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CRISTINA LOYOLA E SEBASTIÃO ROCHA (Organizadores)

O CAMINHO DAS PÉROLAS: NOVAS FORMAS DE CUIDAR EM SAÚDE

SÃO LUÍS 2002 2

Capa: Batista Freire Editoração e Impressão: Unigraf Revisão: Veraluce Lima dos Santos

O Caminho das Pérolas: novas formas de cuidar em saúde / Cristina Loyola, Sebastião Rocha (organizadores). São Luís: Unigraf, 2002. 176p; 22,5 cm. 1. Saúde Pública - Maranhão 2. Agentes Comunitários de Saúde - Maranhão 3. Programa Saúde da Família - Maranhão I. Loyola, Cristina II. Rocha, Sebastião III. Título CDD 614 CDU 614 (812.1)

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4 . ex-governadora do Estado do Maranhão. que acreditou e viabilizou o Programa Viva a Vida.Este livro é dedicado a Roseana Sarney.

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SUMÁRIO CONTINUAÇÃO 6 .

é uma atitude. até fotos de todas as praias. Denominamo-lo de “Pérolas”. ele passou a ser uma equipe. Amaralina. um livro de sujeitos. mais feliz. de responsabilização e de envolvimento afetivo. É também um livro do cuidado. cerâmicas. Não sabia se conseguiria viver fora de Salvador. A primeira vez que estive em sua casa. algumas expressões que fazem parte do dialeto merecem ser destacadas. acolhimento e comemoração. todas estavam cobertas com “coisas” da Bahia. baiano de origem e tradição. portanto. Dentro daquela casa respirava-se e via-se em todos os cantos um pedaço da Bahia: atabaques. Registramos neste livro o cuidado cotidiano de quase quarenta profissionais selecionados no Estado do Maranhão para serem multiplicadores de uma forma especial de pensar e de agir em saúde. podemos dizer. cada qual com seu rótulo: Itapuã. depois um time e. havia várias garrafas cheias de água do mar. E o mais interessante. fotos de Salvador de todos os tipos e locais. como tinha que ir um dia. Contar a história desta construção mereceria um outro livro. Realiza uma atitude de ocupação. apelido carinhoso dado a um grupo depositário de nossas esperanças de construir um Maranhão melhor. preocupação. relutou por muito tempo em ir. elaborando um dialeto específico. Uma delas se refere à seguinte história: “Um amigo. regida por regras e consensos estabelecidos durante sua construção. obrigado a fazer pós-graduação em Brasília. À medida que esse grupo foi se consolidando. meu amigo conseguiu criar em seu pequeno apartamento um lugar para abrigar 7 . foi. mais saudável. Para facilitar inclusive uma maior compreensão dos relatos dos grupos de trabalho. formou-se como uma tribo. E assim. desenvolvendo rituais de iniciação. É a apresentação de uma forma de trabalhar que reverencia os saberes e os quereres de todo indivíduo e de cada comunidade. porque se opõe ao descuido e ao descaso. pois cuidar é mais que um ato. Farol da Barra. berimbaus.FAZENDO HISTÓRIA A psicanálise diz que o saber está do lado do clínico e a verdade do lado do sujeito. Mas. Este livro é. etc. chamou-me a atenção: não havia uma parede limpa. Tinha receio de morar num outro lugar.

sobretudo.seu grande mundo baiano. principalmente. Temos como balizamento de nossas ações o objetivo central do Programa Viva a Vida que é promover inclusão social e pensamos que fazer isso é ousar mudar mentalidades. O ponto de ancoragem foi o Programa de Saúde da Família – PSF. devemos ter cometido muitas faltas e algumas omissões injustas nesta seleção. Com uma quantidade finita em quarenta vagas para compor o Curso. que trouxesse o azul das ondas.CPCD 2 . Essa pequena história serviu de mote e desafio para o nosso trabalho. é trabalhar com aquilo que o assim chamado conhecimento científico não alcança: as regras. deve também melhorar a capacidade de a comunidade cuidar da sua saúde e fortalecer a integração entre 1 O Programa Viva Vida é um projeto de extensão universitária do Instituto de Psiquiatria-IPUB da UFRJ com o Governo do Estado do Maranhão. Registramos também o resultado de 140 horas de discussões. as interdições maiúsculas e autorizações minúsculas que organizam nosso agir no cotidiano. mas. além de atender às demandas de cuidado em saúde encontradas. sob forma de curso e sob a Coordenação do Programa Viva a Vida 1 . Escrever um livro e realizar um seminário que contivesse água do mar engarrafada. nosso estar-no-mundo como indivíduos. Sua casa estava mais vazia de coisas. Passados mais dois anos. Trabalha com a inclusão social de doentes mentais e de 8 . é mexer com o imaginário coletivo. cuja missão. mas não de cheiros e músicas baianas. do orçamento disponível para auxiliar esta participação e. mas elas tentam uma justificação parcial nos limites do tempo de que dispúnhamos para iniciar. desenvolvido e ministrado pelo Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento . Percebi que todas elas e as águas eram iguais e que eu havia engarrafado água do mar e não o azul das ondas”. Comecei a procurar pelas garrafinhas de água do mar. mas também como cidadãos de coletivos maiores. voltei a estar com ele. por uma grande vontade de acertar. E ele me disse: “um dia eu estava sentado no sofá e resolvi colocar todas as garrafas na janela para olhar e matar a saudade. Não havia mais nenhuma.

em cada residência. um livro que não faz semblante de fazer. Partindo de um método de trabalho criativo e original proposto e desenvolvido pelo CPCD. A sofisticação maior na formação das equipes do PSF consiste em reunir profissionais capazes de escutar. portanto. o PTA é um Plano de Trabalho. É uma metodologia rigorosamente simples e ousadamente sofisticada. encontradas em cada comunidade. Lido da direita para a esquerda (indicadores-atividade-perguntadimensão-objeto). mas mantendo a oportunidade permanente de corrigir o percurso a cada passo. capaz de produzir o caminho ao caminhar. as reais necessidades da população. por isso mesmo. isto é. ler e traduzir. Este é. A partir de uma série de perguntas importantes. em cada família. Ele desenvolve para trás. Os temas selecionados para os PTAs são frutos de indagações cotidianas sobre o trabalho e. faz aproximar da primeira linha de progresso as cada vez maiores massas da população deixadas na retaguarda pelos modelos de desenvolvimento atualmente em uso. desenvolvemos oito Planos de Trabalho e Avaliação – PTAs. é um lúcido e ágil Plano de Avaliação. A riqueza e a originalidade do método residem na sua simplicidade: lido da esquerda para a direita (objeto-dimensãopergunta-atividade-indicadores). Arte como um processo privilegiado. em cada pessoa. afeto. determinam as atividades para cada dimensão a ser alcançada e estabelecem indicadores claros e reais que possibilitam o sucesso da atividade. A maior parte das autoras e autores deste livro trabalha no Programa de Saúde da Família do Estado do Maranhão e faz do seu trabalho diário uma obra de arte. Esta atitude de solidariedade e cooperação constitui o trilho da educação e da ação comunitária. para as autoridades públicas. intensidade. magistrais.ela e os serviços locais de saúde. Esses PTAs sintetizam um objetivo de trabalho transformado em objeto de ação e dissecam as dimensões deste objeto em exigências explícitas para o seu acontecimento. entendidas aqui como prática política e prática solidarizante. porque se trata aqui de sensibilidade. 9 .

O primeiro bloco compõe-se de apenas um trabalho que discute. A partir de boa comunicação. Dito de outra forma. em sentir prazer no desenvolvimento deste trabalho e em propagar que dias melhores já são. que se identificam com a saúde e que se interessam por gente. pode-se formar um Educador em Saúde. como se pode formar um profissional com perfil adequado para trabalhar nas equipes de PSF. O objetivo é sensibilizar profissionais de saúde para a educação popular em saúde durante a realização do Curso Introdutório ao PSF e exige três dimensões rigorosas: 1) conhecer os princípios e diretrizes da estratégia do PSF. que reduz tudo a objetos desconectados de subjetividade humana. Há um claro limite à obsessão pela eficácia a qualquer custo. 3) conhecer o perfil profissional idealizado para o PSF. no limite. Esta ação requintada tem que superar e integrar as dualidades tradicionais da casa como espaço do doméstico-privado-individualsagrado-seguro em contraposição à rua como espaço públicocoletivo-profano-perigo. uma caravana que passa. 2) conhecer as técnicas didáticopedagógicas e comunicacionais. a realizar o cuidar em saúde. Há o entendimento de que a melhor linguagem é aquela que é melhor compreendida. verifica-se o desafio que espreita todo educador: como formar gente-que-se-importa? O grupo registra-se como de mulheres trabalhadoras. a partir de laços afetivos e são estes laços que tornam as pessoas e as situações preciosas. As autoras e autores dão centralidade ao cuidado das pessoas e. No conjunto. ao fazerem isso. E ela é melhor compreendida quando é 10 . estão renunciando a vontade de poder. São trabalhos de mestres. podemos dividir os PTAs em quatro blocos temáticos. que não cede em seu desejo e que desse modo é.Construímos o mundo. alguma sedução por uma causa e muito trabalho. sozinho. porque convocam cada um para o que ele tem de incomparável. que ocupa a extensão entre a dimensão ampliada da comunidade e o espaço intimista do domicílio. portadoras de valor. Imprimem no trabalho a marca da sua fé em tornar pessoas mais felizes. A clientela é formada por profissionais do PSF.

atentando para a adesão e continuidade. o que acontece quando ela é parte da realidade do receptor. Uma proposta simples e corajosa de profissionais que decidem 11 . avaliar a atenção. envolvendo toda a equipe no cuidado com a alimentação e a atividade física. Em torno de 50% da população com 40 anos ou mais apresentam graus variados de hipertensão e esta situação vem funcionando como uma bomba-relógio armada e à espera de explodir. O segundo bloco apresenta dois PTAs sobre busca ativa e acompanhamento de hipertensos. oportunizar feedback (Bomba). que não faz jogo. que é capaz de detectar os casos novos de hipertensão e diabetes. É simples assim. e o trabalho em equipe (A Obra). sobre qual dominó errado é este que vestimos em vida. ímpar. 2) buscar ativamente os casos novos e os faltosos. integrar os cursistas (Crachá Temático). Criou o texto “O outro sonho de Catirina”. para despertar afetividade e a cordialidade (Bom dia Sol!).significativa. exercitar técnicas de comunicação (Faça o seu Comercial) e para fixar conteúdos ao final do Introdutório (Show do Tião). E o grupo criou uma tecnologia especial. e também razoavelmente sofisticado. Outro trabalho deste bloco desenvolve o objetivo de sensibilizar o grupo de hipertensos da área de PSF para melhoria da qualidade de vida. encaminhando-os simultaneamente para a consulta médica e. O grupo criou algumas tecnologias de ensino. porque oferece acolhimento de imediato. 3) acompanhar o tratamento. sobretudo. É uma tecnologia que produz demanda de cuidado. o Semáforo da Vida. fixar conteúdos e integrar pessoas (Dinâmica da Complementaridade). 4) encaminhar os casos graves para o hospital de referência. se pensarmos na sintonia fina necessária e desejada para os profissionais que realizam este trabalho na comunidade. uma peça que nos leva a refletir de forma doce e aguda sobre as condições da vida e a dignidade na morte. onde poucos nos conhecem e muitos não nos reconhecem. Um dos PTAs criados determina que detectar casos novos e acompanhar hipertensos de 40 anos ou mais é realizar quatro objetivos: 1) sensibilizar a equipe de PSF sobre o tema.

comprometer o tratamento. O Flor de Mãe é um PTA elaborado há quase dois anos e já é projeto implantado com sucesso em alguns municípios do Maranhão. os hábitos alimentares e a qualidade de vida serão os qualificativos da vida ou os determinantes da morte de Juvenal. No centro da flor. o nome da criança. A hipertensão é uma das doenças que carregam consigo a densa imprecação do “nunca-mais” ou do “para-sempre”. o nível de escolaridade da família. instigantes de uma forte sensação de impotência nas pessoas e também de muita luta contra essa impotência. tendo isso assente em uma doença de evolução crônica. Alguns fatores influenciam este drama cotidiano como: as condições de vida e de saúde. número de gestações. dúvidas sobre a etiopatologia da doença e nem o amplo. o recorte é por clientela e ciclo. A questão aberta é uma tomada de posição inarredável contra a mortalidade infantil que no Norte do Brasil atinge a cifra impressionante de 60. o atendimento pré-natal. Estabelece quatro dimensões que garantem a atividade: tem que haver boa pega. Uma das tecnologias inventadas pelo grupo merece destaque: a peça “Juvenal Pluft”. portanto. no caso. majoritariamente.discutir o desafio que é aproximar-se de temas como qualidade de vida e mudança de hábitos alimentares. O grupo criou uma tecnologia que poderíamos dizer que é também um sociograma do aleitamento materno. em uma folha do caule. com a leveza. e cada vez mais específico. Na verdade.4 por mil nascidos vivos. a graça e a objetividade de quem sabe o que faz. leque de possibilidades de intervenção medicamentosa. É uma flor impressa. mulheres em ciclos de gravidez e aleitamento. As grandes dificuldades em manejar os casos de hipertensão arterial não são. Essa luta contra a sensação de impotência pode externar-se como resistência às mudanças de hábitos alimentares e a dietas e. um mínimo diário de oito mamadas e ganho de peso. início do pré-natal e o aleitamento materno exclusivo. este último como fator claro de redução da morbi-mortalidade infantil. No terceiro bloco. Toma conta do aleitamento materno exclusivo. o nome da mãe e 12 . história interativa cujo final pode ser decidido pela clientela que assiste a ela. com sete pétalas e um caule com duas folhas. ausência de alimentação artificial.

desta força com que correm os rios. Faz abandonar uma abordagem antiga de responsabilidade solitária da mãe para um acolhimento solidário. antídoto ao sentimento de abandono que pobres e ricos podem sentir e significam colocar-se junto e ao pé de cada coisa que queremos transformar. deter esta 13 . Em cada pétala o número diário de mamadas. a qualidade. mais do que o quantitativo das mamadas. que não conduzam mais nossos pacientes para os manicômios de Teresina ou de São Luís. Registram a utilização de seis tecnologias criadas para trocar informações e fixar conhecimentos: a peça “Mamãe. São documentos fundamentais para auxiliar todos os que querem ajudar este país a trocar descuido em saúde mental por cuidado com acolhimento e inclusão social. no Estado do Maranhão. o Parnaíba (município de Timon) e o Mearim (município de Poção de Pedras). Mudar o curso. São ações de com-paixão. para que elas não sofram. romper com os antigos caminhos. consulta mensal pré-natal. recursos materiais e duas consultas no puerpério. os destinos. eu estou grávida”.DST. o zelo e cuidado investidos neste ato. Tapete Mágico (prevenção das DST). em si. Dominó da Boa Saúde e o Jogo dos Pares (fixação de aprendizado). álbum seriado sobre assistência pré-natal. mesmo que rios distantes entre si como o são o Tocantins (município de Imperatriz). Ainda neste bloco. Um PTA trata de implantar Centros de Atenção PsicossocialCAPS. outro PTA cuida de garantir a cobertura da assistência no ciclo gravídico-puerperal e apresenta cinco dimensões bem definidas: profissionais capacitados.puérperas e famílias. Bingo das Doênças Sexualmente Transmissíveis . a data de nascimento da criança. que elas pretendem mudar os cursos.na outra. estrutura física adequada. A equipe se registra como um grupo de mulheres que aprenderam a viver na margem do rio. uma atitude de cuidado. Assim preenchido permite visualizar. Estas mulheres vêem de lá. É. sensibilização das gestantes. O último bloco discute novos dispositivos assistenciais para doentes mentais e compõe-se de quatro PTAs.

estas perdas. é o que nos move em direção ao Objeto. Baseados em exitosa experiência de quase 6 meses. Ao criar. Os dois últimos PTAs são sobre Residência terapêutica. mas o processo mesmo de sua fabricação. Na verdade. Sabemos que somos dotados de uma linguagem verbal. uma nova presença no mundo. mas o corpo pulsa. de liberdade. tudo que o manicômio destruiu no seu furor científico-institucional. sexual e corporal. coloca o autor num movimento que o afasta da direção da doença. mais honesta. Pulsão erótica. E aqui o que se produziu foi humanidade. o estilo é o homem. é a si mesmo que se cria. O segundo grupo mental discute como implantar projeto terapêutico em leitos psiquiátricos no Hospital Geral. mas ressalto duas: o Cardápio do Acolhimento e o folder Conte Conosco. é tecer a teia que pode repor. como novo destino. podemos impedir a circulação. pois o movimento de ligação não se dá. E não falamos em cura. Podemos sustentar que a produção de valor. Seis meses de experiência de uma residência implantada e as dimensões do objeto são claras: poder decisório. auto-estima. pulsão de vida. com delicadeza e encantamento.Nau dos Insensatos imaginária para construir uma prática ética onde haja. que possibilita a ligação com o Outro. com uma relação humana mais estreita. O que está em jogo na criação não é nunca a obra acabada. E não se furtaram em discutir dois “caroços” do cuidado: a internação involuntária e a contenção física. mais limpa. qualquer valor. cuidado e inclusão. Discutir a casa. são simples em afirmar a necessidade categórica de que projeto terapêutico em psiquiatria só existe se coexistirem três dimensões: acolhimento. porque a qualificação de uma só é possível com a existência da outra. a não 14 . é cuidado ou é descuido? Criaram algumas tecnologias de cuidado. mas sim em estilo. nos termos de Freud. um mínimo e. atividade produtiva. e com mais espaço para o outro. Estamos condenados ao mal-estar na cultura. Podemos silenciar a voz. mas a sexualidade pulsa. Neste processo. Afinal. Essas dimensões são interdependentes. toda que for possível. autonomia. que é algo que tem que começar com a razão e com o sentimento. sofremos de um desamparo trágico. trocas sociais. é possível encontrar novas singularidades. de sofrimento. cidadania.

com especialização em Saúde Pública e Instrutora do Pólo de Educação Perma* ** 15 . *** Enfermeira. em propagar que os dias já são melhores. Enfermeira. Sonia e Valdete. Carleana. que se interessam por gente. em sentir prazer no desenvolvimento de seu trabalho. “Maktub” significa estava escrito. Cristiane. no entanto. Janete. cada uma teve um momento de ser integrada ao grupo. Primeiramente a equipe foi formada por Assunção. De uma maneira ou de outra. ***** Assistente Social e funcionária da Gerência de Estado de Qualidade de Vida – GOV. nossas histórias se cruzaram. torná-los ainda melhores e mais compartilhados. mesmo que por um viés. imprimindo em seu trabalho a marca da sua fé em tornar pessoas mais felizes. Todas mulheres. trabalhadoras que se identificam com a saúde. em ousar sonhar. sendo possível. enfermeiras de Equipes de Saúde da Família – ESF no Maranhão e facilitadoras do Curso Introdutório ao Programa Saúde da Família – PSF do Pólo de Formação de pessoal em Saúde da Família e por Ione. assistente social e funcionária da Gerência de Estado de Qualidade de Vida (GQV) à disposição do Pólo. Procuramos um Enfermeira. com especialização em Saúde Pública e Instrutora do Pólo de Educação Permanente. ****** Enfermeira. com especialização em Saúde Pública e Instrutora do Pólo de Educação Permanente. Assim fomos escolhidas pelo perfil de interessantes e interessadas. Maria do Socorro. em buscar a concretização de um sonho.EM BUSCA DO AZUL DAS ONDAS Assunção de Maria Leal Melo* Carleana Sampaio Portela* * Cristiane Odete Souza Gonçalves* ** Gonzanilma Braga Alves* *** Ione Dulce Sampaio Cutrim* **** Janete Nakatani* ***** Maria do Socorro Vale Mendes* ****** INTRODUÇÃO Por que somos “ pérolas”? Havia uma pérola em nosso caminho. com especialização em Saúde Pública e Instrutora do Pólo de Educação Permanente. **** Pedagoga e funcionária da Secretaria Municipal de Saúde de São Luís. Hádila.

o tema foi sofrendo alteração. sagrado. Janete e Maria do Socorro. o consultório. tendo se configurado em sua forma final no 4º encontro com: Assunção. REAPRENDENDO A CUIDAR A estratégia do PSF instala uma nova perspectiva de cuidar em saúde. Cristiane. era necessário desenvolvermos ações voltadas para a capacitação dos profissionais que atuavam nessa área. mundano. somos profissionais da saúde. Durante os sete meses que duraram os encontros. portanto. dando lugar a novas construções. nesse sentido. e o espaço da rua. uma pedagoga. Recebemos uma missão: elaborar um Plano de Trabalho e Avaliação – PTA. repensamos o que de nossa prática valeria a pena ser contado que pudesse enriquecer a experiência de vida de outros profissionais. Precisávamos escolher um tema e o primeiro que propusemos foi: “A capacitação dos profissionais das equipes de Saúde da Família”. Elegemos o Curso Introdutório ao PSF com o qual todas estávamos envolvidas. Ao analisarmos o objetivo do desenvolvimento do tema. e funcionária da Secretaria Municipal de Saúde de São Luís. trabalhar o perfil de educador popular do profissional das ESF. até então considerados como os únicos espaços de ser profissional e. Perguntamo-nos então: o que trabalhar do Curso Introdutório? Discutimos amplamente essa escolha e concordamos em que as ações de promoção da saúde constituem uma porção vital de nossas atividades enquanto trabalhadoras dessa estratégia. Nessa nova concepção. comunitário e. Para melhor atender nossa clientela. Carleana. tornaram-se uma única possibilidade de relação terapêutica. a Unidade de Saúde. Decidimos. tradicionalmente construídos. portanto. O ambiente de trabalho. começam a ser questionados e a ruir. a equipe sofreu várias alterações. então. Ione e Gonzanilma. Todo lugar é seu local de trabalho. alguns conceitos. O espaço ampliado da comunidade e o intimista do domicílio faz do profissional um ator sem limites de palco. escrever um capítulo de um livro. A cada novo encontro ou reflexão do grupo.nome que bem nos identificasse e o escolhido foi ZEN. 16 .

A equipe que se juntou por afinidade de funções. Nosso Plano de vôo está sendo o Plano de Trabalho e Avaliação – PTA. em qualquer ambiente da comunidade onde está inserida nossa ESF. com competência. Nesse sentido.reconhecidos e solicitados. A percepção desses detalhes. em um primeiro momento (agruparam-se todos os que trabalhavam com o Pólo ou 17 . Descobrimos. É o detalhe que imprime a diferença. para que possa atuar. requer dele a diversificação. A capacidade do membro da ESF de ter idéias. A paisagem vista da janela dos consultórios possibilita uma contemplação que. para poder auxiliá-lo na busca da promoção da sua saúde. pois só nos tornamos parte dela. Para que esse profissional desenvolva suas habilidades com competência. podemos perceber e sentir todas as suas nuances e sutilezas. percebendo junto com ele o que lhe é problemático. que ele realmente consiga se fazer entender. na vida dos clientes. apura nosso conhecimento. Como sua clientela é popular e bastante diversificada. ser criativo. ser comunicativo é condição tão imprescindível quanto o seu saber e habilidade técnico-científicos. é preciso que ele seja um Educador. nos dá somente a vaga idéia da vista limitada que podemos ter. então. tornando-nos co-autores da vida dessa comunidade. Também as atividades sofrem uma alteração. Cuidar em PSF significa mergulhar nesse universo e misturarse a ele. quando nos aproximamos de uma comunidade. É dessa forma que a equipe “ZEN” se propõe a promover a saúde no Estado do Maranhão. que sua clientela seja seduzida. é preciso que ele seja um bom comunicador. ele nos permite diagnosticar melhor a realidade e propor soluções mais eficientes. a criatividade e o conhecimento da cultura popular regional. o qual não se concretizou no primeiro encontro. uma vez que deixamos de ser meros expectadores e passamos a estabelecer trocas. quando e se abrirmos a janela. que a soma dos “pequenos nada” nos dá uma profundidade e propriedade de conhecer essa comunidade. quando atuamos e interferimos nela. a distância. Assim. promover a saúde passa a ser nossa atividade prioritária. ser versátil. As visitas domiciliares e os trabalhos desenvolvidos na comunidade nos permitem integrar a paisagem.

mas encarou a atividade como um exercício de pensar desejos.Implantar as ESF em 100% dos municípios maranhenses. Vários questionamentos 18 . convinha capacitar o profissional das ESF em Educação Popular em Saúde.com o PSF).Capacitação de 100% das ESF. 4 . dando-lhe uma amplitude e uma diversificação de destinos que inviabilizava uma rota única. procuramos reprogramar nossa rota. Para isso. a factibilidade do projeto. PLANO DE TRABALHO E AVALIAÇÃO – PTA nº 1 Convém lembrar que a determinação da rota surgiu das preocupações vivenciadas na prática profissional dos integrantes da equipe.Supervisionar os 49 municípios do Plano de Intensificação de Ações de Controle da Malária – PIACM. elaborando o PTA n° 2. Depois de várias alterações na PTA n° 1: 1 .Criar um Instituto de Saúde Coletiva. 2 . elegemos novo problema: “A necessidade de melhor promover saúde”. precisava ainda decidir o que tinha em comum para compartilhar com outras pessoas. nesse momento.Implementar o PACS em 10 municípios da regional de Zé Doca. 3 . O PTA não considerou. Após refletirmos sobre a viabilização ou não do PTA n° 1. 5 . Havendo essa necessidade.

Implantar os programas de atenção básica nas US.Avaliar o desempenho dos profissionais e aceitação da comunidade. ?Quando é melhor compreendida? – Quando é significativa.Planejar atividades educativas para grupos da comunidade.Criar grupos específicos para receberem as ações educativas. 3 . ?O que é ser bom comunicador? – Utilizar linguagem acessível ao receptor. ?Quando é significativa ? – Quando é parte da realidade do receptor. PTA n° 2: 1 .surgiram. ?Qual linguagem é acessível? –A que é melhor compreendida pela comunidade. 2 . ?O que é preciso para ser Educador Popular em Saúde? Ser bom comunicador. ?Por quê? – Para melhor realizarem Educação em Saúde.Capacitar 100% dos profissionais das ESF. PLANO DE TRABALHO E AVALIAÇÃO – PTA nº 2 19 . dentre eles destacamos: ?Capacitar quem? – Profissionais de ESF. ?Para quê? – Para serem multiplicadores junto à comunidade. 4 . 5 .

Os questionamentos mais importantes nesse PTA foram: ?O que é preciso para ser Educador Popular? ?Como fazer de um profissional de saúde Educador Popular? PLANO DE TRABALHO E AVALIAÇÃO – PTA nº 3 20 . Nascia. Continuando com o objetivo de trabalhar a Educação Popular como um caminho para auxiliar profissionais de ESF a melhor promoverem a saúde.Concluída essa etapa do trabalho. PTA n° 3: 1 Criar um projeto para capacitar as ESF em Educação Popular em Saúde. novas reflexões passaram a povoar nossos pensamentos: ?Nossa clientela não está bem definida. Os profissionais são das ESF. assim. Precisamos de ajuda! A partir dessa tomada de consciência. reprogramamos nossa rota. conforme indicamos? ?Os grupos são específicos? ?Podemos executar todos os passos em uma única atividade? Precisamos redimensionar nosso PTA. nosso terceiro PTA. criamos um Projeto de Capacitação para Profissionais de Saúde em Educação Popular.

visto que não tínhamos autonomia decisória nem orçamentária para tal projeto. domínio de conteúdo. também. incentivar pessoas. é preciso que o profissional saiba comunicar-se. Podemos contribuir na qualificação do profissional de saúde em Educação Popular.” Ao nos prepararmos para a apresentação do PTA n° 3. Primeiro sensibilização.” 21 . ter técnica didática. percebemos que nosso plano de vôo. Deve ter capacidade de relacionar a teoria à prática. com duração de 17 meses”. dando-lhe instrumentos e oportunidades para desenvolver seu potencial. a falta de combustível para realizar tal percurso obrigou-nos a fazer uma escala em nossa rota. depois. devido a distância do destino – “Criar um Projeto de Capacitação em Educação Popular para Profissionais de ESF. Vamos pensar em uma rota com momentos distintos. Assim. valorizar as especificidades e respeitar as individualidades. autonomia e capacidade de resolver problemas. precisamos tornar nossa rota factível.Abrimos aqui um parêntese para ressaltar a contribuição da pedagoga Dourivan Câmara que nos assessorou na resposta às questões de nosso PTA: “Para ser bom educador. Deve. era de difícil execução. saber trabalhar em equipe e ser criativo. capacitação. a partir da seguinte reflexão: “A operacionalização de um projeto de capacitação demanda custos e tempo que fogem à nossa alçada.

PTA nº 04 Gostaríamos de ressaltar que foi neste PTA que Hádila. Criamos a Companhia Aérea BOI VOADOR e decolamos rumo à sensibilização.PALANO DE TRABALHO E AVALIAÇÃO . 22 . definitivamente. com o PTA “SABIÁ”. contudo um novo componente Gonzanilma veio juntar-se a nós. Sonia e Valdete. se desligaram da equipe.

Assim iremos fazer Usando textos de apoio e também Valorizando o que todos já têm Fazendo a troca da Educação.) Assim iremos fazer. (lê rê. (lê rê rê rê rê rê rê.(adaptação da toada Boi de Lágrima” – feita por Janete Nakatani) PTA “SABIÁ” EDUCAÇÃO POPULAR é o tema Sensibilizar é o OBJETIVO O PÚBLIC’ALVO é o PSF a equipe completa do ACS aos “doutô”. Didática e Pedagogia. Usando a metodologia problematizadora. curso e realidade Os INDICADORES nós iremos obter... DIMENSÃO são conhecimentos Da Estratégia da Comunicação. Programando ações e relacionando. Avaliando a satisfação.) Assim iremos fazer. À diversidade todos prestem atenção. Cultura. E depois de passado um tempo. Com ousadia e satisfação Estimulando a participação Formando equipes com reflexão. 23 . As PERGUNTAS IMPORTANTES são: _Onde.. Quando e Como sensibilizar ??? Respondo: – É no Introdutório.. O desempenho dos nossos atores No exercício da Educação.

assim sensibilizamos todas as equipes. evidenciamos a satisfação de todos por ter participado da atividade.Assistindo à apresentação dos PTAs dos colegas e refletindo sobre o nosso. quando. as atividades deveriam ser exemplificadas melhor. Surgiram. compartilharem suas experiências para que. Ao final da apresentação. distribuímos cópias de nosso PTA SABIÁ e convidamos todos a nos acompanharem cantando. assim. ao nos apresentarmos falando de coisas que são nossa paixão. começamos a pensar na metodologia proposta para o Introdutório e percebemos como agimos paradoxalmente ao nosso discurso. partindo-se transformava-se em vários pontos de luz. Como um brilhante que. Outras luzes se revelaram e desencadearam reflexões sobre os PTAs apresentados. respeitando nosso discurso de sensibilizar pessoas para uma nova forma de promover educação em saúde. como por exemplo: nossas perguntas deveriam ser desdobradas para melhor entendimento. enquanto cantávamos e dançávamos. todos pudéssemos brilhar. Assim decidimos apresentar nosso PTA da forma que acreditávamos ele seria melhor compreendido: caracterizamo-nos de brincantes de Bumba-boi. assumimos a postura formal contra a qual temos tanto debatido e transformamos “nosso azul das ondas” em “água do mar engarrafada”. Interagimos com a platéia. algumas contribuições sobre o nosso PTA nº 4. Acatamos as sugestões e reconstruímos nosso PTA nº 5 como descrito a seguir: 24 . despertando-as a. também. como pontos de luz. reforçando em nós o sentimento de que este era o caminho.

decidimos que.PLANO DE TRABALHO E AVALIAÇÃO – PTA nº 05 Devido à inquietação dos colegas e o questionamento constante sobre a aplicação da metodologia e das atividades do Curso Introdutório. que refletiram na esfera Local. o que contribuiu para melhor desenvolvermos este PTA. agora apaixonados. Paralelo aos encontros das Pérolas. Os pontos de luz observados neste encontro foram as tecnologias criadas pelas equipes. revelando uma forma mais dinâmica e criativa de trabalho. evidenciando sua paixão pelo que fazem. nos próximos encontros. Sol! (anexo 1). o Curso Introdutório passou por transformações de âmbito nacional. Uma outra atividade proposta foi a Dinâmica de Complementaridade (anexo 1). onde a satisfação dos envolvidos era francamente perceptível. iríamos vivenciar algumas dessas atividades. Os encontros enriqueceram-se com relatos. Foram realizadas oficinas para discutirmos conteúdo e forma de administrar o Curso. utilizada como instrumento de 25 . Propusemos iniciar com uma dinâmica de integração intitulada Bom dia.

para que todos pudessem relacionar o conteúdo com os trabalhos apresentados. como proposta de atividade de fixação de conteúdos. construído coletivamente durante o Curso de facilitadores do Introdutório. Esse perfil. boneco desenhado durante o 26 . o Show do Tião. contempla a complexidade de ser integrante de uma equipe de PSF. Esse encontro levou-nos a refletir sobre a nossa condição de ser “pérolas” e do quanto temos aprendido uns com os outros. Elaboramos cartões que continham peculiaridades de cada PTA. Na seqüência. Tal reflexão despertou-nos a necessidade de abordarmos o perfil do profissional do PSF. aqui representado pelo Taligado. O tema apresentado foi “Dengue”. Apresentamos ainda.avaliação de nossos encontros. o que equivale a ser pérola. como uma técnica didático-pedagógica de tecnologia de baixo custo. com variadas aplicações. apresentamos um teatro de bonecos de papel.

Curso Introdutório Sensibilizando profissionais na busca da formação do perfil profissiográfico para o PSF Perfil: - Ter conhecimento técnico-científico generalista - Ter versatilidade - Estar “antenado” - Ser flexível - Ser humano - Ser bem humorado - Ser criativo - Ser ponderado - Ser comunicativo - Ser apaixonado pelo que faz - Ser EDUCADOR “Taligado” CURSO INTRODUTÓRIO AO PSF É o primeiro módulo de um programa de capacitação e educação continuada, ministrado a todos os profissionais de saúde que desenvolvem ações na Estratégia Saúde da Família – PSF. Possui carga horária variável entre 40 e 80 horas, dependendo do Estado que o desenvolve. O conteúdo é baseado em orientações do Ministério da Saúde e tem como objetivo sensibilizar os profissionais para o novo modelo assistencial de saúde. É ministrado pelos Pólos de Capacitação, articulados com o Estado e/ou Município e Universidade. Os instrutores do Curso Introdutório são professores da Universidade, profissionais de saúde integrantes de ESF e/ou pertencentes à área administrativa do Estado e/ou Município. A metodologia utilizada é prioritariamente problematizadora, para que se propicie reflexão, análise crítica, criatividade, interatividade e co-responsabilidade no processo formador. Especificamente no Maranhão, o Curso Introdutório é 27

desenvolvido em 40 horas, ministrado pelos instrutores do Pólo e coordenado pelo Pólo/Gerência de Estado de Qualidade de Vida. À luz de novas reflexões, modificamos nosso 5º PTA, originando o PTA nº 6 descrito abaixo: PLANO DE TRABALHO E AVALIAÇÃO – PTA nº6

Em nossa caminhada até aqui, descobrimos que nossos seis PTAs não traduziam o que exercitávamos. Novamente estávamos empilhando água do mar engarrafada, como disse Tião Rocha: “..as atividades d’ocês não traduzem a riqueza com que vocês trabalham; o PTA tem que contar esta história de êxitos, das sensações. Esse PTA está como uma caixa cheia de água do mar engarrafada, enquanto a participação de vocês no grupo é todo o azul das ondas. O desafio é este, colocar o azul das ondas dentro desse PTA”. Com ajuda dos componentes do Grupo de Síntese e do 28

professor Tião Rocha, reorganizamos nossos PTAs, esforçando-nos em demonstrar toda a riqueza das apresentações dos trabalhos e discussões ocorridas durante nossos encontros. Ao sermos orientados de, no Seminário 3 , tentarmos exemplificar e escrever tudo o que havíamos vivenciado nos encontros anteriores, decidimos encenar a peça “O outro sonho de Catirina” (Anexo 3), para que fosse avaliada como atividade sensibilizadora para a estratégia PSF. Todos concordaram que ela deveria ser apresentada como discurso de encerramento do evento, devido à mensagem positiva que contém. Mais uma vez, à luz da fala do professor Tião, debruçamo-

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I Seminário Interativo de Tecnologias Sociais do Maranhão

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PLANO DE TRABALHO E AVALIAÇÃO – PTA nº 7 30 .

é dar atenção e gostar de gente.. Todo esse processo de construção/reconstrução só nos foi possível porque transformamos o planejamento. tivemos a oportunidade de refletir sobre a realidade social do usuário de nossos serviços. a Obra.. aplicando o PTA nº 7. conforme podemos comprovar nos depoimentos a seguir: “Trabalhar em saúde pública não é coisa para qualquer um. tem que ser um trabalho integrado que tenha continuidade. alcoólatra. discutimos os princípios do SUS e sua concretização. é um desenvolvimento da história. NAVEGANDO NO AZUL DAS ONDAS Na trajetória percorrida. Revemos conceitos. temos esperança de que vai acontecer um dia todos termos saúde.. sem distinção. Saúde é muito mais do que prescrever uma medicação. enquanto cuidadores.Após nosso último encontro com a participação de todas as equipes. Saúde não é só dar remédio. hipertenso. fazendo-o transbordar na vida de todos nós. nossa postura e envolvimento nessa realidade. Foi assim que transformamos “a água engarrafada” de nosso fazer em “azul das ondas”. realizamos dois Cursos Introdutórios.” “O PSF não é hoje um fato isolado. deprimido. Bomba (anexo 06). pode se tornar drogado. analisamos o modelo assistencial vigente e o que desejamos. é vocacional.” “Sem trabalho o homem morre. como um bem igual.” 31 . é ajudar a ter a melhor qualidade de vida. mata. vem se fazendo e deve mudar.. violento. Faça o seu comercial (anexo 04). Achados e perdidos (anexo 05). as estratégias de ação e o trabalho coletivo em condições fundamentais para atingirmos nossas metas. Várias atividades foram desenvolvidas como: Crachá temático.

. quando estamos em equipe...“é possível construirmos do nada algo. Quando entramos em acordo do que deve ser feito fica mais fácil a encontrar a solução. a turma aprovou e foi original..” 32 .” “. todos participaram e agiram com espontaneidade. é de uma satisfação e alegria que só vivendo. Planejamos e achamos a melhor saída.. é memorável. foi comunicativo..” “. quando a gente só pensa em focalizar o problema fica difícil de resolver. acreditamos que preenchemos os requisitos acima assinalados.. pois criamos. o comercial não fugiu ao tema proposto.. diante da proposta que nos foi passada.

n. Emerson Elias (Org). Fita de vídeo. 3. (Org). Brasília: Ministério da Saúde/ SPS/DAB. São Luís: [s. PÓLO de Capacitação em Saúde da Família. 1993.). 2000. MERHY. Produção Científica PHOCUS Publicidade. 2001. Departamento de Atenção Básica.). 1. Manual do sistema de informação de atenção básica.]. (40 min. MINISTÉRIO DA SAÚDE. 1997. 2000. __________. 98 p. Departamento de Atenção Básica. PERPÉTUO. São Paulo: HUCITEC. v. color. TONIAL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. A implantação da Unidade de Saúde da Família. 2002. Brasília: Ministério da Saúde/SPS/DAB. 44 p. TEIXEIRA.n. 2000. 128 p. Distrito Sanitário: o processo social de mudança das práticas sanitárias do Sistema Único de Saúde.. Educação permanente. v. 21. Rio de Janeiro: DP & A. 2000. Carmem Fontes et al. Produção Científica PHOCUS Publicidade. _________. Brasília: Ministério da Saúde. Rio de Janeiro. Atenção à saúde do idoso: instabilidade postural e queda. Dinâmica de grupos na formação de lideranças. Brasília: Ministério da Saúde. História das políticas de saúde no Brasil.REFERÊNCIAS COSTA NETO. 4. MINISTÉRIO DA SAÚDE.. 33 . v. GONÇALVES. dez. Secretaria de Políticas de Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. São Paulo: HUCITEC. VHS.]. São Luís: [s. 2000. Guia prático do programa de saúde de família. A rede básica como uma construção da saúde pública e seus dilemas. Milton Menezes da. Chiode Susan. 2000. 32 p. 40 p. _________. Fita de vídeo. SIAB. Brasília: Ministério da Saúde/SPS/DAB. O trabalho do agente comunitário de saúde. Sueli Rosina (Coord. Brasília: Ministério da Saúde. son. 2000. Ana. DIVULGAÇÃO EM SAÚDE PARA DEBATE – CEBES n. 2002.

ambiente mais agradável e fraterno. estimular afetividade Material: cartões de duas cores diferentes em número equivalente ao número de participantes que deve ser par. você. Todos vão entrando e acompanhando a música. cumprimentando-se e abrançando-se. Procedimentos: uma das cores de cartão receberá perguntas ou pedaços de frase que se completam com os dizeres da outra cor (a cor determinará se o cartão pertence à questão ou ao complemento 34 . cesta com bombons. que é meu irmão! Bom dia. você Bom dia. que é do meu coração? Bom dia. Encerra-se a dinâmica com uma salva de palmas e um sonoro BOM DIA!!!! 2 Dinâmica da Complementaridade Objetivo: Avaliar a atenção. painel representando a música. integração. Procedimento: À entrada da sala. forma-se uma roda e cada pessoa que lê em voz alta a mensagem do cartão que veio colado ao bombom. socializando-a. mar. Cartões com frases ou palavras que inspirem afetividade e integração. Bom dia. Material : balões coloridos... cordialidade. Sol! Bom dia.ANEXO 01 1 Dinâmica de Integração – Bom dia. mundo. você Bom dia. você. cada participante recebe um bombom e um balão. você! Ao final da música. integrar pessoas. fixar conteúdos. comece a cantar! Bom dia. céu! Bom dia. Bom dia. Sol! Objetivo: despertar a afetividade.

Dispostos em círculo devem iniciar a leitura por um cartão azul. A pessoa com o cartão rosa deve ler seu Eu sou o mar sem cor.. Eu sou o azul das ondas deste mar ! Eu sou PTA sem objeto.– Por ex: cores: azul e rosa – todos os azuis conterão a pergunta e todos os rosa. Os participantes devem receber seus cartões aleatoriamente e guardar segredo sobre seu conteúdo (ter o cuidado de distribuir os pares corretos para formar as duplas). dependendo do que se objetiva com a dinâmica. O portador de um cartão azul voluntariamente deve se dirigir ao centro do círculo e ler em voz alta os seus dizeres. Eu sou o objeto deste PTA! 35 . complementos).... O tema dos cartões pode ser variado.

mas sim fixar os conteúdos. As alternativas: Cada equipe terá direito a: 1 consulta aos universitários. Material : 02 envelopes identificadosdiferentemente.ANEXO 02 3 Show do Tião (adaptação do Show do Milhão. o respondente sorteará o próximo da equipe adversária. o prêmio deverá ser dividido entre as equipes.C e D . Apresentador: O mediador deverá apresentar o jogo. Em caso de empate. feita pelo 1º grupo de facilitadores do Introdutório do Pólo-MA). 10 respondentes. reforçar conceitos e. Obs: o objetivo do jogo não é ganhar a competição. 1 respondente de cada grupo deverá decidir no “par ou ímpar” qual grupo inicia jogando. quando houver conflitos. 01 consulta às cartas e 01 pulo (repassa a questão para a equipe adversária. cartas: A. ganhará o ponto). 1 consulta às placas. 2 e 3.B. placas com as alternativas: A. pulo. 01 painel de opções: Universitários. Objetivo: Fixar conteúdos ao final do Curso Introdutório. qualquer membro da equipe que seja placa souber responder. prêmio Regras: Dividir a turma em 2 grupos de nº equivalente. os demais serão “placas”. Portanto. 10 cartões que identifiquem em cada equipe os que irão responder às perguntas. K.contendoosnºs1 a 10 para cada equipe. placas. o sentimento de equipe. Pedir que cada grupo escolha as atividades dos participantes: 2 ou 3 universitários.tantas quantas forem necessárias. Ao final do jogo a equipe vencedora ganhará o prêmio proposto. 36 . A cada final de resposta. a cada questão esclarecer as dúvidas. cartas.

em verdade. a “nega” que novamente padece na parição . a vida que o povo leva.. Música ao fundo 37 ... pensativa elabora seus desejos de futuro para o filho. Pois então. música ao fundo . só desejava. transparência com o título da peça projetando. “nega” valente. CENÁRIO: enquanto a música toca.. Boi qualquer? Foi não. Catirina. “doutô”! Foi do novilho mais “bunito” da fazenda do “Sinhô”! Mas. penso que foi diferente o desejo dessa “nega”.. grávida novamente. desejou ousadamente comer a língua de um boi. eis Catirina. pensa que lhe dão valor. devagarinho vai se abrindo a casa onde Catirina. conhecendo essa gente.ANEXO 03 O OUTRO SONHO DE CATIRINA (autora: Janete Nakatani) CENÁRIO: Casa fechada. alisa a barriga e.Josias Sobrinho.” Canta o folclore maranhense Narrador: que Catirina. quando alguém olha pra ela...“Catirina”. sentada na rede. carne seca na janela.. que mesmo sendo carente . “nega” muito saliente. parir como um ser vivente. quer ser tratada qual gente como ilustre cidadã. projetor ligado. “Catirina que só quer comer da língua do boi. quebradeira de coco e de pedra. viver com dignidade.

quem dera um dia tu si fizesse um “doutô” “pra tu ajudá o povo qui como eu sofre tanto nas fila que num tem veis”. aiiiii. meu bem que a tua vida “seje bem mió” que a nossa. Tantas vezes me botei pé na estrada.–“Fascinação” – versão de Armando Lousada. (respira fundo.... (faz cara de sonhadora e se alegra com seu sonho) Tomara. olhai “pur nóis”. meu “fio”.... “Os sonhos mais lindos sonhei de quimeras mil um castelo ergui. nos consultório apertado de um doutô tão apressado que mal entrei. Purque pobre nesta lida de doutô Nunca tem veis não sinhô.. noite inda tentando “pegá uma veis. ser contente. “ter tudo os dente da frente pra cumê cum mais sabor!” “Ah fio”. meu Deus. (olha para a barriga e conversa com o filho) Será que tu tá certinho? Será que a tua sorte é boa?. cheia de ternura e apreensão): Ah.. 38 . VORTE DEPOIS ! Aiiii . já saí ... da janela alguém gritava: – NÃO TEM MAIS.” Qual nada. tanta coisa eu “preparava” pra ti . ergue os braços e suplica:) Ô.. alisa a barriga imensa.. Que de repente tu possa ser tratado feito gente: ter saúde. Tentei “fazê” pré-natal..” Catirina: (sentada.. quando eu chegava.

Será?. sem valia.pelo amor de Deus. Sem remédio. olhando para além da platéia como quem procura avistar alguém ) Chico. tudinho filho sem pai. Um filho pra riba d’outro . um louro. Sem condição di siqué pegá uma condução i fazê uns tal ixame pra sabê si tu é homi ou si tu é uma muié... 39 . Ao fundo.. Um preto. pra se cuidar: Mundico. Zé Ribamar E agora que vem mais outro.. sem uma palavra amiga. Miluca ..Chico Buarque.. num apelo. Zé.....s’ele me olhô num vi nem ele sabe quem sô. Muié?. Nonatinho.. não vê que isto é pecado desprezar quem lhe quer bem?” Narrador: Catirina. um moreno.. triste sina que é da mulher nordestina de parir feito um preá.. a música “Sobre todas as coisas”. como deve se chamar? Catirina: (Chamando alto. É uma dô qui num si acaba. (gritando e gemendo) – Aiiiii .. “. projetando uma luz vermelha... Tudo de home diferente. CENÁRIO: diminui a luz. Aiiiiii.. São tantos.. um sarará e sei lá.

ô, Chico, purque qui tu nunca chega desse tal desse arraiá? Já tá bebeno há 3 dias... Zangada Dicerto foi traiz dum boi, de uma índia pra brincá I us minino cum certeza num tarda muito a chegá. (Gritando agoniada pela dor aguda) Aiiiiiii..... Mardita dôr... Aiiii Meu lombo, meus quarto, Minha xoxota parece qui vai rasgá !!! ............ Ô, meu fio num ti avexa qui o dia já vai raiá. (Com a voz quase num lamento) Ô Chico, vorta pra casa, Nosso fio qué nascê, Eu tô só... Alguém mi ajude.... Minha hora tá chegando... não tenho como fazê..., nem dinhero pru transporte... (Chora baixinho) CENÁRIO: novamente se projeta a luz vermelha. Ao fundo, a música “Se eu tivesse um dente de ouro” - Josias Sobrinho “...Se eu tivesse um dente de ouro, eu mandava tirar pra viver, eu mandava encruzar e benzer, eu mandava entregar pra Gegê...” Narrador: Ai, Catirina, Sozinha em seu domicílio espera de Deus um auxílio Pro seu rebento nascer. Sem marido, mãe ou filho, ninguém que dela se importe Pra lhe arrumar um transporte Ou fazer um qualquer gesto de bem-querer. Catirina: (gritando desesperada por auxílio) Aiiiiii, Aiiiii, 40

Tem arguém aí? (olha em direção à platéia, respirando ofegante em trabalho de parto)... Um doutô ... (respira) uma infermera..., um qualqué ... (respira mais rapidamente) Uma parteira.... (Em período expulsivo) Tem arguém aí?.............. (Cansada, voz entrecortada, suplica) Me ajude, meu Deus, me ajude......... (num repente, lança o desafio para a platéia) Será que neste tá PSF, que veio pro interiô não haverá um doutô ou infermero que queira me ajudá a dá a luz?......... (Coroando) ai, .... aii ,..... aiiiiiiiiiii meu Cristo..... (vai retirando lentamente o filho) Meu fio...... venha..... saca o pano e sacode Que o PSF seja A valia da minha dô.!!! (Cantamos juntos a música “Sonho Impossível” - J. Dário, versão Chico Buarque e Rui Guerra)

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ANEXO 04 CRACHÁ TEMÁTICO Objetivo : Integrar os cursistas, propiciar sua participação e desinibição. Procedimentos: Cada aluno receberá o pedaço de uma frase ou verso de uma música popular brasileira. Ao comando dos mediadores, iniciar a procura de seu complemento, objetivando formar grupos de 06 ou 07 integrantes, associando os pedaços de frase das letras de MPB. A partir dos grupos formados, deverão adotar um nome para sua equipe e elaborar um cartaz/painel que os retrate contextualizados, no tema musical, relacionando-o com a saúde. Cada integrante da equipe deverá confeccionar seu crachá, seguindo a temática escolhida e todos deverão se apresentar ou ser apresentados à turma, conforme a dinâmica adotada pela equipe. Crachá: deverá conter, em letras bem visíveis, o nome pelo qual gostariam de ser identificados e um sentimento relacionado ao início da disciplina/curso. Apresentação: a turma em semi-círculo, iniciando voluntariamente as apresentações de cada equipe. - Quem são? - De onde vêm? - Relação entre o tema e o curso - Qual seu tema? - Sentimento Tempo: 60 minutos A OBRA Objetivos: Oportunizar o trabalho em equipe; resgatar, a partir das palavras-chave, o conteúdo teórico; provocar reflexão através da análise crítica do momento de transformação do modelo assistencial; estimular a criatividade. Procedimentos: Durante a teorização da evolução das políticas de saúde pública no Brasil, os alunos deverão anotar palavras-chave que determinam as ações de saúde nos diferentes períodos históricos. 42

solicitar que. Todos os grupos desenvolverão partes da obra e o trabalho final será único. a partir das palavras-chave eleitas.Após a teorização. solidariedade. criatividade. IMAGEM. A seguir distribuir as tarefas dois grupos para a apresentação das palavarsachave anotadas: Grupo PALAVRA: apresentar as palavras-chave de forma criativa. Para concluir a OBRA. de modo que elas demonstrem visualmente todo o seu significado. suspense e romance). interação. elaborar um roteiro para recontar esta evolução histórica. objetividade Resultado: Foi memorável? FAÇA O SEU COMERCIAL Objetivo: Exercitar técnica de comunicação que poderá facilitar na convocação e realização de palestras educativas e orientações 43 . flexibilidade. Observar na OBRA: Conteúdo: clareza e coerência teórico-práticas. Grupo IMAGEM: colecionar Imagens que Ilustrem os quadros do roteiro. deverão coletivamente sintetizar as palavraschave e. contextualização Processo de construção: rabalho em equipe. tolerância Desempenho dos integrantes e performance: espontaneidade. comunicação. integração. ousadia. desenvoltura. organização. iniciativa. ousadia. objetividade. A obra deverá ser construída na perspectiva de integração e trabalho coletivo. Grupo SOM: selecionar um fundo musical para o enredo Grupo REPRESENTAÇÃO: representar o enredo. através das palavras-chave PALAVRA. sem utilizar a voz ilustrando quadros das diversas etapas da evolução histórica. Terminada essa etapa. satisfação. SOM e REPRESENTAÇÃO formar os grupos e cada um deve eleger um coordenador do grupo e todos deverão eleger um coordenador geral e um relator/narrador. cujo tema central e sua forma de apresentação serão definidos pela turma. comédia . solicitar que os grupos elaborem um trabalho único. a partir delas. planejamento. segundo as diferentes modalidades (drama. respeito. O tempo de apresentação total será de 30’.

Apesar de seu vice ser o dentista da cidade. Nele. ao final da dinâmica. com o objetivo de problematizar trabalho em equipe. durante a seca. A telefonia sofre as mesmas dificuldades 44 . com vários trechos alagados. a estrada é desértica e inóspita. Observar indicadores e resgatar. Nesse município. criatividade. A cidade de referência. flexibilidade. em alguns lugares. liderança. boa comunicação. raciocínio. através da linguagem da propaganda. quem decide tudo em seu nome é sua esposa. propor a apresentação das idéias centrais de um recorte do texto. iniciativa. ANEXO 05 ACHADOS E PERDIDOS Atividade de fixação executada em dois tempos. embora tenha uma residência lá. município cuja população é ± 10. dista aproximadamente 70km. planejamento. Não há estrada asfaltada em 2/3 do percurso. durante as chuvas.000 habitantes (dos quais ± 800 se encontram dispersos). A luz elétrica falta constantemente e é substituída. organização. a cavalo ou de carro com tração. o desempenho e a aplicabilidade desta técnica em seu trabalho. não há médico. 1º Momento Dirigente: Vocês. solidariedade. O prefeito não mora no município. embarcado e. distante de São Luís 620 Km. integração. Procedimentos: Após a leitura do Caderno I de atenção básica do MS do texto “Você é um Educador?”.gerais em saúde. programação. onde só se chega. nos casos de necessidade. tomada de decisão. o último demitiu-se há mais de 4 meses e desde então a responsável pelo serviço de saúde local é uma enfermeira que aguarda ansiosamente a equipe para também poder se demitir. o motorista e sua filha de 3 anos deverão viajar a caminho de “Poeiral”. e pouco tem aparecido. tolerância. interação. por um motor a óleo diesel que tem horários determinados de funcionamento. pois está em franca campanha eleitoral por seu partido. a sede do projeto é um anexo 3x2m da sede da prefeitura.

1 . duas outras igrejas evangélicas. O motorista d’água 7 01 lata de sardinha em conserva 19 01 kg de carne sol contratado é pouco experiente nesta rota e não tem muitade certeza 8 .01 caixa de fósforos com apenas 3 palitos 15 .01 litro de óleo diesel encontrados alguns itens que podem ser de alguma 10 .05 kg de açúcar 21 . discriminando os itens e quantificando-os. com 1/3 de sua capacidade 13 01 telefone celular 2º Momento 14 .01 galão d’água de 5 litros. A área de cobertura integra pequenas vilas e lugarejos que se distribuem nas vizinhanças.01 bússola 22 .01 apito de brinquedo 45 . pois é arriscado permanecer neste local. muitos deles só acessíveis por barco. onde o padre celebra a missa mensalmente.01 vidro de repelente seguir viagem a pé.1/2 pacote de biscoito 20 .01 lata de salsicha da distância a percorrer.01 rádiovalia: transistor 11 . a maior concentração encontra-se na faixa etária de 9 a 25 anos.02 redes 2 . uma escola municipal de Ensino Fundamental.01 barra de chocolate 18 .01 rolo de fita gomada 23 . pede-se: arrumem suas bagagens (individualmente). Considerando-se o perfil descrito. o que deixa o município sem comunicação por longos períodos. Vocês 6 .01 facão um problema terão que 5 . é endêmica de malária e apresenta alta incidência de hipertensão. A população é predominantemente de sexo feminino.01 lamparina de querosene 3 . Numa vistoria rápida do carro.01 mosquiteiro 4 . há uma pequena igreja católica.02 Houve metros de corda de naylon no transporte de vocês 16 e agora . vários pequenos comércios e um clube de Reggae. foram 9 . listem o que levarão para esta viagem.da energia elétrica. O lazer se resume a banhos no rio local e passeios de barco ou a cavalo. Não existem hotéis.01 litro de cachaça 17 .01 paneiro de farinha devem estar a mais ou menos 70 km do seu destino. pousadas ou restaurantes.

integração. colocando uma pergunta e assim sucessivamente. Caso não saiba a resposta.uma folha de papel celofane . A seguir. o grupo inicia um ritmo mais frenético na passagem da bomba. Geralmente. contextualização. flexibilidade. satisfação.ANEXO 06 BOMBA Objetivo: oportunizar feedback. desenvoltura. deverão jogar a bomba de papel e. formando uma pequena bola. Ao som de uma música agitada. após a primeira questão. ler a pergunta e tentar responder a ela.várias folhas de papel de seda colorido . iniciativa. Material: . desinibição. por não se deixarem derrubar pelo medo. Portanto o último papel deverá envolver uma mensagem ou prenda para incentivo dos persistentes.questões sobre o tema a ser fixado Montagem da bomba: envolver a prenda bem firme com uma folha de papel de seda. conquistarão 46 . A bomba terá um aspecto semelhante a um ovo de páscoa. Revestir a bola com o papel celofane e amarrar o fitilho. chegando ao ponto de recusá-la.uma prenda pequena . pede-se a um voluntário que responda e o mediador reforça o conteúdo. quando a música parar. envolvê-la com outra folha de papel. Esse procedimento continua a última camada de papel.15 cm de fitilho colorido . até a última folha de papel de seda.uma mensagem . Aqueles que. respeito. solidariedade. a pessoa que estiver segurando a bomba deverá tirar o papel que a envolve superficialmente.

ANEXO 07 AVALIAÇÃO DOS INDICADORES FICHA Nº 1 Excelente = A Muito Bom= B Bom=C Regular=D Insuficiente= E Obs.: 47 .

: 48 .: FICHA Nº 4 Excelente = A Muito Bom= B Bom=C Regular=D Insuficiente= E Obs.: FICHA Nº 3 Excelente = A Muito Bom= B Bom=C Regular=D Insuficiente= E Obs.FICHA Nº 2 Excelente = A Muito Bom= B Bom=C Regular=D Insuficiente= E Obs.

000 habitantes. acometendo mais que as doenças infecciosas e parasitárias (tuberculose. especialista em Saúde Pública *** Enfermeira PSF **** Enfermeira PSF ***** Enfermeira PSF. No Brasil. o AVE vem ocorrendo em idade precoce.4%.). Enfermeira PSF Enfermeira. broncopneumonias etc. com uma mortalidade em 35 a 200 casos em cada grupo de 100. especialista em Saúde Pública ******* Enfermeira PSF * ** 49 . desde a década de 1960. diarréias agudas. Saúde da Família. Cunha* ****** INTRODUÇÃO A Hipertensão Arterial Sistêmica – HAS é a pressão aumentada que os vasos apresentam à passagem de sangue. Dentre as doenças cardiovasculares. que o número de casos novos de acidente vascular encefálico varia de 500 a 700. Dados da OMS revelam. Gerenciamento de Programas Comunitários de Sáude ****** Médico PSF. o acidente vascular encefálico – AVE e o infarto agudo do miocárdio – IAM são as mais prevalentes.000 casos/ano. especialista em Saúde Pública. atingindo a população adulta em plena fase produtiva. ainda. Na faixa etária de 30 a 60 anos.A BUSCA ATIVA DE HIPERTENSOS Antônia Cristiane Sousa Pereira* Leidjane de Lemos Ferreira Leite* * Lisbeth Rosa de Sousa Lima* ** Maria Georgina Pinheiro Martins* *** Maria Gláucia Albuquerque* **** Sebastião de Aquino Melo Gomes* ***** Teolinda Soares e S. essas doenças foram responsáveis por 65% do total de óbitos. as doenças do coração e dos vasos sangüíneos (infarto agudo do miocárdio. edema agudo de pulmão e insuficiência renal) constituem a primeira causa de morte no Brasil. pediatra. morte súbita. cerca de 27. acidente vascular encefálico. doenças neoplásicas (câncer) e doenças ditas de “causas externas”. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde – OMS.

fazem-se necessárias medidas que visem descobrir precocemente essa doença. Foi com esse propósito que surgiu o grupo VIDA. decidimos “realizar uma cirurgia para correção da Polidactilia”. ampliaríamos nossa habilidade de lidar com portadores de doenças cardiovasculares. 50 . onde já nos reuníamos enquanto facilitadores do Curso Introdutório do Programa Saúde da Família – PSF. Quando fomos convidados para participar de um Curso realizado pelo Programa Viva a Vida. possamos tratar e acompanhar o doente visando a uma população mais saudável e com melhores perspectivas de vida.Cerca de 50% dos que sobrevivem ficam com algum grau de comprometimento. todos atuantes no PSF. durante os dois primeiros meses. pois percebemos a abrangência dos trabalhos. conhecendo o número de hipertensos. Face ao caráter crônico e incapacitante da hipertensão arterial. proveniente do Pólo de Capacitação da UFMA. Dados do Instituto Nacional de Seguridade Social – INSS registraram que 40% das aposentadorias precoces decorrem de incapacidades decorrentes de doenças cardiovasculares. A partir daí cada um procurou na “mão do outro” os objetivos em comum com os seus. Os cinco objetivos restantes foram trabalhados pelos membros do grupo. para que possa ser tratada. Durante o desenvolvimento dos trabalhos. Conhecíamos as coordenadoras do Pólo de Capacitação em Saúde de Família e alguns companheiros de caminhada. Os grupos de trabalho foram formados a partir de uma dinâmica: cada participante desenhou sua mão em uma folha de papel e em cada dedo foram escritos objetivos que cada pessoa gostaria de realizar em sua comunidade. em diferentes localidades do nosso Estado. seis objetivos. assim. Uma das medidas consiste em fazermos busca ativa (detecção de casos novos) para que. pensávamos que participaríamos de uma capacitação para facilitadores e. além de alguns colegas da área de Saúde Mental. que pode deixar seqüelas para o resto da vida. Nosso grupo inicialmente possuía seis dedos (POLIDACTILIA). ou seja. Foi com essas expectativas que iniciamos o curso. período em que ficamos dispersos. através de estratégias que possibilitassem uma nova forma de fazer saúde.

etc. No primeiro encontro da segunda etapa do Curso. melhorias e avaliação dos diversos programas tais como: Programa da Criança e de Adolescente.No decorrer desse período. somos sete profissionais engajados nesse novo modo de cuidar da saúde. Programa de Portadores de Tuberculose e Hanseníase e Programa DST/AIDS. Atualmente. Programa de Hipertensão e Diabetes. dentro do grupo e foi enriquecido com as contribuições dos demais grupos a cada apresentação em plenária. levaram o grupo a pensar em unir os temas. busca ativa. conforme já nos referimos anteriormente. a partir dos questionamentos feitos pelo professor Tião Rocha: Que objetivos você gostaria de realizar em sua comunidade? Cada um de nós escreveu os seus objetivos no desenho de uma mão. voltado para a necessidade de se realizar busca ativa. transformando-os em um único trabalho. nas comunidades acompanhadas por Equipes do PSF. chamado “O Mino e as Minas”. à primeira vista. Assuntos que. Programa de Atenção ao Doente Mental. outro. No segundo momento. na prevenção e tratamento da hipertensão. NOSSO TEMA A escolha do tema surgiu. O primeiro objetivo foi estruturar seis Programas de Saúde: Programa da Criança e do Adolescente. Programa da Mulher. dois grupos se formaram com objetivos direcionados ao atendimento dos hipertensos: um abordando a importância e os cuidados com os hábitos alimentares e tabus. contudo elaboramos os relatórios individuais sobre a aplicação de nosso primeiro PTA e os enviamos à Coordenação do Programa Viva a Vida. Construímos nosso Plano de Trabalho e Avaliação – PTA (Anexo 01). Programa da Mulher. Programa do Hipertenso e/ou Diabético. percebemos a complexidade de 51 . nosso grupo. direcionada às pessoas de idade igual ou superior a quarenta anos. Dentre os programas citados. Eles apontaram para implantação. o qual passou por acertos constantes. egressos de um outro grupo que se dispersou. foram incorporados mais três componentes. podem parecer a mesma coisa. não mantivemos contato.

o qual passou a ser: Detectar e Acompanhar Hipertensos na faixa etária igual e/ou superior a 40. em comemoração ao Dia Nacional do Idoso. para que cada atividade elaborada pudesse obter êxito em sua aplicabilidade. também. anos em área de Estratégia de Saúde da Família. sem antes sensibilizarmos as Equipes de Saúde da Família. dentre outras atividades. observamos que a palavra ESTRUTURAR iria depender dos recursos que não teríamos disponíveis. passeio pela cidade. em diferentes localidades tais como: São José de Ribamar.” O leque de abrangência continuava. Timon. cujo objetivo foi: “Estruturar o Programa de Hipertensão e Diabetes no município. Toda essa trajetória demandou muitos esforços. pela importância do trabalho realizado. Tal procedimento serviria como elemento norteador de todo o processo. o desenvolvimento do trabalho tornou-se mais fácil bem como o problema da avaliação. Criamos. novas sugestões acatadas a partir das discussões em grupo. Reestruturamos. Gráfico 1: Busca ativa em Moropóia 52 . Parcerias foram realizadas. Após essa etapa. voluntários se juntaram a algumas equipes. portanto dependeríamos de nossos gestores. Como uma das atividades propostas.cada um desses programas e optamos por apenas um. foram realizadas caminhadas com os grupos de hipertensos. assim. Pedreiras. pois verificamos que não deveríamos iniciar um trabalho inovador e modificador. outro. o que poderia dificultar nossa caminhada. Delimitada a área e a clientela. Foram feitas reuniões com a aplicação de nossa tecnologia “O SEMÁFORO DA VIDA”. muitos contatos. acrescentamos uma outra dimensão em nosso objetivo: a sensibilização. para comparecimento às consultas e/ou palestras educativas (Anexo 02). nosso objetivo. um modelo de convite para as caminhadas.

destas. 70 foram diagnosticadas com Hipertensão Arterial. na faixa etária indicada no PTA. periferia da zona urbana. Gráfico 3: Busca ativa em Mutirão 53 . dentre um total de 200 pessoas investigadas. Esses alunos foram devidamente orientados quanto ao modo correto para aferição da pressão arterial. sendo: 52 do gênero feminino e 18 do gênero masculino. Nessa localidade. Foram avaliadas 663 pessoas. foram realizadas buscas ativas em domicílios com a ajuda de 16 alunos do Curso de Auxiliar de Enfermagem do PROFAE. Gráfico 2: Busca ativa na Vila Sarney Filho II BUSCA ATIVA EM PEDREIRAS Concluído o trabalho em São José de Ribamar. Mutirão. partimos para realizá-lo no município de Pedreiras. Escolhemos uma localidade: Mutirão e o município de Santa Helena. conta apenas com 01 (uma) equipe de PSF. a busca ativa revelou 100 hipertensos. da glicemia capilar e para verificação do peso e circunferência abdominal. na faixa etária-alvo.Na área da Vila Sarney Filho II.

20 são casos novos. Gráfico 5: Busca ativa em microáreas de Timon 54 . Durante o período de 60 dias. Entre elas. no bairro da Ponta d´Areia. o PTA foi aplicado na zona urbana. Avaliamos 217 pessoas e detectamos 115 hipertensos. Gráfico 4: Busca ativa em Santa Helena BUSCA ATIVA EM TIMON No município de Timon. Foram avaliados 708 pessoas. A busca ativa foi realizada por quatro equipes. em seis microáreas. detectamos 48 casos de hipertensão. destes. foram realizadas buscas ativas de casos novos e faltosos em pessoas na faixa etária-alvo. o PTA foi aplicado em 03 localidades da área 21 do Programa Saúde da Família.No município de Santa Helena.

dentre os presentes. para incentivar as pessoas em bom estado de saúde a continuarem se cuidando. nosso grupo desenvolveu uma tecnologia O Semáforo da Vida. mas estimula o cuidar-se. A apropriação desse saber não garante.NOSSA TECNOLOGIA: O SEMÁFORO DA VIDA E SUA APLICAÇÃO Durante o Curso oportunizado pelo Programa Viva a Vida. A abordagem inicia-se com a apresentação do primeiro bâner. Esse instrumento tem como objetivo sensibilizar o grupo-alvo. sobre a sintomatologia. que traz a seguinte indagação: Como Estamos? Após este primeiro contato. principalmente com alguns pacientes tidos como “rebeldes”. que não aderem ao tratamento. a alimentação. Também serve para identificar hipertensos já diagnosticados. trabalhamos a sintomatologia da Hipertensão Arterial Sistêmica – HAS e Diabetes 55 . ainda. para terem uma vida com qualidade. que não estejam sendo acompanhados e/ou tratados. Convém ressaltar que a mudança dos costumes é um processo lento. melhores condições ou produtividade no lar. introduzimos a idéia do que significa um semáforo e qual o significado de suas cores. O Semáforo da Vida deve ser utilizado em reuniões e/ ou palestras educativas com diversos grupos e faixas etárias. Na primeira coluna. no trabalho. a importância da adesão ao tratamento da hipertensão arterial. risco de vida amarelo sinal de alerta: devemos estar atentos sinal livre: pode transitar verde O segundo bâner é apresentado e nele estão contidas três colunas identificadas pelas cores de um semáforo: vermelha. a mudança no estilo de vida e as atividades físicas. de cor vermelha. Aproveitamos a participação de todos e construímos assim o conceito do significado de cada cor para o hipertenso: vermelho sinal de perigo: proibido passar. Há momentos em que temos de usar diferentes abordagens. Serve. amarela e verde. fatores de risco. de forma lúdica. no trabalho cotidiano em geral. visando descobrir. propensos candidatos à hipertensão arterial ou a Diabetes Mellitus.

Mellitus – DIA. pessoas analfabetas e/ou com problemas visuais. Durante algumas dessas aplicações. encontramos. apresentamos os sinais de boa saúde. a partir desse conhecimento prévio. devemos ajudá-los em todo esse processo o que fizemos. No decorrer da apresentação das cores do semáforo. para os seguintes atendimentos: 1º) As que tiverem fitas vermelhas. pela cor das fitas. Concluídas as explicações. amarela e verde. foram selecionadas as pessoas. Convém ressaltar que essa tecnologia já foi aplicada em várias comunidades. Após essa etapa. No terceiro bâner. a verde. trabalhamos com os fatores de risco que possam preceder uma destas patologias e na terceira. nas cores vermelha. solicitamos que os presentes retirem a quantidade de fitas. além da carência financeira. são encaminhadas. é necessário que procuremos conhecer os grupos. de acordo com o que estão sentindo. 3º) As que tiverem somente fitas verdes. A verificação da pressão arterial deverá ser realizada antes e logo após a apresentação. poderemos fazer uma abordagem mais simples possível e. com fitas coloridas 56 . retiramos os bâneres e iniciamos a apresentação das orientações para se ter e/ou se manter uma vida saudável e de qualidade. que são identificadas como sinal de perigo. são agendadas para consulta mediata. são aconselhadas a agendar uma consulta de rotina. por exemplo: ” Foi bom participar dessa brincadeira. após verificação da pressão arterial e glicemia. Na segunda coluna (amarela). Por isso. para atendimento médico imediato. enquanto orientadores da dinâmica. é apresentado o semáforo e feita a Um aspecto é importante consideramos: nas localidades onde trabalhamos. ouvimos considerações interessantes como. 2º) As que tiverem pelo menos duas fitas amarelas. em especial as da zona rural. pois.

Os grupos de hipertensos das localidades onde realizamos a busca ativa têm apresentado melhoria na freqüência das atividades. dinâmicas desenvolvidas durante nosso encontro e/ou reuniões. Demonstram interesse em atender as orientações e passam para nós mais jovialidade (vitalidade). nos mais diversos contextos sociais. De primeiro. Eu morria de medo de comprovar estar doente. porque a gente se distrai” 57 . “Eu gosto de vir para as palestras. eu venho sempre que preciso falar dos meus problemas. pode viver normalmente. NOSSO AZUL DAS ONDAS Durante a aplicação de nosso PTA. sim. pois tem sempre alguém do grupo por aqui e a gente já tem muitos conhecidos”. se acompanhado pelo doutor. por causa das proibições.pois só assim eu vou me cuidar! Aprendi que posso estar com sintomas de hipertensão”. O trabalho com esses grupos é enriquecedor. não vou mais deixar de vir ao posto. constituir-se em mais um recurso que o profissional da saúde tem à sua disposição para o desenvolvimento de seu fazer. Ficamos estimulados a prosseguir a caminhada pelo resultado que temos obtido com o nosso trabalho. não deve ser usada como um instrumento desligado de seu verdadeiro fim. que chega ao ponto de cobrar uns dos outros “o porquê da ausência em determinado momento”. conforme se pode comprovar pelos depoimentos: “Agora. criada para a proposta da busca ativa. Contudo. agora não. “Nunca alguém me disse que um diabético. pois na minha família. pudemos observar a integração dos pacientes. tenho pai e mãe diabéticos que abandonaram o tratamento. Há entre eles em vínculo afetivo. porém eficaz. deve. através do uso de algumas tecnologias como o Semáfaro.” É uma tecnologia simples. eu só vinha quando estava muito doente.

ANEXO 1 58 .

Contamos com sua presença. Você é importante. para consulta e palestra.ANEXO 2 MODELO DE CARTA __/_____ CONVITE Convidamos o Sr.(a) presente no dia_____/______/______às________h. Atenciosamente Equipe de Saúde da Família a se fazer ____/___ 59 .

60 .

* Enfermeira. O ímpeto tão verdadeiro De ver o azul das ondas. Lançados somos em busca de terras além-mar. viramos tribo. articulados. São parecidos em seu OBJETIVO. Somos um sexteto de dedos O mais diferente consegue o ritmo. ** Enfermeira e Mestra em Ciências da Educação. Dedos fortes. Navegamos. Às vezes retornamos à praia. com especialização em Saúde Pública. com personalidade. Dedos formam magia. 61 . refletindo e perguntando. Melhorando. Somos um sexteto Que guarda em sua memória O impulso de realizar olhares Direcionados a tantos ângulos. Iguais em seu OBJETO.TRABALHANDO COM HIPERTENSOS NA MELHORIA DA QUALIDADE DE VIDA Claudeunice Martins Melo* Maria Beatriz Pereira* * Maria Gorete Araújo Martins* ** Raquel Cristina Santos Campos* *** Salete Rocha da Silva* **** Juarez Castelo Branco de Oliveira* ***** 1 CONSTRUINDO O NOSSO PLANO DE VÔO Somos um sexteto. Nos agrupamos. Cada um procurando o seu dedo. Alavancas poderosas e engrenadas. formamos vários dedos. Juntos estamos. Mas repetimos o ato. pois navegar é preciso.

Que organiza e direciona nosso fazer. Ele solicitou que desenhássemos nossa mão em uma folha de papel e em cada dedo devíamos colocar um objetivo que gostaríamos de realizar em nossa comunidade. Assim nasceu o grupo O mino e as minas. Maria Beatriz. até porque todos acabavam de se conhecer e reconhecer.São Luís. Somos um sexteto. procuramos os objetivos parecidos com os nossos. Tenaz ou lento. seria inviável querer alcançá-los todos no tempo que dispúnhamos (cinco meses) para desenvolver nosso PLANO DE TRABALHO E AVALIAÇÃO – PTA. Aplicando e avaliando.ACS nas ações de Saúde Mental e diminuir o número de queimadas nas comunidades rurais. incentivar aleitamento materno. Maria Gorete. Educando e aprendendo. capacitar os Agentes Comunitários de Saúde .Codó. com mais clareza. Iniciamos com cinco objetivos: orientar o atendimento de hipertensos para mudanças de hábitos e tabus alimentares. Raquel . Como cada componente pertence a um município diferente (Beatriz . Com o desenho da mão fixado no tórax. o relacionamento se fortaleceu e conseguimos definir. enfermeiras que atuam em PSF. Juarez . aumentar cobertura das consultas pré-natais. O encontro desse sexteto aconteceu após a dinâmica desenvolvida pelo Professor Tião Rocha. uma forma carinhosa que escolhemos para denominar nossa equipe. químico que conta com o apoio da equipe de PSF de Nova Jerusalém. em Codó-MA.Montes Altos). Claudeunice . A partir do segundo encontro. tivemos dificuldades de comunicação nos meses que se seguiram.Itapecuru-Mirim. Gorete . Descobrimos um novo continente Que pode ser longe ou perto. Um outro participante de uma área de atuação diferente veio juntar-se a nós – Juarez. nosso plano de vôo.São José de Ribamar.Nos unimos em um pulso. Salete . 62 . Tínhamos muitos objetivos em relação às demais equipes. Raquel e Salete. dentre os demais participantes e reunimos: Claudeunice.Bacabal. através da conscientização ecológica.

utilização de vídeos educativos e caminhadas. dimensionamos muito nossa ação e tivemos que refazer o objetivo. educar ou sensibilizar? Optamos por Sensibilizar. foi difícil declararmos como pronto nosso PTA. Veio-nos a dúvida: orientar. por alguns dos componentes da equipe. revíamos nsso fazer. algumas já haviam sido aplicadas. uso do retroprojetor. técnica de sondagem do conhecimento prévio Foto 01 – Oficina do Coração 63 . então. precisávamos definir melhor nossa ação. relaxamento muscular. Nessa trajetória. Após reflexões do grupo. Todas essas atividades desenvolvidas estavam voltadas para a melhora da qualidade de vida do hipertenso. as tecnologias foram sendo acrescidas de outras experiências como: Dinâmica da Percepção (Anexo 02). 2 ACIONANDO NOSSO PLANO DE VÔO No trabalho com os hipertensos. A cada encontro. com grupos de hipertensos como: oficina Coração de Argila. temos desenvolvido atividades que contribuem para a melhoria da qualidade de vida desses pacientes. Por vezes. dois objetivos: aumentar em 25% o número de consultas pré-natais em gestantes. Contudo. Das tecnologias sugeridas. incentivando-os nas mudanças de hábitos e tabus alimentares. Tínhamos dado o pontapé inicial em nosso PTA (Anexo 01). na faixa etária de 12 a 25 anos nas áreas de PSF e orientar o atendimento de hipertensos da área de PSF. Como primeira atividade. decidimo-nos por apenas um objetivo: orientar o atendimento a hipertensos na área de PSF. A escolha foi decorrente da elevada incidência e prevalência da hipertensão dos clientes com os quais lidamos e da escassez de atividades voltadas para essa clientela. À medida que aplicamos o PTA. encenação da peça “Juvenal Puft”. realizamos a Oficina do Coração (Anexo 03).Selecionamos. ouvíamos sugestões e promovíamos alterações.

” “O meu coração é de Jesus. o funcionamento de uma bomba para apresentar a função do coração. cadeira. devido à diversidade de cores. Pedimos a todos que colocassem os nomes em um papel. cujas manifestações nem sempre são valorizadas pelo cliente.. dessa forma. a aprendizagem. na oportunidade. perguntamos como cada um expressou o “seu” coração e onde se inspirou para modelá-lo. por isso fiz um coração assim . relacionando-o com veias e artérias. nunca utilizei massa de modelar . O cenário foi constituído apenas por mesa. a qual serviu de instrumento de avaliação dos conhecimentos transmitidos na Oficina. Foram considerações de fundamental importância à manutenção da vida.. um quadrado no centro da sala e protegemolo com papel (pode ser usado. favorecendo.” “Sempre tratei de galinha. reunimos a equipe. delimitamos. Após cada um modelar o “seu” coração.” “Estou confusa.. cartolina). garrafas vazias.. pois a hipertensão arterial é uma doença silenciosa. A expressão popular Puft foi utilizada como forma de comunicar um caso de mal súbito. utilizando. Explicitamos o sistema circulatório e a sua relação com a hipertensão arterial. também. A seguir. identificando os corações expostos no centro da sala. Para avaliarmos os conhecimentos ministrados durante a Oficina do Coração. pois proporciona melhor visualização. com o auxílio de fita adesiva. sempre valorizando o saber individual. contribui para fazermo-nos compreender pelo outro. Isto porque o uso de recursos que enfoquem a visualização associada à teoria. elementos do cotidiano como: o encanamento doméstico.Sugerimos como pergunta inicial: Como podemos representar o nosso coração? Entregamos a cada participante massa de modelar. Ao término dos trabalhos. recorremos à dramatização. procurando despertar o olhar diferente para o tema coração. encenando a peça Juvenal Puft (Anexo 04).. Ouvimos vários depoimentos como: “Me inspirei no coração de boi. tendo na participação dos personagens o auge da representação cênica. fizemos 64 .. por isso fiz vermelho” Comparamos o coração modelado com o anatômico.

irritabilidade e diminuição da autoconfiança. outros sorriam muito. hábitos pessoais. sempre solicitados. no acompanhamento do hipertenso. por solicitação dos participantes.” Nos encontros subseqüentes. dentre outras. São José de Ribamar e Montes Altos. que contribuem negativamente para a hipertensão. etc. Quanto aos participantes. tais como: caminhar. o estresse é muito comum. Resolvemos. continuo fazendo o exercício em casa. etc. conforme o expresso na seguinte expressão: “Sabe. Um outro aspecto a considerar diz 65 . os relatos comprovam o êxito de nosso trabalho. principalmente quando estimulamos a massagem e o toque entre eles. que muitos desses hipertensos apresentam diferentes queixas. comum a todas as equipes. trabalhar técnicas simples que envolvem alongamento e meditação. Percebemos. Convém ressaltar que.” “ É bom e fácil. ou seja. não sair de casa para não piorar a saúde. houve melhor compreensão do exercício e o desmitificar do“tocar”. Após os dez minutos iniciais. Essas técnicas podem ser realizadas em casa. não saber ler. no primeiro momento. mas. com limitações do tipo luminosidade deficiente. transmitindo serenidade ao hipertenso. são realizadas semanalmente. horário de refeições. assentos desconfortáveis. Dentre elas. relacionou-se ao espaço físico: a falta deste ou em condições que não propiciavam conforto. vários temas foram abordados através de dinâmicas e palestras.” Convém ressaltar que as sessões de relaxamento seriam a priori agendadas quinzenalmente. contraturas musculares. no atendimento diário. então.uma reflexão a partir do tema da peça e concluímos que houve aprendizado e um bom envolvimento dos participantes. distúrbios do sono. Eis algumas frases que expressaram esta interatividade entre os componentes e a equipe: “Me sinto melhor. alguns se manifestaram inibidos. acarretando problemas como: dores de cabeça. em uma situação estressante ou diariamente. A Técnica de Relaxamento (Anexo 05) foi aplicada em três municípios: Bacabal. dificuldades de enxergar. A dificuldade que destacamos. Muitos deles fizeram alguns questionamentos sobre a hipertensão. ocorreu o relaxamento.

observamos que a maioria dos hipertensos só ingeria carboidratos. Entretanto tornou-se inviável diante da inexistência de local para sua execução e da falta de recursos materiais e financeiros.US e a parceria do ACS e o cliente assistido demonstram o cuidado com as informações prestadas e encaminhamento realizado nas US. Esse cardápio. com carne vermelha. 80% alimentam-se 2 a 3 vezes ao dia somente com arroz. Os dados revelaram que a maioria apresenta companheiro fixo: 99% são casados. investigando hábitos alimentares dos hipertensos. facilitando. excesso de carboidratos. a aceitação desses alimentos. o que nos levou a repensar a aplicação do questionário. compondo uma dieta balanceada. elaboramos um questionário (Anexo 06). com pouca quantidade de frutas. em maior número. a fim de melhor orientar quantitativa e qualitativamente um cardápio mais adequado. a renda pessoal revelou 100% com benefício 66 . o resultado do questionário revelou que a faixa etária predominante é acima de 50 anos: 99% são mulheres e 88% não têm escolaridade. algumas vezes. Também observamos um aumento substancial de. Pensamos. farinha e. também. A sensível melhora do acolhimento do paciente pelo funcionário da Unidade de Saúde . de mulheres. 70% da freqüência às consultas agendadas no ambulatório. aliados a outros.respeito à participação. proteínas e gorduras. além de ser acessível. montar uma cozinha experimental. carne vermelha são fatores que. Um outro fato importante no atendimento aos hipertensos diz respeito aos hábitos alimentares. no grupo de hipertensos da cidade de Codó. elaboramos um cardápio (Anexo 07) utilizando frutas e verduras da nossa região. Nesse levantamento. com os hipertensos e/ou familiares. os alimentos acessíveis a eles que muitas vezes são desconhecidos e desprezados por nós. a partir das respostas às perguntas feitas aos pacientes. para que pudéssemos trabalhar. pode ser utilizado por toda a família. em média. verduras e fibras. Com base nesses achados. feijão. Gostaríamos de ressaltar que. assim. pois a predominância de alimentos condimentados. Para abordar esses aspectos. causam aumento de peso e alterações da pressão arterial. Houve a necessidade da presença de um membro da equipe de PSF para preencher o questionário.

carnes (vermelha e branca) em pelo menos 4 dias por semana. chuchu e repolho. Revelaram. 3 VISLUMBRANDO NOSSO PLANO DE VÔO O desenvolvimento de qualquer trabalho requer esforço conjunto entre o saber e o fazer. Esse trabalho não teve continuidade. também. cenoura. Quanto à disponibilidade e ao acesso às refeições. feijão. Em determinados momentos. 98% não apreciam beterraba. batata. 100% realizam duas ou mais refeições diárias. A cada encontro o refazer acrescentou estresse. vinagreira. diminuiu 67 . a distância geográfica e a falta de apoio dos órgãos gestores dificultaram a continuidade de alguns trabalhos. o planejar e o refazer. quiabo e alface. 99% não comem frutas. maxixe. 50% não gostam de abóbora. 95% não fazem uso constante de leite e derivados. devido às muitas atividades desenvolvidas pela equipe de PSF que não tinha como disponibilizar tempo para os encontros semanais. que: 100% têm acesso e fazem uso de arroz.igual ou superior a um salário mínimo.

ANEXO 1 PLANO DE TRABALHO E AVALIAÇÃO .PTA 68 .

o desenvolvimento mental e a coordenação dos participantes. 03 .O que é pressão alta ou hipertensão arterial? 02 . etc. etc. Se errar. recebe elogios. caso não seja tratada? 05 . dançar. chama o nome de um dos participantes para o qual vai passar a bola.Por que a pressão sobe? 04 . aplausos. Sugestão de Perguntas: 01 . Material: 1 bola de plástico de uns dez centímetros de diâmetro 2 saco opaco com pedaços de papéis contendo perguntas préelaboradas sobre o assunto apresentado. Metodologia: É feito um círculo com os participantes ao redor do orientador que informa como vai ser desenvolvida a dinâmica: a pessoa que estiver com a bola. para responder a mesma pergunta e paga uma prenda que pode ser: cantar.O que a pressão alta pode causar.Como devemos tratar a pressão alta? 06 . se a pessoa chamada deixá-la cair. declamar um poema. fazer uma imitação. de preferência de forma dificultosa. retira do saco de perguntas um dos papéis e entrega-o ao orientador que interroga ao participante.De quem depende o controle da pressão? 69 . Se acertar o que lhe foi perguntado. é-lhe dada uma nova explicação sobre o assunto.Que vantagens os exercícios físicos podem oferecer à saúde? 08 . com conseqüente avaliação das atividades desenvolvidas. Joga a bola e.ANEXO 02 Dinâmica da Percepção Objetivo: Trabalhar a percepção.Cite 9 sintomas de alerta da pressão alta.Você acha que exercícios físicos são bons para a saúde? 07 .

O tratamento de pressões alta é para a vida toda? 10 .Você considera que a utilização diária de alguns alimentos como mortadela. salsicha.09 .reduzir a bebida alcoólica 70 .Você acha que o sal é indispensável no preparo dos alimentos? 12 . enlatados em geral.Como o hipertenso deve se alimentar? 13 . presunto. carne de sol.Você visita com frequência o serviço de saúde onde está se tratando? 11 .Indique a resposta correta: O hipertenso deve: a) . lingüiça.consumir bebida alcoólica b) .Por quê? 15 . irá prejudicar o tratamento? 14 .

fita adesiva. televisão.evitar ou reduzir a bebida alcoólica ANEXO 03 Oficina do Coração Recursos utilizados: massa de modelar1 ou argila. aparelho de pressão2 1 Sugerimos dois bastões de massa de modelar para cada participante. papel ou cartolina. desenho esquemático do coração. CRONOGRAMA “OFICINA DO CORAÇÃO” 71 .c) . videocassete e fita de vídeo (se disponível). pincel atômico.

O que será que ele quer agora? (Maria dos Milagres vai ao banheiro. mulher! Maria dos Milagres: Oh! Meu São José de Ribamar! Este homem me chama em cada hora. tanto na alegria quanto na tristeza. com 01 mesa. levanta! (Ele nada responde.. acordou e foi tomar o seu banho. mas. como de costume. (Após. assustado grita pela mulher) : – Maria dos Milagres. casado 48 anos. Hoje. o mal estar geral: Seu Juvenal: Meu Deus. Juvenal. o desmaio o REPÓRTER ENTRA E FAZ A SEGUINTE PERGUNTA): Como 72 . Maria dos Milagres chama os vizinhos): Maria dos Milagres: – Me acode.ANEXO 04 • Peça Juvenal Puft Participantes: 01 narrador. este calorão pelo meu corpo. foi medir a pressão no Posto de Saúde da vila onde mora e a auxiliar de enfermagem disse-lhe que era melhor consultar o médico. Há alguns dias.. gosta de beber uma cerveja. quando chega lá. De repente. pessoal! O Juvenal puft e puft.. homem de Deus... Maria dos Milagres e 01 repórter Cenário: uma sala. Seu Juvenal disse que não tinha tempo e que no dia seguinte voltaria. cadeiras e garrafas vazias Narrador: Juvenal Puft. Nossa! Como minha cabeça dói! (Juvenal. sinto uma palpitação no coração! Não consigo enxergar direito a porta do banheiro.. Como vou sair daqui? Ainda por cima. me ajuda. É motorista de ônibus e pai de um filho.. Desesperada..) Maria dos Milagres: Juvenal. fumante..

6 . a palma das mãos para fora.Dirija sua atenção para sua barriga e sinta como ali se espalha um suave calor. inicialmente. sinta como essas regiões ficam agradavelmente relaxadas. também. Transfira o peso para os pés.Agora comece a expirar lentamente. uma sensação de calor se espalhando por essas partes. também.vocês mudariam a história do Juvenal? ANEXO 05 • Tecnicas do Relaxamento Relaxamento I 1. cerrando as mãos em punho. os pés devem estar paralelos e afastados à largura dos ombros. depois na esquerda. espreguiçando-se e 73 . 8 . expire com vigor. em seguida.Imagine uma sensação de peso e calor.Fique de pé com a coluna reta. 6 . Imagine-as formando uma tigela com água fresca. Relaxamento II 1 . Primeiro na mão direita. 5 . 3 . 3 . 4 .Erga as mãos na frente da barriga. braços ao longo do corpo e costas e nuca numa linha reta. em seu pé direito.Puxe os ombros para cima. Sinta-o reanimando seu corpo.Repita o exercício até 5 vezes. 4 .Atente para a nuca. 7 . seus ombros. 2 . 5 . deixe-os cair e feche os olhos. abrindo a tigela até que seu corpo esteja completamente alongado. virando. uma sensação agradável de calor.Volte à posição inicial.Apalpe o couro cabeludo e o rosto. 2 . depois no pé esquerdo.Sente-se confortavelmente em uma cadeira. imagine que está tomando um gole de água fria. Dobre levemente os joelhos.Faça aparecer. estique os braços cada vez mais para o alto. suas costas e sinta. Leve a tigela formada por suas mãos até a boca.Termine o exercício.Inspire lentamente e estique as pernas.

ANEXO 06 DADOS DOS HIPERTENSOS DO GRUPO DO PAT “EDUCAR HIPERTENSOS EM HÁBITOS ALIMENTARES SAUDÁVEIS” QUESTIONÁRIO 1 IDENTIFICAÇÃ0/ DADOS SOCIODEMOGRÁFICOS: NOME FAIXA DE IDADE: ( ) menos de 40 ( ) 51 a 55 SEXO: ( ) feminino ( ) 40 a 45 ( ) 56 a 60 ( ) 46 a 50 ( ) mais de 60 ( ) masculino ESCOLARIDADE: ( ) sem instrução ( ) alfabetizado ( ) ensino fundamental incompleto ( ) ensino fundamental completo ( ) ensino médio incompleto ( ) ensino médio completo ESTADO CIVL: ( ) solteiro ( ) casado ( ) estável ( ) divorciado ( ) viúvo RENDA MENSAL PESSOAL EM SALÁRIO MÍNIMO: ( ) nenhuma ( ) menor que 1 ( ) igual ou maior que 1 ANTECEDENTES PESSOAIS: ( )fumante ( ) alcoolismo ( ) derrame ( ) diabetes ( ) hipertenso ( ) infarto ( ) outros 2 INFORMAÇÕES ALIMENTARES: Quantas refeições faz por dia? ( ) nenhuma ( ) 1 ( ) de 1 a 2 ( ) de 2 a 3 ( ) de 3 a 4 ( ) mais de 4 A quais destes itens alimentares você tem acesso e quantas vezes por semana 74 .

faz uso deles? 75 .

3 DADOS SOBRE AUTOCUIDADOS a) Qualidade dos alimentos ingeridos ( ) pouco sal ( ) muito sal ( ) predomínio de carne vermelha ( ) predomínio de carne branca ( ) predomínio de vegetais ( ) predomínio de carboidratos b) Sono e repouso: ( ) normal ( ) insônia ) sim ( ( ) sim ) não ( ) não ( ) não c) Conhecimento do diagnóstico: ( d) Uso regular da medicação: ( ) sim e) Participação em atividades sociais: f ) Queixas principais ( ) dores articulares ( ) ansiedade g) Risco à vida e bem-estar ( ) tabagismo ( ) sedentarismo h) Relacionamento familiar: ( ( ) cefaléia ( ) outras ___________________________ ( ( ) bom ) alcoolismo ) estresse ( ) regular ( ( ( ) ruim ) não ) não ( ) parcial i) Comparecimento regular às consultas: ( ) sim j) Participação nas atividades coletivas: ( ) sim 76 .

couve. batatinha. Em vez de fritar em óleo. Tempere com molho do seu gosto. cheiro verde. Junte os outros ingredientes e mexa até a massa ficar ligada. Corte-o em fatias e rale-o. farinha de trigo ou mandioca. salsinha a gosto. sal em pequena quantidade Modo de fazer: Lave o mamão e tire a casca. 4 Casca de abóbora/jerimum Ingredientes: casca de abóbora ou jerimum. Adicione uma pitada de sal e deixe refogar até 77 . 1 cebola média. Obs: A receita pode ser usada para fazer bifes de jerimum. 1 pimentão. 3 Refogado Ingredientes: 5 folhas de taioba (ou outras folhas verdes como joão-gomes. alho e sal (quantidade mínima) Modo de fazer: Lave bem as folhas e corte-as bem fininhas. Junte os tomates. da casca do ovo ou pó da folha de macaxeira) e cheiro verde. cebola. 1 cebola grande. sal e óleo em pequenas quantidades Modo de fazer: Corte a casca e a cebola bem miúdas. corte e frite a cebola com pouco óleo. espinafre. Refogue em fogo baixo e com a panela tampada. coloque as bolinhas numa assadeira e leve-as ao forno. Tempere novamente e junte “cuim” (pó de arroz. Não leve mais ao fogo. alho e sal (quantidade mínima) Modo de fazer: Lave as cascas de banana. cheiro verde. Corte os outros ingredientes e misture com o mamão ralado. as folhas e tempere a gosto. 2 Salada de mamão verde Ingredientes: 2 mamões verdes médios. macaxeira.ANEXO 07 CARDÁPIO 1 Bolinhos ou bifes de casca de banana Ingredientes: cascas de bananas. berinjela. se necessário. junte a casca e a cebola bem picadas. 2 tomates. Esquente o óleo. escorra-as e pique-as em fatias bem finas. tomate. Descasque. e deixe ferver. 1 ovo (para ligar a massa). Coloque um pouco de água. óleo para refogar (quantidade mínima). 1 cebola grande. batata-doce). cheiro verde a gosto.

Adoçar a gosto. cozidos. prejudicar o estômago. antes de cortá-las. 6 . próximo à hora de servi-las.Os sucos devem ser tomados em goles moderados. A seguir.Banana verde pode ser aproveitada para mingaus. Melhor cozinhá-las no vapor (cuscuzeira ou panela de pressão). evitando. Descascada. arroz. 78 . adoçante a gosto Modo de fazer: Passar no liquidificador a cenoura ralada com água. macaxeira. folhas verdes de batata doce e de abóbora. bolinhos. 1 litro de água. ou para cozinhar o arroz. cheiro verde. É uma boa fonte de fibra. 3 . 5 Sopa de verduras Ingredientes: mamão verde. ralada e fervida com água. 5 . assim.Lave bem as hortaliças com água limpa. coloque-as na panela com os temperos e refogue tudo com pouca água por +. tomate. 2 folhas de couve bem lavadas. Depois de cortadas. Coe e sirva com gelo. pimentão. 1 pedaço de casca de laranja verde (+. abóbora. mel. sopas. Sirva com arroz branco. abacaxi ou laranja. adoçante ou rapadura a gosto Modo de fazer: Coloque num liquidificador o limão cortado com cascas e a couve. Obs: Pode-se substituir o limão por caju. Dicas Úteis: 1 . 2 . assim.Cozinhe as hortaliças. carne (opcional).secar.Aproveite a água em que foram fervidas as hortaliças para sopas e caldos. Acrescente os outros ingredientes e tempere com cheiro verde.15 minutos. 7 . bem lavadas. coar e misturar com o suco de limão. em pouca água e só o tempo necessário para amaciá-las. feijão. cebola. sal moderadamente Modo de fazer: Prepare as verduras e corte-as. alho. pois a vitamina C do limão melhora a absorção de ferro no organismo. por serem líquidos concentrados. A seguir. saladas e folhas cruas. 6 Suco de couve com limão Ingredientes: 3 limões bem lavados com casca. evitando. podem ser usadas no feijão.Cascas de bananas maduras. nas sobremesas. 1litro de água. perda de vitaminas e sais minerais. 1/2 copo de suco de limão. 7 Fanta natural Ingredientes: 1cenoura grande ralada. Coloque um pouco mais de água e deixe cozinhar até amolecer. perdem muitos elementos essenciais.Use um pouco de limão nas frutas.um palmo). adicione leite desnatado. 4 .

experiências vivenciadas no contexto social em que as famílias se inserem. nível de escolaridade da família. de saúde. a mortalidade infantil. As crianças. diarréia. No Nordeste. no Brasil. essas crianças têm uma alta freqüência nos atendimentos médicos e de enfermagem. podemos citar: as condições de vida. nesse mesmo ano. proporciona desenvolvimento infantil saudável. * ** Enfermeira com especialização em Enfermagem Obstétrica.4% por mil nascidos vivos. O aleitamento materno exclusivo contribui na redução da morbi-mortalidade infantil. Enfermeira com especialização em Saúde Pública e Gerenciamento em Programas Comunitá- 79 . Apresenta.6% por mil nascidos vivos. que são amamentadas e ingerem outros alimentos. como: é um alimento ideal e adequado às necessidades nutricionais da criança. 1994). contribuindo para o agravamento da mortalidade infantil em nosso país. atendimento pré-natal. verminoses. impetigo. infecções respiratórias agudas. desnutrição.5%.FLOR DE MÃE E O ALEITAMENTO MATERNO EXCLUSIVO Ana Lúcia Carvalho Chaves* Dalila de Nazaré Vasconcelos dos Santos* * INTRODUÇÃO Segundo dados do Ministério da Saúde (1998). apresentam constantes problemas de pele (escabiose. favorecendo a ocorrência de alguns óbitos. Em conseqüência disso. em 1980. Em 1996. ainda. micoses). por estarem amiúde doentes. em função das incontestáveis vantagens. bem como as condições relacionadas com o número de gestações. possui ação antiinfecciosa. como imunizante natural. Vários fatores influenciam diretamente nessa realidade. Dentre eles. a taxa foi de 60. apresentava uma taxa de 85. entre outros problemas. A variação desse indicador relaciona-se também às baixas coberturas em aleitamento materno exclusivo. essa taxa diminuiu para 37. entendido aqui como o ato de alimentar a criança de 0 a 06 meses somente com o leite materno (KING.

orientar. minimizando sua importância nesse processo. dificilmente. Com o advento da modernidade. Foi com esses objetivos que implementamos o Projeto Flor de Mãe. está na forma de abordagem. como bem diz Lothrop (2000): “De repente. Apesar de vários pensamentos convergirem para este ponto. amamentando”. dentro de todos os rigores científicos. também. imbuídos de tanto conhecimento científico e tecnológico. na garantia de saúde para a mãe e a criança. era comum entre as mulheres a prática do aleitamento exclusivo. influenciará no desenvolvimento de atitudes positivas em relação à amamentação. Funciona. tanto para a criança quanto para a mãe e demais familiares. tornou-se mais moderno alimentar por um plano rígido. ainda ignoram fatores determinantes para a amamentação. o qual descreveremos a seguir. como educadores da saúde. Para obtermos maior êxito com as orientações sobre tal prática. pois as famílias que não vivenciaram essa prática. precisamos levar em conta as experiências vividas pela mãe desde a mais tenra idade. a educação familiar. Daí a necessidade de um trabalho voltado para o estímulo ao aleitamento materno. Entendemos que grande dificuldade em nossa prática. na promoção e apoio ao aleitamento materno. Convém lembrar que. até porque não existiam alimentos que pudessem substituir o leite materno. até meados do século XX. dentre outros aspectos. poderão transmiti-la às novas gerações. mesmo que enfatizemos ser vital para a criança. Por isso. O simples fato de estarmos orientando a prática do aleitamento. com certeza. como contraceptivo natural. apoiar e/ou favorecer o aleitamento materno exclusivo devem estar além da nossa responsabilidade. no período em que a mãe está amamentando a criança. foram produzidos alimentos de caráter substitutivo desse alimento natural. portanto relevante o papel dos profissionais de saúde.influência biológica e emocional. com a mamadeira. 80 . em lugar de seguir a intuição. não a estimula a mãe a adquirir tal prática imediatamente. verificamos que os profissionais de saúde altamente qualificados. Consideramos. lembrando-nos sempre do nosso compromisso social neste processo.

FLOR DE MÃE EM ROSÁRIO E PRESIDENTE JUSCELINO Até então pensávamos que nossos conhecimentos técnicos eram suficientes para provocar a conscientização das mães sobre a importância do aleitamento materno exclusivo. Achamos viável aplicar nosso PTA nos municípios de Rosário. conseguimos reformulá-lo. discordâncias foram peças importantes neste momento para a definição do plano. foi-nos dada. iniciamos o trabalho elaborando nosso objetivo: “aumentar a cobertura de aleitamento materno exclusivo em 100% das crianças de 0 a 06 meses”. reorganizando o objetivo: substituímolo por “Garantir o aleitamento materno exclusivo às crianças de 0 a 6 meses” (Anexo 1). o Prof. ao participarmos do Curso para Educadores Sociais. tínhamos uma cobertura de 100% de aleitamento das crianças de 0 a 3 meses de idade. Começamos a avaliar nossa ação e observamos que nosso objetivo era muito amplo. ministrado pelo Professor Tião Rocha. Muitas idéias. É essa experiência que compartilhamos com o leitor. Tião Rocha e a Profª. Rosário e Presidente Juscelino. Logo no primeiro mês de aplicação do 81 . onde poderíamos acompanhar sistematicamente o desenvolvimento do Projeto Flor de Mãe. em Rosário. Na área de Estratégia de Saúde da Família. Cristina Loyola já vislumbravam a eficácia dela nas comunidade carentes. Eles não nos deixavam esquecer e cada vez mais apoiavam essa idéia. foram os primeiros municípios a receberem nossos serviços. a elaboração de um Plano de Trabalho e Avaliação – PTA. consensos.IMPLEMENTAÇÃO DO PROJETO FLOR DE MÃE No período de 23 a 27 de abril de 2001. Precisávamos reformular nosso Plano. Antes mesmo que nós acreditássemos nessa proposta. Apesar dos desencontros e encontros noturnos somente às segundas e terçasfeiras. Daí o incentivo que recebemos para que a levássemos em frente. Presidente Juscelino e Paço do Lumiar. segundo os dados coletados pelo Sistema de Informação em Atenção Básica – SIAB. Decidimos abordar o tema “Aleitamento Materno”. como tarefa final.

Essa constatação foi dolorosa para nós. Em Presidente Juscelino. 54 crianças de 0 a 6 meses inscritas no Projeto. porém para nós representam uma conquista valiosa. Contudo. porque dependíamos da Secretaria de Saúde do Município. Malvinas e Santa Luzia. frente a todas as pressões que as mães dessas crianças sofreram (e sofrem) para utilizarem outros tipos de alimentos que. isso foi insignificante. Tínhamos algumas dificuldades para desenvolver nossas ações. no que se refere à reprodução do impresso Flor de Mãe. três crianças foram assistidas pelo Projeto. observamos uma cobertura em torno de apenas 37%. junto com as demais. segundo King (1994). permaneceu nele até o sexto mês. atitudes sociais que fazem com que as mulheres se sintam pouco à vontade para amamentar em público. representam os modismos. num período de quatro meses. havia a dificuldade de acompanhamento das crianças. no período chuvoso. além da ausência de impressos. esses dados podem ser considerados pouco significativos. instrumento de fundamental importância para controle e avaliação da freqüência e qualidade das mamadas das crianças. considerando os resultados obtidos. A priori. Uma delas retornou ao aleitamento materno exclusivo e. retornou ao aleitamento exclusivo. devido o difícil acesso às comunidades da zona rural. tínhamos somente em Rosário. emprego remunerado. nos bairros Ivar Saldanha. Apesar dessas dificuldades. porém nos possibilitou percebermos o quanto precisávamos da estratégia de abordagem do aleitamento materno. Uma delas. tanto que.Projeto Flor de Mãe. o que as vizinhas fazem. propaganda de leites artificiais 82 . com uma semana de aplicação do PTA.

realizamos uma oficina para a prática da Boa Pega. mas. Um mês depois. na Vila São José I e II. causando muita dor à mãe. é necessário que ele seja colocado em posição adequada no colo da mãe. Para que o bebê tenha uma Boa pega. a criança precisa pegar uma quantidade suficiente da mama na boca de tal forma que possa pressionar com língua os seios lactíferos. conforme figura abaixo: Figura 1 – Diagrama de uma boa posição de mamada Como parte da apresentação do Projeto. Iniciamos nossas atividades realizando duas reuniões com os Agentes Comunitários de Saúde. as enfermeiras e os auxiliares de enfermagem que atuavam na área de Saúde da Família. ressaltamos os benefícios do aleitamento exclusivo e explicamos que. a mãe deve considerar dois pontos importantes: a sucção ajuda a puxar e manter o tecido mamário na boca da criança. muitas vezes a criança não pega muito bem a mama e suga apenas o mamilo. convocamos as mães e gestantes para apresentar-lhes o citado Projeto. durante a amamentação. no ato da sucção.FLOR DE MÃE EM PAÇO DO LUMIAR Em Paço do Lumiar. o Projeto Flor de Mãe foi implantado somente em maio de 2002. por si só. não retira o leite. pois não deve haver atrito entre a pele do Foto 2 – Oficina para a Prática da Boa Pega 83 . Na oportunidade. os médicos. Enfatizamos que.

quando viam seus filhos saudáveis. o qual tem motivado as mães a só darem o leite materno a seus filhos. Acho que é de suma importância a participação do pai em todas as fases de desenvolvimento da criança. valia a pena todo o sacrifício. retornamos à Unidade de Saúde na Vila São José I e II e reunimos os ACS para reorientação de nossa abordagem. A fim de avaliar operacionalmente essa estratégia.000 exemplares do impresso Flor de Mãe pelo Programa Viva a Vida. em especial aquelas que ainda apresentam dificuldades na prática da amamentação. em relação ao aleitamento exclusivo. É o que podemos comprovar abaixo: O aleitamento materno é um ato de amor da mãe para com o filho. principalmente. Ele. onde a mulher precisa receber maior apoio por parte da família e. do esposo. solicitamos que as mães avaliassem o preenchimento do impresso Flor de Mãe. Quero dizer que o Paço está de parabéns com o projeto. emocionado. Quero agradecer à enfermeira Dalila. falou de sua satisfação em participar do aleitamento de seu primeiro filho.Um fato devemos registrar que foi de fundamental importância na aplicação do Projeto em Paço do Lumiar: a doação de 1. ela está proporcionando a ele um desenvolvimento sadio e livre de doenças. Espero que a Secretaria de Saúde ajude esse projeto a 84 . para discutirmos sobre a importância do aleitamento e sua influência na prevenção do câncer de mamas e na libido. De posse dos impressos. Na oportunidade. Convém ressaltar que. através da qual realizamos o acompanhamento da criança. Eu não poderia encerrar este depoimento sem falar de um projeto que muito me ajuda a entender a importância do aleitamento materno. principalmente na amamentação. Cuido do meu filho na presença e na ausência de minha esposa. Procuro ser um pai sempre presente. por trazer este projeto para a Vila São José. foi realizado um encontro com as mães das crianças inscritas no projeto Flor de Mãe. Reorientamos algumas mães. no encontro. Em agosto de 2002. contamos com a presença do pai de uma das crianças. Através do mesmo. As vinte e duas mães presentes se manifestaram dizendo que. apesar do incômodo causado pelo preenchimento do impresso. no que se refere ao aleitamento e ao peso. o projeto Flor de Mãe. desenvolvemos uma planilha chamada “Mapa de Controle do Flor de Mãe”. principalmente durante a madrugada.

com pontuação máxima de 2 pontos. b) 2º e 3º lugares receberão uma cesta básica. o qual constou do seguinte: Inscrição: todas as crianças de 0 a 6 meses de idade que estejam em aleitamento materno exclusivo. d) aspecto geral da pele e cabelos. Julgamento: será feito através da Ficha de Avaliação.crescer por todo o município. b) boa pega. ou melhor dizendo. contendo os seguintes critérios: a) ganho de peso com pontuação máxima de 3 pontos. Documento de inscrição: “Cartão da Criança”. considerando os parâmetros preconizados pela Sociedade de Pediatria. Criamos o regulamento. Seleção: irão para a final as crianças que conseguirem a pontuação máxima de 7 pontos. c) regularidade das mamadas. para a dimensão ganho de peso. Premiação: serão premiadas três crianças: a) 1º lugar: receberá uma faixa do BEBÊ. FICHA DEde AVALIAÇÃO registradas no impresso “Flor Mãe”. Jurado: será formado por quatro pessoas escolhidas pela Comissão Organizadora entre os profissionais da área. Uma outra atividade que realizamos na Vila São José foi o Concurso Bebê Flor de Mãe. através do Cartão da Criança. 85 . em todo o Brasil. com pontuação máxima de 2 pontos. Comissão organizadora: foi composta por Dalila Santos e Leula Campos. com pontuação máxima de 3 pontos. uma camiseta Flor de Mãe e uma cesta básica. o qual deve ser trazido pelos pais no dia da inscrição.

em uma das folhas. prevenindo-os de algumas doenças e contribuindo para o planejamento familiar. No centro da flor. Cristina Loyola. conforme já nos referimos anteriormente. Secretário de Saúde do Município. duas enfermeiras do Pólo de Capacitação e a Coordenadora do Programa Viva a Vida. O impresso a que nos referimos é o desenho de uma flor que contém sete pétalas e um caule com duas folhas. apoiando-as de forma mais ativa e constante. As pétalas correspondem a cada dia da semana. Nele é registrada a freqüência das mamadas da criança. no sentido de redimensionar eventuais distorções no que consideramos uma mamada de qualidade e boa pega. Profª. Essa atividade contribui para avaliarmos a adesão das mães ao Projeto. durante todo o período de amamentação. deve ser colocado o nome da criança. As palestras sobre a importância do aleitamento materno exclusivo às mães e famílias favoreceram as reflexões sobre a amamentação. Todos os personagens tinham o nome de uma flor. A partir desse registro. nosso objetivo de garantir o aleitamento exclusivo está sendo alcançado. Concorreram 13 crianças. serviram de jurados: o Sr. pois à medida que o número de participantes aumenta. O concurso começou com a apresentação de um teatro de fantoches.Essa atividade recebeu o apoio da SEMUS e do Programa Viva a Vida. haja vista que esse procedimento beneficia não só o bebê como também sua mãe. Esse registro 86 . cada mãe recebe um novo impresso. As mamadas são registradas no impresso Flor de Mãe (Anexo 02) e nos possibilita acompanharmos a prática do aleitamento das crianças. temos maior poder de discussão com as mães dessas crianças e a família. no período de 24 horas. produção dos Agentes de Saúde sobre o objetivo do Projeto Flor de Mãe. CONTRIBUIÇÕES DO PROJETO FLOR DE MÃE O projeto Flor de Mãe possibilitou uma observação mais cuidadosa durante a amamentação. No dia “D”. o nome da mãe e na outra. a data do nascimento dessa criança. Semanalmente. troca de experiência com outras mães para tomarem a decisão de permanecerem no aleitamento exclusivo ou retornarem a ele.

contribuir mais efetivamente para a prática do aleitamento materno exclusivo. de fato. à criatividade. ao reconhecimento de uma boa pega.nos possibilita um acompanhamento mais sistemático da criança. finalmente. Quando as mães ou familiares nos procuram frente a uma dificuldade ou dúvidas em relação à amamentação. as quais não devem ser executadas apenas como rotinas a serem cumpridas. Observamos a preocupação das mães no que se refere à qualidade das mamadas. à paixão que cada um de nós tem por aquilo que faz. REFERÊNCIAS 87 . através da intensificação das visitas domiciliares pela Equipe de Saúde da Família e da regularidade do acompanhamento individual nas Unidades de Saúde. CONSIDERAÇÕES FINAIS Esta experiência nos mostra que estamos no caminho certo e que podemos. detalhes que são indispensáveis a um aleitamento com qualidade. a novas formas de fazer e. Também nos mostra o quanto devemos ser perseverantes em nossas ações. sentimos que nosso trabalho não está sendo em vão. à posição mais adequada para amamentarem. principalmente nas comunidade mais necessitadas dos serviços de PSF. mas devem estar atreladas à atenção. durante o período de amamentação.

ANEXO 01 Objetivo: Garantir o aleitamento materno exclusivo de qualidade nas crianças de 0 – 06 meses. Objeto: Aleitamento Materno exclusivo de qualidade 88 .

ANEXO 02 IMPRESSO FLOR DE MÃE 89 .

90 .

eu não imaginava que dali fosse resultar na formação do grupo e na realização do plano de trabalho” – disse uma das componentes de nosso grupo. **** Assistente Social. * ** 91 . para que formássemos os grupos de trabalho. Médica. especialista em Saúde Pública com Gerenciamento em Programas Comunitários. *** Enfermeira.Planejar ações de saúde de acordo com o perfil da comunidade. Durante o trabalho. não sabíamos do objetivo maior. fomos colocando todas as idéias. especialista em Saúde Pública com Gerenciamento em Programas Comunitários. Iniciamos o Curso. especialista em UTI e Saúde Ocupacional. Como primeira atividade. lá estávamos. Alguns só sabiam que era com o Professor Tião Rocha. foi-nos pedido que desenhássemos nossa própria mão e que escrevêssemos em cada dedo uma ação que gostaríamos de desenvolver em nosso trabalho. especialista em Enfermagem Obstétrica. ***** Enfermeira. .Planejar ações educativas. Aceitamos o convite e no dia marcado. Enfermeira. não imaginávamos o que ele seria. “Na verdade. Como eram tantas selecionamos as mais significativas: . Depois tivemos que encontrar quem estivesse com objetivos que se aproximassem.CICLO GRAVÍDICO PUERPERAL Dalila de Nazaré Vasconcelos dos Santos* Jucilene Vieira dos Santos Barros* * Leula Campos Silva* ** Maria das Graças Martins de Castro* *** Maria Goreth Cunha Bandeira* **** Maria Helenice Sabino* ***** RELATANDO A HISTÓRIA DAS PÉROLAS Ao sermos chamadas para o “Curso de Facilitadores” do Pólo de Capacitação”. especialista em Saúde Pública com Gerenciamento em Programas Comunitários. pois quando coloquei a minha mão no papelzinho. Achamos diferente a maneira de formar tais grupos.

Precisávamos escolher apenas cinco desses objetivos. para colocá-los em cada dedo da mão que desenhamos. esse número foi sendo reduzido e. Fizemos um escore para cada um e escolhemos os seguintes: Escolhidos os objetivos. pois representava muito bem o que seríamos.Reorganizar a demanda da Unidade Básica de Saúde – UBS. Precisávamos nos identificar melhor. começamos a direcionar nosso trabalho. atualmente. . como grupo. ..Promover a participação da comunidade nas ações oferecidas pela equipe.Aumentar a cobertura da assistência pré-natal.Aumentar a cobertura vacinal. 92 . nessa trajetória de construção de saberes. . demo-nos um nome: “As Pérolas”. No início éramos 12 componentes. . aos poucos. somos seis pessoas preocupadas com a qualidade de vida das comunidades carentes onde atuamos.Diminuir o número de gravidez na adolescência.

nossas ações e direcionando nosso fazer. sistematizando. somente em Paço do Lumiar. O encontro não aconteceu. considerando que a qualidade da assistência ao pré-natal precisava melhorar nesse município. a partir desse repensar. Concluído nosso primeiro PTA.Assistência no puerpério 5 . Repensamos os primeiros objetivos e.Organização da assistência pré-natal 3 . porém não conseguimos terminar essa atividade no primeiro encontro. Faltando somente uma semana para o segundo encontro. prosseguimos com a elaboração do Plano de Trabalho e Avaliação – PTA. escolhido como município piloto. decidimos aplicá-lo. decidimos construir um conteúdo programático para cada atividade proposta em nosso PTA. mas mesmo assim conseguimos elaborar nosso primeiro Plano de Trabalho e Avaliação (Anexo 01).Humanização do atendimento pré-natal e puerpério 6 . assim. apesar das várias tentativas de aproximação da equipe. finalmente nos reunimos. ficamos um tanto dispersas.Assistência pré-natal 4 . Éramos apenas três.CONSTRUINDO O PLANO DE TRABALHO E AVALIAÇÃO Organizado o grupo.Gravidez mês a mês 93 . foi influenciada também por nosso olhar de facilitadores do Curso Introdutório em Saúde da Família.Conhecendo o pré-natal e o puerpério 7 . entendendo sempre que a flexibilidade deve estar presente em todo planejamento. A escolha do tema se deveu ao fato de observarmos que nem todos os que atuam na Estratégia de Saúde da Família estão capacitados ou habilitados para prestar esse tipo de assistência. elegemos apenas dois: Aumentar a cobertura da assistência pré-natal e Reorganizar a demanda de clientes na Unidade de Saúde da Família. A fim de facilitar nosso trabalho. no primeiro momento.Qualidade do pré-natal 2 . Combinamos que o grupo iria se reunir posteriormente. Esse conteúdo constou do seguinte: 1 .

pedia perdão. finalmente elaboramos o PTA que considerávamos “definitivo”. a cada encontro. como por exemplo. caso ficasse com ele. de suas famílias. Decidimos. a fim de que cada participante pudesse socializar seus sentimentos. Primeiramente agradeceu a todos e começou a expor o que se passava em sua vida. puérperas e famílias. Durante as discussões para elaboração do trabalho. não estava trabalhando nem tinha como comprar o enxoval de seu filho. a dificuldade tinha sido geral.8 . pois tinha tomado a decisão de abortá-lo. decidiu que não iria mais fazer o aborto.A importância da parteira na comunidade Novo encontro com o Prof. constituindo o Anexo 3.Paço do Lumiar. Contudo. Estávamos um pouco apreensivas. também achava que não tinha condições para criá-lo sozinha. tendo a participação. Depois de muitas discussões. Todos voltados para o mesmo objetivo contribuiriam para a melhora psicológica das gestantes. para sensibilização das gestantes. estimularmos a formação de um grupo de apoio à gestante. decidimos que seria fundamental. também. a fim de apresentarmos o nosso trabalho. Ao final. vizinhos e comunidade em geral. pois não o tínhamos concluído.Assistência no parto 9 . ainda. Para nossa surpresa. dizendo que se encontrava muito angustiada e estava ali pedindo a Deus que a iluminasse para definir o que fazer diante da seguinte situação: estava gestante e o pai da criança não queria assumir seu filho. Tião Rocha foi marcado. sobre a importância do pré-natal: seu início. 94 . o objetivo “Aumentar a cobertura da assistência pré-natal” foi substituído por “Garantir a cobertura do ciclo gravídico-puerperal”. uma pessoa se aproximou do grupo e pediu para falar. a cada leitura ou realização das atividades. amigos. como se engravida. Ao assistir à reunião. fazíamos alguns ajustes.Diretrizes básicas para assistência ao parto domiciliar 10 . Algumas dessas dinâmicas estão relacionadas no final do trabalho. aplicaríamos uma dinâmica de descontração do grupo. Convém ressaltar que essa idéia surgiu após uma reunião com as gestantes na área do Paranã . que em cada encontro. Colocou sua satisfação e todo seu agradecimento ao grupo que Deus tinha colocado em seu caminho. reflexões e reformulações. etc.

estou grávida”. Em uma segunda reunião realizada com a presença não só das gestantes. ficou muito centrado na atuação do médico.Após seu depoimento. pudemos comprovar a validade de um trabalho construído coletivamente. Pudemos. o que nos deixou bastante otimistas com o resultado. Os ACS que se fizeram presentes tiveram uma atuação de fundamental importância: apresentaram teatro de fantoche baseado no texto “Mamãe. Percebemos que as trocas de experiências contribuíram para que as gestantes se tornassem solidárias. É bom que se diga que os depoimentos dados na área do Paranã. observamos uma situação totalmente diferente. todos ficamos muito comovidos. com a participação de 20 pessoas. ainda. na primeira reunião. discutiram o valor da alimentação durante a gestação. mas também dos familiares. Outros depoimentos surgiram e como conseguiram resolver os problemas. não foram alvissareiros: o descontentamento era geral. ajudando mutuamente umas as outras em suas dificuldades. somente uma pessoa elogiou o atendimento dado pela enfermeira. dentre outros aspectos da gravidez. a partir dos objetivos propostos no PTA. Na oportunidade. aferir os indicadores e as evidências 95 . utilizaram recursos audiovisuais como o álbum seriado. Foto 01 – Álbum Seriado sobre o tema Assistência pré-natal Colhemos vários depoimentos das gestantes. pois vimos que depois de iniciarmos o pré-natal. o profissional da área.

ficando assim redigido: Garantir a assistência no ciclo gravídico-puerperal. apareceram várias opiniões. Nosso nível de atuação como ESF é no ambulatório e na comunidade. “O meu pré-natal é muito bem feito. Eis alguns desses depoimentos: “Agora estou muito contente com o meu prénatal. Um outro ponto discutido foi o parto. quando na verdade nosso principal objetivo é a qualidade da assistência que queremos prestar. o que acatamos prontamente. foi retirada do PTA. eu até já fiz vários exames.do Plano aplicado. sei que o meu bebê vai nascer saudável. não há maternidade de referência. No penúltimo encontro com o Prof. foi sugerido que as dimensões 2 (no mínimo 1 consulta mensal no pré-natal) e 5 (duas consultas no puerpério) fossem reestruturadas.” Para a maioria. Apesar de o Ministério da Saúde recomendar até 6 consultas no pré-natal e.”. em função de já existir no município a estrutura necessária ao atendimento 96 . uma no puerpério. apesar de entendermos que ele faz parte da assistência gravídico-purperal. até porque. Porém entendemos que estamos contribuindo com orientações indispensáveis à nossa clientela sobre a importância do parto hospitalar ou domiciliar dentro da assistência pré-natal. seja por parteiras tradicionais. não demos destaque como dimensão indispensável a essa assistência. A dimensão 4 (estrutura física adequada e recursos materiais). quando fomos apresentar o PTA que julgávamos ser o definitivo. Ao avaliarmos nosso PTA. especificamente no nosso caso. no município de Paço do Lumiar. Aceitamos a sugestão e substituímos cobertura por assistência. cobertura implica em quantificar. no mínimo. seja ele realizado pelos profissionais graduados. o atendimento a todas as gestantes já está sendo mensal. no município de Paço do Lumiar. dentre elas a substituição da palavra cobertura no objetivo “Garantir a cobertura do ciclo gravídico-puerperal. Tião Rocha. a enfermeira pega na minha barriga e outro dia ela até me deu uma vitamina”.

medicações específicas e outros benefícios pertinentes ao atendimento a gestantes. Essa adesão já foi aprovada e já iniciamos o cadastramento das mulheres grávidas de até 4 meses. nossa idéia não foi receptiva. Convém ressaltar que. assim como a atividade de convencimento do gestor para implantação do pré-natal e parto humanizado.00 por gestante à UBS que a cadastrou. naquele momento: será que a dinâmica utilizada foi adequada? A ocasião que foi imprópria? Não teria sido melhor uma reunião específica para o assunto? Essas reflexões foram extremamente proveitosas. médicos e enfermeiros. O espaço utilizado foi a Secretaria de Saúde do Município. o MS libera recursos no valor de R$50. Aproveitamos uma reunião das equipes que iriam tratar de problemas internos de funcionamento e abordamos o novo modelo de atendimento pré-natal com o qual estamos trabalhando. em Paço do Lumiar. antes mesmo da nossa intervenção. não sentimos nenhum interesse por parte da maioria. Com esse recurso. conforme já nos referimos no início do capítulo. Isto porque foi elaborado um projeto para o Ministério da Saúde – MS. Entendemos que em breve outras dificuldades também serão solucionadas. No momento em que a mulher é inscrita no Programa. As atividades propostas têm sido desenvolvidas. adotando as que proporcionam uma melhor qualidade ao atendimento à gestante Para nossa frustração. Inicialmente. Assim adotamos o seguinte roteiro para demais reuniões: 97 . lemos a Fábula da Vaquinha (Anexo 2) e falamos da importância de mudarmos posturas. mesmo assim lançamos o convite. Como primeira atividade. realizamos a sensibilização dos profissionais de saúde. mais especificamente. a Secretaria de Saúde do Município já está agilizando a implantação de uma maternidade. pretendemos implementar um pouco mais as consultas. pois logo vimos que precisávamos reformular nossa estratégia de abordagem.e as atividades previstas já em processo. a partir da aprovação do SISPRENATAL. Essa atitude dos participantes levou-nos a avaliarmos nosso trabalho. município piloto. com a compra de sonar. principalmente. a fim de realizarem pelo menos 6 consultas pré–natais e duas de puerpério. requerendo a adesão para o SISPRENATAL.

Isso causou muitas horas de riso. Tudo transcorreu muito bem. decidimos capacitar primeiramente todas as 13 Equipes de Saúde da Família de Paço do Lumiar. todos os profissionais se mostraram bastante receptivos e interessados. visto que estavam presentes. alguns homens como os vigias e um Agente de Saúde da 98 . parto e puerpério. não teríamos condições de treinar todos os profissionais dos dois municípios (Paço do Lumiar e São José de Ribamar). no grupo. fazendo algumas adequações no programa. Cada equipe seria uma multiplicadora da capacitação. surgindo inclusive a sugestão de formarmos grupos de estudo. utilizamos esse roteiro.Apresentação do Plano de Trabalho e Avaliação Em São José de Ribamar. Como nós. Um outro momento importante foi a Capacitação dos Profissionais de Saúde (médicos e enfermeiros). Contamos com a presença de 10 profissionais (6 médicos e 4 enfermeiros). No primeiro momento.Leitura da Fábula da Vaquinha .Questionamento sobre o atendimento no pré-natal . também na Escola Estadual Marly Sarney. O encontro aconteceu na Escola Estadual Marly Sarney localizada no Maiobão . Seguimos todo o roteiro conforme o cronograma. Pedimos então aos participantes que se imaginassem gestantes. foi feita uma abordagem geral sobre a importância da assistência pré-natal. Pedimos uma reunião para tratarmos exclusivamente do assunto. repassando aos demais membros e funcionários da Unidade de Saúde o conteúdo abordado durante a capacitação. O encontro foi realizado de 2 a 4 de setembro de 2002. auxiliares de enfermagem e pessoal das UBS. “As Pérolas”. Agendamos a capacitação para meados do mês de setembro/02.Paço do Lumiar. A avaliação foi bastante positiva. o que aconteceu com bastante sucesso. Também realizamos a capacitação dos ACS.Apresentação de um mural sobre o depoimento das gestantes em palestras anteriores .Reflexão para mudanças . porém tivemos que transferi-la para final de outubro.. no sentido de melhorar o nosso atendimento. por sentirem que outros assuntos deveriam ser abordados.

percebemos um atendimento eficiente e sintonizado. apresentassem suas reflexões. foi pedido que idealizassem como gostariam de ser atendidos em US e. foram bastante participativos. Após a apresentação. achando que sua presença seria dispensável. como podemos comprovar abaixo: “se nós não dermos um atendimento de qualidade a essas pessoas. a seguir. Ao ser chamada para o atendimento com a enfermeira. Essa encenação serviu de referencial para todo o Curso. ao perceberem que todo atendimento dado aos nossos clientes na Unidade de Saúde depende de todos os que trabalham naquele local. serviam-lhe água e cafezinho constantemente. Lá chegando. começando com a visita domiciliar do Agente de Saúde até o encaminhamento de uma gestante à Unidade de Saúde. era encaminhada à sala de preparo. Quando foram chamados para participar da capacitação. Enquanto aguardava sua vez. A apresentação foi interessante. O que precisávamos a cada dia era avaliarmos nosso comportamento diante desses clientes. Poderia ser concretizado. elas não virão ao serviço e 99 . essa gestante. A seguir. Durante a representação. peso e estatura. o grupo comentou que aquele tipo de atendimento era o sonho de todos os que o representaram sem nenhuma utopia. retirada da ficha geral para o atendimento. bastava apenas o comprometimento dos profissionais que estão no atendimento e o apoio da Secretaria de Saúde. não entenderam a razão. o primeiro grupo abordou um atendimento no qual se visualizava toda a estruturação do serviço. caso necessário. e que não existe grau de importância dentro do serviço. encaminhada para o atendimento médico ou outros serviços. Como parte do treinamento. onde era feita a sua identificação. Entendemos que conseguimos despertá-los para uma nova postura. através de uma dramatização. Porém ao longo do curso. a fim de verificarem sua pressão arterial. era levada pela auxiliar de enfermagem até o consultório e. era recebida pelo vigia que informava a quem deveria se dirigir ao entrar à unidade e chamava a auxiliar de Serviços Gerais para acompanhá-la até a recepção. acompanhada de um familiar. após seu atendimento.Unidade de Saúde da Vila São José. serviço realizado pela auxiliar de enfermagem.

1 luva estéril. Fizemos a distribuição de kits fornecidos pelo MS. livro da parteira e caderno de notificação de partos. depois que a gestante toma o mingau. depois do parto. assim. Até os vigias e as operacionais contribuem com esclarecimentos sobre como vai ser feito o atendimento do dia. cada vez mais. não tem necessidade de estarmos ali e se não somos necessário. “as placentas que criam “rabos” acontecem em mulheres que comem “pregado de arroz. Isso tem fortalecido. ajuda coletiva dos profissionais da UBS. depois das 5hFoto da 02 tarde” – Capacitação das parteiras Uma outra parteira falou de sua fórmula infalível para ajudar a mulher a parir: “o mingau de força”. fios esterilizados. 1 sombrinha. O interessante é que elas têm muitas histórias curiosas pra contar. 1 fita métrica. estaremos desempregados”. e que se sentam na porta da rua. Conseguimos. O mingau é feito com água. pois esses se amarram na coluna e a placenta não desce de jeito nenhum. a fim de que a saúde da mãe e do bebê não fosse comprometida. na retirada das fichas e pesagem de algumas pessoas. 100 . 1 lanterna. após 5 minutos ela coloca o menino pra fora. sal.se elas não vierem. os quais eram compostos de: 1 bolsa. comprometida. Segundo ela. como a relatada abaixo: o que mais me preocupa. são as placentas. nosso trabalho. Segundo ela. 1 encerado. Um outro ponto a destacar foi a capacitação das parteiras tradicionais. farinha e 3 caroços de pimenta do reino. O encontro aconteceu com as parteiras do município de Paço do Lumiar. visualizar a participação ativa. Muitas dúvidas foram tiradas e aproveitamos para enfatizar até onde elas podiam manipular a mulher e o momento de encaminhá-las para o hospital. e principalmente as que têm “rabos”. 1 tesoura. nos dias 07 e 08 de outubro/02.

A reunião para formação do grupo aconteceu no início de outubro/02 e contamos com a participação de 22 pessoas da comunidade. Vale ressaltar. se elas acharem que essa mulher tem “placenta de rabo”. O local escolhido foi o Centro de Saúde da Vila São José. Ao final da reunião ficou decidido que: a) cada participante levaria um convidado. 101 . Inicialmente abordamos a importância do apoio à gestante pelos familiares e comunidade. crochê. Em seguida. mas agora eu já aceito. com o objetivo de favorecer um diálogo mais aberto entre cada participante.” “Tomei remédio para perder porque ainda estava amamentando. ainda. ginástica para gestante. aplicamos a dinâmica Espaço de Vida (Anexo 3). independente da nossa presença. mas agora já estou conformada”. devendo ser. b) deveria ser providenciado um local fixo para as reuniões. destacamos: “no início. portanto. pois consideramos isso uma questão cultural. no próximo encontro. c) as atividades aconteceriam semanalmente. devem encaminhá-la ao Hospital o mais rápido possível. valorizada. os próprios participantes organizaramse em duas equipes: uma ficou responsável para providenciar o local das próximas reuniões e a outra se responsabilizou pelo lanche. pintura etc. Enfatizamos que. Dentre os vários depoimentos. d) deveriam ser desenvolvidas atividades como: bordado. confecção de enxoval. a criação de um grupo de apoio. Após essas sugestões.Respeitamos a opinião de todas. eu não aceitei o meu filho.

Saímos dali com as seguintes decisões: o dia da próxima reunião com o grupo e com a primeira-dama do município. Não sabíamos até que ponto não seria permitida alguma intervenção no local. A equipe responsável pelo lanche não cumpriu com o prometido. tricô. tem sido revestida de muita responsabilidade e paixão pelo que estamos nos propondo a fazer: um cuidar diferente em saúde. para discutirmos a decisão do grupo. Passados alguns dias. mas tínhamos a certeza de que não iríamos desistir daquele grupo. APORTANDO NO AZUL DAS ONDAS A construção desse processo está sendo bastante conturbada. na conclusão do Projeto. instalação de energia elétrica. continuemos inseridas no trabalho. demos início à reunião.Essa iniciativa foi muito importante para nós. Gostaríamos de ressaltar que nossa ação. pois o fato de quererem caminhar sozinhas demonstra que poderão crescer e se fortalecer como pessoas. como: pintura. oportunizando-nos novas formas de construção do trabalho 102 . juntamente com os Agentes de Saúde. para o próximo encontro. Esperamos que. o objetivo da reunião com a primeira-dama do município era o de solicitar compra de material para o desenvolvimento das atividades de bordado. apesar de sermos liberadas de nossos trabalhos. Isto porque. reparo das máquinas de costura que estavam sem condições de funcionamento. dentre outras necessidades mais urgentes. pois cremos que ele deve continuar. crochê e para reparos no local e nos utensílios. Na verdade. Esse fazer diferente representa para nós um começo que marcou para sempre nossa vida pessoal e profissional. gostaríamos de disponibilizar mais tempo para uma maior dedicação. temos outras atividades que demandam tempo e interferem em nosso dia-adia. verificamos que o número de gestantes era menor. mas precisava de reparos. todos estariam responsáveis em chamar outras gestantes. a experiência está sendo bastante válida. devido à falta de uso. O local escolhido era muito bom. mesmo assim. pois. nessa caminhada. limpeza. tivemos a confirmação de que o grupo havia conseguido local fixo para os encontros. Marcamos a segunda reunião e no dia previsto. além do conhecimento.

durante a capacitação das parteiras tradicionais e nas atividades educativas. Nessa nossa trajetória. Procuramos. procuramos ser prudentes e buscar um consenso no coletivo. e com ela. procuramos construir um jeito diferente de se fazer saúde. Cuidando do Ninho. a utilização de “Jejê” um boneco RN. Nossa equipe é bastante unida. Acreditamos que isso foi um ponto fundamental para o que consideramos excelente êxito do grupo. Ao tratarmos de temas como: aleitamento materno. a peça “Mamãe. algumas vezes desgastantes diante de algumas teimas. também. preparo das mamas para a amamentação. Construímos vários instrumentos e tecnologias como: o álbum seriado sobre a assistência pré-natal. Guia de Cego.comunitário. com placenta e cordão umbilical. dentre outras. para a realização das 103 . durante o pré-natal. estou grávida” (Anexo 4). fizemos uso de uma mama de tecido. algumas dinâmicas (Anexo 3). Dinâmica do Beijo. ainda. Vale ressaltar o grande apoio logístico das Secretarias de Saúde de Paço do Lumiar e de São José de Ribamar. Houve. Tudo isso nos foi possível realizar devido o desprendimento de “cada pérola” e das pessoas com as quais convivemos. prevenção do câncer de mama. como: O Acampamento. Minha Outra Metade. Apesar das nossas discussões. tornar mais concretas nossas palestras. dávamos todas as orientações possíveis.

Como capacitar? .Vitaminas e Sais minerais . alimentação.Realização das seguintes atividades: .Utilização de uma mama (aleitamento materno) .PTA OBJETIVO: Garantir a assistência no ciclo gravídico-puerperal OBJETO: Assistência no ciclo gravídico-puerperal DIMENSÕES 1-Profissionais PERGUNTAS IMPORTANTES .(características das DST’s) • Dominó da Boa Saúde (Vitamina A.Criação dos jogos didáticos: no pré-natal e puerpério? • Teatro de fantoches . Ferro e Iodo) • Tapete mágico (prevenção das DST’s) • Jogos dos Pares (planejamento familiar) .Médicos.Aumento de PÚBLICO ALVO .Acolhimento às gestantes e puérperas .Utilização do Boneco Rn com 104 . planejamento familiar .Orientações sobre o aleitamento materno.Oficina de capacitação sobre o ciclo gravídicopuerperal INDICADORES E EVIDÊNCIAS .Equipe de Saúde da Família .Que atividades o profissional deverá realizar após capacitado? ATIVIDADESTÉC NI CAS EINSTRUMENTOS . preencher corretamente o cartão da gestante e impressos .Anamnese . auxiliares de enferma-gem e ACS . enfermeiros.Confecção de álbuns seriados sobre: .3 meses .Treinamento estão para parteiras sensibilizados tradicionais para a assistência .Equipe ‘As Pérolas” . exame físico .Que (importância do metodologias pré-natal) devem ser utilizadas • Bingo das DST’s para capacitá.ANEXO 01 PLANO DE TRABALHO E AVALIAÇÃO .Os profissionais .Assistência Prénatal .Encontro para sensibilização dos profissionais para assistência no pré-natal e puerpério . sexualidade.Funcionários da UBS Parteiras TEMPO E RESPONSÁVEL .Coordenação da Saúde da Mulher .

Consulta .levantamento atendidas no e busca ativa pré-natal? do número de puérperas faltosas .Em que período essas . dentistas.Puerpéras .Equipe do PSF 105 .As puérperas .Esta gestação foi programada? .9 meses .ESF .Implantação pré-natal .Demais profissionais .Gestantes . assistente social .Primeira-dama do município .Aumento de do puerpério demanda das implementar estão púerperas na a consulta de garantidas? unidade puerpério .A d e s ã o d e .Comunidade .Palestras sobre a atendidas realizadas importância do estão compatíveis acompanhamento com o do puerpério número de gestantes .As consultas .Freqüência das 2 .Como as con.Secretário de Saúde .Duas consultas .ESF .Reproduzir e/ou distribuir os impressos 3.Gestante pessoas ao grupo de apoio ..Visitas domiciliares consultas estão sendo .Famílias .Fluxograma do mensal no atendimento gestantes nas sultas estão pré-natal atividades préinseridas na Palestras sobre a UBS? natal importância do .Estão consciente dos eventuais riscos à gestação e puerpério pela ausência ou .Que estratédo pré-natal gias utilizar Visitas domiciliares e parto para garantir humanizado a consulta .Famílias .O grupo venha sugerir atividades que deverão ser executadas ou discutidas .Puérperas .Gestantes .Famílias .Demais profissionais 4 .Como se dá a participação da gestante no pré-natal? .40 dias .Duas consultas no ..9 meses .A gestação é bem aceita? .Formação de grupos de apoio .Reuniões para mensal? convencimento .Implantar e/ou .Secretaria Municipal .Registro na do gestor para a ficha geral e implantação do no cartão da pré-natal e parto gestante dossiê humanizado do pré-natal e outros .Comunidade .Psicólogo.

é claro que ninguém deve sair por aí empurrando a vaquinha dos outros. também com as pessoas que mal conhecemos.. avistou um sítio muito bonito.. pegue a vaquinha. com árvores floridas.ANEXO 2 Fábula da Vaquinha Um mestre da Sabedoria passeava por uma floresta com seu fiel discípulo. Aquela cena ficou marcada na memória daquele jovem durante alguns anos. todo murado. os moradores. aparentemente o pai daquela família. e perguntou: “Neste lugar não há sinais de pontos de comércio e de trabalho. como percebeu o silêncio absoluto do seu mestre. casa de madeira. até que um belo dia. Elogiou o local e perguntou ao senhor (o dono da vaquinha): “Como o senhor melhorou este sítio e está tão bem de vida?” E o senhor. Ficou triste e desesperado. Apertou o passo e. Quando se aproximava do local. O sentido conotativo desta história diz que todos nós temos uma vaquinha que nos dá alguma coisa básica para sobrevivência e uma convivência com a rotina. foi logo entrando na casa e viu que era mesmo a família que visitara antes com o mestre. entusiasmado. quando avistou ao longe um sítio de aparência pobre e resolveu fazer uma breve visita. Uma parte desse produto nós vendemos ou trocamos na cidade vizinha por outros gêneros alimentícios e a outra parte nós produzimos queijo e coalhada para o nosso consumo e assim vamos sobrevivendo. imaginando que aquela humilde família tivera que vender o sítio para sobreviver. pedir perdão e ajudálos. Chegando ao sítio. empurrou a vaquinha morro abaixo e a viu morrer. respondeu: “Nós tínhamos uma vaquinha que caiu no precipício e morreu. voltou ao seu fiel discípulo e ordenou: “Aprendiz. um casal e três filhos. chegando lá. tivemos que fazer outras coisas e desenvolver habilidades que nem sabíamos que podíamos.. nós temos uma vaquinha que nos dá vários litros de leite todos os dias. ele resolveu largar tudo o que havia aprendido e voltar àquele mesmo lugar e contar tudo àquela família. leve-a ao precipício ali à frente e empurre-a. com carro na garagem e algumas crianças brincando no jardim. contemplou o lugar por uns momentos. Assim.O jovem arregalou os olhos espantado e questionou o mestre sobre o fato de a vaquinha ser o único meio de sobrevivência daquela família. Como o senhor e a sua família sobrevivem aqui?” E o senhor calmamente respondeu: “Meu amigo. Durante o percurso ele falou ao aprendiz sobre a importância das visitas e as oportunidades de aprendizado que temos. depois se despediu e foi embora. constatou a pobreza do lugar: sem calçamento. E assim o fez. Então se aproximou do senhor. vestidos com roupas rasgadas e sujas.. estarmos sempre 106 . Daí em diante. assim alcançamos o sucesso que seus olhos vislumbram agora!” Esta é uma história apenas ilustrativa. foi cumprir a ordem. jogue-a lá embaixo”. mas. Nós devemos expandir nossas habilidades e conhecimentos.” O sábio agradeceu a informação. No meio do caminho.

A seguir. 107 . no formato de uma barriga de gestante. Terminada essa etapa. o dirigente solicita que cada um confeccione uma bola com o jornal. sob a orientação do dirigente. se esta “vaquinha” cair num precipício. um círculo etc. relacionando-a com a gestação e partilhando suas reflexões no que se refere ao lugar que o bebê está ocupando no imaginário da família.aprendendo coisas novas e nos desenvolvendo para que um dia. que denote aceitação para com este pequeno ser. ANEXO 3 DINÂMICAS 1 Espaço de Vida Objetivo: Despertar na mulher-mãe a necessidade de se cuidar durante a gestação e pós-parto como condição necessária ao seu bem-estar e do bebê. utensílios relacionados ao enxoval do bebê. ao som da música de Eu sei que eu vou te amar – de Vinícius de Moraes. cobrindo-a com papel alumínio. Um a um dos participantes retira um utensílio e elabora uma frase afetiva. a experiência com o grupo. compartilhando. passarão a mão sobre a barriga. papel chamex. jornal. tenhamos tantas outras vaquinhas. Colocar em cada drapeado palavras como: aceitação. Terminado o compartilhar. clima familiar favorável etc. cuidado etc. e cada participante retira do drapeado uma palavra. boneco. Material: cartolina. colocar no centro da sala um boneco com os utensílios do enxoval do bebê. depois. drapeando-o. papel alumínio.) e. caneta hidrocor. cada participante recebe uma folha de papel com o desenho do Espaço de Vida (um quadrado. CDs. que a perda não nos fará diferença. conforme o momento que está vivenciando. divide-o. micro system Procedimento: Participantes em círculo e..

muito ofegantes. O que seria? Era o cacarejar de galinhas: 7 delas ciscavam em busca de alimentos para os 10 pintinhos que as acompanhavam.. se desfazem e todos voltam a caminhar. Encerrando a dinâmica. sentamo-nos no chão. pronto para um abraço amigo. 3 Minha Outra Metade 108 .. a qual deverá ser dramatizada pelos participantes durante a leitura.. respiramos profundamente por alguns instantes.. A seguir. águas plácidas. abrimos os olhos e o que vemos? Um bando de patos selvagens que voava. cercado por uma vegetação muito densa! Mas. Toda vez que um número for lido.. muito assustados.. porque 4 pacas atravessaram nosso caminho em busca do seu bando. Levantamo-nos e continuamos em busca do acampamento. distantes do resto do grupo! De repente. mas. E o que estamos vendo? O grupo todo correndo em nossa direção. lê uma estória. ouvimos um barulho diferente. Fechemos os olhos e caminhemos lentamente! Imaginemo-nos à beira de um lago muito azul. não mais que de repente. Corremos. em seguida. fazendo um barulho ensurdecedor! De uma das árvores. Modelo de estória: O Acampamento Estamos num acampamento! Partimos para um passeio de exploração da região..onde estamos? Caminhamos durante muito tempo e parece que estamos perdidos. com os braços abertos. Para nos refazer do susto. Paramos repentinamente.2 O Acampamento Procedimentos: O monitor solicita aos participantes que fiquem em pé.. os participantes formarão subgrupos com a quantidade de elementos igual ao número pronunciado e. tecer comentários sobre o conteúdo da história. pulam à nossa frente 5 macaquinhos endiabrados. Que bom! Isso indica que estamos próximo ao nosso acampamento.

Procedimentos: Recortar cartelas de cores variadas. um pensamento. versículo bíblico. inicia-se com a distribuição de duas metades. outra para o masculino. Estabelecer um tempo para as pessoas procurarem as suas metas. duas marcas para gêmeos e um asterisco ou uma trinca para algumas deficiências. Após 10 min (mais ou menos). orientar cada equipe no que se refere ao cuidado com o bebê. anotando os depoimentos dos participantes sobre o cuidado com o “bebê”. fazendo-lhe um ninho. Pontos para discussão: Como o “bebê-ovo” interferiu na vida diária de cada participante? 109 . Cortar as cartelas ao meio. 4 Cuidando do Ninho Material: 1 ou 2 ovos crus de galinha por equipe. propriamente dita. A seguir. Estimular os participantes a personalizarem seu “bebê”. Acompanhar essa caminhada no decorrer do treinamento. A dinâmica. em cada cartela. tamanho aproximadamente de 10 x 5 cm. pintando um rosto. como foi o encontro etc. deve ser trazido em toda reunião/ encontro do grupo. de modo que a frase fique dividida. à proporção que cada dupla se encontrar. tendo o cuidado para que todos recebam uma metade.). Distribuir 1 ou 2 ovos por equipe e explicar que ele simboliza um recém-nascido que será cuidado pelos participantes. canetas hidrográficas Tempo: 15 minutos em sala de aula e durante os dias do Treinamento Procedimentos: Marcar os ovos previamente: uma cor para o sexo feminino. solicitar que algumas duplas falem sobre a experiência (o que sentiram. uma palavra apenas). Mesmo levando-o para casa. uma frase significativa (pode ser parte de uma música. procurar um lugar para conversar: o ponto de partida é a frase escrita na cartela. Escrever. de modo que todos possam receber uma. em número suficiente. o qual não pode ser afastado durante todo o Curso.

pedir que cada dupla inverta os papéis. os participantes representam os papéis do cego e do guia. concedendo-lhe mais 10 minutos. Fazer a ponte com o nosso dia-a-dia. Questionar se o “cego” sentiu-se seguro e realizou toda a atividade com os olhos fechados. colocar a música e solicitar que dêem inicio à atividade. reunir o grupo em círculo e comentar com eles a experiência vivenciada. dá os seguintes comandos: 1 toque no ombro esquerdo: curva para a esquerda 2 toques no ombro esquerdo: curva acentuada para a direita 3 toques no ombro esquerdo: curva com retorno para a direita 1 toque no ombro direito: curva leve para a direita 2 toques no ombro direito: curva acentuada para a direita 3 toques no ombro direito: curva com retorno para a direita 1 toque entre as duas omoplatas: parar Estabelecer cerca de 10 minutos para essa fase. os tolos e ignorantes também 110 . lembrando os participantes que há “cegos” e “guias” em todos os contextos sociais (abuse da metáfora). Encerrado o tempo total. ou se não resistiu à tentação de abri-los vez ou outra. Diga a sua verdade de modo sereno e claro e ouça os outros. O “cego” fecha os olhos e o “guia” se coloca atrás dele. Para encerrar. A seguir. Esgotado esse tempo. ler o texto DESIDERATA Siga tranqüilo entre o clamor e a impaciência e lembre-se da paz que pode se esconder no silêncio. Esteja de bem com todos até onde não seja preciso ferir os seus princípios.Que sentimentos surgiram? Que dificuldades apareceram durante o processo? Como foram interpretadas as quebras de ovos? Por que há equipes sem ovo? Algum “bebê -ovo” foi seqüestrado? Como evitar o seqüestro? Que aprendizado resultou dessa dinâmica? 5 Guia de Cego Procedimentos: Em duplas.

Não deixe de crer no amor.. ESTOU GRÁVIDA! (criação: Sandra Cordeiro) Personagens: Pai. sobretudo não simule afeição..Conceicão Filha... ela é um bem verdadeiro na sorte inconstante da vida. 6 Dinâmica do Beijo Procedimentos: Com o grupo em círculo.. de bom grado.... mesmo em face de toda aridez e desilusões. Desfrute de suas realizações tanto quanto de seus planos.. ele é tão perene quanto a relva..têm sua história. como: por que homem não beija homem? Por que é difícil expressar carinho? Por que é mais fácil expressar carinho para uma boneca que para uma pessoa? ANEXO 5 MAMÃE. Aceite graciosamente o conselho dos anos.. o (a) dirigente dá um beijo na boneca (no dedo do pé. por exemplo) e passa-a para a colega ao lado que. Depois.. Apesar de todas as falsidades.. como as árvores e as estrelas...... Concluída essa etapa.. todas as canseiras e todos os sonhos desafeitos. A seguir.. não se pode beijar uma parte que já foi beijada)... por mais humilde que seja. ressaltando alguns aspectos.... mas não exija demais de si mesmo. Seja autêntico... também.... abrindo mão... da mesma forma que a boneca foi beijada.... beija a boneca e assim sucessivamente.. para poder enfrentar o golpe súbito do destino..... a educadora mostra uma boneca e explica que cada participante deve dar um beijo numa parte da boneca (uma de cada vez.Duruta Mãe.. Tenha uma disciplina sadia. das coisas da juventude.. você tem o direito de estar aqui..... cada participante deve beijar a colega ao lado... Fortaleça seu espírito.. o mundo é bonito..Maria do Socorro 111 . Você é uma parte do universo. Interesse-se por sua profissão....... inicia-se um debate livre sobre o que cada uma sentiu..

filha.. Maria do Socorro.. já sabe? Maria do Socorro: – Não. Está tudo bem? (Maria do Socorro começa a chorar ) Suely: – Não chora. Maria do Socorro. dona Suely.Suely I CENA Maria do Socorro: – Dona Suely.. Dona Conceição: – Te acalma.. Suely: – Que a senhora está esperando nenê? Mas.. Veja só. sabe? Vai ser avô.. Dona Conceição: – O que foi. depois vamos falar com teus pais... as notícias aqui correm rápido. posso entrar? Suely (entra em cena ): – Bom dia. Maria. O que eu faço agora? Suely: – Já está feito.. seu Duruta! Os de casa 112 .. pode ser.. Nem ela nem papai. tá todo mundo dizendo na vizinhança que Maria do Socorro tá prenha.. Conceição. Eu estou com tanto medo! Me ajude.Agente de Saúde. homem. Já está feito. que bom que você veio. cadê aquela desavergonhada? Eu vou tirar o couro dela com este galho de goiabeira.. Cadê aquela desavergonhada? Hoje ela vai ter que se vê comigo. Era uma cuspideira danada. Maria do Socorro: – Mas eu só disse para Raimundinha. Você tem agora que ir ao Posto de Saúde para fazer o pré-natal e acompanhar o desenvolvimento do seu bebê.. Dona Conceição: – O quê!. Duruta (cortando a fala de Conceição): – Tu sabe o que dona Joana lá da venda disse. minha filha vai dar tudo certo. chamando): – Maria do Socorro!!! Maria do Socorro!!! Onde está essa menina? Maria do Socorro! Duruta (entrando zangado): – Mulher. Maria do Socorro: – D.. Se eles descobrirem.. Duruta? O que aconteceu pra tanta zanga? Duruta: – Mulher... Deixa eu te ver. vão me matar.. todo mundo já sabe. Suely: – É. Bem que eu tava desconfiada. Duruta: – Eu num te disse. heim. Suely a senhora já está sabendo.. vive dormindo pelo canto. a barriguinha já está até aparecendo! (sai) CENA II Dona Conceição (andando de um lado para outro... E dona conceição.....

dá licença. Dona Conceição: – E o que posso fazer? Cabeça que não pensa. Não brigue com sua filha. Dona Conceição: – Então é verdade. posso entrar? (Maria do Socorro entra junto com Suely) Dona Conceição (puxando Maria do Socorro): – Maria do Socorro. se Maria do Socorro vai precisar tomar vacina contra tétano. Durante o pré-natal. lá vai ser feito o acompanhamento do crescimento do bebê. teu pai vai te matar! Suely: – Calma. Dona Conceição (chorando): – A gente cria os filhos com tanto sacrifício e na hora. Conceição. Maria do Socorro (aproxima-se da mãe): – Desculpa. Maria do Socorro: – Sim..são sempre os últimos a saber.. orientar em relação às queixas. Se eu agarro esse sujeito. verificar a pressão. até logo e não deixa seu Duruta bater nela! (sai) 113 . Sua filha está grávida. Olha o coração! (sai) CENA III Suely (chegando): – Dona Conceição. Vamos conversar. Vou tomar uns trago lá na venda. avaliar o peso. mãe eu não sabia. Maria. você tem que voltar ao Posto todos os meses. aleitamento materno. Dona Conceição: – Te acalma. solicitar exames. num vai te precipitar.. tu tá prenha mesmo? (Maria do Socorro corre para trás de Suely) Suely: – É verdade.. Suely: – Maria do Socorro.. senhora. nós já passamos no Posto. Duruta.. Suely: – Então.. dona Suely! Suely (acariciando a barriga de Maria do Socorro): – A sua filha já é uma mulher. Senhora. Suely: – Conceição. Conceição. conforme a doutora te disse. Dona Conceição: – Mas ela é uma criança... ela fez a primeira consulta e está tudo bem com o seu neto.. Né. Conceição. ela vai precisar de todo o seu apoio de mãe para poder ter uma gravidez mais tranqüila. meu velho. Maria do Socorro? Maria do Socorro – É sim. vamos saber se a criança está se desenvolvendo bem.

114 .

Suely: – Até logo! Dona Conceição: – Maria do Socorro. assim é bem melhor. pai é pai. (Para platéia): – Vejam só que coisa bonita. a senhora sabe como é. Maria do Socorro: – Hummm. Duruta: – Então. acho que vou baldear. não é pessoal! Com a família dando apoio. dona Suely.... tem que se prevenir para não emprenhar novamente. Suely: – E estou vendo que o senhor está é feliz! Duruta: – É. 115 . correndo pra todo lado. Mas agora já está feito.. Suely: – É isso mesmo. pessoal. Maria do Socorro terá uma gravidez mais tranqüila. do jeito que as coisas tão difíceis. (sai) Suely: – Até.. até mais ver. dona Suely e obrigado por tudo. dona Suely?! Pois eu estou sabendo de tudo. É dona Suely. eu fiquei muito chateado. Agradeço a sua ajuda. SAÚDE MENTAL E OS NOVOS DISPOSITIVOS DE CUIDADOS Cristina Loyola* Ivelise Pieniz Macagnan* * * ** Professora Titular da UFRJ. Especialista em Saúde Mental. né! Com a filha dele foi a mesma coisa e o moleque tá aí. Até logo. E depois que ela tiver o nenê. Psicóloga do Programa Viva a Vida.. se ele te pega! Mas minha filha. senhor Duruta. sabe dona Suely. Coordenadora do Programa Viva a Vida. tu. Dona Conceição: – Vamos entrar menina.Dona Conceição: – Até logo. Duruta: – É sobre Maria do Socorro. vamos! (saem) (Duruta chega cantando) Suely (encontra com Duruta): – Seu Duruta.. teu pai tá uma fera. senhor Duruta e um bom dia para todos. vou tomar um banho e depois converso com a Maria do Socorro.. Tive lá na venda. só quer o melhor para os filhos. que bom lhe encontrar. Com a sua ajuda vai ficar tudo mais fácil. Mãe. não é. Tive conversando lá com o compadre Doca. ele me deu uns conselhos pra deixar disso... precisamos conversar.

ou seja. o que está em discussão é a 116 . na reorganização dos serviços de saúde mental. a assistência que temos oferecido aos doentes mentais está centrada no recurso à hospitalização. custos elevados e exclusão social. Há um declínio do número de leitos hospitalares. nas relações de vida coletiva. na medida em que. historicamente. para acompanhar as pessoas no convívio comunitário e ao longo do contínuo saúde-doença. diversificados e com tecnologias sofisticadas no âmbito ambulatorial. com seus inconvenientes de cronificação. Essa nova diretriz encontra-se no Brasil uma realidade adversa. das técnicas psicoterápicas individuais e grupais e a clara percepção de que a liberdade é terapêutica têm criado o consenso de que o lugar de tratar problemas de interação humana é onde eles acontecem. social e política. O desenvolvimento de novos psicofármacos. a uma “saída do hospital” em todas as clínicas da área da saúde. Além da adequação dos custos. em todo o mundo.A substituição do enclausuramento nos hospitais pelo cuidado comunitário para as pessoas que sofrem por transtornos psiquiátricos tem sido uma meta. o mundo assiste. nas últimas décadas. Associando-se a razões de ordem afetiva. enquanto se ampliam dispositivos sanitários e sociais.

No momento. mas construir o quê? Construir um plano de vôo. uma vez que estamos conseguindo atingir os objetivos a que nos propusemos. nosso desejo é formar uma rede de saúde mental com base na reforma psiquiátrica. sob a coordenação da Profa. Contudo. uma estratégia de vôo. medicina e psicologia) nos favorece a trabalhar e criar a possibilidade de uma visão ampla e diversificada de nosso objeto. Temos profissões diferentes e viemos de locais distantes. foi-nos proposta a idéia de uma construção. tais dificuldades foram superadas. tomando como ponto de partida a implantação do CAPS em nossos municípios. às margens do rio Mearim (Poção de Pedras). *** Psicóloga Clínica. Geograficamente trabalhamos em locais distantes e bem diferentes: uma às margens do rio Parnaíba (Timon). se já estávamos voando? Foi aí que. apesar de estarmos todas no Maranhão. a partir das experiências específicas de cada área. seja municipal. mas temos um objetivo comum: melhorar a qualidade de vida das populações carentes. logo após a escolha dos temas. nos módulos seguintes. estadual ou federal. nem sabíamos ao certo de que se tratava. A partir do primeiro módulo. com especialização em Saúde Mental (em curso). outra. descobrimos que. * ** 117 . às margens do rio Tocantins (Imperatriz) e uma terceira. mesmo já estando Enfermeira com especialização em Hebeatria. As diferenças (enfermagem. Médica Toco-Ginecologista. o que nos acarretou algumas dificuldades. todas servidoras públicas. Cristina Loyola. Mas como. Clínica Geral e Saúde Mental. Ao sermos chamadas para o curso “As Pérolas do Maranhão”.IMPLANTAÇÃO DE CENTROS DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL – CAPS Cristiane Patrícia Pires da Silva Carvalho* Maria Líndia Elói da Luz* * Patrícia Regina Garcia Maciel* ** 1 QUEM SOMOS? Somos três mulheres trabalhadoras da saúde. especialista em Sexualidade Humana. através do Projeto Viva Vida.

como único modelo assistencial em saúde mental. além de consultas de neurologia e psiquiatria. era preciso redescobrir novas rotas. tinha até abril de 2001. e isto seria um processo de construção. separada da capital do Piauí apenas por um rio e com a população cerca de 130. Iracylda Viana. Tião Rocha. Coincidentemente nosso prefeito. chega ao gabinete e o Projeto é então apresentado aos dois que. o hospitalocêntrico. À medida que os módulos aconteciam. na verdade. havia sido pensado para Teresina. obrigando todos os pacientes a migrarem para os manicômios de Teresina. A partir dessa reunião. começamos a jornada. o Complexo de Saúde Pública. que trabalhávamos em unidades de saúde distintas.000 habitantes (senso 2000). com nenhum serviço de saúde mental. Francisco Gomes.000 habitantes. Imperatriz. 2 PONTO DE PARTIDA Cada cidade tem suas peculiaridades. com cerca de 241. Dado o aval. Na oportunidade. nós (psicólogos). até o ano de 2001.voando. não contava. juntamente com o psiquiatra Celso Nunes e outros profissionais. Passamos então à 118 . também foram apresentados os coordenadores dos referidos programas. a 2ª cidade mais populosa do Estado. o Eng. abraçaram empolgados a idéia de se fazer saúde mental em Timon. cada grupo fazia aflorar novas idéias. O ponto de partida do Programa de Saúde Mental na cidade veio através de um convite da Secretária de Saúde. nosso Secretário de Saúde. em forma de uma clínica privada conveniada com o SUS. automaticamente. Timon. em janeiro de 2001. fomos deslocadas para uma mesma unidade. Isso foi por volta de novembro de 2001. Após tomar conhecimento do grupo de estudos do qual fazíamos parte. Francisco Rodrigues. solicitou-nos que lhe apresentássemos o até então desconhecido Projeto de Reforma Psiquiátrica que. a todos os psicólogos do quadro da saúde para anunciar a implantação dos programas: CASA (Centro de Atenção à Saúde do Adolescente) e Programa de Saúde Mental. O ponto de partida para a implantação da saúde mental na cidade foi o trabalho que desenvolvíamos há alguns meses. sempre ajudados uns pelos outros sob a orientação do Prof. novas possibilidades. Dr.

elaboração do Projeto do Programa de Saúde Mental. O Programa foi oficialmente implantado em abril de 2001 e, no mesmo mês, iniciamos o atendimento ambulatorial. A cidade de Poção de Pedras, com cerca de 22.000 habitantes é responsável por prestar assistência a mais 3 municípios: Lago dos Rodrigues, São Roberto e São Raimundo do Joca Bezerra, tendo até então, como única alternativa de tratamento de portadores de transtornos mentais, o encaminhamento desses pacientes para São Luís ou Teresina. Não há qualquer acompanhamento após a alta e retorno do paciente, fazendo com que um número considerável de doentes mentais fiquem vagando pelas ruas, ou mesmo presos em suas residências. A idéia de implantar o CAPS, no município, nasceu com um dos componentes de nosso grupo, a médica Maria Líndia Elói da Luz após constatar a realidade acima descrita, bem como o alto índice de queixas relativas a transtornos mentais, tanto no atendimento ambulatorial local, como no cadastramento das famílias feito pelos ACS. Das 10 queixas mais comuns referidas pelas famílias, três estão diretamente relacionadas a transtornos mentais (SIAB/PACS – cadastramento das famílias – 2001). A partir dessa realidade, decidimos começar nosso trabalho com uma conferência. Nos dias 7 e 8 de novembro de 2001, realizamos a 1ª Conferência sobre Saúde Mental de Poção de Pedras, com ampla participação da comunidade. Muitas discussões e reflexões aconteceram nessa Conferência sobre os modelos de tratamento dos portadores de transtornos mentais que perduram até hoje, tendo como base, principalmente, os modelos hospitalocêntricos e asilar, os quais excluem o cidadão de seu convívio familiar e social, violando, assim, os direitos humanos e de cidadania. Poção de Pedras foi o único município da Regional de Pedreiras que realizou a Conferência Municipal de Saúde Mental, por esta razão pôde enviar dois representantes locais para a III Conferência Estadual, que aconteceu em novembro de 2001, em São Luís-MA e, posteriormente, para a Conferência Nacional ocorrida em Brasília, em dezembro de 2001. Durante a conferência estadual, a coordenadora do Programa

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Viva a Vida, Profª Cristina Loyola, informou que havia recursos para financiar a implantação de três CAPS no Estado do Maranhão. Coordenada pela Dra. Líndia Elói, Poção de Pedras tomou iniciativa de implantar um CAPS no município, após discussões locais. Essa iniciativa teve o apoio do então Prefeito da cidade, Cristóvão Sousa Barros, que se dispôs a oferecer o apoio necessário à implantação do referido Centro. Também teve o apoio unânime do Conselho Municipal, ocorrendo o protocolo do processo de solicitação de implantação em novembro de 2001. 3 PRÉ-REQUISITOS PARA IMPLANTAÇÃO DE CAPS Ao longo desse processo, fomos descobrindo que, para a implantação de um CAPS, é necessário que se cumpram os seguintes pré-requisitos: aprovação pelo Conselho de Saúde local, escolha de um local adequado, formação de uma equipe mínima exigida pelo Ministério da Saúde, elaboração de um projeto terapêutico, solicitação de implantação do CAPS feita pela Secretaria Municipal de Saúde à Gerência de Qualidade de Vida, aprovação da Comissão Intergestora Bipartite e da Vigilância Sanitária. No que se refere ao local adequado ao funcionamento do CAPS, devemos considerar o seguinte: a solicitação de implantação deve ser acompanhada da planta baixa do imóvel; o local deve ser de fácil acesso, agradável, onde as pessoas se sintam bem e queiram retornar. Timon escolheu como local, para sediar o CAPS, um prédio da Prefeitura que, inicialmente seria para uma equipe de PSF. Por conta disso, foram solicitadas algumas adaptações pela Vigilância Sanitária. Atualmente, o prédio está sendo reformado com recursos da prefeitura e do Projeto Viva a Vida. Sua localização é em zona urbana, de fácil acesso à comunidade, em local agradável, arejado e espaçoso, atendendo assim às necessidades dos usuários. Em Imperatriz, o imóvel escolhido pertence ao município e está localizado em área urbana, no Parque Anhangüera. É servido por transporte urbano, com espaço para jardinagem e oficinas terapêuticas. Nele, já funciona o ambulatório de Saúde Mental. No momento aguardamos a liberação da verba do Programa Viva a Vida, para realizarmos a reforma necessária. 120

Em Poção de Pedras, o CAPS funcionará em dois locais: numa casa, na qual já está implantado o ambulatório e em breve algumas oficinas e terapias. Nessa casa, permaneceremos até a conclusão da sede definitiva, a qual se situa em um grande terreno (de quase dois hectares), na sede do município, em local de fácil acesso e muito agradável. Nesse local, inicialmente, haverá as oficinas de agricultura ecológica (horta, farmácia viva, um pomar, oficina de mudas, atividades de jardinagem, etc.). Após a conclusão do 1º galpão, também será implantada a oficina de marcenaria. Um outro pré-requisito de funcionamento do CAPS é a a formação da equipe mínima, que deve ser organizada de acordo com a Portaria do Ministério da Saúde Nº 336-6m de 19/2/2002, variando de acordo com o tipo de CAPS. Na equipe de nível superior, deve conter, obrigatoriamente, médico e enfermeira; os demais membros podem variar de acordo com a realidade local. No caso de Timon, a equipe mínima foi escolhida através da análise de currículos e entrevistas. Escolhemos 4 pessoas com o perfil do profissional comprometido e apaixonado pelo que faz. Está constituída por 1 (uma) assistente social, 1 (um) psicólogo, 1 (uma) terapeuta ocupacional e 1 (uma) professora de educação física. O psiquiatra e a enfermeira já estavam definidos, pois eram os elaboradores do Projeto. Essa equipe, após selecionada, passou pelo processo de capacitação, através de treinamento e seminário interativo; só posteriormente foi contratada. Hoje, contamos com mais 2 (dois) psiquiatras. Em Imperatriz, a atual equipe do Programa de Saúde Mental é constituída por: 1 (um) médico psiquiatra, 5 (cinco) psicólogas, 1 (uma) terapeuta ocupacional, 1 (uma) assistente social, 1 (uma) supervisora clínica, 1 (uma) recepcionista, 1 (uma) coordenadora (também psicóloga) e 1 (uma) enfermeira. Esses profissionais são funcionários públicos municipais, lotados na Secretaria de Saúde. Alguns já prestam serviços no Programa de Saúde Mental; os demais serão remanejados de outros programas. Atualmente, a equipe do ambulatório, em parceria com o IPUB e UFRJ, está realizando a Especialização em Saúde Mental para 70 profissionais de Imperatriz e adjacências. Em Poção de Pedras, a equipe mínima está sendo constituída, 121

no decorrer dos encontros sob a coordenação do educador Tião Rocha. 1 (um) agente administrativo. pessoal de nível técnico: 1 (uma) auxiliar de enfermagem. assembléia de pacientes. substituímos a dimensão clientela por sensibilização. As oficinas planejadas foram: tapeçaria. fomos visualizando novas formas de dimensioná-lo de acordo com o que aprendíamos. reuniões da equipe técnica. o Projeto Terapêutico foi elaborado. grupos operativos. Por último. Já os grupos poderiam ser trabalhados em forma de terapia comunitária. Reorganizamos também nossas atividades. pessoal de apoio: 1 (uma) cozinheira. Em Timon. desenvolver estratégias de atendimento. especificando-as melhor. 2 (dois) técnicos agrícolas. O Projeto Terapêutico. o objetivo “Implantar CAPS no interior do Estado” foi substituído por “Implantar CAPS no Estado do Maranhão”. Confrontamos nossa realidade com as teorias. 1 (uma) psicóloga. 1 (um) auxiliar administrativo. de acordo com as dimensões. tem como objetivo detalhar as atividades que serão desenvolvidas. verificamos que. 1 (um) mestre de capoeira. Em relação a esse pré-requisito. 1 (uma) auxiliar de serviços gerais. dentre outras possibilidades de atendimento. tornando-se assim mais abrangente. através de uma identificação dos profissionais com a área. 1 (uma) enfermeira. por isso nosso PTA foi modificado em alguns aspectos.a partir de um grupo de estudo acerca de um novo modelo de assistência em Saúde Mental. 1 (uma) recepcionista. 122 . horta medicinal. outro pré-requisito de construção do CAPS. iniciado em fevereiro de 2002. pintura em tela e cerâmica. 1 (uma) esteticista e 1 (uma) artesã. grupos de controle social. Está composta por: pessoal de nível superior: 1 (uma) médica. por entendermos que a clientela já havia sido contemplada em outras dimensões e por sentirmos a necessidade da sensibilização em todos os momentos do processo de construção e implantação de um PTA. então. construção de oficinas terapêuticas e formação de grupos com pacientes e familiares. através de visitas domiciliares. por exemplo. como. 1 (um) marceneiro. flores. para. com a ajuda dos ACS. a partir do levantamento das necessidades e das expectativas da comunidade. 1 (uma) farmacêutica e 1 (uma) professora e 1 (um) agrônomo.

Reuniões semanais da equipe multidisciplinar. o Projeto Terapêutico do CAPS de Imperatriz foi elaborado. atendimento individual. O levantamento contemplou as internações e reinternações psiquiátricas. entre outras metodologias de intervenção. promovido pelo Programa Viva a Vida. grupos operativos. junto à clínica psiquiátrica do município. receberá a indicação para permanência de 4 (quatro) ou 8 (oito) horas no serviço. Em Poção de Pedras. Palestras na comunidade e/ou instituições. Isso contribuiria para recuperar a auto-estima e reduzir as internações. reuniões de equipe. em parceria com o IPUB/UFRJ. constatamos que o CAPS deverá funcionar em horário integral das 8 às 18 horas. O período de permanência dos pacientes será definido a partir da avaliação da equipe. o qual.Tais atividades teriam o objetivo de facilitar a reintegração do paciente à comunidade. A estratégia de trabalho compreende as seguintes modalidades: Grupo de Recepção. pois eles seriam valorizados. supervisão clínica. conseqüentemente. feiras. Antônia Pereira Silva. Visitas domiciliares. terapia de grupo. palestras. o Projeto Terapêutico do CAPS foi embasado na monografia de conclusão do Curso de Especialização em Saúde Mental. no que se refere a tratamento e prevenção dos transtornos mentais. implicariam em melhoria de vida. A nossa estratégia de trabalho terapêutico compreende: triagem. Para atender às necessidades locais. a partir de um levantamento feito pela atual coordenadora do Programa de Saúde Mental. conforme o caso. participação em outros eventos que. oficinas. através de exposição de trabalhos. a incidência dos transtornos mentais e as condições socioeconômicas dos portadores de transtornos mentais. considerando a individualidade e necessidade do paciente. sob o título Como Estruturar e Implantar uma Rede Especializada em Saúde Mental no Município de Poção de Pedras como Estratégia para a Interiorização destas Ações. Atendimento individual (ambulatório) e grupal (com pacientes e/ou familiares). visitas domiciliares. de 2ª à 6ª feira. Supervisão clínica quinzenal 123 . Oficinas terapêuticas. participando das oficinas terapêuticas ou recebendo apenas assistência ambulatorial. Assim como o de Timon.

A aprovação só aconteceu no segundo encaminhamento à referida Comissão e foi cadastrado no Ministério da Saúde em outubro de 2002. por algumas vezes. após cuidadosa avaliação. 124 . realizamos a Primeira Conferência Municipal de Saúde Mental. Quanto ao processo de autorização e funcionamento. Convém ressaltar que o CAPS ainda não está funcionando a contento. Em Poção de Pedras. em seguida. pois. Foi o que aconteceu com os Projetos dos três municípios em questão. foi necessário encaminhá-lo novamente. passando para a Gerência de Qualidade de Vida do Estado. O Projeto do CAPS de Timon foi encaminhado. e para a Gerência Adjunta de Saúde e Comissão Integestora Bipartite. que o aprovou e. foi encaminhado para a Assessoria Especial de Saúde. logo. encaminhamos ao Conselho Municipal de Saúde. por volta de julho de 2001. obedecendo a uma certa homogeneidade dos problemas detectados nos atendimentos individuais ou pela equipe de recepção ou triagem. O usuário será recebido pelo grupo de recepção. tendo a Coordenação de Saúde Mental do município que mandar novas cópias para que o processo tivesse continuidade. estadual e federal. Em outubro de 2001.ou mensal. Em Imperatriz. o Projeto se perdem e foi era esquecido. o conduzirá para as atividades do CAPS. Todo esse percurso não transcorreu de forma linear e tranqüila. após aprovação do Conselho Municipal de Saúde. Os grupos ainda serão formados. pela primeira vez. mesmo após várias tentativas. para a Coordenação Estadual de Saúde Mental. o processo de solicitação de implantação do CAPS foi protocolado. para a Coordenação Estadual de Saúde Mental. pois. primeiramente. fato que também ocorreu com os municípios de Poção de Pedras e de Timon. o Projeto necessita ser aprovado no âmbito municipal. sendo depois encaminhado à equipe interdisciplinar que. Um ano depois da 1ª entrega de nosso Projeto. não foi incluído na pauta da Comissão Intergestora Bipartite. em novembro de 2001. Foi cadastrado pelo Ministério da Saúde em novembro/2002.

por parte da administração municipal anterior. 4 ENTRAVES E DIFICULDADES A equipe de construção do CAPS de Imperatriz tem vivenciado diariamente a angústia da não compreensão por parte de alguns gestores que. todos se dirigiam para Teresina ou ficavam sem assistência. talvez por imaginar que isso pudesse ajudar na implantação do Centro. foi encaminhado para a Gerência de Qualidade de Vida (GQV). Entretanto esse fato contribuiu para retardar o processo que ficou retido até o mês de junho/2002. encaminhou-o ao proprietário do CAPS privado local. o funcionamento da emergência psiquiátrica na clínica do setor privado constituem. após ter sido aprovado pelo Conselho Municipal de Saúde local. a falta de um carro para visitas domiciliares. A forma mais imediata que encontramos para minimizar o problema 125 . não agilizam a implantação dos novos serviços no município. Em Timon. Também consideramos como dificuldades: a inexistência. de serviços públicos na área de Saúde Mental e a falha na comunicação entre as esferas municipal. a contrapartida municipal para reforma. além da questão financeira. através das suas limitações orçamentárias. o novo processo foi protocolado. procuramos o então Coordenador de Saúde Mental que nos orientou a iniciar um novo processo. estando agora aguardando o parecer da Vigilância Sanitária. ao recebê-lo. Em julho/2002. apenas para mostrar o grau de desinformação que tínhamos sobre a implantação do CAPS no setor público. A seguir. quando o recebemos sem o devido parecer. A dificuldade de contratar novos profissionais. temos nos deparado com a dificuldade de administrar a demanda de pacientes psiquiátricos. que o devolveu à Regional de Pedreiras para as devidas providências. principalmente. no momento. Com a implantação do serviço de Saúde Mental no município. por crianças e adolescentes.na Regional de Pedreiras. Diante desse fato. O relato desse fato se faz importante. até aquele momento. os nossos principais entraves. Como não havia nenhum serviço de Saúde Mental. houve uma grande procura. O Assessor de Saúde. estadual e federal.

da Assessoria de Saúde Regional. de Gerência Estadual. da Coordenação de Saúde Mental. 1 (um) psiquiatra e 1 (uma) estagiária em psicologia. inclusive a contratação dos profissionais que irão compor a equipe. o qual foi comparado a um dispensário de tuberculose. No momento. ocorrido no final de julho/2002. para ampliar o atendimento. a criatividade e a capacidade 126 . as visitas prioritárias são feitas em nosso carro. Essa falta se verificou tanto na instância local quanto na estadual. a sensibilização. demonstrando a união. o respeito. Esse fato forçou os pacientes a se organizarem em mutirão para mudarem o aspecto físico do local. Isso nos obrigou a realizar um Fórum de discussões sobre Saúde Mental. já contamos com mais dois psiquiatras e temos perspectivas de ampliar a equipe. que nos enche de prazer. Também consideramos uma conquista o fato de termos conseguido formar uma equipe engajada. a credibilidade e o carinho de nossos gestores e da comunidade em geral. Nossos pacientes participam de nossas escolhas e constroem com a equipe o dia-a-dia do nosso CAPS. A equipe de Estudos. Também houve outras dificuldades como: a mudança de portarias. a falta de motivação inicial da nova gestora municipal. de governo. 5 CONQUISTAS As primeiras conquistas que obtivemos em Timon foi a aceitabilidade. a limitação financeira. percebendo o desinteresse da gestora. o que acaba voltando à questão financeira. avaliou que ela poderia ser sensibilizada. A partir de então. ao nos relatarem o quanto estão satisfeitos com o serviço. Algumas críticas foram feitas nos nossos encontros sobre a estrutura física do local de funcionamento do CAPS. com nosso combustível. se participasse de uma discussão com a comunidade. Uma outra dificuldade tem sido a falta de transporte para realizar visitas domiciliares. pudemos contar com mais uma aliada. dentre as dificuldades para implantação do CAPS. comprometida e apaixonada pelo que faz. No município de Poção de Pedras. o quanto suas vidas mudaram depois do surgimento do CAPS. citamos a falta de informação quanto aos passos necessários. bem como da Secretaria Municipal de Saúde.foi a contratação de mais dois profissionais. o que vem trazendo vários outros entraves. Hoje.

Isso nos deu a sensação de estarmos no caminho certo e mais. neste curto período de 1 ano e 5 meses de vida do Programa de Saúde Mental. o grupo de estudo de Saúde Mental.organizacional dos usuários do CAPS II de Timon. tivemos mais uma conquista: o cadastramento de nosso CAPS II Imperatriz. Nossa mais recente conquista foi o cadastramento de nosso CAPS II em Brasília. desde a realização da I Conferência de Saúde Mental até o presente momento. No município de Poção de Pedras.000. uma equipe comprometida e atuante no processo de reforma psiquiátrica. a casa onde já está funcionando o ambulatório para portadores de transtornos mentais. mais de 5. a contratação de uma supervisora clínica para compor a equipe. elemento de extrema importância à organização de todo o processo.00 (trinta mil reais) para a compra de equipamentos eletro-eletrônicos. a especialização e capacitação em Saúde Mental para 70 profissionais de saúde. Em Imperatriz. como: O 1º Encontro de Saúde Mental. grupo de estudo. já tivemos algumas conquistas significativas. palestras para comunidade fora do horário de trabalho. tendo 127 . tais como: a aquisição do terreno para o funcionamento do CAPS. ocorrido na 2ª semana do mês de outubro/2002. Na 1ª quinzena de novembro de 2002. a realização da I Conferência Municipal de Saúde nos dias 30 e 31/10/2001. o recebimento da verba federal de R$30. deunos a certeza de que vale a pena lutar por um ideal. cujas reuniões são semanais.000 pessoas atendidas no ambulatório até abril de 2002. já tivemos importantes conquistas.

éti. + equipe .Quais as características dos membros? .Quais as condições de acesso? .Qual o objetivo? .O que deve conter? .Direito e deveres usuários de acordo recuperados com o perfil traçado e as possibilidades do projeto . grupos Quais os operativos e objetivos? familiares Aprovação pela Comissão Inter-Bipartite .Avaliação técnica o imóvel? para elaboração de planta baixa . Usuários e capacitada e contratada equipe 2 meses . pontual.Levantamento de saberes.Mental: Cristiane.Selecionar os profissionais de NS.ANEXO 01 Equipe 7 . fazeres e quereres da comunidade através de reuniões e visitas à comunidade Como deve ser realizado? .Equipe e usuárica.Levantamento das condições de acesso. solidário e comprometida .Elaboração de PTA pela equipe .Realizar oficina de salão de beleza.Dinâmicas específicas de grupo durante o processo seletivo para avaliar o perfil profissional de cada candidato a) Laudo de aprovação da Vigilância Sanitária Imóvel público definido. . Patrícia OBJETIVO: IMPLANTAR CAPS NO ESTADO DO MARANHÃO OBJETO E SUAS DIMENSÕES PERGUNTAS IMPORTANTES ATIVIDADES. sensível. oficinas. + doença mental equipe Usuários 6 a 8 meses Coord + equipe 6 meses a 1 ano Coord.Oferecer atendimentos.Nº crescente de usuários pré-integrados à sociedade Usuários e equipe .Quem deve forma integrada à 3 – Projeto comunidade terapêtutico elaborar e executar? .Usuários e familiares participando das atividades Que oficinas aumentariam a contratualidade .Elaborar cronograma de atividades de acordo com as necessidades do público-alvo de . a partir das riquezas da comunidade . permanência como: localização. NM e NE de acordo com as normas da Portaria 336 . Maria Líndia. os afetuosa.Realizar assembléia de pacientes 128 .Equipe selecionada.Atendimento às necessidades dos . transporte.Perfil da comunidade traçado Usuários e familiares .Alta freqüência dos Usuários usuários 2 – Equipe mínima . acomodações adequadas etc.Como formar a equipe mínima? .Como irá trabalhar? . de trabalho. reformado e mobiliado a) 1 semana a) Usuários portadores de Coord.Qual a localização? .Equipe envolvida. interdisciplinar. TÉCNICAS E INSTRUMENTOS INDICADORES E EVIDÊNCIAS PÚBLICO ALVO TEMPO E RESPONSÁVEL 1 – Local adequado a) Qual a natureza Levantamento e escolha de imóveis do imóvel? públicos b) Como deve ser .Inclusão dos usuários enquanto cidadãos .

Auto-estima . contar .Contrapartida 1 mês Gestores.Aprovação pela Bipartite .Cadastramento no SAI/FAZ . participando das atividades e lutando por novas conquistas . Bipartite.Laudo de aprovação da Comissão InterBipartite 30 a 40 dias após o cadastramento Mais ou menos 3 meses .Aprovação das Vigilâncias Sanitárias Quem sensibilizar? Como .Trabalho reconhecido e remunerado .Apoio e colaboração no processo contratação de profissionais .Promover contratos para venda da produção .Exercício do voto 4Autorização do A que instâncias deverá ser encaminhado o projeto? .Redução das reinternações . profissionais da saúde 129 .Estímulo à formação de associações de usuários e familiares Que atividades resgatam a cidadania? .Criação de oportunidades de trabalho .Assessoria jurídica . comunidade.Quais atividades facilitam a reintegração ao trabalho? Quais atividades implicam em melhoria de vida? .Liberação do repasse Federal Fóruns .Realizar Projeto Terapêutico e Quais as encaminhá-lo à exigências para o GQV.Oficinas de alfabetização .Associações de usuários e familiares atuante.Ter um trabalho reconhecido e remunerado .Liberação de verba do Projeto Viva a Vida para reforma .Re-inserção no mercado de trabalho .Qualidade de vida . funcionamento? Governo Federal .Promover exposições e feiras do material produzido nas oficinas .Saber passar troco.

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objetivando. Inevitavelmente. contrariamente à filosofia deste.IMPLANTAÇÃO DOS LEITOS DE PSIQUIATRIA NO HOSPITAL GERAL TARQUÍNIO LOPES FILHO EM SÃO LUIS-MA Antônio Gentil Azevedo Filho* Fernanda Oliveira da Silva Carneiro* * Patrícia Sampaio da Anunciação* ** Sara Fiterman Lima Rodrigues* *** INTRODUÇÃO A história da assistência em Saúde Mental é permeada por vários acontecimentos que podem ser traduzidos em dois momentos distintos: no primeiro. começa a produzir suas mudanças que lentamente vão aparecendo em alguns Estados.Enfermeira do Programa Viva a Vida. o da desinstitucionalização do doente. * ** 131 . a Portaria nº 224 do Ministério da Saúde. a criação de serviços. Em virtude disso.. cronificantes. a institucionalização do doente mental e no segundo. o Brasil. entre outros. perda de identidade. com a implantação de uma rede assistencial que dê suporte ao doente mental para reduzir a realidade hospitalocêntrica. em consonância com o movimento da reforma em saúde mental no mundo. Contextualizado nesse processo de discussão de alternativas para o atendimento nos hospitais tradicionais.. vem legalizar essas mudanças..Psicóloga do Programa Viva a Vida. passam a ser questionados os atendimentos oferecidos nos manicômios. especialista. evitar internações prolongadas. *** Enfermeira do Programa Viva a Vida **** Enfermeira Especialista em Saúde Mental . os movimentos somam esforços por uma melhoria e uma revolução no cuidar em psiquiatria. A partir do segundo momento. Assim. de 29 de janeiro de 1992. surge a proposta de atendimento em hospitais gerais com internação de breve permanência Nessa perspectiva. especialista.. foram criados novos dispositivos assistenciais. de vínculos sociais e de cidadania. Nesse contexto. Médico do PSF e Especialista em Saúde Mental Psicóloga Especialista em Saúde Mental . na maioria das vezes.

o Programa Viva Vida procedeu contatos com o Hospital Universitário. Buscando acompanhar essa evolução. dentre suas metas. foi oportuna outra atividade do Programa Viva a Vida: promover e proporcionar aos profissionais de saúde interessados um Curso de Especialização em Saúde Mental. NAPS (Núcleo de Atenção Psicossocial). Em meados do ano 2001. tínhamos uma equipe composta por uma psicóloga. retornou ao Rio de Janeiro. na época gestor do Hospital Geral Taquínio Lopes Filho. em busca dos acertos 132 . No caminho desse ousado Projeto. O Curso aconteceu em São Luís do Maranhão e nos forneceu a possibilidade de reintegrar essa equipe com profissionais recémespecializados e sensíveis à psiquiatria: uma enfermeira. Depois. o Estado do Maranhão criou o PROGRAMA VIVA A VIDA que. iniciamos uma parceria: Programa Viva a Vida e Hospital Universitário. com a finalidade de sensibilizar a direção acerca da viabilidade de realização do desafio de implantar leitos psiquiátricos no referido hospital. Inicialmente. duas enfermeiras recém-formadas e recém-chegadas do Rio de Janeiro. por último foi incorporado um médico psicanalista seduzido pela proposta. o novo. que oferece um hospital geral. Residência Terapêutica. Houve a promessa de juntar-se ao grupo mais dois componentes: um psiquiatra residente do 2º ano e um médico recém-doutor. uma das enfermeiras residentes. está a reinserção psicossociofamiliar dos portadores de transtornos mentais.IPUB. certos de que tal experiência necessitava de apoio para o seu fortalecimento.tais como: CAPS (Centro de Atenção Psicossocial).UFRJ. Não conseguimos que viessem. vindo do Instituto de Psiquiatria da Universidade do Brasil . é reforçada pelo atendimento de curta permanência e sem isolamento às demais áreas da saúde. traduzida em uma seqüência de reuniões. em convênio com a Universidade Federal do Rio de Janeiro . a distância e os desafios foram maiores e esses profissionais desistiram. Vivenciando essa situação. as quais seriam residentes de enfermagem e deveriam morar na residência médica do Hospital Universitário. uma psicóloga e um médico do PSF – Programa de Saúde da Família. não suportando a saudade.

acabaram por protelar o seu início. cirúrgica e ambulatório). Percebíamos. nessa história. assim. Houve ainda o estabelecimento de um fluxograma de atendimento para os cuidados em saúde mental e a discussão das experiências pertinentes em outros Centros. A aula inaugural foi ministrada pela coordenadora do Programa Viva a Vida. como clínica médica. personagem da novela “O Bem Amado”. arraigado pelo preconceito que provocava um medo extremo dessa nova realidade. O treinamento. e este parecia-nos uma variável da qual a iniciação das internações nesses leitos dependia. A inauguração dos leitos foi por várias vezes marcada e remarcada e até tornou-se providencial a comparação com o cemitério de Odorico Paraguaçu. denominado POSSIBILIDADES DE SER. para que nos inteirássemos das rotinas da instituição e tivéssemos maior contato com esta realidade (o que muito serviu para aprimorar os mecanismos de atuação. sob a responsabilidade da equipe que iria atuar como responsável direta pelos leitos. seguranças. O referido treinamento funcionou como uma estratégia importante para afastar os obstáculos e disseminar a filosofia do nosso trabalho:“encantamento pelo cuidar em saúde mental”. foi marcado para o período de 11 a 18 de março de 2002. em face da instalação dos leitos). o receio comum a todos nós quando ousamos mudar realidades: a possibilidade de acertar ou errar. Cobravam-nos a realização de um treinamento para todo o corpo funcional do hospital (recepção. maqueiros. operacionais e equipes dos diversos setores. Talvez em função desse sentimento. a qual se mostrava como possibilidade assustadora para eles e confrontava a vontade de nos apoiar. copa. a diretoria passou a nos cobrar mais apoio traduzido por vezes na solicitação de nossa presença em plantões. Cumpre frisar que o treinamento exigia algo que ia além da experiência curricular da equipe e foi fundamental 133 . Profª Cristina Loyola. A possibilidade de implantação dos leitos e o estigma envolvido. Acreditamos que a diretoria nesse momento vivenciava pressões de todo um corpo de profissionais.necessários e aperfeiçoamento de detalhes que permitissem o uso das rotinas existentes no próprio serviço da instituição.

inconcebível. além da capacitação técnica proporcionada pelo treinamento. cobrando de nós maior dedicação e tato no direcionamento das eventuais situações. significava muito mais que inovar. Dessa forma. Tal imagem fez-nos tomar consciência dos problemas que poderiam surgir. iniciamos o nosso serviço cercados por atitudes e comentários que evidenciavam a visão geral em favor da separação dos pacientes psiquiátricos dos demais pacientes. tendo em vista a desmistificação do estereótipo que encerra a doença mental de forma a incluir seus portadores como merecedores de cuidados de saúde tanto quanto os demais. da arcaica noção do modelo manicomial escudado na falsa idéia da possibilidade permanente de agressão por parte desses pacientes. Rondava-nos o medo do desconhecido. não se daria a oportunidade de expressar seu sofrimento psíquico no interior de um hospital geral. responsável 134 . preparando-nos para iniciar o trabalho. pois já decorriam cinco meses desde o início do Projeto. estabelecemos parceria com o Hospital Nina Rodrigues . em face da implantação desses leitos. percebemos a necessidade de um entrelaçamento com um serviço de emergência para assumir a porta de entrada do fluxograma de atendimento. Um parêntese deve ser aberto para descrever a ansiedade da nossa equipe. pois embora nossa prática envolvesse o atendimento em psiquiatria. para muitos. Não obstante a baixa freqüência dos funcionários efetivos do Hospital Geral no treinamento (termômetro indicativo de fraca adesão dos mesmos ao Projeto). Para iniciarmos nossas internações. representado pelo preconceito diante do doente mental.HNR. ousamos ocupar a função de agentes psicossociais. hospital público de referência em Psiquiatria no Estado. mesmo nos tempos atuais em que falar de atendimento em Saúde Mental representa quebrar preconceitos e tratar com dignidade. ainda não havíamos ousado fazêlo de outra forma que não a tradicional e isso. Aos primeiros. representava uma atitude insensata ou insana. para os que nos cercavam. A idéia do compartilhamento do espaço físico entre doentes mentais e pacientes de outras especialidades médicas parecia. Nesse sentido.para identificarmos o teor do estigma que envolve a “loucura”. sentimo-nos fortalecidos em nosso empenho. Assim.

retornando. com presteza. tais como: o fim do convênio de gestão e a manutenção do Hospital Geral pelo Hospital Universitário. nosso Estado passava por um momento pré-eleitoral e as mudanças dos chefes do Poder Executivo promoveram alterações na direção da Gerência de Qualidade de Vida e na Coordenação Estadual de Saúde Mental. o seu gerenciamento pelo Estado. Devemos mencionar que. Nesse dia. continuamos a traçar nossas metas. conscientes de que aquele momento representaria um marco histórico para a psiquiatria no Maranhão. nesse período. de modo a estabelecer uma aproximação cautelosa com a nova diretoria do hospital para definirmos nossa real situação. formalização junto à farmácia do Hospital Geral das necessidades dos medicamentos psicotrópicos para os pacientes bem como o controle dos mesmos. o que aconteceu somente no dia subsequente. a partir do dia 13 de maio de 2002. Convém ressaltar que o nosso trabalho tem sido o de estreitar 135 . realizando o treinamento dos novos funcionários e preparandoos para os efetivos cuidados junto à nossa clientela. Nas reuniões da equipe do Programa Viva a Vida e direção do HNR para tais acertos. mantivemos uma natural apreensão para receber o primeiro paciente. assim. eram solucionadas: a contratação de técnicos de enfermagem para complementar a equipe. seja pela substituição de alguns funcionários já treinados. foram estabelecidos critérios de triagem: o perfil dos nossos pacientes. necessitando de atenção em regime de internação de duração breve e a forma de encaminhamento dos pacientes.por todos os encaminhamentos da assistência psiquiátrica através do seu Serviço de Emergência. Um forte impacto foi sentido no desenvolvimento do nosso trabalho. Outras necessidades emergiam nesse caminho e. comunicamos ao HNR que estávamos em condições de receber pacientes para internação. Uma vez ultimadas todas as providências planejadas. de modo a se compatibilizarem com as rotinas de admissão já existentes no Hospital Geral. seja pelos rumores de que havia um iminente rompimento por parte da nova gestão com os serviços recém-instalados. seguidas de sérias modificações estruturais. Apesar de conviver com estes fantasmas.

Um fato merece destaque: foi extremamente complicado convencer as pessoas ligadas à psiquiatria local de que tais leitos destinavamse ao atendimento psiquiátrico e não ao clínico. assim. Nosso público-alvo é constituído por pacientes psiquiátricos em surto. Concordamos que o doente mental necessita e tem direito 136 . quando necessário. no que diz respeito aos pacientes portadores de transtornos mentais. situados em duas enfermarias ao final do corredor da clínica médica (talvez ainda na tentativa de isolar-nos): uma com dois leitos e outra com três. embora não nos recusássemos a oferecê-lo. Um dos profissionais. conforme a demanda. Cabe registrar que. não vai fazer diferença. Será que vocês não olham isso? A gente precisa é de atendimento clínico”. que os pacientes psiquiátricos com problemas clínicos são bastante discriminados nas instituições que oferecem tal atendimento. É o que vem acontecendo com as mudanças de atitudes. O NOSSO SERVIÇO Nosso serviço é composto por cinco leitos. mas não tem sentido. nas oficinas de sensibilização. usadas alternativamente como masculina e feminina. assim se manifestou: “Puxa. cinco leitos para tratar o surto não representa nada. no sentido positivo. com indicação para internação de curta permanência. Vemos. conquistada após grande esforço da equipe. Sabemos que a prática supera os preceitos teóricos e somente a experimentação do dia-a-dia será capaz de exigir de nós reflexões e eventuais modificações de conduta. com muita experiência na área. dos novos e antigos funcionários. objetivando congregar uma unidade de ações passível de favorecer a estada dos pacientes durante o período de internação.as relações com os diversos setores do Hospital Geral. a diminuição da resistência por parte dos funcionários se deveu mais por conta do declarado apoio da direção que pelos nossos incansáveis esforços. não têm para onde encaminhar seus pacientes. Possuímos ainda uma sala onde realizamos as atividades. no início de todo esse processo. o que é ainda um dos grandes problemas enfrentados pelas instituições psiquiátricas que. por vezes sem esse tipo de suporte.

ao atendimento clínico. com a estrutura física que nos havia sido oferecida e com o grande desafio de construirmos uma estrutura organizacional. nosso sonho tomou corpo. ainda assustavam os que estavam na recepção. Foi com essa expectativa que iniciamos nosso atendimento. ao contrário.ACOLHER . pois elas norteariam todos os passos subseqüentes. Assim. perdendo. assim.INCLUIR Pautando nosso fazer nessas dimensões e enriquecido com as experiências vivenciadas no trabalho. A intenção certamente não é isolá-lo por ser doente mental. o direito de ser atendido clinicamente nos hospitais. já passando assim a fase aguda da crise ou agitação. delimitamos as dimensões de nosso PTA: . mas as pessoas que os recepcionavam nem sempre estavam disponíveis para recebê-los. após período de observação por 48 a 72h. muito mais pelo imaginário que possuíam sobre os que chegavam. Ao chegar. a intenção é desconstruir a idéia de que o atendimento psiquiátrico deva ocorrer em segregação. o PLANO DE TRABALHO E AVALIAÇÃO – PTA (Anexo 01). Os pacientes que vinham encaminhados por um serviço de emergência com o qual fixamos parceria. O primeiro passo foi determinar as dimensões do nosso serviço. Ao pensarmos essa estrutura. construímos. iniciamos nosso serviço. Após várias discussões e sugestões. Queríamos construir algo diferente e melhor. Queríamos acolhê-los. A admissão dos pacientes foi nosso primeiro obstáculo.CUIDAR . pois sabíamos que dela dependeria o sucesso ou fracasso de nossa experiência. do que pelo próprio estado do paciente. através do Curso já mencionado em outros momentos deste relato. independente de sua patologia. nossa equipe era a primeira a ser informada da presença do paciente num grande frisson que mais parecia uma situação emergencial denunciando sua condição para todos os que 137 . Não queríamos reincidir nos mesmos erros vivenciados nos contatos com estruturas hospitalocêntricas.

mostravamse muito resistentes a ela (internação). muitas 138 . Sempre levávamos o paciente para realizar os procedimentos da admissão em nossa companhia e assim conquistamos os que antes se assustavam com a presença deles. de um hospital clínico. Aos poucos percebemos a necessidade de detalharmos a questão do tempo de internação. Isso tem ajudado a minimizar as resistências quanto ao atendimento.se encontravam no local de atendimento. pelo menos. Esta situação perdurou por pouco tempo. esse paciente era encaminhado com o seu acompanhante e/ou profissional que fizeram a abordagem inicial. antes de usarem os leitos. o fato de o serviço funcionar em um hospital clínico já traz ao paciente um conforto. para a enfermaria e apresentado aos outros internos com quem dividiria o espaço. sim. colocavam seus chinelos sob o colchão e insistiam em ficar com as sacolas contendo seus pertences com medo de serem roubados (até hoje nunca tivemos furto de quaisquer objetos dos pacientes). pois representava um distanciamento de sua rotina por. Interessante que nesse momento. mostrando-lhe que não se trata de um manicômio e. Esse grupo acabou tomando outras proporções e passou a servir para apresentar os pacientes recém-admitidos à estrutura hospitalar. ainda tomados por experiências anteriores. pois os pacientes. criamos um grupo denominado Bom Dia como forma de minimizar um distanciamento inicial entre os pacientes da clínica médica e os da psiquiatria. Nesse trabalho de acolhimento. na tentativa de minimizar os traumas causados por aquele primeiro contato dele com a instituição. contato com o Serviço Social). inclusive por outro paciente admitido há mais tempo. alguns desses pacientes. em sua maioria já com experiências de internações em outros serviços. Em um momento subseqüente. Colhida a história. Terminados os trâmites da admissão (abertura de prontuário. tratando-o cordialmente e mostrando aos demais que não havia periculosidade naquele contato (não mais que os riscos de se viver). seguíamos com o paciente e familiares para uma sala onde colhíamos uma história clínica inicial e orientávamos os pacientes quanto ao tipo de internação. 3 meses (média de internação das outras instituições). preenchimento de cadastro. pois passamos a acolher o paciente.

Um deles foi o Grupo Conquista. obtendo bons resultados. com a data. nos casos de contenção física e nos casos de 139 . criamos o Cardápio de Acolhimento (Anexo 2). seus respectivos leitos. procuramos.vezes manifestado em falas do tipo: “Eu não estou sendo tratado num manicômio”. nome dos pacientes internos. Para tanto. assim. A partir da sugestão de uma de nossas usuárias. através do preenchimento da ficha de avaliação “Sua Palavra é Importante. nas tentativas de suicídio. proporcionando ao paciente objetos que tornassem sua permanência mais agradável e menos restritiva. utilizamos esse fato para quebrarmos resistências quanto à internação e para aplacarmos os ânimos dos mais exaltados. Por vezes. nome dos profissionais responsáveis pelo andamento do serviço naquele dia. para intervir nas situações em que o paciente e/ou familiares não estão contribuindo para a eficácia do tratamento. de forma a não o distanciarmos por completo de sua realidade. resolvemos personalizar as nossas enfermarias. que é atualizado diariamente. se pudessem dispor das informações acerca de seu tratamento. um Quadro Informativo. Ressaltamos que essa não é uma prática comum na realidade psiquiátrica brasileira. criar estruturas que promovessem novas formas de acolher e que oferecessem o conforto e a segurança necessária a esses usuários que vivenciam um instante delicado de suas vidas. quando já internados (contenção comunitária). Assim equipamos as enfermarias com relógios. bem como a quantidade de dias que permanecem sob nossos cuidados. e que o paciente e seus familiares se sentiriam bem mais seguros. abrimos espaço para a permanência de um acompanhante junto ao paciente durante sua estada no hospital. espelhos. como por exemplo. onde o paciente e familiares avaliam e criticam os nossos serviços. Nossa equipe teve o cuidado de não atrelar esse acolhimento apenas ao que já possuíamos. de que o nosso serviço assemelhava-se a um hotel. criamos alguns grupos. Instalamos ainda a Caixa de Opiniões.” Diante das necessidades e situações que foram se apresentando em nosso quotidiano. Caminhando ainda nessa linha. folder com todas as informações necessárias. nas recusas ao uso de medicações. inclusive nós da equipe. calendários.

realizamos uma contenção comunitária. foram proteladas ao máximo. Quanto à contenção física. através de medicações. de forma cautelosa. pois decidimos que as contenções seguiriam uma certa ordem seqüencial. valendo-nos das pessoas e do ambiente para tentar acalmar o paciente (o fato de não tratarmos apenas de doentes mentais dentro do hospital. que inicialmente nos parecia desnecessária. muitas vezes é positivo para a contenção). Um ponto que não deixamos de priorizar foi o da internação involuntária. respeitando assim seu desejo de não permanecer sob nossos cuidados (já ocorreram dois casos e um destes pacientes retornou posteriormente. A posição involuntária do paciente passa a ser avaliada pela equipe a cada 24h. Convém ressaltar que ainda não houve nenhum caso em que a involuntariedade tenha ultrapassado as 72h. iniciamos imediatamente um trabalho terapêutico intensivo. No momento da admissão. acompanhamento e várias intervenções do Grupo Conquista.internações involuntárias. para ser admitido em nosso serviço por decisão própria). decidimos admitir apenas pacientes que ofereçam riscos a si e a outros. acabou tornando-se inevitável em alguns poucos momentos (só a realizamos em dois pacientes. Quando não surgem bons resultados. ele será liberado. quando lhe tiram o direito de ir e vir. uma vez que a própria estrutura hospitalar. sendo registrada em relatório. caso cheguemos ao final dessas horas sem destituir o paciente dessa posição. o Grupo Conquista tem se mostrado eficaz e tem conseguido. Para esses casos. entretanto. Nos casos em que procedemos com a admissão. avaliado o paciente por todos os membros da equipe que se encontram de plantão. Em nosso atendimento. já iniciam um trabalho de contenção junto ao paciente. transformar involuntariedade em voluntariedade. na maioria das vezes. com suas paredes e enfermarias. um catatônico e uma maníaca). Embora tenham sido realizadas. se for o caso. colocamos em 140 . ele segue ou para internação ou para receber orientações quanto à necessidade do tratamento e a existência de outros serviços. até de convencimento. sem impor posições. por um período máximo de 72h. Essa intervenção é realizada através de esclarecimentos e. Quando essa mudança não ocorre.

p. como última tentativa de evitarmos a física. uma oficina de trabalhos 141 . afinal cuidar não é reprimir ou calar. onde exibimos filmes para os pacientes e acompanhantes. de ocupação. para que se possa realmente tratar. no intuito de encontrar e efetuar o manejo compartilhado de soluções. Convém ressaltar que em nossa assistência. temos modificado o cuidado aos pacientes psiquiátricos. ao descuido” (LOYOLA. foi registrada em prontuário. para tentar uma contenção emocional. com suas particularidades e individualidades. Se não obtivermos os resultado. de pré-ocupação. a equipe teve o cuidado para que fosse o menos traumática possível: teve duração máxima de 30 minutos.7) No intuito de criarmos dispositivos de cuidado que se nutram das idéias de acolhimento e que vislumbrem. ampliado e consistente com as singularidades do indivíduo a ser tratado. dimensão necessária a essa diferente forma de tratar. dentro do que nos é possível. é acima de tudo escutar e refletir. No entanto. Nesse sentido. ampliando e qualificando nosso cuidado. e acompanhada permanentemente pela equipe que tentou transformá-la em emocional. várias tecnologias foram desenvolvidas pela equipe: o Cine Geral. a inclusão. só foi realizada após prescrição médica. Apenas o cuidar pode se opor ao descaso. além do acolhimento. É através desse contato cuidadoso que ousamos identificar as necessidades desse sujeito que se apresenta a nós. pois “Cuidar revelou-se como atitude fundamental. de implicação e de envolvimento afetivo com o outro. Assim surgem os projetos terapêuticos individualizados de nossos pacientes e a necessidade de implementarmos atividades em nosso serviço. devemos pautá-los na informação propiciada por um contato implicado. quando esta se fez inevitável. Fazendo e Acontecendo. usamos a contenção medicamentosa. 2000. em busca de um tratamento que certamente não pode nem deve se omitir dessa realidade. esperados. que visem minimizar a sintomatologia ou modificar situações sociais que auxiliem na restauração social mais precoce e na reinserção dos pacientes.cena o Grupo Conquista.

que são as nossas visitas domiciliares. que realizar um trabalho de preparação para alta. Grupo Estamos de Olho. trabalhar os prós e contras do tratamento. o Canto do Conto. no momento da alta. de forma descontraída. No intuito de tornarmos mais ameno os contatos com essa clientela para trabalharmos situações delicadas. que consiste em passeios por nossa cidade. o Pelas Ruas da Cidade. o Ô . atividade criada por nossos usuários e um presente inestimável para nós. para ouvir músicas e dançar.maioe a novembro 2002 de casa. com orientação e mensagens de estímulo. mural em que o paciente pode deixar registrada sua mensagem. grupo de atendimento e apoio a familiares e grupo de escuta. onde são estimulados a reivindicar seus direitos. utilizando um serviço de ativa e contatos Gráfico 1: busca Média de internação dos com os pacientes.manuais. através do qual realizamos um trabalho de acompanhamento e supervisão dos pacientes no período pós-alta. uma forma que encontramos para manter o elo entre o paciente e a equipe. o Espaço Música. após sua alta. criamos o Jogo da Balança. O trabalho de inclusão do nosso serviço não se constitui apenas dessas novas tecnologias ou das atividades já mencionadas. para reforçarmospacientes orientações ajudarmos em dificuldades. o Grupo do Tibiritar. de viver bem. direcionado a pacientes e familiares. o Cartão Conte Conosco. de avaliar ou medir. mas temos a certeza de que nos evolvemos para construí-lo da melhor forma 142 . o Quadro das Mensagens. que trabalha os passos a serem dados na busca da qualidade de vida. através do qual trabalhamos o incentivo à autonomia do paciente. o Faça Sozinho. Sabemos que nosso trabalho está inacabado. ao contrário. com o qual conseguimos. que funciona como grupo operativo. valemo-nos do já criado e inovamos a partir das situações que vão surgindo. numa espécie de contrato de vida. através de uma balança de madeira com pesos iguais. realizadas pelos profissionais da equipe. o Grupo de Volta para Casa. o jogo Rumo à reabilitação. o que vale mais. grupo terapêutico. ainda. oficina de leitura. grupo informativo. Até o momento já criamos: uma Assembléia de Pacientes. Criamos.

Fomos unânimes em apontar os nossos pacientes como protagonistas desse papel. Esse “azul das ondas” não caberia em nosso breve capítulo. Não há o que ser abolido. Afinal para podermos enxergar esse azul. construído. com certeza. tantas foram as vivências e experiências compartilhadas. para cada um e qualquer semelhança é mera coincidência. transpondo as barreiras de defesa as quais nos privam. apesar de diagnósticos idênticos. descobrimos. aceitaremos que a loucura é polissêmica. o quanto são ricas as peculiaridades de cada um e o quanto são especiais e essenciais. pois. pois enlouquecer é diferente. temos que nos aproximar desse mar. Além disso. Tomados por vivências maravilhosas no percurso de nossa estrada. de uma maior aproximação com a realidade desse indivíduo. 143 . Segundo Silva Filho e Leibing: (1999. que cada caso é distinto e que devemos valorizar essas diferenças. questionamonos o que representaria. na assistência pautada no respeito a necessidades individuais de nossos clientes e formada diante de uma relação mais próxima entre terapeuta e paciente. ou seja. desde que. a loucura será vista como algo que não deve ser suprimido/reprimido ou corrigido e sim escutado e acolhido. É assim que compreenderemos que pessoas com o mesmo diagnóstico podem ter cuidados diferentes. Durante esse tempo de funcionamento. busquemos um envolvimento com a experiência partilhada e uma assistência planejada por quem se importa com o outro. p. “o azul das ondas”.O AZUL DAS ONDAS Ao decidirmos escrever sobre nossas experiências. Foi o que fizemos. nas novas formas de atendimento há lugar para diferenças. em nosso serviço. as biografias são muito diferentes. por isso decidimos registrar algumas dessas vivências e assim dimensionar a rica experiência de conviver com os pacientes psiquiátricos. enquanto profissionais. há o que ser recuperado.13) No próximo milênio.

funcionando como uma ameaça. Esse paciente tinha uma história de sucessivas internações psiquiátricas (+ de 20). demo-nos conta do quanto tínhamos alcançado no tratamento. sereias. Internado em nossa primeira semana de serviço. aceitava prontamente as medicações e até com alegria. acreditamos que a casa acabava. não sabíamos se era possível avançar mais um pouco. uma quebra de sua árdua rotina quando internado. ainda havia muito receio no ambiente sobre o que representaria esse serviço para o hospital. substituindo naturalmente os hábitos adquiridos pelos muitos anos de internação hospitalar. A família. quando então afloravam os seus delírios que. sendo mais comuns os místicos e persecutórios. talvez em função de repetidas internações de longa duração e em função de manejo terapêutico inadequado. pois as mudanças seriam gradativas. 34 anos. Já havia se acostumado à vida e às duras rotinas do hospital. Assim saía do calmo. até desfrutar do direito de ter vontades e poder realizá-las. a equipe decidiu então pela alta. Assim. Esse paciente constituiu-se para nós um desafio. já preparada. Após sua alta. A verdade é que tínhamos um paciente cujas possibilidades terapêuticas pareciam bastante reduzidas. Esse paciente tinha uma grande oscilação de humor. exaltando-se facilmente. por vezes. Ainda tínhamos dúvida se havíamos feito todo o possível para recuperá-lo. eram extremamente intensos e variáveis. No início. recebeu-o ciente de que deveria manter algumas rotinas. Depois passou 144 . Assim caminhamos com o atendimento que.JMS. gentil e galanteador (era natural a sua reação de elogiar a todos os que com eles cruzavam. linda entre outras) para uma reação de ameaçar alguns e falar em tom extremamente alto. assustando os já temerosos pela presença desse tipo de clientela. já que sua condição até o impedia de dar-se conta de quão ela era dura. às quais o paciente já estava adaptado. comer o que desejava em horário não pré-estabelecido. o paciente não tinha consciência do que representava ter vida própria e não ditada por rotinas hospitalares. Assim funcionou. diga-se de passagem. Depois de muitas oscilações no quadro clínico. com curtíssimo intervalo entre as mesmas. em seus breves momentos de alta. princesa Dayana. intitulando-os de príncipes. foi decididamente um paciente com presença inesquecível para todos nós. até ele perceber as vantagens de estar em casa.

já era encaminhada para outra.F. pois. de modo específico. juntamente com seu diálogo desconexo. tivemos a impressão de sua real situação: era uma paciente esquizofrênica. com mais de vinte anos de vida perdidos em hospitais e clínicas psiquiátricas. Nós percebemos que. Em virtude disso. pois “ELA NÃO TEM MAIS JEITO”. Realizavam verdadeiros rodízios nas diferentes clínicas psiquiátricas locais. em respeito à sua interrogação de desagrado. com intervalos curtos entre as mesmas e sem nenhum progresso terapêutico na direção do seu restabelecimento. denunciavam à primeira vista sua condição de sofrimento psíquico. beleza exótica. Após abordagem inicial com ela. e o mais importante: devemos continuar nesse caminho. Esse fato levou-nos a expor aos familiares que sua permanência em nosso serviço seria de curta duração pelo modelo de atenção que seria oferecido. além de solicitarmos a presença dos familiares 145 . paciente de aspecto jovem.a reagir de forma diferente mostrando-se não muito satisfeito e verbalizando: “será que nunca mais me livro disso?”. seria levada para outro hospital. Já decorreram cinco meses e o paciente até hoje está sem internações. 35 anos. queriam que ela ficasse internada pelo menos três meses e que. resultando em prolongamento do tempo de internação da paciente. mas são lembranças desagradáveis que invadem seu espaço domiciliar. chegou ao nosso serviço com a vaidade traduzida em sua apresentação nada casual de roupas e maquiagens em tons fortes e vibrantes que não combinavam entre si e. de modo a manter a paciente afastada deles. Aliado a isso. passou a ser feita em ambulatório. de tal forma que. A construção desse envolvimento familiar constituiu um desafio. para esse paciente. havia a família que tinha pouca tolerância e nenhuma aceitação para com a paciente. Eles. o que exigiu da equipe maior desprendimento de tempo. Percebemos então que a abordagem e envolvimento familiar. seria indispensável ao bom andamento do projeto terapêutico. as rotinas hospitalares não mais representam segurança. Agora não fazemos mais a sua medicação no espaço de sua casa. no entanto. M. ao ser dada alta em uma clínica. compreendemos que fizemos um bom trabalho. em regime de internações de longa duração. se a paciente fosse logo liberada.

levando-nos à criação de um cardápio de acolhimento e caixa de sugestões para o nosso serviço. A partir de então. ao comparar o hospital a um hotel: Aqui parece um hotel. possuía bom gosto para escolher suas roupas e maquiar-se. não se sentindo mais sozinhos. Assim reconstrói sua vida. M. fomos surpreendidos com a seguinte placa em sua porta: “Costura-se para fora”. ir para minha casa cuidar de minhas coisas). o que foi fundamental para que conseguíssemos um bom resultado. com as quais descobrimos que tanta intolerância e resistência para com a paciente resultava da insegurança e incapacidade de manejo dos familiares a seu sofrimento psíquico. passaram a cooperar com a equipe. está há cinco meses sem internação psiquiátrica. Só falta uma cascata e um elevador. um senso muito crítico. fomos descobrindo peculiaridades da paciente como: detentora de um carisma que conseguiu sensibilizar e comover vários funcionários do hospital. Ao mesmo tempo que envolvíamos a família. Esta colocação conformou melhor nossa visão. certamente com uma felicidade bem diferente da que possuía em nosso primeiro encontro. com grande habilidade para costura. inteligente e criativa. Atualmente. (tendo-a utilizado como forma de trabalho).F. Recebenos sempre cordialmente com orgulho de que recebe visitas em sua casa. Ao fazermos uma visita domiciliar. Essa paciente é fruto de uma nova realidade e mostra a 146 . possuía uma casa. através de visitas domiciliares. às vezes nos oferece suco de acerola colhida de uma pequena árvore no quintal. com a qual demonstrava grande preocupação (eu preciso sair daqui. decidimos caminhar em direção a eles. os familiares observaram que podiam contar com o apoio dos que eram responsáveis pelo tratamento e.da paciente em nosso serviço.

IPUB. LEIBING. 200. Cristina et al. nº 14. et al. nº 19. Annette g. Cadernos IPUB. João Ferreira da Silva. Rio de Janeiro: UFRJ/IPUB. 147 . Práticas ampliadas em saúde mental. FILHO.NOSSOS INDICADORES REFÊRÊNCIAS LOYOLA. Rio de Janeiro: UFRJ/IPUB. 1999. Composição e crítica para uma clínica de enfermagem psiquiátrica.

(elementar. Membros da Equipe de Saúde Mental. B) Paciente e B) Pacientes deslocando-se acompanhantes. 1) Profissionais capazes de: • Cumprimentar os pacientes e a equipe de saúde mental. espelhos. 3 dias. . 2) durante o período de internação. Sara Fiterman OBJETIVO: Implantar projeto terapêutico em leitos psiquiátricos no Hospital Geral. médio e superior). e há quantos dias estão internados. mês e ano. Patrícia Anunciação. 1 profissional para discutir a necessidade de internação A) GRUPO SEJA BEM-VINDO para recepção do paciente e apresentação da enfermaria. 72h. · Horários das visitas. • nº dos telefones úteis. familiares e Hospital acompanhantes. . calendário. 1 familiar e aceitando a internação. os maqueiros.Pacientes 1) GRUPO CONQUISTA para frente ao espelho.Pacientes e familiares. • Compartilhar o espaço da enfermaria com os outros pacientes. • Utilizar as dependências da enfermaria 1) Profissionais de todos os setores : portaria. 1 – Acolher 1) Como acolher? 1) Oficina de sensibilização (carga horária 8h) para os profissionais da portaria. para discussão sobre preconceito. limpeza. 2) Admissão somente nos 2)Pacientes internados involuntariamente apenas casos em que o paciente com a condição de auto ofereça riscos a si e aos e heteroagressividade outros. • Pacientes arrumando-se em . hora. (sozinhos ou acompanhados) pelas dependências do . A) Pacientes e acompanhantes a) Membros da Equipe de Saúde Mental envolvidos na admissão B)GRUPO BOM-DIA para apresentação do ambiente hospitalar. exclusão/inclusão e tratamento do doente mental. paciente e/ou familiar realizada por no mínimo um profissional de nível superior 3) Grupo formado no mínimo .Pacientes e familiares • cronograma de atividades. da limpeza. Pacientes mostrando –se informados quanto : • nome dos integrantes da equipe.Equipe: Antônio Gentil. Fernanda Carneiro. internação. maqueiros e de saúde. IMPLANTAR PROJETO TERAPÊUTICO OBJETO E SUAS DIMENSÕES PERGUNTAS IMPORTANTES ATIVIDADES. leito e companheiros de quarto. Permanente R – Membros da Equipe de Saúde Mental. 3 dias . TÉCNICAS E INSTRUMENTOS INDICADORES E EVIDÊNCIAS PÚBLICO ALVO TEMPO E RESPONSÁVEL ANEXO 01 Projeto terapêutico implantado. • chamar os pacientes pelo nome. . Durante toda a internação Membros da Equipe de Saúde Mental (SM). copa.Pacientes. 2) Pacientes.Pacientes e familiares por 1 paciente. -2) O que fazer no caso das internações involuntárias? 6) Equipar as enfermarias com relógios . Membros da Equipe de Saúde Mental. 5) CARDÁPIO DE ACOLHIMENTO. Membros da Equipe de Saúde 148 .Pacientes internados.quadro informativo. • solicitar notícias sobre os pacientes egressos. Pacientes informados sobre: • o dia da semana. medicações e das refeições. esclarecimento quanto 1)Diminuição das internações ao tipo e necessidade de involuntárias. -1) 1 mês (2 semanas para os níveis elementar e médio e 2 semanas para o nível superior). da copa. recepção. b) Membros da Equipe de Saúde Mental e pacientes internos. A) Pacientes capazes de: • Aceitar a aproximação da equipe. • oferecer informações aos pacientes 2) Avaliação entre bom e excelente para 80% a 100% dos pacientes (caixa de opiniões implantadas nas enfermarias) (ANEXO) Ausência de internação 2) Entrevista clínica com involuntária por mais de 72 h. Responsável: profissionais de nível superior. da recepção.

C. escova e creme dental. da PA.C.C. shampoo. 9) Prescrição de doses medicamentosas mínimas para psicotrópicos 10) Monoterapia (para 4) Como fazer da contenção antipsicóticos) um cuidado? 1) Utilizar a contenção obedecendo a seguinte seqüência: 1 . institucional 3. em caso de permanência da involuntariedade. 2) prescrições que priorizem a medicação via oral (VO). menos 1 vez ao dia de acordo c/ as suas preferências de horários. 2) Presença de: sabonete. . 3) GRUPO CONQUISTA quando houver contenção 1) Adequar a alimentação à capacidade de deglutição e/ou mastigação do paciente.C. 2) garantir a alimentação fora dos horários estipulados pelo Hospital.5) Ausência de internações involuntárias por mais de 72h.  Ausência de interações medicamentosas. do trânsito gástrico intestinalÏ  escolha da preferência alimentar. 6)Pacientes que permanecem involuntários por 72h.O. Pacientes 30 min.4) Acompanhamento intensivo nas primeiras 72 h. suas indicações. endovenosas e S. 4) Contenção emocional para evitar medicação S. Pacientes e familiares 1) pacientes realizando sua higiene de acordo com suas necessidades.  Medicação atualizada  Ausência de impregnações. Melhora dos níveis glicêmicos. 3) Pacientes: -usando Pacientes e familiares sabonete e shampoo. comunitária 2 . somente nos casos em que esgotaramse as possibilidades das demais formas de contenção.  Ausência de abscessos e flebites. toalha). 3) GRUPO CONQUISTA para evitar a medicação injetável.  Diminuição do uso de SOS.  maior aceitação da medicação por VO. . 5) Alta em 72h. 2) Como cuidar através dos 1) Realização da higiene pelo hábitos de higiene. química 5 .Pacientes . em casos de recusa a medicação por VO. 6) Mapa de rodízio para administração das medicações IM. desodorante.S 5) Registro e controle das medicações intramusculares (IM). 3) Como garantir que a medicação seja um cuidado? 1) GRUPO TIBIRITAR com informações sobre os psicofármacos.Durante a internação. a partir de situações específicas 3) Atender às necessidades clínicas 4) Levantamento das preferências alimentares 5) Avaliação nutricional diária.. Equipe de saúde mental e familiares. 7) Acompanhamento da ingestão das medicações.enxugando-se com sua toalha após o banhoescovando os dentes  Pacientes e familiares esclarecidos quanto aos tipos de psicofármacos. Ausência de comida devolvida.  Diminuição do uso de medicações injetáveis.O S.C. Durante o período de internação. interações.  Índice de contenção química inferior ao de contenção emocional. Durante o período de internação Resp. e contra indicações. emocional 4 . recebendo alta com alguma melhora em quadro clínico.Membros da Equipe de Saúde Mental.  Pacientes acompanhados durante a contenção física 149 . Ausência de queixas do paciente acerca da alimentação. desodorante. toalha nas gavetas individuais de cada paciente.Membros da Equipe de Saúde  Contenção física.física 2) Contenção física acompanhados permanentemente por um profissional da equipe. 2) Cuidar 1) Como garantir que a alimentação seja uma atividade do cuidado? 4)Involuntariedade convertida em voluntariedade em até 72h. shampoo. 8) Prescrição diária. Membros equipe de saúde mental. 2) Incentivo à família para trazer objetos de higiene do paciente numa quantidade mínima que atenda suas necessidades (sabonete. creme e escova dental. reações.

 Projeto terapêutico individualizado. 4) Retirada da contenção até 30min. Após 48h de internação.Indicadores: Paciente :  conhecendo seus direitos e deveres. 3) Grupo com pacientes e/ou familiares.  informados quanto ao uso da medicação. 4) Estudo de caso. Membros da Equipe de Saúde Mental. telefones e horários de plantão dos  Ausência de contenção por mais de 30 min. . 150 . 5) Como respeitar as necessidade do paciente? 1) Avaliação das necessidades individuais dos pacientes.  contactando com a equipe ao sentir efeitos indesejáveis da medicação.  freqüentando CAPS.  Equipe centrada nas necessidades individuais do paciente.  não abandonando a medicação. Hospital Dia e/ou ambulatório. 4) GRUPO ESTAMOS DE OLHO para acompanhamento e supervisão dos pacientes pós alta. somente em casos de extrema necessidade e de forma menos traumática. 5) Índice de contenção química inferior ao de contenção emocional.  visitando a equipe nas datas aprazadas.  Pacientes vivenciando a contenção física. 3) GRUPO DE VOLTA PARA CASA para preparação do paciente e familiares pós alta hospitalar. 3) Incluir Durante o período de internação Responsável de equipe de Saúde Mental. 3) Encaminhamento dos pacientes para: CAPS.  Equipe comprometida e reciclada. 1) Assembléia de pacientes ( fórum de discussão deliberativo) 2) GRUPO DO TIBIRITAR para informar quanto aos direitos e deveres dos pacientes.  Pacientes satisfeitos com o atendimento recebido. Pacientes internados..física visando buscar uma contenção emocional. Hospital dia e ambulatório. não mais que 30min e registrada no prontuário. Pacientes e familiares Mental . 5) Contenção física mediante prescrição médica. 5) Avaliação diagnóstica. 2) Abordagem individualizada. 6) Como trabalhar inclusão numa internação 6) Elaboração de projeto de curta permanência? terapêutico individualizado. 5) Ô DE CASA visitas domiciliares 6) FOLDER “CONTE CONOSCO” (contendo orientações pós alta hospitalar.

uma psicóloga e seis auxiliares de enfermagem que assistem o paciente 24h por dia. Amigos. Estamos recebendo você para um período de internação para tratamento. Seja Bem-vindo Hospital Geral Tarquinio Lopes Filho Rua Neto Guterres nº 02 – Madre Deus • GRUPO BOM DIA Diariamente das 7:30 às 8:00 h • CINE GERAL Sexta-feira: das 17:00 às 18:00 h • FAZENDO E ACONTECENDO Trabalhos Manuais Segunda-feira: das 9:30 às 10:30 h Quarta-feira: das 16:00 às 17:00 h • CANTO DO CONTO Quarta-feira: das 9:30 às 10:30 h • GRUPO DO TIBIRITAR Grupo de Conversas Quinta-feira: das 15:30 às 16:30 h • ESPAÇO MÚSICA Terças e quintas: das 18:00 às 19:00 h Sábado: das 16:00 às 17:00 h • Ô DE CASA Visitas Domiciliares Terça-feira: das 8:00 às 12:00 h • PELAS RUAS DA CIDADE . familiares e comunidade aspectos relacionados às normas. Esperamos oferecer um atendimento de qualidade. que contemple o acolher. duas enfermeiras. no segundo andar deste Hospital. dois médicos. em conjunto. Cuidar & Incluir Pacientes. rotinas e atividades assistências oferecidas em nosso serviço. o cuidar e o incluir. Cuidar e Incluir é um boletim informativo da equipe de Saúde Mental. Lembramos que nosso objetivo é oferecerlhe um atendimento de qualidade. 208 com os leitos de número 44 a 48. que visa esclarecer aos pacientes. MEDICAÇÃO 8:00 horas 14:00 horas 20:00 horas REFEIÇÕES 7:00 Café da Manhã 9:30 Lanche 12:30 Almoço 15:30 Lanche 18:00 Jantar 21:30 Ceia TELEFONES ÚTEIS Orelhão: (098) 221-87-44 VISITAS Terça-feira Quinta-feira Domingo 15:00 às 16:00h Acolher. têm como objetivo maior a Saúde Mental e a ampliação das possibilidades afetivas e psicossociais do ser humano. Equipe Técnica Informativo de Internação Serviço de Saúde Mental 151 Acolher. Nossa Equipe é composta pro profissionais de diversas áreas que. respeitando suas necessidades. Familiares. 207. para que sua permanência seja a mais agradável e curta possível. SERVIÇOS DISPONÍVEIS Direcionados aos pacientes internos e aos familiares: EQUIPE CLÍNICA Contamos com uma equipe formada por um assistente social. Nosso serviço é composto de duas enfermarias.ANEXO 02 O Paciente seu acompanhante e o Hospital Geral.

Para isso. usar aparelhos sonoros e fumar nas 152 . sabonete. AOS FAMILIARES/ACOMPANHANTES • Em nosso serviço. copo e colher Tenha disponível algumas peças de roupas para uso. toalhas de banho. • O acompanhante tem direito às refeições. peças íntimas. dirija-se à sala do Serviço Social para solicitação do Cartão de Permanência. solicitamos a presença permanente de um acompanhante para o paciente. barbeador. pasta e escova de dentes. ATENÇÃO: • Não é permitido entrar com sacolas e vasilhas com alimentos. são necessários os materiais de uso pessoal: shampoo. quando de atividades extra-hospitalares.ANEXO 02 ORIENTAÇÕES AOS PACIENTES: Cuidar da higiene é um dos pontos importantes do tratamento. • A p ó s re a l i z a r a d m i s são do paciente. absorvente interno.

ANEXO 03 153 .

Você gostou das atividades oferecidas? ( ) ótimo ( ) bom ( ) regular ( ) ruim 5. O que você achou de nosso atendimento? ( ) ótimo ( ) bom ( ) regular ( ) ruim 2.ANEXO 04 FICHA DE AVALIAÇÃO SUA PALAVRA É IMPORTANTE 1. O que você achou do Hospital? ( ) ótimo ( ) bom ( ) regular ( ) ruim 4. Como você avaliaria os profissionais? ( ) ótimo ( ) bom ( ) regular ( ) ruim 3. Você gostaria de nos dar algumas sugestões? 6. Você teria alguma reclamação? Obrigado !!! 154 .

formando uma teia (como bem diz Ana Pitta) que se pararmos para pensar. aparentemente. bem como a indignação frente ao que era oferecido como tratamento. Psicóloga do Programa Viva a Vida. Especialista em Saúde Mental. quer seja no Maranhão. onde os diferentes estágios curriculares e extracurriculares foram realizados dentro de instituições públicas. como “As pérolas do Maranhão”. e por que não dizer. uma psicóloga e outra assistente social. A luta pela desinstitucionalização/desospitalização do doente mental estava no seu início e a identificação com a área. Apesar de origens diferentes. A relação com a Saúde Mental iniciou ainda nos tempos da graduação. 155 . Apesar dos sonhos e planos. de certa forma. * ** Assistente Social do Hospital Psiquiátrico Nina Rodrigues. quer seja no Estado do Rio Grande do Sul. estarem colocados aleatoriamente. apesar de muitas vezes.NOSSA TRAJETÓRIA – NOSSA TEIA – A CASA Arlete Penha Cutrim* Ivelise Pieniz Macagnan** “Alguns homens vêem as coisas como elas são e perguntam: Por quê? Eu sonho com as coisas que nunca foram e pergunto: Por que não?” Bernard Shaw Nossa trajetória na vida é sempre desconhecida e inesperada. as coisas vão. se entrelaçando. Especialista em Saúde Mental. começou a fazer parte de nossa trajetória profissional. de formação acadêmica diferente. remete-nos a pensar neste entrelaçamento que a vida foi tecendo para nós. fomos descobrindo que nossos fios tão distantes uns dos outros já tinham entrelaçamentos também comuns nesta teia. uma gaúcha e outra maranhense. de vida. cada fio tem uma ligação uns com os outros. Fazermos parte hoje de um grupo que se propôs a rever suas práticas e lançar-se a concretizar uma forma diferente de fazer saúde.

Ivelise e Arlete. Trabalhávamos então em serviços públicos de saúde. nos engajamos na implantação das Residências Terapêuticas em São Luís. a possibilidade de passar para a ação o que buscávamos desde o início de nossas carreiras. uma fazendo parte do Programa Viva a Vida e a outra profissional do Hospital Psiquiátrico Nina Rodrigues. bem como para a própria saúde mental. no que se refere às políticas e às práticas na área de saúde. E os fios que estaremos tecendo vão apenas complementar o seu tamanho. e fazendo parte do “Grupo Mental”. Entretanto. ela ainda tem muito a crescer. na certeza de que algo mais era possível de fazer para os usuários. então. Nossos fios começaram a se cruzar quando. Ao sermos incluídas no Curso de formação das “Pérolas do Maranhão”. apesar do formato acabado. a oportunidade de que o Projeto das Residências Terapêuticas pudesse ser discutido e planejado em suas especificidades somou-se ao que consideramos. uma teia com um formato acabado. hoje.O trabalho profissional desenvolvido em dois Estados tão diferentes. familiares e comunidade. Era. único hospital público nesse tipo de atendimento no Estado do Maranhão. foi marcado pelo nosso desejo de transformação dessas práticas. em 156 . através de nosso objetivo em comum: construir uma saúde mental diferente no Maranhão. que tem a ver com o envolvimento não só das pessoas que o compõem. mas também com os principais atores do projeto: os pacientes psiquiátricos moradores em hospitais há muito anos. TECENDO A NOSSA TEIA Contar sobre nossa teia daqui para frente é remetermonos à história de um trabalho em grupo. unindo nossas tramas. O Projeto das Residências Terapêuticas começou a ser discutido pelo Programa Viva a Vida com a equipe e direção do Hospital Psiquiátrico Nina Rodrigues – HNR. onde dificuldades e obstáculos que enfrentávamos também eram de ordens diferentes: uma na área comunitária (promoção de saúde) e a outra na área administrativa (como coordenadora estadual de saúde mental) e em instituição psiquiátrica hospitalar.

fevereiro/2001. Os profissionais, inicialmente, não tinham muita clareza de como se daria esta nova forma de cuidar. Dois momentos foram importantes neste sentido: o curso/treinamento com a Psicóloga Patrícia Albuquerque (IPUB-UFRJ) e as oficinas com o psiquiatra William Valentini (Campinas – SP), realizado no HNR com seus profissionais de nível superior e médio, bem como com outros profissionais engajados na proposta. O primeiro tinha como objetivo o esclarecimento acerca do assunto, o que possibilitou uma visão do processo de implantação, e a construção do anteprojeto das Residências Terapêuticas, que mais tarde, seria incorporado ao projeto final, enviado ao Ministério da Saúde para aprovação. O segundo foi um curso de sensibilização e de reelaboração dos aspectos subjetivos para os profissionais envolvidos no processo que, por todo o aspecto de mudança, possuem seus medos e fantasias de ver seus pacientes fora da instituição. Cabe salientar que esta implantação tem a ver com as propostas do Programa Viva a Vida (com sua história de atuação no Estado) e com o engajamento, na época, do Coordenador de Saúde Mental, autoridade política responsável pelo projeto. As primeiras casas (num total de oito previstas), diferentemente do que acontece no resto do país, seriam adquiridas pelo governo do Estado, que também demonstrou o interesse de “reinserir na vida” pessoas excluídas socialmente: os doentes mentais moradores há muitos anos nos hospitais e clínicas psiquiátricas do Estado. A procura das casas foi feita pelo grupo de profissionais nos meses de julho e agosto/01, dentro das características desejadas para abrigar seis moradores, conforme nosso projeto, prevendo a implantação de quatro residências inicialmente. O processo de compra das oito residências foi demorado e, ao final do ano, somente três foram possíveis de ser adquiridas pelo fato de as demais não possuírem a documentação e exigências legais para serem compradas. Neste período de busca e processo de compra, os pacientes continuaram a ser mobilizados, sendo isto o mais importante. Tínhamos 24 pacientes indicados pelo hospital para serem distribuídos nas quatro residências. Era necessário, portanto, formarmos os grupos que iriam passar a residir juntos. Entretanto não poderíamos, como profissionais (embora alguns tivessem 157

a tendência), realizar a escolha. Esta deveria partir dos próprios pacientes, já que eles é que estariam convivendo entre si e, ao contrário do que acontece nas instituições, deveriam começar a exercer seu direito de escolha. Hoje podemos pensar que este foi o primeiro momento de resgate das condições de cidadão e de poder de decisão que estas pessoas começaram a fazer em suas vidas, após a eclosão da doença. Inicialmente, cada paciente escolheu cinco pessoas com as quais gostaria de morar. Assim, pudemos perceber que alguns foram escolhidos por vários colegas, sendo que nenhum deles deixou de ser lembrado pelo menos uma vez. Isso prova que a exclusão não foi reproduzida entre eles, apesar de também existir no espaço hospitalar. Como então formar os grupos? Nesse momento, a discussão junto aos profissionais foi importante: levando-se em consideração as características e preferências pessoais, fizemos os arranjos dos quatro grupos, pensando-se sempre que estes não eram definitivos e nem estariam fechados. Após essa formação, os profissionais foram distribuídos nos grupos, sendo que o objetivo seria trabalhar com os pacientes a mudança e tudo o que ela envolveria: resgate de competências, reaprender a andar na cidade, discutir as rotinas de morar numa casa, reelaborar seus medos, aprender a negociar, encaminhamento para a retirada dos seus documentos, entre outros. Com a demora para a aquisição das casas, percebemos a desmobilização da maioria dos profissionais, o que não aconteceu em relação aos pacientes. Nestes, apesar do receio de que mais uma vez suas esperanças estariam sendo frustradas, havia a demonstração clara de que seus desejos e projetos de voltar a viver em uma casa estiveram continuamente presentes num ambiente institucionalizante e de abandono familiar, mesmo que não verbalizados ou percebidos pela instituição hospitalar. Com a mudança de governo no início do ano de 2002 e a conseqüente mudança da coordenação de saúde mental, gestor responsável pela direção política do projeto, as questões administrativas (discussão e aprovação nas instâncias gestoras competentes, regulamentação, repasse de financiamento) mais uma vez andaram em marcha lenta, sendo outro fator de dispersão 158

dos profissionais que, até então, não acreditavam na mudança. E mais uma vez, os pacientes continuaram acreditando e sonhando com a “sua casa”. Nesta reorganização política, era necessário que os responsáveis, gestores estaduais e municipais, compreendessem e fossem sensibilizados para assumir, também como seu, o projeto das residências. Nesse momento é que pudemos nos confrontar com a realidade de que a nossa vontade (ou nossos desejos) estava condicionada também à vontade política de que desse certo. Manter a confiança e acreditar que nossos sonhos eram possíveis foi o grande trabalho desde então. Mas a grande força veio dos próprios pacientes, atores deste programa. Transformar o trabalho prático em objetivos e Planos de Trabalho e Avaliação – PTAs foi a parte mais fácil, embora também trabalhosa. Incluir nos objetivos do GRUPO MENTAL o projeto das Residências Terapêuticas (um dos dedos de nossa mão) era a oportunidade de podermos pensar, repensar e escrever nossa experiência de forma clara, possibilitando contribuir para outras experiências com esse dispositivo no resto do País. Passamos a ser o “subgrupo das residências”, formado apenas por dois integrantes dos nove do Grupo Mental, sendo uma psicóloga e outra assistente social, ou simplesmente, Ivelise e Arlete, conforme referido anteriormente. Mesmo que duas pessoas não formem um grupo, mas uma dupla, nós somos um grupo, porque, como mencionamos no início, é formado não só pelos profissionais engajados, mas por todos aqueles que sonham os mesmos sonhos. Tínhamos trabalhado inicialmente em cima do PTA cujo objetivo era a “Implantação de Residências Terapêuticas”, um plano de trabalho relacionado a dimensões concretas de implantação como: o imóvel, o mobiliário, equipe de trabalho, clientela, autorização, financiamento e manutenção, os quais dizem respeito, na sua grande maioria, a questões burocráticas e dependentes de vontade política. Percebíamos que a parte do PTA que tínhamos condições de realizar, já havíamos realizado e, as que dependiam da vontade pública, a nossa atuação foi como promotoras de entusiasmo pela proposta. Assim, nas discussões, surgiu a necessidade de um outro PTA, mais humano e contendo o objetivo real do nosso trabalho, 159

coexistiam dois sentimentos em nós: o de não perder a esperança como eles e o da responsabilidade que aumentava frente a esta mesma esperança. entre outras. a escolha das cuidadoras. trocas sociais. Ele seria a nossa bússola de trabalho e o grande instrumento de avaliação para o que estávamos fazendo. medicação. A cada nova prorrogação. O sonho estava tão perto e ao mesmo tempo não se podia concretizá-lo. as regras de boa convivência. Mais uma vez este processo foi pouco visível pelos profissionais 160 . ainda pacientes por morarem na instituição. benefícios. A cada novo encontro com o grupo de futuros moradores. Assim. ou melhor. novas expectativas eram adiadas (e por que não dizer frustradas). faltava o “empurrão diretor” para que ela ocorresse. consultas médicas. Vários foram os prazos que foram dados para que ela ocorresse e várias foram as “desculpas” para a demora do cumprimento desses prazos. Estávamos. cidadania e trabalho produtivo. Foram longas as discussões e muitas modificações para o trabalho adquirir um corpo sólido. então. o trabalho foi se construindo na medida em que íamos caminhando – tecendo a teia. o planejamento de tarefas e horários. auto-estima. a limpeza da casa. autonomia. as necessidades pessoais como os documentos. Apesar de a reforma da casa não estar sendo providenciada. Baseamo-nos em dimensões relacionadas à reabilitação psicossocial. participavam ativamente de todas as decisões que estavam sendo tomadas: a troca de um integrante do grupo. ou seja: poder decisório. na metade do ano e as promessas da mudança para a primeira casa ainda estavam condicionadas à reforma de sua estrutura física. seus principais atores. Foi aí que surgiu o PTA “Programa Terapêutico para moradores das Residências Terapêuticas”. Os futuros moradores. Foram estes sentimentos que estiveram presentes até que a concretude do trabalho pudesse ser estabelecida. a “reforma humana” já estava acontecendo. dentro daquilo que tínhamos em mente do que seria o trabalho de reabilitação.ou seja. a reabilitação psicossocial de doentes mentais. Vale salientar que a experiência em Residências Terapêuticas no Brasil ainda é recente e são poucas as produções científicas sobre o tema. a escolha dos móveis. dos quartos da casa e da cor da pintura.

Muitas vezes sentíamos que o grupo tendia a delegar esta decisão para nós. Isto foi simbolizado no empenho do grupo em relação a uma das futuras moradoras. os pacientes haviam perdido a capacidade de decidir sobre pequenas rotinas do seu dia-a-dia e. a fim de manter seu poder de decisão (e escolha). já que tínhamos três pessoas para ocupar duas vagas.da instituição que. Escolhidas as cuidadoras. Após os vários prazos que a Gerência Regional (responsável legal pelo imóvel) deu para o início da reforma não se concretizarem. Outra decisão importante do grupo foi referente à própria mudança. conseqüentemente. A luta do grupo foi marcada por um forte sentimento de inclusão (ou “não exclusão”). Entretanto. o fato de esperarmos e condicionarmos a mudança com a reforma. pois seriam elas que vivenciariam com os moradores a sua reabilitação. Eles ficaram evidentes quando também nós nos acomodamos. já que agora todos tinham uma meta a vencer: sair realmente da instituição e assumir suas vidas. por um período. A escolha também esteve presente no processo de seleção das cuidadoras. não tinham muita participação na mudança. sobre sua vida. mostrava também nossas resistências frente a ela. além do medo de uma “escolha errada”. já que isto não era uma prática incentivada no ambiente hospitalar. Percebíamos que. onde tudo era decidido pelos profissionais. a qual possuía uma situação de grande dependência institucional e sofria pressão para que não saísse da instituição. mas não sabíamos quais seriam eles. sendo alguns objeto de resistência e abuso de autoridade frente ao grupo de pacientes. embora sabendo que a convivência é que daria a noção de que a escolha teria sido acertada. começamos a perceber que. já começando a ser evidenciado o processo de reabilitação. o que poderia significar um enfraquecimento repercutiu neles como um elemento promotor de “saúde mental”. Mas na escolha prevaleceram critérios coerentes sobre o que esperavam de uma pessoa que fosse conviver com eles. a esta altura. o PTA “Projeto Terapêutico” serviu como instrumento de preparo e discussão junto às selecionadas. Até então não estava claro que também tínhamos nossos medos. às “desculpas oficiais”. As discussões produzidas nas nossas apresentações durante o curso e as contribuições dos colegas 161 .

mas a concretização das nossas dificuldades. Percebiam a “torcida do contra” e se apoiavam em suas esperanças e sonhos. a decisão de mudar sem a reforma da casa foi um impulso importante para nos tirar dessa situação de acomodação. não somente as transformações nos PTAs. o que só se daria a partir da mudança para a casa. conseguimos ter a clareza de que nossos dois PTAs deveriam acontecer de forma integrada e não em seqüência como pensávamos inicialmente: “Implantar Residências Terapêuticas” estava integrado com “Vivenciar o Programa Terapêutico” junto com seus moradores. O início das obras de reforma. O fato de ter um prazo fixo para a saída tornava-os cada vez mais confiantes. o que foi também compartilhado com os futuros moradores. já que a mudança era um fator político importante no que se refere a um projeto de governo e a um compromisso assumido com estas pessoas. o “silêncio” dentro da instituição quanto à mudança dos seus pacientes.e do prof. Estas dúvidas demonstravam seus 162 . de avanços e estagnações. A insegurança do grupo dos futuros moradores era percebida principalmente por duas situações: reação da instituição frente à sua saída (“Será que vão nos deixar sair?”) e sua própria reação (“Será que não vamos nos agitar?”).. ENFIM A MUDANÇA Após um ano e oito meses de trabalho. as visitas agora constantes à casa. o medo de que o grupo não saísse completo (Você não vai desistir da I. Ao apresentar os “próximos passos”. a mudança enfim aconteceu. entre outras situações. Assim. os quais tiveram reação de enfrentamento e de mobilização no sentido de terem seu sonho realizado: viver novamente em uma casa. foram acontecimentos e ansiedades que marcaram os cinco dias anteriores à mudança. embora os medos frente às reações da instituição à sua saída estivessem presente. A decisão da mudança parece que também mexeu com a inatividade dos responsáveis por ela. vai?). Tião possibilitaram.

O dia 09 de agosto de 2002 será um dia importante a ser sempre lembrado por todos nós. que percebemos o quanto é importante para qualquer pessoa apropriar-se do que é seu: ser dono de uma casa. Mas também. Vivenciar com os moradores situações de violação dos seus pertences e da sua casa. é difícil romper com seus estigmas frente aos seus usuários. proibição da instituição.. A despedida de seus colegas e dos profissionais. para a instituição. a colocação de seus poucos pertences no caminhão de mudança foram rituais marcados por muita emoção: emoção de despedida. sobretudo. remeteu-nos à noção do quanto até hoje isso foi “normal” em sua vida dentro do hospital. mas de moradores. quando começam a expressar o seu inconformismo (que antes não podia ser expresso) por esta atitude. mas. emoção de vitória e de esperança na construção de uma nova vida. mas também o início da retomada de suas vidas. o quanto deixou de sê-lo. A partir de então não seriam mais chamados de pacientes. de seus sonhos.. três dias antes da mudança e revernos constantemente era a garantia da saída do hospital. E como é difícil chamá-los moradores já que estamos acostumados a vê-los como pacientes! Novamente aqui temos a clareza do quanto. Foi a partir daí. medo de ter que voltar. de suas esperanças que não sucumbiram ao ambiente de descrença a que estavam sendo submetidos. Para nós foi a concretização de um trabalho de luta em prol de pessoas que merecem exercer seus direitos enquanto cidadãos brasileiros. como qualquer um de nós que mora em casas independente das doenças que sofremos. Ao longo desse processo. sim!” era depositada na nossa presença constante. marcou o fim de uma espera e de uma etapa de vida de sofrimentos.medos: impossibilidade de sair (porque ficou doente). dos seus quartos e ambientes institucionais. também. A inauguração oficial da Residência Terapêutica no dia 15 de 163 . Para os moradores. possibilidade de não dar certo. Deixar as “malas prontas” dois. após estarem dentro dela. Mas novamente a certeza do “vai dar certo. e que dentro da instituição eram simplesmente pacientes crônicos. ela foi sentida como ponto de apoio e de confiança de que não sonhavam em vão e de que havia pessoas que também acreditavam nos seus sonhos.

do Coordenador de Saúde Mental e outras pessoas importantes politicamente. perdida muitas vezes no ambiente hospitalar? Como eles irão vivenciar sua cidadania: possuir documentos. E as perguntas começaram a estar presentes: Como garantir poder decisório para os moradores da Residência Terapêutica? Qual o nível de autonomia que cada morador conseguiria na casa e como desenvolver a autonomia possível? Como será o relacionamento entre si. ir e vir para casa. com as cuidadoras? Como promover a sua auto-estima. que cada um tem 164 . votar. com pessoas conhecidas e desconhecidas. o nosso PTA.agosto. então. Começamos. para o grupo de moradores e para nós. porque. com os vizinhos. ou melhor. foi apenas um marco político. cuidar e gastar seu dinheiro. uma data importante. freqüentar escola? Qual a atividade produtiva. ou remunerada. com a presença de Gerentes de Estado. o marco estava dado pela saída do hospital. esta sim. a vivenciar as pequenas rotinas.

Ivelise IMPLANTAR RESIDÊNCIAS TERAPÊUTICAS .1 mês .Coordenador e pacientes .ANEXO 01 Equipe: Arlete.Qual a localização adequada? PERGUNTAS IMPORTANTES ATIVIDADES.RT OBJETO E SUAS DIMENSÕES Objeto: Residências Terapêuticas implantadas 1-Local adequado (imóvel) .1 semana .Pacientes moradores do Hospital Psiquiátrico Nina Rodrigues -Imóvel de fácil acesso a meio de transporte / serviços de saúde .1 mês . sala de -Levantamento estar) -Quantos e junto à clientela quais são -Móveis e os móveis os móveis e utensílios que utensílios em e utensílios são necessários? necessários quantidade suficiente para as -Pesquisa nos fornecedores para necessidades de 7 levantamento de (sete) pessoas -Móveis e preço utensílios escolhidos pelos moradores -Seleção e -Móveis e -Quantos profissionais treinamento dos utensílios de Nível cuidadores comprados Médio serão -Oficinas de necessários? 2 cuidadores: adaptação -Confecção escala -Escolhidos pelo de trabalho grupo -Interessados pelo trabalho -Identificado com os moradores -Investido na proposta terapêutica dos moradores -Respeitando os moradores e colegas -Dedicados .Coordenador de Saúde Mental 165 .Quais as características do imóvel? . TÉCNICAS E INSTRUMENTOS Instrumento: Portaria 106 – Ministério da Saúde -Seleção das áreas de localização -Levantamento das condições de acessibilidade -Pesquisa de imóveis mais imobiliárias INDICADORES E EVIDÊNCIAS PÚBLICO ALVO .Coordenador e profissionais envolvidos TEMPO E RESPONSÁVEL 2-Móveis e utensílios 3-Equipe mínima -Estudo/confecção da planta baixa -Dimensões e -Avaliação técnica características legal conforme portaria 106 (nº de quartos. cozinha. banheiros.

Moradores com administrador/ coordenador .Administrador + coordenador. federais . pagamentos.1 mês .Administrados com o serviço de saúde responsável (HNR) -Financiamento repassado do município para o SAI-SUS em forma de AIH .Semanal Responsáveis . etc) *Problemas de manutenção . 5-Autorização de -Projeto aprovado no Ministério da Saúde após discussão junto às instâncias municipais.Coordenador + profissionais do HNR.Gestores. estaduais.treinamento dos profissionais de Nível Superior -Confecção da escala de trabalho 4-Clientela -Escolha dos grupos de moradores -Oficina de discussão e preparo p/ mudança -Mudança dos pacientes -Levantamento e estudo da legislação específica -Elaboração do projeto a ser apresentado e aprovado às instâncias competentes: GQV -Definição da pessoa competente -Encaminhamento do p/ser discutido nas reuniões bipartite -Avaliação da vigilância sanitária -Estudo da legislação específica -Definição das instâncias responsáveis -Reuniões Bipartite 2 profissionais de Nível Superior -Contratados segundo as necessidades do serviço -Engajados com a proposta da Reforma Psiquiátrica -Aberto a mudanças na sua atuação -Com disponibilidade e dinamismo -Investido na melhoria da qualidade de vida dos moradores -Estabelecendo trocas com os moradores -Capazes de buscar soluções para os problemas -Interessados pelo trabalho -Grupos de 6 moradores com projeto terapêutico elaborado -Escolha dos moradores definida pelo próprio grupo . 166 .Coordenador saúde mental *Contratação de um administrador *Reuniões . manutenção de equipamentos em geral. Coordenador de Saúde Mental Tempo: .6 meses .1 semana .Administração do SRT pelo serviço psiquiátrico de referência definida *Administrador contratado -Engajado com SRT -Dinâmico -Capaz de administrar a dinâmica da casa (compras.

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que passa pelo conhecer para chegar ao saber. de um lado estavam nossas fraquezas e ameaças. às vezes dói. O novo incomoda. o vocábulo “crise” é formado pela soma de dois outros vocábulos: um significa “ameaça” e o outro “desafio”. mas como exigência para a cidadania de todos nós). Por isso tivemos durante o Curso vários momentos de crise. acadêmico e funcionalista que nos havia formado como profissionais. Fazer disso um campo de força equilibrado é um exercício permanente de aprendizado. É por isso que estas instituições tentam. Por isso. escolas. deu-nos mais uma oportunidade de aprender a reaprender. sabíamos que existiam fortalezas e desafios. O campo dos problemas e riscos é também o campo das possibilidades de êxito. Editora da UFBA. Em japonês. impostos e arraigados. andar nesta contramão é sempre uma ameaça aos valores. porque teme ter que reaprender outro caminho. Toda crise é uma situação especial de equilíbrio ou desequilíbrio entre “o que nos ameaça” e “o que nos desafia”. do outro. hospitais. porque ela anunciava que estávamos andando na contramão do processo histórico. percebemos que o que estávamos fazendo era transitar por um caminho novo. Ao longo dos vários meses de trabalho (maio a dezembro/ 2002). vida e saberes”. mais aceleradamente desumanizado. Se. não as crises de dor. Não a crise dos hipertensos e diabéticos ou as crises dos acometidos de transtornos mentais.1 É o seu jeito de sobreviver e manter seu poder iluminista e não iluminador. o tempo todo. Luiz Felippe Perret Serpa (org) e outros. reduzir “quem sabe” para “quem conhece”. E essa foi uma descoberta importante. mais contaminado por conflitos e interesses e. entre outras coisas. Quando reconhece o faz com tantas ressalvas.CONSTRUINDO FUTUROS Trabalhar com as “Pérolas” foi um grande privilégio* porque. E o mais interessante é saber que o inverso é que deveria “Expressões de Sabedoria: educação. mas a crise dos significados. portanto. Num mundo cada dia mais complexo de informações e contradições. 2002 1 171 . este exercício diário é cada vez mais necessário para simplificar a vida e praticar a generosidade (entendida não como ação caritativa dos bondosos. por causa de seu iluminismo. A maioria das instituições que nos formaram e nos acolhem para o trabalho (universidades. etc) não consegue reconhecer a diferença entre conhecer e saber. Salvador/Ba.

Reconhecemos que. sua luz e sua beleza. a possibilidade de investir nos “pontos luminosos”. filósofo e teólogo que viveu no século IV. para construir esse novo caminho. Junto com o nome estava também a sua missão e desafio. Governo do Estado do Maranhão e Fundação Sousândrade de Apoio ao Desenvolvimento da UFMA. a partir de então. seu ineditismo. E as pessoas vivem no presente-do-passado. o que seria um ideal pessoal adquiria contornos de realidade para um grupo. os nossos próprios e os das comunidades onde atuamos. dada privilegiadamente pelo Programa Viva a Vida. exatamente. o que nos movia era a grande possibilidade que tínhamos. Durante 140 horas de trabalho coletivo e vários meses de convívio. transitando pelo conhecer para chegar ao saber? I Seminário Interativo de Tecnologias Sociais em Saúde do Maranhão. um desafio permanente. de ousar e de teimar em ousar. no Rio Poty Hotel. tomando por empréstimo a expressão de Guimarães Rosa. Como uma pérola. mas a convicção de que estamos. ou de um sonho que se espera realizar algum momento. esse jeito novo de fazer velhas coisas. o que era um desejo de ser uma luz mostrava a possibilidade de produzir uma fonte de energia. 2 172 . no presente-do-presente e no presente-do-futuro. nome do livro que nos acolhe e nos abriga. promovido pelo Programa Viva a Vida. surgiu a expressão que. passaram a ser o nosso “presente do futuro”3 e. passou a ser a nossa determinada busca pela “terceira margem do rio”. São Luís/MA. realizado de 11 a 13 de dezembro de 2002. A travessia do conhecer. no presente. 3 Santo Agostinho. o que era uma idéia foi se transformando numa ação. deu sentido e unidade de propósito ao grupo: “as pérolas do Maranhão”. construindo realidades futuras. o que nos alimentava era. Desde o início.ocorrer sempre: transitar pelo conhecer e chegar ao saber. enfim. Como o nosso trabalho e os frutos dele (este livro e o seminário) poderiam nos apresentar. essa busca por“novas formas de cuidar em saúde”. dizia que“só existe um tempo: o presente”. de criação e construção de futuros. para se chegar ao saber. sempre desejada pela sua raridade. não o futuro de um outro dia que virá certamente. escrever juntos este livro e realizar um seminário2 para generosamente compartilhar nossa experiência coletiva de trabalho. mais que as denúncias e os inconformismos. seu brilho. como uma paixão. Já no primeiro encontro com os profissionais da área de saúde que participaram do Curso.

O CPCD e o Programa Viva a Vida. carregados de experiência e aprendizados. com linguagem e dialetos próprios. de compromisso ético e de comemoração festiva e elaborações simbólicas. Investir na construção de um novo olhar. aparentemente simples. investindo em novas formas de conhecer e saber. de atenção e cuidado). diagnosticar e tratar as suas doenças. um grupo de pessoas. profissionais competentes em suas áreas de atuação. Aprender o outro intensamente foi um exercício de profundo respeito e enorme curiosidade. um time para jogar este jogo. uma equipe. um time. rituais de iniciação. durante dois anos (20012002). como tal. mapear. Pouco-a-pouco. ausências ou carências. de aprendizado. através de novos caminhos. De repente. solução para suas enfermidades e conquista da saúde pela força da vida. E uma das decisões mais sábias que essa tribo tomou foi a de assumir a posição intransigente de não mais olhar as pessoas. fundamental para a construção da cidadania plena da população maranhense. A maioria dos integrantes dessa tribo trabalha no Programa de Saúde da Família – PSF. Um grupo. decidiram disponibilizar seus saberes e fazeres para criar uma equipe. promoveram a capacitação de todos os mais de 10 mil Agentes Comunitários de Saúde do Maranhão para atuarem como “educadores sociais”. como principal “remédio” para seu bemestar. mas pelo lado luminoso de cada uma delas. senhores de um monte de caminhos e alternativas para se fazer saúde de qualidade e para todos. 173 . a família ou a comunidade por suas “doenças”. requer a adoção de uma série de novas habilidades sofisticadas (de escuta.Para realizar desejos tão sofisticados. percebemos que caminhávamos para formar uma nova tribo. lentamente. resolvemos fazer da simplicidade das relações entre as pessoas a base para a construção de uma teia de sustentação desses ideais. mesmo nas fragilidades. de uma postura inovadora (profissional. A razão deste investimento se tornou necessária porque os ACSs até então foram treinados e preparados para visitar as famílias e entrar nas suas casas para ver. sem distinção. ética e solidária) e de uma crença nos saberes.Teria sido melhor se fossem chamados na prática de “agentes comunitários de doença”.

adquirindo o ‘status’ de valor. Algumas destas piscadelas. saudades do futuro. tocado. do novo desejado. este cuidado fundamental em não perder ou excluir nada ou alguém. De pouca utilidade são as astrologias e seus similares. mas é essencial a disposição corajosa para mergulhos densos e profundos. dos diferentes. E isto é o que começamos a chamar de construção da cultura de futuro: descobrir e conceber as suas configurações culturais e o vislumbrar dos seus fragmentos tornam-se uma atividade de exploração dos indícios do futuro. Para alcançar este patamar não adianta previsões de futurologia. dos fazeres e dos quereres humanos. do distinto das novas situações. das alternativas. E é neste mar de “piscadelas” micro e macroscópicas (simbólicas. em absorver todos os sinais e indicadores que permitam não perder os objetivos de vista e do alcance de nossas mãos. coerentes ou não) que navegamos (aprendemos.quereres e fazeres (dos outros. é porque a gente começa a ter saudades dele. É quando o futuro deixa de ser um tempo cronológico (que nunca chega) para assumir sua dimensão cultural (que nos rodeia e nutre). Este grande mutirão de reaprendizado investiu no lado luminoso dos ACSs e das comunidades onde atuam. construímos. das relatividades. Ao adotar os PTAs como estratégias de trabalho. das potencialidades e das oportunidades). os “pequenos nadas”. cujos resultados e indicadores são visíveis na mudança de comportamento e de atitudes dos ACSs e das comunidades que cuidam e os acolhem. de tanto serem notadas. E se este futuro começa a ser apalpado. na direção da compreensão e aprendizagem do eu e do outro. do surgimento de elementos que antes não eram reconhecíveis. dos padrões. passaram a ser denominadas e foram metabolizadas nas práticas das equipes. as equipes perceberam que o ponto do doce de seu trabalho estava em perceber as “piscadelas”. ritualistas. interpretamos) durante nossa vida. desenhos e dinâmicas produzidas e suas interações. mas e principalmente. As estratégias de construção de caminhos novos dependem principalmente das possibilidades de quem tem a seu cargo a 174 . intencionais. das mudanças necessárias. dos saberes. mas construtivismo. intervimos.

obrigatoriamente. cujo nome já é um ponto de luz. Grande parte dos problemas do mundo. uma garantia de vida com qualidade para toda criança. colocou como objeto de sua governabilidade. passa. este lugar singelo. através de um programa exemplar de aleitamento materno exclusivo para todas as crianças de zero a seis meses de vida. O futuro que estamos construindo no presente depende de nossa governabilidade e não da transferência de sonhos ou da terceirização dos nossos fracassos. como por exemplo. é um caminho novo. Esse foi outro grande aprendizado. Brasil. mas como foi acolhida. não importa onde nascida. a elevada (e não justificável) taxa de mortalidade infantil neonatal. Ali uma equipe de enfermeiras chamou para si. um futuro ao alcance de toda e qualquer comunidade. Precisamos urgentemente multiplicar os nossos pontos de luz e universalizar este Banco de 175 . por Paço do Lumiar. de qualquer parte deste mundo. E esse é outro futuro que “O caminho das pérolas: novas formas de cuidar em saúde” nos oferece. no interior do Maranhão. cuidada e alimentada. a redução drástica desta taxa. O programa “Flor de Mãe” é mais que um exemplo bem sucedido.responsabilidade e o firme desejo de alcançar soluções duradouras e não tanto de como se origina algum problema ou da simples análise das suas causas.

primeira e única – daqueles que.* Às Pérolas do Maranhão Sou um privilegiado. conhecer este país. por ter freqüentado uma universidade. ocupam cargos e funções públicas. continuo sendo um privilegiado. Se alcançar este patamar de nossa história faz parte do trabalho de devolução que os privilegiados devem fazer. por não ter morrido nos primeiros 7 dias de vida. em minha infância e adolescência. enquanto a maioria absoluta dos jovens deste país não pode sequer sonhar com este benefício. não por “privilégios”. recebidos durante minha vida. tornei-me educador. Sou um privilegiado. Sou um privilegiado. antes do 1º aniversário. mas por “direitos elementares”. Sou um privilegiado ainda. instrumentos para estas transformações. sustentada pelo trabalho e impostos de todos. doença ou abandono no primeiro ano de vida. por não ter morrido de fome. só posso ter um compromisso social: o de Devolução. -Devolver. enquanto milhares de pessoas nunca tiveram esta oportunidade e outros milhões foram alijados da vida escolar prematuramente. vestido e cuidado com carinho. por ter freqüentado e permanecido na escola pública. por não ter sofrido na pele as dores do preconceito e as agruras do desemprego. principalmente. por ter tido a oportunidade de viajar ao exterior. 176 . sem merecê-lo. -Devolver. justiça social e o fim dos excluídos. Sou um privilegiado. àqueles que lutam. Sou um privilegiado. esta deveria ser a obrigação . ao povo do qual sou parte. mais humana e digna. enquanto milhões de crianças não têm comida e afeto. enquanto milhares de brasileiros morrem. por ter sido alimentado. Por isso. roupa. Por todos estes privilégios. enquanto milhões de brasileiros mal podem sobreviver numa terra cada dia mais cara e menos sua. por tantos privilégios obtidos. enquanto milhares de bebês em nosso país morrem. Sou um privilegiado. estudar e pesquisar a sua cultura. retribuir sob forma de trabalho social. Ao ser convidado pelo Programa Viva a Vida para coordenar o trabalho das “Pérolas do Maranhão”. E o meu compromisso é fazer da Educação e da Cultura. ternura. e nem moradia ainda neste país. agora. o direito sagrado à vida. enquanto milhares de brasileiros foram jogados à margem do nosso processo histórico e outros milhões engrossam ainda os contingentes de desempregados e subempregados. além de privilegiados.

estaremos apresentando uma assistência em saúde que é um antídoto contra o descuido que os excluídos. O que importa não é chegar a respostas ou conclusões e sim interrogar as certezas veiculadas pelos detentores de certos saberes. resta-nos encontrar a validade de nossas expressões dada pelo outro diferente. que realizam com delicadeza. os loucos denunciam na maioria das instituições públicas que se preocupam cada vez menos com o ser humano e se ocupam cada vez mais com a chamada “economia da ciência”. beleza e encanto. Somos privilegiados. os idosos. os desempregados. em parceria com o Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento. uma revolução tecnológica que não temos condição e tempo para assimilar e nem sabemos para onde nos leva. o domina e causa medo. Quero registrar um agradecimento especial à Fundação Sousândrade para a sensibilidade com que apoia nossos projetos culturais. direta e indireta. cotidiano. as crianças. Só assim é possível perceber os limites inerentes a qualquer campo do conhecimento. Estaremos falando de nossas verdades e estaremos produzindo as conseqüências deste registro. E tratam do cuidado. e.DISCURSO DE ABERTURA DO I SEMINÁRIO INTERATIVO DE TECNOLOGIA SOCIAIS EM SAÚDE DO MARANHÃO Profª. Os homens reduziram a comunicação verbal a um mínimo imprescindível. faz com que a cada dia tenhamos mais informações e saibamos menos. A comunicação sempre permanecerá como um mistério e se os problemas que não podem ser resolvidos devem ser dissolvidos. perdem-se os sentimentos. porque se opõem ao descuido e ao descaso. Na verdade a ciência funciona sempre como um sistema simbólico que não dá conta do real. Vivenciamos todos esta inquietude com o futuro do homem que vive hoje em um mundo em transformação por esta revolução tecnológica que contraditoriamente. prosseguir trabalhando para liberar e desvencilhar esse outro daquilo que. Este seminário e este livro apresentam uma forma de trabalhar que reverencia os saberes e os quereres de todo indivíduo e de cada comunidade. que é um sistema de saber onde o que importa é a não contradição entre os sinais. e por isso ela exclui o real. Mas ao não usar as palavras. novas formas de cuidar em saúde”. sobre o trabalho em saúde. programou e realizou neste ano de 2002. Cristina Loyola É com muita alegria e esta sensação de encantamento coletivo que estamos abrindo o I Seminário Interativo de Tecnologias Sociais em Saúde do Maranhão com o lançamento do livro “O caminho das Pérolas. Estaremos trabalhando numa certa contramão da ciência moderna. escrito (o livro). Quero pensar este nosso seminário como um contraponto. O livro e o seminário são desdobramentos do curso de formação de facilitadores que o programa viva a vida. de mais de 50 pessoas que ao longo destes 6 últimos meses se debruçaram sobre esta tarefa de realizar um duplo registro. à custa da dignidade e da compaixão necessárias para devolver ao outro a dignidade humana. como os sentidos são imprevisíveis. porque podemos olhar para trás e registrar sucessos neste programa: 177 . porque tudo que fizemos até aqui e que faremos nestes três dias é de autoria. e uma concepção de vida que passa unicamente pelo pelo que se chama triunfo pessoal. ou um antídoto a um certo movimento global contemporâneo. Parece que temos três enfermidades mundiais neste momento civilizatório: A crescente incomunicabilidade. E digo que “estamos”. quase sempre por desconhecimento. e oral coletivo (o seminário).

Talvez eu tenha cometido injustiças. Já internamos 128 pacientes. No total. E muita indisciplina. Tião Rocha e à Doralice Mota e seu grupo de educadores. 5 Centros de Atenção Psicossocial: Timon. Gentil. cada ACS recebeu. que ao longo destes 6 meses de experiência não tiveram nenhuma reinternação. eles próprios. conforme política atual da Coordenação Estadual de Saúde Mental e sobretudo. podemos dizer que um leito do Hospital Geral vale por oito leitos das clínicas conveniadas. Timon. estou me referindo ao trabalho dedicado de maranhenses de corpo ou maranhenses de alma: aos companheiros do Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento. Rosário.S. Recentemente cedemos. que já realizamos e ainda por realizar. Fernanda. e estes são indicadores soft de qualidade de serviço. Pedreiras. principalmente ao Prof. temos medicação sedativa S. omissões 178 . Juraci.Formamos 40 especialistas em Saúde Mental. Sr. é dedicado a Roseana Sarney. mantendo um tempo médio de internação atualmente em quartorze dias. implantados com sucesso e em desenvolvimento em Pinheiro e em Miranda do Norte. em torno de 50 horas de curso e tivemos apenas 10% de absenteísmo nas turmas. deste tipo de dispositivo assistencial.. Maria de Jesus. Poção de Pedras e Pedreiras. Temos 5 leitos de psiquiatria no Hospital Geral Tarquínio Lopes Filho. pela necessidade de rede. o que não é relevante numericamente. Capacitamos como educadores sociais e treinamos em saúde mental para manejo de atenção primária em saúde mental os 10. A inadequação é própria do ato de falar. Treinamos em saúde mental 423 profissionais de nível superior do PSF. Este trabalho. Eliana. todos com monografia entregue e aprovada. mesmo que nossos educadores tenham sido. por ter nos permitido sonhar tão lindos sonhos. contra os 108 dias de média das outras clínicas de internação psiquiátrica de são luís. Temos uma Residência Terapêutica em São Luís com 6 pacientes ex-moradores do Hospital Nina Rodrigues. por ter aprendido aqui tudo que as universidades. Sônia. Apoiamos tecnicamente e com recursos para reforma de imóvel. Patrícia. nomeações da vida para aquilo que habitualmente se cala. sobretudo de pensarmos nas dificuldades de acesso. inconteste. Rodrigo e Sebastiana.. não podem ensinar. Ivelise. E quero registrar que quando falo em “PROGRAMA VIVA A VIDA”. Sales. Guilherme.O. individualmente. para a implantação imediata de um CAPS de álcool e drogas. Parnarama. Silva. Temos os projetos pedagógicos Sementinha e ser Criança. para a coordenação de saude mental. itinerantes pelos municípios. é sobretudo este livro.000 agentes comunitários de saúde do maranhão e só neste ano realizamos cursos em 94 municípios de todo o estado. Parnarama. Roseana. por ter acreditado e viabilizado este programa. Coroatá e Rosário. Sr. mesmo as melhores. como exceção e não como regra. imóvel comprado pelo estado para o programa viva a vida. nos municípios de São Luís. No ano de 2001 realizamos o I Seminário Internacional de Saúde Mental e Qualidade de Vida do Estado do Maranhão e em abril de 2002 lançamos aqui o livro que registra as falas do seminário. com 80 professores da rede de ensino capacitados nesta metodologia e com 1600 crianças atendidas. A mim. Como sair do escafandro contra o mundo das idéias e vir olhar o mundo com olhos de brasileiro. apenas dois com internação involuntária. ex-governadora do Estado do Maranhão. generosamente. Ismália. Raimundo Teodoro. Imperatriz. Imperatriz. Como caminhar na contra-mão de certezas endurecidas – as velhas verdades da universidade – e encontrar contradições que pulsam. Obrigada. ao Sr. Treinamos 344 auxiliares de enfermagem em saúde mental. Batista. usamos contenção física menos de 6 vezes e não temos caso de reinternação de nossos pacientes.

não desejadas. Considero aberto o I Seminário Interativo de Tecnologias Sociais em Saúde do Maranhão. Fora disso. com todo direito a sê-lo. Perdoem-me por isso. Trago o coração encantado e a alma em dia de gala. 179 . Termino com as palavras de fernando pessoa: Eu sou um técnico. mas tenho técnica só dentro da técnica. sou doido.