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As Três Irmãs, Anton Tchekhov

As Três Irmãs, Anton Tchekhov

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(Diana en qualio alos)
19OO - 19O1

An|cn Tcnc|nct

Disliiluído aliaves do sile vvv.oficinadelealio.con
Iaia uso coneiciaI, pedinos a genliIeza de enliai en conlalo con o auloi
ou iepiesenlanle!

2

P PE ER R5 5O ON NA AG GE EN N5 5

PROZOROV, ANDREI 5ERGUEIEVITCH
NATALIA IVANOVNA, sua nnIva, dcpnIs cspnsa
OLGA, MACHA E IRINA, Irmãs dc AndrcI 5crguêIcvItch
KULIGUIN, FIODOR ILITCH, prnfcssnr dc !Iccu, marIdn dc Macha
VERCHININ, ALEK5ANDER IGNATIEVITCH, tcncntc-cnrnnc!,
cnmandantc dc artI!harIa
TUZENBACH, NIKOLAI LVOVITCH, barãn, prImcIrn-tcncntc
5OLIONII VA5ILII VA5ÍLIEVITCH, capItãn
TCHEBUTIKIN, IVAN ROMANITCH, médIcn mI!Itar
FEDOTIK, ALEK5EI PETROVITCH, tcncntc
RODE, VLADIMIR KARLOVITCH, tcncntc
FERAPONT, vc!hn cnntínun da munIcIpa!Idadc
ANFI55A, vc!ha babá, tcm nItcnta anns


AÇÂO 5E DE5ENROLA NUMA CAPITAL DE PROVÍNCIA

P PR RI IM ME EI IR RO O A AT TO O

UMA SALA NA CASA DOS PROZOROV. ENTRE SUAS COLUNAS SE
DlVlSA A SALA DE ]ANTAR. Ê UM MElO-DlA ENSOLARADO E
ALEGRE. NA SALA DE ]ANTAR ESTÃO PONTO A MESA PARA O
ALMOÇO.
OLGA, VESTlNDO O UNl|ORME AZUL DAS PRO|ESSORAS DE
LlCEU, CORRlGE, SENTADA OU ANDANDO, OS CADERNOS DE
SUAS ALUNAS. MACHA, DE VESTlDO NEGRO, ESTA SENTADA
COMO CHAPÊU SOBRE OS ]OELHOS E LÈ UM LlVRO. lRlNA, DE
ROUPA BRANCA, ESTA DE PÊ ]UNTO A ]ANELA, lMERSA EM
PENSAMENTOS.

OLGA
~ Hoje faz un ano exalo que noiieu nosso pai, dia 5 de naio, dia
da sua sanla, Iiina. Iazia nuilo fiio e nevava. Lu pensava que não iiia
solievivei, e vocô, desnaiada, esla eslendida aqui no chão cono un
cadávei. Ioien desde enlão se passou un ano, e já podenos iecoidá-Io
de coiação Ieve, vocô já se vesle de lianco e len o ioslo iIuninado. (O
ieIógio lale doze hoias) Tanlen enlão o ieIógio laleu. (Iausa) Lenlio-
ne, quando Ievaian nosso pai locava una landa niIilai e no cenileiio
dispaiou-se una saIva de liios. LIe eia geneiaI, un geneiaI de liigada, e
nesno assin havia pouca genle. TaIvez poi causa da chuva. Chovia foile
e lanlen nevava....

3
(ATRAS DAS COLUNAS, NA SALA DE ]ANTA, APARECEM ]UNTO A
MESA O BARÃO TUZENBACH, TCHEBUTlKlN E SOLlONll.)

OLGA
~ Hoje faz caIoi, as janeIas eslão aleilas, nas ainda não
apaieceian liolos de leluIas. Iaz onze anos que nosso pai ieceleu a sua
liigada e nós deixanos Moscou, nas eu ne iecoido peifeilanenle. Nesla
epoca, coneço de naio, en Moscou já eslá ludo fIoiido, faz caIoi, os iaios
de soI inundan loda a cidade. Iassaian-se onze anos, nas ne iecoido de
ludo, linlin poi linlin, cono se livessenos deixado Moscou onlen. Meu
Deus! Quando acoidei hoje de nanhã e vi loda esla Iuz, a piinaveia, neu
coiação se encheu de aIegiia e desejei aidenlenenle eslai en ninha
cidade nalaI.
TCHEBUTIKIN
~ Que nada!
TUZENBACH
~ CIaio, que lolagen! (Macha, pensaliva, a caleça incIinada
solie o Iivio, assolia suavenenle una canção)
OLGA
~ Não assolie, Macha. Cono pode fazei isso` (Iausa) Desde que
vou ao Iiceu lodos os dias e a noile dou auIas pailicuIaies, lenho
conslanles doies de caleça e fico pensando que já eslou veIha. L de falo,
nesses qualio anos de Iiceu sinlo ninha juvenlude e ninhas foiças
escapando-ne dia a dia, gola a gola. L anseio cada vez nais e nais...
IRINA
~ Que nudenos paia Moscou! Vendanos a casa, deixenos ludo
e pailanos paia Moscou.
OLGA
~ O quanlo anles! (Tchelulikin e Tuzenlach iien)
IRINA
~ Nosso iinão seguianenle se loinaiá piofessoi univeisiláiio,
enlão não iiá ficai nesno aqui. Só a polie Macha vai conlinuai aqui.
OLGA
~ Macha nos visilaiá lodos os anos paia passai o veião en
Moscou. (Macha assolia suavenenle una canção)
IRINA
~ Tudo se ajeilaiá, se Deus quisei. (OIha peIa janeIa) Que leIeza
de dia! Não sei poi que liiIha lanla Iuz no neu coiação. Quando Ienliei
hoje peIa nanhã que eia o dia da ninha sanla, fiquei feIiz de iepenle e
iecoidei a infância, quando nanãe ainda viva... Ai, os pensanenlos
naiaviIhosos que ne invadiian!

4
OLGA
~ Hoje vocô eslá iadianle e leIíssina. Macha lanlen eslá
leIíssina. Andiei seiia lanlen gailoso, nas engoidou nuilo e isso não
Ihe fica len. Lu poien enveIheci un locado e enagieci, deceilo poi
causa das discussões con as aIunas. Hoje, poi exenpIo, que e o neu dia
de foIga, eslou aqui e a caleça não dói, sinlo-ne nais joven que onlen.
Lslou con vinle e oilo anos, nas... Lslá ludo len, ludo e a vonlade de
Deus, nas sale-se Iá, se ne casasse e passasse o dia en casa seiia neIhoi.
(Iausa) Lu anaiia o neu naiido...
TUZENBACH (a SoIionii)
~ O senhoi diz lanla lolagen que nen vaIe a pena esculá-Io
(Lnlia na saIa) Lsqueci de avisai-Ihe que Veichinin, o novo conandanle
de ailiIhaiia, viiá fazei-Ihe una visila hoje. (Senla-se dianle do piano)
OLGA
~ Lslanos encanladas.
IRINA
~ LIe e veIho`
TUZENBACH
~ Não nuilo. Anda no náxino peIa casa dos quaienla, quaienla
e cinco. (Toca piano suavenenle) Iaiece sei un sujeilo sinpálico. Que eIe
não e luiio, isso e ceilo. Apenas faIa nuilo.
IRINA
~ L un honen inleiessanle`
TUZENBACH
~ ßen, e. Mas len nuIhei e sogia e duas fiIhas pequenas.
Conven dizei lanlen que se casou peIa segunda vez. Nas visilas, que
aIiás faz aniúde, conla que len nuIhei e duas fiIhas. Tanlen aqui eIe
vai conlai. A nuIhei paiece sei un pouco desnioIada, usa Iongas
lianças, cono una nenina, se expiessa con fiases conpIicadas e nuila
fiIosofia, e fieqüenlenenle lenla o suicídio, deceilo paia aloiiecei o
naiido. Lu há nuilo já leiia alandonado essa nuIhei, nas eIe a agüenla
e apenas se Ianenla
5OLIONII (enlia na saIa na conpanhia de Tchelulikin)
~ Con una não Ievanlo só un pud e neio
1
, nas con as duas
chego a Ievanlai cinco ou ale seis pudes. Sendo assin, concIuo que dois
honens lôn não apenas o dolio de foiça de un, nas peIo nenos o liipIo.
TCHEBUTIKIN (andando, Iô un joinaI)
~ Conlia queda de caleIos... dissoIvei dois gianas de naflaIina
en neia gaiiafa de áIcooI... Iiiccionai lodas as noiles... (Anola en sua
cadeinela) Tonaienos nola disso (A SoIionii) Iiesle alenção.
Lnpuiianos a ioIinha no fiasco. Un lulinho de cidio a aliavessa.

1
27 quiIos apioxinadanenle.

5
Depois, peganos una pilada do nais sinpIes, do nais conun dos
aIunes...
IRINA
~ Ivan Ronanilch, caio Ivan Ronanilch!
TCHEBUTIKIN
~ Que e, ninha fiIhinha, ninha aIegiia`
IRINA
~ Diga-ne, poi que eslou lão feIiz hoje` Cono se navegasse nun
veIeiio,
acina da ninha caleça o dislanle ceu azuI, e giande pássaios liancos
ciicuIando ao neu iedoi. Ioi que e assin` Ioi quô`
TCHEBUTIKIN (leijando-Ihe as nãos, caiinhosanenle)
~ Meu passaiinho lianco.
IRINA
~ Hoje, quando despeilei, Ievanlei-ne e lonei lanho, de súlilo
ne paieceu que ludo no nundo eslava lão cIaio e eu salia cono se deve
vivei. Queiido Ivan Ronanilch, eu sei ludo. O honen deve se esfoiçai,
lialaIhai con o suoi do ioslo, quen quei que seja, e só nisso ieside o
senlido e oljelivo da vida, a nossa feIicidade e o nosso piazei. Cono e
lonila a vida do opeiáiio que se Ievanla de nadiugada e quelia pedia na
esliada, ou do pasloi ou do piofessoi que ensina a ciiança, ou do
naquinisla na feiiovia... Meu Deus! Ten nuilo nais vaIoi não apenas o
honen que lialaIha, nas o loi lanlen, e o cavaIo de caiga, do que una
joven casada que acoida ao neio-dia, len seu cafe da nanhã seivido na
cana, denoia duas hoias paia se apionlai... Ai, cono isso e leiiíveI! Só o
caIoi do veião e capaz de nos deixai lão sedenlos quanlo a sede que eu
lenho hoje de lialaIhai. L se de agoia en dianle eu não Ievanlai cedo e
não lialaIhai, negue-ne, Ivan Ronanilch, a sua anizade!
TCHEBUTIKIN (leinanenle)
~ Negaiei. Negaiei.
OLGA
~ Nosso pai nos acoslunou a Ievanlai as sele hoias. Agoia Iiina
acoida
as sele hoias, nas peinanece na ana ale as nove, peIo nenos, pensando
sen paiaia en não sei o quô. L con una caia lão seiia! (Ri)
IRINA
~ Vocô eslá acoslunada a ne consideiai una nenina e agoia
eslianha o neu ioslo eslá seiio. Tenho vinle anos!
TUZENBACH
~ Lu conpieendo - e cono! - que as pessoas desejen lialaIhai.
Ln loda ninha vida nunca lialaIhei. Nasci na fiia e indoIenle São
Ielesluigo, nuna faníIia que nunca soule o que eia lialaIhai e nunca
conheceu piovações. Recoido-ne, quando voIlei paia casa depois da

6
acadenia niIilai, eia o Iacaio quen ne liiava as lolas, naqueIa epoca eu
eia cheio de capiichos, poien a ninha nãe ne oIhava naiaviIhada e
ficava adniiada se os oulios não ne vissen do nesno nodo.
Iieseivaian-ne do lialaIho. Ioien, não conseguiian ne afaslai deIe
poi conpIelo. L chegada a hoia, já se apioxina, una inensa e saudáveI
lenpeslade eslá poi vii, já eslá a caninho, daqui a pouco chegaiá aqui e
afugenlaiá da nossa sociedade a indoIôncia, a indifeiença, o pieconceilo
conlia o lialaIho, o ledio puliefalo. TialaIhaiei. Daqui a vinle e cinco ou
liinla anos lodos os honens lialaIhaião. Todos!
TCHEBUTIKIN
~ Lu não lialaIhaiei.
TUZENBACH
~ O senhoi não conla.
5OLIONII
~ Daqui a vinle e cinco anos o senhoi já não eslaiá nais enlie os
vivos, giaças a Deus. Denlio de dois ou liôs anos leiá un deiiane e
noiieiá. Ou nun dia en que eu eslivei de nau hunoi sinpIesnenle Ihe
daiei un liio na caleça, neu anjo. (Tiia do loIso un fiasco de peifune e
o loiiifa no peilo e nas nãos.)
TCHEBUTIKIN (Ri)
~ De falo, nunca na vida fiz nada. Desde que leininei a
facuIdade não novi nais un só dedo, não Ii un único Iivio, apenas o
joinaI (Tiia do loIso oulio joinaI) Lis un... IeIos joinais, sei, poi exenpIo,
que exisliu un laI DolioIiulov, nas o que eIe escieveu, isso já não sei. Só
Deus sale! (Ouven-se goIpes no assoaIho, vindos do andai de laixo) Ah,
eslão ne chanando en laixo, aIguen veio ne vei. VoIlo Iogo, adeus.
(Reliia-se apiessado, cofiando a laila.)
IRINA
~ Lslá lianando aIgo.
TUZENBACH
~ Sin. Tinha una caia nuilo soIene ao saii, deceilo voIlaiá con
un piesenle paia a senhoia.
IRINA
~ Ai, que desagiadáveI.

OLGA
~ Sin, e leiiíveI. Senpie eslá as voIlas con essas lolagens.
MACHA (Ievanla-se e canlaioIa en voz suave) ¨}unlo ao nai há un
caivaIho, una coiienle de ouio pende de seus gaIhos... una coiienle de
ouio pende de seus gaIhos...¨
OLGA
~ Macha, hoje vocô não eslá aIegie. (Macha, senpie
canlaioIando, põe o chapeu) Aonde vai`

7
MACHA
~ Iaia casa.
IRINA
~ Que eslianho.
TUZENBACH
~ Não vai ficai paia o aInoço feslivo`
MACHA
~ Tanlo faz... A noile dou un puIo aqui. Adeus, queiida. (ßeija
Iiina) Desejo-Ihe, de novo, saúde e feIicidade. Ln oulios lenpos, quando
nosso pai ainda vivia, nos dias de sanlo vinhan senpie liinla ou
quaienla oficiais nos visilai e fazian nuila aIgazaiia, un giande
ieluIiço. Hoje lenos aqui apenas una pessoa e neia e ieina un siIôncio
sepuIciaI. ßen, vou indo. Hoje ne sinlo neIancóIica... eslou de nau
hunoi, nas agoia adeus, ninha queiida, vou saii poi aí...
IRINA (conliaiiada)
~ Ai, cono vocô e...
OLGA (enlie Iágiinas)
~ Lu a conpieendo, Macha.
5OLIONII
~ Quando un honen fiIosofa, faz fiIosofíslica, ou diganos,
sofíslica. Mas se una - ou duas - nuIheies fiIosofan... isso e, senhoies,
cono se Iadiassen a Iua.
MACHA
~ Cono o senhoi e leiiiveInenle desagiadáveI. O que quei dizei
conisso`
5OLIONII
~ Nada... ¨VoIla-se e eslaiiecido diz 'Ai´: eia un uiso que o
seguia...¨
2
(Iausa)
MACHA (a OIga iiiilada)
~ Não choie!
(ENTRAM AN|lSSA E |ERAPONT, ESTE TRAZ UM BOLO)
ANFI55A
~ Ioi aqui, poi aqui, paizinho. Vá enliance, eslá con os pes
Iinpos (A Iiina) Ven da piefeiluia, da paile de MikhaiI Ivanovilch
Iiolopopov. L un loIo.
IRINA
~ Oliigada. Diga-Ihe que agiadeço (Apanha o loIo)
FERAPONT
~ O que disse`
IRINA (en voz nais aIa)
~ Agiadeça a eIe!

2
IáluIa de KiiIov

8
OLGA
~ ßalá, dô-Ihe pasleI. V, Ieiaponl vai ganhai pasleI
FERAPONT
~ O que disse`
ANFI55A
~ Vanos, Ieiaponl Spiiidonilch, vanos! (Anlos saen)

MACHA
~ Não goslo desse Iiolopopov, ou MikhaiI Iolapovilch, ou
Ivanilch, ou sei Iá o quô. LIe não deve sei convidado.
IRINA
~ L eu não o convidei.
MACHA
~ Lnlão eslá len.
(ENTRA TCHEBUTlKlN, SEGUlDO POR UM SOLDADO QUE
CARREGA UM SAMOVAR DE PRATA. OUVEM-SE EXCLAMAÇÕES
DE ASSOMBRO E REPROVAÇÃO)
OLGA (colie o ioslo con as nãos)
~ Un sanovai! L leiiíveI! (Lnlia na saIa de janlai e se diiige a
nesa)
IRINA
~ Queiido, queiido Ivan Ronanilch, o que o senhoi apionlou`
TUZENBACH (ii)
~ Não disse`
MACHA
~ O senhoi não len veigonha, Ivan Ronanilch`
TCHEBUTIKIN
~ Minhas queiidas, vocôs são as únicas pessoas, as nais caias
que eu lenho nesle nundo. Ln lieve vou conpIelai sessenla anos, sou
un veIho, un veIho soIiláiio e inpiesláveI. Nada nais de lon iesla
denlio de nin, saIvo o anoi que Ihes devolo. Se vocôs não goslassen de
nin, já há nuilo eslaiia noilo. (A Iiina) Minha queiida, ninha fiIhinha.
Conheço-a desde o dia en que nasceu, caiieguei-a nos liaços... e anava a
sua faIecida nãe.
IRINA
~ Mas paia que esse piesenle caio`
TCHEBUTIKIN (enlie Iágiinas, zangado)
~ Iiesenle caio, paie con isso! (Ao soIdado) Suna-se daqui con
esse sanovai. (Inilando-a) Iiesenle caio... (O soIdado diiige-se con o
sanovai a saIa de janlai.)


9
ANFI55A (Aliavessa a saIa)
~ Minhas fIoies, un coioneI desconhecido eslá Iá foia. }á liiou o
capole e ven vindo. Iiinuchka, seja anáveI e caiinhosa con eIe! (Ao
ieliiai-se) Iuxa, já e hoia de aInoçai! Ai, neu Deus.
TUZENBACH
~ Deve sei Veichinin (Lnlia Veichinin) O lenenle-coioneI
Veichinin.
VERCHININ (a Macha e Iiina)
~ Tenho a honia de ne apiesenlai: Veichinin. Muila, nas nuila
salisfação nesno, en vô-Ias. Cono ciesceian!
IRINA
~ Senle-se, poi favoi, eslanos encanladas.
VERCHININ (en lon joviaI)
~ Lslou nuilo conlenle. Mas as senhoias são liôs iinãs, não e
nesno` Recoido-ne de liôs nenininhas. }á não ne Ienliava nais dos
ioslos, nas sei que seu pai, o coioneI Iiozoiov, linha liôs fiIhinhas, disso
ne iecoido peifeilanenle, eu as vi con os neus piópiios oIhos. Cono o
lenpo passa! Cono o lenpo passa!
TUZENBACH
~ AIeksandei Ignalevilch e de Moscou.
IRINA
~ L de Moscou` O senhoi e de Moscou`
VERCHININ
~ Sin, sou. O seu faIecido pai eia conandanle de ailiIhaiia e eu
seivia cono oficiaI na nesna liigada. (A Macha.) Agoia ne paiece que
ne Ienlio do seu ioslo.
MACHA
~ Lu não ne Ienlio do seu.
IRINA
~ OIga! OIga! (Ciila en diieção a saIa de janlai) OIga, venha
aqui! (OIga enlia na saIa, vinda da saIa de janlai) Descoliinos que o
lenenle-coioneI Veichinin e de Moscou.
VERCHININ
~ Lnlão a senhoia e OIga Seiguôievna, a nais veIha. L a senhoia
e Maiia... e a senhoia e Iiina, a nais nova...
OLGA
~ O senhoi e de Moscou`
VERCHININ
~ Sou. Lsludei en Moscou e foi Iá que enliei paia o exeicilo.
Seivi duianle Iongo lenpo en Moscou, poi fin ieceli o conando dessa
ailiIhaiia e nudei-ne paia cá, cono vôen. Na veidade ne Ienlio pouco
das senhoias, sei apenas que eian liôs iinãs. Mas a figuia do seu pai
ficou giavada na ninha nenóiia. Se fechai os oIhos o vejo dianle de

1O
nin, cono se eIe eslivesse vivo. Lu os visilava en Moscou con
fieqüôncia.
OLGA
~ L eu que pensava ne iecoidai de lodo o nundo, agoia...
VERCHININ
~ Meu none e AIeksandei Ignalievilch.
IRINA
~ Lnlão, AIeksandei Ignalievilch, o senhoi e de MOSCOU... Que
suipiesa!
OLGA
~ Nós pielendenos nudai paia Iá.
IRINA
~ Lspeianos eslai Iá já o oulono. L a nossa cidade nalaI.
Nascenos Iá. Na anliga Rua ßasnannai... (Anlas iien de aIegiia)
MACHA
~ Lnconlianos poi acaso un conleiiâneo. (Vivanenle) Agoia já
sei. OIga, eu ne iecoido, dizia-se senpie en casa: ¨o najoi apaixonado¨.
O senhoi eia enlão piineiio-lenenle e eslava apaixonado poi aIguen, e
lodos o chanavan assin, não sei poi quô, laIvez poi liincadeiia, o najoi
apaixonado.
VERCHININ (ii)
~ Sin, sin. O najoi apaixonado. Isso nesno!
MACHA
~ NaqueIe lenpo o senhoi usava só ligode. Ai, cono
enveIheceu! (Lnlie Iágiinas) Cono enveIheceu!
VERCHININ
~ Sin, quando ne chanavan de ¨najoi apaixonado¨ eu ainda
eia joven,
ainda ne apaixonava. Hoje ludo nudou.
OLGA
~ Mais ainda não len un fio sequei de caleIo lianco!
LnveIheceu, poien não e nenhun veIho.
VERCHININ
~ De quaIquei foina, vou conpIelai quaienla e liôs anos...
Deixaian Moscou há nuilo lenpo`
IRINA
~ Há onze anos. Mas, poi quô vocô choia, Macha` Deixe de sei
loIa! (Lnlie Iágiinas) Ah, agoia eu lanlen eslou coneçando a choiai.
MACHA
~ Não e nada. Moiava en que iua`
VERCHININ
~ Na anliga Rua ßasnanaia.

11
OLGA
~ Nós lanlen!
VERCHININ
~ Duianle aIgun lenpo noiei na Rua Nienelzkaia. Da Rua
Nienelzkaia coslunava ii paia o QuaileI VeineIho. No caninho há una
ponle sonliia, e sol eIa se ouve o nuinúiio das águas. Quen passai poi
Iá sozinho se senliiá lonado de liisleza (Iausa) Mas que iio Iindo, que iio
nagnífico, len aqui! Que iio nagnífico!
OLGA
~ Sin, poien e geIado. Aqui faz fiio e len nuilo nosquilo.
VERCHININ
~ Não e len assin. o cIina daqui e lon e saudáveI cIina esIavo.
ßosques, iio... e lanlen leluIas. De lodas as áivoies a que nais goslo e a
queiida e iecalada leluIa. Vivei aqui e una veidadeiia feIicidade. Só
eslianho que a eslação de lien fique a vinle veislas da cidade... L
ninguen sale poi que iazão.
5OLIONII
~ Lu sei poiquô. (Todos oIhan paia eIe) L que se a eslação ficasse
peilo, não eslaiia Ionge. L se eslá Ionge, enloa não pode eslai peilo.
(MAL ESTAR GERAL, SlLÈNClO)
TUZENBACH
~ VasiIii VasiIich, o senhoi e nuilo liincaIhão.
OLGA
~ }á consigo ne Ienliai do senhoi. L cIaio!
VERCHININ
~ Conheci a senhoia sua nãe.
TCHEBUTIKIN
~ Lia una sanla nuIhei, que Deus a lenha.
IRINA
~ Mane foi enleiiada en Moscou.
OLGA
~ Sin, no cenileiio Novodievilchie.
MACHA
~ Veja, já quase esqueci o ioslo deIa. Da nesna foina não
iecoidaião os nossos ioslos lanpouco. Acalaião se esquecendo de nós.
VERCHININ
~ Sin. Acalaião poi nos esquecei. L o deslino - nada se pode
fazei conlia eIe. O que a nós paiecia seiio, inpoilanle, de nuilo vaIoi,
con o lenpo seiá esquecido e consideiado sen inpoilância. (Iausa) L o
nais inleiessanle e que nós nen salenos a que eIes daião vaIoi
inpoilância e o que consideiaião inúliI e iidícuIo. Seiá que no coneço
não vian as descoleilas de Copeinico ou de CoIonlo cono inúleis e
iidícuIas e consideiavan veidadeiias ieveIações as esciivinhações de un

12
loIo excônliico quaIquei` L lanlen e possíveI que a vida que agoia nos
salisfaz venha as sei nais laide juIgada eslianha, desconfoiláveI,
despiovida de iazão, insuficienlenenle puia e laIvez ale pecaninosa.
TUZENBACH
~ Quen sale` Mas e possíveI lanlen que a nossa vida de agoia
seja quaIificada de supeiioi e se iefiian a nós con iespeilo. Hoje não
exislen loiluias, execuções e nen invasões de donicíIio, apenas nuilo,
nuilo sofiinenlo.
5OLIONII (en voz de faIsele)
~ Tsip, lsip, lsip... O laião pode passai nuilo len sen o ningau,
conlanlo que possa fiIosofai.
TUZENBACH
~ VasiIii VasiIilch, ne deixe en paz... (Muda de assenlo) }á
chega.)
5OLIONII (en voz de faIsele)
~ Tsip, lsip, lsip...
TUZENBACH (a Veichinin)
~ Os sofiinenlos que venos hoje en dia - e são lanlos! Não
deixan de denonsliai una ceila eIevação noiaI já aIcançada peIa
sociedade...
VERCHININ
~ Sin, sin, naluiaInenle.
TCHEBUTIKIN
~ ßaião, o senhoi disse agoia nesno que a nossa vida seiá
consideiada eIevada un dia, poien os honens são pequenos... (Levanla-
se) Veja cono eu sou pequeno. Se aIguen dissei que ninha vida e
eIevada e len senlido isso ne consoIaiá. (De foia chega o son de un
vioIino.)
MACHA
~ L Andiei, nosso iinão, quen eslá locando.
IRINA
~ Andiei e un sálio. IiovaveInenle seiá piofessoi univeisiláiio.
Seu pai eia niIilai, nas o fiIho seguiiá caiieiia cienlífica.
MACHA
~ Confoine o desejo de papai.
OLGA
~ Hoje caçoanos nuilo deIe. Iaiece que eslá un lanlo
apaixonado.
IRINA
~ Ioi una noça daqui. L possíveI que eIa lanlen apaieça aqui
hoje.

13
MACHA
~ Ai, nas cono eIa se vesle! Não apenas se vesle naI, foia de
noda, nas de un jeilo sinpIesnenle IaslináveI! Usa una saia eslianha
de un anaieIo leiianle, adoinada con fianjas vuIgaies, e una lIusa
veineIha. L o ioslo, paiece lô-Io esfiegado, lão liiIhanle eIe e! Andiei não
eslá apaixonado poi eIa, não aciedilo nisso, eIe len lon goslo. Lslá
apenas lioçando da genle, fazendo piIheiia. AIen do nais, ouvi dizei
onlen que a noça vai se casai con Iiolopopov, piesidenle do conseIho
nunicipaI. Seiia ólino se assin fosse. (IaIa voIlada paia a poila IaleiaI)

(ENTRA ANDREl.)

OLGA
~ Meu iinão, Andiei Seiguôievilch.
VERCHININ
~ Veichinin.
ANDREI (enxugando o loslo acaIoiado)
~ Iiozoiov. O senhoi foi designado paia cá, não e nesno` L o
novo conandanle de ailiIhaiia`
OLGA
~ Inagine, AIeksandei Ignalievilch e de Moscou.
ANDREI
~ L nesno` ßen, nesse caso o congialuIo, ninhas iinãs não o
deixaião en paz.
VERCHININ
~ }á live o piazei de aloiiecô-Ias con as ninhas iecoidações.

IRINA
~ Veja a noIduia de ielialo que ganhei hoje de Andiei. (Moslia a
noIduia) LIe nesno a fez.
VERCHININ (oIha a noIduia sen salei o que dizei)
~ Sin... e iesislenle...
IRINA
~ L a noIduia que eslá penduiada na paiede acina do piano
lanlen foi eIe que fez. (Andiei faz un geslo con a não e se afasla do
giupo)
OLGA
~ Andiei e o nosso sálio, loca vioIino, faz unas coisinhas de
nadeiia, en suna, len laIenlo paia ludo. Andiei, não vá. LIe len o
hálilo de se afaslai. Venha cá! (Rindo, Macha e Iiina pegan Andiei peIo
liaço e oliigan-no a voIlai)
MACHA
~ Venha, venha!

14
ANDREI
~ Oia, ne deixen!
MACHA
~ Que sujeilo engiaçado! Ln oulios lenpos AIeksandei linha o
apeIido de najoi apaixonado e isso não o deixava nen un pouco
iessenlido.
VERCHININ
~ Nen un pouco!
MACHA
~ L sale o que vocô e` Vocô e vioIinisla apaixonado.
IRINA
~ Ou enlão o piofessoi apaixonado!
OLGA
~ Lslá apaixonado! Andiiuchka eslá apaixonado!
IRINA (lale paInas)
~ Viva, viva! Andiiuchka eslá apaixonado!
TCHEBUTIKIN (apioxina-se de Andiei poi liás e aliaça-Ihe a cinluia
con anlas as nãos)
~ ¨Só paia o anoi a naluieza nos ciiou!¨ (Ri as gaigaIhadas,
senpie con o joinaI na não)
ANDREI
~ ßen, já chega, já chega... (Lnxugando o ioslo) Não pieguei o
oIho a noile loda e agoia eslou un pouco lonlo. Iiquei Iendo ale as
qualio e depois fui paia cana, nas não consegui fechai os oIhos. Iensava
nisso e naquiIo, ale que chegou o soIzinho da nanhã e invadiu o quailo
lodo. Duianle o veião, enquanlo eslivei aqui, pielendo liaduzii un Iivio
do ingIôs.
VERCHININ
~ O senhoi sale ingIôs`
ANDREI
~ Sin, nosso pai, que Deus o lenha, pialicanenle nos nailiiizava
con a educação. L iidícuIo, una lolagen, nas devo dizei-Ihe que depois
da noile deIe conecei de iepenle a ganhai peso, e en un ano engoidei
nuilíssino, cono se o neu coipo livesse se Iileilado de una giande
piessão. Ciaças a nosso pai, eu e ninhas iinãs salenos fiancôs, aIenão e
ingIôs, e Iiina ale ilaIiano. Mas quanlo não nos cuslou isso!
MACHA
~ Salei liôs Iínguas nesla cidade e un Iuxo desnecessáiio. L ale
nais que un Iuxo, e sinpIesnenle una coisa inúliI, cono un sexlo dedo.
Salenos nuila cosia desnecessáiia.
VERCHININ
~ Que nada (Ri) ¨Salenos nuila coisa desnecessáiia.¨ Sou de
opinião que não pode exislii cidade, poi nais enfadonha e liisle, onde

15
una pessoa inleIigenle e insliuída seja desnecessáiia. Adnilanos que
enlie os cen niI halilanles desla cidade, sen dúvida aliasada e
giosseiia, exislan apenas liôs que se asseneIhen aos senhoies.
NaluiaInenle os senhoies não seião capazes de conquislai a nassa
insensíveI, aos pouco leião de cedei e se peideião no neio da nuIlidão
de cen niI pessoas. A vida os afogaiá, poien os senhoies não
desapaieceião poi conpIelo, sen deixai veslígio. Mais laide, depois dos
eu desapaiecinenlo, já haveiá seis pessoas cono só senhoies, depois
doze, e assin poi dianle, ale que poi fin as pessoas da sua especie
consliluiião a naioiia. Ln dois ou liôs secuIos a vida na leiia seiá
inciiveInenle leIa. Lssa e a vida de que o honen necessila e se poi oia
ainda não exisle, devenos piessenli-Ia, espeiá-Ia, sonhai con eIa,
piepaiai-nos paia eIa. Ioi isso devenos vei e salei nais do que vian e
salian nosso pais e avôs . (Ri) L os senhoies se queixan de que salen
nuila cosia desnecessáiia!
MACHA (liiando o chapeu)
~ Vou ficai paia o aInoço.
IRINA (suspiia)
~ Devíanos lonai nola de cada paIavia sua. (Lnlienenles
Andiei deixou a saIa sen sei nolado)
TUZENBACH
~ O senhoi diz que a vida na leiia, ao calo de nuilos anos, seiá
assonliosanenle lonila. Ceilo. Mas, paia pailicipainos deIa desde já,
nesno a dislancia, devenos nos piepaiai e lenos de lialaIhai...
VERCHININ (Ievanlando-se)
~ Sin. OIhe só, quanlas fIoies lôn aqui! (Lsquadiinha a saIa) L
que casa nagnífica! Lu os invejo. Iassei a vida loda en apailanenlos
apeilado. Duas cadeiias, un diva e un fogão senpie soIlando funaça.
Lian essas fIoies que faIlavan na ninha vida. (Lsfiega as nãos.) Mas
enfin, paia que faIai nisso`
TUZENBACH
~ Sin, e pieciso lialaIhai. O senhoi de ceilo pensaiá: un aIenão
senlinenlaI. Mas dou-Ihe a paIavia, sou iusso e nen sequei enlendo
aIenão. Meu pai eia ciislão oilodoxo... (pausa)
VERCHININ (andando de un Iado paia o oulio)
~ Muilas vezes penso se pudessenos coneçai a vida de novo e o
fizessenos de nodo conscienle` Se a vida cunpiida fosse una especie de
iascunho e a oulia - a nova - o lexlo passado a Iinpo` Inagino enloa que
lodos nós nos esfoiçaiíanos anles de nais nada, paia não nos iepeliinos.
Ciiaiíanos oulias condições de vida, piovidenciaiíanos una casa fIoiida
cono esla, Iuninosa...Tenho esposa e duas neninas, ninha esposa e una
nuIhei doenle, elc., elc. Mas se pudesse ieconeçai a vida, não ne
casaiia. De nodo aIgun

16
(ENTRA KULlGUlN, TRA]ANDO UNl|ORME DE GALA)

KULIGUIN (apioxinando-se de Iiina)
~ Queiida cunhada, peinila-ne nanifeslai as ninhas feIicilações no dia
de sua sanla e desejai-Ihe, de lodo o coiação, sinceianenle, loa saúde e
ludo o que de lon se pode desejai a una noça de sua idade. L enliegai-
Ihe esle Iivio, de piesenle. (Lnliega-Ihe o Iivio) L a hislóiia do nosso Iiceu,
esciila poi nin e coliindo cinqüenla anos de sua exislôncia. L un
lialaIhinho insignificanle, esciilo nas hoias vagas, nas nesno assin
vocô deve Ie-Io. Meus iespeilos, senhoies. (A Veichinin) KuIiguin,
piofessoi de Iiceu e conseIheiio (A Iiina) Lsle Iivio conlen a Iisla de
lodos os aIunos que fieqüenlaian a nossa insliluição nos úIlinos
cinqüenla anos. |cci, qucd pc|ui|, facian| nc|icra pc|cn|cs
3
(ßeija Macha)
IRINA
~ Mas na Iáscoa vocô já ne piesenleou un iguaI.
KULIGUIN (ii)
~ Lnloa ne devoIva, ou dô-o ao coioneI. Tone-o coioneI. TaIvez
o Ieia nun dia en que não livei nada neIhoi paia fazei.
VERCHININ
~ Muilo oliigado. (Iaz nenção de se ieliiai) Ioi un giande
piazei conhecô-Ios.
OLGA
~ }á vai` Nada disso!
IRINA
~ O senhoi vai ficai paia o aInoço. Ioi favoi!
OLGA
~ Lu lanlen Ihe peço que fique.
VERCHININ (incIina-se)
~ Iaiece que cheguei no neio de una fesla faniIiai. Ieidoen-
ne, nas não salia, e ainda não dei os neus paialens (Diiige-se con OIga
a saIa de janlai.)

KULIGUIN
~ Hoje, senhoies, e doningo, dia de descanso. Descansenos pois,
nós lanlen, e vanos nos diveilii, cada un confoine sua idade e posição
sociaI. No veião os lapeles deven sei ieliiados e guaidados ale o
inveino... Con inselicida ou naflaIina. Os ionanos eian un povo
saudáveI, pois salian lanlo lialaIhai quanlo descansai, não eia a loa que
piopaIavan Mcns sana in ccrpcrc sanc. Sua vida decoiiia denlio de
deleininadas foinas. Nosso diieloi diz: o nais inpoilanle na vida e a
sua foina... O que peide a sua foina acala, e assin ocoiie lanlen no
nosso dia-a-dia (Aliaça Macha e ii) Macha ne ana. A ninha nuIhei ne

3
Iiz cono pude, faça neIhoi quen soulei.

17
ana. L as coilinas deven sei ieliiadas, junlo con os lapeles... Hoje eslou
nuilo aIegie, de exceIenle hunoi. Macha, hoje as qualio da laide iienos
a casa do senhoi diieloi. Lslão oiganizando un pequeno passeio paia os
nenlios do coipo docenle e seus faniIiaies.
MACHA
~ Não vou.
KULIGUIN (liisle)
~ Mas poi que não, Macha queiida`
MACHA
~ Lu vou Ihe dizei (Lniaivecida) Lslá len, eu vou nas ne deixe
en paz, ne deixe en paz, poi favoi. (afasla-se)
KULIGUIN
~ Depois passaienos o ieslo da laide na casa do senhoi diieloi.
O senhoi
diieloi, apesai da saúde alaIada, esfoiça-se poi Ievai una vida sociaI. L
una pessoa liiIhanle, supeiioi. Un honen nagnífico. Onlen, após a
confeiôncia, eIe ne disse: ¨Lslou cansado, Iiodoi IIilch! Cansado!¨ (OIha
o ieIógio da paiede, depois o seu ieIógio de loIso) O ieIógio de vocôs eslá
sele ninulos adianlado. Sin, eIe disse: ¨Lslou cansado¨. (De foia chega o
son de un vioIino.)
OLGA
~ Tenhan a londade, senhoies, o aInoço eslá seivido! Haveiá
pasleI lanlen!
KULIGUIN
~ Ai, OIga queiida! Onlen lialaIhei desde de nanhã ale as onze
da noile, eslava nuilo cansado, nas hoje ne sinlo lão feIiz! (Iassa a saIa
de janlai e diiige-se a nesa) OIga, queiida...
TCHEBUTIKIN (guaida o joinaI no loIso e cofia a laila)
~ IasleI` Isso sin e que e vida!
MACHA (a Tchelulikin, en lon seveio)
~ Vou Ihe avisando: hoje o senhoi não vai lelei. Lnlendeu` A
lelida Ihe faz naI.
TCHEBUTIKIN
~ Que nada! Isso já passou. Não lelo há dois anos (Inpacienle)
Mas lanlo faz se eu lelo ou deixo de lelei.
MACHA
~ Mesno assin, não se alieva a lelei. Não se alieva. (Iiiilada,
nas lonando cuidado paia que o naiido não a ouça) Dialos, Iá vanos
nós oulia vez passai a laide nos aloiiecendo na casa do diieloi!
TUZENBACH
~ Ln seu Iugai eu sinpIesnenle não iiia
TCHEBUTIKIN
~ Não vá.

18
MACHA
~ Não vá, não vá... Vida naIdila. InsupoiláveI... (Diiige-se a saIa
de janlai)
TCHEBUTIKIN (diiigindo-se lanlen a saIa de janlai)
~ Ioilanlo...
5OLIONII (diiigindo-se lanlen a saIa de janlai)
~ Tsip, lsip, lsip.
TUZENBACH
~ ßasla, VasiIii VasiIilch. ßasla!
5OLIONII
~ Tsip, lsip, lsip.
KULIGUIN (aIegienenle)
~ A sua saúde, coioneI! Sou pedagogo, faço paile desla faníIia,
sou naiido de Macha, Macha e una ólina ciialuia.
VERCHININ
~ Lxpeiinenlenos esla vodica escuia. (ßele) A saI saúde! (A
OIga) Sinlo-ne lão len en sua casa! (Apenas Iiina e Tuzenlach
peinanecen na saIa)
IRINA
~ Macha eslá de nau hunoi hoje. Casou-se con eIe aos dezoilo
anos, quando ainda aciedilava que o naiido fosse o honen nais
inleIigenle desle nundo. L agoia nudou de opinião a seu iespeilo. L o
neIhoi dos honens, poien não o nais inleIigenle.
OLGA (inpacienle)
~ Andiei, venha Iogo!
ANDREI
~ Agoia nesno (Lnlia e diiige-se a nesa)
TUZENBACH
~ Ln que eslá pensando`
IRINA
~ Lu` Não goslo do seu anigo, desse SoIionii, lenho nedo deIe.
Só diz lolagens...
TUZENBACH
~ L un honen eslianho. Tenho pena deIe e lanlen iaiva, nas
solieludo pena. Acho que e nuilo línido... Quando eslanos sozinhos eIe
cosluna sei laslanle inleIigenle e agiadáveI, s nas ieuniões loina-se un
sujeilo giosseiio e piovocadoi. Lspeie nais un pouco ale lodos se
aconodaien en loino da nesa. Deixe-ne eslai ao seu Iado. Ln que
pensa` (Iausa) Ten vinle anos e eu pouco nenos de liinla. Quanlos anos
ainda lenos peIa fienle, quanlos e quanlos dias, lodos eIes iIuninados
peIos iaios do anoi.

19
TUZENBACH (Não Ihe piesla alenção)
~ Lslou sedenlo de vida, de Iula, de lialaIho... L en ninha aIna
essa sede se une ao anoi que sinlo peIa senhoia, Iiina... A senhoia e lão
naiaviIhosa e a vida lanlen ne paiece lão naiaviIhosa... Ln que eslá
pensado`
IRINA
~ O senhoi disse que a vida e naiaviIhosa. Sin, nas se apenas
paiece naiaviIhosa`! Iaia nós liôs a vida ainda não foi naiaviIhosa.
Coliiu-nos cono a eiva daninha... Lslou deiianando Iágiinas... Ln
vão... (Rapidanenle enxuga o ioslo e soiii.) Devenos lialaIhai,
lialaIhai. Lslanos liisles e lenos una visão lão sonliia da vida poique
não conhecenos o lialaIho. Descendenos de pessoas que despiezavan o
lialaIho. (Lnlia NalaIia Ivanovna, eslá liajando un veslido coi-de-iosa
con conlo veide.)
NATACHA
~ Ah, já eslão senlado a nesa. Cheguei aliasada (De ieIance oIha-
se no espeIho e ajeila o caleIo) O penleado paiece que não eslá naI...
(Nola a piesença de Iiina) Iiina Seiguôievna, queiida, neus paialens.
(ßeija-a foile e Ionganenle) Ai, eslão con lanlas visilas, fico
enlaiaçada... ßon dia, laião.
OLGA (enlia na saIa)
~ Ah, chegou NalaIia Ivanovna lanlen. Seja len-vinda,
queiida. (Tiocan leijos)
NATACHA
~ A ieunião hoje eslá nuilo concoiiida, fico acanhada...
OLGA
~ Oia, lodo nundo aqui e de casa. (a neia-voz, assuslada) Meu
Deus, eslá usando cinlo veide` Queiida, isso e sinpIesnenle inpossíveI!
NATACHA
~ Ioi acaso significa aIgo iuin`
OLGA
~ Não, não apenas Ihe vai leiiiveInenle naI. Cono se...
NATACHA (choiosa)
~ L nesno nas quase nen e veide, de lão páIido. (Segue OIga a
saIa de janlai. Todos lonan assenlo en loino da nesa, não ieslou
ninguen na saIa.)
KULIGUIN
~ Desejo-Ihe, Iiina, un lon noivo, já e hoia de vocô se casai
lanlen.
TCHEBUTIKIN
~ NalaIia Ivanovna, a senhoia lanlen desejo un lon noivo.
KULIGUIN
~ NalaIia Ivanovna já len noivo.

2O
MACHA (dando lalidinhas no pialo con o gaifo)
~ Vou lonai un cáIice de vinho! Lla vida loa... nas o que se
pode fazei!
KULIGUIN
~ Macha, seu conpoilanenlo ficou enlie ieguIai e nau.
VERCHININ
~ Mas o Iicoi eslá ólino! De que e feilo`
5OLIONII
~ De laialas.
IRINA (con voz choiosa)
~ Hun que nojo!
OLGA
A noile leienos peiu assado e loila de naçã. Ciaças a Deus, hoje
vou passai o dia en casa, e a noile lanlen... Senhoies, honien-nos con
a sua piesença lanlen a noile.
VERCHININ
~ Ieinila-ne lanlen voIlai a noile!
IRINA
~ Seiá un piazei.
NATACHA
~ Aqui não há ceiinônias.
TCHEBUTIKIN
~ ¨Só paia o anoi a naluieza nos ciiou!¨(Ri)
ANDREI (zangado)
~ Iaien con isso! Ainda não se cansaian` (Lnlian Iedolik e
Rode caiiegando una giande cesla de fIoies)
FEDOTIK
~ Cheganos aliasados, já eslão aInoçando.
RODE (faIa aIlo os eiies)
~ Cheganos aliasados` Sin, já eslão aInoçando...
FEDOTIK
~ Ieidão, un nonenlo. (Tiia un ielialo) Un, dois. Ieidão, nais
un nonenlo! (Tiia oulio ielialo) Un dois. Iionlo. (Apanha a cesla e os
dois enlian na saIa de janlai, onde são iecelidos efusivanenle)
RODE (en voz aIla)
~ Meus paialens e os neIhoi volos! Hoje o dia eslá nagnífico,
veidadeiianenle naiaviIhoso. Iassei a nanhã loda con os aIunos.
Lnsino gináslica no Iiceu.
FEDOTIK
~ Iiina Seiguôievna, pode novei-se sen ieceio (Tiia novos
ielialos) A senhoia eslá nuilo len hoje. (Saca do loIso una pioiia)
AIiás, eis una pioiia. Ten un son divino.
IRINA

21
~ Que naiaviIha!
MACHA
~ ¨}unlo ao nai há un caivaIho, una coiienle de ouio pende de
seus gaIhos...una coiienle de ouio pende seus gaIhos...:¨ (Ln lon de
Ianúiia) Ai, poi que eslou iepelindo isso` Desde de nanhã esses veisos
não ne saen da caleça.
KULIGUIN
Òpa, sonos lieze a nesa!
RODE (en voz aIla)
~ Senhoies, não ne digan que aliiluen inpoilância a essa
supeislição` (CaigaIhadas)
KULIGUIN
~ Se houvei lieze pessoas a nesa isso significa que un de nós
eslá apaixonado. Ivan Ivanilch, não seiá o senhoi` (CaigaIhadas.)
TCHEBUTIKIN
~ Lu já sou veIho pecadoi, nas poique iazão NalaIia Ivanovna
coiou, isso e que eu não enlendo. (Risadas esliepilosas. Nalacha sai aos
aliopeIos da saIa de janlai, paiando na saIa. Andiei a segue.)
ANDREI
~ Ieço-Ihe penhoiadanenle, não Ihes dô alenção! Lspeie, paia,
poi favoi.
NATACHA
~ Que veigonha... Não sei o que se passa conigo. L eIes fican
iindo de nin. Não devia lei saído da nesa desse jeilo, foi una faIla de
educação, eu sei, nas não agüenlo. (Lsconde o ioslo na paIa na da não)
ANDREI
~ Queiida, peço-Ihe, supIico-Ihe que não se aloiieça! Asseguio-
Ihe que eIes eslavan só liincando, são len-inlencionados. Minha
queiida, ninha caia, lodos eIes são pessoas loas e decenles. Anan nuilo
a nin e lanlen a senhoia. Venha ale aqui na janeIa, aqui eIes não nos
vôen... (OIha ao iedoi.)
NATACHA
~ Não eslou acoslunada a essas ieuniões sociais.
ANDREI
~ Oh, nocidade, leIa e naiaviIhosa nocidade! Minha queiida,
não se aloiieça! Aciedile en nin, confie en nin. Lslou lão feIiz, o neu
coiação liansloida de anoi... Oh, aqui não nos vôen! Ioi que passei a
aná-Ia lanlo... quando isso aconleceu` Não sei... ninha queiida, loa e
puia nenina, seja a ninha esposa. Lu a ano, eu a não... cono nunca,
nunca anei ninguen... (ßeija-a. enlian dois oficiais que, ao vei o pai se
leijando, se delôn adniiados.)
CORTINA

22
5 5E EG GU UN ND DO O A AT TO O






O MESMO CENARlO DO PRlMElRO ATO
SÃO OlTO DA NOlTE. DA RUA CHEGA O SOM DlSTANTE DE UM
ACORDEÃO. ESTA ESCURO. ENTRA NATALlA lVANOVNA DE
ROUPÃO, SEGURANDO UMA VELA ACESA, PARA ]UNTO A PORTA
QUE DA PARA O QUARTO DE ANDREl.


NATACHA
~ O que vocô eslá fazendo, Andiiucha` Lslá Iendo` Não e nada, e
que... (conlinua andando, alie una poila, depois a fecha) queiia vei se
não ficou aIguna Iuz acesa.
ANDREI (enlia con un Iivio na não)
~ Que e, Nalacha`
NATACHA
~ Lslou veiificando se apagaian lodas as veIas... L cainavaI e os
ciiados eslão nuilo agilados, lodo cuidado e pouco. Onlen a neia-noile
enliei na saIa de janlai e havia una veIa acesa. L não há cono salei quen
a acendeu. (deposila a veIa) Que hoias são`
ANDREI (oIha o ieIógio)
~ São oilo e quinze.
NATACHA
~ OIga e Iiina ainda não chegaian. Cono lialaIhan, as coiladas!
OIga eslá na ieunião do conseIho pedagógico e Iiina no leIegiafo.
(Suspiia) Hoje peIa nanhã disse a sua iinã: ¨Cuide-se Iiina, queiida¨,
Mas eIa nen ne ouve. Lnlão, são oilo e quinze` Receio que ßolik esleja
doenle. Ioi que o seu coipinho eslá lão fiio` Onlen leve felie e hoje eslá
geIado... Isso ne deixa angusliada!
ANDREI
~ Não e nada, Nalacha... O lelô eslá len de saúde.
NATACHA
~ De quaIquei foina e neIhoi seguii a diela. Lslou con nedo.
Disseian-ne que hoje as dez da noile os nascaiados vôn aqui, seiia
neIhoi se na viessen, Andiiucha.
ANDREI
~ ßen, não sei. Na veidade eIe s foina convidados.

23
NATACHA
~ Quando acoidou hoje de nanhã o lelô oIhou paia nin e de
iepenle soiiiu, eIe ne ieconheceu. ¨Oi ßolik¨, Ihe digo, ¨Oi, ßolik! Oi
queiido!¨ L eIe soiii. Lssas ciianças conpieenden ludo. Lnlão
Andiiucha, vou avisá-Ios paia não deixai enliai os nascaiados.
ANDREI (indeciso)
~ Deixe isso paia as ninhas iinãs iesoIveien, eIas são as donas
da casa.
NATACHA
~ LIas faiian o nesno - nas vou voIlai con eIas, são lão loas!...
(Saindo) Lnconendei coaIhada paia a noile. O nedico disse paia vocô
lonai coaIhada, de oulio nodo nunca enagieceiá. (Iáia) ßolik eslá
nuilo fiio. Teno que o quailo deIe seja nuilo fiio. Seiia lon nudá-Io de
quailo, enquanlo não chega o caIoi. O quailo de Iiina, poi exenpIo, seiia
peifeilo paia o lelô: e seco e o soI lale Iá o dia inleiioi. Teiia de dizei a
Iiina paia ficai no nesno quailo con OIga. LIa passa nesno o dia
inleiio foia, seiia só paia a noile. (Iausa) Andiiucha, poi que eslá caIado`
ANDREI
~ Lslava pensando... aIen do nais, o que eu podeiia dizei`
NATACHA
~ Sin... Lu ia faIai aIguna cosia... Sin, eslá Iá foia Ieiaponl, da
piefeiluia. LIe eslá a saI piocuia.
ANDREI (ßoceja)
~ Mande-o enliai (Nalacha sai. Andiei se põe a Iei a Iuz da veIa
que Nalacha esqueceu Iá. Lnlia Ieiaponl, usa un capole veIho e puído,
con a goIa Ievanlada, una aladuia Ihe colie a oieIha.)
ANDREI
~ Seja len-vindo, iinãozinho. Lnlão, o que vocô ne conla`

FERAPONT
~ O piesidenle do conseIho Ihe nandou esle Iivio e lanlen esles
papeis. Aqui eslão. (Lnliega-Ihe o Iivio e os docunenlos)
ANDREI
~ Oliigado. Muilo len. Mas poi que veio lão laide` }á são quase
nove hoias.
FERAPONT
~ O que disse`
ANDREI (nais aIlo)
~ Disse que chegou laide. }á são quase nove hoias.
FERAPONT
~ Iois e. Quando cheguei o soI ainda eslava no aIlo, nas não
quiseian ne deixai enliai. Disseian que o palião eslava ocupado. ßen,

24
se eslava ocupado, enlão eslava ocupado. Lu não lenho piesa (Iensado
que Andiei houvesse Ihe peigunlado aIgo) O que disse`
ANDREI
~ Nada. (oIha o Iivio) Ananhã e sexla-feiia, não lenos sessão,
nas eu daiei un puIo Iá, assin nesno... lenho de iesoIvei aIgo. Aqui en
casa e nuilo aloiiecido. (Iausa) Vovô queiido, cono a vida se nodifica,
cono eIa nos engana! Hoje, de puio ledio, peguei esle Iivio - São veIhas
auIas da facuIdade - e desalei a iii. Meu Deus, sou secieláiio do conseIho
nunicipaI, do conseIho onde o chefe e Iiolopopov. Secieláiio, e no
náxino posso chegai ao caigo de assessoi! Sei assessoi do conseIho
IocaI, eu que lodas as noiles en neus sonhos eia piofessoi da
Univeisidade de Moscou, sálio fanoso, oiguIho de loda a Rússia.)
FERAPONT
~ Quen`... Ouço naI.
ANDREI
~ Se não ouvisse naI, iinãozinho, eu não conveisaiia con vocô.
AfinaI de conlas, lenho de conveisai con aIguen. Minha esposa não ne
enlende, as ninhas iinãs eu leno, não sei poi que iazão. Receio que eIas
iian de nin, que ne enveigonhen... Não lelo, não fieqüenlo laleinas,
no enlanlo, neu queiido veIho, que aIegiia ne daiia eslai agoia en
Moscou, no Teslov ou no Ciande Moscovila!
FERAPONT
~ Ln Moscou, segundo ne conlou un neslie de olias, uns
coneicianles iesoIveian conei panquecas e un deIes leve noile súlila
poi lei conido quaienla panquecas. Quaienla ou cinqüenla, já não sei ao
ceilo.
ANDREI
~ Lslai en Moscou senlado no saIão piincipaI do ieslauianle.
Mesno não conhecendo ninguen e lanpouco ninguen o conhecendo,
vocô não se senle un eslianho... L aqui, nesno sendo conhecido de lodos
e lodos senlo seus conhecido, vocô se senle un eslianho... un eslianho...
Lslianho e soIiláiio.
FERAPONT
~ O que disse` (Iausa) L aqueIe neslie de olias conlou lanlen
- laIvez eslivesse nenlindo - que en Moscou foi eslendida una giande
coida solie a cidade.
ANDREI
~ Iaia quô`
FERAPONT
~ Isso já não sei. Ioi aqueIe neslie de olias que conlou.
ANDREI
~ ßesleiia. (Dá una Iidinha no Iivio) Lnlão, vocô já esleve en
Moscou`

25
FERAPONT (não iesponde de inedialo)
~ Não. Deus ainda não quis ne Ievai ale Iá. (Iausa) Iosso ii`
ANDREI
~ Iode. Deus o alençoe. (Ieiaponl se dispõe a pailii) Deus o
alençoe. (Lô) Ananhã de nanhã vocô voIla paia luscai esles papeis.
Iode ii. (Iausa) Ioi enloia. (Soa a canpainha) Iois e, o caso e esse...
(Lspieguiça-se e con passos Ienlos enlia en seu quailo. De liás dos
cenáiios chega o canlaioIai da lalá, enlaIando a ciiança)

(ENTRAM MACHA E VERCHlNlN. ENQUANTO CONVERSAM, A
CRlADA ACENDE A LAMPARlNA E AS VELAS.)
MACHA

~ Não sei. (Iausa) Não sei. L cIaio que o hálilo inpoila nuilo.
Ioi exenpIo, quando papai noiieu, poi nuilo lenpo eslianhanos não
dispoinos nais de oidenanças. Ioien, hálilo a paile, acho que faIo
lanlen poi senso de jusliça. TaIvez en oulios Iugaies não seja assin,
nas aqui a s pessoas nais honiadas, nais finas e nais len-educadas são
os niIilaies.
VERCHININ
~ Lslou con sede. Coslaiia de un pouco e chá.
MACHA (consuIla o ieIógio)
~ Logo vão seivi-Io. Casei-ne ao conpIelai dezoilo anos e linha
nedo do neu naiido poique eIe eia piofessoi e eu acalaia de leininai o
cuiso no Iiceu. NaqueIe lenpo eu o juIgava leiiiveInenle cuIlo, sálio e
inpoilanle. Hoje e difeienle, infeIiznenle.
VERCHININ
~ Sin, sin.
MACHA
~ Não ne iefiio ao neu naiido, a eIe já ne acoslunei, nas enlie
os civis en geiaI exisle nuila genle giosseiia, desagiadáveI e naI-
educada. A giosseiia en alaca os neivos e ne ofende, sofio quando vejo
que aIguen não e suficienlenenle fino, suave e anáveI. Quando sou
oliigada a eslai na conpanhia de piofessoies, coIegas do neu naiido,
isso e un veidadeiio loinenlo paia nin.
VERCHININ
~ Sin... A nin poien ne paiece que civis e niIilaies são pessoas
iguaInenle sinpIes, peIo nenos nesla cidade. São iguais. Seja civiI ou
niIilai, nas ieuniões sociais só se ouve dizei: eslá lendo piolIenas con a
nuIhei, eslá lendo piolIenas con as casa, eslá lendo piolIenas con o
cavaIo... Nós, iussos, goslanos denais dos pensanenlos eIevados, nas,
ne diga, poique não vida ieaI voanos lão laixo` Ioi quô`

26
MACHA
~ Não sei.
VERCHININ
Ioi que o naiido eslá lendo senpie aIgun piolIena con o fiIho
e con a nuIhei` L a nuIhei e o fiIho, poi que lôn senpie aIgun
piolIena con eIe`
MACHA
~ O senhoi eslá un lanlo naI-hunoiado hoje.
VERCHININ
~ L possíveI, não aInocei hoje e eslou sen conei desde de
nanhã. Minha fiIha não passa nuilo len, e quando ninhas fiIhas eslão
doenles fico inquielo... Tenho a consciôncia aloinenlada poi eIas leien a
nãe que len. Ai, se a livesse vislo hoje! L poi causa de una lolagen!
Coneçanos a liigai as sele da nanhã, as nove lali a poila e saí. (Iausa)
Nunca faIo solie isso e - eslianho, não e` - só a senhoia conolo as
ninhas Ianúiias. (ßeija-Ihe a não.) não n queiia naI. Afoia a senhoia
não lenho ninguen, ninguen... (Iausa)
MACHA
~ Que iuído e esse no fogão` Un pouco anles da noile de papai
a chanine fazia o nesno iuído. Lxalanenle o nesno.
VERCHININ
~ A senhoia e supeisliciosa`
MACHA
~ Sou sin.
VERCHININ
~ Que eslianho (ßeija-Ihe a não) A senhoia e una nuIhei
nagnífica, naiaviIhosa. Magnífica, naiaviIhosa! Lslá escuio aqui, nas eu
vejo o liiIho dos seus oIhos.
MACHA (nuda de cadeiia)
~ Aqui eslá nais cIaio...
VERCHININ
~ Lu a ano, eu a ano, eu a ano....Ano os seus oIhos, os seus
novinenlos que ne fazen sonhai... MuIhei nagnífica, naiaviIhosa!
MACHA (iindo laixinho)
~ Quando o ouço faIai assin lenho vonlade de iii, apesai de
senlii nedo... Não faIe isso de novo, peço-Ihe. (A neia voz.) AIiás, faIe,
paia nin lanlo faz... (Lsconde o ioslo con as nãos) Iaia nin lanlo
faz...Ven genle, nude de assunlo.

(ENTRAM lRlNA E TUZENBACH, VlNDOS DA SALA DE ]ANTAR)
TUZENBACH

27
~ Tenho un none liipIo: laião Tuzenlach-Kione-AIlschauei,
nas sou iusso, e oilodoxo, cono a senhoia. De aIenão ne iesla nuilo
pouco, laIvez a paciôncia e a leinosia con que a aloiieço. Aconpanho-a
lodas as noiles.
IRINA
~ Cono eslou cansada!
TUZENBACH
~ L lodo sanlo dia iiei ao leIegiafo e a aconpanhaiei a sua casa,
poi dez, vinle anos, enquanlo não ne enxolai... (Ieicele a piesença de
Macha e de Veichinin, en lon aIegie) Os senhoies eslão aqui` ßoa noile!
IRINA
~ Ioi fin eslou en casa. (
A
Macha) Há pouco esleve una nuIhei
na agencia, leIegiafou ao iinão en Saialov conunicando-Ihe que o fiIho
noiieu. Mas não conseguia Ienliai o endeieço do iinão. Tivenos de
ienelei o leIegiana sen o endeieço, sinpIesnenle a Saialov. A nuIhei
choiava. L eu fui giosseiia con eIa, sen iazão aIguna. ¨Não lenho
lenpo¨~ disse-Ihe. Ioi nuilo enlaiaçoso. Hoje os nascaiados vôn en
casa`
MACHA
~ Sin
IRINA (senlando-se na poIliona)
~ Deixen-ne descansai un pouco. Lslou faligada.
TUZENBACH (soiii)
~ Quando voIla da agôncia paiece lão joven, lão desanpaiada...
(Iausa)
IRINA
~ Lslou cansada. Não, posilivanenle eu não goslo do leIegiafo.
MACHA
~ Vocô enagieceu... (Assolia laixinho) L eslá nais joven. Iaiece
un iapaz.
TUZENBACH
~ L o penleado.
IRINA
~ Tenho de piocuiai oulio lialaIho. Lsse não ne conven, não
len nada do que eu aInejava fazei, do que eu sonhava. L un lialaIho
naçanle e lolo. (Ouven-se lalidas no assoaIho) O douloi eslá lalendo
(A Tuzenlach ) Responda as lalidas, poi favoi... Lu não posso... Lslou
cansada. (Tuzenlach devoIve as lalidas no assoaIho) Logo eIe vai sulii.
Tenos de invenlai una foina de nos piolegeinos conlia eIe. Onlen o
douloi e o nosso Andiei esliveian no cIule e peideian de novo. Dizen
que Andiei peideu duzenlos iulIos.
MACHA (indifeienle)
~ O que se há de fazei...

28
IRINA
~ Há duas senanas eIe peideu lanlen, e en dezenlio iden.
Tonaia que peica ludo Iogo, assin laIvez possanos saii desla cidade.
Meu Deus, sonho lodas as noiles con Moscou e fico liansloinada. (Ri)
Ln junho nudaienos paia Iá... e ale junho... Ieveieiio, naiço, aliiI,
naio... e quase neio ano!
MACHA
~ Nalacha não deve ficai salendo que eIe peideu no jogo.
IRINA
~ Acho que paia eIa lanlo faz.

(TCHEBUTlKlN DORMlU DE TARDE E ACABOU DE ACORDAR,
ENTRA NA SALA DE ]ANTAR PENTEANDO A BARBA, DEPOlS SE
SENTA NA MESA DE ]ANTAR E TlRA UM ]ORNAL DO BOLSO.)
MACHA

~ LIe já chegou... Iagou o aIugueI`
IRINA (ii)
~ Não. Há oilo neses não nos paga nen un copeque. Deceilo
esqueceu.
MACHA (ii)
~ OIhen cono eslá lodo inpoilanlão senlado aIi. (Todos iien.
Iausa)
IRINA
~ Ioi que eslá lão caIado, AIeksandei Ignalilch`
VERCHININ
~ Não sei. Coslaiia nuilo de un goIe de chá. Meia vida poi una
xiciinha de chá! Não cono desde de nanhã...
TCHEBUTIKIN
~ Iiina Seiguôievna!
IRINA
~ O que e`
TCHEBUTIKIN
~ Ieço-Ihe que venha aqui. Venez ici (Iiina se Ievanla e vai
senlai-se a nesa) Não agüenlo ficai sen a senhoia. (Iiina eslende solie a
nesa as cailas paia una paciôncia.)
VERCHININ
~ }á que não nos dão chá, ao nenos fiIosofenos.
TUZENBACH
~ Vanos Iá! Solie o quô`
VERCHININ
~ Solie o quô` Sonhenos... Ioi exenpIo, solie a vida, cono eIa
seiá duzenlos ou liezenlos anos depois de nós.

29
TUZENBACH
~ L daí` Voaião en laIões, a noda seiá oulia, e possíveI que
desculian un sexlo senlido e o desenvoIvan, nas a vida conlinuaiá a
nesna: difíciI, nisleiiosa e feIiz. L passados niI anos o honen eslaiá
suspiiando cono agoia: ¨Cono e difíciI vivei!¨ - e ao nesno lenpo
leneiá a noile e não iiá queiei noiiei, exalanenle cono agoia.
VERCHININ (pensalivo)
~ Cono vou Ihe dizei` Acho que aos poucos ludo na leiia deve
nudai, e já eslá nudando dianle dos nossos oIhos. Denlio de duzenlos,
liezenlos ou laIvez niI anos - a dala não inpoila - suigiiá una vida
nova e feIiz. Nós e cIaio, não pailicipaienos dessa vida, nas e paia eIa
que vivenos, poi eIa que lialaIhanos, sin, poi eIa sofienos, sonos nós
os seus ciiadoies - e essa e a única finaIidade de nossa vida, e se assin
quisei, a nossa feIicidade. (Macha ii en voz laixa)
TUZENBACH
~ O que há`
MACHA
~ Não sei, eslou iindo a-loa hoje.
VERCHININ
~ Tenos a nesna escoIaiidade. Não cuisei facuIdade, Ieio nuilo,
nas não sei seIecionai ninhas Ieiluias e laIvez nen Ieia exalanenle
aquiIo de que piecisaiia, nas quanlo nais vivo, nais queio salei. Meus
caleIos eslão ficando liancos, já sou quase un veIho, nas sei pouco, ai
cono sei pouco! Ioien a nin paiece que o piincipaI, o veidadeiio, eu
conheço con ceileza. L cono goslaiia de Ihe denonsliai que paia nós
não exisle feIicidade e nen exisliiá... Nossa única nissão e lialaIhai e
lialaIhai, ininleiiuplanenle, e a feIicidade caleiá só aos nossos
descendenles ienolos. (Iausa) Se nós não podenos sei feIizes, peIo
nenos que os nossos descendenles sejan.

(APARECEM NA SALA DE ]ANTAR |EDOTlK E RODE, SENTAM-SE E
CANTAM EM VOZ BAlXA, ACOMPANHANDO-SE AO VlOLÃO.)
TUZENBACH

~ Na sua opinião não adianla nen sequei sonhai con a
feIicidade! Mas, se eu sou feIiz!
VERCHININ
~ Não e possíveI.
TUZENBACH (alie os liaços e ii)
~ Iaiece que não nos enlendenos. ßen, cono devo lenlai
convencô-Io`
(Macha ii en voz laixa)
TUZENBACH (aneaçando-a cono dedo)

3O
~ Iode iii! (A Veichinin) Não apenas denlio de duzenlos ou
liezenlos anos, nas daqui a un niIhão de anos, a vida conlinuaiá sendo
o que eia. LIa não nuda, peinanece conslanle, sujeila a Ieis piópiias,
independenles de nós, ou peIo nenos que não conheceienos janais. Os
pássaios nigianles, as cegonhas, poi exenpIo, voan e voan, e, sejan
eIevados ou nesquinhos os pensanenlos que se agilan en sua caleça,
seguiião voando sen se inpoilai con os fiIósofos que possan exislii
enlie eIes, e que fiIosofen quanlo quiseien, desde que voen!
MACHA
~ Mas quaI e o senlido disso`
TUZENBACH
~ Senlido... Veja, eslá nevando. Que senlido len isso` (Iausa)
MACHA
~ Acho que o honen deve lei fe ou deve luscá-Ia, senão a vida e
vazia. Vivei e não salei poi que voan as cegonhas, poi que nascen as
ciianças, paia que exislen eslieIas no ceu... Ou salenos paia que se vive
ou enlão ludo não passa de loIice inúliI. (Iausa)
VERCHININ
~ De quaIquei nodo, e pena que a juvenlude se lenha ido...
MACHA
CogoI diz en aIgun Iugai: ¨L aloiiecido vivei nesle nundo,
senhoies!¨
TUZENBACH
~ L eu digo: e difíciI disculii con os senhoies! Con os dialos...
TCHEBUTIKIN (Iendo un joinaI)
~ ßaIzac casou-se en ßeidichev... (Iiina canlaioIa en voz laixa)
Anolaiei en ninha agenda. (Anolando) ßaIzac casou-se en ßeidichev
(VoIla a Iei o joinaI)
IRINA (jogando paciôncia, pensaliva)
~ ßaIzac casou-se en ßeidichev. (VoIla a Iei o joinaI)
TUZENBACH
~ A soile eslá Iançada. Sale, Maiia Seiguôievna, enlieguei neu
pedido de passagen paia a ieseiva.
MACHA
~ }á ouvi faIai, e não vejo nada de lon nisso. Não goslo de civis.
TUZENBACH
~ Tanlo faz... (Levanla-se) Não sou lonilo. enlão, que soIdado
sou eu` len, aIiás lanlo faz... TialaIhaiei. Que peIo nenos poi un dia
en ninha vida lialaIhe lanlo que ao chegai en casa cansado ne deile na
cana e adoineça inedialanenle (Iassando paia a saIa) Os opeiáiios
deceilo doinen un sono piofundo.

31
FEDOTIK (a Iiina)
~ Conpiei-Ihe agoia esles Iápis de coi no Iijikov na Rua Moscou.
L lanlen esla faquinha....
IRINA
~ Acoslunou-se a lialai-ne cono una nenina, nas já eslou
ciescidinha... (Apanha conlenle os Iápis e a faquinha) Que leIeza!
FEDOTIK
~ L paia nin conpiei un canivele. Veja, una Ianina aqui, oulia
aqui e nais una leiceiia aqui, islo e paia coçai o ouvido, aqui una
lesouiinha, e islo, un Iinpadoi de unhas.
RODE (en voz aIla)
~ Douloi, o senhoi eslá con quanlos anos`
TCHEBUTIKIN
~ Lu` Tiinla e dois (Ri)
FEDOTIK
~ Vou Ihe ensinai agoia oulia paciôncia.

(ESTENDE AS CARTAS SOBRE A MESA. TRAZEM O SAMOVAR,
AN|lSSA CUlDA DELE, UM POUCO DEPOlS ENTRA NATACHA E
TAMBÊM SE OCUPA AO REDOR DA MESA. ENTRA SOLlONll,
CUMPRlMENTA OS PRESENTES, SENTA-SE A MESA)
VERCHININ

~ Cono venla!
MACHA
~ Sin. Lslou cansada do inveino. }á esqueci poi conpIelo cono e
o veião.
IRINA
~ A paciôncia vai dai ceilo, já eslou vendo. Iienos paia Moscou!
FEDOTIK
~ Não, não vai dai ceilo, veja, o oilo eslá solie o dois de espadas.
(Ri) Ioilanlo não iião paia Moscou.
TCHEBUTIKIN (Lô o joinaI)
~ Ln lz decIaiou-se una epidenia de vaiíoIa
ANFI55A (a Macha)
~ Venha lonai o chá. (A Veichinin) Ioi favoi, exceIôncia... Me
peidoe, iinãozinho, esqueci o seu none poi conpIelo...
MACHA
~ Tiaga-ne o chá, lalá, eu não vou aí luscá-Io.
IRINA
~ ßalá!
ANFI55A
~ }á vai!

32
NATACHA (a SoIionii)
~ Os lelôs conpieenden ludo nuilo len. ¨Oi, ßolik¨, digo-Ihe
eu, ¨oi, queiidinho.¨ L eIe ne oIha de un jeilo lão eslianho. O senhoi
pensa que e opinião da nãe. }uio que não e. LIe e una ciiança
exliaoidináiia!
5OLIONII
~ Se esse nenino fosse neu coIocava-o nuna fiigideiia, fiilava-o
e o conia (Con a xícaia na não, diiige-se a saIa e Iá se senla nun canlo)
NATACHA (colie o ioslo con as nãos)
~ Sujeilo giosseiio e naI-educado!
MACHA
~ IeIiz aqueIe que não peicele se e inveino ou veião. Acho que
se eslivessenos en Moscou não ne inpoilaiia cono lenpo.

VERCHININ
~ Oulio dia Ii o diáiio de un ninislio fiancôs, esciilo na piisão.
O ninislio foia pieso devido ao caso do Iananá. Con que enlusiasno e
encanlanenlo Ihe faIa dos pássaios que olseivava da janeIa da piisão, os
quais nen nolava nos lenpos de ninislio. NaluiaInenle, agoia que foi
poslo en Iileidade, não nolaiá nais os pássaios, do nesno nodo cono
não os nolava anles. a senhoia lanlen não nolaiá nais Moscou depois
que passai a vivei Iá. Não desfiulanos a feIicidade e nen sonos capazes
de desfiulá-Ia. Apenas a desejanos.
TUZENBACH (liia una caixa da nesa)
~ Onde eslão as laIas`
IRINA
~ SoIionii coneu-as.
TUZENBACH
~ Todas`
ANFI55A (seivindo o chá)
~ Tiouxeian-Ihe esla caila, iinãozinho
VERCHININ
~ Iaia nin` (Iega a caila) L da ninha fiIha (Lô a caila) ßen, e
cIaio... Ieidoe-ne Maiia Seiguôievna, eu ne ieliio as escondidas. Não
lonaiei o neu chá. (Levanla-se agilado) Senpie essas conedias...
MACHA
~ O que aconleceu` Iosso salei`
VERCHININ (laixando a voz)
~ Minha esposa lonou veneno de novo. Tenho de ii. Reliio-ne
sen chanai alenção. L leiiiveInenle desagiadáveI. (ßeija a não deIa)
Queiida... A senhoia e loa, e lonila.. Saio poi aqui sen sei nolado (Sai)
ANFI55A
~ Aonde vai` Tiouxe chá juslanenle paia eIe.

33
MACHA (zangada)
~ Deixe, não e da sua conla lalá! (Diiige-se a nesa con a xícaia)
Iaie de ne aloiiecei, veIha!
ANFI55A
~ Ioi que eslá con iaiva de nin, ninha fIoi`
A VOZ DE ANDREI
~ Anfissa!
ANFI55A (inilando-o)
~ Anfissa! Senpie enfuinado... (Sai)
MACHA (na saIa de janlai, zangada)
~ Deixen-ne senlai. (LspaIhando as cailas solie a nesa) A nesa
loda ocupada con as cailas! Tonen o chá!
IRINA
~ Vocô eslá se conpoilando naI, Macha.
MACHA
~ Quando eslou con iaiva e neIhoi não faIai conigo. Deixen-
ne en paz.
TCHEBUTIKIN (ii)
~ Minosinha! Minosinha!
MACHA
~ O senhoi eslá con sessenla anos, e vive faIando lolagens,
cono se fosse un gaiolinho.
NATACHA (suspiia)
~ Macha, queiida, paia que seiven essas expiessões` Vocô e lão
lonila, encanlaiia a lodos nun anlienle fino, não fossen suas naneiias.
Sinceianenle. ]c tcus pric, pardcnncz nci Maric, nais tcus atcz dcs nanicrcs
un pcu grcssicrcs.
TUZENBACH (conlendo o iiso)
~ Dô-ne... dô-ne, poi favoi... paiece que o Iugai do conhaque e
aIi.
NATACHA
|| parai| quc ncn 8coi| dcja nc dcr| pas, já acoidou. LIe não eslá
lolaInenle len hoje. DescuIpen-ne, vou vô-Io... (Sai)
IRINA
~ L aonde foi AIeksandei Ignalich`
MACHA
~ Iaia casa. De novo aconleceu aIgo con a nuIhei.
TUZENBACH (diiige-se a SoIionii, con a gaiiafa de conhaque na não)
Senpie sozinho, senpie nedilando, não se sale solie o quô.
Vanos, façanos as pazes. Vanos lelei un conhaque. (ßelen) Hoje devo
passai a noile senlado ao piano,. Tocando un nonle de lolaginhas. O
que fazei`

34
5OLIONII
~ Ioi que deveiíanos fazei as pazes` Nós não liiganos.
TUZENBACH
~ O senhoi senpie ne faz lei a inpiessão de que nos
desenlendenos. Seu caiálei e nuilo eslianho, devo ieconhecei.
5OLIONII (decIanando)
~ ¨Lslianho eu sou, nas quen não e` AIeko, não se zangue.¨
4

TUZENBACH
~ O que AIeko len a vei con isso` (Iausa)
5OLIONII
~ Quando eslou sozinho con una pessoa sou iguaI aos oulios.
Ln giupo, no enlanlo, fico confuso, e digo un nonle de asneiias. Mesno
assin, sou nais honeslo e nolie que nuila genle. L posso Ihe
denonsliaia isso.
TUZENBACH
~ Iieqüenlenenle sinlo iaiva do senhoi. Vive ne piovocando
quando eslanos na conpanhia de leiceiios. Não olslanle, de aIguna
foina ne e sinpálico. Caianla, hoje queio ne enleledai. Vanos lelei!
5OLIONII
~ Vanos. (ßele) Con o senhoi, laião, nunca live piolIenas.
Mas o neu caiálei e iguaI ao de Leinonlov
5
(Ln voz laixa) Dizen ale
que lenos aIguna seneIhança física. (Reliia do loIso un fiasco de
peifune e deiiana un pouco nas nãos.)
TUZENBACH
~ Vou passai paia ieseiva, já apiesenlei o pedido. ßasla! Iiquei
iefIelindo poi cinco anos, nas finaInenle, iesoIvi. Queio lialaIhai.
5OLIONII (decIana)
~ ¨AIeko, não se zangue... Lsqueça, esqueça esses seus sonhos...¨
TUZENBACH
~ TialaIhaiei.

(ENQUANTO ELES |ALAM, ENTRA ANDREl COM UM LlVRO NA
MÃO E SENTA-SE PERTO DA VELA.)
TCHEBUTIKIN (Lnlia na saIa aconpanhado de Iiina)

~ L fonos lialados a noda caucasiana. Sopa de celoIas e assado
de |cnc|nar|ina, un lipo de caine.

4
Do pena dianálico de Iuchkin, ¨Os ciganos¨.
5
MikhaiI Leinonlov (1914-1841), giande poela iusso, linha un caiálei expIosivo,
lienendanenle sensíveI, eia noidaz e piovocadoi, a laI ponlo que seu nodo de sei
Ihe causou a noile en dueIo.

35
5OLIONII
~ A |cncrcncna nunca foi caine, e un vegelaI, paiecido con a
celoIa.
TCHEBUTIKIN
~ Queiido, a |cnc|nar|ina nac c ccoc|a, c carnc dc ccrdcirc.
5OLIONII
~ L eu Ihe digo, que a |cncrcncna e celoIa.
TCHEBUTIKIN
~ L eu Ihe digo que e a |cnc|nar|ina c carnc dc ccrdcirc.
5OLIONII
~ L eu Ihe digo, que a |cncrcncna e celoIa.
TCHEBUTIKIN
~ Oia, poi que essa discussão! O senhoi nunca esleve no Cáucaso
e lanpouco coneu |cnc|nar|ina.
5OLIONII
~ Não coni poique não goslo. A |cncrcncna len o cheiio do aIho.
ANDREI (supIica)
~ ßasla, senhoies, poi favoi! IeIo anoi de Deus, lasla!
TUZENBACH
~ Quando vôn os nascaiados`
IRINA
~ Chegan as nove. Logo eslaião aqui.
TUZENBACH (aliaça Andiei, enquanlo canla)
~ ¨Ah, aIpendie, neu aIpendie, aIpendie novo en foIha...¨
ANDREI (dança e canla)
~ ¨AIpendie novo en foIha, feilo de caivaIho...¨
TCHEBUTIKIN (dança)
~ ¨Con lieIiça!¨ (Todos iien)

TUZENBACH (leija Andiei)
~ Vanos lelei a nossa anizade, Andiiuchka! Iiei paia Moscou
junlo con vocô, paia a univeisidade, Andiiuchka.
5OLIONII
~ QuaI` Ln Moscou há duas univeisidades.
ANDREI
~ Ln Moscou há una univeisidade.
5OLIONII
~ Iois eu digo que há duas.
ANDREI
~ Ioi nin pode havei ale liôs. Iaia nin lanlo faz.
5OLIONII
~ Ln Moscou há duas univeisidades! (Iioleslos e assolios) A
veIha e a nova. L se os senhoies não pieslan alenção, ou não Ihes agiada

36
o que eu digo, enlão posso caIai-ne e ale nudai de saIa. (Sai poi una das
poilas)
TUZENBACH
~ Viva! Viva! (Ri) Senhoies, podenos coneçai, vou ne senlai ao
piano. Que sujeilo engiaçado esse, SoIionii. (Senla-se dianle do piano e
loca una vaIsa)

MACHA (dança a vaIsa sozinha)
~ O laião eslá aIlo, o laião eslá aIlo!

(ENTRA NATACHA.)

NATACHA (chana Tchelulikin )
~ Ivan Ronanilch! (Diz aIgo a Tchelulikin, depois sai en
siIôncio. Tchelulikin pousa a não no onlio de Tuzenlach e cochicha
aIgo.)
IRINA
~ O que e`
TCHEBUTIKIN
~ }á vou enloia, neus iespeilos.
TUZENBACH
~ ßoa noile. Tenos de ii.
IRINA
~ Mas cono` ... e os nascaiados`
ANDREI (consliangido)
~ Os nascaiados não viião... Veja, queiida. Nalacha disse que
ßolik eslá un pouco adoenlado. Lnfin... não sei. Iaia nin lanlo faz...
IRINA (encoIhe os onlios)
~ ßolik eslá doenle!
MACHA
~ O que fazei` Se nos enxolan lenos de ii (A Iiina) Não e ßolik
que eslá doenle, e sin eIa... aqui! (Aponla cono dedo a lesla) L una
luiguesinha! (Andiei sai peIa poila da diieila, Tchelulikin o segue, na
saIa de janlai coneçan as despedidas)
FEDOTIK
~ Que pena, eu eslava ceilo de que iiia passai a noile aqui, nas
se a ciiança eslá doenle, enlão e cIaio que...Ananhã vou Ihe liazei aIgun
liinquedo.
RODE (en voz aIla)
~ Doini de piopósilo hoje de laide paia podei dançai a noile
loda. Ainda não são nen nove hoias...

37
MACHA
~ Vanos saii, Iá foia decidiienos o que fazei. (Ouven-se as
úIlinas despedidas: ¨Adeus! Deus o guaide!¨ Tuzenlach dá gaigaIhadas.
Todos se ieliian. Anfissa e a ciiada liian a nesa e apagan as Iuzes.
Ouve-se a lalá canlai. SiIenciosanenle enlia Andiei de capa e chapeu,
aconpanhado de Tchelulikin )
TCHEBUTIKIN
~ Lu não ne casei poique a ninha vida passou iápido cono un
ieIânpago, e lanlen poique anei Ioucanenle a sua nãe, que já eia
casada enlão.
ANDREI
~ Não se deve casai-se, não se deve. L enfadonho.
TCHEBUTIKIN
~ Isso e veidade, nas e a soIidão! Iode-se fiIosofai a vonlade,
nas a soIidão e una cosia leiiíveI, neu iinãozinho... Lnloia na
ieaIidade... NaluiaInenle, decididanenle, lanlo faz.
ANDREI
~ Apiessôno-nos
TCHEBUTIKIN
~ Iaia que nos apiessainos` Tenos lenpo de solia.
ANDREI
~ Receio que a ninha nuIhei nos ielenha.
TCHEBUTIKIN
~ Que nada.
ANDREI
~ Hoje não vou jogai, apenas ficaiei senlado. Não ne sinlo len...
O que devo fazei, Ivan Ronanilch, paia aIiviai os dislúilios
iespiialóiios`
TCHEBUTIKIN
~ Ioi que vocô ne peigunla` Não ne Ienlio nais, queiido. Não
sei nais.
ANDREI
~ Vanos saii peIa cozinha! (Saen. Soa a canpainha, voIla a soai,
ouven-se vozes e iisos)
IRINA (enlia)
~ Quen e`
ANFI55A (sussuiiando)
~ São os nascaiados. (Soa a canpainha de novo)
IRINA
~ Diga-Ihes, lalá, que não len ninguen en casa. Que nos
peidoen. (Anfissa sai. Iiina anda de un Iado paia o oulio na saIa, ineisa
en pensanenlos, eslá agilada. Lnlia SoIionii.)

38
5OLIONII (suipieso)
~ Não há ninguen` .... Aonde foian lodos`
IRINA
~ Ioian paia casa.

5OLIONII
~ Lslianho. A senhoia eslá sozinha`
IRINA
~ Sozinha... (Iausa) ßen, enlão adeus.
5OLIONII
~ Há pouco não ne poilei con nodeiação, devia lei lido nais
lalo. Mas a senhoia não e cono os oulios - e nolie e puia - a senhoia
enxeiga a veidade. Só a senhoia podeiá ne enlendei. Lu a ano, ano-a
piofundanenle, infinilanenle.
IRINA
~ Lslá len, adeus. Vá enloia.
5OLIONII
~ Não posso vivei sen a senhoia!... (Segue-a) Oh, neu
encanlo.(Lnlie Iágiinas) Oh, ninha feIicidade. A senhoia len os oIhos
nais naiaviIhosos, nagníficos e fascinanles que eu já vi nuna nuIhei.
IRINA (con fiieza)
~ Iaie con isso, VasiIii VasiIilch!
5OLIONII
~ L a piineiia vez que Ihe faIo do neu anoi, e sinlo cono se
nen eslivesse na leiia, e sin nuna oulia eslieIa. (Lsfiega a lesla) ßen,
lanlo faz . não se pode ollei anoi a foiça. Ioien não adniliiei un iivaI
afoilunado... não adniliiei... juio peIo que exisle de nais sagiado que o
nalaiei.... oh, ciialuia naiaviIhosa!...

(NATACHA ATRAVESSA A CENA COM UMA VELA NA MÃO)

NATACHA (a poila de un quailo, assona a caleça paia denlio e oIha,
faz o nesno noulio quailo e enlão passa dianle da poila que Ieva ao
quailo do naiido)
~ Andiei eslá aqui, deixen-no ficai Iendo. Ieidoe-ne VaiIii
VasiIilch. Não salia que o senhoi eslava aqui. Lslou passeando de
penhoai.
5OLIONII
~ Ioi nin... Adeus (Sai)
NATACHA
~ L vocô eslá cansada, ninha polie e queiida nenina (ßeija-a)
Devia deilai-se nais cedo.

39
IRINA
~ ßolik eslá doinindo`
NATACHA
~ Sin, nas doine un sono agilado. Lslou ne Ienliando agoia,
quis Ihe dizei aIgunas coisa, nas ou vocô não eslava aqui ou eslava sen
lenpo... Iaiece-ne que o quailo aluaI de ßolik e fiio e únido. O seu
quailo Ihe seiviiia nuilo len. TaIvez, queiida, vocô devesse nudai paia
o quailo de OIga.
IRINA (sen conpieendei)
~ Iaia onde` (Ouve-se as canpainhas de una lióica que se
apioxina e páia dianle da casa.)
NATACHA
~ Ioi enquanlo vocô pode doinii no nesno quailo con OIga e
só seu quailo seiá de ßolik. LIe e un encanlo! Hoje eu Ihe disse: ¨Oi,
ßolik, oi ßolik queiido!¨ L eIe ne oIhou con aqueIes oIhinhos!... (Soa a
canpainha) Deceilo e OIga. Chega lão laide. (
A
ciiada diiige-se ale a
Nalacha e Ihe diz aIgo no ouvido)
NATACHA
~ Iiolopopov` Que exliavaganle! Iiolopopov eslá aqui e ne
pede paia ii passeai de lienó con eIe. (Ri) Os honens são lão eslianhos!
(Soa a canpainha) Chegou aIguen. TaIvez eu saia poi un quailo de
hoia... (A ciiada) Diga que voIlo Iogo. (Soa a canpainha) Deceilo e OIga.
(Sai)

(A CRlADA SAl CORRENDO. lRlNA ESTA SENTADA, SUBMERSA EM
PENSAMENTOS. ENTRAM KULlGUlN, OLGA, E ATRAS DELES
VERCHlNlN.)

KULIGUIN
~ Ah, disseian-ne que haveiia una fesla aqui.
VERCHININ
~ Lslianho, quando fui enloia há pouco, neia hoia aliás
eslavan a espeia dos nascaiados...
IRINA
~ Todos se foian.
KULIGUIN
~ Oia, senhoiila capiichosa...
OLGA
~ A ieunião só leininou agoia há pouco eslou noila. A diieloia
ficou doenle e sou eu quen a sulslilui. A ninha caleça.... ai cono dói a
ninha caleça...(Senla-se) Onlen Andiei peideu peIo nenos duzenlos
iulIos no jogo. A cidade loda faIa nisso...

4O
KULIGUIN
~ Sin, a ieunião cansou a nin lanlen. (Senla-se)
VERCHININ
~ Iois a ninha nuIhei lenlou de novo ne assuslai e poi pouco
não se envenenou. Agoia eslá ludo len, e eslou feIiz poi podei
descansai un pouco... Lnlão lenos de pailii` Ieinilan-ne desejai-Ihes
una loa noile. Iiodoi IIilch, venha conigo a un Iugai quaIquei! Não
posso ficai en casa, não posso... Vanos!
KULIGUIN
~ Lslou cansado. Não vou (Levanla-se) Lslou cansado. Minha
esposa foi paia casa`
IRINA
~ Deceilo.
KULIGUIN (ßeija a não de Iiina)
~ Adeus. Ananhã e depois de ananhã posso descansai o dia
inleiio. Iiquen con Deus! (Dispõe-se a pailii) Mas len que eu goslaiia
de lonai un pouco de chá. Iielendia passai a noile en conpanhia
agiadáveI, nas fa||accn ncninun spcn!
6
Acusalivo con excIanação.
VERCHININ
~ Lnlão vou sozinho. (Sai assoliando, seguido poi KuIiguin)
OLGA
~ Lslou con doi de caleça... Andiei peideu no jogo... a cidade
inleiia faIa nisso... Vou ne deilai. (dispõe-se a se ieliiai) Ananhã leiei o
dia Iivie... Meu Deus, que feIicidade!... Livie ananhã e Iivie lanlen
depois de ananhã... ai, a caleça, a caleça... (Sai)
IRINA
~ Todos se foian... não ieslou ninguen aqui... (Ouve-se da iua o
son de un acoideão, a lalá canla.)
NATACHA (Aliavessa a saIa de janlai veslindo un casaco de peIes e un
goiio, aliás deIa, a ciiada)
~ Denlio de neia hoia eslaiei de voIla. Vou só dai una voIla de
lienó. (Sai)
IRINA (Sozinha, alalida)
~ Moscou!... Moscou!... Moscou!...

CORTINA





6
Vã espeiança hunana!

41
T TE ER RC CE EI IR RO O A AT TO O






QUARTO DE OLGA E lRlNA. A ESQUERDA E A DlRElTA, CAMAS
CERCADAS POR BlOMBOS. SÃO MAlS OU MENOS TRÈS HORAS
DA MADRUGADA. |ORA DA CENA SE OUVE O REPlCAR DOS
SlNOS, ESTA HAVENDO UM lNCÈNDlO, QUE ]A DURA BASTANTE
TEMPO. VÈ-SE QUE NA CASA AlNDA ESTÃO TODOS ACORDADOS.
MACHA, DE ROUPA PRETA, COMO SEMPRE, ESTA DElTADA NO
DlVÃ. ENTRAM OLGA E AN|lSSA.


ANFI55A
~ Agoia eslão senladas Iá enlaixo na escada. Lu Ihes digo:
¨Sulan, poi favoi, assin não eslá ceilo...¨ Mas eIas só choian e iepelen:
¨Não salenos onde eslá o papai! Iode sei que eIe lenha noiiido noneio
do fogo!¨ Lsse pensanenlo e leiiíveI. L há lanlen genle peIo pálio...
lanlen sen ioupa.
OLGA (liiando ioupas do aináiio)
~ Tone esla cinzenla... e nais esle. L esle casaquinho. L esla saia.
Tone, lalá! Meu Deus, o que foi isso` Iaiece que loda a Rua Kiisanov
viiou un anonloado de cinzas. Tone nais islo... e islo. (}oga as ioupas
paia Anfissa) Os Veichinin, coilados, eslavan assusladíssinos. Ioi
pouco a casa deIes não pegou fogo lanlen. Hoje vão doinii aqui. Não
os deixaienos ii paia casa... Ao coilado do Iedolik nada ieslou...
queinou ludo...
ANFI55A
~ OIiuchka, vocô devia chanai Ieiaponl. Sozinha não dou
conla...
OLGA (loca a canpainha)
~ Ninguen iesponde... (Chana, indo ale a poila) Li, len aIguen
aí` (IeIa poila aleila se divisa una janeIa que iefIele o fogo, ouve-se o
caiio de lonleiios passai dianle da casa) Que noile hoiiíveI! Não
agüenlo nais!
(ENTRA |ERAPONT.)

OLGA
~ Tone, Ieve islo paia laixo. Aí delaixo da escada eslão as
senhoiilas KoIoliIin... dô islo a eIas... L islo lanlen...

42
FERAPONT
~ Sin, senhoia. Ln doze, Moscou lanlen aideu en cinzas.
Deus, neu Senhoi! Os fianceses ficaian adniiados.
OLGA
~ Lslá len, vá...
FERAPONT
~ Sin, senhoia (sai)
OLGA
~ ßalá, dô ludo a eIes. Nós não piecisanos de nada... Lslou lão
cansada, naI ne agüenlo en pe... Não deixaienos os Veichinin iien
paia casa. As ciianças poden doinii no saIão. AIeksandei Ignalilch, Iá
en laixo, con o laião. Iedolik lanlen pode ficai con o laião ou aqui,
na saIa de janlai. O douloi, cono se de piopósilo, eslá de novo
enliiagado, lienendanenle enliiagado. Iaia Iá ninguen pode ii. L a
esposa de Veichinin, lanlen no saIão...
ANFI55A (exausla)
OIiuchka, queiida... não ne enxole!... Não ne enxole!
OLGA
~ Oia, não diga lolagens, lalá, ninguen vai enxolá-Ia.
ANFI55A (deila a caleça no peilo de OIga)
~ Minha queiida, neu lesouio, eu lialaIho, en esfoiço. Quando
ne faIlaien foiças, enlão ne diião: ¨Vá con Deus!¨ ... Mas aonde posso
ii` Con oilenla anos... Vou fazei oilenla e dois...
OLGA
~ Senle-se un pouco, lalá. Lslá cansada, poliezinha... (Iaz con
que eIa se senle) Descanse, poliezinha, ai cono eslá páIida!

(ENTRA NATACHA)

NATACHA
~ Lslão dizendo que se deve oiganizai un ação de ajuda
inediala aos fIageIados. LxceIenle ideia, não e` Una ideia nagnífica. Os
polies en geiaI deven sei socoiiidos o nais iápido possíveI. L oliigação
dos iicos. ßolick e Sofolchka doinen cono se nada livesse aconlecido. A
casa inleiia eslá enluIhada, poi onde ando há genle poi loda paile. O
piolIena e que há una epidenia de giipe peIa cidade e leno que as
ciianças se conlagien.
OLGA (não Ihe piesla alenção)
~ Desle quailo não se vô o incôndio. Aqui eslá ludo lianqüiIo.
NATACHA
~ Sin.. Lslou nuilo despenleada... (Dianle do espeIho) Dizen
que engoidei... Não e veidade! Nen un pouco! L Macha eslá doinindo,
cansou-se coilada... (A Anfissa fiia) Quando eslou aqui não se alieva a

43
ficai senlada! Levanle-se, saia daqui! (Anfissa sai. Iausa) Não posso
enlendei poi que vocô nanlen essa veIha.
OLGA (peipIexa)
~ DescuIpe, lanpouco eu enlendo.
NATACHA
~ Não há iazão paia eIa eslai aqui. L una canponesa, e seu Iugai
e na aIdeia. Iaia que niná-Ia` Coslo quando eslá ludo en oiden na
casa. Aqui não há Iugai paia genle inúliI (Acaiicia o ioslo de OIga) Lslá
cansada, poliezinha. Nossa diieloiinha eslá cansada. Quando a ninha
Sofolchka ciescei e enliai paia o ginásio, sei que leiei nedo de vocô.
OLGA
~ Lu não seiei diieloia.
NATACHA
~ Mas vocô seiá eIeila, OIiuchka. }á eslá iesoIvido.
OLGA
~ Recusaiei. Não posso... Não iiia conseguii...(ßele água) Há
pouco vocô foi nuilo giosseiia con a lalá. Ieidoe-ne, nas eu não posso
supoilai isso.. fiquei con a visla luiva...
NATACHA (agilada)
~ Ieidoe-ne OIga queiida, não quis afIigi-Ia (Macha Ievanla-se,
pega o liavesseiio e ieliia-se fuiiosa)
OLGA
~ Conpieenda queiida, que laIvez nós lenhanos sido educadas
de nodo eslianho, nas eu não posso supoilai isso. Lsse lipo de
conpoilanenlo ne depiine... eu fico doenle...
NATACHA
~ ßen, ne peidoe. (ßeija-a)
OLGA
~ A nínina giosseiia, una paIavia nenos deIicada, ne aIleia...
NATACHA
~ Iode sei que as vezes eu faIe denais. Mas vocô len de
ieconhecei, queiida: a lalá len que podeiia lei ficado na aIdeia.
OLGA
~ LIa eslá conosco há liinla anos.
NATACHA
~ Mas já não pode lialaIhai. Ou sou eu quen não enlende ou e
vocô que não quei ne enlendei. LIa não seive paia o lialaIho, só doine
ou fica senlada.
OLGA
~ Lnlão que fique senlada.
NATACHA (adniiada)
~ Iicai senlada` Mas e una ciiada! (Desala a choiai) Não a
conpieendo, OIga. Tenho una lalá, una ana-de-Ieile, una ciiada, una

44
cozinheiia... Lnlão paia que piecisanos dessa veIha` Iaia quô` (Ouve-se
o iepicai dos sinos)
OLGA
~ LnveIheci dez anos esla noile.
NATACHA
~ Tenos de lialai desse assunlo, OIga. Vocô eslá no Iiceu e eu
fico aqui, vocô dá auIa, eu cuido da casa. L se eu dissei aIgo dos ciiados,
sei o que eslou dizendo, sei o que es-lou di-zen-do... Assin sendo,
ananhã não queio vei nais essa veIha Iadia, essa deciepila!... (ßale os
pes) Não queio vei essa veIha liuxa! L paien de ne iiiilai!
Lnlendeian`... (ßale os pes) Não queio vei essa veIha liuxa! L paien de
ne iiiilai! Lnlendeian`... (ConlioIa-se) Lslá vendo` Se vocô não nudai
paia o andai de laixo, vanos liigai senpie. L hoiiíveI.

(ENTRA KULlGUlN)

KULIGUIN
~ Onde eslá Macha` Iodenos ii paia casa. O fogo eslá
dininuindo, dizen... (Lspieguiçando-se) Apenas un laiiio foi alingido,
apesai de no início o venlo lei dado a inpiessão de que o incôndio
lonava conla da cidade inleiia. (Senla-se) Lslou cansado. OIga, ninha
queiida OIga... penso fieqüenlenenle: se não fosse poi Macha eu leiia ne
casado con vocô, OIga. Vocô e lão loa... Lslou faligado. (Iica esculando)
OLGA
~ O que e`
KULIGUIN
~ }uslanenle hoje, cono se de piopósilo, o douloi enleledou-se
paia vaIei. De piopósilo. (Levanla-se) Iaiece sei eIe... Lslá ouvindo` Sin,
e eIe nesno... (Ri) Que figuia!... Vou ne escondei aqui. (Lsconde-se no
canlo, junlo ao aináiio) Que veIhaco!
OLGA
~ Não lelia há dois anos, e agoia de iepenle... (Diiige-se con
Nalacha paia o fundo da saIa. Apaiece Tchelulikin . Aliavessa a saIa con
passos fiines, cono una pessoa sóliia, páia, oIha ao iedoi, depois se
diiige ao Iavalo e coneça a Iavai as nãos.)
TCHEBUTIKIN (con ai laciluino)
~ Que o dialo os caiiegue! Iensan que poi sei nedico eu posso
cuiai lodas as enfeinidades. Iois eu não cuio nais nada, esqueci ludo o
que salia, não sei nais nada, alsoIulanenle nada. (OIga e Nalacha saen
sen Tchelulikin peicelei) Que o dialo os caiiegue! Quaila-feiia passada
alendi no aleiio una nuIhei doenle, eIa noiieu, e fui eu quen causou a
sua noile. Sin... Vinle e cinco anos aliás eu ainda salia aIgunas coisas,
nas agoia esqueci ludo. Tudo. TaIvez eu nen seja nais un honen, só

45
finja que lenho liaços, peinas, caleças. TaIvez nen esleja nais vivo e só
ne paieça que ando, cono e duino. (Desala a choiai) Ai, se eu não
exislisse! (}á não choia nais, laciluino) Tanlo faz. Tanlo faz cono lanlo
fez... Anleonlen conveisavan no cIule, faIavan solie Shakespeaie e
VoIlaiie... Lu não Ii nada de nenhun dos dois, nas fiz un caia de quen
linha Iido. L os oulios, a nesna coisa. CanaIhice! ßaixeza! L aqueIa
nuIhei que deixei noiie na quaila-feiia ne veio a nenle e pesou na
ninha aIna, e ludo eia lediosos, sujo, iepuIsivo... Saí e ne enleledei
(Lnlian Iiina, Veichinin e Tuzenlach, Tuzenlach usa ioupas civis da
noda)
IRINA
~ Vanos senlai un pouco. Aqui não seienos peiluilados.
VERCHININ
~ Se não fossen os soIdados a cidade inleiia leiia aidido. Ólinos
iapazes. (Lsfiega as nãos de conlenlanenlo) Ciandes sujeilos, iapazes
foinidáveis!
KULIGUIN (apioxina-se)
~ Que hoias são agoia, senhoies`
TUZENBACH
~ Quase qualio. }á ananhece.
IRINA
~ Lslão lodos senlados na saIa de janlai, ninguen vai enloia. Lá
eslá o seu SoIionii lanlen. (A Tchelulikin ) Douloi, vá doinii!
TCHEBUTIKIN
~ Não há de quô... Oliigado... (Ienleia a laila.)
KULIGUIN (ii)
~ Lnlão, Ivan Ronanilch, lonou un giande piIeque! (Dá-Ihe
paInadas no onlio.) Sujeilo foinidáveI! In vino veiilas - dizian os
anligos.
TUZENBACH
~ Todos ne peden paia oiganizai un conceilo en lenefício das
vílinas do incôndio.
IRINA
~ Sin, nas quen...
TUZENBACH
~ Se quiseinos de veidade, podeienos oiganizá-Io. Na ninha
opinião Maiia Seiguôievna loca piano naiaviIhosanenle.

KULIGUIN
~ Sin, naiaviIhosanenle!
IRINA
~ }á esqueceu. Há liôs anos não loca... laIvez ale qualio.

46
TUZENBACH
~ Ninguen na cidade enlende de núsica, una aIna viva sequei,
nas eu sin, eu enlendo, e posso Ihes asseguiai que Maiia Seivôievna loca
nagnificanenle, e nuilo laIenlosa.
KULIGUIN
~ O laião len iazão. Coslo nuilo de Macha. L una nuIhei
excepcionaI.
TUZENBACH
~ Tocai len e senlii que ninguen, nas ninguen, a enlende!
KULIGUIN (suspiia)
~ Sin... Ioien seiá de lon lon eIa se apiesenlai nun conceilo`
(pausa) Na veidade, senhoies, eu nada sei. Iode sei una loa ideia. Devo
adnilii que o nosso diieloi e un honen lon, e ale nuilo lon e
inleIigenle, nas len ceilos ponlos de visla... NaluiaInenle isso não Ihe
diz iespeilo, poien nesno assin, se quiseien faIaiei con eIe solie isso.

(TCHEBUTlKlN TOMA NAS MÃOS UM RELÓGlO DE PORCELANA E
O EXAMlNA)

VERCHININ
~ OIhen a ninha ioupa, ne sujei no incôndio. (Iausa) Onlen
ouvi dizei que o nosso lalaIhão seiá liansfeiido paia aIgun Iugai
dislanle. IoIônia, segundo uns, paia oulios Tchila.
TUZENBACH
~ Lu lanlen ouvi dizei. A cidade ficaiá deseila enlão.
IRINA
~ Nós lanlen nudaienos!
TCHEBUTIKIN (deixa caii o ieIógio de poiceIana, que se despedaça)
~ Queliou! (Iausa, lodos eslão penaIizados e conliafeilos)
KULIGUIN (iecoIhe os cacos)
~ Lia una coisa lão vaIiosa... Ivan Ronanilch, zeio de
conpoilanenlo!
IRINA
~ L o ieIógio eia da nossa faIecida nãe.
TCHEBUTIKIN
~ TaIvez... fosse da sua nãe... laIvez eu nen o lenha queliado, só
paieça que o queliei. TaIvez só paieça que eslanos vivos, lanlen, e na
ieaIidade nen eslejanos. Lu nada sei. Ninguen sale nada. (Da poila) O
que eslão oIhando` Nalacha eslá lendo un pequeno ionance cono
Iiolopopov e vocôs nen vôen. Iican senlados aqui e não vôen nada, no
enlanlo Nalacha e ananle de Iiolopopov... (Canla) ¨Recelan esla
lânaia de piesenle...¨ (Sai)

47
VERCHININ
~ Sin (Ri) Na ieaIidade ludo isso e nuilo eslianho. (Iausa)
Quando coneçou o incôndio, fui as piessas paia casa. Na nedida que ne
apioxinava, vi que a casa não coiiia peiigo, não pegaia fogo. Mas as
ninha fiIhinhas eslavan paiadas de canisoIa na soIeiia da poila, a nãe
não eslava - a iua apinhada de genle, os cavaIos coiiendo, cachoiio - e
no ioslo deIas una expiessão de ansiedade, leiioi, súpIica, sei Iá nais o
quô. Senli un apeilo no coiação quando vi aqueIes ioslos. Meu Deus,
pensei, quanlo sofiinenlo eslaiá ieseivado paia essas neninas ao Iongo
da vida. Agaiiei-as e coiii con eIas, nas senpie con a nesna ideia na
caleça: o que essas polies neninas leião ainda de enfienlai! (Toca o
aIaine. Iausa) L ao chegai aqui enconlio a nãe deIas, que giila e iaIha...
(Lnlia Macha con una aInofada e senla-se no divã) L quando as ninhas
fiIhas eslavan Iá paiadas, seninuas, na soIeiia, e a iua eia iIuninada peIo
fogo e havia una giilaiia infeinaI, enlão Ienliei que aIgo paiecido
aconleceia nuilos anos aliás quando o ininigo nos suipieendeu e
saqueava e incendiava ludo peIo caninho... afinaI quaI e a difeiença enlie
aquiIo que foi e o que eslá sendo` Iassado aIgun lenpo, laIvez uns
duzenlos ou liezenlos anos, a nossa vida seiá Ienliada con hoiioi e
lioça, ludo o que exisle hoje vai paiecei disfoine, pesado, sunanenle
incônodo e eslianho. Oh, que vida seiá aqueIa, que vida! (Ri) Ieidoe-ne,
de novo eslou fiIosofando. Ieinilan-ne, senhoies, que conlinue, lenho
de fiIosofai agoia, neu eslado de espíiilo ne pede. (Iausa) Todos
doinen. Lnlão, cono eu dizia: que vida não seiá! Inaginen só... nesla
cidade exislen hoje apenas liôs pessoas cono os senhoies, poien nas
geiações fuluias exisliião senpie nais e nais, e haveiá un lenpo en
que ludo seiá cono nós sonhanos. Todos viveião cono os senhoies,
depois os senhoies lanlen enveIheceião e viião oulios honens,
neIhoies que os senhoies...(Ri) Hoje eslou nun eslado de ânino singuIai.
Tenho una vonlade leiiíveI de vivei! (Canla) ¨Ane senpie e ane de
novo, o anoi e un loinenlo deIicioso...¨)Ri)
MACHA
~ Tian-lan-lan...
VERCHININ
~ Tan-lan...
MACHA
~ Tia-Ia-Iá...
VERCHININ
~ La...Iá... (Ri. Lnlia Iedolik)
FEDOTIK (dançando)
~ Queinou ludo! Tudo o que eu linha viiou cinza! (Risos)
IRINA
~ Que liincadeiia e essa` Ieideu ludo`

48
FEDOTIK (ii)
~ Tudo, ludo! Não ne ieslou nada, o vioIão, a náquina
fologiáfica, lodas
as cailas, ludo queinou. Quis piesenleá-Ia con una agenda, eIa lanlen
queinou!

(ENTRA 5OLIONII.)

IRINA
~ Ieço-Ihe que vá enloia, VasiIii VaiIilch... o senhoi não cale
aqui nun nonenlo cono esle.
5OLIONII
~ L poi que enlão o laião pode ficai, se eu não posso`
VERCHININ
~ De falo devenos ii. Cono eslá o incôndio`
5OLIONII
~ Lslá anainando, dizen. Lslianho nuilo eu o laião possa ficai
aqui e eu não. (Tiia do loIso un fiasco de peifune e se loiiifa con eIe)
VERCHININ
~ Tian-lan-lan...
MACHA
~ Tan-lan...
VERCHININ (ii paia SoIionii)
~ Vanos a saIa de janlai.
5OLIONII
~ Lslá len, lonaiei nola. Iodia faIai nuilo a iespeilo, nas
deixenos isso paia Iá (OIhando en diieção a Tuzenlach ) Tsip... lsip...
lsip... (Sai con Veichinin e Iedolik)
IRINA
~ Que cheiio de funaça deixou esse SoIionii. (Suipiesa) O laião
eslá doinindo! laião! ßaião!
TUZENBACH (Acoida)
~ Na veidade, eslou un pouco cansado... A oIaiia... não e sonho,
não. Logo, Iogo eu coneçaiei a lialaIhai na oIaiia. }á nanlive conlalos. (
A

Iiina, con leinuia) A senhoia e lão páIida, lão lonila, lão encanladoia.
Sua paIidez paiece iIuninai o ai escuio, cono una Iuz... Lslá liisle e
insalisfeila con a vida... Oh, venha conigo e lialaIhenos junlos!
MACHA
~ NikhoIai Lvovilch, vá enloia.
TUZENBACH (ii)
~ A senhoia eslá aqui` Não a vi... (ßeija a não de Iiina) Adeus,
eu vou indo. Há pouco a olseivava e Ienliei-ne de que ceila feila, há
nuilo, nuilo lenpo, no dia da saI sanla, disse aIegie e joviaI: cono e

49
deIicioso lialaIhai! Que vida feIiz eu inaginava enlão!... L onde eIa eslá`
(ßeija-Ihe a não) Ten Iágiinas nos oIhos. Vá doinii, já eslá
ananhecendo... Ronpe o dia... Ai, se eu pudesse dai a vida peIa senhoia!
MACHA
~ NikoIai Lvovilch, vá enloia. Isso já e denais...
TUZENBACH
~ }á vou, já vou (Sai)
MACHA (iecosla no divã)
~ Lslá doinindo, Iiodoi`
KULIGUIN
~ O quô`
MACHA
~ MeIhoi vocô ii paia casa.
KULIGUIN
~ Queiida Macha... caia Macha.
IRINA
Macha eslá cansada. Deixe-a descansai.

KULIGUIN
~ }á vou... Minha esposa e una ólina nuIhei, e una nuIhei
nagnífica. Minha queiida, eu a ano, só a vocô...
MACHA (iiiilada)
Anc, anas, anan|, ananus, ana|is, anan|.
KULIGUIN (ii)
~ Sin, e una nuIhei deveias exliaoidináiia. Vivenos junlos há
sele anos, e paia nin e cono se livessenos casado onlen, paIavia de
honia. Sin, e una nuIhei exliaoidináiia, nesno. Lslou feIiz... feIiz, feIiz,
feIiz.
MACHA
~ L eu eslou ale aqui. Ale aqui, ale aqui! (Senla-se no divã e faIa
senlada) L sinpIesnenle ievoIlanle... não ne sai da caleça. Lslou faIando
de Andiei. Hipolecou a casa no lanco e a esposa enloIsou lodo o
dinheiio. L a casa não e só deIe, e de nós qualio! LIe piecisa ieconhecei
isso, se foi una pessoa honiada.
KULIGUIN
~ Oia, Macha, que necessidade len vocô do dinheiio` O polie
Andiiucha eslá endividado ale o pescoço, deixe-o, peço-Ihe.
MACHA
~ Mas e ievoIlanle! (VoIla a iecoslai-se)



5O
KULIGUIN
~ Nós dois sonos polies. Lu lialaIho, dou auIas no Iiceu, e
lanlen auIas pailicuIaies... Sou un honen honeslo.. Un honen
sinpIes... Onnia nca nccun pcr|c
7
- cono dizian os anligos.
MACHA
~ Nen eu queio o dinheiio, nas o que eIe fez e ievoIlanle.
(Iausa) Vá enloia, Iiodoi!
KULIGUIN (leija-a)
~ Vocô eslá cansada, descanse neia hoia, eu vou senlai nun
canlo e aguaido... duina. (Iõe-se a andai) Lslou feIiz, eslou feIiz. (Sai)
IRINA
~ Cono nosso Andiei ficou niúdo, cono peideu o vaIoi e
enveIheceu ao Iado dessa nuIhei!... Houve un lenpo en que eIe
pielendia sei piofessoi univeisiláiio, e onlen se vangIoiiava poi
finaInenle lei sido designado nenlio do conseIho nunicipaI. LIe e
nenlio onde o Iiolopopov e piesidenle. Toda a cidade faIa e ii disso,
apenas eIe não sale, não vô nada... Agoia, quando lodos acoiieian ao
fogo, eIe ficou senlado no quailo sen se inpoilai. Senpie locando aqueIe
vioIino. (Neivosa) Mas isso e hoiiíveI, hoiiíveI, hoiiíveI! (Desala a
choiai) Não posso, não posso agüenlai nais!... Não posso, não posso!
(Lnlia OIga, coneça a pôi oiden en loino da nesa)

IRINA (choia convuIsivanenle)
~ Ionhan-ne na iua, ponhan-ne na iua, eu não agüenlo nais!
OLGA (assusla-se)
~ O que vocô len` O que vocô len, queiida`
IRINA
~ Onde ludo foi paiai` Onde foi paiai` Onde` Meu Deus, neu
Deus! Lsqueci ludo, ludo! Na ninha caleça eslá ludo enlaiaIhado... Não
sei nais cono se diz en ilaIiano ¨janeIa¨ ou ¨lelo¨... Lsqueço ludo, cada
dia nais e nais, e a vida se esvai, e nunca voIlaiá, nunca nais. Nunca
iienos a Moscou... Sinlo que nós nunca saiienos daqui.
OLGA
~ Minha queiida, ninha queiida...
IRINA (conlioIa-se)
~ Oh, que desgiaça eu sou... Não sei lialaIhai, não vou nais
lialaIhai. Chega, chega! TialaIhei nos coiieios, agoia lialaIho na
piefeiluia e deleslo, despiezo o neu lialaIho... ConpIelei vinle e liôs
anos, lialaIho há nuilo lenpo e os neus nioIos eslão secando, enagieci,
enfeei, eslou lanlen enveIhecendo, e não vejo ieconpensa aIguna! No
enlanlo o lenpo passa e sinlo que cada vez nais e nais ne dislancio da

7
Tiago ludo conigo.

51
vida leIa e veidadeiia e ne apioxino de aIgun alisno. Lslou
desespeiada, e não conpieendo cono ainda eslou viva, cono ainda não
acalei con a ninha vida, não conpieendo.
OLGA
~ Não choie, neu len, não choie. Isso ne dói lanlo!
IRINA
~ Não choio. }á não eslou nais choiando. Iassou... Lslá vendo`
}á não choio nais. Iassou...pionlo!
OLGA
~ Meu len, digo-Ihe isso cono iinã nais veIha, cono aniga,
aconseIho-a a se casai con o laião (Iiina choia laixinho e Ihe len giande
eslina... Veidade que e feio, nas e un honen honiado e lão nolie... As
pessoas não se casan poi anoi, e sin paia cunpiiien sua oliigação.
IeIo nenos eu penso assin, e ne casaiia nesno sen anoi. Lu ne casaiia
con quaIquei un, desde que fosse una pessoa decenle. Mesno con
aIguen nais veIho...
IRINA
~ Senpie espeiei que, quando nudássenos paia Moscou, Iá eu
enconliaiia o veidadeiio... sonhava con eIe, e o anava... L agoia descolii
que ludo não passou de lolagen.
OLGA (aliaça a iinã)
~ Minha doce e leIa iinãzinha, eu a conpieendo... Quando o
laião deixou o exeicilo e nos visilou peIa piineiia vez en ioupas civis,
eIe ne paieceu lão feio que eu lanlen desalei a choiai. LIe ne
peigunlou: ¨Ioi que a senhoia eslá choiando`¨ O que eu podia Ihe
iespondei` Mas se a vonlade de Deus foi que vocô se case con eIe, eu
seiei feIiz... Iois isso e conpIelanenle difeienle... conpIelanenle...

(PELA PORTA DA DlRElTA ENTRA NATACHA, COM UMA VELA NA
MÃO, ATRAVESSA A CENA SlLENClOSAMENTE E SAl PELA
ESQUERDA.)

MACHA (senla-se)
~ Caninha cono se fosse a iesponsáveI peIo incôndio.
OLGA
~ Cono vocô e loIa, Macha. Vocô e a nais loIa de loda da faníIia.
Ieidoe-ne, poi favoi. (Iausa)
MACHA
~ Iieciso fazei-Ihes una confissão, queiidas iinãs... Minha aIna
não eslá en paz. Vou confessai-Ihes, e depois não faIaiei nais a
ninguen...}á vou coneçai. (Ln voz laixa) L neu segiedo, poien voes
lôn de salei. Não posso nais caIai-ne (Iausa) Lslou apaixonada... ano

52
esse honen... eslava aqui agoia nesno, vocô o viian... ßen... en
iesuno... ano Veichinin.
OLGA (diiige-se a saI cana, aliás do lionlo)
Oia, con Iicença. Nen queio ouvii.
MACHA
~ Mas o que posso fazei` (Leva as nãos a caleça) No início
achava-o
eslianho... depois senli pena deIe. Ioi fin passei a goslai deIe, da sua
voz, de suas paIavias, de suas inúneias desgiaças e das duas fiIhas.
OLGA (de deliás do lionlo)
~ Nen queio ouvii... Ioi nin pode dizei quaIquei loIice que eu
não ouço.
MACHA
~ Vocô e lola, OIga! Ano-o, e essa e a ninha sina. L neu
deslino... L eIe lanlen ne ana... Isso e leiiíveI, e não eslá ceilo, não e`
(Tona a não de Iiina e a puxa paia SI) Ai ninha queiida... Cono
viveienos nossa vida, o que seiá de nós... Quando Ienos isso nos
ionances paiece-nos ludo lão veIho e lão fáciI de conpieendei, nas
quando sonos nós nesnos que ananos, venos que ninguen sale nada
e cada un deve decidii sozinho a sua vida.. ninhas queiidas, ninhas
iinãzinhas... Lu ne confessei con vocôs. L de agoia en dianle guaidaiei
siIôncio. Iaiei cono o Iouco de CogoI... ¨SiIôncio... siIôncio¨.

(ENTRA ANDREl, SEGUlDO DE |ERAPONT.)

ANDREI (iiiilado)
~ O que vocô quei` Não o enlendo.
FERAPONT (na poila, inpacienle)
~ }á Ihe disse cen vezes. Andiei Seiguôievilch...

ANDREI
~ Ln piineiio Iugai, paia vocô eu não sou Andiei Seiguôievilch
e sin, sua exceIôncia!
FERAPONT
~ Sua exceIôncia, os lonleiios soIicilan que Ihes peinila passai
peIo jaidin paia ii ale o iio. Senão eIes leião de dai voIlas e nais voIlas,
e...
ANDREI
~ Lslá len, poden passai. (Ieiaponl sai) Lslou cansado de ludo.
Onde eslá OIga` (OIga apaiece deliás do lionlo) Vin pedii-Ihe a chave
do aináiio, peidi a ninha. Vocô len una chavezinha iguaI. (OIga
enliega-Ihe a chave en siIôncio, Iiina se diiige a sua cana aliás do
lionlo. Iausa) Que incôndio lienendo! Agoia já coneçou a dininuii.

53
Lsse Ieiaponl ne liiou do seiio, e eu Ihe disse una lesleiia... Sua
exceIôncia...(Iausa) Ioi que eslá caIada, OIga` (Iausa) Iaien con essa
lolagen de loicei o naiiz sen nolivo aIgun. Macha, vocô eslá aqui,
Iiina lanlen, ólino, vanos conveisai as cIaias, de una vez poi lodas. O
que vocôs lôn conlia nin` IaIen.
OLGA
~ Deixe disso, Andiiuchka, ananhã nós conveisanos . (Neivosa)
Que noile leiiíveI!
ANDREI (nuilo enlaiaçado)
~ Não fique neivosa. Ieigunlei-Ihe cona naioi lianqüiIidade o
que lôn conlia nin. Digan-ne con loda sinceiidade.
VERCHININ (canla foia de cena)
~ Tian-lan-lan.
MACHA (Ievanla-se, canlaioIa)
~ Tia-la-la (A OIga) Ale nais vei, OIia. Iique con Deus. (Diiige-
se paia liaz do lionlo e leija Iiina) Duina sossegada... Adeus, Andiei,
vá andando, poi favoi, eslanos cansadas. Ananhã podeiá conveisai a
vonlade. (Sai)
OLGA
~ L isso nesno, Andiei, deixenos isso paia ananhã... (Diiige-se
paia a sua cana) Lslá na hoia de doinii.
ANDREI
~ Apenas queio pôi isso en pialos Iinpos e en seguida vou,
inedialanenle... Ln piineiio Iugai, vocôs lôn aIgo conlia Nalacha,
ninha nuIhei, vejo isso desde o dia do nosso casanenlo. Nalacha e una
pessoa exceIenle, honiada, una aIna fianca e nolie - essa e a ninha
opinião. Ano a ninha nuIhei, iespeilo-a - enlenden` - iespeilo-a e exijo
dos oulios que lanlen a iespeilen. Repilo, e una nuIhei exceIenle e
honiada, e vocôs eslão anuadas assin apenas, peidoen-ne, poi
capiicho. (Iausa) Ln segundo Iugai, paiece-ne que vocôs eslão zangadas
poi eu não lei ne loinado piofessoi univeisiláiio e não lei seguido a
caiieiia cienlífica. Ioien eu lialaIho na piefeiluia, sou nenlio do
conseIho nunicipaI e consideio neu caigo lão sagiado e lão inpoilanle
cono quaIquei caiieiia cienlífica. Sin, eu sou nenlio do conseIho, e se
quiseien salei, lenho oiguIho disso... (Iausa) L en leiceiio Iugai...
Queio dizei ainda...L que... hipolequei a casa sen o consenlinenlo de
vocôs... Iois len, sinlo-ne cuIpado poi isso, e peço-Ihes que ne
peidoen... Minhas dívidas ne oliigavan a fazei isso. Tiinla e cinco niI.
Deixei de jogai há nuilo, nas o que solieludo ne seive de juslificaliva e
eu vocôs, poi seien nuIheies, iecelen una pensão, enquanlo eu...
pialicanenle não linha iendinenlo aIgun... (Iausa)

54
KULIGUIN (assona a caleça na poila)
~ Macha não eslá aqui` (Inquielo) Vocôs viian ninha nuIhei`
Isso e poi denais eslianho... (Sai)
ANDREI
~ LIas não ne ouven. Nalacha e una nuIhei exceIenle e
honiada. (Anda en siIôncio, de un Iado paia oulio do paIco, depois
páia) Quando ne casei con eIa pensava que seiíanos feIizes, que lodos
seiíanos feIizes... Mas, neu Deus... (Desala a choiai) Queiidas iinãs,
queiidas e loas iinãs, não aciedilen en nin, não aciedilen!... (Sai)
KULIGUIN (assuslado, assona a caleça na poila)
~ Onde eslá Macha` Minha nuIhei, não aciedilen en nin, não
aciedilen!... (Sai)
KULIGUIN (assuslado, assona a caleça na poila)
~ Onde eslá Macha` Minha nuIhei no eslá aqui` Isso e poi
denais eslianho. (Sai. Ouve-se o iepicai dos sinos. A cena eslá vazia)
IRINA (deliás do lionlo)
~ OIga! Quen eslá lalendo no assoaIho`
OLGA
~ L o douloi. Lslá lôlado..
IRINA
~ Que noile agilada! (Iausa) OIga! (Assona a caleça no lionlo)
Vocô ouviu` A liigada vai enloia daqui - seiá liansfeiida paia oulio
Iugai.
OLGA
~ São apenas iunoies.
IRINA
~ Iicaienos sozinhas enlão...OIga!
OLGA
~ O que e`
IRINA
~ Minha queiida, ninha fIoi, eu iespeilo e eslino o laião, eIe e
una exceIenle pessoa. Caso-ne con eIe, não ne inpoila, nas vanos
paia Moscou! SupIicou-Ihe, viajenos. Nada no nundo se iguaIa a
Moscou! Vanos paia Iá, OIga! Vanos paia Iá!

CORTINA



55



Q QU UA AR RT TO O A AT TO O





O VELHO ]ARDlM DOS PROZOROV. UMA LONGA ALAMEDA DE
ABETOS EM CU]A EXTREMlDADE SE DlVlSA O RlO. DO OUTRO
LADO DO RlO, UM BOSQUE. A DlRElTA, O TERRAÇO DA CASA,
ONDE HA GARRA|AS E TAÇAS SOBRE A MESA, lNDlCANDO QUE
SE ACABOU DE TOMAR CHAMPANHE. Ê MElO DlA. VlNDOS DA
RUA DE QUANDO EM QUANDO TRANSEUNTES SE DlRlGEM
APRESSADOS RUMO AO RlO, ClNCO SOLDADOS CRUZAM O
PALCO A PASSOS RAPlDOS.
TCHEBUTlKlN, DE EXCELENTE HUMOR - QUE NÃO O
ABANDONARA DURANTE TODO O ATO - ESTA SENTADO NUMA
CADElRA DE BRAÇOS NO ]ARDlM, A ESPERA DE QUE O
CONVlDEM, ESTA DE QUEPE E COM UM BASTÃO. NO TERRAÇO
ESTÃO lRlNA, KULlGUlN, QUE RASPOU O BlGODE E OSTENTA NO
PElTO UMA CONDECORAÇÃO, E TUZENBACH, OS TRÈS SE
DESPEDEM DE |EDOTlK E DE RODE, QUE DESCEM PELA
ESCADARlA. OS DOlS O|lClAlS VESTEM UNl|ORME DE
CAMPANHA.


TUZENBACH (lioca leijos con Iedolik)
~ Vocô e un lon sujeilo, senpie goslei de vocô.. (ßeija Rode)
Mais una vez, adeus, gaiolão...
IRINA
~ Ale a visla.
FEDOTIK
~ Ale a visla, não...Adeus paia senpie. Nunca nais nos veienos.
KULIGUIN
~ Quen sale` (Lnxuga os oIhos soiiindo) OIhe, eu lanlen já
eslou choiando..
IRINA
~ TaIvez ainda nos enconlienos.
FEDOTIK
~ Daqui a dez ou quinze anos, nas enlão naI nos
ieconheceienos, e nos saudaienos con fiieza. (Tiia una folo) Quielos.
Mais una úIlina.

56
RODE (aliaça Tuzenlach)
~ Não nos veienos nais!... (ßeija a não de Iiina) Oliigado poi
ludo, poi ludo, nesno!
FEDOTIK (aloiiecido)
~ Lspeie!
TUZENBACH
~ Se Deus quisei, nos enconliaienos. Mas escievan, não deixen
de escievei.

RODE (olseiva o jaidin)
~ Adeus, áivoies! (Ciila) Ohôoo! (Iausa) Adeus a vocô lanlen
eco, adeus!
KULIGUIN
~ Quen sale vocôs acalaião se casando Iá na IoIônia. As
nuIheies poIonesas Ihes diião ao aliaça-Ios: ¨Kokhane!¨(Ri)
FEDOTIK (consuIla o ieIógio)
~ MaI nos iesla una hoia. De loda a laleiia apenas SoIionii vai
de navio, nós iienos con a nossa unidade. Hoje pailiião liôs unidades,
ananhã nais liôs - a cidade ficaiá siIenciosa, nuilo siIenciosa e lianqüiIa.
TUZENBACH
~ L leiiiveInenle nonólona.
RODE
~ Onde eslá Maiia Seiguôievna`
KULIGUIN
~ A ninha Macha eslá no jaidin.
FEDOTIK
~ Coslaiia de ne despedii deIa.

RODE
~ Adeus, vanos enloia, senão eu acalo choiando... (Dá un
iápido aliaço en Tuzenlach e en KuIiguin, leija a não de Iiina) Con
fonos feIizes aqui!
FEDOTIK (a KuIiguin)
~ Islo e paia o senhoi, cono iecoidação. L una cadeinela. Con
Iápis. Daqui iienos ao iio... (Iailen, anlos oIhan paia liás)
RODE
~ Ohôoo!
KULIGUIN (giila)
~ Adeus! No fundo da cena Macha se enconlia con Iedolik e
Rode, despeden-se e Macha sai junlo con eIes.)
IRINA
~ Iionlo, se foian... (Senla-se no degiau nais laixo da
escadaiia).

57
TCHEBUTIKIN
~ Lsqueceian-se de se despedii de nin.
IRINA
~ L o senhoi`

TCHEBUTIKIN
~ Na veidade lanlen ne esqueci. Mas Iogo os veiei de novo,
pois viajo ananhã. Sin.. Ainda ne iesla un dia. Daqui a un ano ne
aposenlo, e enlão voIlaiei aqui, e passaiei os úIlinos anos da ninha vida
junlo de vocôs. Mais un ano e ne aposenlo (Cuaida o joinaI no loIso e
puxa oulio) VoIlaiei paia cá, paia junlo de vocôs, e coneçaiei una vida
nova. Seiei un honen lianqüiIo, liando e nuilo geneioso...
IRINA
~ Sin, queiido douloi, len de nudai de vida, de aIgun nodo....
TCHEBUTIKIN
~ Sin, eu lanlen sinlo isso. (CanlaioIa laixinho una canção de
pândegos) ¨Taiaia-lchin-lun. Agaiiei-ne nun posle...¨
KULIGUIN
~ Lsse novo Ivan Ronanilch e nesno un pícaio incoiiigíveI!
Un pícaio incoiiigíveI!
TCHEBUTIKIN
~ Oh, se fieqüenlasse a sua escoIa, Iogo ne coiiigiiia.
IRINA
~ Iiodoi liiou o ligode. Não consigo oIhai paia eIe!

KULIGUIN
~ Mas poi que não`
TCHEBUTIKIN
~ Lu podeiia dizei-Ihe con o que a sua caia se paiece agoia, nas
piefiio ne caIai.
KULIGUIN
~ L o que isso len de denais` Assin se faz, e o nodus vivendi.
O senhoi diieloi não usa ligode, pois enlão eu lanlen liiei o neu ao
lionai-ne inspeloi. Ninguen gosla, nas não ne inpoilo. Lslou feIiz.
Con o ligode ou sen ligode, eu eslou feIiz.. (Senla-se. No fundo Andiei
enpuiia un caiiinho onde doine o lelô)
IRINA
~ Queiido Ivan Ronanilch, eslou nuilo pieocupada. O senhoi
eslava onlen na piaça, conle-ne o que aconleceu`
TCHEBUTIKIN
~ O que aconleceu` Nada. ßolagen. (Lô o joinaI) Nada de
inpoilanle!

58
KULIGUIN
~ Dizen que SoIionii piovocou o laião onlen se enconliaian
defionle ao lealio e..
TUZENBACH
~ Iaie! Iaia que faIai disso` (Iaz un geslo inpacienle e enlia na
casa)
KULIGUIN
~ Defionle ao lealio... SoIionii piovocou o laião, o laião peideu
a caIna e disse-Ihe aIgo ofensivo...
TCHEBUTIKIN
~ Lu não sei de nada. Tudo isso e dispaiale.
KULIGUIN
~ Conla-se que ceila vez o piofessoi anolou no lialaIho de un
aIuno a paIavia ¨dispaiale¨ e o aIuno Ieu ¨dispeicil¨ - pensou que fosse
aIguna paIavia Ialina... (Ri) L nuilo engiaçado. Dizen que SoIionii eslá
apaixonado poi Iiina e poi isso odeia o laião. O que e conpieensíveI.
Iiina e una noça nuilo lonila. Iaiece-se con Macha, peide-se
iguaInenle en iefIexões. Só que vocô, Iiina. L nais suave. Isso na
veidade não significa que Macha não lenha lanlen un lon caiálei. Lu
ano Macha. (Do fundo do jaidin, aliás do paIco: ¨Ohôoo!¨)
IRINA (eslienecendo)
~ Hoje ludo ne assusla. (Iausa) }á eslá ludo piepaiado, de laide
despachaiei as lagagens. Caso-ne con o laião ananhã e ananhã nesno
viajaienos ale a oIaiia, depois de ananhã já eslaiei dando auIas, una
vida nova coneçaiá. Que Deus ne ajude! Quando ollive o dipIona de
piofessoia choiei de aIegiia, de enoção... (Iausa) Daqui a pouco chega o
caiioceiio paia luscai as coisas.
KULIGUIN
~ Tudo isso e lonilo, nas não nuilo seiio. Apenas ideias, sen
nuila seiiedade. De quaIquei nodo, desejo-Ihe loa soile, do fundo do
coiação.
TCHEBUTIKIN (enocionado)
~ Minha loa nenina, ninha queiida.. Ioi paia Ionge, já não a
aIcanço nais, fiquei paia liás, cono esses pássaios nigianles que
enveIheceian e não poden nais voai. Voen, neus queiidos, voen. Que
Deus os aconpanhe! (Iausa) Iidoi IIilch, o senhoi liiou o ligode a loa.
KULIGUIN
~ Oia deixe disso! (Suspiia) Os soIdados vão enloia hoje e ludo
voIlaiá a sei cono anles. Digan o que quiseien, Macha e una nuIhei
decenle, eu a ano nuilo, e dou giaças ao deslino. O deslino das pessoas e
diveiso... na coIeloiia lialaIha un ceilo Koziiev. Ionos coIegas no
ginásio, e na quinla seiie eIe foi expuIso, pois eia incapaz de apiendei o
que eia u| ccnsccu|itun. Agoia eIe vive na niseiia, eslá doenle, e quando

59
nos enconlianos, senpie o cunpiinenlo assin: ¨OIá, u| ccnsccu|itun!¨ L
isso nesno¨, eIe diz, ¨ccnsccu|itun...¨ e losse... Iaia nin, enlielanlo, a
soile soiiiu a vida inleiia. Sou feIiz, fui ale agiaciado con o segundo giau
da oiden de SlanisIav, e ensino aos oulios o u| ccnsccu|itun.
NaluiaInenle sou lanlen un honen inleIigenle, nais inleIigenle eu
nuilos oulios, nas a feIicidade não ieside nisso. (Denlio da casa ouve-se
aIguen locai ao piano a Oiação da Viigen)
IRINA
~ L ananhã a noile não nais ouviiei a Oiação da Viigen, não
nais enconliaiei esse Iiolopopov. (Iausa) Lslá senlado Iá na saIa. Veio
hoje lanlen...
KULIGUIN
~ A nossa diieloiinha não eslá aqui`
IRINA
~ Não eslá, nas já nandei chaná-Ia. Ai, se soulessen cono a
vida e difíciI sen a OIga aqui. Lsse caigo de diieloia do ginásio a ocupa o
dia lodo, e eu fico sozinha, sen nada paia fazei, ne enledio, e odeio o
quailo onde noio... Mas ne iesignei, se não vou paia Moscou, deceilo
esse e o neu deslino. O que posso fazei` L a vonlade de Deus... Iois e...
NikoIai Lvovilch, pediu-ne en casanenlo... L agoia` Lu iefIeli nuilo e
ne decidi. LIe e un lon honen, espanlosanenle lon... L de iepenle
senli ninha aIna ciiai assas, a aIegiia ne invadindo o coiação eslá nais
Ieve, e iecoidei a vonlade de lialaIhai... Mas onlen aconleceu aIguna
coisa. AIgun segiedo paiia solie nin agoia.
TCHEBUTIKIN
~ ßolagen.
NATACHA (Da janeIa)
~ A diieloiinha chegou!
KULIGUIN
~ A diieloiinha chegou! Lnlão vanos enliai! (Lnlia na casa junlo
con Iiina)
TCHEBUTIKIN (Lô o joinaI e canlaioIa laixinho)
~ ¨Taiaiá-lchin-lun... Agaiiei nun posle...¨(Macha se apioxina
deIe, no fundo Andiei enpuiia o caiiinho de lelô)
MACHA
~ O senhoi aqui, senladinho...
TCHEBUTIKIN
~ L o que len isso`
MACHA (senla-se)
~ Nada... (Iausa) Anava ninha nãe`
TCHEBUTIKIN
~ Muilo.

6O
MACHA
~ L eIa o anava lanlen`
TCHEBUTIKIN (depois de una pausa)
~ }á não ne Ienlio disso.
MACHA
~ O ¨neu¨ eslá aqui` Lia assin que Maifa, a cozinheiia,
chanava anliganenle os eu poIiciaI, o ¨neu¨. O ¨neu¨ eslá aqui`
TCHEBUTIKIN
~ ainda não chegou.
MACHA
~ Quando aIguen iecele a feIicidade de Ionge en Ionge, aos
pouquinhos, depois a peide, cono eu, acala se loinado duio e anaigo.
(Aponla paia o coiação) Aqui denlio feive aIgo... (OIha o iinão, Andiei
que enpuiia o caiiinho de lelô) Veja o Andiei, nosso iinão. Todas as
nossas espeianças foian en vai. MiIhaies e niIhaies de honens se
enpenhaian paia Ievanlai un sino, gaslou-se nuilo esfoiço e dinheiio, e
enloa o sino de iepenle despencou e iachou. Sen nais nen nenos. Iois
esse e o caso de Andiei...
ANDREI
~ Quando e que finaInenle a lianqüiIidade voIlaiá a ieinai nesla
casa` Quanlo laiuIho!
TCHEBUTIKIN
~ Logo, Iogo. (ConsuIla o ieIógio) Tenho un ieIógio a noda
anliga, eIe lale as hoias... (Dá coida no ieIógio, que enlão dá lalidas.) A
piineiia, a segunda e a quinla laleiias saiião a una en ponlo (Iausa) L
eu, ananhã.
ANDREI
~ Iaia senpie`
TCHEBUTIKIN
~ Não sei. TaIvez voIle denlio de un ano. Sale Iá o dialo... Tanlo
faz...
(De Ionge chega o son de una haipa e un vioIino.)
ANDREI
~ A cidade vai ficai vazia. Cono se a coliissen con una enoine
iedona de vidio. (Iausa) Onlen aconleceu aIgo dianle do lealio. Todos
eslão conenlando, só eu não sei de nada.
TCHEBUTIKIN
~ Não aconleceu nada... ßolagen. De novo SoIionii piovocou o
laião, que peideu a caIna e o ofendeu. Lnlão SoIionii leve de desafiá-Io
paia un dueIo... (ConsuIla o ieIógio) }á lenho de ii... Ao neio~ dia no
losque esladuaI, daqui dá paia vei... Do oulio Iado do iio... pif-paf (Ri)
SoIionii inagina que e Lenonlov, faz ale veisos! ßiincadeiias a paile,
esse já e o seu leiceiio dueIo.

61
MACHA
~ De quen`
TCHEBUTIKIN
~ De SoIionii.
MACHA
~ L o laião`
TCHEBUTIKIN
~ Que laião` (pausa)
MACHA
~ Tudo eslá confuso na ninha caleça... Lu quis dizei que isso
não devia sei peinilido. Iois eIe podeiá feiii o laião, ou laIvez ale nalá-
Io.
TCHEBUTIKIN
~ O laião e una loa pessoa, nas un laião a nais, un laião a
nenos... lanlo faz! Deixen!... Tanlo faz! (De Ionge se ouve un giilo: ¨Li!¨)
Não lenha lanla piessa. L Skvoilzov, o padiinho. }á eslá senlado no
laico. (Iausa)
ANDREI
~ Na ninha opinião, pailicipai de un dueIo ou apenas
conpaiecei nesno que seja na quaIidade de nedico, e sinpIesnenle
inoiaI.
TCHEBUTIKIN
~ L só apaiôncia. Nós nen exislinos, nada no nundo exisle,
apenas paiece exislii... Tanlo faz cono lanlo fez!
MACHA
~ O dia inleiio e assin... Só dizendo essas coisas... (Coneça a
andai) lei de vivei nun cIina desses, lenendo que no ninulo seguinle
conece a nevai, e ainda poi cina ouvindo essas conveisas... (Delen-se)
Não vou enliai na casa, não posso... Se Veichinin chegai, ne avisen.
(Diiige-se paia a aIaneda) L os pássaios nigianles já eslão seguindo paia
o suI. (OIha paia o ceu) São cisnes ou gansos` Oh, queiidos, vocôs são
feIizaidos... (Sai)

ANDREI
A casa ficaiá vazia, os oficiais viajaião, o senhoi viajaiá, ninha
iinã vai se casai e eu ficaiei sozinho na casa.
TCHEBUTIKIN
~ L sua esposa`
(ENTRA |ERAPONT COM CARTAS PARA ASSlNAR)

ANDREI
~ A esposa e a esposa. LIa e una nuIhei loa, honiada, laslanle
decenle, nas aIgo neIa a loina nesquinha, niúda e cega, aIgo aninaIesco.

62
Não, eIa não e hunana. Digo-Ihe isso cono a un anigo, a única pessoa a
quen posso aliii o coiação. Ano Nalacha, sin, ano-a, nas as vezes acho
que eIa e assonliosanenle vuIgai, e enlão fico desconceilado, não
conpieendo poique e poi que a ano, ou peIo nenos a anei aIgun dia...
TCHEBUTIKIN (Ievanla-se)
~ Lu, aniguinho, viajaiei ananhã, laIvez não nos vejanos nais,
assin dou-Ihe un lon conseIho. Sale de una coisa` Iegue o seu chapeu,
a lengaIa, e vá enloia. Vá andando, andando, sen oIhai paia liás. L
quanlo nais Ionge vocô foi, neIhoi seiá.

(AO |UNDO PASSA SOLlONll ACOMPANHADO DE DOlS O|lClAlS,
AO VER TCHEBUTlKlN, APROXlMA-SE DELE. OS O|lClAlS
SEGUEM ANDANDO.)

5OLIONII
~ Douloizinho, eslá na hoia, já e neio dia e neia. (SoIionii e
Andiei se cunpiinenlan)
TCHEBUTIKIN
~ }á vou. Cono lodos ne enledian! (A Andiei) Se ne
piocuiaien, Andiiuchka, diga que voIlaiei Iogo. (Suspiia) Ai, ai...
5OLIONII
~ ¨VoIla-se e eslaiiecido só diz 'ai´: eia un uiso que o seguia...¨
(Aconpanha-o) Ioi que suspiia, veIho`
TCHEBUTIKIN
~ Oia!
5OLIONII
~ Cono vai a saúde`
TCHEBUTIKIN (ianzinza)
~ Não e da sua conla!
5OLIONII
~ Não piecisa lenei, veIho. Não vou naIliala-Io, apenas nalá-Io
cono a una peidiz. (Tiia do loIso o vidiinho de peifune e iega as nãos)
Deiiulei quase o vidio inleiio nas nãos e eIas conlinuan fedendo.
Cheiian a defunlo... (Iausa) Sin... Recoida esles veisos de Leinonlov` ...
¨L o ieleIde lusca a loinenla. Cono se Iá iesidisse a paz...¨
TCHEBUTIKIN
~ Sin... ¨L voIla-se e eslaiiecido só diz 'ai´: eia un uiso que o
seguia.¨ (Saen os dois. Ouve-se un giilo ¨Li¨. Lnlian Andiei e
Ieiaponl.)
FERAPONT
~ Ten de assinai esles papeis...

63
ANDREI
~ Deixe-ne en paz! Deixe-ne! SupIico-Ihe! (Sai con o caiiinho
de lelô)
FERAPONT
~ O papeI exisle paia sei assinado. (Vai paia os fundos da cena)

(ENTRAM lRlNA E TUZENBACH, ESTE USA UM CHAPÊU DE PALHA.
KULlGUlN ATRAVESSA A CENA E GRlTA: ºOl, MACHA, Ol!")

TUZENBACH
~ Acho que eIe e a única pessoa na cidade que eslá feIiz poi que
os soIdados vão enloia.
IRINA
~ L conpieensíveI. (Iausa) A cidade ficaiá as noscas.
TUZENBACH
~ Minha queiida, voIlaiei Iogo.
IRINA
~ Aonde vocô vai`
TUZENBACH
~ Tenho de ii a cidade... aconpanhai os canaiadas...
IRINA
~ Isso não e veidade... NicoIai, poi que vocô eslá peiluilado
hoje` (Iausa) O que aconleceu onlen dianle do lealio`
TUZENBACH (con geslo inpacienle)
~ Daqui a una hoia eslou de voIla, paia ficai de novo con vocô.
(ßeija-Ihe a não) Meu anoi... (ConlenpIa-Ihe o ioslo) Ano-a já há cinco
anos, nas ainda não ne acoslunei con isso, e vocô a cada dia eslá nais
lonila. Cono os seus caleIos são naiaviIhosos, divinos! L os oIhos!
Ananhã viajaienos, vanos lialaIhai, eniiqueceienos, e os neus sonhos
se loinaião ieaIidade. Vocô seiá feIiz. Só há un piolIena: vocô não ne
ana!
IRINA
~ Isso não depende de nin! Seiei sua nuIhei fieI e oledienle,
nas não eslou apaixonada, e não lenho cuIpa disso! (Choia) Nunca na
vida ne apaixonei. Apenas sonhava con o anoi, sonho há nuilo lenpo,
dia e noile, nas neu coiação e cono un piano caio que eslá liancado e
cuja chave se peideu. (Iausa) Cono vocô eslá inquielo!
TUZENBACH
~ Iassei a noile en cIaio. Ln ninha vida nada há de leiiíveI, de
pieocupanle, apenas a chave peidida ne aloinenla a Ian. L isso que ne
inpede de pegai no sono. Diga-ne aIgo... (Iausa) Diga-ne aIgo...
IRINA
~ O que quei que eu Ihe diga`

64
TUZENBACH
~ QuaIquei coisa.
IRINA
~ Chega! Chega! (Iausa)
TUZENBACH
~ Na vida as vezes coisas a-loa, coisas insignificanles, sen nais
nen nenos adquiien inpoilância. Rinos deIas, cono senpie fizenos,
consideiando-as idiolices, e no enlanlo conlinuanos a andai e senlinos
cono se eslivessenos sen foiças paia paiai. Oh, não vanos faIai disso!
Lslou aIegie! Cono se visse esses pinheiios, caivaIhos e leluIas peIa
piineiia vez. Tudo ne oIha con cuiiosidade e expeclaliva. Cono essas
áivoies são lonilas, e cono seiia naiaviIhoso vivei junlo deIas (Ciilo:
¨Li!¨) Tenho a inpiessão de que nesno se noiiesse conlinuaiia a
pailicipai da vida de aIguna naneiia. Adeus, queiida!... (ßeija-Ihe as
nãos) Os papeis que ne enliegou eslão solie a nesa, delaixo do
caIendáiio.
IRINA
~ Vou con vocô.
TUZENBACH (aIainado)
~ Não, de nodo aIgun. (Sai apiessado, páia na aIaneda) Iiina!
IRINA
~ O quô`
TUZENBACH (não enconlia o que dizei)
~ Sale, hoje eu nen lonei cafe... Ieça paia ne piepaiaien un
(Sai iapidanenle. Iiina peinanece paiada, pensaliva, depois se diiige ao
fundo da cena e senla-se no laIanço. Lnlia Andiei con o caiiinho de
lelô. apaiece Ieiaponl)
FERAPONT
~ Andiei... Lsses docunenlos não são neus, peilencen a
iepailição. Não fui eu que os invenlei.
ANDREI
~ Oh, onde eslá o passado, quando eu ainda eia joven, aIegie e
inleIigenle` Quando pensanenlos e sonhos nolies ne guiavan e a
ninha espeiança iIuninava o piesenle e o fuluio` Ioi que seiá que naI
coneçanos a vida e já nos loinanos enfadonhos, cinzenlos, sen
inleiesse, pieguiçoso, indifeienles, inpiesláveis, infeIizes... A nossa
cidade len já duzenlos anos, conla cen niI halilanles, nas não há un
único sei que não se asseneIhe aos denais, nunca houve un único heiói,
no passado e nen no piesenle, não há nenhun sálio, un único ailisla
sequei, não há una só pessoa neiecedoia de un nínino de alenção,
capaz de despeilai a inveja ou un desejo apaixonado de inilá-Ia... LIas se
Iinilan apenas a conei, lelei, doinii... depois noiien... Nascen
oulias, que lanlen conen, lelen doinen, e paia inpedii que o ledio

65
as desliua diveisifican a vida dedicando-se a nexeiicos venenosos, a
vodcka, as cailas e aos piocessos Iiligiosos, as esposas liaen o naiido e
os naiidos nenlen, fingen não vei nen ouvii nada, e esse anlienle
vuIgai aiiuina as ciianças, a cenleIha divina apaga e eIas se conveilen
en cadáveies niseiáveis, seneIhanles enlie si, cono foian seus pais. (A
Ieiaponl, iiiilado) Que dialo vocô quei`
FERAPONT
~ O quô` São os papeis, len de assiná-Ios
ANDREI
~ Lslou failo de vocô.
FERAPONT (enliega-Ihe os papeis
~ O poileiio da Secielaiia de Iinanças ne disse agoia nesno
que no inveino en São Ielesluigo fez duzenlos giaus alaixo de zeio.
ANDREI
~ O piesenle e iepugnanle, nas apesai disso quando penso no
fuluio se liansfoina! Iica ludo lão Ieve, lão espaçoso, se ao Ionge ionpe
una Iuz, vejo a Iileidade, vejo a nin e a neus fiIhos nos Iivianos do
ócio, do kvas, do ganso e do iepoIho, da sesla, da aljela faIla do que
fazei...
FERAPONT
~ LIe diz que ficaian congeIadas nais de duzenlas pessoas. O
povo noiiia de nedo... Ioi en São Ielesluigo ou en Moscou, já não sei
nais...
ANDREI (conove-se)
~ Oh, ninhas iinãs queiidas, ninhas iinãs encanladoias... (Con
Iágiinas nos oIhos) Macha, ninha iinãzinha queiida.
NATACHA (da janeIa)
~ Quen eslá faIando lão aIlo` L vocô, Andiei` Vocô vai acoidai
Sofolchka. || nc fau| pas fairc du orui|, |a Scpic cs|c dcrncc dcja. Vcus c|cs un
curs. (Iiiilada) Se quisei giilai, passe o caiiinho paia aIguen. Ieiaponl,
lono o caiiinho do palião!
FERAPONT
~ Sin, senhoia. (Iega o caiiinho)
ANDREI (desconceilado)
~ Lslou faIando laixinho.
NATACHA (da janeIa, acaiiciando o fiIho)
~ ßolik! Seu naIandiinho! Seu desafoiado!
ANDREI (foIheia os docunenlos)
~ Lslá len, vou ievisá-Ios, assiná-Ios, e depois vocô pode vii
luscá-Ios. (Lnlia na casa foIheando os papeis, Ieiaponl se diiige ao
fundo, enpuiiando o caiiinho)

66
NATACHA (na janeIa)
~ ßolik, diga: nanãe! Queiidinho! L esla, quen e` L lia OIga!
Diga: AIô, lia!¨

(ENTRAM DOlS MÚSlCOS AMBULANTES, UM HOMEM E UMA
MOÇA, TOCAM VlOLlNO E HARPA. SAEM DA CASA VERCHlNlN,
OLGA E AN|lSSA, POR UM MlNUTO ESCUTAM-NOS EM SlLÈNClO,
lRlNA ]UNTA-SE A ELES)

OLGA
~ Nosso jaidin paiece una esliada, lodos passan poi aqui.
ßalá, dô aIgo a esses núsicos.
ANFI55A (dá-Ihes dinheiio)
~ Deus os alençoe, poliezinhos. (
A
dupIa de núsicos agiadece e
sai) Cenle liisle, não fazen isso poi diveisão. (A Iiina) ßon dia, Aiicha!
(ßeija-a) Oh, ninha ciiança, vocô não inagina a loa vida que eslou
Ievando! No ginásio, nun apailanenlo do Lslado, junlo con OIia, Deus
cuidou de nin na veIhice. Lu, polie pecadoia, nunca vivi assin... L un
apailanenlo giande, do Lslado, e eu lenho un quailo inleiio paia nin e
cana. Tudo e do Lslado. Acoido no neio da noile e - Oh, Viigen
Sanlíssina, não há no nundo pessoa nais feIiz que eu!
VERCHININ (consuIla o ieIógio)
~ Logo pailiienos, OIga, lenho de ii. (Iausa) Desejo-Ihe ludo...
ludo... Onde eslá Maiia Seiguôievna`
IRINA
~ Lslá no jaidin.. Vou luscá-Ia.
VERCHININ
~ Ioi favoi. Lslou conpiessa.
ANFI55A
~ Lu vou piocuiá-Ia lanlen. (Ciila) Machenka! (Diiige-se ao
jaidin aconpanhando Iiina.) Òoo!
VERCHININ
~ Tudo len seu fin. Agoia vanos as despedidas. (ConsuIla o
ieIógio) A cidade nos ofeieceu un Ianche, lonanos chanpanhe lanlen,
e o piefeilo faIou. Lu conia e ouvia en siIôncio, nas a ninha Iana eslava
aqui enlie vocôs. (Iassa os oIhos peIo jaidin) Acoslunei-ne nuilo a esla
casa.
OLGA
~ VoIlaienos a nos vei un dia`
VERCHININ
~ IiovaveInenle não. (Iausa) Minha esposa e ninhas duas fiIhas
ainda peinaneceião aqui poi nais dois neses. Ieço-Ihe que se aconlecei
aIguna cosia, ou se eIas piecisaien...

67
OLGA
~ L cIaio. Iode ficai lianqüiIo. (Iausa) Ananhã não ieslaiá un
único soIdado na cidade, ludo se liansfoinaiá en Ienliança, e paia nós,
naluiaInenle, coneçaiá una vida nova... (Iausa) Nen ludo aconlece
cono nós goslaiíanos. Não quis sei diieloia, no enlanlo acalei sendo. Lu
ceilanenle não iiei a Moscou...
VERCHININ
~ ßen... Agiadeço poi ludo... peidoe-ne se poivenluia
aIgo...IaIei nuilo...denasiado... ne peidoe poi isso, e não ne queiia naI.
OLGA (enxuga os oIhos)
~ Onde eslá Macha`
VERCHININ
~ Que nais posso dizei cono despedida` IiIosofai solie o quô
(Ri) A vida e difíciI. A nuilos paiece sei sen senlido, nas devenos
ieconhecei que a cada dia eIa se loina nais cIaia e Ieve, e paiece já não
eslai nuilo Ionge o nonenlo en que eIa se loinaiá lolaInenle cIaia
(ConsuIla o ieIógio) Tenho de ii, eslá na hoia. Anles a hunanidade vivia
en função das gueiias, loda a sua exislôncia eia ocupada con naichas,
assaIlos, vilóiias. Agoia que isso acalou, ficou un enoine espaço vazio
que ainda não salenos cono pieenchei, a hunanidade lusca con aidoi,
e naluiaInenle enloinaiá aquiIo que piocuia. Oh, que seja o quanlo
anles! (Iausa) Sale, se a dedicação ao lialaIho se junlai a cuIluia, e se a
cuIluia se junlai a dedicação ao lialaIho... (ConsuIla o ieIógio) Ioien, já
eslá na hoia...
OLGA
~ LIa eslá chegando.

(ENTRA MACHA)

VERCHININ
~ Vin ne despedii. (OIga se afasla un pouco paia não
aliapaIhai a despedida.)
MACHA (oIha-o no ioslo)
~ Adeus... (Longo leijo)
OLGA
~ }á chega...

(MACHA SOLUÇA CONVULSlVAMENTE)

VERCHININ
~ Lscieva-ne... Não se esqueça de nin...Deixe-ne... lenho de ii...
OIga, Ieve-a daqui, eu já... lenho de ii...eslou aliasado... (ßeija, conovido,
as nãos de OIga, aliaça Macha nais una vez e sai iapidanenle)

68
OLGA
~ Não choie, Macha, não choie... queiida... (Lnlia KuIiguin)
KULIGUIN (enlaiaçado)
~ Deixe-a choiai... Deixe... Minha loa e queiida Macha, vocô e
ninha nuIhei e eu eslou feIiz apesai de ludo... Não ne queixo e nen Ihe
faiei ieciininações... OIga e leslenunha... Reconeçaienos a nossa
vidinha de anliganenle e não Ihe diiei una única paIavia, não faiei a
nenoi aIusão, nunca...
MACHA (iepiine os soIuços)
~ ¨A leiia-nai há un caivaIho... una coiienle de ouio pende de
seus gaIhos... una coiienle de ouio pende de seus gaIhos...¨ Vou
enIouquecei! A leiia-nai... há... un ... caivaIho...¨
OLGA
~ AcaIne-se, Macha... AcaIne-se.. Dô-Ihe água!
MACHA
~ }á não choio.
KULIGUIN
~ LIa já não choia. L una loa nuIhei. (Un liio ao Ionge)
MACHA
~ A leiia-nai há un caivaIho.. una coiienle de ouio pende de
seus gaIhos... A leiia-nai a coiienle de ouio... o caivaIho...¨Lslou Iouca!
(ßele água) Ai, que vida infeIiz e a ninha...}á não queio nais anda...Iogo
ne acaInaiei... Tanlo faz... Ioi que esses veisos ne aloinenlan` Meus
pensanenlos se confunden.

(ENTRA lRlNA)

OLGA
~ AcaIne-se, Macha... Assin.. Agoia vocô eslá sendo
inleIigenle... Vanos paia o quailo.
MACHA (iiada)
~ Não vou enliai. (SoIuça, nas se conlen na nesna hoia.) Não
enliaiei nais nesla casa.
IRINA
~ Vanos senlai, e peIo nenos fiquenos en siIôncio junlas, pois
ananhã eu viajo... (Iausa)
KULIGUIN
~ Onlen lonei de un aIuno naIconpoilado de leiceiia seiie
esla laila e esles ligodes. (CoIoca-os no ioslo) Iaieço o piofessoi de
aIenão. (Ri) Cono são naIandios esses aIunos, não e nesno`
MACHA
~ OIhe só, não e que paiece nesno cono piofessoi de aIenão`

69
OLGA (ii)
~ Sen liiai nen pôi.

(MACHA CHORA)

IRINA
~ Não choie, Macha.
KULIGUIN
~ IguaIzinho.

(ENTRA NATACHA)

NATACHA (a ciiada)
~ Lnlendeu` O senhoi Iiolopopov ficaiá con Sofolchka e Andiei
iiá Ievai ßolik paia passeai. Quanlo aloiiecinenlo causa una ciiança...
(
A
Iiina) Iiina... Vocô viaja ananhã que pena! Iique peIo nenos nais una
senana (Repaia en KuIiguin e soIla un giilo, esle ii e liia o ligode e a
laila.) Ai, cono ne assuslou! (A Iiina) Acoslunei-ne con vocô e não ne
seiá fáciI a sepaiação. CoIocaiei Andiei no seu quailo, Iá eIe podeiá locai
vioIino a vonlade. L o quailo deIe seiá de Sofolchka. L una nenina
encanladoia. LIa ne oIhou hoje con aqueIes oIhinhos e disse: nanãe!
KULIGUIN
~ De falo, e una ólina ciiança.
NATACHA
~ Lnlão ananhã eslaiei sozinha aqui. (Suspiia) Anles de nais
nada nandaiei coilai os alelos da aIaneda, depois esse áIano aqui... A
noile são lão feios... (A Iiina) Queiida, esse conlo não Ihe fica len... L
sinpIesnenle de nau goslo. Devia usai aIgo nais cIaio. L aqui pIanlaiei
fIoies poi loda paile, fIoies lonilas e peifunadas (Ln lon seveio) Quen
deixou esse gaifo aqui no lanco... peigunlo eu` (Lnlia na casa, a ciiada)
O que faz o gaifo no lanco (Ciila) CaIe a loca!
KULIGUIN
~ }á coneçou! (Da iua chega o son de una landa niIilai. Todos
fican esculando)
OLGA
~ Lslão indo enloia.

(ENTRA TCHEBUTlKlN )

MACHA
~ Os nossos vão enloia. O que se pode fazei... ßoa viagen! (Ao
naiido) Vanos paia casa... Onde eslá neu chapeu e o casaco`

7O
KULIGUIN
~ Levei-os paia denlio da casa... }á Ihe liago.
OLGA
~ Sin, já eslá na hoia de ii paia casa.
TCHEBUTIKIN
~ OIga Seiguôievna!
OLGA
~ O que e (Iausa) O que e`
TCHEBUTIKIN
~ Não e nada... Não sei cono dizei... (Segieda-Ihe aIgo no
ouvido)
OLGA (Aleiioiizada)
~ Não e possíveI!
TCHEBUTIKIN
~ L isso... Una hislóiia idiola... Lslou cansado e enjoado e não
queio dizei nais nada. (Zangado) Mesno poique lanlo faz!
MACHA
~ O que aconleceu`

OLGA (aliaça Iiina)
~ Que dia leiiíveI, hoje. Não sei cono Ihe dizei, queiida...
IRINA
~ O que e` Digan-ne depiessa: o que aconleceu` Sanlo Deus!
(Desala a choiai)
TCHEBUTIKIN
~ O laião acala de noiiei nun dueIo.
IRINA (choia laixinho)
~ Lu salia, eu salia...
TCHEBUTIKIN (senla-se nun lanco fundo)
~ Lslou cansado.. (Reliia do loIso un joinaI) Que choie...
(CanlaioIa en voz laixa) Tiaiaiá-lchin-lun... AIen do nais, lanlo faz!
(As liôs iinãs, de pe, aliaçan-se.)
MACHA
~ Oh, cono soa a núsica! LIes vão enloia, un já se foi
conpIelanenle... ConpIelanenle e paia senpie. L nós ficaienos
sozinhas, e ieconeçaienos a vida. L pieciso vivei... L pieciso vivei...
IRINA (incIina a caleça solie o peilo de OIga)
~ Chegaiá o dia en que lodos saleienos o poiquô de ludo isso,
poi que lodo esse sofiinenlo, e enlão não haveiá nais nisleiio...Ioien,
ale enlão lenos de vivei e lialaIhai. TialaIhai senpie! Ananhã viajaiei
sozinha... iiei a escoIa, ensinaiei e dedicaiei a vida aqueIes que laIvez
piecisen deIa. Lslanos no oulono, Iogo chegaiá o inveino, a neve coliiiá
ludo, e eu seguiiei lialaIhando, lialaIhando senpie...

71
OLGA (aliaça as duas iinãs)
~ A núsica eslá lão aIegie, lão aninada, ne dá una vonlade
inensa de viie! Ai neus Deus! O lenpo vai passando, nós pailiienos, e
seienos esquecidos paia senpie. Lsqueceião nosso ioslo, nossa voz e
lanlen quanlos eianos, poien o nosso sofiinenlo se liansfoinaiá en
aIegiia paia aqueIes que viião depois de nós, a feIicidade e a paz ieinaião
solie a leiia, e as pessoas se Ienliaião con gialidão daqueIes que viven
agoia, e os alençoaião. Oh, queiidas iinãzinhas, a nossa vida ainda não
chegou ao fin. Viveienos! A núsica soa lão aIegie, lão cheia de
feIicidade! L paiece-ne que Iogo saleienos poi que vivenos, poi que
sofienos... Ai, se soulessenos poi quô. Se soulessenos poi quô!...

(A MÚSlCA VAl DlMlNUlNDO CADA VEZ MAlS. KULlGUlN,
SORRlDENTE E ALEGRE, TRAZ O CHAPÊU E O CASACO, ANDREl
EMPURRA O CARRlNHO DE BEBÈ ONDE BOBlK ESTA SENTADO.)

TCHEBUTIKIN (canla a neia voz)
~ ¨Tiaiaiá-lchin-lun... agaiiei-ne nun posle...¨(Lô o joinaI)
Tanlo faz! Tanlo faz!
OLGA
~ Se soulessenos, poi quô, se soulessenos poi quô!

CORTINA

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