XI SIMPÓSIO DE RECURSOS HIDRÍCOS DO NORDESTE AVALIAÇÃO DA INFLUÊNCIA DOS USOS DE ÁGUA SOBRE A DISPONIBILIDADE HÍDRICA CALCULADA COM BASE

EM DADOS OBSERVADOS NA BACIA DO RIO MUNDAÚ
Sergio Renato Ávila Glasherster da Rocha1; Rubens Maciel Wanderley2

RESUMO - O sistema de gestão de recursos hídricos em uma bacia hidrográfica fundamenta-se em informações de demandas e disponibilidade hídrica. No geral, as informações de disponibilidade hídrica são baseadas diretamente em dados brutos observados nas estações fluviométricas que monitoram a bacia, sem levar em consideração a influência que os usos de água instalados a montante têm sobre os dados destas estações. Eliminar essa influência pode proporcionar maior confiabilidade nas informações de disponibilidade hídrica, auxiliando os órgãos gestores na emissão de outorgas de direito de uso dos recursos hídricos. Na bacia do rio Mundaú, essa influência é expressiva, pois os usuários de água, principalmente do setor sucroalcooleiro, têm captações instaladas há mais tempo que as estações fluviométricas. Este trabalho propõe uma metodologia para a reconstituição de vazões naturais na bacia do rio Mundaú, com o propósito de avaliar o comprometimento da disponibilidade hídrica ao se considerar somente os dados brutos observados nas estações fluviométricas. Os resultados mostraram que essa influência é significativa e pode comprometer até 30% das vazões com alta permanência, normalmente utilizadas como disponibilidade hídrica para os processos de outorga pelos órgãos gestores. ABSTRACT - The water resources management in a watershed is based on relations between water uses and availability. In general, the water availability is determined directly with the data observed in fluviometric stations installed in the rivers, without taking into account the influence that the water users installed upstream has on the data from these stations. Determining this influence can provide greater reliability for the information of water availability, assisting the water resources managers on the analysis of water rights. In the river Mundaú (Alagoas and Pernambuco, Brazil), this influence can be expressive, because the water users are installed in the region more time ago than the fluviometric stations, mainly the users of the sugar and alcohol industry. In this work, a methodology is proposed to the reconstitution of the natural discharges of fluviometric stations in the watershed of river Mundaú, with the purpose of evaluating the reducing on water availability by considering only the observed data in the fluviometric stations. The results showed that this influence is significant and can reduce until 30% of the discharges with high permanencies, usually taken as water availability for water rights analysis. Palavras-chave - Reconstituição de vazões naturais, disponibilidade hídrica, gestão de recursos hídricos

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Especialista em Recursos Hídricos, Agência Nacional de Águas – ANA, (61) 2109-5508, sergio.rocha@ana.gov.br Especialista em Recursos Hídricos, Agência Nacional de Águas – ANA, (61) 2109-5508, rubensw@ana.gov.br
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XI Simpósio de Recursos Hídricos do Nordeste

Foram utilizadas como base para a análise as vazões de alta permanência considerando somente os 4 meses mais secos da região. é necessário que as incertezas relacionadas à determinação das vazões mínimas sejam reduzidas. as informações fluviométricas disponíveis estão significativamente influenciadas pelas próprias demandas localizadas a montante. Esse procedimento poderá auxiliar os órgãos gestores nacional e estaduais na emissão de outorgas de direito de uso dos recursos hídricos. essa influência é expressiva. seja em alguns períodos ou na série histórica completa. porém. Em algumas bacias. servindo como apoio à tomada de decisões por parte dos órgãos integrantes do Sistema Nacional de Gerenciamento dos Recursos Hídricos. Com relação à disponibilidade hídrica. de outorgas de direito de uso pelos órgãos gestores de recursos hídricos. é de fundamental importância o conhecimento do histórico de usos de água na bacia.INTRODUÇÃO E OBJETIVOS As demandas e a disponibilidade hídrica são as informações básicas que fundamentam o sistema de gestão do uso da água em uma bacia hidrográfica. Neste sentido. Esse trabalho propõe avaliar o nível de comprometimento da disponibilidade hídrica ao se considerar somente os dados brutos das estações. principalmente do setor sucroalcooleiro. para irrigação ou uso industrial. por exemplo. que tem captações instaladas há décadas. proporcionando maior confiabilidade nas informações de disponibilidade hídrica. Na bacia hidrográfica do rio Mundaú. A reconstituição de vazões naturais é uma técnica que permite recompor a série de vazões naturais. XI Simpósio de Recursos Hídricos do Nordeste 2 . com a finalidade de eliminar a influência dos usos de água a montante das estações fluviométricas e determinar a capacidade de produção de água da bacia. pois há bastantes usuários. a fim de propiciar confiança na análise. foi necessário reconstituir as vazões naturais das estações fluviométricas dessa bacia e confrontá-las com as vazões observadas. Para isso. que abrange os estados de Alagoas e Pernambuco. anteriores inclusive às medições de vazão existentes na bacia.

971 km2). e rios perenes.155 km2) e Alagoas (1. em Alagoas. No trecho pernambucano. Figura 1 . A área da bacia estende-se pelas zonas geográficas do Agreste. normalmente próxima aos maiores cursos d’água e associada ao cultivo de frutas e hortaliças. O regime de chuvas associado a estas zonas é responsável pela existência de rios intermitentes. em Pernambuco. na elaboração do XI Simpósio de Recursos Hídricos do Nordeste 3 . em Pernambuco. Apenas a termos de comparação.CARACTERIZAÇÃO GERAL DA BACIA A bacia do rio Mundaú tem uma área de aproximadamente 4. pois nascem no estado de Pernambuco e atravessam a fronteira até terras alagoanas. conforme a Figura 1. em Alagoas.126 km2 e contempla os estados de Pernambuco (2. Localiza-se na Região Hidrográfica Atlântico Nordeste Oriental. todos eles de domínio da União.Bacia hidrográfica do rio Mundaú Seus principais cursos d’água são o rio Mundaú e seus tributários Canhoto (o de maior extensão) e Inhumas. A principal demanda de água na bacia refere-se à agricultura irrigada. segundo a Divisão Hidrográfica Nacional (Resolução CNRH nº 32/2003). a área irrigada é pequena. e da Zona da Mata. associada principalmente à alta produção de cana-de-açúcar em seu trecho alagoano.

Histórico de uso da água pelos principais usuários da bacia. 1998). A Tabela 1 apresenta as informações de cada estação.705 ha.Dados históricos das estações fluviométricas em estado bruto. Análise dos dados históricos das estações A rede de monitoramento fluviométrico com dados históricos da bacia do rio Mundaú é composta por cinco estações. a área irrigada no trecho alagoano era estimada em 78. foram necessários dois conjuntos de informações: . enquanto em Pernambuco era de 2.940 ha. e .PDRH da bacia (PERNAMBUCO. Figura 2 – Estações fluviométricas da bacia XI Simpósio de Recursos Hídricos do Nordeste 4 . cuja distribuição é apresentada na Figura 2. LEVANTAMENTO E ANÁLISE DE INFORMAÇÕES Para a reconstituição das vazões naturais das estações fluviométricas da bacia do rio Mundaú.

Tabela 1 – Informações das estações da bacia Nome da estação Santana do Mundaú São José da Laje União dos Palmares Murici Fazenda Boa Fortuna Código 39700000 39720000 39740000 39760000 39770000 Área de drenagem 769. Tabela 2 – Exemplos de inconsistências – estação 39720000 Estação 39720000 Vazão (m3/s) 0. somente duas destas estações tiveram informações suficientes que permitissem realizar a reconstituição das suas vazões naturais: estação 39720000 (São José da Laje) e estação 39740000 (União dos Palmares).619 1. primeiramente foi realizada uma pré-análise para identificar os meses mais críticos com relação à disponibilidade hídrica.7 km2 2910. Alguns exemplos de dados com esse tipo de falha são apresentados na Tabela 2.992 0. Para calcular as vazões de referência na bacia.3 km 2 2 Por motivos que serão apresentados no próximo item.9 km2 3303.32 0. sendo excluídos da série dados com eventuais falhas.32 1.3 km 3571.32 1.23 1.44 Data inicial 11/12/1997 14/12/1998 4/12/1991 24/10/1997 26/12/2000 7/11/1998 16/2/1997 14/12/1996 8/2/1993 11/2/1995 28/11/1995 3/7/1998 Data final 6/2/1998 9/2/1999 24/1/1992 10/12/1997 31/1/2001 12/12/1998 22/3/1997 13/1/1997 9/3/1993 12/3/1995 21/12/1995 24/7/1998 Nº dias consecutivos 57 57 51 47 36 35 34 30 29 29 23 21 XI Simpósio de Recursos Hídricos do Nordeste 5 . principalmente com relação a dados iguais observados em muitos dias seguidos.795 4. A seguir. algo que não é comum.44 1.21 1. foi feita a verificação das curvas-chave e uma análise minuciosa da série de cotas e vazões diárias disponibilizadas.1 1.4 km 2 Período de dados Set/92 a Nov/08 Nov/90 a Dez/08 Nov/90 a Dez/08 Dez/65 a Nov/08 Jan/74 a Nov/08 1180.32 1. Constatou-se que há algumas inconsistências nas leituras da estação 39720000.

Ao adotar a consideração do item anterior. Embora os valores apresentados na Tabela 2 englobem principalmente os meses de outubro a março. portanto. Figura 3 – Curva de permanência para o período seco da estação 39720000 XI Simpósio de Recursos Hídricos do Nordeste 6 . Nota-se ainda que. assim. não foram considerados os dados diários e a curva de permanência da estação 39720000 (Figura 3) foi gerada a partir de dados mensais. o que poderia ser entendido como valor representativo da recessão no hidrograma. evidenciando um problema de inconsistência nas leituras ou. no cálculo das vazões de referência. correspondentes aos 4 meses mais secos dos 18 anos do histórico. foi adotada a Qxx. Além disso. o que reforça a idéia de que não é algo natural.seca. devido a essa grande repetição de informações. mas a partir de 72 informações de vazão. falta de leitura sendo complementada com um valor só para todo o período sem observação. há dados que se repetem por mais de 7 dias consecutivos. podendo ser utilizada para avaliação da disponibilidade hídrica nos processos de outorga na região. ainda. Ressalta-se que essas repetições de valores não acontecem apenas para eventos de vazão mínima. construir uma curva de permanência não mais a partir de 18 dados. inclusive de vazões com permanência de até 70%. definida como a vazão de xx% de permanência para os 4 meses mais secos da região. em todos os meses há essa inconsistência. esse tipo de inconsistência diminuiu consideravelmente. Essa curva. obtida com os dados mensais.Em pelo menos 50 casos. Assim. a partir do ano 2000. como o número de anos da série é baixo e para tentar diminuir o nível de incerteza. se torna representativa do período seco (dezembro a março). mas para valores em diversas faixas. A Tabela 3 apresenta a vazão para diferentes garantias para os meses mais secos isoladamente e para todo o período seco. pôde-se.

100 1.581 4.612 Q85. A Tabela 4 apresenta as vazões de referência para a estação.667 4.883 4.020 6.622 4.141 5.seca (L/s) 3.822 2.seca (L/s) 1.190 2.330 3.373 2.702 Q95.seca (L/s) 903 932 891 891 809 1.066 3.707 6.seca (L/s) 742 809 858 872 549 849 Q95.035 1.934 3.seca (L/s) 4.563 3.010 3.292 Q75.seca (L/s) 1.520 4.seca (L/s) 567 630 733 769 270 691 O mesmo trabalho foi desenvolvido para a estação 39740000.073 4. enquanto a Figura 4 apresenta a sua curva de permanência para o período seco.128 1.seca (L/s) 4.631 4.181 1.189 XI Simpósio de Recursos Hídricos do Nordeste 7 .468 4.seca (L/s) 1.429 5.100 1.993 3. Figura 4 – Curva de permanência para o período seco da estação 39740000 Tabela 4 – Vazões de referência para os meses mais secos – Estação 39740000 Período Janeiro Fevereiro Março Novembro Dezembro Período seco (dezembro a março) Q70.254 Q80.023 3.537 2.429 2.118 Q85.Tabela 3 – Vazões de referência para os meses mais secos – Estação 39720000 Período Janeiro Fevereiro Março Novembro Dezembro Período seco (dezembro a março) Q70.246 2.047 891 1.035 992 891 952 952 1.065 Q80.903 6.100 1.610 3.711 2.seca (L/s) 1.020 Q90.046 992 1.758 Q75.116 4.264 Q90.seca (L/s) 3.seca (L/s) 2.524 2.

933 7.758 1.750 Volume mensal em milhares de m3 Mar Abr Set Out 1.400 1.390 1.886 1.318 2.400 480 Nov 1. Com o propósito de reconstituir as vazões das estações da bacia do rio Mundaú.280 2.127 1.088 6.400 1.Série histórica de vazões captadas na bacia A bacia do rio Mundaú tem suas informações fluviométricas fortemente influenciadas pelas captações.400 2. todos do setor sucroalcooleiro.887 2.811 13.240 1.758 940 1.063 1. Tabela 5 – Estimativa do volume irrigado por captações em rios federais do usuário Ano 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Jan 1.279 2.524 1.946 11. A Tabela 6 apresenta a estimativa de volume gasto no processo industrial.758 2.600 2. foram solicitadas.630 780 2.285 7.400 2.188 2.400 2.400 2.030 2.260 1.440 2.400 2.452 200 1.175 2.790 2.729 XI Simpósio de Recursos Hídricos do Nordeste 8 .400 2.118 2.047 2. que concentram mais de 90% da demanda da bacia. principalmente do setor sucroalcooleiro.967 2. informações relativas à demanda histórica de recursos hídricos dos quatro principais usuários de recursos hídricos da bacia.662 12.400 320 1.335 10.758 1. Apenas um dos usuários contatados forneceu a série histórica de vazões captadas em cursos d’água de domínio da União. O usuário apresentou a estimativa do volume gasto para irrigação a partir de captações em rios de domínio federal de janeiro de 1990 a dezembro de 2010.524 1.360 1.175 2. que ocorrem há décadas.046 2. puderam-se reconstituir as vazões apenas das estações fluviométricas 39720000 e 39740000. através da Agência Nacional de Águas.850 13.400 960 2.135 9.400 2.325 1.400 2.422 1.400 Dez 915 1.775 1.016 1.400 2.433 1.400 2.390 1.240 610 1.758 2.400 2.840 1.400 2.188 1.400 2. reproduzida na Tabela 5.900 1.063 2.240 2.775 2. Dessa forma.524 230 1.695 2. as informações apresentadas na Tabela 3 e na Tabela 4 não equivalem às vazões naturais relacionadas à produção de água na bacia.400 2.400 370 780 511 2.400 640 2.400 320 2. Justamente por conta disso.921 14.400 2.758 350 1.610 11.758 1.400 780 2.366 11.188 2.166 2.317 9.524 915 1.524 1.599 1.758 1.768 10.698 18.400 1.599 2.058 8.600 1.422 1.175 400 Fev 1.078 2.172 2.600 1.400 2.400 320 780 Total 9.158 2.400 2.334 1.110 1.030 1. exatamente aquele que se encontra mais a montante.400 1.400 320 2.188 430 730 1.255 2.400 2.380 2.143 1.207 2.350 12.524 1.367 1.172 1.161 6.954 729 1.703 14.400 2.343 13.110 320 1.167 2.190 2.320 1.400 2.647 1.

018.225.257 1.325.738.9 80. Já as demandas para o processo industrial encontram-se todas no rio Mundaú.592 1.706.290 114.566.7 87. correspondente à situação atual.540 2.221 754.449.624 2.579 788.013.131.189.001 3.227 539.5 104.038.923 4.125 910.802 1.510 3.634 5. Assim.084 3.9 84. 17% é captado na bacia do rio Jacuípe e 83% na bacia do rio Mundaú.7 82.871 1.6 123.256.513 2.005.4 135.7 137.222 3.144 1.211 4.010.557.390 4.746 1.1 87.8 92.5 91.023.436. O volume mensal consumido pelo usuário.041.083 2.7 146.573 2.795 1.734 2.246.045.597.313 1.851 5.029.0 86.718 3.586 2.758 4.523. foi transformado em vazão média diária de consumo.976 3.686.216 3.0 85.085.080 1.024 4. apresentado nas tabelas acima. b.8 142.5 138.223 3.3 121.4 158.3 83.6 97.632 812.1 91.9 148.631.121.699.510.0 87. Do volume total captado pelo usuário.1 83.075.979.303.4 149.519 3.027.5 148.657.1 118.202 3.101 790.210 891.618.437 900.6 101.450 2.636 1.342.922 2.969 4.3 88.368 4.504 4.4 82.7 87.8 135. RECONSTITUIÇÃO DE VAZÕES NATURAIS NAS ESTAÇÕES Para reconstituir as vazões nas estações.208 3.100. adotou-se o seguinte procedimento: a.054.5 129.975 4.8 Em consulta ao Cadastro Nacional de Usuários de Recursos Hídricos – CNARH. Considerou-se 70% dessa vazão média diária como consumo efetivo e 30% como retornável ao curso d’água.554 3.346.385 3.654 4.026.Tabela 6 – Estimativa do volume gasto na indústria pelo usuário Safra 1990/91 1991/92 1992/93 1993/94 1994/95 1995/96 1996/97 1997/98 1998/99 1999/00 2000/01 2001/02 2002/03 2003/04 2004/05 2005/06 2006/07 2007/08 2008/09 2009/10 2010/11 Volume em m3 Dias efetivos Vazão diária equivalente (L/s) Captação Lançamento SALDO de moagem 2.223 869.169.260 3.131.331.113.528 1.015.887.266.790 2.035.995 1.6 143.287 3.4 73.6 79. esses 30% que voltam XI Simpósio de Recursos Hídricos do Nordeste 9 .9 169.4 73.1 114.962. segundo informações do PDRH da bacia.552 3.024 3.1 77.5 118.162 2. foi verificado que os dados de demandas federais do usuário para a irrigação não se encontram somente na bacia do rio Mundaú.067.674 1.995.591.961.021.

g. o acréscimo foi de 58% (70%*83%*100%. Todos os acréscimos foram feitos aos dados DIÁRIOS e. foram feitas novas curvas de permanência para o período seco das duas estações. foram reconstituídas as séries de vazões. 46. e. 83% da captação do usuário é feita na bacia do rio Mundaú. Para a estação 39740000.76%). acrescentou-se 27. d. com isso. obtida por safra.ao curso d’água já estariam sendo contabilizados nas vazões de referência apresentadas na Tabela 3 e na Tabela 4.17% da vazão de consumo mensal do respectivo mês (70%*83%*46. Como comentado acima.76% é captada a montante da estação 3972000. ainda. Essa relação foi obtida analisando os dados do CNARH. Esse percentual foi considerado sobre o consumo efetivo para a reconstituição das vazões. c. f. A partir das novas informações de vazões diárias. Ressalta-se que só foram utilizadas as demandas federais do usuário na reconstituição porque as informações de demandas estaduais não permitiam desagregar o quanto efetivamente era captado de curso d’água e o quanto era captado de pequenos reservatórios e barramentos. devido à localização desse uso a montante da estação 39720000. a cada dado diário da estação 3972000. Foi acrescentada à vazão de ambas as estações. respectivamente. Assim. A Figura 5 e a Figura 6 apresentam as curvas de permanência antes e após a reconstituição de vazões para as estações 39720000 e 39740000. Figura 5 – Curvas de permanência para o período seco da estação 39720000 XI Simpósio de Recursos Hídricos do Nordeste 10 . a vazão média diária correspondente ao saldo entre captação e lançamento de uso industrial. pois considera a totalidade da vazão consumida). Do volume captado na bacia.

135 Q95. para as duas estações. foram calculadas.798 Q90. para várias permanências.seca (L/s) 1.seca (L/s) 1. as relações entre as vazões antes e após a reconstituição. após a reconstituição.seca (L/s) 1.seca (L/s) 909 2.108 3. A Figura 7 apresenta graficamente estas relações para a estação 39720000.Figura 6 – Curvas de permanência para o período seco da estação 39740000 Alguns valores de vazões de referência representativas do período seco. são apresentados na Tabela 7.031 Q85.270 Q75.374 4.801 Q80. A diferença percentual entre as vazões de referência antes e após a reconstituição dessa estação é apresentada na Tabela 8.793 RESULTADOS E DISCUSSÕES Estação 39720000 Com base nas curvas de permanência.seca (L/s) 1.439 5. Tabela 7 – Vazões de referência para o período seco após a reconstituição para as duas estações Estação 39720000 39740000 Q70.seca (L/s) 1. XI Simpósio de Recursos Hídricos do Nordeste 11 .293 3.408 4. Pode-se perceber que o incremento de vazão devido à reconstituição segue uma tendência de crescimento linear com a permanência de vazões.

020 1.Figura 7 – Relação entre vazões antes e depois da reconstituição – estação 39720000 Tabela 8 – Vazões de referência – estação 39720000 Estação Pré-reconstituição Pós-reconstituição Diferença percentual Q70.5% Q95.seca (L/s) 1.5% Figura 8 – Curvas de permanência no trecho de vazões mínimas – estação 39720000 XI Simpósio de Recursos Hídricos do Nordeste 12 .9% Q85.seca (L/s) 1.408 12.254 1.374 22.seca (L/s) 691 909 31.293 26.8% Q90.4% Q75.439 11.seca (L/s) 1.118 1.292 1.3% Q80.108 30.seca (L/s) 849 1.seca (L/s) 1.

Verifica-se que o acréscimo de vazão devido à reconstituição é significante.6%. de 27.264 3.seca (L/s) 4.6% Q85.135 16. A diferença percentual entre as vazões de referência antes e após a reconstituição nessa estação também se mostra significante (Tabela 9).5% no valor de vazão observada no período seco na estação.0% Q95.702 3.1% Q80. O maior incremento é verificado na vazão Q95. Figura 9 – Relação entre vazões antes e depois da reconstituição – estação 39740000 Tabela 9 – Vazões de referência – estação 39740000 Estação Pré-reconstituição Pós-reconstituição Diferença percentual Q70.612 4.seca (L/s) 2.6% XI Simpósio de Recursos Hídricos do Nordeste 13 .8% Q75. tem-se um incremento de 30.seca (L/s) 3.seca.4% Q90.758 5. o incremento na disponibilidade varia entre 10 e 20%. embora menor que aquele verificado na estação 39720000. Para a vazão Q90. a tendência linear de crescimento percentual na vazão após a reconstituição também é percebido (Figura 9).031 11.seca.801 18.seca (L/s) 2. Para as vazões com permanência entre 70% e 90%.270 10.793 27.seca (L/s) 4.065 4.798 16. normalmente utilizada como referência para análise dos processos de outorga tanto na ANA quanto nos estados de Alagoas e Pernambuco.seca (L/s) 3.189 2. Estação 39740000 Para a estação de União dos Palmares (39740000).

a reconstituição foi feita de forma parcial. sendo da mesma ordem de grandeza da soma do valor médio diário de todas as demandas federais para irrigação implantadas atualmente a montante dessa estação (478 L/s).Figura 10 – Curvas de permanência no trecho de vazões mínimas – estação 39740000 Da análise das curvas de permanência antes e depois da reconstituição.seca (3. infere-se que a vazão Q90. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES É notável a influência dos usos de água a montante na série histórica de vazões das estações fluviométricas da bacia do rio Mundaú. visto que só foram consideradas as demandas de um usuário em rios de domínio federal.seca é significante. Embora percentualmente essa diferença seja de “apenas” 16%. O fato das captações estarem implantadas há mais tempo que as estações faz com que essa influência ocorra sobre toda a série de vazões e a reconstituição de vazões nas estações estudadas permitiu avaliar a importância dessa influência. Neste estudo. XI Simpósio de Recursos Hídricos do Nordeste 14 . o acréscimo de 433 L/s obtido para a Q90. e ainda demandas estaduais importantes que não puderam ser consideradas aqui. Além disso. por falta de informações primordiais.135 L/s) obtida após a reconstituição é equivalente a uma vazão com permanência um pouco maior que 85% obtida com os dados brutos. também instalados há décadas. ainda há outros usuários em cursos d’água localizados na área de contribuição entre as duas estações.

XI Simpósio de Recursos Hídricos do Nordeste 15 . Secretaria de Recursos Hídricos. Para que esses estudos possam ser realizados. para as vazões entre Q80 e Q100. com a reconstituição das vazões no posto 39720000. Como seguimento a esse trabalho. é importante a conscientização dos próprios usuários.Um acréscimo de mais de 30% na disponibilidade da bacia. Para a estação 39740000. BIBLIOGRAFIA PERNAMBUCO (1998). o que evidencia uma clara influência de grandes usuários no trecho incremental entre essas estações. porém. Para se ter uma ideia. Recife. o acréscimo na vazão de referência Q90 também foi considerável. sugere-se a reconstituição de vazões nas estações 39760000 (Murici) e 39770000 (Fazenda Boa Fortuna). menores que aquelas da estação 39740000 (União dos Palmares). as vazões mínimas calculadas com a série histórica da estação 39760000 apresentam um valor. de cerca de 16%. que devem ter em mente que o envio de informações históricas de suas captações é algo que os auxiliará na análise de seus processos de regularizações dos empreendimentos nos órgãos gestores de recursos hídricos. mostra o quanto é importante esse tipo de estudo em bacias que possuem essa característica de terem estações fluviométricas localizadas a jusante de grandes usuários. Plano Diretor de Recursos Hídricos da Bacia do Rio Mundaú.

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