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COLÉGIO ESTADUAL ANTONIO E MARCOS CAVANIS

ENSINO MÉDIO

A PRIMEIRA GERAÇÃO ROMÂNTICA PORTUGUESA


Bruno Araujo Oliveira
Eduarda Carneiro Farias
Bárbara Doroinko Barboza
Paola Carneiro Bim

Castro
2009
COLÉGIO ESTADUAL ANTONIO E MARCOS CAVANIS
ENSINO MÉDIO

A PRIMEIRA GERAÇÃO ROMÂNTICA PORTUGUESA


Bruno Araujo Oliveira
Eduarda Carneiro Farias
Bárbara Doroinko Barboza
Paola Carneiro Bim

Trabalho apresentado para avaliação do rendimento


escolar na disciplina de Português, do curso de Ensino
Médio, no Colégio Estadual Antonio e Marcos Cavanis,
Ministrada pela professora Aparecida.

Castro
2009
Epílogo:

Literatura, Littérature, Literature. Além de todas essas escritas, basicamente significa belas letras.
Só pode ser qualificado literário o texto que o autor se dirige ao espírito, à sensibilidade, à
imaginação de seus leitores.
Introdução

Muitas mudanças estavam ocorrendo na Europa do século XIII. Novas ideologias políticas,
econômicas e sócias vieram a intervier na sociedade. A influência das revoluções francesa e
industrial e do pensamento liberal se deu em todos os campos. A liberdade era superior às regras,
e a razão predominava sobre a emoção. Instaurou-se, assim, um novo modo na região européia e ,
consequentemente, em Portugal.
Com este trabalho, pretendemos apresentar a primeira geração romântica portuguesa e suas
principais obras.
Características do Romantismo

-O indivilualismo e o subjetivismo, em oposição ao universalismo e objetivismo dos clássicos, o


que faz com que os românticos vejam o mundo unicamente por meio do seu mundo interior. A 1ª
pessoa (eu) é constante na poesia romântica.

-Idealização da mulher e do amor: Somando espiritualismo e temperamento sonhando, o poeta


româmtico, reveste a mulher de uma forma angelical, retratando-a como figura poderosa e
inacessível. Porém, apesar do espiritualismo, a pessoa romântica reflete muitas vezes um
sensualismo bem material na descrição feminina.

-Medievalismo: Valorização dos ideais medievalistas.

-Idealização da natureza: A natureza sem defeitos. Ela sendo perfeita. Pode estar presente em
forma de paisagens, tempestades ou dias de muito sol.
A PRIMEIRA GERAÇÃO ROMÂNTICA

O romantismo em Portugal se dividiu em três diferentes épocas. Falaremos, neste trabalho, de


apenas uma: a primeira.
Esse movimento ocorreu durante os anos de instabilidade em Portugal. De um lado, estava
Dom Pedro IV ( Dom Pedro I do Brasil), que representava a tentativa de implantação do
liberalismo no país; do outro lado, Dom Miguel, seu irmão absolutista. Derrotado, Dom Pedro
cede o trono português ao irmão, e só consegue reavê-lo em 1834, quando o liberalismo
finalmente venceu.
O primeiro romantismo contribui muito para a consolidação do liberalismo em Portugal. Os
ideais românticos dessa geração estão embasados na pureza e originalidade.
Principais Autores Românticos:

Almeida Garrett (João Batista da Silva Leitão de Almeida Garrett)

Nasceu na cidade de Porto, em 1799.


Suas primeiras poesias apresentam características árcades, com o poeta defendendo a imitação de
autores quinhentistas e a perfeição estética clássica.
Em um segundo momento, suas obras ainda não são propiamente românticas. Podemos colocar
dois poemas narrativos de caráter historio:
“Camões” (refere-se mais à vida do personagem, suas paixões, seu amor à pátria...), e “D.
Branca” (poema voltado para o século XVIII e retrata as últimas lutas da Reconquista).

ALMEIDA GARRETT “Não te amo”

Não te amo, quero-te: o amor vem d'alma.


E eu n 'alma – tenho a calma,
A calma – do jazigo.
Ai! não te amo, não.
Não te amo, quero-te: o amor é vida.
E a vida – nem sentida
A trago eu já comigo.
Ai, não te amo, não!

Ai! não te amo, não; e só te quero


De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.

Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela.


Quem ama a aziaga estrela
Que lhe luz na má hora
Da sua perdição?

E quero-te, e não te amo, que é forçado,


De mau, feitiço azado
Este indigno furor.
Mas oh! não te amo, não.

E infame sou, porque te quero; e tanto


Que de mim tenho espanto,
De ti medo e terror...
Mas amar!... não te amo, não.
Almeida diz aqui que admira a bela mulher, que a respeita, que ela o atrai, que ele a quer, a quer
muito, mas não a ama, diz que ela é luz pra ele nas más horas e comtempla a moça, se diz infame,
por querer e não amar, que dele bem espante, dela medo e temor, mas amar, não ele não ama.

Alexandre Herculano (Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo)

Nasceu em Lisboa, no ano de 1810. Teve origem humilde e foi um autodidata.


Apesar de sempre ter se recusado a receber distinções de honra, quando faleceu, em 1877, houve
uma manifestação nacional de luto.
Herculano foi um dos mais altos espíritos da literatura portuguesa do seu tempo.
“Eurico, o presbítero” é uma de suas obras mais importantes. Nesse romance histórico, ele analisa
o tema do celibato clerical, mostrando sua incompatibilidade com a liberdade da paixão amorosa.
Retrata também a época da invasão dos árabes na Península Ibérica durante a Idade Média.

ALEXANDRE HERCULANO “Deus”

Nas horas de silêncio, à meia-noite,


Eu louvarei o Eterno!
Ouçam-me a terra, e os mares rugidores,
E os abismos do Inferno.
Pela amplidão dos céus meus cantos soem,
E a Lua resplendente
Pare em seu giro, ao ressoar nest'harpa
O hino do Omnipotente.

Antes de tempo haver, quando o infinito


Media a eternidade,
E só do vácuo as solidões enchia
De Deus a imensidade,
Ele existia, em sua essência envolto,
E fora dele o nada:
No seio do criador a vida do homem
Estava ainda guardada;
Ainda então do mundo os fundamentos
Na mente se escondiam
De Jeová, e os astros fulgurantes
Nos céus não se volviam.

Eis o Tempo, o Universo, o Movimento


Das mãos solta o Senhor.
Surge n Sol, banha a Terra, desabrocha
Nesta a primeira flor;
Sobre o invisível eixo range o globo;
O vento o bosque ondeia;
Retumba ao longe o mar; da vida a força
A natureza anseia!

Quem, dignamente, ó Deus, há-de louvar-Te,


Ou cantar Teu poder?
Quem dirá de Teu braço as maravilhas,
Fonte de todo o ser,
No dia da Criação; quando os tesouros
Da neve amontoaste;
Quando da Terra nos mais fundos vales
As águas encerraste?!

E eu onde estava. quando o Eterno os mundos,


Com dextra poderosa,
Fez, por lei imutável, se livrassem
Na mole ponderosa?
Onde existia então ? No tipo imenso
Das gerações futuras;
Na mente do meu Deus. Louvor a Ele
Na Terra e nas alturas!
Oh, quanto é grande o rei das tempestades,
Do raio, e do trovão!
Quão grande o Deus, que manda, em seco estio,
Da tarde a viração!
Por Sua providência nunca, embalde,
Zumbiu mínimo insecto;
Nem volveu o elefante, em campo estéril,
Os olhos inquieto.
Não deu Ele à avezinha o grão da espiga,
Que ao ceifador esquece:
Do norte ao urso o sol da Primavera,
Que o reanima e aquece?
Não deu Ele à gazela amplos desertos,
Ao certo a amena selva,
Ao flamingo os pauis, ao tigre o antro,
No prado ao touro a relva?
Não mandou Ele ao mundo, em luto e trevas,
Consolação e luz?
Acaso em vão algum desventurado
Curvou-se aos pés da Cruz?
A quem não ouve Deus? Somente ao ímpio
No dia da aflição,
Quando pesa sobre ele, por seus crimes.
Do crime a punição.

Homem, ente imortal, que és tu perante


A face do Senhor?
És a junça do brejo, harpa quebrada
Nas mãos do trovador!
Olha o velho pinheiro, campeando
Entre as neves alpinas:
Quem irá derribar o rei dos bosques
Do trono das colinas?
Ninguém! Mas ai do abeto, se o seu dia
Extremo Deus mandou!
Lá correu o aquilão: fundas raízes
Aos ares lhe assoprou.
Soberbo, sem temor, saiu na margem
Do caudaloso Nilo,
O corpo monstruoso ao sol voltando,
Medonho crocodilo.
De seus dentes em roda o susto habita:
Vê-se a morte assentada
Dentro em sua garganta, se descerra
A boca afogueada:
Qual duro arnês de intrépido guerreiro
É seu dorso escamoso;
Como os últimos ais de um moribundo
Seu grito lamentoso:
Fumo e fogo respira quando irado;
Porém, se Deus mandou,
Qual do norte impelida a nuvem passa,
Assim ele passou!

Teu nome ousei cantar! Perdoa, ó Nume;


Perdoa ao teu cantor!
Dignos de ti não são meus frouxos hinos,
Mas são hinos de amor.
Embora vis hipócritas te pintem
Qual bárbaro tirano:
Mentem, por dominar com férreo ceptro
O vulgo cego e insano.
Quem os crê é um ímpio! Recear-te
É maldizer-te, ó Deus;
É o trono dos déspotas da Terra
Ir colocar nos Céus.
Eu, por mim, passarei entre os abrolhos
Dos males da existência
Tranquilo, e sem temor, à sombra posto
Da Tua Providência.

Herculano fala pra quem quiser ouvir que ele louvará a Deus, por que ele é tudo e onipotente, o
dono de tudo, que Ele enche o vácuo e a solidão de felicidade, que somos feitos por Ele, e
devemos agradecer, e que é com Ele e d’Ele que vem tudo que é bom, e que um dia estaremos
com ele.
BIBLIOGRAFIA

OGLEARI, Braz; PEREIRA, Tarcílio A. – Nova Visão – volume 2 - IBEP


MAIA - Português - 10ª edição - Ática - Volume Único.
NICOLA, José de - Língua, Literatura e Redação – volume 2 – 5ª edição – Scipione.
SARGENTIM, Hermínio - Língua Portuguesa - Coleção Horizontes – Nacional.
Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa – 2 ed. - Nova Fronteira
Enciclopédia Delta Júnior – volume 7 - Delta