You are on page 1of 122

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO ESCOLA DE ARTES, CIÊNCIAS E HUMANIDADES

TALITA GOMES DE OLIVEIRA CORDEIRO

O Fenômeno do K-pop no Brasil: práticas de lazer a partir da Web 2.0

São Paulo 2013

TALITA GOMES DE OLIVEIRA CORDEIRO

O Fenômeno do K-pop no Brasil: práticas de lazer a partir da Web 2.0

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo, como parte dos requisitos para obtenção do título de Bacharel em Lazer e Turismo. Orientadora: Prof. Dra. Cynthia Harumy Watanabe Corrêa

São Paulo 2013

Autorizo a reprodução e divulgação total ou parcial deste trabalho, por qualquer meio convencional ou eletrônico, para fins de estudo e pesquisa, desde que citada à fonte.

Nome: Talita Gomes de Oliveira Cordeiro Título: O Fenômeno do K-pop no Brasil: práticas de lazer a partir da Web 2.0

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo, como parte dos requisitos para obtenção do título de Bacharel em Lazer e Turismo.

Aprovado em:

Banca Examinadora

Prof. Dra. Cynthia Harumy Watanabe Corrêa Instituição Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo. Julgamento: ____________________________ Assinatura: ______________________

Prof. Dra. Rita de Cássia Giraldi Instituição: Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo Julgamento: ____________________________ Assinatura: ______________________

Prof. Dr. Reinaldo Tadeu Boscolo Pacheco Instituição: Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo Julgamento: ____________________________ Assinatura: ______________________

DEDICATÓRIA

À minha família, que sempre me deu o suporte necessário para as minhas escolhas. Somente através da compreensão e apoio de vocês consegui terminar este trabalho.

AGRADECIMENTOS

Na vida acadêmica devemos sempre agradecer nossos professores, pois sem eles nunca poderíamos aprender aquilo que decidimos ser. Entre estes professores existiram alguns que me ensinaram muito mais do que os conceitos sobre o Lazer e Turismo, mas novas formas de enxergar o mundo, em especial a minha orientadora Prof. Dra. Cynthia Corrêa. Esta pessoa que mesmo não dominando o tema K-pop me aceitou e me ajudou durante todo o período de elaboração da pesquisa, passando várias tardes na Universidade e também noites no Skype. Através do seu incentivo e conversas, procurei aprimorar meu estudo e postura de estudante. Gostaria de agradecer também todos os funcionários da Escola de Ciências, Artes e Humanidades, pois assim como meus professores foi com a ajuda de vocês que consegui viver uma ótima vida acadêmica. Entre os funcionários da biblioteca, em especial Ana Lucia, que me ajudou com a pesquisa de artigos e referencial teórico pelos portais da USP. Ao meu grupo de amigos os quais me ajudaram a enfrentar os quatro anos de uma vida acadêmica no curso de Lazer e Turismo, em especial: Thaís, Amom e Thuani, saibam que sempre estarão em meu coração. Nos momentos de indecisão e também mais difíceis do estudo, contei com a ajuda das minhas maiores amigas Laura e Jeniffer, as quais sempre estavam ao meu lado para que o que fosse preciso. Ano passado tive a felicidade de conhecer e ficar amiga de pessoas maravilhosas, um grupinho fechado de amantes de k-pop que me aceitou e também serviu muitas vezes de inspiração para algumas das minhas considerações neste trabalho, por isso sou muito grata a vocês: Danilo, Ana, Audiane, Juliana, Tathiana e Carol. Todos os k-poppers que aceitaram este desafio saibam que a ajuda de vocês foi de extrema importância neste processo. Aos que divulgaram a pesquisa por Twitter, Facebook e que responderam o questionário (além de deixarem mensagens de incentivo). Dentre estes k-poppers irei aqui citar alguns que me ajudaram um pouco mais diretamente com suas entrevistas: Natália, Lily, Carlos aka DJ Masa, Vitor aka Ichigo, Ariane e Lívia e também alguns outros que me ajudaram com seus dados indiretamente: SarangInGayo, Kpop Brasil, Kpop Station e todas as fanbases, páginas

do Facebook, Blogs, Twitter, Tumblrs que foram aqui mencionados além de todos os fãs que tive o prazer de conhecer em eventos. Como sempre minha família foi muito presente e apesar de ser redundante tenho que agradecer todo o suporte. Guerreira como sempre minha mãe sempre trabalhou muito para que eu e meus irmãos pudéssemos ter tudo o que era necessário e lutou diariamente para que eu pudesse me formar. Agradeço por sempre estar ao meu lado. Com sua imagem de irmão mais velho, poucos conhecem seu lado protetor, sempre cuidando para que suas irmãzinhas pudessem ter um irmão que se orgulhasse, saiba que sua influência sempre foi muito forte em minha vida. Junto comigo desde a gestação, minha irmãzinha e cara metade sempre me apoiou e, mesmo gostando de áreas diferentes sempre nos fizemos presentes na vida acadêmica uma da outra ajudando no que fosse necessário. Gostaria de agradecer também aqueles que lerem esta pesquisa e todos que cultivam interesse pelo K-pop e a Hallyu, pois acredito que também poderão contribuir com a divulgação desta cultura que aprendi a amar.

EPÍGRAFE

어떤말로도 모자라서 아무말도 할 수 없었어 너무나 고마워서 어떡할 줄 몰라서
Nenhuma palavra era suficiente Não pude dizer nada Por estar tão agradecido Não soube o que fazer

2PM – Thank You

RESUMO

A popularização do K-pop ou pop coreano dentro da “Hallyu” ou Onda Coreana foi impulsionada pela Internet e, principalmente, pelas mídias sociais. Recentemente, alcançou o Ocidente e, consequentemente o Brasil. Nesse sentido, a pesquisa visa investigar a evolução do K-pop como gênero musical e o seu crescimento no Brasil, mais especificamente na Web 2.0 e suas redes sociais, além de investigar as principais atividades de lazer e o perfil dos fãs. Como métodos e técnicas, foram realizadas pesquisas bibliográficas, netnografia, aplicação de questionários por meio da plataforma Google docs e também sondagem por e-mail. Ao término desta pesquisa, foi possível identificar que entre os fãs brasileiros de K-pop predomina a participação do público feminino, assim como pessoas jovens e de origem étnica caucasiana. O primeiro contato com o K-pop para a maioria dos fãs ocorreu em meados de 2009 a 2011, principalmente por meio da Internet e pela indicação de amigos. Entre as atividades de lazer investigadas, podemos confirmar a hipótese de que o nível conformista ainda é o mais realizado entre os fãs, contudo, há uma tendência de transição eminente para a criticidade e criatividade. Verificamos ainda que a divulgação efetuada via Internet, tanto pelos fãs como pela Indústria Coreana, foi o que mais contribuiu para o crescimento do K-pop no Brasil. Palavras-chave: Lazer. Internet. K-pop. Hallyu.

ABSTRACT

The popularity of K-pop or Korean pop inside the "Hallyu" or Korean Wave has been driven by the Internet, and especially by social media. Recently, has reached the West and Brazil. Accordingly the research aims to investigate the evolution of the k-pop as a music genre and its growth in Brazil, more specifically in the Web 2.0 and social networks and also investigate the main leisure activities and profile of fans. As methods and techniques, literature searches were conducted, netnography, questionnaires through the Google docs platform and also probing by email. Upon completion of this research, we found that among the Brazilian fans of K-pop, the predominant participation is from the female audience, as well as young people and Caucasian ethnicity. The first contact for most K-pop fans occurred in mid-2009 to 2011, mainly through the Internet and the indication of friends. Among the leisure activities investigated, we can confirm the hypothesis that the level conformist is still the most accomplished among fans; however, there is a tendency of imminent transition to criticality and creativity. We also verified that the disclosure made via the Internet, both by fans as the Korean industry was the largest contributor to the growth of K-pop in Brazil. Key words: Leisure. Internet. K-pop. Hallyu.

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Seo Taiji and Boys ........................................................................................... 5 Figura 2 - Grupo H.o.T, formado por artistas da primeira geração k-pop ....................... 7 Figura 3 - Grupo Sechs Kies, da primeira geração k-pop ................................................ 8 Figura 4 - Cd de lançamento de artistas da segunda geração k-pop: Bi Rain com Bad Guy (2002)........................................................................................................................ 9 Figura 5 - Cd de lançamento dos artistas da segunda geração k-pop: BoA com ID Peace B (2000) .......................................................................................................................... 10 Figura 6 - Grupo Wonder Girls em promoção da música “Nobody” ............................. 15 Figura 7 - Portal do Canal K-pop no site YouTube em português ................................. 18 Figura 8 - Crescimento no Brasil do k-pop em comparação com o jpop de jan. 2009 a nov. 2012 ........................................................................................................................ 22 Figura 9- Eu não só penso em k-pop .............................................................................. 52 Figura 10 – 3 regras para se tornar fã de música asiática. .............................................. 54 Figura 11 - Troca de informação entre a fanbase do grupo Infinite através de ferramentas das redes sociais. ........................................................................................ 55 Figura 12- Qual a sua etnia? ........................................................................................... 57 Figura 13 - Como você conheceu o kpop? ..................................................................... 59 Figura 14 - Montagem efetuada pela página “REAL Otaku” no Facebook ................... 61 Figura 15 - Informação sobre o período em que os fãs conheceram o k-pop................. 64 Figura 16 - Comparação entre Orkut e Facebook no Brasil ........................................... 65 Figura 17 - Homepage da Comunidade “Rain / Jung JiHoon” no site Orkut ................ 66 Figura 18 - Práticas de fã relacionadas a outros fandons de entretenimento .................. 70 Figura 19 - Identidade k-popper e comportamento ........................................................ 73 Figura 20 – Home page do B2stBR ................................................................................ 75 Figura 21 - Atividades no Twitter .................................................................................. 78 Figura 22 – Perfil @JewelsBrazil, fanbase brasileira do artista Eunhyuk do Super Junior ........................................................................................................................................ 79 Figura 23 – Trending Topics do Brasil sobre o programa Leitura Dinâmica K-pop ..... 80 Figura 24 - Atividades no Tumblr .................................................................................. 82 Figura 25 – Resultado de Pesquisa das palavras: Kpop Brasil, opção páginas. ............. 86

SUMÁRIO INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 1 1. K-POP: NOVA ONDA ASIÁTICA .......................................................................... 4 1.1. BREVE HISTÓRICO.......................................................................................... 4 1.2. AVANÇO MUNDIAL ....................................................................................... 11 1.3. K-POP EM TERRA TUPINIQUIM: KÁ POP NO BRASIL ........................ 22 2. ABORDAGENS SOBRE LAZER E INTERNET ................................................. 27 2.1. INTERNET E WEB 2.0..................................................................................... 27 2.2. LAZER E INTERNET ...................................................................................... 33 2.2.1 Lazer: conceitos e definições ......................................................................... 33 2.2.2 Internet e o Lazer: novas possibilidades ........................................................ 38 3. MÉTODOS E TÉCNICAS ...................................................................................... 45 4. ANÁLISE DOS RESULTADOS ............................................................................. 50 4.1. ENTRÉE CULTURAL E ÉTICA NA PESQUISA ........................................ 50 4.2. PERFIL DO K-POPPER: QUEM SÃO? ........................................................ 51 4.3 K-POPPERS NA INTERNET: COMO SE ORGANIZAM? ......................... 61 4.4 PRINCIPAIS ATIVIDADES DOS K-POPPERS: O QUE FAZEM?............ 69 4.5. WEB 2.0 E O K-POPPER: NOVAS FORMAS DE PARTICIPAÇÃO........ 74 4.5.1 Blogs............................................................................................................... 74 4.5.2 Twitter ............................................................................................................ 77 4.5.3 Tumblr ............................................................................................................ 81 4.5.3 Facebook ........................................................................................................ 84 4.5.4 YouTube ......................................................................................................... 87 CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................................... 91 REFERÊNCIAS ........................................................................................................... 93 ANEXOS ....................................................................................................................... 98 Dicionário K-pop por SarangInGayo .......................................................................... 98 APÊNDICES ............................................................................................................... 103 APÊNDICE A – Questionário com os k-poppers ..................................................... 103 APÊNDICE B – Questionário com fãs divulgadores no cenário do fandom de k-pop .................................................................................................................................. 110

1

INTRODUÇÃO

Na área do lazer, poucos são os estudos sobre práticas de fãs e suas comunidades, o fandom 1 , na Internet no Brasil, no entanto, ao verificarmos a área das mídias as pesquisas sobre fandom são diversas e representam um universo à parte - ao passo que há várias possibilidades de participação e produção cultural neste espaço. 2 As oportunidades de discussão dentro da área do Lazer na Internet, envolvendo a comunidade de fãs mostram-se extremamente necessárias, já que através deste novo espaço e também por meio de suas novas plataformas, como a Web 2.0, é que novas opções de produção cultural estejam sendo feitas. Buscando compreender estes temas: fãs e Web 2.0 e, procurando realizar um estudo introdutório dentro desta área, este estudo focou-se em um “novo” fandom no Brasil, a comunidade k-popper. O K-pop 3, música pop da Coreia do Sul tornou-se um fenômeno mundial a partir de 2009, contudo, sua expansão no Brasil veio crescendo desde 2004. No contexto da popularização da “Hallyu” ou Onda Coreana, o K-pop se expandiu nos últimos anos graças principalmente à divulgação da Internet e mídias sociais pelos próprios fãs. A elevada popularidade de vídeos musicais de k-pop no site de compartilhamento YouTube4 pode ser avaliada como um indicador do sucesso mundial do pop coreano.

1

Fandom: Segundo o Wikipedia fandom é “uma palavra de origem inglesa (Fan Kingdom), que se refere ao conjunto de fãs de um determinado programa da televisão, pessoa ou fenômeno em particular”. A palavra não tem uma tradução literal para o português, mas podemos utilizar algo como “grupos organizados de fãs do entretenimento” para mantermos o mesmo significado. Fonte: Wikipedia. Disponível em: www.wikipedia.com. Acesso em: 20 de Dezembro de 2011. A origem dos fandoms de mídia vem dos anos 60, quando a série de TV Star Trek formou uma série de fãs - os trekkies como passaram a serem chamados posteriormente - os quais se organizavam para discutir sobre o programa, personagens e produzir materiais culturais relacionados ao programa. 2 Podemos dizer que os fãs são o maior exemplo de organização em comunidades, pois antes mesmo da Internet estes já partilhavam este tipo de relação relatada por Jenkins (2009). Ainda mais presente na comunidade fã, a qual sempre está à frente no que se refere às novas apropriações das mídias, a Web 2.0 trouxe novas formas de interação e hoje suas plataformas são amplamente utilizadas por proporcionarem uma melhor organização e também facilitar a troca de conteúdos e informações. A origem dos fandoms de mídia vem dos anos 60, quando a série de TV Star Trek formou uma série de fãs - os trekkies como passaram a serem chamados posteriormente - os quais se organizavam para discutir sobre o programa, personagens e produzir materiais culturais relacionados ao programa. 3 Neste estudo iremos utilizar com mais frequência a escrita K-pop, no entanto, em alguns momentos também será utilizado Kpop por necessidade teórica de outros autores, não importando a escrita, mas sim o significado. 4 YouTube: Fundado em fevereiro de 2005, o YouTube permite que bilhões de pessoas descubram, assistam e compartilhem vídeos criados originalmente. O YouTube oferece um fórum para que as pessoas se conectem, informem e inspirem outras, em todo o globo, e age como uma plataforma de

2

De acordo com pesquisa do Jornal JoongAng Daily publicada em 16 janeiro de 2011, o Brasil aparece na pesquisa como um dos países que mais acessou os vídeo clipes de artistas coreanos na América do Sul, com 6.043.920 milhões de acessos, sendo que foram analisados o número de acessos a 923 vídeos musicais de cantores das três maiores gravadores da Coreia do Sul (SM Entertainment, YG Entertainment e JYP Entertainment). (KOCIS, 2011) Apesar de concentrar um dos maiores fandom de k-pop na América do Sul 5, até o momento somente um estudo acadêmico no Brasil, realizado por Mota em 2009 6, procurou entender a dinâmica e a estrutura dos k-poppers. A partir da oportunidade de efetuar uma pesquisa para o Trabalho de Conclusão de Curso e, como fã de k-pop desde 2009, encontramos a chance de investigar mais sobre este fandom no campo da Internet. Sendo assim, a evolução do gênero musical e o seu crescimento como uma forma de lazer na Internet no Brasil, mais especificamente na Web 2.0, tornou-se o objetivo geral deste estudo. Para compreender o K-pop no Brasil, foram traçados os objetivos secundários: descrever o fenômeno do k-pop no país, investigar as principais atividades de lazer efetuadas pelos k-poppers na Web 2.0 e o perfil dos fãs. Foram levantadas duas hipóteses no momento da construção do projeto cientifico: a primeira referente à importância da Internet da divulgação do k-pop e sua relação ao crescimento do gênero no país e, a segunda relacionada aos níveis do lazer que poderiam ser encontrados entre os k-poppers na Web 2.0, tendo-se a premissa de que a maioria das atividades estaria no nível conformista. Para o desenvolvimento deste estudo de caráter qualitativo, primeiramente, foram realizadas pesquisas bibliográficas sobre conceitos-chave e sobre a origem da música pop coreana e sua evolução, assim como sobre sua expansão no Brasil. Em um segundo momento resgatou-se informações sobre a comunidade k-popper e suas atividades na Internet e Web 2.0 por meio da netnografia, a qual em síntese ocorre por meio das seguintes etapas: entrée cultural, coleta e análise de dados, ética na pesquisa, feedback e
distribuição para criadores e anunciantes de conteúdo original, pequenos e grandes. Fonte: YouTube. Disponível em: www.youtube.com.br. Acesso em 22 de Outubro de 2012. Podemos afirmar que juntamente com Peru, Chile e Colômbia, o Brasil desponta entre os fãs de k-pop atualmente. Isto pode ser comprovado a partir do número de shows realizados bem como a participação dos k-poppers em eventos de dança cover realizados pelo Governo da Coreia do Sul e também por Agências, como a YG Entertainment. (KIM, 2011) O estudo, J-Rockers * K-Poppers * C-Poppers: Comunicação, mídia, cultura e jovens abordou o K-pop e os k-poppers de forma introdutória, tendo como foco o hibridismo cultural e o neotribalismo. Acesso em: 10 de Janeiro de 2012. Disponível em: http://pt.scribd.com/doc/105869056/J-Rockers-K-PoppersC-Poppers-Comunicacao-Midia-Cultura-e-Jovens

5

6

3

checagem de informações com os membros do grupo; as mesmas podem não ocorrer nesta ordem a não ser é claro pela entrée cultural, que deve ser sempre a primeira. (AMARAL, 2009). E finalmente coletaram-se dados relacionados ao universo do fandom de k-pop a fim de checar as informações obtidas durante a pesquisa inicial, através de questionários online com perguntas fechadas e abertas por meio da plataforma Google docs durante o período de 1 a 22 de outubro de 2012 e, também questionários qualificados por conveniência, com perguntas abertas preenchidas por fãs divulgadores no cenário do K-pop do Brasil, através de sondagem por e-mail. Com este trabalho procuramos aprofundar as discussões sobre o Lazer e a Internet, ainda muito incipientes no país, bem como descrever o K-pop de modo introdutório. Dividido em quatro capítulos este trabalho começa contextualizando o K-pop por meio de informações gerais sobre o fenômeno, desde o começo da sua história chegando ao seu crescimento e evolução mundial e no Brasil. Definições, conceitos e visões de diferentes autores da área do lazer e da comunicação foram aprofundados no segundo capítulo a fim de entender o que seria a Internet e como ela foi desenvolvida ao longo dos anos chegando a Web 2.0, como também para verificar as relações entre Lazer e Internet e suas possibilidades de criação de novas formas de lazer, além dos desafios decorrentes desta junção. No terceiro capítulo os diversos métodos escolhidos para esta pesquisa foram detalhados, já que em estudos sobre a cultura dos fãs precisamos contar com diferentes fontes de dados para analisa-lo. Ao realizar a análise dos resultados no quarto capítulo, verificamos o processo de entrée cultural, explicando o processo da pesquisa e os desafios iniciais com as plataformas estudadas e, depois a questão da ética e como o estudo foi efetuado. Na sequência, abordaremos o perfil e a identidade do k-poppers nos quadros offline /online /off-line, já que não é possível falar de um sem se referir ao outro e, por fim, as atividades mais praticadas pelos fãs, a organização do fandom na Internet e sua relação com as novas possibilidades da Web 2.0.

4

1. K-POP: NOVA ONDA ASIÁTICA Nesse primeiro capítulo, serão abordadas informações gerais sobre o fenômeno K-pop, desde o começo da sua história, crescimento do estilo musical no mundo e também no Brasil, tema central deste Trabalho de Conclusão de Curso.

1.1. BREVE HISTÓRICO O cenário musical coreano foi influenciado por músicas estrangeiras desde a Dinastia Joseon onde nasceu o Changga, um estilo adaptado e influenciado por músicas folk americanas e britânicas7. No período de colonização do Japão, influenciado pela música enka japonesa, onde se criou o gênero musical, o Trot, que se tornou a música mais característica do início da história da música popular coreana, já foi possível verificar as mudanças que se tornariam mais fortes a partir da presença norte-americana nos anos 1950 8 , quando as músicas coreanas passaram a ser moldadas pelo estilo Ocidental de composição, bem como de criação. 9 (KIM, 2011) A evolução da música coreana continuou e, seguindo a tendência mundial dos anos 1970 marcados pelo estilo alternativo e a cultura jovem, surgiu à música folk coreana por intermédio dos estudantes. Com o passar dos anos, o estilo musical se modificou novamente e nos anos 1980 “[...] um dos estilos dominantes na música pop coreana era a balada. Originalmente, baladas eram músicas folk ou músicas líricas escritas por poetas e compositores. Todavia, no sentido moderno, a balada é um estilo de músicas românticas lentas.” (KIM, 2011, p.61, tradução nossa) 10 No começo dos anos 1990, a “sinsedae” ou a nova geração coreana
11

já não

identificava nas baladas e em outros estilos sua forma de pensar e sentir. Assim, ocorreu
7

As músicas folk foram introduzidas no país pelo missionário americano Henry Appenzeller em 1885 na Academia Pai Chai. (KIM, 2011) 8 No período entre os anos 1940 e 1960, ocorreram dois grandes eventos que influenciaram uma transição cultural na Coreia. Após 36 anos de ocupação japonesa, o país finalmente foi liberto no ano de 1945. No entanto, devido a conflitos internos em 1950 foi iniciada a Guerra entre as Coréias do Norte e Sul se estendendo por três anos, considerado símbolo da polarização entre a ex-URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), apoiando o Norte, e os Estados Unidos apoiando o Sul. (KIM, 2011) 9 Com o processo de reestruturação pós-conflito nos anos 1960 por influência econômica e cultural dos Estados Unidos, toda a sociedade coreana transformou-se de modo que a presença ocidental continuasse marcante até os dias de hoje. (KIM, 2011) 10 Original: one of the dominant music genres in Korean pop music was the ballad. Originally, ballads were folk songs or lyrical music written by poets and composers. In the modern sense, however, the ballad is a slow form of popular love song. 11 Todas às vezes que citamos nesta pesquisa as palavras: coreana e Coreia, estamos nos referindo a Coreia do Sul.

5

uma transformação musical iniciada pela banda Seo Taiji and Boys. (SHIM, 2006; SIRIYUVASAK, SHIN, 2007) O grupo musical Seo Taiji and Boys debutou no canal de televisão MBC no ano de 1992 com a música “Nan Arayo (I Know)” 12, que era muito diferente dos outros estilos e trazia dinamismo e influências de músicas ocidentais como hip hop, soul, rock, techno e punk.13 Apesar de a música receber a menor nota da história do programa, o trio formado por Seo, o vocal principal, Yang Hyun-suk e Lee Juno, rappers e dançarinos, obteve uma inesperada resposta afirmativa do público jovem e, por meio de suas músicas e atitudes, o Seo Taiji and Boys pouco a pouco transformou a história da música coreana. (SHIM, 2006)

Figura 1 - Seo Taiji and Boys Fonte: Google

Os motivos pelos quais o grupo é considerado responsável por revolucionar a música coreana não se devem somente ao fato de ter criado um “estilo musical” 14, mas pelo modo como os jovens foram incluídos como uma demanda legítima na indústria musical coreana - antes focada no público mais adulto e no estilo das baladas, modificando a hierarquia do entretenimento musical. (SHIM, 2006; SIRIYUVASAK, SHIN, 2007) Nos anos 1990, os programas musicais televisivos eram dominados por corporações, que empregavam os dançarinos, produtores e diretores musicais; ou seja, decidiam quais grupos teriam direito a utilizar essas facilidades e a participar dos
12

Vídeo do debut do grupo “Seo Taiji and Boys” em 11 de abril de 1992 na MBC: Fonte: YouTube. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=QjGacuy0eTU . Acessado em 29 mai. 2012. 13 Além de realizarem muitas vezes hibridismos com baladas e ppongjjak. (SHIM, 2005) 14 Cabe ressaltar que muitas outras banda também efetuavam hibridismos na época.

6

programas. No entanto, como a banda Seo Taiji and Boys já contava com dois de seus integrantes como dançarinos e era dona de suas músicas e banda, não precisava das facilidades de instrumentos, dançarinos ou diretores musicais oferecidos. Ao comandar seus próprios meios de divulgação e produção, o grupo era livre para escolher em qual programa de televisão iria comparecer. A partir desta mudança de atitude, a banda colaborou para modificar a administração dos programas musicais e a reestruturar a indústria musical da época. (SHIM, 2006; SIRIYUVASAK, SHIN, 2007) Neste contexto, a banda Seo Taiji and Boys pode ser considerada a raiz do k-pop 15 atual, pois modificou a visão da indústria musical sobre os jovens, trouxe influências ocidentais para a música coreana, além de revolucionar o sistema do entretenimento musical que passou a se preocupar com todas as formas de entretenimento relativas à música - o que veio a auxiliar, posteriormente, a criação do “sistema de ídolos”. (SHIN, 2009; SHIM, 2006) Sobre o “sistema de ídolos” 16, Shin (2009, p.510, tradução nossa) coloca que:
[...] O sistema iniciou-se no começo dos anos 90 e se consolidou no meio dos anos, quando as vendas de álbuns foram crescendo na história da música popular coreana [...]. O sistema integra ‘produção’ e ‘administração’ e todas as funções necessárias para desenvolver e treinar talentos [...] com estúdios de gravação, salas de prática e conferência, a staff e os empregados trabalhando como: escritores e compositores, engenheiros de gravação, 17 produtores, coreógrafos, designes de moda, coordenadores de criação etc.

Para Shim (2006, p.37-38, tradução nossa), o representante de destaque do “sistema de ídolos” é Lee Suman, fundador da produtora SM Entertainment.
[...] é Lee Suman, fundador da SM Entertainment em 1989, quem podemos dar o crédito pela industrialização do processo de fazer ídolos no Kpop [...]. O melhor exemplo do produto de Lee é o grupo H.O.T., um grupo de meninos que debutou em 1996 [...]. Antes de criar H.O.T., Lee conduziu uma pesquisa com meninas adolescentes para descobrir o que elas esperavam de seus ídolos. Armado com conhecimento desta pesquisa, Lee procurou entre várias fitas de audições, e selecionou os aspirantes a ídolos baseado em suas
15

O termo k-pop é a abreviação para: korean pop, ou pop coreano. Este conceito foi cunhado no começo da “Hallyu” e é utilizado desde então para designar a música pop coreana contemporânea. 16 Ídolos geralmente passam muitos anos treinando músicas, coreografias, línguas estrangeiras além de realizarem duros treinos físicos para poderem alcançar o sonho de se lançarem como artistas de K-pop e muitas vezes têm que competir com outros trainees pela oportunidade. As audições das Agências também são muito competitivas e com os anos tem ganhado imensa visibilidade. (KOCIS, 2011) 17 Original: […] the system was born in the early 1990s and consolidated in the mid-1990s, when record sales were growing in the history of Korean popular music. […] It is generally believed that the system was born in the early 1990s and consolidated in the mid-1990s, when record sales were growing in the history of Korean popular music […] with recording studios, rehearsal rooms and conference rooms, the staff and employees work as songwriter-arrangers, recording engineers, managers, choreographers, costume designers, design coordinators etc.

7
imagens, e também habilidades de dança e canto.
18

Apesar das grandes mudanças no cenário musical coreano na década de 1990, desde o Seo Taiji and Boys ao desenvolvimento do “sistema de ídolos”, podemos dizer que a música popular coreana só se expandiu após o aumento do conhecimento sobre a Coreia do Sul como um todo por meio da Hallyu. A palavra Hallyu (em coreano) ou Onda Coreana começou a ser utilizada para referir-se à fama da cultura coreana na península asiática, a qual começou por volta de 1997, quando o canal nacional Estação de Televisão Central da China passou a exibir a novela “What is Love All About?” que se tornou um sucesso. Assim, após a abertura da China para a dramaturgia coreana, outros locais da Ásia como Tailândia, Hong Kong, Vietnã e Singapura, demostraram interesse pela mídia coreana. Outro fator que auxiliou o entusiasmo pelos dramas coreanos foi à crise instaurada pela Ásia no período de 199719, fazendo com que as produções coreanas passassem a ser mais exportadas do que as famosas novelas japonesas - que poderiam custar quatro vezes mais. (SHIM, 2006)

Figura 2 - Grupo H.o.T, formado por artistas da primeira geração k-pop Fonte: Google

18

Original: […] it is Lee Suman, founder of SM Entertainment in 1989, who is credited with the industrialization of the stathe standard for Korean dance music that would later suit the tastes of Asian fans, it is Lee Suman, founder of SM Entertainment in 1989, who is credited with the industrialization of the star-making process in K-pop. The best representation of Lee’s products is H.O.T., a boy band that debuted in 1996 […] Before manufacturing H.O.T., Lee conducted a survey of teenage girls to find out what they wanted from their idols. Armed with knowledge from his research, Lee sifted through thousands of raw audition tapes and selected aspiring idols based on their looks as well as on their dancing and singing abilities. 19 Para saber um pouco mais sobre a crise de 1997, leia Shim (2005).

8

Figura 3 - Grupo Sechs Kies, da primeira geração k-pop Fonte: Google

A Hallyu fez com que o k-pop também ganhasse popularidade. “[...] No final de 1990, um canal regional de televisão, ‘Channel V’ 20, transmitiu vídeo clipes de pop coreano, o que criou uma legião de fãs de k-pop na Ásia” (SHIM, 2006, p.29, tradução nossa)21. Com a crescente transmissão de k-pop por toda a Ásia, os artistas pioneiros na Hallyu, representados pelos grupos Clone, H.o.T., Sechs Kies, Shinhwa, NRG, Baby Vox, S.E.S., Fin KL, e por cantores solos como BoA, Lee Chong-Hyun, Park Ji Yoon e Um Chong-Hwa, promoveram o começo das atividades do k-pop além da Coreia do Sul e entraram nos mercados da Ásia, entre o final dos anos 1990 e o começo dos anos 2000. (SHIM, 2006; SHIN, 2009; SIRIYUVASAK, SHIN, 2007). Os artistas coreanos passaram a estar nas paradas das músicas mais tocadas nestes países como a Oricon22 e também se apresentaram em shows regularmente, os quais estavam sempre lotados.
[...] Seguindo o sucesso do show da banda H.o.T. em Pequim em fevereiro de 2000, muitos ídolos do kpop como Ahn Jae-wook (ator e cantor que estrelou em ‘Stars in My Heart’), fizeram shows que atraíram uma multidão de mais de 30,000 jovens chineses para concerto (Seoul Broadcasting System [SBS], 2001). Em 2002, a sensação do pop coreano, a adolescente BoA alcançou o primeiro lugar na ‘Oricon Weekly Chart’, a parada japonesa equivalente a americana Billboard, com seu álbum de debut, e assim ela se firmou no
20 21

O “Channel V” de Hong Kong. Original: In the late 1990s, a regional music television channel, Channel V, featured Korean pop music videos, creating a huge K-pop fan base in Asia. 22 Oricon: Oricon Inc. ( Kabushiki-gaisha Orikon) (de Original Conference) é o nome da parada oficial de álbuns, singles e vídeos musicais mais vendidos do Japão. É atualizado semanalmente. Oricon Inc. (Kabushiki-gaisha Orikon) é um grupo incorporado japonês que provê estatísticas e informação sobre música e a indústria de música no Japão, estabelecido por Soko Koike em 1999. [...] Os rankings da Oricon são as paradas de música mais renomadas de Japão. [...] O grupo também provê avaliações de popularidade para comerciais de televisão baseado em pesquisas de painel no site da Web oficial deles. Fonte: Wikipédia. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Oricon. Acessado em 02 de Dezembro de 2012.

株式会社オリコン

9
mercado japonês. (SHIM, 2006, p.29, tradução nossa)
23

As bandas consideradas pioneiras do K-pop, adoradas ainda hoje, foram imprescindíveis para o amadurecimento da indústria musical do país, entretanto, a maioria dos grupos e solos não se encontra mais em suas formações originais atualmente. No começo dos anos 2000 a maioria das bandas anunciou a separação, enquanto outras somente pararam de se apresentar; “Sechs Kies separou-se oficialmente em 2000, H.O.T. em 2001, S.E.S. em 2002. E os sextetos Shinhwa e g.o.d. não anunciaram oficialmente o final das bandas, porém, não se apresentam há algum tempo […]” (KIM, 2011, p.66, tradução nossa) 24. Por outro lado, muitos dos integrantes destes grupos ainda trabalham na indústria de entretenimento em geral como cantores solo, atores/atrizes, apresentadores de programas de variedades etc.25 Entre os artistas solo, temos aqueles que estão ativos como a cantora BoA, símbolo da segunda onda Hallyu e, aqueles que alcançaram outra posição na indústria musical, como Park Ji Yoon, que trabalha como produtor, compositor e CEO de sua própria gravadora a JYP Entertainment. (SHIM, 2006)

Figura 4 - Cd de lançamento de artistas da segunda geração k-pop: Bi Rain com Bad Guy (2002) Fonte: Google

23

Original: Following H.O.T.’s successful concert in Beijing in February 2000, many K-pop stars such as Ahn Jae-wook (an actor-cum-singer who starred in Stars in My Heart), boy bands NRG and Shinhwa, and girl band Baby V.O.X. have held concerts in China, attracting crowds of more than 30,000 Chinese youth for each concert (Seoul Broadcasting System [SBS], 2001). In 2002, Korean teenage pop sensation BoA’s debut album reached the number one spot on the Oricon Weekly Chart, Japan’s equivalent of the American Billboard Charts; this firmly established BoA in the Japanese music market. 24 Original: Sechs Kies officially disbanded in 2000, H.O.T. in 2001, S.E.S. in 2002. The sextets Shinhwa and g.o.d. have not announced their disbanding, but also haven’t performed together for some time. 25 Recentemente a banda Shinhwa voltou após seu hiato aos palcos coreanos com o cd “The Return” no ano de 2012, o que reacendeu os debates sobre a volta de alguns destes grupos do passado.

10

Figura 5 - Cd de lançamento dos artistas da segunda geração k-pop: BoA com ID Peace B (2000) Fonte: Google

A reestruturação da indústria no período pós-crise 26 teve como principal estratégia a expansão do k-pop para outros mercados asiáticos, e “[...] somente as três maiores e mais rentáveis produtoras musicais sobreviveram: SM Entertainment, JYP Entertainment e YG Entertainment” (SIRIYUVASAK, SHIN, 2007, p.114, tradução nossa).27 As três agências passaram a reformular seus “sistemas de ídolos” para que seus trainees fossem capazes de se comunicar com toda a Ásia, por isso o treinamento em outras línguas, principalmente, a chinesa e a japonesa tornaram-se prioridades. Nascia, assim, a segunda geração do k-pop ou “Asia’s star” (“Estrelas da Ásia”), precursora da Segunda Onda Coreana, ou “Second Wave”. (SHIM, 2006)
‘Estrela Asiática’ literalmente ‘Estrela da Ásia’ começou a ser utilizado por volta de 2003-2004 quando a Onda Coreana encontrou seu auge. Entre os cantores pop, BoA, Rain, Se7en (Seven), e TVXQ (Tongvangxinqi) foram nomeados como ‘Estrelas Asiáticas’. A nova terminologia não indicava que a estrela pop era de algum lugar na Ásia, mas sim alguém que havia se tornado popular em múltiplos lugares na região. (SHIN, 2009, p.508, tradução nossa)
28

O sucesso alcançado pelos artistas de três gravadoras SM Entertainment, com BoA e TVXQ 29, que concentraram suas atividades no Japão e na China principalmente; e por JYP Entertainment, com Bi Rain e YG Entertainment, com Se7en, que focaram no
26

A reestruturação foi à causa da maioria das separações das bandas pioneiras e esta ligada diretamente a crise com os downloads e TI no geral, ver mais em: UBONRAT, SHIN, 2007. 27 Original: […] the Korean music industry has restructured, wherein only the three most profitable production companies have survived: SM Entertainment, JYP Entertainment, and YG Entertainment. 28 Original: ‘Asian star,’ literally ‘Asia’s star’, began to be used around 2003–2004 when the Korean Wave peaked. Among pop singers, BoA, Rain, Se7en (Seven), and TVXQ (Tongvangxinqi) have been labeled as ‘Asian stars.’ The new terminology does not indicate that the pop star is from some place in Asia but that it is someone who has become popularized in multiple places in the region 29 O fandom do grupo TVXQ está no Guinness Book por ser o fã clube com maior número de fãs do mundo, as Cassiopéias.

11

Sudeste Asiático, fez com que o k-pop se consolidasse como gênero musical na Ásia, dando início em meados de 2005 ao processo chamado de Terceira Onda Coreana. (SIRIYUVASAK, SHIN, 2007)

1.2. AVANÇO MUNDIAL
Mesmo que a música pop coreana e os cantores tenham começado a ter significativa importância no final dos anos 1990, o boom do K-pop era limitado de alguma forma ao leste e sudeste asiático. No entanto, as mídias sociais conquistaram o mercado e fizeram com que o público compartilhasse 30 músicas, fotos e vídeos mundialmente. (KIM, 2011, p. 42, tradução nossa)

Como produto de um “sistema de ídolos” aprimorado, nascia a Terceira Onda Coreana iniciada em 2005 com os novos idol groups. As agências desenvolveram seus ídolos para que fossem ainda mais globalizados e, procuraram atingir um público cada vez maior de fãs através de estratégias como: ter em entre seus trainees artistas de outros países, o que aumentaria a possibilidade de seus grupos serem facilmente aceitos em outros países com o benefício da fluência em outras línguas e também escolher seus membros por meio de suas capacidades individuais (conhecimento de uma dança específica, atuação, conhecimento de um instrumento musical), ou seja, todo talento que pudesse ser agregado para que os grupos não ficassem restritos ao ato de cantar e dançar. (KIM, 2011) Nesse caso, Kim (2011, p. 70-71, tradução nossa) aponta que:
A maior diferença entre o K-pop atual e aquele do final dos anos 1990 e começo dos 2000 fica por conta das capacidades individuais entre os membros dos grupos. Seguindo a linha estratégica de suas agências, os membros passaram a desempenhar ainda mais suas características pessoais. Além de adicionar artistas mais talentosos individualmente, outra estratégia [...] tem sido a inclusão de membros de outros países. Nicole de KARA e Tiffany e Jessica de Girls’ Generation são coreano-americanas. No grupo feminino f(x), Amber é taiwanês-americana, e Victoria é chinesa. Nichkhun do 2PM é tailandês-americano, e Jia e Fei da Miss A são chinesas; representando assim o aspecto multicultural de seus grupos.31
30

Original: Although Korean pop music and singers started to enjoy meaningful international attention in the late 1990s, the K-Pop boom was limited somewhat to East and Southeast Asia. But as social networking services (SNS) hit the mainstream and enabled people to share music, photos, and videos globally. 31 Original: The biggest difference between current K-Pop idols and those of the mid-1990s and early 2000s lies in the individual capabilities of the groups’ members. Following the strategic outlines of their entertainment agencies, the individual members have played up their unique personality traits. In addition to adding more talented performers, another strategy […] has been the inclusion of members from other countries. Nicole from KARA and Tiffany and Jessica from Girls’ Generation are Korean-

12

Não só os artistas sofreram uma restruturação, mas a música também evoluiu com os anos. Cada vez mais híbrida e com influências ocidentais, como eletrônica, hip hop, pop, rock e R&B; a música k-pop vem se adequando ao mercado com divulgações fora do país. Já na Segunda Onda Coreana de artistas k-pop, durante as divulgações em outros países, as Agências de Entretenimento modificaram o estilo de suas bandas e a popularidade dos “Asian Stars” só foi ampliada após uma série de lançamento de músicas em japonês, chinês e até tailandês. A partir das tentativas da SM Entertainment com a cantora BoA e grupo TVXQ, lançando CDs totalmente em japonês com músicas originais e não apenas versões, a barreira cultural foi quebrada e o mercado japonês começou a ser explorado por inteiro. (SHIM, 2006) Atualmente, a maioria dos grupos faz divulgação em terras nipônicas, muitas vezes mudando totalmente ou parcialmente o conceito de seus grupos. Como exemplo de grupo que modificou sua imagem para o mercado japonês está o grupo feminino “KARA” da DSP Media, que recebeu positivo interesse dos fãs japoneses após a mudança para um estilo mais “meigo” não muito abordado nas divulgações coreanas.
KARA, quebrou um recorde com seu quarto single, ‘Go Go Summer’, vendendo 114.000 cópias na primeira semana de seu lançamento em 11 de julho de 2011. Apenas três semanas depois, seu single ‘Love Jet Coaster’ vendido 123.000 cópias na primeira semana, dando ao grupo feminino a consecutiva primeira semana de vendas individuais superiores a 100.000 cópias. Foi a primeira vez na história de 44 anos da parada de singles da Oricon que um grupo feminino estrangeiro tinha conseguido isso. (KIM, 32 2011, p.25, tradução nossa)

Embora existam aqueles que mudem o estilo para diferentes mercados, há também os grupos que se transformam totalmente, no sentido de procurar uma nova identidade como as bandas “CN Blue” e “FT. Island” da FNC Entertainment que ao receber grande influência da música pop japonesa, em seus recentes trabalhos, conseguiram construir,

American. In the girl group f(x), Amber is Taiwanese-American, and Victoria is Chinese. Nichkhun from 2PM is Thai-American, and Chinese Jia and Fei of miss A represents their group’s multicultural aspect. 32 Original: KARA, broke a record with its fourth single, “Go Go Summer,” selling 114,000 copies within the first week of its release on July 11, 2011. Just three weeks later, their single “Jet Coaster Love” sold 123,000 copies within the first week, giving the girl group consecutive first-week single sales exceeding 100,000 copies. It was the first time in the 44-year history of the Oricon singles chart that a foreign female act had accomplished this.

13

reformular-se e apresentar “novas bandas” 33 Como último exemplo, há grupos criados na Coreia somente para atender um mercado específico de outro país, sendo o caso mais exemplar o do grupo masculino “Super Junior M” da SM Entertainment.
Enquanto isso, o Super Junior-M, uma subunidade do Super Junior visando a Indústria da música chinesa, com uma mistura de coreano e etnicamente membros chineses, fez sua estreia 2008 em países asiáticos, incluindo a China. Lançado em chinês, em fevereiro de 2011, seu EP Taiwanmei (Perfection) foi bem recebido pelos jovens, e do grupo atraiu mais de 6.000 fãs ao seu ‘2011 Taiwanmei Fan Party Taiwan’ em 6 de junho de 2011. (KIM, 34 2011, p.28, tradução nossa)

Por meio de algumas características, o k-pop chamou a atenção de pessoas que nunca haviam ouvido falar do estilo e que acabaram gostando ou se interessando pela música. Podemos dizer que estas características ficam por conta dos refrões viciantes e batidas pop contagiantes:
Uma das características mais comuns no K-pop no final dos anos 2000 são os repetitivos e viciantes refrões que ‘prendem’ as pessoas e as fazem ouvir a música várias vezes. ‘Tell Me’ e ‘Nobody’ das Wonder Girls, ‘Lie’ do Big Bang, ‘Sorry Sorry’ do Super Junior, ‘Ring Ding Dong’ do SHINee, além de ‘Gee’ e ‘Run Devil Run’ das Girls’ Generation tem curtos, porém, viciantes 35 refrões. (KIM, 2011, p. 33-34, tradução nossa)

Além do uso de inglês em suas letras:
Inglês mixado no K-Pop é predominantemente heterogêneo em suas formas e funções. Uma valorização da heterogeneidade e fluidez está presente em KPop. O inglês utilizado no K-Pop vai além dos nomes artísticos dos artistas / banda. A quantidade de inglês utilizados em letras de K-Pop varia de uma 36 única palavra para uma canção inteira. (LEE, 2004, p. 446, tradução nossa)

33

Consulta ao Sarangingayo – The Community, Fonte: Facebook. Disponível em: https://www.facebook.com/groups/sarangingayobr, discussão: “Vocês acham que os idols k-pop perdem a identidade quando se lançam no Japão?” durante o período de 06 a 07 de novembro de 2012. Acessado em 19 de Novembro de 2012. 34 Original: Meanwhile, Super Junior-M, a subunit of Super Junior targeting the Chinese music industry with a mix of Korean and ethnically Chinese members, made its 2008 debut in Asian countries including China. Released in Chinese in February 2011, its EP Taiwanmei (Perfection) was well received by young people, and the group drew more than 6,000 fans to its ‘2011 Taiwanmei Taiwan Fan Party’ on June 6, 2011. 35 Original: “One of the most common features of K-Pop in the late 2000s is the repetitive, addictive chorus that ‘hooks’ people into listening to the song again and again. ‘Tell Me’ and ‘Nobody’ by the Wonder Girls, ‘Lie’ by Big Bang, ‘Sorry Sorry’ by Super Junior, ‘Ring Ding Dong’ by SHINee, and ‘Gee’ and ‘Run Devil Run’ by Girls’ Generation all have brief but ear catching hooks”. 36 Original: The idol groups’ synchronized dance steps are also a selling point, leading overseas K-Pop fans to copy them and upload videos of the resulting ‘cover dances’ on YouTube.

14

A autora Jung (2011, online, tradução nossa)37, ao abordar o estilo musical e a identidade do k-pop, enfatiza o hibridismo do estilo. Por outro lado, destaca o poder capitalista envolvido:
K-pop é um produto pop híbrido cuidadosamente fabricado que combina Oriente e o Ocidente, bem como seus aspectos culturais globais e locais. A principal razão para esta estratégica hibridização cultural é satisfazer os complexos desejos de diferentes grupos de consumidores, o que maximiza o lucro capitalista.

Após conquistar o mercado da Ásia, o k-pop buscou se expandir no Ocidente. Segundo os jornalistas Cho e Russel (2012) do jornal “The New York Times”, embora fosse uma questão de timing ou mesmo de diferença cultural, a maioria das tentativas não foi bem sucedida no começo. Entre os artistas pioneiros que buscaram obter sucesso nos Estados Unidos, podemos mencionar Rain Bi. O cantor Rain Bi chegou a fazer shows no Madison Square Garden em Nova York nos dias 2 e 3 de fevereiro de 2006. Na época, Rain Bi recebeu muitas críticas negativas, devido a uma série de fatores e, até seu primeiro álbum em inglês que estava programado para ser lançado em alguns meses foi postergado. Apesar das críticas, o sucesso do cantor Rain Bi por toda a Ásia não pôde ser ignorado na época sendo no mesmo ano escolhido pela revista Times Magazine como uma das 100 pessoas mais influentes no mundo. (SHIN, 2009) Desta forma, o k-pop antes não muito aceito no Ocidente, mas não totalmente ignorado, começou a buscar outros meios para sua divulgação no Ocidente e, conforme artigo na revista Times Magazine em 26 de agosto de 2010, o k-pop ultrapassou as formas convencionais de mídia como rádio e TV e se focou agressivamente na Internet. O espaço virtual passou a ser o maior aliado na divulgação do gênero musical e, por meio das redes sociais, os artistas coreanos e suas músicas ficaram mundialmente conhecidos. (KIM, 2011; CHO, RUSSEL, 2012; JUNG, 2011) A popularidade dos artistas coreanos no Ocidente tornou-se mais significativa no começo do ano de 2009 quando o grupo Wonder Girls da JYP Entertainment emplacou a música “Nobody” na Hot 100 da BillBoard, após um ano de atividade no país. Pouco tempo depois, a música pop coreana, antes restrita a um público underground, passou a ser reconhecida através do sucesso alcançado por artistas coreanos na loja virtual do
37

Original: K-pop is a carefully manufactured hybridized pop product that combines both East and West as well as global and local cultural aspects. The main reason for such strategic cultural hybridization is to meet the complex desires of various consumer groups, which maximizes capitalist profit.

15

iTunes 38. Em outubro de 2009 o álbum To Anyone do grupo feminino 2NE1 da YG Entertainment conquistou na categoria Hip Hop, logo abaixo do álbum Recovery do artista Eminem, o 2º lugar entre os mais vendidos na loja do iTunes e o artista Taeyang da banda Big Bang, da mesma Agência, emplacou em 2011 com apenas um mês de lançamento de Solar, seu primeiro álbum em carreira solo, o 2º lugar nos Estados Unidos e 1º lugar no Canadá no ranking de R&B da loja virtual. (SHIM, 2011)

Figura 6 - Grupo Wonder Girls em promoção da música “Nobody” Fonte: wondergirls-br Blogspot

Devemos destacar o fato de que estes artistas nunca haviam divulgado seus trabalhos em terras ocidentais, todavia, graças a seu público na Internet conseguiram alcançar altos números em vendas. (KIM, 2011)
A Onda Coreana já conquistou a Ásia, no entanto, antes da proliferação das redes sociais na Internet as tentativas dos ídolos coreanos de fazerem sucesso no mercado Ocidente, incluindo os Estados Unidos, em sua maioria falharam. Porém agora o YouTube, Facebook e Twitter tornam fácil para que bandas de K-pop atinjam maiores audiências no Ocidente. (CHO; RUSSEL, 2012, online, tradução nossa)39

Entre os aspectos que distinguem a nova geração, além da música e da indústria
38

O iTunes é um aplicativo gratuito para eletrônicos da empresa Apple que permite que o usuário organize e reproduza o conteúdo de música e vídeo digital. E ele também funciona como uma loja com milhões de músicas, milhares de filmes para comprar ou alugar. Disponível: www.apple.com.br. Acesso em 10 de Dezembro de 2012. 39 Original: “The Korean Wave has long conquered Asia, but before the proliferation of global social networks, attempts by K-pop stars to break into Western markets, including the United States, had largely failed. But now YouTube, Facebook and Twitter make it easier for K-pop bands to reach a wider audience in the West, and those fans are turning to the same social networking tools to proclaim their devotion. In October 2010, Super Junior, a K-pop idol boy band, was ranked as the number one worldwide trending topic on Twitter - ranking even higher than a sensational news story about trapped Chilean miners”.

16

musical em si - que sofreram grande reestruturação e se desenvolveram ao longo dos anos - a divulgação constante e a propagação mundial proporcionada pela Internet podem ser consideradas as mais efetivas transformações no cenário do pop coreano em comparação às primeiras gerações. Embora tenha começado de forma tímida, a força da Internet tornou-se fundamental na divulgação do estilo e, através de pesquisas, descobriu-se que “[...] mais recentemente, a maioria dos fãs da Hallyu, também entrou em contato ou consumiu K-pop ou Dramas Coreanos pela primeira vez através da Internet” (KIM, 2011, p.46, tradução nossa) 40. A elevada popularidade de vídeos musicais de k-pop no site de compartilhamento YouTube pode ser avaliada como um indicador do sucesso mundial do pop coreano. De acordo com pesquisa do Jornal JoongAng Daily publicada em 16 janeiro de 2011, que analisou o número de acessos a 923 vídeos musicais de cantores das três maiores gravadores da Coreia do Sul (SM Entertainment, YG Entertainment e JYP Entertainment) postados no YouTube, os vídeos foram assistidos por internautas de 229 países, alcançando a marca de 793.57 milhões de acessos em 2010.41 (KOCIS, 2011). Entre outros dados do site de compartilhamento de vídeos, temos os números de inscritos 42 nas contas das agências SM Entertainment “SMTOWN Official” com 1.092.896; YG Entertainment “YG Family” com 678.253 e JYP Entertainment “JYPnation” com 183.02143. Além dos números de inscritos nos canais de seus artistas, respectivamente: Super Junior com 189.622, Big Bang com 1.040.575 e 2pm com 338.425 inscritos 44 . O crescimento do fenômeno do k-pop por meio do número de visualizações que lançamentos recentes conseguiram em alguns meses em comparação a vídeos de k-pop entre 2008 e 2009, que levaram anos para se tornar populares, também são impressionantes. (YouTube, 2012)
40

Original: “Accordingly, in recent years, most Korean Wave fans, too, have come into contact with and/or consumed K-pop or Korean dramas for the first time through the Internet”. 41 O Brasil aparece na pesquisa como um dos países que mais acessou os vídeos na América do Sul, com 6.043.920 milhões de acessos. 42 O ato de inscrever-se significa que o usuário tem interesse no conteúdo de vídeos publicados por determinado canal e gostaria de ser avisado sobre novos vídeos assim que os mesmos forem publicados. (YouTube 2012). 43 Fonte: YouTube. Disponível em: “SMTOWN Official”: http://www.youtube.com/user/smtown?feature=results_main; “YG Family”: http://www.youtube.com/user/ygentertainment?feature=results_main; “JYPnation”: http://www.youtube.com/user/jypentertainment?feature=results_main. Acessados em 25 de novembro de 2012. 44 Fonte: YouTube. Disponível em: Super Junior: http://www.youtube.com/user/superjunior?feature=results_main; Big Bang: http://www.youtube.com/user/bigbang?feature=results_main; 2pm: http://www.youtube.com/user/2pm?feature=results_main . Acessados em 25 de novembro de 2012.

17

Até setembro de 2012, as cantoras do Girl’s Generation da SM Entertainment mantinham a marca de clipe de k-pop mais assistido na história do YouTube com o sucesso “Gee”45 de 2009 com 83.750.000 visualizações, entretanto, a banda alcançou em 2011, com seu lançamento “The Boys” versão coreana, a marca de 12 milhões em uma semana, chegando a 62.875.534 em novembro de 2012 46, se aproximando após um ano do sucesso que o primeiro hit levou dois anos para conquistar. Outros clipes também são reconhecidos por números elevados de exibições em pouco tempo entre os lançamentos de 2011, seriam eles: 2ne1 da YG Entertainment com “I am the Best” 47: 58.714.958, Super Junior da SM Entertainment com a música “Mr. Simple” Entertainment com “Hands Up”50: 20.975.506. (YouTube, 2012) A importância dos vídeos de k-pop no YouTube, os quais estavam frequentemente entre os mais visualizados na tela inicial do site, foi reconhecida em dezembro de 2011 quando o site decidiu lançar um canal exclusivo para o gênero, tornando-se o primeiro a se dedicar a um estilo de música de algum país, pois os outros canais se limitavam a estilos já conceituados como: eletrônica, jazz, alternativo e outros.51 Ao entramos no canal de K-pop no YouTube52, deparamo-nos com a seguinte descrição:
O pop coreano ou K-Pop é um movimento musical consistindo de música eletrônica, hip hop, pop, rock e R&B originários da Coreia do Sul [...]. Através da presença de páginas de fãs no Facebook, disponibilidade no iTunes, perfis no Twitter, e vídeos de música no YouTube, a habilidade do K-pop de alcançar via Internet um público antigamente inacessível está levando a uma mudança de paradigma na exposição e popularidade do gênero. (YOUTUBE, 2012, versão em português)
48

:

55.828.398; KARA da DSP Entertainment com “Step”49: 39.256.444 e 2pm da JYP

45

O Clipe musical de Gee das Girl’s Generation foi passado em número de visualizações pelo sucesso de 2012 do cantor PSY, Gangnam Style. Fonte: YouTube. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=U7mPqycQ0tQ. Acessado em 22 de novembro de 2012. 46 Clipe musical de The Boys das Girl’s Generation. Fonte: YouTube. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=U7mPqycQ0tQ. Acessado em 28 de novembro de 2012. 47 Clipe musical de I am the Best da 2ne1, Fonte: YouTube. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=j7_lSP8Vc3o. Acesso em 25 de novembro de 2012. 48 Clipe musical de Mr. Simple do Super Junior. Fonte: YouTube. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=r6TwzSGYycM&feature=fvst. Acesso em 25 de Novembro de 2012. 49 Clipe musical de Step da KARA. Fonte: YouTube. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=zYoYoBtLqOY. Acesso em 25 de novembro de 2012. 50 Clipe musical de Hands Up do 2pm. Fonte: YouTube. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=KgrB2KBZws4. Acesso em 25 de novembro de 2012. 51 YouTube Launches Exclusive K-Pop Channel, Thunderstix, 16 de Dezembro 2011. Disponível em: http://www.soompi.com/2011/12/16/youtube-launches-exclusive-kpop-channel. Acesso em 17 de outubro de 2012. 52 Canal de K-pop no Youtube, link: http://www.youtube.com/music/kpop. Acessado em 04 de Dezembro de 2012.

18

Nesse sentido, podemos dizer que o reconhecimento do fenômeno do K-pop como movimento musical deu-se graças à Internet, via mídias sociais e também pela loja online de músicas iTunes e, obteve grande exposição através das subculturas dos fãs que se organizam de forma a apoiar e a difundir seus ídolos através destes meios de uma forma que seria praticamente inimaginável anos atrás.

Figura 7 - Portal do Canal K-pop no site YouTube em português Fonte: YouTube, gravado em Dezembro de 2012

O Ocidente foi pouco a pouco se rendendo ao pop coreano e as atividades de fãs na Internet só fizeram com que o reconhecimento do estilo fosse ainda maior. Na descrição do Canal de K-pop no YouTube, os k-poppers, nome daqueles que se dizem fãs do estilo, são citados como uma das maiores razões pelo crescimento do K-pop mundialmente “[...] Em adição à música, K-pop cresceu para uma popular subcultura entre adolescentes e jovens adultos pelo mundo todo, resultando em difundir interesse na moda e no estilo de grupos ídolos e cantores coreanos” (YouTube, 2012) Além do canal no YouTube, outro passo para o reconhecimento do k-pop fora da Coreia foi a anunciação da criação de uma parada somente de músicas pop coreanas, em agosto de 2011, pela revista Billboard. O poder da cultura dos fãs ou o fandom de k-pop pode ser verificado de diversas maneiras, no entanto, a prática única e característica entre os fãs são os covers das coreografias efetuadas nos MV’s (music vídeos ou vídeos musicais, mais conhecidos como clipes) dos artistas “[...] Os passos sincronizados dos idol groups são também um

19

ponto de venda, fazendo com que fãs de Kpop no exterior passassem a copiá-los e fazer upload de vídeos de dança resultante nas danças covers no YouTube” (KIM, 2011, p. 33-34, tradução nossa).53 No Twitter
54

, as atividades dos fãs das bandas de K-pop também ganham

destaque: “[...] Em outubro de 2010, Super Junior, uma boy band de ídolos coreanos, ficou em primeiro lugar nos trending topics do Twitter – ficando acima até mesmo da história sobre os mineradores soterrados no Chile” (JUNG, 2011, online, tradução nossa).55 As contas pessoais dos ídolos se tornaram um portal para a interação com os fãs e muitos artistas são “seguidos” por milhões de usuários, entre estes artistas: Siwon do Super Junior com 2.737.404 seguidores, Nichkhun do 2PM com 1.503.934 seguidores, Suzy da Miss A com 1.313.094 seguidores e BoA com seguidores.
56

1.179.797

Os fãs também utilizam o Twitter com frequência para se atualizar sobre seus ídolos e para marcar reuniões: “[...] Fãs de k-pop na América do Sul passam a marcar reuniões regulares online e off-line para compartilhar informações sobre os álbuns mais recentes, shows ou atividades promocionais de seus artistas favoritos” (KOCIS, 2011, p.50, tradução nossa, grifo do autor).57 A participação e o ciberativismo efetuado pelos fãs de k-pop vêm ganhando notoriedade nos estudos sobre fã58 e sobre o poder atual da Hallyu59, entre os exemplos

53

Original: “English mixing in K-Pop is prevalent and heterogeneous in its forms and functions. An appreciation of heterogeneity and fluidity is present in K-Pop. English utilized in K-Pop goes beyond titles and artist/band names. The size of a mixed English constituent in K-Pop lyrics varies from a single word to an entire song. The idol groups’ synchronized dance steps are also a selling point, leading overseas K-Pop fans to copy them and upload vídeos of the resulting ‘cover dances’ on YouTube” 54 O Twitter é uma plataforma da Web 2.0 focada no micro blogging onde é possível efetuar a postagens de chamadas “Tweets. Cada Tweet tem até 140 caracteres, mas não se deixe enganar pelo tamanho da mensagem; você pode descobrir muita coisa em pouco espaço. Você pode ver fotos, vídeos e conversas diretamente nos Tweets”. Fonte: Twitter, Disponível em: www.twitter.com. Acesso em: 11 de Outubro de 2012. 55 Original: “In October 2010, Super Junior, a K-pop idol boy band, was ranked as the number one worldwide trending topic on Twitter—ranking even higher than a sensational news story about trapped Chilean miners”. 56 10 Idols With the Most Followed Twitter Accounts. Stefanel Lee, 17 de Outubro de 2012. Disponível em: http://blog.ningin.com/2012/10/17/10-idols-with-the-most-followed-twitter-accounts. Acessado em 18 de Novembro. 57 Original: […] South American K-pop fans hold regular meetings online and offline to share information about the most recent albums and concerts or promotional activities of their favorite singers. 58 Ver mais em: Jung, Sun. 2012. "Fan Activism, Cybervigilantism, and Othering Mechanisms in K-pop Fandom." In "Transformative Works and Fan Activism,". Disponível em: http://journal.transformativeworks.com/index.php/twc/article/view/300/287. Acesso em 31 de Outubro de 2012.

20

para ilustrar o poder dos fãs de k-pop no Ocidente está o evento efetuado pelos kpoppers franceses como forma de protesto em frente ao Museu do Louvre em Paris, França, em junho de 2010. O concerto “SM Town Live in Paris”, inicialmente programado para ocorrer somente um dia, recebeu grande procura de toda a Europa e os ingressos para o show foram vendidos em apenas 15 minutos. Para reivindicar mais um dia de apresentação, os fãs franceses se mobilizaram através de um Flashmob e conseguiram que a organização do concerto promovesse mais um dia de apresentação. O show “SM Town Live in Paris” atraiu nos dois dias de apresentação, 10 e 11 de junho, uma multidão de 14.000 fãs ao “Le Zénith de Paris concert hall” e foi, então, que sucesso do k-pop na Internet foi trazido pelos fãs para o plano off-line. (JUNG, 2012, KIM, 2011) Após o sucesso do show “SM Town Live in Paris” em junho de 2011, foi marcado para outubro o “SM Town Live in New York” no Madison Square Garden, que alcançou lotação máxima com 15 mil ingressos vendidos. Com a grande resposta da SM Entertainment, uma série de outros concertos foi realizada por outra agência, a Cube Entertainment, em Londres, Moscou e São Paulo.60 O ano de 2011, além de ser histórico devido aos vários shows inéditos, também foi representado pela série de prêmios no cenário da indústria musical mundial, conquistados graças ao fandom k-popper: O grupo feminino Wonder Girls da JYP Entertainment ganhou o prêmio de Melhor Mashup de 2011 da Billboard pela música “Nothin’ on You” de Bruno Mars feat BoB; o grupo masculino Big Bang conquistou a categoria “Worldwide Act” no “2011 MTV Europe Music Awards” e as garotas do 2ne1 foram eleitas a “Melhor Banda Nova do Mundo” no MTV Iggy.61 As divulgações de grupos em âmbito mundial no ano de 2012 foram frequentes nos Estados Unidos, o grupo 2ne1 da YG Entertainment realizou parceria com o produtor Will.I.Am do grupo norte-americano Black Eyed Peas e iniciou sua turnê “

59

As edições de livro sobre a Hallyu e o K-pop editados pelos KOCIS (Korean Culture and Information Service) na mesma época e utilizados nesta pesquisa são exemplos. 60 ‘United Cube Concert’ to be held in London in December! Por carolicity – 18 de Outubro de 2011. Disponível: http://www.allkpop.com/2011/10/united-cube-concert-to-be-held-in-london-in-december. Acesso em 17 de Fevereiro de 2012. Playback, rebolado e histeria marcam festival de k-pop no Brasil. Por Lívia Machado em 14/12/2011. Disponível em: http://g1.globo.com/poparte/noticia/2011/12/playback-rebolado-e-histeria-marcam-festival-de-k-pop-no-brasil.html. Acesso em 17 de Janeiro de 2012. 61 Retrospectiva K-pop 2011. Por AlexVIP em 31 de dezembro de 2011. Disponível em: http://www.kpopstation.com.br/2011/12/31/retrospectiva-k-pop-2011. Acesso em 27 de Julho de 2012.

21

New Evolution” pelo país em agosto62, e outro grupo feminino Girl’s Generation fez grande sucesso no “The Late Show with David Letterman” em Fevereiro 63 . Porém, ninguém havia se preparado para a invasão k-pop trazida pelo cantor coreano PSY com seu cd PSY 6 (Six Rules) Part 1, com a música Gangnam Style. No ano de 2012, houve uma reviravolta no mundo do K-pop por meio do clipe do artista PSY da YG Entertainment. Em alguns meses, o vídeo conseguiu bater três recordes na história do YouTube. O primeiro como clipe de k-pop mais assistido em todos os tempos ultrapassando as Girl’s Generation em Setembro, depois como vídeo que mais recebeu “likes” em todos os tempos ganhando até mesmo um certificado do Guinness Book no começo do mês de Novembro. Recentemente, tornou-se o clipe mais assistido na história de todos os vídeos do YouTube, ultrapassando o sucesso do clipe “Baby” do cantor Justin Bieber, lançado no dia 29 de fevereiro de 2010 atingindo após 33 meses a marca de 800 milhões de views. Ou seja, com aproximadamente cinco meses de lançamento desde 15 de julho de 2012, o artista PSY conseguiu atingir o recorde que Bieber levou mais que o dobro de tempo.64 O k-pop ultrapassou a Ásia nos últimos anos transformando-se em um fenômeno mundial aclamado por dezenas de milhares de fãs ao redor do mundo. A partir da participação por meio das redes sociais na Web 2.0, os k-poppers fizeram com que o número visualizações no site YouTube crescesse de forma inacreditável, colocaram nos “trending tops mundiais” do Twitter seus ídolos a frente de notícias como desastres como o dos mineiros do Chile, aumentaram as vendas de seus artistas prediletos, fizeram flashmobs para que shows de seus ídolos ocorressem em seus países e votaram em concursos musicais reconhecidos para mostrar o poder do fandom de k-pop. Entre esta legião de fãs, estão os k-poppers brasileiros, os quais apesar de não muito significativos no passado, a partir de 2009 cresceram e hoje estão entre os maiores
62

2NE1′s ‘New Evolution’ U.S. tour dates announced. Por carolicity em 20 de Junho de 2012. Disponível em: http://www.allkpop.com/2012/06/2ne1s-new-evolution-u-s-tour-dates-announced. Acessado em 20 de Novembro. 63 Girls’ Generation brings “The Boys” out on ‘The David Letterman Show’. Por asphodel em 1 de Fevereiro de 2012 Disponível em: http://www.allkpop.com/2012/02/girls-generation-brings-the-boysout-on-the-david-letterman-show. Acesso em 01 de Julho de 2012. 64 Consultas: Psy Passes Girls' Generation (SNSD) on YouTube Views. Em 01 de Setembro de 2012 Link: http://www.kpopstarz.com/articles/13505/20120901/psy-gangnam-style-youtube-girls-generationsnsd-gee-surpass.htm#Pfs4xpfM60cgmcvb.99 ; PSY Receives Guinness World Records Certificate for “Gangnam Style”, autor Thunderstix em 9 de Novembro de 2012, Link: http://www.soompi.com/2012/11/09/psy-receives-guinness-world-records-certificate-for-gangnamstyle/. History Is Made as PSY’s “Gangnam Style” Becomes #1 Most Watched Video on YouTube, por Jnkm em 24 de Novembro de 2012, Link: http://www.soompi.com/2012/11/24/history-is-made-aspsys-gangnam-style-becomes-1-most-watched-video-on-youtube/. Acessados em 24 de novembro de 2012.

22

fandoms de k-pop da América Latina.

1.3. K-POP EM TERRA TUPINIQUIM: KÁ POP NO BRASIL O Ká pop (forma fonética adequada ao português) é recente no Brasil, contudo, como vimos no capítulo anterior, o k-pop como fenômeno musical ainda é recente em escala mundial. No que se refere à expansão no Brasil, ela se deve principalmente à divulgação via Internet e mídias sociais pelos próprios fãs do estilo e só ganhou as mídias de massa no país após pressão destes mesmos atores. Ao efetuarmos uma pesquisa simples no site da Google, restringindo o local para República Federativa do Brasil, é possível encontrar aproximadamente 387.000.000 resultados em 0.17 segundos com a palavra “kpop” 65. Na primeira página da pesquisa, estão em sua maioria sites ou links de páginas criadas por fãs brasileiros para a divulgação do k-pop. Os fãs vêm se organizando desde o começo dos anos 2000, como poderemos ver no último capítulo, porém, somente com o crescimento mundial do estilo k-pop em meados de 2009, foi que ele ganhou amplitude no Brasil. Adequando os dados de Jung (2011) a uma escala nacional, através de uma pesquisa simples na ferramenta Google Trend, verificamos que o termo k-pop ultrapassou pela primeira vez o j-pop em janeiro de 2011. Embora o estilo de música pop asiática mais consumida por brasileiros tenha sido o j-pop por muitos anos, seguindo uma tendência mundial 66 o k-pop cresceu astronomicamente no Brasil.

Figura 8 - Crescimento no Brasil do k-pop em comparação com o jpop de jan. 2009 a nov. 2012 Fonte: Google Trends
65 66

Fonte: Google. Disponível em: www.google.com.br. Acesso em 02 de Dezembro de 2012. Acreditamos que estes números sobre o jpop também se deem devido a grande imigração japonesa e a já bem estabelecida comunidade que já tem mais de 100 anos no país. Além é claro da grande importação de desenhos animados do Japão ou animes os quais são famosos por suas trilhas sonoras e por consequência fazem com que o assunto seja mais procurado. Sobre o assunto, veja mais sobre otakus.

23

O poder dos fãs tem sido a maior fonte de divulgação do pop coreano mundialmente, e no Brasil não seria diferente. O poder do fandom no Brasil pode ser constatado através dos vários blogs e sites especializados em notícias sobre k-pop, como o site SarangInGayo (www.sarangingayo.com.br), que recebe o apoio do Korean Foundation for International Culture Exchange e é considerado um dos maiores (sua página no Facebook 67 registrou mais de 9.000 “curtis” em outubro de 2012) e o mais tradicional do gênero, criado em 2008, além de outros como: o K-POP Brasil (www.kpopbrasil.com.br), o qual conseguiu em aproximadamente um ano de atividade obter grande sucesso entre os k-poppers, trazendo um diferencial através da rádio online voltada somente ao k-pop, a rádio “Debak” (www.radiodebak.com.br, que foi recentemente filiada a MTV Brasil) e o site Kpop Station (www.kpopstation.com.br) que organiza uma série de eventos off-line para a divulgação da cultura coreana. No ramo editorial no país, o K-pop foi mencionado poucas vezes antes do sucesso do cantor PSY. O caso mais conhecido entre a comunidade k-popper são as matérias da revista “Capricho” em 2008 e 2009, sobre a banda TVXQ e sobre algumas bandas coreanas. 68 O reconhecimento do k-pop no Brasil na TV veio primeiramente com o programa: “Leitura Dinâmica” da Rede TV, o qual após solicitações de fãs na Internet divulgou o estilo por meio de um programa especial e também divulgou os shows de k-pop no final de 2011 e 2012 no país. Depois de realizar breves reportagens sobre k-pop ao longo de suas programações, Maurício Varnum, editor de cultura do “Leitura Dinâmica” anunciou aos k-poppers a confirmação de um especial sobre o K-pop no programa no dia 28 de janeiro de 2011. A notícia foi celebrada pelos fãs, que se mobilizaram nas redes sociais para divulgar o acontecimento e mostrar apoio à produção do programa, criando eventos no Facebook, como também projetos de “Trendar” no Twitter a tag

67

Facebook é um site e serviço de rede social que foi lançada em 4 de fevereiro de 2004, operado e de propriedade privada da Facebook Inc. Os usuários devem se registrar antes de utilizar o site, após isso, podem criar um perfil pessoal, adicionar outros usuários como amigos e trocar mensagens, incluindo notificações automáticas quando atualizarem o seu perfil. Além disso, os usuários podem participar de grupos de interesse comum de outros utilizadores, organizados por escola, trabalho ou faculdade, ou outras características, e categorizar seus amigos em listas como "as pessoas do trabalho" ou "amigos íntimos" Fonte: Wikipédia. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Facebook. Acesso em 22 de Outubro de 2012. 68 TVXQ Na Revista Capricho! 29 de março de 2009. Acesso em 10 de Janeiro de 2010. Disponível em: http://s2ingayo.wordpress.com/2009/03/29/tvxq-na-revista-capricho/

24

#kpopredetv no momento da exibição do programa.69 Contando com um vídeo de agradecimento do cantor de hip hop coreano, Druken Tiger, a matéria abordou o k-pop de forma abrangente, citando os artistas como: Drunken Tiger, BoA, Super Junior, Wonder Girls, TVXQ, U-KISS, 2NE1, SNSD, Big Bang, JYJ, KARA, 2PM, CN Blue, Beast e Miss A. Entre os tópicos ressaltados durante a exibição, enfatizaram o sucesso dos artistas em terras brasileiras graças à Internet e alguns motivos para o sucesso do estilo entre brasileiros, como: musicalidade oriental, letras e rimas inusitadas, estilos sonoros e, contribuições entre artistas coreanos e ocidentais.70 O fato inédito de ter em TV aberta uma matéria sobre o k-pop no Brasil ultrapassou as expectativas de todos os envolvidos, fãs e produção do programa. Nas redes sociais, os k-poppers conseguiram fazer com que a tag #kpopredetv entrasse nos “Trending Topics” 71 do Brasil e também mundiais no momento da exibição no dia 28 de janeiro de 2011.72 A propagação do programa foi tamanha que alguns dos artistas mencionados na matéria expressaram gratidão aos k-poppers brasileiros através do Twitter, entre os artistas estavam: Alexander, membro do grupo masculino U-KISS, fluente em português que twittou a seguinte mensagem: “OLA! Realmente!? U-KISS apareceram na TV brasileira!? Muito bem! Haha~ Obrigado Brazil~*^ ^*U-KISS Brazil~!” (tag #kpopredetv no Tumblr, postagem do Tumblr
69

também ama o kwonish, Twitter

73

Evento do Facebook: Especial de KPOP no Leitura Dinâmica da REDE TV. Disponível em: https://www.facebook.com/events/183730614992635/. Acesso em 20 de Setembro de 2012. Rede TV – Leitura Dinâmica – Especial de Kpop 28/01. Por DBSKFANSBR em 26 de Janeiro de 2011. Disponível em: http://dbskfansbr.com/noticias/rede-tv-leitura-dinamica-especial-de-kpop-2801. Acesso em 22 de Setembro. 70 Vídeo da matéria disponível em: http://www.redetv.com.br/jornalismo/leituradinamica/. Acesso em 02 de Agosto de 2012. 71 Os Trending Topics ou TTs são uma lista em tempo real das frases mais publicadas no Twitter pelo mundo todo. Valem para essa lista as hashtags (#) e nomes próprios. O recurso de Trending Topics usa por padrão a abrangência total (worldwide), mas também é possível filtrar por países como Argentina, Australia, Brasil, Canada, Estados Unidos, Itália, Alemanha, Espanha, Reino Unido e outros, ou cidades como Boston, Londres, Los Angeles, Miami, Nova York, Rio de Janeiro, São Paulo e outras. Fonte: Wikipédia. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Twitter. Acesso em 13 de Outubro de 2012. 72 Explicação sobre a tag #kpopredetv. Disponível em: http://ttbr.info/t/%2523kpopredetv. Acesso em 02 de Agosto de 2012. 73 Tumblr é uma plataforma de blogging que permite aos usuários publicarem textos, imagens, vídeo, links, citações, áudio e "diálogos", a maioria dos posts feitos no Tumblr são textos curtos, mas a plataforma não chega a ser um sistema de microblog, estando em uma categoria intermediária entre o Wordpress ou Blogger e o Twitter. Os usuários são capazes de "seguir" outros usuários e ver seus posts em seu painel (dashboard). Também é possível "gostar" (favoritar) ou "reblogar" (semelhante ao RT do Twitter) outros blogs. O sistema de personalização enfatiza a facilidade de uso e permite que os usuários usem tags especiais do sistema para criar seus themes. Fonte: Wikipédia. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Tumblr. Acesso em 13 de Novembro de 2012.

25

original em @alexander_0729) e, a cantora BoA que se expressou na mensagem: “Eu estive na TV brasileira como uma artista de Kpop? Wow… eu estive no país apenas uma vez, quando gravei o comercial para a anycall. Sinto falta de lá... amo vocês!” 74. Após o sucesso, o programa “Leitura Dinâmica” passou a exibir matérias sobre k-pop regularmente cobrindo os shows que ocorreram no Brasil como: MBLAQ com o “Kpop Dance Cover Festival”. A divulgação do evento nacionalmente, além é claro de ser efetuada pelos próprios fãs na Internet também foi veiculada em um especial com o grupo MBLAQ pelo programa com uma entrevista exclusiva a partir de perguntas dos próprios fãs. A grande participação de covers brasileiros online na primeira etapa do evento “Kpop Dance Cover Festival 2011” 75 , fez com que o país chama-se a atenção nas etapas regionais e sedia-se a segunda fase do concurso. Ao anunciar as etapas regionais do concurso, para descobrir qual cover brasileiro seria o finalista para a terceira e final etapa do concurso na Coreia do Sul, os organizadores divulgaram que a banda escolhida para efetuar o papel de jurados nas audições do Brasil no dia 07 de Setembro de 2011 na cidade de São Paulo, seria o MBLAQ. Os k-poppers brasileiros se mobilizaram mais uma vez pela Internet para a recepção dos artistas por meio de flahshmobs, recepção no aeroporto, visitas ao hotel de hospedagem dos integrantes do MBLAQ além é claro de comparecerem em peso no dia do evento na região da Av. Paulista na cidade de São Paulo. Estas atividades muitas vezes restritas aos fãs de k-pop de outros países, devido à distância, destacam-se por serem comuns a todos os outros fãs como colocam Siriyuvasak e Shin (2007, p.121, tradução nossa)
As atividades habituais para os fãs incluem ir para os concertos dos artistas em suas turnês promocionais, ir ao aeroporto para receber os artistas no momento da chegada, e conhecer os artistas para pedir seus autógrafos. Esses rituais são uma parte importante do consumo do público de música. É igualmente importante para a indústria trazer os artistas para um contato direto com seus fãs.
74

Tradução do Twitter: BOA NO ESPECIAL SOBRE KPOP NO LEITURA DINÂMICA DA REDETV!. Por Rapha Hikaru em 30 de Janeiro de 2011. Disponível em: http://topjapan.blogspot.com.br/2011/01/boa-no-especial-sobre-kpop-no-leitura.html. Acesso em 02 de Agosto de 2012. 75 O evento fez parte de uma série de atividades efetuadas mundialmente pelo governo da Coreia do Sul, devido às promoções relacionadas ao ano de visitação ao país. O Kpop Dance Cover Festival 2011 foi realizado através de etapa online com a inscrição de vídeos pelo site: www.coverdance.org; até o dia 28 de Agosto de 2011, depois os escolhidos através de um esquema de seleção: pelo número de visualizações: 30% da nota; pelo número de recomendações (uma ferramenta no próprio site para os que estavam inscritos): 40% da nota; além da opinião de jurados do site com: 30% da nota, participaram da segunda etapa regional onde os jurados e ídolos do k-pop escolheram o finalista para a terceira e última etapa na Coreia.

26

O número de k-poppers excedeu as expectativas dos organizadores, fãs e obviamente o grupo musical e infelizmente muitos fãs não puderam adentrar a audição devido ao grande número de pessoas, até mesmo àqueles que vieram de outros países da América Latina e outras partes do Brasil. 76 Apesar dos contratempos o evento foi um sucesso e as audições, assim como o “pocket show” foi realizado para uma pequena parcela de fãs. O grupo escolhido como finalista da segunda etapa pelo MBLAQ foi o grupo cover “Kolors” que rumou para a Coreia do Sul onde conseguiram mostrar a imagem do k-popper brasileiro como: alegre, miscigenado e grande conhecedor da cultura coreana, durante os eventos paralelos que ocorreram com os competidores bem como por meio da apresentação da coreografia do grupo Girl’s Generation na competição final. 77 O evento “Kpop Dance Cover Festival 2011” é tido como: significativo e importante para o movimento k-popper no Brasil, pois moldou a imagem dos fãs brasileiros em nível mundial como: fãs extremamente apaixonados pelos ídolos a ponto de esperarem horas na frente do aeroporto, hotel e local do evento, capazes de se organizarem em vários grupos covers para enviar vídeos de coreografias de artistas diferentes, demonstrado interesse pela cultura coreana como um todo e não só o k-pop. Todo este esforço efetuado pelos fãs brasileiros, apesar de sofrer algumas dificuldades nas primeiras tentativas, foi recompensado através da vinda de shows como: o da grande Agência coreana Cube Entertainment em Dezembro de 2011, com o United Cube Brasil e Junsu Xiah em atividade solo com sua turnê: Tarantallegra Tour em Setembro de 2012 na cidade de São Paulo. Embora tenham ocorrido em pouco tempo os eventos abordados neste capítulo decorrem da grande participação dos fãs de k-pop no Brasil, seja através de pressão nas mídias de massa, como o programa “Leitura Dinâmica” seja em eventos mundiais de cover. Isto nos trás uma pequena parcela do crescimento do gênero no Brasil, porém o que pode ser verificado por meio da criação de conteúdo relacionado ao k-pop nas principais mídias sociais, como Facebook, Twitter, Tumblr e YouTube, consegue reafirmar ainda mais a expansão do fandom no Brasil, principalmente na Internet e Web 2.0, o que será mais profundado nos próximos capítulos.

76

Baseado em Diário de Campo em 2011 ao participar em algumas destas ações e acompanhar outras pela Internet. 77 Consulta ao Twitter do grupo “Kolors Dance Group” @Kolors_Dance no período das postagens sobre a participação no evento, no final de 2011.

27

2. ABORDAGENS SOBRE LAZER E INTERNET As abordagens colocadas neste capítulo começam por buscar entender o que seria a Internet e como ela foi desenvolvida ao longo dos anos, partindo de uma rede militar focada no poder privado para uma rede pública focada no usuário e nos conteúdos que este cria atualmente na Web 2.0 e, no segundo momento visa registrar os conceitos teóricos do lazer atuais procurando verificar as relações entre ambos, Lazer e Internet e suas possibilidades de criação de novas formas de lazer além dos desafios decorrentes desta junção.

2.1. INTERNET E WEB 2.0 Segundo Capobianco (2010, p.29): “[...] As principais tecnologias de informação e comunicação provocaram mudanças por seu impacto significativo sobre a cultura e reorientam as perspectivas sociais, econômicas, cientificas e políticas”. A partir de microprocessadores para calculadoras portáteis, a tecnologia que viria a ser o computador foi sendo aperfeiçoada ao longo do século 20, através da criação de novos dispositivos e sistemas eletrônicos. Entre eles estão:
[...] a criação do algoritmo (conjunto finito de operações que levam a um resultado) [...], a notação binária (notação em base 2, isto é, o bit só pode assumir os valores 0 ou 1) [...], transistor (condutor e isolante de corrente elétrica) [...], o modem [...] microprocessadores que são circuitos integrados do tipo LSI (large scale integration) [...]. (CAPOBIANCO, 2010, p.32-37)

Por meio destas evoluções tecnológicas, o desenvolvimento do computador ocorreu de forma mais rápida, levando após muito tempo de aprimoramentos à formulação do Computador Pessoal (Personal Computer) e do suporte gráfico.
Em 1981 a IBM lançou seu computador chamado PC (Personal Computer) que posteriormente tornou-se sinônimo de computadores de uso pessoal. Em 1984, a Apple lançou o computador Macintosh com uma tecnologia diferenciada chamada interface gráfica (GUI – Graphical User Interface) caracterizada pelo suporte visual de janelas, menus, ícones [...], que dispensavam a redação da linha de comando. (CAPOBIANCO, 2010, p.37)

28

Após esta fase decisiva no desenvolvimento dos computadores, a maioria da sociedade pôde ter acesso a esta nova tecnologia. Com isso, as pessoas começaram a se apropriar do computador para facilitar as relações e a troca de informações, o que incentivou o início da criação de redes de computadores, como a Internet. O que hoje conhecemos como Internet nasceu a partir de uma iniciativa do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, que criou em 1958 a Advance Research Projects Agency (ARPA), a fim de estimular a pesquisa em computação interativa e, assim, superar a tecnologia militar da ex-União Soviética, a qual estava prestes a lançar o primeiro Sputnik. A partir desta agência, surgiu em 1969 a ARPANET, a precursora da Internet, um programa que “[...] permitia aos vários centros de computadores e grupos de pesquisa que trabalhavam para a agência compartilhar on-line tempo de computação”. (CASTELLS, 2003, p.14) Depois do sucesso deste programa, o próximo passo foi tornar possível conectar outras redes de computadores para que pudessem trocar informações. Contudo, ficou claro que: “[...] Para que pudessem falar umas com as outras, as redes de computadores precisavam de protocolos de comunicação padronizados” (CASTELLS, 2003, p.14). Desta forma, foi criado um conjunto de protocolos no final da década de 1970, um protocolo interno IP (Internet Protocol) e o Protocolo de Controle de Transmissão TCP/IP (Transmission Control Protocol), tornando viável a abertura da rede para que outras instituições e universidades integrassem a rede. (CAPOBIANCO, 2010) Por trás do desenvolvimento da Internet, estavam as:
Redes científicas, institucionais e pessoais que transcendiam o Departamento de Defesa, a National Science Foundation, grandes universidades de pesquisa (em especial MIT, UCLA, Stanford, University of Southern Califórnia, Harvard, Universidade da Califórnia em Santa Bárbara e Universidade da Califórnia em Berkeley), e grupos de pesquisa especializados em tecnologia. (CASTELLS, 2003, p.85)

No entanto, existia o outro lado, ao mesmo tempo em que os pesquisadores estavam focados em criar uma rede universal, havia também um movimento por parte dos hackers (os quais ainda não haviam recebido uma conotação negativa), que incitavam uma contracultura nos Estados Unidos para tornar as redes mais acessíveis. Podemos dizer que, paralelamente, a tudo o que ocorria por parte dos pesquisadores, os chamados hackers ainda juntavam esforços para criarem algo para que fizessem parte do desenvolvimento das redes. (CASTELLS, 2003) Como produtos desta contracultura, citamos uma das mais importantes

29

descobertas tecnológicas, o modem, e uma rede tão importante como a ARPANET, como o nome de Fidonet. Esta rede funcionava por interligação via de telefones comuns, sistema que utilizamos ainda hoje, e chegou a conectar 2.500 computadores nos Estados Unidos em 1990. (CASTELLS, 2003) Em meados de 1980, a rede ARPANET tornou-se ARPA-Internet e começou a ser administrada pela NSF (National Science Foundation), que associada a outras duas redes posteriormente criadas (CSNET e BITNET), passaram a ser inteiramente voltadas à pesquisa acadêmica, porém, com os anos, a ARPANET ficou obsoleta, sendo retirada de operação em 28 de fevereiro de 1990 (CASTELLS, 2003). Antes de seu desaparecimento:
O Departamento de Defesa decidira anteriormente comercializar a tecnologia da Internet, financiando a fabricação de computadores dos EUA para incluir o TCP/IP em seus protocolos na década de 80. Na altura de 1990, a maioria dos computadores nos EUA tinha capacidade de entrar em rede, o que alcançou os alicerces para a difusão da interconexão de redes. (CASTELLS, 2003, p.15)

A extinção da rede pública deu chance à iniciativa privada de criar suas próprias redes. Muitos provedores de serviços começaram a estabelecer suas próprias possibilidades de conexão à Internet aproveitando as facilidades criadas pelo incentivo prévio da construção dos computadores com acesso à rede pelo Governo. (CASTELLS, 2003) Apesar do desenvolvimento da Internet, a partir desta iniciativa privada, nos anos 1990, a comunidade “não iniciada”, ou seja, a grande maioria da população ainda encontrava dificuldades para entender o acesso às redes, sendo a troca e a localização de informações difícil até mesmo para aqueles que já conheciam o sistema. (CASTELLS, 2003). Com isso, houve uma nova revolução tecnológica para expandir o uso da Internet, a World Wide Web, que através de softwares (HTTP, MTML, URL e VRML) criados para transformar o compartilhamento de informações via rede, transformou a Internet em algo muito mais fácil e rápido de se acessar.
O projeto da WWW foi elaborado em 1989 por Timothy Berners-Lee e teve como objetivo o compartilhamento de informações entre pesquisadores do Laboratório Europeu de Partículas Físicas, propiciando a união entre o hipertexto e a Internet. Berners-Lee criou o protocolo de comunicação especial chamado HTTP para transmitir e acessar informações (incluindo os chamados documentos hipermídia, páginas ou sítios) que podiam conter gráficos, sons, vídeos e texto. Também foi invenção de Berners-Lee o URI (Universal Resource Identifier) atualmente conhecido como URL (Universal

30
Resource Locator) que é o localizador, ou seja, o endereço da Web. (CAPOBIANCO, 2010, p.39, grifo do autor).

Os navegadores foram inventados para que mais pessoas pudessem ter acesso ao conteúdo da Internet delineada através de uma série de códigos complexos, que passou a ser fácil utilização por meio de ícones gráficos e aparência criada pelos navegadores.78 Esta facilidade de acesso para navegar na Internet foi o começo da identificação da sociedade com esta forma de comunicação. Consequentemente, podemos dizer que o processo de construção da Internet, que começou em meados dos anos de 1960 e levou anos de pesquisa, somente na década de 1990 passou a ser algo “aberto” para a comunidade em geral. Como nova forma de cultura “popular”, a Internet:
[...] deixa de ser ferramenta destinada apenas para a segurança e passa a ser utilizada para vários fins, de acordo com cada interesse, tornando assim um caminho de interação entre pessoas no mundo virtual. Pode-se compreender esse tipo de interação como uma nova forma de cultura, sendo manifestada virtualmente [...] (SILVA; FRAGA, 2010, p.6)

Quando a Internet surgiu, criou-se também um ciberespaço, um ambiente virtual que oferece possibilidades de seus usuários se relacionarem entre si e também com o seu conteúdo. Este acesso ao ciberespaço e seus dados cresceu de forma significativa quando as interfaces do ciberespaço passaram a ser mais interativas, fazendo com que a participação online dos usuários na Internet fosse maior. (SANTAELLA, 2004; CASTELLS, 2003). Essa nova forma de cultura, caracterizada pelas novas tecnologias digitais que passou a integrar o cotidiano a ponto de se tornar algo “natural”, é produto direto das interações entre os usuários, sejam eles profissionais (como os militares no começo dos anos 1960), que trabalham para que novas tecnologias fossem criadas, como pelos usuários “amadores” (ex: hackers), os quais dentro do tempo de lazer aprenderam e se apropriaram deste ciberespaço. (CORRÊA, 2004; CASTELLS, 2003) Conforme Santaella (2004), esta apropriação por parte dos usuários torna-se fácil já que os mesmos só lidam com o ambiente virtual de forma superficial, pois não precisam aprender muitas técnicas para realizar suas tarefas.
78

O primeiro navegador a ser mais utilizado foi o Netscape Navigator no ano de1994, seguido pelo Internet Explorer (criado pela Microsoft, distribuído conjuntamente ao Windows 95). (CASTELLS, 2003).

31

Para o usuário, a execução dos protocolos da rede é até certo ponto fácil, na medida em que não é necessário saber o que está por baixo da interface na tela, muito menos como funcionam os programas computacionais e a máquina em que esses programas são processados [...], basta memorizar um plano técnico de indicações sumárias para que ele possa entrar na rede. (SANTAELLA, 2004, p.39)

Entretanto, para Castells (2003), a relação entre os usuários e a Internet pode ocorrer de forma mais profunda do que simplesmente conhecer e memorizar protocolos. De acordo com o autor, existem dois tipos de usuários: os quais podem ser considerados como consumidores/usuários, que se beneficiam dos aplicativos da rede e interagem com ela de forma unilateral não agregando em sua produção novos conteúdos; e os produtores/usuários; os quais formam novas formas de utilizar e trocar informações na rede. Por meio da relação entre produtores/usuários, o conteúdo da Internet é sempre aprimorado, quando a prática vívida passa a ser “[...] diretamente reintroduzida no sistema tecnológico” (CASTELLS, 2003, p.34). Sendo assim, ao passo que estes produtores/usuários transformam a rede para melhor atender suas necessidades no ciberespaço, eles podem ser avaliados como os principais produtores da Internet.
Os sistemas tecnológicos são socialmente produzidos. A produção social é estruturada culturalmente. A Internet não é exceção. A cultura dos produtores da Internet moldou o meio. Esses produtores foram, ao mesmo tempo, seus primeiros usuários. (CASTELLS, 2003, p. 34)

A participação dos usuários no ciberespaço é um dos fatores mais importantes para o desenvolvimento da Internet, pois somente através da criação de relações entre os indivíduos é que esta rede pode continuar viva. (SANTAELLA, 2004) Com a evolução Internet surgiu uma forma de interagir em rede diferenciada por ser voltada à participação dos usuários, a Web 2.0. Enquanto que, anteriormente, “[...] na primeira geração da Web, os sites eram trabalhados como unidades isoladas, passa-se agora para uma estrutura integrada de funcionalidades e conteúdo”. Deste modo, a proposta da Web 2.0 “[...] focar-se-á não nos participantes individuais, e sim no ‘entre’ (interação = ação entre)” (PRIMO, 2007, p.2). A Web 2.0 é definida por Primo (2007, p.1) como a:
[...] segunda geração de serviços online e caracteriza-se por potencializar as formas de publicação, compartilhamento e organização de informações, além de ampliar os espaços para a interação entre os participantes do processo. A

32
Web 2.0 refere-se não apenas a uma combinação de técnicas informáticas [...] mas também a um determinado período tecnológico, a um conjunto de novas estratégias mercadológicas e a processos de comunicação mediados pelo computador.

Na visão do autor, as redes sociais não são criadas a partir da conexão de terminais, já que existe um processo que vai além da existência destas relações entre os indivíduos envolvidos. Segundo O’Reilly (2010), os princípios básicos da Web 2.0 são sete:
1) a World Wide Web como plataforma de trabalho; 2) o reforço da inteligência coletiva; 3) a gestão de base dos dados enquanto competência primária; 4) a constante atualização gratuita dos dados e dos serviços disponíveis na Rede; 5) a utilização de modelos de programação rápidos e a busca da simplicidade; 6) o software não limitado a um único dispositivo e 7) o valor agregado das experiências dos internautas. (O’REILLY apud LACALLE p.83)

O foco da Web 2.0 é o internauta e as formas pelas quais utiliza a rede. Ele procura novas formas de interação, entre diversos dispositivos e serviços, que proporcionem novas experiências online e que possam atualizar constante e gratuitamente informações de suas ações na rede e fora dela. Desta maneira, o internauta passa através desta interação a agregar conteúdos à cultura da Internet, reforçando a inteligência coletiva deste meio de forma espontânea e conjunta. (LACALLE, 2010) O papel do internauta na Web 2.0 é imprescindível:
Não é por acaso que a revista Time tenha nomeado como o homem do ano de 2006 justamente o internauta, figurativizado em sua capa diante de um computador com um espelho ao invés de tela, onde aparecia a palavra ‘You’. O semanário norte-americano homenageava, dessa maneira, ‘todas as pessoas que participaram da explosão da democracia digital’, utilizando a Internet para difundir palavras e imagens, e contribuindo com o êxito planetário de algumas páginas como YouTube ou MySpace. A incidência da Internet em nossas vidas chega ao ponto de homologar nossa era como ‘a era da sociedade da Rede’. (LACALLE, 2010, p. 84, grifo do autor)

Pelo fato de que cada vez mais os usuários se tornam familiarizados com a Internet, uma vez que “[...] podemos notar que as sociedades aceitaram, na sua maioria, a revolução tecnológica e a partir de então passaram a viver cada vez mais atreladas a elas” (COSTA; ALMEIDA, 2009, p.3), o processo de revolução tecnológica levou as pessoas a procurarem entrar em contato com meios de comunicação na rede que os auxiliassem a manter suas relações sociais no âmbito do ciberespaço, o que nos ajuda a compreender o crescimento dos blogs, redes sociais e outros adventos da Web 2.0.

33

2.2. LAZER E INTERNET Definições, conceitos e visões de diferentes autores da área do lazer e da comunicação são relacionados dentro deste capítulo para que o cenário do Lazer e da Internet possam dialogar entre si fazendo com que este fenômeno recente possa ser mais bem compreendido.

2.2.1 Lazer: conceitos e definições

Conforme Marinho e Pimentel (2010, p. 26), o lazer é uma “[...] categoria em permanente construção” e, assim, como sugerem Pires e Antunes (2010, p.92), deve ser tratado como “[...] um fenômeno que emerge do ato humano de desejar ‘tocar’ o mundo pela sua capacidade de apreendê-lo e, também [...] a possibilidade de compreendê-lo como um espaço múltiplo e multifacetado”. Sobre as primeiras definições e conceitos do lazer, segundo Marinho e Pimentel (2010, p.26), “[...] mostra-se como um aspecto repleto de dúvidas e polêmicas entre os estudiosos do tema e, justamente por isso, requer um repensar sobre o contexto de qual época histórica ele está sendo analisado, bem como os valores e os modos de vida de tal período”. Para os autores (2010, p.26) os estudos de lazer podem ser investigados a partir de duas linhas de pensamento: “[...] uma que defende a origem do lazer nas fases antigas da história humana; e a outra que adota a modernidade como referência”. Todavia, concordamos com Marcellino (2008, p.31, grifo nosso) ao indicar que “[...] a tendência que se verifica na atualidade, entre os estudiosos do lazer, é no sentido de considerá-lo tendo em vista os dois aspectos – tempo e atitude”, pois, ao utilizarmos este entendimento, seremos capazes de abranger os interesses variados do lazer, independentemente da fase histórica. Segundo a variável atitude, o lazer é entendido como um estilo de vida, sendo definido pelo tipo de relação estabelecida entre o sujeito e a experiência vivida, tendo como foco basicamente a satisfação. Para De Grazia (apud MARINHO; PIMENTEL,

34

2010, p. 27) o lazer deve ser pensado como:
[...] a liberdade da necessidade de estar ocupado. Isto inclui a liberdade da necessidade de trabalhar, mas também se aplica a qualquer atividade que achamos necessário efetuarmos, porém, gostaríamos de estarmos livres... Lazer é efetuar uma atividade com o pensamento de realizá-la para seu próprio benefício ou para seu próprio fim. (DE GRAZIA apud SESSOMS; HENDERSON, 1999 p.72, tradução nossa)79

O autor Neulizer (1967) contribuiu com De Grazia ao afirmar que o lazer mais puro é aquele exercido só com a intenção de usufruir e se satisfazer daquela atividade, sem pensar em possíveis implicações que derivem ou influenciem qualquer outra atividade. Desse modo, para ambos os autores somente o tempo da atividade em si não caracteriza o usufruto do lazer, pois devemos ter em mente a busca por satisfação caracterizada pela intenção/motivação/atitude de qualquer atividade, seja ela trabalho ou lazer. (SESSOMS; HENDERSON, 1999) 80 O autor Marcellino (2008) também reforça a discussão sobre o trabalho ser um tipo de atividade de lazer ao passo que também pode gerar satisfação.81 O lazer segundo a variável tempo é representada mais especificamente a partir da era moderna e da separação dos tempos de trabalho e de lazer. (MELO; ALVES JUNIOR, 2003; CAMARGO, 1986; MARCELLINO, 2002).
O lazer, portanto, entendido como um ideal clássico de ócio, antes situado em um campo distinto do trabalho e apontando a ausência da necessidade de se trabalhar, desaparece ao longo da História, diante da industrialização e dos avanços tecnológicos. Hoje, por fim, o lazer se mede, frequentemente, pelo número de horas da jornada de trabalho, resumindo-se ao ‘tempo livre do trabalho’, ao tempo fora do trabalho, utilizando-se da falsa máscara do ideal de ócio. (MARINHO; PIMENTEL, 2010, p.27-28)

No campo de estudo no Brasil, o lazer sofreu grande influência do sociólogo francês Dumazedier (1980, p.19), o qual conceitua o lazer a partir da era moderna, como:
Um conjunto de ocupações às quais o indivíduo pode entregar-se de livre vontade, seja para repousar, seja para divertir-se, recrear-se e entreter-se ou ainda para desenvolver sua formação desinteressada, sua participação social
79

Original: “Leisure is freedom from the necessity of being occupied. This includes freedom from the necessity to labor, but it could also embrace any activity one finds necessary to perform, but would fain be free of…Leisure is a state of being in which activity is performed for its own sake or as its own end” 80 Desse modo pode-se dizer que até o trabalho seria um tipo de atividade de lazer, ao passo que o trabalho também pode gerar satisfação. (MARCELLINO, 2008) 81 Discussão também efetuada por Padilha (2001, p.56) a cerca do “antilazer”, ao dizer que o mesmo pode ser “[...] definido como uma atividade de lazer que se mescla com as finalidades de uma obrigação institucional”.

35
voluntária ou sua livre capacidade criadora, após livrar-se ou desembaraçarse das obrigações profissionais, familiares e sociais.

Para o autor, o lazer deve ser escolhido pelo sujeito durante seu tempo livre, ou sem obrigações, para que pratique atividades que visem à satisfação, o descanso, o divertimento, o desenvolvimento e a sociabilidade de forma desinteressada. Outros autores pioneiros na produção teórica do lazer no Brasil seguem a linha teórica do autor referido, como Medeiros (apud SILVA et al., 2011, p.16), que define lazer como “[...] o espaço de tempo não comprometido do qual podemos dispor livremente porque já cumprimos nossas obrigações de trabalho e de vida”; e Requixa (1980, p.35), que define o lazer como “[...] ocupação não obrigatória, de livre escolha do indivíduo que a vive e cujos valores propiciam condições de recuperações de recuperação psicossomáticas e de desenvolvimento pessoal e social”. Internacionalmente existem aqueles que também conceituam o lazer através do tempo livre, como Henderson, Bialeschki, Hemingwy, Hodges, Kivel e Sessons (2001, p.16, tradução e grifo nosso), que adotam a mesma linha teórica ao definirem o lazer através de suas pesquisas: “Nós aceitamos o tempo de lazer como período de não trabalho e concordamos que ao passo que experiências de lazer sejam mais prováveis de ocorrer durante o tempo livre, não são limitadas ao tempo ou atividades específicas”82 Apesar de ser amplamente conhecida e aceita, a definição de “tempo livre” de Dumazedier recebe algumas críticas. Segundo Padilha (2000), o lazer não é feito de modo totalmente desinteressado, pois, atualmente, as obrigações e as atividades de lazer se entrelaçam, o que invalidaria a afirmação de Dumazedier. Contribuindo com a autora, Marcellino (2004) ressalta também o tempo das necessidades fisiológicas e o tempo de não fazer nada, não compreendidos na definição de “tempo livre” de Dumazedier (1980); e acaba por propor o termo “tempo disponível” ao invés de “tempo livre” para denominar o tempo de lazer. No que se refere às possibilidades de uso do tempo, segundo os autores Bulls, Hoose e Weed (2003, p. 33-34, tradução nossa), o tempo entre obrigações e lazer pode ser dividido em cinco categorias: “[...] obrigações do trabalho, necessidades fisiológicas, obrigações não relacionadas ao trabalho e o lazer”.83 O conceito de “tempo
82

Original: “[…] We accept leisure time as nonwork time and agree that while a leisure experience is more likely to occur during one´s free time, it is not limited to a specific time or activity […]”. 83 Original: those of work obligations, physiological needs, non-work obligations and leisure.

36

livre”, conforme os autores enfatiza o tempo da atividade de lazer mais do que as motivações e circunstâncias que influenciam o desenvolvimento e a concretização das mesmas, ou seja, a atitude no lazer. Para além dos conceitos e discussões sobre o tempo e atitude do lazer, existem os estudos focados em elucidar as formas pelas quais o lazer ocorre, os estudos sobre o conteúdo das atividades e, que buscam entender as possibilidades do lazer através de classificações e definições. Nos estudos brasileiros, as classificações de Dumazedier (1976) são as mais referidas. O autor dividiu as atividades do lazer para estabelecer uma melhor compreensão na esfera metodológica, colocando as atividades de acordo com a predominância de certa característica ou interesse das mesmas, levando em consideração a escolha subjetiva, ou seja, a opção. Essa divisão é denominada como interesses do lazer, sendo estes separados em: artísticos, intelectuais, físico-esportivos, manuais, sociais. Estes estudos sofreram contribuição do então orientando do sociólogo francês, Camargo (1986), que adicionou a estes interesses, um sexto, que compreende os interesses turísticos do lazer. No que diz respeito aos níveis de participação nas atividades de lazer, Marcellino (2003, p.50) cita o escalonamento criado por Dumazedier (1980) referente “[...] à atividade/passividade e aos níveis elementar (conformista), médio (crítico) ou superior (criativo)”, como sendo um grande aliado em estudos do lazer, ao permitir “[...] formular propostas de critérios de melhoria, que supõem a superação de níveis conformistas de prática, fruição e conhecimento” (MARCELLINO, 2003, p.50). Em outras palavras, por meio dos estudos dos níveis de participação é possível repensar as formas como os participantes praticam suas atividades de lazer.84 Recentemente alguns autores começaram a realizar pesquisas focadas também no entendimento do lazer como cultura. Segundo Marcellino (2007, p.13), devemos entender o lazer em seu aspecto amplo, as “[...] atitudes que envolvem os valores que propicia” levando em consideração sua abrangência, além de considerar “[...] suas possibilidades como instrumento de mobilização e participação cultural” (MARCELLINO, 2007, p.21). Em seu conceito de lazer, Marcellino (2007, p.11) destaca a relação entre cultura e lazer:
O lazer é entendido aqui como a cultura – compreendida no seu sentido mais
84

Para saber mais sobre Educação para e pelo lazer ver: Marcellino (2008) e Camargo (1998).

37
amplo – vivenciada (praticada ou fluída), no ‘tempo disponível’. É fundamental como traço definidor, o caráter ‘desinteressado’ dessa vivência. Não se busca, pelo menos basicamente, outra recompensa além da satisfação provocada pela situação. A ‘disponibilidade de tempo’ significa possibilidade de opção pela atividade prática ou contemplativa.

Desta forma, o lazer como cultura é, a partir do conceito de cultura apresentado por Melo e Alves Junior (2003, p.26), “[...] um conjunto de valores, normas e hábitos que regem a vida humana em sociedade [...] que abarca os desejos humanos diversos, bastante diferenciados”. Ele deve ser compreendido como um conjunto de modos de fazer, de relacionar-se e construir-se a identidade da existência humana por meio da satisfação da atividade em si efetuada de modo desinteressado, seja através da prática ou da atitude contemplativa. Ainda sobre o lazer e a cultura, apresentamos a noção de lazer de Gomes (2004, p.124) como sendo a:
[...] dimensão da cultura constituída por meio da vivência lúdica de manifestações culturais em um espaço/tempo conquistado pelo sujeito ou grupo social, estabelecendo relações dialéticas com as necessidades, os deveres e as obrigações, especialmente com o trabalho produtivo.

A conceituação da autora a partir dos quatro elementos inter-relacionados: tempo; espaço-lugar; manifestações culturais; ações (ou atitude); tem em si uma abordagem ampla e complexa para do lazer como cultura, ao mesmo tempo em que consegue apresentar uma perspectiva completa dos estudos do lazer dentro de qualquer temática.85
• Tempo, que corresponde ao usufruto do momento presente e não se limita aos períodos institucionalizados para o lazer. • Espaço-lugar, que vai além do espaço físico por ser um ‘local’ dos qual os sujeitos se apropriam no sentido de transformá-lo em ponto de encontro (consigo, com o outro e com o mundo) e de convívio social para o lazer. • Manifestações culturais, conteúdos vivenciados como fruição da cultura, seja como possibilidade de diversão, de descanso ou de desenvolvimento. • Ações (ou atitude), que são fundadas no lúdico – entendido como expressão humana de significados da/na cultura referenciada no brincar consigo, com o outro e com a realidade. (GOMES apud MARINHO; PIMENTEL, 2010, p.34).

Embora acreditando que através das produções científicas, o lazer tenha sido beneficiado com uma série de conceitos e definições, ainda é difícil indicar um único

85

Cabe ressaltar o foco de Gomes no espaço/tempo em que as atividades de lazer ocorrem, já que poucos estudiosos abordam o lazer por meio desta perspectiva, além do lazer na Internet ter forte ligação com a abordagem desenvolvida pela autora.

38

entendimento sobre o lazer. Todavia, reconhecermos que Silva et al. (2011, p.32) possa ter uma direção teórica nesse sentido:
O lazer é considerado, portanto, como a cultura, praticada, assistida ou conhecida, no tempo/espaço disponíveis, com determinadas características de atitude, abrange a atividade (conteúdos culturais), e a não atividade (ócio), em três gêneros e levando em conta a superação de níveis [conformistas para críticos e criativos], oferecendo possibilidades de descanso, de divertimento e desenvolvimento e pessoal e social, este vinculado ao duplo aspecto educativo do lazer, como objeto e veículo de educação.

Desse modo, por meio do entendimento sobre os diferentes conceitos apresentados, podemos dizer que o tempo de lazer está disponível para ser utilizado em, qualquer experiência / atividade ou não atividade, podendo ocorrer em qualquer espaço/ lugar através de uma atitude de lazer a fim de gerar: satisfação, descanso, divertimento, desenvolvimento e sociabilidade. Além de colaborar para a superação de níveis de participação de seus participantes.

2.2.2 Internet e o Lazer: novas possibilidades
Certa de que a constituição de comunidades no ciberespaço é uma das formas de organização das práticas de lazer na rede, parece fundamental melhor compreendermos essa nova organização. [...] Perceber os usos que as pessoas fazem da tecnologia significa repensarmos aparatos metodológicos que a abertura desse novo campo de investigação traz à produção do conhecimento. (VIANA, 2010, p.01)

A crescente utilização da Internet vista como “[...] o maior centro de informações disponível em nossa sociedade” (HENDERSON et al., 2001, p. 333, tradução nossa)86, a qual promoveu novas formas de interação entre as pessoas que podem acessar informações sobre novos hobbys, lugares para fazer atividades e se conectar a pessoas interessadas nessas mesmas atividades, fez com que os pesquisadores da área do lazer visualizassem novas abordagens, pois “[...] Perceber os usos que as pessoas fazem da tecnologia significa repensarmos aparatos metodológicos que a abertura desse novo campo de investigação traz à produção do conhecimento” (VIANA, 2010, p.1) Entre os estudos nacionais sobre lazer e Internet, destacamos os trabalhos da autora Schwartz que “sugere a inserção dos conteúdos virtuais como mais um interesse cultural do lazer, dada às possibilidades de vivências deste pelos meios digitais/virtuais” (SCHWARTZ apud ANTUNES; PIRES, 2007, p.100). Assim como Camargo (1986) ao
86

Original: the biggest information center available in our society.

39

propor o interesse turístico, esta proposta parece ousada, no entanto a nosso ver, uma vez que as formas de se relacionar com o lazer mudaram de modo significativo após a Internet a proposta parecer ser aplicável. Com a disseminação do uso da Internet no âmbito do lazer, surgiram formas de interagir, outras manifestações culturais, promovendo maior interatividade e integração permeadas por novos interesses. (SCHWARTZ, 2007; ANTUNES; PIRES, 2007). As autoras Fraga e Silva (2010) destacam a utilização da Internet e a forma pela qual as pessoas participam de novas interações e, consequentemente, criam interesses neste espaço, os quais levam à procura de novos hábitos e práticas na sociedade.
A ampliação das trocas estabelecidas nesse novo ambiente de comunicação é algo que permite com que as pessoas participem em tempo real das novidades postadas nos sites virtuais sobre diversos tipos de informações, ressaltando sempre que esta busca acontece na maioria das vezes de acordo com cada interesse, mas que, segundo alguns autores, isso pode levar a sociedade a criar novos hábitos modificando toda uma estrutura já existente, por uma procura agora no mundo virtual, ou seja, a criação de novos hábitos referentes à prática do lazer. (FRAGA; SILVA, 2010 p.16)

Progressivamente, a inserção da Internet trouxe novas atividades culturais, uma vez que este espaço virtual não é usado somente como veículo ou suporte, trata-se de um espaço onde relações podem ser criadas. A Internet tornou-se “[...] uma nova maneira de transmissão cultural, atendendo às expectativas sociais atuais, que almejam outras formas perceptivas, as quais são capazes, inclusive, de alterar o modus vivendi” (SCHWARTZ, 2007, p.159, grifo do autor). Ao relacionar a Internet com os interesses do lazer descritos por Dumazedier (1976) e Camargo (1986), os autores Silva e Sampaio (2011) relacionaram algumas das possibilidades de lazer que podem ocorrer no espaço virtual.
[...] pela internet com o conhecimento de novas pessoas e manutenção das relações de amizade já existentes através de sites de relacionamentos – facebook, orkut, MSN, skype, dentre outros (interesse social), obtenção de informações via busca de reportagens, leituras de revistas e livros eletrônicos (interesse intelectual), visitas a cidades e museus on-line (interesse turístico), assistir eventos esportivos (interesse esportivo) e assistir filmes, ler romances on-line ou shows no youtube (interesse artístico) (SILVA; SAMPAIO, 2011, p.59, grifo do autor)

O potencial da Internet enquanto espaço criador e modificador de inúmeras formas e atividades de lazer é indiscutível, contudo, cabe ressaltar que entre os estudos sobre o lazer e a Internet existem também as abordagens negativas, que são assinaladas

40

em algumas pesquisas. Por exemplo, a crítica que coloca a Internet como um espaço somente de consumo, onde seus usuários realizariam de forma instrumental suas atividades, o que vai ao encontro do que a autora Santaella (2004) aborda quando fala sobre os usuários da Internet. Por outro lado, a autora supracitada destaca que o ambiente virtual contribuiu para um lazer além daquele fornecido pela mídia de massa. “Em suma, as novas tecnologias começaram a descentralizar a comunicação massiva, afetando a recepção de massa ao permitir ao usuário maior controle sobre o processo de comunicação” (SANTAELLA, 2004, p.62).
Quer dizer, a cultura virtual não brotou diretamente da cultura de massas, mas foi sendo semeada por processos de produção, distribuição e consumo comunicacionais a que chamo de “cultura das mídias”. Esses processos são distintos da lógica massiva e vieram fertilizando gradativamente o terreno sociocultural para o surgimento da cultura virtual ora em curso. (SANTAELLA, 2004, p.24)

Com este “controle”, realçado por Santaella (2004), o usuário pode ampliar seus interesses, construindo o seu próprio repertório de mensagens a serem recebidas. Ao abordar a relação entre o consumo de alguma cultura (ligado muitas vezes à passividade) em relação à prática, Marcellino (2008, p.68) expõe que: “A distinção entre a prática e o consumo é acompanhada, via de regra, por juízos de valor. À apologia da prática, frequentemente colocada, opõem-se os perigos da passividade do consumo”. Sobre as atividades de lazer, Dumazedier (1976, p. 257) esclarece que não existem atividades ativas e passivas e que “[...] será pela atitude que o indivíduo assumir com relação às atividades decorrentes do próprio lazer” que poderemos verificar a sua relação com a atividade em si mesma, ou seja, cada atividade tem um fim em si. Nesse caso, “[...] tanto a prática quanto o consumo poderão ser ativos ou passivos” (MARCELLINO, 2008, p.68-69). Sobre as atitudes que um participante ativo deveria ter, Dumazedier (1976, p.262) destaca “[...] todas as possibilidades de sua sensibilidade e inteligência para refazer, do melhor modo possível e a seu modo, o caminho percorrido pelo criador”. Todavia, como ressalta Marcellino (2008, p.69), não podemos “[...] deixar de considerar que as barreiras sócio-econômicas e o baixo nível educacional criam todo um clima favorável para indústria cultural”. Portanto, no que se refere à Internet e a suas possibilidades como atividade de lazer, é possível afirmar que esta pode ser uma atividade ativa ou passiva dependendo

41

da atitude do indivíduo. Embora a passividade e a prática sejam muito discutidas na área do lazer como um todo, a relação entre as atividades de lazer e o isolamento social ainda é limitada mais especificamente pelos estudos do lazer doméstico87. Com a Internet, agora o isolamento tomou outras discussões e este tópico passou a ser mais mencionado, sendo referência nos estudos da área de comunicação. Ainda sobre as trocas que o espaço da Internet promove aos usuários, Viana (2007, p.07) reforça as particularidades da educação para e pelo lazer na web e como se faz necessário um conhecimento prévio e mínimo possível para que esta troca seja possível fazendo com que as práticas possam extrapolar a Internet.
Ao pensar na dupla dimensão do lazer, enquanto veículo e objeto de educação, considero que uma interdependência seja provável na medida em que a vivência de lazer nesse espaço social que também conforma o lúdico, pressupõe uma educação dentro desses códigos que, por sua vez, também cria mecanismos de reflexão e crítica aos valores sociais vigentes, disseminados pela ação da indústria cultural. Mais do que romper com a unicidade do pólo emissor dos mass media, a comunidade que se forma dentro desse novo espaço social, abriga práticas para além da produção de conteúdo para a internet.

O autor Castells (2003) dedicou-se a analisar este debate no início da Internet. Os críticos difundiam que a Internet seria um local para identidades falsas que induziria as pessoas para o isolamento social e, que conduziria seus usuários a uma cultura dominada pela realidade virtual. Entretanto, a partir da concepção do autor as afirmações dos críticos tornaram-se apenas especulações devido a três limitações:
Em primeiro lugar, precedeu de muito à difusão generalizada da Internet, baseando suas afirmações na observação de um número reduzido de experiências entre usuários pioneiros da Internet – com isso, maximizou a distância social entre os usuários da Internet e o conjunto da sociedade. Em segundo lugar, desdobrou-se na ausência de um corpo substancial de pesquisa empírica confiável sobre os usos reais da Internet. E em terceiro, foi construído em torno de questões bastante simplistas e, em última análise, enganosas, como a oposição ideológica entre a comunidade local harmoniosa de um passado idealizado e a existência alienada do “cidadão da Internet” solitário, associado com demasiada frequência, na imaginação popular, ao estereótipo do nerd. (CASTELLS, 2003, p. 98, grifo do autor)

Com o tempo, outras pesquisas sobre a Internet trouxeram análises mais coerentes sobre este fenômeno, porém, as questões que “[...] dominam o debate público continuam sendo expressos em dicotomias simplistas, ideológicas, que dificultam uma
87

Para lazer doméstico ver: Camargo (1998).

42

compreensão dos novos padrões de interação social” (CASTELLS, 2003, p. 99). De modo a dissipar estas pressuposições dos debates públicos, autores como Anderson e Tracey (apud CASTELLS, 2003, p. 101) dedicaram-se a pesquisar a cultura da Internet e a sociabilidade através de um “[...] estudo longitudinal sobre os usos domésticos da Internet no Reino Unido, realizado para Telecom britânica (BT)”. Neste estudo com 2.600 indivíduos, os autores resumiram seus resultados e concluíram que:
[...] não há indícios, a partir dos dados, de que indivíduos que têm agora acesso à Internet em casa e o utilizam estejam gastando menos tempo assistindo televisão, lendo livros, ouvindo rádio ou envolvidos em atividade social na casa se comparados a indivíduos que não têm (ou não têm mais) acesso à Internet em casa. As únicas mudanças que podem ser associadas ao ganho de acesso à Internet são um aumento do tempo dedicado ao e-mail e ao surfe na web – um resultado espantosamente óbvio. (ANDERSON; TRACEY apud CASTELLS, 2003, p. 101)

Colaborando com os estudos dos autores, Baym (apud CASTELLS, 2003, p.100) realizou uma pesquisa sobre “[...] o comportamento de comunidades on-line com base em seu estudo etnográfico dos r.a.t.s (um news groups que discutia telenovelas)”, analisando que “[...] a realidade parece ser que muitos, provavelmente a maioria, dos usuários sociais da comunicação mediada por computador criam personalidades on-line compatíveis com suas identidades off-line”. Entre os estudos realizados, existiram levantamentos de dados que revelaram perda na sociabilidade de alguns usuários da Internet, ao passo que “[...] embora os usuários da Internet não mostrem sociabilidade declinante, após certo limiar de atividade on-line eles de fato substituem outras atividades, como serviços domésticos, o cuidado da família ou o sono” (CASTELLS, 2003, p.104). Consequentemente, podemos dizer que por mais que o possível isolamento provocado pela Internet seja amplamente difundido pelos críticos, através de pesquisas empíricas, constatou-se que na maioria das vezes os usuários utilizam a Internet de forma a manter seus laços de relacionamento e, eventualmente existem aqueles que tendem, após certo limiar, sacrificar seu período off-line pelo on-line. Neste contexto, existem também os debates sobre os usuários que ultrapassam os limites de conduta e/ou realizam a corrupção do lúdico88 em suas práticas de lazer na Internet. No entanto, ao passo que a Internet apresenta-se somente como “[...] uma
88

Aqui abordamos a corrupção do lúdico tal qual o faz Camargo (1998) em “Educação para o Lazer”. No livro o autor fala sobre a violência, os jogos de azar, a fantasia que pode vir a tornar-se esquizofrenia ou paranoia. No âmbito da Internet podemos citar os mesmos exemplos só que no mundo virtual.

43

extensão da vida como ela é em todas as suas dimensões e sob todas as modalidades” (CASTELLS, 2003, p.100), a possibilidade de existirem condutas incorretas no meio virtual são as mesmas que fora da Internet. Contudo, as abordagens dos aspectos negativos da Internet devem ser tratadas para que o lazer na Internet possa ser compreendido de forma ampla e multifacetada, já que toda atividade pode apresentar um viés negativo. Ao tratar das interações sociais na Internet, Schwartz et al. (1998 apud SCHWARTZ, 2007, p.161) apontaram que o lazer tem como “[...] principais fatores de aderência [..] a procura por diversão e de interação social como objetivos que motivam o acesso dos sujeitos à Internet”. O primeiro autor que definiu as agregações no ciberespaço foi Rheingold (apud FREIRE, 2010, p.49), que cunhou a expressão comunidade virtual que seria formada por “[...] agregações sociais oriundas da net quando inúmeras pessoas participam com bastante sentimentos humanos formando teias relações interpessoais no ciberespaço”. Na base da formação das comunidades virtuais, destacam-se duas características: a primeira característica diz respeito ao fato de que estas agregações são fruto e nascem a partir de uma comunicação livre, que surge da espontaneidade dos envolvidos e que pode ser entendida como uma prática fundamental dentro da rede, visto que em uma era globalizada dominada por conglomerados de mídia e burocracias governamentais, reunir-se para criar um conteúdo original voltado para suas próprias necessidades e anseios seja algo difícil. É o caso das iniciativas dos próprios hackers que, com suas criações em um movimento de contracultura, auxiliaram de baixo para cima o desenvolvimento da Internet. (CASTELL, 2003; LEVY 2010). A segunda característica diz respeito à “formação autônoma de rede”, já que todo usuário tem a possibilidade de “[...] encontrar sua própria destinação na Net, e, não a encontrando, de criar e divulgar sua própria informação, induzindo assim a formação de uma rede” (CASTELLS, 2003, p.49). Segundo Côrrea (2005, p.3), outra especificação importante no surgimento de uma comunidade virtual é o fato de ser “[...] capaz de aproximar, de conectar indivíduos que talvez nunca tivessem oportunidade de se encontrar pessoalmente.” Por se tratar de um ambiente que ignora definitivamente a noção de tempo e espaço como barreiras. Por sua vez, Almeida, Gutierrez e Marquez (2007) colaboram com a autora ao especificarem a Internet como um local onde atividades sequer imagináveis no passado podem ser criadas, ou seja, não só pessoas podem ser conectadas, mas também diferentes experiências.

44

[...] a tecnologia virtual permite a realização de fenômenos incabíveis no real. Tal facilidade estimula as experiências de reciclagem artística, ou colagem. Estilos artísticos opostos, músicas de épocas distintas, personagens marcantes (ou não), referências a outras obras. A brincadeira virtual é infinita, o que confere ao lazer pós-moderno uma metalinguagem. Se tudo já foi feito durante todo o século da modernidade, o que se pode fazer é misturar as influências e citações, para verificar qual o efeito das possibilidades combinatórias. Quanto mais declaradamente virtual mais divertido. (ALMEIDA; GUTIERREZ; MARQUES, 2007, online)

Com relação ao tema, ressaltamos os estudos de Corrêa (2005) que abordou a interação social entre pesquisadores e estudantes em uma lista de discussão e todas as suas relações de identidade e cooperação e, sua pesquisa (2008) sobre a maior rede de relacionamentos sociais no Brasil, na época, o Orkut89. Existem também os trabalhos realizados por Viana (2007, 2009, 2010); os quais abordam as possibilidades que o ambiente virtual propicia à criação conjunta e de forma participativa, com o auxílio de softwares livres e o ciberativismo por meio da rede global do microblog Twitter.
O fenômeno internet facilita a interação social através de comunicação online para além do território e, apesar das críticas referentes à possibilidade de isolamento social e abandono de interações face a face, essa forma de comunicação se mostra efetiva como mais uma possibilidade de encontro e formação. (VIANA, 2007, p.3)

A apropriação das ferramentas da Web 2.0 e sua relação com a expansão das experiências de lazer começou a ser discutida por alguns autores, como Vianna (2007) e Corrêa (2004; 2005), porém poucas são as pesquisas de lazer nesta área – no campo dos estudos de mídias já existem trabalhos há muito tempo. As possibilidades para o lazer criadas na Internet são muitas, sendo destacadas geralmente aquelas as quais ajudam na construção de comunidades de interesse e também na identidade dos indivíduos, como é abordado por Maffesoli (apud GAMA, 2005, p. 56)
[...] o ciberespaço é uma matriz de agregação social única, ao permitir a indivíduos do mundo inteiro reunir-se em coletividades sedimentadas no que ele chama de instrumentos comunitários de aproximação social. Por meio desses instrumentos comunitários, colocados indistintamente ao crivo de quem acessa a Internet – e-mails, sites, chats, BBSs, fóruns, newsgroups, Muds etc. –, pessoas conhecem- se umas às outras, constituindo grupos em que partilham utopias, paixões, certezas e dúvidas, sem se preocupar com restrições de raça, classe social, nacionalidade, religião e até presença física
89

Orkut: é uma rede social filiada ao Google, criada em 24 de Janeiro de 2004 com o objetivo de ajudar seus membros a conhecer pessoas e manter relacionamentos. Seu nome é originado no projetista chefe, Orkut Büyükkökten, engenheiro turco do Google. O alvo inicial do orkut era os Estados Unidos, mas a maioria dos usuários são do Brasil e da Índia. Fonte: Wikipedia. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Orkut#cite_note-2. Acesso em 4 de Dezembro de 2012.

45

Deste modo, podemos dizer que o ambiente virtual trouxe novas formas e atividades de lazer, que fazem parte de uma cibercultura, como coloca Levy (2010), onde à interação entre os usuários faz com que este espaço multifacetado tome forma e seja possível.

3. MÉTODOS E TÉCNICAS
Ao falarmos sobre a atividade do fandom de K-pop no Brasil na Internet, seria necessária uma longa pesquisa com os antigos usuários para que fosse possível registrar suas práticas e entender como se organizavam em uma época em que poucos tinham acesso à Internet (tendo em vista que o K-pop também é um fenômeno recente, estamos falando do começo dos anos 2000 quando a Hallyu começou a tornar-se mais conhecida). Além de que teríamos também que levar em consideração os imigrantes de coreanos no Brasil os quais possivelmente, por influências culturais, poderiam ter mais acesso ao gênero musical naquela época. Contudo, tendo em vista as limitações de duração da pesquisa, bem como dimensões de tempo e espaço, lembrando que, atualmente, as plataformas das redes sociais fizeram com que o k-pop seja mais conhecido em proporções nunca antes imagináveis, não só no Brasil, mas em muitos outros países, a proposta de estudar as atividades de lazer dos fãs do K-pop no Brasil através da Web 2.0 faz-se mais necessária. Existe uma série de estudos sobre fãs na área do lazer no Brasil, no entanto, a maioria tende a focar no espaço off-line. Recentemente, pesquisas sobre fãs na internet na área do lazer começaram a ser efetuadas. (GAMA, 2005), porém, em outras áreas principalmente a de comunicação, estudos sobre os fãs são realizados há muito tempo, muitos relacionados às relações de lazer destas tribos. (AUXÍLIO, 2012;; SÁ, 2002, MONTEIRO, 2010). Sobre as oportunidades de estudos na Internet na área do lazer, podemos dizer que:
Do ponto de lazer de vista da procura, a Internet oferece a oportunidade para o desenvolvimento de novas atividades recreativas de lazer. Muitos usuários de computador consideram os recursos disponíveis na Internet educacionais, úteis e recreativos [...]. A Internet de seu próprio modo criou uma nova forma de atividade de lazer já que usuários gastam uma proporção considerável de

46
seu tempo na Internet acessando informações e se comunicando com outras pessoas e organizações. A Internet forneceu a infraestrutura para facilitar a comunicação entre um grande número de grupos de interesse em uma escala global. Qualquer pessoa com interesse em qualquer atividade em particular e com acesso a um computador, em casa, no trabalho, ou em um café local, pode navegar e fazer downloads de informações, comunicar, conversar em chats e discutir com outras pessoas com interesses semelhantes. (BUHALIS, 90 2003, p. 265, tradução nossa)

Sobre a utilização de fãs como amostra de pesquisas na Internet, Nikunen (2007) incluiu uma série de benefícios:
Culturas de fãs parecem fornecer um objeto ideal, ativo e acessível para etnógrafos mídia. Novos estudos sobre comunidades da Internet de fãs e fãpráticas são frequentemente publicados. Culturas de fãs parece ser o cerne da mudança de mídia, que representa a convergência tecnológica vista agora no uso paralelo de Internet e televisão por comunidades de fãs, assim, possivelmente reformulando práticas audiência mais ampla. (NIKUNEN, 91 2007, p.111, tradução nossa)

Entre as metodologias mais utilizadas em estudos na Internet, podemos destacar três categorias: a primeira é relacionada a todos os métodos por meio dos quais o pesquisador interage diretamente com o público que está sendo estudado, como: entrevistas; a segunda se refere aos métodos em que são recolhidos dados sobre as pessoas, mas sem interagir diretamente com os mesmos, como: métodos observacionais e, a terceira inclui os dados secundários e tem os dados coletados em outras pesquisas sobre o assunto como foco. (HALL, 2003) Diversos métodos foram escolhidos para esta pesquisa, já que em estudos sobre a cultura dos fãs, devido às diferentes mídias utilizadas, precisamos contar com diferentes fontes de dados para analisar o fenômeno como um todo e não através de uma única visão. Os estudos sobre os fãs de acordo com Hellerson (2009) dividem-se em: estudos sobre os artefatos que os fãs criam e estudos sobre os fãs e sua cultural em geral. Nesta
90

Original: From leisure DEMAND side point of view, the Internet provides the opportunity for developing new leisure and recreational activities. Many computer users found the resources available on the Internet educational, useful, and recreational. [...] The Internet has developed a new recreational activity on its own right as users spend a considerable proportion of their leisure TIME accessing information and communicating with other people and organizations. The Internet provided the info-structure for facilitating communications between a vast number of special INTEREST GROUPS on a global basis. Anybody with an interest in any particular activity and with access to a computer, at home, at work, or at a local internet café, can go online and download information, communicate, chat, and discuss with other people with similar interests. 91 Original: Fan cultures seem to provide an ideal, active and accessible object for media ethnographers. New studies concerning Internet fan communities and fan practices are frequently being published. Fan cultures seem to be at the very heart of media change, embodying the technological convergence seen now in the parallel use of Internet and television by fan communities thus possibly reshaping audience practices more wide.

47

pesquisa, abordaremos ambas de forma introdutória, pois acreditamos que a relação entre estas é muito estreita para que sejam separadas dentro do fandom de kpop. Para o desenvolvimento desta monografia com o objetivo geral de compreender o fenômeno do fandom de k-pop no Brasil a partir da Web 2.0, primeiramente, foi realizada uma pesquisa bibliográfica com o intuito de aprofundar os conceitos-chave, como: Web 2.0; Kpop, Lazer, Internet, Fandom. Entre os materiais consultados para o referencial teórico estão: livros, dissertações, artigos, periódicos, blogs e sites. Entre os métodos mais utilizados para estudos sobre as comunidades virtuais e suas relações de atividades de lazer, está a netnografia. Embora, devido à junção das palavras net e etnografia, a palavra possa parecer uma transição da técnica etnográfica do off-line para o online, a premissa verifica-se não verdadeira posto que de acordo com Amaral, Natal e Viana (2008, p.34) “[...] as dinâmicas comunicacionais tanto entre os objetos observados como na relação pesquisador-objeto podem diferir principalmente em relação à noção de tempo-espaço” entre as duas técnicas. O processo da netnografia em síntese ocorre por meio das seguintes etapas: entrée cultural, coleta e análise de dados, ética na pesquisa, feedback e checagem de informações com os membros do grupo; as mesmas podem não ocorrer nesta ordem a não ser é claro pela entrée cultural, que deve ser sempre a primeira. (AMARAL, 2009, p.16) A participação do pesquisador durante a netnografia “[...] pode variar ao longo de um espectro que vai desde ser intensamente participativa até ser completamente não obstrusiva e observacional” (KOZINETS apud AMARAL, 2009, p.19). Neste estudo, procurou-se utilizar a mesma ideia de acadêmico (pesquisador)-fá que Jenkins (1992), ou seja, ao mesmo tempo em que admito ser k-popper e participar do fandom, utilizouse o discurso de outsider pela visão acadêmica tentando ser menos obstrusiva possível. As etapas sobre a entrée cultural e ética na pesquisa serão esmiuçadas durante os demais capítulos, contudo, por hora podemos adiantar informações sobre a coleta e a análise dos dados secundários, realizadas através de consultas a sites de pesquisa do governo da Coréia do Sul como: KOCIS (Korean Office Information Service) e KOFICE, (Korean Foundation for International Culture Exchange), além de cópia e download de revistas, jornais, sites e blogs nacionais e internacionais arquivados em pastas organizadas por temática e meio de divulgação que contribuíram para as reflexões sobre o tema da pesquisa. A checagem de informações com os membros do grupo, além de ser efetuada pela

48

observação participante, foi realizada também a partir da aplicação de um questionário com uma amostra aleatória, àqueles que se consideravam k-poppers e tivessem acesso à Internet, mais especificamente às redes sociais. Entre os maiores benefícios de sondagens por questionário, podemos destacar:
Embora a ‘objetividade’ absoluta seja impossível, métodos com questionários oferecem um conjunto ‘transparente’ de procedimentos de pesquisa. A forma como a informação é coletada e analisada ou interpretada fica clara e disponível para todos. De fato, os dados de sondagens com questionários podem sempre ser analisados por pessoas que desejem ampliar a pesquisa ou fornecer uma interpretação alternativa [...]. A quantificação pode fornecer informações relativamente complexas de forma sucinta e de fácil compreensão. (VEAL, 2011, p.312)

Outros benefícios vinculados a questionários na Internet são: a rapidez, custo benefício e maior número de repostas. No caso de estudos sobre a Internet em si, outro aspecto positivo é estar inserido dentro do espaço estudado. No entanto, não podemos deixar de colocar os aspectos negativos de uma pesquisa por questionário pelo respondente como tanto online como off-line: respostas desuniformes, respostas incompletas, risco de respostas incoerentes, necessidade de maior cuidado no formato. (VEAL, 2011) O questionário fechado com dezessete perguntas quantitativas e qualitativas (vide Apêndice A) foi disponibilizado na plataforma Google Docs, de forma a ser preenchido pelos respondentes. A divulgação em grupos e páginas de k-pop na plataforma Facebook, e também através de fanbases 92 no Twitter ocorreu durante a pesquisa entre 1 a 22 de Outubro de 2012, tempo de pesquisa até que o número de questionários pretendidos fosse atingido. Houve no processo de pesquisa lembretes semanais nestes grupos, além de acompanhamentos por Twitter, Facebook e Tumblr entre aqueles que responderam o campo “Comentários” no final da pesquisa e deixaram seus contatos destas redes sociais. A representatividade da amostra deu-se de forma a minimizar os possíveis vieses da pesquisa e, o tamanho da amostra foi pensado para atender a um nível de precisão nos resultados dentro do tamanho absoluto de k-poppers brasileiros, ou seja, o tamanho da amostra foi decidido a partir do mínimo necessário de participantes de um intervalo de confiança de 4% em uma amostra de descoberta de 50% de 9.000 kpoppers (número baseado aproximadamente no número de “curtis” da página no Facebook do site
92

Fanbases é o nome que se dá originalmente aos fãs clubes ou base dos fãs.

49

SarangInGayo até Outubro de 2012), chegando ao número de 395 participantes. (VEAL, 2011) A necessidade de focar mais no método qualitativo para que pudéssemos ter um contraponto de visões sobre a atividade do fã de k-pop na Internet motivou a realização de entrevistas, as quais são justificadas por Veal (2011, p. 267):
O método [qualitativo] é mais capaz de favorecer a percepção de mudanças pessoais ao longo do tempo – em contraste, a pesquisa quantitativa tende a olhar somente para o comportamento atual em relação com as atuais circunstâncias sociais, econômicas e ambientais, ignorando o fato de que a maioria dos comportamentos das pessoas é altamente influenciada por sua história de vida e suas experiências.

Qualificados por conveniência, a amostra dos questionários formados por nove perguntas abertas (vide Apêndice B) foram preenchidas pelos respondentes através de sondagem por e-mail. O critério chave para a escolha da amostra foi: ser um fã divulgador no cenário do fandom de k-pop, pois ao terem iniciado projetos de divulgação, a perspectiva destes atores poderia trazer aprofundamento ao estudo sobre o fenômeno do k-pop no Brasil.

50

4. ANÁLISE DOS RESULTADOS
Neste capítulo, em um primeiro momento, iremos verificar o processo de entrée cultural, explicando o processo da pesquisa e os desafios iniciais com as plataformas estudadas e, depois a questão da ética e como o estudo foi efetuado. Na sequência, abordaremos o perfil e a identidade do kpoppers nos quadros off-line /online /off-line, já que não é possível falar de um sem se referir ao outro e, por fim, as atividades mais praticadas pelos fãs, a organização do fandom na Internet e sua relação com as novas possibilidades da Web 2.0.

4.1. ENTRÉE CULTURAL E ÉTICA NA PESQUISA Ao efetuar a entrée cultural no mundo dos k-poppers em meados de Fevereiro de 2012, a partir do contato com a fundadora do site “SarangInGayo”, Natália Pak, para verificar a possibilidade de estudo de caso das plataformas utilizadas na Web 2.0 como roteiro de pesquisa, foi necessário ultrapassar a barreira de fã e incluir o k-pop como objeto de estudo. No entanto, assim como aconteceu com Jenkins (1992) ao pesquisar sobre o fandom de entretenimento, acreditamos que estas atividades não estão separadas e podem colaborar para o resultado da pesquisa.
Quando escrevo sobre a cultura de fãs, então eu escrevo tanto como um acadêmico (que tem acesso a certas teorias da cultura popular, certos organismos de literatura crítica e etnográfica) e como um fã (que tem acesso ao conhecimento particular e tradições daquela comunidade). Minha conta existe em um movimento constante entre esses dois níveis de compreensão que não são necessariamente em conflito, mas também não estão 93 necessariamente em alinhamento perfeito. (P.05)

Como fã de pop coreano, em primeira instância, identificar as práticas efetuadas pelos k-poppers pareceu ser algo fácil, contudo, ao pesquisar mais sobre as diferentes
93

Original: When I write about fan culture, then I write both as an academic (who has access to certain theories of popular culture, certain bodies of critical and ethnographic literature) and as a fan (who has access to the particular knowledge and traditions of that community). My account exists in a constant movement between these two levels of understanding which are not necessarily in conflict but are also not necessarily in perfect alignment.

51

formas de participação de fãs em outros tipos de fandom, as possibilidades de atividades dentro do k-pop revelaram-se maiores. Aprender a dominar novas redes sociais como o Tumblr, que ao longo da pesquisa surgiu como ferramenta utilizada consideravelmente por k-poppers, também se tornou um desafio. Apesar das dificuldades iniciais, ao observarmos as atividades de fãs de k-pop com a visão acadêmica, de forma a montar um roteiro de atividades, transformou-se em algo natural e, com pouco tempo de observação sobre as redes sociais, uma série de atividades foi verificada. Durante esta primeira etapa de observação, o estudo não foi comunicado à comunidade k-popper, para não ser obstrutiva em suas atividades de fãs. Todavia, ao divulgar o questionário nas redes sociais em Outubro, colocamo-nos à disposição dos k-poppers para responder a indagações referentes à pesquisa e sobre o questionário em andamento. Ao entrar em contato com os entrevistados, foi explicado o objetivo da pesquisa e verificado o interesse em participar respondendo um questionário mais direcionado. Sendo assim, apesar de existirem desafios iniciais sobre como proceder enquanto fã e também como interagir em algumas redes sociais como o Tumblr, através da observação e da netnografia, foi possível construir o perfil e identidade do fandom de k-pop e identificar durante várias etapas as atividades mais efetuadas pelos fãs.

4.2. PERFIL DO K-POPPER: QUEM SÃO?
Fãs se envolvem em uma série de atividades relacionadas com a sua paixão: eles escrevem literatura derivada chamada fan fiction, criam obras de arte fan art [...], eles blogueiam, eles fazem videos de fãs, e eles organizam e participam de convenções. Não menos importante, eles criam e passam aos outros a cultura, com suas regras de participação de comportamento e de aceitabilidade. (HELLEKSON, 2009, online)94

Sobre os fandons e suas atividades Jenkins (1992, p.278) 95 ressalta a amplitude e
94

Original: Fans engage in a range of activities related to their passion: they write derivative literature called fan fiction, they create artworks, they write what’s known as meta (analyses of fandom itself, or analysis of analysis), they play role-playing games, they blog, they make fan vids, and they organize and attend conventions. Not least, they create and pass along a culture, with its attendant rules of behavior and acceptability. 95 Original: Fandom involves a particular set of critical and interpretive practices […] Fandom possesses particular forms of cultural production, aesthetic traditions and practices. Fan artists, writers, videomakers, and musicians create works that speak to the special interests of the fan community. Ther work appropriate raw materials from the commercial culture but use them as the basis for the creation of a contemporary folk culture.

52

também a complexidade da apropriação de cultura realizada pelos fãs, reproduzindo ou criando algo novo.
Fandom envolve um conjunto particular de críticas e práticas interpretativas [...] Fandom possui formas particulares de produção cultural, tradições estéticas e práticas. Fã artistas, escritores, videomakers, músicos criam obras que falam para os interesses especiais da comunidade de fãs. Seus trabalhos apropriam matérias-primas da cultura comercial, mas os usam como base para a criação de uma cultura popular contemporânea.

Para Viana (2007) as relações das atividades de comunidades que se formam espontaneamente, como o fandom de k-pop, é uma oportunidade para compreender
[...] um espaço social lúdico que acentua o sensível e as estratégias de partilha, em um novo espaço de convivência que exige uma mudança de atitude que incentiva e convida à participação abrindo opções para além do conformismo do consumo, criando uma tensão com essa esfera permitida e controlada da vida social. Essa experiência tem gerado um processo educativo de incentivo à imaginação criadora e ao espírito crítico, por colocar em evidência o debate em torno de arte e ciência, propriedade e autoria.

Ao nos referirmos ao k-poppers, não podemos caracterizá-los apenas como admiradores de música pop coreana, a identidade atrelada à palavra vai além de preferências musicais e consiste em um estilo de vida. Uma vez autointitulado k-popper, o fã estará representando e pertencendo a um fandom que é construído e desenvolvido pelos fãs todos os dias, estando em constante mutação.

Figura 9- Eu não só penso em k-pop Fonte: VKL, 30 de Junho de 2012.

53

A paixão do k-popper pelo objeto de sua admiração foi abordada na página de Tumblr e Facebook “Vida de Kpop Lover” ou só VKL (2012), quando foi publicada a imagem acima a fim de ilustrar como o k-pop é presente na vida dos fãs. Esta referência destaca a importância do estilo no dia a dia dos fãs e também reforça a ideia sobre a construção de identidade atrelada ao fandom através da participação, a qual ultrapassa a participação real: dançar e cantar, para a participação no plano do imaginário, chegando a sonhar sobre o assunto. Como ressalta Pak (2012, online), o k-popper procura a identificação dentro do grupo exercendo seu papel de fã de todas as formas possíveis.
O kpopper brasileiro de hoje é um fã que não senta apenas e ouve uma música ou assiste uma performance. A sua grande maioria quer imitar e levar uma vida como um ídolo kpopper. Cantando, dançando e até abraçando algumas virtudes da cultura coreana.

O fã de k-pop brasileiro procura conhecer tudo sobre o universo de seus ídolos e o estilo musical em si, moldando sua identidade e a de sua tribo todos os instantes, principalmente através das atividades relacionadas ao seu fandom. Alguns destes até mesmo colocam em seus avatares96 das redes sociais imagens, bem como backgrounds e também trilha sonora de seus ídolos - no caso de plataformas que suportam este tipo de opção como o Tumblr. Podemos dizer que ao conhecerem mais sobre seus ídolos os fãs também passam a entender mais sobre a sociedade coreana, seus costumes e cultura. A partir do momento que aprendem virtudes e códigos utilizados na Coreia do Sul, os fãs também começam a utilizar esta cultura no dia a dia. Entre algumas destas virtudes podemos destacar o uso de algumas palavras do vocabulário coreano. Seja alguma palavra que se refira aos seus ídolos, como para identificar o que cada um faz dentro do grupo como: Vocal, Leader, como também palavras de tratamento: DongSaeng (동생), Hyung (형) e

Noona/Nuna (누나) (ver anexo 1) os quais são restritos ao círculo social. Para se tornar um fã brasileiro de uma cultura asiática, no caso um k-popper, a princípio pode ser algo difícil devido às barreiras culturais, no entanto, conforme uma postagem da página do Facebook e Tumblr VKL não existe tanto mistério quanto a isso.
96

Avatar é uma imagem utilizada na Web em redes sociais ou espaço de relacionamento pelos usuários para se identificarem no meio. Geralmente os usuários utilizam uma foto a qual trás o off-line para o online, ou seja, uma foto de si mesmo, contudo, existe também a opção de optar por uma imagem do imaginário fandom como uma foto de um ídolo ou símbolo / código deste universo.

54

Figura 10 – 3 regras para se tornar fã de música asiática. (a referência quebra gelo ‘Boom Shakalaka’ faz parte do refrão da música Fantastic Baby do grupo Big Bang e, não tem um significado específico) Fonte: VKL, 14 de Maio de 2012.

Como recomendado na 2º regra, no começo muitos fãs novos fazem perguntas em comunidades e redes sociais e se relacionam com os “mais antigos” a fim de conhecerem mais sobre os artistas e o gênero musical em si, segundo Monteiro (2010), é a partir desta interação que existe a aquisição de conhecimento, fazendo com que os fãs consolidem a inteligência coletiva colocada por Lévy (2011), já que a mesma está diretamente ligada à cultura participativa. Como exemplo desta troca entre fãs temos os comentários mais “curtidos” em vídeos de MV’s dos artistas no YouTube, onde usuários comentam o nome dos integrantes das bandas por minuto de aparição, além da “função” dentro do grupo. Em pouco tempo os fãs passam a criar vínculos com aqueles que já ouvem músicas e conhecem os artistas, este é o primeiro estágio, ou seja, esta é a etapa “noob” 97 . Como coloca Monteiro (2010, p.04), os laços que são construídos na participação são essenciais para qualquer fandom, e em nossa concepção ainda mais importantes no processo de iniciação de fãs.
As conexões dentro desse grupo de fãs são construídas através dos laços
97

Noob é uma palavra inglesa que signigica novo e é utilizada para se referir àqueles que são novos dentro do fandom.

55
sociais, que por sua vez são formados através da interação social entre os atores [...]. Dentro de um fandom, a interação é essencial para um crescimento de qualidade do fórum. E dessa forma, graças a maior proximidade dos membros, os laços entre eles ficam cada vez mais fortes.

Contudo, existem “noobs” que podem ser mal interpretados como “posers”, aqueles que não sabem nada sobre k-pop, mas fingem serem fãs devotos ou utilizam a “imagem” ou identidade dos fãs para se autopromover sem ao menos saberem algo sobre as bandas. A discussão sobre “posers” e “haters” dentro do fandom é intensa online e off-line, pois alguns fãs rotulam outros muitas vezes por abordarem assuntos tidos como dispensáveis por alguns ou por mesmo exagerarem no repúdio aos mesmos, gerando discussões e até mesmo gifs/memes98 fervorosas sobre o assunto.

Figura 11 - Troca de informação entre a fanbase do grupo Infinite através de ferramentas das redes sociais. 99 Fonte: YouTube, gravação dezembro de 2012.

98

Gifs e memes são imagens “animadas” ou não que são elaboradas pelos fãs sobre assuntos do próprio fandom. Alguns fanpages no Facebook e alguns Tumblr se dedicam a este tipo de comunicação como: VidadeKpopLover e Kpopteria. 99 Neste vídeo do grupo Infinite, da música The Chaser (em inglês e hangul, a escrita coreana) postado no site Youtube pela LOEN empresa de divulgação de entretenimento coreano, para entender o significado das funções veja o Anexo 1, (lembrando que nesta figura não estão especificados os Main Vocal ou Main Rapper )

56

Discussões sobre este tipo de assunto foram frequentes no ano de 2012 em duas comunidades dedicadas ao k-pop no Facebook, Boteco do Kpop Station e SarangInGayo – The Community100; e alguns dos tópicos levantados sobre condutas “não corretas” dentro das práticas k-poppers foram mais corriqueiros como: fãs que começam a se achar “especiais” por gostarem de k-pop; k-poppers que se referem àqueles que não gostam de k-pop como “mortais”, utilizar a Timeline do Facebook para postar assuntos relacionados de k-pop “24h por dia”, briga entre fandoms; entre outros. Não cabe aqui ressaltar o que está certo ou errado nestas discussões, mas sim analisar alguns comportamentos tidos como não corretos por alguns dentro do próprio fandom. Sobre estas discussões, elas ocorrem muitas vezes para colocar em questão algumas práticas dos fãs, a fundadora do site SarangInGayo, Nathália Pak (2012) ressalta que os k-poppers “[...] gostam de criar assuntos, discussões que possam levar em consideração a maioria das opiniões”; mesmo que isso seja difícil, pois entrar em um consenso em um fandom tão grande muitas vezes pode ser um desafio. Este lado não tão positivo do fandom de k-pop vai ao encontro das palavras de Castells (2003), posto que toda atividade cultural seja multifacetada, as possibilidades de condutas “incorretas” podem ocorrer tanto online como off-line. Dado o fato de que o k-pop é uma cultura asiática, poderíamos considerar que os imigrantes de asiáticos estivessem entre a maioria étnica dos k-poppers - pois no Brasil predomina a maior representação de japoneses fora do Japão e se comemore os 50 anos de imigração coreana em 2012 / 2013 - porém, a grande miscigenação brasileira fez com que o resultado fosse bem distribuído. Podendo responder através de múltipla escolha, os k-poppers seguiram as tendências do “Censo 2010”
101

, com a etnia

“Caucasiana” como maior representante, “Afrodescendente” como segunda, mas curiosamente “Indígena” e “Asiática” empataram, ao contrário da pesquisa nacional.
100

Estas discussões ocorreram durante o ano de 2012 com pouca frequência, mas foram presentes em algumas semanas no primeiro semestre. Quando estes grupos eram mais fechados e os membros costumavam a discutir mais assuntos e postarem notícias para divulgação do universo kpop. Com o tempo ambos os grupos cresceram muito em pouco tempo e os temas abordados passaram a serem outros, os quais devido às atualizações constantes por dia fizeram com que a possibilidade de seguir e até mesmo discutir estes assuntos mais “reacionários” cai-se em desuso ou diminui-se drasticamente. Atualmente os assuntos mais discutidos são: divulgação de grupos covers, fanfics, fanpages e outros grupos, além de outros assuntos os quais eram discutidos mais profundamente no começo como: videoclipes, comebacks e debuts aguardados, scandals, eventos de k-pop e alguma discussão mais profunda de tempos em tempos. 101 Censo 2010: população do Brasil deixa de ser predominantemente branca. Por Alessandra Duarte em 29 de Abril de 2011. Disponível em: http://oglobo.globo.com/politica/censo-2010-populacao-dobrasil-deixa-de-ser-predominantemente-branca-2789597#ixzz2EMbaB0dq. Acesso em 04 de Dezembro de 2012.

57

Entre algumas das opções colocadas no campo “Outros” estão: europeia, latina e parda.

Figura 12- Qual a sua etnia? Fonte: Elaboração própria

No que se refere ao gênero, o feminino representa a maioria entre os fãs com 85%, enquanto o masculino fica com 15%. Procurando verificar a faixa etária entre os fãs, revelou-se que a maioria deles se encontra entre a idade de 16 anos a 18 anos com 46%. Logo, em segundo lugar estão aqueles com 19 a 22 anos com 28%, sendo menor de 16 anos com 14% em terceiro lugar, ou seja, podemos inferir que a maioria dos k-poppers que utiliza a Web 2.0 para praticar suas atividades de lazer encontra-se na adolescência ou juventude. Entre outras faixas etárias ficaram: 23 a 25 anos com 8%, quase a metade do terceiro lugar; e de 26 a 29 anos e mais de 30 anos, verificamos as menores porcentagens com 3% e 1% respectivamente. Ao verificarmos que a maioria dos fãs está na fase da juventude recorremos a Uvinha (2001), o qual definiu a juventude e os esportes radicais, para analisarmos a paixão por parte dos jovens pela música e a relação com a construção de uma identidade de tribo. Embora sejam duas tribos diferentes, k-poppers e praticantes de esportes radicais, têm algumas características em comum: o objeto dos fãs proporciona uma quebra de barreiras, além de dar possibilidades à inovação, no caso dos esportes radicais a própria atividade em si, e no k-pop a música e cultura asiáticas totalmente diferentes da brasileira. Neste sentido a música pop coreana tem o poder de dar aos jovens uma ferramenta importante na busca de sua identidade, criando um ambiente onde o jovem

58

possa se descobrir e interagir com um grupo, expressando seus sentimentos. (UVINHA, 2001). Ao realizar uma pesquisa sobre a faixa etária do k-popper, a revista de fãs para fãs “KoreaIn”, a qual em um primeiro momento foi disponibilizada online e passou a circular como revista paga através de pedido em loja virtual102, recentemente em sua edição de lançamento “0” realizou entrevistas para a matéria “A música Coreana é a nova mania adolescente?” onde abordou os fãs de k-pop acima dos 35 anos, entre as entrevistadas estava a mãe de uma k-popper que acabou se apaixonando pelo estilo musical. Outro exemplo foi verificado entre os participantes de nossa pesquisa no Google docs.
Q. 257: Se não fosse pela internet não teria conhecido kpop e graças a ela pude aprender sobre as músicas, letras, vídeos, cantores, atores, dramas, enfim o mundo kpop é perfeito. Eu aos 52anos sou uma mãe kpop e cassiopéia

Existem diversas formas de inserção no mundo do k-pop, e a fim de conhecê-las algumas opções foram levantadas, a partir de observações no fandom online e também experiência empíricas em eventos. Ao questionar os k-poppers através de múltipla escolha, as opções “Internet” e “Amigos” com 78% e 50%, respectivamente, foram as que mais ocorreram. A Internet e a relação entre os amigos serão aprofundadas no próximo item, no capítulo sobre a organização dos fãs, contudo, podemos aqui ressaltar as demais opções. No que se refere à família, 11%, é possível ver uma quantidade grande de irmãos que gostam de k-pop 103, no entanto, existem também adultos e pais que por influência da juventude k-popper passaram a participar do fandom como ressaltou a revista “KoreaIn”. No que se refere ao conhecimento através da mídia, 13%, temos alguns exemplos já citados como o programa da TV “Leitura Dinâmica”, que abordou o k-pop diversas vezes devido a participação dos fãs, porém, podemos dizer que somente após o show do United Cube no Brasil no final de 2011 (devido ao mesmo ser o primeiro show em grande escala de k-pop no Brasil) é que houve um aumento significativo na quantidade das matérias sobre o estilo musical na mídia brasileira.

102

Loja Virtual – KoreanIn Store. Disponível em: http://koreainmz.wix.com/lojakoreain. Acesso em 03 de Abril de 2012. 103 Aqui coloco também a minha própria influência sobre minha irmã e conhecimento sobre meus próprios amigos os quais costumam compartilhar kpop com seus irmãos e irmãs.

59

Figura 13 - Como você conheceu o kpop? Fonte: Elaboração própria

Uma das matérias mais significativa 104 na época foi exibida pelo “Fantástico” 105 da Rede Globo por aproximadamente 3 minutos. A matéria tratou o k-pop holisticamente abordando a fama dos ídolos na Coreia e a paixão dos fãs brasileiros na fila do show e, apesar de tratar de forma simplista o fenômeno e ser muito curta, a matéria foi satisfatória no sentido de ressaltar a existência do fandom no país. Contudo, salvo as exceções, outras matérias 106 fizeram críticas ao estilo a partir de uma visão minimalista do fenômeno, fazendo com que os fãs se mobilizassem enviando e-mails como também lotando os comentários das matérias com palavras de objeção, apontando os erros e também o sensacionalismo do conteúdo. Ao falarmos sobre eventos de cultura asiática, 16%, podemos nos referir aos
104 105

Aqui colocamos a palavra significativa devido ao grande índice de audiência do programa. Matéria: Música pop sul-coreana faz sucesso entre grupos de jovens brasileiros. Audiovisual produzido por: Evelyn Kuriki, editado por: Wagner Suzuki e Fernando Nakajato. Exibido dia 18 de Dezembro de 2011. Disponível em: http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL167731415605,00-MUSICA+POP+SULCOREANA+FAZ+SUCESSO+ENTRE+GRUPOS+DE+ JOVENS+BRASILEIROS.html. Acesso em: 24 de Abril de 2012. 106 As matérias abaixo foram criticadas pelo fandom por serem baseadas em um jornalismo no mínimo simplista e sensacionalista. Lívia Machado, 14 de Dezembro de 2011. Playback, rebolado e histeria marcam festival de k-pop no Brasil. Disponível em: http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2011/12/playback-rebolado-e-histeriamarcam-festival-de-k-pop-no-brasil.html. Acesso em 17 de Dezembro de 2011. Claudia Sarmento, 30 de Abril de 2012. Com refrãos grudentos em inglês, as bandas de K-pop viram fenômeno além da Ásia. Disponível em: http://oglobo.globo.com/cultura/com-refraos-grudentos-emingles-as-bandas-de-pop-viram-fenomeno-alem-da-asia-4724856#ixzz2IbkOWVXx. Acesso em 20 de Junho de 2012. Carlos Albuquerque, 25 de Abril de 2012. Crítica: K-pop tenta reinventar o chiclete musical. Disponível em: http://oglobo.globo.com/cultura/critica-pop-tenta-reinventar-chiclete-musical4725625#ixzz1vz39HsN5. Acesso em: 20 de Junho de 2012.

60

eventos da comunidade coreana, os quais ocorrem com mais frequência em São Paulo, devido ao número significativo de imigrantes, como o: “Festival da Cultura Coreana”, que desde sua 6º edição em maio de 2011 no bairro do Bom Retiro passou a ter o k-pop como parte da programação, através de apresentações de grupos de fãs covers e também a participação do DJ MASA107, reconhecido internacionalmente por fazer remixes com músicas coreanas. No entanto, também podemos nos referir a eventos consagrados pelo público fã da cultura de entretenimento asiático como Anime Friends, Anime Party que acontecem em todo Brasil 108 , focados na tribo dos otakus (fãs de mangá e anime japoneses), os quais deram início a estas grandes reuniões e aos poucos deram espaço para os k-poppers. No passado, relacionados exclusivamente à cultura asiática, estes eventos começaram há alguns anos a receber outros fandons como: amantes de séries de TV e também amantes de livros de ficção como Harry Potter e Senhor dos Anéis, os quais não tinham muitos eventos para se promoverem. Aos poucos os eventos foram cedendo lugar para o k-pop em suas convenções, e, em suas edições no ano de 2012, muitos eventos passaram a ter expositores com produtos de kpop e também a realizar concursos de covers, uma das práticas mais recorrentes dentro do fandom.109 Apesar de abrigarem o k-pop, ainda há muitos otakus que não aceitam os k-poppers apesar de já estarem acostumados com outros fandons. Entre as opções “Outros”, 7%, apareceram uma série de atividades e produtos da Hallyu, sendo Pump It 110 (uma máquina de dança coreana) e Doramas (drama asiático) os dois mais mencionados, além de: Anime, Video Game, Revistas, Taekwondo e Sozinho.

107

O DJ MASA ou Carlos Henrique Brandão construiu sua carreira como DJ desde 2005 e entrou na cena do kpop por ser fã e, através de seus mashups tornou-se referência na Internet após milhares de visualizações. Para saber mais acesse www.masamixes.com. Acesso em 17 de Maio de 2012. 108 Disponíveis em: http://www.animefriends.com.br/ e http://www.animeparty.com.br/. Acesso em 14 de Outubro de 2012. 109 Estes depoimentos são parte do diário de campo dos eventos referidos no ano de 2011 e 2012 em São Paulo. 110 A máquina Pump It Up já tinha muita fama antes mesmo da Hallyu que vivemos atualmente e, alguns artistas da primeira geração como BoA, 1TYM, H.O.T eram conhecidos entre aqueles que dançavam. (Mii, Rádio Blast, 19 de Setembro de 2011. Disponível em: hhttp://www.radioblast.com.br/popdrops/2011/09/introducao-ao-k-pop-parte-1). Acessado em 10 de Novembro de 2012.

61

Figura 14 - Montagem efetuada pela página “REAL Otaku” no Facebook (utilizando uma imagem do grupo Girl’s Generation, colocando eventos de “cultura japonesa” como sinônimo de “eventos de otakus”). Fonte: Página REAL Otaku, gravado em 07 de Novembro de 2012.

Os k-poppers são em sua maioria jovens que conheceram o gênero musical através da Internet. Eles procuram conhecer mais sobre a cultura coreana e, assim como qualquer outra tribo trocam informações e criam uma identidade em coletividade desde o primeiro contato com o gênero musical. Logo após vencerem a barreira do “diferente” começam a pesquisar mais sobre o mundo do k-pop e constroem um conhecimento tanto off-line como online. Por muitas vezes este fandom pode sofrer com obstáculos internos ou preconceitos externos, porém, aos poucos a comunidade dos k-poppers está crescendo ainda mais, o que nos leva a pensar em como eles se estruturam.

4.3 K-POPPERS NA INTERNET: COMO SE ORGANIZAM? A Internet destaca o k-pop como conteúdo de lazer, pois seu fenômeno de expansão enquanto estilo musical somente foi possível devido à descentralização da mídia, fazendo com que, conforme coloca Santaella (2001) os fãs tivessem maior controle sobre sua comunicação.
Acredito que muitos fãs de k-pop utilizam a maior parte de seu tempo procurando novas informações sobre suas bandas ou ídolos favoritos, são praticamente devoradores de notícias. Assim como também existem aqueles que não utilizam a web com tanta frequência, são usuários normais. (HUGO,

62
online, 2012)

Para os k-poppers brasileiros, a Internet é uma das principais ferramentas utilizadas pelo fandom, sendo que a maioria de 67% utiliza “Sempre” a Internet para realizar atividades relacionadas ao k-pop; enquanto 26% utilizam “Frequentemente”, 6% “Às vezes”, mas quase nenhum k-popper utiliza “Raramente” (1%) ou “Nunca” (0%). Durante o espaço de tempo que navegam na Internet, mais da metade dos k-poppers, 55%, diz reservar a maioria do tempo para atividades relacionadas ao k-pop apesar de realizarem outras atividades. Outra parcela de fãs, 24%, costuma dividir de forma equilibrada seu tempo na Web e dedica metade do tempo de navegação a atividades relacionadas ao k-pop. No entanto, existem também os que passam todo o tempo da Web, 14%; já a minoria, porém significativa parcela de k-poppers, 7%, informou passar pouco tempo com assuntos ligados ao k-pop na Internet. Ao serem questionados: “No Brasil, qual a importância da Internet, mais especificamente a Web 2.0, no crescimento do k-pop?” 95% respondeu que a Internet é o principal meio de divulgação e por isso é extremamente importante para o crescimento do estilo no país.
Q. 77: A internet tem um poder enorme na divulgação de uma informação, logo, ela é extremamente importante não só para k-pop, mas, também para qualquer outro tipo de assunto. Hoje, através da internet uma informação pode chegar em segundos, mesmo que tenha acontecido do outro lado do planeta. Em relação a Web 2.0, eu diria que ela é extremamente importante, por nos proporcionar novas formas de participação, de interagir. Q. 97: No Brasil não há muita divulgação do K-Pop sendo que as fontes que começaram a divulgar (como o Leitura Dinamica) foram justamente por causa da internet. Na internet não tem um lugar próprio, apenas gente que fala o mesmo idioma, por isso acontece do k-pop se espalhar mais fácil (pois a cultura coreana é extremamente diferente e não são muitos que aceitam e se interessam por ela, na internet essas pessoas ficam mais próximas). Q. 132: A internet é praticamente o único meio que a maioria dos brasileiros tem para se informar sobre a cultura coreana. E sites como o Youtube, Facebook e Twitter fazem com que os artistas se aproximem mais do público, aumentando o carinho dos fãs. Q. 174: Sem a internet, e principalmente a web 2.0, acredito que o Kpop não teria praticamente força nenhuma, no Brasil e no mundo. Até por que a mídia convencional mostra super pouco de Kpop, e o que mostra é por causa da fama na internet, portanto seria MUITO difícil para conhecer e adquirir material de artistas.

63
Q. 177: Acho a internet simplesmente essencial para o conhecimento e divulgação do k-pop, pois permite aos usuários ter acesso, compartilhar vídeos, notícias, fazer mobilizações, participar de fãs-clubes, entre outras coisas [...]. Q. 191: Quando a Hallyu começou não havia divulgação de k-pop, no Brasil, por revistas, rádios, jornais, a única divulgação de k-pop aqui eram as redes sociais. Portanto, a internet foi e é bastante importante no crescimento do kpop. Q. 214: Assim como eu, muitas pessoas conheceram o kpop através da internet (muitos na época do orkut, saudades dessa época) é um otimo meio de divulgação, todos podem ter acesso ao kpop. Q. 242: A Web 2.0 tem ajudado bastante na divulgação do kpop, a cada dia páginas e páginas são criadas com o intuito de mostrar ao mundo esse grande estilo. Redes sociais estão cada vez mais acessadas e com isso, a transmissão de informações acelera e muito. Antes no Brasil, pouco se ouvia falar sobre kpop. Hoje em dia é difícil encontrar alguém que não conheça, principalmente depois do hit Gangnam Style do PSY estourar pelo mundo. Q. 288: Total. Não temos divulgação fora da internet e se o Brasil conseguiu depois de tanto tempo ter seus primeiros shows de grupos/cantores coreanos aqui foi graças a internet. Aos fãs que mostraram que existem, que tão aqui, que se esforçam mesmo de tão longe para acompanhar seus ídolos. É atráves das votações na internet, dos vídeos, covers, trabalhos dos bons sites de informação sobre KPOP aqui no país que conseguimos chamar um pouco da atenção da indústria coreana para cá. Ainda estamos engatinhando quanto isso aqui, mas não é algo impossível como achavam a uns dois ou três anos atrás. É questão de união, esforço e os brasileiros continuarem a mostrar seu amor por seus ídolos, pela Coreia. Q. 345: A Web 2.0, como recurso de interação entre k-poppers é o pilar do kpop no Brasil, mantendo essa pequena parte da população brasileira interligada, já que em muitos lugares há pouquíssimos ou quase nenhum amante de k-pop

Sobre de que formas, a Internet colaborou com o crescimento do k-pop, os fãs entrevistados por e-mail respondeu que a divulgação foi a maior beneficiada. O entrevistado Victor Hugo (online, 2012) colocou que “O acesso a internet facilitou a interação com o YouTube, um site e principal ferramenta que colaborou com a propagação do k-pop pelo mundo” e Ariane Rocha (online, 2012) reforçou que “A internet é a forma mais rápida e eficaz para se compartilhar e divulgar coisas atualmente”. As demais entrevistadas complementaram:
A Internet é o principal meio para o crescimento do K-Pop no Brasil. O Brasil é muito grande e fica difícil alcançar tantos fãs com apenas o “boca-aboca”. Foi dessa forma que o SarangInGayo e muitos outros sites voltados ao K-Pop e Cultura Coreana cresceram e se tornaram “a” fonte. (PAK, 2012, online) A importância da internet para a divulgação do k-pop no Brasil é vital. Sem

64
ela certamente, não haveria meios para que o público tivesse acesso a essa cultura. A chance de que a mídia impressa e a televisão, por exemplo, desse visibilidade a esse assunto é mínima. (PARK, 2012, online)

Ao questionar desde quando os fãs sobre acompanhavam o fandom, a maioria de respostas ficou entre 2009 e 2011, acompanhando a tendência verificada pelo Google Trends e, podendo ser indicado como um dos motivos pelos quais as novas redes sociais da Web 2.0: Facebook, YouTube, blogs, Twitter e mais recentemente Tumblr; as quais cresceram neste período, sejam mais utilizadas atualmente pelo fandom.

Figura 15 - Informação sobre o período em que os fãs conheceram o k-pop Fonte: Elaboração própria

Por meio da coleta de dados secundários na plataforma Orkut e das entrevistas, a fim de aprofundar as raízes da organização dos fãs de pop coreano na Internet no Brasil, averiguamos que um grande número de pessoas passou a ser fã no começo dos anos 2000. Por sua vez, um total de 17 participantes, em nossa pesquisa pela plataforma Google, conheceu o k-pop entre 2000 a 2005. Entre estes primeiros k-poppers estão alguns dos entrevistados nesta pesquisa, que reforçam os dados obtidos pela pesquisa ao responderem quando conheceram o k-pop.
Conheci o kpop em meados de 2000, quando um amigo coreano de uma prima nos deu um CD com músicas de diferentes artistas coreanos, como DJ DOC, Shinhwa e Baby V.O.X. (PARK, online, 2012) Em 2003 eu ouvia música pop japonesa (J-pop) e descobri a cantora coreana BoA, que tem carreira tanto no Japão quanto na Coréia. Então comecei a ler sites sobre K-pop e conhecer outros artistas. (BRANDAO,online, 2012) Entendi o que era “k-pop” em 2007, 2008 quando percebi que a música coreana estava começando a atingir o mundo ocidental. Mas já era fã desse movimento sem saber desde 1990 e alguma coisa. (PAK, online, 2012)

65

Ao pesquisarmos uma das primeiras redes sociais da Web 2.0 de sucesso entre os internautas no Brasil, o Orkut - apesar de não ser de grande expressão entre as redes sociais atualmente - verificamos o que pode ser colocado como o começo do fenômeno do k-pop na Internet brasileira. Com os anos, o Orkut viu sua popularidade decrescer e a maioria dos brasileiros começou a utilizar outros tipos de rede como o Facebook.

Figura 16 - Comparação entre Orkut e Facebook no Brasil Fonte: Google Trend

Na plataforma Orkut, uma pequena parcela de fãs brasileiros começou a organizar os fandons de seus artistas preferidos da primeira e segunda geração de k-pop. Desta forma, a comunidade virtual do k-pop começou, de acordo com Castells (2003) e Levy (2010) de forma autônoma e espontânea, nascida da real necessidade que os usuários sentiram de se conectarem com outros indivíduos fãs de k-pop. Utilizando a ferramenta de pesquisa dentro do Orkut, foi possível encontrar um pequeno grupo de fãs dos artistas da primeira geração com as comunidades: “Shinhwa” criada em: 28/06/2004 com 563 membros; “H.o.T. Style” criada em: 19/06/2004 com 288 membros, “S.E.S” criada em: 24/07/2004 com 135 membros e “Baby V.O.X” criada em: 29/08/2004 com 98 membros. 111 O k-pop começou a crescer e as comunidades também: “Korean Music” criada em: 02/11/2004 com 4.627 membros e “J-pop e K-pop” criada em: 02/07/2004 com 1.932 membros112 tinham como assuntos discussões sobre o estilo como um todo. Com o registro do proprietário e dos moderadores da comunidade “Rain / Jung JiHoon” criada em: 05/11/2004 com 1.394 membros (única entre as citadas que tem em
111

Comunidades no Orkut: Shinhwa, http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=124258; H.O.T, http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=104920; S.E.S, http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=206369;Baby V.O.X, http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=344647. Acesso em 01 de dezembro de 2012. 112 Comunidades no Orkut: Korean Music, http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=666965; Jpop e K-pop, http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=135263. Acesso em 01 de dezembro de 2012.

66

sua descrição as datas em que foi alcançando mais membros em sua comunidade), podemos inferir que apesar de ter começado com pouca participação, a comunidade de fãs de k-pop foi crescendo gradativamente.

Figura 17 - Homepage da Comunidade “Rain / Jung JiHoon” no site Orkut Fonte: Orkut do Brasil.

No que se refere à segunda geração, o número de participantes é mais impressionante: “SE7EN” criada em: 28/10/2004 com 1.521 membros, “Dong Bang Shin Ki (TVXQ-DBSK)” criada em: 01/10/2004 com 6.999 membros e “BoA Brasil” criada em: 09/05/2004 com 12.236 membros. Lembrando que o crescimento aqui é

67

entendido desde o ano de criação em 2004 até a última atualização dentro dos tópicos dos fóruns em meados de 2011. 113 Além de se organizarem por comunidades, muitos fãs se reuniam para desenvolverem sites e fóruns com seus amigos sobre suas bandas preferidas nos primeiros anos de 2000, ultrapassando o limiar de fãs espectadores para uma participação ativa. Divulgando a cultura do k-pop e Hallyu, como podemos ver no depoimento dos entrevistados:
Quando conheci o k-pop, havia poucas pessoas que conheciam até mesmo os artistas mais conhecidos na Coreia. Foi logo de início que parti para a divulgação, abrindo sites como o TVXQ Brasil, o Super Junior Brasil, dentre outros. (PARK, online, 2012) Em 2003~04 eu e mais alguns amigos resolvemos montar um site do grupo TVXQ e um fórum do mesmo grupo com o Super Junior. [...] Em 2006~07 montei o primeiro site do Big Bang no Brasil, e foi em 2008 que percebi que não eram apenas específicos artistas do K-Pop que faziam sucesso. Mas o conhecido “K-Pop” estava começando a crescer e atingir muitos fãs no Brasil e no mundo ocidental, pois até então era limitado apenas a Ásia. Então me juntei com alguns amigos que já haviam trabalhado comigo nos sites anteriores e resolvemos criar o SarangInGayo. (PAK, online, 2012) Quando comecei a ouvir K-pop havia pouca informação disponível, especialmente em português. Com o passar do tempo foi-se criando uma comunidade de fãs brasileiros na Internet e todos se responsabilizavam um pouco por essa divulgação por meio de blogs, sites, fotologs, videologs etc. O objetivo era difundir esse gênero e seus principais representantes. (BRANDÃO, online, 2012)

Entre os sites mencionados pelos entrevistados no começo dos anos 2000, a maioria não está mais ativa como: tvxqbrasil.com ou tvxq.com.br dedicados ao grupo TVXQ e since2007.net ou bigbangbr.net focados no grupo Big Bang. Porém entre os percussores na divulgação da cultura coreana, ainda se encontra ativo o blog S2iNGAYO 114, criado em 2008, além de outros. Com o tempo o número de visitas aumentou gradualmente fazendo com que a estrutura do blog crescesse e se tornasse um site: o SarangInGayo. Novos assuntos ligados à cultura coreana Hallyu e novos colaboradores foram se integrando ao site e o número de notícias postadas, assim como a procura dos k-poppers aumentou ainda mais

113

Comunidades no Orkut: BoA, http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=56527; Dong Bang Shin Ki; http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=495801; SE7EN, http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=641236; Rain / Jung JiHoon, http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=688778. Acesso em 01 de dezembro de 2012. 114 Atualmente utilizado como back-up do site SarangInGayo.

68

com os anos. Atualmente, o site figura como um dos maiores portais de notícias sobre k-pop e cultura coreana no Brasil, tornando-se referência ao conseguir integrar várias redes sociais como YouTube, Twitter e Facebook. Com o tempo a divulgação por parte dos fãs foi aumentando em todas as redes disponíveis e novos projetos de sites de notícias foram efetuados por “fãs mais recentes” como Vitor Hugo (aka iChiGo), fundador do site Kpop Brasil.
Conheci o k-pop no mês de Agosto de 2011, não me recordo o dia exatamente. Um amigo me apresentou o MV de 2NE1 cantando ‘I AM THE BEST’. A princípio, como eu ouvia muito J-Pop, pensei que era J-Pop. Então, meu amigo me corrigiu dizendo que era K-Pop e dai por diante fui conhecendo diversos grupos como Big Bang, B2ST, SNSD, Super Junior, TAra etc. [...] Eu sempre tive um sonho abrir um site com assuntos que eu realmente gosto e poder compartilhar com outras pessoas que também gostam da mesma coisa [...]. Com a excessiva paixão pelo ritmo, veio também à curiosidade de saber como era a cultura sul-coreana. Então, após descobrir o quão interessante era essa informação para um fã de k-pop, decidi abrir o K-Pop Brasil não só para aproximar os fãs, mas também compartilhar informações sobre o ritmo e também sobre a cultura sul-coreana. (HUGO, 2012, Online)

Quando questionados sobre o porquê de decidirem serem divulgadores do k-pop e da Hallyu, os entrevistados responderam serem amantes da cultura.
Por amor a ambos, tanto a música quanto a cultura, conheci a cultura através da musica, e por ser uma cultura incrivelmente diferente da nossa, é válido mostrar para quem não conhece, assim o preconceito deixa de existir e tanto a cultura, quanto o k-pop ganham mais seguidores. (SOARES, online, 2012) A Coreia é um país incrível. No Brasil, infelizmente, a cultura coreana está resumida, no momento, ao K-pop, mas espero poder ajudar a mudar isso futuramente. Decidi divulgar a cultura coreana para que as pessoas soubessem que, além do k-pop, há coisas muito melhores na Coreia! (ROCHA, 2012, Online)

Devido à forte participação de fãs na divulgação do k-pop no Brasil, muitos podem acabar trabalhando ou considerando uma obrigação. As relações de obrigação e trabalho dentro do fandom no Brasil foram encontradas quando questionamos os fãs sobre o que o k-pop representava na vida deles; a opção um “tipo de trabalho e/ou obrigação” ficou com 0% e, uma “forma de lazer” aparece com 78%, enquanto a opção “ambos” aparece com 22%. No caso dos entrevistados: Ariane e Lívia têm uma loja virtual de produtos asiáticos, Carlos se apresenta como DJ MASA regularmente e Natália trabalha no site SarangInGayo, entretanto, continuam vendo o k-pop também como uma forma de lazer. Quando questionados sobre: quais foram as principais mudanças que o k-pop

69

sofreu nos últimos; os entrevistados levantaram diferentes questões, relacionadas ao reconhecimento do gênero mundialmente, a quantidade e faixa etária dos fãs, preconceitos e também no processo de desvalorização por parte de alguns fãs do k-pop.
A primeira mudança é que ele cresceu consideravelmente Há 10 anos, não era muito difícil que quase todos aqueles que apreciassem a música coreana no Brasil se falassem pela internet. Hoje, o número de fãs cresceu assustadoramente e tente a aumentar ainda mais. Outras mudanças foram na maneira pela qual eles interagem entre si, seja por meio das redes sociais ou em mobilizações, como flashmobs, que agora acontecem com certa frequência. (PARK, 2012, Online) Referindo-se ao fandom de k-pop em geral, ele sofreu mudanças significativas na média de idade e em sua quantidade. Antes a média de idade era entre 17 e 30 anos, agora é entre 10 e 40 anos. Em quantidade não faço ideia de quantos fãs existem no mundo, mas podemos dizer que houve um crescimento muito grande após o k-pop se expandir por países que ainda não tinham contato com o ritmo. (HUGO, 2012, Online) Peguei o K-pop bem no começo mesmo. Quando tudo começou, havia muitos coreanos que diziam que os brasileiros não podiam ouvir k-pop, pois não eram coreanos. Sei de amigas que receberam e-mails com esses dizeres e achei muito triste na época. Atualmente isso não acontece mais. Já não é tão difícil encontrar pessoas que gostem de k-pop ou poder divulgar a cultura. Contudo, com este aumento, houve algumas perdas também. Antes, como ea difícil conseguir, todos valorizavam o mínimo e corriam atrás de pouco, hoje as pessoas não fazem tanta questão... (ROCHA, 2012, Online)

O k-pop enquanto comunidade articulada na Internet (seja por motivos de lazer ou obrigações/trabalho) passou a construir e promover conhecimentos sobre o k-pop e, veio crescendo muito nos últimos anos. Sendo praticamente recente para a maioria dos k-poppers esta organização é criada pelos fãs, os mais velhos e os mais novos, todos os dias. Vale lembrar que com o fandom não é criada somente uma estruturação de produção e promoção de conhecimento, mas também novas formas de lazer, tanto no online quanto no off-line.

4.4 PRINCIPAIS ATIVIDADES DOS K-POPPERS: O QUE FAZEM?

Ao verificar estudos sobre fãs de entretenimento e algumas de suas práticas, podemos classificá-las em duas principais categorias: produção de conteúdo cultural como: fanart, fanfics, covers; e consumo e construção de conhecimento como: compra de produtos, aprendizado de línguas e/ou códigos utilizados somente pelo fandom além

70

de detalhes sobre participações em dramas e/ou programas (JENKINS, 1992). Após checar com os k-poppers suas atividades na Internet, verificamos que a produção cultural, como “Fanfics” 54%, “Kpop Cover” 26% e “Fanarts” 12%, ainda não são tão significativas se comparadas ao consumo e construção de conhecimento, apesar de ganhar mais atenção, pois demonstra o engajamento dos fãs de forma mais “original”.

Figura 18 - Práticas de fã relacionadas a outros fandons de entretenimento Fonte: Elaboração própria

Entre as três atividades acima, podemos destacar o cover das coreografias das músicas de k-pop como a produção cultural que mais se diferencia de todos os outros fandoms de entretenimento.
O número de ‘cover de dança’, vídeos de fãs de K-pop que estão sendo carregados no YouTube excede em muito o número dos vídeos dos próprios cantores de K-pop. A ‘dança cover’ é um fenômeno cultural extraordinário em que os fãs imitam as danças de seus cantores favoritos [...]. Às vezes, há até mesmo dançando em equipes que mostram mais habilidade do que os próprios artistas originais e, as equipes que reinterpretam danças por conta própria. (KOCIS, 2011, p.51, tradução nossa)115

O K-cover é uma prática bastante exercida pelos fãs, que se reúnem para ensaiar coreografias, chegando a formar grupos que se apresentam regularmente em eventos e concursos como os citados, os quais podem ser produzidos pelo próprio Governo da Coreia do Sul, por Agências em atividades promocionais de seus artistas e também por
115

Original: The number of “cover dance” videos by K-pop fans being uploaded onto YouTube far exceeds the number of videos by K-pop singers themselves. The “cover dance” is an extraordinary cultural phenomenon in which fans imitate the dances of their favorite singers […]. Sometimes, there are even dance teams that show more skill than the original artists themselves, and teams that reinterpret dances on their own.

71

fãs divulgadores da cultura coreana como o “K-pop Challenge”. Apesar de ser a maioria na produção cultural, as fanfics formam um universo à parte e, aqui colocamos a opção: “Lê e Escreve”, pois buscávamos entender a fan fiction de forma introdutória. O principal tópico no que se refere à atividade em si pode ser examinado, porém, não podemos inferir se existe uma produção real, no sentido dos fãs estarem escrevendo mais que dançando ou se os mesmos estão consumindo, lendo outras estórias. As atividades de conhecimento e consumo mostraram ser mais realizadas como podemos ver: “Assistir Kdramas” 86%, “Aprender coreano” 53% e “Comprar em lojas online” 51%. Na opção “Outros” temos: cursos off-line de coreano, legenda de vídeos, canto e assistir outros tipos de programa coreanos que não incluem k-idols, além de tradução de notícias. Assistir K-drama ou Drama Coreano é uma prática que não está estreitamente ligada ao k-pop, contudo, muitos fãs conheceram o k-pop porque assistiam Doramas ou mesmo começaram a assistir porque seus ídolos também são atores. Como abordado em capítulos anteriores, devido ao “sistema de ídolos” muitos astros do k-pop também atuam ou têm outros talentos. Os ídolos constroem suas carreiras dentro do entretenimento coreano como um todo, fazendo com seus fãs também assistam seus programas. Em outros países da América Latina, Dramas Coreanos são exibidos na TV em rede Nacional116, já no Brasil temos somente um Canal privado disponível em São Paulo por uma TV a Cabo como um canal a la carte. A “TV Coreia”
117

que tem na

programação produções coreanas sem legenda e Dramas legendados em português. Somente uma pequena parcela dos fãs tem acesso a este tipo de opção para ver seus ídolos, a maioria recorre à Internet e equipes de Fansub brasileiras. Como as Fanfics, os Fansubs (fan= fãs e sub= subtilte, ou legenda) de Drama Coreano também se baseiam no empenho de fãs os quais em seu tempo livre legendam e disponibilizam Dramas e Filmes gratuitamente118 somente pelo prazer de divulgar a cultura. O ato de fansubbing é tão extenso que uma monografia poderia ser feita somente sobre este assunto, como foi feito por Bernardo (2011) em sua pesquisa sobre
116

Curiosidade: Doramas coreanos são exibidos na América Latina. Giuliano Peccilli, 17 de março de 2010. Disponível em: http://www.jwave.com.br/2010/03/curiosidade-doramas-coreanos-sao.html. Acesso em: 14 de Novembro de 2012. 117 Blog do Canal: http://tvcoreia.blogspot.com.br/. Acesso em 14 de Novembro de 2012. 118 Os quais podem ser “roubados” e vendidos como dvds em bairros como Liberdade na cidade São Paulo por exemplo.

72

as diversas formas de fansub de cultura asiática (anime e dorama) no Brasil. O conhecimento sobre a cultura coreana e os códigos colocados no último capítulo tem estreita ligação com o fato de ser autodidata no aprendizado do coreano. Geralmente esta é a forma mais rápida para o fã aprender a língua de seus ídolos, seja para poder cantar corretamente e entender o significado das letras de suas músicas preferidas ou saber pronunciar corretamente o nome de seus ídolos. Existem inúmeras opções na Internet para se aprender coreano, muitas vezes com os próprios ídolos como protagonistas em programas de TV ou em sites do Governo. Contudo, existe uma dupla barreira de lazer neste tipo de aprendizado, geralmente este conteúdo esta disponível ou é legendado por equipe de fansubs em inglês, o que inviabiliza o aprendizado de muitos que também não tem conhecimento desta língua. Outro passo para o fã é comprar os artigos dos ídolos, como ressaltam Siriyuvasak e Shin (2007, 122-123, tradução nossa): “Para que esses fãs possam maximizar as suas experiências [...] tem que mergulhar em muitos produtos culturais. Apesar de ter recursos limitados, devem de alguma forma investir na música (CD ou VCD)”. Estes produtos podem ser desde CDS e DVDS como os autores colocam até “goodies” que são produtos diversos como: fanlight (próprio do fandom de k-pop), camisetas, calendários e outros. Além de procurar saber quais são as principais atividades dos k-poppers em relação a consumo e produção, procuramos buscar algumas práticas relacionadas ao perfil do fã e também à construção de sua identidade, a fim de checar informações e algumas práticas que foram encontradas durante o processo de entrée cultural, e que surgiram como opções em uma pergunta de múltipla escolha do questionário (Apêndice A). Entre as atividades mais efetuadas pelos fãs, destacam-se aquelas relacionadas à cultura Hallyu como: “Passou a se interessar pela cultura coreana como um todo” e “Conhece e sabe pronunciar o nome de todos os integrantes das bandas que mais gosta” que ficaram empatados com a maioria das respostas com 87%. Seja aprendendo coreano para conseguir pronunciar corretamente os nomes dos ídolos ou assistindo a dramas, filmes e outros produtos da Hallyu, os k-poppers estão aprofundando seus conhecimentos sobre a cultura coreana pouco a pouco. Podemos perceber esta imersão na cultura do entretenimento coreano ao verificarmos o interesse por outras bandas de música coreana: “Conhece várias bandas e ouve diferentes tipos de k-music e não só kpop” e também “Passou a ouvir mais k-music do que outros estilos

73

de músicas” com 70% e 86% respectivamente, que validam possíveis atitudes de comprometimento que os fãs passaram a cultivar de modo a querer conhecer mais a música coreana, ampliando as possibilidades de lazer.

Figura 19 - Identidade k-popper e comportamento Fonte: Elaboração própria

No que se refere aos eventos organizados por k-poppers, “Participa de eventos organizados por k-poppers (ex: festas, encontros, eventos da cultura asiática)”, um pouco mais da metade deles participam deste tipo de atividade, 53%. Acreditamos que o número menor em comparação com outras opções deve-se ao fato de que no momento existe uma parcela maior de eventos na cidade de São Paulo em relação a outras cidades, contudo, cabe ressaltar que eventos ocorrem em todos os locais ondem existem k-poppers119.
Com a divulgação do K-pop através da Internet e nas mais diversas línguas, o fandom de k-pop cresceu e deixou de existir apenas no meio online. Os fãs se conhecem e se reúnem em encontros, baladas, flashmobs, eventos. É uma cultura ainda com padrões underground, mas com forte potencial de mercado. (BRANDAO, online, 2012)

Manter-se atualizado através de notícias é algo extremamente implícito no ato de ser um fã, todavia, notamos que o k-popper realmente se dedica nesta questão, já que 84% realiza esta atividade.
Eles querem saber todas as notícias e fofocas em primeira mão, se possível.
119

Verificado empiricamente através de diário de campo off-line e online dentro do período de 2011 e 2012.

74
O objetivo final é ser capaz de ler as respostas de seus ídolos '. [...] eles se juntam os fã-clubes. Esta é a melhor solução para obter informações, troca de opiniões e artefatos, e acima de tudo, ter um grupo de fãs com quem podem compartilhar as mesmas experiências. (SIRIYUVASAK; SHIN, 2007, p. 122-123, tradução nossa)120

Podemos perceber a partir destes dados que o k-popper ainda está conhecendo mais sobre seus ídolos e sobre a cultura coreana e consumindo produtos relacionados ao k-pop do que efetuando atitudes de produção cultural. As possibilidades de participação também são inúmeras posto que somente fique restrita a imaginação dos fãs e aos meios de comunicação que utilizem. Sobre isso, cabe ressaltar a nova forma de comunicação que proporcionou aos k-poppers crescessem em todo o mundo, seja na construção da identidade, na organização ou no número de atividades realizadas pelos fãs, a Web 2.0.

4.5. WEB 2.0 E O K-POPPER: NOVAS FORMAS DE PARTICIPAÇÃO De acordo com Castells (2003) existem dois tipos de usuários: os quais podem ser considerados como consumidores/usuários, e os produtores/usuários e é através da Web 2.0, que iremos neste capítulo descobrir esta dinâmica entre os k-poppers e verificar como os mesmos estão se apropriando das novas plataformas da Internet de modo a maximizar suas atividades como fãs no tempo de lazer, reforçando, segundo Lacalle (2010) a inteligência coletiva do fandom.
O k-popper brasileiro é muito fanático, tem vários amigos k-poppers em suas redes, publicam e compartilham lançamentos, fazem parte de alguma fanbase, entram em discussões e eventualmente se dedicam a manter páginas específicas para divulgar sua paixão. (BRANDÃO , 2012, online)

4.5.1 Blogs No que se refere à frequência de utilização de ferramentas da Web 2.0 (vide apêndice A), os Blogs aparecem em último lugar, porém a importância do blog na Web 2.0, segundo Primo (2007), está vinculada ao crescimento do poder do usuário, colocando em destaque os efeitos positivos deste tipo de relação entre usuários de

120

Original: They want to know all the news and gossip first hand if possible. The ultimate aim is to be able to read their idols’ responses to the fans. For those who cannot afford to take the lessons, either for lack of time or money, they join the fan clubs. This is the best solution to get information, exchange opinions and artifacts, and most of all, to have a group of fans with whom one can share the same experiences.

75

grupos específicos.
A progressão geométrica do número de blogs é uma recorrente ilustração da Web 2.0. Muito embora a imprensa insista em descrevê-los com meros diários online, reduzindo-os a uma ferramenta de publicação individual e de celebração do ego, os blogs transformaram-se em um importante espaço de conversação [...]. Os blogs tampouco podem ser analisados a partir de uma perspectiva massiva [...]. Através dos blogs, pequenas redes de amigos ou de grupos de interessados em nichos muito específicos podem interagir. Já a interconexão entre esses grupos pode gerar significativos efeitos em rede.

Os sites e blogs de fãs para fãs são a maior fonte de informações sobre o universo k-pop. No Brasil a maioria dos k-poppers (84%) “lê e acompanha blogs/sites em português e outras línguas (espanhol, inglês, coreano)”, porém menos da metade (47%) “comenta e compartilha artigos de blogs/sites”.
Q.257: Sigo alguns sites como o AllKpop para ver as notícias e ficar 121 atualizada. Q.66: Blogs e sites, pois reúnem as informações de uma forma mais organizada... Q.104: A ferramenta que mais utilizo são os sites e blogs, pois neles encontro tudo que preciso sobre k-pop. Q.105: Blog. Pois é lá que eu me atualizo sobre as novidades do mundo kpop. Q.173: Gosto do blog, mas as pessoas interagem e comentam muito mais no facebook. É algo mais próximo dos outros fãs.

Figura 20 – Home page do B2stBR

121

Ao colocarmos a citação dos motivos, iremos utilizar “Q” para nos referir ao Questionário e o “número” se refere ao respondente anônimo.

76
Fonte: B2stBR

Entre alguns destes sites / blogs destacam-se aqueles dedicados a grupos como: Beast B2st Brasil (www.b2stbr.com) desde 2010; 2PM Bestof2PM (www.bestof2pm.com) desde 2009. Porém verificamos que somente uma pequena parcela dos k-poppers dedica-se como “proprietário individual ou em grupo de um blog e/ou site (qualquer assunto relacionado ao kpop)”.
Q.365: Como tenho um blog sobre k-pop é o que mais uso frequêntemente e lá divulgo mais sobre os grupos, como perfis do grupo/integrantes, facts, videos e também faço posts especiais.

Participando ativamente alguns destes atualizam as notícias e escrevem regularmente nesta plataforma. A opção “escreve artigos regularmente sobre o tema k-pop (kdramas de k-idols, moda, faço tradução de letras de músicas, tradução de outras notícias, artigos originais etc)” ficou com 12%, um número significativo se pensarmos no número que respondeu ser proprietário. Todavia, cabe ressaltar que entre os respondentes devem estar aqueles que escrevem notícias por serem proprietários de blogs, e também a parcela de fãs que escreve para algum blog como colaborador através das “audições” realizadas pelos diversos sites e blogs que sempre estão à procura de novos autores e atualizadores de notícia. Alguns requisitos são necessários para ser um atualizador ou redator122, entre eles estão à disponibilidade de tempo (ligada diretamente ao tempo livre e ao lazer), além de conhecimento obrigatório de inglês e preferencialmente de coreano, posto que aproximadamente 80% 123 das notícias veiculadas em sites brasileiros de notícias sobre k-pop (aqui como exemplo: SarangInGayo, Kpop Brasil e Kpop Station) sejam traduções de outros sites como: Allkpop, Soompi e outros - conhecidos mundialmente por serem portais de fãs para fãs que publicam notícias sobre o entretenimento da Coreia do Sul fora do país na língua inglesa ou coreana. Entre o conteúdo original dos sites e blogs, estão matérias que exigem a pesquisa de várias fontes como também a relação de notícias de vários blogs e conhecimento acumulado a partir de interação dentro do fandom, as quais são postadas com menos
122

Como exemplo de uma seleção veja mais em: http://sarangingayo.com.br/2012/10/03/sarangingayoabre-novas-vagas-para-equipe-do-site-venha-fazer-parte-da-nossa-familia/. Acesso em 30 de Novembro de 2012. 123 Esta conclusão foi retirada a partir de conhecimento empírico como fã lendo notícias por mais de um ano e meio nestes três sites.

77

frequência, sendo algumas delas resultado muitas vezes de ocasiões especiais como: viagens para shows, viagens para a Coreia, presença em eventos e reuniões, além de eventos da cultura asiática. Na imersão no fandom, analisamos que entre os que blogueiam sobre moda coreana, k-drama ou alguma fanbase, os conteúdos originais a partir de suas visões são possíveis já que tratam de assuntos mais específicos.
Q.190: Blogs e sites são os que mais utilizo,porque a partir deles acompanho as notícias referentes ao mundo k-pop, k-dramas...

Apesar de blogs e sites serem as principais plataformas da Web 2.0 no que se refere a notícias, existe também uma minoria dentro do fandom k-pop que utiliza a plataforma de Fórum. Uma das principais formas de contato entre fãs em outros fandoms de entretenimento (por exemplo, American Idol e Star Treks124) os fóruns são utilizados por uma parcela das fanbases brasileiras como o “Hato Brazil” dedicado ao grupo Super Junior “vertente brasileira do Hato Family fã-clube Latino-Americano e espanhol do Super Junior”.125 Sendo assim, podemos verificar que no que se referem a blogs e sites, estes são utilizados muitas vezes como fonte de referências e notícias pelos k-poppers, os quais leem notícias e em algumas vezes comentam. A divulgação é utilizada tanto para notícias e textos originais como também por traduções de outros sites geralmente em inglês e tratam não só de k-pop, mas da Hallyu como um todo.

4.5.2 Twitter Por ser simples e rápido para se comunicar, o Twitter veio crescendo desde sua criação e, de acordo com a Semiocast (2012), os brasileiros são mais de 33,3 milhões de usuários, ocupando o segundo lugar entre os países que mais acessam a rede de microblog no mundo.126 Entre as principais razões pelas quais os k-poppers dizem utilizar mais o Twitter

124 125

Jenkins (2011) A “Hato Brazil” é uma das maiores fanbases do grupo Super Junior no Brasil e uma das poucas que utiliza a plataforma Fórum para suas atividades, onde é necessário se cadastrar para poder ter acesso ao conteúdo. Disponível em: http://www.hatobrazil.com/forum. Acesso em: 10 de Novembro de 2012. 126 Brasil é o Segundo em Número de Usuários no Twitter. Por Vinicius Aguiari, 02 de fevereiro de 2012. Disponível em: http://info.abril.com.br/noticias/internet/brasil-e-segundo-em-numero-de-usuarios-notwitter-02022012-11.shl. Acesso em 17 de Outubro de 2012.

78

estão:
Q. 79: Porque é mais ‘próximo’ do artista, posso mandar mention [escrever] pra ele, conhecer pessoas de diversos países, além de fazer homenagens usando os trending topics. Q. 81: Pois é mais rápido na transmissão de notícias, e seguindo fanbases de todo o mundo, posso receber as informações e ver fotos e videos o mais rápido possível, é praticamente em tempo real. Q. 298: O twitter, pois é uma ferramenta de fácil acesso e bastante dinâmica, e é como se fosse um grande grupo.

Entre as atividades mais efetuadas pelos k-poppers estão: “lê e acompanha os twittes sobre k-pop em português e outras línguas” e “segue os artistas/bandas e suas gravadoras, fã clubes e sites/blogs de notícias nacionais e internacionais” com 75% cada, empatando.

Figura 21 - Atividades no Twitter Fonte: Elaboração própria

Conforme a referência teórica ficou fácil identificar estas atividades, empiricamente durante a pesquisa, já que como colocam Jung (2011) e Kim (2011) as atividades no Twitter sejam extremamente exploradas.
Q. 266: Eu uso mais Twitter porque é o que eu mais gosto, é simples cabe pouca coisa em um só tweet, mas da pra entender e é muito prático, e acompanho muito as notícias do SaranginGayo. Também prefiro twitter porque é o único em que podemos seguir nossos k-idols. Q. 65: Pois consigo mais informacões de kpop, também vê o que meus bias

79
[ídolos] postam, assim me sinto mais perto deles. Q. 67: Porque me sinto ‘mais próxima’ dos ídolos coreanos, já que os tweets são eles mesmos que escrevem. Q. 69: Porque é uma coisa que se atualiza rapidamente, te dá uma noção de atualidade. Você pode ver o tweet do seu artista preferido na hora em que ele twittou. Além disso, a maioria dos artistas possuem contas no twitter, em vez do facebook, tumblr ou blogs. Q. 245: Utilizo mais o twitter para ficar informada sobre novidades no meio kpop (fotos, vídeos, notícias, etc) e também para ver o que os artistas twittam também.

Pouco foi o número de k-poppers que “criou uma conta com amigos com o propósito de divulgar exclusivamente algum assunto de k-pop (banda/artista, do blog/site proprietário), humor, fandom, grupo cover etc.” com 18%. No entanto, apesar de não serem tão participativos, podemos ver que a resposta dos seguidores deste tipo de página, como a @JewelsBrazil com 2.394 Followers, é muito grande. Como verificado ao publicar algo em seu próprio Twitter, o k-popper “retweeta” os twittes de outros usuários que escrevem sobre assuntos relacionados ao k-pop, com 65%.
Q.56: Twitter ~ tenho uma fanbase dedicada ao Super Junior Eunhyuk (@JewelsBrazil).Acredito que o twitter é o meio de divulgação mais rápido que tem, em poucos minutos traduzimos e postamos uma informação e muuuuuuitos kpoppers já ficam sabendo. É instantâneo.

Figura 22 – Perfil @JewelsBrazil, fanbase brasileira do artista Eunhyuk do Super Junior Fonte: Twitter.com

Abordado por Viana (2010), o ciberativismo no Twitter e a prática de trendar assuntos de k-pop também é frequente: “participa frequentemente de promoções e ‘trending topics’ organizados pelos k-poppers brasileiros” com 47%. Os k-poppers geralmente marcam com antecedência este tipo de atividade chegando às vezes a

80

colocar em votação o texto que será utilizado na #hashtag. Este tipo de atividade pode ser nacional, utilizado para demonstrar o interesse de determinada fanbase ou mesmo para algum tipo de assunto de interesse do fandom brasileiro como um todo, como no caso da #kpopredetv.

Figura 23 – Trending Topics do Brasil sobre o programa Leitura Dinâmica K-pop 127 Fonte: EmporioAsianWorld

Os k-poppers também estão em contato direto com os trending topics das fanbases internacionais e procuram participar das #hashtags promovidas por fãs de todo o mundo, que ocorrem quase que sempre 12 pm (horário da Coreia do Sul) do dia de um comeback, debut (ver Anexo 1) ou aniversário da banda/integrante. Acontece com mais frequência no Twitter, aparentemente, uma relação de amizade entre os k-poppers com fãs de outros países ou de outros estados do Brasil.
Q.57: Porque consigo interagir mais com k-poppers de outros países e com os artistas. Q. 68: Acho que é a mais fácil de ser usada, e é bem melhor para se comunicar com kpoppers do mundo todo. :3 Q. 88: Uso com mais frequência o Twitter, pois a comunicação com outros kpoppers (inclusive de fora do meu estado de origem) é mais rápida e ágil, e é onde se concentram a maioria dos meus contatos que também gostam de kpop. Então meu twitter é quase todo relacionado a kpop, desde o layout, bio, bg, username, etc. A maioria das pessoas que sigo são kpoppers ou k-idols e a maioria dos meus seguidores são kpoppers também. Q. 204: Porque é onde fiz mais amigos e acho o jeito mais fácil de me
127

Especial sobre K-pop no Leitura Dinâmica. Por S2ingayo em 31 de Janeiro de 2012. Disponível em: http://emporioasianworld.blogspot.com.br/2011/01/especial-sobre-k-pop-no-leitura.html . Acesso em 10 de Dezembro de 2012.

81
comunicar com eles. Q. 95: É mais facil de comunicar com kpopper do Brasil e do mundo, e é mais facil divulgar assuntos de kpop.

O k-popper discute assuntos e conversa com outros k-poppers através do Twitter, “escreve conteúdos originais sobre kpop em seus tweets” (48%). Sobre as postagens de conteúdo de k-pop, muitos fãs também citam outra vantagem do microblog, o fato de se sentirem mais livres para postarem o que quiserem sem sofrer preconceito - já que a maioria de seus seguidores também é fã.
Q. 107: Twitter, porque lá tem muitas pessoas apaixonadas por k-pop e são pessoas legais e que sempre postam atualizações das bandas de k-pop, principalmente super junior e DBSK XD E pelo menos pra mim, eu não me sinto ofendida pelo o que eu escrevo, se fosse por exemplo no facebook, tenho certeza que teria muita critica e eu prefiro evitar isso. Q. 82: [...] em relação ao Kpop o Twitter é melhor. Conseguimos ver gente que posta com mais liberdade de expressão por familiares ou amigos não saberem de sua conta no Twitter.

Poucos entrevistados disseram não utilizar o Twitter para atividades relacionadas ao k-pop (6%), mas uma significativa porcentagem não tem conta no Twitter (14%). Existem outras opções como: “utilizo para ver se os fansubs lançaram novos episódios de dorama ou não” que está estritamente ligado as atividades dos k-poppers. O Twitter é a segunda plataforma mais utilizada pelos fãs, isto se deve tanto ao fato de também ser a segunda rede social mais utilizada no Brasil como pela série de oportunidade de lazer que esta traz de diferente para o fandom. A maioria dos k-poppers acaba por somente ler e compartilhar e seguir os ídolos, porém vemos que cada vez mais estão participando, fazendo parte de trending topics relacionados ao k-pop e fazendo produção cultural com a abertura de contas focadas em seus ídolos.

4.5.3 Tumblr
Tumblr é uma plataforma de blogagem que só recentemente tem ganhado visibilidade e que se destaca por facilitar a mistura de recursos hipermodais na criação de textos para publicação on-line. O serviço permite que os usuários criem páginas pessoais com posts envolvendo formatos específicos gerados automaticamente, tais como texto, imagem, vídeo, links, citação, diálogo etc. (SACHS, 2011, p. 192)

Um novo modo de se manter atualizado no fandoms passou a ser utilizado por

82

uma parcela de fãs, o Tumblr. Em quarto lugar entre as plataformas utilizadas pelos k-poppers, esta ferramenta une os benefícios de um Blog com as facilidades de um Twitter e talvez por isso esteja ganhando fama entre o público.
O tumblr possui as seguintes características: o usuário cria sua página pessoal e pode seguir as atualizações de outras páginas e ser seguido também, além de poder dar ‘reblog’, ou seja, replicar a atualização de outro usuário. Como ele não se limita a 140 caracteres, é bastante usado como um blog convencional. (PAULA; CAMELO, 2012, p. 3-4)

Dentre as atividades mais praticadas estão aquelas muito mencionadas nas outras duas plataformas, “lê posts em português e outras línguas sobre kpop e favorita, gosta" com 51%. As opções “segue / acompanha Tumblrs que falam somente sobre kpop” com 52% e “reblogueia posts de outros Tumblrs sobre assuntos relacionados ao kpop”, com 53%, complementam a maioria.

Figura 24 - Atividades no Tumblr Fonte: Elaboração própria

Entre os k-poppers que definiram o Tumblr como a ferramenta mais utilizada nenhuma razão específica foi definida:
Q. 15: Porque é mais fácil achar informaçoes, fotos e vídeos lá. Q. 191: Porque é onde eu mais sigo pessoas que gostam de k-pop Q. 235: E o tumblr que eu uso para reblogar fotos de bandas e atores, videos e frases. Q. 280: Porque é mais fácil achar coisas relacionadas [ao kpop].

83

Q. 292: Para assuntos relacionados a kpop geralmente utilizo mais o Tumblr pois acho mais fácil achar páginas sobre o assunto.

Podemos destacar uma atividade que ocorre com mais frequência nesta plataforma, à produção gif, “cria gifs e imagens relacionadas a bandas, músicas, MV’s, vídeos etc.” com 19 %. O autor Sachs (2011, p. 194) descreve o processo de se criar uma gif: “a partir da organização de algumas imagens em uma sequência que se repete ininterruptamente na tela, gerando algo comparável a um pequeno vídeo com duração de apenas alguns segundos”. O ato de “escrever conteúdo original relacionado ao k-pop em sua dashboard” também são utilizados com frequência, 18%.
Q.43: Tumblr.Sigo vários tumblr que podem ser considerados oficiais, e tem atualizado de fotos e vídeos com mais freqüência. Além de ter gifs. Q. 198: Utilizo muito o tumblr,pois lá há muitos que gostam de kpop e eu acho um site com otimo recurso pra imagens e gif Q.113: Tumblr, acredito que lá algumas notícias chegam mais rápidas e aprecio bastante o trabalho dos tradutores e editores de imagem, a interatividade lá me atrai mais também.

Alguns dos usuários também divulgam o k-pop no Tumblr, “criou uma conta somente para falar sobre fandoms, gravadoras, artistas/bandas, sites de notícias e outras relacionadas ao k-pop (em português ou em outras línguas)” com 16%.
Q.378: Eu utilizo mais o tumblr, eu já utilizava ele antes mesmo de conhecer a cultura Koreana, agora se tornou mais fluente, tenho dois tumblr só relacionado do k pop.

Contudo, foi verificado que uma boa parcela de kpoppers ainda não está acostumada com essa rede social, pois 39% “não tem conta no Tumblr”. Outras opções foram apresentadas pelos fãs para explicar o porquê o Tumblr não faz muito sucesso como: “falta coragem pra criar e ficar atualizando... kkk” e “tenho conta, mas não entro faz tempo”. Apesar de ainda não estar em ascensão e muitos ainda não conhecerem o mesmo, o Tumblr já indica uma nova forma de participação dos fãs, algo tão dinâmico quanto o Twitter e tão informativo quanto os Blogs, que utiliza um recurso ainda não muito explorado, as gifs. A possibilidade de personalização extrema desta plataforma, sendo possível colocar músicas de fundo e outros, também faz a diferença.

84

4.5.3 Facebook Em primeiro lugar entre os k-poppers brasileiros está o Facebook. Segundo Jung (2011, online), “O crescente número de páginas de fãs dedicadas K-pop no Facebook fornece evidências de que K-pop é uma das formas mais valorizadas de conteúdo pop neste contexto”. Entre alguns dos motivos pelos quais os k-poppers colocam esta ferramenta como a mais utilizada, estão:

Q: 83: Facebook, pois a rede social é considerado um dos canais que mais ligam as pessoas no mundo, todos tem acesso ao facebook, é popular, e isso facilita receber notícias de outros países como da coréia do sul e japão. Q. 117: Facebook uso minha página pessoal para divulgar o Kpop e compartilho imagens e derivados de páginas relacionadas ao assunto. E ajudo quem conhece o mundo asiático e em especial sobre a Coreia do Sul e Kpop." Q: 170: Facebook. Porque é onde se concentram os meus amigos e conhecidos que também gostam de K-pop, permite maior interação e um modo mais rápido e organizado de divulgar informações.

O padrão de comentar, ler e acompanhar também se faz verdadeiro apesar do Facebook incluir amplas opções de participação, as atividades como: “curte” e “acompanha” páginas de fandons, gravadoras, artistas/bandas, sites de notícias etc.”, representa a maioria das respostas com 91% e em segundo, “compartilha” assuntos relacionados ao k-pop em sua “linha do tempo” (vídeos e notícias, fotos, memes etc.)” com 79%.
Q. 86: Ultimamente eu tenho usado principalmente Facebook, onde eu compartilho, comento e curto posts, tirinhas, notícias, vídeos e memes de humor relacionados a K-pop. Q. 140: Facebook. Porque a atualizaçao de noticias é mais rapida, e consigo compartilhar com amigos que gostam de kpop e comentar,curtir etc... Q. 142: pois é o que eu uso mais e onde eu passo maior parte do meu tempo. Lá,eu compartilho, curto e comento posts de várias páginas relacionadas á k-pop e afins.

Os grupos também são um caso à parte, existem muitos grupos específicos e de sites de notícias, a opção “acompanha grupos específicos (Sarangingayo, Boteco do Kpop Station) e lê os posts dos outros usuários e ‘curte’ algumas respostas”, com uma boa parcela de participação, 16%.

85

Q: 38: Facebook, devido aos grupos fica mais fácil de encontrar outros kpoppers. Q: 112: Facebook, porque dá pra fazer várias coisas, participar de conversas em grupos específicos sobre Kpop. Q: 145: Facebook por ser possível criar grupos (SHINee Brasil, Girls' Generation Brasil, etc) e ser mais fácil compartilhar mídias (fotos/vídeos) dentro da rede social. Q: 233: Graças ao Facebook pude aumentar a minha rede de amigos que compartilham do meu gosto musical, criei um grupo sobre o Big Bang, para reunir fãs (VIP's) para comentar sobre o grupo, sem falar que o Facebook é uma rede social bastante utilizada por todos, inclusive pelas agencias coreanas.

Além destas opções, notamos empiricamente, assim como no Twitter, que o relacionamento entre amigos k-poppers é algo muito destacado pelos fãs.
Q: 58: Facebook, porque nele possuo muitos amigos Kpoppers (que conheci através do face) e comentamos, curtimos e falamos muito sobre o mundo Kpop Q: 103: Facebook, pois é a mais utilizada no momento e la eu tenho meus amigos também Kpoppers para poder discutir sobre musicas, bandas e estilos de MV'S. Q: 123: Facebook, pela facilidade de acesso à informações (principalmente sobre kpop), bem como novas amizades. Q: 158: Eu utilizo mais o facebook por ser um meio de compartilhamento e uma forma de socializar com outros kpoppers e assim compartilhar experiencias e fazer amizades.

Os eventos dentro do fandom - sejam de concurso, promoções, shows -, são amplamente divulgados no Facebook. E pela opção “Eventos” é fácil compartilhar e também fazer a previsão de participantes. Até mesmo trending topics que são atividades do Twitter são marcadas por esta ferramenta da rede social.
Q: 18: Facebook, porque é mais fácil encontrar kpoppers por lá, e saber sobre encontros, promoções e outras coisas. Q: 23: Utilizo para compartilhar gravações e fotos relacionadas a K-POP e do meu Grupo Cover, para divulgação de eventos e poder ver as publicações dos outros.

Uma pequena parcela respondeu moderar ou que “criou uma conta de perfil” no Facebook ou “criou uma página” para divulgar o kpop com 10% e 15% respectivamente, porém, muitos informaram divulgar o k-pop ao responderem

86

qualitativamente sobre o Facebook.
Q: 160: O facebook, pois sou moderador de uma page dedicada ao K-Pop. Q: 195: Facebook, para promover meu grupo de dança e a fanbase de kpop em geral do meu estado. Q: 221: Utilizo bastante o Facebook onde eu sigo perfis relacionados a kpop e sou moderadora de uma página relacionada a um grupo de k-pop.

Existem páginas como as citadas como VidadeKpopLover e Kpopteria (Apêndice A) que foram curtidas por milhares de fãs, o que significa que estas páginas têm grande audiência. Ao procurarmos demonstrar a grande quantidade deste tipo de participação, fizemos uma busca simples no espaço de busca do Facebook com as palavras: Kpop Brasil, obtivemos vários Perfis, Páginas e Grupos brasileiros.

Figura 25 – Resultado de Pesquisa das palavras: Kpop Brasil, opção páginas.

87
Fonte: Facebook

Entre a opção “Outros” apareceram: “Tenho uma fanbase específica sobre kpop, Ajudo fanbase de Kpop (BIGBANG), não criei, mas eu ajudo em uma página no Facebook”. Apesar de ser a plataforma mais utilizada, o Facebook ainda é pouco explorado pelos k-poppers no sentido de aprofundarem suas vivências de lazer, ficando muitas vezes presos a atividades de rotina, como: compartilhar e ler posts, não comentando de forma representativa. Contudo, há um crescimento no número de páginas sobre k-pop as quais acabaram por elevar o nível de participação dos fãs – lembrando que aqui não estamos levando em conta a qualidade ou quantidade de conteúdo produzido pelas mesmas.

4.5.4 YouTube O YouTube é a terceira plataforma mais utilizada pelos k-poppers brasileiros e, se destaca entre as outras ferramentas da Web 2.0 por ter revolucionado a divulgação do k-pop ao ser uma fonte não só visual, como também a maior forma de promoção musical do gênero.
YouTube como promotor do K-Pop não se limita à promoção e divulgação da música. Numa era em que o YouTube é uma importante fonte de música, conteúdo musical que inclui não apenas aspectos de áudio, mas também visuais que fluem e contam uma história. Em vez de depender apenas das letras, que apresentam limitações devido a diferenças linguísticas, o K-Pop de hoje coloca mais peso em componentes visuais, como coreografia e moda. [...] As pessoas já não simplesmente assistir a vídeos de música por estrelas pop, eles copiá-los e fazer o seu próprio conteúdo para fazer o upload para a Internet. (KIM, 2011, p. 44-45, tradução nossa)128

Utilizado pelos fãs principalmente para a visualização de vídeos, shows e programas em que os ídolos participam, além de ser um espaço em que os fãs podem interagir ao compartilhar e produzir seus próprios vídeos e conteúdos audiovisuais, a preferência pelo YouTube é indicada pelos fãs:
128

Original: YouTube’s role in promoting K-Pop is not confined to promotion and the spreading of music. In an era when YouTube is a major source of music, musical content includes not only audio aspects but also visuals that flow and tell a story. Instead of depending solely on the lyrics, which present limitations owing to language differences, the K-Pop of today puts more weight on visual components like choreography and fashion. [...] People no longer simply watch music videos by pop stars; they copy them and make their own content to upload to the Internet.

88

Q.09: youtube, é a ferramenta direta para acesso de music videos e outros programas relacionados ao kpop. Q. 147: youtube: para ver os MVs, aprender coreografias e letras alem de ver meus ídolos. Q. 219: YouTube, pois é possível ver desde notícias a mvs, debuts e comebacks; além disso, pode-se compartilhar os vídeos em redes sociais pelo próprio YouTube. Q. 327: youtube esculto varias bandas de kpop e vejo vídeos para aprender a pronunciar os nomes dos integrantes.

A participação no YouTube é grande, todavia, as atividades que mais se destacam são as “conformistas”, que estão no primeiro estágio para um desenvolvimento crítico, como: “está inscrito e acompanha canais relacionados ao k-pop (gravadoras, banda/artista oficial, fandoms, humor e vlogs)” com 83%, “assiste vídeos de todos os tipos que sejam relacionados ao k-pop (MV’s, Programas de Variedades, Fancans, Programas Musicais como Inkigayo e Music Bank)” com 91% e a opção, “gosta, comenta e também compartilha vídeos de kpop” ficou com 79%.
Q.72: Youtube, para ver os vídeos, MVs, apresentações de TV, etc... Conhecer primeiro visualmente como um todo. Q. 84: Youtube, porque nele eu posso vê meus artistas preferidos, vê as caras deles, escutar a voz deles, escutar as risadas deles e partilhar ou não as emoções deles, e sofrer um pouquinho por está tão longe deles! Q. 300: Quando estou no youtube passo a maior parte do tempo assistindo vídeos de k-pop ,MV's,shows ,doramas,programas de variedades com os kidols .Porque eu realmente gosto bastante da cultura coreana e asiática em geral,mas tenho uma preferencia pelo k-pop. Q. 387: YouTube, pois além de ter acesso aos MV's, tbm consigo assistir vários programas relacionados a Coreia.

Ao estarem inscritos nos canais das gravadoras, os fãs podem ter acesso mais rápido ao conteúdo postado.
Q. 289: [...] Muitas vezes fico esperando pelo lançamento dos mvs nos canais oficiais das agências coreanas. Q. 341: Youtube. Porque costumo acompanhar lançamentos de MVS, ver vídeos dos artistas em programas de tv, show s gravados por outras pessoas etc.

89

Sendo assim, a maioria das práticas é restrita quando falamos sobre a produção cultural, a qual é incipiente e está relacionada majoritariamente ao aprendizado de coreografias, pois 21% “faz upload de vídeos originais no seu canal pessoal (gravação de evento kpopper, fancans, coreografias cover etc.)”. Conforme Jenkins (2011, p.216) a atividade de produzir vídeos relacionados ao fandom é muito comum entrem os fãs, “[...] há muito tempo as mulheres produzem “clipes musicais” editados com imagens de filmes, programas de televisão e música pop”. O k-popper também gera conteúdo relacionado ao audiovisual de seus ídolos, 15%, “produz vídeos para seu canal pessoal (seleção de fotos temáticas, MV’s fanmades, paródias etc.)” e 11% “cria um canal específico para conteúdo de vídeos originais (vlogs, grupo cover, blog/sites, fansub de mv’s e programas de variedade)”. Entre as opções relacionadas a estas práticas, são citados os vlogs que geralmente expõem uma visão pessoal sobre k-pop ou atividade de participação como: desembalar cds e reações para um mv, debut ou comeback; contudo, os vídeos mais frequentes são aqueles que dizem respeito à barreira de lazer provocada pela língua, como os k-covers, já que não conseguindo compreender a língua muitas vezes seria “mais fácil” aprender os movimentos das coreografia das músicas. Os k-ccovers são amplamente divulgados entre a comunidade k-popper, porém o número de canais específicos e o envio de covers ainda não são tão significativos. Após a pesquisa, podemos inferir que este tipo de atividade está diretamente ligado à exposição dos dançarinos, ao contrário de outras atividades como: vídeos, blogs, e fansubbers, os quais podem utilizar de outras identidades (e que geralmente o fazem), e por isso o número de participantes ainda não seja tão grande. Por meio dos fansubers (os quais podem ser equipes ou mesmo individuais), os fãs de k-pop ajudam a divulgação por meio da tradução (do espanhol, inglês ou coreano assim como nos blogs) de MV’s, shows e programas de variedade. O suporte desta atividade ocorre entre os fãs, seja para aprender letras ou saber o significado do que os ídolos estão falando.
Q. 41: Youtube, porque tenho um canal no qual posto versões de k-pop em português. Q. 177: Youtube, tenho uma conta específica onde apesar de apenas compartilhar videos de k-pop, me relaciono com pessoas do mundo inteiro que gostam de k-pop, pois como meus primeiros vídeos que assisti foram em español, pois na época a música coreana não era tão divulgada como hoje, continuo a assistir vídeos nessa língua. Então para mim é muito maravilhoso, conseguir além de compartilhar vídeos, comentar nos canais, responder

90
perguntas relacionadas a k-pop principalmentes de pessoas que estão ingressando nesse mundo, e assim a minha maneira consigo divulgar o k-pop. Q. 289: No youtube tento acompanhar os vídeos upados por fansuber em inglês, espanhol e português.

Apesar de ser colocada como terceira plataforma da Web 2.0 mais utilizada, acreditamos que a importância do YouTube na divulgação do k-pop no Brasil seja tremenda. Como abordado no primeiro capítulo, somente através do Youtube, é que o gênero o k-pop cresceu. Ao passo que muitos conheceram o k-pop por meio desta plataforma, como alguns dos nossos entrevistados por e-mail ressaltaram, podemos analisar que apesar de estar na terceira posição no que se refere à participação dos usuários em produção ou rede social, esta plataforma seja a primeira em divulgação no país e no mundo.

91

CONSIDERAÇÕES FINAIS
O k-pop em termos de conhecimento fora da Ásia é recente, obtendo crescimento significativo somente no começo dos anos 2000 por meio da expansão da Hallyu. Já na Segunda Onda ou “Asian Stars”, a comunidade de k-poppers brasileiros se iniciou de forma incipiente em meados desta época, por meio de comunidades na rede social Orkut. O crescimento da comunidade virtual k-popper, a qual já se baseava na plataforma da Web 2.0, assim como em outros países, tornou-se ainda maior com o boom do YouTube em meados de 2009. Desde então, o estilo musical ganhou popularidade no Ocidente e nas Américas e, apesar do fandom de k-pop no Brasil ser muito novo, demonstra estar crescendo muito ao verificarmos uma série de atividades: flashmobs, participação na divulgação do k-pop com as fanbases, portais de notícias, produção conteúdo cultural relacionado ao fandom, etc. A hipótese baseada em uma experiência desta pesquisadora, “A internet facilitou a divulgação do k-pop, fazendo com que o mesmo cresce-se no Brasil” foi confirmada a partir do questionamento dos fãs. A Internet provou-se ser a mídia onde a maioria dos fãs teve seu primeiro contato com o gênero musical, além de ser a maior fonte de divulgação na atualidade. A outra hipótese deste estudo também foi confirmada, “todos os níveis do lazer podem ser encontrados em atividades dos k-poppers na Web 2.0, no entanto, a maioria ainda se encontra no gênero conformista”. Entre as atividades efetuadas pelos fãs, apesar de se basear majoritariamente em atividades tidas como conformistas: ler notícias, compartilhar vídeos, seguir ídolos no Twitter, comprar cds e outros, contudo, o k-popper está começando a aprofundar aos poucos sua participação, através de um nível criativo, fazendo: fansubs, aprendendo coreano, fazendo k-covers, entre outros. No que se refere aos fãs que já chegaram a um nível crítico, em grande parte são os mais antigos na comunidade e que organizam eventos ou divulgam o k-pop como os questionado por e-mail: através de mashups (Carlos Brandão aka DJ Masa), revistas especializadas (Lily Park) sites (Nathália Park e Victor Hugo) e na venda de produtos (Ariane Rocha e Lívia Soares). Durante a pesquisa verificamos que além das atividades da Web 2.0, as quais foram o foco desta pesquisa, existem várias atividades praticadas pelos k-poppers tanto online quanto off-line. No que se refere aos interesses culturais do lazer e o k-pop, podemos dizer que a classificação, a qual não busca ser rígida, pode ser vista:

92

Intelectuais: FanFics, Aprender Coreano; Manuais: FanArt, Videos de bricolagem (ex: Paródias e Fansubs), Gifs/Memes, Sociais: Participação em Redes Sociais na Internet, Eventos Off-line e Online, Encontros, Shows e Flashmobs; Artísticos: Canto, K-cover, FanArt; Físicos: K-cover e Flashmobs e Turísticos: Viajar para participar de eventos kpop como shows. Buscando introduzir o assunto K-pop, bem como as possibilidades de apropriação dos fãs do espaço da Internet e experimentação das ferramentas da Web 2.0 no tempo de lazer, este estudo conseguiu expandir a discussão sobre atividades de lazer na Internet bem como descobrir uma série de fãs bastante apaixonados e que apesar de não muito participativos ainda, estão aos poucos construindo uma identidade em conjunto e visivelmente estão progredindo para um fandom mais organizado e participativo, tanto online como off-line, no sentido mais amplo e significativo possível dentro da cultura do fã. Acreditamos que este estudo tenha contribuído para os estudos do lazer posto que elucidassem as possibilidades de organização e também de participação dentro de uma cultura fechada, a qual pode servir de paralelo para demais pesquisas que tenham como foco comunidades virtuais e suas atividades. Assim como Schwartz e Moreira (2007) as quais evidenciam a ampla possibilidade da Internet enquanto espaço de lazer, nós colocamos aqui a cultura fã de entretenimento como um campo de estudo necessário no lazer, para que assim como na comunicação possa-se aprofundar os conhecimentos sobre as diversas formas de participação possíveis neste espaço, pois como Jenkins (2011) coloca, os fãs de entretenimento são os primeiros no que se refere às novas formas de interação e comunicação nas novas tecnologias. O universo dos fãs de k-pop do Brasil, assim como as possibilidades de lazer na Web 2.0, foi descrita de modo a começar as discussões, no entanto, existem muito a ser aprofundado em ambos os assuntos, seja no que diz respeito a cada atividade de produção cultural efetuada pelo fandom como: fansubers, aprender coreano, k-covers; como também atividades nas redes sociais: as discussões sobre os ídolos, como é efetuada a organização e a estrutura de uma fanbase, página no Facebook, vlog no YouTube, estrutura dos blogs etc. Na área do lazer, podemos dizer que seria apropriado um aprofundamento maior no aspecto off-line com foco nos eventos de kpop que estão crescendo atualmente, bem como uma pesquisa sobre as barreiras de lazer e educação para e pelo lazer no fandom.

93

REFERÊNCIAS AMARAL, Adriana. Autonetnografia e inserção online: o papel do pesquisador-insider nas práticas comunicacionais das subculturas da Web. Revista Fronteiras - estudos midiáticos. Vol. 11 Nº 1 - janeiro/abril 2009. AMARAL, Adriana; NATAL, Geórgia; VIANA, Luciana. Apontamentos metodológicos iniciais sobre a netnografia no contexto pesquisa em comunicação digital e cibercultura. INTERCOM – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XXXII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Curitiba, PR – 4 a 7 de setembro de 2009. AUXÍLIO, Thaís. A criação de comunidades online de fãs: um estudo da série britânica “Doctor Who”. INTERCOM – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XXXV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Fortaleza, CE – 3 a 7/9/2012. ANTUNES, Scheila E; PIRES, Giovani De L. Revisitando os Interesses Intelectuais do Lazer Mediante as Inovações Tecnológicas de Informação/Comunicação. In MARCELLINO, Nelson C. (Org) Lazer e Cultura. Campinas – São Paulo: Editora Alínea, 2007. BERNARDO, Mário Henrique P. Subtitulando: O Universo dos Legenders e Fansubbers no Brasil. Monografia apresentada como trabalho de conclusão do curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Comunicação Social, área de Jornalismo. Faculdade Cásper Líbero, 2011. BUHALIS, Dimitrios. In JENKINS, John M; PIGRAM, John J. Encyclopedia of Leisure and Outdoor Recreation. Routledge, Taylor & Francis Group: Londres, 2003. BULL, Chris; HOOSE, Jayne; WEED, Mike. An Introduction to Leisure Studies. Edinburgh Gate, United Kingdom: Pearson Education Limited, 2003. BRANDÃO, Carlos Brandão aka DJ MASA, Entrevista Online, 2012. CAMARGO, Luiz O. L. O que é lazer? São Paulo: Brasiliense, 1986. __________, Luiz. O. L. Educação para o lazer. 4ª. ed. São Paulo: Moderna, 1998. v.1 __________, Luiz O. L. Sociologia do Lazer. In ANSARAH, Marília G. R. (org) Turismo, Como aprender, com ensinar, 2. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2004. CASTELLS, Manuel. A Galáxia da Internet: Reflexões sobre a Internet, os Negócios e a Sociedade. Rio de Janeiro: Zahar, 2003. CHOE, Sang H; RUSSELL, Mark. Bringing K-Pop to the West. The New York Times. 4 de Março de 2012. Disponível em: http://www.nytimes.com/2012/03/05/business/global/using-social-media-to-bringkorean-pop-music-to-the-west.html?pagewanted=all. Acesso em 20 de Julho:

94

COSTA, Adenilson S. V; ALMEIDA, Daniel V. Reflexões sobre as novas configurações espaciais: a emergência do ciberespaço e suas implicações sobre o espaço urbano. 2009. Disponível em: www.bocc.ubi.pt. Acessado em: 05 junho de 2011. CORRÊA, Cynthia H. W. Comunidades virtuais gerando identidades na sociedade em rede, 2004. Artigo disponível em: http://www.uff.br/mestcii/cyntia1.htm. Acesso em: 03 nov 2010. CORRÊA, Cynthia H. W. Interação social da comunidade científica no ciberespaço: estudo da lista de discussão ABRH-Gestão. UFRGS. Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação. Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação, 2005. Disponível em: http://hdl.handle.net/10183/4244. Acessado em: 05 nov 2010. DUMAZEDIER, Joffre. Valores e conteúdos culturais do lazer. São Paulo: SESC, 1980. _____________, Joffre. Toward a society of leisure. New York, NY: The Free Press, 1963. FRAGA, Elisangela A. M; SILVA, Cinthia L. Comunidades Virtuais de Internet: Atualização do Debate Sobre Lazer. Licere, Belo Horizonte, v.13, n.4, dez/2010. GAMA, Dirceu R. N. Jogos no Ciberespaço: reflexões sobre uma prática emergente de lazer a partir do imaginário social. Impulso, Piracicaba, 16(39): 53-67, 2005 GOMES, Christiane L. (Org). Dicionário crítico do lazer. Belo Horizonte: Autêntica, 2004. HALL, Rob, Leisure Research. In. JENKINS, John M; PIGRAM, John J. Encyclopedia of Leisure and Outdoor Recreation. Routledge, Taylor & Francis Group: Londres, 2003. HENDERSON, Karla A; BIALESCHI, M. Deborah; HEMINGWAY, John L; HODGES, Jan S; KIVEL, Beth D; SESSONS. H. Douglas. Introduction to recreation and leisure services. 8º Edition. State College, USA: Venture Publishing, 2001. HELLEKSON, Karen. Fan Studies 101. SFRA Review, n. 287 Winter 2009. HUGO, Vitor. Fundador do site Kpop Brasil. Entrevista Online, 2012. JUNG, Sun. K-pop, Indonesian fandom, and social media In. REID, Robin Anne; GATSON, Sarah N. Race and Ethnicity in Fandom. Transformative Works and Cultures. is an online-only Gold Open Access. Vol 8, 2011. JENKINS, Henry. Cultura da Convergência. 2. Ed. São Paulo: Aleph, 2009. JENKIS, Henry. Textual Poachers: television fans and participatory culture. – Routledge, New York – 1992.

95

JUNG, Sun. 2011. K-pop, Indonesian Fandom, and Social Media. In "Race and Ethnicity in Fandom," edited by Robin Anne Reid and Sarah Gatson, special issue, Transformative Works and Cultures, no. 8.doi:10.3983/twc.2011.0289. KIM, Yoon-mi. K-POP: A New Force in Pop Music. Korean Culture and Information Service. Republic of Korea, Korean Culture No.2, 2011. KOCIS. The Korean Wave: A New Pop Culture Phenomenon. Korean Culture and Information Service. Republic of Korea, Contemporary Korea No.1, 2011. LACALLE, Charo. As novas narrativas da ficção televisiva e a Internet. Matrizes Ano 3 – nº 2 jan./jul. 2010. LEVY, Pierre. Cibercultura. 3. Ed . São Paulo: Ed. 34, 2010. MARCELLINO, Nelson C. Lazer e Cultura: Algumas aproximações. In MARCELLINO, Nelson C. (Org) Lazer e Cultura. Campinas – São Paulo: Editora Alínea, 2007. _____________, Nelson. C. Lazer e Educação. 13. ed. Campinas – SP: Papirus, 2008. _____________, Nelson C. Estudos do Lazer: uma introdução. 3. ed. São Paulo: Autores Associados, 2002 MALINI, Fábio. Crítica à web 2.0: Controle e autonomia do comum na internet. 2008. Disponível em: http://www.cencib.org/simposioabciber/PDFs/CC/Fabio%20Malini.pdf. Acesso em: 05 nov 2010. MARINHO, Alcyane e PIMENTEL, Giuliano G. A. Dos Clássicos aos contemporâneos: revendo e conhecendo importantes categorias referentes às teorias do lazer. In PIMENTEL, Giuliano G. (Org.) Teorias do Lazer. Maringá: Eduem, 2010. MELO, Victor A; ALVES JUNIOR, Edmundo D. Introdução ao Lazer. Barueri, SP: Manole, 2003. MONTEIRO, Camila. Fandom: cultura participativa em busca de um ídolo. Revista Anagrama: Revista Científica Interdisciplinar da Graduação. Ano 4 - Edição 1 – Setembro-Novembro de 2010. MOTA, Talita de Cássia.J-Rockers K-Poppers C-Poppers – Comunicação,mídia, cultura e jovens. Monografia (Graduação)–Universidade EstadualPaulista “Júlio de Mesquita Filho”. Faculdade deArquitetura, Artes e Comunicação, Bauru, 2009. NIKUNEN, Karina. The Intermedial Practises of Fandom. Nordicom Review 28 (2007) 2, pp. 111-128. PADILHA, Valquíria. Tempo livre e capitalismo: um par imperfeito. Campinas, SP: Alínea, 2000.

96

PAK, Natália. Fundadora do site SarangInGayo. Entrevista Online, 2012. PARK, Lily. Editora chefe da Revista online SkaKin Pop, Entrevista Online, 2012. PALHARES, Marcelo Fadori Soares et al . Lazer, agressividade e violência: considerações sobre o comportamento das torcidas organizadas. Motriz: rev. educ. fis., Rio Claro, v. 18, n. 1, Mar. 2012 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S198065742012000100019&lng=en&nrm=iso>. Acesso em 09 Dec. 2012. http://dx.doi.org/10.1590/S1980-65742012000100019. PRIMO, Alex. O aspecto relacional das interações na Web 2.0. E- Compós (Brasília), v. 9, p. 1-21, 2007. ROCHA, Ariane. Fundadora do JYJ Brasil e Asian Mix Store, Entrevista Online, 2012. ROBINSON, J. How Americans use Time. NewYork, NY: Praeger Pub. Inc, 1977. REQUIXA, Renato. Sugestões de diretrizes para uma política nacional de lazer. São Paulo, SESC, 1980. SÁ, Simone P. Fanfictions, comunidades virtuais e cultura das interfaces. INTERCOM – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XXV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Salvador/BA – 1 a 5 Set 2002. SANTAELLA, Lúcia. Da cultura das mídias à cibercultura: o advento do pós-humano. Revista FAMECOS • Porto Alegre • nº 22 • dezembro 2003 • quadrimestral. Disponível em: http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/revistafamecos/article/viewFile/3229/24 93. Acesso em 20 de Novembro de 2012. SANTAELLA, Lúcia. Navegar no ciberespaço: o perfil cognitivo do leitor imersivo. São Paulo: Paulus, 2004. SESSOMS, H. Douglas; HENDERSON, Karla A. Introduction to Leisure Services. 7º Edition. State College, PA: Venture Publishing, 1999. SILVA, Débora A. M [et al]. Importância da Recreação e do lazer. Brasília: Gráfica e Editora Ideal, 2011. SIRIYUVASAK, Ubonrat; SHIN Hyunjoon. Asianizing K-pop: production, consumption and identification patterns among Thai youth. Inter-Asia Cultural Studies. London. Taylor & Francis, Volume 8, Number 1, 2007. SHIM, Doobo. Hybridity and the rise of Korean popular culture in Asia. Media, Culture & Society. Sage Journals, January 2006 vol. 28 no. 1 25-44. Versão online: http://mcs.sagepub.com/content/28/1/25. SHIN, Hyunjoon. Have you ever seen the Rain? And who’ll stop the Rain ?: the

97

globalizing project of Korean pop (K-pop). Inter-Asia Cultural Studies. London. Taylor & Francis, Volume 10, Number 4, 2009. SOARES, Lívia Soares. Fundadora do JYJ Brasil e Asian Mix Store. Entrevista Online. 2012. SCHWARTZ, Gisele Maria; MOREIRA, Jaqueline C. C. O Ambiente Virtual e o Lazer. In MARCELLINO, Nelson C. (Org) Lazer e Cultura. Campinas – São Paulo: Editora Alínea, 2007.
VEAL, A. J. Metodologia de pesquisa em lazer e turismo. São Paulo : Aleph, 2011. – Série turismo.

VIANA, Juliana A. Animação Cultural e Práticas de Lazer na Internet: Aproximações. Licere, Belo Horizonte, v.10, n.3, dez./2007. ______, Juliana A. Lazer e Tecnologias da Informação e Comunicação (TICS): Desafios para Pensar a Animação Cultural na Rede - Um Estudo da Comunidade estudiolivre.org. Licere, Belo Horizonte, Vol.13, n.2, jun/2010. ______, Juliana A; CAMPAGNA, Jossett. Lazer e interação humana no ambiente virtual. Motriz, Rio Claro, v.12 n.2 p.175-178, mai./ago. 2006. ______, Juliana A; MELO, Victor A. Lazer Engajado? – Reconhecendo Algumas Práticas Ciberativistas – Uma Análise das Ações em Torno da Tag #Meganao no Twitter. Licere, Belo Horizonte, v.12, n.4, dez./2009.

98

ANEXOS
Dicionário K-pop por SarangInGayo Por: Natália Pak em 22 de Maio de 2012 Fonte: SarangInGayo.com.br Como qualquer outra “tribo”, o K-Popper tem seu próprio dicionário. O SarangInGayo separou algumas das palavras mais usadas pelos fãs de K-Pop hoje em dia e foi atrás de cada significado para quem quiser entender melhor essa “nova mania”.

● AeGyo (애교): É o ato de fazer expressões fofas para conquistar ou cativar alguém ou algo. Muito presente em dramas coreanos e programas de TV. A palavra deriva dos caracteres chineses “Amor (ae)” e “Belo (gyo)”. Se lê como ÉGUIÔ. ● Aigo (아이고) – expressão que principalmente mostra frustração e exaustão, algo com o efeito de “Ai, e agora?”. Se lê como AIGÔ. ● Bias – Palavra em inglês para definir seu favoritismo quanto a um grupo ou integrante. Não é um termo exclusivo dos fãs de música coreana. Exemplo: “A minha bias do SNSD é a TaeYeon!” ou “O meu grupo bias é o 2NE1!” Se lê como BÁIAS ● Big Three – SM Entertainment, YG Entertainment e JYP Entertainment. São as três companhias que vem dominando a indústria da musica, produzindo os artistas com mais sucesso. ● Comeback – Termo usado quando o artista/grupo volta as atividades promocionais após uma pausa. Ex: “Big Bang realiza seu comeback após 10 meses se preparando para novo disco“. ● Daebak (대박) – termo usado para indicar uma grande vitória ou grande sucesso, mas também tem o significado geral de “Muito bom”, “Incrível” ou “O melhor”. Geralmente quando se fala Daebak, se ergue os dedos polegares para expressar melhor a felicidade. Se lê DÊBAK (mas quase não se pronuncia o K no final, sendo DÊBÁ falando rápido) ● Debut – é o termo usado para indicar a estreia de um grupo. Exemplo: “O BTOB fez seu debut recentemente”. Se lê como DEBÍ em coreano. ● DongSaeng (동생)- termo usado para chamar a pessoa que é mais nova que você, se

99

encaixando em ambos os gêneros. “Ele(a) é meu (minha) dongsaeng“, pode significar “Ela é minha irmã mais nova” ou “Ela é minha amiga mais nova“. Se lê como DÔNSÊN (não se lê o G no final, pois o som sai com uma vogal mais arredondada) ● Fandom – Palavra muito usada por fãs de todo mundo, inclusive os de música coreana. É derivada de “Fan Kingdom” e se refere a um grupo de fãs, sendo de um cantor, programa de TV ou série de livros. Exemplo: “Meu fandom é Cassiopeia!” ● Fanfic – a abreviação do termo em inglês fan fiction, ou seja, “Ficção Criada por Fãs”. São histórias que os fãs escrevem sobre seus ídolos. O estilo de fanfic mais comum é o romance, que envolve o ídolo e outros artistas, e até mesmo o próprio leitor ou o autor. ● Fanmeeting – muito comum com os artistas coreanos, é o encontro de fãs. Além de conter uma interação com o público (seja por quiz de perguntas e respostas ou jogos como do pepero-kiss), o artista realiza uma breve apresentação. É geralmente utilizado para promover algum disco ou produto do artista. ● Full-length Album/Album – é um disco completo, menos utilizado no mundo do KPop, sendo o tipo de disco mais conhecido mundialmente. Tem normalmente entre 10 e 14 musicas, sendo que parte dessas pode ser versão instrumental de outra faixa. ● Hallyu (한류) - também conhecido como “Onda Hallyu“, é um termo usado para designar a expansão que da cultura coreana pelo mundo. Quando alguém fala “Hallyu Star” leva o significado de “Artista Internacional/Global (fazem fama fora da Coreia)“. Se lê como RANLIÚ. ● HooBae (후배) – O mesmo significado de “Bixo” para quem acabou de entrar na faculdade. É usado também para denominar os “novatos” em alguma área, seja educacional, na indústria musical ou no profissional. Exemplo: “SHINee apoiou seu hoobae EXO, os ensinando como agir na industria musical“. Se lê como RUBÉ. ● Hyung (형) – Termo usado por garotos para designar outros garotos que forem mais velhos. O significado original é “Irmão mais velho”. Se lê como RIÓN. ● Hwaiting/Fighting (화이팅/파이팅)- é uma forma de incentivo. Significa algo com o efeito de “Boa sorte!” ou “Você Consegue!“. Similar ao japonês “Ganbare”. ● Leader – Líder: integrante responsável por representar o grupo. Na maioria da vezes é este membro que falará em apresentações, agradecimentos, conferências de imprensa e outros eventos. Geralmente é o membro mais velho do grupo e é escolhido pela empresa devido a sua responsabilidade já que cuidará dos outros membros, servindo de exemplo de como devem se portar. Exemplos: Sunggyu (Infinite), Hyosung (Secret), SeungHo (MBLAQ).

100

● Lead vocal – Membro que canta maior parte das músicas graças ao seu talento vocal. Exemplos:SeungHo (MBLAQ), Hyosung (Secret). ● Main Dancer- Integrante que se destaca pela capacidade de dança. Pode auxiliar na elaboração das coreografias e as realiza com maior precisão. Durante a apresentação ocupa uma posição de destaque como no centro ou à frente em alguns passos. Algumas vezes possui um solo na coreografia. Dependendo da execução de seu trabalho, alguns dancers recebem o apelido de “dance machine” (máquina de dança). Também pode haver uma divisão entre main dancer e lead dancer, sendo ambos os termos para principais dançarinos. ● Main Rapper - Integrante responsável pela parte do rap/hip-hop das músicas. Em alguns grupos, os próprios rappers compõe a letra que irão cantar. Em grupos que há mais de um rapper, também pode ocorrer a divisão entre lead rapper e main rapper. Exemplos: Zinger (Secret), Dongwoo e Hoya (Infinite), Thunder e Mir (MBLAQ). ● Main vocal – Vocalista principal: membro capaz de alcançar mais notas. Canta bastante, mas ganha essa posição por se destacar mais. Exemplos: JiEun (Secret), G.O (MBLAQ), Sunggyu e Woohyun (Infinite). ● MakNae (막내) – Significa “Caçula”, é usado para o integrante mais novo do grupo. Entre os maknaes estão: SungJong (Infinite), Mir (MBLAQ), Sunhwa (Secret). Se lê como MANNÉ (se força o som do N no meio por causa da força que o K reproduz) ● MC/MCs – Sigla para “Master of Ceremonies” ou “Mestre de Cerimônias”. Como os apresentadores de programas coreanos de entretenimento são chamados. ● Mini album – É um disco médio, contém normalmente entre 4 e 7 músicas, sendo que parte dessas podem ser versão instrumental de outra faixa. ● MV – sigla para “Music Video” refere-se a videoclipes de um grupo. ● Noona/Nuna (누나) – Termo usado por garotos para designar garotas mais velhas. Também significa “irmã mais velha“. Se lê como NUNÁ. ● Noraebang (노래방) – Termo coreano para karaokê. Se lê como NORÉBÁN. ● Omona (어머나) – Expressão que significa espanto, algo com o efeito de “Ah meu Deus!”. Omona vem acompanhado das duas mãos ou apenas uma mão no rosto, como ato de surpresa. Se lê como OMONÁ. ● Oppa (오빠) – Termo usado por garotas para designar garotos mais velhos. Também

101

significa “Irmão mais velho“. Se lê como OPÁ. ● Otoke/ottoke (어떻게) – Expressão que significa dúvida, algo semelhante à “E agora, o que fazer?” ou “O que devo fazer?”. Se lê como ÓTÓKÉ. ● PV – sigla para “Promotional Video” ou “Vídeo Promocional” e refere-se à videoclipes japoneses de um grupo. ● Sasaeng (사생) – palavra usada para descrever um grupo particular de fãs que persegue seus ídolos em todos os momentos de seu dia-a-dia, com uma atitude que ultrapassa a de um fã normal, expondo a privacidade dos ídolos e colocando-os em risco, uma vez que esses fãs vão atrás e têm acesso, bem como expõem informações particulares, como número de telefone, endereço de seus familiares e códigos-chave de quarto de hotéis. Se lê como SASÊN. ● Selca (샐카) – Junção das palavras em inglês “Self” e “Capture”. São fotos que os ídolos/celebridades tiram de si mesmas e compartilham na internet. Sendo conceitos muito diferentes de uma sessão de fotos ● SeonBae/SunBae (선배) – É ao contrário de Hoobae. Usado para veteranos da área da educação, indústria musical ou até profissional. Exemplo: “O Secret é SunBae do B.A.P“. Se lê como SÓNBÉ. ● Ship/OTP – São usados pra designar uma mesma situação. A admiração por um par de amigos, namorados ou até personagens distintos de ficção ou não. OTP é o acrônimo de “One True Pairing”. Fãs brasileiros têm como costume usar “Ship” como verbo. No caso do K-Pop esse termo é utilizado principalmente por fãs que imaginam um casal de ídolos, sendo entre homem e mulher, entre homens ou entre mulheres. Exemplo: “Eu shippo o Taecyeon do 2PM e YoonA do SNSD!” ● Showcase – Uma apresentação que pode ser comparada a um show normal, porém menos extenso e para poucas pessoas. Geralmente ele é realizado com o intuito de apresentar os artistas ao público ou aos fãs pela primeira vez antes da estreia oficial. Mas também pode ser realizado por grupos em determinadas situações, como aniversário de estreia ou de algum integrante do grupo, etc. ● Single – é um disco pequeno, que contem normalmente entre 2 e 5 musicas, sendo que parte dessas podem ser versão instrumental de outra faixa. ● Ssanti (싼티) - É um jargão usado na Coreia para denominar algo barato, ou comédia barata. Algo que não deveria ter tanta graça, mas pelo fato de ser tão tosco acaba sendo engraçado. Exemplo: “A dança ssanti de WooYoung fez com que todo mundo caísse na

102

gargalhada“. ● Teaser – Vídeo prévio para o videoclipe promocional um grupo ou artista. ● Trainee – Termo usado pra designar uma pessoa que está em treinamento sob uma companhia, tendo aulas de dança, canto, atuação, língua, entre outros, mas que ainda não fez sua estreia oficia. Integrantes de grupo ídolo sempre se referem ao seu tempo de treinamento, falando das dificuldades e curiosidades que enfrentara por meses e até por mais de anos. ● Trot – Antiga estilo tradicional pop sul-coreana. Hoje em dia, os artistas vêm criando mais musicas metade pop e metade trot, como ‘Rokkugo’ do Super Junior-T. Se lê como TRÔTU. ● Unni/Eonni (언니) – Termo usado por garotas para designar outras garotas mais velhas. Também significa “Irmã mais velha”. Se lê como ÓNNI. ● Ulzzang/Uljjang (얼짱) – Termo para designar alguém que é conhecido por ser extremamente bonito. Também pode significar alguém que ficou famoso na internet por conta de suas fotos, que são normalmente editadas, principalmente nos olhos, para os fazerem ficar maiores ou mudá-los de cor. Se lê como ÓLTCHÁN. ● Visual/Face of the group – Integrante considerado como o mais bonito e atraente. É o mais requisitado para atividades como propagandas e sessão de fotos para revistas, entre outros. Exemplos:Thunder (MBLAQ), Sunhwa (Secret), L (Infinite).

103

APÊNDICES
APÊNDICE A – Questionário com os k-poppers Termo de consentimento Título da pesquisa (provisório): Kpop no Brasil: um estudo sobre as práticas de lazer a partir da WEB 2.0. Pesquisadora: Talita Gomes de Oliveira Cordeiro Orientadora: Prof. Dra. Cynthia H. W. Corrêa E-mail: talita.cordeiro@usp.br ou talita_go_cordeiro@yahoo.com.br Como fã, gostaria de divulgar o kpop e também os fãs/kpoppers brasileiros. Como pesquisadora estou interessada em identificar as atividades desenvolvidas pelos kpoppers na Web 2.0, bem como reunir informações sobre os níveis de participação e sua relação com o desenvolvimento do fandom no Brasil na Internet. Todos aqueles que se consideram kpoppers são convidados a responder esta pesquisa, independentemente da idade ou período que conhecem kpop. Suas respostas ficarão totalmente anônimas, pois se trata de uma pesquisa de caráter acadêmico (somente para estudos). Esta é uma pesquisa totalmente voluntária e você pode não conclui-la se preferir. Caso tenha alguma dúvida, por favor, entre em contato pelos e-mails acima. Eu li e reconheço que estou ciente dos objetivos desta pesquisa e também de meu papel como voluntário na mesma. Eu compreendo que minhas respostas serão utilizadas pelos autores anônima e confidencialmente e que os resultados serão divulgados de forma pública. Sei que posso a qualquer momento não concluir este questionário. o Eu Concordo o Não Concordo Perfil do participante e introdução ao Kpop

104

1. Qual a sua idade? o menor de 16 anos o 16 anos a 18 anos o 19 anos a 22 anos o 23 anos a 25 anos o 26 anos a 29 anos o mais de 30 anos 2. Qual o seu gênero? o o Feminino Masculino

3. Qual a sua etnia? Caso tenha mais de uma etnia, mais de uma opção é válida o o o o o Afrodescendente Asiática Caucasiana Indígena Outros

4. Para você o Kpop é: o o o uma forma de lazer um tipo de trabalho e/ou obrigação ambos

5. Desde quando você acompanha e/ou participa do fandom de kpop? o o o o o o o Desde 2012, aproximadamente 4 meses Desde 2012, aproximadamente 8 meses 2009 a 2011 2006 a 2008 2003 a 2005 2000 a 2002 antes de 1999

105

7. Você como kpopper: Assinale aquilo que você faz enquanto fã. Escolha todas as repostas com as quais você se identifica Conhece várias bandas e ouve diferentes tipos de kmusic e não só kpop Se mantém atualizado sobre as notícias e acontecimentos do cenário kpop Passou a ouvir mais kmusic do que outros estilos de músicas Passou a se interessar pela cultura coreana como um todo (Hallyu) Participa de eventos organizados por kpoppers (ex: festas, encontros, eventos da cultura asiática) □ □ □ □ □ Sabe todas as músicas, discografia e MV's das bandas que gosta. Faz parte de um fã clube (ex: Super Junior - E.L.F; 2ne1 - BlackJack; 2pm Hottest) Conhece e sabe pronunciar o nome de todos os integrantes das bandas que mais gosta Sabe tudo sobre seus fã clubes (fã clubes individuais, apelidos, curiosidades) Passou a divulgar o kpop

□ □ □ □ □

Fandom de Kpop na Internet 8. Você acessa a internet para realizar atividades relacionadas ao kpop? Informe a Frequência: o o o o o Nunca Raramente Às vezes Frequentemente Sempre

9. Sobre o tempo em que navega na internet, quanto aproximadamente é dedicado exclusivamente a atividades relacionadas ao kpop? o pouco, reservo um pouco de tempo depois de realizar outras tarefas

106

o o o

metade, costuma ser equilibrado a maioria, mas faço outras atividades todo o tempo

Atividades na Web 2.0 As perguntas abaixo estão separadas por tipos de ferramentas da WEB 2.0* utilizadas neste estudo. Assinale as afirmações relacionadas ao kpop com as quais você se identifica.
*A Web 2.0 é caracterizada principalmente por apresentar plataformas de interação online que permitem ao usuário novas formas de participação.

10. No Facebook, você: Escolha todas as repostas com as quais você se identifica, lembrando que existem opções que anulam as outras. □ □ □ □ □ □ □ □ □ □ □ “curte” e acompanha páginas de fandoms, gravadoras, artistas/bandas, sites de notícias etc. “curte” perfis de usuários e/ou páginas que só falam sobre kpop (Vidadekpopperlover, K-popteria, Sarangingayo etc.) “compartilha” assuntos relacionados ao kpop em sua “linha do tempo” (vídeos e notícias, fotos, memes etc.) acompanha grupos específicos (Sarangingayo, Boteco do Kpop Station) sobre kpop (lê os posts dos outros usuários e “curte” algumas respostas). escreve conteúdo original em sua “linha do tempo” sobre assuntos relacionados ao kpop participa ativamente de grupos específicos sobre kpop (responde a maioria dos tópicos, cria novos tópicos, faz perguntas/enquetes e posta notícias). criou um perfil somente para falar sobre kpop criou uma página no Facebook para divulgar conteúdo específico sobre kpop não utiliza o Facebook para atividades relacionadas ao kpop não tem conta no Facebook Outro:

11. No Tumblr, você:

107

Escolha todas as repostas com as quais você se identifica, lembrando que existem opções que anulam as outras. lê posts em português e outras línguas sobre kpop e “favorita”/ "gosta" segue / acompanha Tumblrs que falam somente sobre kpop “reblogueia” posts de outros Tumblrs sobre assuntos relacionados a kpop escreve conteúdo original relacionados a kpop em sua dashboard cria gifs e imagens relacionadas a bandas, músicas, MV’s, vídeos etc. criou uma conta somente para falar sobre fandoms, gravadoras, artistas/bandas, sites de notícias e outras relacionadas a kpop (em português ou em outras línguas) □ □ □ não utiliza o Tumblr para atividades relacionadas ao kpop não tem conta no Tumblr Outro:

□ □ □ □ □ □

12. No YouTube, você: Escolha todas as repostas com as quais você se identifica, lembrando que existem opções que anulam as outras. está inscrito e acompanha canais relacionados a kpop (gravadoras, banda/artista oficial, fandoms, humor e vlogs) □ □ □ □ □ □ □ □ assiste vídeos de todos os tipos que sejam relacionados a kpop (MV’s, Programas de Variedades, Fancans, Programas Musicais como Inkigayo e Music Bank) “gosta”, comenta e também compartilha vídeos de kpop produz vídeos para seu canal pessoal (seleção de fotos temáticas, MV’s fanmades, paródias etc.) faz upload de vídeos originais no seu canal pessoal (gravação de evento kpopper, fancans, coreografias cover etc.) cria um canal específico para conteúdo de vídeos originais (vlogs, grupo cover, blog/sites, fansub de mv’s e programas de variedade) não utiliza o Youtube para atividades relacionadas ao kpop não tem canal no YouTube Outro:

13. Em Blogs e Sites, você:

108

Escolha todas as repostas com as quais você se identifica, lembrando que existem opções que anulam as outras lê e acompanha blogs/sites em português e outras línguas (espanhol, inglês, coreano) □ □ □ □ □ comenta e compartilha artigos de blogs/sites. escreve artigos regularmente sobre o tema kpop (kdramas de k-idols, moda, faço tradução de letras de músicas, tradução de outras notícias, artigos originais etc.) é proprietário individual ou em grupo de um blog e/ou site (qualquer assunto relacionado a kpop) não realiza nenhuma atividade relacionada a kpop em blog e/ou site Outro:

14. No Twitter, você: Escolha todas as repostas com as quais você se identifica, lembrando que existem opções que anulam as outras. lê e acompanha os twittes sobre kpop em português e outras línguas segue os artistas/bandas e suas gravadoras, fã clubes e sites/blogs de notícias nacionais e internacionais □ □ □ “retweeta” os twittes de outros usuários que escrevem sobre assuntos relacionados a kpop escreve conteúdos originais sobre kpop em seus tweets criou uma conta com amigos com o propósito de divulgar exclusivamente algum assunto de kpop (banda/artista, do blog/site (proprietário), humor, fandom, grupo cover etc.) □ □ □ □ participa frequentemente de promoções e “trending topics” organizados pelos kpoppers brasileiros não utiliza o Twitter para atividades relacionadas ao kpop não tem conta no Twitter Outro:

□ □

15. Dentre as ferramentas acima mencionadas, cite somente aquela que você mais utiliza e explique o por quê:

109

Escolha somente 1 opção de ferramenta da Web 2.0 16. Quais outras atividades relacionadas ao kpop você pratica na Internet / Web 2.0? Escolha todas as repostas com as quais você se identifica, lembrando que existem opções que anulam as outras. Escreve e/ou lê Fanfics (histórias fictícias baseadas em ídolos ou no universo kpop) Desenha Fanart (imagens baseadas em k-idols ou no universo kpop) Realiza Kpop Cover (solo ou em grupo) e divulga online suas atividades Assiste Kdramas / Doramas (novelas asiáticas) com ídolos kpop online ou faz download □ □ □ □ Aprende coreano online (autodidata ou através de curso gratuito / pago) Compra em lojas online (nacional ou internacional) produtos de kpop, como: Cds, DVDs, goodies, acessórios Nenhuma Outro:

□ □ □ □

17. No Brasil, qual a importância da Internet, mais especificamente a Web 2.0, no crescimento do kpop? Escreva o quanto puder

110

APÊNDICE B – Questionário com fãs divulgadores no cenário do fandom de k-pop 1. Quando e como você conheceu o k-pop? 2. Em sua opinião como podemos definir o k-popper brasileiro no geral? 3. A sua primeira motivação para se tornar fã de k-pop foi por lazer? Comente. 4. Por que decidiu divulgar o k-pop e a cultura coreana? Explique este processo. 5. Em sua opinião de que formas a Internet colaborou para o crescimento do k-pop no Brasil? 6. Qual a sua relação com as ferramentas da Web 2.0** enquanto fã e também divulgador do k-pop/cultura coreana? 7. Como você descreveria o k-popper brasileiro que utiliza a Web 2.0**? 8. Sobre o fandom de k-pop, quais foram as principais mudanças que ele sofreu nestes últimos anos? 9. Para você quais são os maiores desafios para o k-pop no Brasil?