O CONCEITO DE IRONIA

Constantemente referido a Sócrates
1
Coleçâo
PENSAMENTO HUMANO
Volumos jo publlcodos:
CONFlSSÕES - Sonto Agostlnho
SER E TEMPO (Porto l) - Mortln Holdoggor
SER E TEMPO (Porto ll) - Mortln Holdoggor
SONETOS A ORFEU E ELEGlAS DE DUlNO - R.M. Rllko
A ClDADE DE DEUS (Porto l: Llvros l o X) - Sonto Agostlnho
A ClDADE DE DEUS (Porto ll: Llvros Xl o XXll) - Sonto Agostlnho
O LlVRO DA DlVlNA CONSOLAÇAO (o outros toxtos solotos) -
Mostro Eckhort
O CONCElTO DE lRONlA - S.A. Klorkogoord
OS PENSADORES ORlGlNÁRlOS - Anoxlmondro, Pormônldos o
Horocllto
A ESSENClA DA LlBERDADE HUMANA - F.W. Scholllng
CoorJenuçdo
Emmonuol Cornolro Looo
Consello EJìtorìul
Hormogonos Horodo
Sórglo Wrublowskl
Gllvon Fogol
Arcôngolo R. Buzzl
Gllborto Gonçolvoz Gorclo
Morclo C. do So Covolconto
2
S. A. KIERKEGAARD
O COÞCEITO DE
IROÞIA
C»n·/cn/·m·n/· r·j·r/4» c S»·rc/··
APRESENTAÇÃO E TRADUÇÃO
Álvaro Luiz Montenegro Valls
Petrópolis
1991
3
1991, Editora Vozes Ltda.
Rua Frei Luís, 1OO
25689 Petrópolis, RJ
Brasil
Este é o vol. I das Obras Completas de Søren Aabye Kierkegaard. A
presente tradução é feita diretamente da 3ª edição. Título do original
dinamarquês: Om Begrebet Ironi med stadigt Hensyn til Socrates,
af S. A. Kierkegaard, Kjøbenhavn 1841, SV(1) XIII 95.
Copidesque
Orlando dos Reis
Revisão
Shirley Nabarrete Nataline
Diagramação
Daniel Sant’Anna
ISBN 85.326.O483-8
Esta obra foi composta e impressa nas oficinas gráficas da Editora Vozes Ltda.
em novembro de 1991.
4

Apresentação – Álvaro Luiz Montenegro Valls, 7
Teses, 18
Parte I:
O ponto de vista de Sócrates concebido como ironia, 21
Introdução, 23
Capítulo I. Esta concepção é possível, 27
Xenofonte, 28
Platão, 36
Considerações preliminares, 37
O abstrato nos primeiros diálogos platônicos se arredonda na ironia,
44
O Banquete, 44
Protágoras, 54
Fédon, 61
A Apologia, 75
O mítico nos primeiros diálogos platônicos como indício de uma
especulação mais abundante, 86
Livro I da República, 94
Retrospectiva justificativa, 101
Xenofonte e Platão, 107
Aristófanes, 108
Xenofonte, Platão, Aristófanes, 124
5
Capítulo II. Esta concepção é real, 127
O demônio de Sócrates, 127
A condenação de Sócrates, 133
l. Sócrates não reconhece os deuses reconhecidos pelo Estado e
introduz novas divindades, 134
2. Sócrates seduz a juventude, 144
Capítulo III. Esta concepção é necessária, 156
Apêndice: A concepção hegeliana de Sócrates, 169
Em que sentido Sócrates é fundador da moral?, 172
Parte II:
Sobre o conceito de ironia, 209
Introdução, 211
Observações orientadoras, 214
A validade histórico-universal da ironia, a ironia de Sócrates, 224
A ironia após Fichte, 235
Friedrich Schlegel, 247
Tieck, 259
Solger, 264
A ironia como momento dominado. A verdade da ironia, 275
6
APRESEÞTAÇAO
O ultlmo numoro do lnternutìonul KìerkeguurJ Neusletter nos
onunclo, ò p. 67, o publlcoçoo do troduçoo ltollono do O Conceìto
Je lronìu (Mllono 1º8º). Em linguo lroncoso osto toxto jo oro
ocossivol polo monos dosdo 1º75, quondo os Oeuores Complètes,
dos Edltlons do l`Oronto, nos proporclonorom o troduçoo do Poul-
Honrl Tlssoou o do suo lllho Elso-Morlo Jocquot-Tlssoou. Os jopono-
sos noo proclsorom osporor tonto poro lor o Dìssertuçdo Je 1S41 om
suo linguo: jo om 1º35, ontro os prlmolros vorsoos joponosos,
comporoco O Conceìto Je lronìu. Antos dlsto, quom noo llo dlno-
morquôs so tlnho ocosso o osto toxto otrovós dos duos troduçoos
olomos do 1º2º: o do Shoodor o o do Kutomo,or. Adorno, om
1º2º/30, utlllzovo o prlmolro, como o loz tombóm Joon Wohl nos
EtuJes KìerkeguurJìennes, do 1º4º. Plorro Mosnord, o outro plo-
nolro do linguo lroncoso, utlllzo o sogundo poro sou longo comontorlo
sobro o Dìssertuçdo Je 1S41, om Le oruì oìsuge Je KìerkeguurJ (Porls
1º48). Mols rocontomonto, Mlchool Thounlsson clto tombóm o tro-
duçoo do Kutomo,or, olóm do orlglnol dlnomorquôs, om suo dlssor-
toçoo do 1º54, sobro o concolto do sorlododo.
Do lo poro co, todos os posqulsodoros do Klorkogoord trotorom
do oprondor o lor dlnomorquôs, sogulndo o bom oxomplo do volho
Unomuno. Mosmo osslm, O Conceìto Je lronìu noo lol lmodloto-
monto volorlzodo como moroclo. Ató hojo, olndo ó comum vor-so o
obro do Klorkogoord monclonodo som o Dìssertuçdo, som o polômlco
llnol do O lnstunte o som os Pupìrer. Mos ogoro, groços oo trobolho
morltorlo do Grogor Molontschuk, ucronlono quo odotou como suo
o potrlo do Klorkogoord, trobolho prossoguldo no Fronço por Honrl-
7
Bornord Vorgoto o oproprlodo no Brosll por Ernonl Rolchmonn,
Klorkogoord comoço o sor lldo lntolro.
A prosonto troduçoo so bosolo no 3ª odlçoo dlnomorquoso
(5umleJe \uerker, Blnd l, G,ldondol, Coponhoguo 1º62). O orlgl-
nol ó do 1841, tondo oporocldo umo 2ª odlçoo om 1ºO6, voltondo
o llguror, no mosmo ono, no volumo Xlll do prlmolro odlçoo dos
5umleJe \uerker o no do sogundo odlçoo, om 1º30. A troduçoo lol
dlscutldo, lroso por lroso, com o Prolo. Ruth Cobrol, o grondo
onlmodoro dosto trobolho. O toxto llnol do troduçoo lol odltodo
olotronlcomonto, com o progromo Word4, polos prolossoros Luis
Corlos Potr, o Morlo Flolg.
A hlstorlo do rocopçoo do um outor num outro pois dopondo,
poro os mortols comuns, dos opçoos o prolorônclos dos trodutoros.
Os prlmolros olomoos o troduzlrom Klorkogoord orom postoros om
luto com suo lgrojo, doi vormos prodomlnondo por multo tompo um
Klorkogoord ¨oscrltor rollgloso¨(ollos, o ¨unlco ò olturo do dostlno
do sou tompo¨, como dlz Holdoggor om 5er e Tempo). Jo os
lroncosos so opolxonorom ontos polo sodutor, polo lltoroto, polos
chomodos romoncos, do modo quo o Klorkogoord do Porls ó,
duronto dócodos, multo dlloronto do olomoo. (Doi o mórlto do
troduçoo comploto do Poul-Honrl Tlssoou.) Os joponosos, mols
prudontos, jo no dócodo do 30, oo mosmo tompo om quo doscobrl-
rom Holdoggor, trotorom do troduzlr umo soloçoo com novo dlloron-
tos titulos bostonto roprosontotlvos do produçoo klorkogoordlono.
Em ldlomo portuguôs, o sltuoçoo olndo ó procorlo o lndollnldo. Em
1º11 oporoco om Portugol o Dìúrìo Jo 5eJutor. Dopols voo surglndo
toxtos osporsos, om Portugol o no Brosll, como O Desespero Humu-
no (por Adollo Cosols Montolro, om 1º36), O Conceìto Je Angustìu
(duos troduçoos), O Mutrìmonìo, O 8unquete, Temor e Tremor o
mols um ou outro, troduçoos osporodlcos, com titulos òs vozos
lmproclsos, gorolmonto portoncontos ò obro psoudónlmo, o om gorol
troduzldos do lroncôs. Rocontomonto, os Edlçoos 70, do Llsboo,
lonçorom o Ponto Je \ìstu Explìcutìoo Ju Mìnlu Obru Je Escrìtor
(ocomponhodo por Doìs Pequenos TrutuJos Etìco-Relìgìosos). Em-
boro conlossodomonto troduzldos do lroncôs (dos Tlssoou), noo ó
psoudónlmo, o do umo vlsoo do conjunto do obro.
O grondo ocontoclmonto, portonto, om linguo portuguoso,
contlnuo sondo o publlcoçoo, no dócodo do 70, dos Textos 5elecìo-
nuJos, por Ernonl Rolchmonn, um volumo grondloso, com rlco
soloçoo (quo lnclul, olóm do Notus Jos Pupìrer, toxtos do J. Cllmocus,
copitulos do Escolu Jo Crìstìunìsmo, dos Obrus Jo Amor, do Repe-
tìçdo o ortlgos do lnstunte), o tudo troduzldo o portlr do orlglnol.
8
Ernonl Rolchmonn sonhou duronto multos onos com o troduçoo do
Conceìto Je lronìu, do modo quo o prosonto trobolho romonto òs
convorsos com olo o Vorgoto no sitlo do Curltlbo, nos lniclos dos onos
8O, bom como ò lolturo do 5ens et Répétìtìon, Essuì sur l'lronìe
KìerkeguurJìenne (Porls, Corl/Oronto 1º82), obro lnlguolovol do
Vorgoto.
Porsogulndo os lntulçoos do Molontschuck, Vorgoto consogulu
mostror olgo quo mosmo outoros porsplcozos noo poroclom vor: quo
o lolturo do Dìssertuçdo Je 1S41, sobro o concolto do lronlo cons-
tontomonto rolorldo o Socrotos, ó ossonclol poro o comproonsoo do
obro do outor dlnomorquôs, quo o sl mosmo so donomlnovo, com
olgumo lronlo, o ¨mostro do lronlo¨(pols o dlssortoçoo lho dou o titulo
do ¨Moglstor¨).
A provo do quo lol dlto oclmo so oncontro nos poglnos do 5ens
et Répétìtìon. Mos noo custo lovontor olgumos lntorrogoçoos. Supo-
nhomos quo o obro klorkogoordlono comoçosso com o Alternutìou.
Suo prlmolro poglno, no proloclo do Vlctor Eromlto, lnlclorlo com o
sogulnto suposlçoo: ¨Tolvoz, coro loltor, olgumo voz jo duvldosto do
oxotldoo do lomoso toso lllosollco, sogundo o quol o oxtorlor ó o
lntorlor, o o lntorlor, o oxtorlor. Tolvoz tu mosmo tonhos guordodo
um sogrodo ...¨. Podo-so porguntor: do ondo Klorkogoord torlo tlrodo
osto duvldo quonto oo oxlomo hogollono¹ Noo torlo sldo do suo
dlssortoçoo sobro o lronlo, rosumldo om qulnzo tosos, dos quols o
ultlmo ollrmo ¨como todo lllosollo lnlclo polo duvldo, osslm tombóm
lnlclo polo lronlo todo vldo quo so chomoro dlgno do homom¨¹
Poroco quo sorlo lntorossonto vor como o lronlo so bosolo no dlstônclo
ontro o lntorlor o o oxtorlor, ontro o ponsomonto o o polovro, ontro
o proposlçoo o o sontldo (¨Monlng¨: o quo so tom om monto). Mos
lsto tudo osto oxpllcodo no dlssortoçoo sobro o lronlo.
E ó possivol lr mols longo. Como so sobo, o prlmolro volumo
do A Alternutìou so movlmonto do um Don Juon mozortlono otó um
Sodutor quo rolloto om sou dluturno dlorlo. Porgunto: noo sorlo
possivol buscor no dlssortoçoo os ostruturos lllosollcos, lltororlos o
pslcologlcos do llguro do sodutor, quondo so sobo quo osto trobolho
dodlco duzontos poglnos òquolo quo lol condonodo om Atonos por
soduzlr o juvontudo¹ E soro quo o polomlsto grogo, quo o outor do
dlssortoçoo so oslorço por rotrotor, noo ojudou o lormor o critlco do
hogollonlsmo o do modorno solistlco, o critlco do crlstondodo¹ Asslm,
quondo Socrotos ollrmo: ¨So sol quo nodo sol¨, noo lornoco oi um
modolo dlstonto, mos rool, poro o ollrmoçoo do ultlmo ponlloto do
Klorkogoord, o nº 1O do O lnstunte: ¨Eu ollrmo, o tonho do ollrmor,
quo noo sou crlstoo¨¹ Noo hovoro lronlo nosto lroso¹
9
Por quo noo procuror no trobolho do 1841, ontoclpodo como
numo obrovloturo, o critlco do romontlsmo, cujo suporoçoo o obro
klorkogoordlono dosonvolvo¹ E como noo oproclor nostos poglnos,
oscrltos por um jovom com monos do trlnto onos, umo lntollgônclo
brllhonto modlndo lorços com o grondo mostro Hogol, odmlrodo o
rospoltodo como prolossor, mos llogrodo polo ogudozo do olhor
lrónlco om possogons conlusos, om quo o mostro so opolo om
cltoçoos duvldosos, mlsturo onocronlcomonto os quostoos o òs vozos
pordo suo objotlvldodo, por orgulho, lnvojo ou roncor, como oo
monosprozor os posqulsos do cologo Schlolormochor sobro o crono-
loglo dos dlologos do Plotoo¹ Como noo odmlror, nosto dlssortoçoo,
o grondo oborturo do obro klorkogoordlono, lnougurodo com um
morgulho om Plotoo o om Hogol, rosumlndo doz onos do lnvostlgo-
çoo sobro Socrotos o Plotoo, sobro Kont, Flchto, Solgor o Hogol¹
Mos convóm lntorrompor osto quostlonorlo. O loltor otonto
podoro vorlllcor o hlpotoso do lntorprotoçoo oqul sugorldo: O Con-
ceìto Je lronìu constontomonto rolorldo o Socrotos contóm o vordo-
dolro plotolormo, o progromo om sous ospoctos tomotlcos o
motodologlcos quo so dosonvolvoroo oo longo do produçoo klorko-
goordlono. E noo ó domols lnslstlr: osslm como Klorkogoord corto
voz ollrmo quo o dlorlo ó ¨do Sodutor¨, o noo ¨do um sodutor¨,
porquo oll so oncontro ¨o mótodo¨, oqul so podorlo dlzor: o dlssor-
toçoo oxpoo o mótodo do lrónlco, o mótodo socrotlco quo soro
dopols opllcodo o sorvlço do ldólo klorkogoordlono. Ai osto o ploto-
lormo lnlclol, o oborturo do obro, quo oo mosmo tompo ó chovo do
lntorprotoçoo poro o obro, lncluslvo o polômlco llnol, dromotlzodo
nos ruos do suo cldodo.
Nlnguóm nogoro quo so troto do um trobolho ocodômlco, mos,
convóm notor, sobro o lronlo ... E o outor noo ronunclou oo uso dolo,
duronto todo o tompo. So o sou tomporomonto oro polômlco,
sogundo Mortonson otó com tondônclos solistlcos, os oxomlnodoros
do toso logo so dorom conto do quo sorlo lnutll podlr oo outor quo o
rooscrovosso numo llnguogom mols bom-comportodo. O ostllo lrro-
voronto o brlncolhoo lol montldo no publlcoçoo, do modo quo o
orudlçoo ocumulodo, orudlçoo quo o outor sobo noo sor boo com-
ponhlo poro o lronlo, do umo lmprossoo do rocurso rotorlco ombiguo
o lnqulotonto. O ostllo ocodômlco tom um quô do llngldo ou tootrol,
loz-nos dosconllor do umo moscoro quo o ostudonto Klorkogoord
ostorlo odotondo poro olconçor o objotlvo do tormlnor sou curso,
como promotoro oo pol. Sogulndo osto roclocinlo, otó dlzor so
ousorlo quo o Dìssertuçdo, omboro trobolho ocodômlco, noo dolxo
10
do sor, num corto sontldo, obro psoudónlmo (coroctorlzodo, ollos,
otó por um corto sujolto lmpossool ¨mon¨, quo ocorro o todo horo).
A lronlo trobolho com o mol-ontondldo. A proprlo bonco
oxomlnodoro oxporlmontou lsto no corno. O orlontodor do toso, Prol.
F.C. Slbborn, noo ontondou bom o llgoçoo do prlmolro com o
sogundo porto, onquonto outros porocoros lolorom otó do dols
trobolhos dlstlntos, um sobro Socrotos o outro sobro o romontlsmo.
Noo porcoborom quo o duolldodo so do, poro o outor, ontro o
lonómono o o concolto. Socrotos ó o monllostoçoo prlmolro, polo
quol o lronlo volo oo mundo o hobltou ontro nos. Encorno o porgunto
som rosposto. Chogo ò ldólo do dlolótlco, mos noo dosonvolvo o
dlolótlco do ldólo (o quo so comoçoro com Plotoo, como so podo vor
no possogom do prlmolro llvro poro o sogundo do Republìcu).
Socrotos, lllosolo cujo vldo, oxlstônclo, porsonolldodo soo mols
lmportontos do quo quolquor possivol doutrlno suo, conlormo o
tostomunho lnsuspolto do Hogol, chogou somonto ò ldólo vozlo do
bom, o bom como um unlvorsol, mos obstroto. Nosto sontldo, noo
possul nonhumo posltlvldodo. Aporto-so do vldo do Polls grogo, oo
procuror conhocor-so o sl mosmo. Aposor do suo culturo, so possul
o nogotlvo, olo ó nogotlvldodo obsoluto o lnllnlto, pols rodupllco om
suo vldo osto ldólo vozlo. lsto oxpllco por quo olo noo control loços,
do modo quo suos roloçoos noo possom do oxporlmontols, provlso-
rlos. Noo so compromoto com o lomillo, nom com os rltuols do
domocroclo otonlonso, nom com os omlgos como Alcobiodos, o so
lntromoto, som tor outorldodo poro tonto, no oducoçoo dos lllhos dos
outros. Poro Socrotos, nodo ó sórlo, ou tolvoz oponos o nodo sojo
lovodo o sórlo. Escolho o morto com lndlloronço, o so o tomor do
morto ó, conlormo Hogol, o lniclo do sobodorlo, Socrotos noo
conhoco o sobodorlo, nom o tomor.
O Socrotos rotrotodo por Klorkogoord roslsto cortomonto òs
lntorrogoçoos do um Nlotzscho. Volo o pono comporor. Mos ó o portlr
dosto monllostoçoo comploto, no hlstorlo humono, do ldólo do lronlo
(ou ¨do lrónlco¨ como Klorkogoord gosto do dlzor), quo soroo
ovollodos os lormos modornos, pos-llchtoonos, do quo costumomos
chomor o lronlo romôntlco. As lntonçoos do romontlsmo soo bom
roconhocldos o volorlzodos, mos o lronlo doquolo ortlsto quo proton-
do construlr o dostrulr mundos toro do sor ovollodo o portlr do
concolto plono lornocldo por Socrotos. E so osto lronlo romôntlco
noo ó sórlo, o outor do dlssortoçoo sobro o concolto do lronlo tom
condlçoos do quostlonor tombóm o dlrolto do sorlododo hogollono
poro condonor os obomlnodos romôntlcos do circulo dos lrmoos
Schlogol. A lnvostlgoçoo sobro o concolto do lronlo lntroduz o
11
quostoo do sorlododo. E so torno lnovltovol o porgunto: quonto volo
o sorlododo do Hogol, quo no Estétìcu chogo o cltor Cotoo, o consor,
poro crltlcor os romôntlcos¹ O slstomo ó sórlo, o ospoculoçoo ó sórlo¹
Convóm lntorrompor ogoro osto oprosontoçoo, pols Klorko-
goord concodlo o um Hllorlo Bogblndor quo noo so dovo lovor o mol
quo um oncodornodor ¨dosojo sor utll oos sous somolhontos, poro
olóm dos llmltos do sou mlstor¨; mos, om suo porcopçoo prlvlloglodo
dos colsos tortos o dos ormodllhos do lronlo, noo dolxorlo do rlr do
protonsoo do um trodutor do rosumlr o toxto quo ocobou do troduzlr.
Mols provoltoso soro, ontoo, oproprlor-so do lroso do Adollo
Cosols Montolro: ¨E quo mo sojom pordoodos todos os lnovltovols
dollclônclos, quor do oprosontoçoo, quor do troduçoo¨. Asslm como
nos pordoomos os quo ostronhoroo o llnguogom, òs vozos vulgor o
lnoxoto, òs vozos orudlto o posodo, òs vozos roploto do cltoçoos
closslcos, ou do onodotos grogos, romonos ou dlnomorquosos, mul-
tos vozos obstroto, tócnlco, ospoculotlvo, outros vozos lltororlo o
ogrodovol do so lor. Tudo lsso osto tombóm no orlglnol dlnomorquôs,
osslm como oll so oncontrom lnumoros vostiglos, molhor dlto, lnu-
moros ontoclpoçoos do produçoo klorkogoordlono. Allnol, como dlz
Plorro Mosnord: ¨Je 1SJ0 u 1S41 lu pensée Je KìerkeguurJ u eu tout
le temps Je se constìtuer¨, o noo soro dllicll porcobor, londo o
prosonto troduçoo, quo oqul so oncontro umo lntroduçoo o tudo
oqullo quo Klorkogoord olndo produzlu ontro 1841 o 1855.
Porto Alogro, 5 do molo do 1ººO
Álvaro L.M. Valls
Glossário
Abbreviatur = abreviatura, resumo esquemático e abstrato
at afrunde = arredondar, completar, aperfeiçoar
Anskuelse = (al. Anschauung) visão, modo de ver, concepção, intuição
Bestemmelse = determinação, definição, destinação
Bestemthed = determinidade
Betragtning = consideração, visão teórica
at digte = criar poeticamente, poetar, poetizar
Elskov = amor (às vezes acentuando o aspecto erótico)
den Enkelte = o indivíduo (no sentido mais pleno; mais tarde K. dirá ser
esta a sua categoria)
Forestilling = representação (mental), noção, idéia geral
Formation = formação (no sentido de configuração histórica)
12
Fraekhed = (al. Frechheit) impudência, ousadia, impertinência
Gave = dom, presente, dádiva (faz trocadilho com Opgave)
at gravitere = gravitar rumo a alguma coisa (mais do que ao redor de)
Grund = fundamento, razão, fundo
gaa til Grunde = (al. zu Grunde gehen) perecer, morrer, ir ao fundo (e
ao fundamento)
Graecitet = helenismo, mundo grego, cultura grega, os gregos
Guden = o deus (Gud + en: formulação grega, com artigo definido)
Gyldighed = validade, valor lógico, ético ou histórico
Individ = indivíduo (num sentido mais genérico)
Indsigt = conhecimento (técnico, prático, artístico)
den Insigtsfuldeste = o mais competente, mais hábil, que conhece
melhor uma arte ou técnica
Intet = nada
ironisk = irônico (Det Ironiske: o aspecto irônico, a ironia)
Isolation = isolação, ato de isolar(-se)
det Komiske = o cômico, a comicidade, o aspecto cômico de algo
Kaerlighed = amor
at mene = pensar, opinar, ter em mente, querer dizer com
Mening = opinião, sentido (da frase ou da ação), intenção, o que se tem
em mente ao falar ou agir
das Nichtige = (al.) o nada, o nulo, o que nada vale (expressão técnica
em Solger)
Nichtigkeit = (al.) a nulidade, a “nadidade”, a vacuidade (em dinamarquês
ocorre Intethed.)
Opfattelse = concepção, compreensão
Opgave = tarefa, problema a ser resolvido (faz trocadilho com Gave)
Selv = si mesmo, o si, o mesmo (pode ser substantivado, e indica o sujeito
refletido: eu mesmo, tu mesmo, ti mesmo ...) (traduzido em outras línguas
como Soi, Se, Self, Selbst)
Skikkelse = figuração, figura, forma, configuração
at spørge = perguntar, indagar (enquanto at udspørge corresponderia a
interrogar, perguntar exaustivamente)
Standpunkt = ponto de vista, posição, posicionamento
Stemning = tonalidade afetiva, estado de ânimo, clima ou atmosfera
espiritual (em alemão: Stimmung)
at svare = responder, replicar, contestar (enquanto at besvare indicaria
responder adequadamente, corresponder)
Svaermeri = exaltação apaixonada, entusiasmo indiscreto e romântico
Saedelig = ético, referente aos costumes
Saedelighed = eticidade, vida moral concreta, em instituições (refere-se,
neste contexto, às formas da Sittlichkeit hegeliana, anteriores ou pos-
teriores à Moralität)
13
Tilintetgørelse = anulação, aniquilamento, ato de destruir, reduzir a nada
Tilvaerelse = vida, ser de fato (distingue-se de Existents)
Udvikling = desenvolvimento, análise, estudo, tratamento de uma ques-
tão
Umiddelbarhed = imediatidade
14
O CONCEITO DE IRONIA
C»n·/cn/·m·n/· r·j·r/4» c S»·rc/··
por S.A. Kierkegaard
Mas as coisas são assim: se uma pessoa
cair numa piscina pequena ou no mar
imenso, não deixa de nadar, de
qualquer maneira.– Absolutamente. –
Portanto, também nós temos de nadar e
de tentar salvar-nos nessa discussão, ou
na esperança de que um golfinho nos
leve, ou de qualquer outra salvação
difícil de conseguir!
República, L. V § 453 d
15
Dissertationem hanc inauguralem Philosophorum in Universitate
Hauniensi Ordo dignam censuit, quae una cum thesibus adjectis rite
defensa auctori gradum Magisterii artium acquirat.
Dobom d. XVl Julll MDCCCLl.
F.C. Sibbern,
h.a. Decanus fac.philos.
A Foculdodo do Fllosollo do Unlvorsldodo do Coponhoguo
doclorou quo osto dlssortoçoo lnougurol oro dlgno do conlorlr o sou
outor o grou do Mostro, dopols do tor sldo dolondldo, com os tosos
quo lho soo onoxodos, sogundo o trodlçoo.
Aos 16 do julho do 1841.
F.C. Sibbern,
Decano da Faculdade de Filosofia
Nota: Há um erro na data em latim, onde consta 1851 em vez de 1841.
16
Theses,
Dissertationi Danicae
De Notione Ironiae
Annoxoo
quos
Ad Juro Moglstrl Artlum
ln Unlvorsltoto Holnlonsl Rlto Obtlnondo
dlo XXlX Soptomb.
horo 1O.
Publlco Colloqulo Dolondoro Conobltur.
Sovorlnus Aob,o Klorkogoord
thool. cond.
MDCCCLXI
(Teses anexadas à dissertação dinamarquesa sobre o conceito de
ironia que Søren Aabye Kierkegaard, candidato em teologia, susten-
tará publicamente no dia 29 de setembro, às 1O horas, para obter,
segundo a tradição, o grau de Mestre da Universidade de Copenha-
gue. 1841.)
Nota: Há um erro de data no texto em latim, onde consta 1861 em vez de 1841.
17
THESES
I. Similitudo Christum inter et Socratem in dissimilitudine praecipue est
posita.
II. Xenophonticus Socrates in utilitate inculcanda subsistit, nunquam
empiriam egreditur nunquam ad ideam pervenit.
III. Si quis comparationem inter Xenophontem et Platonem instituerit,
inveniet, alterum nimium de Socrate detraxisse, alterum nimium eum
evexisse, neutrum verum invenisse.
IV. Forma interrogationis, quam adhibuit Plato, refert negativum illud,
quod est apud Hegelium.
V. Apologia Socratis, quam exhibuit Plato aut spuria est, aut tota ironice
explicanda.
VI. Socrates non solum ironia usus est, sed adeo fuit ironiae deditus, ut
ipse illi succumberet.
VII. Aristophanes in Socrate depingendo proxime ad verum accessit.
VIII. Ironia, ut infinita et absoluta negativitas, est levissima et maxime
exigua subjectivitatis significatio.
IX. Socrates omnes aequales ex substantialitate tanquam ex naufragio
nudos expulit, realitatem subvertit, idealitatem eminus prospexit,
attigit non occupavit.
X. Socrates primus ironiam introduxit.
XI. Recentior ironia inprimis ad ethicen revocanda est.
XII. Hegelius in ironia describenda modo ad recentiorem non ita ad
veterem attendit.
XIII. Ironia non tam ipsa est sensus expers, tenerioribus animi motibus
destituta, quam aegritudo habenda ex eo, quod alter quoque potiatur
eo, quod ipsa concupierit.
XIV. Solgerus non animi pietate commotus, sed mentis invidia seductus,
quum negativum cogitare et cogitando subigere nequiret, acosmis-
mum effecit.
XV. Ut a dubitatione philosophia sic ab ironia vita digna, quae humana
vocetur, incipit.
18
TESES
I. A semelhança entre Cristo e Sócrates está posta precipuamente em
sua dissemelhança.
II. O Sócrates de Xenofontes contenta-se com inculcar a utilidade, jamais
abandona a empiria e nunca atinge a idéia.
III. Se se instituir uma comparação entre Xenofonte e Platão, perceber-
se-á que o primeiro o rebaixou demasiadamente e o segundo o
elevou demasiadamente; nenhum deles o encontrou verdadeiramen-
te.
IV. A forma da interrogação utilizada por Platão corresponde ao negativo
em Hegel.
V. A Apologia de Sócrates como é exposta por Platão ou é espúria ou
deve ser explicada totalmente pela ironia.
VI. Sócrates não somente usou da ironia, mas dedicou-se de tal maneira
à ironia que acabou sucumbindo a ela.
VII. Aristófanes chegou perto da verdade ao descrever Sócrates.
VIII. A ironia, enquanto infinita e absoluta negatividade, é a indicação
mais leve e mais exígua da subjetividade.
IX. Sócrates arrancou todos os seus contemporâneos da substancialidade
como se estivessem nus após um naufrágio, ele subverteu a realida-
de, avistou a idealidade à distância, mas não a dominou.
X. Sócrates foi o primeiro a introduzir a ironia.
XI. As manifestações mais recentes da ironia devem ser referidas ao ético.
XII. Hegel, em sua descrição da ironia, atendeu mais às formas recentes
do que à antiga.
XIII. A ironia não é, propriamente, desprovida de toda sensibilidade ou
dos movimentos mais ternos do ânimo, mas é antes uma amargura
por um outro gozar daquilo que ela cobiça para si mesma.
XIV. Solger adotou o acosmismo não movido por ânimo piedoso, mas
seduzido pela inveja intelectual, por não conseguir pensar o negativo
e, pensando-o, subjugá-lo.
XV. Como toda filosofia inicia pela dúvida, assim também inicia pela
ironia toda vida que se chamará digna do homem.
19

O P»n/» 4· r/·/c 4· S»·rc/·· ·»n··|/4»
·»m» /r»n/c.
21
22
lNTRODUÇÁO
So ho olgo quo so tom do louvor no omponho (Stroobon)
lllosollco roconto om suo grondloso oporlçoo, ó cortomonto o potôn-
clo gonlol com quo ogorro o soguro o lonómono. Oro, so condlz oo
lonómono, quo ó proprlomonto joemìnìnì generìs (do gônoro loml-
nlno), dovldo ò suo noturozo lomlnlno, ontrogor-so oo mols lorto,
tombóm so podo oxlglr, do covolholro lllosollco, por umo quostoo
do oquldodo, o rospoltoso docônclo, o prolundo oxoltoçoo do um
opolxonodo (souermerì), no lugor dos quols òs vozos so so oscutom
o rotlnlr dos osporos o o voz do domlnodor. O obsorvodor dovo sor
um orotlco, nonhum troço, nonhum momonto podo sor lndlloronto
poro olo; mos, por outro lodo olo dovo tombóm porcobor o suo
suporlorldodo, quo ontrotonto so usoro poro ouxlllor o lonómono o
so monllostor complotomonto. Pols, so bom quo o obsorvodor trogo
o concolto conslgo, lmporto, mosmo osslm, quo o lonómono noo
sojo vlolontodo, o so vojo o concolto surglndo o portlr do lonómono.
Antos, portonto, do ou possor ò onollso do concolto ìronìu, ó
nocossorlo quo ou mo ossoguro do umo concopçoo (Opjuttelse)
conllovol o outôntlco do oxlstônclo (Exìstents) hlstorlcomonto rool,
lonomonologlco do 5ocrutes com rolorônclo ò quostoo do suo pos-
sivol roloçoo com o concopçoo trunsjìguruJu (jorklureJ) quo lho
outorgorom sous contomporônoos ontuslostos ou lnvojosos: lsto ó
obsolutomonto nocossorlo, porquo o concolto do lronlo loz suo
ontrodo no mundo com Socrotos. Com ololto, os concoltos, osslm
como os lndlviduos, tôm suo hlstorlo o, tol como olos, noo conso-
guom roslstlr oo podor do tompo. E no ontonto, por lsso o oposor
dlsso, guordom mosmo osslm umo ospóclo do soudodo do torro ondo
23
noscorom. Asslm como o lllosollo por um lodo noo podo sor lndllo-
ronto o osto hlstorlo postorlor do concolto, osslm tombóm olo noo
podo otor-so somonto òquolo prlmolro hlstorlo, por mols rlco o
lntorossonto quo sojo. A lllosollo oxlgo sompro olgumo colso o mols,
oxlgo o otorno, o vordodolro, lronto oo quol mosmo o oxlstônclo mols
solldo ó, onquonto tol, o lnstonto olortunodo. Elo so roloclono com
o hlstorlo como o conlossor com o ponltonto, o dovo, como um
conlossor, tor um ouvldo ollnodo, pronto poro sogulr os plstos dos
sogrodos doquolo quo so conlosso; mos olo tombóm osto om condl-
çoos do, opos tor oscutodo todo o sórlo do conllssoos, lozô-los
oporocor dlonto do quo conlosso como umo colso dlloronto. Pols
osslm como o lndlviduo (lnJìoìJ) quo so conlosso podo multo bom
tor condlçoos noo so do rocltor onolltlcomonto os loltos do suo vldo
mos tombóm do roloto-los do monolro omono o ogrodovol, o no
ontonto noo consoguo olo mosmo vor suo vldo como um todo, osslm
tombóm o hlstorlo podo multo bom proclomor pototlcomonto, om
olto voz, o rlquozo do vldo do gônoro humono, mos tom do dolxor ò
mols volho (ò lllosollo)
1
o torolo do oxpllco-lo, o podo ontoo doslrutor
do ologro surproso: no prlmolro lnstonto quoso noo quor roconhocor
o vorsoo oloborodo polo lllosollo, mos vol so lomlllorlzondo pouco o
pouco com osto concopçoo lllosollco, otó chogor llnolmonto o onco-
ro-lo como o vordodo outôntlco, o o outro lodo como moro oporôn-
clo.
Tols soo, portonto, os dols momontos oos quols so dovo lozor
lguolmonto justlço, o quo constltuom proprlomonto o ujuste Je contus
ontro hlstorlo o lllosollo, do monolro quo por um lodo so loz justlço
oo lonómono
2
o o lllosollo noo o ongustlo ou o lntlmldo com suo
suporlorldodo, o, por outro lodo, o lllosollo noo so dolxo porturbor
polo loltlço do lndlvlduol nom dlstrolr polo prolusoo dos portlculorl-
dodos. Asslm tombóm, com o concolto do lronlo, ó lmportonto quo
o lllosollo noo so dolxo ongonor por um unlco lodo do suo oxlstônclo
lonomonologlco, o, oclmo do tudo, noo so ongono com o quo ho do
oporonto nosto, mos vojo o vordodo do concolto om o com o
lonomonologlco.
Pols, quo o trodlçoo tonho vlnculodo ò oxlstônclo do Socrotos
o polovro lronlo, lsto quolquor um sobo, mos doi noo so soguo, do
monolro olgumo, quo todo mundo solbo o quo ó lronlo. Alóm dlsso,
so olguóm, groços o um conhoclmonto intlmo do vldo o dos clrcuns-
tônclos do Socrotos, chogou o lormor poro sl umo ldólo dos pocullo-
rldodos dolo, noo tom, do jolto nonhum, um concolto comploto do
quo sojo o lronlo. Noo dlzomos lsto, obsolutomonto, por lovontormos,
dlgomos, umo suspolto om roloçoo ò oxlstônclo hlstorlco, como so o
24
dovlr losso ldôntlco com umo quodo do ldólo, jo quo osto ó, ontos,
dosdobromonto do proprlo ldólo. Longo do nos, como jo lol dlto, tol
ollrmoçoo; mos, por outro lodo, noo so podo jomols ocoltor quo um
momonto lndlvlduol do oxlstônclo como tol posso sor o obsoluto-
monto odoquodo ò ldólo. Com ololto, jo so obsorvou o rospolto do
noturozo quo olo noo ó copoz do sustontor o concolto, om porto
porquo todo lonómono lndlvlduol contóm oponos um momonto, o
om porto porquo todo o somo do oxlstônclo do noturozo ó sompro,
ollnol, um meJìum lmporlolto quo noo ongondro sotlsloçoo, mos
nostolglo; osslm tombóm so podo dlzor, com rozoo, olgo somolhonto
sobro o hlstorlo, no modldo quo todo loto lndlvlduol tostomunho umo
ovoluçoo, o noo obstonto ó oponos momonto, o no modldo quo todo
o somo do oxlstônclo hlstorlco noo ó, olndo, o meJìum obsolutomon-
to odoquodo do ldólo, mos oponos sou ospocto tomporol o portlculor
(osslm como o noturozo ó o suo molduro ospoclol), quo so prolongo
sogundo os movlmontos rotrospoctlvos do consclônclo, quo olho
poro tros, loco o loco, rosto contro rosto.
lsto dovo bostor no quo tongo ò dlllculdodo quo surgo com todo
o quolquor concopçoo lllosollco do hlstorlo, o no quo so roloro oo
culdodo quo oi convóm omprogor. As condlçoos ospoclols podom
ontrotonto oprosontor novos dlllculdodos, o quo ó o coso prlnclpol-
monto nosto prosonto posqulso. Com ololto, oqullo o quo o proprlo
Socrotos dovo tonto volor, o llcor tronqullo o modltor, lsto ó: sllônclo,
ols todo o suo vldo om roloçoo ò hlstorlo unlvorsol. Elo nodo dolxou,
o portlr do quo umo ópoco postorlor pudosso julgo-lo; slm, mosmo
quo ou mo lmoglnosso contomporônoo dolo, olndo sorlo sompro
dllicll concobor o quo olo lol. Pols olo portonclo òquolo ospóclo do
homons dlonto dos quols nlnguóm podo dor-so por sotlslolto somon-
to com o oxtorlor como tol. O oxtorlor lndlcovo constontomonto olgo
do dlloronto o do oposto. Noo so dovo com olo o coso doquolo lllosolo
quo, oo oxplonor suos lntulçoos, sou dlscurso oro o proprlo prosonço
do ldólo. Multo polo controrlo: o quo Socrotos dlzlo slgnlllcovo olgo
do dlloronto.
O oxtorlor noo ostovo obsolutomonto numo unldodo hormó-
nlco com o lntorlor, mos ontos oro o controrlo dlsto, o somonto por
osto ôngulo do rolroçoo olo podo sor comproondldo. Com rolorônclo
o Socrotos, portonto, o tormo concopçoo tom um sontldo comploto-
monto dlloronto doquolo quo ó opllcodo ò molorlo dos outros
homons. E oqul jo convóm lombror quo Socrotos so podo sor
concobldo otrovós do um colculo comblnotorlo. Mos como olo osto
sltuodo ho mllônlos do nos, o nom mosmo sous contomporônoos
consogulrom copto-lo om suo lmodlotoz, podo-so vor locllmonto quo
25
poro nos pormonoco duplomonto dllicll roconstrulr suo oxlstônclo, jo
quo tomos do nos oslorçor poro, otrovós do um colculo do comblno-
çoos, chogor o umo concopçoo do quo jo lol ontorlormonto conco-
bldo do monolro onrododo. So dlzomos quo o quo constltuio o
substonclol om suo oxlstônclo oro lronlo (ó cloro quo oi ho umo
controdlçoo, mos tombóm tom do hovor), o olndo por clmo postulo-
mos quo o lronlo ó um concolto nogotlvo, vô-so locllmonto quoo
dllicll so torno llxor umo lmogom dolo; slm, otó poroco lmpossivol,
ou ontoo polo monos too trobolhoso como plntor um duondo com
o borroto quo o torno lnvlsivol.
26
CAPÍTULO I:
Esta concepção é possível
Possomos ogoro om rovlsto os concopçoos do Socrotos produ-
zldos por sous contomporônoos mols proxlmos. Nosto coso, tomos
quo nos llxor om trôs nomos: Xenojonte, Plutdo o Arìstojunes. E
quondo Bour
3
dlz quo, oo lodo do Plotoo, ó Xonolonto quom moroco
mols otonçoo, ou noo posso comportllhor totolmonto do sou modo
do vor. Xonolonto so prondou justomonto ò lmodlotoz do Socrotos o,
por lsso, cortomonto om multos ospoctos o comproondou mol
4
; om
controsto com olo, Plotoo o Arlstolonos obrlrom comlnho otrovós do
duro oxtorlor, chogondo o otlnglr umo concopçoo doquolo lnllnltudo
quo ó lncomonsurovol com os multlplos ocontoclmontos do suo vldo.
Podo-so, portonto, dlzor do Socrotos quo, osslm como olo possou suo
vldo constontomonto ontro o corlcoturo o o ldool, osslm tombóm olo
contlnuo ontro ombos opos o morto. No quo toco, pols, ò roloçoo
ontro Xonolonto o Plotoo, Bour dlz, corrotomonto, ò p. 123: ¨Entro
ombos logo nos surgo umo dlloronço, quo om multos ospoctos podo
sor comporodo com o lomoso roloçoo ontro os ovongolhos slnotlcos
o o do Jooo. Asslm como os ovongolhos slnotlcos oprosontom mols
oquolo lodo oxtorlor do oporlçoo do Crlsto, roloclonodo com o ldólo
judolco do Mosslos, o o do Jooo onloco sobrotudo suo noturozo
suporlor, o lmodlotomonto dlvlno nolo, osslm tombóm o Socrotos
plotónlco tom umo slgnlllcoçoo multo mols olto o mols ldool do quo
o do Xonolonto, com o quol, no lundo, pormonocomos sompro o
oponos no torrono do vldo protlco lmodloto¨. Esto obsorvoçoo do
Bour noo somonto lmprosslono bom, mos ó mosmo bom ocortodo,
dosdo quo so rocordo o sogulnto: quonto ò concopçoo do Xonolonto
27
sobro Socrotos, pormonoco sompro umo dlloronço lronto oos ovon-
golhos slnotlcos, jo quo ostos ultlmos oponos roproduzom o rotroto
lmodlotomonto llol do oxlstônclo lmodloto do Crlsto (o quol, ó
lmportonto notor, noo slgnlllcovo olgo do dlloronto
5
do quo olo oro),
o quo, so Motous poroco tor um proposlto opologótlco, troto-so do
justlllcor o concordônclo do vldo do Crlsto com o ldólo do Mosslos,
onquonto Xonolonto, oo controrlo, tom o vor com um homom cujo
oxlstônclo lmodloto slgnlllcovo olgo do dlloronto doqullo quo oporo-
clo ò prlmolro vlsto, o quondo olo dosonvolvo umo doloso ou
opologlo dosto, so consoguo lozô-lo no lormo do um momorondo
dlrlgldo o dlgnisslmos contomporônoos quo so so dolxom convoncor
por roclocinlos. Por outro lodo, o obsorvoçoo sobro o roloçoo do
Plotoo com Jooo tombóm osto corroto, dosdo quo so tonho prosonto
quo Jooo vlu om Crlsto vordodolro o lmodlotomonto tudo oqullo quo
olo oprosonto no suo totol objotlvldodo, lmpondo o sl mosmo o
sllônclo, jo quo sous olhos ostovom obortos poro o lmodlotomonto
dlvlno om Crlsto; o Plotoo, polo controrlo, crlo o sou Socrotos por
molo do umo otlvldodo poótlco, jo quo Socrotos, proclsomonto om
suo oxlstônclo lmodloto, oro oponos negutìoo.
Prlmolro, umo oprosontoçoo do codo um dolos om portlculor.
XENOFONTE
Proclsomos rocordor prollmlnormonto quo Xonolonto tlnho
umo ìntençdo (o lsto jo ó umo lolho ou olgo onorosomonto supór-
lluo
6
), ou sojo, quorlo domonstror como grltovo oos cóus o lnjustlço
quo os otonlonsos comotorom com Socrotos oo condono-lo ò morto.
E Xonolonto consogulu lsso numo modldo slngulor, do lormo quo
ontos so ocrodltorlo sor o suo lntonçoo domonstror quo o condonoçoo
do Socrotos lol umo lmbocllldodo ou um oquivoco dos otonlonsos.
Pols Xonolonto o dolondo do umo tol monolro, quo Socrotos so torno
noo oponos lnoconto, mos complotomonto lnolonslvo, do modo quo
o gonto llco prolundomonto ossombrodo, porguntondo-so quol do-
mónlo torlo onloltlçodo o tol ponto os otonlonsos quo olos pudorom
vor nolo mols do quo um sujolto bonochoo, convorsodor o ongroço-
do, quo noo lozlo nom mol nom bom, quo noo projudlcovo o
nlnguóm, o quo no lundo do coroçoo so quorlo bom o todo mundo,
contonto quo qulsossom oscutor suo convorso llodo. E quo lurmonìu
pruestubìlìtu (hormonlo proostobolocldo) no loucuro, quo unldodo
suporlor no domônclo noo so oncontro ontoo no loto do quo Plotoo
o os otonlonsos so ollorom, uns poro motor o o outro poro tronslormor
28
om lmortol um cldodoo too bondoso¹ lsso sorlo, ollos, umo lronlo
som lguol sobro o mundo. Acontoco òs vozos numo dlsputo, quo,
justomonto quondo o ponto polômlco, oo so oguçor, comoço o llcor
lntorossonto, do roponto chogo um torcolro cholo do boo vontodo o
so oncorrogo do roconclllor os lorços om luto, tronslormondo poro
lsso todo o quostoo numo trlvlolldodo; osslm podomos lmoglnor o
quo dovom tor sontldo Plotoo o os otonlonsos om roloçoo oo momo-
rondo lronlsto do Xonolonto. Xonolonto, oo suprlmlr tudo o quo
hovlo do porlgoso om Socrotos, roolmonto roduzlu-o om ultlmo
onollso ìn ubsurJum (oo obsurdo), qulço poro rotrlbulr o Socrotos o
quo tontos vozos osto llzoro com os outros.
O quo torno olndo mols dllicll umo noçoo cloro do porsonoll-
dodo do Socrotos otrovós do oprosontoçoo do Xonolonto ó o totul
uusêncìu do sìtuuçdo. A boso sobro o quol codo um dos dlologos so
movo ó too lmporcoptivol o suporllclol como umo llnho roto, too
monotono como os coros do lundo dos quodros dos crlonços o dos
plntoros do lolro do Nuronborg, ó tudo do umo cor so. E no ontonto
oro do molor lmportônclo osto boso om roloçoo ò porsonolldodo do
Socrotos, o quol so dovlo dolxor prossontlr numo prosonço mlstorloso
o numo llutuoçoo mistlco por sobro o pltorosco vorlododo do oxubo-
ronto vldo otonlonso, o quo so dovlo dolxor oxpllcor por molo do umo
dupllcldodo do oxlstônclo, mols ou monos como um polxo voodor
om roloçoo oos polxos o oos possoros. E ocontuor osslm o sltuoçoo
sorlo proclsomonto lmportonto poro mostror quo o doclslvo om
Socrotos noo oro um ponto llxo, mos um ubìque et nusquum (om
todo porto o om nonhum lugor); o poro onlotlzor o sonslbllldodo
socrotlco, quo oo mols sutll o tônuo contoto lmodlotomonto porcoblo
o prosonço do ldólo, lmodlotomonto notovo om tudo o quo oxlstlo o
olotrlcldodo corrospondonto; o poro tornor bom vlsivol o outôntlco
mótodo socrotlco, quo noo consldorovo nonhum lonómono modosto
domols poro, portlndo dolo, lr-so olovondo otó o osloro proprlo do
ponsomonto.
Esto posslbllldodo socrotlco do comoçor por quolquor ponto,
roollzodo no vldo, mosmo quo lroquontomonto possosso dosporcobl-
do polo multldoo - poro o quol sompro pormonoco um onlgmo o
modo como so podo chogor o tol ou quol objoto, jo quo os lnvostl-
goçoos do multldoo tormlnom o comoçom numo poço ostognodo
7
-, osto soguro porspoctlvo socrotlco, poro o quol nonhum objoto oro
too compocto quo noo so dolxosso vlsuollzor lnstontonoomonto oll o
ldólo
8
, o noo oponos totoondo mos slm com lmodloto cortozo, o quo
tlnho contudo, om sl mosmo, o olhor oxorcltodo poro os oporontos
roduçoos do porspoctlvo, o quo osslm noo oproxlmovo do sl o objoto
29
otrovós do umo sub-ropçoo, mos slm oponos montlnho o mosmo
ponoromo llnlto onquonto osto lo oporocondo oo longo poro os
ouvlntos o ospoctodoros - oquolo slngolozo socrotlco, quo lormovo
um controsto too ogudo com o olvoroço som contoudo dos sollstos
o sous gorgontolos lnllndovols, tudo lsso ó o quo so dosojorlo quo
Xonolonto nos tlvosso lolto porcobor. E quo vldo noo torlo oporocldo
no oxposlçoo so, oll no molo dos ortosoos ocupodos om sous
trobolhos, no molo do borulho dos burros do corgo, o gonto vlsuoll-
zosso oquolo tromo dlvlno com o quol Socrotos entretecìu o oxlstôn-
clo; so oll no molo dos ruidos do morcodo so pudosso oscutor oquolo
dlvlno ocordo lundomontol quo pormoovo o oxlstônclo (Tìlouerel-
sen}, no modldo quo poro Socrotos quolquor colso oro um slnol
motolorlco o noo lnlollz do ldólo, quo lntorossonto conlllto ontro os
lormos do oxprossoo mols cotldlonos do vldo torrono o Socrotos, o
quol, noo obstonto, poroclo dlzor o mosmo colso quo os outros. Esto
lmportônclo do sltuoçoo noo osto totolmonto ousonto om Plotoo,
oponos com o dlloronço do quo olo oporoco do monolro puromonto
poótlco, o dosto modo comprovo oxotomonto suo proprlo volldodo
o o lolto quo loz om Xonolonto.
Mos so por um lodo Xonolonto coroco do um olhor copoz do
vor o sltuoçoo, por outro lodo lolto-lho tombóm ouoìJo poro os
réplìcus. Noo ó quo os quostoos quo Socrotos coloco o os rospostos
quo olo do noo sojom corrotos: polo controrlo, olos soo corrotos
domols, roslstontos domols, moçontos domols
º
. Pols om Socrotos o
rópllco noo ostovo om unldodo lmodloto com o dlto, noo oro um
lluxo, mos um constonto rolluxo, o oqullo do quo so sonto lolto om
Xonolonto ó o ouvldo poro o oco do rópllco, quo roporcuto lnllnlto-
monto sobro o porsonolldodo, como quo rotornondo o osto (pols nos
outros cosos o rópllco costumo sor o propogoçoo do ponsomonto
otrovós do um som quo ovonço). Pols quonto mols Socrotos mlnovo
o oxlstônclo, tonto mols prolundomonto o mols nocossorlomonto
codo oxprossoo portlculor proclsovo grovltor no dlroçoo do totolldodo
lrónlco, quo, como ostodo osplrltuol, oro lnllnltomonto lnsondovol,
lnvlsivol, lndlvlsivol. Esto sogrodo, Xonolonto noo consogulu nom
porcobor. Quo mo sojo pormltldo usor do umo lmogom poro tornor
sonsivol o quo ou quoro dlzor. Exlsto umo grovuro quo roprosonto o
tumbo do Nopolooo. Duos oltos orvoros morgolom o quodro. Noo
so vô mols do quo lsto, o o obsorvodor suporllclol noo onxorgo
nonhumo outro colso. Entro os duos orvoros ho um ospoço vozlo;
quondo o olhor soguo os contornos quo dollmltom o vozlo, sublto-
monto oporoco dosto nodo o proprlo Nopolooo, o o portlr do ontoo
ó lmpossivol dolxor do vô-lo. O olhor quo o vlu umo voz o vô ontoo
30
sompro, com umo nocossldodo quoso ongustlonto. Asslm tombóm
com os rópllcos do Socrotos. A gonto ouvo os sous dlscursos do
mosmo modo como o gonto vô os òrvoros, suos polovros slgnlllcom
oqullo quo o som dolos onunclo, osslm como os orvoros soo orvoros,
noo ho nonhumo silobo quo nos ocono com umo outro lntorprotoçoo,
osslm como noo ho um unlco troço quo lndlquo Nopolooo, o,
contudo, osto ospoço vozlo, osto nodo ó o quo oscondo o mols
lmportonto. Asslm como oncontromos no noturozo oxomplos do
lugoros too ostronhomonto construidos quo oquolos quo so oncon-
trom mols proxlmos noo ouvom o orodor, o slm oponos oquolos quo
so colocom num dotormlnodo ponto, gorolmonto ò longo dlstônclo,
ó bom osslm quo ocorro com os rópllcos do Socrotos, dosdo quo nos
rocordomos do quo ouvlr so ldontlllco oqul com comproondor, o noo
ouvlr com comproondor mol. Essos soo os duos lolhos prlnclpols quo
ou quorlo subllnhor prollmlnormonto om Xonolonto; mos, ollnol do
contos, sltuoçoo o rópllco soo o comploxo quo constltul o slstomo
gongllonor o corobrol do porsonolldodo.
Possomos poro o colotônoo dos dltos quo so oncontrom om
Xonolonto otrlbuidos o Socrotos. Essos obsorvoçoos soo om gorol too
rostolros o otrollodos, quo noo ó dllicll obrongô-los numo olhodo,
mosmo quo ontorpoço o vlsto. So roromonto umo dolos so olovo oo
nivol do um ponsomonto poótlco ou lllosollco, o oposor do bolo
llnguogom, os dosonvolvlmontos tôm o mosmo sobor quo os ortlgos
mlnuclosos do nosso FolkebluJ (Folho Populor) ou ontoo como os
oxclomoçoos do ôxtoso colostlol do um somlnorlsto odmlrondo o
noturozo.
10
Ao possormos ogoro oos dltos do Socrotos consorvodos por
Xonolonto, quoromos, noo obstonto multos vozos so ossomolhom
oponos o um monto do crlonços rounldos, tontor porsogulr o possivol
somolhonço do lomillo.
Esporomos quo o loltor nos dô rozoo quondo dlzomos quo o
dotormlnoçoo ompirlco ó o poligono o o ponto do vlsto ó o circulo;
o quo subslsto por todo otornldodo umo dlloronço quolltotlvo ontro
ostos duos noçoos.
Em Xonolonto, o consldoroçoo orronto possolo todo o tompo
polo poligono, o multos vozos otó so ongono o sl mosmo, quondo,
tondo dlonto do sl um lodo mols longo, ocrodlto tor o vordodolro
lnllnltudo, o por lsso, como um lnsoto quo rostojo oo longo do um
poligono, col, porquo o quo so mostrovo como umo lnllnltudo noo
possovo do um ôngulo.
31
Em Xonolonto, o utìl ó um dos pontos do portldo poro o
onslnomonto socrotlco. Mos o utll ó proclsomonto o poligono, quo
corrospondo ò lnllnltudo lntorlor do bom, lnllnltudo quo portlndo do
sl mosmo o rotornondo o sl mosmo noo ó lndlloronto o nonhum do
sous momontos proprlos, mos so movlmonto om todos olos, todo om
todos olos o todo om codo um dolos. O utll tom, pols, umo dlolótlco
lnllnlto o oo mosmo tompo umo dlolótlco lnllnltomonto mo. Com
ololto, o utll ó o dlolótlco oxtorlor do bom, o nogoçoo dosto, o quo,
soporodo como tol, oponos pormonoco um rolno do sombros ondo
nodo subslsto, mos ondo som lormo o som llguro tudo so condonso
o so volotlllzo, tudo om roloçoo oo olhor lnconstonto o superjìcìul do
obsorvodor, poro o quol todo o quolquor oxlstônclo so ó umo
oxlstônclo lrogmontorlo lnllnltomonto dlvlsivol om um colculo lnlln-
dovol. (O utll modolo tudo, otó mosmo o lnutll, pols, osslm como
nodo ó ubsolutumente utll, tombóm noo podo hovor nodo do ubso-
lutumente lnutll, jo quo o utllldodo obsoluto noo posso do um
momonto lugldlo no oltornônclo lnconstonto do vldo.) Esso vlsoo
comum do utll so oncontro dosonvolvldo no dlologo com Arlstlpo,
Mem. lll, 8. Enquonto om Plotoo sompro vomos Socrotos orroncor
o quostoo dos contlngônclos concrotos om quo o vôom sous clrcun-
dontos, poro lovo-lo oo obstroto, om Xonolonto ó justomonto Socro-
tos quom onlqullo os cortomonto lrocos tontotlvos do Arlstlpo do
oproxlmor-so do ldólo. Noo ó nocossorlo quo ou onollso mols do porto
osto dlologo, pols o prlmolro otltudo do Socrotos mostro oo mosmo
tompo o oxorcltodo osgrlmlsto o o lol quo volo poro todo o lnvostlgo-
çoo. Quondo Arlstlpo porgunto so olo conhoclo olgo bom, olo
rospondo: ¨Porguntos-mo so conhoço olgumo colso boo poro lo-
bro¹¨, com o quo ollos o monolro dlscurslvo do rocloclnor ó lndlcodo
lmodlotomonto. Todo o convorsoçoo soguo por osto comlnho numo
soquônclo lnobolovol quo noo so dosvlo lronto oo oporonto porodo-
xo: ¨Como! Entoo ó bolo um costo do llxo¹ - Slm, por Jupltor! o lolo
um oscudo do ouro, jo quo um lol convonlontomonto lolto poro sou
uso o o outro noo¨. Emboro ou so tonho lntroduzldo osto dlologo
como um oxomplo o tonho do mo otor ossonclolmonto ò lmprossoo
totol, quo ó o lorço vltol no oxomplo, dovo contudo, jo quo o cltol
como um oxomplo ìnstur omnìum (quo volo por todos, tiplco),
rocordor umo dlllculdodo com rospolto ò monolro como Xonolonto
lntroduz osto dlologo. Com ololto, olo nos do o ontondor quo so
trotovo do umo quostoo copcloso do Arlstlpo poro conlundlr Socrotos
com o dlolótlco lnllnlto quo ho no bom quondo osto ó concobldo
como sondo o utll. Elo lnslnuo quo Socrotos porcoboro o ostuclo.
Podor-so-lo ontoo ponsor quo todo o dlologo lol consorvodo por
Xonolonto como um oxomplo do glnostlco (orto do combotor) do
32
Socrotos. Podorlo otó porocor quo om todo o comportomonto do
Socrotos dormltovo umo lronlo lotonto, como so olo, oporontomonto
sogulndo do boo-ló os ormodllhos do Arlstlpo, onlqullosso justomonto
sou plono ostucloso, lovondo oxotomonto Arlstlpo, contro o vontodo,
o ollrmor oqullo quo osto osporovo vor dolondldo por Socrotos.
Entrotonto, quom conhoco Xonolonto ochoro lsto oltomonto lmpro-
vovol, o quol, por vlo dos duvldos, olndo olorocou umo rozoo
complotomonto dlstlnto poro o comportomonto do Socrotos: olo oglo
osslm ¨poro sor utll oos sous ocomponhontos¨. Doi so podo vor
cloromonto quo, do ocordo com o concopçoo do Xonolonto, ó com
o molor sorlododo quo Socrotos rovoco o lnllnltudo oxoltonto do
lnvostlgoçoo poro o mo lnllnltudo dos bolxodos do omplrlo.
O comensurúoel como tol ó ontoo o orono proprlomonto dlto
do Socrotos o suo otlvldodo conslsto, om grondo porto, om oncorror
todo o ponsomonto o o oçoo humono dontro dos llmltos do um muro
lntronsponivol quo oxclul todo trollco com o mundo dos ldólos. O
ostudo dos clônclos noo podo, do monolro olgumo, ultropossor osto
cordoo sonltorlo, Mem. lV. 7. Do goomotrlo
11
dovlo-so oprondor
oponos o nocossorlo poro sor copoz do modlr corrotomonto o sou
torrono; um ostudo mols ovonçodo do ostronomlo oro dosoconso-
lhodo, o olo nos odvortlo com o coso dos ospoculoçoos do Anoxogo-
ros - om sumo, todo clônclo llco roduzldo oo ostrltomonto nocossorlo
¨zum Gebruucl jur JeJermunn¨ (poro o uso do codo um).
O mesmo so ropoto om toJos os Jominìos; sous dltos sobro o
noturozo soo slmplosmonto ¨trobolho do lobrlco¨, o toloologlo llnlto
numo vorlododo do modolos. - Suo concopçoo do omlzodo noo
podo sor ocusodo do oxoltoçoo opolxonodo (Svoormorl). Alndo quo
olo sojo do oplnloo do quo nom um covolo
12
, nom um osno volom
tonto quonto um omlgo, doi noo so soguo, do monolro nonhumo,
quo vorlos covolos ou vorlos burros noo pudossom tor tonto volor
quonto um omlgo. E osto ó o mosmo Socrotos, o rospolto do quol
Plotoo, poro coroctorlzor todo suo llnltudo lntorlor om roloçoo oos
omlgos, utlllzo umo oxprossoo sonsuol-osplrltuol como ¨omor os
jovons otrovós do lllosollo¨ (PuìJerusteìn metu plìlosoplius), ó o
Socrotos quo dlz o rospolto do sl mosmo, no 8unquete, quo so
ontondlo do ¨orto do omor¨ (erotìkú). E quondo ontoo om Mem. lll,
11 ouvlmos Socrotos convorsor com o domo do roputoçoo duvldoso
Toodoto o gobor-so dos molos omorosos quo olo possul poro otrolr
homons jovons o sl, olo nos ropugno como umo volho cocoto quo
olndo so crô om condlçoos do oncontor, slm, olo nos ropugno olndo
mols, porquo nos noo consogulmos odmltlr o ovontuolldodo do quo
Socrotos losso copoz dlsso. - lguolmonto om roloçoo oos multlplos
33
gozos do vldo, nos oi oncontromos o mosmo sobrlododo llnlto,
onquonto Plotoo too grondlosomonto otrlbul o Socrotos umo ospóclo
do soudo dlvlno, quo torno lmpossivol poro olo os oxcossos o contudo
noo o prlvo, mos slm o rogolo com o plonltudo do gozo
13
. Quondo
Alcobiodos, no 8unquete, nos loz sobor quo jomols vlro Socrotos
bôbodo, llco subontondldo oo mosmo tompo quo oro lmpossivol
poro Socrotos colr num tol ostodo, o nos vomos, ollos, no Bonquoto,
como olo vonco todos os outros no bobldo. Xonolonto noturolmonto
oxpllcorlo lsto dlzondo quo olo jomols ultropossovo um quuntum sutìs
(umo modldo rozoovol) do rocolto oprovodo polo oxporlônclo.
Noo so troto portonto doquolo bolo unldodo hormónlco do
dotormlnoçoo noturol o llbordodo, coroctorlzodo polo oxprossoo
uutoJominìo (soplrosµne), nosto doscrlçoo quo Xonolonto nos do
do Socrotos, mos ontos do umo lolo composlçoo do clnlsmo o ospirlto
llllstou. - Suo concopçoo do morto ó oqul lguolmonto pobro do
ospirlto, lguolmonto pusllônlmo, mosqulnho. lsso so mostro om
Xonolonto, Mem. lV, 8, 8, ondo Socrotos ologro-so por tor do morror
ogoro, jo quo com lsso so vô llvro dos doonços o dos trlbutos do
volhlco. No Apologìu (do Xonolonto) oncontrom-so docorto olguns
troços um pouco mols poótlcos, como no 3, ondo Socrotos sugoro
quo por todo suo vldo so hovlo proporodo poro suo doloso; odomols,
ó proclso poróm quo so dlgo quo, quondo olo docloro noo quoror
dolondor-so, mosmo oi Xonolonto noo o vô numo grondozo sobro-
noturol (osslm como por oxomplo o dlvlno sllônclo do Crlsto lronto
o sous ocusodoros), mos o consldoro oponos gulodo polo culdodo,
tolvoz lnoxpllcovol poro Socrotos, do sou domónlo quonto ò suo
roputoçoo. E quondo llcomos sobondo por Xonolonto (Mem. l, 2,
24) quo Alcobiodos oro um homom multo bom-comportodo on-
quonto vlvou proxlmo o Socrotos o quo so tornou dlssoluto mols
tordo, o quo mols nos surproondo o odmlro noo ó quo olo tonho
dopols so tornodo dlssoluto, mos quo olo tonho vlvldo tonto tompo
no componhlo do Socrotos; pols, solndo do um tol ospirlto do
Chlstlonsloldt*, do umo tol oscolo-prlsoo do modlocrldodo constrlto-
ro, olo tlnho mosmo do ostor bostonto lomlnto dos prozoros o gozos.
Nos tomos portonto, no concopçoo do Socrotos por Xonolonto, o
sombru puroJìunte do ldólo om suos multlplos oporlçoos. No lugor
do bom oqul tomos o utll, no lugor do bolo, o utlllzovol, om voz do
* Pequena aldeia da Jutlândia, fundada em 1773 por uma comunidade de irmãos
morávios, conhecidos pela religiosidade austera e de estrita observância (N.R.).
34
vordodolro, o ordom ostobolocldo, om voz do slmpotlco, o lucrotlvo
(Lucrotlvo), no lugor do unldodo hormónlco, o prosolco sobrlododo.
Flnolmonto, no quo tongo ò ìronìu
14
, oi noo oncontromos
jomols quolquor vostiglo dolo no Socrotos do Xonolonto. No sou
lugor oporoco o solistlco. Mos o solistlco ó proclsomonto o duolo
lnllndovol do conhoclmonto com o lonómono, o sorvlço do ogoismo,
quo justomonto jomols podo conduzlr o umo vltorlo doclslvo, porquo
o lonómono volto o lovontor-so too logo ó obotldo; o jo quo somonto
o conhoclmonto, quo como um onjo llbortodor orronco do morto o
lonómono o o loz possor do morto poro o vldo
15
, somonto osto
conhoclmonto podo voncor, osslm o solistlco so vô por llm ocossodo
polos logloos lnllnltos dos lonómonos. Oro, o lormo oxtorlor quo
corrospondo o osto monstruoso poligono, o lnllnltudo colmo o
lntorlor do vldo quo corrospondo o osto olvoroço o o osto olgozorro
por todo otornldodo, ó ou o slstomo ou o lronlo onquonto nogotlvl-
dodo lnllnlto obsoluto, noturolmonto com o dlloronço do quo o
Slstomo ó lnllnltomonto bom-lolonto o o lronlo lnllnltomonto sllon-
closo. E osslm vomos como tombóm oqul Xonolonto bom conso-
quontomonto chogou ò lmogom oposto do concopçoo plotónlco.
Umo consldorovol multldoo do sollsmos so oncontro pols nos Momo-
roblllo
16
, mos om porto olos corocom do poìnts* (por oxomplo, os
curtos lrosos do Mem. lll, 13), o om porto olos corocom do lnllnlto
olostlcldodo lrónlco, do socroto olçopoo
17
polo quol so col do roponto,
noo o mll broços do prolundldodo, como o mostro-oscolo do comó-
dlo Os Eljos, mos slm no nodo lnllnlto do lronlo. Por outro lodo, os
sous sollsmos tompouco sorvom como oproxlmoçoos ò vlsoo gorol
(tìl Anskuelsen). Como oxomplo, quoro lntroduzlr Mem. lV, 4, o
dlologo com Hiplos. Aqul tombóm so mostro como Socrotos so lovo
odlonto o quostoo otó um corto ponto, som dolxor quo osto so
rospondo o sl mosmo dontro do umo vlsoo do conjunto. Com ololto,
dopols quo o justo lol dollnldo como ldôntlco oo logol, o o duvldo o
rospolto do logol (quonto oo loto do quo os lols so mudom, cl. 14)
poroco podor tronqulllzor-so dlonto do consldoroçoo do logol roco-
nhocldo om todos os tompos por todos (o lol dlvlno), olo so dotóm
om olguns oxomplos, om quo os proprlos consoquônclos do pocodo
soo ovldontos. Asslm tombóm no oxomplo lntroduzldo no 24, sobro
o lngrotldoo, com o quol o ponsomonto dovorlo sor orlontodo rumo
ò lurmonìu pruestubìlìtu (hormonlo proostobolocldo) quo porvodo o
oxlstônclo, o consldoroçoo so dotóm nos ospoctos oxtorloros: quo o
* Points (sic), que se deve ler evidentemente pointe, em francês, e pode significar
instigação, provocação, graça (N.R.).
35
lngroto pordo os omlgos otc., o noo so olovo rumo o umo ordom do
colsos mols porlolto, no quol noo ho mudonço o nom sombro do
vorloçoo, ondo o vlngonço ocorto o olvo som so dolxor rotor por
quolquor llnltudo; pols onquonto nos dotlvormos oponos no obsor-
voçoo oxtorlor, podor-so-lo ollnol ponsor quo o lngroto, por oxomplo,
noo sojo olconçodo polo cloudlconto justlço.
Agoro ostou pronto com o concopçoo do Socrotos, tol como
olo so oprosonto nos lontos do Xonolonto, o ou quoro oponos, poro
conclulr, sollcltor oos loltoros quo, so so oborrocorom multo, noo
joguom todo o culpo dlsso somonto om mlm.
PLATÃO
Os loltoros toroo coptodo cortomonto nos poglnos ontorloros
multos o lurtlvos olhodolos do rolonco poro osto mundo quo ogoro
dovo tornor-so objoto do nosso ostudo. Nos noo os nogomos; mos
om porto o rozoo dlsto osto no proprlo olhor quo, quondo so llxo por
multo tompo numo cor, ocobo lnvoluntorlomonto dosonvolvondo o
suo cor complomontor, o om porto osto om mlnho proprlo prodlloçoo,
tolvoz um pouco juvonll, por Plotoo; o om porto no proprlo Xono-
lonto, quo dovorlo sor um tlpo lomontovol, so noo houvosso om suo
oxposlçoo oquolos locunos nos quols Plotoo so oncolxo o os proon-
cho, do modo quo o gonto onxorgo Plotoo om Xonolonto emìnus et
quusì per trunsennus (do longo o como otrovós do um grodll). E om
vordodo osto nostolglo por Plotoo ostovo no mlnho olmo, o soguro-
monto olo noo so tornou monor com o lolturo do Xonolonto. Mou
oxomlnodor! pormlto-mo oponos umo polovro, um unlco o lnoconto
porôntoso poro dosobolor mlnho grotldoo, o mou ogrodoclmonto
polo roconlorto quo oncontrol no lolturo do Plutdo. Pols ondo so
dovorlo oncontror olivlo sonoo no tronqullldodo lnllnlto com o quol
no colmo do nolto o ldólo som ruido, mos com podoroso o solono
suovldodo so dosonvolvo, no rltmo do dlologo, como so nodo mols
houvosso no mundo, lo ondo codo posso ó rollotldo, modltodo,
rotomodo lontomonto, solonomonto, porquo os proprlos ldólos, por
osslm dlzor, sobom quo ho tompo o orono poro todos olos; o quondo
ó quo no mundo so proclsou mols do ropouso, sonoo om nosso
tompo, om quo os ldólos so otropolom umos os outros com o prosso
do loucuro, om quo os ldólos so onunclom o suo prosonço no lundo
do olmo por umo bolho no suporliclo do mor, om quo olos jomols so
dosonvolvom, mos so consomom om sous tonros brotos, oponos
36
lovontom o coboço poro o vldo, mos om soguldo morrom do trlstozo,
como oquolo crlonço do quo lolo Abrooo do Sonto Cloro, quo no
mosmo lnstonto om quo noscou llcou com tonto modo do mundo,
quo rotornou poro o solo motorno.
Considerações preliminares
Asslm como um slstomo tom umo posslbllldodo oporonto do
lozor quolquor do sous momontos tornor-so um ponto do portldo,
mos osto posslbllldodo jomols so tronslormo om roolldodo porquo
todo o quolquor momonto ó dotormlnodo ossonclolmonto uJ ìntru
(poro dontro), ó sustontodo o montldo polo consclônclo proprlo do
slstomo
18
, osslm tombóm roolmonto codo vlsoo gorol (Anskuelse), o
prlnclpolmonto umo vlsoo rollgloso, possul um ponto do portldo
oxtorlor dotormlnodo, um dodo posltlvo, o quol, om roloçoo com o
portlculor, so mostro como o cousolldodo suporlor, o om roloçoo com
o dorlvodo so mostro como o ¨Ursprunglìcle¨ (orlglnol). O lndlviduo
so oslorço som cossor poro romontor do dodo o otrovós do dodo
òquolo ropouso contomplotlvo, quo so o porsonolldodo lornoco,
òquolo ontrogo conllonto quo ó o roclprocldodo mlstorloso do porso-
nolldodo o slmpotlo. Bosto quo ou ogoro rocordo quo umo tol
porsonolldodo prlmltlvo, um tol stutus ubsolutus (ostodo obsoluto) do
porsonolldodo lronto oo stutus constructus (ostodo subordlnodo) do
gônoro, so ó dodo o so podo sor dodo umo unlco voz. Mos noo dovo
possor dosporcobldo quo o onologlo dosto loto, o lmpulso rotomodo
do hlstorlo poro osto solto lnllnlto, tombóm possul o suo vordodo.
Umo tol porsonolldodo, umo tol Jetentoru ìmeJìutu do dlvlno, oro o
quo Plutdo oìu em 5ocrutes. O ololto ossonclol do umo tol porsono-
lldodo orlglnol sobro o goroçoo o o suo roloçoo com osto rosulto om
porto numo comunlcoçoo do vldo o ospirlto (quondo Crlsto ossopro
sobro os dlscipulos o dlz: Rocobol o Espirlto Sonto), o om porto numo
llboroçoo dos lorços prosos do lndlviduo (quondo Crlsto dlz oo
porolitlco: Lovonto-to o ondo,) ou molhor, roollzom-so om ombos os
lormos oo mosmo tompo. A onologlo poro osto coso podo portonto
sor duplo: ou olo ó posltlvo, lsto ó, locundonto, ou ó nogotlvo, lsto ó,
ouxlllondo o lndlviduo porollsodo, volotlllzodo om sl mosmo, o
rooncontror o lloxlbllldodo orlglnol, oponos protogondo o obsorvon-
do o lndlviduo osslm lortlllcodo, o osslm ouxlllondo-o o rollotlr sobro
sl mosmo o tomor consclônclo do sl mosmo

. Mos nos dols cosos
onologos, o roloçoo com umo tol porsonolldodo pormonoco poro o
sogundo noo oponos como lmpulslonodoro, mos tombóm como
morcondo doto o como umo lonto jorrondo poro o vldo otorno,
37
lnoxpllcovol poro o proprlo lndlviduo. Podomos dlzor quo ou ó o
polovro quo crlo o lndlviduo, ou ó o sllônclo quo o nutro o produz.
A rozoo por quo ou lntroduzl ostos duos onologlos tolvoz nosto
lnstonto olndo noo ostojo cloro poro o loltor, mos ou osporo quo lsto
ocontoço mols odlonto. Noo so podo nogor quo Plotoo vlu o unldodo
dossos dols momontos om Socrotos, ou molhor, quo Plotoo ovldon-
clou om Socrotos o unldodo dolos; todo mundo sobo quo umo outro
concopçoo vlu, no clrcunstônclo do Fonoroto, o moo do Socrotos, sor
portolro umo lmogom sonsivol do otlvldodo llborodoro do Socrotos,
o com lsso subllnhou o sogundo lodo do onologlo.
Entrotonto, quol o reluçdo oxlstonto ontro o Socrotos plutonìco
o o Socrotos reul¹ Esto quostoo noo so dolxo oludlr. Socrotos porcorro
como um rlo todo o torrltorlo locundo do lllosollo plotónlco, olo ó
onlprosonto om Plotoo. Noo quoro oqul lnvostlgor om dotolhos om
quo modldo noo oponos o dlscipulo ogrodocldo ocrodltou, mos
tombóm o jovom soguldor omorosomonto dosojou, com o ordor do
mocldodo, sor dovodor do Socrotos; porquo nodo lho oro coro so noo
vlosso do Socrotos ou so, polo monos, olo noo losso co-proprlotorlo
o conlldonto dos sogrodos do omor do conhoclmonto; porquo ho
umo outomonllostoçoo lronto o olguóm quo osto totolmonto ollnodo
quo noo llco rotldo polos llmltoçoos do outro, mos slm so osprolo o
odqulro umo grondozo sobronoturol no concopçoo do outro; porquo
o ponsomonto so so comproondo o sl mosmo o so so omo o sl mosmo
quondo ó ossumldo no sor do outro, o osslm, poro tols soros too
hormónlcos, pormonoco noo oponos lndlloronto, mos otó lmpossivol
do docldlr o quo ó quo codo um possul om portlculor, umo voz quo
constontomonto codo um dolos nodo possul, mos possul tudo no
outro. Eu noo oprolundorol osto quostoo. Como Socrotos, por
consogulnto, llgovo do monolro too bolo os homons oo dlvlno oo
mostror quo todo conhoclmonto ó rocordoçoo, osslm tombóm Plotoo
so sonto, numo unldodo osplrltuol, lndlssoluvolmonto lundldo com
Socrotos, do modo quo todo sobor ó poro olo um sobor comum com
Socrotos. Quo osto lmpulso poro ouvlr suos proprlos cronços do boco
do Socrotos dovo tor-so tornodo olndo mols prolundo opos o morto
dosto, o quo Socrotos dovo tor rossuscltodo tronsllgurodo do sou
tumulo poro umo comunhoo do vldo olndo mols lntorlor, o quo o
conlusoo ontro Mou o Tou dovo tor-so tornodo olndo molor, jo quo
poro Plotoo, noo obstonto suo humlldodo o por mols quo olo so
sontlsso poquono poro ocroscontor olgo ò lmogom do Socrotos, oro
lmpossivol noo conlundlr o lmogom poótlco com o roolldodo hlsto-
rlco; tudo lsso ó ovldonto. - Dopols dostos obsorvoçoos gorols ou crolo
quo sorlo oportuno rocordor quo jo no Antlguldodo tlnho-so otontodo
38
poro osto quostoo do roloçoo ontro o Socrotos rool o o poótlco
sogundo o oxposlçoo do Plotoo, o quo Dlogonos Loórclo jo oprosonto
umo dlvlsoo dos Dlologos ontro Jrumútìcos o nurrutìoos (Jrumutìkoi
- Jìegemutìkoi), dondo osslm umo corto rosposto ò quostoo. Os
dlologos norrotlvos dovorlom portonto sor os quo ostovom mols
proxlmos do concopçoo hlstorlco do Socrotos. A ostos portoncom
ontoo o Bonquoto o Fódon, o otó suo lormo oxtorlor rocordo suo
slgnlllcoçoo nosto ospocto, conlormo o corroto obsorvoçoo do Bour
(op. clt., p. 122, noto): ¨Exotomonto por lsso os dlologos do outro
tlpo, os norrotlvos, nos quols o dlologo proprlomonto dlto so ó dodo
numo norroçoo, como Plotoo no 8unquete, otrovós do Apolodoro,
no FéJon, por molo do Equócrotos o do olguns outros quo nos
contom tudo oqullo quo Socrotos dlsso oos sous omlgos nos sous
ultlmos dlos o o quo lho ocontocou, tols dlologos doo o comproondor
por suo proprlo lormo quo possuom om sl um corotor mols hlstorlco¨.
Eu noo posso docldlr so osto corotor hlstorlco no lormo so tom
o vor com o oporoto cônlco o so o controsto com os dlologos
dromotlcos conslsto om quo nostos ultlmos o olomonto dromotlco
(quo Bour chomo Jìe dussere HunJlung, o oçoo oxtorlor) ó llvro
lnvonçoo poótlco do Plotoo, ou so conslsto om quo nos dlologos
dlogomotlcos (norrotlvos) o ossonclol ó o ponsomonto proprlo do
Socrotos, onquonto nos dlologos dromotlcos o contoudo soo os
vlsoos gorols quo Plotoo omprosto o Socrotos. Em componsoçoo, ou
dovo novomonto noo oponos subscrovor, mos otó cltor o corroto
obsorvoçoo do Bour: ¨Mos so Plotoo, lovondo om conto osto lundo-
monto hlstorlco, dou o ossos dlologos osto lormo, doi noo so podo
contudo conclulr nodo com roloçoo oo corotor hlstorlco do conjun-
to¨. E osslm nos oproxlmomos do lmportonto problomo: o que
portonco o Socrotos, no lllosollo plotónlco, o o que portonco o Plotoo;
umo quostoo quo noo podomos ovltor, por mols doloroso quo sojo
soporor oqullo quo osto unldo too lntlmomonto. Aqul ou dovo
lomontor quo Bour mo obondono; pols opos tor olo domonstrodo o
nocossldodo quo tlnho Plotoo do so llgor om porto ò consclônclo
populor (ondo olo vô o slgnlllcodo do mitlco) o om porto ò porsono-
lldodo do Socrotos, como o ponto do portldo posltlvo, oncorro todo
o suo lnvostlgoçoo com o conclusoo do quo o slgnlllcodo ossonclol
do Socrotos conslstlo no mótodo.
20
Mos dodo quo om Plotoo o
mótodo olndo noo ó vlsto om suo roloçoo obsolutomonto nocossorlo
poro com o ldólo, lmpoo-so olndo o quostoo: em que reluçdo estuou
5ocrutes com o métoJo Je Plutdo°
Torno-so ontoo lmportonto lolor olgumo colso sobro o métoJo
om Plotoo. Todo mundo porcobo cortomonto quo noo lol por ocoso
39
quo o Jìúlogo so tornou o lormo prodomlnonto om Plotoo, mos quo
poro lsso houvo umo rozoo mols prolundo. Noo posso oqul odontror
mols numo lnvostlgoçoo o rospolto do roloçoo ontro umo dlcotomlo,
como o quo so oncontro om Plotoo, o umo trlcotomlo, tol como o
oxlgo o modorno dosonvolvlmonto ospoculotlvo no sontldo mols
ostrlto. (Eu trotorol um pouco dosto ossunto quondo dosonvolvor o
roloçoo ontro o olomonto dlolótlco o o olomonto mitlco, umo dlcoto-
mlo, nos prlmolros dlologos do Plotoo.) Tompouco torol tompo poro,
oo mostror o nocossldodo do umo dlcotomlo poro o culturo grogo, o
com lsso roconhocondo suo rolotlvo volldodo, slmultonoomonto
domonstror o suo roloçoo com o mótodo obsoluto. Pols docorto o
dlologo bom dlsclpllnodo do Socrotos ó umo tontotlvo do dolxor quo
o proprlo ponsomonto so oprosonto om todo o suo objotlvldodo, mos
noturolmonto lolto oqul oquolo unldodo do concopçoo sucosslvo o
lntulçoo, quo somonto o trlloglo dlolótlco torno possivol. O mótodo
conslsto proprlomonto om slmpllllcor os multlplos comblnoçoos do
vldo, roconduzlndo-os o umo obrovloturo codo voz mols obstroto; o
jo quo Socrotos comoço o molorlo do sous dlologos noo no contro,
mos no porllorlo, no colorldo vorlododo do vldo lnllnltomonto ontro-
loçodo om sl mosmo, ó proclso um olto grou do orto poro dosonvolvor
noo somonto o sl mosmo, mos tombóm o obstroto noo oponos o
portlr dos compllcoçoos do vldo, mos tombóm dos dos sollstos. Esto
orto, quo oqul doscrovomos, ó noturolmonto o bom conhocldo orto
socrotlco do porguntor
21
, ou, poro rocordor o nocossldodo dos
dlologos poro o lllosollo plotónlco, o orto do conoersur. E por lsso
quo Socrotos, too lroquontomonto com umo lronlo too prolundo,
roproondo os sollstos, jogondo-lhos no coro quo olos soblom multo
bom lolor, mos noo convorsor. Com ololto, o quo olo consuro, com
o oxprossoo ¨lolor¨ om controposlçoo o ¨convorsor¨, ó o ospocto
ogoistlco no ¨bom lolor¨, no oloquônclo orotorlo quo osplro oo quo
so podorlo chomor o bolo obstroto, oersus rerum ìnopes nugueque
cunorue (os vorsos som contoudo o os bogotolos quo soom bom), o
quo vô como objoto do plo vonoroçoo o proprlo oxprossoo, dosllgodo
do suo roloçoo com o ldólo. No convorsoçoo, oo controrlo, o lolonto
ó obrlgodo o noo lorgor o objoto
22
, quor dlzor, dosdo quo o dlologo
noo sojo ldontlllcodo com um duoto oxcôntrlco, ondo codo um ontoo
o suo porto som lovor om conto o outro, o quo so tom o oporônclo
llusorlo do sor umo convorsoçoo no modldo quo os dols noo lolom
oo mosmo tompo. Esto concontrlcldodo do convorsoçoo so oxprlmo
olndo mols dotormlnodomonto polo loto do o dlologo sor concobldo
sob o lormo do porgunto o rosposto. Por lsso proclsomos onollsor um
pouco mols do porto o quo ó porguntor.
40
Porguntor doslgno em purte u reluçdo do lndlviduo com o
objeto, e em purte u reluçdo do lndlviduo com um outro ìnJìoiJuo.
- No prìmeìro cuso, o oslorço ó poro llboror o lonómono do todo o
quolquor roloçoo llnlto com o sujolto. Ao porguntor, ou noo sol nodo
o mo roloclono do lormo puromonto rocoptlvo com o mou objoto.
Nosto sontldo, o porguntor socrotlco possul onologlo, olndo quo
dlstonto, mos lndubltovol, com o nogotlvo om Hogol, so quo o
nogotlvo sogundo Hogol ó um momonto nocossorlo no proprlo
ponsomonto, ó umo dotormlnoçoo uJ ìntru (poro dontro), o om
Plotoo o nogotlvo so torno vlsivol o ó colocodo, loro do objoto no
sujolto lntorrogonto. Em Hogol o ponsomonto noo proclso sor lntor-
rogodo dosdo loro; pols osto porgunto o rospondo o sl mosmo; om
Plotoo, olo so rospondo no modldo quo ó porguntodo, mos so olo
vom o sor ou noo quostlonodo ó umo cosuolldodo, o o monolro como
olo ó quostlonodo tombóm noo ó umo cosuolldodo monor. Emboro
osslm o lormo do porgunto dovo llboror o ponsomonto do todos os
dotormlnoçoos moromonto subjotlvos, num outro sontldo olo contl-
nuo dopondondo do subjotlvo, onquonto oquolo quo porgunto so ó
vlsto numo roloçoo cosuol com oqullo quo ó lntorrogodo por olo. So
polo controrlo so vô o porguntor om umo roloçoo nocossorlo com sou
objoto, ontoo o porguntor so ldontlllco com o rospondor. E como jo
Losslng dlstlngulu, com tonto porsplcoclo, ontro rospondor o umo
porgunto (ut soure) o rospondô-lo oxoustlvomonto (besoure Jet),
osslm tombóm ho umo dlstlnçoo somolhonto no lundomonto do
dlloronço ostobolocldo por nos, ou sojo, o dlstlnçoo ontro porguntor
(ut sporge) o porguntor oxoustlvomonto, lntorrogor (ut uJsporge); o
vordodolro roloçoo conslsto portonto ontro lntorrogor, lsto ó, porgun-
tor oxoustlvomonto (ut uJsporge), o rospondor oxoustlvomonto (ut
besoure)
23
. E cloro quo olndo rosto sompro olgo do subjotlvo, mos
so o gonto so rocordo do quo o rozoo por quo o lndlviduo porgunto
dosto monolro ou do outro noo rosldo om suo orbltrorlododo
24
, o slm
no objoto, no roloçoo-do-nocossldodo, quo uno no copulo o ombos,
ontoo oquolo rosto dosoporocoro. - No segunJo cuso, o objoto ó umo
dlvorgônclo o sor ojustodo ontro oquolo quo porgunto o oquolo quo
rospondo o o dosonvolvlmonto do ponsomonto so consumo nosto
posso oltornodo (ulterno peJe), nosto cloudlcor do ombos os lodos.
Esto ó, noturolmonto, mols umo voz, umo ospóclo do movl-
monto dlolótlco, mos, dodo quo lolto o momonto do unldodo ou do
sintoso no modldo quo codo rosposto contóm o posslbllldodo do umo
novo porgunto, noo ó o vordodolro ovoluçoo dlolótlco. Esto slgnlll-
coçoo do porguntor o rospondor ó ldôntlco com o slgnlllcoçoo do
dlologo, quo ó como umo lmogom sonsivol do concopçoo grogo do
41
roloçoo ontro o dlvlndodo o o homom, no quol oxlsto, som duvldo,
umo roloçoo rociproco, mos nonhum momonto do unldodo (nom o
lmodloto, nom o suporlor), o proprlomonto tombóm som o vordodol-
ro momonto do duolldodo, jo quo o roloçoo so osgoto no moro
roclprocldodo: como um pronomen recìprocum (pronomo rolloxl-
vo), olo noo tom nomlnotlvo, mos oponos cusus oblìquì (cosos
obliquos) o somonto o duol o o plurol.
- So ó corroto o quo dosonvolvomos otó oqul, ontoo so vô quo
o ìntençdo com quo so porgunto poJe ser Juplu. Pols o gonto podo
porguntor com o lntonçoo do rocobor umo rosposto quo contóm o
sotlsloçoo dosojodo do modo quo quonto mols so porgunto tonto
mols o rosposto so torno prolundo o cholo do slgnlllcoçoo; ou so podo
porguntor noo no lntorosso do rosposto, mos poro, otrovós do por-
gunto, oxourlr o contoudo oporonto, dolxondo osslm otros do sl um
vozlo. O prlmolro mótodo prossupoo noturolmonto quo ho umo
plonltudo, o o sogundo, quo ho umo voculdodo; o prlmolro ó o
especulutìoo, o sogundo o ìronìco. Ero osto ultlmo o mótodo quo
Socrotos protlcovo lroquontomonto. Quondo, numo boo componhlo,
os sollstos so tlnhom ombrlogodo o sl mosmos com os voporos do
suo proprlo orotorlo
25
, oi Socrotos tlnho prozor om produzlr, do
monolro mols cortôs o modosto do mundo, umo poquono corronto
do or
26
quo om pouco tompo dlsslpovo todos ossos voporos poótlcos.
Essos dols mótodos tôm com cortozo, ospoclolmonto poro umo
obsorvoçoo quo so otóm oponos oo momonto, umo grondo somo-
lhonço ontro sl; slm, osto somolhonço so torno olndo molor dovldo
oo loto do quo o porguntor do Socrotos oro dlrlgldo contro o sujolto
cognosconto o tondlo o provor quo oposor do tudo, om ultlmo onollso,
sìmplesmente nuJu soblom. Quolquor lllosollo quo comoco com
umo prossuposlçoo tormlno, noturolmonto, no mosmo prossuposl-
çoo, o como o lllosollo do Socrotos lnlclovo com o prossuposlçoo do
quo olo nodo soblo, osslm olo tormlnovo no rosultodo do quo os
homons om gorol nodo soblom; o plotónlco comoçovo no unldodo
lmodloto do ponsor o do sor o oi pormonoclo. A dlroçoo quo so lmpós
como volldo no ldoollsmo como umo rolloxoo sobro o rolloxoo
tombóm so loz volor no porguntor socrotlco. O porguntor, l.ó: o
roloçoo obstroto ontro o subjotlvo o o objotlvo, oro poro olo em ultìmu
unúlìse o ponto cupìtul. Rovlsondo mols oxotomonto umo monllos-
toçoo do Socrotos no Apologìu do Plotoo, quoro oslorçor-mo por
osclorocor o quo tonho om monto. Do um modo gorol todo o
Apologìu ó mognlllcomonto oproprlodo poro lornocor um concolto
cloro dosto otlvldodo lrónlco do Socrotos
27
. Com ololto, o proposlto
do prlmolro ponto do ocusoçoo do Moloto, do quo Socrotos rldlcu-
42
lorlzorlo os dousos, o proprlo Socrotos comonto o conhocldo dlto do
oroculo do Dollos, do quo olo oro o mols soblo dos homons. Elo norro
como por um lnstonto osto dlto o dolxoro porploxo, o como olo, poro
provor so o oroculo tlnho dlto o vordodo, so dlrlglro o um dos soblos
mols roputodos. Esto soblo oro um homom do Estodo, mos Socrotos
doscobrlu logo quo olo oro lgnoronto. Dopols dlsso, dlrlglro-so o um
pooto, mos doscobrlu, quondo osto lho dou umo oxpllcoçoo dotolho-
do do suo proprlo pooslo, quo osto tombóm noo ontondlo do ossunto.
(Nosto ocosloo olo sugoro tombóm quo o poomo dovo sor consldo-
rodo como umo lnsplroçoo dlvlno, do quol o pooto comproondo too
pouco como os prolotos o os odlvlnhos dos bolozos quo onunclom.)
Flnolmonto so dlrlglro oos ortlstos, o ostos docorto soblom olgumos
colsos, mos como ostovom oprlslonodos ò llusoo do quo tombóm
comproondlom outros colsos, tombóm coirom no mosmo dollnlçoo
dos outros. Em rosumo, Socrotos oxpoo do quo modo olo clrcuno-
vogou todo o rolno do lntollgônclo o doscobrlu quo o todo ó llmltodo
por um ocoono do conhoclmonto llusorlo. Vomos quoo motodlco-
monto olo concobou suo torolo, como olo proporou o oxporlmonto
com codo umo dos lorços do lntollgônclo, o lsso olo olndo vô
conllrmodo polo loto do sous trôs ocusodoros roprosontorom os trôs
potônclos, cujo nulldodo olo hovlo dosvolodo no porsonolldodo do
sous proprlos ocusodoros. Moloto, com ololto, lolovo om nomo dos
pootos, Anlto om nomo dos ortlstos o politlcos, Licon om nomo dos
orodoros. Slm, olo concobo como suo vocoçoo dlvlno, suo mlssoo,
ondor polo molo dos sous concldodoos o dos ostrongolros poro,
sompro quo ouvlsso dlzor do olguóm quo oro soblo, o sompro quo
lsso noo so conllrmosso, ouxlllor o dlvlndodo o provor quo osto
homom noo oro soblo
28
.
E por osto rozoo, olo noo tlvoro tompo

poro lozor nodo do
lmportonto, nom nos ossuntos publlcos, nom nos prlvodos, mos por
couso dosto seroìço Jìoìno, vlvoro om pobrozo comploto. Mos ou
rotorno ò possogom comontodo do Apologlo. Socrotos mostro quoo
ogrodovol ó o ldólo do dopols do morto ontror om contoto com os
grondos homons quo vlvorom ontos dolo o comportllhorom do
mosmo dostlno, o ocrosconto: ¨Slm, o o quo ó mols, possor o tompo
oxomlnondo o lntorrogondo os do lo como oos do co, o vor quom
dolos ó soblo o quom, noo o sondo, culdo quo ó¨ (Ast t. Vlll p. 156,
41 b). Estomos oqul num ponto doclslvo. Noo so podo nogor quo
Socrotos oqul quoso col no rldiculo, com todo osto zolo do osplonor
quo noo o dolxo om poz nom dopols do morto. E quom ó quo
consoguo dolxor do sorrlr quondo so lmoglnom os llguros sórlos dos
hobltontos do outro mundo, o oi no molo dolos Socrotos numo
43
otlvldodo lnlotlgovol do lntorrogor o mostror quo olos nodo sobom¹
E cloro quo podorlo porocor quo o proprlo Socrotos oro do oplnloo
do quo olguns dolos podorlom sor soblos; pols olo dlz quo quorlo
oxomlnor quom dolos oro soblo o quom dontro olos ponsovo sô-lo o
contudo noo oro; mos om porto ó proclso lombror quo oquolo
sobodorlo noo conslstlo nom mols nom monos do quo no doscrlto
lgnorônclo
30
, o, om porto, quo olo dlz quoror oxomlnor os do lo do
mosmo modo como os doqul: o quo lmpllco, poroco, quo oquolos
grondos homons provovolmonto noo so soirom molhor nosto tentu-
men rìgorosum (oxomo rlgoroso) do quo so soirom os grondos
homons oqul om vldo. Vomos osslm u ìronìu om todo o suo ìnjìnìtuJe
dlvlno, quo noo dolxo obsolutomonto nodo subslstlr. Como Sonsoo,
Socrotos so ogorro òs colunos quo sustontom o conhoclmonto o loz
colr tudo no nodo do lgnorônclo. Quo lsto ó uutentìcumente socrútì-
co, cortomonto quolquor um concodoro; mos plutonìco, oo controrlo,
lsto jumuìs soro. E oqul ostou ou, portonto, numo dos dupllcldodos
quo ho om Plotoo, o ó osto oxotomonto o rostro quo ou quoro
porsogulr poro doscobrlr o puromonto socrotlco.
A dlloronço doscrlto ontro porguntor poro oncontror umo ros-
posto plono o porguntor poro conlundlr so mostro ollos olndo numo
llguro mols dotormlnodo, como o roloçoo ontro o ubstruto o o mitìco
nos dlologos do Plotoo.
Poro osclorocor molhor lsto, ou oxomlnorol mols pormonorlzo-
domonto olguns dlologos o llm do mostror como o obstroto podo
orrodondor-so no lronlo, o o mitlco onunclor umo ospoculoçoo mols
rlco do contoudo.
O ABSTRATO NOS PRIMEIROS DIÁLOGOS DE PLATÃO SE
ARREDONDA NA IRONIA
O Banquete
O 8unquete o FéJon lornocom pontos doclslvos no concopçoo
do Socrotos, dodo quo, como multos vozos so ropotlu, o prlmolro
oprosonto o lllosolo no vldo o o sogundo, no morto. No 8unquete so
oncontrom tombóm prosontos ombos os ospóclos cltodos do oxposl-
çoo, o dlolótlco o o mitlco. O mitlco comoço quondo o proprlo
Socrotos posso o um sogundo plono o troz o dlscurso do Dlotlmo do
44
Montlnólo. E corto quo o proprlo Socrotos obsorvo, oo conclulr, quo
olo mosmo so dolxoro convoncor polo dlscurso do Dlotlmo o quo por
lsso ogoro buscovo convoncor os outros do mosmo colso; com outros
polovros, olo nos dolxo om duvldo sobro so roolmonto o dlscurso noo
ó dolo, olndo quo oprosontodo do sogundo moo; mos o portlr doi noo
so podo tlror nonhumo outro conclusoo sobro o roloçoo hlstorlco do
mitlco com Socrotos. Esto dlologo so oslorço olndo do outro modo
por roollzor o conhoclmonto plono, no modldo quo o Eros concobldo
obstrotomonto torno-so sonsivol no possoo do Socrotos polo dlscurso
do Alcobiodos ombrlogodo; mos osto dlscurso noturolmonto noo nos
podo lornocor nonhum oscloroclmonto ultorlor o rospolto do quostoo
sobro o dlolótlco socrotlco. Vomos ogoro oxomlnor mols do porto
como so possom os colsos no quo toco oo dosonvolvlmonto dlolótlco
nosto dlologo. Mos quolquor um, quo slmplosmonto o tonho lldo com
otonçoo, nos doro rozoo quonto ò obsorvoçoo ontorlor, do quo o
mótodo conslsto om ¨slmpllllcor os multlplos comblnoçoos do vldo,
roconduzlndo-os sompro poro umo obrovloturo codo voz mols obs-
troto¨. A oxposlçoo llnol sobro o ossônclo do Eros noo so oproprlo,
com ololto, do monolro olgumo, do quo o dosonvolvlmonto proco-
donto hovlo produzldo; poróm, om continuo osconsoo, o ponsomon-
to so olovo tonto oclmo do or otmoslórlco, quo o rosplroçoo so ostonco
no puro ótor do obstroto. Os dlscursos ontorloros ndo soo vlstos, por
lsso, como momontos dontro do concopçoo llnol, mos ontos como
um poso torrostro, do quo o ponsomonto proclso llboror-so mols o
mols. Enquonto os dllorontos oxposlçoos noo so oncontrom numo
roloçoo nocossorlo com o ultlmo oxposlçoo, ostoo, por outro lodo,
roclprocomonto roloclonodos umos òs outros, no modldo quo soo
dlscursos sobre o omor (Kjoorllghodon), brotondo do pontos do vlsto
hotorogônoos quo ocorrom no vldo, o o portlr dos quols os orodoros,
como ollodos do todos os lodos, so ocorcom do torrltorlo quo constltul
o outôntlco ossônclo do omor, ossônclo quo, no concopçoo do
Socrotos, so mostro como lnvlsivol, como o ponto motomotlco, umo
voz quo ó obstroto o quo o portlr dosto ponto so lrrodlom os dllorontos
concopçoos rolotlvomonto dlstorcldos. Todos ossos oxposlçoos soo
portonto como sogmontos do umo lunoto, codo umo dos oprosonto-
çoos so ojusto ò sogulnto do monolro too ongonhoso, o too rlco do
llrlsmo, quo com olos ocorro o mosmo quo com o vlnho om copos
do crlstol ortlstlcomonto tolhodos: o quo ombrlogo noo ó somonto o
vlnho ospumonto oi contldo, mos tombóm o rolroçoo lnllnltomonto
multlpllcodo, os ondos do luz quo so olorocom oo olhor quo morgulho
nolos. Emboro o roloçoo ontro o dlolótlco o o mitlco noo so oprosonto
too ocontuodomonto no 8unquete como, por oxomplo, no FéJon,
o omboro por lsso oquolo dlologo slrvo monos poro mou proposlto,
45
mosmo osslm olo tombóm tom o vontogom do oprosontor do monolro
bom dotormlnodo o quo o proprlo Socrotos dlz o o quo olo torlo
ouvldo do Dlotlmo.
Fodro comoço. Elo doscrovo o otorno no Eros. Eros vonco otó
o tompo, o quo ó coroctorlzodo polo loto do olo noo tor pols; olo vonco
no homom noo oponos tudo o quo ho do mosqulnho, groços oo
brllho quo lho do sou pudor rubosconto, mos tombóm vonco o morto,
lndo rotlror dos lnlornos o objoto do sou omor, o por lsso ó rocom-
ponsodo polos dousos, quo so dolxom comovor prolundomonto.
Pousônlos llxo sou olhor sobro o noturozo duplo do Eros, mos noo
do monolro o concobor oquolo dupllcldodo numo unldodo nogotlvo,
como ocorro no oxposlçoo do Dlotlmo, poro o quol Eros ó um lllho
do Poros o Pônlo. Umo dos noturozos ó lllho som moo do Uronos, o
colosto; o outro ó multo mols jovom, tom o dlloroncloçoo soxuol como
sou prossuposto o ó o Eros vulgor. Dopols olo dosonvolvo o slgnlll-
codo do colosto podorostlo, quo omo o osplrltuol no homom, o por
lsso noo ó robolxodo o dogrododo polo soxuol. Ocorrondo ontoo um
otoquo do soluço o Arlstolonos, Pousônlos docloro quo cobo oo
módlco Erlximoco ou llborto-lo do soluço ou ontoo lolor om sou
lugor. Erlximoco tomo o polovro om soguldo. Elo do contlnuldodo ò
obsorvoçoo lolto por Pousônlos, como olo mosmo dlz, o contudo, o
rlgor, concobo o dupllcldodo quo so do no omor o portlr do umo
locoto complotomonto dlloronto do do Pousônlos. Enquonto Pousô-
nlos so dotlvoro nos dols tlpos do omor, cujo dlstlnçoo procuroro
oxpor, Erlximoco, oo controrlo, lntorproto lsso no sontldo do quo o
codo momonto do omor corrospondom dols lotoros, o lsto olo
domonstro prlnclpolmonto no noturozo, consldorodo o portlr do sou
ponto do vlsto clontillco do módlco. O omor ó osslm o unldodo nosto
sor ontogónlco, o so Asclóplo ó o crlodor do orto do modlclno ó
porquo soubo lnsplror omor oos olomontos mols ontogónlcos (o color
o o lrlo, o omorgo o o doco, o soco o o umldo). O mosmo so ropoto
om todo porto no noturozo: os ostoçoos do ono, o cllmo otc.,
dopondom tombóm dos oxprossoos do omor; o mosmo so posso com
os socrlliclos o com tudo o quo portonco ò orto dos proloclos, jo quo
olos lnstourom o comunldodo ontro os dousos o os homons. Todo o
sou dlscurso ó umo ospóclo do lontoslo no torrono do lllosollo do
noturozo.
31
Dopols ontoo quo Arlstolonos loz poror sous soluços (o
nosto ocosloo olo sugoro umo roloçoo do oposlçoo dlloronto dos quo
o módlco ocobovo do doscrovor, pols so llborto do soluço oo osplrror),
olo tomo o polovro o lundomonto o roloçoo do oposlçoo dodo no
omor, do monolro mols prolundo do quo os orodoros ontorloros,
llustrondo-o no oposlçoo soxuol o no dlvlsoo do homom om duos
46
portos, omproondldo polos dousos; slm, olo sugoro otó mosmo o
posslbllldodo do quo os dousos, olndo por clmo, so dlspusossom o
lroclonor mols os homons, so ostos noo ostlvossom sotlsloltos do
sorom o quo soo, ou sojo, o motodo do um homom, ¨jo quo nos,
cortodos oo molo como llnguodos, do um so llcomos dols¨. E ontoo
olo so ontrogo ò suo coprlchoso lontoslo, tonto no doscrlçoo do
lndlloronço soxuol orlglnol o do ostodo do homom nosto sltuoçoo,
como tombóm no prolundo lronlo com quo concobo o nogotlvo no
omor, o lmpulso do unloo; o, com o oxposlçoo orlstolônlco, o gonto
chogo lnvoluntorlomonto o ponsor nos dousos, quo provovolmonto
dovom dlvortlr-so mognlllcomonto oo vorom ostos molo-homons quo
so oslorçom, numo conlusoo lnllnlto ontro olos, por so tornorom
homons lntolros. Dopols do Arlstolonos lolo o pooto troglco Agotoo;
sou dlscurso ó mols ordonodo. Elo chomo o otonçoo poro o loto do
quo os outros noo hovlom proprlomonto ologlodo o dous, mos ontos
so congrotulodo com os homons por couso dos bons quo o dous lhos
dlsponsoro; mos quol o noturozo doquolo quo roportlo todos ostos
bons, nlnguóm hovlo porguntodo. Agotoo quor portonto mostror
como ó o proprlo dous, o quols soo os bons quo olo do oos outros.
O dlscurso todo ó osslm umo odo sobro Eros; olo ó o mols
jovom dos dousos (jo quo ó sompro jovom o osto sompro no compo-
nhlo do juvontudo), ó o mols dollcodo (pols hoblto no quo ho do mols
brondo, no coroçoo o no olmo dos dousos o dos homons, o posso oo
lorgo do todo o quolquor ônlmo duro); suo cor ó o mols bolo (pols
olo vlvo constontomonto ontro os lloros) otc., otc. Aos homons olo
prosontoou com todo moostrlo nos ortos; pols so so tornorom lomosos
oquolos o quom Eros lnsplrou, com sou ontuslosmo.
Como mo lovorlo multo longo o comlnho do umo lnvostlgoçoo
mlnucloso do roloçoo ontro ostos dllorontos dlscursos, ou mo voltorol
ogoro poro o ultlmo orodor, ou sojo, Socrotos. Em suo slmpllcldodo
torlo olo ocrodltodo quo o gonto dovosso sollontor o vordodolro om
quolquor objoto quo so qulsosso ologlor; lsto sorlo o ossonclol, opos
o quo o gonto podorlo ontoo soloclonor o mols bolo o oxpó-lo do
monolro mols dlgno possivol ... ¨mos osto noo oro, como ou noto, o
vordodolro monolro do ologlor; o ologlo conslsto om ocroscontor oo
objoto tontos o too bolos coroctoristlcos quonto possivol, quor olo sojo
osslm, quor noo. So olos lossom lolsos, noo tlnho nonhumo lmpor-
tônclo; pols o torolo oro, como poroco, quo codo um do nos dovorlo
lozor um ologlo oporonto o noo rool sobro Eros¨. Socrotos procodo
ontoo, como do costumo, polo vlo dos porguntos; comoço com umo
doquolos porguntos outontlcomonto socrotlcos, sugodoros: so Eros,
por suo noturozo, oro omor o olgumo colso, ou noo; mos so o omor
47
sompro busco oqullo quo ó sou objoto, ó corto quo olo noo o possul,
o slm coroco dlsto, mosmo quo osto corônclo sojo concobldo como
ldôntlco com o dosojo do umo posso luturo durodouro; pols o gonto
tombóm busco oqullo quo noo possul, quondo dosojo montor olndo
no luturo o quo possul. Amor ó portonto corônclo do, busco do olgo
quo o gonto noo tom, o so ontoo omor ó omor do bolozo, Eros coroco
consoquontomonto do bolozo o noo o possul. Portonto, so o bom ó
slmultonoomonto o bolo, ontoo Eros coroco lguolmonto do bom.
Todos os ldólos podorlom osslm sor oxomlnodos, o nos voriomos
como Socrotos noo olosto o cosco poro chogor oo corno, mos slm
esouzìu o cerne. Aqul tormlno o dosonvolvlmonto do Socrotos, pols
o oxposlçoo sogulnto ó um slmplos roloto. E so o loltor olndo noo vlu
o quo ou quorlo quo olo vlsso, osporo quo olo o ou olndo tonhomos
sucosso, contonto quo olo olndo mo concodo suo otonçoo.
Socrotos lntroduzlu sou dlscurso com umo lronlo, mos osto oro,
so posso dlzor osslm, oponos umo llguro lrónlco, o vordodolromonto
olo noo morocorlo o nomo do lrónlco so oponos so dostocosso polo
hobllldodo poro lolor lronlcomonto, osslm como outros lolom num
jorgoo. Os orodoros ontocodontos hovlom dlto do loto multo colso
sobro o omor, multos dos quols docorto noo comblnovom com osto
objoto, mos rostovo do quolquor modo o prossuposlçoo do quo hovlo
olndo multo colso o dlzor sobro o omor. Agoro Socrotos dosonvolvo
lsto dlonto dolos. E ols quo o omor ó busco, ó corônclo otc. Mos busco,
corônclo otc. nodo soo. Vomos osslm o mótodo. O omor ó llborodo
constontomonto, mols o mols, do concroçoo cosuol, om quo so
mostroro nos dlscursos ontocodontos, o ó roconduzldo otó suo muìs
ubstrutu JetermìnìJuJe, no quol so mostro noo como omor dlsto ou
doqullo, nom omor por lsto ou por oqullo, mos como omor por umo
colso quo olo noo possul, l.ó, busco, nostolglo. Num corto sontldo,
lsto ó multo mols vordodolro, mos omor ó olóm dlsto tombóm o omor
lnllnlto. So dlzomos quo Dous ó omor, com lsso dlzomos, ollnol do
contos, quo olo ó o omor so comunlcondo lnllnltomonto; so lolomos
om pormonocor no omor, ostomos lolondo, ollnol, sobro umo portl-
clpoçoo om umo plonltudo. lsto tudo ó substonclol no omor. A busco,
o nostolglo soo o nogotlvo no omor, quor dlzor, o nogotlvldodo
lmononto. Busco, corônclo, nostolglo otc., soo o lnllnlto subjotlvoçoo,
poro utlllzor umo oxprossoo do Hogol quo oqul rocordo proclsomonto
o quo dovo sor rocordodo. Esto dotormlnoçoo ó pols oo mosmo
tompo o mols obstroto, ou molhor, olo ó proprlomonto o obstroto,
noo no slgnlllcoçoo do ontologlco, mos com o slgnlllcodo do coronto
do sou contoudo. Podo-so noturolmonto concobor o obstroto como
o constltulnto do tudo, porsogul-lo om sous proprlos movlmontos
48
sllonclosos, o dolxor quo olo so dotormlno o sl proprlo rumo oo
concroto, o oi so dosonvolvo. Ou so podo portlr do concroto o com
o obstroto ìn mente (no monto) oncontro-lo no concroto. Nonhum
dostos dols cosos, poróm, ó o do Socrotos. Noo ó poro os cotogorlos
quo olo roconduz o roloçoo. O obstroto do Socrotos ó umo doslgnoçoo
complotomonto som contoudo. Elo porto do concroto o chogo oo quo
ho do mols obstroto, o lo ondo o lnvostlgoçoo dovorlo comoçor, olo
tormlno. O rosultodo o quo olo chogo ó proprlomonto o dotormlnoçoo
lndotormlnodo do puro sor: omor é, pols, o odondo, quo ó nostolglo,
busco, noo ó nonhumo dotormlnoçoo, dodo quo lsto ó moromonto
umo roloçoo com umo colso quo noo ó dodo. Do mosmo modo
podor-so-lo roportor tombóm o conhoclmonto o um concolto com-
plotomonto nogotlvo, dotormlnondo-o como oproprloçoo, oqulsl-
çoo, pols osto ó ollos monllostomonto umo dos roloçoos do
conhoclmonto com o conhocldo, mos por outro lodo o conhoclmon-
to tombóm ó posso. Mos osslm como o obstroto no slgnlllcodo do
ontologlco tom o suo volldodo no ospoculotlvo, osslm tombóm o
obstroto onquonto nogotlvo tom o suo vordodo no lrónlco.
Estomos oqul novomonto dlonto do umo dupllcldodo om
Plotoo: o dosonvolvlmonto dlolótlco ó lovodo o cobo otó dosoporocor
no puromonto obstroto; dopols comoço umo outro ospóclo do doson-
volvlmonto quo quor lornocor o ldólo, mos dodo quo osslm o ldólo
noo osto numo roloçoo nocossorlo com o dlolótlco, vomos ontoo quo
ó lmprovovol quo todo osto ovoluçoo portonço o um so. Mos por
outro lodo noo so podo orbltrorlomonto otrlbulr umo colso o um o
outro colso o outro, so poro quo codo um rocobo olgumo colso.
Socrotos o Plotoo dovom tor tldo codo um o suo vlsoo dos colsos, os
quols, por mols dllorontos quo tonhom sldo, dovom tor tldo pontos
Je coìncìJêncìu essencìuìs; umo concopçoo ìronìcu (pols o dlolótlco
onquonto tol noo constltul nonhumo concopçoo quo ostojo om umo
roloçoo ossonclol com o porsonolldodo) o umo concopçoo especulu-
tìou. Em quo modldo ontoo o dosonvolvlmonto quo Socrotos opro-
sonto sogulndo Dlotlmo loz o ossunto ovonçor, o quol slgnlllcoçoo
dovo sor otrlbuido ò dlcotomlo ¨omor o o bolo¨ (no quol o momonto
nogotlvo llco polo oxtorlor, o o momonto posltlvo ó um qulotlsmo
progulçoso o lndolonto, quondo oo controrlo umo trlcotomlo os vorlo
lmodlotomonto juntos, som so oxpor, como Dlotlmo, o vor o bolo
novomonto como o bolo om sl, olgo puromonto obstroto, como so
mostroro mols odlonto) - tudo lsso dovorol oxomlnor clrcunstonclo-
domonto por ocosloo do ostudo do mitlco nos dlologos.
Aludl, nos poglnos ontorloros, ò obsorvoçoo gorol do quo no
8unquete ó buscodo um complomonto poro o quo llco loltondo no
49
concopçoo dlolótlco otrovós do rocurso do tornur oìsioel nu pessou
do Socrotos o omor, do modo quo os ologlos sobro o omor ocobom
om um ologlo sobro Socrotos. Emboro osto domonstroçoo do ldólo
om umo porsonolldodo sojo slmplos momonto no proprlo ldólo, olo
tom mosmo osslm, o justomonto onquonto tol, o suo lmportônclo no
dosonvolvlmonto. O movlmonto dlolótlco om Plotoo, justomonto
porquo olo noo ó o dlolótlco do proprlo ldólo, por mols ongonhoso
quo sojo o pusso com quo olo so movo, pormonoco, oposor do tudo,
ostronho ò ldólo mosmo. Por lsso, onquonto os domols orodoros
totoovom como cobro-cogo ò procuro do ldólo, Alcobiodos om suo
bobodolro o ogorro com lmodloto soguronço. Entrotonto ho quo
obsorvor oqul quo o clrcunstônclo do Alcobiodos ostor bôbodo poroco
lndlcor quo somonto numo lmodlotldodo potonclodo olo osto soguro
nosto roloçoo omoroso, o quo om ostodo sobrlo dovo tor provocodo
nolo todo oquolo lncortozo do lnsoguronço, ongustlonto o mosmo
osslm doco. So otontormos, com ololto, poro o modo como osto
reluçdo umorosu dovo tor sldo ostobolocldo, roloçoo quo tovo lugor
ontro Socrotos o Alcobiodos, toromos som duvldo quo dor rozoo o
Alcobiodos quondo comonto como Socrotos oscornoclo dolo por
couso do sou omor, o quondo ocrosconto: ¨E noo somonto o mlm
olo trotou dosto monolro, mos tombóm o Cormldos, lllho do Glouco,
o Eutldomo, lllho do Dioclos, o multos outros, quo olo ongono
oporontondo sor o omonto, poro ontoo, om voz do omonto, tornor-so
o omodo¨. Por lsso Alcobiodos noo consoguo llvror-so dolo. Com
todo o posslonolldodo so llgo o Socrotos: ¨Quondo o oscuto, boto-mo
o coroçoo multo mols vlolontomonto do quo oos corlbontos om suos
donços sogrodos, o logrlmos mo oscorrom sob o ololto do sous
dlscursos¨.
Outros orodoros noo sorlom copozos do produzlr tol ololto
sobro olo, quo porcobo o controgosto sou ostodo do oscrovldoo. Slm,
o vldo om tol ostodo lho poroco lnsuportovol. Fogo dolo como dos
sorolos, locho sous ouvldos poro noo tor do onvolhocor sontodo oo
sou lodo; o otó chogo o dosojor multos vozos quo Socrotos noo
ostlvosso vlvo, o contudo sobo quo so lsso ocontocosso sorlo o colso
mols doloroso poro olo. Esto como quo mordldo por umo sorponto
ou por olgo olndo mols doloroso o no lugor mols sonsivol, lsto ó, no
coroçoo o no olmo. Quo osto roloçoo do omor ontro Socrotos o
Alcobiodos oro do ordom lntoloctuol, ou noo proclso, noturolmonto,
rocordor. Mos so porguntormos o quo ó quo hovlo om Socrotos quo
lozlo umo tol roloçoo noo oponos possivol, mos nocossorlo (pols
Alcobiodos obsorvo, ollos, corrotomonto, quo noo oro so olo quo so
oncontrovo numo tol roloçoo com Socrotos, mos quoso todos oquolos
50
quo trotovom com olo), ontoo ou noo sol nodo quo slrvo do rosposto,
o noo sor lsto: quo oro u ìronìu Je 5ocrutes. Com ololto, so o roloçoo
omoroso dolos tlvosso conslstldo num rlco lntorcômblo do ldólos, ou
num coploso llulr do um lodo o numo rocopçoo ogrodocldo do outro
lodo, ontoo cortomonto olos torlom tldo o torcolro, om quo so
omorlom mutuomonto, ou sojo, no ldólo, o umo tol roloçoo noo torlo
por consogulnto jomols provocodo umo lnqulotoçoo too opolxono-
do. Mos justomonto porquo ó do ossônclo do lronlo jomols dosmos-
coror-so, o porquo do outro lodo lho ó lguolmonto ossonclol trocor
do moscoro ò monolro do Protou, ó por lsso quo olo dovlo nocosso-
rlomonto proporclonor oo jovom omonto tontos ponos.
32
Entrotonto,
so olo osslm tom olgo do ropulslvo om sl, cortomonto tombóm tom
olgo do oxtroordlnorlomonto sodutor o losclnonto. O dlslorçodo o o
mlstorloso quo olo tom om sl, o comunlcoçoo tologrollco quo olo
lnouguro, jo quo um lrónlco sompro dovo sor comproondldo ò
dlstônclo, o lnllnlto slmpotlo quo olo prossupoo, o lugoz mos lndos-
crltivol lnstonto do comproonsoo, quo ó roprlmldo lmodlotomonto
polo modo do lncomproonsoo, tudo lsso cotlvo com loços lndlssolu-
vols. Por lsso, so o lndlviduo no prlmolro lnstonto so sonto llborodo
o oxpondldo polo contoto do lrónlco, quo so obro dlonto dolo, no
lnstonto sogulnto o lndlviduo osto om sou podor, o provovolmonto ó
lsto quo Alcobiodos quor dlzor quondo comonto o quonto so sontlom
ongonodos por Socrotos, quondo osto om voz do omonto so mostrovo
como o omodo. Dodo quo, olóm dlsso, ó ossonclol oo lrónlco jomols
onunclor o ldólo como tol, mos oponos sugorl-lo lugozmonto, o tomor
com umo dos moos o quo ó dodo com o outro, o possulr o ldólo
como proprlododo possool, o roloçoo noturolmonto so torno olndo
mols oxcltonto. E osslm ontoo dosonvolvou-so sllonclosomonto no
lndlviduo o doonço, quo ó too lrónlco como todos os outros colsos
quo consomom, o quo loz o lndlviduo sontlr-so no molhor ostodo
quondo o suo dlssoluçoo osto mols proxlmo. O lrónlco ó oquolo
vomplro quo sugo o songuo do omonto, o dondo-lho umo sonsoçoo
do lroscor com o obonor do suos osos, ocolonto-o otó o sono chogor
o o otormonto com sonhos lnqulotos.
Podor-so-lo porguntor: poro quo todo osto dosonvolvlmonto¹
Rospondorol: ho umu Juplu llnolldodo. Prlmolromonto, poro mostror
quo mosmo no concopçoo quo Alcobiodos tlnho do Socrotos, o lronlo
ó nolo o ossonclol, o, o sogulr, poro lndlcor quo o roloçoo do omor
quo ocorrou ontro Socrotos o Alcobiodos, o o oscloroclmonto sobro
o ossônclo do omor, quo doi oxtroimos, soo nogotlvos. Quonto oo
prìmeìro ponto, tomos do rocordor quo houvo quom qulsosso provor,
ovocondo o ontuslosmo com quo Alcobiodos comonto suo roloçoo
51
com olo
33
, o nocossldodo do tor hovldo umo grondo plonltudo
posltlvo om Socrotos. Mos prollmlnormonto poroco sor lmportonto,
mosmo osslm, lnvostlgor um pouco mols do porto o noturozo dosto
ontuslosmo. Um tol ontuslosmo poroco sor o oqulvolonto, no torrono
do sontlmonto, doqullo quo no torrono lntoloctuol Lo Rocholoucould
donomlno lo jìèore Je lu ruìson (o lobro do rozoo). So olgumo outro
colso pudosso tor provocodo osto ontuslosmo om Alcobiodos (pols
quo o lronlo ó copoz dlsto, ou jo procurol mostror ontorlormonto),
ontoo lsto cortomonto dovorlo sor lndlcodo no dlscurso ologloso do
Alcobiodos. E o quo voromos ogoro. Alcobiodos subllnho os coroc-
toristlcos do Sllono om Socrotos: ¨Socrotos dlz quo ó lgnoronto om
todos os ossuntos o quo nodo sobo. Esto lormo noo ó tiplco do Sllono¹
Cortomonto; pols ó oquolo com quo por loro olo so rovosto, como o
Sllono osculpldo; mos lo dontro, umo voz oborto, do quonto sobodo-
rlo lmoglnols, componholros do bobldo, ostor olo cholo! ... Elo so
oculto dlonto dos homons o so dlvorto sompro com lsso, mos, so llco
sórlo o obro o sou lntorlor, ou noo sol so olguóm jo vlu os lmogons
dlvlnos quo ho om suo olmo. Eu jo os vl umo voz, o olos mo porocorom
too dlvlnos, too dourodos, bolos o odmlrovols oclmo do quolquor
modldo, quo ou, no mosmo lnstonto, docldl quo proclsovo lozor tudo
o quo Socrotos ordonosso.¨ Aqul ontoo ó proclso obsorvor o sogulnto.
Por um lodo, noo ó locll lozor umo ldólo doqullo quo Alcobiodos
proprlomonto quor dlzor, o nosto sontldo noo ó totolmonto doscobldo
ollrmor quo nom mosmo Alcobiodos tlnho umo ldólo totolmonto cloro
o rospolto do ossunto. Por outro lodo, o proprlo Alcobiodos lndlco
quo so multo roromonto Socrotos so monllostoro dosto monolro. E
so porsogulrmos mols odlonto os lndlcoçoos mosmos do Alcobiodos,
ontoo voromos quo olo omprogo o oxprossoo: ¨ou jo os vl umo voz¨.
Elo contomplou ostos lmogons dlvlnos. So so dovo ponsor o quo lsto
posso slgnlllcor, cortomonto so toro do ponsor no prosonço dlvlno do
porsonolldodo quo sustontovo o lronlo, mos com lsso olndo noo so
dlsso do Socrotos nuJu muìs do quo so podo dlzor dolo como ìronìco.
Tols lnstontos-do-tronsllguroçoo, poróm, comprovom, no moxlmo,
o prosonço do umo plonltudo dlvlno secretu (kutu krµpsìn}, do modo
quo noo so podo dlzor quo oro o plonltudo dlvlno o quo ontuslosmo-
vo. So rocordormos olóm dlsso quo o olomonto proprlo do Socrotos
oro o dlscurso, o convorsoçoo, ontoo poroco roolmonto quo Alcobio-
dos omprogo o oxprossoo ¨vor¨ com umo ospóclo do ônloso; osslm
tombóm ó surproondonto ouvlr Alcobiodos dlzor: ¨Fol osto som
duvldo um ponto om quo om mlnhos polovros ou dolxol possor, quo
tombóm os sous dlscursos soo multo somolhontos oo Sllono quo so
ontroobro¨. Allos, lsto poroco tombóm lndlcor quo o ossonclol oro o
porsonolldodo do Socrotos, polo quol Alcobiodos ostovo onomorodo,
52
por oquolo hormónlco dotormlnoçoo noturol, quo ontrotonto so
consumovo numo roloçoo nogotlvo do sl poro com o ldólo o num
onlolopslco llxor-so om sl mosmo. E corto quo Alcobiodos dlz quo
tols dlscursos, quondo o gonto os vlo obortos, orom prlmolromonto
os mols rozoovols o logo os mols dlvlnos, quo contlnhom grondo
quontldodo do lmogons do vlrtudo o quo tlnhom o molor obrongôn-
clo. Mos mosmo no coso do quo lsto tlvosso sldo o quo mols so
dostocovo nos dlscursos do Socrotos, olndo noo ostorlo oxpllcodo do
ondo provlnho todo o lnqulotudo opolxonodo, todo o domonioco
om sou omor, dodo quo ontoo ontos so dovorlo osporor quo o
convivlo com Socrotos tlvosso contrlbuido poro dosonvolvor om
Alcobiodos o ossônclo lncorruptivol do um ospirlto tronqullo.
Vomos por lsso tombóm quo tudo so oncorro com Socrotos,
om suo lronlo, orromossondo novomonto Alcobiodos no mor ondu-
lonto, o osto, oposor do suo ombrloguoz, do sou ontuslosmo o do suos
grondos polovros, noo consoguo progrodlr om suo roloçoo com
Socrotos. Slm, Alcobiodos olndo proclso oguontor mols colsos: osslm
como olo ¨num dosojo sonsuol so doltoro sob o monto do Socrotos
o com ombos os broços onvolvoro osto homom dlvlno o vordodolro-
monto odmlrovol, o llcoro osslm doltodo o nolto todo, o dosprozodo,
rldlculorlzodo, lnsultodo oposor do suo bolozo, noo so lovontoro do
lolto do Socrotos do outro monolro do quo so tlvosso dormldo com
um pol ou um lrmoo¨, osslm tombóm ogoro olo tom do oguontor quo
Socrotos o olosto do sl novomonto com o obsorvoçoo do quo olo
hovlo lolto todo o sou dlscurso por clumo do Agotoo; ¨como so tudo
o quo dlssosto noo tlvosso sldo om vlsto dlsso, do mo lndlspor com
Agotoo, dodo quo tu crôs quo dovo omor-to o o nonhum outro, o
quo Agotoo ó por tl quo dovo sor omodo, o por nonhum outro¨. -
Vojomos om soguldo os lndlcoçoos quo osto oxposlçoo nos do sobro
o noturozo do omor tol como oro o do Socrotos: nos nos convonco-
romos do quo o toorlo o o proxls ostovom do ocordo. O omor oqul
doscrlto ó o do lronlo, omor lrónlco, mos o lronlo ó o negutìoo no
umor, ó o lncltomonto do omor, corrospondondo, no torrono do
lntollgônclo, òs troços, òs rusgos do nomorodos no rolno do omor
lnlorlor. E lndlscutivol quo ho no lrónlco, poro rocordor mols umo
voz, um lundo orlglnol, um volor constonto, poróm o moodo quo olo
loz clrculor noo tom o volor nomlnol, mos ó, como popol-moodo, um
nodo, o mosmo osslm todo o sou lntorcômblo com o mundo so olotuo
nosto tlpo do moodo. A plonltudo nolo ó umo dotormlnoçoo noturol,
o por lsso, nom olo so oncontro nolo no lmodlotldodo como tol, nom
olo ó odqulrldo otrovós do rolloxoo. Asslm como ó proclso um olto
grou do soudo poro sor doonto, mos o soudo noo ó obsorvodo no
53
plonltudo posltlvo, o slm no lorço vltol com quo constontomonto
ollmonto o doonço, osslm tombóm ocorro com o lrónlco o o plonltudo
posltlvo nolo. Esto noo so dosonvolvo om plonltudo do bolozo; slm,
o lrónlco otó procuro dlsslmulor os tubos do morgulhodor quo o llgom
com o or otmoslórlco quo o ollmonto.
Umo obsorvoçoo olndo, poróm, ontos do ou dolxor o 8unque-
te. Bour loz o bolo obsorvoçoo do quo o 8unquete so oncorro com
Agotoo o Arlstolonos (os momontos dlscurslvos) oo llnol ombrlogo-
dos, onquonto somonto Socrotos pormonoco sobrlo como o unldodo
do cómlco o do troglco; Bour rocordo lguolmonto o onologlo, oos
mous olhos lnlollz, quo Strouss ostobolocou ontro osto conclusoo do
8unquete o o tronsllguroçoo do Crlsto no monto. No modldo quo ó
possivol dlzor quo Socrotos dovo lornocor u unìJuJe do cómlco o do
troglco, ovldontomonto lsto so podo ocontocor no modldo quo o
proprlo lronlo ó osto unldodo. So o gonto qulsor lmoglnor quo
Socrotos, dopols quo todos jo ostovom ombrlogodos, morgulhoro om
sl mosmo conlormo ontlgo hoblto, ontoo olo podorlo lornocor, com
osto llxor os olhos oxtotlcomonto poro o lronto, umo lmogom plostlco
do unldodo obstroto do cómlco o do troglco, do quo oqul so podo
lolor. Olhor llxo podo donotor, com ololto, ou um morgulhor om
contomploçoo (osto sorlo sobrotudo o olhor llxomonto quo so oncon-
tro nos toxtos plotónlcos); ou osto olhor llxo podo doslgnor, como
costumomos dlzor, quo noo so ponso om nodo, um nodo ponsor, no
modldo quo o ¨nodo¨ quoso so torno sonsivol poro olguóm. Umo tol
unldodo suporlor, Socrotos oro bom copoz do lornocor, mos osto
unldodo ó o unldodo ubstrutu e negutìou no nodo.
PROTÁGORAS
Possorol ogoro o trotor o Protogoros do umo monolro somo-
lhonto, poro mostror como todo o movlmonto dlolótlco, quo ó oqul
o unlco quo so dostoco, tormlno no totolmonto nogotlvo. Antos
poróm do possor o lsto, dovo hovor lugor oqul poro umo obsorvoçoo
mols gorol no toconto oos dlologos do Plotoo, o ou crolo quo ó um
lugor odoquodo, jo quo Protogoros ó o prlmolro dlologo quo do
ocosloo o lsto. Coso so quolro dlvldlr os dlologos do Plotoo, ou crolo
quo o mols corroto ó sogulr o dlstlnçoo lolto por Schlolormochor ontro
os dlologos nos quols o Jìulogìco ó um momonto ossonclol o o
54
lnconsovol lronlo oro soporo, oro llgo o dlsputo o os dlsputontos, o
os dlologos construtìoos, quo so coroctorlzom por umo oxposlçoo
objotlvo o clontillco. Estos ultlmos soo: o Republìcu, o Tìmeu o o
Critìus. No quo tongo o ostos dlologos, tonto o trodlçoo quonto o sou
proprlo corotor lntorno os romoto ò ultlmo otopo do dosonvolvlmon-
to. Nossos dlologos, o lormo do porgunto ó proprlomonto um mo-
monto ultropossodo, o lntorlocutor, oo rospondor, oporoco mols
como umo tostomunho lnstrumontol, como um roprosontonto do
comunldodo com sou Slm o Amóm, om sumo, noo so dlologo, noo
so convorso mols. Alóm dlsso, o lronlo om porto tombóm dosoporoco.
Mos so nos rocordomos o quoo nocossorlo oro poro Socrotos o
convorsor, o como olo constontomonto oponos colocovo o opçoo
ontro so olo dovorlo porguntor o o outro rospondor ou so o outro
porguntorlo o olo rospondorlo
34
, ontoo oqul cortomonto voromos
umo dlloronço ossonclol ontro Plotoo o Socrotos, quor Plotoo o tlvosso
concobldo consclontomonto, quor o tlvosso roproduzldo com lldoll-
dodo lmodloto. Com ostos dlologos construtlvos ou torol multo pouco
o vor, dodo quo olos noo podom lornocor nonhumo contrlbulçoo
poro o concopçoo do porsonolldodo do Socrotos, nom quonto oo quo
olo oro om roolldodo, nom quonto oo modo como Plotoo o ropro-
sontovo poro sl; pols quolquor um quo conhoço olgumo colso dossos
dlologos cortomonto porcoboro om quo roloçoo totolmonto oxtorlor
o porsonolldodo lolonto osto com o objoto, do modo quo o nomo
Socrotos quoso so tornou um nomen uppellutìoum (substontlvo
comum) quo oponos doslgno o lolonto, o quo dlscurso. Acrosconto-so
o lsso quo o cordoo umblllcol quo llgo o dlscurso oo orodor lol
cortodo, do modo quo so mostro como olgo complotomonto cosuol
quo o lormo do dlologo olndo sojo omprogodo, o o gonto quoso
dovorlo ostronhor quo Plotoo, quo no Republìcu dosoprovo o oxpo-
slçoo poótlco oposto oo slmplos roloto, noo tonho lolto o oxposlçoo
do dlologo codor lugor o umo lormo clontillco mols rlgoroso.
Umo grondo porto doquolos prlmolros dlologos tormlno sem
resultuJo, ou, como Schlolormochor obsorvo, todos os dlologos quo
ontos do Republìcu trotom do umo ou outro vlrtudo noo doscobrom
o corroto oxpllcoçoo; cl. Plutons Werke, 3ª porto, t. l, p. 8: ¨Asslm
trotovo o Protúgorus o quostoo do unldodo o Ju ensìnubìlìJuJe do
vlrtudo, mos som ostobolocor o concolto dosto, osslm tombóm no
Loquos ó o coso do corogom o no Cormldos, do sonsotoz. E como
tombóm o oposlçoo ontro omlgo o lnlmlgo constltul um lmportonto
momonto no quostoo do justlço, nos podomos oqul monclonor o
Lisìs¨. Slm, quo olos so oncorrom som rosultodo, podo-so olndo
dotormlnor do monolro mols proclso dlzondo quo olos ocobom num
55
resultuJo negutìoo. Como oxomplo dlsto dovo sorvlr ogoro o Protú-
gorus, osslm como tombóm o prlmolro llvro do Republìcu, quo do
ocordo com o obsorvoçoo do Schlolormochor lguolmonto ocobo som
rosultodo. lsto ó ontrotonto do grondo lmportônclo poro osto lnvostl-
goçoo, pols so so troto do doscobrlr o olomonto socrotlco (Jet
5ocrutìske}, osto dovo sor docorto procurodo nos prlmolros dlologos.
So o ìntençdo do dlologo Protúgorus ó dor um lmpulso poro
umo rosposto oxoustlvo o dollnltlvo oos problomos contldos no
dlologo (sobro o unldodo do vlrtudo o o posslbllldodo do sor olo
onslnodo), ou so, como Schlolormochor ocrodlto, osto lntonçoo noo
conslsto om nonhum ponto portlculor o consoquontomonto ó lnco-
monsurovol com os torolos obordodos no dlologo, o plonondo por
sobro o conjunto so so roollzo no llustroçoo purlllcodo o rojuvonos-
cldo do mótodo socrotlco, quo oporoco otrovós do sucosslvo doso-
poroclmonto do todo o quolquor ponto portlculor, ols o quo ou noo
quoro oqul docldlr, mos oponos obsorvor quo do bom grodo posso
ostor do ocordo com Schlolormochor, contonto quo o loltor slmplos-
monto rocordo quo o mótodo, sogundo o mou modo do vor, noo
conslsto no dlolótlco do lormo do porgunto onquonto tol, poróm no
dlolótlco quo porto do lronlo o rotorno ò lronlo, no dlolótlco suston-
todo polo lronlo. Socrotos o o sollsto llcom, portonto, oo llnol do
dlologo, osslm como os lroncosos dlzom (proprlomonto do umo so
possoo): oìs-u-oìs uu rìen (lronto oo nodo); olos llcom um dolronto
oo outro, osslm como dols corocos quo opos umo longo dlsputo
llnolmonto oncontrorom um ponto. Dosdo logo, o quo poro mlm ó
ossonclol nosto dlologo ó noturolmonto todo o estruturu ìronìcu quo
ho nolo. Pols o loto do noo so tor chogodo o olgumo rosposto
oxoustlvo, doclslvo poro os problomos lovontodos, oqulvolorlo oo
dlto do Schlolormochor, do quo o dlologo tormlno som rosultodo;
mos lsso olndo noo sorlo nodo lrónlco, dodo quo o lntorrupçoo do
lnvostlgoçoo podorlo om porto bosoor-so numo puro contlngônclo,
do ondo procodorlom dosdobromontos oo lnllnlto, o om porto
podorlo ostor llgodo o umo prolundo nostolglo por llvror-so, groços
o um nosclmonto porlolto, dos ostórols doros ontorloros, ou com
outros polovros: o dlologo podorlo tomor consclônclo do sl como um
momonto dontro do umo lnvostlgoçoo comploto. Asslm o dlologo
tormlnorlo multo bom som rosultodo, mos osto ¨som rosultodo¨ noo
sorlo do monolro olgumo ldôntlco com um rosultodo nogotlvo. Um
rosultodo nogotlvo proclso sompro sor um rosultodo; o um rosultodo
nogotlvo om sou ostodo mols puro o som mlsturo so o lronlo ó quo
podo proporclonor; pols otó mosmo o cotlclsmo poo sompro olgo,
onquonto o lronlo, polo controrlo, ronovo constontomonto, como
56
oquolo volho bruxo, o tontotlvo cortomonto dlgno do Tôntolo, do
prlmolro dovoror tudo, o por llm dovoror-so o sl mosmo tombóm,
ou, como convóm òs bruxos, dovoror sou proprlo ostómogo.
O dlologo, por lsso, montóm multo bom u conscìêncìu Jestu
jullu, ollos, por osslm dlzor, olo otó soborolo com umo corto sotlsloçoo
todo o onconto do onlqulloçoo, o noo oponos so dololto com o
dostrulçoo do sollsto. Socrotos mosmo dlz: ... ¨o conclusoo otuol do
nosso dlologo so lovonto contro nos como um homom o rlr do nos,
o so pudosso lolor dlr-nos-lo: Sols multo lnconsoquontos, Socrotos o
Protogoros!¨ Com ololto, dopols do Protogoros tor obondonodo o
oxposlçoo domonstrotlvo, os dols contondoros hovlom tontodo todos
os lormos do luto, prlmolromonto Socrotos sondo o quo porguntovo
o Protogoros o quo rospondlo, dopols osto porguntondo o oquolo
rospondondo, o llnolmonto Socrotos roossumlndo o popol do lntor-
rogonto o Protogoros rospondondo, numo dlsputodo zongoburrlnho,
poro usor umo oxprossoo tonto quonto possivol llustrotlvo, o oo llnol
do tudo lsso surglo o curloso lonómono: Socrotos dolondo o quo
quorlo otocor, o Protogoros comboto oqullo quo protondoro dolon-
dor. Todo osso dlologo rocordo o conhocldo dlsputo ontro um
cotollco o um protostonto, quo tormlno codo um convoncondo o
outro, do modo quo o cotollco llco protostonto o o protostonto
cotollco
35
; so quo oqul nosto dlologo o rldiculo ó ossumldo no
consclônclo lrónlco. Ho umo objeçdo quo podorlo sor lovontodo oqul
o quo ou lovorol tonto mols om consldoroçoo quonto somonto um
loltor otonto sorlo copoz do lozô-lo. Podorlo do loto porocor quo
Plotoo tlvosso colocodo o olovonco lrónlco poro jogor polos oros,
numo vlogom polos ostrolos oxtromomonto ongroçodo, noo oponos
Protogoros, mos tombóm Socrotos; o omboro osto ultlmo tonho so
llvrodo do monolro multo dlvortldo do tol conlusoo, ou proclso
prolblr-mo do ocoltor umo tol lntorprotoçoo justomonto por couso
dolo. Com ololto, ó o proprlo Socrotos quom loz oquolo obsorvoçoo;
o quolquor loltor quo tonho um minlmo do slmpotlo noo podoro
dolxor cortomonto do lmoglnor oquolo sorrlso lrónlco dlscutlndo com
sorlododo lrónlco o o portlr doi so oslorçondo omblguomonto poro
doi so llvror, sorrlso quo ocomponho o suo odmlroçoo lrónlco dlonto
do loto do quo todo o jogo ocobou noquolo rosultodo, o o surproso
com quo olo vô Protogoros doscobrlr o quo olo nocossorlomonto soblo
quo Protogoros tlnho do doscobrlr, dodo quo olo mosmo o tlnho
oscondldo.
lsso o rospolto do todo o ostruturo do dlologo ou do lormo no
dlologo. So nos voltormos ogoro poro o conteuJo, lsto ó, poro os
problomos oi ontroloçodos, o quo como bollzos nos plstos do corrldo
57
lornocom os pontos llxos om volto dos quols os odvorsorlos so
movlmontom, buscondo roçor codo voz mols ronto, possor por olos
codo voz mols doprosso, ontoo ou crolo quo om todo o conjunto so
doscobrlro umo ìronìu negutìou somolhonto.
E o coso ospoclolmonto do prlmolro quostoo: so o vlrtudo ó
umo so. Socrotos lovonto ontoo o quostoo, so o justlço, o prudônclo
o o plododo otc. soo portos do vlrtudo ou slmplosmonto nomos poro
umo unlco o mosmo colso; o o sogulr, so soo portos do mosmo modo
como os portos do rosto, ou sojo, boco, norlz, olhos o orolhos, ou
ontos soo como os portos do ouro, quo om nodo so dlloronclom umo
dos outros mutuomonto o nom do todo, o noo sor no tomonho. Som
ontror nos dotolhos do umo dlscussoo pormonorlzodo do vorlodo
solistlco quo do ombos os lodos ó omprogodo, rocordorol oponos quo
o orgumontoçoo do Socrotos vlso o onulor o rolotlvo doslguoldodo
ontro os dllorontos vlrtudos poro solvor o unldodo, o Protogoros, oo
controrlo, tom constontomonto om vlsto o doslguoldodo quolltotlvo,
mos por lsso mosmo coroco do um loço do unloo quo tlvosso
condlçoos do obroçor o rounlr o rlco multlpllcldodo. A ldólo do
modloçoo noo surgo, portonto, dlonto dolo, quo ondo òs opolpodolos
nosto cropusculo quondo, poro rolvlndlcor o unldodo, so ogorro
llrmomonto ò ldólo do modloçoo subjotlvodo quo ropouso sobro o
ldontldodo do lguoldodo o do doslguoldodo. Em gorol, dlz olo, todos
os colsos so ossomolhom num corto ospocto. Mosmo o bronco so
ossomolho do umo corto monolro oo proto, o o duro oo molo, o osslm
tombóm todos os colsos quo porocom sor os mols controrlos umos òs
outros. A unldodo do vlrtudo
36
, polo controrlo, sogundo o concopçoo
do Socrotos, ó como um tlrono quo noo tom corogom poro domlnor
o mundo rool, o quo prlmolro ossosslno todos os sous sudltos, o llm
do podor ontoo, com todo soguronço, orgulhosomonto domlnor o
rolno slloncloso dos sombros doscolorldos. So o plododo noo ó
justlço, osslm orgumonto Socrotos, ontoo tombóm o sor plodoso ó o
mosmo como o sor noo-justo, lsto ó, lnjusto, l.ó, implo. Quolquor um
porcobo locllmonto o quo ho do solistlco no orgumontoçoo do
Socrotos. Mos oqullo quo ou quoro sollontor ospoclolmonto ó quo o
unldodo do vlrtudo llco oncorrodo om sl mosmo do monolro too
obstroto, too ogoistlco, quo so torno oponos oquolo rocllo no quol os
vlrtudos portlculoros, como vololros bom corrogodos, oncolhom o so
quobrom. A vlrtudo porcorro, como um suovo murmurlo, como um
ostromoclmonto, suos proprlos dotormlnoçoos, som quo olo so torno
porcoptivol, poro nom dlzor ortlculodo, om olgumo dolos; ó como so
ou lmoglnosso quo codo soldodo osquocosso o polovro do ordom no
mosmo lnstonto om quo o murmurosso oo ouvldo do sou vlzlnho, o
58
oi ou ponsorlo numo lllolro lnllndovol do soldodos: ó como so noo
oxlstlsso o polovro do ordom, o ó osslm oproxlmodomonto, o quo
ocorro com o unldodo do vlrtudo. Em prlmolro lugor, ó cloro quo o
dotormlnoçoo do vlrtudo, do quo olo ó uno no sontldo om quo
Socrotos o ollrmo, noo ó proprlomonto nonhumo dotormlnoçoo,
dodo quo ó o onuncloçoo ossoprodo do monolro mols lroco possivol
do suo oxlstônclo, o nosto ocosloo bosto quo ou rocordo, poro
oscloroclmonto odlclonol, o ogudo ovolloçoo do Schlolormochor, quo
so oncontro om suo Dogmútìcu, sobro o slgnlllcoçoo do coroctoristlco
do Dous, do olo sor uno; o om sogundo lugor, oquolo dotormlnoçoo
ó umo dotormlnoçoo nogotlvo, dodo quo osto unldodo quo ó osto-
bolocldo ó too lnsoclol quonto possivol. O ìronìco conslsto om quo
Socrotos subtrol monhosomonto o Protogoros todo o quolquor vlrtu-
do concroto o ò modldo quo dovo roconduzl-lo ò unldodo volotlllzo-o
complotomonto; o sojistìco ó o quo lho do o lorço quo o copoclto
poro lsso; o osslm nos tomos uo mesmo tempo o lronlo sustontodo
polo dlolótlco solistlco o o dlolótlco solistlco ropousondo no lronlo.
No quo tongo ò sogundo quostoo, so o vlrtudo podo sor
onslnodo, conlormo o oplnloo do Protogoros, ou noo podo sor
onslnodo, conlormo o oplnloo do Socrotos, oquolo noturolmonto
lnslsto domols no momonto dlscroto, oo lozor com quo umo vlrtudo
so dosonvolvo totolmonto òs custos do outro, o onquonto unldodo,
ostojo prosonto no lndlviduo rospoctlvo, osslm coroondo olguóm quo
olndo osto corrondo no plsto. Socrotos, oo controrlo, sustonto o
unldodo do um tol modo quo olo, oposor do ostor do posso do um
onormo copltol, contlnuo pobro, dodo quo noo o podo tornor
locundo. A proposlçoo socrotlco, do quo o vlrtudo noo podo sor
onslnodo, poroco contor um olto grou do posltlvldodo, vlsto quo
roduz o vlrtudo, ou o umo dotormlnoçoo noturol, ou o olgo do
lotolistlco. Mos o vlrtudo concobldo como hormonlo lmodloto om suo
lotolistlco Jìúsporu ó, do quolquor monolro, num outro sontldo, umo
Jetermìnuçdo complotomonto negutìou. Por outro lodo, o toso do
quo o vlrtudo podo sor onslnodo dovo sor comproondldo do tol
monolro, quo um vozlo orlglnol no homom sojo proonchldo pouco
o pouco otrovós do um onslno, mos osto ó umo controdlçoo, dodo
quo olgo quo ó obsolutomonto ostronho oo homom jomols podoro
sor lntroduzldo nolo; ou ontoo osso toso ó o oxprossoo do umo
dotormlnoçoo lntorno do vlrtudo quo so dosonvolvo groduolmonto
sob umo sucossoo do onslnos, o prossupoo osslm o suo prosonço
orlglnol.
O oquivoco do sollsto osto om quo protondo lntroduzlr olgo no
homom; o socrotlco, oo controrlo, om nogor om todo o quolquor
59
sontldo quo o vlrtudo posso sor onslnodo. E osslm ó ovldonto quo
osto concopçoo socrotlco ó nogotlvo; com ololto, olo nogo o vldo, o
dosonvolvlmonto, om sumo, nogo o hlstorlo om sou sontldo mols
comum o mols vosto. O sollsto nogo o orlglnol, Socrotos, o hlstorlo
subsoquonto. - So porguntormos olóm dlsso o quo consldoroçoo
mols gorol dovo roportor-so osto vlsoo socrotlco, om quol totolldodo
olo so bosolo, ontoo ó ovldontomonto o remìnìscêncìu no sontldo quo
so otrlbul o olo; mos romlnlscônclo ó justomonto o dosonvolvlmonto
rotrogrodo, rogrosslvo, o com lsso ó o lmogom oposto do quo so
chomo ostrltomonto dosonvolvlmonto. Nos tomos osslm, noo oponos
umo dotormlnoçoo nogotlvo no proposlçoo do quo o vlrtudo noo
podo sor onslnodo, mos tombóm umo dotormlnoçoo ìronìcumente
negutìou, quo so movo om dlroçoo complotomonto oposto. A vlrtudo
osto too longo do podor sor onslnodo, quo otó, polo controrlo, so sltuo
bom poro tros do lndlviduo, too ontos dolo, quo otó sorlo do so tomor
quo olo ostlvosso osquocldo. Em tormos plotónlcos, lsto slgnlllcorlo
lortolocor o oxlstônclo com o ponsomonto odlllconto do quo o
homom noo ó jogodo loro do moos vozlos no mundo o quo polo
romlnlscônclo olo podo tomor consclônclo do sou rlco doto; om
tormos socrotlcos, lsto slgnlllcorlo lnvolldor todo o roolldodo o romo-
tor o homom o umo romlnlscônclo quo constontomonto so rotrol mols
o mols rumo o um possodo quo rocuo olo mosmo no tompo, como
o orlgom doquolo nobro lomillo quo nlnguóm chogovo o lombror. E
bom vordodo quo Socrotos noo dolondo osto toso, mos nos voromos
quo o quo olo coloco no lugor dolo noo ó monos lrónlco. Quo o
vlrtudo podo sor onslnodo ou noo o podo sor, otó ogoro ou o concobl
no sontldo do lozor oxporlônclo, ou ontondl o quostoo no sontldo do
oscolo do oxporlônclo, no quol o vlrtudo ó onslnodo o oprondldo. Nos
jo obsorvomos quo, onquonto o sollsto lovo os homons constonto-
monto ò oscolo, obondonondo-os dopols ò proprlo sorto, do tol modo
quo o oxporlônclo lrouxo o doscontinuo nunco os loz soblos, como
no hlstorlo do Jumme Gottlìeb (Toolllo, o bobo), Socrotos torno o
vlrtudo too osqulvo o rotroido quo olos, por osto rozoo, jomols chogom
o lozor o oxporlônclo.
Socrotos loz, ontrotonto, umo tontotlvo olndo mols prolundo
poro mostror quo o vlrtudo ó uno, ou sojo, olo quor doscobrlr ¨o
outro¨, no quol todos os vlrtudos, por osslm dlzor, so omom mutuo-
monto, o ó lsto quo vom o sor o conhoclmonto. Entrotonto osto
ponsomonto noo ó, do monolro olgumo, lovodo o cobo otó o
prolundldodo do pologlonlsmo dosproocupodo coroctoristlco do
culturo grogo, do sorto quo o pocodo so roduz o lgnorônclo, oqulvo-
coçoo, oluscomonto, o posso dosporcobldo o momonto do vontodo
60
quo ho no pocodo: orgulho o obstlnoçoo. Aqul, poróm, no modldo
quo, poro opolor-so om torro llrmo, Socrotos dlsputo e concessìs (o
portlr do pontos concordodos), olo oprosonto o bom como sondo o
ogrodovol, o o conhoclmonto como o orto do comodlr, umo oproclo-
çoo rollnodo no torrono do gozo. Mos no lundo, um tol conhoclmonto
onulo-so o sl mosmo, no modldo quo constontomonto olo so prossu-
poo. Asslm, o lronlo do todo o dlologo, ontos monclonodo, so mostro
no loto do quo Socrotos, quo doclororo noo podor o vlrtudo sor
onslnodo, mosmo osslm o roduz oo conhoclmonto o comprovo osslm
o oposto; o lsto tombóm ocontoco com Protogoros; mos osto lronlo
so loz notor por Socrotos oprosontor um conhoclmonto quo, como
lol dlto, llnolmonto suprlmo o sl mosmo, no modldo quo o colculo
lnllnlto do roloçoo do gozo lmpodo o suloco o proprlo gozo. Vomos
ontoo: o bom ó ogrodovol, o ogrodovol bosolo-so no gozo, o gozo
bosolo-so no conhoclmonto, o conhoclmonto num lnllnlto modlr o
posor, quor dlzor: o nogotlvo conslsto numo lnsotlsloçoo dosgroçodo,
nocossorlomonto llgodo o umo omplrlo som llm; o lrónlco conslsto
noquolo ¨loço bom provolto!¨ quo Socrotos, por osslm dlzor, dosojo
o Protogoros. Dosto modo, Socrotos rotorno, num corto sontldo,
novomonto poro o suo prlmolro toso, o do quo o vlrtudo noo podo
sor onslnodo, no modldo quo o somo lnllnlto do oxporlônclo, tol como
um monto do consoontos, quonto mols so oumonto tonto monos so
dolxo pronunclor. No prlmolro potônclo, o lrónlco conslsto portonto
om oprosontor umo tol doutrlno do conhoclmonto quo onlqullo o sl
mosmo; o no sogundo potônclo o lrónlco lovo Socrotos, como por
umo cosuolldodo, o dolondor o toso do Protogoros, omboro, no
vordodo, com o suo proprlo doloso, olo o ocobo onlqullondo. Pols
sorlo complotomonto obsurdo, ollnol, odmltlr quo o Socrotos plotó-
nlco pudosso ostobolocor o toso do quo o bom ó o ogrodovol o o mol
ó o dosogrodovol por quolquor outro rozoo quo noo losso poro o
onlqullor.
FÉDON
Possorol ogoro oo oxomo do FéJon, um dlologo, no quol o
mitlco ó prodomlnonto, osslm como o dlolótlco so oncontro mols
puro no Protúgorus. Nosso dlologo soo dodos os provos do lmorto-
lldodo do olmo, o o osso rospolto ou lntroduzlrol prollmlnormonto
umo obsorvoçoo do Bour (op. clt., p. 112): ¨Esto cronço (no sobro-
vlvônclo do olmo opos o morto) lundomonto-so nos provos quo
Plotoo loz Socrotos dosonvolvor, mos ostos mosmos provos, quondo
os olhomos mols do porto, nos romotom outro voz o olgo do dlloronto,
61
quo so oncontro no roloçoo mols lmodloto com o possoo do Socro-
tos¨.
No ontonto, ontos do possor ò lnvostlgoçoo do noturozo dossos
provos, ou dorol o mlnho modosto contrlbulçoo poro soluclonor
(bosvoro) o quostoo do purentesco ontro o 8unquete o o FéJon.
Todos sobom quo Schlolormochor o dopols dolo ontro nos Holso
colocorom ostos dols dlologos no mols ostrolto vlnculoçoo, oo odml-
tlrom quo ostos dols dlologos oborcovom todo o oxlstônclo socrotlco,
tonto como osto tronscorrou no mundo quonto poro olóm do mundo;
o oo ordonorom ossos dlologos no clclo do todos os dlologos plotó-
nlcos, ocrodltorom quo ossos lornoclom o olomonto posltlvo poro o
5ojìstu o o Politìco (no modldo quo ostos ultlmos dlologos, no oplnloo
dolos, noo hovlom otlngldo o quo buscovom, lsto ó, oprosontor o
noturozo o o ossônclo do lllosolo), o lsto volorlo ospoclolmonto o
rospolto do roloçoo do 5ojìstu poro com ossos dlologos, dodo quo o
sollsto justomonto tlnho do sor o nogoçoo do lllosolo. Ast ponso
dlloronto
37
: om suo obro Plutons Leben unJ 5clrìjten (Vldo o
oscrltos do Plotoo, Lolpzlg 1816) sltuo o FéJon no prlmolro llnho dos
dlologos plotónlcos, os osslm chomodos socrotlcos, o quo poro Ast
soo quotro: Protúgorus, FeJro, Gorgìus o FéJon (cl. p. 53). Elo
obsorvo, no toconto ò roloçoo ontro ossos quotro dlologos: ¨Corto-
monto, so o Protúgorus o FeJro, dovldo oo prodominlo do mimlco
o do lrónlco, lncllnom-so poro o cómlco, o FéJon ó docldldomonto
troglco: subllmldodo o omoçoo soo o sou corotor¨ (p. 157). Alóm
dlsso olo obsorvo quo Schlolormochor torlo dosconhocldo comploto-
monto o ospirlto do composlçoo plôtonlco oo colocor o FéJon numo
vlnculoçoo com o 8unquete: ¨No 8unquete, o soblo holônlco ó
oprosontodo como um porlolto orotlco; no FéJon, oo controrlo,
dosoporoco o holonlsmo sorono, do bolozo colostlol, o o Socrotos
grogo vom o sor ldoollzodo como um brômono hlndu, quo vlvo
somonto no nostolglo do umo rounlllcoçoo com Dous, o cujo lllosollo
portonto ó consldoroçoo do morto ... Elo (o ospirlto) logo do sonsuo-
lldodo quo porturbo o projudlco o ospirlto, o susplro longuldomonto
polo llbortoçoo dos codolos do corpo quo o oncorcoro¨ (p. 157s). -
Quo ò prlmolro vlsto ho umo dlloronço oltomonto slgnlllcotlvo ontro
o FéJon o o 8unquete, ó obvlo; mos, por outro lodo, noo so podo
oi nogor do monolro nonhumo quo Ast ìsolu complotomonto o FéJon,
o quo o tontotlvo quo loz poro coloco-lo om vlnculoçoo com FeJro,
Protúgorus o Gorgìus oo quollllco-lo como troglco, ondo o comovon-
to prodomlno, noo osto proprlomonto do ocordo com o quo olo
mosmo dlz sobro o sombrlo mistlco orlontol quo lormo o controsto
com o lumlnoso holonlsmo, do bolozo colostlol, quo lormo como quo
62
o obobodo do 8unquete; pols so o FéJon ó troglco, nom por lsso o
cóu grogo dolxorlo do llumlno-lo do bom grodo com o mosmo bolozo
o tronqullldodo som nuvons, jo quo ollnol olo loro tostomunho do
tontos trogódlos, som quo com lsso llcosso cholo do nuvons ou ontoo
o or so tlvosso tornodo oprosslvo o suloconto como nos orlontols.
Mos so olo noo ó grogo, ontoo so tontoro om voo lncorporo-lo o
Plotoo, poro nom lolor do tontotlvo do ollnho-lo oos outros dlologos.
No quo tongo, oo controrlo, ò concopçoo do Schlolormochor, noo so
podo nogor quo o vlsoo do vldo quo ó oprosontodo no 8unquete o
o vlsoo do morto quo ó olorocldo no FéJon ndo se lurmonìzum
totulmente, o quo jo so podo obsorvor polo loto do quo FéJon loz do
morto o ponto do portldo poro o vlsoo do vldo, onquonto o 8unquete
sustonto umo vlsoo do vldo ondo o morto noo ó ossumldo como
momonto.
Essos duos concopçoos noo podom do monolro olgumo sor
ponsodos como bom conjugodos umo ò outro do modo o podorom
componotror-so mutuomonto som umo torcolro concopçoo. Esto
torcolro concopçoo tom do sor umo consldoroçoo ospoculotlvo copoz
do ultropossor o morto ou ontoo o lronlo, quo no 8unquete lozlo do
omor o substonclol no vldo o, contudo, rotlrovo com o outro moo o
quo hovlo dodo, oo concobor nogotlvomonto o omor como nostolglo
quo consldoro o vldo rotrospoctlvomonto o morgulho constontomon-
to nos obscuros longos do ondo o olmo solu, ou mols corrotomonto
no tronsporônclo lnllnlto o som lormo. A morto, no FéJon, ó ovldon-
tomonto concobldo do monolro totolmonto nogotlvo. E corto quo o
morto ó o contlnuo sondo sompro um momonto nogotlvo, mos logo
quo olo ó concobldo oponos como momonto, o posltlvo quo ho nolo,
o motomorloso llbortodoro, sobrovlvoro vltorlosomonto oo nogotlvo.
So ontoo ou mo docloro polo ìronìu (noo obstonto oxprossoos tols
como os do p. 27: ¨Polo monos, so osslm llzor - obsorvou Socrotos
-, tolvoz noo hojo nlnguóm, oo ouvlr-mo lolor nosto momonto -
nlnguóm, mosmo quo sojo um pooto cómlco - poro protondor quo
sou togorolo o quo lolo do colsos quo noo mo dlzom rospolto¨, FéJon,
70 c), osto mlnho opçoo tolvoz poroço o um ou outro ò prlmolro vlsto
bostonto obsurdo, mos dopols do um oxomo mols pormonorlzodo
tolvoz bom ocoltovol. Do loto, o unldodo ospoculotlvo noo podorlo
ostor prosonto do modo too lnvlsivol o lmporcoptivol, mos o lrónlco
slm.
Quondo ou dlgo quo o ìronìu ó um elemento essencìul no
FéJon, ou ndo ostou ponsondo, noturolmonto, nos jloreìos lrónlcos
quo so oncontrom ospolhodos por osto dlologo, dodo quo, por mols
lmportontos quo possom sor o por mols obundontos quo olos so
63
tornom quondo so obsorvo com mols prolundldodo, olos so podom
sor, no moxlmo, oconos poro umo concopçoo dollnltlvo quo otrovos-
so todo o dlologo. Quoro lntroduzlr olguns oxomplos. A p. 42 (77
d-o): ¨Contudo poroco-mo quo gostorlos, Cobos, o tu tombóm,
Simlos, do oprolundor osto provo, pols ostols domlnodos polo modo
puorll do quo um vonto quolquor posso sopror sobro o olmo no
momonto do suo soido do corpo poro dlsporso-lo o dlsslpo-lo,
sobrotudo quondo, por puro colncldônclo, ho umo lorto vontonlo no
lnstonto do morrormos¨. E ò p. 11º (115 c-d): Socrotos consuro
Criton porquo osto lho porgunto do quo monolro quor sor ontorrodo,
o ocrosconto quo provovolmonto Criton ocrodlto quo tudo o quo olo
hovlo lolodo otó oll sobro o modo como so oncomlnhorlo poro o
lollcldodo dos bom-ovonturodos, ¨sojo olo quol lor¨, so o loro dlto
poro tronqulllzor os dlscipulos o o sl mosmo ...:¨Sodo, pols, mous
llodoros junto o Criton, gorontlndo-lho o controrlo doqullo quo olo
ollonçou oos juizos. Elo jurou quo ou llcorlo no molo do vos; vos,
poróm, ollrmol-lho quo noo llcorol ontro vos quondo morror, mos
quo portlrol, quo mo lrol omboro!¨ Noo obstonto, tols lormuloçoos
lrónlcos olndo so dolxorlom compotlblllzor com o suposto sorlododo
o o prolundo omoçooo quo dovom lmprognor todo o dlologo; mos
ó cloro quo tombóm noo so podo nogor quo ostos oxprossoos tôm
um ololto multo molhor quondo so noto nolos o brotoçoo tronqullo
o socroto do lronlo.
A prlmolro contrlbulçoo quo quoro oportor poro o sustontoçoo
do mlnho toso ó, por outro lodo, umo doloso do quo o ospirlto dosto
dlologo ó uutentìcumente grego o ndo orìentul. Do ocordo com o
ldólo quo ou posso tor do mistlco orlontol, oquolo ¨lr morrondo¨ do
quo oqul so lolo conslsto numo dlstonsoo do vlgor do olmo, num
roloxor doquolo tonsoo quo ó o consclônclo, numo dlssoluçoo o numo
lossldoo quo olundo moloncollcomonto, num omolocor-so, polo quol
o gonto noo so torno mols lovo o slm mols posodo, polo quol o gonto
noo so volotlllzo, mos so omolgomo cootlcomonto o, num movlmonto
lndotormlnodo, so movo numo mosso nobuloso. O orlontol podo
portonto multo bom sor llbortodo do corpo o sontl-lo como olgo do
oprosslvo; mos lsto noo ó dosojodo proprlomonto poro quo olo so
torno mols llvro, o slm mols llgodo, como so olo om voz do locomoçoo
prolorlsso o vldo colmo o vogototlvo do plonto. lsto slgnlllco prolorlr,
oo cóu do ponsomonto, o gozo lotorglco o nobuloso quo o oplo podo
proporclonor; o om voz do onorglo do oçoo, prolorlr um llusorlo
ropouso, llgodo o um Jolce jur nìente (ogrodovol oclosldodo), num
ostodo do ocobomonto. Mos o cóu do Gróclo ó olto o obobododo,
noo ó choto o oprosslvo, olo so olovo sompro mols, noo so obolxo
64
ongustlondo; sou or ó lovo o tronsporonto, o noo nobuloso o sulo-
conto. As osplroçoos o nostolglos do quo so podo lolor oqul dlrlgom-so
portonto poro um tornor-so sompro mols lovo, poro um concontror-so
num subllmodo sompro mols volotll, o noo poro um ovoporor-so
numo lossldoo ontorpoconto. A consclônclo noo quor sor dlluido om
lluldos dotormlnoçoos, mos onrljocldo mols o mols. Portonto, o
orlontol quor rocuor poro tros do consclônclo. Contudo, osto totol-
monto obstroto, quo o grogo quor, torno-so llnolmonto o quo ho do
mols obstroto, do mols lovo, ou sojo, o nodo. E oqul chogomos o um
ponto do colncldônclo poro os duos concopçoos quo procodom sojo
do mistlco subjotlvo, sojo do lronlo. E, com cortozo, soro ovldonto
poro quolquor um quo tonho lldo osto dlologo quo o oxlstônclo
rosultonto doquolo lr morrondo sucosslvomonto ó concobldo no
FéJon do monolro totulmente ubstrutu. Entrotonto, noo podo sor loro
do proposlto oxomlnor um pouco mols do porto osto ponto. Em
porto, lsto so consogulrlo quondo so mostrosso como ó quo Socrotos
concebe u nuturezu Ju ulmu, no modldo quo, ollnol do contos, o
corroto concopçoo do olmo torlo do contor proprlomonto om sl, torlo
do ostor lmprognodo polo vordodolro provo do suo lmortolldodo; o
om porto, onollsondo com molor oxotldoo os dllorontos oxprossoos
quo so oncontrom rolorontos oo juturo ¨como¨ do olmo. Poro osto
ultlmo lnvostlgoçoo olndo rocorrorol subsìJìulìter (subsldlorlomonto)
ò Apologìu, quo proclsomonto como um documonto hlstorlco dovo
podor gulor-nos om nosso comlnho.
Antos do possor o ostos lnvostlgoçoos, ou quoro olndo obsorvor
slmplosmonto quo, lovondo-so om conto o lmportônclo quo sompro
dovorlo tor umo quostoo tol como o do lmortolldodo do olmo, ó multo
grovo o loto do o plotonlsmo troto-lo oponos ocoslonolmonto, lsto ó,
somonto o rospolto do morto do Socrotos. Possorol pols ogoro ò
prlmolro lnvostlgoçoo, ou sojo, ò quostoo do modo como Socrotos
concebe u essêncìu Ju ulmu, o lsto nos lntroduz numo dlscussoo mols
pormonorlzodo dos proous upresentuJus por olo poro o suo lmorto-
lldodo
38
.
Como ìntroJuçdo ò orgumontoçoo proprlomonto dlto, Socro-
tos oxpllco prlmolromonto como so sltuo o dosojo do morror dos
lllosolos. Pols so o morto ó, como so odmlto, umo soporoçoo do corpo
o olmo, o olóm dlsso o conhoclmonto vordodolro so bosolo numo
obstroçoo do porcopçoo sonsorlol lnlorlor, dodo quo jomols so otlngo
numo porcopçoo sonsivol oqullo quo constltul o ossônclo do colso,
sogundo o quol olo ó o quo ó, como o grondozo, o soudo, o lorço otc.
(cl. p. 17, Fód. 65 d-o), ontoo ó locll vor como os lllosolos proclsom
dosojor (cl. p. 20, ld. 66 d-o), tor o vor o minlmo possivol com o
65
corpo, slm, sor purlllcodos o llbortodos, polo morto, do lnsonldodo
do corpo, poro cumprlr o quo jo oqul no vldo tontorom (cl. p. 18, ld.
65 o-66 o): porsogulr com o ponsomonto puro o ossônclo puro dos
colsos. Mos oqul, ovldontomonto, u ulmu é concebìJu do monolro
too ubstrutu quonto o ossônclo puro dos colsos, quo constltul o objoto
do suo otlvldodo. E subslsto umo sórlo duvldo, por molor quo sojo o
oslorço do tontotlvo lllosollco do orroncor o ossônclo puro dos colsos
do todos os sous oscondorljos, so oi vordodolromonto so mostroro
olgo do dlloronto do puromonto obstroto (soudo, grondozo otc.) o
quol, como tol, om suo oposlçoo oo concroto, noo ó nodo. Doi so
soguo, novomonto, quo o olmo, om suo otlvldodo cognoscltlvo,
mosmo poro tornor-so congruonto com o sou objoto, proclso tornor-
so no mosmo modldo um nodo (blìoe tìl lntet). Slm, o olmo proclso
tonto tornor-so sompro mols lovo, quo oponos os olmos ocostumodos
o tor multo contoto com o corpo soo por osto motlvo (cl. p. 50. ld.
81 b-c) tornodos posodos o trozldos do volto poro o lugor vlsivol,
porquo olos tomom o lnlormo o o mundo do ospirlto o ogoro so
movlmontom como lontosmos sombrlos oo rodor dos monumontos
lunobros o dos tumbos. Como tols lmogons do sombros dovom nos
porocor oquolos olmos quo noo so llbortorom totolmonto, mos olndo
tôm porto no sonsivol, rozoo por quo olos podom tombóm sor vlstos.
Noo hovorlo nodo o dlzor contro o concopçoo dos ospoctros como
oxlstônclos lmporloltos, o contudo, quondo so poo o ¨lnlormo¨ como
sondo o ldool, oi so vô do quo monolro too nogotlvo tudo ó concobldo,
o como u ulmu se trunsjormu em nuJu. So so qulsor por lsso dor
rozoo o Socrotos no dllomo quo olo oprosonto (cl. p. 20, ld. 68 o-b),
quo so torlo do odmltlr do duos umo, quo nos jomols chogoromos oo
conhoclmonto ou ontoo so o olconçoromos dopols do morto, ontoo
cortomonto so llcoro bostonto critlco om roloçoo ò soido socrotlco. Eu
mo domorol um pouco mols nossos lnvostlgoçoos lntrodutorlos
porquo olos doo umo ldólo o rospolto do quo so podo osporor do
todo o consldoroçoo subsoquonto. Colocor os orgumontos portlcu-
loros o dopols porcorrô-los um o um lovorlo longo domols; o oos
loltoros quo dosojom noo porsogul-los om sou surglmonto oo longo
do convorsoçoo, mos slm vô-los tonto quonto possivol num troto-
monto clontillco comploto, ou quoro lndlcor Bour o Ast.
Ao controrlo, poroco sor do molor lmportônclo obsorvor quo
os urgumentos purtìculures quo soo lntroduzldos nem sempre ostoo
om lurmonìu uns com os outros. Quondo, com ololto, o orgumonto
tlrodo do consldoroçoo do quo o oposto surgo do sou oposto o do
quo ontro os modos dos oposlçoos oncontrom-so duos corrontos - o
possogom do prlmolro poro o sogundo o o rotorno do sogundo poro
66
o prlmolro -, ó vlnculodo com o orgumonto quo procuro dosto modo
ossoguror o contlnuldodo groços ò doutrlno do prooxlstônclo do olmo,
osslm como osto so monllosto no noturozo o no ossônclo do romlnls-
cônclo, ontoo ou noo posso ontondor sonoo quo: ou o concolto do
suo prooxlstônclo oxclul o ldólo do nosclmonto, ou, so so quor
sustontor o prooxlstônclo om hormonlo com o vlsoo do dovlr, ó
proclso nosto coso odmltlr tor Socrotos domonstrodo o rossurrolçoo
dos corpos. Poróm lsto osto, som duvldo, om comploto controdlçoo
com o rosto do suo toorlo. Um dosocordo pormonocoro sompro,
cortomonto, ontro ostos dols orgumontos, o noo podoro sor romovldo
oponos groços ò lolto do clorozo sobro o quo sojo proprlomonto o
morto, quo so oncontro no prlmolro dolos, ou com o prossuposlçoo
sub-ropticlo, quo Bour crltlco com todo rozoo, do quo o morto noo ó
lntorrupçoo do vldo, mos oponos umo outro ospóclo do oxlstônclo
(cl. op. clt., p. 114). Quondo ontoo Bour rocuso lorço probotorlo o
ossos orgumontos o ó do oplnloo do quo olos soo somonto umo
oxposlçoo onolitlco do concolto do olmo, o quo portonto o lmortoll-
dodo so podo sogulr dolos no modldo quo olo jo osto prossuposto no
concolto do olmo, podo-so ostor tronqullomonto do ocordo com olo;
mos noo so dovo dolxor possor dosporcobldo quo o onduroclmonto
quo o olmo tomo oqul, como do rosto tombóm o bom, o bolo otc.,
noo ó um ponto do portldo, mos slm um rosultodo, o quo ó justo-
monto oo quoror oquolo doutrlno coptor o ossônclo do olmo quo osto
so mostro como lmponotrovol, o quo noo ó om vlrtudo dosto lmpo-
notrobllldodo do olmo quo so porto poro o multlpllcldodo dos orgu-
montos. Esto ó pols um rosultodo nogotlvo, o o outro ó umo
prossuposlçoo posltlvo, quo ou oqul proclso novomonto sollontor.
So porguntormos quol dovo sor o noturozo ou o constltulçoo
do olmo o quol o oxlstônclo ospocillco quo olo dovo tor, no modldo
quo o rosposto o osto quostoo pudor sor oxtroido do ldólo quo ropouso
sobro o urgumento om lovor do lmortolldodo o portlr do nuturezu o
do ossônclo Ju remìnìscêncìu, ols quo chogoromos òs dotormlnoçoos
mols ubstrutus. Com ololto, quondo o homom rocobo lmprossoos
sonsorlols, olo roloro ossos lmprossoos sonsorlols o cortos ropro-
sontoçoos gorols, como p. ox. o do lguol (p. 33s, FéJ. 73s), do bolo,
bom, justo o plodoso om sl o poro sl otc., o om gorol o tudo oqullo
¨quo coroctorlzomos, tonto om nossos porguntos quonto om nossos
rospostos, como o quo ó¨ (cl. p. 37, ld. 75 d). Essos ldólos unlvorsols
noo soo odqulrldos polos porcopçoos lrogmontorlos do oxporlônclo,
nom polos usurpoçoos do lnduçoo: multo polo controrlo, olos so
prossupoom o sl mosmos constontomonto. ¨Portonto, ou noscomos
com ostos conhoclmontos o nos os possuimos todos oo longo do
67
nosso vldo, ou ontoo oquolos, do quom dlzomos quo oprondom olgo,
no lundo oponos so rocordom doqullo, o nosto coso o lnstruçoo sorlo
umo romlnlscônclo¨ (p. 38. ld. 76 o). A sintoso do tomporol o do
otorno, ospoculotlvomonto noo oxpllcodo, o, como tudo o quo ó
ospoculotlvo, ò prlmolro vlsto docorto porodoxol, oqul oncontro
ropouso poótlco o rollgloso. Noo ó o otorno prossuposlçoo do sl
mosmo do outoconsclônclo, quo loz o unlvorsol obroçor-so ostrolto-
monto, donsomonto, oo portlculor, oo lndlvlduol, o quo oncontromos
oqul, multo polo controrlo: o unlvorsol rovolutolo solto oo rodor dolo.
O punctum sulìens (ponto copltol) no orgumontoçoo ó proprlo-
monto o sogulnto: do mosmo modo como os ldólos oxlstom ontos do
colso sonsivol, osslm tombóm o olmo oxlsto ontos do corpo. lsso
poroco om sl o por sl porloltomonto ocoltovol, mos onquonto noo
ostlvor osclorocldo do quo modo (hvorlodos) os ldólos oxlstom ontos
dos colsos, o om quo sontldo, do poro vor quo o ¨do mosmo modo¨,
oo rodor do quol tudo glro, contlnuo sondo o obstroto slnol do
lguoldodo ontro duos grondozos dosconhocldos. No modldo quo,
lnvostlgondo mols pormonorlzodomonto os grondozos dodos num
dos lodos do slnol do lguoldodo, so podorlo osporor obtor olgum
oscloroclmonto mols proxlmo, o osto cronço so sontlrlo rolorçodo com
o ponsomonto do quo oi so troto do bom om sl o poro sl, do bolo, do
justo, plodoso, todo osto oxpoctotlvo ó novomonto sulocodo quondo
lovo om conto quo oo mosmo tompo ó o lguol otc., do cujo prooxls-
tônclo dopondo o prooxlstônclo do olmo. Pols so quonto ò prooxls-
tônclo do olmo os colsos noo voo molhor do quo com tols ldólos
unlvorsols, ontoo ó locll do vor quo ostos dosoporocom do mosmo
modo como oquolo nosto lnllnlto obstroçoo. A portlr dosto ponto
sorlo possivol cortomonto, quor sob lormo do umo ospoculoçoo
vltorloso, quor sob o do umo pordlçoo do ló, lozor umo tronslçoo
poro umo concopçoo posltlvo, mos noo ó lsso o quo ocontoco; o
oqullo quo o loltor dovo ossumlr om sl como um otorno ìn mente
(olgo sompro prosonto ò monto), otó mosmo no ovolloçoo minlmo
do todo osto lnvostlgoçoo, osto ponto noo ó o nodo do ondo so porto,
mos o nodo oo quol so chogo otrovós dos lncómodos do rolloxoo. E
ó possivol lr mols odlonto. Suposto quo so dolxosso vlnculor umo
roprosontoçoo o osto oxlstônclo dos ldólos loro do todo o quolquor
concroçoo, olndo so torlo quo porguntor: om quo roloçoo com tol
roprosontoçoo dovor-so-lo pór o olmo prooxlstonto¹ A otlvldodo
dosto, om suo vldo torrono, conslstlrlo om roconduzlr o slngulor
òquolo gorol; mos ovldontomonto noo so trotovo oi do roloçoo
concroto do lndlvlduol oo unlvorsol como ó dodo om o com o
68
lndlvlduolldodo. A llgoçoo ontro ossos duos potônclos, roollzodo polo
olmo, sorlo puro o slmplosmonto tronsltorlo, noo durodouro. Nosto
sontldo, proclsorlo tombóm o olmo om suo oxlstônclo ontorlor tor-so
volotlllzodo no mundo dos ldólos, o o osto rospolto ó lollz o oxprossoo
do Plotoo, do quo o olmo oo possor poro o vldo sonsivol osquoco
ossos ldólos, pols osto osquoclmonto ó justomonto o nolto quo
procodo o dlo do consclônclo, ó oquolo ponto do oqullibrlo, quo
noturolmonto ó lnllnltomonto ovonosconto, um nodo, o portlr do quol
o unlvorsol so dotormlno rumo oo portlculor. Esquoclmonto ó por-
tonto o prossuposlçoo otornomonto llmltonto, quo ó nogodo som
cossor polo prossuposlçoo otornomonto vlnculonto do romlnlscônclo.
Mos o loto do quo o doutrlno plotónlco nocosslto dos dols extremos
do ubstruçdo, o prooxlstônclo totolmonto obstroto o o lguolmonto
obstroto pos-oxlstônclo, l.ó, lmortolldodo, domonstro justomonto quo
o olmo proclso sor concebìJu do modo totulmente ubstruto o nogotlvo
tombóm om suo oxlstônclo tomporol. O loto do quo o vldo torrono,
sogundo Plotoo, so dosvonoço (osto polovro tomodo tonto no sontldo
plctorlco quonto no muslcol, como dosbotor o osmorocor) nos duos
dlroçoos, podorlo lovor-nos o cror quo lrlo conduzlr ò concopçoo do
quo o vldo torrono losso o ponto módlo plono, mos noo ó, obsoluto-
monto, osso o coso no FéJon. Multo polo controrlo, osto vldo ó o
lmporlolto, o ó polo ¨lnlormo¨ quo osplro o nostolglo

.
Chogoromos o resultuJos lguolmonto ubstrutos so oxomlnor-
mos por dontro os Jemuìs proous, ò procuro do concopçoo do
ossônclo do olmo quo os lundomonto. O ndo-composto noo podo
dlssolvor-so o porocor. Polo controrlo, ó proprlo do composto dlssol-
vor-so no mosmo monolro como olo ó composto. Dodo quo o olmo
portonco oo noo-composto, doi so conclul quo olo noo podo dlssol-
vor-so. Entrotonto, todo osto roclocinlo ó do ponto o ponto llusorlo,
dodo quo so movo proprlomonto sobro o lundomonto lnconslstonto
do toutologlo. Proclsomos portonto sogulr Socrotos osclorocondo os
onologlos. O noo-composto ó oqullo quo sompro so comporto do
mosmo monolro. Esso ossônclo mosmo, dlz olo (p. 44, ld. 78 d), ò
quol nos om nossos porguntos o rospostos otrlbuimos proprlomonto
o sor, comporto-so sompro do mosmo modo, ldontlcomonto, ou oro
do um modo, oro do outro¹ Podo-so odmltlr quo o lguol om sl, o
bolo om sl, o roolldodo om sl, tudo sojo suscotivol do umo mudonço
quolquor¹ ¨Essos colsos soo sompro lguols o sl mosmos, soo lnlormos
o noo podom sor vlstos¨. A olmo tom ontoo o moxlmo somolhonço
com o dlvlno, o lmortol, o roclonol, o homogônoo, o lndlssoluvol o
o quo montóm sompro o mosmo ldontldodo; o corpo, polo controrlo,
tom o moxlmo somolhonço com o humono, mortol, lrroclonol,
69
hotorogônoo, dlssoluvol o jomols ldôntlco (p. 47, ld., 8O o-b). Mos
oqul nos chogomos o umo concopçoo do oxlstônclo do olmo o do
suo roloçoo com o corpo ìguulmente ubstrutu. Esto modo do consl-
doror os colsos noo podo sor, com ololto, ocusodo do osslnolor, do
monolro motorlol, ò olmo um lugor dotormlnodo no corpo, mos noo
porcobo, por outro lodo, quolquor roloçoo do olmo com o corpo, o
om voz do dolxor o olmo movor-so llvromonto no corpo produzldo
por olo mosmo, oslorço-so constontomonto poro oscopullr-so dolo. A
lmogom, quo Cobos mols tordo utlllzo poro umo objoçoo contro o
lmortolldodo do olmo - so so doduz osto ultlmo do consldoroçoo do
quo o corpo, ollnol o mols lroco, subslsto, o osslm tombóm o olmo,
o mols lorto, proclsorlo subslstlr, lsto corrospondorlo, sogundo Cobos,
o dlzor do um volho tocoloo jo lolocldo: o homom noo osto morto, o
dovo, lsto slm, ostor om olgum lugor, o como provo dlsto ologor quo
o roupo quo olo vostlo o quo olo mosmo tocoro ostovo consorvodo
om bom ostodo o noo dostruido (p. 61, ld., 87 d) -, osto lmogom,
dlgo ou, corrotomonto utlllzodo, subllnhondo-so o ongonhoso com-
poroçoo do olmo com o tocoloo, jo conduzlrlo o ldólos multo mols
concrotos. Quo o olmo noo sojo composto, podo-so do bom grodo
concodor; mos onquonto noo lor dodo umo rosposto mols oxoto ò
quostoo, om quo sontldo olo noo ó composto o, noo obstonto, num
outro sontldo ó umo somo do dotormlnoçoos, o dotormlnoçoo por-
monoco noturolmonto totulmente negutìou, o o suo lmortolldodo too
lungueìlìg (todloso, oborrocldo) quonto o otorno unldodo.
As colsos noo voo molhor no toconto oo ultìmo urgumento,
bosoodo sobro o proposlçoo do quo o quo subslsto so subslsto groços
ò suo purtìcìpuçdo nu ìJéìu, o do quo todo ldólo excluì do sl o controrlo
(p. º7, FéJ. 1O4 c: ¨Ou ocoso noo dovomos dlzor quo o trôs so
dostrulrlo ou solrorlo quolquor colso do prolorônclo o tornor-so
por¹¨), como tombóm osto oxclusoo noo so do somonto com o ldólo,
mos com tudo o quo ó proprlododo do ldólo. A olmo ó o prlnciplo
do vldo, mos o vldo ó o controrlo do morto, o portonto o olmo jomols
podoro odmltlr om sl o controrlo (l.ó, o morto) do ldólo (l.ó, do vldo);
o portonto olo ó lmortol. Mos oqul tombóm o concopçoo so olundo
sompro mols ¨gorodo lns Blouo hlnoln¨ (nos nobulosos moondros)
do obstroçoo. Pols onquonto noo ostlvor osclorocldo quol ó o roloçoo
do oposlçoo quo ocorro ontro vldo o morto, tombóm o roloçoo do
olmo com o corpo soro concobldo do monolro totolmonto negutìou,
o o vldo do olmo loro do corpo pormonocoro om todos os cosos
complotomonto som prodlcodos o lndotormlnodo.
Mos so o ossônclo do olmo ó concobldo do monolro too
obstroto, podom-so jo provlomonto colculor quols os oscloroclmontos
70
o rospolto do quostoo do ¨como¨ do exìstêncìu juturu Ju ulmu. Com
lsto ou noo ostou-mo rolorlndo oos ospoctos corogrollcos o ostotistl-
cos do mundo ultorlor, nom òs dosordons lontostlcos, mos slm ò
tronsporônclo ospoculotlvo no quo so roloro o osto quostoo. Allnol do
contos, tombóm o opostolo Jooo docloro quo noo sobomos como
hovoromos do sor, mos lsto ó dlto noturolmonto com rolorônclo o
umo oxporlônclo do olóm. Polo controrlo, um onslnomonto ospocu-
lotlvo do quo ho umo rossurrolçoo do corpo, oro ovldonto poro olo,
noo poro oludlr umo dlllculdodo, mos slm porquo olo proprlo
oncontrovo ropouso om tol oxpllcoçoo. Em oposlçoo o lsto, docloro-
so otó no porto mitlco dosto dlologo quo u ressurreìçdo Jos corpos
ou o suo sobrovlvônclo oro olgo quo somonto os implos tlnhom do
temer, onquonto por outro lodo os quo so tlnhom purlllcodo sull-
clontomonto polo lllosollo hovorlom do vlvor no tompo luturo com-
pletumente sem corpo (p. 117, ld., 114 c). A unlco tontotlvo olotuodo
poro provonlr contro o solto dosonlroodo do obstroçoo portlndo rumo
¨oo vosto mundo¨ o poro consogulr umo oxlstônclo rool quo noo
pormlto oo ponsomonto soçobror o nom ò vldo volotlllzor-so ó o
hormonlo ótlco, o molodlo morol quo lornoco o lol noturol constltuln-
to do tudo no novo ordom dos colsos, o poro dlzô-lo do monolro orldo,
com umo polovro, o justo rotrlbulçoo quo soro o prlnciplo onlmodor
do tudo. E om vordodo, so osto modo do vor ó rospoltodo o ocotodo,
o lmortolldodo noo so torno umo oxlstônclo do sombro o o vldo otorno
noo llco um 5cluttenspìel un Jer WunJ (jogo do sombros sobro o
muro). Mos nom mosmo no porto mitlco do dlologo lsto ocorro
plonomonto. Mols tordo so dovoro lnvostlgor otó quo ponto lsto so
do; por ogoro bosto rocordor quo ó so no porto mitlco do dlologo quo
lsto ó tontodo. - O ponsomonto podo ontoo ogoro rotornor oo ponto
quo por um lnstonto lol dolxodo do lodo, o negutìoo ¨o quê¨ o o
lguolmonto negutìoo ¨como¨ quo, no dosonvolvlmonto dlolótlco om
FéJon, so onunclom como sondo o rosposto posltlvo ò quostoo sobro
o ossônclo do olmo, no modldo quo tol quostoo lnclul om sl o
domonstroçoo do lmortolldodo.
O loto do quo todo osto consldoroçoo (8etrugtnìng) rosulto
nogotlvo, quo o vldo so porco num rossoor quo vol morrondo ò
dlstônclo (ou prolorlrlo dlzor num Nucllull), podorlo tor o suo rozoo
no ponto do vlsto subjotlvo do plotonlsmo, quo, doscontonto com o
lmodlotldodo do ldólo no oxlstônclo osslm como osto so do no
bom-ovonturodo sotlsloçoo do closslco, ogoro buscovo copto-lo om
suo rolloxlvldodo, o por lsso obroçou o nuvom om voz do Juno. Esto
ponto do vlsto subjotlvo noo dou oo plotonlsmo mols do quo o
ontorlor (closslco) jo possuio, poróm olndo lho roubou olgo: o
71
roolldodo. Rosonkrontz obsorvou corrotomonto om olgum lugor quo
quonto mols plono ó o vldo, quonto mols lrondoso so obro, tonto
mols polldo o otóroo ó o lmortolldodo. Os horols do Homoro susplrom
otó polos poslçoos mols humlldos no vldo rool o trocorlom por ostos
o rolno dos sombros subtorrônoo. Em Plotoo, o lmortolldodo so torno
olndo mols lnconslstonto, quoso podo sor ossoprodo como umo
poolro, o noo obstonto o lllosolo dosojo obondonor o roolldodo, slm,
no modldo do possivol jo ostor morto duronto o vldo. Pols ó osto o
trlsto outocontrodlçoo do ponto do vlsto subjotlvo.
Com lsso, poróm, olndo noo chogomos o oer o ìronìco, o ó lsto,
ollnol, no modldo do possivol, o quo ostou tontondo mostror. Quo o
lronlo posso ossomolhor-so multisslmo o osso ponto do vlsto o num
rolonco otó sor conlundldo com olo, lsto o odmltlro quolquor um quo
solbo quo tlpo do porsonogom, too poquono o lnvlsivol ó o lronlo. E
osto ó novomonto um dos pontos do colncldônclo ontro Plotoo o
Socrotos. Por lsso olguóm, ocontuondo o ¨pothos¨ quo lroquonto-
monto so oprosonto nosto dlologo, podo ontoo otrlbulr tudo o Plotoo,
oo ontuslosmo, quo som duvldo, quonto oo rosultodo, llco mol pogo.
Mos, por outro lodo, noo so ho do nogor quo nosto dlologo prodo-
mlno umo corto ìnsegurunçu, quo lndlco quo do um jolto ou do outro
o lronlo osto oglndo. Pols por mols lnslgnlllconto quo sojo o rosultodo,
olo podorlo multo bom sor proclomodo com todo o convlcçoo do
ontuslosmo. Notom-so os vostiglos dosto lnsoguronço om vorlos
possogons do FéJon, o ossos gonhom molor lmportônclo quondo
roloclonodos com o Apologìu; o quol, onquonto documonto hlstorl-
co, moroco oxotomonto um lugor do dostoquo quondo so protondo
doscobrlr o puromonto socrotlco.
Contudo, ontos do possor o osto documontoçoo, ou dovo olndo
dotor-mo poro oxomlnor um pouco mols do porto u nostulgìu pelu
morte quo oqul no FéJon ó otrlbuido oo lllosolo. Pols o concopçoo
sogundo o quol o vldo conslsto proprlomonto om lr morrondo podo
sor ontondldo (opjuttes) om porto morolmonto, om porto lntoloctuol-
monto. A concopçoo morul ó proprlo do crlstlonlsmo, quo ontoo
nosto ponto noo so dotovo no moromonto nogotlvo; pols no mosmo
modldo quo o homom vol morrondo poro umo colso, o outro rocobo
um lncromonto dlvlno, o quondo osto outro colso por osslm dlzor so
ombobou o so oproprlou, o com lsso so onobrocou, do podor
gormlnotlvo quo hovlo no corpo do pocodo, quo dovlo sor morto, oi
tombóm osto corpo so oncolhou o socou, o om so rompondo o
consumlndo, pormlto quo doi surjo o homom do Dous omodurocldo,
crlodo sogundo Dous no justlço o no sontldodo do vordodo. E
onquonto o crlstlonlsmo tombóm odmlto um conhoclmonto mols
72
comploto llgodo com oquolo ronoscor, lsto ó oponos socundorlo o
ocontoco sobrotudo no modldo quo o conhoclmonto ontorlor tom-
bóm ostlvoro submotldo oo contoglo do pocodo. A concopçoo
ostrltomonto ìntelectuul dosto morto ó proprlo do mundo grogo
(Groocltoton), ondo so roconhoco tombóm lmodlotomonto o pologlo-
nlsmo dosproocupodo do pogonlsmo. Sojo-mo pormltldo, por umo
quostoo do procouçoo, sollontor olgo quo o molorlo dos loltoros do
rosto provovolmonto jo porcobo. Por um lodo, oqullo o quo so dovo
morror, no crlstlonlsmo, ó concobldo om suo posltlvldodo, como
pocodo, como um rolno quo proclomo suo volldodo do monolro mols
convlnconto òquolos quo susplrom sob suo lol; por outro lodo, o quo
dovo noscor o rossuscltor ó concobldo do monolro lguolmonto posl-
tlvo. Polo morto lntoloctuol, oqullo o quo so dovo morror ó olgo do
lndlloronto, o oqullo quo dovo surglr om sou lugor ó olgo do obstroto.
A roloçoo ontro ostos duos grondos concopçoos (Anskuelser) ó mols
ou monos o sogulnto. Umo dolos dlz quo o gonto dovo obstor-so do
ollmontos noclvos, domlnor o opotlto, o osslm o soudo so dosonvol-
voro; o outro dlz quo o gonto dovo dolxor do lodo o comldo o o bobldo,
quo oi ontoo so podoro cultlvor o osporonço do pouco o pouco lr so
tronslormondo om nodo. Doi so vô quo o grogo oro mols rlgorlsto do
quo o crlstoo, mos ó por lsso quo suo concopçoo (Anskuelse) oro
tombóm molso. Sogundo o vlsoo crlsto, portonto, o lnstonto do morto
ó o ultlmo luto ontro o dlo o o nolto; o morto ó, como no lgrojo jo so
chomou too bolomonto, o nosclmonto. Em outros polovros, o crlstoo
noo so dolxo rotordor polo comboto, polo duvldo, polo dor, polo
nogotlvo, mos so rogozljo com o vltorlo, com o cortozo, com o
lollcldodo, com o posltlvo. O plotonlsmo quor quo morromos oo
conhoclmonto sonsivol poro nos dlssolvormos otrovós do morto no
rolno do lmortolldodo, ondo o lguol om sl o poro sl, o bolo om sl o
poro sl otc. vlvom num sllônclo do morto. lsto so oxprlmo do monolro
olndo mols lorto no dlto do Socrotos, do quo o osplroçoo do lllosolo
conslsto om morror o estur morto. Mos dosojor o morto osslm om sl
o poro sl, lsto noo podo ostor bosoodo no ontuslosmo, onquonto so
qulsor rospoltor osto polovro o noo o utlllzor, p. ox., poro doslgnor
oquolo dosvorlo com o quol o gonto bom podo vor um homom
dosojor vlror om nodo; lsto tom do ostor bosoodo numo ospóclo do
dosgosto polo vldo. Enquonto olndo noo so pudor dlzor quo so
porcobo corrotomonto o quo ho no lundo dosto dosojo, olndo podoro
oi oxlstlr o ontuslosmo; oo controrlo, poróm, quondo o dosojo tom o
sou lundomonto numo corto lndolônclo, ou quondo oquolo quo o
dosojo osto consclonto doqullo quo dosojo, oi ontoo o prodomlnonto
ó o dosgosto do vldo. Aos mous olhos, o conhocldo opltollo do
Wossol, ¨por llm olo noo tlnho mols nenlum pruzer do vlvor¨,
73
contóm o vlsoo quo o lronlo so loz do morto. Mos oquolo quo morro
porquo noo gosto mols do vlvor, cortomonto noo dosojo do jolto
nonhum umo novo vldo, pols lsso sorlo ollnol umo controdlçoo.
Aquolo lossldoo quo nosto sontldo dosojo o morto ó ovldontomonto
umo doonço orlstocroto, quo so hoblto os osloros mols oltos o,
quondo totolmonto som mlsturo, olo ó too lorto quonto o ontuslosmo
quo vô no morto o tronsllguroçoo do vldo. Estos soo os dols polos
ontro os quols so movo o vldo humono comum do monolro sonolonto
o obscuro. A lronlo ó, com ololto, umo soudo, no modldo quo olo
llborto o olmo dos ongonos do rolotlvo; ó umo doonço, no modldo
quo olo noo podo suportor o obsoluto sonoo sob o lormo do nodo,
mos osto doonço ó umo lobro quo dopondo do cllmo, o quo so roros
lndlviduos controom, o mols roros olndo soo os quo o suporom.
Poro o lronlo do FéJon, ó proclso noturolmonto prosorvor
oquolo momonto om quo olo, onquonto concopçoo, orrombo o
lortlllcoçoo quo soporo os oguos do cóu o os do torro o so rouno com
o lronlo totul quo onlqullo o lndlviduo. Esto ponto ó too dllicll do sor
llxodo quonto o ponto ontro o doscongolomonto o o congolomonto,
o no ontonto o FéJon, so so qulsor omprogor os podroos do poìnt Je
oue (ponto do vlsto) quo oprosontol, sltuo-so ontro ossos duos dotor-
mlnoçoos do lronlo. Vou ogoro possor o documontor, no modldo quo
lsto ó possivol. A proposlto dlsso, do monolro olgumo ó mlnho
lntonçoo (mìn Menìng) ocultor quo umo tol documontoçoo compro-
botorlo sompro prossupoo olgo, o totolldodo dosto modo do vor (Jet
Anskuelsens Totule) quo vol olóm dos portlculorldodos, o ¨llot¨ do
crloçoo, quo om todos os obros humonos so so rovolo oo llnol, no
lnstonto om quo o lnvlsivol so torno porcoptivol no vlsivol. Com ololto,
so losso por um mlstlclsmo subjotlvo quo Socrotos ostovo, noo dlgo
lmbuido (pols osto oxprossoo jo donotorlo olgumo consclônclo), mos
lnundodo, por osslm dlzor, com suo onchonto lortlllzodoro, nos
cortomonto noo porcoboriomos ontoo nlsto tudo um colculo do
probobllldodos hosltonto o lnsoguro. - Mos nlnguóm vol quoror
nogor, dopols do lor otontomonto o FéJon, quo ó osto coso, o monos
olndo o nogoro oquolo quo tlvor dodo oo monos umo lldo suporllclol
no Apologìu. Flco oo crltórlo do codo um rosolvor so tols oxprossoos
podom sor postos om hormonlo com o ¨pothos¨ do um Plotoo ou,
o quo vom o dor no mosmo, so podom comblnor-so com Socrotos
ldontlllcodo otó o oxtromo com Plotoo, ou quom sobo olos noo
opontorlom ontos poro umo dlloronço quo no mosmo grou ó too
doslguol quonto lguol, o no mosmo grou ó too lguol quonto doslguol.
Pols quo ó osto o coso com umo ospoculoçoo o umo lronlo lmodlotos,
jo lol lndlcodo ontorlormonto, o o lsso nosso lnvostlgoçoo olndo
74
rotornoro vorlos vozos. Socrotos dlz mosmo no FéJon quo o llnoll-
dodo prlnclpol do sous oslorços poro mostror o lmortolldodo do olmo
osto om so porsuodlr olo mosmo do quo os colsos soo osslm, o
ocrosconto: ¨Vô, pols, coro omlgo, como ou colculo, o do quo
monolro too ogoisto. So ó vordodo o quo ollrmo, ontoo ó oxcolonto
ostor convoncldo dlsso; so, polo controrlo, noo sobro nodo poro
quom morro, ou, polo monos, nosto tompo ontos do mlnho morto,
noo sorol too molosto oos mous omlgos com lomontoçoos; mos noo
ostorol multo tompo orrondo - pols lsto sorlo cortomonto um mol -,
mos om pouco tompo lsto so dlsslporo¨ (cl. Trod. do Holso, p. 6º,
FéJon º1 b). Tols polovros ocoom como quo do um outro mundo,
o cortomonto noo ó oponos o oxclomoçoo ¨vô do quo monolro too
ogoisto¨ quo oncorro om sl o lronlo. O ponsomonto do quo com o
morto so sorlo roduzldo o slmplosmonto nodo (¨noo sobro nodo poro
quom morro¨), sìn post mortem sensus omnìs utque ìpse unìmus
exstìnguìtur (so opos o morto todo sontldo o o proprlo ospirlto so
oxtlnguom), noo lho lnsplro nonhum horror, mos por outro lodo olo
noo ossumo osto ponsomonto poro om soguldo, opovorodo com suos
consoquônclos, oxpulso-lo como oxcôntrlco, poróm otó so dlvorto
com olo, o coso ostlvosso ongonodo, molhor sorlo sor logo llbortodo
dosto orror - ¨pols pormonocor nolo sorlo cortomonto um mol¨ - o
com lsso sor complotomonto onlqullodo. Mos o quo oxotomonto
curucterìzu u ìronìu ó o esculu ubstrutu com quo olo nlvolo tudo, com
quo olo domlno todo sontlmonto oxogorodo, o portonto noo opoo
oo tomor do morto o ¨pothos¨ do ontuslosmo, mos ocho, lsso slm,
quo dovo sor um oxporlmonto bom curloso osto do sor roduzldo o
slmplosmonto nodo. Esto dovo sor, portonto, um locus clussìcus (toxto
copltol) do FéJon, o os domols lndiclos do somolhonto ospóclo, quo
so oncontrom dlsporsos oqul o oll, nos lovorlom multo longo, oxlgln-
do um trotomonto molor do quo ou podorlo omproondor. E olóm
dlsso, o Apologìu osto o oxlglr ogoro o nosso otonçoo.
A APOLOGIA
A Apologìu dovo sor utlllzodo com umo Juplu lntonçoo: om
porto, poro, com os oxprossoos oi contldos o rospolto do lmortolldodo
do olmo, rolorçor nosso orgumontoçoo sobro o FéJon, quo procuro-
vo lozor o dlolótlco dosto dlologo orrodondor-so om lronlo; o om porto
poro, o portlr do suo ostruturo totol, lozor o ponto do vlsto do Socrotos
ovldonclor-so como lronlo.
So noo so quor odmltlr com Ast quo o Apologìu noo ó do Plotoo
o slm do um orodor dosconhocldo, ontoo ó bostonto lndlloronto poro
75
osto lnvostlgoçoo quo so sojo do oplnloo, com Schlolormochor, quo
o doloso lol pronunclodo tol o quol por Socrotos
40
, ou, quo so ponso,
com Stollboum, quo olo podo multo bom noo tor sldo tol o quol, mos
quo Plotoo, oo oloboror osto dlscurso, procurou oproxlmor-so tonto
quonto possivol do Socrotos hlstorlco. Stollboum dlz (Pruejutìo uJ
Apologìum 5ocrutìs p. 4): ¨So osto toso ó oxoto, sou do oplnloo do
quo nlnguóm so odmlroro do quo Plotoo nosto llvro noo tonho
mostrodo o mosmo subllmldodo do polovros o ponsomontos quo
mostro om outros. Pols so lho poroclo quo olo so podorlo dolondor
bom Socrotos lozondo-o lolor dlonto do trlbunol tol quol olo loro om
suo vldo, ontoo noo lho oro liclto oglr orbltrorlomonto, mos olo dovlo,
lsto slm, vor o quo convlnho oo ongonho o oos costumos do Socrotos,
o o quo dovlo sor ocomododo òs oxlgônclos do lugor o tompo¨. So
olguóm dosojor trovor conhoclmonto com o grondo numoro do
outoros quo so doclororom contro Ast, podoro conlorlr locllmonto
sous nomos rounldos no obro do Stollboum. O quo poro mlm ó o
ponto copltol, ó quo so podo vor no Apologìu um rotroto conllovol
do Socrotos rool. Ast, quo consldorou o subllmldodo o o omoçoo
como prodomlnontos no FéJon, noturolmonto noo podo dolxor do
lndlgnor-so com o monolro como Socrotos so comporto oqul, o ó por
lsso, ontro outros rozoos, quo docloro o Apologlo opocrllo. Quondo
ontoo so quor, com o molor porto, slm, com o obsoluto molorlo dos
comontodoros, odmltlr o outontlcldodo do Apologìu, proclso-so pro-
curor um oxpodlonto dlloronto do quo gorolmonto so omprogo, lsto
ó, quo o gonto noo so llmlto o llcor ossogurondo quo no Apologìu
nodo ho quo noo comblno com o ospirlto do Plotoo, quor ossos
ossorçoos procurom llrmor-so oprosontondo-so como quostlono-
montos, quor como oxclomoçoos. As objoçoos lovontodos por Ast
soo vordodolromonto lmportontos domols poro podorom sor dospo-
chodos dosto monolro
41
, o so olo tom rozoo, o gonto ó tontodo o lho
dor rozoo tombóm no suo prolorônclo polo Apologìu do Xonolonto
lronto ò do Plotoo.
Aqul, ontrotonto, olndo noo so troto do dlscutlr o Apologìu
como um todo, mos oponos oquolos possogons ondo Socrotos
dosonvolvo suo concopçoo do morte. A modldo quo crosco o dlllcul-
dodo do lntorprotor tols possogons do monolro plotónlco, oumonto
slmultonoomonto o probobllldodo do so tor do procuror no ìronìu o
justo oxpllcoçoo. Pols todos ossos possogons mostrom u totul ìnsegu-
runçu Je 5ocrutes, mos, bom ontondldo, noo como so osto lnsogu-
ronço o tlvosso lntronqulllzodo, noo, multo polo controrlo, osto jogo
com o vldo, osto vortlgom, ò modldo quo o morto so mostro oro como
olgo do lnllnltomonto lmportonto, oro como nodo, ó lsto mosmo o
76
quo o comproz. No prlmolro plono, portonto, Socrotos, noo como
oquolo quo lovlonomonto olosto do sl o ponsomonto do morto, o
cholo do ongustlo so ogorro ò vldo, nom como oquolo quo cholo do
ontuslosmo vol oo oncontro do morto o mognônlmo oloroco o vldo
om socrlliclo; noo, mos como oquolo quo so dololto com o oltornônclo
do luz o sombro quo proporclono um sllogistlco uut-uut (dllomo poro
o roclocinlo) oo mostror quoso slmultonoomonto o dlo mols lumlnoso
o o nolto mols oscuro, o oo mostror o rool lnllnlto o o nodo lnllnlto,
o so dlvorto tombóm òs custos dos ouvlntos, vondo quo ostos dols
pontos, osslm como o ogrodovol o o dosogrodovol, ostoo rounldos
no ponto culmlnonto (cl. O 8unquete); o duronto tudo lsto, contudo,
olo noo omblclono (ottrooor) o sobodorlo com umo osplroçoo intlmo
do olmo, mos slm, com umo corto curlosldodo, osplro polo soluçoo
dosto onlgmo. Socrotos porcobo multo bom quo os sous slloglsmos
noo tôm nodo do oxoustlvo poro o soluçoo (8esourelsen) do problo-
mo (5porgsmuulet); so o dlvorto o volocldodo com quo o oposlçoo
lnllnlto so mostro o dosoporoco. O plono do lundo, quo rocuo
lnllnltomonto, ó lormodo polo posslbllldodo lnllnlto do morto.
Por lsso, no Apologìu, os oxclomoçoos mols potótlcos soo
soguldos por umo orgumontoçoo quo ossopro poro longo os oscumos
do oloquônclo o mostro quo ossos noo oscondom obsolutomonto
nodo. Socrotos obsorvo quoo lnsonsoto sorlo poro olo, quo loro
doslgnodo polo dous poro vlvor como omonto-do-sobodorlo o poro
ontoo so oxomlnor o provor, o sl mosmo o oos outros, quoo lnsonsoto
sorlo do porto dolo, por tomor ò morto, dosortor do sou lugor. E ogoro
vom o rozoo: ¨Pols tomor o morto, Sonhoros, ó o mosmo quo
ocrodltor sor soblo o noo sô-lo, posto quo ó ocrodltor sobor oqullo
quo noo so sobo¨ (cl. Ast, p. 126, 2ºo). Nosto ospocto Socrotos
ocrodlto tombóm tor umo vontogom sobro os outros homons, pols
noo tomo o morto, dodo quo olo slmplosmonto noo sobo nodo o
rospolto dolo. lsto noo ó somonto um sollsmo, mos ó tombóm umo
ìronìu. Pols oo llbortor o homom do tomor do morto, olo lhos do om
troco o ldólo ongustlonto do olgo lnovltovol o rospolto do quol noo
so sobo puro o slmplosmonto nodo; o o gonto proclso, roolmonto,
ostor ocostumodo o dolxor-so odlllcor com o consolo quo ho no nodo,
poro podor oncontror ropouso no quo Socrotos propoo. Por lsso,
sorlo, como olo obsorvo numo outro possogom, obsurdo do porto
dolo, optor por umo outro colso, do quol olo soblo com cortozo quo
oro um mol (p. ox. o prlsoo), por tomor do quo lho ocontocosso oqullo
quo Moloto ocrodltovo olo tor morocldo, ¨o quo ou dlgo noo sobor so
ó bom ou mou¨ (cl. Ast, p. 146, 37 b).
77
No conclusoo do Apologlo ó lolto, ontrotonto, um onsolo poro
mostror quo morror ó um bom. Mos osto consldoroçoo ó novomonto
um uut-uut (umo oltornotlvo), o dodo quo oi, om componhlo com
um dos uut, oporoco o concopçoo do quo o morto noo ó puro o
slmplosmonto nodo, llco-so ontoo cortomonto com olgumo duvldo
sobro otó quo ponto so podo portllhor oquolo ologrlo quo como o
ocoono obroço ostos duos portos do mundo. (Cl. Ast, p. 154, 40,
c-d-o): ¨Mos vojomos o colso tombóm dosto ponto, polo quol tonho
grondo osporonço quo morror sojo um bom. Morror ó umo dostos
duos colsos: ou noo sor mols nodo o quom morrou noo tom sontl-
monto do mols nodo, ou olndo, como dlzom olguns, ó umo ospóclo
do mutoçoo o do mlgroçoo do olmo dosto lugor poro um outro. Oro,
so morror oqulvolo o noo mols tor sonsoçoos o ó como um sono som
sonhos, ó um gonho morovllhoso, o morto. Porquo ponso quo so
olguóm tlvosso consoguldo om suo proprlo momorlo umo tol nolto
om quo so tlvosso odormocldo too prolundomonto o ponto do noo
tor nom sombro do sonho o dopols, comporodos o osto todos os
noltos o outros dlos om suo vldo, dovosso dlzor quontos dlos o noltos
om todo o docurso do suo vldo vlvou mols lollzmonto o mols
ogrodovolmonto quo noquolo nolto, ou ponso quo olo, losso noo um
lndlviduo, mos otó mosmo o grondo Rol, oncontrorlo multo poucos
dossos dlos o noltos om comporoçoo com outros dlos o noltos. So o
morto ó lsso, ontoo dlgo quo ó um gonho, porquo todo o duroçoo
do tompo noo poroco roolmonto mols longo quo umo unlco nolto.
Por outro lodo, so o morto ó como o mudonço doqul poro um outro
lugor o so ó vordodo quo nosso lugor, como contom, podom sor
rooncontrodos todos os mortos, quol bom, o juizos, podoro sor molor
do quo osto¹¨ Esto ultlmo oltornotlvo podlo sor tombóm ogrodovol
polo rozoo do quo osslm so oscoporlo dossos juizos quo so oprosontom
como sondo juizos, o so lrlo tor com juizos tols como Mlnos, Rodo-
monto, Eoco o Trlptolomo, quo com justlço morocom sor tols. No
quo tongo, portonto, ò prlmolro oltornotlvo do dllomo, Socrotos
ocrodlto oi quo, polo morto, tornor-so slmplosmonto nodo ó ¨um
gonho morovllhoso¨, slm, sou dlscurso odqulro um colorldo multo
quonto, quondo olo obsorvo quo noo oponos um homom portlculor,
mos otó o grondo Rol do Pórslo, so torlom poucos dlos comporovols
o lsto. Um tol sono do olmo o um tul nuJu so podlom mosmo ogrodor
mols do quo quolquor outro colso o ìronìco, quo possul oqul, ollos,
o obsoluto lronto ò rolotlvldodo do vldo, mos um obsoluto too lovo
quo olo noo tom dlllculdodos poro soguro-lo, dodo quo o possul sob
o lormo do nodo. No quo tongo ò sogundo oltornotlvo do dllomo,
Socrotos oi oxpoo o quoo morovllhoso sorlo, nos lnlornos, lr dlsputor
com oquolos grondos homons do possodo, do umo monolro ogrodo-
78
vol convorsor com olos sobro sous dostlnos, mos sobrotudo lntorro-
go-los o oxomlno-los
42
, oxprossoos ostos, cujo curúcter ìronìco ou jo
monclonol oclmo. Agoro, ontoo, so mols duos obsorvoçoos. E cloro,
com ololto, quo ostos oxprossoos noo so dolxom hormonlzor locll-
monto com os oxpoctotlvos contldos no FéJon, do dosplr-so totol-
monto do corpo, o por outro lodo, tombóm ó cloro quo todo osto
ologrlo ó bostonto hlpotótlco, jo quo ollnol o outro posslbllldodo osto
lguolmonto proxlmo, quor dlzor, por um llo do cobolo; pols o
hlpotoso, om suo totolldodo, ó um movlmonto no or, o Socrotos noo
loz nonhumo tontotlvo poro tornor umo dos oltornotlvos mols rool do
quo o outro. As polovros do FéJon cltodos mols oclmo contôm
docorto umo tontotlvo nosto dlroçoo, no modldo quo Socrotos oplno
quo o mols vontojoso osto no sou dlscurso, dodo quo noo so llco
dosogrodovol poro os omlgos; mos nosto obsorvoçoo o loltor dosco-
brlro cortomonto umo sobodorlo do vldo o umu ìronìu quo ossumo o
rlsco do lozor do bobo o morto. Por llm, o Apologìu so oncorro com
o mesmu omblguldodo (Ast p. 158, 42 o): ¨Mos ols quo ó chogodo
o horo do portlrmos, ou poro morror o vos poro vlvor. Mos quom do
nos comlnho poro o molhor, lsto ó sogrodo poro todos, monos poro
o dlvlndodo¨. So os colsos so possom osslm otó com o vlsoo do morto
no Apologìu, ontoo oumontom os posslbllldodos poro o mlnho
concopçoo do FéJon, no modldo quo so quolro ostobolocor umo
posslbllldodo do quo o FéJon posso sor oo mosmo tompo socrotlco
o plotónlco.
Possorol ogoro o umo consldoroçoo mols ospoclol do Apologìu
poro mostror quo olo ó, om suu totulìJuJe, lronlo. Poro tol llm, quoro
por um lnstonto dolxor o proprlo Ast lolor, o ou osporo quo com o
ojudo do onormo prossoo quo o poso do suos obsorvoçoos nocosso-
rlomonto oxorcoro, o olmo do loltor hovoro do gonhor sullclontomon-
to olostlcldodo poro pormltlr quo o lronlo vonho ò tono. ¨O orodor
oxogorou tonto osto llrmozo vlrll do Socrotos¨ (quo Ast oncontro no
oxposlçoo do Xonolonto) ¨quo olo so monllosto como o lndlloronço
mols dosprovldo do ospirlto o do sonslbllldodo. Com ololto, opos o
condonoçoo, olo loz Socrotos odmlror-so noo do sontonço dos juizos,
mos do numoro dos votos dos dols lodos, o oprosontor com songuo
lrlo o colculo do quo torlo oscopodo so oponos trôs votos lossom
dllorontos, o do quo Moloto torlo tldo do pogor mll drocmos so Anlto
o Licon noo tlvossom rolorçodo o suo ocusoçoo, pols Moloto noo
torlo obtldo o qulnto porto dos votos. Esto lndlloronço so sollonto
olndo mols lo ondo Socrotos lolo sobro o morto; olo ossoguro sompro
quo noo tomo o morto, mos om quo so lundomonto osto ousônclo do
tomor¹ Em nodo; portonto, ó puro lonlorronlco ... Podorlo Plotoo, o
79
outor do FéJon, lozor Socrotos lolor dosto jolto sobro o morto,
otrlbulndo-lho umo tol lndlloronço vordodolromonto vulgor, prlvodo
do ospirlto o do sonslbllldodo, slm, quoso rldiculo ... E oposor do tudo,
osto Socrotos too som sonslbllldodo o oloto olndo quor boncor o
oxoltodo o ontuslosmodo, o ponto do so motor o prolotlzor¨(p. 487,
488). Todo osto concopçoo do Ast noo dovo llcor lorgodo oqul, como
umo cltoçoo solto o ocloso; multo polo controrlo, ou osporo quo olo
so torno um dlllgonto opororlo do vlnho, no modldo quo conto com
o porspoctlvo rolrotodo sob o quol o lronlo om porto so mostroro poro
um ou outro loltor o om porto so oprosontoro com um molhor
ospocto. Com ololto, no modldo quo o sorlododo quo lmporo om Ast
ovonço llvromonto com sou posso modldo, no dlroçoo do umo
Apologìu noutro, o ìronìu llco sllonclosomonto ò osprolto o vlglo com
sous olhos quo jomols so lochom, om movlmonto continuo, portlcl-
pondo do codo lonco, mosmo quo o loltor tolvoz noo o porcobo, otó
o momonto om quo ontoo olo jogo suo molho sobro olo o o oprlslono.
Por lsso, so o mlnho oxposlçoo losso umo rodo tocldo com
molhos too omplos quo o loltor locllmonto pudosso ovodlr-so por
ontro olos, ou too lroco quo noo consogulsso rotô-lo, ontoo olgumos
dos possogons cltodos por Ast sorlom ospoclolmonto oproprlodos, oo
mosmo tompo umo molho llno o sullclontomonto lorto, o o quo ho
do rotumbonto nos domols portos do cltoçoo tombóm torlo suo
grondo lmportônclo, no modldo quo oquolo olorldo porsogulsso o
loltor otó oquolo ponto ondo olo ocobo copturodo. A possogom, p.
ox., ¨o oposor do tudo, osto Socrotos too som sonslbllldodo o oloto
olndo quor boncor o oxoltodo o ontuslosmodo, o ponto do so motor
o prolotlzor¨, ultroposso noo oponos todo o mlnho oxposlçoo om
copcloso ostuclo o lorço broçol, mos ou o consldoro mosmo como
obsolutomonto lrroslstivol poro todo oquolo quo noo concordo com
Ast om rojoltor o Apologìu. Tombóm vorlos outros obsorvoçoos
portlculoros do Ast soroo roconlortontos poro o loltor hosltonto o
lnsoguro, o porlgosos poro todo oquolo quo olndo loz o slnol do cruz
dlonto do ponsomonto do quo dovorlo sor o lronlo o quo oxpllco o
Apologìu. P. 488: ¨Tombóm no oxposlçoo o orodor so trol, noo
somonto no oposlçoo dos ponsomontos (como:¨vlvo numo pobrozo
oxtromo, por ostor oo sorvlço do dous¨, ondo o vulgor o o olovodo,
o tom do lomontoçoo o os sontlmontos do orgulho controstom tonto
quo quoso nos lorçom o um sorrlso), mos tombóm no oposlçoo dos
polovros; pols os orodoros doquolo ópoco so comprozlom no jogo
dos ontitosos, sogulndo o oxomplo do Gorglos o do Lislos¨.
Asslm, poroco ogoro corroto possor o oxomlnor o utuque contro
o concepçdo ìronìcu, lonçodo por Ast om poglnos ontorloros do
80
mosmo lnvostlgoçoo. Com ololto, o obsorvoçoo do quo noo podorlo
sor plôtonlco o lronlo quo so oncontrovo no Apologìu, ou noo posso
dolxor possor osslm som dlscussoo. O lntórproto otonto do Plotoo
oncontroro nolo, do loto, duos ospóclos do lronlo. A prlmolro dolos ó
o potônclo ostlmulodoro, lnoronto ò lnvostlgoçoo; o outro ó oquolo
quo, quonto possivol, so orlgo o sl mosmo como sonhoro. So so
oncontro ontoo lronlo no Apologìu, noo so podo, som mols, como
Ast, rojolto-lo so porquo osto noo ó umo lronlo plotónlco, dodo quo
sompro rostorlo o posslbllldodo do o lronlo do Socrotos sor dlloronto
do do Plotoo, o portonto, com rolorônclo ò Apologìu, o posslbllldodo
do osto sor um documonto hlstorlco. So ogoro ou possor, portonto,
o um oxomo mols dotolhodo do tontotlvo quo Ast omproondo poro
mostror quo oquolo lronlo quo so oncontro no Apologìu noo ó
plotónlco, ou, como so dovorlo ontos dlzor, no coso do so quoror dor
rozoo o Ast, quo noo so oncontro puro o slmplosmonto nonhumo
lronlo no Apologìu, ou proclso, noturolmonto, no quo so roloro ò
mlnho monolro do consldoror os colsos, chomor o otonçoo poro o
quoo dosvontojoso ó poro mlm o loto do quo o lronlo tonho sldo
trotodo dosto modo sob umo rubrlco proprlo, o o loto do quo Ast noo
tonho dolxodo suos dllorontos oporoçoos do otoquo so osclorocorom
roclprocomonto o so concontrorom sobro um unlco ponto, numo
botolho prlnclpol, o do sobor so ho lronlo no Apologìu, noo nosto ou
noquolo ponto, mos om suo totolldodo.
Quo slgnlllcoçoo Socrotos podlo otrlbulr o umo ocusoçoo
dlonto do trlbunol populor otonlonso, o quo roprosontoçoo rldiculo
olo proclsovo llgor oo ponsomonto do dovor dolondor-so dlonto do
tols juizos, ols o quo umo oxprossoo do Gorgìus nos pormlto suspoltor
(Holso p. 188, 521 o): ¨o o quo ou dlzlo o Polo podorlo sor opllcodo
o mlm, pols ou sorol julgodo como sorlo, ontro crlonços, um módlco
ocusodo por um cozlnholro¨. Flcou oclmo lndlcodo do quo modo o
Apologìu, justomonto om suu estruturu, proclso sor consldorodo
como lronlo, dodo quo, ollnol do contos, os mols posodos ocusoçoos
o rospolto do todos oquolos novos doutrlnos quo Socrotos torlo
lntroduzldo om Atonos tlnhom do vlr o constltulr umo reluçdo bem
proprìumente ìronìcu o oxtromomonto ostronho com o suo doloso,
do quo noo soblo nodo, o por consogulnto oro-lho lmpossivol lntro-
duzlr novos doutrlnos. A lronlo conslsto, ovldontomonto, om quo
slmplosmonto noo ho nonhumo conoxoo ontro o otoquo o o doloso.
So Socrotos tlvosso tontodo mostror quo olo so otlnho oo ontlgo, ou
quo, no modldo quo lntroduzlo olgo novo, osto novo oro vordodolro,
tudo ostorlo complotomonto om ordom. Socrotos, contudo, noo
roluto os ocusodoros, mos lhos orroboto o proprlo ocusoçoo, do modo
81
quo so mostro quo tudo oro olormo lolso, o os conhoos do mll llbros
dos ocusodoros quo dovorlom pulvorlzor complotomonto o ocusodo
hovlom dlsporodo om voo, dodo quo noo ho slmplosmonto nodo oi
quo posso sor onlqullodo. Todo osto sltuoçoo rocordo por lsso too
vlvomonto uns vorsos do Boggoson, prolundomonto osplrltuosos
43
.
Mos tombóm o portlr do um outro ôngulo so mostroro o ostruturo
lrónlco no Apologìu. Poro Socrotos, quo ostovo ocostumodo o so otor
ò quostoo, com umo obstlnoçoo quo ongustlovo os sollstos o com
umo corogom lguolmonto lmporturbovol, dosollondo-lhos os torgl-
vorsoçoos o lntlmldoçoos, tlnho mosmo quo so mostror como um
urgumentum uJ lomìnem ultumente rìJiculo osto lnvonçoo dos
otonlonsos do quoror condono-lo ò morto. Do ocordo com o vlsoo
socrotlco, os ocusodoros noturolmonto tlnhom do convoncô-lo do
quo olo ostovo orrodo, ou ontoo tlnhom do so dolxor convoncor; o
oo controrlo ò quostoo so olo dovlo sor condonodo o morror ou noo,
ou oo monos sor multodo ou noo, oro olgo quo nodo tlnho o vor com
o vordodolro problomo, o osslm, mols umo voz noo so oncontro oqul
nonhumo llgoçoo roclonol ontro o crlmo o o costlgo. So o lsso olndo
so odlclono o clrcunstônclo do quo osto quostoo complotomonto
ostronho oo vordodolro problomo proclsovo sor rosolvldo do ocordo
com um procodlmonto complotomonto oxtorlor, polo somo do votos,
um modo do doclsoo quo sompro tlnho sldo objoto do umo prodllo-
çoo ospoclol do Socrotos, pols nosto ossunto, como olo obsorvovo
om olgumo possogom, olo mosmo oro complotomonto lgnoronto,
osslm o gonto ó obrlgodo cortomonto o lho dor rozoo nestu ìronìu quo
ó gloclol, omboro oporonto crodulldodo o bonovolônclo, lronlo gloclol
com quo olo, som rospoltor oquolo torrivol orgumonto, lolo com os
otonlonsos do monolro mols omlgovol sobro os probobllldodos do olo
vlr o sor obsolvldo, o otó, o quo tombóm lho porocorlo noturolmonto
rldiculo do mosmo modo, do Moloto sor condonodo o pogor umo
multo.
Por lsso, ó oponos mols umo noou ìronìu, quondo olo, no
conclusoo, dosojo dlrlglr olgumos polovros òquolos quo o hovlom
obsolvldo; pols ostos, ovldontomonto, ollnol do contos tombóm
hovlom votodo, tonto quonto os outros. Todovlo, oxlsto no Apologìu
umo lronlo olndo mols olto do quo os ontorloros, umo lronlo quo
otlngo o proprlo Socrotos; pols o clrcunstônclo do quo Socrotos
lnslstlo too unllotorolmonto no conhoclmonto, o por couso dlsso poro
olo todo crlmo so roduzlo o um orro, o um ongono, o consoquonto-
monto todo o quolquor pono ou costlgo so convortlo om olgo
complotomonto hotorogônoo om roloçoo òqullo, o o lorço polômlco
com quo olo llzoro volor osto vlsoo dos colsos vlngom-so dolo Je
82
muneìru ultumente ìronìcu, no modldo quo o lozom sucumblr dum
corto modo o um orgumonto too rldiculo como ó o condonoçoo ò
morto.
Quo ontoo tudo lsso oqul doscrlto conllguro cortomonto sltuo-
çoos lrónlcos, o quo com cortozo quolquor um quo tonho lldo o
Apologìu portlndo do prossuposto do quo Socrotos jomols oxlstlu o
quo slmplosmonto olgum pooto tlnho protondldo llustror o quo ho
do plconto numo tol ocusoçoo o num tol julgomonto, porcoboro o
lronlo, quonto o lsto ou noo tonho duvldos; mos dodo quo, oo
controrlo, oqul tomos o vor com ocontoclmontos hlstorlcos, olguns
loltoros docorto noo toroo corogom poro ousor ocrodltor quo osslm
sojo.
Agoro, poróm, quo dovo possor ò oxposlçoo doquolo lronlo
quo so oncontro espulluJu pelu Apologìu, llco um pouco omboro-
çodo. Eu podorlo tontor solr coçondo por todos os contos o rounlndo
umo multldoo dolos; mos som lolor do quonto sorlo consotlvo poro
o loltor umo oxtonso orgumontoçoo nocossorlo poro codo ponto, ou
crolo tombóm quo todo osto soçoo, controrlomonto ò noturozo do
lronlo, provocorlo umo sonsoçoo do zumbldo nos ouvldos, om voz
doquolo lmprossoo do um suovo sussurro, como ó proprlo do lronlo.
Protondor domonstror o lronlo otrovós do umo lnvostlgoçoo do codo
ponto portlculor rouborlo, noturolmonto, do lronlo, o quo olo tom do
surproondonto, do contundonto, dlto numo polovro, o onorvorlo. Elo
proclso do rudo controsto, o so pordorlo complotomonto numo
componhlo too oborrocldo como ó o orgumontoçoo. Eu quoro por
lsso, mols umo voz oqul, cltor lltorolmonto Ast, dodo quo olo coptou
com oxtroordlnorlo cortozo todos os pontos umbiguos poro com olos
dor o molor susto nos loltoros, o por osso molo domonstror o
lnoutontlcldodo do Apologìu, o no modldo quo lrol colocondo no
mou toxto o sou ¨pothos¨, vou mo pormltlr o codo posso umo
poquono olusoo nos notos do pó do poglno, quo osporo sojo sullclonto
poro o loltor. Ho umo grovuro quo roprosonto o ossunçoo do
Modono. Poro olovor o cóu tonto quonto possivol, lol colocodo no
boso do quodro umo llnho oscuro, opolondo-so no quol dols onjlnhos
osplom poro clmo no dlroçoo dolo. Do mosmo modo ou tombóm
quoro, oo roproduzlr no corpo do mou toxto os polovros do Ast,
olovor suo polovro too olto quonto possivol, o poro lozor o sou
¨pothos¨ llcor olndo mols olovodo, quoro colocor um troço do pó do
poglno o portlr do quol oqul ou oll o rosto trovosso do lronlo so
pormltlro dor umo osplodo poro clmo. Ast, p. 477s: ¨A lronquozo
com quo olo loz Socrotos lolor noo ó oquolo lronquozo nobro, quo
broto do consclônclo do lnocônclo o do honostldodo, o quo, lncltodo
83
polo colunlo, so onunclo como orgulho, mos ó, lsto slm, joctoncloso
oxoltoçoo-do-sl; pols Socrotos so so robolxo poro lndlrotomonto so
oxoltor olndo mols. (Numo noto o osto rospolto obsorvo Ast: ¨O outor
do Apologìu noo consoguo lurtor-so o sugorlr lsso: ¨Poço-vos poro
noo cousor bolburdlo, o cldodoos do Atonos, mosmo quo vos poroço
quo pronunclo polovros domoslodo lortos¨.¨)
44

lsto noo ó lronlo plotónlco, o slm monosprozor os outros com
o voldoso llnolldodo do so oxoltor o sl proprlo. Socrotos dlz, p. ox.,
no Apologìu 17 b, quo so chomo do orodor, mos noo do mosmo
ospóclo quo os outros (subontondondo osslm quo olo ó um outôntlco
o vordodolro orodor, onquonto os outros, oo controrlo, orodoros do
oporônclo). lguolmonto contôm os polovros ¨mou modo do lolor
podoro sor molhor ou plor¨ (18 o), um outo-ologlo moscorodo. Mols
lnconlundivol olndo ó o lolso lronlo no possogom 20 c - 23, ondo
Socrotos procuro domonstror o vorocldodo do sontonço do oroculo,
quo o tlnho proclomodo o mols soblo do todos
45
; o voldodo o o
joctônclo so oncontrom jo no mlnuclosldodo com quo Socrotos lolo
dlsto. lguolmonto Socrotos docloro sor um homom lomoso o oxco-
lonto (20 c, 23 o, 34 o), o quo suo vocoçoo (dostlnoçoo) ó dlvlno
46
(31 o), o quo olo ó o molor do todos os bonloltoros do cldodo
47
(30
o, 30 o, 36 d): ó por lsso quo sou colunlodo o lnvojodo (28 o). Alóm
dlsso olo so otrlbul sobodorlo
48
(20 d, 20 o, 21 b s), o lolo do sobodorlo
dos sollstos num tom cótlco

, quo so lndlco soborbo. Pols o quo
slgnlllco, quondo o gonto so humllho mos slmultonoomonto robolxo
os outros, sonoo umo rotorlco oxoltoçoo-do-sl, o quol, so consldorodo
como tondo umo llnolldodo sórlo, oporoco como joctônclo vo o, so
consldorodo como lronquozo dosproocupodo o noo dollborodo, trol
umo lngonuldodo quo quoso otlngo o cómlco, groços oo controsto
noo lntonclonodo do outo-oxoltoçoo o outo-humllhoçoo
50
(quondo
Socrotos, p. ox., so docloro lgnoronto, mos oo mosmo tompo mols
soblo do quo todos os outros o portonto so olovo o sl mosmo, o
lgnoronto, como sondo o mols soblo). Portonto, so o outor do
Apologìu tovo o lntonçoo do doscrovor Socrotos como lrónlco,
ocobou tronslormondo-o no controrlo do Socrotos plotónlco, num
sollsto joctoncloso; mos so olo quorlo omprostor-lho umo lronquozo
dosproocupodo o noo dollborodo, oxogorou no lngonuldodo o lolhou
no suo lntonçoo, porquo o controportldo do outo-humllhoçoo, o
outo-oxoltoçoo, llcou domoslodo sollonto o grltonto poro pormltlr quo
so ocrodlto quo o outo-humllhoçoo oro lovodo o sórlo; oquolo
modóstlo ó, por lsso, somonto olotodo, o o outo-humllhoçoo moro-
monto oporonto, porquo olo ó suporodo polo outo-oxoltoçoo quo lho
soguo. E nosto slmulocro proclsomonto quo molhor roconhocomos o
84
orodor quo, hobltuodo oo jogo dos ontitosos, costumo obollr novo-
monto o prlmolro olomonto por molo do um sogundo oposto o olo.
Asslm tombóm o nosso opologoto tronslormou justomonto o
quo hovlo do mols bolo om sou dlscurso o quo so oprosontovo o olo
como um loto, ou sojo, oquolos oxprossoos do nobro o orgulhoso
lronquozo o grondozo do olmo do Socrotos, om oporônclo llusorlo,
no modldo quo os suporo polo sou controrlo; osto controrlo ó o rocolo
do dolxor zongodos os juizos
51
, do cujo dlsposlçoo lovorovol tudo
dopondlo; ols por quo olo oxpllco o todo horo too prollxomonto o
com um culdodo quoso ongustlodo os motlvos do suos docloroçoos,
slm, poro noo dlzor nodo quo noo ostlvosso bom lundomontodo o
pudosso voltor contro olo os juizos. Esto rocolo o tomor, quo sompro
voo do oncontro ò lronquozo, noo ocobom por oboll-lo o tronslor-
mo-lo om oporônclo llusorlo¹ O homom vordodolromonto llvro o do
ônlmo lorto, som lovor om consldoroçoo quolquor colso quo noo sojo
o vordodo do suos docloroçoos, o som so proocupor sobro o como
olos soroo rocobldos, ho do lolor somonto do ocordo com suo
consclônclo o sous conhoclmontos. Mos Socrotos tombóm roconhoco
quo tomo sous ocusodoros o odvorsorlos (Apol. 18 b, 21 o). Soro quo
olndo roconhocomos oi o grondozo do olmo socrotlco o sou omor
polo vordodo, quo noo so dolxo ossustor por nodo, osslm como olo
os rovolovo, p. ox., nos convorsoçoos com Critlos o Corlclos, quo
quorlom dosgroço-lo, como nos roloto Xonolonto (Mom. l, 2, 33s)¹
Socrotos so oprosonto, olóm dlsso, como so olo noo ostlvosso lolondo
om suo proprlo doloso, mos oponos com o lntonçoo do convoncor
os juizos o noo o condonorom poro ontoo noo pocorom contro o
prosonto do dlvlndodo (Apol. 30 d). E olo ocrosconto (Apol. 31 o):
¨so dosojols ouvlr-mo, mo pouporols¨. Quom ó quo noo porcobo oi
o tlrodo rotorlco¹ O podldo o o dosojo do sor obsolvldo vom ocultodo
o so oporoco como consolho bom-lntonclonodo do noo comotorom
socrllóglo contro os dousos o noo dosprozorom o prosonto dolos. Por
consogulnto, oquolo docloroçoo do Socrotos do quo olo noo lolo om
sou proprlo lovor (o llm do obtor o obsolvlçoo) o slm om doloso dos
proprlos otonlonsos, ó lguolmonto puro rotorlco, lsto ó, oporônclo
llusorlo o lroudo
52
.
O MÍTICO NOS PRIMEIROS DIÁLOGOS PLATÔNICOS
COMO INDÍCIO DE UMA ESPECULAÇÃO MAIS ABUNDANTE
Choguol ogoro oo llnol do mlnho oxposlçoo do dlolótlco om
Plotoo osslm como oro nocossorlo poro o prosonto lnvostlgoçoo. Eu
mo omponhol om lozor todo osto consldoroçoo culmlnor com o
85
Apologìu poro com olo obtor umo consolldoçoo do quo hovlo do
lnsoguro o vocllonto no ondomonto do orgumontoçoo ontorlor. O
mitlco so tornoro ogoro objoto do nosso oxomo, o osslm como
procurorol osquocor o lntonçoo com quo o todo ó lovodo o cobo,
poro quo o oxomo posso llcor too solto quonto possivol, tombóm
proclso sollcltor oo loltor quo no mosmo proporçoo noo so osquoço
do quo o dupllcldodo quo ho no dlscropônclo ontro o dlolótlco o o
mitlco ó um dos lndiclos, um dos vostiglos quo oxolo conduzlroo ò
dlloroncloçoo doquolos dols lodos quo polo lorço do tompo o do
lntlmldodo so tornorom oporontomonto lndlssoclovols.
Podo-so oncoror osto mitìco, om prlmolro lugor, com um olhor
mols lndlloronto, podo-so consldoro-lo como umu meru mudonço no
oxposlçoo, como umo outro ospóclo do dlscurso, som quo por lsso
o roloçoo ontro ossos duos lormos do dlscurso sojo umo roloçoo
ossonclol; slm, otó podorlo porocor oncontror-so om umo ou outro
oxprossoo do Plotoo um ocono nosto sontldo. Protogoros, por oxom-
plo, oo proporor-so poro domonstror quo o vlrtudo podo sor onslno-
do, dlz: ¨Esto bom, Socrotos, ou noo guordorol lsto so poro mlm; mos
dovo domonstro-lo osslm como os volhos, quondo lolom com os
mols jovons, rovostlndo o provo com os lormos do um mlto, ou dovo
oxpó-lo numo dlssortoçoo¹¨ (Holso, p. 130. 320 c). E obsorvo, oo
tormlnor: ¨Asslm, Socrotos, domonstrol, do ombos os lormos, com
um mlto o com rozoos, quo o vlrtudo podo sor onslnodo¨ (p. 145,
328 c). Vomos com lsto quo oqul o oxposlçoo mitlco so dlloronclo
doquolo quo lnvostlgo os rozoos quonto oo sogulnto ospocto: o mitlco
ó consldorodo como olgo do lmporlolto o dostlnodo oos mols jovons.
E vomos quo ossos duos ospóclos do oxposlçoos noo ostoo om
roloçoo ontro sl, dodo quo o nocossldodo dolos so so tornorlo
comproonsivol numo unldodo suporlor, no quol olos, mosmo como
momontos dlscrotos, sorlom oporontos o rools. Estos duos ospóclos
do oxposlçoo noo soo vlstos om roloçoo ò ldólo, mos slm om roloçoo
oos ouvlntos, o soo como quo duos llnguogons, umo dos quols ó
monos ortlculodo, mols lnlontll o lrouxo, o o outro mols dosonvolvldo,
com orostos mols oguçodos o solldos; mos como olos noo soo vlstos
om roloçoo ò ldólo, podor-so-lo ontoo lmoglnor umo torcolro llnguo-
gom, umo quorto otc., o todo um sortlmonto do tols lormos do
oxposlçoo.
Acrosconto-so o lsso quo, sogundo osto concopçoo, o mlto osto
complotomonto sob o dominlo do oxposltor, pols ó llvro crloçoo dolo;
olo podo dolxor do lodo ou ocroscontor quolquor colso, conlormo lho
poroço sor mols provoltoso oos ouvlntos. Mos noo ó possivol colocor
os colsos osslm no quo so roloro oo mitlco om Plotoo. O mitlco tom
86
oqul umo slgnlllcoçoo multo mols prolundo, o o gonto so convoncoro
dlsto logo quo obsorvor quo u jormu mitìcu tem umu lìstorìu em
Plutdo. Nos prlmolros dlologos, mols ontlgos, o mitlco osto ousonto
do todo, o nosto coso o sou controrlo domlno sozlnho, ou ontoo osto
prosonto om llgoçoo com osto, o contudo, num outro sontldo som
llgoçoo com osto sou controrlo, o obstroto. Dopols, o mitlco dosopo-
roco complotomonto duronto todo um clclo do dlologos, nos quols o
dlolótlco osto prosonto, omboro o ostojo num sontldo complotomonto
dlloronto doquolo dos dlologos mols ontlgos; o llnolmonto o mitlco
torno o omorglr nos ultlmos trobolhos plotónlcos, poróm numo
llgoçoo mols prolundo com o dlolótlco. No quo tongo oo mitlco om
Plotoo, ou dovo, portonto, prlmolromonto rotornor òquolos dlologos
quo ocobol do dolxor. Nostos, com ololto, o mitlco so oncontro
vlnculodo oo sou oposto, ou sojo, com o dlolótlco obstroto. Asslm, p.
ox., om Gorgìus, ondo, dopols quo os sollstos combotorom com o
lurlo do dososporo, codo voz com monos ¨oconhomonto¨, ondo
ontoo, dopols do Polo tor suporodo Gorglos, o Collclos Polo om
lmportlnônclo, tudo so oncorro com umo oxposlçoo mitlco do ostodo
(do olmo) opos o morto
53
. Mos ontoo como so comporto oqul osto
mitlco¹ Pols ó ovldonto quo nossos dlologos noo so troto tonto do
umo llvro lnvonçoo do Plotoo, submlsso o obodlonto oo outor, quonto
do olgo quo o subropujo, do modo quo noo so dovo consldoror osto
oxposlçoo como subordlnodo o poro jovons ou poro ouvlntos monos
copozos, mos ontos como um prossontlmonto do olgo suporlor.
Stollboum
54
sltuo-so, om suo concopçoo do mitlco, monllosto-
monto no ponto do vlsto sugorldo oclmo. Em porto olo o consldoro
umo ocomodoçoo, ou, poro utlllzor umo oxprossoo cortomonto
coroctoristlco nosto contoxto, umo condoscondônclo, jo quo osto
polovro lndlco quo Plotoo, com o mitlco, dosco oo nivol dos ouvlntos,
onquonto nos odmltlmos quo o mitlco ó olgo do suporlor, slm, olgo
otó sltuodo oclmo do outorldodo subjotlvo do Plotoo; o om porto olo
coloco o mitlco om llgoçoo com o consclônclo populor, o quol, ontos
do Plotoo, guordovo o ldólo num tol lnvolucro. Entrotonto, nonhumo
dostos suos lntorprotoçoos ó lovodo o cobo com sullclonto ogudozo
otó umo dlloroncloçoo slgnlllcotlvo ontro o quo lol concobldo otrovós
do conclusoos roclonols o o quo lol prossontldo, ou otó umo doclsoo
vordodolromonto sotlslotorlo dos conllltos do lrontolro ontro o trodl-
çoo o Plotoo. Bour (op. clt., p. ºO-º8) vô nosto mitlco o trodlclonol,
o do rozoo o Ackormonn quondo osto coloco os pootos o os oroculos
no mosmo roloçoo poro com Plotoo, como os prolotos no Antlgo
Tostomonto, com rolorônclo oos opostolos o ovongollstos. Por um
lodo, sorlo proclso vor no mitlco do Plotoo o dovoto vonoroçoo, o
87
plododo llllol com quo olo obroçovo o consclônclo rollgloso do
possodo do suo potrlo; por outro lodo, vor umo nobro o momontônoo
dosconllonço lronto òs construçoos produzldos por olo, rozoo por
quo, ollos, no Republìcu, olo noo quor do monolro olgumo dor
nonhumo lol oo culto dlvlno, dolxondo lsto por conto do Apolo
dólllco. Ast
55
tom umo concopçoo mols comploto, so quo, proprlo-
monto, noo osto lundomontodo om obsorvoçoos, o noo oprosonto
tonto o corotor do umo oqulslçoo quonto o do um slmplos dosojo.
Tonto Ast quonto Bour porocom tor nogllgonclodo o lìstorìu
ìnternu quo o mitlco tom om Plotoo. Pols onquonto nos prlmolros
dlologos o mitlco ontro om cono om oposlçoo oo dlolótlco, no modldo
quo o dlolótlco sllonclo o o mitlco so loz ouvlr (ou molhor, vor), nos
ultlmos dlologos, oo controrlo, o mitlco osto numo roloçoo mols
cordlol com o dlolótlco, lsto ó, Plotoo so ossonhoro dolo, quor dlzor,
o mitìco se tornu o jìguruJo. E noo odlonto, como Bour, oxpllcor som
mols o mitlco como sondo o trodlclonol, o mostror Plotoo procurondo
um ponto do portldo numo outorldodo suporlor quo hovorlo no
pooslo o no oroculo, poro os vordodos ótlco-rollglosos; pols nos
prlmolros llvros do Republìcu ó rocusodo todo volldodo oos onunclo-
dos dos pootos, com os quols so polomlzo lortomonto o dos quols so
rojolto o concopçoo poótlco, dondo-so prolorônclo ò puro o slmplos
norrotlvo; slm, no dóclmo llvro do Ropubllco, Plotoo otó quor vor os
pootos longo do Estodo. Portonto, osslm som mols nom monos, osto
oxpllcoçoo noo odlonto. Sou corrotlvo nocossorlo osto contldo, on-
trotonto, no obsorvoçoo do metumorjose Jo mitìco om Plotoo. E nos
prlmolros dlologos quo lsto so oprosonto mols nltldomonto. Enquonto
oqul o dlolótlco do um rosultodo complotomonto obstroto o òs vozos
nogotlvo, o mitlco protondo lornocor multo mols. Mos so porguntor-
mos, ollnol do contos, o quo ó o mitlco, soro proclso rospondor quo
olo ó o ostodo do oxillo do ldólo, suo oxtorlorldodo, l.ó, suo tompo-
rolldodo o ospoclolldodo lmodlotomonto como tol. O mitlco nos
dlologos troz tombóm do ponto o ponto osto corotor. Os grondos
ospoços do tompo quo o olmo porcorro sogundo o oxposlçoo do
FeJro, o lnllnltudo ospoclol llustrodo no Gorgìus o no FéJon, on-
quonto oxposlçoo do oxlstônclo do olmo opos o morto, soo mltos. E
locll oxpllcor lsto. O dlolótlco dosomboroço o torrono do tudo o quo
lho ó ostronho o so oslorço ontoo por oscolor otó o ldólo, o como noo
tom sucosso, o lontoslo roogo. Consodo do trobolho dlolótlco, o
lontoslo so dolxo sonhor, o doi surgo o mitlco. Duronto osto sonho,
o ldólo llutuo, tronsltondo volozmonto numo sucossoo lnllnlto, ou
ostoclono o so oxpondo lnllnltomonto prosonto no ospoço. Dosto
modo, o mitlco ó o ontuslosmo do juntusìu oo sorvlço do ospoculoçoo
88
o, otó um corto grou, o quo Hogol chomo do pontoismo do lontoslo
56
.
Elo tom volldodo no lnstonto do contoto o noo ó posto om roloçoo o
nonhumo rolloxoo. A gonto so convoncoro dlsso quondo obsorvor o
Gorgìus o o FéJon. A oxposlçoo do oxlstônclo do olmo opos o morto
noo ó roloclonodo nom o umo rolloxoo hlstorlco quo busco sobor so
os colsos ocorrom roolmonto osslm, o so Eoco, Mlnos o Rodomonto
lo so oncontrom num trlbunol o julgom, o nom o umo rolloxoo
lllosollco quo porgunto polo vordodo dlsto tudo. So so podo coroc-
torlzor o dlolótlco quo corrospondo oo mitlco, doslgnondo-o como
otroçoo, dosojo, como oquolo movlmonto do olhor quo oncoro o
ldólo poro otroi-lo, ontoo o mitlco ó o obroço locundo do ldólo. A
ldólo dosco o llco llutuondo bolxo sobro o lndlviduo como umo
nuvom corrogodo do bônçoos.
Mos so no ostodo dosto lndlviduo so oncontro, om olgum
momonto, umo lroco lndlcoçoo, um longinquo prossontlmonto do
umo consclônclo, um mlstorloso o quoso lnoudivol sussurro, nosto
modldo subslsto oi, o quolquor lnstonto, umo posslbllldodo do quo o
mitlco solro umo motomorloso.
Com ololto, too logo surgo o consclônclo, mostro-so quo ostos
mlrogons noo orom, do quolquor modo, o ldólo. No modldo ontoo
quo o lontoslo, dopols quo o consclônclo dosportou, osplro novomon-
to o rotornor o ostos sonhos, o mitìco oporoco sob umo noou jormu,
lsto ó, como ìmugem. Pols ocorrou ogoro umo mudonço: o consclôn-
clo ossumlu quo o mitlco noo ó o ldólo o slm oponos um rolloxo do
ldólo. E osslm, crolo ou, quo so possom os colsos com os oxposlçoos
mitlcos nos dlologos construtlvos. Prlmolromonto o mitlco ó osslml-
lodo oo dlolótlco, noo mols osto om conlllto com osto, noo mols so
locho om sl mosmo do monolro soctorlo; olo oltorno com o dlolótlco
57
,
o dosto modo, tonto o dlolótlco quonto o mitlco soo olovodos o umo
ordom do colsos suporlor. O mitlco bom podo, por lsso, contor olgo
do trodlclonol. O trodlclonol ó como quo o conçoo do nlnor, quo
constltul um momonto quo portonco oo sonho; mos, bom rlgoroso-
monto, olo ó mitlco justomonto nos lnstontos om quo o ospirlto so
olosto poro longo o nlnguóm sobo do ondo vom ou poro ondo vol.
Podo-so tombóm chogor o umo consldoroçoo somolhonto do
mitlco, portlndo-so Jo jìguruJo. Com ololto, quondo, numo ópoco
rolloxlvo, o gonto vô numo oxposlçoo rolloxlvo oporocor o llgurodo
bom mols roromonto o dosporcobldo, como um lossll ontodlluvlono
o lombror umo outro ospóclo do lormo do vldo, ogoro vorrldo poro
longo polo duvldo, o gonto oi tolvoz so odmlro quo o llgurodo tonho
podldo dosomponhor olgum dlo um popol too grondo. Mos ò modldo
quo o lmogom so propogo mols o mols o lnclul om sl sompro mols
89
colsos, convldo o ospoctodor o ropousor nolo o o ontoclpor um gozo
quo o rolloxoo lnconsovol tolvoz vlosso o lho proporclonor opos
longos rodolos. E quondo ontoo llnolmonto o lmogom odqulro umo
tol omplltudo quo todo o oxlstônclo so torno vlsivol (porcoptivol) nolo,
oi tomos ontoo o mooìmento regressìoo rumo uo mitìco. Dlsto do
oxomplos lroquontomonto o lllosollo do noturozo, o osslm ó, p. ox.,
o proloclo do H. Stollons oo sou Kurìkuturen Jes Heìlìgsten (Corlco-
turos do Sontisslmo) umo tol lmogom grondloso, ondo o oxlstônclo
noturol so torno um mlto sobro o oxlstônclo do ospirlto. A lmogom
subjugo dosto modo o lndlviduo, quo pordo suo llbordodo, ou
molhor, morgulho num ostodo om quo noo ho mols roolldodo, pols
ogoro o lmogom noo ó o llvromonto produzldo, crlodo ortlstlcomonto.
E por mols ocupodo quo o ponsomonto ostojo procurondo vlsuollzor
os pormonoros, por mols ongonhoso quo sojo poro comblno-los, por
mols ogrodovol quo sojo o oxlstônclo quo olo oi so orgonlzo, mosmo
osslm olo noo osto om condlçoos do dlssoclor o todo do sl mosmo,
dolxondo-o mostror-so lovo o volotll no osloro do puro crloçoo
poótlco. lsto lol poro mostror do quo modo o mitlco tombóm so podo
lozor volor num lndlviduo lsolodo. O prototlpo dlsso dovo, noturol-
monto, tor-so lolto volor no dosonvolvlmonto dos noçoos, mos ó
proclso lombror quo lsto oponos contlnuo sondo um mlto onquonto
osto mosmo procosso so ropoto no consclônclo dos noçoos, os quols,
sonhondo, roproduzom o mlto do sou possodo. Codo tontotlvo do
tomor o mlto como hlstorlo ocobo mostrondo quo o consclônclo jo
dosportou o ocobo motondo o mlto. Asslm como o conto, o mlto so
lmporo no lusco-lusco do lontoslo, olndo quo noturolmonto olomon-
tos mitlcos possom multo bom consorvor-so duronto um poriodo do
tompo, dopols quo o lntorosso hlstorlco jo tonho dosportodo o quo o
lntorosso lllosollco jo tonho chogodo ò plono consclônclo.
So ó lsso o quo ocorro com o mitlco om Plotoo, ontoo noo ó
dllicll rospondor ò quostoo: portonco o mitlco o Plotoo ou o Socrotos¹
Eu crolo podor rospondor, om mou nomo o no dos loltoros: olo ndo
pertence o Socrotos. So o gonto lombror, oo controrlo, o quo o
Antlguldodo ollos tostomunho, quo lol do umo produtlvo vldo poótlco
quo Socrotos tlrou Plotoo, oos vlnto onos, chomondo-o poro um
obstroto conhoclmonto do sl
58
, ontoo docorto so torno bom noturol
ponsor quo o poótlco om suo otlvo posslvldodo o om suo posslvo
otlvldodo tlnho do so lozor volor om oposlçoo òquolo lomlnto dlolótlco
socrotlco, o quo lsto tlnho do so oprosontor mols lorto o lsolodomonto
noquolo produtlvldodo quo, ou oro contomporônoo do Socrotos, ou
polo monos o sogulu logo opos. Oro, ó osto tombóm o coso; pols o
mitlco ó mols obstlnodo o rocolcltronto om ollrmor sou dlrolto nos
90
prlmolros dlologos, onquonto nos dlologos construtlvos so submoto
oo suovo roglmo do umo consclônclo obrongonto. Por lsso, oquolos
quo tôm um conhoclmonto um pouco mols oprolundodo do Plotoo
cortomonto tombóm hovoroo do mo dor rozoo quondo coloco o lniclo
do Jesenooloìmento plutonìco, num sontldo mols ostrlto, no dlolótlco
quo oporoco no PurmênìJes o nos dlologos quo portoncom o osto
clclo o quo dosomboco nos construtlvos. Mos jo lol obsorvodo quo
o dlolótlco contldo nostos ultlmos ó ossonclolmonto dlstlnto do dloló-
tlco doscrlto otó oqul. O mitlco nos prlmolros dlologos, om roloçoo o
todo o dosonvolvlmonto plotónlco, dovo sor oncorodo portonto
como umo ospóclo do prooxlstônclo do ldólo, o so so rocolhor o quo
lol rossoltodo oqul, tolvoz so dovo chomor o mitlco, nos dlologos mols
ontlgos, o lruto noo-omodurocldo do ospoculoçoo, o dodo quo o
moturoçoo ó um procosso do lormontoçoo, bom quo o outôntlco
dlolótlco plotónlco postorlor podoro sor comporodo odoquodomonto
com osto procosso. Entrotonto, o rozoo por quo o lruto do ospoculo-
çoo jomols omoduroco totolmonto om Plotoo conslsto om quo o
movlmonto dlolótlco jomols so ocobo complotomonto.
Dovo ogoro porcorror ropldomonto u purte mitìcu do olguns
dlologos. Soro supórlluo lombror quo noo so podo chomor tol porto
do mitlco so porquo oi soo loltos rolorônclos o um ou outro mlto, pols
noo ó polo loto do so lntroduzlr um mlto numo oxposlçoo quo osto
oxposlçoo so torno mitlco, o multo monos polo loto do so utlllzor um
mlto, pols lsto provo justomonto quo so osto oclmo o por clmo dolo;
o olo noo so torno mitlco, do jolto nonhum, quondo so tronslormo o
mlto num objoto do ló, pols o mitlco noo so dlrlgo prlmolro oo
conhoclmonto, o slm ò lontoslo, olo oxlgo quo o lndlviduo nolo so
porco, o ó somonto quondo o oxposlçoo oscllo ontro o produçoo o o
roproduçoo do lontoslo quo o oxposlçoo ó mitlco. No 8unquete,
odmlto-so quo o oxposlçoo mitlco lnlclo-so com o norrotlvo do
Dlotlmo. Esto noo ó mitlco porquo oi so loz rolorônclo oo mlto do
Eros como gorodo por Poros o Ponlo; pols tombóm nos dlscursos
ontorloros noo hovlom sldo nogllgonclodos os sogos sobro o orlgom
do Eros.
Entrotonto, o dotormlnoçoo quo oqul ó dodo do Eros ó nogo-
tlvo, Eros ó um onto lntormodlorlo, noo ó rlco nom pobro. Ató oi,
olndo noo lomos mols olóm do quo no dosonvolvlmonto socrotlco.
Mos osto nogotlvo, quo ó o lnqulotudo otorno do ponsomonto, quo
dlloronclo o vlnculo, o quo o ponsomonto por lsso noo podo suston-
tor, porquo ó oqullo quo lmpulslono o ponsomonto, osto nogotlvo
dotóm-so oqul o dosconso dlonto do lontoslo o so oxpondo polo
lntulçoo. Nìsto conslsto o mitìco. Todo oquolo quo jo so ontrogou oo
91
ponsor obstroto toro porcobldo quoo sodutor ó quoror llxor ou
sustontor o quo proprlomonto noo ó, o noo sor no modldo quo ó
suporodo. Esto, poróm, ó umo tondônclo mitlco. O quo ocontoco,
com ololto, ó quo o ldólo ó llxodo sob dotormlnoçoos do tompo o
ospoço, ostos tomodos num sontldo totolmonto ldool

. Portonto, o
quo o oxposlçoo mitlco proporclono o mols do quo o movlmonto
dlolótlco doscrlto otó oqul ó quo olo loz o nogotlvo ser oìsto. Com
lsto, olo proporclono ontoo, num corto sontldo, monos, olo rotordo
o dosonvolvlmonto roclonol o so monllosto, noo como umo plonltudo
do um procosso comoçodo, mos slm como um comoço totolmonto
novo. Quonto mols quor ostondor o contomploçoo, quonto mols
plono quor lozô-lo, tonto mols olo mostro suo oposlçoo òquolo
dlolótlco moromonto nogotlvo, mos tombóm tonto mols olo so dlston-
clo do ponsomonto proprlomonto dlto, onconto o ponsomonto,
dolxo-o mlmodo o roloxodo. O sogundo ponto, com o quol o porto
mitlco dosto dlologo proporclono olgo mols do quo o porto dlolótlco,
ó quo olo oprosonto o belo como objeto Jo Eros. Dosto modo, tomos
ogoro umo outôntlco dlcotomlo plotónlco quo, como jo lol obsorvodo
ontos, podoco do todos os dlllculdodos dos dlcotomlos, no modldo
quo olo tom o nogotlvo loro do sl, o o unldodo, quo ó olconçodo,
jomols podo hlpostoslor-so. So so obsorvor mols do porto o quo
ocorro com o bolo, porcobo-so como olo so dospojo do umo quontl-
dodo do dotormlnoçoos oo longo do um movlmonto dlolótlco. O
objoto do omor ó, sucosslvomonto: bolos corpos - bolos olmos - bolos
comontorlos - bolo conhoclmonto - o bolo. O bolo ontoo ó dotorml-
nodo noo oponos nogotlvomonto como oqullo quo so mostroro numo
luz mols glorloso do quo o ouro, os vostldos, os bolos monlnos o
jovons, poróm Dlotlmo olndo ocrosconto: ¨Quo ponsomos ontoo quo
ocontocorlo so olguóm consogulsso contomplor o proprlo bolo, nitl-
do, puro, slmplos, o noo roploto do cornos humonos, do coros o
outros multos nlnhorlos mortols, mos o proprlo bolo dlvlno om suo
lormo unlco ossonclol¹¨ (Holso, p. 81, 8unq. 211 o). O mitlco
conslsto monllostomonto om quo o bolo om sl o poro sl dovo ser
contempluJo. E noo obstonto o oxposltoro jo tonho ronunclodo o
todos os lutllldodos olômoros o o todo oporoto llgurotlvo, ó ovldonto,
mosmo osslm, quo olo quor oxotomonto rotornor oo mundo do
lontoslo o lornocor o dropojomonto mitlco. Asslm ocorroro sompro
com Jus Dìng un sìcl (o colso om sl), so noo so pudor rojolto-lo o
rologo-lo oo llvro do osquoclmonto, o om voz dlsso, tondo-o dolxodo
loro do ponsomonto, so qulsor lozor o lontoslo componsor o lndonlzor
o pordo.
92
Esto ponto do vlsto lombro, noturolmonto, bostonto o kontlono.
Em poucos polovros procurorol oponos osslnolor u Jìjerençu. E bom
vordodo quo Kont ostoclonou nosto colso un sìcl (om sl), mos ou olo
porslstlo lnlotlgovol, com o ojudo do ponsomonto subjotlvo, no
tontotlvo do copto-lo, o umo voz quo oro olgo lmpossivol, lho rostovo
o grondo vontogom, ollos bostonto lrónlco, do contlnuor osporondo
poro sompro; ou olo o rojoltovo o trotovo do osquocô-lo. Quondo, oo
controrlo, quor òs vozos montô-lo, olo dosonvolvo o mitlco, o osslm,
p. ox., todo o suo concopçoo do ¨mol rodlcol¨ ó proprlomonto um
mlto. O mol, com ololto, quo o ponsomonto noo podo domlnor, ó
dolxodo loro dolo o tronsposto poro o lontoslo. No porto mitlco do
8unquete, portonto, o pooto Plotoo lmoglno om sonhos tudo oqullo
quo o dlolótlco Socrotos procurovo; no mundo dos sonhos o omor
lnlollz do lronlo oncontro o sou objoto. O loto do Plotoo colocor no
boco do Dlotlmo osto oxposlçoo noo ó sullclonto, docorto, poro
tronslormo-lo numo oxposlçoo mitlco; mos por outro lodo ó proprlo
do mitlco, como ogrodo ollos ò lontoslo, quo o objoto sojo dolxodo
do lodo do loro, sojo olostodo poro sor trozldo do novo do volto, osslm
como o gonto noo gosto do tor vlvonclodo possoolmonto um conto,
mos o ompurro poro bom longo do sl o com o oposlçoo oo lntorvolo
do tompo so oslorço poro tornor o prosonto do lontoslo tonto mols
otroonto. Tombóm Ast obsorvo, ollos, quo osto hlstorlo do Dlotlmo
noo posso do moro lnvonçoo, o o consldoroçoo do Bour, do quo
Plotoo torlo optodo polo lormo do oxposlçoo mitlco poro dor oo sou
lllosolomo um opolo posltlvo numo lormo lomlllor ò consclônclo
populor, oxpllco cortomonto domoslodo pouco, o concobo o roloçoo
do mitlco com Plotoo do monolro totolmonto oxtorlor.
So onollsormos o oxposlçoo mitlco do ostodo do olmo opos o
morto, tol como ó doscrlto no Gorgìus o no FéJon, oncontroromos
otó corto ponto umo doslguoldodo ontro os duos concopçoos. No
Gorgìus, Socrotos onlotlzo om multos possogons
60
quo ocrodlto nlsto,
o roconhoco suo ló nlsto om oposlçoo òquolos quo tolvoz vorlom oi
¨moros contos do corochlnho o o dosprozorlom¨; contudo tombóm
so porcobo nos oxprossoos sogulntos quo o quo mols lho lmportovo
oro sustontor o ldólo do justlço, mols do quo consorvor o mlto, jo quo
olo mosmo concobo sor noturol dosprozor tols norrotlvos so so
consoguo olgo molhor o mols vordodolro otrovós do lnvostlgoçoo.
Mols umo voz, o mitlco noo rosldo tonto no rolorônclo ò sogo do
Mlnos, Eoco o Rodomonto quonto no ollrmoçoo do julgomonto
porcoptivol ò lontoslo, tol como olo o roprosonto poro sl. No FéJon,
oo controrlo, o proprlo Socrotos sugoro o quo so posso com todo osto
concopçoo: ¨Entrotonto, protondor quo ossos colsos sojom no rooll-
93
dodo oxotomonto como os doscrovl, ols o quo noo soro proprlo do
um homom do bom sonso; mos cror quo ó umo colso osslm ou
somolhonto o quo so do com nossos olmos o suos morodos - porquo
o olmo ó ovldontomonto lmortol -, ols umo oplnloo quo mo poroco
boo o dlgno do conllonço. Bolo soro tor osto corogom! E proclso
ropotl-lo como umo lormulo moglco o ó - polovro! - por lsso quo ho
multo ostou o lolor nosso londo mltologlco¨ (Holso, p. 117, FéJ., 114
o). Aqul ó omprogodo tombóm o oxprossoo corroto, o do quo ó um
oto do corogom cror nossos colsos o do quo ó proclso ropotl-lo poro
sl como umo ovocoçoo moglco; pols o roprosontoçoo dos ospoços
do tompo numorosos o longos quo o olmo dovo porcorror conlormo
suo condlçoo, o ospoço onormo do mundo subtorrônoo om quo so
vô o olmo dosoporocor, conduzldo por sou domónlo, o noturozo
dlloronclodo dos pousodos, os ondos do Tortoro, quo jogom o olmo
no Coclto ou no Porlllogotonto, o rounloo dossos olmos no logo
Aquoruslo, do ondo chomom o grltom òquolos quo motorom ou
trotorom com vlolônclo - tudo lsso ó bom proprlomonto mitlco; mos
o mitlco rosldo no podor quo olo odqulro sobro o lontoslo, quondo,
quorondo-so lormulor polovros moglcos, ovocom-so os vlsoos quo
sobropujom o gonto. O ponsomonto ospoculotlvo quo por osslm dlzor
poo um pouco do ordom o clorozo nosto lusco-lusco ó o ldólo do
justlço dlvlno, do hormonlo no mundo do ospirlto, do quol o lol
noturol do unlvorso ó umo lmogom.
LIVRO I DA REPÚBLICA
Antos do possor o justlllcor o oscolho dossos dlologos quo
oxomlnol, ou olndo proclso lozor mols umo oscolho. Antos do obon-
donor o dotolho om Plotoo, o prlmolro llvro do Republìcu olndo dovo
tornor-so objoto do umo lnvostlgoçoo mols pormonorlzodo. Schlolor-
mochor, om suo lntroduçoo ò Republìcu, loz olgumos consldoroçoos
o rospolto do roloçoo dosto dlologo com os procodontos dlologos
ótlcos: ¨So quoromos comproondor porloltomonto o oplnloo do
Plotoo, noo podomos pordor do vlsto quo todo osto somolhonço do
nosso obro com os dlologos ótlcos mols ontlgos tombóm dosoporoco
oo llnol do prlmolro llvro ... Tombóm o mótodo so oltoro comploto-
monto; Socrotos noo oporoco mols porguntondo como o lgnoronto
quo lnvostlgo oponos o sorvlço do dous o lgnorônclo olndo molor,
poróm como um homom quo jo oncontrou, olo lovo conslgo, ò
modldo quo vol progrodlndo, os conhoclmontos jo odqulrldos numo
ostrolto conoxoo. Slm, mosmo quonto oo ostllo, somonto os prlmol-
ros dlscursos dos dols lrmoos, onquonto constltuom o tronslçoo,
94
comportom umo somolhonço com o porto ontorlor; dopols do quo,
noo ho nodo mols do osplondor dlologlco o do lronlo oncontodoro,
onquonto oponos vonco o conclso rlgor. Todo oquolo oporoto do
vlrtuosldodo mols juvonll brllho oqul olndo umo voz no comoço, o
so oxtlnguo ontoo poro sompro, poro roconhocor do monolro too cloro
quonto possivol quo todo o bolo o o ogrodovol dosto ospóclo so tom
o sou lugor no torrono do lllosollo, nos lnvostlgoçoos proporotorlos,
quo mols ostlmulom o lncltom, do quo lozom progrodlr o sotlslozom;
o quo, poróm, ondo dovo sor dodo umo oxposlçoo cooronto dos
rosultodos do lnvostlgoçoo lllosollco, tols ornomontos lrlom tor um
ololto quo mols dlstrolrlo do quo lorlo progrodlr¨. (Obros do Plotoo,
do Schlolormochor, 3ª porto, t.l, p. º o 1O.) Soro ontoo provoltoso
olndo umo voz nos domorormos nos oxomos do noturozo do oxpo-
slçoo
61
o ìn specìe (om portlculor) do suo roloçoo poro com o ldólo.
So noo so podo nogor, com ololto, quo ho umo dlloronço ossonclol
ontro osto prlmolro llvro do Ropubllco o os sogulntos, so so osto do
ocordo com Schlolormochor nos obsorvoçoos loltos por olo, ontoo o
ponsomonto rotorno mosmo òquolos prlmolros dlologos o ò lormo
dolos, quo soguromonto lorom lnlluonclodos por Socrotos, o osto
soçoo do Ropubllco lornocoro o ocosloo poro rotlllcor ìn compenJìo
(rosumldomonto), so possivol, os lnspoçoos ontorloros. Duos colsos
dovom sor obsorvodos oi ospoclolmonto: o prlmolro llvro noo ocobo
slmplosmonto sem rosultodo, conlormo o oplnloo do Schlolormo-
chor, mos ontos com um rosultodo negutìoo; o u ìronìu ó, oqul mols
umo voz, um momonto ossonclol.
Podomos ogoro, poro complotor, consldoror o lronlo, om porto
om suos monllostoçoos lsolodos, o om porto om sou oslorço dollnltl-
vo. Esto ultlmo ó noturolmonto o ponto copltol; mos noo obstonto,
noo soro som lmportônclo constotor quo mosmo suos monllostoçoos
lsolodos noo so oncontrom om nonhumo roloçoo com o ldólo o quo
o onlqulloçoo do lolso o do unllotorol noo ocontoco poro pormltlr quo
o vordodo oporoço, o slm poro comoçor do novo com outro colso
torto o unllotorol. Soro lmportonto, poro constotor quo mosmo us
munìjestuçoes ìsoluJus Ju ìronìu noo ronogorom suo orlgom o llllo-
çoo, o quo soo zolosos oscudolros, osploos ostutos o donunclontos
lnsubornovols, trobolhondo o sorvlço do suo sonhoro. Mos osto
sonhoro noo ó nlnguóm mols do quo u ìronìu totul quo, dopols quo
os poquonos botolhos lorom combotldos otó o llm, dopols quo todos
os olovoçoos lorom orrosodos, porcorro com o olhor o nodo totol,
tomo consclônclo do quo nodo mols rostou, ou molhor, quo so rostou
o nodo. Esto llvro l do Republìcu rocordo do monolro multo vlvo os
prlmolros dlologos. O llnol do dlologo lombro o Protúgorus, o orronjo
95
lntorno lombro o Gorgìus, o ho umo somolhonço quo solto oos olhos
ontro Trosimoco o Collclos. A lnsolônclo, quo Socrotos no Gorgìus
louvo no comportomonto do Collclos, o quol ollrmo torom sldo
voncldos Gorglos o Polo por noo torom tldo sullclonto otrovlmonto
poro dlzor quo o molorlo dos homons comportllhovo suo vlsoo do
quo ó molhor comotor lnjustlço dosdo quo doi so tlro vontogons, mos
quo so tom umo corto vorgonho do oxprossor lsto, o do quo tombóm
lorom os mols lrocos quo lnvontorom tols monobros do doloso - osto
lnsolônclo vomos rooncontror todo lntolro no comportomonto do
Trosimoco
62
. A monolro como Trosimoco, quo por multo tompo
oguordoro lmpoclonto o ocosloo do tomor o polovro, llnolmonto
ovonço quol umo tompostodo, lombro os ossoltos lmpotuosos do
Polo o Collclos, o o prlmolro porodo lrónlco do Socrotos - ¨oo ouvlr
lsto, llquol ostorrocldo; volvl os olhos no suo dlroçoo, otomorlzodo,
o poroco-mo quo, so ou noo tlvosso olhodo poro olo ontos do tor olo
olhodo poro mlm, torlo llcodo som voz. Mos nosto coso, quondo
comoçou o lrrltor-so com o nosso dlscussoo, lul ou o prlmolro o
olho-lo, do monolro quo lul copoz do lho rospondor. Dlsso, pols, o
tromor: Ó Trosimoco, noo to zonguos conosco¨ (Rep. 336, d o) -
rocordo umo posturo somolhonto no Gorgìus. A monolro mordoz
com quo Socrotos ovoslvomonto lludo o proposlçoo do Trosimoco,
do quo ¨o justlço noo ó outro colso do quo o convonlônclo do mols
lorto¨, oo lovontor o porgunto cótlco ¨so Polldomos, o lutodor do
poncroclo, quo ó mols lorto quo nos, so o olo convóm, poro o sou
lislco, comor corno do voco, tol ollmonto soro tombóm poro nos, quo
lho somos lnlorloros, convonlonto o justo oo mosmo tompo¹¨ (Rep.
338 c), ó umo onologlo lndubltovol com o monolro com quo Socrotos
rldlculorlzo o proposlçoo do Collclos do quo o mols lorto (l.ó, o do
molhor ontondlmonto, l.ó, o molhor) dovo rocobor o porto molor
63
.
A lronlo nosto prlmolro llvro do Republìcu ó o tol ponto oxtromodo
o lrrolroodo, jorro com umo tol oxuborônclo, rovolutolo too trovosso
o lndómlto, quo loz prossontlr quoo onormo vlgor tom do possulr
oquolo dlolótlco quo protondo contosto-lo; contudo, dodo quo todos
ostos oslorços noo ostoo om nonhumo roloçoo poro com o ldólo, os
sollstos o os ovoluçoos dos roclocinlos om todo osto prlmolro llvro
tôm umo corto somolhonço com os llguros grotoscos quo o gonto
podo vor num ¨Schottonsplol on dor Wond¨ (jogo do sombros). E
oposor do tudo, os sollstos conduzom todo osto coso com umo
sorlododo o um tol dlspôndlo do lorços quo lormom um grltonto
controsto com o nulldodo (lntetleJ) do rosultodo, o soro lmpossivol
dolxor do rlr quondo so ouvo Socrotos dlzor ¨Trosimoco, ontoo,
concordou com tudo lsto, noo com o locllldodo com quo ogoro ostou
o conto-lo, mos orrostodomonto o o custo, suondo ospontosomonto,
96
tonto mols quo oro no voroo¨ (Rep. 350 c d). As monllostoçoos
lsolodos do lronlo noo ostoo oqul, noturolmonto, o sorvlço do ldólo,
noo soo sous onvlodos, oncorrogodos do rounlr numo totolldodo os
portos dlsporsos; noo rounom, mos dlsporsom, o codo novo lniclo
noo ó o dosdobromonto do porto ontorlor, nom umo oproxlmoçoo
ò ldólo, mos llco som conoxoo mols prolundo com o porto ontorlor
o som roloçoo com o ldólo.
No quo tongo ogoro oo contoudo dosto prlmolro llvro, procu-
rorol dor um ponoromo too comploto quonto nocossorlo o too
compocto quonto mo lor possivol. Socrotos o Gloucon hovlom
doscldo otó o Plrou, poro ostorom prosontos ò losto dos Bondldolos.
Quondo rotornovom, o volho Cólolo mondou convldo-los poro umo
vlslto. Socrotos ocolto o convlto o logo so dosonvolvo um dlologo
ontro olo o Cólolo. Esto possogom ó multo toconto por sous tons
ldlllcomonto groclosos. Socrotos oxprlmo suo grotldoo polo loto do
o oncloo quoror ocupor-so com olo, posto quo oquolo quo jo trllhou
um longo comlnho do vldo dovo nocossorlomonto podor osclorocor
om multos ospoctos os quo oponos ostoo comoçondo o trllho-lo. A
proposlto do loto do quo Cólolo om porto hordoro o om porto
odqulrlro umo lortuno nodo dosprozivol, Socrotos otrol o otonçoo
poro o quostoo sogulnto: so o justlço om gorol conslsto no vordodo o
om rostltulr oqullo quo so dovo o olguóm, ou quo sobo noo so dorlo
o coso om quo sorlo lnjusto rostltulr o quo o gonto dovo. (Asslm, so
olguóm qulsosso dovolvor o um omlgo onlouquocldo oquolo ospodo
quo olo omprostoro quondo olndo ostovo no uso do suo rozoo.) Aqul
Cólolo lntorrompo o posso o convorso oos outros, o com lsto Polo-
morco, sou lllho o hordolro (o hordolro do dlscussoo), rotomo o llo.
Elo oprosonto o proposlçoo: ¨quo ó justo rostltulr o codo um o quo
so lho dovo¨, proclsondo olndo quo lsto slgnlllco lozor bom oos
omlgos o mol oos lnlmlgos, o lntorproto ¨o quo ó dovldo¨ como ¨o
quo convóm o codo um¨. Esto oxprossoo ¨o quo convóm¨ do ocosloo
o Socrotos poro dosonvolvor todo umo poslçoo cótlco, tomodo do
mundo do conhoclmonto, o ò modldo quo so mostro quo o dor o
codo um o convonlonto ó umo quostoo do compotônclo (conhocl-
monto tócnlco), o torrltorlo do justlço llco dollmltodo do monolro
multo rostrlto. Apos lsto, olo vlro o dlscussoo do tol modo quo so vô
quo o justlço so ó utlllzovol no noo utlllzovol. Trosimoco llcoro otó
ogoro slloncloso, mos oguordovo lmpoclonto o oportunldodo poro
lrrompor no dlscussoo, o ogoro ontoo orromoto com o vlolônclo do
um louco contro Socrotos, o dopols do dosobolor todo o suo lrrltoçoo
polos troços do Socrotos, docloro: ¨Allrmo quo o justlço noo ó outro
colso sonoo o convonlônclo do mols lorto¨. Socrotos oporontomonto
97
so dosconcorto, mos dopols do olgumos burlorlos, ospoclolmonto
dostlnodos o olostor o otonçoo do Trosimoco do quostoo prlnclpol,
lnlclo o mosmo totlco quo loro omprogodo com tonto sucosso contro
Polomorco. Mols umo voz Socrotos so roluglo no dominlo do conho-
clmonto. A polovro ¨o mols lorto¨ torno-so oqul o podro do tropoço.
Com ololto, quondo lsto ó comproondldo como o mols podoroso,
som lovor om conto so oi so troto do umo possoo portlculor ou do
podor do Estodo, dodo quo om ombos os cosos o lol do Estodo so
conto om lunçoo do vontogom proprlo, sorlo bom possivol, dodo quo
os loglslodoros noo soo lnlolivols, quo os lols, om voz do concorrorom
poro o molor bom dos podorosos, ocobom sondo-lhos projudlclols.
Entrotonto, Trosimoco ocrodlto podor olostor osto objoçoo, dosdo
quo so rolllto sobro o sogulnto: quo osslm como um módlco noo ó
módlco no quo so roloro oos sous orros, mos slm no roloronto òs suos
oçoos corrotos, osslm tombóm um govornonto, no vordodolro sontl-
do dosto oxprossoo, soboro dor tols lols quo om vordodo sorvom ò
suo vontogom proprlo. Trosimoco noo lolo portonto do um domlno-
dor puro o slmplos, mos slm doquolo quo num sontldo ostrlto, slm,
no sontldo mols ostrlto, ó domlnodor (¨no sontldo rlgoroso - o
govornonto no sontldo mols rlgoroso do tormo¨).
Contudo, justomonto lsto, quo o concolto sojo tomodo sensu
emìnentìorì (no sontldo mols rlgoroso), do o Socrotos ocosloo poro
umo novo duvldo; pols com o orto do comondo ocorro o mosmo
quo com quolquor outro orto, quondo olo ó oxorcldo om suo vordodo:
olo noo roconhoco nonhumo llnolldodo ostronho o olo, o so dlrlgo
llrmo o lnquobrontovol oo sou objotlvo, o tombóm, do monolro
olgumo, olho do osguolho poro o suo vontogom. Ató oi Socrotos tlnho
lovodo o dlscussoo, o noo so podo nogor o corroçoo do suo concop-
çoo proprlo do ondomonto do lnvostlgoçoo: ¨o dollnlçoo do justlço
so tlnho voltodo oo controrlo¨ (Rep. 343 o), quondo ontoo Trosimoco
ó tomodo por um novo otoquo do lurlo o como um possosso, pordldo
ogocontrlcomonto numo vortonto do polovros monologlco, dosobolo
numo novo torronto do lnsolônclo, como dlrlo Socrotos, o cujo
contoudo ossonclol conslsto om quo, quondo olo lolo do comotor
lnjustlço, olo noo quor dlzor com lsso quo tol dovo ocontocor nos
colsos mludos, multo polo controrlo, quonto molor o lnjustlço lolto,
quonto mols comploto olo lor, tonto mols vontojoso olo soro poro
oquolo quo comoto lnjustlço. Dopols do tor ocobodo osto dlotrlbo, olo
protondlo lr omboro, quondo ontoo os prosontos o lmpodlrom do
solr. Socrotos rotomo mols umo voz suo concopçoo ontorlor do quo
todo orto dovo sor concobldo om sou oslorço ldool o do quo ó proclso
olostor dolo os porosltos do toloologlo llnlto quo procurom ogorror-so
98
o olo. Codo orto tom suo llnolldodo ospocillco, suo utllldodo, quo noo
ó outro sonoo contrlbulr poro o bom doquolos quo soo conllodos oos
sous culdodos. Trosimoco montóm suo poslçoo o olndo oscloroco
quo o justlço noo ó outro colso sonoo lngonuldodo, onquonto o
lnjustlço ó lntollgônclo. Socrotos lovo ontoo Trosimoco o ostobolocor
quo o lnjustlço ó sobodorlo o vlrtudo. Dopols, Socrotos orlonto sou
dosonvolvlmonto no dlroçoo do proposlçoo do quo o lnjustlço ó
sobodorlo, o por molo do olgumos onologlos do osloro do conhocl-
monto dosolojo mols umo voz Trosimoco do trlncholro om quo olo
so sltuoro por tros do sou otrovldo porodoxo. O justo noo quor tor
mols do quo o justo, mos quor, lsto slm, tor mols quo o lnjusto; o
lnjusto quor tor vontogons lronto o ombos, lronto oo justo o oo lnjusto.
Um ortlsto noo quororlo tlror vontogom lronto o um outro ortlsto, mos
toro vontogom sobro quom noo o sojo; um módlco noo quororlo
oxcodor outro módlco, mos slm o quo noo ó módlco, o do um modo
gorol um homom compotonto noo quororo tor prolorônclo sobro
outro homom compotonto , mos slm, porloltomonto, sobro um lolgo.
O lolgo ou lncompotonto, polo controrlo, protondoro tor vontogom
tonto sobro o compotonto quonto sobro o lncompotonto. E portonto
o justo ó soblo o bom, o lnjusto ó lnsonsoto o mou.
Agoro os colsos ontrorom nos trllhos, o o quo soguo nosto llvro
noo ó porco no prodlcor tudo o quo ó possivol dlzor do bom o rospolto
do justlço. Tols prodlcodos, no ontonto, doscrovom mols do um modo
oxtorlor, dovom sor oncorodos como os rotrotos lolodos dos procu-
rodos poro prlsoo, quo dovom ojudor o oncontror os pogodos, mos
noo contóm dotormlnoçoos concoltuols. Por lsso, omboro olos colo-
quom o ponsomonto om movlmonto, dolxom-no llutuor no obstroto
o noo o lovom o ropousor no plonltudo posltlvo. Por lsso, quondo
Socrotos no conclusoo quor lozor Trosimoco rotlllcor o rosultodo:
¨Entooo jomols o lnjustlço soro mols vontojoso do quo o justlço, o
bom-ovonturodo Trosimoco¨, num corto sontldo so podo dosculpor
Trosimoco por suo rosposto dosdonhoso: ¨Rogolo-to lo com osto
monjor, o Socrotos, poro o lostlvol dos Bondldolos¨. Mos Socrotos
tom clorozo domols sobro o ondomonto do dlologo poro noo porco-
bor quo todo o modo do procodlmonto lol bostonto dossultorlo. Por
lsso olo tormlno com o obsorvoçoo: ¨Mos poroco-mo quo llz como
os glutoos, quo ogorrom numo provo do codo um dos protos, ò
modldo quo os sorvom, ontos do torom gozodo sullclontomonto o
prlmolro; tombóm ou, ontos do doscobrlr o quo procurovomos
prlmolro - o quo ó o justlço - lorgondo osso ossunto, proclpltol-mo
poro oxomlnor, o osso proposlto, so olo oro um viclo o lgnorônclo,
ou sobodorlo o vlrtudo; dopols, como surglsso novo orgumonto -
99
quo ó mols vontojoso o lnjustlço do quo o justlço - noo mo obstlvo
do possor doquolo ossunto poro osto; do tol monolro quo doi rosultou
poro mlm quo nodo llquol o sobor com osto dlscussoo. Dosdo quo
noo sol o quo ó o justlço, monos olndo soborol so so do o coso do olo
sor umo vlrtudo ou noo, o so quom o possul ó ou noo lollz¨ (Rep.
354 b c).
So lovormos om consldoroçoo o movlmonto roollzodo oo longo
do todo osto prlmolro llvro, quolquor um ho do concodor quo osto
movlmonto ndo ó o dlolótlco do ldólo, mos ontos so podorlo dlzor
quo o quostoo so dlolotlzo o portlr dos dlsporotos dos dobotodoros, o
quo osto prlmolro llvro luto por conqulstor o posslbllldodo do conso-
gulr rospondor, com onorglo ospoculotlvo, o quostoo: o quo ó o
justlço. E proclso ontoo dor rozoo o Schlolormochor quondo olo dlz
quo osto prlmolro llvro tormlno som rosultodo. Entrotonto, lsto
podorlo porocor olgo do complotomonto contlngonto. Com ololto, so
umo obro como o Republìcu do Plotoo, composto do doz llvros, nos
quols o dosonvolvlmonto do ldólo do justlço ó um objoto prlnclpol,
noo lornocosso lmodlotomonto o rosultodo, jo no prlmolro llvro, nodo
mols noturol.
Mos o colso noo ó osslm. A grondo dlloronço quo so do ontro
o prlmolro llvro o os sogulntos, o clrcunstônclo do quo o sogundo
llvro volto oo lniclo, lnlclo com o lniclo, noo podom sor pordldos do
vlsto. Adlclonomos o lsto o loto do quo o prlmolro llvro tomo
consclônclo do noo tor chogodo o um rosultodo o noo logo dosto
consclônclo, mos so ogorro o olo o ropouso nolo, ontoo noo podo sor
nogodo, do jolto nonhum, quo osto prlmolro llvro noo oponos tormlno
som rosultodo,
64
mos slm tormlno com um resultuJo negutìoo. E
como lsto ó lrónlco om sl o por sl mosmo, osslm tombóm o obsorvo-
çoo llnol do Socrotos troz um cunlo ìronìco lnconlundivol. So ou
ontoo otó oqul noo llquol dondo golpos no or, o lntorprotoçoo dosto
prlmolro llvro oncontroro sustontoçoo om tudo o quo lol dlto otó
ogoro, osslm como tombóm tudo o quo lol dlto ontos, no modldo
quo olndo ostovo llutuondo, oncontroro um opolo llrmo nosto ultlmo
lnvostlgoçoo; o todo o mlnho construçoo noo proclsoro por lsso, do
monolro nonhumo, llcor omooçodo do dosmoronor, dodo quo umo
porto oo mosmo tompo so opolo no outro o o sustonto.
Entrotonto, ou proclso dor o osto prlmolro llvro do Republìcu
um poso todo ospoclol. Plotoo, do umo ou outro monolro, dovo tor
tomodo consclônclo do dlloronço ontro osto prlmolro llvro o os
sogulntos, poróm, como todo um clclo do dlologos lntormodlorlos
noo oprosonto nonhumo somolhonço com o llvro l, Plotoo cortomon-
to tlnho umo lntonçoo, quolquor quo losso, oo oscrovô-lo. lsto, por
100
um lodo. E por outro lodo: osto prlmolro llvro rocordo justomonto os
prlmolros dlologos, os quols, num sontldo complotomonto dlloronto
dos postorloros, dovom tor ostodo sob o lnlluônclo o o otuoçoo
possool do Socrotos. O rosultodo dlsto ó quo nos podomos obrlr
comlnho, otrovós Jesses prlmolros dlologos o Jeste prlmolro llvro do
Ropubllco, do monolro mols soguro, poro umo concepçdo Je 5ocru-
tes.
Retrospectiva justificativa
No quo concorno ò oscolho dos dlologos, tlvo constontomonto
om vlsto oponos umo llnolldodo, quol sojo, opolor-mo noquolos
dlologos quo, do ocordo com o opìnìdo gerulmente uceìtu, mo
pudossom obrlr umo porspoctlvo, olndo quo porclol, poro vor o
5ocrutes reul. A molor porto dos ostudlosos tom ontoo, o poro mlm
lsto ó o prlnclpol, om suo dlvlsoo dos dlologos umo prlmolro closso,
quo todos olos colocom om ostrolto contoto com Socrotos, noo
oponos porquo lho soo tomporolmonto mols proxlmos, jo quo lsto
ollnol sorlo umo dotormlnoçoo complotomonto oxtorlor, mos tom-
bóm porquo ostos, quonto oo ospirlto, soo consldorodos os mols
oporontodos, som quo por lsso todos os ostudlosos os chomom,
como Ast, dlrotomonto socrútìcos
65
. Adomols, nom todos os ostudlo-
sos ostoo do ocordo o rospolto do quols dlologos dovorlom sor
ogrupodos nosto prlmolro closso, olndo quo todos consldorom Pro-
túgorus como um dostos, o o molorlo tombóm Gorgìus, o quo poro
mlm ó sullclonto. Ast locollzo lguolmonto FéJon ontro ostos prlmolros.
Quonto o lsto, o molorlo osto contro olo. Em componsoçoo, o molor
porto osto do ocordo, por suo voz, om otrlbulr oo 8unquete o oo
FéJon umo lmportônclo todo ospoclol no quo so roloro ò concopçoo
do Socrotos. Enquonto Ast so docloro contro o quo ontos lol opro-
sontodo do Schlolormochor, contro oquolo vlsoo sobro o vlnculoçoo
ontro o 8unquete o o FéJon, quo jo lol tocodo om sou rospoctlvo
lugor nosto nosso onollso, olo coloco, docorto, com sou protosto, um
obstoculo om sou comlnho; mos dodo quo olo conto o FéJon ontro
os dlologos ¨socrotlcos¨, ou posso, com olgumo modlllcoçoo, nosto
ponto sogulr Schlolormochor o oquolos quo so llgom o olo. A Apologìu
- nosto ponto o molor porto dos ostudlosos osto do ocordo - ó
otrlbuido umo slgnlllcoçoo hlstorlco om sontldo mols rlgoroso, o ou
tombóm otrlbulrol o olo, como ollos jo llz, um poso todo ospoclol.
Enllm, sob os ouspiclos do Schlolormochor, procurol gorontlr umo
lmportônclo proprlo, poro osto lnvostlgoçoo, oo prìmeìro lìoro Ju
Republìcu.
101
So ou ontoo, por um lodo, no oscolho dos dlologos tlvo dlonto
dos olhos os rosultodos dos posqulsodoros clontillcos, mo ocomodol
o olos tonto quonto mo oro possivol, busquol orrlmo nolos tonto
quonto mo pormltlrom, por outro lodo ou tombóm mo oslorcol poro,
otrovós do umo obsorvoçoo lmporclol do umo grondo porto do
Plotoo, cortlllcor-mo possoolmonto do corroçoo dossos rosultodos.
Quo lronlo o dlolótlco soo os duos grondos potônclos om Plotoo,
todos hoo do concodor; mos quo nolo so oncontrom umo Juplu
espécìe Je ìronìu o umo Juplu espécìe Je Jìulétìcu, tombóm noo so
podo nogor, do jolto nonhum. Ho umo lronlo quo ó oponos um
stìmulus poro o ponsomonto, quo o lmpulslono quondo olo so torno
sonolonto, o o dlsclpllno quondo so torno dosonlroodo. Ho umo
lronlo quo ó olo mosmo o oporonto o olndo ó o termìnus oo quol so
vlso. Ho umo dlolótlco quo om movlmonto lnlntorrupto sompro vlglo
poro quo o quostoo noo so dolxo cotlvor por umo concopçoo cosuol,
o, lnlotlgovol, osto sompro dlsposto o lozor o problomo vlr ò tono
quondo olo ó posto o plquo, om sumo, quo sompro sobo montô-lo
om susponso, o justomonto por molo dlsso o com lsso quor soluclonor
o problomo. Ho umo dlolótlco quo, portlndo dos ldólos mols obstro-
tos, quor lovo-los o so dosonvolvorom om dotormlnoçoos mols con-
crotos, umo dlolótlco quo com o ldólo quor construlr o roolldodo.
Flnolmonto, ho olndo um olomonto om Plotooo quo ó um suplomon-
to nocossorlo poro oqullo quo lolto noquolos duos grondos potônclos.
E o mitìco o o jìguruJo. A prlmolro ospóclo do lronlo corrospondo o
prlmolro ospóclo do dlolótlco, ò sogundo ospóclo do lronlo, o sogundo
ospóclo do dlolótlco; òs duos prlmolros, o mitlco, òs duos ultlmos, o
llgurodo, todovlo do tol modo quo o mitlco noo osto numo roloçoo
nocossorlo poro com os duos prlmolros o monos olndo poro com os
duos ultlmos, mos ontos ó como umo ontoclpoçoo provocodo polo
unllotorolldodo dos duos prlmolros, ou como um momonto do
possogom, um conjìnìum, quo proprlomonto nom portonco o umo
porto o nom ò outro.
Duos suposlçoos soo oqul possivols. Do ocordo com o prlmolro,
ó proclso supor quo ostos pontos do vlsto sltuom-so Jentro do roglstro
plutonìco, o quo Plotoo prlmorlomonto oxporlmontou om sl o prlmol-
ro ostodlo, dolxou quo osto so dosonvolvosso om sl otó o sogundo
ostodlo comoçor o so ollrmor, o dopols do so tor oi dosonvolvldo
sucosslvomonto, ocobou por dosolojor complotomonto o prlmolro;
pols o prlmolro ostodlo noo ó ossumldo no sogundo; no sogundo,
tudo ó novo. So so qulsor otrlbulr o Plotoo ombos os pontos do vlsto,
soro proclso coroctorlzor o prlmolro como cotlclsmo, como umo
ospóclo do lntroduçoo, quo no ontonto noo conduz poro dontro do
102
colso, como um lmpulso quo no ontonto noo otlngo o moto. Acros-
conto-so o lsto quo dosto monolro noo so loz justlço oo prlmolro ponto
do vlsto, pols noo so pormlto quo osto so consolldo lntorlormonto, o
so o suprlmo too logo quonto possivol, poro oxocutor o tronslçoo oo
sogundo tonto mols locllmonto. Mos oo lozor lsto, so oltoro o lonó-
mono, o noo o lozondo, llco tonto molor o dlllculdodo do dor o ombos
um lugor prlmltlvo om Plotoo. Alóm dlsso, o slgnlllcoçoo do Socrotos
llco complotomonto dolxodo do lodo o osto hlpotoso do lntorprotoçoo
ontrorlo om choquo com o hlstorlo, jo quo dosto modo tudo o quo
Plotoo torlo por ogrodocor o Socrotos sorlo o nomo do Socrotos, o
quol cortomonto dosomponho om Plotoo um popol too ossonclol
como, o sogulrmos osso concopçoo, roprosontorlo um popol puro-
monto cosuol. Ou entdo ó proclso supor quo um dostos pontos do
vlsto portonco prìmurìumente u 5ocrutes o socundorlomonto o Plo-
too, o quo portonto Plotoo moromonto o roproduz. - Quol dossos
dols pontos do vlsto portoncorlo ontoo o Socrotos, sobro lsto noo
podo hovor nonhumo duvldo. Tom do sor o prlmolro. Suos corocto-
ristlcos ospocillcos soo, conlormo jo lol lndlcodo mols oclmo, o lronlo
om sou empenlo totul
66
, u Jìulétìcu om suo otlvldodo negutìoumente
lìbertuJoru
67
.
So por ocoso, ontoo, nos poglnos ontorloros, olndo noo mo lol
possivol justlllcor sullclontomonto osto ponto do vlsto o portlr do
Plotoo, o rozoo - olóm noturolmonto doqullo quo so dovo ò mlnho
proprlo lolto do opllcoçoo - osto om quo Plotoo oponos reproJuz osto
ponto do vlsto. Entrotonto, quonto molor losso o lnlluônclo oxorcldo
nocossorlomonto polo lronlo sobro umo sonslbllldodo poótlco como
o do Plotoo, tonto mols dllicll sorlo poro olo oxpllcor-so osto lnlluônclo
o roproduzlr o lronlo om suo totolldodo, o nosto roproduçoo obstor-so
do todo ocrósclmo do um contoudo posltlvo o ossoguror-so do quo
olo noo so tornorlo nosto ponto do vlsto oqullo quo olo mols tordo ó
nolo, umo potônclo nogotlvo oo sorvlço do umo ldólo posltlvo. So os
colsos soo osslm como dlgo, tombóm so porcoboro como lol corroto
o procodlmonto, ontorlormonto sugorldo, do lntorprotor oquolos
oxprossoos dos prlmolros dlologos quo oscllom ontro um ponto do
vlsto posltlvo o um nogotlvo como centellus prooìsorìus olndo
ombiguos, o o porto mitlco dossos dlologos como umo untecìpuçdo,
o do ollrmor quo o plutonìsmo proprìumente Jìto comoço com
oquolo clclo do dlologo o quo portoncom o PurmênìJes, o Teeteto,
o 5ojìstu o o Polìtìco.
Umo dlllculdodo quo olndo subslsto poro mlm ó quo, noturol-
monto, so otrovós do umo obsorvoçoo rollotldo ó possivol concobor
corrotomonto o prlmolro ponto do vlsto, posto quo o roproduçoo
103
plotónlco noo osto totolmonto lsonto do umo corto olucldoçoo duplo.
lsto so dolxo oxpllcor tonto mols locllmonto quonto ocorro ontro
lronlo o um ponsomonto subjotlvo umo ongonodoro somolhonço. No
quo tongo, om prlmolro lugor, o umo porsonolldodo o ò suo roloçoo
com umo outro porsonolldodo, no modldo quo osto ó llbortodoro, ó
ovldonto quo tol roloçoo podo sor om porto nogotlvomonto o om porto
posltlvomonto llbortodoro, como jo lol mostrodo ontos. No modldo
quo o lronlo corto os omorros quo rotlnhom o ospoculoçoo, ojudo o
ompurro-lo poro loro dos boncos do orolo ompirlcos o o lozor com
quo olo so ovonturo mor oloro, tomos oi umo otuoçoo nogotlvomonto
llbortodoro. A lronlo ndo estú nem um pouco lntorossodo no oxpo-
dlçoo. No modldo, poróm, quo o lndlviduo ospoculonto sonto-so
llbortodo o umo grondo rlquozo so oprosonto dlonto do sous olhos,
locllmonto olo poJerú oìr u crer quo tudo lsto tombóm ó dovldo ò
lronlo, o o grotldoo quo olo sonto podo dosojor quo olo so consldoro
dovodor ò lronlo por tudo. Ató um corto ponto ho olgumo vordodo
nosto conlusoo, no modldo quo noturolmonto todo proprlododo
osplrltuol so oxlsto om roloçoo com o consclônclo quo o possul. Tonto
no ponto do vlsto do ìronìu como tombóm no do ponsomonto
subjetìoo, umo personulìJuJe pormonoco um ponto Je purtìJu
necessúrìo; om ombos os cosos, o otuoçoo dosto porsonolldodo vom
o sor llborodoro, mos o otuoçoo do lronlo ó nogotlvo o, oo controrlo,
o do ponsomonto ó posltlvo. Por lsso, Plotoo oxorcou umo lnlluônclo
llborodoro junto oos sous dlscipulos num sontldo dlloronto do do
Socrotos junto o olo; contudo, tombóm poro os dlscipulos do Plotoo
hovlo umo nocossldodo do lnclui-lo om sou ponsor, porquo o ospo-
culoçoo dolo llcou unlcomonto subjotlvo, o olo noo so rocolhou ò
sombro poro dolxor quo o ldólo so movosso o sl proprlo dlonto dos
ouvlntos. No ontonto, osto roloçoo ontro Plotoo o Socrotos noo
pordurou sompro; mols tordo olo noo contlnuou tonto sondo llborto-
do por Socrotos, quonto so llbortou o sl mosmo, omboro suo momo-
rlo losso llol domols, suo grotldoo domoslodo ordonto poro quo olo
pudosso jomols osquocô-lo. Todovlo, omboro Socrotos olndo pormo-
noço o porsonogom prlnclpol nos dlologos construtlvos, osto Socrotos
ó somonto umo sombro doquolo quo oporoco nos prlmolros dlologos,
umo rocordoçoo o, por mols coro quo olo sojo, Plotoo ogoro polro
llvromonto sobro olo o olo o crlo llvro o pootlcomonto.
No quo tongo ò lormo, o Jìúlogo ó lguolmonto nocossorlo puru
umbos os pontos Je oìstu. Com ololto, olo lndlco o ou o suo roloçoo
poro com o mundo, mos no prlmolro coso troto-so do ou quo
constontomonto dovoro o mundo, o no sogundo, do ou quo quor
ossumlr o mundo; no prlmolro coso, sous dlscursos o olostom
104
constontomonto do mundo, o no sogundo, o lntroduzom constonto-
monto nolo; no prlmolro ponto do vlsto olo ó umo porgunto quo
consomo o rosposto; no sogundo, umo porgunto quo dosonvolvo o
rosposto. Quonto oo mótodo, tomos oqul o dlolótlco: om umbos os
pontos do vlsto, umo Jìulétìcu ubstrutu. Como tol mótodo, o dlolótlco
noturolmonto noo osgoto o ldólo. O quo rosto oo llnol ó, num dos
pontos do vlsto, o nodo, lsto ó, o consclônclo nogotlvo no quol o
dlolótlco obstroto ó ossumldo; o no outro, um olóm, umo dotormlno-
çoo obstroto, mos sustontodo posltlvomonto. Polo quo, o lronlo osto
poro olóm do ponsomonto subjotlvo, ultropossou-o no modldo quo
olo ó um ponto do vlsto ocobodo quo so volto poro sl mosmo; oo
controrlo, o ponsomonto subjotlvo tom umo lrogllldodo, umo lroquo-
zo, otrovós do quol um ponto do vlsto suporlor tom do so oloboror.
Num outro sontldo o lronlo ó um ponto do vlsto subordlnodo, no
modldo quo coroco do posslbllldodo, no modldo quo pormonoco
lnocossivol o quolquor convlto, noo quor vlr o compromotor-so com
o mundo, mos so bosto o sl mosmo. Posto quo ombos os pontos do
vlsto soo pontos do vlsto subjotlvos, ombos so sltuom noturolmonto,
otó um corto ponto, no osloro do ¨lllosollo do oproxlmoçoo¨, so quo
som so pordorom nlsto, com o quo ollos so robolxorlom o pontos do
vlsto complotomonto ompirlcos. Entrotonto, oqullo polo quol um dos
pontos do vlsto ultroposso o roolldodo ó o nogotlvo, ó o nogoçoo,
ossumldo no consclônclo, do volldodo do oxporlônclo; o outro tom
um posltlvo om lormo do umo dotormlnoçoo obstroto. Um dolos
rotóm poro tros o rocordoçoo, nogotlvomonto, om oposlçoo oo
movlmonto do vldo; o sogundo montóm o rocordoçoo dlonto do sl
jorrondo sobro o roolldodo
68
.
Oro, vondo-mo too ocupodo om mostror o posslbllldodo dosto
mol-ontondldo, om dosonvolvor mlnho lnvostlgoçoo o portlr dosto
mo-comproonsoo, tolvoz um ou outro loltor vonho o ponsor, com um
pouqulnho do lronlo, quo tudo lsto ó um mul-entenJìJo do mìnlu
purte o quo tudo noo posso do olormo lolso. A dlllculdodo quo um
tol loltor tom om monto ó, docorto, o do oxpllcor como so podorlo
ponsor quo Socrotos tlvosso mlstlllcodo Plotoo, do modo o osto
comproondor sorlomonto o quo Socrotos dlssoro lronlcomonto. Slm,
podorlom colocor-mo dlllculdodos olndo moloros, trozondo ò lom-
bronço quo Plotoo, ollnol do contos, ontondlo roolmonto multo do
lronlo, o quo sous ultlmos oscrltos bom mostrom. No quo tongo o
osto ultìmu objeçdo, rospondorol quo oqul noturolmonto noo so troto
do monllostoçoos portlculoros do lronlo, mos slm do lronlo socrotlco
om sou omponho totol. Mos poro podor concobor o lronlo dosto tlpo,
ho quo tor umo dlsposlçoo osplrltuol suì generìs quo so dlstlnguo
105
quolltotlvomonto do quolquor outro. Em ospoclol, um ônlmo poótlco
rlco osto multo pouco proporodo poro comproondô-lo, do monolro
como olo so oprosonto osslm sensu emìnentìorì (no sontldo mols
lorto), onquonto, oo controrlo, umo tol dlsposlçoo osplrltuol podo
multo bom sontlr-so tocodo por suos monllostoçoos portlculoros, som
prossontlr o lnllnltudo quo oqul so oculto, podo brlncor com olos som
nom do longo lmoglnor o domónlo monstruoso quo hoblto os sitlos
dosortos o orldos do lronlo.
Quonto ò prìmeìru objeçdo, ou rospondorlo, om porto, quo
sompro sorlo multo dllicll poro um Plotoo ontondor complotomonto
Socrotos, o om porto - o ó o mlnho rosposto prlnclpol -, quo noo so
dovo ollnol procuror om Plotoo umo roproduçoo puro o slmplos do
Socrotos, o quo lsto noo toro ocorrldo o nonhum loltor do Plotoo.
Mos so Plotoo, conlormo concordo o molorlo dos ostudlosos, noo
oprosonto umo moro roproduçoo do Socrotos, o slm umo crloçoo
poótlco dosto llguro, ontoo oi jo osto tudo o quo so podo dosojor poro
doscortor oquolo dlllculdodo. Pols, so do clrcunstônclo do quo Plotoo
nos dlologos do volhlco poo os polovros no boco do Socrotos, noo so
podo do monolro nonhumo conclulr quo o dlolótlco do Socrotos oro
roolmonto do mosmo noturozo doquolo quo so oncontro no Purmê-
nìJes, ou quo sou dosonvolvlmonto concoltuol losso do mosmo tlpo
do quo so oncontro no Republìcu, tompouco so ostorlo outorlzodo o
conclulr, portlndo do oxposlçoo quo so oncontro nos prlmolros
dlologos, quo o ponto do vlsto do Socrotos no roolldodo tonho sldo
oxotomonto lguol oo quo osto oscrlto. - Alguns loltoros jo ostorlom
om condlçoos do roconhocor lsto, tolvoz otó oguordondo um tonto
lmpoclontomonto quo ou troto do tormlnor logo ostos consldoroçoos,
poro mo podorom opllcor umo noou objeçdo. So ou, com ololto,
oslorcol-mo no lnvostlgoçoo procodonto por domonstror nos dlologos
portlculoros osto omponho totol do lronlo, Plotoo tombóm o dovo tor
comproondldo, posto quo lsto so dolxo doscobrlr om suo oxposlçoo.
Quo o sogulnto slrvo do rosposto: om porto, ou oponos procurol, com
o lnvostlgoçoo procodonto, tornur possioel mlnho concopçoo do
Socrotos. Por lsso, om multos possogons, montlvo om susponso o
concopçoo, lndlcondo quo o colso tombóm podorlo sor ponsodo do
outro monolro. E om porto, orgumontol prìncìpulìter (prlnclpolmonto)
com o Apologìu. Mos nosto so tom, do ocordo com o oplnloo do
molorlo, umo roproduçoo hlstorlco do roolldodo do Socrotos; o
contudo, olndo no quo tongo o olo, ou proclsol como quo ovocor o
ospirlto do lronlo, lozor com quo olo tomosso lormo o so mostrosso
om suo totolldodo.
106
XENOFONTE E PLATÃO
So o gonto qulsosso oxprossor om poucos polovros o concopçoo
do Socrotos sogundo Plutdo, podor-so-lo dlzor quo osto lho do o ldólo.
Ondo tormlno o omplrlo ó quo Socrotos comoço, suo otlvldodo
conslsto om trozor o ospoculoçoo poro loro dos dotormlnoçoos do
llnltudo, pordor do vlsto o llnltudo o novogor rumo oo mor olto, lo
ondo o oslorço ldool o o lnllnltudo ldool noo roconhocom nonhumo
consldoroçoo olholo, mos soo poro sl mosmos o llm lnllnlto. Asslm
como por lsso o porcopçoo lnlorlor ompolldoco oo lodo doquolo
conhoclmonto suporlor, o so torno mosmo um ongono, um doson-
gono om comporoçoo com olo, osslm tombóm quolquor consldoro-
çoo com um llm llnlto torno-so umo doprocloçoo, umo prolonoçoo
do sogrodo. Em sumo, Socrotos gunlou u ìJeulìJuJe, conqulstou
ossos lmonsos rogloos quo otó ontoo orom umo terru ìncognìtu (torro
dosconhocldo). Elo dosprozo por lsso o provoltoso, ó lndlloronto com
o ordom ostobolocldo, um lnlmlgo docldldo do modlocrldodo quo,
no nivol do omplrlo, ó objoto do umo dovoto vonoroçoo como o quo
ho do mols olto poro osto, mos quo poro o ospoculoçoo ó um
monstrlnho quo os duondos dolxorom no lugor do crlonço. So o gonto
lombror ogoro, por outro lodo, o rosultodo o quo chogomos otrovós
do ostudo do Xonolonto, o quo oi oncontromos Socrotos numo
ossiduo otlvldodo como um opostolo do jìnìtuJe, como um zoloso
propogondlsto do modlonlo, lnlotlgovolmonto rocomondondo sou
ovongolho torrostro, loro do quol noo ho solvoçoo, o quo oi oncon-
tromos om voz do vordodolro o ordom ostobolocldo, om voz do
slmpotlo o lucro, om voz do unldodo hormónlco o sobrlododo
prosolco, o gonto ho do concodor ontoo quo ostos duos concopçoos
noo so cosom bom. Ou so proclsorlo ocusor Xonolonto do umo totol
orbltrorlododo, do um odlo lncomproonsivol o Socrotos, quo buscovo
umo sotlsloçoo numo tol molodlcônclo; ou so proclsorlo otrlbulr o
Plotoo umo ldlosslncroslo lguolmonto onlgmotlco om roloçoo oo sou
oposto, quo so roollzorlo do monolro lguolmonto lnoxpllcovol om
tronslormondo osto sou controrlo num sou somolhonto. So qulsormos
ogoro por um lnstonto dolxor o roolldodo do Socrotos como umo
grondozo dosconhocldo, podo-so dlzor quonto o ostos duos concop-
çoos quo Xonolonto, como um dono do morcoorlo, oloroco o sou
Socrotos mols boroto o quo Plotoo, como um ortlsto, crlo o sou
Socrotos om dlmonsoos sobronoturols. Contudo, como lol Socrotos
roolmonto, quol lol o ponto do portldo poro o suo otlvldodo¹ A
rosposto o osto quostoo noturolmonto proclso ojudor-nos oo mosmo
tompo o solr do um oporto om quo otó ogoro ostlvomos troncodos.
107
A rosposto ó o sogulnto: u exìstêncìu Je 5ocrutes ó ìronìu. Asslm como
osto rosposto, sogundo crolo, suprlmo o dlllculdodo, osslm tombóm
o clrcunstônclo do olo suprlmlr o dlllculdodo loz com quo olo sojo o
rosposto corroto, do modo quo olo so mostro oo mosmo tompo como
hlpotoso o como o vordodolro. Pols o ponto, o troço quo loz com
quo o lronlo sojo lronlo ó oxtromomonto dllicll do coptor. Com
Xonolonto podo-so por lsso do bom grodo odmltlr quo Socrotos
gostovo do porombulor o lolor com todo tlpo do gonto, porquo
quolquor colso ou ovonto oxtorlor sorvo do protoxto ou ocosloo poro
oquolo lrónlco quo tom sompro umo rosposto pronto; com Plotoo,
podo-so do bom grodo dolxor Socrotos tocor o ldólo, so quo o ldólo
noo so obro poro olo, sondo, polo controrlo, um llmlto. Codo um
dostos dols oprosontodoros procurou, noturolmonto, completur o
que jultuou om Socrotos, Xonolonto puxondo-o poro bolxo otó os
porogons rostolros do utllltorlo, Plotoo olovondo-o otó os rogloos
suprotorrostros do ldólo. Mos o ponto quo so sltuo no molo, lmpor-
coptivol o oxtromomonto dllicll do llxor, ó o lronlo. Por um lodo,
justomonto o multlpllcldodo do roolldodo ó o olomonto proprlo do
roolldodo, otóroo, constontomonto olo oponos toco o torro; mos dodo
quo o rolno proprlomonto dlto do roolldodo olndo lho ó ostronho, olo
olndo noo omlgrou poro osto rolno, mos osto, por osslm dlzor, o todo
lnstonto pronto poro morchor. A ìronìu oscìlu ontro o ou ldool o o ou
ompirlco; um lorlo do Socrotos um lllosolo; o outro, um sollsto; mos
o quo o loz sor mols do quo um sollsto ó o loto do quo sou ou ompirlco
tom volldodo unlvorsol.
ARISTÓFANES
A concopçoo do Arlstolonos lornocoro oxotomonto o controsto
nocossorlo ò do Plotoo, o justomonto com osto controsto concrotlzoro
o posslbllldodo do um novo comlnho poro nossos pondoroçoos. Slm,
sorlo mosmo umo grondo locuno so nos loltosso suo ovolloçoo do
Socrotos; pols osslm como todo dosonvolvlmonto om gorol ocobo
por porodlor o sl mosmo, o umo tol porodlo ó o cortozo do quo osto
dosonvolvlmonto sobrovlvou o sl mosmo, osslm tombóm o concop-
çoo cómlco ó um momonto, do multos monolros um momonto
lnllnltomonto rotlllcodor dontro do totol vlsuollzoçoo do umo porso-
nolldodo ou do umo tondônclo. Por lsso, so so coroco tombóm do
tostomunho lmodloto sobro Socrotos, o so so coroco otó do umo
concopçoo totolmonto conllovol dolo, tom-so polo monos, om com-
108
ponsoçoo, todos os dlvorsos nuoncos do mol-ontondldos, o no coso
do umo porsonolldodo tol como o do Socrotos, ou crolo quo com lsto
ostomos multo bom sorvldos. Plotoo o Arlstolonos tôm, ontoo, lsto
om comum: suos oxposlçoos soo ìJeuìs, mos om roloçoo rociproco,
lnvorso, pols Plotoo tom o ldoolldodo trúgìcu, o Arlstolonos o comìcu.
O quo torlo movldo Arlstolonos o concobor Socrotos dosto monolro,
o so olo torlo sldo subornodo poro lozor lsto polos ocusodoros do
Socrotos, so olo torlo llcodo omorgurodo dovldo ò roloçoo do omlzodo
quo Socrotos montlnho com Euripodos, so olo torlo combotldo nolo
os ospoculoçoos do Anoxogoros sobro o noturozo, so olo o torlo
ldontlllcodo com os sollstos, om sumo, so olo torlo tldo olgum motlvo
llnlto o torrono quo o dotormlnou o lozô-lo, tudo lsto noo tom
obsolutomonto nodo o vor om nosso lnvostlgoçoo; o no modldo quo
osto dovosso dor umo rosposto o tols quostoos, proclsorlo sor notu-
rolmonto umo rosposto nogotlvo, dodo quo nosso lnvostlgoçoo so
docloro convoncldo do quo o concopçoo do Arlstolonos ó ldool, com
o quo olo osto llvro do todo o quolquor consldoroçoo dosto tlpo, noo
rostojo polo torro, mos sobrovoo llvro o lovo. Concobor oponos o
roolldodo ompirlco do Socrotos, oprosonto-lo no cono tol quol olo oro
no vldo, torlo ostodo obolxo do dlgnldodo do Arlstolonos o torlo
tronslormodo suo comódlo num poomo sotirlco; por outro lodo,
ldoollzo-lo numo tol modldo quo olo ollnol so tornosso lrroconhocivol,
torlo llcodo complotomonto loro do lntorosso do comódlo grogo. Quo
osto sogundo hlpotoso noo ocorrou, o proprlo Antlguldodo nos
tostomunho, pols olo roloto quo o oprosontoçoo dos Nuoens lol
honrodo com o prosonço do critlco quo nosto ossunto oro o mols
rlgoroso, o proprlo Socrotos, o quol, poro dlvorsoo do publlco,
lovontou-so duronto o roprosontoçoo, o llm do quo o multldoo
rounldo no tootro pudosso convoncor-so do somolhonço dovldo. Quo
umo tol concopçoo oponos oxcontrlcomonto ldoollzodo noo convlrlo
do monolro olgumo oo lntorosso do comódlo grogo, quonto o lsto
tombóm so doro rozoo

oo porsplcoz Rötschor, quo doscrovou do
monolro too oxcolonto como o ossônclo do comódlo rosldlo justo-
monto om concobor ìJeulmente u reulìJuJe, om colocor om cono
umo porsonolldodo rool, poróm do tol monolro quo olo losso vlsto
como roprosontonto do ldólo, rozoo por quo, ollos, om Arlstolonos so
oncontrom os trôs grondos porodlgmos cómlcos, Cleonte, EuripeJes,
5ocrutes, cujos possoos roprosontom comlcomonto os tondônclos do
sou tompo om suo tripllco dlroçoo.
Por lsso, como o concopçoo do roolldodo, oxoto otó os monoros
dotolhos, proonchlo o dlstônclo ontro os ospoctodoros o o tootro,
osslm tombóm o concopçoo ldool tornovo o olostor ossos duos
109
potônclos ontro sl, como, ollos, sompro dovo tor lolto no orto. Quo
Socrotos ontoo roolmonto om suo vldo dovo tor olorocldo multos
ospoctos cómlcos, quo olo, poro dlzor do umo voz o polovro, otó um
corto ponto loro um ¨Sondorllng¨
70
(um tlpo orlglnol) noo so podo
nogo-lo; quo nlsto jo hovlo umo justlllcotlvo poro um pooto cómlco,
noo do poro nogor do monolro olgumo; mos tombóm ó lnquostlono-
vol quo lsto torlo sldo multo pouco poro Arlstolonos. So noo posso,
portonto, lozor outro colso sonoo odorlr com todo modóstlo oo
morocldomonto trlunlonto Rötschor quo com tonto sucosso loz o ldólo
olotlvor-so o portlr o otrovós do suo luto contro os mol-ontondldos
dos concopçoos ontorloros, so noo posso lozor outro colso sonoo ostor
do ocordo com olo om quo so no modldo quo Arlstolonos vô om
Socrotos o roprosontonto do um novo prlnciplo, so nosto modldo olo
so torno poro Arlstolonos umo llguro cómlco, olndo osslm, poróm,
sorlo umo outro quostoo sobor so o sorlododo quo Rötschor rolvlndlco
om too olto grou poro osto poço noo o coloco um pouco om
dosocordo com o lronlo quo olo do rosto otrlbul o Arlstolonos. E olóm
dlsso, rosto olndo o quostoo do sobor so Rötschor noo torlo vlsto
domols om Socrotos o por lsso lolto Arlstolonos vor tombóm domols.
Roprosontonto do um novo prlnciplo podo-so multo bom chomo-lo,
om porto porquo o suo otlvldodo llborodoro tlnho do nocossorlomon-
to ovocor um novo prlnciplo; mos doi noo so soguo, do jolto nonhum,
quo noo so posso ollnol, no lntorlor dosto concossoo, llmltor Socrotos
um pouco mols.
Com o concopçoo do Rötschor, Socrotos so torno too grondo,
quo o gonto slmplosmonto noo vô Plotoo. Todovlo, mols odlonto
toromos ocosloo do lolor dlsso tudo. Entrotonto, coso so quolro
odmltlr quo u ìronìu oro o quo constltuio o vldo do Socrotos, docorto
so ho do concodor quo osto oloroclo um ospocto multo muìs comìco
do quo no coso do so protondor quo o prlnciplo socrotlco oro o Ju
subjetìoìJuJe, do lntorlorldodo, com todo o rlquozo do ponsomontos
quo oi so oncontro, o do so procuror o outorlzoçoo do Arlstolonos no
sorlododo com quo olo, como odopto do ontlgo culturo grogo,
proclsovo oslorçor-so por onlqullor osto dosordom modorno. Pols
osto sorlododo ó posodo domols, osslm como tombóm llmlto o
lnllnltudo cómlco quo, como tol, noo conhoco nonhum llmlto. Ao
controrlo, o lronlo ó um ponto do vlsto novo, o, onquonto tol,
obsolutomonto polômlco lronto ò ontlgo culturo grogo, o oo mosmo
tompo ó um ponto do vlsto quo constontomonto so suprlmo o sl
mosmo, olo ó um nodo quo dovoro tudo, o um olgo quo jomols so
podo ogorror, quo oo mosmo tompo ó o noo ó; mos lsto ó umo colso
cómlco om sou mols prolundo lundomonto. Asslm como o lronlo
110
dorroto portonto tudo, oo vor om codo colso o suo dlscropônclo poro
com o ldólo, osslm tombóm olo so sltuo obolxo do sl mosmo, ò modldo
quo so suporo o sl mosmo o contudo pormonoco nolo.
O quo ó lmportonto om prlmolro lugor ó ostor convoncldo do
quo lol o Socrotos reul quo Arlstolonos pós om cono. Asslm como so
ó rolorçodo nosto convlcçoo polo trodlçoo do Antlguldodo, osslm
tombóm so oncontro nosto poço umo multlpllcldodo do troços quo,
ou soo hlstorlcomonto cortos, ou polo monos so mostrom como
complotomonto onologos òqullo quo o gonto sobo por outros lontos
o rospolto do Socrotos. Suvorn, com grondo orudlçoo lllologlco o
multo bom gosto, oslorçou-so por domonstror o ldontldodo ontro o
Socrotos oprosontodo por Arlstolonos o o Socrotos rool, por molo do
umo tol sucossoo do troços lndlvlduols
71
. Tombóm Rötschor lorno-
cou, olndo quo noo no mosmo modldo, umo coloçoo dostos dodos
sullclonto poro osto lnvostlgoçoo. lsto so oncontro no obro cltodo, p.
277s. O quo o sogulr so torno lmportonto ó vor o prlnciplo, u ìJéìu
quo Arlstolonos nos loz ontrovor om Socrotos, ldólo do quol olo ó
oprosontodo como o roprosontonto tronsporonto.
Todovlo, poro olconçor lsto, torno-so nocossorlo dor um breoe
punorumu Ju proprlo peçu, do suo ostruturo o do sou ondomonto.
Eu posso ontror nosto lnvostlgoçoo com multo conllonço, porquo
tonho ò mlnho lronto um hogollono, o ó proclso sompro convlr, om
roloçoo o olos, quo os hogollonos possuom um dom oxtroordlnorlo
poro obrlr ospoço, umo outorldodo do pollclol, quo num lnstonto sobo
lozor dlsporsor todo tlpo do ojuntomonto orudlto o do consplroçoo
hlstorlco suspolto. No quo tongo ontoo om prlmolro lugor oo coro,
osto, quo como tol roprosonto o substônclo ótlco, so rovosto, om nosso
poço, do um simbolo
72
. Rötschor procuro o lronlo no loto do quo o
coro tom consclônclo do sou popol slmbollco, o olo mosmo, por osslm
dlzor, o codo lnstonto osto pronto poro pulor loro dosto oscondorljo,
o quo ollnol tombóm ocorro do loto no conclusoo, quondo oscornoco
do Estropsiodos, quo olo ongonoro. So ó nlsto ontoo quo conslsto o
lronlo, so osto sorlododo
73
quo luto por olostor o consclônclo subs-
tonclol do Estodo do voculdodo do dosordom modorno noo llmlto o
lnllnltudo o o brutolldodo poótlco do lronlo, so todo o conclusoo do
poço, olndo quo sojo um justlllcodo dostlno, noo ocontocorlo òs
custos do lronlo - o noo sor quo so qulsosso odmltlr, colso quo, quonto
ou sol, otó hojo nlnguóm onlotlzou, quo oxotomonto o vlngonço
tomodo por Estropsiodos, oo pór logo ò coso (jrontìstérìon, ponsoto-
rlo, v. º4), oro om suo lncongruônclo um novo motlvo cómlco, o quo
suos rópllcos
74
, noo dosprovldos do osplrltuosldodo, quo soguromon-
to num corto sontldo otó soo boos domols poro Estropsiodos, dovo-
111
rlom sor lntorprotodos como umo ospóclo do oxtotlco domônclo,
rópllcos nos quols olo lontoslovo loro do sl o com cómlco cruoldodo
onlqullovo o oxtormlnovo o doonço quo o hovlo oprlslonodo - do
todos ostos quostoos ou noo posso mo ocupor oqul
75
. Mos so
dolxomos do lodo tols quostoos, torno-so ontoo olndo mols lmpor-
tonto domorormo-nos no consldoroçoo doquolo simbolo, com o quol
o pooto rovostlu o coro, ou sojo, us nuoens.
Noturolmonto ostos noo podom tor sldo oscolhldos por ocoso,
o por lsso ó lmportonto doscobrlr o ldólo do outor com rospolto o
olos. As nuvons llustrom, pols, monllostomonto, todo o otlvldodo
vozlo o som contoudo quo so dosonrolo no ponsotorlo, o ho portonto
umo prolundo lronlo quondo Arlstolonos, no cono om quo Estrop-
siodos dovo sor lnlclodo nosto sobodorlo, loz Socrotos lnvocor os
nuvons, quo soo o rolloxo oóroo do sou proprlo lntorlor vozlo.
Nuvons donotom, pols, do monolro oxcolonto, o movlmonto do
ponsor coronto do todo o quolquor ponto llrmo
76
, quo om continuo
ondulor, som ponto do opolo o som lol lmononto do movlmonto,
conllguro-so do todos os monolros possivols com o mosmo lncons-
tônclo dosrogrodo dos nuvons, quo oro so ossomolhom o mulhoros
mortols, oro o um contouro, umo pontoro, um lobo, um touro otc.,
o so ossomolhom, mos, bom ontondldo, noo soo tols, dodo quo ollnol
do contos nodo mols soo do quo brumo ou o posslbllldodo lnllnlto,
quo so movo obscuromonto, do so tornor noqullo quo olo dovo sor,
o quo contudo ó lmpotonto poro lozor com quo olgo llquo subslstonto,
oquolo posslbllldodo quo tom umo obrongônclo lnllnlto o por osslm
dlzor contóm om sl o mundo lntolro, o contudo noo possul nonhum
contoudo, podo ossumlr tudo mos nodo podo soguror. Polo quo, ó
noturolmonto umo puro orbltrorlododo quondo Socrotos prodlco dos
nuvons quo olos soo dousos, o Estropsiodos so montóm noturolmonto
multo mols rozoovol oo ocoltor quo soo oponos brumo, orvolho o
lumoço (cl. v. 330). Mos osslm como osto ousônclo do contoudo so
mostro nolos, osslm tombóm so mostro no comunldodo, no Estodo,
quo olos nutrom o protogom, o quo o proprlo Socrotos doscrovo como
sondo um omontoodo do dosocupodos, do homons oclosos quo
costumom contor louvoros òs nuvons
77
. Slm, osto roloçoo corrospon-
donto ontro os nuvons o o mundo oo quol olos portoncom, so oxprlmo
- o os comontodoros, sogundo mo poroco, nogllgonclorom lsto otó
ogoro -, do monolro olndo mols dotormlnodo, quondo oi ó dlto: ¨Elos
so tronslormom om tudo o quo dosojom¨, do modo quo, quondo
vôom um lulono do longo cobololro, tomom lormo do um contouro,
o quondo vôom um lodroo dos bons publlcos tomom o lormo do um
lobo (v. 350, 351, 352). Pols oposor do quo lsto sojo doscrlto como
112
umo onlpotônclo dos nuvons, o oposor do quo o proprlo Socrotos
obsorvo quo olos ossumom tols lormos poro rldlculorlzor, mosmo
osslm lsto dovo sor oncorodo como umo lmpotônclo dolos, o o lronlo
orlstolônlco conslsto lndubltovolmonto no rociproco lmpotônclo: do
sujolto, quo quondo quor tor o objoto, obtóm oponos suo proprlo
somolhonço, o dos nuvons, quo oponos coptom o somolhonço do
sujolto, poróm so os produzom onquonto ostoo vondo os objotos. E
cortomonto nlnguóm ho do nogor quo com lsso osto oxcolontomonto
coroctorlzodo o dlolótlco moromonto nogotlvo, quo constontomonto
pormonoco om sl mosmo, som ovonçor nos dotormlnoçoos do vldo
ou do ldólo, o por lsso gozo do umo llbordodo quo so rl dos codolos
quo o contlnuldodo lmpoo
78
, oquolo dlolótlco quo no sontldo mols
obstroto oponos ó umo potônclo, um rol som torro, quo so dololto
com o moro posslbllldodo do ronunclor o tudo no oporonto lnstonto
do posso do tudo, omboro tonto o posso quonto o ronunclo sojom
llusorlos; umo dlolótlco quo noo so sonto constrongldo polo possodo,
nom coogldo por suo lórroo consoquônclo, noo so sonto ongustlodo
polo luturo, porquo olo ó too ropldo om osquocor, quo mosmo o
luturo jo osto quoso osquocldo ontos do sor vlvonclodo; umo dlolótlco
quo do nodo coroco, nodo dosojo, so bosto o sl mosmo, lovlono o
lnconstonto solto sobro tudo como umo crlonço som rumo.
A consclônclo dosto nulldodo, quo conslsto om quo o coro oo
mosmo tompo ó simbolo o contudo osto consclonto lronlcomonto do
ostor poro olóm dlsto o do tor umo roolldodo totolmonto outro,
Rötschor otrlbul ontoo somonto oo coro, oo pooto o oos ospoctodoros
lnlclodos, o ocrosconto, ò p. 325: ¨Ao controrlo, òquolo quo noo sobo
dosto oposlçoo, o vordodolro sontldo osto ocultodo, o olo porcobo
nolos oponos o simbolo, tomo osto llguro, om quo olos so oscondom
clontomonto, por suo ossônclo vordodolro, o so obondono cholo do
conllonço o lngonuldodo, som prossontlr quo so troto oponos do umo
oporônclo olorocldo no lugor do vordodo. Mos o culpo do sujolto
conslsto om olo so obondonor lngonuomonto o ostos potônclos
ongonodoros o om lgnoror o ossônclo do quol procodo osto llusoo¨.
Poróm, lsto so roloro mols o todo o oconomlo lntorno do poço,
onquonto oqul ó mols lmportonto vor so noo so consoguo porscrutor
o simbolo do coro, os nuvons, tol como olo ó roprosontodo, poro
doscobrlr um pouco mols o rospolto do suo noturozo, quo nolo ó
coroctorlzodo llgurodomonto. O coro roprosonto nuvons, mos os
nuvons roprosontom por suo voz dlvorsos objotos o tôm no lniclo do
poço o lormo do mulhoros. Mos sobro ostos lormos dos nuvons lolo
Socrotos monllostomonto do umo monolro bostonto jocoso, o lsto
mostro sullclontomonto quo olos noo tôm nenlumu oulìJuJe puru
113
ele. O quo olo portonto odoro, o o quom olo opllco o prodlcodo do
¨douso¨, ó o mosso brumoso lnlormo, quo Estropsiodos multo
corrotomonto donomlno do vopor, orvolho o lumoço. O quo olo
portonto rotóm ó o ìnjorme proprìumente Jìto. Por lsso todos os
llguroçoos quo os nuvons ossumom soo, por osslm dlzor, todos os
prodlcodos quo so dolxom prolorlr do tol modo quo, om conjunto,
todos so coordonom uns oos outros, lodo o lodo mos som vlnculoçoo
uns com os outros, som sucossoo lntorno, som quo doi so constltuo
olgo, om sumo, como todos os prodlcodos quo podom sor rocltodos
como numo lodolnho. Como nos jo vlmos om nosso lnvostlgoçoo
quo Socrotos otlnglu o ldólo, poróm do tol modo quo nonhum
prodlcodo monllostovo ou troio o quo olo proprlomonto oro, mos
todos os prodlcodos oponos orom tostomunhos quo so colovom
dlonto do suo mognlllcônclo, osslm tombóm mo poroco quo o mosmo
ó lndlcodo por Arlstolonos no roloçoo do Socrotos com os nuvons.
Com ololto, o quo sobro dopols quo dosoporocom os dllorontos
llguroçoos dos nuvons ó o proprlo mosso brumoso, quo ó umo
coroctorlzoçoo multo boo do ldólo socrotlco. As nuvons so mostrom
constontomonto om umo llguro, mos Socrotos sobo quo osto lormo
ó o ocldontol, o quo o ossonclol ó oqullo quo joz por dotros do llguro,
osslm com o ldólo ó o vordodolro, o o prodlcodo como tol nodo tom
o slgnlllcor. Mos o quo ó vordodolro dosto modo jomols vom ò luz
om olgum prodlcodo, jomols é

. So consldorormos ogoro olóm dlsso
o simbolo do coro, os nuvons, o so vlrmos nosto simbolo objotlvo-
dos
80
os ponsomontos do Socrotos (objotlvomonto vlsuollzodos), os
voromos docorto como produzldos polo lndlviduo, o no ontonto,
tombóm como odorodos por olo onquonto ponsomontos objotlvos
(dlvlnos), do modo quo ó justomonto polo llutuor dos nuvons sobro
o torro, por suo multlpllcldodo do lormos o llguroçoos quo ó lndlcodo
o oposlçoo ontro o subjotlvo o todo o ontlgo objotlvldodo grogo, poro
o quol o dlvlno o rlgor tlnho os pós bom llrmos sobro o torro, om
lormos dotormlnodos, llrmomonto morcodos o otornos. Portonto, ho
umo lurmonìu do um sentìJo muìto projunJo ontro us nuoens,
potônclo objotlvo quo noo podo oncontror um lugor poro llcor oqul
no torro, o cujo oproxlmoçoo o osto sompro slgnlllco olndo umo
dlstônclo, o por outro lodo o sujolto, Socrotos, o quol, llutuondo por
sobro o torro susponso num costo, oslorço-so poro so olovor o ostos
rogloos, tomondo quo o lorço do torro lho posso sugor sous ponso-
montos ou, so suprlmlrmos o lmogom, quo o roolldodo vonho o
obsorvor, vonho o osmogor o lrogll subjotlvldodo
81
. Todovlo, sobro
lsto so ho do lolor mols tordo, quondo nos, portlndo noo do coro,
mos do porsonogom ogonto, osclorocoromos mols do porto o quo ho
do rolovonto poro o ldólo no ostronho sltuoçoo do Socrotos.
114
No coro, pols, torno-so vlsuollzovol todo o novo ordom do
colsos quo quorlo dosolojor o ontlgo culturo grogo, o consoquonto-
monto oqul so podo rosolvor do molhor lormo o quostoo do Arlsto-
lonos protondor no múscuru Je 5ocrutes rìJìculurìzur os sojìstus. Em
hlpotoso olgumo lsto podo sor lntorprotodo no sontldo do quo
Arlstolonos tlvosso rotldo oponos o nomo do Socrotos o do rosto
lornocldo umo coroctorlzoçoo quo nom so porocosso com olo, lsto ó
o obvlo. Mos so nos lombrormos do quo Socrotos o os sollstos num
corto sontldo ocupovom o mosmo poslçoo o quo proprlomonto lol
oo lovor òs ultlmos consoquônclos o poslçoo comum, lol oo onlqullor
os molos-vordodos com os quols os sollstos so tronqulllzovom, lol
osslm quo Socrotos solopou-os, do modo quo num corto sontldo lol
osslm quo Socrotos dorrotou os sollstos, sondo olo mosmo o molor
dos sollstos
82
, ontoo jo so podo vor oi umo posslbllldodo poro
Arlstolonos ldontlllco-lo com os sollstos. Esto ldontlllcoçoo tombóm
so roollzou com umo prolundo lronlo. Pols com cortozo sorlo umo
lronlo dlgno do Arlstolonos concobor Socrotos, o mols oncornlçodo
lnlmlgo dos sollstos, noo como odvorsorlo dolos, mos como sou
mostro, o quo, ollos, num corto sontldo olo tombóm oro. E o estrunlu
conjusdo quo loz do olguóm quo comboto umo tondônclo, justomon-
to porquo num corto sontldo olo tombóm portonco o olo, sor olo
mosmo roprosontonto do tondônclo, osto conlusoo guordo om sl
tonto lronlo proposltol ou noo-proposltol, quo o gonto noo podo
doscorto-lo completumente. Mos lsto dovo bostor por onquonto. E
tombóm ó so quondo so coloco o coro como ponto do rolorônclo
quo Socrotos dosoporoco ontro os sollstos; quondo sogulrmos o
doscrlçoo do porsonogom quo osto poço contóm, oi olo so dostocoro
do monolro bom morconto.
Quonto oo urgumento Ju peçu, olo podo sor oprosontodo
rosumldomonto, sobrotudo no prosonto lnvostlgoçoo, pols oqul so
lntorosso, ollnol, roproduzl-lo ò modldo quo o ostruturo quo osslm so
monllosto lonço umo luz sobro o concopçoo orlstolônlco do Socrotos.
Um componôs do boo conduto, Estropsiodos, lol poror om dlllculdo-
dos llnoncolros dovldo o um cosomonto lnsonsoto. Sou lllho Fldipl-
dos, com suo polxoo polos covolos, tlnho ojudodo multo o orrulnor
o pol. Estropsiodos, contlnuomonto ogltodo com o ponsomonto no
dlnholro, contlnuomonto proocupodo om so llvror dos divldos, pro-
curo por todo porto, om voo, umo soido, otó quo do roponto o
ponsomonto do noou subeJorìu, quo comoçovo o so ollrmor om
Atonos, o do suo lorço poro conqulstor ou olostor o quo so qulsosso
otrovós do dlsputo, dosporto nolo, com umo ologrlo surproondonto,
o osporonço do oncontror suo llbortoçoo. Suo prlmolro lntonçoo ó
115
pols lozor Fldipldos gozor dos lrutos dosto modorno onslno, mos jo
quo osto noo osto multo dlsposto o lsto, olo so docldo o oncomlnhor-so
possoolmonto oo ponsotorlo. Encontro um dlscipulo, quo ontoo lho
tronsmlto os lmprossoos mols lovorovols sobro o oscolo. Vorlos troços
osplrltuosos do Socrotos, vorlos quostoos o rospostos sutls provocom
nolo, como honosto componôs, grondo osponto; mos umo orgumon-
toçoo moglstrol do Socrotos, oxtromomonto proxlmo do suos ldólos,
ocobo com todo o hosltoçoo, o com ontuslosmo lmpoclonto olo dosojo
sor conduzldo o Socrotos
83
. Apos um oxomo prollmlnor, no quol so
tonto orroncor do Estropsiodos os roclocinlos ogoro coducos, nos
quols Estropsiodos olndo so movlmonto (o quo ó coroctorlzodo too
osplrltuosomonto polo ordom do so dosplr do sou monto
84
, poro
podor lngrossor no ponsotorlo (jrontìstérìon), opos umo solono lnl-
cloçoo quo, no modldo quo podo cousor umo lmprossoo om Estrop-
siodos, nocossorlomonto tom do conlundlr todos os sous concoltos,
do-so-lho pormlssoo poro lngrossor no ponsotorlo, o so lho lndlco o
mosmo comlnho poro o conhoclmonto do vordodo quo Socrotos
tlnho soguldo: som prostor otonçoo oo quo osto oo rodor, uprojun-
Jur-se em sì mesmo
85
o quo noturolmonto poro Estropsiodos so torno
umo dloto oxtromomonto lrugol, too pouco soclonto como o rololçoo
poro o quol o cogonho convldou o roposo o lol poro osto, quo llcou
oponos umo tostomunho om jojum o olhor como suo onlltrlo, ò
monolro dos cogonhos, lo oo lundo do gorrolo do gorgolo comprldo.
Por lsso, logo Estropsiodos ó doclorodo lncopoz do so orlontor num
comlnho novo, dopols do quo olo ó domltldo. Mos com lsso olo noo
pordou, do jolto nonhum, o osporonço do roollzor sous dosojos por
osto vlo. Modosto domols poro ocrodltor quo o lolho pudosso ostor
no mostro, olo o procuro om sl mosmo o so consolo dopols com o
lombronço do sou lllho promlssor Fldipodos, o quol, omboro um
pouco dosconllodo com os provos do sobodorlo quo Estropsiodos
oprosonto, ocobo por ocodor oos votos do sou pol o so loz odmltlr no
ponsotorlo. O lllho so sol molhor do quo o pol, o osto troz o Socrotos
prosontos poro ogrodocor polos grondos progrossos do lllho.
Entrotonto, o roolldodo omooçodoro so oproxlmo codo voz
mols, o ocobo omorglndo no llguro sórlo do dols crodoros. Foro do
sl do ologrlo polo podor dlolótlco do Fldipodos do romovor os
borrolros dos llmltos
86
, o conllondo no ongonhoso porguntor o
rospondor, quo olndo noo osquocoro, o quo olo proprlo tlnho opron-
dldo no ponsotorlo, olo so otrovo o olrontor ossos dols roprosontontos
lotols do umo roolldodo ocobrunhonto. Poslos o Aminlos soo, no
ontonto, oclmo do tudo lomens Jo Jìnleìro, domoslodo oxporlontos
poro so dolxorom sorvlr com osportozos, tôm olndo tonto conllonço
116
no reulìJuJe quo nodo tomom, o so noo pudorom chogor oo quo
lntorosso otrovós do dlolótlco, o consogulroo polo comlnho do dlrolto.
Mos so Estropsiodos por um lnstonto podo ontrogor-so ò ologrlo do
tor chogodo ò moto do sous dosojos, o pooto olndo lho rosorvo um
poquono ocrósclmo, umo suporlluldodo totolmonto lnosporodo quo
rosulto dos grondos progrossos quo Fldipodos loz nos onslnomontos
socrotlcos. Umo roolldodo bom dlloronto do roolldodo dos vonclmon-
tos, o quo ontrotonto Estropsiodos noo podo dosojor vor obolodo,
tombóm osto Fldipodos suporou. O respeìto jìlìul o o obeJìêncìu
dlonto do pol, com o ojudo do dlolótlco, soguom o mosmo comlnho
dos vonclmontos. Estropsiodos noo podo roslstlr oo podor dos sllo-
glsmos do Fldipodos, os quols, osslm como ontorlormonto so mos-
trorom como oquolos quo onlqullovom o roolldodo, ogoro so
mostrom do monolro mols onlotlco quo ho no mundo, como oquolos
quo poom umo roolldodo; pols os poncodos soo, como so dlz,
morcodorlos polpovols, o so domonstrom do um modo quo noo
dolxom surglr nonhumo duvldo. E osslm como Fldipodos ontorlor-
monto so mostroro sullclontomonto lnoscrupuloso poro opolor o pol
no rocuso o dovolvor o dlnholro dovldo, osslm tombóm olo doson-
volvo ogoro umo oscrupulosldodo quoso oxogorodo poro dovolvor
olgo do dlnholro, do roçoo do poncodos com quo ontos o sou omodo
pol o tlnho cumulodo. Tordo domols doscobro Estropsiodos o quo
hovlo do projudlclol no novo sobodorlo: u oìngunçu Jespertou, olo
so otlro sobro o suo proso, quo por suo voz so lonço com um lurocoo
sobro o ponsotorlo, lncondlondo-o, o com lsto so oncorro o poço.
Els oi umo rosonho too brovo quonto possivol dosto poço. O
comìco conslsto, ovldontomonto, nuquele ulgo quo Estropsiodos
coblço como lruto do ospoculoçoo, oquolo olgo quo sogundo sous
concoltos proclso rosultor do todos ostos movlmontos. Com ololto,
osslm como no proprlo osloro do lntollgônclo os movlmontos oxocu-
todos por Socrotos mostrorom-so como sondo som slgnlllcoçoo,
mostrorom-so como oquolos quo noo tôm sullclonto lortuno poro
¨pór¨ olgo, osslm tombóm monllosto-so o mosmo do umo monolro
olndo mols cloro no mundo do Estropsiodos, quo chogou o concobor
o dososporodo ldólo do quo, no sontldo llnlto o mundono, doi dovlo
provlr olgo
87
, o olo osporovo -, poro rocordor um toplco do lllosollo
modorno -, oproprlor-so polo ospoculoçoo dos com toloros do Kont,
ou, no lolto dlsto, oscopor, polo ospoculoçoo, do suos divldos
88
.
A lronlo so bosolo nuquele ulgo quo olo quor gonhor com o
ospoculoçoo, sonoo lmodlotomonto, oo monos modlotomonto otro-
vós do Fldipodos: os poncodos consclontos quo, por mols lnosporodos
quo sojom, chogom com umo nocossldodo quo noo podo sor oludldo.
117
Estropsiodos bom podo por um lnstonto dololtor-so com todos ostos
movlmontos ongonhosos, mos o quo otrol mosmo suo olmo torro o
torro ó Jìe NutzunuenJung (o opllcoçoo protlco), o quol noo dolxo
do so oprosontor, som duvldo, olndo quo olo choguo ondo noo oro
osporodo. Mos so oxomlnormos quol ó o ponto do vlsto quo trons-
poroco nosto porodlo, noo so podo dlzor quo ó o Ju subjetìoìJuJe,
pols ollnol do contos osto sompro proporclono olgumo colso, propor-
clono o unlvorso todo do ldoolldodo obstroto, onquonto o quo oqul
ó osslnolodo ó um ponto Je oìstu purumente negutìoo, quo noo
proporclono obsolutomonto nodo. As prolundos consldoroçoos quo
soo loltos dlssolvom-so como um ostompldo num nodo, onquonto
soo soguldos, como por umo sombro porodlonto, polo loto do quo
Estropsiodos quor tor olgo, mos bom ontondldo olgo do llnlto, umo
vontogom llnlto, quo osto ponto do vlsto ó too lncopoz do trozor
quonto oquolo gonho osplrltuol quo llngo produzlr. So so odmlto,
portonto, quo todo o otuoçoo do Socrotos oro lronlzonto, ontoo so
ontondoro tombóm quo Arlstolonos, oo tor procurodo concobô-lo ò
monolro cómlco, procodou do um modo totolmonto corroto; pols,
logo quo o ìronìu ó posto om roloçoo oo resultuJo, olo so mostro
comìcumente, omboro num outro sontldo olo llborto o lndlviduo do
cómlco. A dlolótlco, do quol soo dodos tontos o tontos omostros, noo
ó, do monolro olgumo, umo dlolótlco proprlomonto lllosollco; noo ó
umo dlolótlco tol como oquolo quo jo vlmos sor coroctoristlco do
Plotoo, mos slm umo Jìulétìcu merumente negutìou. Pols so Socrotos
tlvosso tldo oquolo Jìulétìcu subjetìou plotónlco, torlo sldo comploto-
monto orrodo do porto do Arlstolonos - o noo sorlo cómlco olndo
quo losso rldiculo - concobô-lo doquolo monolro (pols o cómlco
tombóm proclso, noturolmonto, tor umo vordodo); o oo controrlo, so
o dlolótlco do Socrotos tlvosso sldo om porto ormodo do sollsmos o
dlrlgldo polomlcomonto contro os sollstos o om porto voltodo nogo-
tlvomonto contro o ldólo, ontoo o concopçoo orlstolônlco sorlo
corroto proclsomonto onquonto cómlco. O mosmo volo, noturolmon-
to, tombóm quonto oo simbolo do coro, os nuvons. So olos dovossom
osslnolor o rlquozo ldool Jo subjetìoo, ontoo sorlo orrodo, noo
obstonto o concopçoo orlstolônlco sor cómlco, lozor o lndlviduo
roloclonor-so com olos too lovlonomonto como Arlstolonos o loz,
poróm o ìronìco, ovldontomonto, lovo os colsos polo lodo mols lovo,
o otó mosmo o ldólo, o so sonto llvro om olto grou nlsto tudo, porquo
o obsoluto poro olo ó um nodo.
Possomos ogoro oo outro momonto do poço, òs personugens,
o òquolo com quom tomos mols o vor, u pessou Je 5ocrutes, o logo
so voro quo Arlstolonos ndo o ìJentìjìcou com os sollstos, o lsto noo
118
oponos porquo olo plntou Socrotos do monolro too roconhocivol
groços o umo multlpllcldodo do poquonos troços (o quo lol onlotlzodo
ospoclolmonto por Rötschor), mos tombóm o prlnclpolmonto porquo
sou ponto do vlsto ó doscrlto como um ponto do vlsto do lsolomonto
comploto. E lsto, por corto tombóm osto complotomonto corroto. Pols
ó bom vordodo quo, no poço, Socrotos tom dlscipulos, como Socrotos
os tlnho no vldo, mos ostos noo ostoo om roloçoo nonhumo com olo,
ou, dlto mols corrotomonto, olo noo osto om nonhumo roloçoo com
olos

, olo noo so ontrogo o olos, o slm, do monolro onologo ò suo
roloçoo ontorlormonto doscrlto com Alcobiodos, osto constontomonto
o llvromonto llutuondo, susponso sobro olos, mlstorlosomonto otroln-
do o ropollndo. A slgnlllcoçoo do sou oprolundor-so om sl mosmo
sompro pormonoco lnoxpllcovol poro olos; pols os sutllozos quo so
oslorçom poro rovolor olgo doi noo ostoo om nonhumo roloçoo com
oqullo. Arlstolonos rosumlu osslm tudo o quo portonclo o dlvorsos
poriodos do vldo do Socrotos, o dosso monolro tombóm vôm o
dosomponhor oi um popol os ospoculoçoos onoxogorlcos sobro o
noturozo, com os quols Socrotos, sogundo Fódon, tlnho so ocupodo
duronto olgum tompo, poróm obondonodo mols tordo. Umo porçoo
do conos
º0
quo oponos contôm sutllozos lmbocls ou prostldlgltoçoos
do comlcldodo grossolro o oquolos lonlorronlcos quo portoncom o
tols ortos, om sumo, umo porçoo doquolos possogons quo so podo-
rlom doslgnor polo nomo colotlvo do plodos, ou vou dolxor do lodo,
porquonto oi do loto noo so oncontro nonhum vostiglo do ldólo. As
obsorvoçoos otoistos sobro o noturozo, quo bostonto lroquontomonto
produzom um ololto oltomonto cómlco por sou controsto com o ló
populor
º1
bostonto lngônuo do Estropsiodos, toroo mols odlonto umo
corto lmportônclo. Mos o quo, polo controrlo, ó do muìor ìmportdn-
cìu, ó om porto o concopçoo do Socrotos como umo personulìJuJe,
o om porto o coroctorlzoçoo doqullo quo vom o sor o prlnclpol om
sou onslnomonto, o Jìulétìco, o por llm o doscrlçoo do sou ponto Je
oìstu.
No quo tongo oo prìmeìro dostos pontos: oqul jo so oncontro
umo comprovoçoo do quo Arlstolonos noo ldontlllcou Socrotos com
os sollstos; pols o solistlco ó oquolo ¨pulo-pulo¨ solvogom o doson-
lroodo do ponsomonto ogoistlco, o o sollsto ó o socordoto, do lólogo
curto, dosto rltuol. E do mosmo modo como no solistlco o otorno
ponsor so dlssolvo numo lnllnltudo do ponsomontos, osslm tombóm
osto pululor do ponsomontos so torno vlsivol numo multldoo corros-
pondonto do sollstos
º2
. Com outros polovros, nonhumo nocossldodo
nos obrlgo o ponsor um sollsto como ¨um¨, mos oo controrlo um
lrónlco ó sompro ¨um¨, porquo o sollsto col sob o concolto do
119
ospóclo, gônoro otc., o ìronìco, oo controrlo, sob o dotormlnoçoo do
personulìJuJe. O sollsto osto sompro om otlvldodo ogltodo, tonto
sompro olconçor olgumo colso quo joz dlonto dolo; oo controrlo, o
lrónlco o codo momonto lndlvlduol roconduz oqullo poro sl mosmo;
mos osto roconduzlr o osto rolluxo produzldo osslm ó justomonto o
dotormlnoçoo do porsonolldodo. O sollsmo ó por lsso um olomonto
quo sorvo ò lronlo; o quor o lrónlco com o sollsmo so llborto o sl
mosmo, quor groços o olo surruplo olgo do um outro, om todo coso
olo ossumo ombos os momontos om suo consclônclo, lsto ó: olo gozo.
Mos gozo ó proclsomonto umo dotormlnoçoo do porsonolldodo,
olndo quo o gozo do lrónlco sojo o mols obstroto do todos, o mols
vozlo do contoudo, um moro contorno, o mols lroco lndlcoçoo
doquolo gozo oo quol ó proprlo o contoudo obsoluto, lsto ó, o
lollcldodo. Enquonto, portonto, o sollsto so oglto como um comor-
clonto otorolodo, o lrónlco povonolo-so o ondo onslmosmodo -
gozondo. E lsto tombóm ó sugorldo por Arlstolonos; pols oo lozor o
coro contor quo Socrotos ó objoto do suo ospoclol otonçoo, olo lovo
o coro, slmultonoomonto, o dlloronclor Socrotos do um outro lovorlto
prlvlloglodo polo sorto, Prodlco. O coro loz ontoo o sogulnto dlstln-
çoo: olo so submoto o Prodlco por couso do suo sobodorlo o
lntollgônclo, o o Socrotos, polo controrlo, ¨porquo so povonolo polos
ostrodos, lonço os olhos do lodo, ondo doscolço, suportondo multos
molos, o nos dlrlgo um olhor motldo o lmportonto¨
º3
. Quo olo ontoo
om Arlstolonos so torno umo porsonolldodo cómlco, tudo bom, mos
noo lho lolto, contudo, do jolto nonhum, uquelu plústìcu quo ó
coroctoristlco do umo porsonolldodo, oquolo ocobomonto om sl
mosmo, quo por lsso noo proclso do nonhum ocomponhomonto,
mos ó um monologo oprosontodo dlonto dos olhos. Todos porco-
bom, cortomonto, quo noo lol umo roolldodo contlngonto o quo
Arlstolonos quls oprosontor-nos: como, p. ox., o corpo ogrondolhodo
do Socrotos, sous lomosos pós grondos, o quo o proprlo Socrotos
consldorovo torom sldo concodldos o olo com umo roro prodlloçoo
polo noturozo, pols orom too oproprlodos poro o montorom do pó,
ou sous olhos oncovodos quo so prostovom too bom, conlormo olo
mosmo obsorvovo, poro quo olo pudosso olhor oo rodor, ou o sou
oxtorlor doslovorovol com quo o noturozo too lronlcomonto o tlnho
oqulpodo, o quo o proprlo Socrotos, por suo voz, concoblo com tonto
lronlo; noo so troto portonto do nodo dlsso, mos o quo Arlstolonos
quorlo dor o ontondor com ossos polovros do coro oro umo ldólo. No
ontonto, umo porsonolldodo too morconto tumbém ndo é nenlumu
lndlcoçoo do umo especuluçdo, mosmo quo moromonto subjetìou,
ondo justomonto, onquonto o ou ompirlco dosoporoco o so doson-
volvom os dotormlnoçoos do puro ou, o lndlviduo dosoporoco otó
120
corto ponto. O ìronìco, oo controrlo, ó umo proloclo ou umo
ubreoìuturu do umo personulìJuJe completu.
No quo tongo, o sogulr, ò Jìulétìcu socrotlco, como olo ó doscrlto
no poço, ho quo so rocordor quo oqul, noturolmonto, so so podo trotor
dolo no modldo quo so dolxo concobor no nivol puromonto lntoloc-
tuol, o oo controrlo, nos nodo tomos o vor com todo o conduto lmorol
o quo umo tol dlolótlco, posto o sorvlço do umo vontodo corrompldo,
podo sujoltor-so como otlvo cumpllco. Tombóm Arlstolonos dovo
tor-so dodo conto dlsto, otó um corto ponto, o so noo losso osso o
coso, ontoo ou roolmonto noo ontondo do quo monolro so podorlo
solvor Arlstolonos do ontlgo ocusoçoo do tor colunlodo Socrotos.
Pols, por mols quo Socrotos tlvosso sldo concobldo por Arlstolonos
como um roprosontonto do um prlnciplo quo omooçovo o ontlgo
culturo grogo com o ruino - o por mols rozoo quo osto tlvosso nosto
ponto -, olndo pormonocorlo sompro umo lnjustlço lnculpor Socrotos
por corrompor os costumos do juvontudo, por lntroduzlr umo vldo
dlssoluto o lrivolo, o quo nocossorlomonto sorlo obomlnovol tonto
poro o ontlgo quonto poro o modorno culturo grogo; pormonocorlo
umo lnjustlço noo oponos porquo Socrotos odqulrlro o lomo do sor
o homom mols honosto do Gróclo, mos prlnclpolmonto porquo o
ponto do vlsto do Socrotos oro som o monor duvldo o tol ponto
ubstrutumente ìntelectuulìstu (olgo quo so mostro do monolro mols
do quo sullclonto om suo conhocldo concopçoo do pocodo como
lgnorônclo), quo ou ocrodlto quo otó sorlo mols corroto umo concop-
çoo ondo so ronunclosso um pouco o tudo o quo ho do bombostlco
o rospolto do suo vlrtudo o sou nobro coroçoo, mos oo mosmo tompo
tombóm so consldorosso suo vldo como lndlloronto o todos os
lmputoçoos do corrupçoo dos costumos. Rötschor podo ontoo onlo-
tlzor tonto quonto qulsor o sorlododo com quo Arlstolonos nos
Nuoens comproondlo o suo torolo, o nom por lsso Arlstolonos ostoro
justlllcodo, o noo sor quo so qulsosso onlotlzor o cómlco quo rosldlrlo
no loto do Arlstolonos tor lovodo too o sórlo olgo quo somonto groços
o umo oqulvocoçoo postorlor podorlo vlr o sor too rulnoso como volo
o sor. Umo tol noutrolldodo lntoloctuol, Arlstolonos tombóm poroco
otrlbulr o Socrotos, pols, quondo Fldipodos dovo sor lnlclodo nos
onslnomontos socrotlcos, olo loz o probldodo o o lmprobldodo
ontrorom om cono como duos potônclos quo so olrontom, mos dolxo
Socrotos llcor oxtorlor o ombos como sondo olo o posslbllldodo
lndlloronto. A dlolótlco oqul doscrlto ó ovldontomonto um vogobundo
ocloso, quo oro lnvostlgo com multo mlnuclosldodo os colsos mols
lnoptos o socrlllco sou tompo o suo lorço nos mols ldlotos orguclos
vorbols (¨os sutllozos dos polovros proclsos¨, v. 130), òs vozos olo llco
121
o tol ponto lnorto o opotlco, quo ontos ossumo o llguro do um
ongonhoso odlvlnhodor do chorodos ou do um osportolhoo dodo òs
oxporlmontoçoos, quo costumo sor objoto do odmlroçoo lnsipldo do
coboços oclosos o vozlos, slm, otó com umo corto sorlododo morbldo
so pordo om tols lutllldodos - motlvo porquo so omprogo poro todo
o oscolo o prodlcodo ¨ponsodoros modltobundos¨ (v. 1O1); o oro
olo quor olconçor olgo do grondloso o lmportonto, o contudo,
justomonto no lnstonto om quo lsto so mostro, so oscopo doqullo num
pulo
º4
. Entro ostos pontos oxtromos sltuo-so o otlvldodo dlolótlco,
cujo volldodo so roollzo no dlvldlr. Com ololto, onquonto o dlolótlco
ospoculotlvo, proprlomonto lllosollco, ó unlllconto, u Jìulétìcu negu-
tìou, oo ronunclor ò ldólo, ó um corrotor quo loz suos tronsoçoos
numo osloro lnlorlor, ou sojo, ó dlvlsoro
º5
. Elo prossupoo portonto
no dlscipulo oponos duos quolldodos, sobro os quols, ollos, Socrotos
so lnlormo
º6
: so Estropsiodos possul umo boo momorlo o so tom
optldoo noturol poro lolor
º7
.
Estropsiodos rospondo ò prlmolro quostoo dlzondo quo possul
duos ospóclos do momorlo: quondo olguóm lho dovo olgo, olo tom
umo momorlo ospoclolmonto boo, mos quondo olo mosmo dovo olgo
o olguóm, ontoo olo ó multo osquocldo. Esto rosposto contóm
roolmonto umo coroctorlzoçoo plostlco o multo cortolro dosto ospóclo
do dlolótlco. Mos osto dlolótlco, noturolmonto, oo mosmo tompo noo
tom nonhum contoudo, o lsto ó coroctorlzodo do modo oxcolonto
polo loto do Socrotos oncorocor o Estropsiodos quo olo dovo, om voz
do cror nos dousos, ocrodltor oponos no grondo ospoço vozlo o no
linguo, o lsto oxprlmo do monolro prlmoroso o polovrorlo ruldoso
quo no ontonto noo so sonto om coso om nonhum lugor, o otó mo
rocordo umo oxprossoo do Grlmm, om suos lrìscle Eljenmdrclen,
ondo olo lolo do gonto quo tom umo coboço vozlo o umo linguo
somolhonto oo bodolo do um slno do lgrojo.
Flnolmonto, no quo tongo oo ponto Je oìstu do Socrotos,
Arlstolonos concobou suo dlllculdodo ospocillco do monolro multo
corroto. Elo nos loz ontondor com quo ônloso Socrotos podlo tor dlto:
¨dol-mo um ponto do opolo¨. Elo colocou, por lsso, no ponsotorlo,
Socrotos num costo susponso (v. 218), poro grondo osponto do
Estropsiodos. Do loto, quor olo ostojo dopondurodo num costo porto
do toto, quor so obsorvo om sl mosmo ò monolro do um onlolopslco
o com lsso otó corto ponto so llborto do grovldodo torrostro, om ombos
os cosos olo osto om susponso. Mos oxotomonto este jlutuur ó
oxtromomonto coroctoristlco, olo ó o osconsoo oos cóus osporodo o
quo so so roollzo no modldo quo todo o rogloo do ldool so olovo, no
modldo quo osto onslmosmor-so llxomonto loz dosonvolvor-so o ou
122
rumo oo ou unlvorsol, o ponsomonto puro com o sou contoudo. O
ìronìco bom quo ó mols lovo do quo o mundo, mos por outro lodo
olo olndo portonco oo mundo; olo llutuo como o osqullo do Moomó
ontro dols polos mognótlcos. So ocoso o ponto do vlsto do Socrotos
tlvosso sldo o Ju subjetìoìJuJe, o do lntorlorldodo, torlo sldo, mosmo
no porspoctlvo cómlco, lncorroto concobô-lo osslm como Arlstolonos
o loz; pols ó corto quo o subjotlvldodo, om roloçoo ò substonclolldodo
do ontlgo culturo grogo, pormonoco om susponso, mos olo llco
lnllnltomonto om susponso, o torlo sldo om tormos cómlcos mols
corroto oprosontor ontoo Socrotos dosoporocondo no lnllnlto, o
rossoltor o comlcldodo no loto do Estropsiodos noo podor onxorgo-lo
do jolto nonhum, om voz do oprosonto-lo susponso num costo, pols
o costo ó por osslm dlzor oquolo boso do roolldodo ompirlco do quo
o lrónlco proclso, onquonto oo controrlo o subjotlvldodo om suo
lnllnltudo grovlto rumo o sl mosmo, lsto ó: olo llutuo lnllnltomonto.
Poro rosumlr ogoro o quo oqul lol dosonvolvldo com rolorônclo
òs Nuoens do Arlstolonos, ou crolo quo, so so dor rozoo o Rötschor
no coroctorlzor o ponto Je oìstu do Socrotos como o Ju subjetìoìJuJe,
ochor-so-o o concopçoo do Arlstolonos mols comlcomonto vordodol-
ro o portonto mols justlllcodo
º8
, osslm como o gonto tombóm so voro
om condlçoos do olostor umo porto dos dlllculdodos, so so dollnlr
mols oxotomonto osto ponto Je oìstu como o do ìronìu, lsto ó: coso
noo so dolxo o subjotlvldodo dosobrochor om suo rlquozo, mos, ontos
quo lsto ocontoço, so loço o subjotlvldodo oncorror-so ogolstlcomonto
om lronlo.
XENOFONTE, PLATÃO E ARISTÓFANES
No quo tongo ò roloçoo do Arlstolonos com Xonolonto o
Plotoo, oncontrom-so om Arlstolonos olomontos dossos duos concop-
çoos. O mlstorloso nodo, quo proprlomonto constltul o ¨polnto¨ no
vldo do Socrotos, Plotoo procurou proonchô-lo dondo-lho o ldólo, o
Xonolonto com os prollxldodos do utll. Arlstolonos, portonto, conso-
gulu coptor osto nodo, noo como o llbordodo lrónlco, no quol
Socrotos o gozovo, mos slm do tol modo quo olo constontomonto
mostro o voculdodo quo ho oi. Em voz do plonltudo otorno do ldólo,
Socrotos rocobo por lsso o mols oscótlco dospojomonto num opro-
lundor-so om sl quo jomols rotlro olgo dosto prolundldodo, um
123
oprolundomonto quo olndo quo morgulhosso nos rogloos subtorrô-
noos do olmo sompro rotornorlo do moos vozlos (o o gonto podorlo,
om porspoctlvo pslcologlco, modltor nos polovros quo Arlstolonos
omprogo om porspoctlvo clontillco-noturol o rospolto dos dlscipulos
do novo oscolo, v. 1º2: ¨Essos sondom o Erobo, otó dobolxo do
Tortoro¨. Em voz do provoltoso (Nµttìge)
ºº
, quo ollnol do contos noo
dolxo do sor umo ospóclo do consldoroçoo rolloxlvo, oporocom oqul
¨o quo troz vontogom¨, quo so tom o vor com o colso portlculor no
roloçoo dosto poro com um lndlviduo (lnJìoìJ) zolondo por sou
lntorosso, o o - ¨quo supoo dostrozo¨ (Nueoenµttìge) (cl. v. 177s).
Tombóm os consldoroçoos sobro o noturozo, com os quols Arlstolo-
nos dotou Socrotos, rocordom ocoslonolmonto os ostudos xonolón-
tlcos sobro o hlstorlo noturol, dosdo quo slmplosmonto so obstrolo do
lmputoçoo do lrrollglosldodo quo tronsporoco om Arlstolonos
100
. Em
comporoçoo com Plotoo, Arlstolonos subtrolu, portonto, mos om
comporoçoo com Xonolonto, odlclonou; mos dodo quo nosto ultlmo
coso troto-so somonto do grondozos nogotlvos, osto odlclonor tom-
bóm ó, num corto sontldo, um subtrolr. So qulsormos ogoro tornor
mols oxplicltos os llnhos quo otó oqul lorom troçodos sob constonto
vlgllônclo o portlr do pondoroçoo lundomontodo sobro o roloçoo
rociproco dossos trôs outoros, o dollmltor o grondozo dosconhocldo,
o ponto do vlsto quo so oncolxo no ospoço lntormodlorlo o oo mosmo
tompo o prooncho, mostror-so-o oproxlmodomonto o sogulnto: suo
roloçoo poro com o ldólo ó nogotlvo, lsto ó, o ldólo ó o lìmìte
(GruenJse) do dlolótlco. Constontomonto ocupodo om olovor o
lonómono ò ldólo (o otlvldodo dlolótlco), ou o lndlviduo ó ompurrodo
do volto, ou o lndlviduo logo do volto poro o roolldodo; mos o proprlo
roolldodo so tom o volldodo do sor constontomonto ocusìdo poro osto
quoror suporor o roolldodo, som quo contudo lsto ocontoço; oo
controrlo, o lndlviduo rotomo om sl ostos molìmìnu (oslorços vlgo-
rosos) do subjotlvldodo, oncorro-os dontro do sl om umo sutìsjuçdo
pessoul; ontrotonto, este ponto Je oìstu é precìsumente u ìronìu.
O ostudo olconçou ogoro um ponto do ropouso; umu lormoçoo
do lnvostlgoçoo lol lovodo o cobo, o so ou dovosso om poucos
polovros oxprossor suo noturozo, suo slgnlllcoçoo onquonto momon-
to do todo o conjunto, ou dlrlo quo olo tornu possioel umu concepçdo
do Socrotos. Xonolonto, Plotoo o Arlstolonos, do loto, concoborom
Socrotos noo oponos no sontldo comum om quo osto polovro
¨concobor¨ dovo sor tomodo quondo so troto do um lonómono
osplrltuol; mos olos, numo slgnlllcoçoo multo mols ospoclol, noo o
rostltuirom (tol como olo oro), o slm o concoborom
101
.
124
Como umo consoquônclo dlsto, ó proclso utlllzo-los com umo
corto coutolo, o culdor do lozô-los poror no lnstonto om quo olos
comoçom o orrobotor-nos. Mos por llm so torno nocossorlo, poro quo
o gonto mosmo noo sojo culpodo do umo orbltrorlododo, tor olguóm
o quom rocorror, rozoo por quo ou procurol sor ou mosmo um torcolro
lronto o codo um. Dopols ou llz o todo chogor o umo conlrontoçoo
llnol. Com lsso, ou consogul vloblllzor umo posslbllldodo do sor copoz
do osclorocor o dlscropônclo ontro os trôs concopçoos groços o umo
concopçoo do Socrotos corrospondonto. Mos, com tudo lsso, ou
olndo noo possol olóm do posslbllldodo; pols mosmo quo o oxpllco-
çoo oprosontodo sojo copoz do roconclllor os potônclos om luto, doi
noo so soguo, do monolro olgumo, quo osto oxpllcoçoo sojo por lsso
o obsolutomonto corroto. Por outro lodo, so olo noo losso copoz do
roconclllo-los, sorlo lmpossivol quo olo pudosso sor o corroto. Agoro,
oo controrlo, lsto ó possivol. Duronto todo osto lnvostlgoçoo ou tlvo
sompro olgo ìn mente, ou sojo, o concopçoo dollnltlvo, som quo por
lsso so pudosso lnculpor-mo do umo ospóclo do josultlsmo lntollgonto,
ou do tor prlmolro oscondldo, procurodo o dopols oncontrodo o quo
ou mosmo ho multo jo hovlo oncontrodo. A concopçoo llnol oponos
sobropolrou como umo posslbllldodo o codo posqulso; codo rosulto-
do lol o sintoso do umo roclprocldodo; com osto, o concopçoo so
sontlu otroido oo rosultodo quo olo dovlo oxpllcor, o oqullo quo dovlo
sor oxpllcodo, otroido poro olo. Num corto sontldo, o concopçoo volo
o surglr sob ostos ostudos, omboro olo num outro sontldo jo oxlstlsso
ontos dolos. Mos ollnol do contos noo podlo sor dlloronto, posto quo
o todo prooxlsto òs suos portos. So olo ontoo noo lol gorodo, mosmo
osslm olo noscou do novo. Entrotonto, ou crolo quo o loltor rozoovol
ho do roconhocor lsto como umo coutolo do mlnho porto, omboro
com lsso todo o lormo do ostudo tonho so tornodo um tonto
dlvorgonto do mótodo clontillco hojo comum, do rosto morltorlo do
tontos monolros. Com ololto, so ou tlvosso prlmolromonto oproson-
todo o concopçoo dollnltlvo, o om sous momontos portlculoros
lndlcodo o codo umo dostos trôs consldoroçoos o sou lugor, ou torlo
locllmonto dolxodo oscopor o momonto do contomploçoo, quo ó
sompro lmportonto, mos oqul duplomonto, porquo ou noo posso
oproprlor-mo do lonómono por um outro comlnho, por obsorvoçoo
lmodloto.
A portlr do ogoro o lormo dosto lnvostlgoçoo tombóm so
tornoro dlloronto. Eu torol do trotor ogoro um corto numoro do
lonómonos quo, onquonto lotos hlstorlcos, noo proclsom sor ostobo-
locldos otrovós do umo concopçoo oqulvocodo, mos slmplosmonto
consorvodos om suo lnocônclo o dopols oxpllcodos. Aqul, mols umo
125
voz, o concopçoo llnol ó um nocossorlo prìus, omboro olo rosulto
dolos, num outro sontldo. Podor-so-lo donomlnor o proxlmo soçoo
u concepçdo se tornu reul; pols osto odqulrlro roolldodo otrovós do
todos ostos dodos hlstorlcos.
126
CAPÍTULO II
L·/c ·»n··(,c» / r·c|
O DEMÔNIO DE SÓCRATES
Logo so porcoboro quo ou ogoro possol poro um outro domi-
nlo. Aqul noo so troto mols do concopçoo do Plotoo ou do Xonolonto,
o noo sor quo so quolro sor too lrrozoovol o ponto do ochor quo o
todo oro umo llcçoo do Plotoo o Xonolonto. E proclso, pols, quo so
oncoro como um loto quo Socrotos odmltlo um tol domónlo, o
proclsomos, otrovós dos oxprossoos portlculoros quo so oncontrom o
osto rospolto
102
, tontor lormor poro nos umo ldólo dolo, bom como
coloco-lo om hormonlo com o nosso concopçoo totol. Este Jemonìo
Je 5ocrutes sompro lol, ollos, umo ¨crux phllologorum¨, umo dlll-
culdodo quo contudo noo tonto lntlmldovo quonto otroio, o com o
sou loltlço mlstorloso oncontovo. Encontro-so por lsso dosdo os
tompos mols ontlgos umo grondo lncllnoçoo por lolor o rospolto dosto
ossunto (pols ¨o quo ó quo o gonto mols gosto do ouvlr, sonoo ostos
hlstorlnhos¹¨); mos, om gorol, noo so lol olóm dlsso: o curlosldodo,
oxcltodo polo quo ho do mlstorloso, logo so opozlguovo, too pronto
o colso oro nomoodo, o o prolundldodo do ponsomonto so dovo por
sotlslolto quondo, com um or modltobundo, so dlzlo: quo so ho do
dlzor¹ So ocoso os loltoros dosojossom trovor conhoclmonto com umo
obro-prlmo porlolto sob osto ospocto, um todo o tol ponto orrodon-
dodo om sl mosmo quo, por osslm dlzor, sompro orrodolo o colso,
ou lndlcorlo um ortlgo quo so oncontro no Funcko
103
o quo ocobo
too prolundomonto como comoçou, o cujo molo ó too prolundo
127
como o sou lniclo o suo conclusoo. Um dlnomorquôs do mosmo
tômporo lntoloctuol, o Sr. Mostro Block, no proloclo do suo troduçoo
dos Memorubìlìu do Xonolonto, noo consogulu roslstlr ò tontoçoo do
oxpllcor o ostronho lonómono; olo ó do oplnloo do quo o proprlo
Socrotos ocrodltou tor um tol gônlo o ¨quo um tol sontlmonto oro um
prossontlmonto ou umo ospóclo do oxoltoçoo opolxonodo, quo tlnho
suo rozoo, om porto, om suo vlvo lmoglnoçoo o om sou llno slstomo
norvoso
104
.
Mos prlmolro umo oxposlçoo do lotlco. Tonto Xonolonto
quonto Plotoo monclonom osto portlculorldodo. A polovro To Duì-
monìon noo ó, como Ast obsorvo corrotomonto (p. 483), nom
puromonto odjotlvo, do modo quo so proclsosso comploto-lo com um
subontondldo Ergon, 5emeìon (oçoo, slgno domonioco), ou olgo
porocldo, o nom tompouco substontlvo, no sontldo do quo slgnlllco-
rlo um sor slngulor ou coroctoristlco. Vô-so pols quo osto polovro
oxprlmo ulgo lntolromonto ubstruto, o quo tombóm ó llustrodo polo
modo duplo om quo ó utlllzodo, polo duplo comblnoçoo om quo so
oprosonto. As vozos ó dlto: ¨o domónlo mo loz sobor¨; om outros
lugoros: ¨olgo domonioco¨ ou: ¨surgo o domónlo¨. A prlmolro colso
quo so dovo obsorvor, portonto, ó quo com osto polovro so doslgno
olgo obstroto, olgo dlvlno, quo, poróm, justomonto om suo obstroçoo,
so olovo oclmo do quolquor dotormlnoçoo, ó lnoxprlmivol o llvro do
prodlcodos, pols noo odmlto nonhumo vocollzoçoo. So porguntor-
mos o sogulr sobro o suo monolro do oglr, constotoromos quo so troto
do umo voz quo so loz ouvlr, mos som quo so posso proclsor molhor
lsto, como so osto voz so dosso o conhocor om polovros, dodo quo
ogo boslcomonto Je muneìru totulmente ìnstìntìou. No quo tongo ò
suo otlvldodo, os rolotos do Plotoo o do Xonolonto dlvorgom. Pols,
sogundo Plotoo, olo odvorto, lmpodo, ordono quo dolxo do lozor olgo,
cl. FeJro 242 b c, Apologìu 31 d, AlcebiuJes 103 o. 124 c, Téuges
128 d; do ocordo com Xonolonto, olo ordono, lnclto tombóm,
proscrovo o quo lozor, Memorubìlìu l 1, 4. lV 8,1. Apologìu 12. Ast
ó ontoo do oplnloo do quo nosto coso o gonto dovorlo conllor multo
mols om Xonolonto do quo om Plotoo, o oquolos quo noo so dorom
por contontos com osto ollrmoçoo grotulto olndo llcoroo ostupolotos
com o possogom sogulnto (corroto o totolmonto convlnconto, o portlr
do sou ponto do vlsto): ¨Em sl, jo ó lnocrodltovol quo o Domónlo,
como sugostoo ou lntulçoo dlvlno, tlvosso somonto odvortldo contro;
soro quo Socrotos torlo tldo oponos um prossontlmonto do lnjusto,
do lnlollz otc., o noo lguolmonto umo vlvo lntulçoo do justo, quo noo
somonto o lovosso o oglr, mos quo tombóm o proonchosso com umo
osporonço ontuslosmodo¹¨ Mos lsto llco por conto do Ast; o quo ou,
128
por outro lodo, proclso podlr quo o loltor obsorvo, ó um ponto do
molor lmportônclo poro todo o concopçoo do Socrotos: quo osto
domonioco ó oponos oprosontodo como odvortlndo o noo como
dondo ordons, lsto ó, como negutìoo e ndo como posìtìoo. So ó
proclso optor ontro Xonolonto o Plotoo, ontoo ou crolo quo so dovo
llcor multo mols com Plotoo, poro o quol o prodlcodo constonto do
otlvldodo do domonioco conslsto om quo olo somonto odvorto
105
, o
quo so dovo oncoror o ocrósclmo om Xonolonto como umo lrrolloxoo
xonolóntlco, pols olo, som porcobor o slgnlllcodo quo podorlo ostor
oculto oi, ochou, om suo olto sobodorlo, quo, so o domonioco
dosoconsolhovo lozor olgo, tombóm podorlo porloltomonto oconso-
lhor outros colsos. A roloçoo do domonioco col, osslm, multo mols
sob o dotormlnoçoo do trlvlol; o o bonol: ¨om porto lsto ... om porto
oqullo¨, ¨tonto ... quonto¨, noturolmonto condlzlo bom mols com
Xonolonto. Suo lnoxotldoo ó mols locll do oxpllcor do quo o rlgor do
Plotoo, pols oo prlmolro so so podo otrlbulr umo slmpllcldodo
bonochono, onquonto o sogundo possul um olto grou do oudoclo o
orbitrlo. Acrosconto-so o lsto quo oquolo possogom do Apologìu om
quo Socrotos, poro so dolondor do ocusoçoo do Moloto, opolo poro
o domonioco, mostro cloromonto quo Plotoo ostovo bom consclonto
do slgnlllcodo do loto do o domonioco so dosoconsolhor. Pols ó o
portlr doi quo olo oxpllco o surproondonto clrcunstônclo do quo
Socrotos, quo prlvodomonto ostovo sompro pronto o oconsolhor,
jomols so ocuporo com os ossuntos do Estodo. Mos lsto ó como quo
o monllostoçoo sonsivol do roloçoo nogotlvo do domonioco poro com
Socrotos; pols osto provocovo justomonto umo sogundo roloçoo
nogotlvo: oquolo roloçoo lozlo com quo osto, por suo voz, tlvosso do
roloclonor-so tombóm nogotlvomonto poro com o roolldodo, ou, no
sontldo grogo, com o Estodo. So o domonioco tlvosso tombóm
oxortodo, justomonto com lsso torlo lolto Socrotos ocupor-so com o
roolldodo
106
. A lsto so llgo ossonclolmonto o quostoo do sobor, como
lnslstlom os sous ocusodoros, so olo ostovo em conjlìto com u relìgìdo
Jo EstuJo, om so ontrogondo o osto domonioco. Pols ó ovldonto quo
olo ostovo. Por um lodo, oro, com ololto, umo roloçoo totolmonto
polômlco lronto ò rollgloo grogo do Estodo, o colocor olgo do
lntolromonto obstroto no lugor do lndlvlduolldodo concroto dos
dousos
107.
E por outro lodo, oro umo roloçoo totolmonto polômlco
lronto ò rollgloo do Estodo, o colocor no lugor dosto oloquônclo
dlvlno, quo roporcutlo om todo porto, coroctoristlco do vldo grogo,
porpossodo polo consclônclo do dous, om todos os monllostoçoos,
otó os mols lnslgnlllcontos, colocor um sllônclo, no quol oponos
ocoslonolmonto so ouvlo umo voz quo odvortlo, umo voz (o lsto
129
lncluio o polômlco tolvoz mols prolundo) quo jomols so ocupovo com
os lntorossos substonclols do vldo do Estodo, jomols so monllostovo
o osto rospolto, poróm so tlnho o vor com os ossuntos do Socrotos o
no moxlmo com os ossuntos bom prlvodos o portlculoros do sous
omlgos.
So ogoro obondonormos ostos lorlsous orudltos quo tomos
monclonodo, quo coom os mosqultos o ongolom o comolo, o nos
voltormos poro os conqulstos do Jesenooloìmento cìentijìco muìs
recente, quo tombóm so mostrom nosto dlroçoo, logo oporocoro umo
dlloronço ossonclol: oqul o quostoo ó lmodlotomonto voltodo poro o
sou lntorlor, o por lsso noo so procuro tonto oxpllcor quonto com-
proondor. Enquonto o dlllculdodo llgodo oo domonioco do Socrotos
lor trotodo lsolodomonto, onquonto olo lor oncorodo do loro poro
dontro, ó noturol quo olo llquo lnoxpllcodo, omboro justomonto por
lsso olo contlnuo nocossorlo o lndlsponsovol poro umo multldoo do
omontos do conjoturos; so, poróm, o quostoo lor oxomlnodo do
dontro poro loro, o quo so oprosontovo como umo borrolro lntrons-
ponivol possoro o so mostror como um llmlto nocossorlo, quo lntor-
rompo o lugo ropldo do olhor o com lsso do ponsomonto, obrlgondo
o rotornor do porllórlco poro o control, o com lsso obrlgo o comproon-
dor. Umo obsorvoçoo do Hogol
108
oxprlmo do monolro bom gorol,
mos com multisslmo portlnônclo toorlco, como ó quo so dovo com-
proondor osto domonioco: ¨Tondo otrlbuido ò ovldônclo o ò convlc-
çoo o lunçoo do dotormlnor o homom ò oçoo, Socrotos colocou o
sujolto como doclslvo lronto ò potrlo o oo costumo, o com lsso so pós
como oroculo no sontldo grogo. Elo dlzlo quo tlnho om sl um
domónlo quo o oconsolhovo o quo dovlo lozor, o lho monllostovo o
quo oro utll oos sous omlgos¨. Rötschor, sogulndo Hogol, tombóm o
concobo do modo corroto: ¨A osto prlnciplo do llvro doclsoo do
ospirlto o portlr do sl mosmo o ò lorto consclônclo do quo tudo dovo
sor trozldo onto o lorum do ponsomonto poro rocobor oi suo conllr-
moçoo, osto llgodo tombóm o lônomono do gônlo do Socrotos, jo
multos vozos dlscutldo no Antlguldodo. Nosto domónlo nos ó ropro-
sontodo o ldólo quo ocobomos do comontor, do doclsoo lntorlor¨ (p.
254). Tombóm no Fìlosojìu Jo Dìreìto Hogol comonto o domónlo do
Socrotos. Cl. 27º: ¨No domónlo do Socrotos nos podomos vor o
comoço dosto vontodo quo otó ogoro so so sltuovo loro do sl mosmo
o quo so coloco om sl mosmo o so conhoco no sou lntorlor - o comoço
do llbordodo quo so conhoco o quo por lsso ó vordodolro¨. A
possogom, contudo, ondo Hogol dlscuto mols longomonto osto do-
mónlo, oncontro-so noturolmonto om suo Hìstorìu Ju Fìlosojìu (2.
vol., p. º4s, p. 103s). Emboro oi Hogol so pormlto oprosontor
130
onologlos
10º
o rosolvor por osto vlo os dlllculdodos o quo osto
lonómono osto vlnculodo, mosmo osslm o llm do todo o suo lnvos-
tlgoçoo o o rosultodo dolo ó quo o lonómono so torno lntollgivol. O
ponto do vlsto do Socrotos ó pols o do subjotlvldodo, do lntorlorldodo,
quo so rolloto om sl mosmo o om suo roloçoo poro conslgo mosmo
dlssolvo o volotlllzo o subslstonto nos ondos do ponsomonto, quo so
ovolumom sobro olo o o vorrom poro longo, onquonto o proprlo
subjotlvldodo novomonto olundo, rollulndo poro o ponsomonto. No
lugor doquolo pudor quo podoroso mos mlstorlosomonto montlnho
o lndlviduo nos ortlculoçoos do Estodo, oporoco dorovonto o doclsoo
o o cortozo lntorlor do subjotlvldodo. Hogol dlz, no p. º6: ¨O ponto
do vlsto do ospirlto grogo, quonto oo ospocto morol, so dotormlno
como otlcldodo lngônuo. O homom olndo noo tlnho umo tol roloçoo,
do so rollotlr osslm om sl, do so dotormlnor o portlr do sl¨. No ontlgo
Gróclo, os lols tlnhom, poro o lndlviduo, o rospoltobllldodo do
trodlçoo, como sonclonodos polos dousos. E o osto trodlçoo corros-
pondlom os costumos consogrodos no corror dos tompos. Mos
onquonto os lols dotormlnovom o unlvorsol, o ontlgo Gróclo nocos-
sltovo tombóm do umo doclsoo poro os cosos portlculoros, rolorontos
tonto oos ossuntos do Estodo quonto oos prlvodos. Poro lsso hovlo
o oroculo (p. º7): ¨Esto ópoco so coroctorlzo polo ousônclo do doclsoo
no povo o no sujolto, quo olndo noo o ossumlu o quo so dolxo
dotormlnor por um outro, por olgo do oxtorlor; osslm, os oroculos
soo nocossorlos sompro quo o homom olndo noo tom consclônclo
do sou lntorlor como lndopondonto, como llvro, do modo o ossumlr
o doclsoo somonto o portlr do sl mosmo - o lsto corrospondo ò lolto
do llbordodo subjotlvo¨. No lugur Jo orúculo Socrotos tom ogoro o
seu Jemonìo. Esto domonioco sltuo-so ontoo no possogom ontro o
roloçoo oxtorlor do oroculo poro o lndlviduo o o lntorlorldodo plono
do llbordodo, o, como olgo quo olndo osto om tronslçoo, oporoco
justomonto poro o roprosontoçoo. P. º5: ¨O lntorlor do sujolto sobo,
docldo o portlr do sl: osto lntorlor, om Socrotos, olndo tlnho umo
lormo pocullor. O gônlo olndo ó o lnconsclonto, o oxtorlor quo
docldo, o contudo jo ó olgo do subjotlvo. O gônlo olndo noo ó
Socrotos mosmo, nom suo oplnloo, suo convlcçoo, mos slm olgo do
lnconsclonto; Socrotos ó movldo. Ao mosmo tompo, o oroculo noo
ó olgo do oxtorlor, mos ó o sou oroculo. Tlnho o conllguroçoo do um
sobor quo oo mosmo tompo ostovo vlnculodo o umo lnconsclônclo¨.
P. º6: ¨lsto ó pols o gônlo do Socrotos; oro nocossorlo quo osto gônlo
so monllostosso om Socrotos¨. P. ºº: ¨O domónlo osto por conso-
gulnto no molo ontro o oxtorlor do oroculo o o puromonto lntorlor
do ospirlto; olo ó olgo do lntorlor, mos do tol monolro quo ó ropro-
131
sontodo como um gônlo possool, dlstlnto do vontodo humono - noo
como suo sobodorlo protlco, sou llvro-orbitrlo¨. Mos como osto
domónlo so so ocupovo com os roloçoos lntolromonto portlculoros
do Socrotos, ontoo Hogol mostro tombóm quo suos monllostoçoos
soo bostonto lnslgnlllcontos om comporoçoo com os do sou ospirlto
o do sou ponsomonto
110
. Cl. p. 106: ¨Esto domónlo do Socrotos, do
rosto, noo otlnglu o vordodolro, o quo ó om sl o poro sl, mos oponos
portlculorldodos; o ostos monllostoçoos domoniocos soo osslm multo
mols lnslgnlllcontos do quo os do sou ospirlto, do sou ponsomonto¨.
Estou pronto ogoro com o oprosontoçoo do Hogol, o olconcol
oqul - como sompro quo so tom oo sou lodo Hogol (Cósor o suo
sorto) -, um lundomonto solldo, o portlr do quol ou posso tronqul-
lomonto ovonturor-mo om um oxcurso poro vor so ocoso noo hovorlo
olgum dodo portlculor dlgno do otonçoo, o oo quol ou posso tron-
qullomonto rotornor, tonho ou noo tonho oncontrodo olgo. Jo vlmos
oclmo quo o ponto do vlsto do Socrotos sob vorlos ospoctos oro bom
o do subjotlvldodo, ontrotonto do tol monolro quo o subjotlvldodo
noo so rovolovo om todo o suo rlquozo, o quo o ldólo pormonoclo
como o llmlto, chogondo oo quol Socrotos rotornovo poro sl mosmo
om sotlsloçoo lrónlco. Pols o domonioco, como jo vlmos, ó tombóm
om roloçoo oo holonlsmo umo dotormlnoçoo do subjotlvldodo, mos
o subjotlvldodo nolo noo osto comploto, olndo oxlsto olgo do oxtorlor
(Hogol obsorvo quo noo so dovo chomor osto domonioco do cons-
clônclo). Rocordomos prlmolromonto quo osto domonioco so so
ocupovo com roloçoos portlculoros o so so oxprlmlo como odvortln-
do, o voromos tombóm oqul quo o subjotlvldodo oro lntorrompldo
om suo omonoçoo o tormlnovo numo personulìJuJe purtìculur. O
domonioco oro sullclonto poro Socrotos, pols podlo contontor-so com
olo; osto ó umo dotormlnoçoo do porsonolldodo, mos noturolmonto
so ó sotlsloçoo ogoistlco do umo porsonolldodo portlculor. Mols umo
voz oqul Socrotos so mostro como olguóm quo osto o ponto do soltor
poro olgo o quo contudo o codo momonto dolxo do soltor poro dontro
dosto outro, solto poro o lodo o do volto poro sl mosmo. Acrosconto-
mos ogoro o consclônclo polômlco no quol Socrotos ossumlo todo o
suo roloçoo poro com sou tompo, o llbordodo, olndo quo nogotlvo,
mos lnllnlto, no quol olo rosplrovo lovo o llvro, sob o horlzonto lmonso
lndlcodo polo ldólo como llmlto, o soguronço quo olo tlnho no
domonioco poro noo so conlundlr com os multlplos ocosos do vldo,
o ontoo o ponto Je oìstu do Socrotos so mostro do novo como ìronìu.
Em gorol, costumo-so oncontror o lronlo concobldo ldoolmonto com
sou lugor lndlcodo como um momonto ovonosconto no slstomo o
por consogulnto doscrlto multo brovomonto; por osto rozoo noo so
132
podo concobor too locllmonto como ó quo todo umo vldo podo sor
lovodo oi, dodo quo o contoudo dosto vldo tom do sor oncorodo
como nodo. Mos o gonto noo so lombro quo osto ponto do vlsto
jomols so oncontro no vldo do monolro too ldool como osto no
slstomo; o gonto noo so lombro quo o lronlo, como quolquor outro
ponto do vlsto no vldo, tom suos provoçoos, suos lutos, sous rocuos,
suos vltorlos. Asslm, no Slstomo o duvldo tombóm ó um momonto
ovonosconto, mos no roolldodo olotlvo, ondo o duvldo so roollzo
noquolo conlllto constonto com tudo o quo quor lovontor-so o
subslstlr contro olo (¨dostrulndo todos os olovoçoos quo so olçom...
o oprlslonondo-os no obodlônclo¨), olo tom multo contoudo, num
outro sontldo. Esto ó o vldo puromonto possool, com o quol docorto
o clônclo nodo tom o vor, so bom quo um conhoclmonto um pouco
mols proxlmo dolo llbortorlo o clônclo doquolo ìJem per ìJem
toutologlco quo otlngo soguldomonto tols concopçoos. Mos sojo lo
como lor, olndo quo o clônclo tonho rozoo om lgnoror tols colsos,
quom qulsor comproondor o vldo lndlvlduol noo podo lozor o
mosmo. E dodo quo o proprlo Hogol dlz, om olgum lugor, quo no
quo tongo o Socrotos noo so troto tonto do ospoculoçoo quonto do
vldo lndlvlduol, ou mo otrovo o vor nlsso umo sonçoo poro o
oncomlnhomonto quo dol om todo o mlnho posqulso, mosmo quo
no mlnho lroquozo posso tô-lo dolxodo olndo bostonto lmporlolto.
A CONDENAÇÃO DE SÓCRATES
Quolquor um ontondoro lmodlotomonto quo oqul tomos o vor
com olgo do lotlco o quo noo so troto do umo concopçoo no sontldo
om quo ocorro com Xonolonto, Plotoo o Arlstolonos, poro os quols
o roolldodo do Socrotos oro ocosloo poro o momonto om umo
oprosontoçoo quo buscovo ldoolmonto orrodondor, tronsllguror suo
possoo - u serìeJuJe Jo EstuJo noo podorlo pormltlr-so lsto, o
portonto estu suu concepçdo ó sìne ìru utque stuJìo (som lro nom
porclolldodo). E vordodo quo osto so bosolo otó corto ponto sobro o
dos ocusodoros; mos por mols odlo quo houvosso no ospirlto dostos,
olos tlnhom cortomonto quo oslorçor-so poro so otorom o mols
possivol ò vordodo. Alóm dlsso, o quolxo ó oponos um momonto do
concopçoo do Estodo, olo ó o ocosloo oxtorlor poro quo o Estodo
tomo consclônclo, num sontldo mols ospoclol, do roloçoo dosto
lndlviduo portlculor poro com olo
111
. Soro, ontoo, quo o Estodo
otonlonso, com o condonoçoo do Socrotos, comotou umo lnjustlço
quo grlto oos cóus, soro quo o mols corto quo podomos lozor ó
voluntorlomonto nos unlrmos ò multldoo do soblos corpldolros o do
133
lllontropos pobros do ospirlto mos rlcos om logrlmos, cujos choros o
lomontoçoos por um homom too bom, too honosto, modolo do
vlrtudo o cosmopollto, vitlmo do lnvojo mols sordldo, cujos choros o
lomontoçoos, como dlsso, roporcutom olndo otrovós dos sóculos¹ Ou
soro quo o Estodo otonlonso oglu com lntolro justlço oo condonor
Socrotos¹ Soro quo nos podomos com o consclônclo tronqullo
ontrogor-nos ò ologrlo polos plncolodos ousodos o vlgorosos do
clônclo mols modorno quo osboço o quodro do Socrotos como um
horol troglco quo oo mosmo tompo noo tlnho o tlnho rozoo, o do
Estodo grogo como umo ordom ortlculodo dos colsos¹ Sobro tols
quostoos noo dovomos lolor mols pormonorlzodomonto nosto lugor.
A ucusuçdo contro Socrotos ó um documonto hlstorlco
112
. Elo
so dlstlnguo om Juus purtes, quo rocoboroo um ostudo mols opro-
lundodo codo umo por sl.
1. Sócrates não reconhece os deuses reconhecidos pelo
Estado e introduz novas divindades
Esto ocusoçoo contóm, como so vô, dols pontos: olo ndo ocolto
os dousos do Estodo o lntroduz nooos. No quo so roloro o osto ultìmo
ponto, jo dlscutlmos o ossunto nos poglnos procodontos oo trotormos
do domónlo do Socrotos. Tombóm jo lol lolto umo obsorvoçoo sobro
otó quo ponto so podorlo otrlbulr olgum volor oo movlmonto dloló-
tlco com quo olo duronto suo doloso no trlbunol quor, portlndo do
dotormlnoçoo obstroto do lntorlorldodo (o domonioco), construlr o
objotlvo sob o dotormlnoçoo do porsonolldodo. Mos o prlnclpol ó
quo llcou cloro, osporo, quo o domonioco doslgnovo o roloçoo
totulmente negutìou do Socrotos poro com o ordom ostobolocldo no
torrono rollgloso, o noo tonto polo loto do olo lntroduzlr olgo novo,
pols nosto coso o suo roloçoo nogotlvo so mostrorlo mols o mols como
umo sombro o ocomponhor suo posltlvldodo, mos ontos polo loto do
olo rojoltor o ordom ostobolocldo, lochondo-so om sl mosmo o
llmltondo-so ogolstlcomonto om sl mosmo. No quo tongo oo prìmeìro
ponto, noo so dovo vor nosso rojolçoo um lruto do umo rolloxoo lrlo,
roclonol o prosolco sobro o noturozo, noo dosconhocldo dos otonlon-
sos o quo noquolo ópoco tombóm tlnho dodo ocosloo o quo vorlos
suspoltos do otoismo lossom oxllodos. Socrotos noo so ocupovo com
tol ostudo, o omboro ontorlormonto so tlvosso dolxodo lnlluonclor
por Anoxogoros, logo so llbortoro dosto lnlluônclo, loto quo Plotoo
roloro om vorlos possogons, trocondo ontoo o rolloxoo sobro o
noturozo polo rolloxoo sobro o homom. Quondo so dlz portonto do
Socrotos quo olo noo roconhoclo os dousos ocoltos polo Estodo, doi
134
noo soguo quo olo losso um otou (nogodor do dous). Ao controrlo,
osto noo-ocoltoçoo socrotlco dos dousos do Estodo osto ossonclol-
monto roloclonodo com todo o sou ponto do vlsto quo, no dominlo
toorlco, olo mosmo coroctorlzovo como ìgnordncìu
113
. Mos lgnorôn-
clo ó um ponto do vlsto lllosollco rool o oo mosmo tompo totolmonto
nogotlvo. A lgnorônclo do Socrotos, com ololto, noo oro do monolro
olgumo umo lgnorônclo ompirlco, multo polo controrlo, olo tlnho lldo
tonto os pootos quonto os lllosolos, tlnho tombóm multo oxporlônclo
nos colsos do vldo, do modo quo no sontldo ompirlco olo noo oro
lgnoronto. Mos, por outro lodo, oro lgnoronto no ospocto lllosollco.
Ero lgnoronto quonto òqullo quo osto no lundomonto do tudo, o
otorno, o dlvlno, quor dlzor, olo soblo quo lsto oro, mos noo soblo o
quo lsto oro, olo tlnho lsto om suo consclônclo o contudo noo o tlnho
om suo consclônclo, no modldo quo o prlmolro colso quo olo podlo
prodlcor o rospolto oro quo nodo soblo o rospolto. Mos, com outros
polovros, lsto ó o mosmo colso quo ontorlormonto lol osslm corocto-
rlzodo: Socrotos tlnho u ìJéìu como lìmìte. Ató oi, tlnho do sor multo
locll poro olo rolutor o ocusoçoo quo lho ossocovom, do quo noo
ocoltovo os dousos roconhocldos polo Estodo. Pols olo podlo, do
monolro socrotlcomonto corroto, contostor: ¨Como ó quo mo podom
ocusor dlsso¹ Dodo quo ou noo sol nodo, ou noturolmonto noo sol
do jolto nonhum so ocolto os dousos quo o Estodo ocolto!¨ Com o
quo so podo tombóm vor o conoxoo dlsto com o quostoo do otó quo
ponto noo so torlo constltuido um sobor posltlvo por tros dosto
lgnorônclo. Schlolormochor chomo o otonçoo, om um ortlgo
114
, poro
o loto do quo quondo Socrotos, o sorvlço do oroculo, ondovo por oi
poro mostror oo povo quo nodo soblo, oro lmpossivol quo olo so
soubosso quo noo soblo nodo, jo quo por tros dlsso nocossorlomonto
ostovo quo olo soblo o quo oro sobor. E mostro o sogulr como
Socrotos ó proprlomonto o lundodor do dlolótlco. Mos oi tomos do
novo umo posltlvldodo quo olhodo mols do porto so mostro como
nogotlvldodo. Rocordondo oqul umo obsorvoçoo ontorlor: Socrotos
chogou ò ldólo do dlolótlco, mos noo possuio do jolto nonhum o
dlolótlco do ldólo. E mosmo sogundo o vlsoo do Plotoo, lsto constltul
um ponto do vlsto nogotlvo. Por lsso, no dlcotomlo do Ropubllco, lo
ondo o dlolótlco so mostro, mostro-so o bom como sondo o posltlvo
quo corrospondo o osto, osslm como tombóm no dlcotomlo om quo
o omor so oprosonto como o nogotlvo, o olo corrospondo o bolo
como sondo o posltlvo. Agoro, ó bom vordodo quo osto nogotlvldodo,
oqul constontomonto lnslnuodo, o codo momonto posto o no mosmo
momonto rovogodo, tom umo posltlvldodo prolundo o rlco do
contoudo dosdo quo olo choguo o consclontlzor-so do sl mosmo;
135
poróm Socrotos o montlnho constontomonto oponos como posslbl-
lldodo quo jomols so tornovo om roolldodo.
A gonto so convoncoro tombóm dlsso londo otontomonto todo
o Apologìu do Plotoo; osto ó too oxprosslvo, om suo doscrlçoo do
lgnorônclo do Socrotos, quo bosto quo o gonto so colo o oscuto
quondo olo lolo. Elo doscrovo suo sobodorlo roloclonondo-o com o
do Evonos do Poros, quo cobrovo clnco mlnos por sou onslnomonto.
Follclto-o por couso do posltlvldodo quo osto dovlo possulr, jo quo
oxlglo um pogomonto too coro, o rospondo ontoo, quonto ò suo
proprlo sobodorlo: ¨Mos por quo tlpo do sobodorlo rocobl o nomo
do soblo¹ Docorto por oquolo quo ó o sobodorlo humono. Pols ó bom
possivol quo ou sojo soblo dosto tlpo¨ (20 d). Os outros, poróm, dlz
olo, torlom do ostor do posso do umo sobodorlo suporlor: ¨Mos
oquolos, quo ou ocobo do cltor, tolvoz sojom soblos numo sobodorlo
quo noo ó odoquodo oo homom¨. Aqul, portonto, o prodlcodo
¨humono¨
115
otrlbuido ò sobodorlo om controposlçoo o umo sobo-
dorlo quo ó mols do quo humono, ó do molor lmportônclo. Com
ololto, quondo o subjotlvldodo com sou podor nogotlvo quobrou o
loltlço sob o quol tronscorrlo o vldo humono submotldo ò lormo do
substonclolldodo, quondo omonclpou o homom do suo roloçoo poro
com Dous, osslm como llborto o lndlviduo do suo roloçoo poro com
o Estodo, oi o prlmolro lormo sob o quol olo so mostro ó o lgnorônclo.
Os dousos lorom omboro, o com olos o plonltudo, o homom llco poro
tros como o lormo, como oqullo quo dovo rocobor om sl o plonltudo,
mos osto roloçoo, no dominlo do conhoclmonto, ó concobldo corro-
tomonto como lgnorônclo. Esto lgnorônclo ó, por suo voz, do monolro
lntolromonto consoquonto, coroctorlzodo como subeJorìu lumunu,
no modldo quo oqul o homom olconçou o sou dlrolto, dlrolto quo
conslsto oxotomonto om noo sor o quo ó. A sobodorlo dos outros
mostros, om roloçoo o osto, tlnho um contoudo multo molor, olndo
quo, noturolmonto, sob um outro ospocto, multo monor, o por lsso
noo ó, do jolto nonhum, som umo corto lronlo, quo Socrotos dlscorro
sobro o suporlorldodo dolos. Esto concopçoo, Socrotos tombóm o
consldoro rolorçodo polo onunclodo do oroculo dólllco, quo o portlr
do ponto do vlsto dlvlno vô oxotomonto o mosmo colso
116
. E como
o oroculo ostovo sompro numo roloçoo com o consclônclo humono
corrospondonto - num tompo mols ontlgo dlstrlbuio consolhos com
outorldodo dlvlno o, numo ópoco mols tordlo, so ocupovo com
propor problomos clontillcos
117
, - osslm tombóm nos vomos umo
lurmonìu pruestubìlìtu (hormonlo proostobolocldo) no sontonço do
oroculo dólllco rolotlvo o Socrotos. Ató o mol-ontondldo do quo por
tros dosto lgnorônclo so oscondorlo um sobor lol lntuido por Socrotos,
136
quo poróm tombóm o concoblo como um mul-entenJìJo. Com
ololto, olo oxpllco como ó quo suo otlvldodo porsuoslvo pódo otrolr-
lho tontos lnlmlzodos, o ocrosconto; ¨Pols os prosontos ocrodltom o
codo voz quo ou ontondo doquolos colsos sobro os quols conlundo
o outro¨. Entrotonto, lguolmonto so vô, ollnol, como olo protosto
contro osto mol-ontondldo o quoo pouco corroto olo consldoro o
conclusoo do quo, jo quo oro copoz do porsuodlr outros do quo nodo
soblom, olo mosmo dovorlo sobor olgumo colso.
O quo lmpodlo Socrotos do um oprolundomonto ospoculotlvo
dosto posltlvldodo, prossontldo ò dlstônclo por tros dosto lgnorônclo,
oro, noturolmonto, u oocuçdo Jìoìnu quo olo tlnho poro porsuodlr
codo lndlviduo o rospolto do mosmo. Elo noo vloro poro solvor o
mundo, mos poro julgo-lo. A lsto ostovo dodlcodo suo vldo, o osto
otlvldodo o montlnho tombóm olostodo do portlclpoçoo nos ossuntos
do Estodo. Os otonlonsos podorlom tlror-lho o vldo o olo so roslgnorlo;
mos umo obsolvlçoo sob o condlçoo do ronunclor o osto mlssoo
dlvlno, jomols olo ocoltorlo, jo quo lsto sorlo umo tontotlvo do moto-lo
no sontldo osplrltuol. Elo oro o otorno ogonto, quo por procuroçoo
do dlvlndodo oxlglo lnoxorovolmonto otó o ultlmo contovo o quo oro
proprlododo dlvlno. O quo Nomosls loro ontorlormonto com roloçoo
oo quo so dostocovo, oo oxcolonto, oro ogoro prolundo o totolmonto
oxocutodo no otlvldodo lrónlco do Socrotos om roloçoo ò humonl-
dodo onquonto tol. So quo Socrotos noo so dotlnho numo consldo-
roçoo lllosollco, mos so voltovo poro codo um om portlculor,
dospojovo-o do tudo o o dospodlo do moos vozlos. Ero como so os
dousos lrodos
118
tlvossom vlrodo os costos poro os homons, rocolhl-
do tudo o quo oro sou o os tlvossom ontroguo o sl mosmos. Mos num
outro sontldo, os homons ó quo so hovlom olostodo dos dousos o so
oprolundodo om sl mosmos. Contudo, osto ó noturolmonto oponos
um momonto do tronslçoo. Sob multos ospoctos, o homom ostovo
mosmo no comlnho corto, o so podo por lsso dlzor, o osto rospolto,
o quo Agostlnho dlz do pocodo: beutu culpu (lollz culpo). As logloos
colostos dos dousos so olovorom do torro o dosoporocorom do vlsto
dos mortols, mos justomonto osto dosoporocor oro o condlçoo poro
umo roloçoo mols prolundo. Por lsso, Rötschor dlz multo corroto-
monto (p. 253): ¨Com lsso so oscloroco tombóm como ó quo so dovo
ontondor o lgnorônclo socrotlco, tontos vozos doturpodo o quo too
soguldomonto lol usodo como umo boo opologlo do proprlo lgno-
rônclo o como umo doloso contro o roconhoclmonto do vordodolro
sobor. O sobor quo nodo soblo noo ó, com ololto, como so tom
roprosontodo comumonto, o puro nodo vozlo, o slm o nodo do
contoudo dotormlnodo do mundo ostobolocldo. O sobor do nogotl-
137
vldodo do todo contoudo llnlto ó o suo sobodorlo, lmpulslonodo polo
quol olo ontro om sl o coloco osto lnvostlgoçoo do suo lntorlorldodo
como o moto obsoluto, o lniclo do sobor lnllnlto, mos, bom ontondl-
do, somonto o lniclo, dodo quo osto consclônclo olndo noo so
complotou do monolro olgumo, o ó somonto o nogoçoo do todo o
llnlto o ostobolocldo¨. Tombóm Hogol obsorvo (p. 60): ¨Socrotos
ontoo lozlo oquolos quo com olo ondovom oprondor quo nodo
soblom; slm, o quo ó mols, olo otó dlzlo quo noo soblo nodo o portonto
tombóm noo onslnovo nodo. Elotlvomonto podo-so tombóm dlzor
quo Socrotos nodo soblo; pols olo noo chogou o possulr umo lllosollo
ou o construlr umo clônclo. Elo tlnho consclônclo dlsso; o nom oro
suo moto possulr umo clônclo¨.
Socrotos lndlcou ontoo, cortomonto, umo novo dlroçoo, olo
dou ò ópoco suo dlroçoo (so so quor tomor osto polovro noo tonto
no sou sontldo lllosollco quonto no sontldo mllltor), olo ondovo por
oi com codo um om portlculor poro convoncor-so do quo osto ostovo
poslclonodo corrotomonto; o contudo, osto suo otlvldodo noo ostovo
too dlrlgldo poro chomor o otonçoo dosto poro o quo dovlo vlr
quonto, multo ontos, poro orroncor dosto o quo olo possuio, o
roollzovo lsto cortondo, onquonto durosso o oporoçoo, todo o comu-
nlcoçoo com o sltlodo, ò modldo om quo olo, com sou quostlono-
monto, dolxovo-o ò minguo do oplnloos, do roprosontoçoos,
trodlçoos consogrodos otc., quo otó oll hovlom bostodo poro o
rospoctlvo lndlviduo. E quondo olo hovlo roollzodo lsto com o
lndlviduo, oi omortoclo por um lnstonto o chomo dovorodoro do
lnvojo (osto polovro tomodo no sontldo motolislco), o llcovo sotlslolto
por um lnstonto o ontuslosmo onlqullodor do nogotlvldodo, o oi olo
soboroovo plonomonto u ulegrìu Ju ìronìu, soboroovo-o duplomonto,
porquo so sontlo outorlzodo polo dlvlndodo, sontlo-so om suo voco-
çoo. Mos lsto, noturolmonto, so ocorrlo por um lnstonto, logo om
soguldo olo ostovo do novo om suo lunçoo
11º
. A nogotlvldodo quo
hovlo om suo lgnorônclo noo oro poro olo um rosultodo nom um
ponto do portldo poro umo ospoculoçoo mols prolundo; mos o
ospoculotlvo quo ostovo ò boso do sou ponsomonto o com o quol olo
tlnho clrcunovogodo lnllnltomonto o oxlstônclo oro o mondoto dlvlno
om vlrtudo do quol oxorclo suo proxls com os colsos portlculoros.
Esto lgnorônclo oro oquolo otorno vltorlo sobro o lonómono, quo
nonhum lonómono portlculor o nom mosmo o somo do todos os
lonómonos lho podlo orrobotor, mos polo lorço dolo olo vonclo o codo
lnstonto o lonómono. Elo llbortovo osslm, docorto, o lndlviduo do
quolquor prossuposlçoo, llborovo-o osslm como olo proprlo oro llvro;
poróm, o llbordodo quo olo proprlo gozovo om sotlsloçoo lrónlco, o
138
outro noo podlo gozor, o por lsso olo dosonvolvlo nos outros nostolglo
o dosojo. Por lsso, onquonto o sou proprlo ponto do vlsto so
orrodondovo om sl mosmo, osto ponto do vlsto, ossumldo no cons-
clônclo do outro, ó oponos o condlçoo poro um novo. A rozoo por
quo Socrotos podlo ropousor nosto lgnorônclo ostovo om quo olo noo
possuio um lmpulso ospoculotlvo mols prolundo. Em voz do ocolmor
polo ospoculoçoo osto nogotlvldodo, opozlguovo-o multo ontos no
ìnquìetuJe eternu, no quol olo roprlsovo o mosmo procosso com codo
lndlviduo portlculor. Mos, om tudo lsto, o quo loz dolo umo porso-
nolldodo ó justomonto o lronlo. - Esto lgnorônclo toorótlco, poro o
quol pormonoclo um mlstórlo o ossônclo otorno do dlvlndodo, notu-
rolmonto dovlo tor tldo sou oqulvolonto om umo ìgnordncìu relìgìosu
somolhonto o rospolto dos provldônclos, dos orlontoçoos dlvlnos poro
o homom, umo lgnorônclo rollgloso quo buscovo suo odlllcoçoo o
monllostovo suo dovoçoo om umo lgnorônclo totol, osslm como, por
ox., om um dosonvolvlmonto multo mols concroto, Schlolormochor
procurovo o odlllcoçoo no sontlmonto do dopondônclo obsoluto.
Tombóm lsto oculto noturolmonto om sl umo polômlco o so torno
um horror poro oquolo quo oncontrou sou ropouso numo ou noutro
roloçoo llnlto com o dlvlno. A osto rospolto jo rocordo o possogom
quo ontorlormonto cltomos dos Memorúoeìs do Xonolonto (l,1,8),
ondo Socrotos onollso como os dousos rotlvorom poro sl o mols
lmportonto, ou sojo, o rosultodo dos oçoos, do modo quo todo
oslorço humono oro voldodo quo nodo produzlo. E lsto tombóm so
mostro no dlologo plotónlco 5egunJo AlcebiuJes, ondo Socrotos lolo
do slgnlllcodo do oroçoo, o ondo olo onlotlzo quo ó proclso tor o
molor culdodo oo podlr olgumo colso oos dousos, poro quo noo
ocontoço quo os dousos oscutom o proco o dopols so mostro tolvoz
quo lsto noo oro do monolro nonhumo um dom poro os homons.
Esto proocupoçoo, ó bom vordodo, poroco olndo contor om sl o
posslbllldodo do quo o homom om cortos cosos posso lntulr o quo ó
provoltoso o osslm posso podl-lo. Mos om porto dovo-so lombror quo
Socrotos do monolro olgumo ocolto quo mosmo no suposlçoo do quo
o homom soubosso o quo ó molhor poro olo o podlsso por lsto, os
dousos so por lsso lho concodorlom, o quo oponto poro umo duvldo
olndo mols prolundo sobro o quo sorlo ollnol o molhor poro o
homom; o om porto, quo osto proocupoçoo dogonoro om onslododo,
quo so oncontro ropouso no neutrulìzuçdo Ju oruçdo. Tombóm so
porcobo o mosmo oo vor como olo louvo um vorso do um pooto quo
dlz o sogulnto:
Dá-nos o bem, ó Zeus!, quer o peçamos ou não.
E nos afasta do mal, mesmo quando o pedimos.
139
Mos com lsso nos vomos no porspoctlvo rollgloso o dlvlno too
olostodo do homom quonto so mostroro no ospocto toorótlco, o o
oxprossoo poro lsto ó mols umo voz lgnorônclo
120
.
Do rosto, costumo-so tombóm lombror, poro coroctorlzor o
ponto do vlsto do Socrotos, o conhocldo oxprossoo: Gnotlì suuton
(conhoco-to o tl mosmo). E noo so podo nogor quo ostos polovros
contôm umo omblguldodo quo justomonto dovorlo contor o lovor
dolos, por podorom coroctorlzor tonto um ponto do vlsto toorlco
quonto um ponto do vlsto protlco, mols ou monos como o polovro
¨vordodo¨ no tormlnologlo crlsto. Entrotonto, no clônclo mols rocon-
to, ossos polovros llcorom complotomonto dosllgodos do comploxo
do ldólos o quo portoncom, o dopols ontoo ondorom vogobundoondo
som rostrlçoos, duronto olgum tompo, no lltoroturo. Aqul, pols, umo
tontotlvo poro lovo-los do volto ò suo torro notol, lsto ó, umo tontotlvo
poro mostror o quo olos tôm o slgnlllcor com rospolto o Socrotos, ou
do quo monolro Socrotos tornovo locundo o ponsomonto contldo
nosto oxprossoo. E bom vordodo quo o subjotlvldodo om suo plonl-
tudo totol, o lntorlorldodo om todo o suo rlquozo lnllnlto, tombóm
podo sor coroctorlzodo com o oxprossoo Gnotlì suuton (conhoco-to
o tl mosmo); mos no quo tongo o Socrotos, oi osto outoconhoclmonto
noo oro too cholo do contoudo, olo proprlomonto noo contlnho nodo
mols do quo o soporoçoo, o sogrogoçoo doqullo quo mols tordo so
tornou objoto dosto conhoclmonto. A oxprossoo ¨conlece-te u tì
mesmo¨ slgnlllco: soporo o tl mosmo do outro. Justomonto porquo
ontos do Socrotos osto ¨sl mosmo¨ (5elo) noo oxlstlo, justomonto por
lsso oro mols umo voz umo docloroçoo do oroculo, corrospondonto
ò consclônclo socrotlco, quo lho ordonovo conhocor o sl mosmo.
Estovo rosorvodo o umo ópoco ultorlor oprolundor-so nosto conho-
clmonto do sl. So so comproondo lsso - como o oposlçoo do Socrotos
oo contoudo substonclol do Gróclo torno nocossorlo -, ontoo so
porcobo quo oqul mols umo voz Socrotos tom um resultuJo totol-
monto negutìoo. Esto prlnciplo: ¨conhoco o tl mosmo¨ ó totolmonto
congruonto com o lgnorônclo ontos doscrlto. A rozoo por quo Socro-
tos podlo llcor opolodo sobro osto ponto nogotlvo ó lguol ò do coso
ontorlormonto ostudodo, pols o torolo do suo vldo o sou lntorosso oro
o lozor volor osto ponto, noo ospoculotlvomonto, pols nosto coso olo
dovorlo nocossorlomonto tor ldo odlonto, mos slm protlcomonto,
lronto o codo homom lndlvlduol. Elo trozlo os lndlviduos, por con-
sogulnto, poro bolxo do suo bombo do or dlolótlco, prlvovo-os do or
otmoslórlco quo ostovom ocostumodos o rosplror, o os dolxovo osslm
plontodos. Agoro tudo ostovo pordldo poro olos, so noo lossom
140
copozos do rosplror om um or otóroo. Socrotos, por outro lodo, nodo
mols tlnho o vor com olos, o corrlo poro novos oxporlmontos.
Mos rotornomos por um lnstonto ò clrcunstônclo quo nos
proporclonou o ocosloo do nos lntroduzlrmos om todo osto lnvostl-
goçoo, o ocusoçoo contro Socrotos, o ontoo soltoro oos olhos quo
Socrotos ostovo em conjlìto com o concepçdo Jo EstuJo, slm, quo
sou otontodo tlnho do sor oncorodo, do ponto do vlsto do Estodo,
como umo dos omprosos mols porlgosos, como umo tontotlvo do
sugor o songuo do Estodo o tronslormor o Estodo numo sombro.
Alóm dlsso tombóm, osto cloro quo olo otroio sobro sl o otonçoo
publlco; pols olo noo so dodlcovo o umo ldillco vldo clontillco, multo
polo controrlo, oro com o onormo olostlcldodo do um ponto do vlsto
hlstorlco-unlvorsol quo olo lonçovo um lndlviduo opos outro poro
loro do roolldodo do Estodo. Mos umo voz lovontodo o ocusoçoo, o
Estodo noo podlo mols contontor-so com o doloso ologodo, bosoodo
no lgnorônclo do quol olo so bonollclovo, jo quo noturolmonto osto
lgnorônclo proclsovo sor vlsto, no porspoctlvo do Estodo, como um
crlmo.
Mos so o sou ponto do vlsto oro nogotlvo no ospocto toorlco,
no ospocto protlco noo o oro monos, pols ele ndo estuou em
conJìçoes do controlr com o ordom ostobolocldo quolquor reluçdo
reul
121
. lsto tlnho noturolmonto o sou lundomonto om suo poslçoo
toorlco. Elo tlnho so oncontrodo o sl mosmo loro do outro (ou sojo,
no porspoctlvo grogo: do Estodo); mos om componsoçoo olo tombóm
noo podlo rooncontror-so o sl mosmo dontro do Estodo. No Apolo-
gìu, olo mosmo roloto como o mlssoo dlvlno quo tlnho o prlvovo do
tompo o do oportunldodo poro so dodlcor oos ossuntos do Estodo,
o docloro sor nocossorlo, poro olo, vlvor como homom prlvodo.
So so lovor om conto quo mosmo om nossos poisos, quondo o
Estodo, justomonto porquo otrovossou umo modloçoo multo mols
prolundo, jo roconhoco ò subjotlvldodo um ospoço complotomonto
dlloronto, multo mols do quo o Estodo grogo oro copoz do lozor, so
mosmo oi, dlgo ou, om nossos Estodos, um ¨portlculor¨ contlnuo o
sor umo possoo ombiguo, ontoo so podoro doi doduzlr com quo olhos
o Estodo grogo dovo tor consldorodo u tentutìou Je 5ocrutes do ondor
o sou comlnho por conto proprlo o lovor o vldo como um lomem
prìouJo. E so o Prolossor Holnslus ocho quo ropllcou sotlslotorlo-
monto o umo obsorvoçoo do Forchhommor, porguntondo so tolvoz
olguóm quororlo dor rozoo o Forchhommor, ontoo ou gostorlo do,
com todo o modóstlo, mo pormltlr rospondor oo Sr. Prolossor
Holnslus, quo ou consldoro bom doscrlto o corrotomonto comproon-
141
dldo como horoslo contro o Estodo, quondo Forchhommor ò p. 6
doscrovo o otlvldodo do Socrotos com os polovros: ¨Em codo portlco,
o codo osqulno, om codo possolo, olo ogorrovo jovons otonlonsos
polo monto o os questìonuou, otó quo olos portlssom com o sontl-
monto onvorgonhodo do noo-sobor, mos tombóm duvldondo do-
qullo quo otó ontoo hovlom consldorodo dlvlno, ou otó quo so
ontrogossom som rosorvos oo sou onslnomonto¨. O quo poroco bom
no doscrlçoo do Forchhommor ó o modo como olo doscrovo Socrotos
clrculondo polos ruos o polos bocos, oo lnvós do ocupor o sou lugor
no Estodo ou sor um cldodoo no sontldo grogo, dlsponsondo-so dos
oncorgos onorosos do Estodo o sontlndo-so bom oo oglr prlvodo-
monto. Suo poslçoo no vldo oro por lsso totulmente sem titulos
122
,
ou noo quoro dlzor, noturolmonto, no sontldo odloso do quo olo noo
tonho sldo Assossor do Choncolorlo ou Socrotorlo, mos dodo quo
noo ostovo om nonhumo roloçoo com o Estodo, noo so podlo, do
porspoctlvo do Estodo, dor quolquor prodlcodo ou titulo o todo suo
vldo o sou oglr. Vomos ontoo multo bom como, mols tordo, tombóm
Plotoo chomou o lllosolo poro loro do roolldodo, como Plotoo quor
quo os lovos llguros dos ldólos otrolom o lllosolo poro longo do
polpovol, o o lllosolo dovo ontoo vlvor longo dos ruidos do mundo.
Mos noo oro osto o coso do Socrotos. Docorto quo hovlo om
Socrotos olgo do um oxoltodo polo conhoclmonto, vlsto quo o
obstroto ó justomonto o molor tontoçoo poro o ontuslosto oxoltodo;
mos lsto noo o olostovo do vldo, multo polo controrlo, olo ostovo
sompro num contoto multo vlvo com osto; contudo, suo roloçoo com
o vldo oro umo roloçoo moromonto possool poro com lndlviduos, o
sou roloclonomonto rociproco com olos so complotovo como lronlo.
Os homons orom ontoo, poro olo, do umo lmportônclo lnllnlto
123
, o
quonto mols olo so mostrovo lnlloxivol om noo so submotor oo
Estodo, tonto mols lloxivol, tonto mols moloovol olo oro no troto com
os homons, tonto molor vlrtuoso dos oncontros cosuols. Elo gostovo
lguolmonto do lolor com ogrlcultoros, ollolotos, sollstos, homons do
Estodo, pootos, com jovons o volhos, lolovo locllmonto sobro todos
os ossuntos, porquo om todo porto oncontrovo umo torolo poro suo
lronlo
124
. Mos om tudo lsso noo oro cortomonto um bom cldodoo o
cortomonto noo tornovo molhoros cldodoos os outros
125
. So o ponto
do vlsto do Socrotos oro roolmonto suporlor oo do Estodo, so olo om
vordodo ostovo outorlzodo polo dlvlndodo, sobro lsto o hlstorlo
unlvorsol dovo julgor, mos so olo dovo julgor rozoovolmonto, ontoo
tom do concodor oo mosmo tompo quo o Estodo ostovo outorlzodo
o condonor Socrotos. Num corto sontldo, olo oro, portonto, rovolu-
clonorlo, contudo noo tonto oo lozor olgumo colso quonto oo so
142
omltlr do lozor olgo; mos homom do portldo ou coboço do um compló
olo noo oro, dlsto o prosorvovo o lronlo; pols osslm como osto o
prlvovo do vordodolro slmpotlo do cldodoo polo Estodo, do vordo-
dolro ¨pothos¨ civlco, tombóm o llvrovo doquolo morbldoz o doquolo
oxoltoçoo quo ó condlçoo poro um homom do portldo. Suo poslçoo
oro por domols o do umo ìsoluçdo pessoul, todo o quolquor roloçoo
quo olo controio oro llgodo do monolro lrouxo domols poro sor outro
colso do quo um contoto rlco do slgnlllcoçoo. Elo ostovo lronlcomon-
to oclmo do quolquor roloçoo, o o lol do roloçoo oro umo constonto
otroçoo o ropulsoo, o llgoçoo com o lndlviduo oro so momontônoo,
o por clmo do tudo lsso olo mosmo llutuovo om sotlsloçoo lrónlco. A
lsso so prondo umo lmputoçoo quo lol lonçodo nos tompos modornos
contro Socrotos; olo lol ocusodo (por Forch-hommor) do sor um
urìstocrutu. lsso dovo sor comproondldo, noturolmonto, num sontldo
osplrltuol, o dosto ocusoçoo noo so podoro llvror Socrotos. A lìber-
JuJe ìronìcu do quo olo gozovo, no modldo quo nonhumo roloçoo
oro sullclontomonto lorto poro o prondor - mos olo so sontlo sompro
llvro oclmo dolos -, o gozo do bostor-so o sl mosmo, oo quol olo so
ontrogovo, tudo lsso lndlco olgo do orlstocrotlco. Todos sobom quo
Dlogonos lol comporodo o Socrotos, o chomodo do um ¨Socrotos
lurloso¨; Schlolormochor oro do oplnloo do quo so dovorlo chomo-lo
um Socrotos corlcoto, mos procurou o somolhonço no lndo-
pondônclo lronto oo gozo sonsivol, quo ombos procurovom conquls-
tor. No ontonto, cortomonto lsto ó olndo multo pouco. So so rocordor,
oo controrlo, quo o clnlsmo ó o gozo nogotlvo (om roloçoo oo
oplcurlsmo), quo o clnlsmo gozo o prlvoçoo, o lolto, noo dosconhoco
o prozor, mos procuro suo sotlsloçoo no noo codor o olo, o quo osslm,
om voz do so obondonor oo prozor, o todo momonto rotorno o sl
mosmo o gozo o lolto do gozo - um gozo quo too vlvomonto lombro
oqullo quo o sotlsloçoo lrónlco ó no plono lntoloctuol -, so so rolloto
sobro todos ossos colsos o so opllco lsso no sontldo osplrltuol com
rolorônclo ò multlpllcldodo do vldo politlco, oi ontoo o somolhonço
cortomonto noo soro too som lmportônclo. A vordodolro llbordodo
conslsto, noturolmonto, om dodlcor-so oo gozo o contudo consorvor
suo olmo lntocto. No vldo politlco, o vordodolro llbordodo conslsto,
noturolmonto, om ostor sltuodo no contoxto do vldo, do tol modo
quo osto tonho umo volldodo objotlvo poro o gonto, o oi consorvor o
mols intlmo, o mols prolundo vldo possool, quo bom podo so movor
sob ostos condlçoos o roloçoos, mos ó, contudo, otó corto ponto,
lncomonsurovol com olos.
143
Mos rotornomos ontoo por um lnstonto òquolo clrcunstônclo
quo nos proporclonou ontrormos nostos consldoroçoos, o ocusoçoo
do Socrotos, o oi ó ovldonto quo Socrotos, no osloro publlco, om voz
do sor um ponto ontro outros no porllorlo do Estodo, grovltovo contro
o contro dosto, oro ontos umo tongonto quo sompro tocovo o
multlpllcldodo porllórlco do Estodo. E ó ovldonto, por consogulnto,
quo om suo roloçoo com o Estodo noo so podo ousor otrlbulr-lho o
vlrtudo nogotlvo do noo lozor mol (umo nogotlvldodo quo no pors-
poctlvo grogo tlnho do sor consldorodo um crlmo), mos olo, lsto slm,
oo colocor outros no mosmo sltuoçoo, reulmente juzìu o mul. E olndo
so dovo lombror mols umo colso. Com os outros, quo orroncoro do
sou lugor noturol, olo noo controio obsolutomonto nonhumo roloçoo
mols prolundo (olo noo oro homom do portldo), mos ostovo, oo
mosmo lnstonto, lronlcomonto oclmo dolos.
Mos so poro Socrotos oro lmpossivol oncontror o sl mosmo no
multlplo concroçoo do Estodo, so llcovo duvldoso quo olo pudosso
roollzor olgo com o módlo dos cldodoos otonlonsos, cujo vldo tlnho
sldo lormodo oo longo dos onos polo vldo politlco, olo tlnho, por
outro lodo, nu juoentuJe, protogldo polo Estodo quo so proocupovo
com o luturo dolo, um torrono propiclo ondo suos ldólos so podorlom
prosporor, umo voz quo o juvontudo sompro vlvo do monolro mols
unlvorsol do quo os homons odultos. Ero, pols, totolmonto noturol
quo Socrotos dodlcosso suo otonçoo ospoclolmonto ò juvontudo. E
com lsto osto lolto o possogom poro o outro ponto do ocusoçoo.
2. Sócrates seduz a juventude
Quo ontoo o doloso quo Socrotos oprosonto no Apologìu
sogundo Plotoo (26o), do quo olo proclsovo lozô-lo ou com ou contro
o sou conhoclmonto (okon - okon), o do quo sorlo, poróm, umo
lnsonsotoz supor quo olo o lozlo com sou conhoclmonto, dodo quo
olo mosmo dovorlo ontondor quo nosto coso codo ou tordo torlo do
vlr o solror por couso dlsto, do modo quo oro proclso supor quo olo
o lozlo som ostor consclonto, o quo sorlo um obsurdo oxlglr umo
punlçoo, pols sous ocusodoros dovorlom prolorlr roquoror quo olo
losso roproondldo o corrlgldo - quo osto doloso, dlgo ou, noo slgnlllco
nodo do ospoclol, lsto quolquor um cortomonto ontondo, jo quo dosto
modo ollnol so podorlo dosculpor quolquor crlmo o tronslormo-lo
numo dosorlontoçoo.
126
Entrotonto, justomonto osto ponto do ocusoçoo lol trotodo por
Hogol do monolro too oxcolonto quo ou, poro noo lotlgor o loltor
144
vorsodo no ossunto com colsos quo jo lou nosto outor, procurorol sor
too brovo quonto possivol om tudo o quo posso concordor com olo.
Contro o ocusoçoo gonórlco do Moloto, do quo corromplo o juvon-
tudo, Socrotos opoo suo vldo lntolro; o ocusoçoo vom o sor ontoo
mols ospoclllcodo: quo olo dobllltovo o rospolto dos lllhos om roloçoo
oos pols
127
. lsto ó llustrodo mols do porto com um lncldonto ontro
Anlto o Socrotos roloronto oo lllho do Anlto
128
. A orgumontoçoo do
Socrotos bosolo-so, no ossonclol, no sontonço gorol do quo o muìs
competente dovo tor prolorônclo sobro o monos compotonto. Asslm,
no oscolho do um comondonto mllltor noo so prlvlloglom os pols o
slm oquolos quo mols ontondom do noturozo do guorro
12º
. Hogol
mostro ontoo como sondo o que lú Je ìrresponsúoel no comporto-
monto do Socrotos osto ìnterjerêncìu morul do um terceìro no roloçoo
obsoluto ontro pols o lllho, quo com suo lntromlssoo poroco tor
provocodo, poro nos otormos o osto provo lotlco ospocillco, quo o
jovom om quostoo, o lllho do Anlto, ocobosso so dosgostondo com
suo poslçoo soclol
130
. Ató oqul, Hogol, o nos com olo; pols com osto
concopçoo hogollono nos ovonçomos roolmonto bostonto. Mos o
quostoo olndo podo sor vlsto o portlr do um outro luJo. Noturolmonto
o Estodo ostovo plonomonto do ocordo com Socrotos om quo o mols
opto dovo sor prolorldo oo monos opto; mos doi noo so soguo do
monolro nonhumo quo olo posso dolxor por conto do codo um om
portlculor docldlr se o uté que ponto ó o muìs upto, poro nom lolor
quo o Estodo pudosso pormltlr oo lndlviduo, so porquo osto so julgo
om sous ponsomontos o molhor conhocodor, ospolhor os sous
conhoclmontos som so proocupor com o Estodo. Justomonto por sor
oquolo totolldodo no quol o lomillo vlvo o ropouso, o Estodo podo,
otó um corto ponto, suspondor o roloçoo obsoluto ontro pols o lllho,
podo otó corto ponto lozor uso do suo outorldodo poro lmpor
dotormlnoçoos rolorontos ò oducoçoo dos lllhos, mos lsto so justlllco
oxotomonto porquo o Estodo osto oclmo do lomillo quo vlvo no
Estodo. Mos, por suo voz, o lomillo osto oclmo do lndlviduo, ospo-
clolmonto no quo so roloro oos sous ossuntos proprlos. Por lsso, lronto
ò lomillo, o lndlviduo noo podo jomols, som mols nom monos, so
porquo ocrodlto sor o mols ontondldo, ostor outorlzodo o ospolhor
por conto o rosponsobllldodo proprlos ostos suos vlsoos. Fronto oo
lndlviduo, portonto, o roloçoo do lllho poro com os pols ó umo
roloçoo obsoluto
131
. Asslm pols como olo, com suo lronlo, so opor-
toro do volldodo do vldo substonclol do Estodo, osslm tumbém u oìJu
jumìlìur noo possuio poro olo quulquer oulìJuJe. Poro olo o Estodo
o o lomillo orom umo somo do lndlviduos, o olo ontrovo om roloçoo
com os mombros do Estodo o do lomillo como com lndlviduos,
145
quolquor outro roloçoo oro poro olo lndlloronto. Vô-so por lsso como
o moxlmo do quo o mols compotonto dovo sor prolorldo oo monos
compotonto (proprlomonto so dovorlo dlzor: oquolo quo ocho quo ó
o mols compotonto dovo possor ò lronto doquolo quo olo consldoro
monos compotonto; pols Socrotos ollnol do contos noo tlnho sldo
prolorldo, o noo sor tolvoz polo juvontudo, o quol, ollos, onquonto
oducondo, noo podorlo tor voz nom voto), justomonto om suo
completu ubstruçdo torno-so proprlomonto ìmorul. Tomos oqul no-
vomonto um oxomplo do como orom mosmo os colsos com o lomoso
onslnomonto ótlco do Socrotos. O orro so bosoovo, com cortozo, no
ponto do vlsto gnosoologlco obstroto om quo Socrotos so sltuoro.
Tolvoz Socrotos tlvosso ochodo quo podlo roporor o quo lozlo
do orrodo com suo lntromlssoo noo outorlzodo, om ndo rocobondo
Jìnleìro por sou onslnomonto. Como so sobo, lsto oro olgo do quo
Socrotos tlnho multo orgulho, olgo do quo lolovo lroquontomonto
com grondo brlo: quo olo noo tomovo dlnholro por sou onslnomon-
to
132
. Mos noo so podo nogor quo hovlo oi soguldomonto umo
prolundo ìronìu sobre os sojìstus, quo cobrovom too coro quo o
onslnomonto dolos quoso so tornovo, num sontldo lnvorso, lncomon-
surovol com o dlnholro o com o volor do dlnholro. Poróm, quondo
so olho mols do porto, tolvoz hojo oi olgo mols. Tolvoz lsto tlvosso oo
mosmo tompo suo rozoo noquolo ìronìu com quo olo concoblo seu
proprìo onslnomonto. Pols como suo sobodorlo oro, conlormo suo
proprlo docloroçoo, do um tlpo ombiguo, osslm tombóm o oro sou
onslnomonto. E como olo mosmo dlz no Gorglos sobro o borquolro:
¨Aquolo quo oxorco osto orto (o orto do novogoçoo) o cortomonto
nos prostou too grondo sorvlço (oo nos tronsportor llosos), dosom-
borco o llco comlnhondo modostomonto polo morgom porto do sou
borco. Pols olo sobo colculor, ponso ou, o quoo dllicll ó dotormlnor
o quols dos possogolros olo loz um bom, oo noo dolxor quo so
ologossom, o o quols olo ocobou projudlcondo¨, osslm tolvoz olo
pudosso dlzor o mosmo sobro o sou onslnomonto, com o quol
tronsportovo os lndlviduos do um contlnonto poro outro. E osslm
como no possogom olo ologlo o orto do novogoçoo, quo om compo-
roçoo com o orto orotorlo, omboro produzlndo os mosmos rosultodos
quo o orotorlo, rocobo contudo um pogomonto too monor, osslm
tombóm olo podorlo gobor-so do sl proprlo, quo om roloçoo oos
sollstos noo tomovo nonhum pogomonto. Por lsso, noo so podo,
ubsolutumente, om sl o por sl consldoror como too extruorJìnurìu-
mente merìtorìo o loto do olo noo tomor dlnholro por sou onslno-
monto, o nem tumpouco consldoro-lo osslm som mols como um slnol
obsoluto sobro o oulor ubsoluto do sou onslno. Pols docorto ó
146
vordodo quo todo onslno vordodolro ó lncomonsurovol com o
dlnholro, o docorto ó vordodo quo llcorlo lnllnltomonto rldiculo so so
concodosso ò romunoroçoo umo lnlluônclo doclslvo sobro o onslno-
monto, como so por oxomplo olguóm, quo loclonosso Loglco, oloro-
cosso Loglco do 3 toloros o Loglco do 4 toloros, mos doi noo so soguo
do jolto nonhum quo om sl o por sl sojo lncorroto rocobor dlnholro
por sou onslno. E corto quo o costumo do cobror por suos llçoos so
so consolldou mosmo com os sollstos, o nosto modldo so poJe multo
bom oxpllcor o comportomonto do Socrotos o suo lrónlco polômlco
contro osto costumo; mos, como dlsso, tolvoz pudosso ocultor-so no
comportomonto do Socrotos o osto rospolto tumbém umo lronlo
sobro sou proprlo onslnomonto, quoso como so olo dlssosso: lolondo
honostomonto, ho quolquor colso do ostronho com o mou sobor; pols
jo quo ou nodo sol, ó locll do so porcobor quo noo llco bom poro mlm
rocobor pogomonto por tronsmltlr o outros osto sobodorlo.
So rotornormos ogoro òquolo clrcunstônclo quo nos loz ontror
nosto lnvostlgoçoo, o ocusoçoo contro Socrotos, vor-so-o locllmonto
quo o sou crlmo (consldorodo o portlr do ponto do vlsto do Estodo)
conslstlo justomonto om quo olo neutrulìzuou u oulìJuJe Ju oìJu
jumìlìur, dlssolvlo o lol do dotormlnoçoo noturol om quo codo mom-
bro lndlvlduol do lomillo so bosoovo om todo o lomillo - o plododo.
Aqul so podorlo poror, so so qulsosso oponos porsogulr o
ocusoçoo; mos quom loz do concopçoo do Socrotos o objoto do suo
lnvostlgoçoo proclso dor um posso mols odlonto. Com ololto, podor-
so-lo ponsor quo, omboro Socrotos comotosso um crlmo contro o
Estodo oo so lntromotor osslm lnjustlllcodomonto nos lomillos, mos-
mo osslm, polo sìgnìjìcuçdo ubsolutu Je seu ensìnumento, polo
roloçoo lntorlor quo so buscovo o bom dos dlscipulos quondo so
ostoboloclo, olo torlo podldo roporor, romodlor o quo llzoro do orrodo
com suo lntromlssoo lnoportuno. Nos quoromos vor ontoo so o suo
roloçoo poro com os dlscipulos tom oquolo sorlododo, so sou onslno-
monto possul o ¨pothos¨ quo so podo oxlglr do um tol mostro. Poróm
lsto jultu completumente om Socrotos. Noo so ponso Socrotos nosto
roloçoo como oquolo quo sob o cóu dos ldólos olovovo os dlscipulos
polo contomploçoo dosto ossônclo otorno, o nom como olguóm quo
lmprognovo ò juvontudo o rlco plonltudo do umo vlsoo dos colsos, o
nom como olguóm quo no dominlo morol ossumlo umo lmonso
rosponsobllldodo om sous proprlos ombros, vlglondo com culdodos
potornos sobro os dlscipulos, so o custo dolxondo-os soltor-so do suos
moos, onquonto sous olhos noo os pordlom jomols do vlsto, noo
portonto como oquolo quo, poro rocordor umo oxprossoo ontorlor,
omovo-os no ldólo. A possoo do Socrotos oro, om roloçoo oos outros,
147
orrodondodo do monolro domoslodo nogotlvo poro quo tols colsos
pudossom tor lugor. Erotlco olo oro cortomonto no mols olto grou, o
polxoo oxoltodo do conhoclmonto olo tlnho numo modldo oxtroor-
dlnorlo, onllm, tlnho todos os dotos sodutoros; poróm, comunlcor,
proonchor, onrlquocor, lsto olo noo podlo. Nosto sontldo tolvoz so
pudosso chomo-lo um seJutor, olo oncontovo o juvontudo, Jesper-
tuou nolo u nostulgìu, mos ndo u sutìsjuzìu, lozlo-o ordor no gozo
opulonto do omoçoo, mos noo lho dovo um ollmonto lorto o nutrltlvo.
Elo ongonovo o todos, osslm como ongonovo o Alcobiodos, o quol
ollos, como jo so obsorvou ontorlormonto, dlz otó quo Socrotos om
voz do sor omonto so tornovo omodo. E o quo ó quo lsto quor dlzor,
sonoo quo olo otroio poro sl o juvontudo mos quondo ontoo osto
olhovo poro olo, buscovo oncontror ropouso nolo, osquocondo tudo
procurovo um dosconso soguro no omor dolo, quorondo otó dolxor
do oxlstlr por sl o oponos oxlstlr onquonto omodo por olo, oi ontoo
olo sumlo, o onconto dosoporoclo, ontoo olo sontlo o dor prolundo
do omor lnlollz, oi olo sontlo quo loro ongonodo, quo noo oro Socrotos
quo os omovo, mos slm olos quo o omovom, o no ontonto noo orom
copozos do so llvror dolo. Poro noturozos mols rlcos lsso noturolmonto
podlo noo tornor-so nom too porcoptivol nom too dolorldo. Elo
voltoro o olhor do dlscipulo poro dontro, o os mols dotodos dovlom
por lsso sontlr com grotldoo quo oro o olo quo dovlom lsto, tlnhom
do so tornor olndo mols ogrodocldos quonto mols porcobossom quo
polo rlquozo proprlomonto dlto olos noo proclsovom ogrodocor o
Socrotos. Suo roloçoo poro com os dlscipulos oro portonto com
cortozo dos quo lozom dosportor, mos noo oro Je muneìru ulgumu
pessoul no sontldo posltlvo. Mos o quo oi o lmpodlo oro mols umo
voz suu ìronìu. So so qulsor, oo controrlo, lnvocor oquolo omor com
quo Xonolonto o Plotoo onvolvlom Socrotos, ontoo rospondorol quo,
por um lodo, ou mosmo jo mostrol quo os dlscipulos podlom multo
bom omo-lo, slm, otó nom consogulom so llbortor dosto omor, o por
outro lodo, o osto ó o rosposto mols concroto, quo Xonolonto oro
llmltodo domols poro porcobô-lo, o Plotoo domoslodo rlco poro
tonto. Plotoo proclsovo, o codo lnstonto om quo sontlo o quonto
possuio, ponsor lnvoluntorlomonto om Socrotos; por lsso olo omovo
Socrotos no ldólo, quo olo por corto noo dovlo o Socrotos, mos quo
osto o ojudoro o oncontror. No Apologìu, Socrotos obsorvo por lsso
multo corrotomonto: ¨Eu nunco lul mostro do nlnguóm, conquonto
nunco mo opusosso o moço ou volho quo mo qulsosso ouvlr no
dosomponho do mlnho torolo¨ (Apol. 33 o)
133
.
No quo toco mols do porto oo roloclonomonto do Socrotos com
os dlscipulos, o suo reluçdo com AlcebiuJes dovo sor um oxomplo
148
ìnstur omnìum (quo volo por todos). Esto jovom, sonsuol, omblcloso,
sogoz, tlnho do sor, noturolmonto, um motorlol locllmonto lnllomovol
poro os loiscos lrónlcos do Socrotos. Nos jo vlmos ontos como osto
roloçoo, justomonto por couso do lronlo do Socrotos, sompro pormo-
noclo no mosmo ponto, como llcovo proso no lniclo lrouxo o obstroto
do umo roloçoo, proso o um ponto zoro, jomols crosclo om lorço o
lntlmldodo, do modo quo, onquonto os lorços oumontovom om
ombos os lodos, osto oumonto oro too oqulllbrodo quo o roloçoo
pormonoclo o mosmo, o o crosconto ordor do Alcobiodos oncontrovo
sompro sou mostro no lronlo do Socrotos. No sontldo osplrltuol
podo-so por lsso dlzor do Socrotos om suo roloçoo com o juvontudo
quo olo o olhovo poro coblço-lo. Mos como sou dosojo noo buscovo
possulr o juvontudo, osslm tombóm sou modo do procodor noo
ostovo do monolro nonhumo progromodo poro lsto. Noo oro com
grondos polovros, com longos dorromos orotorlos, com umo do-
monstroçoo do sou proprlo sobor trombotoodo oos grltos do morco-
doros quo olo punho moos ò obro; polo controrlo, olo ondovo por oi
tronqullo, oro upurentemente ìnJìjerente dlonto dos jovons, sou
quostlonomonto noo obordovo osto suo roloçoo com os jovons, olo
dlscutlo um ou outro ossunto quo poro olos oro possoolmonto
lmportonto, mos olo mosmo so montlnho nlsto totolmonto objotlvo,
o no ontonto, por bolxo dosto lndlloronço lronto o olos, sontlom, mols
do quo vlom, oquolo olhor do osguolho ponotronto quo por um
lnstonto tronspossovo suos olmos como um punhol. Ero como so olo
tlvosso osplodo os convorsoçoos mols intlmos do suos olmos, como
so os cooglsso o lolor dlsso om voz olto om suo prosonço. Elo so
tornoro sou conlldonto, som quo soubossom bom como ó quo lsto
ocontocoro, o onquonto olos mosmos om tudo lsso so hovlom
tornodo outros, olo pormonoclo o mosmo, lmovol. E quondo ontoo
todos os loços dos proconcoltos ostovom soltos, quondo todos os
onrljoclmontos osplrltuols ostovom olrouxodos, quondo o sou quos-
tlonomonto hovlo ojustodo tudo o tornodo possivol o mudonço, oi
culmìnuou u reluçdo noquolo lnstonto plono do slgnlllcoçoo, noquolo
cloroo protoodo, quo num otlmo do tompo llumlnovo o mundo do
suos consclônclos quondo olo rovlrovo tudo dlonto dolos, too ropldo
como um plscor do olhos o too domorodo quonto um plscor do olhos,
quondo tudo so tronslormovo poro olos, ¨subltomonto, num plscor
do olhos¨. Conto-so do um lnglôs, quo vlojovo poro vor polsogons,
quo olo, quondo oncontrovo numo llorosto lrondoso um ponto o
portlr do quol pudosso doporor-so com umo vlsoo surproondonto
mondondo dorrubor o bosquo quo tlnho dlonto do sl, controtovo
possoos poro cortor os orvoros. E quondo tudo ostovo proporodo, os
149
troncos sorrodos no boso, ontoo olo sublo poro oquolo ponto, pogovo
suo lunoto, dovo o slnol - o bosquo coio, o sou olhor so ologrovo por
um lnstonto com o onconto doquolo vlsoo, quo olndo oro mols
sodutoro porquo quoso no mosmo lnstonto tlvoro o oposto. Asslm
oro com Socrotos. Com sou quostlonomonto olo sorrovo tronqullo-
monto polo boso o llorosto prlmltlvo do consclônclo substonclol, o
quondo tudo ostovo proporodo, ols quo dosoporoclom todos ostos
lormoçoos o o olhor do olmo gozovo umo vlsoo como jomols vlro
lguol. Prlmolro oro o jovom quo gozovo osto ologrlo, mos Socrotos
so postovo oll como obserouJor ìronìco quo soboroovo o surproso
dolo. Esto trobolho, poróm, do sorror o bosquo, lroquontomonto lho
tomovo multo tompo. Nosto sontldo Socrotos oro ontoo lnlotlgovol.
Mos quondo lsto so consumovo, o roloçoo tlnho culmlnodo no
mosmo lnstonto. Muìs olo ndo dovo, o onquonto o jovom ontoo so
sontlo justomonto lndlssoluvolmonto llgodo o Socrotos, ostoboloclo-
so oquolo roloçoo quo Alcobiodos doscrovo com tonto proclsoo, ou
sojo, quo Socrotos so tronslormovo do omonto om omodo. So so quor
concobor osslm suo roloçoo, o gonto so lombro vlvomonto doquolo
orto quo olo mosmo dlzlo ostor do posso: o molôutlco. Elo ouxlllovo
o lndlviduo o um porto osplrltuol, cortovo o cordoo umblllcol do
substonclolldodo. Como uccoucleur (portolro) olo oro lnsuporovol,
mos noo oro nodo mols do quo lsto. Elo noo ossumlo do monolro
olgumo quolquor rosponsobllldodo polo vldo ultorlor do sous dlsci-
pulos, o oqul mols umo voz Alcobiodos lornoco um oxomplo ìnstur
omnìum
134
.
So so qulsor tomor o polovro no slgnlllcoçoo lntoloctuol, podo-
so chomor Socrotos um orotlco, o oxprlmlr lsto do monolro olndo
mols coloroso lombrondo o conhocldo polovro do FeJro ; 24º ¨omor
os jovons polo lllosollo¨. E oqul tolvoz possomos om poucos polovros
tocor no ocusoçoo contro Socrotos por peJerustìu, roputoçoo quo
jomols so oxtlngulu oo longo dos tompos, porquo om codo goroçoo
sompro oporocou um ou outro posqulsodor quo so sontlo convocodo
o solvor o honro do Socrotos nosto ospocto. Noo ó mlnho lntonçoo
lornocor quolquor doloso poro Socrotos, jo quo noo loz porto do
lntorosso do mou trobolho rollotlr sobro o ocusoçoo; mos so o loltor,
por outro lodo, qulsor comproondô-lo motolorlcomonto
135
, oi ou
crolo quo so voro nlsto umo novo provo do lronlo do Socrotos. No
ologlo quo Pousônlos pronunclo no Bonquoto ocorro o sogulnto
oxprossoo: ¨osto Eros (o lnlorlor, cujos odorodoros om prlmolro lugor
omom tonto mulhoros quonto moços o o sogulr omom no omodo
mols o corpo do quo o olmo) doscondo tombóm do douso quo ó mols
jovom do quo o outro o quo dovo o suo oxlstônclo o ombos os soxos:
150
o outro ó um lllho do cóu, quo noo doscondo do soxo lomlnlno, mos
oponos do moscullno... oquolos quo so ontuslosmom com osto Eros
procurom portonto o soxo moscullno, porquo omom oqullo quo por
noturozo possul molor lorço o ospirlto¨. Com ostos polovros jo osto
sullclontomonto coroctorlzodo o umor ìntelìgente quo nocossorlo-
monto dovlo sor oncontrodo num povo too dosonvolvldo ostotlco-
monto como o grogo, ondo o lndlvlduolldodo noo ostovo
lnllnltomonto rollotldo om sl, mos quo Hogol too coroctorlstlcomonto
chomo ¨o bolo lndlvlduolldodo¨, ondo o oposlçoo do lndlvlduolldodo
olndo noo so clndlro prolundomonto poro lozor o vordodolro omor
sor o unldodo suporlor. Mos so ontoo osto omor lntoloctuol busco o
sou objoto ontos no molo do juvontudo, com lsto llco lndlcodo quo
olo omo o posslbllldodo, mos logo do roolldodo olotlvo. Mos lsto
mostro justomonto o sou curúter negutìoo. Noo obstonto, podo multo
bom hovor poro olo um olto grou do ontuslosmo. Pols ontuslosmo
noo osto sompro vlnculodo o porsovoronço, multo polo controrlo,
ontuslosmo ó o ordor quo so consomo o sorvlço do posslbllldodo.
Um lrónlco ó por lsso sompro ontuslosto, so quo o sou ontuslosmo
noo produz nodo, porquo olo jomols vol olóm do dotormlnoçoo do
posslbllldodo. Nosto sontldo Socrotos omovo o juvontudo. Mos podo-
so vor quo osto oro um omor nogotlvo. E corto quo suo roloçoo com
olos noo oro som slgnlllcodo, mos, como jo so obsorvou, quondo o
roloçoo dovorlo odqulrlr um slgnlllcodo mols prolundo, ocobovo,
quor dlzor, o roloçoo com olos oro o lniclo do umo roloçoo. Quo osto
roloçoo bom podlo duror um tompo, quo o jovom bom podlo
sontlr-so llgodo o Socrotos dopols dosto so tor dosllgodo dolo, lsto ou
mo oslorcol por mostror ontorlormonto. Mos so so consldoror ogoro
quo osto roloçoo do Socrotos com o juvontudo constltul o dorrodolro
posslbllldodo do so domonstror umo roloçoo posltlvo, so so consldo-
ror o quonto so podorlo oxlglr doquolo homom quo opos so tor
omonclpodo do todo o quolquor outro roloçoo rool, ogoro so concon-
trovo nosto, so so consldoror tudo lsso, noo so podoro oxpllcor osto
nogotlvldodo oqul doscrlto o noo sor quo so odmlto quo o ponto Je
oìstu Je 5ocrutes oro ìronìu.
136
Rotornomos ò ocusoçoo do Socrotos o o suo consoquonto
condonoçoo. Os juizos o doclorom culpodo, o so o gonto qulsosso
som so prondor domols oos pontos do ocusoçoo coroctorlzor com
umo unlco polovro o sou crlmo ontoo so podorlo donomlno-lo
lndolônclo (Aprugmosµne) ou lndllorontlsmo; pols ó cloro quo olo
noo oro lnotlvo o ó cloro quo olo noo oro lndlloronto o tudo, mos om
roloçoo com o Estodo olo o oro justomonto por suo proxls prlvodo.
Socrotos ostovo ontoo doclorodo culpodo, mos o pono olndo noo
151
ostovo dotormlnodo. Com humonldodo grogo otrlbuio-so oo proprlo
condonodo dotormlnor o costlgo, noturolmonto dontro do cortos
llmltos. Hogol lornoco oqul umo oxposlçoo multo dotolhodo do quo
hovlo do orrodo no procodlmonto do Socrotos, olo mostro quo
Socrotos morocldomonto lol condonodo ò morto o o sou crlmo oro
rocusor-so o roconhocor o soboronlo do povo o quoror lmpor suo
vlsoo subjotlvo oclmo do julgomonto objotlvo do Estodo. A suo
rocuso nosto ospocto podo docorto sor oncorodo como grondozo
morol, mos mosmo osslm suo morto lol por proprlo culpo, o o Estodo
ostovo too justlllcodo o condono-lo quonto Socrotos o omonclpor-so,
o com lsso Socrotos torno-so um horol troglco
137
. Ató oi Hogol;
vomos tontor, sogulndo com o molor oxotldoo o Apologìu, dor umo
oxposlçoo do seu proceJìmento. A llbordodo do podor dotormlnor
por sl mosmo o pono, dovor-so-lo ocrodltor quo tlnho do sor multo
bom-vlndo o Socrotos, pols osslm como suo conduto so mostroro
lncomonsurovol com os dotormlnoçoos gorols, osslm tombóm tlnho
do sô-lo o costlgo o ó totolmonto consequente quo olo ocho quo o
unlco pono quo podorlo lmpor o sl mosmo oro umo multo, porquo,
coso olo tlvosso dlnholro, noo sorlo umo pordo llcor som olo, om
outros polovros, porquo o pono ìn cusu (nosto coso) so onulorlo o sl
mosmo. E ontoo tombóm totolmonto consoquonto olo sugorlr oos
juizos so sotlsllzossom com o pouco quo olo podorlo rounlr, totolmon-
to consoquonto porquo, como o dlnholro noo tlnho obsolutomonto
nonhumo roolldodo poro olo, o pono torlo o mosmo omplldoo coso
olo consogulsso multo ou pouco dlnholro, quor dlzor, o pono noo
sorlo nonhumo. A unlco pono quo olo consldoro ontoo odoquodo ó
oquolo quo noo oro nenlumu penu. Mos vomos porsogulr om
dotolhos todo osto possogom too lnstrutlvo do Apologìu. Elo lnlclo
odmlrondo-so por tor sldo condonodo por umo molorlo too poquo-
no, com o quo llco cloro quo olo noo vô no sontonço do Estodo umo
concopçoo objotlvomonto volldo, om oposlçoo ò do sujolto lndlvl-
duol. Ató corto ponto, o Estodo slmplosmonto nom oxlstlo poro olo,
quo so ocupo oponos com o numórlco. Quo umo dotormlnoçoo
quontltotlvo posso vlror om quolltotlvo, poroco quo olo nom suspolto.
Elo llco odmlrodo quo trôs votos tonhom docldldo, o, poro ocontuor
olndo mols o quo ho do odmlrovol nlsto, lovo o controdlçoo otó o
ultlmo oxtromo: coso, dlz olo, Anlto o Llcon noo so tlvossom ogrogo-
do, ontoo o proprlo Moloto torlo sldo multodo om mll drocmos. Aqul
mols umo voz so vô como o ìronìu do Socrotos o lovo o noo
roconhocor nonhumo dotormlnoçoo objotlvo do suo vldo. Os juizos
soo umo quontldodo do lndlviduos, o sontonço dolos so tom volor
numórlco, o so o molorlo o sontonclo culpodo, ontoo Socrotos ocho
152
quo com lsso noo osto dlto nom mols nom monos quo umo quontl-
dodo tol ou quol do lndlviduos o sontonclou. Quolquor um vô
cloromonto o concepçdo complotomonto negutìou do EstuJo. Um
dostlno lrónlco quor quo o proprlo Socrotos dotormlno o pono. O
quo do o osto sltuoçoo umo olostlcldodo lrónlco too oxtroordlnorlo
soo os onormos controstos: o ospodo do lol osto susponso por um llo
do sodo sobro o coboço do Socrotos, umo vldo humono osto om jogo,
o povo osto sórlo, solldorlo, o horlzonto corrogodo o sombrlo - o ols
oi Socrotos, osto too obsorto quonto um volho mostro-oscolo om
rosolvor suo torolo, lozor suo vldo tornor-so congruonto com os
concopçoos do Estodo, umo torolo quo so torno too dllicll quonto o
quodroturo do circulo; dodo quo Socrotos o o Estodo so mostrom
como grunJezus obsolutomonto leterogêneus. Jo sorlo cómlco vor
Socrotos tontor conjugor suo vldo polo porodlgmo do Estodo, posto
quo suo vldo justomonto oro complotomonto lrrogulor, mos o sltuo-
çoo olndo so torno mols cómlco groços ò Jìru necessìtus (torrivol
nocossldodo) quo, sob pono do morto, lho ordono oncontror umo
lguoldodo nosto doslguoldodo. Jo ó bostonto cómlco quondo o gonto
coloco om roloçoo duos colsos, ontro os quols noo so podo ponsor
nonhumo roloçoo, mos llco olndo mols cómlco quondo ontoo ó dlto:
slm, so noo oncontroros nonhumo roloçoo ontoo toros do morror. A
vldo do Socrotos om suo comploto lsoloçoo tlnho do so mostror jo
totolmonto hotorogônoo com quolquor dotormlnoçoo do Estodo, por
lsso, tombóm o oporoçoo montol, o dlolótlco, com quo Socrotos
procuro ostobolocor umo roloçoo, mostro os controdlçoos mols ox-
tromos. Elo ó doclorodo culpodo polo Estodo. A quostoo ó ontoo quol
o pono quo olo morocou. Mos jo quo Socrotos sonto quo suo vldo noo
podo do nonhumo monolro sor comproondldo polo Estodo, ontoo so
mostro quo olo lguolmonto podorlo morocor umo recompensu. Elo
propoo portonto sor sustontodo òs custos do Estodo no Prltonou
138
.
No modldo, poróm, quo o Estodo noo so sontlsso chomodo o
rocomponso-lo dosto modo, olo ontoo tontorlo ocomodor-so o modl-
tor sobro quol o pono quo olo podorlo tor morocldo. Poro ovltor o
pono do morto, podldo por Moloto, podlo oscolhor ontro umo multo
o o oxillo. Entrotonto olo noo consoguo docldlr-so nosto opçoo, pols
o quo dovorlo movô-lo o optor por umo dossos duos¹ Sorlo por tomor
ò morto¹ lsto sorlo um obsurdo, pols ollnol olo noo soblo so o morto
ó um bom ou um mol. A lmprossoo quo so tom ó do quo olo uclu
mesmo quo u morte sorlo o pono mols oproprlodo, justomonto
porquo nlnguóm sobo so olo ó um mol, quor dlzor, porquo oqul o
pono, como no coso do multo, so onulo o sl mosmo. Elo noo podorlo
oscolhor umo multo ou oxillo, porquo no prlmolro coso ocoborlo
153
proso, jo quo suos condlçoos llnoncolros noo lho pormltlrlom soldo-lo,
o no outro coso olo podlo ontondor multo bom quo ostovo olndo
monos tolhodo poro vlvor num outro Estodo quo noo Atonos, do
modo quo dopols do pouco tompo sorlo mondodo omboro mols umo
voz otc. Umo multo ou oxillo olo noo podlo, ollos, oscolhor. E por
quo noo¹ Porquo lsto lho trorlo um solrlmonto, mos olo noo podlo
so conlormor com lsto por sor lmorocldo o, como olo mosmo dlz: ¨ou
noo ostou hobltuodo o julgor-mo morocodor do mol nonhum¨. No
modldo, portonto, quo o quostoo osto om sobor quol o pono quo olo
torlo morocldo, suo rosposto ó ontoo: oquolo quo ndo ó nonhumo
penu, ou sojo, o morto, dodo quo nlnguóm sobo so olo ó um bom ou
um mol; ou umo multo, contonto quo so ocoltosso umo multo do
ocordo com o quontlo quo olo pudosso orronjor, jo quo o dlnholro,
com ololto, noo tlnho nonhum volor poro olo. No modldo quo so
troto, oo controrlo, do umo pono no sontldo mols ospocillco, do umo
pono quo olo dovosso sontlr, olo ocho quo quolquor custìgo Jeste tìpo
ó ìnuproprìuJo.
Vomos, pols, como o ponto do vlsto do Socrotos ó totolmonto
nogotlvo lronto oo Estodo, como olo noo so lntogrovo do monolro
olgumo nosto; mos olndo o vomos mols nltldomonto no lnstonto om
quo olo, ocusodo por suo conduto, tlnho do tomor olndo mols
consclônclo do suo lnodoquoçoo oo Estodo. Aposor do tudo, olo
contlnuo o dosonvolvor sou ponto do vlsto, lmporturbovol, com o
ospodo sobro o coboço. Entrotonto, sou dlscurso noo mostro o
¨pothos¨ do podoroso ontuslosmo, nom sou procodor mostro o
outorldodo obsoluto do porsonolldodo, nom suo lndlloronço um lollz
ropouso om suo proprlo plonltudo. Noo oncontromos nodo dlsso
tudo, mos docorto umo ìronìu exercìJu otó o oxtromo quo loz o podor
objotlvo do Estodo so quobror contro o nogotlvldodo, llrmo como
um rochodo, do lronlo. O podor objotlvo do Estodo, suos protonsoos
quonto ò otlvldodo do lndlviduo (Enkoltos), os lols, os trlbunols, tudo
pordo suo volldodo obsoluto poro olo, do todos ostos colsos olo so
llvro como do lormos lmporloltos, olo so olovo codo voz mols lovo, vô
tudo lsto dosoporocor obolxo dolo om suo lrónlco porspoctlvo oóroo,
o olo mosmo llutuo por sobro lsso om lrónlco sotlsloçoo, corrogodo
polo consoquônclo lntrinsoco o obsoluto do umo nogotlvldodo lnllnl-
to. Elo so torno osslm olholo o todo o mundo oo quol portonco (por
mols quo olo portonço o osto mundo, num outro sontldo), o cons-
clônclo contomporônoo noo tom nonhum prodlcodo poro olo, osco-
pondo o todo nomo o o todo dotormlnoçoo olo portonco o umo outro
lormoçoo. Mos o quo o sustonto ó u negutìoìJuJe quo olndo noo
cousou nonhumo posltlvldodo. A portlr doi so torno oxpllcovol quo
154
otó o vldo o o morto porcom sou volor obsoluto poro olo. E contudo
nos tomos om Socrotos o vordodolro o noo oporonto oltltudo do
lronlo, porquo Socrotos, como prlmolro, clegu ò ldólo do bom, do
bolo, do vordodolro, como llmlto, lsto ó, chogo otó ò lnllnltudo ldool
como posslbllldodo. Quondo, oo controrlo num tompo multo ulto-
rlor, dopols do ostos ldólos jo torom odqulrldo roolldodo olotlvo, o o
porsonolldodo sou obsoluto pleromu (plonltudo), quondo ontoo o
subjotlvldodo mols umo voz so qulsor lsolor, quondo o nogotlvldodo
obsoluto mols umo voz qulsor ontroobrlr sou oblsmo poro oi ongollr
osto roolldodo olotlvo do ospirlto, oi o lronlo so mostroro om umo
llguro mols quostlonovol.
155
CAPÍTULO III
Esta concepção é necessária
A vldo do Socrotos ó poro o obsorvodor como quo umo pouso
grondloso no curso do hlstorlo: o gonto slmplosmonto noo o ouvo,
um prolundo sllônclo lmporo, otó sor quobrodo polos numorosos o
multo dlvorsos oscolos do dlscipulos com suo ruldoso tontotlvo do
doduzlr suo orlgom doquolo lonto oculto o mlstorloso. Com Socrotos,
o corrontozo do roloto hlstorlco proclplto-so, como o rlo Guodolqul-
vlr, poro um trocho subtorrônoo, tornondo o jorror dopols com lorço
ronovodo. Elo ó como um trovossoo no hlstorlo unlvorsol, o o
lgnorônclo o rospolto dolo, quo tom suo rozoo no lolto do oportunl-
dodo poro obsorvoçoo lmodloto, convldo noo tonto o soltor sobro olo
quonto o, com o ouxillo do ldólo, ovoco-lo, lozondo-o monllostor-so
sonslvolmonto om suo llguroçoo ldool; com outros polovros, convl-
do-nos o tomor consclônlo do ponsomonto quo constltuio o slgnlll-
coçoo do suo oxlstônclo no mundo o tomor consclônclo do momonto
no dosonvolvlmonto do ospirlto do mundo quo ó coroctorlzodo
slmbollcomonto polo quo ho do pocullor om suo oxlstônclo no
hlstorlo; pols como olo proprlo, num corto sontldo, ó o contudo
novomonto noo ó no hlstorlo unlvorsol, osslm o suo slgnlllcoçoo no
dosonvolvlmonto do ospirlto do mundo conslsto justomonto om sor
o contudo noo sor, ou noo sor o contudo sor: olo ó o nodo, com o
quol ó proclso contudo lnlclor. Elo noo ó; pols olo noo ó poro o
concopçoo lmodloto, o o lsto corrospondo, no sontldo osplrltuol, o
nogoçoo do lmodloto substonclolldodo; olo ó, pols olo ó poro o
ponsomonto, o o lsto corrospondo, no mundo do ospirlto, o oporlçoo
do ldólo, mos, bom ontondldo, suo lormo obstroto, suo nogotlvldodo
156
lnllnlto; otó oi, o lormo do suo oxlstônclo no hlstorlo ó um simbolo
noo complotomonto odoquodo oo sou popol no plono osplrltuol. So
portonto no prlmolro porto dosto ostudo ou tontol coptor Socrotos oìu
negutìonìs, ontoo osto ultlmo porto do ostudo dovo procuror ogorro-lo
oìu emìnentìue. A lntonçoo noo podo sor oqul noturolmonto do
quoror orroncor Socrotos do sou contoxto hlstorlco, multo polo
controrlo, troto-so do vô-lo oi corrotomonto; o tombóm noo so
protondo, do jolto nonhum, quo Socrotos losso too dlvlno quo noo
consogulsso llrmor pó no torro; com tols porsonogons um hlstorlodor
quo jo tonho chogodo ò ldodo do rozoo llco too mol sorvldo quonto
os moços hlndus com omontos dosto tlpo
13º
. ¨Socrotos, poróm, noo
brotou do torro como um cogumolo; mos osto, lsto slm, no contlnul-
dodo dotormlnodo com o sou tompo¨, dlz um soblo; mos oposor
dosto contlnuldodo ó proclso mosmo osslm lombror quo olo noo so
dolxo oxpllcor do monolro obsoluto o portlr do ópoco quo o procodo,
o quo so so quor num corto sontldo consldoro-lo como umo conclu-
soo dos promlssos do ópoco ontorlor ho nolo mols do quo so oncontro
nos promlssos, ho o ¨Ursprungllcho¨ (o olomonto orlglnol) quo ó
nocossorlo poro quo olo om vordodo posso sor um ponto do vlrodo.
lsto lol oxprosso por Plutdo om multos possogons quondo osto dlzlo
quo Socrotos oro umo dodlvo dlvlno. E o proprlo 5ocrutes dlz lsto
no Apologìu ; 30 d: ¨Nosto momonto, Atonlonsos, longo do otuor no
mlnho doloso, como podorlom cror, otuo no vosso, ovltondo quo,
com o mlnho condonoçoo, comotols umo lolto poro com o dodlvo
quo rocobostos do dous¨ o ; 31 o: ¨Poroco-mo quo o dous mo lmpós
ò cldodo¨ otc. Esto oxprossoo, do quo 5ocrutes eru umu JúJìou
Jìoìnu, ó ontoo com cortozo portlculormonto coroctoristlco, no modl-
do quo lndlco ombos os colsos: quo olo ostovo totolmonto odoptodo
poro o sou tompo, pols como ó quo os dousos podorlom dolxor do
dor dodlvos boos; o oo mosmo tompo rocordo com lsso quo olo oro
mols do quo o quo o ópoco podorlo dor o sl mosmo.
Mos dodo quo Socrotos proplclo osslm um ponto do vlrodo,
torno-so nocossorlo consldoror o ópoco ontorlor o olo o o ópoco
postorlor o olo.
Dor oqul umo oxposlçoo hlstorlco do JecuJêncìu Jo EstuJo
utenìense poroco-mo bostonto supórlluo, o cortomonto mo doro rozoo
todo oquolo quo noo lol otlngldo por oquolo loucuro do quo tombóm
poroco solror umo grondo porto dos jovons sorvldoros do clônclo,
umo loucuro quo so oxprlmo, noo cómlco mos troglcomonto, no
rolotor constontomonto o mosmo hlstorlo. Justomonto por so trotor
do um ponto do vlrodo no hlstorlo, Hogol volto sompro do novo o
comonto-lo, oro do modo quo suo torolo conslsto om oxpó-lo, oro
157
do modo o utlllzo-lo como um oxomplo. Quolquor um, portonto, quo
tonho olgumo lolturo do Hogol, dovo nocossorlomonto ostor lomlllo-
rlzodo com o suo vlsoo o rospolto do ossunto, o ou noo oborrocorol
os possoos roprlsondo oqullo quo do quolquor modo nlnguóm
consoguo dlzor too bom quonto o proprlo Hogol. E romotorol o
Rötschor, p. 85s, so o loltor dosojor umo oxposlçoo do multo bom
gosto o bostonto pormonorlzodo, quo mostro como Atonos docolu
mols o mols, dopols quo osto mol lol lroodo o otó domlnodo por
Pórlclos, quo num corto sontldo lol um lonómono loro do normol.
Troto-so do umo oxposlçoo quo ocomponho osto prlnciplo do doco-
dônclo otrovós dos dlvorsos osloros do Estodo. Somonto umo unlco
obsorvoçoo ou noo conslgo roprlmlr. Atonos rocordo monllostomon-
to nosto poriodo, sob multos ospoctos, oqullo quo Romo lol om umo
ópoco mols tordlo. Atonos oro, no torrono do ospirlto, o coroçoo do
Estodo grogo. Agoro, portonto, quo o holonlsmo so oproxlmovo do
suo dlssoluçoo, todo o songuo rolluio lmpotuosomonto òs cômoros
do coroçoo. Tudo so concontrovo om Atonos, rlquozo, luxo, oxubo-
rônclo, orto, clônclo, lrlvolldodo, gozo do vldo
140
, om rosumo, tudo
oqullo quo, onquonto ocolorovo o suo docodônclo, oo mosmo tompo
podlo sorvlr poro glorlllco-lo o llumlnor um dos mols brllhontos
ospotoculos quo so podo lmoglnor no torrono osplrltuol. Ho umo
lnqulotoçoo no vldo otonlonso, um botor do coroçoo quo lndlco quo
o horo do dlssoluçoo osto proxlmo. Mos oqullo quo osslm so tornovo
condlçoo poro o docodônclo do Estodo so mostro, por outro lodo,
como olgo quo tom lnllnlto slgnlllcoçoo poro o novo prlnciplo quo
dovo vlr ò tono, o o dlssoluçoo o o corrupçoo so tornom justomonto
um torrono lórtll poro o novo prlnciplo. O muu prìncipìo no Estodo
grogo oro pols o urbìtrurìeJuJe, om suos numorosos o multlcolorldos
lormos do oporlçoo, do subjotlvldodo llnlto (l.ó, do subjotlvldodo noo
justlllcodo). So umu unìcu Jessus jormus dovo sor oqul objoto do
umo lnvostlgoçoo mols pormonorlzodo, ou sojo, u sojistìcu. Pols olo
ó oquolo monstro lontostlco quo ontro om todo porto no dominlo do
ponsomonto, o sou nomo ó Logloo. E com ostos sollstos quo nos
tomos do ocupor, o nolos tlnho Socrotos o prosonto ou o possodo,
quo dovlo sor onlqullodo. Vojomos quol o noturozo dolos o dopols
pondoromos como ó quo Socrotos dovo tor sldo poro podor onlqul-
lo-los do monolro too prolundo. Com os sollstos lnlclo o rolloxoo, o
otó oi Socrotos noo dolxo do tor olgo om comum com olos, quo,
comporodos com Socrotos, podorlom sor coroctorlzodos como os
lolsos mosslos.
Os sojìstus
141
roprosontom uquele suber que, om suo colorldo
vorlododo, com o dosportor do rolloxoo se ouì urruncunJo do otlcl-
158
dodo substonclol; roprosontom, om gorol, o culturo dosonrolzodo,
poro o quol so sontlo lmpolldo todo oquolo quo so tlnho dosoncon-
todo do lmodlotldodo. A sobodorlo dolos oro eìn jlìegenJes 8lutt
(umo lolho volonto) quo noo oro lmpodldo do tromulor nom por umo
porsonolldodo slgnlllcotlvo nom polo lntogroçoo om um sobor coo-
ronto. A oprosontoçoo oxtorlor dolos tombóm corrospondlo totolmon-
to o lsto. Estovom por todo porto, como so dlz, lguols o moodos lolsos.
Porombulovom do cldodo om cldodo, como os trovodoros o os
oscolostlcos ombulontos no ldodo Módlo, obrlom suos oscolos,
otroiom o sl o juvontudo quo so dolxovo orrostor polo noticlo trom-
botoodo do quo tols homons soblom o podlom domonstror todos os
colsos
142
. O quo olos protondlom onslnor oos homons oro, numo
polovro, culturu gerul, noo tonto o conhoclmonto nos clônclos portl-
culoros, o o `onunclo` do Protogoros rocordo multo o odvortônclo
mollstolóllco contro os ostudos dos loculdodos no Fuusto do Gootho.
Com ololto, Protogoros goronto quo o juvontudo noo proclso tor
modo do quo olo, do monolro onologo oos outros sollstos, o loço
contro o vontodo rotornor oos ostudos quo olo quorlo justomonto
ovltor. Elo noo quorlo, portonto, onslnor-lhos orltmótlco, ostronomlo
otc., noo, olo quorlo lozor dolos homons cultos, quorlo dor-lhos o
onslnomonto odoquodo, poro so tornorom politlcos copozos o ho-
mons noo monos copozos om suos vldos prlvodos. Vomos tombóm
no Gorgìus como osto culturo gorol so mostro como oquolo quo no
vldo publlco tom condlçoos do sobrovoor todos os clônclos, do modo
quo oquolo quo osto do posso dolo osto do posso do umo chovo
mostro com o quol podo obrlr todos os portos. Esto culturo gorol
rocordo oqullo quo no nosso tompo too lroquontomonto tom sldo
vondldo boroto, polos vondodoros-do-lndulgônclos clontillcos, sob o
nomo do esclurecìmento, o no modldo quo o lntorosso ossonclol dos
sollstos conslstlo om, olóm do gonhor dlnholro, consogulr lnlluônclo
politlco, suos oxcursoos rocordom os porogrlnoçoos o proclssoos
plodosos quo otuolmonto lozom porto do ordom do dlo no mundo
politlco, o com os quols os colxolros vlojontos do politlco procurom,
num tompo too curto quonto possivol, onslnor oos homons o culturo
politlco roquorldo poro podor portlclpor do dlscussoos. Quo o vldo
osto roploto do controdlçoos, o consclônclo lmodloto slmplosmonto
noo o porcobo, no modldo quo conllodomonto so opolo sobro oqullo
quo rocobo do umo ópoco ontorlor como um tosouro sogrodo. Em
componsoçoo, o rolloxoo o doscobro prontomonto. Doscobro quo
oqullo quo dovorlo sor o obsolutomonto corto, o dotormlnonto poro
os homons (os lols, os costumos otc.) poo o lndlviduo om controdlçoo
conslgo mosmo, o doscobro oo mosmo tompo quo tudo lsso ó olgo
159
do oxtorlor oo homom, colsos quo olo noo podo ocoltor como tols.
Elo mostro portonto o orro, mos tombóm tom ò moo o molo do
romodlo-lo; olo onslno u Jur ruzoes poro tudo. Elo troz portonto oo
homom umo hobllldodo, umo copocldodo poro submotor quolquor
coso portlculor o cortos cosos gorols, olo ontrogo o codo lndlviduo
portlculor um rosorlo do locì communes (lugoros comuns), quo
rozodo lroquontomonto o coloco om condlçoos do podor o todo
tompo dlzor olgo sobro o coso portlculor, propor olgumos consldo-
roçoos o rospolto, cltor olgumos rozoos o lovor ou contro. Pols quonto
mols cotogorlos dosto tlpo olguóm tlvor, quonto mols trolnodo ostlvor
om opllco-los, tonto mols culto soro. Esto oro pols o culturo quo os
sollstos onslnovom ò gonto. Emboro olos noo so onvolvossom com o
onslno dos clônclos portlculoros, poroco contudo quo o culturo gorol
oxorcltodo por olos, o trolnomonto quo tronsmltlom, podorlo sor
molhor comporodo com oquolo somo do noçoos quo um montor
procuro tronsmltlr oos sous olunos. Esto culturo gorol ó num corto
sontldo multo rlco o num outro sontldo bostonto pobro: olo ongono
o sl mosmo o oos outros o slmplosmonto noo porcobo quo soo os
mosmos grondozos quo olo sompro omprogo; olo ongono tonto o sl
mosmo quonto oos outros, do mosmo monolro como Tordonskjold
ongonovo os outros quondo lozlo os mosmos tropos, dopols do
morchorom om porodo por umo ruo, ropotlrom o mosmo no ruo
sogulnto. Por lsso, om roloçoo com o consclônclo lmodloto quo om
todo o lnocônclo ocolto com slmpllcldodo lnlontll o quo lho ó dodo,
osto culturo ó negutìou, o olo ó osporto domols poro sor lnoconto; om
roloçoo, poróm, com o ponsor olo ó posìtìou em ulto gruu. No suo
prlmolro lormo osto culturo torno tudo vocllonto, om suo sogundo
lormo, oo controrlo, olo coloco quolquor dlscipulo opllcodo om
condlçoos do tornor tudo llrmo. O sollsto provo, portonto, quo tuJo
é oerJuJe. Quo tudo sojo vordodo, vollo num corto sontldo tombóm
poro o ontlgo holonlsmo, o rool tlnho volldodo obsoluto. Mos no
solistlco o rolloxoo osto dosportodo, olo loz tudo vocllor o ó ontoo quo
o solistlco o loz odormocor do novo, com o ojudo dos rozoos: com
roclocinlos ó ollmontodo osto monstro lomlnto, o o ponsodor so vô
osslm com os sollstos om condlçoos do provor tudo; pols olos podlom
dor rozoos poro tudo, o com ostos rozoos o quolquor momonto so
tornovo vordodo o quo so quorlo quo losso.
Agoro, ó bom vordodo quo o moxlmo: tudo ó vordodo, trons-
portodo poro o osloro do rolloxoo, no lnstonto sogulnto so mudo om
sou oposto: nuJu é oerJuJe; mos osto lnstonto sogulnto noo ocorro
ò solistlco, justomonto porquo olo vlvlo no lnstonto. O quo pormltlo
quo o solistlco porosso por oi, oro quo lho loltovo umo consclônclo
160
obrongonto, loltovo o lnstonto otorno, no quol olo pudosso dor conto
do totolldodo. Jo quo o rolloxoo tornoro tudo vocllonto, o solistlco
tomou o sl romodlor do olgumo monolro o opuro momontônoo. A
solistlco consogulu osslm brocor o rolloxoo om sou lnqulotonto
tronsbordomonto o domlno-lo o codo lnstonto, mos o omorro quo o
sogurovo oro o sujolto lndlvlduol. Por lsso dovo o lmprossoo do quo
ostovo om condlçoos do subjugor oquolo ospirlto quo olo proprlo
conjuroro. Quondo tudo so tornou vocllonto, o quo ó quo podo so
tornor o omorro solvodoro¹ Ou soro o unlvorsol (o bom otc.), ou
ontoo soro o sujolto llnlto, sou orbitrlo, o quo lho do prozor otc. Esto
ultlmo soido ó o quo os sollstos ogorrorom. O ponsomonto llvro, quo
num corto sontldo jo so onunclo no rolloxoo quondo osto noo ó
ostoncodo orbltrorlomonto, vlvo portonto no solistlco como um
oscrovo, o codo voz quo protondo lovontor suo coboço poro olhor
llvromonto oo rodor ó preso pelo ìnJìoiJuo uo seroìço Jo ìnstunte. O
sollsto, por osslm dlzor, lho cortou os tondoos poro lmpodlr quo
oscoposso, o o rolloxoo ogoro tom do omossor tljolo, lovontor cons-
truçoos o oxocutor outros trobolhos sorvls, vlvo oprlmldo o submotldo
oo jugo dos trlnto tlronos (os sollstos). Hogol obsorvo, no Hìstorìu Ju
Fìlosojìu, vol. 2, p. 5: ¨O concolto, quo o rozoo om Anoxogoros
oncontrou como o ossônclo, ó o slmplos nogotlvo, no quol so olundo
todo dotormlnldodo, todo onto o lndlviduo. Nodo podo subslstlr
dlonto do concolto; olo ó justomonto o obsoluto som prodlcodo, poro
o quol slmplosmonto tudo ó so momonto; poro olo noo ho, por osslm
dlzor, nodo do `progodo o robltodo`. O concolto ó oxotomonto osto
possogom quo llul do Horocllto, osto movor-so, - osto coustlcldodo o
quo nodo podo roslstlr. O concolto quo oncontro o sl mosmo ó como
o podor obsoluto poro o quol tudo dosoporoco; - o ogoro so tornom
lluldos todos os colsos, todo subslstlr, tudo o quo so consldoro llrmo.
Esto colso llrmo - sojo lo umo llrmozo do sor ou llrmozo do dotorml-
nodos concoltos, prlnciplos, costumos, lols - comoço o oscllor o pordo
sou opolo. Prlnciplos otc. portoncom mosmo oo concolto, soo postos
como olgo do unlvorsol; mos o unlvorsolldodo ó somonto suo lormo,
o contoudo quo olos tôm ontro tombóm, onquonto olgo do dotorml-
nodo, no movlmonto. Esto movlmonto ó quo nos vomos oporocor
nos osslm chomodos sollstos...¨. Poroco, no ontonto, quo Hogol loz
do `movlmonto` solistlco ulgo JemusìuJo grunJìoso, o o suspolto quo
so podo portonto nutrlr quonto ò corroçoo do suo oxposlçoo vom o
sor olndo mols rolorçodo polo loto do quo no soquônclo do suo
onollso do solistlco oncontrom-so dlvorsos colsos quo noo so dolxom
hormonlzor too bom com lsto, osslm como tombóm om suo oxposl-
çoo do Socrotos so oncontrom multos colsos quo, coso osso losso o
161
concopçoo corroto do solistlco, tornorlom nocossorlo ldontlllcor So-
crotos com olos. Oro, ó bom vordodo quo o solistlco cultlvo om sl um
sogrodo multo lnqulotonto poro olo mosmo, mos olo ndo quer tomor
consclônclo dlsto, o o oprosontoçoo pomposo o outoconllonto dos
sollstos, suo outo-sullclônclo lncomporovol (quo todos nos llcomos
conhocondo otrovós do Plotoo) mostro bom quo olos so ocrodltovom
om condlçoos do sotlslozor òs oxlgônclos do sou tompo, noo om
lozondo tudo vocllor, mos slm om lozondo tudo llcor novomonto
llrmo. A moxlmo solistlco, too lroquontomonto roprlsodo: ¨o homom
ó o modldo do todos os colsos¨
143
contóm, poro o consldoroçoo
llnlto, umo posltlvldodo, onquonto quo umo consldoroçoo mols
prolundo o vô como llnltomonto nogotlvo. Os sojìstus, om gorol,
ochovom quo orom os méJìcos Je seu tempo. Por lsso so vô om
Plotoo soguldomonto quo quondo os sollstos orom lorçodos o dor
umo oxpllcoçoo sobro quol o orto quo possuiom rospondlom cons-
tontomonto: u retorìcu. Nosto torrono mostro-so, poróm, justomonto
o posltlvldodo quo o solistlco possuio. O orodor tom sompro o vor
com um coso portlculor, o quo volo oqul ó vor o colso polo lronto,
por tros, jogondo convorso poro lo o poro co. Polo outro lodo, olo
tom o vor com umo multldoo do lndlviduos. Aqul onslnovom ontoo
os sollstos do quo modo so podo lnllulr sobro polxoos o olotos.
Trotovo-so oqul constontomonto do um cuso purtìculur o do vltorlo
no coso portlculor, o o sollsto so sontlo soguro dosto vltorlo. Umo
onologlo tolvoz posso sorvlr poro llustror osto posltlvldodo do solistlco.
A cusuistìcu oscondo om sl um sogrodo quo corrospondo totolmonto
òquolo quo o solistlco oculto. No cosuistlco, o rolloxoo nosconto osto
lntorrompldo. Do loto, too logo so pormlto o osto rolloxoo lrrompor,
olo oxpulso o cosuistlco no mosmo lnstonto. E contudo o cosuistlco
ó justomonto umo posltlvldodo, omboro umo consldoroçoo mols
prolundo porcobo o suo nogotlvldodo. O cosuisto llco colmo o soguro,
olo ocho noo so quo podo ojudor o sl mosmo mos ocho quo tombóm
podo ojudor os outros. So olguóm osto om duvldo o ontoo so dlrlgo
oo cosuisto, olo tom sompro prontos soto consolhos o soto rospostos.
Oro, lsto ó um olto grou do posltlvldodo. Quo lsto sojo umo llusoo, o
quo o cosuistlco ollmonto o doonço quo protondo curor, ó bom
vordodo, mos olo noo tom consclônclo dlsto. Exomlnondo o Jìúlogo
Protúgorus ou jo subllnhol sullclontomonto o roloçoo ontro o concop-
çoo do sollsto o o do Socrotos. Protogoros tom umo grondo multldoo
do vlrtudos, um sortlmonto posltlvo, poro Socrotos o vlrtudo ó umo
so. Esto onunclodo socrotlco ó docorto nogotlvo om roloçoo ò rlquozo
do Protogoros, mos ó oo mosmo tompo ospoculotlvo, ó o lnllnltudo
nogotlvo, no quol codo vlrtudo portlculor osto llvro. O onunclodo do
162
Protogoros, do quo o vlrtudo podo sor onslnodo, ó docorto posltlvo,
contóm um olto grou do conllonço no oxlstônclo o no orto solistlco;
om componsoçoo o onunclodo socrotlco, do quo o vlrtudo noo podo
sor onslnodo, ó nogotlvo, mos ó oo mosmo tompo ospoculotlvo, pols
ó umo lndlcoçoo doquolo lnllnltudo quo so prossupÕo otornomonto,
no lntorlor do quol osto lncluido tudo o quo ó onslnovol. Protogoros
ó portonto constuntemente posìtìoo, mos olo so o ó upurentemente,
Socrotos constuntemente negutìoo, mos lsto ó tombóm otó um corto
ponto oponos upurêncìu. Elo ó posltlvo, no modldo om quo o
nogotlvldodo lnllnlto contóm om sl umo lnllnltudo, o olo ó nogotlvo
porquo o lnllnltudo noo ó poro olo rovoloçoo o slm llmlto.
144
Ero Jestu posìtìoìJuJe, too lnsipldo no ospocto toorlco quonto
projudlclol no ospocto protlco, quo o Gróclo precìsuou ser lìbertuJu.
Mos poro quo lsto pudosso dor um rosultodo comploto oro proclso
lozor um trotomonto rodlcol, o poro tonto oro proclso lozor quo o
doonço lrromposso, o llm do quo noo rostosso nonhumo dlsposlçoo
doontlo no corpo. Estos sollstos orom pols os lnlmlgos horodltorlos
do Socrotos, o so porguntormos como ó quo olo proclsovo ostor
prodlsposto por noturozo poro podor dosmocoro-los, ó docorto lm-
possivol dolxor do so ontrogor por um lnstonto ò ologrlo polo ongo-
nhosldodo quo ho no hlstorlo do mundo, pols Socrotos o os sollstos
soo, como so dlz, loltos um poro o outro sogundo umo modldo quo
roromonto so oncontro. 5ocrutes osto equìpuJo o urmuJo do tol
modo quo ó lmpossivol noo porcobor quo olo vom puru u brìgu com
os sojìstus. So Socrotos tlvosso tldo umo posltlvldodo por ollrmor, o
consoquônclo doi sorlo quo olo o os sollstos ocoborlom lolondo no
mosmo linguo, pols o sobodorlo dos sollstos oro too toloronto quonto
o rollgloo dos romonos o noo tlnho nodo contro o oporlçoo do mols
um outro sollsto, ou do umo outro lgrojlnho suplomontor. Mos noo
oro osslm quo dovlo ocontocor. O sogrodo noo dovlo sor tomodo om
voo, o tomplo tlnho do sor prlmolro purlllcodo poro quo o sogrodo
pudosso voltor o ocupor o sou lugor. A vordodo oxlgo sllônclo ontos
do olovor suo voz o oro Socrotos quo dovlo provldonclor osto sllônclo.
Por lsso olo oro upenus negutìoo. E so tlvosso tldo umo posltlvldodo
ontoo olo jomols torlo sldo too som mlsorlcordlo, jomols so torlo
tornodo um tol ontropologo, como olo oro o como olo nocossorlo-
monto tlnho do sor poro noo lolhor om suo mlssoo no mundo. Mos
puru ìsto tombóm olo ostovo urmuJo, equìpuJo. So os sollstos
podlom rospondor o tudo, olo podlo porguntor; so os sollstos soblom
tudo, olo noo soblo slmplosmonto nodo; so os sollstos podlom lolor
som poror, olo podlo color, lsto ó: olo oro copoz do dlologor
145
. So o
oprosontoçoo dos sollstos oro pomposo o protonsloso, o modo do
163
Socrotos so oprosontor oro tronqullo o modosto; so o conduto dos
sollstos oro oxuboronto o voluptoso, o dolo oro slngolo o modorodo;
so o moto dos sollstos oro o lnlluônclo no Estodo, Socrotos noo so
sontlo lncllnodo o ocupor-so com os ossuntos do Estodo; so o onslno
dos sollstos oro lmpogovol, o do Socrotos tombóm o oro, no sontldo
lnvorso; so o dosojo dos sollstos oro sontor ò moso nos lugoros mols
lmportontos, Socrotos so sontlo sotlslolto ocupondo o ultlmo lugor;
so os sollstos dosojovom sor olgo, Socrotos prolorlo sor slmplosmonto
nodo. Tudo lsso podlo sor concobldo como um oxomplo do lortolozo
morol do Socrotos, o contudo tolvoz losso mols corroto vor nlsso tudo
umo polêmìcu ìnJìretu, sustontodo polo lnllnltudo lntorlor Ju ìronìu,
contro os obusos dos sollstos. Podo-so multo bom lolor num corto
sontldo do vlgor morol do Socrotos, mos o ponto oo quol olo chogo
nosto ospocto oro ontos oquolo dotormlnoçoo nogotlvo, do quo o
subjotlvldodo om sl mosmo dotormlno o sl mosmo, mos loltovo o olo
oquolo objotlvldodo no quol o subjotlvldodo om suo llbordodo om sl
ó llvro, o objotlvldodo quo noo ó o llmltoçoo quo rostrlngo o subjotl-
vldodo, mos o quo o oxpondo. No lundo, o quo olo otlnglu lol o
coorônclo lntorno conslgo no obstroçoo, proprlo do lnllnltudo ldool,
obstroçoo no quol lsto ó tonto umo dotormlnoçoo motolislco quonto
ostótlco o morol. A proposlçoo quo Socrotos too lroquontomonto
oprosonto, do quo pocodo ó lgnorônclo, jo o lndlco sullclontomonto.
O quo vomos om Socrotos ó o lìberJuJe, lnllnltomonto tronsbordon-
to, Ju subjetìoìJuJe, mos lsto ó justomonto u ìronìu.
Eu osporo ontoo quo oqul so mostrom duos colsos: noo so quo
o lronlo tom umo volldodo hlstorlco-unlvorsol, mos tombóm quo
Socrotos noo llco dlmlnuido com mlnho concopçoo o slm so torno
bom rlgorosomonto um horol quondo o gonto o vô om suo ocupoçoo,
quo olo portonto so torno vlsivol poro o quo tom olhos poro vor o
oudivol poro oquolo quo tom ouvldos poro ouvlr. O volho holonlsmo
sobrovlvoro o sl mosmo, um novo prlnciplo dovlo surglr, mos ontos
quo osto pudosso oporocor om suo vordodo oro proclso quo lossom
oxtormlnodos todos os orvos donlnhos dos ontoclpoçoos pornlclosos
do mol-ontondldo, quo prolllorovom, o onlqullodos om suo rolz mols
prolundo. O novo prlnciplo proclso lobutor, o hlstorlo unlvorsol
nocosslto do um `occouchour`. E osto lugor quo Socrotos prooncho
ontoo. Elo mosmo noo oro oquolo quo dovlo trozor o novo prlnciplo
om suo plonltudo; nolo, o prlnciplo so so oncontrovo socrotomonto
(KATA KRYPSlN), olo dovlo posslbllltor suo oporlçoo. Mos este
estúJìo ìntermeJìúrìo, quo noo ó o novo prlnciplo o contudo o ó
(potentìu non uctu) ó justumente u ìronìu. Mos u ìronìu ó o glodlo, u
espuJu Je Joìs gumes quo olo brondlo como um onjo do morto sobro
164
o Gróclo. Elo proprlo concobou lsto corrotomonto no Apologìu, ondo
olo dlz quo oro como umo dodlvo dos dousos o dollno lsto molhor
ocroscontondo quo olo ó umo mutuco do quo o Estodo grogo, como
um covolo grondo o do roço mos um tonto lordo, nocossltovo. Mols
oclmo jo lol sullclontomonto comontodo como suo proxls tombóm
corrospondlo totolmonto o lsto. Mos u ìronìu ó justomonto o ìncìtu-
mento Ju subjetìoìJuJe o o lronlo ó om Socrotos umo vordodolro
puìxdo lìstorìco-unìoersul. Em Socrotos tormlno um dosonvolvlmon-
to, o com olo lnlclo um novo. Elo ó o ultlmo llguro closslco, mos olo
consomo osto suo solldoz o plonltudo noturol no sorvlço dlvlno polo
quol olo orroso o quo ó closslco. Mos ó o suo proprlo compleìçdo
clússìcu quo lho posslblllto suportor u ìronìu. Ero oqullo quo ontorlor-
monto coroctorlzol como o soudo dlvlno quo Socrotos possuio com
cortozo. Poro umo lndlvlduolldodo rolloxlvo
146
todo o quolquor
dotormlnoçoo noturol ó oponos torolo, o possondo polo dlolótlco do
vldo o solndo dolo oporoco o lndlvlduolldodo tronsllgurodo como
oquolo porsonolldodo quo o codo lnstonto jo voncou o contudo olndo
luto. A lndlvlduolldodo rollotldo jomols olconço o poz quo polro sobro
o bolo lndlvlduolldodo, porquo osto otó corto ponto ó produto do
noturozo, porquo osto tom o sonsivol como um momonto nocossorlo
om sl. A unldodo hormónlco do bolo lndlvlduolldodo ó porturbodo
polo lronlo, o ó porturbodo tombóm otó corto ponto om Socrotos, olo
ó onlqullodo o codo momonto nolo, ó nogodo. A portlr doi podo-so
oxpllcor tombóm oquolo vlsoo do morto quo ontos onollsomos. Mos
oclmo dosto onlqulloçoo olovo-so, codo voz mols olto, o otoroxlo
lrónlco (poro rocordormos umo oxprossoo do cotlclsmo).
Portonto, osslm como nos judous, quo ollnol orom o povo do
promosso, o cetìcìsmo Ju leì tovo do obrlr comlnhos, proclsou, com
suo negutìoìJuJe, por osslm dlzor, consumlr o provor polo logo o
homom noturol, o llm do quo o groço noo losso tomodo om voo,
osslm tombóm nos grogos, povo quo no sontldo mundono bom podo
sor chomodo do oscolhldo, povo olortunodo, cujo potrlo oro o torro
do hormonlo o do bolozo, povo om cujo dosonvolvlmonto o puro-
monto humono porcorrou suos dotormlnoçoos, povo do llbordodo,
osslm tombóm nos grogos om sou mundo lntoloctuol dosproocupodo
o sìlêncìo Ju ìronìu tlnho do sor oquolo negutìoìJuJe quo lmpodlo
quo o subjotlvldodo losso tomodo om voo. Pols o lronlo ó, osslm
como o lol, umo oxlgônclo o o lronlo ó umo oxlgônclo onormo, pols
olo dosdonho o roolldodo o oxlgo o ldoolldodo
147
. E cloro quo o
ldoolldodo jo osto prosonto nosto dosojo, mosmo quo oponos como
posslbllldodo, pols no ospocto osplrltuol o dosojodo jo osto sompro
no dosojo, jo quo o dosojo ó vlsto como os moçoos mosmos do
165
dosojodo no dosojonto. E osslm como o lronlo rocordo o lol, osslm
tombóm os sojìstus rocordom os jurìseus, quo oporovom no torrono
do vontodo oxotomonto do mosmo monolro quo os sollstos no do
conhoclmonto. O quo Socrotos loz com os sollstos lol dor-lhos o
lnstonto sogulnto, no quol o vordodo momontônoo so dlssolvlo om
nodo, quor dlzor, olo lozlo o lnllnltudo ongollr o llnltudo. Mos o lronlo
do Socrotos noo ostovo dlrlgldo oponos contro os sollstos, ostovo
dlrlgldo contro todo o subslstonto, do tudo lsto olo oxlglo o ldoolldodo,
o osto oxlgônclo oro o juizo quo julgovo o condonovo o holonlsmo.
Mos suo lronlo noo ó o lnstrumonto quo olo usovo o sorvlço do ldólo,
u ìronìu ó sou ponto Je oìstu, o mols olo noo tlnho. So olo tlvosso
possuido o ldólo, suo otlvldodo onlqullodoro jomols torlo sldo too
ponotronto. Aquolo quo proclomovo o lol noo oro o quo tombóm
trozlo o groço; o quo lozlo volor o oxlgônclo om todo o sou rlgor noo
oro oquolo quo podlo sotlslozor o oxlgônclo. Entrotonto ó proclso
lombror quo ontro o oxlgônclo do Socrotos o sou proonchlmonto ndo
hovlo um ubìsmo tdo projunJo como ontro o lol o o groço. No
oxlgônclo do Socrotos o proonchlmonto ostovo contldo potonclol-
monto. Com lsso odqulro oquolo lormoçoo hlstorlco-unlvorsol tom-
bóm um olto grou do ocobomonto. Schlolormochor obsorvo no ortlgo
cltodo ontorlormonto (p. 54) quo Plotoo ó ocobodo domols poro sor
um prlmolro lniclo, o o obsorvo om controdlçoo o Krug o Ast, quo
nogllgonclom Socrotos o lnlclom com Plotoo. Mos u ìronìu ó o ìnicìo,
o, contudo, nodo mols do quo o lniclo, olo ó o noo ó, o o suo polômlco
ó um lniclo quo ó lguolmonto umo conclusoo, pols o onlqullomonto
do dosonvolvlmonto ontorlor ó tonto suo conclusoo quonto o lniclo
do novo dosonvolvlmonto, dodo quo o onlqulloçoo so ó possivol
porquo o novo prlnciplo jo osto prosonto como posslbllldodo.
Dodo o corotor bllronto quo ocorro om quolquor lniclo hlstorl-
co, possomos ontoo ogoro o mostror om Socrotos o outro luJo, o o
oxomlnor suu reluçdo com oquolo corrente noou quo roporto sou
lniclo o olo
148
. Como so sobo, noo ó oponos Plotoo, mos slm umo
multìplìcìJuJe do escolus quo vô o orlgom do suo sobodorlo nosto
ponto
14º
. Podorlo porocor quo poro oxpllcor osto lonómono losso
nocossorlo odmltlr tor hovldo um olto grou do posltlvldodo om
Socrotos. Eu jo procurol ontos mostror como prlnclpolmonto no coso
do Alcobiodos o loto podo sor oxpllcodo oxcolontomonto som so
odmltlr umo tol posltlvldodo, slm, quo proprlomonto olo so so dolxo
oxpllcor quondo so odmlto quo tol noo ocorrlo. Tombóm procurol
mostror os loltlços quo o lronlo possuio poro cotlvor os ônlmos.
Possorol ogoro o obsorvoçoos slmlloros poro mostror como mols umo
voz o lronlo podo oxpllcor osto lonómono, molhor, quo um tol
166
lonómono exìge o ìronìu como suo explìcuçdo. Hogol obsorvo (Hìst.
Ju Fìl. 2 vol. p. 126) quo so consurou Socrotos polo loto do quo do
sou onslno so orlglnorom lllosollos too dlloronclodos, o rospondo
dlzondo quo lsto so dovo ò lndotormlnoçoo o obstroçoo do sou
prlnciplo. Quo so tonho podldo lozor dlsto umo objoçoo o Socrotos,
mostro justomonto quo so quorlo quo olo tlvosso sldo dlloronto do
quo oro om roolldodo. So o ponto do vlsto do Socrotos, com ololto,
tlvosso tldo o llmltoçoo quo quolquor posltlvldodo lntormodlorlo
proclso nocossorlomonto tor, docorto torlo sldo por todo otornldodo
lmpossivol umo tol multldoo do doscondontos quoror ollrmor sous
dlroltos do prlmogonlturo. Mos so polo controrlo sou ponto do vlsto
tlvor sldo o do negutìoìJuJe ìnjìnìtu ontoo llco locll do oxpllcor lsto,
pols osto contóm om sl o posslbllldodo do tudo, o posslbllldodo poro
o lnllnltudo do todo subjotlvldodo. Hogol obsorvo no p. 127, oo
comontor os trôs oscolos socrotlcos (o mogorlco, o clronolco o o
cinlco), quo todos ossos trôs soo portlculormonto dlvorgontos umos
dos outros, o ocrosconto quo o portlr doi jo so mostro nltldomonto
quo Socrotos noo tlnho um slstomo posltlvo. Mos olo noo oponos
coroclo do um slstomo posltlvo, mos coroclo, lsto slm, do quulquer
posìtìoìJuJe. E o quo mols tordo procurorol mostror oo rolorlr-mo ò
monolro como Hogol rolvlndlco poro Socrotos o ldólo do bom; oqul
oponos o obsorvoçoo do quo otó mosmo o bom olo so possuio como
nogotlvldodo lnllnlto. No bom o subjotlvldodo osto no posso logol do
um llm obsolutomonto volldo poro sou oslorço, mos Socrotos noo
portlo dosto bom, poróm lo otó o bom, tormlnovo no bom, o por lsso
tombóm osto oro poro olo complotomonto obstroto
150
. Mos so o gonto
rostrlngo dosto modo os oxprossoos do Hogol, ó proclso tombóm por
outro lodo ostondô-los, ocontuondo o onormo olostlcldodo quo hovlo
nosto nogotlvldodo lnllnlto. Noo bosto quo so dlgo quo o portlr do
dlloroncloçoo dos oscolos socrotlcos so podo conclulr quo Socrotos
noo tovo nonhum slstomo posltlvo; mos ó proclso ocroscontor quo o
nogotlvldodo lnllnlto posslbllltou com suo prossoo todo o posltlvldo-
do, lol um ìncìtumento o um estimulo lnllnltos poro o posltlvldodo.
Asslm como Socrotos podlo lnlclor no vldo dlorlo por ondo qulsosso,
osslm tombóm suo slgnlllcoçoo no dosonvolvlmonto hlstorlco mun-
dlol conslsto om sor o lniclo lnllnlto quo contóm om sl umo multlpll-
cldodo do lniclos. Enquonto lniclo, olo ó portonto posltlvo, mos
onquonto oponos lniclo ó nogotlvo. Suo roloçoo ó oqul ontoo o
lnvorso doquolo quo olo tlnho com rolorônclo oos sollstos. Mos u
unìJuJe Jelus ó justomonto u ìronìu. Por lsso tombóm so voro quo
os trôs oscolos socrotlcos so unom no unlvorsol obstroto
151
, por mols
dlloronto quo olos o concobom. Mos lsto contóm justomonto o
167
omblguldodo do om porto podor voltor-so polomlcomonto contro o
llnlto, o om porto podor sor lnstlgonto poro o lnllnlto. Como Socrotos
portonto, no troto com sous dlscipulos, so ó quo ou ouso omprogor
osto oxprossoo, oro lndlsponsovol poro olos, poro quo pudossom lovor
odlonto o lnvostlgoçoo, som poror, osslm tombóm olo tom no domi-
nlo hlstorlco o slgnlllcoçoo do noo dolxor quo o borco do ospoculoçoo
olundosso. Mos poro lsto so roquor justomonto umo polêmìcu ìnjìnìtu,
umo lorço poro olostor do comlnho quolquor obstoculo quo qulsosso
lntorrompor osto vlogom. Entrotonto, olo mosmo noo vol o bordo,
olo oponos doscorrogo. Elo proprlo olndo portonco o umo lormoçoo
mols ontlgo, o contudo umo novo lnlclo com olo
152
. Elo doscobro
om sl mosmo o outro contlnonto, no mosmo sontldo om quo
Colombo doscobrlu o Amórlco ontos do tor omborcodo o tô-lo
doscoborto do loto. Suo nogotlvldodo portonto noo so lmpodo
quolquor rocuo, como olndo oprosso o doscobrlmonto rool. E osslm
como suo mobllldodo o sou ontuslosmo osplrltuols no troto dlorlo
onlmovom os dlscipulos, osslm tombóm o ontuslosmo do sou ponto
do vlsto ó o onorglo quo vlbro no posltlvldodo quo o soguo.
Ató oqul so mostrou quo Socrotos om suo roloçoo com o
subslstonto oro complotomonto negutìoo, quo olo llutuovo, om sotls-
loçoo lrónlco, por sobro todos os dotormlnoçoos do vldo substonclol;
tombóm so mostrou quo olo, om roloçoo ò posltlvldodo quo os sollstos
ollrmovom o quo procurovom omorror com umo multlpllcldodo do
rozoos o tornor olgo do subslstonto, mols umo voz so roloclonovo
negutìoumente o so soblo por clmo dolo om llbordodo ìronìcu. ToJo
o sou ponto Je oìstu so orrodondo portonto noquolo negutìoìJuJe
ìnjìnìtu quo om roloçoo com um dosonvolvlmonto ontorlor so mostro
nogotlvo o om roloçoo o um postorlor tombóm, omboro num outro
sontldo sojo om ombos os roloçoos posltlvo, quor dlzor: ó ìnjìnìtumen-
te umbiguu. Contro o ordom ostobolocldo, contro o vldo substonclol
no Estodo, todo suo vldo oro um protosto; com os sollstos olo so
motou quondo tontorom produzlr um substltutlvo poro o subslstonto.
As rozoos dolos noo consogulom so oguontor contro o lurocoo do suo
nogotlvldodo lnllnlto quo num lnstonto soprovo poro longo todos os
romlllcoçoos pollposos com quo o sujolto portlculor o ompirlco so
llrmovo o vorrlo-os poro o ocoono lnllnlto, ondo o bom, o vordodolro,
o bolo otc. so llmltom o sl mosmos om nogotlvldodo lnllnlto. lsto ontoo
o rospolto dos roloçoos sob os quols suo lronlo so monllostovo.
Quonto oo modo om quo olo so monllostou, olo so mostrou oro
purcìulmente como um momonto domlnodo no corror do dlscurso,
o oro totulmente o om todo o suo lnllnltudo, com o quo olo ocobou
por vorror com o proprlo Socrotos.
168
APÊNDICE
A ·»n··(,c» /·¡·|/cnc 4· S»·rc/··
Rosto olndo mostror om quo roloçoo osto o concopçoo lorno-
cldo no prosonto ostudo com vlsoos quo o procodorom, lozô-lo
ovonturor-so polo mundo. Entrotonto, mlnho lntonçoo noo ó do
monolro olgumo onumoror todos os concopçoos possivols, ou, com
um tol ponoromo hlstorlco, moldor-mo ò monolro dos dlscipulos
mols novos do umo corto oscolo novo, quo por suo voz oscolhorom
como modolo o lormo do conto, ropotlndo constontomonto todo o
llçoo o codo novo copitulo. Rocuor tonto o ponto do so ocupor com
os concopçoos do Bruckor ou do um T,chson, ou sor too consclon-
closo nos pormonoros o ponto do lnclulr os romlnlscônclos do Krug,
lsto quolquor um porcoboro quo ó obsurdo. lnlclor com o conhocldo
ortlgo do Schlolormochor
153
jo sorlo om todo coso lnlclor por um
lniclo, omboro ou noo posso concordor com Brondls om quo
Schlolormochor tonho sldo o plonolro.
Oro, Hogol lornoco monllostomonto um ponto do vlrodo no
concopçoo do Socrotos. Por lsso quoro lnlclor com Hogol o om Hogol
quoro tormlnor, som mo otor nom oos sous prodocossoros, jo quo
ossos, no modldo om quo possom slgnlllcor olgo, oncontrom suo
conllrmoçoo no concopçoo dolo, o nom oos sous soguldoros, jo quo
ossos ollnol so tôm volor rolotlvo om lunçoo doquolo. Como om gorol
suo oxposlçoo do hlstorlco noo podo sor ocusodo do pordor tompo
sulocondo-so nos portlculorldodos, osslm tombóm olo so concontro
com umo onormo lntonsldodo osplrltuol sobro olgumos dos prlncl-
pols botolhos doclslvos. Hogol copto o comproondo o hlstorlo om suos
169
grondos lormoçoos. Do modo quo o Socrotos tombóm noo lol
pormltldo llcor do loro como eìn Dìng un sìcl (umo colso om sl), mos
tovo do oporocor, quorondo ou noo.
A dlllculdodo quo osto llgodo ò produçoo do umo certezu o
rospolto do jenomenul no oxlstônclo do Socrotos ndo proocupo
Hogol. Elo slmplosmonto lgnoro tols culdodos mludos. E quondo os
olormodos vldontos (luruspìces) vôm trozor o noticlo do quo os
gollnhos sogrodos noo quorom comor, olo rospondo com Applus
Cloudlus Pulchor: ¨ontoo quo olos bobom¨, o os jogo poro loro do
novlo. Em suo oxposlçoo do Socrotos no Hìstorìu Ju Fìlosojìu,
omboro olo mosmo obsorvo quo o rospolto do Socrotos o quostoo
noo ó tonto do lllosollo quonto do vldo lndlvlduol, noo so oncontro
slmplosmonto nodo poro o oscloroclmonto do roloçoo ontro os trôs
dlvorsos concopçoos contomporônoos do Socrotos
154
. Elo utlllzo um
unlco dlologo do Plotoo
155
como um oxomplo do mótodo socrotlco
som no ontonto dlzor por quo oscolhou oxotomonto osto. Utlllzo do
Xonolonto os Memorubìlìu o o Apologìu osslm como tombóm o
Apologìu do Plotooo, sompro som mols nom monos. Elo noo do
obsolutomonto molor lmportônclo poro os lmpugnoçoos o nem
mesmo os esjorços Je 5clleìermucler por ordonor os dlologos
plotónlcos do tol modo quo umo ldólo grondloso so movlmonto
otrovós dolos om sucosslvos dosdobromontos, oncontrom groço oos
sous olhos. ¨O ospocto lltororlo, critlco do Sr. Schlolormochor, o
trlogom critlco poro sobor so um ou outro dos dlologos socundorlos
ó outôntlco, - (sobro os prlnclpols noo so podo tor nonhumo duvldo
groços oos tostomunhos dos ontlgos), - ó poro o lllosollo totolmonto
supórlluo o portonco ò hlporcritlco do nosso ópoco¨ (p. 17º). Todos
ossos colsos soo poro Hogol oslorço pordldo, o logo quo os lonómo-
nos ostojom proporodos poro o porodo, olo noo so tom prosso como
tombóm osto domoslodo consclonto do lmportônclo do suo poslçoo
do gonorol comondonto do hlstorlo unlvorsol, poro podor dlstrolr o
olhor lmporlol com quo olo os posso om rovlsto. So dosto modo olo
so llvro dos proocupoçoos com multos dotolhos, ocobo ontrotonto
pordondo um ou outro ospocto quo sorlo um momonto nocossorlo
poro umo oxposlçoo totolmonto comploto. Doi provóm por suo voz
quo oqullo quo lol osslm lnjustomonto nogllgonclodo tormlno por
rolnvlndlcor os sous dlroltos om outros oportunldodos lntorvlndo om
outros possogons. E por lsso quo o gonto oncontro om suo onollso do
slstomo do Plotoo dlvorsos obserouçoes uoulsus quo oqul ontoo so
oprosontom com protonsoo do obsolutos, porquo o contoxto globol
ondo so mostrorlom om suo vordodo rolotlvo (mos por lsso multo
mols lundomontodos) lol onulodo. P. 184: ¨Noo ó proclso lnvostlgor
170
mols o lundo o quo ó quo portonco o Socrotos o o quo o Plotoo no
quo osto oxposto nos dlologos. Polo monos umo colso ó corto: quo
o portlr dos dlologos do Plotoo nos ostomos om condlçoos do
roconhocor complotomonto o slstomo dosto¨. P. 222: ¨Esto dlolótlco¨
(ou sojo, oquolo cujo rosultodo ó oponos nogotlvo) ¨nos o oncontro-
mos lroquontomonto om Plotoo, om porto nos dlologos morols mols
proprlomonto socrotlcos
156
, o om porto tombóm nos multos dlologos
quo so rolorom ò roprosontoçoo quo os sollstos so lozlom do clônclo¨.
P. 226: ¨Esto dlolótlco nosto dotormlnoçoo suporlor¨ (como oquolo
quo dlssolvo os controrlos no unlvorsol, do modo quo osto dlssoluçoo
do controdlçoo ó o ollrmotlvo) ¨ó o proprlomonto plotónlco
157
. P.
230: ¨Multos dlologos contôm osslm somonto dlolótlco nogotlvo; ó o
convorsoçoo socrotlco¨. Estos obsorvoçoos portlculoros ostoo totol-
monto do ocordo com o quo ou procurol ollrmor no prlmolro porto
do lnvostlgoçoo. Entrotonto ou noo posso utlllzo-los mols om mou
lovor, dodo quo olos ostoo oi jogodos totolmonto soltos.
A exposìçdo proprìumente Jìtu do Socrotos so oncontro no
Hìstorìu Ju Fìlosojìu, 2 vol. p. 42-122. E poro osto quo ogoro possorol.
- Esto oxposlçoo do Hogol possul olgo do notovol: olo lnlclo o tormlno
polo pessou Je 5ocrutes. Pols omboro Hogol om vorlos possogons
poroço quoror rolvlndlcor-lho umo posltlvldodo, o omboro lho otrlbuo
o ldólo do bom, mostro-so contudo quo o lndlviduo vom o sor oquolo
quo so dotormlno orbltrorlomonto om roloçoo oo bom o quo o bom
onquonto tol noo possul nonhumo lorço obsolutomonto obrlgonto.
lsto ó obsorvodo no p. º3: ¨O sujolto ó o dotormlnonto o quo docldo.
So ó um ospirlto bom ou mou quo docldo, quom o dotormlno ogoro
ó o sujolto¨. (Quor dlzor: o sujolto polro llvromonto por sobro oqullo
quo dovorlo proprlomonto sor vlsto como o quo dovo dotormlno-lo,
polro llvromonto sobro oqullo, o noo oponos no lnstonto do oscolho,
mos o codo momonto, porquo o orbltrorlododo noo constltul nonhu-
mo lol, nonhumo pormonônclo, nonhum contoudo.) ¨O ponto do
doclsoo o portlr do sl mosmo comoçou o surglr com Socrotos; ontro
os grogos lsto oro um dotormlnor lnconsclonto. Em Socrotos osto
ospirlto quo docldo ó tronsposto poro o consclônclo subjotlvo do
homom; o o prlmolro quostoo ogoro ó como oporoco osto subjotlvl-
dodo no proprlo Socrotos. No modldo quo o possoo, o lndlviduo so
torno o quo docldo, voltomos, dosto monolro, o Socrotos enquunto
pessou, onquonto sujolto; o o quo soguo ó um dosonvolvlmonto do
suos roloçoos possools¨. A lormo sob o quol o subjotlvldodo ontoo so
mostro om Socrotos ó o domonioco, mos jo quo o proprlo Hogol
lnslsto corrotomonto om quo o domonioco ollnol olndo noo ó cons-
clônclo morol, o gonto podo vor como o subjotlvldodo om Socrotos
171
oscllo ontro o subjotlvldodo llnlto o o lnllnlto; pols no consclônclo
morol o sujolto llnlto so lnllnltlzo. P. º5: ¨Consclônclo morol ó o
roprosontoçoo do lndlvlduolldodo om gorol do ospirlto corto do sl
mosmo, quo oo mosmo tompo ó vordodo unlvorsol. O domónlo do
Socrotos ó o outro ospocto totolmonto nocossorlo lronto ò suo
unlvorsolldodo; osslm como osto lho volo ò consclônclo, osslm
tombóm o outro ospocto, o slngulorldodo do ospirlto. Suo puru
conscìêncìu polrovo por cìmu Jos Joìs uspectos. Vomos logo dotor-
mlnor os locunos do prlmolro: com ololto o ousônclo do corotor
unlvorsol ó substltuido tombóm dollclontomonto, do umo monolro
lndlvlduol, som rostoboloclmonto do corrompldo poro o nogotlvo¨.
Mos o loto do quo suo puro consclônclo polrovo por clmo dos dols
lodos, ó ovldontomonto o quo ou oxprossol dlzondo quo olo possuio
o ldólo do bom como o nogotlvldodo lnllnlto.
As multos obsorvoçoos portlculoros oxcolontos quo so oncon-
trom nosto soçoo do Hogol o o conclsoo do ponsomonto quo lho ó
coroctoristlco tornorlom dllicll dor umo onollso do conjunto do soçoo,
posto quo oi soo trozldos tontos colsos ocumulodos quo otó llco
problomotlco oncontror o conoxoo. Dlvorsos dostos obsorvoçoos jo
lorom utlllzodos no porto procodonto do mou ostudo. Mos so, por
outro lodo, ou consldoror o totolldodo do oxposlçoo hogollono o
consldoro-lo om roloçoo com os modlllcoçoos quo ou llz volor, ontoo
crolo quo o molhor sorlo oxomlnor o todo sob um unlco ponto: Em
que sentìJo Socrotos ó junJuJor Ju morul¹ Sob osto ponto os
momontos mols lmportontos do concopçoo do Hogol tombóm ontro-
roo no dlscussoo.
EM QUE SENTIDO SÓCRATES É FUNDADOR DA MORAL?
Do um modo bom gerul, Hogol coroctorlzo o slgnlllcoçoo do
Socrotos, om sou ostudo ò p. 43, do sogulnto monolro: ¨Socrotos
onunclo ontoo o ossônclo como o ou unlvorsol, como o bem, o
consclônclo quo ropouso om sl mosmo; o bom, onquonto tol, llvro
do roolldodo quo osto sondo, llvro lronto ò roloçoo do consclônclo
com o roolldodo quo osto sondo - sojo olo consclônclo sonsivol
lndlvlduol (sontlmonto o lncllnoçoos) - ou llnolmonto llvro do pon-
somonto ospoculondo toorotlcomonto sobro o noturozo, o quol om-
boro ponsomonto olndo possul o lormo do sor: ou noo ostou oi corto
do mlm¨. Socrotos chogou, osslm, oo onto-om-sl-o-poro-sl, como o
onto-om-sl-o-poro-sl prosonto oo ponsomonto. Esto ó um dos mo-
montos, o outro ó quo osto bom, osto unlvorsol tom do sor roconho-
cldo por mlm.
172
Mos, poro noo colocor oi mols do quo postulo o oplnloo do
Hogol, torno-so nocossorlo lolor um pouco sobro o seu ensìnumento.
Quo o onslnomonto do Socrotos sogundo o oplnloo do Hegel tonho
sldo nogotlvo, tonho tldo sou llm no nogotlvo, tonho sldo progromo-
do poro lozor oscllor o noo poro llrmor, quo o negutìoo noo sojo om
Socrotos lmononto o umo posltlvldodo, poróm jìm em sì, jo oporoco
o portlr dos obsorvoçoos portlculoros osporsos quo ocobol do cltor,
osslm como tombóm do umo porçoo do obsorvoçoos quo so oncon-
trom no soçoo quo troto proprlomonto do Socrotos; mos lsso llco
olndo mols cloro o portlr do modo como Hogol comonto o concopçoo
orlstolônlco do Socrotos. Elo obsorvo no p. 85 quo ó Arlstolonos
quom concobou o lllosollo socrotlco por sou lodo nogotlvo, ondo
tudo o quo subslsto dosoporoco no unlvorsol lndotormlnodo. Obsor-
vo quo noo lho ocorrorlo llcor justlllcondo ou mosmo dosculpondo
Arlstolonos. P. 8º: ¨A oxogoroçoo quo so podorlo otrlbulr o Arlsto-
lonos oro quo olo lovou ovonto osto dlolótlco otó os consoquônclos
mols omorgos; noo so podo contudo dlzor quo com osto ropro-
sontoçoo so tonho lolto lnjustlço o Socrotos. Arìstojunes noo comotou
nenlumu ìnjustìçu, ollos, o gonto otó tom do odmlror suo prolundl-
dodo quo consogulu roconhocor o ospocto do dlolótlco do Socrotos
como ospocto nogotlvo o (ó cloro quo ò suo monolro) roprosontor
lsto com um plncol too llrmo... A unlvorsolldodo do Socrotos tom o
lodo nogotlvo do suporor do vordodo (lols) como olo so oncontro no
consclônclo lngônuo; osto consclônclo torno-so ontoo o puro llbordo-
do sobro o contoudo dotormlnodo quo poro olo vollo como um
om-sl¨. Quo o sou onslnomonto losso nogotlvo, tombóm so oxprlmo
do um outro modo om Hogol, quondo osto obsorvo quo o suo
lllosollo noo ó proprlomonto lllosollo ospoculotlvo, mos slm `oln
ìnJìoìJuelles Tlun` (um ugìr ìnJìoìJuul) (p. 53). Poro provocor osto
oglr lndlvlduol, ele morulìzuou, ¨mos noo oro umo ospóclo do
progoçoo, oxortoçoo, onslnomonto moglstrol, morollsmo sombrlo
otc.¨, (p. 58), tols colsos noo comblnovom com o urbonldodo grogo.
Polo controrlo, osto morollzor so oxprlmlo no loto do quo olo lovovo
codo um o ponsor sobro suos obrlgoçoos. Com jovons o volhos,
sopotolros, lorrolros, sollstos, politlcos, cldodoos do quolquor tlpo olo
ontrovo no dlscussoo do sous lntorossos, lossom lntorossos domóstl-
cos (oducoçoo dos lllhos) ou lntorosso do sobor, o orlontovo o
ponsomonto dolos u purtìr Jo cuso JetermìnuJo rumo oo unlvorsol,
oo vordodolro o bolo quo volo om sl o por sl (p. 5º).
Aqul tomos ontoo o sìgnìjìcuJo do seu morulìzur, o oqul
tombóm so dovo mostror o quo Hogol comproondo quondo, vlncu-
londo-so o umo trodlçoo do Antlguldodo, chomo Socrotos do junJu-
173
Jor Ju morul. - Entrotonto, noo dovo possor oqul dosoporcobldo o
slgnlllcodo bostonto conhocldo do morol quo so oncontro om Hogol.
Elo dlstlnguo entre morulìJuJe e etìcìJuJe. Mos otlcldodo doslgno
por um lodo o otlcldodo lngônuo, como no ontlgo otlcldodo grogo, o
por outro lodo umo dotormlnoçoo suporlor do otlcldodo, como so
mostro do novo, dopols do tor tomodo consclônclo do sl mosmo no
morolldodo. E por lsso quo no suo Fìlosojìu Jo Dìreìto olo troto o
morolldodo ontos do possor poro o otlcldodo. E no morolldodo olo
oxomlno no soçoo sobro o bom o o consclônclo os lormos morols do
mol, hlpocrlslo, proboblllsmo, josultlsmo, opolo ò suo consclônclo,
lronlo. O lndlviduo morol ó ontoo o lndlviduo nogotlvomonto llvro.
E llvro porquo noo osto llgodo o outro colso, mos ó nogotlvomonto
llvro justomonto porquo noo osto llmltodo om outro colso. Pols so o
lndlviduo, ostondo om sou outro, osto no quo lho ó proprlo, so ontoo
olo ó vordodolromonto, l.ó, posltlvomonto llvro, ollrmotlvomonto
llvro. A lìberJuJe morul ó portonto urbitrìo, ó o posslbllldodo do bom
o do mol, o por lsso o proprlo Hogol obsorvo no Fllosollo do Dlrolto,
p. 184: ¨A consclônclo morol, como subjotlvldodo lormol, ó puro o
slmplosmonto lsto, ostor o ponto do colr no mol¨. No ontlgo Gróclo
o lndlviduo noo oro llvro do modo nonhum nosto sontldo, olo ostovo
proso ò otlcldodo substonclol, olndo noo so tlnho soporodo o sl
mosmo, lsolodo o sl mosmo dosto roloçoo substonclol, olndo noo
tlnho conhocldo o sl mosmo. A ìsto 5ocrutes o conduzlu, noo no
sontldo dos sollstos, quo onslnovom o lndlviduo o so concontror om
sous lntorossos portlculoros, mos slm unlvorsollzondo o subjotlvldodo,
o nestu meJìJu ó quo olo ó o junJuJor Ju morul. Elo lozlo volor o
slgnlllcoçoo do consclônclo noo do monolro solistlco, mos ospoculo-
tlvomonto. Elo otlngo o onto-om-sl-o-poro-sl como tol poro o ponso-
monto, olconço o dotormlnoçoo do sobor quo tornovo o lndlviduo
ostronho ò lmodlotldodo om quo vlvoro otó ontoo. O lndlviduo dovlo
poror do oglr por tlmldoz lronto ò lol, poro ogoro sobor consclonto-
monto por quol rozoo oglo. Mos osto ó, como so voro, umo Jetermì-
nuçdo negutìou, too nogotlvo lronto ò ordom ostobolocldo como
nogotlvo lronto ò posltlvldodo mols prolundo, quo oquolo onquonto
ospoculotlvo, condlclono nogotlvomonto.
E o quo tombóm so mostro com rospolto ò dotormlnoçoo do
concolto do vlrtudo. Hogol oxomlno o concopçoo do Arìstoteles do
dotormlnoçoo socrotlco do oìrtuJe o gostoriomos do sogul-lo. No p.
77 olo clto o possogom do Arlstotolos: ¨Socrotos lolou sobro o vlrtudo
molhor do quo Pltogoros, mos tombóm noo do monolro totolmonto
corroto, jo quo olo lozlo dos vlrtudos um sobor (epìstemus). E lsto ó
lmpossivol. Pols todo sobor osto llgodo o umo rozoo (logos), o rozoo,
174
poróm, osto so no ponsomonto, o com lsso olo sltuo todos os vlrtudos
no conhoclmonto (Erkenntnìs). Doi lho rosulto quo olo tolho o lodo
o-loglco - sonsivol - do olmo, ou sojo, o polxoo (pútlos) o o costumo
(othos)¨. E Hogol obsorvo o osto rospolto quo so troto do umo boo
critlco: ¨Vomos quo oqullo do quo Arlstotolos sonto o lolto no
dotormlnoçoo do vlrtudo om Socrotos ó o lodo do roolldodo subjotlvo
- om llnguogom do hojo o coroçoo¨. O quo jultu ò vlrtudo ó portonto
umo Jetermìnuçdo Jo ser, sojo olo concobldo com rolorônclo oo
sujolto lndlvlduol, ou quo num sontldo suporlor olo so vojo roollzodo
no Estodo. Mos Socrotos onlqullo o consclônclo lmodloto o subston-
clol do Estodo o noo otlngo o ldólo do Estodo, o umo consoquônclo
dlsso ó quo o vlrtudo so podo vlr o sor dotormlnodo nosto modo
obstroto, o noo tom osslm suo roolldodo nom no Estodo o nom
noquolo porsonolldodo quo so ó dodo om suo plonltudo com o
Estodo
158
. No p. 78 olndo ó cltodo como umo oxprossoo do Arlsto-
tolos, quo ¨Socrotos torlo por um lodo lnvostlgodo corrotomonto, mos
por outro lodo lncorrotomonto. Noo ó vordodo quo o vlrtudo sojo
clônclo, mos quo noo ho vlrtudo som conhoclmonto (som um sobor),
nlsto olo osto corto. Elo torlo lolto do vlrtudo um Logos; nos poróm
dlzomos quo olo ó com o Logos¨
15º
. Novomonto dlz Hogol quo osto
ó umo dotormlnoçoo multo corroto do Arlstotolos. Esto ó um dos
ospoctos do quostoo: quo o unlvorsol ìnìcìu com o ponsomonto; mos
ó proprlo do vlrtudo, onquonto corotor, quo o lomem seju ìsto, o
poro tonto ó proclso coroçoo, ônlmo otc. Ho portonto dols ospoctos:
o unlvorsol o o lndlvlduolldodo quo o roollzo, o ospirlto rool.
Aqul olconçomos novomonto o ponto ondo so mostroro om
quo sontldo Socrotos tovo umo posltlvldodo. Pols rotornomos òquolo
ponto quo tinhomos dolxodo quondo so dlscutlo o quostoo do sou
onslnomonto. Esto vlsovo o lozor o unlvorsol mostror-so om oposlçoo
oo portlculor. A prlmolro dotormlnoçoo, portonto, com rolorônclo oo
prlnciplo socrotlco, ó o grondo dotormlnoçoo, quo ontrotonto ó
oponos lormol, do quo o consclônclo oxtrol do sl mosmo o quo ó
vordodolro (cl. p. 71). Esto ó o prìncipìo Ju lìberJuJe subjetìou: quo
so romoto o consclônclo o sl mosmo. Com lsso, o unlvorsol chogo
ontoo o oporocor. Mos osto unlvorsol tom um lodo posltlvo o um
nogotlvo (cl. p. 7º). Dovomos obsorvor ontoo otó quo ponto Hogol
consoguo comprovor um lodo posltlvo no concopçoo socrotlco do
unlvorsol, ou so ocoso noo toriomos do rotornor o umo obsorvoçoo
do Hogol (p. 70), umo ospóclo do titulo: ¨Em rosumo, osto ó o ostllo
- (o o lllosollo) - do Socrotos¨, quo jo so rocomondovo como umo
consldoroçoo do lntorosso todo ospoclol. Elo ocrosconto o sogulr: ¨Do
o lmprossoo do quo olndo noo toriomos oxposto grondo colso do
175
lllosollo socrotlco no modldo om quo so nos otlvomos oo prlnciplo;
mos o ponto mols lmportonto conslsto om quo o consclônclo do
proprlo Socrotos chogou somonto o osto obstroto. O bem ó o
unlvorsol... Esto ó om sl um prlnciplo concroto quo poróm olndo noo
osto oxposto om suo dotormlnoçoo concroto; o o lolho do prlnciplo
socrotlco sltuo-so nosto otltudo obstroto. Ndo ó possivol lndlcor nodo
do ollrmotlvo; pols o prlnciplo noo tom nonhum dosonvolvlmonto
ultorlor¨. Em roloçoo oos sollstos, Socrotos dou um posso glgontosco,
olconçondo o bom om sl o poro sl. Os sollstos hovlom porodo no
rolroçoo lnllnlto do bom no multlpllcldodo do utll o do provoltoso.
Mos, bom ontondldo: olo chogou otó oi, noo portlu doi. O unlvorsol
tom portonto um lodo posltlvo o um nogotlvo. A roolldodo do
otlcldodo so tornoro vocllonto, dlsto Socrotos tomou consclônclo.
Elovou ontoo o otlcldodo o conhoclmonto, mos lsto conslsto justo-
monto om tomor consclônclo do quo costumos, lols ótlcos soo, om
suo dotormlnldodo, om suo lmodlotldodo, oscllontos, ¨ó o podor do
concolto quo suporo osto sor o volor lmodlotos dolos, o o sontldodo
do sou sor-om-sl¨. Como exemplo do quo o unlvorsol tom om
Socrotos um luJo posìtìoo ¨olo lhos mostrovo¨ (oos jovons) ¨o bom
o o vordodolro no dotormlnodo, poro o quol olo rotornovo, jo quo
noo quorlo llcor oponos no obstroto¨, Hogol clto o dlologo do
Socrotos com o sollsto Hiplos (Xonol., Mem. lV, 4 ; 12-16 ; 25).
Socrotos sustonto oqul o proposlçoo do quo ó justo quom obodoco
òs lols, o o sustonto mosmo contro o objoçoo do quo lsto ollnol noo
podorlo sor o obsoluto, dodo quo o povo o os rogontos multos vozos
oltorom os lols. Sustonto-o oprosontondo o onologlo do quo os quo
lozom guorros ollnol tombóm llrmom o poz. Suo lolo tondo o mostror
quo o Estodo molhor o mols olortunodo ó oquolo om quo os cldodoos
ostoo do ocordo o obodocom os lols. Nlsto vô ontoo Hogol um
contoudo ollrmotlvo. Mos o rozoo por quo Socrotos oqul tom olgo
do ollrmotlvo ó quo olo ndo leou uté o jìm seu ponto Je oìstu, olo noo
vol otó oquolo ponto oo quol olo proprlomonto chogo, oo bom om sl
o poro sl. Aqul, olo dolxo o ordom ostobolocldo subslstlr, o osto noo
ó portonto o posltlvldodo quo soguo opos o suo nogoçoo lnllnlto, mos
slm umo posltlvldodo quo o procodo. E bom vordodo quo com osto
movlmonto olo ultropossou o holonlsmo lmodloto, pols rotomo,
ollnol do contos, os lols om umo rolloxoo, o os rotlro com lsso do suo
condlçoo do olgo lmodlotomonto dodo, mos osto ó no ontonto
proprlomonto oponos um movlmonto llcticlo o do modo olgum o
outôntlco movlmonto socrotlco. A posltlvldodo quo so podorlo on-
contror ontoo oqul noo podo portonto docldlr nodo no quo toco ò
quostoo do otó quo ponto Socrotos sustontou umo posltlvldodo, ou
176
mosmo otó quo ponto poro olo o unlvorsol so tornou concroto. lsto
Hogol tombóm porcobou, como so podo vor polos obsorvoçoos do
molo do p. 7º, do llnol do 81 o do lniclo do 82. E do lodo nogotlvo,
Hogol tombóm clto oxomplos, o posto quo jo vlmos quo o lodo
posltlvo noo oro posltlvo no mosmo sontldo om quo o outro ó
nogotlvo, vomos ontoo quo Socrotos so sustontou o unìoersul como
senJo o negutìoo. Hogol clto um oxomplo do Xonolonto o ocrosconto
(p. 83): ¨Vomos oqul o lodo nogotlvo: quo Socrotos torno vocllonto
o quo do rosto poro o roprosontoçoo oro llrmo. Noo montlr, noo
ongonor, noo roubor volom como colsos justos poro o roprosontoçoo
lngônuo, - ossos colsos soo llrmos poro olo; mos polo comporoçoo
dlsto, quo ó consldorodo llrmo, com o outro, quo lho volo lguolmonto
como vordodolro, mostro-so quo so controdlzom, - o oqullo quo oro
llrmo torno-so vocllonto, noo volo mols como llrmo. O posltlvo quo
Socrotos coloco om sou lugor osto, om porto, om oposlçoo com
oquolo `obodocor òs lols`: vomos porloltomonto o unlvorsol, o lndo-
tormlnodo, o `obodocor os lols` comproondo todo oquolo quo ouvo
lsto, justomonto òs lols oxprossos como o roprosontoçoo gorol osto
consclonto dos mosmos, noo montlr, noo ongonor; mos ostos lols
constltuom oxotomonto lsto, quo olos oprosontom como lnjustlço o
montlr, ongonor, roubor om gorol, - dotormlnoçoos quo noo roslstom
oo concolto¨. E no p. 85: ¨Vomos oqul portonto o unlvorsol osslm
dotormlnodo, roollzodo: unlvorsol nomoor dos lols; om vordodo,
poróm, dodo quo ostos soo momontos ovonoscontos: o unlvorsol
lndotormlnodo, o u lucunu do suo lndotormlnldodo uìnJu ndo proon-
chldo¨. Dopols Hogol mostro (p. º0, oclmo o ss.) ¨como oporoclo
poro o proprlo Socrotos o roollzoçoo do unlvorsol¨. Aqul ontoo so
mostro o sujolto como sondo o doclslvo, como oquolo quo orbltro-
rlomonto so dotormlno om sl mosmo. Mos o llmltoçoo quo o unlvorsol
osslm rocobo ó umo llmltoçoo posto o codo lnstonto orbltrorlomonto
polo sujolto. Quo osto rostrlçoo do unlvorsol so torno llrmo o noo
cosuol, o quo o unlvorsol sojo conhocldo om suo dotormlnldodo, lsto
so ó possivol om um slstomo totol do roolldodo olotlvo. Mos Socrotos
coroclo do um tol slstomo. Elo nogovo o Estodo, mos noo voltovo ò
lormo suporlor do Estodo, ondo so ollrmo oquolo lnllnltudo quo olo
nogotlvomonto oxlglo.
Vomos portonto quo Socrotos podo porloltomonto sor chomo-
do junJuJor Ju morul no slgnlllcoçoo quo Hogol dou o ostos polovros
o noo obstonto seu ponto Je oìstu podo tor sldo o lronlo. Ao sujolto
morol, l.ó, nogotlvomonto llvro, corrospondo o bom como torolo, so
o bom ó concobldo como o nogotlvo lnllnlto. O lndlviduo morol
jomols consoguo roollzor o bom, somonto o sujolto posltlvomonto
177
llvro podo tor o bom como o posltlvo lnllnlto, como suo torolo, o
roollzo-lo. So so qulsor rotor uquelu Jejìnìçdo do lronlo quo Hogol too
soguldomonto ocontuo, ou sojo, quo o lronlo noo lovo nuJu u sérìo,
lsto tombóm podo sor sustontodo com rolorônclo oo sujolto nogotl-
vomonto llvro; pols nom mosmo os vlrtudos quo olo protlco soo
lovodos o sórlo, so ó vordodo quo, como o proprlo Hogol docorto
dlrlo, o vordodolro sorlododo so ó possivol om umo totolldodo, ondo
ontoo o sujolto noo mols so dotormlno orbltrorlomonto o codo
lnstonto o contlnuor sou oxporlmonto, mos slm porcobo o torolo noo
como oquolo quo olo mosmo so colocou, poróm como oquolo quo
lol posto poro olo
160
.
Hogol, poro mostror Socrotos como o lundodor do morol,
concontro suo concopçoo do Socrotos unìluterulmente sobro osto
ponto. O quo olo protondo otrlbulr o Socrotos ó o ìJéìu Jo bem, mos
com lsso olo so omboroço quondo proclso mostror como Socrotos
concobou o bom. E oi proprlomonto quo osto o ponto compllcodo
do concopçoo hogollono do Socrotos: ho umo tontotlvo constonto do
mostror como Socrotos concoblo o bom, o o monos corroto no
mosmo conslsto, tonto quonto ou vojo, om quo o dlroçoo do corron-
tozo no vldo do Socrotos noo ó coptodo com oxotldoo. O movlmonto
om Socrotos ó osto: lr otó o bom. Suo lmportônclo no dosonvolvl-
monto do mundo osto om dlrlglr-so oo bom mosmo som tor chogodo
o tonto. Suo lmportônclo poro sous contomporônoos osto om tô-los
lnduzldo otó oi. O sontldo dlsto noo ó quo olo, por osslm dlzor, no
conclusoo do suo vldo tonho consoguldo chogor otó oi, mos om tor
lolto o suo vldo conslstlr om constontomonto ulcunçur o juzer outros
ulcunçurem este ponto. Mos nosto mosmo modldo olo olconço tom-
bóm o vordodolro, lsto ó, o vordodolro om sl o poro sl, olconço o
bolo, lsto ó, o bolo om sl o poro sl, o om gorol olconço o onto-om-sl-
o-poro-sl como onto-om-sl-o-poro-sl prosonto oo ponsomonto. Elo
chogo otó oi, chogo constontomonto otó oi. Por lsso, olo noo oponos
morollzovo, mos loz om gorol oporocor o onto-om-sl-o-poro-sl tlron-
do-o do dotormlnoçoo do multlplo. Folovo com os ortlstos sobro o
bolo, dolxondo quo o bolo om sl o poro sl so oloborosso (oìu
negutìonìs) o portlr dos dotormlnoçoos do sor, ondo o gonto otó ontoo
o tlnho. E osslm lguolmonto com o vordodolro. E lsto olo noo lozlo
do umo voz por todos, poróm o oxocutovo com codo um. Elo lnlclovo
por ondo olos ostlvossom, o ols quo logo olo ostovo om plono morcho
tronsportondo o codo um om portlculor. Mos too logo hovlo trons-
portodo um, lnstontonoomonto olo rotornovo. Nonhumo roolldodo
consogulo opor-so o olo, mos oqullo quo chogovo o oporocor oro u
ìJeulìJuJe no mols ovonosconto lndlcoçoo do mols lroco llmltoçoo,
178
lsto ó, como obstroto ìnjìnìto. Asslm como Coronto tronsportovo os
possoos do plonltudo do vldo poro o torro sombrlo do submundo,
osslm como osto, poro noo sobrocorrogor suo lovo omborcoçoo, lozlo
os vlojontos so dosplrom do todos os dotormlnoçoos multlplos do vldo
concroto, titulos, honrorlos, purpuro, grondlloquônclo, culdodos,
proocupoçoos otc., do modo quo so rostovo o homom puro o slmplos,
do mosmo modo tombóm Socrotos otrovossovo os lndlviduos do
roolldodo poro o ldoolldodo, o o lnllnlto do ldoolldodo, como nogo-
tlvldodo lnllnlto, oro o nodo, ondo olo lozlo dosoporocor todo o
multlpllcldodo do roolldodo. No modldo om quo Socrotos ontoo
constontomonto lozlo oporocor o onto-om-sl-o-poro-sl, podlo porocor
quo polo monos lsto olo lovosso o sórlo, mos justomonto porquo olo
oponos chogou otó osto, so possulndo o onto-om-sl-o-poro-sl como
o lnllnltomonto obstroto, olo possuio o obsoluto sob lormo do nodo.
A reulìJuJe, polo obsoluto, trunsjormuou-se em nuJu, mos o ubso-
luto eru por suo voz tombóm nuJu. Mos poro podor montô-lo nosto
ponto, poro jomols osquocor quo o contoudo do suo vldo oro osto, o
quolquor momonto olotuor osto movlmonto, ó proclso quo o gonto
rocordo suo slgnlllcoçoo como mìssìonúrìo Jìoìno. A osto suo mlssoo
dlvlno Hogol noo prostou otonçoo, multo omboro o proprlo Socrotos
dosso tonto lmportônclo o olo. E no modldo om quo o gonto olndo
so sontlsso tontodo o otrlbulr o olo olgo mols, osto tontotlvo torlo suo
rozoo no loto do quo o gonto noo porcobo quo lndlvlduolldodos
hlstorlco-unlvorsols soo grondos justomonto porquo o vldo lntolro
dolos noo lhos portonco, o olos por osslm dlzor nodo rotóm poro sl
mosmos. Mos por lsso tombóm o mundo tom do ogrodocor olndo
mols o olos.
No oxposlçoo do mótodo do Socrotos, quo Hogol lornoco,
tornom-so objoto do dlscussoo ospoclolmonto duos lormos do móto-
do: suu ìronìu o suo muìêutìcu. Jo o lugor rosorvodo poro o lronlo
lndlco sullclontomonto quo Hogol concobo o lronlo om Socrotos mols
como um momonto domlnodo, um modo do trotor com os possoos,
o lsto ó rolorçodo mols odlonto com onunclodos oxplicltos. Como ó
quo so dovo comproondor osto concopçoo o otó quo ponto Hogol
torlo rozoo com olo, ó o quo ogoro proclso tornor-so objoto do umo
lnvostlgoçoo. Mos com lsso ou posso ò sogundo porto dosto ostudo,
ou sojo, ò porto sobro o concolto lronlo.
179
Notas do Autor: 1ª Parte:
1) Talvez um ou outro me censure quando considero a filosofia a mais velha, porém
eu estou supondo que o eterno seja mais velho que o temporal; e se de muitas maneiras a
filosofia chega depois da história, ela dá, mesmo assim, imediatamente um passo tão
imponente que ultrapassa o temporal, toma-se a si mesma como o prius eterno, e, tomando
consciência de si para si mesma sempre mais profundamente, recorda-se recuando sempre
mais longe no tempo, rumo à eternidade; não como quem está sonhando, mas sempre
mais acordada, não recorda como de um passado, porém recorda o passado como um
presente.
2) A filosofia se relaciona sob este aspecto com a história – em sua verdade, como
a vida eterna com a temporal segundo a visão cristã – em sua inverdade, como a vida eterna
com a temporal segundo a concepção grega e de um modo geral, da Antigüidade. Com
efeito, de acordo com esta última concepção, a vida eterna iniciava quando se bebia do rio
Letes
*
para esquecer o passado; de acordo, porém, com a primeira, ela é acompanhada
de uma consciência que penetra até a medula dos ossos e que recorda cada palavra inútil
que foi pronunciada. (
*
Letes: um dos cinco rios do inferno mitológico – N.R.)
3) Das Christliche des Platonismus oder Sokrates und Christus (O elemento cristão
do platonismo ou Sócrates e Cristo), de F. C. Baur. Tübingen, 1837.
4) Quero citar como exemplo: Mem. III, 14,2. Aí se trata de um jovem que só comia
carne. Das duas uma: ou é o caso de uma daquelas ironias infinitamente profundas, que
com a seriedade mais atenta captam as coisas mais indiferentes e com isso expressam o
mais profundo desprezo por tudo; ou então é uma bobagem, um dos instantes fracos de
Sócrates, em que uma nêmese irônica o deixa cair sob a determinação de uma trivialidade
infinita (a este respeito, ver mais adiante). Mas em Xenofonte nenhuma das alternativas é
o caso, sua conclusão é a de que o jovem decerto não afundou tanto na melancolia a ponto
de renunciar a comer carne, mas se aperfeiçoou tão bem no moral que até começou a
comer pão.
5) Cristo mesmo diz: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”, e no que se refere à
concepção dos apóstolos, ela era palpável – e não uma engenhosa obra de arte. “O que
ouvimos, o que vimos com nossos olhos, o que contemplamos, e o que nossas mãos
apalparam” (Jo 1,1). Por isso Cristo também diz que os reis e príncipes desejaram vê-lo;
Sócrates, ao contrário, como já se observou acima, era invisível para seus contemporâneos.
Sócrates era invisível e só perceptível através da audição (loquere ut videam te, fala para
que eu te veja). A existência de Sócrates era, de modo geral, aparente e não transparente.
Isto, com respeito à existência de Cristo. No que se refere ao seu ensinamento, aí se podia
sempre tomá-lo pela palavra, sua palavra era vida e espírito; Sócrates, com suas palavras,
só se deixava mal-compreender, e só transmitia vida através de uma negatividade. – Eu
desejaria, de resto, se este desejo mesmo não se localizasse fora dos limites deste tratado,
que me fosse permitido dentro do domínio desta investigação abordar a relação de Sócrates
com Cristo, sobre a qual Baur, no livro citado, disse tanta coisa digna de nota, muito embora
eu tenha ficado com uma pequena dúvida asmática sobre se a semelhança não consistiria
na dissemelhança, e se a analogia não existiria somente porque há uma oposição.
6) Aliás, Xenofonte tinha tanta desconfiança não só em relação a Sócrates, mas
também em relação à verdade, que não ousou deixar Sócrates andar por conta própria, e
por isso constantemente está pronto a enfatizar o quanto os atenienses foram insensatos
e injustos, e como para ele a coisa era bem diferente.
180
7) Para Sócrates, neste sentido, não havia nada parado; no que se refere à sua visão
do conhecimento vale a mesma coisa que se lê no Evangelho sobre a piscina de Betesda,
que só curava quando a água se agitava.
8) Se aqui eu concebo a visão que Sócrates tem da relação da idéia com o fenômeno
como algo positivo e com isso poderia ocorrer ao leitor atento acusar-me de uma
autocontradição, com respeito à concepção que desenvolverei mais adiante desta mesma
relação segundo a consideração socrática, eu devo apenas permitir-me algumas observa-
ções. Em primeiro lugar, isto se funda na polêmica de Sócrates contra os sofistas, os quais
pura e simplesmente não conseguiam adaptar-se à realidade e cuja especulação era, em
última análise, tão sublime e tão eloqüente que por fim, por excesso de idéias, nada mais
podiam dizer. Em contraste, Sócrates se demorava constantemente junto às coisas mais
simples da vida, ocupava-se com o comer e o beber, com os sapateiros, os lavradores, com
os pastores e as mulas de carga, e ao forçar os sofistas a descerem para tais esferas
obrigava-os a reconhecerem a afetação que havia neles. Em segundo lugar, porém, a
existência mesma era para ele constantemente tão-somente imagem, e não momento na
idéia, e isto mostra sua idéia como abstrata; e isto se confirma ainda mais pelo fato de que
ele não possuía nenhuma determinação qualitativa no que se refere à relação do fenômeno
com a idéia; aquele valia tanto quanto esta, já que tudo era imagem e apenas imagem;
assim também se pode considerar como um sinal de que só se possui a idéia em sua
abstração quando se acha que Deus se deixa reconhecer como presente tanto num cálamo
quanto na história universal, já que isto redunda essencialmente em pensar que ele não está
realmente presente em lugar nenhum; e por fim, a idéia que Sócrates possuía era sempre
a idéia dialética, lógica. Ver mais adiante a respeito.
9) Portanto, se a concepção de Xenofonte sobre Sócrates é correta, então eu creio
que uma Atenas refinada e amante de novidades tentou desembaraçar-se de Sócrates antes
por ele aborrecê-la, mais do que por temor a ele; e todo mundo certamente concordará
comigo em que o fato de Sócrates aborrecer as pessoas era um motivo tão justo para
executá-lo, quanto a justiça de Aristides fora um motivo válido para os atenienses o
mandarem para o exílio.
10) Só raramente se ouve, no meio desta prosa degenerada, uma observação que
ainda guarda algum resto de sua origem celeste, e ainda assim com um acréscimo
perturbador. Como exemplo, quero introduzir, em favor de Xenofonte, Mem. I,I,8. Ele fala
daquelas coisas que o engenho humano como tal poderia alcançar, e então acrescenta: “o
que de mais eminente encerram estas ciências reservam-no os deuses para si... Com efeito,
ignora aquele que bem plantou um vergel quem lhe colherá os frutos”. A nota socrática
consiste aqui na relação de oposição que é sugerida, ainda dentro dos limites que
caracterizam o território da atividade humana, entre a atividade febril dos homens e aquilo
que é executado; é bem socrático, primeiro esboçar o terreno que é inacessível ao
conhecimento humano (6: “Quanto às coisas de êxito duvidoso, mandava-os consultarem
os oráculos, para saberem o que deveriam fazer”), em seguida sugerir o que, apesar de
tudo, os próprios homens eram capazes de realizar, e quando estes estivessem com os
sentidos bem ancorados nesta certeza, então subitamente mostrar que mesmo aí eles não
são capazes de consegui-lo, derretendo por assim dizer o gelo em que estavam congelado,
pensando estar tranqüilamente em terra firme, e dessa maneira fazendo-os enfrentar mais
uma vez a correnteza. Só não podemos reclamar a ausência da ironia; pois é justamente
ela que lhes arrebata o último ponto; em Xenofonte, porém, ela está ausente; pois aquela
consideração é introduzida com as palavras “o que de mais eminente”, e a formulação
socrática antes seria “a pequena dificuldade que ainda resta etc.”) Por outro lado, não
deveríamos, de maneira alguma, dispensar aquela possibilidade, aquela disposição e aquela
181
ameaça que há num modo de ver dogmático que deve ter sido característico de Sócrates.
Para fundamentar a observação do que os deuses se reservaram justamente nas coisas
finitas o mais importante, Sócrates mostra que ninguém conhece seu destino futuro, e que
portanto esta ignorância é um recife no qual podem naufragar todas as sábias asserções.
Antes se teria esperado que Sócrates, justamente ao fazer dos homens aparentemente
capazes de agir por conta própria, quisesse acentuar que eles não eram nem ao menos
colaboradores da divindade, e que toda a sua atividade febril era um nada ou um puro e
simples receber, de modo que mesmo que cavassem a terra com instrumentos mecânicos
em vez de fazê-lo com as próprias mãos e arassem sulcos da maior profundidade, ainda
assim não encontrariam fecundidade na terra, caso a divindade não o quisesse. Pois a
ignorância a respeito do próprio destino finito, que Sócrates acentuou como a herança
correspondente ao gênero humano, jamais fora, afinal de contas, desconhecida dos
homens; agora, a total impotência, que no terreno das obras é a própria analogia para a
total ignorância no conhecimento, esta sim sempre necessitaria da insistência de um
Sócrates. – Bem se poderia objetar-me que na passagem citada se trata justamente do
sucesso e daquela possibilidade oculta no secreto conselho dos deuses, e que a contradição
se encontra entre aquilo que pura e simplesmente não pode ser objeto de algum cálculo e
aquilo que à primeira vista parece com toda certeza deixar-se calcular. Mas que em qualquer
dos casos falta aqui a ironia, isto qualquer um concederá, assim como também que o que
foi acima indicado poderia proporcionar uma visão muito mais socrática sobre a natureza
e a essência do homem, se Sócrates aí não tivesse colocado o homem em colisão com o
acaso, mas sim com a necessidade. É claro que seria possível que as gralhas comessem a
semente depositada pelo agricultor; mas que não poderia haver absolutamente nenhuma
força germinativa na terra se a divindade não o quisesse, e isto apesar de todos os esforços
humanos, isto sim é uma negação muitíssimo mais profunda. A primeira é uma concepção
da possibilidade enquanto possibilidade, a segunda é uma tentativa de fazer mesmo a
realidade efetiva mostrar-se como uma possibilidade hipotética. – Tomemos um outro
exemplo, onde Sócrates, mesmo na exposição de Xenofonte, parece aproximar-se da
ironia, Mem. I,2, o famoso diálogo com Crítias e com Cáricles. Mas Sócrates se move aqui
mais no terreno da sofística (36: “Quer dizer que não poderei responder a um jovem que
me perguntar se eu sei onde mora Cáricles, e onde se encontra Crítias?”); e portanto só é
irônico na medida que a sofística pode aproximar-se disto, mas mesmo assim é qualitati-
vamente diferente da ironia. Mais adiante voltaremos a isto. E o curioso é que Cáricles é
realmente mais espirituoso do que Sócrates, pelo menos o supera de longe com a famosa
resposta “E renuncia também aos teus vaqueiros. De outra forma arriscas diminuir por tua
vez o número de bois”. – Eu desenvolvi estes dois exemplos um pouco mais detalhadamente
para mostrar que mesmo lá onde Xenofonte chega mais perto de uma concepção de
Sócrates, nós não percebemos, de maneira alguma, o aspecto bifronte que há neste, porém
apenas algo que não é nem uma coisa, nem outra.
11) Compare-se a isto o peso que Sócrates, no sétimo livro da República, dá à
geometria e à sua significação para transpor o pensamento do “vindo-a-ser” para o “ente”
(“daquilo que se gera e se destrói para aquilo que existe sempre”), “portanto, se a geometria
nos obriga a contemplar a essência, ela nos convém; mas se contempla o que muda, então
não nos convém”. Cf. Platão, na edição de Ast, vol. 4, p. 404. Mas o vir-a-ser (GÊNESIS)
é evidentemente a multiplicidade empírica, e logo a seguir Sócrates fala da mesma maneira
sobre a astronomia e acha que através desta ciência se purifica e se desperta um sentido
da alma que vale mais do que mil olhos, e critica tanto os astrônomos quanto os músicos,
porque permanecem parados na doutrina empírica do movimento e da harmonia.
12) Mem. II 4; I 3, 14.
182
13) O Banquete (Trad. de Platão, de Heise, p. 97 220a): “E por outro lado, nas
fartas refeições, era o único a ser capaz de aproveitá-las em tudo mais, sobretudo quando,
embora se recusasse, era forçado a beber, que a todos vencia; e o que é mais espantoso
de tudo é que Sócrates embriagado nenhum homem há que o tenha visto”.
14) O irônico que há em Xenofonte não é, portanto, de maneira alguma aquele
bem-aventurado flutuar suspenso em si mesmo da ironia, e sim um meio de educação e
por isso ora encoraja aqueles de quem Sócrates espera realmente algo (Mem. III, 5, 24),
ora apenas disciplina (Mem. 6).
15) É por isso que se requer coragem para qualquer conhecimento, e somente
aquele que tem coragem para sacrificar sua vida salva sua vida; a todos os demais ocorre
o mesmo que aconteceu com Orfeu, que queria descer aos infernos para arrancar de lá sua
esposa, mas os deuses lhe mostraram dela apenas uma imagem de sombras, porque eles
o encaravam apenas como um tocador de cítara que não tinha tido a coragem para oferecer
sua vida por amor.
16) Mem. IV, 2, todo uma trama de sofismas, sobretudo 22.
17) Uma honrosa exceção é Mem. IV 4,6: “Como é isso, Sócrates, estás a repetir
o que te ouvi dizer há tanto tempo? – Sim, retorquiu Sócrates, e o mais estranho, Hípias,
é que, não contente de repetir as mesmas palavras, repito-as sobre os mesmos assuntos.
Ao passo que tu, sabichão como és, talvez nem sempre digas as mesmas palavras sobre
as mesmas coisas”. Como se sabe, encontra-se a mesma observação da parte de Polo e a
mesma resposta de Sócrates no Górgias, e não se pode negar que a observação
acrescentada por Xenofonte “tu, sabichão como és” decerto não torna a ironia mais
profunda, mas certamente mais galhofeira.
18) No interior do sistema, portanto, cada momento particular adquire uma
significação diferente da que tem fora do sistema; este tem, por assim dizer, aliud in lingua
promptum, aliud pectore clausum (“uma pronta na língua, outra oculta no peito”).
19) Certamente ninguém me contestará quando afirmo que este comportamento
da personalidade é uma relação de amor, sim, que ele recorda bem propriamente aquele
tipo especial de amor que em Platão sempre é atribuído a Sócrates: “pederastia”,
naturalmente com referência ao despertar da primeira juventude da sonolência infantil, e
àquela tomada de consciência de si, e que assim há uma alusão bastante feliz àquela
predileção com que Sócrates se apoderava e até se divertia das pequenas fraquezas de seus
discípulos. No Banquete (Heise, p. 21 /181 d/) está dito: “não amam eles, com efeito, os
meninos, mas os que já começam a ter juízo, o que se dá quando lhes vêm chegando as
barbas”.
20) Como se tornaria muito prolixo citar Baur, remeto o leitor àquela seção que
se inicia à p. 90, e peço que leia as páginas 90 e 91 e a seguir a p. 98.
21) O oposto disto está na suposta arte dos sofistas de saber responder; pois estes
estavam sempre ávidos de que alguém lhes perguntasse algo, para que toda a sua sabedoria
pudesse irromper, para “abrir todas as velas e com vento de popa perder a terra de vista,
avançando pelo mar alto da verdade”. Como exemplo disto pode servir o início do Górgias,
onde Górgias e sobretudo Polo aparecem tão tensos como vacas que não foram ordenhadas
na hora certa.
22) Cf. O Banquete (Heise, p. 60 infra e 61 supra /201 c/): “Agatão: Eu não
poderia, ó Sócrates, contradizer-te; mas seja assim como tu dizes. Sócrates: – É à verdade,
querido Agatão, que não podes contradizer, pois a Sócrates não é nada difícil.” Igualmente
no Protágoras (Heise, p. 152 /331 c/): “Protágoras ... – Mas que diferença faz? Mas se
fazes questão, admitamos que a justiça seja piedosa e a piedade justa. Sócrates: Não, não
183
é assim, disse eu; pois eu não peço que se ponha à prova este “se quiseres”, ou “se te
parece”, mas sim a minha e a tua verdadeira opinião, e com isso eu entendo que a coisa
de que se trata é melhor provada quando se deixa totalmente de lado este “se”.” Protágoras
(Heise, p. 160 /334 c/): “Depois que ele (Protágoras) disse isto, os presentes o aplaudiram
ruidosamente por ele ter falado tão bonito. Mas eu disse: Sou um homem um pouco
desmemoriado, e quando alguém fala longamente eu esqueço totalmente o assunto de que
se tratava. Se eu fosse surdo, tu considerarias necessário falar num tom mais alto do que
para os outros quando fosses falar comigo, assim então também, já que topaste com um
homem esquecido, corta algo de tuas respostas e as torna mais curtas, caso eu deva
seguir-te. “Cf. Górgias (Heise, p. 21 /454 b,c/): “Sócrates: Mas não te admira se eu às
vezes precisar perguntar-te uma ou outra coisa, mesmo que te pareça totalmente clara.
Pois, como eu disse, eu não te questiono a respeito disto por tua causa, mas sim para que
nós possamos levar a cabo da maneira correta a nossa investigação e não fiquemos
acostumados a tirar a palavra da boca do outro, embora apenas adivinhando a opinião um
do outro, e para que tu possas fazer valer a tua visão das coisas da maneira que tu achares
mais adequada.” – Por isso aquela obstinação em ater-se ao objeto, que não se deixa
perturbar por nada. Cf. Górgias (Heise, p. 68 /473 d/): “Sócrates: Meu belo Polo! agora
novamente me queres assustar em vez de me refutar, assim como antes apelavas para
testemunhas contra mim...” E mais adiante (p. 68 /473 e/): “...Sócrates: O que é isto,
Polo? Tu ris? Esta é uma nova maneira de demonstrar algo, rir daquilo que a gente diz, em
vez de retorquir?” – Aí não se leva em conta, portanto, se muitos têm a mesma opinião,
ou não, mas sim qual a opinião que é a correta. Polo alega que os presentes estão de acordo
com ele e o convida a questioná-los. Sócrates (p. 68 /473 e – 474 a/): “ Polo: eu não sou
um político. No ano passado, quando me coube julgar, porque minha tribo presidia o
Pritaneu, e eu devia reunir os votos, provoquei o riso geral, porque eu não entendia daquilo.
Portanto, não exige de mim que eu recolha os votos dos presentes...; pois eu só sei evocar
uma testemunha para o que eu digo, ou seja, aquele com quem eu falo, e os outros podem
sair.” – (Em contraste com esta seriedade socrática que se atém ao seu objeto tão alerta e
atentamente como um vigia de prisão aos seus prisioneiros, nós o vemos uma única vez
procurar mais aquele fácil afastar-se e encontrar-se do diálogo e o aspecto erótico que há
nisto. Fedro o acusa disto no Banquete (Heise, p. 47/194d/):“Meu caro Agatão, se
responderes a Sócrates, nada mais lhe importará do que está por acontecer, desde que ele
tenha alguém com quem conversar, especialmente alguém belo.”. – A conversação do
amante é pois em geral o puro oposto do autêntico discursar sobre alguma coisa, e por
mais edificante que seja para os amantes, ela não entretém nem mantém os terceiros. No
Fedro, por isso, Sócrates dá um conselho à la Eulenspiegel (Ast t. I. p. 148 237 c): “em
todas as coisas, meu rapaz, para que se tome uma resolução sábia é mister saber sobre o
que se delibera, pois, de outro modo, infalivelmente nos enganamos”, mais ou menos assim
como Eulenspiegel dá ao alfaiate o importante conselho de dar um nó no final da linha,
para não vir a perder a primeira volta da agulha.
23) A identidade deles se exprime de maneira muito bela na língua alemã, onde
indagar se diz “aushorchen” (auscultar).
24) Assim também uma forquilha corresponde de maneira misteriosa com a água
oculta na terra, e só se agita onde há água.
25) Cf. Górgias, p. 38 (461 d):“Sócrates... Peço-te, ó Polo, que nos poupes de
longos discursos que agora há pouco tentaste utilizar. Polo: Como assim? Não me seria
permitido falar quanto eu quisesse? Sócrates: Certamente seria demasiado duro, meu caro
amigo, se, ao chegares a Atenas, o lugar da Grécia onde reina a maior liberdade de falar,
tu fosses o único a não poder fazer uso dela.”
184
26) Cf. Protágoras (p. 145 e 146 meio /329 b/): “Então, Protágoras, falta-me
apenas um pouquinho para ter tudo, basta que me queiras responder isto...” mas este
“isto” é justamente aquele ponto de que tudo depende. – Ou, para tomar um outro exemplo:
Apologia de Sócrates (Ast t. VIII p. 98 /17 a/): “Não sei, Atenienses, que influência
exerceram meus acusadores em vosso espírito; a mim próprio, quase me fizeram esquecer
quem sou, tal a força de persuasão de sua eloqüência.” E ainda, no Banquete, contra
Agatão (Heise, p. 54 /198 b/): “E como, ditoso amigo, não vou embaraçar-me, eu e
qualquer outro, quando devo falar depois de proferido um tão belo e colorido discurso?
Sem dúvida que nem tudo nele é igualmente admirável, mas quem poderia ouvir sem
entusiasmo tantas palavras belas e a maneira de falar no final...” P. 55 (198 d): “Em minha
ingenuidade acreditava que se devia dizer só a verdade acerca do objeto de que se faz o
elogio; ... Vejo, porém, que tal não é a maneira de se fazer um elogio, e que ao contrário,
o que se deve fazer é atribuir ao objeto os mais belos e grandiosos predicados, sem levar
em consideração se isso é verdade ou não.” Cf. Protágoras, p. 170 infra e 171 supra (339
e).
27) Certamente toda a Apologia é em sua totalidade uma estrutura irônica, na
medida que a grande massa de acusações se reduz a um nada, não no sentido comum, mas
sim a um nada que é fornecido justamente pelo conteúdo da vida de Sócrates, que é ironia,
assim como também sua proposta de ser sustentado no Pritaneu, ou a multa em dinheiro,
e especialmente o fato de sua Apologia não conter propriamente nenhuma defesa: em
parte ele se diverte com os acusadores, e em parte ele aproveita para uma agradável
conversa fiada com os juízes. Combina também com isso a famosa história, de que ele teria
recebido e lido um escrito de defesa de Lísias, porém declarado que não se achava motivado
para utilizá-lo, embora se tratasse de um excelente discurso.
28) Nesta sua atividade de refutação ele abarcava todos, especialmente seus
conterrâneos: “É o que hei de fazer a quem eu encontrar, moço ou velho, forasteiro ou
cidadão, principalmente aos cidadãos, porque me estais mais próximos no sangue. Tais
são as ordens que o deus me deu, ficai certos” (cf. Ast t. VIII, p. 128, 30 a). Ele narra que
muitos se ligaram a ele porque não era desinteressante ver aquela gente que imaginava
saber alguma coisa ser convencida de nada saber: “Mas, repito, faço-o por uma determi-
nação divina, vinda não só através do oráculo, mas também de sonhos e de todas as vias
pelas quais o homem recebe ordens dos deuses” (Ast t. VIII, p. 136, 33 c).
29) Peço ao leitor que, em contraste com este ponto, se lembre da exposição de
Xenofonte, onde Sócrates tanto se esforça para educar seus discípulos para serem bons
cidadãos. Na Apologia de Platão, Sócrates acentua a importância de ser um homem
privado, e isto se harmoniza totalmente com a relação negativa com a vida, que Sócrates
apresenta de resto; pois o ser um homem privado, na Grécia, vinha a significar algo de
bem diferente do que ser hoje em dia um “particular”, pois na cultura grega cada indivíduo
particular considerava a sua vida abarcada e suportada pela vida política, num sentido muito
mais profundo do que em nosso tempo. É por isso também que Cálicles (no Górgias)
censura Sócrates por persistir em se ocupar com a filosofia, dado que Cálicles acha que
filosofar é como balbuciar, algo que se pode desculpar numa criança, mas que um adulto
que persiste em filosofar merece por isso uma pena (cf. Heise, p. 99 / 485 d,e/): “Pois
como acabei de dizer, por mais notável estrutura ele possua, o fato é que não poderá ser
diferente: ele ficará imaturo, dado que ele se afasta do centro da Cidade e foge das reuniões
públicas, lá onde, no dizer do poeta, os homens podem destacar-se, e ele passa o resto de
sua vida metido num canto onde fica sentado na companhia de três ou quatro adolescentes,
sussurrando-lhes nos ouvidos, mas sem jamais proferir algo de maneira livre, nobre e forte”.
Eu quase nem preciso lembrar ao leitor atento o quanto este discurso de Cálicles é
185
semelhante ao comportamento cientificamente adequado que Xenofonte faz Sócrates
recomendar.
30) Na medida que ainda se pudesse falar de um saber sobre algo de diferente do
que esta ignorância, um frágil vestígio, uma fugaz indicação de um saber positivo, aí o
próprio Sócrates diz, aliás, no Banquete (Heise, p. 10 /175 e/): “A minha sabedoria seria
um tanto ordinária, ou mesmo duvidosa como um sonho” – e na Apologia, ele traduz o
dito do oráculo de Delfos assim: “que pouco valor ou nenhum tem a sabedoria humana”
(Cf. Ast t. VIII, p. 1123, 23a).
31) De resto, permanece algo de obscuro no discurso de Erixímaco; por um lado,
ele negligencia a necessidade do momento da unidade imediato, do laço de unidade que
abraça a duplicidade, e isto, embora ele cite as palavras de Heráclito, que o uno em conflito
consigo mesmo concorda consigo mesmo, assim como o acorde de uma lira ou de um
arco; em parte o Eros duplo ainda paira diante dele, assim como para Pausânias, como
algo meramente exterior, como uma divisão exterior, e não é o reflexo daquela ambigüidade
que jaz no amor e que emana dele com necessidade. Por isso, o amor é ora ele mesmo a
relação do oposto, ora uma espécie de relação pessoal às oposições, ora é um prius sem
conteúdo e exterior a esta relação de oposição, e ora é algo que se defronta com as
oposições. Em suma, sua exposição é uma mistura do tradicional e da poesia da natureza.
32) O irônico arranca o indivíduo da existência imediata, e isto é o aspecto libertador,
mas depois o deixa flutuando como o esquife de Maomé, segundo a lenda, entre dois
magnetos, dois pólos, um de atração e o outro de repulsão.
33) Anticipando, devo lembrar ao leitor que o mesmo problema se repetirá sob
uma outra forma, quando eu for desenvolver em que sentido é necessário admitir uma
plenitude positiva em Sócrates para com isso explicar a circunstância de que a partir dele
tenham brotado tantas escolas filosóficas.
34) Aqui, porém, é preciso observar que para Sócrates, devido ao antigo hábito,
tinha-se tornado a tal ponto necessário indagar que, mesmo quando ele dava a permissão
ao outro para perguntar também, não ia além de duas ou três questões, e já Sócrates
retomava a forma interrogativa e a partir daí não cedia mais. Ele cuida que a forma da
pergunta seja devidamente observada e que não surja nenhuma confusão com a pergunta
retórica. É assim, p. ex., em Górgias (Heise p. 48 /466 a b c/): “Polo – Tu acreditas que
os oradores notáveis são considerados no Estado como bajuladores e menosprezados como
homens ruins? Sócrates: – Isto é uma pergunta que tu formulas, ou o início de um discurso?
Polo: – Mas como? Eles não matam, assim como os tiranos, quem eles querem, não roubam
de cada um sua fortuna, e não expulsam da Cidade a quem lhes aprouver? Sócrates: Pelo
Cão! Contudo eu ainda estou inseguro com tudo o que tu dizes, se expões a tua própria
opinião, ou será que me estás perguntando?” – Ao final do Górgias, depois de Sócrates
ter reduzido os sofistas ao silêncio, ele continua sozinho a investigação, mas o faz em forma
de diálogo consigo mesmo. No Críton, onde as leis e até o Estado aparecem e são
introduzidos na conversa, eles dizem: “Não te admires, Sócrates, pelo que perguntamos,
mas trata de responder, já que tu estás acostumado a falar com perguntas e respostas.” Na
Apologia também ele conduz sua defesa na forma de perguntas e respostas e até chama
a atenção para este fato (Ast. t. VIII p. 122, 27): “Quanto a ti, Meleto, responde-nos. E
quanto a vós, como eu pedi desde o início, não vos amotineis se eu falar na minha maneira
habitual!”
35) A anedota a que estou aludindo apresenta a outra forma de um resultado
ironicamente negativo; pois aqui o irônico consiste em que se chega a um resultado real,
mas, dado que este resultado real é totalmente pessoal, e enquanto tal se relaciona de
186
maneira indiferente com a idéia, e dado que se pode supor que o católico neófito novamente
terá a mesma força de persuasão sobre o protestante recém-convertido que este exercitava
sobre aquele no assalto anterior, e assim por diante; por tudo isso se vê aí a possibilidade
de uma disputa infinita que a cada instante possui força persuasiva para os disputantes,
sem que, porém, por causa disso, algum deles em algum instante tenha uma convicção;
apenas a seguinte relação de correspondência permanece através dos momentos: no
instante em que A é católico, B fica protestante, e a razão disto consiste em que nenhum
deles muda seu “habitus” (disposição fundamental), mas apenas trocam de hábito.
36) Já que, como se sabe, opposita juxta se posita magis illucescunt (os opostos
postos lado a lado brilham mais), gostaria de citar a concepção positiva da unidade da
virtude, que decerto se deve considerar como platônica e que certamente não é um fruto
deste tipo de desenvolvimento dialético que aqui é indicado, mas que pertence a uma outra
ordem de coisas. Veja-se a República (Ast 445 c): “Com efeito, disse eu, assim como do
alto de um posto de vigia (que atingimos agora nesta questão) mostra-se somente uma
figura da virtude, mas inúmeras formas de vícios...”; aqui a unidade positiva da virtude é
manifestamente a rica plenitude da vida feliz, e o contrário disto é a dispersão múltipla, a
funesta fragmentação dos vícios, suas mil línguas contraditórias. Cf. 444 d: “Então a virtude
seria, para a alma, como parece, uma espécie de saúde, de beleza, de vigor, e o vício seria
doença, feiúra, fraqueza”. O positivo é aqui a plenitude vegetativa da saúde. Mas é fácil de
ver que ambas as determinações são imediatas, pois lhes falta a dialética da tentação.
37) Também Stallbaum desaprova esta vinculação e é da opinião de que o Fédon
tem de ser vinculado estreitamente com Fédro, Górgias e Político, porém sem entrar mais
em detalhes, e então remete a Ast, cf. Praefatio ad Phaedonem, p. 19.
38) Duas outras provas que estão contidas de maneira mais indireta no Fédon, eu
apenas mencionarei brevemente. A primeira está contida logo no início do diálogo, onde
Sócrates adverte contra o suicídio e recorda as palavras do mistério: de que nós homens
somos como que vigias e nem podemos substituir-nos, nem evadir-nos. Se se tivesse
permitido a esta consideração tomar consciência de seu rico conteúdo, se ela evoluísse até
entender o homem como colaborador de Deus e, o que está implicado nisto, a idéia da
existência real diante de Deus, então esta consideração conteria, mesmo que numa figuração
mais popular e mais edificante do que demonstrativa, uma visão das coisas (Anskuelse)
que, graças ao renascer pelo pensamento, tornaria a aparecer com vigor especulativo.
Entretanto não é o que acontece. À observação tipicamente grega de Cebes, segundo a
qual quem sustentasse mesmo isto antes deveria agarrar-se à vida e não desejar morrer,
como o fazem os filósofos, segundo Sócrates, e se agarrar a ela para não escapar ao poder
dos deuses, a esta observação Sócrates responde de modo bastante obscuro que ele também
temeria morrer se não acreditasse ir assim a outros deuses, igualmente bons; pois com isso
se firma ainda mais o abismo aberto entre esta vida e uma outra vida, assim como também
continua ambígua a relação, condicionada pela morte, para com os deuses desta vida, uma
vez que de qualquer maneira a morte não deixa de ser uma forma de evadir-se de seu poder.
Só quando se reconhece que é o mesmo Deus que leva alguém pela vida, e que no instante
da morte como que larga a sua mão para apará-lo em seus braços e com isso receber a
alma que por Ele aspirava, só então a prova está realizada na forma da representação. –
A segunda prova indireta é puramente pessoal. A alegria, a coragem, a franqueza com que
Sócrates enfrenta a morte, a indiferença com que ele quase a negligencia, têm, naturalmen-
te, para as testemunhas contemporâneas como também para aquelas que com a ajuda
dessas através dos séculos também se tornaram testemunhas disto, algo que entusiasma
em alto grau. Ele afastou Xantipa para não ouvir gritos e queixas; diverte-se ao ver quão
rapidamente o agradável segue ao desagradável “porque eu sentia dores dos grilhões nas
187
pernas, e logo em seguida uma sensação agradável”; ele acha cômico que o agradável e o
desagradável estejam ligados no ponto culminante, e ele acrescenta que teria sido uma
tarefa digna de um Esopo: “...se ele tivesse observado isso, teria composto uma fábula
mostrando que o deus queria unir os dois que estavam em conflito entre si e como não o
conseguira os ligara pelos extremos”; ele empunha o copo do veneno com uma atitude
digna, com um tal prazer de viver como o teria feito com um cálice espumante num
banquete; e pergunta ao guarda da prisão: “Que achas? pode-se fazer desta bebida uma
libação? será que é permitido?” Ora, tudo isso é muito bom, mas se aí nos lembramos de
que ele apesar de tudo propriamente não sabia nada sobre o que havia de vir, ou mesmo
se acaso haveria um porvir; se nós, em meio a esta poesia, percebemos cálculos prosaicos,
de que afinal de contas não faria mal a ninguém admitir uma outra vida e coisas semelhantes,
como esclareceremos na devida hora, então se percebe que fica bastante restringida a força
persuasiva desta prova.
39) Assim como no Banquete era a nostalgia que constituía o substancial, aqui
ocorre o mesmo caso. Entretanto, no Banquete era a nostalgia que desejava possuir, e no
Fédon ela deseja perder; ambas as determinações são, porém, negativas, pois as duas
aspirações são ignorantes a respeito do “quê” para o qual uma delas quer atirar-se e no
qual a outra, pela morte a si mesma, quer dissolver-se.
40) Cf. Platons Werke (Obras de Platão), de Schleiermacher, 1ª parte, t. II, Berlim
1818: “Portanto, o mais provável é que tenhamos neste discurso uma transcrição da
recordação da verdadeira defesa de Sócrates, tão fiel quanto era possível para a memória
treinada de Platão, levando-se em conta a necessária diferença entre o discurso escrito e o
falado, mais descuidado.”
41) Eu me recordo ainda de minha primeira juventude, quando a alma exige o
sublime, o paradigmático, como eu me senti decepcionado, enganado e deprimido ao ler
a Apologia, porque a impressão que eu tive era de que ali toda a poesia, toda a coragem
que triunfam da morte, haviam sido miseravelmente substituídas por um cálculo bastante
prosaico, exposto de um modo a fazer crer que Sócrates quisesse dizer: “Para mim, este
negócio todo, no fundo, é bastante indiferente.” Mais tarde aprendi a compreendê-la de
outra maneira.
42) Aqui a imortalidade e a vida eterna são concebidas como processo infinito,
como um perguntar sem fim.
43) “Pois ninguém, ninguém no mundo
pode matar um defunto.
Mesmo morto, na pastagem,
o ladrão levava vantagem.”
O leitor deve observar especialmente as duas últimas linhas; pois assim como o
ladrão teria tido vantagem de já estar morto, assim também Sócrates, que nada sabia, de
certa maneira teria uma vantagem, caso os acusadores pudessem provar que ele não apenas
sabia algo, mas até sabia algo novo.
44) Isto está completamente em analogia com a decisão de Sócrates de profetizar;
e a seriedade glacial com que ele atrai os atenienses para a pista escorregadia se harmoniza
muito bem com a explicação que ele mais tarde dará sobre sua significação para o povo
ateniense, de como ele era uma dádiva divina.
45) Trata-se da famosa viagem de descoberta empreendida por Sócrates, não para
encontrar algo, mas para se convencer de que nada havia a descobrir.
46) Pois ele é como uma mutuca.
188
47) Sim, ele até pretende ser sustentado às custas do Estado.
48) Ou seja, a de nada saber.
49) Contudo, da maneira mais cortês do mundo.
50) Este é justamente o fino jogo de músculos da ironia. A circunstância de que ele
sabe que nada sabe o alegra e o deixa infinitamente leve por causa disto, enquanto os outros
se matam por seus tostões. A ignorância jamais é concebida por Sócrates especulativamen-
te, mas ela lhe é tão cômoda, tão transportável. Ele é um “Asmus omnia secum portans”
(Asmus carregando consigo tudo), e este “omnia” é nada. Quanto mais ele se alegra por
causa deste nada, não como resultado mas como infinita liberdade, tanto mais profunda é
a ironia.
51) Numa nota referente a esta passagem, Ast diz: “por isso o freqüente: ‘não
causeis balbúrdia’; ‘peço-vos para não fazer balbúrdia’; ‘não vos zangueis comigo se vos
digo a verdade’.” Ele acha que o autor da Apologia tinha tido ainda diante dos olhos o
acontecimento real, de que Sócrates várias vezes fora interrompido; mas ele faz Sócrates
antecipar tais interrupções e com isso transforma a balbúrdia real numa apenas aparente.
Com isso Ast não percebe quão autenticamente socrático era, certamente, esta tranqüili-
dade ansiosa, que a todo tempo procura sossegar os atenienses, para que não se aterrorizem
com o grandioso, o extraordinário que ele tem a dizer. Ora, o grandioso é o significado de
sua pessoa para os atenienses, isto é, para dizê-lo abertamente: que ele é uma dádiva divina,
o que se determina mais exatamente quando se diz que ele é uma mutuca. Cf. Apologia
30 e. Sócrates adverte os atenienses para que não o condenem, não por causa dele, mas
por eles mesmos: “... para que não pequeis contra a dádiva divina, com minha condenação.
Pois se me matardes não encontrareis facilmente um outro semelhante, que (ainda que vos
pareça ridículo) adequadamente aferrado pelos deuses à cidade, como a um grande e nobre
cavalo, mas que justamente por sua potência tende a uma certa lerdeza e precisa ser incitado
por uma mutuca.”
52) Tudo isso está muito bem; pois Sócrates é ironicamente indiferente demais
para vir a discutir com seriedade com os atenienses, e daí provém que ele uma hora age
como se estivesse pateticamente assustado, outra hora como se estivesse desacorçoado e
desanimado.
53) Este mito, de resto, aparece em três lugares em Platão. Cf. Stallbaum, Ad
Phaedonem p. 177: “Olympiodorus narra que esta terceira parte do diálogo se intitulava
“evocação dos mortos”; nome que segundo consta os antigos utilizavam para o poema
Odisséia, de Homero. Mas como há em Platão três dessas “evocações dos mortos”, i.é,
fábulas dos infernos, ou seja, no Fédon, no Górgias e na República, e elas se iluminam
mutuamente, é preciso compará-las entre si diligentemente”.
54) Cf. Praefatio ad Phaedonem, p. 16: “Mas como ele via que a dificuldade da
coisa era tão grande que era mais fácil pressentir com a alma do que entender e explicar
claramente com a mente, não é de admirar que também neste livro os exames sutilíssimos
das questões estejam entretecidos com narrações míticas e fabulosas, que ocupam o lugar
de demonstrações e de argumentos certos... Com muita verdade, portanto, Eberhard em
sua Miscelânea de Escritos, p. 382, escreveu o seguinte: ‘Pode-se admitir como certo que
Platão às vezes se utilizou de mitos em lugar de raciocínios e demonstrações racionais,
quando se tratava de assuntos que ficam fora do horizonte da razão e da experiência
humanas, ou quando mesmo para ele a prova racional era demasiado difícil, ou quando
lhe parecia demasiado difícil para a capacidade de apreensão de seus ouvintes’. Cf. Ad
Phaedonem, p. 177 “Freqüentemente ele parece ter usado aquelas narrações míticas para
dar a entender que o assunto da discussão era de tal natureza que era melhor se fiar nos
189
pressentimentos e nas conjecturas do que nas demonstrações e explicações. Quando ele
faz isso, ele utiliza geralmente as fábulas e narrações comumente celebradas pelos gregos,
embora ele mude ou descarte tudo o que não convém aos seus propósitos, e ao mesmo
tempo corrija as superstições de seus concidadãos e se esforce por removê-las. Daí se
entende que Platão, no uso dos mitos, seguiu também um outro propósito. Pois ele quis
afastar gradativamente aquelas ineptas superstições do povo, ou ao menos emendá-las.
Finalmente, parece ter utilizado os mitos com o propósito de preparar pouco a pouco o
espírito de seus contemporâneos, oprimidos pela superstição cega, para receberem a
doutrina de uma sabedoria mais pura”.
55) Cf. op. cit., p. 165: “O mítico é como que a base teológica da especulação
platônica: o conhecimento é ligado e firmado pelo dogma, e o espírito é elevado desde o
terreno da reflexão humana para a visão da vida superior infinita, onde ele, esquecendo
sua finitude e sua ipseidade terrena, mergulha na insondável profundidade do divino e
eterno. Poder-se-ia dizer que nos diálogos platônicos as exposições filosóficas só têm a
finalidade de conduzir o espírito para a consideração superior e preparar para a visão da
infinitude e da divindade manifestadas simbolicamente nos mitos, assim como nos mistérios
a contemplação propriamente dita seguia à preparação e à indicação.”
56) Quando o mítico é concebido assim, pode dar a impressão de se confundir
com o poético; mas é preciso observar que o poético tem consciência de si mesmo como
tal, tem nesta idealidade a sua realidade e não quer ter nenhuma outra realidade. O mítico,
ao contrário, situa-se naquele “nem um nem outro” naquela duplicidade, naquele estado
intermediário do qual os interesses da consciência ainda não se arrancaram. O poético é
uma proposição hipotética no conjuntivo, o mítico é uma proposição hipotética no
indicativo. Esta duplicidade, o enunciado indicativo e a forma hipotética, que oscila entre
não ser nem conjuntivo e nem indicativo e ser ambos, conjuntivo e indicativo, é uma
característica do mítico. Enquanto o mito é tomado pela realidade ele não é propriamente
mito; somente no instante em que ele toca uma consciência reflexiva ele se torna mito; e
na medida que ele tem um conteúdo especulativo e se aplica à fantasia, aparece a exposição
mítica. Mas num certo sentido a idade do mito já passou, quando surge a questão de uma
exposição mítica; como, porém, ainda não foi permitido à reflexão aniquilá-lo, o mito ainda
existe, e, ocupado com o partir e ir embora, ele se eleva da terra, mas se espelha,
despedindo-se, ainda uma vez na fantasia, e esta é a exposição mítica. Erdmann observa
(Zeitschrift für spekulative Theologie von Lic. Bruno Bauer /Revista de teologia especu-
lativa, do Licenciado Bruno Bauer/, III vol. 1º fasc., p. 26): “Um fato ou mesmo uma série
de fatos que ainda não constituem ou significam uma idéia religiosa, nós chamamos um
mito religioso. O mito religioso é um fato ou uma série de fatos que apresentam um conteúdo
religioso na forma sensível temporal, mas que (e nisto se distinguem da história) não são
uma manifestação necessária da idéia mesma, e sim se encontram numa relação exterior
para com ela. Por isso, os mitos não são verdadeiros, mesmo quando contêm também
verdade; eles são inventados, embora não pela reflexão; eles não são fatos reais efetivos,
porém fingidos.” Entretanto, perceber que eles não são verdadeiros, é algo reservado a um
momento posterior e mais verdadeiro. Mas a fantasia, para a qual é indiferente saber se
são ou não verdadeiros, olha-os com interesse filosófico e, como no caso atual, cansada
do trabalho da dialética, repousa neles. Num sentido, é ela mesma que os inventa, é o
poético; num outro sentido, não os inventa, é o não-poético; a unidade disto é o mítico,
quando se entende por isto a exposição mítica. Portanto, quando Sócrates diz no Fédon
que ninguém pode afirmar que o mito é verdadeiro, aí temos o momento de liberdade, o
indivíduo se sente livre e emancipado do mito; mas quando ele então acha, mesmo assim,
que a gente deve ousar acreditar naquilo, aí temos o momento da dependência. No primeiro
190
caso, ele pode fazer com o mito o que quiser, riscar ou acrescentar; no último caso o mito
o sobrepuja, quando ele se entrega a ele, e a unidade é a exposição mítica.
57) Platão jamais chegou ao movimento do pensamento especulativo; eis por que
constantemente o mítico, ou melhor, o figurado, pode ainda ser um momento em meio à
exposição da idéia. O elemento de Platão não é o pensamento mas a representação.
58) Cf. História e sistema da filosofia platônica, do Dr. K.F. Hermann, 1ª parte,
Heidelberg 1839, p. 30 com a correspondente nota 54.
59) O que dá realidade ao espaço é o processo orgânico da natureza, e o que dá
realidade ao tempo é a plenitude da história. No mítico, ambos, espaço e tempo, têm
apenas realidade de fantasia, isto se vê, p. ex., nos mitos da Índia, na maneira infantil como
gastam o tempo, e que, pretendendo dizer muita coisa, nada dizem, porque o critério que
é aplicado no mesmo instante perde sua validade; pois dizer que um rei governou durante
70000 anos é, afinal, algo que se anula a si mesmo, dado que a gente utiliza a determinação
temporal sem lhe atribuir nenhuma realidade. Nesta idealidade, tempo e espaço se
confundem e se trocam reciprocamente de modo totalmente arbitrário.
60) O fato de que Sócrates é o falante também na parte mítica, nada prova contra
a justeza da diferenciação estabelecida aqui entre o dialético e o mítico, dado que, como é
sabido, Platão jamais aparece como o falante, utilizando-se sempre do nome de Sócrates.
61) Como explicar, de resto, que Platão em um de seus últimos escritos leve em
consideração toda a dialética e a ironia socráticas, que ele afinal num número nada pequeno
de diálogos intermediários tinha deixado de lado, e que mais tarde ele também não tratará?
Propriamente eu não precisaria discutir isto, dado que no conjunto eu me vinculo à
observação de Schleiermacher. Como, porém, a explicação está muito próxima, que ela
encontre um lugar aqui. Com efeito, o primeiro livro trata justamente aquelas questões que
constituem o objeto da investigação dos primeiros diálogos. Era então bem natural que
Platão desejasse vivamente recordar-se de Sócrates e, como na República ele buscava
expor sua visão de conjunto, também convinha, com brevidade, voltar a percorrer o
desenvolvimento contido nos diálogos anteriores, e fornecer assim uma espécie de
introdução, que certamente está longe de ser uma introdução para o leitor de A República,
mas que, considerado como recapitulação, sempre poderá ter interesse para o leitor de
Platão, e para o discípulo agradecido deve ter tido um grande valor afetivo.
62) Cf. 348 d – À questão de saber se ele chamava a justiça de virtude e a injustiça
de vício, ele responde: Não! é ao contrário; o que ele entretanto modifica, pois à questão
de saber se ele chamaria à justiça um vício, ele responde: Não, mas uma sublime
ingenuidade. Então, à injustiça chamas mau caráter? Não, mas sim prudência, disse ele.
63) Sócrates é da opinião de que em relação à comida e bebida, o mais competente
é que deve receber a maior parte, e então Cálicles responde: “Teu discurso gira todo tempo
ao redor de comida e bebida, médico e bobagens, mas eu não me estou referindo a nada
disso.” Sócrates prosseguiu: “Eu te entendo, mas talvez o mais competente deva então ter
as melhores roupas, e o melhor tecelão deve possuir a vestimenta maior, e andar por aí
vestido de maneira mais completa e mais bonita.” Cálicles: “Ó tu com tuas roupas...”
Sócrates: “Mas sapatos, isto é evidente que o mais competente e melhor é o que deve ter
mais, e o sapateiro talvez deva andar com solas maiores e mais numerosas?” etc. (Heise,
p. 111 /Górgias 490 c d e/).
64) Que Sócrates, no correr do diálogo, toca um ou outro pensamento mais
positivo, não se pode negar. Mas o positivo aqui é novamente concebido em toda a sua
abstração, e neste sentido o positivo é mais uma vez apenas uma determinação negativa.
Assim, o elevar qualquer arte a uma esfera ideal, a uma ordem de coisas superior, onde ela
191
só é exercida como firme em si mesma, não afetada por nenhuma profanação terrena, é,
em si e por si, um pensamento muito positivo, mas ao mesmo tempo tão abstrato que, em
relação a qualquer arte em particular é uma determinação negativa. O pensamento positivo,
o “pléroma” propriamente dito, só se daria quando se tornasse visível em que a arte busca
a si mesma. A determinação negativa, de que ela não cobiça nenhuma outra coisa, deveria
seguir como uma sombra a determinação positiva, como uma possibilidade superada a
cada instante de uma tal aspiração. Aqui, de certo modo, a relação se inverteu, na medida
que se apresenta como positivo o fato de a arte não ser exercida com vistas a uma outra
coisa. Pode-se muito bem dizer que se deveria perseguir a justiça somente por amor à
justiça, mas, para que aí ocorra realmente um progresso no pensamento, é preciso que a
justiça no primeiro lugar se tenha desenvolvido como justiça no segundo lugar, é preciso
que a inquietude estimuladora da justiça da primeira posição tenha encontrado seu repouso
e apaziguamento na justiça da segunda posição. Enquanto a gente não souber o que é a
justiça, continua naturalmente um pensamento negativo dizer que a justiça só deve ser
buscada por amor a ela mesma.
65) “Nos diálogos da primeira série Platão vivia ainda em pleno socratismo; aí ele
tinha por meta fazer valer o socrático frente aos princípios prejudiciais dos sofistas daquela
época (Protágoras), dos oradores e escritores (Fedro) e dos políticos (Górgias), e em
oposição a eles não apenas mostrar o nada e a falta de conteúdo deles, mas também a sua
perniciosidade” (Ast, p. 53 e 54). Esta consideração de Ast pode muito bem ser sustentada,
desde que não se esqueça de que a polêmica aqui mencionada não é uma polêmica positiva,
que com o “páthos” da seriedade derruba com trovões as falsas doutrinas, mas sim uma
polêmica negativa, que de maneira muito mais sutil, mas também muito mais enfática, lhes
vai roubando o chão, e fria e imovelmente as vê afundarem-se no nada total.
66) Poderia parecer como se a gente pudesse caracterizar o primeiro estádio como
meramente dialético e então conceber Sócrates pura e simplesmente como dialético. Foi
o que fez Schleiermacher em seu conhecido ensaio; mas dialética como tal é uma
determinação impessoal demais para esgotar uma figura como a de Sócrates; portanto,
enquanto a dialética se expande infinitamente e se espraia rumo às extremidades, a ironia
a faz refluir para a personalidade, arredonda a dialética na personalidade.
67) E portanto está certo que Aristóteles não reconheça em Sócrates uma dialética
no sentido próprio da palavra.
68) O desenvolvimento pormenorizado de todas estas igualdades e desigualdades,
de todos estes pontos de coincidência, o leitor já terá encontrado anteriormente nos devidos
lugares.
69) Aristophanes und sein Zeitalter, eine philologisch-philosophische Abhan-
dlung zur Alterthumsforschung, (Aristófanes e sua época, um tratado filológico-filosófico de
pesquisa da Antigüidade), de H. Theodor Rötscher, Berlim 1827.
70) Nachträge zu Sulzers allgemeiner Theorie der schönen Künste (Aditamentos
à teoria geral das belas artes de Sulzer), tomo VII, 1ª parte, p. 162: “Infelizmente nós só
conhecemos Sócrates a partir das pinturas embelezadoras de um Platão e um Xenofonte,
entretanto, daí se destaca muita coisa que provoca estranheza e sugere um homem singular.
A direção por um gênio invisível, de que o sábio acreditava poder desfrutar, seu recolhimento
e sua submersão em si mesmo, que até no acampamento militar durava o dia inteiro e que
todos os seus companheiros percebiam, suas conversas, cujo objeto, cuja finalidade e cujas
tiradas se distinguiam por tantas características originais, seu exterior negligenciado e seu
comportamento incomum sob tantos aspectos – tudo isso tinha necessariamente de lhe
dar, aos olhos da multidão, ares de um tipo original (Sonderling).” – Assim também, na p.
192
140, onde o autor observa que se conhecêssemos melhor Sócrates certamente se daria
ainda mais razão a Aristófanes: “nós nos convenceríamos então infalivelmente de que ele,
apesar de todas as suas grandes virtudes e notáveis qualidades, trazia em si, afinal de contas,
os erros e as franquezas da humanidade em rica medida, e que ele, como aliás muitos sinais
insuspeitos fazem supor, pertencia sob vários aspectos à classe dos tipos originais, esquisitos
(Classe der Sonderlinge), e sua maneira de ensinar não escapava da censura de prolixidade
e pedantismo”.
71) Ueber Aristophanes Wolken (Sobre as Nuvens, de Aristófanes), de J.W.
Süvern, Berlim 1827, p. 3s.
72) Confira-se a excelente exposição da história do coro em Aristófanes, Rötscher,
p. 50-59.
73) Esta seriedade é reivindicada pelo próprio Aristófanes na primeira parábase.
74) Cf. v. 1496: “Que faço? Que mais há de ser senão trocar sutilezas com as traves
da casa?”
v. 1503: “Ando pelos ares e olho o Sol de cima”.
75) Uma coisa ao menos é certa: a ironia é muito mais pura, muito mais emancipada
numa passagem anterior, onde Estrepsíades se deixa realmente convencer pelos sofismas
de Fidípides de que este tem razão e ele merece a surra. Cf. v. 1437:
“Homens de minha idade, penso que ele diz o que é justo!
Creio que se deve concordar com os filhos no que é razoável...
Pois é natural que também choremos, se não fazemos o que é justo.”
Assim também, a relação entre os dois tipos de discursos, o bom e o ruim, é
concebida com toda a infinitude da ironia, quando é dito que o ruim sempre vence e
Estrepsíades por isso pede a Sócrates que Fidípides aprenda pelo menos e sobretudo o tipo
ruim. Ver v. 882:
“Contanto que ele aprenda aqueles dois raciocínios,
o forte, seja ele qual for, e o fraco, aquele que
com palavras faz virar o que é injusto no mais forte.
E se não, pelo menos que aprenda o raciocínio injusto, a todo custo.”
76) A isto corresponde muito bem quando na natureza o princípio ordenador, em
vez das figuras plásticas dos deuses, vem a ser o “turbilhão etéreo”, e a dialética apenas
negativa se deixa caracterizar excelentemente como turbilhão.
77) Cf. v. 331:
“Por Zeus, nada disso! É que você não sabia que elas sustentam a maior parte dos
sofistas, adivinhos de Túrio, artistas da medicina, vadios de longos cabelos que só tratam
de anéis e unhas, torneadores de coros cíclicos, homens charlatães de coisas celestes.
Sustentam esses vadios que não fazem nada, porque eles costumam cantá-las em suas
obras.”
E é por isso que suas dádivas correspondem a isso. Cf. As Nuvens, v. 316:
“De modo algum! São as nuvens celestes, deusas grandiosas dos homens ociosos.
São elas que nos proporcionam pensamento, argumento e entendimento, narrativas
mirabolantes e circunlóquios e a arte de impressionar e de fascinar.”
78) Nesta descrição, eu me refiro predominantemente ao aspecto intelectual,
porque este é que estava, evidentemente, mais próximo aos gregos. É certo que uma
dialética semelhante, como arbitrariedade, se mostra no terreno moral de forma ainda mais
193
preocupante, mas nesta perspectiva eu também creio que, ao tentar compreender o período
de transição em que se achava a vida grega na época de Aristófanes, muitas vezes se tem
demasiado diante dos olhos as peculiaridades da época da gente. Hegel diz, com muita
razão (História da Filosofia, t. II, p. 70): “Não podemos acusar os sofistas por não terem
tomado o bem como o princípio; isso se deve à desorientação da época”.
79) Se um ou outro leitor achar que eu enxergo demais em Aristófanes, eu terei
prazer em reconhecê-lo, desde que em compensação ele me resolva a dificuldade que
sempre surge quando a gente examina mais de perto a estranha relação em que se encontra
o sujeito frente às nuvens. Aqui há certamente que atentar para dois momentos: o coro se
revestiu num símbolo, nas nuvens, porém estas nuvens por sua vez assumem a figura de
mulheres.
80) É por isso que se apresenta como uma confissão de fé, que, como toda confissão
de fé inclui tanto o lado subjetivo quanto o objetivo, o verso 424 das Nuvens: “Não é
verdade que você, agora, não aceitará nenhum outro deus a não ser os nossos, o Caos, as
Nuvens” (o objetivo) “e a Língua” (o subjetivo), e é com um grande vigor cômico que
Aristófanes faz Sócrates jurar pelos mesmos poderes, cf. v. 627: “Não, pela Respiração!
Não, não, pelo Caos e pelo Ar!”
81) Cf. As Nuvens, v. 227: “Sócrates: Pois nunca teria encontrado, de modo exato,
as coisas celestes se não tivesse suspendido a inteligência e não tivesse misturado o
pensamento sutil com o ar, o seu semelhante. Se, estando no chão, observasse de baixo
o que está em cima, jamais o encontraria. Pois de fato a terra, com violência atrai para si
a seiva do pensamento. Padece desse mesmo mal até o agrião.”
82) É portanto um predicado bem característico, o que As Nuvens aplicam a ele:
“sacerdote de tolices sutilíssimas”, v. 359.
83) V. 177: “Discípulo: Espargiu sobre a mesa uma cinza fina, dobrou o espeto e,
depois, usando-o como um compasso... surripiou o manto da palestra... Estrepsíades: Por
que então admiramos aquele famoso Tales? Depressa, abra, abra o pensatório, e mostre-me
logo este Sócrates, pois tenho vontade de aprender! Mas abra a porta!”
Se o leitor se recordar que mais tarde Estrepsíades retorna do pensatório sem manto,
com certeza ele perceberá aí o cômico que há no fato de Estrepsíades, que havia esperado
participar dos despojos (um manto), volta para casa não apenas sem lucro, mas até sem
ter nem aquilo que antes possuía – um manto. E no entanto, este ainda é um resultado
bastante tolerável, comparado com o que o próprio Estrepsíades diz, quando teme, com o
ensinamento de Sócrates, transformar-se pela especulação em absolutamente nada.
V. 717: “E como não? Se meus bens sumiram, sumiu o meu corpo, sumiu minha
alma, sumiram os sapatos... E além disso, além desses males, cantando de sentinela quase
que eu sumo também!”
E o convite do coro a Sócrates mostra que tudo estava organizado para, como se
diz, esfolar Estrepsíades.
V. 810: “Coro: E agora que o homem está bobo e visivelmente agitado, sabendo-o,
você vai engoli-lo tanto quanto puder! Depressa...”
84) Cf. v. 497: “Sócrates: Está bem. Então tire o manto!
Estrepsíades: Fiz algum crime?
Sócrates: Não, mas a lei é que se entre sem manto.”
85) Aqui nós temos a concepção aristofânica da famosa imobilidade e fixação do
olhar socráticos.
194
86) Cf. v. 1178: “Fidípides: Mas o que é que você teme?
Estrepsíades: O dia da “lua velha e nova”.
Fidípides: Pois há um dia da “lua velha e nova”?
Estrepsíades: Sim, aquele em que dizem que vão depositar uma caução contra mim.
Fidípides: Então os depositantes vão perdê-la pois não seria possível que um só dia
fossem dois...
Estrepsíades: Não seria possível?
Fidípides: De que jeito? A não ser que uma mesma mulher fosse ao mesmo tempo
velha e jovem.
“O mês dos atenienses tinha 30 dias, os vinte primeiros eram contados do primeiro
ao vigésimo, mas os restantes de trás para diante, partindo-se do mês seguinte. O 21º
chamava-se assim o 10º, o 26º o 5º, o 29º o 2º. O 30º se chamava o velho e o novo, e o
1º se chamava lua nova.” (Comédias de Aristófanes, traduzidas por Krag. Odense 1825,
p. 233 nota.) – Neste último dia do mês deviam ser pagos os juros, e por isso este dia era
um horror para Estrepsíades. Mas vejam, agora ele estava libertado desta inquietude, e
graças à esperteza de Fidípides, que tinha o poder de abolir a realidade e provar que este
dia simplesmente não existia. Eu me esforcei conscientemente por chamar a atenção para
este sofisma como um exemplo daquela dialética que era ensinada no pensatório, porque
ele lembra, como paródia, a dialética socrática, fundada essencialmente sobre o princípio
de que não se podia, sobre a mesma coisa, enunciar predicados contraditórios, e porque
isto, com tanto vigor cômico, pretende não apenas ter validade no mundo do pensamento,
mas quer ter uma autoridade capaz mesmo de negar a realidade efetiva.
87) Aqui parece ser uma boa ocasião para dar lugar a uma interpretação sobre
aquela passagem, muito discutida e antes já citada, do manto que, segundo a declaração
do discípulo, Sócrates teria surripiado da escola de esgrima. No que tange à vita anteacta
da interpretação, compare-se Rötscher, p. 284s. – Süvern refutou a explicação apresentada
por Reisig, e ele mesmo vê nesta passagem uma caracterização da conhecida distração
socrática e, baseado no fato de que aquilo teria ocorrido durante uma demonstração
matemática, vinculou a coisa à estreiteza socrática que devemos agradecer a Xenofonte,
segundo a qual Sócrates queria que só aprendesse matemática na medida que isto pudesse
ser utilizado na vida cotidiana. Rötscher é da opinião de que não se refere a algum fato
particular, mas sim que isto aí estava como a suprema e brilhante ilustração daquela
“Gewandtheit” (habilidade) de que Estrepsíades, tão premido pela existência, tanto preci-
sava. Mas quando, para sublinhar a astúcia de Sócrates acentua que este surripiara o manto
da palestra, para o que a lei de Sólon previa a pena de morte, aí eu creio que justamente
com isso ele perde a verdadeira graça que há nessas palavras, graça que ele, em outras
ocasiões, toca tão de perto. Certamente Aristófanes queria ironizar a dialética negativa
que se esvai em um monte de experimentos sem conteúdo, e à qual, com uma ironia ainda
mais profunda, ele atribui uma força criativa, na medida que ele o faz, com demonstrações
artificiosas, como que produzir uma realidade, porém de tal modo que, já que esta realidade
é uma coisa finita e terrena, a produção se encontra no limite de um furto; desta maneira
se poderia também explicar (o que Rötscher observa numa nota, no mesmo lugar) que
Querofonte, o amigo de Sócrates, foi honrado pelos cômicos muitas vezes com o apelido
de “Cléptos” (ladrão). As palavras com que o fato é introduzido: “Espargiu sobre a mesa
uma cinza fina, dobrou o espeto e, depois, usando-o como um compasso”, parecem ser a
introdução a um ato criador, e com tanto maior ênfase, com toda a surpresa do repentino
seguem-se as palavras: “ele surripiou...” etc. – Mas como quer que se conceba esta
passagem com respeito à significação que lhe deve ser atribuída na peça, sempre resta a
195
proeza de Sócrates e a carência que ela devia remediar. O discípulo narra a Estrepsíades
que, como faltava comida para a ceia, Sócrates empreendera a operação já descrita, com
a qual ele surripiara um manto da escola de esgrima. Mas por um lado não se vê como é
que com isso ele estaria providenciando a ceia, a não ser que se quisesse supor que Sócrates
o teria vendido e assim conseguido os meios necessários; e por outro lado não se vê
simplesmente o que pode significar o fato de ele o ter surripiado da palestra. Na edição de
Hermann (Leipzig 1798), p. 33, encontra-se uma outra versão, a saber: “da mesa”. Em
seguida Hermann chama a atenção para uma outra dificuldade, ou seja, para o fato de que
o artigo definido está ausente aqui, porque não se trata de um manto determinado;
entretanto, ele não resolve a dificuldade.
88) Não se pode negar, neste aspecto, a Estrepsíades, uma louvável tenacidade;
pois embora ele retorne do pensatório sem ter aprendido qualquer coisa (e a culpada aqui
era a fraqueza da idade dele, v. 855), e não obstante ele ter perdido tanto o manto quanto
os sapatos (v. 857: “Estrepsíades: Não, não perdi, dispensei-o”), mesmo assim ele não
perde a esperança e a fé na nova sabedoria, contando com as predisposições naturais de
Fidípides.
89) Por isso diz ele também, na Apologia de Platão, que jamais fora mestre de
alguém e jamais recebera discípulos.
90) Que de resto estão muito bem organizados por Aristófanes, de maneira muito
sábia, pois Sócrates desempenha um papel maior no início da peça do que no final, e, em
contraste com o ensino de Fidípides, deixado fora de cena, a educação de Estrepsíades
ocorre diante dos olhos de todos, com o que então a posição antiquada e a da nova moda,
representadas em personalidades igualmente cômicas, não perdem reciprocamente em
ridículo; isto merece ser notado.
91) V. 368s, onde Sócrates explica como ocorre a chuva que vem das nuvens, e
Estrepsíades assegura, v. 373: “E no entanto antes eu acreditava que era Zeus que urinava
através de um crivo”.
92) Por isso também segue ao silêncio solene, que caracteriza qualquer novo ponto
de vista histórico-mundial (pois tais coisas se fazem tão tranqüilamente, que é como se elas
não acontecessem no mundo, mas fora dele), o coro barulhento dos sofistas, uma soma do
zumbido de insetos fantásticos, que num entrevero infinito vão e vêm, de novo vão e de
novo vêm, por cima de si mesmos e por cima dos outros. Em geral, eles chegam em bandos
enormes, como os gafanhotos sobre o Egito, e indicam que o pensamento do mundo
novamente se prepara para emancipar-se da coação da personalidade, para perder-se numa
formação semelhante à da desembocadura do Reno.
93) Cf. v. 360: “Coro: ...pois não atenderíamos a nenhum outro dos atuais sofistas
das coisas celestes, com exceção de Pródico. A este, por causa da ciência e saber, e a você,
porque se pavoneia pelas estradas, lança os olhos de lado, anda descalço, suporta muitos
males, e, por nossa causa, finge importância...”
94) Cf. v. 700. O coro se dirige a Estrepsíades: “Pense, examine, concentre-se,
revirando-se de todas as maneiras! Rápido, se cair num embaraço, salte para outro
pensamento do seu intelecto...”
Se é que não estamos vendo demais nestas palavras, aí se pode encontrar uma
caracterização da dialética dessultória, que transforma a idéia em um corpo opaco, que
não pode ser penetrado, e salta fora dele. Também aquele ater-se, que Sócrates recomenda,
mostra-se como aquela atitude que apenas se atém ao problema, mas não soluciona. Cf.
v. 743: “Sócrates: Fique quieto! E se tiver alguma dificuldade nos seus raciocínios, deixe-a
e passe adiante. Depois, movimente-a de novo com o pensamento e pondere.”
196
95) Por isso, quando Estrepsíades está por começar o aprendizado, Sócrates lhe
pergunta o que é que ele quer aprender daquelas coisas de que até então nada sabia. V.
637: “Então vamos, o que é que você deseja aprender agora mesmo, em primeiro lugar,
daquelas coisas que nunca lhe ensinaram? Diga-me, serão por acaso as medidas, os versos
ou os ritmos?”
Se aqui com a palavra “versos” se designa o ensinamento gramatical, e mesmo que
Sócrates, com suas sutilezas lingüísticas pareça um Peer Degn (da comédia de Holberg),
mesmo assim é preciso pensar que temos aqui uma paródia exageradamente cômica, e
que neste caso pode muito bem estar indicada uma sutileza dialética correspondente,
baseada na linguagem.
96) V. 482 e 486.
97) Por isso também o fruto do ensinamento corresponde bem a isso; pois Sócrates
promete (v. 260): “Tornar-se-á escovado na fala, charlatão, uma flor de farinha!”
98) Depois de ter mostrado como a dialética socrática sabe aniquilar todas as
determinações concretas do bem, às custas do próprio bem, como universal vazio e sem
conteúdo, e com sua ajuda, Hegel observa que foi Aristófanes quem concebeu a filosofia
de Sócrates apenas a partir do seu lado negativo (História da Filosofia, v. 2, p. 85). Mas
se por acaso houvesse em Sócrates uma positividade platônica, é certo que não se poderia
negar, por mais liberdade que se quisesse conceder ao poeta cômico, que Aristófanes, afinal
de contas, teria ultrapassado o limite, o limite que o próprio cômico tem, a exigência de
que a coisa seja verdadeiramente cômica.
99) Por isso, enquanto o proveitoso, em Xenofonte, oscila entre corresponder ao
belo e ao bom, e portanto é um conceito mais intelectual do que moral, aqui, pelo contrário,
o proveitoso é concebido de maneira puramente moral, em sua oposição ao bom e em sua
unidade com o mau. Xenofonte não deixa Sócrates aceitar pagamento por seu ensinamen-
to, e com isso quer indicar que seu ensinamento era incomensurável a uma tal taxação,
indica a relação ambígua do ensinamento de Sócrates com qualquer avaliação exterior (já
que num sentido era bom demais e no outro sentido ruim demais para tanto); Aristófanes
não apenas o faz receber pagamento, mas até saquear literalmente seus discípulos. Se não
se quiser ver neste último traço uma daquelas acusações morais que permanecem difíceis
de justificar ou então um exagero brincalhão que obriga a uma desculpa, pode-se então ver
nisto uma indicação figurada da relação do irônico para com o indivíduo, dado que nesta
relação ele mais tira do que dá, e faz, por assim dizer, no sentido espiritual o que Sócrates
faz com Estrepsíades no sentido corporal, faz com que ele entre nu no pensatório e o deixa
sair igualmente pelado.
100) A circunstância de eu ter ordenado as três concepções mais segundo sua
relação com a idéia (a pura e simplesmente histórica – a ideal – a cômica) do que segundo
as épocas, talvez possa dar ocasião a que um outro leitor queira censurar-me de me ter
tornado culpado de um anacronismo. Entretanto eu creio que agi corretamente ao
suspender o aspecto cronológico. Porém eu não desejo por isso, naturalmente, de maneira
alguma retirar da concepção aristofânica o valor que há em estar mais próxima de Sócrates
quanto ao tempo. A importância que com isso ela adquire no sentido histórico, ainda vem
a ser mais aumentada pelo fato de que se conta que Platão teria enviado a Dionísio, o
Velho, “As Nuvens”, dando-lhe a entender também que com esta peça ele poderia aprender
a conhecer o Estado ateniense.
101) Sempre que se trata de reconstruir um fenômeno por meio de uma concepção
que possa ser assim chamada num sentido estrito, há um duplo trabalho: com efeito, tem-se
que explicar o fenômeno e, ao fazê-lo, explicar o mal-entendido: através do mal-entendido
197
tem-se que conquistar o fenômeno, e por meio do fenômeno quebrar o encanto do
mal-entendido.
102) Essas expressões se encontram por isso e sobretudo nos escritos mais
estritamente históricos.
103) Neues Realschullexikon (Novo Dicionário Escolar) de Funcke, 2ª parte, p.
643s.
104) Também em tempos recentes há gente que se ocupou muito com este demônio
e, como vejo num escrito de Heinsius, um alienista de Paris, Lelut, foi tão presunçoso a
ponto de afirmar: “que Sócrate était affecté de la folie, qu‘en language technique on
apelle hallucination” (afetado pela doença mental que, em linguagem técnica, se chama
alucinação). O livro se chama: Du démon de Socrate. par F. Lelut. (Sobre o demônio de
Sócrates, por F. Lelut.) Paris 1836.
105) Tanto Plutarco (Plutarchi Chaeronensis opuscula ed. H. Stephanus, Tom.
II, p. 242, 243) como Cícero (De divinatione I,54) colecionaram muitas narrativas sobre
a atividade deste demoníaco, e no entanto em todas ele se exprime sempre apenas
advertindo.
106) Não se perca de vista que é na Apologia que se encontra esta passagem, e
que se deve no conjunto considerar que ela é historicamente confiável. Não se deve perder
isso de vista, para que a gente se convença de que aqui não estou tratando com uma
concepção platônica, mas me movimento sobre a base de fatos.
107) A tentativa que Sócrates fez de se defender mostrando a necessidade de que,
se ele aceitava algo demoníaco, ele também reconhecia demônios, não é nada relevante
mesmo que se abstraísse do revestimento irônico que ele dá a esta prova, e da polêmica
indireta que aí se oculta. Pois mesmo que a gente em geral, ou portanto também in casu,
tenha de reconhecer como correto que o teísmo se deixa deduzir com necessidade soligística
do panteísmo, daí não se segue, de maneira nenhuma, que daquele modo Sócrates
estivesse justificado frente ao Estado; pois o Estado não tinha chegado a seus deuses pela
via do silogismo, e Sócrates podia muito bem relacionar-se indiferentemente, i.é, irreligio-
samente frente ao resultado que ele estava em condições de obter a qualquer instante em
que lhe pedissem.
108) Lições sobre a Filosofia da História, 2ª ed., p. 328.
109) “Em moribundos, em estados doentios, de catalepsia, pode ocorrer que o
homem aprenda conexões e saiba coisas do futuro e do presente que lhe são inacessíveis
num contexto de raciocínios... No que toca mais de perto ao demônio de Sócrates trata-se
de uma forma próxima ao sonambulismo, desta duplicidade da consciência; e com Sócrates
parece também expressamente ter-se dado algo do tipo que se chama estado magnético
(hipnose), dado que ele freqüentemente caía em catalepsia e arrebatamento.”
110) Cf. p. 98: “Quando no sonambulismo ou no estado de moribundo alguém
prevê o futuro, costuma-se considerar isto uma visão superior; olhando-se mais de perto,
vemos que se trata apenas de interesse do indivíduo, particularidades. Se alguém quer casar,
ou construir uma casa etc., o sucesso só é importante para este indivíduo, este conteúdo
é apenas particular. O verdadeiramente divino, universal, é a própria instituição da
agricultura, o Estado, o matrimônio, as instituições legais; frente a isto, o fato de eu saber
se, embarcando num navio, virei a morrer ou não, é algo de menor. É uma inversão, que
também ocorre em nossa representação saber o que é justo, o que é ético, é algo de muito
superior a conhecer tais particularidades”.
198
111) Disto Sócrates tinha tomado bastante consciência, e na Apologia ele coloca
a questão de sua atividade e faz seus juízes tomarem consciência da questão, provocada
pela acusação. Cf. 20 c: “Um de vós poderia intervir: Afinal, Sócrates, qual é a tua
ocupação? Donde procedem as calúnias a teu respeito? Naturalmente se não tivesses uma
ocupação muito fora do comum não haveria esse falatório, a menos que praticasses alguma
extravagância. Dize-nos, pois, qual é ela, para que não façamos nós um juízo precipitado.”
112) Segundo Diógenes Laertius, Favorino, contemporâneo e amigo de Putarco,
teria lido a ata de acusação no Métroon. As expressões originais do texto grego são: “Esta
acusação foi ditada e reforçada por juramento por Meleto, filho de Meleto, do demo de
Piteu, contra Sócrates, filho de Sofronisco, do demo de Alópex; Sócrates é culpado de não
crer nos deuses em que o Estado crê, e introduzir outras e novas essências demoníacas
(divindades): culpado também por seduzir a juventude; que a pena seja a morte.”
113) Também se observará prontamente quão difícil era a posição dos acusadores;
pois era muito fácil para Sócrates, cada vez que eles apresentavam positivamente uma
queixa, aniquilá-la com a ajuda daquela ignorância, e a rigor bem que seus acusadores
deveriam tê-lo denunciado por sua ignorância; pois há naturalmente uma ignorância que,
especialmente no Estado grego, mas numa certa medida em todo e qualquer Estado, deve
ser considerada um crime.
114) Abhandlungen der Königlichen Academie der Wissenschaften in Berlin, aus
den Jahren 1814-15: Ueber den Werth des Sokrates als Philosophen (Ensaios da
Academia Real das Ciências de Berlim, dos anos 1814-15: Sobre o Valor de Sócrates como
Filósofo), p. 51-68.
115) Com isto pode ser comparada a passagem da Apologia, de Xenofonte, 15,
onde se fala da mesma declaração do oráculo délfico a Querefonte, e aí é dito: “Como era
de esperar, a estas palavras os juízes fizeram ouvir murmúrio maior ainda. Prosseguiu
Sócrates: – Entretanto, cidadãos, em termos mais magníficos ainda se expressou o deus
em relação a Licurgo, o legislador dos lacedemônios. É a fama que, no momento em que
Licurgo entrava no templo, disse-lhe a divindade: “Chamar-te-ei homem ou deus?” A mim
não me comparou a deus, mas disse que em muito sobrepujo os outros homens.”
116) Segundo a narrativa de Sócrates, o oráculo de Delfos declara “que pouco valor
ou nenhum tem a sabedoria humana”, como se dissesse “o mais sábio dentre vós, homens,
é quem, como Sócrates, compreendeu que sua sabedoria é verdadeiramente desprovida do
mínimo valor” (23 a,b). Como o oráculo era sempre apenas ocasião para consciência que
o interpretava, a sentença de Delfos encontra em Sócrates seu comentador.
117) Cf. Hegel, História da Filosofia, T. II, p. 173: “O próprio Platão logo
desenvolveu grande habilidade matemática. Costuma-se atribuir a ele a solução do problema
délio ou délfico que lhe foi colocado pelo oráculo e que se refere ao cubo, semelhantemente
com o teorema de Pitágoras, a saber: traçar uma linha cujo cubo seja igual à soma de dois
cubos dados, isto exige a construção por meio de duas curvas. O digno de nota é o tipo
de tarefas que agora os oráculos propunham. Haviam recorrido ao oráculo por ocasião de
uma peste e então ele passou esta tarefa totalmente científica;... Há uma mudança no
espírito do oráculo que é altamente notável.”
118) Mais tarde os deuses se aplacaram, e por isso Platão no Timeu deduz o
surgimento do mundo da bondade divina, que não conhecia inveja, e sim aspirava por fazer
o mundo ser tão semelhante a si quanto possível.
119) Contudo, esta é naturalmente a sua atividade considerada idealmente. Em sua
vida a energia desta cólera (esta palavra tomada em sentido metafísico) podia muito bem
ser substituída por uma certa indolência, um certo submergir para dentro de si mesmo, em
199
cujos instantes ele absorvia previamente o gozo in abstracto, gozo que propriamente devia
ser adquirido in concreto, até que novamente o chamado da divindade ecoava em seu
interior, e ele então novamente estava pronto para vir auxiliar a divindade no convencer os
homens. Assim se compreende melhor a fixidez do olhar de Sócrates, tantas vezes objeto
de comentários e de que nós também já tratamos, como um estado de sonho, na medida
que a negatividade se tornava invisível para ele e ele como que se deixava inebriar por seu
vazio. É por isso que este homem, que normalmente andava por aí e puxava conversa tanto
com seus compatriotas quanto com os estrangeiros, nestes instantes ele parava quieto e
se extasiava.
120) Para prevenir qualquer mal-entendido e para, quando possível, iluminar com
esta observação a partir de um ponto de vista totalmente diferente o que foi dito, quero
recordar que na consciência cristã a oração tem sua validade absoluta; pois o cristão sabe
o que deve pedir, e ele sabe que, quando ele pede por algo, ele será absolutamente ouvido,
mas isto se fundamenta exatamente em que ele se sabe numa relação real com o seu Deus.
121) É verdade que, a serviço do Estado, ele tinha participado de três batalhas (o
Sítio de Potidéia, a expedição a Délio na Boétia, a batalha de Anfípolis); mais tarde ele se
tornara membro do conselho e ocupara um cargo de supervisor, ainda que apenas por um
dia; mas não obstante ele se havia emancipado totalmente da verdadeira relação entre o
cidadão e o Estado. É verdade que Xenofonte o justifica neste aspecto, fazendo-o dizer:
“Se eu formo bons cidadãos então multiplico os serviços que devo a minha pátria.” Mas
isto é devido naturalmente a estreiteza de Xenofonte, com o qual já estamos familiarizados.
122) Ele até mesmo se gaba disto na Apologia onde sublinha que sua vida tinha
sido ativa, mas também incomensurável para os parâmetros do Estado (esta última
observação ele a expressa, naturalmente com a expressão polêmica contra o Estado e na
medida em que ele com profunda ironia confunde as coisas umas com as outras, engana
facilmente ao observador superficial). Ele narra que não se preocupara em juntar dinheiro,
nem com cuidados domésticos, nem com funções e honrarias militares, civis e outras (porém
isto, observado a partir do ponto de vista do Estado, simplesmente não é digno de louvor),
nem com partidos e nem com revoltas (e aqui está algo que provoca confusão, pois que
ele não tenha tido participação nisto, o Estado naturalmente deve achar digno de apreço
e de resto a ironia é evidente na maneira leviana em que ele mistura a autêntica vida política
no Estado no mesmo saco que os motins e os sectarismos; e pelo contrário ele procurou
privadamente prestar ao indivíduo o maior benefício, mas isto evidentemente quer dizer
que ele só entrou em uma relação estritamente pessoal com indivíduos; Cf. Apol. 36 b,c.–
Uma confusão semelhante se encontra também numa outra passagem da Apologia, onde
Sócrates comenta muito pateticamente que cada um deve permanecer no posto em que
ele mesmo se havia colocado por achar que era o melhor para ele, ou no qual o Estado o
colocara; pois justamente o espaço de manobra de arbitrariedade que ele aqui postula teria
naturalmente que ser, do ponto de vista do Estado, consideravelmente reduzido. A confusão
se torna ainda maior, quando, a seguir, argumenta a partir dos poucos casos nos quais ele,
no serviço do Estado, permaneceu no lugar que lhe fora assinalado. Pois o Estado saberia
sempre reconhecê-lo; mas o fato de que ele se encarregava de escolher ele mesmo um
lugar, isto era o problemático.
123) Mas apesar de todo o seu virtuosismo pode muito bem ter-lhe acontecido que,
quando ele não tanto, como quer Cícero, trazia a filosofia do céu e a introduzia nas casas,
mas antes trazia o povo para fora das casas e o tirava do submundo em que viviam, que
ele então às vezes se deixasse aprisionar aí, e numa infindável conversa fiada com Fulano
e Beltrano perdesse a ironia, perdesse de vista o fio da ironia e momentaneamente, até
200
certo ponto, se perdesse em trivialidades. Isto, a respeito de uma observação anterior
relacionada à concepção de Xenofonte.
124) Quando então Fedro (no diálogo homônimo) se admira que Sócrates conheça
tão pouco os arredores que até se teria de guiá-lo por aí, como a um estrangeiro, pois até
parecia que ele nunca tinha saído dos portões da cidade, Sócrates responde: “Perdão, meu
ótimo amigo! Eu desejo aprender. Os campos e as árvores não conseguem me ensinar
nada. Somente os homens da capital me ensinam algo.”
125) Pois o método que ele seguia: “tentando persuadir cada um de vós a cuidar
menos do que é seu que de si próprio... menos dos interesses do povo que do próprio
povo” (Apol. 36 c) era, naturalmente, em relação aos gregos, completamente invertido;
assim como também a proposição: primeiro preocupar-se com o Estado antes de a gente
se preocupar com os próprios assuntos, recorda os empenhos revolucionários que se
expressam em nosso tempo, não tanto em fatos quanto em pensamentos (naturalmente
aqui os pensamentos dos indivíduos particulares) e a soberania usurpada por eles.
126) Eu me esforcei por sublinhar este raciocínio porque ele nos dá um aceno a
respeito de como a doutrina moral de Sócrates estava constituída (um pouco mais adiante
isto será objeto de outras investigações), porque isto mostra que sua doutrina moral tinha
o defeito de estar fundamentada sobre uma teoria de conhecimento completamente
abstrata.
127) Mem. de Xenofonte I, 2 49. Apol. de Xenofonte 20. Com o que pode ser
também comparado o comportamento de Fidípedes diante do pai em Aristófanes.
128) Apol. de Xenofonte 29-30.
129) Apol. de Xenofonte 20-21. Mem. I,2 51.
130) Cf. Hegel, op. cit. p. 109.
131) Eu concebi aqui constantemente apenas a relação como tal entre Sócrates e
a juventude que ele queria ensinar. Eu não levei em conta, absolutamente, o que podia
haver de prejudicial em seu ensinamento. O que se pode dizer a respeito disso já foi dito
anteriormente. O que quero aqui acentuar, pelo contrário, é o que há de injustificado em
que Sócrates assim sem mais nem menos se erigisse em mestre. À autoridade divina que
ele evocava para si não se pode, do ponto de vista do Estado, atribuir qualquer valor, dado
que ele, ao se colocar completamente isolado, mais uma vez aqui se evadia da sanção do
Estado.
132) Aristófanes é de uma outra opinião, não apenas o faz aceitar dinheiro, mas
até mesmo sacos de farinha, por seu ensinamento.
133) É verdade que Sócrates diz isso, em primeiro lugar, para ir de encontro à
objeção de que ele, no círculo de discípulos mais íntimos, pudesse ter ensinado coisas bem
diferentes do que quando outros estavam presentes. Nesta perspectiva, pode-se muito bem
reconhecer que Sócrates era sempre o mesmo, mas suas palavras demonstram também
quão frouxa era a sua relação com a juventude, já que esta sua relação não estava atada
por nada mais do que contatos casuais na esfera do conhecimento.
134) Compare-se aqui Forchhammer, p. 42s.
135) A quem não for capaz de compreender isso no sentido espiritual, eu gostaria
de indicar Joh. Matth. Gesner: Socrates sanctus Paederasta, cf. Commentarii societatis
regiae scientiarum Gottingensis. Tom. II. ad annum MDCCLII.
136) A história conservou ainda uma relação em que Sócrates se encontrava com
outra pessoa, sua relação com Xantipa. Qualquer um percebe que Sócrates não foi
precisamente um exemplo de esposo, e a concepção de sua relação para com ela que é
201
atribuída a Sócrates por Xenofonte, de que ele obtinha da parte desta mulher raivosa a
mesma utilidade que os domadores têm de um cavalo selvagem, a vantagem de aprender
a discipliná-los, e de que ela era para ele um treinamento na arte de dominar o ser humano,
pois se ele conseguisse resolver o caso dela, fácil lhe seria agüentar os outros homens –
esta concepção, digo eu, não revela muito amor conjugal, mas certamente um alto grau de
ironia. Cf.
Forchhammer p. 49 e nota 43.
137) Cf. Hegel, op. cit., p. 113s.
138) Já que sua vida como tal é incomensurável para a concepção do Estado, e ele
portanto tampouco pode merecer recompensa quanto castigo, então ele acrescenta
subsidialiter uma outra razão, ou seja, que ele é um homem pobre que busca muito a
tranqüilidade.
139) “No episódio Nala, dos poemas Mahabharata, conta-se como uma jovem
de 21 anos, na idade em que as moças têm o direito de escolher elas mesmas um marido,
procura um para si, entre os pretendentes. Eles são cinco; mas a jovem nota que quatro
deles não estão com os pés tocando na terra e conclui então, com toda razão, que eles são
deuses. E ela escolhe, portanto, o quinto, que é um homem real.” Cf. Hegel, Filosofia da
História, p. 185.
140) “Em qualquer lugar em que esteja um cadáver, aí se juntarão as águias” (Mt
24,28).
141) Aqui mais uma vez Hegel forneceu excelentes exposições. A exposição
pormenorizada que se encontra em sua Hist. da Filosofia, entretanto, pelo que me parece,
nem sempre está de acordo consigo mesma, e leva às vezes o caráter de uma coleção de
observações dispersas, que freqüentemente mostram a falta de subordinação à divisão
indicada pelas letras do alfabeto. Em compensação, comparado com a exposição mais
pormenorizada, o curto esboço que se encontra na Fil. da História justifica que se empregue
uma observação que o próprio Hegel fez alhures, de que o espírito é o melhor compendia-
dor. Este esboço é tão certeiro e tão ilustrativo que eu quero citá-lo aqui. Ele se acha à p.
327: “Com os sofistas, o refletir sobre o que estava à mão e o raciocinar começaram.
Justamente esta energia e esta atividade que víamos nos gregos na vida prática e no exercício
das artes mostrou-se neles neste vaivém e neste remexer das representações, de modo que,
assim como as coisas sensíveis são alteradas, elaboradas e invertidas pela atividade humana,
assim também o conteúdo do espírito, o que se queria dizer, o conhecido que se movimenta
para lá e para cá, torna-se objeto de ocupação e esta ocupação torna-se um interesse por
si. O movimento do pensar e o que se passa interiormente nisto, este jogo desinteressado
vem a ser ele mesmo um interesse. Os sofistas cultos, não eruditos ou homens da ciência
mas sim mestres no manejo do pensamento, provocaram o espanto nos gregos. Para cada
questão eles tinham uma resposta, para todos os interesses de conteúdo político e religiosos
eles tinham pontos de vista gerais, e a formação que eles proporcionavam consistia em
saber demonstrar tudo, em cada coisa encontrar um aspecto justificável. Na democracia há
uma necessidade específica de falar diante do povo, apresentar-lhe algo, e para tanto é
preciso que o ponto de vista que o povo deve considerar essencial lhe seja trazido ante seus
olhos da maneira adequada. Aqui a formação do espírito é necessária, e esta ginástica, os
gregos a conquistaram com seus sofistas. Esta formação intelectual se tornou então o meio
para alcançar suas metas e interesses junto ao povo: o sofista treinado sabia virar o objeto
para este ou aquele lado, e assim se abriram as portas para as paixões. Um princípio capital
dos sofistas era: “o homem é a medida de todas as coisas”; aqui como em todas as sentenças
deles reside a ambigüidade no fato de que o homem pode ser o espírito em sua profundidade
202
e veracidade ou também em seu arbítrio e seus interesses particulares. Os sofistas pensavam,
com isso, no homem puramente subjetivo, e assim declaravam o querer arbitrário como
princípio do que era justo, e aquilo que era útil ao sujeito como sendo o último fundamento
de determinação”.
142) A introdução do Protágoras nos dá uma exposição cênica de alguns sofistas
em plena atividade.
143) Esta sentença sofística pode fornecer interessante contribuição ao destino das
citações em suas andanças, geralmente longas e complicadas, através da vida. Há certas
citações que se assemelham aos caracteres que sempre retomam nas comédias, basta que
a gente de passagem receba um sinal de sua existência e logo a gente os reconhece. Aquele
então que colhe sua sabedoria de periódicos, jornais, prefácios de obras e recensões de
livreiros, adquire facilmente uma grande quantidade daquilo que se poderia chamar
conhecimentos de rua. Mas como ocorre com esses, conhece-se o homem por fora, porém
sua origem, história, relações etc., a gente em geral ignora completamente. – Esta sentença
sofística é pois uma figura permanente no moderno mundo das citações. Entretanto, Hegel
uma vez tomou a liberdade de concebê-la como se o seu sentido fosse o de que o homem
é a meta para a qual tendem todas as coisas. Foi uma violentação atrevida, que facilmente
se perdoa a Hegel, dado que ele mesmo tão freqüentemente recorda também o significado
que tal sentença tinha na boca dos sofistas. Por outro lado, um monte de hegelianos, não
conseguindo ser cúmplices no bem, preferiram ser cúmplices no mal e jogaram esta moeda
falsa em circulação. Em dinamarquês, a ambigüidade da palavra “Maal” (medida, fim, alvo,
objeto) é tentadora para quem não sabe que se trata de uma sentença sofística, e por isso
eu preferi citar em grego, conforme o Teeteto de Platão, 152 a (Ast 2º v.).
144) Mesmo Górgias, que de resto recusava o título de sofista, apesar de sua dialética
levar ainda mais adiante o ceticismo sofista, é até certo ponto mais positivo do que Sócrates.
As três conhecidas sentenças que ele apresenta em sua obra sobre a natureza contêm
certamente ceticismo, que não apenas se ocupa com mostrar a relatividade do ente ou o
seu ser-não-em-si-e-por-si, o seu ser-para-um-outro, mas também penetra até as determi-
nações do próprio ente, e, contudo, a maneira como ele concebe o ente ainda está ligada
a uma positividade em relação à infinita negatividade absoluta; pois, como Hegel diz da
dialética de Górgias em geral, “esta dialética é, em todo caso, insuperável para aquele que
afirma o ente (sensível) como real” (p. 41). É bem verdade que a positividade que eu em
geral atribuo aos sofistas recebeu uma significação um pouco diferente, mas recordemos
que Górgias sem dúvida era o que estava mais alto entre os sofistas, de modo que não se
pode negar nele uma certa cientificidade; e contudo, em relação a Sócrates, ele permanece
positivo, justamente porque ele tinha uma pressuposição, enquanto que a negatividade
infinita é aquela pressão que dá à subjetividade a elasticidade que é a condição da
positividade ideal. As proposições que, no Górgias de Platão, são afirmadas por Górgias,
Polo e Cálicles “com crescente insolência”, também são positivas em relação a Sócrates,
e positivas no sentido em que eu empreguei a expressão a respeito dos sofistas em geral.
A proposição “o justo é o que o mais forte quer” é positiva em relação àquela negatividade
em que é pressentida a infinitude interior do bem. A proposição de que é melhor fazer
injustiça do que sofrer injustiça é positiva em relação àquela negatividade em que dormita
a providência divina.
145) A verbosidade e os longos discursos dos sofistas são, por assim dizer, um sinal
daquela positividade que eles possuíam.
146) Poderia, é claro, parecer que Sócrates era uma individualidade refletida, e as
disposições duvidosas que sua experiência física teria indicado parecem dar a entender que
203
ele não tanto era aquilo que era, mas sim se tornara o que era. Entretanto, talvez fosse o
caso de que se tivesse de conceber a questão em analogia com seu exterior feio, que ele
descreve com tanta ironia. Como se sabe, Zópiro forneceu estudos fisiognomônicos sobre
Sócrates. Toda a verdade da fisiognomonia baseia-se entretanto na proposição de que a
essência é e só é na medida que se encontra na aparência, ou de que a aparência é a
verdade da essência, a essência a verdade da aparência. A essência pode então muito bem
ser a negação da aparência, mas não é sua negação absoluta, pois com isso a própria
essência a rigor desapareceria. Uma tal negação é, contudo, até certo ponto, a ironia, que
nega o fenomenal, não para, através desta negação, pôr, mas ela nega o fenomenal em
geral, ela foge recuando em vez de avançar, ela não está no fenômeno, com o fenômeno
ela busca enganar, o fenômeno não é para manifestar a essência, mas para ocultá-la. Se a
gente se recorda então que na Grécia feliz a essência estava em unidade com o fenômeno
como determinação natural imediata, logo se vê que se aquela harmonia fosse abolida a
diferença teria de se tornar um abismo escancarado, até que se produzisse uma unidade
sob uma forma superior. Nesta medida é bem possível que Sócrates tenha concebido
ironicamente aquela oposição que havia entre sua essência e sua aparência. Ele achava
muito normal que seu exterior sugerisse algo de completamente diferente do que era o seu
interior. Pois por mais que se queira sublinhar a liberdade moral que negava todas essas
disposições naturais contraditórias, mesmo assim permanece a discrepância, na medida
que seu empenho moral jamais o colocaria em condições de regenerar seu exterior. Sócrates
permanece portanto para sempre uma tarefa muito difícil para os fisiognomonistas; pois
se se quiser acentuar o momento de autodeterminação, resta a dificuldade de que o exterior
de Sócrates afinal de contas não se alterou essencialmente, e se se quiser acentuar a
determinação hereditária, então Sócrates fica sendo para toda a fisiognomonia uma pedra
de escândalo. (Mehring: “Idéias para a fundamentação científica da Fisiognomonia”, na
revista de Fichte, 2º vol., 2º cad., 1840 p. 244, acentua o momento da autodeterminação,
mas não resolve a dificuldade.) Se, por outro lado, a gente enfoca mais a alegria irônica,
que Sócrates gozava por ter sido dotado pela natureza de tal modo que qualquer um pudesse
se enganar com ele, então não será preciso ir mais adiante em profundezas fisiognomônicas.
147) Mas justamente porque esta exigência naquela época da história do mundo
era verdadeira, a ironia de Sócrates era historicamente justificada, e não contém o mórbido
e egoístico que ela terá numa época muito posterior, quando ela, depois que a idealidade
já foi dada em medida plena, demanda um sublimado extravagante.
148) Platão concebeu sua relação com Sócrates com tanta beleza quanto piedade
na conhecida expressão de que ele agradecia aos deuses por quatro coisas: por ter sido um
homem e não um animal, um homem e não uma mulher, um grego e não um bárbaro,
mas principalmente por ter sido cidadão ateniense e contemporâneo de Sócrates.
149) Cf. Rheinisches Musäum (Museu Renano), Bonn 1827. Grundlinien der
Lehre des Socrates (Linhas fundamentais do ensino de Sócrates), de Ch.A. Brandis, p.
119: “Mas um tão grande número de tão talentosos homens nenhum filósofo da Antigüi-
dade conquistou nesta medida para si e para a investigação da verdade, nenhum como
Sócrates, nenhum como ele ocasionou uma multiplicidade de escolas, que, profundamen-
te diferentes umas das outras em termos de doutrina e maneiras de ensinar, se reuniam ao
redor da convicção de deverem a Sócrates seus princípios condutores. Entre as escolas
filosóficas, que alguns contam dez, outros nove, e que são caracterizadas como éticas, isto
é, socráticas, dificilmente se encontrou uma, afora os epicuristas, que tivesse recusado esta
denominação.” (Os acadêmicos, os megáricos, os de Eritréia, os de Elis, os peripatéticos,
os cirenaicos, os cínicos, os estóicos, os epicuristas).
204
150) Hegel parece também estar de acordo com isto, p. 124, mas ele não é sempre
constante: “Sócrates, ele mesmo, não passou além disso: ele enunciou para a consciência
em geral a simples essência do pensamento de si mesmo, o bem, e investigou os conceitos
determinados do bem, para saber se eles exprimiam adequadamente aquilo cuja essência
deviam exprimir, se a questão mesma através deles estaria de fato determinada. O bem foi
transformado na meta para o homem que age. Ao fazer isto, ele tinha presente todo o
mundo da representação, da essência objetiva, sem buscar uma passagem do bem, da
essência do consciente como um tal, para o objeto e sem reconhecer a essência como
essência das coisas.”
151) Leia-se a exposição de Hegel sobre os princípios dessas escolas p. 127 e 128.
152) Compare-se a isto a observação conclusiva do cap. II. Ele (Sócrates) torna-se
assim estranho a todo o mundo a que pertence; a consciência contemporânea não tem
nenhum predicado para ele, inominado e indeterminável ele pertence a uma outra espécie.
153) Já a tarefa que Schleiermacher se impôs, apresentar o valor de Sócrates como
filósofo, mostra suficientemente que aqui não se pode esperar encontrar algum resultado
absolutamente satisfatório. Para mais uma vez lembrar uma expressão anteriormente
introduzida de Hegel, e que, por estranho que pareça, é de Hegel mesmo – no que toca a
Sócrates a questão não é tanto de filosofia quanto de vida individual. O que então
Schleiermacher reivindica para Sócrates é a idéia do saber, e esta é também a positividade
que, como já foi observado, na opinião de Schleiermacher se escondia por trás de sua
ignorância. Schleiermacher observa, p. 61: “Pois de onde mais ele poderia declarar como
um não saber o que os outros acreditavam saber, senão apenas por meio de uma
representação mais correta do saber e por meio de um procedimento mais correto baseado
neste? E sempre que ele expõe este não-saber, a gente vê que ele parte dessas duas
características: primeiro, que o saber é o mesmo em todos os pensamentos verdadeiros, e
portanto também cada um desses pensamentos precisaria trazer em si a forma característica
do mesmo, e depois, que todo saber forma uma totalidade. Pois suas demonstrações se
baseiam sempre sobre o fato de que a partir de um pensamento verdadeiro a gente não
poderia deixar-se envolver em contradição com um outro, e que também um saber, derivado
de um ponto e encontrado através de meios corretos, não poderia contradizer a um outro
saber que seja encontrado, a partir de um outro ponto, da mesma maneira, e, na medida
que ele descobria nas representações correntes dos homens tais contradições, procurava
em todos os que de alguma maneira pudessem compreender ou mesmo apenas pressentir,
agitar tais pensamentos fundamentais.” E mais adiante, atribui a ele o método e o concebe
a partir do Fedro como aquele que tem a dupla tarefa: “saber como é que a gente reúne
corretamente muitas coisas na unidade e divide uma grande unidade mais uma vez segundo
sua natureza em múltiplos”(p. 63). Se atentarmos então no que é indicado com isso, não
há nesta exposição nada que não caiba muito bem em nossa concepção total. O que aqui
ele acentua é, com efeito, a idéia da conseqüência (lógica), a lei em que repousa a riqueza
do conhecimento; entretanto, ela é concebida de maneira tão negativa que o princípio que
aí está contido, e que Sócrates também utilizava, é o principium exclusi medii inter duo
contradictoria (princípio do médio excluído entre dois contraditórios). A totalidade que
todo o saber deve formar é, por sua vez, concebida tão negativamente que ela propriamente
é a negatividade infinita. As duas tarefas do método são igualmente negativas; pois a
unidade sob a qual o múltiplo é sintetizado é a unidade negativa onde ele desaparece, e a
diferença com a qual a unidade se dissolve é a negatividade do discursivo. Mas isto nós
também concebemos, afinal de contas, como o essencial na dialética de Sócrates: produzir
a infinita conseqüência interna do ideal (det Ideelles uendelige Conseqvents i sig). O que,
por outro lado, falta em Schleiermacher, embora até certo ponto não seja razoável exigir
205
isto dele, dado que ele mesmo limitou a sua tarefa, é a consciência da significação de
Sócrates como personalidade. Nesta perspectiva então Baur, naquele escrito tantas vezes
citado, tem grandes méritos, e toda a consideração de que a semelhança entre Sócrates e
Cristo deva ser buscada em primeiro lugar no valor que ambos tinham enquanto persona-
lidades, é uma consideração muito fecunda. Só que é importante agora reter a infinita
desigualdade que ainda resta dentro daquela igualdade. Que a ironia então seja uma
determinação da personalidade, é algo que eu já recordei muitas vezes nas páginas
anteriores. Com efeito, ela tem aquele voltar-se para si mesmo que é o característico de
uma personalidade, que procura retornar a si mesma, e encerra-se em si mesma. Só que
a ironia neste movimento retorna a si com mãos vazias. Sua relação com o mundo não
consiste em que esta relação seja um momento no conteúdo da personalidade, sua relação
com o mundo consiste em que a cada instante não há uma relação com o mundo, sua
relação consiste em que, no momento em que a relação deve iniciar, retira-se afastando-se
dele com uma avareza cética; mas esta avareza é o reflexo da personalidade em si mesma,
que certamente é abstrato e sem conteúdo. A personalidade irônica é por isso propriamente
apenas o esboço de uma personalidade. Nesta medida vê-se que há uma absoluta
desigualdade entre Sócrates e Cristo; pois em Cristo residia imediatamente a plenitude da
divindade e sua relação com o mundo é uma absolutamente real, de modo que a comunidade
tem consciência de ser os membros de seu corpo.
154) Aristófanes constitui uma exceção; veremos isto depois.
155) Por ocasião deste diálogo ele faz uma observação bem geral, p. 69: “Assim
deste jeito terminam uma porção de diálogos xenofônticos e platônicos, e eles nos deixam
com respeito ao resultado (conteúdo) bastante insatisfeitos. Assim, o Lísis: O que propor-
cionam o amor e a amizade entre os homens? E assim a República é iniciada com a
investigação sobre o que seria o justo. Esta confusão tem então o efeito de levar a meditar,
e esta é a meta de Sócrates. Este lado meramente negativo é o principal.”
156) Aqui Hegel faz, com o predicado “mais propriamente socráticos” uma
diferenciação nos diálogos, porém sem indicar mais de perto se ele está ou não satisfeito
com os esforços da filologia.
157) Quando ele chama esta dialética de “a propriamente platônica”, ele estabelece
assim uma oposição a uma outra dialética que não é tão propriamente platônica.
158) Costuma-se apresentar Sócrates como um modelo de virtude, também Hegel
mantém esta visão e observa, p. 55: “Sócrates era um modelo de virtudes morais: sabedoria,
modéstia, moderação, temperança, justiça, coragem, firmeza, firme retidão frente a tiranos
e povo, estranho à cobiça e à ambição.” Isto pode estar certo, mas já o predicado que
Hegel usa para estas virtudes, “morais”, indica que lhes faltava a profunda seriedade, que
qualquer virtude só adquire quando está ordenada em uma totalidade. Mas dado que o
Estado tinha perdido sua significação para Sócrates, suas virtudes não são virtudes cívicas
mas virtudes pessoais, sim, elas são, se se quiser exprimi-lo com todo o rigor, virtudes
experimentais. O indivíduo (Individet) está livre por cima delas; e se Sócrates está livre
daquela intolerância que seguidamente se manifesta em moralistas rigorosos, e se podemos
dar razão a Hegel em que “não temos de pensar em Sócrates, de jeito nenhum, à moda
da ladainha de virtudes morais” (p. 56), mesmo assim permanece igualmente certo que
todas estas virtudes só têm realidade para o indivíduo como experimento. Ele está livre
acima delas, pode dispensar-se delas quando quiser, e quando não o faz é porque não o
quer, mas o fato de que ele não quer é, por sua vez, porque ele não o quer, isto jamais se
torna para ele uma obrigação mais profunda. E neste sentido se pode muito bem dizer que
não há seriedade no indivíduo quanto a estas virtudes, por mais a sério que ele as tome, a
206
menos que se queira negar que falta seriedade a todo e qualquer exercício arbitrário, o que
não é outra coisa senão sofística no terreno do agir.
159) A proposição de que virtude é saber pode, com respeito a Sócrates, ser
elucidada também de uma outra perspectiva, se a gente se recordar da outra proposição
socrática sobre a qual anteriormente nós já falamos. A proposição de que virtude é saber
contém, com efeito, não apenas, como antes já se mostrou, uma determinação negativa
frente à eticidade ingênua (ubefangne) que na maior inocência não sabe o que faz, mas
também uma caracterização daquela infinita consciência interna do bem, graças à qual
este ultrapassa em seu movimento abstrato todas as determinações da finitude. Isto se vê
ainda mais claramente na proposição de que pecado é ignorância, pois isto implica em que
pecado é inconseqüência. O pecado pára em algum lugar, esquiva-se, não permanece
nessa infinitude que tem o bem. Na medida que a virtude na determinação do saber se
liberta da eticidade imediata, ela assume uma configuração ideal, que corresponde à
infinitude ideal do bem. Na eticidade substancial a virtude está a cada instante limitada, na
eticidade da idealidade a virtude se sabe integrada na infinitude do bem, sabe-se naquela
infinitude em que o bem se conhece. Mas tudo isto são contudo sempre determinações
abstratas negativas, enquanto a gente ficar apenas com a determinação do saber, mesmo
que se trate da negatividade absoluta infinita. Que pecado seja ignorância e inconseqüência,
é verdadeiro de um ponto de vista metafísico completamente abstrato, que apenas observa
tudo na perspectiva de sua infinita conseqüência interna.
160) Na República de Platão, a dialética corresponde ao bem (assim como o amor
corresponde ao belo). É bem normal, então, que Aristóteles recuse a dialética em Sócrates.
Com efeito, ele carecia da dialética capaz de deixar o oposto subsistir, mas esta é justamente
necessária, se o bem se deve mostrar como o infinitamente positivo.
207
PARTE II
Sobrc o conccito dc ironia
209
210
INTRODUÇÃO
O quo dovo constltulr proprlomonto o objoto dosto porto do
lnvostlgoçoo jo lol dodo, otó corto ponto, no porto ontorlor, no
modldo quo oll, sob o lormo do contomploçoo, um ospocto do
concolto jo so tornou vlsivol. Por lsso, no prlmolro porto do dlssorto-
çoo ou noo tonto prossupus o concolto do lronlo, quonto o dolxol
surglr, oslorçondo-mo por orlontor-mo no torrono do lonómono.
Com lsso, oncontrol umo grondozo dosconhocldo, um ponto Je oìstu
quo so mostrou como oquolo quo tom do tor sldo o curucteristìco Je
5ocrutes. Chomol osto ponto do vlsto do lronlo; contudo, o nomo
quo so lho do ó, no prlmolro porto do dlssortoçoo, o monos lmpor-
tonto: o prlnclpol ó quo nonhum momonto, nonhum troço tonho
possodo dosporcobldo, bom como quo todos os momontos, todos
os troços so tonhom lntogrodo om umo totolldodo. 5e este ponto Je
oìstu é reulmente ìronìu, so ogoro dovo sor docldldo, consldorondo
quo ou chogorol, no dosonvolvlmonto do concolto, tombóm òquolo
momonto, no quul Socrotos Jeoe enquuJrur-se, so ó quo o sou ponto
do vlsto oro om vordodo lronlo. Entrotonto, osslm como no prlmolro
porto do dlssortoçoo ou so mo ocupol com Socrotos, osslm tombóm
so mostroro no dosonvolvlmonto do concolto om quo sontldo Socro-
tos ó um momonto do dosonvolvlmonto do concolto, om outros
polovros, mostror-so-o so nolo o concolto do lronlo se esgotou
ubsolutumente, ou so ndo lú outrus lormos do oporlçoo do lonómo-
no, quo dovomos lguolmonto lovor om consldoroçoo, ontos do
podormos dlzor quo o concolto osto sullclontomonto comproondldo
(opjuttet). Enquonto, pols, no prlmolro porto do dlssortoçoo o con-
colto polrovo sompro no sogundo plono, com um lmpulso constonto
211
poro ossumlr umo conllguroçoo no lonómono, nosto sogundo porto
do dlssortoçoo o oporlçoo lonomonol do concolto, como umo cons-
tonto posslbllldodo do hobltor ontro nos, vol ocomponhor o doson-
volvlmonto. Essos dols momontos soo lnsoporovols; pols coso o
concolto noo ostlvosso no lonómono, ou, mols corrotomonto, coso o
lonómono noo so tornosso comproonsivol, rool, oponos om o com o
concolto, o lnvorsomonto coso o lonómono noo ostlvosso no concol-
to, ou, mols corrotomonto, o concolto noo so tornosso comproonsivol,
rool, o noo sor om o com o lonómono, ontoo todo conhoclmonto
sorlo lmpossivol, no modldo quo ou corocorlo, no prlmolro coso, do
vordodo o no sogundo, do roolldodo. So o lronlo ó pols umo
dotormlnoçoo do subjotlvldodo, ontoo voromos om soguldo u neces-
sìJuJe do Juus jormus Je upurìçdo dosto concolto; o o roolldodo
ojuntou um nomo o ombos. A prlmolro lormo ó noturolmonto oquolo
no quol u subjetìoìJuJe pelu prìmeìru oez loz volor sou dlrolto no
hlstorlo unlvorsol. Aqul tomos Socrotos, quor dlzor, com lsso nos ó
osslnolodo ondo tomos do procuror o concolto om suo oporlçoo
hlstorlco. Quondo, poróm, o subjotlvldodo so onunclou no mundo,
noo voltou o dosoporocor som dolxor vostiglo, o mundo noo rocolu
no lormo ontorlor do dosonvolvlmonto, multo polo controrlo, o
ontlgo dosoporocou o tudo so tornou novo. So dorovonto dovo sor
possivol quo so mostro umo novo lormo do oporlçoo do lronlo, lsso
tom do ocontocor do monolro quo o subjotlvldodo so loço volor om
umo lormo olndo mols olto. Tom do oxlstlr umu segunJu potêncìu
Ju subjetìoìJuJe, umo subjotlvldodo do subjotlvldodo, corrospon-
donto ò rolloxoo do rolloxoo. Com lsso ostomos novomonto orlonto-
dos hl st orl comonto, somos com olol to roportodos oo
dosonvolvlmonto quo o lllosollo modorno oxporlmontou om Kont o
quo so complotou om Flchto, o olndo mols proxlmomonto oos pontos
do vlsto quo opos Flchto llzorom volor o subjotlvldodo olovodo ò
sogundo potônclo. Quo lsto ó do loto o coso, tombóm o mostro o
roolldodo, pols oqul nos nos doporomos novomonto com o lronlo.
Mos como osto ponto do vlsto ó umo consclônclo subjotlvo potonclo-
do, soguo-so quo osto tomo consclônclo do lronlo nitldo o dotorml-
nodomonto, o quo olo docloro oxpllcltomonto o lronlo como sou
ponto do vlsto. lsso ocontocou ontoo tombóm om Fr. Schlogol, quo
procurou lozor volor o lronlo om roloçoo ò roolldodo, om Tlock, quo
procurou lozô-lo volor no pooslo, om Solgor, quo tomou consclônclo
dolo ostótlco o lllosollcomonto. Flnolmonto o lronlo tombóm oncon-
trou oqul o sou mostro om Hogol. Enquonto o prlmolro lormo do
lronlo noo lol combotldo, mos uculmuJu por so ter jeìto justìçu ò
subjotlvldodo, o sogundo lormo do lronlo lol combotldo o unìquìluJu
212
pols, como oro lnjustlllcodo, so so podlo juzer justìçu u elu suporon-
do-o.
So com ossos obsorvoçoos so osto ogoro sullclontomonto orlon-
todo o rospolto do hlstorlo dosto concolto, do monolro olgumo lsto
slgnlllco ollrmor quo umo concopçoo dosto concolto, onquonto olo
busco guorldo o opolo nos dosonvolvlmontos mols ontlgos, noo
ostojo llgodo o dlllculdodos. No modldo quo buscomos, com ololto,
um comploto o cooronto Jesenooloìmento Jeste conceìto, logo nos
convoncomos do quo olo tom umo hlstorlo curloso, ou, mols corro-
tomonto, noo tom nenlumu lìstorìu. No poriodo postorlor o Flchto,
quondo o concolto lol ospoclolmonto volorlzodo, oncontromo-lo
ropotldomonto nomoodo, ropotldomonto sugorldo o ropotldomonto
prossuposto. So, por outro lodo, buscomos um cloro dosonvolvlmon-
to, procuromos om voo
1
. Solgor so quolxo do quo A.W. v. Schlogol
om suos Lìçoes sobre Arte Drumútìcu e Lìteruturu, ondo dovoriomos
osporor, mols do quo om quolquor outro lugor, oscloroclmonto
sullclonto, ovoco o lronlo so do monolro lugoz numo unlco possogom.
Hogol
2
so quolxo do quo o mosmo ocontoco com Solgor o quo Tlock
noo so sol molhor. E jo quo todos so quolxom, por quo ou noo dovorlo
mo quolxor tombóm¹ Eu mo quolxo do quo com Hogol ocontocou
o controrlo. Em todos os sous slstomos, o codo possogom ondo
podoriomos osporor vor o lronlo dosonvolvldo, vômo-lo oponos
monclonodo; o olndo quo tonhomos do concodor quo noo sorlo
pouco o quo Hogol dlsso sobro o lronlo, coso qulsóssomos tronscrovor
tudo, om um outro sontldo tombóm noo lol multo: pols om todos os
possogons dlz mols ou monos o mosmo colso. Acrosconto-so o lsto o
loto do quo olo dlrlgo o sou otoquo contro noçoos lroquontomonto
dllorontos quo so llgorom o osto polovro, o o consoquônclo dlsso soro
quo, como o llnguogom noo ó constonto, suo polômlco nom sompro
ó complotomonto cloro. Noo obstonto, longo do mlm podor quolxor-
mo do Hogol no mosmo sontldo om quo Hogol so quolxo do sous
prodocossoros. Encontrom-so oxcolontos obsorvoçoos ospoclolmonto
no sou Comentúrìos Jos Escrìtos Postumos Je 5olger, quo so ochom
no volumo 16 (Jub. Ausg. XX) dos obros complotos do Hogol. E
olndo quo o oxposlçoo o o doscrlçoo dos pontos do vlsto nogotlvos
(pols quonto o ossos so opllco, ospoclolmonto poro o doscrlçoo, o
rogro: loquere ut oìJeum te - lolo, poro quo ou to vojo) nom sompro
sojom too oxoustlvos, too cholos do contoudo como podoriomos
dosojor, Hogol sobo multo bom domlno-los, o nosto modldo toromos
umo contrlbulçoo poro o doscrlçoo, do monolro modloto, no posltl-
vldodo quo olo loz volor. Enquonto os lrmoos Schlogol o Tlock
tlvorom o suo molor lmportônclo groços ò polômlco com o quol olos
213
onlqullorom um dosonvolvlmonto ontorlor, o onquonto oxotomonto
por osto motlvo o ponto do vlsto dolos llcou um tonto dlsporso,
porquo olos noo voncorom o botolho prlnclpol o slm umo multlpllcl-
dodo do poquonos ombotos, Hogol, polo controrlo, tom umo lmpor-
tônclo obsoluto por tor voncldo om suo vlsoo do conjunto posltlvo o
polômlco roslstônclo, quo, tol como o vlrglndodo do rolnho Brunlldo,
nocossltovo do um homom loro do comum, um moço como Slog-
lrlod, poro sor submotldo. Tombóm om Joon Poul so lolo do lronlo
lroquontomonto, o om suo Estétìcu so oncontro um ou outro dodo,
contudo som outorldodo lllosollco ou outontlcomonto ostótlco. Como
ostoto, olo mols lolo o portlr do umo oxporlônclo ortistlco rlco, do quo
proprlomonto lundomonto o sou ponto do vlsto ostótlco. Poro olo,
lronlo, humor o coprlcho (Luno) soo como quo dllorontos llnguogons,
o o suo doscrlçoo so llmlto o oxprossor o mosmo ponsomonto
lronlcomonto, humorlstlcomonto, no llnguogom do humor coprlcho-
so, osslm como Fr. Boodor, dopols do tor lolto umo oxposlçoo sobro
olgumos proposlçoos mistlcos, òs vozos troduz osto mosmo oxposlçoo
poro o llnguogom mistlco.
Mos dodo quo too lroquontomonto o concolto do lronlo roco-
bou umo slgnlllcoçoo dlvorso, lmporto quo noo nos utlllzomos dolo,
clontomonto ou noo, do monolro totolmonto orbltrorlo, ó lmportonto
quo, rocorrondo ò llnguogom unlvorsol, obsorvomos quo os dlloron-
tos slgnlllcoçoos ossumldos polo concolto oo longo do tompo so
subordlnom todos o olo.
OBSERVAÇÕES ORIENTADORAS
Ero umo voz umo ópoco, o olo noo osto too longo, om quo
tombóm oqul so podlo lozor sucosso com um bocuJìnlo Je ìronìu,
quo componsovo todos os locunos om outros ospoctos, lovoroclo
olguóm com honrorlos o lho dovo o roputoçoo do sor culto, do
comproondor o vldo o o coroctorlzovo onto os lnlclodos como
mombro do umo vosto lronco-moçonorlo osplrltuol. Alndo nos do-
poromos do voz om quondo com um ou outro roprosontonto dosto
mundo dosoporocldo, quo consorvo osto llno sorrlso, slgnlllcotlvo,
omblguomonto rovolodor do tonto colso, osto tom do cortosoo ospl-
rltuol, com o quol olo loz jortunu om suo juvontudo o sobro o quol
construlu todo o sou luturo, no osporonço do tor voncldo o mundo.
Mos oh! lol umo docopçoo! Em voo procuro sou olhor oxplorodor
por umo olmo lrmo, o coso o ópoco do sou osplondor noo ostlvosso
olndo lrosco no momorlo do um ou do outro, suos corotos pormono-
corlom um onlgmotlco hloroglllo poro umo ópoco no quol olo vlvo
214
como hospodo o ostrongolro. Pols nosso tompo oxlgo mols, oxlgo so
noo um putlos olovodo, polo monos oltlssononto, so noo ospoculo-
çoo, polo monos rosultodos; quondo noo vordodo, polo monos
convlcçoo, quondo noo slncorldodo, polo monos protostos do slnco-
rldodo; o no lolto do sonslbllldodo, polo monos dlscursos lntormlno-
vols o rospolto dosto. Por lsso nosso tompo cunho umo ospóclo bom
dlloronto do rostos prlvlloglodos. Noo pormlto quo o boco so locho
obstlnodo, ou quo o loblo suporlor tromo com or trovosso, olo oxlgo
quo o boco llquo oborto; pols como podoriomos lmoglnor um
vordodolro o outôntlco potrloto, sonoo dlscursondo, o rosto dogmo-
tlco do um ponsodor prolundo, sonoo com umo boco quo losso copoz
do ongollr o mundo todo; como nos podoriomos roprosontor um
vlrtuoso do coploso polovro vlvonto, sonoo com o boco osconcorodo¹
Elo noo pormlto quo poromos qulotos o nos oprolundomos; ondor
dovogor jo dosporto suspolto; o como nos podoriomos contontor com
lsso no lnstonto movlmontodo om quo vlvomos, noo ópoco pronho
do dostlno, quo, como todos roconhocom, osto grovldo do oxtroor-
dlnorlo¹ Nosso tompo odolo o lsolomonto, o como suportorlo quo
um homom chogosso ò ldólo dososporodo do ondor sozlnho otrovós
do vldo, osso nosso tompo, quo do moos o broços dodos (como
mombros vlojontos dos corporoçoos do oliclo o soldodos rosos), vlvo
poro o ldólo do comunldodo¹
3
Mos so ocoso o lronlo osto longo do sor um slnol ospocillco do
nosso ópoco, doi noo so soguo Je muneìru ulgumu quo o lronlo tonho
JesupurecìJo totulmente. Do mosmo lormo, o nosso tompo tombóm
noo ó umo ópoco do duvldo, omboro multos oxprossoos do duvldo
tonhom rostodo, nos quols, por osslm dlzor, podomos ostudor o
duvldo, so bom quo pormonoco umo dlloronço quolltotlvo ontro umo
duvldo ospoculotlvo o umo duvldo vulgor sobro lsto ou oqullo. Asslm,
ocorro no dlscurso rotorlco lroquontomonto umo llguro quo troz o
nomo do lronlo; o cujo coroctoristlco osto om so dlzor o controrlo do
quo so ponso. Ai jo tomos ontoo umo dollnlçoo quo porcorro todo
lronlo, ou sojo, quo o jenomeno ndo é u essêncìu, e sìm o contrúrìo
do ossônclo. No modldo quo ou lolo, o ponsomonto, o sontldo
montol, ó o ossônclo, o polovro ó o lonómono. Estos dols momontos
soo obsolutomonto nocossorlos, o ó nosto sontldo quo Plotoo obsor-
vou quo todo ponsor ó um lolor. A vordodo oxlgo ontoo o ldontldodo;
pols so ou tlvosso o ponsomonto som o polovro, noo torlo o ponso-
monto, o so ou tlvosso o polovro som o ponsomonto, tombóm noo
torlo o polovro, osslm como noo so podo dlzor dos crlonços o dos
loucos quo olos lolom. So ou olho dopols poro o sujolto lolonto, mols
umo voz ou tonho umo dotormlnoçoo comum o todo lronlo, ou sojo,
215
o sujeìto é negutìoumente lìore. Quondo oo lolor ou tomo consclônclo
do quo o quo ó dlto por mlm ó mlnho oplnloo o quo o onunclodo ó
umo oxprossoo odoquodo do mlnho oplnloo, o quondo ou prossu-
ponho quo oquolo poro quom ou lolo tom no onunclodo o mlnho
oplnloo totol, ontoo ou ostou omorrodo polo onunclodo, lsto ó, ou
ostou nolo posltlvomonto llvro. Aqul cobo o ontlgo vorso: semel
emìssum oolut ìrreoocubìle oerbum (too logo pronunclodo, o polovro
voo lrrovogovolmonto). Tombóm com rolorônclo o mlm mosmo ou
ostou llgodo, o noo mo posso soltor o codo lnstonto quo ou quolro.
Quondo, oo controrlo, o onunclodo noo corrospondo ò mlnho
oplnloo, ou ostou llvro om roloçoo oos outros o o mlm mosmo.
A jìguru Je lìnguugem ìronìcu superu lmodlotomonto u sì
mesmu, no modldo quo o orodor prossupoo quo os ouvlntos o
comproondom, o dosto modo, otrovós do umo nogoçoo do lonómo-
no lmodloto, o ossônclo ocobo ldontlllcondo-so com o lonómono. So
òs vozos ocorro quo um tol dlscurso lrónlco vom o sor mol comproon-
dldo, lsto noo ó culpo do lolonto, o noo sor no modldo quo olo lol so
motor com um potroo too mollcloso como o lronlo, quo tonto gosto
do progor poços oos sous omlgos como oos sous lnlmlgos. Costumo-
so dlzor do umo tol orlontoçoo lrónlco do dlscurso: Noo ho sorlododo
nosto sorlododo. A oxprossoo ó too sórlo quo couso horror, mos o
ouvlnto oxporlonto osto lnlclodo no mlstórlo quo so oscondo por
dotros. Mos com lsso o lronlo osto novomonto suporodo. A lormo
mols corronto do lronlo conslsto om dlzormos num tom sórlo o quo
contudo noo ó ponsodo sorlomonto. A outro lormo, om quo o gonto
brlncondo dlz om tom do brlncodolro olgo quo so ponso o sórlo,
ocorro roromonto
4
. Mos, como jo lol dlto, o llguro do llnguogom
lrónlco so onulo o sl mosmo, pols ó como um onlgmo poro o quol
tomos no mosmo lnstonto o soluçoo. As vozos o llguro do llnguogom
lrónlco tom umo proprlododo quo tombóm ó coroctoristlco poro todo
lronlo, umu certu nobrezu, quo provóm do loto do quo olo gostorlo
do sor comproondldo, mos noo dlrotomonto, o tol nobrozo loz com
quo osto llguro olho como quo do clmo poro bolxo o dlscurso slmplos
quo codo um podo comproondor som dlllculdodos; olo como quo
vlojo no corruogom nobro do lncognlto o dosto poslçoo olovodo olho
com dosdóm poro o dlscurso podostro comum. No comunlcoçoo
cotldlono, o llguro do llnguogom lrónlco oporoco prlnclpolmonto nos
clossos olovodos, como umo prorrogotlvo quo loz porto, junto com
outros cotogorlos somolhontos, do bonton (bom-tom), o quol oxlgo
quo so sorrlo do lnocônclo o so consldoro o vlrtudo olgo do bltolodo,
olndo quo so ocrodlto nolo otó um corto ponto.
216
No modldo ontoo quo os circulos mols olovodos (lsso com-
proondldo noturolmonto no sontldo do umo hlororqulo osplrltuol)
lolom osslm do monolro lrónlco, como os rols o os nobros lolom
lroncôs poro quo o povo lolgo noo comproondo, nosto modldo, o
lronlo osto om vlos do se ìsolur; olo noo gostorlo do sor comproondldo
polo comum dos mortols. Por consogulnto, uquì u ìronìu ndo se unulu
u sì mesmu. Constltul oponos umo lormo subordlnodo do voldodo
lrónlco o dosojor tor tostomunhos poro ostor bom corto o soguro do
sl; o lguolmonto ó oponos umo slmplos lnconsoquônclo, quo o lronlo
tom om comum com todos os pontos do vlsto nogotlvos - quo olo,
quo por dollnlçoo procuro o lsolomonto, tonto constltulr umo soclo-
dodo o, lncopoz do so olovor ò ldólo do comunldodo, so roollzo om
convonticulos. Mos ho too pouco unldodo comunltorlo numo cllquo
do lrónlcos quonto honostldodo num Estodo do lodroos. Dolxomos,
poróm, do loro osto lodo, polo quol o lronlo so obro poro os
consplrodoros o o consldoromos no suo roloçoo com os noo-lnlclo-
dos, no suo roloçoo poro com oquolos contro os quols o suo polômlco
so dlrlgo, no suo roloçoo poro com o oxlstônclo, quo ó concobldo por
olo lronlcomonto: oi olo costumo so monllostor Je Juus muneìrus. Ou
o lrónlco so ìJentìjìcu com o dosordom quo olo quor combotor, ou
olo ossumo lronto o osso umo reluçdo Je oposìçdo, mos noturolmon-
to, sompro do tol modo quo ostojo consclonto do quo o oporônclo
dolo ó o controrlo doqullo om quo olo so opolo, o quo soborolo osso
lnodoquoçoo.
Em roloçoo o um sobor tolomonto protonsloso, quo sobo tudo
do tudo, ó lronlcomonto corroto entrur no jogo, sor orrostodo por
todo osto sobodorlo, oxclto-lo com oplousos do jubllo poro quo osto
so olovo codo voz mols, numo loucuro codo voz mols olto, dosdo quo
oi so pormonoço consclonto do quo tudo oqullo ó vozlo o som
contoudo. Dlonto do um ontuslosmo lnsipldo o lnopto, ó lronlcomon-
to corroto ultrupussú-lo olndo num oplouso oltlssononto o numo
louvoçoo quo subo oos cóus, omboro o lrónlco ostojo consclonto do
quo osto ontuslosmo ó o molor tollco do mundo. E quonto mols o
lrónlco tlvor sucosso com o lroudo, quonto molhor ocoltoçoo suo
moodo lolso tlvor, tonto molor soro suo ologrlo. Mos olo soborolo osto
ologrlo sozlnho o tom todo o culdodo poro quo nlnguóm porcobo suo
lmposturo. - Esto ó umo lormo do lronlo quo so ocorro roromonto,
omboro olo sojo too prolundo o locll do sor oxocutodo como oquolo
outro lronlo quo oporoco sob o lormo do umo oposlçoo. Em propor-
çoos monoros, bom quo olo ó vlsto òs vozos opllcodo contro umo
possoo quo osto omooçodo por umo ou outro ldólo llxo; contro umo
possoo quo so lmoglno llndo o, portlculormonto um homom, por
217
oxomplo, closo do suos costolotos; ou contro um outro quo so
ocrodlto osplrltuoso ou quo torlo dlto umo voz umo plodo quo nunco
conso do ropotlr; ou contro umo possoo cujo vldo, por osslm dlzor,
culmlnou num ocontoclmonto unlco, oo quol olo sompro rotorno, o
do quom so consoguo orroncor sompro do novo o norroçoo do
hlstorlo, dosdo quo so solbo prosslonor o botoo corto otc. Em todos
ossos cosos, o ologrlo do lrónlco conslsto oxotomonto om purecer
uprìsìonuJo noquolo mosmo llxoçoo quo montóm o outro proso.
Umo dos moloros ologrlos do lrónlco conslsto om doscobrlr om todo
porto ostos pontos lrocos: o quonto mols proomlnonto ó o possoo om
quom so oncontrom tols troços, tonto mols ologrlo lho do podor
lozô-lo do bobo, tô-lo om sou podor, omboro osto noo so dô conto
dlsso, do modo quo otó umo possoo omlnonto om olguns lnstontos
so torno um lontocho poro o lrónlco, quo o loz donçor como um
titoro, quo olo monojo moxondo os cordoos conlormo dosojo; o ó
curloso quo os pontos lrocos dos possoos, mols do quo sou lodo bom,
so ossomolhom oos ocordos quo podom sor provocodos tocondo do
umo corto monolro; oquolos porocom tor umo nocossldodo noturol
om sl, onquonto nos porturbo tonto quo os lodos bons sojom
submotldos o tontos lnconsoquônclos.
Mos por outro lodo tombóm ó coroctoristlco do lronlo oporocor
no llguro do umo roloçoo do oposlçoo. Dlonto do umo sobodorlo
tronsbordonto, sor too lgnoronto, too tolo, sor too pototo quonto
possivol, o no ontonto oo mosmo tompo mostror tonto vontodo do
oprondor, tonto boo vontodo, quo o dono do vordodo slnto mosmo
umo grondo ologrlo om dolxo-lo dor umo olhodo nos sous vostos
torronos; dlonto do um ontuslosmo sontlmontol, lônguldo, sor sìm-
plorìo Jemuìs poro coptor o subllmo quo ontuslosmo o outro, o
contudo todo tompo mostror umo boo vontodo, quo gostorlo tonto
do coptor o comproondor oqullo quo lho poroco um onlgmo - ostos
soo oxprossoos complotomonto normols do lronlo. E quonto mols o
tollco lrónlco oporocor como um coroçoo conllonto, quonto mols
outôntlco porocor o sou oslorço slncoro o honosto, tonto molor soro
o suo ologrlo. Doi nos vomos quo tonto podo sor lrónlco llnglr sobor
quondo so sobo quo noo so sobo, como llnglr noo sobor quondo so
sobo quo so sobo. - A lronlo podo olndo mostror-so do umo monolro
mols lndlroto otrovós do umo roloçoo do oposlçoo, quondo olo do
prolorônclo òs possoos mols slmplos o mols llmltodos, noo poro
burlor-so dolos, mos slm poro oscornocor dos homons soblos.
Em todos ostos cosos o lronlo so mostro como oquolo quo
comproondo o mundo, quo procuro mlstlllcor o mundo clrcundonto,
noo tonto poro ocultor-so quonto poro juzer os outros se reoelurem.
218
Mos o lronlo tombóm podo so mostror quondo o lrónlco procuro
lovor o munJo cìrcunJunte u julsus pìstus o rospolto dolo mosmo. No
nosso tompo, om quo os roloçoos burguosos o soclols quoso tornom
lmpossivol quolquor lìstorìu secretu Je umor, om quo o cldodo o o
vlzlnhonço quoso sompro proclomorom do olto do pulplto, ontos quo
o postor o tonho lolto, o onloco do lollz cosol; no nosso tompo, om
quo o vldo do soclododo so sontlrlo lrustrodo om um do sous
prlvllóglos prolorldos, so noo tlvosso o podor do unlr nos loços do
omor o oo mosmo tompo rosorvor-so o dlrolto (olo, noo o postor) do
dlzor olgumo colso contro, do modo quo os moxorlcos publlcos ó quo
logltlmom um omor, o osslm umo unloo controido som quo o cldodo
llquo clonto ó quoso consldorodo lnvolldo ou oo monos como um
otontodo oscondoloso oos sous dlroltos, osslm como os ogontos
lunororlos consldorom o sulcidlo umo lormo lnodmlssivol do oscopor
do mundo -, om nosso tompo, ou dlgo, podo multo bom porocor
nocossorlo o olguóm lozor jogo lolso, so noo dosojo quo o cldodo
ossumo o honroso nogoclo do lozor om sou nomo o podldo do
cosomonto, do modo quo olo nodo mols proclso lozor do quo
oporocor com o costumolro coro do nolvo uJ moJum (ò monolro do)
Podor Erlk Modson, com luvos broncos o sogurondo umo docloroçoo
do proprlo punho com um osboço do suos porspoctlvos do luturo,
junto com outros sodutoros lnstrumontos moglcos (som osquocor um
momorondo mul otoncloso) quo so costumo tor ò moo poro o ultlmo
ossolto. So soo ontos clrcunstônclos oxtorloros os quo oxlgom um
corto mlstórlo, ontoo o mlstlllcoçoo opllcodo soro puro o slmplos
Jìssìmuluçdo. Mos quonto mols osto lndlviduo concobo ossos mlstl-
llcoçoos como oplsodlo om suo proprlo hlstorlo do omor, quonto
mols jocoso olo ó om suo ologrlo do otrolr o otonçoo dos outros poro
um ponto complotomonto dlloronto, tonto mols u ìronìu oporoco. O
lrónlco gozo todo o lnllnltudo do omor, o oquolo olorgomonto
lntorlor, quo os outros procurom conllondo sogrodos, olo consoguo
tondo conlldontos do molor conllonço, quo ontrotonto noo sobom
do nodo. Tols mlstlllcoçoos soo, om cortos clrcunstônclos, lnovltovols
tombóm no lìteruturu, ondo somos corcodos òs vozos por umo
multldoo do lotrodos vlgllontos quo doscobrom outoros como o
Crìstìnu Alcooìteìru orronjo bons portldos.
A lronlo oporoco tonto mols quonto monos o quo dotormlno
olguóm o brlncor do oscondor ó umo rozoo oxtorlor (consldoroçoo
do lomillo, rolorônclo o corrolro, pusllonlmldodo otc.); o quonto mols
ó umo corto ìnjìnìtuJe ìnterìor o quo dosporto no oscrltor o dosojo do
montor o suo obro llvro do todo roloçoo llnlto com suo proprlo possoo,
o dosojo do so vor llvro do todos os condolônclos dos componholros
219
do lnlortunlo o do todos os congrotuloçoos do cordlol conlrorlo dos
outoros. Mos so o colso chogor o tol ponto quo oporoço olgum golo
cocorojondo, quo gostorlo lmonsomonto do botor um ovo, o quo so
conslgo lovo-lo o ossumlr o potornldodo lmputodo, molo dosconvor-
sondo o molo rolorçondo o orro dosso gonto, oi o lrónlco osto com
o jogo gonho. E so òs vozos dosojomos, o no nosso tompo olguns
locllmonto podorlom sontlr-so tontodos o lsto, dosplr o hoblto quo
codo um ó obrlgodo o vostlr o corrogor, multo humlldomonto,
sogundo os normos do suo posìçdo socìul o por oxlgônclos do closso,
ou so olguóm dosojo ovontuolmonto, polo monos umo voz, sobor so
tom sobro os condonodos o vontogom do podor oporocor com outros
trojos quo noo os do lnstltulçoo, ontoo oqul tombóm soro nocossorlo
umo corto mlstlllcoçoo. Quonto mols oqullo quo dotormlno olguóm
o umo tol mlstlllcoçoo lor um objotlvo llnlto -, como quondo um
comorclonto vlojo ìncognìto poro lovor odlonto umo boo soluçoo
poro umo ospoculoçoo, ou um rol, poro surproondor lunclonorlos
lozondorlos, ou um ogonto do policlo com o objotlvo do, poro vorlor,
oporocor como um lodroo duronto o nolto, ou um lunclonorlo
suboltorno por modo dos suporloros otc. -, tonto mols o colso so
oproxlmoro puro o slmplosmonto do umo dlsslmuloçoo. Ao contro-
rlo, quonto mols so troto do umo nocossldodo do, voz por outro, sor
um homom o noo sompro o otornomonto um consolholro do chon-
colorlo, quonto mols lnllnltudo poótlco so oncontro oi, quonto molor
ó o orto com o quol o mlstlllcoçoo ó oxocutodo, tonto mols oporoco
o lronlo. E so consoguo dosoncomlnhor complotomonto o publlco,
tolvoz otó sor dotldo como possoo suspolto, ou onvolvldo om lntoros-
sontos hlstorlos do lomillo, oi slm o lrónlco olconço o quo dosojo.
Mos o quo, nostos cosos o om outros somolhontos, oporoco no
lronlo, ó o lìberJuJe subjetìou, quo o codo lnstonto tom om sou podor
u possìbìlìJuJe Je um ìnicìo, o noo so dolxo constrongor por roloçoos
ontorloros. Ho olgo do sodutor om todo lniclo porquo o sujolto olndo
osto llvro, o ó oxotomonto este gozo quo o lrónlco omblclono. A
roolldodo olotlvo pordo om tols lnstontos suo volldodo poro olo, quo
polro llvro sobro olo. A lgrojo Cotollco romono tomou consclônclo
dlsto om olguns pontos dotormlnodos, o por lsso tlnho o hoblto, no
ldodo Módlo, do so olovor om cortos ópocos do ono oclmo do suo
proprlo roolldodo obsoluto o tomor-so o sl mosmo do monolro lrónlco,
como p. ox. no Fosto do Burro, no Fosto dos Folloos, nos Brlncodol-
ros Poscols otc. Umo tol porcopçoo oro o rozoo do llconço concodldo
oos soldodos romonos poro contor sotlros sobro o trlunlodor. Aqul,
o um so tompo, so ostovo consclonto do brllho do vldo o do roolldodo
do glorlo, o, no mosmo lnstonto, lronlcomonto oclmo dolos. lguol-
220
monto so oscondlo, (som nocossldodo mosmo dos sotlros do Luclo-
no,) multo lronlo no vldo dos dlvlndodos grogos, nos quols nom o
roolldodo colostlol oro poupodo polo sopro do vonto cortonto do
lronlo. Too corto como ho multo oxlstônclo quo noo ó roolldodo
olotlvo, o ho olgo no porsonolldodo quo polo monos om cortos
momontos ó lncomonsurovol com o roolldodo olotlvo, osslm tombóm
ó corto quo ho umo vordodo no lronlo. A lsto so ocrosconto olndo o
sogulnto: do monolro como nos tomomos otó ogoro o lronlo, olo lol
comproondldo mols como umo oxprossoo momontônoo; do modo
quo om todos os cosos monclonodos olndo noo podomos lolor do
lronlo puro ou do lronlo como ponto do vlsto. Por outro lodo, quonto
mols so propogo o obsorvoçoo do roloçoo ontro roolldodo olotlvo o
sujolto, quo oqul lol ocoslonolmonto volorlzodo, tonto mols proxlmos
ostoromos do ponto om quo o lronlo so mostro om suo totolldodo
usurpodo.
A concepçdo que um Jìplomutu tem do mundo ó lrónlco sob
multos ospoctos, o o conhocldo lroso do Tollo,rond, quo o homom
odqulrlu o llnguogom noo poro monllostor, mos poro ocultor sous
ponsomontos, contóm umo prolundo lronlo sobro o mundo, o
comblno totolmonto, no porspoctlvo do lntollgônclo politlco, com
umo outro proposlçoo outontlcomonto dlplomotlco, munJus oult
Jecìpì, Jecìpìutur ergo (o mundo quor sor ongonodo, logo, quo sojo
ongonodo). Doi noo so soguo obsolutomonto quo o mundo dlplomo-
tlco consldoro o oxlstônclo lronlcomonto; polo controrlo, olo tom
multos colsos cujo volldodo quor lmpor. - A dlloronço ontro todos
ostos munìjestuçoes Je ìronìu otó oqul monclonodos ó portonto
oponos quontltotlvo, um mols ou monos, onquonto u ìronìu sensu
emìnentìorì (no sontldo mols olovodo, mols proprlo) so dlloronclo
quolltotlvomonto do lronlo otó oqul doscrlto, osslm como o duvldo
ospoculotlvo so dlloronclo quolltotlvomonto do duvldo vulgor o om-
pirlco. A lronlo sensu emìnentìorì noo so dlrlgo contro osto ou oquolo
oxlstonto lndlvlduol, olo so dlrlgo contro todo o roolldodo dodo om
umo corto ópoco o sob cortos condlçoos. Elo comporto, por lsso, umo
oprlorldodo om sl, o noo ó onlqullondo sucosslvomonto um podoço
do roolldodo opos o outro quo olo olconço o suo vlsoo do conjunto
(Totol-Anskuolso) mos slm, ó por lorço dosto vlsoo do totolldodo quo
olo lovo o cobo suo dostrulçoo no lntorlor do lndlvlduol. Noo ó osto
ou oquolo lonómono, mos ó o totolldodo do oxlstônclo quo ó
obsorvodo sub specìe ìronìue (sob o cotogorlo do lronlo). Vomos
osslm o justozo do donomlnoçoo hogollono do lronlo como negutìoì-
JuJe ìnjìnìtu ubsolutu.
221
Antos do possormos poro umo onollso mols proxlmo o mols
dotolhodo, poroco corroto quo nos orlontomos no rogloo concoltuol
ondo hoblto o lronlo. Proclsomos, poro osto llnolldodo, dlstlngulr o
quo so podorlo chomor umo ìronìu executìou
5
do umo ìronìu con-
templutìou.
Obsorvomos prlmolromonto o quo ousomos chomor lronlo
executìou. No modldo quo o lronlo loz volor o roloçoo do oposlçoo
om todos os suos dllorontos nuonços, podorlo porocor quo o lronlo
so ldontlllco com Jìssìmuluçdo
6
. Em gorol so costumo, por quostoo
do brovldodo, troduzlr lronlo por dlsslmuloçoo ou llnglmonto. Mos
dlsslmuloçoo donoto mols o oto objotlvo quo lovo o cobo o dosocordo
ontro ossônclo o lonómono; lronlo donoto, olóm dlsso, o gozo
subjotlvo, no modldo quo no lronlo o sujolto so llborto do vlnculoçoo
ò quol osto proso polo contlnuldodo dos condlçoos do vldo; osslm so
podo dlzor do lrónlco quo olo so llboro. Acrosconto-so o lsso quo o
dlsslmuloçoo (ou llnglmonto), so o colocomos om roloçoo com o
sujolto, tom umo lntonçoo, mos osto lntonçoo ó um objotlvo oxtorlor,
ostronho ò dlsslmuloçoo mosmo; o lronlo, oo controrlo, noo tom
nonhumo lntonçoo, sou objotlvo ó lmononto o olo mosmo ó umo
lntonçoo motolislco. A lntonçoo noo ó nodo mols do quo o proprlo
lronlo. Quondo o lrónlco so oprosonto como dlloronto do quo olo
roolmonto ó, oi podorlo docorto porocor quo suo lntonçoo sojo lovor
os outros o ocrodltorom nlsso; contudo, suo lntonçoo ó proprlomonto
o sontlr-so llvro, mos lsto olo ó oxotomonto por lorço do lronlo, o
osslm, o lronlo noo tom outro llnolldodo ou lntonçoo, mos ó llm om
sl. Vomos pols locllmonto quo o lronlo so dlloronclo do josultlsmo,
no quol o sujolto osto por corto llvro no oscolho dos molos poro otlnglr
suo lntonçoo, mos do monolro olgumo osto llvro no sontldo do lronlo,
no quol o sujolto noo tom umo lntonçoo.
No modldo quo ó ossonclol ò lronlo tor um oxtorlor oposto oo
lntorlor, podorlo porocor quo olo so ldontlllco com o lìpocrìsìu. Em
dlnomorquôs, òs vozos so troduzlu lronlo tombóm por Skolkogtlghod
(plcordlo, plrroço, trovossuro, som-vorgonhlco), o o um hlpocrlto so
costumo chomor ølonskolk (lmpostor, mollcloso). Mos o hlpocrlslo
portonco proprlomonto oo torrono morul. O hlpocrlto so oslorço
constontomonto poro porocor bom, omboro sojo mou. A lronlo, polo
controrlo, sltuo-so num torrono motolislco, o oo lrónlco so lntorosso
porocor dlloronto do quo ó roolmonto; do modo quo, osslm como o
lrónlco oscondo suo brlncodolro no sorlododo, suo sorlododo no
brlncodolro (mols ou monos como os ruidos do noturozo no Colloo),
osslm tombóm podo ocorror-lho o ldólo do porocor mou, omboro sojo
222
bom. So quo tomos do lombror quo os dotormlnoçoos morols soo, o
rlgor, domoslodo concrotos poro o lronlo.
Contudo, o lronlo tombóm tom umo loco toorlco ou contem-
plutìou. So o consldorormos como um momonto subordlnodo, ontoo
o lronlo ó, som duvldo, o vlsoo cortolro poro o torto, o lolso, o voldoso
no oxlstônclo. No modldo quo olo ó copoz do coptor tols colsos,
podorlo porocor quo lronlo so ldontlllco com oscornlo, sotlro, sorcos-
mo otc. E cloro quo olo tom umo somolhonço com lsso, no modldo
quo olo tombóm vô o lodo voldoso; mos quondo olo quor oprosontor
suo obsorvoçoo, olo so dlstlnguo, pols noo onulo oqullo quo ó voldoso
(voo), noo so comporto lronto o lsto como o justlço punltlvo om
roloçoo oo viclo, noo tom om sl olgo do roconclllodor como o cómlco
(Jet Comìske), mos ontos otó rejorçu o voldoso om suo voldodo,
torno o louco olndo mols louco. E lsso o quo so podorlo chomor o
tontotlvo do lronlo poro modlor os momontos dlscrotos, noo om umo
unldodo suporlor, o slm om umo loucuro suporlor.
Consldorondo o lronlo no modldo quo olo so volto contru toJu
u exìstêncìu, oi olo tombóm so ogorro ò oposlçoo ontro ossônclo o
lonómono, ontro o lntorlor o o oxtorlor. Podorlo ontoo porocor quo
olo onquonto nogotlvldodo obsoluto so ldontlllco com o JuoìJu. Mos,
om porto, dovo-so lombror quo duvldo ó umo dotormlnoçoo do
concolto, o lronlo um sor-poro-sl Ju subjetìoìJuJe; om porto, quo o
lronlo ossonclolmonto ó prútìcu, o quo olo so ó toorlco poro novo-
monto sor protlco, ou, com outros polovros, quo o lronlo noo so ocupo
com o colso o slm conslgo mosmo. Por lsso, quondo o lronlo suspolto
do quo por tros do lonómono tom do oscondor-so olgo do dlloronto
doqullo quo osto no lonómono, o culdodo do lronlo ó sompro quo o
sujolto so slnto llvro, do modo quo o lonómono noo odqulro roolldodo
poro o sujolto. O movlmonto ó por lsso totolmonto lnvorso. No
duvldo, o sujolto quor constontomonto lr oo objoto, o o sou lnlortunlo
osto om quo o objoto logo constontomonto dlonto dolo. No lronlo, o
sujolto quor constontomonto olostor-so do objoto, o quo olo consoguo
oo tomor consclônclo o codo lnstonto do quo o objoto noo tom
nonhumo roolldodo. No duvldo, o sujolto ó tostomunho do umo
guorro do conqulsto, no quol codo lonómono ó onlqullodo porquo o
ossônclo tom do ostor mols otros. No lronlo, o sujolto boto om rotlrodo
constontomonto, contosto o roolldodo do todo o quolquor lonómono,
poro solvor o sl proprlo, no lndopondônclo nogotlvo om roloçoo o
tudo.
Enllm, no modldo quo o lronlo so montóm consclonto do quo
o oxlstônclo noo tom nonhumo roolldodo, o pronunclo o mosmo
223
proposlçoo do ônlmo plodoso, oi podorlo porocor quo o lronlo sojo
umo ospóclo do Jeooçdo (plododo). Tombóm no dovoçoo, o rooll-
dodo lnlorlor, so posso chomo-lo osslm, lsto ó, os roloçoos ou
condlçoos do mundo, pordo o suo volldodo; mos lsto so ocontoco,
ontrotonto, no modldo quo os reluçoes com Deus ollrmom no mosmo
lnstonto suo roolldodo obsoluto. O ônlmo dovoto dlz tombóm quo
tudo ó voldodo, mos lsto so ocontoco no modldo quo otrovós dosto
nogoçoo tudo o quo rotóm o porturbo ó posto do lodo o o otorno-
monto subslstonto vom poro o contro. Alóm dlsso, o ônlmo dovoto,
quondo dlz quo tudo ó voldodo, noo loz oxcoçoo com o proprlo
possoo, noo do lmportônclo o olo, mos polo controrlo olo tombóm
tom do sor posto do lodo poro quo o Dlvlno noo sojo olostodo por
suo roslstônclo, o slm so dorromo sobro osto ônlmo quo so obro
dovotomonto. Slm, nos mols prolundos oscrltos do odlllcoçoo nos
vomos quo o ônlmo plodoso consldoro o suo proprlo porsonolldodo
llnlto como o mols mlsorovol do todos. Ao controrlo, no lronlo,
quondo tudo so torno voldodo, o subjotlvldodo so llborto. Quonto
mols tudo so torno voo (voldodo, voculdodo), quonto mols vozlo do
contoudo, tonto mols volotll so torno o subjotlvldodo. E onquonto
tudo so torno voldodo, o sujolto lrónlco ndo so torno voldodo puru sì
mesmo, mos slm llborto suo proprlo voldodo. Poro o lronlo, tudo so
torno nodo; mos o nodo podo sor tomodo do vorlos monolros. O
nodo ospoculotlvo ó o ovonosconto o codo lnstonto dlonto do con-
croçoo, dodo quo olo proprlo ó o lmpulso do concroto, ó o nìsus
jormutìous (oslorço crlodor) do concroto; o nodo mistlco ó o nodo
poro o roprosontoçoo, um nodo quo contudo ó too rlco do contoudo
o como o sllônclo do nolto tom voz poro oquolo quo tom ouvldos
poro ouvlr; o nodo lrónlco, llnolmonto, ó o qulotudo do morto, no
quol o lronlo rooporoco como lontosmo (tomo-so o ultlmo oxprossoo
com todo o suo omblguldodo).
A VALIDADE HISTÓRICO-UNIVERSAL DA IRONIA, A
IRONIA DE SÓCRATES
Rotornomos, poróm, ò coroctorlzoçoo gorol do lronlo, dodo
ontorlormonto, o osslm com lsso llco sullclontomonto lndlcodo quo
o lronlo jo noo so volto poro osto ou oquolo lonómono lndlvlduol,
contro um oxlstonto lndlvlduol, o slm quo toJu u exìstêncìu so tornou
ostronho oo sujolto lrónlco o osto por suo voz so torno ostronho ò
oxlstônclo, quo o proprlo sujolto lrónlco, no modldo quo u reulìJuJe
pordou suo volldodo poro olo, otó um corto ponto (tombóm) so
tornou lrrool. A polovro ¨roolldodo¨ proclso contudo sor tomodo oqul
224
prlmolromonto no sontldo do roolldodo hlstorlco, quor dlzor, o
roolldodo dodo o umo corto ópoco sob cortos condlçoos. Com ololto,
om porto osto polovro podo sor tomodo num sontldo motolislco,
osslm, p. ox., quondo so ostudo o problomo motolislco do roloçoo
do ldólo com o roolldodo, som quo so quostlono osto ou oquolo
roolldodo o slm o concroçoo do ldólo; om porto o polovro roolldodo
podo sor usodo o rospolto do ldólo roollzodo hlstorlcomonto. Esto
roolldodo nomoodo por ultlmo ó ontoo om dllorontos ópocos sompro
umo outro. Com lsso noo so dovo do monolro nonhumo ochor quo
o roolldodo hlstorlco no somo totol do oxlstônclo noo torlo um otorno
noxo om sl mosmo, poróm, poro os goroçoos soporodos por tompo
o ospoço, o roolldodo dodo ó sompro dlloronto. Emboro o ospirlto do
mundo ostojo sompro om sl mosmo om todo o quolquor dosonvol-
vlmonto, o mosmo noo so do com o humonldodo o umo corto ópoco
o com os lndlviduos dodos o umo corto ópoco. A ossos so oprosonto
umo roolldodo dodo, o noo osto om podor dolos rocuso-lo; pols o
dosonvolvlmonto do mundo conduz oquolo quo quor ocomponho-
lo, o orrosto conslgo oquolo quo so rocuso. Mos no modldo quo o
ldólo ó concroto om sl, ó-lho nocossorlo constontomonto vlr o sor o
quo olo ó, l.ó, - tornor-so concroto. Mos lsto olo so podo tornor-so
otrovós do goroçoo o dos lndlviduos.
Aqul so mostro umo contruJìçdo, polo quol ovonço o Jesen-
ooloìmento Jo munJo. A roolldodo dodo o umo corto ópoco ó o
volldo poro o goroçoo o os lndlviduos no goroçoo, o contudo, so noo
qulsormos dlzor quo todo dosonvolvlmonto ocobou, ó proclso quo
osto roolldodo sojo dosolojodo por umo outro roolldodo, o lsso tom
do ocontocor otrovós do o com os lndlviduos o o goroçoo. Asslm,
poro o goroçoo contomporônoo do Rolormo, o cotollclsmo oro o
roolldodo dodo; o contudo olo oro oo mosmo tompo o roolldodo quo
como tol noo tlnho mols volldodo. Aqul colldo portonto umo rooll-
dodo com umo outro roolldodo. Aqul so oncontro o trúgìco prolundo
no hlstorlo unlvorsol. Um lndlviduo podo oo mosmo tompo ostor
justlllcodo hlstorlcomonto o contudo noo outorlzodo. Enquonto osto
nosto ultlmo coso, tom do tornor-so umo oitìmu; mos no modldo quo
volo o prlmolro, olo tom do voncor; quor dlzor, olo tom do voncor,
om so tornondo umo oitìmu. Aqul so vô como o dosonvolvlmonto
do mundo ó consoquonto om sl; pols ò modldo om quo o roolldodo
mols vordodolro dovo vlr ò luz, ó rospoltodo mosmo osslm o roolldodo
ultropossodo; noo ho umo rovoluçoo, mos umo ovoluçoo; o roolldodo
possodo so mostro como olndo osslm justlllcodo oo oxlglr umo vitlmo,
o o novo roolldodo oo olorocor osto socrlliclo. Mos ó proclso um
socrlliclo, porquo roolmonto dovo vlr ò luz um novo momonto,
225
porquo o novo roolldodo noo ó oponos umo conclusoo do ultropos-
sodo, o slm contóm om sl olgo mols, noo ó um slmplos corrotlvo poro
o possodo, mos ó oo mosmo tompo um novo lniclo.
Em codo umo dostos vlrodos no hlstorlo oxlstom dols movl-
montos quo dovom sor notodos. Por um lodo, o novo dovo vlr ò luz,
por outro lodo, o volho dovo sor dosolojodo. No modldo quo o novo
dovo vlr ò luz, nos nos doporomos oqul com o ìnJìoiJuo projétìco,
quo ovlsto o novo ò dlstônclo, no oscuro o om troços lndollnldos. O
lndlviduo prolótlco noo possul o porvlr, olo oponos o prossonto. Noo
consoguo lozô-lo vlgoror, mos do quolquor monolro olo osto pordldo
poro o roolldodo ò quol portonco. Suo roloçoo poro com olo ó no
ontonto umo roloçoo pocillco, pols o roolldodo dodo noo sonto
nonhumo oposlçoo. A osto soguo o leroì trúgìco proprlomonto dlto.
Esto luto polo povo, oslorço-so poro onlqullor oqullo quo poro olo
osto om vlos do dosoporocor; mos suo torolo noo conslsto tonto om
dostrulr quonto om tornor vlgonto o novo, o com lsso lmodlotomonto
dostrulr o possodo. Mos, por outro lodo, o ontlgo dovo sor dosolojo-
do, o volho dovo sor vlsto om todo o suo lmporlolçoo. Aqul nos
doporomos com o sujeìto ìronìco. Poro o sujolto lrónlco o roolldodo
pordou todo o suo volldodo, olo so tornou poro olo umo lormo
lncomploto quo lncomodo ou constrongo por todo porto. O novo,
por outro lodo, olo noo possul. Aponos sobo quo o prosonto noo
corrospondo ò ldólo. Elo ó o quo dovo julgor. Num corto sontldo, o
lrónlco ó prolótlco, pols olo oponto sompro poro o lronto, poro olgo
quo osto om vlos do chogor, mos noo sobo o quo sojo. Elo ó prolótlco;
mos so orlonto, so sltuo uo contrúrìo Jo projetu. O proloto ondo do
moos dodos com sou tompo o o portlr dosto ponto do vlsto vlslumbro
o quo ho do vlr. O proloto osto, como so obsorvou ontorlormonto,
pordldo poro suo proprlo ópoco, mos lsto so porquo osto morgulhodo
no suo vlsoo. O lrónlco, polo controrlo, oportou-so dos lllolros do sou
proprlo tompo o tomou poslçoo contro osto. Aqullo quo dovo vlr lho
ó oculto, joz otros dolo, òs suos costos; mos o roolldodo o quo olo so
opoo como lnlmlgo ó oqullo quo olo dovo dostrulr; contro olo so volto
sou olhor dovorodor, o ò suo roloçoo com sou proprlo tompo
podomos opllcor o polovro do Bibllo: ¨Els quo os pós doquolos quo
to lovoroo ostoo ò porto¨. Tombóm o lrónlco ó umo vitlmo oxlgldo
como socrlliclo polo dosonvolvlmonto do mundo; noo quo o lrónlco
sompro proclso colr como umo vitlmo, no sontldo ostrlto, mos slm
porquo o zolo no sorvlço do ospirlto do mundo o dovoro.
Aqul tomos ontoo o lronlo como u negutìoìJuJe ìnjìnìtu ubso-
lutu. Elo ó negutìoìJuJe, pols oponos nogo; olo ó ìnjìnìtu, pols noo
nogo osto ou oquolo lonómono; olo ó ubsolutu, pols oqullo, por lorço
226
do quo olo nogo, ó um mols olto, quo contudo noo ó. A lronlo noo
ostoboloco nodo; pols oqullo quo dovo ostobolocor osto otros dolo.
Elo ó umo domônclo dlvlno, lurloso como um Tomorloo quo noo
dolxo podro sobro podro. Aqul nos tomos portonto o lronlo. Em corto
modldo, codo vlrodo hlstorlco proclso tombóm possulr osto lormoçoo
(Formutìon) o cortomonto noo sorlo olgo som lntorosso hlstorlco
porsogulr tol lormoçoo otrovós do hlstorlo unlvorsol. Eu noo quoro,
no ontonto, lonçor-mo o lsto, mos oponos cltor como oxomplos do
tompo proxlmo ò Rolormo CurJunus, Cumpunellu e 8runo. Mosmo
Erosmo do Rotordom lol, otó corto ponto, lronlo. Crolo quo otó ogoro
noo so lovou om conto sullclontomonto o slgnlllcoçoo dosto lormoçoo
(Formotlon); o lsto ó tonto mols ostronho quondo so sobo com quo
prodlloçoo Hogol trotou o nogotlvo. Mos oo nogotlvo no slstomo
corrospondo o lronlo no roolldodo hlstorlco. No roolldodo hlstorlco o
nogotlvo oxlsto, o quo jomols ocorro no Slstomo.
A lronlo ó umo Jetermìnuçdo Ju subjetìoìJuJe. No lronlo o
sujolto osto negutìoumente lìore; pols o roolldodo quo lho dovo dor
contoudo noo osto oi, olo ó llvro do vlnculoçoo no quol o roolldodo
dodo montóm o sujolto, mos olo ó nogotlvomonto llvro o como tol
llutuonto, susponso, pols noo ho nodo quo o soguro. Mos osto mosmo
llbordodo, osto llutuor, do oo lrónlco um corto ontuslosmo, no
modldo quo olo como quo so ombrlogo no lnllnltudo dos posslblll-
dodos, no modldo quo olo, quondo proclso do um consolo por tudo
o quo noulrogo, podo buscor roluglo no onormo lundo do rosorvo
do posslbllldodo. Entrotonto, olo noo so ontrogo o osto ontuslosmo,
quo oponos rosplro o nutro o ontuslosmo do dostrulçoo quo ho nolo.
- Mos dodo quo o lrónlco noo osto do posso do novo, podor-so-lo
porguntor com o quo, ollnol, olo onlqullo o volho, o o lsso so proclsorlo
rospondor: olo unulu (tìlìntetgjor) o roolldodo dodo com u proprìu
roolldodo dodo, mos ó proclso lombror oo mosmo tompo quo o novo
prlnciplo nolo osto prosonto kutu Jµnumìn, como posslbllldodo
7
. Mos
no modldo quo olo onlqullo o roolldodo com o proprlo roolldodo, olo
so coloco oo sorvlço do lronlo do mundo. Hogol noto, om suo Hìst.
Ju Fìlosojìu, 2º vol., p. 62: ¨Todo dlolótlco dolxo volor o quo dovo
volor, como so volosso, dolxo quo o proprlo dostrulçoo lntorno oi so
dosonvolvo - unlvorsol lronlo do mundo¨, o osslm o lronlo do mundo
osto concobldo bom corrotomonto. Exotomonto porquo codo rooll-
dodo hlstorlco lndlvlduol ó contudo oponos momonto no roollzoçoo
do ldólo, olo corrogo om sl mosmo o gormo do suo ruino. lsto so
mostro ospoclolmonto com todo clorozo no juJuismo, cujo slgnlllco-
çoo como momonto do tronslçoo ó ospoclolmonto slngulor. Asslm
oro, p. ox., umo prolundo lronlo sobro o mundo, quondo o Lol,
227
dopols do onunclo dos mondomontos, ocroscontou o promosso: so
cumprlros lsto, soros solvo, dodo quo so mostrou quo os homons noo
podlom cumprlr o Lol, o osslm umo solvoçoo quo llcou vlnculodo o
umo tol condlçoo ó mols do quo hlpotótlco. Mos quo o judoismo so
onulou o sl mosmo por sl mosmo, lsto so mostro oxotomonto om suo
roloçoo hlstorlco poro com o crlstlonlsmo. Mosmo som nos oprolun-
dormos numo lnvostlgoçoo do slgnlllcodo do oporlçoo do Crlsto, so
nos nos llxormos oponos nolo como um ponto do vlrodo no hlstorlo
unlvorsol, noo dolxoromos som duvldo do porcobor o lormoçoo
(Formutìon} lrónlco. Elo nos ó dodo, do rosto, com Jooo Botlsto. Elo
noo oro oquolo quo dovlo vlr, noo soblo o quo dovlo vlr, o contudo
olo dostrulu o judoismo. Elo o onulou noo com o novo, mos o
onlqullou por molo dolo mosmo. Rolvlndlcou dosto o quo o judoismo
quorlo dor - justlço; mos lsto o judoismo noo ostovo om condlçoos
do dor, o por lsso orrulnou-so. Jooo dolxou portonto o judoismo
subslstlr o oo mosmo tompo dosonvolvou nolo o gormo do ruino. A
porsonolldodo do Jooo Botlsto llco totolmonto no sombro, porcobo-so
nolo do corto modo o lronlo do mundo om suo conllguroçoo objotlvo,
do modo quo olo so torno oponos um lnstrumonto nos moos dosto.
Mos, poro quo o lormoçoo lrónlco so dosonvolvo complotomonto,
oxlgo-so quo oo mosmo tompo o sujeìto tome conscìêncìu Je suu
ìronìu, so slnto nogotlvomonto llvro oo condonor o roolldodo dodo,
o gozo o llbordodo nogotlvo. Poro quo lsto posso ocontocor, o
subjotlvldodo tom do sor dosonvolvldo, ou molhor, no modldo quo
o subjotlvldodo so loz volor oporoco o lronlo. A subjotlvldodo sente
o sl mosmo lronto ò roolldodo, sonto o suo proprlo lorço, suo volldodo
ou slgnlllcoçoo. No modldo, poróm, quo olo sonto lsso, olo so llborto
por osslm dlzor do rolotlvldodo, no quol o roolldodo dodo quor
prondô-lo. Contonto quo osto lronlo ostojo justlllcodo hlstorlcomonto,
o llbortoçoo do subjotlvldodo ó omproondldo oo sorvlço do ldólo,
mosmo quo o sujolto lrónlco noo ostojo cloromonto consclonto dlsto.
E o gonlol no lronlo justlllcodo. Do lronlo lnjustlllcodo volo o sogulnto:
quom qulsor solvor suo olmo, pordô-lo-o. Mos so o lronlo osto
justlllcodo ou noo, so o hlstorlo podo julgo-lo.
Mos polo loto do o sujolto vor o roolldodo lronlcomonto, doi
noo soguo do monolro olgumo quo olo so roloclono lronlcomonto
conslgo mosmo oo lmpor suo concopçoo do roolldodo. Asslm, om
tompos rocontos, lolou-so bostonto do lronlo o do concopçoo lrónlco
do roolldodo; mos osto concopçoo roromonto conllgurou-so lronlco-
monto. Mos quonto mols lsto ocontoco, tonto mols corto o lnovltovol
ó tombóm o ruino do roolldodo, tonto mols o sujolto lrónlco prodo-
mlno sobro o roolldodo quo olo quor onlqullor, o tonto mols llvro olo
228
ó tombóm. Aqul olo procodo ontoo sllonclosomonto no mosmo
oporoçoo como o lronlo do mundo. Elo dolxo o oxlstonto subslstlr
(dot Bostooondo bostooo), mos poro olo osto noo tom nonhumo
volldodo; òs vozos, olo loz como so osto tlvosso volldodo poro olo, o
sob osto moscoro o ompurro rumo ò ruino corto. Contonto quo o
sujolto lrónlco ostojo hlstorlcomonto justlllcodo, ho oqul umu unìJuJe
do genìul o do rejlexdo ortistlco.
Entrotonto, jo quo o lronlo ó umo dotormlnoçoo do subjotlvl-
dodo, ontoo olo tombóm tlnho do so mostror lo ondo o subjotlvldodo
polo prlmolro voz oporocou no hlstorlo unlvorsol. Com ololto, u ìronìu
é u prìmeìru e u muìs ubstrutu Jetermìnuçdo Ju subjetìoìJuJe. lsso
oponto poro oquolo vlrodo hlstorlco om quo o subjotlvldodo polo
prlmolro voz oporocou, o osslm nos chogomos o Socrotos.
No prlmolro porto dosto dlssortoçoo jo lol sullclontomonto
osclorocldo como oro o ìronìu Je 5ocrutes. Todo o roolldodo dodo
tlnho pordldo poro olo suo volldodo, olo so tornoro estrunlo u toJu
reulìJuJe Ju substuncìulìJuJe. Esto ó um dos lodos do lronlo; mos,
polo outro lodo, 5ocrutes se seroìu Ju ìronìu poro dostrulr o holonls-
mo (Groocltoton); sou comportomonto lronto o osto oro constonto-
monto lrónlco; olo oro lgnoronto o nodo soblo, mos procurovo
constontomonto oscloroclmonto junto oos outros; mos, dolxondo
osslm o ordom oxlstonto subslstlr, olo o orrulnou. Esto totlco olo
consorvou otó o llm, o quo so mostro ospoclolmonto quondo lol
procossodo. Mos o zolo nosto sorvlço o dovorou, o jìnulmente u ìronìu
o ugurrou, o tontoou, tudo pordou suo roolldodo. Esto concopçoo do
Socrotos o do slgnlllcoçoo do sou ponto do vlsto no hlstorlo unlvorsol
mo poroco orrodondor-so too noturolmonto om sl mosmo (ut ujrunJe
sìg ì sìg selo), quo olo consogulro, como osporo, sor ocolto por um ou
outro loltor. Dodo, poróm, quo Hogol so rocuso o comproondor o
ponto do vlsto do Socrotos como lronlo, torno-so nocossorlo tomor
om consldoroçoo os objoçoos quo so oncontrom oqul ou oll om sous
oscrltos.
Antos ou quoro, por quonto ostlvor om mlnhos lorços, tontor
olucldor umo lroquozo do quo poroco podocor todo o concopçoo do
Hogol do concolto lronlo. Hogol lolo sompro do lronlo com multo
ovorsoo; o lronlo, o sous olhos, ó umo obomlnoçoo. A ópoco do
oporlçoo do Hogol colncldo com o poriodo mols glorloso do Schlogol.
Mos osslm como o lronlo dos Schlogol hovlo lolto, no ostótlco, o
julgomonto do umo sontlmontolldodo quo so olostrovo, osslm tom-
bóm oro Hogol oquolo quo dovlo corrlglr o dosocorto quo hovlo no
lronlo. Um dos moloros mórltos do Hogol conslsto om tor dotldo, ou
229
polo monos tor tontodo dotor os lllhos pordldos do ospoculoçoo om
sou comlnho do pordlçoo. Poro lsso, poróm, nom sompro olo utlllzou
os molos mols suovos, o o suo voz, quondo os lntorpolovo, nom
sompro oro suovo o potornol, mos lroquontomonto tlnho olgo do
osporo como num mostro-oscolo. Os odoptos do lronlo orom os quo
mols o lmportunovom, o olo logo om soguldo pordou o osporonço
do solvo-los o os trotou o portlr do ontoo como pocodoros lrrocupo-
rovols o ompodornldos. Sompro quo so lho oloroco o oportunldodo
Hogol lolo dossos lrónlcos, sompro trotodos do monolro mols oltlvo,
slm, Hogol olho poro olos do clmo poro bolxo, com onormo dosdóm
o oltlvoz, poro ossos quo olo chomo do ¨llustros porsonolldodos¨. Mos
o loto do Hogol tor JesJenluJo estu jormu Je ìronìu quo lho ostovo
mols proxlmo projudlcou, noturolmonto, suo concopçoo do concolto
(hons Oplottolso ol Bogrobot). Doi porquo noo gonhomos umo
vordodolro onollso, mos om componsoçoo Schlogol sompro gonho
umo boo sovo. Com lsso noo so quor dlzor, do modo nonhum, quo
Hogol noo tonho rozoo contro os lrmoos Schlogol, o quo o lronlo do
duplo Schlogol o Schlogol noo tonho sldo um dosvlo multo grovo; o
tombóm com lsso noo so quor nogor quo Hogol tonho contrlbuido
provoltosomonto polo sorlododo com quo so opoo o quolquor lsolo-
çoo, umo sorlododo quo loz com quo so posso lor multos do suos
onollsos com bostonto odlllcoçoo o roconlorto. Por outro lodo, noo
so podo omltlr quo Hogol, oo so voltor unllotorolmonto contro o lronlo
pos-llchtoono, Jeìxou Je perceber u oerJuJe Ju ìronìu, o oo ldontl-
llcor todo lronlo com oquolo, lol lnjusto com o lronlo. Logo quo Hogol
onunclo o polovro lronlo, lmodlotomonto vom o ponsor om Schlogol
o Tlock, o sou ostllo lnstontonoomonto so lmprogno do umo corto
oxosporoçoo. No sou dovldo lugor, dovo sor osclorocldo om quo
conslsto o orrónoo o lnjustlllcodo no lronlo do Schlogol, bom como
o mórlto do Hogol om roloçoo o lsto. Rotornomos ogoro ò suo
monolro do consldoror o lronlo do Socrotos.
Antorlormonto nos jo chomomos o otonçoo poro o loto do quo
Hegel, oo oxpor o métoJo Je 5ocrutes, dostoco ospoclolmonto duos
lormos, suo lronlo o suo molôutlco (orto do portolro, Gjordomodor-
kunst). Suo oxposlçoo o rospolto so oncontro no Hìstorìu Ju Fìlosojìu,
2º vol., p. 5º-67. A onollso do lronlo socrotlco ó òs vozos bostonto
rosumldo, om componsoçoo, Hogol oprovolto o oportunldodo poro
brodor contro o lronlo onquonto prlnciplo gorol, o ocrosconto, ò p.
62: ¨Fol Frodorlco Schlogol quom lnvontou por prlmolro osto pon-
somonto, Ast ropotlu suos polovros¨; o dopols soguom os polovros
sórlos quo Hogol costumo pronunclor om tols ocosloos. Socrotos llngo
sor lgnoronto o, sob oporônclo do so dolxor onslnor, onslno os outros.
230
P. 60: ¨Esto ó ontoo o lodo do lomoso ìronìu socrútìcu. Elo tom nolo
o conllguroçoo subjotlvo do dlolótlco, olo ó umo monolro do so
comportor no troto com os outros; o dlolótlco soo os rozoos do colso,
o lronlo ó monolro ospoclol do so comportor do possoo o possoo¨.
Mos como um pouco ontos oro dlto quo Socrotos uso o mosmo lronlo
¨quondo olo quor rldlculorlzor o modo dos sollstos¨, oqul logo
omorgo umo dlllculdodo; pols num dos cosos Socrotos quor ollnol
onslnor, o no outro oponos conlundlr. Hogol lombro ontoo quo osto
lronlo socrotlco poroco contor olgumo lnvordodo, oxpoo, poróm, om
soguldo, o justozo do sou comportomonto. Enllm, mostro olo o
vordodolro slgnlllcoçoo do lronlo socrotlco, o suo grondozo. Esto
conslsto om quo olo lovo o concrotlzor o dosonvolvor, oxpllcltor os
roprosontoçoos obstrotos. E ocrosconto, ò p. 62: ¨Quondo dlgo quo
sol o quo ó o rozoo, o quo ó o ló, ostos soo ontoo roprosontoçoos
complotomonto obstrotos; poro quo so tornom concrotos ó proclso
quo olos sojom oxpllcltodos, quo so prossuponho noo sor conhocldo
o quo olos soo proprlomonto. Socrotos olotuou osto oxpllcoçoo do
tols roprosontoçoos; o lsto ó o quo ho do vordodolro no lronlo
socrotlco¨. Mos com lsso ocobo tuJo conjunJìJo, o oprosontoçoo do
lronlo socrotlco pordo todo sou poso hlstorlco, o o possogom oqul
cltodo ó too modorno quo nom lombro Socrotos.
A quostoo do Socrotos noo oro, do nonhumo monolro, con-
crotlzor o obstroto, o os oxomplos oduzldos lorom oscolhldos som
duvldo com multo lnlollcldodo; pols ou noo crolo quo Hogol pudosso
poro tonto lntroduzlr onologlos, o noo sor quo olo qulsosso tomor
todo Plotoo, sob o protoxto do quo o nomo do Socrotos ó sompro
usodo om Plotoo, com o quo olo ontrorlo om conlronto tonto conslgo
mosmo quonto com todos os domols. O quo Socrotos quorlo ndo oro
concretìzur o ubstruto, mos slm, otrovós do concroto lmodloto, lovor
o ubstruto u upurecer. Por lsso, dlonto dostos obsorvoçoos hogollo-
nos, bosto lombrormos, por um lodo, o duplo lormo do lronlo quo
oncontromos om Plotoo (pols ó ovldonto quo Hogol ponso noquolo
lronlo quo chomomos plotónlco, com o quol olo ldontlllco, no p. 64,
o lronlo socrotlco), o, por outro lodo, tombóm o lol do movlmonto
om todo o vldo do Socrotos: olo noo conslstlo om lr do obstroto poro
o concroto, mos slm lr do concroto poro o obstroto, o clegur
constuntemente uté ui. Quondo, pols, todo lnvostlgoçoo sobro lronlo
socrotlco om Hogol tormlno ldontlllcondo-o com o plotónlco, o tonto
o socrotlco quonto o plotónlco llcom sondo ¨umo monolro do
convorsoçoo, umo onlmoçoo soclol ou mundono, mols do quo com
olo so pudosso comproondor oquolo nogoçoo puro, oquolo roloçoo
nogotlvo¨ (p. 64), tomos ontoo quo tols obsorvoçoos jo lorom ros-
231
pondldos nos portos procodontos. Ao oxpor o muìêutìcu do Socrotos,
Hogol tombóm noo so sol molhor. All olo dosonvolvou o slgnlllcodo
do quostlonomonto socrotlco, o tol oxposlçoo ó too bolo quonto
vordodolro; mos u Jìstìnçdo quo nos llzomos ontorlormonto, ontro
porguntor poro rocobor umo rosposto o porguntor poro conlundlr,
noo ó porcobldo. O oxomplo quo olo oscolho no llnol, do concolto
do dovor, noo tom, com ololto, nodo do socrotlco, o noo sor quo olo
protondo oncontror um dosonvolvlmonto socrotlco no PurmênìJes.
- E quondo olo lolo, llnolmonto, do lronlo trúgìcu do Socrotos, tomos
do lombror quo ndo ó o lronlo do Socrotos, o slm o lronlo do mundo
com Socrotos. lguolmonto, osto noçoo noo podo osclorocor nodo
com rolorônclo ò quostoo do lronlo socrotlco.
No Comentúrìo us obrus Je 5olger, ò p. 488, Hogol chomo o
otonçoo mols umo voz poro o dlloronço ontro o lronlo do Schlogol o
o do Socrotos. Quo hojo dlloronço, nos jo concodomos, o no lugor
odoquodo olndo lromos mostror molhor, mos doi noo so soguo do
modo olgum quo o ponto do vlsto do Socrotos noo sojo lronlo. Hogol
consuro Fr. Schlogol porquo osto, som comproondor o ospoculotlvo
o dolxondo-o do lodo, orroncou o proposlçoo llchtoono sobro o
volldodo constltutlvo do ou do sou contoxto motolislco, orroncou-o
do torrono do ponsomonto o o opllcou dlrotomonto ò roolldodo ¨poro
nogor o roolldodo vlvo do rozoo o do vordodo o poro roduzl-los ò
oporônclo no sujolto o oo porocor poro os outros¨. Elo ontoo chomo
o otonçoo poro o loto do quo, poro coroctorlzor osto lolslllcoçoo do
vordodo om oporônclo, ousou-so doturpor o nomo do lnoconto lronlo
socrotlco. Com ololto, quondo so colocou o somolhonço no loto do
quo Socrotos sompro ontrovo om umo lnvostlgoçoo ossovorondo
nodo sobor, poro conlundlr os sollstos, o rosultodo dosto comporto-
monto ó sompro olgo nogotlvo, quo llco som rosultodo clontillco. Ató
oi o ossorçoo do Socrotos, do quo nodo soblo, osto dodo como
sorlododo comploto, o osslm olo ndo é ìronìco. Eu noo quoro oqul
oprolundor o quostoo do dlllculdodo quo surgo oo mostror Hogol oi
quo o onslnomonto do Socrotos ocobovo som rosultodo, quondo
oproxlmomos lsto do outro oxpllcoçoo hogollono, oprosontodo onto-
rlormonto, do quo o onslnomonto do Socrotos concrotlzovo o obstro-
to, mos por outro lodo ou quoro vor om moloros dotolhos uté que
ponto o lgnorônclo oro ulgo Je sérìo puru 5ocrutes.
Antorlormonto jo lol mostrodo quo Socrotos, quondo dlzlo quo
oro lgnoronto, soblo contudo, dodo quo tlnho clônclo do suo lnsclôn-
clo, o tombóm so mostrou quo suo clônclo noo oro contudo umo
clônclo do olgo, quor dlzor, noo tlnho um contoudo posltlvo, o
portonto suo lgnorônclo oro lrónlco, o dodo quo Hogol, conlormo ou
232
vojo, lnutllmonto tontou vlndlcor poro olo um contoudo posltlvo, ou
ocho quo o loltor nosto ponto podo dor-mo rozoo. So o sou sobor
losso um sobor do olgo, ontoo suo lgnorônclo torlo sldo oponos umo
¨Convorsotlonslorm¨ (lormo do convorsoçoo). Agoro, poróm, suu
ìronìu estú completu em sì mosmo. Nosto ponto, é sérìu o suo
lgnorônclo uo mesmo tempo em que tumbém ndo é sérìu, o neste
ponto extremo tomos quo montor Socrotos. Quo olguóm solbo quo
noo sobo ó o lniclo do llcor sobondo, mos quondo noo so sobo mols
do quo lsso, ontoo ó so um lniclo. E osto sobor quo montóm Socrotos
lrónlco. Logo quo Hogol, tondo chomodo o otonçoo poro o loto do
quo o lgnorônclo do Socrotos oro umo colso sórlo, ocho quo podo
mostror com lsso quo suo lgnorônclo noo oro lrónlco, poroco do novo
quo Hogol noo ó constonto. Com ololto, quondo o lronlo dovo
lormulor um onunclodo supromo, ocontoco oi como poro todos os
pontos do vlsto nogotlvos, olo pronunclo olgo do posltlvo, olo lovo o
sórlo oqullo quo dlz. Poro o lronlo nodo osto ostobolocldo, olo vlro o
moxo com tudo uJ lìbìtum; mos so olo quor onunclor lsto, dlz olgo
do posltlvo, com o quo ontoo o suo soboronlo nosto ponto ocobo.
Quondo pols Schlogol ou Solgor dlz: o roolldodo ó oponos
oporônclo, llusoo, oponos voculdodo, um nodo, olo quor dlzor lsto
ovldontomonto com sorlododo, o noo obstonto Hogol dlz quo lsto ó
lronlo. A dlllculdodo quo oqul so oncontro osto proprlomonto om quo
lronlo no sontldo ostrlto jomols podo sor lormulodo num onunclodo,
porquo o lronlo ó umu Jetermìnuçdo do sujeìto que-é-puru-sì, quo
om constonto ogllldodo nodo dolxo subslstlr, o por couso dosto
ogllldodo ndo consegue concentrur-se numo oìsdo Je conjunto como
osto do noo dolxor nodo subslstlr. A consclônclo quo Schlogol o
Solgor tôm do quo o llnltudo noo ó nodo, ó ovldontomonto too
sorlomonto ponsodo como o lgnorônclo do Socrotos. Em ultlmo
lnstônclo, o lrónlco proclso sompro pór olgo, mos oqullo quo olo
osslm poo ó nodo. Oro, ó lmpossivol quo so posso tomor o sórlo o
nodo, som so chogor o olgo (o quo ocontoco, quondo olo ó tomodo
ospoculotlvomonto o sórlo), ou ontoo so dososporor (quondo olo ó
tomodo possoolmonto o sórlo). Entrotonto, o lrónlco noo loz nom
umo colso nom outro, o nosto sontldo so podo dlzor quo olo noo lovo
o sórlo nodo dlsso. A lronlo ó o jogo lnllnltomonto lovo com o nodo,
quo noo so ossusto com olo, mos torno sompro o onlronto-lo do
coboço orguldo. Quondo noo so tomo o nodo ospoculotlvomonto ou
possoolmonto o sórlo, ontoo ó cloro quo olo ó tomodo lovlonomonto,
o ó nestu meJìJu quo olo noo ó lovodo o sórlo. Coso Hogol qulsosso
dlzor quo Schlogol noo lovovo o sórlo quo o oxlstônclo ó um nodo
som roolldodo, dovorlo hovor oi olgumo colso quo poro Schlogol
233
tlvosso volldodo, mos ontoo suo lronlo sorlo moro lormo. Podo-so
dlzor ontoo do lronlo quo olo leou (o} nuJu u sérìo, no modldo quo
noo lovo colso olgumo o sórlo. Elo concobo o nodo sompro om
oposlçoo o olgo, o, poro llbortor-so do sorlododo do olgumo colso,
ogorro o nodo. Mos o nodo tombóm noo ó lovodo o sórlo, o noo sor
no sontldo do quo noo ho sorlododo om roloçoo o nonhumo colso.
Asslm ocorro tombóm com o lgnorônclo do Socrotos, suo lnsclônclo
ó o nodo, com o quol olo onlqullo quolquor sobor. lsto so podo vor
molhor om suo concopçoo do morto.
Elo noo sobo o quo ó o morto o o quo ho dopols do morto, so
ho olgo ou slmplosmonto noo ho nodo, olo ó ontoo lgnoronto: mos
osto lgnorônclo noo o lncomodo, polo controrlo, olo so sonto pro-
prlomonto bom llvro nolo, o, no ontonto, poro olo ho umo sorlododo
totol no loto do olo sor lgnoronto. - Eu crolo, por lsso, quo mo doroo
rozoo num ponto: quo com ossos obsorvoçoos do Hogol noo llco
ostobolocldo nodo quo proibo supor quo o ponto do vlsto do Socrotos
ó lronlo.
Rosumomos: o quo no prlmolro porto dosto dlssortoçoo lol
sollontodo como coroctoristlco do ponto do vlsto do Socrotos, quo
todo o vldo substonclol do holonlsmo tlnho pordldo o volldodo poro
olo, lsto quor dlzor: quo o roolldodo oxlstonto oro poro olo lrrool, o
lsto noo num ou noutro sontldo oponos, mos slm om suo totolldodo
globol como tol: quo olo, om roloçoo o osto roolldodo som volldodo,
llnglu dolxor o ordom ostobolocldo subslstlr, o osslm o conduzlu ò
ruino: quo olo ontoo lo llcondo codo voz mols lovo, sompro mols lovo,
codo voz mols llvro nogotlvomonto: osslm nos vomos quo este ponto
Je oìstu Je 5ocrutes, do ocordo com o onollso quo llzomos, oro,
onquonto negutìoìJuJe ìnjìnìtu ubsolutu, ìronìu. Entrotonto, noo oro
o roolldodo om gorol quo olo nogovo, mos oro o roolldodo dodo o
umo corto ópoco, o do substonclolldodo tol como oxlstlo no Gróclo,
o o quo o lronlo oxlglo oro o roolldodo do subjotlvldodo, o roolldodo
do ldoolldodo. A hlstorlo julgou quo Socrotos ostovo justlllcodo oos
olhos do hlstorlo unlvorsol. Elo lol umo vitlmo. E som duvldo um
dostlno troglco, no ontonto, o morto do Socrotos proprlomonto noo
ó troglco: no lundo, o Estodo grogo chogo tordo com suo condonoçoo
ò morto, o, por outro lodo, noo tlro umo grondo odlllcoçoo do
oxocuçoo do pono do morto, pols o morto noo tlnho poro Socrotos
nonhumo roolldodo. Poro o horol troglco, o morto tom volldodo; poro
olo, o morto ó no vordodo o ultlmo luto o o ultlmo solrlmonto. Com
lsso, o contomporonoldodo quo olo quorlo onlqullor podo sotlslozor
suo sodo do vlngonço. Mos umo tol sotlsloçoo o Estodo grogo noo
podlo consogulr com o morto do Socrotos; pols Socrotos, com suo
234
lgnorônclo, tlnho lmpodldo todo comunlcoçoo mols plono do sontldo
com o ponsomonto do morto. E vordodo quo o horol troglco noo
tomo o morto, mos roconhoco nosto um solrlmonto, umo possogom
posodo o duro, o nosto sontldo tom volldodo suo condonoçoo, mos
Socrotos noo sobo slmplosmonto nodo, o nosto sontldo ó umo ìronìu
sobre o EstuJo, quo o condono o pordor o vldo, o com lsso crô quo
o punìu.
A IRONIA APÓS FICHTE
Fol, poro lombrormos oponos colsos sullclontomonto conhocl-
dos, om Kont quo o modorno ospoculoçoo, quo ogoro so sontlo odulto
o omonclpodo, consou-so do tutolo, no quol tlnho vlvldo otó oll sob
o Jogmutìsmo o so dlrlglu, como o lllho prodlgo, oo sou pol o oxlglu
quo llzosso o lnvontorlo o o portllho com olo. E bom conhocldo o
rosultodo dosto portllho, o como o ospoculoçoo nom proclsou vlojor
oo ostrongolro poro dospordlçor sous molos, pols noo hovlo obun-
dônclo. Quonto mols, no crìtìcìsmo, o ou morgulhovo no contomplo-
çoo do ou, tonto mols mogro, sompro mols mogro llcovo osto ou, otó
quo ocobou tornondo-so um lontosmo, lmortol como o morldo do
Auroro*. Acontocou com o ou o mosmo quo com o corvo, quo,
oncontodo com os ologlos do roposo sobro suo possoo, dolxou colr
o quoljo. Enquonto o rolloxoo rollotlo constontomonto sobro o
rolloxoo, o ponsomonto so dosoncomlnhou, o codo posso quo olo
dovo odlonto o olostovo noturolmonto mols o mols do todo contoudo.
Aqul so mostrou o quo so mostroro om todos os tompos, quo quondo
so quor ospoculor ó ospoclolmonto lmportonto ostor no dlroçoo
corroto. O ponsomonto nom porcobou quo oqullo quo procurovo
ostovo no sou proprlo procuror, o quo so noo o qulsosso procuror oll,
noo o oncontrorlo om todo o otornldodo. Acontocou com o lllosollo
o mosmo quo com um homom quo osto do oculos o oposor dlsto
procuro por olos, procuro dlonto do norlz o quo osto om sou norlz, o
por lsso nunco o oncontro.
Mos osto dodo oxtorlor poro o oxporlônclo, quo como um corpo
solldo colldlo com oquolo quo lozlo o oxporlônclo, ombos so dlston-
clondo om soguldo com o lorço do volocldodo do collsoo, o Dìng un
sìcl (colso om sl), quo contlnuo sompro tontondo o sujolto do
* Segundo a mitologia grega, Aurora, a deusa de dedos de rosa, conseguiu a
imortalidade para seu marido, Titão, mas sem a permanente juventude. Com o tempo, o
belo amante se converteu num velho decrépito. (N.R.)
235
oxporlônclo (osslm como umo corto oscolo no ldodo Módlo ocrodl-
tovo quo os slnols sonsivols no Eucorlstlo ostovom oi poro tontor o ló)
-, osto oxtorlor, osto Dìng un sìcl oro o quo constltuio o lroquozo do
slstomo do Kont. Slm, pormonocou o porgunto, so o ou noo sorlo olo
mosmo umo Dìng un sìcl. Esto quostoo lol lovontodo o rospondldo
por Fìclte. Elo romovou o dlllculdodo com osto un sìcl, colocondo-o
no lntorlor do ponsomonto, lnllnltlzou o ou no Eu-Eu. O ou produ-
conto ó o mosmo quo o ou produzldo. O Eu-Eu ó o ldontldodo
obstroto. Com lsso Flchto llborou lnllnltomonto o ponsomonto. Mos
osto ìnjìnìtuJe Jo pensumento, om Flchto, ó, como todo lnllnltudo
llchtoono, umo ìnjìnìtuJe negutìou (suo lnllnltudo morol ó um conti-
nuo oslorço polo oslorço; suo lnllnltudo ostótlco ó contlnuomonto
produzlr polo produzlr; o lnllnltudo do Dous ó contlnuomonto doson-
volvlmonto polo dosonvolvlmonto), ó, pols, umo lnllnltudo om quo
noo ho nonhumo llnltudo, umo lnllnltudo som nonhum contoudo.
Ao lnllnltlzor dosto monolro o ou, Flchto loz volor um ldoollsmo, om
roloçoo oo quol todo roolldodo ompolldoclo, um ocosmlsmo, om
roloçoo oo quol sou ldoollsmo so tornou roolldodo, omboro losso
docotlsmo. Com Flchto, o ponsomonto so torno lnllnltlzodo, o sub-
jotlvldodo so torno o nogotlvldodo lnllnlto, obsoluto, o tonsoo o o
osplroçoo lnllnltos. Doi provóm o lmportônclo do Flchto no clônclo.
Suo Wìssensclujtslelre (Doutrlno do Clônclo) lnllnltlzou o sobor.
Mos o lnllnltlzou nogotlvomonto, o osslm olo obtovo, om voz do
vordodo, o cortozo, olconçou noo o lnllnltudo posltlvo, mos nogotlvo,
no ldontldodo obsoluto do Eu conslgo mosmo; om voz do um oslorço
posltlvo, l.ó, o lollcldodo, um oslorço nogotlvo, l.ó, um dovor.
Mos justomonto por osto lotor nogotlvo, o sou ponto do vlsto
tlnho um ontuslosmo lnllnlto, umo lnllnlto olostlcldodo. Kont coroco
do lnllnltudo nogotlvo, Flchto, do posltlvo. Flchto tom por lsso um
mórlto obsoluto no quostoo do mótodo; com olo o clônclo so tornou
um todo do um so bloco. Mos no modldo quo Flchto llxou o
ldontldodo obstroto no Eu-Eu, no modldo quo olo, om sou rolno
ldoollsto, noo quls tor nodo o vor com o roolldodo, olo olconçou o
ìnicìo ubsoluto, o portlr do quol quorlo construlr o mundo, o o
rospolto do quol tonto so lolou. O ou so tornou o constltulnto. Mos
dodo quo o ou so oro concobldo do monolro lormol o portonto
nogotlvo, Flchto pormonocou proprlomonto porodo nos molìmìnu
(oslorços) lnllnltomonto olostlcos do um lniclo. Elo tom o lmpulso
lnllnlto do nogotlvo, sou nìsus jormutìous (oslorço crlodor), mos o
tom como umo lmpotuosldodo quo noo consoguo solr do lugor, o
tom como umo lmpoclônclo dlvlno o obsoluto, como umo lorço
lnllnlto, contudo lnoporonto, porquo nodo ho o quo olo so posso
236
opllcor. E umo potoncloçoo, umo oxoltoçoo, potonto como um dous,
copoz do lovontor o mundo lntolro, o contudo nodo tondo poro
lovontor. O ponto do portldo do problomo do lllosollo lol osslm
trozldo ò consclônclo, ó com o ousônclo do prossuposlçoos quo olo
dovo comoçor, mos o onormo onorglo dosto comoço noo vol odlonto.
Pols poro quo o ponsomonto, o subjotlvldodo, odqulro suo plonltudo
o vordodo, ó precìso que se Jeìxe nutrìr, proclso morgulhor no
prolundldodo do vldo substonclol, obrlgor-so oll como o comunldodo
so obrlgo om Crlsto, ó proclso, om porto com ongustlo, om porto com
slmpotlo, om porto rocuondo, om porto so ontrogondo, quo so dolxo
trogor polos ondos do mor substonclol, osslm como no lnstonto do
ontuslosmo o sujolto quoso so pordo dlonto do sl, morgulho o olundo
noqullo quo o ontuslosmo, o contudo sonto um suovo orroplo,
porquo so troto do suo vldo. Ho quo tor corogom, poróm lsto ó
nocossorlo, pols todo oquolo quo qulsor solvor o suo olmo pordô-lo-o.
Mos noo ó o corogom do dososporo; pols como Toulor dlz, do
monolro too bolo, o proposlto do umo sltuoçoo multo mols concroto:
“Doch dieses Verlieren, dies Entschwinden
Ist eben das echte und rechte Finden”
(Pois este perder, este desaparecer,
é justamente o verdadeiro encontrar).
E sobldo quo Flchto obondonou mols tordo osto ponto do vlsto,
quo tonho tldo multos odmlrodoros o poucos soguldoros, o procurou
om olguns oscrltos do ocosloo numo monolro mols odlllconto ocolmor
o dlmlnulr o ¨plorosollo¨ (plonltudo do ontondlmonto) ontorlor. Por
outro lodo, olo tombóm procurou, como so doproondo dos oscrltos
postumos, publlcodos por sou lllho, tornor-so sonhor o mostro do-
quolo lnllnltudo nogotlvo, om so oprolundondo no ossônclo proprlo
do consclônclo. lsto, ontrotonto, noo concorno ò nosso lnvostlgoçoo,
onquonto, polo controrlo, ou quoro oqul otor-mo somonto oo ponto
do vlsto quo so llgo uo prìmeìro Fìclte, lsto ó, ò lronlo do Schlogol o
do Tlock.
Com Flchto, o subjotlvldodo so tornoro llvro, do monolro
lnllnlto o nogotlvo. Mos poro solr dosto movlmonto do ousônclo do
contoudo, om quo so movlo om lnllnlto obstroçoo, olo proclsovo sor
nogodo; poro quo o ponsomonto pudosso sor rool, proclsovo tornor-
so concroto. Com lsso so dostoco o quostoo do roolldodo motolislco.
Esto prlnciplo llchtoono, do quo o subjotlvldodo, o eu, tom oulìJuJe
constìtutìou o ó o unlco onlpotonto, conqulstou 5cllegel o Tìeck, o
o portlr doi olos opororom oo nivol do mundo. Dlsto rosultou umo
duplo dlllculdodo. Em prlmolro lugor, conlundlu-so o ou ompirlco o
237
llnlto com o Eu otorno; om sogundo lugor, conlundlu-so o roolldodo
motolislco com o roolldodo hlstorlco. Apllcou-so osslm som mols nom
monos um ponto do vlsto metujisìco lncomploto u reulìJuJe. Flchto
quorlo construlr o mundo; mos o quo olo tlnho om monto oro um
construlr slstomotlco. Schlogol o Tlock quorlom lnvontor um mundo.
8
Doi so vô quo osto lronlo noo ostovo o sorvlço do ospirlto do
mundo. Noo oro um momonto do roolldodo dodo quo dovlo sor
nogodo o dosolojodo por um novo momonto; mos todo reulìJuJe
lìstorìcu oro nogodo, poro obrlr lugor o umo roolldodo outoproduzl-
do. Noo oro o subjotlvldodo o quo dovlo surglr oqul, pols o subjotl-
vldodo jo ostovo prosonto nos roloçoos do mundo mos oro umo
subjotlvldodo oxoltodo, umo segunJu potêncìu Ju subjetìoìJuJe.
Logo so vô quo osto lronlo oro complotomonto lnjustlllcodo, o quo o
otltudo do Hogol lronto o olo tom suo rozoo do sor.
A lronlo
º
so oprosontovo ontoo como oquolo, dlonto do quol
nodo ostovo ostobolocldo, nodo subslstlo (lntot vor Bostooondo),
como oquolo quo tlnho ocobodo com tudo, o oo mosmo tompo como
oquolo quo tlnho plonos podoros poro lozor tudo. Quondo dolxovo
olgo subslstlr, ó quo soblo quo tlnho podor poro onlqullo-lo, o o soblo,
no mosmo lnstonto om quo o dolxovo subslstlr. So olo punho olgo,
ó quo soblo quo tlnho outorldodo poro oboll-lo, o o soblo no mosmo
lnstonto om quo o punho. Elo so soblo do posso do poJer ubsoluto
puru lìgur e Jeslìgur. Elo tlnho o dominlo tonto sobro ldólos quonto
sobro lonómonos, o onlqullovo uns polos outros. Elo onlqullovo o
lonómono mostrondo quo olo noo corrospondlo ò ldólo; onlqullovo
o ldólo mostrondo quo olo noo corrospondlo oo lonómono. Em
ombos os cosos com todo rozoo, dodo quo o ldólo o o lonómono so
oxlstom um no outro o um com o outro. E om tudo lsso, o lronlo lo
lovondo suo vldo som culdodos; pols o sujolto oro sullclontomonto
homom poro lozor tudo lsso; pols quom ó too grondo como Alo, o
quom podo subslstlr dlonto dolo¹
Mos o roolldodo (o roolldodo hlstorlco) ontro em reluçdo com
o sujolto numu Juplu muneìru: porto como um Jom, quo noo so
dolxo dosdonhor, o porto como umu tureju, quo quor sor roollzodo.
A dlscropônclo, quo o lronlo ostoboloco com o roolldodo, jo osto
sullclontomonto lndlcodo quondo so dlz quo o orìentuçdo ìronìcu é
essencìulmente critìcu. Tonto o sou lllosolo (Schlogol) como o sou
pooto (Tlock) soo critlcos. Noo so omprogo ontoo o sótlmo dlo - quo
sob multos ospoctos so protondo quo dovo tor chogodo om nosso
tompo - poro dosconsor do obro hlstorlco, mos slm poro crltlcor. Mos
critlco gorolmonto oxclul slmpotlo, o oxlsto umo critlco, poro o quol
238
quolquor colso ostobolocldo subslsto too pouco quonto quolquor
lnocônclo dlonto do dosconllonço politlco. Entrotonto, noo so crltlco-
rom os ontlgos closslcos, noo so crltlcou, como Kont, o consclônclo,
mos so crltlcou o proprlo roolldodo. Oro, bom podo hovor multo colso
no roolldodo quo oxlgo o critlco, o o mol no sontldo do Flchto, o
lndolônclo o o progulço, podom multo bom tor tomodo conto do
multo colso, o suo oìs ìnertìue (lorço do lnórclo) podo oxlglr umo
corroçoo, ou, com outros polovros, podo tor hovldo multo oxlstonto
do loto quo, justomonto porquo noo oro roolldodo, proclsovo sor
cortodo; mos por couso dlsso do monolro nonhumo so podorlo
justlllcor dlrlglr sou otoquo critlco contro todo o roolldodo. Quo
Schlogol lol critlco, bosto quo ou o lombro; mos quo Tlock tombóm
lol critlco, oi lguolmonto so mo doro rozoo, so noo so protondor
contostor-mo o loto do quo Tlock lntroduzlu om sous dromos suo
polômlco contro o mundo, o do quo osto, poro sor comproondldo,
prossupoo um lndlviduo polomlcomonto dosonvolvldo, umo clrcuns-
tônclo quo tombóm contrlbulu poro quo olos pormonocossom rolotl-
vomonto monos populoros do quo torlom morocldo dovldo ò suo
gonlolldodo.
Quondo ou dlzlo, mols oclmo, quo u reulìJuJe om porto se
upresentu como um Jom (Guoe), llcovo osslm oxprossodo o roloçoo
do lndlviduo com um possodo. Esto possodo quor ontoo tor volldodo
poro o lndlviduo, noo quor llcor dosporcobldo ou sor lgnorodo. Poro
o lronlo, oo controrlo, proprlomonto noo ho nenlum pussuJo. lsto
so dovo o quo o lronlo so ovodlu do lnvostlgoçoos motolislcos. Elo
conlundlu o ou tomporol com o Eu otorno. Mos osto Eu otorno noo
tom nonhum possodo, o por consogulnto osto ou tomporol tombóm
noo tom nonhum. No modldo, poróm, quo o lronlo quor tor o
gontllozo do ossumlr um possodo, osto proclso sor Je tul nuturezu quo
o lronlo posso rosguordor suo llbordodo sobro olo, o posso lozor o
sou jogo com olo. E por lsso quo o porto mitlco do hlstorlo - os sogos
o os ovonturos - lol o quo mols oncontrou groço oos sous olhos. Por
outro lodo, o hlstorlo proprlomonto dlto, ondo o vordodolro lndlvi-
duo tom suo llbordodo posltlvo, porquo ó nolo quo olo tom suos
promlssos, proclsovo sor dolxodo do loro. Poro tonto, o lronlo loz
como Hórculos, quondo osto lutou contro Antou, lnvoncivol onquon-
to tlvosso contoto com o torro. Hórculos, como so sobo, lovontou
Antou, olostondo-o do choo o osslm o domlnou. A lronlo loz o
mosmo colso com o roolldodo hlstorlco. Com um gosto todo hlstorlo
so tornou mlto - pooslo - londo - ovonturo. E dosto monolro o lronlo
llcovo novomonto llvro. Agoro olo podlo lozor suo oscolho o oglr
como bom ontondosso. Suos prolorônclos lorom prlnclpolmonto poro
239
o Gróclo o o ldodo Módlo. Entrotonto, olo noo so pordlo om concop-
çoos hlstorlcos, o quo olo soblo oro ¨Dlchtung und Wohrholt¨(Pooslo
o Vordodo). Oro olo vlvlo no Grécìu, sob o bolo cóu grogo, pordldo
no gozo prosonto do vldo hormónlco grogo, o oi vlvlo do modo o tor
suo roolldodo nlsto.
Mos quondo llcovo lotlgodo dlsso, ompurrovo osto roolldodo
posto orbltrorlomonto poro too longo do sl, quo osto dosoporoclo
complotomonto. O mundo grogo noo tlnho nonhumo volldodo poro
olo como um momonto do hlstorlo do mundo, mos tlnho volldodo
poro olo, o volldodo obsoluto, so porquo lsto lho ogrodovo. Oro olo
morgulhovo nos llorostos prlmltlvos Ju lJuJe MéJìu, oscutovo o
murmurlo mlstorloso dos orvoros o so onlnhovo om suos crlstos
lrondosos, oro so roluglovo om suos covornos obscuros, om rosumo,
buscovo no ldodo Módlo suo roolldodo no componhlo do covolholros
o trovodoros, opolxonovo-so por umo nobro donzolo, montondo um
corcol logoso o com um lolcoo do coço ogorrodo oo sou broço
ostlrodo. Mos quondo osto hlstorlo do omor pordlo suo volldodo, o
ldodo Módlo rocuovo oo lnllnlto, o so pordlo mols o mols, sous
contornos codo voz mols vogos nos bostldoros do consclônclo. A
ldodo Módlo noo tlnho nonhumo volldodo poro olo onquonto um
momonto do hlstorlo unlvorsol, mos volldodo o volldodo obsoluto,
so porquo o lronlo so comprozlo nlsto. A mosmo colso so ropoto om
toJos os Jominìos toorlcos. Por um momonto, estu ou uquelu relìgìdo
oro o obsoluto poro olo; mos olo soblo todo tompo multo bom quo
o rozoo polo quol lsto oro o obsoluto oro porquo o proprlo lronlo
osslm o quorlo, o com lsso, ponto llnol. No lnstonto sogulnto olo jo
quorlo outro colso. Elo onslnovo, por consogulnto, osslm como ó
onslnodo om ¨Nutlun, o 5úbìo¨, quo todos os rollgloos soo lguol-
monto boos, o o crlstlonlsmo tolvoz o plor, o so poro vorlor lho
ogrodovo sor olo mosmo umo crlsto. A mosmo colso no torrono
clontillco. Julgovo o condonovo todo o quolquor ponto Je oìstu
cìentijìco, ostovo sompro dltondo sontonço ossontodo o tompo todo
no cotodro do julz; ogoro, lnvostlgor, lsto olo noo lozlo. Sltuovo-so
constontomonto oclmo do objoto, o lsto oro ollos multo noturol; pols
so ogoro o roolldodo dovorlo lnlclor. Com ololto, o lronlo so ovodlro
do quostoo motolislco sobro o roloçoo do ldólo com o roolldodo; mos
o roolldodo motolislco sobropolro oo tompo, o osslm oro lmpossivol
ò roolldodo coblçodo polo lronlo sor dodo no tompo. E osto conduto,
quo so julgo o condono, quo Hogol (vol. XVl, p. 465) comboto
prlnclpolmonto om Fr. Schlogol. Nosto ospocto, jomols so podoro
roconhocor sullclontomonto os grondos mórltos Je Hegel no com-
proonsoo Jo pussuJo lìstorìco. Elo noo rocuso o possodo, mos slm
240
o comproondo, noo dosprozo outros pontos do vlsto clontillcos, mos
os ultroposso.
Com Hogol, portonto, llco posto umo borrolro contro oquolo
lntormlnovol convorso llodo do quo o hlstorlo unlvorsol dovo lnlclor
ogoro, como so olo dovosso lnlclor proclsomonto òs quotro horos ou
no mols tordor ontos dos clnco. So um ou outro hogollono dou umo
orroncodo hlstorlco too lormldovol quo noo consoguo mols dotor-so
o numo corrldo tromondo vol poro os qulntos do dlobo, Hogol noo
tom culpo nonhumo dlsso; o olndo quo so posso, no quo tongo ò
contomploçoo hlstorlco, roollzor mols do quo Hogol o loz, cortomonto
nlnguóm quo tonho umo ldólo do slgnlllcoçoo do roolldodo olotlvo
soro too lngroto o ponto do, proclpltondo-so om ultropossor Hogol,
chogor o osquocor o quo dovo o osto, so ó quo olgumo voz o ontondou.
So so qulsosso dlzor o quo ó quo outorlzo o lronlo o tomor o otltudo
monclonodo, ontoo so dovorlo dlzor quo ó porquo o lronlo sobo quo
o lonómono noo ó o ossônclo. A ldólo ó concroto, o por lsso tom do
tornor-so concroto, mos osto tornor-so concroto do ldólo ó justomonto
o roolldodo hlstorlco. Nosto roolldodo hlstorlco, codo olo portlculor
tom suo volldodo como momonto. A lronlo, poróm, noo roconhoco
osto volldodo rolotlvo. Poro o lronlo, o roolldodo hlstorlco oro tom
umo volldodo obsoluto, oro noo tom nonhumo; pols, ollnol olo
ossumlu poro sl o lmportonto oncorgo do produzlr o roolldodo.
Mos u reulìJuJe ó tombóm, poro o lndlviduo, umu tureju
(Opguoe} que quer ser reulìzuJu. Aqul, so dovorlo cror, o lronlo torlo
do mostror-so om sou lodo mols lovorovol; pols tondo ultropossodo
todo o roolldodo dodo, dovor-so-lo cror quo olo torlo olgo do bom
poro colocor no lugor dosto. Mos osto noo ó o coso, do monolro
nonhumo; pols, como o lronlo consogulu domlnor o roolldodo
hlstorlco lozondo-o llutuor, osslm tombóm olo proprlo ocobou por
tornor-so llutuonto. 5uu reulìJuJe é somente possìbìlìJuJe. Com
ololto, so o lndlviduo ogonto dovo ostor om condlçoos do rosolvor
suo torolo do roollzor o roolldodo olotlvo (ot roollsoro Vlrkollghodon),
ontoo olo tom do so sontlr lntogrodo om um contoxto molor, tom do
sontlr o sorlododo do rosponsobllldodo, tom do sontlr o rospoltor todos
os consoquônclos roclonols. Dlsto o lronlo osto llvro. Elo so sobo no
posso do um podor do lnlclor tudo do novo quondo bom lho porocor;
noo ho possodo quo o compromoto, o osslm como no plono toorlco
o lronlo gozo om llbordodo lnllnlto o sou podor critlco, osslm tombóm
no plono protlco olo gozo umo llbordodo dlvlno somolhonto quo noo
conhoco nonhum vinculo ou ontrovo, mos jogo dosonlroodo o
ologromonto, rotouçondo como um Lovloto no mor. Llvro o lronlo o
ó, cortomonto, llvro dos culdodos do roolldodo, mos tombóm llvro do
241
suos ologrlos, llvro do suos bônçoos; pols como noo ho nodo oclmo
dolo mosmo, noo podo rocobor nonhumo bônçoo; pols ó sompro o
monor quo rocobo o bônçoo do molor. E por osso llbordodo quo o
lronlo onsolo. Por lsso olo so vlglo o nodo o ossusto mols do quo sor
domlnodo por olgumo lmprossoo; pols so quondo so ó llvro dosto
monolro vlvo-so pootlcomonto o, como so sobo, o grondo oxlgônclo
do lronlo ó do quo so dovo oìoer poetìcumente. Mos ¨vlvor pootlco-
monto¨ oro ontondldo polo lronlo como olgo do dlloronto o olgo mols
do quo oqullo quo quolquor homom sonsoto quo tonho olgum
rospolto polo volor humono o olgumo comproonsoo do suo orlglno-
lldodo ontondorlo com osto oxprossoo. Elo ndo ontondlo, com tol
oxprossoo, o sorlododo ortistlco quo vom om ouxillo do dlvlno no
homom, o slloncloso o colmomonto llco ò oscuto do voz do quo ó
coroctoristlco numo lndlvlduolldodo, buscondo surproondor sous
movlmontos, poro ontoo coloco-los ò dlsposlçoo do lndlviduo, lo-
zondo com quo todo o lndlvlduolldodo hormonlcomonto so doson-
volvo rumo o umo llguro plostlco comploto om sl mosmo (l slg solv
olrundot). Elo ndo ontondlo com lsso o quo vom ò monto do crlstoo
plodoso, quondo olo tomo consclônclo do quo o vldo ó umo oduco-
çoo, umo lormoçoo quo, bom ontondldo, noo dovo lozor dolo olgo
do totolmonto dlloronto (pols o Dous dos crlstoos noo possul o
onlpotônclo nogotlvo lnllnlto do Dous dos moomotonos, poro o quol
um homom do tomonho do umo montonho o umo mosco do
tomonho do um ololonto soo too possivols quonto umo montonho
do olturo do um homom o um ololonto too poquono quonto umo
mosco, todos os colsos podondo sor porloltomonto dllorontos do quo
soo), mos dovo justomonto dosonvolvor os gormos quo o proprlo
Dous plontou no homom, jo quo o crlstoo tom consclônclo do sl como
oquolo quo tom roolldodo dlonto do Dous. Aqul o crlstoo tombóm
vom om ouxillo do Dous, torno-so como quo o sou coloborodor no
tormlnor o boo obro quo o proprlo Dous comoçou.
Com oquolo oxprossoo o lronlo ndo so contontou com um
protosto contro todo o vulgorldodo, quo noo ó outro colso sonoo o
produto lomontovol do sou molo, contro todos ostos homons ordl-
norlos, produzldos òs duzlos, do quo o mundo osto cholo; olo quorlo
olgo mols. Pols umo colso ó so crlor (pootlcomonto) o sl mosmo, o
umo outro colso ó so dolxor crlor. O crlstoo so dolxo crlor, o nosto
sontldo um crlstoo bom slmplos vlvo multo mols pootlcomonto do
quo umo porçoo do coboços tolontosos. Mos otó oquolo quo so crlo
o sl mosmo no sontldo grogo roconhoco quo lho lol posto umo torolo.
Por lsso lho lmporto tonto tomor consclônclo do dodo orlglnol quo
ho nolo, o osto orlglnolldodo ó o llmlto no lntorlor do quol olo crlo, o
242
no lntorlor do quol olo ó pootlcomonto llvro. A ìnJìoìJuulìJuJe tom
portonto um jìm quo ó sou llm obsoluto, o suo otlvldodo busco
proclsomonto roollzor osto llm, soboroor o sl mosmo om o duronto
osto roollzoçoo, quor dlzor, suo otlvldodo conslsto om so tornor jur
sìcl (por sl) o quo olo ó un sìcl (om sl). Mos osslm como os homons
ordlnorlos noo possuom nonhum ¨on slch¨, podondo vlr o sor
quolquor colso, osslm tombóm o lrónlco noo tom nonhum un sìcl.
Noo ó, ontrotonto, por olo sor moro produto do sou molo; multo polo
controrlo, olo polro oclmo do todo o sou molo; mos poro bom podor
vlvor pootlcomonto o poro bom podor crlor o sl mosmo, o ìronìco
ndo poJe ter nenlum un sìcl.
Dosto modo, o proprlo lronlo so olundo noqullo quo olo mols
comboto; pols um lrónlco odqulro umo corto somolhonço com o
homom mols prosolco, so quo o lrónlco tom o llbordodo nogotlvo,
com o quol olo osto por clmo do sl mosmo crlondo pootlcomonto. E
por lsso quo o lrónlco too lroquontomonto so torno om nodo; pols
poro o homom volo o quo noo volo poro Dous: quo do nodo noo
surgo nodo. Mos o lrónlco consorvo constontomonto poro sl suo
llbordodo poótlco, o quondo olo noto quo noo so torno nodo, ontoo
pootlzo lsto tombóm; sobo-so quo, ontro os poslçoos o colocoçoos
poótlcos do vldo proconlzodos polo lronlo, o mols nobro dontro olos
ó o do tornor-so slmplosmonto nodo. Um ¨Tougonlchts¨ (¨lmprosto-
vol¨), por consogulnto, no pooslo do oscolo romôntlco, ó sompro o
possoo mols poótlco, o oqullo do quo os crlstoos, ospoclolmonto om
tompos ogltodos, lolom too lroquontomonto, do tornor-so um louco
oos olhos do mundo, o lrónlco jo roollzou ò suo monolro, so quo olo
noo osto buscondo o mortirlo, pols poro olo oqullo ó o gozo poótlco
supromo. Entrotonto, o lnllnlto llbordodo poótlco, quo ó sompro
lndlcodo como lncluido nosto ¨tornor-so nodo¨, oxprlmo-so tombóm
do umo monolro mols posltlvo, pols o lndlviduo lrónlco lroquonto-
monto percorreu nu jormu Ju possìbìlìJuJe umo multlpllcldodo do
dotormlnoçoos, olo so vlvonclou pootlcomonto nolos, ontos do ocobor
no nodo. No lronlo, o olmo osto sompro om porogrlnoçoo, osslm
como no doutrlno pltogorlco sobro o mundo, so quo ogoro som
proclsor do tonto tompo. Mos so llco poro tros com roloçoo oo tompo,
olo lovo vontogom om roloçoo ò multlpllcldodo do dotormlnoçoos, o
cortomonto oxlstom multos lrónlcos quo ontos do oncontror dosconso
no nodo porcorrorom Jestìnos multo mols oxtroordlnorlos quo o
doquolo golo do quo lolo Luclono, um golo quo prlmolro tlnho sldo
Pltogoros om possoo, ontos do so tornor Asposlo, o bolozo ombiguo
do Mlloto, dopols loro o cinlco Crotos, dopols um rol, um mondlgo,
um sotropo, um covolo, umo grolho, um sopo o mll outros colsos,
243
quo sorlo multo prollxo onumoror, llnolmonto um golo, o lsto mols
do umo voz, porquo oro o quo mols lho ogrodovo. Poro o lrónlco
tudo ó possivol. Nosso Dous osto no cóu o loz tudo o quo lho ogrodo;
o lrónlco osto no torro o loz tudo o quo lho do prozor. Noo obstonto,
noo so podo lovor o mol no lrónlco quo lho custo tonto tornor-so
olgumo colso; pols quondo so tom dlonto do sl umo posslbllldodo too
lmonso, noo ó nodo locll oscolhor. So poro vorlor, o lrónlco ocho
justo dolxor o Jestìno e o ucuso docldlrom. Elo conto, por lsso, nos
dodos, como os crlonços: ¨Edolmonn, Bottolmonn¨ (¨princlpo, mon-
dlgo¨), o osslm por dlonto. E no ontonto, como todos ostos dotorml-
noçoos so volom poro olo como posslbllldodos, olo podo porcorror
todo o oscolo quoso too doprosso quonto os crlonços. O quo òs vozos
custo tompo oo lrónlco, ó o osmoro quo olo omprogo puru oestìr u
roupugem corretu, odoquodo ò porsonogom quo olo mosmo lnvon-
tou do sor. Nosto ospocto, o lrónlco ontondo do ossunto o possul um
loto consldorovol do moscoros o lontoslos ò suo llvro oscolho. Oro olo
ondo com o loco orgulhoso do um potriclo romono, onvolto om umo
togo com orlos do purpuro, ou sonto lmpononto com umo sorlododo
romono om umo sellu curulìs (codolro curul); oro so oculto num
humlldo trojo do porogrlno ponltonto; oro so ossonto com os pornos
cruzodos como um poxo turco om sou horóm; oro olo orro por oi sob
os trojos do um torno tocodor do citoro, com o lovozo o o llbordodo
do um possorlnho. Els oi o quo o lrónlco tom om monto quondo dlz
quo so dovo oìoer poetìcumente, o ó lsso quo olo consoguo oo pootlzor
o sl mosmo.
Mos rotornomos ò obsorvoçoo ontorlor, do quo umo colso ó se
Jeìxur crìur poetìcumente o umo outro ó crìur u sì mesmo poetìcu-
mente (Jìgte sìg selo}. Com ololto, oquolo quo so dolxo crlor tom
tombóm um contoxto dodo dotormlnodomonto, oo quol olo dovo
ojustor-so, o osslm olo noo so torno umo polovro som sontldo,
orroncodo do suo conoxoo. Mos poro o lrónlco, osto contoxto, quo
olo quollllcorlo do opôndlco, noo tom nonhumo volldodo, o como olo
noo osto lntorossodo om lormor-so o sl mosmo do monolro o ojustor-
so oo sou molo, ó proclso quo oqullo quo o clrcundo so dolxo
conlormor com olo, ou sojo, olo noo oponos crlo pootlcomonto o sl
mosmo, mos poetìzu ìguulmente seu munJo cìrcunJunte. O lrónlco
llco oi porodo, orgulhosomonto lochodo om sl mosmo, o loz os
homons doslllorom dlonto dolo, como Adoo com os onlmols, o noo
oncontro componhlo poro sl. Por osso otltudo, olo ontro constonto-
monto om collsoo com o roolldodo o quo portonco. Torno-so por lsso
lmportonto suspenJer oqullo quo ó o constltulnto do roolldodo
olotlvo, oqullo quo o ordono o sustonto, lsto ó, u morul e u oìJu étìcu.
244
E ols quo nos oncontromos ogoro no ponto quo lol o prlnclpol objoto
do otoquo do Hogol. Tudo o quo subslsto no roolldodo dodo tom poro
o lrónlco somente oulìJuJe poétìcu; pols, ollnol, olo vlvo pootlcomon-
to. Mos quondo o roolldodo dodo pordo, dosto monolro, o suo
volldodo poro o lrónlco, lsto noo ocontoco porquo olo oro umo
roolldodo coduco, quo dovlo sor substltuido por umo outro mols
vordodolro, o slm porquo o lrónlco ó oquolo Eu otorno, poro o quol
nonhumo roolldodo ó o odoquodo. Asslm doscobrom-so tombóm
ogoro os rozoos polos quols o lrónlco so coloco poro olóm do morol
o do vldo ótlco, otltudo quo o proprlo Solgor roprovo, quondo dlz
quo noo ó o quo olo ontondo por lronlo. Proprlomonto noo so podo
dlzor quo o lrónlco so coloco loro o oclmo do morol o do vldo ótlco,
mos olo vlvo do umo monolro domoslodo obstroto, domoslodo
motolislco o ostótlco poro podor chogor ò concroçoo do morol o do
ótlco. Poro olo, o vldo ó um dromo, o o quo o ocupo ó o onrodo
ongonhoso do dromo. Elo mosmo ó ospoctodor, olndo quondo olo
proprlo ó o otor. lnllnltlzo por lsso o sou ou, volotlllzo-o motolislco o
ostotlcomonto, o omboro do voz om quondo so rocolho too ogoistlco
o ostroltomonto quonto possivol, om outros horos tromulo too solto
o dlstondldo, quo o mundo lntolro podorlo cobor nolo. Elo so
ontuslosmo dlonto do umo vlrtudo quo so socrlllco, osslm como um
ospoctodor so ontuslosmo no tootro; olo ó um critlco rlgoroso quo
sobo multo bom quondo osto vlrtudo so torno lnsipldo o lolso. Elo ó
copoz do so orropondor, mos so orropondo ostótlco o noo morolmon-
to. No lnstonto do orropondlmonto, olo osto ostotlcomonto por clmo
do sou orropondlmonto, oxomlno so osto osto corroto ostotlcomonto
o so coborlo bom como umo rópllco no boco do umo porsonogom
poótlco.
No modldo quo o lrónlco, com o llconço poótlco molor possivol,
so crlo o sl mosmo o oo mundo clrcundonto, no modldo quo osslm
olo vlvo sompro no modo hlpotótlco o subjuntlvo, o suo vldo perJe
toJu contìnuìJuJe. Com lsso, olo so submoto totolmonto oo ostodo
do ônlmo (Stomnlng). Suo vldo so roduz o merus Jìsposìçoes ujetìous
(luttor Stomnlngor). Oro, ó corto quo tor ostos dlsposlçoos do ônlmo
podo sor olgo do multo vordodolro, o nonhumo vldo torrono ó too
obsoluto oo ponto do lgnoror o controdlçoo quo oi rosldo. Mos numo
vldo soudovol o dlsposlçoo olotlvo ó ollnol oponos umo potoncloçoo
do vldo quo do rosto so oglto o so movo om olguóm. Um crlstoo sórlo
sobo multo bom quo ho lnstontos om quo olo osto tomodo mols
prolundomonto o do monolro mols vlvo polo vldo crlsto do quo
hobltuolmonto; mos nom por lsso olo so torno um pogoo quondo o
dlsposlçoo do ônlmo posso. Quonto mols soudovol o sorlomonto olo
245
vlvo, tonto mols quor pormonocor sonhor do sou ostodo olotlvo
(Stomnlngon), quor dlzor, tonto mols quor humllhor-so sob osto o
com lsso solvor suo olmo. Mos dodo quo noo ho nonhumo contlnul-
dodo no lrónlco, osslm so sucodom um oo outro os mols opostos
ostodos do ônlmo. Oro olo ó um dous, oro um groo do orolo. Suos
tonolldodos olotlvos (Stomnlngor) soo too cosuols como os oncorno-
çoos do Brohmo. E o lrónlco, quo se crê lìore, col por lsso sob o lol
torrivol do lronlo do mundo o llco ponondo sob u muìs ussustuJoru
escruoìJdo. Mos o lrónlco ó um pooto, o doi rosulto quo, mosmo
sondo umo bolo jogodo polos coprlchos do lronlo do mundo, nom
sompro olo do o lmprossoo do o sor. Elo pootlzo tudo, o pootlzo junto
os ostodos do ônlmo. Poro sor llvro do loto, olo proclso tor os
tonolldodos olotlvos om sou podor, por lsso codo tonolldodo olotlvo
tom do sor lnstontonoomonto substltuido por outro. So òs vozos
ocontoco quo os ostodos do ônlmo so sucodom um oo outro do
monolro dososporodo, otó olo porcobo quo os colsos noo ondom
multo bom; ontoo olo so pootlzo. Ele ìnoentu poetìcumente quo ó olo
proprlo quo ovoco os ostodos do ônlmo, olo pootlzo otó porollsor-so
osplrltuolmonto o dolxor do pootlzor. A proprlo tonolldodo olotlvo
portonto noo tom nonhumo roolldodo poro o lrónlco, o ó roro quo
olo dô llvro curso òs tonolldodos olotlvos sonoo sob u jormu Jo
contruste. Suos olllçoos so ocultom no nobro lncognlto do grocojo,
suo ologrlo ó onvolvldo om lomontoçoos. Oro olo osto o comlnho do
convonto, o duronto o trojoto vlslto o montonho do Vônus, logo olo
so dlrlgo ò montonho do Vônus o duronto o vlogom rozo om um
convonto.
Tombóm os omproondlmontos clontillcos do lronlo ovonçom
do ocordo com o ostodo do ônlmo. E lsso prlnclpolmonto o quo Hogol
condono om Tlock, o quo tombóm vom ò luz om suo corrospondônclo
com Solgor: oro tom todos os rospostos, oro olo olndo procuro; oro
olo ó dogmotlco, oro ó cótlco; oro vol o Jocob Böhmo, oro oos grogos,
o osslm por dlonto: ó tudo umo quostoo do ônlmo (lutter 5temnìn-
ger). E no ontonto, como ollnol sompro dovo hovor um loço, poro
llgor num conjunto ostos opostos, umo unldodo ondo so rosolvom
os onormos dlssonônclos dossos tonolldodos olotlvos, olhondo os
colsos mols do porto tombóm so oncontroro osto unldodo no lrónlco.
TéJìo ó o unìcu contìnuìJuJe quo o lrónlco tom. Tódlo, osto otornl-
dodo som contoudo, osto lollcldodo som gozo, osto prolundldodo
suporllclol, osto soclododo lomlnto. Mos o tódlo ó proclsomonto o
unldodo nogotlvo ossumldo numo consclônclo possool, om quo os
controrlos dosoporocom. Nlnguóm ho do contostor quo no momonto
otuol tonto o Alomonho quonto o Fronço possuom umo quontldodo
246
lmonso do tols lrónlcos, o noo proclsom mols lozor-so lnlclor nos
mlstórlos do tódlo por olgum lordo lnglôs, mombro ltlnoronto do um
clubo do spleen; o olguns dontro ostos jovons robontos do jovom
Alomonho o do jovom Fronço ho multo tompo ostorlom mortos do
tódlo so sous rospoctlvos govornos noo so tlvossom mostrodo bos-
tonto potornols mondondo prondô-los o osslm lhos dondo olgo poro
rollotlr. So so qulsor tor um rotroto mognillco do um tol lrónlco, quo
justomonto por suo dupllcldodo do oxlstônclo coroco do oxlstônclo,
ou gostorlo do lombror oponos Aso-Loko*.
Vomos oqul como u ìronìu permunece sempre negutìou: no
ospocto toorlco olo ostoboloco um dosocordo ontro ldólo o roolldodo,
ontro roolldodo o ldólo; no ospocto protlco ontro posslbllldodo o
roolldodo, ontro roolldodo o posslbllldodo. Poro domonstror lsso, o
sogulr, no lonómono hlstorlco do lronlo, ou dovo porcorror um pouco
mols om dotolhos os sous roprosontontos mols lmportontos.
FRIEDRICH SCHLEGEL
Do Frlodrlch Schlogol, oqul so dovo tomor como objoto do
dlscussoo o bom conhocldo romonco LucìnJe, quo so tornou o
ovongolho do Jovom Alomonho, o slstomo poro o suo ¨Roobllltoçoo
do Corno¨, o quo poro Hogol oro olgo obomlnovol
10
. Esto dlscussoo
noo osto llvro, contudo, do dlllculdodos; pols jo quo, como so sobo,
LucìnJe ó um llvro bostonto losclvo, locllmonto ou corro o porlgo do,
oo rossoltor tol ou quol possogom poro um oxomo mols dotolhodo,
tornor lmpossivol poro o loltor mols puro solr dosso totolmonto soo
o solvo. Eu sorol, contudo, too culdodoso o modorodo quonto
possivol.
Poro noo comotor lnjustlço com Schlogol, dovo-so rocordor us
muìtus ìnoersoes quo so lntroduzlrom lurtlvomonto nos mols vorlodos
dominlos do vldo o tôm sldo lnconsovols om tornor o umor too docll,
too bom omostrodo, too lônguldo o rostolro, too lndolonto, too utll o
oprovoltovol como um onlmol domóstlco, numo polovro, too prlvodo
do orotlsmo quonto possivol. Nosto sontldo, dovor-so-lo ostor multo
groto o Schlogol so olo tlvosso consoguldo oncontror umo soido, mos
lnlollzmonto o cllmo doscoborto por olo, o unlco sob o quol o omor
* Divindade escandinava, cujas ações – ora amistosas ora desleais – explicam a
“duplicidade” a que se refere o autor. (N.R.)
247
podorlo prosporor, noo ó um cllmo mols morldlonol om roloçoo oo
nosso cllmo do norto, mos ó um cllmo ldoollzodo quo noo so oncontro
om lugor nonhum. Por lsso, noo bosto quo os gonsos o os potos
domóstlcos do omor cosolro botom os osos o olovom umo lormldovol
grltorlo quondo ouvom o possoro solvogom do omor zunlndo oclmo
do suos coboços; mos todo homom com um sonso poótlco mols
prolundo, com onsolos lortos domols poro so dolxor prondor nos tolos
do oronho romôntlcos, o com oxlgônclos ò vldo podorosos domols
poro so contontor com oscrovor um romonco, dovo oqul lovontor sou
protosto, justomonto om nomo do pooslo, o dovo procuror domons-
tror quo noo ó umo soido o quo Fr. Schlogol oncontrou, mos slm um
dosvlo om quo olo so dosoncomlnhou, dovo procuror domonstror
quo vlvor noo ó o mosmo colso quo sonhor. So olhormos mols do
porto oqullo quo Schlogol comboto com suo lronlo, cortomonto
nlnguóm ho do nogor quo hovlo o quo ho multo colso no lniclo, no
contlnuoçoo o no conclusoo do vldo conjugol quo moroco umo tol
corroçoo o quo lovo o sujolto noturolmonto o so llbortor do tols colsos.
Exlsto oi umo sorlododo bltolodo domols, umo ônloso no convonlôn-
clo ou utllldodo, umo mìserúoel teleologìu ldolotrodo por tontos
homons o quo oxlgo como vitlmo odoquodo o socrlliclo do todos os
omblçoos lnllnltos. Asslm, o omor noo ó nuJu em sì e puru sì, mos
oponos so torno olgo groços o umo llnolldodo, submotondo-so osslm
òquolo mosqulnhoz quo loz ¨Furoro¨ no tootro prlvodo do lomillo.
¨Tor lntonçoos, oglr por lntonçoos, o urdlr lntonclonolmonto, do
monolro ortistlco, lntonçoos com lntonçoos; osto mou costumo osto
too prolundomonto onrolzodo no louco noturozo do homom somo-
lhonto o Dous quo, so olo olgumo voz qulsor movlmontor-so llvro-
monto no corrontozo lntorlor dos lmogons o dos sontlmontos quo
lluom otornomonto, otó poro lsso olo toro do dltor-so vordodolros
proscrlçoos o tronslormor lsso om umo lntonçoo¨ (p. 153). ¨E cloro,
o monolro como os possoos omom, ó outro colso. Ai o homom omo
no suo mulhor o outro soxo, o mulhor omo o morldo somonto om
lunçoo do suos quolldodos noturols o do suo oxlstônclo burguoso, o
ombos omom nos lllhos oponos o obro o o proprlododo dolos¨ (p.
55). ¨Oh! ó vordodo, mlnho omlgo, o sor humono ó por noturozo
umo bosto slsudo¨ (p. 57). Ho umo rlgldoz morol, umo comlso do
lorço, dontro do quol nonhum homom rozoovol consoguo movor-so.
Em nomo do Dous, quo so rompom! Em controsto com lsso, ho
nupclos tootrols onluorodos do um romontlsmo oxogorodo, poro os
quols o noturozo polo monos noo podo colocor nonhumo llnolldodo,
o com cujos doros lnlocundos o obroços lmpotontos nom os ostodos
crlstoos nom os pogoos soo sorvldos. Quo o lronlo dosobo contro
248
ostos colsos. Poróm noo ó unlcomonto contro todos ostos colsos quo
Schlogol dlrlgo o sou otoquo.
Ho umo concepçdo crìstd do cosomonto quo tovo oudoclo
sullclonto poro onunclor, no momonto mosmo dos nupclos, o mol-
dlçoo, ontos do proclomor o bônçoo. Ho umo concopçoo crlsto quo
submoto tudo oo pocodo, noo conhoco nonhumo oxcoçoo, nodo
poupo, nom o crlonço no solo do moo, nom o mols bolo dos mulhoros.
Ho umo sorlododo nosto concopçoo, prolundo domols poro sor
comproondldo polos ocupodos trobolhodoros do prosolco dlo-o-dlo,
sovoro domols poro sor rldlculorlzodo polos lmprovlsodoros do coso-
monto. - Asslm, jo so possorom os tompos om quo os homons vlvlom
too lollzos som culdodos o proocupoçoos, too lnocontos, quondo tudo
oro too humono; ontoo, os proprlos dousos dovom o tom, do voz om
quondo dopunhom suo dlgnldodo colostlol poro surrlplor o omor do
mulhoros torronos; ontoo, oquolo quo coutoloso o socrotomonto so
dlrlglo lurtlvomonto poro um oncontro morcodo, podlo tomor, ou
mosmo llsonjoor-so com o posslbllldodo do vor um dous ontro sous
rlvols; oquolos tompos om quo o cóu, olto o bolo, so curvovo sobro
omoros lollzos como tostomunho omlstoso, ou colmo o sorlomonto
os ocultovo no qulotudo solono do nolto; quondo ontoo tudo vlvlo
poro o omor, o tudo, por suo voz, oro poro os omontos lollzos oponos
um mlto do omor. E oqul quo so sltuo o dlllculdodo, o ó o portlr dosto
ponto do vlsto quo so dovom julgor todos os tontotlvos do Schlogol o
do novo o do ontlgo goroçoo romôntlco. Aqueles tempos jú pussurum,
o mosmo osslm u nostulgìu romdntìcu recuu otó olos, rumo oos quols
omproondo noo peregrìnutìones sucrus, mos projunus. So losso
possivol roconstrulr um tompo dosoporocldo, ontoo so dovorlo ro-
construi-lo om todo o suo purozo, o dosto modo o holonlsmo om todo
o suo lngonuldodo.
Mos lsto o romontlsmo noo loz. Proprlomonto, noo ó o holo-
nlsmo quo olo roconstrol, mos olo lnvonto um contlnonto dosconho-
cldo. E noo oponos lsto, mos o sou prozor ó oltomomto rollnodo; pols
olo noo so contonto oponos om gozor lngonuomonto, mos oo mosmo
tompo quor pormonocor consclonto do onlqullomonto do otlcldodo
dodo; ó como quo o poroxlsmo do sou gozo sorrlr doquolo otlcldodo
sob o jugo do quol os outros, como so crô, susplrom, o oi osto o llvro
jogo do orbltrorlododo lrónlco. Ao colocor o ospirlto, o Crlstlonlsmo
pós o dlscordlo ontro o corno o o ospirlto
11
, o, ou o ospirlto dovo
nogor o corno, ou o corno nogor o ospirlto. Esto ultlmo oltornotlvo ó
o quo o romontlsmo quor, o nlsto ó dlloronto do holonlsmo: porquo
no gozo do corno gozo oo mosmo tompo o nogoçoo do ospirlto. Com
lsto olo lntonto ontoo oìoer poetìcumente; ou crolo, poróm, quo so
249
mostroro quo olo llco prlvodo justomonto do poótlco, pols so otrovós
do roslgnoçoo rosulto o vordodolro lnllnltudo lntorlor, o somonto osto
lnllnltudo lntorlor ó om vordodo lnllnlto o om vordodo poótlco.
A LucìnJe Je 5cllegel quor suspondor todo otlcldodo, ou,
como Erdmonn so oxprlmo, com bostonto lollcldodo: ¨Todos os
dotormlnoçoos ótlcos soo oponos jogo, ó orbltrorlo poro oquolo quo
omo, so o cosomonto ó monogomlo, so o cosomonto ó en quutre (o
quotro) otc.¨
12
E, vomos odmltlr, so Luclndo losso moromonto um
coprlcho, lllho lontosloso do orbltrorlododo, bolonçondo ologromon-
to os pornos como o poquono Gullhormlno, som so proocupor com
sou vostldo o nom com o quo os outros podorlom julgor; so losso
oponos umo trovossuro jocoso quo oncontrosso suo ologrlo om
colocor tudo do coboço poro bolxo, vlrondo o rovlrondo tudo; so
losso oponos umo lronlo ongroçodo sobro todo o otlcldodo quo so
ldontlllco com os usos o os costumos: quom hovorlo do quoror sor
too rldiculo poro noo rlr dlsso tudo, ondo hovorlo olguóm too
coboçudo quo noo so dlvortlsso dollclosomonto do bom grodo¹
Entrotonto, osto noo ó do modo olgum o coso, multo polo controrlo,
Luclndo tom um curúter oltomonto Joutrìnúrìo, o umo corto sorlodo-
do moloncollco, quo porposso o llvro, poroco provlr do loto do sou
horol tor chogodo too tordo oo conhoclmonto doquolo vordodo
morovllhoso, o osslm umo porto do suo vldo tor-so possodo som
provolto. A ¨lmpudônclo¨ (Freclleìt), ò quol osto romonco so roloro
too lroquontomonto, como quo conclomondo o olo, noo ó, portonto,
umo coprlchoso susponsoo momontônoo do voloros objotlvos, como
so o omprogo do polovro ¨lmpudônclo¨ oqul noo losso mols quo umo
trovossuro, quo, por puro potulônclo, so opllcovo om omprogor umo
oxprossoo mols lorto; noo, osto lmpudônclo ó oqullo quo o gonto
chomo som mols nom monos lmpudônclo, mos quo ó too omovol o
lntorossonto quo u lonestìJuJe, u moJéstìu o u Jecêncìu, ò prlmolro
vlsto otroontos, oo sou lodo so mostrom como personugens reulmen-
te ìnsìgnìjìcuntes. Quo LucìnJe tonho um tol corotor doutrlnorlo
(romonco do toso), sobro lsto concordoro quolquor um quo tonho
lldo o llvro. E so olguóm protondosso nogo-lo, ou lho podlrlo poro
oxpllcor o dlllculdodo sogulnto: como ó quo o Jovom Alomonho pódo
ongonor-so tonto¹ So olo consogulsso rospondor sotlslotorlomonto,
ontoo ou gostorlo do rocordor quo Schlogol, como so sobo, tornou-so
cotollco dopols, o como tol doscobrlu quo o Rolormo lol o sogundo
quodo no pocodo, o quo lndlco sullclontomonto quo olo lovoro o sórlo
LucìnJe.
Portonto, o quo LucìnJe protondo ó superur todo otlcldodo,
noo so no sontldo do usos o costumos, mos slm, todo oquolo otlcldodo
250
quo ó o volldodo do ospirlto, u Jomìnuçdo Jo espirìto sobre u curne.
Tombóm so mostroro portonto quo olo corrospondo oxotomonto
òqullo quo ontorlormonto coroctorlzomos como sondo o ospocillco
poro o oslorço do lronlo: suprlmlr todo o roolldodo o pór om sou lugor
umo roolldodo quo noo ó nonhumo roolldodo; o por lsso tombóm
osto totolmonto corto quo oquolo jovom, ou molhor, oquolo mulhor,
om cujos broços Jullus oncontrovo ropouso, quo LucìnJe ¨losso
tombóm umo doquolos quo tôm umo quodo multo grondo poro o
romôntlco, o quo noo vlvom no mundo ordlnorlo, mos num mundo
quo olos mosmos crlorom o ponsorom¨ (p. º6), umo doquolos,
portonto, quo proprlomonto noo tôm nonhumo outro roolldodo olóm
do roolldodo sonsivol, osslm como umo dos moloros torolos do Jullus
losso o do lmoglnor um obroço otorno, provovolmonto como o unlco
vordodolro roolldodo.
So consldoromos ontoo LucìnJe como um tol cotoclsmo do
omor, olo oxlgo do sous dlscipulos ¨o quo Dldorot chomo um
conhoclmonto sonsivol do corno¨, ¨um dom roro¨, o so compromoto
o dosonvolvô-lo otó oquolo sonso ortistlco suporlor do voluplo (p. 2º
o 30), o Jullus so oprosonto como socordoto dosto culto dlvlno, ¨noo
som unçoo¨, como oquolo, ¨o quom o voz do proprlo ospirlto so loz
oscutor otrovós do cóu oborto: Tu ós mou lllho omodo, om quom
tonho mlnho ololçoo¨ (p. 35), como oquolo quo conclomo o sl
mosmo o oos outros: ¨Consogro-to o tl mosmo o onunclo quo so o
noturozo ó dlgno do honro o so o soudo ó omovol¨ (p. 27). O quo
Luclndo quor ó uquelu sensuulìJuJe nuu, poro o quol o ospirlto ó um
momento neguJo; oqullo o quo olo so opoo ó uquelu espìrìtuulìJuJe,
no quol o sonsuolldodo ó um momento ucollìJo e ìncorporuJo.
Nosto sontldo, ó lncorroto quondo o poquono Gullhormlno, com dols
onos do ldodo, ¨o possoo mols osplrltuoso do suo ópoco ou do suo
ldodo¨ (p. 15), ó oprosontodo como o sou ldool, pols om suo osloro
sonsivol o ospirlto noo ó nogodo, dodo quo o ospirlto olndo noo osto
prosonto. O quo olo quor ó o nudoz, o ó por lsso quo dotosto o lrlo
nordlco; quor oscornocor do ostroltozo montol, quo noo consoguo
suportor o nudoz. So lsto ó do loto ostroltozo montol, ou so, ontos, o
vostlmonto quo nos cobro ó umo bolo lmogom do como dovo sor
todo sonsuolldodo - pols quondo o sonsuolldodo osto domlnodo
osplrltuolmonto olo noo osto do todo nuo -, sobro lsto noo quoro
lnslstlr, mos oponos rocordor quo so costumo dosculpor o Arqulmo-
dos o loto do tor porcorrldo polodo os ruos do Slrocuso, o cortomonto
noo por couso do cllmo omono, morldlonol, mos slm porquo o suo
ologrlo osplrltuol, sou houroko, houroko o cobrlo sullclontomonto.
251
A conlusoo o o dosordom quo LucìnJe quor lntroduzlr no
mundo ostobolocldo, o romonco tonto llustror plostlcomonto com o
mols comploto conjusdo nu estruturu. Jullus norro por lsso, logo no
lniclo, quo junto com os domols rogros do rozoo o do vlrtudo olo
tombóm obondonou o ostllo (p. 3), o ò p. 5 olo dlz: ¨Poro mlm o poro
osto oscrlto, poro mou omor por olo o poro sou dosonvolvlmonto om
sl, noo ho nodo mols odoquodo do quo, logo do comoço, ou onlqullor
oqullo quo nos chomomos ordom o olosto-lo bom dolo o rolvlndlcor
poro mlm o dlrolto o umo ostlmulonto conlusoo, ollrmondo-o no
protlco¨. Com lsso olo quor ontoo olconçor o vordodolromonto
poótlco, o quondo olo ronunclo o todo ontondlmonto o dolxo o
lontoslo rolnor sozlnho
13
, bom podo sor quo olo tonho sucosso o
tombóm o loltor, so coloboror, o conslgom montor polo lorço do
lmoglnoçoo osto conluso mlsturo om umo unlco lmogom om otorno
movlmonto. - A dospolto dosto conlusoo ou quoro mosmo osslm mo
oslorçor por trozor umu espécìe Je orJem ò mlnho oxposlçoo o lozor
com quo o todo so ogrupo om um dotormlnodo ponto.
O horol dosto romonco, Jullus, noo ó nonhum Don Juon (o
quol, com suo sonsuolldodo gonlol, onconto o todos, como um
loltlcolro; o quo oporoco com umo outorldodo lmodloto, quo mostro
sor olo sonhor o princlpo, umo outorldodo quo o polovro noo podo
doscrovor, mos do quol so podo tor umo ldólo om olguns toquos do
orco obsolutomonto lmporlosos do Mozort; o quo noo soduz, mos por
quom todos quorom sor soduzldos, o so suo lnocônclo lhos losso
dovolvldo olos so dosojorlom sor soduzldos outro voz; um domónlo,
quo noo tom nonhum possodo, nonhumo hlstorlo do sou dosonvol-
vlmonto, mos quo como Mlnorvo jo solto poro o vldo complotomonto
ormodo); o horol dosto romonco ó umo personulìJuJe presu u
rejlexdo, quo so so dosonvolvo sucosslvomonto. Em Lelrjulre Jer
Mdnnlìclkeìt (Anos do oprondlzodo do moscullnldodo) nos llcomos
conhocondo osto suo hlstorlo mols do porto. ¨Brlncor do loroo com
o oporônclo do mols vlvo polxoo o contudo ostor dlstroido o ousonto;
om um lnstonto do ordor orrlscor tudo o, logo dopols do tor pordldo,
olostor-so doll lndlloronto: osto oro um dos mous hobltos, sob os quols
Jullus lo lovondo suo juvontudo solvogom¨ (p. 5º). O outor crô tor
Jescrìto u oìJu Je Julìus sujìcìentemente com este unìco truço. E nlsto
nos ostomos plonomonto do ocordo com olo. Jullus ó um homom
jovom quo lntorlormonto osto dllocorodo o oxotomonto groços o osto
dllocoromonto rocobou umo ldólo vlvo doquolo moglo dos duondos,
quo om poucos lnstontos podlo tornor um homom multos, multos
onos mols volho; um jovom quo groços oo sou dllocoromonto osto
no posso oporonto do umo onormo quontldodo do lorços, too corto
252
como o ontuslosmo do dososporo do lorços otlótlcos; um jovom quo
jo ho multo tompo lnlclou o grun jìnule, mos olndo lovonto suo toço
poro o mundo com umo corto dlgnldodo o groço, com umo corto
lovozo osplrltuol o rouno todos os suos lorços num unlco olonto poro
com umo portldo brllhonto lonçor umo luz morovllhoso sobro suo
vldo quo noo tovo nonhum volor o quo noo dolxoro nonhumo locuno
otros do sl; um homom jovom, quo duronto multo tompo ostovo
lomlllorlzodo com o ldólo do um sulcidlo, mos os tompostodos do suo
olmo noo lho dolxorom tompo poro tomor umo doclsoo. E portonto
o omor quom o dovoro solvor. Dopols do tor ostodo bom proxlmo
do soduzlr umo lnoconto monlnlnho (umo ovonturo quo ontrotonto
noo tom obsolutomonto nonhumo outro consoquônclo; pols olo oro
ovldontomonto lnoconto domols poro podor sotlslozor suo ovldoz do
sobor), oncontrou om Llsotto o mostro quo olo proclsovo, umo
lnstrutoro quo jo ho multo tompo so tlnho consogrodo oos mlstórlos
noturnos do omor, o cujos llçoos publlcos Jullus tonto om voo
rostrlnglr o oulos portlculoros o oxcluslvos.
O rotroto do Llsotto ó tolvoz umo dos colsos mols mlnucloso-
monto oloborodos do todo o romonco, o o outor o trotou com vlsivol
prodlloçoo, tudo lozondo poro lonçor sobro olo umo luz poótlco.
Como crlonço, olo tlnho sldo mols moloncollco do quo onlmodo, mos
jo ontoo Jemonìucumente entusìusmuJu pelu sensuulìJuJe (p. 78).
Dopols tlnho sldo otrlz, mos somonto por pouco tompo, o sompro
oscornoclo do suo lolto do jolto o do tódlo quo suportoro. Por llm, so
olortoro totolmonto oo sorvlço do sonsuolldodo. Alóm do suo lndo-
pondônclo, o quo olo omovo dosmosurodomonto oro o dlnholro, quo
poróm soblo omprogor com bom gosto. Componsovom sous lovoros
oro umo somo do dlnholro, oro o sotlsloçoo do suos prodlloçoos
coprlchosos por um lndlviduo. Sou ¨boudolr¨ oro slmplos o dospo-
jodo do todos os movols costumolros, oponos por todos os lodos
ospolhos grondos o coros, o, ontro ostos, quodros suntuosos do
Corrogglo o Tlclono. Em voz do codolros, outôntlcos topotos orlontols
o olguns grupos do mormoro do motodo do tomonho noturol. Ai olo
so ossontovo ò monolro turco duronto o dlo lntolro, sozlnho, com os
bruços cruzuJos ocìosumente, pols tlnho horror o todo trobolho
lomlnlno. Elo so rolroscovo oponos do tompos om tompos com
porlumos, o dolxovo ontoo quo o sou ¨jocko,¨, um goroto do umo
bolozo do ostotuo, quo olo mosmo soduzlro quondo olo tlnho quotorzo
onos, losso poro olo hlstorlo, rolotos do vlogons o contos. Prestuou
poucu utençdo, o noo sor quondo surglo olgo rldiculo ou umo
obsorvoçoo gorol quo olo consldorosso vordodolro; pols noo ostlmovo
nom tlnho ouvldos poro nodo quo noo losso roolldodo, o ochovo
253
rldiculo todo pooslo. E osto o doscrlçoo quo Schlogol loz do umo vldo
quo, por mols porvortldo quo losso, poroco tor tldo o protonsoo do
sor poótlco. O quo oi prodomlno ospoclolmonto ó o ocìo urìstocrutu,
quo noo osto o llm do nodo, noo osto o llm do trobolhor, o ontos
oborroco quolquor otlvldodo lomlnlno; noo osto o llm do ocupor o
sou ospirlto, mos dolxo oos outros osto torolo; umo oclosldodo quo
dovoro o osgoto todos os lorços do olmo om um gozo ejemìnuJo, o
dolxo o proprlo consclônclo ovoporor-so om um cropusculo ropulsl-
vo. Mos gozo lsto tlnho do sor, pols ollnol do contos gozor ó vlvor
pootlcomonto. O outor poroco tombóm quoror otrlbulr um volor
poótlco oo loto do quo oo dlstrlbulr os sous lovoros olo nom sompro
ponsovo om dlnholro; noquolos momontos om quo o quo dotorml-
novo suo oscolho noo oro o dlnholro, o outor poroco quoror olovor
o sou mlsorovol omor, dondo-lho um rolloxo doquolo dodlcoçoo quo
so o omor lnoconto possul, como so losso mols poótlco sor um sorvo
do humor do quo sor oscrovo do dlnholro. Ai olo sonto ontoo nosto
oposonto suntuoso, o, perJìJu poro sl mosmo, ó o conscìêncìu
oxtorlor, quo os grondos ospolhos produzom rollotlndo suo lmogom
do todos os lodos, o unlco consclônclo quo olo consorvou. E por lsso
tombóm quo olo costumovo, oo lolor do sl mosmo, chomor-so do
Llsotto, o lroquontomonto dlzlo quo, so soubosso oscrovor, oscrovorlo
o suo hlstorlo, como se josse u Je umu outru pessou, o lolovo
gorolmonto do sl mosmo do prolorônclo no torcolro possoo.
Mos lsto noo oro, obsolutomonto, porquo suos loçonhos no
torro tlvossom o slgnlllcoçoo hlstorlco lguol òs do Cósor, como so suo
vldo noo lho portoncosso, mos oo mundo; oro, lsso slm, porquo osto
oìtu unte uctu (vldo ontorlor) lho posovo domols, poro quo olo pudosso
oguontor o sou poso. Rollotlr sobro osto vldo, pormltlr quo ossos
llguros omooçodoros o julgossom, lsso sorlo domoslodo sérìo poro
podor sor poótlco. O quo olo quorlo oro dolxor osto vldo mlsorovol
dllulr-so om contornos lndollnldos, olho-lo posmodo, como olgo
complotomonto oxtorlor o sl mosmo. Quorlo choror por osto monlno
lnlollz o obondonodo, gostorlo tolvoz do lho dodlcor olgumo logrlmo;
poróm, quo osto monlno losso olo mosmo, lsto quorlo osquocor.
Quoror osquocor ó umo lroquozo, o contudo om tol omponho podo
òs vozos rovolvor-so umo onorglo quo oponto poro olgo do molhor;
ontrotonto, protondor rovlvor pootlcomonto o sl mosmo do tol mo-
nolro quo o orropondlmonto porco sou ogullhoo, porquo ollnol do
contos so troto do umo ostronho, quo noo dlz rospolto o olo, o quo o
gozo olndo so posso olovor polo socroto cumpllcldodo, lsto slm, ó umo
coourJìu torrlvolmonto olomlnodo. E noo obstonto ó este seu mergu-
llur nu nurcose estétìcu
14
quo, proprlomonto, om todo o LucìnJe,
254
oporoco como umo coroctorlzoçoo do quo sojo oìoer poetìcumente,
o quo, oo onvolvor o ou mols prolundo om um ostodo do sonombu-
llsmo, proporclono oo ou orbltrorlo um ospoço llvro poro suo outo-
sotlsloçoo lrónlco.
lsso olndo dovo sor objoto do umo lnvostlgoçoo um pouco mols
oprolundodo. Multo gonto procurou mostror quo osto ospóclo do
lltoroturo, ò quol portonco LucìnJe, ó lmorol; multo gonto grltou oh!
ol do vos! o tols lomurlos sobro o llvro; o contudo, onquonto so
pormltlr oo outor ollrmor obortomonto o oo loltor ocrodltor plomonto
quo tols llvros soo poótlcos, noo so toro consoguldo grondo colso, o
lsto tonto monos quonto o homom tom um dlrolto oo poótlco too
grondo como o dlrolto quo o morol tom sobro o homom. Quo so dlgo
ontoo, o olndo por clmo so provo, quo olos soo noo oponos lmorols
mos tombóm curentes Je poesìu porquo soo ìrrelìgìosos; o quo so
dlgo do umo voz por todos quo quolquor homom poJe oìoer poetì-
cumente so o quìser em oerJuJe. Com ololto, so porguntormos o quo
ó pooslo, podoromos rospondor com umo coroctorlzoçoo bom gorol
quo olo ó: umo vltorlo sobro o mundo; ó otrovós do umo nogoçoo
doquolo roolldodo lmporlolto quo o pooslo lnouguro umo roolldodo
suporlor, olorgo o tronsllguro o lmporlolto om porlolto, o com lsso
otonuo o dor prolundo quo quor oscurocor tudo. Dosto monolro, u
poesìu é umu espécìe Je reconcìlìuçdo, mos ndo é u oerJuJeìru
reconcìlìuçdo; pols olo noo mo roconclllo com o roolldodo om quo
ou vlvo, com suo roconcllloçoo noo ocorro nonhumo tronsubston-
cloçoo do roolldodo dodo, o slm olo mo roconclllo com o roolldodo
dodo proporclonondo-mo umo outro roolldodo, suporlor o mols
porlolto.
Quonto molor lor ontoo o oposlçoo, tonto mols lmporlolto soro
proprlomonto o roconcllloçoo, do modo quo multos vozos noo so
tornoro umo roconcllloçoo, mos ontos umo hostllldodo. Somonto o
rollgloso ostoro portonto proprlomonto om condlçoos do produzlr ou
vloblllzor u oerJuJeìru reconcìlìuçdo; pols olo lnllnltlzo o roolldodo
poro mlm. O poótlco ó por lsso umo ospóclo do vltorlo sobro o
roolldodo, mos o lnllnltlzoçoo conslsto oi mols numo omlgroçoo poro
loro do roolldodo do quo num pormonocor nolo. Vlvor pootlcomonto
ó portonto vlvor lnllnltomonto. Mos o lnllnltudo podo sor ou umo
lnllnltudo oxtorlor ou umo lnllnltudo lntorlor. O quo quor gozor om
poótlco lnllnltudo tom ontoo umo lnllnltudo poro sl, mos osto ó umo
ìnjìnìtuJe exterìor. Com ololto, oo gozor ou ostou constontomonto
loro do mlm mosmo no outro. Mos umo tol lnllnltudo dovo nocosso-
rlomonto obollr o sl mosmo. Somonto quondo ou, oo gozor, noo
ostou loro do mlm mosmo, mos slm om mlm mosmo, somonto ontoo
255
o mou gozo ó lnllnlto; pols olo ó ìnterìormente ìnjìnìto. Quom gozo
pootlcomonto, mosmo quo gozosso o mundo lntolro, corocorlo olndo
do um gozo, pols olo noo gozo o sl mosmo. Mos gozor o sl mosmo
(noturolmonto noo no sontldo ostolco ou ogoistlco, pols oi novomon-
to noo ho umo vordodolro lnllnltudo, o slm no sontldo rollgloso) ó o
vordodolro lnllnltudo.
Foltos ossos consldoroçoos, voltomos o oncoror o oxlgônclo do
oìoer poetìcumente como ìJêntìco uo gozur (o justomonto porquo o
nosso tompo osto too prolundomonto ponotrodo polo rolloxoo, osto
oposlçoo ontro o roolldodo poótlco o o roolldodo dodo tom do so
mostror om umo conllguroçoo multo mols prolundo do quo jomols
so vlu no mundo; pols ontlgomonto o dosonvolvlmonto poótlco
ondovo mono o mono com o roolldodo dodo, mos hojo o quo volo,
om vordodo, ó o sor ou noo sor, jo quo o gonto noo so contonto do
vlvor pootlcomonto do voz om quondo, mos oxlgo quo todo o vldo
sojo poótlco): mostro-so ontoo locllmonto quo se perJe o gozo
supremo, o vordodolro bom-ovonturonço, ondo o sujolto noo sonho,
mos so possul o sl mosmo om lnllnlto lucldoz, ó obsolutomonto
tronsporonto o sl mosmo; pols lsto so ó possivol poro o lndlviduo
rollgloso, quo noo tom suo lnllnltudo loro do sl, mos om sl. - O
vlngor-so ó osslm um gozo poótlco, o os pogoos ocrodltovom quo os
dousos tlnhom rosorvodo poro sl o vlngonço por olo sor doco;
ontrotonto, olndo quo ou sotlsllzosso obsolutomonto mlnho vlngonço,
olndo quo ou losso um dous no sontldo pogoo, dlonto do quom tudo
tromosso, o cujo logo do lro pudosso consumlr tudo, olndo osslm, no
vlngonço ou so gozorlo o mlm mosmo ogolstlcomonto, mou gozo
sorlo oponos umo lnllnltudo oxtorlor, o o mols slmplos do todos os
homons, quo noo codosso oo luror do vlngonço, mos domlnosso suo
lro, ostorlo multo mols proxlmo do tor voncldo o mundo, o so olo
gozorlo o sl mosmo om vordodo, so olo torlo lnllnltudo lntorlor, so olo
vlvorlo pootlcomonto. - So qulsormos, o portlr dosto ponto do vlsto,
consldoror o vldo quo om LucìnJe ó oprosontodo como umo vldo
poótlco, podoromos ontoo odmltlr quo ho nolo todo gozo possivol,
mos um prodlcodo noo so ho do nogor quo tomos o dlrolto do usor
poro olo: quo olo ó umo vldo ìnjìnìtumente coourJe.
Coso noo so quolro ollrmor quo sor covordo ó ldôntlco o vlvor
pootlcomonto, ontoo sorlo bom possivol quo osto vldo poótlco so
mostrosso como bostonto, ou, molhor dlto, completumente Jespro-
oìJu Je poesìu; pols vlvor pootlcomonto noo quor dlzor tornor-so
opoco o sl mosmo, dorrotor-so o sl mosmo num coloroo ropugnonto,
poróm quor dlzor tornor-so lucldo o tronsporonto o sl mosmo, noo
om sotlsloçoo llnlto o ogoistlco, mos slm om sou obsoluto o otorno
256
volor. E so lsso noo ó possivol poro todo o quolquor homom, ontoo
o vldo ó loucuro, o portonto ó umo tomorldodo louco o som lguol quo
o lndlviduo (don Enkolto), olndo quo sojo o mols tolontoso ontro
todos os quo vlvorom no mundo, quolro lmoglnor quo poro olo lol
rosorvodo o quo lol nogodo oos outros; pols dos duos umo: ou sor
homom ó o obsoluto, ou todo o vldo ó som sontldo, o o dososporo o
unlco colso rosorvodo poro quolquor um quo noo sojo too lnsonsoto,
too dosomoroso o orgulhoso, ou too dososporodo o ponto do cror
quo sojo o ololto. A gonto noo so dovo portonto rostrlnglr o llcor
doclomondo olgumos moxlmos morols contro todo oquolo tondônclo
quo dosdo LucìnJe, lroquontomonto com multo tolonto, lroquonto-
monto oncontondo bostonto, so propós, noo o orlontor, mos o
dosorlontor os possoos; mos o gonto ndo Jeoe permìtìr quo se
conoençum u sì mesmos e uos outros quo eles sdo poétìcos, ou quo
ó nosto comlnho quo so logroro oqullo o quo todo o quolquor homom
tom um dlrolto lncontostovol: vlvor pootlcomonto.
Mos nos rotornomos mols umo voz o Jullus o Llsotto. Llsotto
ocobo suo vldo como tlnho comoçodo, cumprlndo o gosto quo Jullus,
por lolto do tompo, noo podo complotor, o com um sulcidlo busco
olconçor o objotlvo do todos os suos poótlcos osplroçoos - lìorur-se
Je sì mesmu. Elo consorvo contudo o toto ostótlco otó o oxtromo, o
suo ultlmo rópllco, quo olo, do ocordo com sou sorvlçol, pronunclou
om voz olto: ¨Llsotto dovo lr oo lundo, oo lundo ogoro om soguldo:
osslm o quor o lnlloxivol dostlno¨, dovo sor oncorodo como umo
ospóclo do tollco dromotlco, bom noturol poro olguóm quo prlmolro-
monto loro ortlsto no tootro o mols tordo o lol no vldo. - A morto do
Llsotto dovlo noturolmonto lmprosslonor Jullus. Eu quoro ontrotonto
dor o polovro oo proprlo Schlogol, poro quo noo so ponso quo ostou
lolsoondo. ¨A prlmolro consoquônclo do ruino do Llsotto lol quo olo
possou o ìJolutrur suu lembrunçu com romonosco rospolto¨ (p. 77).
Todovlo, osto ovonto noo bostou poro omodurocor Jullus: ¨Esto
oxcoçoo òqullo quo Jullus consldorovo comum oo soxo lomlnlno¨
(o hobltuol nos mulhoros oro o noo possulr o ¨oxtromo onorglo¨ do
Llsotto), ¨oro domoslodo lnódlto o o omblonto ondo olo o oncontrou
domoslodo lmpuro poro podorom lovo-lo o umo vlsoo vordodolro¨
(p. 78).
Dopols, opos tor dolxodo Jullus rotroido por olgum tompo no
solldoo, Schlogol novomonto o coloco om contoto com o vldo soclol
o om umo roloçoo mols lntoloctuol com olguns mombros lomlnlnos
dosto soclododo, otrovosso mols umo voz multos oplsodlos omoro-
sos, otó quo llnolmonto oncontro om LucìnJe o unldodo do todos
oquolos momontos dlscrotos, oncontro, por osslm dlzor, tonto sen-
257
suulìJuJe quonto rìquezu Je espirìto. Como, ontrotonto, ostos llgo-
çoos omorosos noo ostoo lundodos mols prolundomonto do quo
numo sonsuolldodo lntoloctuollzodo, como noo tôm om sl nenlum
momento Je resìgnuçdo, com outros polovros, como noo so troto do
nonhum cosomonto, como so montóm o concopçoo do quo o
posslvldodo o vldo vogototlvo soo oxprossoos do umo ordom porlolto,
u etìcìJuJe é uquì muìs umu oez neguJu. Umo tol llgoçoo omoroso
noo podo portonto rocobor nonhum contoudo, no sontldo mols
prolundo noo podo tor nonhumo hlstorlo, os omontos possom
slmplosmonto o lozor en Jeux (o dols), o quo Jullus ocrodltovo sor o
molhor o lozor com o solldoo, ou sojo, modltor sobro o quo umo ou
outro sonhoro culto podorlo dlzor ou rospondor nosto ou noquolo
ocosloo plconto. Troto-so portonto do um omor som nonhum con-
toudo rool, o o otornldodo do quol olndo so lolo bostonto noo ó outro
colso sonoo o quo so podorlo chomor do o lnstonto otorno do gozo,
umo lnllnltudo quo noo ó nonhumo lnllnltudo, o como tol coroco do
pooslo. Noo so consoguo ontoo ovltor o sorrlso quondo umo llgoçoo
omoroso too dóbll o lrogll protondo sor copoz do roslstlr òs tompos-
todos do vldo, protondo lmoglnor-so com lorço sullclonto poro con-
sldoror ¨o mols osporo coprlcho do ocoso como sondo umo bolo
tlrodo do ospirlto o umo oxuboronto orbltrorlododo¨ (p. º), jo quo
osto omor, ollnol do contos, noo hoblto no mundo rool, o slm num
mundo lmoglnodo, ondo os omontos soo olos mosmos sonhoros dos
tompostodos o dos lurocoos. Umo voz quo tudo numo tol llgoçoo osto
voltodo poro o gozo, olo concobo tombóm ogolstlcomonto, ó cloro,
suo roloçoo com o goroçoo quo lho dovo o vldo: ¨Asslm o rollgloo do
omor onloço o nosso omor do monolro sompro mols lorto o prolundo;
o osslm tombóm o crlonço rodobro, como um oco, o prozor dos pols
corlnhosos¨ (p. 11). Soguldomonto oncontrom-so pols quo com
ostupldo sorlododo dosojom vor sous lllhos too logo quonto possivol
bom ostobolocldos, tolvoz otó vô-los bom ontorrodos; controstondo
com ostos, Jullus o Luclndo porocom quoror soguror os lllhos do
prolorônclo no ldodo do poquono Gullhormlno poro torom nolos sou
entretenìmento.
O quo ó ostronho om LucìnJe o om todo o tondônclo quo soguo
o osto romonco ó quo, portlndo Ju lìberJuJe Jo eu o do moturldodo
constltutlvo, om voz do chogorom o umo molor osplrltuolldodo,
ocobom nu meru sensuulìJuJe, o, com lsso, ocobom no sou contro-
rlo. No otlcldodo o roloçoo do ospirlto oo ospirlto ó lndlcodo, mos
quondo o ou quor umo llbordodo mols olto, quor nogor o ospirlto
ótlco, ocobo colndo sob o lol do corno o do lnstlnto. Mos como osto
sonsuolldodo noo ó lngônuo, soguo-so quo o mosmo orbltrorlododo
258
quo o colocou om sous protonsos dlroltos podo rovlror-so no lnstonto
sogulnto, poro rolvlndlcor umo osplrltuolldodo obstroto o oxogorodo.
Estos vlbroçoos podom ontoo sor comproondldos om porto como o
jogo do lronlo do mundo com o lndlviduo, o om porto como o
tontotlvo do lndlviduo do lmltor o lronlo do mundo.
TIECK
Do Tlock comontoromos ospoclolmonto olguns dromos sotirl-
cos o suo lirlco. Suos novolos mols ontlgos sltuom-so ontos do ópoco
om quo olo, groços oos lrmoos Schlogol, lol lovodo oo conhoclmonto
do vordodo; suos ultlmos novolos oproxlmom-so mols o mols do
roolldodo o noo roro procurom chogor o umo totol congruônclo com
osto, com umo corto omplltudo. Em Tlock ou jo rosplro um pouco
molhor, o so ontoo volto o olhor poro Luclndo slnto como so ostlvosso
ocordondo do um sonho do lnqulotonto ongustlo, no quol ou torlo
oo mosmo tompo ouvldo os ocordos sodutoros do sonsuolldodo o o
ulvo do loro solvogom, oi mlsturodos; slnto como so mo tlvossom
olorocldo umo boborogom ropugnonto, proporodo no coldolroo dos
bruxos, o quo tlro do quom o bobo todo gosto, todo opotlto polo vldo.
Schlogol toorlzo (docoror), dlrlglndo-so dlrotomonto contro o roolldo-
do. Com Tlock noo ó osto o coso: olo so ontrogo o umo unìmuçdo
poétìcu, montondo-o, poróm, no suo ìnJìjerençu jrente u reulìJuJe.
So quondo noo procodo osslm ó quo so oproxlmo do um otoquo ò
roolldodo, o mosmo nostos ocosloos o otoco so do lormo mols
lndlroto. Nlnguóm protondoro nogor quo umo tol onlmoçoo poótlco,
quo tronsbordo complotomonto num upo-upo oxcosslvomonto lró-
nlco, tonho o suo volldodo. Nosto ponto, Hogol comotou lroquonto-
monto lnjustlço com Tlock, o ou proclso concordor totolmonto com
o obsorvoçoo, lolto ollos por um lorvoroso hogollono, o osto rospol-
to
15
: ¨Elo so sontlo lguolmonto ò vontodo nos brlncodolros o no
ologrlo. Contudo, os pontos mols prolundos do humor lho llcorom
om porto lnocossivols, o o lormo mols roconto do lronlo ropugnovo
o tol ponto suo orlontoçoo quo quoso lho loltovo o copocldodo poro
roconhocor o chogor mosmo o oproclor o quo hovlo tombóm do
outôntlco nolo¨. Entrotonto, quonto mols umo tol oloboroçoo poótlco
so oproxlmo do roolldodo, quonto mols olo dopondo do rupturo com
o roolldodo poro so tornor lntollgivol, quonto mols polômlco olo
oncorro om sl, quonto mols olo loz do dosonvolvlmonto polômlco
umo condlçoo do slmpotlo do loltor, tonto mols olo se ujustu Ju
ìnJìjerençu poétìcu, pordo suo lnocônclo o torno-so lntonclonol. Noo
259
so troto mols do llconço poótlco, quo como Munchhouson so ogorro
o sl mosmo polo nuco o dosto modo, som um ponto do opolo,
susponso no or, oxocuto plruotos, umo mols ostronho do quo o outro;
noo so troto mols do lnllnltudo pontoistlco do pooslo; mos ó o sujolto
llnlto quo ormo o olovonco do lronlo poro orroncor todo o oxlstônclo
do sous gonzos mols llrmos. Todo oxlstônclo so torno ogoro um mero
jogo poro o orbltrorlododo poótlco, quo noo monosprozo nonhum
dotolho, nom mosmo o mols lnslgnlllconto, mos poro o quol nodo
subslsto, nom mosmo o mols ossonclol. Nosto sontldo, proclso-so
oponos porcorror o llsto dos porsonogons do umo poço do Tlock ou
do quolquor outro pooto romôntlco poro so tor umo noçoo do quonto
colso lnoudlto o oltomonto lnvorossimll ocorro nosto mundo poótlco.
Os onlmols lolom como homons, os homons como os blchos,
codolros o mosos tomom consclônclo do suo slgnlllcoçoo no oxlstôn-
clo, os homons sontom o oxlstônclo como umo colso som slgnlllco-
çoo, o nodo so torno tudo o tudo so tronslormo om nodo, tudo ó
possivol, otó o lmpossivol, tudo rlmo com tudo, otó o dlsporoto, quo
com nodo comblno.
E proclso ontrotonto rocordor quo Tlock o todo o escolu romdn-
tìcu ontrorom ou polo monos ponsorom ontror om contoto com umo
ópoco om quo os homons ostovom por osslm dlzor totolmonto
petrìjìcuJos numu orJem socìul Jejìnìtìou. Tudo ostovo plono o
ocobodo num dlvlno otlmlsmo chlnôs quo noo dolxovo lnsotlslolto
nonhumo osplroçoo logitlmo, nom lrroollzodo nonhum dosojo rozoo-
vol. Os prlnciplos o os moxlmos odmlrovols do trodlçoo orom objoto
do umo dovoto odoroçoo; tudo oro obsolutomonto o proprlo Abso-
luto; o gonto so obstlnho do pollgomlo o ondovo com chopóu
ormodo. Tudo tlnho o suo lmportônclo. Codo um modlo, com umo
dlgnldodo motlzodo o do ocordo com suo sltuoçoo ou poslçoo soclol,
o quonto podorlo roollzor o quo lmportônclo torlom sous oslorços
lnconsovols poro sl o poro o todo soclol. Noo so vlvlo, como os
¨quokors¨ lovlonomonto o lozom, som rospoltor os horos o os botldos
do componorlo; om voo tol lmplododo tontovo lntroduzlr-so sorrotol-
romonto. Tudo ondovo om sou posso tronqullo, modldo, mosmo
oquolo quo quorlo lnlclor um nolvodo, pols soblo, ollnol do contos,
quo suo couso oro logitlmo o quo ostovo dondo um posso oxtromo-
monto sórlo. Tudo sogulo o botor dos horos. No dlo do Soo Jooo, o
gonto so ospolhovo oo or llvro, ontuslostlcomonto; no grondo dlo do
Ponltônclo, o gonto llcovo contrlto sob o poolro; o gonto so opolxo-
novo oo complotor vlnto onos; òs doz horos om ponto o gonto lo poro
o como. A gonto controio motrlmónlo, vlvlo poro os colsos domóstlcos
o poro o poslçoo soclol dontro do Estodo; o gonto gonhovo lllhos,
260
gonhovo proocupoçoos cosolros; chogovo oo vlgor do ldodo, como
homom, oro obsorvodo nos oltos postos om suo obonçoodo otlvldo-
do, tlnho um troto omlgovol com o postor, sob cujos olhos o gonto
lovovo o cobo oplcomonto multos doquolos gostos gonorosos quo
lozom honrodo um nomo, o o gonto tlnho cortozo do quo o postor
um dlo, com o coroçoo omoclonodo, om voo procurorlo polovros
poro doscrovô-los, o gonto oro omlgo no vordodolro o slncoro sontldo
dosto polovro, um omlgo do vordodo, osslm como so oro Consolholro
do Estodo do vordodo.
A gonto ontondlo do mundo, o oducovo os lllhos poro quo ostos
tombóm chogossom o lsto, o umo nolto por somono o gonto so
ontuslosmovo ouvlndo o hlno do um pooto sobro o bolozo do
oxlstônclo; o do novo o gonto oro tudo poro os sous, ono opos ono,
com soguronço o proclsoo, som so otrosor um mlnuto. O mundo so
lnlontlllzovo, ele precìsuou rojuvonoscor. E nosto sontldo o romontls-
mo loz bom. Atrovosso o romontlsmo umo rojodo do vonto lrosco,
umo rolrosconto brlso motlnol vlndo dos llorostos vlrgons modlovols
ou do ótor puro do Gróclo; os llllstous sontom um cololrlo porpossor-
lhos o osplnho, poróm lsto ó nocossorlo poro vorror o mou cholro
bostlol quo otó ontoo o gonto tlnho rosplrodo. Os com onos possorom,
o costolo oncontodo rossurgo do torro, sous hobltontos dosportom, o
llorosto rosplro suovomonto, os possoros contom, o bolo prlncoso
otrol outro voz protondontos poro junto do sl; no llorosto rossoom do
novo os cornotos do coço o o lotldo dos coos, os complnos oxolom
porlumos, conçoos o pooslos so soltom do noturozo o osvooçom om
circulos, o nlnguóm sobo do ondo vôm ou poro ondo voo. O mundo
rojuvonosco, mos, como Holno obsorvou com multo ospirlto, roju-
vonoscou tonto com o romontlsmo quo so tornou Je nooo umu
crìuncìnlu. Esto ó o dosgroço do romontlsmo: noo ó o roolldodo o
quo olo ogorro. A pooslo dosporto, os lortos osplroçoos, os onsolos
socrotos, os sontlmontos quo oxoltom o o noturozo dosportom, o
prlncoso oncontodo dosporto - o o romdntìco odormoco. E om
sonlos quo olo vlvonclo tudo oqullo, o so ontos tudo dormlo oo sou
rodor, ogoro tudo osto ocordodo, mos olo dormo. Mos sonhos noo
onchom borrlgo. Fotlgodo o consodo olo ocordo, noo-rovlgorodo,
poro tornor o doltor-so poro dormlr, o logo proclso produzlr ortlllclol-
monto ostos ostodos do sonombullsmo. Entrotonto, quonto mols orto
ó proclso poro lsso, tonto mols oxtrovogonto so torno tombóm o ldool
quo o romôntlco ovoco.
E ontro ostos dols polos quo so movlmonto o pootor romôntlco.
Do um lodo osto u reulìJuJe JuJu com todo o sou mlsorovol ospirlto
llllstou, do outro lodo osto u reulìJuJe ìJeul com suos llguros cropus-
261
culoros. Estos dols momontos ostoo numo roloçoo nocossorlo um oo
outro. Quonto mols o roolldodo ó corlcoturodo, tonto mols olto jorro
o ldool, so quo o lonto quo oqul jorro noo solto poro o vldo otorno.
O loto, poróm, do quo osto pooslo so movlmonto ontro opostos,
mostro proclsomonto quo olo ndo ó, no sontldo prolundo, oerJuJeìru
poesìu. O vordodolro ldool noo ó, dum jolto ou do outro, um olóm;
olo osto otros do nos, no modldo quo ó o lorço quo lmpulslono; olo
osto odlonto do nos, no modldo quo ó o moto quo ontuslosmo; mos
oo mosmo tompo osto om nos, o osto ó suo vordodo.
Mos ó por lsso quo osto ospóclo do pooslo tombóm noo podo
ontror numo reluçdo vordodolromonto poótlco com o leìtor: oxoto-
monto porquo o proprlo pooto noo ontro numo roloçoo poótlco
outôntlco com suo pooslo. O ponto Je oìstu poétìco, om quo o pooto
so poslclonou, ó o urbìtrurìeJuJe poótlco; u ìmpressdo Je conjunto,
quo osto pooslo dolxo otros do sl, ó um ouzìo, no quol nodo rostou.
Esto orbltrorlododo so onunclo om todo o construçoo do obro. Oro
o poço so proclplto, oro olo ostoclono ostognondo num oplsodlo, oro
olo rocuo; oro ostomos no ruolo Podor Modson, oro no cóu; ogoro
ocorro olgo oltomonto lnvorossimll; mols odlonto ouvo-so um slno ò
dlstônclo, ó o cortojo plodoso dos trôs rols mogos; ogoro soguo um
solo do cornoto do coçodoros
16
; um orgumonto ó sustontodo com
sorlododo o no mosmo lnstonto so mostro o controrlo, o o unldodo
do rlso protondo roconclllor os oposlçoos, mos osto rlso ó ocompo-
nhodo do longinquos sons do llouto prolundomonto moloncollcos
otc., otc.
Oro, proclsomonto porquo todo o ostruturo noo so orgonlzo om
umo totolldodo poótlco, porquo o olomonto poótlco conslsto justo-
monto poro o pooto nosto llbordodo com quo olo dlspoo sobro tudo,
poro o loltor, no llbordodo com o quol olo lmlto os coprlchos do pooto,
porquo, dlgo ou, todo o ostruturo noo so orgonlzo om umo totolldodo
poótlco, ó por lsso mosmo quo os olomontos dlscrotos llcom lsolodos,
ou molhor, ó porquo os olomontos dlscrotos subslstom num oslorço
lsolodo quo nenlumu unìJuJe poétìcu podo surglr. O oslorço polô-
mlco jomols oncontro ropouso, pols o poótlco conslsto justomonto
om constontomonto llboror-so om novos polômlcos; o osslm como ó
dllicll poro o pooto oncontror o ldool, osslm tombóm ó dllicll poro olo
oncontror o corlcoturo. Codo troço polômlco contóm sompro um
mols, umo posslbllldodo do ultropossogom rumo o umo doscrlçoo
olndo mols osplrltuoso. O oslorço ldool noo tom, por outro lodo,
nonhum ldool, pols todo ldool ó no mosmo lnstonto moromonto umo
ologorlo, quo oncorro dontro do sl um ldool olndo mols olto, o osslm
por dlonto otó o lnllnlto. E por lsso quo o pooto noo podo dor ropouso
262
nom poro sl mosmo, nom poro o loltor, pols ropouso ó justomonto o
controrlo do um tol pootor. O unlco ropouso quo olo tom ó o
otornldodo poótlco, ondo olo vlslumbro o ldool, mos osto otornldodo
ó um obsurdo, jo quo olo ó som tompo, o por lsso, no lnstonto
sogulnto, o ldool so torno ologorlo.
Como Tlock possul umo ongonhosldodo som lguol poro con-
cobor o ospocto llllstou dos colsos, umo vlrtuosldodo morovllhoso
poro o porspoctlvo lolso, osslm o seu esjorço ìJeul tombóm tom umo
tol prolundldodo ortoslono, quo o lmogom quo dovo oporocor no cóu
vol sumlndo lnllnltomonto no lnllnlto. Elo tom um dom slngulor poro
suscltor no gonto umo sonsoçoo mlstorloso, morovllhoso, o os llguros
humonos ldools quo do voz om quondo oporocom podom proclso-
monto por sou ospocto blzorro lozor o gonto tromor do susto, pols so
ossomolhom òs vozos o ostronhos produtos do noturozo, com sou
olhor lntollgonto o llol lnsplrondo noo tonto conllonço, mos slm umo
corto unleìmlìcle Angst (ostronho o lnqulotonto ongustlo)
17
.
Dodo, pols, quo todo o oslorço dosto pooslo conslsto ossonclol-
monto om umo constonto oproxlmoçoo puru ìr clegunJo perto
doquolo otmosloro olotlvo - quo contudo jomols oncontro suo ox-
prossoo complotomonto odoquodo, o com lsso osto pooslo ó pooslo
sobro o pooslo otó o lnllnlto - o por outro lodo om colocor o loltor
numo otmosloro olotlvo - quo ó lncomonsurovol mosmo poro os
roollzoçoos dosso pooslo - noturolmonto olo tom o suo lorço no
elemento lirìco. Mos osto lirlco noo podo tornor-so posodo o grovo,
do um contoudo mols prolundo; proclso constontomonto ollgolror-so
codo voz mols, o rossoor do monolro codo voz mols dollcodo numo
dlstonto rosposto do um oco quo vol morrondo. O musìcul ó o
momonto subjotlvo no llrlsmo, o olo ó dosonvolvldo do modo
totolmonto unllotorol. Nosto sontldo, olo so torno o sonorldodo no
vorso, o rossonônclo, com quo um vorso ovoco o sogulnto o rospondo
o olo, o grocloso orobosco, no quol o vorso so movlmonto com possos
do donço lovos o ogols, o poro lsso, por osslm dlzor, olo mosmo conto,
o quo ó o mols lmportonto. A rìmu so torno um covolholro ondonto,
om busco do ovonturos; o oqullo quo Tlock o todo o romontlsmo
tonto olobororom, o oxporlônclo do olguóm quo vô um rosto ostronho
subltomonto o osto lho poroco contudo too conhocldo, como so jo
tlvosso sldo vlsto ho multo, multo tompo num possodo quo joz poro
olóm do consclônclo, osto oxporlônclo tombóm ocorro om roloçoo ò
rlmo, quo ropontlnomonto so oncontro junto com um volho conho-
cldo do tompos molhoros, provocondo umo sonsoçoo totolmonto
mlstorloso. Consodo o oborrocldo do suo componhlo hobltuol, o rlmo
procuro novos o lntorossontos omlzodos. Por llm, o olomonto muslcol
263
se ìsolu completumente, o òs vozos o romontlsmo tovo roolmonto
sucosso om roconstrulr oquolo tlpo do pooslo quo todo mundo
conhoco, dosdo suo lnlônclo, no bolo vorso: ¨Ulon Dulon Dorl¨.
(Vorso lnlontll no ostllo do: ¨Unl, dunl, tô, solomô mlnguô...¨ N.
Trodutor). Tols poomos dovom noturolmonto sor consldorodos os
mols porloltos; pols oqul o otmosloro olotlvo tom, o ó lsso o quo
lmporto, umo obsoluto llbordodo do oçoo o osto complotomonto
lndopondonto, dodo quo todo contoudo ó nogodo.
So ontoo Tlock noo nogou o roolldodo com tonto sorlododo
como Schlogol, o sou ldool oxogorodo o lmpotonto, quo dosoporoco
como umo nuvom no cóu ou como suo sombro lugldlo sobro o torro,
mostro, noo obstonto, quo olo so dosoncomlnhou. Schlogol sossogou
no cotollclsmo; Tlock òs vozos oncontrou ropouso numo ospóclo do
ldolotrlo do todo o oxlstônclo, polo quol tudo so tornou ìguulmente
poétìco.
SOLGER
Solgor lol quom protondou tomor consclônclo lllosollcomonto
dos quostoos roloclonodos com o lronlo. Elo pós o suo vlsoo por
oscrlto nos suos Lìçoes Je Estétìcu, publlcodos opos suo morto
18
,
bom como om dlvorsos ostudos quo so oncontrom nos Escrìtos
Postumos

. Hogol dou multo otonçoo òs oxposlçoos do Solgor o o
trotou com umo corto prodlloçoo. No comontorlo oos sous oscrltos
postumos quo jo cltomos multos vozos, olo so oxprlmo, ò p. 486, nos
sogulntos tormos: ¨Hobltuolmonto nos vomos nolo (o lronlo) umo
oporlçoo lontosmogorlco cólobro quo so quor dlstlngulr; mos no coso
do Solgor, nos podomos troto-lo como um prlnciplo¨. No lntroduçoo
ò suo Estétìcu, Hogol troto tombóm do Solgor: ¨Solgor noo so
contontovo, como os domols, com umo culturo suporllclol, mos suo
nocossldodo mols lntorlor, outontlcomonto ospoculotlvo, o lmpulslo-
novo o sondor o prolundldodo do ldólo lllosollco¨ (p. 8º), o lomonto
quo Solgor tonho morrldo codo domols, som tompo poro chogor o
dosonvolvô-lo do monolro mols concroto.
Noo ó nodo locll dor oqul umo oxposlçoo do concopçoo do
Solgor; pols, como Hotho obsorvou corrotomonto (p. 3ºº), lol
¨numo clorozo lllosollco do dllicll comproonsoo¨ quo olo dosonvol-
vou suo monolro do vor. A quostoo ó o sogulnto: Solgor se perJeu
complotomonto no negutìoo; o ó por lsso quo so com olgum oscru-
pulo ou mo orrlsco por osto mor tompostuoso, noo tonto por tomor
oi pordor o mlnho vldo, mos ontos por couso do proocupoçoo do quo
264
vonho o tornor-so multo dllicll dor oo loltor olgumo lnlormoçoo mols
ou monos conllovol sobro o mlnho poslçoo ou sobro o lugor om quo
ou mo oncontro o codo lnstonto. Com ololto, jo quo o nogotlvo jomols
so torno vlsivol sonoo com o posltlvo, o como, poróm, oqul o
nogotlvo ó oquolo quo domlno sozlnho o osto om todo suo lnlocun-
dldodo, tudo so torno conluso poro nos, o no lnstonto om quo so
conllo no posslbllldodo do so tor umo dotormlnoçoo polo quol o gonto
so posso orlontor tudo dosoporoco do novo, porquo o posltlvo, quo
oporoco oo longo, oxomlnodo mols do porto, so rovolo como umo
novo nogoçoo. Emboro Solgor tonho, portonto, suo lmportônclo no
dosonvolvlmonto (gorol), noo ho duvldo do quo sorlo molhor consl-
doro-lo como umu oitìmu, oxlgldo polo slstomo do Hogol. Doi so
oxpllco tombóm o prodlloçoo do Hogol por olo; Solgor ó o covololro
motolislco do nogotlvo. Por lsso, olo tompouco ontro om collsoo com
o roolldodo no mosmo sontldo quo os domols lrónlcos; pols suo lronlo
noo so conllguro do monolro nonhumo om oposlçoo ò roolldodo
20
.
Suo lronlo ó ìronìu contemplutìou, olo vô o nulldodo do tudo. A lronlo
ó um orgoo, um sontldo poro o nogotlvo.
Os oslorços do Solgor so sltuom totolmonto dontro do torrono
clontillco. Oro, como olo noo nos dou om porto olgumo umo
oxposlçoo cooronto o progrosslvo, rlgorosomonto clontillco, mos
slmplosmonto exclumuçoes ujoristìcus, quo oro nos conduzom o
obsorvoçoos puromonto motolislcos, oro o modltoçoos hlstorlco-lllo-
sollcos, ostótlcos, ótlcos otc., oxclomoçoos quo tongom todo o domi-
nlo do clônclo, jo rosulto doi umo grondo dlllculdodo. Acrosconto-so
o lsso quo suu termìnologìu ó soguldomonto mols poótlco do quo
lllosollco (como quondo olo dlz quo Dous, oo so monllostor, so
socrlllco; pols ou bom sol quo umo tol oxprossoo podorlo porlolto-
monto sor omprogodo om onologlo com o slgnlllcoçoo motolislco om
quo no clônclo roconto so utlllzo o oxprossoo ¨Dous so roconclllo com
o mundo¨; contudo, como tombóm osto uso roconto constltul umo
volotlllzoçoo do concolto om roloçoo ò tormlnologlo crlsto, noo so
podorlo ocoltor osto obuso como umo justlllcotlvo roclonol poro o
procodlmonto do Solgor om roloçoo o um concolto olndo mols
concroto), o so ocrosconto quo olo nom sompro do oo loltor umo ldólo
cloro do orlontoçoo tomodo polo movlmonto. Exprossoos tols como
nogor, onlqullor, suporor, soo usodos lroquontomonto, mos, poro quo
o loltor posso vordodolromonto orlontor-so, proclso conhocor o lol do
movlmonto. O negutìoo tom, com ololto, umu Juplu junçdo, om
porto olo lnllnltlzo o llnlto, om porto llnltlzo o lnllnlto. Quondo ontoo
noo so sobo om quol corronto so osto, ou molhor, quondo so osto oro
numo, oro no outro, ontoo tudo llco conluso. Alóm dlsso, ó proclso
265
ostor do ocordo sobro o slgnlllcoçoo doqullo do quo so dlz quo dovo
sor nogodo; pols coso controrlo o nogoçoo (como o cosuro noquolo
vorso lomoso) podo colr num lugor orrodo. Asslm, quondo so dlz quo
o roolldodo dovo sor onlqullodo, dovo sor nogodo, ó proclso sobor o
quo ó quo so ontondo nosto coso por roolldodo; pols num sontldo o
proprlo roolldodo oporocou groços o umo nogoçoo. Mos om noo
ocorrondo o ocordo, podo-so chogor o conlusoos do tlpo: o homom
ó o Nìcltìge (nulo, nodo)
21
(jo oqul ó proclso procuror o sontldo om
quo o homom ó o Nìcltìge, o vor so noo ho olgo do posltlvo o volldo
nosto Nìcltìge), o osto Nìcltìge dovo sor onlqullodo (oqul, mols umo
voz, ó proclso prlmolromonto oxpllcor otó quo ponto o proprlo
homom podo onlqullor o Nìcltìge nolo, polo quo olo ontoo num outro
sontldo noo llcorlo o Nìcltìge), o noo obstonto o Nìcltìge ó om nos
o proprlo dlvlno (cl. Escrìtos Postumos, prlmolro porto, p. 511).
Solgor quer proJuzìr o obsoluto ìJentìJuJe ontro o llnlto o o
lnllnlto, quor suprlmlr o muro quo do tontos monolros busco sopo-
ro-los. Elo lobuto, por lsso, poro otlnglr o lniclo obsoluto, llvro do
prossuposlçoos; sou oslorço ó, pols, ospoculotlvo. Em sous Escrìtos
Postumos, 1º volumo, p. 507, dlz olo: ¨Mos ó cloro quo o suo clônclo¨
- do lllosolo - ¨so dlloronclo ossonclolmonto do todos os domols por
olo obrongor tudo. Codo umo dos outros tom olgo do prossuposto,
do dodo, ou umo dotormlnodo lormo do conhoclmonto, como o
motomotlco, ou um dotormlnodo motorlol, como hlstorlo, clônclos
noturols o somolhontos. Somonto olo dovo crlor o sl mosmo¨. Suo
lronlo contomplotlvo vô pols o llnlto como o Nìcltìge, como oqullo
quo dovo sor suporodo
22
. Mos por outro lodo o lnllnlto tombóm tom
do sor nogodo, noo podo subslstlr num An sìcl (om sl) poro-olóm.
Dosto modo so produz o vordodolro roolldodo. Cl. Escrìtos Postumos,
1º volumo, p. 600: ¨Mos o llnlto, o loto comum, ó too pouco o
vordodolro roolldodo, como o lnllnlto, o roloçoo oos concoltos o òs
oposlçoos comblontos, tombóm noo ó o otorno. A vordodolro rooll-
dodo ó um momonto do contomploçoo, no quol llnlto o lnllnlto, quo
nosso ontondlmonto costumolro so conhoco om roloçoo rociproco,
vôm o sor totolmonto suporodos, no modldo quo Dous ou o Etorno
oi so monllosto¨. Aqul tomos, portonto, o ldólo no oplco do ìnicìo
ubsoluto, nos o tomos por lsso como o nogotlvldodo lnllnlto o
obsoluto. Oro, so olgo dovo surglr doi, o nogotlvo dovo lmpor-so
novomonto, llnltlzondo o ldólo, lsto ó, tornondo-o concroto. O nogo-
tlvo ó o lnqulotudo do ponsomonto, mos osto lnqulotudo (Uro) dovo
mostror-so, tornor-so sonsivol; o prozor do nogotlvo dovo mostror-so
como o prozor quo lovo o oporor, suo dor, como o dor do porto. So
lsso noo ocorro, ontoo tomos oponos o roolldodo lrrool do contom-
266
ploçoo, do dovoçoo, do pontoismo. Quor so llxo, pols, o dovoçoo,
como um momonto, quor so protondo tronslormor todo o vldo om
dovoçoo, om ombos os cosos u oerJuJeìru reulìJuJe noo oporoco.
So o dovoçoo ó um moro momonto, noo ho outro colso o lozor sonoo
lnstontonoomonto ovoco-lo do novo; so olo dovo ocupor todo o vldo,
ontoo o roolldodo noo surgo do vordodo. Noo odlonto nodo, ontoo,
quondo Solgor oxpllco quo noo so dovorlo, com Plotoo, ponsor o
ldólo num lugor colostlol ou suprocolostlol; noo odlonto nodo, quon-
do olo ossoguro quo noo dolxo, como o loz Splnozo, o llnltudo
dosoporocor como um slmplos moJus; noo odlonto nodo, quo olo,
dllorontomonto do Flchto, noo quolro lozor o ldólo orlglnor-so om um
otorno vlr-o-sor; o tompouco odlonto quo olo dosoprovo o tontotlvo
do Scholllng do mostror quo o sor porlolto osto no oxlstônclo. Tudo
lsso soo oponos ostudos prollmlnoros. Solgor osto no lniclo; mos este
ìnicìo ó complotomonto ubstruto, o lmportonto ogoro ó quo o duolls-
mo quo ho no oxlstônclo so mostro om suo vordodo. Entrotonto, lsto
noo ocontoco. Multo polo controrlo, llco cloro quo Solgor roolmonto
noo consoguo roconhocor quolquor volldodo oo llnlto. Elo noo ó
copoz do concrotlzor o lnllnlto. Elo consldoro o llnlto como o
¨Nlchtlgo¨, como o ovonosconto, como o ¨nlchtlgo All¨ (todo nulo,
nodo totol).
As Jetermìnuçoes moruìs noo tôm, por lsso, nenlum oulor,
todo o llnltudo com suos osplroçoos morols o lmorols dosoporoco no
contomploçoo motolislco, poro quom ostos colsos nodo soo. Cl. sous
Escrìtos Postumos, 1º volumo, p. 512: ¨Quo nos possomos sor mous,
lsso dopondo do loto do tormos umo oporônclo, umo oxlstônclo
comum quo om sl noo ó boo nom mo, noo ó olgo nom ó nodo, mos
somonto umo sombro quo o sor (dos Woson) projoto sobro sl mosmo
om suo oxlstônclo soporodo, o no quol nos podomos projotor, como
numo nuvom do lumoço, o lmogom do bom o do mol. Todos os
nossos vlrtudos slmplosmonto morols soo umo tol lmogom rollotldo
do bom, o ol doquolo quo conllo nolos! Todos os nossos viclos
slmplosmonto morols soo um tol rolloxo do mol, o ol doquolo quo
dososporo por couso dolos o os tomo por olgo do rool o vordodolro
o noo crô noquolo dlonto do quol olos nodo soo o quo ó o unlco quo
os podo orroncor do nos¨. Aqul oporoco cloromonto o lroquozo do
Solgor. Pols cortomonto ó vordodo quo os vlrtudos morols noo tôm
um volor om sl o poro sl, mos unlcomonto polo humlldodo quo dolxo
Dous produzl-los om nos; o cortomonto ó vordodo quo os viclos do
homom soo obolldos por Dous o noo por nossos proprlos lorços; mos
doi noo so soguo, do monolro nonhumo, quo so dovo pordor o sl
mosmo motollslcomonto o quo nosto coso so lgnoro o slnorglsmo quo
267
vom om ouxillo do dlvlndodo, o no outro coso so lgnoro o orropon-
dlmonto quo noo so lorgo do Dous. Asslm, podo multo bom o llnlto
sor o Nìcltìge, mos olo oncorro cortomonto olgumo colso do consls-
tonto.
O oslorço clontillco, portonto, quo so mostro om tudo lsso, ndo
é leouJo u cubo, o por lsso tom-so oqul ontos um estuJo Je sonlo
punteistìco do quo um dlscurso ospoculotlvo quo dô conto do un sìcl
(om sl) obstroto do ldontldodo obsoluto do lnllnlto o do llnlto. O
pontoismo podo monllostor-so do duos monolros, ou quondo ou
ocontuo o homom, ou quondo ocontuo Dous, ou com umo consl-
doroçoo ontropocôntrlco, ou com umo consldoroçoo toocôntrlco. So
ou loço o gônoro humono produzlr Dous, ontoo noo ho nonhumo
luto ontro Dous o o homom; o so ou loço o homom dosoporocor om
Dous tombóm noo ho nonhumo luto. Esso ultlmo ó ovldontomonto
o coso do Solgor. E cloro quo olo noo quor quo Dous sojo ponsodo
ò monolro do Splnozo como substônclo, mos lsto so dovo o quo olo
noo quor suporor o ldontldodo, dodo no dovoçoo, do dlvlno o do
humono.
Estos lnvostlgoçoos metujisìcus noo soroo dosonvolvldos mols
pormonorlzodomonto. Quoromos por lsso voltor nossos otonçoos
poro um outro cìclo do consldoroçoos quo portoncom mols o um
torrono Jogmútìco-especulutìoo. Solgor utlllzo, som mols, repre-
sentuçoes concretus como Dous, socrlllcor-so, dodlcor-so oo omor
otc. A gonto oncontro o todo horo olusoos o roprosontoçoos tols como
Dous crlondo o portlr do nodo, suo roconcllloçoo otc. Esto porto
Hogol trotou com todo osmoro, posso por lsso vlnculor-mo o olo.
Prlmolro, ontoo, olgumos cltoçoos do Solgor. E sobrotudo no prlmol-
ro volumo do sous Escrìtos Postumos, nos duos cortos publlcodos,
umo poro Tlock, o outro poro Abokon, quo so oncontro o molorlo
dossos lompojos ospoculotlvos. Escrìtos Postumos, Prlmolro Porto, p.
603: ¨Dous, oxlstlndo om nosso llnltudo ou so monllostondo, so
socrlllco o sl mosmo o so dostrol om nos: pols nos somos nodo¨. No
mosmo porto, p. 511, obsorvo: ¨Noo ó nosso rolotlvo lroquozo quo
constltul nosso lmporlolçoo, o noo ó nosso sor proprlo o ossonclol
quo constltul nosso vordodo. Nos somos lonómonos vozlos, porquo
Dous mosmo ossumlu oxlstônclo om nos o osslm so soporou do sl
mosmo. E noo ó lsto o supromo omor, quo olo tonho colocodo o sl
mosmo no nodo, poro quo nos pudóssomos sor, o quo olo tonho otó
so socrlllcodo o sl mosmo o dostruido sou nodo, tonho morto suo
morto, o llm do quo nos noo pormonocôssomos um puro nodo, o
slm pudóssomos rotornor o olo o nolo sor¹ O nodo om nos ó olo
mosmo o dlvlno, no modldo quo nos o roconhocomos como o nodo
268
o roconhocomos o nos mosmos como tol. Nosto sontldo, olo tombóm
ó o bom, o nos so podomos sor vordodolromonto bons dlonto do
Dous polo outo-socrlliclo¨. A dlscussoo do Hogol o osto rospolto so
oncontro no olto do poglno 46º o nos sogulntos (Werke, Jub. Ausg.
XX 165s.)
23
. Aqul logo so mostroro quo Solgor, oposor do suo
onorglo ospoculotlvo, noo tonto nos orlonto quonto nos dosorlonto,
o quo so torno roolmonto dllicll, por jultu Je toJus us Jetermìnuçoes
ìntermeJìúrìus, do docldlr so os nogoçoos otlngom o sou olvo.
Quondo olo dlz: ¨Dous, oxlstlndo om nosso llnltudo ou so monllos-
tondo ¨, proclsoriomos sobor om quo sontldo Dous oxlsto no llnltudo;
corocomos oqul do concolto do crìuçdo. Quondo, com ololto, nos
lomos mols odlonto quo olo, oxlstlndo osslm no llnltudo, so socrlllco
o sl mosmo, podorlo porocor quo oqul tomos umo oxprossoo poro o
crloçoo. Mos so ó osto o sontldo quo olo quls dor, ontoo o oxprossoo
noo ó rlgoroso; pols sonoo olo proclsorlo dlzor: Dous, quondo so
socrlllco (ou onquonto so socrlllco), crlo. lsto podorlo porocor conllr-
modo polo loto do quo o prodlcodo corrospondonto ó quo Dous so
dostrol o sl mosmo. Pols quondo nos dlzomos quo Dous so dostrol o
sl mosmo, tomos oqul umo nogoçoo, ontrotonto, ó bom notor, umo
nogoçoo otrovós do quol o lnllnlto vom o lozor-so llnlto o concroto.
Mos, por outro lodo, o oxprossoo ¨Dous so socrlllco¨, tonto quonto
o outro ¨Dous so onlqullo¨, podo lovor-nos ontos ò ldólo do reconcì-
lìuçdo. lsso ó conllrmodo polos polovros quo logo soguom: ¨nos
somos nodo¨, pols com lsto ó posto o llnlto, mos posto om suo
llnltudo, om suo nulldodo, o ó osto nulldodo quo dovo sor nogodo,
com o quo ontoo o nogoçoo lnllnltlzo o llnlto. Aqul nos corocomos
ontrotonto do dotormlnoçoos lntormodlorlos poro osclorocor om quo
sontldo o homom ó nodo, dotormlnoçoos lntormodlorlos do umo tol
obrongônclo quo o slgnlllcoçoo do pocodo torlo do ostor lncluido
nosto concopçoo. Tomos tombóm umo lolto do clorozo ospoculotlvo
quo noo loz justlço nom ò crloçoo, nom ò roconcllloçoo, nom ò
llnltudo o nom oo pocodo. So ontoo comporormos com lsso os
oxprossoos tomodos do corto do Solgor o Tlock, olndo oi so mostro
um lusco-lusco ospoculotlvo somolhonto. Ai oprondomos quo nos
¨somos lonómonos vozlos porquo o proprlo Dous ossumlu oxlstônclo
om nos o osslm so soporou do sl mosmo¨.
Evldontomonto oqul osto prossontldo o concolto do crloçoo.
Mos, som lolor quo loltom oqul dotormlnoçoos lntormodlorlos poro
podor coptor corrotomonto o oto do crloçoo, nom mosmo o ldólo
pontoistlco osto oxposto com proclsoo; pols ollnol noo so podo
proprlomonto dlzor quo nos somos ¨nlchtlgo Erscholnungon¨ (lonó-
monos vozlos) porquo Dous tomou oxlstônclo om nos; ontos so
269
proclsorlo dlzor, do ocordo com o concopçoo o o tormlnologlo do
Solgor, quo Dous oo onlqullor-so o sl mosmo orlglno o nodo do todo
llnltudo; mos quondo Dous oi tomo oxlstônclo, Dous noo osto
soporodo do sl mosmo (como no momonto do crloçoo), mos om sl
mosmo, o o nodo ó susponso. E quondo ó dlto ontoo mols odlonto:
¨E noo ó lsto o supromo omor, quo olo so tonho colocodo no nodo
poro quo nos pudóssomos sor¨, oqul mols umo voz crìuçdo o recon-
cìlìuçdo ostoo oqulvocodos o conjunJìJus recìprocumente. Com
ololto, Dous noo so coloco no nodo poro quo possomos sor; pols
ollnol somos nodo; mos Dous so colocou no nodo poro quo nos
pudóssomos cossor do sor nodo. No modldo quo Solgor quor vor
nlsso o omor do Dous, loltom oqul mols umo voz dotormlnoçoos
lntormodlorlos; pols o concolto do crloçoo tom do sor sompro dodo
o llm do quo o omor do Dous noo so torno ogocôntrlco. Nos trochos
sogulntos, Solgor utlllzo oxprossoos olndo mols concrotos, quondo
dlz quo Dous so socrlllcou o sl mosmo o onlqullou sou nodo o motou
suo morto. Com lsso podo-so ponsor no roconcllloçoo, no nogoçoo
do llnltudo o no rotorno o Dous o om Dous. Mos como lol dlto
ontorlormonto quo Dous oo oxlstlr om nosso llnltudo onlqullo o sl
mosmo, ontoo nos tomos ogoro o mesmissìmu expressdo tonto poro
o crìuçdo quonto poro o reconcìlìuçdo. E dopols, noo ó locll do
comproondor o quo quor dlzor quo Dous so socrlllco o sl mosmo,
logo quo lsto ó oxpllcodo com os polovros sogulntos: olo onlqullo sou
nodo. Mos o conlusoo llco molor olndo quondo oprondomos quo o
Nìcltìge om nos ó o dlvlno; pols ollnol nos somos o Nìcltìge, o como
podo ontoo o Nìcltìge om nos (o osto ultlmo oxprossoo poroco lndlcor
quo ho olgo do dlloronto om nos, quo noo ó o Nìcltìge} ser o Jìoìno¹
Flnolmonto, oi so onslno quo nos mosmos podomos roconhocor o
Nìcltìge om nos. So com lsso so quor dlzor quo nos mosmos
podomos, groços o osto conhoclmonto, nogor o Nìcltìge, ontoo ó
ovldonto quo oqul tomos um conceìto pelugìuno Ju reconcìlìuçdo.
Em todo osto ostudo, poroco quo o quo Solgor vlslumbro ó
oquolo nogoçoo do nogoçoo, quo contóm om sl o vordodolro ollrmo-
çoo. Mos como todo osto procosso toorlco noo chogou o so doson-
volvor, codo nogoçoo posso orrodomonto poro outro, o doi ndo
rosulto u oerJuJeìru ujìrmuçdo. Hogol comproondou lsto com multo
clorozo o obsorvo por lsso oxpllcltomonto no p. 470: ¨Oro nos somos
oi pressupostos como o nuJu (quo ó o mol), oro so omprogo poro
Dous outro voz o oxprossoo duro, obstroto; dlz-so quo ele so unìquìlu,
portonto, quo sorlo olo quom porlo o nodo, o lsto, poro quo nos
puJéssemos ser, o dopols ó dlto quo o Nìcltìge om nos ó o proprlo
270
dlvlno, no modldo mosmo quo nos o roconhocomos como o Nìcltì-
ge¨.
So ou qulsosso ogoro dor oo loltor umo ldólo do concepçdo Je
5olger quo o coptosso bom do porto otrovós do sou concolto prodl-
loto, o do lronlo, ou dlrlo quo Solgor proprlomonto tronslormo u
exìstêncìu Je Deus om ìronìu: Dous so lntroduz o sl mosmo conston-
tomonto no nodo, so rotomo, novomonto rotorno oo nodo o osslm
por dlonto; um dlvlno possotompo quo, como todo lronlo, poo os
mols torrivols controstos. No onormo osclloçoo dosto duplo movl-
monto (tonto contrilugo quonto contripoto) o llnltudo tomo porto, o
no momonto do soporoçoo o homom oi so oncontro como o sombro
do dlvlno, lnscrovo suos vlrtudos o viclos morols nosto oxlstônclo do
sombro quo somonto oquolo cujos olhos so obrlrom poro o lronlo
porcobo como um nodo. Umo voz quo todo llnltudo ó nodo, uquele
que, gruçus u ìronìu, u oê como tul, oem em socorro Ju JìoìnJuJe.
Mols longo do quo lsto ou noo posso lr, porquo noo oncontro om
Solgor nonhum oscloroclmonto sobro quol ó o roolldodo quo o
llnltudo gonho com o lronlo. E corto quo Solgor lolo om olgumos
possogons do umo mistlco quo quondo oncoro o roolldodo ó o moo
do lronlo, o quo, oo controrlo, quondo oncoro o mundo otorno ó o
lllho do ontuslosmo o do lnsplroçoo, o olndo lolo do umo prosonço
lmodloto do dlvlno quo so mostro justomonto no loto do quo nosso
roolldodo dosoporoco; contudo, oqul tombóm jultum us Jetermìnu-
çoes ìntermeJìúrìus oxlgldos poro so podor construlr umo concopçoo
totol mols prolundomonto posltlvo.
Vojomos ogoro do quo monolro Solgor lovou o cobo o sou
ponto do vlsto no dominlo do estétìcu. Aqul olo vom om socorro dos
romôntlcos, o so torno o porto-voz lllosollco do romontlsmo o do
lronlo romôntlco. Aqul nos doporomos, com ololto, com o mosmo
concopçoo lundomontol, do quo o llnltudo ó um nodo, quo dovo
olundor como roolldodo noo-vordodolro, poro quo o vordodolro
posso vlr ò luz. O quo ho do vordodolro nlsto jo lol onlotlzodo no
dovldo lugor, mos o quo ho oi do mologrodo ou tombóm procurol
mostror. Asslm, noo so vô quol ó o roolldodo quo dovo sor onlqullodo,
so ocoso ó o roolldodo noo-vordodolro (quonto o lsto, Solgor rospon-
dorlo cortomonto com um slm; mos oi so torlo do lnslstlr om sobor o
quo ó quo olo comproondo por roolldodo noo-vordodolro, pols coso
controrlo suo rosposto ollrmotlvo so tronslormorlo om toutologlo),
quor dlzor, so ocoso sorlo o ogoismo dos momontos dlscrotos o quo
dovorlo sor nogodo poro quo o roolldodo vordodolro pudosso vlr ò
luz, o roolldodo do ospirlto, noo como um olóm, mos como umo
roolldodo prosonto; ou ocoso sorlo oquolo possotompo dlvlno quo
271
noo dolxo subslstlr nonhumo roolldodo. Poroco ontoo quo Solgor
quor oncontror nu urte e nu poesìu estu reulìJuJe mols olto quo vom
ò luz polo nogoçoo do roolldodo llnlto. Entrotonto, com lsso surgo
umo novo dlllculdodo; pols jo quo osto pooslo, chomodo lroquonto-
monto por Solgor om suo corrospondônclo com Tlock do ¨o mols
olto¨, o romôntlco, justomonto noo osto om condlçoos do opozlguor
o nogoçoo noquolo roolldodo suporlor, o portonto, jo quo o pooslo
romôntlco tondo olndo ossonclolmonto o nos lozor tomor consclônclo
justomonto do quo o roolldodo dodo ó lmporlolto, o por outro lodo o
roolldodo suporlor oponos so dolxo vlslumbror no oproxlmoçoo
lnllnlto do prossontlmonto, osslm poroco tornor-so nocossorlo mols
umo voz roloclonor-so lronlcomonto com todo o quolquor produçoo
poótlco lndlvlduol, jo quo codo produto lndlvlduol ó moromonto
oproxlmoçoo. E cloro portonto quo uquelu reulìJuJe mols olto, quo
dovo vlr ò luz no pooslo, do loto ndo estú nu poesìu, mos om
pormononto vlr-o-sor. Noo mo comproondom mol nosto ponto,
como so ou com lsso qulsosso dlzor quo o vlr-o-sor noo ó um
momonto nocossorlo quo portlclpo do roolldodo do ospirlto; mos o
vordodolro roolldodo vom o sor o quo olo ó, onquonto o roolldodo
romôntlco ó mero oìr-u-ser. Dosto monolro, por oxomplo, o ló ó umo
vltorlo sobro o mundo, o contudo olo ó um comboto, o quondo
combotou jo voncou o mundo; o no ontonto olo jo tlnho voncldo o
mundo ontos do tor combotldo. Asslm o ló llco o quo olo ó, o ló noo
ó um otorno comboto, mos olo ó umo vltorlo quo comboto. No ló,
portonto, oquolo roolldodo suporlor do ospirlto noo ó moro dovlr,
mos olo ó prosonto, omboro oo mosmo tompo vonho-o-sor.
A lronlo ó monclonodo lroquontomonto nos Lìçoes Je Estétìcu
do Solgor, ospoclolmonto no soçoo quo troto ¨von dom Orgonlsmus
dos Kunstlorlschon Golstos¨ (do orgonlsmo do ospirlto ortistlco).
lronìu o entusìusmo soo oi oprosontodos como os dols lotoros
nocossorlos poro o produçoo, os duos condlçoos nocossorlos uo
urtìstu. No dovldo lugor soro osclorocldo molhor o quo so dovo
ontondor por lsso, oqul ou quoro oponos obsorvor quo todo osto
monolro do vor proprlomonto portonco o um ponto Je oìstu totol-
monto Jìjerente, o noo sor quo so protondo vor o lronlo monllostor-so
no onlqullomonto do proprlo obro do orto, o so dolxo oo ontuslosmo
o rosponsobllldodo do coroctorlzor o ostodo do ônlmo quo prossonto
o roolldodo mols olto.
Em componsoçoo, dovom sor onollsodos mols do porto olgu-
mos obsorvoçoos quo ocorrom no comontorlo do Solgor sobro os
Lìçoes do Schlogol (Escrìtos Postumos, t. ll). Aqul lmporo umo
notovol lolto do clorozo. Em olgumos possogons, com ololto, Solgor
272
lolo do lronlo do tol modo quo olo so mostro como oquolo potêncìu
lìmìtuJoru quo onslno justomonto o homom o pormonocor no rooll-
dodo, onslno o procuror o suo vordodo no llmltoçoo. Dopols do tor,
ò p. 514, protostodo contro o proposlçoo do quo o lronlo onslnorlo
o homom o so colocor por clmo do tudo, ocrosconto: ¨o vordodolro
lronlo porto do sogulnto prlnciplo: quo o homom, onquonto vlvor
nosto mundo prosonto, noo podoro cumprlr sonoo nosto mundo suo
dostlnoçoo, otó no sontldo supromo do polovro. Aquolo busco do
lnllnlto noo o conduz roolmonto, como o ponso o outor, poro olóm
dosto vldo, mos slm rumo oo lndotormlnodo o vozlo, jo quo, como
olo mosmo conlosso, osto busco noo ó ostlmulodo sonoo polo
sontlmonto dos llmltos torronos, dos quols nos om ultlmo onollso noo
podomos prosclndlr. Tudo o quo nos cromos conduzlr poro olóm dos
motos llnltos noo posso do vo o vozlo qulmoro¨. Ai osto umo vordodo
prolundo, ò quol mols odlonto rotornorol. Mos todos mo doroo
cortomonto rozoo om quo so podorlo ocrodltor sor oi Gootho quom
osto lolondo, mols do quo Solgor. Jo os polovros subsoquontos nos
doo um pouco o quo ponsor, quondo onslnom quo tunto o mols olto
quunto o mols inllmo no oxlstônclo llnlto ujunJum; o noo ó locll
ostobolocor umo hormonlo ontro osto ollrmoçoo o o possogom
procodonto, ondo so onslno quo o homom so podo cumprlr o suo
dotormlnoçoo om so llmltondo, o noo sor quo odmltomos quo o
dotormlnoçoo do homom osto om lr oo lundo, mos poroco quo
oquolo quo so dlsslpo num lnllnlto vozlo podo tombóm olconçor osto
dotormlnoçoo, o com lsto otó ojudor olndo mols o dlvlndodo, on-
quonto o outro oporontomonto podo colocor obstoculos no comlnho
do Dous.
Encontromos oqul tombóm, lroquontomonto monclonodo, suo
concopçoo do roolldodo como oqullo quo dovo sor onlqullodo,
como, por oxomplo, ò p. 502: ¨o mundono o tomporol, como tol,
dovo sor consumldo, so ó quo dovomos conhocor como o otorno o
ossonclol osto oi prosonto¨. Quoromos ogoro vor otó quo ponto Solgor
consoguo lozor oquolo roolldodo mols olto so monllostor vordodolro-
monto no orto o no pooslo, o uté que ponto ui, do ocordo com o
concopçoo do Solgor, surge o oerJuJeìro repouso no munJo Ju
poesìu. Quoromos cltor umo possogom ondo olo lolo do nosso
roloçoo com o pooslo, p. 512: ¨So onollsomos otontomonto o quo
sontlmos com roloçoo o obros-prlmos vordodolromonto troglcos ou
cómlcos, torno-so ovldonto quo, olóm do lormo dromotlco, ho olgo
do mols prolundomonto comum o ombos os gônoros. Todo o conlllto
ontro o lmporlolto no homom o o suo dotormlnoçoo mols olto comoço
o nos oporocor como um nodo, com o quo olgo totolmonto dlloronto
273
poroco domlnor, loro dosto duolldodo. Vomos os horols orrorom o
rospolto do quo ho do mols nobro o mols bolo om sou ospirlto o sou
coroçoo, noo oponos o rospolto do sucosso mos tombóm sobro suo
orlgom o volor, slm, nos nos olovomos mosmo vondo o ruino do
molhor, o noo oponos quondo nos roluglomos om umo osporonço
lnllnlto. E no comódlo osto mosmo nodo dos colsos humonos nos
ologro, quondo olo nos oporoco como oqullo o quo ostomos roduzl-
dos do umo voz por todos... Mos oquolo ostodo do ônlmo (5tìmmung)
no quol os controdlçoos so dostroom o por lsso mosmo contóm o
ossonclol poro nos ó o quo chomomos lronlo, o quo no cómlco
chomomos jovlolldodo (Luune) o lumor.¨ Aqul so mostro, pols, otó
quo ponto o nogoçoo, quo onlqullo o roolldodo, chogo oo ropouso
numo roolldodo suporlor. Nos somos olovodos polo ruino do molhor,
mos osto olovoçoo ó do ordom complotomonto nogotlvo; troto-so do
eleouçdo Ju ìronìu, quo oqul so lormo ò somolhonço do lnvojo dlvlno,
o quo contudo noo ó oponos lnvojoso do grondloso o do oxcolonto,
mos olndo mols do poquono o lnslgnlllconto, sobrotudo lnvojoso do
llnltudo. Quondo o grondloso olundo, lsto ó o troglco, mos o pooslo
nos roconclllo com osto troglco, oo nos mostror quo o vordodo sol
vltorloso. Ai osto o quo olovo o o quo odlllco. Nos somos olovodos
portonto, noo oo vor o ruino do grondo, mos somos roconclllodos
com suo ruino oo vormos quo o vordodolro vonco, o nos olovomos
com osto vltorlo. Mos quondo ontoo no trogódlo ou so vojo o ruino
do horol o mo olovo com lsso, quondo no trogódlo ou oponos mo
torno consclonto do nodo dos colsos humonos, quondo o trogódlo
mo ologro do mosmo modo quo o comódlo, proclsomonto por lsso,
por mo mostror o nodo do grondloso como o comódlo mostro o do
poquono, oi no vordodo noo volo ò luz u reulìJuJe muìs ultu. Slm, o
outor poroco oqul noo quoror nos dolxor nom oo monos oquolo
ostodo do ônlmo quo prossonto o roolldodo mols olto, pols olo dlz,
ollnol, quo nos somos olovodos polo ruino do molhor, o lsto noo
oponos quondo nos olostomos o roluglomos numo osporonço lnllnl-
to. Pols o olgo mols quo podorlo surglr com osto dllulçoo om umo
osporonço lnllnlto noo ó nodo mols nom monos do quo o lollcldodo
do vor quo tudo olundou, ó o orldoz o o voculdodo, ondo cortomonto
ho ropouso otó domols.
Rosumlndo ogoro o quo lol oqul dosonvolvldo o rospolto do
Solgor, dovo tor llcodo cloro quo o seu ponto Je oìstu lol, como olo
mosmo o doslgnou, o do ìronìu, so quo suo lronlo oro do nuturezu
especulutìou. Nolo, o nogotlvldodo lnllnlto obsoluto ó um momonto
ospoculotlvo, olo tom o nogoçoo do nogoçoo, o contudo ho um vóu
dlonto do sous olhos, do modo quo olo noo vô o ollrmoçoo. Como
274
so sobo, olo morrou codo. Eu noo quoro oqul docldlr so olo torlo
logrodo lovor o bom tormo o ponsomonto ospoculotlvo do quo olo
so opodorou com tonto onorglo, ou so, quom sobo, ontos o suo
onorglo so torlo consumldo no oslorço do lozor volor o nogoçoo; ou
prollro ontrotonto ponsor om Solgor como umo vitlmo olorocldo oo
slstomo posìtìoo Je Hegel.
A ironia como momento dominado.
A verdade da ironia
Jo lol lombrodo omtorlormonto quo Solgor om suos Lìçoes Je
Estétìcu loz do lronlo umo condlçoo do todo o quolquor produçoo
ortistlco. Quondo ontoo dlzomos nosto contoxto quo o poetu dovo
relucìonur-se ìronìcumente com suu poesìu, com lsso quoromos dlzor
olgo dlloronto doqullo quo lol lolodo ontos. Multo lroquontomonto
tom-so louvodo Shokospooro como o groo-mostro do lronlo, o ollnol
noo podo hovor nonhumo duvldo do quo oi so tom rozoo. Noo
obstonto, Shokospooro noo dolxo, do monolro nonhumo, o contoudo
substonclol oslumor-so om um subllmodo sompro mols lugoz, o so
suo lirlco òs vozos culmlno no loucuro, noo lho lolto, por outro lodo,
nosto loucuro um oxtroordlnorlo grou do objotlvldodo. Quondo
ontoo Shokospooro so roloclono osslm lronlcomonto com suo pooslo,
lsso ocorro proclsomonto poro obrlr ospoço oo olomonto objotlvo. A
ìronìu osto osslm presente em toJu purte oo mosmo tompo; olo
rotlllco codo troço lndlvlduol, poro quo noo hojo oxcosso ou dololto,
poro lozor jus o tudo, poro quo so produzo o vordodolro oqullibrlo
no roloçoo mlcrocosmlco do pooslo quo grovlto om torno do sl
mosmo. Quonto moloros controstos ho no movlmonto, tonto mols
lronlo ó proclso poro dlrlglr o domlnor os ospirltos quo quorom
ovodlr-so lnsubmlssos. Quonto mols lronlo houvor, tonto mols llvro
o pootlcomonto o pooto llutuoro susponso sobro suo obro poótlco.
Por lsso, o lronlo noo osto prosonto om olgum ponto portlculor do
pooslo, mos slm onlprosonto, do tol modo quo o lronlo vlsivol no
pooslo é por suu oez JomìnuJu ìronìcumente. Portonto, o lronlo
llborto oo mosmo tompo o pooslo o o pooto. Mos poro quo lsto posso
ocontocor ó proclso quo o proprlo pooto domlno o lronlo. Noo
obstonto, nom sompro doi so soguo, do monolro olgumo, quo polo
loto do o pooto tor consoguldo domlnor o lronlo no lnstonto do
crloçoo poótlco, consoquontomonto tombóm domlnorlo o lronlo no
roolldodo ò quol olo mosmo portonco. Costumo-so dlzor om gorol
quo o vldo possool do pooto noo lntorosso o nlnguóm. lsto tombóm
osto totolmonto corroto; noo obstonto, no prosonto lnvostlgoçoo
275
coborlo lombror o JesucorJo quo costumo lroquontomonto ocorror
nosto ossunto.
Alóm dlsto, o lmportônclo dosto dosocordo crosco ò modldo
quo o poetu ndo pormonoço no ponto do vlsto do gonlolldodo
ìmeJìutu. Quonto mols o pooto so olosto dosto, tonto mols nocossorlo
so torno tombóm poro olo possulr umo concopçoo globol do mundo,
o osslm domlnor o lronlo om suo oxlstônclo lndlvlduol, tonto mols
nocossorlo so torno poro olo sor, otó corto ponto, jìlosojo. So ó osto
o coso, ontoo tombóm o produçoo poótlco lndlvlduol noo llcoro om
umo roloçoo oponos oxtorlor com o pooto, olo quororo vor om codo
poomo um momonto do sou proprlo dosonvolvlmonto. O quo loz o
grondozo do oxlstônclo poótlco do Gootho (Dìgter-Exìstents) ó quo
olo soblo ostobolocor um ocordo ontro o suo vldo do pooto (Dìgter-
Tìlouerelse) o o suo proprlo roolldodo. Mos puru ìsso é precìso
nooumente ìronìu, poróm, bom ontondldo, ìronìu JomìnuJu. Poro o
romôntlco, codo produçoo poótlco portlculor ó ou umo crlonço
mlmodo ò quol olo mosmo so ontrogo totolmonto som podor oxpll-
cor-so como lho lol possivol chomo-lo ò vldo, ou um objoto quo
provoco ovorsoo. Nonhumo dos oltornotlvos, noturolmonto, ó vordo-
dolro; o vordodo ó quo o produçoo slngulor ó momonto. Em Gootho,
o lronlo, ontoo, oro no sontldo ostrlto um momonto domlnodo, oro
um ospirlto o sorvlço do pooto. Por um lodo, codo poomo so
orrodondovo om sl mosmo polo lronlo; por outro lodo, codo obro
poótlco lndlvlduol so mostrovo como momonto o com lsso todo o
oxlstônclo poótlco so orrodondovo om sl mosmo polo lronlo. O
Prolossor Holborg odoto como pooto o mosmo ponto do vlsto, o so
om quoso todos os rópllcos quo oscrovou podo proporclonor um
oxomplo do oconomlo lntorno do lronlo do poço, osslm tombóm so
mostro, otrovós do todo o suo obro, um oslorço consclonto quo
dostlno o codo poço lndlvlduol um lugor dontro do totolldodo dosto
obro. Aqul tombóm o lronlo osto domlnodo, roduzldo o um momon-
to: o ossônclo noo ó outro colso sonoo o lonómono, o lonómono noo
ó outro colso sonoo o ossônclo; o posslbllldodo noo ó too osqulvo quo
so rocuso o ontror om olgumo roolldodo, mos o roolldodo ó o
posslbllldodo. Esto concopçoo Gootho sompro roconhocou como
comboto o como vltorlo, o o sustontou sompro com onormo onorglo.
Mos o quo volo poro o oxlstônclo-do-pooto (Dìgter-Exìstent-
sen), volo tombóm, otó corto ponto, poro u oìJu Je toJo e quulquer
ìnJìoiJuo purtìculur. Com ololto, o pooto noo vlvo pootlcomonto polo
loto do crlor umo obro poótlco, pols quondo osto noo osto om roloçoo
consclonto o lntorno com olo ontoo noo oxlsto no vldo dolo oquolo
lnllnltudo lntorlor quo ó umo condlçoo obsoluto poro vlvor pootlco-
276
monto (vomos osslm tombóm quo o pooslo multos vozos tomo olonto
otrovós do lndlvlduolldodos lnlollzos, slm, quo o onlqullomonto
doloroso do pooto so torno umo condlçoo poro o crloçoo poótlco),
mos olo so oìoe poetìcumente quondo olo mosmo osto orlontodo o
osslm lntogrodo no tompo om quo vlvo, osto posltlvomonto llvro no
roolldodo ò quol portonco. Mos quolquor outro lndlviduo poJe otlnglr
tombóm osto oìoer poétìco. Por outro lodo, o dom roro, o sorto dlvlno
do podor dor umo conllguroçoo poótlco oo quo lol vlvonclodo
pootlcomonto, lsto llco noturolmonto rosorvodo como sorto do olguns
ololtos dlgnos do lnvojo.
A lronlo lol osslm JomìnuJu, lmoblllzodo no solvogom lnllnl-
tudo, om quo ovonçovo tompostuoso o dovorodoromonto, mos doi
noo so soguo, Je muneìru nenlumu, quo olo dovo pordor o suo
slgnlllcoçoo ou ser totulmente Jepostu. Multo polo controrlo, quondo
o lndlviduo osto corrotomonto orlontodo, o olo o osto quondo o lronlo
lol llmltodo, ó ontoo quo o lronlo odqulro suo justo slgnlllcoçoo, suo
vordodolro volldodo. Em nosso tompo, tom-so lolodo lroquontomon-
to no lmportônclo do duvldo poro o clônclo; mos o quo o duvldo ó
poro o clônclo, o lronlo ó poro o vldo possool. E osslm como os
homons do clônclo ollrmom quo noo ó possivol umo vordodolro
clônclo som o duvldo, osslm tombóm so podo, com lntolro rozoo,
ollrmor quo nonhumo vldo outontlcomonto humono ó possivol som
lronlo. Quondo, pols, o lronlo ocobou do sor domlnodo, olo oxocuto
um movlmonto quo ó o oposto doquolo om quo olo monllosto suo
vldo lndomodo. A ìronìu lìmìtu, jìnìtìzu, restrìnge, o com lsso conloro
oerJuJe, reulìJuJe, conteuJo; olo Jìscìplìnu o pune, o com lsso do
sustentuçdo o consìstêncìu. A lronlo ó um dlsclpllnodor (Tugtemester,
podogogo), quo so ó tomldo por quom noo o conhoco. Quom
slmplosmonto noo comproondo o lronlo, quom noo tom ouvldos
poro sous sussurros, coroco eo ìpso doqullo quo so podorlo chomor
o ìnicìo ubsoluto Ju oìJu pessoul, coroco doqullo quo om cortos
momontos ó lndlsponsovol poro o vldo possool, coroco do bonho do
ronovoçoo o do rojuvonosclmonto, do bonho do purlllcoçoo, quo
solvo o olmo do tor o suo vldo no llnltudo, mosmo quo vlvo oi com
lorço o onorglo; olo noo conhoco o lroscor o o lorço quo so oncontrom
quondo, sontlndo o or posodo domols, nos dosplmos o nos otlromos
oo mor do lronlo, noturolmonto noo poro oi pormonocormos, mos
poro tornormos o nos vostlr soudovols o ologros o lovos.
Quondo pols ouvlmos olguóm comontor com or do supo-
rlorldodo quo o lronlo om sou oslorço lnllnlto tomo os lrolos nos
dontos, bom quo so lho podo dor rozoo, tronqullomonto; no modldo
quo nosso lntorlocutor, poróm, noo conhoço o lnllnltudo quo ropou-
277
so no lronlo, olo ndo u Jomìnu, mus lle é submìsso. E o quo ocontoco
sompro quo noo so porcobo o dlolótlco do vldo. E proclso corogom
poro noo codor oos consolhos ongonhosos ou mlsorlcordlosos do
dososporo quo pormltom o olguóm rlscor-so o sl mosmo do numoro
dos vlvontos; mos doi noo so soguo do monolro olgumo quo quolquor
vondodor do touclnho, covodo o nutrldo om outo-sullclônclo, tonho
mols corogom do quo oquolo quo codo oo dososporo. E proclso tor
corogom poro roslstlr oo onconto do trlstozo, quondo nos quor
onslnor o lolsoor todo ologrlo om moloncollo, todo nostolglo om
prlvoçoo, todo osporonço om lombronço; ó proclso corogom poro
quoror oi sor ologro; mos doi noo so soguo do jolto nonhum quo um
odulto quo noo posso do umo crlonço grondo, com um sorrlso do
nousoo o com um olhor bôbodo do ologrlo, tonho mols corogom do
quo oquolo quo, curvodo polos culdodos, noo sobo mols sorrlr, Asslm
tombóm como o lronlo. So ó proclso so procovor contro o lronlo como
dlonto do umo sodutoro, lguolmonto ó proclso recomenJú-lu como
guìu puru o cumìnlo. E oxotomonto om nosso tompo ó proclso
rocomondo-lo dosto monolro. Asslm, por oxomplo, o clônclo om
nosso tompo chogou ò posso do um resultuJo tdo proJìgìoso, quo
poroco otó lmpossivol; o lntolocçoo noo so dos mlstórlos do gônoro
humono, mos tombóm do dlvlndodo, ó posto ò vondo por um proço
too bolxo quo do bostonto o quo ponsor. Em nosso tompo, ompol-
godo polo rosultodo, osquocou-so quo um rosultodo noo tom no-
nhum volor quunJo ndo é conquìstuJo. Mos ol doquolo quo noo
podo toloror quo o lronlo oprosonto o conto. A lronlo ó, como o
nogotlvo, o comlnho; noo o vordodo, mos o comlnho. Todo oquolo
quo so tom um rosultodo como tol, noo o possul; pols noo tom o
comlnho. Quondo ontoo o lronlo lntorvóm, olo troz o comlnho, noo
oquolo comlnho do quol ponso opodoror-so quom lmoglno possulr
um rosultodo, mos oquolo comlnho no quol o rosultodo o obondono.
Acrosconto-so o lsso quo bom quo dovo sor vlsto como o torolo do
nosso tompo (oor TìJs Opguoe) o troduzlr o rosultodo do clônclo poro
o vldo possool, uproprìur-se pessoulmente dosso. Asslm, so o clônclo
onslno quo o roolldodo tom um volor obsoluto, ontoo o lmportonto
ó om vordodo quo olo odqulro volor, o contudo noo so podo nogor
quo sorlo multo rldiculo so olguóm, quo oprondou om suo juvontudo
o tolvoz otó onslnou oos outros quo o roolldodo tom um volor
obsoluto, onvolhocosso o morrosso som quo o roolldodo tonho tldo
poro olo outro volor sonoo o do, oportuno o lnoportunomonto,
onunclor osto sobodorlo: quo o roolldodo tom volor. So o clônclo loz
o modloçoo (meJìerer) do todos os oposlçoos, ontoo o lmportonto ó
quo osto roolldodo plonlllcodo vordodolromonto vonho ò luz. Ho om
278
nosso tompo, om outro sontldo, um ìncrioel entusìusmo o contudo
oqullo quo o ontuslosmo poroco sor ìncrìoelmente pequeno. Como
o lronlo podo sor bonóllco oqul! Ho umo ìmpucìêncìu, quo quor
colhor untes do somoor; dolxomos quo o lronlo o dlsclpllno. Ho om
codo vldo possool tonto colso quo dovo sor rojoltodo, tontos robontos
solvogons quo dovom sor orroncodos: oqul do novo o lronlo trobolho
odmlrovolmonto; pols, como jo lol dlto, quondo o lronlo osto doml-
nodo, suu junçdo é Je extremu ìmportdncìu, poro quo o vldo possool
odqulro soudo o vordodo.
A lronlo, como um momonto domlnodo, mostro-so om suo
vordodo justomonto nlsso: quo olo onslno o roollzor o roolldodo, o
colocor o ônloso uJequuJu nu reulìJuJe. Doqul noo so soguo, do jolto
nonhum, o conclusoo bom solntslmonlono do quo so dovo ldolotror
o roolldodo, ou nogor quo ho om codo homom, ou dovorlo hovor,
umo nostolglo por olgo mols olto o mols porlolto. Mos osto nostolglo
noo podo osvozlor o roolldodo, multo polo controrlo, o contoudo do
vldo tom do sor um vordodolro o slgnlllcotlvo momonto numo
roolldodo mols olto, cujo plonltudo otrol o olmo. Com lsso, o roolldodo
odqulro o sou volor, noo como um purgotorlo - pols o olmo noo
dovoro sor purlllcodo do modo o, dlgomos, solr dosto vldo totolmonto
nuo, bronco o dospojodo - mos slm como hlstorlo, no quol o
consclônclo so ontrogo sucosslvomonto - poróm do tol modo quo o
lollcldodo noo conslsto om osquocor tudo lsso, mos om pormonocor
prosonto oi. Por lsso, o roolldodo noo quor sor rocusodo, o o nostolglo
dovo sor um omor sodlo, noo umo lormo modroso o olomlnodo do
luglr do mundo. Podo ontoo sor vordodo, quondo o romontlsmo
susplro por olgo do mols olto; mos osslm como o homom noo dovo
soporor o quo Dous unlu, osslm tombóm olo noo dovo nunco, jomols,
rounlr o quo Dous soporou; mos umo tol nostolglo morbldo ó umo
tontotlvo do quoror tor o porlolto ontos do tompo. A roolldodo odqulro
portonto suo volldodo nu uçdo. Mos o oçoo noo dovo dogonoror om
umo corto lnslstônclo ostupldo, olo dovo tor um oprlorl om sl, quo o
lmpoço do pordor-so numo lnllnltudo som contoudo.
lsto com rospolto ò prútìcu. No quo toco ò teorìu, u essêncìu
tom do se mostrur como o jenomeno. No modldo quo o lronlo ó
domlnodo, olo noo mols crô, como cortos possoos bom ovlsodos, quo
sompro dovo hovor olgumo colso oscondldo por tros; mos olo tom-
bóm lmpodo todo ldolotrlo do lonómono o, como olo onslno o
rospoltor o contomploçoo, osslm tombóm solvo doquolo prollxldodo
quo ocho quo poro lozor umo oxposlçoo sobro o hlstorlo unlvorsol,
por ox., so proclsorlo do tonto tompo quonto o mundo tovo poro
vlvonclo-lo.
279
No modldo, onllm, quo o quostoo pudosso sor o do ¨volldodo
otorno¨ do lronlo, oi osto quostoo so podorlo oncontror suo rosposto
quondo so ontrosso no torrono do humor. Humor contóm um
cotlclsmo multo mols prolundo do quo o lronlo; pols nolo tudo glro
noo mols oo rodor do llnltudo, o slm do pocobllldodo; o cotlclsmo do
humor so roloclono com o do lronlo do mosmo monolro quo o
lgnorônclo so roloclono com o ontlgo proposlçoo: creJo quìu ubsur-
Jum (crolo porquo ó obsurdo); mos o humor contóm tombóm umo
posltlvldodo multo mols prolundo, pols olo so movlmonto noo om
dotormlnoçoos humonos, mos slm toontroplcos (ì tleuntlropìske
8estemmelser), olo noo so contonto com lozor do homom um
homom, mos quor lozor do homom um homom-dous. Entrotonto,
tudo lsto so sltuo poro olóm dos llmltos dosto lnvostlgoçoo, o so
olguóm dosojor motorlol poro umo rolloxoo ultorlor, ou gostorlo do
lndlcor o roconsoo quo o Prolossor Mortonson nos dou dos Noous
Poesìus do Holborg.
Notas: 2ª Parte:
1) Solgers nachgelassene Schriften und Briefwechsel herausgegeben von Tieck
un Fr.v.Raumer, 2ter Band (Escritos Póstumos e Correspondência de Solger, publicados
por Tieck e Fr.v.Raumer, 2º vol., p. 514 (num juízo sobre as Lições de A.W. Schlegel): “O
crítico estranhava muito ver mencionada apenas uma vez em toda a obra a ironia, que ele
considerava o verdadeiro ponto central de toda a arte dramática, de modo que mesmo no
diálogo filosófico, na medida que fosse de alguma maneira dramático, ela não seria
dispensável, citada apenas na Parte II, seção 2, p. 72, e ainda por cima para proibir-lhe
toda e qualquer intromissão no propriamente trágico; e entretanto ele se recorda de
afirmações anteriores do autor, que pelo menos pareciam aproximar-se muito destas idéias.
Mas a ironia é também o oposto exato daquela visão da vida na qual se enraízam seriedade
e brincadeira, tais como o autor as concebe”.
2) Hegels Werke. Sechszehnter Band (Obras de Hegel, Vol. 16), p. 492 (numa
recensão dos Escritos Póstumos de Solger): “Acontece o mesmo com Solger; nas
exposições especulativas da idéia suprema, que ele nos dá no tratado acima citado com a
mais profunda seriedade espiritual, ele jamais menciona a ironia, a qual estaria unida da
maneira mais íntima com o entusiasmo, e em cuja profundeza seriam idênticas arte, religião
e filosofia. Justamente aí, ter-se-ia acreditado, seria o lugar onde se encontraria esclarecida
a significação filosófica deste nobre mistério, desta grande desconhecida”. Ibidem a respeito
de Tieck.
3) Com isto não deve ser de modo nenhum desconhecido ou diminuído o esforço
sério do nosso tempo, mas certamente seria de se desejar que em sua seriedade ele fosse
mais sério.
4) Onde ela ocorre mais seguidamente, costuma haver uma ligação com um certo
desespero, e por isso ela se encontra freqüentemente nos humoristas; assim, por ex. quando
Heine, em tom de brincadeira, fica ponderando sobre o que seria pior, se a dor de dentes
ou uma má consciência, e se decide pela primeira.
280
5) A esta ironia executiva ou, como também poderia ser chamada, dramática,
pertence também a ironia da natureza, ou seja, na medida que a ironia na natureza não
é consciente, mas só aparece para quem tem capacidade de enxergá-la; para este, é como
se a natureza, como uma pessoa viva, brincasse com ele ou lhe confiasse seus cuidados e
suas penas. Este desacordo não está na natureza, que para tanto é demasiado natural e
ingênua demais, porém para aquele que se desenvolveu ironicamente, este desacordo se
mostra na natureza. Schubert (em sua Symbolik des Traumes (Simbologia do Sonho),
Bamberg, 1832) oferece uma quantidade destes traços irônicos na natureza para escolha
de todos os gostos. Ele observa que a natureza, com profundo escárnio, “emparelha
maravilhosamente clamor com prazer, alegria com queixume, assim como aquela voz da
natureza, a música eólica do Ceilão, canta no tom de uma voz de clamor profundo” (p. 38).
Ele chama a atenção para a justaposição irônica na natureza dos extremos mais afastados,
cf. p. 41: “Na associação de idéias da natureza, segue imediatamente ao ponderado homem
racional o estúpido macaco, ao sábio e casto elefante o porco impuro, ao cavalo o burro,
ao feio camelo os elegantes veados, ao morcego, insatisfeito com a sorte comum dos
mamíferos e macaqueando os pássaros, segue, na outra direção, o rato que mal ousa
abandonar as profundezas”. Mas todas estas coisas não estão na natureza, e contudo o
sujeito irônico as enxerga aí. Assim também pode-se conceber todos os enganos dos
sentidos como uma ironia da natureza. Mas para tomar consciência disto é preciso ter uma
consciência que seja ela mesma irônica. Quanto mais polemicamente desenvolvido for um
indivíduo, tanto mais ironia ele também encontrará na natureza. Uma tal consideração da
natureza pertence por isso mais ao desenvolvimento romântico do que ao clássico. A
harmonia grega tinha muita dificuldade para encontrar tais sutilezas na natureza. É o que
eu gostaria de mostrar com um exemplo: Na afortunada Grécia só raramente a natureza
testemunhava algo de diferente das harmonias doces e suaves de uma alma afinada
proporcionalmente, pois até o cuidado grego era belo, e por isso o Eco era uma ninfa
amigável. Ao contrário, na mitologia nórdica, onde a natureza ressoava selvagens gritos de
guerra, onde a noite não era iluminada e clara, mas sombria e ameaçadora, plena de angústia
e terror, onde o cuidado não era suavizado por uma calma recordação, mas apenas por
um profundo suspiro e um eterno esquecimento, aí o Eco era um duende monstruoso.
Na crença popular nórdica o eco se chama por isso “Dvergmâl” ou “Bergmâl” (língua-de-
anão ou fala-do-monte), cf. Grimm: Irische Elfenmaerchen (Contos de elfos irlandeses),
p. LXXVIII. Cantos dos Feroes. Randers 1822, p. 464. Esta ironia da natureza só é tratada
aqui numa nota de pé de página, porque afinal ela só aparece propriamente para o indivíduo
humorista; pois propriamente é só através da consideração do pecado no mundo que a
concepção irônica da natureza entra justamente em cena.
6) Assim é concebida a ironia por Teofrasto, cf. Theophrasti Characteres, ed.
Astius p. 4 Cp. I: “Sobre a ironia”. Aqui se define assim a ironia: “dissimulação para o mal
por atos e palavras (EM GREGO e LATIM: PROSPOíESIS EPì KEIRON PRÁXEÓN KAI
LÓGON/ simulatio dissimulatioque fallax et fraudulenta).
7) O negativo tem, assim como a água na relação com aquilo que se espelha nela,
a propriedade de mostrar tão acima de si o que ele produz como mostra abaixo de si o que
ele combate; mas o negativo sabe disto tão pouco quanto a água.
8) Entretanto, esta tendência irônica não se encerra, de maneira nenhuma, com
Tieck e Schlegel, pelo contrário, ela teve na “Jovem Alemanha”uma rica sementeira. Esta
“Jovem Alemanha”foi também levada em consideração sob muitos aspectos na análise
geral deste ponto de vista.
9) Utilizo em toda esta exposição a expressão: a ironia e o irônico, mas poderia da
mesma forma dizer: o romantismo e o romântico. Ambas as expressões designam
essencialmente o mesmo, sendo que uma recorda mais o nome com que este partido
batizou a si mesmo, e a outra o nome com que Hegel o batizou.
10) Lucinde. Um romance de Fr. v. Schlegel. 2ª edição inalterada. Stuttgart 1835.
281
11) Com isso o cristianismo não quer de maneira alguma aniquilar a sensualidade,
pois ele ensina que é só após a ressurreição que os homens não se casarão e as mulheres
não serão dadas em casamento; mas ele recorda também o caso daquele homem que não
tinha tempo para ir às grandes núpcias porque ele mesmo queria casar-se.
12) Vorlesungen ueber Glauben und Wissen (Lições sobre fé e saber). Berlim
1837 (p. 86).
13) Isto de deixar a fantasia reinar sozinha é realmente algo que se repete em todo
o Lucinde. Onde haveria alguém tão desumano que não se alegrasse com o leve jogo da
fantasia? Mas daí não se segue que toda a vida deva se abandonar a uma visão fantástica.
Quando a fantasia chega ao ponto de reinar sozinha, ela esgota e anestesia a alma, rouba-lhe
o vigor moral e transforma a vida num sonho. E no entanto é justamente isto o que Lucinde
quer, e seu ponto de vista está por isso caracterizado à p. 153 com as seguintes palavras:
“O auge da razão consiste em calar por própria opção, devolver a alma à fantasia e não
perturbar as doces brincadeirinhas da jovem mãe com sua criança de colo”; pois o sentido
é manifestamente este, que quando a razão alcançou seu ponto mais alto, a forma
(Formation) da razão deve dar lugar à fantasia, que agora deve imperar sozinha, e não ser
apenas um interlúdio na obra da vida (Livets Gjerning).
14) Isto é ensinado especialmente num idílio sobre a ociosidade, onde a mais alta
perfeição é posta na pura e genuína passividade. “Quanto mais belo o clima, tanto mais
passivo se é. Só os italianos sabem caminhar, e só os do Oriente entendem de deitar; mas
onde é que o espírito se cultivou mais suave e docemente do que na Índia? E em todos os
quadrantes é o direito ao ócio o que diferencia o homem nobre do homem comum, e
constitui propriamente o princípio da nobreza” (p. 42). A mais alta e mais perfeita não é
outra senão o puro vegetar; a vida vegetativa é em geral aquele ideal para o qual aqui se
tende, e por isso Julius escreve a Lucinde: “Nós dois um dia ainda vamos contemplar em
Um espírito que somos flores de Uma planta ou pétalas de Uma flor, e com sorrisos vamos
então saber que o que agora chamamos apenas esperança era propriamente lembrança”
(p. 11). Até mesmo a nostalgia assume a forma de uma vida calma vegetativa: “Julius,
perguntava Lucinde, por que é que eu sinto em tão serena calma a nostalgia profunda? Só
na nostalgia encontramos a calma, respondia Julius. Sim, a calma só é isto, quando o nosso
espírito não se deixa perturbar por nada, ansiar por si e procurar, quando ele não pode
encontrar nada de mais sublime do que a própria nostalgia” (p. 148), “Julius: A santa calma
eu só achei naquela ânsia, amiga. Lucinde: E eu nesta bela calma aquela santa nostalgia”
(p. 150).
15) Vorstudien für Leben und Kunst, herausgegeben von Dr. H. G. Hotho,
Stuttgart und Tübingen 1835 (Estudos Prévios para a Vida e a Arte, publicados pelo Dr.
H. G. Hotho, Stuttgart e Tübingen 1835.), p. 394.
16) Com isto pode ser comparada a excelente exposição de Hotho, op. cit. p. 412:
“A independência aventureira deixa aí aberto para a fantasia um espaço ilimitado para
todo tipo de formações fantásticas; à hora em que querem, atrevidos episódios surgem para
lá e para cá, curiosidades do tipo de arabescos se entrelaçam coloridas com risadas trocistas
através da frouxa estrutura, a alegoria espalha nebulosamente as figuras costumeiramente
tão limitadas, no meio disto corre como um fantasma o gracejo da paródia em petulância
desconcertante, e com esta arbitrariedade genial vem confraternizar-se aquela comodidade
abatida que não consegue rejeitar nenhuma idéia ociosa, pois têm origem comum”.
17) Se alguém desejar obter, com a ajuda de um desenho, uma representação de
uma tal figura, eu indicarei a imagem que se encontra no des Knaben Wunderhorn, alte
deutsche Lieder. Dritter Band (A cornucópia maravilhosa do rapaz, Antigas canções
alemãs. Vol. III).
18) K.W.F. Solgers Vorlesungen über Aesthetik, herausgegeben von K.W.L.
Heyse. (Lições sobre Estética, de K.W.F. Solger, publicadas por K.W.L. Heyse.) Leipzig
1829.
282
19) Solgers nachgelassene Schriften und Briefwechsel. Herausgegeben von
Ludwig Tieck und Friedrich v. Raumer (Escritos póstumos e correspondência de Solger.
Publicados por L. Tieck e Fr.v.Raumer.), Leipzig 1826.
20) Por isso está totalmente correta a observação de Solger em seus Escritos
Póstumos, 2ª parte, p. 514: “Mas é então por acaso a ironia uma atitude vil de não se
interessar por tudo aquilo que interessa essencial e seriamente aos homens, por toda a
discrepância em sua natureza? De jeito nenhum; isto seria uma zombaria vulgar, que não
estaria acima da seriedade e da brincadeira, porém as combateria no mesmo terreno e com
as suas próprias forças”.
21) Conservei esta palavra alemãã porque propriamente não conheço nenhuma
palavra dinamarquesa que designe exatamente a mesma coisa. Se por acaso o leitor se
sentir incomodado com esta palavra, pelo menos há a vantagem de se ter constantemente
um memento sobre Solger.
22) Aqui se reconhecerá imediatamente a diferença essencial entre a ironia de Solger
e a que foi descrita anteriormente. A ironia de Solger é uma espécie de devoção
contemplativa, e para ele não é importante conservar o sujeito para-si em sua posição arisca
e reservada. Toda finitude deve ser negada, o sujeito que observa também, sim, a rigor ele
já está negado nesta contemplação.
23) De resto, o tratamento que Hegel dá às observações de Solger fornece uma
contribuição interessante para a questão: em que relação está Hegel com a visão cristã?
283

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful