A COMUNIDADE DO NEUTRO: OUTRO INCONFESSÁVEL

Gabriel Seabra de Freitas Medeiros 1

Nada de tentativas sérias de reforma, senão uma presença inocente (por essa causa supremamente insólita) que, ante os olhos dos homens de poder e escapando e suas análises, não podiam ser mais que denegridas com expressões sociologicamente típicas, como chienlit2, é dizer, o desdobre carnavalesco de seu próprio desconcerto, é de um mandamento que não mandava nada, nem sequer a si mesmo, contemplando, sem vê-la, sua inexplicável ruína3.
Blanchot La comunidad de los amantes

É preciso se aproximar cada vez mais perto do momento em que a linguagem mostrará seu poder absoluto fazendo nascer delas, de todas as suas pobres palavras, o terror; mas esse momento é aquele em que justamente a linguagem não poderá mais nada, em que o fôlego será cortado, em que ela deverá se calar sem sequer dizer que se cala. É preciso que no infinito a linguagem recue esse limite que leva consigo, e que marque ao mesmo tempo seu reino e seu limite. Daí, em cada romance, uma série exponencial e sem fim de episódios; depois, mais além, uma série sem fim de romances... A linguagem do terror é predestinada a um dispêndio infinito, mesmo quando ela se propõe a alcançar apenas um efeito. Ela se priva de qualquer repouso possível.
Foucault A linguagem ao infinito

De fato, quando eu falo, reconheço que somente existe palavra porque o que “é” desapareceu naquilo que o nomeia, fulminando para tornar-se a realidade do nome: a vida desta morte, eis o que é admiravelmente a palavra, a mais ordinária e, num nível mais elevado, a do conceito. Resta no entanto que – e seria cegueira esquecê-lo e covardia aceitá-lo –, o que “é” precisamente, desapareceu: algo estava, que não está mais aí; como reencontrar, como recuperar em minha palavra, esta presença anterior que precisa excluir para falar, falar dela? Aqui, evocaremos o eterno tormento de nossa linguagem, cuja nostalgia volta-se para aquilo que sempre faz falta, pela necessidade na qual se encontra a linguagem de ser falta para o dizer.
Blanchot A conversa infinita

1 INTRODUÇÃO Em La communauté inavouable (A Comunidade Inconfessável), Blanchot busca recuperar uma reflexão – nunca interrompida a partir do texto de Jean-Luc Nancy 4 – que se expressa sobre a

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Mestrando em Filosofia/UFRN e Advogado. Orientador: Dr. Eduardo Aníbal Pellejero/UFRN Expressão atribuída a De Gaulle em Maio de 68: “ La réforme, oui; la chienlit, non ”. Chienlit é uma máscara grotesca de carnaval, que fazia a frase de De Gaulle ressoar “ La reforma, sí; la carnavalada, no”. Há que assinalar que, lida literalmente, chienlit soa bastante forte: “caga-la-cama”. Em casteliano tem o “cagalaolla”. (Maurice Blanchot, La comunidad inconfesable, 2002). 3 Não é legenda, não é inversão, é o que reverbera paralelamente à visão: uma paisagem remota que se localiza no tempo (JUNG, Ana Emília. Robert Frank: entre visão e palavra, a imagem como fascínio ). 4 NANCY, Jean-Luc. La communauté désoevrée , In Aléa, 4.

ou como existência vista na perspectiva linear. 6 Não está a comunidade fora do entendimento? Não há. de uma vontade compartilhada de ser em muito. La comunidad desobrada. por conseguinte. ps. é dizer. Na base de cada ser.. fórmula que não tem valor de justaposição mas de exposição. não existe tal coisa. não se estabelece ou não emerge entre sujeitos (objetos) já dados. ainda que fosse proibido formar parte dele. Ou bem está só. BLANCHOT. O ser. 8 Citações tomadas de George Bataille. insuficiente. ou ainda. Maurice. com o fim de que não comece a ser senão nessa privação que não o faz consciente (esta é a origem de sua consciência) da impossibilidade de ser ele mesmo. a maneira do universo. por isso. qualquer que seja sua forma? Conceitos desonrados ou traídos. o qual tem necessidade de outro ou de algo distinto para ser efetuado. violenta e silenciosamente. um coletivo. sem em seu horizonte e como se ela fora companhia com quem um divide a cama (admitindo que ela te deixe um lugar. 11-12-13-15-16-21). uma comunidade: comunidade finita. no passado ou no por vir. ou não A comunicação. que leve o indivíduo a confirmar. com as possibilidades (e a impossibilidade) de uma comunidade que perdeu sua compreensão6 em sua imanência. Por mais que queiramos. submetendo à noção de reciprocidade. (NANCY. apud. La communauté inavouable. 11 a 13). mas que adota formas diferentes segundo sua urgência interior ou exterior. uma margem de liberdade). algo distinto que pode ser comum aos que pretendem pertencer a um conjunto. senão ser impugnado: vá. o silêncio. seu princípio na finitude dos seres que a compõem e que não suportariam que esta (a comunidade) esqueça de levar a um grau de tensão mais alto a finitude que os constitui. sua indiferença a qualquer dependência teórica frente ao outro que não fosse um indivíduo como ele. inclusive na publicação de L'erotisme. experimentando-se como exterioridade sempre prévia. Consiste na aparição do entre como tal: tu e eu (o entre-nós). 19). Só. Jean-Luc. 7 É certo que (aproximadamente) de 1930 a 1940. Não se instaura. Reclama. A comunidade não é. nessas condições. (BLANCHOT. a simples posta em comum. Maurice. p. estamos ligados a ele precisamente por sua defecção. porque ela tem. de resto. A consciência da insuficiência 9 vem a seu próprio questionamento. não se permite a ninguém não pertencer a minha ausência de comunidade . só se compondo como se descompusera constante. para existir. aqui temos o que não nos permite recusa-los tranqüilamente. distinto do coletivo? O perfeito desacordo (o abandono a ausência de limites) surge como a regra de uma ausência de comunidade7. não seria. sobre o defeito da linguagem. por sua vez. 9 O ser busca não ser reconhecido. É possível dizer que a exigência política não há estado ausente de seu pensamento. (Idem. p. ainda que seja para não ser nada. se se quer. de se perder no infinito. nos limites que ela se traçará. ps. senão conceitos que não são convenientes sem seu próprio-impróprio abandono (que não é uma mera negação). com seus direitos inalienáveis. de insistir como ipse ou. não busca associar-se a outro para formar uma sustância de integridade. (BLANCHOT. 5 . é dizer. em qual só se compõe ilimitando-se em uma infinidade de universos). 58). a palavra comunidade se impões em sua investigação muito mais que nos períodos que seguirão. como indivíduo separado: assim talvez existirá. existe um princípio de insuficiência. princípio de incompletude 8. não fazer nada mais que seguir compartilhando algo que precisamente parece estar sempre sendo subtraído à possibilidade de ser considerado como parte em um compartilhamento: fala. da revista Contre toute attente. Maurice. Assumir tal postura. ele mesmo. dorme e se tranqüiliza. o ser se fecha. La communauté inavouable. a origem aparentemente sã do totalitarismo mais insano? Não haveria um outro fora do entendimento comum. até o outro que o impugna e às vezes o nega.) A ordem do comparecimento é mais originária que a do vínculo.. a existência de cada ser reclama ao outro ou uma pluralidade de outros (porque é como uma deflagração em cadeia que tem necessidade de certo número de elementos para produzir-se. se esse número não fosse determinado. indefinidamente repetido. La communauté inavouable. As primeiras páginas do Le coupable diz sem rodeios: escrever baixo a pressão da guerra não é escrever sobre a guerra. não é um vínculo (.exigência comunista5. Deste modo. mas que correria risco. sua recusa a ter outra origem que ele mesmo.

. O excesso dá carência e por carência é a exigência nunca satisfeita da insuficiência humana. os homens não se implicam diretamente... 12 A presença do outro é imediata na relação de encontro ao outro.. solo natal. egoísta ou generosa.. La communauté inavouable). através da busca errante que retoma a exigência da palavra. de se por em jogo. La communauté inavouable. mas. O excesso não é o demasiado pleno. o rebaixamento ante si que deste modo se sobressalta)12. A vida em manada já está hieraquizada.. nação. de outro modo que à pergunta lhe faltaria sempre uma pergunta (a auto crítica não é evidentemente senão a recusa da crítica do outro. Não se busca o que se aprofunda à medida que se começa11. a comunidade não se consigna a ela como quem se consigna a sua obra. o sobreabundante. Não é isso evidentemente o que se debate. (BLANCHOT. falatório absoluto ou corpo místico. O que penso não é só pensado. ao meu dispor.. Não opera à transfiguração de seus mortos e de alguma substância ou classe de sujeito – pátria. da lugar a uma fala não compartilhada e sem dúvida necessariamente múltipla. Uma comunidade é a presentação a seus membros de sua verdade morta (o que é tanto como dizer que não há comunidade de seres imortais.. Visto inclusive que expressa ou amor ou a admiração que se liga a mim como uma dúvida que afeta a realidade. Para que serve? Para nada. Há aqui um intrincado de motivos dissimiles que justificaria uma análise. não permanece a uniformidade que nunca se há singularizado. de algum modo.. ou a relação desempenho fusional em qualquer hipóstases coletivas : e aquilo os separa. mas que tem sua força em uma mistura de diferenças associadas. que se comprova também nas sociedades animais não é suficiente para fundar a consideração de uma simples coexistência gregária. Aquele que prescreve o princípio da insuficiência está também encomendado ao excesso. A suficiência não se conclui a partir de um modelo de suficiência. mas se engajam na elaboração de uma jornada comum. p. 13 Blanchot acrescenta: Há dois rasgos essenciais neste momento de reflexão: 1) A comunidade não é uma forma restringida de sociedade. 2) A diferença de uma célula social. protegendo-se através da distância que se mantém presente. e o inacessível é. Se a existência humana é a existência que se questiona radical e constantemente. a comunidade assume e inscreve em certo modo a impossibilidade da comunidade. na submissão a um (ou a outro). 27-28).. para que o próximo não se perda solitariamente. em quanto rege para cada – para mim e para ela – um fora de si (sua ausência) que é seu destino. O indivíduo é inacessível. senão que se faça suprido (remediado suas carências). é sempre a exposição ao outro (ou a outro). de algum modo. permite-os comunicar. imediato: o que me ultrapassa está. não pode ter por si só esta possibilidade que a supera. Maurice. (BLANCHOT. O homem: ser insuficiente com o excessivo como horizonte. de tal maneira que não pode desenrolar-se em palavras: sempre já perdida. É a presentação da finitude e do excesso irrecuperável a qual funda o ser finito. numa essência inalcansável. assim como tampouco tende a fusão comunal..). Consignada à morte (desobra). assim vem só de mim. uma maneira de ser auto suficiente reservando-se ao direito à insuficiência. se proíbe fazer obra e não tem como finalidade nenhum valor de produção. por sua posição mesma. 10 . A ajuda mútua. se não é parar fazer presente o serviço ao próximo até a morte. Maurice. 13 A comunidade. 11 Sem dúvida a insuficiência requer a impugnação que. ao mesmo tempo que lhe aporta ao outro essa suplência que lhe é procurada.se sabe mais que se não está10. único capaz. sem uso e sem obra e não A sustância de cada ser é impugnada por cada outro sem descanso.

se é relação absoluta com outros absolutos que excluem qualquer relação 15. (BLANCHOT. de maneira restringida. ao mesmo tempo que ela decide sua inexorável finitude 17. Sendo assim dom14 da fala. ps. O dom que é abandono encomenda ao ser abandonado a perder. mas que tem como origem mais profunda a relação com o outro que é a comunidade mesma. relação paradoxal. 14 . 32-33). ainda que fosse dando nomes diversos – a morte. Inclui a exterioridade de ser que a exclui: exterioridade que o pensamento não domina. evidentemente inapreensível. é o que expõe expondo-se. La communauté inavouable. Entre este outrem e este eu. Cada membro da comunidade não é sozinho toda comunidade. pelo menos a súplica de falar). A multiplicidade de indivíduos se apresenta através da multiplicidade de palavras. quando esta não replica em modos falantes – e não permite assim nenhuma relação (nem de identidade nem de alteridade) consigo mesma. 37). baixo as espécies de uma ausência. (BLANCHOT. Cada membro forma grupo só mediante o absoluto da separação que é necessário afirmar para que se rompa até o ponto de se converter em relação. a tender a existir integralmente. outrem é Há o dom pelo qual se obriga a quem o recebe a entregar um excedente de poder ou de prestígio a aquele que dá – deste modo. La communauté inavouable. 17 Inclusive se a comunidade exclui a imediatez que a afirmaria a perda de cada um no desvanecimento da comunhão. De fato. p. 38). Maurice. equipada. sem deixar de ser uma relação singular.magnificando-se nesta mesma perda. Maurice. Maurice. (BLANCHOT. que medirão as experimentações à presença do outro. p. disparada. La communauté inavouable. La communauté inavouable. ao mesmo tempo. não se dá nunca. vindo do sujeito. propõe ou impõe o conhecimento (a experiência. o devasta. a relação com o próximo ou inclusive a fala. impotente. até seu ser que dá: daí a exigência do infinito que há no silêncio do abandono. ps. inclusive insensata. Erfahrung) do que não pode ser conhecido: esse “fora de si” (ou o fora) que é o abismo e ou êxtase. no entanto. sem cálculo e sem salvaguarda. 34-35). do conjunto de seres que. e que leva consigo o risco de ser recusada ou extraviada ou não recebida. a relação com o outro não pode se reduzir a qualquer medida. (BLANCHOT. A ilusão Acéphale é portanto o abandono vivido em comum. sem pensar em uma restituição. 15 Paródia dum sacrifício efetuado não para destruir certa ordem opressora senão para reconduzir a destruição a outra ordem de opressão. aplica-se à comunidade da qual seria seu único segredo. abandono de/e à angústia última que outorga o êxtase. dom em pura perda que não podia assegurar a certeza de ser nunca recebida por outro (se o próximo é o único que se faz possível se não em fala. a distância é infinita. senão sua encarnação violenta. 16 Termo usado por Georges Bataille em Acéphale. Maurice. Ausência que. a qual não seria nada se não abrisse aquilo que se expõe nela à infinidade da alteridade. Ressalta-se que a comunidade não é o lugar da soberania. A experiência interior16 diz o contrário do que parece dizer: movimento de impugnação que. O dom ou o abandono é tal que em último término não há nada que dar nem nada que abandonar e tal que o tempo mesmo é somente uma das maneiras entre as quais esse nada que dar se oferece e se retira como o capricho do absoluto que sai de si dando lugar a outro distinto de si. têm como corolário a nada em que eles de antemão já não tenham caído (dado).

. A presença desse dom que põe o indivíduo fora de si e o obriga ante o outro. Valencia. ps.para mim a presença mesma do infinitamente distante da palavra que se afirma. convertendo-se numa verdade ou num objeto que se podia reter. desviada do todo. escreve Nancy (J. Não há fim ali onde reina a finitude. O êxtase “é o que acontece com a singularidade”. seguiria remetendo a um filosofia do sujeito. 22 Idem. congregar-se com o primeiro que passa. G. segundo o contexto em que aparecem. Tal como remete à comunidade. p. ps. apud. mas no limite. principalmente. A palavra (parole) não é um meio de comunicação – como a fala seria. grifo nosso. meios de expressão que. A comunidade aparece onde o indivíduo é posto fora de si. 21). posto que rompia com os limites da pessoa e exigia ser compartilhado. p. a festa de uma “comunicação explosiva” na qual todo o mundo tinha algo a dizer. melhor ainda. Se assim fosse. de sexo ou de cultura. só se mantém como o lugar – o não-lugar – onde não há nada a reter. A experiência comunitária dos limites tem se convertido agora na experiência. 19 Michel de Certeau resumiu em seu famoso livro A tomada da palavra. Giorgio Agamben retoma o mesmo fio de pensamento em A comunidade que vem: o “que seja” é “o sucesso de um fora” ( Agamben. que não obra senão na desobra ( désoeuvrément) que atravessa a escritura mesma ou que. 53).77. precisamente porque era o familiar-desconhecido 21. 195-210. A experiência dessa partição que recorta as singularidades em sua distância irredutível é a comunidade mesma como espaçamento do fora de si22. na qual a dicotomia langue/parole atribui à segunda a realização ou desempenho –. A abertura que cada um lhe permitia – sem distinção de idade. como um ser já amado. Maio de 68 é. como diz Jean-Luc Nancy. nas palavras de Nancy. é o risco que corre. como no beijo – o batimento de um lugar singular contra outros lugares singulares” (NANCY. sem projeto nem vontade política. sem embargo. Florianópolis – 2012/1. Eclair Antonio Almeida. pg. 41. de uma possibilidade de estarjuntos que dava a todos o direito à igualdade na fraternidade de uma liberdade de palavra que exercia cada um20. mas a comunicação até o silêncio. presente em sua própria ausência – uma presença infinitamente outra. Cadernos de Tradução. Pre-textos. aí pode se teorizar. Maurice. da finitude. termine. Assim. não se está seguro de que todo. La communauté inavouable. 21 Idem. a dizer-se. 20 Também neste sentido é como o mais pessoal não podia se guardar como segredo próprio de um só. CASAL. podem ser orais ou escritas – formam-se na articulação da boca. Nancy apresentará uma dimensão da palavra (parole) segundo a qual as palavras (mots) – composição individualizada de fonemas. nº 29. p. fora de qualquer tentativa de se nomear18. não informa. La comunidad que viene . em seus limites. Amanda Mendes e FILHO. na exposição de um “dentro” ao “fora”. outra acepção para parole. p. um dom que a singularidade recolhe das mãos vazias da humanidade. uma experiência do limite. Os acontecimentos de Maio de 68 são ora registrados por Blanchot como uma festa de comunicação explosiva!19. 55-89. A representação se apresenta como problema à comunidade dos homens. expõe-se nela. (BLANCHOT. cujos gritos se entregam à boca aberta de um parceiro: “A boca falante não transmite. 4152). ela é – talvez. se afirmava como o compartilhamento mesmo. finalmente. O coração da emancipação está. L. necessariamente compartilhada. segredo de não ter nenhum segredo. entre a comunidade. diz que a estranheza do que não poderia ser comum é o que funda essa comunidade eternamente provisória e sempre desertada. e para tanto se reportará ao canto dos esquimós inuítes. p. 204). Nancy. La comunidad desobrada . sobretudo consoante o entendimento que provém da linguística saussuriana. em se declarar capaz daquilo que certa distribuição dos Em La Communauté Desoeuvrée. do dom como obrigação que se contrai com o outro. neste caso. capaz de decidir e de se definir segundo sua vontade. que tecem o espaço de convivência comum. Arena Libros. 2004. não opera um laço. que repique o silêncio final onde. 18 . a exposição. Expor-se não é uma ação. Madrid.

Julho/Dezembro de 2012. como dirá Pelbart. A linguagem sinaliza a ação pela qual a violência aceita não estar aberta. 23 . JEAN-LUC NANCY & JACQUES RANCIÈRE. mas escondida. p.lugares lhe nega a capacidade. dos desejos. 97. Para Blanchot. como seu nome indica. isto é. mas por baixo de ambos (.) Todo ser toca a qualquer outro. nem sequer seja exato falar a respeito de vínculo: nem está ligado nem desligado. Ficando nos traços mais aparentes de nossa linguagem. Certa vez. no cerne de toda afirmação24.. p. com ela. Não conduz de um a outro. quando falo. o que haveria entre o homem e o homem. p. 26 PELBART. quando eu falo (sabemos que quando se discute não se luta). 141. quer saiba ou não. vazio tão vazio que não se confunde com o puro nada. sua multiplicidade e. Jérôme Lèbre & Sophie Wahnich. mas no entanto. para melhor enlaçar a vida em sua plenitude e descobrir na criação artística o que a realidade recusa. afirma que na ficção há uma vontade de ruptura com o mundo. violência que se exerce já sobre aquilo que a palavra nomeia e que ela não pode nomear senão retirando dela a presença – sinal. mas a lei do tato é a separação. renuncia a se esgotar numa ação brutal para reservar-se visando um domínio mais potente. a uma rede de poderes da qual me sirvo. dos afetos etc.. Tudo passa entre nós: esse entre. se não houvesse nada mais que o intervalo representado pela palavra. Peter Pál. onde a potência está em germe na possibilidade. L'entretien infini. mas que implanta. ao contrário. Vida capital: ensaios sobre biopolítica. 2009. 2003. M. nós o vimos. realizada por Stany Grelet. o infinito em que elas constituem as formas inomináveis e inacabáveis (Nancy. (MIGUEL ABENSOUR. dando-se como relação nessa exigência que é a palavra nossas relações no mundo e como mundo são sempre.. São Paulo: Iluminuras. Eu pertenço. É o despertar. pelo “compartilhamento de uma separação dada pela singularidade 26. tenho sempre uma relação de potência. dos pensamentos. como na diversidade das artes. O comum é. na distribuição dos lugares e dos tempos. entre. de fato.. o regime do mundo: da circulação dos sentidos. Insistências democráticas e entrevista. de declarar-se capaz disso como representante qualquer de todos aqueles cuja capacidade é aparentemente denegada 23. de A emancipação funda uma ideia do universal político não mais como aplicação da lei comum aos indivíduos. seria uma separação. nem de cimento nem de ponte. daqueles que não representam nenhum grupo. v. Georges Bataille. 25 O que democracia quer dizer aqui é a admissão – sem assunção – de todas as diversidades em uma comunidade que não as unifica. 1969. por sua vez. de saída por quebra de certo estatuto sensível. 19. p. É a partir dessa desidentificação que repensei a democracia como o poder dos sem-parte. A esfera do comum não é uma: ela é feita de múltiplas aproximações da ordem do sentido – a qual. a utilização propriamente dita. Talvez. Gallimard. de que a morte fala (essa morte que é poder). não se afirmando mais desde então. não serve de tecido. não tem consistência própria. nº 32. Comunidade formada por singularidades não identitárias ou. lutando contra a potência que se afirma contra mim: toda palavra é violência. 526 (Traduzido do francês por Vinícius Nicastro Honesko)). é ela mesma múltipla. de certo lugar na ordem do visível e do dizível. Natal (RN). nem continuidade. finalmente. mas como processo de desidentificação. escrevendo sobre a literatura de Emily Brontë. função ou competência particulares. 25. 91). 24 Blanchot. relações de potência. Revista Princípios. isto é.

entre um e outro. M. 1958-1993. refletem fragmentariamente sem deixar rastros (traços e riscos sem rastro. estão fora do todo. 2007. panfletagem28 –. 27 28 . Minuit. publicado pela Les Lettres nouvelles em junho/julho de 1968. e logo passam com o transeunte que as transmite. por tanto.blogspot. que se pregava às paredes. descontinuidade radical. ela pode ser sentida mais intensamente naqueles em que os valores éticos estão mais fortemente arraigados27. guerra e loucura.virtualidades ainda insuspeitadas. Arena Libros. A literatura e o mal. Marina Garcés31 nos recorda que. (…) Afirmar radicalmente la ruptura: eso equivale a decir (es el primer sentido) que estamos en estado de guerra contra aquello que. liberta-se da orientação. y que. em 68. 101-102). 30 SCHØLLHAMMER. por ende. cuyos privilegios nos son extraños. ela transgride as leis. A terrível palavra ultrapassa todo limite e. escrevem-se na insegurança e são recebidas com ameaça. Madrid. p. Minuit. Não dizem tudo. ed. para la idea de saber. mas que é pensada como pura comunicação entre singularidades. 1989 – Porto Alegre. tendo sido deliberadamente descartadas ações políticas como base da comunidade. Escritos Políticos de Maurice Blanchot. Karl Erik. Atuam. por onde não é vista. cuyo ideal. Écrits politiques. Marina. Neste contexto. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. París. No que discorre sobre o movimento de Maio de 68. 112. Écrits politiques. para la relación de palabra docente. con una sociedad cuyos valores. 29 BLANCHOT. 19-20. Blanchot reafirma a importância do movimento para o cenário político da época: BATAILLE. “dizer prevalecia sobre o dito” 33. pero eso vale incluso para nuestra concepción incluso de la oposición al poder. Que esta liberação seja necessária a todo artista é incontestável. acontecimento que produz o vazio. nada imposto pela eficácia. palavra fragmentária se torna capaz de recorrer ao sentido coletivo. nem nunca será vista. a palavra é. a ruptura32 já não é só deserção. etc.. p. en todo lugar y siempre. ps. após a dissolução do Comitê de ação Estudantes-Escritores a serviço do Movimento .html.com/2011/06/escritos-politicos-de-maurice-blanchot. A relação com o outro assinalava um tipo de pertença que não remete a nenhum tipo de vínculo. París. num espaço de comunicação infinita30. Ficção brasileira contemporânea. Disponível em: http://revistapolichinelo. cada vez que esta oposición se constituye en partido de poder. até. L&PM. dirigente y quizás para toda palabra. para o olhar. 53/67). Para Blanchot. através de pixos. ou as esquece29. 31 Garcés. La communauté inavouable. 33 Blanchot. M. 32 ¿Qué ruptura? La ruptura con el poder. ela desorienta (Blanchot. Blanchot situa as artes como espaço de expressão de uma comunicação infinita. pelo contrário arruinam ao todo. 53. con la noción de poder. 1958-1993. Aparecem. desaparecem. Eso vale ciertamente para la Universidad. Na carta Sobre el movimiento. verdades. sólo se relaciona com una ley que no reconocemos. ps. como as palavras sobre as paredes. mas se torna revolução: ruptura do tempo.. 2011. sólo se relaciona con un enemigo tanto más temible cuanto que parece más complaciente. p. pertencem a decisão do instante. Georges. (BLANCHOT. o ilimitado do todo: ela toma a coisa por onde não se a toma. en todos los lugares donde predomina un poder. almejado por Blanchot e seus amigos – seja nas revistas desses anos. as perde.. Eficazes ou não. 2009. [Existe traducción al castellano: La comunidad inconfesable . La communauté inavouable. levando em si mesma o perigo). Como escreverá Blanchot quinze anos depois.

nem continuidade. el “movimiento” (en la medida en que ese término tiene un sentido y no disimula una inmovilidad agitada). não serve de tecido. nos lembra Blanchot. 75). una lucha siempre colectiva concerniente a todas las categorías oprimidas. Comunidad Inconfesable. e ao escapar – como no caso dos que estão imersos nela – escapa a seus próprios poderes. nem de cimento nem de ponte. 36 NANCY. quando esta cultua a idolatria sobre si mesma. nas formas da lei) – quando a urgência de socorrer ao próximo altera qualquer estudo e se impõe como aplicação da Lei que sempre precede a lei. 37 BLANCHOT. Nem separados nem divididos. Comunidad Inconfesable. no inacessível. o outro se funde no mesmo. com essa comunicação. Madrid: Arena Libros. 2006. por tanto em sua declaração de incompetência. Apesar dos mal-entendidos próprios das existências particulares. como responsabilidade ou obrigação com o próximo que não venha da lei (da aliança que está dada aos humanos para os libertar da idolatria. como seu nome indica. Nancy reforça o sentido não vinculativo desse entre da seguinte maneira: Tudo passa entre nós: esse entre. 57. submetidos a uma paixão infinita. (BLANCHOT. desde ahora. A presença do povo havia que ser entendida. [Existe traducción 34 35 . que pretendiam organizar a inorganização. e que não mais deveria se distinguir da “multidão anônima e inumerável do povo em manifestação espontânea” 34. en cieta forma y en el plan de la representación. Georges Preli. apud BLANCHOT . constiuyen la realidad pública cotidiana. que movilice toda la energía popular. p. todas las iniciativas que sólo tiendan al espectáculo y que no puedan ser retomadas por el conjunto de las clases en lucha. Ser singular plural. através dos mal-entendidos reconhecer a possibilidade de uma comunidade previamente estabelecida ao mesmo tempo que já póstuma: nada subsistiria dela. dicho combate es tanto más difícil cuanto que.. prontas para decisões políticas particulares. Blanchot dá lugar a algo que. págs. permitia por alguns instantes. aquellos conclictos que la sociedad moderna siempre ha ocultado y que. 1999. La force du dehors. p. dando atenção infinita ao próximo. o que o devolve o sentimento de que a paixão escapa à possibilidade. Não conduz de um a outro. de donde deben ser separadas las pequeñas acciones aisladas. el resultado victorioso es ya intervenido sin haber podido concretarse en términos políticos e institucionales. Daí o equívoco dos comitês que se multiplicaram em seguida. Assim como Tristão e Isolda. Talvez.) Todo ser toca a qualquer outro. não tem consistência própria. Mas é lei a moral que desafia à paixão toda lei.. mas por baixo de ambos (. isso oprimia o coração. hasta la ruptura. Comunidad Inconfesable. 127-128). mas a lei do tato é a separação36. senão em sua recusa instintiva a assumir algum poder. Arena Libros. debe buscar expresarse mediante una lucha principalmente social. JEAN-LUC. em sua apreensão absoluta a se confundir com um poder ao que estaria delegado. Editions Recherches. Tradução de Isidro Herrera. nem sequer seja exato falar a respeito de vínculo: nem está ligado nem desligado. inacessível e. também era exaltando – algo assim como a prova mesma da rasura que exige a escritura 37. 21. Lucha extremadamente difícil. p. 2006. não como o conjunto de forças sociais. Encres. en lugar de resguardarse en la contestación universitaria. (BLANCHOT. porque la apuesta superaba ampliamente las habitualies posibilidades políticas. próprios das existências singulares. en la cual debe hacerse todo lo necesario para articular. com uma indigência que se põe sobre todo ser35.Dicho de outro modo. respeitando-a por completo.

na vertigem. 38 Idem. abre-se a esta palavra. uma infinidade esteja sempre implicada como movimento da própria significação – que se escreva de tal maneira. no Les Lettres Nouvelles. mantém a palavra como o modo de busca pela compreensão. uma luta sempre coletiva concernente a todas as categorias oprimidas. nem a consistência de uma natureza40. Assume-se. e não o nós. neste momento. junto de outros quatro textos. 2007]. . que não remete a nenhuma unidade pensável: um e outro no abismo. A experiência dessa partição que recorta as singularidades em sua distância irredutível é a comunidade mesma como “espaçamento do fora de si” 38. eles ouvem (como não ouviriam?) estas considerações que são. Neste sentido. que propõe a relação de terceiro gênero. (BLANCHOT. e se mantém a distância que repousa na admiração e no acordo da conversa – como na amizade – infinita. se o Outro fala. sem assinaturas. ainda que objetivo distante. 39 Texto intitulado Sobre o movimento. O movimento. e publicado em junho/julho de 1969. na qual nada se exprime: um pouco mais que um murmúrio: não sei o que serei ( je ne sais que devenir). deve buscar se expressar mediante uma luta principalmente social. escrito em dezembro de 1968. de tal modo que. Arena Libros. o fundo sobre o qual todas as palavras ainda se destacam: cansados ou benevolentes. Como o anonimato coletivo põe em marcha uma relação que rompe o campo lógico e lingüístico do diálogo entre sujeitos. 40 A cada retomada. que seja uma trajetória cega. nem a mediação de um mundo. Compreensão que. nem aforismos. publicados na edição “ Um ano depois. Nessa medida. o Comitê de ação Escritoresestudantes”. L'Entretien Infini (A conversa infinita. necessariamente compartilhada. fala através da infinita distância que o al castellano: La comunidad inconfesable . O neutro é a nova figura do anonimato. que a continuidade do movimento da escrita possa deixar intervir fundamentalmente a interrupção como sentido e a ruptura como forma. da finitude.Na década de 80. 77-97). A comodidade de um objetivo. Caso sigamos uma trajetória. constituem a realidade pública cotidiana39. a neutralidade. na interrupção que escapa à toda medida. desde agora. mas na dissimetria e na irreversibilidade. que a palavra liberta. se tornou o protagonista solitário de qualquer idéia de comunidade. na qual deve haver todo o necessário para articular. na qual um e outro perdem seu caráter pessoal e subjetivo para experimentar a impessoalidade. nem palavras expressivas. até a ruptura. Maurice Blanchot propõe uma linguagem que se afirme na busca de uma palavra plural. A conversa infinita. de seu encontro. tal como se apresenta na cena da alteridade. a fala não pode ser considerada propriedade (ou vinda de alguém). da alteridade radical – uma relação pensada desde uma separação. que se move a toda energia popular. Não vamos a lugar algum. Maurice. nós nos compreendemos. 2001. entre duas palavras. a fala se volta a outra experiência do comum na qual o Outro absoluto. Nem máximas. p. p. tampouco na mutualidade recíproca. Madrid. neste instante. não existe. Essa seria a relação de homem para homem quando já não houver entre eles a proposta de um Deus. de repente. pois. aqueles conflitos que a sociedade moderna sempre há ocultado e que. unidade ou superação. A experiência comunitária dos limites tem se convertido agora na experiência. ao mesmo tempo que ela age como fator de impossibilidade e de afastamento. 1969) reúne textos elaborados de 1953 a 1965. em lugar de resguardar-se na contestação universitária. Em A Conversa Infinita. como a forma pela qual nos aproximaríamos do Outro. menos ainda o vale-tudo da escrita automática. 41. nem na predominância e na subordinação. fundada não mais na igualdade e na desigualdade.

2001. como um centro que não se encontra. BLANCHOT. 1989 – Porto Alegre. A conversa infinita 2: A experiência-limite. São Paulo: Escuta. 1958-1993. p.separa de mim. Ela não satisfaz. Consequentemente. L&PM. 2007. ps. 2007. a fim de que a secreta dissolução. BLANCHOT. no tempo pela afirmação da intermitência. é sem valor. fazendo referência ao que se diz. OLIVEIRA. A busca pela compreensão permanece enquanto busca.. errante e fugaz. se o encontrasse. Apenas Blanchot!. 43 BLANCHOT. As palavras o jogo.. de relações e de formas . QUEIROZ. um novo. a palavra se afirma em sua experiência latente e. 65. 44 BLANCHOT. numa tarefa incansável do cotidiano. 45 BLANCHOT. o acaso. nem encobre nem desvela. toda fala. 199. seja esquecida em favor desta coerência de noções e de objetos. M. 2001. BATAILLE. (…) Errar é provavelmente isto: ir ao desencontro”42. mas permite-se encontrar e girar. ed. fazemos uso dos conceitos como instrumentos para instaurar um novo por vir45. sem definir. 41 42 . É justamente no retorno à busca inacabada. mas se impõe como risco no mundo. uma fala plural. p. A literatura e o mal. todo silêncio e todo fim e até esse poder morrer de que tiramos nossas últimas verdades” 44. Assim. no saber pela expressão nada incontrolada de uma ausência de saber.Rio de Janeiro: Pazulin Ed. Écrits politiques. que o autor revela que “a experiência não é a saída. edificamos o mundo.). enquanto “a verdade dissiparia o erro. BLANCHOT. como no sonho. 73.. N. Georges. sem suficiência. 191. p. A. dando um sentido novo à pluralidade 43. (orgs. __________. A conversa infinita 1 : A palavra plural. no todo do Universo pela recusa do Único e pelo entendimento de uma relação sem unidade. São Paulo: Escuta. a universal corrupção que rege o que “é”. REFERÊNCIAS ALVIM. e apenas tal que libera de seu sentido o conjunto das possibilidades humanas e todo o saber. Neste sentido. 2008. 2001.. na obra enfim pela liberação da ausência de obra – espaço múltiplo que apenas afirmaria. o encontro designam. longe de toda afirmação. 2010. L. 104-105. que é a vertigem do espaçamento a partir do qual o desconhecido se anuncia – quer seja na vida pelo desejo. p. e sua palavra me anuncia precisamente este infinito 41.

La comunidad desobrada. 2008. Vida capital: ensaios sobre biopolítica . Jean-Luc. Tradução: Leo Vinicius. La création du monde. London: Routledge. 2009. Porto: Campo das Letras. no 32. Galileé. 1997. 21-23 juin 2001. Karl Erik. Comunidad Inconfesable. Actes du 1er Colloque International du Groupe de Recherche sur les Ecritures Subversives. 2004. Natal (RN). Madrid: Arena Libros. ________. Disponível em: http://www. Barcelone. São Paulo: Iluminuras. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. a imagem como fascínio. Insistências democráticas e entrevista. São Paulo: Escuta. O instante da minha morte/L’instant de ma mort. __________. Blanchot: extreme contemporary. Jérôme Lèbre & Sophie Wahnich. JUNG. In: L’Ecriture fragmentaire: théories et pratiques. Traduzido do francês por Vinícius Nicastro Honesko. v. La Communauté Inavouable. Peter Pál. Julho/Dezembro de 2012.studiocleo. Paris: Christian Bourgois Éditeur. PELBART. Buenos Aires: Libros del Zorzal. São Paulo: Conrad Editora do Brasil. NANCY. 2010. JEAN-LUC NANCY & JACQUES RANCIÈRE. Paris : Minuit. Maurice Blanchot et l’écriture fragmentaire: “le temps de l’absence de temps”. Revista Princípios. A conversa infinita 3: A experiência-limite. Paris: Maio de 68 / Solidarity. Ana Emília. Arena Libros. 2003. 2006. __________. FITZGERALD.html. Textes réunis et présentés par Ricard Ripoll. Eric. Tradução de Isidro Herrera. 2003. MIGUEL ABENSOUR. . acesso em: 10/11/12. Leslie. 2002. __________. Projeto vinculado ao Grupo de Estudos de Percepções e Sensibilidades do CEART. Ficção brasileira contemporânea. 2002. Kevin S. Paris. Ser singular plural. Entrevista por Stany Grelet. ________. SCHØLLHAMMER. HILL. 19. Editions Presses Universitaires de Perpignan. HOPPENOT. 1986. La Communauté Désoeuvrée. Robert Frank: entre visão e palavra.__________.com/librarie/blanchot/kf. The negative eschatology of Maurice Blanchot. __________. 2006. 1983. ________. Escritos políticos. 2002.

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