TENSÕES E CORRENTES

TRANSITÓRIAS E


TRANSFORMADA


DE


LAPLACE












1
PRINCIPAIS SINAIS NÃO SENOIDAIS

Degrau de amplitude E - É um sinal que vale 0 volt para t < 0 e vale E volt,
constante, para t >0. Ver fig. 1-a.


t
E
E
v
R
(a)
(b)
v
0
0


Fig. 1

A fig. 1-b mostra um exemplo da geração desse sinal. Com a chave aberta, a tensão em
R é igual a zero volt. Com a chave fechada tem-se, em R, a tensão E volt. Supondo que
a chave fechou no instante t = 0, tem-se o sinal na forma de degrau mostrado na fig. 1.a.

Degrau unitário – É o degrau em que o valor para t > 0 é 1. Neste caso ele é
designado por ( ) t u . Ver fig. 2.


t
0
1
( ) t u
+
0

0
0

Fig. 2

Uma dúvida que se poderia ter seria sobre o valor da função para t = 0, uma vez que,
pela figura 2, vemos que o valor pode ser qualquer um entre zero e 1.
Por convenção, em t = 0, a função ( ) t u é descrita analiticamente pelas expressões:

Para ) 0 (

= t ¬ ( ) 0 = t u

Para ) 0 (
+
= t ¬ ( ) 1 = t u


O sinal degrau representado na fig. 1-a é designado por:

( ) t u E v × =

2
Sinal impulso unitário

É um sinal que é zero para qualquer 0 ≠ t e é infinito para 0 = t . Entretanto sua área é
igual a 1. Ver fig. 3.


0 t

( ) t δ
Área = 1
0


Fig. 3

Este sinal é, também, chamado de função Dirac e é representado por ( ) t δ .
Uma das maneiras matemáticas de descrevê-lo se refere à fig. 4.


t
τ
1
= h
τ
0
0


Fig. 4

Nessa figura temos um pulso ( ) t f de duração τ e amplitude
τ
1
= h .
Sua área fica: 1
1
= × =
τ
τ A
Portanto, a área é igual a 1 independentemente do valor de τ .
Neste caso poderíamos dizer que


h lim = ∞ =
0 → τ
τ
1
lim
0 → τ
= ( ) ( ) t f t lim = δ
0 → τ


Portanto, tem-se para ( ) t δ :

0 = τ

∞ → h

1 = área
3
A função ( ) t E δ × representa um impulso com área E.

Rampa unitária

É também chamada de rampa de inclinação unitária. Ela é definida como sendo a
função ( ) t f que obedece as seguintes características:

Para 0 < t ¬ ( ) 0 = t f

Para 0 ≥ t ¬ ( ) t t f =

Matematicamente, designa-se este tipo de função como sendo ( ) t u
1 −

A fig. 5-a mostra essa função. A fig. 5-b mostra o sinal ( ) t u a
1 −
× que vem a ser uma
rampa com inclinação igual a a .


0 1
( ) t u
1 −
t
1
0
0 1
( ) t u a
1 −
×
t
a
0
(a)
(b)



Fig. 5



















4
TRANSFORMADA DE LAPLACE

Aplicação

A transformada de Laplace é um algoritmo matemático que permite a resolução de
equações diferenciais de uma maneira puramente algébrica. É muito útil para o cálculo
de tensões e correntes transitórias em circuitos elétricos.

Definição

Define-se como transformada de Laplace, de uma função temporal ( ) t f , a igualdade:


( ) [ ] ( ) dt e t f t f
st −

}
=
0


Esta operação transforma uma função da variável tempo em outra função que depende
apenas da variável s. Por isto, é comum dizer:

Função ( ) t f ¬

Transformada de Laplace dessa função ( ) s F ¬

onde ( ) ( ) dt e t f s F
st −

}
=
0
(1)

---------------------------------------------------------------------------------------------
Exemplo 1 : Determinação da transformada de Laplace de um degrau unitário ( ) t u .
Ver fig. 6.


t
0
1
( ) t u
0

Fig. 6

Neste caso

( ) dt e s F
st
}


× =
0
1
st
e
s

− =
1
0

=
( ) ( )
s s
e e
s
1
1 0
1 1
0
= − − = − − =
∞ −


5

( ) = s F
( )
s
t u
1
= (2)


-----------------------------------------------------------------------------------------------
Teorema 1: A multiplicação de uma função temporal, por uma constante, equivale a
multiplicação, de sua transformada de Laplace, pela mesma constante

Seja ( ) ( ) dt e t f s F
st −

}
=
0


Neste caso, ( ) dt e t f a
st −

}
×
0
( ) dt e t f a
st −

}
=
0
( ) s F a× =


---------------------------------------------------------------------------------------------------

Exemplo 2 – Determinação da transformada de Laplace de um degrau de amplitude E.
Ver fig. 7.


t
0
E
( ) t f

Fig. 7

Neste caso, ( ) ( ) t u E t f × =

De acordo com o teorema 1, tem-se:


( ) = × t u E × E ( )
s
E
s
E t u = × =
1



( )
s
E
t u E = × (3)

----------------------------------------------------------------------------------------------------------

Exemplo 3 - Determinação da transformada de Laplace da função: ( )
t
e t f
α −
=

( ) dt e e s F
st t −


}
=
0
α
=
( )
dt e
t s
}

+ −
0
α


Portanto:


6

( )t s
e
s
+ −
+

α
α
1
0

α α +
=
(
¸
(

¸

+
− − =
s s
1 1
0
( ) = s F


--------------------------------------------------------------------------------------------------------

Exemplo - 3 - Determinação da transformada de Laplace da derivada de uma função:


( )
(
¸
(

¸

dt
t df


Sabemos que

( )
dt
dU
V
dt
dV
U V U
dt
d
× + × = ×

Multiplicando, os dois lados da igualdade, por dt fica:

( ) dU V dV U V U d × + × = ×

Integrando os dois lados da igualdade tem-se:

} }
+ = × Vdu UdV V U

ou

} }
− = VdU UV UdV (4)


Sabemos que ( ) ( ) s F dt e t f
st
=


}
0
(5)

Vamos fazer ( ) U t f = e dt e dV
st −
=
Neste caso,
st
e
s
V

− =
1


Vamos aplicar estas igualdades na equação (4)



( ) [ ] t f d e
s
st
}


+
0
1
( ) ( )
st st
e t f
s
dt e t f
− −

× − =
}
1
0
0

ou


7
( )
( ) ( )
dt e
dt
t df
s s
f
dt e t f
st st −

+


} } (
¸
(

¸

+ =
0 0
1 0
ou



( )
( )
s s
f
s F
1 0
+ =
+
( )
dt
t df
ou



( )
( ) ( )
+
− = 0 f s sF
dt
t df
(6)


--------------------------------------------------------------------------------------------------

Exemplo 4 – Transformada de Laplace da integral de uma função ( ) t f .

Supondo que ( ) s F é a transformada de Laplace de ( ) t f é demonstrável que se


( ) ( )dt t f A t v
t
}
× =
0


então


( )
( ) ( )
s
v
s
s F
A t v
+
+ × =
0
(7)


---------------------------------------------------------------------------------------------

Exemplo 5 - Transformada de um impulso de área A.

É, também, demonstrável que:


( ) A t A = δ
(8)


---------------------------------------------------------------------------------------------------

Exemplo 6 – Transformada de Laplace de uma rampa de inclinação C.

( ) 0 = t f para t < 0
( ) Ct t f = para 0 ≥ t

Resultado: ( )
2
s
C
s F =
-----------------------------------------------------------------------------------------------------
8

Exemplo 7 - Transformada de Laplace de uma senoide

( ) t A t f β sen =

Resultado:

( )
2 2
β
β
+
=
s
A s F

------------------------------------------------------------------------------------------------------

Exemplo 8 – Transformada de Laplace de uma co-senoide

( ) t A t f β cos =

Resultado:

( )
2 2
β +
=
s
s
A s F
---------------------------------------------------------------------------------------------------------

Anti-transformada de Laplace

Se a transformada de Laplace de ( ) t f é ( ) s F , então a anti-transformada de Laplace de

( ) s F , é ( ) t f , ou seja:


se
( ) [ ] ( ) s F t f =
então
( ) [ ] ( ) t f s F =
1 −
(9)



É costume designar a função no tempo com letra minúscula e a transformada com letra
maiúscula. Exemplo:

i ⇔ I

Equivale a

( ) t i ⇔ ( ) s I





9
Aplicação da transformada de Laplace para a determinação de tensões e correntes
em circuitos elétricos.

Exercício 1: - Determinar a corrente i no circuito da fig. 8, após o fechamento da
chave. Suponha que o capacitor está descarregado.


E
i
R
C


Fig. 8

Solução:

Após o fechamento da chave, tem-se um circuito fechado. Neste caso, pode-se aplicar
a segunda lei de ohm:

0
1
0
= × + + −
}
t
dt i
C
Ri E (10)

Vamos aplicar a transformada de Laplace a todos os termos, lembrando que a fonte de
alimentação excita o circuito na forma de degrau. Portanto sua transformada é

( ) = s E
s
E
Ver equação (3).

A tensão no capacitor é

( )
}
× =
t
c
dt i
C
t v
0
1


Sua transformada é:

( )
( )
s
V
Cs
I
s V
c
c
+
+ =
0
Ver expressão (7)

Como, em nosso caso, a tensão no capacitor, no instante inicial, é zero, resulta:

( )
Cs
I
s V
c
=

Portanto, a transformada de Laplace da expressão (10) fica:

10
0 = + + −
Cs
I
RI
s
E
(11)

Nesta expressão, I representa a transformada de Laplace da corrente ( ) t i .

A seguir, determina-se, algebricamente, a expressão de I:


s
E
Cs
R I = |
.
|

\
|
+
1


|
.
|

\
|
+
=
R
Cs
s
E
I
1
Rs
C
E
+
=
1
ou


RC
s
R
E
I
1
1
+
× = (12)

Finalmente, faz-se a anti-transformada de I. Dessa maneira, obtém-se a expressão da
corrente i em função do tempo.

Para a anti-transformação usa-se tabelamentos, das transformadas de Laplace,
publicados em manuais ou em livros didáticos que tratam do estudo de transitórios em
circuitos elétricos. Nas últimas páginas desta apostila temos reproduções parciais desse
tabelamento.
Para o caso deste exercício precisamos anti-transformar a expressão
RC
s
1
1
+
.
A linha 1.102 da tabela mostra que


1 −
t
e
s
α
α

=
+
1


Por comparação concluímos que:


1 − t
RC
e
RC
s
1
1
1

=
+

Portanto, a corrente ( ) t i fica representada pela expressão:

( )
t
RC
e
R
E
t i
1

= (13)

A fig. 4 mostra como varia essa corrente ao longo do tempo.

11

R
E
( ) t i
t 0


Fig. 9

-----------------------------------------------------------------------------------------------

Exercício 2: - Determinar a corrente i e a tensão v, no circuito da fig. 10, logo após
o fechamento da chave.


E v
R
L
i


Fig. 10

Solução:

a) Determinação da corrente i.

Após o fechamento da chave, aplica-se a segunda lei de ohm:

0 = + + −
dt
di
L Ri E (14)

Aplica-se a transformada de Laplace a todos os termos, lembrando que a excitação é
um degrau de amplitude E. Portanto sua transformada é dada pela igualdade (3). Para
transformar o termo
dt
di
aplica-se a expressão (6), lembrando que a corrente no indutor,
no instante inicial, é zero.

0 = + + − LsI RI
s
E
(15)

Nesta expressão, I representa a transformada de Laplace da corrente ( ) t i .

A seguir, determina-se, algebricamente, a expressão de I:
12

( )
s
E
Ls R I = +


( ) R Ls s
E
I
+
= ou


|
.
|

\
|
+
× =
L
R
s s
L
E
I
1
(16)

Precisamos determinar a anti transformada da expressão

|
.
|

\
|
+
L
R
s s
1


No tabelamento, fornecido, não encontramos nenhuma expressão semelhante a essa.
Entretanto, a linha 1.105 informa que a anti-transformada de


( )( ) γ α + + s s
1
é
α γ
γ α


− − t t
e e


Se fizermos 0 = α concluiremos que a anti-transformada de


( ) γ + s s
1
é
γ
γt
e

− 1


Fazendo a identidade com o resultado do nosso problema, tem-se:


( )
|
.
|

\
|
+

+
L
R
s s
s s
1 1
γ


Concluímos que γ ≡
L
R


Portanto, a anti-transformada da função

|
.
|

\
|
+
× =
L
R
s s
L
E
I
1


resulta: ( )
L
R
e
L
E
t i
t
R
L


× =
1


13
ou ( )
|
|
.
|

\
|
− =
− t
L
R
e
R
E
t i 1 (17)

A fig. 11 mostra esta corrente em função do tempo.


t
R
E
( ) t i
0


Fig. 11

a) Determinação da tensão no indutor

Pela expressão (13) sabemos que a tensão no indutor é dada pela expressão:

( )
dt
di
L t v =

Pela expressão (6) sabemos que, quando a corrente inicial é nula, a
transformada de Laplace desta tensão é:

LsI s V = ) (
Substituindo o valor de I pelo valor fornecido pela expressão (16), tem-se:


( )
|
.
|

\
|
+
× =
|
.
|

\
|
+
× =
L
R
s
E
L
R
s s
L
E
Ls s V
1 1



( )
|
.
|

\
|
+
=
L
R
s
E s V
1


A anti-transformada resulta:

( )
t
L
R
Ee t v

= (18)

A fig. 12 mostra a variação dessa tensão no indutor ao longo do tempo.

14

E
( ) t v
t 0


Fig. 12

Exercício 3: - Determinar a corrente i, no circuito da fig. 13, logo após o
fechamento da chave. Supõe-se que, tanto a corrente inicial da bobina quanto a
tensão inicial no capacitor, são nulos.




R C
L
v
E
L


Fig. 13

Equação diferencial:

0
1
0
= + + + −
}
dt
di
L idt
C
Ri E
t


Transformadas de Laplace:

0 = + + + − LsI
Cs
I
RI
s
E


onde I representa a transformada de Laplace de ( ) t i , ou seja, ( ) s I I =

Determinando, algebricamente, o valor de I, encontra-se:

( )
LC
s
L
R
s
L
E
s I
1
1
2
+ +
= 19


Precisamos achar a anti-transformada da expressão:

15

LC
s
L
R
s
1
1
2
+ +


A tabela não fornece a anti-transformada da forma com que essa expressão se
apresenta. Precisamos mudar sua forma para se enquadrar na tabela.
Vamos fazer

α 2 =
L
R
e
2
0
1
ω =
LC


Portanto

LC
s
L
R
s
1
1
2
+ +
2
0
2
2
1
ω α + +
=
s s


Vamos somar e subtrair, ao denominador, o termo
2
α

Resulta:


2
0
2
2
1
ω α + + s s
2 2
0
2 2
2
1
α ω α α − + + +
=
s s
=
( ) ( )
2 2
0
2
1
α ω α − + + s
20

Caso a
Se 0
2 2
0
≥ −α ω então podemos usar a identidade

( ) ( )
2 2
0
2
1
α ω α − + + s

( )
2 2
1
β α + +

s
21


2 2
0
2
α ω β − =

Caso b

Se 0
2 2
0
< −α ω então podemos usar a identidade


( ) ( )
2 2
0
2
1
α ω α − + + s ( )
2 2
1
β α − +

s
22


onde
2 2
0
2
α ω β − = − ou
2
0
2 2
ω α β − =

Solução para o caso a

A linha 1.301 da tabela fornece:

16

( )
t e
s
t
β
β β α
α
sen
1 1
2 2

=
+ +
1 −


Neste caso

( ) t
e
L
E
t i
t
β
β
α
sen

= 23

Substituindo os valores:

L
R
2
= α

2 2
0
α ω β − =
2
2
4
1
L
R
LC
− =

chega-se ao resultado final

( ) t
L
R
LC
e
R
C
L
E
t i
t
L
R
|
|
.
|

\
|


=

2
2
2
2
4
1
sen
4
24

A fig. 14 mostra como varia essa corrente em função do tempo.


t
( )
t
i
0



Fig. 14
Solução para o caso b

Seguindo procedimento semelhante chega-se ao resultado:


17
( ) t
LC L
R
e
C
L R
E
t i
t
L
R
|
|
.
|

\
|


=

1
4
senh
4
2
2
2
2
25

onde θ senh significa seno hiperbólico de θ .

A fig. 15 mostra esta corrente versus variação do tempo.


( ) t i
0
t

Fig. 15
Maneira prática de resolução do circuito quando as condições iniciais são nulas.


Desenha-se o circuito no domínio da transformada de Laplace com as seguintes
relações:

Impedância de resistor R ¬
Impedância de indutor Ls ¬
Impedância de capacitor
Cs
1
¬


Exemplo: Circuito RLC série. Ver fig. 16.

Ls
R
) (s E
( ) s I
Cs
1


Fig. 16

Calculando a corrente, resulta

18
( )
( )
Cs
Ls R
s E
s I
1
+ +
=

Supondo excitação em degrau, tem-se:

( )
Cs
Ls R
s
E
s I
1
+ +
=

ou ( )
LC
s
L
R
s
L
E
s I
1
1
2
+ +
= 26

Comparando (26) com (19), vemos que são idênticas.

---------------------------------------------------------------------------------------------------------

Exercício 4 - Determinar a tensão ( ) t v
L
no indutor do circuito da fig. 13.
Solução:
Supondo que a transformada de Laplace de ( ) t v
L
é ( ) s V
L
, utilizamos, para esse cálculo,
o circuito mostrado na fig. 17, cujos parâmetros estão enquadrados no domínio das
transformadas de Laplace. Considere 0
2 2
0
≥ −α ω


Ls
R
) (s E
( ) s I
Cs
1
( ) s V
L


Fig. 17

Pela lei de ohm tem-se:

( ) Ls s I s V
L
× = ) (


Vimos que ( )
LC
s
L
R
s
L
E
s I
1
1
2
+ +
=

Portanto:
19

( ) = s V
L
LC
s
L
R
s
s
E
1
2
+ +


Como 0
2 2
0
≥ −α ω então podemos usar a identidade



LC
s
L
R
s
s
1
2
+ +
( )
2 2
β α + +

s
s


onde
L
R
2
= α e
2
2
1
|
.
|

\
|
− =
L
R
LC
β




Determinação da Anti-transformada de


( )
( )
2 2
β α + +
=
s
s
s F


Na linha 1.303, se fizermos 0
0
= a , teremos


( ) ( ) ( ) ψ β β α
β
α
+ + =

t e t f
t
sen
1
2
1
2 2


onde
α
β
ψ

=
−1
tg


Após algumas operações e simplificações algébricas chega-se ao resultado da tensão no
indutor:



( )
|
|
.
|

\
|
+ −

=

ψ t
L
R
LC
e
L
C R
E t v
t
L
R
L 2
2
2
2
4
1
sen
4
1
1



20
onde 1
4
2
1
− =

C R
L
tg ψ

Casos onde se tem valores iniciais não nulos

Seja o caso de um indutor de valor L, com uma corrente inicial
0
I . Ver fig. 18-a.


0
V
C
0
I
L
(a)
(b)


Fig. 18

Neste caso, quando a bobina é percorrida por uma corrente I, a tensão equivalente nesse
um indutor fica:

( )
0
LI LsI s V
L
− =
A segunda parcela corresponde a uma fonte de tensão cuja força eletromotriz possui
valor
0
LI . A representação, no circuito, está mostrada na fig.19-a.


( ) s V
L
Ls
0
LI
( ) s V
C
s
V
0
Cs
1
(a)
(b)


Fig. 19

Seja o caso onde se tem uma tensão inicial, de valor
0
V , no capacitor. Ver fig. 19-b.
Quando este capacitor é percorrido por uma corrente I, a tensão equivalente neste
componente fica:

( )
s
V
Cs
I
s V
C
0
+ =

21
A segunda parcela corresponde a uma fonte de tensão cuja força eletromotriz possui o
valor
s
V
0
. A representação no circuito está mostrada na fig. 19-b.

------------------------------------------------------------------------------------------------------

Exercício 5
Dado o circuito da fig. 20,

a) Determinar a corrente ( ) t i após o fechamento da chave.
b) Determinar a tenção ( ) t v
C
após o fechamento da chave.



E
i
R
C
0
V
C
v


Fig. 20
Solução:
A fig. 21 mostra o circuito no domínio da transformada de Laplace:


R
( ) s V
C
s
E
( ) s I
Cs
1
s
V
0


Fig. 21
a) 0
0
= + + + −
s
V
Cs
I
IR
s
E



RC
s
R
V E
C
Rs
V E
Cs
R
s
V E
I
1
1
1 1
0 0
0
+
×

=
+

=
+

=

A linha 1.102, da tabela, nos fornece a anti transformanda. Resulta:

( )
t
RC
e
R
V E
t i
1
0

|
.
|

\
| −
=
22

b) ( )
s
V
Cs
I s V
C
0
1
+ × =

ou ( )
s
V
RC
s Cs
R
V E
s V
C
0 0
1
1
+
|
.
|

\
|
+
×

=
ou ( ) ( )
s
V
RC
s s
RC
V E s V
C
0
0
1
1
+
|
.
|

\
|
+
× − =

As linhas 1.101 fornece a anti-transformada da segunda parcela. A linha 1.105, quando
se faz 0 = α , fornece a anti-transformada da primeira parcela. Resulta:

( ) ( )
0
1
0
1 V e V E t v
t
RC
c
+
|
|
.
|

\
|
− − =

ou ( )
t
RC
t
RC
c
e V e E t v
1
0
1
1

+
|
|
.
|

\
|
− =
---------------------------------------------------------------------------------------------------------
Exercício 6
Dado o circuito da fig. 22,

a) Determinar a corrente ( ) t i após a chave mudar do ponto A para o ponto B.
b) Determinar a tensão ( ) t v
L
após a chave mudar do ponto A para o ponto B.


A
B
L
v
L
0
I
2
E
2
R
1
R
1
E


Fig. 22

Solução:
Antes de mudar a chave de A para B:

Corrente contínua através do indutor:
1
1
0
R
E
I =

23
Após a mudança de A para B:

Corrente inicial no indutor:
R
E
I
1
0
=

a) A fig. 23 mostra o circuito equivalente no domínio da transformada de Laplace:



( ) s V
L
Ls
s
E
2
2
R
) (s I
0
LI


Fig. 23

Aplicando a segunda lei de Ohm, tem-se:

0 2
2
LI LsI I R
s
E
− + + − =0

L
R
s
I
L
R
s s
L
E
I
2
0
2
2
1 1
+
+
|
.
|

\
|
+
× =
Usando as anti-transformações da linha 1.105 ( fazendo 0 = α ) e da linha 1.102, resulta:

( )
t
L
R
t
L
R
e I e
R
E
t i
2 2
0
2
2
1
− −
+
|
|
.
|

\
|
− = onde
1
1
0
R
E
I =

b) ( )
0
LI LsI s V
L
− =


ou ( ) L I
L
R
s
s
L I
L
R
s
E s V
L 0
2
0
2
2
1

+
+
+
× =

ou ( ) ( )
L
R
s
R I E s V
L
2
2 0 2
1
+
− =

Anti transformando (linha 1.102 da tabela), resulta:

24
( ) ( )
t
L
R
L
e R I E s V
2
2 0 2

− = onde
1
1
0
R
E
I =


Teoremas dos valores iniciais e finais.

Sendo ( ) s F a transformada de Laplace de ( ) t f , o teorema do valor inicial afirma:


( ) t f lim
0 → t
( ) s sF lim =
∞ → s

Portanto, podemos calcular o valor inicial de uma função temporal utilizando sua
transformada de Laplace. Basta multiplicar ( ) s F por s e calcular o valor de seu limite
quando s tende para o infinito.

Da mesma forma, o teorema do valor final afirma:


( ) t f lim
∞ → t
( ) s sF lim =
0 → s


Portanto, podemos calcular o valor final de uma função temporal utilizando sua
transformada de Laplace. Basta multiplicar ( ) s F por s e calcular o valor de seu limite
quando s tende a zero.

Vamos verificar as afirmações utilizando o resultado do exercícios 5.

Vimos, no exercício 5 que a corrente no circuito resultou

( )
t
RC
e
R
V E
t i
1
0

|
.
|

\
| −
=
Valor inicial

Podemos ver que


( ) |
.
|

\
| −
=
R
V E
t i
0
lim
0 → t


No domínio da transformada de Laplace tínhamos:

( )
RC
s
R
V E
s I
1
1
0
+
×

=

Podemos ver que

25

( ) s sI lim
∞ → s ∞ → s
R
V E
RC
s
s
R
V E
0 0
1

=
|
|
|
|
.
|

\
|
+
×

lim
=


Isto confirma a validade do teorema do valor inicial

Valor final

Voltando à expressão de ( ) t i


( )
t
RC
e
R
V E
t i
1
0

|
.
|

\
| −
=

Podemos ver que


( ) 0 lim = t i
∞ → t


No domínio da transformada de Laplace tínhamos:

( )
RC
s
R
V E
s I
1
1
0
+
×

=

Podemos ver que


( ) s sI lim
0
1
0
=
|
|
|
|
.
|

\
|
+
×

RC
s
s
R
V E
lim
=
0 → s 0 → s


Isto confirma a validade do teorema do valor final
----------------------------------------------------------------------------------------------------------
Exercício 7
Trabalhando apenas no domínio da transformada de Laplace , determinar os valores
inicial e final da corrente no indutor do circuito do exercício 6

Solução:

( )
L
R
s
I
L
R
s s
L
E
s I
2
0
2
2
1 1
+
+
|
.
|

\
|
+
× =

26
( )
L
R
s
s
I
L
R
s
L
E
s sI
2
0
2
2
1
+
+
|
.
|

\
|
+
× =





Valor inicial


0 0
0 I I = + =
∞ → s
( ) lim lim = s sI
|
|
|
|
.
|

\
|
+
+
|
.
|

\
|
+
×
L
R
s
s
I
L
R
s
L
E
2
0
2
2
1
∞ → s




0 → t
( )
0
lim I t i = Portanto
(valor inicial)


Valor final



2
2
2
2
0
R
E
R
E
= + =
( ) lim lim = s sI
|
|
|
|
.
|

\
|
+
+
|
.
|

\
|
+
×
L
R
s
s
I
L
R
s
L
E
2
0
2
2
1
0 → s 0 → s





∞ → t
( )
2
2
lim
R
E
t i =
Portanto
(valor final)


Por inspeção no circuito do exercício 6, pode-se confirmar sem dificuldades os
resultados deste exercício 7.
-------------------------------------------------------------------------------------------------------
Utilização dos teoremas dos valores iniciais e finais.

Muitas vezes , quando se trabalha com circuitos muito complicados, a obtenção da anti-
transformada de Laplace fica extremamente trabalhosa. Se estamos interessados,
apenas, em conhecer os valores iniciais e finais das tensões e correntes, nos diversos
pontos do circuito, não teremos a necessidade de calcular as anti-transformadas.