Ad´ erito Lu´ ıs Martins Ara´ ujo

An´ alise Num´ erica
Engenharias Mecˆ anica e de Materiais

F.C.T.U.C. 2002

como foi dito. da engenharia. o determinante de uma matriz quadrada A = (aij )n ´ e dado pela express˜ a o i. 2 . . . ser resolvidos por processos anal´ ıticos. Exemplo 1. n. e. a for¸ ca da gravidade exercida pela Terra num corpo de massa m tem a magnitude m × mt . geralmente. para calcular todas as parcelas necessitamos de 15 bili˜ oes (como ´ e que se escreve este n´ umero?) de segundos. . n˜ ao podem. . das finan¸ cas. de forma efectiva. . 2. quando por uma qualquer raz˜ ao n˜ ao podemos ou n˜ ao desejamos usar m´ etodos anal´ ıticos. .Cap´ ıtulo 1 Preliminares 1. solu¸ co ˜es num´ ericas para problemas matem´ aticos. se n = 25 o n´ umero de permuta¸ co ˜es poss´ ıveis ´ e superior a 15 quatrili˜ oes (como ´ e que se escreve este n´ umero?)! Se possuirmos uma m´ aquina que calcule cada termo da express˜ ao anterior num bilion´ esimo de segundo (coisa que nem remotamente os actuais computadores conseguem fazer). Para perceber melhor o que se pretende dizer por de forma efectiva. ou seja 400.1 Introdu¸ c˜ ao A an´ alise num´ erica ´ e a disciplina da matem´ atica que se ocupa da elabora¸ ca ˜o e estudo de m´ etodos que permitem obter.j =1 det (A) = ±a1i1 · · · anin . . onde a soma ´ e efectuada sobre todas as n! permuta¸ co ˜es (i1 . F =G d2 onde mt ´ e a massa da Terra. . usualmente envolvendo a solu¸ ca ˜o num´ erica de equa¸ co ˜es diferenciais. De acordo com esse modelo. O modelo de Newton para a gravita¸ ca ˜o universal conduziu a ciˆ encia a ` formula¸ ca ˜o de muitos problemas cuja solu¸ ca ˜o s´ o pode ser obtida de forma aproximada. Como ´ e sabido (ser´ a?). Por exemplo. consideremos o problema do c´ alculo do determinante. Esta f´ ormula te´ orica s´ o permite o c´ alculo ef ectivo do determinante se a dimens˜ ao da matriz for muito pequena.1 (Lei da gravita¸ c˜ ao universal) Um dos primeiros e mais importantes modelos matem´ aticos para problemas da f´ ısica foi dado por Newton para descrever o efeito da gravidade. d a distˆ ancia entre os centros dos dois corpos e G a constante de gravita¸ c˜ ao universal.000 anos! Os problemas que a an´ alise num´ erica pretende dar solu¸ ca ˜o s˜ ao geralmente origin´ arios das ciˆ encias naturais e sociais. in ) dos n´ umeros 1.

Mais recentemente ´ e usual o recurso a programas como o MATHEMATICA ou o MATLAB. Nesta fase teremos necessidade de recorrer a uma linguagem de programa¸ ca ˜o como o FORTRAN. 2. de forma intensa. ´ necess´ diferenciais. por exemplo. 1 qual o grau de precis˜ ao da solu¸ ca ˜o aproximada obtida. No processo de resolu¸ ca ˜o de um problema matem´ atico podemos distinguir v´ arias fases: 1.2 (Problema dos trˆ es corpos) O problema dos trˆ es corpos consiste em determinar quais s˜ ao os comportamentos poss´ ıveis de um sistema constitu´ ıdo por trˆ es corpos que interagem entre si atrav´ es de uma for¸ ca gravitacional newtoniana. Um m´ etodo num´ erico que possa ser usado para resolver o problema ´ e traduzido por algoritmo que n˜ ao ´ e mais do que um completo e n˜ ao amb´ ıguo conjunto de passos que conduzem a ` solu¸ ca ˜o do problema. integrais. a elabora¸ ca ˜o de novos materiais ´ e outro assunto que recorre. Esta fase constitui o cerne da an´ alise num´ erica. E ario ter muito cuidado nesta fase uma vez que a grande complexidade dos problemas f´ ısicos pode-nos obrigar a fazer simplifica¸ co ˜es no modelo. Assim. Tal formula¸ ca ˜o pode ser feita recorrendo a (sistemas de) equa¸ co ˜es alg´ ebricas. provaremos a existˆ encia destas condi¸ co ˜es e faremos uma breve an´ alise de erros. Neste curso. de interesse aparentemente acad´ emico. temos necessidade de saber em que condi¸ co ˜es as solu¸ co ˜es por ele obtidas convergem para a solu¸ ca ˜o exacta. 1 . e a an´ alise num´ erica tornou-se uma ferramenta essencial para todos aqueles que pretendem efectuar investiga¸ ca ˜o nessas a ´reas da engenharia.Preliminares 3 Exemplo 1. o facto de n˜ ao ser poss´ ıvel realizar os c´ alculos podia passar de mero detalhe t´ ecnico. uma vez que ´ e destinado a alunos de engenharia. n˜ ao iremos dar grande ˆ enfase a estas quest˜ oes. As engenharias mecˆ anica e civil usam esses modelos como sendo a base para os mais modernos trabalhos em dinˆ anica dos flu´ ıdos e em estruturas s´ olidas. simplifica¸ co ˜es essas que n˜ ao devem alterar grandemente o comportamento da solu¸ ca ˜o. A an´ alise num´ erica ´ e pois uma a ´rea que tem assumido crescente importˆ ancia no contexto das ciˆ encias da engenharia. Este problema n˜ ao ´ e dif´ ıcil de pˆ or em equa¸ c˜ ao e os espectaculares ˆ exitos da Mecˆ anica Cl´ assica sugeriam que a sua resolu¸ c˜ ao. Formula¸ c˜ ao de um modelo matem´ atico que descreve uma situa¸ c˜ ao real. fosse uma quest˜ ao de tempo. que era estudada no primeiro ano da Universidade. dois corpos que interagem por via da for¸ ca gravitacional. o problema dos dois corpos (isto ´ e. O estabelecimento das v´ arias leis da f´ ısica permitiu aos matem´ aticos e aos f´ ısicos obter modelos para a mecˆ anica dos s´ olidos e dos flu´ ıdos. como a Terra e o Sol) tinha uma solu¸ c˜ ao muito simples. Discutiremos as condi¸ co ˜es de aplicabilidade dos m´ etodos quando for caso disso. o C++. entre outras. etc. faremos alguma an´ alise num´ erica simples. a constru¸ ca ˜o de estruturas modernas faz uso do chamado m´ etodo dos elementos finitos para resolver as equa¸ co ˜es com derivadas parciais associadas ao modelo. o PASCAL. a algoritmos num´ ericos. em que medida pequenos erros de arredondadmento (e outros) poder˜ ao afectar a solu¸ ca ˜o final. ou seja. etc. Por exemplo. O facto ´ e que a solu¸ c˜ ao anal´ ıtica deste problema ´ e imposs´ ıvel de obter! Resta-nos assim recorrer ` a solu¸ c˜ ao num´ erica. desenhar avi˜ oes. Programa¸ c˜ ao autom´ atica do algoritmo. Obten¸ c˜ ao de um m´ etodo num´ erico que permite construir uma solu¸ c˜ ao aproximada para o problema. a dinˆ amica dos flu´ ıdos computacional ´ e actualmente uma ferramenta fundamental para. 3. transcendentes. dado um determinado m´ etodo num´ erico. Afinal de contas.

(1. Os eg´ ıpcios. √ Heron.92. Prove que uma solu¸ c˜ ao alternativa ´ e dada por x1 = 2c √ . ´ India e China. Diofanto obteve um processo para a determina¸ ca ˜o das solu¸ co ˜es de uma equa¸ ca ˜o quadr´ atica. −b − b2 − 4ac x2 = 2c √ .03. que j´ a usavam frac¸ co ˜es. deduziu um procedimento para determinar a da forma (ser´ as capaz de deduzir este m´ etodo?) 1 a . O aparecimento do c´ alculo e a cria¸ ca ˜o dos logaritmos. est´ a muito pr´ oximo do que hoje se faz em an´ alise num´ erica. Os babil´ onios.1 A equa¸ c˜ ao do segundo grau ax2 + bx + c = 0 ´ e usualmente resolvida pelas f´ ormulas √ √ −b + b2 − 4ac −b − b2 − 4ac x1 = . sem d´ uvida.1.0. Os novos modelos matem´ aticos propostos n˜ ao podiam ser resolvidos de forma expl´ ıcita e assim tornava-se imperioso o desenvolvimento de m´ etodos num´ ericos para obter solu¸ co ˜es aproximadas. O pr´ oprio Newton . no s´ eculo I a. Na Gr´ ecia antiga muitos foram os matem´ aticos que deram contributos para o impulso desta disciplina. os grandes contributos para o desenvolvimento da matem´ atica algor´ ıtmica vieram. x2 = . 3. Escreva um programa de computador que resolva equa¸ co ˜es de segundo grau de duas maneiras distintas: (i) usando as f´ ormulas (1. Execute o programa constru´ ıdo em 2. sobretudo.1). c = 6. Durante a Idade M´ edia.Preliminares 4 Exerc´ ıcio 1. no s´ eculo XVII. foi tamb´ em um importante precursor do desenvolvimento do c´ alculo integral por Isaac Newton (1643-1729) e Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716).2) 2.2 Breve referˆ encia hist´ orica Os algoritmos num´ ericos s˜ ao quase t˜ ao antigos quanto a civiliza¸ ca ˜o humana. a. xn + 2 xn No ano 250 da nossa era.C.0.C. c = 0. Por exemplo.1) em que n˜ ao se subtraem n´ umeros do mesmo sinal e a outra raiz pela f´ ormula de (1. (ii) calculando uma raiz pela f´ ormula de (1. inventaram o chamado ’m´ etodo da falsa posi¸ ca ˜o’ para aproximar as ra´ ızes de uma equa¸ ca ˜o.. j´ a possuiam tabelas de quadrados de todos os inteiros entre 1 e 60. o velho. vinte s´ eculos antes de Cristo. O contributo maior foi. a simplifica¸ ca ˜o introduzida com a chamada numera¸ ca ˜o hindu-´ arabe. Esse m´ etodo encontra-se descrito no papiro de Rhind (cerca de 1650 anos antes da era crist˜ a).2) adequada. Arquimedes de Siracusa (278-212. −b + b2 − 4ac (1. b = −5. (ii) a = 1. do m´ edio oriente. por outro lado.) mostrou que 3 1 10 <π<3 71 7 e apresentou o chamado m´ etodo da exaust˜ ao para calcular comprimentos. quando usado como m´ etodo para calcular aproxima¸ co ˜es. vieram dar um grande impulso ao desenvolvimento de procedimentos num´ ericos. b = 12345678. 1. a ´reas e volumes de figuras geom´ etricas.1) 2a 2a 1.0.0. Este m´ etodo. quando: (i) a = 1.

neste intervalo. este teorema estabelece um resultado intuitivo: uma fun¸ ca ˜o cont´ ınua para passar de um ponto para outro tem de passar por todos os valores interm´ edios. b). dos primeiros computadores que contribuiu decisivamente para o forte desenvolvimento da disciplina. XVII.7 (Valor M´ edio de Lagrange) Se f for uma fun¸ ca ˜o cont´ ınua em [a. Apesar de tanto Pascal como Leibniz terem constru´ ıdo. na d´ ecada de 40 do s´ eculo XX. diferenci´ avel n vezes em (a. b]. ter constru´ ıdo o que ´ e considerado o primeiro computador (nunca funcionou!). b) ent˜ ao existe pelo menos um ξ ∈ (a. f tem pelo menos n − 2 zeros em (a. b). este teorema diz-nos que entre dois zeros de uma fun¸ ca ˜o cont´ ınua existe. Teorema 1. b) tal que f (ξ ) = f (b) − f (a) . j´ a no s´ ec. Teorema 1. de facto. Observa¸ c˜ ao 1. o seu nome.3 No¸ co ˜es e teoremas b´ asicos Antes de come¸ carmos propriamente com os assuntos da an´ alise num´ erica. o aparecimento. f (n−1) tem pelo menos 1 zero em (a. b) e se f (a) = f (b) = 0 ent˜ ao existe pelo menos um ξ ∈ (a. Este resultado pode ser generalizado da forma que se segue. 1. hoje.5 No teorema anterior n˜ ao ´ e necess´ ario que f (a) e f (b) sejam ambos nulos. pelo menos. Joseph-Louis Lagrange (1736-1813) e Carl Friedrich Gauss (1777-1875). b−a .4 (Rolle) Se f for uma fun¸ ca ˜o cont´ ınua em [a. nos anos 40. b] ent˜ ao. as primeiras m´ aquinas de calcular e de Charles Babage. b). Em linguagem comum. muitos vultos da matem´ atica dos s´ eculos XVIII e XIX trabalharam na constru¸ ca ˜o de m´ etodos num´ ericos. De entre eles podemos destacar Leonhard Euler (1707-1783). Foi. b]. ..Preliminares 5 criou v´ arios m´ etodos num´ ericos para a resolu¸ ca ˜o de muitos problemas. diferenci´ avel em (a. b] e diferenci´ avel em (a. Outro teorema b´ asico ´ e o seguinte e foi estabelecido por Michel Rolle (1652-1719). O primeiro teorema que iremos considrar ´ e o chamado Teorema de Bolzano. Como pode ser verificado. Outro resultado que conv´ em ter presente (cultura geral) ´ e o conhecido Teorema do Valor M´ edio de Lagrange. n zeros ent˜ ao f tem pelo menos n − 1 zeros em (a. desses dispositivos de c´ alculo. milion´ ario inglˆ es.3 (Bolzano) Se f for uma fun¸ ca ˜o cont´ ınua em [a. Teorema 1. Teorema 1. b) e se tiver. b) tal que f (ξ ) = 0. para todo o y compreendido entre f (a) e f (b) existe pelo menos um x ∈ [a. basta que f (a) = f (b). m´ etodos esses que possuem. . . no entanto. um zero da sua derivada. b] tal que f (x) = y .6 (Rolle generalizado) Se f for uma fun¸ ca ˜o cont´ ınua em [a. Tal como Newton. relembremos algumas no¸ co ˜es e teoremas importantes que conv´ em ter sempre presentes. foi apenas com o aparecimento do ENIAC. que a ciˆ encia usufruiu.

2 0. na disciplina de C´ alculo/An´ alise do primeiro ano. Merece destaque especial neste campo o matem´ atico J. b] := f (b) − f (a) . f (x) + ε]}.4 -0.6 0. Wilkinson que clarificou muitas quest˜ oes com os seus trabalhos. que n˜ ao muda de sinal em [a.4 0. apesar de ser apenas um resultado de existˆ encia. tal como os anteriores. Este resultado. b].2 0. b]. consideremos um teorema estabelecido por Weierstrass.8 b 1 Figura 1. y ) ∈ IR2 : x ∈ [a. Na bibliografia indicaremos algumas obras que se debru¸ cam sobre estes problemas.b] max |f (x) − p(x)| < ε. existe sempre um polin´ omio p contido na faixa {(x. Finalmente. b−a Consideremos agora o seguinte teorema estudado. b] pela diferen¸ ca dividida f [a. Este resultado justifica o procedimento (muito comum) de substituir o c´ alculo da derivada de uma fun¸ ca ˜o definida num intervalo (pequeno) [a. b] tal que x∈[a. b] e g uma fun¸ ca ˜o integr´ avel. y ∈ [f (x) − ε. Este teorema diz-nos que. H´ a v´ arias teorias para estudar os erros e a sua propaga¸ ca ˜o ao longo dos c´ alculos. E objectivo analisar quais s˜ ao essas causas e estudar mecanismos que nos permitam determinar limites superiores para os erros obtidos no final do processo de c´ alculo.8 (Valor m´ edio para integrais) Se f for uma fun¸ ca ˜o cont´ ınua em [a.1: Teorema do Valor M´ edio. b)tal que b b f (ξ ) a g (x) dx = a f (x)g (x) dx. Ent˜ ao para cada ε > 0 existe um polin´ omio p definido em [a. 1. tem muita importˆ ancia te´ orica. . b]. Ent˜ ao existe pelo menos um ξ ∈ (a. por mais pequeno que seja o ε escolhido. Teorema 1.9 (Weierstrass) Seja f uma fun¸ ca ˜o definida e cont´ ınua num intervalo [a. Teorema 1.Preliminares 6 4 3 2 a -0.H.4 Breve referˆ encia ` a teoria dos erros ´ nosso A introdu¸ ca ˜o de erros num determinado processo de c´ alculo pode ter v´ arias causas.

4. quando usamos um computador. Note-se que a escala de um instrumento de medi¸ ca ˜o nos d´ a uma possibilidade de saber um limite superior para o erro com que esses valores vˆ em afectados. Por exemplo. para um dada problema. Como na defini¸ ca ˜o de erro relativo o valor de x n˜ ao ´ e conhecido. o n´ umero x = 123. Defini¸ c˜ ao 1. Na pr´ atica os valores dos erros absoluto e relativo usam-se. Temos assim necessidade de o aproximar por um outro que possa ser representado na referida m´ aquina. atendendo a que ´ e uma quantidade adimensionada. x 1.12 1. ´ com base nas duas defini¸ E co ˜es anteriores que iremos analisar os resultados num´ ericos que aparecer˜ ao como aproxima¸ co ˜es a valores que n˜ ao conhecemos com exactid˜ ao. a medi¸ ca ˜o de uma distˆ ancia de 2 mm pode vir afectada com um erro de 0. para a maioria dos problemas. Este tipo de erros fogem ao controlo do analista num´ erico e s˜ ao muito dif´ ıceis de quantificar. Seja x um valor desconhecido e x um valor aproximado de x.Preliminares 7 Para iniciar o nosso estudo. Note-se tamb´ em que o erro relativo nos d´ a uma maior informa¸ ca ˜o quanto a ` precis˜ ao da aproxima¸ ca ˜o que o erro absoluto. Por exemplo. A forma de arredondar um n´ umero real ´ e a usual.11 Chama-se erro relativo de x e representa-se por rx a quantidade rx = Observa¸ c˜ ao 1. De facto. . definamos dois tipos fundamentais de erros. o atrito ´ e nulo. 2. Assim. normalmente.5 mm o que d´ a um erro relativo de 2. n˜ ao h´ a perdas de calor. Por exemplo.5%.9346 ≈ 123. ∆x . etc. n˜ ao ´ e relevante saber se o erro foi cometido por defeito ou por excesso. Essa aproxima¸ ca ˜o vai ser efectuada por um processo conhecido por arredondamento. a mantissa de um n´ umero tem que ser limitada. com uma r´ egua usual. Defini¸ c˜ ao 1.10 Chama-se erro absoluto de x e representa-se por ∆x a quantidade ∆x = x − x. Como tal x = 123. existem n´ umeros que n˜ ao possuem representa¸ ca ˜o na m´ aquina que estamos a trabalhar. 3. ´ e usual considerar a estimativa |rx | ≈ |∆x/x| .1 Erros de arredondamento Os dados de um determinado problema.935 = x. Outra causa de erro resulta das simplifica¸ co ˜es impostas ao modelo matem´ atico usado para descrever um determinado fen´ omeno f´ ısico. em m´ odulo pois. ´ e muitas vezes representado sob a forma de percentagem. ´ e usual considerar que.9346 n˜ ao tem representa¸ ca ˜o numa m´ aquina de base decimal cuja mantissa s´ o permita armazenar 6 d´ ıgitos. O erro relativo. podem estar a ` partida afectados de imprecis˜ oes resultantes de medi¸ co ˜es incorrectas. Outra causa de erros resulta da forma como representamos os n´ umeros reais.

|∆x| ≈ 3. Note-se que. o seguinte n´ umero: x = . denotado por . apesar de se tem |∆z | = 3435. H´ a pois necessidade de o arredondar.14 Seja x uma aproxima¸ ca ˜o para x. por exemplo. Consideremos.100321E6. Esta caracter´ ıstica ´ e medida pelo chamado zero da m´ aquina. 1003213435.95 Para finalizar vamos definir o que se entende por precis˜ ao da m´ aquina. e assim |∆x| ≈ 3.0004 < 0. um algarismo diz-se significativo se ´ e diferente de zero. Este n´ umero n˜ ao tem representa¸ ca ˜o nesta m´ aquina. uma m´ aquina ´ e tanto mais precisa quanto menor for o seu zero. e definido com sendo o menor n´ umero que pode ser representado satisfazendo a (1 + ) > 1.Preliminares 8 e este novo valor j´ a tem representa¸ ca ˜o na m´ aquina que estamos a usar sob a forma .93 = x.0045 < 0.95 |rz | = |∆x| = 0. . Diz-se que x tem k algarismos significativos 2 − k correctos se e s´ o se |rx | ≤ 5 × 10 . Assim temos que z := x3 = 1003213435. Assim. 3435.100107E4.123935E2. Observa¸ c˜ ao 1. cuja representa¸ ca ˜o ´ e z = .95 ≈ 3.95. O zero tamb´ em ´ e significativo excepto quando ´ e usado para fixar o ponto decimal.5 × 10 . |x| Se o arredondamento tivesse sido efectuado na segunda casa decimal vinha |rx | = x = 123. Temos ent˜ ao z ≈ 100321 = z.9346 ≈ 123. Note-se que o arredondamento foi efectuado na terceira casa decimal e que |∆x| = |x − x| = 0. Defini¸ c˜ ao 1. Diz-se que x tem k casas decimais correctas − k se e s´ o se |∆x| ≤ 0.5 × 10−3 .13 Seja x uma aproxima¸ ca ˜o para x. Suponhamos que estamos ainda numa m´ aquina de base decimal cuja mantissa s´ o permita armazenar 6 d´ ıgitos. Existe ainda outra possibilidade de erro quando trabalhamos em aritm´ etica de v´ ırgula flutuante.15 Note-se que estas defini¸ co ˜es surgem por forma a que todo o n´ umero obtido a partir de um valor exacto por conveniente arredondamento tenha todas as suas casas decimais e todos os seus algarismos significativos correctos.5 × 10−2 .42 × 10−6 < 5 × 10−6 . 2 Na representa¸ ca ˜o decimal de um n´ umero.63 × 10−5 < 5 × 10−5 . |x| Daqui resultam as seguintes defini¸ co ˜es: |rx | = Defini¸ c˜ ao 1.23 × 10−6 < 5 × 10−6 .

y = 2. 1. π vem determinado com 14.147. . entre outras coisas.3 Sejam x. A sua expans˜ ao apareceu em 1742 no Treatise on Fluxions. Exerc´ ıcio 1.830) 60 . κ = 20. Por exemplo. 2. O seu teorema foi enunciado em 1712. . Colin Maclaurin (1698-1746) foi um menino prod´ ıgio sendo nomeado professor em Aberdeen com a idade de 19 anos. mas sim a nota¸ c˜ ao grega corrente na ´ epoca π = γη λ . Tente explicar a nota¸ c˜ ao usada por Ptolomeu tendo em aten¸ c˜ ao que os gregos recorriam ` as letras do seu alfabeto para representar os n´ umeros.31 e z = 23. E claro que a nota¸ c˜ ao usada n˜ ao foi esta. Compare os resultados e comente. 1. y e z trˆ es quantidades exactas.Preliminares 9 Exerc´ ıcio 1. Assim (o alfabeto grego na altura tinha mais duas letras) α = 1. Publicou.. por defini¸ ca ˜o. Converta ` a base decimal e determine os erros absoluto e relativo cometidos. 3 . os erros que surgem quando se passa de um processo infinito para um processo finito ou quando se substitui um processo cont´ ınuo por um discreto. devido a Brook Taylor (1685-1731). 1. .4.4. Outro exemplo onde surgem este tipo de erros ´ e dado pela chamada aproxima¸ c˜ ao de Taylor que tem como suporte te´ orico o seguinte teorema (apresentado sem demonstra¸ ca ˜o). 2. Conte o n´ umero de casas decimais correctas nas aproxima¸ co ˜es e calcule limites superiores para o erro absoluto em cada uma delas. Compare os resultados e comente. ρ = 100. Verifique este facto para k = 5 e k = 10. Conte o n´ umero de algarismos significativos correctos nas aproxima¸ co ˜es e calcule limites superiores para o erro relativo em cada uma delas. π n!3 (3n)!(−640320)3n n=0 1.4. . um livro intitulado Methodus Incrementorum Directa & Inversa no qual a sua expans˜ ao apaarece descrita. Por arredondamento obtiveram-se as seguintes aproxima¸ co ˜es: x = 231. quando aproximamos f (x) ≈ ou e≈ 1+ f (x + h) − f (x) h 1 M M cometemos erros de truncatura.2 Erros de truncatura Os erros de truncatura ou de discretiza¸ ca ˜o s˜ ao. λ = 30. seguindo os Babil´ onios.4. “O ´ Grande Compˆ endio”). o sucessor de Haley como secret´ ario da Royal Society. o valor de π = (3. β = 2. ι = 10. Exerc´ ıcio 1. tomando os k + 1 primeiros termos desta s´ erie. .1 Ptolomeu de Alexandria (s´ eculo II) usou na sua obra Almagest (em ´ arabe. em 1715.18(k + 1) casas decimais correctas. 2. Pode mostrar-se que. Mostre que se trata de uma s´ erie convergente. Nota: Este foi o valor usado por Crist´ ov˜ ao Colombo (s´ eculo XV) nos c´ alculos de navega¸ c˜ ao.3 Taylor foi..2 Um meio bastante eficaz de calcular o valor de π consiste em usar a s´ erie √ ∞ 426880 10005 (6n)![545140134 · n + 13501409] = . .

x0 )| = |Rn (x. . Neste curso n˜ ao iremos dar ˆ enfase a esta quest˜ ao. x0 ) = f (k) (x0 ) (x − x0 )k k ! k=0 ξ ∈ I {x. x0 ∈ [a. para todo o x.x0 } ∞ sendo η > 0 uma tolerˆ ancia previamente fixada. sendo um erro absoluto uma vez que |f (x) − Tn (x. ´ e tamb´ em designado erro de truncatura. b].4) temos que. x0 ).) poder´ a ser feita sobre o polin´ omio. b]). onde Tn (x. uma fun¸ ca ˜o pode ser escrita como a soma de um polin´ omio com um resto.17 A escolha dos valores de x e x0 dever´ a ser feita de modo a que eles perten¸ cam ao intervalo de convergˆ encia da s´ erie f (k) (x0 ) (x − x0 )k k ! k=0 designada por s´ erie de Taylor. x0 )| < η . mediante certas condi¸ co ˜es. x0 ). (1. Assim. x0 } o intervalo aberto definido por x e x0 .3) chamaremos f´ ormula de Taylor sendo Tn (x. O objectivo fundamental dos problemas que surgem neste contexto ´ e o de determinar o menor valor de n que verifica max |Rn (x. etc. a fun¸ ca ˜o dada pode ser aproximada pelo seu polin´ omio de Taylor. Obtemos assim a aproxima¸ ca ˜o f (x) ≈ Tn (x. f (x) = Tn (x. qualquer opera¸ ca ˜o a efectuar sobre a fun¸ ca ˜o (deriva¸ ca ˜o.3) f (n+1) (ξ ) (x − x0 )n+1 . A (1. Se x0 = 0 a (1. x0 ) = e Rn (x. x0 ) o resto (de Lagrange) de ordem n (ou de grau n + 1). b) ent˜ ao. a partir de um valor de n suficientemente grande. x0 }. (n + 1) ! sendo I {x.3) chamaremos f´ ormula de Maclaurin.16 (Taylor) Se f admite derivadas cont´ ınuas at´ e a ` ordem n (inclusiv´ e) em n ( n +1) [a. b]. Atente-se ao grande interesse pr´ atico deste resultado que afirma que. Observa¸ c˜ ao 1. cujo erro n˜ ao excede η . x0 ) = 0. x0 )|. se f ∈ C ([a.Preliminares 10 Teorema 1. n (1. x0 ). isto ´ e. ξ ∈I {x. O valor de Rn (x. e se f existir em (a. integra¸ ca ˜o. x0 ) + Rn (x. Escolhendo valores de x e x0 tais que n→+∞ lim Rn (x. x0 ) o polin´ omio de Taylor de f em torno do ponto x0 e Rn (x.

4). . com ε positivo e escolhido de forma adequada. biologia. temos que ex ≈ 1 + x + com |Rn (x.1 O fluxo atrav´ es de uma parte da camada fronteira num flu´ ıdo viscoso ´ e dada pelo integral definido 0. diz-se anal´ ıtica em x0 . k! k=0 ∞ ex 3x |xn+1 | ≤ |xn+1 |. (n + 1)! (n + 1)! Vamos ent˜ ao determinar qual o menor valor de n tal que |Rn (2.389. sociologia. Como a f´ ormula de Taylor ´ e definida usando apenas informa¸ ca ˜o relativa a `s derivadas da fun¸ ca ˜o num u ´nico ponto. 2 Calcule uma aproxima¸ c˜ ao para o integral com quatro casas decimais correctas.Preliminares 11 Defini¸ c˜ ao 1.5 × 10−3 . Resolu¸ c˜ ao: A fun¸ c˜ ao f (x) = ex ´ e uma fun¸ c˜ ao anal´ ıtica para todo o x real (prove!) e atendendo ( k ) a que f (x) = ex a s´ erie de Maclaurin de f ´ e dada por ex = Assim. 2 6 n! xk . k! k=0 1.8 0 1.38899470899 ≈ 7. x0 + ε)..5 Exerc´ ıcios de aplica¸ c˜ ao ` a engenharia Exerc´ ıcio 1.4 Determine um valor aproximado de e2 com 3 casas decimais correctas.4.254 × 10−2 10! 32 11 2 = 0. ´ e surpreendente que muitas das fun¸ co ˜es que s˜ ao definidas de forma natural na matem´ atica.462 × 10−3 . bem como os limites das equa¸ co ˜es diferenciais que servem de modelo a muitos problemas da engenharia.. Exerc´ ıcio 1. f´ ısica. sejam fun¸ co ˜es anal´ ıticas. fixando um valor de n. usando a f´ ormula de Maclaurin aplicada ` a fun¸ c˜ ao f (x) = ex . 11! n = 10 ⇒ Logo a aproxima¸ c˜ ao pedida ´ e e2 ≈ 10 xk = 7.18 Uma fun¸ ca ˜o f cujo resto da sua f´ ormula de Taylor verifique (1. n=9 ⇒ 32 |2n+1 | ≤ 0.5. etc. para todo o x ∈ (x0 − ε. 0)| ≤ Por tentativas. (n + 1)! 32 10 2 = 0. 0)| ≤ xn x2 x3 + + ··· + .4(1 − e−4x ) dx.

New Jersey. o volume v a temperatura t e o n´ umero de moles n de um g´ as ideal.082. 3th ed. S.H.. Como pv ´ e o constante.5. de Boor (1980).D. Conte e C. An Introduction to Numerical Analysis. Wilkinson (1963). John Wiley. Rosa (1992). DMUC.0042 Quando medimos a temperatura do g´ as verific´ amos ser 17o Celsius.0 atmosferas. Textos de Apoio. 2th ed. Error Propagation for Difference Methods. Atkinson (1989). 1. Stoer e R. nr 0. ao medir a temperatura do g´ as encontr´ amos o valor 32o Celsius. John Wiley. Berlin. Coimbra. Suponhamos que foram efectuadas as seguintes experiˆ encias para testar a veracidade da lei usando o mesmo g´ as. Springer-Verlag.10 metros c´ ubicos e r = 0. Usando o desenvolvimento em s´ erie de Maclaurin da fun¸ c˜ ao y = sec x prove que quando a for¸ ca grav´ ıtica tende a anular-se a deflac¸ c˜ ao D tende para 5W L4 . suspensa.. New York. M. Henrici (1963). Numerical Analysis. 384EI Exerc´ ıcio 1. Prentice-Hall.2 Consideremos uma viga uniforme de comprimento L. Boston. a temperatura do g´ as foi prevista como sendo t= 1. Bulirsch (1980). v = 0. A deflac¸ c˜ ao D no ponto m´ edio ´ e dada por D= W L2 W EI (sec (0 . .Preliminares 12 Exerc´ ıcio 1. a temperatura prevista ´ e de 17 Celsius mas agora. 4th ed.10 pv = = 290o Kelvin = 17o Celsius.5. O n´ umero r nesta equa¸ c˜ ao depende apenas do sistema de medi¸ c˜ ao a usar. 5 mL ) − 1) − .0042 moles..082 × 0. Elementary Numerical Analysis. A experiˆ encia anterior foi repetida usando os mesmos valores de r e n mas aumentando o press˜ ao quatro vezes enquanto se reduziu o volume na mesma propor¸ c˜ ao. Faires (1988). Introduction to Numerical Analysis. Usando a lei.D.E. New York.0 × 0. J. PWS-Kent. T´ opicos de An´ alise Num´ erica. n = 0. P2 8P onde m2 = P/EI com E e I constantes. McGraw-Hill. P.6 Referˆ encias bibliogr´ aficas K. sujeita a uma carga uniformemente distribuida W e a uma for¸ ca compressiva P em cada extremo. J.3 A lei dos gases perfeitos ´ e dada por pv = nrt e relaciona a press˜ ao p. New York. Ser´ a que a lei n˜ ao ´ e v´ alida nesta situa¸ c˜ ao? 1. Rounding Errors in Algebraic Process. Consideraram-se p = 1.L. Burden e J. R. 2.

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