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SEGUNDO A V O N T A D E DE DEUS

DEVERES DA MAE CRISTA
PARA C O M S E U S F I L H O S

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P. J. BERTHIER, M. S.
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Numquid oblivisci potest malier infaníem suam? Pode uma mãe esquecer o seu filho? ( I S A I A S , X L 1 X ) .

V E R T I D O DA-4.* E D I Ç Ã O F R A N C E S A POR

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PORTO

TIPOGRAFIA
I927

FONSECA

72, Rua da Picaria, 74

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A Maria
A IMACULADA MÃE DO FILHO DE DEUS

N O S S A MÃE

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APROVAÇÃO

i com muito interesse o livro intitulado A M Ã E S E G U N D O A V O N T A D E D E D E U S . Depois dum curto preâmbulo, expõe sucessivamente as obrigações que são impostas à mãe cristã para a dupla educação de seus filhos: a educação física e a educação espiritual. Este plano simples, natural e completo é felizmente concebido e solidamente executado. O estilo da obra» é claro, fácil, correcto, simples, untuoso, perfeitamente apropriado ac assunto. Quanto ao fundo, tudo aí respira sabedoria e prudência, e ao mesma tempo fé e piedade. Formo, poiSf votos, para que este excelente livro se torne o manual das mães cristãs, que, para cumprirem os seus deveres, não carecem as mais das vezes, senão de instrução e de direcção, pcrque raras vezes lhes falta a dedicação e a boa vontade.

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I fe-

Grenoble, 1 de Outubro de 1892.

F. MUSSEL,

VIGÁRIO

GEKAU

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POUCAS PALAVRAS

ã^rUBLICOU obra excelente o Padre f. Berthier no M seu livro A Mãe segundo a vontade de Deus* Bom trabalho o do tradutor para português de ião ütil livro. Embora seja assas conhecida a língua do original, tem a edição portuguesa especial importância para a nossa sociedade, na qual se encontra a maioria das mulheres que em francês não teriam a obra, e esta merece ser recomendada e propagada por toda a parte. E inquestionável que as mães são as melhores e mais seguras educadoras da mocidade. Reüne-se nelas a autoridade com a doçura e aptidão. Ninguém como a mãe conhece seu filho. Desde o primeiro momento em que ele aparece neste mundo, ela o não deixa mais até que as circunstâncias várias da educação a competem a deixá-lo, e separar-se do ente que mais estremece. E' nos primeiros anos da vida, quando o filho vive exclusivamente com sua mãe, que ele se forma tanto pelo lado físico como peto moral. A missão da mãe é delicada, difícil mas intuitiva ao mesmo tempo. Embora não seja ela muito ilustrada e antes a sua educação tenha sido rude, compreende ela o alcance do seu dever, que cumpre como nin1

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A MÃE SEGUNDO A V O N T A D E DE D E U S

guém mais sabe satisfazer. A direcção para que o filho tenha saúde, seja forte e hábil, apresenta-se-lhe axiomàticamente. O modo de introduzir-lhe no espirito o sentimento moral também lhe não è desconhecido; mas todas essas aptidões inatas se desenvolvem admiravelmente quando bem encaminhadas. Não é nas escolas que esse ensino se ministra. Nos métodos não se acham introduzidos preceitos a tal respeito, de modo que a mulher que sai do remanso da sua educação para o combate activo do mundo, e portanto para as latas da maternidade, ignora aquitç que deve ser-lhe guia na direcção do filho que venha a ter. A ocasião então se oferece para aprender o que só instinefivamente possui, e que não estudara durante a sua educação. O momento em que toda a atenção ê indispensável aparece rápida e repentinamente, e não há tempo a perder em longas preparações. Um livro bom, compendioso e de estudo aprazível se torna necessário, para que em breve o compreenda e imediatamente lhe aproveite os preceitos para uma prática proveitosa. E' a vantagem que tem o livro do Padre Berthier, que ora se publica. Muito se tem escrito e filosofado sobre a educação^ e inúmeros trabalhos se hão impresso sobre o assunto; porém a experiência mostra e o exemplo sempre confirma que todo o sistema educativo, afastado do princípio religioso, conduz a desastradas conseqüências. Sem esta base fundamental nem hã deveres, obrigações, direitos, nem maneira de fazê-los compreender, porque tem por vício inseparável a falta de saneção, e toda a lei que se ache dela privada ê irrisória. O sacerdócio da maternidade é primordial, aquele por onde tudo começa, e sem o qual nenhum outro pôde existir; da sua boa oü má direcção depende na maior parte o futuro do homem, que tem de peregrinar alguns anos sobre a terra e de exercer algum lugar na sociedade.

POUCAS PALAVRAS

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E esta a soma, o integral de todos esses elementos, donde resulta que os destinos da colectividade estão na mão dos componentes. Fazer compreender a cada uma das mães, que elas por si e petos filhos teem uma influência enorme no bem e no mal de toda a sociedade, a que pertencem, è um intento sublime, um ensinamento prestimoso. Indicar-lhes o meio prático, simples e metódico de exercerem o seu ministério sacrossanto é o complemento de uma obra boa. Santifica-se a mãe a si própria, e prepara a felicidade e santificação do filho, durante a sua existência e após a sua extincção. No cumprimento dos deveres maternais está a mola que faz mover toda a vida dos seres que vieram ã luz do mundo; nesse cumprimento está a sorte da sociedade. A missão da mãe tem não somente fins individuais, e colectivos, mas religiosos, e patrióticos. Não precisa a mulher de tomar parte activa nos negóciose no governo; basta-lhe que saiba ser mãe para dirigir uns e outros. E indispensável a cooperação do pai, mas o maior mérito, a mais distincta importância, a força principal estão na mão da mãe. Ora o livro que hoje em vernáculo se edita è um bem elaborado manual, guia seguro, porque tem por norte a religião; ê monitor ameno, que pode dirigir as mães, que o lerem, e mesmo aquelas, que não podendo lê-lo ou não o tendo, apreciam na prática o que as primeiras fazem. Considero pois obra recomendável aquela a que anteponho este brevíssimo prefácio, que não precisa ser mais: longo, porque o livro vale mais do que os encómios. Porto, 29 de Outubro de 1898.

CONDE

DE

SAMODÃES.

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Presado Amigo e Snr. José Frutuoso da Fonseca:

I ff  cerca de quarenta e quatro anos que principiei a M M escrever para o publico; e logo nos primeiros inseri num periódico de Braga, com ioda a convicção da minha alma juvenil, uma série de artigos que epigrafei: A
.MULHER E O SACERDOTE, ÚNICOS S A L V A D O R E S DA S O C I E D A D E .

Foram decorrendo os tempos, e aquela convicção, em vez de desvanecer-se ou enfraquecer com a experiência adquirida, cada vez mais se confirmou e robusteceu; sou hoje mais que sexagenário, e no intimo da consciência creio ainda, e com esta crença hei de morrer, que só a mulher e o sacerdote, uma e outro segundo o puro espirito do Cristianismo, podem salvar a sociedade que a cada instante dá um passo enorme para o abismo: a mulher educando filhos cristãos; o sacerdote desenvolvendo e completando essa educação com a instrução cristã. Indirectamente comprovam esta verdade todos os inimigos da sociedade, qualquer que seja a bandeira que desfraldem hipócrita ou francamente, pretendendo corromper e bestializar a mulher, tornando-a livre pensadora, e desacreditar e aniquilar o sacerdote assestando contra ele toda a vil artilharia da injúria e da calunia. Desejando carrear também uma pedrinha, pequena que fosse, para a obra grandiosa da salvação social, trasladei em 1885 a vernáculo um livro precioso, que, se não foi mal recebido, não o foi também como merecia: A M U L H E R C R I S T Ã D E S D E O N A S C I M E N T O A T É À M O R T E , por M. de Marcey. Comunica-me agora o meu amigo que está prestes a dar à estampa a versão de outro livro monumental, inspirado
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EDITOR

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no mesmo espírito salutarissimo: A Mãe segundo a vontade de Deus, ou deveres da Mãe Cristã p a r a com seus Filhos pelo Rev. P. Berthier. Felicíssimo pensamento, porquanto este livro é verdadeiramente um minucioso tratado de educação física e espiritual, um inestimável repositório de sábios conselhos e preceitos, um prudente •e piedoso directório, em fim um indispensável manual das mães cristãs. Com efeito, as seis grandes secções em que se divide o livro — Cuidados corporais, Cuidados espirituais, Da instrução, Da vigilância, Da correcção e Da oração — compreendem numerosas subdivisões, em que nada se esquece ou omite de quanto ê necessário à mãe cristã, apoiado atêm disso nas autoridades mais competentes na matéria, e de solidez da doutrina fofa de toda a contestação. Dois apêndices — Deveres para com os criados e Diversos exercícios de piedade — com* pletam a formação, para assim me expressar, do modelo perfeito da luz do lar doméstico e guia da família cristã, donde sairão os elementos fortes e aptos para a constituição de novas famílias cristãs. De todo o coração felicito pois o meu Amigo, porque, editando este livro, pratica uma obra em sumo grau meritória; e de todo o coração também desejo que ele encontre a aceitação de que ê digno, e produza os frutos de benção que são de esperar, concorrendo assim para a regeneração desta nossa sociedade tão abalada e ameaçada de ruína. Queira aceitar, meu bom Amigo, os sentimentos de muita estima do
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Seu amigo, etc. Lisboa, 31 de Outubro de 1898.
A. MOREIRA BELO.

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A Mãe segundo a vontade de Deus

/ l /ENHUMA pessoa há, por mais inteligente e insI£ iruida que seja, que possa racionalmente dispensar-se de volver a atenção para os seus deveres, comparando freqüentes vezes e muito a sério, o que é com o que devia sen E' do esquecimento do dever que nascem os grandes males* A arte de bem viver aprende-se, praticando-se; mas não se pôde praticar convenientemente, se o espírito a não meditar e profundar. Quantas vezes ouvimos dizer: «ó! se eu pensasse, não fazia isso, se soubera o que me veio a acontecer, teria procedido doutro modo»? — E porque não pensastes a tempo» para evitardes um arrependimento tardio e talvez inútil? Porque o orgulho, a vaidade, o capricho e o amor próprio se meteram de permeio. E' necessário, pois, que cada um, no seu estado e condição, procure compenefar-se bem dos deveres que tem a cumprir, e veja o modo como os cumpre. Todos nós devemos caminhar para um mesmo destino sobrenatural, mas por diversos caminhos conforme o papel que temos de representar cá na terra, segundo o plano da Providência. Basta fixarmos os olhos na sociedade, para em breve descobrirmos até que ponto se estende a influência que nela exercem as mães de família. Abalanço-me a dizer que para regenerar a sociedade só duas coisas eram necessárias: bons pastores no meio das paróquias e boas mães no seio das famílias : com estes dois factores não haveria dificuldades que se não vencessem. É-me sempre grato registar o aparecimento de um livro, que possa contribuir para a grande obra da educação doméstica e social. Quando li o nome de Berihier no fronstispicío
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desta obra — A Mãe segundo a vontade de Deus — recordei-me do prazer com que há anos lera três excelentes tratados do mesmo autor, e desde logo ajuizei do valor da obra. Como porém o editor português me pedia a minha humilde opinião, intendi que não devia dá-la sem primeiramente ler o livro. Agora posso afirmar que encontrei, na leitura desta prestimosa obra, a confirmação plena do subido conceito que já formava do seu autor: ê um livro excelente, em que as .mães de família teem muito que aprender. Mas encontrará ête o acolhimento que merece ? Não haverá muitas mães que se recusem a recebê-lo, pelo facto de já se considerarem basiante instruídas nos seus deveres? E' de crer que sim. Nunca somos tão pequenos como quando nos levantamos nas azas do orgulho, para passarmos por grandes. A soberba ê inimiga da sabedoria; quem presume que não necessita de aprender, está muito mal disposto para começar a instruir-se. Demais, é sabido que a ignorância voluntária não exime de responsabilidade e a fraqueza do nosso espírito exige, que repassemos com freqüência aquilo mesmo de que já temos conhecimento. Por outro lado a educação é essencialmente prática; encontra resistências que é necessário vencer. Nem todas as crianças se podem educar pelo mesmo processo, assim como nem todos os terrenos se podem fertilizar com a mesma cultura. Ora, se nenhuma arte se exerce bem sem aprendizado, como será possível que uma mãe, sem sciência nem experiência, saiba encaminhar peta senda do bem as criancinhas que Deus lhe confia? «O fim da educação moral, diz Pérez, é desenvolver e disciplinar^ em ordem à consecução do maior bem individual e social, as forças inatas que determinam o homem a obrar.> A simithança do agricultor que arranca o joio e fomenta o desenvolvimento do trigo, assim o educador há de favorecer na criança a evolução das tendências boas e comprimir us más. Para isto requere-se um grau de instrução que as
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mães de família entre nós raríssimas vezes possuem. Bem vindas sejam, pois, todas as publicações que tendam a levantar o nível da nossa educação moral. Um bom livro que se lança no meio de um povo é um dique que se opõe contra a onda do vício. «Parece provado, diz Martin, que a má literatura pode mais na ordem do mal, do que a boa na esfera do bem>. A' vista disto, grande obra deve ser o atacar as más leituras e divulgar as boas. Estas duas vantagens conseguem-se a um tempo, propagando livros como — A Mãe segundo a vontade de Deus. E mui íntima a aliança que prende as mães aos filhos : a sorte deles depende delas; mas a salvação delastambém até certo ponto depende deles, isto é da educação que lhes legarem. Somos em geral o que nossas mães quizeram fazer de nós: bons ou maus, amantes da virtude ou dados ao vicio, conforme a educação que recebemos na infância. E' doutrina corrente entre os grandes pedagogistas que todos os caracteres são susceptíveis de se modificarem, sob o influxo assíduo duma disciplina bem orientada. <Não posso fazer nada de meus filhos, dizem muitas mães, são irascíveis e desobedientes, não fazem caso das minhas advertências>. Não podeis ? E' verdade que não podeis agora ? Sim, porque desde o berço criastes os vossos meninos com todo o mimo; deixastes crescer e multiplicar os cardos e as silvas, onde devíeis cultivar flores e frutos. Agora começais a doervos com a dura impressão dos espinhos, que devíeis ter arrancado ou quebrado; quereríeis antes gosar agora dos frutos que não semeastes. Começa a ser amargurada a vossa vida, mas isso não é o pior; depois da vida vem a morte, depois do tempo abre-se a eternidade: como vos defendereis diante de Deus ? Mal com os vossos filhos, que não vos respeitam, mal com Deus que há de castigar as nossas negligências, — para onde apelareis? Terrível situação i Mais, olhai para o mundo,
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e vede os grandes males que ocasionais d sociedade: plantastes árvores estéreis e nocivas; os vossos filhos, a quem não legais o património de uma bôa educação, serão pais e as vossas filhas serão mães— à vossa imagem e similhança; — calculai, se podeis, as lágrimas, as dores, os infortúnios de que sois causa f Morrereis raladas de desgostos e cruciadas de remorsos; mas os vossos filhos, os vossos netos, os vossos descendentes continuarão a pecar em vosso nome... A vossa maldade não morre; continua ainda a perpetuar-se cá na terra com abominável incremento, nessas vítimas infelizes que vós imolastes ao demónio. Pobres criaturas! Se ao menos tivessem sido arrastadas à desgraça por um inimigo estranho, ou por um amigo fingido, haveria menos razão para lhes lamentar a sorte; mas vê-tas cair no abismo, arrojadas pelo braço de suas próprias mães — é duro, é cruel, é diabólico, ó mães! Ide bater ás portas das penitenciárias, chamai à vossa presença um dos maiores facínoras que ai esteja expiando os rigores da justiça humana, perguntai-lhe os seus crimes e comparai-os com os vossos, pesai as culpas, medi as responsabilidades e vede em fim quem é que rouba mais almas a Deus, quem é que acarreta maiores mates sobre a sociedade! Praza a Deus que os escritores católicos, os oradores sagrados e os directores de almas consagrem à educação moral a importância que ela merece i Foz do Douro, Dia de Todos os Santos de 1898.

P.

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MANUEL

MARINHO.

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A Mãe se qmúd a vontade de Deus

L^OUCO, muito pouco, se me oferece a dizer sobre o if, livro que tem por titulo, A M Ã E S E G U N D O A V O N T A D E D E D E U S , publicado em francês pelo Padre f. Berthier e traduzido em vernáculo pelo snr. A. Peixoto do Amaral. Quando eu digo pouco, quero dizer —poucas palavras, — que, todavia, exprimam exactamente, com precisão e clareza, a excelência e merecimento do livro de que me vou ocupar. Porque na minha humilde e fraca opinião, em pouco se pôde dizer muito, e não raras vezes o muito palavriado, a extensão e difusão dum artigo, sé produzem confusão, e ordinariamente nada esclarecem o ponto. O livro do Padre Berthier è um bom livro, um livro étimo no seu gênero, porque contêm as regras essenciais da educação dos filhos, educação moral dada pela Mãe, e atinge por completo o fim a que é destinado. Uma mãe segundo a vontade de Deus —haverá coisa melhor na família, coisa mais útil, mais necessária? Aos olhos da Religião, e não só da Religião, mas da sã filosofia que deve ter por base a Religião, a mãe ê a parte principal, o grande e poderoso actor na família humana, para o bem da sociedade que não é mais que uma grande famitia. Uma mãe segundo a vontade de Deus, isto é, uma mãe que cumpra com perfeição os deveres inerentes à maternidade, como Deus manda, é a entidade mais preciosa no mundo. Porque a mãe é, sem dúvida nenhuma, a melhor educadora do homem. E, suposto que o homem possa ser bem
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educado por outra via, é certo que a mãe é a primeira pessoa que lhe ministra, e deve ministrar, os verdadeiros e salutares ensinamentos. Já dizia Aristóteles, ainda que gentio, que os homenst deviam à educação tudo o que eram e valiam. Mas a educação deve ser religiosa, pois que ê certo, e ê pensamento de Montesquieu, e por isso insuspeito, que só a religião pôde assegurar a felicidade do homem sobre a Muitos livros, ê verdade, se ieem escrito com este fim* São raríssimos^ e talvez nenhum deles possa substituir o livro do Padre Berthier, A M Ã E S E G U N D O A V O N T A D E D E D E U S , que ensina os deveres da mãe cristã. Nenhum absolutamente, atendendo à sua matéria e forma, tão acentuadamente. Em 1835, Luís Amado Martin, distinto literato francês, publicou, um livro com o titulo «Educação das mães de família». Neste livro propõe-se o autor estabelecer um novo plano de educação, a reforma de todos os erros e prejuízos que atacam os modernos povos civilizados, e produzir uma revolução, pacífica, que não de sangue, na política e nas sciências* O livro de Amado Martin foi premiado pela Academia francesa e traduzido em português no ano de 1853, sendo então inculcado como um livro preciosíssimo para as mães de família. Infelizmente, e a-pesar-de tais recomendações, o livro de Martin c um mau livro: contém, sem duvida, sábios princípios ; mas ao mesmo tempo está cheio de erros grosseiros, de muitos ataques aos dogmas da religião católica. E por este motivo foi proibido peta Santa Sé. E* um livro perigoso que não pôde recomendar-se às mães de família. E' inteiramente contrário a este o carácter do livro, A . M Ã E S E G U N D O A V O N T A D E D E D E U S , pelo Padre Berthier, editado pelo snr. José Frutuoso da Fonseca, bem conhecido pelas obras religiosas que tem feito sair do prelo. O sábio e pio autor expõe os deveres impostos ã mãe cristã, pela dupla educação de seus filhos: a educação física

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e a educação espiritual E este o plano que ele se propõe desenvolver. F. Mussel, Vigário geral de Grenoble, aprovou o livro em questão, e diz o seguinte: «.Este plano simples, natural e completo ê felizmente concebido e solidamente executado. O estilo da obra é claro, fácil, correcto, simples, uniuoso, perfeitamente apropriado ao assunto. Quanto ao fundo, tudo aí respira sabedoria e prudência, ao mesmo tempo que fé e piedade.» Um livro, portanto, nestas condições, ê um bom livro, e merece ser recomendado às mães cristãs, para cumprirem os seus deveres. E tal é o livro de que traio.
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Milheiros da Maia, Outubro de 1898.

PADRE JOÃO VIEIRA NEVES CASTRO

DA

CRUZ.

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UM B R E V E PREFÁCIO

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UM BREVE P R E F Á C I O

Ar STE livro tem no próprio titulo a sua melhor recoM y mendação. E* um livro destinado a^orientar e aprimorar em seu mister sublime e sagrado o ente que mais prende, mais capiiva e mais doce e profundo influxo exerce na vida e destinos do homem —a mãe,, Tanto basta para que inspire o mais vivo interesse, e mereça o mais simpático acolhimento. Tem-se dito e escrito muito, e belamente, sobre a dignidade, a glória e o amor das mães. E' um tema sugestivo e fecundo, que toda a pena, toda a palavra e maiormenie toda a lira inspirada, amam versar. Não há escritor brilhante que não lhe tenha consagrado uma das suas páginas mais esplendidas, orador eloquente que não lhe tenha consagrado um dos seus rasgos mais sublimados, poeta mimoso que não lhe tenha consagrado um dos seus cantos mais harmoniosos. Mas o que poucas vezes se tem feito, e que muito importa fazer-se, é baixar-se do lirismo sentimental, ou do nervosismo encomiasta ao positivismo extreme da vida, e ensinarem-se, às mães em âoutrinamenios substanciosos e nítidos, os grandes deveres e as grandes responsabilidades, inerentes à sua glória e ao seu amor sem semelhantes. A época é de ouropéis, é de lentejoilas. Temos formosas produções literárias celebrando lusidamente a realeza amorável da maternidade; temos um ou outro tratado, ou deficiente, ou aventando teorias avariadas, com

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A M Ã E SECUNDO A VONTADE DE DEUS

respeito ao desempenho das suas funções, mas tratados práticos, correctos e genuínos sobre o assunto vejo por ai muito poucos, A Mãe segundo a vontada áe Deus vem abastecer e tornar menos sensível esta lacuna. E' um livro essencialmente prático, singelo na forma, opulento na doutrina, claro e simples como um elucidário, lúcido e preciso como um programa, e o que é mais, o que mais realça ainda o seu valor, é que sendo relativamente abreviado, nem por isso deixa de ser completo. A missão das mães è muito extensa e complicada. A Providência faz delas a sua imagem, o seu traslado radioso para cooperarem na obra prima das criações de Deus, para formarem e modelarem o homem, dar-lhe nas entranhas o ser, no berço o amparo, no seio o alimento, no ensino a orientação e na educação o seu mais vivo esmalte, e o seu mais fino quilate. Que missão e que responsabilidade! Abrange o nosso todo, as três esferas da vida, os três mundos que se encerram e concretizam no pequeno mundo de nós mesmos — a nossa vida física, a nossa vida intelectual e a nossa vida moral. A nossa vida física, de quem as mães são as raízes nativas, as fontes alimenta dor as, e os numes protectivos. A nossa vida intelectual, de quem as mães são os primeiros e inescurecíveis luzeiros, acendendo-nos no espírito ideias e ideais que nunca se apagam. A nossa vida moral, de quem as mães são as primeiras e mais decisivas cultoras, plantando-nos no coração ou parasitas que esterilizam, ou germens abençoados, que desabrocham em rica florescência de virtudes. Completo, apesar de pouco volumoso, este livro não deixa omisso nenhum desses três encargos, tão delicados e transcendentes, da maternidade; tem para todos eles páginas de muita luz e de muito valor, verdadeiras páginas de oiro. Oxalá que ête se propague. Quizera que em todo o lar doméstico o tivessem sempre as mães aos pês do Crucifixo.

UM B R E V E PREFÁCIO

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O Crucifixo para serdhes farol, este livro para ser-thes roteiro. Então não veríamos na família tantos quadros que enlatam, e na sociedade tantos espectáculos que desolam. Estamos no fim deste século; e se é larga a herança de gloriosas conquistas, também não é menos larga a herança de aberrações e desregramentos, que êle transmite ao seu sucessor. Muito tem a destruir e a edificar o século vindouro! Aplanemos a sua obra; comecemos desde já a edificar pela base empenhando-nos para melhorar a família, que tanto necessita de regenerar-se, e que é a base primária do edifício sociaL Para melhorá-la, façam-se e difundam-se publicações como esta. Remodelem-se as mães à feição das luminosas doutrinas e exemplos edificantes, que lhes incaica este livro precioso. Haja boas mães, mães segundo a vontade d& Deus, e melhores dias, dias mais felizes surgirão para a família, que enferma de muitos mates, para o nosso país que se lastima decadente, e para a humanidade, que se inquieta temerosa dum futuro de desastres.

MGR.

RODRIGUES

VIANA.

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Introdução

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Á entre 'a Igreja do Céu e a da terra uma maravilhosa harmonia: assim como no Céu, há diferentes graus na beatitude e na glória, o mesmo sucede na terra, onde há diversos estados livres, onde os homens podem merecer recompensas particulares. Dignos de Deus que os estabeleceu, todos estes estados são santos; mas nem todos teem a mesma perfeição, nem a mesma utilidade para a salvação. O mais elevado é, sem contradição, o episcopado, encarregado de perpetuar atravez dos séculos a missão de Jesus Cristo sobre a terra ; em segundo lugar coloca-se a vida religiosa, em que o homem, num sacrifício absoluto, se consagra a Deus todo inteiro. Vem depois a virgindade, que, segundo a linguagem dos Santos Padres, atraiu o Filho de Deus à terra, povoa o Céu de eleitos, e faz a glória do sacerdócio católico. Enfim apresenta-se o casamento cristão, um dos sete sacramentos da lei nova, chamado pelo Apóstolo uma honrosa alcança. Instituído para aperfeiçoar nos esposos o seu amor mútuo, pôde este sacramento, qu;mdo as almas são ávidas -de santidade, sustentá-las em sublimes alturas. Citemos, para exemplo, Santo Henrique, imperador da Alemanha. Mandou chamar, já no Jeito de morte, os pais de Santa Conegundes, sua esposa, e alguns príncipes da corte, e, tomando a mão da santa imperatriz : «Eu vos recomendo, mes disse, a que me destes por esposa; ei-Ia aqui. Recebi-a virgem, e virgem vo-la entrego.» Perfeitos imitadores de Mari?

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A MÃE S E G U N D O A V O N T A D E DE D E U S

Mãe de Deus e de José, seu casto esposo, tinham, durante mais^ de vinte anos, vivido na mais santa e virginal das uniões, E' certo que, segundo a palavra de S. Jerónimo, «Deus nãoimpõe a vida dos anjo?, contenta-se em ensiná-la» ; convida ao mais perfeito, mas sem obrigar ninguém. Além da castidade perfeita, guardada no casamento, por livre e mútuo consentimento dos esposos, resta outro encargo glorioso, revelado por S. Paulo, nos mais expressos termos à esposa cristã: «A m u ri

Iher, diz ele, santifica-se dando filhos» ; grande missão, que associa de alguma sorte a esposa ao poder fecundo e aos admiráveis desígnios do Criador. Desgraçadas mil vezes as mulheres, que, renunciando p o r um lado ao heroísmo de uma castidade absoluta, e cedendo, por outro lado, por uma fraca desconfiança da Providência e do futuro, ao terror egoísta das santas fadigas da maternidade,, transgridem duma forma grave as santas leis do casamento cristão. Erram nas vias tenebrosas do egoísmo e da sensualidade, que vão dar à perdição. Felizes, pelo contrário, aquelas cujas entranhas santamente fecundas deram à terra e ao Céu filhos numerosos. Nas trevas da idolatria, a mulher pagã, sem compreender toda a dignidade da sua missão, era nobremente altiva da sua, fecundidade. E' conhecida a história de Cornélia. Pediu-lhe um dia uma dama romana, que lhe mostrasse as suas jóias. — «Espere alguns instantes», respondeu a nobre mãe; e quando os seus filhosvieram das escolas de Roma: «eis aqui, diz ela, mostrando os, as jóias de Cornélia». Quanto mais não se deve alegrar a mãe cristã! Com efeito,, na criança gerada nas suas entranhas descobre a sua fé um ser imortal, feito à imagem de Deus. O seu primeiro passeio é para a Igreja, afim de ser considerado Filho de Deus, e isento da mácula do pecado original. A sua primeira palavra será para chamar o Pái do Céu, ao mesmo tempo que o da. terra. Ao primeiro raio da sua inteligência nascente, à p r i meira pulsação afectuosa do coração, começará a elevar-se a t é
(

INTRODUÇÃO

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ao seu Criador, pelo conhecimento e pelo amor. Formado por uma mãe piedosa, esta criança promete vir aumentar o n ú mero dos que fazem a felicidade em louvar a Deus e em serví-Io ; porque as lições da mãe teem, sobre seu filho, um i m pério de doçura e de persuasão, a que nada saberia resistir. «O homem, tanto no moral, como no físico, é apenas o que a mulher o fez, disse o Padre Ventura. A mesfna mãe que lhe deu a vida do corpo, por seu sangue, lhe deu a vida da inteligência, por sua palavra. «E' ordinariamente a mulher que faz a felicidade ou a desgraça da família, e que é o grande instrumento, a grande alavanca da sua moralidade pu da sua corrupção. Muitas vezes até a família toda inteira nada mais é, do que aquillo que a mulher a faz. Não é mais do que o espelho das suas boas qualidades ou de seus defeitos, das suas virtudes ou dos seus vícios.» Que salutar influência não exerceriam as mães se, com dedicação generosa, com santa perseverança, se pusessem resolutamente à obra! Por elas, não seria só a família, seria toda a sociedade regenerada! E' para ajudar a mulher cristã nesta obra, que nós publicamos este livro. Sem dúvida que cairá bastantes vezes nas mãos de mães que teem dedicado todos os seus esforços ao desejo de instruírem os seus filhos. Mas quantas, no meio das solicitudes e dos cuidados da vida não teem perdido de vista algumas das suas obrigações! Este livro é destinado a recordar-lhas todas. Também fizemos, quanto pudemos, para nada lhe omitir, e ao mesmo tempo nada exagerar. E sendo bastante difícil tratar da educação, procuramos um concurso em toda a parte, onde o podemos encontrar. E para dar mais peso aos nossos conselhos, preferimos citar, a falarmos nós mesmos. Aí ficam, pois, numerosos exemplos t i rados dos livros santos, dos Padres da Egreja e dos moralistas. Que Nosso Senhor, por intercessão de Maria, abençoe êstehumilde trabalho, para sua maior glória, e salvação das almas, resgatadas por seu sangue!

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O amor materno Pode a mãe esquecer o seu filho? diz o Espírito Santo, e pode a mulher deixar de amar o fruto do seu seio ? 0 seu coração é uma fonte inesgotável de contínua solicitude e amor ; araa os seus filhos mais do que todas as outras pessoas, mais do que a si própria. Entre tantos quadros de amor materno que a história nos patenteia, nenhum achamos mais comovente do que o quadro em que a Escritura nos pinta a ternura da mãe do jovem Tobias. Acompanhado do arcanjo Rafael, disfarçado sob a forma humana, acabava de partir para a terra dos Medas ; mas a mãe, chorando, dizia, no meio da sua dor, ao marido: «Ficaste sem o bordão da nossa velhice, e afastaste - lo de nós. Oxalá que nunca tivéssemos possuído o dinheiro necessário para a sua viagem ! Os poucos bens que possuímos, não eram suficientes para nós ? E não era para nós uma grande fortuna ver nosso filho aqui, comnôsco?» — «Não chores, respondia o velho, o anjo do Senhor acompanhará nosso filho.» E estas palavras enxugavam por um instante as suas lágrimas, e acalmavam as lamentações da mãe.

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Mas não vendo voltar, no dia fixado, o ente queamava, derramava abundantes lágrimas, que nenhuma consolação podia esgotar.— «Ah! quanto sou desgraçada l repetia ela; para que te mandamos para tão longe, meu filho, tu que eras a luz; dos nossos olhos, o apoio da nossa velhice, a consolação da nossa vida e a esperança de nossa posteridade ? Visto que eras tudo, neste mundo, para nos, nunca deverias ter-nos deixado.> — «Socega, replicava o velho Tobias, o nosso filho está em segurança; o homem, a quem o confiamos, é íieL* Mas a pobre mãe não queria receber consolações, e todos os dias, deixando a casa, percorria todos os caminhos, por onde esperava ver chegar o filho, procurando descobri-lo ao longe. Todos os dias se ia sentar sobre uma montanha, que dominava a estrada, • e donde podia circunvagar à vontade o seu olhar. Um dia avistou-o, reconheceu-o imediatamente, correu a levar a seu marido a feliz notícia, e depois abraçou esse querido filho com lágrimas de alegria. Citemos ainda um facto admirável que o próprio Espírito Santo nos conservou. Tendo pedido os Gabaonitas que lhes entregassem os filhos de Saul, para vingarem sobre eles o sangue dos seus concidadãos, que o seu rei mandara matar, David entregou-lhes sete, que foram crucificados, sobre uma montanha. Resfa, mãe de duas dessas desgraçadas vítimas, não só quiz assistir ao suplício de seus dois filhos, e ajudá-los, por sua presença, a arrostar os horrores da morte, mas mesmo depois deles terem dado o último suspiro, estendeu um cilício sobre o rochedo, e ficou ali, sentada, vigiando ao lado dos seus cadáveres, e afugentando, durante o dia, as aves de rapina, e durante a noite os animais ferozes, que ameaçavam devo-

AMOR MATERNO

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Tá-los. David admirou o amor desta mãe generosa, amor que sobreviveu á morte dos filhos, e mandou ele próprio sepultar os cadáveres. Mas, para que é necessário ir buscar à história exemplos onde brilhe o amor materno ? Não bastará, mães cristãs, que vos fale do vosso próprio coração ? Não sentis, dentro de vós, uma força como que irresistível, que vos impele a não viverdes, senão para vossos fiihos ? Sim, amais, e é por isso que a vossa vida se passa, na solicitude, e atravez das lágrimas. E' o amor de vossos filhos que vos fornece as lágrimas, os suspiros, e os soluços. Para que haveis de perder a consolação e a recompensa que Jesus prometeu aos que choram, não regulando sempre os sentimentos do Tosso coração pela razão, e pela fé ? Sim ! Nada é mais legítimo que o amor da mãe, para com seus filhos, e Deus também o ordena; esse amor é o manancial, onde ela encontrará a necessária dedicação para cumprir os deveres que a maternidade lhe impõe, a alma de tudo quanto deverá fazer para bem dos seus filhos. Mas esse amor tem regras a que forçoso é submeterem-se, ^ que seja terno sem fraqueza, e firme sem dureza. E' necessário que as mães saibam precaver-se contra odiosas preferências, e ainda com mais razão, contra tudo o que seja ódio ou desprezo, O coração duma mãe deve ser igual para todos os seus filhos. Corajoso e constante, não recua diante de nenhum trabalho, nem teme nenhum sacrifício, sendo a ingratidão incapaz de o abater ou enfraquecer. Mas sobretudo o amor materno deve ser cristão, isto é regrado peia lei de Deus, e pelas máximas do Evangelho.

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ii Rs preferências

Já acima o dissemos, e convém insistir neste ponto : a mãe deve amar todos os filhos sem excepção. Não são eles todos uma porção de si própria ? Não os trouxe todos no seu seio, e não os alimentou com o seu leite ? Concentrar num só, ou em alguns, todas as afeições, e ter pelos outros uma espécie de indiferença, ou mesmo de aversão, seria ir de encontro, não só contra natureza, mas contra a lei de Deus ; seria perdê-los a todos, a uns por excesso, e a outros por deficiência de amor materno. As preferências injustas são efectivamente tão funestas aos filhos preferidos, como aos que o não são. A criança, que se sente objecto da predilecção de seus pais, torna-se orgulhosa e altiva; acaba por desprezar seus irmãos, enche-se de fatuidade e de egoísmo ; numa palavra é uma criança estragada, isto é, perdida, como diz Mgr. Dupanloup na sua obra Da Educação, que teremos ocasião de citar muitas vezes. Os que se veem privados injustamente das carícias e dos favores, que seus pais prodigalizam com tanta profusão aos outros seus irmãos, tornam-se tímidos, tristes e desconfiados, desde a mais terna mocidade. Não podendo desenvolver-se por seu espírito, ficam sempre enterradas as suas faculdades naturais debaixo dum frio silêncio. Não podendo amar a mãe, que os não ama, o seu coração torna-se duro e insensível. Mais tarde a inveja cria profundas raizes na sua alma; são cheios de

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ciúme e muitas vezes de ódio contra os que lhe preferiram: inveja e ódio que produzem muitas vezes as mais funestas divisões nas famílias, e não acabam senão com a vida. Qual foi a origem das guerras de Esaú contra Jacob, senão a predilecção que Rebeca, sua mãe, tinha por Jacob ? Ninguém ignora esta história, que é contada pelos livros santos: Jacob amava José acima de todos os outros filhos, porque o tivera na sua velhice, e também, sem dúvida, por causa das suas admiráveis qualidades e da sua inocência. Em testemunho da ternura e da estima singular que tinha por essa criança, havia-lhe dado um vestido de diversas cores. Vendo essa predilecção de seu pái por José, conceberam os seus irmãos tamanho ódio contra ele, que não podiam falar-lhe sem azedume. Um dia, enquanto guardavam os rebanhos, veem chegar José, enviado pelo Pái, para os vigiar. — «Vamos, dizem uns para os outros, excitados por seu amor invejoso, matêmo-lo, e deitêmo-lo a esta cisterna.» Por conselho de Ruben, o mais velho, desistem disso, mas apenas José chega, despem-no, metem-no dentro da cisterna, e vendem-no depois por vinte peças de prata a mercadores ismaelitas. Ah ! quantas lágrimas não custou ao pobre pái a predilecção que tinha pelo filho! Rasgou as roupas, cobriu-se dum cilício, e não cessou de chorar, dizendo na amargara da sua alma: «Um animal cruel devorou José!» Em vão todos os outros filhos se reuniram para enxugar as suas l á g r i m a s . . . ele não quiz receber consolações. 0' mãe ! quanto vos não virá a custar essa ter* nura cega que dedicas a alguns dos teus filhos, e que recusas aos outros! As preferências injustas, que semeiam a divisão entre os irmãos, fazem também a desgraça dos pais, Lisongeia^ acaricia o teu

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filho, diz o Espírito Santo, e ele se fará temível. Esta criança, único objecto do amor de sua mãe, não tardará a persuadir-se de que tem direito a todas as distinções, com que a lisongeiam. 0 orgulho e o egoísmo, que as preferências desenvolvem nela, torná-la-hão arrogante, dura e insubmissa para com seus próprios pais, E as outras crianças, irritadas pela indiferença ou pelos desdéns que uma mãe lhes testemunha, que consolação darão a quem os trata tam injustamente? Em vez duma ternura filial, não terão para com ela, senão desconfiança e aversão* Se não podem afastar-se dela, pelo menos procurarão subtrair-se à sua direcção e à sua autoridade. Chegarão até a odiar aquela que se não pode maldizer, nem odiar, sem se tornar objecto do ódio, e da maldição divina. Insensatas são as mulheres cristãs, que só teem carícias e elogios para um filho favorito, talvez sob o pretexto de que ele é a esperança da família, ou para uma filha, porque mostra mais inteligência, amabilidade e graças exteriores que suas irmãs, não mostrando ter afeição aos outros seus filhos, nem tendo para eles senão palavras de desprezo ou de injúria, já em família, já diante dos extranhos. Emquanto que os filhos dum segundo matrimónio absorvem toda a ternura de sua mãe, os seus primogénitos são tristemente abandonados, e o pobre órfão não encontra senão uma madrasta naquella que deveria ter para com ele todo o amor e todos os cuidados duma mãe ! E que diremos das mulheres que ousam despojar injustamente alguns de seus filhos dos bens que lhes pertencem, para enriquecer os outros, ou desprezar gravemente a educação de alguns, para tornar mais brilhante a do filho preferido ? . . .

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Sem dúvida que, as que nos lêem, estão isentas de semelhante cegueira, mas talvez sintam no seu interior mais ternura por um filho, cujo carácter mais lhes agrada, e talvez desejassem dar-lhe provas de particular afeição. Que se acautelem contra esta tendência do coração, e não façam nunca exteriormente coisa que pareça preferência injusta. Se alguns filhos são menos hábeis ou mais feios que outros, é por ventura por culpa deles ? Seria, pois, cruel torná-los ainda mais infelizes, desprezando quem já está privado dos dons da natureza. Escutem agora esta observação sábia dum ilustre prelado : «Muitas vezes nos assustamos sem razão dos defeitos da primeira infância : sob uma <íasca muito grosseira há às vezes um tronco vivo 9 cheio de seiva, que dará excelentes frutos; como também uma superfície lisa pode esconder um fundo enganador... E' preciso sobretudo desconfiar do /que se chama lindos meninos. Não digo que nos devemos prevenir contra eles, mas é bom saber que xaro dão o que prometem * (*).

í ) Mgr, Dupanloup.
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i Cuidados que reclamam a vida e a saúde da criança

Não ameis só com a boca e com as palavras, diz o Espírito Santo-, mas amai com as obras e com a verdade. Deus não ordena só à mãe cristã um amor de afeição e de puro sentimento, para com os seus filhos, mas também uma dedicação eficaz e gonerosa, que tanto tome cuidado do corpo, como da alma. Seria estéril e vã a ternura da mãe, que não desse a seus filhos os cuidados corporais e espirituais que trataremos de expor, no decurso desta obra. Os primeiros cuidados corporais que a mãe deve a seus filhos têem por objecto a vida e a saúde destes tenros seres, cujo desenvolvimento físico Deus lhes manda vigiar. A solicitude da mulher, pela saúde e pela vida de seu filho, deve começar desde o instante em que começa a ser mãe. E para ela um dever rigoroso evitar tudo o que poderia prejudicar o fruto que traz no seio, pola benção do Céu- Durante o tempo de gravidez e sobretudo durante o segundo e terceiro mês, segundo afirmam os médicos, a vida da criança é mais frágil, e seria da parte duma mulher uma culpável imprudência levar carretos pesados, ou entregar-se a graves excessos de intemperança, a
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trabalhos muito peníveis, a violentos excessos de cólera, a longos e amargos pesares. Quantas crianças nascem disformes, por culpa de sua mãe, quantas morrem antes de nascer, sendo ao mesmo tempo privadas da vida do corpo e da da alma. Desgraça irreparável que uma mulher deve prever e prevenir, pela mais atenta vigilância. Se semelhante desgraça acontecesse por sua culpa, seria para encher a sua vida de tristeza e de remorso. «Também com que respeito religioso traz uma mulher cristã no seu seio, como num santuário abençoado por Deus, a graça que dele recebeu. Com que inefável solicitude ela pensa nesse fraco corpo, que faz parte do seu próprio! Que santa gravidade, que reserva, que sossego de todas as paixões, afim de que a vida da criança se forme sem abalo, na profunda paz duma alma tranquila, e para que assim esteja predisposta, tanto quanto possível, para costumes pacíficos e virtuosos! (*) Depois do nascimento da criança, de que nova solicitude não é preciso rodear, especialmente durante os primeiros meses, esta existência tão frá- + gil e delicada ? Que atenção para não deixar a criança sofrer frio ou fome, para a preservar do ar húmido ou viciado, nunca pondo o berço num sítio fresco ou imundo! Quem o ignora? A humidade ou pouca limpeza do berço e do vestuário são a origem duma multidão de doenças. Bastantes mães na aldeia podem acusar-se neste ponto. Ninguém o ignora: uma mulher tornar-se-ia culpada, deitando na sua cama, em riscos de a sufocar, uma criança que tivesse menos de um ano.

(*) Mgr. Dupanloup

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E não será também uma censurável negligência deixar por muito tempo as crianças sós, expostas a deitaram fogo à casa, a darem quedas perigosas, a ficarem debaixo dos pés de algum animal, ou confiando-as a outras crianças muito fracas para as trazerem, e incapazes de as defenderem? Quantas imprudências deste género se cometem todos os dias? E' verdade que raras vezes são seguidas de acidentes graves, mas se os anjos da guarda das crianças as preservam dos perigos a que são expostas, as mãos serão inocentes perante Deus? E necessário ainda não embalar rudemente as criancinhas, nem consentir que se deitem com pessoas adultas ou doentes. Quando, protegida pela ternura materna, a criança cresce e se fortifica, é preciso cuidado ena não a ocupar em trabalhos superiores às suas forças, especialmente sendo assíduos e prolongados; seria arrumar a saúde duma criança submeter-lhe o corpo a muito rudes trabalhos. Muitos jovens tê em uma estatura estiolada, são contrafeitos e gastos aos vinte anos, por causa de excessos de trabalho, a que foi condenada a sua infância. E preciso olhar por isso, e decidir-se se devem ou não admitir-se crianças de dez a quinze anos em oficinas ou fábricas, onde, se diz, ganham a vida cedo, mas onde muitas vezes também, ganham bem cedo a morte. Haverá pais cristãos, que levem a dureza a ponto de fazerem sofrer maus tratos a seus filhos, que tão funestos são ao temperamento morai, como à saúde? Poderia uma mãe recuar cobardemente diante das despesas dum médico e dos remédios para um seu filho doente ? A pobreza impõe, é facto, a dura necessidade de vêr sofrer aqueles que se amam, sem poder procurar-lhes ali7 r

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vio ; mas então uma mulher cristã sente mais do que o filho os sofrimentos que não pode mitigar. M . Acarie tratava os próprios filhos, quando estavam doentes, passava as noites junto deles, e prestava-lhes todos os serviços de que careciam» Quando eles lhe diziam que se deitasse, ela respondia que a sua consolação era aliviá-los. E a caridade com que tratava os filhos, os animava a sofrer as doenças com paciência; prestavam-se a tudo, para lhe pouparem fadigas, por sua própria cura; enfim aprendiam dela a vencer-se, quando era preciso prestar aos outros os mesmos serviços
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R ama da criança

Quando Deus dá uma criança à mãe, diz-lhe: «Recebe esta criança, sustenta-a, e eu te darei a recompensa.> Uma mãe cristã nunca deveria, sem legítimas razões, permitir que o seu recem-nãscido aceitasse o seio doutra pessoa. A natureza ordena-lhe que o sustente ela própria, e o amor materno deveria levá-la a não recuar diante desta tarefa. Um leite estranho, sendo menos em harmonia com a natureza da criança, é sempre menos salutar, e a criança não ama tanto a mãe que a não amamentou. Uma estranha recolheu as suas primeiras carícias, recolheu o seu primeiro sorriso.
( ) Estes factos são atestados pelo Abade Boucher.
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Sabe-se que M . Acarie, depois de ter edificado o mundo pelo espectáculo das suas virtudes, entrou num mosteiro de Carmelitas. A Igreja declarou-a Bem-aventurada.

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acalmou os gritos, e enxugou as lágrimas das suas primeiras dores. A rainha Branca, mãe do grande S. Luís, não quiz nunca confiar a uma estranha o cuidado de dar o seio a seu filho. Num dia, em que ela estava doente, não permitiu que uma aia oferecesse o seio ao príncipe, dizendo que não queria partilhar com ninguém um encargo tão querido para o seu coração. — Posto que muito nova, duma saúde delicada e encarregada dos cuidados duma grande casa, M . de Chantal sustentou com o seu leite, os seis filhos que teve em oito anos de casamento; e hoje ainda mulheres notáveis por seu nome e fortuna, seguem os exemplos destas santas e generosas mães. » Não se poderiam condenar, é certo, as mães, que, por boas razões, encarregam uma ama, de amamentar os seus filhos. Mas será a mesma coisa recuar diante deste dever por vaidade, ou pelo fraco temor das fadigas e da solicitude materna? E não seria um crime entregar este depósito sagrado, sem se informar oém todo o cuidado da saúde, da vigilância, e principalmente do comportamento da ama, que deverá durante alguns anos guardá-lo para a mãe, e para Deus ? Porque, se a mulher cristã está em certos casos, legitimamente dispensada da obrigação de amamentar o seu filho, não o está nunca da obrigação de escolher uma ama de boa saúde e sobretudo de bons costumes. Quem o ignora? A criança suga com o leite as doenças e os vícios da pessoa que a amamenta
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( ) «Conheço, escreve o abade Bautain, uma pessoa que toda a vida foi atormentada por dartros cujo virus lhe foi transmitido com o leite da ama. Nada a pôde libertar. E terá este fogo no seu corpo até à morte, e além disso todos os ardores físicos e morais que êle produz, isto é um temx

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E além disso quantas crianças morrem no berço pela negligência das mulheres, a quem mães im~' prudentes as confiaram ? Seria também comprometer a saúde áama criança privá-la muito cedo do leite de que carece, para lhe impor outros alimentos que a sua fraqueza não pode suportar. Vivendo num estado vizinho da pobreza, algumas mulheres se apressam de desmamar antes do tempo o seu próprio filho, para oferecerem o seio a uma criança estranha, e dessa forma criar alguns recursos. Mas será permitido comprometer as forças e talvez a vida duma criança, para procurar uma vantagem material, por maior que ela possa ser ?
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Do sustento
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Desde que a criança já não carece do leite materno, é preciso que o seu sustento seja quanto possível são e abundante, mas sem profusão e sem vã delicadeza, como diz o Snr. Bispo de Orleans. Privar a criança dos alimentos substanciais necessários ao seu desenvolvimento físico, é condená-la a ficar sernnre sem vi^or. E facto que se devern abster de lhe dar de comer todas as vezes que o pedir, pois seria um abuso tão coudenável, como deixá-la sofrer fome. «E preciso, pelo contrário, diz Fénelon, regular por forma tal
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paramento irritável e uma actividade inquieta e febril» O Df. Descureis fala de crianças mortas por convulsões por terem tomado o seio das arnas, quando estavam ébrias, e momentos depois de se terem entregado a um acesso de cólera.

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as suas comidas, que coma muitas vezes, em proporção da necessidade; que não coma fora das suas refeições, porque é sobrecarregar o estômago, enquanto a.digestão não está acabada; que não coma nada que a excite a corner além do necessário, e que a desgoste dos alimentos mais convenientes à saúde; e que enfim lhe não sirvam muitas coisas diferentes, porque a variedade das carnes que veem uma atrás da outra, sustenta o apetite^ depois de satisfeita a necessidade de comer. > S. Jerónimo tinha escrito no mesmo sentido a uma senhora romana : «Que o alimento de sua filha seja simples; lhe dizia ele, dê-lhe costumes de temperança, e que se levante da mêsá, antes de estar completamente saciada.» A história de Santa Mónica diz-nos a que austero regime ela foi submetida, desde a infância. Nos primeiros anos, fora das horas em que se servia o seu modesto repasto a mesa de seus pais, ainda que estivesse devorada de eêdfe, a sua governanta não lhe permitia nunca beber uma gota de água, afim de a habituar à sobriedade, à penitência, à força da alma, e ao espírito de sacrifício. Para evitar que seus filhos se entregassem á sensualidade, M . Acarie fazia servir à mesa comidas comuns, e quasi sempre um só prato. Exigia ainda que nunca dissessem o seu gosto, e que nunca se fizessem exigentes. Uma de suas íilhas de dez anos de idade, tendo dito um dia que não gostava de certa comida, a mãe lha fez dar a todas as refeições, durante quinze dias. A criança ficou tão castigada, que nunca mais se desgostou de nada que se servisse à mêsa. A sua segunda filha gostava de fruta, mas a mãe, para lhe ensinar a temperar os desejos, tornava-lhe a pedir os frutos que lhe tinha dado ; ou, se notava que os
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comia muito depressa, fazia-lhe imediatamente retirar tudo diante de si. Tais exemplos condenam energicamente essas mulheres, que, nos nossos dias, fazem consistir toda a ternura para com os filhos, nas goludicès que lhes duo. Vivendo no hábito de tudo conciliarem entre si, fazem servir à mesa comidas de toda a qualidade. As crianças estão presentes ; passeiam uma vista ávida sobre todas essas superfluidades, e quando têem o estômago saciado, ainda não saciaram o desejo de gosar. A mãe de família nas aldeias vê-se obrigada a banir da sua mesa frugal essa variedade supérflua, mas permite que seus filhos comam a toda a hora, e com uma avidez muitas vezes inconveniente. E pois útil dizê-lo aqui, indo buscar as palavras ao Espírito Santo: Quem ama os festins, ficará na indigência . . . A intemperança levou ao túmulo grande número de pessoas; e quem se preservar das suas investidas terá uma longa vida. Uma dor que expulsa o sono atormenta quem comeu demasiadamente^ enquanto que um sono benfazejo faz descansar quem sabe moderar-se no uso da sua comida. Funesta á saúde, a intemperança faz também adormentar o espírito; abate a alma e tira-lhe toda a actividade. 0 estudo o o trabalho tornam-se, para a criança desregrada nas comidas um fardo, que é incapaz de sustentar. Desenvolvem-se nela as paixões com uma facilidade espantosa, e não encontram resistência viva que as reprima. A castidade, companheira e irmã da temperança, poderia estabelecer o seu império na alma da criança, cuja mãe, muito fraca, lhe lisongeia a gulodice ?
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Ajuntemos ainda com o Espírito Santo, que a moderação no beber faz a saúde da alma e do corpo. Também S. Jerónimo na sua carta a Lseta,

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nobre viuva romana, lhe recomendava que acostumasse sua filha a privar-se de beber vinho. Este conselho seria certamente pouco estimado pelos pais que vêem com ama louca e grosseira alegria os seus filhinhos despejar um copo de vinho puro, ou de licor, sem preverem as conseqüências que podem ter tais hábitos contraídos desde a infância ( ). Terminando este capítulo, inútil será exortar uma mulher cristã a repetir muitas vezes a seus filhos estas palavras dos nossos santos livros : Quando tiverdes comido e estiverdes satisfeitos, não vos esqueçais do Senhor vosso Deus. O cão tem uma carícia, para quem lhe atira um pouco de p ã o ; e, coisa triste é dizê-lo, há famílias, onde se come o alimento que Deus dá, sem que ofereçam da sua parte a este bom Senhor um acto do reconhecimento. E estas famílias dizem-se cristãs ! . . .
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Do estado

A criança cresceu, sob a doce influência dos cuidados maternos. Tornada forte e vigorosa, será daqui em diante capaz de se prover do necessário; é então um dever para os pais procurar criar-lhe uma posição, ou mandar-lhe ensinar um ofício que lhe forneça meios de se alimentar, e de viver duma forma que seja apropriada à sua condição e ao seu

( ) «A água fortifica o estômago e o corpo da criança, enquanto que o vinho debilita um e outro.» Hufeland, citado pelo abade Collomb.
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nascimento. Não ensina a ave os seus filhinhos a quebrar o invólucro do grão, de que eles se alimentam ? A águia não convida os seus filhos a voar com as suas próprias azas ? Seria cruel abandonar pobres crianças sem lhes fornecer um meio de existência, sem pôr nas suas mãos a ferramenta, de que terão necessidade para ganhar o pão. Como se hão de desculpar os que, vivendo numa honesta mediania, mandam os filhos para casa dum mestre, onde vão encontrar uma sujeição que não convém à sua condição, trabalhos acima das suas forças, e os maiores perigos para a sua inocência? São menos culpados os pais, que, recusando largar a mais pequena porção dos seus bens, dilatam iudefmidamente o casamento dos filhos ? Não prevêem a desordem em que podem precipitar-se os filhos, a quem fazem sofrer tam cruel recusa. Seria imprudente sem dúvida, que uma mãe abandonasse todos os seus bens. «Nunca cedas a outrem o que possuis, diz o Espírito Santo, porque mais tarde vens a arrepender-te. Mais vale veres os filhos aos teus pés a pedirem-te o que precisam, do que esperares tu deles o necessário. Quantas mulheres, na velhice estão reduzidas à mais horrível miséria, por terem dado tudo a seus filhos ! Mas para que não hão de ceder aos filhos, que estão em idade de se estabelecer, uma parte, do que a morte os constrangerá em br evo a abandonar ? Seria indigno duma mãe cristã recusar o dote a um filho que Deus chama à vida religiosa . .. Mas é preciso dizê-lo. Num século em que todos lêem sede de comodidades, num século em que todos querem elevar os seus a uma posição elevada, devemos menos prevenir as mães contra a negligência de que acabamos de falar, do que contra um desejo imoderado de procurarem a seus filhos uma posição mais elevada ou mais brilhante

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que a de seus pais. Ha mãe que faz mil esforços para fazer a felicidade daqueles que ama, e faz a sua desgraça, atraindo o seu desprezo. Um personagem dizia um dia ao porteiro : «Quando cá voltar esse sujeito que acaba de sair, díze-lhs que não estou em casa.» 0 velho voltou uma, duas, três vezes, e a resposta era sempre a mesma. No fim o pobre homem desatou a chorar, e exclamou : «E' muito duro ser expulso de casa de seu próprio filho í > 0 porteiro consternado, pôs-se a chorar com ele ; e este velho era efectivamente o pái do personagem em questão Ai dos pais, que, para procurarem a seus filhos uma posição vantajosa, recorrem h injustiça, ou a meios que a religião e os costumes reprovam, como se Deus pudesse abençoar uma fortuna formada sobre as ruínas da consciência ! V
Uma palavra acerca da agricultura

Seria agora ocasião de falar das diversas profissões e carreiras que podem abraçar os jovens. Se exceptuarmos algumas que são marcadas de infâmia, e que por conseguinte não podem ser escolhidas por uma mãe cristã, todas são úteis para bem da sociedade, todas têem dado eleitos ao Céu. Absternos-emos de tratar das vantagens e dos perigos, que cada uma delas pode oferecer. Falaremos dum estado muito desprezado, e todavia estimável, sob tantas
(i) " O abade Mullois.

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relações. Falo da agricultura, dessa arte que se podechamar a base da formação dos povos, a agricultura, de que todos os poetas cantaram os encantos, e que tão honrada foi por todos os povos, a ponto de ser considerada a honra da virtude. Segundo a expressão dos nossos livros santos, a agricultura foi criada pelo Altíssimo, e o próprio Deus nos proíbe de a desprezar. E' porque ela produz a saúde, a virtude, e a fé, três dos mais preciosos bens. «A loja, o armazém, o escritório, o gabinete, são lugares bem tristes, nauseabundos e doentios ! exclama um escritor contemporâneo, e quanto sofrem aí dentro encerrados esses pobres forçados que a indústria, o comércio, o estudo, e os negócios aí retêem de manhã até á noite, em que o corpo se tortura e a alma se aniquila! Mas a oficina do aldeão é a imensidade dos campos !> Aí, sob a benéfica influência dum ar puro e abundante, desenvolvem-se as forças físicas do lavrador, que ésustentado por alimentos sãos, e fortificado por violentos, mas salutares labores. Por isso é que, quem quizer encontrar membros vigorosos, corpos robustos e velhos ainda ágeis e valentes, embora em avançada idade, nada mais tem do que dar um passeio pelas aldeias, e travar conhecimento com os seus habitantes. Com a saúde, floresce muitas vezes a virtude, na seio da vida campestre. Os penosos trabalhos da agricultura, fatigando o corpo, reprimem-lhes as revoltas. A alimentação simples e frugal do lavrador deixa adormentado o fogo das paixões, que os exemplos perversos do mundo não são capazes de despertar. E' também entre os lavradores que se encontra ainda viva essa fé dos nossos pais, que parece hoje prestes a extinguir-se. «Se há um facto que não sofre contestação, escreve Mgr. Plantier, é que

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as povoações agrícolas são por toda a parte as mais religiosas. <Noutros estados, não sendo o homem testemunha, senão das obras do homem, esquece mais facilmente o seu Criador, cuja acção não lhe é perceptível; e, sentindo-se autor de tudo o que o rodeia, conta consigo próprio, e julga poder passar sem Deus. Mas o lavrador está sempre em face das obras maravilhosas do Criador. Todos os dias o Senhor patenteia a seus olhos os tesoiros do seu poder e da sua misericórdia, e muitas vezes também faz estalar a sua cólera. As flores e os frutos; as neves do inverno e os fortes calores do estio; o orvalho bem-fazejo e a saraiva destruidora, o sol que fecunda e a nuvem negra onde se amontoam as trevoadas, tudo isto fala de Deus ao lavrador, e lhe faz sentir a sua dependência daquele de cuja misericórdia ele espera o pão de cada dia, e cuja cólera, caso se desencadeie, o deixaria sem recursos. Além disso o lavrador, na sua aldeia, está muito mais ao abrigo da impiedade, que o habitante das cidades, porque as publicações anti-religiosas poucas vezes ali chegam. Por isso venera o sacerdote, respeita a autoridade da Igreja, cujas leis se presa de cumprir, acata a religião e os seus dogmas. Que mais poderemos dizer acerca das consolações da vida dos campos, das doçuras da família, que só o lavrador sabe gosar? 0 que dissemos é mais que suficiente para mostrarmos quanto a agricultura é útil e digna de respeito, pelas grandes vantagens que prodigaliza — «O lavradores ! — disse há muitos séculos um poeta, que felizes seríeis, se soubésseis apreciar todos os bens que a agricultura vos proporciona !» E, dirigindo-nos às mulheres do campo, diremos: — Nada mais podeis desejar para vossos filhos que a saúde, a virtude, e a religião, com as
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doçuras duma vida simples e pacífica, que a agricultura abundantemente lhes fornece. Longe, pois, de os desencaminhar, de os desviar duma profissão tam nobre e tam salutar, fazei-a amar e estimar, mostrando-lhes a sua utilidade e os seus encantos. Insuílai-lhes gosto para os trabalhos campestres, e para essa vida laboriosa e rude, que é a guarda da sua inocência. Ensinai-lhes a amarem esse campo, regado pelo suor dos seus pais, e essa choupana, onde morreram os seus avós. Inspirai-lhes aversão por essa mania, hoje tam espalhada, de fugirem para as cidades, embora haja quem lhes aconselhe erradamente a fazerem-no. Mas hoje segue-se infelizmente outro caminho. Apenas um rapaz atinge os quinze anos, mandam-no procurar emprego para a cidade. As raparigas abandonam o seu tugúrio, para se transformarem em aprendizas de costureira, ou em criadas de sala de qualquer casa. Ou então amontoam-nas em oficinas, sem se preocuparem do que elas aí poderão aprender, ou dos exemplos que terão diante dos olhos. Mas— dizem os pais — aí ganham mais, e com menor trabalho. Pais insensatos, que assim raciocinais! Não pensais em procurar para vossos filhos senão o bem estar material, os vestuários à moda, e uma comida mais delicada? A inocência não vale nada? E a sua salvação eterna? Pois quê! Atirais as vossas filhas para longe, para um mar tempestuoso, onde provavelmente naufragarão, e, perdida a virtude, e e talvez a fé, consolais-vos com o pensamento da abundância em que vivem! São esses os vossos sentimentos cristãos? Mas essas grandezas, esses sonhos de felicidade dificilmente se realizam, porque, se na cidade se podem encontrar empregos mais lucrativos, gasta-se também muito mais, e a saúde altera-se com

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muito mais facilidade.— «A vida no campo, diz um escritor, é menos brilhante, mas é mais segura e mais sólida; o dinheiro colocado na terra, está sempre na mesma; mas na indústria, passa uma borrasca e leva tudo. Ha seis meses um homem era rico, hoje está crivado de dívidas. No campo, são menores as soldadas, mas podeis trabalhar todos os dias. Além disso, vem uma perturbação nos negócios, uma exuberância de produtos, e eis milhares de operários postos na rua. Hoje, nas grandes cidades, está tudo cheio de desgraçados, de pais de família que veem agonizar os seus queridos filhos, e que nos vêem dizer : — «Salvai-me, tende piedade de meus filhos ; trabalharei muito barato ; mas antes quero ganhar alguns soldos do que mendigara — Eis o que nós vemos todos os dias, o que nos aflige. Para terminar: Onde se encontra a grande massa dos pobres ? E' no campo ou na cidade ?> VI
Da economia

Visto que, — como acabamos do o provar — , a mãe cristã tem obrigação de fornecer, a seus filhos um meio de existência, estabelecendo-os em conformidade com a sua condição, segue-se que deve procurar recursos necessários para cumprir este dever, e obtê-los-há, por meio da economia, que não é outra coisa, senão a arte de bem governar uma casa. • «A maior parte das mulheres, diz Fenelon, desprezam a economia, por considerarem que é 4

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ama condição vil, só própria de lavradores e de operários ; e a economia é uma sciência, que só por ignorância se pode desprezar. E' preciso efectivamente um génio bem mais elevado, e mais' largo do que têem algumas donas de casas, que querem verdadeiramente olhar por tudo quanto diz respeito à sua elevada missão, não perdendo o geral costume de quererem discorrer sobre modas, dedicar-se ao inglório tiroteio da conversação.» O próprio Deus ordenou a economia à mulher o que se pôde ver, em muitos lugares da Escritura. Aí se lê efectivamente, que Raguel e sua mulher, ao despedirem sua filha, que se casava com Tobias, lhe recomendaram que «bem dirigisse a sua família, e bem governasse a sua casa.* A mulher forte, diz o Espírito Santo, faz as suas provisões de lã e de linho, obra que ela faz por suas mãos. Levanta-se ao romper do dia, para tratar da alimentação da sua família. Se encontrar um campo, que aumente o seu património, compra-o, e' manda aí plantar uma vinha, com os recursos obtidos por sua indústria. Se vê que as suas empresas progridem, redobra de ardor, e não deixa apagar a alâmpada durante o noite, afim de trabalhar cada vez mais. Tanto emprega as mãos em rudes trabalhos, como em casa se ocupa a manejar o fuso. Não deve temer para a sua casa, nem o frio, nem a neve, porque todos os criados têem uma dupla andada de roupa, para se resguardarem. Examina com cuidado tudo o que se passa em torno de si, e não come o seu pão na ociosidade. > Tal é o modelo que Deus pôs, sob os olhos das mulheres cristãs, afim de as excitar a imitá-lo. Como a mulher forte, de que fala a Escritura, deve a mãe de família procurar adquirir 05 bens que lhe são necessários, e conservar os que
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já possui; e é nestes dois pontos que se encerra tudo quanto temos a dizer, acerca do bom governo duma casa. 0 que não há,.adquire-se pelo trabalho, e pela indústria. Não carecemos de gastar tempo a provar que o trabalho é necessário a todos, para nos preservar dos vícios que são gerados pela ociosidade, posto seja bem poderosa esta consideração para nos excitar a amar o trabalho. Limitar-noshemos a dizer com a Escritura, que todo aquele que não trabalha há de viver sempre na indigência. Ainda que rico seja, cairá sobre ele a pobreza, como um soldado armado.» Pelo contrário, «a ceifa do homem diligente é abundante, como as águas duma rica fonte, e a miséria foge para longe dele.> Todavia, para que o trabalho seja eficaz, deve ser dirigido com certa habilidade. E* certo que há trabalhos, cujos suores e fadigas ficam sempre estéreis, por não serem fecundados pela indústria; enquanto que outros florescem com menos dificuldade, porque são feitos com inteligência. Uma mãe de família, industriosa trata, pois, de indagar o género de trabalho ou de negócio, de que mais proveito possa tirar, e depois de o ter descoberto, aplica-se a êle, sem descanço. Uma coisa importante, é dar de mão a êscps mil passatempos que ocupam de ordinário muitas horas, em certas classes da sociedade, e já têem ocasião de melhor se ocupar dos seus negócios. Ainda mesmo que os seus rendimentos lhe cheguem abundantemente para todas as suas despesas, nem por esse facto se deve julgar dispensada da grande lei do trabalho. Dessa forma é que a ilustre santa Isabel, duqueza da Thuringia, longe de empregar as horas vagas em distracções mundanas, fiava lã com suas damas de honor, fazendo depois por suas próprias mãos roupas para os seus

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pobres. —• Nunca se encontrava a baroneza de Chantal Q-) desocupada, escreve um historiador da sua vida» Se alguém a ia visitar, era com a obra na mão que recebia as suas visitas. Rogando-lhe um dia a sua criada particular, que repousasse: «Oh! não! disse ela. Se eu perdesse tempo inutilmente, julgaria fazer um roubo h Igreja, e aos pobres, a quem o destino.» Para conservar o que se adquiriu, é preciso primeiramente evitar tudo o que sejam despesas supérfluas. Inútil será recomendar a mulheres cristãs, que não dissipem, por meio do jogo, os bens que lhes custaram a adquirir. E' bom aqui dizer com o Espírito Santo: «Quem procura os festins, cairá na indigência.* Quantas fortunas arruinadas, pelo luxo da mesa! Se as conveniências sociais nos obrigam a receber condignamente parentes e amigos, não há coisa alguma que nos obrigue a multiplicar inúteis convites, nem a apresentar, em simples jantares de família, uma ostentação que a religião condena! Algumas mulheres dissipam todo o fruto dos seus trabalhos, procurando para seus filhos tudo quanto lhes possa lisongear as paixões nascentes; como se vê, em certas famílias há dias de festa em que a mesa regorgita de mil variadas eguarias, enquanto que no resto do ano chega a faltar até o necessário! 0 luxo dos vestuários é outro abismo, em que se consomem muitas vezes as fortunas. Não há mulheres, que por suas vaidades, e pelas loucas
(*) Santa Joana Francisca de Chantal, viuva do barão do mesmo título, natural de Dijon, faL em 1641 ; Foi canonizada por Clemente XIII. Foi fundadora da ordem da Visitação, e avó da celebre M . * de Sevigné. (N. do Trad.)
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despesas que fazem, são a desgraça dos seus maridos ? E todavia é para lhes agradar, que elas dizem que se adornam. Mas quanto não se afastam do caminho traçado pelas santas, que, como diz um apóstolo, tinham cuidado de ganhar o coração de seu marido, ornando-se de modéstia e de submissão ! — «A compostura de santa Joana de Chantal, tam modesta, antes do casamento, ainda mais se tornou depois; deixou os ricos vestidos da sua mocidade, e vestiu fazendas mais baratas ; suprimiu todas as despesas de toilette, a tal ponto que se dizia dela que nada tinha novo na sua pessoa, senão o rosto.» A respeito do luxo das casas e da sumptuosidade da mobília, nem vale a pena falar, porque ninguém ignora as funestas conseqüências da vaidade. Para se conservar o que se possui, importa também acautelar-se de toda a empresa imprudente, havendo todo o cuidado de só comprar, não o que se deseja, mas o que seja verdadeiramente necessário- E visto que a miséria segue de perto as dívidas, é necessário, quanto possível, pagar logo tudo aquilo que se compra. E' o meio de obter os géneros por um preço reduzido. E haja muita cautela em não reter por muito tempo o salário dos criados e dos operários. Os bens conservam-se por meio duma atenta vigilância, sobre tudo o que se passa na casa. A mulher deve estar ao facto de tudo quanto diz respeito à sua fortuna, assim como das receitas e das despesas, dos rendimentos e das dívidas, do guardaroupa e do mobiliário ; deve vigiar os criados* para vêr se cumprem as suas obrigações; e não deixar passar em claro nem o comércio, nem a agricultura. O justo, diz o Espírito Santo, até conhece o número exacto de todos os seus animais: isto é não des-

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preza nenhum dos mais humildes cuidados, que" digam respeito à economia, A pouca limpeza e a desordem também gastam e deterioram os objectos. Eis a razão porque a mulher cristã deve fazer reinar na sua casa a ordem e a limpeza-—<Nada contribui mais para a economia, e para a limpeza, escrevia Fenelon, do que ter sempre cada coisa no seu lugar. Esta regra parece pouco importante, e todavia iria longe se fosse exactamente executada. Precisais dalguma coisa? Não perdeis um momento a procurá-la. Não há disputa, nem indecisão, nem embaraço, quando se carece dela. Pondes-lhe a mão por cima, e quando vos tiverdes servido dela tornais a colocá-la no mesmo sítio, em que a encontraste. Esta bela ordem constitui uma das maiores propriedades da limpeza: é o que fere mais a vista vendo este arranjo assim perfeito. Além disso, sendo o lugar que se dá a cada coisa, o que mais lhe convém, não só para a boa graça e para o prazer dos olhos, como para a sua conservação, esse objecto dura muito mais tempo bem acondicionado ; está mais bem conservado, não se quebra por qualquer acidente; porque um vaso, por exemplo, não está tanto em perigo de se quebrar, quando é colocado no seu lugar, logo imediatamente depois de nos termos servido dele. «0 espírito de exactidão que faz colocar, faz também limpar. Além disso basta vêr, que por meio deste hábito, tiramos aos criados o espírito de preguiça e de confusão. <Mas da mesma forma que é bom evitar o excesso da polidez, é bom também não exagerar o excesso da limpeza. A limpeza, quando é moderada, é uma virtude; mas quando é exagerada, degenera, ou pode degenerar em pequenez de espírito. 0 bom gosto ^rejeita a delicadeza excessiva. Trata as pe-

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quenas coisas, como pequenas, e nunca se sente ferido Ç)>. Não esqueçamos que a economia é irmã gémea da liberalidade, visto que é impossível dar muito, se dissipamos quanto possuímos. «—Não se devem, diz, eliminar as despesas supéríluas, senão para mais facilmente poder cumprir os deveres que a amizade ou a caridade inspiram. Era tam caridosa a senhora de Chantal, que se levantava antes dos criados, para distribuir a cada um as suas ocupações diárias. E todos os dias, depois de ter ouvido missa, visitava as cozinhas, os páteos, e algumas vezes mesmo as quintas mais afastadas, dando a tudo ^ssa vista do dono, que tudo faz prosperar ( ). Ainda havemos de ter ocasião de falar, neste livro, de Virgínia Bruni, viuva falecida em Roma em 1840, na idade de vinte oito anos. Eis o que escreveu dela o seu ilustre biógrafo o Padre Ventura: — «Virgínia costumava dizer: Ai das famílias, em que as mulheres não servem para nada, ou nada querem fazer?* Ela própria deitava mãos a tudo, fazia tudo; e quando lhe pediam que não ultrapassasse os limites impostos pela dignidade das conveniências, respondia: «A dignidade duma dona de casa consiste em fazer tudo quanto possa interessar à sua casa. Tinha uma aptidão particular para toda a espécie de trabalhos próprios do seu sexo, e por isso tudo o que servia a seu uso pessoal, ao de suas irmãs e de seus filhos, saía de suas mãos. Coisa alguma faltava em sua casa, e dedicava uma extrema vigilância, a que nada se perdesse. Custava-lhe menos, conforme o que lhe diziam, fazer má figura, do que fazer despesas inúteis.
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Fenelon. Da Educação das meninas. Abbade Bougaud.

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Tinha-lhe seu pái dado a mais ampla liberdado . para fazer despesas, nunca lhe pedindo contas— «Quanto mais meu pai confiar em mim, dizia ela, mais zelo devo empregar em guardar-lhe os interesses.> Longe, portanto, de abusar, em favor da sua própria vaidade, da largueza que lhe deixavam para dispor do dinheiro da casa, quando se tratava de fazer a mais pequena despesa para si, era preciso que seu pai a estimulasse, chegando êle às vezes a qualificar de falta esta virtude de sua filha. Magnifica falta, na verdade ! Oxalá que hoje essa falta se tornasse comum a todas as mulheres? Pois por mais económica que Virgínia fosse do dinheiro, entregue à sua disposição» ainda era mais económica do tempo, pois que se desvelava em não o perder. Fugia à ociosidade e aconselhava os outros a fazerem o mesmo. Trabalhava menos por necessidade e por economia, que por gosto. Depois da oração, só o trabalho fazia as suas delícias e consolações. As mulheres verdadeiramente piedosas amam o trabalho, quasi tanto como a oração. Acham no trabalho um meio fácil, para se acolherem à oração^ e na oração, um incitamento para o trabalho. «A lamentação mais vulgar que hoje sái da boca das mães de família, mesmo da classe média é esta: — «Não há tempo para fazer nada». Isto é uma verdade. Mas uma das principais razões é a freqüência dos teatros e das soirées, que se prolongam a ponto de se fazer da noite dia, e do dia noite. Se a nossa excelente viuva tinha tempo para tudo, é porque, sendo dona de casa e mãe, levantava-se de madrugada, antes dos criados, e antes de seus filhos, estando já de pé às quatro horas e meia, mesmo durante o mais rigoroso inverno. Em seguida ia a uma igreja vizinha cumprir os deveres impostos à sua piedade, e depois de aí ter empre?

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gado o tempo necessário, voltava rápida para casa,, fazendo violência à "sua própria devoção, e vinha ajudar a vestir os seus filhos, e presidir às suas orações. Dava depois instruções, para o que restava a fazer na casa, durante o dia, e punha-se a trabalhar, com o empenho e a diligência próprias de quem vive do seu trabalho. «Era assim que ela fazia, para aumentar o dia, e encontrar tempo para os cuidados da casa, para as visitas de dever e de conveniência, e ao mesmo tempo para todos os exercícios de religião, para todas as obras de caridade cristã.»

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CUIDADOS ESPIRITUAIS
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O zelo

Os deveres que expuzemos até aqui para a mãe, embora graves e importantes, são bem menos graves e importantes do que os de que nos resta a tratar. Até qui efectivamente só nos ocupamos dos cuidados que íêem por objecto o corpo e a vida natural da criança, e daqui por diante vamos ocupar-nos da cultura da sua inteligência e da vida sobrenatural da sua alma. Divino Salvador, Palavra eterna do Padre, Luz incriada, falai ao ouvido do coração de todas as mães, e iluminai o seu espírito, para que todas compreendam e sintam de que tesoiros são depositárias, e quais os cuidados que devem ter, para vo-los conservar. Concedei-lhes essa graça, para que elas, deixando este mundo, possam dizer, com verdade, o que vós dizíeis a vosso Pai, na véspera do dia em que derramastes o vosso sangue pela salvação dos homens: Meu Pái, cumpri a missão que me -confiastes: guardei os que me destes, e nem um só de entre eles se perdeu. Não há nada, debaixo do Géu, que seja comparável à beleza da alma humana, — «0 mundo inteiro, e todos os milhares de tesoiros que ele encerra, não podem sequer aproximar-se do seu preço»

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diz S. João Crisóstomo. Suponde uma balança imensa. Colocai num dos seus pratos todas as riquezas da terra, e todas as criaturas privadas de razão, embora fossem transformadas em ouro, e noutro prato colocai uma única alma. Esta alma pesará mais que todas as riquezas amontoadas. E' que, segundo o pensamento de St. Tomás, a alma humana é a mais excelente criatura que há na terra; ó o ornamento, a beleza do mundo, a obra prima saída das mãos de Deus, e a sua imagem viva í ), a irmã dos anjos, destinada a partilhar da sua glória. Para resgatar as almas, foi necessário o sangue de Jesus Cristo, o sangue de um Deus! Qual não é pois o seu preço? Eis a razão por que todos os santos têem dedicado um generoso amor para com as almas. — Por elas, exclamava S. Paulo, de boa vontade me entregarei, me dedicarei todo inteiro.» — «0' meu Padre, dizia a um religioso, Santa Catarina de Sena, se soubésseis quanto uma alma é bela e qual é a perfeição dessa obra prima, não duvido que, para a ganhardes para Deus, désseis de boa vontade cem vidas, se as tivésseis. > —Santa Madalena de PazzL exclamava com todo o ardor do seu zelo: «Oh! se me fosse possível voar às índias, ou por entre os Turcos, para converter as almas, como todos os trabalhos e todos os sofrimentos me pareceriam doces !> Se pois os santos têem tanta dedicação pelas almas, que lhes eram por assim dizer estranhas, qual não deve ser o zelo da mulher cristã, para com a alma de seus próprios filhos! Uma beleza passageira que notais no rosto do vosso filho, ou da vossa filha, ó mãe, faz nascer tanta ternura no
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( ) Citado pelo Padre Sainte-Jure, de quem extraíamos algumas das reflexões contidas neste artigo.
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vosso coração, e tomais tanto a peito conservar a vossos filhos essa vida que de vós tiveram : de que caridade não deveis ser abrasada, para com as suas almas, de quem a fé vos descobre a excelência? Com qüe infinito cuidado não devereis preservá-las de tudo o que poderia desfigurar a sua sobrenatural beleza, e extinguir nelas a imagem de Deus ? 0 que não deverieis tentar para as retirardes do medonho perigo duma perda eterna, quando o pecado a tanto as condenasse ? Santo Agostinho teve a infelicidade de esquecerse de Deus, durante a sua mocidade. Eis o que depois da sua conversão êle próprio escreveu, acerca de sua mãe: *No tempo dos meus erros, (*) ela chorava-me bem mais amargamente, do que outra qualquer chora um filho sepultado. As suas lágrimas corriam com abundância . . . e com elas regava a terra por toda a parte, onde erguia para vós as suas preces, ó meu Deus; a todas as horas do dia vos dirigia súplicas e gemidos, por minha intenção . .. Viu-me partir para Roma, e o seu coração parecia despedaçar-se, seguindo-me até à beira-mar. Obstinava-se em não me deixar, pedindo-me que consentisse me fizesse companhia. Durante a minha ausência, continuou a orar por mim, e vós, o Deus, que estáveis presente, em toda a parte, onde quer que ela estava a escutáveis ; e também para onde eu estava, voltáveis os vossos olhos piedosos, restituindo-me a saúde ao meu corpo enfraquecido após uma grave doença . . . E não permitistes que eu morresse nesse estado, o que seria para mim uma dupla morte, e para o coração de minha mãe uma ferida de que não poderia restabelecer-se, porque não sei

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Santo Agostinho — Confissões.

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exprimir em que elevado grau por ela era amado, nem quantas dores a dilaceravam. Sem diivida que também havia de sentir a morte dum filho que muito amava, e esse facto seria um golpe profundo no seu coração. Um dia pediu a um bispo o favor de falar algum tempo comigo, a vêr se me convencia a voltar para Deus, (o que ela fazia a todas as pessoas que julgava terem alguma autoridade, para me demoverem a isso). — «Pois, minha filha, respondeu o bispo, continuai a orar, porque não é possível que o filho de tantas lágrimas se possa perder.» Com efeito, Deus das misericórdias, terieis vós humilhado o coração duma viuva casta, de costumes severos e rígidos, generosa para com os pobres... que nunca deixava de freqüentar o templo, de manhã e de tarde, para aí ouvir a vossa palavra, e ser ouvida por vós, nas suas orações? Terieis podido, ó meu Deus, desprezar as lágrimas da mulher que não vos pedia ouro nem prata, nem alguns dos bens passageiros e mortais, mas a saúde da alma de seu f i l h o ? . . . Minha mãe, continua ele, a quem a piedade dava uma grande força da alma, veio ter comigo a Milão, tendo-me seguido por mar e por terra, sempre tranquila, nos maiores perigos, pela confiança que tinha em vós, e não tinha cessado de me chorar noite e dia, como se eu tivesse morrido, e a quem vós devieis ressuscitara Chegada a Milão, pôs-se Santa Mónica em relações com Santo Ambrósio, de quem o filho admirava a eloqüência, e procurou tornar freqüentes e íntimas as relações do filho com o santo bispo. Muitas vezes levava consigo o filho, quando visitava o prelado, e algumas vezes o mandava só, ora com um pretexto, ora com outro, aparentemente para lhe pedir conselhos sobre um ponto que lhe dizia respeito, mas na realidade, para fornecer ao filho

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ocasião de conversar com o santo doutor. Enfim, depois de vinte anos de gemidos e de súplicas; teve Santa Mónica a ventura de ver seu filho receber o baptismo e abraçar uma vida de desinteresse e de sacrifício. Algum tempo mais tarde, chegando com ele à praia, decidida a embarcar para África, no fim de uma sublime conversa, acerca do Céu, pelo qual sd viviam essas duas grandes almas, disse Santa Mónica a Santo Agostinho : — «Meu filho, nada agora me retém sobre a terra ; já não sei porque aqui me conservo, visto que já realisei todas as minhas esperanças. Só desejava viver,' para te ver cristão e católico, antes da minha morte. Deus fez mais, pois que te vejo desprezar toda a felicidade terrestre para o servir. Que faço, pois, aqui agora ?> (*) E catorze dias depois, Santa Mónica exalava o último suspiro, nos braços de seu filho. Leonor de Bergh, princeza católica, tinha desposado Frederico Maurício de la Tour-d'Auvergne, duque de Bouillon, à maneira dos fieis da primitiva igreja, com a condição de que, abjurando a heresia, entraria no seio da Igreja; o que êle efectivamente cumpriu, desprezando as sugestões do sua família e dos seus interesses temporais mais manifestos. Prematuramente viuva, a duqueza de Bouillon mostrou pela salvação de cinco filhos e de cinco filhas que seu esposo lhe tinha deixado, uma solicitude, cujos testemunhos são tão brilhantes e tam extraordinários, que de certo não seriam acreditados, se não fossem atestados por monumentos de que se não pode duvidar. A perseverança de seus filhos na fé verdadeira, que ela teve a glória de restabelecer
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Abade Bougaud

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na casa de Bonillon, foi desde então a única ocupado da sua vida. Mas, pressentindo, ao que parece, que também morria prematuramente, e assustada com o pensamento de deixar os tenros órfãos, sob a temível influência dos parentes do finado duque, todos calvinistas ardentes, tomou, por meio do testamento, disposições tais, que se pôde afirmar que nunca, pelo menos por similhante forma, se fez tam assinalada e tam admirável profissão de fé. Neste acto das suas últimas vontades, Leonor de Bergh não trata senão duma coisa, — a fé de seus filhos. Institui o rei, o parlamento, os bispos, os senhores católicos, seus tutores honorários, implorando com lágrimas ao monarca, aos magistrados e aos prelados, que vigiassem não pelos bens temporais ou pelo seu futuro no mundo, mas única, mas simplesmente pela pureza da sua alma, pelo interesse da sua salvação, único ponto que ela tomava a peito. Ordena aos cinco irmãos, e ás cinco irmãs, que ficavam órfãos na terra, que lessem freqüentemente, durante toda a sua vida, este testamento, onde se expande com efusão o amor do seu zelo pela religião católica, afim de se afervorarem cada vez mais por esta leitura na sua fé. Tendo tido a precaução de fazer escrever e de assinar, na sua presença, por cada um de seus filhos, a promessa de morrer católico, ordena que imediatamente depois da sua morte essa promessa seja posta entre os seus dedos gelados, para ficar com ela encerrada na sepultura. E isto ainda não é tudo. Exige que os filhos que se conservarem fieis, reneguem e nunca mais conheçam aquele que dentre eles tiver traído a sua fé e a sua assinatura. «No dia —dizia ela depois, — em que nós ressuscitarmos todos juntos, voltarei meus olhos para vós ;

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e se houver algum que se tivesse desmentido da sua palavra, dir-lhe-hei: — «Vai, maldito e desgraçado ! Vai, pérfido e deslial, não te reconheço por meu filho; tu foste falso à fé de Deus, h sua Igreja, a tua mãe, à tua própria assinatura ; vai-te ! . . . > Pelo que fica exposto, julgar-se-há, sem dúvida, que todos os recursos da ternura maternal ficaram esgotados, e que, para ter a certeza de que a fé seria conservada no coração de seus filhos, nada mais podia fazer a duqueza de Bouillon. Pois enga•nar-se-ia quem tal pensasse. Convencida de que a fé católica é um bem superior a todos os bens, essa incomparável mãe ainda vai encontrar ura supremo recurso, — o de se oferecer ela própria como vítima. Na sua indizível apreensão de que um só de seus filhos, um só, pudesse, em assunto religioso, vir a vacilar uma única vez, implorava de Deus, como um insigne favor, de ficar até ao juizo final no Purgatório, se Deus assim o quizesse, e por esse único prémio, conceder-lhe a inabalável perseverança de todos os seus filhos na fé católica. Já era amor de mãe,! Os filhos da ilustre e virtuosa princeza não foram, nem podiam ser, indignos de tam admirável solici- • iude. Um deles foi cardeal da santa Igreja Romana ; duas de suas filhas, a pesar de todo o esplendor da sua posição, beleza e imensa riqueza, abandonaram as felicidades e grandezas humanas, e foram procurar o paraíso na terra, nos sofrimentos e na obscuridade do convento das carmelitas; —• todos enfim perseveraram . . . Felizes as mães, que, para com seus filhos, são animadas do mesmo zelo, que as mulheres admiráveis, cujos exemplos acabamos de citar ! Terão, neste mundo a consolação de ver os seus filhos amar e servir a Deus. Disse de Maistre, com razão: «Se a
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mãe souber cumprir os seus deveres, imprimindo profundamente na fronte de seu filho o carácter divino, pode estar certa de que a mão do vício nunca mais o apagará. 0 jovem poderá desviar-se do seu caminho, mas descreverá, se me permitis esta expressão, uma curva reintrante, que o trará ao pontodonde tinha partido. > E, acrescentamos nós, até mesmo nos seus erros e desvios, conservará tristezas e remorsos, sinais dum próximo arrependimento. $g xi*-^:-rM\ j s : Mas porque será, que, num século em que a caridade tanto se esfriou, esteja extinto o zelo no coração dalgumas mulheres mundanas ? Porque, prodigalizando sem cessar a seus filhos sinais de ternura,, não amam neles, senão o corpo, visto que a fé deixou de existir, nas suas afeições naturais, por onde se colige, que elas não amam. Sócrates dizia a Alcibíades : — «0 que não ama se não o vosso corpo, não ama Alcibíades; porque o que vos ama verdadeiramente, ama a vossa alma>. — Queridas crianças, que apenas sois amadas, dum modo natural, vós não sois. amadas por vossa mãe ! Que horrível desgraça! Semelhante a essa ave cruel, que mete os ovos na terra, e os abandona, vossa mãe não trata senão de vos procurar os gosos do mundo, e soterrando-vos também, não prepara a vossa felicidade no Céu. Preservando-vos, com uma atenta solicitude das quedas, que poderiam comprometer a vossa vida, não receia os abismos, em que se pôde precipitar a vossa alma! 0' infelizes mulheres, para que fostes vós mães? Seria somente para dar aos entes, que fizestes colocar na terra, a vida corporal, que os animais dão ao seu fruto? Antes as vossas entranhas ficassem, para sempre estéreis ! Foi uma verdadeira desgraça o nascimento do vosso filho, pois que, por vossa negligência viestes chamar a desgraça sobre a vossa.

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cabeça, e sobre a cabeça de vososs filhos ! Quando, no tribunal de Deus, as infelizes vítimas da vossa negligência gritarem contra vós mais eloqüentemente que o sangue de Abel gritava contra Caim, que haveis vós de responder ? O Maria, ó vós a quem a sede das almas fez descer do Cóu sobre uma montanha dos Alpes, para derramardes sobre os vossos filhos, que se perdem, lágrimas abundantes de graça, deixai cair no coração de todas as mães uma centelha desse zelo que abrasa o vosso !
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II O baptismo Segundo o testemunho de S. Francisco de Sales, Santa Mónica, durante a sua gravidez, oferecia a Deus cem vezes por dia, seu filho Santo Agostinho.— Depois que aprouve ao Céu fecundar o seu casamento, M . de Boisy, mãe de S. Francisco de Sales, gostava de ir muitas vezes, perante os altares, dar expansão à sua alma reconhecida. — M . Acarie coin-agrou os seus filhos a Deus, antes mesmo de nascerem, e sua segunda filha declarou que devia a essa consagração, que tinha precedido o seu nascimento, a inclinação que sentiu para a vida religiosa, desde a sua primeira infância. Durante o período da gravidez, a mãe de S. Bernardo aproximava-se freqüentemente da sagrada mesa aíim de que Jesus Christo, descendo muitas vezes para ela aí colocasse um gérmen de salvação, para* a criança que havia de vir ao mundo. Devemos dizer, de passagem, que se uma mulher previsse que, sendo mãe, corria perigo de morte, seria obrigada, sob pena de peccado mortal
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a confessar-se de todas as faltas cometidas, e também a comungar. Além disso, toda a mãe que tem fé, esforça-se por meio da oração, pela freqüência dos sacramentos, e por uma vida santa, a atrair sobre o fruto, que traz no seio, a graça do baptismo, sem cuja recepção o Céu está fechado às nossas almas. — Todos nós nascemos efectivamente, manchados pelo pecado originai, privados da amizade de Deus, e indignos de o possuir na gloria; é um ponto incontestável da nossa fé. Para lavar em nós a mancha impressa pela desobediência de Adão, para adquirir a vida da graça, e o direito à posse de Deus, é absolutamente necessário o baptismo. Ninguém — diz a Verdade eterna — pôde entrar no reino de Deus, se não for regenerado pela água do baptismo, e pela virtude do Espírito Santo. Por isso, mal a criança vê a luz do dia, afim de não lhe fazer perder a salvação eterna, demorando-lhe um sacramento tam necessário, a mulher cristã trata de levar o mais cedo possível o seu filho ao templo do Senhor. Longe de imitar essas mães negligentes, que sob diversos pretextos, deixam muitos dias os seus filhos recém-nascidos, sob o império do demónio, a mãe cristã anceia por ver tornar-se filho de Deus, o ente que não poderá acariciar cora felicidade, senão quando estiver revestido da inocência baptismal Na dia do baptismo, escolhe-se para a criança um protector no Céu, cujo nome ela usará, e na
(') A mulher, que, em conseqüência dalgum desastre imprevisto, dá à luz o seu fruto, logo depois da conceição, tornar-se-ia gravemente culpada perante Deus, se por sua causa privasse esse pequeno sêr da graça do baptismo. A ignorância dessa obrigação tem fechado o Céu a bastantes almas, a quem se negou a felicidade de vêr a Deus... Não ex-

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terra um padrinho e uma madrinha. À mulher que em tudo se deixa guiar pela sua fé, não recorre ao calendário nem à mitologia, para aí procurar um nome distinto ou extraordinário ; não consulta senão o seu coração, e dá por protector ao seu recém-nascido um santo, por quem tenha uma especial devoção, devoção que fará passar mais tarde para o coração de seu filho. Não se envergonha dos grandes nomes dos santos apóstolos, que o mundo julga terem envelhecido. Há em algumas terras o feliz costume de dar às crianças o nome de Maria e de José; e, na mesma família, muitas filhas têem o nome de Maria, que se ajunta também ao dos rapazes, de sorte que os Àntónios-Maria, e os Josés-Maria não são raros. — 0' Virgem, protectora de todos nós, sem dúvida que protegeis duma forma especial os que têem o vosso nome, tam meigo e tara poderoso contra o inferno. Para padrinho e para madrinha convém escolher pessoas que possam, caso a criança venha a ser privada dos pais, cumprir a seu respeito todos os deveres dos próprios pais, isto é, que sejam capazes de os instruir nas verdades da religião, e nos deveres do cristão, de vigiar pela sua inocência, de os levantar quando eles caírem, e de lhes dar bons exemplos. Não são motivos sobrenaturais, mas apenas o interesse ou a vaidade que inspiram a certas mulheres o pensamento de chamarem como padrinhos ou como madrinhas, para o baptismo de seus filhos, cristãos, que do cristianismo apenas têem o nome,
pomos aqui detalhadamente a forma de administrar o baptismo nos casos de que se trata, porque o confessor melhor do que nós o poderá fazer. E se a mulher morresse antes de dar o filho à luz, deveria tomar, todas as precauções, para o baptismo de seu filho, porque a criança nem sempre morre com a mãe.

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e que são incapazes de cumprir as obrigações que contraem. No dia do nascimento, é grande a alegria da mãe ; mas no dia do baptismo é completa a sua felicidade. Quando, no regresso do santo templo, lhe entregam o seu filho baptizado, com que transportes não aperta ela contra o coração o seu pequeno anjo, esse santuário do Espírito Santo, esse membro vivo de Jesus Cristo ! Com que santa alegria não cobre de beijos essa fronte, ainda húmida da água regeneradora ! Convida todos os seus a associar-se à sua alegria, e todos se sentem santamente orgulhosos, de ver que um dos membros da sua família se tornou o filho adoptivo do Rei do Céu. Todavia a alegria deste dia deve ser santa, como a causa que a produz. Nunca misturem às festas do baptismo os regosijos mundanos. Num dia em que, em nome da criança, se renunciou ao demónio e se abjurou o mundo com todas as suas pompas, como é que se ousará militar sob o estandarte de Santanaz, entregando-se a divertimentos que ofendem o pudor ? Permitiria uma mãe, segundo a vontade de Deus, que, no momento em que Jesus Cristo acaba de lavar no seu sangue a nódoa original que manchava a alma do seu recém-nascido, e na própria ocasião desse grande bene-, fício do Céu, que almas cristãs se cobrissem das manchas da intemperança e do vício ? Seria uma desordem que poderia talvez atrair a ira do Senhor, sobre a criança que acaba de nascer. Longe, pois de tolerar um semelhante abuso, uma piedosa mãe não convidará senão algumas pessoas, cuja gravidade lhe seja conhecida, para assistir à festa do baptizado. Pelo menos nunca consentirá em sua casa essas reuniões de jovens de ambos os sexos, como se costuma fazer em algumas localidades. Será menos

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ruidosa a alegria, mas será mais suave. Deus nada encontrará digno de castigo, e as despesas serão menores, o que permitirá que se façam algumas esmolas. Foi assim que no dia do baptismo de S. Francisco de Sales, seu pái, o senhor de Boisy, distribuiu abundantes esmolas, no seio dos pobres. Depois do parto, deve a mulher cristã ir à igreja agradecer a Deus o mais breve possível; até seria mui louvável, se nos afizéssemos ao costume de ser a própria mãe que levasse seu filho para o apresentar ao Senhor. Depois de cada parto, Santa Isabel, rainha da Hungria, tomando o Filho nos braços, saía secretamente do paço, vestida mui simplesmente, e descalça, dirigia-se para uma igreja afastada, 0 caminho era longo e mau, porque era cheio de pedras agudas, que despedaçavam e ensanguentavam seus pés delicados. Ela mesma levava o menino, durante o trajecto, como tinha feito a Virgem Imaculada, e chegando à igreja, depunha-o sobre o altar com um círio e um cordeiro, dizendo: * Senhor Jesus Cristo, eu vos ofereço, como a vossa santíssima Mãe, o fruto querido do meu seio. Aqui, pois, meu Deus e meu Senhor, vo-lo entrego de todo o meu coração. Fostes vós que mo destes, vós que sois o Soberano e Pái amantíssimo da mãe e do filho. 0 único pedido que hoje vos faço, e a única graça que ouso pedir-vos, é que vos digneis receber esta criancinha, banhada pelas minhas lágrimas, no número dos vossos servos e dos vossos .amigos, e dar-lhe a vossa santa benção * í ).
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í ) M. de Montalembert,
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MÃE

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Da educação ; sua necessidade

Regenerada pelas águas do baptismo, a criançacresce pouco a pouco, e bem depressa começa, pelo seu sorriso, a dar o primeiro indício de inteligência. Então nascem novos deveres para a m ã e ; é mister que desde então se aplique com zelo à grande obra da educação. Educar a criança é cultivar o seu espírito, e o seu coração : o espírito enriquecendo-o com os conhecimentos necessários ou úteis : o coraçao, sufocando nele o gérmen das paixões e dos vícios, que crescem comnôsco, e implantando nele o amor do bem e da virtude. Em grande número dos nossos Livros canónicos a obrigação que Deus deu à mãe de bem educar os seus filhos, é expressa com tanta clareza, como força ; e acerca deste assunto, os mais sagrados interesses das crianças, os dos pais e os da própria sociedade,, se unem à voz de Deus, para repetir a todas as mães, pela boca do grande Apóstolo :— «Educai os vossos filhos segundo a lei, e no temor do Senhor» í ). O homem não abandonará na velhice o caminho que tiver seguido na adolescência; e é isso o que faz a desgraça quasi irreparável de quem tiver recebido dos pais uma má educação ou simplesmente nula. Infeliz! privado muito novo de sua mãe, ou tendo uma mãe negligente, sem ter ninguém que lance no seu espírito a semente da divina palavra j
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P) S. Paulo ad Eph. vi, 4,

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não sendo instruído nos seus deveres de cristão; sem ninguém para vigiar pela sua inocência; sem ter quem lhe arranque do coração os primeiros germens das paixões nascentes, e cultivar as flores das virtudes cristãs . .. que pode ser uma criança nestas condições? Crescem as más ervas na terra inculta da alma, e o mal desenvolve-se, sufocando todos os germens de bem. Fortificando-se nele diariamenteas tendências perversas, deixam acrescer raízes cada vez mais profundas. Como é possível deter os destroços desta torrente devastadora, que têem origem numa educação má, ou simplesmente desprezada? Onde arrastarão a sua vítima? Talvez à condenação eterna, porque a árvore cái para onde pendia. E', pois bem de recear que o mau, avergado sob o peso do pecado para os abismos do inferno, aí vá precipitar-se. Ao perigo duma condenação eterna, veem muita& vezes juntar-se todos os males que o vício arrasta atrás de si, para formar o triste apanágio do homem sem educação, Além disso, o remorso que segue de perto a culpa, envenena todos os prazeres, e não deixa um instante de sossego. E como poderemos ser felizes, estando privados da amizade de Deus> nossa única felicidade neste mundo? De mais a mais as doenças e até mesmo a morte, a miséria e o desprêso dos homens são muitas vezes o castigo temporal daquele a quem os cegos pais não souberam ensinar a combater as paixões. Quem não tem visto saúdes arruinadas pela l i bertinagem, fortunas dissipadas e aniquiladas pela vida licenciosa, um nome ilustre, ou pelo menos estimado, desonrado por quem o não soube usar ? São esses ordinariamente os frutos amargos duma educação má ou desprezada. Mas quanto são doces, pelo contrário, os frutos
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duma educação verdadeiramente cristã? Instruída -de seus deveres, e generosa em saber cumpri-los, uma mãe segundo a vontade de Deus, vigia com piedosa solicitude, sobre aquele a quem já deu a vida, mas a quem quer dar uma segunda vida, pela educação. Ensina-o a conhecer e a amar a Deus ; e reprimindo todos os movimentos viciosos que partem do coração, prepara para a virtude essa alma ainda tenra, que semelhante à cera, é susceptível de tomar todas as formas que lhe imprimirem. Protegida pelos cuidados maternos, cresce a criança em sabedoria, ao mesmo tempo que em idade; fortifica-se nela o hábito das virtudes, e conserva durante toda a vida a recordação dos conselhos e das lições de sua mãe. Até ao fim da vida observa a lei de Deus; ou, se num momento de fraqueza, se deixa transviar do caminho que lhe traçaram, e se abandona à vontade das paixões, virá um dia de sossego, em que, recordando-se dos cuidados piedosos com que sua mãe rodeou a sua infância, sentirá correr lágrimas de arrependimento, que lhe purificarão o coração. Não morrerá, pois, sem a esperança da felicidade eterna, que deverá a uma educação cristã. E esta paz, que excede todo o sentimento, partilha segura de todos quantos amam a Deus, a estima dos homens, o bom sucesso nos seus negócios, e uma saúde florescente, não são outras tantas vantagens que o justo recebe muitas vezes ainda neste mundo, ^ que deve a uma boa educação?—Visto, pois, que amais os vossos filhos, e que tendes obrigação de lhes procurardes a felicidade e a saúde, educai-os santamente, ó mães cristãs. Esquecer ou desconhece/ este imperioso dever, seria, além de os perder eternamente, atrair sobre as vossas cabeças as mais horríveis desgraças.

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Como corre triste a vida dum grande número de mães! Quantos suspiros partem do seu peito! Que torrente de lágrimas lhes inunda os rostos ! Pobres mães! E às vezes são elas a causa da sua própria dor! Desprezaram talvez a educação de seus filhos, e eles, mal educados, despedaçaram mais tarde o coração materno por seus erros, pelo infortúnio em que os lança o seu comportamento vicioso, pelo perigo em que vivem de perder a sua alma, algumas vezes pela sua insubmissão e até pelos ultrajes que infligem àquela que lhes não ensinou a lei de Deus, nem o temor da sua justiça. Mães infelizes, •que tanto abundam hoje infelizmente, é com razão •que chorais esse filho que se perde, ou para melhor dizer, que tendes perdido. Chorai, chorai, sem cessar ! Pelas lágrimas do arrependimento, abrandais a ira do Senhor, que essa culpada negligência atraiu sobre vossas cabeças! Mas vós outras que todas vos dedicais a formar cedo o vosso filho para a virtude e a gravar na sua alma o temor de Deus, só tendes que regosijar-vos durante a vossa vida, e à hora da vossa morte não será ele um motivo de tristeza: o próprio Espírito Santo é que vo-lo revela. 0 comportamento cristão -do vosso filho, a estima dos homens e a benção de Deus que essa mesma estima lhe atrairá, farão a consolação da vossa vida. Que felicidade não é para uma mãe pensar que, formando seu filho para os deveres de cristão, não só recolherá dele o amor e o respeito, mas ainda prepara um eleito para o Céu e um cidadão útil para a sociedade ! Podemos dizer, a este propósito, que actualmente, mais do que nunca, carece a mocidade de ser sã e verdadeiramente educada. Compreendida, oomo deve ser a educação, lima o carácter, aperfei-

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çoando-o,e abrandando-o ao mesmo tempo, sujeita-o a uma dependência e a obrigações legítimas, e ao mesmo tempo que lhe comunica a energia para santas resistência, inspi»ra-lhe os nobres sentimentos e as dedicações generosas* Vendo nós a geração actual sem cessar revoltada contra a obediência e o dever, unicamente apaixonada pelos gosos e o bem estar que a enervam, como não devemos assustar* nos pela sociedade assim abalada até aos fundamentos, e que devemos esperar dela, se uma boa educação dada à mocidade não vier assegurar as bases deste conjunto vacilante, e suster as ruínas que dentro em pouco desabarão infalivelmente ? A mãe, pois, que desprezasse o grande dever da educação, tornar-se-hia culpada ao mesmo tempo para com Deus, para com seus filhos, para consigo própria, e para com a sociedade. A h ! Senhor,, não permitais que uma só, das que nos lerem,, cometa similhante crime! Todas — assim o esperamos —, abraçarão com coragem, sem receios nem desfalecimentos, a nobre e laboriosa missão que Deus lhes impôs. Mas, é essencial este ponto, a boa vontade não é suficiente ; porque o primeiro cuidado duma boa mãe deve ser instruir-se de tudo quanto exige a missão que lhe é confiada, «porque,, diz Mgr. Dupanloup, a educação é uma grande arte, e uma sciência profunda e difícil; mas é a sciência necessária ao estado dos pais e das mães; é o dever imperioso da sua vocação ; ignorá-la, seria para eles a maior das desgraças, uma desgraça i n teiramente irreparável e sem desculpa, porque nada é desculpável, quando se ignora o que se podia e devia saber. Seria preciso, diz mais adiante o mesmo prelado, ter reflectido nos princípios a seguir na educação dos filhos, logo desde os primeiros tempos.. Todavia quantas alianças têem sido contraídas, quanr

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tas crianças se têem transformado em adultos, sem -que os deveres da educação tenham tomado corpo no espírito do pái e da mãe!» E depois de cedo se terem compenetrado dos seus deveres, cumpre pôr mãos à obra o mais.breve possível. — <A primeira idade da vida, segundo o pensamento de Fénelon, é onde se formam as mais profundas impressões, e por conseguinte a que tem maior influência no futuro duma criança.» — «Se nos ocuparmos cedo, diz Bossuet, da educação duma criança, então os bons ensinos podeni muito.> Mas que sorte espera a criança abandonada a si própria, falseada nos s e u 3 primeiros desenvolvimentos, e privada duma~ santa cultura moral? ( )>
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IV H grande obra da mãe Uma mulher da Ionia, mostrando um dia, com orgulho, os ricos tecidos que tinha bordado, viu que uma lacedemónia lhe mostrava seus quatro filhos todos bem educados, dizendo-lhe:—«Eis no que uma mulher sensata se ocupa; é aqui que ela põe toda a sua glória.» Haverá, por ventura, arte mais nobre que a da educação, diz S. Crisóstomo ? Os pintores e os escultores apenas fazem estatuas inanimadas ; mas o que educa bem uma criança, produz uma obra prima, que encantará os olhos de Deus e os dos homens. A mulher, que assim o compreende, não consentirá em se desencarregar sobre outros, do cuidado
(*) Mgr. Dupanloup,

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de educar os seus filhos. A primeira educação deva ser efectivamente obra sua ;• ninguém pôde substituir uma mãe, tratando-se de um filho de tenra idade, — «Aos lábios duma mãe, que cobrem de carícias estas fontes tam puras, é que compete ensinar as primeiras lições de piedade, diz Mgr. Dupanloup; à mãe é que compete despertar no filho os primeiros clarões da inteligência, e o primeiro amor do bem, colocar nos seus lábios as primeiras palavras da fée da virtude, e ensiná-los a olhar pela primeira vez para o Céu. E à mãe, numa palavra, que compete dotar o seu filho de uma alma cristã, como já o tinha dotado de um corpo humano>. A própria mulher pobre, que é obrigada a deixar a família, para ir ganhar o pão cotidiano com um penoso trabalho, não se poderia desculpai', se deixasse de se ocupar dos seus filhinhos. Se habita nas cidades, conduza-os às creches, aos recolhimentos próprios, mas nunca os perca do vista! Quando os vir reunidos em volta do lar doméstico, trate de lhes incutir o amor e o respeito pelas coisas do Senhor, e reprima os seus defeitos nascentes. Se não houver meio de confiar a estabelecimentos caridosos o cuidado de guardar seus filhos, por não os haver no local em que habita, mais adiante lhe diremos o que deva fazer ; mas nada a pôde dispensar de tomar cuidado na educação de seus filhos. «Quanto aos ricos, que não teem outros deveres a cumprir, senão o que se chama deveres do mundo a esses — escreve Mgr. Dupanloup — não hesito eu em dizer-lhes que devem primeiro que tudo consagrar-se, sacrificar-se, se tanto for necessário, ao cumprimento desses imperiosos deveres da sua missão paterna e materna . . . Este pái, esta mãe são talvez muito novos ainda; têem vinte ou vinte cinco anos: não importa; são ricos, brilhantes, procurados,.
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o mundo requesta-os: não importa também. Já não são livres para responder à voz do mundo, ou pelo menos não podem dar-lhe o tempo e os cuidados que reclamam os seus filhos . . . Mas se o mundo e a dissipação os levam, se este pái e esta mãe abdicam a sua santa m i s s ã o . . . que perturbação nessas pobres almas, e que vácuo nessa casa! O mundo e o tumulto dos divertimentos e das festas... a multidão que os atrai, a agitação dos bailes e dos teatros substituem mal, para um pái ou uma mãe, os seus filhos ausentes>. Decorridos os primeiros anos, já no coração da criança, como numa terra virgem, têem sido lançadas as primeiras sementes da virtude pela mão de sua mãe. Importa então não a privar muito cedo da salutar influência da família. 0 filho do povo, que não passa na escola senão apenas algumas horas por dia, pode ir cedo freqüentá-las, porque sua mãe terá sempre muito tempo para se ocupar dele; mas a criança que seus pais mandam para um colégio, para aí passar dez meses do ano, não deve ser roubado muito cedo aos carinhos de sua mãe.— «Eu sou partidário da instrução pública — diz Mgr. Dupanloup—, mas creio que há muito cedo perigos a evitar, e nunca aprovarei que se mandem cedo crianças para o colégio, sobretudo para o internato, privando-as da solicicitude paterna e materna. > Fala aqui, sem dúvida este ilustre prelado nas crianças que podem aprender educação sob o tecto paterno ; porque se aí estivesse exposto a ouvir zombarias contra a religião, ou contra os bons costumes, que sua mãe não pudesse impedir, nesse caso seria necessário subtraí lo cedo a essa contagiosa influência. Mais tarde, quando o temperamento moral da criança estiver fortificado pela acção beneficente

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da família, deverá muitas vezes deixar a pessoa a quem tudo a torna tam querida; mas por mais seguras que sejam as mãos a quem ela confiar a direcção do seu filho ou da sua filha, a mãe não cessará de se ocupar deles activamente. A melhor educação, diz Mgr. Dupanloup, será sempre profundamente defeituosa, se for feita sem a legítima € necessária influência dos pais ou parentes... E preciso que os pais vejam freqüentemente não só os filhos, como também os professores; é preciso que dêem a estes todas as informações possíveis, sobre o carácter, inteligência, inclinações, defeitos, enfim sobre todas as qualidades das crianças; é preciso que se informem constantemente do seu comportamento de seu bom ou mau espírito, dos seus esforços, dos seus bons ou maus sucessos, das suas faltas. E' preciso que toraem, com o superior duma casa, medidas eficazes para animar o bem e corrigir o mal, apoiando esta acção com toda a sua autoridade. E' necessário saber se as crianças rezam, se são piedosas, se têem temor de Deus, se cumprem os seus deveres religiosos com unção e fervor. E' necessário ir em alguns dias de festa rezar e comungar com eles. E' preciso que o pai e a mãe escrevam freqüentemente a seus filhos, pelo menos uma vez cada semana, para os exortar ao trabalho, à piedade e à observação das regras. Numa palavra, é preciso que as crianças sintam que os páisvpensam nelas, e não* são estranhos a nenhum dos grandes exercícios da sua vida religiosa e literária . . . Certamente que tudo isto está bem longe das vistas de duma multidão de pais, que não metem os filhos no colégio, para se não separarem deles. Pois bem: que me permitam declarar-lho aqui: a educação pública é, na minha opinião, só própria para uma certa idade; mas todo o colégio, onde se
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coloca um filho para os pais se verem livres dele, não pode dar obra que se veja. Toda a criança cujos pais, para se verem livre dela a colocam num colégio, não tardara a libertar-se ela própria dos seus páis> (*). Quando o pai de S. Francisco de Sales o mandou para o colégio, não esquecendo, diz M. Hamon, o que a religião lhe prescrevia em relação à alma de seu filho, propôs para guarda da sua inocência um preceptor virtuoso o instruído, que tinha por missão vigiar todos os seus actos, e cultivar este rico fundo •do natureza e de graça. Além disso, como ôle sabia que coisa alguma no mundo podia substituir os cuidados e a vigilância do pái, ôle próprio ia todas as semanas à Rocha; e então examinava detalhadamente o comportamento do filho, verificava os seus progressos e bons sentimentos, c dava-lhe salutares conselhos. Algumas vezes levava-o aias inteiros para o. castelo de Sales, afim do recompensar os seus progressos no estudo, e de poder aumentar o seu ardor pela virtude, ao lado das exortações maternas ( ).
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Do concurso do pái, na educação dos filhos

Os deveres do pái, para com seu filho são os mesmos que os da mãe. Como a mãe deve possuir a sciência da educação, e como ela deve pôr ele todos os seus cuidados a cultivar o espírito e o coração

( ) Mgr. Dupanloup. ('-) Vida de S. Francisco de Sales.
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dos entes que lhe devem a vida. Se neste pequeno livro nos dirigimos unicamente à mulher, é porque as mais das v e z e 3 , preocupado pelos interesses materiais, o pái esquece o que deve à cultura moral e religiosa dos seus filhos. Entendemos do nosso dever, que o melhor meio de fazer chegar ató si o conhecimento dos seus deveres, era instruir desses mesmos deveres a mãe de família. Deveremos ao vosso zelo, mulher cristã, o não nos enganarmos na nossa espectativa, porque não contente por sentirdes vós mesma a soberana importância duma boa educação, a fareis compreender a vosso marido. 0 amor que lhe tendes, deve fornecer-vos meios para empreenderdes essa grande obra, porque se ele se conserva extranho e pior do que isso, rebelde, atrai sobro a sua cabeça a desgraça de Deus, tornando a vossa missão mais do que difícil, impossível. «Como falta o coração e a vida, diz Mgr. Dupanloup, numa educação em que a mãe não toma parte! E também que hesitações e fraquezas numa educação, de que o pái está muito ausente !> E necessário fazer compreender ao marido esta linguagem comovente: — <Deus confiou-nos,a ambos nós o dever de elevar para o Céu os frutos da nossa união; há de pedir-nos contas destes talentos que nos confiou; nós lhe restituiremos alma por alma, sem deixarmos perder os que ele cometeu à nossa guarda.» Se o vosso marido não tiver fé, para aprovar estas considerações, que todavia são graves e cheias de verdade, fazei-lhe pelo menos compreender que só a educação cristã é que nos pôde fazer felizes neste mundo. Citai-lhe, se ainda reagir, os exemplos infelizmente numerosíssimos de crianças que uma educação pouco cristã levou ;i libertinagem, e daí h desonra, à miséria, e tudo isso apesar da
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vergonha e da confusão dos próprios pais negligentes. Mostrai-lhe esses velhos esmagados pelo desprezo daqueles a quem não ensinaram a respeitar Deus e a religião, com os deveres que ela impõe. Se o vosso esposo concordar com as vossas considerações, abri-lhe os olhos, acerca dos defeitos de vossos filhos, para que por sua mão cs possa reprimir, visto que inspira de ordinário mais respeito que a mãe. Fazei-lhe conhecer os meios que deve empregar, para preservar a infância do vício, meios que adiante exporemos, no decurso deste pequeno livro. Não vos esqueçais de lhe mostrar os perigos que a criança pôde encontrar, afim de que ele lhos afaste. Fazei mesmo sentir a vosso marido, que contais com os esforços dele, e que sem o seu auxílio vos considerais impotente, para levar a bom termo uma empresa tam séria, como é a educação. Por esses meios, (temos disso plena convicção), decidireis vosso marido a partilhar convosco a missão que vos é comum. Se, porém, não puderdes conseguir fazê-lo virar para o vosso lado, será isso, sem dúvida, uma grande desgraça; mas uma desgraça, que, longe de abater a vossa coragem, deverá, pelo contrário, aumentá-la, o inspirar-vos uma vigilância tanto mais atenta, e cuidados tanto mais assíduos, para com os vossos filhos, quanto menos puderdes contar com o concurso de vosso marido. Santa Mónica, na educação de seus filhos, não foi nada secundada por Patrício, seu esposo infiel; e por isso cumpriu ela só com generosidade e perseverança a sua nobre e penosa missão. Baldadamente o pái é pagão, exclama o biógrafo desta admirável santa; baldadamente a sogra, os criados, e as criadas parecem conspirar, para tornarem impossível toda a educação cristã: os três filhos de Santa

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Mónica subiram aos altares, como se Deus quizesse mostrar-nos, por seu intermédio, quanto pôde uma verdadeira mãe, mesmo quando se vê só. A virtuosa princeza Maria Leczinska ( ) desposou Luís XV, que não era digno dela. A corrupção campeava então infrene na corte de França; e enquanto que o monarca se entregava a vergonhosas desordens, a impiedade minava surdamente o trono de S. Luís. A rainha recebeu do Céu, e cumpriu admiravelmente a missão de fazer florescer a fé e: as virtudes cristãs, no meio da impiedade, e do vício triunfantes. Apesar, porém, de todos os desgostos que Luís XV causou a sua esposa, nunca a contrariou no seu desejo de educar cristãmente os dez filhos que ela lhe tinha dado. Cinco desses filhos morreram ainda muito crianças, e os outros cinco soube Maria Leczinska fazer outros tantos santos. Henriqueta, sua filha primogénita, não podia ver um infeliz, sem se sentir comovida de compaixão, e tratar de o socorrer, Tinha apenas cinco anos, quando foi vista, um dia, privar-se do vestido, para dar a uma pobre rapariga da sua idade, que tremia de frio. Era um anjo de pureza e de inocência, e na idade de vinte e quatro anos, voou para o Céu. Sua irmã Luísa-Maria de França era um anjo também; mas Deus deixou-a por mais tempo na terra, para fazer dela um prodígio de santidade, e de desprendimento do mundo, Desde a sua infância, que levou no meio da própria corte a vida penitente duma religiosa, até ao momento em que, triunfando da oposição de seu pai, pôde realizar o ardente desejo que tinha de prox

(*) Foi filha de Stanislau I, rei da Polónia; nasceu em 1703, casou com Luís XV em 1725, e faleceu em 1768, (Nota do Trad.)'

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fossar no mosteiro das carmelitas de Saint-Denis. As outras filhas de Maria Leczinska, Adelaide e Vitória de França, apesar de se não encerrarem num claustro, nem por isso levaram vida menos perfeita, no meio do mundo. Mas de todos os seus filhos, o herdeiro do trono, foi quem a rainha educou com mais esmero. Nele conseguiu a rainha fazer o príncipe mais santo, que jamais foi visto na corte de França, depois de S. Luís. — «Apenas tive um filho, dizia ela, mas Deus que mo deu, houve por bem formá-la sábio, benfazejo, virtuoso, tal enfim, como eu teria apenas ousado esperar.» Mas o século xvin não era digno dele. 0 Delfim, pai de Luís XVI, morreu antes de chegar ao trono, para a grande desgraça da França, da Europa e da Igreja Assim, graças à rainha Maria Leczinska, viu-se então, sob o mesmo tecto das Tuilherias e de Versaüles, toda a solidez da fé, todo o fervor da piedade* toda a santidade do cristianismo, dos primeiros séculos, ao lado de todos os vícios, de todas as baixezas, e de todas as impiedades do paganismo, para os tornar indignos de desculpa, para lhes servir duma espécie de contrapeso. Dum lado era o crime, do outro, a expiação ( ).
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(*) Filho primogénito de Luís XV e da rainha Maria Leczinska; nasceu em 1726, casou em 1753 com Maria Josefa de Saxe, e faleceu em 1765, deixando os seus direitos a seu filho, que foi depois Luís X V I . Sua esposa, ralada de saudades, morreu dois anos depois dele. — (Nota do Trad.) ( ) P. Ventura : Mulher católica.
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Das criadas e das governantes

Deve a mãe, como já dissemos, cultivar por si própria, os primeiros anos de seus filhos, com a mais atenta vigilância, e não se separar deles, senão o menos possível. Assim fazia aquela santa senhora do Chantal. Ella nunca perdia do vista os seus filhos; despia-os por suas próprias mãos, deitava-os ela mesma, e não os deixava, senão depois de todos estarem a dormir. No dia seguinte, despertava-os, vestia-os, e depois levava-os ela própria à capeia. Mas nem sempre as ocupações e a vida doméstica permitem às mães de família o prazer de terem os seus filhos, debaixo do alcance da vista, e por isso confiam-nos a criados, ou damas de companhia. Daqui se ve quanto é importante escolher a pessoa que deve, durante a ausência da mãe, cumprir para com a criança um ministério mais nobre, do que comumente se pensa; direi mesmo uma importante missão ! Numas das suas cartas, dá S. Jerónimo sábios conselhos a Gaudêncio, acerca da maneira de educar a pequena Pacatula, sua filha, que não tinha ainda sete anos. — «Que a criada que acompanhar essa criança, dizia ele, que a governanta encarregada de a guardar, não seja nem ociosa, nem faladora, mas que seja sóbria, grave, aplicada ao trabalho manual, e que nada diga, que não seja próprio para formar uma jovem para a virtude. Traçai com o dedo uma passagem para a água, espalhada na terra, e a água, segue logo o vosso dedo : assim sucede com uma idade tenra e delicada, que toma facilmente todas as formas, e levá-la-eis para toda a

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parte que quizerdes.» Escrevendo a Lseta, nobre viuva romana, recomenda o mesmo santo doutor, que escolha para sua filha uma ama que se não entregue à moleza, nem à intemperança, e uma governanta que, por sua modéstia, seja digna de ser estimada- — <E' necessário, acrescentava, que as criadas que acompanharem a vossa filha se desviem com cuidado das reuniões mundanas; porque ensinariam mais maldade a vossa filha, do que elas mesmas teriam aprendido, nessas reuniões». S. Gregório, escrevendo a uma nobre patrícia, chamada Théoctista, recomenda-lho que vele com cuidado pelos filhos da imperatriz, e pelas pessoas que os rodeiam. — «Para eles, diz este santo doutor,, as palavras das amas, serão um leite salutar, se elas forem virtuosas; mas um veneno mortal, se elas forem depravadas.» — «Se deixais a vossa filha entregue a mulheres de espírito leviano, mal regulado e indiscreto, escrevia a uma senhora distinta o imortal Fénelon, elas lhe farão mais mal em oito dias do que vós poderíeis fazer-lhe em muitos anos. Falarão umas para as outras, com excessiva liberdade, diante duma criança que observará tudo, e que tudo j u l gará poder fazer. De forma que a criança ouvirá maldizer, blasfemar, mentir, suspeitar, disputar; verá scenas de ciúmes, inimizades, questões irritantes e scênas incompatíveis com a sua idade. Além disso estas pessoas, dotadas ordinariamente dum espírito servil, não deixarão de querer agradar à criança, mostrando-lhe ao vivo tudo quanto ela desejar saber». Mas se mulheres dum espírito leviano são capazes de fazer tanto mal às crianças, que lhes são confiadas, não seria uma desgraça extrema, uma verdadeira calamidade deixar cair uma criança, entre as mãos duma mulher de costumes fáceis, e um crime para os pais entregar em semelhantes mãos o depósito

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mais precioso e mais sagrado que Deus lhes concedeu ? Seria possível que uma mãe escolhesse, para uma função, que exige tantas virtudes, uma pessoa suspeita, ou simplesmente desconhecida ? Pois há-as que chegam a levar até esse ponto a sua negligência, e a sua imprevidência» — «Quem não tem muitas vezes deplorado a sorte das crianças expostas ? exclama sobre este assunto, Mgr. Dupanloup. Só a caridade as recolhe e as educa; a irmã de S. Vicente de Paulo, transformada em mãe, sem deixar de ser virgem, as aquece eontra o coração ; mais tarde os bons Padres da doutrina cristã, ou algumas irmãs zelosas lhes prodigalizam os seus cuidados. Mas as crianças ricas nem sempre têem a mesma felicidade, porque, depois de terem haurido, como a criança exposta, um leite mercenário, são muitas vezes abandonadas em casa dos pais, a criados que as depravam. Quantas vezes não tenho lido ocasião de deplorar isto mesmo, e em famílias cristãs! Ah ! se os pais soubessem tudo ! Se eu pudesse dizer-lhes tudo quanto sei l> ( ) Antes, pois, de fixar uma escolha, que é de tamanha importância para seus filhos, e para ela própria, uma mãe cristã procura com escrupulosa solicitude saber qual foi o comportamento da pessoa a quem vai confiar os seus filhos. Deve ter extremo cuidado em não encarregar de tão graves funções uma pessoa inexperiente, muito nova, deve seguir em tudo os santos conselhos que ditava íenelon: — «Deveis ter, pelo menos, escrevia ele a uma piedosa mãe, uma pessoa segura, que vos responda por vosso filho, durante as ocasiões, em que vos virdes constrangida a separar-vos dele. E* preciso que essa pessoa tenha
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í ) Mgr- Dupanloup.
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bastante juizo e virtudes para saber tomar uma autoridade branda, e para conservar as outras mulheres^ no seu dever ; para repreender vosso filho, sem atrair a sua animadversão, e para vos dar conta de tudo o que merecer a vossa atenção, afim de evitar más conseqüências. Confesso que semelhante mulher não é fácil de encontrar, mas 6 importante procurá-la, e depois remunerá-la convenientemente, para viver bem junto de vós. Sem esse auxiliar importante, nada ou pouco podereis fazer (^. — Escolhei pois, ou na vossa casa, ou na vossa família, ou na vossa terra, em alguma comunidade bem dirigida, alguma rapariga que julgueis capaz de ser aplicada a esse fim. Tratai imediatamente de a formar para esse emprego, e conservai-a algum tempo janto de vós, para a experimentardes, antes de lhe confiardes cargo tam precioso» ( ). Convóm notar que o ilustre prelado, cujas salutares lições acabamos de transcrever, queria que a virtuosa senhora, a quem ele escrevia, não perdesse nunca de vista a sua filha excepto no caso duma absoluta necessidade; são estas as suas próprias palavras. Não há mão efectivamente, por mais meiga e firme que seja, que possa substituir, junto duma. criança, a mão de sua mãe. M . Acarie tinha sabido afeiçoar à sua família Andrée Levoie, senhora cheia de fé e de virtudes; e no entretanto nunca lhe confiava as suas filhas, senão quando os seus negócios ou as suas boas obras a obrigavam a sair de casa. Mas quando regressava, exigia sempre contas do que as filhas tinham feito, durante a sua ausência.
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Fénelori — Carta a ama senhora. Fénelon — Da educação das meninas.

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VII Do preceptor
A educação que se faz inteiramente no seio da família, será preferível à que, tendo começado sob a inspecção materna, vai terminar num pensionado ? Não ousamos responder a esta questão. O ilustre bispo de Orleans, a quem a grande experiência dá tanta autoridade sobre o que diz respeito à mocidade, não quer que a educação pública comece muito cedo, mas julga-a preferível à educação privada. Digamos todavia algumas palavras, acerca do preceptor, porque um certo número de mulheres cristãs, não querendo ver seus filhos subtraídos à sua solicitude, ou querendo a todo o transe subtraí-los às escolas sem Deus, os confiam a um preceptor encarregado de os instruir, e de os educar, sob os olhos de seus pais. Entre as crianças, que, durante o ano escolar, seguem o curso dum pensionado, um grande número são confiadas, durante as férias à vigilância dum mestre, que lhes repete as lições do colégio. Não é, pois, inútil dizer à mãe quais devem ser as qualidades do preceptor de seu filho. A fé, tal é a primeira e a mais essencial das condições a exigir dum mestre. Não é a fé efectivamente o que um homem tem de mais precioso neste mundo, visto que sem ela é impossível agradar a Deus, e esperar os bens eternos? E não é tam necessária esta virtude, visto que a mulher cristã deve primeiro que tudo conservá-la intacta no coração de seus filhos ? Mas quem o não vê ? Um preceptor i n -

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crédulo roubaria tanto mais facilmente a fé a um jovem, quanto maior ínílüência tivesse sobre ele. Não ousaria de certo professar a impiedade, ou o racionalismo, numa casa, onde se conservam, como o mais sagrado depósito, as tradições religiosas dos antepassados ; mas de quando em quando deixaria escorregar algumas palavras de dúvida ou de desprezo; deporia dessa forma no coração dos seus discípulos algum germern fatal de incredulidade, e a incredulidade e um vento ardente que seca quanto de virtude possa existir num coração de criança. E' preciso, em segundo lugar, que o preceptor, seja duma grande pureza de costumes; sem esta qualidade, em vez de educar almas para o Céu, abatelas-ia, por suas palavras envenenadas, ou por seus exemplos perversos, ao nivel da sua própria corrupção. «Nada é mais funesto ao discípulo, que a vida desregrada do mestre», disse um filósofo cristão «Escolhei, escrevia S- Jerónimo a uma senhora romana, escolhei um mestre, cuja idade e vida irrepreensível o coloquem ao abrigo de toda a suspeita». Conta-se que Alexandre, esse conquistador do Universo, conservou até à morte, tanto nos costumes, como nas palavras, os defeitos que imitou desde a infância a Leonidas, seu preceptor.— «E que o mestre que escolherdes tenha também a necessária sciência, acrescentava S. Jerónimo. Efectivamente sem sciênçia, seria desprezado de seus alanos, que não tardariam a reconhecer-lhe a incapacidade, per* dendo assim toda a influência que lhe teriam grangeado as suas virtudes. — Enfim «a piedade, diremos nós, com Mgr. Dupanloup, uma piedade verdadeira, nobre, simples, amável, é de todas as qualidades dum
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Boécio. De consotaíione philosophice.

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professor, a que se deve preferir a todas as outras, e que lhes faz acrescentar um preço infinito. Ela SQ inspira aos mestres um zelo, um ardor, uma dedicação pelo bem dos seus discípulos, que sobre todos atraem as bênçãos do Céu.» Enganam-se completamente os pais, que, deslumbrados pela reputação de sciência dum homem aliás pouco recomendável, se empenham em ligá-lo à educação de seus filhos. Não são menos culpados os que entregam os filhos ao primeiro que se apresenta, sem se terem informado cuidadosamente dos seus princípios e do seu comportamento. Contra semelhante abuso, já se pronunciava S. João Crisóstomo : — «Se possuirmos, diz ele, um fértil domínio, procuramos com grande cuidado um homem de confiança, para o fazer prosperar, e desprezamos o que nos deve ser mais caro que tudo o mais, isto é, deixamos h rebelia a escolha dum homem fiel, que defenda e conserve a inocência a um nosso filho ! Haverá pois, uma propriedade, uma quinta, que nos deva ser tam cara, como nossos filhos, para quem nós amontoamos riquezas? Não será uma loucura vigiar com mais cuidado pelos nossos bens, do que por quem os deve herdar? Pudésseis vós, piedosas mães, encontrar para vossos filhos um mestre, que desejasse tanto como vós, a sua felicidade, e a sua salvação eterna, e que trabalhasse com igual zelo, em formá-los para a virtude! • Quando o tiverdes encontrado, respeitai-o, para que vossos filhos, por vosso exemplo, aprendam a respeitá-lo. Evitai de censurar, na presença dos filhos, a maneira como ele os trata e os corrige; isso seria tornar odiosa a sua autoridade, e paralizar o seu zelo. Andai sempre de harmonia com ele, sem cessar todavia de o vigiardes.

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M. * Acarie, escreve o seu biógrafo, desejava encontrar nos mestres que dava aos filhos a vigilância e a firmeza, juntas h sciência, e à virtude. E depois de ter tomado tantas precauções, para colocar seus filhos em mãos seguras, ainda assim se não julgava desonerada de os vigiar ela própria. E inútil acrescentar que uma mulher crista exigirá das pessoas encarregadas de instruir a sua filha todas as qualidades que acabamos de enumerar, falando do preceptor. Consentiria ela que uma menina recebesse as lições dum mestre, não estando ela ou seu pai a vigiar ?...
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VIII
Das casas de educação

* Entre todos os deveres que a autoridade paterna impõe a um pái e a uma mãe, nenhum conheço mais grave, escreve Mgr. Dupanloup, que o de escolher - os mestres a quem deve ser confiada uma parte desta santa autoridade.* A mulher do povo, especialmente a que habita nas aldeias, não pôde ordinariamente enviar o seu filho senão à escola paroquial ; as mais das vezes é difícil mandá-lo a outra freguesia vizinha. Como apreciar devidamente os serviços prestados à Igreja e à sociedade, por religiosos e religiosas, que consagram a sua vida a instruir o filho do povo, e a educá-lo no amor, e no temor de Deus ? Que mulher cristã não seria feliz, confiando-lhe o seu filho ou lilha ? E onde poderia ela encontrar uma dedicação mais desinteressada e mais sincera?—«Para ser professor de instrução primária, disse o grande his-

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toriador Thiers, é necessária uma humildade e uma abnegação, de que um leigo raras vezes é capaz: é preciso o padre, o religioso; o espírito, a dedicação leiga não são suficientes U Se* acontecesse, — o que Deus não permita —, que uma criança não pudesse ir ;i escola, sem expor a sua fé, e a sua inocência, seria infinitamente melhor que ela não abandonasse o tecto da sua choupana- As próprias escolas, onde se não ensina a religião, nem as virtudes cristãs, não podem bastar á educação da infância. Toda a escola mixta de crianças de ambos os sexos oferece perigos que uma mãe deve temer. E é por ventura necessário que o agricultor mande o seu filho para o colégio ? Essa criança não deixará daí encontrar a saudade da vida dos campos, e depois de acostumado, voltará com ares de gran-senhor. Achamos natural e necessário que o vosso filho aprenda a lêr, a escrever e a contar, e é isso mesmo que ele aprenderá na escola da sua aldeia; mas que fique cultivador, como seu pái, que é o melhor partido que pode tomar. Também achávamos rasoável que as mães de família do campo não mandassem a suas filhas, como pensionistas, para estabelecimentos, donde elas voltam, falando francês, usando chapéu, sabendo bordar a ouro, a canotilho e a cabelo, mas desprovidas dos conhecimentos usuais mais necessários. Longe de nós, todavia, censurar as mães que confiam os filhos a um colégio, dirigido por religiosos ou religiosas, onde essas crianças estão ao abrigo dos perigos do mundo. Digamos agora uma palavra a propósito da escolha de colégio, ou antes escutemos o ilustre prelado cujas palavras nunca nos cançaremos de citar: — <Se as crianças devem encontrar na educação pública maus costumes e impiedade, vale mais mil e mil

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vezes que fiquem para sempre ignorantes, ou recebam uma educação menos perfeita, do que perder a sua fé e ver murchar a sua virtude. Não oferece o mau colégio a horrível certeza duma corrupção imediata, profunda, medonha, e o mais das vezes irremediável ? «Antes, pois, que os pais escolham a casa de educação, onde devem colocar os seus filhos, é preciso que se informem, que consultem, que vejam com seus próprios olhos . . . Por mais que escolham, nunca um pái e uma mãe escolherão de mais, porque uma escola onde se professe o culto e se ensinem as verdades da religião é uma coisa importante. Nada sobre este ponto pôde ser feito ao acaso Trabalhar por hábito, por capricho, por sugestão alheia, ou por complacência, tratando-se do mais grave dos assuntos e do mais santo dos deveres, seria uma acção sem desculpa ( ).» Vê-se daqui que se deixa cegar pela ternura a mãe que escolhe sempre o colégio mais vizinho, afim de mais facilmente poder prodigalizar as carícias a seu filho, sem prover os perigos que aí pôde correr a sua inocência. E como desculpar os pais, que con2

( ) Foi o que compreendeu uma verdadeira mãe que escrevia estas linhas em 3 de julho de 1866 : — «Meu reverendo Padre, desejo que o santo Sacrifício seja oferecido no venerado santuário de La Salette, para obter, por intervenção da Santíssima Virgem, conhecer e cumprir a vontade de Deus, na escolha que devo fazer dum estabelecimento, para aí confiar o meu filhQ. O h ! recomendai com todo o fervor essa intenção a Nosso Senhor, por intermédio de sua santa Mãe. Talvez me tenham exagerado o perigo do colégio, para meu filho, mas não me posso tranquilizar sobretudo com os exemplos, que a cada momento vejo diante dos olhos. Pedi, pois eu vo-lo suplico, meu reverendo Padre, para que o meu querido filho conserve o precioso tesoiro da sua inocência.» (-) Mgr. Dupanloup.
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fiam os filhos a um estabelecimento aliás mui pouco recomendável, unicamente porque os preços aí são mais reduzidos ? Sob o pretexto de que seu marido exerce urn cargo público, uma mulher cristã julgar-se-ia obrigada a enviar seus filhos, para um destes colégios «onde esses desgraçados, juntos a condiscípulos mal criados, não encontram o mais de vezes, para substituir um pái, ou uma mãe, senão indiferentes o\i mercenários, olhares duros, corações de gelo, e mãos de ferro ( ) ?> — «A educação religiosa, exclama na tribuna francesa M. de Gasparin, não existe rialmente nos colégios... Recordo-me com horror do que eu era, ao sair dessa educação nacional, recordo-me do que eram todos os meus companheiros com quem eu tinha relações: nem tínhamos os mais débeis princípios da fé e da vida evangélica.» Uma mãe cristã procurará, pois, para seu filho um estabelecimento, onde possa encontrar, nos mestres, a fé, o zelo, a virtude ; e nos alunos o espírito de submissão e a pureza dos costumes. 0 pái de S. Francisco de Sales queria mandá-lo para o colégio de Navarra, que efectivamente tinha uma grande fama, onde havia grande quantidade de alunos, mas onde havia pouco zelo em cultivar a piedade. M . de Boisy, sua mãe, fez porém valer tantas razões para fazer prevalecer o colégio dos Jesuítas, ao colégio de Navarra, que seu marido, sacrificando corajosamente todas as suas pretensões e as suas vistas de amor próprio, viu-se constrangido a dar o consentimento ( ). I
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Se não fosse o zelo vigilante de sua mãe, o jovem Francisco, em vez de vir a ser um santo, teria talvez perdido a inocência e a fé.
0) Mgr. Dupanloup. (*) Vida de S. Francisco de Sales.

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M. Acarie colocou dois .dos seus filhos no colégio de Pontoise, onde não havia senão pobres, esperando, diz o seu biógrafo, que eles aí aproveitariam os bons exemplos dos seus condiscípulos, que tinham felizes disposições para a virtude. Na escolha duma casa de educação, uma mãe segundo a vontade de Deus não se deixa guiar por uma louca vaidade, mas pelo desejo da salvação de seus filhos. IX
Do convento

Fénelon escreveu acerca da educação das meninas, um livrinho, cuja leitura muito recomendamos às mães cristãs. Prova aí que é sem razão que os pais desprezam algumas vezes essa porção tão interessante da sua família. A menina de hoje será amanhã esposa e mãe; terá uma grande missão a cumprir, missão que exige uma preparação séria, uma educação primorosa, começada cedo e confiada a mãos seguras. 0 que deve animar as mães a cultivar, com o maior cuidado, o espírito e o coração de suas filhas, •é que elas só nas mães encontrarão docilidade, gosto pela piedade, e inocência; e nelas aparecerá duma forma mais sensível e mais cedo o fruto do zelo maternal, Nas aldeias fica ordinariamente a cargo das mães a educação das filhas, visto que não podem estar na escola, senão uma pequena parte do dia. Já o dissemos, e de novo o repetimos: um colégio de meninas não parece oferecer vantagens aos filhos do lavrador. E certo que a instrução é tão necessária a estas crianças, como a todas as outras; mais do que ninguém, nós deploramos a ignorância de certas mu5

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lheres do campo, visto que, não sabendo ler, estão condenadas a não poderem instruir-se, senão com muito trabalho, nas verdades da religião, e a nada poderem ensinar a seus filhos. Mas quereriamos, que a educação que recebem, fosse proporcionada ás suas necessidades, e que não bebessem com essa instrução uma vaidade balofa, e o horror pela vida simples da sua condição. Felizmente em muitas aldeias há estabelecimentos de religiosas, que, sem darem a suas casas o t í tulo de colégio de meninas, e sem exigirem o aparato dos demais colégios, ensinam a suas alunas a praticar as virtudes cristãs, ao mesmo tempo que as instruem em tudo quanto é necessário saber, na sua condição. Uma mãe poderá entregar com confiança as suas filhas em tão caridosas mãos. Quanto às meninas duma classe mais elevada^ depois que tiverem crescido, sob a protecção materna, será bom que se afastem de sua família. Posto que a educação feita toda inteira, pela mãe, ou sob a sua direcção, seja a melhor não é possível fazer-se hoje, à parte algumas raras excepções; é a opinião de Fénelon : — «0 mais seguro partido para as mães é confiar aos conventos o cuidado de educarem as suas filhas, porque muitas vezes não têem as luzes necessárias para as instruir, ou se as têem, não as fortificam com o exemplo dum comportamento sério e cristão, sem o qual as mais sólidas instruções não fazem a menor impressão; porque tudo quanto uma mãe pode dizer a sua filha, é aniquilado pelo que ela lhe vê fazer>. Fénelon acrescenta: «Temeria um convento mundano, ainda mais do que o próprio mundo. Se um convento não é regular, a vossa filha aí verá

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Quando as mães são o que devem ser.

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a vaidade com todas as honras, o que é o mais subtil dos venenos, para uma jovem ; ouvirá falar do mundo, como dum paraíso encantado, e nada faz mais penosa impressão que essa imagem enganadora do século, que se olha de longe com admiração, e cujos prazeres se exageram, sem patentear todas as suas amarguras. Se, pelo contrário, o convento é verdadeiro, se aí se cumprem k risca os preceitos evangélicos, uma jovem de condição vive aí numa profunda ignorância do século (*)>. Tudo lhe falado afastamento do mundo, e da vaidade das suas festas; as máximas mundanas não ferem os seus ouvidos; nada encontra que fira a pureza do seu olhar; os livros perigosos não caem ao alcance das suas mãos. 0 seu espírito alimenta-se com as verdades da fé, que lhe são anunciadas freqüentemente; o seu coração sustenta-se com as doces e pacíficas emoções da piedade. Tendo sempre sob os olhos o espectáculo ' das virtudes religiosas, a menina volta-se naturalmente para elas. Enfim prepara-se admiravelmente para a vida séria e retirada que deve ser a duma mulher cristã. — *Se tememos que as preceptoras religiosas, por não terem bastante experiência do mundo, se deixem guiar por vistas estreitas, inspirando às crianças uma delicadeza exagerada de consciência, nada disso é para recear, porque n ã o é hoje que os excessos se devem temer, por esse lado, escreve M. Guinouilhac. A vivacidade própria da idade, o fogo das paixões nascentes, o instinto da vaidade, os apegos do mundo, tudo isso deve contribuir para reprimir as delicadezas excessivas de consciência. Além disso há geralmente mais sabedoria, mais madureza de espírito nas almas formadas na meditação

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séria das verdades evangélicas, e dos deveres particulares do seu estado, do que nas mulheres do mundo». Já no seu tempo, S. Jerónimo, numa carta que dirigiu a Leeta, nobre viuva romana, depois de lhe ter traçado um plano de educação para a filha, continuava assim : — «Pedis-mc, sem dúvida, o meio de seguir todos os conselhos que vos dou, vós, cuja casa deve estar aberta a toda a gente . .. Pois bem, não vos encarregueis duma tarefa que sois incapaz de levar a cabo ; mas desde que vossa filha possa dispensar os vossos cuidados, mandai-a para Bethlem, para que sob os olhos de Paula, sua avó, e Eustóquia, sua tia, seja educada no asilo sagrado dum claustro, e cresça no meio do casto coro das virgens de Jesus Cristo. Só aí lhe inspirarão o gosto da virtude, o horror à mentira e o desprezo do século; aí vivera a vida dos anjos. Vale mais, para vós, sofrer as saudades da ausência, do que viver sempre em sustos, guardando-a em vossa casa (*)». Será agora necessário prevenir as nossas leitoras contra o sistema de educação secundária, recentemente inventado para as meninas ? Os alarmes do episcopado católico e os aplausos dos jornais anti-religiosos bastante nos tem revelado esse perigo; Pense o que pensar Mr. Duruy, nunca uma mulher cristã, que durante quinze ou dezassete anos, abrigou com atenta solicitude a sua filha, como uma ílôr tenra e delicada, contra o sopro capaz de murchar o seu brilho e de esgotar o seu perfume, se resignará a expô-la imprudentemente, na idade dos desmandos e das ilusões, a todo o pernicioso vento das doutrinas, e talvez ao ar envenenado do sensualismo e da i n (*) S. Hier. epis. ad Lcctam.

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credulidade... Pela mesma razão também uma mãe segundo a vontade de Deus não irá confiar suas filhas, desde a infância às aulas dum liceu, onde de certo lhes não vão falar de Deus. Terminemos este parágrafo, com-esta sábia observação do imortal arcebispo de Cambrai: «Se uma menina, ao sair do convento, passa numa certa idade, para a casa paterna, em que abundam as recepções, nada haverá mais terrível que semelhante surpresa. > Uma mãe, tirando a filha de mãos religiosas, a que tinha entregue este depósito sagrado, guardar-se-há de a pôr logo em evidência ; só pouco e pouco lhe deve descobrir o mundo, tendo todo o cuidado em lhe fazer notar o nada e a loucura dele, afim de a prevenir contra as seduções do século. X
Da duração da educação

«Os cuidados, as solicitudes paternas e maternas não devem cessar, nem mesmo afrouxar, quando está prestes a findar a educação ; porque a missão do pái e da mãe está longe de findar neste momento; é mesmo então que começa para ambos o mais sério dos deveres, o que é ao mesmo tempo o mais difícil, e o mais necessário para cumprir... E todavia sob a influência das preocupações mundanas, e também não sei porque temor pusilânime, porque triste sentimento da sua fraqueza, a maior parte dos pais imaginam ter terminado o seu dever; depois costumam dizer de si para si que a educação acaba com o colégio, que um jovem de dezoito anos ou já está educado, ou nunca o estará, que^não se pode já

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obrigá-lo, nem constrangê-lo, que seria fazer mais mal, do que bem, etc, etc. Quem não tem ouvido dizer tudo isto ? E é sobre todos estes belos pretextos, que eles abdicam definitivamente toda a sua autoridade paterna U ( ) O filho do povo é quasi totalmente subtraído à influência materna, desde que completa os catorze anos; mandam-no para a cidade, ou aprender algum ofício, e ninguém mais se ocupa dele. Ou então, se fica sob o tecto paterno, é inteiramente senhor das suas acções, e a mãe não se atreve nem a repreendê-lo nem a instrui-lo. Insensatos pais! Abandonais a si próprios os vossos filhos, no momento em que as paixões começam a fazer-lhes sentir o seu tirânico império, e quando por conseguinte mais precisavam de serem retidos por uma mão firme e segura! — «Não é nesta idade que deveríeis firmar a vossa autoridade com nova força e carinho, para acabardes uma educação que os perigos do mundo, a mocidade e as paixões tornam mais necessária que nunca? Dizem muitas vezes para se consolarem: Deixem passar os verdores da mocidade ! Pois bem, eu, exclama o ilustre bispo de Orleans, nunca o pude assim pensar, e nada me parece mais doloroso que as loucuras da mocidade, nem entre as coisas tristes, que nos fazem muitas vezes chorar, sei de nada que despedace mais o coração» ( ).
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Pouco importa começar bem, o que tem de acabar mal- O campo cultivado com cuidado, torna-se estéril, se lhe desprezarem depois a cultura. E' em vão que se lança à terra uma boa semente, embora ela depois germine, se antes da ceifa, a

( ) Mgr. Dupanloup. ( ) Mgr. Dupanloup.
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C U I D A D O S ESPIRITUAIS

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zizania abafar o grão. Se deixais secar, pelo sopro ardente das paixões, o gérmen de salvação, deposto na alma de vosso filho, tereis perdido, ó mãe, a vossa primeira solicitude e os vossos primeiros trabalhos ; e conceder-vos-há Deus a recompensa, ele que não promete a coroa, senão a quem combate até ao fim ? Não abandoneis muito cedo, nem abdiqueis de todo o nobre encargo da educação. Deveis conservar até ao fim a vossa benéfica influência. E facto que aos dezoito anos, como observa Mr. Dupanloup, deve um rapaz começar um pouco a andar só : não pode, nem deve sempre andar agarrado ao braço de sua mãe. As melhores mães custa-lhes um pouco a concordar com isso ; mas a criança, como diz Fénelon, não pode andar sempre agarrada às saias da m ã e ; mesmo, quando criança nem sempre lhe deram o peito; foi apartada do leite, e ensinaram-na a andar só. Mas só pouco e pouco, e como insensivelmente, é que se lhe pode dar a liberdade, que ela mais tarde deverá possuir inteiramente. Deixá-la completamente independente, seria perdê-la, é ir contra a ordem expressa do Espírito Santo : Non des Mi poiestatem in juventute. Livrai-vos de deixar vosso filho entregue a si próprio, durante a mocidade. Vigiai os seus passeios, com uma atenta solicitude. Quando errar repreendei-o, sem o ferir; não o fatigueis com muitas recomendações, e se virdes que recebe de má vontade os vossos conselhos, não insistais. Se cometer uma falta grave, é bom que sinta em vós um coração aberto, como porto que se abre a um náufrago. Suportai-o, sem o lisongear (*).

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Se presevera nos seus erros, mais deve aumen( ) Mgr. Dupanloup.
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íar então o vosso zelo. «Durante essas horas erueis em que a mãe treme pelo que tem de mais precioso no mundo, reza mais do que fala; espera, sofre, devora a sua mágua; mas o seu silêncio, junto de um filho transviado é de uma admirável eloquência. Esse rosto de uma mãe profundamente triste, esse abatimento silencioso, revelam tam viva compaixão, uma dor tam amarga, que o desgraçado não se pode conter. Que digo ? para trazer uma alma ao aprisco da fé, e lançar por terra todos os seus erros, basta muitas vezes um só olhar (*)».
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(*) Fénelon ; Mgr. Dupanloup,

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Da instrução intelectual Passemos agora das considerações gerais, que acabamos de fazer, aos diversos ramos de educaçãoque são : a instrução, a vigilância, a correcção, o bom exemplo, e a oração» A instrução intelectual faz muita diferença da instrução religiosa. Falemos primeiramente da instrução intelectual. Quem poderá contestar-lhe as preciosas vantagens ? A criança sem educação é muito difícil ensinar, de modo a ficar compreendendo, as verdades que deve saber, como cristão. Também a ignorância de tudo quanto diz respeito h salvação, acompanha ordinariamente, sobretudo no campo, a falta de instrução. Além disso, quantas carreiras ficarão para sempre fechadas h criança, de quantos empregos será ela excluída, se não for instruída I A ilustraçãoenfim torna o estudo possível e fácil, e adiante trataremos das vantagens de que o estudo é fecundíssima origem. Gomo, pois, desculpar essas mulheres negligentes,, que longe de darem a seus filhos uma instrução de harmonia com a sua condição, deixam a sua intelN gência sem cultura, e condenam-nos a mirrar-se toda. a vida na ignorância ? Se se trata de mandar os filhos
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para as escolas, não sabem impor-se nenhuma privação, e recuam diante dos mais insignificantes sacrifícios. Não julgam necessário dar ao filho senão os conhecimentos indispensáveis para a profissão, que mais tarde hão de abraçar. K certo que não simpatizamos com esses pseudo-sábios, que tendo uma instrução medíocre, ostentam um louco orgulho ; mas quereríamos que todos os filhos do povo, sem excluir as raparigas, aprendessem a ler e a escrever correctamente e as operações elementares de aritmética. Era para eles o necessário. Nas famílias mais elevadas, os pais gostam de ornar o espírito dos filhos de todos os conhecimentos úteis. Não contestamos esse zelo. Quem quizer saber o que a este respeito pensava Mgr. Dupanloup, leia a sua obra acerca da Educação. Vamos limitar-nos a transmitir às mães cristãs os conselhos práticos dos autores que mais judiciosamente trataram este assunto. Uma mulher cristã, já o dissemos, não deve afastar os seus filhos, mandando-os para colégios, contanto, é claro, que a sua inocência não corra perigo sob o tecto paterno ; mas importa que se comece cedo a instrui-los, ou a fazê-los instruir, quer seja no seio da família, quer nas escolas cristãs mais vizinhas: — «Quando uma criança chega a certa idade, sem se aplicar a coisa alguma, diz Mgr. Dupanloup, não se pode inspirar-lhe gosto pelo estudo, nem por qualquer outra coisa importante. > Todavia seria fatigar uma inteligência ainda tenra, sobrecarregá-la demaziadamente. E por isso que o ilustre bispo de Orleans não quer que as crianças comecem muito cedo a falar muitas línguas. Além disso os conhecimentos ensinados nessa idade, só servem para alimentar a vaidade da criança. Diz Fleury que é importante não castigar de5 ?

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maziado uma criança, para ela não ganhar medo ao estudo. E S. Jerónimo, escrevendo a uma nobre dama romana afirma: *Sc vossa filha mostrar certa repugnância para começar a trabalhar, não a repreendais duramente, mas animai-a antes, por discretos elogios. > Efectivamente os elogios são mais próprios para excitar a emulação, do que muito freqüentes, ou mui severas repreensões. Guardai-vos de obrigar as crianças ao trabalho, por uma autoridade severa e absoluta, mas fazei-lhes compreender os frutos que tirarão da instrução, e os encantos do estudo. <Notai, diz Fénelon, que há um grande defeito nas educações ordinárias, de forma que a criança só sente aborrecimento ao estudo, guardando todo o seu prazer somente para os divertimentos. Que pode fazer uma criança, senão suportar impacientemente o estudo, e só gostar dos seus brinquedos ? Tornemos •o estudo agradável; ocultemos a sua aridez, sob a aparência da liberdade e do prazer, permitindo que as crianças o interrompam algumas vezes por meio de anedotas inocentes, e outras ligeiras distracções. E' necessário isto para lhes desanuviar i o espírito. > Falando a Gaudêncio, da pequena Pacatnla, sua filha, que apenas contava sete anos, dizia S. Jerónimo: «E necessário que essa menina ame o que tiver de aprender, para que o estudo se torne para ^la uma consolação e não tenha o peso dum trabalho.» Felizes as crianças, a quem suas mães tiverem logo desde o princípio incutido os prazeres do espírito, e inspirado o gosto pelo estudo! Só êle as habitua a uma vida séria e aplicada, desenvolve a inteligência e forma-lhes a razão. 0 homem que se familiariza com o estudo, e lhe consagra longas
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horas, enriquece o espírito de conhecimentos úteis, ao mesmo tempo que passa horas deliciosas, esquecendo as tristezas da vida. O esludo, diz Rollin, retira o homem da ociosidade, do jogo e das más paixões. Preenche utilmente as horas vagas, que tam pesadas são k maior parte das pessoas. O descanço, sem o estudo, é a morte, diz um filósofo pagão. Porque se entregam tantos jovens a todos os excessos, e porque será que homens, aliás inteligentes, passam a vida em ocupações e leituras frívolas, sem nunca empreenderem um trabalho sério, sem nunca profundarem as subtilezas dasciência, onde todos os dias se estão a descobrir tesoires desconhecidos? Porque razão não iluminam o mundo, de que poderiam ter sido a luz, senão porque não amam o estudo? Ah ! é porque uma mãe leviana não teve o cuidado de lho inspirar desde a infância í

II
Dos recreios

O trabalho e a aplicação das crianças devem ser interrompidos por meio de recreios, e animados por meio de recompensas. Não pode o arco conservar-se sempre retezado dizia S. João ao caçador, que parecia censurar-lhe a sua distracção, quando caçava uma perdiz. Mas é principalmente às crianças que uma longa tensão de espírito é funesta ou impossível; é preciso, pois procurar-lhes momentos de descanço, que ao mesmo tempo que recreiam o espírito, fortificam e avigoram o corpo. — «Afinal, o cuidado que se tomar em mesclar de prazer as ocupações sérias, servirá de muito
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para afrouxar o ardor da mocidade pelos divertimentos perigosos. A sujeição demaziada é que origina a impaciência pelos divertimentos, disse Fénelon. Se urna menina se não enfastiasse de estar junto de sua mãe, não teria tanta vontade de lhe fugir, para ir procurar companhias que lho podem s^r prejudiciais. > Todavia nada seria mais perigoso para a criança do que um descanço ocioso e sem vida; longe daí encontrar a alegria e o ardor para o estudo, apenas conseguiria ganhar costumes impróprios, e talvez mesmo viciosos. — «E ordinariamente um mau indício, quando uma criança não folga, ou não gosta de brincar», diz Mgr. Dupanioup. Mas um recreio bem escolhido, um exercício moderado do corpo augmenta a actividade do espírito, e preserva das incitações para o vício. Mas os recreios só produzem estes resultados, quando não são domaziadâmente prolongados. O nosso corpo, se lhe concedemos algum descanço no trabalho, torna-se mais vigoroso, e mais bem disposto, enquanto que um longo descanço apenas o torna fraco e preguiçoso. O mesmo sucode ao espírito : uma curta recriação excita-o, e uma longa inacção fá-lo cair no torpor. «Nos divertimentos, é conveniente evitar as sociedades suspeitas; nada de rapazes juntos com raparigas» disse sem rodeios Fénelon. Já muito tempo antes dele, dizia S. Jerónimo, escrevendo a Gaudêncio ; «Não permitais que Pacatula brinque senão com meninas como ela, de forma que nunca saiba brincar com crianças doutro sexo, nem mesmo que assista aos seus divertimentos.» Gomo já acima dissemos, Pacatula apenas tinha sete anos. «Os brinquedos que dissipam ou apaixonam, continua o imortal arcebispo de Cambrai, as freqüentes saidas de casa, e as conversas que podem causar vontade de sair, devem ser cuidadosamente
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evitadas. Quando uma criança não está ainda eivada de certos costumes, nem sente em si paixão ardente, encontra, facilmente alegria, que lhe faz conservar a saúde e a inocência. Quem teve porém a desgraça de se acostumar aos prazeres violentos, perde o gosto dos prazeres moderados, e nunca encontra distracção que o encante... Quem souber ter a temperança que faz a saúde do corpo e da alma, não carece nem de espectáculos, nem de fazer despesas, para se divertir; um pequeno jogo que invente, uma leitura, um trabalho que se empreenda, um passeio (um arco, uma bola), uma conversação inocente que distraia depois do trabalho fazem sentir uma alegria mais pura, que a música mais encontadora. E facto que os prazeres simples são menos vivos e menos sensíveis, mas são muito mais úteis, produzem uma alegria igual e duradoura, sem terem más conseqüências; são sempre benfazejos* E' preciso, pois, fazê-los amar ás crianças, e inspirar-lhes tédio e aversão para todos esses prazeres cheios de perigos que a mocidade procura hoje com tanto frenesi, tais como espectáculos, dansas e festas mundanas. Os pais de S. Francisco de Sales, durante a infância de seu filho, só lhe consentiam recreios convenientes à sua idade; nunca lhe permitiram jogos de azar, como cartas ou dados, porque sabiam que esses jogos fatigam o espírito e não o distraem, apaixonando muitas vezes o homem, contra a sua felicidade, tempo e fortuna, e até mesmo contra a própria saúde; mas só lhe permitiam os jogos, que são um exercício moderado, que não exigem senão destreza nos membros, celeridade na carreira, ou agilidade nas maneiras (•).
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Fénelon. Vida de S. Francisco de Sales.

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S e r i a aqui ocasião de falar das férias, esse longo recreio destinado a descançar o aluno das fadigas do colégio, e a conservar nele o amor da família. Permitam-nos a insistência, mas ó preciso, que nesta ocasião a mãe saiba c u m p r i r exactamente, com a mais atenta solicitude, todas os deveres que até aqui expuzemos, e todos os que mais adiante exporemos, mormente tratando-se da vigilância. Ah ! para quantos jovens se tornam as férias, por culpa dos pais, um tempo de perigos, e a ocasião de mil quedas í

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Das recompensas S. Jerónimo escrevia a Loeta: «Animai vossa filha, dando-lhe pequenas lembranças, das que são estimadas na s u a idade.» As recompensas são efectivamente um meio de excitar a emulação entre as crianças. E' certo que se não devo, quando são exor- . tadas a aplicarem-se ao estudo e a praticar as v i r tudes cristãs, propôr-lhes a recompensa, como o único meio de fazerem o que se lhes e x i g e ; importa, pelo contrário, fazer-lhes bem sentir a obrigação que temos de trabalhar por dever, para cumprir a v o n tade de Deus. S e r i a dalguma forma tornar venal a alma de uma criança, habituá-la a não fazer nada, senão com a premessa de receber alguma coisa ; mas quando se sabe usar delas com comedimento e p r u dência, as recompensas são úteis: fazem compreender às crianças que encontramos interesse e estima nos nossos semelhantes, quando nos aplicamos ao trabalho, e sabemos cumprir os nossos deveres. N u n c a se deve propor, como recompensa, diz

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Rollin, nem adornos, nem golodices, nem coisas semelhantes. E a razão é óbvia ; é que, prometendo-lhes essas coisas, em forma de recompensa, faz-se que elas as julguem, como coisas boas e desejáveis, e dessa forma, fazem os-lhes estimar o que devem desprezar. 0 mesmo direi do dinheiro.» — «Nunca pude compreender, escreve Mgr. Dupanloup, a religião de certos pais, que prometem a seus filhos, como recompensa, para o dia da sua primeira comunhão, relógios e correntes de ouro. 0 resultado foi, como algumas vezes v i , que o relógio ^ra nesse dia mais adorado, que o próprio Deus».— «Podem recompensar-se as crianças, diz Fénelon, com brinquedos, com passeios, com pequenas lembranças, como quadros, estampas, medalhas, livros dourados», e especialmente por algumas distracções agradáveis, que sirvam, para lhes alimentar a piedade, como peregrinações, passeios a ura oratório, ou assistência a alguma solenidade religiosa, nalguma terra vizinha. Com as crianças, como nota um judicioso autor, deve haver o cuidado de não faltar àquilo que se prometeu ; doutra forma não tardariam a desprezar tanto as promessas, como as recompensas, fartas de esperar pelo cumprimento do que lhes prometeram. IV
Instrução religiosa; sua necessidade

Nada mais acrescentamos acerca da instrução intelectual, porque não é essa a que hoje mais escasseia. Os pais que a não receberam na sua mocidade, lamentam vivamente essa falta ; os que a

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receberam, por sua própria experiência lhe reconhecem as vantagens, e todos à porfia a querem procurar para seus filhos. Mas há uma outra espécie de instrução, sobre que devemos mais insistir, porque é mais necessária, e mais desprezada que a instrução intelectual: queremos falar da instrução religiosa. E a mãe obrigada em consciência a dar ou a mandar dar a seu filho uma instrução cristã ? Não hesitamos em responder: E ' ; é a isso obrigada, é esse um dos mais graves e dos mais sagrados dos seus deveres. Em quantas passagens dos nossos santos Livros, reitera Deus aos pais a ordem do instruir os seus filhos nas verdades e nas práticas da religião? «Instruí vosso filho para que ele vos não leve ao desespero» está escrito no livro dos Provérbios. E noutra parte : «Instruí vosso filho, e educai-o com cuidado, afim de que vos não cubra de confusão». E ainda num outro sítio : «Instruí vossos filhos, e desde a sua mais tenra idade, vergai-o sob o jugo da lei de Deus». Os santos doutores, intérpretes da palavra divina, dizem aos pais, com S. João Crisóstomo: «Não te esforces em fazer do teu filho um sábio, mas fá-lo instruir, de forma a fazer dele um cristão. Vós sois, ó pais, os apóstolos de vossas famílias, pertence-vos governá-los e instruí-los». Os vossos lábios são os livros onde os vossos filhos devem encontrar o conhecimento dos seus deveres de cristãos. «Sem a fé, disse o grande Apóstolo, é impossível agradar a Deus» e, por conseguinte, sem ela, é impossível à criança viver da vida da graça. Mas como terá fé essa criança, se não foi instruída nas verdades reveladas? Além disso, a fé sem as obras, ê morta, e incapaz por conseguinte, de abrir o Céu a ninguém. E pois necessário que a criança, ao mesmo tempo que aprende as verdades da fé, seja
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formada na prática dos deveres, que ela impõe* Mas a quem pertence dar o couheeimento da verdade, e dos costumes virtuosos, senão a seus pais, e sobretudo a sua mãe ? Encarregada de fornecer aos filhos o pão de cada dia, não o é também a mãe de lhe ensinar a doutrina santa? Ela, que o guia, desde o berço, para os costumes da vida, não tem também o dever de o formar para a vida sobrenatural e divina ? Se ela deixasse de cumprir esta nobre tarefa, a criança seria ordinariamente condenada a morrer na ignorância ; porque, como se sabe, o pai não tem muitas vezes zelo, senão para os interesses terrestres e mortais. Mas num século em que a fé se não alimenta, senão com dificuldade, mesmo nas almas mais seriamente instruídas, sendo, como é, atacada pelos discursos e pelos livros ímpios, que nos aparecem de toda a parte, que seria da criança, que não tivesse recebido educação religiosa ? Cegas são, pois, as mulheres, que não procuram dar a seus filhos,, senão a sciência do mundo, e os conhecimentos profanos ; como se a sciência da salvação não fosse a única necessária, e conao se o conhecimento de Deus não fosse de todos o mais nobre, e o mais estimáveL Mães insensatas, que não compreendem, que a importância exclusiva dada hoje à instrução scientitica e literária, não forma senão homens enervados e viciosos, isto é, muito maus cidadãos. Esta observação é de um homem a quem a experiência revelou as chagas do nosso século Só a instrução religiosa é capaz de fazer homens virtuosos. Assim o
( ) «Coisa deplorável, acrescenta ê l e : as estatísticas dos hospitais e das prisões da Europa demonstram que as enfermidades, a alienação mental, o suicídio e os outros crimes aumentam com a instrução e o pretendido progresso das luzes (Doutor Descureis).
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compreenderam todas as santas mães cristãs, que deram eleitos ao Céu, S. Francisco de Sales, não sabendo ainda lêr, sabia já todo o catecismo, <porque M . de Boisy, sua mãe, escreve M. Hamon, ao mesmo tempo que lhe ensinava o alfabeto, se aplicava ainda mais a dár-lhe a inteligência das santas verdades, por meio de claras explicações e de variadas comparações ; e a inspirar-lhe o espírito da lei de Deus, isto é o amor e o temor filial; enfim a explicar-lhe a prática por seus exemplos, e por suas palavras.» A mãe de Santa Rosa de Viterbo estava atenta a vigiar o primeiro despertar da inteligência de sua filha, para a virar para Deus. E, para que objectos piectosos fixassem os primeiros olhares desta criança, tinha cuidado de rodiar o seu berço de imagens e de estátuas, Todos os dias Virgínia Bruni consagrava uma hora inteira a explicar o catecismo a seus filhos. Mesmo muito doente, encontrava no zelo materno bastante força e energia, para exercer sem interrupção, este piedoso ministério. A quem insistia nom ela, para tratar da sua saúde : — «0 meu primeiro dever, respondia, é instruir meus filhos, e este dover não cessarei de o cumprir, até ao meu último suspiro»»
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Duas verdades que se devem ensinar às crianças

Dar à criança a instrução religiosa, é no sentido lato que damos a esta palavra, 1.° instruir ou fazer instruir essa criança nas verdades, que todo o cristão deve saber e acreditar ; 2.° exercitá-la na prática das virtudes cristãs; 3.° formá-la para usar dos meios

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de salvação com que Jesus Cristo engradeceu a sua Igreja. 4 Entre as verdades da nossa augusta religião, há algumas, cujo conhecimento é tão necessário, que é absolutamente impossível a qualquer homem, que tem uso de razão, ser salvo, ignorando-as, Estas verdades são : em primeiro lugar a existência de um Deus, que recompensa os bons, deixando-se ver, e possuir por sua alma, tal qual é; e que castiga os maus, governando tudo por sua Providencia; e depois, segundo a opinião mais provável dos doutores, os mistérios da Santíssima Trindade de um só Deus, em três Pessoas ; da Incarnação ou do Filho de Deus feito homem; da Redenção, ou de Jesus Cristo morto na cruz, para resgatar todos os homens. Todos devem saber também a necessidade da graça e da oração, e a imortalidade da alma. Estas primeiras verdades devem ser ensinadas à criança logo após as primeiras manifestações da sua inteligência; porque, ai dela, se, tendo já uso de razão, viesse a morrer, antes de ter adquirido estes conhecimentos, tam necessários à salvação! Ah! quantas crianças, por culpa de suas mães, chegam aos sete anos, e mesmo até mais tarde, sem saberem os principais mistérios da fé, e sem conhecerem, por conseguinte, a grande misericórdia que Deus testemunhou aos homens, enviando-lhes o seu divino Filho, para os resgatar, por seus sofrimentos, morte o paixão ! Pobres crianças ! No momento em que estas grandes verdades se imprimiriam profundamente no seu espírito, e no sou coração, são condenadas a ignorá-las, enquanto que tudo o que as cerca, conspira a ensinar-lhes o mal. Não será inútil traçar aos nossos leitores um método fácil de ensinar às crianças a doutrina cristã.

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I Desde que a criança começa a compreender a língua da mãe, é preciso falar-lhe de Deus; porque estudará e amará o mal, se não a ensinardes primeiro a conhecer e a amar o bem. Mostrai-lhe» seguindo o conselho de Fénelon, os pedreiros construindo uma casa, e perguntai-lhe se essa casa poderia edificar-se por si própria. — «Não» responderá êle. Fazei-lhe vêr depois, provocando-lhe o espanto e a admiração, a grandeza do mundo, a elevação do Céu, as montanhas e as planícies ; e quando o seu espírito estiver absorto com estas maravilhas da criação, perguntai-lhe se essas belas coisas se poderiam fazer por si próprias, sem haver ninguém que as fizesse. — «Não, minha mãe» dirá êle. Explicar-llie-eis então quem foi o artista que fez essas obras maravilhosas, que foi um Deus on^iipotente e infinitamente grande, que fez tudo com uma só palavra : o Céu e a terra, com tudo quanto existe. Para lhe incutirdes depois o dogma da Providencia, ensinai-Ihe que tudo quanto se passa no mundo, se faz por vontade ou permissão de Deus. Mostrai-lhe uma flor, dizendo-lhe que foi Deus que a fez abrir. Quando o sol nasce, fazei-lhe notar que foi Deus que suspendeu essa bela alâmpada nos ares. Quando a morte leva algum de nós, quando nasce uma criança, quando o trovão brame, ou quando a noite expulsa o dia, quando a chuva ou a neve caem na terra, dizei-lhe que é por ordem de Deus, que tudo acontece, e que Êle dispõe de todas as criaturas, como a criança dispõe dos seus brinquedos. Acrescentai que este Deus é soberanamente justo; que, assim como uma mãe castiga o filho que se n ã o poria bem, e o acarinha quando é obediente, assim Deus castiga os que o ofendem, e enche de favores os que o amam e servem, e que no Céu se deixará vêr aos bons, tal qual é, durante toda a eternidade, isto é, sempre. Mas, para ir para o Céu, precisamos dum socorro especial de Deus, que se chama a g r a ç a ; e para obter a graça, é necessário pedi-la a Deus, por meio da oração. Depois destas primeiras lições, que repetireis sempre, passareis ao mistério da Santíssima Trindade. Não há senão um único Deus, meu filho, e nem podia haver muitos ; mas neste único Deus há trcs pessoas distintas, que são : o Padre, e Filho e o Espírito Santo. O Padre não é o Filho ; e o Filho n ã o é o Espírito Santo; mas o Padre é o mesmo Deus que o Filho e o Espírito Santo. Estas três Pessoas só fazem um Deus, puro espírito, como os Anjos que não podemos ver, nem tocar, porque não têem corpo, como os homens. O teu pái, meu menino, é maior e mais velho do que tu, mas em Deus,

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o Padre, o Filho e o Espírito Santo têem o mesmo poder, a mesma eternidade, e as mesmas perfeições infinitas. Pegareis depois num crucifixo, mostrá-lo-eis respeitosamente ã criança, e far-Ihe-eis contemplar com espanto e compaixão a coroa de espinhos e as chagas do Salvador. Perguntai depois quem foi que tanto sofreu, e quem foi tam cruelmente maltratado. A criança não saberá responder, mas vós acrescentareis: — «Foi o Filho de Deus, uma das três pessoas divinas, que, sendo um puro espírito, tomou corpo e alma como nós, para sofrer e morrer por nós, e fazer-nos merecer a felicidade de ver a Deus.» Não deixeis de acompanhar estas palavras dessa uncção que dá a piedade cristã, e segui este conselho : todas as vezes que falardes das coisas santas, nunca o façais, senão com gravidade e convicção. E' triste ver uma mulher dizer que Deus é bom e que é preciso amá-lo, mas rindo, ou brincando, como se dissesse: Olha que linda boneca! II Quando a criança tiver compreendido estas primeiras verdades, passareis a outras, que qualquer cristão não pode ignorar, sem pecar mortalmente, a menos que não comprove a impossibilidade de as aprender. Vamos expô-las brevemente, por ordem de sua necessidade, ordem que bem fareis em seguir, quando instruirdes os vossos filhos. A profissão de fé, que começa por estas palavras: Creio em Deus, e que cada fiel recita todos os dias na oração, encerra doze artigos que a mãe deve mandar decorar a seus filhos, explicando-lhes o sentido; porque, é preciso aqui dizc-lo, erram todas as pessoas que julgam terem cumprido a sua obrigação, quando conseguem introduzir na memória de seus filhos uma série de palavras, recitadas, sem inteligência, nem devoção. Para facilitar a missão das mães cristãs, vamos dar uma curta explicação do Símbolo. Eu creio; isto é, estou firmemente convencido das verdades que vou professar. Estou certo de que não erro, crendo-as, porque me foram ensinadas por Jesus Cristo, o Filho de Deus, que não pode enganar-se, nem enganar-nos; porque a razão nos faz compreender, e o próprio Deus nos ensinou, que é a perfeição infinita. Estas verdades foram depois ensinadas pelos apóstolos, os amigos de Jesus Cristo, que receberam de Deus o privilégio de não poderem nem enganar-se, nem enganar os homens, privilégio de que gosa hoje, e de que gosará até à consumação dos séculos a santa Igreja Romana, isto é o Papa, e os Bispos conjuntamente com ele, porque Jesus Cristo prometeu estar com eles até ao fim

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do mundo, afim de os preservar de todo o erro. A divindade de Jesus Cristo, e da sua Igreja, têem afinal sido demonstradas pelos maiores milagres, atestados pela história mais certa, e tem convertido os maiores i n c r é d u l o s ; também todos os apóstolos e os santos mártires acreditaram e acreditam •o que Deus revelou e a Igreja ensina. Creio em Deus: isto é, estou certo que Deus existe, que há um só Deus, e que este Deus é o fim de toda a criatura. Creio em Deus Padre, a primeira pessoa da Santíssima Trindade. O seu poder não tem limites. Fez do nada, por sua única vontade, o Céu, a terra, e tudo quanto existe. Creio em Jesus Cristo, como creio em Deus Padre. Creio que é Filho verdadeiro de Deus, a segunda pessoa da a d o r á vel Trindade, o mesmo Deus que o Pai. E' o nosso soberano Senhor, e o seu poder estende-se sobre todas as criaturas. Sei e creio que o mesmo Filho de Deus se fez homem, tomou um corpo e uma alma como nós, sem deixar de ser Deus. N ã o nasceu à maneira dos outros homens, porque n ã o teve, como homem, pái verdadeiro. Por obra do Espírito Santo, o seu corpo foi formado no seio de Maria, a mais pura das virgens, que o deu à luz, sem dôr, duma forma milagrosa. Este mesmo Jesus Cristo padeceu durante trinta e três anos a pobreza e os sofrimentos, sobretudo no tempo de Póncio Pilatos, governador da Judeia. Pregaram-lhe as mãos e os pés numa cruz, por meio de grossos cravos, e morreu neste afrontoso suplício. O seu corpo, separado da sua alma, foi metido no sepulcro. A sua alma desceu ao lugar em que as almas dos justos, mortos antes da vinda do Salvador, esperavam que êle fosse livrá-las e abrir-lhes o Céu, até então fechado, pela desobediência de A d ã o . No terceiro dia depois da sua morte, reüniu-se a alma ao corpo, e saiu vivo e glorioso do sepulcro, para subir ao Céu quarenta dias depois, pela virtude da sua Omnipotência. No Céu está sentado sobre um trono à direita de Deus, e acima de todas as criaturas. Um dia virá, em que êle aparecerá sobre as nuvens, com grande magestade e poder, para julgar todos os que foram resgatados pelo seu sangue, isto é, os justos e os pecadores, todos os que morreram depois de Adão até ao fim dos tempos, e os que estiverem vivos no fim do mundo. Creio no Espírito Santo, da mesma maneira que creio no Padre e no Filho. E' a terceira pessoa da Santíssima Trindade, igual ao Padre e ao Filho, e o mesmo Deus que o Padre e o Filho.—Creio que há uma só verdadeira Igreja de Jesus

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Cristo, que é uma sociedade de verdadeiros fieis servindo a Deus, como êle quer ser servido ; o Papa é o seu chefe visível, e todos nós lhe devemos obediência. Assiste-lhe o Espírito Santo e ela não pôde enganar-se no que nos manda acreditar, e não manda fazer, senão o que é justo. E' santa em Jesus Cristo, seu chefe invisível, santa na sua doutrina, santa nos sacramentos, santa num grande n ú m e r o dos seus membros. Os santos do Céu, os católicos da terra e as almas do Purgatório fazem todos parte da Igreja de Jesus Cristo. Os santos do Céu, e as almas dos justos da terra podem auxiliar-nos com as suas orações. As nossas boas obras tendem a aliviar as almas do Purgatório. E' a isso que se chama a comunicação dos santos. — Creio que Jesus Cristo deu à sua Igreja o poder de perdoar os pecados, e fora da Igreja os pecados não podem ser perdoados. —- No fim dos séculos os corpos de todos os homens hão de unir-se às respectivas almas, e nunca mais se separarão. Creio que depois do julgamento há de haver uma vida eternamente feliz para os justos e uma vida eternamente infeliz para os réprobos. Aquele que nos revelou o que devemos crer, também nos ensinou o que devemos fazer para merecer o Céu. Deus deu dez mandamentos a Moisés, sobre o monte Sinai, onde fez brilhar o seu poder por meio de trovões e relâmpagos que encheram de espanto o povo de Israel, reunido ao pé da montanha. A Igreja declarou que estes dez mandamentos são obrigatórios para todos os fieis, e todos, por conseguinte os devem conhecer. Eis aqui em resumo o que cada um destes mandamentos nos proíbe e nos prescreve : l . ° Amar a Deus sobre todas as coisas. Este primeiro mandamento obriga-nos à prática das virtudes da fé, da esperança, da caridade e da religião. Peca-se contra a f é : negando uma só que seja, das verdades que a Igreja nos manda acreditar; alimentando no nosso espírito alguma dúvida acerca de qualquer dessas verdades ; deixando decorrer muito tempo, sem fazer actos de f é ; e proferindo palavras ou lendo escritos que ataquem a religião. Peca-se contra a e s p e r a n ç a : desconfiando da Providência ; murmurando contra ela ; desesperando de se corrigir dos seus defeitos ou de chegar à vida eterna; pensando que será salvo sem o socorro da graça, ou sem as boas obras; e adiando para outra ocasião a sua conversão, sob o pretexto de que Deus é misericordioso. O amor que devemos a Deus deve levar-nos a nunca aborrecer este soberano bem de nossas almas, a evitar que o

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sirvamos com tibieza, e a obrigar-nos a recitar freqüentes actos de caridade. A religião ordena-nos que prestemos a Deus o culto que lhe é devido, convida-nos a honrar os santos, e principalmente a Santíssima Virgem, Mãe de Deus. Obriga-nos também a orar. À religião proibe-nos que prestemos à criatura o culto que só se deve prestar a Deus ; que tenhamos costumes e conversas supersticiosas, e que procuremos conhecer o futuro, ou a fazer coisas maravilhosas, por intermédio do demónio. E' um sacrilégio maltratar as pessoas consagradas a Deus, ou profanar os lugares santos; é também um sacrilégio tratar com desprezo as relíquias, as imagens, e principalmente receber os sacramentos sem as disposições necessárias. 2. ° Não jurar o nômade Deus em vão. Este segundo mandamento ordena-nos que respeitemos o nome adorável de Deus. Condena a blasfêmia, os juramentos falsos ou injustos, o costume de certificar o que se afirma, por juramento, erguendo a mão ou de qualquer outra maneira, e enfim a violação dos votos que se fizeram, ou a negligência em cumpri-los. 3. ° Guardar domingos e festas de guarda. Este terceiro mandamento obriga-nos a ouvir missa aos domingos, e dias santificados, abstendo-nos nesses dias de obras servis. 4. ° Honrar pdi e mãe. Os meninos devem a seus pais amor, respeito e obediência. Tornam-se culpados aos olhos de Deus, desejando mal aos autores da sua vida, não lhes assistindo nas suas doenças ou necessidades, dirigindo-ihe palavras injuriosas, batendo-lhes, ou recusando fazer aquilo que eles lhes mandam. Devem também respeito e amor ao sacerdote, e aos mestres, que são a seu respeito os representantes de Deus. 5. ° Não matar. Devemos, pelo amor que temos a Deus, amar todos os homens, como nossos irmãos, visto que foram feitos à imagem e semelhança de Deus; devemos assistir-lhes nas suas necessidades, e desejar a salvação de todos. A cólera, a inveja, a discórdia, a avareza que regeita os rogos do pobre, o ódio, o desejo da vingança, e o homicídio são crimes que este quinto mandamento condena. O escandaloso, que induz uma alma ao pecado, é mais culpado ainda que o assassino. — Devemos conservar a nossa vida, porque só Deus é senhor dela. Faríamos mal, se desejássemos a morte por impaciência, e seria um grande crime dá-la a nós mesmo, antes que Deus nos quizesse retirar deste mundo. Quem despreza a sai-

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vação da sua alma, e persevera muito tempo no pecado mortal, torna-se também culpado perante Deus. 6. ° e 9.° Guardar castidade. — Não desejar a mulher do teu próximo. Estes dois mandamentos proibem-nos todo o pensamento, todo o desejo, toda a palavra, todo o olhar e toda a acção que fira a modéstia e o respeito, que devemos à presença de Deus. Condenam também indirectamente a ociosidade, o excesso no beber e no comer, e todas as ocasiões perigosas que nc suscitam facilmente pensamentos ou acções pecaminosas. 7. ° e 10.° Não furtar.— Não cubicar as coisas alheias. Nunca nos apossemos, senão daquilo que nos pertence; entreguemos os objectos que achasmos às pessoas que os perderam ; paguemos as nossas dívidas o mais breve possível. Não desejemos mesmo apropriar-nos, por meios injustos, do que não p o s s u í m o s ; este desejo é condenado pelo décimo mandamento. 8. ° Não levantar falso testemunho. Por este oitavo mandamento, proibe-nos Deus as mentiras, os juizos temerários, a maledicência, as calúnias, os falsos testemunhos, e em geral tudo o que se diz ou se faz, com a intenção de enganar, especialmente, quando por esse meio, se atenta contra a honra, ou contra a reputação do p r ó ximo.

A Igreja, isto é o Papa e os Bispos, a quem Deus nos mandou obedecer, impôs-nos leis que devemos conhecer e respeitar. 1. ° Ouvir missa inteira aos domingos e festas de guarda. Obrigação grave, por conseguinte para todo o fiel que chegou à idade da razão, de ouvir missa e de se abster das obras servis, nos dias santificados, assim como nos domingos: entendendo-se que ouve missa inteira o que assiste à leitura do Evangelho, e se conserva daí em diante com todo o respeito e humildade, pensando na morte e paixão do Divino Redentor. 2. ° Confessar-se, ao menos, uma vez cada ano. E' um pecado mortal ficar mais de um ano, sem se confessar, desde que uma pessoa entra no uso da razão, sobretudo sentindo a consciência sobrecarregada com alguma falta grave.

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3. ° Comungar pela Páscoa da Ressurreição. Obrigação grave de receber o bom Deus, na c o m u n h ã o , OU, pelo menos, no tempo pascal, desde que qualquer pessoa já fez a sua primeira comunhão. 4. ° Jejuar, quando manda a Santa Madre Igreja. Todas as pessoas que têem vinte e um anos completos, devem, se não tiverem razões legítimas que as dispensem desta obrigação,-não tomar senão uma única refeição, durante . quarenta dias da quaresma, as quatro têmporas C as vigílias dos Apóstolos, e de algumas grandes festas. 5. ° Não comer carne às sextas-feiras e sábados. Não se pode, sem pecado, comer carne à sexta-feira e ao sábado, depois dos sete anos completos, a menos que se não tenha obtido uma legítima dispensa. Para observar os mandamentos, carecemos do socorro de Deus. Sem a graça, somos como uma criança que cai a cada instante, se a mãe a não ampara, ou como um doente tão enfraquecido que não pode fazer o menor movimento, sem ser auxiliado por m ã o estranha. O Senhor estabeleceu dois meios para obter a graça, a saber: a oração e os sacramentos. Deus mandou-nos orar, e prometeu conceder-nos tudo o que lhe pedíssemos. A primeira e a mais importante de todas as orações, é o Padre-Nosso; a mãe deve ensiná-lo de cór a seu filho, e explicar-lhe o sentido. Meu Deus, o Pái e o Criador de todos os homens, vós que reinais nos Céus —que o vosso nome seja conhecido, respeitado e abençoado por todos os vossos filhos. Reinai sobre todas as almas, pela vossa g r a ç a ! E reinemos nós convosco um dia na g l ó r i a ! Os anjos do Céu, ó meu Deus, são fieis em executar as vossas ordens; observem, pois, todos os homens a vossa lei, com tanta fidelidade, como os anjos! Dai-nos hoje a graça, esse pão que sustenta as nossas almas. Dai-nos também a alimentação, de que carecemos para o nosso corpo. Perdoai-nos todos os pecados que cometemos, como nós perdoamos tudo aos que nos ofenderam. N ã o permitais que fiquemos expostos ao perigo de vos ofender. A m parai-nos, quando nos inclinarmos para o m a l ; livrai-nos das tentações do demónio, nosso inimigo, e de tudo quanto nos pudesse acontecer de mau, quer seja para o corpo ou para a alma. Inútil seria recomendar a uma mãe cristã que ensinasse a seu filho a Saudação angélica, ou o Avé-Maria, etc. Ha sete sacramentos, que são ; o baptismo, a confirmação, a comunhão, a penitência, a extrema-unção, a ordem e o matrimónio.

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Sacramento é um sinal sensível, instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo, para produzir a graça e santificar-nos. Toda a criança que nasce, vem incursa no desagrado de Deus, em conseqüência do pecado original que Adão, por sua desobediência, transmitiu a todos os homens. O Baptismo, o mais necessário de todos os sacramentos, lava o pecado original, e faz-nos filhos de Deus e da Igreja. Para administrar o sacramento do Baptismo, derrama-se água natural sobre a cabeça da pessoa que se baptiza, tendo a intenção de fazer o que faz a Igreja, e dizendo ao mesmo tempo : — «Eu te baptizo em nome do Padre, do Filho e do Espírito Santo.» Toda a pessoa pode baptizar, em caso de necessidade. Depois do baptismo, o mais necessário dos sacramentos é a Penitência, ou a confissão. Vamo-nos confessar, para obter o perdão dos nossos pecados. Em vez, porém, de encontrar a graça e a amizade de Deus, cometeria um sacrilégio quem, ao confessar-se, ocultasse voluntariamente um pecado mortal, ou n ã o tivesse um pesar sincero de todas as faltas graves, de que se acusa, e a firme resolução de nunca mais as cometer. O mais augusto de todos os sacramentos é a Eucaristia, que contém real e verdadeiramente o corpo, o sangue, a alma a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, sob as aparências do pão e do vinho. A hóstia que o sacerdote coloca sobre a língua dos que vão comungar, é o Filho de Deus, feito homem. Para, pois, se receber a Deus condignamente, é preciso estar em jejum desde a meia noite, e não ter pecado mortal na consciência. Seria um enorme sacrilégio, receber Jesus Cristo numa alma, manchada por uma culpa grave. Sobre o altar, durante a santa Missa, Jesus Cristo se imola, para a glória de seu Pái, como foi imolado outrora no monte Calvário. A confirmação é um sacramento que nos dá o Espírito Santo, com a abundância das suas graças, que nos torna perfeitos cristãos, e nos d á a força de confessar a fé de Jesus Cristo, mesmo à custa da nossa* vida. Para receber dignamente este sacramento, é preciso também estar em estado de graça.

Os nossos leitores compreenderão a utilidade desta exposição das principais verdade da fé. Fomos pouco extenso acerca deste importante assunto; mas, para não sermos muito prolixo» contentamo-nos em indicar o livro da Educação-

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das meninas, que fornecerá pormenores muito práticos, sobre este ponto. As Horas de Piedade, editadas pela editora desta obra também melhor do que qualquer outro livro português poderá servir para este fim í ). 0 nosso mais ardente desejo seria que êsjfce livro fosse lido no seio de todos as famílias. Terminamos, por estas palavras do ilustre arcebispo do Gambrâi: — <E' preciso sem que apertemos muito as crianças, fazer com que ellas desde princípio, se afaçam a conhecer a Deus. Fazei-as compenetrar das verdades cristas, sem lhes permitir assomos de dúvida». Temei ainda mais tornar-lhes penoso o estudo do catecismo, do que o do alfabeto ou da gramática; «deixai brincar uma criança, e misturai a instrução com o brinquedo, de forma que a sabedoria se lhe não apresente, senão por intervalos, o com rosto risonho.» Imagens ou quadros representando as principais verdades da religião, seriam um meio inteiramente fácil, interessante e eficaz para instruir. Se houvesse mães que não pudessem dar a seus filhos o conhecimento das primeiras verdades, e dos primeiros deveres da nossa santa religião, deveriam tratar de os mandar instruir imediatamente, por alguma pessoa virtuosa. Em todas as vilas e aldeias, e mais facilmente ainda nas cidades, podem-se encontrar almas caridosas,-que se julgam felizes, ensinando as criancinhas a conhecer a Deus. E as nossas leitores fariam bem, podendo, se se aplicassem a esta obra, que as escolas sem Deus tornam hoje, mais do que nunca, necessária.
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0) E' um livro de que já se publicaram mais de 200:000 exemplares em 19 edições.

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Do catecismo

Quando a inteligência da criança está desenvolvida, o sacerdote encarrega-se de completar, pelo catecismo, a educação religiosa. As mulheres verdadeiramente cristãs dão-se por felizes, vendo terminar a sua obra, por um mestre mais hábil e mais experimentado que elas. As mães, quo pelo contrário, deixaram os seus filhos submersos na ignorância das coisas mais necessárias, são as que menos empenho mostram, em lhes fazer seguir as instruções familiares do catecismo. E' todavia para toda a mãe, e principalmente para uma mãe negligente, uma obrigação rigorosa mandar ao catecismo os seus filhinhos. E que pretextos plausíveis poderão alegar, para deixarem de cumprir este imperioso dever? Precisais do vosso filho? Não importa. Sois pobre e é preciso que ele trabalhe para ganhar o pão de cada dia ? Não importa também. Em qualquer dos casos, deveis mandá-lo ensinar, e reservar-lhe alguns instantes para isso. Tendo obrigação de prover às necessidades do seu corpo, porque haveis de desprezar o cuidado da sua alma, resgatada pelo sangue de Jesus Cristo ? Uma mãe que tem fé sincera, encontra sempre tempo para mandar um filho ao catecismo e ao trabalho. «0 catecismo não é só a instrução; é, segundo o pensamento do ilustre bispo de ürleans, a educação religiosa do homem, durante os anos da sua infância e da sua mocidade ; e ensinar o catecismo, não é só ensinar ás crianças o cristianismo, é educá-las no cristianismo. > E nunca a criança teve mais imperiosa

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necessidade das exortações paternas, do pastor ou do sacerdote, do que depois da sua primeira comunhão. Para convencer as nossas leitoras, basta que leiam o seguinte trecho extraído dum breve de Sua Santidade Pio IX a Mgr. Dupanloup. «Por mais perfeito que fosse o ensino feito à «criança, dos elementos da doutrina cristã e das «máximas de piedade, se mais tarde, quando os «sentidos fazem sentir o seu império, os negócios «temporais a sua tirania, os erros o seu sopro «funesto, não vierem novos ensinos confirmar essas «crianças nos seus bons princípios, formá-las na «prática das virtudes, inspirar-lhes o amor do que «aprenderam, só a custo se pode esperar algum bom «resultado dos primeiros trabalhos, de que todo o «fruto será perdido... Exortamos todos aqueles a «quem está confiado o cuidado dos povos, a que «não se contentem em lançar as sementes da fé e «das virtudes na alma das crianças, mas em cultivar, «tanto quanto possível, esses germens nos adoles«centes, e nas crianças.» Seria, pois, para desejar que todos os pastores de almas estabelecessem nas suas paróquias catecismos de perseverança; e sem dúvida o fariam, se o seu zelo não fosse paraiizado pela indiferença dos pais, que, desde que os filhos estão prontos (como eles dizem) do catecismo, só tratam de explorar todos os seus momentos, ou lhes deixam a fatal liberdade de se divertirem, com companheiros suspeitos, durante o tempo que poderiam consagrar a edificarem-se e a instruirem-se! Pobres rapazes! Afastando-se assim do Sacerdote, e não ouvindo já as suas exortações, inspiradas pela mais terna caridade, não aprendendo já da sua boca os meios de combater as suas paixões, esquecem que têem uma alma, entregam-se sem freio às paixões ardentes da

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A

MÃE

SEQUNDO

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sua idade, e maculam os mais belos anos da sua vida, pelos vícios mais vergonhosos. Depois de feita a primeira comunhão, deve uma mãe cristã continuar a mandar os filhos ao catecismo, pelo menos aos domingos, ensinando-]hes, que uão é humilhação ouvir explicar a doutrina católica, e quo em todas as idades carecemos de instrução religiosa, e sobretudo de exortação à virtude ; e ela própria lhe dará o exemplo de assistir ao catecismo do domingo. Também os mandará assistir às práticas. Fénelon queria que as crianças assistissem, não aos sermões cheios de ornamentos vãos e afectados, mas a discursos sensatos e edificantes, como práticas e homílias. , . «Fazei-lhes notar, escrevia ele, quanto há de belo e de comovente na simplicidade destas instruções, e inspirai-lhes o amor da igreja paroquial, em que o pastor fala com benção e autoridade, ainda mesmo que possua pouco talento e virtude» {% VII Da obrigação de incutir cedo a virtude à criança Já atrás observamos que contentarem-se os pais com ensinar à criança as verdades e os deveres do cristianismo, sem lhes fazerem compreender o espírito, sem lhes incutirem a prática da lei de Deus, seria uma obra muito incompleta. Também, depois de ter ordenado à mãe que instruísse os seus filhos, Deus acrescenta : CtiUivai-os e vergai-os sob o jugo da virtude, desde a mais tenra mocidade. E preciso
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Fénelon.

http://alexandriacatolica.blogspot.com

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efectivamente começar cedo esta cultura do coração, porque é tanto mais fácil ensinar para o bem as crianças, quanto elas são mais novas e mais tenras. Além disso, as primeiras impressões que recebe a criança são as mais vivas e as que ficam mais tempo gravadas no coração. E' como um vaso novo, que conserva sempre o cheiro do primeiro líquido que conteve» Féneion queria que se formasse a criança para a virtude, mesmo antes de falar. — «Talvez pensem que exagero, escrevia ele, mas basta considerar quanto, nesta idade, as crianças procuram as pessoas que as afagam, e evitam 3S que as contrariam, e como elas sabem gritar e calar-se, para lhes darem aquilo que desejam. Pode-se, pois, coligir que elas conhecem desde então mais, do que de ordinário se imagina. Pode-se, pois, logo nessa idade por gestos, inspirar-lhes o amor das pessoas virtuosas e o horror dos defeitos que mostram as outras crianças. Esses princípios não se devem desprezara Ocupando-se com inteligência das crianças, desde os mais tenros anos, reprimindo-lhes os primeiros movimentos das paixões, implantando na sua alma, como numa terra própria, os germens das virtudes, não hesitamos em afirmar com o imortal arcebispo de Cambrai; — «Por pouco que o seu natural seja bom, podem-se tomar meigas, pacientes, firmes, alegres e t r a n q ü i l a s ; se, porém, se despreza esta educação na primeira infância, tornam-se ardentes e inquietas durante toda a sua vida* Formam-se os costumes ; o corpo ainda tenro, e a alma sem outros recursos, voltam-se para o mal. Forma-se neles uma espécie de segundo pecado original que é a origem de m i l desordens quando elas crescem. E* dessa forma que as silvas nascem e crescem num campo inculto, ^ quanto mais fértil é o terreno, mais más hervas
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produz, não sendo cultivado; enquanto que o mais ingrato terreno produz frutos, sendo bem cultivado,, e a arvore estéril dá frutos, sendo enxertada. A mãe de S. Francisco de Sales tanto tinha sabido inspirar a virtude a seu filho, desde o berço, que esta santa criança pedia, por meio de gestos e olhares, esmola para todos os pobres que encontrava, de sorte que a ama era obrigada a trazer sempre fruta consigo. Um dia, que eia não tinha nada que desse a uma criancinha pobre, que encontraram, Francisco obrigou-a a oferecer-lhe o seio, e sustentou, muito alegre, com as suas mãozinhos, a cabeça dessa criança, enquanto ela sucava o leite da sua ama. Quando, mais tarde foi bispo de Genebra,. Francisco de Sales recomendava à santa senhora do Chantal, que tivesse grande zelo em apoderar-se, sem perder tempo, dos pensamentos de seus filhos, e de suas afeições nascentes, afim de os virar para Deus. Segui este conselho, piedosas mães. Hoje, ah í as crianças recebem logo as funestas tentações do vício, que facilmente se poderiam ter evitado, fazendo voltar cedo todas as suas afeições para o bem. São os frutos que o lavrador procura fazer produzir no seu campo; prefere-os as mais brilhantes ilôres. Longe de vós, pois, a loucura dessas mulheres que põem todo o seu zelo em ensinar galanteios aos filhos, ou a prática de deveres estéreis do mundo, sem pensarem em fazer-lhes participar dos fruios das virtudes cristãs.— «Mas dirão talvez algumas das nossas leitoras, não pretendemos fazer os nossos filhos padres.> S. Crisóstomo responde-lhes: — «Não é necessário efectivamente que todos os vossos filhos sejam padres ou religiosos; mas exorto-vos a fazê-los cristãos, levando-os, por palavras e exemplos, a conformarem a sua vida com as máximas do cristianismo. E esse para vós um dever, tanto mais impe5

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rioso, quanto mais vivamente desejardes que eles vivam no mundo, onde encontrarão tantos perigos, de que os preservaria a solidão de um claustro. Um navio, navegando, no meio do mar, não carecerá mais urgentemente de um leme e de um piloto, do que o que está ancorado no porto, ao abrigo dos ventos e das tempestades ? . .. VIII Do temor de Deus 0 temor de Deus é o princípio da sabedoria. — «Ensinai à criança desde a sua mais tenra mocidade, escrevia Bossuet, e por assim dizer, desde o berço, o santo temor de Deus.> Com esta virtude, vir-lhe-ão ao mesmo tempo, todos os outros bens.— «Não é efectivamente, pergunta Mgr. Dupanloup, este temor religioso que inspira à criança o amor do trabalho, a pureza dos costumes, a docilidade, o respeito para convosco, e o respeito para com ele próprio ? Que é o pudor, tam belo e tam puro na fronte da mocidade, tam santo e tam nobre nos olhares da idade madura, tam venerável sob os cabelos brancos do velho, senão a mais elevada delicadeza do respeito, e do temor de Deus ?. .. Sejam quais forem os defeitos, direi mesmo os vícios naturais de uma criança . . . se nós pudermos abrir o seu coração ao amor e ao temor de Deus, tudo se torna fácil, com o tempo e com a paciência, e então espero tudo, não só pelo presente, mas especialmente pelo futuro.» Lê-se nos livros santos que b patriarca Tobias tendo tido um filho a que deu o seu nome, «ensinou-lhe a temer a Deus, desde a infância, e a absT

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ter-se de todo o pecado.» Mais tarde, este santo velho julgando a morte próxima, chamou o filho e disse-lhe: — «Escuta meu filho, as palavras do teu pai: conserva Deus no teu espírito todos os dias da tua vida, e guarda-te de consentir em algum pecado e de violar os preceitos do Senhor. Passamos, é verdade, uma vida pobre, mas teremos muitos bens, se temermos a Deus, e fugirmos de ioda a iniquidade.» Não é assim que raciocinam hoje alguns pais indiferentes. Conservando por seus filhos, não sei que solicitude, preservando-os com cuidado de certas desordens, que o próprio mundo sabe exterminar, nada lhes dizem, acerca do respeito que devem a Deus o à sua lei. Insensatos í edificam sobre areia, vêem menosprezada a sua autoridade, que só o temor de Deus pode fazer respeitar, e deixam os seus filhos, sem defesa, contra os ataques do demónio, do mundo e da carne ! «Ai das educações, exclama o ilustre bispo de Orleans, a que não preside o santo nome de Deus, e onde raras vezes se fala nele.» Ai das mães que não sabem inspirar o temor de Deus a seus filhos! Preparam para si próprias um cálice de amargura bem cheio de lágrimas e de dores! Devem, pois, as nossas leitoras aproveitar a ocasião de falar muitas vezes a seus filhos na grandeza de Deus, no seu poder, na sua glória o na sua infinita magestade. —• «Oh ! meus filhos, lhes dirão, Deus é o rei imortal dos séculos. Ouvindo o seu nome, todos os joelhos se dobram, nos Céus, na terra e no inferno. Milhões de anjos obedecem, tremendo, às suas ordens; com três dedos sustenta a terra. Criou tudo com uma só palavra, e com uma só palavra, tudo pôde destruir. A sua imensidade enche o universo.» Como nada há que seja mais capaz de imprimir

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no coração o temor de Deus. como o quadro do juízo final e a descrição dos suplícios eternos do inferno, uma mãe cristã, reunindo os filhos sobre os joelhos, ou em volta dela, dir-lhes-hâ com a força, que só a fé viva sabe inspirar: «No fim do mundo, meus filhos, ao sorn estrepitoso da trombeta final, ressuscitarão todos os homens. 0 Senhor enviará os seus anjos, que os reunirão todos no vale de Josafat. Aí aparecerá Jesus Cristo, o Filho de Deus, feito homem, que virá sobre as nuvens com grande poder e majestade, assentado sobre um trono brilhante e cercado de todos os anjos que lhe farão cortejo. Ao lado de Jesus Cristo se assentarão, para julgar com ele o mundo os doze Apóstolos que anunciaram o seu Evangelho. Então serão abertos os livros, em que estão escritas todas as acções dos homens, todas as suas palavras, todos os seus pensamentos. Os justos verão todas as suas boas obras manifestadas aos olhos do universo, o ouvirão essa feliz sentença, que fixará a sua felicidade eterna : «Vinde benditos de meu Pai, possuir o reino que vos foi preparado desde o princípio do mundo». «Mas qual não será a confusão dos maus, quando virem desvendados aos olhos dos anjos o dos homens todos os crimes da sua vida, até os cometidos em segredo, os pensamentos e os mais recônditos sentimentos! 0 Senhor revelará a sua vergonha às nações e a sua ignomínia aos reinos ! Serão um objecto de horror para os anjos, para os homens, e até para eles próprios. Não sabendo como fugir ao olhar irritado de Jesus Cristo, que não terão forças para impedir, gritarão ás montanhas : Cai sobre nós e escondei-nos, sepultai-nos sob as vossas ruínas. Será tudo em vão, porque a* terrível sentença: Retirai-vos de mim, malditos: ide para o fogo eterno que foi preparado para

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o demónio e seus anjos, os sepultará para nunca mais morrerem, e para sofrerem sempre, nos abismos do inferno. ' «0' meus filhos, o inferno ! Sabeis o que é o inferno? 0 inferno é a privação de todos ,os bens, e o conjunto de todos os males. A criança que tiver a desgraça de cair neste golfo, onde habita um eterno horror, estará privada de seus pais, de sua mãe que ela amava, de seus amigos, de todos e de tudo que lhe poderia trazer alguma consolação. Estará separada de Deus, o soberano bem das almas, separada de Maria, sua mãe do Céu. Só terá por sociedade os demónios, seres degradados e horríveis à vista, que o atormentarão sem cessar, e se encarniçarão em fazê-lo soffrer. E aí, com todos os malvados do mundo, que morreram sem fazer penitência, com os blasfemos, os sacrílegos, os assassinos, os ladrões, apenas será rodiado de trevas, e verá um fumo espesso misturado com chamas. Ouvirá blasfêmias, choros e ranger de dentes; e sentirá cheiros insuportavelmente fétidos. De todos os lados será cercado de chamas ; nadará num tanque de fogo, donde nunca poderá atingir as extremidades exteriores; este fogo o devorará sem o consumir ; viverá sempre e nunca ninguém lhe irá levar uma gota de água, para mitigar uma sede ardente, de que será atormentado. Meus filhos, temei a Deus, é os seus julgamentos. Quem poderá habitar com esse fogo devorador ? Quem resistirá à cólera de Deus ? Estas lições, repetidas com unção, e a propósito, incutirão no ânimo das crianças o temor da justiça divina. E' bom, porém, evitar, que à mais leve travessura, à mais desculpável desobediência, se amiace logo a criança com os suplícios do inferno; porque isso seria contraproducente. E seria falsear a consciência duma criança, amiaçando-a, do que por

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uma leve falta, atraía sobre si os castigos eternos de Deus. Só o pecado mortal é que abre o inferno â alma.

XI
Do horror do pecado mortal

0 mal que uma grossa seraivada produz num formoso campo de trigo, e que um furacão produz numa árvore cheia de flores, o mesmo mal produz o pecado mortal na infância. Ficai-o sabendo, ó mães cristãs, tanto para interesse de vossos filhos, como para vosso próprio interesse,— «há só uma desgraça séria e temível, uma única prova terrível: o pecado. Os laços quo os inimigos nos estendem, os ódios com que nos perseguem, as injustiças, as calúnias, a espoliação de nossos bens, o exílio, as guerras, as tempestades do mar, o terramoto do mundo inteiro, tudo isso é nada. Todos esses males são momentâneos; apenas prejudicam o corpo, mas não fazem mal à alma ( ). Mas o pecado mortal rouba-nos a amizade de Deus, e prepara-nos a eterna condenação. E o pior é que, com quanto os seus dentes sejam mais mortíferos que os do leão, o pecado lisongeia a nossa natureza perversa. E' um veneno que se oferece à infância, com a doçura do mel, é um precipício cuja profundidade se não pode avaliar, por causa das flores que lhe cobrem a boca da entrada. A criança bem cedo chupará este pérfido veneno; querendo colher estas cruéis flores, rolará no abismo que elas cobrem, se a sua mãe não tiver
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(*) Clirys. ad. Olympiadem.

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tido o cuidado de lhe dizer e repetir: — A h ! meu filho, nunca aproximes os teus lábios deste copo envenenado. Fogo destas Ilôrcs, que estáo a ocultar-te um abismo>. Todas ag santas mães sempre assim o compreenderam. E que vivas e comoventes exortações não empregaram elas, para inspirarem a seus filhos o horror ao pecado? Quem não conhece as sublimes palavras, que dirigia a S. Luís, ainda criança, sua mãe a rainha Branca de Castela? «Meu filho, eu antes queria vêr-te morto a meus pés, do que ver-te cometer um só pecado mortal». «Ainda existem, e em maior número do que rialmente se pensa, novas Brancas de Castela, escreve o Padre Ventura. Apenas falaremos duma destas mães heróicas, que conhecemos. E' Virgínia Bruni. Tinha ela três filhos: um menino e duas meninas Ora, todas as noites, depois da oraçfij que lhes fazia rezar em comum, e na sua presença, levantava a voz, e em tom enérgico, dizia: «Meu Deus, ponde de parte o meu amor por estas crianças e permiti que todas três morram na minha presença, antes que tenham a desgraça de cometer um só pecado mortah. Educadas assim no santo temor Deus, não admira que estas felizes crianças, viessem a ser três santos, por morte de sua m ã e . . . 0 menino de então é hoje um sacerdote; a mais nova das meninas é religiosa professa, e a outra edifica o mundo pela sua piedade, visto que a sua débil constituição lhe não permitiu entrar na vida clausurai. Uma senhora chineza, ainda nova, recentemente convertida ao cristianismo, conduzia a filha a um pequeno oratório, e aí, em face da imagem do Jesus crucificado, dizia com o acento de uma ternura maternal, e de uma convicção profunda: — «Deus bem sabe quanto eu te amo, ó minha filha. Todavia, se

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eu soubesse que havias cie perder a inocência do teu baptismo, pedia ao Senhor que te tirasse depressa do mundo. Sim, rneu Deus, repetra três vezes esta mulher forte, com os olhos fixos no crucifixo, se assim houvesse de acontecer, podíeis tirá-la ao meu amor, porque longe do a chorar, abençoar-vos-ia, por nos terdes feito, a mim e a ola tam assinalada mercê! > Estes sentimentos tam sublimes não os tem somente nos lábios a mãe, ial como o cristianismo a fez; conserva-os vivos no íntimo do coração, e na ocasião própria fá-los expandir, por meio do obras. Veja-se aquela mão dos três gémeos de Langrcs descer à prisão onde os seus três filhos estavam encerrados pela fé, beijar respeitosamente as suas cadeias, e indo de um para outro, com o rosto resplandecente de alegria, dizer-lhes: — «Nunca recebi dos meus gloriosos antepassados glória igual à que me vai resultar da imortal honra da vossa morte!» A mãe de S. Sinfrónio de Autun, sabendo que seu íilho fora condenado a ser decapitado pela fé de Jesus Cristo, e já o conduziam ao martírio, temendo que ele, na idade de dezasseis anos, tivesse um instante de pesar por essa vida, que ia perder, corre a sair-lhe h frente, e quando julga que lhe ouviria a voz, grita-lhe:—«Meu filho, olha para o Céu; tu não perdes a vida, troca-la por outra melhor.» Santa Dionísia colocou-se de pé, junto do cavalete, amparando com a vista o íilho que agoniza sob os açoites que recebia; quando ele deu o último suspiro, arrebata o seu corpo ensanguentado e vai sepultá-lo com os cânticos de alegria da crista, e os gemidos dolorosos da mãe. — E quando, para sustentar um Íilho nos tormentos sofridos pela causa de Deus, não bastavam os olhares e as exortações, quando era preciso ajuntar-lhe súplicas e lágrimas, já se viu uma mulher

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cristã cair de joelhos aos pés do filho, e conjurá-lo, por piedade, para com sua mãe, a morrer com coragem, e não atraiçoar a sua fé. «Deus não pede, sem dúvida, senão raras vezes semelhantes sacrifícios, escreve o biógrafo de Santa Mónica, a quem fomos buscar estes factos notáveis de heroísmo materno. 0 que porém é certo é que toda a mãe que não é capaz de dar a vida temporal do seu filho, para salvar a sua vida eterna, não é uma mãe cristã; porque toda a mãe que não sente a coragem de se colocar entre o filho e o crime, é uma mãe, indigna de que se lhe dê esse nome. Mas também quando uma mãe está resolvida a sacrificar tudo, incluindo a própria vida do seu filho, antes que vê-lo manchado pelo mal, como poderá morrer esse filho ? Quando vemos um grande número de crianças, desde os mais tenros anos, a arrastar pela lama as alvas vestes de que o sacerdote as revestiu logo à entrada da vida, que havemos nós de concluir ordinariamente por esse facto, senão que suas mães, muito pouco cristãs, não souberam derramar no seu coração o ódio pelo vício? E não é justificada esta conclusão pela história, que nos traça a constância e a generosidade, de que têem dado provas, nos mais horríveis suplícios, os filhos a quem uma santa mãe tinha ensinado a morrer, preferindo isso a vê-los transgredir a lei de Deus? No tempo do tirano Dunaan, tinha uma mulher cristã instruído nas verdades da fé, e preparado para o martírio um seu filhinho. 0 perseguidor mandou-a prender, arrancou-lhe o filho, e condenou-a a ser queimada viva. A criança apenas tinha cinco anos. Chorava por ser separado de sua mãe, e por não poder partilhar os suplícios que tinha aprendido a ambicionar, desde o berço. Dunaan perguntou-lhe o

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que preferia, se viver com ele num palácio, ou ser metida com a mãe numa caldeira ardente. 0 pequeno respondeu:— «Antes quero ficar com minha mãe. Quero sofrer com ela o martírio, porque nunca cessou de me exortar a dar a minha vida por Jesus Cristo,> Dunaan esgotou em vão as promessas e as ameaças. 0' prodigiosa eficácia das exortações maternas ! Todo o poder vos foi dado sobre o coração de vossos filhos, mulheres cristãs; usai, por quem sois da vossa salutar influência, para os afastardes do vício. Não o esqueçais; o fim principal da educação é inspirar-lhes o horror ao pecado. Os próprios pagãos assim o tinham compreendido. — «Que ensinareis a meu filho ?*. perguntava um pái a um filósofo a quem, o tinha confiado. — «Ensinar-lhe-ei a aborrecer o mal, e a fazer o bem*, respondeu o sábio mestre. Importa fazer notar, concluindo êyte capítulo, já bastante longo, que não é suficiente inculcar h criança o odio ao pecado, ó preciso fazer-llio temer, e evitar as ocasiões. Ora as principais ocasiões de queda grave são as más companhias, as ligações com pessoas de sexo diferente, os divertimentos mundanos, os espectáculos e as más leituras. Trataremos de tudo isto, mais detalhadamente.

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Do amor de Deus «Não há idade na vida a que convenha mais a piedade, do que à mocidade, escreve Mgr. Dupanloup, não só porque a piedade brilha nas frontes jovenís com mais resplendor; não só por causa do

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encanto inexprimível com que eia embeleza todas as qualidades naturais da infância, mas sobretudo por esta simples e profunda razão : é que a piedade não é outra coisa, senão o amor de Deus não sei que haja coração neste mundo a que seja mais fácil inspirar este amor que ao coração das crianças. Tudo aí está ainda puro, generoso, ardente; tudo aí está feiio, para este nobre o santo amor, e essa bemaventurada chama de vida acende-se com uma facilidade maravilhosa.» Mas se o coração da criança é um santuário onde o amor divino se compraz em estabelecer a sua morada, também a inocência da primeira idade da vida reclama esse amor celeste para aí encontrar a sua força e apoio.— «Electivamemente, continua o ilustre bispo de Orleans, um homem já feito, pode vir a ser virtuoso, com uma religião sincera e sólida, posto que sem fervor ; mas as crianças e os mancebos não o podem fazer, porque sem a piedade fervorosa, não têem nem bastante apoio, nem suficiente força para a sua virtude. Na sua idade, a fé não 6 ainda bastante profunda, nem a fidelidade bastante generosa, porque, como são corações tenros e fracos, caem facilmente, se a piedade os não sustentar. Quem conhece, como eu, a fragilidade destas pequenas plantas, será também da mesma opinião» Sim, o sopro da graça eleva-as facilmente para o Céu, mas o sopro do vício, fá-las cair desamparadas sobre a terra. Quem lhes há de dar a força, para resistirem aos ataques do respeito humano, ás influências dos maus exemplos e dos conselhos pérfidos, a todos os laços dum mundo corruptor e corrompido? Quem sustentará a sua fraqueza, sobre tantos declives e inclinações perigosas, e contra o mal que de toda a parte, as cercará? Repito: se o temor e o amor de Deus, se a piedade corajosa lhes
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faltar, cairão infali vel mente. Despeda çar-se- ao os laços que os prendiam h virtude, o o sorriso da indiferença e do desdém, da impiedade e até do vício, será em breve visto sobre lábios frescamente tintos do sangue de seu Deus numa primeira comunhão.» E preciso pois que o coração da mãe seja um foco que aqueça e abrase, com seus ardores, o coração da criança. Convém que esse pequeno ser, que começa a sorrir, e por conseqüência a compreender, não repouse nos braços maternos, sem ler nos olhares e nas feições de sua mãe alguma coisa de celeste que a faça elevar até ao amor de Deus. Seria preciso que as palavras da mulher cristã fossem como uni raio ardente que inflamasse a alma da criança com o fogo da caridade. 0' mãe, falai de Deus, dos seus benefícios, das suas perfeições infinitas a vosso filho e a vossa filha, logo dosde o berço. Não entenderão a vossa linguagem, direis vós? Não importa. Deus vos entenderá e vos abençoará. Não gostaria um rei da terra de vor que as mulheres falavam das suas glórias aos filhos que elas embalam ? Dir-lhes-eis muitas vezes : — «Meu filho, amas o teu pái e a tua mãe, porque te deram a vida, e porque te tratam com solicitude cheia de ternura; mas tens f um Pai, no Céu, ao qual és incomparavelmente mais devedor do que aos pais da terra; é a Ele que deves a existência: foi Ele que te deu corpo, alma, pais, tudo o que és e tudo o que amas; sua benéfica mão é que te sustenta; o seu poder é que te conserva. Destina-te o Céu, ondo to dará uma torrente de delícias, por toda a eternidade. São infinitas para contigo as suas bondades, sendo impossível contar o número e o valor dos seus benefícios. Seria, pois, uma ingratidão não amares de todo o teu coração Àquele a quem deves tudo. Já se viram animais
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ferozes a seguir por toda a parte e servir fielmente quem lhes prestou algum serviço, como aquele que arrancou o espinho que fazia sofrer um leão ; seria pois mais insensível que esses animais, quem não servisse Aquele que nos encheu de tantos favores. A h ! meu filho, não possuirmos nós os corações de todos os homens, para os oferecermos a Deus, e nem assim poderíamos amá-lo como ele merece ! «Amas também as pessoas e as coisas, em que notas qualidades que te agradam ; de tudo quanto notaste de bom, de belo, de perfeito, nos homens, no Céu e na terra, nada te pode dar uma ideia das perfeições infinitas de Deus. A sua beleza é infinitamente mais brilhante que a do sol e de todas as estrelas conjuntamente; a sua bondade é incompreensível; o seu poder é sem limites. Se, pois o nosso coração se apraz em amar o que é belo, o que é santo, o que é perfeito, como é que ele não amará Aquele que é a própria beleza, bondade e perfeição ? ' «Queres amar a Deus. querida alma? Sim. sem dúvida ; foi para isso que Ele te criou. Pois bem, mostra-lhe o teu amor, por meio de obras. Não só o não ofendas nunca pelo pecado, mas faze tudo quanto Ele te ordena; não vivas senão para lhe agradar; ama a oração e tudo o que honra este bom Senhor. > Depois destas lições ou doutras semelhantes, a mãe segundo a vontade de Deus fará sentir a seus filhos a desgraça dos que não amam o Senhor, e a felicidade de todos quantos o servem. Dir-lhes-há, com S. Paulo: — «A piedade é útil para tudo, tanto para nossa consolação neste mundo, como para nossa salvação eterna.» —«As crianças, diz ainda o bispo de Ordeans, imaginam de ordinário a piedade como uma coisa triste e sem actividade, isto é fazem dela uma ideia sombria; enquanto que a l i berdade, o brinquedo e o desregramento se lhes-

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afiguram muitíssimo mais agradáveis. Não há coisa pior. E' preciso, pelo contrário, que se lhes mostre a religião com um rosto meigo e seductor, sob as feições duma mãe terna que não pensa senão na ventura de seus filhos ( ).» «A piedade nada tem de austero, nem de afectado; é ela que dá os verdeiros prazeres; só ela os sabe temperar, para os tornar puros e "duradouros. Sabe misturar os brinquedos e os risos com as ocupações graves e sérias ; prepara o prazer pelo trabalho, e descança do trabalho pelo prazer. A piedade não se envergonha de parecer alegre, quando isso é necessário ( ).> Quando tratarmos da oração e dos sacramentos,, falaremos dos exercícios mais próprios para conservar a piedade no coração das crianças.
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XI
Do amor de Nosso Senhor J e s u s Cristo

Com o leite, fez Santa Mónica receber a Santo Agostinho o nome e o amor de Jesus Cristo. Também, no meio dos erros da saa mocidade, S. Agostinho nunca pôde esquecer essa radiosa e comovente figura de Nosso Senhor. Lemos a este propósito o que ele próprio escreveu no livro das suas Confissões: «0 nome de Jesus Cristo, diz ele, ficou sempre no fundo do meu coração; e sem este nome nenhum livro, por mais interessante que fosse, podia satisfazer a minha alma.»
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Mgr. Dupanloup. Fénelon.

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Em tempos mais próximos de nós, Virgínia 13puni, essa admirável viuva, de quem por várias vezes temos falado, conversava muitas vezes com os filhos acerca dos benefícios de que nos enche Jesus Cristo. Quando lhes dava alguma coisa, nunca deixava de observar que tudo provinha de Jesus Cristo. Depois do jantar, o depois da ceia, levava-os à igreja, para dar graças ao Divino Mestre, a quem lhes fazia pedir a benção e socorro para eles e para sua mãe. Quando cometiam alguma falta, exigia que, primeiro que tudo, pedissem perdão a Jesus Cristo; e quando os via humilhados e arrependidos: — <Está bem, lhes dizia, Jesus Cristo é tam bom que já vos perdoou; e eu também vos perdôo.> Estas admiráveis mães tinham compreendido que o principal a colocar diante dos olhos das crianças é Jesus Cristo, o centro do toda a religião e nossa única esperança. No nosso século principalmente, em que a pessoa adorável do Filho de Deus é o objecto de tantas e tam horríveis blasfêmias, as mulheres cristãs não devem desprezar nada para inspirar a seus filhos um grande respeito e um ardente amor pelo divino Salvador. -I Jesus Cristo é o Libertador prometido a Adão, quando foi expulso do paraíso terrestre ; para Ele se voltavam os desejos dos patriarcas, dos profetas, dos justos da antiga lei, e de todas as nações, que suspiravam pela sua vinda. Jesus Cristo é o Mediador entre o Céu, e a terra; só por Ele podemos ser salvos; ó o Filho de Deus, o Verbo eterno, o próprio Deus, revestido da nossa natureza, afim de estar, de alguma forma, mais perto dos homens, e de poder mais facilmente assenhorear-se dos seus corações. Como é o explendor da glória do Padre, sustenta tudo com o seu poder, sendo constituído o

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herdeiro do universo. Jesus Cristo é o juiz dos vivos o dos mortos, é*a recompensa para que todos nós tendemos, é o início e o fim, o princípio e o termo. Nele estão ocultos todos os tesoiròs^ da sciência, da sabedoria, da beleza, da misericórdia. Habituada por santas reflexões a procurar estes tesoires divinos, uma mãe cristã descobrirá inexgotáveis riquezas a seus filhos, pintar-lhes-há o amor de Jesus para com os homens, falar-lhes-há do presépio de Bethlém, e do Rei do Céu, que se fez menino, pobre e sofredor, para nossa salvação; far-lhe^-há a comovente narração dos trinta e três anos de humilhações, de sacrifícios e trabalhos do divino Mestre, e principalmente da sua dolorosa morte e paixão. À coroa de espinhos, os açoites, os escarros, as bofetadas, os cravos, o fel e vinagre não serão laços capazes de prender todos os corações ao jugo suave do amor de Jesus ? >j A mãe, segundo a vontade de Deus, não se esquecerá também do quadro da ressurreição gloriosa e da ascenção triunfante de Jesus, ao Céu, onde está sentado à direita de Deus Padre, e vive sempre para interceder por nós. Fará observar que o meio de testemunhar a Jesus o nosso reconhecimento, por tudo quanto fez e sofreu por nós, é imitar os exemplos que nos deixou. Ele veio á terra para nos ensinar o caminho do Céu; seria, pois, tornar inútil a sua vinda, se não seguíssemos o caminho que nos traçou. «Jesus Cristo, diz Santo Ireneu, fez-se menino, para santificar os meninos; fez-se pequeno para santificar os pequenos, dando-lhes o exemplo da piedade, da santidade e da submissão; fez-se criança para servir de modelo ás crianças.» <E' preciso acostumar as crianças a considerar a vida de Jesus Cristo como nosso exemplo, e a sua palavra, como nossa lei, escrevia Fénelon. Escolhei
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entre os seus discursos e as suas acções o mais proporcionado às crianças. Se a criança se impacienta por sofrer algum incómodo, exortai-a a que se lembre de Jesus Cristo na cruz; se não puder resolver-se a algum trabalho fatigante, mostrai-lhe Jesus Cristo trabalhando até aos trinta anos num estabelecimento ; se quizer ser louvado e estimado, falailhe nos opróbrios por que o Senhor passou ; se não puder conciliar-se com as pessoas que o rodeiam, fazei-Ih es considerar Jesus Cristo falando com os pecadores e hipócritas; se testemunhar algum ressentimento, mostrai-lhe Jesus, morrendo sobre a cruz, por aqueles próprios que o faziam morrer; se se deixar arrebatar por uma alegria imodesla, píntai-lhe a doçura e a modéstia de Jesus Cristo, tão grave e sério durante toda a sua vida. Fazei com que a criança medite muitas vezes, acerca do que Jesus Cristo pensaria, e diria das nossas conversações, dos nossos divertimentos, das nossas ocupações, ainda mesmo as mais sérias, se ainda estivesse visível entre nós. Qual seria o nosso espanto e a nossa confusão, continuareis vós, se Jesus aparecesse de repente no meio de nós, quando estamos no' mais profundo esquecimento da sua lei? Não é isso o que acontecerá a todos nós, quando morrermos ? Numa palavra, esforçai-vos para que Jesus seja o modelo e o fim de todas as acções de vossos filhos. 0 Jesus, tesoiro das nossas almas, atraí a vós, com laços de amor, os corações de todas as mães cristãs^ afim de que elas vos façam conhecer, e amar!
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Do espírito do mundo

0 amor de Deus e o espírito de Nosso Senhor não podem estabelecer a sua morada num coração onde reinam o espírito e o amor do mundo ; ora tudo o que cerca as crianças junta-se às suas próprias inclinações, para as levar para o amor deste mundo perverso, que é o inimigo jurado de Jesus Cristo. «Em volta da crianças, diz o judicioso Rollin, não há senão louvores aos que amontoam grandes riquezas, que têem grandes equipagens, que vivera principescamente, que têem ricos palacetes... Carecem, pois, estas crianças dum monitor fiel e assíduo, dum advogado que defenda, junto delas, a causa da verdade, da honra e da razão, que lhes faça notar a falsidade que reina em quasi todos os discursos, e conversações dos homens.» Carecem dum guia i n teligente, que as arranque a esses jardins doridos que o mundo lhes apresenta, e que só servem para a sua perdição, afim de que possam entrar no caminho espinhoso das virtudes cristãs, que conduz à eterna felicidade. Quem serã ê^se monitor fiel, esse benfazejo guia, senão uma atenta mãe, que faça notar a seus f lhos a vaidade de tudo o que passa, repetindo-lhes muitas .vezes : — «Não ameis o mundo, meus filhos, porque o mundo só vive de falsidades. Não há no mundo senão concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e orgulho.» Três fontes envenenadas de todos os nossos males e de todas as nossas iniquidades, que é preciso extirpar do coração das crianças. «Quem não sabe que, na grande obra da educação, temos a lutar contra a tríplice

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concupiscência, nada sabe, e nada pode, diz o ilustre bispo d'Orléans.» E' pois a sensualidade o primeiro inimigo que temos a combater, isto é o amor do que lisongeia o corpo, a moleza, a ociosidade com o vício que a segue de perto. Já neste livro nos insurgimos contra certas mães que concedem e procuram a seus filhos tudo o que pode lisongear os seus gostos ; inútil será tornar a falar sobre este ponto. Mas por quantas outras facilidades se não interteem estas fraquezas nas crianças ! Satisfazem-se todos os seus caprichos, para que nada tenham a sofrer ; até lhes chegam a tirar o ar, com medo que tenham muito calor no verão, e muito frio no inverno. Mal se acusam da mais pequena dor, logo lhes tiram o estudo, e à menor indisposição, pai, mãe e criados andam numa roda viva, prodigalizando-lhes mil atenções e cuidados. Deixam-nas dormir até tarde na cama ; talvez até as deixam estar na cama, sem dormir, e lamentam-nas, pelo que sofrem no colégio. Parecem fúteis estes pormenores, mas teem um grande alcance, pelas fantasias que se sofrem aos meninos e que tam legítimas se julgam. No entretanto o conjunto de todas as estas sensualidades tira-lhes toda a energia, e toda a força física e moral, não lhes deixando ardor senão para o pecado. «As crianças que passam os primeiros anos no meio das delícias, escreve Mgr. Dupanloup, repelem com repugnância todas as verdades que lhes incutem, apoderando-se com deplorável instinto de tudo o que c falso, ou as lisongeia. Nada pode dar uma ideia do que pode suceder, na vida, a essas crianças que são amimadas no seio de todas as vontades. Porque as acariciam, porque lhes testemunham ternura muito sensível, porque lhes concedem quanto lisongeia o seu apetite, o seu olhar, a sua preguiça . . .

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parecem-nos de ordinário uns lindos meninos, graciosos, prasenteiros, gracejadores; se os virdes cie relance parecer-vos-hão encantadores; mas se repentinamente descobrirdes a sua fraqueza e malícia, se experimentardes uma resistência, se lhes exigirdes o menor trabalho, a mais ligeira aplicação, logo o mau humor, o seu silencia pesaroso e ruim vos revelarão que essas crianças tam amáveis são apenas enganadoras . . . E' certo que não gosto das crianças secas, duras e altivas, mas as que são ternas, insinuantes, meigas, para serem amáveis à primeira vista, não são menos ingratas a meus o l h o s . . . Eo que aumenta o perigo, é q u e ' s ã o fáceis os enganos; os mais hábeis são completamente iludidos . . . E' necessário observar, diz Fénelon, que há naturezas de crianças que fazem enganar ; parecem-nos ao principio bonitos, porque as primeiras graças da infância são formadas dura verniz que ilude. E que acontece depois? Divertem-se, deixam-se lisongear por toda a gente, por mulheres servis, q u e . . . seguem todas as suas fantasias, satisfazem todas as vontades, e animam as suas pequenas paixões depravadas. Dentro em pouco desaparecem as graças enganadoras da infância . . . perde-se a ternura aparente do seu coração, e mostram, com espanto, uma desoladora secura da alma, e por fim de contas, estas lindas crianças tornam-se verdadeiramente horríveis; só tarde é que se conhece, que não há ente mais duro, mais mau, mais altivo, mais violento, mais egoísta, mais ingrato, mais injusto e mais odioso do que uma criança acostumada a fazer todas as suas vontades. > As atenções que se têem com as crianças doentes, as vontades que, por essa ocasião, se lhes fazem, prejudicam-nas duma forma deplorável. Nada há que seja mais funesto a uma criança, do que ser, durante muitos anos o objeclo constante de todos

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os cuidados, de todas as preocupações dum pái, duma mãe e de todos os criados duma casa... E' um mal quasi inevitável, mas é certo que é um mal. E' preciso, pelo menos, evitar tudo quanto puder evitar-se. Deve-se procurar não servir este querido doente inutilmente, e nada lhe fazer, senão quando rialmente careça dos seus serviços. Creio que, mesmo na mais tenra idade, se devem evitar com as crianças essas ternuras apaixonadas, que não servem senão para fazer as crianças mal educadas. Sem dúvida que é preciso ter com elas uma profunda e terna bondade, para que conheçam que são amadas, mas nem, por esse facto, devem os pais mostrar-se fracos e pusilânimes. E preciso que se recordem de que os filhos devem respeitar a dignidade materna, que é necessário que se respeite, para poder ser respeitada (*). Os próprios pagãos tinham compreendido que uma educação efeminada era incapaz de fazer homens de dedicação e de sacrifício, e cidadãos generosos. Por isso habituavam os filhos, desde a mais tenra infância, a suportar o frio e o calor, a endurecer-se no trabalho e nas canceiras. Poderíamos dar interessantes pormenores acerca dos exercícios laboriosos e da vida pesada que levavam os jovens do Sparta e de Athenas, nos belos dias destas duas repúblicas; mas preferimos falar dos exemplos dos santos. «M. Acarie educava os filhos nesse espírito de mortificação que caracteriza o verdadeiro cristão. Se o serviço dum criado lhes agradava mais do que o de qualquer outro, colocava junto deles o criado com que menos simpatizavam. Nas suas doenças, obrigava-os a tomar, sem mostrarem repugnância,
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Mgr. Dupanloup.

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as bebidas amargas, que o médico lhes receitava. Para lhes fazer odiar a sensualidade, fazia-lhes servir h mesa comidas vulgares, c quasi sempre um único prato.» Lemos na vida de S. Francisco de Sales que sua mãe se aplicou a educar o filho dessa maneira severa e varonil, que dá energia ao corpo e à alma, ensinando-o a contentar-se com pouco, a livrar-se das exigências do bem estar, e a sofrer de boa vontade o sacrifício, a privação e a dor. Quiz que tudo fosse simples, sem luxo, sem moleza, no vestir, no comer, no dormir, e em tudo. Imitai estes nobres exemplos, piedosas mães, desde o berço, diz Rollin; acostumai vossos filhos a reprimir os desejos e as fantasias, Se lhes não dessem nunca o que eles pedem gritando e chorando, acostumar-se-iam a passar sem esses brinquedos... não se tornariam odiosos e incomodativos a eles e aos outros . . . Nunca se deve satisfazer ao que pedem, gritando; e se redobram de importunidades, para receberem o que desejam, é preciso fazer-lhes compreender que nada se lhes dá por esse mesmo facto. Em algumas casas vêem-se crianças à mesa, que não pedem nada . . . noutras há-as, que pedem tudo quanto vêem, e que querem ser servidas antes de todos. Donde provém uma diferença tam notável ? Da diferente educação que receberam de seus pais.» XIII
Da pureza

A pureza é a virtude dos anjos; torna o homem semelhante aos espíritos imortais, à Virgem Imaculada, a Jesus, ao próprio Deus. Quanto é bela essa

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virtude na fronte e no coração dum jovem ! Que encantos celestes ela aumenta â beleza duma menina ! Porque, é preciso dizê-lo, o vício que lhe écontrário, facto precoce da moleza em que crescem as crianças, murcha rapidamente as suas almas. Muitas crianças, desde a infância, bebem esse veneno, que corrompe o que há do mais nobre no seu espírito e no seu coração, roubando-lhe a vida da graça e a amizade de Deus. 0' mães preservai estas almas que vos são tão queridas, e que tão caras são a Deus, dum vício degradante para o homem e para o cristão, e fazei-lhes, logo desde a infância, amar a castidade. E claro que se não deve dizer a uma criança., ainda na candura da inocência, em que consiste esta virtude, e porque faltas a pode ferir; mas deve-se desde o princípio preveni-la contra estas faitas, e cercar de uma barreira salutar o tesoiro que possui, recomendando-lhe, e fazendo-lhe praticar a modéstia. Para o conseguir, deve a mãe cristã dizer muitas vezes a seu filho que Deus vê tudo, que seu olhar penetra as mais espessas trevas, os lugares mais ocultos, e o mais íntimo do nosso coração. — «Portanto, acrescentará ela, nada se deve fazer que ultraje a sua divina presença, nem nada se deve permitir, quando se esteja só e escondido, de que se possa córar diante dos homens. Meu filho, nós temos constantemente a nosso lado, para ser testemunha das nossas acções mais secretas, um anjo a quem Deus confiou a nossa guarda: não devemos entristecê-lo por acções que ofendam a Deus e expulsai todo o pensamento pouco modesto. 0 vosso corpo pertence a Jesus Cristo, é o templo do Espírito Santo ; tratai-o com grande respeito. S. Luís Gonzaga tinha tanta modéstia, que não permitia nunca, durante a sua doença, que os criados, que o serviam.
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vissem sequer ao menos descoberto a extremidade dos seus pés. Santo Estanislau desmaiava, quando ouvia uma palavra contra o pudor. Se companheiros infelizes vos aconselharem para o mal, fugi deles, desviai com horror os vossos ouvidos, e avisai sempre a vossa mãe acerca do que vos parecer perigoso. A estas lições juntará urna mulher cristã a prática da mais exacta modéstia, lavando e deitando os seus filhos, dando-lhes os peitos e vestindo-os. Julgamonos obrigados a entrar nestes pormenores, porque a negligência das mães e das amas, pode, a este respeito, ter consequências deploráveis. Devem preparar tudo, de forma que as crianças possam olhar para toda a parte, sem perigo. Que felicidade para eles que glória e que consolação para sua mãe, se eles pudessem chegar aos vinte anos, sem suspeitarem o mal! «Virgínia Bruni, escreve o P. Ventura, falava muitas vezes a seus filhos cias vantagens da pureza, fazendo-lha sentir tanto por palavras, como por exemplos. Excessivamente modesta, mesmo com os filhos, tanto em acções como em palavras, nada desprezava para os acostumar a um severo pudor; deitava-os quasi vestidos, e com as mãos cruzadas sobre o peito ; recordava-lhes que estava o anjo da guarda na sua presença, contente por vê-los em atitudes reservadas. Fazia-lhes ver que um só acto imodesto teria afligido Jesus Cristo, e sua Santíssima Mãe, que gostam da modéstia principalmente nos meninos. Recitava com eles orações, e, vendo-os adormecidos, abençoava-os, recomendava-os a Deus, e só então os deixava sós no leito. «Nenhum deles devia descobrir uma parte qualquer do oorpo, em presença de outro, nem mesmo duas irmãs entre si ; nenhum deles devia, mesmo a brincar que fosse, colocar as mãos sobre outro, e a

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mais inocente familiaridade cr ue as menina s tivessem com seus irmãos, ou entre si, era punida com severidade.» Quando a criança teve a desgraça de adquirir o fatal conhecimento do mal, se a mãe o surpreendesse a cometer alguma falta contra a pureza, deveria pintar-lhe o vício vergonhoso, com as mais negras cores, e fazer-lhe sentir que esta paixão infame coloca o homem abaixo dos animais e dos próprios demónios; que profana os nossos corpos, e que, banindo Deus das nossas almas, atrai sobre nós eternos castigos* Deveria também exortá-lo mais abertamente, para a guarda dos sentidos e a modéstia dos olhos. — «E pelos olhos, que são como as janelas da alma, que entra a morte, lhe diria ela; nunca os fixeis sobre uma pessoa do outro sexo.» Este conselho é dado pelo próprio Espírito Santo; e aquele santo homem que se chamou Job tinha feito um pacto com os olhos, afim de evitar todos os pensamentos culpados. Para reparar a falta dum filho, e impedir que ele recaia novamente, é necessário que a mãe o leve a um bom confessor, que antecipadamente prevenirá. Se o temor de Deus e as exortações maternas forem impotentes para deterem na carreira do mal uma criança que erra, falar-lhe-há a mulher cristã nos estragos que o vício opera num corpo, e na desonra de que cobre os seus infelizes escravos. Numa palavra, tentará tudo, para arrancar essa alma à senda da perdição, em que rolam, de queda em queda, tantos infelizes mancebos.
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XIV
Do amor do trabalho

0 meio mais eficaz de combater, entre as crianças, a voluptuosidade e as suas tristes conseqüências, é fazer-lhes amar uma vida activa e laboriosa. Nada é mais recomendado na sagrada Escritura, que o trabalho ; e nada, depois do temor e do amor de Deus, é mais útil ao homem, que o hábito do trabalho, que, procurando-lhe o pão de cada dia, exerce e desenvolve as suas faculdades; oferece-lhe verdadeiras consolações no meio das vicissitudes e contrariedades da vida; arranca-o aos perigos da ociosidade, e faz-lhe expiar as suas faltas e fraquezas. Enganam-se, pois, os pais, que, condenados ao trabalho desde a manha até à noite, maldizem o que chamam a sua triste sorte, e ensinam a s e u s filhos a não considerarem senão como um suplício, o que é um grande benefício. Mas ainda é mais fatal a ilusão dos que, ou por negligência, ou por qualquer outro motivo, deixam seus filhos na mais completa ociosidade. 0 ilustre bispo de Orleans, combatendo esto abuso : — «Quereis, brada, ser alguma coisa neste mundo, sem fazerdes nada ? Isso é impossível; todas as leis morais e sociais se opõem a semelhante absurdo. «Exigir que um rapaz de desoíto anos seja virtuoso, conserve o gosto do trabalho, e se torne um homem distinto, vivendo nos passeios de Paris, ou de qualquer outra grande cidade, numa faustosa ociosidade, com os cavalos, os charutos, os cães, a caça, os bailes, os teatros, e toda a louca vida do

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mundo; respondo simplesmente: e um absurdo. E poderia dizer qualquer coisa ainda com maior severidade.* A terra sem cultura produz tojos e silvados, em cujos centros medonhos reptis vivem à sua vontade. A água estagnada corrompe-se, e a traça roi e devora o vestuário que se não usa.. . tristes imagens do estado infeliz de uma alma ociosa. S. Bernardo chama à ociosidade o esgoto de todas as tentações, de todos os maus e inúteis pensamentos, e também a madrasta das virtudes, a morte da alma, a sepultura dum liomem vivo, o receptáculo de todos os males. «Sois ricos? pregunta Mgr. Dupanloup. Essa razão, em vez de vos justificar, torna mais culpada a vossa ociosidade. Então, pelo facto de terdes sido pago adiantadaraente, não merecestes o vosso salário ? Que respondereis no tribunal de Deus, quando Ele vos pedir contas do talento que vos confiou, isto é da alma de vosso filhe e da inutilidade da sua vida ?» Nas classes inferiores da sociedade, quantas crianças vemos nós na mais completa ociosidade, não só durante longas horas, mas até durante dias inteiros ? Não encontramos nós nas praças e nas ruas das cidades uma imensidade de rapazes mandriões, correndo e brincando? Até nas aldeias, nos dias em que o tempo e a estação não permitem cultivar as terras, também vemos rapazes na mais completa inacção. Os próprios que estão encarregados de guardar os rebanhos, conservam-se todo o dia, sem fazerem nada, que possa fixar a sua atenção, ou fornecer a seus membros um exercício salutar. Quasi por toda a parte, e em todas as condições, ninguém se ocupa em dar ás crianças de cinco a dez anos qualquer entretenimento capaz de lhes dar gosto pelo trabalho, e relê-los em casa.

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E' essa uma grande desordem, cujas conseqüências dão o mal que constantemente se presenceia. Pobres crianças! Entregues assim a seus próprios pensamentos, e a todas as inclinações de seu coração, que tende incessantemente para o mal, vão encontrar na ociosidade o gosto dos brinquedos, ganhando horror à casa paterna. Companheiros mais idosos ensinam-lhes o mal que até aí ignoravam, e este fermento de paixão, assim deposto na sua alma inocente, desenvolve-se depois com mais força na sua ociosidade. E assim ficam toda a vida, 0 próprio San Lo Agostinho nos confessa que multiplicava as suas desordens, durante os ócios que seus pais lhe consentiam. Uma mulher cristã nunca deixará o seu filho ocioso. De.sde a idade de quatro anos a sua filhinha começará a dar pontos num pano velho, e para que ela goste de se entregrar a este inútil trabalho, terá cuidado de elogiar a sua aplicação. 0 rapazinho poderá entregar-se a trabalhos em relação com os seus gostos e aptidões. A mãe não temerá empregar cedo os seus filhos nos humildes arranjos da casa, se isso não estiver muito abaixo da sua condição. Na aldeia saberão varrer a casa e preparar os alimemtos, e nunca irão guardar os rebanhos, sem levarem consigo algum trabalho, marcando-se-lhe tarefa, que deverão trazer pronta, quando regressarem. Desde que os filhos tiveram forças, para serem empregados no casa, M . Acarie deu-lhes funções proporcionadas Tis suas forças e inteligências. Via-os depois a trabalhar, seguia a sua execução, e aplaudia-lhes a aplicação e o bom sucesso. S. Jerónimo escrevia a Lteta : — «Na educação de vossa filha, convém que a leitura preceda a oração, e a oração a leitura, que pegue alternadam e 1

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mente na agulha e no fuso, cosendo obras finas, e fiando peças de lã, e essa variedade lhe fará parecer o tempo curto.> E' preciso efectivamenle que os meninos, especialmente quando são pequenos, variem varias vezes de ocupação. De certo se desgostarão dum trabalho que dure muito tempo. Seria igualmente útil ensinar-lhes belas artes, para poderem recriar o espirito. Gostamos dencontrar num menino o gosto pelo desenho, pela pintura, pela música, pela cultura das ílôres, pela botânica, mineralogia e todas as sciências naturais. O importante é que as crianças nunca estejam umas em frente das outras, sem terem nada em que se ocupar, e que o seu espírito e imaginação estejam cheios de preocupações inocentes. «A santa baroneza de Chantal, diz o auctor da sua vida, esforçava-se por estabelecer na alma de seus filhos o santo amor do trabalho. Mal as filhas souberam pegar na agulha, ensinou-as a bordar toalhas para os altares, a fazer roupa para os pobres, a nunca estarem ociosas.. Habituou também os filhos a uma vida activa e ocupada, suprimindo assim uma parte dos perigos que mais tarde haviam de encontrar no mundo. XV
Do desprendimento dos bens da terra

Os Romanos, diz Fénelon, e antes deles os Gregos, ensinavam a seus filhos a não estimarem senão a glória, e a quererem, não possuir riquezas, mas vencer os reis que as possuiam, julgando que só pela virtude se podia ser feliz. Quando, serão os filhos do século mais sábios que os filhos da luz?

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Quando deixarão de correr após as vaidades os discípulos daquele que não teve uma pedra onde repousasse a cabeça, e que começou as suas prédicas evangélicas, por estas palavras : — «Bemaventurados os que têem o coração despíendido dos bens deste mundo !> Os exemplos dos pagãos deveriam cobrir de confusão os pais cristãos, que só sabem ensinar uma única sciência a seus filhos—a de fazerem fortuna ; que os habituam a não considerarem felizes, senão os poderosos; que só julgam do merecimento dos homens, pelas suas riquezas. Vós, ao menos, piedosas mães, apreciais pelo seu justo valor o que o mundo tão cegamente ambiciona. As riquezas fornecem, é facto, o meio de fazer boas obras, e de socorrer os pobres, com a esmola. E a única vantagem que elas podem oferecer. E para isso é necessário que quem as possui, tenha o necessário desprendimento, para fazer delas esse nobre uso. Mas o mais das vezes fomentam no homem a luxúria e o orgulho, que são as duas fontes de todos os nossos males. As preocupações que dão, afastam os pensamentos sérios da fé e das práticas da religião; e é fora de dúvida, que a indiferença religiosa, que é a chaga do nosso século, tem origem nesta sede de bem estar material que devora a sociedade. De sorte que, as riquezas tuazem-nos mais perigos para nossa alma, do que verdadeira felicidade. Afinal, consideradas em si próprias, que são as riquezas senão um pouco de pó e cinza que em breve temos de deixar ? E nada podem acrescentar ao valor pessoal do seu possuidor, visto que não fazem parte dele. Uma mãe, segundo a vontade de Deus, encontrará na sua fé, e na sua razão bastante grandeza de alma, para se elevar acima dos pensamentos mundanos, para desprezar os bens da terra, e para ensinar os
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filhos a desprezá-los. Citar-lhes-há o exemplo de Salomão que preferiu a sabedoria a todas as prosperidades, e a todas as riquezas que o Senhor lhe oferecia, e especialmente o de Jesus Cristo nascendo num presépio, e morrendo numa cruz. Se a seus filhos deverem tocar, por herança, alguns bens, far-lhes-há compreender que Deus -lhes pedirá conta do uso que delas fizerem ; pois que de nada lhes servirá serem ricos, se não forem virtuosos. Pelo contrário, servir-lhes-há a fortuna de condenação, se os levar ao esquecimento de Deus e dos seus deveres de cristão. Sondo pobres, dirlhes-há com Tobias:—«Levamos uma vida pobre; mas possuiremos muitos bens, se temermos a Deus.» Depois, para lhes fazer ter desapego do que possuem, habituá-los-há a deixarem tirar por extranhos os seus brinquedos; a pedir-lhes aquilo que já lhos tinha dado, e privando-os por algum tempo dos objectos que mais pareciam extremar. Se disputam entre si a posse dum objecto, deve repreende-los, e fazer-lhes sentir que não há nada mais bonito do que privar-se um menino do que possui, para ser útil aos outros. Será bom encarregá-los de levar aos pobres as esmolas dos pais, para lhes fazer contrair cedo costumes de caridade; também se pode deixar à sua disposição algum dinheiro, destinado aos indigentes que encontrarem. Importa todavia evitar que as crianças se acostumem à prodigalidade, que dissipa loucamente os bens que se poderiam empregar em tão úteis ou tão nobres usos, evitando sobretudo que eles se afeiçoem ao jogo, que pode, levado ao estado de paixão, arruinar as mais brilhantes fortunas
( ) Falando dos defeitos da infância, e da concupiscência dos olhos em particular, insurge-se Mgr. Dupanloup com
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XVI Da submissão à autoridade «Nunca deixes o orgulho reinar no teu coração; porque esse -vício é a origem de todos os males> dizia muitas vezes Tobias a seu filho. Seguindo o exemplo deste santo velho, a mãe segundo a vontade de Deus extirpará do coração de seus filhos essa raiz de toda a iniquidade, com todos os seus amargos rebentões. Ora o primeiro fruto do orgulho é o desprezo da autoridade e o espírito de insubmissão, que põe em perigo a sociedade moderna, e que arrancou esta ameaça k augusta Mãe de Deus : «Se o meu povo não quizer submeter-se, sou forçada a deixar mover-se o braço de meu Filho> Todo o homem sensato o pode observar; a mais santa autoridade, a da Igreja e de seu augusto chefe é indignamente desprezada, não só pelos infiéis, mas até por filhos rebeldes e ingratos. Os tronos sustentam-se hoje com grande dificuldade, agitados pelo vento da indepen-

razão contra a leviandade desta primeira idade da vida. Estes defeitos, não sendo reprimidos cedo pelos páis podem ter os mais funestos resultados. E' uma loucura pensar que a leviandade das crianças passará com os anos; é facto que se devem escurecer algumas pequenas faltas, mas também se deve reciar que a criança, crescendo, fique com disposições para a vida dissipada, conservando toda a vida um carácter inconstante, superficial, sofrendo todas as influências, incapaz duma acção virtuosa. Nada remedeia mais eficazmente a leviandade que a piedade cristã, e os pensamentos religiosos. (*) Palavras da Santíssima Virgem aos dois pastores de la Salette.
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dência e da revolta. Não tendes ouvido a cada passo os velhos a queixarem-se de que se não respeitam os seus cabelos brancos ? E os pais não se queixam igualmente da insubmissão de seus filhos ? Onde encontrar remédio para tão profunda chaga, senão no zelo das mães verdadeiramente cristãs, que, com o leite, farão beber a seus filhos o respeito da autoridade, e o espírito de submissão às suas leis ? Se elas próprias estiverem bem compenetrada da mais profunda veneração e do mais terno amor pela santa Igreja, e pelo Soberano Pontífice, o vigário infalível de Jesus Cristo, essas mães saberão transplantar esse sentimentos, do seu coração, para o coração de seus filhos. Não é isso mesmo o que nós lemos acerca de M. Frémiot, presidente do parlamento de Borgonha, e pái da santa baroncza do Chantal? Ficando viuvo com três filhos, este generoso cristão reünia-os pela manhã e à noite sobre os joelhos, ou em torno de si, e falava-lhes com a mais profunda convicção do poder e dos benefícios da Igreja, das suas glórias e das suas provações. Sua filha Joana Francisca (depois canonizada), estremecia alternativamente de alegria ou de indignação, quando seu pái contava os triunfos ou as dores da Igreja. Os sentimentos que nasceram das exortações paternas ficaram tam profundamente radicados no seu coração, que, mais tarde, não podia atravessar, sem derramar lágrimas, os lugares, donde os herejes haviam banido a fé da santa Igreja romana. «Fazei amar e respeitar às crianças todas as comunidades que concorrem para o serviço da Igreja, escrevia Fénelon; não permitais nunca que elas zombem do hábito ou do estado religiosos Num século em que os ímpios empregam

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gracejos sacrílegos e as mais negras calúnias, para fazerem odiar e desprezar a religião e os seus ministros, uma mulher cristã, longe de permitir que se profiram tais palavras, diante de seus filhos, fará quanto em si caiba, por lhes inspirar o respeito pelas coisas santas, e pelas pessoas revestidas dum carácter segrado, mormente os sacerdotes de Jesus Cristo. Não é o Padre o representante dó Deus na terra, e não recebeu uma autoridade e um poder que Deus não cencedeu aos anjos do Céu ? Se, porém, arrastado polo peso da fraqueza humana, a que o não pôde subtrair o mais sublime ministério, se, dizemos nós, o Padre esquece-se o que deve a si próprio e o que deve a Deus, não esqueceria a mãe cristã estas palavras do grande imperador Constantino : — «Se eu visse em falia um homem revestido dum carácter sagrado, cobri-lo-ia com o meu manto, para esconder a sua fraqueza a todos o olhos.> Não há poder que não provenha de Deus, diz S. Paulo ; quem pois resiste ao poder, resiste à ordem estabelecida por Deus. 0 desprezo por uma autoridade qualquer arrasta o desprezo de todas as outras autoridades. E' preciso, pois, fazer respeitar pelas crianças o poder civil, e todos quantos dele estão revestidos, embora não se possa concordar com as leis que ferem a justiça ou os direitos do Deus e da Igreja. A velhice também deve ser por elas respeitada, <Levantai-vos em signal de respeito perante a cãs do ancião», diz Salomão, e Deus fez-nos conhecer o castigo dessas crianças que ousaram insultar o profeta Eliseu ebamando-lhe careca. Sairam alguns ursos duma floresta vizinha, e devoraram esses desgraçados. S. Jerónimo escrvia a La3ta : — Acostumai vossa filha a correr com dedicação para os braços de sua avó, quando a v i r ; que lhe faça carícias, e que lhe

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recite algumas palavras dos cânticos sagrados.» Este conselho é hoje completamente desconhecido. Quanto é custoso ver o avô ou a avó, tristemente assentados, bebendo juntamente com as suas lágrimas, os desprezos dos netos, a quem os próprios pais ensinam com suas palavras e exemplos, a desprezar os que são dignos de tanta veneração e de tanto amor ! Sabei, mulheres cristãs, que vossos filhos vos tratarão um dia como vós tratais os vossos pais na sua velhice; e ai de vós se não tendes senão ultrajes para os cabelos brancos dum pái, e duma mão !. .. Todas as manhãs, apenas faziam a sua oração, todos os filhos da Senhora de Chantal iam abraçar o seu avô, e a própria mãe os acompanhava, para lhes dar o exemplo do respeito filial, que todos os filhos devem ter para com seus pais. XVII Do respeito e da submissão para com os

pais

«Hoje, escreve Mgr. Dupanloup, tem estranhamente diminuído o conhecimento de tudo quanto há de divino num pái e numa mãe, e o sentimento do soberano respeito que a Sagrada Escritura manda que se lhes dê. Também, para nossa desgraça, a autoridade dos pais e das mães tende a desaparecer, e, segundo afirmam, são forçados a abdicá-la, para prevenirem grandes desordens. Nada explica a estranha negligência, a inconcebível tibieza de certos pais, para fazerem valer os direitos da sua autoridade, para com seus filhos. E' duro mas é forçoso confessá-lo. Não se sabe quando se há de usar a autoridade paterna e materna. Quando as crianças

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têem doze ou trêse anos, não têem forças para os conter, e já nada se lhes pode exigir seriamente. Quantas vezes tenho ouvido dizer: — «Mas se ele não quer ! como é que o hei de obrigar?* Mas para que estais vós na terra, pái e mãe, senão para quererdes com sabedoria, e fazerdes querer com autoridade?» As mães, principalmente, são quasi sempre duma fraqueza extrema. Quem há aí, que as não tenha ouvido dizer ao filho: «Se não fazes o que te mando, faço queixa ao pái !> — <E quem sois vós, infeliz mãe, que assim falais? pergunta Mgr. Dupanloup. Não recebestes de Deus nenhum direito, nenhuma obrigação séria, nenhuma autoridade a exercer? Ignorais que o Senhor vos pedirá contas do uso que fizerdes dum poder de que vos revestiu? (") Não contentes de deixarem calcar a sua própria autoridade aos pés da sua fraqueza, certas mulheres chegam a ponto de tornar impossível, na família, o exercício da autoridade do marido. Na sua opinião, o pái nunca sabe o que manda, e as crianças que êle castiga com razão, são sempre inocentes vítimas, injustamente punidas. E ainda achando pouco estas palavras que proferem, ajuntam-lhe quasi sempre o exemplo. O marido é o chefe da mulher, como Jesus Cristo é o chefe da Igreja, tal é a doutrina de S. Paulo, que daí tira, como inevitável conclusão, que as mulheres sejam submissas a seus maridos, como ao Senhor, em

(i) Uma criança cujo pái ausente acabava de anunciar o regresso, dizia sinceramente a sua m ã e : — Ainda tenho 15 dias, para fazer tudo quanto eu quizer! E a mãe, admirada de tanto espírito, repetia o dito do filho, sem que a sua vaidade compreendesse a duríssima lição que o filho lhe acabava de dar, e que deveria tê-la feito córar de dôr e de de vergonha. (Mgr. Dupanloup).

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tudo o que não é contrario à lei divina. Ora as mulheres de que falamos, não mostram muitas vezes, para os maridos, que representam a seu respeito a autoridade do próprio Deus, senão insubordinação è desprezo, em vez de obediência e respeito, de maneira que são as primeiras a arvorar nas famílias o o estandarte da rebelião, e a soprar o vento da discórdia. Daí a revolta, a anarquia no lar doméstico, para dar em resultado o desaparecimento de toda a paz e tranquilidade. Uma mãe segundo a vontade de Deus deve, muito pelo contrário, fazer reinar em torno de si, tanto por palavras, como por exemplos, o respeito da autoridade paterna e materna. Dirá e repetirá muitas vezes aos filhos que Deus lhes manda respeitar os autores dos seus dias, amá-los e obedecer-lhes, e que, por isso, se ousassem violar este preceito do Senhor, não só perderiam a sua benção, mas atrairiam sobre a sua cabeça as maldições de Céu. Honrando o seu marido, como o respresentante de Deus na família, executando as suas justas vontades, a mulher cristã ensinará aos filhos o respeito e a obediência que estes devem a seu pái. Nunca, diante deles, deixará escapar uma palavra de censura, com referência ao comportamento de seu marido, cujos defeitos procurará sempre dissimular. Suportará pacientemente todas as suas dores, afim de fazer reinar a concórdia na família, e também para poupar á seus filhos a infelicidade de serem educados numa atmosfera de dissenções e discórdias* Tam pouco descerá com eles a familiaridades que sejam incompatíveis com a dignidade materna. A sua bondade terá a firmeza por necessária companheira, e por coisa alguma mostrará fraqueza, para aquiescer aos caprichos e importunações das crianças, fazendo-lhes sentir que a autoridade é inflexível, e

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que nâo há remédio senão obedecer. Obrigá-las-há à obediência, sem réplica, desde a mais tenra idade. «Porque as crianças crescem depressa, diz ainda Mgr, Dupanloup, e se não forem acostumadas pelos pais à obediência, em breve se acostumarão a dar ordens. E por isso que se vêem todos os dias, mesmo em famílias respeitáveis, erigirem-se crianças em senhores absolutos, e não obedecerem aos pais, que como máquinas já gastas se submetem às vontades dos filhos. > 0 único meio de tornar os filhos dóceis, e de os acostumar à paciência, é exigir deles actos de obediência, que lhes custem. Quem nunca encontrou contrariedades, irrita-se, quando as encontra. M. * de Boisy havia tão bem sabido vergar $ obediência S. Francisco de Sales, nos seus primeiros anos, que esta admirável criança sacrificava à menor indicação o seu prazer, os seus gostos, as suas inclinações, indo ou vindo, fazendo ou cessando de fazer, tudo como dele se desejava, sem deixar nunca entrever o menor descontentamento ( ). A senhora de Acarie queria que seus filhos obedecessem imediatamente e sem murmurar; que, ao primeiro sinal, deixassem o que estavam fazendo ; numa palavra, que nunca tivessem vontade própria. Não era suficiente que obedecessem exteriormente, queria que fizessem de boa vontade e cumprissem por afeição esta obediência, testemunhando pela sua facilidade e alegria em obedecer, que as ordens recebidas lhes eram agradáveis; e o artifício inocente de que esta sábia mãe se servia para obter de seus filhos tão perfeita obediência, era ganhar-lhes o coração pela doçura, juntamente com a gravidade.
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Vida de S, Francisco de Sales.

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Não devemos terminar este capítulo, sem fazer notar que os mestres encarregados de instruir a mocidade, são revestidos para com os seus alunos da autoridade dos próprios pais. Como os pais, têem direito a esperar das crianças que lhes são confiadas, não só respeito como obediência, e cegas são as mães, que tomam contra um professor o partido dos seus filhos. Destroem ao mesmo tempo a sua própria autoridade, destruindo a autoridade do professor, a quem tornam impossível a sua missão. Embora a criança tenha razão, nunca se deve, na sua presença, censurar o professor, aliás honesto, que o repreendeu ou castigou, XVIII
Da bondade para com os iguais e os inferiores
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Pái da revolta contra a autoridade, o orgulho também cria, para com os iguais, a dureza de coração, e o desprezo para com os inferiores. Se nada há mais nobre do que sacrificar-se a si próprio, com seus gostos e interesses, por dedicação para com o próximo, nada há mais vil do que tudo querer para si. Uma mãe cristã, atenta a formar em seus filhos uma grande bondade de coração, e em destruir neles o egoísmo, falar-lhes-há muitas vezes daquele que, por amor dos homens, se aniquilou a ponto de tomar a forma de escravo, e até de morrer sobre uma cruz. Far-lhes-há contrair o costume de fazerem às outras crianças todos os serviços que lhes poderem fazer, e sobretudo de terem um terno amor para com seus irmãos e irmãs. Que encantador espectáculo não oferece uma

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família, cujos membros são todos unidos por laços duma forte e constante caridade! .. . E, por outro lado, nada há mais triste, do que encontrar irmãos armados, quasi desde a infância, uns contra os outros, inimigos até à morte, nunca se vendo, ou vendo-se com visível desgosto? Actualmente é isso um espectáculo vulgar. E não é verdade poder dizer-so especialmente hoje este provérbio tão conhecido: E raro que a concórdia, reine entre os irmãos ? E essa desordem, as mais das vezes, é fruto da negligência da mãe, que não teve cuidado de repetir muitas vezes a seu filhos, com o Apóstolo da caridade:—-«Meus fiJJios, amai-vos uns aos outros, porque é esse o preceito do Senhor!» Lemos na vida da Senhora Acarie que exortava seus filhos a serem amigos uns dos outros, e lhes contava muitas vezes as vantagens da concórdia e as conseqüências funestas da desinteligência: — <E' preciso sempre ceder, lhes dizia, excepto quando a honra de Deus exige que se resista. Quem cede, ganha sempre a vitória contra o seu adversário.» Os seus filhos mais novos, diz Doval, vinham todas as noites contar-lhe os seus sentimentos, e se tinham tido disputas uns com os outros, como de ordinário lhes acontecia, pediam perdão uns aos outros, e abraçavam-se diante de sua mãe. — Todas as manhãs os filhos da senhora de Chantal se abraçavam, e estes sinais exteriores de afeição servem muitas vezes, para entreterem a união dos corações, contanto que haja grande cuidado em evitar amizades particulares, e familiaridades muito ternas. «Fazei compreender às crianças, diz Fénelon, que é um erro brutal acreditar que haja homens nascidos para lisongear a preguiça e o orgulho dos outros; e sendo o serviço dos criados estabelecido contra a igualdade natural dos homens, devo-se
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suavisá-lo, tanto quanto possível.» A senhora Acarie exigia que seus filhos falassem aos criados com doçura e polidez, recornendando-lhes que lhes não obedecessem, quando assim o não fizessem. De forma que nunca diziam a um criado: «Faze isto, ou faze aquilo.» Eram obrigados a dizer: «Faça o favor de fazer isto.» Doutra forma o criado tinha ordem de não obedecer. Os pobres e os doentes, esses membros pacientes de Jesus Cristo, merecem também nossos resrespeitos e nosso amor. Como acusam negligência ou pouca fé de sua mãe essas crianças, que se encontram nas aldeias, ou mesmo nas ruas duma cidade, a correrem atrás dos desgraçados cobertos de andrajos, muitas vezes para os apedrejarem ou encherem de sarcasmos e insultos! Longe de desviar seus filhos dos horríveis espectáculos da miséria, da dor e mesmo da agonia, a senhora de Chantal queria que eles a acompanhassem nas visitas que fazia aos pobres. Um levava o pão, outro os remédios, outro o dinheiro. Era a recompensa que lhes dava, quando eles t i nham cumprido a sua obrigação ou dado provas de obediência. O maior castigo que lhes podia dar, era obrigá-los a ficar em casa, à hora em que ia visitar os seus pobres. Era assim, por esta meiga intimidade com os nesgraçados, e contraída desde a infância que a senhora de Chantal desenvolvia na alma de seus filhos a unção do coração, e fazia jorrar essas fontes profundas de sensibilidade que parecem ter desaparecido dos nossos dias, porque as crianças são educadas na vaidade que seca, em vez de serem criadas na caridade que enternece» (Abbade Bougaud). «Quando eu era criança, escreve o historiador de Santa Catarina de Sena, minha mãe colocava-me

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sobre os joelhos, para derramar no meu coração as verdades cristãs. Insistia sobre a caridade, e diziame : «E preciso sempre ver na pessoa do pobre a pessoa adorável de Nosso Senhor Jesus Cristo.> E por isso com que respeito nós levávamos aos pobres um pedaço de pão ou uma pequena moeda de cobre! Era a grande recompensa da semana. Quem de entre nós melhor se tivesse comportado, e que melhor tivesse sabido as suas lições, tinha a honra de distribuir as pequenas esmolas, e acompanhar a sua mãe às cabanas da aldeia. Quando tínhamos muito desejo dum brinquedo, há muito tempo prometido, dizia-nos a m ã e : — <E se nós déssemos esse dinheiro aos pobres ?> E o sacrifício era feito de bôa vontade. «Íamos ordinariamente sentar-nos num banco de pedra, que estava em frente da casa, à beira da estrada, e na nossa infantil crença, olhávamos, se os rostos pálidos dos pobres se pareciam com o crucifixo de marfim que estava no quarto da mãe, e os nossos olhares perscrutadores, seguiam-nos atra vez dos atalhos das nossas montanhas. Todos os dias visitávamos uma santa mulher, maior ainda pelo coração que pelo espírito, que abrira o seu castelo aos pobres; uma criada velha, chamada Serafina, era a encarregada dessa nobre hospitalidade. Nunca deixamos de lhe ir oferecer os nossos serviços para lhe fazermos preguntas acerca das aventuras dos seus hóspedes tão veneráveis, para nossos corações. Como poderia eu esquecer estas gratas recordações duma infância cristã ? Lamartine, o inolvidável poeta, escreveu de sua m ã e : «Via-a muitas vezes sentada, de pé ou de joelhos junto da enxerga do pobre, ou nesses antros miseráveis, onde dormem os proletários, enxugar com suas próprias mãos o suor frio dos pobres
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moribundos, agazalhá-los com os seus próprios cobertores, recitar-lhes as oraçães dos últimos momentos, e esperar pacientemente horas inteiras que a sua alma deixasse a mansão do mundo, ao som da sua meiga voz.» Não há efectivamente obra mais caridosa, e zelo mais importante, como assistir cristãmente aos moribundos•

XIX Da vanglória
A sede das honras é também um dos defeitos dominantes do nosso século. Uma mãe segundo a vontade de Deus fará notar a seus filhos o nada das glórias deste mundo, cujo brilho enganador fascina tantas almas; ensinar-lhes-há a amar um género de vida simples e modesto, e a contentar-se com a condição de seus pais, sem procurar elevar-se à força de intrigas. «A senhora Acarie nada desprezava, para inspirar a humildade a seus filhos, porque ela considerava essa virtude, como o fundamento da vida cristã. Posto que pertencessem a uma família nobre, nunca os tratava, nem deixava que os outros os tratassem, senão pelo nome do baptismo.» Por maior que fosse a vontade que os seus criados tivessem de lhe servir os filhos, ela queria muitas vezes, que estes se servissem a si próprios. — «Eu era muito orgulhosa, diz a sua filha mais velha; mas minha mãe obrigava-me aos serviços mais humilhantes da casa, para me corrigir, sabendo quanta era a repugnância, que para isso sentia, como era varrer uma escada, por onde todos subiam e desciam. E, tendo observado que eu procurava as

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horas, em que julgava que ninguém me poderia ver, e que até fechava a porta, para 'não poder ser vista, obrigou-me, para mortificar o meu orgulho, a varrer a escada diante de toda a gente. > De todas as culpadas filhas do orgulho, a vaidade é a que actualmente está mais espalhada em todas as classes da sociedade. «Nada há pior entre as crianças, e nada mais as estraga e mais depressa, diz Mgr. Dupanloup, do que a vaidade. E preciso ensinar-lhes a desprezá-la. Pela minha parte, nunca permitiria, por exemplo, a ostentação dos relógios e das correntes de ouro; quanto aos perfumes e às pessoas que se perfumam, desprezava-as completamente. Alguém achará isto severo, mas é a severidade da experiência.» 0 ilustre prelado fala das crianças, em geral, mas é principalmente nas meninas que sc devo combater a vaidade. «Elas nascem, diz Fénelon, com um desejo violento de agradar... ; daí provém a sua conversação meiga e insinuante, daí provém o facto de tanto aspirarem à beleza, e a todas as graças exteriores ; um enfeite de cabeça, um laço de fita, a escolha de uma cor, o cabelo levantado ou caído, são para elas assuntos importantes. Aplicai-vos, pois, em fazer compreender às meninas, quanta honra provém de um bom comportamento, e de uma verdadeira capacidade, e que tudo isso é mais estimável que o que se tira dos cabelos e do vestido. Basta um pequeno número de anos, para transformar em feia, uma mulher que era formosa.» A beleza é um bem frágil; diminui à medida que aumenta o número dos anos. Os lírios nem sempre estão floridos ; e quando murcha a rosa, apenas resta a haste eriçada de espinhos. — «As pessoas, acrescenta Fénelon, que fazem derivar da beleza toda a sua glória, em breve se tornam ridículas ; e o mais curioso é que, che5

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gando, sem darem por isso, a uma certa idade em que a beleza lhes desaparece, ainda estão encantadas de si próprias, quando toda a gente as acha feias, A verdadeira graça não depende de um adorno vão e afectado.» Nada agrada mais que o desprezo que se faz dos ornamentos, e é um belo adorno, não saber uma pessoa adornar-se. E' verdadeiramente bela e amável, segundo afirma S. Jerónimo, a senhora que ignora e despreza a sua beleza, e que, aparecendo em público, longe de descobrir o colo, vela, pelo contrário, o rosto. «Quererias, pode-se perguntar a uma menina, arriscar a tua alma, e a do teu próximo, para satisfazeres a tua vaidade? Tem horror às nudezas do pescoço, e a todas as imodéstias; ainda mesmo que se cometessem estas faltas, sem ter em vista alguma paixão má, é pelo menos uma vaidade; é um desejo desenfriado de agradar. E convirá este cego desejo a uma alma cristã, que deve considerar como uma idolatria tudo o que desvia do amor do Criador e do respeito das criaturas? Mas que pretende a pessoa que procura agradar? Não é excitar as paixões? Preparas, então, um veneno subtil e mortal, derrama-lo sobre todos os espectadores, e julgas-te inocente! «Não é verdade que uma menina arrisca tudo, tratando-se do sossego de sua vida, se desposa um homem vão, leviano e de mau comportamento? Logo é necessário esforçar-se por desposar um homem honrado, sério, de espírito s ó l i d o . . . mas para encontrar um homem desses, é necessário ser modesta e nada deixar mostrar de frívolo e de desarrazoado. Qual é o homem ilustrado e honesto que quereria uma mulher vaidosa, e cuja virtude parece duvidosa, a avaliar pelas exterioridades ? ( )» Eis alguns exemr x

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Fénelon.

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pios que podeis adicionar aos que já conheceis. Santa Coleta, na sua infância, usava os vestidos, conforme a mãe lhos fazia, e se algum ornato tendia para a vaidade, envergonhava-se, e era um tormento, ir assim para o meio das suas companheiras. Quando lhe davam a liberdade de escolher, preferia tudo quanto havia de mais simples, e gostava das cores menos vivas, para não dar tanto na vista (*). « M. de Coudren, que foi mais tarde superior do Oratório, apenas tinha cinco anos, quando o pái mandou tirar-lhe o retrato. Todos admiravam a obra; só o pobro pequeno não estava satisfeito. Não podia ver, sem dor, que se admirasse outra coisa, que não fosse a bondade divina. Chegou a tanto a sua dor, que resolveu despedaçar o retrato. Pegou num pau, para o deitar abaixo, mas como estava muito alto, não lhe pôde chegar. Então, sem dizer nada a ninguém, pegou em flechas, fechou-se na sala em que o retrato estava exposto, e furou-o, até o tornar irreconhecível. <Custava-me, dizia ele mais tarde, que elogiassem a minha beleza, quando Deus imprimia na minha alma um grande horror por tudo quanto fosse vaidade» ( ). «Nunca consintais, no exterior das meninas, coisa alguma qu e exceda a sua condição, diz o imortal arcebispo de Cambrai; repreendei severamente todas as suas fantasias; mostrai-lhes a que perigos se expõem, e quanto se fazem desprezar das pessoas sensatas, esquecendo aquilo que são. Todavia, se conservardes vossa filha em muito inferior estado ao das outras meninas da sua idade e condição, cors

(*) Vida de Santa Coleta. ( ) Em sua vida pelo Abade Pin.
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rereis o risco de a afastardes de vós. Poderia apaixonar-se pelo que não poderia ter, e que admiraria nas outras. Em breve se faria senhora sua, para dar azas à sua vaidade. Melhor a contentareis procurando um meio termo, que será sempre aprovado das pessoas sensatas e estimáveis. 0 que é essencial é que não procurareis nenhuma das imodéstias que são indignas do Cristianismo» í ). A senhora de Chantal não se cançava de elogiar aos filhos a simplicidade e a modéstia, essas belas companheiras da beleza; ensinava-os a serem sérios, a estimarem as pessoas, segundo as suas qualidades, e não segundo a roupa que vestiam ; a zombarem das modas absurdas que variam incessantemente e que são a causa de tantas despesas, e a ocasião de tantos pecados. E era tanto mais fácil essa tarefa à santa baroneza do Chantal, que nunca fora escrava da moda, o que não impedira que obtivesse os mais brilhantes triunfos no mundo ( ). Muitas vezes a precoce inteligência das crianças e as suas qualidades morais fazem-nas cair na vaidade. 0" mães, sede vigilantes, diz Mgr. Dupanloup, porque quanto mais pródiga foi a natureza, na criança que educais, tanto mais deveis reciar que o orgulho a não deprave. Os primeiros ditos espirituosos de uma criança têem tão sincera graça, que todos a querem ouvir falar muito, mesmo até, diz Fénelon, das coisas de que não têem conhecimentos distintos; fica-lhes para sempre o costume de falarem com precipitação, (e sem reserva), e de dizerem coisas, de que não têem ideia suficientemente
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f ' '(*) Fénelon, Da educação das meninas, e Carta a uma senhora. (•) O abade Bougaud.
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clara. Vendo-se objecto da admiração de todos, acabam por acreditar, que tudo nelas é maravilhoso e extraordinário. E preciso, pois, que fiquem scientes, de que são mais apreciadas quando mostram dúvidas, do que quando elas próprias decidem alguma questão. A segunda filha da senhora Acarie, que sempre teve um grande bom senso, dizia coisas muito rasoáveis, desde a sua primeira infância. Para destruir toda a semente do amor próprio, que teria podido germinar no coração desta criança, fingia a mãe umas vezes que não a ouvia, outras vezes mandava-a calar. Uma sabedoria precoce, dizia ela, desaparece de ordinário tão depressa, como vem. «Quando mesmo pudésseis adiantar muito o espírito duma criança, sem o oprimir, diz Fénelon, deveríeis rociar fazê-lo, porque o perigo da vaidade e da presunção é sempre maior que o fruto destas educações prematuras que tanto barulho fazem>. Recomenda o mesmo ilustre prelado que não se felicitem muito as crianças a quem nada há que repreender, porque «engrandecendo o seu amor próprio, fazeis com que ele se fortifique, e ;i primeira contradição, pode explodir. Não hesitamos até em dizer, que falta alguma coisa a uma educação, quando nada há a censurar às crianças». Virgínia Bruni punha tudo em movimento, para reprimir nos filhos os primeiros movimentos de orgulho. Mal notava que um deles preferia, por vaidade, um trajo a outro, repreendia-o severamente, e nunca lhe fazia a vontade. As roupas, dizia ela, novas ou velhas, não são mais do que andrajos que cobrem um cadáver. 0 único trajo verdadeiramente belo e precioso, de que se deve ter a santa vaidade de estar revestido diante do Senhor, é o da .inocência e da virtude. E nunca deixava de ligar, aos
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próprios objectos, que lhes dava para trazer como ornamentos, uma ideia religiosa, para lhe afastar todo o vão deleite. Eis um exemplo : Tendo um dia colocado ao pescoço da sua filha mais nova uma cruz de valor, disse-lhe ;— «Esta cruz é uma recordação de Jesus Cristo, que consente pertencer-te, para que te recordes sem cessar, que deves ser sua esposa.» Se as filhas proferiam palavras, que mesmo longinquamente parecessem produzidas pela presunção ou pelo orgulho, dizia-lhes energicamente, para as humilhar: «Vede estes grandes mendigos que julgam serem mais que os outros ! Não vos acabareis de capacitar que nada mais sois que os pobres cobertos de farrapos, que nada possuís, e que o vestuário e a alimentação os deveis à Providência de Deus e à caridade de vossos avós! E' preciso pois que vos humilheis, diante de toda a gente.» E nos seus últimos momentos, não cessava de dar instruções particulares a sua irmã, sobre o modo de corrigir seus filhos do defeito da vaidade. Se alguém os acariciava ou louvava, na sua presença, Virgínia testemunhava a mais viva contrariedade, e tanto pelo gesto, como pelo olhar, convidava essa pessoa a abster-se disso. E depois, para atenuar o máu efeito do louvor, acrescentava: — «Não liguem importância ao que estão ouvindo dizer. Se lhes falam assim, é por mero cumprimento, é porque toda essa gente ignora que os meninos não são suportados na casa de seu avô, senão por efeito da vontade e da misericórdia de Deus.* Possam os conselhos e os exemplos, que acabamos de dar às nossas leitoras, ser mais úteis para algumas mães, aliás cristãs, que, cegas pela sua ternura, não se cançam de admirar as graças e as qualidades que descobrem em seus filhos, atravez do

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prisma da sua ilusão. Para elas, não é suficiente dizer a seus filhos que são belos, perfeitos, encantadores; querem que todos lhes digara a mesma coisa, e ai de quem lhes notar algum defeito, ou lhes dirigir alguma censura ! . . . Protegidos pela mãe, como lhes não há de crescer o orgulho e a vaidadp? E eis a razão, por que se tornam presunçosos, altivos, egoistas e talvez viciosos ; porque, segundo afirma o Espírito Santo, todas as desordens têem a sua origem no orgulho. XX
De alguns outros defeitos das crianças

A sabedoria do mundo, diz S. Gregório, consiste em ocultar, por meio de mil invenções e subterfúgios, tudo o que temos no coração, velando os sentimentos sob as palavras.. • Mas a sabedoria dos justos consiste, pelo contrário, em nada esconder, sobre falsos exteriores, servindo-se da palavra, para ser a intérprete do pensamento. E' preciso, escrevia Fénelon, que todas as palavras, que se dizem às crianças, sirvam para lhes fazer amar a verdade, e para lhes inspirar o desprezo de todas as dissimulações. Por isso não e bom servir-se de qualquer fingimento para os sossegar, ou para os fazer persuadir de qualquer assunto. Nem se devem fazer promessas ou ameaças, que eles conheçam não deverem ter execução Seria ensiná-los a ter dissimulações. ^Fugi de imitar as pessoas que elogiam as crian0) Rollin. • * • '

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ças que mostram o seu espírito, adoptando fingimentos ou dissimulações. Longe de achar graça a esses actos, deveis pelo contrário, repreendê-los severamente. Privai-os daquilo de que eles mais gostam, já que o quizeram obter por meio de estratagemas... fazei-os envergonhar, quando os encontrardes em qualquer fingimento ou a r d i l . . . mas quando mostrarem claramente os seus defeitos, não os trateis rudemente, para que se não façam hipócritas e reservados> (*). A senhora de lioisy aproveitava-se de tudo, para formar, no coração de seu iilho, o horror pola mentira e pelo vício e criar nele o amor da verdade e do bem. Assim, nunca se ouvia sair da boca de S. Francisco de Sales urna só palavra contrária ao que êle julgava a verdade, respondendo com ingenuidade e candura, e por isso antes queria ser castigado, do que evitar o castigo por meio de uma mentira» ( ). «Entre todas as faltas, diz a filha primogénita da sanhora Acarie, a que mais aversão causava a minha mãe, era a mentira. Para nos fazer amar a verdade, dizia-nos muitas vezes: Quando houverdes perdido tudo, ou virado a casa de cima para baixo, se confessardes a vossa falta, perdoar-vos-ei de bôa vontade; mas o que nunca perdoarei, é a mais pequena dissimulação. E não era bastante que todos os filhos confessassem ingenuamente as suas faltas, quando eram interrogados; queria que eles se acusassem espontaneamente, pelo próprio impulso dum humilde arrependimento.» Acabemos pelo conselho do grande arcebispo de Cambrai: «Acostumai (os filhos) a não sofrerem
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(*) Fénelon. (-) V i d a de S. Francisco de Sales.

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nada de sujo ou mal arranjado ; mas ao mesmo tempo evitai neles o excesso da polidez e da limpeza... Zombai, diante das crianças, dos arrebiques de certas mulheres que para isso fazem grandes despesas... dizei-lhes quanto é baixo e vil ralhar por»uma sopa mal feita, uma toalha mal posta, ou uma cadeira mal colocada. Essa má delicadeza, níío sendo reprimida nas mulheres que têem espírito, é ainda mais perigosa para as conversações, que para tudo o mais. A maior parte das pessoas lhes são piegas ou enfadonhas ; o maior defeito de polidez lhes parece um cúmulo, e por isso são sempre irónicas e aborrecidas. E' preciso fazer-lhes compreender cedo, que nada há menos correcto, que julgar superficialmente uma pessoa pelas maneiras, em vez de examinar o fundo do seu espírito, dos seus sentimentos, e das suas qualidades ú t e i s . . . >
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Das práticas de piedade

Depois de ter exposto as verdades que uma mãe deve ensinar a seus filhos ; depois de ter mostrado as virtudes que lhes deve fazer gravar no coração, resta-nos dizer uma palavra íicerca dos meios de salvação, cujo uso lhes devem ensinar. Não é possível a prática da virtude, sem o auxílio [ do Ccu, jern a graça divina : ora as fontes, em que o cristão e a criança em particular devem procurar i a graça, são a oração e os sacramentos. E' este duplo assunto, que nós vamos agora desenvolver; I mas é necessário que, antes de o fazermos, tracemos aqui algumas regras gerais acerca deste assunto.

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E' preciso considerar, como principio, que tudo o que aborrece é funesto, e que todo o exercício que não interesse é perdido; tal é o pensamento de Mgr. Dupanloup. Exercícios de piedade muito longos, muito multiplicados ou muito rigorosos cançariam as crianças, inspira ndo-lhes insensivelmente o desgosto para as coisas piedosas. Todavia, não lhes devemos permitir uma precipitação inconveniente nas orações, sob o pretexto de os não cançar. Um dever religioso deve ser feito com dignidade.— «Nunca se deve forçar nem constranger ninguém para o bem. Exortai, mas não forceis. Facilmente nos desgostamos daquilo que fomos obrigados a fazer. Antes que tudo é preciso convencer as crianças e persuadi-las;.convencê-las do que é necessário, persuadi-las do que é útil.» ( ). Nunca exijais delas uma perfeição, de que ao presente não são capazes. E*' preciso, diz Mgr. Dupanloup, seguir a graça, e auxiliá-la sem violência; nada desprezar, sem dúvida, mas nada forçar, e nada precipitar. Nem todas as plantas dão os mesmos frutos, nem os jardineiros as cultivam de igual forma. E visto que nem todas as crianças têem os mesmos gostos, nem os mesmos caracteres, seria imprudente querê-las sujeitar às mesmas práticas. Os rapazes são ordinariamente menos minuciosos; é mais fácil aborrecerem-se do que as raparigas. Seria bom propor à mesma criança ou a mais que uma, diversos exercícios de piedade ao mesmo tempo, deixando-lhes a liberdade de escolherem os que mais lhes agradarem. Faz-se com mais gosto, o quo se faz sem constrangimento.
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A variedade agrada muito às crianças, e a uni0) Mgr. Dupanloup.

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formidade em breve as fatiga. Variemos, pois, tanto quanto possível, as práticas que lhes sugerimos, e mudemos nào só a forma, como as circunstâncias das que não se podem nem suprimir, nem interromper. Como as crianças vivem mais de impressões que de reflexões, é preciso escolher de preferência para elas os exercícios, que mais lhes podem impressionar os sentidos. A oração diante duma imagem ou dum crucifixo, numa capela, será mais fervorosa, sobretudo, se, recitando-a, nos prostramos profundamente. E' bem triste que no nosso século (apesar de se ter introduzido a tibieza até na devoção) se tenha tanto medo da morte, do juizo final e do inferno.— «Não há nada mais triste, diz Fénelon, do que ver muitas pessoas, aliás dotadas de espírito e de piedade, não poderem pensar na morte, sem tremer . . . «Acostumai a imaginação das crianças a ouvir falar da morte; a verem, sem susto, um pano mortuário, um túmulo aberto, doentes mesmo que expiram, e pessoas já mortas se podeis fazê-lo, sem as expor a expansão de medo.» Nada fala mais eloqüentemente a essas tenras almas, do que semelhantes espectáculos. XXII
Rs orações

Já dissemos anteriormente que toda a mãe tem obrigação de ensinar a fazer compreender a seus filhos o Padre Nosso, a Avé-Maria, o Credo, os Mandamentos da Lei de Deus e da Santa Madre Igreja, e o acto de contrição. Inútil será insistir neste ponto.

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«Fazei bem a vossa oração, meus filhos» pedia a Virgem Maria a dois pequenos pastores na montanha de la Salette, e acrescentava: E necessário fazer oração, pela manhã e à noite. Seria bem negligente a mãe que não obedecesse a esta recomendação da Santíssima Virgem, não obrigando a ajoelhar duas vezes por dia, de manhã e à noite os seus filhinhos, para os ensinar a orar. Felizmente nas famílias cristãs, raras vezes se encontra essa negligencia; mas as mais das vezes limitam-.se a fazer prenunciar uma fórmula, sem se preocuparem de voltar o seu espírito para Deus, sem lhes fazer sentir a grandeza do dever que cumprem, e a precisão que todos temos do auxílio do Céu. Daí vem, que as crianças rezam pouco, ou nada rezam ; porque, quem o ignora ? a oração é uma elevação da alma para Deus ; e desde o momento que a alma da criança fica presa aos divertimentos, não ora. Aplicar-se-ão, pois, as nossas leitoras a fixar a imaginação viva e o espírito inconstante das crianças, durante o tempo que cada dia consagrarem à oração. «Meus filhos, lhes dirão, vamos dirigir-nos a Deus, a nosso Pai do Céu, soberanamente grande e soberanamente bom, a quem ao mesmo tempo devemos temer e amar. Apresentemo-nos diante dele com . respeito; juntemos as mãos como suplicantes que têem grande precisão do seu socorro; baixemos os olhos, para não desviarmos a nossa atenção para coisa que nos faça não pensar nele, e tratemos apenas de orar.» Depois conduzi-los-ão diante dum crucifixo e de uma imagem da Virgem, fixando nestes objectos piedosos os seus olhares, e recitando com eles a oração. De vez em quando, será bom interromper a oração, para exortar as crianças a redobrar de atenção e de fervor. Por essa forma, por mais traquinas e levianas que as crianças sejam, conseguirão
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formar-lhes pensamentos e sentimentos sobrenaturais, o que é absolutamente necessário. Não será bastante para o zelo de uma mãe virtuosa ter feito assim orar os filhos pela manhã e à noite ; procurará dar-lhes o espírito de oração, isto é o costume de pensarem em Deus, e de recorrerem a Ele* Nada é com efeito mais útil a uma criança. 0 homem caminha na terra, por atalhos cheios de precipícios ; tudo quanto o rodeia, o encaminha para o m a l : G demónio, o mundo, a natureza, tudo são inimigos, que conspiram incessantemente para a sua perda eterna. Mas a criança, mais do que ninguém está exposta -a um triste naufrágio neste mar perigoso da vida, de que ainda não conhece os escolhos. — «A mocidade, diz Santo Ambrósio, é vizinha da queda.» — «0 combate que ela tem a sustentar contra o demónio é mais insistente, diz S. Jerónimo, por causa da inconstância natural a esta primeira idade da vida.» A criança nem tem convicção bastante profunda e bastante séria, nem uma vontade, suficientemente firme, para sustentar todas as lutas com perseverança. . Além disso, na mocidade são mais violentas as tentações e mais vivas as paixões ; de forma que, se o homem carece constantemente de Deus, para evitar o pecado, como a nossa fé ensina, a criança mais necessita da mão do Senhor, no meio do seu caminho recamado de escolhos e de precipícios. Quando encontramos uma criança de doze anos, que tem conservado sem mancha a alvura da sua alma, regenerada pelo baptismo, somos felizes cm contemplar esse templo vivo do Espírito Santo, ornado das riquezas da graça, esse trono adornado do ouro da caridade, onde Jesus Cristo reina com complacência. A exemplo de Leonidas que beijava com um religioso transporte o peito de seu filho,.

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ainda inocente, de boa vontade n o 3 curvaríamos, para imprimir numa fronte tão pura um respeitoso beijo. Mas em breve uma nuvem de temor vem atravessar a nossa alma : — «Terna pomba, dizemos nós, como estás exposta a ser a presa do infernal abutre ! Meigo cordeiro, um lobo carniceiro virá bem depressa talvez devorar-te! A h ! mães, temei como nós, os perigos que corre a virtude de vossos filhos, € tende cuidado de os prevenir contra a queda, inspirando-lhes o espírito de oração, porque só ele poderá assegurar o socorro constante e eficaz da graça, sem a qual infalivelmente se perderão. Que aprendam de vós a recorrer a esse Pai que está no Céu, a implorar a sua assistência, em todos os seus perigos e necessidades. Que do seu coração, cuba sem cessar, para o Céu, como dum altar, o incenso da oração. —«Quando a oração sobe, diz Santo Agostinho, a misericórdia desce. > A oração é uma chave de ouro que abre os teaoiros da graça, e o divino arsenal, onde vossos filhos encontrarão todas as armas, de que têem precisão para vencerem o demónio, o mundo e a sua própria natureza. Vamos, pois, indicar diversas práticas, próprias para alimentar nas crianças o espírito da oração.

XXIII
Dos diversos exercidos de piedade

A venerável serva de Deus Ana Maria Taigi, obscura e humilde mãe de família, morta em Roma, em cheiro de santidade a 9 de Junho de 1887, despertava todas as manhãs os seus filhos, pronunciando em voz alta aos seus ouvidos os nomes de Jesus e de Maria. E hoje mesmo não é raro encon-

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trar mães, que nunca deixam de vigiar e espiar cada manhã o momento em que seus filhos despertam, para se apoderarem dos seus primeiros pensamentos, e das suas primeiras afeiçoes, afim de as voltarem para Deus. Comovente solicitude, que deveria ser seguida, por todas as mães cristãs ! Todas fariam bern^ mal vissem despertar o filho, se lhe puzessem nos lábios e no coração esta terna súplica : —> Meu Deus, que sois infinitamente perfeito e amável, eu vos amo de todo o meu coração, e farei hoje indo por vosso amor. Os teólogos ensinam que esta oferta de todas as nossas acções, feita a Deus, logo de manhã, nos torna meritórios e dignos do Céu, contanto que tenhamos a ventura de estar em estado de graça. Seria bom ajuntar à fórmula que acabamos de dar, a invocação dos santos nomes de Jesus, de Maria e de José. Uma Mãe, segundo a vontade de Deus, exige que seu filho se levante e se vista prontamente e com modéstia, mal desperta. Depois faz com ele a prece vocal da maneira que atrás ficou indicada • (páginas 1.84 e seguintes). Quando a senhora do Chantal fazia a sua oração da manhã, pouco mais ou menos às seis horas, quer no inverno, quer no verão, entrava no quarto dos filhos, despertava-os e vestia-os ela própria, e depois de prontos, eolocava-os em círculo, e ensinava-os a orar. Depois da oração, fazia um quarto de hora de oração mental. Todos assistiam à missa, mesmo os mais pequenos. Persuadida a nossa santa de que um dia é nulo, quando se não assiste à missa, nada poupava, para os ensinar a assistir santamente a ela
(*) Abade Bougaud.

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MÃE

SEGUNDO

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VONTADE

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DEUS

Não é este exemplo uma censura e uma grande lição para muitas mães de família, que poderiam, logo de manhã, assistir à santa missa, com seus filhos, e que os privam desta graça por seu desleixo e ngligência ? Antes de levar um filho à santa missa, ou à igreja, convém ensiná-lo a estar aí com o devido respeito, e a ocupar-se piedosamente. Se a criança não reza, aborrece-se; e o aborrecimento cria a repugnância, para a casa de Deus, onde nunca devem ir senão com alegria e felicidade. A oração mental forneceria à criança uma salutar ocupação, durante o tempo da missa. Mas nada mais diremos, sem responder previamente a algumas pessoas, que sem dúvida, nos censurão estarmos a falar para pessoas do mundo, como se elas fossem religiosas, traçando as regras duma elevada perfeição, em vez de expormos os grandes deveres do cristianismo. Mas, diga-se o que se disser, a perfeição foi feita tanto para as pessoas do século, como para as que vivem no claustro. A todos foi dito pelo Divino Mestre: Sede perfeitos, como twsso Pai celestial. Temer orna vida pefeita, é fugir à única felicidade que o homen pode possuir neste mundo. Todavia seria um erro considerar os exercícios de piedade, que propomos aqui como incompatíveis com a vida no mundo, e como reservados exclusivamente às pessoas perfeitas ou consagradas a Deus. Para disto convencermos as nossas leitoras, bastará que lhes citemos o único exemplo da senhora de Chantal, que certamente era do mundo e do grande mundo : «Trabalhava com um zelo infatigável para formar seus filhos na piedade, diz o seu historiador. Por isso, Maria-Amada, sua filha primogénita, numa idade em que as outras meninas só tratam de jogos inocen-

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tes, já era susceptível das mais altas reflexões. Começou a usar a oração mental, e era um gosto ver todos os dias esta menina, na capela de sua mãe, de joelhos, como urn anjo, movendo apenas os lábios para dizer as orações vocais, e tendo-as acabado, gastar um quarto de hora na oração mental, acerca do ponto que sua mãe e directora lhe tinha determinado E será muito para uma menina destinada ã vida do mundo? Não era isso o que pensava S. Francisco de Sales, que dizia à Senhora de Chantal :— «Quanto à nossa Maria-Amada, enquanto ela quizer ficar na tormenta do mundo, é preciso, sem dúvida ter um cuidado cem vezes maior, para lhe assegurar a verdadeira virtude e piedade.» O mundo ó efectivamente um mar tempestuoso, que devora um grande número dos que se confiam ha suas pérfidas ondas; é pois importante alastrar bem um navio, antes de o lançar atravez de tantos escolhos. A oração mental ó um dos exercícios de piedade, que deve ser considerado mais útil e importante. Santa Teresa disse que quem faz oração não pode ficar em estado de pecado ; ou deixará o pecado, ou abandonará a oração. Vamos dar, pois, um método fácil com cujo auxílio todas as mães, mesmo as menos instruidas poderão formar os seus filhos na prática deste santo exercício. Se uma criança já crescida, não sabe ler, sua mãe lhe ensinará a conservar-se, respeitosamente, durante alguns minutos, diante duma imagem da Virgem Maria, ou em frente dum crucifixo, e far-lhe-há resar as orações que já sabe: 0 Padre
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Nosso, a Ave Afaria, ou qualquer outra oração, detendo-se um instante, depois de cada palavra, para lhe meditar o sentido e produzir os sentimentos que nascem desta meditação. Poderá até sugerir-lhe esses sentimentos e reflexões, sobretudo aos principiantes. Para ser claro, entremos em alguns pormenores, e supúnhamos que uma mãe quer com seu filho, tomar por assunto o Padre Nosso. — «Meu filho, dirá ella, todos temos o mesmo Pái, que é Deus, Pái infinitamente bom, e infinitamente amável, que devemos amar mais do que nosso pái e nossa mãe da terra, não só por causa dos seus benefícios, como em atenção às suas perfeições. Visto que Êle é Pái, todos somos irmãos, e devemos viver na caridade, na união, e na paz, arnando-nos uns aos outros. Devemos dizer a Deus : «Àmo-vos de todo o meu coração, e amo os meus irmãos, por amor de vós.» Depis de ter meditado estas primeiras palavras do Padre Nosso, passamos às seguintes: que estais nos Céus. O nosso Pái está no Céu, isto é na glória, na felicidade; é para ela que êle nos chama, é de lá que nos protege, e é lá que nos prepara, se nos conservamos fieis, as delícias do Paraíso. Vós que estais nos Céus, vigiai sobre mim, do centro da vossa glória, e permiti, que eu um dia esteja junto de vós. Também a mãe fará sobre cada palavra do Padre nosso as reflexões que a sua fé lhe inspirar, e as transmitirá à criança, até que ela seja capaz de as fazer. Os mandamentos de lei de Deus também forneceriam assuntos práticos, para orações mentais» Auxüiando-se, se fosse necessário, do pequeno compêndio de doutrina cristã, que atrás deixamos exposta (pág. 117 e seguintes), uma mãe poderia expor a seu filho o que os mandamentos ordenam e proíbem, No
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fim do exame, a criança pediria perdão ao Senhor, da sua pouca fidelidade em cumprir a lei, e prometer-lhe-ia emendar-se de futuro. Este gónero do meditação daria à criança o hábito de examinar a sua consciência, e o exame de consciência é um exercício que todo o cristão deve fazer diariamente, e que, por sua eficácia, excede a própria oração mental. A uma criança que sabe ler, dá-se um livro de meditação; e todos os dias se deverá ler uma ou duas páginas, detendo-se depois de cada frase, afim de reflectir e compreender o que lê. Fénelon recomendava instantemente a um jovem, que lhe pedia um regulamento de vida, que fizesse todos os dias uma leitura meditada. A prática da presença de Deus seria também à criança rm poderoso preservativo, contra o pecado, e um meio eficaz de praticar a virtude- Caminha na minha presença, diz o Espírito Santo, e tu serás perfeito. Se todos nos lembrássemos de que Deus está sempre presente, que é testemunha de tudo, para nos julgar, só raras vezes ou nunca o ofenderíamos. «Deus está em toda parte, diz muitas vezes a seu filho uma mãe cristã; o seu olhar é mais penetrante que o sol e que uma espada de dois fios. Quando estás só, e que as trevas ou muros espessos te encobrem a todas as vistas, sabe que o Senhor vê os teus mais íntimos pensamentos, e por isso treme de o ofender.» Para que a criança não perca por muito tempo a lembrança de Deus, a mãe terá cuidado de ornar os quartos de objectos piedosos, como crucifixos, imagens, medalhas, e de recomendar-lhe que faça um acto de amor de Deus todas as vezes que deparar essas lembranças. Ainda muito novo, João Maria Vian-

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ney, mais tarde pároco de Ars e hoje santo, quando ia trabalhar para o campo, levava consigo um busto da Virgem, e colocando-o a alguma distancia dele, constantemente o estava comtemplando. A mãe ensinará a seu filho curtas, mas ardentes orações, por exemplo: Amo-vos,meu Deus!, ou então: Meu Jesus, misericórdia! Virgem mãe, intercedei por mim I E escolherá para estns elevações da alma o momento em que o relógio der horas, ou ouvir tocar um sino. Enfim nada desprezará para fazer que seus filhos amem a Deus, mostrando-lhe quanto é bom viver em santa familiaridade com este terno Pái. A Senhora de Chantal, diz o autor da sua vida, ensinava os filhos a elevar de tempos a tempos o coração para Deus, sobretudo quando ouvia dar horas, e antes das comidas obrigava-os a orar em voz alta. Era assim que depositava * naqueles corações os hábitos de oração, que não são a virtude, mas que são o seu ornamento e garantia. XXIV
*

Da devoção à Santíssima Virgem Seria agora ocasião de falar das diversas devoções, que a mãe poderia inspirar utilmente a seus filhos, e que têem por objecto o Santíssimo Sacramento da Eucaristia, o Sagrado Coração, S. José, o Anjo da Guarda, o santo do nosso nome. Não podemos deixar era silencio a mais doce, a mais amável, a mais salutar, a mais espalhada das devoções, a que tem por objecto a augusta Rainha do Céu, a Imaculada Maria! Quanto não desejaríamos falar aqui, ó Mãe, das vossas admiráveis prerrogativas, da

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vossa grandiosa dignidade, da vossa inexgotável bondade I Seriamos felicíssimos, se nos ocupássemos por muito tempo de vós, mas apenas nos limitamos a dizer algumas palavras, acerca da necessidade que têem as almas, e sobretudo as almas das crianças de recorrer a v ó s , e dos frutos de salvação que nelas produz o vosso amor. E' um sentimento geralmente admitido que a intercessão de Maria é útil e mesmo moralmente necessária ao3 homens. E S. Bernardo dá a razão : — «Deus, disse ele, quiz que nenhuma graça' nos adviesse, sem passar pelas mãos de Maria. Todos os dons do Céu se dispensam por seu intermédio, a quem ela quer, quando e como quer. E' a tesoureira das graças, o canal dos favores celestes, a porta do Céu. Se não espalha sobre nÓ3 os tesoiros de que é depositária, e o seu orvalho celeste, então o nosso coração é árido e triste. Se não abrir a Jerusalém celeste, ninguém aí pode entrar; 6 o pensamento de S. Boaventura. E esto santo doutor acrescenta : Assim como uma criança morre, se lhe tirardes a ama, assim também a alma privada da protecção de Maria arrisca-se a perder toda a esperança de salvação. Ai duma criança, a quem a mãe não tiver inspirado a devoção à Santíssima Virgem! Como se arrisca a naufragar entre as tempestades do mundo, quem não tem Maria, a Estrela benfazeja do mar, para o guiar para o porto da salvação! Porque, diz Santo Antonino, assim como é moralmente impossível que sejam salvos aqueles sobre quem Maria não repousa os olhos da sua misericórdia, assim também é impossível que morram aqueles a quem ela olhar com amor. Um verdadeiro servo de Maria não pode perder-se, é a doutrina de S. Bernardo e durn grande número de santos doutores. Segundo
is

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aventa Santo Éfrem, a devoção a Maria é a chave do Céu, e o salvo-conduto que nos faz evitar o inferno. Ela é um sinal de predestinação para os eleitos. 0 seu nome é terrível ao demónio, como um exército formado em linha de batalha. Aquele pé que esmagou a cabeça da infernal serpente, basta para afugentar os espíritos das trevas. Disse um sábio intérprete das sábias escrituras : Assim como o lírio serve de remédio contra a mordedura dos reptis venenosos, assim a invocação da Casta Virgem é um remédio soberanamente poderoso contra todas as tentações, e sobretudo contra os ataques da impureza, como a experiência tem ensinado. Ficai bem convencida disto, mulher cristã: — basta uma terna devoção para com Maria, para preservar vosso filho da corrução deste século perverso, e retirá-lo do precipício, quando aí tiver caído. Dedicai todo o vosso zelo a inspirar-lhe esta devoção, desde a mais terna infância. E' bom que, desde o berço tenha nos lábios o doce nome de Maria, e no coração gravada a sua imagem. Quando se lhe desenvolver a inteligência, deve a mãe falar-lhe das grandezas e da misericórdia da Mãe de Deus, de forma a dar-lhe dela uma alta ideia. — «Meu filho, podereis ainda dizer-lhe, tu amas a tua mãe, mas tu tens no Céu uma Mãe mais poderosa, e mais terna ainda, do que a da terra. Essa Mãe do Céu é a Imaculada Virgem, a Mãe de Deus, a que trouxe no seio, e amamentou o Menino Jesus, o Filho de Deus feito homem. Está agora ao lado de seu filho, elevada na glória, acima de todos os santos, de todos os anjos e de todos os arcanjos, porque ela é a mais pura e a mais perfeita das criaturas. Do alto do Céu vigia sobre nós com maternal solicitude, ora sem cessar por nós, e estende sobre nós a sua protecção. Omnipotente junto de Deus, tudo

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quanto lhe pedir tudo nos obterá. E' preciso pois honrá-la, por causa das suas grandezas, e rezar-lhe com amor, por causa da sua bondade. Quando o demónio te inspirar o pensamento do mal, recorre a ela. Quando a tormenta da tentação bramir, e ameaçar submergir a tua alma, olha para a Estrela do mar.» Apenas tinha cinco anos o B. Crispim de Viterbo, quando a mãe o levou junto do altar de Maria, e aí, mostrando-lhe a imagem da Virgem: — «Olha, meu filho, lhe disse, eis aí a tua verdadeira Mãe ; à sua protecção te confio ; ama-a sempre de todo o teu coração, e honra-a, como tua única Senhora.» A criança nunca mais esqueceu estas palavras. Uma mãe segundo a vontade de Deus não teme fazer conhecer a seus filhos as aparições de Nossa Senhora de la Salette, de Loreto, de L o u r d e s . pois que, nas lágrimas que Maria derramou na montanha, e nos maternais ensinos que nos deu, há uma fonte abundante de conversão e de santificação. Como meio de honrar Maria, e de atrair a sua protecção sobre os filhos, deverá a mãe dar-lhes o escapulário de Nossa Senhora do Carmo e da Imaculada Conceição, e muitas vezes ao dia lhes fará recitar a Ave-Maria, e o rosário três vezes por semana. Se a criança achar muito longa esta última prática, recitará todos os dias dez, ou pelo menos três AveMarias; sobretudo que pronuncie muitas vezes o nome de Maria, e particularmente durante a tentação. Santo Ligório aconselha a visita diária a uma capela da Virgem, diante dum dos seus altares; recomenda a recepção dos sacramentos, no dia das suas festas, e as novenas preparatórias para estas festas. Virgínia Bruni fazia todos os esforços para inspirar a seus filhos devoção, confiança e amor, para com a Santa Virgem. Considerando-se ela própria, como a ama de seus filhos, dizia a Maria: — «Quero

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que sejais a sua Mãe, e deveis sê-lo . . . Meus filhos, repetia ela muitas vezes, nunca vos esqueçais de que a vossa verdadeira Mae está nos Céus; é a Santíssima Virgem. Eu para convosco apenas a represento. > Todos os dias, na sua presença, implorava em alta voz a protecção desta divina Mãe, para os filhos. Muitas vezes, lhes dizia: <=Ide à Igreja vera vossa Mãe; dizei-lhe que sois seus filhos.> Certos dias da semana, impunha-lhes algumas leves mortificações, em honra de Maria, e fazia-os privar freqüentes vezes à mesa ou no todo, ou em parte, de algum prato mais escolhido, por amor do Maria. XXV
Da confissão das crianças

Frutos preciosos dos sofrimentos, e da morte do Salvador, os sacramentos são os canais por onde descem até nós as águas da divina graça. Dignamente recebidos, trazem-nos forças salutares, para viver cristãmente, e para praticar a virtude. A Penitência e a Eucaristia são os únicos sacramentos de que deveremos aqui dizer algumas palavras, porque são os únicos que as crianças podem receber freqüentemente. <E' preciso ensinar aos meninos, o que é a confissão, desde que estejam no caso de compreender = > . diz Fénelon. E como ê3te.sacramento é, depois do baptismo, o maior benefício que Deus concedeu ao homem pecador, é preciso fazê-lo encarar às crianças, como uma grande graça, e não como uma dura penitência. «Deus, na sua grande misericórdia, em vez de castigar logo o homem pecador, perdôa-lhe, desde que ele se confesse com um arrependi-

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mento sincero da sua falta, dirá uma mae virtuosa a seu filho; é preciso, pois, que, após o pecado, nos apressemos a usar deste remédio salutar, que Deus prescreveu, para curar as feridas do nosso coração. Este remédio nada tem de amargo, porque é mesmo um lenitivo abrir o nosso coração a um padre sincero e compassivo, que nunca se admira das nossas faltas, seja qual for a sua gravidade.» E não se contentará a mãe de família de inspirar por suas lições, uma filial confiança para com o sacerdote, evitará também com cuidado tudo o que seja de natureza a fazer temer o ministro de Deus. Há mulheres, que, a cada falta que cometem os filhos, os ameaçam com a vara do pároco da fregueguesia. 0 pároco deve ser pois, como um espantalho, para estas crianças, que fogem, tremendo, mal o avistam, e é para eles um suplício ir confessar-se pela primeira vez. Nada os expõe mais ao sacrilégio, do que este temor do ministro de Deus, que tão loucamente lhes incutiram. A mãe tem obrigação de mandar os filhos à confissão e comunhão, pelo menos uma vez cada ano desde o uso da razão, que é geralmente aos sete anos: e todavia é um dever, que muitas vezes senão cumpre. Mas é bom mandar um menino à confissão, antes de ter completado os sete anos. Dizendo de que idade os meninos podem ofender a Deus mortalmente, responderemos a esta questão. E' evidente efectivamente, que, desde que estamos no direito de temer que uma criança cometeu uma falta grave, é preciso fazer-lhe procurar o meio de obter o perdão, porque grande desgraça seria para ela, se ficasse muito tempo em estado de pecado mortal, privada da amizade de Deus, e exposta á condenação eterna! Ora é certo que as crianças podem ofender a Deus gravemente antes dos sete anos. Há algumas que toem mais

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malícia e inteligência aos quatro ou cinco anos, do que outras aos sete. Uma mãe esclarecida terá conta da precocidade do desenvolvimento moral de seus filhos, para os enviar à confissão seguindo este conselho de Fénelon : «Atenda à primeira falta um pouco considerável que uma criança cometa, e faça-lhe vêr a fealdade do seu crime, e verá, que conhecendo o que é a confissão, ela procurará naturalmente confessar-se, acusando-se ao confessor. E' preciso que tenha depois um vivo arrependimento, e que ache na confissão o seu mal mitigado, para que não fique extraordinariamente impressionada por essa primeira confissão, mas que seja uma fonte de graças, para todas as outras» (*). Depois da confissão, evitará a mãe com cuidado, falar-lhe ou deixar que o filho fale com menos respeito da acção santa que acabou de fazer, nem da penitência que lhe deram; os gracejos que algumas vezes se permitem acerca deste ponto, tiram à criança a alta ideia que ela deve formar da confissão. Será conveniente fazer contrair muito cedo às crianças o hábito da confissão freqüente ? Não hesitamos em afirmar que nada é mais útil à criança do que esse salutar costume, que lhe diminuirá o receio da confissão, de maneira que, chegando a uma idade avançada, terá menos dificuldade em submeter-se a ela. Sabemos, por experiência, que ha repugnância em confessar-se, sobretudo em confessar-se muitas vezes, quando em criança se não adoptou esse hábito. Além disso, nada há mais eficaz do que a confissão freqüente, para preservar a criança dos costumes viciosos, para lhe incutir piedade, e para lhe inspirar uma grande confiança, para com o sacerdote.
í)
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Fénelon.

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Não é bastante mandá-la todos os meses à confissão, antes e depois da sua primeira comunhão, porque precisa de mais- Fénelon queria que uma criança não deixasse passar quinze dias sem se confessar, e a experiência prova que é muito difícil evitar o pecado mortal a um rapaz chegado à idade das grandes tentações, se êle não tem o cuidado de recorrer, quasi todos os oito dias ao sacramento da Penitência. Nada há mais triste do que ver alguns rapazes abandonarem os sacramentos, e afastarem-se do sacerdote, depois da sua primeira comunhão. Apenas raras vezes, nas grandes festas, os vemos aproximar do santo tribunal, e dentro em pouco contentam-se com a confissão anual. 0' mães, dedicai todo o vosso zelo, em conservar nos vossos filhos a prática salutar da confissão freqüente; fazei-lhes comprender a importância e as vantagens desse acto, tam necessário à sua salvação. Importa não contrariar os gostos duma criança, e deixar-lhe inteiramente livre a escolha dum confessor : a confiança não se impõe. Há mães que fazem questão, e obrigam as filhas a terem o mesmo confessor que elas, e expõem-nas, por isso ao sacrilégio. — E que havemos de dizer das mães que negam aos filhos a permissão de se dirigirem a um sacerdote virtuoso, com medo que, soba sua direcção, venham a perder o gosto do m u n d o ! . . . A Eucaristia é Deus comnôsco; é Jesus Cristo feito sustento das nossas almas para nos fortificar nas fraquezas, para nos consolar nas aflições, e para nos esclarecer nas nossas dúvidas. Queridos meninos, oxalá vos aproximeis cedo ( ) com santas disposições
x

( ) A criança tendo atingido o uso da razão, de ordin á r i o aos sete anos completos, sabendo da doutrina cristã as verdades absolutamente indispensáveis para a salvação, disl

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deste foco de amor, desta fonte de água viva, que dá a quem a bebe um penhor de vida eterna ! E' o que devereis a uma mãe piedosa, que vos preparar com solicitude, para uma primeira comunhão. A primeira comunhão, diz Fénelon, deve ser muito tempo esperada, isto é que desde a infância , todo o menino ou menina a deve esperar, como a maior felicidade que deve ter sobre a terra, enquanto espera as alegrias do Céu. Antes deste solene facto, a mãe disporá o filho, falando-lhe da necessidade de preservar o seu coração do pecado, afim de o tornar digno de ser o templo e o trono de Jesus Cristo, exortando-o a purificar-se cada vez mais de toda a mancha, à medida que se aproxima o grande dia, que deve uní-lo pela primeira vez ao seu Deus. Dir-lhe-hã muitas vezes, que a primeira comunhão é uma questão decisiva para a salvação duma alma, e que, fazê-la mal, seria a maior das desgraças. Ela o fará orar, e orará com ele, para pedirem a Deus a graça de se preparar santamente. Levá-lo-hã ao templo, a visitar Nosso Senhor, e aí em presença do santo tabernáculo, o mandará fazer uma comunhão espiritual, muito útil para a santificação da alma. Durante o tempo dos exercícios preparatórios para a primeira comunhão, «que pareça à criança que todos têem os olhos fixos nela, que todos a julgam feliz, e tomam parte na sua alegria.» E depois que Jesus Cristo tiver visitado esta alma, terá cuidado em vigiar que ela persevere numa vida santa, Tendo tratado da necessidade que as crianças têem de se confessarem muitas vezes, não falaremos
tinguindo o pão eucarístico do pão comum e tendo dado provas em harmonia com a sua idade e a sua condição, de que vai comungar bem, está obrigada a comungar. Faz a comunhão particular e mais tarde faz então a comunhão solene*

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das vantagens da recepção freqüente da santa Eucaristia. Bastará que a mãe envie o filho à confissão todos os quinze dias, como quer Fénelen, ou todos os oito dias, se for possível; o seu confessor julgará depois, sem que ela tenha a ocupar-se disso, se deve aconselhar-lhe a comunhão* E preciso mesmo que a mãe não insista muito para que o filho comungue; basta que o leve a afeiçoar-se à confissão. Se a criança pensasse que a mãe desejava muito vê-la comungar, poderia acontecer que ela procurasse obter, por uma mentira, uma absolvição de que seria indigna. Com mais forte razão, se deve guardar de censurar o sacerdote, que não lhe tivesse permetido a comunhão. Há todavia mães bastante imprudentes, para procurar afastar os filhos dum confessor, porque, não os achando suficientemente dispostos para receberem a absolvição, julgou necessário diferir-lha..
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http://alexandriacatolica.blogspot.com

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Sua necessidade
Em vão uma mãe segundo a vontade de Deus lançou nas almas de seus filhos, como numa terra fecunda, as felizes sementes da fé, e da virtude ; se ella adormece, vem o inimigo, e semeia _a zizania, que não tarda a cobrir o bom grão ; é necessário que vigie a todo o instante* «lendes filhos ? diz o Espírito Santo, guardai-os com cuidado ; e não recueis, diante dessa solicitude, que chega a privar do sono pais vigilantes.» Qual não é efectivamente o preço do tesoiro que vos foi confiado, ó mãe ! Esse depósito é a inocência dos vossos filhos; a inocência, o maior bem do homem neste mundo, o Céu antecipado para uma alma, a fonte de todas as consolações, e a única verdadeira paz neste vale de lágrimas; a inocência, esse reflexo da santidade de Deus, brilhando na fronte duma criatura com mais brilho que todas as glórias humanas; é o objecto das complacências dos anjos, e se os homens pudessem entrevê-la, prostar-se-iam com respeito, diante da sua imaculada pureza. — «Guardai sempre esse tesoiro, com o maior cuidado, exclama S, João Crisóstomo, e fazei quanto puderdes, para o subtrair ao ladrão astuto que procura roubá-lo. E vejamos, afinal como é fácil perdê-lo. «As flores apenas duram

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um dia, escrevia S. Jerónimo ; basta um sopro para murchar as violetas e os lírios.> Um olhar, uma palavra bastam para fazer entrar a morte, numa alma. Lembrai-vos de vossos tenros anos, dessa idade feliz, em que o remorso que segue a falta, nào tinha ainda feito sentir, na vossa alma o seu aguilhão: lembrai-vos do que dou um golpe mortal na vossa inocência, e na vossa felicidade. A h ! uma palavra que um companheiro ou companheira vos disse, um olhar indiscreto lançado imprudentemente sobre uma acção culpada, um nada vos fez suspeitar o mal. Mas abrigados sob a atenta vigilância de uma mãe verdadeiramente cristã, poderíeis ter escapado aos naufrágios que perdem tantas crianças, e teríeis conservado a inocência do vosso baptismo. Mas erêde-me, porque falo por experiência. Todo o bem que fizestes a vossos filhos, lhe será roubado, e bem cedo, se os não vigiardes. Seria grande desgraça para eles, se os deixásseis em plena liberdade. Vedo quantos inimigos os rodeiam ; e sendo tam fracos, tam débeis, estão prontos a receber todos os estigmas do vício ! Não ouvis o demónio, esse leão rugidor, que, não podendo suportar que o baptismo o expulsasse dessas almas, não cessa de os rodiar, procurando devorá-los, fazendo com que, por sua vez, seja de lá expulso Jesus Cristo ? E que terrível adversário não é o demónio ? Quando êle consegue transviar uma alma, para o pecado, com que zelo infernal êle a retém entre ferros ! E para auxiliares, na sua obra de destruição, tem os companheiros de vossos filhos, talvez até os criados da casa, mas principalmente o mundo, com suas máximas envenenadas. Em qualquer lugar encontrarão perigos: nas leituras que fizerem, em tudo o que os rodeia, e até

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dentro deles próprios ; porque ainda mesmo que os preserveis de todo o perigo estranho, dentro deles próprios encontrarão a concupiscência, que é um foco de pecado. Quando vejo ao longe amontoar-se a tempestade, sobre uma praia risonha, onde há árvores cobertas de flores primaveris, eu tremo logo, pelos frutos. Queridas crianças, amáveis dores, que exalais o perfume da inocência, quando ouço o venlo das paixões a sibilar em torno de vós, quando vejo iracundos os inimigos da vossa inocência, sito-me tomado de medo. Pobres criaturas! A vossa alma que era primeiramente uma vinha fecuda, deixando do ser cercada pelos muros da vigilência materna, será arrasada pelo i n fernal javali; o edifício erigido pelo Espírito Santo será demolido, e dele não ficará pedra sobre .pedra. Essa barca que singrava pacificamente, impelida pelo vento da graça, para o porto da salvação, vendo-se privada da mão hábil do piloto que a afastava dos escolhos, irá despedaçar-se contra os rochedos, e afundar-se no golfo infernal. 0' mães, que nada vigiastes, que tristes conseqüências da vossa negligência ! Que respondereis, no j u l gamento de Deus, quando essas almas se perderem, porque fechastes os vossos olhos, e vos censurarem a sua perda ? Direis como Caim : — Era eu por ventura o seu guardião? Sim, responderá Jesus Cristo; eu confiei-te esta alma, e por isso maldigo-te pela tua negligência. Tremei, vós, que, atentos a vigiar sobre vossos bens, e até mesmo sobre vis animais, nenhum cuidado tendes da alma de vossos filhos. Se uma fera ameaçasse devorá-los, ou se estivessem expostos a cair num precipício, trataríeis de os desviar do perigo; e dormis, quando a sua alma está em perigo, e quando há um inferno, cujo medonho golfo

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pretende atraí-los! Senhor, tende piedade destas cegas mulheres! Seria melhor para elas, que nunca tivessem sido mães ! Mas a verdadeira cristã vigiará. Deve-o a Deus, a seus filhos, e a si própria. E vigiará cedo. Quem não tem ouvido dizer a cada passo : Hoje já não há crianças ? E que a inteligência destes pequenos seres abre-se para o mal, com uma precocidade espantosa! A mãe vigiará até ao fim, enquanto tiver filhos. A sua vigilância durará tanto como a vida. Vigiará incessantemente não perdendo nunca de vista aqueles que Deus lhe confiou. Um instante só que afrouxasse o zelo, viria o ladrão roubar a inocência aos filhos. Enquanto ela se entrega a um divertimento permitido, a um trabalho necessário, se então descurasse a vigilância, Satanaz saltaria sobre a criança, que não tinha ali a mãe para a defender. E vigiará sobre todos os filhos, porque de todos eles ê a mãe. Por todos responderá perante Deus. Mas principalmente que vigie sobre as filhas, porque a fraqueza do seu seu sexo facilmente as deixará arrastar para o mal. Por isso escrevia S. Jerónimo a Lseta: — «Se quereis afastar vossa filha do dardo envenado da víbora, porque não tereis o mesmo cuidado para desviar os seus lábios do copo de ouro da Babilónia ? Nunca a deixeis ir ao templo, senão na vossa companhia. Que nunca seja encontrada entre as multidões, e nas festas brilhantes da sociedade, mas só no templo, onde escute a divina palavra. E' preciso que imite a Virgem, que se perturbou à vista do arcanjo Gabriel, sem dúvida porque o enviado celeste revestira a forma humana. E que nunca apareça em público, sem ir convosco. E quando tiverdes de sair com demora, nunca a dei5

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xeis em casa. E preciso que não saiba, nem possa viver longe de vós, e que tenha medo de se ver entregue a si própria.» Mas a mãe vigiará com benevolência e caridade fazendo sentir aos filhos que tudo isso é para seu bem ; e quando, apesar dos seus esforços, não puder reter os filhos em casa, deverá vigiar ainda, informando-se do seu comportamento, e de tudo quanto lhes diga respeito. Talvez achem que semelhante vigilância é i m possível a uma mulher cristã, por causa dos outros deveres que tem a cumprir; mas não é assim. Toda a mãe que toma a peito a salvação dos filhos, pode e deve exercer uma eficaz vigilância. Se 6 obrigada a afastar-se deles ou a perdê-los de vista, durante algum tempo, deve confiá-los a uma pessoa virtuosa que os vigie em seu lugar, e lhe dê depois um relatório exacto do seu comportamento. Devemos agora falar um pouco àcêrca das mulheres do campo. Já atrás notamos que grande numero delas deixam sair os filhos com os filhos dos seus vizinhos ; talvez mesmo se sintam felizes, por se verem livres dos seus gritos e das suas i m pertinências, porque mesmo não é fácil reter sempre em casa esses pequenos traquinas, sobretudo depois de terem tomado gosto aos brinquedos. Repetimos: essa negligência, que muitas mulheres se permitem, é uma grandíssima desgraça: é a origem da desmoralização da infância. Não queiram pois ficar culpadas perante Deus. Se habituarem os filhos a não saírem sós, desde tenra infância, mostrando-se bondosas, mas firmes e enérgicas, facilmente se acostumarão, contanto que sejam ocupados em algum trabalho compatível com a sua inteligência e forças, como já recomendamos. E se forem trabalhar ao campo, é melhor levarem consigo os
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filhos, porque aprenderão a trabalhar com suas mães. E se de todo em todo não puderem ir, é bom ficarem em casa dalguma mulher cristã que tome conta deles, não os perdendo de vista, durante a ausência das mães. Noutra ocasião lhe podem as mães prestar os mesmos serviços. «Nada igualava a vigilância de Virgínia Bruni sobre os seus próprios filhos, escreve o Padre Ventura. Nunca os deixava sós. Doente e cheia de dores, arrastava-se para junto deles, e quando as suas débeis forças punham um obstáculo ao cumprimento deste dever, encarregava disso a consciência de sua irmã, com expressões solenes ; e querendo que sua irmã deixasse tudo, mesmo a ela que estava doente, para vigiar os filhos, dizia-lhe: — «Antes queria receber um tiro de espingarda, do que ouvir dizer que um dos meus filhos havia faltado à modéstia cristã.» II Objectos da vigilância materna Já sabemos que a mãe deve vigiar os seus filhos. Mas acerca de q u ê ? qual deve ser o objecto das suas atenções ? E o que nos resta expor. Nada do que a criança diz ou faz deve ser estranho à vigilância materna, porque esta estende-se a tudo, e coisa alguma lhe deve escapar. Para abreviar limitar-nos-êmos aos três pontos seguintes: a mãe deve vigiar primeiro que os filhos cumpram os seus deveres de cristãos; depois que evitem as ocasiões do pecado; e por fim que escolham um estado onde possam conseguir a sua salvação. Entremos em alguns pormenores.
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Primeiro vigiará a mãe que os filhos observem fielmente as leis de Deus e da Igreja, e cumpram as suas obrigações. E' preciso que uma mulher cristã saiba, se o filho faz oração de manhã e à noite, se respeita o nome adorável de Deus, e se santifica o domingo, abstendo-se de obras servis, e assistindo aos ofícios da Igreja. Deve informur-so com cuidado da maneira como ele se comporta, para com os superiores, para com os seus iguais e inferiores. Deve ver se o filho cumpre o preceito da confissão anual e da comunhão pascal, e se observa as leis da abstinência e do jejum. E' necessário que saiba o que a esse respeito disse um santo Padre : «que a mulher será julgada por todas as faltas, que, por sua negligência, deixar cometer a seus filhos, Mas ó principalmente no que diz respeito à virtude da pureza, que unia mãe deve rodear os filhos, desde o berço, das mais atentas precauções e da mais severa vigilância; «Eis aqui, diz o snr. bispo de Orleans, o que me escrevia há pouco tempo um homem virtuoso e de grande experiência: «Estou todos os dias, como um médico, a analisar que desde a idade de um a dois anos a maior parte das crianças contraem detestáveis costumes, que mais tarde são funestos à sua saúde e inocência. E todas as observações que a esse respeito fiz aos pais, foram acolhidas com desprezo.* Importa, pois, que a mãe observe cs filhos, especialmente quando estão sós, procurando surpreende-los no meio dos seus brinquedos, prestando ouvidos a todas as suas palavras, e não os deixando muito tempo sem testemunhas. Longe de permitir que ouçam ou vejam qualquer coisa que ofenda os olhos ou os ouvidos, deve, pelo contrário, fazer-lhe guardar as regras da mais exacta modéstia. O leito nupcial será absolutamente interdito a todos os filhos que
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tenham mais de três anos. Nunca dormirão no mesmo leito crianças de diferente sexo, seja qual for a idade que tenham. A mãe vigilante não deixará mesmo dormir juntas muitas crianças do mesmo sexo, fornecendo um leito a cada rapaz, e outro a cada menina. S. Francisco de Sales escrevia à Senhora de Chantal : «E' preciso que cada criança tenha a sua cama, e que não só Celso-Benigno, que já é crescido (tinha apenas dez anos), mas que cada uma das três meninas (a mais velha tinha sete anos), nunca durmam senão sós ou com pessoas que vos mereçam a mais absoluta e completa confiança.» Como são raros hoje em dia os criados, que nos mereçam uma tal confiança! Não há até certos parentes de que uma mãe deve desconfiar? «Ninguém faz ideia, acrescentava o santo bispo de Genebra, quanto é útil este aviso; a experiência o torna recomendável todos os d i a s . . . > Fiel aos conselhos do seu director, a santa senhora de Chantal fazia deitar cada um dos filhos, em leito à parte. Ficava muito tempo em oração junto deles, e só se retirava, quando eles adormeciam (*). Ana Maria Taigi, que se santificou em Roma, no princípio deste século, pelo cumprimento dos seus deveres de esposa e mãe, e pela prática das mais sublimes virtudes, havia dado à luz sete filhos: quatro rapazes e três raparigas. A todos rodeou dos mais vigilantes cuidados : ela própria os levava às escolas, ou então, não o podendo fazer, fazia-os acompanhar por pessoas seguras. Para evitar a influência do mal, posto que fosse pobre, e obrigada a trabalhar, para ganhar o pão de cada dia, tinha

(*) Abade Bougaud.

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cuidado de fazer deitar os filhos, em lugar separado das filhas, tendo cada um o seu leito rodeado de cortinas. Sobre este ponto levou as precauções até ao excesso. Por ocasião do casamento de sua filha Sofia, permitiu que o noivo entrasse em casa, para que os esposos se pudessem conhecer, mas nunca deixou a filha nestas circunstâncias, para que nem um momento ficasse só com o noivo. A serva de Deus sabia que os jovens acham sempre ocasião de se perderem, indo ao mercado, ou freqüentando as lojas. E como a prudência não lhe permitia expor as filhas a esse perigo, preferia ir ela comprar o que era preciso, e quando o não podia fazer, solicitava esse favor a um amigo da família.

III
Das ocasiões perigosas para a criança

Fatal seria a ilusão da mãe, que, vigiando para que o filho não cometa pecados, não tivesse ocasião de lhe evitar as perigosas ocasiões. Por ocasiões próximas de pecado, entendem os teólogos certas pessoas, certos lugares, certas coisas que arrastam ordinariamente os homens a qualquer falta grave. A fraqueza humana, sobretudo na infância e na mocidade, é tamanha, que o que se prende voluntariamente, e por sua culpa, nestas espécies de ocasiões, cái infalivelmente. Quem ama o perigo, nele morrerá, diz o Espírito Santo. Quem pode pegar no fogo, ou caminhar sobre carvões ardentes? O próprio ferro perde a dureza, quando é lançado no fogo. Embora tenha um rapaz recebido uma educação cristã, e tenha sido iniciado no amor de Deus, e m -

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bora tenha perseverado na piedade e na virtude: se ele for abandonado a si próprio, precipita-se facilmente no meio dos escolhos, onde se perderá infalivelmente. As mulheres que tiverem uma piedade séria o um verdadeiro amor por seus filhos, perfeitamente nos compreenderão. Por isso elas os conduzem, como pela mão, sobre o caminho perigoso da vida, fazendo-lhes evitar os atalhos matizados de flores, que levam os incautos ao abismo! Mas as mães cegas fecham os olhos. E preciso deixar passar a mocidade, dizem elas. E deixam esses infelizes correrem, à mercê da sua imprudência e do seu ardor para o prazer,' no meio das mais perigosas ocasiões! E toda a vida facílimo era ver que, com tais companhias, em tal lugar, em tais leituras, bebe-se a iniquidade, como se fosse água, e ninguém ignora que o espírito, o coração e a imaginação aí são alimentados pelo vício. .. e não proíbem a seus filhes esses lugares, essas leituras, essas sociedades ! . . . Cruéis mulheres, que são mais carrascos do que mães, segundo a afirmação de S. Bernardo ; porque sacrificam os seus próprios filhos ao demónio, por sua criminosa negligência. E quem rasgará a venda que lhes cobre os olhos ?
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Confessêmo-lo: nada há mais triste, do que essa indiferença de algumas mulheres; nada no exercício do seu santo ministério, faz contristar mais o sacerdote: vê um jovem ou uma donzela a perderem-se, por contraírem ligações funestas; dirige-Ihes paternais censuras; mas esses jovens levianos e inconstantes não seguem os conselhos do seu past o r ; evitam até encontrarem-se com o homem de Deus, cujas palavras os condenam. Que fará, pois, o sacerdote para os retirar do precipício? Dirigir-se à mãe, recordar-lhe os seus deveres, falar-lhe dos perigos que correm os filhos? Mas é em vão. Não sei

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que demónio a cega; nada pode ver, e talvez não perdoará ao pastor caridoso que a convida à vigilância. 0 sacerdote está condenado a ver o seu zelo paralizado, por quem tem o imperioso dever de o secundar. ^ 0' mães, com instância vos pedimos, que eviteis aos vossos filhos a ocasião do pecado! Se não tendes a precisa ilustração para conhecerdes os perigos que correm, acreditai ao menos na experiência. Porque as mulheres da vossa condição esquecem os seus deveres, porque talvez vossos pais fossem negligentes a vosso respeito, não vos recusando nenhum divertimento perigoso, será isso uma razão para permitirdes tudo a vossos filhos ? 0 mau procedimento das outras mães não será razão de desculpa, no tribunal de Deus. As principais ocasiões de pecado, que perdem a mocidade, são as más companhias, as ligações com pessoas de sexo diferente, os divertimentos profanos, as tabernas e cafés, os espectáculos e as más leituras. Sobre cada uma delas diremos duas palavras.

fls más companhias

Nada é mais tristemento eficaz, que a freqüência das más companhias, para fazer perder â mocidade todos os frutos duma santa educação. Não se imagina o poder fatal que exercem sobre uma criança as más palavras dum companheiro ímpio ou perverso ! Diz-nos o Espírito Santo que a língua dos maus é aguçada como a da serpente, e que o veneno da áspide está sob os lábios, para dar a

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morte a quem escuta as más palavras. ES. Paulo: «Acautelai-vos da seducção; as más palavras dão um golpe mortal à inocência.» Os exemplos dos amigos perversos, ainda são mais mortíferos que as palavras; são como um dardo ervado, que penetra até ao coração da quem se expõe a ele. 0 amigo dos insensatos torna-se seu semelhante. E temos tanta propensão, sobretudo na infância, para imitar o mal, que, segundo diz S. Jerónimo, o orgulho, a cólera e todos os outros vícios dum homem mau, se reproduzem na alma daqueles que com êle lidam. Mais uma razão para a mãe afastar os filhos das companhias perigosas, se os quer conservar na inocência e na f é . . . Se uma criança fosse atacada de moléstia contagiosa, ainda que fosse dum parente mui chegado, não deixaríeis os vossos filhos aproximarem-se dela ; mas quando espalha em torno de si, por meio de palavras, o contágio do vício, e leva a morte às almas, longe de a expulsardes como a um leproso de vossa casa, ainda permitis que vosso filho ou filha vá receber o veneno que ela derrama em torno de s i ! Não digais que a virtude de vossos filhes é bastante firme, para resistir à seducção: responder-vos-há S. Gregório Nazianzeno : <E' mais fácil que um bom se faça mau, com os maus, do que lhe transmita a virtude. Uma doença contrai-se mais facilmente, do que se cura.» Mas as crianças são expostas a encontrar freqüentemente más companhias ? Podíamos responder a esta pergunta, mas preferimos citar uma passagem de Mgr. Dupanloup, cuja autoridade não ê suspeita nesta matéria: «Nos desgraçados tempos em que vivemos, é preciso que todas as mães saibam : todo o companheiro pode ser um perigo para o seu filho, e por isso é bom centuplicar a sua vigilância.

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«A grande maioria das crianças, têem, nas cidades principalmente, perdido por diversos graus, a a sua inocência; não há um só que não tenha bebido mais ou menos veneno! Não há um só, que não saiba, senão todo o mal, pelo menos uma pequena parte! Não há um só, em quem o filho de Adão não tenha posto instintos e gostos, estremamente temíveis à pureza dos costumes! Não há um só que, não sendo rigorosamente vigiado, não seja capaz destas liberdades, destas familiaridades inconvenientes, que podem tam prontamente conduzir ao mal! Crianças que livremente se freqüentam, são um perigo umas para as outras. «Devo dizer tudo, porque escrevo para instruir a todos : vigiai com toda a atenção, não só os companheiros dos vossos filhos, mas também os primos e primas, com quem as familiaridades, por serem mais fáceis, são muitas vezes mais perigosas. Vigiai mesmo os irmãos e as irmãs. Sim ; quando há muitas crianças na família, que se vestem e despem no mesmo quarto, uns diante dos outros, e que muitas vezes se podem encontrar juntas, são uns para os outros um perigo, que reclama toda a vigilância dos pais. «Mas para que estou eu dizendo estas coisas? Por acaso me acreditarão os pais ? Todavia cumpro um dever de consciência, avisando-os. E muitas vezes debaixo do seu tecto, e quasi sob os seus próprios olhos, (que uma falsa segurança lhes conserva fechados), que o mal se apodera de seus próprios filhos. E como poderão eles impedí-lo, se nem mesmo o suspeitam ! «Tudo isto é tristíssimo, mas é a pura verdade. Apesar da presumida inocência da sua idade, deve-se sempre desconfiar das crianças, e vigiá-las sempre.» Mgr. Dupanloup cita depois uma carta que lhe foi dirigida por um preceptor ilustrado. Eis um ex5

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trato, digno de atenção : «Recordai-vos do que dizia o conde de * * * : Éramos bastantes rapazes, todos de boas famílias, tendo cada um o nosso preceptor, e muitas vezes nos reuníamos. Todos nos julgavam uns santinhos, e tadavia havia entre nós verdadeiros professores de imoralidades. .. Procuro recoliier as minhas recordações, e não tenho ideia dum único de entre nós que não tivesse primos de péssima reputação . . . > No entretanto é preciso que uma criança tenha companheiros da sua idade; e, podendo obter um que seja piedoso, se uma mãe o puder deparar a seu filho, ajudá-lo-há a praticar a virtude, ao mesmo tempo que lhe fornecerá meio de se distrair inocentemente. E útil aos jovens, diz Santo Ambrósio, viver com companheiros virtuosos, porque sábio será quem com os sábios acompanhar.— <Deve-se fazer esforços, diz Mgr. Dupanloup, por encontrar para um rapaz, uma sociedade escolhida, onde haja espíritos sensatos, que lhe agradem, que o divirtam, e que o acostumem a divertir-se sem procurar, e sem lamentar maiores prazeres. Seria útil inscrevê-lo nas Conferências de S. Vicente de Paulo. Nada há melhor. Há nesta admirável associação imensas vantagens, e uma graça providencial para a mocidade.» Onde não existirem estas Conferências, pode-se então alistá-lo em outras congregações ou sociedades que têem por fim principal a santificação de quem delas faz parte.
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Nada seria pior, do que obstinar-se a impor a uma criança companhias austeras desproporcionadas à sua idade e aos seus gostos. Eis o que dizia Fénelon: «E preciso escolher os verdadeiros amigos, com toda a precaução, limitando o seu número. Nada de amigos íntimos que não temam a Deus, e não sejam
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governados pelas puras máximas da religião. Doutra forma, eles vos perderão, por maior que seja a bondade dos seus corações. Escolhei, quanto possível, amigos da vossa idade, ou pouco mais velhos que vós.» Há quem pareça reunir todas as qualidades desejáveis, e seja apenas um lobo, coberto com a pele do cordeiro. Importa, pois, que urna mãe seja bem vigilante. Deve constantemente recomendar ao filho que lhe dê conta da primeira palavra culpada que ouvir pronunciar às pessoas, com quem tem relações; e logo ao primeiro alarme, deve romper os laços duma amizade, que ameaçaria tornar-se perigosa.
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Ainda as más companhias

Fénelon, dando conselhos às mulheres cristãs, acerca do modo de educar as filhas, dis-lhe, seguindo S. João Crisóstomo: «Tende cuidado que cias não freqüentem essas meninas imodestas no vestir, levianas nas acções, e muito livres nas palavras. Nada de ter em casa criadas sem vergonha... com medo de que uma pequena faísca não vá causar um grande incêndio. Afastai-as também da companhia dessas mulheres que o mundo chama espirituosas, que escarnecem das que são devotas, que apontam ao dedo e ridicularizam as que fazem profissão de piedade, reciando que vossa filha, ouvindo escarnecer da devoção, lhe perca também o amor.» —Basta o contacto duma só dessas mulheres para fazer transviar muitas outras. E infelizmente não acontece isto somente nas cidades, mas até mesmo nas aldeias. Aí as raparigas e as mulheres reünem-se para o tra-

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balho, em grupos numerosos. Entre elas não falta quem fale com facilidade acerca do tudo, não se coibindo nem de palavras, nem de acções, sendo, por isso, uma causa de p e r d i ç ã o . . . «As meninas podem conversar com outras que sejam bem educadas, e tanham juizo, continua Fénelon. Podem também acompanhar mulheres que tenham piedade sólida e conversação agradável, cujas casas sejam, como S. Jerónimo dizia de Santa Paula, academias celebres de virtudes.» Acaba Fénelon de citar S. Jerónimo. Ora eis o que escrevia a L&ta este santo e sábio doutor: «Convém que sua filha conceda a sua amizade, não à mais bela, nem à que mais se adornar, nem à mais amável, nem h que melhor cantar árias profanas, mas sim à que for grave nos seus costumes, perfeita no comportamento, e modesta no trajar. Conliai-a a uma donzela mais velha que ela que a ensine, por seus exemplos, a orar, a meditar, a recitar salmos, e a segurar-se em qualquer ocasião. Que nada tenha com as pessoas do grande mundo, sem exceptuar as meninas da sua idade, que não foram educadas nos mesmos princípios. Que não tenha particular afeição por alguma criada, e que qualquer destas não diga segredinhos ao seu ouvido ; porque é necessário que todos falem em voz alta.» Para nos convencermos da sabedoria das recomendações de S. Jerónimo, basta ler o que escreveu Santa Teresa acerca dos perigos que ela correu, durante os seus primeiros anos.— «Assusto-me, diz ela, quando vejo o mal, que durante a mocidade, pode causar uma má companhia. Se não tivesse passado por mim, não o acreditava. Tinha uma irmã mais velha que eu, duma virtude e bondade perfeitas, e todavia não a imitei, enquanto que aceitei na minha alma as más qualidades duma

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parenta que muitas vezes nos visitava. Minha mãe, vendo a sua leviandade, e adivinhando o mal que me devia fazer, fez quanto pôde para lhe fechar a entrada da casa; mas todos os seus cuidados foram inúteis, porque sempre encontrou pretextos para vir. Começava eu, pois, a gostar da sociedade, para onde ela me arrastava; e ela sempre variava as diversões, para que me não aborrecesse. Contava-me todas as suas conversas, todas as suas vaidades. Pouco mais tinha de catorze anos, quando entre nós se estabeleceram estas confidências í n t i m a s . . . Efectivamente a convivência com esta leviana produziu em mim a mais triste mudança. Na minha alma, na minha natureza havia uma tendência para a virtude, mas já ninguém descobria vestígios dela, porque essa amiga e uma outra companheira não menos leviana, imprimiram no meu coração a frivolidade dos seus sentimentos... e vi fugir o temor filial do Deus, faltando-me apenas ver fugir também a honra.» (Veja-se a sua vida, escrita por ela própria). Na sua obra acerca da educação, insiste o snr. bispo de Orleans, sobre o que S. Jerónimo e Fénelon apenas indicaram. «Um ponto que pede também dos pais a mais atenta vigilância, diz êle, são os criados, as governantas, as criadas de quarto, os cocheiros, os trintanários, e direi mesmo, até as próprias amas. Mães de família vigiai, vigiai sobre os vossos filhos, dentro da própria casa, ao vosso lado, perto de vós, porque aí mesmo o mal os pode devorar. Perto de vós, na vossa própria casa, há perigos também a reciar.» Como para dar mais peso ainda a este grave conselho, a esta importante exortação, o illustre prelado cita o seguinte trecho duma carta, escrita por cavalheiro de toda a ponderação: «Só vos tenho

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falado do criado que faz mal, que lisongeia e por conseguinte deprava o carácter da criança ; ainda vos não falei dos que o corrompem, posto que haja mais do que rialmente se julga. Mas os melhores que conheci, o eram rialmente bons criados, a todos os outros respeitos, não deixavam de contar diante das crianças, todas as histórias escandalosas da vizinhança». Depois destas revelações, compreende-se a razão porque a ma e de S, Francisco de Sales não permitia que seu filho tivesse a mais pequena relação com os criados ; e ninguém dirá que são exageradas as seguintes linhas escritas por uma mulher cristã para a instrução das m ã e s : — «Os íilhos reclamam cuidados maternos muito delicados, que não podem ser prestados por uma criada. Por muito descançada que estejais acerca da pessoa a quem confiastes o filho, nunca o deixeis fazer, só, a sua primeira foiIfitie] nem permitais que toque nela, sem mostrar respeito. Não consintais que o trate por tu, que o abrace, que tenha grandes familiaridades com ele. Exigi que o estime, com respeito, e quando vós puderdes tratar de o vestir ou despir, nunca consintais que ninguém vá assistir, e preparai as coisas de modo que a criada nunca saia só com os meninos Lendo estas linhas, quem se não recordará daquele verso dum poeta pagão: «A infância merece um soberano respeito

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Mês de Maria das mães cristãs, pelo Padre HugueL

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VI Das ligações perigosas As pessoas de sexo diferente, ach^ndo-se familiarmente juntas, são umas para as outras uma temível ocasião de queda. Toda a mãe inteligente o sabe, e tem cuidado de fazer evitar aos filhos ôsse escolho, que é o maior de tantas desgraças e de tantos crimes, Mas as mulheres cristãs não suspeitam, talvez, que uma criança possa, desde os primeiros anos, encontrar perigos nestas espécies de ligações. Santa Teresa vai desvendá-las. — «Eu tinha primos co-irmãos. que eram admitidos em casa de meus pais ; minha mãe como era prudente, nunca permitiu a entrada a outros, e nem estes próprios deveriam ter entrado! Descubro-o agora, Numa idade em que as ~ virtudes ainda tenras tantos cuidados exigem, que perigo não oferece o comércio das pessoas, que, longe de conhecerem a vaidade do mundo, a apresentam sob as mais risonhas cores? Minha alma começou desde então a acostumar-se, ao que depois foi a causa de todo o seu mal. Se pudesse dar um conselho a todos os pais e mães, dir-lhes-ia que considerassem de perto todas as pessoas, com quem seus filhos criam ligações, porqae havendo maior tendência para o mal, do que para o bem, podem encontrar nestas ligações grandes perigos para a virtude, Eu própria fiz essa experiência.* Já citamos um trecho duma carta de S. Jerónimo a Gaudêncio na qual o santo doutor lhe recomenda que não deixe brincar a pequena Pacátula, que apenas tinha sete anos. com crianças de outro sexo, e que nem mesmo lhe permitisse presenciar os seus

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divertimentos. Fénelon dá o mesmo conselho às mulheres cristãs, no seu livro da Educação das meninas. E evidente que, à medida que as crianças crescem, tornam-se mais necessárias estas precauções, e deve aumentar a vigilância. Como é que as mães o não compreendem? Quantas mulheres se têem arrependido, por não o terem feito ? Não se vêem por toda a parte, principalmente nos campos, correrem de uma parte para a outra, crianças ociosas, procurando ocasião de brincar com raparigas, que mães imprudentes abandonam à sua própria fraquezaI Estas mães insensatas nada vigiam. «Minha filha é um anjo», dizem elas, para justificar a sua criminosa e inexplicável negligência ; como se grande número de anjos não tivessem caído do Céu, nas profundezas dos abismos; como se houvesse uma virtude bastante forte para arrostar impunemente tais perigos, e para ficar firme no meio de conversações freqüentes e familiares, que se devem chamar, como lhes chama um santo doutor, o princípio da agonia da castidade ! . . . Estes jovens, dizem também, juntam-se porque andam tratando do casamento. Se eles se juntam e reünem na presença dos pais pouco tempo antes de se casarem, ninguém pode condenar isso, contanto que os pais tenham cuidado de não deixar serem muito extensas as conferências, nem muito freqüentes, porque essas visitas, mesmo nas melhores condições, não são isentas de perigo. Para que ó mister conservar relações assidúas, durante muitos meses, e até mesmo durante anos, antes de efectuar o casamento ? E como é que uma mãe pode permitir «estas entrevistas perigosas para a castidade, onde o demónio forma ordinariamente o terceiro ?> pergunta Fénelon. Pois não será tam contrário às conveniências, como às regras da prudência cristã, deixar uma
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jovem conversar a sós cora um mancebo, que pede a sua mão? Será jogando a sua alma, que essas criaturas podem preparar-se para o grande sacramento, que brevemente receberão, e para os terríveis encargos que lhes serão impostos ? Expôr-se a um perigo próximo de queda, não é para eles o meio de atrair a maldição divina ? E' para nós uma convicção profunda : se há tantas pessoas, para quem o estado de casamento é como um inferno antecipado, é porque antes dele se viveu no vício. Quem nos dará expressões bastante fortes para pulverizar, como merecem, as reuniões de pessoas de diferente sexo, usadas em certas partes, tanto entre famílias, como em estabelecimentos públicos, em dansas e em festas? E admite-se isto, no seio do cristianismo! E' preciso dizê-lo com o coração confrangido, as dansas mais perigosas, as que mais ofendem o pudor, penetraram até ao seio das nossas aldeias. A mocidade ama estas bacanais, e as crianças, sendo espectadores concebem desde logo o desejo e a esperança de um dia aí serem admitidas. Recusa-se a nossa pena a descrever as conseqüências destas festas mundanas, para que se escolhe de ordinário um dia de solenidade religiosa. Que profanação ! íamos a dizer, que sacrilégio ! E quantas mulheres aí levam os filhos, ou permitem que eles vão ! «Tem-se até imaginado, diz Mgr. Dupanloup, os bailes para c r i a n ç a s . . . Seriamente, quando nos decidiremos a respeitar as almas imortais, e a renunciar a todas as indignidades, pelas quais as profanamos?» 0 espírito do mundo insinúa-se até nas famílias cristãs, e aí também os divertimento mundanos fazem estranhos prejuízos nas almas da mocidade. Entretanto os santos Padres, e os homens de Deus têem sempre condenado as festas uiunda-

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nas. Nunca compreenderam que as dansas, rebentões envenenados que se desenvolvem nas veredas espinhosas do século, viessem implantar-se nas famílias, onde só deveria germinar e desenvolver-se a semente na palavra evangélica. Depois de ter contado a morte trágica de S. João Baptista, cuja cabeça foi oferecida como recompensa a uma dansarina, à filha da infame Herodíados, Santo Ambrósio acrescenta : «Mulheres cristãs, vede o que deveis ensinar a vossas filhas, e o que deveis deixar-lhes para sempre ignorar. Uma jovem dansa, mas tem por mãe uma adúltera. A mulher que tem na devida conta o pudor e a castidade, ensina a suas filhas a virtude, e não a dansa. > Mas a má educação é um cancro social que rói a sociedade. E por sua causa qua a mocidade se sente vaidosa, e perde o amor à oração e às coisas de Deus. E' por sua causa que nascem no seu coração afeições que a perde, e causam depois o tormento de toda a vida, assim como a desolação e a vergonha de seus pais. Quantas meninas sobretudo, até aí modestas e virtuosas, procurando na fé todas as consolações da mocidade, encontraram nos divertimentos de que falamos, o escolho da sua virtude e piedade, para confusão das mães que imprudentemente aí as levaram, e até talvez as arrastassem por violência! Pobres crianças! depois de terdes sido abrigadas durante dezasseis ou dezassete anos, como uma terna e delicada llôr, contra todo o perigo exterior, devíeis ser na idade das ilusões expostas ao vento ardente do século! E é uma mãe, que deveria ser tão zelosa em conservar a alvura da vossa inocência, é ela, que, esquecendo o que deve a Deus e às vossas almas, vos transplanta do lugar solitário e retirado onde ostentáveis o vosso brilho, para a terra ingrata
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e árida do mundo, que devora os seus habitantes!... Oxalá fossem vãos os temores que concebemos pela vossa virtude, quando vos entregais aos divertimentos do século ! Mas infelizmente são bem justificados, não só pela experiência cotidiana, mas até pelas confissões dos mundanos sinceros. Eis o que escrevia um cortesão célebre a Mgr. de la Roquette, bispo do Autun : <Li a sua opinião acerca dos bailes; e visto que deseja saber o que penso a esse respeito, dir-lhe-ei que nunca duvidei de que fossem perigosos. Não é só a razão que mo faz crer, é também a experiência. Posto que o testemunho dos Padres da igreja seja bem forte, tenho a ponderar, que acerca desse capítulo deve merecer confiança e valer alguma coiea o dum cortesão sincero. Sei que há pessoas que correm menos risco nestes lugares, do que outras; no entretanto os temperamentos mais frios aquecem, e os que são assás gelados, e não podem receber sensações fortes, não vão lá. Por isso não é preciso defender essas pessoas ; elas próprias se defendem. Ora, quem aí sente prazer, corre grande risco de ofender a Deus. Ordinariamente são jovens de ambos os sexos, que compõem essas assembleias; e por isso, tendo j á de si grande dificuldade em resistir ás tentações na solidão, muito mais depressa nestes lugares, onde os belos objectos, as luzes, a música e a agitação da dança dariam vigor a anacoretas. As pessoas de idade que pudessem encontrar-se no baile, não as interessando a diversão, seriam ridículas em assistir, e por isso os jovens, não tendo quem os reprima, podem expor-se a mui grandes perigos (*).

Q) Colecção de cartas de Bassy-Rabutin, citada pelo conde de Valmont.

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Mas é o bastante para convencermos as nossas leitoras a desviar os filhos das vãs e perigosas festas do século, criando-lhes na família jogos inocentes, que lhes ensinem a não lamentarem mais ardentes e perigosas alegrias. As pessoas virtuosas — é preciso que se saiba — são estimadas do próprio mundo, que despresam. S. Jerónimo, escrevia a L u 3 t a : «Vossa filha não deve assistir às bodas nem da própria família, nem fazer parte dos divertimentos que costumam efectuar-se nestas especialíssimas festas.» A Senhora Acarie tinha os filhos sequestrados das assembleias do mundo, e principalmente das que se fazem por ocasião de núpcias. Com muita arte sabia velar as precauções que tomava a este respeito. Previa de longe as ocasiões (de convites), que podiam apresentar-se, e iludias-as pretextando uma viagem, ou qualquer outro negócio. Se não tinha, porém, podido prever esse facto, dizia abertamente às pessoas que a convidavam, mesmo a seus próximos parentes, os perigos que temia, e a resolução que tinha tomado. Felizes os filhos guardados pela vigilância duma semelhante m ã e ! VII
Dos espectáculos

Homens da maior autoridade, como Bossuet, Fénelon, Racine, Gresset, têem-se pronunciado contra os espectáculos, advertindo-nos do perigo, que eles oferecem à inocência. 0 próprio Jean-Jacques Rousseau reprova-os numa carta a de Alembert, Fénelon queria que se evitassem absolutamente os espectáculos públicos e todos os outros divertimentos apaixo-

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nacios, que não são próprios senão para dár às crianças o gosto das coisas perigosas, o não podem deixar de lhes fazer parecer insípidos todos os prazeres inocentes. «Todos os grandes divertimentos, diz M. la Rochefoucauld, são perigosos para a vida c r i s t ã ; mas entre todos os que o inundo inventou; nada há pior do que a comédia. E uma pintura tam natural e tão delicada das paixões, quo as anima, formando-as no nosso coração.> Que diriam esse homens, se, no seu tempo, o vício tivesse erguido, como hoje, tam audaciosamente a cabeça no teatro? «A scêna, primitivamente instituída para divertimento e perfeição moral das massas, não os diverte muitas vezes, senão para melhor os corromper pelos ignóbeis quadros que se compraz em reproduzir. Houve um tempo em que o teatro podia, pelo menos, servir para formar o gosto : hoje a maior parte das peças apenas servem, para fazer perder o gosto, e os costumes.»
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0 autor da Medicina das paixões, a cuja obra fomos extrair as anteriores palavras, acrescenta que as emoções violentas, que as mulheres e crianças vão buscas ao teatro, contribuem mais do que se pensa, para enfraquecer as constituições. E quanto basta saber, para que uma mãe evite os espectáculos, afastando deles os seus filhos. O café nas cidades, e a taberna nas aldeias, não são menos perigosos para a mocidade do que os teatros. E inútil fazer notar que uma menina nunca deve aparecer nestes lugares, não indo acompanhada de seus pais; e o mancebo, que o freqüenta, encontra mil escolhos. E aí que se reúne tudo quanto uma terra tem de ímpio ou de libertino. As conversas que aí se ouvem, ou são sátiras à religião, ou à virtude. Os jornais aí expostos, são quasi sempre cheios de gracejos contra os augustos mistérios da fé, e de calúnias contra os sacerdotes. Que pode, pois,
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daí retirar-se, senão vício e impiedade? Um autor que escreveu especialmente para os habitantes do campo, diz, com razão : — «A taberna é a lepra das nossas aldeias; é o flagelo de todas as virtudes morais e religiosas. Que triste espectáculo não oferecém efectivamente o domingo, os dias de festa, e mesmo algumas veze3, os próprios dias da semana!» Seria, pois, bem culpada a mãe que não proibisse esses lugares a seus filhos, não usando de toda a sua autoridade, para os desviar, influindo até para que o marido a auxiliasse, caso ela não o pudesse fazer de per si.

VIII
Das más leituras

Os maus livros são uma das mais poderosas armas de que se serve o demónio, para perder a mocidade. Ura diluvio de produções imorais ou ímpias inunda todos os dias as cidades, chegando até a invadir as aldeias. Sob o nome de romance, de folhetim, de canção, de jornal, se ocultam os mais perigosos laços, para colher a fé e a virtude. Uma mãe cristã não deve pois receber um só jornal, um único folheto, nenhuma publicação que ataque a religião ou os bons costumes, não colocando na biblioteca nenhum livro, nenhum escrito, que seus filhos não possam percorrer, sem perigo. Se desprezar esta medida de prudência cristã, no momento em que menos o pensar, um filho ou um criado descobrirá esta obra, que ela julgava enterrada para sempre, e receberá o veneno espalhado por horríveis páginas, graças a pena ímpia que o

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escreveu. A piedosa princeza Maria Leczinska, esposa do Luí3 XV, nunca cedeu à curiosidade de ouvir um livro, que ela soubesse ferir ou a religião ou o pudor. Um dia estando com algumas das suas damas de honor, recaiu a conversação sobre uma obra cheia de erros, que recentemente havia publicado um homem muito conhecido na corte. Estas senhoras falando muito Empertigadamente das matérias contidas no livro, fizeram com que a rainha se admirasse de as ver tão ilucidadas a esse respeito. Confessaram elas então que quizeram ver, por seus próprios olhos, o que continha a obra. «Pois eu, replicou a rainha, nunca me atreverei a ler uma obra de similhante género.» Nurna outra ocasião, estando a rainha em casa da duqueza de Luynes, viu sobre a chaminé um mau livro, atribuído a uma escritora de nome. Pegou nele e atirou-o ao fogo, dizendo: «A duqueza pensa decerto como eu, eis o caso que devemos fazer de semelhantes produções.» 0 melhor partido que se pode tirar dum mau livro é efectivamente lançá-lo às chamas, e é um grande acto de caridade que se faz a uma amiga imprudente, subtrair-lhe um tal escrito,- para o aniquilar, se se puder fazer, sem inconveniente grave. Devemos dize-lo, sem rodeios. Os livros que atacam abertamente a fé ou os costumes, não são os únicos que se devem temer e proibir às crianças. Fénelon disso com r a z ã o : «Tudo o que pode fazer sentir o amor, quanto mais adocicado e encoberto for, mais perigoso é.» As obras, que se chamam bons romances só podem falsear o espírito, enchendo-o de preconceitos mundanos, e perverter o coração, desenvolvendo-lhe a sensibilidade e as tendências más da natureza. Escutemos, sobre este assunto o testemunho de Santa Teresa: «Eu tinha, diz ela,

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uma mãe dum raro merecimento. No entretanto mal cheguei à idade de razão, tratei pouco de lhe imitar as virtudes, enquanto que uma imperfeição, que ela aliava a tam excelenies qualidades, se me tornou mui prejudicial. Gostava de ler os livros de cavalaria. Para ela não passava duma distracção, e para mim já assim não sucedeu. Permitindo estas leituras, só via nelas um meio de ilustrar o espírito. Todavia meu pai via isso com desprazer, e era preciso escondermo-nos dele. Contraí a pouco e pouco o hábito destas leituras. Essa pequena falta, se falta era, que vi cometer a minha mãe, esfriou insensivelmente os meus bons desejos, e fez com que eu faltasse aos meus deveres. Não me parecia mal passar algumas horas do dia e da noite nesta ocupação tão oca, mesmo tendo de me esconder de meu pai. Mal terminava um livro, logo procurava obter outro. Começava a tomar gosto ao adorno, e ao desejo de parecer bem. Ocupava-me da alvura das mãos, e do pentiado do cabelo. Não poupava perfumes, nem nada das frívolas indústrias da vaidade. Não tinha más intenções; nem por coisa alguma do mundo, teria querido formar o menor pensamento de ofender a Deus. Durante muitos anos, conservei, entre outras coisas, este gosto de excessiva limpeza, onde eu não descobria a sombra de pecado; agora vejo o mal que isso devia fazer. > Se leituras frívolas, posto que inocentes, inspiraram a essa grande alma o gosto da vaidade, que frutos amargos não deve produzir a leitura dos romances, no coração de uma alma fraca e inconstante ? Na mocidade, bem o sabemos, são necessárias distracções agradáveis; mas distrair-se, passando horas e dias a ler escritos que fomentam as paixões, é brincar com uma serpente, é acarinhar uma víbora. E afinal, quantas obras há, cuja leitura repousa o

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espírito, sem o transviar? Que interesse se pode encontrar em mentiras que matam as almas? «Só, diz um autor judicioso, espíritos falsos, leves e superficiais podem afeiçoar-se a semelhantes obras, que não passam de fantasias ocas de um escritor sem peso, e sem autoridade, preferindo-as a histórias belas e sólidas. Só a verdade é o alimento natural do espírito, e é preciso que um indivíduo esteja bem doente, para lhe preferir fábulas e ficções.» (Rolin, Tratado dos estudos). Não podemos ver, sem dor profunda, que alguns jovens, mesmo tendo recebido brilhante educação, passem o tempo nestas vãs leituras, podendo empregá-lo vantajosamente em estudos sérios, ou em empregos úteis para a sociedade. E não podemos deixar de exclamar, com um santo Padre: — Não será uma coisa indigna, que as mais nobres inteligências se desonrem por estudos frívolos, e que os que devem ocupar os cargos mais difíceis e mais importantes, não tenham outras ocupações, senão as que lisongeiam a sua vaidade, e a sua sensualidade?» Estas obras, dirão talvez, encantam pela elegância do estilo, e servem para formar o gosto literário. E serão por isso menos para reciar ? Escondida sob as flores, tem a áspide menos veneno ? A espada, cuja lâmina é polida, faz menos profundos os ferimentos ? Para aprender a bem escrever ou a bem falar, será preciso aprender a viver mal ? Mas os maus livros ensinarão menos a falar bem, do que a proceder mal. Portanto, mais uma vez, por amor da vossa alma, nunca mais toqueis em semelhantes livros; deitai às chamas os que caírem nas vossas mãos. Uma boa mãe de família nunca tem semelhantes livros, sem ter pedido e obtido a permissão do seu director espiritual; o seu exemplo também

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ensina os filhos a nunca abrirem um livro suspeito. Procura também inspirar-lhos cedo o desprezo de tudo o que é ficção e o gosto pelas coisas sérias. Procura-lhes obras ao mesmo tempo instrutivas e interessantes, que, captivando a sua imaginação, lhes formem o espírito e o, coração. Histórias de povos, vidas de homens ilustres, escolhidos exemplos de virtude, os anais da propagação da fé, diversas publicações religosas, e sobretudo as vidas doa santos mais notáveis, tais são os escritos que uma mãe cristã põe nas mãos de seus filhos. Todavia antes de permitir a sua leitura, devo lê-los primeiro, não se fiando no testemunho de pessoas dum gosto pouco escrupuloso. Não há mesmo certas páginas das vidas dos santos, que uma menina não deve ler ?... Notemos, ao terminar este capítulo, quanto convóm não consentir que os olhos dos meninos se detenham na contemplação de quadros ou de gravuras, que possam dar-lhes a ideia do mal.

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S u a necessidade

A mais atenta solicitude, e a vigilância mais exacta nada produziriam, sem a correcção. — Se é um dever de caridade para todo o cristão repreender com doçura o irmão que vê cair era pecado, para os pais é um dever corrigir os seus filhos. Pais, diz o Senhor, pela boca de S* Paulo, educai os vossos filhos no temor de Deus, e corrigi-os. E noutra parte: Ouardai-vos, diz o Espírito Santo, de dekcdr escapar o filho à correcção ; se empregardes, para com ele a vara, não morrerá. Casligai-o, pois, e livrareis da morte a saa alma. A loucura e o vício são inerentes à alma da criança, e $õ a vara ê que cs pode expulsar (*). As crianças nascem com inclinações perversas. Ao mesmo tempo que os membros se lhes vão fortificando, desenvolvem-se as tendências da alma corrupta, e ameaçam invadir, como uma erva malfazeja, o campo da sua alma, sufocando todos os germens de bem. Já o dissemos, e agora repetimos : deixar crescer estes rebentões amargos, e não os arrancar à medida que eles se mostram, seria fazer a desgraça das crianças ; porque nada é para

( ) Provérbios, 22.
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o homem, neste vale de lágrimas, a origem de tantos sofrimentos e de Iam cruéis dores, como os vícios de que ele é escravo, e as paixões de que uma educação cristã lhe não ensinou a triunfar. Igualmente diz o Espírito Santo que quem poupa ao filho os castigos^ não lhe tem amor, mas sim ódio. A criança que nunca foi repreendida, faz a con* fusão de sua mãe, e o qite quer passar os últimos anos na paz, e não ler na velhice de mendigar um bocado de pão não cessa de repreender e corrigir os filhos,» Os Pais fracos e inconsiderados, que brincam com os caprichos de seus filhos e filhas, e só os deixam divertir, durante a sua infância, nunca preveram quanto terão que sofrer um dia da ingratidão, da perversidade e dos arrebatamentos 'destes desgraçados filhos. (Mgr. Dupanloup). Deveis, pois, a Deus, a vossos filhos, e a vós próprias, mães cristãs, repreender e corrigir os que o Senhor confiou aos vossos cuidados. Ai deles, e ai de vós, se arrastadas por uma falsa ternura, desprezais este importante dever! Mas se o cumprirdes com toda a energia da vossa alma, segundo as regras que trataremos de vos traçar, não duvidamos de que o Senhor abençoará os vossos esforços; e ainda mesmo que eles trouxessem, ao nascer, os germens mais destruidores, os vossos filhos serão homens, e serão cristãos. Mas nada de demoras, nem de contemplações. «Semelhantes, diz Fénelon, às arvores, cujo tronco nodoso é endurecido pelo número de anos e não podem já endireitarem-se, os homens, numa certa idade, não podem já dobrar-se sobre sí próprios, contra certos hábitos, que envelheceram com eles, e que lhes penetraram até à medula dos ossos. Muitas vezes conhecem-nos, mas é muito tarde; gemem, em v ã o ; só a mocidade é capaz de se erguer e corrigir*» — «Curvai, pois, a fronte de
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vosso filho, desde a mocidade, vos diremos, fazendo nossas as palavras do Espírito Santo, e castigai-o desde a infância, para evitardes que ele endureça no mal, e depois já seja tarde para o reprimirdes.> Se o seguirdes com um olhar atento e inteligente, vosso filho parecer-vos-há. desde o berço, inclinado à sensualidade e ao orgulho ; pedirá com insistência o que lhe pode ser prejudicial; vê-lo-eis encolerizar-se contra as pessoas que o rodeiam ; baterá mesmo nas que lhe não satisfizerem os caprichos. «Eu próprio v i , diz Santo Agostinho, uma criança ainda de peito, empalidecer com a inveja que lhe causava uma outra criança, a quem a sua ama oferecia o seio, e deitava-lhe olhares cheios de rancor e ódio. > A maior parte das mulheres fecha os olhos, sobre estas primeiras amostras das paixões; mas uma mãe segundo a vontade de Deus esmagará o inimigo, enquanto é pequeno, como o recomenda S. J e r ó n i m o ; mais tarde seria mais difícil, senão impossível inutilízá-Io. Ela penetrará até à raiz do mal, para a arrancar; sem essa precaução, seria, em vão que cortasse os rebentões, porque viriam outros substituí-los* «Não se ocupar senão das faltas, diz Mgr. Dupanloup, sem se ocupar dos defeitos que são a sua origem,é ser um pai e uma mãe bem vulgares... é uma educação sem alcance, sem penetração e sem vigor.» E\ preciso declarar guerra ao orgulho e à sensualidade, e sufocá-los no coração da criança ainda no berço, se não quizermos ver a sua mocidade e a sua vida inteira envenenadas por estes dois vícios. Recordem-se do que atrás deixamos dito.

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II Da firmeza na correcção
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Para os pais que receiam mostrar o seu amor. diz Mgr- Dupanloup, a firmeza é necessária, primeiro que t u d o . . . E' por falta de firmeza, que algumas crianças, de quem se teria podido fazer alguém, se tornam seres deploráveis; é para mim profunda convicção. Não basta dizer que é mister que uma mãe se arme de força e de energia-, para repreender e castigar, apesar da repugnância natural que sente por amar seu filho. Mas, pensando bem, essa firmeza longe de contender com a ternura materna é pelo contrário inspirada por um amor cristão. As próprias crianças o reconhecem, quando a idade lhes dá a devida compreensão. Mais tarde, pois, aplaudem as repreensões que receberam, e os castigos que lhes inflingiram, enquanto que, no caso contrário, deploram a indulgência cruel dos que deixaram crescer as perversas inclinações da sua infância. «Meu Deus, exclama Santo Agostinho, no livro das suas Confissões, quanto eu era digno de lastima nos dias da minha cega mocidade ! Afastava-me de vós, Senhor, seguindo o declive das minhas paixões, e meu pái, longe de me repreender, ria-se de tudo. Perdia-me, e tinha a crueldade de correr para a minha perda, sem parar ; todos os vícios cresciam no meu coração, como as más ervas, numa terra inculta, e não havia mão caridosa para as arrancar !> As infelizes vítimas do vício, nem. todas têem a suficiente fé, para deplorarem durante a vida, a fraqueza dos pais a seu respeito: mas quantos filhos

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acusarão perante Deus, no dia temível das suas vinganças, a muita indulgência que os tiver perdido ! 0 sumo sacerdote Heli repreendia, é verdade, os seus filhos, mas com demasiada brandura. Pái infeliz, por sua grande fraqueza, atraiu a cólera divina sobre os filhos, que morreram ambos num combate, e ele próprio, sabendo da morte de seus filhos, e o desastre do povo de Deus, caiu da sua cadeira e despedaçou o crâneo. Se o Senhor puniu de tão terrível maneira um velho quâsi centenário, fraco, cego, e além disso fiel observador da lei, porque não tivera bastante firmeza, repreendendo os seus filhos, já homens feitos e casados, que castigo não reserva ele a essas mães, hoje muito numerosas, que fecham os olhos sobre as faltas dos filhos, que tudo desculpam, que tudo perdoam, até os mais horríveis ultrajes feitos ao pudor e à lei de Deus, e não lêem senão carinhos para aqueles, em quem a ilusão não deixa descobrir senão virtudes! «Quasi já não há pais, diz Mgr. Dupanloup, que se apliquem a descobrir os defeitos dos filhos; que queiram conhece-los a sério ; que desejem mesmo que lhos façam conhecer. «E um facto estranho, mas verdadeiro. Parece até que se não pode dizer a verdade acerca dos filhos a certos pais, sem os ofender pessoalmente. Já encontrei alguns que levaram a mal, que eu os tivesse acreditado, quando me diziam mal dos filhos. E verdade, há pais tão fracos, que é preciso enganá-los, ou então não ficam contentes. Vi alguns que, porque se obstinavam a dizer-lhes a verdade acerca do filho, o retiraram, dum excelente colégio, para o colocarem numa casa, onde eles sabiam que se lhes não falaria tão tristemente, e se lhes não diria nunca a verdade .. .>
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A mãe segundo a vontade do Deus, não contente em procurar conhecer os defeitos de seus filhos, arma-se da enérgica resolução de os castigar, depois do descobertos, e para isso não poupa nem advertências, nem repreensões, nem mesmo castigos: vale mais ver correr, por um instante, as lágrimas do filho, do que sor obrigada mais tarde a chorar por sua causa. A' mais ligeira omissão que a criança cometa, a mãe deve avisá-la com doçura, e sendo mais culpada, deve então infligir-lhe uma grave repreensão. Se algumas vezes é indulgente para as faltas leves, nunca deve perdoar as faltas de respeito. E um erro da mãe, depois de ter castigado o filho ir prodigalizar-lhe carinhos, porque isso seria fazer-lhe crer que foi castigado injustamente. Nunca deve deixar passar despercebidas faltas pelas quais já se mostrou justamente severa. Parece efectivamente ser caprichosa na educação sendo umas vezes severa e outras indulgentes "cerca da mesma falta. Nunca deve partilhar a ilusão dessas mulheres que não ousam castigar alguns filhos cuja susceptibilidade não pode suportar repreensões. Quando, mais tarde, tiverem de sofrer as humilhações e as contrariedades de que a vida está cheia, poderão suportar o peso de provações as almas cuja susceptibilidade e amor próprio se deixou crescer? E preciso sem dúvida, com essas crianças, saber esperar o momento favorável, para dar uma correcção, mas nunca deixar de a dar. A mãe cristã nunca se cança de repreender e castigar, tanto quanto as faltas se renovarem. Sem esta firmeza perseverante, não atingirá a correcção o seu fim, que é desraizar os defeitos da criança. «0 rachador, diz S. João Crisóstomo, querendo abater um carvalho corpulento, agarra no machado, e atira5 5

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se às raízes. Se ao primeiro golpe a árvore não cai, dá segundo, dá terceiro, o se forem necessários dá dez ou vinte. Fazei a mesma coisa às crianças. > III Da doçura na correcção A mãe de S. Paulo da Cruz tinha sido obrigada a deixar a pátria cem seu esposo, e vivia num estado vizinho da indigência. Com o encargo duma numerosa família, (não tinha menos de dezasseis filhos), tinha a suportar enfermidades qnasi continuas. Forte na sua fé e na submissão à vontade divina, não deixou nunca escapara uma palavra de impaciência, para com os seus filhos. Algumas vezes sentia-se violentamente comovida, mas vencendo-se a si própria sufocava o fogo da cólera, e não dizia outra coisa, senão : «Meus filhos, que Deus faça de vós todos uns santos !> 0 pequeno Paulo Francisco, que brilhou mais tarde na igreja, pelo esplendor de suas virtudes, e de seus milagres, chorava algumas vezes quando lhe pentiavam os cabelos. Em vez de se irritar contra ele, contava-lhe a mãe a vida dos antigos solitários, e com tanto encanto o fazia, que a criança calava-se, e enxugava as lágrimas. Admirável exemplo e grande lição para os pais, que não podem suportar os defeitos dos filhos, e que não sabem corrigi-los, som cólera ! «Há uma falsa firmeza, diz l>ossuet: é a dureza, a rigidez, a teimosia.» — «Toda a firmeza, á\z Mgr. Dupanloup, que não tem por fundo a bondade, é uma firmeza falsa.» — «Pais, diz S. Paulo, não cas-

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tigueis os filhos com uma severidade mal entendida ; mas corrigi-os a propósito e instrüi-os, segundo a lei do Senhor. > A aste recurvada duma planta nova quebra-se nas mãos de quem a quer endireitar muito bruscamente. «Todas as vezes que se trata com uma semelhante, diz o bispo deOrleans, direi mesmo com um ser qualquer, é preciso primeiro que tudo inspirar-Ihe confiança. Se a não inspirarem ás crianças, não as conhecerão, porque desde que elas desconfiem, retrácm-se.* — «Fazei-vos amar delas, escrevia Fénelon; tendo confiança em vós, deixarão patentear-vos os seus defeitos. Para o conseguirdes, sede indulgentes para com a q u e l o 3 que se não disfarçam diante de vós. Não vos mostreis espantados, nem irritados por suas más inclinações: pelo contrário, compadecei-vos das suas fraquezas. Acontecerá algumas vezes que sejam mais contidos pelo temor; mas a confiança e a sinceridade ser-lhe-hão mais úteis que a autoridade rigorosa. E' preciso que a alegria e a confiança sejam as suas disposições ordinárias; doutra forma obscurece-se o seu espírito, e abate-se a sua coragem. Se são vivos, irritam-se ; se são moles, tornam-se estúpidos. Uma alma levada pelo temor, é sempre fraca. «Nunca tomeis, sem uma extrema necessidade, um ar sério e austero que faça tremer as crianças, porque elas, de ordinário, são tímidas e envergonhadas. Fechar-lhe-íeis o coração e tirar-lhe-íeis a confiança, sem a qual nenhum fruto há a esperar para a educação. > E preciso que a mãe tenha a confiança dos filhos, não só para formar a sua educação, mas ainda para lhes poupar mais tarde grandes erros. Em que abismos, com efeito, se precipitam algumas vezes, na idade das ilusões, crianças que não tiveram confiança em sua mãe, e que não sen-

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tem a coragem de lhe comunicarem os seus projectos, e planos de futuro, porque só encontraram nela uma pesada o fria severidade! Querendo, pois, evitar a todo o preço que se feche o coração do lilho, deve uma mãe segundo a vontade de Deus dizer-lhe algumas vezes com bondade:— «-.Meu filho, tu tens defeitos como todos os homens, e ôsses defeitos seriam para ti a origem de todas as desgraças : é do meu dever ajudar-to a sufocar esses germens de iniquidade, e t u me deverás sentimentos de reconhecimento, mesmo pelos castigos que serei forçada a infligir te, afim de te afastar do mal. Não posso conseguir esse resultado, que tanto interessa o teu futuro, sem que procures comigo conhecer e combater as tuas perversas inclinações.» Estas palavras inspirarão ao filho o desejo de descobrir as más tendências da sua natureza. A mãe dir-lhe-há então o que nele notou de defeituoso, tendo o cuidado de nunca lho censurar senão um defeito de cada vez. Descobrir-lhe muitos seria desanimá-lo. «Visto que já conhecemos o que devemos corrigir, vamos agora trabalhar juntos» responderá a mãe. E se o filho se esquecer, advirta-o carinhosamente. E se depois dalguns avisos, a criança cai ainda, então é que se dá o caso de ter firmeza nas repreensões, sem nunca se permitir ditos altivos, zombarias odiosas, ou vis gracejos. «Envergonho-me, escrevia Rollin, de referir certos termos injuriosos, que se dirigem algumas vezes aos estudantes, como asno, besta, burro, cavalgadura, etc, etc, termos que ainda hoje é fácil ouvir a alguns mostres.» E não deixam às vezes de serem empregados por algumas mães. «Também não se deve repreender e corrigir no próprio momento, diz Mgr. Dupanloup. Nunca aperteis uma criança, no seu primeiro momento, nem

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no vosso. So o fazeis no vosso, ela julgará que estais de mau humor, e perdeis sem remédio a vossa autoridade. Se o tomais no seu primeiro movimento, não encontra o espírito base para confessar a sua falta, e para sentir a importância dos vossos conselhos. Observai todos os momentos, durante alguns'dias, se tanto for preciso, para infligir uma correcção. E mais fácil dar azas à ira, do que à paciência, e é mais cômodo à altivez e impaciência humana castigar os que resistem, do que suportá-los ; mas o fim não é atingido. Há pais que têem sempre a mão erguida sobre os filhos, e muitas vezes pelas bagatelas mais inocentes. Notai bem, que estes pais deixam algumas vezes passar despercebidas as faltas mais graves, contra o respeito devido à autoridade ou contra o pudor. Se quereis que a criança tema a vergonha e os castigos, não a acostumeis a eles, e conservai esses meios de correcção para as faltas mais graves.» 0 castigo, propriamente dito, escreve o snr. bispo de Orleans, assimilha-se a certos remédios, compostos de venenos; não se pode usar deles, senão em caso extremo, ou temperando-os com muitas precauções.» No entretanto não so deve repreender sempre, nem sempre ameaçar sem castigar, porque podem ficar inúteis as ameaças e repreensões. Segundo o pensamento de S. Crisóstomo, empreguemos os remédios dolorosos para curar aqueles a quem os remédios benfazejos não restituem a saúde.
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«Nos castigos, diz Fénelon, deve ser a pena tão leve quanto possível, posto que proporcionada à falta, mas acompanhada de todas as circunstâncias que podem ferir a criança na vergonha, e no remorso. Por exemplo, mostrai-lhe tudo o que tendes feito para evitar esse extremo ; mostrai-vos pesarosos . . . suprimi à criança todos os sinais de amizade ordi-

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nários, e tornai esse castigo público ou secreto, como julgardes útil para a criança. Para resumir nurna palavra tudo quanto temos dito acerca deste assunto, concluamos com S. Gregório : «Na correcção deve encontrar-se amor, mas não amor fraco; que haja severidade, mas não demasiada, afim de que, misturando a justiça com a clemência, quem é obrigado a corrigir, derrame no coração dos que repreende, a confiança e o temor, fazendo-se obedecer pela severidade, e amar pela doçura. 0 comportamento da Senhora Âcarie para com os seus filhos é um dos mais belos comentários das palavras de S. Gregório. Eis o que o seu historiador escreve dessa nobre, virtuosa e santa mãe : «Uma palavra, um volver de olhos da sua parte, bastava para chamar os filhos aos seus deveres, quando se desviavam deles ; mas era meigo e amável o império que tinha sobro oles, porque era o efeito da sua virtude mais do que da sua autoridade materna. — Ela tratava-nos muito delicadamente, diz sua filha primogénita, mas juntava a essa doçura uma gravidade tam magestosa e tam imponente, que era impossível que deixássemos do fazer o que ela nos ordenava. Quando era obrigada a castigar-me, fazia-o de uma maneira tam agradável, que nunca me veio h ideia que ela me castigasse sem r a z ã o ; e por isso nunca lhe desejei mal.» Não lhe bastava que seus filhos confessassem ingenuamente as suas faltas, quando eram interrogados ; queria que eles, sem esperarem esse interrogatório, se acusassem do seu mota-próprio, só levados polo seu arrependimento. Então ela fazia-lhes conhecer a natureza da falta que tinham cometido, e dizia-lhes que era preciso satisfazer à justiça divina, nesto mundo e no outro, porque a pena que se sofre voluntariamente nesta vida, tem uma grande

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eficácia para abrandar a cólera de Deus. Inspirava-lhes também horror pela falta cometida, levando-os a pedir o castigo, que ela logo lhes infligia. Se temiam muito o castigo, na ocasião, e procuravam desculpar-se, não os castigava, mas esperava que Deus depusesse nas suas almas o arrependimento, e então castigava-os com justiça e moderação, obrigando-os, ao mesmo tempo, a rezar um Padre-Nosso, para pedir perdão a Deus. Estas crianças repreendidas tanto a propósito, longe de resistirem ao castigo que lhes era destinado, confessavam sem dificuldade que o tinham merecido, pediam-no de mãos postas, e, depois de terem recebido a correcção, agradeciam a sua mãe a caridade que lhes tinha testemunhado, corrigindo-as.

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ORAÇÃO .t
I

Sua

necessidade

A mulher nasceu para crer e orar. «Não deve, pois, diz o Padre Ventura, querer examinar, querer fazer filosofia, racionalismo e incredulidade, sem excitar ao mesmo tempo, nas pessoas que a escutam, o desgosto e hilariedade. Quando lhe ouvimos dizer: Não posso admitir, não posso crer tal ou tal dogma da religião, podemos ter a certeza de que não é porque tal ou tal dogma ache uma oposição reflectida e séria na sua alta razão, mas porque leu ou ouviu dizer que estes dogmas encontram oposição na razão de alguns homens, e que, por um senti* mento próprio às crianças, quer dar-se importância. quer fazer-se valer, macaqueando o homem: o que,, longe de a elevar, a rebaixa no próprio espírito da homem que não crê, e se lhe torna odiosa. Ordinariamente o homem incrédulo, maldizendo a mulher sinceramente crente, respeita-a, enquanto que, pelo contrário, lisongeando a mulher filósofa, despreza-a.^ — <E evidente que Deus deu à mulher (com a necessidade de crer), um instinto, uma aptidão particular para a oração, continua o mesmo autor; a mulher ora de melhor vontade que o homem, porque está mais disposta que o homem à oração.» Dirigindo-nos a mães cristãs, não será necessário
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estendermo-nos muito, sobre este importante assunto; mas deixá-lo em silêncio, seria ocultar um dos maiores deveres do cristão, e um dos mais poderosos meios de levar a bom fim a obra da educação. Quasi em todas as páginas dos livros santos tem Deus o cuidado de nos mandar orar, e nos fazer sentir a necessidade urgente que disso temos. Os .santos e os doutores não têem expressões bastante enérgicas para nos ensinarem a mesma verdade. S. Basílio chama à oração o alimento da alma, e diz-nos que, assim como o nosso corpo não pode viver sem pão, assim também a nossa alma não pode, sem a oração, viver a vida da graça. S. Crisóstomo diz-nos que a alma, sem oração, é como o peixe sem água. «A oração, diz Santo Agostinho, é a chave do Céu», e por isso se não recorremos à oração, para nos abrir as suas portas, podemos reciar que elas nunca se nos abram. Sem o socorro de Deus não podemos efectivamente caminhar na estrada da salvação : semelhantes a essa criança ainda fraca que cái a cada passo, se não é amparada pela mãe, ou a esse doente, que não faz o menor movimento, sem o auxílio do enfermeiro, não podemos ter um bom pensamento, nem pronunciar o nome de Jesus, dum modo meritório, para o Céu. Sem mim, sem a minha graça, nos diz o bom Jesus, nada podeis : nem pouco, nem muito, oomo explica Santo Agostinho. Ora a oração é o canal misterioso que faz descer as águas da graça sobre uma alma. Se essa alma deixar de orar, rompe-se o canal, e a alma seca, e não produz frutos de salvação. Quantas vezes uma triste experiência nos tem mostrado a nossa fraqueza! 0 demónio, o mundo e as nossas próprias paixões levantavam-se contra a nossa alma; o vento da tentação abalava-nos e impelia-nos para o mal. Não levantamos as mãos supli-

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cantes para Deus, e caímos miseravelmente, apesar da resolução que tínhamos tantas vezes tomado de nunca ofender o Senhor, apesar das promessas de fidelidade que tantas vezes lhe tínhamos renovado.— Poderíamos acrescentar que Deus não concede ordinariamente favores temporais úteis à salvação, senão a quem lhos pede com confiança e humildade. E' só na oração que encontramos a força de suportar as penas desta miserável vida; só ela nos oferece verdadeiras consolações neste vale de l á g r i m a s . . . Mas deixemos essas considerações gerais, e vamos dizer uma palavra especial para a mãe. Os deveres que expusemos, são da mais elevada importância. Onde encontrará a mãe a inteligência dos seus deveres, senão na oração? Se alguém de entre vós carece de sabedoria, que a peça a Deus, disse um dos apóstolos. Se a mãe de família é sabedora das suas obrigações, e lhes conhece a gravidade, onde irá buscar a força para as cumprir, isto é uma força corajosa que arroste todas as dificuldades e todos os obstáculos ; que se não deixe abater, nem pela ingratidão, nem peio respeito humano, nem pelo espírito do mundo: uma força perseverante que nunca se desminta, e se sustente até ao fim duma penosa carreira, até ao último momento ; onde, digo, encontrará esta força, senão na oração? Além disso seria estéril, sem a benção do Céu, todo o zelo duma mãe para a educação e para a salvação de seus filhos. «A educação, diz Mgr. Dupanloup, é uma obra tão difícil, que carece constantemente da protecção de Deus. Por mais que se deite a semente da salvação, no coração da mocidade, se o orvalho da graça não desce, para a fazer germinar, a semente nada produz.» Porque será que tantas mulheres, mesmo dotadas de rara inteligência,

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e atentas a vigiar os filhos, não podem conseguir uma boa educação ? Não o duvidemos. E' porque Deus, a quem elas nunca oram, não abençoa os seus esforços, que, por esse facto ficam infrutuosos. E' preciso que a mãe seja uma mediadora entre Deus e os filhos, e que vá constantemente buscar á oração os tesoiros da misericórdia divina, para poder derramar, nas almas que lhe estão confiadas, os dons do Padre que está nos Céus. E' mister que ela própria solicite cumprir fielmente os seus deveres, assim como o amor o o temor de Deus para os filhos, mais ainda do que a saúde e os bens do mundo. Se lhe é permitido pedir a Deus bênçãos temporais e até a fertilidade da terra que Jacob desejava para seas filhos, não esqueçamos que os bens da alma têem tanta supremacia sobre os do corpo, como o Céu sobre a terra. Também Santa Mónica, com relação ao próprio Santo Agostinho, não pedia a Deus nem ouro, nem prata, nem nenhum bem passageiro ou mortal, mas a salvação da alma de seu filho. Aquele santo Job oferecia a Deus todos os dias sacrifícios de expia-, ção, pelas faltas que seus filhos poderiam cometer durante o dia. Toda a mãe que ama verdadeiramente o seu filho, mal o sente em estado de pecado, não cessa de derramar lágrimas perante o Senhor, dirigindo-lhe orações para pedir a conversão desse pobre pródigo. E as orações e as lágrimas duma mãe que chora os pecados de seu filho, vão direitas ao coração de Deus. A uma tal mãe diríamos de boa vontade: «Continuai a orar e a chorar sempre, porque 6 impossível que sucumba o filho de tantas lágrimas.* Todavia, para que a oração seja eficaz, deve reunir certas qualidades que vamos indicar. E preciso que seja feita com atenção, humildade, confiança e
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perseverança, o sobretudo deve partir dum coração puro. E' verdade que o Senhor, na sua misericórdia,, nunca fecha os ouvidos ás nossas súplicas, ainda mesmo que estivéssemos carregados de iniquidades; afinal quanto mais adiantados nós estamos no caminho da perdição, mais precisão temos do seu auxílio, e por consequência da oração. Mas é certo que o coração do que está manchado pelo pecado mortal é objecto da adversão de Deus, cujos olhares mais puros (\uo o sol não podem deter-se sobre a iniquidade. Esse coração foi entregue ao demónio, que aí estabeleceu o seu trono. 0 Espírito Santo já aí não reside e não faz ouvir esses gemidos inexprimíveis que partem das almas justas, e fazem uma doce violência no coração do Pái celeste. Deus retirou-se da alma que se afastou dele pelo pecado. As orações dessa alma não sobem para o Góu, senão envoltas num fumo espesso. 0 Senhor não as repele, mas a misericórdia desce em menor abundância. O mães, não vos deixeis cair nunca em pecado mortal. Se houver alguma (entre as mães, em cujas mãos caia este livro) que tiver perdido a graça de Deus, pedimos-lhe que se não conserve nesse infeliz estado. Pois quê ! levais um filho no vosso seio, ou nos vossos braços, sustentai-lo com o vosso leite, e estais morta para a graça ! Visto que educais filhos, deveis erguer essas tenras plantas para o Céu, e estais curvada para o inferno, e já com um pé no abismo! Deveis atrair sobre os almas, dos que vos estão confiados, a benção de Deus, e vós estais sob a maldição celeste ! Temei que não estale a sua ira, sobre os filhos e sobre vós, se perseverais na desgraça, e vos não voltais para vosso Pái, com o coração despedaçado por um sincero arrependimento.
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II
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oração e m f a m í l i a

Os pais de santa Angela Mérici, fundadora da ordem de Santa Úrsula, educavam a sua filha, no santo temor de Deus; e para isso, faziam todos os dias em comum as orações da manhã e da tarde, assim como uma leitura espiritual, extraída ordinariamente da Vida dos Satitos, Tinham cuidado de fazer assistir a estes exercícios, não só os filhos mais velhos, mas até os mais novos, com o fim de os acostumar cedo aos exercícios da piedade cristã. Angela recolheu frutos abundantes deste piedoso uso. Nada efectivamente é mais salutar do que a oração em família ; nada mais próprio para fazer nascer e conservar o espírito da fé nas crianças, para as acostumar às práticas da piedade, e para lhes inspirar o respeito devido a Deus, do que verem todas as manhãs e todas as noites o seu pái e a sua mãe ajoelhados humildemente diante da magestade do Pái celeste. Haverá pois nada mais comovente do que ver os membros duma família, reunidos todos no seio de Deus, pedindo-lhe uns para os outros, numa prece comum, todas as graças necessárias? E' perante este espectáculo que se deve exclamar com o profeta: «Quanto é bom, quanto é doce estarem juntos os irmãos ! ü Senhor manda-lhes a sua benção e prepara-lhes a vida eterna.» Se Jesus Cristo prometeu que se encontraria no meio de duas ou três pessoas que se reunissem em seu nome, para escutar as suas súplicas, e atender os seus pedidos, não parece que deve presidir com uma complacência e uma miseri-

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córdia muito especiais, a estas reuniões dos membros duma mesma família? Por certo que sim. A oração dum pai cristão, duma mãe que compreende a sua missão, juntas às de seus filhos, talvez ainda inocentes, eleva-se para o Céu com uma força maravilhosa, para abrandar a cólera do Senhor, e fazer descer a sua misericórdia. Além disso a família é um todo moral, uma sociedade doméstica unida pelos mais íntimos laços, e de quem Deus é o pai e o senhor. Esta sociedade carece da graça e dos socorros do Céu para a alma e para o corpo de cada um dos seus membros. Deve a Deus acções de graças, pelos benefícios já recebidos. E' pois justo que reconheça os direitos de Deus, lhe proteste a sua gratidão, e solicite novos favores. Mas como fazê-lo, senão por meio da oração em família? Por isso vemos que os antigos patriarcas reuniam os filhos, para oferecerem sacrifícios a Deus. Os próprios pagãos adoravam em família a divindade que eles criam ser encarregada de vigiar as suas moradas. E não vemos, mesmo hoje, entre os selvagens o costume de renderem culto, no fim da tarde, aos ídolos que conservam na sua casa ? Por que razão é que a família cristã há de estar neste ponto abaixo das famílias patriarcais, e até mesmo abaixo das famílias pagãs e i d ó l a t r a s ? . . . Uma mãe segundo a vontade de Deus terá, pois, cuidado de estabelecer em casa o uso da oração em família. Pelo menos todas as noites, depois de findos os trabalhos, reunirá ela diante dum crucifixo o marido, os filhps e os criados. Se o marido recusar fazer a oração em voz alta, em nome de todos, ela a fará, ou então confiará esse ministério ao filho que melhor o souber cumprir. Talvez não lhe seja fácil reunir logo de princípio todos os membros da família, mas nem por isso deixará de fazer a oração

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com os que secundarem o seu zelo com mais docilidade, e pouco a pouco ganhará os outros. Uma esposa recentemente casada faria bem, se usasse do ascendente que exerce no coração de seu esposo, para lhe fazer abraçar esse salutar exercício, pois que mais tarde seria muito difícil. Seria utilíssimo fazer seguir a oração da noite duma leitura de piedade ; durante os longos serões de inverno lêr-se-iam as Vidas dos Santos, ou a História abreviada da Religião e da Igreja, por Lhomond, ou o Catecismo- Durante as noites de verão, poder-se-iam ler algumas linhas da Imitação de Jesus Cristo. Certamente que esta prática tão fácil produziria os mais felizes frutos, e não podemos deixar de a recomendar às mães cristãs. Para que a leitura feita em família não cance, é necessário que seja breve. Seria bom acompanhá-la de algumas reflexões a propósito do assunto. Por exemplOj. depois de ter ouvido a leitura de alguns dos graves ensinos da fé, uma mãe poderia dizer: «Que grandes verdades, meus filhes ! Se as compreendêssemos bem, fariam de nós uns santos. Nunca as percamos de vista.» — Se é um facto de virtude heróica que se acaba de ouvir contar : — «Oh ! que nobre e bela a c ç ã o ! dirá uma mãe ; como nós estamos longe de semelhante generosidade ! Procuremos imitá-la tanto quanto pudermos, porque, seguindo os exemplos dos santos, mereceremos reinar com eles no Céu.» Para desenvolver a memória e a inteligência das crianças, e excitar ao mesmo tempo a sua atenção* importa perguntar-lhes o que eles compreenderam de tudo quanto ouviram ler.

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III Da meditação

A terra está na maior desolação, diz o profeta, porque ninguém reflete. Qual foi o princípio das nossas faltas, senão o esquecimento das verdades eternas, em que vivíamos, quando caímos no pecado ! Refletindo depois nas nossas fraquezas, no sossego das paixões, dissemos a nós mesmos: «Oh! se eu tivesse pensado na ofensa qae o pecado faz a Deus, nos castigos que amontoa sobre o homem, nunca o teria cometido.» Não é isso confessar a verdade dentas palavras : Lembrai-vos dos vossos últimos fins e nunca pecareis ? Se queremos de hoje em diante evitar estas quedas que deploramos, tomemos o remédio, cuja soberana eficácia Dons nos descobre, e cuja virtude celeste nós mesmos desconhecemos e não percamos de vista as grandes verdades da vossa religião. Deixando de reflectir e de meditar, caímos, como tínhamos caido anteriormente. 0 nosso coração é uma faculdade cega que ama o que a razão e os sentidos lhe representam como bom e amável. Se a razão se não compenetrar, pela reflexão, do conhecimento das perfeições divinas, e da fealdade do pecado, nem o coração o aborrecerá, nem amará a Deus. Se pelo contrário, os sentidos lhe representarem^ por meio da imaginação, a beleza das criaturas, e os prazeres pérfidos que acompanham o pecado, o coração se entregará h criatura, e abraçará o maL Logo, é de importância capital refletir, afim de que a reflexão faça um contrapeso salutar à •concupiscência, que nos cega e arrasta o nosso

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•coração, pelo caminho da iniquidade, se a graça e a razão o não detiverem, com uma força vitoriosa. Talvez algumas mães cristãs objectarão que, vivendo no mundo são assaltadas por ocupações que lhes tornam todo o tempo, não podendo ocupar-se da prática da reflexão. Mas, pelo facto de estarmos no mundo, estaremos dispensados de ter temor do Deus, e de conservar no coração a chama do amor divino? E como se pode sustentar na alma o amor e o temor de Deus, se não atendemos ao rigor da sua justiça e às suas amabilidades soberanas ? «Na verdade, ninguém vos compreendo, exclama um grande orador. Recalcitrais contra o uso da meditação, apesar de dever ser para vós uma razão mais particular para vos tornar assíduos nela. Mas vós alegais o tumulto e os cuidados do mundo, em que todo o vosso tempo se consome. Pois é por isso mesmo que precisais duma sólida meditação, afim de que esse tumulto do mundo não vos faça inteiramente esquecer de Deus, e do que lhe é devido, e também para que esses cuidados do mundo não sufoquem em vós o bom grão da palavra do Deus, e vos imo desviem dos cuidados da vossa alma e da sua perfeição.» Não receeis, pois, tirar a todos os dias alguns -instantes, para os dardes ;t vossa salvação. Então havemos de ter tempo para as coisas mais fúteis e mais vãs, para divertimentos frívolos e talvez perigosos, e não havemos de ter tempo, alguns minutos sequer, para os dar a Deus, e a nossos interesses eternos! • . . E de mais o exercício da meditação longe de roubar tempo a nossas ocupações sérias, e aos deveres dp nosso cargo, não deixa de lho fornecer, ensinando-nos a melhor regular a vida, a suprimir as inutilidades de que ela está muitas vezes cheia, e a

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triunfar da preguiça, quo as mais das vezes nos retém no leito mais tempo do que é necessário. «Prestai atenção à vossa casa, mas não percais de vista a vossa alma, escrevia S. Jerónimo a uma senhora do mundo. Escolhei um lugar desviado do tumulto dos vossos negócios domésticos, aonde possais retirar-vos, como a um posto onde a tempestade de m i l solicitudes vos não possa atingir, e ondo o sossego do retiro afaste de vós os mil pensamentos diversos que vos toem criado as relações com o mundo. Nessa solidão, a leitura atenta dos livros santos, e das orações freqüentes, e a meditação séria e profunda da vida futura, farão um contrapeso salutar, às preocupações de que vossa alma está repleta. Crêde-me, longe de mim, falando-vos assim, querer privar a vossa família de vossos cuidados; o meu fim, é, pelo contrário, fornecer-vos o moio de aprender e de 'meditar o que deveis a todos os vossos.» A meditação tem sido a vida de todas as santas mães cristãs, que, no decurso dos séculos, espalharam na sua família e no mundo o perfume da virtude. Santa Catarina de Génova, casada, com vinte e sete anos de idade, meditava cada dia, durante seis horas, de joelhos, no soalho do seu q u a r t o . — ' J á atrás vimos com que zelo a senhora de Ghantal, não contente com sacrificar ela própria, longos momentos à meditação, formava muito cedo os seus filhes na prática deste santo exercício. A senhora de Valernot de Herculais, que morreu em Grenoble em 1654, na idade de trinta e cinco anos, e que deixou tamanha reputação de santidade que o bispo, o cabido e o parlamento da cidade, quizeram assistir aos seus funerais, levantava-se às três horas da m a n h ã e fazia meditação durante quatro ou cinco horas antes de ouvir a santa missa. Passava também em meditação

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uma grande parte do resto do dia e até da noite, o que não impedia que possuísse toda a estima do marido, e da sogra. Querendo um dia dar aos seus amigos o espectáculo da virtude de sua mulher, o senhor de Herculais foi, num momento em que sabia que ela estava em oração, pedir-lhe para vir jogar com ele. Imediatamente reconhecendo na vontade de sou marido a do próprio Deus, a senhora de Herculais foi, mostrando-se alegre e satisfeita. •Durante todo o tempo que o marido esteve jogando, prestou-lhe tamanha atenção que se poderia pensar, que o jogo fazia as suas delícias, quando é certo que ela tinha verdadeiro horror a tudo quanto pertencia ao mundo. Sua sogra, para lhe deixar mais tempo para os seus exercícios de piedade, encarregava-se de todos os cuidados domésticos. Quem poderá, h vista de tais exemplos, alegar ainda ocupações, e os obstáculos do mundo, para se isentar da prática da meditação ? Qual é a mulher que está tão ocupada, que não possa, levantando-se mais cedo, ou retardando alguns instantes ao seu repouso da noite, consagrar meia hora ou um quarto de hora a meditar. Mas, dirão ainda algumas das nossas leitoras, como havemos de fazer meditação, se não temos nem a instrução, nem a experiência que reclama essa prática ? — Não há nada mais fácil, do que fazer-se instruir pelo seu confessor, acerca da maneira de meditar. Além disso, há porventura coisa que nos seja mais familiar, do que o uso da meditação? A mulher, que faz parte do comércio, reflecte sobre os meios de evitar os prejuízos, e de aumentar os lucros. A operária sabe meditar acerca do modo de aperfeiçoar as suas obras. Nós sabemos reflectir sobre os nossos interesses temporais, acerca dum processo, dum estabelecimento, dum casamento, e
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até mesmo para qualquer coisa que intentemos fazer, examinamos o lado vantajoso que queremos atingir, estudamos os meios de lá chegar, e formamos a resolução de empregar esses meios. E estas meditações estão noite e dia no nosso espírito. Como é que não poderemos pensar nas coisas do Céu, como pensamos nas da terra? Tendo nós tanta inteligência para os nossos negócios temporais, como havemos de ser desprovidos dela para o grande negócio da salvação? Será preciso muito espírito para reflectir nos tormentos do inferno, na felicidade do Céu, na paixão de Jesus Cristo, na bondade de Deus? — E afinal tem mostrado a experiência que as almas mais simples, as mais humildes, são aquelas a quem Deus se compraz em comunicar as suas luzes, e revelar os seus segredos. O Senhor! fazei compreender a todas as mães cristãs as delícias que se gozam, quando vos rezamos com fervor, e quando pensamos nas vossas misericórdias, no recolhimento e no silêncio, afim de que todas abracem a oração, como uma tábua de salvação.
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IV Método da oração A oração tem três partes, que s ã o : a preparação, o corpo da oração e a conclusão. 1.° Distingue-se a preparação remota, e a preparação próxima. A preparação remota consiste em viver sempre na ausência do pecado, na mortificação das paixões, e na guarda dos sentidos. A alma que está em pecado mortal sente como um peso, que, arrastando-a para longe de Deus, prejudica a sua elevação acima de si própria, e das
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demais criaturas, para se dirigir ao Criador. Uma alma dissipada, leviana, sem mortificação, que quer ver tudo, ouvir tudo, saber tudo, que nada sabe recusar aos sentidos, é de certa forma incapaz do recolhimento que exige a oração. E' só comparável a esse caminho, sobre que em vão se lança a semente, porque os pássaros do Céu veem logo buscá-la. Num século superficial e leviano, deve-se muito reciar, que, apesar das graves funções de que as mães estão revestidas, não se deixem arrastar pelo turbilhão da dissipação mundana. Àcautelai-vos, lhes diremos com S. Paulo; vigiai todos os vossos passos; não andeis como insensatos. Mas prossegui, com prudência, habituando-vos a ter conta nos vossos pensamentos, palavras e acções. 0 costume da vigilância sobre os nossos olhos, ouvidos, língua e demais sentidos nos torna fáceis o silencio e a separação das criaturas, que a oração reclama. A preparação próxima consiste em preparar desde a véspera o assunto sobre que deve versar a meditação no dia seguinte; consiste também em colocar se na presença de Deus, quando começa a oração. Quando chegou o feliz momento de conversar com Nosso Senhor, ajoelhai-vos com respeito, numa igreja ou num santuário, se isso for possível, ou então diante dum crucifixo, ou duma imagem da santíssima Virgem, no lugar mais retirado de vossa casa. Ponde de parte todas as preocupações de família, de trabalhos e de negócios. Beijai com amor a imagem de Jesus crucificado, ou de sua augusta Mãe, e pedi a Jesus e a Maria a graça de fazerdes uma meditação que sirva para a sua glória, e para a vossa salvação. 2.° 0 corpo da oração. — A meditação das coisas de Deus sendo para nós pouco familiar, e

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vindo muitas vezes as distrações afastar-nos do nosso interior, será bom servir-nos do livro, sobre que tivermos lido na véspera o assunto da nossa oração. A própria Santa Teresa se censurava de não ter recorrido a um livro bastante cedo para meditar. Leremos, pois, algumas linhas do livro de piedade que tivermos entre mãos, recolheremos o pensamento que elas exprimem, como se caíssem da boca do próprio Deus; depois fechando os olhos, ou íixando-os no crucifixo, ou na imagem de Maria, compenetrar-nos-emos da verdade, e a saborearemos à nossa vontade. Depois de termos tirado todo o suco a este alimento espiritual, leromos uma segunda passagem, sobre a qual retletiremos da mesma maneira. Porque não é bastante aceitar a verdade, é preciso a m á - l a ; é preciso que na oração o coração sinta, adore, ore, abençoe e louve a magestade de Deus. Depois de se ter meditado o segundo pensamento, passa-se ao terceiro, e assim até ao fim da meditação. Para que se tire algum fruto deste santo exercício, parece necessário consagrar-lhe pelo menos dez minutos. Felizes aqueles que podem consagrar-lhe longas horas! O' Senhor! atraí, pela vossa graça, todas as almas ao amor da oração. Há um método de oração simples e salutar, que consiste em percorrer em espírito as chagas sagradas do Salvador. Colocamo-nos ao pé da cruz, como Madalena, e como ela. procuramos recolher as gotas de sangue que correm do corpo despedaçado de Jesus. Abraçando os pés feridos do divino Mestre, pedimos-lhe p e r d ã a das caminhadas criminosas que temos feito, andando com más companhias, ou em lugares perigosos para a virtude. Passando depois às mãos atravessadas por grandes cravos, adoramo-las e pedimos-lhes perdão de todas as acções culpadas que temos tido a infelicidade de cometer. Conside-

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rando a coroa do espinhos, excitamo-nos ao arrependimento de todas as vaidades que nos atravessaram o cérebro, de todas as palavras imodestas a que prestamos ouvidos, de todos os olhares que feriram a mais bela das virtudes. Enfim, entra-se nesse coração adorável, que para nós está sempre aberto, e aí nos escondemos, como num porto de salvação, dizendo com um santo : — «Nesse coração edificarei a-minha tenda, porque aí desejo ficar sempre.» No fim da oração, examinamos sempre, como temos vivido, a respeito da verdade ou da virtude que tivermos meditado, e formamos o firme propósito de viver melhor para o futuro, mas guardemo-nos de nos contentarmos com uma resolução vaga e indeterminada. E' preciso que nos armemos duma resolução enérgica, de combater o nosso defeito dominante, de desraigar o hábito mau, de que mais tristemente somos escravos, e afastar-nos sem demora da ocasião perigosa, em que fazemos mais freqüentes quedas. Sem esta resolução prática, a oração poucos frutos produzirá. 3.° Conclusão. — Beijareis depois, com o mais profundo respeito e com o mais terno amor, a imagem do Salvador e de sua Santíssima Mãe. Pedireis a Jesus e a Maria que fortifiquem os vossos bons desejos, ajudando-vos a cumpri-los. Ainda ficareis com eles um instante, orando, agradecendo e fazendo actos de caridade e de contrição. Enfim, depois de terdes pedido, inclinando-vos profundamente, a benção a Nosso Senhor e a sua Mãe, ireis tratar das vossas ocupações ordinárias, recordando-vos quanto possível da vossa oração da manhã e das resoluções que aí tomastes. Já atrás deixamos dito, de que maneira podem fazer oração as pessoas que não sabem ler. Veja-se o capitulo xxiii, a página 189.

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Presença de Deus

A uma senhora que vivia no meio das dissipações da corte, escrevia S. Francisco de Sales: — «Não há companhia nem sujeição possível que vos possa impedir de falar muitas vezes com Nosso Senhor, com os seus anjos e os seus santos, nem de percorrer muitas vezes as ruas de Jerusalém celeste, nem de escutar as conversas interiores de Jesus Cristo e do vosso bom anjo, nem de comungar todos os dias em espírito. Fazei, pois, tudo isto com alegria do vosso coração.» Fénelon escrevia no mesmo sentido que o bom santo bispo de Genebra: «Acostumai-vos, dizia ele, a estender pouco a pouco a oração até que chegue às próprias ocupações diárias. Falai e trabalhai em paz, como se estivésseis orando, porque é preciso que assim suceda. Não se trata duma contenda perpétua de cabeça, que seria impraticável, trata-se apenas de vos acostumardes a uma certa paz, onde consultareis facilmente a Providencia sobre o que t i verdes a fazer. Peço-vos que experimenteis, e acostumar-vos-eis a essa dependência do espírito interior, e tudo se transformará em oração.» A uma senhora piedosa, que vivia na grande roda do mundo, escrevia também o imortal arcebispo de Cambrai: — «Não deveis contentar-vos em fazer oração pela manhã e à noite, mas vivei orando permanentemente, e assim como nós digerimos a comida durante o dia, digeriremos todo o dia, no meio das nossas ocupações, o pão de verdade e de amor que comemos à oração. Tudo deve trans-.

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formar-se em oração, ou presença amorosa de Deus, nos nossos negócios e conversações. Deus está por toda a parte. Não é verdade que eu encho o Céu e a terra com a minha imensidade? nos manda ele dizer, pelo seu profeta (Jer. 23-24). Se subo ao Céu, exclamava David, vós ai estais; se desço às profundezas da terra, lá vos encontro; se vôo às extremidades do mar é a vossa mão que aí me sustenta. S. Paulo afirma-nos que Deus não está longe de cada um de nóSy e que dele temos a vida, o movimento e o ser. Segundo o pensamento de Santo Agostinho, assim como uma esponja metida no mar, se deixa penetrar toda da água, assim o mundo está como que introduzido na imensidade de Deus, e dele está infinitamente penetrado. Deus vê tudo. «As trevas cercam-me, diz o mau, os muros encobrem-me, e ninguém por isso me pode ver.> E não reflete que os olhares do Senhor são mais penetrantes que a luz do sol; penetram mais profundamente que uma espada de dois gumes, e vão procurar os pensamentos e as intenções mais íntimas. Tudo está patente e descoberto diante dos seus olhos. Conhece não só tudo o que fizemos e pensamos, mas até o que havemos de fazer e de pensar. Para ele as trevas são como a luz ; para ele as criaturas que têem voz, sabem responder; para ele o silêncio fala. «Quando saís, prossegue Santo Agostinho, sois visto; e quando entrais também sois visto. A alâmpada está apagada, e ele vê-vos, e estando acesa, vê-vos também. Se estais metido no vosso leito, ele lá vos vê, e se estiverdes introduzido no mais recôndito de vós mesmo, êle penetrará até lá.>
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Deus está por toda a parte, Deus vê tudo; é uma verdade de tal ordem, que se a não perdêssemos de

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ORAÇÃO

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vista, bastaria para nos afastar para sempre do pecado, e excitar-nos a trabalhar, sem descanso para a nossa santificação, «Todo o mal vem, diz Santa Teresa, de que nós nunca pensamos na presença de Deus.» À recordação de Deus exclui todo o pecado. A presença dum homem basta muitas vezes para nos deter no despenhadeiro do crime. Se os criados desconfiam que são vistos pelo amo, não se atrevem a colher a mais pequena flor do jardim, a deitar a mão à menor fruta, a tocar mesmo num bocado de pão. Mas se a presença dum superior, ou ató dum igual, se só o temor de ser visto basta para nos impedir de fazer mal, quanto mais eficaz deve ser a presença de Deus, cuja infinita santidade aborrece o pecado, e cuja justiça eterna castiga o crime com tormentos sem fim. Na presença do patrão, faz todos os esforços o operário, por fazer bem o seu serviço; o soldado combate com coragem, na presença do seu general, ou do seu rei. Basta a conversação e a linica vista dos homens de Deus, que nós encontramos na terra, para nos incitar poderosamente à pratica da virtude. Que coragem deve, pois, dar o pensamento da presença de Deus! Que zelo da nossa santificação não devemos nós encontrar na lembrança do Senhor, que contempla do alto do Céu as nossas lutas e v i tórias, que nos ajuda com a sua mão misericordiosa, e nos prepara recompensas infinitas, para compensar os leves sacrifícios que fazemos para lhe agradar, e pela mais pequena das acções que lhe oferecemos! Oh! Senhor! porque se não recordarão de vós essas almas, a quem encheis de tantos favores? Esquece por ventura a jovem os ornamentos com que se adorna ? E vós que sois a nossa Glória, a nossa Vida, nosso Pái, nosso Amigo, nosso Esposo, nosso Tudo, nós vos esquecemos, ó meu Deus!

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S. Ligório aconselha que conservemos comnôsco, ou no nosso quarto objectos piedosos, que possam, ferindo os nossos olhares, recordar-nos da presença de nosso bom Senhor. Uma mãe segundo a vontade de Deus fará bem, trazendo consigo, ou tendo sempre diante dela um crucifixo e uma imagem da Santa Virgem, para os quais deitará freqüentes vezes os seus olhares. Em cada quarto deverão estar expostos Cristos e outros objectos que façam afugentar o pecado. Mas nada nos parece mais próprio, para recordar a lembrança de Deus, do que as maravilhas da criação. Se prestarmos bem atenção, acharemos o nome do Senhor escrito em todas as suas obras, tanto sobre as estrelas que abrilhantam a abóbada do Céu, como sobre as plantas e as flores que adornam a superfície da terra. Tanto o animal robusto, como o mais pequeno insecto nos fula de Deus. 0 dia conta a sua glória ao dia, e a noite à noite. E' por causa da nossa leviandade, que não sobemos ler neste livro da natureza, e que não entendemos essas vozes poderosas, que nos mandam pensar em Deus. Quando encontramos uma obra feita com muita arte, perguntamos quem foi o hábil artista, cujo génio criou tal obra prima, e damos-]he os nossos parabéns, conjuntamente com muitos louvores. A' vista da erva, que nós calcamos aos pés, dás árvores que nos dão a sua sombra, dos pássaros que se comprazem em alegrar-nos com os seus cantos ; à vista das ceifas, das montanhas, do Céu semiado de estrelas ou carregado de nuvens, perguntamos qual é o autor destas belas e grandes obras, e pensamos no nosso Criador. Todavia não é bastante recordarmo-nos de Deus; é preciso^ pelo menos, dirigirmo-nos freqüentemente a Êle, no decurso dos nossos traba-

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ORAÇÃO

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lhos, quando o relógio dá horas, quando temos ale* gria ou tristeza, quando o demónio, o mundo ou a natureza se levantam contra nós, quando as belezas do univeso ou algum objecto piedoso fere os nossos olhares ; então façamos uma oração curta, & mas ardente, que saia do nosso coração como uma rápida seta para voar junto do Senhor, de quem esperamos todo o socorro. Estas elevações do coração para Deus não gastam tempo; não exigem que interrompamos as nossas ocupações ordinárias, Podemos fazê-las sempre, e por toda a parte : nos nossos trabalhos, nas nossas conversações, no meio do tumultuar da multidão, e na solidão do nosso gabinete. Não é necessário pôrmo-nos de joelhos, nem mesmo agitar os lábios. Basta elevar a alma para Deus, e dizer-lhe: Senhor, socorrei-me ! ou então : Meu Deus, amo-vos! ou ainda r Meu Jesus, misericórdia/ ou qualquer outra oração deste género, segundo a necessidade da ocasião.

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Deveres para com os criados

Não é só a respeito dos filhos, que a mãe cristã exerce a sua vigilância e o seu zelo. Também tem cuidados para com os criados, essa outra família, para quem tem também deveres a cumprir, deveres sagrados que lhe são impostos pelo pelo próprio Deus, deveres que ela não pode preterir em matéria grave, sem comprometer a sua eterna salvação, dado mesmo o caso que observasse da maneira maisjDerfeita todas as outras obrigações do seu estado. Estes deveres também interessam a sua felicidade neste mundo, porque só cumprindo-os é que será servida zelosa e fielmente. A própria virtude dos filhos correrá os maiores perigos, se a mãe não vigiar sobre os seus criados ; e estes, entregues a si próprios por uma patroa negligente, facilmente se podem perder. Só uma mão caridosa pode desviar os perigos que os rodeiam. Os nossos leitores permitir-nos-ão dizer aqui algumas palavras acerca das suas obrigações para com os criados. Faremos a diligência por sermos o mais breve possível, porque os assuntos de que até aqui temos tratado, dispensam-nos mais detidas divagações.

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R caridade

Já dissemos que os criados duma casa fazem parte, por assim dizer, da família ; uma mulher cristã deve amá-los no Senhor. Se tiveres um criado fiel, diz o Espírito Santo, que te seja Iam caro, como a tua alma, traia-o como a um irmão. Nada mais comovente do que a carta de S. Paulo a Philemon, cujo escravo tinha fugido da casa de seu senhor* Tendo S. Paulo convertido à fé este servo infiel, envia-o a Philemon, e recomenda-lbo nestes termos: Peço a vossa indulgência para Onesimo, meu filho, que Jesus Cristo me deu na minha prisão ; recebei-o como meu filho querido, não como um escravo, mas como um irmão bem amado, que tem iodas as minhas afeições, e que melhor deve possuir as vossas, por causa dos laços que o unem a vós, segundo a natureza, e no Senhor. Ensinam-nos estas palavras que um servo deve ser querido a seu patrão, não só por causa do seu carácter de cristão, mas ainda por causa das relações mútuas que os unem. Efectivamente um criado consagra as suas forças e algumas vezes a sua vida, a servir seus amos. Entrega-se por eles a pònosos trabalhos. Assiste-lhes nas suas doenças, está pronto a prestar-lhes todas as espécies de serviços. Não merecerá, pois, que em recompensa os seus amos lhe tenham alguma afeição ? São os serviçais algumas vezes uns pobres órfãos que se veem refugiar sob a tutela duma dona de casa, ou então, arrancados, com pesar seu às suas famílias, tendo de se afastar dum pái e duma mãe, para ga-

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nharem o pão de cada dia, e proverem às necessidades da sua família, veem procurar um asilo contra a pobreza e um abrigo contra os perigos que correria a sua salvação, se ninguém olhasse por eles. Não ê isso o bastante para conciliar a afeição e a dedicação duma mulher cristã ? — Uma dona de casa amará, pois, os seus servos, como seus irmãos em Jesus Cristo, direi até, como filhos adoptivos. A sua caridade não será estéril a seu respeito, porque doutra forma seria vã.
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Cuidados físicos

As mais das vezes não têem os criados senão os seus braços para proverem à sua subsistência. Arruinar a sua saúde por maus tratamentos, ou sujeitá-los a trabalhos excessivos e muito demorados, ou então recusar-lhes o sustento conveniente, seria um crime e uma crueldade. Uma mulher cristã não permitirá que, na sua casa, se apliquem os criados a trabalhos superiores às suas forças, sobretudo se são muito novos, ou muito velhos. Vigiará que estejam ao abrigo de todos os maus tratamentos, e que sejam sadios os seus alimentos, preparados com limpêsa, e em quantidade suficiente para reparar e aumentar as suas forças. Se não olhar, como deve, para este ponto, os criados trabalharão de má vontade, detestarão os patrões, e gritarão por toda a parte contra o seu mau coração, e contra a sua avarêsa. «Nas doenças das pessoas que estavam ao seu serviço, a senhora Acarie vigiava continuamente, para que nada lhes faltasse. Se a doença durava

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muito tempo, não permitia que ninguém se aborrecesse de as tratar. Colocava junto dos doentes os companheiros mais inteligentes, e mais activos, ia ela própria visitá-los muitas vezes, levava-lhes coisas de que tinham precisão, prestava-lhes todas as atenções, e em todas as visitas, lhe dizia algumas palavras que os edificavam (*).> Quando um criado, por lhe faltarem as forças, se torna incapaz de servir, será caridoso despedí-lo, sem lhe ter preparado um refúgio, um abrigo ? — Inútil será recordar aqui a obrigação que temos de pagar o salário aos serviçais; é uma cruel injustiça, que o Espírito Santo condena da maneira mais inérgica, nos livros santos, frustar o preço do seu trabalho, e não respeitar as convenções que se fizeram com eles. Não é bom também demorar o pagamento que lhes é devido, dando-lhes assim ocasião de se queixarem a pessoas estranhas. Longe de pensar em diminuir os seus salários, os amos generosos sabem dar-lhes alguma coisa a mais do que havia sido estipulado, ganhando, por essa forma a sua afeição. III

Cuidados espirituais
Há amos que julgam terem cumprido a sua obrigação, para com os seus criados, quando os tratam com humanidade, e quando lhes pagam exactamente, no dia convencionado, a quantia que lhes devem. E uma grosseira ilusão.
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Vida da Senhora Acarie.

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Uma mulher cristã tem outros sentimentos. Depois que deu, como a mulher forte da Escritura, o alimento e o vestuário às pessoas da casa, e que tomou caridoso cuidado do seu corpo, julga apenas ter cumprido a mais pequena parte da sua obrigação. Sabe que a alma dos criados também reclama atentos cuidados. A caridade que a anima, impele-a a trabalhar para a sua salvação eterna, mais ainda do que para o seu bem estar temporal. Digamos agora uma palavra, para secundar o seu zelo, acerca dos deveres espirituais, que ela deve cumprir, para com os seus servos. A eles, como a seus próprios filhos, deve ela instrução, vigilância, correcção, bom exemplo e orações. Poderíamos aqui contentar-nos em enviar a leitora, para o que já dissemos; mas é bom entrar em alguns pormenores, sobre os pontos mais práticos, e mais desconhecidos. I — Instrução Em algumas famílias cristãs, em certas épocas do ano, mandam-se os criados para as escolas, ou então dão-lhes om casa algumas lições de leitura, durante os longos serões do inverno. E isso é um acto de caridade muito louvável. Uma mulher segundo a vontade de Deus, dispensando-se de mandar aprender a ler e a escrever os seus servos, terá cuidado de os instruir nos principais pontos da doutrina crista, que atrás deixamos expostos (veja-se a página 117). Como acusam a pouca fé de seus amos, esses infelizes criados, que, depois de longos anos passados ao seu serviço, ignoram as verdades mais elementares da religião I Algumas vezes até foram postos pelos próprios amos, na impossibilidade de as aprender; ou pelo menos, nunca ouviram fazer na casa uma

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leitura instrutiva e edificante ; ou então, se lhes deram tempo para assistir às instruções paroquiais, nunca os lá mandaram ir. Não ignoramos que algumas vezes é difícil levar jovens indóceis a mostrarem a sua ignorância em matéria religiosa. E mais difícil ainda sujeitá-los a um catecismo; mas com o zelo e o amor do dever tudo se consegue. Além disso podem instruir-se as pessoas da casa, sem parecer estar a catequisá-los, e para isso basta aproveitar os momentos em que eles estão reunidos, e fazer repetir diante deles a lição de catecismo, que os filhos aprenderam, quer na escola, quer na igreja. 0 uso da leitura da noite, em família, seria .também um meio fácil e eficaz para dissipar a ignorância dos servos. Mas principalmente a assistência aos ofícios, e às instruções da paróquia, será para eles duma grande utilidade. A senhora de Boisy, mãe de S. Francisco de Sales, ia ela própria fazer uma leitura piedosa, com as pessoas da casa, depois de jantar, e a oração em comum, à noite. A senhora de Chantal ia coser muitas vezes de tarde e liar para junto das criadas, aproveitando esta ocasião, para educar docemente, por piedosas e amáveis conversas, os seus espíritos grosseiros no conhecimento e amor de Deus.
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II — Vigilância

Deus pedirá contas a uma mulher cristã do comportamento de seus criados tanto como de seus filhos ; tanto a uns como a outros deve uma vigilância a que nada escapa, nem palavras, nem acções, nem relações. Desprezando este dever, em matéria grave, tornar-se-ia muito culpada perante Deus. Mas primeiro que tudo deve vigiar sobre a escolha que faz dos seus criados. S. Jerónimo disse duma

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viuva, chamada Marcela: «Só teve em sua casa donzelas, viuvas, ou mulheres duma santa gravidade, porque sabia que se julga dos, costumes duma dona de casa, pelo comportamento dos seus criados, e que somos, como as pessoas de quem gostamos estar rodeados. Uma dona de casa é pois mais interessada do que ninguém, em ter bons criados em sua casa. E por bons criados, não entendemos, nem as nossas leitoras entenderão, homens laboriosos e fieis, que cumprem ã risca as suas obrigações, e não fazem dano a seus amos, embora isto seja suficiente k maioria da pessoas ; mas entendemos homens religiosos e de bons costumes. Se um servo não cumpre as duas condições aqui estabelecidas, é muito de crer que os amos sejam mal servidos; porque como poderia ser fiel a um homem, quem o não é a Deus? E depois comunicaria a sua i n credulidade e as suas desordens aos outros criados, e até aos filhos da casa. A própria família poderia tornar-se toda um foco de escândalos, espalhando as suas influências corruptoras pelas casas vizinhas. Que tristes histórias se não poderiam contar, para provar dum modo mais eficaz que todos os raciocínios, os estragos que um só criado corrupto pode operar numa família christã! Em lugar, pois, de se informar escrupulosamente, se a pessoa que se deseja tomar ao serviço, está ao corrente do que dela se há de exigir, convém saber qual é o seu comportamento, de que modo cumpre os seus deveres religiosos, que ideia se forma da sua moralidade. 0 santo rei David não podia permitir na sua presença um criado que tivesse na boca palavras culpadas; não admitia consigo senão ho18

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mens irrepreensíveis com relação a costumes, Foi destarte que fizeram todos os santos, 0 facto de se terem escolhido bem os criados, não é uma razão para que nos dispensemos de os vigiar. Há alguns que parecem bons, e podem ser duma espantosa perversidade, e espalharem sobre os outros o veneno de que estão contaminados. A l guns há que são rialmente bons, mas perdem-se, se os não vigiarem atentamente, e se os não desviarem dos perigos que podem correr* E' preciso, pois, não nos deixarmos adormecer, numa grande confiança, e estarmos sempre de prevenção, como uma sentinela vigilante, e que observemos s&m cesssar por onde virá o inimigo, afim de lhe vedar a passagem e de o repelir* Longe de imitar a conduta desses amos que desviam os criados do cumprimento dos seus deveres de cristãos, ou não lhes concedem o tempo necessário para os cumprirem; que os arrastam para a violação das leis de Deus e da Igreja e que se riem das suas práticas de devoção,— uma mulher cristã vigia para que os criados façam as suas orações, assistam aos ofícios, e freqüentem os sacramentos, como se fossem seus próprios filhos. Se os vir dóceis às piedosas recomendações que lhe faz sobre este assunto, regosije-se no Senhor, e não lamente o tempo que gastou em dedicá-los a Deus. Nada é menos perdido efectivamente, para uma dona de casa, do que o tempo que os criados empregam na oração, porque a oração faz descer sobre uma família as bênçãos do Céu. Importa que os criados estejam sempre ocupados. Não se devem, é certo, aplicar sempre a um trabalho penoso ; mas nunca devem estar ociosos. E' mister variar e dispor as suas ocupações, de maneira que, descansando dum serviço pesado, se ocupem com

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APÊNDICE I

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outro mais leve, e que nunca estejam em frente uns dos outros, sem terem em que se ocupem. Seria útil colocar bons livros nas suas mãos, para que a sua leitura lhes fornecesse um agradável passatempo. durante as suas horas vagas. Uma boa dona de casa também deve desviar OK criados das ocasiões do pecado; das májs companhias; da frequência de pessoas de diferente sexo ; dos teatros, das tabernas, dos divertimentos do mundo; das leituras perigosas, etc. (veja-se páginas 213 e seguintes). Ensina a experiência de todos os dias que é uma funesta imprudência não dar senão uma cama, a mais de que um criado. w Tende cuidado que os vossos criados não vão para casa de vizinhos suspeitos, nem mesmo durante os longos seroes de inverno, e que se deitem cedo. A noite, diz o conde de Maistre, é uma cúmplice natural de todos os vícios. A sociedade e a família melhor regularizadas são aquelas em que há menores vigílias, e sempre a extrema corrupção dos costumes se anuncia pelo extremo abuso deste género. Nas casas, onde há jovens de ambos os sexos, a servirem, deve a dona da casa redobrar de vigilância. Ai deles, se ela fecha os olhos, se não vigia as suas entrevistas e relações, e se os deixa freqüentes vezes conversarem a sós ! E pior seria, se os abandonasse, numa casa de campo, ou em qualquer outra habitação, donde ela ficasse por muito tempo ausente, sem os confiar à vigilância duma pessoa capaz, pela sua idade e virtude, de a substituir. Não tardaria a pagar cara essa negligência, de que grandes contas havia de dar a Deus.

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I I I — Da correcção

Ordinariamente repreende-se, e por vezes com alguma irritação um criado, se despreza o serviço, se falta ao respeito aos seus patrões, se se apropria do que facilmente encontra à m ã o ; mas perdoa-se tudo, quando ele esquece e desconhece o que deve ao seu Deus. Não se permite que um servo passe o dia sem fazer nada, e repreende-se asperamente por esse facto; mas se ele blasfemar do nome adorável do Senhor, se for livre nas suas •conversações, se não assistir à santa missa e aos santos ofícios do domingo, se andar a perder-se por esses divertimentos mundanos, se freqüentar casas perigosas, com tanto que seja fiel e exacto no cumprimento das suas obrigações, nada se lhe diz. De forma que os amos mundanos, zelando sempre os seus interesses, são indiferentes pelos interesses de Deus. Tomando a peito serem respeitados pelos seus criados, pouco se lhes importa que eles respeitem a lei do Senhor. Estranha cegueira que S. Paulo fulmina com estas palavras: — Esses amos que desprezam os seus criados, (e não os corrigem), renegaram a sua fé. Mas como se compreende isso, se essa mesmo amo afirma que é cristão, que nasceu e quer morrer no cristianismo ? S. Crisóstomo responde: «E' que, desde que um cristão se não esforça por conservar na sua casa a piedade e o temor de Deus, e por fazer cessar tudo o que ultraja esse soberano Senhor, degenerou do zelo que animava os primeiros cristãos, e era a prova mais evidente da sua fé.> Os primeiros cristãos ! esses sim! Eram felizes, porque possuiam a verdade, trabalhavam para a comunicar a seus irmãos, e especialmente às pessoas da sua família, e o amo que cria em Jesus Cristo,

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fazia todos os esforços por comunicar a sua crença aos servos. O amo de hoje, como já não tem zelo pelos interesses do seu Deus, deixa por tanto ocasião a que duvidemos se a sua fé será a mesma que animou os amos dos primeiros séculos. E seconserva ainda no coração essa fé, cujas obras renegou, a sua fé está morta, renegou a sua fé tornou-se até pior que um infiel. Efectivamente Diocleciano, o mais cruel dos tiranos, perseguia terrivelmente os seus escravos que se recusavam a adorar os ídolos; e um amo cristão não ousa conservar as pessoas da sua casa, no temor e no respeito devidos ao Deus verdadeiro, nem repreender os que infringem as suas ordens!... Quanto a vós, mulheres cristãs, pouco sensíveisao que pessoalmente vos possa ferir no comportamento dos vossos servos, sempre, indulgentes a seu respeito e suportando pacientemente a sua grosseria natural e as suas desatenções, nunca deixareis passar despercebida uma falta contra o respeito devido às leis de Deus e da Igreja; nunca permitireis que se ludibrie a vossa vigilância e que se desatendam i m punemente as sábias recomendações que fazeis, para evitarem as ocasiões perigosas, e os divertimentos, do mundo. Se um aviso caridoso ou uma repreensão severa não forem suficientes, depois duma primeira infracção das vossas ordens, não receeis chegar às ameaças; não imiteis essas mulheres, que sob vãos pretextos, desculpam as suas fraquezas, para com as faltas dos criados- — Eu não sou a sua mãe, dizem elas. — Vós não sois a mãe efectivamente; mas n ã a ocupais o lugar de mãe ? Eles têem a sua mãe, não há dúvida, mas essa mãe está longe, e não pode repreendê-los; é pois a vós que compete fazê-lo. E se a mãe não está longe, e não os repreende, a sua negligência não desculpará a vossa, e deveis ser
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tanto mais firme, quanto ela é mais fraca, a seu respeito. <E' tam difícil, acrescenta-se, conter pessoas sem educação, como obrigá-las a uma vida regular. > E' difícil, mas não é impossível. Se por vossa firmeza, não podeis obrigar o vosso servo a uma vida cristã, porque razão não expulsais esse pestífero que pode semiar o contágio das suas desordens, na vossa família, ensinar os vossos filhos e os outros criados a blasfemar, e a entregarem-se à embriaguez e à impudicícia? Um outro qualquer, que seja isento desses vícios, não fará também o que se exigir dele, como esse escravo das suas vergonhosas paixões? Mas é certo que uma mulher cristã raras vezes será obrigada a despedir os seus criados, porque os não fatigará com cóleras, e ordens mil vezes repetidas, sem utilidade. Não lhes infligirá repreensões injustas, por capricho insustentável, compadecer-se-há das suas fraquezas e tabalhos, e não lhes admitirá baixas familiaridades; mas será sempre digua e reservada, na sua presença. De sorte que o criado não leva a mal, recebendo uma repreensão, que julgou merecida, pois viu que fostes inspirada não por amor próprio, ou por interesse pessoal, mas sim pelo desejo da glória de Deus, e pela salvação das suas almas. Infeliz, três vezes infeliz, aquele amo que abusa da influência que a sua condição lhe dá, sobre um criado, para o arrastar para o mal! Mas mais infelizes aqueles que dão a seu servo o exemplo do desprezo da religião, e dum comportamento desregrado, ou mundano ! A serva será como a ama. Todas as pessoas duma casa se formarão à semelhança da que tem autoridade sobre elas. E' necessário que ninguém veja, nas suas obras, exemplos que possa imitar.

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Nas orações que dirige a Deus, pela sua família, não deixa uma boa dona de casa de dar uma parte a seus servos ; sobre eles, como sobre os seus filhos, deve atrair a misericórdia divina, pois que só ela pode tornar eficazes os cuidados que presta a uns e a outros. Antes de terminar citemos alguns exemplos que mostrarão, reduzidos à prática, tod^ os conselhos que acabamos de dar. <A senhora Acarie, escreve o seu biógrafo, não pensava como muitos amos, que julgam ter feito a sua obrigação, quando pagam os serviços que recebem. Também se considerava obrigada a vigiar, com relação à fé e aos costumes. Nunca considerava os deveres que tinham a cumprir na casa, confundindo-os com os que deveriam cumprir na qualidade de cristãos. «Iam todos os dias à missa; não faltavam às instruções públicas, e confessavam-se todos os meses. Seguindo as instruções e os exemplos de sua ama, praticavam os exercícios da oração mental, liam as vidas dos santos e outros bons livros, e quando comungavam, faziam-no com tanta devoção, que quem os via não podia deixar de admirar tamanha piedade. A sua humilde e santa ama comungava muitas vezes com eles. «A senhora Acarie tinha tanto cuidado com as criadas, que, quando a vestiam, falava-lhes nas virtudes que lhes eram necessárias, e nos meios para as adquirirem. «Falava-lhes também, à noite, sobre o mesmo assunto, e essas boas almas escutavam-na com tanto prazer, que se sentiam quasi sempre aliviadas das fadigas do dia, e ganhavam novas forças, para suportarem com alegria os trabalhos dos dias seguintes. «Não usava todavia da menor indulgência, quando
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notava grandes defeitos nos seus servos, como o costume de jurar, de se encolerizarem, de se embriagarem, ou de falarem contra a religião, ou contra a decência. Se, depois de terem sido advertidos duas ou três vezes, não se corrigiam, ela própria os despedia, ou os fazia despedir por seu marido. «Sabendo quanto é funesta a ociosidade aos criados, que servem uma grande casa, queria que os seus nunca estivessem desocupados. Queria também que vivessem cristãmente, como irmãos e irmãs.» «Virgínia Bruni, escreve o Padre Ventura, tinha para com as pessoas ao serviço da sua casa, uma solicitude e uma afeição que seria para desejar se encontrassem em certas casas entre pais e filhos. Fazia quanto de si dependia, para que freqüentassem os sacramentos; dava-lhes tempo para irem à igreja, e para ouvirem as prédicas, posto que aproveitasse todas as ocasiões, para ela mesma lhas fazer. Exigia a sua presença, para a recitação do rosário, e das orações da noite, não admitindo desculpas nem pretextos da sua parte, para não comparecerem. Se à hora, em que começavam ordinariamente estes exercícios, eles estavam ocupados, ela não tinha dúvida em esperar, para que o seu serviço terminasse, afim de se não privarem deste bem espiritual. «Da sua saúde ocupava-se com a mesma caridade. Se chovia, ou estava frio, proibia-lhes que saíssem, a menos que não houvesse uma verdadeira necessidade. E, se por esse facto, o serviço era prejudicado: — «Pouco importa, dizia ela, pouco importa ; ireis mais tarde. O que eu não quero é que adoeçam.» «Já doente, e poucos dias antes da sua morte, mandou chamar o criado velho da casa, e ralhou-lhe, por não ter ainda mandado fazer um calçado forte, para o preservar da humidade. Se este criado

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estava doente, não só lhe mandava o melhor alimento, e os remédios de que os amos usavam, mas ia ela própria vê-lo. Queria que se confessasse, e mandava-lhe ela mesma o médico e o confessor. Depois de tudo isto, vigiava porque nada lhe faltasse, e para isso encarregava a sua criada de quarto, quando não podia pessoalmente encarregar-se desse serviço. Se repugnava a esse bom homem vê. a sua ama fazer-lhe tantas complacências : — <Eu não venho aqui, dizia ela, como tua ama; não se trata agora nem de ama, nem de criado, mas sim dum pobre doente, para quem Jesus Cristo quer que se use de caridade, como para com a sua divina pessoa. E para mais, se eu faço esias pequenas coisas a estranhos, porque as não hei de fazer a pessoas, que fazem parte da minha casa?» «Gostava também de dar esmolas aos pobres; mas preferia sempre dá-las aos criados, quando os via em precisão: «Os pobres, dizia ela, que primeiro têem direito ao nosso socorro, são aqueles, cuja vida está empregada em nosso serviço.» Deveremos admirar-nos, depois de tudo isto, que o mais antigo dos seus criados, enquanto durou a doença de Virgínia, não quizesse, durante as quinze noites em que ela esteve em perigo de vida, ir uma só vez ao seu quarto, estando, por assim dizer, como em contínua observação, afim de estar pronto para qualquer eventualidade? Quanto era belo ver nestas circunstâncias a luta estabelecida entre a caridade e o reconhecimento ! A doente insistia para que o servo fosse para o seu quarto, afim de descansar ; e o servo respondia-lhe : «Perdoai-me, se vos desobedeço neste ponto. Passei dezassete noites, pela mãe ; posso fazer outro tanto pela filha.» Virgínia, já sem esperanças de o persuadir, voltava-se para a irmã, dizendo-lhe:

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— «Por quem és, manda este criado para o esu quarto ; há tantas noites que não dorme, que eu receio pela sua saúde. Bem vês que é chefe de família.» E o seu cuidado não cessava, senão quando lhe diziam que já tinha ido embora. Era assim, que, presa das dores da sua doença, e dos terrores duma morte próxima, essa alma caridosa se ocupava ainda do bem dos outros, a ponto de se esquecer de si própria.

CONCLUSÃO
m

Terminando esta exposição dos deveres da mulher cristã, sentimos a necessidade de conjurar ainda uma vez as nossas piedosas leitoras, para estudarem muitas vezes as suas obrigações, meditá-las, e fazerem quanto possam para as cumprir, Pedimos-lho pelo amor de nosso divino Salvador Jesus Cristo, que tanto amou as criancinhas, e que morreu na cruz para as resgatar; pelo amor da Virgem Maria, o modelo e a padroeira de todas as mães ; pelo amor desses queridos filhos, que uma educação desprezada pode perder; pelo amor da pátria, cuja ruína pode preparar a perversão da infância. O' meu Deus, inspirai, pois, o vosso amor, que é o nosso único tesoiro neste mundo, no coração de todas as mães, e por seu intermédio, no coração de todos os filhos. Nós vos suplicamos por Maria Santíssima, vossa divina Mãe e nossa, para que venha a nós o vosso reino e seja feita a vossa vontade, assim na terra, como no Céu !

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DIVERSOS EXERCÍCIOS DE PIEDADE
(EXTRAÍDOS DAS *HORAS DE PIEDADE»)

E x a m e de

consciência

N ã o adiantamos, muitas vezes, quasi sempre, na virtude, porque n ã o conhecemos os nossos defeitos, e n ã o os conhecemos, porque nos n ã o examinamos. Ah l se olhássemos para n ó s , quantas misérias, quantas imperfeições, quantas faltas, n ã o reconheceríamos ser necessário, e talvez mui fácil, arrancar do coração, para bem servir o nosso Deus, mais e mais a Ele nos u n i r ! Se olhássemos para n ó s , como n ã o descobriríamos até acausa, a raiz dessas imperfeições, como n ã o veríamos e claramente tudo o que durante o dia nelas nos faz cair, e assim mais facilmente e m p r e g a r í a m o s o remédio necessário para as evitar! E' por isso que o exame de consciência, além de auxiliar e muito uma bôa confissão, muito concorre para nos conservar a graça, é um meio indispensabilíssimo para adiantar na virtude. Por isso t a m b é m os Santos o amaram tanto, tanto, que chegaram a considerá-lo até, quando feito e bem, todos os dias, como sinal de p r e d e s t i n a ç ã o . F a ç a m o s , pois, todos os dias, todos, antes de nos deitarmos, durante um quarto de hora, ou o tempo que o confessor designar, o exame de consciência, se queremos deveras amar o nosso Deus. Para bem o fazer, coloquemo-nos, imaginemo-nos, na presença de Deus, de Deus, que nos há de julgar, nos há de pedir rigorosíssimas contas do ma! que fizermos, do bem que n ã o fizermos, podendo-o fazer; de Deus, que vê os nossos mais recônditos pensamentos, lê mesmo no fundo do nosso

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coração, e agradeçamos-Lhe os benefícios recebidos, as graças, que se nos tem dignado dispensar. E quantos b e n e f í c i o s ! . . . A criação, a conservação, a red e n ç ã o , o chamamento à fé e à verdadeira Igreja, a eterna glória no C é u ! . . . E quantas graças, quantas luzes, quantas inspirações!... Recordemos, mas de passagem, um relance de olhos basta, essas graças, esses favores, para melhor vermos o amor dum Deus e mais facilmente sentirmos a nossa i n g r a t i d ã o . — Peçamos depois, mas cio fundo da alma, luz para bem conhecermos as nossas misérias e imperfeições, graça para as detestarmos e a força precisa para as arrancarmos do coração. — Percorrendo, em seguida, uma a uma as horas passadas desde a m a n h ã até ao momento do exame, relembrando-nos das circunstâncias em que nos encontramos, das ocupações a que nos entregamos, das pessoas com quem convivemos ou falamos, vejamos, com a devida diligência, e só com ela, se alguma falta houve em nossas a c ç õ e s : se por pensamentos, palavras ou obras ofendemos o nosso Deus, caímos em alguma imperfeição, faltamos a algum p r o p ó s i t o , deixamos de praticar algum bem, que p o d e r í a m o s , e deveríamos talvez, praticar. — Descobertas as faltas, procuremos ter delas e n t ã o verdadeira d ô r . E' esta d ô r , que o exame sobretudo mira, é a sua parte principal. Sem d ô r , de nada serviria o exame. Poderíamos gastar horas e horas em esquadrinhar os mais recônditos esconderijos da consciência ; sem d ô r , teríamos feito tudo, menos exame de consciência, nem um só passo sequer a d i a n t a r í a m o s no caminho da perfeição. Procuremos com todo o empenho, mas fugindo do menor esforço, excitá-la no nosso coração, d ê m o s a ela a maior parte do tempo consagrado ao exame, se queremos que o exame seja o que deve ser. — Façamos, por último, é conseqüência da verdadeira d ô r , um sério p r o p ó s i t o de emenda, vendo e resolvendo p ô r em prática o que mais é necessário para melhor servir o bom Deus.

*

Se tivermos de fazer confissão geral, ou, porque, ocultando, por vergonha, algum pecado grave, ela é desde e n t ã o necessária, ou po que a m u d a n ç a de estado, alguma circunstância séria ou o confessor no-la aconselha, de toda a vida ou de parte dela, examinaremos, percorrendo um por um os mandamentos da lei de Deus, da Igreja, os pecados mort a i s . . . , assim, um pouco mais devagar p o r é m , toda ou essa
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parte da nossa vida, procurando descobrir as faltas, que, contra cada um desses mandamentos, e t c , a consciência nos possa acusar.

Exame Particular
Embora façamos, e com atenção, como sempre todos os dias devemos fazer, exame de consciência, pouco ou nada adiantaremos na virtude, se quizermos, duma só vez, arrancar todos os defeitos do nosso c o r a ç ã o . Para que a vitória seja fácil e nossa, é necessário arrancá-los um por u m ; e para isto é indispensável o exame particular. Se, pois, queremos que seja certa e profícua a/ itória, procuraremos, sobretudo à luz da meditação, descobrir o defeito que em nós mais predomina, aquele defeito, que é, por assim dizer, a fonte e causa de todas as nossas imperfeições, é o nosso fraco, e vejamos o que, durante o dia, nos leva a mais vezes nele cair, e o que será e n t ã o necessário fazer para o evitar. E' este defeito, que, de preferência, devemos procurar vencer, esforçando-nos por p ô r em prática, na ocasião, sobretudo, em que nele mais caímos, esse meio que reconhecemos necessário para e n t ã o o evitar. Na oração da m a n h ã , lembrar-nos-êmos deste defeito, e todos os dias, ao menos uma vez por dia, na ocasião mais propícia examinaremos, durante alguns instantes, poucos m i nutos bastam, a nossa maneira de proceder com relação só a esse único defeito, vendo quantas vezes, (podendo até à maneira que vamos caindo, contá-las por umas cantas p r ó p r i a s para este fim), nele caímos e fixando este n ú m e r o , ou retendo-o bem na m e m ó r i a , ou, o que é melhor, escrevendo-o, mas só o mimero, num pequenino papel, que guardaremos, ao diante do dia da semana, segunda-feira, t e r ç a . . . etc, que nele escreveremos t a m b é m . No dia seguinte faremos o mesmo exame; procuraremos descobrir o n ú m e r o , que reteremos ou escreveremos, por debaixo do outro, ao diante no dia da semana correspondente, de vezes que caímos ainda nesse mesmo defeito e compararemos o n ú m e r o das quedas deste dia com o das quedas do dia anterior. Se fôr menor, daremos, do coração, graças a Deus; n ã o nos ensoberbeceremos, lembrando-nos do pouco ou nada, que fizemos, ou do muito, que temos ainda que

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fazer, no caminho da perfeição; e resolveremos ter todo o cuidado em vêr se no dia seguinte o número dessas faltas será ainda menor. Se fôr maior, pediremos, e do coração também, perdão ao Senhor; humilhar-nos-êmos à vista da nossa miséria, que nada ainda nos deixou fazer; e, sem desanimarmos, pelo contrário, enchendo-nos de coragem, tudo esperando do auxílio divino, proporemos firmemente esforçar-nos eesforçar-nos-êmos, por no dia seguinte cair menos alguma vez. E assim, podendo também comparar uma semana com outra, faremos todos os dias este exame, que, por versar sobre um só defeito, se chama particular, até termos arrancado esse defeito do nosso coração. Arrancado esse, procuraremos arrancar, pelo mesmo modo, o que, depois desse, fôr maior. Para que mais facilmente nos lembremos da queda, e tenhamos assim maior cuidado, podemos, a cada falta, levar a mão ao peito, ou recitar uma jaculatória, escolhida para este fim, ou cumprir a pequenina penitência que o confessor nos impuzer.

Sagrada Comunhão

i
Comungar é receber em nossa alma a J e s u s ! . . . é receber um Deus em nosso coração!... é receber nesse coração um Deus, que, não contente em baixar à terra, fazer-se homem e morrer para nos salvar no alto duma c r u z ! . . . quiz ficar e ficar até à consumação dos séculos no augustíssimo Sacramento do altar para ser, oh ! amor dum Deus ! . . . o alimento da nossa alma, a vida deste nosso coração. E ali ficou só para poder dar-se todo a nós, descer ao nosso seio, unir-se e intimamente ao nosso coração, abrasando-o no seu amor, e assim unido a este tão pobre coração, fazer-nos participantes^da sua divina natureza, a fim de que, vivendo não nós, mas Ele em nós, pudéssemos atravessar sãos e salvos esta mansão de exílio, desbaratar os inimigos que nela nos rodeiam, ter a paz na terra e a felicidade no Céu. E para se poder unir a nós, não, já tão estreitamente !, pela graça como em todos os outros sacramentos, mas por Si mesmo, para que essa união fosse a mais íntima, o mais incompreensivelmente inefável, reduz-se à condição de alimento» e assim humilhado, assim escondido todo, todo, corpo, sange,

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alma e divindade!, sob as aparências do vinho e do p ã o , ali está sobre os altares, ardendo no desejo, no ú n i c o desejo de descer à nossa alma, para estreitar o seu ao nosso coração e faz este assim imensamente f e l i z ! . . . E n ã o secundaremos os desejos de Jesus ?! N ã o permitiremos que Ele desça a esse coração ?! n ã o permitiremos que desça a esse coração tão pobre e amargurado, rodiado de tantos espinhos e tão inclinado para o mal, a esse coração que encarniçadamente disputam tantos inimigos e tão cruéis e que tanto suspira pela felicidade, o Jesus divino, que se ocultou no sacramento da Eucaristia só para ser o amparo, o alivio, a consolação e a vida desse c o r a ç ã o ? ! o Jesus divino que nesse sacramento é a felicidade, a única felicidade desse coração ? ! . . . Mas Jesus sacramentado só pode descer à nftsa alma pela c o m u n h ã o , e n ã o comungaremos e n t ã o ? ! . . . O h ! n ã o comungar e n ã o amar a Jesus no sacramento do seu amor, é ser ingrato, negramente ingrato, ao seu muito amor a í por n ó s L . . Comunguemos, pois, mas comunguemos bem, o maior n ó m e r o de vezes que ser possa, as vezes que o confessor, o único que em tal matéria, seja qual fôr a nossa condição tem competência, nos permitir ou ordenar.

à

Para bem comungar é necessário que a nossa alma esteja na graça de Deus, isto é livre ou purificada do pecado mortal, o único que nos pode roubar essa graça. Comungar com a alma manchada por um só pecado mortal, seria renovar a t r a i ç ã o de Judas; arremassar com o nosso Deus, o Deus de toda a santidade, para os pés de Satanaz que domina essa pobre alma ; cometer o crime mais horroroso e ignóbil que na terra se pode cometer, o h e d i o n d í s s i m o crime duma comun h ã o sacrílega, a maior das desgraças para n ó s ! Por isso se a consciência nos acusa mesmo dum só pecado mortal, n ã o nos avizinhemos do banquete celeste; confessemo-nos e bem, antes de comungar, a n ã o ser que nos lembremos só de algum involuntariamente e sem culpa esquecido na confissão, porque e n t ã o , embora fosse melhor, se ainda n ã o estamos ajoelhados à sagrada mesa, confessá-lo sendo possível antes, podemos, confessando-o depois como dissemos, ir socegados à c o m u n h ã o .

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— Os pecados veniais, conquanto diminuam a graça, enfraqueçam e entibiem a amizade de Deus e sejam uma disposição terrível para o peccado mortal, depois do qual são o maior dos males, n ã o roubam essa graça nem quebram essa amizade, e n ã o impedem portanto a sagrada c o m u n h ã o . Com eles, seja qual fôr o n ú m e r o , podemos pois comungar e até, quanto maior é esse número, mais a miúdo devemos procurar comungar, para, animados com a força do nosso Jesus, mais facilmente os arrancarmos do coração. Quanto menor porém fôr o n ú m e r o desses pecados e menor fôr o afecto que a eles tenhamos, mais Jesus reinará nesse c o r a ç ã o , mais abundantes graças d e r r a m a r á sobre ele mais ardentemente o inflamará no seu divino amor. E m p e n h ê m o - n o s pois o mais possível, n ã o importa pouco a pouco, em purificar a nossa alma dos pecados veniais, afugentar para longe dela o afecto que a eles possa ter.

Uma outra disposição requerida é a do jejum natural Desde a meia noite até comungar, nada, absolutamente nada, nem mesmo por remédio, havemos de comer ou beber. Para quebrar este jejum é necessário p o r é m que comamos ou bebamos alguma coisa, embora m í n i m a , que esteja fora de nós e que de algum modo se possa ou costume comer ou beber; e por isso, se estamos habituados, podemos antes de comungar fumar ou cheirar e nem, pois isso, além doutros casos menos freqüentes, quebra também esse jejum alguma gota de água, que ao lavar os dentes e a boca, ou mesmo ao molhá-la para depois deitar fora, por ventura, e principalmente sem querer, nos escape ; nem o fragmento de comida, ficado entre os dentes por palitar, involuntariamente sobretudo, se engula; nem o sangue que corra das gengivas, ou mesmo, por dentro, do nariz.

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* *

Por último requere-se a limpeza, a decência e a compostura exterior. Procuraremos evitar portanto, quanto possível, a sordidez e o desalinho, sem para isso cair na vaidade e o s t e n t a ç ã o ; e

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evitando tudo principalmente o que no vestir haja de inconveniente ou desonesto, avizinhar-nos-êmos da mesa eucarística com a limpeza e decência próprias de cada um e que as circunstâncias, em que fazemos a c o m u n h ã o , nos permitam empregar. O exterior há de ser modesto e recolhido, mas há de ser a expressão e só a expressão do amor, que no coração temos por tão augusto sacramento. Para longe pois também o fingimento e a afectação.

Assim preparados, vamos e n t ã o receber o nosso Deus. Mas, pondo de parte fins s e c u n d á r i o s , que nem por sombra queremos imaginar, não vamos só porque os outros t a m b é m ' v ã o . Fujamos dessa <vã e ciosa imitação, no dizefue S. Francisco de Sales, ordinária nas mulheres»; mais ainda que na confissão, fujamos sempre e com empenho da rotineira, da deplorável rotineira, que em tantas e tantas almas impede ou sufoca os frutos preciosíssimos da presença adorável de Jesus. Vamos à c o m u n h ã o levados pelo desejo e só pelo desejo de adiantar na virtude, mais e mais amar o nosso Deus ; vamos à c o m u n h ã o levados sobretudo pelo desejo de corresponder, quanto em nós caiba, por amor ao seu infinito amor. fcle quer, e como q u e r ! . . . , descer ao nosso c o r a ç ã o . Comunguemos para que Éle aí possa descer; comunguemos só para poder estreitar nesse coração e com toda a efusão do nosso amor o Deus, que por amor e só por amor se dá todo a nós ! . . . E para reavivar este amor, procuremos excitar sempre, sempre em nossa alma antes da c o m u n h ã o um acto de fé viva na presença do nosso Deus; um acto de humildade profunda, reconhecendo a nossa indignidade, mas ao mesmo tempo um acto de confiança, de inteira confiança na bondade desse Deus, que, apesar de tão indignos, assim nos quer amar; correspondendo a esse amor, excitaremos também um acto de amor, amor ardente, e um veementíssimo desejo de possuir Jesus em nosso coração. Se comungarmos h missa, os sentimentos que despertarmos em nossa alma, ouvindo-a pelo primeiro m é t o d o , podem servir de p r e p a r a ç ã o , como dissemos, para a c o m u n h ã o . Se não comungarmos à missa, ou se antes assim quizermos, podemos valer-nos, para excitar estes sentimentos, dos actos que em seguida reproduzimos.

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A MÃE S E G U N D O A

VONTADE

DE D E U S

Esses actos p o r é m hão de servir apenas de auxiliar. Havemos de sentir os afectos que neles se exprimem, deixar falar o coração, e n ã o os lêr só, ainda assim devotamente e aplicando-os a n ó s , s e n ã o quando a aridez, a dissipação ou a ignorância nos impeçam de meditar. Leiamos pouco, deixemos que o coração fale muito.

Preparação para a Sagrada Comunhão
fíeto de pc

Meu Senhor Jesus Cristo, creio que V ó s estais no Santíssimo Sacramento do altar! Creio que sob as aparências do p ã o e do vinho, está o Vosso Corpo, o Vosso Sangue, a Vossa Alma, a Vossa Divindade: — aquele Corpo imaculado, que por meu amor foi reduzido todo a uma chaga, —aquele Sangue divino, que para me salvar foi derramado até à última gota—aquela Alma nobilíssima, que se encheu de tristeza e de desolação à vista dos meus pecados, — aquela Divindade adorável, que para me exaltar ficou eclipsada sob c véu de tantas ignomínias e desprezos [ — Creio que sobre esse santo altar estais tão vivo e belo, como no C é u : com a diferença de que no Céu sois mais glorioso, porque, a vossa Magestade deslumbra, e aqui sois mais amável, porque o vosso escondimento atrai! Eu creio, ó Senhor, esta tão sublime e tão consoladora verdade, porque creio no vosso amor! O h ! se eu pudesse dar o sangue em testemunho da minha f é !
Hcto d c h u m i l d a d e

E quem sou eu, ó meu doce Jesus, que venho receber o Vosso Santíssimo Corpo ? Eu sou um verme desprezível da terra, que de meu só tenho o nada e o pecado! — Eu sou um pecador ingratíssimo que tantas vezes tenho amargurado e ferido o Vosso Coração, aquele Coração amantíssimo, que tantas graças me tem dispensado ! — Eu sou um escravo miserável do inferno, onde devia estar, há tanto tempo, se a vossa misericórdia n ã o tivesse tido piedade de m i m ! — E Vós, meu Deus, Vós tão imaculado e santo, quereis hoje entrar na


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rainha alma tão impura e tão ingrata! A h ! Senhor, afastai-Vos de m i m ; n ã o sou digno de receber a vossa v i s i t a ! . . . Para que, meu bom Jesus, expôr-vos outra vez às humilhações e aos sofrimentos? N ã o sabeis que o meu coração é mais frio que o presépio de B e l é m ? . . . mais duro que a C r u z . . . A h ! Senhor, afastai-vos de mim que sou pecador!
Reto de C o n í i a n e a

Mas, ó Jesus, se Vós Vos afastardes de mim a quem hei de recorrer? Quem me consolará, se me abandonar o Deus da c o n s o l a ç ã o ! Quem me d a r á força e coragem para vencer as tentações e contrariedades, se eu me não aproximar do Senhor da força e do valor? Quem me a m p a r a r á , quem me d a r á a felicidade, se se afastar de m i m o meu bom Jesus, o meu adorado Salvador, que tantos sacrifícios fez para a m i nha salvação, e que por mim deu todo o seu sangue?! Oh! confio em Vós, unicamente em V ó s , n? .a Sumo Bem! SC a vista das minhas, misérias me espanta, a vista da vossa bondade consola-me! Se eu deixei de ser vosso filho afeiçoado, V ó s n ã o deixastes de ser o meu bom P a i ! Vós procurastes-me no caminho da iniquidade: e agora que, arrependido e humilhado? volto aos vossos pés, n ã o posso pensar que me afasteis dá vossa p r e s e n ç a ! N ã o é este o banquete preparado para o filho p r ó d i g o ? E eu sou esse filho p r ó d i g o ! N ã o sois V ó s , ó meu Jesus, o amigo, o único amigo dos fracos, dos pobres, dos pecadores? È eu, Vós o vedes, sou fraco, sou pobre, sou pecador ! A vista das misérias alheias atraía tanto o vosso amantíssimo C o r a ç ã o , quando vivieis sobre a terra; e agora n ã o posso acreditar que essa vista Vos cause indiferença e desprezo! Sois tão bom, ó meu doce Jesus! Eis porque tenho uma ilimitada confiança em V ó s !
Reto de Rmov

O' Jesus, o meu coração n ã o é digno de Vos amar, porque se abaixou até ao lodo da terra; mas Vós sois digno de ser amado por todos os corações, e com tanta insistência pedis que eu vos ame! Sim, amo-vos, meu bom Deus! A m o -vos; porque a beleza me encanta, e_Vós sois infinitamente belo ! Amo-Vos, porque n ã o posso deixar de corresponder a quem me beneficia, e Vós amastes tanto a minha alma! N ã o é verdade, meu adorado Salvador?... Vós éreis glorioso e feliz; e, para salvardes a minha alma do inferno e restituir-lhe

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a felicidade eterna descestes do Paraíso, nascestes numa gruta no meio dos animais, passastes uma vida sempre pobre, amargurada e cortada de privações, morrestes sobre uma Cruz no meio dos malfeitores!... E, como se estes sacrifícios não bastassem para me patentiar o vosso amor, quizesies dar-me o vosso Corpo adorável e o vosso Sangue precioso em alimento da minha alma! N ã o terei eu o direito e o dever de 'Vos amar, meu Jesus! O' Senhor, quereria possuir o amor dos Serafins... o amor da Vossa Santa M ã e . . . o amor do Vosso Santíssimo C o r a ç ã o ! Assim o meu amor igualaria o vosso infinito amor!
Reto de ContPiçSo

O' meu dulcíssimo Redentor, quando penso nos p r o d í gios do vosso Amor e nos meus pecados, a dor despedaça o meu c o r a ç ã o ! Meu Jesus, não há ninguém sobre a terra, que me tenha tanto amor, como Vós : ninguém que tenha dado por mim uma só gota de sangue, quando Vós o destes t o d o . . . E, todavia, a ninguém eu desprezei e desgostei tanto, como a Vós, meu Jesus! A h ! ingrato, que eu tenho s i d o ! . . . Mas esta ingratidão há de acabar! Eu me arrependo com todo o meu coração de Vos ter ofendido, a Vós que sois tão amável, e tão amante, e, com a vossa santa graça, prefiro a morte ao pecado ! Sim, meu Jesus, antes morrer do que ofender de novo a Vossa Bondade Infinita f— Eu espero estar já na Vossa g r a ç a ; mas purificai ainda com o Vosso sangue precioso o meu coração, que daqui í pouco há de ser o trono da Vossa misericórdia !
Beto de Desejo

O' Jesus, o meu coração está pronto! Como a terra resequida pelo ardor do estio suspira pelo orvalho da manhã, assim também a minha alma suspira por Vós, meu Deus! Eu sou fraco, e Vós sois a. força! Eu sou pecador, e Vós sois a santidade! A h ! preciso de Vós, meu doce Senhor! Vinde, pois, Redentor amabilíssimo, vinde à minha alma! Tenho tantas coisas para confiar ao Vosso Coração ! . . . Vinde, único e infinito bem da minha alma, meu tesoiro, minha vida, meu a m o r . . . meu t u d o . . . V i n d e . . .

APÊNDICE II

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Chegado o momento da comunhão, deixemos, se o fazíamos, de crar, por alguns instantes, vocalmente; reavivemos a nossa fé, e lembremo-nos, mais que nunca, que estamos para receber um Deus em nosso c o r a ç ã o ! . . . E como suspira por descer a esse coração o nosso Deus ! . . . Mais uma vez, suspiremos também por Êle, e vamos com todo o amor receber o Deus, que por amor se vai dar todo a n ó s ! . . . Arrependidos, digamos com o ministro a «Confissão», e, ao mostrar-nos o Sacerdote a Hóstia divina, inclinados e humilhados ante ela, mas cheios de confiança, repitamos por três vezes e do c o r a ç ã o : Senhor, não sou digno que entreis na minha morada; mas dizei apenas uma palavra e a minha alma será salva. Recebamos então Jesus. A h ! . . . que instante!... que feliz instante ! . . . Como os Anjos, se pudessem, nos invejariam, se tivemos a dita de fazer bem a nossa c o m u n h ã o ! . . .

Levantemo-nos da sagrada mesa preocupados com este pensamento : — Tenho um Deus em meu coração ! . . . Tenho em meu coração Jesus ! . . • E, chegados ao nosso lugar, não nos distraiamos, nem procuremos logo recitar pelo livro as o r a ç õ e s ; seria afastar Jesus para bem longe do nosso coração. Estes momentos são preciosos, são p r e c i o s í s s i m o s ! . . . São para nós os momentos de maior ventura, talvez única ventura, na terra ! . . . São os momentos, em que Jesus, é todo bondade e carinho para com a sua criatura, os momentos por que tanto suspira o seu coração, todo desejoso de nos comunicar os seus bens, abrasar-nos todos no seu a m o r ! . . . Ah ! não os percamos, pois. Ao menos, por alguns desses preciosíssimos instantes, entretenhamo-nos a sós com o nosso Jesus. Contemplêmo-lo docemente reclinado em nosso coração, e adoremos aí, adoremos o nosso Jesus. Agradeçamos-Lhe, e do fundo da alma, tão grande prova de amor. Com a confiança de filho no mais extremoso dos pais, recomendemos-Lhe as nossos necessidades, as dos que nos são caros, as daqueles por quem queremos interceder, e peçamos-Lhe, peçamos.-Lhe, (mais que nunca Ele agora nos ouve, para isso desceu Ele ao nosso coração), as graças de que necessitamos, sobretudo^ graça de mais e mais correspondermos ao seu amor, mais]e mais nos unirmos ao seu amantíssimo coração.
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A MÃE S E G U N D O A V O N T A D E DE D E U S

Passados assim alguns instantes, e só passados assim, podemos então valer-nos dos seguintes actos, procurando porém que o coração os sinta.

Acção de graças para depois tia Sagrada Comunhão

Jesus, o Senhor do Paraiso, o Deus da Grandeza e Mages™ íade, repousa no meu pobre coração, como no trono do seu amor ! Oh ! misericórdia infinita ! . . . Prostrado no pó do meu nada, aniquilado no abismo das minhas misérias e pecados, eu vos adoro, meu dulcíssimo Salvador í Adoro o vosso Corpo tão puro e imaculado, que tanto sofreu por m i m , . * adoro, cheio de ternurae de respeito, as Ghagas dos vossos P é s , „ das Vossas M ã o s . . , do Vosso Coração, — Chagas sacratíssimas, que são o monumento vivo € perpétuo do vosso amor para com a minha alma 1 — Adoro o Vosso Sangue precioso, que com tanto sofrimento e com tanta caridade derramastes no h o r t o . . . no p r e t ó r i o . . . no Calvário ! — Adoro a vossa Àlma cheia de graça e de virtudes, que tão triste se tornou à vista das minhas iniquidades ! . . . Adoro a Vossa Divindade, que com tao generosa misericórdia me tirou do nada e com tão suave providência me rege, conserva e ampara ! . . . Adoro-Vos, meu Jesus, e como não posso adorar-Vos, quanto mereceis, ofereço-Vos as adorações dos Santos do P a r a í s o . * , da Vossa Santa Mãe Imaculada,.. do Vosso Divino Coração, e com todo o respeito e ardor da minha alma, repito com os Anjos que vos cercam : <Santo, Santo, Santo é q Senhor Deus dos exércitos: toda a terra está cheia da sua gloria: Glória ao Padre, glória ao Filho, glória ao Espirito Santo />
+ t

Reto de ZLraot?

O* meu Jesus, como sois bom ! Depois de terdes dado por mim o vosso sangue, quizestes descer ao extremo da condescendência, escondendo-vos sob as aparências de pão, para entrardes no íntimo do meu coração ! , . . Sois tão grande, ó

APÊNDICE II

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meu Deus, mas agora sois íãG pequeno, — mais pequeno no meu seio do que no seio da Vossa Mãe Imaculada 1 E para que tanto abatimento ? Porque o vosso amor é infinito ! — Desejáveis unir-vos à minha alma, para a santificar, para torná-la feliz ; sabíeis que a Vossa grandeza teria deslumbrado a minha pequenez, e que eu não teria tido a coragem de me aproximar de Vós ; e assim, para me dardes confiança, escon• destes a vossa glória sob as espécies de pão ! — Agora não tenho medo de pronunciar uma palavra, que só dois corações semelhantes podem pronunciarj — a palavra do amor ! Sim, eu Vos amo, õ meu doce Jesus ! eu Vos amo com toda a minha alma ! — O' Jesus, arnemo-nos muito ! O Vosso amor será de compaixão e de misericórdia; e o meu será de humildade e de submissão l — O' Jesus, amemo-nos sempre... na vida e ria m o r t e . . . no tempo e na eternidade! Que um e o mesmo suavíssimo fogo abrase o Criador omnipotente e a sua pobre criatura ! . . .
JHeto de H c j f í a a e e i m e n t o

O' Jesus, com a alma a trasbordar de gratidão, eu Vos dou graças por todos os benefícios que a vossa misericórdia me tem dispensado. O h l quantos e q u ã o grandes!.,. Agradeço-Vos o amor infinito, com que desde a eternidade me distinguistes entre tantos e me chamastes à existência, embora conhecêsseis todas as minhas ingratidões ! . . . Agradeço-Vos a bondade infinita com que, tendo compaixão da minha alma condenada ao Inferno, descestes do Paraíso, assumistes a minha natureza, e, depois de uma vida tão pobre e mortificada, morrestes sobre um patibuto de infâmia ! , . . Agradeço-Vos o amor inefável, que vos levou a ficar nos nossos altares, de noite e de dia, para serdes a nossa vítima, o nosso alimento, o nosso hóspede, o viático da nossa viagem da eternidade ! , . . Agradeço-Vos a paciência com que esperastes meu arrependimento, — as luzes e as inspirações que me destes, e o perdão com que me restituístes a paz e a inocência ! — Oh ! quantos benefícios e quão grandes ! Eu não sei avaliá-los na sua multidão, nem na sua preciosidade ! Que seria da minha alma, se vós não fosseis tão bom ?.., Sede sempre bendito, ó meu Deus! Nunca esquecerei esses benefícios, e a minha maior consolação, no Paraíso, será cantar eternamente as vossas infinitas misericórdias!

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206

A MÃE S E G U N D O A V O N T A D E DE D E U S

fíeto de

Oferecimento

O' Jesus, sendo Vós todo meu, é justo que eu seja todo Vosso ! Já Vos pertenço por dever de criação e de r e d e n ç ã o ; mas quero ser' vosso também por minha escolha, de modo que, se eu já Vos não pertencesse por justiça, queria pertencer-Vos por amor ! E aonde encontrarei uma Pessoa tão amante e tão digna como Vós, de ser amada?... Não sois Vós a própria beleza, a bondade, o a m o r ? . . . Não sois Vós o meu Pái, o meu amigo, o meu Redentor?... Meu doce Jesus, eu vos consagro a minha alma com todas as suas potências, o meu corpo com todos os seus sentidos, o meu coração com todos os seus afectos. Sim, ó Jesus, eu Vos consagro, para sempre, o meu pobre coração. Vós oferecendo-me o Vosso coração adorável, pedis o meu ! Oh ! dai-me o Vosso Coração, e tomai o meu ! E' uma troca tão desigual, meu Jesus; mas Vós o quereis ! — Oh ! se o coração da criatura basta ao seu Deus, o Coração de um Deus não bastará à sua pobre criatura ?...
Acto de P e t i ç ã o

Meu Jesus, Vós descestes do Céu, cheio de graça, de dons e de virtudes, para as infundirdes na minha alma! Vós conheceis as minhas necessidades, as minhas grandes misérias ! . . . Eu sou tão cego, que não conheço a vaidade dos bens do mundo, a preciosidade da glória eterna, a Vossa amabilidade infinita! O h ! dai-me luz, meu bom Jesus!... Eu sou tão fraco, que, em cada instante, desfaleço no caminho da virtude, e não tenho a coragem para mortificar as minhas paixões, o meu amor p r ó p r i o . Oh ! dai-me força, meu bom Jesus! O meu coração, este miserável coração, que Vos consagrei, é orgulhoso e impaciente, é duro, é inclinado para as misérias da terra ! Tornai-o humilde, resignado, doce, desapegado dos coisas do mundo, meu bom Jesus! . . . A minha alma está agitada pela lembrança dos pecados passados, pela fraqueza dos meus propósitos, pelo receio da vossa justiça l Dizei-lhe uma só palavra, e acabará a inquietação, e resplandecerá a mais pura serenidade ! . . . Auxiliai-me sempre, ó meu Jesus, sempre... nas tentações, nas angústias, nos perigos... sobretudo na hora da morte, em que se há de decidir a salvação da minha alma ! O* meu Deus, salvai esta minha pobre alma ! Ela tem sido para convosco tão ingrata ! Mas não olheis para os meus pecados ! Olhai para a Vossa sacratíssima Paixão e Morte ! Lembrai-Vos, ó Senhor, de quanto Vos custou a

APÊNDICE II

297

minha salvação, e, pelos merecimentos do Vosso Sangue, dai-me a graça de Vos amar por toda a eternidade. Amen. Podemos concluir com a seguinte súplica a Jesus Crucificado : Eis que eu, ó bom e dulcíssimo Jesus, de joelhos me prostro na vossa presença, e com todo o ardor da minha alma vos peço e rogo que imprimais em meu coração vivos sentimentos de Fé, de Esperança e Caridade, o verdadeiro arrependimento dos meus pecados, o propósito firmíssimo de não mais os cometer, enquanto que eu, com toda a d ô r e afecto, vou considerando e meditando a sós comigo as vossas cinco chagas, tendo diante dos olhos o que o profeta David já punha nos vossos lábios, ó bom Jesus: — Trespassaram as minhas mãos e os meus pés; contaram todos os meus ossos. uma vez por dia, recifando-se esta oração diante duma imagem qualquer de Jesus crucificado.
INDULGÊNCIA PLENÁRIA,

t

Passado assim um quarto de hora, se dele podemos dispor, retiremo-nos então; e nunca, nunca, deixemos de receber o nosso Deus só pelo receio de não sermos dele dignos; só porque não sentimos ao recebê-lo consolação; só porque nos parece nada adiantar na virtude, ou só porque a tentação nos impele a não comungar. Está a nossa alma purificada, de pecado mortal?... Procuramos fugir, embora pouco a pouco, do pecado venial e sobretudo procuramos afugentar para longe dela o afecto que ao pecado venial poderíamos ter?... Procuramos ?... Vamos então com humildade sim, mas tranqüilos, receber o nosso Jesus e nem uma só vez sequer, das que o confessor nos autorizou deixemos de o receber. Dignos, verdadeiramente dignas dele, nem os Anjos do Céu; e á exactamente para remediar todas as nossas misérias que Êle quer descer ao nosso coração. Não é a consolação que devemos procurar neste augusto sacramento; comungamos para satisfazer o mais veemente desejo do Coração Santíssimo de Jesus, para corresponder ao seu muito amor. Que importa que não experimentemos consolação?... Temos um Deus em nossa alma, que mais queremos?... Ah!... mas a aridez, a secura, este frio, quasi glacial, custam tanto, tanto!... Custam, mas depen-

293

A MÃE S E G U N D O A V O N T A D E DE D E U S

dem de nós ? vençamo-los, redobrando de fervor. Não dependem ? carvêmo-nos resignados ante a vontade do Senhor; aceitemo-los, com prazer, das suas benditas mãos; ofereçamo-los, se queremos, em preparação, è talvez a melhor preparação, da nossa comunhão, mas nunca deixemos, por isso sõ, de comungar. Nada adiantamos na virtude; e deixando a comunhão, adiantaremos mais ? não perderemos a graça, que, ao menos temos, e não cairemos talvez, talvez, em faltas maiores ? Mas as misérias são tantas í,.. mais uma razão para comungar. Ceder ã tentação, seria dar a vitória a Safanaz, meter-lhe nas mãos a arma mais terrível, que, contra a nossa perfeição, ele pode empregar.

5 ANOS, para iodos os fieis, que comungarem nos dias festivos, orando peto Sumo Pontífice. — 10 ANOS, por cada vês, e P L E N Á R I A , uma vês no ano, na festa principal da cidade, ou lugar, onde se encontram,para os que lêem o louvável costume de comungar, ao menos uma vez por mês, e nas festas, celebradas em toda a igreja, de Nosso Senhor, da Santíssima Virgem, nas festas principais de iodos os Santos Apóstolos, e na do Nascimento de S.João Baptista.
INDULGÊNCIAS. —

Cotnanhâo

Espiritual

Se queremos conservar e em nossa alma fazer crescer o preciosíssimo fruto da Sagrada C o m u n h ã o ; se queremos dispôr-nos para bem receber de novo a Jesus, e preparar o coração para que Ele aí melhor possa derramar os seus dons, façamos uma e muitas vezes a Comunhão Espiritual, essa prática piedosa, favorita dos Santos, que tantas e tantas graças lhes acarretou, e que consiste no desejo de mais e mais nos unirmos a Jesus, desejo que há de manifestar-se sobretudo pelo cuidado em mais e msis procurarmos imitar as virtudes do seu amabilíssímo Coração. Deixemos, pois, que o nosso coração vôe, levado pelo desejo de a Ele se unir, uma e muitas vezes durante o dia, ao seu Jesus Sacramentado. Sim, vamos muitas vezes a seus pés, ou por um acto de

APÊNDICE II

299

fé na sua rial presença na divina Eucaristia ; — ou agradecendo-Lhe a sua paixão dolorosíssima e a instituição de tão augusto sacramento:—ou suspirando por segui-lo, atra vez das humilhações, na terra, a fim de com Ele reinarmos na glória do Céu ; — ou arrependendo-nos, por seu amor, dos nossos pecados ; — ou finalmente, desejando-o receber rialmente, se fora possível, em nosso coração. E não esqueçamos a Comunhão Espiritual sobretudo na visita ao Santíssimo Sacramento, e á comunhão do Sacerdote, na missa, quando não pudermos comungar.

Método de Assistir ao Santo Sacrifício da Missa
Com orações tiradas da Racolta

fio piíineíj>Ío da ^ffissa

O' Pái das misericórdias, fonte de todo o bem, peço-vos humildemente pelo sacratíssimo e amantíssimo Coração de Jesus, vosso Filho muito amado, Senhor e Redentor nosso, em quem sempre pondes as vossas complacências, vos digneis conceder-me a graça duma fé viva, duma esperança firme, e duma caridade ardente para convosco e para com o meu p r ó x i m o ; e a graça de me arrepender também sinceramente dos meus pecados juntamente com um propósito firmíssimo de no futuro n ã o mais vos ofender ; a fim que eu possa viver sempre segundo o vosso divino beneplácito, cumprir em tudo com prontidão e generosidade a vossa santíssima vontade, e perseverar no vosso amor até ao fim da minha vida. Amen. — O' bem-aventurada Virgem Maria, Mãe do meu Senhor e Redentor, fazei, eu vos peço e rogo, que em todas os perigos e necessidades da minha alma eu a vós recorra, vos i m plore, vos chame em meu auxílio.
• (INDULGÊNCIAS. — 40 DIAS uma vez por dia. — PLENÁRIA

uma vez por mês, em dia à escolha, visitando uma Igreja, para quem a recitar durante todo o mês).
i-

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300

A MÃE SEGUNDO A V O N T A D E DE D E U S

R' G l ó p i a
Em reparação das ofensas feitas a Deus com as b l a s f ê m i a s

Deus seja bendito. Bendito o seu santo Nome. Bendito Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Ho* mem. Bendito o Nome de Jesus. Bendito o seu sacratíssimo Coração. Bendito Jesus no Santíssimo Sacramento do Altar. Bendita a grande Mãe de Deus, Maria Santíssima. Bendita a sua santa e Imaculada Conceição. Bendito o Nome de Maria Virgem e Mãe. Bondito S. José, seu castíssimo Esposo. Bendito Deus nos sens anjos e nos seus Santos. por cada vez; D E DOIS ANOS todas as vezes que pública e devotamente se recite, em qualquer língua, depois do santo sacrifício da missa ou depois da benção com o SS. Sacramento;— e P L E N Á R I A uma vez por mês, em dia à escolha, visitando uma Igreja, para quem a recitar, ao menos uma vez por dia, durante todo o mês).
( I N D U L G Ê N C I A D U M ANO

A's Ofagões

O' Jesus, divino Filho encarnado de Deus, que, para salvação nossa, vos dignastes nascer num presépio, viver na pobreza, nas tribulações e misérias, e morrer no suplício da cruz, dizei, eu vos peço, ao vosso divino Pái no momento da minha morte: Pái, perdoai-lhe; dizei k vossa Mãe querida: eis o teu filho; dizei à minha alma: hoje estarás comigo no Paraíso. Meu Deus, meu Deus, não me abandoneis naquela hora ! Eu tenho sede, sim, meu Deus, a minha alma tem sede de vós, que sois a fonte das águas vivas. A minha vida passa como sombra: ainda um pouco e tudo estará consumado ! E é por isso, ó Salvador meu adorável, que desde este instante e por toda a eternidade entrego nas vossas mãos o meu espírito. Recebei, Senhor Jesus, a minha alma. Amen. (300
DIAS D E I N D U L G Ê N C I A ,

por cada vez).

ft

1

Epístola

Deus vos salve, augustíssima Rainha da Paz, Mãe santíssima de Deus. Pelo sacratíssimo Coração de Jesus, vosso Filho,

APÊNDICE II

301

Príncipe da paz, fazei que a sua ira se aplaque e que ele reine em paz sobre nós. Lembrai-vos, ó puríssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer fosse abandonado quem quer que implorasse o vosso auxílio. Animado com tal confiança a vós recorro. Não desprezeis, ó Mãe do Verbo, as minhas súplicas, mas ouvi-as propícia e atendei-as, ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria. por cada vez. P L E N Á R I A uma vez por mês, em dia à escolha, visitando uma Igreja, para quem a recitar, ao menos uma vez por dia, durante o mês).
(INDULGÊNCIAS.

300 DIAS

Ro E v a n g e l h o

O' Omnipotência do Eterno Pái, vinde em auxílio da minha fragilidade e arrancai-me do abismo da miséria. O' Sabedoria do Filho, dirigi todos os meus pensamentos, todas as minhas palavras e todas as minhas acções. O' Amor do Espírito Santo, sede o princípio de todas as operações da minha alma, para que elas estejam sempre em harmonia com a vontade de Deus. (200
DIAS D E I N D U L G Ê N C I A ,

por cada vez).

Ro

ofsftópio

Eterno Pái, eu vos ofereço o sacrifício, que de si próprio fez sobre a cruz, e agora renova sobre este altar o vosso •dilecto Filho Jesus. Eu Vo-lo ofereço em nome de todas as criaturas, com as missas que se têem celebrado e hão de celebrar-se em todo o mundo, e com a intenção de vos adorar e honrar como mereceis, de vos dar as graças devidas aos vossos inumeráveis benefícios, aplacar a vossa cólera irritada e acesa por tantos pecados nossos, dar-vos por eles uma satisfação condigna, e de vos pedir humildemente por mim, pela Santa Igreja, por todo o mundo, e pelas benditas almas do Purgatório.
( T R Ê S ANOS D E I N D U L G Ê N C I A , uma vez por dia, recitando-a durante a missa e I N D U L G Ê N C I A PLENÁRIA uma vez

por mês, em dia à escolha, visitando uma igreja, a quem a recitar todos os dias durante a missa, e pela manhã, ao começar o dia, recitar também todos os dias a oração — Senhor Deus Omnipotente...

302

A MÃE S E G U N D O A V O N T A D E DE D E U S

ílo liavabo

Eu vos venero com todo o coração, ó Virgem Santíssima, elevada acima de todos os Anjos e de todos os Santos do Paraíso, como filha do Eterno Padre, e vos consagro a minha alma com todas as suas potências. Avé-Maria. Eu vos venero com todo o coração, ó Virgem Santíssima, elevada acima de todos os Anjos e de todos os Santos do Paraíso, como Mãe do Filho Unigénito, e vos consagro o meu corpo com todos os seus sentidos. Avé-Maria. Eu vos venero com todo o coração, ó Virgem Santíssima, elevada acima de todos os Anjos e de todos os Santos do Paraiso, como esposa predilecta do Divino Espírito, e vos consagro, o meu coração com todos os seus afectos, rogando-vos q^e me alcanceis da Trindade Santíssima todas as graças nenécessárias para a minha salvação. Avé-Maria. cada vez que se recite com as três Avê-Marias indicadas em honra da Santíssima Virgem, para obter a protecção dela, na prática das virtudes, sobretudo da castidade. I N D U L G Ê N C I A PLENÁRIA no fim do mês, em dia à escolha, para quem a recitar durante o mês).
(300 DIAS D E I N D U L G Ê N C I A ,

R Sanetus

Santo, Santo, Santo Senhor Deus dos e x é r c i t o s ; a terra está cheia da vossa g l ó r i a ; glória ao Padre, glória ao Filho glória ao Espírito Santo. no dia da festa da Santíssima Trindade e em cada um dos dias da oitava da mesma festa. — P L E N Á R I A , uma vez por mês, em dia ã escolha, visitando uma igreja para quem a recitar todos os dias do mês). — Eis a cruz do Senhor ! fugi, partes adversas, venceu o ieão da tribu de Judá, raiz de David, aleluia?
(100 DIAS DE INDULGÊNCIA, uma vez por dia). ( I N D U L G Ê N C I A S . — 100 DIAS, DIAS, três vezes em cada domingo, uma vez por dia. — 100

Ro m e m e n t o pelos v i v o s

Pela vossa piedade, Senhor, vos pedimos nos liberteis das cadeias dos nossos pecados, e, pela intercessão da Bem-aven-

APÊNDICE II

303

turada sempre Virgem Maria, Mãe de Deus, de S. José, dos Apóstolos S. Pedro e S. Paulo, e de todos os Santos, nos guardeis a nós, vossos servos, e a nossas moradas em toda a santidade ; purifiqueis de vícios e orneis de virtudes todos os que nos estão unidos pelos laços de consanguinidade, afinidade ou amizade; nos concedais paz e s a ú d e ; afugenteis todos os inimigos visíveis e invisíveis ; refreeis os desejos carnais ; deis salubridade ao ar ; derrameis a vossa caridade sobre os nossos amigos e inimigos; vigieis a vossa cidade; conserveis o nosso P o n t í f i c e . . . (nome do Pontífice reinante); defendais de qualquer adversidade todos os Prelados, Príncipes e todo o povo cristão. Cubri-nos sempre com a vossa benção e dai a todos os fieis defuntos o descanso eterno. Por Nosso Senhor Jesus Cristo. Arnen.
(40 DIAS D E I N D U L G Ê N C I A , 100 QUARENTENAS se se recitar

por cada vez, 100 ANOS, E todos os sábados do mês).
da J-íóstia

R Consagração

Graças e louvores se dêem a todo o momento ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento. uma vês por dia.—100 DIAS, três vezes por dia, em todas as quintas-feiras do ano e em todos os dias da oitava do Corpo de Deus. — 100 DIAS , rczando-se ao toque do sino anunciando as horas numa igreja onde está exposto o Santíssimo Sacramento ou mesmo anunciando a benção do 5 S . — 1 0 0 DIAS, uma vez em cada missa, recitando-se no momento da consagração. — P L E N Á R I A , uma vez por mês, em dia à escolha, para quem a recita todos os dias do mês).
(INDULGÊNCIAS.

100 DIAS,

*

R' e l e v a ç ã o da f i ó s t i a

Inclinados adoremos Sacramento tão augusto : Ao novo mistério ceda O documento vetusto, Supra em n ó s da fé o efeito Dos sentidos o defeito. Louvor e júbilo seja Ao Padre, ao Filho superno, Salvação, honra perene,

-

304

A MÃE S E G U N D O A V O N T A D E DE D E U S

A benção, poder eterno : De ambos procede esse amor, A quem cabe igual louvor. Amen. V. Destes-lhes, Senhor, o Pão do Céu. R. Que em si contém toda a doçura.
OREMOS

O' Deus, que neste admirável sacramento no deixastes a memória da vossa Paixão ; concedei-nos, vo-lo pedimos, que veneremos os sagrados mistérios do vosso Corpo e Sangue de tal modo, que sintamos continuamente em nós os frutos da vossa Redenção. Vós que viveis e reinais por todos os séculos. Amen. R I A , visitando uma igreja, em quinta-feira santa, em dia do Corpo de Deus ou num dos dias da oitava, e num dia do ano à escolha para quem recitar freqüentemente ou pelo menos dez vezes por mês).
Depois da e l e v a ç ã o do e á l i e e
(INDULGÊNCIAS. — 100 DIAS, uma vez por dia. — PLENÁ-

O' sangue preciosíssimo de vida eterna, preço e resgate de todo o universo, bebida e banho salutar de nossas almas, que continuamente defendeis a causa dos homens junto do trono da suprema misericórdia ! eu vos adoro profundamente e quereria, quanto me é possível, compensar-vos das injúrias e ultrajes que sem cessar recebeis dos homens e principalmente daqueles que levam a audácia e a temeridade até proferirem blasfêmias contra vós. E quem não bendirá este sangue dum valor infinito ? quem se não sentirá inflamar de amor por Jesus, que o derramou ? que seria eu mesmo, se não fosse resgatado por este sangue divino? Quem o tirou das veias do meu Senhor até à última gota ? Ah ! sem dúvida nenhuma foi o amor. O' amor imenso que nos deste um bálsamo tão salutar ! O' bálsamo inestimável brotado da fonte dum amor infinito, fazei, por misericórdia, fazei que todos os corações, que todas as línguas possam louvar-vcs, exaltar-vos e agradecer-vos agora e sempre e até ao dia da eternidade. Amen. (300 dias de
INDULGÊNCIA,

uma vez por dia.)

APÊNDICE II

305

Ho f l o b i s quoque peeeatotfibus

O' Jesus clementíssimo, só vós sois a nossa salvação, a nossa vida, a nossa ressurreição. Não nos abandoneis pois, nós vo-lo pedimos, nas nossas angústias, nas nossas tribulações, mas pela agonia do vosso Coração santíssimo e pelas dores da Vossa Imaculada Mãe, lembrai-vos dos servos, que remistes com o vosso precioso Sangue.
(100 DIAS DE INDULGÊNCIA, uma vez por dia.)

Ho Padtfe JMosso

O Padre, ó Filho, ó Espírito Santo! O' Santíssima Trindade ! ó Jesus! ó Maria ! Anjos benditos, Santos e Santas do Paraíso, alcançai-me as graças seguintes, que peço pelo Sangue preciosíssimo de Jesus Cristo :
r

1. De fazer a vontade de Deus. 2. De estar sempre unido a Deus. 3. De só pensar em Deus. 4. De amar só a Deus. 5. De tudo fazer por amor de Deus. 6. De procurar só a glória de Deus. 7. De fazer-me santo só para Deus. 8. De conhecer bem o meu nada. 9. De conhecer cada vez mais a vontade de Deus. 10. . . . (Aqui pede-se alguma graça particular, segundo as necessidades de cada um).
a a a a a a a a a a

Maria Santíssima, oferecei ao Eterno Padre o Sangue preciosíssimo de Jesus Cristo por minha alma, pelas almas santas do Purgatório, pelas necessidades da Santa Igreja, pela conversão dos pecadores e por todo o mundo. Rezam-se três Glórias ao Sangue preciosíssimo de Jesus, uma Ave-Maria às dores de Nossa Senhora e pelas almas do Purgatório o versículo: Dai-Ihes, Senhor, o eterno descanso, entre os resplendores da luz perpétua. 300 DIAS, uma vez por dia, orando algum tempo pelas intenções do Sumo Pontífice. — P L E NÁRIA, visitando uma igreja, num dos três últimos dias do mês para quem as recitar todos os dias do mês).
(INDULGÊNCIAS. — 20

306

A MÃE SEGUNDO A V O N T A D E DE D E U S

Á C o m u t i b a o do S a c e r d o t e

Far-se-há pelo modo adiante indicado a Comunhão espiritual, dizendo-se em seguida: Alma de Cristo, santificai-me. Corpo de Cristo, salvai-me. Sangue de Cristo, inebriai-me. Água do lado de Cristo, lavai-me. Paixão de Cristo, confortai-me. O' bom Jesus, ouvi-me. Nas vossas chagas escondei-me. N ã o permitais que eu me separe de vós. Do mau inimigo defendei-me. Na hora da morte chamai-me. E mandai-me ir para vós. Para que vos louve com os vossos Santos. Por scculos de séculos. Àmen. por cada vez. 7 ANOS, uma vez por dia, para iodos os fieis que a recitem depois de fazerem a Sagrada Comunhão.— P L E N Á R I A , uma vez por mês, em dia ã escolha, visitando uma igreja, para quem a recitar ao menos uma vez por dia durante o mês).
(INDULGÊNCIAS.—300
DIAS,

Ãs ú l t i m a s orações

Sede eternamente louvado e bendito, ó Jesus amabilíssimo, no vosso augusto sacramento. O' amor, digno de todos os amores do Céu e da terra, que chegastes ao excesso de por mim, ingrato pecador, revestir a nossa humanidade; que derramastes numa flagelação crudelíssima o vosso Sangue precioso, e morrestes na cruz dignomia para minha salvação e eterna salvação de todos [ Iluminado por uma fé viva, com toda a efusão do meu coração e ardor da minha alma, vos peço humildemente, pelos merecimentos infinitos dos vossos atrozes sofrimentos, me deis a força e coragem de triunfar de todas as paixões ruins que dominam o meu coração, de vos bendizer nas mais duras aflições, glorificar-vos pelo exacto cumprimento dos meus deveres, aborrecer inteiramente o pecado è de santificar-me enfim.
"(100 DIAS DE INDULGÊNCIA, uma vez por dia).

APÊNDICE II

307

Ji' S a n ç ã o Eterno Pái, nós vos oferecemos o sangue preciosíssimo que Jesus derramou por nós com tanto amor e tanta dôr da chaga da sua mão direita, e pelos merecimentos e virtude desse mesmo sangue, suplicamos à vossa divina Magestade que nos conceda a santa benção, para sermos por ela defendidos de nossos inimigos, e livres de todos os males. Dizemos pois : A benção de Deus Omnipotente, Padre, Filho e Espírito Santo, desça sobre nós e nos acompanhe sempre. Amen. — P. N., A. M. e G. P. cada vez que se recife com Padre-Nosso, Avé-Maria e Glória, e com a intenção de agradecer ã Santíssima Trindade os benefícios por Ela a nós concedidos. — P L E N Á R I A , uma vez por mês, em dia a escolha, para quem a recitar todos os dias durante o mês).
(INDULGÊNCIAS — 100 DIAS,

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ÍNDICE

A mãe segundo a vontade de Deus Um breve prefácio Introdução O amor materno As preferências Cuidados corporais A ama da criança . . Do sustento Do estado Agricultura. Da economia Cuidados espirituais O baptismo Necessidade d a educação. . . . Â grande obra da mãe O concurso do pai na educação Criados e governantas O preceptor Casas de educação Do convento Duração da educação Instrução intelectual Recreios Recompensas Necessidade da instrução religiosa Duas grandes verdades Catecismo Incutir cedo a virtude à criança O temor de Deus Horror ao pecado mortal Amor de Deus Amor a N. S. J. Cristo O espírito do mundo

,

,

. .

.

.

.

.

.

.

.

16 19 23 27 30 35 38 40 43 45 49 59 57 72 77 81 86 90 93 97 101 105 108 111 112 115 126 128 131 135 139 143 147

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A MÂE S E G U N D O A V O N T A D E DE D E U S

Da pureza = Amor ao trabalho Desapego dos bens da terra Submissão à autoridade . Respeito e obediência aos pais . J Bondade com os iguais e inferiores Vanglória Alguns outros defeitos das crianças Práticas de piedade Orações Diversos exercícios de piedade Devoção à Santíssima Virgem . . Confissão das crianças . Necessidade da vigilância Objectos da vigilância materna Ocasiões perigosas As más companhias Ainda a s más companhias . . . Ligações perigosas Dos espectáculos Das más leituras Necessidade da correcção Da firmeza na correcção Da doçura na correcção Necessidade d a oração . . . . Da oração em família Da meditação Método da meditação. Presença d e Deus. . . . . . Deveres para com os criados . Cuidados espirituais Vigilância Correcção Diversos exercícios de piedade

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,151 155 15S .161 . . . 164 163 )74 179 IS1 182 3S6 . . . 192 196 203 208 211 213 . . . 217 221 226 228 231 236 239 . . . 245 250 253 257 . . . 261 267 270 272 276 283

Pâg.

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Ha. m e s m a l i v r a r i a
tos de Jesus Christo e achando ao pé da Cruz a consolação para as suas penas, com orações, praticas e historias sobre diversos assumptos, pelo Padre Braudand, S. J. — Broch. 3$oo. Beraadette* Soror Maria Bernada, por Henrique Lasserre. — Vertido da 2 2 . edição francesa por A. Peixoto do Amaral. — i vol. broch., 4 $oo. BiMiotftcca da Infância Coílecção de lindos contos próprios para collegios e para os meninos da catequese e communhão. Cada vol. perto de loo paginas, $30. Estes livros são próprios para distribuição de prêmios nos collegios e para a primeira communhão. CaíCCISmO para OS ParocfiOS, segundo o decreto do Concilio de Trento, traduzido por Mons. Manuel Marinho. — 2 vol. broch., 6$oo. Este catecismo é adoptado no Seminário do Porto e noutros seminários. íl$ Cijaíflliias do amor de Jesus ou provas do ardente amor que Jesus nos tem testemunhado na obra da nossa redempção, pelo Abbade D. Pinnard. Traducção pelo Reverendo Padre Silva, proíessor do Collegio de Cucujães, precedida d'uina carta encomiástica de Monsenhor Rodrigues Vianna, fallecido director espiritual dos Seminários Diocesanos do Porto. Broch., 6$oo. CoHCCÇãO d£ o r a ç Õ C S , Exercício quotidiano para gloria do SS. Coração de Maria e de Santo Affonso Maria de Ligorio, $50. ÊXpHcaçãO d O Pontifical (texto e commentario) por Paulo Gontier, superior do seminário de Autun. Traducção de J. M*M.—l vol. broch,, 3$oo. FSorCS da SaníiSSlíUlã virgem* Meditações para o seu mês ou para qualquer tempo do anno, com exemplos apropriados. Extraídas das Sagradas Escripturas, Santos Padres, Doutores da Egreja • e outros eminentes auctores, por Antonio Luiz Falcão. — Ene, 5 $oo.
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B Hlflta ÍÍO Calvário considerando os soffrimen-

Católica.

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