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A Súmula 309 do Superior Tribunal de Justiça trata da prisão civil do devedor de alimentos.

Ocorre que no dia 22 de março no julgamento do HC 53.068 do Mato Grosso do Sul, o Superior Tribunal de Justiça fez uma alteração substancial no assunto. Vamos aos estudos desta matéria, de suma importância no cotidiano forense. Vejamos a seguir. A prisão civil por alimentos teve a seu germe na Convenção Americana sobre Direitos Humanos (aprovada no Brasil pelo Decreto Legislativo 27, de 25.09.1992, e promulgada pelo Decreto 678, de 06 de novembro de 1992), O Pacto de San José da Costa Rica, que em seu artigo seu artigo 7º, vedou a prisão civil do depositário infiel, somente permitindo-a na hipótese de dívida alimentar. A nascente Constitucional do dispositivo encontra-se no artigo 5º, LXVII, da Carta Maior. Quanto a sua base processual está prevista no artigo 733 do Código de Processo Civil que prevê a execução sob pena de prisão. Já se tinha firmado entendimento no sentido que o credor poderia cobrar as três últimas parcelas não pagas, acrescentadas às que se vencerem durante a tramitação da demanda. Sendo que as demais prestações podendo ser cobradas pelo rito da execução expropriatória (penhora), previsto no artigo 732 do mesmo diploma processual. Em reflexo a este entendimento teve-se a antiga Súmula do Superior Tribunal de Justiça dizia: “o débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que compreende as três prestações anteriores à citação e as que vencerem no curso do processo”. Conforme citado inicialmente, houve uma alteração da respectiva Súmula, que agora consta com a seguinte redação: “o débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que compreende as três prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as que vencerem no curso do processo”. Como se pode notar a alteração consiste no marco inicial para a cobrança das prestações não pagas. Anteriormente a mudança da súmula, este marco era determinado com a citação, era a partir dela que se iniciava a contagem para alcançar o limite de três prestações sob pena de prisão. No entanto agora este marco é partir do ajuizamento da execução da demanda. Mas mantendo-se o limite de três prestações. A Súmula 309 tem sido muito criticada pela doutrina que argumenta que o devedor de alimentos poderá se esquivar da citação, prejudicando do cumprimento da obrigação alimentar. Talvez podemos justificar a recente alteração em face da forte crítica da doutrina em face do marco inicial da cobrança sob pena de prisão.

ALIMENTOS - PRISÃO CIVIL DO DEVEDOR - AUSÊNCIA DE MÁ VONTADE EM SALDAR O DÉBITO - "A prisão civil por dívida de alimentos é medida excepcional, que somente deve ser empregada em casos extremos de contumácia, obstinação, teimosia, rebeldia do devedor que embora possua meios necessários para saldar a dívida, procura por todos os meios protelar o pagamento judicialmente homologado..." (TJSP - HC 170.264-1/4 - 6a.C - j.20.8.92 rel.Des.Melo Colombi) -RT 697/65. Hodiernamente, julgamentos como este acima firmava cada vez mais a crítica da doutrina diante do mau comportamento do devedor de alimentos perante a sua obrigação jurídica e moral. Com o novo marco inicial da para a cobrança sob pena de prisão, veremos o comportamento da doutrina e da jurisprudência diante da recente alteração. Acreditamos que houve um progresso no sentido de que o alimentado não seja mais prejudicado por aquele que se esquiva da citação para o cumprimento do mandado que enseja apenas o pagamento dos alimentos. A referida medida não tem caráter punitivo, apenas é um meio excepcional e coercitivo de alcançar o equilíbrio familiar e social.

Introdução Em face da insubsistência do modelo familiar tradicional assentado na estabilidade conferida pelo casamento e do ambiente cultural em que se vive, cada vez é mais comum a paternidade irresponsável por parte de genitores que se furtam dos seus deveres com a prole. Como o Direito não pode ignorar a realidade social, cabe-lhe fornecer meios para a efetiva instrumentalização do direito aos alimentos, dentre os quais avulta em importância a prisão do inadimplente. Diante desse cenário, o presente ensaio tem por objetivo expor a (im)possibilidade de prisão civil do devedor de alimentos à luz do estudo da natureza da obrigação e da forma de seu cumprimento. Para tanto, examina-se a legislação, a doutrina e a jurisprudência, de modo a contextualizar o tema perante as fontes do Direito, bem como para demonstrar a possibilidade de uma solução para a questão. Capítulo 1 – Compreendendo o dever de pagar alimentos e a aplicação da súmula 309 do STJ No presente capítulo ocorrerá a exposição do dever de pagar alimentos à luz da dogmática obrigacional. Posteriormente, será examinada a súmula 309 do Superior

Tribunal de Justiça, de modo a permitir a compreensão do problema central do presente ensaio: a (im)possibilidade de imputação do pagamento da pensão alimentícia pelo devedor. I - O dever de pagar alimentos e o direito das obrigações: notas sobre o adimplemento da pensão alimentícia Como bem coloca Águida Arruda Barbosa, a prestação alimentar reveste-se de periodicidade, em regra, mensal. Maria Berenice Dias leciona no mesmo sentido, aduzindo que a obrigação alimentar é “constituída em parcelas periódicas”. À luz do direito obrigacional, Cristiano Chaves de Farias e Nelson Rosenvald corretamente aduzem tratar-se de obrigação „de trato sucessivo‟, também conhecida como „de execução continuada‟. Clóvis do Couto e Silva define a obrigação de trato sucessivo, à qual denominou de “obrigação duradoura”, como aquelas que não podem ser adimplidas de uma vez só, pois não se trata de objeto exigível de um só jato (obrigações instantâneas) ou daquilo que poderia ser cobrado em momento único, mas é parcelado (obrigações diferidas), tendo o doutrinador exemplificado esta última como a venda a prazo. Para Clóvis do Couto e Silva, há nas obrigações de trato sucessivo um débito permanente que impõe o cumprimento de uma sucessão de prestações que se fazem exigíveis a partir de diferentes momentos do processo obrigacional. Na mesma linha pontifica Orlando Gomes quando assevera que a obrigação de trato sucessivo implica em um contínuo suceder de prestações, ao passo que a obrigação de execução diferida apenas implica na divisão daquilo que já poderia ser imediatamente prestado. Portanto, observa-se que a pensão alimentícia é, sem dúvida, uma obrigação de trato sucessivo, o que implica na contínua gênese do dever de prestar alimentos que surge ao início de cada período. Esta concepção tem inegável relevância prática para entender-se a questão que se põe no presente ensaio. Como o dever de prestar alimentos não pode ser cumprido imediatamente, assim como seu pagamento não se dá simplesmente em parcelas que seriam o adimplemento parcial de determinada soma, o descumprimento relativo a determinado período caracteriza-se autonomamente, dando ensejo à execução forçada. Tanto é assim, que o Superior Tribunal de Justiça sumulou seu entendimento no sentido de que a prisão civil do devedor é medida cabível quando ocorrer o inadimplemento das três últimas prestações, reconhecendo que cada uma delas é um débito que não faz parte de um todo, ou seja, são distintos objetos de um processo obrigacional que perdura no tempo. Veja-se, então, a súmula 309 do STJ, conforme segue transcrita: Súmula 309. O débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que compreende as três prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as que se vencerem no curso do processo. II – Observações acerca da quantidade de parcelas em atraso que justificam a coerção pessoal

tal como teria sido decidido na maioria dos julgados que originaram a súmula 309 do STJ. cumpre expor o problema prático que motivou o presente estudo. Capítulo 2 – Sobre a imputação do pagamento pelo devedor e a prisão civil Uma vez conhecida a forma de cumprimento da obrigação e a dimensão do inadimplemento que legitima a coerção pessoal. de forma a aplicar-se o artigo 352 do Código Civil. caso o débito seja superior. . Araken de Assis também entende que a dívida não perde o caráter alimentar. Cristiano Chaves de Farias e Nelson Rosenvald não reconhecem como legítimo a exigência sumular de que a mora de três prestações é que legitima a prisão civil do devedor de alimentos. mas do ajuizamento da ação. implica na admissão da imputação do pagamento e de frontal violação ao texto constitucional. Na mesma linha. 352. a doutrinadora aponta a impropriedade das razões que motivaram o enunciado. obviamente. Um devedor poderia pagar uma prestação e deixar de cumprir duas e assim fazê-lo. Araken de Assis afirma que a jurisprudência sumulada trilhou o infeliz caminho de presumir a incapacidade de pagamento do devedor antes mesmo dele defender-se. visto que tal enunciado destoaria da previsão constitucional autorizadora da prisão civil em questão. de forma a reconhecer privilégio descabido ao devedor impontual e malicioso.A interpretação literal da súmula conduz o operador do Direito ao entendimento de que só se justificaria o pedido de prisão em face de débito iguais ou superiores à três parcelas. deverá o alimentante proceder ao pagamento das três últimas parcelas anteriores ao ajuizamento da ação. Tal compreensão. a um só credor. mas o devedor tenha pago a última prestação. reiteradamente. sem que fosse viável juridicamente sua prisão? É lícito o devedor no quarto mês pagar a quarta parcela. pois mesmo as parcelas pretéritas àquele período manteriam o caráter alimentar. se todos forem líquidos e vencidos. sem adimplir com aquela segunda e terceira que não foram pagas? Caso seja admitido o pagamento de prestações mais recentes em detrimento da mais antigas estar-se-á entendendo possível a figura da „imputação do pagamento‟ em sede de alimentos. restaria vedada a coerção pessoal. apesar de defendida por respeitável doutrina. A pessoa obrigada por dois ou mais débitos da mesma natureza. Maria Berenice Dias aduz que o marco a partir do qual se conta retroativamente as três parcelas não é o da citação. Elpídio Donizetti segue a mesma linha ao sustentar que: Assim. tem o direito de indicar a qual deles oferece pagamento. daquelas que se venceram no curso da execução. Além da incorreção da forma de aferição do inadimplemento. para se ver livre da prisão porventura decretada. cuja redação é a que segue: Art. além. Pior ainda.

4ª Turma. Em outras palavras.] (STJ. vez que a garantia conferida ao devedor pela súmula 309 do STJ só pode ser oposta quando evidente a desídia a do credor.. concorda-se integralmente com tal entendimento. sendo de igual natureza. Sálvio de Figueiredo Teixeira. Na oportunidade os Ministros acordaram que quando o lapso previsto na súmula 309 da Corte não implementa em razão da diligência do alimentante é de ser efetuada a prisão. Sendo a pessoa obrigada por várias dívidas compensáveis. as regras estabelecidas quanto à imputação do pagamento.] IV – [. 379. observa-se que em um precedente o Superior Tribunal de Justiça. este não parece ser o caminho mais consentâneo com o Direito.. 943 do Código Civil. conforme pode ser depreendido do trecho da ementa que segue citado: I . Ruy Rosado de Aguiar Júnior). atraindo para si o ônus da prova. ao aceitar. consoante as razões que passam a ser expostas. poder-se-ia argumentar que inexiste razão jurídica para fazê-lo. III . não restou debatida a possibilidade de imputação do pagamento. tendo firmado entendimento no sentido de que o pagamento das 3 (três) últimas prestações impede a prisão tão-somente nos casos onde as demais venceram e não foram cobradas em razão da inércia do credor.326) o Superior Tribunal de Justiça denegou a soltura de devedor inadimplente há menos de 3 (três) meses/prestações. julgado em 22/02/2000) A solução pode ser encontrada no próprio Código Civil – e esse parece ser o caminho mais seguro para aqueles que são avessos à constitucionalização do direito privado. Relator: Min. Assim.] II – Pode o credor recusar a última prestação periódica. uma vez que. antes de oferecidas as anteriores. Não obstante.. Como é vedada a . III – [. Ainda compulsando a jurisprudência do STJ. apesar desses dois precedentes em sede da cognição estreita do habeas corpus. cuja redação é a que segue: Art. serão observadas.. ou seja.[. tendo sido vencido o Min. A vedação de imputação do pagamento começa pela análise do artigo 379 do Código Civil. na última parcela. Porém. negou o direito à imputação por maioria de votos (3 X 1.Imputação do pagamento à luz da jurisprudência do STJ e da legislação infraconstitucional Em pelo menos dois julgamentos (HC‟s 9.356 e 10. estaria assumindo o ônus de desfazer a presunção iuris tantum prevista no art. Resp. estando em débito parcelas anteriores. pelo devedor. prejudica o interesse do credor.435. no compensá-las. Em razão da similitude entre a imputação e a compensação pode ser argumentado que as vedações à determinado benefício são aplicáveis ao outro.Se os débitos referem-se às mesmas partes. em face de execuções que versem sobre três ou mais prestações vencidas. No entanto. através de sua 4ª Turma. a imputação do pagamento. 225. tornando-se legítima a recusa no recebimento da prestação... devidas e vencidas. o SYJ acabou por chancelar a coerção pessoal em detrimento da recalcitrância do devedor.

No plano dos valores constitucionais (dimensão axiológica do problema). distingui-se essa espécie de débito das demais. a coerção pessoa mostra-se assaz apta a incentivar o adimplemento da pensão alimentícia. Assim. de modo a concretizar-se os valores e princípios da dignidade humana e da igualdade substancial. sempre. há a liberdade (do devedor) e a vida (do alimentando). bem como dos filhos maiores aos seus pais (art. direitos e deveres constitucionais No plano constitucional. a proteção diferenciada em favor das crianças. 373. vez que muitas pessoas têm renda. Assim.Imputação do pagamento. Em segundo lugar. cumpre a averiguação acerca da proporcionalidade do meio utilizado para efetivar-se o pagamento (prisão civil). Isso não raro ocorre. uma verdadeira colisão de interesses. é crível assegurar a mesma vantagem ao alimentando em face do devedor malicioso. ao idoso e à todo àquele em situação de vulnerabilidade social. IV . a prisão é o meio menos gravoso quando os demais não se mostram adequados. II. idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade social impõe a que suas vidas sejam preservadas em detrimento do interesse egoístas daqueles que. uma atividade hierarquizadora. Em primeiro lugar a prisão é o meio adequado para forçar o cumprimento da obrigação. pois a manutenção da vida deve preponderar sobre a restrição episódica da liberdade. colocando os alimentos acima das outras relações obrigacionais em função da proteção devida à criança. Outra linha de raciocínio que pode ser seguida parte da informação de que o direito tributário veda a imputação (art. até mesmo porque do ponto de vista substancial sempre é possível colmatar o . 229 da CF/88) que eleva a obrigação de prestar alimentos à condição direito fundamental do alimentando. ao passo que no plano dos princípios (dimensão deontológica) existe uma tensão. até mesmo porque interpretar é. O fato do legislador constituinte ter previsto a prisão civil do devedor de alimentos como exceção à vedação da coerção pessoal no processo civil já denota a maior importância atribuída à tal espécie de débito intimamente ligado à dignidade humana. logo. Note-se que no problema posto em voga nesse ensaio o inadimplente é malicioso e paga apenas na medida do seu medo da prisão. com maior razão. maliciosamente. 163 do CTN). vez que um quer manter sua liberdade de locomoção enquanto outro deseja ver satisfeitas suas necessidades materiais. buscam esquivar-se de seus deveres atrás de uma lacuna apenas formal na legislação e na jurisprudência sumulada.compensação quando uma das obrigações for alimentar (art. adolescentes. CC/02). restaria proibida a imputação. os ganhos superam as perdas. exceto se o devedor provar que não dispõe de meios para o pagamento. conferindo posição vantajosa ao ente fiscal. Porém. a argumentação pode iniciar a partir da consagração do dever fundamental de assistência dos pais aos filhos menores. Portanto. Em terceiro lugar. mas a(s) fonte(s) é(são) informal(is) o que impede o desconto em folha ou outra forma de coerção patrimonial. Como não se consegue resolver tal questão sem ponderar-se os interesses das partes. esse é apenas o começo do raciocínio jurídico aplicável.

tal como qualquer outra execução por quantia certa contra devedor solvente. Da mesma forma. A súmula deve ser aplicada de forma a proteger o devedor de alimentos da medida extrema quando se tratar de execução movida por credor relapso que após dilatado prazo temporal venha a exigir o pagamento sob pena de prisão. . propõe-se a negativa da imputação do pagamento em sede de pensão alimentícia. caso admitida a imputação. ele estará adimplindo a mais antiga. é o alimentando. bem como impede que o inadimplente se valha de expediente malicioso. Quando um não paga o que deve. A admissão desse direito acabaria com a possibilidade de prisão civil no caso de inadimplemento de obrigação alimentar e implicaria na consagração da má-fé em detrimento da força normativa da Constituição. caso o devedor esteja devendo mais de três parcelas. Não é crível que o Direito chancele a paternidade irresponsável em prejuízo do alimentando e do outro ascendente. cuja proteção constitucional se esvai caso denegue-se o meio executivo da coerção pessoal.é irrelevante se são as últimas ou não – pode livrar-se da coerção pessoal pagando três mais aquelas que vencerem no curso da execução. sendo lícito o pedido de prisão que pode ser evitada se cumpridas mais três prestações. alguém arca com o que não deve.espaço jurídico aparentemente vazio aplicando os princípios e valores mais caros ao sistema jurídico. Caso o devedor deva oito prestações e pague uma. Assim. tal como ocorreria com a prisão civil do devedor de alimentos. quando se busca uma solução jurídica não se pode consagrar a interpretação que prestigie o dolo ou a má-fé. sendo possível ao devedor livrar-se da prisão pagando três parcelas mais aquelas vencidas no curso do processo. Como há muito diziam os romanos. no caso em voga. . V – Inexistência do direito à imputação do pagamento pelo devedor e aplicação da súmula 309 do STJ É possível a compatibilização entre a súmula 309 do STJ e a negativa do direito à imputação do pagamento pelo devedor de alimentos. mas implica na impossibilidade de admitir-se que o pagamento de parcelas alternadas frustre o acesso ao meio mais efetivo de recebimento da pensão. Não é lícito ao credor valer-se do meio mais grave para cobrar pensão referente à dois anos. Admitir a inexistência de imputação do pagamento não significa que o devedor só evita a prisão pagando todo o débito. O restante deve seguir o rito da coerção patrimonial. Conclusão Nada justifica o reconhecimento de um direito à imputação por parte do devedor de alimentos. afirma-se que a concordância prática necessária à aplicação do texto constitucional impede que se ignore na solução o interesse do prejudicado que. acreditando no Direito como meio adequado para a pacificação de conflitos. Dessa forma impede-se que o credor cobre todo o débito sob o rito especialíssimo. Assim. Contemporaneamente. não se pode conferir ao texto constitucional nenhuma eficácia.

ROSENVALD. 88. independentemente da quantidade de parcelas. p. Maria Berenice. 145. 2006. Outra questão que se impõe é que não trata a súmula de meses. Clóvis do. dentre as quais alguma já foi paga. 1976. 2008. Quando a dívida for superior à três prestações. Rio de Janeiro: Lumen Juris. Porto Alegre: Livraria do Advogado. 211 e 212. pensão vencida justifica o pedido de prisão civil do devedor. Assim. Conversando sobre Alimentos. 6 Doutrinadores de escol como Paulo Henrique dos Santos Lucon advogam tal entendimento. mais as que vencerem desde o início da execução. Cristiano Chaves de. o devedor não pode ser preso tão-somente se citado pagar o que deve (no caso de menos de três parcelas) ou três parcelas. Rio de Janeiro: Lumen Juris. Claudete Carvalho. p. 124. ROSENVALD. Conversando sobre Alimentos. semanal. 2006. Maria Berenice. 9 DIAS.Direito de Família. 2008. 123. 3 ed. 2 DIAS. p. A Obrigação como Processo. . Notas de Rodapé 1 BARBOSA. 2008. 2008. Direito das Famílias. etc. São Paulo: Revista dos Tribunais. Águida Arruda. São Paulo: Revista dos Tribunais. Da mesma forma. Maria Berenice. Direito das Famílias. Nelson. 678-680. p. Contratos. 2. p. 8 ASSIS. 237. 7 FARIAS. Da Execução de Alimentos e Prisão do Devedor. Orlando. desde que se limite sua invocação àqueles processos que versem sobre débitos de três ou mais prestações. vez que a periodicidade pode ser quinzenal. Nelson.303). a vedação da imputação do pagamento evita que se pague a prestação mais recente e injustamente o devedor se esquive da prisão. 3 FARIAS. considera-se legítimo o pedido da coerção pessoal em face do inadimplemento qualquer quantidade de parcelas vencidas. p. 5 GOMES. Porto Alegre: Livraria do Advogado. veja-se as palavras do autor: “O procedimento determinado por este artigo apenas poderá ser obedecido para a execução das prestações alimentícias vencidas nos três últimos meses” (Código de Processo Civil Interpretado. 592. o devedor se livra da prisão pagando três mais aquelas que vencerem no processo. CANEZIN. p. p. 11 ed. bem como não pode o devedor alegar que a súmula lhe confere o direito de pagar extrajudicialmente a última prestação para não ser preso e relegar-se à coerção patrimonial as demais parcelas. 1986. 4 COUTO E SILVA. et al. Porém.A súmula 309 do STJ pode ser aplicada de forma harmoniosa com a negativa da existência de direito de imputação do pagamento ao devedor de alimentos. mas de prestações. DIAS. p. Logo. São Paulo: Atlas. independentemente de argumentação de que essas três não são as mais recentes. Cristiano Chaves de. 2004. Rio de Janeiro: Forense. São Paulo: Bushatsky. Coordenador: Antonio Carlos Marcato. Araken de.

Madrid: Centro de Estudios Constitucionales. Maria Berenice.primeiramente.7 ed.7 ed.em primeiro lugar. 19 CANOTILHO. 163. a autoridade administrativa competente para receber o pagamento determinará a respectiva imputação. às contribuições de melhoria. A diferença de causa nas dívidas não impede a compensação. p. São Paulo: Revista dos Tribunais. A Interpretação Sistemática do Direito. 2003. 373. Coimbra: Almedina. 20 CANOTILHO. 1. p.226. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. ao passo que o princípio prescreve o que é devido. 691. Elpídio. relativos ao mesmo ou a diferentes tributos ou provenientes de penalidade pecuniária ou juros de mora. 18 MAXIMILIANO. IV . de modo a cada valor corresponder à um principio e vice-versa. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. II . A Interpretação Sistemática do Direito. p. 14 Art. Juarez. 1997. obedecidas as seguintes regras. Coimbra: Almedina. Curso Didático de Direito Processual Civil. 16ª ed. III .na ordem crescente dos prazos de prescrição. depósito ou alimentos. São Paulo: Malheiros. depois às taxas e por fim aos impostos. 123. Hermenêutica e Aplicação do Direito. 2004. 9 ed. 13 Art. 145. Carlos. 4 ed. 16 FREITAS. 2008. José Joaquim Gomes. 15 O plano deontológico nos revela o que é bom. Conversando sobre Alimentos. p. 2006. Juarez. 120 ss. José Joaquim Gomes.. p. e em segundo lugar aos decorrentes de responsabilidade tributária. Porto Alegre: Livraria do Advogado. Araken de.10 DONIZETTI. p. 2004. p.na ordem decrescente dos montantes. p.. 2006. Existindo simultaneamente dois ou mais débitos vencidos do mesmo sujeito passivo para com a mesma pessoa jurídica de direito público. 2004. 17 FREITAS. 4 ed.225. Rio de Janeiro: Lumen Juris. São Paulo: Malheiros. Da Execução de Alimentos e Prisão do Devedor. 2003. 11 DIAS. exceto: [. 12 ASSIS. . p.] II – se uma se originar de comodato. 138 e 139) sustenta a natureza dúplice dos princípios e dos valores. Rio de Janeiro: Forense. 1. 214. na ordem em que enumeradas: I . 78. aos débitos por obrigação própria. Recorde-se que Robert Alexy (Teoria de los Derechos Fundamentales.

não haverá prisão civil por dívida. o juiz mandará citar o devedor para. a partir da data em que se vencerem. em 3 (três) dias. § 1º . segundo a regra do artigo 206. a pensão alimentícia acordada ou pactuada em documento particular chancelado pelas partes não é passível de execução judicial pelo rito da prisão civil ou de penhora nas Varas de Família.” No tocante ao débito alimentar que autoriza a prisão civil do devedor. Por oportuno.Se o devedor não pagar. há uma exceção na aplicação desta norma. autorizada pela Constituição Federal de 1988. § 2º . Esta é a regra geral. que fixa os alimentos provisionais. do Código Civil. que é a prisão do devedor inadimplente.). importante estabelecer a obrigação alimentar na Justiça. A Carta Magna garante que não haverá prisão civil por dívida.O cumprimento da pena não exime o devedor do pagamento das prestações vencidas e vincendas. plenamente justificada em face do bem jurídico protegido. dita a Súmula 309 do STJ: "O débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que compreende as três prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as que vencerem no curso do processo”. § 2º. salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia (. portanto. Por isso. anoto que só é possível executar a pensão alimentícia devidamente fixada em decisão judicial ou homologada judicialmente. A fome reclama urgência e é por isso que a Ação de Alimentos antecede a propositura de qualquer outra ação. O não-pagamento da pensão alimentícia fixada em sentença judicial gera a mais grave conseqüência em matéria civil. 5º LXVII . de caráter alimentar. A prestação alimentícia. Mestrando em Direito (PUCRS). nem se escusar. que no caso é a sobrevivência digna de pessoas incapazes de prover seu próprio sustento. Palestrante da ESA/OAB-RS e de Cursos Preparatórios.Tiago Bitencourt De David Advogado. prescreve em dois anos a pretensão para haver prestações alimentares. No entanto. porque o direito a alimentos confunde-se com o direito à vida: “Art... o juiz decretar-lhe-á a prisão pelo prazo de 1 (um) a 3 (três) meses. comporta benefício de ordem. efetuar o pagamento. Autor de diversos artigos jurídicos Execução de Alimentos pelo rito da prisão civil Primeiramente. Ou seja. provar que o fez ou justificar a impossibilidade de efetuá-lo. O artigo 733 do Código de Processo Civil delimita que na execução de sentença ou de decisão. .

610.ORDEM CONCEDIDA.§ 3º . Relator ROMEU GONZAGA NEIVA. constituindo meio coercitivo para compelir o devedor a cumprir sua obrigação. gravemente enfermo: Pena . 20120020066015HBC. julgado em 30/05/2012.COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO DAS TRÊS ÚLTIMAS PARCELAS . sem justa causa. de prover a subsistência do cônjuge. 20110020120276HBC. (Acórdão n. ALIMENTOS.DÍVIDA DE ALIMENTOS . A reprodução desta publicação. sendo a recusa voluntária e inescusável. ou de filho menor de 18 (dezoito) anos ou inapto para o trabalho. I . 733 do Código de Processo Civil. Contudo. 6ª Turma Cível.) 5ª TURMA CÍVEL 089ª AUDIÊNCIA DE PUBLICAÇÃO DE ACÓRDÃOS . DJ 25/08/2011 p. p. 593245. NÃO PAGAMENTO DAS TRÊS PRESTAÇÕES QUE SE VENCERAM NO CURSO DA DEMANDA. ou de ascendente inválido ou maior de 60 (sessenta) anos. II . fixada ou majorada deixar. II . 137) HABEAS CORPUS . não lhes proporcionando os recursos necessários ou faltando ao pagamento de pensão alimentícia judicialmente acordada. Sobre o tema. o juiz suspenderá o cumprimento da ordem de prisão.Paga a prestação alimentícia. 529115. (Acórdão n. sem autorização expressa do autor ou sem mencionar a fonte. mantendo seu caráter legítimo se presentes os requisitos dispostos no art. (STJ/309) 03. (Escrito por PATRICIA GARROTE. 137) "Procure sempre seu advogado de confiança".SÚMULA 309/STJ . julgado em 10/08/2011."O débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que compreende as três prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as que se venceram no curso do processo". O artigo 19 da Lei de Alimentos. de socorrer descendente ou ascendente. que “A prisão pode ser decretada em qualquer caso de não pagamento de alimentos: provisórios. 01. Todos os direitos autorais deste texto são reservados e protegidos pela Lei nº 9. confira-se: HABEAS CORPUS.detenção. para assegurar o pagamento dos alimentos. ” Assim. PAGAMENTO DE PARTE DO DÉBITO. provisionais ou definitivos.PRESTAÇÕES DEVIDAS HÁ ANOS . constituindo meio coercitivo para compelir o devedor a cumprir sua obrigação. Ensina Nelson Nery Junior (Leis Civis Comentadas. Relator VERA ANDRIGHI. de 1 (um) a 4 (quatro) anos e multa. manterá seu caráter legítimo se presentes os requisitos dispostos no artigo 733 do CPC. sem justa causa. constitui violação dos direitos autorais. de uma a dez vezes o maior salário mínimo vigente no País. 2006. DJ 08/06/2012 p. a prisão civil em decorrência de inadimplemento de alimentos é legal. ou seja.Ordem concedida. cabe prisão civil. advogada especialista em Direito Civil e Direito de Família. somente. 733 do CPC .pena de prisão. Publicado no site em 2012. 126).Caracterizado o inadimplemento quanto às três últimas prestações vincendas no curso da demanda.Ordem denegada. de 19/2/1998. Unânime. no todo ou em parte. PRISÃO.A prisão civil em decorrência de inadimplemento de alimentos é legal. RT. 02.Execução de acordo judicial de alimentos recebida pelo rito do art. 5ª Turma Cível. O artigo 244 do Código Penal preleciona que caracteriza abandono material deixar. permite o decreto de prisão do devedor até 60 dias.

G."O débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que compreende as três prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as que se venceram no curso do processo". Paciente F. constituindo meio coercitivo para compelir o devedor a cumprir sua obrigação. Advogado(s) JULYANA TERESA DE SOUSA BRANDÃO e outro(s) Origem TERCEIRA VARA DE FAMÍLIA E DE ÓRFÃOS E SUCESSÕES DE TAGUATINGA . manterá seu caráter legítimo se presentes os requisitos dispostos no artigo 733 do CPC. T. L. F. somente.COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO DAS TRÊS ÚLTIMAS PARCELAS . S.DÍVIDA DE ALIMENTOS . CONCEDER A ORDEM. C. C. B.SÚMULA 309/STJ ORDEM CONCEDIDA.EXECUCAO DE SENTENCA Ementa HABEAS CORPUS . S. UNÂNIME EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DA VARA DE FAMÍLIA DA COMARCA DE POÇOS DE CALDAS – ESTADO DE MINAS GERAIS .Ordem concedida. (STJ/309) 03. C.A prisão civil em decorrência de inadimplemento de alimentos é legal. Contudo.PRESTAÇÕES DEVIDAS HÁ ANOS . Impetrante(s) M. Impetrante(s) I. C.20100710191539 . 02. 01. B.Diário de Justiça do Distrito Federal DJDF de 08/06/2012 Num Processo 2012 00 2 006601-5 Reg. Unânime. Acórdão 593245 Relator Des. Decisão CONHECER. ROMEU GONZAGA NEIVA Impetrante(s) J.

nascido em 08 de dezembro de 1998 (doc.XXX-XX (doc.00 R$ 415.XXX. 1) OS FATOS: 1. brasileiro. nº 97.P. estando inadimplente quanto às parcelas dos meses de setembro de 2007 a maio de 2009. brasileiro.00 R$ 415.37 R$ 496. 03). a título de prestação alimentícia. foi realizada audiência de conciliação em ação de DIVÓRCIO LITIGIOSO.57 R$ 522.65 R$ 505.00 R$ 415. com fulcro no artigo 732 do Código de Processo Civil.00 R$ 415. 26/27. até a presente data. no município de Poços de Caldas – MG. por seu advogado que esta subscreve (doc.00 R$ 380. nº X-X. respeitosamente propor EXECUÇÃO DE ALIMENTOS em face de FULANO DE TAL. ambos residentes e domiciliados na Rua Fim do Mundo.XXX. Ocorre.36 R$ 529.G.20 R$ 514. o equivalente a um salário mínimo. que o Executado não cumpriu com sua obrigação. nº 28. portadora da cédula de identidade. 05 e 06): Valor da prestação R$ 380. conforme sentença de fls. a ser depositado na conta de Mariazinha da Silva todo dia 10 de cada mês.00 R$ 380.66 R$ 520. representado por sua genitora MARIAZINHA DA SILVA. inscrita no C.35 R$ 507. sob o nº XXX. observando-se os motivos de fato e de direito abaixo aduzidos. O acordo foi homologado em 10 (dez) de maio de 2005.00 R$ 415.95 R$ 498. divorciado. R.00 Valor Final R$ 525.41 R$ 514. 04).ZEQUINHA DE TAL. 01). na tabela a seguir e em documento anexo (doc.F. Centro.F./M. na qual se acordou que o Executado pagaria ao Exeqüente. divorciada.00 R$ 380.00 R$ 380. cujos valores encontram-se demonstrados e atualizados. inclusive com a incidência de juros moratórios. no entanto. brasileira. residente e domiciliado na Rua Vilazinha.45 Setembro/2007 Outubro/2007 Novembro/2007 Dezembro/2007 Janeiro/2008 Fevereiro/2008 Março/2008 Abril/2008 Maio/2008 Junho/2008 Julho/2008 . nos autos do processo nº 0518 XX XXXXXX-X. menor impúbere.1) Na data de 30 (trinta) de setembro de 2005.91 R$ 491. Bairro Apocalipse. Bairrinho – BA. vem à presença de vossa excelência.00 R$ 380.XXX SSP/MG.

733 do Código de Processo Civil. é cabível em relação às parcelas recentes.00 R$ 465.RITO DO ART.14 R$ 457. 733 DO CPC .26 R$ 483. .92 R$ 478.03.98 R$ 501.60 R$ 507.20 R$ 466.ALIMENTOS . Todavia. São consideradas parcelas pretéritas.68 R$ 495.00 R$ 415. não obteve êxito. que devem ser executadas pelo rito ordinário. receber a quantia devida pelo Executado.55 R$ 10. Número do processo: Relator: Relator do Acordão: 1.Agosto/2008 Setembro/2008 Outubro/2008 Novembro/2008 Dezembro/2008 Janeiro/2009 Fevereiro/2009 Março/2009 Abril/2009 Maio/2009 TOTAL R$ 415.EXECUÇÃO PARCELAS PRETÉRITAS .2) A genitora do Exeqüente buscou. nos termos do art. aquelas vencidas anteriormente aos três meses precedentes à propositura da execução. amigavelmente.00 R$ 465. são aquelas .RITO DO ART. nos moldes do art.00 R$ 415.00 R$ 465.00 R$ 465. recorrendo às vias judiciais para tanto.05 1.A execução de alimentos. . devendo ser executadas segundo os preceitos do artigo 732 do Código de Processo Civil. 732 do CPC.96 R$ 488.POSSIBILIDADE. 732 DO CPC CONVERSÃO . para efeitos da execução na forma do art. 2) DO DIREITO A jurisprudência e a doutrina fixaram posicionamento no sentido de que as prestações alimentícias devidas há mais de três meses são pretéritas.00 R$ 415.00 R$ 415.88 R$ 472.00 R$ 415.469.100440-4/001(1) CARREIRA MACHADO CARREIRA MACHADO 02/06/2005 21/06/2005 Data do Julgamento: Data da Publicação: Inteiro Teor: DIREITO DE FAMÍLIA . 733 do CPC.PARCELAS RECENTES .00 R$ 489.0433.Parcelas recentes.

de acordo com a correção monetária e os juros moratórios. requer: 3. AGRAVO DE INSTRUMENTO N° 1. tantos quantos forem suficientes à satisfação da obrigação. sob pena de proceder-se a penhora de seus bens.AGRAVANTE(S): M. por prever medida extrema de prisão civil. que são aquelas dos três meses anteriores à propositura do feito. do Código de Processo Civil. em 3 (três) dias. do Código de Processo Civil.2) A concessão do benefício da Justiça Gratuita. SR.RELATOR: EXMO. CARREIRA MACHADO (grifo nosso) Número do processo: 1. 2).C. 733. . satisfazer o pagamento integral das prestações recentes. que possuem caráter alimentar.COMARCA DE OURO FINO . PRISÃO CIVIL. até a data do efetivo pagamento. . nos termos do art. A execução de verba alimentar. 3.R. acrescidas daquelas que vencerem ao longo do processo executivo.J.AGRAVADO(A)(S): J. devidamente atualizadas.V.A. REPRESENTADO(A)(S) P/ MÃE M. devendo o executado.vencidas nos três meses imediatamente precedentes à data da propositura da execução. DES. para elidir a prisão civil. SR.J.05 (dez mil quatrocentos e sessenta e nove reais e cinco centavos).0323252/001 . DES. pelo fato de o Exeqüente ser pessoa pobre no sentido jurídico do termo (doc.1) A citação do Executado para que. só será admitida nos casos em que a verba implique diretamente na subsistência de quem a recebe.A.0460. 732.0433.08.08.469. PRESTAÇÕES PRETÉRITAS.032325-2/001(1) ANTÔNIO SÉRVULO Relator: ANTÔNIO SÉRVULO Relator do Acórdão: 16/12/2008 Data do Julgamento: 30/01/2009 Data da Publicação: Inteiro Teor: EMENTA: EXECUÇÃO DE ALIMENTOS. ANTÔNIO SÉRVULO 3) DO PEDIDO Ante o exposto.0460. . portanto. devendo a execução dos valores pretéritos obedecer à regra do art.03. APELAÇÃO CÍVEL Nº 1. REPRESENTADO(A)(S) P/MÃE MARIA BELKIS ALMEIDA APELADO(A)(S): VALDEMIR SOARES PEREIRA RELATOR: EXMO.COMARCA DE MONTES CLAROS APELANTE(S): LUCAS MESSIAS ALMEIDA PEREIRA. pague a quantia de R$ 10. IMPOSSIBILIDADE.100440-4/001 . ou para que prove que o fez ou justifique a impossibilidade de fazê-lo.

_____ de setembro de 2009. Poços de Caldas. Requer seja a presente demanda julgada totalmente procedente. prova documentas.469. requer provar o alegado por meio de todas as provas em direito admitidos. Pede e espera deferimento.3. especialmente. testemunhal e depoimento das partes. Por fim.05 (dez mil quatrocentos e sessenta e nove reais e cinco centavos) Nestes termos. EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DO FORO DA UNISUL – COMARCA DE TUBARÃO/SC .3) A ouvida do Ministério Público pela presente demanda envolver interesses de menor. Dá-se à causa o valor de R$ 10.

no dia . RG n. nacionalidade. propor a presente EXECUÇÃO DE ALIMENTOS em face de JOÃO DE SOUZA... Foi protocolada. deixando de cumprir com as suas obrigações.075075-075). nascido em . . nº 886. o executado. no Foro da Unisul a ação de reconhecimento e dissolução de sociedade cominada com guarda.... DOS FATOS Os exeqüentes são filhos de Maria da Silva de Souza e João de Souza.. A sentença proferida pelo magistrado reconheceu e dissolveu a união. nacionalidade. solteiro. frutos do relacionamento do casal. residente e domiciliada na . Capivari de Baixo/SC. com base no artigo 732 do Código de Processo Civil. representados por sua genitora MARIA DA SILVA DE SOUZA. promovida por Maria da Silva de Souza em face do executado. vem à presença de vossa excelência.PATRICK DE SOUZA.. notoriamente se tornou dependente químico. nacionalidade.... e PEDRO DE SOUZA. CPF n... nacionalidade. solteira. nascido em . Entretanto. ambos menores impúberes.. visitas e pensão alimentícia (nº 075.. estando inadimplente com a pensão alimentícia desde agosto de 2010. fixando pensão alimentícia para os menores. ora executado. residente e domiciliado na Avenida Central. observando-se os motivos de fato e de direito abaixo aduzidos. à razão de 35% (trinta e cinco por cento) do salário mínimo para cada um dos filhos até que atingissem a maioridade civil.... por seus advogados que esta subscrevem (documento incluso).

00 357. possui um padrão de vida melhor que os exeqüentes.46 3.00 357.52 407. necessitando do auxílio financeiro do executado. de número desconhecido.00 510.31 400.50 386.00 510.00 510.50 381. A tabela a seguir corresponde ao demonstrativo dos valores devidos pelo executado aos menores: Mês/Ano Salário Mínimo Valor Devido (35% x 2 filhos) Agosto/2010 Setembro/2010 Outubro/2010 Novembro/2010 Dezembro/2010 Janeiro/2011 Fevereiro/2011 Março/2011 Abril/2011 TOTAL 510. referente ao não pagamento do período entre agosto de .00 510. com carteira assinada. Cumpre salientar que o executado.09 407. O executado.23 421. CNPJ 79.00 426.58 415. o valor atualizado da dívida até o dia 11 agosto de 2011. ano e modelo 1985.00 510.50 3.00 545. Sabe-se também que João de Souza recebe salário por meio de conta bancária. nº 886.00 357.Isso fez com que a mãe dos menores se encontrasse em uma situação financeira delicada. na cidade de Capivari de Baixo/SC. contudo. contraindo dívidas em supermercados. tendo inclusive o seu nome inscrito no SPC. ainda que usuário de drogas.657. sendo que sua genitora não consegue suprir suas necessidades básicas sozinha.00 510. está trabalhando como gerente de produção na empresa Picolé do Tio. Os únicos bens conhecidos do Executado são um Passat.987654/001-02.00 357.17 400.08 393. e um imóvel localizado na Avenida Central.262. farmácias e outros estabelecimentos comerciais.00 381.94 Valor Atualizado Conforme observado.00 357.00 545. que está quitado.00 ---------357.00 357.

O referido capítulo dispõe sobre a execução por quantia certa contra devedor solvente. AÇÃO DE EXECUÇÃO. será intimado pessoalmente. conforme segue: Art. o oficial de justiça procurará o devedor três vezes em dias distintos. lavrando-se o respectivo auto e de tais atos intimando. não o encontrando. 733 DO CPC PARA AS PRESTAÇÕES VENCIDAS APÓS AJUIZAMENTO DA AÇÃO. devendo ser executadas segundo os preceitos do artigo 732 do Código de Processo Civil. de ofício ou a requerimento do exeqüente. O executado será citado para. arrestar-lhe-á tantos bens quantos bastem para garantir a execução. bem como sua forma de processamento nos artigos 652 e 653. Nos 10 (dez) dias seguintes à efetivação do arresto. Tal artigo traz em seu caput: Art. na mesma oportunidade. não o tendo. A execução da totalidade da dívida se dará em peças separadas. DECISÃO QUE DEFERIU O SEGUIMENTO DA EXECUÇÃO NA FORMA DO ART. na inicial da execução. 653. certificará o ocorrido. munido da segunda via do mandado. o § 2 O credor poderá. Nesse sentido. a intimação do executado para indicar bens passíveis de penhora. que condena ao pagamento de prestação alimentícia. Art. efetuar o pagamento da dívida. o § 5 Se não localizar o executado para intimá-lo da penhora. o § 3 O juiz poderá. farse-á conforme o disposto no Capítulo IV deste Título. não encontrando o devedor. ambos do CPC. o oficial de justiça procederá de imediato à penhora de bens e a sua avaliação. o § 4 A intimação do executado far-se-á na pessoa de seu advogado. 652. Parágrafo único. o oficial certificará detalhadamente as diligências realizadas. IMPOSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO DAS DUAS FORMAS DE EXECUÇÕES SOB PENA DE TUMULTO PROCESSUAL. O oficial de justiça. DECISÃO . DO DIREITO A jurisprudência e a doutrina fixaram posicionamento no sentido de que as prestações alimentícias devidas há mais de três meses são pretéritas. DIREITO DE FAMÍLIA. determinar. 655).2010 e abril de 2011 (nove meses) de pensão corresponde a R$ 3. tem decidido o egrégio Tribunal de Justiça de Santa Catarina: AGRAVO DE INSTRUMENTO. 732.657. indicar bens a serem penhorados (art. a qualquer tempo. o § 1 Não efetuado o pagamento.94 (três mil seiscentos e cinquenta e sete reais e noventa e quatro centavos). o executado. caso em que o juiz poderá dispensar a intimação ou determinará novas diligências. PRESTAÇÕES VENCIDAS ANTERIORMENTE COBRADAS EM AÇÃO PRÓPRIA. A execução de sentença. no prazo de 3 (três) dias.

Aqueles devem ser executados em processo próprio. no prazo de 15 dias. pelo fato de o Exeqüente ser pessoa de baixas condições financeiras. Dessa feita. nº 886. sem efeito suspensivo. DO PEDIDO Ante o exposto.. encontra-se fundamentado o pedido dos exequentes. em 3 (três) dias. tantos quantos forem suficientes à satisfação da obrigação ou intimação para oferecimento de embargos. a execução deve limitar-se à cobrança dos últimos. requer seja realizada penhora via sistema Bacen Jud dos recursos financeiros em nome do executado. na cidade de Capivari de Baixo/SC.013747-8. 2004. sendo legítimo e urgente. b) Em caso de não adimplemento. pague a quantia de R$ 3.07 (três mil oitocentos e cinquenta e oito reais e sete centavos). placa . e) Vistas ao Ministério Público em razão da presente demanda envolver interesses de menor. requer: a) A citação do Executado para que. ainda que provenientes de verbas salariais. c) Inexitosa a penhora a que se refere o item anterior. porque impossível a CUMULAÇÃO de execuções que se processam por ritos processuais distintos. conforme demonstrado em documento anexo. incluídos aí as três últimas parcelas vencidas antes do ajuizamento da execucional. conforme o artigo 655A do Código de Processo Civil. sob pena de proceder-se a penhora de seus bens. 01 (um) imóvel localizado na Avenida Central.MANTIDA. Em processo de execução no qual há cobrança de valores pretéritos e vindouros.. Relator: Carlos Prudêncio. já devidamente atualizados. ano e modelo 1985.858. indica-se desde já os seguintes bens: 01 (um) automóvel Passat. RECURSO NÃO PROVIDO. . (Agravo de Instrumento n. Julgado em: 28/03/2008). sob pena de prejuízos irreparáveis para os menores. d) A concessão do benefício da Justiça Gratuita. Primeira Câmara de Direito Civil..

Tubarão.94 (três mil seiscentos e cinquenta e sete reais e noventa e quatro centavos). Página 1 de 1 . Pede deferimento. 11 de agosto de 2011.657.Dá-se à causa o valor de R$ 3. Nestes termos. ________________________________ NOME DO ADVOGADO OAB/SC ROL DE DOCUMENTOS Procuração Cópia do título executivo Certidões de nascimentos dos alimentandos Declaração de hipossuficiência Demonstrativo de cálculos do valor atualizado A execução da prestação de alimentos e a nova técnica de cumprimento de sentença Daniel Roberto Hertel Elaborado em 05/2008.

consistindo em uma mera etapa daquele processo inaugurado.232/05 nos casos de execução da prestação de alimentos. conclui de modo circunstanciado sobre todo o exposto. analisa o sincretismo processual nas ações que tenham por objeto a condenação ao pagamento de importância pecuniária. Após a reforma processual mencionada.232/05 nos casos de execução da prestação de alimentos. Resumo: trata da execução da prestação de alimentos. em particular da possibilidade de aplicação ou não das inovações da Lei n. a orientação da doutrina sobre a possibilidade de aplicação da Lei n. De qualquer modo. Em seguida. Aborda. a actio judicati para obter a realização do seu direito. aborda. 11. De fato. 11.Desativar Realce aA O texto aborda a orientação da doutrina sobre a possibilidade de aplicação da Lei nº 11. em seguida. Palavras-chave: execução . 11. era sempre realizada em processo autônomo de execução. para obter a efetivação da determinação judicial. destacando os aspectos positivos e negativos da mencionada aplicação.232/05.232/05. de modo meticuloso. Em outros termos: os dispositivos relativos à execução dos alimentos. A matéria é de grande relevo na prática forense e tem suscitado muitas dúvidas entre os operadores do Direito. Ao final. as formas de execução dos alimentos vencidos e vincendos. as conseqüências que resultaram da reforma realizada no CPC pelo Legislador da Lei n. não foram modificados. Por outras palavras: a execução foi sincretizada ao processo cognitivo. o credor de alimentos deveria valer-se de uma nova ação. previstos no Livro II do CPC.232/05 não fez qualquer alteração expressa em relação à execução da prestação de alimentos.alimentos . contudo. Mas. destacando seus aspectos positivos e negativos. Assim.cumprimento de sentença 1 INTRÓITO Não se poderia deixar de enfrentar. na seara da execução da prestação de alimentos sob pena de prisão. 11. posto que de modo perfunctório. 11. Textos relacionados  O princípio do contraditório e o inquérito civil .232/05. antes da reforma processual empreendida pela Lei n. o Legislador da reforma da Lei n. a execução da prestação de alimentos pode ser realizada sob pena de penhora ou sob pena de prisão. a execução das decisões condenatórias ao pagamento de importância em pecúnia passou a ser realizada como um mero prolongamento do processo já inaugurado. Primeiramente.

O sentido e o alcance do direito de petição O novo regime de precatórios. Nesse caso. e como os alimentos são. A execução da prestação de alimentos comporta procedimento diferenciado no CPC exatamente pelo fato de ser uma prestação cujo adimplemento demanda certa urgência. autoriza que o Magistrado determine o desconto em folha de pagamento. Destacam Marinoni e Arenhart [04] que. quando este receber uma importância mensal. o desconto poderá ser realizado.    O procedimento sumário. alimentante. 734 do CPC. sob a ótica da constitucionalidade material Da necessidade de revisitação da prescrição intercorrente no processo civil. embora o art. o credor não precisa ajuizar uma ação de execução para obter o desconto em folha da prestação de alimentos fixada pelo Magistrado. por meio de simples petição. estabelecido pela Emenda Constitucional de nº 62/2009. sendo o credor dos alimentos denominado alimentando e o devedor. Dessa maneira. desde que o requerido seja empregado ou servidor público. que seja requerido ao Juiz. A obrigação alimentar tem origem na lei. Assim. sendo indispensável para a sua subsistência e para manutenção da condição social e moral daquela. . de forma estável e periódica. Cite-se como exemplo situação de um médico que presta serviços em um hospital e recebe honorários mensalmente. como a forma de cumprimento das decisões judiciais que impõem a obrigação de pagar importância pecuniária foi alterada. fixados em dinheiro. Basta. cumpre analisar quais foram as conseqüências que aquela reforma acarretou nesta execução.232/05 em sede de execução de alimentos. Desse modo. regra geral. de fato. o Legislador. 11. o Código de Processo Civil estabelece uma forma de "execução" [03] para os alimentos vincendos (desconto em folha) e outras duas formas de execução para os alimentos vencidos (execução sob pena de prisão e execução sob pena de penhora). Destaca a doutrina que a obrigação de prestar alimentos tem por fundamento os princípios da dignidade da pessoa humana e da solidariedade familiar [02]. o que se pretende neste ensejo é analisar a possibilidade de aplicação das inovações relativas ao cumprimento de sentença que foram implementadas pela Lei n. 2 A EXECUÇÃO DA PRESTAÇÃO DE ALIMENTOS Os alimentos [01] correspondem a uma prestação destinada a uma pessoa. 734 do CPC não faça menção ao profissional liberal. o envio de um ofício ao empregador com a determinação de desconto dos alimentos. Uma defesa ao princípio da duração razoável do processo Mas. Anotações sobre o procedimento sumário O peticionamento eletrônico nos juizados especiais cíveis estaduais. em relação aos alimentos vincendos. no art.

Desse modo. condenado ao pagamento de quantia certa ou já fixada em liquidação. terá duas etapas: uma fase destinada à cognição da lide e outra destinada ao . não o efetue no prazo de quinze dias. desta Lei. na forma do art. 733 do CPC. expedir-se-á mandado de penhora e avaliação. pode-se citar as que foram realizadas em relação ao cumprimento de sentença condenatória ao pagamento de importância pecuniária. 614. o art. de fato. com efeito. 732 do CPC. ou seja. a execução das sentenças que condenassem ao pagamento de importância pecuniária era feita mediante processo autônomo de execução. as três últimas. assim como para as que se vencerem após aquela ser ajuizada.232/05 alterou vários dispositivos do CPC. 11. Reza. Antes da reforma mencionada. na forma do art.Em relação aos alimentos vencidos existem duas formas de execução: a execução sob pena de penhora. A súmula 309 do Superior Tribunal de Justiça. 733 do Código de Processo Civil. modificando institutos de suma importância para a efetividade do processo. 3 O SINCRETISMO PROCESSUAL NAS AÇÕES PARA PAGAMENTO DE IMPORTÂNCIA EM PECÚNIA: PRINCIPAL NOVIDADE ORIUNDA DA LEI N. Apenas darão suporte à execução dos alimentos sob pena de prisão. não poderão todas elas ser objeto de execução sob pena de prisão. As demais prestações em aberto deverão ser cobradas por meio de execução sob pena de penhora. reza o seguinte: O débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que compreende as três prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as que se vencerem no curso do processo. inaugurado por meio de ação. Dentre as inúmeras alterações. e a execução sob pena de prisão. se o devedor de alimentos. contudo. 733 do CPC. 11.232/05 A Lei n. Trata-se de faculdade do credor optar por um rito ou outro [05]. inciso II. 475-J do CPC: Caso o devedor. a execução da sentença condenatória ao pagamento de importância em dinheiro passou a ser apenas uma mera fase do processo. Adscreva-se. o processo que tenha por objeto a condenação ao pagamento de pecúnia. o montante da condenação será acrescido de multa no percentual de dez por cento e. Desse modo. contudo. a requerimento do credor e observado o disposto no art. o alimentante estiver devendo quinze prestações. Após a reforma. na forma do art. que o STJ tem entendido que a execução dos alimentos sob pena de prisão fica reservada apenas para as prestações relativas aos três meses anteriores ao ajuizamento da ação. nos termos do art.

em linhas gerais. os processos de execução e de conhecimento em um único processo. 11. 475-J do CPC. os seguintes: a) unificação dos atos cognitivos e executórios em um único processo. o mecanismo de defesa do executado passou a ser a impugnação. d) a defesa do devedor será realizada por um meio mais simples. c) otimização do processo judicial. dispensando-se propositura de ação de execução.232/05 destacam que o art. de sorte que a efetivação da decisão passa a ser realizada como um prolongamento natural do processo que fora inaugurado. tanto para a prática de atos cognitivos. 475-L do CPC. De outro vértice. o devedor condenado ao pagamento de importância pecuniária terá o prazo de quinze dias para realizá-lo. De acordo com o art. mediante processo autônomo de execução. que é a impugnação. sendo citado para em três dias realizar o pagamento (652 do CPC). prevista expressamente no art. ou por meio da técnica de cumprimento de sentença. de tal sorte que há uma corrente no sentido da aplicação da Lei n. 11. 11. como para a prática de atos executórios.1 A BIPARTIÇÃO DA DOUTRINA EM RELAÇÃO AO PROBLEMA PROPOSTO A doutrina que enfrentou o problema se dividiu. 4 A EXECUÇÃO DA PRESTAÇÃO DE ALIMENTOS E AS MODIFICAÇÕES DA LEI N. Fundem-se. Ademais. sob pena de incidir uma multa de dez por cento do valor da dívida. 11.232/05 à execução de alimentos e outra no sentido da sua não aplicação. A relação processual é única. tendo o prazo de quinze dias para realizar o pagamento. portanto. 11. os que se alinham no sentido da não aplicação da Lei n. a Lei n.cumprimento da decisão.232/05 Como visto alhures.232/05 modificou diversos artigos do CPC e estabeleceu uma nova forma de cumprimento para as sentenças que condenam ao pagamento de importância em pecúnia.232/05 são. 475-J do CPC)? 4. Fala-se. que versa sobre a execução dos alimentos sob pena de . b) necessidade de acabar com uma nova citação do devedor. Por outras palavras: o devedor condenado ao pagamento de alimentos será executado na forma tradicional. A questão a ser analisada neste ensejo consiste em verificar se a mencionada lei modificou também a forma de execução dos alimentos. na existência de um módulo cognitivo e outro executivo [06]. 732 do CPC. sob pena de incidir a multa de dez por cento (art. assim. Os argumentos que são utilizados para defender a aplicação da Lei n.

652. o art. a nova estrutura de cumprimento da sentença. Defende. porém. o que pode levar à impressão de que esta continua submetida ao regime antigo. Desse modo. 646-724 do CPC.) É interessante notar. não foi objeto de qualquer alteração. ''quem tem fome tem pressa''.que não exige o preenchimento integral dos requisitos do art. Misael Montenegro Filho e Humberto Theodoro Júnior Os professores Luiz Rodrigues Wambier e Misael Montenegro Filho [09] sustentam não ter aplicação as alterações da forma de cumprimento da sentença em sede de execução de alimentos. 646 a 724).1. não foi a intenção do legislador modificar a execução dos alimentos. Como a Lei n. isto é. A mesma tese é sustentada por Theodoro Júnior que assim consignou: Na hipótese do art.penhora. O referido autor assim se manifestou: (.232/05 deve ser interpretada no sentido de que é capaz de alcançar os dispositivos que tratam da execução de prestação alimentícia [07]. 732 do CPC. 732 do CPC reporta-se ao Capítulo IV do Título II do Livro II. Assim sendo. Os professores Luiz Guilherme Marinoni e Arenhart também defendem a aplicação da nova lei de cumprimento de sentença à execução da prestação de alimentos. 11. tratando-se tal módulo processual executivo como um processo autônomo em relação ao módulo processual de conhecimento. É que o art.232/05 não alterou o art. aos arts. Hebert de Souza (o Betinho). Câmara e Luiz Guilherme Marinoni O professor Alexandre Câmara defende a aplicação da Lei n. não se aplicando. 475-J) .1 Orientação de Alexandre F. 475-I e 475-J do CPC. sob pena de sofrer penhora. 4. no que tange à execução dos alimentos. caput). portanto.232/05 à execução dos alimentos. Com efeito. considerando-se a estrutura sincretizada para cumprimento de sentença.2 Orientação de Luiz Rodrigues Wambier.. devendo esta ser realizada por meio de processo autônomo. 732 a execução de sentença deve processar-se nos moldes do disposto no Capítulo IV do Título II do Livro II do Código de Processo Civil.. 11. 11. assim. e não ao Livro I do Código. que o legislador da Lei n. porém. nos parece inegável que a Lei n. onde se acha disciplinada a ''execução por quantia certa contra devedor solvente'' (arts. ou seja. Assim. Afinal. 4. 11. aos artigos 646-724. 282 do CPC (. como se disse em célebre frase de um saudoso intelectual brasileiro.)" [08]. delineada nos arts. . cuja instauração se dá por meio de citação do devedor para pagar em 3 dias (art.1. do Livro II do Código. 732 do CPC faz remissão ao capítulo IV.232/05 ''esqueceu-se'' de tratar da execução de alimentos... não nos parece. destacando que a "execução é iniciada mediante requerimento simples (art. Não seria razoável supor que se tivesse feito uma reforma do Código de Processo Civil destinada a acelerar o andamento da execução de títulos judiciais e que tal reforma não seria capaz de afetar aquela execução do credor que mais precisa de celeridade: a execução de alimentos. a necessidade de ser feita uma releitura do CPC.

teria ele modificado a redação do art. E a solução para todos os problemas citados teria que ser dada pelos Tribunais e daí. quedaria muito confuso e daria ensejo. Realmente. resultariam inúmeros recursos especiais. Coaduno. a nova estrutura de cumprimento de sentença não deve ser aplicada nesse particular. Realmente. De fato. quando pautada em título judicial.232/05 à execução da prestação de alimentos. não. dantes citada. se tivesse sido. Como não houve qualquer alteração legislativa em sede de execução de alimentos. enquanto a outra. Um vertente defende a aplicação da novel Lei à execução da prestação de alimentos. 11. em que acertamento e execução forçada reclamam o sucessivo manejo de duas ações separadas e autônomas: uma para condenar o devedor a prestar alimentos e outra para forçá-lo a cumprir a condenação [10]. na prática. 11. com a aplicação da técnica de cumprimento de sentença. assim. não se reporta a essa aplicação.232/05. Entender de forma diversa. contudo. A doutrina. Esse critério prima pela segurança jurídica e pela observância do princípio do devido processo legal. discutindo apenas a aplicação ou não das regras de cumprimento de sentença à execução dos alimentos. duas são as vertentes em relação à aplicação da Lei n. o prazo para pagamento? Seria ele de três dias (art. 475-J do CPC)? A partir de quando seria contado? O devedor se defenderia por meio de embargos ou por meio de impugnação? O devedor seria intimado ou citado? Qual seria a conseqüência do não pagamento no prazo fixado? O procedimento seria iniciado por ação ou simples petição? Enfim. por exemplo. 646-724 do CPC. implicaria na necessidade de aplicar a nova estrutura de cumprimento também à execução contra a Fazenda Pública.2 ANÁLISE DAS CORRENTES DOUTRINÁRIAS E O ENTENDIMENTO MAIS CONSENTÂNEO ÀS MODERNAS DIRETRIZES DO DIREITO PROCESSUAL CIVIL Como já consignado. 732 do CPC. Os argumentos de ambas as correntes são bastante sólidos. 652 do CPC) ou de 15 dias (art. com a corrente doutrinária. parece-me que não foi o propósito do legislador da Lei n.232/05 impor a sua aplicação à execução da prestação de alimentos. 4. Ademais.continua prevalecendo nas ações de alimentos o primitivo sistema dual. inúmeros seriam os problemas na aplicação da nova estrutura de cumprimento de sentença à execução da prestação de alimentos. 11. o procedimento não pode ser flexibilizado de tal maneira que crie insegurança para o . à utilização de procedimentos diferentes entre os magistrados para o mesmo fim. que faz remissão às regras da execução por quantia certa dos arts. o procedimento da execução da prestação de alimentos. certamente. que defende a não aplicação da Lei n. basta citar alguns problemas que decorreriam da aplicação da nova técnica de cumprimento de sentença à execução da prestação de alimentos: qual seria. De qualquer modo.

ed. Dos alimentos. A nova execução de sentença. e atual. o Legislador da mencionada reforma não modificou a estrutura da execução dos alimentos. . não deve ser aplicada nas execuções das prestações de alimentos.232/05 poderão alongar-se. e atual. uma vez que no procedimento executivo as discussões versando sobre a aplicação ou não da Lei n. regra geral. Há. parece-me que a nova técnica de cumprimento de sentença. rev. Rio de Janeiro: Lúmen juris. rev. 11. não alterando sequer um artigo do Capítulo V do Título II do CPC. ainda. Lições de direito processual civil. implementada pela Lei n. ______. deferir o processamento da execução na forma requerida pelo autor. como já registrado. REFERÊNCIAS CAHALI. Realmente. Yussef Said. v. 2007. 3. até que o Superior Tribunal de Justiça solucione de uma vez por todas a questão. em última análise. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Diante de todas as considerações que foram aqui expendidas. Rio de Janeiro: Lumen juris. Alexandre Freitas. 1999.jurisdicionado. E. enquanto outros deixam de aplicá-las. o art. Há magistrados que têm aplicado as alterações da Lei 11. ed. De qualquer modo. Por outras palavras: seja requerida como ação ou como mero pedido de cumprimento de sentença. ao Magistrado alinhando à função social do processo e ao moderno instrumentalismo substancial [12] caberá. 732 do CPC não foi alterado e continua fazendo remissão ao disposto no Capítulo IV do Título II do Livro II do CPC [11]. CÂMARA. 11. Na prática forense as modificações têm desencadeado verdadeira confusão entre os operadores do Direito. 2. Juízes que mesclam a nova estrutura de cumprimento de sentença com o sistema autônomo de execução. 14.232/05 à execução da prestação de alimentos. É que somente dessa forma serão tutelados os direitos do alimentante. Ademais. Essa verdadeira confusão causa uma situação de instabilidade entre os advogados que ficam se saber qual é o procedimento que será adotado pelo Magistrado quando do ajuizamento de uma execução de alimentos.232/05. São Paulo: Revista dos tribunais. a execução dos alimentos deverá ser normalmente processada. 2006. o maior prejudicado nessa situação é o próprio credor de alimentos. ampl. a parte mais vulnerável e fraca na relação processual.

ed. Mas. Humberto. p. 5. 5. Instituições de direito processual civil. 02 DINIZ. São Paulo: Malheiros. 4. ampl. Cândido Rangel. Instituições de direito processual civil. Curso de direito processual civil. Rio de Janeiro: Forense. Técnica processual e tutela jurisdicional: a instrumentalidade substancial das formas. v. 03 A expressão "execução" foi grafada com aspas para destacar que. no caso de execução de alimentos vincendos não há verdadeira atividade executiva. 2.RDDP. 2002. 467. Destaca Dinamarco. Notas 01 Os alimentos que dão suporte à execução especial que será estudada neste tópico são apenas os que decorrem do Direito de Família. Sérgio Cruz. v.DINAMARCO. ed. Curso de direito civil brasileiro. o princípio da dignidade da pessoa humana e da solidariedade familiar. DINIZ. Cumprimento da sentença e outras reformas processuais. 2006. Revista dialética de direito processual . Curso avançado de processo civil. o Legislador permite o desconto do valor dos alimentos diretamente em folha de pagamento. 601). que os alimentos para fins de execução especial são os que derivam apenas do direito de família. Luiz Rodrigues. Flávio Renato Correia de. TALAMINI. a execução somente poderá ser feita em relação às prestações vencidas. 9. 4. rev. São Paulo: Atlas. Curso de direito civil brasileiro. São Paulo: Malheiros. Maria Helena. ARENHART. 18. 2007. Em relação às prestações que irão vencer. São Paulo: Revista dos tribunais. MARINONI. n. v. não há interesse de agir. WAMBIER. . São Paulo: Revista dos tribunais. e atual. Excluem-se. out. 2006. São Paulo: Saraiva. 18. MONTENEGRO FILHO. v. considerando a finalidade assistencial dos alimentos. assim. ALMEIDA. Maria Helena. Porto Alegre: Sérgio Antônio Fabris Editor. Misael. Eduardo. ed. com efeito. 2004. atual. 2006. na modalidade necessidade.. a rigor. ______. THEODORO JÚNIOR. ed. 2002. Daniel Roberto. a rigor. p. São Paulo: Saraiva. v. os alimentos que decorrem de responsabilidade civil por ato ilícito (DINAMARCO. 2007. A nova execução de sentença: a consolidação do processo sincrético. Cândido Rangel. São Paulo. De fato. HERTEL. 41. Luiz Guilherme. 2. Execução. 2007. 2004. 43. quanto à sua execução. v.

Sérgio Cruz. Luiz Guilherme. Luiz Rodrigues.: HERTEL. Cf. 367. desta feita. Yussef Said. p. 2006. ed. ed. Rio de Janeiro: Lumen juris. Flávio Renato Correia de. e atual. 10 THEODORO JÚNIOR. Curso avançado de processo civil. 12 Sobre a instrumentalidade substancial. n. a importância de ser realizada uma nova leitura dos arts. Execução. Luiz Rodrigues. 2. Porto Alegre: Sérgio Antônio Fabris Editor. 378. 2.: CÂMARA. São Paulo: Atlas. Flávio Renato Correia de. ALMEIDA. 9. Leia mais: http://jus. Curso de direito processual civil. 2007. 2007. que há orientação em sentido diverso. p. Também defende a aplicação do art. cf. Execução. rev. e atual. TALAMINI. 07 CÂMARA. É importante registrar. ed. ed. ALMEIDA. 2. No mesmo sentido. São Paulo: Revista dos tribunais. 09 WAMBIER. 2. Sérgio Cruz. Este mesmo autor defendeu essa tese em outra obra. 475-J do CPC à execução da prestação de alimentos: ABELHA. 149.: MONTENEGRO FILHO. p. principalmente para que sejam utilizadas as inovações referentes à intimação do executado e à impugnação.br/revista/texto/11362/a-execucao-da-prestacao-de-alimentos-e-anova-tecnica-de-cumprimento-de-sentenca#ixzz2LDHUh8Hk . ARENHART. 423. 3. São Paulo: Forense universitária. contudo. 2007. 23. Lições de direito processual civil. cf. Rio de Janeiro: Forense. 2006. São Paulo: Revista dos tribunais. out. 375. 41. TALAMINI. Revista dialética de direito processual . ed. 08 MARINONI. 2006. Alexandre Freitas. p. Rio de Janeiro: Lúmen juris. atual. 11 Essa mesma conclusão eu defendi em outro ensejo. 2006. e atual. p. p. Marcelo. Alexandre Freitas. Cf. WAMBIER. ampl. A nova execução de sentença: a consolidação do processo sincrético. v. p. rev. 2006. 379. 443. 732 e 733 do CPC. São Paulo: Revista dos tribunais. 416. 1063. Cumprimento da sentença e outras reformas processuais. em substituição aos embargos do devedor. Consignou. 05 CAHALI. Curso avançado de direito processual civil. v. rev. 6.RDDP. atual e ampl. rev. 2. 06 CÂMARA.04 MARINONI. Daniel Roberto. Luiz Guilherme. 14. Misael. ed.. cf. São Paulo. São Paulo: Revista dos Tribunais. 8. p. A nova execução de sentença. 2007. 2006. A nova execução de sentença. ampl. v. p. meu livro: Técnica processual e tutela jurisdicional: a instrumentalidade substancial das formas. 2007. 43. 2007. 1999. v. Eduardo. Rio de Janeiro: Lumen juris. Eduardo. p. Alexandre Freitas. ARENHART. Humberto.com. p. Manual de execução civil. Dos alimentos. São Paulo: Revista dos tribunais.

732/CPC. «Constitui constrangimento ilegal a decretação de prisão por dívida alimentar.1674. DÍVIDA ALIMENTAR. DÉBITO PRETÉRITO.2400) STJ .Doc LEGJUR 103. ficando o restante para ser executado na forma do art. devendo a cobrança limitar-se às três últimas parcelas vencidas..7255. quando decorrente de débito pretérito.ALIMENTOS.) . PRISÃO CIVIL. CUSTAS E HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS.»(..