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Quem somos nós? A primeira impressão que fica do filme é uma dúvida: O que é a realidade?

Segundo o filme recebemos milhões de informações oriundas do mundo externo e apenas processamos uma parte mínima. Nossos sentidos são bombardeados de impressões sensoriais que são filtradas pelo cérebro para em seguida criar um mundo coerente, repetitivo e em acordo com experiências passadas. O curioso é que tanto as impressões percebidas pelos sentidos quanto as lembranças dessas mesmas impressões, acionam iguais áreas cerebrais que tratam as informações em questão. Essas informações teriam o mesmo valor para o cérebro. Podemos então nos questionar sobre as fronteiras do real, sobre o limite entre interioridade e exterioridade. A física quântica, tratada no filme, nos coloca diante deste fenômeno: somos capazes através de nossos pensamentos de criar uma realidade que se confunde entre percepção e imaginação. Além disso, a matéria tal qual nós estamos condicionados a perceber é muito diferente no seu aspecto sub-atômico, ou seja, não existe uma substância contínua e regular tal como estamos habituados a conceber. Existe um tipo de alternância entre a permanência de certos elementos da sub-matéria e seu completo desaparecimento. Ora se essas partículas deixam de existir em um dado momento para reaparecer um tempo depois, leva a hipótese que elas passam a uma outra dimensão e ressurgem em nosso mundo habitual. O que levantaria a hipótese de um universo paralelo.E também a existência de probabilidades de realidades diversas e diferentes. Caso tivéssemos controle sobre esse campo de possibilidades poderíamos influenciar a matéria e o desenrolar do espaço – tempo. Mas em nosso estado atual, estamos condicionados a modos de percepção que inibem em primeira linha a conscientização deste fenômeno e por conseqüência a ação sobre essas possibilidades. Nossos condicionamentos são de origens diversas possuindo raízes profundas na cultura, religião, educação e mais recentemente na mídia. Somos constantemente moldados aos limites das convenções estabelecidas. Nossas emoções servem de alimento a este condicionamento. Uma cadeia de reações químicas e orgânicas se coloca em movimento diante de fatos que conhecemos e que reproduzimos mecanicamente. Reagimos a situações por impulsão ou replusão. A liberdade de ação é pouco explorada diante destes fatos. Esses mesmos condicionamentos nos impedem simplesmente de enxergar uma nova ou diferente realidade. É o caso dos indígenas que no momento dos descobrimentos não

. Sendo assim. jamais vistos e por conseqüência fora da possibilidade de concepção e percepção. Mas se ampliássemos nossa consciência poderíamos abrir um leque de possibilidades de existência. O filme trata em ultima instância do conceito de liberdade e de como estamos presos a mecanismos que provocam extrema insatisfação. Em suma.viram as caravelas se aproximarem de suas terras: eram objetos inéditos. interferindo de maneira criativa no mundo. só podemos perceber aquilo que concebemos. E possivelmente assim eliminar vários entraves ao desenvolvimento humano. a própria condição da existência é colocada em evidência: se somos seres capazes de interferir e modelar nosso destino porque assumimos um papel de submissão às convenções e aos modelos impostos? Por que não assumimos o papel de co-criadores deste universo? A relação deste filme com a psicologia reside no fato que nossa psique (alma ou espírito) pode desenvolver uma capacidade de influencia sobre a existência. Podendo assim trazer um sentido a vida.