P. 1
Trabalho Do Marceleza Em PDF

Trabalho Do Marceleza Em PDF

|Views: 0|Likes:
Published by Kaiser Bruno

More info:

Published by: Kaiser Bruno on May 11, 2013
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

05/11/2013

pdf

text

original

Seminário temáticos de política – Política IV

Trabalho Segundo Marcel Fidelis de Paula

2 - O sistema partidário brasileiro é um dos fragmentados dentre as democracias contemporâneas. Que fatores podem estar relacionados a isso? Como foi possível que, neste contexto, o sistema adquirisse um determinado padrão de competição? Os dois textos de apoio são “Estrutura da Competição pela Presidência e
Consolidação do Sistema Partidário no Brasil” e “Eleições presidenciais, jogos aninhados e sistema partidário no Brasil” de Carlos Ranulfo de Melo e colaboração de Rafael Câmara, no primeiro texto.

v Sistema com nível de fragmentação maior do que aquele apresentado no “primeiro
período democrático” de 1946 até o golpe militar de 1964.

v Apesar do vínculo frágil entre eleitores e partidos, o sistema partidário adquiriu certa
estabilidade em nível nacional (não observada nos Estados) na competição pelo executivo.

v Contexto e estrutura de incentivos nos quais os atores políticos iniciaram e
desenvolveram o jogo político no país após a queda da ditadura, na década de 1980. v Eventos históricos cruciais para impactar e mudar a configuração das disputas partidárias. v Caráter “aninhado” e o jogo de conveniências entre os partidos e suas relações nas eleições estaduais e federais.

Para encontrar os fatores que possibilitaram tamanha fragmentação em nível de partidos, dado o número expressivo de partidos políticos vigente, temos de voltar ao início deste período de segunda experiência democrática, quando findado

uma série de restrições políticas vigorava. aos que tivessem 16 anos. vigorava o bipartidarismo com Arena e MDB. de forma facultativa. teoricamente. um sistema bipartidário.o período da ditadura militar no inicio da década de 1980. Terminado esse período. importantes alterações nas regras do jogo modificariam a estrutura de incentivos disponível a eleitores. oposição. etc. respectivamente. com o PDS e PMDB proeminentes. com menos expressividade. PTB e PDT (PFL viria um pouco mais tarde. seja de um partido para outro. c) a . novos arranjos foram empreendidos num processo que alocou as elites políticas ao novo cenário que surgia. favorecendo os militares. e tolhendo os demais em nível político. seja na criação de novas legendas partidárias. representando a situação e a. prefeitos das capitais e “áreas de segurança nacional”. PDS formado por membros da antiga “Arena” e PMDB formado pelos membros do MDB. ainda na primeira metade daquela década) também surgiram naquele período. “Findo o regime militar. tal qual é necessária a percepção aos movimentos históricos que ocorreram e a estrutura de incentivos que permitiram que diversos atores pudessem se movimentar. Para o entendimento da fragmentação partidária que se sucederia no decorrer da década de 1980 é necessário atentar não só às regras institucionalizadas que permitiram tal dispersão. social. fator que impedia o cruzamento de votos por parte dos eleitores. dado que as lutas a favor da democracia e maior liberdade política foram encabeçadas por esse partido. ampliado o direito de voto aos analfabetos e. dois partidos representavam os dois existentes no período anterior. outorgando aos partidos o lançamento de chapas completas. restabelecidas as eleições diretas para presidente. PT. praticamente. assim como é vital perceber que o surgimento do PFL promoveria tal processo de mudança e alocação partidária na direita. políticos e partidos: a) a legalização dos partidos comunistas. Naqueles idos. por conta das restrições ainda vigentes do período anterior que proibiam coligações. Durante o período da ditadura militar. sendo que o PMDB acabou por angariar os frutos com a queda do antigo sistema tornando-se o partido proeminente naquele período inicial. contudo. o que acabou por promover. b) o fim do instrumento da fidelidade partidária.

para que partidos dotados de registro provisório concorressem às eleições (NICOLAU. 2004). Diante disso. seria impossível observar um padrão nas eleições presidenciais. costumam servir de parâmetro para elucidação de sistemas consolidados.permissão de realização de coligações nas eleições proporcionais. com menos candidatos “ousando” tal disputa.. considerável número de outliers na disputa angariando votos. MELO. fator que em sistemas mais consolidados tende a ser irrisório. em concordância com a literatura. No período de 1986 a 1989. eleitores relativamente conhecedores dos principais partidos e suas ideologias. Um elevado número de candidatos concorrentes ao Executivo (vinte e dois candidatos) evidenciou as características observadas em democracias recém instauradas. O partido minguaria e veria parcela considerável de seus parlamentares deixarem o partido.” Destarte. eleito em 1986. à obtenção de recursos políticos importantes para a sobrevivência de uns e outros e à conquista de cadeiras no interior do poder legislativo. um contexto onde os incentivos à formação de novos partidos eram evidentes. assim o processo de re-acomodação das elites e lideranças políticas se efetuou. que com uma trajetória fulminante e com discursos de “renovação” . e e) a permissão. Fernando Collor do inexpressivo PRN. d) a suspensão das limitações impostas pela Lei Falcão à propaganda gratuita no rádio e na televisão e estabelecimento de critérios que permitiam a pequenos e micropartidos um precioso tempo na mídia. pelo menos até 1992. seria intenso o tráfego de parlamentares mudando de partido. Em poucas palavras. tal qual o aparecimento de muitos partidos. Elevado número de partidos lançando candidatos. De tal modo que naquela eleição de 1989. e isso se daria justamente com o fracasso do governo do presidente José Sarney. etc. ao trânsito entre eles por parte dos políticos. Tais modificações vieram reafirmar os traços mais gerais da legislação eleitoral e partidária nacional – uma legislação dotada de baixas barreiras à criação de partidos. 1996. nas eleições presidenciais de 1989 com aquele quadro de incipiente democracia partidária. para que tais mudanças viessem a ocorrer seria necessária que algum fator abalasse o Status Quo favorável ao PMDB naquele primeiro momento.

Outro aspecto crucial foi o “surgimento” do PSDB à disputa em decorrência de: “Na eleição de 1994. a disputa presidencial não é um jogo de soma zero. contudo. Os partidos que não possuem a capacidade de lançar candidatos competitivos podem optar por fazer parte de alguma coligação. o PSDB conquistaria seu lugar para as próximas eleições presidenciais com base em dois movimentos articulados. como alguns grandes e médios partidos fizeram (e fazem recorrentemente) em alguns momentos. forçando o partido dos trabalhadores revisar seus discursos e posicionamentos. ou então . PT e PSDB. O primeiro deles é o PT tornando-se proeminente na esquerda para disputa presidencial. foi a exitosa introdução do imperativo da estabilidade econômica e da austeridade fiscal na agenda nacional. formando as chapas presidenciais ou então abstendo dessa participação em chapas e depositando suas “fichas” nas disputas legislativas.(caçador de marajás. o Lula. decidir se opta pelo governo ou oposição. As eleições de 1989 constituíram alguns divisores de água cruciais para a formação do “padrão” que viria a ser observado nas eleições ao Executivo a partir de 1994. para que os dois partidos. O segundo foi o estabelecimento de uma aliança de centro direita com o então PFL e o PTB. A partir disso. passaria a se observar certo padrão nas eleições presidenciais com PT e PSDB proeminentes e os demais partidos coligando-se aos dois partidos em concordância com seu espectro ideológico. o PSDB tomou o lugar no centro que coubera outrora ao PMDB (que viu seu quadro interno minguar) e fez com que o discurso petista de oposição a tudo que lá estivesse se tornasse anacrônico. como Lula acabou à frente de Brizola naquela eleição. pudessem dominar o cenário das disputas presidenciais a partir de 1994 seria necessário que fossem capazes de formular um plano de política nacional. etc. no qual quem não participa diretamente está fora. O primeiro. e essencial. para então. sendo o PMBD o principal deles. apresentando candidatos competitivos e unificar seus respectivos partidos em torno dessas duas características referidas. Ademais.) conseguiu persuadir a população com seu discurso sagrando-se presidente no segundo turno derrotando Luís Inácio do PT. que outrora tinha o PDT de Leonel Brizola como principal representante. com um número considerável de parlamentares.” Assim. quem votou em Lula em 1989 dificilmente votaria em Brizola em 1994 e foi o que se deu. Mesmo porque. ainda que os dois partidos tivessem um plano nacional.

Aliás. Isso não significa. em especial ao PT. vemos atualmente um padrão com o PT liderando o campo do centro-esquerda em associação constante do PC do B e participações freqüentes de PDT e PSB. “Mas. o papel de se apresentar como a terceira força. não é freqüente se observar o cenário das disputas presidenciais nos pleitos regionais pelos respectivos governos. nos diversos Estados da União não há um padrão observável nas disputas eleitorais para os respectivos governos. que. no entanto. poderia se dizer que tal cenário nacional se repete em pouquíssimos Estados. jogam com a possibilidade de aderir ao governo de plantão. Assim. que os mesmos partidos encabecem as coligações de uma eleição a outra. E aqui. de lançar candidatos (mesmo que sem condições . valendo-se das bancadas eleitas para o Congresso. mas da existência de um quadro de intensa instabilidade em um considerável número de estados no período analisado. fruto da desigual inserção dos partidos no território nacional. sendo que o plano nacional não proporciona interferência. Enquanto que o PT foi o partido que mais lançou candidatos aos governos. sendo que essa distinção é explicada pelo fato.” É interessante observar como as eleições dos Estados se relacionam com a nacional. “Entre os dois “pontos de amarração”. é bom frisar. dado o expressivo grau de ausência de padrão em tais disputas. no caso do PT. PP e PTB. conseqüentemente as disputas se dão de maneiras descoordenadas.” Disputas Regionais Diferentemente do plano nacional. ou melhor. As disputas regionais estão bastante sujeitas às escolhas de suas elites políticas. por que os valores para o número efetivo de candidatos são tão próximos? Porque as eleições para os governos estaduais têm em comum a tendência à formação de dois grandes blocos em torno dos quais se distribuem as elites políticas locais. o PSDB foi mais parcimonioso em tal escolha. exceto quando esse contraria seus anseios. noutro campo da centro-direita. que os competidores sejam os mesmos. se a volatilidade apresenta tamanha variação nos estados. apresentando expressivo grau de volatilidade duma eleição para outra. passaram a oscilar PMDB. cabendo à esquerda. não se trata da esperada variação entre os sistemas partidários estaduais. Assim. não é duradouro. e tais elites estão alocadas em diferentes partidos com níveis distintos de penetração nos Estados.se abster e focar nos governos dos Estados ou ainda à câmara ou ao senado. temos o PSDB com seu “parceiro fiel” DEM (mais à direita) e com a recente inclusão do PPS a essa chapa. e mesmo quando ocorre.

PSB. Por exemplo. o que explica o número expressivo de partidos e todo o complexo partidário no qual o sistema vigente . dado o tamanho de sua bancada na câmara. PC do B. apesar de não possuir vocação ou candidatos presidenciáveis. aos fatores histórico-conjunturais como a fatores institucionais. aliás. ultimamente vem perdendo força por conta de uma série de fatores que vão desde a perda de políticos e opção pela oposição ao governo (nacional) do PT até a penetração do PSB nessa região que. Tal configuração que se observa inicialmente nas eleições de 1994 é devida. ademais há de se destacar o seu êxito nas eleições para governadores e senadores. daí o número de coligações nos Estados e conseqüentemente menor de candidatos. não só. com os dois partidos balizando os demais em suas chapas. Já o PSBD. valendo-se das bancadas eleitas para o Congresso. PTB. jogam com a possibilidade de aderir ao governo de plantão”. PP e PTB “que. O cenário regional é o principal palco para os partidos que abrem mão de lançar “presidenciáveis”. assim a tática do partido foi a submissão regional à nacional. apresentam força variável. etc. de modo que nota-se conspicuamente a formação de três blocos. os partidos sabem da importância de se elegerem bancadas expressivas. fazendo parte ou não de coligações. PDT. elegendo governadores e com uma bancada expressiva. dois blocos liderados pelos respectivos partidos e um terceiro bloco oscilante que contêm partidos como PMDB.. como por exemplo. como se verifica pelo baixo número de governadores eleitos pelo partido) serviria de palanque para a campanha de Lula e também para consolidação nacional da legenda. Nos outros grandes e médios partidos. Conclusão Na leitura dos dois artigos.de êxito. vem crescendo bastante nacionalmente. vemos que o sistema partidário nacional adquiriu certo padrão com PT e PSDB sendo os dois partidos responsáveis pela disputa presidencial e pela configuração do atual cenário nacional. DEM. considerou alternativas que fizeram com que o partido lançasse candidaturas quando a possibilidade de êxito fosse possível. enquanto que o DEM apresentava-se forte no nordeste. o PMDB que tem atuado como partido pivotal desde a década passada sempre ao lado do governo.

não se deve acreditar numa estabilidade definitiva de tal sistema. dado a volatilidade presente nas disputas estaduais. exceto com o PT que conseguiu criar algum vínculo com seus eleitores. Os eleitores estão menos propensos a acreditar em tais fenômenos. o programa dos partidos nos quais depositam seus votos). freqüentemente. . é bastante oscilante e não apresenta padrão observável. que estão sujeitas às predileções das elites políticas locais que abarcam uma série de interesses que constituem o caráter aninhado das eleições relatado no texto. venha obter êxito em tal disputa. Vemos ainda que o espaço está praticamente reduzido à disputa presidencial entre os dois partidos referidos. eles tendem a se guiar pelos partidos que conhecem (ainda que voluntariamente não conheçam. Ademais. já que o vínculo à bandeira do partido praticamente inexiste. com possibilidades escassas de que um “fenômeno político”. é interessante observar que com o fim da verticalização e a complexidade do sistema. mais evidente nos pleitos nacionais. E finalmente. um outlier.se situa. é capaz de proporcionar ao eleitor que vota no Lula pode votar sem maiores constrangimentos para governador num candidato do PSDB ou do DEM. vemos que a disputa em nível regional. como foi o caso do Collor em 1989. ainda que este esteja atuando em certa medida como um fator estruturante sobre o sistema partidário nacional e o conseqüente ganho em estabilidade. apesar do padrão verificado.

You're Reading a Free Preview

Download
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->