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True Blood - Escravos do Amor - Capítulo 46 - Intriga Internacional

True Blood - Escravos do Amor - Capítulo 46 - Intriga Internacional

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Estamos na reta final da Terceira Temporada. Semana que vem teremos capítulos duplos da Season Finale!!!
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09/26/2013

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Temporada 03 Capítulo 46

Intriga Internacional
By We Love True Blood

It's going to be a long night.

O carro de Pam parou alguns metros da mansão de Bill. Sookita se mexia incomodada no banco de trás, Tara sentada no banco do passageiro olhava para ela com preocupação. “Está tudo bem?” “Sim. Eu posso fazer isso.”, Sookita sorriu para a amiga tentando demonstrar confiança. “Não é se pode, minha cara.”, Pam lançou um olhar gélido pelo retrovisor, se fosse uma Medusa, Sookita estaria como pedra. “Te dou no máximo 30 minutos.” “Deixa ela tentar pelo menos. Está se recuperando do susto.”, Tara disse franzindo o cenho. “Se demorarmos muito, terá que se recuperar mais ainda quando Eric morrer.” “Ele não morreu ainda. Nem tudo é sobre Eric.”, Tara retrucou. “Nem tudo é...”, Pam se virou bufando e mostrando as presas. “Não são as bundas de vocês que estão na reta. Agradeça por eu não ter quebrado o pescoço dessa vagabunda.”, ela apontou para Sookita. “Ela não tem obrigação de salvar Eric. Ele quis matar Jason, só não fez porque não teve tempo.”, Tara gritou gesticulando sem parar. Pam agarrou o pescoço de Tara com uma das mãos e bateu com força a cabeça dela na janela do carro, só não quebrou por ser um vidro reforçado. “Parem com isso.”, Sookita deu um chute no banco de Pam e depois no de Tara. “Não precisamos de mais mortes para salvar uma. Eu já disse que sei o que farei.” “Vá de uma vez.”, Pam disse soltando o pescoço de Tara e escondendo as presas.

“Vai dar tudo certo.”, Sookita colocou a mão no ombro de Tara antes de sair do carro. “Volte logo...”, Tara implorou com o olhar. Pam deu de ombros se ajeitando no banco. Sookita abriu a porta do carro e antes que pudesse sair, Pam a segurou pelo pulso. “Tem passaporte?” “Não.” “Como entraremos nos Estados Unidos com uma maldita mexicana ilegal?”, Pam balançou a cabeça. “Clichê maior do que esse não existe.” “Sookita nunca saiu do México.”, Tara disse encolhendo os ombros. “Nunca tive motivo pra isso.”, Sookita concordou com a amiga. “Agora tem, merda... agora tem.”, Pam continuava balançando a cabeça. “Nada dá certo, vou tentar dar um jeito.” “Como?”, Tara e Sookita falaram juntas. “Já queriam uma solução agora? Não sou um gênio da estratégia como Eric.”, ela disse baixando a cabeça, ele saberia como agir nesse momento, ele sempre tinha as respostas. “Estou indo.”, Sookita saiu pela porta. “Não esqueça a bolsa.”, Tara desceu a janela com rapidez e entregou uma bolsa de reciclagem com cores espalhafatosas para ela. Sookita sentiu o peso assim que a pegou na mão, não poderia demonstrar que carregava algo pesado quando passasse pelos guardas. Treinou um pouco a caminhada antes de continuar. “Hey, não coloque mais um vestido de algodão, fica parecendo uma camponesa. Vista algo classudo.”, Pam disse colocando a cabeça para fora da janela. “Como se tivesse alguma...”, completou baixo o suficiente para Tara ouvir. Sookia deu de costas, sempre que encontrava Pam ouviu algum tipo de insulto ou provocação. Estava estranhamente mal acostumada, ser tratante fazia parte da personalidade de Pam. Só demonstrava sentir algo quando falava de Eric. Pelo menos isso tinham em comum. Como também era estranho em questão de horas ir do ódio profundo ao medo desesperador de perder Eric. Ela viu na mente dele, Eric com Jason, viu também pelo Executor. Ela não se enganou, não foi um erro, ele também não

negou. Mas, sabia que Eric se entregou pela insistência dela, porque ela necessitava que fosse ele o assassino, uma confirmação para o que acreditava de que ele fosse capaz de fazer o que fez. Como ela podia amá-lo se o desejava como assassino? Que tipo de insanidade era essa? Ela caminhava com esses pensamentos conflitantes quando passou pelos guardas na entrada da mansão. Andava com firmeza, mas sentia as mãos tremendo por causa da pesada bolsa. Manteve o telefone desligado desde que saiu do apartamento de Pam. Esperava que a mentira inventada por Tara fosse o suficiente para não levantar suspeitas. Ela atravessou a alameda olhando a todo momento para trás, os guardas voltaram a patrulha na portaria. Respirou aliviada, parou alguns minutos antes de continuar para recuperar as forças. Ainda sentia as mãos tremendo pelo esforço. Pegou nas alças da sacola que dançaram em sua mão de tão suada que estava. Sookita começava a entender o que iria fazer, e não queria pensar nas consequências. Abriu a porta devagar, não queria chamar a atenção dos empregados. Olhou para o relógio antigo que ficava no lobby, era maior do que ela, o pêndulo balançava de maneira hipnótica de um lado para o outro, um som calmante vinha do tic-tac. Eram quase onze da noite, Bill estaria se preparando para sair. Sookita subiu a escada arrastando a sacola, torcia para não encontrar Bill no caminho. O plano tinha que dar certo. A ironia da coisa era que ficou tão chateada por Tara ter feito o que fez com ela, e agora deveria fazer o mesmo. Caminhou pelo corredor acarpetado que nessa noite parecia maior do que nas outras vezes, antes não carregava uma sacola cheia de culpa. Abriu a porta do quarto que estava vazio, sentiu um alivio quando ouviu o som do chuveiro. Bill estava tomando banho, ela teria tempo de se preparar. Levou a sacola até o lado da cama onde ele dormia, tirou o conteúdo e posicionou embaixo da cama. Quase gritou de alivio por não precisar carregar mais aquele peso, olhou para os dedos vermelhos, estavam esbranquiçados nas pontas. Trocou de roupa rapidamente, ainda ouvindo o chuveiro de Bill ligado. Colocou o vestido preto curto que usou na missão com Eric em Tijuana. Havia ganhado todas as roupas daquela viagem, apesar de tudo ter dado errado. A lembrança de Eric veio em sua mente, sentiu o coração pesar, mas não podia se lamentar, tinha que agir primeiro, depois choraria o erro cometido. Não ficariam muito tempo nos Estados Unidos, seria bate e volta como Pam disse. Salvariam Eric e pronto. Ela pegou a maior bolsa que tinha, iria se prevenir se algo acontecesse. Revirou as roupas, evitando qualquer vestido camponesa, nas palavras maldosas de Pam. Sookita achou um vestido que

usou no noivado com Bill, colocou de qualquer jeito na bolsa. Escolheu umas duas calcinhas e um sutiã, jogou em cima do vestido. Fechou a bolsa e se sentou na cama, tentando recuperar o fôlego e não parecer nervosa quando Bill saísse do banheiro. Ela demorou a perceber que não poderia ser vista com a bolsa, empurrou rapidamente para debaixo da cama. Encostou-se na beirada da cama, tentava uma pose sensual. Bill demorou cerca de dez minutos para sair enrolado numa toalha e pingando água no carpete. “Como foi o filme?”, ele perguntou sorridente. “Não faz meu estilo, não gosto muito de super-heróis.”, ela respondeu forçando o sorriso. “Está linda.”, ele se aproximou e a beijou nos lábios. “Será que podemos... antes de você ir?”, ela se levantou e o abraçou. “Vai se molhar, querida.”, ele se afastou. “Não posso me atrasar.” “Eu estava gostando tanto de fazermos amor antes de você me deixar para trabalhar.”, ela se aproximou dele e o beijou no pescoço. “Eu achei que chegaria mais tarde. Não me preparei.” “Não tem que preparar, faremos rapidinho.”, ela estava surpresa com as coisas que estava dizendo, normalmente não faria isso. “Sabe que não gosto de rapidinho...”, ele sorriu. “Só um pouco...”, ela o empurrou na direção da cama. “Não quero estragar seu vestido.” “Vamos...”, ela mordeu os lábios dele e o jogou no meio da cama “Está perto daqueles dias?” “Como sabe?”, ela perguntou rolando para o lado dele na cama. “Dizem que as mulheres... ficam... com mais vontade.”, ele mexeu na toalha. Ela passou a mão no membro dele, sentiu a ereção e que já estava pronto. Sookita se afastou com um sorriso, ficou em pé ao lado da cama como se fosse tirar a roupa e pegou as correntes do chão. Pulou em cima do colchão e jogou as correntes em cima de Bill. “Desculpe... desculpe... me perdoa.”, ela dizia enquanto ajeitava a corrente no pescoço dele, no peito e nos braços.

“O que está fazendo? Que loucura é essa?”, ele se debatia tentando se soltar, mas a dor lancinante que sentia pelas correntes não deixava se levantar. “Eu preciso viajar. Em dois dias estarei de volta.” “Sookita? Está louca?”, ele gritava. Ela arrumou as correntes para Bill não escapar, ajeitou mais uma parte nas pernas, e a toalha no corpo dele para que não ficasse exposto quando o descobrissem ali. Foi novamente para o lado da cama, pegou a silver tape que trouxe junto das correntes e voltou-se novamente para perto dele. “Você não me deixaria ir se eu contasse.”, ela retirou um bom pedaço e grudou na boca dele. “Não tenho tempo pra explicar, só peço que me perdoe.” Sookita o beijou por cima da fita adesiva, pegou a bolsa embaixo da cama e saiu pela porta. Ela ainda podia ouvir os resmungos desesperados dele, provavelmente seria encontrado algumas horas depois por alguns de seus assessores puxa-sacos. Ela não queria ter tomado uma medida tão extrema, mas não poderia perder tempo discutindo, e sabia que Bill a proibiria de qualquer maneira. Ela correu como nunca pelas escadas, saindo pela porta da cozinha, a maioria dos funcionários já tinham ido embora. Fez pela segunda vez o caminho pelo vizinho mais próximo. Já tinham se passado quase 40 minutos desde que deixou Pam e Tara. Não havia se atrasado tanto. O mais complicado era fazer o caminho de vestido curto. Longos quinze minutos depois, Sookita chegou até o carro que estava parado em frente ao vizinho. O rosto estava pegando fogo pelo exercício que fez, sentia o suor no corpo todo, o vestido estava ensopado. “Pelo jeito deu tudo certo.”, Tara disse batendo palmas. “Não é certo isso.”, Sookita disse colocando as mãos no rosto. “Vai chorar pela décima vez e dizer que Bill não merece?”, Pam a encarou pelo retrovisor. “Está feito.”, Sookita sustentou o olhar. “Eu faço questão de contar que foi minha ideia.”, Tara disse. “Só não te mando embora porque tem ótimas ideias.”, Pam disse irritada. “Essa sua insolência.” Tara deu de ombros. Sookita tentava esquecer o que tinha feito com Bill, achava que seria impossível o casamento continuar depois disso. Pam ligou o carro e partiu em alta velocidade, dirigia como Eric, igual um louco. Só que não

era o mesmo carro, Pam usava uma Mercedes prateada, demonstrava imponência como a dona. Chegaram minutos depois no pequeno aeroporto nos arredores de Vale. Sookita acreditava que iriam de avião comum em Guadalajara, que não ficava longe da cidade. Mas, pelo jeito Pam tinha outros planos. Ela estacionou o carro na pista, não desligou o motor. “Fique com o meu carro até voltarmos. A boate ficará por sua conta e de Mariano.”, ela olhou para Tara com seriedade. “Apesar de estarmos fechados, não deixem invadirem e destruírem tudo.” Tara fez um aceno com a cabeça. Pam saiu do carro, seguida por Sookita. “Boa sorte. Me avise quando chegar.”, Tara disse dando a volta no carro do lado de fora. “Pode deixar. Espero que tudo corra bem.”, ela abraçou Tara e deu um beijo no rosto da amiga. “Estarei rezando.” “Você não reza. Acho que irá chover canivetes.”, Sookita olhou para o céu. “De vez em quando, no desespero.”, ela fez o sinal da cruz. “Parem de enrolar.”, Pam falou irritada. “Vá... vá... antes que ela dê um ataque.”, Tara jogou um beijo no ar. Sookita ficou parada observando a amiga se afastar. Voltou-se na direção de Pam com um longo suspiro. A vampira caminhava na frente em direção de um jatinho estacionado na pista. Falava no celular com uma mão, levava uma bolsa de marca na outra. “Deu certo? Eu não sabia que a idiota da moça nem tinha passaporte. Sim, moramos na droga do fim do mundo.” Ela não tinha dúvidas de que Pam falava com a pessoa que Eric não gostaria de encontrar, pelo menos era o que tinha entendido. Apertou o passo para não ficar muito para trás. Uma moça e um homem esperavam de cada lado da entrada, cumprimentaram Pam com um movimento de cabeça. “Espere um minuto.”, ela parou de falar no celular e se dirigiu ao homem. “Iremos pousar no Aeroporto Teterboro, na porcaria de New Jersey.” O piloto concordou e cumprimentou Sookita com um largo sorriso. Pam já estava dentro do jatinho falando sem parar. Ela subiu a escadinha com medo de cair, era tão pequena e estreita. Mas, ficou boquiaberta quando viu o luxo do

lugar. Havia um pequeno corredor, com quatro poltronas confortáveis de frente uma para outra, com bandejas retrateis. Havia mais uma poltrona num lado, e um sofá para dois do outro, todos na cor vermelha. “Sente em qualquer lugar.”, Pam disse de maneira displicente e desligou o celular. “Amália, quero um TruBlood.”, ela pediu para a moça que entrou logo atrás de Sookita. “Deseja alguma coisa, senhorita?”, a moça perguntou para Sookita. “Somente água.”, ela disse se ajeitando na poltrona solitária. “Pelo jeito nunca andou de avião.”, Pam disse com uma careta se ajeitando no sofá. “Sim, quando fui para Acapulco.” “Emocionante.”, Pam deu de ombros. “Esse avião é de Eric?”, ela perguntou passando a mão no dedo decepado, sempre fazia isso quando estava nervosa. “É meu.”, Pam respondeu não querendo estender o assunto. O avião taxiou na pista, pronto para decolar. De repente, o avião pegou velocidade, o som foi aumentado do contato do pneu com a pista, um leve sacolejo, mas nada assustador. Sookita olhava pela janela, via os pontos de luz virarem borrões, imaginava que um vampiro enxergava dessa maneira quando corria velozmente. Estava saindo do México pela primeira vez, era uma sensação assustadora e ao mesmo tempo excitante. “Deu tudo certo... com o meu passaporte?”, ela perguntou quando o avião estava no ar. “Pousaremos como diplomatas.” “Como conseguiu isso?” “Nora Duval quem nos livrou dessa.”, ela disse com o rosto impassível. “Quem é ela?” “Uma longa história.” --------------------------O prédio se erguia na frente de Delilah, não era um lugar qualquer, mas onde Leroy morava. Ela perambulava pela vizinhança fazia alguns minutos, esperando o melhor momento de entrar no lugar. Não era um local protegido e cheio de segurança como os prédios em outros lugares da cidade. O bairro era

conhecido por ser reduto de vampiros, os Sanguijuelas que davam o nome a cidade. Leroy não deveria morar no bairro sem querer, provavelmente estava ali a mando da Autoridade para ficar de olhos nos vampiros que apareciam e evitar o surgimento de ninhos. Um grupo fechado de vampiros vivendo juntos era perigoso, perdiam facilmente a individualidade e atacavam humanos com mais frequência. Se alguém em Vale quisesse doar sangue para um vampiro, não demoraria cinco minutos para encontrar um disposto a se alimentar ali no bairro. Ela olhava para cima, observava a estrutura do prédio. A pintura da fachada estava desgastada, evidenciando a idade avançada da construção. Havia pensado em entrar pela porta da frente, forçando a fechadura, mas desistiu da ideia. Ele morava no quarto andar de 12 andares. Ela contou os andares, e as janelas, pelo que deduziu, ele morava na parte de trás do prédio. Fazia algumas horas desde a confusão que ela e Bastian criaram na Autoridade. Ele não demorou em enganar Santiago com uma história confusa sobre renovação de cadastro dos vampiros para entrarem no prédio da Autoridade. Inventou que deveria fazer isso antes de ter sido punido e provavelmente seria cobrado quando a punição passasse. E dessa maneira conseguiu o endereço de Leroy. Bastian havia voltado para a Autoridade, usando o caminho secreto ensinado por ela e ficando na mesma salinha de limpeza. Dessas vez acessou remotamente os computadores que tinham acesso as câmeras, precisava vigiar para avisá-la sobre a saída de Leroy. Delilah acreditava que não iria demorar, faria uma revista na casa dele, acessaria o computador para descobrir alguma coisa, qualquer coisa. Para despistar o cheiro dela, pois ele reconheceria assim que entrasse no apartamento, ela deixaria um gato morto na sala. Ela olhou para a sacola que carregava, não teve dificuldade em encontrar um pela cidade. Apesar de não ter gostado de matar o bichinho, mas foi a única solução que encontrou. Amarrou a sacola no pulso, olhou para os lados, precisava ter certeza de que não era observada. Flexionou os joelhos para tomar impulso, e num salto conseguiu se equilibrar com metade dos pés no parapeito do segundo andar. Ela estava há seis metros do chão, mesmo se caísse, teria alguns ossos quebrados que se recuperariam em alguns minutos. Apoiava a mão no vidro da janela, nem sabia de quem era o apartamento e ficou aliviada por ter uma cortina do outro lado. Ela ficou na ponta dos pés, apertou a mão no vidro, e saltou para o terceiro andar. Sofreu um leve

desiquilibrou quando pousou no parapeito. Ajeitou a sacola que quase escorregou. Se o gato caísse lá embaixo, teria que recomeçar toda a escalada. Repetiu mais uma vez o movimento e chegou na janela de Leroy. Não havia cortinas, o que não era surpresa. Não havia luz lá dentro. Como Bastian não tinha ligado, ela tinha certeza que ele continuava na autoridade. Alguns centímetros de onde estava se apoiando tinha uma outra janela que também dava para a sala. O início da janela começava na cintura de Delilah. Com um movimento delicado, tirou uma mão que apoiava no vidro e forçou a janela para cima. Mas, não saiu como o previsto, o vidro tombou para dentro e ela saiu rolando pela sala. Havia cacos de vidro embaixo da janela e espalhados pelo lugar. As mãos dela tinham pequenos cacos enfincados na pele e o sangue começava a escorrer. Delilah tirou a sacola do pulso, deixou no chão e correu para a primeira porta que viu na parede da esquerda. Era o quarto de Leroy com uma cama de casal, um guarda-roupas pequeno e completamente limpo, parecia que ninguém dormia ali. Ela avistou uma porta, abriu com a ponta dos dedos, as palmas estavam ensanguentadas. O banheiro estava tão limpo quanto o quarto. Ela se sentia esquisita por invadir a intimidade de Leroy daquela maneira, ainda mais se ele não tivesse nada a ver com o assassinato de Jason. Como explicaria a janela quebrada? Ela balançou a cabeça desesperada, e soltou um gemido de dor enquanto tirava os cacos da mão. Minutos depois voltou para o quarto, não usou nem a toalha do banheiro, enxugou as mãos na roupa. Não poderia deixar vestígio de que ela esteve ali, que ele pensasse em outro vampiro, mas não podia ser ela. Mexeu com cuidado nas gavetas, as roupas limpas e dobradas meticulosamente. Ele só tinha roupas pretas, pelo jeito era o uniforme preferido dos vampiros. Não tinha nada de interessante, ela começou a ficar preocupada. Caminhou novamente para sala, olhou com terror para a janela destruída e os vidros para todo canto. Definitivamente ela não era boa para invadir lugares, não foi treinada para isso. O computador estava numa mesinha do outro lado da sala, perto da televisão de tela plana presa na parede. Antes de ir até o computador, Delilah pegou o gato de dentro da sacola que estava no chão, abriu a barriga do animal com as unhas e o depositou em cima da sacola com as vísceras espalhadas. O cheiro impregnou o ambiente no mesmo instante, ela fez uma careta, teria que se acostumar. Mas, pelo menos seria o suficiente para confundir o olfato de Leroy.

Delilah sentou na cadeira em frente ao computador, era desconfortável até para ela, imagina para Leroy que era tão alto. Ligou o computador e o monitor, esperou aparecer o símbolo do Windows, seria pedir muito para não ter uma senha na tela inicial. Ela praguejou quando viu o aviso de senha piscando na tela. Por sorte, tinha vindo prevenida, sempre carregava num pen-drive os programas crackers para invadir sistemas. Reiniciou o computador, entrou na tela de boot, mudou a sequência de inicio para o pen-drive, deixou o sistema reiniciar normalmente, só que em vez da tela tediosa do Windows, apareceu o logo do programa Syscrack que começou a rastrear a senha. O tempo estimado era de 20 minutos. Ela pegou o celular e olhava para ele todo momento. Bastian ainda não deu sinal, poderia ficar tranquila. A senha finalmente surgiu, uma combinação de números e letras: LLD1467. Ela tiraria a sorte grande se fosse a mesma do e-mail. Desplugou o pen-drive, reiniciou a máquina e acessou o sistema com a senha. Havia a foto de uma mulher nua no fundo de tela, clássico, ela pensou com um sorriso. Havia alguns programas básicos, dois navegadores. Ele não tinha pastas pessoais, apenas uma que todos os membros da Autoridade tinham. Até o momento ele estava limpo. Delilah colocou novamente o pen-drive no USB. Usaria um outro programa que rastrearia o histórico dos dois navegadores em busca da senha de acesso para o e-mail. Mesmo se ele tivesse deletado, qualquer programa e informação continua retido no disco rígido, só são apagados com programas realmente potentes e específicos. Provavelmente o programa não encontraria dificuldade, as pessoas escolhem combinações fáceis, datas importantes. E Leroy não era exceção à regra. Minutos depois, surgiu o login de um e-mail hospedado no Mail.com, mais obvio impossível. Ela tentou a senha do sistema, mas não deu certo. O programa recomeçou a procurar a senha analisando os asteriscos. Ela digitou uma mensagem no celular para Bastian. Ele não demorou para responder, Leroy continuava na Autoridade. Ela bateu na mesa quando a senha surgiu descodificada no campo da senha do e-mail. Era uma variação da que ele usou na entrada do computador. Ela sentia as mãos tremendo de excitação. Havia uma quantidade imensa de spams de lojas virtuais, remédios para impotência e outras porcarias. Mas, o olho dela cresceu para os e-mails recebidos de um mesmo destinatário: lalrjfwt@sharklasers.com. Delilah acessou os dados de quem enviou, não havia IP. Infelizmente a pessoa usou um e-mail que durava somente uma hora. Existem muitos desse tipo na

rede, justamente para pessoas agirem na surdina, como essa queria. Ela só poderia ler o conteúdo e não se surpreendeu quando viu as mensagens em código. Somente algo se sobressaiu, o endereço de Jason. Isso não tinha como ser escondido, Leroy precisaria do local certo. E a data era de uma semana antes da morte do rapaz. Ela não tinha dúvidas do envolvimento de Leroy, ela tirou um print screen da tela, arrumou de qualquer jeito no Paint. Em seguida salvou no pen-drive, teria que ter uma prova. Ficou em pé de repente, isso significava que precisaria impedir a execução de Eric. Surgiram novas provas, enquanto não analisassem, ele teria que esperar. Só havia uma pessoa que poderia impedir nesse momento. Ela apertou os números na tela do celular sentindo os dedos escorregando de nervoso. “Sophie-Anne? Sim, sou eu, Delilah. Precisamos conversar urgente sobre a morte de Jason. Claro, eu sei que Eric se declarou culpado. Eu sei que ele está nos Estados Unidos. Sim, mas... sim... eu... sim, mas eu descobri algo, preciso que você veja. Eu entendo, só que é mais importante. Estou fazendo o meu trabalho.”, Delilah desligou o computador ainda ao telefone. “São novas provas. Importantes, eu juro. Não queria falar pelo telefone. Envolvem alguém da Autoridade. Você só aceita se eu falar? Sim, eu não queria assim... já que insiste. Envolvem Leroy e outra pessoa que ainda não descobri, mas com o tempo... Onde estou? Na... na casa dele. Sim, eu invadi. Sei que é errado. Você virá até aqui?” Delilah desligou o celular, pelo jeito o gato não precisaria ter sido usado para disfarçar. Teria que esperar a chegada de Sophie-Anne e a cavalaria. -----------------------Alcide dava socos na árvore, as mãos estavam cheias de marcas e o sangue escorria sem parar. Ele sentia o corpo quase sucumbindo por causa das convulsões, o sangue de Jessica não tinha mantido o efeito por muito tempo. Ele se transformou várias vezes nessa noite e cada vez que voltava a forma humana as convulsões demoravam mais para passar. Ele marcava no relógio antes das transformações. A noite seguinte seria o seu Rito de Passagem, algo que esperou por tantos anos. Algo que sonhou por tanto tempo, algo que desejava e queria compartilhar com sua tribo. Não era todos os Impuros que tinham uma chance como essa, ele só teve por ter o avô como Líder do bando. E claro porque iria se casar. Os outros lobos não o tinham aceito, talvez incitados pela bronca de Francisco, não entendia a raiva do rapaz. Os dois mal se conheciam, só se viram algumas vezes. Alcide não almejava em ser líder, só queria voltar a viver entre os seus.

Admitia que guardava rancor de seu pai, por causa da insensatez dele, Alcide e a mãe viveram como párias por anos. O pior de tudo foi tê-la perdido por causa de um erro que os pais cometeram na juventude. Ele não se surpreendia por amar alguém como Jessica. Herdou essa sina de escolher errado como os pais fizeram. Mas, se casaria com Jessica para honrar o compromisso com Bill. Ele sabia que tinha se aproveitado da situação, usado as fotos, mesmo sabendo das consequências. O sofrimento que passou na Dama de Ferro pela Autoridade não era nada comparado com a vida miserável que teve quando jovem e o amor que sentia por Jessica. Ele morreria se não cumprisse o Rito pela segunda vez. Seu povo não tolerava falhas, ainda mais vindas de um Impuro. E dessa vez seu avô não teria como salvá-lo. Por isso, Alcide treinava dia e noite, até sentir os ossos rangerem, e as entranhas se contorcerem de dor. O perigo seria quando voltasse da forma de lobo, teria que diminuir o tempo das convulsões para não ser morto pelos outros lobos. Teria que voltar a forma humana e provar que era apto. Para os lobisomens, um defeito de nascença era igual a morte. Os Impuros só sobreviviam se fugissem. Nesse caso nem poderia ser considerado covardia, ou era fugir ou ser destroçado pelos outros lobos. “Treinando muito, irmãozinho?”, Francisco disse sarcástico aparecendo na clareira onde Alcide treinava. “Estou tentando.”, ele respondeu sem se abalar. “Eu vi o que fez com sua vampirinha.” “Por acaso está me espionando?” “E se tiver? O que vai fazer?”, Francisco se aproximou. “Está me provocando porque sabe que não posso reagir.”, Alcide continuou socando a árvore. “Estou sendo um bom irmão e vindo te avisar que vão te ferrar amanhã.” “Mais do que já estou...”, ele deu uma risada amarga. “Eles vão dificultar, não querem um Impuro como você passando. Suja a nossa raça, sabe!”, ele caminhava entre as árvores perto de Alcide. “Eles ou você?” “Eu só estou nessa pela diversão. Só vim te falar, que provavelmente saíra dessa floresta em pedaços.”, Francisco deu de ombros.

“Vou fazer de tudo para evitar. Estou treinando sem parar, minhas convulsões melhoraram.”, ele mentiu sobre as convulsões, não poderia entregar a verdade. “Ah é? Então, o sangue dela te ajudou.” “Muito. Estou mais forte do que nunca.”, Alcide mentiu novamente. “Quebre a perna, como dizem no teatro.”, ele passou por Alcide com uma expressão enigmática. Ele não respondeu, achou estranha a visita de seu meio-irmão. Agora não tinha dúvidas de que era espionado, bem que sentiu algo na espinha sempre que caminhava, como se fosse observado. Nem fazia ideia do que fariam contra ele no ritual, muito menos o que seu irmão queria com essa conversa. Alcide parou de socar a árvore, sentou-se apoiando na madeira, encostou a cabeça fechando os olhos. Pensava que era a última noite que ouviria os sons da floresta, que pensaria em Jessica e que talvez respirasse. --------------------------Sookita olhava pela janelinha, via as nuvens passando por baixo do jato, de vez em quando acontecia um sacolejo. Até chegou a ver raios surgindo nas nuvens, provavelmente havia chovido em algum lugar que passaram. Foi um espetáculo assustador, mas maravilhoso. Estavam na segunda hora da viagem que duraria cinco horas. Chegariam um pouco antes do amanhecer em New York. Pam não falou mais desde que levantaram voo. Sookita a olhava de canto de olho, a vampira parecia entediada, nem usar o celular podia, o que seria o escape perfeito para não ter que conversar. “Como Nora conseguiu tudo isso?”, Sookita perguntou esperando uma chuva de reclamações. “Me bastou ter que falar com ela...”, Pam disse fazendo um movimento irritado com a mão. “Nora é um nome proibido. E pela sua cara já sei que irá perguntar o motivo disso.”, ela balançou a cabeça. “Ela é destruidora de corações.” “Isso parece sinopse de um romance de banca.”, Sookita soltou uma risada. “Não pense que estou exagerando.”, Pam não era acostumada a rir, mas não conseguiu evitar um sorriso de lado. “Pelo pouco que sei, ela deixou Eric de quatro, babando como um cachorrinho atrás da dona.” “Não a conhece?” “Claro que não. Nem sei como é, só espero que seja realmente maravilhosa pelo tanto que ouvi falar.”

“Eric nunca disse nada?”, Sookita perguntou sem esconder a curiosidade. “Vagamente. Eric conta histórias como uma bula de um remédio, extremamente entediante”, ela revirou os olhos. “Santiago é um fofoqueiro de primeira, ele quem me contou tudo. Nora é a criadora dele.” “Ah! Agora faz sentido, ele me disse que foi transformado por uma companheira de Eric. Ele pareceu bem emocionado quando relembrou.” “Ele ama aquela bisca. Perdidamente. Só que tendo Eric como rival, é impossível de ganhar. Ainda mais se for baixinho, careca e monge. Santiago já entrou perdendo nessa história.”, Pam disse franzindo o cenho. “Pobre Santiago.”, ela disse com um suspiro. “Pobre Sookita.”, Pam retrucou cinicamente. “Você também entrou perdendo nessa história. Eu tentei alertar.” “Nunca acreditei que funcionaria, não precisa se divertir as minhas custas.”, Sookita sentiu a tristeza voltando repentinamente, ainda não teve tempo de processar tudo o que estava acontecendo, parecia que estava em outro plano. “Eu nunca vi Eric com Nora, não sei como eram. Sei através dos olhos de Santiago e não foi uma boa visão.”, ela encarou Sookita. “Eu vi Eric com milhares de moça, desde que nos conhecemos. Ele as tratou como um nada. Com você achei que seria igual, fiquei surpresa por essa história toda entre vocês.” “E por que entrei perdendo se você ficou surpresa?” “Porque acho que teve até uma boa chance de durar mais do que alguns meses. Santiago também achou que Eric encontrou em você uma substituta para Nora, pelo menos temporariamente.” “Vocês comentavam sobre... sobre Eric e eu?”, ela sentiu o rosto queimando. “Achou que ficávamos trocando receitas de bolo?”, Pam balançou a cabeça. “Mas, nem preciso te dizer que o perdeu de vez.” “Eu sei.”, Sookita abaixou a cabeça. “Nem estou querendo te atingir, apesar de me dar um prazer imenso. Sei bem o que é ter Eric e nunca mais ter novamente. Bem-vinda ao clube.”, Pam disse demonstrando um leve sinal de compaixão. “Não estou fazendo isso para tê-lo de volta. Só quero reparar meu erro.” “Erro fatal, eu diria.” “Ele também se entregou.”, ela tentava não se culpar tanto.

“Porque ele é o maldito de um Viking. Ele não perde a oportunidade de se colocar na linha de tiro. E fez isso duas vezes por você.” “Eu fiz o certo daquela vez e vou fazer de novo.”, ela encarou Pam com os olhos marejados. “Por sua burrada, eu tive que chamar Nora...” “Não entendo porque isso é tão grave.” “Nem Santiago sabe exatamente. Ele ainda mantém contato mesmo que distante, só consegui falar com ela, por causa dele.”, ela olhou pela janela. “Ela abandonou Eric e Santiago de uma vez. Com Eric nunca mais conversou. Nem ousou ter contato. Até me surpreendeu ela ajudar. Achei que me mandaria pastar.” “Eric fez algo pra ela?” “Sim, ele a transformou.” Sookita sufocou um grito de susto, jamais imaginaria que Eric tinha outra cria além de Pam. “O assunto morre aqui.”, Pam disse deixando evidente o ressentimento. Ela voltou a ficar quieta. Sookita imaginou que Pam não se sentia bem com o assunto por não ser a única cria de Eric. Talvez o afastamento de Nora dava a falsa ilusão de que Eric somente pertencia a ela. Sookita teve pena dela, pela primeira vez sentiu que tinha uma conexão com Pam. Mesmo que algo fraco, mas tinha. Ambas entraram no jogo derrotadas. Assim como Santiago. ---------------------------Pam sentou na poltrona em frente a Sookita. O avião estava pronto para pousar e ela odiava esse momento. Praticamente não tinha medo de nada, apenas de pousar, sempre imaginava que o avião não iriar parar no fim da pista, bateria em algo e explodiria. Ela apertou o cinto, encostou a cabeça firmemente na poltrona, precisava distrair para não olhar pela janela o avião descendo. “Como é esse Executor? Bonito, feio, gay?”, ela perguntou para Sookita sentindo a voz tremer ligeiramente. “Não sei, não tive a chance de vê-lo.” “Por acaso ele é invisível? Você disse que conversou com ele.”, ela virou a cabeça de lado para enxergar Sookita.

“Estava escuro das duas vezes. Ele é bastante misterioso.”, Sookita respondeu rapidamente. “Ele tinha que ser, claro.”, ela deu um chute na poltrona da frente. “Nora não o conhece?” “Podemos não tocar no nome dela há cada segundo? Sim, obrigada.”, Pam disse fechando a cortina da janelinha. “Eu... eu não irei com vocês até a Autoridade?”, Sookita perguntou com cautela. “Jamais. Esse seu cheiro causaria uma comoção. Você ficará esperando quietinha no hotel.” “Achei que poderia ajudar mais.”, Sookita disse numa voz baixa. “Só fazer o que sabe. Não sei pra que o Executor irá servir. Pena que não posso te hipnotizar.”, ela disse sentindo o avião sacolejar. “Ele é como eu.” “O que?”, Pam gritou por sentir o jato começando a pousar e pela informação dada por Sookita. “Um vampiro telepata. Poucos sabem disso.” “Não acredito. Ele poderá ler a minha mente?”, ela continuava gritando. “Você por acaso pode ler também?” “Não, não... a mente de vocês pra mim é uma tela em branco.” “Quase morri de susto. Não faça mais isso.”, Pam disse severa. “Estamos descendo, estamos descendo.”, ela gritava apavorada. “Tem medo de voar?”, Sookita disse num tom brincalhão. “Só de descer. Odeio isso.”, ela sentiu o solavanco do pneu em contato com o solo. Só sentiu o alivio quando o avião parou de vez. Pam tirou o cinto, pegou a bolsa, jogou a de Sookita na direção dela. Deu instruções para a comissária e o piloto aprontarem o jato para a noite seguinte. Assim que desceu a escadinha, um carro surgiu em alta velocidade, fez uma curva cantando os pneus e freou perto do jatinho. Uma mulher de cabelos pretos usando um terninho também preto desceu do carro. Tinha um rosto de porcelana, mais pálido ainda do que os outros vampiros.

“Quem é Pamela Lerõnho?”, ela apontou de Pam para Sookita. “Óbvio que sou eu.”, Pam deu um passo à frente ajeitando a peruca loira que usava, seu cabelo estava crescendo muito devagar para o gosto dela. “Você é?”, disse de maneira afetada. “Sou Nora Duval.”, ela se aproximou de Pam e deu um beijo esfuziante em cada bochecha. “Santiago me falou tanto de você. Principalmente de seu humor peculiar.” “Encantada.”, Pam se afastou com uma careta sem retribuir os beijos. “Essa é a moça de quem falou?”, Nora encarou Sookita com os olhos verdes brilhando de admiração. “Sookita Montenegro. O nome é estranho como ela.”, Pam disse sarcástica. “Estranha? Não vejo nada de anormal.”, Nora sorriu puxando Sookita para beijá-la nas bochechas. “Oh!”, Sookita exclamou pela surpresa do gesto, sentia o corpo tremendo por estar perto de Nora, fora que a beleza da moça chamava a atenção. “Espero que não fique nervosa por ficar sozinha no hotel. Fizemos isso para te proteger. Está me entendendo?”, Nora perguntou balançando a cabeça para Sookita. “Entendi... como...” “Cuidou da alfândega?”, Pam cortou Sookita se dirigindo a Nora. “O jato de vocês está marcado como Especial, embaixadores da ONU.”, ela entregou um passaporte para Sookita. “Único que consegui com a foto de uma loira.” Sookita abriu o passaporte, Pam esticou o pescoço para ver. Uma loira sorridente de cabelos na altura do ombro aparecia na foto e completamente diferente de Sookita. “Ela não parece nada comigo.”, Sookita disse preocupada. “Por isso Teterboro é ideal. É facílimo de hipnotizar quem cuida dos vistos. Só um cara faz isso.”, Nora encostou de leve no ombro de Sookita. “Ele te deixará passar assim que ler seu nome de mentirinha no passaporte, Danielle.” Sookita iria entrar como inglesa, era o que dizia no passaporte vermelho da União Europeia. Pam odiava admitir, mas Nora era muito eficiente. Eric escolheu a dedo quem transformou. “Vamos antes que amanheça?”, Nora indicou o carro para as duas.

“Dois minutos é o suficiente em New Jersey.”, Pam disse dando de ombros --------------------------Maya tirou o dinheiro do bolso da calça, não tinha levado muito, apenas o suficiente para pegar o taxi, depois voltaria com Delilah. Estendeu o dinheiro para o motorista e disse numa voz delicada: “Não quero troco.” “Tem certeza que é aqui mesmo? É perigoso para uma menina essa hora da madrugada.”, o motorista disse demonstrando genuína preocupação. “Eu me viro.”, Maya respondeu exibindo timidamente as presas. O homem fez um gesto com a cabeça, franziu o cenho e indicou a saída ligando novamente o carro. Ser vampiro hoje em dia não era uma tarefa fácil, ainda mais depois da morte de policial. Ela raramente saía sem Bastian, só via esse novo mundo através dele. Era estranho sentir as pessoas como vampira, os batimentos, o medo que exalavam. E ela sentiu o pavor no motorista assim que se mostrou como vampira. “Já chegou?” A mensagem de Bastian piscou na tela. “Cheguei.” Ela respondeu rapidamente. Estava ali numa missão, uma importante missão de acordo com seu criador. O celular de Delilah não atendia e Bastian precisava avisá-la de que Leroy estava saindo do prédio da Autoridade. Seu criador o mantinha preso no elevador, Maya tinha meia-hora para avisar Delilah e irem embora. Novamente estava participando de alguma ação, antes tinha salvo Bastian da explosão na Capital e ajudado Pam no plano. Agora ela entrava no prédio de um vampiro que parecia ser perigoso para tirar Delilah de uma enrascada. Sentia-se melhor sendo uma vampira útil, ainda mais saindo debaixo da saia de Bastian. “Parei o elevador de novo... ele vai desconfiar. Anda logo!!!!Poraaaaa.” Até por mensagens Bastian tinha bronca dela, não conseguia ser educado por dois segundos. Ele até escrevia errado a mensagem, ela não iria consertar a linguagem dele dessa vez. Ela passou pela recepção que estava vazia, o prédio parecia bem velho e não tinha necessidade de proteção. Não havia elevador, ela achou o acesso para

as escadas do outro lado da recepção. Subiu os lances de escada rapidamente, só parava quando recebia alguma mensagem de Bastian: “Por favorrrrrrr, por faooooorrrrr... da noticia!” “Estou chegando no terceiro andar.”, ela respondeu. “vai rapodo... como vampira.” “Se eu ficar aqui parada respondendo vou demorar mais.” “da pra fazer td ao memo tempo. Merda!!!!10minutos pra ele cair fora.” Maya apertou o celular na mão, não iria mais responder as mensagens idiotas de Bastian, apenas se fossem importantes. Ela chegou no quarto andar, havia dois apartamentos de cada lado. Apenas um com a porta aberta, ela não teve dúvidas de que era de Leroy. Se aproximou devagar, espiou pela porta e confirmou o número. “andaaaaaaa andaaaaa andaaaa 8 minutos.” A mensagem de Bastian a deixou mais nervosa, antes estava excitada pela aventura, agora sentia-se desesperada. Passou pela porta fechando atrás de si. Imediatamente sentiu o cheiro de coisa morta no lugar, um cheiro nojento, que ela se arrependeu do bom olfato que desenvolveu como vampira. Passou pelo pequeno corredor que levava para a sala, o apartamento estava na penumbra, mas ela conseguia enxergar bem as formas. “Delilah?”, ela sussurrou. “7 minnnnn... saiam dai.” Nova mensagem de Bastian não colocando pressão nenhuma, ela pensou apertando o botão que fechava a mensagem. Ela caminhou mais um pouco, quando sentiu algo molhando os seus tênis. Mesmo no escuro ela notou a poça de sangue, viscosa, enxaguando o carpete. Maya se aproximou com cuidado, pisando pé ante pé para não escorregar. “Delilah? Cadê você?”, Maya perguntou sentindo o medo dela crescendo, medo igual percebeu no taxista. E só aumentou quando viu o motivo de todo aquele sangue, ela derrubou o celular que se espatifou no chão ensanguentado. Ela tapou a boca antes que gritasse de horror. ----------------------------

“Isso aqui é a Autoridade americana?”, Pam apontava para um pequeno prédio de dois andares perto do Central Park em Manhattan. “Com 15 andares subterrâneos.”, Nora disse abrindo a porta dupla e indicando a entrada para Pam. “A mexicana tem só 5. Típico.”, Pam comentou olhando assombrada para a recepção, parecia um prédio comum de moradores. Nora já estava com o passaporte de Pam e o dela em mãos. Mostrou para os dois homens usando roupas de guardas americanos atrás de um balcão. Eles digitaram algo no computador, falaram com ela na língua estranha que Pam não fazia ideia do que fosse. “Autorização até o sexto Andar.”, o homem respondeu em inglês e estendeu os documentos para Nora. Pam sabia falar inglês fluente, aprendeu desde que morou com Eric ali mesmo em New York no início do século passado. Apesar de estar enferrujado por não usá-lo por um longo tempo. Nora caminhou ao lado de Pam para o elevador. “Onde encontraremos o tal?”, Pam disse entre dentes. “Não faço ideia.” “Achei que sabia de tudo.”, Pam quase gritou. “Ele está em algum lugar. Temos que torcer para não estar abaixo do sexto andar.”, ela disse entrando no elevador e apertando o primeiro andar subterrâneo. “E se estiver?” “Ficará tudo muito complicado.” “Mais do que já está? Jura?”, Pam não escondia a bronca. “A sua amiga não o viu? Pensei que tinha mencionado algo.” “Ela não é minha amiga.”, Pam cruzou os braços. “Ele não se mostrou, deduzi que é invisível além de ler mentes.” “Ele o que?”, Nora reagiu com surpresa. “Há, todo mundo reage assim quando descobre.”, Pam sorriu de lado. “Deveria saber disso, por ser tão íntima dos chefões.” “Ele pode ler nossos pensamentos?”, Nora perguntou ignorando a indireta de Pam.

Pam confirmou com a cabeça. Não tinha porque mentir ou esconder de Nora. Por mais que tivesse problemas com a moça, no momento trabalhavam por um bem comum, salvar Eric. “E se...”, Nora apertou o botão que parava o elevador. “E se... caminhássemos pelos corredores tentando passar o recado para ele com nossa mente?”, ela bateu com o dedo na testa. “Não tem milhares de vampiros trabalhando aqui?” “Sim, mas nós temos um foco e eles não.”, ela apertou novamente o botão para o elevador funcionar. “Quanto tempo temos até a execução?” “No máximo 24 horas.”, Nora disse sem emoção. Elas saíram do elevador e começaram a caminhar no longo corredor que dava para outros corredores, parecia um labirinto. “Teremos que virar o dia.”, Pam disse olhando para todos os lados. “Ou a noite também.”, Nora comentou cumprimentando um vampiro que passou por elas. “Agora foco, precisamos pensar apenas em Sookita e Eric.” “Já penso muito nisso.”, Pam disse baixinho. “Não entendi muito bem.” “Nada, nada... você viu Eric?”, Pam perguntou estudando a feição de Nora. “Pamela, quero que fique bem claro, estou fazendo isso porque você garantiu que Eric é inocente. Não sei o que sabe sobre nosso passado, mas eu e ele não existe mais faz tempo e nem voltará a ser.” “Obrigada pelo esclarecimento.”, Pam disse exultante. “Não quero que me veja como uma rival.” “Não sou ciumenta.”, ela mentiu abrindo um forçado sorriso. “Fico contente por nos entendermos.”, Nora sorriu de volta. “Foco, foco, foco.”, ela disse batendo palmas. ------------------------Sookita havia perdido a noção do tempo no hotel, nem conseguiu reparar direito nos belíssimos prédios de New York, muito menos nas pessoas diferentes que viu quando correu as ruas da cidade no carro dirigido por Nora. Todo momento sua mente se enchia com o que tinha feito, principalmente em

relação a Bill. Como ela tinha passado de uma moça religiosa e com medo de todos para uma mulher que prendia o marido vampiro na cama para ir atrás de outro? Nem ela se reconhecia. Ela passou o dia deitada na cama, consultando o celular esperando alguma mensagem de Tara, Pam e até de Bill. Mas, nada, havia um silêncio completo no celular, a agonia só aumentava. Ficava zapeando no controle remoto da televisão no quarto, passava os canais em inglês e só parou quando encontrou o canal da Televisa, obviamente passando uma novela. Ela se lembrou do dia que passou no hotel em Tijuana, esse era tão chique quanto aquele. Mas, ela não conseguia se concentrar, fazia tempo que não assistia uma novela inteira. E não seria agora que iria começar, sua vida estava atribulada demais para conseguir um tempo para se distrair. Ela sabia que tudo mudou desde que Jason morreu, fora que nunca descobriu o motivo de ter ficado sumida mentalmente durante um mês. Teria que arrumar coragem para ir atrás desse mistério. Do mesmo jeito que o dia se foi num piscar de olhos, a noite começou a surgir no horizonte da cidade. Ela via pelas janelas as luzes da cidade acendendo, trazendo vida pulsante. Foi exatamente como Bill descreveu quando contou a história dele e Lorena. Ela estava na mesma cidade onde Lorena perdeu a vida pela segunda vez, onde Eric quase foi morto e corria o risco novamente. O livro de Lorena ficou com Eric, ela precisaria de outro, não sabia bem o motivo, mas sentiu uma ligação com a pobre moça. Talvez se visse em Lorena, essa confusão de sentimentos em amar e odiar. Só que não era com Bill, como a outra e no fundo até gostaria que fosse, amar Bill era tão fácil. De repente, o celular avisou a chegada de uma nova mensagem. Sookita sentou na cama com o coração pulando no peito. “Conseguimos. Ele está indo te encontrar.” Era uma mensagem de Pam, curta e grossa como a vampira. Havia se passado várias horas desde que foram até a Autoridade. O Executor estaria vindo junto delas? Ela sentou na beirada da cama, começou a arrumar os cabelos que estava desgrenhados, ainda usava o mesmo vestido preto da noite anterior. Ela levantou, acendeu as luzes, ficou parada perto da janela admirando a cidade, tentando fazer o coração parar de pular sem parar. Teria que dar certo, não aceitava que algo saísse errado nessa noite. Ela ouviu um barulho estranho vinda da sala, como se a porta tivesse sido aberta e fechada rapidamente. Antes que se movesse, as luzes do quarto foram apagadas, e tudo mergulhou no escuro.

“Quem... quem está aí?”, ela perguntou olhando em volta preocupada, não acreditava que Pam faria algo para assustá-la, não tinham tempo para isso. “Nos encontramos novamente.” Ela reconheceu a voz do Executor invadindo a sua mente, a cortina perto dela se moveu com leveza, ele estava parado ali perto, mas ela não conseguia vêlo. Será que era realmente invisível como Pam disse? “Onde está Pam?” “Esperando.” “Elas demoraram para te encontrar.”, Sookita disse torcendo as mãos, a proximidade dele a deixava estranha. “Um pensamento persistente sobre você.” , ele falou suavemente. “E o vampiro Eric.” “Eu preciso que veja... eu descobri a verdade.”, ela se afastou da janela, esperava vê-lo melhor. “Qual verdade?” “A inocência de Eric.”, ela quase gritou. “Por que somente agora mudou de ideia?” “Eu vi o que realmente aconteceu. Ele não poderia morrer por algo que não fez.”, Sookita sentiu as lágrimas brotarem nos olhos. “Não era o que desejava? A culpa do vampiro?” “Eu desejava a verdade.”, ela engoliu em seco. “O vampiro te disse a verdade.” “Não, não... você disse que não conseguiu ver, que ele era o assassino.”, ela gritou no escuro. “Você ouviu apenas o que quis.” Ele não estava mentindo, ela queria tanto Eric culpado, provar o quanto ele era odioso e que não a merecia. “Por favor, eu posso mostrar para você o assassino.” “O vampiro se diz culpado. Logo será morto. Muitos estão contentes com esse resultado. Por que eu deveria mudar?”

“Porque é injusto, ele morreria como inocente. Eric... Eric não é perfeito.”, ela se sentou na cama, as lágrimas escorriam livremente, ela chorava não pelo que fez, mas por duvidar de Eric. “Eu não posso viver sem ele.” “Quando o julgou culpado, queria que morresse. Como o vê inocente, por amor o quer livre.”, o Executor riu. “Amar é a arma mais perigosa que existe.” “Se não quer ajudar, por que veio?”, ela perguntou escondendo o rosto entre as mãos. “És como eu.” A voz dele soou fora da mente dela, ecoou com firmeza pelo quarto. Sookita sentiu o toque quente da mão dele nas suas. Ele não era gelado como os vampiros, mas ele era um deles, como isso acontecia? “Um dia te contarei.”, ele se afastou quando Sookita levantou a cabeça para encará-lo. “Mostre-me a verdade.” E ela mostrou. Da mesma maneira que chegou no quarto, ele se foi após a visão de Lafayette, sem dizer uma palavra.

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