia de cinco reais em atendimento médico. estímulo à cidadania e esperança no futuro. · Estabelecer políticas de renda mínima para mulheres chefes de família. · Promover atividades de esporte e cultura e freqüência aos teatros e museus. Segundo dados de 1999 da PNAD . 57% não têm seus esgotos ligados à rede pública e 80% não têm tratamento de esgotos. entendendo que o problema é de todos os brasileiros e que sua solução é de responsabilidade de toda sociedade. eticamente é inaceitável que expressiva parcela da população brasileira não disponha de coleta de esgotos e lixo. Ações e recomendações 51 · Promover uma ampla campanha de mobilização das diferentes instituições públicas e privadas.Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar. em média. para discutir. como forma de proteção contra a marginalidade. é essa a conta feita pelos estudiosos do assunto para reivindicar a ampliação dos investimentos nesse setor vital para a economia e a saúde de uma nação. com menor valor agregado nas suas atividades. além de ser a principal vítima da violência urbana. 20% da população brasileira não é atendida por abastecimento de água. Outro vetor de desigualdades é a vulnerável população jovem. · Estabelecer política de equivalência salarial entre negros e brancos. cuja taxa de desemprego é bem mais alta que a da população adulta. especialmente aquelas que desempenham hoje a função de chefes de família. Com algumas pequenas variações. Além do mais. propor e implementar soluções sobre o destino das "crianças de rua". das drogas e de situações de risco. para crianças em estado de risco.

evitando a contaminação das águas pluviais e subterrâneas. deve ser incluído o custo de despoluição de rios e baías. diminuindo sua produtividade e sobrecarregando a rede hospitalar. em trechos das bacias do Paraíba do Sul. · Estimular as comunidades a fiscalizar a correta e completa execução das obras de saneamento ambiental. Os corpos d'água. pois. ou pela conseqüência sobre a saúde da população. 52 Ações e recomendações · Priorizar os investimentos em infra-estrutura urbana. do São Francisco e da Baía da Guanabara. Torna-se necessária. contaminados. Nas zonas rurais. o que representa mais um prejuízo econômico. promovendo o tratamento adequado em aterros sanitários. ampliando para 60% o tratamento secundário de esgoto na próxima década. por exemplo. · Promover hábitos de redução do lixo e a implantação da coleta seletiva voltada para . uma ação coordenada que ultrapasse os limites do espaço urbano. do Tietê. contribuindo para o surgimento de doenças de veiculação hídrica. seja de forma direta. · Promover a universalização do acesso à água e ao esgoto. até o final desta década. · Priorizar a proteção dos corpos hídricos poluídos. têm sua produtividade reduzida. em bacias hidrográficas críticas e nas baías e zonas costeiras densamente povoadas. Deve-se ter em mente que "universalizar o saneamento" implica divulgar técnicas e prover recursos para o abastecimento de água e a disposição de esgoto e lixo. nos próximos dez anos. pela indisponibilidade.Na conta da falta de saneamento ambiental. não são raros os casos em que contaminam rios. também. · Atuar em conjunto com organizações não-governamentais e governos para divulgação das boas práticas de saneamento ambiental. · Eliminar os lixões. Estima-se serem necessários US$ 20 bilhões para abastecimento de água e coleta e tratamento primário e secundário de esgoto. abrindo-lhes canais que permitam a apresentação de reclamações e a formulação de denúncias. riachos e lençóis subterrâneos de água. nas zonas rurais. especialmente os destinados à universalização do saneamento básico. portanto. é importante que dejetos de animais sejam adequadamente dispostos e/ou tratados.

As políticas federais têm um papel indutor fundamental na promoção do desenvolvimento sustentável como um todo. bem como métodos corretos de disposição de esgotos e de lixo. de habitação. metropolitanos. A necessária reorientação das políticas e do desenvolvimento urbano depende radicalmente da reestruturação significativa dos sistemas de gestão municipais. cobrança por impermeabilização proporcional à área impermeabilizada do imóvel. como para o incentivo da co-gestão entre os diferentes segmentos da sociedade. sobretudo no que se refere aos assentamentos informais ou irregulares e . · Promover programas de geração de renda para população mais pobre dos grandes centros urbanos. ou punitivas. redução de imposto predial em função da área permeável remanescente. o que agrava os efeitos das enchentes nas áreas urbanas. transportes e geração de emprego e renda. não só para o fortalecimento do local. por meio da coleta e reciclagem do lixo. Por outro lado é importante estabelecer a descentralização das instâncias decisórias e serviços. estaduais e federais. · Divulgar técnicas seguras e higiênicas de obtenção e consumo de água na zona rural. Deve-se promover a mudança de enfoque nas políticas de desenvolvimento e de preservação do ambiente urbano. · Criar um sistema de saneamento ambiental no país com forte controle social. 53 Estratégia para a sustentabilidade urbana e rural Objetivo 10 Gestão do espaço urbano e a autoridade metropolitana A sustentabilidade das cidades tem que ser situada na conjuntura e dentro das opções de desenvolvimento nacional.reciclagem e aproveitamento industrial. A sua viabilidade depende da capacidade das estratégias de promoção da sustentabilidade integrarem os planos. causa de inundações potencialmente geradoras de doenças e deseconomias urbanas. projetos e ações de desenvolvimento urbano. · Inserir a drenagem urbana como questão de saúde pública e desenvolver programas de combate à impermeabilização excessiva do solo urbano. de modo a permitir o planejamento intersetorial e a implementação de programas conjuntos de ordenamento territorial urbano. por meio de adoção de medidas compensatórias. · Adotar medidas de incentivo à redução da impermeabilização do solo das cidades.

do artigo 25 da Constituição. 54 Ações e recomendações · Promover a reforma do Estado. Na prática. Entre os instrumentos de incentivo. · Desenvolver linhas específicas para a locação social. O desafio atual da gestão das cidades passa ainda pela busca de modelos de políticas que combinem as novas exigências da economia globalizada à regulação pública da produção da cidade e ao enfrentamento do quadro de exclusão social e de deterioração ambiental. · Fortalecer a dimensão territorial no planejamento estadual. dentro da nova filosofia do federalismo cooperativo. microrregião ou a mesma bacia hidrográfica. · Combater a produção irregular e ilegal de lotes urbanos e o crescimento desnecessário da área de expansão urbana das cidades. estimulando a regionalização interna dos estados federados e a cooperação entre municípios que tenham problemas urbanos e ambientais comuns por integrarem região metropolitana. deve-se privilegiar aqueles de natureza econômica. A omissão das diferentes instâncias de governo em relação ao espaço metropolitano vem gerando a ingovernabilidade. tornando-o mais ativo e promotor do desenvolvimento urbano sustentável. aglomeração urbana. pela aplicação efetiva de instrumentos de regulação do solo _ urbano e rural _ e da adoção de mecanismos de controle e fiscalização eficazes. Por fim. se faz necessário pensar na gestão do espaço metropolitano que ainda vem reclamando por uma autoridade metropolitana de gestão. por entender que eles são mais adequados quando se verifica a necessidade de gerar recursos adicionais para promoção de projetos indutores da sustentabilidade urbana. criando a Autoridade Metropolitana. por lei complementar. Essa mudança deve ser operada com a substituição paulatina dos instrumentos punitivos e restritivos para os instrumentos de incentivo e negociação. que precisa ser reparada com a regulamentação. A criação dessa instância não foi efetivada tendo em vista a autonomia do município. · Garantir a governança e a sustentabilidade das cidades. significa criar uma legislação comum e consórcios participativos entre as prefeituras das regiões metropolitanas para a gestão integrada de seus serviços públicos. a dispersão partidária e a competição que predominam entre as diferentes escalas de cidades. pelo aproveitamento do estoque .às atividades industriais.

· Criar e/ou fortalecer órgãos de planejamento urbano e regional reforçando a dimensão ambiental em suas estruturas técnico-burocráticas. visando gerar recursos para programas habitacionais e de melhorias do meio ambiente. ao mesmo tempo. · Implementar instrumentos de recuperação. · Promover o aperfeiçoamento do sistema tributário brasileiro nos três níveis de governo visando à incorporação e à viabilização de instrumentos econômicos que promovam o uso sustentável dos recursos naturais e a adoção de princípios de extrafiscalidade que estimulem ações. um novo impulso à economia nacional e um fim às práticas de exploração predatória dos imensos recursos naturais do país. visando ampliar a oferta de alternativas habitacionais e o acesso à moradia adequada para aqueles que não têm condições de adquirir uma unidade habitacional. Hoje.existente e recuperação das áreas centrais degradadas. somada a uma visão exclusivamente . uma combinação que tornaria redundante a maior parte dos quase vinte milhões de pessoas ocupadas em cinco milhões de estabelecimentos agrícolas. negociação e de controle da intervenção urbana. Perceber que é possível reduzir a dívida social. novos instrumentos de ação. 55 Objetivo 11 Desenvolvimento sustentável do Brasil rural É preciso redescobrir o potencial de desenvolvimento sustentável do Brasil rural. melhorando a qualidade e a eficiência tanto institucional quanto dos serviços prestados à população. aperfeiçoando suas bases de dados sobre unidades territoriais de gestão e planejamento. ao lado de sistemas de produção de grãos altamente mecanizados. de parcela da valorização fundiária. acredita-se que a população rural estaria condenada a se encolher devido à completa generalização de imensas pastagens extensivas. conforme exigência do Estatuto da Cidade que põe à disposição dos governantes e da população. · Implementar sistemas integrados de gestão urbana e que contemplem a descentralização e as parcerias. · Promover a elaboração dos planos diretores. dando. empreendimentos e comportamentos sustentáveis dos agentes públicos e privados. resultante dos investimentos em infra-estrutura e melhorias urbanas. pelo Poder Público. A predominância de uma agricultura sem pessoas.

vivendo em pré-cidades. Tudo isso indica . onde qualquer sede de município é uma cidade e qualquer sede de distrito é uma vila. Estimativas baseadas em critérios atualmente em uso nas organizações internacionais indicam que quase um terço da população _ 52 milhões de pessoas . habitação. A população desses 56 municípios rurais atraentes aumentou 31. Todavia. É a contagem de todos os residentes em sedes de municípios e de distritos que dá origem a essa ficção de que a população rural _ inferior a 19% em 2000 _ chegaria a 10% por volta de 2015 e teria desaparecido antes de 2030. baseado na maior capacidade de absorção de força de trabalho dos sistemas produtivos de caráter familiar. abrigo dos excedentes de mão-de-obra agropecuária. contudo. água potável e eletricidade _ reforçam a idéia de que o chamado "êxodo rural" seria uma imposição inescapável. cuja base é a pluriatividade e a multifuncionalidade da agropecuária de pequeno porte. ou assistencialista. dos programas que vêm promovendo o acesso de trabalhadores rurais a ativos físicos essenciais _ como a propriedade da terra.5%. é que em 1.500 municípios do Brasil rural e outros 22 milhões em 570 municípios suficientemente ambivalentes para que sejam considerados ‘rurbanos'. Ele seria o custo de um tipo de progresso que não poderia fugir à proliferação das favelas e periferias urbanas.vivem nos 4. baseado na modernização da chamada "agricultura familiar" e nas amplas oportunidades de geração de empregos rurais nos setores terciário e secundário. Milhões de candidatos à urbanização. A apreciação mais realista do Brasil rural deve começar pela correção do critério legal criado pelo Estado Novo. passando de 146. o potencial ainda inexplorado de desenvolvimento do interior do país. como numa infinidade de serviços técnicos.8 para 169. enquanto a população brasileira crescia 15. Não somente pelas possibilidades de "industrialização difusa".compensatória.109 municípios rurais houve crescimento populacional bem superior às médias estaduais e nacionais durante a década de 1990.4 milhões.6 milhões. ao contrário. Isto é. essa suposta inevitabilidade do "êxodo rural" tem sido cada vez mais contrariada por evidências que destacam.3%. à espera de melhores condições de vida e de trabalho que os aproximem do exercício da cidadania. passando de 11 para 14. O mais importante. sociais e pessoais.

a destinação de terras públicas e o arrendamento rural. gênero. mediante: incentivos à diversificação das atividades econômicas. Ações e recomendações · Revogar o Decreto-Lei n. ao aproveitamento da biomassa e à adoção de biotecnologias baseadas no princípio da precaução. baseadas em critérios funcionais semelhantes aos que hoje são internacionalmente adotados. · Incentivar. incentivos ao surgimento de articulações locais participativas. por meio de mecanismos como a desapropriação e/ou aquisição de imóveis. Destas. a começar pela diversificação dos sistemas produtivos do setor agropecuário. 311. · Elaborar política integrada de assistência técnica e capacitação das famílias assentadas que contemple demandas decorrentes da instalação. priorizando as organizações e atores locais. incentivos à redução das desigualdades de renda. · Promover a parceria da União com os estados e os municípios nas políticas de desenvolvimento rural. · Promover a desconcentração fundiária e o acesso à terra. a partir de diretrizes básicas definidas em planos quadrienais de desenvolvimento sustentável do Brasil rural. estruturação e integração dos projetos de assentamento às políticas de desenvolvimento local. a começar pela agricultura familiar. econômica e ecológica. associações e consórcios. . ou pela criação de agências microrregionais de desenvolvimento. incentivos à participação local no processo de zoneamento ecológicoeconômico. etnia e idade.que está em curso no Brasil um processo de recomposição territorial que dará origem a algo em torno de 500 microrregiões. · Descentralizar as ações de desenvolvimento rural. os municípios de pequeno e médio porte a formarem articulações intermunicipais microrregionais com o objetivo de valorizar o território que compartilham. incentivos à expansão e ao fortalecimento das empresas de pequeno porte de caráter familiar. pelo menos 400 são e continuarão sendo profundamente rurais. de 1938. seja mediante pactos informais. Das restantes 450. pelos trabalhadores rurais. por meio das políticas de desenvolvimento rural da União e dos estados. substituindo-o por legislação que contenha novas definições legais de cidade e de vila. tanto municipais como intermunicipais. 50 são predominantemente urbanas e incluem as 12 aglomerações metropolitanas. incentivos à valorização da biodiversidade. por meio de projetos de sustentabilidade social.

aos agricultores familiares dos assentamentos de reforma agrária. d) a reconstrução sobre novas bases da educação rural. à expansão e ao fortalecimento das empresas de pequeno porte de caráter familiar. · Todos os programas de desenvolvimento sustentável do Brasil rural deverão ter um . por meio do apoio à criação de micro e pequenas empresas. que inclui aqüicultores. propiciando o fomento e racionalização dos recursos.· Promover as ações necessárias para implementar a lei de registros públicos e elaborar os planos integrados de destinação das terras públicas. composto de diversos programas. · As políticas de desenvolvimento rural da União e dos estados deverão integrar pelo menos as seguintes dez dimensões das ações governamentais: I) educação. IX) cooperativismo e associativismo. práticas e gestão do Programa Nacional de Reforma Agrária.seja elaborado de forma a garantir sustentabilidade econômica. pelos assentados. capacitação e profissionalização. a começar pela agricultura familiar. entre os quais pelo menos quatro devem ser considerados estratégicos: a) a promoção do acesso à terra (pelos assentamentos de reforma agrária e das ações de crédito fundiário para combate da pobreza rural). VII) crédito. VIII) seguro. b) o fortalecimento da agricultura familiar (pelas cinco diretivas do Pronaf: crédito. · O apoio e ajuda da União às articulações intermunicipais devem ser dirigidos prioritariamente: à realização do zoneamento ecológico-econômico. III) manejo dos recursos naturais das microbacias hidrográficas. social e ambiental para os projetos de reforma agrária. · O desenvolvimento sustentável do Brasil rural deve se tornar um dos macroobjetivos do Plano Plurianual (PPA). VI) infra-estrutura e serviços. X) comercialização. para o ordenamento territorial. infra-estrutura e serviços públicos municipais. c) a diversificação das economias rurais. IV) saúde. II) assistência técnica e extensão integradas às redes de pesquisa. como forma de minimizar os impactos sobre os recursos naturais e evitar o abandono das áreas. 57 · Ampliar e consolidar rede de parcerias públicas e privadas. capacitação. V) habitação. assistência técnica e comercialização). · Assegurar que o Plano de Desenvolvimento dos Assentamentos/PDA . extrativistas e pescadores.

mas não com a velocidade embutida na idéia de "revolução super ou duplamente verde". como a agricultura. e aos deficientes. Aplicada isoladamente a um setor da economia. Não há por que pensar que a biologia molecular. Não será fácil implantar uma agricultura que preserve os recursos naturais e o meio ambiente. São raras as práticas "sustentáveis" que podem ser adotadas em larga escala. Essa constatação é ainda mais crucial para a agricultura atualmente praticada. . sem comprometer os níveis tecnológicos já alcançados. Sul e Sudeste A partir do final da década de 1960. uma relação dialética entre inovação e conflito. dificilmente a noção de sustentabilidade fará sentido. É possível que a situação se altere sob pressão social. mecanização do plantio e colheita e controle químico de pragas _ o esgotamento das áreas de lavoura baseadas essencialmente em sistemas de queimada e rotação de culturas foi contornado no Sul e Sudeste do país. venha revolucionar a produção de alimentos em trinta anos. na medida que ela é envolvida e integrada pela indústria e pelos serviços. portanto. O que está em questão não é apenas o ritmo das inovações. tanto para a força das tendências inovadoras quanto para os tipos de inovação. Objetivo 12 Promoção da agricultura sustentável 58 A idéia de uma agricultura sustentável revela o desejo social de novos métodos que conservem os recursos naturais e forneçam produtos mais saudáveis. aos negros. aos índios. Existe. combinada com a emergente agroecologia. de difícil multiplicação. às crianças.forte componente de ações afirmativas voltadas às mulheres. particularmente no que se refere ao manejo dos recursos naturais das microbacias hidrográficas. já que as soluções consideradas "sustentáveis" são específicas dos ecossistemas e exigentes em conhecimento agroecológico _ portanto. com o pacote tecnológico da ‘Revolução Verde' _ fertilização química dos solos. de segurança alimentar. Essa substituição de bases técnicas permitiu a implantação de monoculturas em larga escala. · Todos os programas de desenvolvimento sustentável do Brasil rural deverão ter um forte componente de educação ambiental. Também são decisivas as modalidades de regulação dos conflitos.

A despeito dos fortes ganhos de produtividade. os solos do cerrado respondem hoje por 30% dos principais cultivos brasileiros. terá de enfrentar o histórico problema da seca na grande mancha semi-árida que abrange 70% de uma área da região e 63% de sua população. mas não significou desenvolvimento humano efetivo para a maior parte dos nordestinos. com o surgimento de pólos ou manchas de dinamismo econômico. somando-se às causas. além da fase ascendente da economia brasileira. Nordeste Mais de dois terços dos pobres rurais brasileiros estão no Nordeste. 59 Um dos grandes obstáculos a uma solução efetiva para a falta de água no semi-árido é a visão de que se trata única e exclusivamente de um problema ecológico ou climático. Qualquer ação integrada que se proponha para melhorar a situação rural dessa região. pelo aumento da produtividade agrícola. investimentos em pesquisa e extensão agrícola. O crescimento econômico da região foi fortalecido em razão desses pólos. . entretanto. cujas ligações com a agropecuária mais tradicional da região ainda são pouco estudadas. porém.favorecidas por subsídios no crédito. não sofreu algum tipo de exploração intensiva ou extensiva. a plantas cujas exigências não podem ser satisfeitas pelos recursos disponíveis. bem como a do regime hídrico. É preciso lembrar. que o crescimento de culturas nesses solos supõe sua adaptação. Nos últimos trinta anos houve forte alteração da realidade econômica do Nordeste. o uso em larga escala de fertilizantes químicos. que persistem até os dias atuais. de agrotóxicos e da irrigação contribuem decisivamente para empobrecer a diversidade genética desses ambientes. A mecanização. Apenas 7% do cerrado. além de abrigar 40% do rebanho bovino e 20% dos suínos do país. A principal característica da região continua a ser a pobreza extrema de grande parte de seus habitantes. essa dinâmica logo foi abalada pelos problemas sociais e ambientais gerados. Centro-Oeste Considerados improdutivos até o final da década de 1960. O que mais importa é a coincidência entre a fragilidade social e a limitação agroecológica do conjunto das unidades geoambientais que formam o "Nordeste seco". As iniciativas de enfrentamento dessa problemática acabam muitas vezes por agravá-las.

As desvantagens comparativas da agricultura familiar na Amazônia forçam os produtores à sobreexploração dos recursos. encontram-se a concentração fundiária e o conflito no campo. em estreita simbiose com a extração madeireira. de gado de leite e de corte do país. em detrimento de sua enorme riqueza natural. a agricultura praticada tem evoluído mais em função do aumento da área plantada do que em função de ganhos de produtividade. De maneira geral. a aceleração do desmatamento. além da pecuária. os desequilíbrios ecológicos. promovendo a rotação acelerada de áreas e a adoção de . até os cultivos anuais e perenes. Os planos de desenvolvimento foram direcionados para favorecer a implantação de grandes projetos. Como conseqüência. Deve ser revista a ótica de que os cerrados representam essencialmente uma área a ser ocupada. as regiões brasileiras de cerrados foram e continuam sendo vistas.Assim. Cerca de um quarto de seus 220 milhões de hectares já foi incorporado à dinâmica produtiva. Da região Amazônica são extraídos praticamente 80% da produção nacional de madeiras em tora. onde as dificuldades naturais impostas pelos ecossistemas devem ser vencidas para adaptá-los às exigências da produção agropecuária. a poluição por mercúrio e a pauperização das cidades. por meio de subsídios e incentivos fiscais e do acesso facilitado à terra para grandes grupos privados. respondendo por grande parte da oferta de grãos. A extração madeireira constitui o terceiro produto na pauta de exportações paraenses. No rastro desses programas chegou também a pecuária extensiva que. A importância econômica do setor madeireiro pode ser dimensionada pelo fato de representar 40% das exportações brasileiras de madeira. Norte A ótica da "ocupação" dos espaços como estratégia de soberania e desenvolvimento do país guiou a quase totalidade dos projetos governamentais para a Amazônia nas décadas de 1960 e 1970. tornou-se protagonista de problemas ecológicos na Amazônia. causados pelas hidrelétricas. A agricultura familiar na região abrange hoje uma diversidade de sistemas de plantio desde os pequenos cultivos de sobrevivência dos caboclos e ribeirinhos. por políticas públicas e pelos agentes privados que investem na área. como fronteira agropecuária. a desorganização do espaço social e 60 cultural das comunidades locais.

principalmente. beneficiamento. como o fogo. federais. em função do baixo custo de formação de pastagens e da resistência do gado zebuíno. Para alteração do quadro apresentado se faz necessário que as lideranças representantes dos diversos segmentos da sociedade sejam induzidas a uma articulação da qual resultem ações transformadoras.práticas inadequadas de manejos. extensão rural e meio ambiente. de doenças e pragas e de problemas de mercado. resultando. · Adotar o ‘princípio da precaução' em relação ao uso e plantio de alimentos transgênicos vegetais e animais. · Promover a reestruturação dos órgãos públicos. diminuindo sua atração como reserva de valor. dificulta a implantação de agroindústrias na Amazônia. ensino. Ações e recomendações 61 · Incentivar o manejo sustentável dos sistemas produtivos adotando as bacias hidrográficas como unidades de planejamento e gestão ambiental e promovendo a realização do zoneamento ecológico-econômico. estaduais e municipais. Apesar do fim dos incentivos fiscais e da queda nos preços das terras. para a otimização de suas atribuições na promoção do desenvolvimento sustentável. A sustentabilidade da agricultura empresarial também apresenta níveis preocupantes. As tecnologias de implantação e manejo são precárias. sobretudo. embalagem e incorporação de outros serviços. Entre essas desvantagens podem ser citadas a própria estrutura fundiária. assistência técnica. A tendência inevitável nessa dinâmica produtiva é a ocupação de novas áreas. o investimento em terras para a pecuária bovina continua a apresentar alta taxa de retorno. nos setores de pesquisa. inclusive com a utilização da vinculação de crédito. até que se tenham informações científicas claras e . que impede que se completem todas as operações de processamento. as dificuldades de acesso ao mercado. à tecnologia. ao conhecimento e às políticas de crédito. em função. A fragilidade das cadeias produtivas. na degradação das pastagens e estímulo à ocupação de novas áreas. quase sempre. Seria ilusório acreditar que a superação dos obstáculos à sustentabilidade na agricultura venha de fora ou resulte de algum tipo de ação isolada de organizações públicas ou privadas.

para fins de monitoramento comparativo de diferentes categorias de sistemas produtivos e para estimular o gerenciamento ambiental de unidades de produção agrícola. · Identificar e sistematizar um conjunto de pesquisas necessárias à transição para a agricultura sustentável.precisas. cuja produção e comercialização tenham sido liberadas. dificultar o escoamento superficial e facilitar a infiltração de água no solo. · Identificar e sistematizar nos diferentes biomas e ecossistemas físicos. manejo sustentável dos sistemas produtivos. criando as condições para sua prevenção e tratamento. ampliação da diversidade biológica dos agroecossistemas. assim como o consenso da sociedade. · Fortalecer a base de conhecimento e desenvolvimento de sistemas de informação e monitoramento para as regiões suscetíveis à desertificação e à seca. inclusive importados. · Estimular a construção de sistemas de informação que permitam retratar as reais condições de saúde da população em geral e dos trabalhadores. · Criar obrigatoriedade de rotulagem visível para os produtos transgênicos. sobre todos os aspectos jurídicos. inclusive para a realização de pesquisas . · Instituir mecanismos políticos. em sintonia com a realidade do trabalho rural. de acordo com o ‘princípio da precaução'. · Desenvolver um conjunto de indicadores de sustentabilidade para a agricultura. e no meio ambiente. valorizando-as e disseminando-as por meio de diversificados mecanismos de difusão e sensibilização. melhoria nas condições dos solos. de segurança ambiental e de saúde. prioritariamente. contemplando. aspectos relacionados a: gestão ambiental. · Estimular a capacitação dos profissionais de saúde que atuam na rede pública. legais. incluindo os aspectos econômicos e sociais desses ecossistemas. redução do uso de agrotóxicos e de outros poluentes. · Adotar práticas de manejo de solo que satisfaçam aos três princípios básicos de controle da erosão: evitar o impacto das gotas de chuva. particularmente nos corpos d'água superficiais e subterrâneos. que envolvem esses insumos. as principais experiências produtivas em bases sustentáveis. em particular. educacionais e científicos que assegurem programas de monitoramento e controle de resíduos de agrotóxicos nos alimentos.

mas também nas potencialidades do município e nas características da região. No processo de construção do desenvolvimento local emergem as novas identidades locais. baseadas em realizações e feitos passados. antecedem a própria elaboração da Agenda 21 Brasileira. todos eles voltados para pequenas cidades de baixa renda. e sob a inspiração de suas lições e de seus avanços. e hoje já são contabilizadas mais de duzentas iniciativas de elaboração de Agendas 21 locais. O processo de elaboração da Agenda 21 Brasileira teve sua metodologia adaptada para os diversos municípios. hoje avançou para experiência microrregional. . No Brasil. antes de natureza estritamente rural. A longa lista de experiências de transformação local. Muitas. o programa Comunidade Ativa elegeu o Desenvolvimento Local Integrado e Sustentável (DLIS) como metodologia oficial a ser aplicada nos municípios pobres brasileiros pelos fóruns locais em parceria com a comunidade/governo. vale destacar. seja adotando metodologias organizacionais de planejamento estratégico. seja estabelecendo pactos e entendimentos em torno de bacias hidrográficas ou projetos futuros. O fato é que fóruns de desenvolvimento local (ou de Agenda 21) congregando as lideranças governamentais e civis para definir o destino de suas localidades adquiriram diferentes feições e estilos. focalizada de maneira original no poder local. revelam as aspirações de mudança coletiva que alcançam até mesmo as mais simples e longínquas comunidades brasileiras. O mesmo método foi adotado pelo programa Faróis de Desenvolvimento do Banco do Nordeste e pelo projeto Alvorada. Essas novas identidades têm sido a alavanca dos projetos de desenvolvimento sustentável. como forma de suprimir a chamada desnutrição. 63 Objetivo 13 Promover a Agenda 21 Local e o desenvolvimento integrado e sustentável Uma das grandes conquistas da última década foi o avanço na concepção do desenvolvimento que passou a ser visto de forma descentralizada e participativa. recomenda-se a extensão desse processo a todas as cidades brasileiras. Em nome delas. estados e regiões do país. com a metodologia dos arranjos produtivos locais e das cadeias produtivas integradas. A idéia de gestão integrada do desenvolvimento local.62 regionais que levem a um adequado balanceamento da dieta da população rural.

Fóruns locais em cidades isoladas. que os órgãos de governo devem dar prioridade ao financiamento de ações municipais que constem da Agenda 21 local. 64 No entanto. mas diversos aspectos a ele associados. Ações e recomendações · Definir.É importante reconhecer que o surto de mudanças no plano local não seria possível sem as transformações iniciadas a partir da Constituição de 1988. que necessitam de rápido . com o objetivo de definir um plano estratégico e participativo envolvendo ações no plano econômico. inclusive inserindo no PPA. por meio de planos estratégicos e processos participativos locais. que desencadearam o mais radical e consistente processo de descentralização que o país já conheceu em sua vida independente. insuficientes. Objetivo 14 Implantar o transporte de massa e a mobilidade sustentável Mobilidade sustentável. bem como construir o espaço social de integração e convivência de trabalho e lazer. vale notar a fragilidade da maioria dos municípios brasileiros e a complexidade dos processos econômicos e sociais dos quais depende sua prosperidade e até mesmo sua sobrevivência. · Definir a vocação produtiva da cidade em harmonia com sua identidade cultural e ambiental como forma de planejar oportunidades de ampliação de emprego e renda. Estas duas palavras definem um amplo conceito. se não forem acompanhados de iniciativas complementares no plano institucional. · Estimular parcerias intermunicipais e de consórcios para solução de problemas comuns e otimização de recursos humanos e financeiros. · Elaborar indicadores de desenvolvimento sustentável adotando os princípios e estratégias contidos na Agenda 21 Brasileira. · Promover o fortalecimento de cadeias produtivas locais. social e ambiental para o desenvolvimento das pequenas. médias e grandes cidades brasileiras. que contempla não apenas o transporte. pobres e pequenas. · Realizar o zoneamento ecológico-econômico como instrumento de apoio à definição de um plano de desenvolvimento local integrado. na prática. microrregionais ou mesorregionais. como meio de fortalecer a economia sustentável dos pequenos e médios municípios. · Incentivar a realização da Agenda 21 Local em parceria governo/sociedade. revelaram-se.

pobres e ricos. pois as pessoas tendem a buscar. 65 Também afeta a produtividade do trabalho. são obrigadas a ceder espaço para os microônibus. que menores e mais flexíveis. por outro lado. envolvendo grandes aglomerações e os complexos interesses econômicos e sociais de uma sociedade de massa. os horários incertos e os trajetos inadequados. maior proximidade com o seu local de trabalho. não prospera. Um tempo excessivo gasto com transporte tem custos econômicos e sociais altos que afetam a competitividade. A questão da mobilidade está relacionada com as economias e deseconomias de escala. A melhor maneira de evitar a favelização .aprimoramento para que se alcance um estágio sustentável de desenvolvimento econômico. A melhoria do transporte exige que se repense a estrutura urbana e as suas regras de ordenamento. adotar soluções. com a perda de tempo e aumento do custo. uma vez que se perde tempo na locomoção de pequenos e grandes trajetos. em função dos engarrafamentos. Qualquer tentativa de integração dos transportes entre as capitais e suas respectivas periferias é inviabilizada pelos interesses divergentes dos proprietários das empresas de transporte urbano. Existe. modificar hábitos arraigados. social e ambiental. vêm disputando a preferência dos usuários de transporte urbano. para evitar problemas futuros. As empresas devem se envolver na solução dos problemas junto com as autoridades públicas. com absoluta prioridade. como o metrô de superfície. inclusive. a qualquer custo. forçando democraticamente a maioria da população à permanência no trânsito várias horas por dia. preventivamente. É por essa razão que o cartão eletrônico. como o uso do automóvel por um só indivíduo. As cidades de porte médio em processo de crescimento precisam. cumplicidade política entre o poder municipal e os donos de empresas de ônibus que impedem a integração da região metropolitana em um único sistema de transportes coletivos. Para mudar tal estado de coisas será preciso planejar e financiar. O problema atinge a todos. sem dúvida. É preciso ter sempre em vista que a estrutura de transporte tem papel decisivo no desenho urbano e que esse é um motivo de favelização. As empresas de ônibus. novos meios de transporte de massa que permitam. O serviço de ônibus é precário. que permite a livre circulação por menor preço.

· Promover a descentralização das cidades. sem cessar. com a adoção do cartão eletrônico. como eixos de integração intermodal. metrôs e o hidroviário. capazes de garantir recursos públicos e privados. nas esferas municipal. onde possível). articulados a outros meios 66 complementares. o que já é plenamente possível em uma variedade de atividades econômicas. uma das maiores barreiras para a implantação da mobilidade sustentável é ‘a cultura do automóvel' que propaga o veículo. na medida do possível. · As empresas devem estudar a possibilidade de instituir o escalonamento nos horários de trabalho. regularidade e integração para melhor servir a população metropolitana brasileira. · Criar programas consistentes de otimização dos sistemas integrados de transportes urbanos. A descentralização deverá ser executada simultaneamente com a melhoria das opções de transporte. Instituir. A dimensão ambiental deve ser cuidadosamente considerada.Tais projetos devem ser concebidos preventivamente nas cidades e regiões metropolitanas em formação ou em franca expansão. muitos dos quais altamente nocivos à saúde humana. tais como os óxidos de enxofre e de nitrogênio. visto que os veículos estão entre as principais fontes de emissão de gases poluentes e outros poluentes. para segmentos cada vez mais amplos da sociedade em função da precariedade do transporte público. que façam uso de energia limpa. estadual e federal. Com certeza. para viabilizar investimentos em transportes de massa. o trabalho em casa. ao qual falta capilaridade. · Conceber os instrumentos e as agências político-institucionais adequadas. · Evitar a concentração dos recursos no provimento de infra-estrutura voltada . a fim de priorizar projetos que incluam sistemas estruturadores (trens.é adotar uma política conjugada de transportes e habitação popular. incentivando a instalação de empresas fora dos centros urbanos mais adensados. Ações e recomendações · Promover a implantação de redes de transportes integrados de massa nas grandes aglomerações. especialmente metrôs e trens rápidos. materiais e financeiros. assim como a opção de oferecer transporte a seus funcionários. principalmente nas regiões metropolitanas.

recentemente aprovado pelo Congresso Nacional. que provoca engarrafamentos. à economia do país e ao Sistema Único de Saúde. Para enfrentar todos esses problemas dispomos da Lei de Recursos Hídricos. agravando os conflitos de seu uso. que tantas perdas e danos vêm infligindo à vida humana. .433. · Monitorar as estatísticas oficiais e os índices de mortes e acidentes nas estradas e nas ruas. · Incentivar o uso de combustíveis como álcool e gás. criar intensa mobilização em torno do Código de Trânsito. o rio São Francisco. · Aplicar rigorosamente o princípio da prevenção contra a violência no trânsito. · Incentivar a produção e o uso de veículos movidos por energia com menor potencial poluidor. enquanto a Amazônia é cortada por um sem-número de rios. o Tietê é um modelo de descaso com as águas doces e o rio Paraíba do Sul reclama ações de revitalização. nº 9. sobrecarrega o sistema viário e marginaliza a periferia excluída. que banha uma extensa região pobre e carente de água. obrigado a arcar com os custos crescentes na área de traumatologia. vem sofrendo redução de sua disponibilidade hídrica.preferencialmente para o transporte individual. especialmente aqueles a serem utilizados nos sistemas de transporte coletivo. os transportes de carga. em especial entre os setores de irrigação e hidroelétrico. contudo. já estão comprometidos pela ação humana. agravando seus problemas habitacionais. 67 Recursos naturais estratégicos: água. biodiversidade e florestas Objetivo 15 Preservar a quantidade e melhorar a qualidade da água nas bacias hidrográficas O Brasil tem em seu território mais de 15% da água doce em forma líquida do mundo. Muitos desses. menos poluentes que gasolina e diesel. como forma de mobilizar os cidadãos contra a violência no trânsito. No Pantanal. · Implementar sistemas de gestão de trânsito para minimizar os congestionamentos e os respectivos efeitos de desperdício de energia e aumento da poluição. para racionalização do trânsito nas cidades e nas estradas próximas. Na Região Sudeste. mas sua distribuição é desigual: o Nordeste sofre com a desertificação. os rios são ameaçados por práticas agrícolas inadequadas. · Envolver no planejamento da mobilidade sustentável. Da mesma forma. mas sujeito às mais diversas pressões e retrocessos.

seu uso para atividades agrícolas ou industriais. aplicando cobranças e estabelecendo políticas de correção das questões consideradas prioritárias. e de uma Agência Nacional de Águas (ANA). em pontos críticos das bacias . É urgente aumentar a quantidade de água disponível. é uma medida que sinalizará a sociedade para a necessária racionalização do seu uso. Isso não significa que estamos propondo a "privatização do uso da água" pois o Comitê da Bacia pode e deve facilitar o seu acesso. O Oceano Atlântico é a principal vítima da urbanização brasileira. que dá prioridade máxima para a água de beber e a dessedentação dos animais. devido aos efeitos negativos múltiplos. 68 Nos centros urbanos. adotá-los como um bem a ser protegido e dotar o Comitê de um corpo representativo. pois chegam aos rios por carreamento ou atingem os lençóis subterrâneos por infiltração. bem como a aplicação dos instrumentos de outorga e cobrança pelo uso da água. que além de poluição e doenças. encarregada de gerir o sistema como um todo. mas à economia como um todo. Mas considera-se também que. Nas áreas rurais. O novo modelo exige que as ações em cada bacia sejam definidas participativamente por meio de seu comitê e sua agência. especialmente com finalidades de uso econômico. trazendo danos sociais e econômicos não só à população diretamente atingida. defensivos agrícolas e fertilizantes constituem um fator de contaminação tanto da água quanto do solo. Adotar sistema de acompanhamento da Política Nacional de Gestão dos Recursos Hídricos por meio de Indicadores de Desenvolvimento Sustentável das Bacias e Subbacias hidrográficas. especialmente as de grande porte. eis um dos principais desafios que iremos enfrentar nos próximos dez anos. agravam os efeitos das enchentes. dirimindo conflitos. como a irrigação. tendo em vista a enorme concentração de grandes e pequenas cidades na região litorânea que canalizam esgoto e lixo para o mar. Fazer a população participar do destino de seus rios mais próximos. as margens dos rios sofrem ocupação irregular e estão tomadas por depósitos de lixo.aprovada em 1997. deve ser contabilizado como custo para estimular o tratamento dos resíduos ou para permitir a reposição. sendo a água um recurso escasso e estratégico e um bem econômico de grande valor.

bem como a ocupação irregular que provoca o assoreamento das margens dos rios. mobilizando grandes produtores. Paraná-Tietê e Araguaia-Tocantins. derramamento de óleo e melhoria da qualidade dos serviços. em torno dos pontos críticos do rio São Francisco. governos locais e as comunidades. · Promover a educação ambiental. do estabelecimento de políticas urbanas adequadas. pelo estabelecimento de florestas protetoras e proteger as margens dos rios e os topos das chapadas do Brasil Central. . sendo muito farto na Amazônia despovoada e muito escasso no semi-árido nordestino. 69 · Implantar um sistema de gestão ambiental nas áreas portuárias. uma vez que a maioria das grandes cidades brasileiras cresceu sem nenhum planejamento. São Francisco. perda de água e desertificação. · Desencadear um programa de educação ambiental no Nordeste. em grande parte. desenvolvendo na população a percepção da estreita relação entre desmatamento. especialmente as ribeirinhas. principalmente das crianças e dos jovens nos centros urbanos. os Comitês e Agências de Bacias Hidrográficas dos rios Paraíba do Sul. nos próximos cinco anos. quanto às conseqüências do desperdício de água.hidrográficas brasileiras. especialmente nas áreas densamente povoadas ou sujeitas à ocupação para atividades agrícolas. espacialmente mal distribuído no nosso país. Ações e recomendações · Difundir a consciência de que a água é um bem finito. A efetiva aplicação da Lei de Recursos Hídricos é reconhecida pelos diferentes segmentos sociais que participaram da Consulta Nacional da Agenda 21 Brasileira como o instrumento adequado para fazer frente aos problemas acima referidos. · Assegurar a preservação dos mananciais. implantando de forma modelar e prioritária. recuperando com prioridade absoluta suas matas ciliares. empresas públicas. · Implementar a Política Nacional de Gestão dos Recursos Hídricos. As escolas e a mídia são parceiros privilegiados para implementação dessa ação. protegendo os mananciais e combatendo o desmatamento das matas ciliares. O combate a tais problemas depende. de forma a assegurar sua competitividade internacional controlando rejeitos.

O objetivo aqui proposto é atingir a taxa de desmatamento zero nos próximos dez anos. · Desenvolver e difundir tecnologias de reutilização da água para uso industrial. nela estão representados 1. Ainda assim. Se ainda não conhecemos todas as potencialidades da Amazônia. essa média vem diminuindo paulatinamente. O Brasil destacou-se no cenário internacional da política de biodiversidade operacionalizando e ajustando à realidade nacional o conceito de "corredores de biodiversidade" que são áreas .400 espécies de vertebrados terrestres conhecidas. porém. além do cumprimento da legislação o desenvolvimento e a execução de políticas habitacionais para população de baixa renda. foi desflorestando. · Combater a poluição do solo e da água e monitorar os seus efeitos sobre o meio ambiente nas suas mais diversas modalidades. dos quais 21% são endêmicos. a reconstituição das áreas que perderam sua cobertura vegetal original. · Estimular e facilitar a adoção de práticas agrícolas e de tecnologias de irrigação de baixo impacto sobre o solo e as águas. ainda não é o bastante. · Impedir.· Promover a modernização da infra-estrutura hídrica de uso comum e de irrigação associado ao agronegócio no marco do desenvolvimento sustentável. Objetivo 16 Política florestal. Isso. nos centros urbanos. que cobria cerca de um milhão de quilômetros quadrados ao longo do litoral. o que implica. embora seja nosso bioma porcentualmente menos destruído. controle do desmatamento e corredores de biodiversidade O Brasil é o país de maior biodiversidade de todo o Planeta e abriga a maior extensão contínua de florestas tropicais. de alta toxidade e nocivos aos recursos naturais e à vida humana. do Sul ao Nordeste e que hoje está reduzida a menos de 7% de sua área original. à incrível média de 52 quilômetros quadrados por dia. A Amazônia. vive em nosso território. entre 1978 e 1996. 3 mil. É preciso promover o reflorestamento. a ocupação ilegal das margens de rios e lagoas. nas áreas críticas dos biomas ameaçados.800 vertebrados terrestres. O número de plantas em nosso país está calculado entre 50 mil e 56 mil. Desde então. ou 20% do total mundial. Alguns números expressam a primeira posição do Brasil entre os países megabiodiversos: das 24. especialmente resíduos perigosos. ou 13% do total. jamais saberemos o que se perdeu da Mata Atlântica.

na forma de corredores de biodiversidade. tomar providências que garantam a exploração sustentável dos recursos faunísticos e florísticos sem que se destruam os ecossistemas. o objetivo do Desmatamento Zero e Perda de Biodiversidade Zero representa a melhor esperança para sobrevivência do bioma. mas também de preservação de processos de reprodução de cadeias interdependentes de seres vivos. São formas de conciliar a presença humana e a conservação da biodiversidade em escalas regionais da ordem de dezenas de milhares de quilômetros quadrados. pois. com outros ainda em planejamento na transição cerrado-caatinga. e no vale do São Francisco. Na Amazônia e Pantanal.70 contínuas não apenas de preservação de espécies isoladas. dois na Mata Atlântica. e empreender ações de recuperação e interligação das reservas existentes. compreendendo hoje cinco milhões de hectares. um no Cerrado e Pantanal. que se levem em consideração as necessidades das populações que residem nas áreas que se pretende proteger. Na Mata Atlântica em particular. Os corredores de biodiversidade permitem reunir na mesma paisagem um conjunto de áreas protegidas interligadas. É preciso. inseridas em uma matriz de ocupação humana contemplando atividades econômicas de todos os tipos. justificando tanto a criação e consolidação de corredores como a conservação dos últimos blocos intactos. O Cerrado apresenta grande heterogeneidade de ocupação antrópica e riqueza comparável à da Amazônia. que legitimamente anseiam sua inclusão na sociedade brasileira. No Brasil. É indispensável. Toda e qualquer iniciativa deve ter como objetivo a melhoria da qualidade de vida dessas populações. também. As ações prioritárias para conservação devem refletir a situação atual dos biomas. trata-se. deve-se preservar tudo o que restou. estão sendo implementados cinco corredores na Amazônia. Mamirauá é um notável exemplo de unidade de conservação bem-sucedida. Em áreas mais densamente povoadas e com significativa degradação. Ações e recomendações Controle do desmatamento: mais estímulo de subsídios e crédito . como a Mata Atlântica e a Caatinga. sobretudo de implementar um sistema de unidades de conservação de grande porte. compatível com a alta biodiversidade e o caráter de ocupação humana extensiva e de baixo impacto que se visa manter.

tendo em vista seus impactos altamente negativos sobre a biodiversidade. · Incentivar a recuperação de terras desmatadas e abandonadas.· Realizar a transição das formas predatórias para formas sustentáveis de uso dos ecossistemas brasileiros. com prioridade nos corredores de biodiversidade. · Limitar a concessão de créditos para a expansão da fronteira agrícola em áreas de fragilidade ambiental. assim. em relação ao cumprimento dos requisitos básicos para licenciamento ambiental dos empreendimentos. tanto na esfera federal quanto na estadual. · Respeitar a legislação ambiental nas iniciativas de política agrária no Brasil. anteriormente à concessão de títulos de posse. mediante a elaboração de planos de manejo florestal. de reserva legal. · Aplicar estrategicamente os recursos tecnológicos disponíveis de forma a manter a integridade das áreas protegidas por lei. a demarcação de uma reserva legal de uso comum aos assentados e a manutenção da integridade das áreas de preservação permanente. as unidades de conservação. tanto para o mercado consumidor interno quanto ao mercado exportador de madeira. os corredores ecológicos. ou subaproveitadas. tendo como base as informações dos zoneamentos ecológicoeconômicos e o cumprimento integral da legislação ambiental vigente. bem como os fragmentos existentes dos biomas ameaçados. fertilidade do solo a longo prazo. tais como as de preservação permanente. e saúde humana. de forma a garantir o fornecimento de matéria-prima florestal a médio e longo prazos. garantindo-se. definindo instrumentos de gestão apropriados. Florestas plantadas: aumento da oferta de produtos florestais · Assegurar o controle de oferta e demanda de produtos florestais pelo mecanismo de concessão de exploração sustentável das florestas nacionais. bem como recuperação nas Áreas de Proteção Ambiental e Áreas de Proteção Permanente. 71 · Limitar radicalmente o uso das queimadas como instrumento de manejo do solo. na forma de mosaico de áreas de biota natural e áreas de uso econômico compatíveis com a cobertura vegetal primitiva. e usando indicadores para assegurar as metas de desmatamento Zero na Mata Atlântica. .

pelo incentivo à criação de associações de reflorestamento e da melhoria do controle quanto ao cumprimento desse dispositivo legal. para o reflorestamento. priorizando as unidades que tenham maiores contribuições para a biodiversidade do sistema como um todo. para garantir o suprimento de madeira proveniente de florestas plantadas. · Incentivar a silvicultura. · Apoiar programas de inventário científico da biodiversidade. · Desenvolver mecanismos de acesso a créditos e subsídios para a recuperação de áreas degradadas. bem como a participação brasileira na política internacional de emissão de CO² por meio da absorção de dividendos para o seqüestro de carbono pela manutenção de florestas tropicais. Devem ser incluídas as áreas de fármacos. e de comunidades e ecossistemas. taxonômica. medicina natural. representatividade regional e interesse nacional. Proteção e uso da biodiversidade · Expandir o sistema público de unidades de conservação de forma a assegurar em seu âmbito a conservação de todas as espécies da biota brasileira. segundo critérios de competitividade. por meio da recomposição dos biomas naturais em propriedades rurais. 72 · Promover ampla campanha de recomposição e averbação de áreas de reserva legal.· Fortalecer a política de utilização dos créditos de reposição florestal. para subsidiar as decisões de conservação e permitir a base para o licenciamento e valoração dos produtos de . tanto na área de tecnologia e pesquisa quanto nas políticas de financiamento. além de sucos e alimentos. capazes de garantir emprego e renda. perfumes e cosméticos de alto valor agregado. · Dar apoio à pesquisa florestal. a extração de frutos e sementes. · Dar condições à manutenção de um setor de biotecnologia baseado na remuneração dos serviços de biodiversidade. tais como o desenvolvimento do ecoturismo. · Apoiar medidas para melhorar a exploração econômica da floresta em pé. principalmente quanto à utilização de espécies florestais nativas. utilizando-se de mecanismos de compensação de uma área pela outra ou de regeneração natural de áreas exploradas com atividades agropecuárias. com critérios de representatividade geográfica.

a remessa e a repartição. Ações exemplares nos biomas ameaçados · Implementar programas de corredores de biodiversidade em todos os biomas. por intermédio de ações do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético. · Utilizar recursos de indenização e compensação ambiental para a implementação de sistemas de áreas protegidas que conservem a biota a longo prazo. · l Atribuir valor econômico embutindo o custo de deplecionamento dos bens naturais.biodiversidade. . bem como da microbiótica. · Garantir que os detentores das matérias-primas ou dos conhecimentos que levem ao aproveitamento econômico de exemplares de nossa biodiversidade sejam justamente remunerados. · Fazer presente a ação governamental na determinação dos procedimentos legais para o acesso. · Prover recursos e capacitar pessoal para as pesquisas biotecnológicas. · Revisar a "lista oficial das espécies da fauna e da flora brasileira ameaçadas de extinção" com vistas a estabelecer os mecanismos de proteção e o desenvolvimento de plantios e criadouros para sua recuperação. · Estabelecer mecanismos de planejamento para paisagens sustentáveis que conciliem a formação de sistemas de áreas protegidas e áreas de uso econômico em matrizes regionais. · Atribuir valor econômico aos recursos naturais. dos benefícios decorrentes da utilização dos recursos genéticos nacionais. gere empregos e garanta os recursos para a conservação de todas as demais áreas de interesse ecológico e/ou cultural. área na qual o Brasil já conquistou renome mundial. o que tornará possível avaliar a conveniência e a possibilidade de sua exploração sustentável. tendo em vista o aproveitamento econômico de produtos da fauna e da flora. justa e eqüitativa. o que tornará possível avaliar a conveniência e a possibilidade de sua exploração sustentável. ao invés de concentrar em ações mitigatórias emergenciais. · Desenvolver um plano nacional de ecoturismo que proporcione a entrada de divisas. 73 · Instituir normas e criar sistemas de fiscalização e controle que permitam o efetivo combate à biopirataria.

· Abolir da área do semi-árido o assistencialismo sobre a forma de frentes de emergência. do zoneamento ecológicoeconômico que deverá ser adotado como instrumento básico de qualquer ação de planejamento territorial. construindo investimentos em infra-estrutura para viabilizar o desenvolvimento sustentável. absorvendo-se no processo os conhecimentos tradicionais. e de plantio de espécies comerciais para reduzir a pressão sobre a vegetação nativa. .com representatividade de todas as grandes subdivisões biogeográficas das regiões. ampliando e fortalecendo o número de unidades de pesquisa nela sediadas. Encorajar a transição de atividades extrativas para atividades de serviços ambientais. Estimular as comunidades locais a serem os principais beneficiários de atividades de conservação. com o financiamento de bancos regionais. · Promover ações de reflorestamento para a reconstituição da caatinga. · Prover meios e recursos para a utilização de fontes alternativas de energia. preservando sua floresta e garantindo-lhe o desenvolvimento sustentável. · Incorporar de forma mais efetiva a Amazônia à comunidade nacional. como alternativa substitutiva ao uso incipiente da biomassa. pelo estímulo às florestas plantadas e atividades de agrossilvicultura em áreas florestais degradadas. opções de subsistência e oportunidades para melhorar sua qualidade de vida. por meio de um programa de combate à miséria. pelo desmatamento. · Combater a desertificação na região Nordeste. para que o conhecimento possa ser gerado e aplicado localmente. · Agilizar a elaboração. ao mesmo tempo. e evitar obras de hidrovias que alterem o ciclo das águas na região. oferecendo-lhes. que agrava o desmatamento e acelera o processo de desertificação já instalado. de forma participativa. de maneira a diminuir o consumo indiscriminado de biomassa. junto com a valorização da tecnologia e da energia renovável. · l Integrar efetivamente a Amazônia ao restante do Brasil. incentivando o uso de tecnologias já comprovadas e difundidas por centros de pesquisa e organizações não74 governamentais com experiências no manejo dos recursos naturais em regiões semiáridas. · Educar e conscientizar as populações locais para a importância da preservação dos biomas. · Priorizar a execução do "Programa Pantanal". · Capacitar o homem do campo para a convivência com a seca.

Condicionar a implementação de projetos de infra-estrutura àqueles que estejam integrados com projetos de conservação. o desmatamento zero nas zonas críticas da Mata Atlântica. incluindo os corredores de biodiversidade. · Garantir. embora seja necessário o fortalecimento da engenharia institucional dessa cadeia federativa que é a marca registrada de nosso federalismo. realizando. A boa governança recomenda a descentralização que vem se realizando por toda parte. mas também pelas mudanças tecnológicas que revolucionaram o sistema produtivo. produção de conhecimento e lógicas econômicas. mas em nenhum país como no Brasil esse processo assumiu a velocidade e a dimensão transformadora de um novo pacto federativo. uma política de reflorestamento nativo. produto exportador de baixo valor agregado. O objetivo é chegar ao desmatamento zero. concomitantemente. na região Sudeste. Governança e ética para a promoção da sustentabilidade Objetivo 17 Descentralização e o pacto federativo: parcerias. consórcios e o poder local O papel do Estado está em processo de redefinição. anunciado pela Constituição de 1988. Diante dos novos desafios surgem modalidades de governo descentralizado atuando em parceria com a sociedade civil. e que possam demonstrar a sustentabilidade na conservação da biodiversidade regional e nacional. privilegiou o fortalecimento do município dentro do chamado ‘federalismo cooperativo'. O novo pacto federativo. Considerando a extensão geográfica . e substituir a cultura extensiva da soja. tornando sua dinâmica muito lenta para responder com rapidez necessária as mudanças de hábitos.· Preservar o cerrado. especialmente no Rio de Janeiro e sul da Bahia. Chama especialmente a atenção o avanço das relações de cooperação entre os três níveis de governo. consolidando novas estruturas e relações de 75 parceria entre sociedade e governo. cujos preços vêm caindo no mercado internacional. não apenas em razão da crise fiscal que afetou inúmeros países. evitando o seu desmatamento. · Desenvolver projetos de conservação na mesma escala conceitual e geográfica dos grandes projetos de infra-estrutura ora sendo propagados pelo governo federal.

do país. realizando projetos e transferindo recursos para as mesmas áreas. O maior obstáculo institucional à implantação do desenvolvimento sustentável no plano regional e local é a fragmentação política do municipalismo. preferiu deixar as competências indefinidas. sem a jurisprudência necessária para distribuir atribuições. Sua operacionalização ainda é difícil por falta da regulamentação do artigo 241 da Constituição Federal. em geral. por conta da omissão legislativa que. dinamizada pela enorme difusão dos conselhos municipais. a área decisiva de consolidação da governança é a democracia participativa. A situação agrava-se ainda mais quando os municípios consorciados pertencem a diferentes unidades estaduais. Finalmente. A lei atual apresenta empecilhos legais que dificultam ações conjuntas. alguns problemas permanecem em pauta exigindo soluções imediatas. a segunda. os efeitos perversos incidem sobre a população. na medida que os três entes se interessam pelos assuntos que lhes rendem resultados políticos imediatos. por exigência federal 76 . se omitindo quando seus custos políticos se tornam muito altos. Fortalecer a sociedade civil para que seus agentes disponham de informações precisas e meios de acompanhar e reagir a tais ocorrências é um dos itens mais importante da agenda da governança e da pauta de descentralização. O principal deles é a questão das competências comuns entre os três entes federados. a dimensão territorial e sua maior proximidade da população. Apesar dos avanços obtidos e do inegável sucesso da descentralização municipalista. política e administrativa. desperdiçando tempo e dinheiro e estimulando a competição desorganizada. é a omissão de todos quando os problemas se avolumam. cobrindo. O resultado dessas competências difusas é. é natural que os municípios tenham sido os principais beneficiários da descentralização fiscal. Os consórcios têm-se constituído em verdadeiros embriões de uma nova regionalização. tão freqüente quanto a primeira. ou quando exigem soluções mais duras e de longo prazo. a ingovernabilidade que resulta em duas situações antagônicas: a primeira delas é quando existe superposição e dois ou mais entes federados disputam a mesma função. Em ambos os casos. enfraquecendo as partes em benefício do todo.

possibilitando o desenvolvimento de planos de desenvolvimento sustentável. Ações e recomendações · Fortalecer o federalismo cooperativo e definir as competências entre o Governo Federal. não for capaz de exercer suas funções. Mas também nesse caso. Em primeiro lugar. levando em conta o seu tamanho. por meio de estímulo aos consórcios que integram as microrregiões. · Regulamentar o artigo 241 da Constituição Federal para fortalecer a cooperação intermunicipal. adequadamente. existem problemas que precisam ser corrigidos. · Capacitar lideranças sociais para o desenvolvimento sustentável e preparar o terceiro setor para uma atuação mais informada tecnicamente e isenta politicamente no quadro municipal brasileiro. . as lideranças acabam sendo sempre as mesmas nos diversos conselhos.todas as áreas beneficiadas pela transferência de recursos para o plano municipal. O equilíbrio de poder e de controle mútuo entre os três entes federativos é uma válvula de segurança eficaz que protege a sociedade. nos pequenos e médios municípios. pela ordem. o patrimonialismo político brasileiro enfraqueceu-se nos últimos anos e a democracia participativa ampliou os seus espaços. Outro ponto relevante é que. Indubitavelmente. Elaborar lei complementar para o artigo 23 da Constituição Federal. a proliferação de conselhos e de fundos especializados estão criando superposições e irracionalidades de uso dos recursos humanos e financeiros. muitas vezes sem sintonia com as prioridades municipais. que identifiquem a sua vocação produtiva. criando estruturas viciadas pouco recomendáveis para o aperfeiçoamento democrático. aumenta a transparência e o controle e consolida a máxima do federalismo cooperativo: descentralização com centralidade. que regula o tema. a ação municipal. atentas à integridade de seus recursos naturais e às exigências do meio ambiente urbano. A presença da sociedade civil exerce um papel de vigilância e controle extremamente benéfica diante da autoridade estatal fortalecida no município. renda e condições institucionais na configuração espacial brasileira. · Instituir o princípio de subsidiariedade que determina prioridade para ações de interesse da sociedade civil e. os estados e municípios. estadual e federal quando o ente situado em nível espacial inferior.

as diferentes áreas setoriais em que ainda se dividem as estruturas governamentais. abrindo caminho para um novo modelo de Estado. 77 Objetivo 18 Modernização do Estado: gestão ambiental e instrumentos econômicos A reforma administrativa deve procurar formas de internalizar o desenvolvimento sustentável e suas estratégias nas políticas de governo. por meio de um novo modelo de gestão integrada. embora não haja dúvidas quanto à importância de seu poder de coordenação. · Aperfeiçoar os mecanismos de controle social. esse novo Estado ainda não está inteiramente definido. de grandes proporções. No entanto. transferidas para os municípios. A estruturação de um sistema de informações para o desenvolvimento sustentável é um desafio que os governos devem enfrentar e que exige um esforço conjunto. sobretudo. mais aberto e flexível e. começa a delinear-se um novo modelo de estado dotado de um marco regulatório fundamentado em novos modelos institucionais de distribuição de funções em parceria. visto como inoperante pela população. mas ele ainda é precário e pouco pode ajudar na tomada de decisões dos governantes que operam com consultas informais e com a observação direta e intuitiva. articulando. em detrimento de funções de execução direta. mais condizente com a realidade e as tendências do século XXI. que ultrapassa a capacidade real de atuação das estruturas oficiais. Algumas ações inovadoras demonstram que a gestão ambiental começa a sair da fase mitigadora ou reparadora para a fase preventiva e indutora de usos compatíveis com a . integrando suas áreas de competência para a otimização de recursos humanos em nível local. transparência e o acompanhamento dos compromissos públicos assumidos pelos governos.· Capacitar e racionalizar as competências e a ação dos conselhos. em geral. de maneira transversal. O resultado prático é que se enfraqueceu a burocracia de estilo patrimonial e centralizador que dominou a política brasileira por décadas. Mesmo diante dessas dificuldades. Essa fragilidade institucional tem enfraquecido o aparelho do Estado. informação e controle. O sistema de informação é peça essencial nesse novo modelo de gestão. buscando soluções para seus mais graves problemas.

O aporte de recursos para reformulação dos órgãos gestores é de fundamental importância. não ficando a área ambiental e social a mitigar impactos gerados por políticas econômicas. com a participação de ONG's e da sociedade civil para processos de gestão compartilhada e promotora do desenvolvimento sustentável. A prática de "correr atrás do prejuízo" só será modificada com uma reestruturação efetiva do Estado. · Instituir um sistema de informação com a definição de indicadores de desenvolvimento sustentável para o gerenciamento das políticas públicas. · Implementar as mudanças necessárias na legislação ambiental para implantação dos instrumentos econômicos em complementação aos instrumentos de comando e controle. É urgente a necessidade de reformulação da política fundamentada em restrições legais de comando e controle. em atividades como arrecadação. seja no que diz respeito ao planejamento e geração da informação para a tomada de decisões. Ações e Recomendações · Estimular o planejamento estratégico em todos os órgãos e entidades. fomente a internalização dos custos ambientais nos processos produtivos. · Apoiar e capacitar os consórcios intermunicipais. 78 É necessária a promoção de um planejamento que integre as diferentes dimensões do desenvolvimento. no gerenciamento dos recursos hídricos e na conservação florestal estão em curso para complementar as ações de comando e controle na busca de maior eficiência. para uma política que. · Fortalecer a capacidade regulatória do Estado. Experiências na gestão da poluição industrial. como para a atividade de fiscalização. . mediante criação de agências regulatórias. sem perder a força nos processos de correção. particularmente sobre os setores produtivos objeto de privatização de empresas estatais. que vem apresentando ineficiência. Por outro lado é necessário estabelecer um sistema de monitoramento para um efetivo acompanhamento por parte da sociedade. objetivos e metas. · Melhorar o desempenho na prestação de serviços públicos típicos de Estado. segurança e previdência social. conjugada à implementação de indicadores de desempenho e de processos contínuos de melhoria da gestão.preservação. compreendendo a definição de missão. por meio de instrumentos econômicos.

integração cultural e educacional. e ainda por sua tradição diplomática. de acesso às tecnologias de informação e à educação. benefícios significativos à comunidade internacional em termos de eficiência e crescimento econômico. A eliminação das barreiras comerciais vigentes nos países desenvolvidos em relação às exportações dos países em desenvolvimento constitui desafio adicional a ser superado pelo processo de globalização. Objetivo 19 Relações internacionais e governança global para o desenvolvimento sustentável 79 O Brasil. isto é. subsistem padrões diferenciados de produção e consumo. A aceleração da globalização na última década proporcionou. tem credenciais para atuar ativamente na proposição e negociação de políticas de desenvolvimento sustentável no plano global que já vem liderando nas discussões internacionais de que são exemplos as tratativas sobre mudanças climáticas e biodiversidade. é objetivo estratégico assegurar e promover o aperfeiçoamento da governança global para o desenvolvimento sustentável. · Introduzir um novo modelo de gestão ambiental integrado às ações setoriais de governo. Apesar desses ganhos. Diante desse quadro. a globalização apresenta o risco de produzir um aumento das desigualdades. por sua condição de destacado país em desenvolvimento. compromissos com cronogramas físicofinanceiros e de desempenho ambiental amparados por garantias bancárias ou fiduciárias. de fato. priorizados a partir da consideração da capacidade de suporte dos ecossistemas e não apenas para cumprir um rito burocrático. instituindo mecanismos de controle preventivo e corretivo das atividades e processos impactantes.· Estabelecer termos de compromisso para a solução dos passivos ambientais com a inclusão da lógica financeira. que se reforçou ao sediar a Conferência de 1992. pois. numa estrutura matricial. representando importante fator de legitimidade da internacionalização da economia. por sua condição de líder dos estoques remanescentes de recursos naturais. tanto nos planos nacionais quanto entre os países e regiões. bem como em termos de desenvolvimento tecnológico. defendendo a solidariedade entre .

penalizando o capital especulativo e canalizando os recursos para prioridades sociais que pretendemos sejam também ambientais. Para implementar ações prioritárias de desenvolvimento sustentável pesam a falta dos recursos acordados pela cooperação internacional em 1992. apenas investiu 6. como o continente africano.4% para 0. fortalecer a legitimidade das instituições multilaterais e dos organismos financeiros internacionais. faltam às Nações Unidas os instrumentos financeiros e administrativos. outro problema de governança global é o fato de que existem impasses institucionais a serem superados em função da obsolescência do sistema originário de Bretton Woods e das condições gerais que presidiram a criação das Nações Unidas no período que se seguiu à Segunda Guerra Mundial. portanto. É evidente a perda de legitimidade dos organismos econômico-financeiros multilaterais. É preciso. O Global Environmental Facility (GEF).7%. A despeito do êxito e da relevância dos serviços prestados pelas Nações Unidas na definição de uma ‘agenda global' para o novo milênio. em função do não-pagamento das cotas americanas e da desconfiança dos Estados Unidos contra uma instituição fragmentada. que passariam de 0. que prometeu aos países em desenvolvimento 40 bilhões de dólares. No entanto. economicamente frágeis e com peso político reduzido nas negociações internacionais. Atender aos interesses comuns de todos os países é um objetivo prioritário que não pode ser adiado sob pena de agravar ainda mais a desconfiança contra a nova ordem global nascente.países e povos. constituída de um número cada vez maior de países. mediante o estabelecimento de mecanismos que assegurem maior representatividade aos países em desenvolvimento e democratizar o uso de tais instituições e de seus instrumentos. Além da iniqüidade.7% e na realidade caíram para 0. É nesse contexto que vem se destacando a proposta de criar a Taxa Tobin. têm poder de veto. . tanto no sentido Norte-Sul. neles. O aprofundamento da cooperação internacional. existe uma decepção generalizada no que diz 80 respeito à realização de tais objetivos e ao papel dos organismos multilaterais como coordenadores e impulsionadores dos compromissos assumidos. fortemente representados pelos interesses dos Estados Unidos que. quanto no sentido Sul-Sul é fundamental para disseminar os benefícios da globalização a regiões até agora excluídas.3%.

um estudo sobre a comunidade brasileira de política externa. para apoiar as negociações que o país desenvolve na comunidade internacional. nos municípios e nas empresas. por meio de atividades profissionais e da participação maior e mais ativa do Brasil nos organismos multilaterais. envolver cada vez mais as lideranças do país que. Por falta ou por excesso. devem ser mais ouvidas no Congresso. nas organizações não-governamentais. 2001. a ordem global emergente caminha institucionalmente quase à deriva e os conflitos globais começam a emergir cada vez mais fora do espaço de negociação para o qual essas instituições multilaterais foram. dos interesses nacionais e do reconhecimento dos avanços recentes e dos que iremos perseguir no futuro. É preciso. 81 · Ampliar o envolvimento dos cidadãos com as relações internacionais. fóruns e instituições globais. segundo a pesquisa. criadas.Em sentido oposto. Pesquisa recente sobre a agenda internacional do Brasil. · Participar. unindo governo e sociedade em torno da projeção internacional do Brasil. · Defender regras mais eqüitativas para o comércio internacional que beneficiem os países em desenvolvimento e não apenas os desenvolvidos.A Agenda Internacional do Brasil. aponta que 99% dos entrevistados entendem que o Brasil deve desempenhar papel como protagonista nas relações internacionais e exercer uma liderança compatível com o seu imenso território e com sua sofisticada tradição diplomática4. realizada com 149 lideranças governamentais e não-governamentais ligadas à "comunidade brasileira de política externa". portanto. 4 Amaury de Souza . Ações e recomendações · Fortalecimento das instituições governamentais que atuam na representação do Brasil nas discussões internacionais e uma crescente articulação com as entidades da sociedade civil. a seu tempo. existe uma dependência excessiva de organismos como o FMI e o Banco Mundial à orientação americana. Tais considerações pretendem chamar a atenção para a importância de uma política externa dotada de forte legitimidade e coesão interna. liderar e aplicar as resoluções e convenções aprovadas pelas Nações Unidas e dar prioridade para que essas medidas sejam implementadas internamente. CEBRI. .

de fato. possibilitando uma compreensão do seu campo específico de ação e diferenciando-o daquele do Estado .primeiro setor . como o de Tarapoto. · Fazer propostas viáveis de reforma das Nações Unidas na área do desenvolvimento sustentável. científico-tecnológicas e ambientais. · Criar a Taxa Tobin contra o capital especulativo e em favor do combate à miséria e à proteção do meio ambiente. gerou um vazio político que só poderá ser preenchido com o fortalecimento e a capacitação da sociedade civil para dividir responsabilidades e conduzir ações sociais de interesse público. integrando organismos que lidam com ações econômicas. sociais. O termo terceiro setor tem sido usado para se referir a essas organizações da sociedade civil. · Fortalecer a produção de indicadores internacionais. mas precisam profissionalizar-se ainda mais. projetos que mobilizem a energia social disponível. melhorando o nível gerencial auxiliadas por um sistema de . Em princípio. como o grupo dos países amazônicos vem realizando por meio do Tratado de Cooperação Amazônica TCA. Este fenômeno mundial representa um esforço de ‘delegar poder' (empowerment) aos atores sociais relevantes na nova sociedade e. e acelerar sua reforma institucional. reformulando o seu Conselho de Segurança e garantindo um assento para o Brasil.· Fortalecer as Nações Unidas como organismo representativo de uma ordem global justa e solidária. que propiciem comparações seguras entre os países e regiões. Objetivo 20 Cultura cívica e novas identidades na sociedade da comunicação A formação de capital social A longa crise do Estado em países onde o setor público foi o grande propulsor do desenvolvimento. pode-se afirmar que a sociedade civil e as organizações comunitárias são capazes de fazer em seu próprio benefício.e das empresas privadas . ou no de terceiros. 82 O terceiro setor compõe-se de uma heterogênea gama de organizações não-governamentais (ONG's) juridicamente registradas como associações ou como fundações.segundo setor. uma forma concreta de acumulação de capital social diante das novas exigências da sociedade e da política do século XXI. com melhores resultados e menores custos. Estas entidades vêm desenvolvendo inúmeras parcerias com os três níveis de governo.

também recentemente criadas. Deve-se ressaltar ainda a existência das organizações sociais. uma contabilidade mais transparente. mostrou que 58% das empresas do Sudeste investem em iniciativas sociais. e ainda para alimentar o fluxo de informações dirigido à mídia em suas diversas formas. são instrumentos básicos para controlar os impactos sociais e ambientais. no passado. para produzir indicadores de acompanhamento e monitoramento dos problemas. desenvolvimento das comunidades e a responsabilidade social e ambiental. 9.608/98 que regulamenta o Serviço Voluntário. As teorias racistas foram derrotadas em favor da idéia de que a força da nossa cultura reside na combinação constitutiva de raças que convergem e na força da miscigenação como forma de enriquecimento social e cultural. segundo determina a sua lei de criação (9. A diversidade cultural como marca brasileira A cultura cívica e o capital social são. inseparáveis de uma identidade cultural que se formou depois de décadas de rejeição da miscigenação. com vistas a facilitar as relações entre a sociedade e o governo nos projetos governamentais ou de interesse coletivo. As empresas que.790/99 que cria a Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP). ii) a Lei n. que são híbridos descolados do aparelho estatal e que incorporam a representação da sociedade no processo de gestão de órgãos que não detêm o monopólio das funções de Estado. introduz o chamado termo de parceria. Essas informações são de vital importância para conscientizar a população e para promover mudanças culturais de comportamento. de fato. Esta. pagamento de impostos e direitos trabalhistas semelhantes aos das empresas. 9. Esta combinação singular contrastou com outros modelos culturais de oposição das .informações mais eficiente e adequado. caminham hoje com esforço próprio _ por meio de suas fundações ou em parcerias com outras organizações _ e estão cada vez mais envolvidas com projetos de educação. eram socialmente passivas e cujo protagonismo econômico era dependente do Estado. Pesquisa recente. feita pelo Ipea. As OSCIPs poderão celebrar os termos de parceria com o governo que pede. em nosso país. em troca. Os indicadores.790/99). Duas leis importantes têm contribuído para uma maior profissionalização do terceiro setor no Brasil: i) a Lei n.

cada vez mais monopolizadas por grupos políticos que. que entre em vigor o tão esperado Conselho Nacional de Comunicação. Tendo em vista a competição exacerbada para ganhar uma audiência formada por um público precariamente alfabetizado. É portanto. As novas elites e os meios de comunicação A sociedade brasileira ainda é desequilibrada e desigual. induza os donos das empresas de comunicação a fixar limites razoáveis e de bom senso para suas programações. uma vez que as excessivas horas de exposição a tornam fonte de influência maior. é grande a influência. pouco afeita à participação civil. fundamental. busquem familiarizar-se com os novos valores do desenvolvimento sustentável e com o espírito que preside a Agenda 21. Para isso contribuíram a herança histórica e os valores culturais de nossas elites. que pesam contra as minorias étnicas. acima da família e da escola. a mais nobre das atividades sociais de interesse público que a mídia deve desempenhar. sobre jovens e crianças. Outra reivindicação da sociedade diz respeito às televisões regionais. desejamos afirmar a importância da contribuição nacional à idéia de diversidade cultural. É preciso. As empresas de comunicação possuem um papel importante na construção do desenvolvimento sustentável. presentes em todas as regiões do país. Na sociedade de massas em que vivemos. sem ferir a liberdade de imprensa. incipiente e dispersa. uma das principais bandeiras na agenda da sociedade global que valoriza as novas identidades e suas manifestações mais significativas. até hoje ignorado. Procurando corrigir algumas graves distorções sociais e de renda. Formar consciências foi no passado e continua sendo no presente. originalmente passivas e dependentes dos interesses coloniais ou externos e internamente habituadas à subserviência diante do Estado e de sua burocracia reguladora e centralista. especialmente quanto aos princípios de governança e da autoresponsabilidade. que foi estendida para outros povos que para cá vieram nos últimos cento e cinqüenta anos. especialmente da televisão. 83 A convivência com a diversidade é. os programas perdem a qualidade e procuram atrair o público de qualquer maneira. que as elites brasileiras. de .raças e de recusa radical a qualquer forma de convivência. portanto. cujo objetivo seria fixar normas eticamente aceitáveis que. hoje.

protegendo-a da biopirataria e garantindo o acesso a bens e serviços. · l Viabilizar. por meio dos programas regionais. mas numericamente muito significativo e estrategicamente importante do ponto de vista cultural. · Estimular as elites brasileiras.fato. de educação e saúde dos povos indígenas. · Fortalecer o papel protagonista da mulher na sociedade. adaptada à realidade das reservas indígenas mas também ao uso sustentável dos recursos naturais. de trocas e de integração das etnias e das religiões. de eqüidade social. à paz e à coesão social e estimular a igualdade de gênero. que costumam atrair um público mais reduzido.para projetos de desenvolvimento sustentável. às ações em parceria e ao trabalho . econômicos. marcadas pelos valores pósmodernos de integração e convivência cultural com as diferenças. · Promover a cultura negra reduzindo diferenças sociais por meio da valorização de sua memória cultural e étnica e da promoção de oportunidades profissionais. Ações e recomendações · Criar mecanismos para que o terceiro setor receba incentivos fiscais .que já prevalecem na área cultural e no fundo da criança e do adolescente . observa-se grandes progressos em direção ao chamado marketing social e ambiental. 84 Em sentido inverso. As televisões educativas e TVs comunitárias podem ser fortalecidas para melhor cumprirem sua função social local. a implementação de projetos culturais. além de campanhas cívicas de conscientização em favor da doação de órgãos e contra as drogas. A sociedade. as grandes empresas e as lideranças intermediárias do país ao desenvolvimento do espírito cívico. especialmente os relacionados ao combate à pobreza e ao meio ambiente. ambientais. carente de educação. · Valorizar a identidade e a diversidade cultural brasileiras. detêm o controle da informação. · Valorizar a cultura indígena e sua preservação apressando a aprovação do Estatuto do Índio e a criação de um novo tipo de unidade de conservação. mas esses temas podem e devem multiplicar-se ainda mais em favor das grandes causas de interesse cívico contidas na Agenda 21 Brasileira. incorporando seus valores ancestrais de respeito à natureza. precisa dispor de redes alternativas de informação e de cultura. inclusive na política. A divulgação de temas de interesse público também vem crescendo na área de meio ambiente.

com o objetivo de proteger o conjunto de seus membros contra os interesses de uma minoria. estabelece condições de previsibilidade necessárias ao bom funcionamento do corpo social.voluntário. O enfraquecimento do Estado. A expansão das fronteiras do conhecimento racional e a crença incondicional de que a tecnologia pode resolver todos os problemas enfrentados pelo ser humano é um ponto sensível . · Realizar projetos de educação ambiental e de capacitação para viabilização das ações propostas na Agenda 21. pesquisas. O individualismo predatório mina as bases mais sólidas da vida em sociedade. Objetivo 21 Pedagogia da sustentabilidade: ética e solidariedade O principal fundamento da boa governança é o compromisso com a ética. como forma de envolvê-las com os problemas comuns da população. a desorganização social e a ênfase na vida material aumentam os sentimentos coletivos de falta de proteção e abandono que levam muitas pessoas para o misticismo. · Realizar trabalho de mobilização em torno da educação formal e informal nas comunidades. para estimular o interesse pelo aprendizado e aperfeiçoamento profissional ou pessoal por meio de atividades culturais. a solidariedade grupal. estimulando ações de tipo cooperativo. em realidade. Ao fixar limites para o comportamento individual. os laços de família e de vizinhança. Esse processo corrosivo provoca sérios danos morais e materiais à comunidade humana. · Incentivar nos jovens e idosos o gosto pelo serviço civil voluntário. inclusive no mundo privado e dos negócios. operações de socorro e conservação da natureza. · Consolidar um balanço das experiências de educação ambiental e desenvolvimento sustentável no Brasil e avaliar os seus resultados. enquanto outras permanecem totalmente descrentes. a ética. 85 · Implementar o Plano Integrado de Ação Governamental para o Desenvolvimento da Política Nacional da Pessoa Idosa. pelas ações comunitárias. · Desencadear um movimento popular de conscientização da mídia para desempenho de seu papel de pedagogia social. debates ou estudos. com o apoio da mídia. aqui entendida como um código de valores partilhados por toda a sociedade.

comprometendo a continuidade da vida. ainda utópica. a saúde. interdependentes e indivisíveis. Problemas e situações como a manipulação genética. a água. portanto. a moradia.de um profundo vazio moral. e. em 2001. impõem uma ética entre gerações cuja conseqüência exige extrema responsabilidade e precaução. proposta por Leonardo Boff. ligada a uma sociedade mundial que comungue dos mesmos ideais de celebração da vida. Ações e recomendações · Divulgar a Carta da Terra e debater os seus princípios inovadores e interdependentes . Mas o fato novo foi a crise ecológica e a possibilidade de esgotamento de nossos recursos naturais. A Carta da Terra é um compromisso idealizado na Conferência de 1992 que foi assumido pela sociedade civil e lançado na Holanda. A Agenda 21 Brasileira reforça a necessidade de divulgação dos princípios da Carta enquanto guia para os governos. as armas de extermínio.como já ocorreu em outras civilizações do passado . É a ‘modernidade ética' contrapondo-se à ‘modernidade técnica' que predominou no século XX. Sua visão ética afirma uma pedagogia da sustentabilidade. especialmente. sociedade civil e empresários. o ar. A Carta da Terra é um instrumento educacional de promoção do desenvolvimento sustentável que já conta com o apoio da Unesco para divulgá-la mundialmente. A prosperidade material se fez acompanhar . da justiça e em torno de temas que afetam todos os seres humanos: a alimentação. a idéia-força de uma civilização planetária. reconhece os princípios básicos. da solidariedade. a comunicação. e seu objetivo é inspirar a humanidade em seus códigos de conduta. os transplantes de órgãos. junto com o sentido 86 budista da compaixão. a educação. Surge. mas que aspiramos promover em escala mundial. a partir dessas grandes lacunas.que se confunde com a laicização e a especialização excessiva e com a perda de referências humanas e afetivas. a devastação ambiental. um dos redatores da Carta da Terra. A Agenda 21 propõe a pedagogia da sustentabilidade como modeladora dos códigos éticos do século XXI. os resíduos perigosos. de uma civilização planetária. Essa dependência comum das fontes naturais e sociais da existência exige uma nova ética do cuidado. a segurança.

nas instituições de governo. universidades e empresas. · Fortalecer o Conselho de Ética do setor público. a propina ou qualquer forma de cumplicidade que prejudique o bem público e o interesse legítimo dos cidadãos. 87 4 . · Incentivar o maior número possível de empresas. objetivos e metas que. da sociedade organizada. · Combater a corrupção. Entretanto. que podem ter usos alternativos em diferentes programas e projetos. não são exeqüíveis segundo as expectativas da população. de outro. onde os planejadores tendem historicamente a definir. · Estabelecer códigos de ética profissionais que se empenhem no cumprimento de normas e preceitos morais e éticos e que garantam a transparência de suas ações e o controle social do cidadão sobre os serviços que o afetam. . em nome da sociedade. no sistema de planejamento do desenvolvimento sustentável. de um lado. são decisões de natureza eminentemente política. · Adotar o princípio da precaução em relação às novas tecnologias. a alocação de recursos escassos. para a adoção do princípio da responsabilidade social cooperativista. não representam as suas aspirações e. programas e projetos de desenvolvimento sustentável. mas nem sempre em caráter definitivo. e demais ações que não se conheçam previamente os impactos socioambientais decorrentes de sua adoção. Esses condicionamentos aparecem como restrições à efetivação das alternativas de desenvolvimento. dependem de negociações políticas e das transformações impostas pelo próprio processo de desenvolvimento sustentável. nas escolas. assim como a distribuição de seus custos e benefícios entre diversas pessoas e grupos sociais.Meios de implementação: mecanismos institucionais e instrumentos Restrições e condicionalidades: os limites do possível A Agenda 21 Brasileira adotou uma perspectiva realista sobre as diferentes formas de restrições e condicionalidades que se impõem à execução de políticas. A existência de restrições e condicionamentos político-institucionais envolve uma série de decisões que têm de ser analisadas para efetivar alternativas e escolhas a serem feitas. pois. dos processos sociais em andamento e da escassa disponibilidade de recursos em escala nacional e regional.

é fundamental que haja uma explícita incorporação. quanto maiores os valores da meta do superávit primário a serem obtidos. tornando difícil. a médio e longo prazos. os valores serão sempre muito superiores à atual realidade fiscal e financeira. maiores serão os níveis de sacrifício impostos ao bem-estar da população.Hoje o processo de desenvolvimento nacional possui restrições que provêm das prioridades estabelecidas pelo poder federal como. . sobre os investimentos de infra-estrutura econômica e social. programas e projetos da Agenda 21 Brasileira. 88 Entretanto. o qual inclui os três níveis de governo. sobre o custeio da máquina administrativa e. no seu processo decisório. por exemplo. as principais propostas da Agenda 21 Brasileira. Levando em consideração a capacidade de implementação das agências públicas e privadas. das regiões e de áreas específicas. em face da política de estabilização econômica em curso. o controle de gastos públicos e a aplicação de recursos para financiamentos diversos. principalmente. É possível calcular as necessidades de financiamento plurianual das políticas. há restrições às decisões de planejamento em nível subnacional. quanto à realização das metas dos superávits primários no orçamento público consolidado. O Governo Federal tem cumprido e superado os seus compromissos com o FMI. Para que as estratégias de desenvolvimento sustentável da Agenda 21 Brasileira sejam efetivamente implementadas. pode se obter um quadro financeiro de fontes para implementar. Isso é mais verdadeiro quando se constata que os megavalores dos superávits primários. que resultam da concentração de decisões e instrumentos de política econômica nas mãos do poder federal. que retira. Porém. as empresas estatais e a previdência social. principalmente. por mais conservadoras que sejam as estimativas. médio e longo prazos. um elenco de prioridades e a interdependência técnica e intertemporal entre as diversas ações. também. das principais condicionalidades econômico-financeiras e políticoinstitucionais do país. Como esses superávits são obtidos por meio do contingenciamento das cotas orçamentárias e incidem. expandir as despesas com as novas demandas da Agenda 21 Brasileira. eles resultam em maior controle sobre as despesas de pessoal. Vale dizer. na parcela não vinculada dos gastos públicos. a autonomia de decisão. no curto.

sem ter a pretensão de esgotar todos os mecanismos . colocar todo o peso da implementação das políticas de desenvolvimento sustentável sobre despesas adicionais de custeio e de investimento pode ser uma decisão equivocada e carregada de riscos e incertezas. Como é limitada a capacidade do Governo Federal em financiar a rolagem da dívida e como o seu valor total tende a aumentar. a 7. muitos da alçada do setor público. outros mais 89 inovadores. e para 2002 estima-se um crescimento de 7. A Figura 1 apresenta objetivos e alternativas de intervenção governamental nas políticas de desenvolvimento sustentável.2% da dívida variou segundo as mudanças nessa taxa) e da desvalorização do real (em abril de 2002 a dívida chegou a R$ 685 bilhões. ainda não são suficientes para cobrir os compromissos de cada ano. por causa dos indispensáveis ajustes estruturais do setor público. chegando a R$ 92. uma vez que elas implicam em fontes fiscais de financiamento não disponíveis. O aumento das despesas financeiras é em função da elevação da taxa básica de juros do Banco Central (em abril de 2002. Entre 1998 e 2000.6% e a 7. em 2001. participação comunitária e de regionalização. valores que equivalem. uma diversidade desses mecanismos e instrumentos quanto ao seu grau de descentralização administrativa. alguns controlados por decisões da iniciativa privada. também. sendo que 27. os gastos foram de R$ 86. respectivamente. ou pela elevação da taxa básica de juros ou pela opção por títulos corrigidos pela variação cambial.1% do PIB.2%. Por isso. há. o pagamento de juros consumiu cerca de R$ 214 bilhões. o sistema financeiro vai demandar mais e mais prêmio de risco para absorver papéis do Tesouro Nacional. Assim. 51. mesmo com os elevados custos de oportunidade para a sociedade. As propostas possíveis: reinvenção de novos instrumentos Existem inúmeros mecanismos institucionais e instrumentos que podem contribuir para o processo de implementação da Agenda 21 Brasileira.utilizados para pagamento de parcela dos serviços da dívida pública.8% deste total estava atrelado à variação do dólar). Se não houver prioridade política para essa gestão. Alguns mais tradicionais. é preciso evitar que. torna-se imprescindível a geração e a gestão adequada dos superávits primários.7 bilhões. seja colocada a questão da sua solvência. mais cedo ou mais tarde.4 bilhões.

institucionais e instrumentos que podem ser mobilizados para a implementação da Agenda 21 Brasileira. equipes técnicas interdisciplinares. o empresariado e organizações nãogovernamentais na formação de parcerias. protegendo-se de interferências das atividades de coordenação externa. no Brasil. principalmente. fechando-se em torno de missões e temas programáticos. Os problemas de insucesso na implementação do desenvolvimento sustentável não se encontram. nas organizações responsáveis por uma perspectiva integrada dessa política no país. Esse processo de coordenação resulta em inúmeros obstáculos técnicos. se encontra em fase de reconstrução após uma seqüência de reformas administrativas malsucedidas ao longo dos últimos anos. E essa integração tem que acontecer dentro de um aparelho burocrático que. muitas vezes. ao mesmo tempo. específicos e. o que se busca é um mínimo de integração dentro de um processo de desenvolvimento. ou na necessidade de reinvenção de instrumentos mais adequados para tratar . na ausência de bases conceituais ou de estruturas organizacionais para a sua efetividade. eqüidade social e proteção ambiental. Usualmente. para fazer acontecer os objetivos e as metas estruturantes de um processo de desenvolvimento sustentável. a promoção de consensos e a busca do dinamismo efetivo em lugar das divisões formais. Na Agenda 21 Brasileira. a implementação de políticas de desenvolvimento sustentável envolve problemas de coordenação entre diferentes setores dos três níveis de governo. agências públicas. nem mesmo na ausência de mecanismos institucionais e instrumentos (ver Box 1). envolvendo a mediação de conflitos. As ações da Agenda 21 Brasileira são de natureza programática em busca de resultados práticos. entre transformações produtivas. As instituições tendem a desenvolver seu território próprio de decisão. numa perspectiva de sustentabilidade ampliada e progressiva. Os problemas de insucessos podem estar ou nas dificuldades políticoinstitucionais para a sua implementação. é preciso lembrar que há um elenco de dificuldades político-administrativas quando se busca operacionalizar o conceito de desenvolvimento sustentável na gestão do cotidiano das políticas públicas. a eliminação de setorialismos injustificáveis. Antes de apresentar alguns desses mecanismos e instrumentos.

o caso das agências regulatórias. os três níveis de governo no Brasil têm utilizado crescentemente estruturas e mecanismos de regulamentação (leis. criadas após as privatizações abrangentes ou parciais dos setores de infra-estrutura econômica e de energia (Anatel. o Brasil ainda está em fase de aprendizado histórico para lidar com esses mecanismos institucionais. Rezende. é fundamental que sejam aperfeiçoados tecnicamente e fortalecidos politicamente. defesa do consumidor. que serve de base institucional para a concepção e a execução das políticas de desenvolvimento sustentável. Em muitas situações. Mais recentemente. Há uma tendência em diversos países no sentido de que. Dada a inequívoca importância das estruturas e dos mecanismos regulatórios para o processo de implementação das políticas de desenvolvimento sustentável. portarias) para implementar as mais diferentes políticas públicas. que possuem o controle social externo ainda limitado. maior necessidade de se criar e executar mecanismos de regulamentação. por exemplo. 91 FIGURA 1 Objetivos e Alternativas de Intervenção Governamental nas Políticas de Desenvolvimento Sustentável Fonte: F. inclusive as que venham a utilizar mais amplamente os mecanismos baseados em mercado. Ao longo das últimas décadas. por exemplo. uma questão fundamental se coloca em termos da incorporação de novos instrumentos e mecanismos econômicos como elementos complementares às decisões tomadas dentro do estilo de comando e controle. energia e petróleo. 92 AGENDA 21 BRASILEIRA Economia da poupança na sociedade do . Atlas (adaptação). Ed. ANA). educação). decretos. com o avanço do processo de privatização dos setores de infra-estrutura econômica. ANP. Em uma primeira etapa elas se concentravam nas áreas das políticas sociais (saúde. segurança no trabalho. É evidente que não se pode subestimar o conjunto das estruturas regulatórias do país. quanto mais intensos os processos de privatizações e de concessões de serviços públicos. Citese. Finanças Públicas. foram criadas agências regulatórias para telecomunicação. Aneel. No caso específico das políticas ambientais.90 das complexas questões de sustentabilidade multifacetada.

Financeira. · Fundos especiais.conhecimento Inclusão social para uma sociedade solidária Estratégia para a sustentabilidade urbana e rural Recursos naturais estratégicos: água. · Taxas. com órgãos consultivos. · Certificados negociáveis. Regulamentaçõe s Mecanismos de Financiamento · Impostos. Coordenação Administrativa Incentivos às experiências de desenvolviment o endógeno Incentivos à formação de parcerias BOX 1 CONSELHOS DO MEIO AMBIENTE: A PARTICIPAÇÃO INSTITUCIONALIZADA O Brasil. deliberativos. e tendo como suporte uma legislação contra os crimes ambientais cada vez mais rigorosa e . · Depósitos restituíveis. e executores. etc. dispõe de uma larga experiência de sucessos para promover políticas de desenvolvimento econômico e social. · Financiament os multilaterais. biodiversidade e DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Alternativas de Intervenção Intervenção Direta Gastos Públicos Empreendimentos Governamentais Intervenção Indireta Política Fiscal. assim como de um Sistema Nacional do Meio Ambiente dos mais bem estruturados e operantes com ramificações nos três níveis de governo. quando comparado com outros países da América Latina. etc.

. determinar. no âmbito de sua competência. privativamente. aeronaves e embarcações. Usualmente. estabelecer. de outro. Uma das principais características que tem destacado a política nacional do meio ambiente no Brasil é a participação ativa dos segmentos organizados da sociedade civil e dos conselhos consultivos nos três níveis de governo. no caso de obras ou atividades de significativa degradação ambiental. do efetivo comprometimento político do Poder Executivo com esse mecanismo democrático de tomada de decisões. Incluem-se. e a perda ou suspensão de participação em linhas de financiamento em estabelecimentos oficiais de crédito. a perda ou restrição de benefícios fiscais concedidos pelo Poder Público. estadual ou local. e respectivos relatórios. a representação social se dá por meio de movimentos sociais e organizações não-governamentais que compõem o que se denomina terceiro setor no país. estabelecer. especialmente nas áreas consideradas patrimônio nacional. II. e. de um lado. as informações indispensáveis para apreciação dos estudos de impacto ambiental. bem como às entidade privadas.específica. órgão consultivo e deliberativo do Sistema Nacional do Meio Ambiente. IV. requisitando aos órgãos federais. mediante representação do Ibama. mediante proposta do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente _ Ibama. o Conselho Nacional do Meio Ambiente _ Conama. No Governo Federal. estaduais e municipais. quando julgar necessário. em caráter geral ou condicional. entre as competências do Conama: I. deliberar sobre normas e padrões compatíveis com o meio ambiente ecologicamente equilibrado. tem a finalidade de assessorar. da intensidade de mobilização que ocorre no âmbito da sociedade civil para potencializar a possibilidade de estar presente na condução das decisões de desenvolvimento sustentável em nível federal. a realização de estudos das alternativas e das possíveis conseqüências ambientais de projetos públicos ou privados.Essa participação tem sido institucionalizada desde os anos de 1980 e sua eficácia tem dependido. normas e padrões nacionais de controle da poluição por veículos automotores. 93 III. determinar. normas e critérios para licenciamento de atividades efetiva ou potencialmente poluidoras. estudar e propor diretrizes de políticas governamentais para o meio ambiente e. mediante audiência dos ministérios competentes.

Isso nos remete necessariamente a soluções de caráter mais radical para inovar fontes de financiamento dos orçamentos fiscais para a implementação da Agenda 21 Brasileira. taxas. Entretanto. tem muito a ver com a mencionada crise fiscal e financeira pela qual passa o país. pelos setores de educação. Estas vinculações foram um caminho encontrado. em períodos em que a estabilidade da economia brasileira tem exigido. desde 1988. saúde e desenvolvimento regional. ocorreu a 94 criação de fundos setoriais vinculados ao financiamento da Política Nacional de Ciência e Tecnologia. Criação de fundos A proposta de criação de um fundo especial para o financiamento das ações de desenvolvimento sustentável definidas no processo de elaboração da Agenda 21 se concretizaria pela vinculação adicional de receitas tributárias (impostos. mesmo considerando os grandes avanços que vêm sendo conquistados no processo de formulação e de implementação dos orçamentos fiscais no Brasil. possuir em seus quadros. contribuições parafiscais). as exigências. profissionais legalmente habilitados. as dificuldades operacionais para um maior sucesso das estruturas regulatórias. na medida que progredir o grau de consciência ecológica e de responsabilidade social do cidadão brasileiro e se consolidarem as práticas democráticas na gestão das políticas públicas. deverão ter instalados os Conselhos de Meio Ambiente. para exercerem suas competências licenciatórias. a partir da Constituição de 1988. os entes federados. Mais recentemente. o contingenciamento de recursos diante de eventuais desequilíbrios macroeconômicos.O Ibama. uniformizando. quando possível. para reduzir as incertezas quanto à efetividade dos seus gastos. que todo esforço de negociação para expandir as cotas orçamentárias nos três níveis . poderá delegar aos estados o licenciamento de atividades com significativo impacto ambiental de âmbito regional. ou à sua disposição. recorrentemente. ressalvada sua competência supletiva. É evidente. A intervenção direta por meio dos gastos públicos No Brasil. com caráter deliberativo e participação social e. O papel dos Conselhos do Meio Ambiente nos três níveis de governo. assim como dos diferentes conselhos das mais diversas políticas sociais. tenderá a se tornar cada vez mais relevante na formulação e no controle de políticas ambientais e sociais. como mecanismo predominante na execução das políticas públicas. ainda.

torna-se necessário avaliar em que medida mecanismos e instrumentos de mercado podem ser utilizados para aliviar a carga das demandas para ações de desenvolvimento sustentável nos orçamentos fiscais dos três níveis de governo. Normalmente. pelos três níveis de governo. A função de reprogramação orçamentária consiste na desativação. é uma das alternativas de financiamento do desenvolvimento sustentável. O Orçamento Plurianual de Investimentos pode ser uma alternativa para orientar a reestruturação dos gastos públicos ao longo do tempo. Até mesmo os gastos em programas com receitas vinculadas poderiam ser reestruturados em nível desagregado das características dos seus projetos e atividades. de forma a redirecionar os recursos correspondentes a esses programas e projetos. por meio de mudanças nos orçamentos anuais.de governo. Dessa forma. Da mesma forma. São grandes as possibilidades de que as atuais estruturas de gastos não sejam consideradas em seu conteúdo ou em sua forma. O hiato de recursos acumulado no passado é tão grandioso que o crescimento dos recursos fiscais ainda pode ficar muito aquém das necessidades de financiamento da Agenda 21 Brasileira. que se amplie ainda mais as vinculações dos parcos recursos livres dos orçamentos de custeio e capital para financiar a Agenda 21 Brasileira. é fundamental valorizar o papel do segundo setor (organizações empresariais) e do terceiro setor (organizações sem fins lucrativos) na concepção e na formação de parcerias de programas e projetos de desenvolvimento sustentável. repele-se hoje o que se fazia ontem. há uma forte tendência para que os orçamentos de cada ano sejam uma reprodução da estrutura de gastos do ano anterior. Por isso. com pequenas alterações quanto à introdução de novas atividades ou projetos. Orçamento de base zero A reprogramação dos recursos públicos que já estão sendo normalmente aplicados. na reordenação e na integração de programas e projetos que diferentes instituições do setor público vêm executando. deve ser estimulado. como prioritárias diante das novas estratégias da Agenda 21 Brasileira. embora seja desaconselhável do ponto de vista do interesse nacional. e com grande chance de ser feito amanhã o que se . mais importante do que as tentativas de vincular receitas ou de gerar fundos adicionais. segundo as diretrizes propostas por novas estratégias de desenvolvimento. relacionadas com as ações de desenvolvimento sustentável.

uma vez que por trás de cada real de despesa pública há sempre um conjunto de interesses regionais. a fim de se ter acesso aos recursos fiscais. recorre-se. os instrumentos fiscais e financeiros têm sido usados na ocorrência de determinadas atividades de mérito sociocultural inquestionável. são esses instrumentos que geraram o maior número de "falhas de governo" no processo de desenvolvimento sustentável no país. Em situações especiais. projeto ou atividade a ser incluída no orçamento. ou quando surgem externalidades negativas na implantação ou operação desses investimentos. Na verdade.95 propõe para hoje. A intervenção indireta das políticas fiscal e financeira Historicamente. estrutura-se o novo orçamento. desonerações. com certa freqüência. a mudanças na política tributária (alíquotas diferenciadas de impostos e taxas. A partir do conjunto de demandas multifacetadas. prática relativamente comum em grandes corporações privadas e na administração pública de alguns países desenvolvidos. como as que se inserem na Agenda 21 Brasileira. Ao mesmo tempo. de cotas preestabelecidas ou corrigidas segundo regras uniformes. Nesses casos. para apoiar ações de desenvolvimento e corrigir . nenhum órgão da Administração direta ou indireta dispõe. estados e municípios de maior complexidade econômica e social (centros metropolitanos e cidades de porte médio). sem uma perspectiva crítica da composição das despesas de custeio e de investimento. quando há discrepâncias entre a taxa de rentabilidade privada e a taxa de rentabilidade social de determinados investimentos. De acordo com a metodologia do orçamento de base zero. dadas as eventuais dificuldades político-institucionais para a sua implementação. por problemas de concepção e de implementação das políticas públicas. deve haver uma sólida justificativa para cada programa. Em geral. tendo como referência estratégias de desenvolvimento. subprograma. o poder público tem utilizado os instrumentos fiscais e financeiros de intervenção indireta para atingir os objetivos das políticas de desenvolvimento. locais. empresariais e burocráticos. isenções). inicialmente. Para uma maior eficácia recomenda-se que esse tipo de reformulação conceitual do orçamento se processe uma única vez e no primeiro ano de cada mandato. que realizem um processo de reprogramação a partir de uma experiência de formulação e execução do orçamento de base zero. pode ser recomendável para o país.

esses incentivos devem evitar os vícios de concepção já registrados em estudos recentes do Governo Federal. os incentivos fiscais têm sido alvo freqüente de denúncias de favoritismo. consubstanciada na Medida Provisória nº 2. · a interferência na gestão da política de incentivos. · a enorme ineficiência na aplicação desse instrumento. Fundos de desenvolvimento regionais e instrumentos tributários Os fundos de desenvolvimento regionais.145. criados pela Constituição de 1988. · a frouxidão dos critérios aplicados à aprovação dos projetos. · a atitude passiva do poder público com respeito ao uso dos recursos proporcionados pela renúncia fiscal. Por serem recursos com baixo custo de oportunidade econômica para os que deles se beneficiam. transforma esses incentivos em um fundo orçamentário com vigência limitada ao exercício de 2013."falhas de mercado". tais como: · a falta de interesse da maioria dos investidores. com o conseqüente descaso entre os fluxos de demandas de recursos e de ingresso das aplicações nos fundos respectivos. que exercem o direito de optar pela aplicação de parcela do imposto devido para investimentos. é comum que o seu uso esteja freqüentemente associado às mais diferentes mazelas. deveriam reforçar a . com base em renúncias de arrecadação do Imposto Sobre a Renda de Pessoas Jurídicas . por meio de programas e projetos de natureza meritória. No caso específico dos incentivos fiscais da promoção do desenvolvimento das regiões Norte e Nordeste. ineficiência e desperdício. corrupção. de 2 de maio de 2001. com exceção de alguns poucos que executam projetos próprios. · a manutenção de um vínculo não justificável entre o contribuinte que se utiliza do incentivo e a propriedade do capital transferido para a região. O uso desses instrumentos poderá ser eficaz na implementação das múltiplas ações propostas na Agenda 21 Brasileira. A última norma a respeito. Uma vez utilizados para implementar programas e projetos de desenvolvimento sustentável propostos na Agenda 21 Brasileira. a ponto de estarem ameaçados de extinção. 96 Incentivos fiscais Os incentivos fiscais se apresentam como o instrumento mais utilizado na promoção de soluções para problemas de redistribuição de benefícios sociais e oportunidades econômicas. entre outros. nos resultados de sua aplicação.IRPJ. sendo acessados geralmente por meio de negociações políticas no Executivo e no Legislativo.

FNO. observadas as necessárias correções quanto ao seu gerenciamento. está a incorporação das dimensões social e ambiental na avaliação de financiamentos oficiais e na concessão de incentivos fiscais. Independentemente de uma ampla e indispensável reforma tributária. os Fundos de Desenvolvimento Regional . Há uma larga experiência internacional em se incorporar as avaliações de mérito social e ambiental em projetos de investimento com . ainda existe espaço políticoinstitucional para mudanças incrementais em diversos instrumentos tributários. financiamentos e o papel dos bancos de desenvolvimento Entre os mecanismos e instrumentos de mercado subsidiários às políticas de desenvolvimento sustentável. de acordo com os critérios estabelecidos na legislação. Cite-se. Nordeste e Centro-Oeste. os instrumentos tributários apresentam um grande potencial para a implementação da Agenda 21 Brasileira. os instrumentos e fundos poderiam atuar complementarmente para aumentar a eficácia de suas aplicações. no que se refere à concessão de auxílio financeiro à instalação ou 97 modernização de empreendimentos produtivos nas regiões Norte. Na prática. Enquanto os incentivos aportariam recursos mediante capitalização. de tal forma que têm estimulado a preservação do meio ambiente nos municípios. Algumas unidades da Federação têm legislado no sentido de que haja pesos distributivos na repartição da cota-parte livre. Alimentados pelo repasse de receitas tributárias da União. decorrentes das deficiências de infra-estrutura econômica e social. como exemplo. FNE e FCO . para adequá-los à implementação da Agenda 21 Brasileira. compondo uma equação capaz de compensar as desvantagens iniciais de investir nas regiões menos desenvolvidas do país. essa complementação nunca existiu.ação dos incentivos. Mesmo com as dificuldades operacionais e os obstáculos políticoinstitucionais. cuja aplicação é definida por lei estadual e constitui enorme possibilidade para a promoção de políticas. Operando sob lógicas distintas e gerenciados de forma independente. programas e projetos de desenvolvimento sustentável. os fundos financeiros forneceriam empréstimos em condições mais favoráveis.fornecem empréstimos a juros subsidiados a pequenas e médias empresas. Incentivos fiscais. incentivos e créditos não foram capazes de provocar as mudanças esperadas nos cenários econômicos regionais. Em tese. a cota-parte do ICMS.

organização do trabalho). deve-se. BNDES. onde são avaliadas as condições de trabalho na cadeia produtiva em que se insere o projeto financiado ou subsidiado. A promoção de ações de desenvolvimento sustentável se constitui numa transição e os mecanismos de mercado demonstram incapacidade de atender às demandas da sociedade. Basa. um papel especial para as instituições públicas financeiras federais (BB. Mesmo com o 98 progresso das privatizações nos sistemas financeiros. A própria existência desta estrutura regulatória é muitas vezes suficiente para que o investidor faça ajustes prévios nas características do projeto (tecnologia. antes de submetê-lo a um processo de financiamento ou de concessão de incentivo fiscal. as dimensões social e ambiental como critérios decisivos nos seus financiamentos. a CEF e o BB. Adene e Adeco) incorporem. até mesmo nas economias tipicamente capitalistas. empréstimos ou concessão de incentivos fiscais para evitar. por obrigação legal. BNB) no processo de implementação da Agenda 21 Brasileira. que deixem de incentivar os projetos mais apropriados do ponto de vista das políticas sociais de maior poder redistributivista e do equilíbrio do ecossistema regional (ver Box 2). o Basa. e. também. Há. antes da aprovação de um financiamento favorecido ou de um subsídio a ser concedido a um projeto de investimento. Esta abordagem de regulamentação vem funcionando adequadamente em alguns estados e municípios da Federação. . embora esse processo ainda apresente dificuldades técnicas e controvérsias conceituais. que venham ocorrer efeitos distributivos que concentrem grandes danos ambientais provocados pelos projetos de investimentos subsidiados com dinheiro público. o BNB. é possível identificar um conjunto de razões que justificam a ação de financiamento e de fomento como uma ação de governo.financiamento público ou privado. do outro lado. de um lado. em transição. de forma sistemática. Com a inclusão dos benefícios ou dos custos sociais e ecológicos no fluxo de caixa de um projeto de investimento. microlocalização. CEF. onde os órgãos oficiais de controle ambiental têm sido consultados previamente. É indispensável que o BNDES. avaliá-lo quanto ao seu enquadramento nas legislações ambiental e sociais vigentes. nesse sentido. assim como as novas Agências de Desenvolvimento Regional (ADA.

as instituições signatárias e o Ministério do Meio Ambiente (MMA) estabeleceram. e de priorizar ações de apoio ao desenvolvimento sustentável. conhecida como ‘Protocolo Verde'. o Banco do Nordeste do Brasil _ BNB e o Banco da Amazônia _ Basa. o Banco do Brasil _ BB. de maneira profunda. muitas vezes de difícil quantificação. Nela. Visando à implementação das atividades decorrentes do Protocolo Verde. Na carta. a ordem de prioridade dos investimentos e que esse método de análise seja fortemente passível de decisões políticas envolvendo interesses velados. a Caixa Econômica Federal _ CEF.000. BOX 2 O PROTOCOLO VERDE Em novembro de 1995. · priorizar projetos identificados com maior sustentabilidade ambiental. A análise custo-efetividade é uma variante da análise custo-benefício mais simples de ser desenvolvida operacionalmente. como a ISO 14. · identificar novos mecanismos para incrementar a disponibilidade de fundos financeiros para projetos de investimentos de desenvolvimento sustentável. foi assinada a Carta de Princípios para o Desenvolvimento Sustentável pelos cinco bancos controlados pelo Governo Federal: o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social _ BNDES. sobre o que se entende por benefício de um projeto. 99 Um grande número dos projetos de investimentos na área social ou de preservação ecológica se situa dentro da análise custo-efetividade. é o abandono da análise ampliada dos custos e dos benefícios e a utilização do custo-efetividade. · estimular a criação de facilidades creditícias para aquelas empresas que implementarem sistemas de gestão ambiental e processos de certificação. em 1996. os benefícios são especificados exogenamente (a geração de emprego em áreas deprimidas economicamente. . pode afetar. as cinco instituições financeiras federais assumem o compromisso de incorporar a dimensão ambiental no seu sistema de análise e avaliação de projetos. quando de sua implantação e operação. a conservação ou a preservação de uma reserva florestal) e o problema passa a ser como minimizar os custos associados com um dado perfil de benefícios.Um caminho alternativo para o tratamento dessas questões. É evidente que um processo de decisão exógena. as seguintes prioridades: · definir critérios para análise da dimensão ambiental na alocação de créditos e financiamentos.

envolvendo. Uma primeira iniciativa nesse sentido gerou grandes impactos. todavia. particularmente no processo de financiamento de negócios sustentáveis e no detalhamento técnico da avaliação dos custos e benefícios ecológicos a serem considerados na rentabilidade social dos projetos. o Brasil . A expectativa predominante é a de que. e que a poupança externa volta a ser uma expressiva fonte de financiamento desses investimentos (de 3 a 4% do PIB). uma tentativa de inclusão no Cadastro Informativo de Créditos Não-Quitados do Setor Público Federal Cadin . também. dependendo dos ganhos de produtividade na capacidade produtiva instalada e da composição setorial dos investimentos. o que exigirá uma taxa de investimento próxima de 25% do PIB. igualmente. O recurso ao Cadin foi. A partir da estabilidade econômica conquistada pelo Plano Real. à semelhança de iniciativa do BNDES. ao contrário dos anos de 1970 e de 1980 quando contribuíram significativamente para a degradação de ecossistemas rurais e urbanos. ainda há muito progresso para se realizar. o que os proibiria de acesso aos créditos e financiamentos oficiais. Entretanto. mais de doze mil situações irregulares. inclusive por meio de empréstimos subsidiados. Houve. e dos organismos multilaterais de fomento (BIRD. segundo o MMA. contribuir para a criação de unidades ambientais dentro das agências financeiras. BID) sempre atentos à questão ambiental em suas linhas de empréstimos. sujeitas à interrupção do processo de concessão de crédito por parte das instituições federais. Considerando-se que grande parcela dos financiamentos para esses investimentos virá das instituições financeiras federais. após as reformas institucionais e sua consolidação no século XXI. 100 O Protocolo Verde trouxe muitos avanços nas instituições financeiras federais que passaram a lidar melhor com a questão da sustentabilidade ao priorizar e aprovar a concessão de seus créditos e financiamentos.dos responsáveis pelo não atendimento de obrigações pecuniárias referentes à legislação ambiental. capacitando-as a operacionalizar as diretrizes do Protocolo Verde. já começa a se observar que o nível dos investimentos caminha para um patamar superior a 20% do PIB.Buscou-se. signatárias do Protocolo Verde. o Brasil possa retomar sua trajetória histórica de crescimento de 7% ao ano. suspenso por meio de liminar junto ao Supremo Tribunal Federal e aguarda julgamento do mérito.

inicialmente. em nosso país. A construção de parcerias governo/sociedade As chances de implementação da Agenda 21 seriam reduzidas se as soluções dos problemas de desenvolvimento sustentável dependessem apenas de recursos fiscais dos três níveis de governo. Da mesma forma. poderia ser adotado. São projetos que buscam condições de sustentabilidade ao longo do tempo. identificou-se que o seu estilo de mobilizar ações "de baixo para cima". para a busca de formas alternativas de conceber e executar projetos de desenvolvimento econômico e social. esses projetos têm algumas características semelhantes registradas a partir de um grande número de experiências já realizadas e considerando seus fundamentos comuns. é preciso redefinir o conceito de desenvolvimento para que possamos dispor de um horizonte ampliado para tratar a questão. as quais têm trazido resultados surpreendentes para a melhoria das condições de vida. São projetos que. Um caminho alternativo tem sido a geração de sinergias de recursos. gerados em regime de subcontratação. a partir da formação de parcerias governo/sociedade. de sistemas simplificados de abastecimento alimentar em áreas periféricas dos grandes centros urbanos. substitutivos da economia de subsistência. para a promoção de micro e pequenos projetos de geração de renda e de emprego. saúde e nutrição dos mais carentes. educação. evoluiu-se para uma nova geração de projetos que organizavam a prestação de serviços onde as falhas da economia de mercado se tornavam evidentes: a organização da oferta de crédito popular (diversas experiências de banco do povo). a partir de nichos de mercado devidamente identificados: produtos diferenciados pela qualidade. em diferentes países em desenvolvimento. Em geral. estavam centrados no atendimento das necessidades básicas da população e se destinavam a melhorar as condições de habitação. Na verdade. decisivamente. 101 São projetos que envolvem uma intensa participação de segmentos organizados da sociedade civil. estimulando a prática da cidadania responsável. Inúmeras experiências de cooperação entre os governos e entidades da sociedade civil (o chamado terceiro setor) têm se acumulado durante as últimas décadas. para evitar que se . também. Numa etapa posterior. desde sua definição inicial até as diferentes etapas de sua implementação.não pode deixar escapar a oportunidade ímpar para influenciar. a incorporação da dimensão ambiental no processo de formação de capital do país.

numa economia cada vez mais globalizada do ponto de vista das suas transações comerciais e financeiras. O resultado geral dessas experiências de parcerias em programas e projetos de combate à pobreza. pequenas e médias empresas. na dinâmica de conceber. ou de que bens e serviços estejam produzindo. embora possa haver diferenciação dos instrumentos a favor de áreas economicamente deprimidas. é a definição dos que podem potencializar os recursos latentes. independentemente de que região se localizem. e ao organizar linhas de financiamento de custos e . sob os mais diferentes critérios de avaliação: são praticamente nulos os índices de inadimplência no crédito popular. executar e controlar os projetos. de geração de renda e de emprego. a qualidade das lideranças na sua capacidade de gestão e de mobilização articulada nos interesses e nas emoções da população-alvo. financeiros e administrativos que podem beneficiar essas empresas de forma geral. um conjunto de instrumentos econômicos. Promoção da competitividade sistêmica 102 Um dos principais desafios da construção da Agenda 21 Brasileira é a concepção e a implementação de políticas públicas para dar às micro. nesse caso. pequenas e médias empresas brasileiras condições de competitividade sistêmica. tem sido muito positivo. exercita-se a prática da cidadania e daí emerge um novo quadro de lideranças comunitárias. exercícios de proselitismo político ou campo de frustração para os seus beneficiários. Ao simplificar os seus sistemas tributários em termos burocráticos e de carga de impostos e taxas para as micro. Essas condições de sustentabilidade podem ser mapeadas a partir de indicadores que avaliam a prática da ação coletiva das associações comunitárias. em primeiro lugar. a metodologia adotada para viabilizar os projetos elimina desperdícios. embora possa haver condições mais favoráveis para aquelas que atuam na produção de bens de consumo popular. O que estamos apontando como meios de implantação. Para atingir esse objetivo. o grau de endogenia dos grupos sociais específicos na definição de projetos e na ativação de recursos latentes. os projetos executados dentro desse novo paradigma têm custos extremamente reduzidos. há. aglutina recursos dispersos e restringe as práticas de corrupção administrativa.tornem meras experiências de vitrine.

formados por conjuntos de micro. por diversas instituições públicas e privadas.prazos mais compatíveis com a situação de fragilidade dessas empresas têm-se instrumentos a serem utilizados com histórico de avanços tanto no Governo Federal como nos estaduais. Um processo de desenvolvimento endógeno é concebido e executado a partir da capacidade que dispõe determinada comunidade para a mobilização social e política de recursos humanos. que em geral envolve reflexões organizadas quanto ao baixo desempenho dos indicadores econômicos (taxa de crescimento do produto territorial. ameaças e riscos que envolvem a dinâmica e a sustentabilidade de cada sistema produtivo local com potencial específico. mapeando pontos de estrangulamento e oportunidades perdidas. normalmente. índice de valor agregado. do conjunto de chances. Por outro lado. as quais têm sido conduzidas pioneiramente. materiais e institucionais. Começam a surgir no Brasil práticas de metodologias para lidar com problemas de competitividade dinâmica em arranjos ou sistemas produtivos locais (SPL). A competitividade deve ser incentivada diante da irreversibilidade do processo de abertura da . no Brasil. sociais e de qualidade ambiental. levam os principais atores a um comportamento proativo de maior cooperação e integração dos interesses locais. de forma sistemática. sistemas produtivos locais de micro e pequenas empresas podem ser promovidos mais eficazmente por meio da organização de experiências locais ou microrregionais de desenvolvimento endógeno. Esse tipo de processo percorre. em uma determinada localidade ou região. nos últimos cinco anos. adensamento da cadeia de valor econômico) e dos indicadores de sustentabilidade ambiental quanto ao subaproveitamento das oportunidades de investimentos disponíveis. na área em que se localiza. pequenas e médias empresas especializadas e com uma série de problemas comuns de tecnologia. logística. marketing. algumas etapas: · promoção de um processo de desenvolvimento endógeno a partir da mobilização social e política decorrente de um ambiente de insatisfação ou inconformismo entre os grupos sociais quanto ao mau desempenho dos indicadores econômicos. · identificação. diversificação da base produtiva. 103 · estruturação do inconformismo.

Ainda vale destacar que a promoção do desenvolvimento produtivo local com condições de competitividade passa por decisões em vários níveis: · no campo das decisões privadas. segurança. se as empresas não abandonarem atitudes defensivas quando ocorrerem resultados adversos. infraestrutura) e semipúblicos ou meritórios (saúde. · no campo das decisões governamentais. de resolvê-los. se não for eliminado o clima de desconfiança entre elas. . que se referem à oferta. que se referem a problemas comuns às empresas que compõem o sistema produtivo de base local. na medida que permite às empresas resolverem problemas comuns. Esses instrumentos pretendem estimular comportamentos de produção. a adoção das técnicas de gestão. A organização de um sistema produtivo de base local é um jogo de soma positiva. educação) nas áreas em que se localizam os arranjos produtivos locais. a escolha de tecnologias. tornando-se indispensável um processo de melhorias: · por meio de inovações tecnológicas os países industrializados estão conseguindo aumentar suas possibilidades de substituição dos produtos intensivos em fatores básicos (fibras sintéticas versus fibras naturais. sem condições. novos materiais versus materiais tradicionais). isoladamente. encolhendo ainda mais os mercados desses produtos. com benefícios maiores ou menores. de serviços públicos tradicionais (justiça. 104 É óbvio que o desenvolvimento local tem reduzidas chances de se estruturar e de se consolidar. de consumo e de investimento. · por meio de novas técnicas de gestão e de produção é crescente a economia de insumos e fatores básicos (redução nos coeficientes técnicos de produção) nos processos de transformação industrial mais avançados. envolvendo a localização das atividades. Uso de mecanismos e instrumentos de mercado na implementação das políticas ambientais da Agenda 21 Brasileira Os instrumentos econômicos mais relevantes para a formulação e a execução das políticas de desenvolvimento ambiental podem ser definidos e classificados de diferentes formas. · no campo das decisões comunitárias. se não vier a se instalar entre as empresas que o compõem um ambiente de competição cooperativa. que se referem às decisões típicas de responsabilidade do empresário individual sobre o que ocorre dentro da fábrica ou da propriedade rural. pelos três níveis de governo.economia brasileira. as relações capital/trabalho.

leiloa ou distribui as permissões e monitora o cumprimento. Existem mais de uma centena de instrumentos econômicos diferenciados. por lei. poluidores ou usuários de recurso negociam as permissões por meio de preços de mercado não regulados. Imposto verde Não é uma tarefa simples a introdução de qualquer mecanismo de mercado. no apoio a mercados. · criação ou apoio a mercados: no mercado. para .no sentido da sustentabilidade ambiental. e em valores suficientemente elevados para reduzir impactos desfavoráveis. · legislação rígida sobre passivos ambientais: o poluidor ou usuário do recurso deve. financiamentos facilitados ou incentivos fiscais (de imposto de renda. o governo aplica taxas. assim como quando sistemas de depósitos restituíveis são operacionalizados. ou econômico. pagar todos os danos aos prejudicados. tais como: · permissões negociáveis: o governo estabelece um sistema de permissões negociáveis para poluição ou uso de recurso. particularmente os da OCDE. impostos ou multas aos poluidores individuais ou aos usuários de recursos. estruturação de ecomercados). de depreciação acelerada). esquemas de seguro para atender ao passivo ambiental). há instrumentos formulados a partir de legislação modificada ou de regulação (emissões de títulos negociáveis. · alteração indireta de preços e custos por meio de medidas fiscais ou financeiras: quando ocorrem subsídios diretos. baseado no uso do recurso e na natureza do meio recipiente. que poderiam dar suporte efetivo para a concepção e a implementação de políticas de sustentabilidade ambiental. 105 · classificação de desempenho: o governo apóia programas de certificação ou de classificação que requeiram a divulgação de informações ambientais de produtos de uso final. bônus de desempenho ou aplicação de multas. por meio de: · alteração direta dos níveis de preços e de custos: ocorre quando impostos e taxas são aplicados diretamente a produtos e aos seus processos que geram estes produtos. as partes prejudicadas fazem acordos por meio de litígios e cortes de justiça. sendo utilizados em muitos países. que permitam identificar os "ambientalmente amigáveis". há situações em que as autoridades públicas se responsabilizam pela estabilização de preços ou pela organização (materiais secundários de reciclagem.

por critérios de eficiência. em lugar de regulamentações. No momento não é possível realizar um cálculo preciso da carga tributária adequada no imposto verde. As vantagens dos impostos verdes na alocação eficiente de recursos e sua importância num projeto de reforma tributária no Brasil estão mencionadas no Box 3. sabem dessas limitações. como o Brasil. 106 A opção por impostos e taxas. certamente. que vêm adotando alguma forma do imposto verde. de operação e de manutenção de seus empreendimentos. ainda assim. nas fases de implantação. parte-se para uma solução operacional de compromisso diante de informações imperfeitas. Em geral. acompanhados por multas para os que desrespeitarem esses padrões. Muitos países. Basicamente. o imposto verde deveria. Por exemplo. consideram o uso de impostos e taxas uma intervenção mais apropriada do que o uso intensivo de regulamentações. O imposto verde tem como fundamento a proposta de que os poluidores deveriam pagar uma taxa baseada numa estimativa do dano causado pela sua emissão de poluentes. a sua introdução no sistema tributário nacional merece estudos cuidadosos por causa de seus efeitos distributivos e macroeconômicos. um imposto verde representa a imposição de uma taxa sobre a poluição ou degradação ambiental. traz problemas específicos que não podem ser desprezados. provocará aumentos nos preços e diminuição do consumo dos produtos tributados. o uso potencial dos denominados "impostos verdes" visando estimular ou desestimular a produção e o consumo dos bens e serviços. Entretanto. Assim.se ganhar maior eficácia na condução das políticas ambientais. de acordo com sua contribuição positiva ou negativa para o processo de desenvolvimento sustentável no Brasil. A sua introdução. os impostos e taxas antipoluição irão incidir sobre os segmentos mais pobres da população. Seria pago pelas empresas que. as suas alíquotas diferenciadas seriam calibradas de acordo com o dano que a poluição do empreendimento provoca. mas. A perda de bem-estar com a queda do consumo dos produtos tributados. refletir os custos da poluição. Se o sistema tributário for marcadamente regressivo. tem . além de seus impactos sobre a competitividade/preço dos produtos taxados no comércio internacional. provocassem danos ambientais pela descarga de resíduos no meio ambiente. que estabelece padrões quantitativos de emissões de poluentes. contudo.

A simplicidade é uma demanda permanente da sociedade brasileira. avanços na legislação do IR. induz à sonegação. o que é mais eficiente do que o 107 risco de que os padrões fixos de emissão.de ser comparada com os ganhos de bem-estar para os indivíduos afetados pela poluição. pressões por vinculações de receita. São características indispensáveis ao processo de harmonização. O debate sobre o conteúdo de uma reforma tributária será uma oportunidade muito especial para avaliar os custos e benefícios sociais da introdução dos chamados impostos verdes no sistema tributário brasileiro. Estes apresentam as seguintes características de eficiência para as políticas ambientais: · os impostos ou taxas são administrados pelas estruturas burocráticas existentes nos três níveis de governo e com menor risco relativo de evasão. não apenas no Brasil. senão impossível. BOX 3 OS IMPOSTOS VERDES NA REFORMA TRIBUTÁRIA DO BRASIL Reforma tributária é um tema recorrente. não é propício à harmonização com outros sistemas tributários. · desde que um padrão de poluição tenha sido definido. como os Estados Unidos e a Alemanha. a forma de definir esse processo é a chamada busca de "harmonização" entre os sistemas tributários. estão também discutindo ou discutiram recentemente reformas em seus sistemas tributários. sejam desrespeitados por falta de uma fiscalização permanente e onerosa in loco. o tema é recorrente porque o nosso sistema. discussão e aprovação de uma reforma parcial. É difícil. A globalização e os acordos de integração requerem sistemas tributários com características fundamentais comuns no mundo inteiro. é demasiado complexo. cujo sintoma evidente foi o movimento de apoio ao imposto único. por exemplo. Por ocasião da apresentação do primeiro projeto de reforma tributária pelo Governo Federal. com a redução ou a eliminação dos danos ambientais. Entretanto. prejudica a competitividade. No caso brasileiro. inclusive não intencional. uma empresa não tem incentivo . a simplicidade e a generalidade. harmonizar sistemas complexos e com muitas exceções. Outros países. tornam indispensável e inadiável que se faça reforma mais abrangente. a evolução da guerra fiscal. em termos gerais tem estrutura obsoleta. era aceitável e compreensível a proposição. a abertura e a globalização. no presente e no futuro.

principalmente em se tratando de commodities. em cada uma dessas situações. se forem introduzidos simultaneamente por diversos países. há argumentos que precisam ser ponderados. a proporção paga pelos consumidores deve ser comparada com a proporção paga pelos produtores. por exemplo) somente tenderão a ser implantados para os produtos comercializáveis. visando a obter receitas com o propósito de formação de fundos especificamente destinados a melhorar a qualidade da água. em muitos países têm sido utilizadas para controlar a poluição hídrica. problemas relacionados com o comércio internacional. O mercado. diferentemente dos impostos e taxas. Taxas.para reduzir as emissões abaixo deste padrão. afetando a competitividade de suas exportações. Taxas ambientais O sistema de taxas é uma forma de ampliar o espaço do uso dos instrumentos econômicos em caráter complementar ou substitutivo ao espaço dos regulamentos. Assim. estes devem ser. unilateralmente impondo-os à sua economia. por meio de algum tipo de acordo generalizado de comércio. o que dependerá das condições de oferta e de procura. por meio dos impostos e taxas ambientais. Para qualquer imposto verde. . os quais quanto mais elevados mais estimulam a empresa a reduzir as emissões. Se um país isoladamente estabelece os impostos verdes. · impostos e taxas incentivam as empresas a aplicar fundos próprios ou de empréstimos em pesquisa e desenvolvimento nas tecnologias de redução da poluição ou em processos de produção menos poluentes. envia sinais corretos para produtores (diminuindo os seus lucros) e para consumidores (elevando os preços de compra) sobre os custos dos danos ambientais provocados por estes produtos. das normas e dos decretos. Mas. muitos impostos verdes (sobre a emissão de carbono. estará em desvantagem comercial quando comparado com os seus competidores. Há. co-responsáveis por qualquer poluição. também. · impostos e taxas sobre determinados produtos podem reduzir a emissão de poluentes associados. Como os produtores somente produzem aquelas mercadorias que são demandadas pelos consumidores. que muitas vezes não conseguem se diferenciar dos impostos verdes sobre produtos. pelo menos em parte. estimulando-os a se dedicar à produção e ao consumo de produtos com menores índices de poluição e danos ambientais.

Como resultado. preservação de espécies. Depósitos restituíveis O sistema de depósitos restituíveis envolve depósitos pagos por produtos potencialmente poluidores. Esta alternativa já é aplicada em vários países da OCDE e garante a recomposição ou a reabilitação de áreas comprometidas por atividades degradadoras. o depósito é restituído.assim como para atingir padrões desejáveis de efluentes diferenciados e. também. para induzir a 108 adoção de equipamentos de controle da poluição do ar e para desestímulo à aquisição de bens duráveis de consumo (automóveis. Entre as principais taxas. Considerações sobre as alternativas possíveis O Brasil não tem escassez de recursos para financiar políticas redistributivas. muitas vezes. A própria experiência dos países da OCDE mostra que há uma divergência entre a teoria e a prática no uso dos instrumentos de estímulos econômicos. Assim. acabam por se tornar mais úteis como fonte de receita fiscal do que como instrumento dos objetivos de política ambiental. taxas dos usuários (princípio usuário/pagador). Uma alocação mais eficiente e eficaz dos recursos disponíveis. pode ser suficiente para atenuar sensivelmente os inaceitáveis e injustos padrões de . Outra utilização desses sistemas é a caução para recuperação de passivos ambientais.). se as atividades conduzidas por essas empresas não atenderem a uma prática ambiental aceitável (preservação de mananciais. etc. por exemplo). se os produtos são retornados a algum ponto de coleta legalmente autorizado depois de usado. promotoras do desenvolvimento sustentável. os custos de recuperação ou de limpeza ambiental serão pagos com fundos dos depósitos ou dos bônus. as agências têm buscado combinar esses instrumentos de incentivos econômicos com processos e estruturas administrativas de regulamentações diretas. Admite-se que as agências de proteção ambiental desses países tendem a fixar as taxas em nível muito baixo. O sistema de bônus de desempenho e bônus de garantia são sistemas similares que requerem o pagamento de um bônus de desempenho ou depósito de segurança (por uma empresa mineradora ou madeireira). de forma tal que não se consegue atingir os objetivos de qualidade ambiental programados. basicamente) não equipados com mecanismos antipoluição (conversor catalítico. destacam-se: taxas de emissão de efluentes (princípio poluidor/pagador). taxas de produtos.

A experiência de longos anos. mostra que o aumento da eficiência econômica e. a fim de dimensionar a intensidade do esforço de negociação para a superação dos mesmos. ser eficientes sob o aspecto econômico. Contudo. melhoria dos indicadores de qualidade de vida e uso racional dos recursos ambientais numa perspectiva dos interesses entre gerações presentes e futuras. por exemplo. A separação dos critérios de eficiência e distribuição não se deve à idéia de que sejam antagônicos. para perseguir uma trajetória de desenvolvimento onde se consigam ganhos expressivos para a sociedade brasileira em termos da redução do número de pessoas em regime de pobreza absoluta ou crítica. Dependendo da configuração político-institucional do novo ciclo de 109 expansão. da produtividade e da competitividade. atenuação das desigualdades sociais. inicialmente. Para que estas políticas sejam factíveis. 110 5 . O Brasil poderá superar uma visão dominante do crescimento econômico com elevados custos sociais e ecológicos.Conflitos de interesses e o desenvolvimento sustentável Para delimitar as estratégias de desenvolvimento da Agenda 21 Brasileira. ele poderá acomodar de forma equilibrada os objetivos múltiplos de um processo de desenvolvimento sustentável. não se pode afirmar que os critérios de eficiência econômica e de eqüidade social (ou de distribuição de renda e de riqueza) que orientam a seleção e a prioridade de estratégias de desenvolvimento sustentável sejam mutuamente excludentes. em aumento do bem-estar socioeconômico dos cidadãos mais pobres da comunidade. portanto. Os programas ou projetos de natureza distributiva. reversão da polarização espacial. nem na . necessariamente. que sejam identificados os conflitos de interesses de curto prazo entre os diferentes objetivos de desenvolvimento sustentável que estão contidos nas ações e recomendações propostas. em vários países. na maioria das vezes. intencionalmente. Eficiência econômica versus eqüidade social Em princípio. é indispensável estabelecer os alicerces para a construção das políticas públicas. nas ações e medidas que tenham maior probabilidade de beneficiar os grupos sociais de baixa renda. devem.desigualdades no país. o objetivo distributivista colocará todo o empenho. é preciso. O que interessa ressaltar é a ênfase dada ao programa ou projeto a ser executado. pode não resultar.

pequenas e médias empresas no processo de globalização. A compatibilidade entre crescimento econômico e sustentabilidade ambiental não ocorre como conseqüência natural do jogo espontâneo de mercado. como. por exemplo) pode melhorar consideravelmente as carências existentes e virá a se constituir em solução mais adequada e com maior sustentabilidade. As maiores possibilidades de conflito podem ocorrer entre aquelas políticas em que ambos os objetivos são complementares no longo prazo. A relação dependerá das políticas que se adotem. a livre mobilização dos fatores de produção pelos mecanismos de mercado. a regra geral é o provável insucesso das ações e medidas propostas para gerar mais eqüidade social. mas contrários no curto prazo. As diferentes ações da Agenda 21 Brasileira irão afetar a distribuição da renda e da riqueza em suas áreas de atuação. Crescimento e eqüidade podem ser objetivos conflitivos. é importante introduzir a dimensão temporal. Na análise dos efeitos distributivos desses projetos não diretamente produtivos. como podem chegar a ser complementares ou independentes. por meio de benefícios derivados dos salários e dos rendimentos privados gerados pelos projetos produtivos e também dos benefícios dos projetos sociais não diretamente produtivos (como é o caso da educação e saúde).redução do desemprego e do subemprego. Eficiência econômica e sustentabilidade ambiental O uso econômico dos recursos ambientais pode colocar uma grave questão para as presentes e as futuras gerações. por exemplo. se não for conduzido segundo critérios de sustentabilidade. No longo prazo. À medida que a ênfase está na solução de problemas sociais pela alocação de fundos em programas diretamente ligados a esse setor. o que pode ser ilustrado pela questão das micro. as estratégias têm de considerar que o uso alternativo de fundos em projetos com efeitos distributivos positivos (a mobilização de cadeias produtivas endógenas em áreas de alto risco social. Na verdade. 111 Quando se introduz a dimensão de longo prazo. as políticas ambientais de sustentabilidade da agricultura nos cerrados ou do extrativismo na Amazônia. Nessas questões. eficiência e distribuição estão bastante interligados. ainda que possam reduzir as taxas de crescimento do PIB no curto prazo. as estratégias são de curto prazo (políticas sociais de natureza compensatória). que garantem taxas de crescimento econômico sustentável entre gerações. em geral .

é fundamental trabalhar a consciência social de empresários e consumidores num comprometimento permanente com a dimensão do desenvolvimento sustentável em suas decisões cotidianas e estratégicas. Assim. Em relação às articulações entre os subsistemas econômicos e os subsistemas ecológicos. a Agenda 21 Brasileira destaca a vinculação dos interesses individuais com o valor econômico da natureza de onde poderão extrair benefícios líquidos para as atuais e as futuras gerações. entre os seus critérios de avaliação dos projetos de investimentos. adotado para a promoção do crescimento das áreas menos desenvolvidas do Brasil. a tendência é prevalecer. não vinha incluindo. desde que adotem processos tecnológicos e padrões de consumo ecologicamente corretos. ancorados em intensa mobilização dos movimentos conservacionistas. Como não tem sido de sucesso a história dos processos de implementação de leis que tentam disciplinar os interesses individuais em função dos interesses coletivos. As estratégias que compõem o processo de desenvolvimento sustentável da Agenda 21 Brasileira. ao longo do tempo. Neste caso. a Agenda 21 Brasileira propõe uma definição operacional para o processo de desenvolvimento sustentável. bem como sua valoração. a dimensão ambiental como variável relevante para a aprovação dos financiamentos. O próprio sistema de incentivos fiscais e financeiros. definem o uso eficiente e racional dos recursos naturais. sujeito à manutenção dos serviços e da qualidade dos recursos . segundo o qual este envolve a maximização dos benefícios líquidos do desenvolvimento econômico. uma concepção alternativa de desenvolvimento. orientando-se para a melhoria da qualidade de vida da população. na qual a questão ambiental não seja tratada à margem das principais decisões sobre a acumulação de capital e seus efeitos distributivos. desde que observado o imperativo moral de respeito pelas necessidades das gerações futuras. muitos projetos incentivados da Amazônia e do Centro-Oeste contribuíram para a devastação da flora e da fauna em extensas áreas de florestas tropicais e de cerrado. sob a dimensão ambiental. no Brasil. até recentemente. nos dão certa a garantia de que. 112 Os dispositivos legais como a lei dos crimes ambientais.tem estimulado o uso predatório dos recursos ambientais em diversos contextos históricos.

2% do seu PIB. agropecuária (23. originárias das demais regiões brasileiras.as que mais avançaram na destruição de seus recursos naturais renováveis e nãorenováveis -.0%). sendo este um dos desafios da Agenda 21 Brasileira. b) otimizar a eficiência com que recursos não-renováveis são usados.5%). sendo que na pauta destas importações há o predomínio de produtos naturais: produtos alimentares (29. que a escassez crescente de alguns recursos naturais (água. Esta manutenção implica. sujeito ao grau de substituição entre recursos e progresso tecnológico. toda vez que ocorrer expansão da demanda local. regularizando a sua oferta por meio de importações inter-regionais. madeira. o que tem reduzido os impactos e estímulos indispensáveis para a sua conservação. qual seja. contudo. madeira e mobiliário (3. de recursos ambientais de outras regiões. 113 Uma explicação plausível para esta situação está relacionada às possibilidades de que as regiões Sul e Sudeste possam se abastecer. já estão identificados sentimentos regionalistas nas áreas exportadoras (particularmente no Norte e no Centro-Oeste). por si só. e tendo em vista a possibilidade de importações inter-regionais de produtos com alta intensidade destes recursos. É curioso observar. chegaram a 8. c) manter sempre os fluxos de resíduos no meio ambiente no nível igual ou abaixo de sua capacidade assimilativa. vestuário e calçados (4. recuperação ou preservação por parte dos agentes econômicos (produtores e consumidores) situados nestas áreas. a baixo custo. Em 1995 as importações de bens e serviços do Sudeste. biodiversidade) ainda não têm se manifestado de maneira expressiva por seus preços de mercado nas áreas mais desenvolvidas do país. Como tende a crescer significativamente este processo de postergar políticas ambientais que possam impor o uso racional dos recursos naturais nas áreas mais desenvolvidas .naturais ao longo do tempo. desde que seja possível. dão a dimensão da gravidade da questão ambiental em termos da destruição e da degradação do capital natural em diversas localidades e microrregiões do país.0%).8%). a aceitação das seguintes regras: a) utilizar os recursos renováveis a taxas menores ou iguais à taxa natural que podem regenerar. . a construção de uma economia de solidariedade regional. Regionalismos e escassez de recursos naturais A consulta nacional da Agenda 21 Brasileira em suas diferentes etapas traz sugestões e estratégias de desenvolvimento sustentável que.

as instituições públicas e as privadas das áreas mais desenvolvidas de um país pretendem. deixando de considerar estas regiões tão-somente como "grandes almoxarifados de recursos naturais e recursos energéticos" à disposição dos eixos mais desenvolvidos. a Agenda 21 114 Brasileira contém estratégias político-institucionais para o controle dos conflitos regionais. Nesse último caso. por meio de ações programadas. assim como da base de recursos naturais das demais áreas onde se abastecem direta ou indiretamente destes recursos. relações de dependência entre regiões. pela manipulação de sua força de decisão pelo poder político central. particularmente daquelas localizadas na fronteira externa da economia nacional. Esses movimentos regionalistas podem se manifestar em diferentes situações. a preservação da sua unidade nacional. Assim. desconhecendo os interesses dos grupos sociais locais quanto ao seu próprio desenvolvimento. quando ocorre: uma perversa transferência inter-regional de excedentes produtivos.O país precisa utilizar sua capacidade político-administrativa para coordenar a execução de políticas públicas de médio e de longo prazos. e compensações ambientais para atenuar os desequilíbrios regionais de bem-estar das populações. para promoção do desenvolvimento sustentável das áreas periféricas do país e. como um dos principais objetivos de desenvolvimento. para promover ações compensatórias do ponto de vista da eqüidade social. Políticas de curto prazo versus políticas de desenvolvimento . promover a reestruturação produtiva das localidades e microrregiões onde o processo de crescimento econômico vem promovendo uma ampla devastação da sua base de recursos naturais. a intensidade e a cronologia do uso dos recursos naturais e dos recursos energéticos das áreas menos desenvolvidas. torna-se indispensável. definir a forma. Um país com dimensões geográficas e heterogeneidade sociocultural tem. As estratégias de desenvolvimento sustentável da Agenda 21 Brasileira estão atentas a possíveis movimentos regionalistas por força de tensões sociais e políticas provocadas. uma persistente deterioração nos termos de intercâmbio inter-regional. pela difusão desigual da dinâmica do crescimento econômico no espaço nacional. Nesse sentido. particularmente. fundamentalmente. também. para a melhoria da qualidade de vida de seus habitantes. para mobilizar as potencialidades de expansão econômica das áreas periféricas. assim como ações de crescimento.

as políticas econômicas podem fracassar. e. a atenuação dos desequilíbrios regionais e o êxodo rural. também. quisermos resolver graves questões econômicas com orientações estratégicas. para mobilizar as . de um lado. de outro. a superação do atual quadro de desigualdades sociais e regionais. com eqüidade e sustentabilidade ambiental. que somente são eficazes no longo prazo. Esta questão inclui. num processo de reforma e de modernização do Estado brasileiro. além de garantir a oferta de bens e serviços públicos tradicionais. têm de ser operadas dentro das restrições impostas por um tempo histórico e irreversível. que lidam com problemas de inflação.A concepção e a implementação de políticas de desenvolvimento sustentável no Brasil colocam em questão os problemas de articulação dos objetivos das políticas econômicas de curto prazo. com as políticas de desenvolvimento de médio e de longo prazos. as soluções dos problemas de estrutura ficariam cronologicamente condicionados pelas soluções dos problemas de conjuntura (os de curto prazo). por meio de políticas públicas que promovam o crescimento econômico. e ações de crescimento. para atenuar os desequilíbrios regionais de bem-estar das populações. de flutuações nos níveis de emprego ou de geração de renda. 115 Assim. antes de se consolidar a estabilidade econômica. é de se esperar que. Por outro lado. instrumentos de políticas públicas para promover ações compensatórias do ponto de vista da eqüidade social. déficits públicos) sejam tão críticos e dominantes que não haveria condições para que esta sociedade se programasse para tratar das questões de médio e longo prazos que são a erradicação da pobreza absoluta. Pressupõe-se que os problemas de curto prazo (inflação. numa sociedade em regime de rigoroso ajuste fiscal e financeiro. inclina-se a considerar as políticas de médio e longo prazos como supérfluas e residuais. nos momentos tumultuados do presente. Há uma expectativa de que o Estado possa coordenar. uma sociedade em regime de inflação crônica e de inconsistências macroeconômicas. É indispensável tomar estas restrições e condicionalidades como ponto de partida. este venha a desempenhar um papel mais amplo do que apenas coordenar e manter a consistência do equilíbrio macroeconômico. Vale dizer. como sinaliza a tendência neoliberal. Se. a consolidação do ajuste fiscal e financeiro. Políticas econômicas de curto prazo.

o Brasil vem concebendo e executando políticas. Na verdade. ao contrário. o programa de erradicação do trabalho infantil. se o progresso rumo a uma nação mais sustentável não se processou na velocidade desejada. instrumentos econômicos de gestão ambiental. De tudo o que ocorreu desde 1992. 116 6 . seria injustiça negar os progressos registrados pelo Brasil desde a Conferência de 1992. o Estatuto da Cidade.Do Rio a Joanesburgo: os avanços da última década no Brasil A conclusão do processo de elaboração da Agenda 21 Brasileira não significa que se está partindo de um ponto zero em termos de desenvolvimento sustentável. Nenhum país do mundo logrou esse objetivo e alguns. Diante da abrangência desses exemplos já está em curso a elaboração de um primeiro relatório de implementação5. a bolsaalimentação. nas mais diferentes áreas relacionadas durante o processo de elaboração da Agenda 21 Brasileira já foram implementadas ou estão em fase de implementação. projetos e parcerias reivindicados pelos diferentes segmentos sociais ao longo do . os programas saúde da família e agentes comunitários de saúde. passos importantíssimos foram dados e. a alfabetização solidária. Sem dúvida. trabalho que permitirá o monitoramento necessário a um plano de desenvolvimento da abrangência da Agenda 21 Brasileira. eqüidade social e sustentabilidade ambiental. o Brasil ainda está longe de se tornar econômica. Nesse sentido. num caminho que acumula erros e acertos e que tem se baseado na negociação entre os diferentes segmentos da sociedade. Em dez anos. São exemplos do amadurecimento do processo democrático em prol da sustentabilidade. têm retrocedido no caminho da sustentabilidade. desde a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento em 1992. programas e projetos de desenvolvimento que procuram articular crescimento econômico. é preciso reconhecer que há numerosos avanços e complexos obstáculos a superar. Mas. bolsa-escola. o programa de fortalecimento da agricultura familiar. no Rio de Janeiro. social e ambientalmente sustentável. dentre elas: a criação da Agência Nacional de Águas. pode-se citar dois bons exemplos de iniciativas nascidas dentro da própria sociedade: 5 A quantidade de ações.potencialidades de expansão econômica das áreas menos desenvolvidas ou estagnadas. uma série de demandas.

como o trabalho voluntário. constata que a maior parte das empresas do setor privado brasileiro investe na área social principalmente por meio de ações assistencialistas. órgão do Governo Federal. Evidentemente essas pesquisas são uma primeira amostra. é o avanço da consciência socioambiental da sociedade brasileira.processo de consulta da Agenda 21 Brasileira demandou a elaboração de um relatório de implementação de ações nos diferentes segmentos representados pela CPDS no exato momento em que se lança o documento da Agenda 21. O investimento chega a R$ 4. projetos e programas vêm criando instrumentos mais eficientes que possibilitem a transição para o novo modelo de desenvolvimento sustentável. Hoje.Iser e do Ministério do Meio Ambiente mostram claramente o potencial de envolvimento da população em ações proativas. denominando consumo sustentável.Ipea. Destaques na ação institucional Um conjunto de leis. 59% investiram de alguma forma na área social no ano 2000. Entrevistas realizadas em 1992. Avanços na consciência socioambiental da sociedade Outro destaque nesses dez anos pós-Conferência de 1992. Das 9. além do preço e da qualidade dos produtos. além da disposição de participar de campanhas contra o desperdício dos recursos naturais. 117 Envolvimento do empresariado Segmento que rapidamente compreendeu a mudança de paradigma procurando adaptar-se. o equivalente a 0. nas pesquisas do Instituto Superior de Estudos da Religião . Os avanços não estão restritos à implementação de processos de gestão ambiental ou de desenvolvimento de programas de responsabilidade social. boa parcela dos empresários nacionais tem uma nova compreensão de seu papel como agente transformador de nossa sociedade.7 bilhões em 2000. Recente pesquisa do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas . Área ambiental .4% do PIB daquele ano. apareceu nos resultados da pesquisa de forma surpreendente e mostra que a população brasileira vem incorporando práticas de consumo que levam em consideração outros atributos. O tema do meio ambiente e consumo. 1997 e 2001. É necessária uma investigação mais apurada para que se possa afirmar que os brasileiros já estão entrando na era do consumo "ambientalmente correto".140 empresas utilizadas na amostra de um total de 782 mil empresas privadas do país.

nas quatro últimas décadas. por exemplo. decretos. articuladas entre os Poderes Executivo. se apoiaram predominantemente no uso de regulamentações (leis.605 de fevereiro de 1998. estadual e . co-autoras ou partícipes do mesmo fato.) diretamente formuladas pelos três níveis de governo (União. dentro do contexto do Sistema Nacional de Meio Ambiente. em princípio. a que estabelece os procedimentos do licenciamento ambiental das atividades potencialmente poluidoras. A responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das pessoas físicas. o Novo Código Florestal. uma estrutura jurídica que define as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente _ A Lei de Crimes Ambientais. A promulgação e execução da Lei dos Crimes Ambientais. BOX 4 A LEI DOS CRIMES AMBIENTAIS As políticas ambientais no Brasil. interdição temporária de direitos. suspensão parcial ou total de atividades. A Lei dos Crimes Ambientais responsabiliza as pessoas jurídicas administrativa. a lei que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação. que estabelece os tipos de empreendimentos a serem submetidos ao licenciamento. a concepção e execução de programas inovadores de econegócios. a periodicidade da renovação das licenças ambientais e as instâncias responsáveis pelo licenciamento. portarias. autoras. Legislativo e Judiciário. Essas regulamentações têm na Lei Federal nº 9.118 Não se pode subestimar o esforço e os avanços realizados nos últimos dez anos para consolidar as políticas ambientais no Brasil. civil e penalmente . Na atualidade. prestação pecuniária. como. a mobilização comunitária nos diferentes projetos e a melhoria dos instrumentos de política ambiental. estados e municípios) e. As penas restritivas de direito previstas por esta lei são: prestação de serviços à comunidade. A Lei dos Crimes Ambientais compõe a referência jurídica fundamental para dar suporte às ações de defesa do meio ambiente e às próprias resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).pelas atividades lesivas ao meio ambiente. etc. a criação e implementação da Agência Nacional de Águas. que abrange as esferas federal. o processo de licenciamento tornou-se mais detalhado e disciplinado pela Resolução Conama nº 237/97. são importantes exemplos desse processo. recolhimento domiciliar. os procedimentos e prazos adotados durante o licenciamento.

de produzir e de investir. claramente impactantes do meio ambiente.759 para 5. para orientar as políticas públicas e as decisões privadas. como incentivos fiscais para a pecuária extensiva e obras de infra-estrutura sem planejamento ambiental. implantou o Projeto Prodes com o objetivo de assegurar a continuidade da geração de estimativas oficiais de desflorestamento. não há dúvida de que. 7.344. Se em 1992. O projeto é baseado na análise das 229 cenas do satélite Landsat que cobre a região. o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais _ Inpe. dificilmente poderão ser implementados objetivos e metas de conservação e preservação dos ecossistemas urbanos e rurais do país. CONTROLE DO DESMATAMENTO A Conferência de 1992 encontrou o Brasil discutindo como promover o desenvolvimento da Amazônia sem abrir mão de seu patrimônio natural. que tem cerca de 4 milhões de km2 de área com fisionomia florestal. processos e políticas públicas. por ano. Na 119 verdade. a própria existência de uma estrutura regulatória numa economia de mercado leva os agentes econômicos descentralizados a incorporar a probabilidade de sanções penais na análise de risco de suas decisões de consumir.374. normas e resoluções sobre o processo de desenvolvimento sustentável no Brasil. . passando de 1. Já o número de doutores formados. Assim. um crescimento de 153%. Os indicadores mostram um aumento expressivo no número de brasileiros com formação adequada à atividade científica e tecnológica. triplicou no período. Embora seja prematura uma avaliação mais abrangente dos impactos do conjunto de leis. Uma preocupação central era conhecer a extensão e a localização do desflorestamento. Um exemplo notável é o avanço de conhecimentos sobre a Amazônia. em 2000 esse número subiu para 18.municipal. era necessário conhecer melhor a Amazônia e o impacto das atividades humanas sobre ela. conforme o quadro abaixo. Esses números teriam pouco significado se os conhecimentos gerados não estivessem sendo utilizados para apoiar a tomada de decisão e o gerenciamento de produtos. Algumas atividades. Área de ciência e tecnologia Na última década.272 pessoas concluíram o mestrado. Entretanto. o Brasil presenciou importante progresso na área da ciência e tecnologia. sem uma estrutura regulatória moderna. já haviam sido sustadas.

saúde e agronegócio. tecnologia e inovação para a próxima década também estão sendo feitos dentro dos princípios da sustentabilidade. Sua função será nortear a política do setor nesta primeira década do século. A gestão das reformas para a retomada do crescimento econômico . Adicionalmente. como energia. O Livro Verde de Ciência. possa ser mantida a biodiversidade. O planejamento e a governança da ciência. Dados anuais de desflorestamento podem ser agregados. O conhecimento sobre a natureza e a sociedade amazônicas aumentou consideravelmente na última década e os institutos de pesquisa da região tiveram papel fundamental nessa conquista. que garantirão recursos permanentes para o desenvolvimento científico e tecnológico em diversas áreas. o setor empresarial e o governo em torno de um projeto comum. utilizando o conhecimento produzido com ética e responsabilidade. recursos hídricos. por meio do manejo participativo. estimativas da atividade de exploração madeireira no período 1988/1998 foram geradas a partir dos dados adquiridos pelo satélite Landsat. dentro de um novo paradigma de sustentabilidade. assim como na definição de políticas de desenvolvimento para a região. no estado do Amazonas. esse instituto tem por missão desenvolver um modelo de área protegida para grandes florestas tropicais onde. Destaque para o Museu Paraense Emílio Goeldi. preparando o país para enfrentar os desafios da sociedade da informação e do conhecimento. Ainda na área de C&T é importante citar a criação dos fundos setoriais. 120 demonstrando a importância da utilização de C&T no processo de fiscalização e controle. os processos ecológicos e evolutivos. o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá.A abrangência espacial e a periodicidade anual tornaram o Prodes um projeto singular em escala internacional. unindo a sociedade civil. localizado nas várzeas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. Qualificado como Organização Social em 1999. acadêmicas e do governo. próximo a Tefé. permitindo a visualização da distribuição espacial dos desflorestamentos na região. permitindo que as atividades de exploração não autorizadas fossem identificadas. Tecnologia e Inovação que aborda o papel do conhecimento e da inovação no desenvolvimento social e econômico é exemplo desse projeto. empresariais. biotecnologia. Seu preparo envolveu um amplo processo de consulta onde centenas de pessoas foram ouvidas. entre lideranças políticas.

a taxa média de crescimento anual do PIB está em 2. Foram concebidas e implementadas diferentes políticas públicas.A partir de 1994. a serem implementadas antes que venha a se configurar um ciclo de expansão. após quase duas décadas de experiências de superinflação. A Agenda 21 Brasileira parte de um novo ciclo de expansão da economia brasileira. Com a moeda estável. Área social Durante os anos de 1990 o Brasil apresentou grandes avanços no seu processo de desenvolvimento social. constituído por grandes projetos de . após a consolidação da estabilidade monetária e encerrada a execução da segunda geração de reformas econômicas e institucionais. Até o momento. desde janeiro de 1999. BOX 5 OS GRANDES PROJETOS DE INVESTIMENTO NO II CICLO DE EXPANSÃO DA ECONOMIA BRASILEIRA A atual administração do Governo Federal concebeu e deu início à execução do Programa dos Eixos Nacionais de Integração e Desenvolvimento. mais recursos fiscais foram alocados nos setores de saúde e educação. Da mesma forma.4%. Existe um conjunto de reformas. criou-se uma rede de proteção social. o Brasil conseguiu estabilizar sua moeda com a implantação do Plano Real. com destaque para a tributária e a previdenciária. ampliou-se o grau de transparência e de simplificação administrativa. buscou-se descentralizar as ações estimulando práticas participativas dos beneficiários. A estabilização monetária interrompeu um grave processo de empobrecimento dos grupos de baixa renda que acabavam por pagar o imposto inflacionário pela perda do poder aquisitivo de seus salários. criaram-se condições mais favoráveis para um novo ciclo de expansão econômica. quando as exportações brasileiras tiveram uma melhoria na sua 121 competitividade/preço. os gastos sociais das grandes empresas do segundo setor e organizações empresariais com fins lucrativos se expandiram. por não terem acesso aos mecanismos de indexação e de dolarização nos mercados financeiros. o qual se espera venha a ter características de sustentabilidade bem definidas (Ver Box 5). o que ainda é insuficiente para equacionar os problemas de desemprego e de subemprego. Essas condições ficaram mais nítidas a partir do processo de desvalorização do real. Será o terceiro desde a II Grande Guerra. após quatro anos de um câmbio quase fixo.

propostas ou dissidências. caracterizado pela liderança de inúmeros grandes projetos 122 de investimento responsáveis por altos custos diretos e indiretos em termos de danos ao meio ambiente e ao processo de desenvolvimento socioeconômico das áreas em que se inseriram. Muitos destes investimentos ainda precisam ser detalhados do ponto de vista microeconômico. a maioria das quais para o desenvolvimento de atividades básicas. Do ponto de vista técnico. registra-se que. assim como de suas fontes de financiamento e de seus impactos ambientais. usualmente. o emprego gerado na fase de implantação dos projetos se reduziu de forma significativa durante a fase de operação. incluindo as .. visando a obter critérios de investimento que calculassem a rentabilidade social dos projetos. que lições podemos tirar da concepção e da implementação desses grandes projetos de investimentos? O ciclo de expansão da economia brasileira nos anos setenta foi. As razões para esses danos são múltiplas. condenando ao subemprego ou desemprego grandes setores de migrantes não-capacitados.. usinas nucleares. de fato.investimentos infra-estruturais. Do ponto de vista político.. no qual os grupos mais afetados pelos danos sociais e ecológicos não tiveram a oportunidade de manifestar suas críticas. como base para um novo ciclo de expansão da economia brasileira pós-estabilização monetária. nos seus fluxos de caixa. etc. geotérmicas. na análise e na avaliação desses projetos para fins de financiamento. gás e carvão. Constituem-se. a maioria desses projetos foi concebida e implementada durante um período de autoritarismo político.". e. Por grandes projetos de investimento se entende. complexos industriais. não se incorporavam. os custos sociais e ecológicos de sua implantação e operação. contudo.. portuários. com o agravante de que as necessidades de capacitação diferem em ambos os momentos. em outra escala. de grandes projetos de investimentos como os que ocorreram durante os períodos do "Milagre Econômico" e do II PND. uma expressão que abrange "grandes unidades produtivas. como arranque ou início de possíveis cadeias produtivas para a produção de aço. grandes represas e obras de infraestrutura . outras para extração de petróleo. dedicadas à sua exploração em bruto e/ou transformação em refinarias ou centrais termelétricas . Do ponto de vista social. cobre e alumínio. Se olharmos para a nossa história recente.

A divulgação do Censo de 2000 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística .6 (1999). a partir de um novo ciclo de expansão da economia brasileira. sociais.7 (1992) para 6. O próprio . no uso predatório de sua base de recursos naturais. culturais ou ambientais nas regiões em que se inserem.3% (1992) para 59. Entretanto. Como é de se esperar que. com maior liderança empresarial do setor privado. com maior amplitude distributiva. e. de renda. Eles podem contribuir de maneira significativa para a redefinição das potencialidades de desenvolvimento nessas regiões.suas externalidades ambientais. Por outro lado. um acréscimo de 16%. É indispensável que estes novos investimentos possam vir a se concretizar também com novas características: mais 123 articulados com a base produtiva regional.3. surja a imperiosa necessidade de realizar novos grandes projetos de investimento. os efeitos conjugados dos grandes investimentos acabaram resultando no agravamento da natureza dualística das economias regionais da periferia.4% (1999).2 para 13. com melhor definição e controle de seus impactos ambientais e. deve-se dar especial atenção ao fato de que os grandes projetos de investimento não resultam apenas em mazelas econômicas. As desigualdades nos planos regional. de 1992 a 1999: · a mortalidade infantil caiu de 44 para 29 óbitos por mil nascidos vivos. praticamente permaneceram inalteradas na década. é fundamental que as lições apreendidas do passado sejam inteligentemente absorvidas. no aumento das desigualdades sociais entre grupos residentes nessas regiões. · a taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais. uma queda de 34% em menos de uma década. racial e gênero. · a média de anos de estudo da população de 15 a 55 anos subiu de 5.IBGE mostra que houve melhorias substantivas em quase todos os indicadores. passando de 17. a análise dos dados demonstra que a melhoria dos indicadores sociais nos anos de 1990 não foi acompanhada de atenuação das desigualdades sociais. sofreu uma redução de 23%. no acréscimo dos diferenciais de renda e de produtividade entre as suas áreas urbanas e rurais. em geral. Assim. · o número de domicílios com saneamento básico adequado subiu de 50. como parece encerrar a análise de alguns casos pesquisados no Brasil.

na década de 1990. com 1.20 contra R$ 314. principalmente quando se observam os dados de 1999 da região Nordeste. mantidas as atuais características dos padrões de crescimento econômico e das políticas públicas de natureza compensatória. Essa desigualdade persiste no tempo. ainda se encontravam nessa situação 26. Mesmo que o país venha a vivenciar um novo ciclo de crescimento econômico com sustentabilidade. o IBGE observa que a remuneração cresceu substancialmente de 1992 para 1999. Sua renda per capita o situa entre o terço dos . Em relação ao rendimento médio da população ocupada. o aumento de um ano de estudo correspondeu a uma elevação de 1. como. A região Sudeste continuou apresentando o maior valor de rendimento dos ocupados: R$ 631.2 salários no rendimento de brancos e de apenas meio salário para negros e pardos. entre 1992 e 1999. Segundo estudos do Ipea. negros e pardos. por exemplo. para 12. maior a diferença entre brancos. Nada mais incômodo para o Brasil do que comemorar 500 anos de seu descobrimento com um dos maiores níveis de desigualdades sociais do mundo.2% das famílias negras e 30. A desigualdade em nível regional é bastante significativa. houve uma queda generalizada no número de famílias vivendo com até meio salário mínimo per capita. o Sudeste continua a apresentar o maior rendimento. não há garantia de que as desigualdades sociais possam ser atenuadas.35% do salário mínimo.4% das famílias pardas.70 da população ocupada do Nordeste. em 1999. A Agenda 21 Brasileira deverá exercer um importante papel na concepção de políticas públicas que venham a reduzir esse quadro de desigualdades e discriminações sociais.IBGE admite que é menos difícil combater a pobreza do que as desigualdades.7% das famílias brancas. não há diferença significativa entre o elevado grau de desigualdade de 1998 e o de 1970. por exemplo: quanto maior o salário. levando a uma melhoria dos componentes do desenvolvimento humano. O Brasil não é mais um país pobre.61% do salário mínimo. mas. A renda média dos 10% mais ricos representa mais de 50 vezes a renda média dos 10% mais pobres. Nem há sinais de que essas desigualdades venham a se atenuar num futuro próximo. Indicadores do processo de discriminação social podem ser mencionados a partir do relatório do IBGE. O Nordeste ficou com o menor rendimento médio dos 40% 124 mais pobres: 0.

Além de empregos de melhor qualidade e de rendas mais elevadas. que pressupõe um processo de inclusão social. por exemplo. Em qualquer hipótese. Em nenhum momento. porém. desde a sua concepção. é indispensável que. Algumas dessas políticas são de impacto no curto prazo e buscam correções transitórias das desigualdades por meio de programas de segurança alimentar ou de renda mínima. Crescimento e eqüidade podem ser objetivos conflitantes. como por exemplo. a partir das aspirações coletivas e das escolhas de expressivos segmentos de vanguarda de nossa sociedade.Um novo pacto social: a concretização da Agenda 21 A Agenda 21 Brasileira. a Agenda foi pensada como documento de governo. tenham acesso aos recursos necessários a um padrão de vida decente. com uma vasta gama de oportunidades e opções para as pessoas. como acordado. A relação dependerá das políticas adotadas. As maiores possibilidades de conflito podem ocorrer entre aquelas políticas cujos objetivos são complementares no longo prazo. foi interpretada como ponto de partida de grandes transformações. é preciso que os brasileiros. com diretrizes e estratégias para dar subsídio apenas às políticas governamentais. desfrutem de uma vida longa e saudável. 77% da população mundial vivem em países com renda per capita inferior à do Brasil. 126 7 . se intensifiquem a formulação e a execução de políticas ativas de redistribuição da renda e da riqueza nacional. à medida que as propostas aprovadas sejam introduzidas. adquiram conhecimentos técnicos e culturais. A contribuição federal é decisiva. nas . O crescimento econômico é uma condição necessária mas não suficiente para o desenvolvimento sustentável. mas contrários no curto prazo. as políticas ambientais de sustentabilidade da agricultura nos cerrados ou do extrativismo na Amazônia. a partir dos compromissos assumidos na Agenda 21 Brasileira.países considerados mais ricos. Outras são de natureza estrutural e pretendem ter efeitos duradouros 125 sobre a eqüidade social. como podem chegar a ser complementares ou independentes. reforma agrária e descentralização industrial. Não pode haver desenvolvimento enquanto houver iniqüidades sociais crônicas no nosso país. todos os brasileiros. como por exemplo os investimentos em educação.

de médio e longo prazos. portanto. praticar a cidadania na estruturação dessa nova ordem. eqüidade social e sustentabilidade ambiental só poderão ser tratadas a partir de responsabilidades efetivas e compartilhadas entre os diferentes segmentos sociais. por demandarem maior consenso e soluções integradas.prioridades do próximo Plano Plurianual e sejam consideradas com destaque nos recursos do orçamento federal. tanto quanto de recursos próprios ou em parceria. empresários. As diferentes organizações da sociedade civil distribuem-se. as empresas terão muito a contribuir com o portfólio de projetos e recomendações aprovados. para executá-los em sua agenda de prioridades. toda a sociedade precisa ser mobilizada para construir sinergias. organizações civis. 127 A força da Agenda 21 Brasileira reside na ampla participação que alcançou durante a sua elaboração e na construção de um processo de co-responsabilidade para a fase de implementação de suas ações e recomendações. e precisam agora ser distribuídas em função de competências. principalmente. o importante papel de desencadear as ações relevantes que julgarem pertinentes e significativas. o escopo da Agenda envolve também problemas estruturais mais amplos. credenciadas para exercer. em torno de temas e problemas em relação aos quais já definiram habilidades e competência específica sendo. é agora que tem início o grande desafio: a etapa de implementação. do Ministério Público. igualmente. Questões estratégicas como competitividade sistêmica. cooperar para a implementação das ações recomendadas. que traga bem-estar. . A Agenda 21 Brasileira começa efetivamente a existir a partir do momento em que foi concluída a fase de definição de ações prioritárias e identificados os mecanismos institucionais e instrumentos econômicos indispensáveis ao seu exercício. preferencialmente. As tarefas que a Agenda propõe não são afetas tão-somente aos governos. justiça e qualidade de vida para as atuais e futuras gerações de brasileiros. fazendo uso de muita imaginação e criatividade. ativar recursos latentes e. No entanto. de um pacto social. Elas exigem a participação intensa do Poder Legislativo nos três níveis de governo. Apesar de todo esforço despendido. preferências e habilidades próprias das diferentes instituições. em realidade. Trata-se. Da mesma forma. Os estados e os municípios deverão. na prática. Nesse processo.

a Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e da Agenda 21 Brasileira. VI .acompanhar a elaboração e avaliação da implementação do Plano Plurianual. no âmbito da Câmara de Políticas dos Recursos Naturais. VII . da Constituição.propor à Câmara de Políticas dos Recursos Naturais estratégias.propor estratégias. no âmbito da Câmara de Políticas dos Recursos Naturais. implementação e revisões periódicas das Agendas 21 Locais. da Lei de Diretrizes Orçamentárias e da Lei do Orçamento Anual.128 Atribuições da Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e Agenda 21 Brasileira .apoiar processos de elaboração. inciso VI. do Conselho de Governo. com a finalidade de propor estratégias de desenvolvimento sustentável.subsidiar posições brasileiras nos foros internacionais para o desenvolvimento . DECRETA: Art. de iniciativas voltadas ao fomento de programas da Agenda 21 Brasileira. e dá outras providências. 2º À Comissão compete: I . programas e instrumentos de desenvolvimento sustentável ao Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República. a Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e da Agenda 21 Brasileira. programas e instrumentos de ações da Agenda 21. II . O PRESIDENTE DA REPÚBLICA. 84. tendo como referência a Agenda 21 Brasileira e estratégias de desenvolvimento sustentável. V .CPDS DECRETO DE 3 DE FEVEREIRO DE 2004 Cria. alínea "a". III . 1º Fica criada. VIII . Art. no uso da atribuição que lhe confere o art.promover articulação com a Frente Parlamentar Mista para o Desenvolvimento Sustentável e Apoio às Agendas 21 Locais. IX . IV . do Conselho de Governo.propor ao Conselho Nacional do Meio Ambiente .coordenar e acompanhar a implementação e as revisões periódicas da Agenda 21 Brasileira.propor mecanismos de financiamento das Agendas 21 Locais e participar. instrumentos e recomendações voltados para o desenvolvimento sustentável do País.CONAMA e a outros órgãos colegiados a discussão de estratégias. junto a outras instâncias federais.

e g) Fórum de Reforma Urbana.dos titulares dos segmentos e organizações previstas nos incisos I. que o presidirá. d) comunidades tradicionais.um representante de cada segmento da sociedade civil a seguir indicado: a) entidades representativas da juventude. g) Ministério da Educação. e b) organizações da comunidade científica. e) Ministério das Relações Exteriores. b) Ministério do Planejamento. a serem indicados de comum acordo entre a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência .dois representantes de: a) entidades empresariais. alíneas "b" a "p". II . f) Ministério das Cidades. h) Ministério da Fazenda. e II . j) Ministério do Trabalho e Emprego. Academia Brasileira de Ciências e Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras .um representante de cada órgão e entidade a seguir indicados: a) Ministério do Meio Ambiente. titulares e suplentes. Os membros da Comissão.CRUB. l) Ministério do Desenvolvimento Agrário.ANAMMA. c) Casa Civil da Presidência da República. 3º A Comissão será integrada por: I . III .SBPC. p) Ministério do Desenvolvimento. i) Ministério da Cultura. n) Ministério da Integração Nacional.sustentável e acompanhar a implementação dos respectivos acordos multilaterais. Orçamento e Gestão. Indústria e Comércio Exterior.três representantes: a) do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente eo Desenvolvimento. e r) Associação Brasileira das Entidades de Meio Ambiente . c) comunidades indígenas. alíneas "q" e "r". que exercerá a vicepresidência. Art. o) Ministério da Saúde. b) organizações de direitos humanos.aprovar o seu regimento interno. e b) de centrais sindicais. Pecuária e Abastecimento.ABEMA. e) organizações de direitos do consumidor. X .disseminar as Agendas 21 Brasileira e Locais em eventos públicos. mediante indicação: I . e XI . do caput deste artigo. d) Ministério da Ciência e Tecnologia. . no caso do inciso I.dos Ministros de Estado a que estiverem subordinados. m) Ministério da Agricultura. Parágrafo único. serão designados pelo Ministro de Estado do Meio Ambiente. IV . f) Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável CEBDS. q) Associação Nacional de Municípios e Meio Ambiente .

6º A participação na Comissão será considerada prestação de serviços relevantes.II. É um instrumento fundamental para a construção da democracia participativa e da cidadania ativa no País. O documento Agenda 21 Brasileira foi concluído em 2002. foi coordenado pela CPDS e da Agenda 21 Nacional. Como programa. Art.2004 Agenda 21 Brasileira • • • A Agenda 21 Brasileira é um processo e instrumento de planejamento participativo para o desenvolvimento sustentável e que tem como eixo central a sustentabilidade. fortalecimento do Sisnama e participação social e adotando referenciais importantes como a Carta daTerra. que dispõe sobre a criação da Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e da Agenda 21 Nacional e o Decreto de 28 de novembro de 2003. alíneas "a" e "b". elaborar o seu regimento interno. integrados por representantes de órgãos e entidades governamentais da administração federal. desenvolvimento sustentável. a justiça social e o crescimento econômico. Art. a Agenda 21 Brasileira foi elevada à condição de Programa do Plano Plurianual. É hoje um dos grandes instrumentos de formação de políticas públicas no Brasil. pelo atual governo.2. de 4. alíneas "a" e "b". e IV. 4º A Comissão poderá instituir grupos de trabalho temáticos. estadual e municipal e da sociedade civil. (PPA 2004-2007). nos demais casos. 5º O Ministério do Meio Ambiente proverá o apoio técnicoadministrativo necessário ao funcionamento da Comissão. A primeira fase foi a construção da Agenda 21 Brasileira. 3 de fevereiro de 2004. que cria. A partir de 2003. passa a ser instrumento fundamental para a construção do Brasil Sustentável. no prazo de trinta dias a contar da data de sua instalação. III. transversalidade. de 1996 a 2002. 183º da Independência e 116º da República. O documento é resultado de uma consulta à população brasileira. Art. alíneas "a" a "g". . sendo construída a partir das diretrizes da Agenda 21 global. Art. Art. Brasília. 8º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.O. LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA Marina Silva Este texto não substitui o publicado no D. não remunerada. a Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e da Agenda 21 Brasileira. 9º Ficam revogados o Decreto de 26 de fevereiro de 1997. no âmbito da Câmara de Políticas dos Recursos Naturais. 7º A Comissão deverá. compatibilizando a conservação ambiental.U. do Conselho de Governo. conforme as diretrizes da política ambiental do Governo. Art.

Promover a educação para a sustentabilidade através da disseminação e intercâmbio de informações e experiências por meio de cursos. workshops e de material didático. Conferência das Cidades e Conferência da Saúde. capilaridade e importância como política pública. integração das políticas públicas. elaborar e implementar as Agendas 21 Locais e a formação continuada em Agenda 21. · Implementar a formação continuada em Agenda 21. da participação e da ação coletiva da sociedade foi reconhecida no Programa Lula. Esta ampla inserção da Agenda 21 remete à necessidade de se elaborar e implementar políticas públicas em cada município e em cada região brasileira. município. utilização dos princípios e estratégias da Agenda 21 Brasileira como subsídios para a Conferência Nacional de Meio Ambiente.implementação do Sistema da Agenda 21. A importância da Agenda como instrumento propulsor da democracia. sendo consolidado.Implementação da Agenda 21 brasileira (a partir de 2003) A posse do Gov Lula da Silva coincidiu com o início da fase de implementação da Agenda 21 Brasileira. • A prioridade é orientar para a elaboração e implementação de Agendas 21 Locais com base nos princípios da Agenda 21 Brasileira que. • desafios do Programa Agenda 21: 1. até um bairro. Programa Agenda 21 possui 03 ações estratégicas que estão sendo realizadas com a sociedade civil: implementar a Agenda 21 Brasileira. 3. programas e atividades do governo e sociedade. através da formulação de bases técnicas e .· 2. seminários. geração de consensos em torno dos problemas e soluções locais e estabelecimento de prioridades para a gestão desde um estado. e suas diretrizes inseridas tanto no Plano de Governo quanto em suas orientações estratégicas. identificação e promoção de instrumentos financeiros. uma escola. troca de informações. O processo deve ser articulado com outros projetos. Orientar para a elaboração e implementação das Agendas 21 Locais. definição de indicadores de desempenho.O PPA lhe confere maior alcance. difusão e intercâmbio de experiências. dentre outros. . análise. bacia hidrográfica. Esta ação é fundamental para que os processos de Agendas 21 Locais ganhem um salto de qualidade. em consonância com a Agenda global. promoção da inclusão das propostas da Agenda 21 Brasileira nos Planos das Agendas 21 Locais. Implementar a Agenda 21 Brasileira. mecanismos de implementação e monitoramento. Agenda 21 Local é um dos principais instrumentos para se conduzir processos de mobilização. a partir do envolvimento dos agentes regionais e locais. reconhece a importância do nível local na concretização de políticas públicas sustentáveis. unidade de conservação.

custos. de junho de 2004. necessidades. na construção de uma democracia participativa no Brasil. nos níveis federal. Estas atividades estão sendo desenvolvidas de forma descentralizada. Esta frente. · Programa de Formação em Agenda 21.000 pessoas de todas as regiões brasileiras. envolveu. as principais atividades realizadas em 2003 e2004 refletem a abrangência e a capilaridade que a Agenda 21 está conquistando noBrasil. O II Encontro das Agendas 21 Locais será realizado em janeiro de 2005. voltado para a formação de cerca de 10 mil professores das escolas públicas do País que. aplicação de metodologias apropriadas. nas comunidades e na escola. do Edital 02/2003 . em todos os estados brasileiros. através de cinco programas de TV.composta de 107 deputados federais e 26 senadores. A primeira reunião da nova composição aconteceu no dia 1º de julho. do Conselho de Governo. em Belo Horizonte. · Elaboração e monitoramento. identificação das atividades. buscando o fortalecimento da sociedade e do poder local e reforçando que a Agenda 21 só se realiza quando há participação das pessoas. durante o Fórum Social Mundial. autoridades governamentais e não governamentais. Destacamos as seguintes atividades: · Ampliação da CPDS: Criada no âmbito da Câmara de Políticas dos Recursos Naturais. Ao todo foram cerca de 920 pessoas capacitadas em 25 • . discutiram a importância de se implementar a Agenda 21 nos municípios.disseminação de informações relacionadas a eles e mecanismos de comunicaçãocom a sociedade civil. com a participação de cerca de 2. e participantes dos Fóruns Locais daAgenda 21.políticas para a sua formação. trabalho conjunto com interlocutores locais. tem como principalobjetivo articular o poder legislativo brasileiro. veiculado pela TVE em outubro de 2003. nos dias 07 e 08 de novembro de 2003. em Porto Alegre-RS. dessa forma. a Anamma e a Abema e 17 da sociedade civil tomaram posse no dia 1º. e a segunda em 15 de setembro de 2004. para permitir uma maior fluência na discussão dos temas ambientais. para a confecção de projetos para o edital. · Realização do primeiro Encontro Nacional das Agendas 21 Locais. que incluiu a participação ativa no processo de capacitação de gestores municipais e de ONGs. da sociedade civil e de governos. estratégias de implementação. Esse programa. a nova constituição da CPDS Decreto Presidencial de 03 de fevereiro de 2004.Construção de Agendas 21 Locais. avançando. estadual e municipal. Agenda 21 brasileira em ação No âmbito do Programa Agenda 21. Os novos membros que incluem 15 ministérios. · Participação na consolidação da Frente Parlamentar Mista para o Desenvolvimento Sustentável e Apoio às Agendas 21 Locais. respeitando o estágio em que a Agenda 21 Local em questão está. além dos professores. em conjunto com o FNMA.

social e ambiental local. Confea/CREA. operacionalização e manutenção da infra-estrutura econômica. Agenda 21. contendo apresentação da Ministra Marina Silva e a nova composição da CPDS. estabelecendo políticas ambientais locais e prestando assistência na implementação de políticas ambientais nacionais". Ainda segundo a Agenda 21. foram efetivadas parcerias e convênios com o Ministério da Educação. Ministério da Saúde. Banco do Brasil. Banco do Nordeste e prefeituras brasileiras. Ministério da Cultura. São seis os Cadernos publicados até o presente: Agenda 21 e a Sustentabilidade das Cidades. Fórum Brasileiro das ONGs para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento. com financiamento. · Publicação de mil exemplares da segunda edição da Agenda 21 Brasileira: Ações Prioritárias e Resultado da Consulta Nacional. O capítulo 28 da Agenda 21 global estabelece que "cada autoridade em cada país implemente uma Agenda 21 local tendo como base de ação a construção. Ministério do Desenvolvimento Agrário. Agenda 21: Um NovoModelo de Civilização. Ministério da Integração Nacional. Pecuária e Abastecimento e Ministério de Minas e Energia. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Mata Atlântica o Futuro é Agora. 64 projetos de todas as regiões brasileiras. o Semi-Árido e aLuta contra a Desertificação. No final do processo. sociais e econômicos locais e o debate sobre soluções para esses problemas através da identificação e implementação de ações concretas que visem o desenvolvimento sustentável local. foram aprovados. Ministério da Agricultura. Uma Nova Agenda para a Amazônia. Caixa Econômica Federal.Ainda. como muitos dos problemas e soluções apresentados neste documento têm suas raízes nas atividades . em dezembro de 2003. · Publicação da Série Cadernos de Debate Agenda 21 e Sustentabilidade com o objetivo de contribuir para a discussão sobre os caminhos do desenvolvimento sustentável no País. Agenda 21 e o Setor Mineral.eventos. Ministério das Cidades. Agenda 21 local A Agenda 21 Local é um instrumento de planejamento de políticas públicas que envolve tanto a sociedade civil e o governo em um processo amplo e participativo de consulta sobre os problemas ambientais.

instituição de ensino. em bairros. bacias hidrográficas. na construção de propostas pactuadas. podendo também ser desenvolvida por comunidades rurais. podendo ter a liderança de qualquer segmento da comunidade (governo. descentralização e controle social e incorporação de uma visão multidisciplinar em todas as etapas do processo. a Agenda 21 Local é processo e documento de referência para Planos Diretores e orçamento municipais. condução de um processo contínuo e sustentável. voltadas para a elaboração de uma visão de futuro entre os diferentes atores envolvidos. por exemplo). De fato. orientadas para harmonizar desenvolvimento econômico. reforçando ações dos setores relevantes. em regime de coresponsabilidade. nos biomas brasileiros é uma demanda crescente. a construção da Agenda 21 Local vem ao encontro com a necessidade de se construir instrumentos de gestão e planejamento para o desenvolvimento sustentável. Principais desafios Os principais desafios da Agenda 21 Local consistem no planejamento voltado para a ação compartilhada. governo e sociedade estão utilizando este poderoso instrumento de planejamento estratégico participativo para a construção de cenários consensuados. justiça social e equilíbrio ambiental. cuja maioria das experiências existentes têm-se mostrado muito bem sucedidas. O processo de Agenda 21 Local pode começar tanto por iniciativa do poder público quanto da sociedade civil. a Agenda 21 na escola. na empresa. e em diferentes territorialidades. Processo de construção da Agenda 21 Local Sugerimos também a leitura do Passo a Passo da Agenda 21 Local O ponto de partida é a formação de um grupo de trabalho composto por representantes da sociedade e governo (no caso de um município ou determinada territorialidade). Desta forma. E. ONG. a participação e cooperação das autoridades locais são fatores determinantes para o alcance de seus objetivos.locais. Para o governo brasileiro. até a elaboração de uma matriz para a consulta à população sobre problemas . As atribuições desse grupo devem envolver desde a mobilização e a difusão dos conceitos e pressupostos da Agenda 21. áreas protegidas. que devem servir de subsídios à elaboração de políticas públicas sustentáveis. entre outros.

a ser institucionalizado pelo Poder Executivo ou Legislativo. Este Fórum. O Fórum requer um regimento interno. em função das particularidades locais · Os papéis dos diferentes participantes do processo · A identificação de meios de financiamento para a elaboração da Agenda 21 Local · Negociações junto ao poder local sobre a institucionalização do processo de construção e implementação da Agenda 21 Local A criação de um Fórum permanente de desenvolvimento sustentável local . que aborde os aspectos ambientais. Para a definição dessas ações. atribuições · Freqüência e coordenação das reuniões · Forma de registro e responsáveis pela confecção e divulgação das minutas · Como os objetivos serão alcançados · Tempo de mandato e forma de substituição dos membros A principal função do Fórum é definir os seus princípios estruturantes e uma visão de futuro desejado pela comunidade. Essa visão deve ser traduzida em ações a serem incluídas nos processos de planejamento dos municípios e regiões envolvidos.ou seja. caberá também ao Fórum a escolha de temas . É essencial que os participantes sejam escolhidos pelos membros de seu setor e que o represente levando para o Fórum as questões nele consensuadas. que deve constar basicamente de: · Missão. sociais e econômicos locais com o real envolvimento dos diferentes atores é etapa seguinte e meta fundamental para a sustentabilidade dos processos. envolvendo: · O estabelecimento de uma metodologia de trabalho · A reunião de informações sobre as questões chaves de desenvolvimento local A identificação dos setores da sociedade que devem estar representados. incluindo o estabelecimento de ações sustentáveis prioritárias a serem implementadas no processo de construção da Agenda 21 Local. os diferentes pontos de vista e anseios dos seus participantes. trazendo de volta ao grupo os resultados e encaminhamentos acordados junto aos demais parceiros. objetivos. que represente. da melhor forma.enfrentados e possíveis soluções. acompanhar e avaliar um plano de desenvolvimento sustentável local de forma participativa. terá a missão de preparar.

instituições de pesquisa e ensino. formulação de propostas e definição de meios de implementação e o estágio da implantação propriamente dito. ações estratégicas para a pobreza. conscientização da população. movimentos sociais. econômicas. Para exemplificar. Assim. Cada membro. definição de temas. Aos estados e municípios cabe. seja nas instalações das prefeituras ou de uma instituição parceira. acesso a emprego. é necessário o estabelecimento de uma estrutura. qual seja: o da sensibilização. Assim.críticos. em . da água e da diversidade biológica. De acordo com as características geográficas. produtores e empresas de pequeno a médio portes. O da elaboração. no plano governamental existe um papel específico para cada uma das esferas de governo na definição de políticas publicas. organizações comunitárias. educação para a Agenda 21 e troca de informações. culturais e históricas de um determinado local. exercício semelhante de formulação de políticas públicas. saúde e igualdade social e assentamentos. criando as condições para a formação do cenário de futuro desejável. em seu espaço territorial. capazes de catalisar a opinião pública e outros apoios. para que os objetivos da Agenda 21 Local sejam atingidos. ONGs. este pode desenvolver a sua Agenda 21 local enfocando um ou mais eixos temáticos. existe um amplo processo que depende da sensibilização e do estágio de amadurecimento de cada comunidade na discussão dos temas públicos de forma participativa. Como exemplo de eixos temáticos para que as ações da Agenda 21 local possam se desenvolver temos: ações estratégicas para a proteção da atmosfera. cada setor tem o seu papel. elaboração de diagnósticos. na forma de Secretaria Executiva. acesso a serviços de informação. capacitação e institucionalização dos processos de agenda 21. que deve contar com recursos humanos e financeiros para suprir as necessidades de implementação do processo. Esta secretaria precisará de espaço físico. Para garantir agilidade e eficácia às resoluções do Fórum. ou seja. O plano federal define as políticas gerais e estruturantes do País elaborando diretrizes e princípios. observando as diferentes experiências de Agenda 21 no Brasil podemos identificar diferentes estágios. governos e organizações governamentais locais e regionais. ações estratégicas para a proteção do solo. O papel de cada um Alcançar as mudanças necessárias para o sucesso da Agenda 21 Local demanda a ação dos grupos e indivíduos: lares.

de assuntos específicos de cada territorialidade abordando temas cujas decisões estão em sua esfera de atuação. Democracia participativa e as lições aprendidas O avanço das práticas democráticas no Brasil. mas isso só pode ocorrer se os governos exercerem as leis de forma transparente. cria-se harmonia entre as competências e o apoio mútuo na formulação e implementação de ações para o desenvolvimento sustentável. Em última instância. é na própria democracia representativa que os segmentos não organizados da sociedade civil encontram espaço de interlocução e de expressão. os conflitos e as dissidências são formas pelas quais a liberdade se converte em liberdades públicas. A sociedade civil tem papel fundamental no monitoramento da Agenda 21 Local. a Agenda 21 Local tratará. Ainda. que teve como ponto de partida a Constituição Federal de 1988. . que inibem a criatividade e o espírito crítico. a democracia participativa. mesmo sendo um grande avanço na legitimação do processo de tomada de decisão do setor público. Negociar é assumir as diferenças e reconhecer nos conflitos de interesse a essência da experiência e dos compromissos democráticos. Observa-se que muitas instituições dos três níveis de governo estão transformando seu modelo de atuação com o objetivo de mobilizar os recursos latentes das comunidades locais e regionais. o compromisso democrático impõe a todas as etapas do processo de planejamento o fortalecimento de estruturas participativas e a negação de procedimentos autoritários. O planejamento governamental deve ser um processo de negociação permanente entre o Estado e as instituições da sociedade. Entretanto. concretas. para incorporá-los na formulação e na execução de programas e projetos de desenvolvimento. Desse modo. mantendo uma atuação ativa e crítica. Contando com a participação ativa dos parceiros. Desta forma. requerendo que as informações estejam disponíveis para análise.atendimento ao principio federativo. não pode nem deve ser considerada substituta da democracia representativa que precisa ser fortalecida e instrumentalizada. As lutas. É no Congresso Nacional que são votadas as leis do país. tem estimulado diferentes formas de participação nas políticas públicas dos segmentos organizados da sociedade civil. decisivas para a implementação do desenvolvimento sustentável. assim. a sociedade civil pode se aproximar da comunidade de forma que esta seja mais efetiva na cobrança pela implementação das ações identificadas pela Agenda Local e na realização de campanhas de conscientização.

Projeto Áridas. embora haja o registro de encontros de grande consulta e participação. da implementação das ações. merecem destaque algumas lições positivas para futuras experiências de planejamento no país. tanto em termos da mobilização dos grupos sociais que serão afetados pelas políticas de desenvolvimento sustentável. ou. estados. Essas informações serão essenciais para a formulação de processos de planejamento em diferentes níveis setoriais e espaciais. pela amplitude geográfica (localidades. que continuará na fase seguinte.Não há a menor dúvida de que o processo de elaboração da Agenda 21 Brasileira é a mais ampla experiência de planejamento participativo desenvolvida no país no período posterior à Constituição Federal de 1988. Concluída tão valiosa experiência. entre os quais destacam-se: Relatório Rio-92. O significado dessa experiência se revela pela abrangência do públicoalvo (de pequenas comunidades rurais às organizações empresariais mais expressivas na formação do PIB brasileiro). tanto no que se refere à eficácia operacional como à pedagogia social: · o processo organizado. 12 Agenda brasileira Os resultados dessa experiência de planejamento participativo são relevantes. ou em mobilização de esperanças desencontradas e dispersas quanto aos objetivos de médio e longo prazo. em diretrizes isoladas de governo de uma única gestão administrativa. Um processo de planejamento participativo com o porte do realizado durante a construção da Agenda 21. quanto em termos do volume de informações coletadas. micro e macrorregiões) e pela abertura temática favorecida pelo conceito de sustentabilidade ampliada e progressiva. Agenda Positiva da Amazônia e Conferência Nacional de Ciência e Tecnologia. sistematizado e recorrente de participação nas decisões será o meio de evitar que os programas e projetos se transformem em exercício de voluntarismo tecnocrático. não pode limitar-se à consolidação de um documento sem conseqüências práticas para as políticas. até mesmo. técnicos e líderes . processadas. · a pedagogia social da participação leva setores da comunidade. programas e projetos de desenvolvimento sustentável indispensáveis à promoção das mudanças demandadas pela sociedade brasileira. analisadas e avaliadas na construção da Agenda 21 Brasileira.

o que nem sempre ocorre de forma espontânea. Como conseqüência prática. todos indispensáveis aos processos de mudança. · os inevitáveis conflitos dos programas e projetos. dos pactos e das coalizões. da negociação e da barganha. camuflando as tensões e os conflitos econômicos e . será possível garantir a canalização positiva desses conflitos de interesses na direção de soluções criativas e equânimes. interesses e capitais intangíveis. em torno de cada tema ou região. esses programas e projetos têm elevado conteúdo redistributivo e passam a ter especial importância no contexto socioeconômico do país. da discussão e do debate. ao contrário.empresariais a se mobilizar para a execução de programas e projetos de desenvolvimento sustentável. por meio da ação dialógica. em função de suas características econômicas. · as diferentes comunidades tendem a se envolver no processo de concepção e de implementação de cada programa ou projeto de desenvolvimento sustentável de forma diferente. promotoras do bem-estar social são o caminho que os três níveis de governo devem utilizar para o reencontro e a articulação com os segmentos da sociedade civil nos seus processos de planejamento e de tomada de decisão. o que atrai novas vontades. É importante observar como se comportam no processo de participação. sociais e culturais. quando se tenta atenuar o elevado grau de desigualdades sociais e de desequilíbrios regionais que poderão atingir situação politicamente intolerável. 13 · as políticas de desenvolvimento sustentável. sem que se comprometa a autonomia políticoinstitucional dessas comunidades. Às vezes torna-se necessário induzir o processo naquelas situações onde as comunidades não dispõem de recursos de mobilização (especialmente sobre seus direitos de cidadão) e de familiaridade com modelos de ação coletiva organizada. são definidas as soluções mais próximas da realidade e dos meios que as organizações e as comunidades dispõem. Definição de prioridades e gestão de conflitos A Agenda 21 Brasileira não está estruturada apenas como um conjunto hierarquizado e interdependente de recomendações gerais. não serão obstáculos intransponíveis ao avanço de soluções adequadas.

mesmo que. O desconhecimento dessa realidade na formulação e na execução das políticas de desenvolvimento sustentável pode transformá-las em letra morta. no longo prazo.político-institucionais que. para aliviar as pressões de curto prazo onde predomine o cálculo econômico imediato. dentro do atual padrão de acumulação e de crescimento econômico do país. contrapondo os objetivos restritos do crescimento econômico às exigências mais amplas da sustentabilidade. para consolidálos num processo de desenvolvimento sustentável. durante a consulta nacional com freqüência surgiram conflitos e tensões políticas e sociais. Esse esclarecimento é indispensável uma vez que os planos de desenvolvimento no Brasil tendem. . o processo produtivo. Da mesma forma. irão emergir quando de sua implementação. É o princípio da progressividade atuando em favor do desenvolvimento sustentável. a pressão de grupos de interesse. em geral. pois. com grande probabilidade. a listar objetivos e diretrizes potencialmente conflitivos sem explicitar para o poder público os valores e preferências envolvidos. Experiências históricas de exploração predatória dos diferentes biomas ilustram os desafios da sustentabilidade. A Agenda 21 Brasileira procura. recomenda-se maior nitidez nas negociações de médio e longo prazo. Ao contrário. 14 A ausência de negociação no processo de planejamento leva os conflitos entre objetivos a soluções casuísticas. Historicamente. estabelecer equilíbrio negociado entre os objetivos e as estratégias das políticas ambientais e de desenvolvimento econômico e social. para que o processo de implementação se viabilize em torno das estratégias e ações propostas. As políticas de desenvolvimento sustentável nem sempre são jogos de soma positiva. da renda e da arrecadação tributária. é o mesmo que produz os benefícios do crescimento do emprego. programas e projetos de desenvolvimento socioambiental têm demonstrado menor poder de barganha. a concepção de sustentabilidade ampliada seja um jogo de soma positiva. as políticas. gerador de impactos negativos. que refletem. Nesses casos. apenas com ganhadores. e entre instituições públicas e organizações privadas. em última instância. trazendo à tona os inúmeros conflitos de interesses entre diferentes atores sociais.

distribuídos de modo adequado nas diversas instituições públicas responsáveis. · o conjunto do empresariado se posicione de forma proativa quanto às suas responsabilidades sociais e ambientais. · a sociedade seja mais participativa e que tome maior número de iniciativas próprias em favor da sustentabilidade. · as fontes possíveis de recursos financeiros sejam identificadas em favor de programas inovadores estruturantes e de alta visibilidade. políticoinstitucionais e culturais que limitam sua implementação. a Agenda 21 Brasileira apresenta experiências bem-sucedidas de políticas. em . de curto prazo. As ações prioritárias da Agenda 21 Brasileira ressaltam o seu caráter afirmativo. que são prova concreta de que o desenvolvimento sustentável está a caminho.Ações prioritárias da Agenda 21: possibilidades e restrições A Agenda 21 Brasileira é uma proposta realista e exeqüível de desenvolvimento sustentável. Entretanto. · o sistema de planejamento governamental disponha de recursos humanos qualificados. é preciso entender que esta Agenda não se resume a um conjunto de políticas imediatas. Para que essas propostas estratégicas possam ser executadas com maior eficácia e velocidade será indispensável que: · o nível de consciência ambiental e de educação para a sustentabilidade avance. para tornar realidade tantos e diversos objetivos. condizente com a legitimidade que adquiriu em virtude de ampla consulta e participação nacional. Esse compromisso político com os conceitos e as estratégias propostas poderá contribuir. em anos recentes. programas e projetos de desenvolvimento sustentável implementados em diferentes setores e regiões do país. ou de mecanismos efetivos de mercado. Ela deve introduzir. por meio de negociação entre as instituições públicas e privadas. para que sejam mais facilmente superadas as restrições à sua implantação. sejam ampliados os instrumentos de intervenção. ou ainda com as conhecidas estruturas regulatórias de comando e controle. desde que se leve em consideração às restrições econômicas. · a estrutura do sistema político nacional apresente maior grau de abertura para as políticas de redução das desigualdades e de eliminação da pobreza absoluta. Para evitar a impressão de que se está propondo à sociedade uma miríade de utopias. A Agenda 21 Brasileira sugere que. com capacidade gerencial. de forma significativa.

social e político que desempenham em sua comunidade. os obstáculos à sua execução. está em jogo a vida dos seres e da própria espécie humana (gerações futuras). que compatibilizasse as necessidades de crescimento com a redução da pobreza e a conservação ambiental. Por fim. que determina a necessidade de planejar a longo prazo. compromissos graduais de médio ou de longo prazos. a integração de toda a sociedade na construção desse futuro que desejamos ver realizado. 15 com tempo e condições para que as empresas e os agentes sociais se adaptem à nova realidade e sejam capazes de superar. mas um compromisso da sociedade em termos de escolha de cenários futuros. uma vez mais. que a Agenda 21 Brasileira não é um plano de governo. rumo ao futuro que se deseja sustentável.O desenvolvimento e a sustentabilidade ampliada e progressiva O conceito de desenvolvimento sustentável está em construção. · dimensão temporal. Seu ponto de partida foi o compromisso político. com um modelo de desenvolvimento em novas bases. onde se destaca o reconhecimento de que no almejado equilíbrio ecológico está em jogo mais que um padrão duradouro de organização da sociedade.relação às questões mais delicadas. Uma nova parceria. Esse desafio implica assumir que os princípios e premissas que devem orientar a sua implementação são ainda experimentais e dependem. permite maior sinergia em torno de um projeto nacional de desenvolvimento sustentável. Pelo menos quatro dimensões complementam a questão econômica. que induz a sociedade a compartilhar responsabilidades e decisões junto com os governos. é preciso ressaltar. Exige. rompendo . · A dimensão ética. a partir dos enunciados do Relatório Brundtland e aparecem ora isoladas. A CPDS 16 1 . de um processo social em que os atores pactuam gradativa e sucessivamente novos consensos em torno de uma Agenda possível. ora de forma combinada nas dinâmicas do processo de construção social do desenvolvimento sustentável. portanto. em nível internacional. Praticar a Agenda 21 pressupõe a tomada de consciência individual dos cidadãos sobre o papel ambiental. antes de tudo. ampliando as chances de implementação bem-sucedida. econômico. paulatinamente.

que além de prejudicial ao meio ambiente. envolve questões polêmicas e posições de princípios tão amplos quanto à tão controvertida . Progressividade não significa adiar decisões e ações vitais para a sustentabilidade. que reconhece necessária a mudança de hábitos de produção de consumo e de comportamentos. a científica e tecnológica. A Agenda 21 Brasileira consagrou o conceito de sustentabilidade ampliada e progressiva. a pobreza e as desigualdades . que expressa o consenso de que só uma sociedade sustentável menos desigual e com pluralismo político . e estabelece o princípio da precaução (adotado em várias convenções internacionais de que o Brasil é signatário e que tem. A base conceitual da Agenda 21 aponta. retirar. tornando-os administráveis no tempo e no espaço. a social. Globalização solidária e a Agenda 21 A Agenda 21 Brasileira tem compromisso com um novo paradigma de desenvolvimento que vem se delineando há décadas. a territorial. Esse modelo. e sim. em que a produção obedeça a critérios de conservação ambiental duradouros e de aperfeiçoamento progressivo nos padrões de distribuição de renda. a legitimidade de mecanismos e instrumentos que contribuem para que a economia e a sociedade permaneçam em bases insustentáveis. para a importância de se construir um programa de transição que contemple as questões centrais . · a dimensão prática. A sustentabilidade ampliada preconiza a idéia da sustentabilidade permeando todas as dimensões da vida: a econômica. exclui dos benefícios que gera grande parte da sociedade. internamente. é preciso romper o círculo vicioso da produção. já a sustentabilidade progressiva significa que não se deve aguçar os conflitos a ponto de torná-los inegociáveis. do conhecimento e dos serviços. força de lei. na passagem da sociedade industrial para a sociedade da informação.e contribua para a sustentabilidade progressiva. paulatinamente. 17 promover um círculo virtuoso. em síntese. · a dimensão social. com a ratificação pelo Congresso). portanto. de contorno ainda pouco definido. simultaneamente. É preciso. e sim.pode produzir o desenvolvimento sustentável. Para isso.reduzir a degradação do meio ambiente e. fragmentá-los em fatias menos complexas. a política e a cultural.com a lógica imediatista.

da informação e da tecnologia. mas generosa em distribuir pelo mundo. exacerbando o individualismo e o consumismo que. bem ou mal. dita as próprias regras. formalmente inaugurada em 1991 com o fim da Guerra Fria. a chamada globalização vem se construindo em torno de uma ordem mundial hierárquica e desregulada. o desemprego crescente e as zonas de pobreza. de outra forma. aproveitando de outra maneira potencialidades humanas. . baseada em valores comuns e em objetivos partilhados de integração e de expansão. de antemão. portanto. seus próprios parceiros. estariam excluídos. sociais e científicas. De igual gravidade é a imposição artificial de modos de vida e hábitos de consumo perdulários que destroem a cultura tradicional pela via das comunicações. especialmente com a sua periferia. na qual imperam o capital especulativo e os paraísos fiscais. mesmo na periferia. incorporando os países em desenvolvimento e os marginalizados que. protegiam o ser humano das incertezas da vida com modestas mas eficientes economias familiares de subsistência e de apoio social? Como conviver com a alimentação industrializada que institucionaliza a obesidade e a ‘indústria do regime' em todos os países do mundo? 18 Esses são alguns exemplos clássicos de insustentabilidade que demonstram a irracionalidade dos padrões de consumo vigentes na sociedade. é defender uma globalização solidária. da partilha das conquistas do todo da comunidade internacional. Essa ordem ou desordem. Como lidar com o volume crescente de resíduos perigosos em função do aumento vertiginoso de produtos descartáveis? Como encontrar solução para a destruição das culturas tradicionais que.‘globalização'. mudar a natureza e a direção do modelo de desenvolvimento dominante no mundo. em geral. que contrastam com as carências da maioria excluída e com as impossibilidades de uma civilização mais solidária. Favorecida pela nova tecnologia das comunicações e pela redução dos fretes que estimularam as transações nos mais diversos níveis. não têm condições de atender à maioria da população mundial. tem sido concentradora da renda e da riqueza. além das estruturas de privilégios que favorecem. por sua natureza. de alta competição que. O desafio é. a violência.

inclusão das mulheres e das crianças e. quando ao concluir a sua Agenda 21 que prevê ações e meios de implementação capazes de promover as mudanças desejadas pela sociedade brasileira. sobretudo. há vinte anos. No extremo oposto da globalização assimétrica. em Copenhague. da governança global. com os mesmos métodos participativos. o mundo não é mais o mesmo. A partir da última rodada de encontros internacionais iniciados no Rio de Janeiro e os subseqüentes em Viena. destacou-se o desenvolvimento sustentável como idéia/força propulsora de um novo desenvolvimento. irradiando o desenvolvimento sustentável e o princípio da parceria para os encontros seguintes. com determinação. Coube a cada país definir a sua própria Agenda Nacional. Essa agenda elegeu como princípios norteadores do consenso os temas: mudança de padrões de produção e consumo. Também é consenso que a retomada desse desenvolvimento deve se pautar pelo paradigma do desenvolvimento sustentável. Tendo sido concebida na primeira reunião do ciclo das grandes conferências internacionais. no Cairo. tem direção e sabe para onde ir. em Pequim e Istambul. tem sido insuficiente para garantir ao país os 19 patamares necessários de emprego e renda. na soberania e na responsabilidade comum. O reencontro com o desenvolvimento: um consenso nacional É consenso nacional que se deve retomar. uma agenda global para a humanidade. Nesse amplo painel. o combate à pobreza e à promoção dos direitos sociais. inspirado nos princípios da Carta da Terra. mas diferenciada. situa-se o esforço bemsucedido das Nações Unidas em definir. o Norte e o Sul. a Agenda 21 foi também o documento mais abrangente. os mesmos valores e princípios que nortearam o pacto global em torno do novo desenvolvimento. que aproximasse ambientalistas e desenvolvimentistas. Hoje a sociedade brasileira acredita não ser possível governar em clima de ‘populismo fiscal'. direitos humanos. finalizados com a Declaração do Milleniun. em especial. e a cooperação internacional entre os dois ‘pólos simbólicos'. da sustentabilidade e da eqüidade e. no ciclo de conferências realizadas nas duas últimas décadas. realizadas pelas Nações Unidas. um processo de desenvolvimento acelerado que. dos países que compõem a comunidade internacional. .É esse o esforço que o Brasil vem buscando empreendendo nos foros internacionais e internamente.

Esse é o sentido mais profundo da dimensão holística no novo paradigma de desenvolvimento sustentável. Não resta dúvida de que energia e esforços foram canalizados contra a desordem financeira e em favor da estabilização da economia que. além de ter enfrentado uma ordem internacional conturbada e uma retração de investimentos encontrou. em boa parte. Essa posição privilegiada garantiu à população altos índices de mobilidade social em termos comparados. Isso significa que a concepção do desenvolvimento tornou-se mais complexa e que as diferentes dimensões que o compõem comportam-se de maneira interdependente. que transcendem a economia em seu sentido estrito. muito altas. em média. tônica de nosso passado recente. quando o termo desenvolvimento praticamente se confundia com o crescimento econômico. resistência inusitada. Finda essa primeira etapa. é anseio de todos retomar o crescimento. Ao contrário do que ocorreu no passado. O desenvolvimento tem sido para nós. ambiental. Os mecanismos de recompensa gerados pela mobilidade neutralizaram. as possibilidades de receita e gasto. novas e interdependentes. o Brasil projetou sua liderança industrial entre os países de passado colonial e do então denominado Terceiro Mundo. e consolidação de doloroso ajuste em clima de negociação democrática. As dimensões social. os efeitos perversos da concentração da renda e da desigualdade social que. Por conta de muitas décadas bem-sucedidas. fato inédito na história republicana.no qual as promessas ultrapassam. crescimento esse pouco significativo quando se leva em consideração a necessidade de gerar mais empregos e menos desperdício no país. Desenvolvimento e poupança interna . por várias décadas. um encontro marcado com o destino. com diminuição da taxa de inflação. científico-tecnológica e cultural impregnam o paradigma de tal sorte que fica difícil até mesmo distingui-las ou precisar entre elas a mais relevante. principalmente nos grupos domésticos dependentes da correção monetária. hoje a mesma palavra designa um conjunto de variáveis. político-institucional. A tão esperada retomada do desenvolvimento somente poderá ocorrer à medida que certo número de novos requisitos. vocação histórica. convergentes. mas que se limitou a 8% na década de 1990. seja atendido. de forma exagerada. passaram despercebidos para a maioria da sociedade brasileira. de crescimento quase ininterrupto a taxas. brasileiros.

se confunde com ‘desenvolvimento sustentável'. O desenvolvimento sustentável deve ser entendido como um conjunto de mudanças estruturais articuladas. combatendo o consumo supérfluo. o capital produtivo e o financeiro precisam caminhar de mãos dadas com o capital natural. o capital humano é o motor de um sistema que se retroalimenta. além disso. serviços e conhecimento. Ao mesmo tempo. por meio da expansão do mercado interno e do nível e qualidade do emprego. freqüentemente. Na nova sociedade. é fundamental também cuidar da pauta de importações. pode reduzir a dependência excessiva do capital externo e ampliar a capacidade de poupança do país. sem diminuir o esforço de exportação.20 É preciso conceder especial atenção ao crescimento do mercado interno que. consolidado pelo controle da dívida. de informação. A inclusão social e o empreendedorismo Existe um consenso nacional quanto à importância que deve ser atribuída à redução das . em clima previsível de crescimento com estabilidade. gerador e distribuidor de riquezas. cenário da Agenda 21. que é apenas uma dimensão relevante da macroeconomia e pré-condição para a continuidade do crescimento. daqui para frente. todos pré-requisitos indispensáveis ao fortalecimento democrático e à construção da cidadania. oferece e apresenta uma perspectiva mais abrangente do que o desenvolvimento sustentado. Desenvolvimento sustentado e desenvolvimento sustentável O desenvolvimento conquistado nos últimos dez anos precisa vigorar. tendo em vista a redução do estoque de recursos naturais no último século e suas conseqüências ecológicas de médio e longo prazos. comunicação. indispensáveis para se atingir novo patamar de crescimento. dentro do novo modelo da sociedade da informação e do conhecimento. a responsabilidade fiscal e o equilíbrio orçamentário e financeiro. designou-se o termo já em desuso de ‘desenvolvimento sustentado' que. que internalizam a dimensão da sustentabilidade nos diversos níveis. o humano e o social. O aumento da produtividade que vem ocorrendo em dimensões expressivas é fator decisivo que permitirá maior ousadia nas políticas de distribuição de renda e de erradicação da miséria absoluta. contribuindo para o equilíbrio da balança de pagamentos. com velocidade inusitada. Da mesma forma. A esse conjunto de medidas restritivas.

pequenos e médios produtores e empresários rurais e urbanos que. capazes de gerar serviços. informações. Políticas deliberadas de inclusão social devem estar voltadas para as origens e os focos da desigualdade e da pobreza. .) e sim para as mesorregiões ou microrregiões menores. Os mecanismos de inclusão devem ser concretizados por meio da flexibilização e ampliação do sistema oficial de crédito. Amazônia. inventar. cultural e científico-tecnológica. conhecimentos e bens tangíveis e intangíveis. 30% da população brasileira vivem na linha da pobreza. e o tratamento particularizado para a agricultura familiar e os micro. o novo modelo de desenvolvimento advoga o fortalecimento do empreendedorismo na economia brasileira. precisamos incorporar ao desenvolvimento nacional as chamadas ‘regiões periféricas'. dentro de certos limites. etc. um país ou uma comunidade equivalem à sua densidade educacional. Rompendo a 21 tradição de hegemonia da grande propriedade e do grande capital. e para a melhoria da qualidade das políticas sociais. capazes de produzir diagnósticos precisos sobre suas condições reais e suas oportunidades de alavancar o desenvolvimento. é necessário o desenvolvimento de políticas compatíveis com as necessidades e demandas desse segmento. Devemos de forma mais audaciosa e persistente combater as razões pelas quais fracassaram as políticas de integração regional. criar. em contraposição ao estilo até então vigente. já vem ocorrendo. a comunicação que se configuram como peças-chave na economia e na sociedade do século XXI. Uma nova concepção de desenvolvimento regional vem sendo amadurecida nos últimos anos. Portanto. No mundo pós-moderno. a informação. Valorização do capital humano.desigualdades e ao combate à pobreza nos próximos anos. alimentada pelo conhecimento. O modelo que começa a entrar em vigor deve ser concebido não mais para as grandes regiões como um todo (Nordeste. e da desburocratização dos procedimentos de legalização que tanto oneram o "custo Brasil". A nova dimensão regional do desenvolvimento Para tornar efetiva a diminuição da pobreza. do conhecimento e da qualidade de vida O capital humano é a grande âncora do desenvolvimento na sociedade de serviços. que criem as condições necessárias para inovar. exigindo modelo inovador para as agências regionais de desenvolvimento.

ciência e tecnologia. uma verdadeira revolução social de caráter participativo. Legislação. como televisão e cinema. com esforço próprio. Pesquisas de entidades governamentais e não-governamentais indicam a preocupação crescente dos brasileiros com o destino de seus recursos naturais. cujo alcance simbólico transcende a questão ambiental. e sempre em parceria com as experiências internacionais de vanguarda. Devemos registrar também o grande potencial pouco aproveitado na produção cultural. financiamento e políticas destinadas a esse fim não devem ser apenas o reconhecimento de que na área cultural decide-se o destino e a identidade dos países em uma economia cada vez 22 mais globalizada. em última instância.é compromisso de honra. a indústria da comunicação. o maior do planeta . O poder da governança e do capital social No século XXI emerge o poder transformador do capital social que. especialmente. da formação intensiva de recursos humanos que permitam a melhor qualificação gerencial do país e a retomada do desenvolvimento em patamares superiores de inovação. No entanto. Os sete grandes biomas do país antes de serem ‘patrimônios da humanidade'. valorizadas pela população e que precisam ser preservadas para as gerações futuras. renovado na Conferência de 1992. como também que é nessa área que se abrem oportunidades inéditas de fortalecimento da indústria cultural brasileira de projeção latinoamericana e internacional. aumentando o número de conselhos que se . é possível avançar no terreno da capacitação.O Brasil tem graves carências educacionais. incompatíveis com o seu patamar de desenvolvimento. sob esse aspecto. significa capacidade de gerar ações e resolver problemas a baixo custo. que representa nossa identidade e nossas raízes. É inegável que o Brasil da última década operou. a partir da ‘arte de associar'.sem dúvida. projetando-se como uma dimensão relevante da identidade nacional. são riquezas brasileiras. Conservar o patrimônio natural herdado de nossos antepassados . 23 Natureza e identidade nacional: símbolo de um compromisso A nova ordem em construção tem como um de seus fundamentos a adoção de um pacto natural que estabeleça o equilíbrio ecológico entre a ação do homem e a proteção da natureza.

dados e levantamentos necessários para tomar a decisão mais apropriada. ainda padecem de lentidão nos três níveis de governo. mas tão pouco em sua concretização. como a descentralização política e administrativa. Foram ainda aperfeiçoados os mecanismos de cooperação e de controle social do Governo. no entanto. exigem a edificação de nova ética. apoiadas no fluxo financeiro internacional e no desenvolvimento de tecnologias. Um dos mecanismos de governança mais poderosos reside hoje na cooperação (ao invés da competição) entre os três poderes. cabe investir com vigor na informação para a decisão. muito nos resta ainda a ser feito. As dificuldades se devem ao enfraquecimento do aparelho estatal e à obsolescência de uma cultura organizacional centralista e corporativa. Ética do respeito à vida: solidariedade global e pacto natural A vulnerabilidade da população e do meio ambiente e o potencial de impacto das atividades humanas. Cabe uma referência especial ao Ministério Público e ao seu papel indutor de mudanças nas práticas políticas em favor dos compromissos da Constituição de 1988. Da mesma forma. há também conquistas importantes. No entanto. Finalmente. Talvez por esta razão tenhamos avançado tanto na formulação e 24 construção do consenso em torno de novas políticas. superposições e incongruências resultantes da precariedade das análises. Tais informações irão permitir melhor acompanhamento das ações públicas relevantes. que não dispõe de instrumentos adequados.introduziram em todas as esferas de políticas públicas. em especial as relativas à Agenda 21 Brasileira. o desenvolvimento sustentável é uma proposta que tem em seu horizonte a . o avanço dos consórcios e do princípio da responsabilidade fiscal. No domínio mais amplo do que se denomina hoje governança. Estenderam-se as parcerias que. é também na área da governança que se concentram nossos mais graves problemas gerenciais que dificultam o caminho da sustentabilidade. visto que nosso processo decisório contém imperfeições. em virtude de uma forte tradição clientelista e corporativa em detrimento de nossa capacidade associativa. No entanto. Nessa perspectiva. inclusive no orçamento. ampliou-se o número e a força do terceiro setor como parceiro privilegiado da esfera governamental e das empresas e como expressão de uma sociedade autônoma. capaz de contribuir para a perenização da vida.

estão em descompasso com o horizonte de possibilidades abertas pelas descobertas científicas. impregnando os meios de 25 comunicação e influenciando jovens e crianças. refletem o consenso geral do que desejamos ver projetado para o futuro. sintetizadas pela Comissão. é essencial fortalecer os fóruns globais multilaterais para defender com vigor uma ordem global ética. econômicas e sociais. ciosas de igualdade de gênero e de justiça social. a extensão da violência como estilo de vida. culturais. adiadas até então. generalizada desconfiança da política. O individualismo exacerbado. nas empresas e. estiver gravemente comprometida. O conceito de sustentabilidade remete a uma reforma radical nas noções de eficácia e de racionalidade econômica e nos obriga a considerar outras dimensões culturais. pacífica e justa. Nesse contexto. no Brasil e no mundo. Parceiros e cúmplices do desenvolvimento sustentável Nesse longo percurso que é a construção do desenvolvimento sustentável. Questionar a ‘ética do resultado' como fim último a ser obtido pelas sociedades é prioridade máxima que exige o fortalecimento dos valores morais em todos os domínios da vida social. o poder e a influência do dinheiro. . o que significa incorporar ao ‘mundo da necessidade' o novo compromisso com a promoção da vida. na política. destinam-se as grandes mudanças que. sobretudo. expectativas difusas em favor de grandes mudanças éticas. Existem de fato. nacionais e mundiais. cabe um papel especial às mulheres.modernidade ética e não apenas a modernidade técnica. na família. éticas e simbólicas uma vez que a atividade econômica não se desenvolverá sustentavelmente se a natureza. fruto das desilusões que decorrem da decadência da velha sociedade industrial e da ausência de solidariedade e ética no trato do interesse público. pela revolução tecnológica e pelas novas oportunidades que se descortinam com o aumento da produtividade e do tempo de lazer. que lhe abastece de recursos materiais e energéticos. as desigualdades crescentes. solidária. Aos jovens e às crianças. tendo em vista o aperfeiçoamento democrático. que reduza os profundos desequilíbrios e desigualdades entre as nações e que seja capaz de pautar-se por valores humanos de diversidade cultural e étnica e de cooperação inspirada no respeito aos direitos humanos. É inevitável constatar que existe hoje. na escola.

(caboclos. 26 A incorporação de novos atores é a marca registrada da Agenda 21. possibilitada pela rede de organizações não-governamentais e pela mídia. em favor dos que não têm voz. a federação inovadora que o Brasil vem construindo. a todos os que sobreviveram às devastações ambientais e culturais do século XX. tanto na área de pesquisas e estudos. da cultura e do conhecimento. À criatividade da ciência. aos povos indígenas. da eqüidade e da justiça. incansáveis. que lhes dá e a nós. Aos ambientalistas e aos movimentos sociais que. militam em favor das causas mais difíceis da sustentabilidade. entre outros). sustento. o da execução de projetos. de tradição sindical e associativa. compreenderam o sentido histórico da Conferência de 1992. pescadores. A sustentabilidade da Agenda 21 é plural nos seus objetivos e nos seus protagonistas. Ao poder local que anima e preside "as boas práticas do desenvolvimento sustentável" e aos governos federal e estaduais que simbolizam. Finalmente. preservando a sabedoria dos valores recebidos que são patrimônio inestimável hoje e para o futuro. que contribuem para disseminar as novas práticas de desenvolvimento sustentável. como parceiros do desenvolvimento sustentável. que cedo. erros políticos e cumplicidades equivocadas.Contexto internacional e o cenário atual do país . a sustentabilidade exige uma dimensão comunicativa. nem motivação ou conhecimento. 27 2 . aos trabalhadores urbanos. mas afetados pela automação e desemprego. que identifica ampla gama de segmentos antes excluídos do desenvolvimento.Referência deve ser feita às populações tradicionais. quilombolas. aos trabalhadores rurais em sua longa luta pela posse da terra. quanto no plano prático. de inovar e de realizar dos empresários brasileiros. Nenhuma transformação importante poderá ocorrer sem a arte de identificar oportunidades. que batalham pela sobrevivência em situações adversas. sempre em busca do fortalecimento da identidade e da integração nacional. representada pela comunidade científica e cultural e por sua contribuição notável. denunciando fatos ignorados. Aos pequenos produtores e empresários. junto com o município.

Uma revolução nos negócios econômicos internacionais ocorreu na medida que as empresas multinacionais e os investimentos externos diretos tiveram um impacto profundo em quase todos os aspectos da economia mundial. As barreiras econômicas caíram significativamente devido às sucessivas rodadas de negociações do comércio internacional e aos acordos de integração regional (OMC. A desregulamentação financeira e a criação de novos . · as novas responsabilidades assumidas pelas organizações nãogovernamentais quanto às questões sociais e ambientais. · a redefinição do papel do estado nas economias de mercado. · a ênfase no conhecimento como um fator de produção e a importância de investimentos na criação do conhecimento e nas atividades de pesquisa e desenvolvimento. · o novo padrão demográfico do Brasil e suas conseqüências econômicas e sociais. de novos processos tecnológicos e de novas técnicas de gestão. com o risco de se minimizarem a concepção e a implementação de políticas ativas de desenvolvimento sustentável. com suas pressões diretas e indiretas sobre a base dos recursos naturais dos países em desenvolvimento e sua propensão a amplificar as assimetrias sociais e espaciais de desenvolvimento. como forma de gerar maior grau de liberdade para a conquista da sustentabilidade. para melhor qualificar o contexto contemporâneo em que irão se inserir as políticas de desenvolvimento sustentável no nosso país. · a consolidação da terceira revolução científica e tecnológica. Nafta. com profundas mudanças nas características de novos produtos. Avanços tecnológicos nos sistemas de comunicação e de transporte reduziram custos de acessibilidade e estimularam fortemente a expansão do comércio. Merecem especial ênfase por causa de suas implicações para a sustentabilidade: · o processo de globalização econômica e financeira. Mercosul). ocorridas nas últimas décadas. Globalização econômica e financeira e a terceira revolução industrial Nas três últimas décadas ocorreu um avanço do processo de globalização econômica e financeira.A Agenda 21 Brasileira deve estar em sintonia com as grandes transformações econômicas. sociais e tecnológicas no mundo e no Brasil.

ampliou os fluxos de comércio internacional que. Nessas mudanças destacam-se as seguintes tendências: · maior intensidade de informações. onde eficiência e produtividade não estão necessariamente vinculadas às economias de escala na produção em massa. · maior flexibilidade nos processos de produção. em vez da intensidade em materiais e energia que predominam nos sistemas produtivos tradicionais.instrumentos financeiros. b) a possibilidade de que venha a se aprofundar a reprodução das desigualdades sociais e os desequilíbrios regionais de desenvolvimento. 28 Atualmente. conjugados com a maior abertura externa das economias nacionais. para atender às exigências da nova divisão internacional do trabalho. em muitos aspectos. tais como os derivativos. as finanças internacionais tornaram-se a dimensão mais instável da economia capitalista globalizada. nos processos tecnológicos e nas técnicas de gestão. altamente voláteis e especulativos.5 trilhões de compras e vendas de ativos financeiros contra apenas US$ 25 bilhões de comércio. A forma de inserção das economias em desenvolvimento nesse processo de globalização coloca duas questões fundamentais para a construção da Agenda 21: a) os impactos sobre a intensidade e o modo de exploração de recursos naturais. Esses impactos são particularmente intensos nas micro e pequenas empresas brasileiras. resultante dos impactos multifacetados da terceira revolução científica e tecnológica. · nova eficiência organizacional. A redução do tempo e do espaço. impuseram a necessidade de reestruturação das empresas e das organizações para enfrentar os desafios da integração competitiva. por dia. renováveis e não-renováveis. contribuíram para a formação de um sistema financeiro internacional mais integrado. além dos avanços tecnológicos nas comunicações. com maior ênfase à configuração de sistemas do que à automação. Cenário atual do Brasil . A consolidação da terceira revolução industrial provocou profundas mudanças na produção. as transações financeiras internacionais superaram as transações de bens e serviços: US$ 1. Como muitos desses fluxos financeiros são de curto prazo. com implicações fundamentais para as estruturas de mercado e modelos da organização empresarial e suas tendências locacionais.

mais aberta. na formulação e na implementação de políticas sociais compensatórias. Não resta dúvida de que a reforma do Estado tem se constituído em um vigoroso evento portador de mudanças no Brasil. A economia brasileira tornou-se. assim como no esforço de contenção dos processos inflacionários em cada país latino-americano. portanto. mas também para: · coordenar o processo de desenvolvimento nacional. das desregulamentações adotadas particularmente nas relações de comércio internacional e da integração na união alfandegária do Mercosul. · articular programas de geração de emprego e renda. é de natureza macroeconômica. de natureza microeconômica e se realiza pela reestruturação organizacional das empresas privatizadas e pelos investimentos de modernização para sua competitividade dinâmica. a uma profunda mudança no papel do Estado na economia.Em todos os países da América Latina. atualmente. por meio de mecanismos de intervenção indireta e de planejamento indicativo. menos regulamentada. em primeira instância. das concessões de serviços públicos. No caso específico do processo de privatização. não apenas para garantir a oferta dos serviços públicos tradicionais. Em função dos processos de privatizações iniciados na última 29 década. mais privatizada e. . · promover melhor distribuição da renda e da riqueza. o impacto das vendas das empresas estatais. mais propensa ao crescimento sustentado. por meio de políticas sociais compensatórias. com os recursos obtidos sendo dirigidos para a redução do desequilíbrio das contas públicas e para financiar o déficit em conta corrente quando houver significativa participação do capital estrangeiro nesse processo. autorizadas a partir dos três últimos anos. contudo. em sua tríplice função alocativa. neste início de século XXI. os estados nacionais exerceram papel insubstituível na promoção do crescimento econômico. O segundo e mais duradouro impacto é. que o Brasil ainda deverá contar com o papel do Estado. É preciso enfatizar. a economia brasileira passou a dispor de melhores condições institucionais e oportunidades econômicas para configurar um ciclo de expansão. fundamentalmente. distributiva e de estabilização. ao longo dos próximos anos. assiste-se. Durante quase todo o período do pós-guerra. pois.

pequenos produtores rurais. Além do mais. e assim deverá continuar. levando à desaceleração do ritmo de crescimento populacional. Nos últimos vinte anos ocorreram mudanças substanciais no padrão demográfico do Brasil que terão conseqüências gerais e profundas no seu processo de desenvolvimento econômico e social. conseqüentemente. Projeta-se que. segmentos seletivos da economia brasileira (pequenas e médias empresas. tem início um processo rápido e generalizado de declínio da fecundidade. · regulamentar a operação de setores estratégicos (energia elétrica. técnica e financeiramente. O novo padrão demográfico se caracteriza. com maior participação relativa dos idosos e menor participação relativa do contingente com menos de 15 anos. · atenuar os desequilíbrios regionais de desenvolvimento. para as estratégias empresariais de marketing. esse processo se estendeu a todas as classes sociais e nas diversas 30 regiões. e conseqüências específicas na dinâmica de mercados de diversos bens e serviços. Limitado inicialmente aos grupos sociais urbanos de renda mais elevada das regiões desenvolvidas. em função do declínio ainda maior da taxa de fecundidade. a população brasileira deverá se estacionar em torno de 250 milhões de habitantes. em meados deste século. No final da década de 1960. pois. · apoiar. exportações) para ampliar sua capacidade competitiva ou estabilizar sua renda. importantes mudanças de valores e de comportamentos se refletiram na estrutura e configuração da família brasileira. para as políticas sociais do Brasil e. Primeiro. telecomunicações e petróleo) para o crescimento econômico. Os relatórios de desenvolvimento humano da Organização das Nações Unidas têm destacado que são inúmeras as conseqüências desse novo padrão demográfico para o novo ciclo de crescimento econômico. a sustentabilidade ambiental e a eqüidade social. a exemplo do papel da mulher na sociedade e as repercussões sobre sua crescente participação no mercado de trabalho.· conceber e executar um conjunto de políticas econômicas que mantenham a consistência macroeconômica. por mudanças na estrutura etária. Recursos que vinham sendo . a população em idade escolar a ser atendida nos diferentes níveis de ensino vem crescendo em ritmo cada vez menor.

utilizados para a expansão da capacidade de atendimento do sistema educacional brasileiro poderão ser realocados em programas de qualidade nesse mesmo sistema. Segundo, a expansão mais lenta da população jovem, além de diminuir a pressão sobre o mercado de trabalho, oferece, também, condições mais favoráveis para uma melhor preparação técnica das pessoas antes de seu ingresso no mercado de trabalho ou no próprio local de trabalho, melhorando-se, assim, as características de qualidade da mão-de-obra, necessária para um ciclo de expansão intensivo em informação e conhecimento. Terceiro, como as pessoas idosas pertencerão a famílias cada vez menores (tendência a famílias com apenas dois filhos), poderão ter menor amparo dos filhos e parentes. Portanto, o sistema de saúde, público e privado, deverá se preparar para atender adequadamente a essa parcela crescente da população, que apresenta um quadro de morbidade bem específico e de tratamento mais caro. Finalmente, o aumento da relação entre idosos e pessoas em idade ativa, nas próximas décadas, deverá acentuar significativamente o grave desequilíbrio no sistema previdenciário brasileiro. A atual fase de transição demográfica brasileira apresenta um período crucial e de grandes oportunidades sob os mais diferentes aspectos. O caso da previdência oficial é ilustrativo e evidencia um desequilíbrio atuarial crônico, desde as mudanças ocorridas na Constituição de 1988, contribuindo para a formação do déficit do setor público consolidado no Brasil. 31 Esse déficit poderá se tornar crônico e superar 3% do PIB nos primeiros anos deste século, se as reformas institucionais não avançarem. Essas reformas, ao abrirem espaço para a ampliação da previdência complementar pelos fundos privados, poderão provocar a emergência de uma importante fonte de poupança privada no país, além de responder de forma mais eficaz às necessidades da população idosa nas próximas décadas. Assim, a redução na proporção de jovens na população total e as novas demandas geradas pelo aumento absoluto e da proporção dos idosos, sob muitos aspectos, podem se transformar numa oportunidade para formulação de estratégias de mercados do setor privado

(diferenciação e diversificação dos produtos de consumo, planos de saúde, previdência complementar, medicina geriátrica) e num desafio para a reestruturação dos gastos públicos, envolvendo o redimensionamento, para cima ou para baixo, de programas de assistência à maternidade, de creches, de qualificação da mão-de-obra, de saúde da terceira idade e de qualidade total no ensino fundamental. Da mesma forma, mudanças de valores e de comportamento na estrutura da família brasileira, maior participação das mulheres na composição do orçamento doméstico e controle sobre o número preferencial de filhos certamente irão transformar as relações de mercado. Uma escolha entre os futuros possíveis As novas idéias que procuram explicar por que alguns países e regiões crescem e se desenvolvem mais rapidamente do que os demais, enfatizam o conhecimento e o investimento em atividades de pesquisa e desenvolvimento como fatores fundamentais. Pessoas qualificadas são indispensáveis para a criação de novas idéias, produtos e processos tecnológicos e para operar e manter equipamentos mais complexos, com eficiência. O capital humano e as habilidades de um país ou região determinam o seu crescimento econômico no longo prazo e suas chances de transformar esse crescimento em processos de desenvolvimento. Com a globalização econômica e financeira, tornou-se evidente que os diferenciais de competitividade dependem, em grande parte, da quantidade de recursos que cada nível de governo e o setor produtivo nacional estão propensos a alocar em conhecimento e pesquisa e na eficácia de sua utilização. Entre as muitas megatendências mundiais, é importante lembrar as novas responsabilidades que vêm sendo assumidas pelas organizações empresariais quanto às condições sociais e ambientais nas regiões e países em que se localizam para a promoção do seu crescimento. O crescimento econômico é desejável porque ele traz mais empregos, mais renda, mais bens e serviços à população. Quanto mais rápido o ritmo do crescimento, maiores as chances de incluir um número maior de famílias nos padrões civilizados de consumo privado e público. 32 O crescimento econômico é, no entanto, uma condição necessária, mas não suficiente para o desenvolvimento sustentável.

Assim, a sociedade brasileira terá que realizar uma escolha entre os futuros possíveis, a partir das tendências e oportunidades no seu ambiente interno e externo. Mantidas as atuais características do padrão de crescimento econômico e de acumulação de capital no país, o cenário tendencial de evolução dos indicadores de desenvolvimento sustentável poderá vir a ser de crescente deterioração, uma vez que: · a crise fiscal e financeira dos três níveis de governo é um fator impeditivo da maior eficácia dos órgãos públicos que formulam, implementam e controlam as políticas de desenvolvimento sustentável; · existem componentes autônomos nos processos de decisões descentralizadas de produção e de consumo nas diversas regiões do país, decorrentes de fatores econômicos e culturais, que continuam resultando em deterioração do seu capital natural e em reforço dos mecanismos sociais de reprodução da pobreza; · é lento o avanço dos programas de educação ambiental que poderiam contribuir para alterar o quadro atual de deterioração ambiental; · a ausência de um efetivo sistema nacional de planejamento no país dificulta a inserção das questões de desenvolvimento sustentável na agenda de prioridades do Governo Federal; · ainda é pouco expressivo o volume de recursos públicos e privados que vêm sendo alocados no desenvolvimento científico e tecnológico para enfrentar as questões de desenvolvimento sustentável no Brasil. As chances de execução de políticas de desenvolvimento sustentável no Brasil dependem, em grande parte, da alteração desse quadro. A Agenda 21 Brasileira se apresenta como uma alternativa de futuro possível e desejável definida por ampla parcela dos atores sociais brasileiros envolvidos em seu processo de construção. 33 3 - Plataforma das 21 ações prioritárias A economia da poupança na sociedade do conhecimento Objetivo 1 Produção e consumo sustentáveis contra a cultura do desperdício Vivemos vinte e quatro horas por dia na cultura do desperdício, decorrente tanto dos novos hábitos, quanto de velhas práticas de uma sociedade tradicional acostumada à fartura dos recursos naturais e a hábitos ingênuos de generosidade e esbanjamento. Exigir contenção e sobriedade de nossas elites, aí incluindo a alta classe média, é tão

importante quanto superar o paradoxo que envolve os mais pobres: muitas vezes, falta comida na mesa, mas mesmo na pobreza, o desperdício continua. A solução para esse e outros problemas semelhantes é mudar os padrões de consumo e combater a cultura do desperdício. O gasto desnecessário com embalagens, a poluição por objetos descartáveis e a geração de quantidades exageradas de lixo estão entre as conseqüências perniciosas dos modelos de consumo adotados no Brasil, copiados de países mais desenvolvidos, mas também herdado da sociedade colonial e escravista. Existem dois aspectos distintos a serem tratados no combate ao desperdício. A mudança dos padrões de consumo, que é, em última instância, uma mudança de cultura e a destinação dos resíduos. O combate ao desperdício ainda durante o processo produtivo, pela adoção de tecnologias menos intensivas em energia e que requeiram menos matérias-primas. A construção civil é um segmento que tem muito a contribuir, como, por exemplo, buscando alternativas para o desperdício praticado nos canteiros de obras. Não é preciso, porém, esperar pelas mudanças culturais, naturalmente lentas. É dever das autoridades e dos meios de comunicação, manter a população consciente das conseqüências do desperdício e não apelar à economia apenas em situação de crise, como aconteceu em 2001, durante a escassez de hidreletricidade. A cultura da poupança deve ser construída pela boa informação.Uma população consciente forçará as empresas a mudar seus métodos e processos, e até mesmo seu marketing, como já pode ser observado com a valorização do chamado consumo sustentável. 34 Ações e recomendações · Desencadear uma campanha nacional contra o desperdício envolvendo os três níveis de governo, as empresas, a mídia, o terceiro setor e as lideranças comunitárias para tomada de consciência e mudança de hábitos. · Mobilizar os meios de comunicação - televisão, rádio e jornal - para serem usados em seu papel relevante de pedagogia social. Enquanto concessão de interesse público, devem em seus horários obrigatórios de veiculação de informação de interesse social, produzir campanhas voluntárias de esclarecimento, gerando notícias capazes de

conscientizar a opinião pública sobre a necessária mudança de comportamentos. · Iniciar com uma campanha contra o desperdício de água e energia, que deve adquirir feição específica e diferenciada para as diferentes regiões brasileiras, bem como para os diferentes setores produtivos. · Promover a cultura da poupança para a produção de bens e serviços, públicos e privados, evitando a superposição de ações, a irracionalidade dos procedimentos e os gastos supérfluos. · Estimular a simplificação das embalagens e restringir a produção de descartáveis garantindo ao consumidor a disponibilidade de produtos em embalagens retornáveis e/ou reaproveitáveis. · Definir uma legislação de resíduos sólidos, com claras definições de obrigações e responsabilidades para os diferentes atores sociais, com base no reaproveitamento e na redução da geração de lixo. · Divulgar experiências inovadoras para que, em nível local, se adotem formas criativas de destinação dos resíduos. Divulgar catálogos de tecnologias apropriadas e disponibilizá-las, aos municípios brasileiros, para evitar investimento em caras e inadequadas usinas de lixo, freqüentemente desativadas. · Estimular o combate ao desperdício na construção civil pela adoção de tecnologias adequadas que promovam a segurança do trabalhador. Objetivo 2 Ecoeficiência e responsabilidade social das empresas No Brasil foi surpreendente a assimilação dos desafios e compromissos registrados na Conferência de 1992, pelos empresários. Criou-se uma posição proativa de resolver problemas e encontrar soluções, seja adotando novas tecnologias menos poluidoras, seja aperfeiçoando o modelo de gestão empresarial. O espírito prático desse empresariado assimilou a idéia de que a ecoeficiência e o meio ambiente, ao invés de atrapalhar a atividade produtiva, em realidade contribui para a criação de 35 resultados positivos. Preparar as empresas brasileiras para competir internacionalmente em condições ideais de ecoeficiência e responsabilidade social é condição necessária à expansão e internacionalização de seus negócios em ambiente competitivo com os padrões hoje vigentes.

O comprometimento das empresas com a sustentabilidade inicia-se pelo cumprimento das exigências da legislação ambiental, passando por programas internos de conscientização e de adoção de normas voluntárias, os quais, por serem endógenos e espontâneos, tendem a ser mais eficiente e, portanto, devem ser estimulados. Tais compromissos contribuem para melhorar a imagem da empresa, além de aumentar a produtividade e a competitividade, com a incorporação de novos instrumentos de gestão e novas tecnologias, mais avançadas. É preciso ter em mente que a ecoeficiência nas empresas tem como principal ponto de referência as multinacionais e as estatais ou ex-estatais, cujos tamanho e importância justificam a adoção de práticas exemplares que divulgam e dão prestígio nacional e internacional. As micro, pequenas e médias empresas encontram dificuldades para enfrentar o desafio da ecoeficiência. No entanto, por serem agentes multiplicadores, precisam encontrar soluções tecnológicas e gerenciais acessíveis. Nesse sentido, a promoção do arranjo de sistemas produtivos locais com competitividade sistêmica tem se mostrado uma prática exitosa em várias regiões do país. O maior desafio da gestão ambiental é levar em conta a diversidade de situações que as empresas enfrentam, em função do tipo de atividade que exercem e do tipo de impacto que produzem. Ações e recomendações · Criar condições para que as empresas brasileiras adotem os princípios de ecoeficiência e de responsabilidade social, que aumentam a eficiência pela incorporação de valores éticos e culturais ao processo de decisão. · Promover parcerias entre empresas de diferentes portes como forma de disseminar o acesso aos padrões de qualidade dos mercados nacional e internacional. As parcerias implicam cooperação tecnológica e transferência de tecnologia, para a produção mais limpa. · Promover parcerias entre as grandes, médias e pequenas empresas para a difusão do conceito de ecoeficiência, como sinônimo de aumento da rentabilidade, para a redução de gastos de energia, água e outros recursos e insumos de produção. 36 · Incentivar a ecoeficiência empresarial por meio dos mecanismos de certificação, em

complementação aos instrumentos tradicionais de comando e controle. Cada empresa deve ser, voluntariamente, um agente de controle ambiental. · Estimular a criação de centros de produção mais limpa e de energia renovável. · Adotar os procedimentos adequados para minimizar efeitos adversos na saúde e no meio ambiente com a utilização de: i) desenvolvimento de padrões mais seguros de embalagem e rotulagem; ii) consideração dos conceitos de ciclo de vida dos produtos pelo uso de sistemas de gestão ambiental, técnicas de produção mais limpa e sistema de gerenciamento de resíduos; e iii) desenvolvimento de procedimentos voluntários de auto-avaliação, monitoramento e relatórios de desempenho e medidas corretivas. · Promover a recuperação do passivo ambiental das empresas por meio de termos de ajuste de conduta, nos quais fiquem claramente estabelecidos os compromissos sobre as técnicas de recuperação, os investimentos alocados e os cronogramas de execução. · Facilitar o acesso a financiamentos às micro e pequenas empresas pelos bancos oficiais e agências de fomento de caráter nacional, regional e local, para a busca criativa de novas soluções técnicas e gerenciais visando à produção sustentável. · Prover a capacitação, a conscientização e a educação dos empregados, para que eles se tornem agentes promotores da ecoeficiência em suas empresas. · Difundir amplamente a Convenção Quadro de Mudança do Clima e o Protocolo de Quioto, especialmente o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, para que, as micro, pequenas e médias empresas possam se beneficiar com recursos de projetos de redução de emissões de gases de efeito estufa e de seqüestro de carbono. · Promover parcerias entre as universidades, institutos de pesquisas, órgãos governamentais, sociedade civil e as empresas. · Integrar as empresas brasileiras à ação internacional pelo desenvolvimento sustentável, criando oportunidades de negócios favoráveis ao seu crescimento e sua inovação. Objetivo 3 Retomada do planejamento estratégico, infra-estrutura e integração regional O papel da infra-estrutura na promoção do desenvolvimento sustentável é o de criar as précondições

para o desenvolvimento econômico e prover bens e serviços essenciais à melhoria da qualidade de vida da população, viabilizando maior inclusão nos circuitos de produção, cidadania e consumo, para proporcionar acesso equânime às oportunidades no espaço nacional e internacional. 37 Deve ser indutora da integração nacional e regional e facilitadora da redução das desigualdades regionais e sociais, sendo este um dos objetivos centrais do desenvolvimento sustentável. Cabe ao Estado promover a integração e criar condições de coordenação das ações públicas, governamentais e não-governamentais que garantam a ação sistêmica entre os diferentes setores da infra-estrutura, por meio da definição de estratégias integradoras das ações, do ponto de vista econômico-social e de utilização dos recursos naturais, nas decisões que envolvam a expansão e a modernização dos serviços, planejamento, operação e fiscalização. No campo da infra-estrutura existe uma ausência de visão sistêmica decorrente da falta de um projeto nacional de desenvolvimento sustentável. O sistema está hoje pautado, sobretudo, pelo crescimento do mercado onde este se encontra, o que significa que a relação entre produção de serviços e desenvolvimento sustentável, que segue outra lógica, pode estar ameaçada. Muitas das questões da infra-estrutura requerem uma coordenação supra-setorial para captar externalidades, articular sinergias, coibir interações perversas e dar solução comum a problemas de financiamento, planejamento, tecnologia, montagem de sistemas de informação para gestão, controle, fiscalização e o uso mais adequado e sustentável dos recursos naturais. Os níveis do avanço institucional e do marco regulatório são muito diferentes, dependendo do setor de infra-estrutura considerado, sendo mais avançado nos setores de energia e comunicações, e ainda embrionário no setor de transportes de carga e urbanos. Em conseqüência, são muitos os vazios institucionais e as disfunções que precisam ser corrigidos. A regulação exige estudos prévios, já realizados nos setores de energia e comunicações, e que orientaram a regulação setorial, mas ainda não realizados, inteiramente, nos setores de transportes de carga e urbanos. No plano da gestão, o desempenho dos diversos órgãos é bem variável. A tendência geral tem

sido a da terceirização dos serviços. O grande problema é que essa terceirização não se tem feito acompanhar por reformas administrativo-institucionais para um gerenciamento eficiente dos serviços contratados, de forma que sua eficiência não está garantida. Do ponto de vista ambiental, têm-se verificado avanços no trato das questões, mas a postura dos órgãos tem sido mais reativa do que proativa. Ações e recomendações · Integrar o planejamento regional como parte explícita do planejamento para o desenvolvimento sustentável do país, visando à redução das desigualdades regionais e 38 intra-regionais, e integrando programas e projetos, às diretrizes e aos parâmetros de âmbito nacional. · Planejar a infra-estrutura de forma integrada, dentro das diretrizes que compatibilizem a vocação exportadora com os interesses do mercado interno, em função da promoção do desenvolvimento sustentável orientado para a integração nacional. · Efetuar uma avaliação crítica das políticas regionais, inclusive dos incentivos fiscais, em execução no Brasil, com o objetivo de adaptá-las a planos coerentes de desenvolvimento sustentável dentro de uma lógica microrregional ou mesorregional. · Implantar projetos de infra-estrutura levando em conta as especificidades potencialidades e fragilidades - do território, evitando impactos ambientais negativos mediante adoção de alternativas tecnologicamente mais sustentáveis. · Reforçar o papel do planejamento de longo prazo da infra-estrutura, indicando as instâncias executivas responsáveis por planejamento, regulação, etc. · Instituir mecanismos que garantam transparência na contabilidade ambiental de projetos de infra-estrutura, pela apropriação de seus custos diretos e indiretos, correntes e de capital, passados e futuros, neles incluindo os passivos ambientais. · Priorizar o aumento da eficiência e da conservação de energia, a promoção da intermodalidade no transporte, o planejamento integrado do transporte interestadual e urbano. · Promover a universalização do acesso a energia e comunicação como forma de aplicação do princípio da sustentabilidade na promoção da infraestrutura. · Incorporar a dimensão ambiental nos processos de elaboração de planos e projetos,

· Respeitar. bem como programas destinados à segurança rodoviária e à redução de acidentes. garantindo a transparência das ações e dos custos envolvidos. altamente poluentes e não-renováveis e que são hoje os grandes responsáveis pelo efeito estufa. Nos últimos duzentos anos. o princípio constitucional da subsidiariedade. para discutir e avaliar a forma de adequar os fundos regionais para serem gerenciados pelas novas agências. · Implementar a interligação entre os macroeixos de integração e de desenvolvimento de forma a fortalecer seu papel indutor de desenvolvimento e impedir a fragmentação econômica. É pela capacidade de gerar e consumir energia que se mede o nível de progresso técnico de uma civilização. . estaduais. bem como da relação entre o público e o privado. permitindo inclusive a participação dos cidadãos no processo de acompanhamento e controle. evitando a repetição de experiências negativas e de erros de planejamento urbano observados no desenvolvimento das metrópoles. entidades de desenvolvimento regional. Objetivo 4 Energia renovável e a biomassa A energia é o fator essencial de promoção do desenvolvimento. · Elaborar um plano diretor nacional de transporte de passageiros a longa distância. para a viabilidade de programas e projetos de criação e desenvolvimento dos transportes ferroviário e marítimo de passageiros. federais e representantes da sociedade civil. o desenvolvimento industrial teve como fonte de energia básica o carvão e o petróleo. · Criar um fórum nacional com ampla participação das agências regionais de desenvolvimento. estaduais e municipais. · Definir com maior clareza o papel das agências reguladoras e aperfeiçoar seu poder arbitral e seus processos de regulação. órgãos municipais. não só como restrições. na reformulação do sistema institucional de incentivos fiscais. mas também como oportunidades de investimentos. social e política do espaço nacional. 39 · Criar um suporte de infra-estrutura e instrumentos de atração locacional em cidades de médio porte. as questões federativas e as atribuições regionais.em especial nos macroeixos de integração e desenvolvimento.

Ações e recomendações · Tratar como prioridade o incentivo ao uso eficiente e à conservação de energia. em combustão direta ou em gaseificação. O Brasil tem uma matriz energética eminentemente limpa. porém. é o gás natural. dependente das condições meteorológicas. Esse crescimento deve continuar considerando o potencial que existe no Brasil e sua capacidade de atender a demandas descentralizadas. essa configuração deixa o país vulnerável. de modo sustentável. a mamona e diversas espécies nativas são fontes potenciais de combustível. rejeitos de serrarias e lenha. o suprimento de energia necessário. É preciso aumentar a eficiência no seu uso e na sua conservação. É preciso considerar que a participação das fontes renováveis na oferta interna de energia. aumentar o suprimento energético em bases cada vez mais limpas. O uso de energia solar está se expandindo. em 1990. são fontes renováveis de energia e permitem dar um uso econômico a rejeitos que muitas vezes são simplesmente incinerados. O Brasil tem a valiosa experiência do Pró-Álcool. pensando sempre no atendimento das necessidades regionais e na promoção do seu desenvolvimento sustentável.Não resta dúvida de que precisamos construir urgentemente alternativas ao uso do petróleo. O biodiesel e as misturas de combustíveis. que . como se viu em 2001. no mundo. embora decrescente. Caminhamos para um modelo energético diversificado. Não basta. seja a fotovoltaica seja a solar térmica. é preciso investir nas energias renováveis. Também o dendê. No entanto. Para que não haja retrocesso na matriz energética do país. para 58% em 2000. Uma fonte 40 não-renovável. que usam derivados de soja. podem diversificar e tornar mais limpa a matriz energética brasileira. de substituição em larga escala dos derivados de petróleo. que vem contribuindo cada vez mais para a composição da matriz energética brasileira. o babaçu. A energia de biomassa a partir de bagaço de cana. O desafio que se apresenta é integrar todas essas opções para garantir. mais limpo e renovável. abundante em nosso país. único programa bemsucedido. tendo passado de 62%. no que diz respeito à eletricidade: mais de 95% dela provém de fontes hídricas. Algumas regiões do Brasil apresentam grande potencial para a produção de energia eólica e diversas empresas vêm investindo no ramo. ainda permanece alta.

podem apresentar resultados mais rápidos. entendido não como forma de dominação. médio e longo prazos. da tecnologia. · Desenvolver e incorporar tecnologias de fontes renováveis de energia. propiciando sua reconversão. permanente e transparente sobre os planos de expansão para o futuro. o ritmo com que se propagam. promovendo a universalização do acesso ao uso de energia elétrica. especialmente nas últimas décadas. mais baratos e mais racionais que o aumento da oferta. · Retomar a função de planejamento de curto. considerando sempre as disponibilidades e as necessidades regionais. por meio de um debate amplo. O racionamento imposto pela escassez de chuvas no ano de 2001 mostrou que a sociedade e as empresas estão dispostas a cooperar. · Reestruturar o Pró-Álcool e desvinculá-lo dos interesses do velho setor sucro-alcooleiro. da cultura e dos serviços. No entanto. mas como possibilidade de fazer. O que diferencia a nossa época das demais é a quantidade e a qualidade das inovações geradas. Objetivo 5 Informação e conhecimento para o desenvolvimento sustentável O conhecimento e a tecnologia têm sido o alicerce de todas as civilizações e culturas. O Brasil tem obtido resultados expressivos nas áreas científica e cultural. o que chama a atenção é . Isso significa 41 também ocupar nichos competitivos associados a oportunidades e vocações nacionais ou regionais. · Priorizar o uso de fontes alternativas renováveis. · Prover recursos financeiros e humanos para a pesquisa e desenvolvimento de opções para produção de energia renovável. notadamente no meio rural e nas localidades urbanas isoladas. e merecido especial destaque dentre os demais países em desenvolvimento. Levando em conta a universalidade do saber. Conhecimento é poder. Com o volume de conhecimento multiplicado por milhões de vezes desde a Grécia Antiga. para o setor energético. o seu valor é cada vez maior. inclusive introduzindo nas discussões a busca de alternativas sustentáveis à atual estratégia de consumo e uso de energia. é prioridade máxima inserir o Brasil na linha de frente da produção científica e tecnológica de atualidade mundial. e a forma como a sociedade as assimila no campo da ciência.

que a educação para a ciência e a tecnologia perpasse todos os níveis do ensino. O país limitou-se a absorver ou. a partir do qual é possível desenvolver pesquisas importantes. a aperfeiçoar as inovações geradas nas economias desenvolvidas. Privar alguém de conhecimento científico e tecnológico significa excluir um cidadão de um processo de amadurecimento essencial para sua evolução pessoal e sua inserção no mercado de trabalho. é preciso consolidar ilhas nacionais de competência que nos permitam competir com outros países de maneira crescente. mas que funciona desvinculada das necessidades do processo produtivo. estimulando. a pouca tradição das empresas brasileiras que. garantida pela mão-de-obra barata. O conhecimento científico e tecnológico é parte integrante do conhecimento do cotidiano e da formação de cidadãos. 42 . Especial atenção deve ser dada ao chamado conhecimento tradicional. Para superar tais impasses. entrando na era da globalização tecnológica. especialmente nas áreas relacionadas à biologia e à medicina. Ações e recomendações · Prover incentivos. Isso se deve. inclusive financeiros. É fundamental. inclusive por meio da mídia. · Promover a alfabetização científica e tecnológica em todos os níveis do ensino. ou seja.o fato de que produzimos mais ciência do que somos capazes de transformá-la em inovação tecnológica. publicamos mais estudos científicos de nível internacional do que registramos patentes. em alguns casos. em boa parte. Outro problema estrutural refere-se aos baixos níveis médios de educação dos trabalhadores brasileiros. para o êxito da promoção do desenvolvimento sustentável. para as pesquisas relacionadas ao desenvolvimento sustentável. a curiosidade e o desejo de saber sempre mais. pelos subsídios estatais e pela exploração predatória dos recursos naturais. especialmente nas áreas em que o Brasil já tem investido e em outras que possui vocação natural conferida por sua base de recursos naturais. no ciclo áureo do desenvolvimento nacional. não necessitaram de esforço tecnológico para assegurar sua competitividade. em parte compensada pela elevada qualificação da produção científica.

buscando associar aumento de produtividade com formas de produção apoiadas em técnicas que contemplem a conservação e a reconstituição da diversidade biológica. considerando as especificidades e necessidades regionais. · Prover mecanismos para estimular as empresas a trabalharem em parceria com . na promoção e na execução dos planos de desenvolvimento sustentável regionais. · Fortalecer os mecanismos de educação para a ciência e tecnologia e de disseminação da informação científica e tecnológica para o desenvolvimento sustentável. · Estimular a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias e práticas de produção agrícola sustentáveis. promovendo a transferência.· Assegurar a adequada formação e capacitação de recursos humanos em ciência. mesorregionais e microrregionais. · Fortalecer o desenvolvimento tecnológico e apoiar a utilização de fontes energéticas alternativas que sejam ambientalmente seguras e limpas. · Promover a geração e a disseminação de conhecimentos sobre a utilização sustentável dos recursos naturais renováveis e não-renováveis. · Prover recursos financeiros e materiais para a manutenção de pesquisadores e cientistas no Brasil. · Incorporar. · Fomentar a cooperação internacional em C&T para o desenvolvimento sustentável. promovendo integração entre os produtores do conhecimento e seus usuários. em adição aos já utilizados. nas avaliações de projetos e outras iniciativas de C&T. tais como qualidade. · Buscar maior integração entre os setores público e privado nos investimentos de P&D. assim como os fundos setoriais. buscando assegurar o uso desses recursos para o desenvolvimento de tecnologias mais limpas e poupadoras de recursos naturais. o acesso e o desenvolvimento de tecnologias limpas. relevância e mérito. tecnologia e inovação para o desenvolvimento sustentável. de forma a ampliar sua participação na matriz energética brasileira. · Democratizar a distribuição dos recursos humanos em ciência e tecnologia no espaço regional brasileiro e envolver diretamente os centros de pesquisas e as universidades. os conceitos e as diretrizes do desenvolvimento sustentável.

formação de redes de inovação. plataformas tecnológicas e a propriedade intelectual. segundo o impacto da tecnologia. afinal. arranjos locais. é o que entendemos por educação permanente. O resultado desse quadro adverso é dos mais desanimadores. material e espiritual ao longo de toda a existência. O Brasil apresenta na área educacional um atraso crônico e estrutural. · Desenvolver e implementar estratégias para a proteção efetiva dos conhecimentos tradicionais. Esse processo contínuo de aprendizado. No século XXI. uma vez que a carência de educação é considerada a principal responsável por 40% da pobreza do país1. uma vez que é a formação do ser humano que torna possível o pleno aproveitamento de suas potencialidades e do seu desenvolvimento moral. Devemos entendê-la como a dimensão mais nobre e relevante da vida. que garanta justa repartição de benefícios advindos do uso desses conhecimentos. Uma das razões pelas quais a boa formação é tão importante na sociedade e na economia moderna é que as profissões perderam sua estratificação e imobilidade e ganharam maior flexibilidade. maior deve ser o esforço dos órgãos governamentais para captar recursos privados. científica e artística será necessário para atingir desenvolvimento e melhor qualidade de vida.universidades e centros públicos de pesquisa. na forma de parcerias. vivendo no limiar de uma nova sociedade do conhecimento. prevendo mecanismos de transferência dos conhecimentos gerados para os setores público e privado e apoiando incubadoras de empresas. Apesar de alguns avanços . que sempre se renova. Como o conhecimento avança no domínio interdisciplinar. da informação e das novas descobertas. 43 Inclusão social para uma sociedade solidária Objetivo 6 Educação permanente para o trabalho e a vida A educação é uma prioridade máxima. À medida que se torna mais disseminado o conceito de responsabilidade social. com boa formação humanística. projetos cooperativos. dispor de cidadãos bem preparados e capacitados. · Contribuir para a criação de um ambiente favorável à inovação. muda o perfil do trabalho. estando em permanente remodelagem. Estamos.

O que precisa ser aferido não é o ato mecânico de ler ou escrever. como conseqüência. Na era da informação. tendo em vista a redução das desigualdades sociais que pesam ainda contra a maioria do povo brasileiro. apenas 2. profissionais e voluntárias. ou sobre como tais virtudes são essenciais para o desempenho profissional e para a vida social dos cidadãos em suas atividades públicas. acima de tudo. No entanto. mas o grau de analfabetismo funcional hoje substituído pela idéia 1 Ricardo Paes de Barros. seria inútil insistir sobre a importância da comunicação entre instituições e pessoas. Nesse período crucial. Tendo em vista a enorme importância da educação na nova sociedade. São importantes os progressos recentes que praticamente completaram a universalização do acesso à escola e ampliaram os anos de escolaridade. as condições materiais da escola e. o que se precisa garantir é a capacidade intelectual de entendimento na leitura de um jornal. passamos a considerar como ensino fundamental o ciclo de formação que se estende da pré-escola até o limiar do segundo grau. O analfabetismo funcional e o fortalecimento do ciclo básico A educação começa na mais tenra infância. sabese que apenas 42. conceitos e temas essenciais ao pleno êxito de sua alfabetização e de seu aperfeiçoamento futuro. como o aumento do número de alunos matriculados de 11% entre 1994 e 2001. especialmente no pré-escolar. A escola-cidadã contra a pedagogia da repetência A melhoria da qualidade do ensino no Brasil exige. um compromisso orientado em torno da escola e de sua importância cívica na formação das crianças e dos jovens. 44 de literamento pois.1 milhões que entraram na 1a série em 1993.6% dos alunos conseguem terminar o ensino fundamental. onde a criança se familiariza de maneira leve e descontraída com dimensões. definem-se os limites e as oportunidades da criança e do jovem para o resto de sua vida.6 milhões completaram a 8a série em 2000. no prazo correto. são ainda precários o nível de formação do professor. é fundamental observar que o conceito original de alfabetização está ultrapassado. a partir do berço e dos cuidados familiares. como demonstram os dados sobre os egressos do ano 20002.recentes. e em seguida. sua base salarial. um livro ou um manual de instrução. Sendo assim. . Ipea. 2 Dos 6. de forma oral ou escrita. a qualidade do ensino. nos primeiros anos de vida.

Nesse caso. A velha oposição entre o ensino 45 profissionalizante e o ensino humanístico deve ser resolvida.A descentralização dos recursos federais diretamente para a unidade escolar foi um avanço que precisa ser ainda mais fortalecido com escolas em tempo integral ou semi-integral. a família raramente tem possibilidades de dar apoio ao aluno nos trabalhos e na vida cotidiana da escola. de pelo menos cinco horas por dia. de professores e alunos. É preciso. Iniciativas recentes de envolvimento maior das associações de pais de alunos. Era arraigado o preconceito contra o trabalho manual. devem ser vistas como essenciais para motivar as crianças. essa é uma razão a mais para atribuir à escola um importante papel na formação geral de nossas crianças. importantes para romper o gargalo entre o ensino fundamental e o nível superior. mas esse processo deve ser submetido ao controle de qualidade. ao contrário. também. Como as mulheres entraram maciçamente no mercado de trabalho. que nosso sistema oficial sempre ignorou ou desprezou. Na classe trabalhadora. . outra deficiência estrutural do sistema educacional brasileiro. O saber prático e a educação profissional O investimento em educação exige também uma boa dose de saber prático. requer múltiplos dons e habilidades práticas que são a ferramenta necessária para atividades as mais diversas. no acompanhamento das atividades de seus filhos. deverão ter papel especial as áreas de pesquisa e de extensão que deveriam trabalhar juntas em programas de treinamento e capacitação em massa. em favor de maior autonomia e responsabilidade da vida universitária. o que agrava as distâncias sociais já nos primeiros anos de ensino. cartorial e burocratizado. excessivamente centralizador. para o seu fortalecimento e integração proativa no novo ciclo de desenvolvimento que ora se inicia. cabe recomendar a reforma do ensino superior nas universidades públicas. Avanços no ensino técnico são. havendo reconhecimento social apenas nas funções identificadas com as elites. reformular o sistema regulatório. pela via da avaliação e do acompanhamento dos resultados atingidos. valorizar os seus progressos e garantir melhores condições de ensino. também. A massificação do ensino superior se constituiu num avanço da última década. A educação moderna. Finalmente.

democratizando o SUS A origem ambiental das doenças é bem conhecida e essa relação foi sendo desvendada pelas experiências científicas que nos mostram como o ambiente natural. seus múltiplos problemas. concentrando a energia coletiva em favor de mudanças que melhorem as condições de trabalho e de ensino.Ações e recomendações: · Instituir a Agenda 21 da escola e do bairro. buscando enfrentar em cada unidade escolar. Objetivo 7 Promover a saúde e evitar a doença. videotecas. para melhoria da qualidade do ensino e aproveitamento escolar. de higiene e salubridade tanto quanto a alimentação e a segurança afetam a . com a ajuda do terceiro setor. evitando excessivas especializações funcionais e reduzir os seus custos quando e onde houver indícios de desperdício. · Incentivar a participação de pais de alunos na gerência da escola. de moradia. públicos ou privados. voltados para a capacitação em desenvolvimento sustentável. de fortalecimento da identidade cultural e de implantação de projetos de interesse local. pelas fundações privadas ou pelas empresas. · Transformar a escola em centro de excelência e cidadania. por todos os meios. · Desburocratizar a escola. estimulando seus vínculos com os projetos de desenvolvimento regional. integrandoa ao bairro e à cidade. o sistema de bolsa de estudos por mérito. 46 · Converter os campi universitários em centros de referência. · Universalizar o sistema de ensino em tempo integral e combater o analfabetismo funcional. e otimizando as boas bibliotecas. de combate à pobreza. financiado pelos governos. · Valorizar. Esses centros poderiam se converter numa rede conectando escolas próximas. ajudando no aproveitamento escolar e contribuindo para captar recursos externos. · Desenvolver planos de capacitação intensivos para qualificar professores. além da bolsa-escola e do programa de renda mínima por meio da educação. pesquisa e desenvolvimento. as condições de trabalho. o ensino profissionalizante que irá oferecer mão-de-obra qualificada para as múltiplas tarefas que se desenham na nova sociedade da informação. centros culturais e esportivos. mobilizando as universidades e os mais diversos segmentos. · Introduzir no país.

As doenças que provocam danos ou a morte (IBGE. Esse esforço de prevenção e de precaução envolve o fortalecimento das ações em defesa do consumidor e o controle dos alimentos e remédios. Dispensar os alimentos cancerígenos e abandonar o cigarro que provoca o câncer no pulmão. Finalmente. os acidentes de trânsito e com armas de fogo. ativa e produtiva. A prevenção recomenda ainda mudanças culturais de hábitos e de consumo. O atendimento universal oferecido pelo setor público para esses pacientes é altamente deficiente e precisa ser democratizado por maior oferta de serviço especializado. São. as "doenças do progresso". Como a esperança de vida cresce no Brasil e no mundo. estimuladas pelas atividades sedentárias. sobretudo das crianças e dos jovens. isto é. mas aí devemos incluir também os acidentes de trabalho.saúde. os acidentes e a violência que fazem crescer o setor de traumatologia dos hospitais brasileiros. estão as chamadas "causas externas". prolongando a vida. de fundo socioambiental. que pode reduzir tanto as doenças ligadas à pobreza quanto as que surgem sob o impacto do progresso científico e tecnológico. mas cujos resultados sobre a saúde humana são ainda ignorados. mais do que em qualquer outra. estão classificadas as doenças infecto-parasitárias. nas quais as cardiovasculares ocupam o primeiro lugar e as neoplasias. que . torna-se cada vez mais crucial que a longevidade venha acompanhada de boas condições de saúde. Essas são. de modo geral. Deve-se aplicar na área de saúde. evitar a vida sedentária. reduzindo os custos hospitalares e assegurando a qualidade de vida. o excesso de carboidratos e de açúcar. provocando a morte ou. fazendo exercícios e se alimentando de forma equilibrada é a melhor forma de garantir a saúde da maioria da população brasileira. pela alimentação excessiva que tornou a obesidade. 2001) estão classificadas em três tipos diversos: em primeiro lugar. o terceiro. o princípio ambiental da prevenção e da precaução. 47 Em segundo lugar. um problema de saúde pública. que podem ser estimuladas por campanhas de esclarecimento e por medidas concretas do setor público. as crônico-degenerativas. ao contrário. em geral. nos quais o Brasil tem as mais altas estatísticas mundiais e que levam os trabalhadores a exposições excessivas a riscos físicos e químicos.

que acompanharia o indivíduo do nascimento à morte. usar a caderneta-saúde ou seu equivalente eletrônico. prevenção e controle de doenças e de assistência integral. Ações e recomendações · Promover a elaboração da Agenda 21 dos hospitais brasileiros. no entanto. com sucesso. embora tenha conseguido. Para isso. Para corrigir tais desequilíbrios é necessário priorizar ações preventivas de promoção da saúde.são a sexta causa de óbito e que estão declinantes. dar prioridade aos investimentos públicos que eliminem essas "doenças da pobreza".especialmente as de veiculação hídrica. definindo aos poucos formas efetivas de cooperação entre o governo federal e o poder local. descentralizar os serviços para o município. sobretudo para os mais pobres. mais dependentes das políticas governamentais de vacinação em massa e de campanhas de promoção da saúde popular. A ambulância. além de programas sanitários e do saneamento básico . em detrimento de municípios e áreas mais pobres que estão excluídos da rede. teve. prosperaram os consórcios. registrando o diagnóstico médico e o seu receituário de maneira a permitir. sem dúvida. evitando a doença. embora de maneira desigual entre regiões e grupos sociais. permitindo o livre acesso aos hospitais para todos os cidadãos brasileiros. antes distribuído de forma corporativa. pólo da região. o acompanhamento médico no curso da vida. Nesse caso. um grande entrave: sufocado pelo aumento da demanda. com base em programas como dos agentes . uma vez que os municípios menores e mais pobres não têm outra escolha senão utilizar os serviços do município. Deve-se. que precisa ser corrigida é o fato de que a rede existente absorve desproporcionalmente os recursos disponíveis. Uma distorção organizacional do sistema. mas sempre limitados do ponto de vista das realizações. tendo em vista a melhoria dos seus serviços médicos e a qualidade do atendimento. que representa uma enorme evolução social. com a ajuda dos conselhos de saúde. · Intensificar e universalizar ações de promoção à saúde. nesse caso. o sistema único de saúde (SUS) foi incapaz de responder à altura das necessidades e expectativas. introduzindo consultas com hora marcada. A Constituição de 1988 universalizou o acesso ao atendimento médico. Esse fato. independentemente de sua contribuição ao sistema. é o serviço hospitalar possível.

de forma a evitar que esses fatores de risco se transformem em elementos desencadeadores de processos patológicos graves e irreversíveis. · Promover o desenvolvimento de ações educativas.48 comunitários e de saúde de família. produtos. com o fim de diagnosticar.. nível de gravidade e de especialização. uso do álcool e outras drogas. médio e longo prazos. estabelecer um sistema coerente que comece com forte política preventiva e progressivamente envolva os postos de saúde. · Priorizar como política de saúde pública as ações educativas quanto ao tabagismo. sem dúvida. solo. diabetes. dietas adequadas. Esta é. · Melhorar a rede de saúde hierarquizando o atendimento médico em função de sua complexidade. . · Aprimorar mecanismos de implementação da vigilância em saúde relacionada à qualidade de água. com a perspectiva de sua eliminação. tratar e acompanhar alunos com problemas de saúde. Essa melhora de indicadores sociais pode ser resultado de programas e ações convergentes de políticas públicas que induzam à redução da pobreza (até um salário mínimo) nos próximos dez anos. Melhorar os indicadores sociais é indispensável para o país ficar mais confortável em seu posto de uma das dez maiores economias do mundo. comportamento sexual seguro. impedindo que estes interfiram no processo de aprendizagem. para uma política integrada de redução de risco à saúde e melhoria das condições de vida da população. serviços e ambientes de trabalho. desnutrição. preventivas e curativas. Objetivo 8 Inclusão social e distribuição de renda Existe um consenso nacional quanto à importância que deve ser atribuída à redução das desigualdades sociais e ao combate à pobreza. · Ampliar as ações de detecção precoce dos problemas de saúde. direção perigosa. os hospitais de emergência e os especializados. câncer de colo de útero. partes integrantes do Sistema Único de Saúde _ SUS. garantindo condições para acompanhamento e tratamento. de forma a eliminar ou reduzir fatores de risco à saúde. · Promover a articulação entre os setores governamentais e destes com a sociedade. defeitos congênitos etc. como hipertensão. uma prioridade nacional de curto. que não pode ser postergada sob nenhum pretexto.

de forma sustentável. das entidades religiosas. ou de fronteiras com países vizinhos. propícios ao desenvolvimento de atividades produtivas e de cooperação intermunicipal ou interestadual O desafio é a implementação de ações que promovam a inserção competitiva da produção mesorregional em nível local. tendo em vista os contrastes com as áreas mais nobres do centro e a extrema precariedade das condições habitacionais e dos serviços públicos. das associações civis e de bairro. Melhorar tamanhas desproporções é dever de todos. destacam-se as Mesorregiões.No que diz respeito à distribuição de renda. e que varia de zero a um.6 atuais para 0. áreas sujeitas à estagnação econômica ou em situação de isolamento. em geral. 10% da população detêm o controle de 50% da renda. enquanto os 50% mais pobres se limitam a apenas 8%. levando-o a níveis mais aceitáveis. São. . 49 Tais proporções são eticamente inaceitáveis dentro dos padrões de justiça social que almejamos para garantir as condições mínimas de cidadania a todos os brasileiros. As carências de infra-estrutura e o precário acesso aos bens e serviços públicos é um estímulo à emigração para os centros urbanos. 3 Entre as estratégias de atuação territorial definidas no contexto da proposta da Política Nacional de Integração e de Desenvolvimento Regional do Ministério da Integração Nacional. Por outro lado. que mede o nível de distribuição da propriedade e da renda segundo padrões internacionais. dos 0.4. segundo as quais. Na periferia das regiões metropolitanas a situação de marginalidade é grave. trata-se de reduzir as desigualdades extremas entre brasileiros. isto é. é imperativo que se ampliem os recursos financeiros e humanos para programas de redução das desigualdades sociais evitando superposições e maximizando a convergência de programas complementares. que são espaços territoriais sub-nacionais de confluência entre duas ou mais unidades da federação. As mesorregiões3 pobres e as periferias metropolitanas Os focos espaciais de pobreza são áreas prioritárias de atuação e encontram-se concentrados em 17 mesorregiões pobres distribuídas nos diferentes estados. nacional e internacional. Ações e recomendações · Reduzir o Índice de Gini. Para a modificação desse quadro exige-se forte mobilização governamental e intensa participação civil no plano das organizações não-governamentais das empresas.

· Melhorar a qualidade de vida e a justiça social nas regiões metropolitanas. incentivando os pequenos e novos empreendedores. Vale do Rio Acre. especialmente transporte de massas. como áreas-foco das desigualdades sociais do país favorecendo a inserção das três mesorregiões ainda não inseridas no atual Plano Plurianual do Governo Federal. Vale do Jequitinhonha/Mucuri. especialmente em educação fundamental e no ensino médio. melhorar o atendimento integrado das demandas da população. e pelo investimento em infra-estrutura social. Bico do Papagaio. tornando-o mais acessível à maioria da população. · Universalizar as regras de acesso ao crédito. saúde e educação. Bacia do Itabapoana. Metade Sul do Rio Grande do Sul. Zona da Mata Canavieira. · Desburocratizar procedimentos que dificultam a vida e a sobrevivência do cidadão. A profissão do professor precisa ser valorizada socialmente e seu nível salarial precisa ser compatível com a sua missão social. Vale do Ribeira-Guaraqueçaba. pela democratização do acesso aos serviços públicos de qualidade. devido à sua eficácia em concentrar esforços para alcançar resultados a partir de experiências-piloto bem-sucedidas. como o da bolsaescola e de renda mínima. Reforçar iniciativas não-governamentais é. especialmente necessário. visando à melhor qualidade do ensino e seus instrumentos pedagógicos. por meio de 13 Programas de Desenvolvimento Integrado e Sustentável de Mesorregiões Diferenciadas inclusos no Avança Brasil (Alto Solimões. Entorno de Manaus Fundão da Baía de Guanabara e Cristalino). 50 · Ampliar programas governamentais nos três níveis de governo. infra-estrutura. facilitando o acesso aos serviços públicos oferecidos pelos governos. Chapada do Araripe. . Grande Fronteira do Mercosul e Chapada das Mangabeiras) e 4 Projetos criados pelo Ministério por intermédio de Portaria Ministerial (Ilhas do Baixo Amazonas. Xingó. em tais casos. ao registro civil e aos documentos oficiais que garantam a cidadania. Águas Emendadas.Essas ações vêm sendo realizadas em 17 Mesorregiões. · Adotar a gestão integrada de políticas públicas de desenvolvimento sustentável nas 17 mesorregiões já oficialmente reconhecidas. · Investir maciçamente em capital humano e em capacitação profissional. habitação.

Ações e recomendações 51 · Promover uma ampla campanha de mobilização das diferentes instituições públicas e privadas. 50% inferiores aos da população branca. isoladas ou excluídas. para crianças em estado de risco. como forma de proteção contra a marginalidade. é essa a conta feita pelos estudiosos . especialmente aquelas que desempenham hoje a função de chefes de família. jovens As desigualdades sociais incidem especialmente sobre a população negra cujos indicadores sociais são. Proteger os segmentos mais vulneráveis da população: mulheres. com poucas oportunidades. sobretudo. Outra fonte de desequilíbrio social pode ser identificada nas mulheres. · Mobilizar parcerias por meio da "responsabilidade social" das empresas. com baixo nível de renda. das drogas e de situações de risco. estímulo à cidadania e esperança no futuro. negros. do trabalho voluntário do terceiro setor e. Objetivo 9 Universalizar o saneamento ambiental protegendo o ambiente e a saúde Cada um real investido em saneamento básico propicia a economia de cinco reais em atendimento médico. propor e implementar soluções sobre o destino das "crianças de rua". · Implementar programas de treinamento e capacitação profissional para jovens articulados com programas de promoção do primeiro emprego. · Estabelecer políticas de renda mínima para mulheres chefes de família. em média. fazendo a justiça chegar ao cidadão comum e às comunidades marginalizadas. com menor valor agregado nas suas atividades. cuja taxa de desemprego é bem mais alta que a da população adulta. Com algumas pequenas variações. por meio do Juizado de Pequenas Causas.· Democratizar a justiça. · Estabelecer política de equivalência salarial entre negros e brancos. Outro vetor de desigualdades é a vulnerável população jovem. para reduzir a desigualdade de renda. que os homens. para discutir. bem como no terceiro setor. · Promover atividades de esporte e cultura e freqüência aos teatros e museus. além de ser a principal vítima da violência urbana. entendendo que o problema é de todos os brasileiros e que sua solução é de responsabilidade de toda sociedade. de políticas públicas mais eficazes.

nos próximos dez anos. não são raros os casos em que contaminam rios.Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar. é importante que dejetos de animais sejam adequadamente dispostos e/ou tratados. 57% não têm seus esgotos ligados à rede pública e 80% não têm tratamento de esgotos. também. Os corpos d'água. Na conta da falta de saneamento ambiental. eticamente é inaceitável que expressiva parcela da população brasileira não disponha de coleta de esgotos e lixo. 20% da população brasileira não é atendida por abastecimento de água. Nas zonas rurais. nas zonas rurais. especialmente os destinados à universalização do saneamento básico. o que representa mais um prejuízo econômico. deve ser incluído o custo de despoluição de rios e baías. riachos e lençóis subterrâneos de água. · Promover a universalização do acesso à água e ao esgoto. ampliando para 60% o tratamento secundário de esgoto na próxima década. Segundo dados de 1999 da PNAD . · Estimular as comunidades a fiscalizar a correta e completa execução das obras de . · Atuar em conjunto com organizações não-governamentais e governos para divulgação das boas práticas de saneamento ambiental. uma ação coordenada que ultrapasse os limites do espaço urbano. contribuindo para o surgimento de doenças de veiculação hídrica. têm sua produtividade reduzida. contaminados.do assunto para reivindicar a ampliação dos investimentos nesse setor vital para a economia e a saúde de uma nação. pela indisponibilidade. Além do mais. Torna-se necessária. portanto. seja de forma direta. diminuindo sua produtividade e sobrecarregando a rede hospitalar. 52 Ações e recomendações · Priorizar os investimentos em infra-estrutura urbana. ou pela conseqüência sobre a saúde da população. Informações seguras sobre o quadro nos resíduos sólidos e na drenagem urbana ainda se constituem num desafio para as instituições responsáveis por indicadores socioambientais. pois. Deve-se ter em mente que "universalizar o saneamento" implica divulgar técnicas e prover recursos para o abastecimento de água e a disposição de esgoto e lixo. Estimase serem necessários US$ 20 bilhões para abastecimento de água e coleta e tratamento primário e secundário de esgoto.

não só para o fortalecimento do local. · Inserir a drenagem urbana como questão de saúde pública e desenvolver programas de combate à impermeabilização excessiva do solo urbano. 53 Estratégia para a sustentabilidade urbana e rural Objetivo 10 Gestão do espaço urbano e a autoridade metropolitana A sustentabilidade das cidades tem que ser situada na conjuntura e dentro das opções de desenvolvimento nacional. em bacias hidrográficas críticas e nas baías e zonas costeiras densamente povoadas. A sua viabilidade depende da capacidade das estratégias de promoção da sustentabilidade integrarem os planos. · Priorizar a proteção dos corpos hídricos poluídos. · Divulgar técnicas seguras e higiênicas de obtenção e consumo de água na zona rural.saneamento ambiental. ou punitivas. bem como métodos corretos de disposição de esgotos e de lixo. redução de imposto predial em função da área permeável remanescente. por meio de adoção de medidas compensatórias. abrindo-lhes canais que permitam a apresentação de reclamações e a formulação de denúncias. do Tietê. projetos e ações de desenvolvimento urbano. Por outro lado é importante estabelecer a descentralização das instâncias decisórias e serviços. do São Francisco e da Baía da Guanabara. · Promover hábitos de redução do lixo e a implantação da coleta seletiva voltada para reciclagem e aproveitamento industrial. o que agrava os efeitos das enchentes nas áreas urbanas. · Adotar medidas de incentivo à redução da impermeabilização do solo das cidades. As políticas federais têm um papel indutor fundamental na promoção do desenvolvimento sustentável como um todo. causa de inundações potencialmente geradoras de doenças e deseconomias urbanas. por meio da coleta e reciclagem do lixo. em trechos das bacias do Paraíba do Sul. evitando a contaminação das águas pluviais e subterrâneas. . cobrança por impermeabilização proporcional à área impermeabilizada do imóvel. · Promover programas de geração de renda para população mais pobre dos grandes centros urbanos. promovendo o tratamento adequado em aterros sanitários. até o final desta década. · Eliminar os lixões. · Criar um sistema de saneamento ambiental no país com forte controle social. por exemplo.

A criação dessa instância não foi efetivada tendo em vista a autonomia do município. por entender que eles são mais adequados quando se verifica a necessidade de gerar recursos adicionais para promoção de projetos indutores da sustentabilidade urbana. deve-se privilegiar aqueles de natureza econômica. por lei complementar. sobretudo no que se refere aos assentamentos informais ou irregulares e às atividades industriais. se faz necessário pensar na gestão do espaço metropolitano que ainda vem reclamando por uma autoridade metropolitana de gestão. tornando-o mais ativo e promotor do desenvolvimento urbano sustentável. 54 Ações e recomendações · Promover a reforma do Estado. criando a Autoridade Metropolitana. dentro da nova filosofia do federalismo cooperativo. · Garantir a governança e a sustentabilidade das cidades. que precisa ser reparada com a regulamentação. A necessária reorientação das políticas e do desenvolvimento urbano depende radicalmente da reestruturação significativa dos sistemas de gestão municipais. A omissão das diferentes instâncias de governo em relação ao espaço metropolitano vem gerando a ingovernabilidade. a dispersão partidária e a competição que predominam entre as diferentes escalas de cidades. metropolitanos. transportes e geração de emprego e renda. significa criar uma legislação comum e consórcios participativos entre as prefeituras das regiões metropolitanas para a gestão integrada . Por fim. estaduais e federais. O desafio atual da gestão das cidades passa ainda pela busca de modelos de políticas que combinem as novas exigências da economia globalizada à regulação pública da produção da cidade e ao enfrentamento do quadro de exclusão social e de deterioração ambiental. de habitação. de modo a permitir o planejamento intersetorial e a implementação de programas conjuntos de ordenamento territorial urbano. Deve-se promover a mudança de enfoque nas políticas de desenvolvimento e de preservação do ambiente urbano.como para o incentivo da co-gestão entre os diferentes segmentos da sociedade. Entre os instrumentos de incentivo. Essa mudança deve ser operada com a substituição paulatina dos instrumentos punitivos e restritivos para os instrumentos de incentivo e negociação. Na prática. do artigo 25 da Constituição.

microrregião ou a mesma bacia hidrográfica. de parcela da valorização fundiária. · Combater a produção irregular e ilegal de lotes urbanos e o crescimento desnecessário da área de expansão urbana das cidades. pelo aproveitamento do estoque existente e recuperação das áreas centrais degradadas. 55 . novos instrumentos de ação. · Desenvolver linhas específicas para a locação social. resultante dos investimentos em infra-estrutura e melhorias urbanas. · Fortalecer a dimensão territorial no planejamento estadual. aperfeiçoando suas bases de dados sobre unidades territoriais de gestão e planejamento.de seus serviços públicos. · Implementar instrumentos de recuperação. · Implementar sistemas integrados de gestão urbana e que contemplem a descentralização e as parcerias. conforme exigência do Estatuto da Cidade que põe à disposição dos governantes e da população. · Promover o aperfeiçoamento do sistema tributário brasileiro nos três níveis de governo visando à incorporação e à viabilização de instrumentos econômicos que promovam o uso sustentável dos recursos naturais e a adoção de princípios de extrafiscalidade que estimulem ações. · Criar e/ou fortalecer órgãos de planejamento urbano e regional reforçando a dimensão ambiental em suas estruturas técnico-burocráticas. visando ampliar a oferta de alternativas habitacionais e o acesso à moradia adequada para aqueles que não têm condições de adquirir uma unidade habitacional. empreendimentos e comportamentos sustentáveis dos agentes públicos e privados. estimulando a regionalização interna dos estados federados e a cooperação entre municípios que tenham problemas urbanos e ambientais comuns por integrarem região metropolitana. visando gerar recursos para programas habitacionais e de melhorias do meio ambiente. negociação e de controle da intervenção urbana. aglomeração urbana. pela aplicação efetiva de instrumentos de regulação do solo _ urbano e rural _ e da adoção de mecanismos de controle e fiscalização eficazes. · Promover a elaboração dos planos diretores. melhorando a qualidade e a eficiência tanto institucional quanto dos serviços prestados à população. pelo Poder Público.

baseado na modernização da chamada "agricultura familiar" e nas amplas oportunidades de geração de empregos rurais nos setores terciário e secundário. uma combinação que tornaria redundante a maior parte dos quase vinte milhões de pessoas ocupadas em cinco milhões de estabelecimentos agrícolas. Milhões de candidatos à urbanização. habitação. Hoje. dos programas que vêm promovendo o acesso de trabalhadores rurais a ativos físicos essenciais _ como a propriedade da terra. onde qualquer sede de município é uma cidade e qualquer sede de distrito é uma vila. somada a uma visão exclusivamente compensatória. dando. Ele seria o custo de um tipo de progresso que não poderia fugir à proliferação das favelas e periferias urbanas. Isto é. um novo impulso à economia nacional e um fim às práticas de exploração predatória dos imensos recursos naturais do país. água potável e eletricidade _ reforçam a idéia de que o chamado "êxodo rural" seria uma imposição inescapável. ao mesmo tempo. É a contagem de todos os residentes em sedes de municípios e de distritos que dá origem a essa ficção de que a população rural _ inferior a 19% em 2000 _ chegaria a 10% por . à espera de melhores condições de vida e de trabalho que os aproximem do exercício da cidadania. o potencial ainda inexplorado de desenvolvimento do interior do país. sociais e pessoais. acredita-se que a população rural estaria condenada a se encolher devido à completa generalização de imensas pastagens extensivas. ao contrário. vivendo em pré-cidades. A apreciação mais realista do Brasil rural deve começar pela correção do critério legal criado pelo Estado Novo. cuja base é a pluriatividade e a multifuncionalidade da agropecuária de pequeno porte. como numa infinidade de serviços técnicos. Todavia. ao lado de sistemas de produção de grãos altamente mecanizados. abrigo dos excedentes de mão-de-obra agropecuária. A predominância de uma agricultura sem pessoas. Não somente pelas possibilidades de "industrialização difusa". baseado na maior capacidade de absorção de força de trabalho dos sistemas produtivos de caráter familiar. essa suposta inevitabilidade do "êxodo rural" tem sido cada vez mais contrariada por evidências que destacam.Objetivo 11 Desenvolvimento sustentável do Brasil rural É preciso redescobrir o potencial de desenvolvimento sustentável do Brasil rural. Perceber que é possível reduzir a dívida social. ou assistencialista.

priorizando as organizações e atores locais. baseadas em critérios funcionais semelhantes aos que hoje são internacionalmente adotados. mediante: incentivos à diversificação das atividades econômicas.500 municípios do Brasil rural e outros 22 milhões em 570 municípios suficientemente ambivalentes para que sejam considerados ‘rurbanos'.vivem nos 4. a começar pela diversificação dos sistemas produtivos do setor agropecuário. Tudo isso indica que está em curso no Brasil um processo de recomposição territorial que dará origem a algo em torno de 500 microrregiões. contudo. enquanto a população brasileira crescia 15. passando de 11 para 14.6 milhões. Das restantes 450. é que em 1.5%.3%. gênero. A população desses 56 municípios rurais atraentes aumentou 31. Ações e recomendações · Revogar o Decreto-Lei n. O mais importante. incentivos à valorização da biodiversidade. Destas. · Descentralizar as ações de desenvolvimento rural.109 municípios rurais houve crescimento populacional bem superior às médias estaduais e nacionais durante a década de 1990. incentivos à participação local no processo de zoneamento ecológicoeconômico. passando de 146. · Promover a parceria da União com os estados e os municípios nas políticas de desenvolvimento rural. 311. pelo menos 400 são e continuarão sendo profundamente rurais. a começar pela agricultura familiar. de 1938. etnia e idade. tanto municipais como intermunicipais. substituindo-o por legislação que contenha novas definições legais de cidade e de vila. Estimativas baseadas em critérios atualmente em uso nas organizações internacionais indicam que quase um terço da população _ 52 milhões de pessoas .4 milhões. ao aproveitamento da biomassa e à adoção de biotecnologias baseadas no princípio da precaução. . incentivos à expansão e ao fortalecimento das empresas de pequeno porte de caráter familiar.volta de 2015 e teria desaparecido antes de 2030. incentivos à redução das desigualdades de renda. a partir de diretrizes básicas definidas em planos quadrienais de desenvolvimento sustentável do Brasil rural. 50 são predominantemente urbanas e incluem as 12 aglomerações metropolitanas. incentivos ao surgimento de articulações locais participativas.8 para 169.

propiciando o fomento e racionalização dos recursos. para o ordenamento territorial. à expansão e ao fortalecimento das empresas de pequeno porte de caráter familiar. econômica e ecológica. por meio de projetos de sustentabilidade social. · Elaborar política integrada de assistência técnica e capacitação das famílias assentadas que contemple demandas decorrentes da instalação.· Incentivar. ou pela criação de agências microrregionais de desenvolvimento. como forma de minimizar os impactos sobre os recursos naturais e evitar o abandono das áreas. II) assistência técnica e extensão integradas às redes de pesquisa. · Promover as ações necessárias para implementar a lei de registros públicos e elaborar os planos integrados de destinação das terras públicas. aos agricultores familiares dos assentamentos de reforma agrária. seja mediante pactos informais. · As políticas de desenvolvimento rural da União e dos estados deverão integrar pelo menos as seguintes dez dimensões das ações governamentais: I) educação. · Promover a desconcentração fundiária e o acesso à terra. estruturação e integração dos projetos de assentamento às políticas de desenvolvimento local. por meio das políticas de desenvolvimento rural da União e dos estados. que inclui aqüicultores. · Assegurar que o Plano de Desenvolvimento dos Assentamentos/PDA seja elaborado de forma a garantir sustentabilidade econômica. a começar pela agricultura familiar. práticas e gestão do Programa Nacional de Reforma Agrária. os municípios de pequeno e médio porte a formarem articulações intermunicipais microrregionais com o objetivo de valorizar o território que compartilham. associações e consórcios. social e ambiental para os projetos de reforma agrária. pelos assentados. capacitação e profissionalização. IV) . · O apoio e ajuda da União às articulações intermunicipais devem ser dirigidos prioritariamente: à realização do zoneamento ecológico-econômico. por meio de mecanismos como a desapropriação e/ou aquisição de imóveis. III) manejo dos recursos naturais das microbacias hidrográficas. a destinação de terras públicas e o arrendamento rural. 57 · Ampliar e consolidar rede de parcerias públicas e privadas. pelos trabalhadores rurais. extrativistas e pescadores.

c) a diversificação das economias rurais. É possível que a situação se altere sob pressão social.saúde. e aos deficientes. VI) infra-estrutura e serviços. d) a reconstrução sobre novas bases da educação rural. particularmente no que se refere ao manejo dos recursos naturais das microbacias hidrográficas. mas não com a velocidade embutida na . dificilmente a noção de sustentabilidade fará sentido. X) comercialização. às crianças. de segurança alimentar. Aplicada isoladamente a um setor da economia. · Todos os programas de desenvolvimento sustentável do Brasil rural deverão ter um forte componente de ações afirmativas voltadas às mulheres. Essa constatação é ainda mais crucial para a agricultura atualmente praticada. já que as soluções consideradas "sustentáveis" são específicas dos ecossistemas e exigentes em conhecimento agroecológico _ portanto. Objetivo 12 Promoção da agricultura sustentável 58 A idéia de uma agricultura sustentável revela o desejo social de novos métodos que conservem os recursos naturais e forneçam produtos mais saudáveis. de difícil multiplicação. sem comprometer os níveis tecnológicos já alcançados. Não será fácil implantar uma agricultura que preserve os recursos naturais e o meio ambiente. entre os quais pelo menos quatro devem ser considerados estratégicos: a) a promoção do acesso à terra (pelos assentamentos de reforma agrária e das ações de crédito fundiário para combate da pobreza rural). assistência técnica e comercialização). por meio do apoio à criação de micro e pequenas empresas. composto de diversos programas. aos negros. São raras as práticas "sustentáveis" que podem ser adotadas em larga escala. · Todos os programas de desenvolvimento sustentável do Brasil rural deverão ter um forte componente de educação ambiental. como a agricultura. b) o fortalecimento da agricultura familiar (pelas cinco diretivas do Pronaf: crédito. · O desenvolvimento sustentável do Brasil rural deve se tornar um dos macroobjetivos do Plano Plurianual (PPA). V) habitação. IX) cooperativismo e associativismo. aos índios. VIII) seguro. na medida que ela é envolvida e integrada pela indústria e pelos serviços. infra-estrutura e serviços públicos municipais. VII) crédito. capacitação.

O que está em questão não é apenas o ritmo das inovações.idéia de "revolução super ou duplamente verde". terá de enfrentar o histórico problema da seca na grande mancha semi-árida que abrange 70% de uma área da região e 63% de sua população. Não há por que pensar que a biologia molecular. combinada com a emergente agroecologia. que persistem até os dias atuais. portanto. Sul e Sudeste A partir do final da década de 1960. além da fase ascendente da economia brasileira. O crescimento econômico da região foi . O que mais importa é a coincidência entre a fragilidade social e a limitação agroecológica do conjunto das unidades geoambientais que formam o "Nordeste seco". favorecidas por subsídios no crédito. cujas ligações com a agropecuária mais tradicional da região ainda são pouco estudadas. investimentos em pesquisa e extensão agrícola. Qualquer ação integrada que se proponha para melhorar a situação rural dessa região. Existe. com o surgimento de pólos ou manchas de dinamismo econômico. A despeito dos fortes ganhos de produtividade. essa dinâmica logo foi abalada pelos problemas sociais e ambientais gerados. pelo aumento da produtividade agrícola. Essa substituição de bases técnicas permitiu a implantação de monoculturas em larga escala. somando-se às causas. 59 Um dos grandes obstáculos a uma solução efetiva para a falta de água no semi-árido é a visão de que se trata única e exclusivamente de um problema ecológico ou climático. Nos últimos trinta anos houve forte alteração da realidade econômica do Nordeste. com o pacote tecnológico da ‘Revolução Verde' _ fertilização química dos solos. uma relação dialética entre inovação e conflito. tanto para a força das tendências inovadoras quanto para os tipos de inovação. Nordeste Mais de dois terços dos pobres rurais brasileiros estão no Nordeste. Também são decisivas as modalidades de regulação dos conflitos. venha revolucionar a produção de alimentos em trinta anos. As iniciativas de enfrentamento dessa problemática acabam muitas vezes por agravá-las. mecanização do plantio e colheita e controle químico de pragas _ o esgotamento das áreas de lavoura baseadas essencialmente em sistemas de queimada e rotação de culturas foi contornado no Sul e Sudeste do país.

fortalecido em razão desses pólos. como fronteira agropecuária. por políticas públicas e pelos agentes privados que investem na área. a poluição por mercúrio e a pauperização das cidades. a plantas cujas exigências não podem ser satisfeitas pelos recursos disponíveis. Norte A ótica da "ocupação" dos espaços como estratégia de soberania e desenvolvimento do país guiou a quase totalidade dos projetos governamentais para a Amazônia nas décadas de 1960 e 1970. porém. Os planos de desenvolvimento foram direcionados para favorecer a implantação de grandes projetos. Centro-Oeste Considerados improdutivos até o final da década de 1960. respondendo por grande parte da oferta de grãos. em detrimento de sua enorme riqueza natural. o uso em larga escala de fertilizantes químicos. Deve ser revista a ótica de que os cerrados representam essencialmente uma área a ser ocupada. de agrotóxicos e da irrigação contribuem decisivamente para empobrecer a diversidade genética desses ambientes. . Cerca de um quarto de seus 220 milhões de hectares já foi incorporado à dinâmica produtiva. de gado de leite e de corte do país. os desequilíbrios ecológicos. além de abrigar 40% do rebanho bovino e 20% dos suínos do país. A mecanização. A principal característica da região continua a ser a pobreza extrema de grande parte de seus habitantes. que o crescimento de culturas nesses solos supõe sua adaptação. É preciso lembrar. Como conseqüência. Apenas 7% do cerrado. a desorganização do espaço social e 60 cultural das comunidades locais. as regiões brasileiras de cerrados foram e continuam sendo vistas. mas não significou desenvolvimento humano efetivo para a maior parte dos nordestinos. não sofreu algum tipo de exploração intensiva ou extensiva. a aceleração do desmatamento. causados pelas hidrelétricas. por meio de subsídios e incentivos fiscais e do acesso facilitado à terra para grandes grupos privados. os solos do cerrado respondem hoje por 30% dos principais cultivos brasileiros. bem como a do regime hídrico. Assim. onde as dificuldades naturais impostas pelos ecossistemas devem ser vencidas para adaptá-los às exigências da produção agropecuária. encontram-se a concentração fundiária e o conflito no campo. entretanto.

As desvantagens comparativas da agricultura familiar na Amazônia forçam os produtores à sobreexploração dos recursos. diminuindo sua atração como reserva de valor. A sustentabilidade da agricultura empresarial também apresenta níveis preocupantes. Entre essas desvantagens podem ser citadas a própria estrutura fundiária. a agricultura praticada tem evoluído mais em função do aumento da área plantada do que em função de ganhos de produtividade. à tecnologia. até os cultivos anuais e perenes. quase sempre. além da pecuária. em função do baixo custo de formação de pastagens e da resistência do gado zebuíno. dificulta a implantação de agroindústrias na Amazônia. que impede que se completem todas as operações de processamento. Para alteração do quadro apresentado se faz necessário que as lideranças representantes dos diversos segmentos da sociedade sejam induzidas a uma articulação da qual resultem ações . A agricultura familiar na região abrange hoje uma diversidade de sistemas de plantio desde os pequenos cultivos de sobrevivência dos caboclos e ribeirinhos. tornou-se protagonista de problemas ecológicos na Amazônia.No rastro desses programas chegou também a pecuária extensiva que. resultando. de doenças e pragas e de problemas de mercado. embalagem e incorporação de outros serviços. sobretudo. como o fogo. A extração madeireira constitui o terceiro produto na pauta de exportações paraenses. De maneira geral. em estreita simbiose com a extração madeireira. em função. promovendo a rotação acelerada de áreas e a adoção de práticas inadequadas de manejos. As tecnologias de implantação e manejo são precárias. Da região Amazônica são extraídos praticamente 80% da produção nacional de madeiras em tora. A fragilidade das cadeias produtivas. as dificuldades de acesso ao mercado. na degradação das pastagens e estímulo à ocupação de novas áreas. beneficiamento. A tendência inevitável nessa dinâmica produtiva é a ocupação de novas áreas. o investimento em terras para a pecuária bovina continua a apresentar alta taxa de retorno. A importância econômica do setor madeireiro pode ser dimensionada pelo fato de representar 40% das exportações brasileiras de madeira. principalmente. Apesar do fim dos incentivos fiscais e da queda nos preços das terras. ao conhecimento e às políticas de crédito.

Ações e recomendações 61 · Incentivar o manejo sustentável dos sistemas produtivos adotando as bacias hidrográficas como unidades de planejamento e gestão ambiental e promovendo a realização do zoneamento ecológico-econômico. sobre todos os aspectos jurídicos. · Criar obrigatoriedade de rotulagem visível para os produtos transgênicos. que envolvem esses insumos. · Instituir mecanismos políticos. cuja produção e comercialização tenham sido liberadas. · Promover a reestruturação dos órgãos públicos. para fins de monitoramento comparativo de diferentes categorias de sistemas produtivos e . estaduais e municipais. particularmente nos corpos d'água superficiais e subterrâneos. e no meio ambiente. Seria ilusório acreditar que a superação dos obstáculos à sustentabilidade na agricultura venha de fora ou resulte de algum tipo de ação isolada de organizações públicas ou privadas. nos setores de pesquisa. valorizando-as e disseminando-as por meio de diversificados mecanismos de difusão e sensibilização.transformadoras. legais. dificultar o escoamento superficial e facilitar a infiltração de água no solo. de acordo com o ‘princípio da precaução'. · Desenvolver um conjunto de indicadores de sustentabilidade para a agricultura. até que se tenham informações científicas claras e precisas. federais. inclusive com a utilização da vinculação de crédito. · Adotar o ‘princípio da precaução' em relação ao uso e plantio de alimentos transgênicos vegetais e animais. extensão rural e meio ambiente. · Identificar e sistematizar nos diferentes biomas e ecossistemas físicos. ensino. educacionais e científicos que assegurem programas de monitoramento e controle de resíduos de agrotóxicos nos alimentos. · Adotar práticas de manejo de solo que satisfaçam aos três princípios básicos de controle da erosão: evitar o impacto das gotas de chuva. as principais experiências produtivas em bases sustentáveis. assim como o consenso da sociedade. para a otimização de suas atribuições na promoção do desenvolvimento sustentável. inclusive importados. de segurança ambiental e de saúde. assistência técnica.

manejo sustentável dos sistemas produtivos.para estimular o gerenciamento ambiental de unidades de produção agrícola. incluindo os aspectos econômicos e sociais desses ecossistemas. como forma de suprimir a chamada desnutrição. A idéia de gestão integrada do desenvolvimento local. · Identificar e sistematizar um conjunto de pesquisas necessárias à transição para a agricultura sustentável. Muitas. · Estimular a construção de sistemas de informação que permitam retratar as reais condições de saúde da população em geral e dos trabalhadores. focalizada de maneira original no poder local. · Estimular a capacitação dos profissionais de saúde que atuam na rede pública. contemplando. prioritariamente. redução do uso de agrotóxicos e de outros poluentes. . antes de natureza estritamente rural. hoje avançou para experiência microrregional. estados e regiões do país. em particular. No Brasil. · Fortalecer a base de conhecimento e desenvolvimento de sistemas de informação e monitoramento para as regiões suscetíveis à desertificação e à seca. e hoje já são contabilizadas mais de duzentas iniciativas de elaboração de Agendas 21 locais. vale destacar. aspectos relacionados a: gestão ambiental. 63 Objetivo 13 Promover a Agenda 21 Local e o desenvolvimento integrado e sustentável Uma das grandes conquistas da última década foi o avanço na concepção do desenvolvimento que passou a ser visto de forma descentralizada e participativa. em sintonia com a realidade do trabalho rural. antecedem a própria elaboração da Agenda 21 Brasileira. inclusive para a realização de pesquisas 62 regionais que levem a um adequado balanceamento da dieta da população rural. o programa Comunidade Ativa elegeu o Desenvolvimento Local Integrado e Sustentável (DLIS) como metodologia oficial a ser aplicada nos municípios pobres brasileiros pelos fóruns locais em parceria com a comunidade/governo. O processo de elaboração da Agenda 21 Brasileira teve sua metodologia adaptada para os diversos municípios. melhoria nas condições dos solos. com a metodologia dos arranjos produtivos locais e das cadeias produtivas integradas. ampliação da diversidade biológica dos agroecossistemas. criando as condições para sua prevenção e tratamento.

que os órgãos de governo devem dar prioridade ao financiamento de ações municipais que constem da Agenda 21 local. Em nome delas. por meio de planos estratégicos e processos participativos locais. recomenda-se a extensão desse processo a todas as cidades brasileiras. pobres e pequenas. se não forem acompanhados de iniciativas complementares no plano institucional. Essas novas identidades têm sido a alavanca dos projetos de desenvolvimento sustentável. Fóruns locais em cidades isoladas. revelaram-se. A longa lista de experiências de transformação local. que desencadearam o mais radical e consistente processo de descentralização que o país já conheceu em sua vida independente. · Incentivar a realização da Agenda 21 Local em parceria governo/sociedade. 64 No entanto. No processo de construção do desenvolvimento local emergem as novas identidades locais. insuficientes. seja adotando metodologias organizacionais de planejamento estratégico. e sob a inspiração de suas lições e de seus avanços. vale notar a fragilidade da maioria dos municípios brasileiros e a complexidade dos processos econômicos e sociais dos quais depende sua prosperidade e até mesmo sua sobrevivência.O mesmo método foi adotado pelo programa Faróis de Desenvolvimento do Banco do Nordeste e pelo projeto Alvorada. com o objetivo de definir um plano estratégico e participativo envolvendo ações no plano . microrregionais ou mesorregionais. inclusive inserindo no PPA. O fato é que fóruns de desenvolvimento local (ou de Agenda 21) congregando as lideranças governamentais e civis para definir o destino de suas localidades adquiriram diferentes feições e estilos. todos eles voltados para pequenas cidades de baixa renda. mas também nas potencialidades do município e nas características da região. baseadas em realizações e feitos passados. na prática. Ações e recomendações · Definir. É importante reconhecer que o surto de mudanças no plano local não seria possível sem as transformações iniciadas a partir da Constituição de 1988. seja estabelecendo pactos e entendimentos em torno de bacias hidrográficas ou projetos futuros. revelam as aspirações de mudança coletiva que alcançam até mesmo as mais simples e longínquas comunidades brasileiras.

econômico. não . médias e grandes cidades brasileiras. que necessitam de rápido aprimoramento para que se alcance um estágio sustentável de desenvolvimento econômico. · Promover o fortalecimento de cadeias produtivas locais. envolvendo grandes aglomerações e os complexos interesses econômicos e sociais de uma sociedade de massa. em função dos engarrafamentos. Estas duas palavras definem um amplo conceito. Um tempo excessivo gasto com transporte tem custos econômicos e sociais altos que afetam a competitividade. que contempla não apenas o transporte. como meio de fortalecer a economia sustentável dos pequenos e médios municípios. mas diversos aspectos a ele associados. que permite a livre circulação por menor preço. · Definir a vocação produtiva da cidade em harmonia com sua identidade cultural e ambiental como forma de planejar oportunidades de ampliação de emprego e renda. É por essa razão que o cartão eletrônico. Qualquer tentativa de integração dos transportes entre as capitais e suas respectivas periferias é inviabilizada pelos interesses divergentes dos proprietários das empresas de transporte urbano. · Estimular parcerias intermunicipais e de consórcios para solução de problemas comuns e otimização de recursos humanos e financeiros. 65 Também afeta a produtividade do trabalho. · Elaborar indicadores de desenvolvimento sustentável adotando os princípios e estratégias contidos na Agenda 21 Brasileira. uma vez que se perde tempo na locomoção de pequenos e grandes trajetos. · Realizar o zoneamento ecológico-econômico como instrumento de apoio à definição de um plano de desenvolvimento local integrado. Objetivo 14 Implantar o transporte de massa e a mobilidade sustentável Mobilidade sustentável. forçando democraticamente a maioria da população à permanência no trânsito várias horas por dia. A questão da mobilidade está relacionada com as economias e deseconomias de escala. O serviço de ônibus é precário. com a perda de tempo e aumento do custo. social e ambiental. os horários incertos e os trajetos inadequados. bem como construir o espaço social de integração e convivência de trabalho e lazer. O problema atinge a todos. pobres e ricos. social e ambiental para o desenvolvimento das pequenas.

prospera. As empresas de ônibus, por outro lado, são obrigadas a ceder espaço para os microônibus, que menores e mais flexíveis, vêm disputando a preferência dos usuários de transporte urbano. Existe, sem dúvida, cumplicidade política entre o poder municipal e os donos de empresas de ônibus que impedem a integração da região metropolitana em um único sistema de transportes coletivos. As cidades de porte médio em processo de crescimento precisam, preventivamente, adotar soluções, como o metrô de superfície, para evitar problemas futuros. A melhoria do transporte exige que se repense a estrutura urbana e as suas regras de ordenamento. As empresas devem se envolver na solução dos problemas junto com as autoridades públicas. Para mudar tal estado de coisas será preciso planejar e financiar, com absoluta prioridade, novos meios de transporte de massa que permitam, inclusive, modificar hábitos arraigados, como o uso do automóvel por um só indivíduo. É preciso ter sempre em vista que a estrutura de transporte tem papel decisivo no desenho urbano e que esse é um motivo de favelização, pois as pessoas tendem a buscar, a qualquer custo, maior proximidade com o seu local de trabalho. A melhor maneira de evitar a favelização é adotar uma política conjugada de transportes e habitação popular. Com certeza, uma das maiores barreiras para a implantação da mobilidade sustentável é ‘a cultura do automóvel' que propaga o veículo, sem cessar, para segmentos cada vez mais amplos da sociedade em função da precariedade do transporte público, ao qual falta capilaridade, regularidade e integração para melhor servir a população metropolitana brasileira. A dimensão ambiental deve ser cuidadosamente considerada, visto que os veículos estão entre as principais fontes de emissão de gases poluentes e outros poluentes, muitos dos quais altamente nocivos à saúde humana, tais como os óxidos de enxofre e de nitrogênio. Ações e recomendações · Promover a implantação de redes de transportes integrados de massa nas grandes aglomerações, especialmente metrôs e trens rápidos, articulados a outros meios 66 complementares, com a adoção do cartão eletrônico.Tais projetos devem ser concebidos preventivamente nas cidades e regiões metropolitanas em formação ou em franca expansão.

· Promover a descentralização das cidades, incentivando a instalação de empresas fora dos centros urbanos mais adensados. A descentralização deverá ser executada simultaneamente com a melhoria das opções de transporte. · As empresas devem estudar a possibilidade de instituir o escalonamento nos horários de trabalho, assim como a opção de oferecer transporte a seus funcionários. Instituir, na medida do possível, o trabalho em casa, o que já é plenamente possível em uma variedade de atividades econômicas. · Conceber os instrumentos e as agências político-institucionais adequadas, nas esferas municipal, estadual e federal, capazes de garantir recursos públicos e privados, materiais e financeiros, para viabilizar investimentos em transportes de massa. · Criar programas consistentes de otimização dos sistemas integrados de transportes urbanos, principalmente nas regiões metropolitanas, a fim de priorizar projetos que incluam sistemas estruturadores (trens, metrôs e o hidroviário, onde possível), que façam uso de energia limpa, como eixos de integração intermodal. · Evitar a concentração dos recursos no provimento de infra-estrutura voltada preferencialmente para o transporte individual, que provoca engarrafamentos, sobrecarrega o sistema viário e marginaliza a periferia excluída, agravando seus problemas habitacionais. · Incentivar a produção e o uso de veículos movidos por energia com menor potencial poluidor, especialmente aqueles a serem utilizados nos sistemas de transporte coletivo. · Incentivar o uso de combustíveis como álcool e gás, menos poluentes que gasolina e diesel. · Implementar sistemas de gestão de trânsito para minimizar os congestionamentos e os respectivos efeitos de desperdício de energia e aumento da poluição. · Envolver no planejamento da mobilidade sustentável, os transportes de carga, para racionalização do trânsito nas cidades e nas estradas próximas. · Aplicar rigorosamente o princípio da prevenção contra a violência no trânsito, criar intensa mobilização em torno do Código de Trânsito, recentemente aprovado pelo Congresso Nacional, mas sujeito às mais diversas pressões e retrocessos. · Monitorar as estatísticas oficiais e os índices de mortes e acidentes nas estradas e nas

ruas, como forma de mobilizar os cidadãos contra a violência no trânsito, que tantas perdas e danos vêm infligindo à vida humana, à economia do país e ao Sistema Único de Saúde, obrigado a arcar com os custos crescentes na área de traumatologia. 67 Recursos naturais estratégicos: água, biodiversidade e florestas Objetivo 15 Preservar a quantidade e melhorar a qualidade da água nas bacias hidrográficas O Brasil tem em seu território mais de 15% da água doce em forma líquida do mundo, mas sua distribuição é desigual: o Nordeste sofre com a desertificação, enquanto a Amazônia é cortada por um sem-número de rios. Muitos desses, contudo, já estão comprometidos pela ação humana. No Pantanal, os rios são ameaçados por práticas agrícolas inadequadas. Da mesma forma, o rio São Francisco, que banha uma extensa região pobre e carente de água, vem sofrendo redução de sua disponibilidade hídrica, agravando os conflitos de seu uso, em especial entre os setores de irrigação e hidroelétrico. Na Região Sudeste, o Tietê é um modelo de descaso com as águas doces e o rio Paraíba do Sul reclama ações de revitalização. Para enfrentar todos esses problemas dispomos da Lei de Recursos Hídricos, nº 9.433, aprovada em 1997, e de uma Agência Nacional de Águas (ANA). O novo modelo exige que as ações em cada bacia sejam definidas participativamente por meio de seu comitê e sua agência, encarregada de gerir o sistema como um todo, dirimindo conflitos, aplicando cobranças e estabelecendo políticas de correção das questões consideradas prioritárias. Fazer a população participar do destino de seus rios mais próximos, adotá-los como um bem a ser protegido e dotar o Comitê de um corpo representativo, eis um dos principais desafios que iremos enfrentar nos próximos dez anos. Adotar sistema de acompanhamento da Política Nacional de Gestão dos Recursos Hídricos por meio de Indicadores de Desenvolvimento Sustentável das Bacias e Subbacias hidrográficas, bem como a aplicação dos instrumentos de outorga e cobrança pelo uso da água, especialmente com finalidades de uso econômico, é uma medida que sinalizará a sociedade para a necessária racionalização do seu uso. Isso não significa que estamos propondo a "privatização do uso da água" pois o Comitê da

Bacia pode e deve facilitar o seu acesso, que dá prioridade máxima para a água de beber e a dessedentação dos animais. Mas considera-se também que, sendo a água um recurso escasso e estratégico e um bem econômico de grande valor, seu uso para atividades agrícolas ou industriais, especialmente as de grande porte, como a irrigação, deve ser contabilizado como custo para estimular o tratamento dos resíduos ou para permitir a reposição. Nas áreas rurais, defensivos agrícolas e fertilizantes constituem um fator de contaminação tanto da água quanto do solo, pois chegam aos rios por carreamento ou atingem os lençóis subterrâneos por infiltração. 68 Nos centros urbanos, as margens dos rios sofrem ocupação irregular e estão tomadas por depósitos de lixo, que além de poluição e doenças, agravam os efeitos das enchentes, trazendo danos sociais e econômicos não só à população diretamente atingida, mas à economia como um todo, devido aos efeitos negativos múltiplos. O Oceano Atlântico é a principal vítima da urbanização brasileira, tendo em vista a enorme concentração de grandes e pequenas cidades na região litorânea que canalizam esgoto e lixo para o mar. É urgente aumentar a quantidade de água disponível, em pontos críticos das bacias hidrográficas brasileiras, protegendo os mananciais e combatendo o desmatamento das matas ciliares, bem como a ocupação irregular que provoca o assoreamento das margens dos rios, especialmente nas áreas densamente povoadas ou sujeitas à ocupação para atividades agrícolas. O combate a tais problemas depende, em grande parte, do estabelecimento de políticas urbanas adequadas, uma vez que a maioria das grandes cidades brasileiras cresceu sem nenhum planejamento. A efetiva aplicação da Lei de Recursos Hídricos é reconhecida pelos diferentes segmentos sociais que participaram da Consulta Nacional da Agenda 21 Brasileira como o instrumento adequado para fazer frente aos problemas acima referidos. Ações e recomendações · Difundir a consciência de que a água é um bem finito, espacialmente mal distribuído no nosso país, sendo muito farto na Amazônia despovoada e muito escasso no semi-árido nordestino.

· Implementar a Política Nacional de Gestão dos Recursos Hídricos, implantando de forma modelar e prioritária, os Comitês e Agências de Bacias Hidrográficas dos rios Paraíba do Sul, São Francisco, Paraná-Tietê e Araguaia-Tocantins, nos próximos cinco anos. · Desencadear um programa de educação ambiental no Nordeste, mobilizando grandes produtores, empresas públicas, governos locais e as comunidades, especialmente as ribeirinhas, em torno dos pontos críticos do rio São Francisco, desenvolvendo na população a percepção da estreita relação entre desmatamento, perda de água e desertificação. · Promover a educação ambiental, principalmente das crianças e dos jovens nos centros urbanos, quanto às conseqüências do desperdício de água. As escolas e a mídia são parceiros privilegiados para implementação dessa ação. · Assegurar a preservação dos mananciais, pelo estabelecimento de florestas protetoras e proteger as margens dos rios e os topos das chapadas do Brasil Central, recuperando com prioridade absoluta suas matas ciliares. 69 · Implantar um sistema de gestão ambiental nas áreas portuárias, de forma a assegurar sua competitividade internacional controlando rejeitos, derramamento de óleo e melhoria da qualidade dos serviços. · Promover a modernização da infra-estrutura hídrica de uso comum e de irrigação associado ao agronegócio no marco do desenvolvimento sustentável. · Estimular e facilitar a adoção de práticas agrícolas e de tecnologias de irrigação de baixo impacto sobre o solo e as águas. · Desenvolver e difundir tecnologias de reutilização da água para uso industrial. · Impedir, nos centros urbanos, a ocupação ilegal das margens de rios e lagoas, o que implica, além do cumprimento da legislação o desenvolvimento e a execução de políticas habitacionais para população de baixa renda. · Combater a poluição do solo e da água e monitorar os seus efeitos sobre o meio ambiente nas suas mais diversas modalidades, especialmente resíduos perigosos, de alta toxidade e nocivos aos recursos naturais e à vida humana. Objetivo 16 Política florestal, controle do desmatamento e corredores de biodiversidade

O Brasil é o país de maior biodiversidade de todo o Planeta e abriga a maior extensão contínua de florestas tropicais. Alguns números expressam a primeira posição do Brasil entre os países megabiodiversos: das 24.400 espécies de vertebrados terrestres conhecidas, 3 mil, ou 13% do total, vive em nosso território. O número de plantas em nosso país está calculado entre 50 mil e 56 mil, ou 20% do total mundial. Se ainda não conhecemos todas as potencialidades da Amazônia, jamais saberemos o que se perdeu da Mata Atlântica, que cobria cerca de um milhão de quilômetros quadrados ao longo do litoral, do Sul ao Nordeste e que hoje está reduzida a menos de 7% de sua área original. Ainda assim, nela estão representados 1.800 vertebrados terrestres, dos quais 21% são endêmicos. A Amazônia, embora seja nosso bioma porcentualmente menos destruído, foi desflorestando, entre 1978 e 1996, à incrível média de 52 quilômetros quadrados por dia. Desde então, essa média vem diminuindo paulatinamente. O objetivo aqui proposto é atingir a taxa de desmatamento zero nos próximos dez anos, nas áreas críticas dos biomas ameaçados. Isso, porém, ainda não é o bastante. É preciso promover o reflorestamento, a reconstituição das áreas que perderam sua cobertura vegetal original. O Brasil destacou-se no cenário internacional da política de biodiversidade operacionalizando e ajustando à realidade nacional o conceito de "corredores de biodiversidade" que são áreas 70 contínuas não apenas de preservação de espécies isoladas, mas também de preservação de processos de reprodução de cadeias interdependentes de seres vivos. Mamirauá é um notável exemplo de unidade de conservação bem-sucedida, compreendendo hoje cinco milhões de hectares. É preciso, pois, tomar providências que garantam a exploração sustentável dos recursos faunísticos e florísticos sem que se destruam os ecossistemas. É indispensável, também, que se levem em consideração as necessidades das populações que residem nas áreas que se pretende proteger. Toda e qualquer iniciativa deve ter como objetivo a melhoria da qualidade de vida dessas populações, que legitimamente anseiam sua inclusão na sociedade brasileira. As ações prioritárias para conservação devem refletir a situação atual dos biomas.

Na Amazônia e Pantanal, trata-se, sobretudo de implementar um sistema de unidades de conservação de grande porte, compatível com a alta biodiversidade e o caráter de ocupação humana extensiva e de baixo impacto que se visa manter. Em áreas mais densamente povoadas e com significativa degradação, como a Mata Atlântica e a Caatinga, deve-se preservar tudo o que restou, e empreender ações de recuperação e interligação das reservas existentes, na forma de corredores de biodiversidade. O Cerrado apresenta grande heterogeneidade de ocupação antrópica e riqueza comparável à da Amazônia, justificando tanto a criação e consolidação de corredores como a conservação dos últimos blocos intactos. Na Mata Atlântica em particular, o objetivo do Desmatamento Zero e Perda de Biodiversidade Zero representa a melhor esperança para sobrevivência do bioma. Os corredores de biodiversidade permitem reunir na mesma paisagem um conjunto de áreas protegidas interligadas, inseridas em uma matriz de ocupação humana contemplando atividades econômicas de todos os tipos. São formas de conciliar a presença humana e a conservação da biodiversidade em escalas regionais da ordem de dezenas de milhares de quilômetros quadrados. No Brasil, estão sendo implementados cinco corredores na Amazônia, dois na Mata Atlântica, um no Cerrado e Pantanal, com outros ainda em planejamento na transição cerrado-caatinga, e no vale do São Francisco. Ações e recomendações Controle do desmatamento: mais estímulo de subsídios e crédito · Realizar a transição das formas predatórias para formas sustentáveis de uso dos ecossistemas brasileiros, definindo instrumentos de gestão apropriados, e usando indicadores para assegurar as metas de desmatamento Zero na Mata Atlântica, bem como recuperação nas Áreas de Proteção Ambiental e Áreas de Proteção Permanente, com prioridade nos corredores de biodiversidade. 71 · Limitar radicalmente o uso das queimadas como instrumento de manejo do solo, tendo em vista seus impactos altamente negativos sobre a biodiversidade, fertilidade do solo a longo prazo, e saúde humana. · Incentivar a recuperação de terras desmatadas e abandonadas, ou subaproveitadas, na forma de mosaico de áreas de biota natural e áreas de uso econômico compatíveis com a cobertura vegetal primitiva.

· Aplicar estrategicamente os recursos tecnológicos disponíveis de forma a manter a integridade das áreas protegidas por lei, tais como as de preservação permanente, de reserva legal, as unidades de conservação, os corredores ecológicos, bem como os fragmentos existentes dos biomas ameaçados. · Limitar a concessão de créditos para a expansão da fronteira agrícola em áreas de fragilidade ambiental, tendo como base as informações dos zoneamentos ecológicoeconômicos e o cumprimento integral da legislação ambiental vigente. · Respeitar a legislação ambiental nas iniciativas de política agrária no Brasil, tanto na esfera federal quanto na estadual, em relação ao cumprimento dos requisitos básicos para licenciamento ambiental dos empreendimentos, anteriormente à concessão de títulos de posse, garantindo-se, assim, a demarcação de uma reserva legal de uso comum aos assentados e a manutenção da integridade das áreas de preservação permanente. Florestas plantadas: aumento da oferta de produtos florestais · Assegurar o controle de oferta e demanda de produtos florestais pelo mecanismo de concessão de exploração sustentável das florestas nacionais, mediante a elaboração de planos de manejo florestal, de forma a garantir o fornecimento de matéria-prima florestal a médio e longo prazos, tanto para o mercado consumidor interno quanto ao mercado exportador de madeira. · Fortalecer a política de utilização dos créditos de reposição florestal, pelo incentivo à criação de associações de reflorestamento e da melhoria do controle quanto ao cumprimento desse dispositivo legal. · Desenvolver mecanismos de acesso a créditos e subsídios para a recuperação de áreas degradadas, por meio da recomposição dos biomas naturais em propriedades rurais. · Dar apoio à pesquisa florestal, principalmente quanto à utilização de espécies florestais nativas, para o reflorestamento. · Apoiar medidas para melhorar a exploração econômica da floresta em pé, tais como o desenvolvimento do ecoturismo, a extração de frutos e sementes, bem como a participação brasileira na política internacional de emissão de CO² por meio da absorção de dividendos para o seqüestro de carbono pela manutenção de florestas

tropicais. 72 · Promover ampla campanha de recomposição e averbação de áreas de reserva legal, utilizando-se de mecanismos de compensação de uma área pela outra ou de regeneração natural de áreas exploradas com atividades agropecuárias. · Incentivar a silvicultura, para garantir o suprimento de madeira proveniente de florestas plantadas. Proteção e uso da biodiversidade · Expandir o sistema público de unidades de conservação de forma a assegurar em seu âmbito a conservação de todas as espécies da biota brasileira, com critérios de representatividade geográfica, taxonômica, e de comunidades e ecossistemas, priorizando as unidades que tenham maiores contribuições para a biodiversidade do sistema como um todo. · Dar condições à manutenção de um setor de biotecnologia baseado na remuneração dos serviços de biodiversidade, tanto na área de tecnologia e pesquisa quanto nas políticas de financiamento, segundo critérios de competitividade, representatividade regional e interesse nacional. Devem ser incluídas as áreas de fármacos, medicina natural, perfumes e cosméticos de alto valor agregado, além de sucos e alimentos, capazes de garantir emprego e renda. · Apoiar programas de inventário científico da biodiversidade, para subsidiar as decisões de conservação e permitir a base para o licenciamento e valoração dos produtos de biodiversidade. · l Atribuir valor econômico embutindo o custo de deplecionamento dos bens naturais, o que tornará possível avaliar a conveniência e a possibilidade de sua exploração sustentável. · Atribuir valor econômico aos recursos naturais, o que tornará possível avaliar a conveniência e a possibilidade de sua exploração sustentável. · Desenvolver um plano nacional de ecoturismo que proporcione a entrada de divisas, gere empregos e garanta os recursos para a conservação de todas as demais áreas de interesse ecológico e/ou cultural. · Prover recursos e capacitar pessoal para as pesquisas biotecnológicas, área na qual o Brasil já conquistou renome mundial, tendo em vista o aproveitamento econômico de produtos da fauna e da flora, bem como da microbiótica.

opções de subsistência e oportunidades para melhorar sua qualidade de vida. por intermédio de ações do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético. Ações exemplares nos biomas ameaçados · Implementar programas de corredores de biodiversidade em todos os biomas. · Agilizar a elaboração. pelo estímulo às florestas plantadas e atividades de agrossilvicultura em áreas florestais degradadas. preservando sua floresta e garantindo-lhe o desenvolvimento sustentável. justa e eqüitativa. · Utilizar recursos de indenização e compensação ambiental para a implementação de sistemas de áreas protegidas que conservem a biota a longo prazo. ao mesmo tempo. a remessa e a repartição. ao invés de concentrar em ações mitigatórias emergenciais. oferecendo-lhes. · Fazer presente a ação governamental na determinação dos procedimentos legais para o acesso. · Revisar a "lista oficial das espécies da fauna e da flora brasileira ameaçadas de extinção" com vistas a estabelecer os mecanismos de proteção e o desenvolvimento de plantios e criadouros para sua recuperação. · Garantir que os detentores das matérias-primas ou dos conhecimentos que levem ao aproveitamento econômico de exemplares de nossa biodiversidade sejam justamente remunerados. Estimular as comunidades locais a serem os principais beneficiários de atividades de conservação. · Incorporar de forma mais efetiva a Amazônia à comunidade nacional.· Estabelecer mecanismos de planejamento para paisagens sustentáveis que conciliem a formação de sistemas de áreas protegidas e áreas de uso econômico em matrizes regionais. com representatividade de todas as grandes subdivisões biogeográficas das regiões. com o financiamento de bancos regionais. 73 · Instituir normas e criar sistemas de fiscalização e controle que permitam o efetivo combate à biopirataria. de forma participativa. Encorajar a transição de atividades extrativas para atividades de serviços ambientais. · Educar e conscientizar as populações locais para a importância da preservação dos biomas. do zoneamento ecológico-econômico que . dos benefícios decorrentes da utilização dos recursos genéticos nacionais.

pelo desmatamento. e de plantio de espécies comerciais para reduzir a pressão sobre a vegetação nativa. de maneira a diminuir o consumo indiscriminado de biomassa. produto exportador de baixo valor agregado. que agrava o desmatamento e acelera o processo de desertificação já instalado. · Combater a desertificação na região Nordeste. evitando o seu desmatamento. . na região Sudeste. · Priorizar a execução do "Programa Pantanal". ampliando e fortalecendo o número de unidades de pesquisa nela sediadas. cujos preços vêm caindo no mercado internacional. especialmente no Rio de Janeiro e sul da Bahia. e evitar obras de hidrovias que alterem o ciclo das águas na região. · Abolir da área do semi-árido o assistencialismo sobre a forma de frentes de emergência. para que o conhecimento possa ser gerado e aplicado localmente. · Capacitar o homem do campo para a convivência com a seca. incentivando o uso de tecnologias já comprovadas e difundidas por centros de pesquisa e organizações não74 governamentais com experiências no manejo dos recursos naturais em regiões semiáridas. concomitantemente.deverá ser adotado como instrumento básico de qualquer ação de planejamento territorial. · Garantir. · Desenvolver projetos de conservação na mesma escala conceitual e geográfica dos grandes projetos de infra-estrutura ora sendo propagados pelo governo federal. como alternativa substitutiva ao uso incipiente da biomassa. · Promover ações de reflorestamento para a reconstituição da caatinga. absorvendo-se no processo os conhecimentos tradicionais. incluindo os corredores de biodiversidade. junto com a valorização da tecnologia e da energia renovável. · l Integrar efetivamente a Amazônia ao restante do Brasil. construindo investimentos em infra-estrutura para viabilizar o desenvolvimento sustentável. o desmatamento zero nas zonas críticas da Mata Atlântica. · Prover meios e recursos para a utilização de fontes alternativas de energia. por meio de um programa de combate à miséria. realizando. e substituir a cultura extensiva da soja. · Preservar o cerrado. O objetivo é chegar ao desmatamento zero. uma política de reflorestamento nativo.

Condicionar a implementação de projetos de infra-estrutura àqueles que estejam integrados com projetos de conservação. privilegiou o fortalecimento do município dentro do chamado ‘federalismo cooperativo'. é natural que os municípios tenham sido os principais beneficiários da descentralização fiscal. embora seja necessário o fortalecimento da engenharia institucional dessa cadeia federativa que é a marca registrada de nosso federalismo. em geral. Diante dos novos desafios surgem modalidades de governo descentralizado atuando em parceria com a sociedade civil. A boa governança recomenda a descentralização que vem se realizando por toda parte. consórcios e o poder local O papel do Estado está em processo de redefinição. e que possam demonstrar a sustentabilidade na conservação da biodiversidade regional e nacional. política e administrativa. O principal deles é a questão das competências comuns entre os três entes federados. mas em nenhum país como no Brasil esse processo assumiu a velocidade e a dimensão transformadora de um novo pacto federativo. produção de conhecimento e lógicas econômicas. Governança e ética para a promoção da sustentabilidade Objetivo 17 Descentralização e o pacto federativo: parcerias. por conta da omissão legislativa que. a dimensão territorial e sua maior proximidade da população. sem a jurisprudência necessária para distribuir atribuições. mas também pelas mudanças tecnológicas que revolucionaram o sistema produtivo. anunciado pela Constituição de 1988. preferiu deixar as competências indefinidas. alguns problemas permanecem em pauta exigindo soluções imediatas. consolidando novas estruturas e relações de 75 parceria entre sociedade e governo. Apesar dos avanços obtidos e do inegável sucesso da descentralização municipalista. tornando sua dinâmica muito lenta para responder com rapidez necessária as mudanças de hábitos. a ingovernabilidade que resulta em duas . Chama especialmente a atenção o avanço das relações de cooperação entre os três níveis de governo. O novo pacto federativo. O resultado dessas competências difusas é. Considerando a extensão geográfica do país. não apenas em razão da crise fiscal que afetou inúmeros países.

Finalmente. na medida que os três entes se interessam pelos assuntos que lhes rendem resultados políticos imediatos. é a omissão de todos quando os problemas se avolumam. O maior obstáculo institucional à implantação do desenvolvimento sustentável no plano regional e local é a fragmentação política do municipalismo. . dinamizada pela enorme difusão dos conselhos municipais. cobrindo. a segunda. existem problemas que precisam ser corrigidos. por exigência federal 76 todas as áreas beneficiadas pela transferência de recursos para o plano municipal. tão freqüente quanto a primeira. Sua operacionalização ainda é difícil por falta da regulamentação do artigo 241 da Constituição Federal. A presença da sociedade civil exerce um papel de vigilância e controle extremamente benéfica diante da autoridade estatal fortalecida no município. realizando projetos e transferindo recursos para as mesmas áreas. Os consórcios têm-se constituído em verdadeiros embriões de uma nova regionalização. os efeitos perversos incidem sobre a população. Fortalecer a sociedade civil para que seus agentes disponham de informações precisas e meios de acompanhar e reagir a tais ocorrências é um dos itens mais importante da agenda da governança e da pauta de descentralização. enfraquecendo as partes em benefício do todo. desperdiçando tempo e dinheiro e estimulando a competição desorganizada. muitas vezes sem sintonia com as prioridades municipais. A situação agrava-se ainda mais quando os municípios consorciados pertencem a diferentes unidades estaduais. Em primeiro lugar.situações antagônicas: a primeira delas é quando existe superposição e dois ou mais entes federados disputam a mesma função. Em ambos os casos. nos pequenos e médios municípios. criando estruturas viciadas pouco recomendáveis para o aperfeiçoamento democrático. a proliferação de conselhos e de fundos especializados estão criando superposições e irracionalidades de uso dos recursos humanos e financeiros. A lei atual apresenta empecilhos legais que dificultam ações conjuntas. Outro ponto relevante é que. as lideranças acabam sendo sempre as mesmas nos diversos conselhos. ou quando exigem soluções mais duras e de longo prazo. Mas também nesse caso. a área decisiva de consolidação da governança é a democracia participativa. se omitindo quando seus custos políticos se tornam muito altos.

a ação municipal. · Regulamentar o artigo 241 da Constituição Federal para fortalecer a cooperação intermunicipal. que regula o tema. O equilíbrio de poder e de controle mútuo entre os três entes federativos é uma válvula de segurança eficaz que protege a sociedade. Ações e recomendações · Fortalecer o federalismo cooperativo e definir as competências entre o Governo Federal. estadual e federal quando o ente situado em nível espacial inferior. aumenta a transparência e o controle e consolida a máxima do federalismo cooperativo: descentralização com centralidade. pela ordem. os estados e municípios. possibilitando o desenvolvimento de planos de desenvolvimento sustentável. integrando suas áreas de competência para a otimização de recursos humanos em nível local. não for capaz de exercer suas funções. por meio de estímulo aos consórcios que integram as microrregiões. que identifiquem a sua vocação produtiva. Elaborar lei complementar para o artigo 23 da Constituição Federal. .Indubitavelmente. transparência e o acompanhamento dos compromissos públicos assumidos pelos governos. · Capacitar e racionalizar as competências e a ação dos conselhos. levando em conta o seu tamanho. · Aperfeiçoar os mecanismos de controle social. renda e condições institucionais na configuração espacial brasileira. as diferentes áreas setoriais em que ainda se dividem as estruturas governamentais. atentas à integridade de seus recursos naturais e às exigências do meio ambiente urbano. adequadamente. o patrimonialismo político brasileiro enfraqueceu-se nos últimos anos e a democracia participativa ampliou os seus espaços. 77 Objetivo 18 Modernização do Estado: gestão ambiental e instrumentos econômicos A reforma administrativa deve procurar formas de internalizar o desenvolvimento sustentável e suas estratégias nas políticas de governo. articulando. · Capacitar lideranças sociais para o desenvolvimento sustentável e preparar o terceiro setor para uma atuação mais informada tecnicamente e isenta politicamente no quadro municipal brasileiro. por meio de um novo modelo de gestão integrada. de maneira transversal. · Instituir o princípio de subsidiariedade que determina prioridade para ações de interesse da sociedade civil e.

fomente a internalização dos custos ambientais nos processos produtivos. A estruturação de um sistema de informações para o desenvolvimento sustentável é um desafio que os governos devem enfrentar e que exige um esforço conjunto. abrindo caminho para um novo modelo de Estado. buscando soluções para seus mais graves problemas. O resultado prático é que se enfraqueceu a burocracia de estilo patrimonial e centralizador que dominou a política brasileira por décadas. transferidas para os municípios. Algumas ações inovadoras demonstram que a gestão ambiental começa a sair da fase mitigadora ou reparadora para a fase preventiva e indutora de usos compatíveis com a preservação.O sistema de informação é peça essencial nesse novo modelo de gestão. no gerenciamento dos recursos hídricos e na conservação florestal estão em curso para complementar as ações de comando e controle na busca de maior eficiência. Essa fragilidade institucional tem enfraquecido o aparelho do Estado. em geral. por meio de instrumentos econômicos. mas ele ainda é precário e pouco pode ajudar na tomada de decisões dos governantes que operam com consultas informais e com a observação direta e intuitiva. No entanto. mais aberto e flexível e. informação e controle. sem perder a força nos processos de correção. É urgente a necessidade de reformulação da política fundamentada em restrições legais de comando e controle. esse novo Estado ainda não está inteiramente definido. começa a delinear-se um novo modelo de estado dotado de um marco regulatório fundamentado em novos modelos institucionais de distribuição de funções em parceria. 78 É necessária a promoção de um planejamento que integre as diferentes dimensões do desenvolvimento. de grandes proporções. que vem apresentando ineficiência. que ultrapassa a capacidade real de atuação das estruturas oficiais. em detrimento de funções de execução direta. mais condizente com a realidade e as tendências do século XXI. sobretudo. Experiências na gestão da poluição industrial. não ficando a área ambiental e social a mitigar impactos gerados por . visto como inoperante pela população. embora não haja dúvidas quanto à importância de seu poder de coordenação. para uma política que. Mesmo diante dessas dificuldades.

priorizados a partir da consideração da capacidade de suporte dos ecossistemas e não apenas para cumprir um rito burocrático. · Estabelecer termos de compromisso para a solução dos passivos ambientais com a inclusão da lógica financeira. particularmente sobre os setores produtivos objeto de privatização de empresas estatais. isto é. mediante criação de agências regulatórias. compromissos com cronogramas físico-financeiros e de desempenho ambiental amparados por garantias bancárias ou fiduciárias. objetivos e metas. · Introduzir um novo modelo de gestão ambiental integrado às ações setoriais de governo. A prática de "correr atrás do prejuízo" só será modificada com uma reestruturação efetiva do Estado. conjugada à implementação de indicadores de desempenho e de processos contínuos de melhoria da gestão. O aporte de recursos para reformulação dos órgãos gestores é de fundamental importância. seja no que diz respeito ao planejamento e geração da informação para a tomada de decisões. · Apoiar e capacitar os consórcios intermunicipais. instituindo mecanismos de controle preventivo e corretivo das atividades e processos impactantes. compreendendo a definição de missão. Objetivo 19 Relações internacionais e governança global para o desenvolvimento . · Melhorar o desempenho na prestação de serviços públicos típicos de Estado. em atividades como arrecadação. · Instituir um sistema de informação com a definição de indicadores de desenvolvimento sustentável para o gerenciamento das políticas públicas. Ações e Recomendações · Estimular o planejamento estratégico em todos os órgãos e entidades. com a participação de ONG's e da sociedade civil para processos de gestão compartilhada e promotora do desenvolvimento sustentável. · Fortalecer a capacidade regulatória do Estado. segurança e previdência social.políticas econômicas. Por outro lado é necessário estabelecer um sistema de monitoramento para um efetivo acompanhamento por parte da sociedade. como para a atividade de fiscalização. numa estrutura matricial. · Implementar as mudanças necessárias na legislação ambiental para implantação dos instrumentos econômicos em complementação aos instrumentos de comando e controle.

bem como em termos de desenvolvimento tecnológico. fortalecer a legitimidade das instituições multilaterais e dos organismos . pois. Diante desse quadro. que se reforçou ao sediar a Conferência de 1992. por sua condição de líder dos estoques remanescentes de recursos naturais. representando importante fator de legitimidade da internacionalização da economia. Além da iniqüidade. subsistem padrões diferenciados de produção e consumo. é objetivo estratégico assegurar e promover o aperfeiçoamento da governança global para o desenvolvimento sustentável. quanto no sentido Sul-Sul é fundamental para disseminar os benefícios da globalização a regiões até agora excluídas. como o continente africano. de acesso às tecnologias de informação e à educação. têm poder de veto. portanto. tanto nos planos nacionais quanto entre os países e regiões. por sua condição de destacado país em desenvolvimento. A eliminação das barreiras comerciais vigentes nos países desenvolvidos em relação às exportações dos países em desenvolvimento constitui desafio adicional a ser superado pelo processo de globalização. neles. defendendo a solidariedade entre países e povos. Apesar desses ganhos. A aceleração da globalização na última década proporcionou. a globalização apresenta o risco de produzir um aumento das desigualdades. outro problema de governança global é o fato de que existem impasses institucionais a serem superados em função da obsolescência do sistema originário de Bretton Woods e das condições gerais que presidiram a criação das Nações Unidas no período que se seguiu à Segunda Guerra Mundial. É preciso. É evidente a perda de legitimidade dos organismos econômico-financeiros multilaterais. benefícios significativos à comunidade internacional em termos de eficiência e crescimento econômico. tanto no sentido Norte-Sul. O aprofundamento da cooperação internacional.sustentável 79 O Brasil. de fato. fortemente representados pelos interesses dos Estados Unidos que. e ainda por sua tradição diplomática. tem credenciais para atuar ativamente na proposição e negociação de políticas de desenvolvimento sustentável no plano global que já vem liderando nas discussões internacionais de que são exemplos as tratativas sobre mudanças climáticas e biodiversidade. integração cultural e educacional.

É nesse contexto que vem se destacando a proposta de criar a Taxa Tobin. faltam às Nações Unidas os instrumentos financeiros e administrativos. a ordem global emergente caminha institucionalmente quase à deriva e os conflitos globais começam a emergir cada vez mais fora do espaço de negociação para o qual essas instituições multilaterais foram. No entanto. Pesquisa recente sobre a agenda internacional do Brasil.7%. apenas investiu 6. mediante o estabelecimento de mecanismos que assegurem maior representatividade aos países em desenvolvimento e democratizar o uso de tais instituições e de seus instrumentos. Atender aos interesses comuns de todos os países é um objetivo prioritário que não pode ser adiado sob pena de agravar ainda mais a desconfiança contra a nova ordem global nascente. Para implementar ações prioritárias de desenvolvimento sustentável pesam a falta dos recursos acordados pela cooperação internacional em 1992. que passariam de 0. realizada com 149 lideranças governamentais e não-governamentais ligadas à "comunidade brasileira de política externa". a seu tempo. penalizando o capital especulativo e canalizando os recursos para prioridades sociais que pretendemos sejam também ambientais. A despeito do êxito e da relevância dos serviços prestados pelas Nações Unidas na definição de uma ‘agenda global' para o novo milênio. economicamente frágeis e com peso político reduzido nas negociações internacionais.financeiros internacionais. em função do não-pagamento das cotas americanas e da desconfiança dos Estados Unidos contra uma instituição fragmentada. existe uma decepção generalizada no que diz 80 respeito à realização de tais objetivos e ao papel dos organismos multilaterais como coordenadores e impulsionadores dos compromissos assumidos. criadas. existe uma dependência excessiva de organismos como o FMI e o Banco Mundial à orientação americana. constituída de um número cada vez maior de países. Em sentido oposto. aponta que 99% dos entrevistados entendem que o Brasil deve desempenhar papel como protagonista nas relações internacionais e exercer uma liderança compatível com o seu imenso . O Global Environmental Facility (GEF). Por falta ou por excesso.7% e na realidade caíram para 0. que prometeu aos países em desenvolvimento 40 bilhões de dólares.3%.4% para 0.

fóruns e instituições globais. como o de Tarapoto. integrando organismos que lidam com ações econômicas. reformulando o seu Conselho de Segurança e garantindo um assento para o Brasil. nos municípios e nas empresas. como o grupo dos . 81 · Ampliar o envolvimento dos cidadãos com as relações internacionais. · Criar a Taxa Tobin contra o capital especulativo e em favor do combate à miséria e à proteção do meio ambiente. sociais. 2001. para apoiar as negociações que o país desenvolve na comunidade internacional. · Defender regras mais eqüitativas para o comércio internacional que beneficiem os países em desenvolvimento e não apenas os desenvolvidos. por meio de atividades profissionais e da participação maior e mais ativa do Brasil nos organismos multilaterais. científico-tecnológicas e ambientais. devem ser mais ouvidas no Congresso. Ações e recomendações · Fortalecimento das instituições governamentais que atuam na representação do Brasil nas discussões internacionais e uma crescente articulação com as entidades da sociedade civil. É preciso. envolver cada vez mais as lideranças do país que. · Fortalecer a produção de indicadores internacionais. portanto. nas organizações não-governamentais. que propiciem comparações seguras entre os países e regiões.território e com sua sofisticada tradição diplomática4. · Fortalecer as Nações Unidas como organismo representativo de uma ordem global justa e solidária.A Agenda Internacional do Brasil. CEBRI. segundo a pesquisa. e acelerar sua reforma institucional. dos interesses nacionais e do reconhecimento dos avanços recentes e dos que iremos perseguir no futuro. um estudo sobre a comunidade brasileira de política externa. unindo governo e sociedade em torno da projeção internacional do Brasil. · Fazer propostas viáveis de reforma das Nações Unidas na área do desenvolvimento sustentável. 4 Amaury de Souza . liderar e aplicar as resoluções e convenções aprovadas pelas Nações Unidas e dar prioridade para que essas medidas sejam implementadas internamente. · Participar. Tais considerações pretendem chamar a atenção para a importância de uma política externa dotada de forte legitimidade e coesão interna.

possibilitando uma compreensão do seu campo específico de ação e diferenciando-o daquele do Estado . mas precisam profissionalizar-se ainda mais. Duas leis importantes têm contribuído para uma maior profissionalização do terceiro setor no Brasil: i) a Lei n. 9. Estas entidades vêm desenvolvendo inúmeras parcerias com os três níveis de governo. Essas informações são de vital importância para conscientizar a população e para promover mudanças culturais de comportamento. Este fenômeno mundial representa um esforço de ‘delegar poder' (empowerment) aos atores sociais relevantes na nova sociedade e. são instrumentos básicos para controlar os impactos sociais e ambientais. uma forma concreta de acumulação de capital social diante das novas exigências da sociedade e da política do século XXI.608/98 que regulamenta o Serviço Voluntário. para produzir indicadores de acompanhamento e monitoramento dos problemas. 9. Os indicadores.segundo setor.países amazônicos vem realizando por meio do Tratado de Cooperação Amazônica TCA. Objetivo 20 Cultura cívica e novas identidades na sociedade da comunicação A formação de capital social A longa crise do Estado em países onde o setor público foi o grande propulsor do desenvolvimento.790/99 que cria a Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP). ii) a Lei n. projetos que mobilizem a energia social disponível. 82 O terceiro setor compõe-se de uma heterogênea gama de organizações não-governamentais (ONG's) juridicamente registradas como associações ou como fundações. Esta. ou no de terceiros. de fato. gerou um vazio político que só poderá ser preenchido com o fortalecimento e a capacitação da sociedade civil para dividir responsabilidades e conduzir ações sociais de interesse público. Em princípio.primeiro setor . introduz o chamado termo . pode-se afirmar que a sociedade civil e as organizações comunitárias são capazes de fazer em seu próprio benefício. e ainda para alimentar o fluxo de informações dirigido à mídia em suas diversas formas. de fato.e das empresas privadas . com melhores resultados e menores custos. melhorando o nível gerencial auxiliadas por um sistema de informações mais eficiente e adequado. O termo terceiro setor tem sido usado para se referir a essas organizações da sociedade civil.

com vistas a facilitar as relações entre a sociedade e o governo nos projetos governamentais ou de interesse coletivo. em nosso país. Deve-se ressaltar ainda a existência das organizações sociais. caminham hoje com esforço próprio _ por meio de suas fundações ou em parcerias com outras organizações _ e estão cada vez mais envolvidas com projetos de educação. que foi estendida para outros povos que para cá vieram nos últimos cento e cinqüenta anos. eram socialmente passivas e cujo protagonismo econômico era dependente do Estado. As teorias racistas foram derrotadas em favor da idéia de que a força da nossa cultura reside na combinação constitutiva de raças que convergem e na força da miscigenação como forma de enriquecimento social e cultural. inseparáveis de uma identidade cultural que se formou depois de décadas de rejeição da miscigenação. que pesam contra as minorias étnicas. As novas elites e os meios de comunicação A sociedade brasileira ainda é desequilibrada e desigual. mostrou que 58% das empresas do Sudeste investem em iniciativas sociais. feita pelo Ipea. As empresas que. Pesquisa recente. uma contabilidade mais transparente. segundo determina a sua lei de criação (9. As OSCIPs poderão celebrar os termos de parceria com o governo que pede.de parceria. em troca. também recentemente criadas. Procurando corrigir algumas graves distorções sociais e de renda. desejamos afirmar a importância da contribuição nacional à idéia de diversidade cultural. Para isso contribuíram a herança . pagamento de impostos e direitos trabalhistas semelhantes aos das empresas.790/99). A diversidade cultural como marca brasileira A cultura cívica e o capital social são. uma das principais bandeiras na agenda da sociedade global que valoriza as novas identidades e suas manifestações mais significativas. que são híbridos descolados do aparelho estatal e que incorporam a representação da sociedade no processo de gestão de órgãos que não detêm o monopólio das funções de Estado. no passado. 83 A convivência com a diversidade é. Esta combinação singular contrastou com outros modelos culturais de oposição das raças e de recusa radical a qualquer forma de convivência. hoje. desenvolvimento das comunidades e a responsabilidade social e ambiental.

originalmente passivas e dependentes dos interesses coloniais ou externos e internamente habituadas à subserviência diante do Estado e de sua burocracia reguladora e centralista. induza os donos das empresas de comunicação a fixar limites razoáveis e de bom senso para suas programações. As televisões educativas e TVs comunitárias podem ser fortalecidas para melhor cumprirem sua função social local. além de campanhas cívicas de conscientização em favor da doação de órgãos e contra as drogas. 84 Em sentido inverso. busquem familiarizar-se com os novos valores do desenvolvimento sustentável e com o espírito que preside a Agenda 21. Na sociedade de massas em que vivemos. Outra reivindicação da sociedade diz respeito às televisões regionais. observa-se grandes progressos em direção ao chamado marketing social e ambiental. precisa dispor de redes alternativas de informação e de cultura. É portanto. que entre em vigor o tão esperado Conselho Nacional de Comunicação. de fato. que as elites brasileiras. que costumam atrair um público mais reduzido. especialmente quanto aos princípios de governança e da autoresponsabilidade. mas numericamente muito significativo e estrategicamente importante do ponto de vista cultural. presentes em todas as regiões do país. os programas perdem a qualidade e procuram atrair o público de qualquer maneira. Tendo em vista a competição exacerbada para ganhar uma audiência formada por um público precariamente alfabetizado. fundamental. cujo objetivo seria fixar normas eticamente aceitáveis que. sem ferir a liberdade de imprensa. pouco afeita à participação civil. Formar consciências foi no passado e continua sendo no presente. É preciso.histórica e os valores culturais de nossas elites. cada vez mais monopolizadas por grupos políticos que. portanto. detêm o controle da informação. A sociedade. uma vez que as excessivas horas de exposição a tornam fonte de influência maior. acima da família e da escola. A divulgação de temas de interesse público também vem crescendo na área . até hoje ignorado. carente de educação. a mais nobre das atividades sociais de interesse público que a mídia deve desempenhar. As empresas de comunicação possuem um papel importante na construção do desenvolvimento sustentável. é grande a influência. sobre jovens e crianças. especialmente da televisão. incipiente e dispersa.

especialmente os relacionados ao combate à pobreza e ao meio ambiente. mas esses temas podem e devem multiplicar-se ainda mais em favor das grandes causas de interesse cívico contidas na Agenda 21 Brasileira. de educação e saúde dos povos indígenas. Ações e recomendações · Criar mecanismos para que o terceiro setor receba incentivos fiscais que já prevalecem na área cultural e no fundo da criança e do adolescente para projetos de desenvolvimento sustentável. marcadas pelos valores pósmodernos de integração e convivência cultural com as diferenças. · Valorizar a cultura indígena e sua preservação apressando a aprovação do Estatuto do Índio e a criação de um novo tipo de unidade de conservação. . · Promover a cultura negra reduzindo diferenças sociais por meio da valorização de sua memória cultural e étnica e da promoção de oportunidades profissionais. por meio dos programas regionais. debates ou estudos. de eqüidade social. para estimular o interesse pelo aprendizado e aperfeiçoamento profissional ou pessoal por meio de atividades culturais. ambientais. · Estimular as elites brasileiras. · Fortalecer o papel protagonista da mulher na sociedade. de trocas e de integração das etnias e das religiões. · Realizar trabalho de mobilização em torno da educação formal e informal nas comunidades. · Valorizar a identidade e a diversidade cultural brasileiras. às ações em parceria e ao trabalho voluntário. à paz e à coesão social e estimular a igualdade de gênero. · l Viabilizar. as grandes empresas e as lideranças intermediárias do país ao desenvolvimento do espírito cívico. incorporando seus valores ancestrais de respeito à natureza.de meio ambiente. como forma de envolvê-las com os problemas comuns da população. · Consolidar um balanço das experiências de educação ambiental e desenvolvimento sustentável no Brasil e avaliar os seus resultados. adaptada à realidade das reservas indígenas mas também ao uso sustentável dos recursos naturais. · Realizar projetos de educação ambiental e de capacitação para viabilização das ações propostas na Agenda 21. econômicos. a implementação de projetos culturais. protegendo-a da biopirataria e garantindo o acesso a bens e serviços. com o apoio da mídia. inclusive na política. pesquisas.

Problemas e situações como a manipulação genética. especialmente. com o objetivo de proteger o conjunto de seus membros contra os interesses de uma minoria. · Desencadear um movimento popular de conscientização da mídia para desempenho de seu papel de pedagogia social. os resíduos perigosos.· Incentivar nos jovens e idosos o gosto pelo serviço civil voluntário. os laços de família e de vizinhança. impõem uma ética entre gerações cuja conseqüência exige extrema responsabilidade e precaução. estabelece condições de previsibilidade necessárias ao bom funcionamento do corpo social. Ao fixar limites para o comportamento individual. a devastação ambiental. em realidade. a solidariedade grupal. pelas ações comunitárias. enquanto outras permanecem totalmente descrentes. Objetivo 21 Pedagogia da sustentabilidade: ética e solidariedade O principal fundamento da boa governança é o compromisso com a ética. Esse processo corrosivo provoca sérios danos morais e materiais à comunidade humana. A expansão das fronteiras do conhecimento racional e a crença incondicional de que a tecnologia pode resolver todos os problemas enfrentados pelo ser humano é um ponto sensível que se confunde com a laicização e a especialização excessiva e com a perda de referências humanas e afetivas. a ética. estimulando ações de tipo cooperativo. a desorganização social e a ênfase na vida material aumentam os sentimentos coletivos de falta de proteção e abandono que levam muitas pessoas para o misticismo. as armas de extermínio. operações de socorro e conservação da natureza. aqui entendida como um código de valores partilhados por toda a sociedade. O enfraquecimento do Estado. inclusive no mundo privado e dos negócios. comprometendo a continuidade da vida. O individualismo predatório mina as bases mais sólidas da vida em sociedade. os transplantes de órgãos. A . Mas o fato novo foi a crise ecológica e a possibilidade de esgotamento de nossos recursos naturais. 85 · Implementar o Plano Integrado de Ação Governamental para o Desenvolvimento da Política Nacional da Pessoa Idosa.como já ocorreu em outras civilizações do passado . A prosperidade material se fez acompanhar . e.de um profundo vazio moral.

o ar. em 2001. ainda utópica. de uma civilização planetária. ligada a uma sociedade mundial que comungue dos mesmos ideais de celebração da vida. para a adoção do princípio da responsabilidade social cooperativista. É a ‘modernidade ética' contrapondo-se à ‘modernidade técnica' que predominou no século XX. a água. Essa dependência comum das fontes naturais e sociais da existência exige uma nova ética do cuidado. universidades e empresas. A Carta da Terra é um instrumento educacional de promoção do desenvolvimento sustentável que já conta com o apoio da Unesco para divulgá-la mundialmente. da solidariedade. e demais ações que .Agenda 21 propõe a pedagogia da sustentabilidade como modeladora dos códigos éticos do século XXI. mas que aspiramos promover em escala mundial. · Fortalecer o Conselho de Ética do setor público. a partir dessas grandes lacunas. da sociedade organizada. sociedade civil e empresários. a moradia. A Agenda 21 Brasileira reforça a necessidade de divulgação dos princípios da Carta enquanto guia para os governos. um dos redatores da Carta da Terra. a segurança. e seu objetivo é inspirar a humanidade em seus códigos de conduta. A Carta da Terra é um compromisso idealizado na Conferência de 1992 que foi assumido pela sociedade civil e lançado na Holanda. a saúde. portanto. da justiça e em torno de temas que afetam todos os seres humanos: a alimentação. Surge. junto com o sentido 86 budista da compaixão. proposta por Leonardo Boff. nas escolas. · Incentivar o maior número possível de empresas. · Adotar o princípio da precaução em relação às novas tecnologias. interdependentes e indivisíveis. Ações e recomendações · Divulgar a Carta da Terra e debater os seus princípios inovadores e interdependentes nas instituições de governo. a idéia-força de uma civilização planetária. a educação. Sua visão ética afirma uma pedagogia da sustentabilidade. · Estabelecer códigos de ética profissionais que se empenhem no cumprimento de normas e preceitos morais e éticos e que garantam a transparência de suas ações e o controle social do cidadão sobre os serviços que o afetam. a comunicação. reconhece os princípios básicos.

há restrições às decisões de planejamento em nível subnacional.Meios de implementação: mecanismos institucionais e instrumentos Restrições e condicionalidades: os limites do possível A Agenda 21 Brasileira adotou uma perspectiva realista sobre as diferentes formas de restrições e condicionalidades que se impõem à execução de políticas. pois. não são exeqüíveis segundo as expectativas da população. de um lado. assim como a distribuição de seus custos e benefícios entre diversas pessoas e grupos sociais. programas e projetos de desenvolvimento sustentável. dos processos sociais em andamento e da escassa disponibilidade de recursos em escala nacional e regional. a alocação de recursos escassos. que resultam da concentração de decisões e instrumentos de política econômica nas mãos do poder federal. são decisões de natureza eminentemente política. a autonomia de decisão. em face da política de estabilização econômica em curso. · Combater a corrupção. Esses condicionamentos aparecem como restrições à efetivação das alternativas de desenvolvimento. que retira. onde os planejadores tendem historicamente a definir. 87 4 . não representam as suas aspirações e. objetivos e metas que. Para que as estratégias de desenvolvimento sustentável da Agenda 21 Brasileira sejam . o controle de gastos públicos e a aplicação de recursos para financiamentos diversos. que podem ter usos alternativos em diferentes programas e projetos. de outro. das regiões e de áreas específicas. no sistema de planejamento do desenvolvimento sustentável.não se conheçam previamente os impactos socioambientais decorrentes de sua adoção. Porém. mas nem sempre em caráter definitivo. por exemplo. a propina ou qualquer forma de cumplicidade que prejudique o bem público e o interesse legítimo dos cidadãos. A existência de restrições e condicionamentos político-institucionais envolve uma série de decisões que têm de ser analisadas para efetivar alternativas e escolhas a serem feitas. dependem de negociações políticas e das transformações impostas pelo próprio processo de desenvolvimento sustentável. Entretanto. em nome da sociedade. Hoje o processo de desenvolvimento nacional possui restrições que provêm das prioridades estabelecidas pelo poder federal como.

o pagamento de juros consumiu cerca de R$ 214 bilhões. das principais condicionalidades econômicofinanceiras e políticoinstitucionais do país. O Governo Federal tem cumprido e superado os seus compromissos com o FMI. maiores serão os níveis de sacrifício impostos ao bem-estar da população. sobre o custeio da máquina administrativa e. tornando difícil. também. é fundamental que haja uma explícita incorporação. utilizados para pagamento de parcela dos serviços da dívida pública. expandir as despesas com as novas demandas da Agenda 21 Brasileira. eles resultam em maior controle sobre as despesas de pessoal. no seu processo decisório. na parcela não vinculada dos gastos públicos. É possível calcular as necessidades de financiamento plurianual das políticas. Isso é mais verdadeiro quando se constata que os megavalores dos superávits primários. principalmente. em 2001.2% da dívida variou segundo as mudanças nessa taxa) e . sobre os investimentos de infra-estrutura econômica e social. médio e longo prazos. principalmente. programas e projetos da Agenda 21 Brasileira. Como esses superávits são obtidos por meio do contingenciamento das cotas orçamentárias e incidem. a médio e longo prazos.efetivamente implementadas. os gastos foram de R$ 86.7 bilhões. 51. quanto maiores os valores da meta do superávit primário a serem obtidos. as principais propostas da Agenda 21 Brasileira. ainda não são suficientes para cobrir os compromissos de cada ano. um elenco de prioridades e a interdependência técnica e intertemporal entre as diversas ações. respectivamente. valores que equivalem.6% e a 7.4 bilhões.1% do PIB. Levando em consideração a capacidade de implementação das agências públicas e privadas. os valores serão sempre muito superiores à atual realidade fiscal e financeira. o qual inclui os três níveis de governo. Entre 1998 e 2000. no curto. quanto à realização das metas dos superávits primários no orçamento público consolidado. O aumento das despesas financeiras é em função da elevação da taxa básica de juros do Banco Central (em abril de 2002. e para 2002 estima-se um crescimento de 7. 88 Entretanto. as empresas estatais e a previdência social. Vale dizer. chegando a R$ 92. por mais conservadoras que sejam as estimativas. a 7. pode se obter um quadro financeiro de fontes para implementar.2%.

também. há. As propostas possíveis: reinvenção de novos instrumentos Existem inúmeros mecanismos institucionais e instrumentos que podem contribuir para o processo de implementação da Agenda 21 Brasileira. colocar todo o peso da implementação das políticas de desenvolvimento sustentável sobre despesas adicionais de custeio e de investimento pode ser uma decisão equivocada e carregada de riscos e incertezas. A Figura 1 apresenta objetivos e alternativas de intervenção governamental nas políticas de desenvolvimento sustentável. mesmo com os elevados custos de oportunidade para a sociedade. alguns controlados por decisões da iniciativa privada. ou pela elevação da taxa básica de juros ou pela opção por títulos corrigidos pela variação cambial. uma diversidade desses mecanismos e instrumentos quanto ao seu grau de descentralização administrativa.da desvalorização do real (em abril de 2002 a dívida chegou a R$ 685 bilhões. Assim. Antes de apresentar alguns desses mecanismos e instrumentos. outros mais 89 inovadores. torna-se imprescindível a geração e a gestão adequada dos superávits primários. Como é limitada a capacidade do Governo Federal em financiar a rolagem da dívida e como o seu valor total tende a aumentar. .8% deste total estava atrelado à variação do dólar). o que se busca é um mínimo de integração dentro de um processo de desenvolvimento. mais cedo ou mais tarde. Na Agenda 21 Brasileira. Alguns mais tradicionais. sendo que 27. eqüidade social e proteção ambiental. entre transformações produtivas. é preciso evitar que. participação comunitária e de regionalização. por causa dos indispensáveis ajustes estruturais do setor público. Se não houver prioridade política para essa gestão. sem ter a pretensão de esgotar todos os mecanismos institucionais e instrumentos que podem ser mobilizados para a implementação da Agenda 21 Brasileira. muitos da alçada do setor público. seja colocada a questão da sua solvência. Por isso. é preciso lembrar que há um elenco de dificuldades político-administrativas quando se busca operacionalizar o conceito de desenvolvimento sustentável na gestão do cotidiano das políticas públicas. uma vez que elas implicam em fontes fiscais de financiamento não disponíveis. o sistema financeiro vai demandar mais e mais prêmio de risco para absorver papéis do Tesouro Nacional.

Esse processo de coordenação resulta em inúmeros obstáculos técnicos. Os problemas de insucessos podem estar ou nas dificuldades políticoinstitucionais para a sua implementação. decretos. envolvendo a mediação de conflitos. para fazer acontecer os objetivos e as metas estruturantes de um processo de desenvolvimento sustentável. ao mesmo tempo. No caso específico das políticas ambientais.numa perspectiva de sustentabilidade ampliada e progressiva. na ausência de bases conceituais ou de estruturas organizacionais para a sua efetividade. equipes técnicas interdisciplinares. se encontra em fase de reconstrução após uma seqüência de reformas administrativas malsucedidas ao longo dos últimos anos. As instituições tendem a desenvolver seu território próprio de decisão. a promoção de consensos e a busca do dinamismo efetivo em lugar das divisões formais. muitas vezes. fechando-se em torno de missões e temas programáticos. Os problemas de insucesso na implementação do desenvolvimento sustentável não se encontram. nem mesmo na ausência de mecanismos institucionais e instrumentos (ver Box 1). o empresariado e organizações não-governamentais na formação de parcerias. ou na necessidade de reinvenção de instrumentos mais adequados para tratar 90 das complexas questões de sustentabilidade multifacetada. a eliminação de setorialismos injustificáveis. Usualmente. uma questão fundamental se coloca em termos da incorporação de novos instrumentos e mecanismos econômicos como elementos complementares às decisões tomadas dentro do estilo de comando e controle. portarias) para implementar as . Ao longo das últimas décadas. As ações da Agenda 21 Brasileira são de natureza programática em busca de resultados práticos. protegendo-se de interferências das atividades de coordenação externa. principalmente. agências públicas. por exemplo. os três níveis de governo no Brasil têm utilizado crescentemente estruturas e mecanismos de regulamentação (leis. E essa integração tem que acontecer dentro de um aparelho burocrático que. no Brasil. a implementação de políticas de desenvolvimento sustentável envolve problemas de coordenação entre diferentes setores dos três níveis de governo. específicos e. nas organizações responsáveis por uma perspectiva integrada dessa política no país.

segurança no trabalho. Há uma tendência em diversos países no sentido de que. 91 FIGURA 1 Objetivos e Alternativas de Intervenção Governamental nas Políticas de Desenvolvimento Sustentável Fonte: F. por exemplo. Ed. Rezende. maior necessidade de se criar e executar mecanismos de regulamentação. ANP. biodiversidade e DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Alternativas de Intervenção . que possuem o controle social externo ainda limitado. Em uma primeira etapa elas se concentravam nas áreas das políticas sociais (saúde. com o avanço do processo de privatização dos setores de infra-estrutura econômica. que serve de base institucional para a concepção e a execução das políticas de desenvolvimento sustentável. é fundamental que sejam aperfeiçoados tecnicamente e fortalecidos politicamente. quanto mais intensos os processos de privatizações e de concessões de serviços públicos. energia e petróleo.mais diferentes políticas públicas. ANA). educação). Mais recentemente. 92 AGENDA 21 BRASILEIRA Economia da poupança na sociedade do conhecimento Inclusão social para uma sociedade solidária Estratégia para a sustentabilidade urbana e rural Recursos naturais estratégicos: água. Aneel. defesa do consumidor. criadas após as privatizações abrangentes ou parciais dos setores de infra-estrutura econômica e de energia (Anatel. inclusive as que venham a utilizar mais amplamente os mecanismos baseados em mercado. Finanças Públicas. Cite-se. foram criadas agências regulatórias para telecomunicação. Em muitas situações. o Brasil ainda está em fase de aprendizado histórico para lidar com esses mecanismos institucionais. É evidente que não se pode subestimar o conjunto das estruturas regulatórias do país. Atlas (adaptação). Dada a inequívoca importância das estruturas e dos mecanismos regulatórios para o processo de implementação das políticas de desenvolvimento sustentável. o caso das agências regulatórias.

Uma das principais características que tem destacado a política nacional do meio ambiente no Brasil é a participação ativa dos segmentos organizados da sociedade civil e dos conselhos consultivos nos três níveis de governo. dispõe de uma larga experiência de sucessos para promover políticas de desenvolvimento econômico e social. · Certificados negociáveis. com órgãos consultivos. Coordenação Administrativa Incentivos às experiências de desenvolviment o endógeno Incentivos à formação de parcerias BOX 1 CONSELHOS DO MEIO AMBIENTE: A PARTICIPAÇÃO INSTITUCIONALIZADA O Brasil. Financeira. · Fundos especiais. deliberativos. de outro. · Depósitos restituíveis. Regulamentaçõe s Mecanismos de Financiamento · Impostos. e executores. da intensidade . e. · Financiament os multilaterais.Essa participação tem sido institucionalizada desde os anos de 1980 e sua eficácia tem dependido.Intervenção Direta Gastos Públicos Empreendimentos Governamentais Intervenção Indireta Política Fiscal. assim como de um Sistema Nacional do Meio Ambiente dos mais bem estruturados e operantes com ramificações nos três níveis de governo. do efetivo comprometimento político do Poder Executivo com esse mecanismo democrático de tomada de decisões. e tendo como suporte uma legislação contra os crimes ambientais cada vez mais rigorosa e específica. etc. de um lado. quando comparado com outros países da América Latina. · Taxas. etc.

as informações indispensáveis para apreciação dos estudos de impacto ambiental. normas e padrões nacionais de controle da poluição por veículos automotores. possuir em seus quadros. bem como às entidade privadas. IV. normas e critérios para licenciamento de atividades efetiva ou potencialmente poluidoras. mediante representação do Ibama. uniformizando. Entretanto. requisitando aos órgãos federais. as exigências. deliberar sobre normas e padrões compatíveis com o meio ambiente ecologicamente equilibrado. estaduais e municipais. os entes federados. em caráter geral ou condicional. aeronaves e embarcações. . Incluem-se. O Ibama. determinar. a realização de estudos das alternativas e das possíveis conseqüências ambientais de projetos públicos ou privados. quando possível. especialmente nas áreas consideradas patrimônio nacional. a perda ou restrição de benefícios fiscais concedidos pelo Poder Público. ressalvada sua competência supletiva. II. estabelecer. e respectivos relatórios. para exercerem suas competências licenciatórias. profissionais legalmente habilitados. Usualmente. mediante proposta do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente _ Ibama. estudar e propor diretrizes de políticas governamentais para o meio ambiente e. estadual ou local. mediante audiência dos ministérios competentes. deverão ter instalados os Conselhos de Meio Ambiente. estabelecer. No Governo Federal. no caso de obras ou atividades de significativa degradação ambiental. entre as competências do Conama: I.de mobilização que ocorre no âmbito da sociedade civil para potencializar a possibilidade de estar presente na condução das decisões de desenvolvimento sustentável em nível federal. com caráter deliberativo e participação social e. 93 III. quando julgar necessário. órgão consultivo e deliberativo do Sistema Nacional do Meio Ambiente. e a perda ou suspensão de participação em linhas de financiamento em estabelecimentos oficiais de crédito. determinar. tem a finalidade de assessorar. ainda. a representação social se dá por meio de movimentos sociais e organizações não-governamentais que compõem o que se denomina terceiro setor no país. poderá delegar aos estados o licenciamento de atividades com significativo impacto ambiental de âmbito regional. ou à sua disposição. privativamente. o Conselho Nacional do Meio Ambiente _ Conama. no âmbito de sua competência.

em períodos em que a estabilidade da economia brasileira tem exigido. Mais recentemente. deve ser estimulado. O hiato de recursos acumulado no passado é tão grandioso que o crescimento dos recursos fiscais . Criação de fundos A proposta de criação de um fundo especial para o financiamento das ações de desenvolvimento sustentável definidas no processo de elaboração da Agenda 21 se concretizaria pela vinculação adicional de receitas tributárias (impostos. que se amplie ainda mais as vinculações dos parcos recursos livres dos orçamentos de custeio e capital para financiar a Agenda 21 Brasileira. recorrentemente. taxas. que todo esforço de negociação para expandir as cotas orçamentárias nos três níveis de governo. É evidente. as dificuldades operacionais para um maior sucesso das estruturas regulatórias. relacionadas com as ações de desenvolvimento sustentável. tem muito a ver com a mencionada crise fiscal e financeira pela qual passa o país. pelos setores de educação. Estas vinculações foram um caminho encontrado. para reduzir as incertezas quanto à efetividade dos seus gastos. na medida que progredir o grau de consciência ecológica e de responsabilidade social do cidadão brasileiro e se consolidarem as práticas democráticas na gestão das políticas públicas. a partir da Constituição de 1988. embora seja desaconselhável do ponto de vista do interesse nacional.O papel dos Conselhos do Meio Ambiente nos três níveis de governo. assim como dos diferentes conselhos das mais diversas políticas sociais. contribuições parafiscais). desde 1988. ocorreu a 94 criação de fundos setoriais vinculados ao financiamento da Política Nacional de Ciência e Tecnologia. mesmo considerando os grandes avanços que vêm sendo conquistados no processo de formulação e de implementação dos orçamentos fiscais no Brasil. tenderá a se tornar cada vez mais relevante na formulação e no controle de políticas ambientais e sociais. saúde e desenvolvimento regional. Isso nos remete necessariamente a soluções de caráter mais radical para inovar fontes de financiamento dos orçamentos fiscais para a implementação da Agenda 21 Brasileira. A intervenção direta por meio dos gastos públicos No Brasil. o contingenciamento de recursos diante de eventuais desequilíbrios macroeconômicos. como mecanismo predominante na execução das políticas públicas.

pode ser recomendável para o país. por meio de mudanças nos orçamentos anuais. O Orçamento Plurianual de Investimentos pode ser uma alternativa para orientar a reestruturação dos gastos públicos ao longo do tempo. é fundamental valorizar o papel do segundo setor (organizações empresariais) e do terceiro setor (organizações sem fins lucrativos) na concepção e na formação de parcerias de programas e projetos de desenvolvimento sustentável. Normalmente.ainda pode ficar muito aquém das necessidades de financiamento da Agenda 21 Brasileira. na reordenação e na integração de programas e projetos que diferentes instituições do setor público vêm executando. A função de reprogramação orçamentária consiste na desativação. sem uma perspectiva crítica da composição das despesas de custeio e de investimento. e com grande chance de ser feito amanhã o que se 95 propõe para hoje. como prioritárias diante das novas estratégias da Agenda 21 Brasileira. Orçamento de base zero A reprogramação dos recursos públicos que já estão sendo normalmente aplicados. estados e municípios de maior complexidade econômica e social (centros metropolitanos e cidades de porte médio). torna-se necessário avaliar em que medida mecanismos e instrumentos de mercado podem ser utilizados para aliviar a carga das demandas para ações de desenvolvimento sustentável nos orçamentos fiscais dos três níveis de governo. há uma forte tendência para que os orçamentos de cada ano sejam uma reprodução da estrutura de gastos do ano anterior. segundo as diretrizes propostas por novas estratégias de desenvolvimento. com pequenas alterações quanto à introdução de novas atividades ou projetos. Em situações especiais. de forma a redirecionar os recursos correspondentes a esses programas e projetos. Dessa forma. mais importante do que as tentativas de vincular receitas ou de gerar fundos adicionais. Por isso. repele-se hoje o que se fazia ontem. é uma das alternativas de financiamento do desenvolvimento sustentável. Da mesma forma. São grandes as possibilidades de que as atuais estruturas de gastos não sejam consideradas em seu conteúdo ou em sua forma. Até mesmo os gastos em programas com receitas vinculadas poderiam ser reestruturados em nível desagregado das características dos seus projetos e atividades. pelos três níveis de governo. que realizem .

os instrumentos fiscais e financeiros têm sido usados na ocorrência de determinadas atividades de mérito sociocultural inquestionável. a mudanças na política tributária (alíquotas diferenciadas de impostos e taxas. dadas as eventuais dificuldades político-institucionais para a sua implementação. recorre-se. O uso desses instrumentos poderá ser eficaz na implementação das múltiplas ações propostas na Agenda 21 Brasileira. de cotas preestabelecidas ou corrigidas segundo regras uniformes. A intervenção indireta das políticas fiscal e financeira Historicamente. como as que se inserem na Agenda 21 Brasileira. quando há discrepâncias entre a taxa de rentabilidade privada e a taxa de rentabilidade social de determinados investimentos. Em geral. deve haver uma sólida justificativa para cada programa.um processo de reprogramação a partir de uma experiência de formulação e execução do orçamento de base zero. empresariais e burocráticos. a fim de se ter acesso aos recursos fiscais. projeto ou atividade a ser incluída no orçamento. inicialmente. são esses instrumentos que geraram o maior número de "falhas de governo" no processo de desenvolvimento sustentável no país. tendo como referência estratégias de desenvolvimento. desonerações. Na verdade. 96 Incentivos fiscais Os incentivos fiscais se apresentam como o instrumento mais utilizado na promoção de soluções . com certa freqüência. por problemas de concepção e de implementação das políticas públicas. uma vez que por trás de cada real de despesa pública há sempre um conjunto de interesses regionais. para apoiar ações de desenvolvimento e corrigir "falhas de mercado". Para uma maior eficácia recomenda-se que esse tipo de reformulação conceitual do orçamento se processe uma única vez e no primeiro ano de cada mandato. De acordo com a metodologia do orçamento de base zero. prática relativamente comum em grandes corporações privadas e na administração pública de alguns países desenvolvidos. locais. ou quando surgem externalidades negativas na implantação ou operação desses investimentos. estrutura-se o novo orçamento. A partir do conjunto de demandas multifacetadas. o poder público tem utilizado os instrumentos fiscais e financeiros de intervenção indireta para atingir os objetivos das políticas de desenvolvimento. Ao mesmo tempo. sub-programa. nenhum órgão da Administração direta ou indireta dispõe. Nesses casos. isenções).

· a manutenção de um vínculo não justificável entre o contribuinte que se utiliza do incentivo e a propriedade do capital transferido para a região.IRPJ. sendo acessados geralmente por meio de negociações políticas no Executivo e no Legislativo. No caso específico dos incentivos fiscais da promoção do desenvolvimento das regiões Norte e Nordeste. Nordeste e Centro-Oeste. deveriam reforçar a ação dos incentivos.145. · a frouxidão dos critérios aplicados à aprovação dos projetos. · a atitude passiva do poder público com respeito ao uso dos recursos proporcionados pela renúncia fiscal. · a interferência na gestão da política de incentivos. consubstanciada na Medida Provisória nº 2. com exceção de alguns poucos que executam projetos próprios. tais como: · a falta de interesse da maioria dos investidores. de 2 de maio de 2001. . que exercem o direito de optar pela aplicação de parcela do imposto devido para investimentos. Por serem recursos com baixo custo de oportunidade econômica para os que deles se beneficiam. criados pela Constituição de 1988. é comum que o seu uso esteja freqüentemente associado às mais diferentes mazelas. com o conseqüente descaso entre os fluxos de demandas de recursos e de ingresso das aplicações nos fundos respectivos. a ponto de estarem ameaçados de extinção. entre outros.para problemas de redistribuição de benefícios sociais e oportunidades econômicas. transforma esses incentivos em um fundo orçamentário com vigência limitada ao exercício de 2013. · a enorme ineficiência na aplicação desse instrumento. A última norma a respeito. por meio de programas e projetos de natureza meritória. nos resultados de sua aplicação. ineficiência e desperdício. com base em renúncias de arrecadação do Imposto Sobre a Renda de Pessoas Jurídicas . os incentivos fiscais têm sido alvo freqüente de denúncias de favoritismo. Uma vez utilizados para implementar programas e projetos de desenvolvimento sustentável propostos na Agenda 21 Brasileira. esses incentivos devem evitar os vícios de concepção já registrados em estudos recentes do Governo Federal. no que se refere à concessão de auxílio financeiro à instalação ou 97 modernização de empreendimentos produtivos nas regiões Norte. Fundos de desenvolvimento regionais e instrumentos tributários Os fundos de desenvolvimento regionais. corrupção.

de acordo com os critérios estabelecidos na legislação. Incentivos fiscais. Há. financiamentos e o papel dos bancos de desenvolvimento Entre os mecanismos e instrumentos de mercado subsidiários às políticas de desenvolvimento sustentável. Na prática. observadas as necessárias correções quanto ao seu gerenciamento. CEF. essa complementação nunca existiu. ainda existe espaço políticoinstitucional para mudanças incrementais em diversos instrumentos tributários. nesse sentido. os instrumentos e fundos poderiam atuar complementarmente para aumentar a eficácia de suas aplicações. Há uma larga experiência internacional em se incorporar as avaliações de mérito social e ambiental em projetos de investimento com financiamento público ou privado. Algumas unidades da Federação têm legislado no sentido de que haja pesos distributivos na repartição da cota-parte livre. Cite-se. decorrentes das deficiências de infra-estrutura econômica e social. um papel especial para as instituições públicas financeiras federais (BB. Em tese. cuja aplicação é definida por lei estadual e constitui enorme possibilidade para a promoção de políticas. . Enquanto os incentivos aportariam recursos mediante capitalização. de tal forma que têm estimulado a preservação do meio ambiente nos municípios. a cota-parte do ICMS. os fundos financeiros forneceriam empréstimos em condições mais favoráveis. incentivos e créditos não foram capazes de provocar as mudanças esperadas nos cenários econômicos regionais. Independentemente de uma ampla e indispensável reforma tributária. os instrumentos tributários apresentam um grande potencial para a implementação da Agenda 21 Brasileira. programas e projetos de desenvolvimento sustentável. Operando sob lógicas distintas e gerenciados de forma independente. Mesmo com as dificuldades operacionais e os obstáculos políticoinstitucionais. como exemplo. para adequá-los à implementação da Agenda 21 Brasileira.Alimentados pelo repasse de receitas tributárias da União. os Fundos de Desenvolvimento Regional . está a incorporação das dimensões social e ambiental na avaliação de financiamentos oficiais e na concessão de incentivos fiscais.fornecem empréstimos a juros subsidiados a pequenas e médias empresas. embora esse processo ainda apresente dificuldades técnicas e controvérsias conceituais. compondo uma equação capaz de compensar as desvantagens iniciais de investir nas regiões menos desenvolvidas do país.FNO. FNE e FCO .

BNDES. até mesmo nas economias tipicamente capitalistas. É indispensável que o BNDES. antes de submetê-lo a um processo de financiamento ou de concessão de incentivo fiscal. muitas vezes de difícil quantificação. A própria existência desta estrutura regulatória é muitas vezes suficiente para que o investidor faça ajustes prévios nas características do projeto (tecnologia. as dimensões social e ambiental como critérios decisivos nos seus financiamentos. que deixem de incentivar os projetos mais apropriados do ponto de vista das políticas sociais de maior poder redistributivista e do equilíbrio do ecossistema regional (ver Box 2). A . Esta abordagem de regulamentação vem funcionando adequadamente em alguns estados e municípios da Federação. assim como as novas Agências de Desenvolvimento Regional (ADA. Basa. de um lado. microlocalização. em transição. o BNB. Adene e Adeco) incorporem. BNB) no processo de implementação da Agenda 21 Brasileira. é o abandono da análise ampliada dos custos e dos benefícios e a utilização do custo-efetividade. Um caminho alternativo para o tratamento dessas questões. A promoção de ações de desenvolvimento sustentável se constitui numa transição e os mecanismos de mercado demonstram incapacidade de atender às demandas da sociedade. Mesmo com o 98 progresso das privatizações nos sistemas financeiros. onde são avaliadas as condições de trabalho na cadeia produtiva em que se insere o projeto financiado ou subsidiado. a CEF e o BB. o Basa. que venham ocorrer efeitos distributivos que concentrem grandes danos ambientais provocados pelos projetos de investimentos subsidiados com dinheiro público. de forma sistemática. do outro lado. Com a inclusão dos benefícios ou dos custos sociais e ecológicos no fluxo de caixa de um projeto de investimento. empréstimos ou concessão de incentivos fiscais para evitar. onde os órgãos oficiais de controle ambiental têm sido consultados previamente. também. e. por obrigação legal. avaliá-lo quanto ao seu enquadramento nas legislações ambiental e sociais vigentes. deve-se. antes da aprovação de um financiamento favorecido ou de um subsídio a ser concedido a um projeto de investimento. organização do trabalho). é possível identificar um conjunto de razões que justificam a ação de financiamento e de fomento como uma ação de governo.

e de priorizar ações de apoio ao desenvolvimento sustentável. em 1996. de maneira profunda. Na carta. o Banco do Nordeste do Brasil _ BNB e o Banco da Amazônia _ Basa. 99 Um grande número dos projetos de investimentos na área social ou de preservação ecológica se situa dentro da análise custo-efetividade. sobre o que se entende por benefício de um projeto. Nela. também. contribuir para a criação de unidades ambientais dentro das agências financeiras. a conservação ou a preservação de uma reserva florestal) e o problema passa a ser como minimizar os custos associados com um dado perfil de benefícios. · estimular a criação de facilidades creditícias para aquelas empresas que im