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Tratado sobre a Oração - Tertuliano de Cartago

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TRATADO SOBRE A ORAÇÃO

TRATADO SOBRE A ORAÇÃO

Tertuliano de Cartago

Tradução: D. Timóteo Anastácio Livro: "Tratado sobre a Oração"

a da Palavra. Também João Batista já ensinara seus discípulos a orar. fazendo-as passar de carnais a espirituais.toda a obra do precursor se transferiu para o Senhor..e João já anunciara que era preciso que Cristo crescesse e ele mesmo diminuísse (cf. mediante o Evangelho. razão da sua grande eficácia. Verbo. nada nos resta das palavras com que João ensinou a orar. instituiu para os novos discípulos do Novo Testamento uma nova forma de oração..diz João . Pelo Evangelho. mas o que vem do céu fala daquilo que viu" (Jo 3. Palavra. nosso Senhor Jesus Cristo se fez reconhecer como Espírito de Deus. de modo que. inclusive o seu ensinamento sobre a oração? Como orar 4. pois as coisas terrenas deram lugar às celestes. Mt 6. Mt 9. Por isso. a celeste sabedoria de Cristo. a oração instituída por Cristo reúne três dimensões: a do Espírito. em que ela se exprime. que é tanto Espírito de Deus. como Palavra de Deus e Verbo de Deus. Por aí Cristo induzia o homem a acreditar que o Deus Onipotente nos vê e nos escuta em toda parte. nosso Senhor. pelo preceito de orar em segredo (cf.31-32). por seu ensinamento.30) . Quando Cristo cresceu . ou levado à perfeição como a própria fé. ou foi completado como o resto da Lei. ele queria que a nossa fé fosse discreta. reservasse o homem só a Deus a sua veneração.6). "Quem é da terra . tudo que viera antes. realmente. pois.[lacuna] João já ensinara seus discípulos a orar 3. pois. mesmo em casa e nos lugares mais escondidos. Ao mesmo tempo. Palavra de Deus e Verbo de Deus: Espírito. Assim.16-17. ou foi inteiramente abolido como a circuncisão. segundo o espírito de João. (Palavra do Verbo e Verbo da Palavra). E o que não é celeste no Cristo Senhor. .36-39). 21-22. irmãos abençoados. que opera a revisão de todas as coisas antigas. De resto. por sua vinda. Consideremos. Jesus Cristo. A nova graça de Deus renovou todas as coisas. por seu poder eficaz.fala o que é da terra. confiante na presença e no olhar de Deus em toda parte. que se manifesta. que também nesse plano se guardasse o vinho novo em odres novos e se costurasse um pano novo numa veste nova (cf. Mas tudo em João era preparação à vinda de Cristo. Lc 5. ou cumprido como a profecia. Mc 2. Jo 3. 2.I Cristo ensina uma nova forma de oração 1. e do Verbo. Convinha. em primeiro lugar.

certos de que Deus em sua providência olha pelos seus. a veneração de Deus e a súplica do homem. muitas vezes. De fato. Nem mesmo a Mãe Igreja é preterida. Pai.5. Aqui chegamos. Começamos por um testemunho sobre Deus e pelo efeito da fé. termo que significa atitude filial e autoridade. Mt 6.12). Como está escrito. como ao discernimento da fé. Aliás. se manifesta uma sabedoria que se refere tanto à fé. Dizendo. isto é. Felizes aqueles que reconhecem o Pai. Mt 23. chamando por testemunhas o céu e a terra: "Gerei filhos. pois. foilhes dado o poder de ser chamados filhos de Deus" (Jo 1. "Àqueles que crêem em Deus. 4. pois no Filho e no Pai reconhecemos também a Mãe. Com efeito. e eles não me reconheceram" (Is 1. Portanto. Até mesmo ordenou que a ninguém chamemos de Pai sobre a terra (cf. mas quase todas as palavras do Senhor. nos faz saber que Deus é Pai. De fato. eis o que afirma. O Senhor disse: "Eu e o Pai somos um" (Jo 10.7). Constitui uma lembrança de todo o seu ensinamento. de tal modo que nela temos uma síntese de todo o Evangelho. mas também mostramos a nossa fé. que nos atesta o nome do Pai e do Filho. 6. pois quanto mais curta. 2. invocamos também o Filho. por assim dizer. ao orar desta forma. Eis o que Deus censura a Israel. 5. essa brevidade está apoiada na significação de palavras grandes e felizes. aí não só oramos a Deus. . o Senhor. cumprimos também um preceito. Dizendo Pai. mais rica de sentido é esta oração. Pois.2).30). que estás no céu". não se deve pensar que para nos aproximarmos dele precisamos de muitas palavras. 3. II "Pai que estais no céu" 1. mas só Àquele que temos no céu. ela não compreende apenas a exigência própria da oração. quando dizemos: "Pai. Uma oração breve 6. Já no preceito seguinte (cf. ao terceiro grau da sabedoria. que tem por conseqüência chamá-lo de Pai. damos a Deus o seu nome.9).

ao dizer: "Santificado seja o teu nome"? Pedimos. estamos dizendo que ele seja santificado em todos. Quando. Quem no-lo revelou foi o Filho. assim como aprendemos o que faremos no futuro. se o merecermos. adoramos a Deus. Mesmo a Moisés. deixa o nome de Deus de ser santo e santificado por si mesmo? Não é. Eis o que se refere à glória de Deus. aliás. pois. E ainda: "Pai. sem cessar. um outro nome foi dito. também nós. dos benefícios divinos. Com efeito. glorifica o teu nome" (Jo 12. mesmo os nossos inimigos (cf.28). que perguntara a Deus seu nome. Ou que Deus passe necessidade. IV . por meio dele. Mas. Não que caiba aos homens desejar o bem a Deus. Mas é muito conveniente que Deus seja bendito em todo tempo e lugar pelo homem. Assim. por esta única relação de afinidade.7. É preciso que haja o nome do Filho. que esse nome seja santificado. Este pedido tem a função de bendizer a Deus.6). na realidade. Mt 5. que é de rezar por todos. antes. III Cristo nos revela o Pai 1. destinados a viver em companhia dos anjos. 3. Assim. que o ouvimos. como se alguém lhe possa dar qualquer coisa. este louvor a Deus. Santo. cumprimos o preceito e condenamos os que esquecem seu Pai. na glória. o que é que pedimos para nós. Não dizendo que o nome de Deus seja santificado em nós. para de novo termos o nome do Pai. sem os nossos votos. Pedimos. a ninguém fora revelado. E ainda mais claramente: "Eu manifestei o teu nome aos homens" (Jo 17. que ele seja santificado em nós.43). acaso. observamos igualmente um outro preceito evangélico. O nome de Deus como Pai. 4. "Santificado seja o teu nome" 2. orando por todos.44). aprendemos desde já na terra. todos os homens devem se lembrar. O Senhor disse: "Eu vim em nome de meu Pai" (Jo 5. Santo! Da mesma forma. e também naqueles que Deus ainda aguarda com a sua graça. que os outros são santificados? Os anjos em torno de Deus não cessam de dizer: Santo.

Jo 6. É. e por isso pedimos-lhe a realização da sua vontade. acrescentou: "Não se faça a minha. V "Venha o teu Reino" . Também é segundo a vontade de Deus o que fez o Senhor. O que pedimos é que a vontade de Deus se realize em todos os homens. pois não há mal algum na vontade de Deus. entretanto. Se. Mas. ao que é santo. fora de dúvida que ele fazia a vontade do Pai. o céu é nosso espírito. que ele nos leve a aceitar o que ele quer e nos dê o poder de assim agir. devemos entender de modo mais simples. assim disse: "Pai. mas a vontade do Pai" (cf. criamos coragem para suportar o sofrimento. 4. e a terra é nosso corpo. mesmo se ele pune alguém por seus pecados que o contrapõem. mas a tua vontade". pregando. precisamos aceitar a vontade de Deus. Além disso. é idêntico o sentido dessa súplica. "Seja feita a tua vontade". E agora ele nos convida a fazer o mesmo que ele. com essas palavras. na iminência da paixão. Pedimos que se faça em nós a vontade de Deus na terra. Dizendo. Não pensamos que alguém possa impedir que se faça a vontade de Deus. entregou-se à vontade do Pai. pois.38). ele mesmo o diz: "Eu não faço a minha vontade. 2. 3."Seja feita a tua vontade no céu e na terra" 1. Prosseguindo a oração. Mas.42). pois. para podermos agir desse modo. Ele é a vontade e o poder do Pai. Mas. depois. senão que andemos conforme os seus ensinamentos? Pedimos. de certo modo. trabalhemos e suportemos o sofrimento até à morte. de modo que também nós preguemos a palavra de Deus. Pois o que Deus mais quer é a salvação daqueles que adotou como filhos. Na verdade. Nesta expressão figurada. pois. a fim de que possa realizar-se em nós igualmente no céu. para mostrar como devemos sofrer por causa dos nossos pecados. para mostrar em sua carne a fraqueza da nossa. acrescentamos: "Seja feita a tua vontade no céu e na terra". se queres. 5. lembrado da sua oração. Que é que Deus quer. desejamos o melhor para nós mesmos. agindo e sofrendo. para que sejamos salvos tanto no céu como na terra. afasta este cálice" (Lc 22. O próprio Senhor.

que não constasse da oração esse pedido. podemos pedir por nossas necessidades terrestres. como ele disse: "Isto é o meu corpo" (Lc 22. na ânsia de abraçar as alegrias esperadas (cf. As almas dos mártires. da vontade de Deus e do Reino de Deus. depois do nome de Deus. com impaciência: "Até quando.19).33). Ademais. É para se cumprir tua vontade que estamos abatidos. Venha. antes. que lutamos e. Senhor. e a ele atribuímos alcançar tudo quanto esperamos. Aliás.35). nós o teríamos feito espontaneamente. se o Reino de Deus. com efeito. quando nós desejamos algo de bom a Deus o pedimos. O Senhor. O Cristo. Com que arte a sabedoria divina dispõe as partes desta oração! Depois das coisas do céu. a fim de se cumprir o desejo dos cristãos. é nosso pão.32). com efeito. Senhor. em sentido espiritual o pedido: "Dá-nos hoje o nosso pão cotidiano". como podem alguns querer para o mundo certas delongas. Sim. devemos entender. refere-se a nós e significa: "Venha em nós o teu Reino". clamam ao Senhor. e o pão também é vida. porque o Cristo é vida. Deste modo.1. quanto antes o teu Reino. ele que "tem nas mãos o coração de todos os reis"? (Pr 21. pois. já havia declarado: "Procurai em primeiro lugar o Reino de Deus. Na verdade. Na verdade. Este pedido. isto é. 2. 4. é fora de dúvida que Deus decidiu vingá-los no fim do mundo. quando é que Deus não reina.1). que desceu do céu" (cf. sob o altar. Jo 6. e um pouco antes: "O pão é a Palavra do Deus vivo. pois. Mesmo.11). VI "Dá-nos hoje o nosso pão cotidiano" 1. tende à consumação do mundo? Nosso maior desejo é reinar quanto antes e não continuar escravos por mais tempo! 2. tardarás a vingar o nosso sangue contra os habitantes da terra"? (Ap 6. 3. que rogamos.10). sobretudo. ele disse: "Eu sou o pão da vida" (Jo 6. que oramos. e recebereis a mais as outras coisas por acréscimo" (Mt 6. Mas. "Venha o teu Reino". para confusão dos pagãos e alegria dos anjos. Hb 4. cremos que o seu corpo está . como o anterior. se a realização do reino do Senhor se funda na vontade de Deus e em nossa atitude.

Dos outros bens.34). Assim. Ele mostra. o Senhor usa exemplos e emprega parábolas. Só se pode escapar ao pagamento da divida. assim. Lc 11. É óbvio que. o Senhor acrescenta: "Dá-nos hoje". Ao juiz submete-se esta dívida.32-33). Lc 12. o que devem os filhos esperar do pai. Assim. a palavra "dívida" significa pecado. são os pagãos que vão à busca (cf Mt 6. No mesmo sentido. porque ele a prefere à morte do pecador (cf. como.21-23).9). quando pergunta: "Acaso tira o pai o pão dos seus filhos e o atira aos cães?" (Mt 15. mas este. Porque já antes prevenira: "Não vos preocupeis com o que havereis de comer amanhã" (cf. É por isso que ele nos ensina a pedir: "Perdoa-nos as nossas dívidas".5-8).27). gozar de segurança por muito tempo. De que nos serviria o alimento. 3. não perdoa ao seu devedor. Mt 6. Pedir perdão já é uma confissão. ele o faz para obter pão (cf. se o juiz a perdoar. ele utiliza aquela parábola do homem preocupado em ampliar seus celeiros para reservar as colheitas abundantes e. depois de venerar a generosidade de Deus. se aos olhos de Deus não fôssemos senão como um touro a engordar para ser sacrificado? O Senhor sabe que só ele é sem pecado. Na Escritura. Mas. confessa ter pecado. por sua vez. Mc 7. Para nos fazer compreender isto. Ez 18. A parábola inteira é um exemplo do que dizemos. rogamos a Deus viver sempre em Cristo e inseparáveis do seu corpo. E ainda: "Acaso ele dá uma pedra ao filho que pede pão?" (Mt 7. se compreendermos em sentido literal estas palavras.23-35). pois quem pede perdão. Mt 18. a penitência se revela agradável a Deus. por exemplo. Com razão. roguemos também a sua clemência.26. E o homem que bate à porta do seu amigo em plena noite. cujo pagamento é exigido por ele. 2. Com efeito. Acusado junto do seu patrão é entregue ao . no sentido de se faltar ao dever. O senhor liberta o servo da sua dívida. 4. como a única coisa necessária aos que têm fé. pedindo o pão cotidiano.presente no pão. Como o caso daquele servo a quem o patrão perdoou sua dívida (cf. assim. VII "Perdoa-nos as nossas dívidas" 1.16ss). não poderia ser à custa do seu caráter religioso e do ensino espiritual dado pelo Senhor. ele manda que peçamos o pão. Mas nessa mesma noite ele morreu! (cf.

como se ignorasse a fé de cada um de nós. Em outro lugar. VIII "Não nos submetas à tentação" 1. Mt 26. o dono e mestre de toda tentação. Os discípulos caíram na tentação. porque preferiram dormir a orar (cf. o próprio Senhor foi tentado pelo Diabo.21-22). quando Deus ordenou a Abraão o sacrifício do seu filho.15. sim. quando disse: "Orai para não cairdes em tentação" (Mt 26.37). o Senhor confirmou essa passagem. ou como se ele quisesse nos fazer cair. É o maligno que nos faz cair. Tudo isso tem o mesmo sentido daquilo que afirmamos: "Perdoamos aos nossos devedores". 6.algoz até que pague o último centavo. Mt 10. Mt 5.13). 4. setenta e sete vezes" (Mt 18. . Gn 4. 3. Queria. Um dia. o Senhor respondeu: "Mais ainda. Mais tarde. que explica o pedido: "Não nos submetas à tentação". Fraco e malvado é o Diabo. Assim. os evitemos: "Não nos submetas à tentação". empregando as mesmas palavras desta oração: "Perdoai. Deste modo. o Senhor acrescentou que supliquemos não só o perdão dos pecados.37).25ss). não os ameis mais do que a Deus (cf.40-45). mas também que de todo. isto é. 2. e vos será perdoado" (Lc 6. até mesmo pela falta mais leve (cf. o Senhor aperfeiçoava a Lei.41). 5. o Senhor diz. E quando Pedro perguntou se devia perdoar sete vezes ao irmão. a ponto de abandonar o Senhor. fazer dele um exemplo para o mandamento que iria dar mais tarde: os que vos são caros. não foi para tirar-lhe a fé. 3. mas para prová-la (cf Gn 22. Completando oração tão concisa. Não pensemos que o Senhor nos quer tentar.24). e não ele. A isto corresponde o final do Pai nosso. visto que no livro do Gênesis se declara que Caim será vingado sete vezes e Lamec setenta e sete (cf. É o que diz a oração: "Mas livra-nos do Maligno" (Mt 6. Isto quer dizer: Não permitas que o Tentador nos faça cair. mostrando que é este. 1-18).

mostramonos preocupados com as tentações. Mas o Senhor. Falando do Pai. sem antes nos reconciliarmos com um irmão. X Outros pedidos legítimos 1. Primeiro. a oração nos lembra a honra devida a Deus. dos Evangelhos. confessamos nossos pecados. em outro lugar: "Pedi e recebereis" (Mt 7. o direito de acrescentar além desta oração. segundo as circunstâncias. por que se admirar disso? Só Deus podia nos ensinar como quer que o invoquemos na oração.IX Esta oração é muito rica 1. quantos discursos do Senhor em parábolas. Quando se fala do Reino. Na revelação do seu nome. que representa o fundamento de nossos outros desejos. Deles. exemplos e preceitos. Se estivermos distanciados desses preceitos. sob a condição de nos lembrarmos dos preceitos evangélicos. rogamos a vida. que prevê as necessidades humanas. recordamos a nossa esperança. o primeiro consiste em que não subamos ao altar de Deus. Dele mesmo nos vem a regra da oração. 3. recomendando ao Pai o que o Filho ensinou. Solicitando a proteção divina. Com efeito. dos Apóstolos. A lembrança dos preceitos divinos abre à oração o caminho do céu. estaremos outro tanto distantes dos ouvidos de Deus. acrescenta. Assim. caso haja entre nós e ele . Em face da sua vontade. devemos proferir essa oração do Senhor. depois de nos ensinar esta oração. quantas declarações dos Profetas. Em tão poucas palavras. que ele animava com o seu Espírito. Pedindo perdão. XI Como devemos orar? 1. outros pedidos. no instante mesmo em que ela saía da sua boca. Mas. ela sobe direto ao céu.9). testemunhamos a fé. pois. oferecemos a nossa submissão. Lc 11. por força de um privilégio especial. Pedindo o pão. Temos. existem outras coisas a pedir. são relembrados! E quantos deveres religiosos são aí repassados 2. pois.7. porém.

a fim de que se levantem incontaminadas de mentira. não devemos caminhar para o Pai com sentimentos de cólera. recomendou-lhes: "Não se deixem levar pela ira. se guardar raiva contra o irmão? De fato. Lembremo-nos de José. pois. de crueldade. nossa ira não vá além do pôr-do-sol. ele nos deu. de violência. É. XIII Puro seja o coração 1. Nem um espírito triste pelo alegre Espírito de Deus.24). 3. pelo Espírito da liberdade (cf. Ao despedir os irmãos para que lhe trouxessem o pai. Se for. XII Oremos com o coração puro 1. de modo bem explícito. Deus nos proíbe toda ira. que há de ser feita com um espírito semelhante ao Espírito ao qual se dirige. Assim. a nossa maneira de viver é chamada de "caminho" (cf. quando vamos pela estrada da oração. Com isso. mesmo apenas esboçada. de . 2 Cor 5. porém. mas de toda perturbação da alma. 2. sem estar em paz com o irmão? Buscar a remissão das próprias dívidas. enquanto te recusas a perdoar teu irmão. inevitável ficar encolerizado. no caminho" (Gn 45. Um espírito não purificado não pode ser reconhecido pelo Espírito Santo. dos atos de envenenamento.motivo de discórdia ou ofensa. temerário. De resto. quando nos entregamos à oração. ampliando o conteúdo da Lei de Moisés. se o nosso espírito está imundo? Até as nossas mãos precisam ser espiritualmente lavadas.26). Ninguém acolhe um adversário. Ele não permite nem mesmo uma palavra má. perder a tua oração perseverando em cólera. sem abrir mão das alheias? Como aplacar o Pai. Daí vem que o Senhor. como nos adverte o Apóstolo (cf. Devemos estar livres não somente da cólera.2). Que sentido teria apresentar-se à paz de Deus. que motivo temos para lavar nossas mãos antes de ir orar. Com efeito.17). também a nós. At 9. passar o dia inteiro sem orar. sobrepõe ao homicídio a ira contra o irmão. hospeda-se apenas um amigo. ou então. Nem um espírito perturbado. Ef 4. um conselho.

lavando as mãos ao entregar o Senhor à condenação (cf. com certeza. De resto. não ousam levantar as mãos para o Senhor.24). Mesmo se acabam de vir de um banho completo. Israel. vale a pena apontar outras. a não ser por alguma contaminação própria da condição humana e da qual outros têm conhecimento. XIV 1. Mt 15. 1Tm 2. embora lave todo dia o corpo. ocorreu-me à lembrança o gesto de Pilatos. lavamos uma vez por todas. XV Costumes reprováveis 1. ser reprimidos. estão já bastante limpas as mãos que. os israelitas. não está. culpados hereditariamente dos mesmos crimes de que tinham consciência os seus pais. mas as estendemos e. Uma vez que tocamos num exemplo de prática vazia de sentido religioso. contudo. em Cristo. 2. pela própria semelhança com os cultos pagãos. . assim. eternamente manchadas com o sangue dos profetas e com o do próprio Senhor. que por sua inutilidade merecem justa censura. Suas mãos estão sempre impuras. mas à superstição. expressões de um culto mais indiscreto do que espiritual. e são privadas de qualquer ensinamento de autoridade do Senhor ou de um preceito apostólico. Devemos agir de maneira contrária ao exemplo do traidor e não lavar as mãos. Como eu refletisse com a maior atenção o sentido dessa praxe. de medo do clamor de um Isaías e de causar horror a Cristo. confessamos o Cristo com a nossa oração. Quanto a nós. Mt 27. não o traímos. usam a água. adoramos o Senhor. São pretensiosos e exagerados.8. porém. Por isso. Tais costumes não pertencem a uma religião verdadeira. Quanto a nós. purificado.20).idolatria e de outras manchas que brotam do coração e se realizam pelas mãos. imitando o Senhor na sua paixão. É esta a verdadeira pureza (cf. Não se trata daquelas abluções que a maior parte das pessoas observa supersticiosamente para orar. e devem. junto com todo o corpo. não só as levantamos.

É o caso. deve ser entendido simplesmente como parte da narração e não como disciplina da oração. O mesmo vale para o costume. depois de sua oração. por têlo tirado para a oração. 6. Do contrário. assentando-se depois de adorar suas estatuetas. os Apóstolos. Se. 3. se considera desrespeitoso assentar-se alguém diante duma pessoa pela qual tem o maior respeito e veneração. é pueril.2. se ouviu a prece daqueles três santos que na fornalha do rei da Babilônia oravam com suas vestes e turbantes? XVI Fatos erradamente tomados como ritos 1. que os próprios pagãos deveriam entender. 2. se tivessem um mínimo de sabedoria. Não consigo perceber a razão disso. por ocorrer em rituais celebrados diante dos ídolos. Será que Deus não escuta pessoas vestidas com o manto. os pagãos se comportam desta forma. quanto mais será irreligioso assentar-se em face do Deus vivo. teriam incluído este uso. que alguns têm. agiria contra aquela obra. Que dizer então? Se o célebre Hermas. senão onde houver leitos 4. exigiríamos que se tomasse isto como observância obrigatória? Certamente não. 5. e de me ter assentado sobre o leito". Mais ainda. logo que termina a oração. de alguns que antes de orar tiram o manto. Com efeito. com efeito. como fazem os pagãos quando vão cultuar seus ídolos. autor do livro intitulado "Pastor". pois. seria impossível adorar a Deus. ante o qual o anjo da oração se mantêm de pé? Ou estaríamos reclamando diante de Deus. Se fosse preciso agir desta maneira. por exemplo. ao ensinarem o modo de se vestir durante a oração. A isto se acrescenta a acusação de irreverência.13). 2Tm 4. quem se assentasse numa cadeira ou num banco. de se assentar. a não ser que alguém pense que Paulo deixou o seu manto em casa de Carpo (cf. tal uso merece censura entre nós. porque a oração nos é fatigante? . o texto em que diz: "Depois de ter orado. mas tivesse feito outra coisa. Se. não se tivesse sentado no leito.

2. nada de menos fazem do que ostentar publicamente que estão orando. do fundo das entranhas da baleia? Como pôde passar através das vísceras de tão grande animal e subir ao céu. escuta. quando oramos com modéstia e humildade tornam-se recomendáveis diante de Deus as nossas preces. não a voz. mas no fim. Nem levantemos muito alto as mãos. através da grande massa de águas? (cf Jn 2. 3. se fosse pela altura do som da voz que Deus nos ouve? Deus. participam da oração com os irmãos. ao mesmo tempo que ajudam os irmãos com a sua paz. Que lucram aqueles que oram com voz mais gritante. que orava a Deus com humildade não só nas palavras.914). e saiu justificado. Lembremo-nos daquele publicano. dos abismos do mar. O demônio do oráculo de Delfos assim falou: "Eu compreendo o mudo e escuto o que não fala". então. É preciso que manifestemos submissão também pelo tom da voz. Lc 18. mas também com o rosto inclinado para a terra. mas de modo sóbrio e correto. em verdade. mas o coração.XVII Orar com humildade 1. senão incomodarem os vizinhos? Além disso. XVIII Os que Se abstém do ósculo da paz quando jejuam 1. Vejamos agora um outro costume que prevaleceu. se esquivam do ósculo da paz que é justamente o selo da oração. Põem-se alguns a jejuar. Que melhor momento para trocar com os irmãos o dom da paz. participam do nosso jejum. Na verdade. 2. 4. De quantos pulmões precisaríamos. senão quando a nossa oração se torna mais agradável a Deus? Eles. ao contrário do fariseu cheio de insolência (cf. . até onde penetra o seu olhar. Será que os ouvidos de Deus precisam de sons? Como pôde a oração de Jonas chegar ao céu. para que o rosto não se erga com arrogância. expondo ás claras seu pedido.1-11). 5.

pode. Desta forma. ante o altar de Deus? 4. Assim. estando fora de casa. Pode a eucaristia quebrar um serviço reverente prestado a Deus? Acaso não o une mais a Deus? 3. com efeito. evitamos o ósculo. Na . sabemos que nenhum motivo de alegria ou de tristeza sobrevindo no quartel anula a prontidão do soldado.16-17). em que a maioria se abstém das orações do sacrifício eucarístico. se te pões em pé. Que espécie de sacrifício cultual é aquele do qual os irmãos saem sem o beijo da paz? 6. em que a prática religiosa do jejum é geral e pública. Qual oração pode ser completa. sem a preocupação de ocultar o que fazemos em companhia de todos. omitimos justamente o ósculo. 7. se separada do ósculo santo? 4. estando em casa.3. Mt 6. portanto. Não será. Pode o ósculo da paz impedir a alguém de oferecer culto a Deus? 5. Na assembléia não se abstenha do ósculo. sem violar o referido preceito. tornase patente que estamos jejuando. Se o costume da "estação" deriva da vida militar (somos. XIX Procedimento nos dias de "estação" 1. Se. Se. abster-se do ósculo da paz em sua casa. em toda parte onde é possível esconder o jejum é necessário lembrar-se do preceito. onde é impossível esconder o jejum. satisfarás o costume. alguém tem alguma razão. mais intenso teu jejum estacional. também no tempo da preparação da Páscoa. satisfarás ao preceito. 2. Situação semelhante acontece nos dias de "estação". salvam-se as duas coisas: a participação do sacrifício eucarístico e o cumprimento do jejum. não pode ser mais forte do que a observação do preceito de esconder os nossos jejuns (cf. com efeito. Mas. 5. porque o jejum estacional deveria ser interrompido com a recepção do Corpo do Senhor. acaso. a milícia de Deus). Qualquer que seja a razão dada para se subtrair ao ósculo da paz. Se recebes o Corpo do Senhor e o guardas em reserva.

suas prescrições abrangeriam toda mulher. de modo especial ou. como um todo.verdade. a arrogância no uso do ouro.3-16. ao prescrever a obrigatoriedade do véu. 2. com maior diligência. XX Indumentária das mulheres 1. como se não fosse questão definida: devem ou não as virgens usar véu? 2. 1Tm 2. Na verdade.dizem alguns . a alegria fará cumprir o dever com maior boa vontade. parecem basear-se no fato de que o Apóstolo.9). Quanto à indumentária. não as virgens nomeadamente. como se refere só a uma categoria. 4. Mas nem nós nem qualquer outro o faremos sem atrevimento. a variedade de costumes nos obriga a tratar do assunto. a omissão exclui a outra. dizendo mulheres. Paulo. 1Cor 11. são claras as prescrições a respeito do modo de vestir e dos ornamentos. Também Pedro. uma vez que se pronunciou o santo Apóstolo Paulo (cf. senão. mas a uma categoria de pessoas. 1Cor 11. XXI O uso de um véu 1.6-15). se falarmos conforme o ensinamento do Apóstolo. não seremos atrevidos. 3. sem exceção. não se teria referido ao sexo feminino em geral. Podia. Mas. porque no mesmo espírito de Paulo. Mas não podemos deixar de tratar de um assunto observado de modo variável nas igrejas. com efeito. a tristeza. Se. designa as mulheres em geral. pelo menos das mulheres. Entretanto. Aqueles que permitem às virgens andar com a cabeça descoberta. a impertinência em cabeleiras mais próprias de prostitutas. nomeasse o sexo feminino em geral. com efeito . as mulheres casadas (cf. com idênticas palavras.ou referir-se às virgens. condena a presunção nos vestidos. . falar de mulheres em geral.

aquele termo é habitualmente usado para indicar todo o sexo feminino. Por isso. aliás. como não exclui qualquer homem da proibição de velar a cabeça. para o sexo feminino. de qualquer ordem. 3. no qual estão compreendidas igualmente as virgens. Aquele que em outro lugar se lembrou de distinguir. inclusive no livro do Gênesis. que. já antes que ela se unisse ao homem (cf. com o termo mulher. pois. o termo mulher se tornou aplicável também à virgem.4).5). Do contrário. com efeito. tenha usado a mesma palavra. pois. dizendo gynaika (mulher). Paulo indica suficientemente que se refere a todas as mulheres e ao sexo feminino em geral. mesmo ainda inupta.21-25. que de todo não cita. concorda com isso.2). ele dá o nome de mulher a Eva. Gn 2. com a expressão "todo homem". diz: "Todo homem" (1Cor 11. em latim feminas? Se. . Que dizer do fato de que na língua grega. obriga até a virgem a cobrir-se com o véu. mulher.XXII O véu é prescrito por São Paulo 1. sem fazer distinção entre mulher e virgem. pois. e pode ser traduzido em latim por femina. é costume usar o termo gynaikas (mulheres) em vez de theleías. Não é. deste modo. 5. Paulo proíbe até aos mais jovens usar véu. quando ele não distingue nem se refere a duas categorias. desde as primeira letras da Sagrada Escritura? É o nome genérico do sexo feminino. Se. quando a diferença o exigia (e ele usou dois vocábulos diferentes para distinguir as duas categorias). Mulher para o gênero globalmente. movido pelo Espírito que inspira toda a Sagrada Escritura.34). não quer que se veja diferença. e esposa para determinada categoria. de modo especial. devem repensar o sentido da própria palavra. e não de uma categoria especial. Assim é que Deus chamou Eva de mulher. ele não exclui qualquer categoria de mulher. convém igualmente a uma virgem. O restante. relativamente ao sexo masculino. Mas há um pronunciamento de Paulo bem evidente: "Toda mulher que estiver em oração e profetizar com a cabeça descoberta desonra a sua cabeça" (1Cor 11. os de menor idade devem seguir a disciplina dos maiores. 2. de qualquer condição? Dizendo "toda" . Que significa "toda mulher". quis nomear todo o sexo feminino. Que significa o termo mulher. ao contrário do que faz ao ensinar sobre o matrimônio (cf. Em ambos os sexos. isto é. igualmente. de se admirar que o Apóstolo. em que Paulo escreve suas cartas. Pelo fato de não nomear as virgens. senão mulher de qualquer idade. a exemplo de Eva. Os que fazem tal concessão. Como. 1Cor 7. 4. é claro que.

10). a Escritura quer dizer que são recebidas como esposas as mulheres ainda não casadas. ao dizer: "E as tomaram por esposas" (Gn 6. Já desde pequenina. acaso. Se não fossem mulheres núbeis. 6. Com certeza. Quando diz o Apóstolo que a própria natureza ensina que as mulheres devem usar véu. usaria de expressão diferente. as meninas que passaram da infância. que amplia e completa a dele. Mas mesmo que nele não se observasse esse costume. porque então a idade a desposou a um varão. ao tempo [da puberdade]. Se há distinção entre mulher e virgem.2). de excitarem a concupiscência. diz Paulo que as mulheres devem usar véu por causa dos anjos (cf. Nenhuma menina é mais virgem. Assim também. do mesmo modo que obedecem à natureza. inclusive para aquelas virgens que ainda têm a proteção da infância. Ao se desenvolver o corpo. . quando podia nomear indiferentemente as esposas dos homens ou as mulheres. Uma mulher é disponível para contrair casamento se é viúva ou virgem. a nossa lei. visto que os rapazes não são nominalmente citados. 8. a menina é chamada de mulher. há uma única disciplina. 1Cor 11. isto é. começam também as funções da mulher. já casadas e privadas da virgindade. também existe entre homem e rapaz. já que a Escritura diz "filhas dos homens". exigiria para si esse acréscimo. usando o termo "filhas" inclui nessa expressão genérica uma categoria especial.obrigaríamos os rapazes ainda virgens do sexo masculino a usar véu. impondo às virgens o uso do véu. 7. Que ela goze do privilégio da simplicidade infantil. Quem poderá responsabilizar só as mulheres adultas. Igualmente.7). de resto. desde que se pode casar. a observância do povo de Israel. Todavia. logo que começaram a conhecer o bem e o mal. não podemos. pois a sua cabeleira lhes serve de cobertura e ornamento. porque os anjos se afastaram de Deus por causa das filhas dos homens (cf Gn 6. Foi assim. Assim. obedeçam também à disciplina. Se existe uma única condição para a cabeça da mulher. concluir que também às virgens foi determinada semelhante cobertura e ornamento? Se for vergonhoso para uma mulher raspar a cabeça. a não ser que se negue que as virgens são mais belas e atraem enamorados? Vejamos mesmo se os anjos não desejaram senão as virgens. Escuse-se dessa norma aquela idade que ainda ignora o sexo. o mesmo será para a virgem.2). se não são as mulheres virgens obrigadas a isso. ocultaram sem demora o que descobriram (cf. 5. Gn 3. Eva e Adão.

não se deve. Baste-nos o exemplo de Rebeca: apenas indicado o seu futuro esposo. Cobre-te do véu. que elas devem usar o véu. de modo somente dele conhecido. pois és esposa de Cristo. a "recebeste. Muitos aprovam com sua prudência um costume instituído por outro e reconhecem essa tradição. Mas. posso declarar com certeza. Mas pode alguém objetar: Uma jovem se consagrou a Deus. pois. Se vivemos sob o olhar complacente de Deus. porque querem o casamento. porque experimentaram o beijo. pensas que com a tua vaidade. por que te glorias. tudo já é matrimônio: a idade. contudo. Se és virgem. ó virgem. vive. corres o risco de te perderes. proteja-o completamente. a carne. se és virgem. não estás mentindo. quanto mais as suas! 10. como se não tivesses recebido"? (1Cor 4. Fale com toda gravidade e mostre-se à altura de uma virgem. pelo pudor. desde o dia em que pela primeira vez tocaram o corpo do seu esposo e tremeram pelo beijo e pelo aperto da mão direita. XXIII . A ele consagraste a tua carne. Mas objetam: Ninguém deve mudar o que foi instituído por seu antecessor. convidas as outras para o bem? Na realidade.9. Por que. se te glorias. a esperança. a fim de não recebermos do homem o que só de Deus esperamos. a bem dizer. impedir que o ponham aquelas que o quiserem. porque conscientes de tudo. Quanto àquelas que se desposarem. Se algo esconde por causa de Deus. não suportes o olhar de muitos. Ninguém possa olhar com admiração a tua face. segundo a disciplina do teu esposo. à maneira feminina. Se ele ordena que usem véu as esposas alheias. e forças as outras a correrem o mesmo perigo. Facilmente se destrói o que se assume com desejo de glória. porque estão na expectativa das núpcias. ela muda de penteado e todos os seus vestidos. já se toma esposa à notícia de sua chegada e logo se cobre do véu (cf. contentem-se em gozar da certeza de que Deus está ciente da sua virtude.65). descobrir diante de Deus o que velas diante dos homens? Serás. Gn 24. como diz Paulo. porque já têm idade de casar-se. Para tais mulheres. Por que te mostras ostensivamente e julgas assim as outras? Ou. então. acaso. admita-se que as jovens não sejam obrigadas a trazer o véu. interessa-nos que só a ele nos confiemos. finges ser casada.7). Apesar disto. a meu critério. por acaso. Mas. mais recatada na rua do que na igreja? Se é graça de Deus [a tua virgindade] e. pelo espírito. à medida que cresce. E se também as virgens não podem negar o que são. porque já são maduras. a mente. ninguém perceba em ti uma farsa. Se velas a tua cabeça. deves enrubescer-te.

Lc 18.27). somente no dia da ressurreição do Senhor evitamos não só ajoelhar-nos. At 27. Alguns aos sábados omitem a genuflexão. naturalmente. ao menos na primeira oração.1. a não ser. Não há prescrição sobre os tempos da oração.35). sigam a sua opinião sem escandalizar os outros. em todos os outros dias. ou então.8). 1Tm 2. XXIV O lugar da oração 1. 2. mas também toda atitude ou ato de culto que exprima tristeza. mas também rogamos perdão e procuramos dar satisfação ao Senhor. 3. 1Ts 5. At 16. quer dizer em toda parte onde for oportuno ou houver necessidade. a oração não é acompanhada de genuflexões ou gestos costumeiros de humildade.Devemos ajoelhar-nos para orar? 1. De resto. diz a Escritura. "Em todo lugar". Ef 4.25). se é proibido orar em público? (cf.5-6). Nem nos parece que os Apóstolos agiram contra o preceito. A respeito da atitude de ajoelhar-se durante a oração. há variedade de observâncias. que transcorre como uma só celebração. Com efeito. E adiamos os nossos negócios. Nos dias de jejum e das chamadas estações. porém. Fazemos o mesmo no período de Páscoa a Pentecostes. O Senhor dará a graça. quando no cárcere oravam e cantavam a Deus diante dos seus guardas (cf. XXV Em que tempo orar .18. Este desacordo é causa de disputas nas Igrejas. ou Paulo que deu graças a Deus na presença de todos. quando desponta a luz do dia? 4. Nós. para não deixar ao diabo oportunidade alguma (cf. Ef 6. num navio (cf. a fim de que eles venham a ceder. a de orar em todo tempo e lugar (cf. não nos limitamos a orar. Mt 6. nosso Deus. de acordo com a tradição que recebemos. Mas como orar em todo lugar. quem hesita em prostrar-se diante de Deus.17.

9-16). viste o Senhor". como poderás. se fores recebido por irmãos. meio-dia. Pois têm prioridade o refrigério e a nutrição do espírito. Desta forma. o Filho e o Espírito Santo. as orações também em certas horas que todos conhecem e que marcam as partes do dia: nove da manhã. Embora tais passagens sejam simples narrativas que não acarretam prescrição. 3. não o despeças sem uma oração. são as mais importantes. De outro modo. se não trocas o ósculo da paz com os seus moradores? . às três horas da tarde. três da tarde. "Viste teu irmão. Foi às nove da manhã que. conforme o ensinamento de Israel (cf Dn 6. Quanto ao tempo da oração. O mesmo Pedro. 2. At 2. não prefiras os prazeres terrenos aos celestes. Lemos. Ao irmão que entra em tua casa. na Escritura que Daniel orava nessas horas. se for um peregrino. vamos adorar as Três Pessoas às quais devemos tudo: o Pai. com efeito. podemos ver na Escritura. 4.1-4). Sobretudo. a fim de nos arrancarmos das ocupações ordinárias em certos intervalos do dia e nos dedicarmos à oração. Hb 13. além dos momentos prescritos. 2. 5. Mas também tu. conforme se diz vulgarmente.2). pois as coisas do céu vêm antes das terrestres. antes da refeição e do banho. Nisto se julgará acerca de tua fé.5). 6. e mesmo sem indicação explícita devem ser recitadas ao raiar do dia e ao cair da noite. segundo o preceito. o Espírito Santo foi derramado sobre os discípulos reunidos (cf. dizer: "Paz a esta casa" (Lc 10.10). não será supérfluo observar. ao menos três vezes ao dia. essas orações acrescentam-se ás outras prescritas regularmente. e lá restituiu a saúde ao paralítico (cf At 3. devem fazer oração. Pode ser um anjo (cf. Pedro tinha subido ao meio-dia ao terraço para orar. XXVI A acolhida fraterna 1. At 10. e teve a visão dos alimentos impuros numa toalha (cf.1-10). Mas os fiéis cristãos. seria bom considerá-las como convite a orar e também como norma. relativamente aos do corpo. pela primeira vez.1. Obviamente. subiu com João ao Templo. Tais horas.

O Evangelho nos ensina o que Deus exige de nós: "Virá a hora em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade. é espírito" (Jo 4. É ótima atitude apresentar a Deus. 5.10. íntegra pela inocência. Deus. aliás. 4.23-24). entre salmos e hinos.15). disse Deus: "Que me importam os vossos sacrifícios todos? Estou enjoado dos vossos holocaustos de carneiros e não quero a gordura dos cordeiros nem o sangue dos touros e dos bodes.5. pediu tais coisas das vossas mãos?" (Is 1. Esta é a hóstia a levarmos ao altar de Deus.6. adornada pela verdade.15. XXVIII A oração em espírito e verdade 1. como hóstia agradável. uma oração assim enriquecida reconhecendo a majestade e a honra divinas. Somos nós os verdadeiros adoradores e os verdadeiros sacerdotes (cf.1112). e oferecemos a Deus nossa oração como um sacrifício que lhe agrada. Com efeito. Os que oram com maior empenho costumam acrescentar às suas orações o Aleluia e salmos de louvor. obteremos tudo da parte de Deus. coroada pela caridade. consagrada de todo o coração. Nossa oração é hóstia espiritual que aboliu os sacrifícios precedentes (cf. de fato. a hóstia que ele previamente pediu e escolheu. deseja tais adoradores. que ele aceita.XXVII Aleluias e salmos na oração 1. XXIX Eficácia da oração .18). e portanto.6) porque oramos em espírito (cf 1Cor 14. 20. 3. Quem. com um séquito de boas ações. pura pela castidade. Ap 1. alimentada pela fé. Hb 13. Ef 6. Por ela. 1Pd 2. cujos finais permitem aos presentes ajuntar responsórios. 2.

À oração em espírito e na verdade. à noite. 10-14)? Só a oração consegue vencer a Deus. 2Rs 1.10). com inúmeras provas da sua eficácia! Outrora. Com essa força. Qualquer coisa sussurram. Agora. fazendo vibrar o ar. Dn 14. É ainda essa oração que lava os pecados. Por isso. põe-se em vigílias pelos inimigos.49-50). se afligem. levanta os que caíram. cada qual conforme a sua natureza. dá coragem aos covardes. que faça descer águas do céu a oração que pôde obter chamas de fogo (cf. suplica pelos perseguidores. 2. conscientes de sofrerem por seu nome. se é ele mesmo que a exige? Nós lemos. Ex 17. 1 Rs 17. alegra os fortes. confere a força da paciência aos que sofrem.37) e. ainda não recebera do Cristo a forma devida. Até as aves despertam. das feras (cf. 4. de nada ele quis saber senão de fazer voltar à vida as almas dos mortos.2530). nela temos as armas e os dardos contra o inimigo que nos espreita de todos os lados. De dia.1). desbaratava exércitos inimigos (cf. Ela não nos dá a graça de não sentirmos o sofrimento. Entretanto. elevam-se para o céu. mantém firmes os que vacilam. olham para o alto. Ex 7. Que .1. jamais andemos desprevenidos. alimenta os pobres. experimentam a dor. outrora a oração pedia flagelos (cf. extingue as perseguições. É. acalma as ondas do mar. oram todas as criaturas. que poderá Deus negar. Dn 3. Seria oração. nem leva aos famintos o alimento de camponeses (cf. A oração é o baluarte da fé. a oração dos justos afasta a ira de Deus. Quando saem dos estábulos e tocas. repele as tentações. a fim de que os crentes saibam o que esperar do Senhor.mãos estendidas . ela aumenta a graça. e lhe conferiu plena eficácia para o bem. levantam a cabeça e não fecham a boca. no entanto.uma cruz. mas Cristo não quis que ela fizesse mal. ouvimos dizer e cremos. a oração libertara do fogo (cf. conserva os que estão de pé. quanto mais eficaz é a oração cristã! Ela não faz descer o anjo que proporciona orvalho ao meio das chamas (cf. pois. faz medo aos malfeitores. governa os ricos. de devolver forças aos fracos. mas gritam. acaso. recordemo-nos das vigílias. porém. impedia chuvas benéficas (cf. Dn 3. Oram também todos os anjos. de abrir portas dos cárceres e quebrar cadeias dos inocentes.17-25) e da fome (cf Dn 14. de purificar possessos. lembremo-nos de estar de prontidão. conduz à casa os peregrinos. 3. e orando esperemos a trombeta do anjo. oram os rebanhos e as feras que dobram os joelhos. Além disso. no entanto. Assim. Dn 6. 8-15). Guardemos com as armas da oração a bandeira do nosso imperador. nem fecha a boca dos leões. de curar doentes. que já caminhavam pela estrada da morte. asas abertas .3339). de admirar.

mais dizer sobre o dever da oração? O próprio Senhor também orou. A ele. glória e poder pelos séculos dos séculos! .

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