Sobre o decaimento da força elétrica com o quadrado da distância

por Gabriel Sales

Brasília, 23 de maio de 2013.

Questão
No estudo da física é inevitável que o aluno se depare diversas vezes com a questão da força elétrica para cargas pontuais em um campo Coulombiano ser proporcional ao inverso do quadrado da distância. Em outras palavras, a força elétrica entre duas cargas pontuais decai com o quadrado da distância que existe entre as cargas em análise (também é sabido que isso vale para a força gravitacional entre dois corpos pontuais discretos). Neste muito resumido ensaio, abordarei a questão e explicarei, de forma simplória, os motivos para tal constatação.

Antes de tudo, sabemos que a força elétrica entre duas cargas pontuais obedece, na eletrostática, a Lei de Coulomb que diz: ⃗ onde . ( ) ̂

Nossa questão é: por que

?

Microscopicamente, a interação eletromagnética ocorre pela troca de partículas intermediárias. Essas são chamadas de bósons mediadores da interação e, para o eletromagnetismo, eles são os fótons (γ). A interação se dá como no diagrama abaixo:

Fonte: http://1234higgs.files.wordpress.com/2012/10/feynmandiagram.png

Este é conhecido como o Diagrama de Feynman para a interação eletromagnética e γ representa o fóton. Da teoria quântica, sabemos que a energia potencial V é proporcional ao inverso da distância de tal forma que
( )

( ) É sabido também que a força é da forma ( ) (1) é elevado

Para a interação elétrica, como o fóton possui massa nula o radical ao qual se anula ( ). Assim, para o potencial elétrico ficamos com ( )

Chegamos agora ao ponto crítico da prova. Acabamos de mostrar que o potencial elétrico entre duas cargas é proporcional ao inverso da distância e sabemos que a força elétrica, por (1), é igual a menos a derivada do potencial elétrico em relação a distância. Daí, tiramos que ( ) Resolvendo a derivada, concluímos então que ( ) que é exatamente o que queríamos demonstrar. Q.E.D. Usando a física quântica pudemos demonstrar que a força elétrica decai com o quadrado da distância. Mas e se não tivéssemos o aparato quântico para nos dar o suporte? Aí teríamos que usar o eletromagnetismo clássico e chegaríamos a conclusão de que a única solução possível para a equação diferencial que envolve a força seria algo da forma ( ⁄ )

onde n representa o número de dimensões espaciais. No caso tridimensional do nosso Universo Clássico, e . A demonstração rigorosa deste fato não será demonstrada.

Obs.: Vale ressaltar que a Lei de Coulomb como a conhecemos só é válida na eletrostática e para cargas pontuais.