SENADO FEDERAL

COLEÇÃO

CONSTITUIÇÕES BRASILEIRAS

BRASÍLIA – 2007

Senado Federal
Mesa Diretora Biênio 2007/2008 Senador Renan Calheiros
PRESIDENTE

Senador Tião Viana
1º VICE-PRESIDENTE

Senador Gerson Camata
2º SECRETÁRIO

Senador Alvaro Dias
2º VICE-PRESIDENTE

Senador César Borges
3º SECRETÁRIO

Senador Efraim Morais
1º SECRETÁRIO

Senador Magno Malta
4º SECRETÁRIO

SUPLENTES DE SECRETÁRIO

Senador Papaléo Paes Senador Antônio Carlos Senador João Vicente Claudino

Agaciel da Silva Maia
DIRETOR-GERAL

Cláudia Lyra Nascimento
SECRETÁRIA-GERAL DA MESA

OS 04102/2007

Outorgada por D. Pedro I, a Carta Imperial de 1824 foi inspirada no constitucionalismo inglês, segundo o qual é constitucional apenas aquilo que diz respeito ao poderes do Estado e aos direitos e garantias individuais.

A Constituição de 1824 • 3 CONSTITUIÇÕES BRASILEIRAS 1824 .

sempre. obras de valor histórico e cultural e de importância relevante para a compreensão da história política. buscará editar. . criado pela Mesa Diretora em 31 de janeiro de 1997.Mesa Diretora Biênio 2001/2002 Senador Jader Barbalho Presidente Senador Edison Lobão 1o Vice-Presidente Senador Carlos Wilson 1o Secretário Senador Ronaldo Cunha Lima 3o Secretário Senador Antônio Carlos Valadares 2o Vice-Presidente Senador Antero Paes de Barros 2o Secretário Senador Mozarildo Cavalcanti 4o Secretário Suplentes de Secretário Senador Alberto Silva Senadora Maria do Carmo Alves Senadora Marluce Pinto Senador Nilo Teixeira Campos Conselho Editorial Senador Lúcio Alcântara Presidente Conselheiros Carlos Henrique Cardim Carlyle Coutinho Madruga Raimundo Pontes Cunha Neto Joaquim Campelo Marques Vice-Presidente O Conselho Editorial do Senado Federal. econômica e social do Brasil e reflexão sobre os destinos do País.

ESAF/MF .CONSTITUIÇÕES BRASILEIRAS VOLUME I 1824 OCTACIANO NOGUEIRA SENADO FEDERAL CENTRO DE ESTUDOS ESTRATÉGICOS - CEE/MCT ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO FAZENDÁRIA.

Coleção.SENADO FEDERAL SENADOR JADER BARBALHO MINISTÉRIO DA FAZENDA MINISTRO PEDRO SAMPAIO MALAN MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA MINISTRO RONALDO MOTA SARDENBERG COLEÇÃO CONSTITUIÇÕES BRASILEIRAS PROFESSOR WALTER COSTA PORTO (organizador) ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO FAZENDÁRIA –ESAF/MF PROFESSORA MARIA DE FÁTIMA PESSOA DE MELLO CARTAXO CENTRO DE ESTUDOS ESTRATÉGICOS –CEE/MCT PROFESSOR CARLOS HENRIQUE CARDIM Coordenação Geral de Ensino a Distância e Documentação –CEE/MCT Professora Elaine Rose Maia Endereço para correspondência: CENTRO DE ESTUDOS ESTRATÉGICOS –CEE/MCT SPO.gov. Constituição – Brasil. Centro de Estudos Estratégicos. – Brasília : Senado Federal e Ministério da Ciência e Tecnologia. 2001.br Nogueira. : il. .4(81) CDU . v. Título. 2. Constituição Brasileira – Comentários.gov. 23 cm. 122 p. 1) 1.br e-mail: cee@mct. 3. – (Coleção. II.mct. Quadra 3. Brasil – História. Área 5. Constituições Brasileiras : 1824 / Octaciano Nogueira. I. Bloco A 70610-200 –Brasília –DF Fax: (0xx61) 411-5198/5199 http://www. Octaciano. Constituições Brasileiras. 2a Edição 341.2481 CDD 342.

seu poder de caucionar e orientar o mandato outorgado a seus representantes.000 os eleitores. de modo extraordinário. Em primeiro lugar. mas. os eleitores representaram mais de 10% do contingente populacional. alargado o corpo eleitoral no país: 69 milhões de votantes se habilitaram ao pleito de novembro de 1986. Walter Costa Porto . parte de um programa que. e somente na escolha dos constituintes de 1946 é que. nossas instituições políticas. há que se destacar o papel dos meios de comunicação –da televisão. tornando possível a mais vasta divulgação e a discussão mais ampla dos eventos ligados à preparação do texto constitucional. nesses dois séculos. a que se travou entre as candidaturas de Hermes da Fonseca e Rui Barbosa. do rádio e dos jornais – . visa um melhor respaldo à cidadania e à maior qualificação de nosso diálogo político. O primeiro recenseamento no Brasil. o de alargar. é.A COLEÇÃO “ CONSTITUIÇÕES BRASILEIRAS” A elaboração da Constituição Brasileira de 1988 se deu sob condições fundamentalmente diferentes daquelas que envolveram a preparação das Cartas anteriores. surgiu uma terceira perspectiva que incidiu sobre o relacio- namento entre eleitores e eleitos: da maior participação popular e do dilatado conhecimento da elaboração legislativa resultou que a feitura de nossa atual Constituição foi algo verdadeiramente partilhado. em 1910. Desses dois fatores. à distância. de como se moldaram. pela primeira vez. por acompanhamento. em 1872. A primeira eleição presidencial verdadeiramente disputada entre nós. A reedição deste curso sobre as Constituições Brasileiras pelo Centro de Estudos Estratégicos/MCT. então. que estabelecia uma dualidade entre eleitor e eleito. Em segundo lugar. em 1889. indicava uma população de quase dez milhões de habitantes. e que o “ mandato representativo” . teve sua necessária correção. contou com apenas 700. foi. O conhecimento de nossa trajetória constitucional. com relação às idéias e aos programas dos partidos. eram somente 200. depois do voto. e uma efetiva fiscalização por parte do corpo eleitoral. pelo Senado Federal e pela Escola de Administração Fazendária/ MF faz. indispensável para que o cidadão exerça seu novo direito.000 eleitores. 3% da população. portanto.

17 O Ato Adicional pág. 21 1824 . 13 A importância de nossa primeira Carta pág.A Constituição de 1824 • 9 SUMÁRIO A CONSTITUIÇÃO DE 1824 DE Octaciano Nogueira I – A EFICÁCIA HISTÓRICA DA CONSTITUIÇÃO pág. 14 Plasticidade e adaptabilidade pág. 17 A prática parlamentar pág. 16 II – A PRÁTICA CONSTITUCIONAL pág. 19 O episódio de Caxias pág.

28 A centralização pág. 29 V –O MUNICÍPIO NA CONSTITUIÇÃO DO IMPÉRIO pág. 35 Um poder dependente pág. 44 Os ataques ao poder pessoal pág. 33 VI –A CONSTITUIÇÃO E O PODER JUDICIÁRIO pág. não um ator solitário pág.A Constituição de 1824 • 10 III –A CONSTITUIÇÃO E O REGIME POLÍTICO pág. 42 Um árbitro. 31 A Constituição de 1824 e as Câmaras pág. 38 VII –O PODER MODERADOR E O “ IMPERIALISMO” pág. 36 Uma questão central: a uniformização da jurisprudência pág. 26 IV –O ESTADO UNITÁRIO DA CARTA DE 1824 pág. 46 . 25 Uma história de resistência pág. 24 Um discurso de Paula e Souza pág.

67 Partidos. 53 Um julgamento severo pág. 57 IX – CONSTITUIÇÃO E REPRESENTAÇÃO pág. todos de ocasião pág. 60 A falsificação da verdade eleitoral pág. 71 IDÉIAS-CHAVES pág. a questão eleitoral pág. 51 A necessidade do Conselho pág. 57 O número de representantes pág. 70 O Autor pág.A Constituição de 1824 • 11 VIII –O CONSELHO DE ESTADO NA CONSTITUIÇÃO E NA LEI pág. 49 Um reduto de áulicos? pág. 59 A autenticidade do voto. 62 X –A CONSTITUIÇÃO E OS PARTIDOS pág. 73 . 65 Liberais e Conservadores pág.

DE 12 DE MAIO DE 1840 pág. 115 CRÉDITO DAS ILUSTRAÇÕES pág. 79 ATO ADICIONAL Lei n 16. 75 LEITURA RECOMENDADA pág. 117 BIBLIOGRAFIA pág.QUESTÕES ORIENTATIVAS PARA AUTO-AVALIAÇÃO pág. de 12 de Agosto de 1824 pág. 107 o LEI No 105. 77 A CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA DE 1824 Carta da Lei de 25 Março de 1824 pág. 119 .

ta do mundo – a Constituição americana – .de abril de 1831. o Professor Mark W. pois o que deve medir a eficácia de qualquer documento constitucional é exatamente a sua longevidade. Afinal. o que se espera de qualquer documento constitucional é que ele possa regular de maneira estável. ou seja. essencial no ordenamento jurídico de cada Nação. quando abdicou. Uma Constituição é tão mais eficiente quanto maior for a sua duração. Só 14 delas. Pedro I foi Imperador do Brasil 12 de outubro de 1822 a 7 de de vigência da mais antiga Constituição escri. e sem necessidade de freqüentes mudanças. Cannon. são anteriores à Segunda Guerra . a propósito da comemoração dos duzentos anos D. a comparação perde o sentido.A Constituição de 1824 • 13 A CONSTITUIÇÃO DE 1824 OCTACIANO NOGUEIRA I –A EFICÁCIA HISTÓRICA DA CONSTITUIÇÃO DE 1824 O que é importante numa Constituição? A sua eficácia ou a sua durabilidade? Colocada em termos de confronto. inclusive nos momentos de crise. Para acentuar a importância desse aspecto. a vida institucional do país. menos de 10%. lembra que cerca de dois terços das 160 Constituições em vigor ou foram adotados ou foram revisados depois de 1970.

sem riscos de graves rupturas. Mark W. Mais do que isso: foi sob esse mesmo texto.5% dos Estados independentes tiveram mais de uma Constituição desde o conflito mundial de 1945. podemos concluir que o Brasil teve. para as fases de crise que se multiplicaram numa sucessão interminável de revoltas. Number 4. Why Celebrate the Constitution?. Toward the Bicentennial of the Constitution. Essa evolução inclui fatos de enorme relevância e significação tanto política como econômica e social. a evolução histórica de toda a Monarquia. mais precisamente. portanto. no Império. que foi a última rebelião de caráter político no período monárquico. Ele assinala.(1) O caso do Brasil contemporâneo não é muito diferente. conseguida. Afinal. a Constituição de 1824 não serviu apenas para os momentos de estabilidade política. considerada a partir de sua vigência. 53. LXIV. pelo menos cinco Constituições – uma duração média. com a tarifa Alves Branco. Examinada sob o aspecto de sua eficácia. em 1888. que se processou. E mais da metade ou. depois de 65 anos. 3. nos últimos cinqüenta anos.1831). As intervenções no Prata e a Guerra do Paraguai. o fim da tarifa preferencial da Inglaterra e o início do protecionismo econômico. entre 1824 e 1848. e que pelo menos dois deles – A Síria e a Tailândia –passaram por nada menos que nove Cartas Constitucionais nos últimos quarenta anos. em 1889. são alguns desses exemplos. a partir da Praieira (1848-1849). in National Forum (ISSN 0162 . 1 CANNON.A Constituição de 1824 • 14 Mundial. a Constituição brasileira de 1824 foi a de maior duração das sete que tivemos. ainda. o início da industrialização e a própria Abolição.. também. . emendado apenas uma vez. Ao ser revogada pelo governo republicano. Serviu. com a mesma eficiência. era a segunda Constituição escrita mais antiga do mundo. Fall 1984. de apenas dez anos para cada texto constitucional. a supressão do tráfico de escravos. superada apenas pela dos Estados Unidos. The Phi Kappa Phi Journal. que a média de quase todos os Estados teve duas Constituições desde 1945. rebeliões e insurreições. V. p. A importância de nossa primeira Carta É a partir deste dado que se deve examinar a importância de nossa primeira Carta na história constitucional do País. Tomando-se por base o ano de 1934. de 1844.

178 –É só constitucional o que diz respeito aos limites e atribuições respectivas dos poderes políticos. 1930 Estado Novo Redemoc. Rev. pelas legislaturas ordinárias. este foi um requisito essencial de sua concepção. segundo o qual é constitucional apenas aquilo que diz respeito aos poderes do Estado e aos direitos e garantias individuais. tudo o que não é constitucional pode ser alterado. objetivamente. em vez de travar e impedir as mudanças necessárias. que a esse respeito é quase unânime. permitindo.” . e aos direitos políticos e individuais dos cidadãos. Mais do que o julgamento de historiadores. ainda que outorgado. contribuiu para que esse documento. Pedro I transplantaram para o art. os autores do texto outorgado por D.A Constituição de 1824 • 15 Uma série de circunstâncias. 64 AI-5 65 anos 40 anos 3 anos 8 anos 21 anos 2 anos 18 anos É claro que temos que levar em conta que não é só sob o aspecto da durabilidade que as Constituições provam. sem as formalidades referidas. derivadas em grande parte do início do constitucionalismo moderno. Inspirados nos princípios do constitucionalismo inglês. assumisse incontestável relevância em nossa história constitucional. a sua eficiência. juristas e cientistas políticos. No caso da Carta de 1824. 178 o que seguramente constitui a chave do êxito e da duração da Carta Imperial: “ Art. O próprio conceito filosófico e doutrinário que inspira cada texto constitucional costuma emprestar-lhe esse sentido de permanência. vale o seguinte comparativo: Constituição Início da Vigência 1824 1891 1934 1937 1946 1967 1969 Fim da Vigência 1889 1930 1937 1945 1967 1969 1987 Número de Emendas 1 1 1 21 27 – 26 Duração Império República Rev. na medida em que o concebe como um documento jurídico adaptado às condições econômicas e sociais do meio a que se destina. acelerar a evolução de toda sociedade política.

passamos do voto indireto à Lei Saraiva.(2) era tão plástica a Constituição monárquica. em 1831. para a escolha dos Constituintes de 1823. Experimentamos o sistema distrital. em seu livro Oito Anos de Parlamento. em 1840. Há. eram reformáveis. portanto. em suma. mantendo intocada a Constituição. exatamente porque a escolha do sistema de eleição em dois graus. por duas razões. no entanto. UnB. matéria que. que impediam. serviu tanto às monarquias de D. Sem que fosse necessário tocar em qualquer de seus artigos. embora nela não estivesse prevista. Como lembrou Afonso Celso. instituído em 1822. A primeira é que. a sua adaptabilidade às condições políticas. com sua única emenda. 1983. Plasticidade e adaptabilidade A sua plasticidade e. a Constituição do Império não estabelecia restrições ao poder constituinte derivado. E isto. de 65 anos de duração. por sinal. econômicas e culturais da época estão razoável e fartamente documentadas. Afonso Celso de Assis.A Constituição de 1824 • 16 Assim concebida. Pedro I e de seu filho e sucessor D. constava expressamente do texto constitucional. que a própria República poderia ter sido implantada no País com uma simples emenda constitucional. Ed. todas as mudanças que o País conheceu nesse período. gerou memorável polêmica. Brasília. a praxe do governo parlamentar. à Maioridade do Imperador. por simples decreto do Executivo. mais do que isso. inclusive o que 2 FIGUEIREDO. sem que ninguém pensasse ou sentisse necessidade de reformar a velha Carta. Da mesma forma. Oito anos de Parlamento. se instituiu.. virtualmente. 2a ed. o Ato Adicional de 1834. alteramos sensivelmente a legislação eleitoral e. representada pelo período regencial que se estende do Sete de Abril. . realizamos. DF. Pedro II quanto à chamada “ experiência republicana” . em 1847. modificar a forma republicana e o sistema federativo por meio de emenda. p. um dado relevante que não pode ser esquecido no exame das virtudes da Carta Imperial de 1824. Todos os dispositivos. a Constituição. e ainda impedem. ao contrário do que passou a ser tradição nas Cartas republicanas. de 1881. a partir da criação do cargo de Presidente do Conselho de Ministros. 37.

A prática por ela instituída. O Ato Adicional Sob o ponto de vista material. Maior plasticidade não tivemos em nenhum dos documentos constitucionais posteriores. em maio de 1826. a negativa da sanção) tem efeito suspensivo somente. 65: “ Esta denegação (isto é. quando em confronto com todos os demais que tivemos. não podia o Monarca negar a sanção. em face do que dispunha o art. a Constituição de 1824 se completa por uma série de leis ordinárias que são substantivamente constitucio- . todas as vezes que as duas Legislaturas que se seguirem àquela que tiver aprovado o projeto tornarem sucessivamente a apresentá-la nos termos.” Isto mostra que. era admitida pela Constituição de 1824. no entanto. a partir daí. garantiu os direitos e conteve os abusos. mediante simples emenda. E. é que. como primeiro texto de nossa história constitucional. mas manchou de sangue o governo de D. II – A PRÁTICA CONSTITUCIONAL Quando examinamos a Constituição de 1824. A segunda razão é que. com a reação pernambucana de 1824. na verdade. portanto. instituiu os Poderes do Estado. pelo que. como em qualquer outra matéria constitucional reformada por lei ordinária. Muito embora outorgada. entender-se-á que o Imperador tem dado a sua sanção. teve início a prática constitucional. Todas essas peculiaridades mostram a importância. até a queda do regime então vigente. vincando de forma indelével a vocação autoritária do Monarca. embora as emendas constitucionais tivessem o mesmo rito de lei ordinária (como ocorreu com o Ato Adicional de 1834) e.A Constituição de 1824 • 17 consagrava a monarquia como forma de governo. não podemos nos esquecer de que ela é fruto da frustração da dissolução da Constituinte de 1823. quatro anos depois de proclamada a Independência. que não apenas começou a gerar o divórcio entre a Coroa e a opinião pública. dependessem da sanção do Imperador. se aprovada por duas Legislaturas seguintes. Pedro I. não se moldou senão com o tempo. Quando o Legislativo se instalou. ainda hoje. ela marcou o início da institucionalização da monarquia constitucional. no caso de mudança da forma de governo. do texto de 1824.

são: a) Lei de 15 de outubro de 1827. j) a de no 601. d) a de 16 de dezembro de 1830 (Código Criminal). É claro que. l) a de no 3. é o Ato Adicional. na configuração do regime. Entre essas leis complementares.A Constituição de 1824 • 18 nais. 1840 (Lei de interpretação do Ato Adicional). de 25 de junho de 1850 (Código Comercial). por sua implicação institucional. b) a de 18 de setembro de 1828. as mais importantes. a única reforma de seu texto. em cada cidade e vila do império. que definiu os crimes e regulou os processos de responsabilidade dos ministros e conselheiros de Estado. i) a de no 556. adotada pela lei de 12 de agosto de 1834. de 12 de maio de A Princesa Isabel assinou a Lei Áurea. de 3 de dezembro de 1841 (reforma do Código de Processo Criminal). c) a de 1o de outubro do mesmo ano. nenhuma outra lei teve maior importância jurídica. que vinha da Colônia. de 9 de janeiro de 1881 (Lei Saraiva). de 23 de novembro de 1841 (criação do segundo Conselho de Estado). f) a de no 105. porém.029. de 18 de setembro de 1850 (Lei de Terras). que criou. que pôs fim ao regime dominial. o g) a de n 234. h) a de no 261. e) a de 20 de novembro de 1832 (Código de Processo Criminal). que instituiu o voto direto. finalmente. Sua única emenda. e. sob o ponto de vista social e econômico. Câmaras Municipais. do . dando-lhes atribuições administrativas e retirando-lhes a jurisdição contenciosa que tiveram durante o período colonial. aos 13 de maio de 1888. criando o Supremo Tribunal de Justiça e dispondo sobre suas atribuições.

que coroou a obra de construção do Estado nacional. o vedava. no entanto. Pedro II foi se acomodando. Esta. terceiro. A prática parlamentar Se essas leis completam juridicamente a institucionalização do regime. 380. já no fim do Império. porque fazia independer o Executivo da maioria parlamentar na Câmara. “ o nosso parlamentarismo foi. Ed. sob o ponto de vista político a construção do Estado brasileiro se deve à prática parlamentar. aos casos “ em que o exigir a salvação do Estado” . item V. em 1847. o cargo de Presidente do Conselho de Ministros: 3 LIMA. configurou-se. como dispunha o art. uma de suas expressões mais legítimas e. não só não o autorizava como. por meio do Poder Moderador. Como frisa Oliveira Lima em O Império Brasileiro. segundo porque. sem falar na Inglaterra. muito embora.(4) Na verdade.. p. 101. p. um verdadeiro regime parlamentar a que D. mais felizes” . da Constituição. na doutrina e na prática. “ não obstante defeitos procedentes das deficiências políticas do meio. mais uma imposição política e uma concessão do Imperador do que um preceito da Constituição. Melhoramentos. É claro que.A Constituição de 1824 • 19 que a Lei Áurea. O Movimento da Independência – O Império Brasileiro (1821-1889). 4 Idem. . Sete anos depois da maioridade. pode mesmo dizer-se. mais uma lenta conquista do espírito público do que um resultado do direito escrito” . ao contrário. 371. como ele mesmo assinala. portanto. 2a ed. Aos poucos. porque condicionava a dissolução da Câmara não às conveniências políticas do governo mas. entretanto. alma mater do regime representativo e. nomear e demitir os seus ministros.(3) a monarquia no Brasil acha-se estreitamente ligada ao sistema parlamentar e foi até no século XIX. Oliveira. ibidem. sim. concedia ao Monarca o poder de. São Paulo. Primeiro. na prática. por decreto do Executivo. e. livremente. criou-se.

segundo critérios políticos para obter maioria parlamentar. . Pedro II foi a de que. constituiu um passo decisivo nesse sentido. com um Presidente que passou mais tarde a organizá-lo. ao contrário do que costumam afirmar muitos dos comentadores da Constituição. Rodrigues Júnior Lafaiete Rodrigues Pereira foi um dos republicanos que abandonarecorreu ao Imperador para ram o movimento em fins da década de 1870. não caracteriza. a se demitir do cargo de Ministro da Guerra. Presidente do Conselho. a instituição do sistema parlamentar. das praxes parlamentaristas de que a Grã-Bretanha era o modelo não escrito. em 1883. exercida não se sabe exatamente a partir de que época. Essa prerrogativa. retornando aos reparar o que julgava uma partidos de origem. convidado por Lafaiete Rodrigues Pereira. DE 20-7-47 “ Tomando em consideração a conveniência de dar ao Ministério uma organização mais adaptada às condições do sistema representativo: Hei por bem criar um Presidente do Conselho dos Ministros. Em 1883 seria presidente do Conselho. É conhecido o fato de que. cumprindo ao dito Conselho organizar o seu regulamento que será submetido a minha imperial aprovação. sem dúvida a circunstância de dar um caráter colegiado ao Ministério. por incompetência revelada no exercício de suas funções. afronta. aproximou significativamente a prática política do regime da Constituição de 1824. por si só.” Se este Decreto. A resposta que lhe deu D. tinha transferido aos Presidentes do Conselho o privilégio de propor a nomeação e a demissão de seus colegas do Ministério. há muito.A Constituição de 1824 • 20 DECRETO No 523. de exemplar simplicidade.

por meio de uma moção de confiança rejeitada. nomeou o Marquês de gabinete liberal presidido por Zacarias. essa demissão e as reações que provocou foram tantas que servem para mostrar que o corpo político da Nação reagia –e com inusitada violência –à violação dos cânones não escritos do sistema parlamentar. mais relevantes e mais indispensáveis que fossem os serviços do Coman- Luís Alves de Lima e Silva. alegando doença. O episódio mais ruidoso da Zacarias de Góis e Vasconcelos chefiou três violação desse princípio foi a demissão do Gabinetes do Império: em 1862. ou se demitia o gabinete presidido por Zacarias. 1866. por maioria. e ainda assim quando suscitada a perda da confiança parlamentar. O episódio de Caxias Como se sabe. Neste último. em Caxias para o comando das tropas brasi.A Constituição de 1824 • 21 Outra singularidade desse típico parlamentarismo que se praticou sob D. cujos princípios. e a Guerra dos Farrapos. dominou as revoluções de Minas e São Paulo. . para não parecer que pressionava o Governo. 1864. a essa época. não podendo ser removido. em 1842.1868. Caxias escreveu diretamente ao Imperador impondo-lhe uma opção: ou se demitiria. de 1845. o Barão de Caxias. ou de uma moção de desconfiança aprovada. O Imperador ouviu seu Conselho de Estado que. segundo o qual o Gabinete é sempre uma delegação da maioria parlamentar. sendo agraciado com o título de Conde. pacificou o Maranhão quando da Balaiada. Pedro II é que nem sempre se respeitou o princípio vital do sistema inglês. opinou no sentido de se manter o princípio da hierarquia constitucional. já dominavam o processo político brasileiro. por mais necessários. e que ele atribuía ao Ministério. a não ser que deixe de representá-la. As circunstâncias em que se deu leiras no Paraguai. descontente com as críticas que lhe dirigiam os jornais do Rio de Janeiro por sua atuação na Guerra do Paraguai.

em seguida. até mesmo os 5 BRASIL. aprovou a moção redigida por José Bonifácio. que enfrentava uma José Bonifácio de Andrada e Silva. cia de uma dissensão do Gabinete com o Monarca. organização e introdução de José Honório Rodrigues. mas salvavam o princípio do sistema parlamentar perante a face da Nação. Esse pretexto veio com a escolha. Conhecendo a verdade. para o Senado. demitiu-se do Ministério em depois de grave crise financeira. de D. que é uma terrível arremetida contra a não observância dos usos parlamentares. Zacarias alegou não só a incompatibilidade política com o escolhido. especialmente. pelo Imperador. Ambas as razões. o Patriarca duríssima conjuntura de fazer a guerra. o Visconde de Inhomirim. sem dúvida. em 1978. demonstrativo do caráter e da elevação de princípios dos políticos vigentes no Império. Todos os pormenores do incidente encontram-se relatados na ata do Conselho Pleno. Direção-geral. exatamente para caracteria tutela de seu filho D. 1978.(5) Zacarias não só optou por ceder. como pretextos. Pedro I. a Câmara de maioria liberal reagiu com inusitada violência. o Moço.A Constituição de 1824 • 22 dante-em-Chefe das Forças brasileiras em operações no Paraguai. atas de 2 a 30 de julho de 1868. chegando a comparar o Gabinete que substituiu o de Zacarias a um bandido que. eloqüentemente. E. VIII. prefácio de Pedro Calmon. Retornou após 6 anos de exílio recebendo. Brasília. mas também a mentira eleitoral. na calada da noite. Com a dissolução da Consti. Primeiro. de Sales TorresHomem. Vide. v. passou a negar. Atas do Conselho de Estado. zar a obediência às praxes do regime. a despeito das vicissitudes da guerra em que estávamos empenhados. Pedro II. como julho de 1823. eram falsas. penetra numa casa para saqueá-la. da Independência. publicada pelo Senado. .se dispôs a dar à sua renúncia a aparêntuinte foi deportado para a França. então um conservador convertido. Senado Federal. em face da imprescindibilidade dos serviços de Caxias para o País. A dignidade com que o chefe do Partido Liberal se portou nesse episódio é.

pelo Executivo. Da maioridade de D. “ A Câmara vê com profunda mágoa e geral surpresa o estranho aparecimento desse Ministério gerado fora de seu seio e simbolizando uma política nova. em 1889. tivemos 36 gabinetes. quando em conflito com o Gabinete. a praxe parlamentar não poderia ter sido razoavelmente obedecida como se tornou usual sob Pedro II. entre as atribuições do Poder Moderador) típica do sistema parlamentar foi a faculdade da dissolução da Câmara. Pedro II. Os termos de moção dizem bem da indignação causada pela farsa montada para resguardar a aparência de normalidade da retirada do Gabinete. à proclamação da República. É claro que nem sempre com o atendimento do requisito imposto pela Constituição. a Câmara não tinha nem pode ter confiança em tal Gabinete. . Mas a fórmula sabidamente ambígua do texto constitucional mostra exatamente a sua plasticidade e a sua sabedoria. nesta época. Caxias. Outra prática (esta sim expressamente prevista na Constituição. e ligada por sincera amizade ao sistema parlamentar e à monarquia constitucional. antes condenadas pela Constituição. tinham se cristalizado as praxes parlamentaristas. Deplorando esta circunstância singular. Nesse período. em 1840. o Executivo obteve do Poder Moderador a dissolução da Câmara nada menos de 13 vezes.A Constituição de 1824 • 23 créditos pedidos pelo Ministério para a continuação da luta. “ nos casos em que o exigir a salvação do Estado” . Ministério do Exército – RJ Não fora assim.” Isto mostra como já. mesmo que não expressamente aprovadas. o que terminou provocando a sua dissolução. sem que fosse suscitada qualquer questão parlamentar. sem que uma questão parlamentar houvesse gerado a perda de seu predecessor.

386. melhor dito. 7 Idem. a qual já se encontrava fora do recinto parlamentar” . p. ibidem. porém. foi indispensável uma luta permanente e constante entre o 6 Op. a Câmara dos Deputados derrubou quatro Ministérios. sobretudo por motivos da questão do elemento servil. cit. virtudes do texto constitucional de 1824 foi exatamente a de permitir que o sistema político nele não previsto fosse sendo paulatina e progressivamente adotado. Oliveira Lima. Em abono dessa tese que.A Constituição de 1824 • 24 III –A CONSTITUIÇÃO E O REGIME POLÍTICO Não resta dúvida. Logo em seguida. como acabamos de ver. mas o fosso ia-se cavando entre a representação nacional e o sentimento público. que uma das grandes. ele assinala que “ nos últimos anos da monarquia o sistema chegara aparentemente à sua perfeita florescência. tem consistência histórica. Muito ao contrário. na obra já citada(6) lembra que “ a idade de ouro do regime parlamentar brasileiro não data. sem dúvida. p. e na proporção em que os costumes políticos se aprimoravam. Em 1871. tomar o seu lugar” . invoca o grande historiador pernambucano os fatos do fim do Império: “ De 1882 a 1885. quando o Parlamento já adquirira bastante consciência do seu papel político e do seu valor social para assimilar a opinião pública ou.. como sucede com o geral das lendas da civilização humana. à medida que se cristalizavam os usos parlamentares.(7) É claro que o caminho para que o sistema representativo assim fincasse suas fortes raízes não foi aplainado sem dificuldades. senão a maior. pois que o Imperador não pensava em resolver crise alguma parlamentar sem ouvir os Presidentes das duas Câmaras e os chefes partidários mais em evidência. como o declarou o homem de Estado que dava semelhante exemplo de respeito à opinião pública. seu prestígio não se conservara intacto porque se marcara pela própria falta de muitos dos que dele viviam politicamente” . enquanto o País se civilizava. e sim do meado da sua duração. . 385. o Gabinete presidido pelo Marquês de São Vicente (José Antônio Pimenta Bueno) retirou-se por causa da oposição da imprensa. do começo da sua evolução.

pareceu afrouxar o espírito da revolução ( . até então. mudam-se os espíritos. já a Câmara fez alguma coisa. em conseqüência deles que vimos que. quando o poder quis descarregar o último golpe. zombou o poder da Câmara e pareceu que esta não tinha preenchido os seus desígnios. logo que se instalou a Assembléia Geral. constante. mas quanto não ganhou a causa da Nação? Começou a vivificar-se o espírito de liberdade em todo o Império e. que triunfou em 1831. um único que se apresentasse teria de certo sido expatriado. op. 42/43. ) Em 1828.. porque pouco fez. e que fizeram com que o Brasil conhecesse os próprios recursos. cit.. logo depois do movimento do Sete de Abril.. em 1827. isto é. ) Mas logo que começaram a se desenvolver as garantias que a Constituição afiançava. a Câmara de 1826.(8) Um discurso de Paula e Souza A dura e áspera caminhada na senda dessa gradual transformação da letra da Constituição em prática constitucional está sintetizada no discurso que um dos maiores líderes liberais do Império. dizendo de forma contundente: “ Enquanto não esteve em exercício nenhuma das garantias da Constituição. José Honório Rodrigues retomou em sua brilhante análise de nosso desafio histórico-político.. 1965. e a reação que Justiniano José da Rocha caracterizou com tanta precisão em seu panfleto Ação. Não havia mesmo. José Honório. José Honório. 246 pp. Conciliação e Reforma no Brasil. Civilização Brasileira. portanto.” 8 RODRIGUES. que deram vigor e força aos brasileiros. ) Aparece a legislatura de 1830. Tema que. Ed. Rio de Janeiro.A Constituição de 1824 • 25 nacionalismo brasileiro. e o poder principiou a temer e a refletir sobre os destinos futuros. 9 Cf. transação. RODRIGUES.. proferiu na Câmara.. um só periódico que proclamasse as idéias da liberdade. Falando na sessão de 25 de junho de 1831 ele mostra o papel que teve a Câmara na “ guerra surda e lenta. no livro Conciliação e reforma no Brasil. e o primeiro que apareceu sustentando a causa da liberdade e da Nação foi em junho de 1826. o Deputado e mais tarde Senador Paula e Souza. reação. entre a autoridade que presidia os destinos do Brasil e a opinião pública” . um século depois. a revolução começou de novo a sua marcha. e foi. se armaram os brasileiros em todo o Brasil para sustentar a liberdade da (9) Nação. Um Desafio Histórico-Político. .” “ Enquanto se achava sem força na aparência –continua Paula e Souza –sem poder ostensivo.. pp. ( . as de 1827 e 1828 foram já tendo poder e força moral ( . Foram os atos da legislatura passada que dispuseram e prepararam a revolução.

da mesma forma como em 31 serviu à preservação da Monarquia. tal como se fez em 1834. que mostrar se podia servi-la no momento supremo da incerteza e da fragilidade. agora. “ tudo estava por fazer. à ditadura. o seu filho menor em favor de quem abdicara a Coroa do Império. era uma concepção tão sinteticamente objetiva que. pois não só era nova a forma constitucional. em 1889. na Introdução Histórica à sua obra O Parlamento e a Evolução Nacional. o historiador da vida parlamentar brasileira. segundo Justiniano José da Rocha. Senado Federal. O Parlamento e a Evolução Nacional. Introdução Histórica. v. quando se instala o Parlamento. e 1828. 1973. dela se serviu e com ela salvou o País do fracionamento pela insurreição permanente e pela revolta intermitente. como novo o País até na organização administrativa. na prática da política. . p. A independência era muito recente. dando-se forma aos quatro poderes nela previstos. novas as instituições. e ainda não havia tempo de ter-se criado a escola prática brasileira” . ibidem. José Honório. Brasília. pôde escrever. e de luta pela manutenção da liberdade” . p.(11) 10 Idem. 33. Na verdade. poderia ter servido à República. Mas só foi posta à prova com a renúncia forçada do Imperador que aqui deixava. 11 RODRIGUES. se chamou de “ experiência republicana” . Não é sem razão que a Regência. I. Vivíamos uma época em que. em meio à mais grave crise da curta história constitucional do Brasil. quando se cria o Supremo Tribunal de Justiça. com poucas adaptações. O texto que tinha servido à monarquia no auge de seu poder e prestígio teria. assinalando que “ um governo só é verdadeiramente nacional quando tem uma oposição nacional e quando o povo é livre para escolher as alternativas de governo” . tudo por criar. Uma história de resistência Não foi sem razão que José Honório Rodrigues.A Constituição de 1824 • 26 Começava aí a Constituição a mostrar a sua eficácia. seguramente. que “ a história parlamentar brasileira é uma história de resistência à opressão. sem nenhuma garantia de continuidade da monarquia. 47. que com ela conviveu.(10) A Constituição outorgada em 1824 na realidade só começa a ter aplicação prática entre 1826.

” Corroborando o testemunho de Paula e Souza. em 1827. p. a Câmara concedia absurdamente aos Ministros e Senadores o direito de votarem os projetos de lei sujeitos pelo Governo à aprovação parlamentar. em 1829 aprovava moções de censura aos Ministros e aos agentes diplomáticos do Imperador. uma prova de vitalidade para o constitucionalismo brasileiro. o autor de O Império Brasileiro assinala que em “ 1827 a Câmara rejeitava a proposta do Executivo fixando o efetivo das forças navais. Cumpriu-se. limitou suas atribuições e garantiu os direitos dos cidadãos. ) era tão imperfeitamente aplicado que o Governo recusava à Câmara os elementos de que esta carecia para preparar o orçamento e que os Ministros não somente não se julgavam responsáveis para com ela. em condições dramáticas para o País.. “ Os Deputados. que foi a vitória do absolutismo sobre a aspiração emancipacionista do 7 de setembro. deflagrada em 22. como mesmo se esquivavam a mandar-lhe relatórios da gestão dos seus departamentos ou a dar-lhe conta de suas deliberações” . cit. 12 LIMA. 379. e frustrada em 23 pela dissolução da Constituinte. . inaugurado com a Carta outorgada de 1824. incorporando-os deste modo a uma Assembléia para a qual não tinham sido eleitos. op. para ele.. não se pode deixar de reconhecer que o movimento político de que resultou a renúncia do Monarca. com o seu temperamento impetuoso.A Constituição de 1824 • 27 Isto só se tomou possível depois que a Constituição criou os Poderes do Estado. A discussão da resposta à Fala do Trono. representou. quando mandou recomendar ao Imperador que preservasse a Coroa para o filho. Oliveira. sobretudo. encerrou-se sem que os Ministros comparecessem uma vez sequer à Câmara e sem que sua defesa fosse esboçada em oposição aos ataques que cada dia se tornavam mais vigorosos. diz ele.. não pôde ou não soube dissimular seu descontentamento na sessão de encerramento. porque. em 1828 votava em desafio ao Ministério o primeiro orçamento da receita e despesa. o vaticínio de José Bonifácio. em 1831. o qual. já estava perdida com o ato de força da dissolução. Ao mesmo tempo. Se 1831 consumou a revolução da independência. dirigiam-se diretamente ao Imperador e os membros do Gabinete julgavam-se dispensados de assistir às sessões legislativas e de acompanhar os debates. A pendência latente foi-se tornando aguda e 1831 vingava 1823: (12) a abdicação foi a conseqüência inevitável do ato violento da dissolução” que colocou sob suspeita o Monarca. Oliveira Lima lembra que no início de nossa vida constitucional “ o regime parlamentar ( . finalmente.

penhou durante a Independência. Havia no Brasil. sobretudo depois da Revolução Liberal do Porto. um perigoso precedente. Feijó. desem. segundo a qual tudo se faria para preservar a união das províncias do sul. . o procedente temor de que esse exemplo se repetisse. exatamente por causa desse temor. Em vastas regiões do Brasil. se as do norte se separassem. A instituição das Juntas Governativas Locais. a língua corrente e dominante ainda era a chamada “ língua geral” . o exemplo da América Espanhola. fez incluir uma cláusula. com o declarado intuito de assegurar a unidade nacional. tinha produzido seus frutos. com o seu conhecido pessimismo e com a sua proclamada obstinação. em Padre Diogo Antônio Feijó. fracionada em razão dos particularismos locais criados a partir da administração colonial. Devemos nos lembrar que ainda em meados do século XVIII. o tupi-guarani. que se reportavam e prestavam contas diretamente ao Soberano Congresso de Lisboa era. Esse medo não era infundado.1835 a setembro de 1837. Nas “ Anotações”à sua biografia. tal como ainda ocorria na América Espanhola no século XIX. nem persistiu apenas durante e logo após a Independência.A Constituição de 1824 • 28 IV – O ESTADO UNITÁRIO DA CARTA DE 1824 Quando a Constituição foi outorgada. garantindo a adesão de Pernambuco à causa da emancipação. mais de dez anos depois do 7 de setembro. como em São Paulo e na Amazônia. em 1820. Nas condições que redigiu para assumir a Regência. sequer tínhamos unidade lingüística. regente único de outubro de nome de José Bonifácio. Vasconcelos Drumond dá conta das missões que. para um país com a extensão do Brasil.

que dispunha sobre o Poder Legislativo. Era no primeiro desses três capítulos. por meio do art. com dois artigos. o terceiro. com três. o Título IV. Para começar. tratava “ Dos Conselhos Gerais de província e suas atribuições” . a disposição seguinte praticamente anulava essa prerrogativa. que tratava “ Da administração e economia das províncias” . Muito embora o art. tornava impraticável qualquer aspiração de autonomia local. liquidava qualquer pretensão de autonomia provincial quando.A Constituição de 1824 • 29 A centralização Todas essas preocupações deviam estar presentes no rigoroso centralismo que a Carta de 1824 estabeleceu. Toda autoridade era rigorosamente centralizada na capital do Império e nos poderes que a Constituição criou e dos quais derivavam todas as emanações da força do Estado. na medida em que estabelecia que . Mas. quando entender que assim convém ao bom serviço do Estado. era matéria estranha à Administração Provincial. reeditada na prática durante o Estado Novo que liquidou o federalismo brasileiro. dispunha sobre as Câmaras Municipais. e que são imediatamente relativos a seus interesses peculiares” . também com três artigos. nomeado pelo Imperador. 165. dispunha sobre a fazenda nacional e o orçamento do Império. em seu Capítulo V. que começava o rigorismo centralizador: “ Haverá em cada província um presidente. o segundo. ao criar um Estado unitário em que. tratava da Administração Provincial. e usada ostensivamente entre 1966 e 1982. por sinal. não era só aí que se assentava o poder do Estado unitário que vigorou durante o Império. possuía apenas oito artigos divididos em três capítulos: o primeiro. O rigor desse unitarismo se estabelecia exatamente a partir de uma vigorosa centralização política e administrativa. a rigor. o Título VII da Constituição. o que. quando se estabeleceu o pleito indireto para a escolha dos governadores.” Essa disposição. Também. não havia poder local. que o poderá remover. 71 estatuísse que “ a Constituição reconhece e garante o direito de intervir todo o cidadão nos negócios de sua província.

em primeira. . no entanto. dependiam do Poder Executivo. quando se adotou o Ato Adicional que criou as Assembléias Legislativas Provinciais. Os seus membros eram eleitos simultaneamente com os deputados gerais (não havia incompatibilidade entre os dois mandatos) e suas reuniões se realizavam durante dois meses por ano. mediante deliberação da maioria. 81 da Constituição. ou negar sua aplicação. foi abrandado a partir da adoção do Ato Adicional de 1834 que. e do Poder Legislativo. no entanto. prorrogáveis por mais um. Até mesmo os seus regimentos internos dependiam de aprovação do Legislativo Imperial. lhe serão imediatamente enviadas pela respectiva Secretaria de Estado. discutir e deliberar sobre os negócios mais interessantes das suas províncias. por uma única discussão em cada Câmara” . porém. 84 que as deliberações tomadas pela maioria seriam remetidas diretamente ao Poder Executivo. o Imperador podia. no entanto. ou mandar provisoriamente executá-las.A Constituição de 1824 • 30 “ esse direito será exercitado pelas Câmaras dos distritos e pelos Conselhos que. e obter a aprovação da Assembléia. uma vez que tinham “ por principal objeto propor. consumou apenas três alterações na Constituição: a) criou as Assembléias Legislativas Provinciais para substituir os antigos Conselhos Gerais de Província e ampliou sensivelmente suas atribuições. Esses Conselhos Gerais foram. se exprimia no art. por intermédio do Presidente da Província. Isto porque prescrevia o art. para serem propostas como projetos de lei. Se o Legislativo não estivesse reunido. meros órgãos consultivos. formando projetos peculiares e acomodados às suas localidades e urgências” . e c) suprimiu o Conselho de Estado. concedendo-lhes amplos poderes fiscais. “ Se a Assembléia Geral se achar a esse tempo reunida. entre 1826 e 1834. A sua falta de poderes. Suas resoluções. com o título de Conselho Geral da Província. Esse rigorismo centralizador do Estado unitário. se devem estabelecer em cada província onde não estiver colocada a capital do Império” . mandava o artigo seguinte. em segunda instância. b) instituiu a Regência Única eletiva. legais e administrativos. na realidade.

segundo Constâncio em seu Dicionário. reger e cuidar do bem público e não. diz ele. mas este (13) lhes devolve o exercício de certas competências. 87. em sua tese “ A Federação e o Brasil” . por sua vez. “ Vereadores” . Cúria ou Assembléia do Município. esclarece Cândido Mendes. as Câmaras Municipais não eram instituições políticas. funções herdadas da tradição portuguesa que. durante todo o regime colonial. Alcino Pinto e DIAS. José de Aguiar. o mesmo não se pode dizer relativamente aos Municípios. que o representam e lhe administram as rendas. se exerceu sobretudo em relação às Províncias. pelo qual os governos locais continuam subordinados ao Governo central. Conselho e Mesa da Vereação. adotando-se o que Pedro Calmon. Rio de Janeiro.A Constituição de 1824 • 31 A partir daí. de autoria de Cândido Mendes de Almeida. segundo o Regimento de 30 de julho de 1531. É conveniente começar lembrando que. do termo verea. Pode-se ter uma idéia precisa do que eram as Câmaras Municipais pela simples leitura das notas ao Título LXVI da edição do famoso Código Filipino. mas simples órgãos administrativos e judiciários. denominou de “ semifederalismo” . p. José Konfino Editor.” A palavra Vereador. Tanto que as funções dos Vereadores estavam prescritas nas Ordenações do Reino. vigiar sobre a boa polícia da terra. “ Na verdade o que ocorreu –dizem Aguiar Dias e Alcino Pinto Falcão –foi a aplicação do que a doutrina moderna qualifica de princípio da devolução. 13 FALCÃO. v. como pretende Moraes. caminho. do verbo Verear. contração de verificar.” V – O MUNICÍPIO NA CONSTITUIÇÃO DO IMPÉRIO Se o excessivo rigor do Estado unitário. as adaptara do Direito Romano. isto é. I. . Constituição Anotada. entre as dos demais magistrados. etimologia que não parece fundamentada. abrandou-se sensivelmente o rigorismo do Estado unitário instituído pela Carta de 1824. que era o Brasil Império. Essa corporação também se chamava Comuna. vem. “ eram os membros da Câmara.

O Regimento de 30 de julho de 1591 e o de 5 de setembro de 1671. em muitas circunstâncias. em sua organização. também foi dado. além de outras leis. Nas leis antigas. A Municipalidade brasileira. A corporação dos Vereadores também se chama Municipalidade. e por diferentes privilégios. além do Procurador. porém. Tanto a Cúria romana como o Conselho ou Câmara portuguesa tinham funções judiciárias e administrativas. regalia de que só gozavam aquelas corporações que a obtinham por ato do governo. era o Juiz de Fora. Os decuriões passaram a ser Vereadores. lembra ele em vista da Lei de 1o de outubro de 1828. denominada Cúria. é corporação meramente administrativa. seu número e o tempo de exercício. segundo Cândido Mendes. determinam o modo de nomeação dos Vereadores. diz finalmente Cândido Mendes. na máxima parte. Quando não havia Juiz de Fora. O comum das Municipalidades. dois Almotacés e um Escrivão. eleitos com a Câmara. considerada o tipo e cabeça de todas. Bahia.A Constituição de 1824 • 32 A expressão Câmara significa a reunião dos Vereadores e também o próprio edifício onde se congregam. conclui o autor. em número de dois. às Câmaras do Rio de Janeiro. “ o pessoal da Municipalidade era assim disposto: nas vilas que tinham seu Juiz de Fora. A organização das Câmaras portuguesas era a de Lisboa. por todas aplicadas. “ No Brasil” . constituía uma especialidade.” . mas na eleição de seus membros. regia-se por esta Ordenação e a do Título LXVII. São Luís do Maranhão e São Paulo). A Municipalidade portuguesa foi modelada na romana. Algumas. A Câmara de Lisboa tinha o título ou graduação de Senado (que. que o reformou. bem que as segundas exercessem as judiciárias quando presididas pelo Presidente que. compunha-se a corporação do Presidente (o mesmo Juiz). um Procurador. por vezes essa corporação é denominada Congresso do Povo e Vereação. tinham um Síndico ou Advogado e um Tesoureiro. e a legislação respectiva. de três Vereadores. ainda que esta última expressão também signifique o ofício ou cargo de Vereador e as conferências que entre si fazem os Vereadores congregados. bem como os Alvarás de 2 de janeiro de 1765 e de 8 de agosto de 1778. por sinal. Eram vitalícios e percebiam ordenados. ainda que com funções e jurisdição mais limitadas. serviam os Juízes Ordinários. assim como as decisões que tomam.

formação de suas posturas policiais. dos empregados municipais (arts. às quais compete o governo econômico e municipal das cidades e vilas. pouco inovou em matéria de organização municipal. o segundo. São 90 artigos. O primeiro trata da Forma e eleição das Câmaras (arts. e todas as suas particulares e úteis atribuições serão decretadas por uma lei regulamentar. O mais importante de seus dispositivos.” Esta lei regulamentar –por sinal das poucas previstas no texto constitucional e efetivamente votadas pela Assembléia Geral do Império – foi a de 1o de outubro de 1828. com as pequenas alterações que lhe introduziram o Ato Adicional de 1834 e a Lei de Interpretação do Ato. e não exercerão jurisdição alguma contenciosa” . das posturas policiais (arts. 66 a 73). da aplicação das rendas (arts. é o art. “ criando em cada cidade e vila do Império Câmaras Municipais” . se pôs fim ao regime colonial das Câmaras Municipais. . 169 estatuía: “ O exercício de suas funções municipais. e terceiro. de 1841. 1o a 65). Trata-se de um verdadeiro Código de Organização Municipal. A prática republicana.” Finalmente. na medida em que regulou a administração municipal. 24: “ As Câmaras são corporações meramente administrativas. divididos em quatro títulos. o quarto. 167 da Carta dispunha que: “ Em todas as cidades e vilas ora existentes.” Já o art. revogando na prática os Livros 66 e 67 das Ordenações que até então regiam o seu funcionamento. 79 a 90). Com esta disposição. O art. e nas mais que para o futuro se criarem. na verdade. o art. virtualmente até 1891. haverá Câmaras.A Constituição de 1824 • 33 A Constituição de 1824 e as Câmaras A Constituição de 1824 representou um enorme avanço sobre a concepção colonial das funções das Câmaras que passaram a reger a vida municipal. e o que obtiver maior número de votos será Presidente. aplicação de suas rendas. ao que se herdou do Império. porém. Ficou conhecida como “ Regimento das Câmaras Municipais”e é verdadeiramente complementar da Constituição. 74 a 78). 168 prescrevia que: “As Câmaras serão eletivas e compostas do número de vereadores que a lei designar.

desde que contassem pelo menos dois anos de domicílio dentro do respectivo termo.” Outras posturas de igual relevância mostram a preocupação que havia com o abastecimento público: “ Proverão igualmente sobre a comodidade das feiras e mercados. assim como a fidelidade dos pesos. . normas para a tranqüilidade coletiva e preservação da moral pública. realizadas a cada três meses. contanto que o façam em lugares patentes. sendo as convocações extraordinárias da competência do Presidente. administração dos cemitérios fora dos templos. nunca menos de seis” . a salubridade dos talhos e da carne. As reuniões eram quatro anuais. Podiam votar para a escolha dos vereadores todos os que tinham voto para a escolha dos eleitores de paróquia. deviam dispor ainda sobre a construção. e sobre quanto possa favorecer a agricultura. isto é. comércio e indústria dos seus Distritos. fiscalização dos currais e matadouros públicos. reparo e conservação das estradas e caminhos públicos e o abastecimento de carne. em que a Câmara possa fiscalizar a limpeza. e onde bem lhes convier. medidas de prevenção de incêndios. os brasileiros natos. por meio de disposições como a seguinte: “ Permitir-se-á aos donos dos gados conduzi-los depois de esquartejados. devendo durar “ os dias que fossem necessários. além de ser de sua atribuição fiscalizar as escolas de primeiras letras. e vendê-los pelos preços que quiserem.A Constituição de 1824 • 34 Por essa lei. as Câmaras das cidades se compunham de 9 e as das vilas de 7 membros. no gozo de seus direitos políticos. praças e arraiais. competindo-lhes também manter estabelecimentos de caridade. limpeza e iluminação públicas. saneamento público. ou de lhes pôr outras restrições à ampla liberdade que compete a seus donos. assim como autorizar a realização de espetáculos públicos nas ruas. além de um Secretário. abstendo-se absolutamente de taxar os preços dos gêneros. de assistência médica e de vacinação pública. tendo balança de ver o peso e padrões de todos os pesos e medidas para se regularem as aferições.” Cabia ainda às Câmaras fiscalizar o comércio de pólvora e fogos de artifício. A eleição era feita de quatro em quatro anos. Os eleitores poderiam ser eleitos. e os estrangeiros naturalizados. A ampla jurisdição que a partir daí se concedeu às Câmaras abrangia virtualmente todos os assuntos de interesse comunitário: obras urbanas. no dia 7 de setembro. abastança e salubridade de todos os mantimentos e outros objetos expostos à venda pública. como esgotamento de pântanos.

era. primeiros administradores delas!” Como se vê. à indiscutível autoridade do delegado do Executivo que era o Presidente da Província. pode-se dizer que. a República não avançou virtualmente nada sobre a estrutura longamente estratificada que lhe deu a Constituição do Império durante 63 anos. em seu Título III. 78. Muito embora o art.” A rigor. e em apenas um artigo (o de no 68). o Poder Moderador. talvez seja o mais deficiente de todo o texto outorgado por Pedro I. numa época em que a autoridade da Metrópole raramente podia tomar conhecimento do que se passava em seus vastos domínios do outro lado do Atlântico: “ É proibido porém todo ajuntamento para tratar ou decidir negócios não compreendidos neste Regimento. VI –A CONSTITUIÇÃO E O PODER JUDICIÁRIO O Título VI da Constituição. e muito menos para depor autoridades. sem dúvida. 10 prescrevesse que “ os poderes políticos reconhecidos pela Constituição do Império do Brasil são quatro: o Poder Legislativo. que tratava do Poder Judicial. e por isso nulos. como proposições. pois revela uma prática que foi comum durante o período colonial. deliberações e decisões feitas em nome do povo. em matéria de organização municipal. o art. no entanto. 167. incompetentes e contrários à Constituição. em matéria de administração municipal a Carta de 1824 modificou radicalmente o velho conceito do município colonial. clara e expressamente. se examinado à luz da moderna doutrina constitucional de separação dos poderes.A Constituição de 1824 • 35 A mais curiosa de todas as disposições dessa lei. art. ficando entendido que são subordinadas aos Presidentes das Províncias. dispunha de forma extremamente sintética que: “ Os Estados organizar-se-ão de forma que fique assegurada a autonomia dos Municípios em tudo quanto respeite ao seu peculiar interesse. o Poder Executivo . A melhor prova da importância da organização municipal do Império foi a própria Carta Republicana de1891 que. como então era chamado. ampliando sensivelmente a competência das Câmaras ainda que subordinando-as.

porém. precedendo audiência dos mesmos juízes. teoricamente. por terem. ao prescrever. 154. mostrou que. em seu art. portanto.” A rigor. em 1850. declarando “ o que todavia. duas garantias tradicionais da Magistratura – a vitaliciedade e a inamovibilidade e não assegurava a irredutibilidade de vencimentos – . na prática. entre 1853 e 1856. em julgamento da violação da lei que puniu e suspendeu o tráfico. É bem verdade que a própria Constituição declarava. absolvido réus importantes da Província que o Governo entendia culpados por conivência e omissão num desembarque clandestino de africanos ocorrido em Serinhaem. se não entende que não possam ser mudados de uns para outros lugares pelo tempo e maneira que a lei determinar” . tanto lhes negava a inamovibilidade. 151. o texto constitucional negava. o Conselheiro Nabuco de Araújo. O fato ficou conhecido na biografia de Joaquim Nabuco sobre seu pai. jamais foram respeitadas. que “ os juízes de direito serão perpétuos” . nesse mesmo dispositivo. que: “ O Imperador poderá suspendê-los por queixas contra eles feitas. e lhes assegurava a garantia da vitaliciedade. na prática. quando era Ministro da Justiça Nabuco de Araújo. ainda que duas disposições diferentes lhes garantissem. tanto uma quanto outra. como também estava disposto . O mais notório dos casos de violação do preceito da vitaliciedade ocorreu durante o Ministério da Conciliação.A Constituição de 1824 • 36 e o Poder Judicial” . Mas. e ouvido o Conselho de Estado. quanto sujeitava a vitaliciedade ao arbítrio do Imperador. um poder independente. como o “ desembarque de Serinhaem” . no art. informação necessária. na forma como hoje se concebe a harmonia e independência que preside os diferentes poderes do Estado democrático. não se pode dizer que o Judiciário constituísse. e consistiu na aposentadoria de dois e na transferência de um terceiro juiz da Relação de Pernambuco. Um poder dependente Isto mostra que o Executivo não só se arrogava o direito de discutir a justiça das decisões do Judiciário. presidido pelo Marquês de Paraná. quando o impôs o interesse da administração. mesmo as garantias expressamente ressalvadas. A prática constitucional em relação ao Poder Judiciário.

constitutiva da Magistratura. este direito era reconhecido na Ordenação do livro 2o. Joaquim. § 16. quando acusado de violar a lei. como Ministro da Justiça. 137. p. José Lins Vieira Cansanção de Sinimbu. Alegava-se que o Supremo Tribunal de Justiça não acataria o ato do Executivo. Mas. regulando o que a esse respeito fosse de direito na conformidade da Constituição.A Constituição de 1824 • 37 a punir todos aqueles que. isto é. agissem em desacordo com suas crenças. de fato. Título 50. o Visconde de Sinimbu. é evidente que o monarca tinha o direito de aposentar os Magistrados. pelas aposentadorias que decretou: “ Não tenho notícia de lei alguma posterior à Constituição. este direito era reconhecido também em assento da Casa da (14) Suplicação. não foram as únicas aposentadorias forçadas sob a Constituição de 1824.” 14 NABUCO. d. como ele mesmo lembrou em sua defesa. de decretar aposentadorias compulsórias e transferências de magistrados vitalícios. v. pela própria Constituição. É bem verdade que o decreto provocou intensa polêmica. no seu exclusivo juízo. Estas. foi o argumento sustentado pelo Marquês de Paraná. ante tal realidade e ante o poder expressamente concedido ao Imperador. aposentando vários de seus membros. antes dele o próprio Marquês do Paraná havia aposentado outros magistrados e a Câmara aprovara o ato. no entanto. . Título 54. Todos esses fatos se deram simplesmente porque ao Executivo nunca interessou em regulamentar as disposições constitucionais que permitiam tanto a remoção quanto a aposentadoria compulsória dos membros da Magistratura. regulando-se nesta parte pela antiga legislação. Não se pode dizer. Instituto Progresso Editorial S/A. e no Senado foi tão intensa a reação que os conservadores aconselhavam a desobediência ao decreto do Governo. Um Estadista do Império. aliás. o que. Depois de Nabuco. seis anos depois do ato de Nabuco. Não tenho notícia de lei alguma sobre este objeto. São Paulo. e que. Nabuco chegou a ser denunciado na Câmara por haver referendado o ato do Imperador. Este.]. que o Judiciário do Império fosse efetivamente um poder independente. tivesse decidido que o Poder Executivo não podia aposentar os magistrados. I. terminou não ocorrendo. Este direito era reconhecido na Ordenação do livro 1o. por decreto que tem a data de 30 de dezembro de 1863. [s. aplicou o mesmo remédio amargo contra o Supremo Tribunal de Justiça.

A Constituição de 1824 • 38 Nabuco, quando justificou o seu ato depois de acusado pelo famoso matemático Joaquim Gomes de Souza, o Souzinha, que representou o Maranhão na Câmara, argumentava, não valendo-se de recursos jurídicos, mas de justificativas políticas:
“ A independência do Poder não é o mesmo que a independência dos seus membros; todos os poderes políticos são independentes, mas há poderes (15) políticos cujos membros são amovíveis, assim o Executivo.”

E, para justificar que o ato de aposentadoria praticado pelo Executivo dependia da convalidação do Legislativo, invocava os precedentes americanos e ingleses contra os que advogavam a adoção de uma lei como a portuguesa, então vigente, que regulamentava os casos de aposentadoria forçada:
“ ( ... ) O magistrado inglês e o magistrado americano dos Estados Unidos, os magistrados dessas duas Nações, livres e adiantadas, são destituídos pelo governo, com o parlamento, quando a sua conduta é má; pois bem, essa garantia da representação nacional, que nesses países basta para a destituição, será entre nós insuficiente para o caso de aposentadoria que tanto difere da (16) destituição?”

O que era então uma tese terminou se transformando num precedente legal por iniciativa do Legislativo, ao qual cabia interpretar a lei, quando a Câmara, acolhendo parecer da Comissão que devia examinar a acusação contra Nabuco, decidiu que o decreto de aposentadoria era ilegal, mas não devia haver punição do Ministro, em face da motivação do ato...
“ A Câmara, julgando que o decreto não é autorizado pela Constituição e pelas leis, contudo, à vista das razões expendidas pelo ex-Ministro da Justiça que o referendou, e certa da sinceridade de sua convicção de que bem servia o país, (17) não julga conveniente decretar a sua acusação.”

Uma questão central: a uniformização da jurisprudência Se todos esses precedentes deixam claro que, não dispondo de garantias, a Magistratura que constituía o Judiciário não configurava um
15 Idem, ibidem, p. 141. 16 Idem, ibidem, p. 143. 17 Idem, ibidem, p. 144.

A Constituição de 1824 • 39 poder verdadeiramente independente ante os demais, há na Constituição outra prescrição que, mais claramente ainda, tirava ao Judiciário a sua condição de Poder. Trata-se do art. 15, que cuidava das atribuições do Legislativo, concedendo à Assembléia Geral, constituída da Câmara e do Senado, a faculdade inscrita no item 80 de “ fazer leis, interpretálas, suspendê-las e revogá-las” . As velhas Ordenações do Reino davam à Casa da Suplicação a faculdade de, como se dizia, “ tomar assentos” , unificando a enorme jurisprudência do vasto Império português. A lei que criou o Supremo Tribunal de Justiça, previsto na Constituição de 1824, porém, não lhe concedeu a mesma prerrogativa. Não houve portanto, durante largo tempo, enquanto vigorou a Constituição do Império, como veremos, um Tribunal que unificasse a jurisprudência. E o que é mais grave: como o poder de interpretação legal jamais foi exercido pelo Legislativo, a prerrogativa terminou absorvida pelo Executivo, durante todo o Império. Esta, aliás, foi a questão central do Judiciário, durante os 65 anos de vigência da Carta de 1824. Nabuco, na biografia de seu pai, chega mesmo a afirmar que “ a organização do Poder Judiciário prendia-se à questão da interpretação das leis que ele tinha que aplicar” , reconhecendo que esse foi o problema crucial desse Poder, durante todo o Império. Toda essa questão foi suscitada a partir do próprio texto constitucional e da posterior instituição dos Tribunais do Comércio. O art. 158 da Carta Imperial determinava que “ Para julgar as causas em segunda e última instância, haverá nas províncias do Império as relações que forem necessárias para comodidade dos povos” . E, logo em seguida, o art. 163 estatuía:
“ Na capital do Império, além da relação que deve existir, assim como nas mais províncias, haverá também um tribunal com a denominação de Supremo Tribunal da Justiça, composto de Juízes letrados, tirados das relações por suas antigüidades.” “ A este Tribunal –impunha o art. 164 –compete: a) conceder ou denegar revistas nas causas e pela maneira que a lei determinar; b) conhecer os delitos e erros de ofício que cometerem os seus Ministros, os das relações, os empregados no Corpo Diplomático e os Presidentes das Províncias; c) conhecer e decidir sobre os conflitos de jurisdição.”

A Constituição de 1824 • 40 Em face do art. 158, alegava-se, com assentimento geral, que o Supremo Tribunal da Justiça não era uma instância. Logo, não podia conceder revista aos julgamentos dos Tribunais da Relação existentes nas Províncias, que tinham que decidir em última instância, sem que houvesse possibilidade de harmonizar a enorme variedade da jurisprudência produzida por todas as relações das Províncias. O mais grave, porém, era a praxe disseminada de praticamente todos os juízes suscitarem dúvidas quanto à interpretação das leis, nos casos sob seu julgamento, submetendo os autos, para consulta, aos órgãos do Executivo, por intermédio dos Presidentes de Província. Isto não só postergava indefinidamente os julgamentos, constituindo um recurso protelatório praticamente sem fim, como o que é pior, impedia, por falta de sentença, os recursos previstos em lei para os tribunais da relação que deveriam se pronunciar em última instância. À medida que aumentavam a população e a quantidade de demandas, via-se o Conselho de Estado avassalado por milhares de consultas enviadas por juízes de todo o País. Em 1841, o Visconde de Maranguape, Caetano Lopes Gama, apresentou projeto autorizando, como nas Ordenações, o Supremo Tribunal a tomar assentos. Em 1843, Nabuco de Araújo renovou a idéia com outro projeto alterando a organização do Supremo Tribunal, a forma de seus julgamentos e dispondo sobre o seu direito de julgar definitivamente as causas em que concedesse revista. Dois anos depois, proposta no mesmo sentido foi submetida à Câmara pelo Deputado França Leite e, em 1847, outra com igual objetivo foi também apresentada pelo Deputado Carvalho Moreira. Sete anos depois, já Ministro da Justiça, no Gabinete da conciliação do Marquês de Paraná, Nabuco chamava a atenção, no seu Relatório anual, enviado à Câmara, para a “ anomalia que os Tribunais inferiores possam julgar em matéria de direito, o contrário do que decidiu o primeiro Tribunal do Império” . E rematava de forma dramática:
“ Sobreleva a subversão das idéias de hierarquia, infringidas por esse pressuposto, a desordem da jurisprudência que não pode existir sem uniformidade (18) e onde se acham arestos para tudo.”

18 Idem, ibidem, v. III, p. 46.

De igual relevância era o art. que vigoraram durante todo o regime colonial. de uma jurisdição voluntária. Isto porém não significa que na Carta de 1824 as disposições relativas ao Poder Judiciário fossem todas deficientes. dizia ainda o mesmo artigo. se converteu em lei. 161: “ Sem se fazer constar que se tem intentado o meio de reconciliação. guardada a ordem do processo estabelecida na lei. se assim o convencionarem as mesmas partes. Deve-se atentar. não se começará processo algum. dispunha que “ todos os juízes de direito e os oficiais de justiça são responsáveis pelos abusos de poder e prevaricações que cometerem no exercício de seus empregos” . não chegasse a assumir jamais a feição de um poder independente.” Disposição complementada pelo que dispunha o artigo seguinte: “ Para este fim. para a sábia disposição do art. terminaram contribuindo para que o Judiciário. O art. por meio dos Juízos de pequenas causas. aditando ainda que “ esta responsabilidade se fará efetiva por lei regulamentar” . o próprio texto constitucional.” Se essas disposições não se tornaram efetivas. Sem dúvida que. como se vê. segundo o qual nas causas cíveis e nas penais civilmente intentadas podiam as partes nomear juízes árbitros. durante o Império.A Constituição de 1824 • 41 A matéria só foi decidida em 23 de outubro de 1875. que ainda hoje se intenta generalizar.. e do outro. no entanto..” . haverá Juízes de paz. serão executadas sem recurso. Trata-se. apresentado em 1841. de um lado. 160. por exemplo. quando o projeto de Lopes Gama. Suas sentenças. com as conhecidas resistências. permitindo que o Supremo Tribunal tomasse assentos. 156. que poderá ser intentada dentro de ano e dia pelo próprio queixoso ou por qualquer do povo. a inércia legislativa. isto se deve menos à maneira como tais cautelas foram concebidas e inscritas no texto constitucional do que ao espírito corporativista que sempre caracterizou o Judiciário no Brasil. como determinavam as Ordenações do Reino. peita. haverá contra eles a ação popular. os quais serão eleitos pelo mesmo tempo e maneira porque se elegem os Vereadores das Câmaras. peculato e concussão. enquanto o o de n 157 prescrevia: “ Por suborno.

Mas é exatamente aí. que a concepção do Poder Moderador exerce o seu papel conceitual de “ chave de toda a organização política” . a partir do fim do séc.A Constituição de 1824 • 42 Sendo suas atribuições e distritos regulados por lei. na realidade opostas e conflitantes – a do autoritarismo implícito da monarquia. na conciliação dessas tendências. Foi exatamente na existência desse poder que se funda- . mas não governa” . Como se vê. com as aspirações democráticas do constitucionalismo que explodiu como realidade política. Sem a existência do Poder Moderador. VII –O PODER MODERADOR E O “ IMPERIALISMO” “ O Poder Moderador –dizia o art. as resistências à simplificação do processo judicial. XVIII. como chefe supremo da Nação e seu primeiro representante.” Essa redação revela mais o conceito doutrinário que jurídico do que deveria ser o “ quarto poder” . efetivamente. para que incessantemente vele sobre a manutenção da independência. Com as amplas atribuições do Poder Moderador. e é delegado privativamente ao Imperador. E é nessa concepção que reside. e não a maioria parlamentar da Câmara que livremente escolhe. do que das sábias disposições constitucionais da Carta de 1824. herdados da Metrópole e criteriosamente preservados depois da Independência. segundo a máxima de que “ o rei reina. com que ainda hoje nos debatemos. aprova e derruba o Ministério. Aí se erige a preeminência da figura do Monarca. a chave da organização política do Império. o caráter dominante e incontrastável de seu papel e a compatibilização da vocação autoritária de toda monarquia. e a modernização da máquina da Justiça constituíram mais o resultado da estratificação de normas e usos centenários. na medida em que é o Monarca. torna-se impraticável. com a democracia explícita do constitucionalismo – . como no modelo brasileiro. segue-se o modelo clássico do parlamentarismo inglês. equilíbrio e harmonia dos mais poderes políticos. o parlamentarismo deixa de ser possível. 98 da Constituição –é a chave de toda a organização política. com o seu poder transmitido hereditariamente. com a independência dos Estados Unidos e a Revolução Francesa de 1879.

conservaos na direção de sua alta missão. como vimos. Pedro II que. única e exclusivamente ao arbítrio de D. de examinar como os diversos poderes políticos. não previu e. por Jellinek (L’ Etat moderne et son droit). Senado Federal. é. É a sua concepção. são exercidos. Visconde de. Brasília. de todas as instituições fundamentais da (19) Nação. ) é a suprema inspeção da Nação. que impulsiona a monarquia constitucional no caminho de seu papel ativo. a mais elevada força social. voluntariamente.. não concebeu a prática do sistema parlamentar entre nós. claramente descrito. 203 e segs. Pode-se mesmo dizer que o Poder Moderador moldou o regime político que tivemos nos 65 anos de duração da Carta de 24. José Antonio Pimenta Bueno. diz em sua obra Direito Público Brasileiro e Análise da Constituição do Império: “ O Poder Moderador ( .” Efetivamente está aí. portanto. por deliberados atos de tolerância para com o sistema político. Poder Neutro ou Poder Conservador. isto se deveu. quanto os ultraconservadores que sempre invocaram sua existência para mostrar que a Constituição não quis. Poder Imperial. É a faculdade que ela possui de fazer com que cada um deles se conserve em sua órbita. é quem mantém seu equilíbrio. impede seus abusos. p. independentemente das leis. que ela criou e confiou a seus mandatários. paulatina e progressivamente pela prática. Direito Público Brasileiro e Análise da Constituição do Império. 2a ed. para o fim social. a Clermont-Tonnerre e 19 SÃO VICENTE. e que não pode exercer por si mesma. de um lado. em última análise. tanto o voluntarismo exclusivista de Pedro I. o bemestar nacional. o seu papel dominante. a sua concepção é atribuída. o órgão político mais ativo. e o alto direito que ela tem.. em aberta dissensão com a maioria parlamentar. um dos grandes juristas do Império e. dos maiores comentadores de nosso Direito Constitucional. seguramente. em contraste com o papel passivo das monarquias parlamentares. e concorra harmoniosamente como outros. delegou os poderes que tinha aos sucessivos Ministérios com os quais governou e que nem sempre escolheu. o mais influente.A Constituição de 1824 • 43 ram. Chamado com muita propriedade de Poder Real. Não é sem razão que Pimenta Bueno. . enfim. na escolha dos ministérios de sua livre conveniência. Se este se estabeleceu.

até 1844. perdoando e moderando as penas impostas aos réus por sentença. não impediu. ainda se revelava impraticável no País. quer em relação ao Executivo. foi aplicado apenas no Brasil e esta é uma das singularidades da Constituição Política do Império. nem a circunstância de residirem numa só autoridade. a ser a rotina do fim do Império. em 1868. a sua faculdade de descaracterizar o sistema parlamentar que poderia ter sido implantado desde o início da monarquia constitucional. e zelosamente por seu filho. Pedro I. os dois poderes: o Moderador e o Executivo. o Imperador muito cedo se conformou em ser apenas o árbitro e não o ator solitário da cena política brasileira. Pedro II exerceu o seu magistério sobre o sistema político. porém. E. a quem se atribuía a aplicação implacável do “ lápis fatídico” . que. que se exercia quer em relação ao Legislativo (nomeando os Senadores. Esse poder. por outro. exercido autoritariamente por D. com tal amplitude. Foi graças a essa onipotência quase divina do Monarca que a própria Constituição declara “ inviolável e sagrada”que D. fazendo-o pendular entre conservadores e liberais que. ainda que tardiamente. não um ator solitário Temos que reconhecer. não é propriamente nem a amplitude de tais poderes. proeminente por sua própria posição política. e que terminou levando-o à renúncia em 1831. Na prática. entre 1837 e 1868.A Constituição de 1824 • 44 a Benjamin Constant. mas que efetivamente. dissolvendo a Câmara. Um árbitro. sancionando as proposições do Legislativo e aprovando e suspendendo interinamente as resoluções das Assembléias provinciais). em relação ao Judiciário (suspendendo os Magistrados. quando assumiu o poder aos 14 anos. prorrogando e adiando a Assembléia Geral. convocando. Entre 1840. finalmente. exatamente. o que marcou a ação desse poder foi. Ao contrário. quer. que a praxe do sistema parlamentar viesse. se exorbitou os poderes do Monarca. e concedendo anistia). no entanto. O que devemos ter em conta em relação à prática constitucional. como vimos no episódio do Gabinete Zacarias. embora acusado de exorbitar de suas funções constitucionais. dominaram o bipartidarismo brasileiro da época. de um lado. (nomeando e demitindo livremente os Ministros de Estado). quando os . no entanto.

com maior ou menor grau de ascendência. cada vez mais aceleradamente. tendo tomado posse em 3 de agosto de 1866. Museu Imperial – camente suas pendências. Pedro II esteve. É um interregno curto. de que foi o grande artífice. quando os conservadores voltam ao poder. em decorrência do incidente com Caxias. portanto.Petrópolis. os quatro anos de 40 a 44. depois da “ Praieira” . e o segundo que.D. inaugurado em 24 de maio de 1862. .A Constituição de 1824 • 45 liberais voltam ao poder. quando o Marquês de Paraná inaugura o seu Gabinete da “ Conciliação” . A partir daí. apenas seis anos separam a revolta liberal de 1842 da manifestação armada dos liberais pernambucanos de 48. em Pernambuco. RJ. e o Monarca tinha apenas 18 anos de idade. o Monarca não tinha outra opção que a de ceder-lhes o mando político. a 6 de setembro de 1853. Esse predomínio conservador dura exatamente cinco anos – de 29 de setembro de 1848. data de sua retirada. D. Tirando-se. por Vítor Meireles. permanece até 16 de julho de 1868. até o Gabinete Abaeté de 12 de dezembro de 1858. pode-se dizer que sua influência sobre a escolha pessoal dos Ministros se exerceu durante 24 de seus 50 anos de reinado. Pedro II. renunciando às prerrogativas constitucionais do poder moderador. em que este último corresponde ao de sua maioridade efetiva. Afi. quando novamente os conservadores voltam ao poder para uma permanência de mais quatro anos. Entre 1844 e 1848. os liberais tinham demonstrado sua imaturidade para solver politi. sob a verdadeira tutela da chamada “ Facção Áulica” denominada depreciativamente de “ grupo da Joana” . O novo e longo predomínio liberal dura exatamente o intervalo entre os dois gabinetes Zacarias: o primeiro. porém. D. Pedro II vai. Com a insurreição pernambucana. nal.

ainda assinalava: “ Um. pela disputa entre conservadores e liberais. sobre o assunto. na época. depois ostensiva. suscitou a reação dos liberais. por sinal. indistintamente plantada nos dois partidos. a velha dicotomia partidária que marcou a maior parte do segundo Império. a ação dos liberais foi cada vez mais agressiva. E. mostrando que a autoria do de Zacarias era conhecida. reeditaria. não escolhido pelo Imperador. Teófilo Otoni chama a atenção para o fato de que estavam se multiplicando. O seu estilo. Entrava na ordem do dia a chamada questão do “ poder pessoal”que Melo Matos consagrou. quer perante os conservadores. contra o excessivo poder do Monarca. as publicações jornalísticas e os panfletos” . finda a política da Conciliação. no entanto.A Constituição de 1824 • 46 A questão. primeiro tímida. era por demais conhecido para que ficasse no anonimato. pronunciou na sessão legislativa de 1861. publicada em 1860 e reeditada por Basílio de Magalhães no vol. Nesse episódio. E contribuiu. no entanto. Os ataques ao poder pessoal O primeiro e mais duradouro desses ataques surgiu. foi a grande questão que permeou o Império. como um opúsculo cuja autoria o grande chefe liberal Zacarias de Góes e Vasconcelos assumiu dois anos depois. 132 da Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. A prática constitucional o convenceu de que o exercício de seu poder de árbitro da política partidária lhe impunha um progressivo abandono do exercício do poder moderador. Tanto assim que em sua famosa Circular aos eleitores da província de Minas Gerais. quando a praxe da escolha dos Ministros pelo Presidente do Conselho já estava razoavelmente consolidada. sem dúvida. acrescentando-lhe os discursos que. publicado nesta Corte em anônimo e com o título Da natureza e limites . O episódio da eleição de Teófilo Otoni para o Senado. com a denominação do “ imperialismo” . “ acerca das atribuições do Poder Moderador. anonimamente no ano de 1860. para erodir sensivelmente a sua autoridade. Esta. notadamente a partir da década de 60. Começou aí uma intensa discussão que. ao reeditálo. é que o fim da interferência do “ lápis fatídico” do Monarca o levou a um progressivo abandono de sua base de sustentação política. quer perante os liberais.

por conseqüência.. no dia 17 de julho. Dizei-me: o que é que aconselhava o sistema representativo? O que é que aconselhava o respeito à vontade nacional? Sem dúvida que outro Ministério fosse tirado dessa maioria.. estava também sendo lançada outra destruidora crítica sobre o regime: as Cartas do Solitário. no discurso famoso que ficou conhecido Teófilo Otoni colonizou extensa região de Minas sorites” : Gerais. de Tavares Bastos. em 1862. tão legal. quando ascendeu ao poder o Ministério de 24 de maio. até o desenlace fatal da queda do gabinete de Zacarias. uma maioria tão legítima. ) Segundo uma expressão que em outros anos eu repetira.” Quando o chefe liberal o reeditou. é o escrito mais importante dos que se tem levado aos prelos sobre o objeto: tem sido geralmente atribuído ao ilustrado Sr. eu direi: Não é aqui que se fazem ou desfazem os Ministérios! Ministérios! ( . ao comentar a ascensão de um gabinete conservador. o Conselheiro e Senador Nabuco de Araújo traçava o declínio inexorável do poder do Monarca de exercer sem limites as suas atribuições delegadas ao poder moderador. Fundou a cidade de como do “ Filadélfia.. não porque uma minoria se tornasse maioria. é muito imperioso.. ( . foi uma fatalidade para as nossas instituições. não de um Governo absoluto de direito. ) Senhores. em 1852... constituída pela vontade nacional. havia no Parlamento uma maioria liberal. é que tenho apreensões de um Governo absoluto. entre 1847 e 1857. em minha consciência (talvez esteja em erro). Senhores. em 1868. Conselheiro Zacarias de Góes e Vasconcelos. e devo dizer. a crescer. Senhores. porque não é possível neste País que está na América. ( .. que recebeu seu nome. Chamou-se um Ministério de uma política . mas de um Governo absoluto de fato. sou chamado à Tribuna por um motivo que. o Ministério que a representava decaiu.. mas por diferenças que houve nas relações da Coroa com os seus Ministros. ) Essa maioria tendia. E cresce a tal ponto que. A partir daí.A Constituição de 1824 • 47 do Poder Moderador. Mas fez-se isto? Não. a oposição ao “ poder pessoal”só tende a crescer. numa Câmara de maioria liberal. como têm sido todas as maiorias que temos tido no País. Este motivo. “Senhor Presidente. não por uma vicissitude do sistema representativo.

feito à discrição e ao talante do Poder Moderador. Senhores. ao longo do tempo. obtida pelos mesmos métodos autoritários que o “ sorites” famoso descreveu. porque há de fazê-la..A Constituição de 1824 • 48 contrária. III. há de cingir-se. Se era ilegítima a ascensão dos conservadores. que Oliveira Lima. com muita propriedade. não podeis ir até o ponto de querer que nessa faculdade se envolva o direito de fazer política sem a intervenção nacional. este sorites que acaba com a existência do sistema representativo: o Poder Moderador pode chamar a quem quiser para organizar Ministérios. esta eleição faz a maioria. vós não podeis levar a tanto a atribuição que a Constituição confere à Coroa de nomear livremente os seus Ministros. aí está o sistema representativo do nosso país” . . transformados em maioria por obra e graça do poder do Ministério. Segundo os preceitos mais comezinhos do regime constitucional. à política estabelecida pela vontade nacional: foi chamada ao Ministério uma política vencida nas urnas. no estado em que se acham as eleições no nosso país? Vede este sorites fatal. como hão de descer por outra maioria. v. para organizar Ministérios. que é o princípio das maiorias. por sinal. Eis. os Ministérios sobem por uma maioria. pelo menos em poder. o Poder Moderador não tem o direito de despachar Ministros como despacha empregados. é sistema representativo? Não. Isto. cit.. ao princípio dominante do sistema representativo. que tinham produzido a maioria que se acha vigente e poderosa no Parlamento. delegados e subdelegados de polícia. ao ímpeto dominador de Pedro I. se não em atribuições. exatamente. adversa à política dominante. Mas esse. era o objetivo de sua inclusão no texto da Constituição. Alargamento de funções. 137. esta pessoa faz a eleição. dizei-me: Não é isto uma farsa? Não é isto um verdadeiro absolutismo. de forma certamente injusta. Senhores. A despeito dessa realidade. Op. p. Por sem dúvida. o direito de substituir situações como lhe aprouver. Todos reconhecem que a existência do Poder Moderador contribuiu para fortalecê-lo ainda mais. Um poder que se amoldava.. a prática constitucional não impediu que o Parlamento crescesse. Nenhum analista da vida política do Império nega que o poder do Monarca tenha sido avassalador. ilegítima era também a maioria liberal predominante. Joaquim.(20) Nabuco rebelava-se tardiamente contra um sistema indistintamente usado tanto por conservadores como por liberais ao longo de todo o Império. debita ao próprio Monarca: 20 NABUCO. Ora.

cit. comércio ou emprego. As atribuições do Conselho estavam previstas no art.. 142: 21 LIMA. na realidade. em vez de sê-lo por decisões ministeriais.A Constituição de 1824 • 49 “ O Executivo foi até certo ponto culpado da autoridade crescente do Legislativo. permitindo que a intervenção deste se estendesse a assuntos administrativos de menor alcance. A denominação de congressional government usada por Wilson nos nossos dias. recomendações e soluções de origem legislativa e a sofrer mesmo que os seus funcionários fossem responsabilizados pelas Câmaras por atos públicos” . O número de Conselheiros era fixado em dez. um instrumento cuja aplicação dependia menos de sua concepção teórica do que das convicções de quem o exercia.(21) Esta opinião mostra como pode ser ambígua a avaliação histórica do papel que. capacidade e virtudes. “ composto de Conselheiros vitalícios. aí não compreendidos os Ministros de Estado. tratam do Conselho de Estado. não foi na sua realidade uma inovação. por bens. que só seriam reputados integrantes efetivos do Conselho. maior de quarenta anos. 137 a 144. Op. mediante “ especial nomeação do Imperador para este cargo” . indústria. estatuía o art. com preferência os que tiverem feito serviços à Pátria”devendo dispor de rendimento anual. Para ser Conselheiro. que constituem o Capítulo VII da Constituição (incluído no Título V – Do Imperador). da soma de 800 mil réis. devendo ser “ pessoa de saber. nomeados pelo Imperador” . p. os quais passaram a ser regulados pelos pareceres das comissões parlamentares. 380. 140 que eram requeridas as mesmas qualidades que devem concorrer para ser Senador: cidadão brasileiro no gozo de seus direitos políticos. Oliveira. com relação ao governo americano. O governo imperial entrou a receber advertências. . VIII –O CONSELHO DE ESTADO NA CONSTITUIÇÃO E NA LEI Os arts. coube ao Poder Moderador.

por força do Ato Adicional). Na verdade. que funcionou entre 1828. negociações com as nações estrangeiras. para que tivessem força de lei. no caso de suspensão dos magistrados. o órgão incumbido por D. como a inglesa. ano de sua instalação. na convocação. tinha se tornado. Pedro I. Por conseqüência. de 8 de setembro de 1569. ele não só sucedia ao Conselho Geral de Procuradores das Províncias que propôs a convocação da Constituinte de 1823. portanto. sendo depois por ela dissolvido. em 1562. à exceção da 6a. assim como em todas as ocasiões em que o Imperador se proponha exercer qualquer das atribuições próprias do Poder Moderador. Na verdade. que serviu de modelo de organização às monarquias constitucionais do mundo ocidental. 101. sendo sua organização e funcionamento estabelecidos pelo Alvará de D. Sebastião. ele descendia do Conselho de Estado português que. o colegiado que a Constituição criou foi o segundo Conselho com esse nome. na sanção dos decretos e resoluções da Assembléia. A importância do Conselho na Carta de 24 não decorre apenas de ter sido por ela instituído. na aprovação e suspensão interinas das resoluções dos Conselhos Gerais de Províncias (depois Assembléias Legislativas Provinciais. Pedro I de elaborar o projeto que ele afinal veio a outorgar como Constituição. no perdão das penas dos condenados e na concessão de anistia. Henrique. na fase pré-constitucional. quando foi extinto pelo Ato Adicional de 1834. discutido na Constituinte de 1823 e como mostrou Tavares de Lyra: . indicadas no art. como ensina José Honório Rodrigues (Conselho de Estado. foi instituído de forma permanente pelo Cardeal D. e 1834.A Constituição de 1824 • 50 “ Os Conselheiros serão ouvidos em todos os negócios graves e medidas gerais da pública administração. principalmente sobre a declaração de guerra. Este primeiro Conselho. prorrogação ou adiamento das reuniões da Assembléia Geral. ajustes de paz. um fator de agravamento do absolutismo de D. como também atendia à tradição dos Conselhos Privados da Coroa em outras monarquias.” Esta última era a faculdade de livremente nomear e demitir os Ministros de Estado. mas sim de um fato singular: a circunstância de ter sido o Conselho. Ele estava previsto no projeto de Antônio Carlos. No caso brasileiro. o Conselho seria obrigatoriamente ouvido nos casos de escolha dos Senadores. O Quinto Poder?). na visão dos liberais da época.

Grandes vultos do Império usaram sua tribuna para defender seus ideais. Conselho de Estado. 37.” No regime parlamentarista estruturado em 1847 pela lei que criou a Presidência do Conselho. 1978. E um conselho a que pertencessem os Ministros. Lembra José Honório Rodrigues para patentear essa antipatia que o Conse22 Cf. com o Poder Moderador. Senado Federal. uma força poderosa e incontrolável a serviço da onipotência do trono ou das camarilhas palacianas. o reduto do aulicismo manhoso e interesseiro. O Conselho Privado de que cogitara Antônio Carlos (no projeto de Constituição apresentado à Assembléia de 1923) teria sido. Brasília. não passaria de simples prolongamento (22) do Poder Executivo. O Quinto Poder? p. I. Atas do Conselho de Estado. José Honório. depois de dissolvida a Constituinte). Um reduto de áulicos? O temor manifestado por Tavares de Lyra. na forma do decreto de 13 de novembro (o que elaborou o projeto de Constituição. consumouse. o Conselho foi tido pela oposição liberal como um reduto de áulicos.A Constituição de 1824 • 51 “ A Constituição foi cautelosa e sábia ao criar o Conselho de Estado nos moldes em que o fez. Pedro I. inimigos da monarquia constitucional e adeptos do absolutismo. uma peça inútil no mecanismo do Estado. Composto em sua maior parte de Senadores e amigos de D. RODRIGUES. v. . no entanto. importantes funções eram atribuídas ao Senado.

prova-o a atitude da Câmara no episódio da escolha da Regência.A Constituição de 1824 • 52 lho despertava que. Determinava a Constituição em seu art. como afirma José Honório. que fosse verdadeiramente monárquica” . e que viessem tropas estrangeiras. durante a menoridade do monarca. Doze dias depois. tanto pelo motivo de que vários Conselheiros eram indignos da confiança da Nação. no tempo desse nefando ministério clementino (integrado por José Clemente Pereira). declarou-se contra “ uma lembrança que ouvira de substituir a falta da Regência permanente por uma Regência provisória composta de Conselheiros e Ministros de Estado. na sessão de 7 de maio de 1831. achando-se dividido o Conselho de Estado. Mas não eram só essas declarações que provam. logo após a abdicação do Monarca. e outros que se devia dar outra Constituição. o . o domínio liberal era avassalador” . o requerimento de convocação da Assembléia Geral Constituinte do Brasil. também Deputado pela Bahia. a fim de que “ a Câmara dos Deputados tomasse conhecimento dos atos de muitos Conselheiros tendentes a destruir o sistema constitucional” . aos 23 de maio de 1822. segundo estava determinado na Constituição. sendo talvez os mais velhos aqueles que têm dado conselhos piores e mais violentos” . na qual. ele alegava saber que “ ainda no ano de 1829. 123 que. em 1831. José Clemente Pereira apresentou. destruindose de uma vez a instituição. ao Príncipe Regente. que o Conselho “ nunca gozou da simpatia da Câmara. o Deputado José Lino Coutinho leu uma indicação para que fossem pedidas as atas do Conselho. Em defesa de seu pedido. porquanto uns Conselheiros queriam que se aclamasse o absolutismo. Mais do que isso. se projetou destruir o sistema jurado. Antônio Pereira Rebouças.

privado o primeiro de qualquer Conselho que não fosse o dos Ministros. Alegou-se que não havia Ministério após a renúncia e que. incluiu. 141. com esse ato.” Foi por causa da antipatia que os liberais votavam ao Conselho que não se cumpriu a disposição constitucional. 124: “ Governará o Império uma Regência provisional. o Visconde de Uruguai escreveu que. pelo mais antigo Conselheiro de Estado. e dois Conselheiros de Estado mais antigos em exercício. dos quais o mais velho seria o Presidente. 142. sem o atendimento das disposições constitucionais. presidida pela Imperatriz viúva e.A Constituição de 1824 • 53 Império seria governado por uma Regência. 140. o “ Poder Moderador e o Executivo ficaram completamente isolados. nestas condições. para que a Câmara de maioria liberal. “ para o fim de ser suprimido o Conselho de Estado” . Se não houvesse parente em tais condições. Enquanto essa Regência não fosse escolhida. “ segundo a ordem de sucessão e que seja maior de 25 anos” . o que foi feito pelo art. sem abrigo. 32 do Ato Adicional. à qual devia pertencer o parente mais chegado do Imperador. comprovasse definitivamente que o Conselho de Estado era uma instituição suspeita aos liberais. ditava o art. na sua falta. Não demorou muito. no entanto. 139. Em seu Ensaio sobre o Direito Administrativo. 138. pra- . então com cinco anos de idade. eleita em 1834 com poderes especiais para reformar a Constituição. voltando a instituí-lo. porém. como era o caso de D. entre os artigos a serem reformados. A Lei de 12 de outubro de 1832 (ato de autorização para reformar a Constituição do Império). a Regência provisória deveria ser escolhida pela Assembléia. 143 e 144. a própria Assembléia reconheceu o erro da supressão do Conselho. a Assembléia Geral devia designar uma Regência de três membros. composta dos Ministros do Império e da Justiça. Pedro II.” A necessidade do Conselho Mais cedo do que se poderia supor. que mandava os eleitores concederem poderes especiais à Legislatura seguinte para reformar a Carta de 1824. os de nos 137.

para entrarem no Conselho de Estado. quando forem chamados para alguma consulta. e tanto estes como os ordinários serão nomeados pelo Imperador.A Constituição de 1824 • 54 ticamente com as mesmas características. observar a Constituição e as leis. Pedro II. por tempo definido. os Ministros de Estados a que pertencerem os objetos das consultas. Art. logo que tiver dezoito anos completos. 3o Haverá até doze Conselheiros de Estado extraordinários. antes de tomarem posse. o poderá dispensar de suas funções. § 2o Ter assento e voto no Conselho de Estado. e principalmente nos que são relativos ao exercício do Poder Moderador. porém. então com 14 anos. o Imperador. terão assento nele. Art. 4o Os Conselheiros de Estado serão responsáveis pelos conselhos que derem ao Imperador. os demais príncipes da Casa Imperial. lida na abertura da sessão legislativa desse ano. devendo ser julgados em tais casos pelo Senado. por meio da Lei n o 234. aconselhá-lo segundo suas consciências. Art. logo após a maioridade de D. Ao Conselho reunido presidirá o Imperador: às sessões. romana. ficam dependentes da nomeação do Imperador. o Imperador pleiteava a reinstituição do Conselho nos seguintes termos: “ Devo chamar a Vossa atenção sobre a necessidade de um Conselho de Estado. prestarão juramento nas mãos do Imperador de manter a religião católica. de 23 de novembro de 1841. ainda não o sendo. 5o Os Conselheiros. composto de doze membros ordinários. além dos Ministros que. Na primeira fala do trono do jovem Monarca. sendo para este fim designados. ser fiéis ao Imperador. O Conselho de Estado exercerá suas funções reunidos os seus membros ou em sessões. na forma da lei de responsabilidade dos Ministros de Estado. que eu possa ouvir em todos os negócios graves. Compete aos Conselheiros de Estado extraordinários: § 1o Servir no impedimento dos ordinários. . será de direito do Conselho de Estado.” Essa lei dispunha: “ Art. Para ser Conselheiro de Estado se requerem as mesmas qualidades que devem concorrer para ser Senador. 6o O Príncipe Imperial. Art. 1o Haverá um Conselho de Estado. atendendo somente ao bem da Nação. Art. em 3 de maio de 1841. opostos à Constituição e aos interesses do Estado. 2o O Conselheiro de Estado será vitalício. nos negócios relativos ao exercício do Poder Moderador. apostólica.

se reunia no Paço Imperial. 2o Sobre declarações de guerra. o mesmo se praticará com os antigos Conselheiros de Estado. O Conselho Pleno. de 5 de fevereiro de 1842. servindo como definitivo até o fim do Império. por sua vez. ajustes de paz e negociações com as nações estrangeiras. o tempo de trabalho. Art. mas que ficou. a maneira. 4o Sobre conflitos de jurisdição entre as autoridades administrativas. vencerão uma gratificação igual ao terço do que vencerem os Ministros Secretários de Estado. b) dos Negócios da Justiça e dos Estrangeiros. quando chamados. 101 da Constituição. 12). estando em exercício. regulamentos e instruções para a boa execução das leis. com a presença de. Os Minis- . 3o Sobre questões de presas e indenizações. 9o Ficam revogadas quaisquer leis em contrário. 7o Incumbe ao Conselho de Estado consultar em todos os negócios em que o Imperador houver por bem ouvi-lo para resolvê-los. e entre estas e as judiciárias. sete dos doze Conselheiros (art. 1 o e somente serão convidados para o Conselho reunido.A Constituição de 1824 • 55 Estes e o Príncipe Imperial não entram no número marcado no art. c) dos Negócios da Fazenda. 3o). As seções que se ocupavam dos negócios de dois Ministérios eram presididas “ pelo Ministro a quem tocar o objeto que nela se discutir” (art. indicadas no art. adotado como Regimento provisório. Art. Art. 6o Sobre decretos. e principalmente: 1o Em todas as ocasiões em que o Imperador se propuser exercer qualquer das atribuições do Poder Moderador. e sobre propostas que o Poder Executivo tenha que apresentar à Assembléia Geral. Os Conselheiros de Estado. sob a presidência do Imperador. na realidade. e d) dos Negócios da Guerra e Marinha. as honras e distinções que ao mesmo e a cada um de seus membros competir e quanto for necessário para a boa execução desta lei. O Conselho era dividido em quatro Seções que funcionavam sob a presidência dos Ministros: a) dos Negócios do Império. 5o Sobre abusos das autoridades eclesiásticas. no mínimo. e sempre que por ele convocado.” O regimento do novo Conselho de Estado foi aprovado pelo Regulamento no 124. 8o O governo determinará em regulamentos o número das seções em que será dividido o Conselho de Estado.

mas não podiam nem votar nem assistir às votações. e 1889. que dirigiu a edição das atas do Conselho Pleno. Constituinte de 1823. Cristiano Benedito Ottoni. Entre 1842. 7 nasceram em Portugal. Em seu governo. 62 eram brasileiros natos. sendo que Barão de Cotegipe. 2 na França (Paulino José Soares de Souza e Martim Francisco Ribeiro de Andrada) e 1 na África. cravos com mais de 65 anos. Jo sé Antônio Saraiva. Os negócios eram divididos entre os contenciosos e os não contenciosos. selho teve 72 Conselheiros. publicadas pelo Senado Federal em 1878. com seus irmãos. em Angola (Eusébio de Queiroz). levou-se à sanção do Imperador a Lei dos Sexagenários. O Quinto Poder?).preso e deportado. Sete convidados se recusaram a participar do Conselho: Zacarias de Góes e Vasconcelos. sendo depois com a proclamação da República. presidido pelo Marquês de Sapucaí (Cândido José de Martim Francisco Ribeiro de Andrada foi Araújo Viana). mas aceitou o convite para o cargo de Conselheiro extraordinário. em Sinimbu se recusou a ser Conselheiro or1885. ano de sua extinção. o Barão de Cotegipe. José Lins Vieira Cansanção de Sinimbu. data de sua deputado pelo Rio de Janeiro à Assembléia instalação. Liderou. o Moço e Fernandes Cunha. 18). José Bonifácio. 14 baianos e 13 mineiros. Visconde de Sinimbu. Dos brasileiros.A Constituição de 1824 • 56 tros podiam tomar parte nas discussões. Segundo o levantamento de José Honório Rodrigues. com doze volumes e um de análise histórica (Conselho de Estado. que libertava os es. desses 72. 17 eram fluminenses. o Con.dinário. . a oposição ao Imperador. quando a consulta versasse sobre a dissolução da Câmara dos Deputados ou do Ministério (art. Os primeiros sete Conselheiros ordinários e dois extraordinários foram nomeados sob o Gabinete Conservador de 23 de março de 1841.

A Constituição de 1824 • 57 Um julgamento severo Segundo a apreciação de José Honório Rodrigues. era dividida em duas Câmaras: a dos Deputados. O quarto poder era a ditadura. ou por ajustes de interesses. e por eles eruditamente defendida ( . mas vitalícia. decidida pelos conservadores e finalmente aceita pelos liberais que sempre desconfiaram da instituição. Os Conselheiros do quinto poder eram. um órgão de estatização da monarquia representativa e constitucional. p. “ O quarto (Poder Moderador) e o quinto poderes (o Conselho de Estado) foram criações engenhosas da minoria dominante brasileira. Nem governo nem povo são anjos.(23) A despeito do julgamento extremamente severo de José Honório sobre a elite do Império. disfarce com que se apresentava a ditadura do Poder Moderador” . ) Aberrações do poder e agitações populares se opõem dialeticamente. e a dos Senadores. os guardiões do quarto poder.. a recriação do Conselho de Estado. Falou-se muito numa palavra-chave hoje em desuso. para o objetivo de manter a estabilidade política e institucional pretendida pela Constituição de 1824. para melhor e mais seguramente manter o seu domínio imperial. foi um momento criador da história política do País. ao contrário do que ocorreu nas Cartas francesas de 1791. o historiador que mais detida e acuradamente estudou a instituição. igualmente eletiva. mas dela participaram.. em 1841. subjugar as multidões que temiam e até detestavam –e punir a ferro e fogo os que se opusessem ao seu poderio. mas há momentos que. temporária e eletiva. IX – CONSTITUIÇÃO E REPRESENTAÇÃO A representação política brasileira na Carta de 1824. Carneiro de Campos. e o quinto justificava com todo o saber as razões de Estado. ibidem. “ o Conselho de Estado foi um guardião das tradições do regime. 1793 e 1848. ambos se ajudam e se tornam criadores” . . segundo ele. ou por conciliação. fixura. não se pode deixar de reconhecer que. dita plácida por seu autor. a fixidez das instituições consideradas imutáveis. Para ele. 67. A escolha dos Senadores se 23 Idem.

era legítima. sem rebeldias e sem revoltas.A Constituição de 1824 • 58 operava tal como a dos Deputados. segundo o art. quando da escolha dos senadores que formaram a primeira Legislatura. A vitaliciedade do Senado foi sempre. adeptos do que à época se chamava o “ partido português” . E essa desconfiança. o Senado foi o reduto do conservadorismo. Esta circunstância cercou a segunda câmara da desconfiança popular. “ quando se encerrou a sessão legislativa de 1826. em dois graus. o líder do regresso. ao movimento renovador que se operava. assinalou que. assinala em sua Introdução a O Parlamento e a Evolução Nacional: “ Não creio ser verdadeiro dizer que o Senado estaria sempre um pouco mais à direita do Partido Conservador. era feita “ em listas tríplices.” 24 “ Apud” RODRIGUES. sobre as quais o Imperador escolherá o terço na totalidade da lista” . ultra-reacionária. no início. Vasconcelos. no entanto. o mais poderoso elemento de resistência às aspirações democráticas do País. enquanto no ramo temporário do Parlamento começavam a irromper confusa e desordenadamente as idéias liberais. alheio. escolhendo os eleitores de paróquia os de província e estes os Deputados e Senadores. 43. 231. a eleição dos Senadores. encontra em 1839 formidável reação no Senado. por meio de sufrágio censitário. acrescenta. considerando-o uma corporação oligárquica. também é certo assinalar que isto não foi uma característica permanente. 25 Idem. escrevendo sobre o centenário da instituição. Ao contrário do que ocorria com a dos Deputados. por completo. ibidem. Tavares de Lyra. tendo permanecido. Pedro I o compôs com uma grande maioria de áulicos. . ele se quedava indiferente. em 1926. I – Introdução Histórica. sempre tão severo no julgamento dos conservadores. objeto de ampla e permanente contestação dos liberais. D. v. 230. e que acabaria por levar de vencida os mais formidáveis redutos do absolutismo imperial. José Honório. porém. p. O fato é que. como preceito constitucional até a proclamação da República. O Parlamento e a Evolução Nacional. porque. desde 1831. fundado em 1837. já o instinto popular o olhava com a maior desconfiança.”(24) Se é verdade que. Pedro maior. p. José Honório Rodrigues. cavando sulcos profundos na opinião e formando correntes avassaladoras. em 1826. lembra ele. e em (25) 1840 é o Senado que acolhe a ação liberal para aclamar D.

à medida que iam sendo criadas novas Províncias. tanto no Império quanto na República. 97 determinava: “ Uma lei regulamentar marcará o modo prático das eleições.” 26 SÃO VICENTE. O número de Senadores. o mais autorizado comentador coetâneo da Carta de 1824. cit. o número de Deputados fosse se alterando. E o fato é que o bicameralismo terminou se tornando um princípio permanente de nossa organização política. para colocar com propriedade o papel que a Câmara vitalícia exerceu no Império: “ A sociedade tem dois grandes interesses sempre em ação: o da conservação dos bens que goza e o do progresso. sem opor-se àquela representação. Na primeira Legislatura. como ocorreu com o Paraná e o Amazonas.A Constituição de 1824 • 59 Ninguém melhor do que Pimenta Bueno. a 116. verdadeiramente. p. previsto no art. deu no entanto aos mandatos senatoriais uma duração três vezes maior (nove anos) do que aos dos Deputados que na vigência da Carta de 1891 duravam apenas três anos. 329. dos interesses e móveis. variava segundo a representação proporcional na Câmara temporária: “ Cada Província dará tantos Senadores quantos forem metade de seus respectivos Deputados. Op. A Câmara dos Deputados é a representação ativa do progresso.” Esta foi. Se esta pôs fim à vitaliciedade. Marquês de. deve fora disso ser o repre(26) sentante das idéias conservadoras e do interesse geral. . quando suas vistas forem bem fundadas. O art. quando o número de Deputados da Província for ímpar. no fim do Império. por sua vez. dará cinco Senadores. de maneira que a Província que houver de dar onze Deputados. relativamente à população do Império. como predominante. mas de legislação ordinária. O número de representantes Outra particularidade da Carta de 1824 era a circunstância de que o número de representantes não era matéria constitucional.” Isto permitiu que. o dos seus Senadores será metade do número imediatamente menor. a sua função. 41. tem também sempre em movimento os interesses das localidades e o interesse geral. esse número era de 102. José Antônio Pimenta Bueno. tendo chegado. e o número dos Deputados.. outro ramo essencial do poder legislativo que. o Senado é o outro órgão. com a diferença que.

pois o voto só se universalizou no séc. em Portugal. em 1881. que instituiu o voto direto. não contava 27 Idem.000 eleitores. de 1821 a 1878. A revolução socialista daquele ano (que repercutiu no Brasil com a Praieira). O voto era censitário e abrangia pouco mais de 1% de população. de 1849 a 1871. a partir de 1934. na Itália. quase uma regra geral: “ Seguíamos a regra praticamente uniforme do sufrágio censitário que durou. não chegava a ter 250. p. e na Inglaterra. Mas. portanto) e 1881. na Espanha. que formou o reino da Bélgica. até 1848. até 1918. na Suécia. o País praticou entre 1821 (antes da outorga da Carta de 1824. Ambas. giraram menos em razão da interferência do Monarca do que do interesse dos partidos. de 1812 a 1869. com todas as particularidades assinaladas nos Capítulos II e III. o processo de escolha de Deputados e Senadores em dois turnos. mostra Afonso Arinos. de 1830 a 1893. de 1861 a 1907. era. com 12 milhões de habitantes em 1881. o que mostra que era muito pequeno o lastro eleitoral do País. como lembrou Afonso Arinos em sua A Câmara dos Deputados – Síntese histórica. sem dúvida. XX e as mulheres só passaram a ter o direito de voto. a culta e adiantada conquistadora do Norte brasileiro. data da Lei Saraiva.A Constituição de 1824 • 60 A autenticidade do voto. de 1848 a 1912. no Brasil. na Alemanha. como ele mesmo ressalva. 331. A Constituição de 1830. Na verdade. com eleições em quatro turnos. apenas 150 mil eleitores.000 eleitores. relativamente ao que se praticou na época em Portugal e Espanha. duas questões tornaram-se permanentes durante todo o Império. a questão eleitoral Se o sistema político funcionou com razoável dose de eficiência. . na Áustria. separado do da Holanda. de 1814 a 1907. proveio de um corpo eleitoral de 44. como lembra Afonso Arinos.(27) Outra crítica de historiadores e sociólogos brasileiros. o eleitorado francês a 9 milhões de habitantes. graças ao sufrágio universal. é que tínhamos. um razoável avanço. o que representava. de 1789 a 1848. é que elevou subitamente. “ A França. na Bélgica. ibidem. Isto. na Dinamarca. com população muito maior do que a do Brasil. até 1915” . A mesma Holanda. no entanto. relativamente à representação: a autenticidade do voto e a questão eleitoral. em França. esta era a prática geral.

mas do governo. Síntese Histórica.. do comércio. seja o mais nulo dos políticos do seu partido. 7.(28) A questão brasileira do sistema eleitoral. 28 . Afonso Arinos de. as eleições no Brasil: “ Esta política de partidos oficiais assenta no fato de serem as eleições produto meramente oficial. por sinal praticada pelos dois partidos que se revezavam no poder. Francisco Belisário Soares de Souza assim descrevia o que eram. esta eleição faz a maioria. ibidem.. para concluir. publicada em 1872 –O sistema eleitoral no Império – . p. os operários industriais e agrícolas adquiriram direito de voto na Inglaterra” . faz e desfaz Deputados a seu talante. Os candidatos não se preocupam com os eleitores. antes da reforma democrática de 1832. por meio de maciça e permanente intervenção do Poder Executivo. O Ministro do Império. era a falsificação da vontade do eleitorado. por este único fato. Tudo tornou-se oficial nas eleições. 3. aí está o sistema representativo do nosso País! Em uma obra que se tornou famosa. ainda com a Inglaterra. o único poder eleitoral da Província a que preside. só com a reforma eleitoral de 1867.” E. proclamar-se e ser reconhecido como tal é o seu primeiro e principal cuidado. 29 Idem. Câmara dos Deputados. seus eleitores não chegavam a 500 mil. desta ou daquela aspiração nacional. cujas boas graças solicitam e imploram. Ninguém se diz candidato dos eleitores. mas com o governo. Câmara dos Deputados.” MELO FRANCO. Ser candidato do governo é o anelo de todo o indivíduo que almeja um assento no parlamento. naqueles e não nestes pleiteiam as candidaturas. O que se observa nas altas regiões políticas (29) reproduz-se nos colégios e freguesias eleitorais. antes da reforma da Lei Saraiva. dava uma visão bem adequada do que era o sistema eleitoral: “ Os solicitadores se acotovelam nas ante-salas dos Ministros e Presidentes de Província e abandonam os comícios populares. 1973. Eis. no entanto. ) Ainda assim. p. que coroou a crise social ( . Brasília. E. com uma simples carta de recomendação. da lavoura. logo adiante. esta pessoa faz a eleição porque há de fazê-la. desde o Alto Amazonas até Mato Grosso. portanto depois da Lei Saraiva.A Constituição de 1824 • 61 mais de 135 mil eleitores até 1887. O mais desconhecido cidadão nomeado Presidente de Província constitui-se logo e. Uma situação que Nabuco de Araújo dramatizou de forma definitiva com o seu famoso sorites: O Poder Moderador pode chamar a quem quiser para organizar Ministérios.

roubam-se as urnas. D. a que se seguiu a Lei Saraiva que. e 1. pela Lei n o 387. por outras falsas. de 18 de agosto de 1860. o sistema vigente com o seu famoso sorites.675. não se pode esquecer a acusação que os conservadores fizeram aos liberais no documento em que o Ministério de 23 de março de 1841 pede. aprovou o Legislativo a primeira Lei regulamentar das eleições. A falsificação da verdade eleitoral As acusações sobre a falsificação da verdade eleitoral foram feitas indistintamente aos dois partidos. Quixote (20-2-1918) “ A esses atentados outros acrescem. a dissolução da Câmara. Senhor. que instituiu o título de qualificação dos eleitores. substituem-se nelas as listas verdadeiras. em nome dos liberais. ou pelo menos publicamente recebidas. de outubro de 1875. ( . se levantará para atestar que em 1840 não houve eleições regulares. alterada pelos Decretos nos 842. quando . essas instruções foram alteradas e só quatro anos mais tarde. que vigorou até o fim do Império. ) O Brasil inteiro. pelo Decreto no 157.082. Se Nabuco de Araújo verberou definitivamente. de 4 de maio. Lixto. A reforma seguinte. foi aprovada pelo Decreto no 2.A Constituição de 1824 • 62 Entre 1822 e 1842 vigoraram no Império as Instruções eleitorais aprovadas para a eleição da Constituinte de 1823 pelo Decreto de 3 de junho de 1822. o de 24 de julho de 1840: “ Ainda não se apagaram da memória dos brasileiros as recordações das tramas e violências que na eleição da atual Câmara dos Deputados foram cometidas em quase todos os pontos do Império. e até não se hesita diante da escandalosa e tão pública falsificação das atas. de 19 de setembro de 1855. instituiu o voto direto. o documento arremata: “ A VERDADE ELEITORAL A moralidade política não permitirá que a Verdade saia nua das urnas. pela primeira vez ao Imperador. de 19 de agosto de 1846. depois de descrever minuciosamente os processos de coação que eram típicos dos períodos eleitorais.” E.” K. Em 1842. sob a invocação das irregularidades praticadas pelo primeiro Ministério liberal da Maioridade. sem reformar a Constituição...

em 1830. O Sistema Eleitoral no Império. conclui sua apreciação com um judicioso julgamento: “ Quem estuda a nossa história política sabe bem que temos experimentado tudo. José Antonio da Silva Maia e Joaquim Vieira da Silva e Sousa. 1831 e 1835. em seu estudo sobre os primeiros cem anos do regime eleitoral brasileiro. no entanto. um mal de que o País só se livrou depois da instituição da Justiça Eleitoral. 46. nomeados Ministros.. Colégios houve que. e que com elas foram derrotados. Não é em razão que Tavares de Lyra. entregue constitucionalmente. Em alguns lugares é o número de eleitores permanentemente aumentado por uma maneira incrível e espantosa. Na verdade. enveredaram pelo caminho da reação. não conseguiram ser reeleitos. Brasília. 49. invocando o testemunho de Francisco Belisário Soares de Souza. publicado em 1921. os dois primeiros por Minas Gerais e o terceiro pelo Maranhão. por meio do reconhecimento do resultado eleitoral. absolutamente tudo que se encontra na legislação dos povos cultos para chegar à solução do problema eleitoral. ibidem. Lúcio Soares Teixeira de Gouveia. no texto já citado. mas os costumes políticos vigentes que levavam um partido a massacrar necessariamente o outro. 2a ed.” Se a fraude eleitoral foi a norma preponderante sob o regime da Constituição de 1824. 31 Idem. . 30 SOUZA. p. pela necessidade que tinha o que estava no poder de assegurar Câmaras unânimes. lembra que não eram as leis que eram más. a cada uma das Câmaras. intervindo ostensivamente nos pleitos eleitorais para constituírem Câmaras unânimes que lhes assegurassem duradoura preponderância na po(31) lítica do País. que vem a ser alistamentos regulares. ele assinala que: “ Nos primeiros tempos as instruções de março de 1824 deram os melhores resultados. Senado Federal. A verdade –aduz ele –é que elas só se tornaram imprestáveis quando os governos.A Constituição de 1824 • 63 o resultado que apresentam não está em tudo ao sabor dos interessados. Deputados que. em si. sob a alegação de ser necessário restaurar o domínio da lei para reprimir o espírito de anarquia que lavrava por toda parte. Tanto que. para que pudesse governar. apresentaram todavia mais de 1. p. calcado nas atas falsas a bico-de-pena e na invariável degola das minorias pelo famoso processo de “ verificação dos poderes” .000!” Tavares de Lyra. não podendo sequer (30) dar 100 eleitores. Francisco Belisário Soares de. não foi diferente o panorama eleitoral da República Velha. pela Carta republicana de 1891.

em regra. por sua vez. É do meio em que elas têm de ser aplicadas. sob o regime da Carta de 1824. Em 1872.3 milhão de eleitores. tem havido iniciativas parlamentares para estabelecê-lo. e que sobre o voto temos ensaiado todos os sistemas conhecidos. casos de inelegibilidade e incompatibilidade que.659 votantes que.” Outro dos aspectos sobre o qual recai a crítica dos historiadores que analisam a vida política do Império.478 habitantes. para justificá-las.A Constituição de 1824 • 64 eleições reais. invocando-se não raro.1 5 . O Relatório do Ministério do Império de 1870 mostrou que o Brasil.039. Mas em pura perda. realizou-se o primeiro censo demográfico brasileiro. com um total de 1. e passados trinta e um da instituição do voto direto. que apresentou o resultado de 9. Em 1912. com exceção apenas do voto obrigatório. quando Alves Branco e José Bonifácio propuseram que ele fosse concedido às mães de famílias viúvas. nem sempre se tem feito obra serena de justiça. vinte e três anos depois de proclamada a República. escolhiam 20. se não temos um regime eleitoral perfeito.2 milhões de pessoas e apenas 1.3 1 % 1 0 . apurações verdadeiras.6 1 Milhões . o defeito não é das leis. Se comparada com a da República Velha. porque nada resiste à ação dissolvente dos interesses e das paixões partidárias. só prevalecem contra os representantes das oposições. é o da inexpressiva base eleitoral da representação política. o que permite montar o seguinte quadro comparativo: A no 1870 1912 P o p u la ç ã o 9 . do voto proporcional e do voto das mulheres.930.333 paróquias.0 1 . não incluindo a Província de Mato Grosso. tínhamos uma população de 23.2 1 E le it o r a d o 1 . sendo que.006 eleitores de Deputados e Senadores. podemos concluir que os dados não são tão discrepantes e que um confronto rigoroso entre datas próximas não deixa tão bem a República. Mesmo no reconhecimento de poderes. datando a primeira de 1831.9 2 3 . Do exposto se vê que.96 votantes para cada eleitor. as depurações de candidatos eleitos em pleitos renhidos e disputados têm sido numerosas. naquela época (onze anos antes da Lei Saraiva). o que dava a proporção de 51. quanto a este último. estava dividido em 46 distritos eleitorais que se desdobravam em 408 colégios eleitorais e 1.

nunca chegamos a ter o que hoje poderíamos chamar de um sistema partidário. quando os liberais organizam a “ Liga Progressista”e o “ Centro Liberal” . como veremos. Na verdade. que na forma como hoje são concebidos constituem uma realidade do fim do Séc. ou talvez 1870. em forma de barrete frígio. XIX. acima das convicções. .” O Mequetrefe. Os partidos políticos do Império. não eram instituições. surgindo vicções. portanto. o primeiro que se realizou depois da instituição do voto secreto e da Justiça Eleitoral. Não parece justa. ou mesmo de simples in.3%. a sentença terrível de Oliveira Viana que em sua obra A queda do Império diz serem eles apenas “ simples agregados de clãs organizados para a exploração em comum das vantagens do poder” . vontades concorrentes. terminou implantando o regime da liberdade de organização partidária.A Constituição de 1824 • 65 Um comparativo ainda mais expressivo pode ser feito se lembrarmos que no pleito de 1934. X – A CONSTITUIÇÃO E OS PARTIDOS Durante o Império. o número de eleitores em relação à população geral era de apenas 7. implantados pela Revolução de 30. a Constituição de 1824. 7-10-1875 teresses. não tinham estatutos nem se revestiam de qualquer forma de organização jurídica. pelo menos até 1868. na verdade. uma simples convergência de interesses e afiniE SUA MAJESTADE VAI PASSEAR!! dades – ou ideológicas e de con. quando os republicanos lançam o Manifesto de Itu e fundam o Partido Republicano. ao se omitir em relação aos partidos políticos.“ Observe-se o Sol.por trás das nuvens ameaçadoras do horizonte. Eram.

Pedro I e o recuo amedrontado de seus áulicos. Op. ) o soberano fazia as vezes de eixo do Estado. mas simpatias e antipatias visavam diretamente o monarca e os princípios mais se regulavam pelos sen(32) timentos assim manifestados. O pessoal político girava em redor dele. o fim do absolutismo voluntarioso de D. O triunfo das idéias liberais.” O que significava o liberalismo. Oliveira.. p. 383. cit. fizeram surgir um nítido movimento de idéias em torno de reformas políticas e institucionais que se tornaram inevitáveis. . atraídos uns pelo seu magnetismo.A Constituição de 1824 • 66 Como lembra Oliveira Lima. e o Conservador surgido da reação a esse sentimento exaltado. quando as aspirações dos radicais foram parcialmente satisfeitas pelo Ato Adicional. p. 33 Idem. então? Segundo Oliveira Lima. A partir daí. sem se agruparem em bandos disciplinados. de quem nos valemos para traçar esse quadro.. Uma síntese muito expressiva de Oliveira Lima mostra como e em torno de que interesses se agrupava a elite política dessa época: “ ( . 387. Como disse Evaristo na Câmara. os constitucionais fundiram-se com os moderados e rodearam a bandeira conservadora. e como confirma Américo Brasiliense em seu Os programas dos partidos e o Segundo Império. A tendência comum era democrática.. certo número permanecendo fiel ao federalismo. ibidem. foi preciso ‘ fazer parar o carro da (33) revolução’ . com a estrondosa passagem do mais famoso líder do liberalismo do primeiro Império para as fileiras do conservadorismo: Bernardo Pereira de Vasconcelos.” É claro que o Sete de Abril. o sentimento liberal predominante 32 LIMA. com o seu movimento “ regressista” . portanto antiautocrática. afastados outros pelo seu caráter desigual. a abdicação do monarca e a instalação da Regência modificariam sensivelmente esse panorama. um momento de transação e conciliação entre as elites. os partidos brasileiros datam da Regência: o Liberal nascido em torno das idéias reformistas propiciadas pela Revolução de Sete de Abril. é ainda Oliveira Lima quem diz: “ Predominaram idéias e paixões: os republicanos uniram-se quase todos aos avançados que foram mais tarde os liberais. para evitar o que ameaçava se transformar em insurreição permanente.

e outras momentaneamente apenas realizadas. a supressão do Conselho de Estado. então com 14 anos de idade. os conservadores radicais acreditavam que se tinha ido longe demais. Esse predomínio conservador. recria por lei o Conselho de Estado. banido da Constituição pelo Ato Adicional. Em 1837. funda-se de fato o Partido Conservador. determinam um longo ostracismo para o partido que em 1840 fez a maioridade. a maior figura do liberalismo exaltado. que na verdade eram simples órgãos consultivos. e o outro que nada admitia mudar. pois sucumbe ao golpe parlamentar da maioridade. se o Ato Adicional não atendeu às aspirações dos liberais exaltados. Enquanto os liberais exaltados achavam que nada se tinha conseguido. porém. foi em torno desse confronto que se criou o sistema partidário do Império. e a Praieira.. quatro antes dos dezoito previstos na Carta de 1824. intendentes municipais desempenhando nas comunas o papel dos Presidentes nas Províncias” . As revoltas liberais de Minas e São Paulo. faz votar a lei interpretativa do Ato Adicional. no poder. um que desejava tudo modificar. em lugar dos Conselhos Gerais de Província. em Pernambuco.A Constituição de 1824 • 67 “ abrangida a Monarquia federativa. no momento em que Bernardo Pereira de Vasconcelos. em 1842. com a renúncia de Feijó e a eleição de Pedro de Araújo Lima. a abolição do Poder Moderador. ao tempo de D. como momento de transação entre os dois extremos. umas adiadas e nunca realizadas. na verdade. conseguem elevar ao trono o seu herdeiro. sem poderes. no entanto. passa com enorme estrondo e seu antológico discurso para a reação conservadora. em 1848. As demais aspirações liberais terminaram. Pedro I.. O Ato Adicional no entanto. É a fase do longo predomínio conservador que. travando as . Assembléias Legislativas provinciais com duas Câmaras. quando os liberais. dura pouco. Liberais e Conservadores Na verdade. e extrapolou de muito o que concediam os conservadores radicais. terminou apenas abrandando o rigorismo centralista e instituindo Assembléias Legislativas Provinciais. à margem da Constituição. outras colocadas em ação pela força dos costumes. a eleição bienal da Câmara. mas sem se mexer na Constituição. o Senado eletivo e temporário.

em que coube aos liberais pregar as reformas e aos conservadores efetivá-las. Os conservadores chucham no dedo. entretanto. as urnas e os Tribunais ofereciam meios suficientes de reparar os abusos das autoridades e emendar os atos contrários ao interesse público. toda vez que o Governo cometesse arbitrariedades e ofendesse as leis e a Constituição do Império. “ Os liberais admitiam o direito de resistência armada.A Constituição de 1824 • 68 conquistas liberais e muda o Código de Processo Penal para reforçar o poder de autoridade. pelo que não comerá a oposição coisa alguma do popular mocotó. Os vinte anos que se seguem. Os liberais permaneciam aditos ao “ Aberto o grande caldeirão da panelada constitucional. se esgota a política partidária. quando no governo. marcam um novo confronto de idéias e posições entre as concepções dos liberais e a dos conservadores. o Sr. entre 1848 e 1868.” O Diabo a Quatro. mas tão acadêmica como a do Sr. viu-se que não entrou nela nenhum tempero conservador. em Pernambuco. Muribeca nas eleições da Várzea. Joaquim Nabuco. Barros Guimarães tem uma eloqüência menos britânica. os conservadores repudiavam como ilegal qualquer revolução. o atual colaborador do Sr. com o pequeno intervalo da “ Conciliação” do Marquês de Paraná.) . Recife (18-8-1879) (Charge alusiva à última eleição realizada na época. e que a imprensa. Nesse jogo de posições. visto que era livre toda propaganda doutrinária.

antecipando a Federação. defende a abolição do Poder Moderador e advoga um Senado eletivo e vitalício. Vinte anos depois. e a independência e inamovibilidade do Poder Judiciário. redigido por Nabuco. p. estavam atendidas. não fora o golpe militar. Até mesmo a questão crucial da escravidão que os liberais. mas a “ Conciliação”que ele moldou continuou lentamente a produzir frutos. os partidos. que o Partido Liberal se opunha ao Conservador e que este resistia às investidas daquele. a Liga Progressista e depois o Centro Liberal são apenas expressões que antecipam o que viria dois anos mais tarde: a fundação do Partido Republicano. sob a Constituição do Império. O que foram. os conservadores julgavam a centralização política indispensável à integridade do Império. segundo o testemunho de Oliveira Lima.A Constituição de 1824 • 69 princípio da descentralização administrativa. renascido e renovado. por causa do incidente com Caxias. com exceção talvez da Federação. Quer que a escolha dos Presidentes seja feita pelos eleitores de cada Província. em 1870. como Presidente do Conselho. quando a República tornou-se inevitável. 386. . O Marquês de Paraná morre em 1856. que seria fatalmente concedida. quando da queda imotivada do Gabinete Zacarias.” Era em torno de questões assim concebidas. agentes judiciais que deviam ser de livre escolha da Nação e não instrumentos do poder. tão timidamente enfrentaram. preconiza a liberdade do ensino e postula uma polícia eleita pelos cidadãos. Abrandam-se os radicalismos dos dois partidos existentes e é na crista de uma onda arrebatadora que ressurge. todas as propostas liberais. lembra os liberais exaltados de 1831: ele prega a descentralização política e administrativa. O programa liberal de 1868. Oito anos depois. arredado dos favores do sufrágio. representado pela eleição irrefutável pelo município da Corte da grande tríade liberal: Teófilo Otoni. necessárias à dignidade de sua missão protetora dos (34) direitos dos cidadãos e organizadora da resistência legal. em seus 65 anos de duração? 34 Idem. ibidem. de início. Francisco Otaviano e Saldanha Marinho. no entanto. queriam reduzir ao mínimo a ação da polícia e pregavam a eleição popular dos magistrados. propõe o voto direto e a sujeição dos Magistrados apenas ao julgamento dos Tribunais superiores. o novo liberalismo. tornando-os imunes à ação do Executivo. Defende o fim da Guarda Nacional e dos alistamentos compulsórios.

A Constituição de 1824 • 70 Partidos, todos de ocasião Oliveira Lima, invocando o testemunho de Nabuco, diz que ele, que era
“ sobretudo um legista e professava em matéria política um ceticismo de bom quilate, não descobria mesmo lugar no Brasil para partidos profundos” .

Nabuco baseava-se no fato de que
“ nada dividia essencialmente a sociedade brasileira, tão homogênea, onde o feudalismo não deixava vestígios e se achavam completamente fora de lugar as quimeras políticas e os programas abstratos” . Para ele, “ os partidos, como os Ministérios, duravam ou deviam durar o tempo que duravam as idéias que os legitimavam. Os partidos seriam, portanto, todos de ocasião, liberais ou conservadores, de acordo com as circunstâncias e os interesses, não de acordo com princípios de doutrina ou escola, ou com tradições históricas. A ausência de privilégios condenava os partidos a defenderem somente princípios de atualidade, idéias ondeantes, as quais não podiam sobreviver” .

Se isto foi um bem ou um mal, só a crítica histórica poderá dizer. Mas, quem olha o panorama partidário da vida política contemporânea do Brasil, fatalmente há de concordar que, deixando a questão partidária ao livre jogo dos arbítrios dos homens, a Constituição de 1824 nada mais fez do que atender a irremovível pressão da realidade brasileira.

A Constituição de 1824 • 71 O Autor OCTACIANO NOGUEIRA é Professor do Departamento de Ciência Política e Relações Internacionais da Universidade de Brasília. Bacharel em Direito, Licenciado em História, possui curso de especialização em Ciência Política. Foi Técnico Legislativo do Senado Federal, Diretor-Geral do Departamento de Imprensa Nacional e da Casa do Brasil, em Madri, Espanha. Foi colaborador do Professor José Honório Rodrigues na obra O Parlamento e a Evolução Nacional e co-autor de Parlamentares do Império. É autor de O Legislativo no Brasil e de A Constituição de 1824.

A Constituição de 1824 • 73

IDÉIAS-CHAVES • Uma Constituição é tão mais eficiente quanto maior for
sua duração. A Constituição de 1824 foi a de mais longa vigência das que teve o Brasil. Ao ser revogada pelo Governo Republicano, em 1889, depois de 65 anos, era a segunda Constituição escrita mais antiga do mundo, superada, apenas, pela dos EUA.

• Sua plasticidade – e mais, sua adaptabilidade às condições políticas, econômicas e culturais da época –estão fartamente documentadas.

• A Constituição não só não autorizava o parlamentarismo,
como, na prática, o vedava. Este foi, entretanto, mais uma lenta conquista do espírito público do que um resultado do direito escrito.

• Estabelecendo uma vigorosa centralização política e administrativa, vinha a Carta de 1824 atender ao preceito quanto ao exemplo da América Espanhola, fracionada em razão dos particularismos locais, criados a partir da administração colonial.

• Uma das particularidades da Constituição de 1824 foi a do
Poder Moderador, que impulsionava a Monarquia no caminho de seu papel ativo, em contraste com o poder passivo das monarquias parlamentares.

• O Regime imperial assistiu, no entanto, a uma permanente
falsificação da vontade do eleitorado, através de uma maciça e permanente intervenção do Poder Executivo.

Qual a importância da organização municipal no Império? 3.A Constituição de 1824 • 75 QUESTÕES ORIENTATIVAS PARA AUTO-AVALIAÇÃO 1. segundo o autor. o título da Constituição que tratava do Poder Judiciário era o mais deficiente de todo o texto outorgado por Pedro I? . Mostre a importância da prática parlamentar para a construção. Quais as peculiaridades do parlamentarismo que se praticou sob Pedro II? 6. para o autor. sob o ponto de vista político. na Constituição de 1824? 4. exercido pelo Monarca. Por que. a Constituição de 1824 serviu “ com a mesma eficiência para as fases de crise” ? 5. do Estado brasileiro no Império. 2. ao Poder Moderador. Por que. em verdade. Que papel coube.

Senador. a serviço do aperfeiçoamento das instituições constitucionais e. pelo espírito crítico. por duas vezes. do Senado Federal. ainda. a obra “ se credencia. em prefácio ao livro. . pela capacidade de dar vida aos textos na adequação deles aos estágios político e social do País na época” . desassombrado e lúcido. vol. publicada originariamente em 1857 e da qual há edição de 1978. de José Antonio Pimenta Bueno. 5 da Coleção Bernardo Pereira de Vasconcelos. pela fidelidade ao sentido impessoal e superior da ordem jurídica. antes de tudo. Presidente das províncias do Rio Grande do Sul e Mato Grosso. Deputado. tanto Ministro da Justiça como dos Estrangeiros e presidiu o Conselho de Ministros durante o Gabinete de 29 de setembro de 1870. Pimenta Bueno foi.A Constituição de 1824 • 77 LEITURA RECOMENDADA Obra fundamental à compreensão da Constituição de 1824 é Direito Público Brasileiro e Análise da Constituição do Império. Segundo Seabra Fagundes.

GOVERNO. que de ora em diante fica sendo deste Império. que não admite com qualquer outra laço algum de união ou federação. que havíamos oferecido às suas observações para serem depois presentes à nova Assembléia Constituinte. por lhes merecer a mais plena aprovação. que . oferecida e jurada por Sua Majestade o Imperador Dom Pedro Primeiro. como Constituição. que nós quanto antes jurássemos e fizéssemos jurar o Projeto de Constituição. 1o O Império do Brasil é a associação Política de todos os cidadãos brasileiros. e dele esperarem a sua individual e geral felicidade política: Nós Juramos o sobredito Projeto para o observarmos e fazermos observar. e independente. E RELIGIÃO Art. Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil: Fazemos saber a todos os nossos súditos que tendo-nos requerido os povos deste Império. por Graça de Deus e unânime aclamação dos povos. mostrando o grande desejo. DINASTIA. SEU TERRITÓRIO. que tinham. a qual é do teor seguinte: Em Nome da Santíssima Trindade TÍTULO 1o DO IMPÉRIO DO BRASIL. Eles formam uma Nação livre.A Constituição de 1824 • 79 A CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA DE 1824 CARTA DA LEI DE 25 DE MARÇO DE 1824 Manda observar a Constituição Política do Império. juntos em Câmaras. de que ele se observasse já como Constituição do Império.

em casas para isso destinadas. que estivesse em país estrangeiro em serviço do Império. sem forma alguma exterior de templo. quer sejam ingênuos ou libertos. como pedir o bem do Estado. 2o O seu território é dividido em Províncias na forma em que atualmente se acha. nascidos em país estrangeiro. 4o A Dinastia Imperante é a do Senhor Dom Pedro I. qualquer que seja a sua religião. III – Os filhos de pai brasileiro. onde habitavam. embora eles não venham estabelecer domicílio no Brasil. aderiram a esta expressa. Constitucional e Representativo. atual Imperador e Defensor Perpétuo do Brasil. uma vez que este não resida por serviço de sua Nação. 5o A Religião Católica Apostólica Romana continuará a ser a religião do Império. ou tacitamente. que vierem estabelecer domicílio no Império. 3o O seu Governo é Monárquico. pela continuação da sua residência. que sendo já residentes no Brasil na época em que se proclamou a Independência nas Províncias. II – Os filhos de pai brasileiro e os ilegítimos de mãe brasileira. TÍTULO 2o DOS CIDADÃOS BRASILEIROS Art. ainda que o pai seja estrangeiro. V – Os estrangeiros naturalizados. A Lei determinará as qualidades precisas para se obter Carta de naturalização. as quais poderão ser subdivididas. Hereditário. Art. Art. Art. 6o São cidadãos brasileiros: I –Os que no Brasil tiverem nascido. Art. IV – Todos os nascidos em Portugal e suas Possessões. Art. Todas as outras religiões serão permitidas com seu culto doméstico ou particular. .A Constituição de 1824 • 80 se oponha à sua Independência. 7o Perde os direitos de cidadão brasileiro: I – O que se naturalizar em país estrangeiro.

13. II –Por sentença condenatória a prisão ou degredo. 15. . 8o Suspende-se o exercício dos direitos políticos: I – Por incapacidade física. TÍTULO 3o DOS PODERES E REPRESENTAÇÃO NACIONAL Art. o Poder Moderador. Todos estes Poderes no Império do Brasil são delegações da Nação. ao Príncipe Imperial. Os Poderes Políticos reconhecidos pela Constituição do Império do Brasil são quatro: o Poder Legislativo. A Assembléia Geral compõe-se de duas Câmaras: Câmara de Deputados e Câmara de Senadores ou Senado. Art. TÍTULO 4o DO PODER LEGISLATIVO CAPÍTULO I DOS RAMOS DO PODER LEGISLATIVO E SUAS ATRIBUIÇÕES Art. Art. Art. 10. III –O que for banido por sentença. 9o A divisão e harmonia dos Poderes Políticos é o princípio conservador dos direitos dos cidadãos. 12. 14. O Poder Legislativo é delegado à Assembléia Geral com a sanção do Imperador. Art. pensão ou condecoração de qualquer governo estrangeiro. o Poder Executivo e o Poder Judicial. enquanto durarem os seus efeitos.A Constituição de 1824 • 81 II –O que sem licença do Imperador aceitar emprego. 11. ao Regente. Art. Art. e o mais seguro meio de fazer efetivas as garantias que a Constituição oferece. Os representantes da Nação brasileira são o Imperador e a Assembléia Geral. ou Regência. ou moral. É da atribuição da Assembléia Geral: I – Tomar Juramento ao Imperador.

sobre a informação do Governo. Cada uma das Câmaras terá o tratamento –de Augustos e digníssimos senhores representantes da Nação. valor. assim como o padrão dos pesos e medidas. na primeira reunião logo depois do seu nascimento.A Constituição de 1824 • 82 II – Eleger a Regência ou o Regente. XII –Conceder ou negar a entrada de forças estrangeiras de Terra e Mar dentro do Império ou dos portos dele. A Sessão Imperial de abertura será todos os anos. VII –Escolher nova dinastia. XI –Fixar anualmente. as forças de Mar e Terra ordinárias e extraordinárias. XVI – Criar ou suprimir empregos públicos e estabelecer-lhes ordenados. . VIII – Fazer leis. quatro meses. VI –Na morte do Imperador. inscrição. XIII –Autorizar ao Governo para contrair empréstimos. V –Resolver as dúvidas que ocorrerem sobre a sucessão da Coroa. IX – Velar na guarda da Constituição e promover o bem geral da Nação. X –Fixar anualmente as despesas públicas e repartir a contribuição direta. no dia três de maio. no caso da extinção da imperante. instituir exame da administração. e reformar os abusos nela introduzidos. suspendê-las e revogá-las. XIV – Estabelecer meios convenientes para pagamento da dívida pública. 17. e marcar os limites da sua autoridade. Cada Legislatura durará quatro anos e cada Sessão anual. tipo e denominação das moedas. IV –Nomear tutor ao Imperador menor. que acabou. Art. III – Reconhecer o Príncipe Imperial como sucessor do trono. Art. ou vacância do trono. XV – Regular a administração dos bens nacionais e decretar a sua alienação. 18. Art. XVII – Determinar o peso. 16. caso seu pai o não tenha nomeado em testamento. interpretá-las.

Não se poderá celebrar Sessão em cada uma das Câmaras sem que esteja reunida a metade e mais um dos seus respectivos membros. 20.A Constituição de 1824 • 83 Art. Art. 30. à exceção dos casos. 21. 25. As Sessões de cada uma das Câmaras serão públicas. Art. Seu cerimonial e o da participação ao Imperador será feito na fórmula do Regimento Interno. Também acumulam as duas funções se já exerciam qualquer dos mencionados cargos quando foram eleitos. Art. menos em flagrante delito de pena capital. Art. Art. Na reunião das duas Câmaras. . 31. durante sua deputação. Art. Art. vice-presidentes e secretários das Câmaras. A nomeação dos respectivos presidentes. Os senadores e deputados poderão ser nomeados para o Cargo de Ministro de Estado ou Conselheiro de Estado. Também será Imperial a Sessão do encerramento. 26. o Presidente do Senado dirigirá o trabalho. que sejam secretas. Art. o Juiz. 27. Os negócios se resolverão pela maioria absoluta de votos dos membros presentes. Se algum senador ou deputado for pronunciado. Não se pode ser ao mesmo tempo membro de ambas as Câmaras. Juramento e sua polícia interior se executará na forma de seus Regimentos. pode ser preso por autoridade alguma. dará conta à sua respectiva Câmara. Art. Nenhum senador ou deputado. e se procede a nova eleição. e tanto esta como a da abertura se fará em Assembléia Geral. Art. 23. Os membros de cada uma das Câmaras são invioláveis pelas opiniões que proferirem no exercício das suas funções. 24. com a diferença de que os senadores continuam a ter assento no Senado e o deputado deixa vago o seu lugar da Câmara. Art. salvo por ordem da sua respectiva Câmara. em que o bem do Estado exigir. 22. 28. na qual pode ser reeleito e acumular as duas funções. 19. reunidas ambas as Câmaras. os deputados e senadores tomarão lugar indistintamente. a qual decidirá se o processo deva continuar e o membro ser ou não suspenso no exercício das suas funções. 29. Art. verificação dos poderes dos seus membros. suspendendo todo o ulterior procedimento.

36. 38. um subsídio pecuniário. Além disto. Art. No intervalo das Sessões não poderá o Imperador empregar um senador ou deputado fora do Império. nem mesmo irão exercer seus empregos. taxado no fim da última Sessão da Legislatura antecedente. CAPÍTULO III DO SENADO Art. Se por algum caso imprevisto. 37. II – A discussão das propostas feitas pelo Poder Executivo. quando isso os impossibilite para se reunirem no tempo da convocação da Assembléia Geral ordinária ou extraordinária.A Constituição de 1824 • 84 Art. cessa interinamente enquanto durarem as funções de Deputado ou de Senador. O Senado é composto de membros vitalícios. Art. O exercício de qualquer emprego. à exceção dos de Conselheiro de Estado e Ministro de Estado. 34. se lhes arbitrará uma indenização para as despesas da vinda e volta. Art. de que dependa a segurança pública ou o bem do Estado. a respectiva Câmara o poderá determinar. . II –Sobre Recrutamentos. 35. Art. Também principiarão na Câmara dos Deputados: I – O exame da administração passada e reformada dos abusos nela introduzidos. A Câmara dos Deputados é eletiva e temporária. 39. Art. É da privativa atribuição da mesma Câmara decretar que tem lugar a acusação dos ministros de Estado e conselheiros de Estado. 40. 32. Os deputados vencerão. for indispensável que algum senador ou deputado saia para outra Comissão. no caso da extinção da Imperante. durante as Sessões. III – Sobre a escolha da nova dinastia. É privativa da Câmara dos Deputados a iniciativa: I –Sobre Impostos. e será organizado por eleição Provincial. CAPÍTULO II DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Art. Art. 33.

44. 41. 48. Art. No Juízo dos crimes. e que esteja no gozo dos seus direitos políticos. Os príncipes da Casa Imperial são senadores por direito e terão assento no Senado logo que chegarem à idade de vinte e cinco anos. o número dos seus senadores será metade do número imediatamente menor. A Província que tiver um só deputado elegerá todavia o seu senador. 42. cuja acusação não pertence à Câmara dos Deputados. quando o número dos deputados da Província for ímpar. cometidos pelos membros da Família Imperial. Art. Art. Art. conselheiros de Estado e senadores. Para ser senador requer-se: I –Que seja cidadão brasileiro. dará cinco senadores. nos casos em que ela tem lugar. durante o período da Legislatura. sobre as quais o Imperador escolherá o terço na totalidade da lista. e dos delitos dos deputados. Os lugares de senadores que vagarem serão preenchidos pela mesma forma da primeira eleição pela sua respectiva Província. . indústria. Art. mas em listas tríplices. caso o Imperador o não tenha feito dois meses depois do tempo que a Constituição determina. As eleições serão feitas pela mesma maneira que as dos deputados. para o que se reunirá o Senado extraordinariamente. não obstante a regra acima estabelecida. II – Conhecer da responsabilidade dos secretários e conselheiros de Estado. II –Que tenha de idade quarenta anos para cima. ministros de Estado. comércio ou empregos a soma de oitocentos mil réis. capacidade e virtudes. Art. 46. IV –Que tenha de rendimento anual por bens. com preferência os que tiverem feito serviços à Pátria. É da atribuição exclusiva do Senado: I –Conhecer dos delitos individuais. 45. 43. de maneira que a Província que houver de dar onze deputados. Art. acusará o Procurador da Coroa e Soberania Nacional. quando a Regência Provisional o não faça. 47.A Constituição de 1824 • 85 Art. III – Que seja pessoa de saber. com a diferença que. Cada Província dará tantos senadores quantos forem metade de seus respectivos deputados. III –Expedir cartas de convocação da Assembléia. IV –Convocar a Assembléia na morte do Imperador para a eleição da Regência.

que tem lugar. toda a reunião do Senado fora do tempo das Sessões da Câmara dos Deputados é ilícita e nula. 55. 51. salvo se forem senadores ou deputados. O Poder Executivo exerce por qualquer dos ministros de Estado a proposição que lhe compete na formação das Leis. e só depois de examinada por uma comissão da Câmara dos Deputados. Art. DISCUSSÃO. Art. do que tiverem os deputados. 52. Art. Os ministros podem assistir e discutir a Proposta depois do relatório da Comissão. Art. CAPÍTULO IV DA PROPOSIÇÃO. As Sessões do Senado começam e acabam ao mesmo tempo que as da Câmara dos Deputados. poderá ser convertida em Projeto de Lei. pedir-se ao Imperador a sua sanção. que ela tem lugar. e mais metade. Digne-se tomar em ulterior consideração a Proposta do Governo. 54. 53. Em geral. 56. A Proposição. aonde deve ter princípio. . e pensa. SANÇÃO E PROMULGAÇÃO DAS LEIS Art. Se não puder adotar a proposição. 57. 50.A Constituição de 1824 • 86 Art. as proposições que a Câmara dos Deputados admitir e aprovar serão remetidas à Câmara dos Senadores com a fórmula seguinte – A Câmara dos Deputados envia ao Senado a Proposição junta. mas não poderão votar. nem estarão presentes à votação. o remeterá à dos senadores com a seguinte fórmula – A Câmara dos Deputados envia à Câmara dos Senadores a Proposição junta do Poder Executivo (com emendas ou sem elas) e pensa. participará ao Imperador por uma Deputação de sete membros da maneira seguinte – A Câmara dos Deputados testemunha ao Imperador o seu reconhecimento pelo zelo que mostra em vigiar os interesses do Império e lhe suplica respeitosamente. O subsídio dos senadores será de tanto. Art. 49. À exceção dos casos ordenados pela Constituição. Se a Câmara dos Deputados adotar o Projeto. Art. oposição e aprovação dos Projetos de Lei competem a cada uma das Câmaras. Art.

Art. Se a Câmara dos Deputados não aprovar as emenda ou adições do Senado. para a seu tempo se resolver –ao que a Câmara responderá. 60. e conforme o resultado da discussão se seguirá o que for deliberado. dita nos termos seguintes –O Senado torna a remeter à Câmara dos Deputados a Proposição (tal). que seguirem àquela. e. entender-se-á que o Imperador tem dado a sanção. julga que não pode admitir a Proposição ou o Projeto. 62. Art. concluída a discussão. e que a dirigiu ao Imperador. e pede a Sua Majestade Imperial se digne dar a sua sanção. a qual ao mesmo tempo informará à outra Câmara onde o Projeto teve origem. que se fará na Câmara do Senado. que tem adotado a sua Proposição. 58. que julga vantajoso e útil ao Império. 61. e pensa. Se o Senado. . Art. responderá nos termos seguintes –O Imperador quer meditar sobre o Projeto de Lei. 63. relativa a tal objeto. O mesmo praticará a Câmara dos Deputados para com a do Senado quando neste o Projeto tiver a sua origem. pedindo-lhe a sua sanção pela fórmula seguinte – A Assembléia Geral dirige ao Imperador o Decreto incluso. pedindo-lhe a sua sanção. Recusando o Imperador prestar o seu consentimento. à qual não tem podido dar o seu consentimento. que Louva a Sua Majestade Imperial o interesse que toma pela Nação. ou vice-versa. depois de lido em Sessão. Art. ou adições juntas. enviada pela Câmara ultimamente deliberante. tornem sucessivamente a apresentá-lo nos mesmos termos. assinados pelo Presidente e os dois primeiros Secretários. Esta denegação tem efeito suspensivo somente: pelo que todas as vezes que as duas Legislaturas. que tiver aprovado o Projeto.A Constituição de 1824 • 87 Art. 59. depois de ter deliberado. Esta remessa será feita por uma Deputação de sete membros. mas se o tiver alterado ou adicionado. que com elas tem lugar pedir-se ao Imperador a sanção imperial. 65. Art. Art. Se porém a Câmara dos Senadores não adotar inteiramente o Projeto da Câmara dos Deputados. Art. Se qualquer das duas Câmaras. reenviará pela maneira seguinte –O Senado envia à Câmara dos Deputados a sua Proposição (tal) com as emendas. o reduzirá a Decreto. 64. o dirigirá ao Imperador em dois autógrafos. e todavia a Câmara recusante julgar que o projeto é vantajoso. poderá requerer por uma Deputação de três membros a reunião das duas Câmaras. adotar inteiramente o Projeto que a outra Câmara lhe enviou.

Se o Imperador adotar o Projeto da Assembléia Geral se exprimirá assim –O Imperador consente –Com o que fica sancionado. 68. se guardará o original no Arquivo Público. a quem o conhecimento e execução da referida Lei pertencer.. A fórmula da Promulgação da Lei será concebida nos seguintes termos – Dom (N. CAPÍTULO V DOS CONSELHOS GERAIS DE PROVÍNCIA E SUAS ATRIBUIÇÕES Art. pela respectiva Secretaria de Estado.) por Graça de Deus e Unânime Aclamação dos povos. 70. Art. e selada com o Selo do Império. será remetido para o Arquivo da Câmara. A Constituição reconhece e garante o direito de intervir todo o cidadão nos negócios da sua Província. Se o não fizer dentro do mencionado prazo. como se expressamente negasse a sanção. para serem contadas as legislaturas. e se remeterão os exemplares dela impressos a todas as Câmaras do Império.A Constituição de 1824 • 88 Art. 69. Tribunais e mais lugares onde convenha fazer-se pública. O Secretário de Estado dos Negócios d. depois de assinados pelo Imperador. que o enviou. 71... publicar e correr. e um dos dois autógrafos. Assinada a Lei pelo Imperador. Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil: Fazemos saber a todos os nossos súditos que a Assembléia Geral decretou. e o outro servirá para por ele se fazer a Promulgação da Lei. terá o mesmo efeito. . (o da Repartição competente) a faça imprimir. O Imperador dará ou negará a sanção em cada Decreto dentro de um mês. 66. depois que lhe for apresentado. e nos termos de ser promulgado como Lei do Império. Art. e nós queremos a Lei seguinte (a íntegra da Lei nas suas disposições somente): Mandamos portanto a todas as autoridades. 67. Art. que a cumpram e façam cumprir e guardar tão inteiramente como nela se contém. por haver já negado a sanção nas duas antecedentes legislaturas. onde será guardado. Art. em que poderá ainda recusar o seu consentimento ou reputar-se o Decreto obrigatório. referendada pelo Secretário de Estado competente. e que são imediatamente relativos a seus interesses peculiares.

79. 81. instruindo-o do estado dos negócios públicos e das providências e do que a mesma Província mais precisa para seu melhoramento. A idade de vinte e cinco anos. e à sua direita. Pernambuco. podendo prorrogar-se por mais um mês. Art. e verificarão a legitimidade da eleição dos seus membros. e pelo tempo de cada legislatura. probidade e decente subsistência são as qualidades necessárias para ser membro destes Conselhos. 76. e pelos Conselhos que. Art. formando projetos peculiares e acomodados às suas localidades e urgências. 72. 74. Art. Secretário e Suplente que servirão por todo o tempo da Sessão: examinarão. discutir e deliberar sobre os negócios mais interessantes das suas Províncias. e aí dirigirá o Presidente da Província sua fala ao Conselho. Art. Estes Conselhos terão por principal objeto propor. Para haver Sessão deverá achar-se reunida mais da metade do número dos seus membros. 73. São Paulo e Rio Grande do Sul. e na primeira Sessão preparatória nomearão Presidente. e nas outras de treze membros. Minas Gerais. Maranhão. Art. como sejam Pará. Art. Cada um dos Conselhos Gerais constará de vinte e um membros nas Províncias mais populosas. se nisso convier a maioria do Conselho. Todos os anos haverá Sessão e durará dois meses. Este direito será exercitado pelas Câmaras dos Distritos. A sua reunião se fará na Capital da Província. Art. 80. Bahia. o Secretário e o Comandante das Armas. Não podem ser eleitos para membros do Conselho Geral o Presidente da Província. se devem estabelecer em cada Província onde não estiver colocada a Capital do Império. com o título de Conselho Geral da Província. Vice-Presidente. e terá assento igual ao do Presidente do Conselho. Art. 75. 78. O Presidente da Província assistirá à instalação do Conselho Geral.A Constituição de 1824 • 89 Art. que se fará no primeiro dia de dezembro. Ceará. A sua eleição se fará na mesma ocasião e da mesma maneira que se fizer a dos Representantes da Nação. Art. 77. .

para serem propostas como Projetos de Lei. Ao que o Conselho responderá que recebeu mui respeitosamente a resposta de sua Majestade Imperial. 85. o Imperador as mandará provisoriamente executar. Art. lhe serão imediatamente enviadas pela respectiva Secretaria de Estado. 85. 84. Art. na forma do art. onde serão discutidos a portas abertas. 83. devendo porém dirigir a esse respeito representações motivadas à Assembléia Geral e ao Poder Executivo.) IV –Sobre execução de Leis. Se porém não ocorrerem essas circunstâncias. II –Sobre quaisquer ajustes de umas com outras Províncias. que lhes será dado pela Assembléia Geral. bem como os que tiverem origem nos mesmos Conselhos. As Resoluções dos Conselhos Gerais de Província serão remetidas diretamente ao Poder Executivo. lhe serão enviadas assim essas Resoluções suspensas. . Não se achando a esse tempo reunida a Assembléia. o Imperador declarará que suspende o seu juízo a respeito daquele negócio. O método de prosseguirem os Conselhos Gerais de Província em seus trabalhos. 82. para serem discutidas e deliberadas. 87. Art. Se a Assembléia Geral se achar a esse tempo reunida. III – Sobre imposições. Art. como as que estiverem em execução. pelo intermédio do Presidente da Província. tudo se regulará por um Regimento.A Constituição de 1824 • 90 Art. Art. Art. Art. Logo que a Assembléia Geral se reunir. As suas resoluções serão tomadas à pluralidade absoluta de votos dos membros presentes. Não se podem propor nem deliberar nestes Conselhos projetos: I –Sobre interesses gerais da Nação. 88. Os negócios que começarem nas Câmaras serão remetidos oficialmente ao Secretário do Conselho. (Art. conjuntamente. se julgar que elas são dignas de pronta providência. pela utilidade que de sua observância resultará ao bem geral da Província. e sua polícia interna e externa. e obter a aprovação da Assembléia por uma única discussão em cada Câmara. 36. 89. 86. cuja iniciativa é da competência particular da Câmara dos Deputados.

Excetuam-se: I –Os que não tiverem de renda líquida anual duzentos mil réis por bens de raiz. Art. Têm voto nestas eleições primárias: II –Os cidadãos brasileiros que estão no gozo de seus direitos políticos. 93. III – Os criados de servir. e os administradores das fazendas rurais e fábricas. Art. II – Os filhos famílias que estiverem na companhia de seus pais. São excluídos de votar nas Assembléias Paroquiais: I –Os menores de vinte e cinco anos. que não forem de galão branco. comércio ou emprego. e este. e Oficiais Militares. senadores e membros dos Conselhos de Província todos os que podem votar na Assembléia Paroquial.A Constituição de 1824 • 91 CAPÍTULO VI DAS ELEIÇÕES Art. elegendo a massa dos cidadãos ativos em Assembléias Paroquiais os eleitores de Província. IV –Os religiosos e quaisquer que vivam em comunidade claustral. 94. que forem maiores de vinte e um anos. As nomeações dos deputados e senadores para a Assembléia Geral e dos membros dos Conselhos Gerais das Províncias serão feitas por eleições indiretas. os Representantes da Nação e Província. 91. os criados da Casa Imperial. indústria. Art. Podem ser eleitores e votar na eleição dos deputados. Art. 90. V – Os que não tiverem de renda líquida anual cem mil réis por bens de raiz. III –Os criminosos pronunciados em querela ou devassa. os bacharéis formados e clérigos de Ordens Sacras. não podem ser membros nem votar na nomeação de alguma autoridade eletiva nacional ou local. indústria. Os que não podem votar nas Assembléias Primárias de Paróquia. comércio ou empregos. em cuja classe não entram os guardalivros e primeiros-caixeiros das casas de comércio. salvo se servirem ofícios públicos. nos quais se não compreendem os casados. II –Os libertos. 92. II – Os estrangeiros naturalizados. .

ou domiciliados. Art. 100. 101. O Poder Moderador é a chave de toda a organização política. 95. equilíbrio e harmonia dos mais poderes políticos. 86. A Pessoa do Imperador é inviolável e sagrada: ele não está sujeito a responsabilidade alguma. 92 e 94. O Imperador exerce o Poder Moderador: I –Nomeando os senadores. II – Os estrangeiros naturalizados. . Os seus títulos são “ Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil”e tem o tratamento de Majestade Imperial. para que incessantemente vele sobre a manutenção da Independência. 98.A Constituição de 1824 • 92 Art. quando assim o pede o bem do Império. 97. II – Convocando a Assembléia Geral extraordinariamente nos intervalos das sessões. residentes. Art. na forma dos arts. Art. e é delegada privativamente ao Imperador. para que tenham força de Lei: Art. e seu Primeiro Representante. IV – Aprovando e suspendendo inteiramente as Resoluções dos Conselhos Provinciais: Arts. III –Os que não professarem a religião do Estado. como Chefe Supremo da Nação. Os cidadãos brasileiros em qualquer parte que existam são elegíveis em cada Distrito Eleitoral para deputados ou senadores ainda quando aí não sejam nascidos. são hábeis para serem nomeados deputados. na forma do Art. e 87. Art. TÍTULO 5o DO IMPERADOR CAPÍTULO I DO PODER MODERADOR Art. Excetuam-se: I – Os que não tiverem quatrocentos mil réis de renda líquida. III –Sancionando os Decretos e Resoluções da Assembléia Geral. Art. 43. 62. 96. Uma lei regulamentar marcará o modo prático das eleições e o número dos deputados relativamente à população do Império. Todos os que podem ser eleitores. 99.

O Imperador é o Chefe do Poder Executivo. IX – Declarar a guerra e fazer a paz. V – Nomear os Comandantes da Força de Terra e Mar e removêlos. IX –Concedendo anistia em caso urgente e que assim aconselhem a humanidade a bem do Estado. 154. sem terem sido aprovados pela Assembléia Geral. levando-os depois de concluídos ao conhecimento da Assembléia Geral. III –Nomear magistrados. IV – Prover os mais empregos civis e políticos. CAPÍTULO II DO PODER EXECUTIVO Art. ou de possessões. quando o interesse e segurança do Estado o permitirem. nos casos em que o exigir a salvação do Estado. quando assim o pedir o serviço da Nação. e o exercita pelos seus ministros de Estado. a que o Império tenha direito. São suas principais atribuições: I – Convocar a nova Assembléia Geral ordinária no dia três de junho do terceiro ano da Legislatura existente. VI –Nomear embaixadores e mais agentes diplomáticos e comerciais. VII –Suspendendo os magistrados nos casos do Art. . participando à Assembléia as comunicações que forem compatíveis com os interesses e segurança do Estado. X –Conceder Cartas de Naturalização na forma da Lei. VIII –Perdoando e moderando as penas impostas aos réus condenados por sentença. VIII –Fazer tratados de aliança ofensiva e defensiva de subsídio e comércio. Se os tratados concluídos em tempo de paz envolverem cessão.A Constituição de 1824 • 93 V – Prorrogando ou adiando a Assembléia Geral e dissolvendo a Câmara dos Deputados. não serão ratificados. VII – Dirigir as negociações políticas com as nações estrangeiras. VI –Nomeando e demitindo livremente os ministros de Estado. II – Nomear Bispos e prover os Benefícios Eclesiásticos. convocando imediatamente outra que a substitua. ou troca de território do Império. 102.

reunidas as duas Câmaras. se contiverem disposição geral. e prover ao bem geral do Brasil quanto em mim couber. observar a Constituição Política da Nação Brasileira e ser obediente às Leis e ao Imperador. XV –Prover a tudo que for concernente à segurança interna e externa do Estado. O Imperador não poderá sair do Império do Brasil sem o consentimento da Assembléia Geral. quando não estiverem já designadas e taxadas por Lei. em completando quatorze anos de idade. que se não opuserem à Constituição. dependendo as Mercês pecuniárias da aprovação da Assembléia. O tratamento do herdeiro presuntivo será o de “ alteza Imperial”e o mesmo será o do Príncipe do Grão-Pará. e precedendo aprovação da Assembléia. se entenderá que abdicou a Coroa. reunidas as duas Câmaras. na forma da Constituição. o seguinte Juramento: –Juro manter a Religião Católica Apostólica Romana. e mais Leis do Império. 104. e quaisquer outras Constituições Eclesiásticas. XIV –Conceder ou negar o Beneplácito aos Decretos dos Concílios. 103. Art. os outros príncipes terão o tratamento de alteza. O Imperador antes de ser aclamado prestará nas mãos do Presidente do Senado. e se o fizer. XIII – Decretar a aplicação dos rendimentos destinados pela Assembléia aos vários ramos da pública administração. . 106. Art. O herdeiro presuntivo. O herdeiro presuntivo do Império terá o Título de “ Príncipe Imperial”e o seu primogênito o de “ Príncipe do Grão-Pará” : todos os mais terão o de “ Príncipes” . observar e fazer observar a Constituição Política da Nação Brasileira. prestará nas mãos do Presidente do Senado. 105. Art.A Constituição de 1824 • 94 XI –Conceder Títulos. a integridade e indivisibilidade do Império. e Letras Apostólicas. XII –Expedir os Decretos. Ordens Militares e Distinções em recompensa de serviços feitos ao Estado. CAPÍTULO III DA FAMÍLIA IMPERIAL E SUA DOTAÇÃO Art. o seguinte Juramento: –Juro manter a Religião Católica Apostólica Romana. Instruções e Regulamentos adequados à boa execução das Leis. Honras.

concernentes aos interesses da Casa Imperial. logo que o Imperador suceder no Império.A Constituição de 1824 • 95 Art. 107. 116. Os mestres dos príncipes serão da escolha e nomeação do Imperador. Art. Na primeira Sessão de cada Legislatura a Câmara dos Deputados exigirá dos Mestres uma conta do estado do adiantamento dos seus augustos discípulos. 109. e recreio do Imperador e sua família. Pedro I. 114. e a Assembléia lhes designará os ordenados. A dotação assinada ao presente Imperador e à Sua Augusta Esposa deverá ser aumentada. 111. A dotação. com o que cessarão os alimentos que percebiam. A Assembléia Geral. de que falam os Artigos antecedentes. Art. . que julgar convenientes para a decência. Art. uma dotação correspondente ao decoro de Sua Alta Dignidade. Art. A Assembléia assinará também alimentos ao Príncipe Imperial e aos demais príncipes desde que nascerem. alimentos e dotes. Os alimentos dados aos príncipes cessarão. quando eles saírem para fora do Império. Quando as princesas houverem de casar. atual Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo. CAPÍTULO IV DA SUCESSÃO DO IMPÉRIO Art. por unânime aclamação dos povos. Art. 112. possuídos atualmente pelo Senhor D. somente. ficarão sempre pertencendo a seus sucessores. 108. com quem se poderão tratar as ações ativas e passivas. e a Nação cuidará nas aquisições. e à Imperatriz Sua Augusta Esposa. 115. lhe assinará. que deverão ser pagos pelo Tesouro Nacional. Os palácios e terrenos nacionais. entregues a um mordomo. Pedro I. a Assembléia lhes assinará o seu dote e com a entrega dele cessarão os alimentos. 110. Art. e construções. serão pagos pelo Tesouro Público. nomeado pelo Imperador. se entregará por uma vez somente uma quantia determinada pela Assembléia. Aos príncipes. que se casarem e forem residir fora do Império. Art. imperará sempre no Brasil. visto que as circunstâncias atuais não permitem que se fixe desde já uma soma adequada ao decoro de Suas Augustas Pessoas e Dignidade da Nação. 113. Art. O Senhor D.

composta de três membros. 119. no mesmo sexo. 120. o Império será governado por uma Regência. presidida pela Imperatriz viúva e. o sexo masculino ao feminino. na mesma linha. Durante a sua menoridade. 117. Se o Imperador não tiver parente algum que reúna estas qualidades. Art. e da Justiça. . 121. ainda em vida do último descendente e durante o seu Império. 124. Art. Art. o grau mais próximo ao mais remoto. 123. nomeada pela Assembléia Geral. a pessoa mais velha à mais moça. Art. não existindo imperador ao tempo em que se tratar deste consórcio. OU IMPEDIMENTO DO IMPERADOR Art. Nenhum estrangeiro poderá suceder na Coroa do Império do Brasil. na sua falta. sem aprovação da Assembléia Geral. Seu marido não terá parte no Governo. 122. preferindo sempre a linha anterior às posteriores. a qual pertencerá ao parente mais chegado do Imperador. Extintas as linhas dos descendentes legítimos do Senhor D.A Constituição de 1824 • 96 Art. Art. composta dos ministros de Estado do Império. Pedro I. escolherá a Assembléia Geral a nova dinastia. será o Império governado por uma Regência permanente. dos quais o mais velho em idade será o Presidente. pelo mais antigo conselheiro de Estado. O Imperador é menor até a idade de dezoito anos completos. e dos dois conselheiros de Estado mais antigos em exercício. segundo a ordem regular de primogenitura e representação. não poderá ele efetuar-se. Art. segundo a ordem da sucessão e que seja maior de vinte e cinco anos. Enquanto esta Regência se não eleger. Sua descendência legítima sucederá no trono. CAPÍTULO V DA REGÊNCIA NA MENORIDADE. 118. O casamento da princesa herdeira presuntiva da Coroa será feito a aprazimento do Imperador. e somente se chamará Imperador depois que tiver da Imperatriz filho ou filha. no mesmo grau. governará o Império uma Regência provisional.

No caso de falecer a Imperatriz imperante será esta Regência presidida por seu marido. as reunirá. Se o Imperador por causa física. enquanto não tornar a casar. II –Por peita. o Príncipe Imperial.. a Assembléia Geral nomeará Tutor. e de lhe entregar o Governo logo que ele chegue à maioridade. Tanto o Regente como a Regência prestará o Juramento mencionado no Art. Haverá diferentes Secretarias de Estado. –Manda o Príncipe Imperial Regente em nome do Imperador. 130. 128. como mais convier. Art. Os Atos da Regência e do Regente serão expedidos em nome do Imperador pela fórmula seguinte –Manda a Regência em nome do Imperador. acrescentando a cláusula de fidelidade ao Imperador. Art. suborno ou concussão. IV – Pela falta de observância da Lei. Durante a menoridade do sucessor da Coroa será seu Tutor quem seu Pai lhe tiver nomeado em Testamento. Nem a Regência nem o Regente serão responsáveis. 133. Art. na falta deste. ou separará. 131. segurança ou propriedade dos cidadãos. Art. ou cessar o seu impedimento. III –Por abuso do Poder. CAPÍTULO VI DO MINISTÉRIO Art. Art. e seu número. contanto que nunca poderá ser Tutor de Imperador menor aquele a quem possa tocar a sucessão da Coroa na sua falta. 126. sem o que não poderão ter execução. V –Pelo que obrarem contra a liberdade. se for maior de dezoito anos. 132. como Regente. 125. ou assinarão.A Constituição de 1824 • 97 Art. em seu lugar governará. Os ministros de Estado serão responsáveis: I –Por traição.. Art. ou moral. todos os Atos do Poder Executivo. Os ministros de Estado referendarão. Art. 127. evidentemente reconhecida pela pluralidade de cada uma das Câmaras da Assembléia. 103. se impossibilitar para governar. faltando esta. A Lei designará os negócios pertencentes a cada uma. 129. a Imperatriz Mãe. .

prestarão juramento nas mãos do Imperador de –manter a Religião Católica Apostólica Romana. observar a Constituição e as Leis. Art. 143. 134. atendendo somente ao bem da Nação. 138. ser fiéis ao Imperador. à exceção da VI. assim como em todas as ocasiões. antes de tomarem posse. São responsáveis os conselheiros de Estado pelos conselhos. composto de conselheiros vitalícios. 144. 142. 141. ajuste de paz. Art. manifestamente dolosos. Art. negociações com as nações estrangeiras. em que o Imperador se proponha exercer qualquer das atribuições próprias do Poder Moderador. logo que tiver dezoito anos completos. Não são compreendidos neste número os ministros de Estado. será de Direito do Conselho de Estado. aconselhá-lo segundo suas consciências. os demais príncipes da Casa Imperial. Art. Os conselheiros de Estado. 140. Art. 137. nem estes serão reputados conselheiros de Estado sem especial nomeação do Imperador para este cargo. O seu número não excederá a dez. 135. 136. 139. Art. dependen- . O Príncipe Imperial. 101. Haverá um Conselho de Estado. Art. não podem ser ministros de Estado. posto que naturalizados. Não salva aos ministros da responsabilidade a ordem do Imperador vocal ou por escrito. e a maneira de proceder contra eles. que derem. Os estrangeiros. para entrarem no Conselho de Estado ficam. Para ser conselheiro de Estado requerem-se as mesmas qualidades que devem concorrer para ser senador. Art. Art. CAPÍTULO VII DO CONSELHO DE ESTADO Art. Uma Lei particular especificará a natureza destes delitos. nomeados pelo Imperador. principalmente sobre a declaração da guerra. Art. opostos às Leis e ao interesse do Estado. indicadas no Art. Os conselheiros serão ouvidos em todos os negócios graves e medidas gerais da pública administração.A Constituição de 1824 • 98 VI – Por qualquer dissipação dos bens públicos.

senão por sentença proferida em juízo competente. Art. 152. os quais terão lugar assim no Cível. Todos os brasileiros são obrigados a pegar em armas. 147. como bem lhe parecer conveniente à segurança e defesa do Império. Estes e o Príncipe Imperial não entram no número marcado no Art. sem que lhe seja ordenado pela autoridade legítima. Enquanto a Assembléia Geral não designar a Força Militar permanente de Mar e Terra. e será composto de Juízes e Jurados. 138. o que todavia se não entende que não possam ser mudados de uns para outros lugares. CAPÍTULO VIII DA FORÇA MILITAR Art. 148. Art. substituirá a que então houver. Art.A Constituição de 1824 • 99 tes da nomeação do Imperador. 145. Art. Os Jurados pronunciam sobre o fato. Art. O Poder Judicial é independente. TÍTULO 6o DO PODER JUDICIAL CAPÍTULO ÚNICO DOS JUÍZES E TRIBUNAIS DE JUSTIÇA Art. . A Força Militar é essencialmente obediente. Art. Os oficiais do Exército e Armada não podem ser privados das suas patentes. nos casos e pelo modo que os Códigos determinarem. jamais se poderá reunir. 146. ou para menos. Uma ordenança especial regulará a organização do Exército do Brasil. até que pela mesma Assembléia seja alterada para mais. 151. para sustentar a Independência e integridade do Império. Os Juízes de Direito serão perpétuos. e defendê-lo dos seus inimigos externos ou internos. Art. assim como da Força Naval. 150. e os Juízes aplicam a Lei. Ao Poder Executivo compete privativamente empregar a Força Armada de Mar e Terra. soldos e disciplina. 153. como no Crime. suas promoções. pelo tempo e maneira que a Lei determinar. 149.

peculato e concussão haverá contra eles ação popular. O Imperador poderá suspendê-los por queixas contra eles feitas. 154. 164. poderão as partes nomear Juízes árbitros. Art. 155. peita. serão públicos desde já. A este Tribunal compete: I – Conceder ou denegar revistas nas causas e pela maneira que a Lei determinar. serão remetidos à Relação do respectivo Distrito. 157. 161. 159. 158. esta responsabilidade se fará efetiva por Lei regulamentar. composto de Juízes Letrados. e nas penais civilmente. Para este fim haverá Juízes de Paz. Para julgar as causas em segunda e última instância haverá nas Províncias do Império as Relações. Na primeira organização poderão ser empregados neste Tribunal os ministros daqueles que se houverem de abolir. que se tem intentado o meio da reconciliação. Art. Art. Art. para proceder na forma da Lei. e serão condecorados com o título do Conselho. Os papéis. 160. Sem se fazer constar. se assim o convencionarem as mesmas partes.A Constituição de 1824 • 100 Art. Art. . precedendo audiência dos mesmos Juízes. 163. Só por sentença poderão estes Juízes perder o lugar. Suas sentenças serão executadas sem recurso. que poderá ser intentada dentro de ano e dia pelo próprio queixoso. os quais serão eletivos pelo mesmo tempo e maneira por que se elegem os vereadores das Câmaras. Por suborno. ou por qualquer do povo. 156. que forem necessárias para comodidade dos povos. Art. Art. depois da pronúncia. Todos os Juízes de Direito e os Oficiais de Justiça são responsáveis pelos abusos de poder e prevaricações que cometerem no exercício de seus Empregos. não se começará processo algum. haverá também um tribunal com a denominação de Supremo Tribunal de Justiça. que deve existir. informação necessária. e ouvido o Conselho de Estado. Suas atribuições e Distritos serão regulados por Lei. Art. Art. Art. a inquirição das testemunhas e todos os mais atos do processo. Na Capital do Império. tirados das Relações por suas antigüidades. que lhes são concernentes. além da Relação. Nas causas crimes. 162. Nas cíveis. intentadas. guardada a ordem do processo estabelecida na Lei. assim como nas demais Províncias.

166. III –Conhecer e decidir sobre os conflitos de Jurisdição e competência das relações provinciais. aplicação das suas rendas e todas as suas particulares e úteis atribuições. que o poderá remover quando entender que assim convém ao bom serviço do Estado. os empregados no Corpo Diplomático e os Presidentes das Províncias. As Câmaras serão eletivas e compostas do número de vereadores que a Lei designar. O exercício de suas funções municipais. serão decretadas por uma Lei regulamentar. Art. Haverá em cada Província um presidente. Art. os das Relações. formação das suas posturas policiais. às quais compete o Governo econômico e municipal das mesmas cidades e vilas. Em todas as cidades e vilas ora existentes. onde em . 165. TÍTULO 7o DA ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA DAS PROVÍNCIAS CAPÍTULO I DA ADMINISTRAÇÃO Art. e nas mais que para o futuro se criarem. competência e autoridade. haverá Câmaras. debaixo do nome de “ Tesouro Nacional” . Art. A Lei designará as suas atribuições. 169. 170. 167. e o que obtiver maior número de votos será presidente. CAPÍTULO III DA FAZENDA NACIONAL Art. e quanto convier ao melhor desempenho dessa administração. CAPÍTULO II DAS CÂMARAS Art.A Constituição de 1824 • 101 II –Conhecer dos delitos e erros de Ofício que cometerem os seus ministros. nomeado pelo Imperador. 168. A Receita e despesa da Fazenda Nacional será encarregada a um Tribunal.

Todas as contribuições diretas. 172. seguindo-se tudo o mais que é preciso para formação de uma Lei. A proposição será lida três vezes com intervalos de seis dias de uma à outra leitura. como for justo. Admitida a discussão e vencida a necessidade da reforma do Artigo Constitucional. serão anualmente estabelecidas pela Assembléia Geral. havendo recebido dos outros ministros os orçamentos relativos às despesas das suas repartições. Art. A Assembléia Geral no princípio das suas Sessões examinará se a Constituição Política do Estado tem sido exatamente observada para prover. Art. se expedirá Lei. Se passados quatro anos. um balanço geral da receita e despesa do Tesouro Nacional do ano antecedente. 176. Art. mas continuarão até que se publique a sua derrogação ou sejam substituídas por outras. e na qual se ordenará aos eleitores dos deputados para a seguinte Legislatura. depois de jurada a Constituição do Brasil. e igualmente o orçamento geral de todas as despesas públicas do ano futuro e da importância de todas as contribuições e rendas públicas. se conhecer que algum dos seus artigos merece reforma. 171. à exceção daquelas que estiverem aplicadas aos juros e amortização da Dívida Pública. logo que esta estiver reunida. Art. 175. em recíproca correspondência com as tesourarias e autoridades das Províncias do Império. se fará a proposição por escrito. 173. arrecadação e contabilidade. que será sancionada e promulgada pelo Imperador em forma ordinária. a qual deve ter origem na Câmara dos Deputados e ser apoiada pela terça parte deles.A Constituição de 1824 • 102 diversas Estações. O Ministro de Estado da Fazenda. se regulará a sua administração. e depois da terceira deliberará a Câmara dos Deputados se poderá ser admitida à discussão. que nas procurações lhes confiram especial faculdade para a pretendida alteração ou reforma. . apresentará na Câmara dos Deputados anualmente. 174. TÍTULO 8o DAS DISPOSIÇÕES GERAIS E GARANTIAS DOS DIREITOS CIVIS E POLÍTICOS DOS CIDADÃOS BRASILEIROS Art. Art. devidamente estabelecidas por Lei.

e publicá-los pela Imprensa. ou para o defender de incêndio. fará constar ao réu o motivo da prisão. Art. e salvo o prejuízo de terceiro. VII – Todo o cidadão tem em sua casa um asilo inviolável. guardados os regulamentos policiais. sem dependência de censura. o Juiz por uma nota. Art. uma vez que respeite a do Estado e não ofenda a moral pública. 177. os nomes do seu acusador e os das testemunhas. nos casos e pela forma que a Lei determinar. senão por seu consentimento. que tem por base a liberdade. É só Constitucional o que diz respeito aos limites e atribuições respectivas dos Poderes Políticos e aos Direitos Políticos e individuais dos cidadãos. exceto nos casos declarados na Lei. atenta a extensão do território. ou deixar de fazer alguma cousa. é garantida pela Constituição do Império. por ele assinada. ou adição à Lei fundamental. e nos lugares remotos dentro de um prazo razoável. pela maneira seguinte: I – Nenhum cidadão pode ser obrigado a fazer. levando consigo os seus bens. ou inundação. havendo-as. e de dia só será franqueada a sua entrada nos casos e pela maneira que a Lei determinar. III –A sua disposição não terá efeito retroativo. e juntando-se à Constituição será solenemente promulgada. 179. vilas ou outras povoações próximas aos lugares da residência do Juiz. escritos. . De noite não se poderá entrar nela. V –Ninguém pode ser perseguido por motivo de religião. A inviolabilidade dos Direitos Civis e Políticos dos cidadãos brasileiros. a segurança individual e a propriedade. 178.A Constituição de 1824 • 103 Art. IV –Todos podem comunicar os seus pensamentos. II – Nenhuma Lei será estabelecida sem utilidade pública. VIII – Ninguém poderá ser preso sem culpa formada. senão em virtude da Lei. sendo em cidades. Na seguinte Legislatura e na primeira Sessão será a matéria proposta e discutida. e o que se vencer prevalecerá para a mudança. e nestes dentro de vinte e quatro horas contadas da entrada na prisão. que a Lei marcará. VI –Qualquer um pode conservar-se ou sair do Império. contanto que hajam de responder pelos abusos que cometerem no exercício deste Direito. Tudo o que não é Constitucional pode ser alterado sem as formalidades referidas pelas Legislaturas ordinárias. como lhe convenha. por palavras.

XVI – Ficam abolidos todos os privilégios. XVIII – Organizar-se-á quanto antes um Código Civil e Criminal. XIIII – A Lei será igual para todos. que a deu. poderá o réu livrar-se solto. XV –Ninguém será isento de contribuir para as despesas do Estado em proporção dos seus haveres. nem os casos. que não são puramente criminais e em que a Lei determina. políticos ou militares.A Constituição de 1824 • 104 IX – Ainda com culpa formada. quer proteja. por virtude de Lei anterior e na forma por ela prescrita. ninguém será conduzido à prisão. que não forem essencial e inteiramente ligados aos cargos. XVII – À exceção das causas que por sua natureza pertencem a juízos particulares. a marca de ferro quente e todas as mais penas cruéis. ou nela conservado estando já preso. XIV –Todo o cidadão pode ser admitido aos cargos públicos civis. na conformidade das Leis. a tortura. quer castigue. O que fica disposto acerca da prisão antes de culpa formada. o Juiz. Nenhuma autoridade poderá avocar as causas pendentes. não compreende as Ordenanças Militares. . não haverá foro privilegiado. a prisão de alguma pessoa. fundado nas sólidas bases da Justiça e Eqüidade. e quem a tiver requerido serão punidos com as penas que a Lei determinar. ou desterro para fora da comarca. por utilidade pública. senão pela autoridade competente. X –À exceção de flagrante delito –a prisão não pode ser executada. por desobedecer aos mandados da Justiça ou não cumprir alguma obrigação dentro de determinado prazo. e em geral nos crimes que não tiverem maior pena do que a de seis meses de prisão. todavia. senão por ordem escrita da Autoridade legítima. se prestar fiança idônea. nos casos que a Lei a admite. sustá-las ou fazer reviver os processos findos. Se esta for arbitrária. XIX – Desde já ficam abolidos os açoites. XI – Ninguém será sentenciado. estabelecidas como necessárias à disciplina e recrutamento do Exército. sem outra diferença que não seja a dos seus talentos e virtudes. nem comissões especiais nas causas cíveis ou crimes. XII – Será mantida a independência do Poder Judicial. e recompensará em proporção dos merecimentos de cada um.

A Lei lhes assegurará um privilégio exclusivo temporário. XXX –Todo o cidadão poderá apresentar por escrito ao Poder Legislativo e ao Executivo reclamações. seus juízes. XXVIII –Ficam garantidas as recompensas conferidas pelos serviços feitos ao Estado. XXIII – Também fica garantida a Dívida Pública. havendo diversas casas para separação dos réus. ou lhes remunerará em ressarcimento da perda que hajam de sofrer pela vulgarização. escrivães e mestres. requerendo perante a competente autoridade a efetiva responsabilidade dos infratores. quer civis. será ele previamente indenizado do valor dela.A Constituição de 1824 • 105 XX – Nenhuma pena passará da pessoa do delinqüente. Portanto não haverá em caso algum confiscação de bens. limpas e bem arejadas. XXIX – Os empregados públicos são estritamente responsáveis pelos abusos e omissões praticadas no exercício das suas funções. XXIV – Nenhum gênero de trabalho. Se o bem público legalmente verificado exigir o uso e emprego da propriedade do cidadão. XXXII –A instrução primária é gratuita a todos os cidadãos. indústria. A Lei marcará os casos em que terá lugar esta única exceção. XXI – As cadeias serão seguras. e dará as regras para se determinar a indenização. XXVII – O segredo das cartas é inviolável. conforme suas circunstâncias e natureza dos seus crimes. nem a infâmia do réu se transmitirá aos parentes em qualquer grau que seja. A administração do Correio fica rigorosamente responsável por qualquer infração deste Artigo. ou comércio pode ser proibido. XXXI –A Constituição também garante os socorros públicos. e por não fazerem efetivamente responsáveis os seus subalternos. quer militares. assim como o direito adquirido a elas na forma das Leis. queixas ou petições e até expor qualquer infração da Constituição. à segurança e saúde dos cidadãos. XXII –É garantido o Direito de Propriedade em toda a sua plenitude. XXVI –Os inventores terão a propriedade das suas descobertas ou das suas produções. uma vez que não se oponha aos costumes públicos. de cultura. XXV – Ficam abolidas as corporações de ofícios. .

Não se achando porém a esse tempo reunida a Assembléia. Rio de Janeiro. devendo num e noutro caso remeter à Assembléia. – João Severiano Maciel da Costa – Luiz José de Carvalho e Mello – Clemente Ferreira França -– Marianno José Pereira da Fonseca – João Gomes da Silveira Mendonça – Francisco Villela Barboza – Barão de Santo Amaro – Antonio Luiz Pereira da Cunha – Manoel Jacinto Nogueira da Gama – José Joaquim Carneiro de Campos. suspendendo-a imediatamente que cesse a necessidade urgente que a motivou. 11 de dezembro de 1823. e quaisquer autoridades que tiverem mandado proceder a elas serão responsáveis pelos abusos que tiverem praticado a esse respeito. que se dispensem por tempo determinado algumas das formalidades que garantem a liberdade individual. como medida provisória e indispensável. uma relação motivada das prisões e de outras medidas de prevenção tomadas. poderá o Governo exercer esta mesma providência. XXXIV –Os Poderes Constitucionais não podem suspender a Constituição no que diz respeito aos direitos individuais. XXXV –Nos casos de rebelião ou invasão de inimigos. pedindo a segurança do Estado. poder-se-á fazer por ato especial do Poder Legislativo.A Constituição de 1824 • 106 XXXIII – Colégios e universidades onde serão ensinados os elementos das Ciências. . salvo nos casos e circunstâncias especificadas no parágrafo seguinte. e correndo a Pátria perigo iminente. logo que reunida for. Belas-Artes e Letras.

Minas e São Paulo. e de 20 em todas as outras.A Constituição de 1824 • 107 ATO ADICIONAL LEI No 16. Alagoas e Rio Grande do Sul. faz saber a todos os súditos do Império que a Câmara dos Deputados. A autoridade da Assembléia Legislativa da Província em que estiver a Corte não compreenderá a mesma Corte nem o seu Município. Art. . Bahia. 2o Cada uma das Assembléias Legislativas Provinciais constará de 36 membros nas Províncias de Pernambuco. competentemente autorizada para reformar a Constituição do Império. 1o O direito reconhecido e garantido pelo art. 71 da Constituição será exercitado pelas Câmaras dos Distritos e pelas Assembléias. Art. de 28 nas do Pará. o Senhor Dom Pedro II. que. DE 12 DE AGOSTO DE 1834 Faz algumas alterações e adições à Constituição Política do Império. a pedido da sua Assembléia. Rio de Janeiro. 3o O Poder Legislativo Geral poderá decretar a organização de uma segunda Câmara Legislativa para qualquer Província. substituindo os Conselhos Gerais. nos termos da Lei de 12 de outubro de 1832 A Regência Permanente. Art. Ceará. Maranhão. Este número é alterável por Lei Geral. decretou as seguintes mudanças e adições à mesma Constituição. em nome do Imperador. podendo esta segunda Câmara ter maior duração do que a primeira. se estabelecerão em todas as Províncias com o título de Assembléias Legislativas Provinciais. nos termos da Carta de Lei de doze de outubro de mil oitocentos e trinta e dois. Paraíba.

. 5o A sua primeira reunião far-se-á nas capitais das Províncias. nos lugares que forem designados por Atos Legislativos Provinciais. podendo os membros de uma ser reeleitos para as seguintes. 85. discutir e deliberar. vice-presidentes e secretários. podendo ser prorrogada quando o julgar conveniente o Presidente da Província. 10. que durará dois meses. 87 e 88 da Constituição. Art. Art. terá assento igual ao do Presidente dela. e aí dirigirá à mesma Assembléia a sua fala. e as seguintes. § 2 o Sobre instrução pública e estabelecimentos próprios a promovê-la. mas cada Legislatura Provincial durará só dois anos. Compete às mesmas Assembléias legislar: § 1o Sobre a divisão civil. Art. no dia que ela marcar. judiciária e eclesiástica da respectiva Província. 7o Todos os anos haverá sessão. instruindo-a do estado dos negócios públicos e das providências que mais precisar a Província para seu melhoramento. e à sua direita. e durarão até o fim do ano de 1837. e pelos mesmos eleitores. Imediatamente depois de publicada esta reforma. 6o A nomeação dos respectivos presidentes. verificação dos poderes de seus membros. juramento e sua polícia e economia interna far-se-ão na forma dos seus Regimentos e interinamente na forma do Regimento dos Conselhos Gerais de Província.Emendas e outros dispositivos • 108 Art. proceder-se-á em cada uma das Províncias à eleição dos membros das suas primeiras Assembléias Legislativas Provinciais. 84. 4o A eleição desta Assembléia far-se-á da mesma maneira que se fizer a dos deputados à Assembléia Geral Legislativa. que se fará. Art. 83. 81. Art. 8o O Presidente da Província assistirá à instalação da Assembléia Provincial. as quais entrarão logo em exercício. 9o Compete às Assembléias Legislativas Provinciais propor. à exceção da primeira vez. na conformidade dos arts. 86. Art. os Cursos Jurídicos. o lugar porém da primeira reunião da Assembléia Legislativa da Província em que estiver a Corte será designado pelo Governo. e mesmo sobre a mudança da sua capital para o lugar que mais convier. Academias atualmente existentes e outros quaisquer estabelecimentos de instrução que para o futuro forem criados por lei geral. não compreendendo as faculdades de Medicina.

em conformidade com a doutrina do § 2o deste artigo. poderá entrar em discussão sem que tenha sido dado para ordem do dia. Sobre os casos e a forma por que poderão os presidentes das Províncias nomear. Cursos Jurídicos e Academias. Bispo. As despesas provinciais serão fixadas sobre orçamento do Presidente da Província. § 11. à administração da Guerra e Marinha. trabalho e correção. e as municipais. Também compete às Assembléias Legislativas Provinciais: § 1o Organizar os Regimentos internos sobre as seguintes bases: o 1 ) Nenhum Projeto de Lei. pelo menos vinte quatro . que não pertencem à administração geral do Estado. § 8o Sobre obras públicas. Sobre casas de socorros públicos. suspender e ainda mesmo demitir os empregados provinciais. e regime delas.Emendas e outros dispositivos • 109 § 3o Sobre os casos e a forma por que pode ter lugar a desapropriação por utilidade municipal ou provincial. § 6o Sobre repartição da contribuição direta pelos municípios da Província e sobre a fiscalização do emprego das rendas públicas provinciais e municipais. São empregos municipais e provinciais todos os que existirem nos municípios e províncias. 11. precedendo propostas das Câmaras. sobre orçamento das respectivas Câmaras. estradas e navegação no interior da respectiva Província. § 9o Sobre construção de casas de prisão. ou Resolução. contanto que estes não prejudiquem as imposições gerais do Estado. à exceção dos que dizem respeito à administração. dos cargos de Presidente de Província. e estabelecimento dos seus ordenados. e empregados das Faculdades de Medicina. § 4o Sobre a polícia e economia municipal. § 7o Sobre a criação e supressão dos empregos municipais e provinciais. e dos Correios gerais. § 5o Sobre a fixação das despesas municipais e provinciais e os impostos para elas necessários. arrecadação e contabilidade da Fazenda Nacional. Comandante Superior da Guarda Nacional. § 10. Art. conventos e quaisquer associações políticas ou religiosas. As Câmaras poderão propor os meios de ocorrer às despesas dos seus municípios. e das contas da sua receita e despesa. membro das Relações e tribunais superiores.

179 da Constituição. sobre informação do Presidente da Província. passará pelo menos por três discussões. § 9o Velar na Guarda da Constituição e das Leis na sua Província e representar à Assembléia e ao Governo Gerais contra as Leis de outras Províncias que ofenderem os seus direitos. § 7o Decretar a suspensão. 10 e 11 serão enviadas diretamente ao Presidente da Província. contra quem houver queixa de responsabilidade. e § 7o.Emendas e outros dispositivos • 110 horas antes. nos casos em que pelas Leis tem lugar a suspensão. na parte relativa aos empregos municipais. 6o. Excetuam-se as Leis e Resoluções que versarem sobre os objetos compreendidos no art. na parte relativa à Receita e Despesa Municipal. Uma Lei Geral marcará o que são bens provinciais. cumulativamente com a Assembléia e o Governo Gerais. § 5o Promover. § 2o Fixar. 11. a organização da estatística da Província. § 4o Regular a Administração dos bens provinciais. As Leis e Resoluções das Assembléias Legislativas Provinciais sobre os objetos especificados nos arts. a quem compete sancioná-las. § 8o Exercer. § 6o Decidir. com que ocorram às suas respectivas despesas. o direito que esta concede ao mesmo Governo Geral. ou não. e dando-se-lhe lugar à defesa. . suspenso do exercício de suas funções. ou quem suas vezes fizer. e ainda mesmo a demissão do Magistrado. a catequese e civilização dos indígenas e o estabelecimento de colônias. 3ª) De uma a outra discussão não poderá haver menor intervalo do que vinte e quatro horas. e no art. e ele ser. ou Resolução. 7o e 9o. a Força policial respectiva. cumulativamente com o Governo Geral. As Assembléias Provinciais não poderão legislar sobre impostos de importação nem sobre objetos não-compreendidos nos dois precedentes artigos. 10. sem dependência da sanção do Presidente. Art. as quais serão decretadas pelas mesmas Assembléias. sendo ele ouvido. nos casos e pela forma marcados no § 35 do art. quando tiver sido pronunciado o Presidente da Província. 2ª) Cada Projeto de Lei. Art. §§ 5o e 6o. §§ 1o. 13. § 3o Autorizar as Câmaras Municipais e o Governo Provincial para contrair empréstimos. 12. se o processo deva continuar. § 4o.

por dois terços dos votos dos membros da Assembléia. com as razões alegadas pelo Presidente da Província. publicar e correr. poderá mandar que ele seja provisoriamente executado.Emendas e outros dispositivos • 111 Art.. 10. Art. Faço saber a todos os seus habitantes que a Assembléia Legislativa Provincial decretou. não poderá ser novamente proposto na mesma sessão. Quando porém o Presidente negar a sanção. e publique-se como Lei. para esta definitivamente decidir se ele deve ser ou não sancionado. assinada de seu punho – Sanciono.. (A íntegra da Lei nas suas disposições somente. e eu sancionei a Lei ou Resolução seguinte. Neste caso será o Projeto submetido à nova discussão. expondo debaixo de sua assinatura as razões em que se fundou. guardar-se-á o original no Arquivo Público e enviar-se-ão exemplares dela a todas as Câmaras e Tribunais e mais lugares da Província onde convenha fazer-se pública. Se não for adotado. que o sancionará. será o Projeto. nos casos declarados no § 8o do art. . Se o Presidente julgar que deve negar a sanção. 16.) Mando portanto a todas as autoridades. ou os Tratados feitos com as nações estrangeiras. Sancionada a Lei ou Resolução. por entender que o Projeto ofende os direitos de alguma outra Província. Art. que a cumpram e façam cumprir tão inteiramente como nela se contém. Art. Art. ou modificado no sentido das razões pelo Presidente alegadas. Não se achando nesse tempo reunida a Assembléia Geral. por entender que a Lei ou Resolução não convém aos interesses da Província. e a Assembléia Provincial julgar o contrário. a mandará o Presidente publicar pela forma seguinte: – F. 17.. o fará por esta fórmula – Volte à Assembléia Legislativa Provincial – . o fará pela seguinte fórmula. 14. até definitiva decisão da Assembléia Geral. será reenviado ao Presidente da Província. Se o Presidente entender que deve sancionar a Lei ou Resolução. O Secretário desta Província a faça imprimir. e julgando o Governo que o Projeto deve ser sancionado. a quem o conhecimento e execução da referida Lei ou Resolução pertencer. como no artigo precedente. 15. Presidente da Província de. e se for adotado tal qual. Assinada pelo Presidente da Província a Lei ou Resolução e selada com o Selo do Império. 18. por dois terços dos votos.. levado ao conhecimento do Governo e Assembléia Gerais.

Art. quando morarem fora do lugar da sua reunião. os impostos gerais. compete-lhes também: § 1o Convocar a nova Assembléia Provincial. Art. e quando tendo-lhe sido reenviada a Lei. 20. a Assembléia Legislativa Provincial a mandará publicar com esta declaração: – devendo então assiná-la o Presidente da mesma Assembléia. será a convocação feita pela Câmara Municipal da Capital da Província. como membros das ditas Assembléias. Os membros das Assembléias Provinciais vencerão diariamente. durante as sessões. O Presidente dará ou negará a sanção. como determina o art. Na primeira Legislatura. no prazo de dez dias. 22. casos únicos em que o Poder Legislativo Geral os poderá revogar. Os membros das Assembléias Provinciais que forem Empregados Públicos não poderão. quando assim o exigir o bem da Província. Terão também.Emendas e outros dispositivos • 112 Art. uma indenização anual para as despesas de ida e volta. Art. 19. prorrogá-la e adiá-la. Art. Não a tendo o Presidente convocado seis meses antes deste prazo. os direitos de outras Províncias ou os Tratados. Os membros das Assembléias Provinciais serão invioláveis pelas opiniões que emitirem no exercício de suas funções. tendo porém a opção entre o ordenado do emprego e o subsídio que lhes competir. e proporcionada à extensão da viagem. Além das atribuições que por Lei competirem aos Presidentes das Províncias. 21. marcado pela Assembléia Provincial na primeira sessão da Legislatura antecedente. marcada pelo mesmo modo. 24. 15. . 23. de maneira que possa reunir-se no prazo marcado para as suas sessões. Neste caso. exercer o seu emprego nem acumular ordenados. durante o tempo das sessões ordinárias. e não o fazendo ficará entendido que a deu. um subsídio pecuniário. extraordinárias e das prorrogações. contanto porém que em nenhum dos anos deixe de haver sessão. recusar sancioná-la. § 2o Convocar a Assembléia Provincial extraordinariamente. tanto o subsídio como a indenização serão marcados pelo Presidente da Província. O Presidente da Província enviará à Assembléia e Governo Gerais cópias autênticas de todos os Atos Legislativos Provinciais que tiverem sido promulgados. Art. a fim de se examinar se ofendem a Constituição.

A atual Regência governará até que tenha sido eleito. Se houver empate. Instruções e Regulamentos adequados à boa execução das Leis Provinciais. abri-las-á em Assembléia Geral. de que trata o Títuo lo 3 . 28. Se o Imperador não tiver parente algum que reúna as qualidades exigidas no art. O Governo Geral marcará um mesmo dia para esta eleição em todas as Províncias do Império. serão enviadas uma à Câmara Municipal a que pertencer o Colégio. 29. Art. ao Poder Legislativo Geral compete interpretá-lo. § 4o Expedir Ordens. tendo recebido as atas de todos os Colégios. 32. de que trata o art. Art. nos casos e pela forma marcados nos arts. Capítulo 7o. 31. Art. outra ao Governo Geral. lavrar-se-ão três atas do mesmo teor. . renovando-se para esse fim a eleição de quatro em quatro anos. que contenham os nomes de todos os votados e o número exato de votos que cada um obtiver. Art. votarão por escrutínio secreto em dois cidadãos brasileiros. da Constituição. e fará contar os votos: o cidadão que obtiver a maioria destes será o Regente. Enquanto o regente não tomar posse. o da Justiça. Art. por um Regente eletivo e temporário. os quais. por terem obtido o mesmo número de votos. e seladas. Apurados os votos. Art. e a terceira diretamente ao Presidente do Senado. 26. e na falta ou impedimento deste. será o Império governado. governará o Ministro de Estado do Império. e tomado posse. Esta eleição será feita pelos eleitores da respectiva Legislatura. por intermédio do Presidente da Província. 122 da Constituição. reunidas ambas as Câmaras. O Presidente do Senado. 25. No caso de dúvida sobre a inteligência de algum artigo desta reforma. durante a sua menoridade. cujo cargo durará quatro anos. reunidos nos seus Colégios. e nem um deles será cidadão naturalizado. 26. dois ou mais cidadãos entre eles decidirá a sorte. e na sua falta e impedimentos. dos quais um não será nascido na Província a que pertencerem os Colégios. Fica suprimido o Conselho de Estado. 30.Emendas e outros dispositivos • 113 § 3o Suspender a publicação das Leis Provinciais. Art. Art. 27. Assinadas estas atas pelos eleitores. 15 e 16. o Regente.

promulgar e correr. que as cumpram e façam cumprir e guardar tão inteiramente como nelas se contêm. O Secretário de Estado dos Negócios do Império as faça juntar à Constituição. Palácio do Rio de Janeiro. imprimir. aos doze dias do mês de agosto de mil oitocentos e trinta e quatro. décimo terceiro da Independência.Emendas e outros dispositivos • 114 Manda portanto a todas as autoridades. e do Império. Francisco de Lima e Silva João Bráulio Moniz Antonio Pinto Chichorro da Gama . a quem o conhecimento e execução das referidas mudanças e adições pertencer.

em nome do Imperador. e a ambas se refere a cláusula final do mesmo artigo –precedendo Propostas das Câmaras. do Ato Adicional. Somen- . 4o Na palavra –Magistrado –de que usa o art. 5o Na decretação da suspensão ou demissão dos Magistrados. Art. Art. 1o A palavra –Municipal –do art. procedem as Assembléias Provinciais como Tribunal de Justiça. não se compreendem os Membros das Relações e Tribunais Superiores. 10 somente compreende aqueles empregados provinciais cujas funções são relativas a objetos sobre os quais podem legislar as Assembléias Legislativas de Província. sem alteração da sua natureza e atribuições. e Administrativa somente. Art. 11. faz saber a todos os súditos do Império que a Assembléia Geral Legislativa decretou e ele sancionou a Lei seguinte: Art.Emendas e outros dispositivos • 115 LEI No 105. 2o A faculdade de criar e suprimir empregos municipais e provinciais. Art. concedidas às Assembléias de Província pelo § 7o do art. compreende ambas as anteriores – Polícia e Economia – . e por maneira nenhuma aqueles que são criados por Leis Gerais relativas a objetos da competência do Poder Legislativo Geral. e não a Polícia Judiciária. o Senhor D. § 7 o. 3o O § 11 do mesmo art. do Ato Adicional. 10 do Ato Adicional. A palavra – Polícia – compreende a Polícia Municipal. quando forem estabelecidos por Leis Gerais relativas a objetos sobre os quais não podem legislar as referidas Assembléias. somente diz respeito ao número dos mesmos empregos. DE 12 DE MAIO DE 1840 Interpreta alguns artigos da Reforma Constitucional O Regente. 10. Pedro II. § 4o.

Art.Emendas e outros dispositivos • 116 te podem portanto impor tais penas em virtude de queixa. por crime de responsabilidade a que elas estão impostas por Leis criminais anteriores. . 6o O Decreto de suspensão ou demissão deverá conter: 1o) o relatório do fato. que houve por bem sancionar. 7o O art. 16 do Ato Adicional compreende implicitamente o caso. observando a forma de processo para tais casos anteriormente estabelecida. 2o) a citação da Lei em que o Magistrado está incurso. como acima se declara. em que se interpretam alguns artigos da Reforma Constitucional. em que o Presidente da Província negue a sanção a um Projeto por entender que ofende a Constituição do Império. 8o As Leis Provinciais que forem opostas à interpretação dada nos artigos precedentes não se entendem revogadas pela promulgação desta Lei. sem que expressamente o sejam por atos do Poder Legislativo Geral. 3o) uma sucinta exposição dos fundamentos capitais da decisão tomada. Art. pela qual Vossa Majestade Imperial manda executar o Decreto da Assembléia Geral Legislativa. Carta de Lei. Art.

3. Livraria José Olímpio. 1. p. p.) _______ Vol. (A Verdade Eleitoral. Ed. _______ Vol. GB. 453 ( Teófilo Otoni. p. Museu Paulista. Museu Histórico Nacional. p.) _______ Vol. II. II. RJ. 170. SP. 306 (José Clemente Pereira. Lixto). Petrópolis. 348 ( José Bonifácio de Andrada e Silva. Col. por Joseph Mill.) _______ Vol. 763 (E Sua Majestade Vai Passear. p. 534 (Lafaiete Rodrigues Pereira. por Vera Cruz. III. 384 (Luís Alves de Lima e Silva. 461 (D.) _______ Vol. p. GB. p.Emendas e outros dispositivos • 117 CRÉDITO DAS ILUSTRAÇÕES Referências das ilustrações por ordem de entrada: Coleção História do Brasil. GB. Petrópolis. por Rovello. o Duque de Caxias. p.) _______ Vol. p. p. p.) Lima.) _______ Vol. GB. II. Virgínia Ottoni de Araújo Pinto. Museu Histórico Nacional. SP. Pedro I) _______ Vol. II. 1976.) _______ Vol. 370 ( Padre Diogo Antônio Feijó. 2. por Décio Vilares.) _______ Vol. Pedro II. Museu Imperial. III. capa) _______ Vol. II. 495 ( Princesa Isabel. . in O Diabo a Quatro. RJ. p. Museu Histórico Nacional. 514 (Zacarias de Góis e Vasconcelos. in O Mequetrefe. p. de Andrade. Museu Histórico Nacional. GB. 498 (Barão de Cotegipe. Bloch Editora S. Cristiano Ottoni Fo. Museu Histórico Nacional. Museu Histórico Nacional. Vol. GB.. SP. Museu Imperial. Rio de Janeiro. 309 (D. Rio de Janeiro. 901 (Panelada Constitucional. Col.. p. II. História da Caricatura no Brasil. p.) _______ Vol. 443 (Duque de Caxias. p. p. por Simplício Rodrigues de Sá.) _______ Vol. Museu Histórico Nacional. II. 1963. GB. SP. 526 (A Abertura do Senado. GB. Museu Histórico Nacional. II. p. II. Museu Paulista. por Sisson. II. II. II. caricatura por K.) _______ Vol. 308 (Martim Francisco R. Herman. 346 ( D.) _______ Vol. GB. Pedro I. III. GB.A. 7-10-1875) _______ Vol. Vol. por Vítor Meireles.

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nas oficinas da SEEP (Secretaria Especial de Editoração e Publicações). em Brasília. 2a edição.Bibliografia • 123 O Volume I da Coleção Constituições Brasileiras (1824). corpo 12. foi composto em Garomond. e impresso em papel ofsete 75g/m2. Acabou-se de imprimir em agosto de 2001. do Senado Federal. de acordo com o programa editorial e projeto gráfico do Conselho Editorial do Senado Federal. .

Os discursos ouvidos na introdução do CDRom são de Afonso Arinos e Ulisses Guimarães e foram proferidos no encerramento da Constituinte em 5/10/1988. Senado Federal Centro de Estudos Estratégicos . Cada volume é comentado por um especialista que analisa e contextualiza as versões de nossa Carta Magna.SEEP Subsecretaria de Edições Técnicas CONSELHO EDITORIAL .Esta coleção é resultado de uma parceria entre o Conselho Editorial do Senado Federal.CEE/MCT Escola de Administração Fazendária .ESAF/MF Uma publicação do Conselho Editorial do Senado Federal. o Centro de Estudos Estratégicos CEE/MCT e a Escola Fazendária ESAF/MF. Produzido e impresso na Secretaria Especial de Editoração e Publicações .

Luiz Navarro de Brito e Aliomar Baleeiro VOLUME VI a Emendas Constitucionais VOLUME VII Caio Tácito .VOLUME I Otaciano Nogueira VOLUME II Aliomar Baleeiro VOLUME III Ronaldo Poletti VOLUME IV Walter Costa Porto VOLUME V Aliomar Baleeiro e Barbosa Lima Sobrinho VOLUME VI Themístocles Brandão Cavalcanti.

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