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MOBBING

ASSÉDIO PSICOLÓGICO NO TRABALHO

A PRAGA DO SÉCULO XXI

M.Sarmento-TABIQUE 2009
Com base no original descarregado em www.prevention-world.com

UM PERIGO REAL
“ NAS SOCIEDADES DO NOSSO MUNDO OCIDENTAL ALTAMENTE INDUSTRIALIZADO, O LOCAL DE TRABALHO CONSTITUI O ÚLTIMO CAMPO DE BATALHA NO QUAL UMA PESSOA PODE MATAR OUTRA SEM QUALQUER RISCO DE CHEGAR A SER PROCESSADA PERANTE UM TRIBUNAL”.

Heinz Leymann
Mobbing. La persecución na el trabajo. 1996

CONCEITO
...” Referimos-nos a um tipo de situação comunicativa que ameaça infligir ao indivíduo graves prejuízos psíquicos e físicos. O mobbing é um processo destrutivo; compõe-se de uma série de actuações hostis que, tomadas de forma isolada, poderiam parecer inócuas, mas cuja repetição constante tem efeitos perniciosos”. “O conceito de mobbing fica definido pelo encadeamento ao largo de um período de tempo bastante curto de intenções ou acções hostis consumadas, expressadas ou manifestadas por uma ou várias pessoas contra uma terceira: a vítima”.

Heinz Leymann

ORIGEM
• O Nobel Konrad Lorenz utilizou o termo “mobbing” em relação com o comportamento agressivo de grupos animais com o objectivo de afastar um intruso do território. • O psicólogo alemão Heinz Leymann aplica este conceito na década de 80 para todo tipo de perseguição nas organizações. • Desde então, o termo generalizou-se e hoje é um tema de moda, que preocupa, e que é urgente denunciar e divulgar, pois pressupõe um abuso de poder, uma tortura psicológica e um maltrato de pessoas no posto de trabalho.

CONCEITOS DISTINTOS
Mobbing : do inglês “to mob”, ser atropelado ou atacado pela multidão. Bossing : perseguição de um chefe ou de seus representantes, para se desfazer de um empregado incómodo. Bullying : pode-se aplicar às humilhações e práticas de praxes académicas nos ambientes escolares. Também em casos de violência exercida pelas próprias organizações (EEUU) Whistleblowing : Refere-se às “bocas/boatos” que põem em evidência problemas da organização, mediante denuncias públicas ou legais, e que das quais a empresa sinta sofrer, pela sua utilização, várias represálias. Ijime : Assédio japonês. “O prego que sobressai se nivelará com o martelo”, diz um provérbio japonês, que se sintoniza com os inimigos do individualismo.

SINÓNIMOS
* Assédio moral
* Psicoterror * Hostlização laboral

* Persecução encoberta
* Intimidação no trabalho * Maltrato psicológico

* Violência psíquica
* Rebaixamento, Indiferença

SINÓNIMOS
* Assédio moral
* Psicoterror * Hostlização laboral
abuso de poder acoso moral a.psicológico a.laboral amilanar caterva chinchar chivo expiatorio hostigar intimidación luz de gas machacar mal de ojo matonismo ningunear putear tener manía abús de poder acaçament assetjament a.moral a.psicològic a.laboral catèrvola empaitar encalçament bescantar boc emissari fustigar bossing bullying mobbing emotional abuse harassment mistreatment stalking whistleblowing abus de pouvoir harcèlement h.au travail h. moral h. psychologique harassement bizutage tête de turc Pesten Pesterijen Intimidatie Vijandig gedrag Psychoterreur Vernederen Negeren Isoleren Sociale uitsluiting

* Persecução encoberta
* Intimidação no trabalho * Maltrato psicológico

* Violência psíquica
* Rebaixamento, Indiferença

ETAPAS DO PROCESSO
 1ª .- FASE DE CONFLITO OU DE INCIDENTES CRÍTICOS.  2ª .- FASE DE PERSECUÇÃO E ESTIGMATIZAÇÃO.  3ª .- FASE DE INTERVENÇÃO DA EMPRESA  4ª .- FASE DE SOLICITAÇÃO DE AJUDA E DIAGNÓSTICO.

Fase de Conflito ou de Incidentes Críticos
> Num momento determinado, produz-se alteração repentina na relação pessoal ou profissional. > A alteração pode ser motivada pela dívida, ciumes, competitividade, ânsia de promoção, ou inclusão de novo trabalhador no grupo que se vê como ameaçadora/competidora. > A “vítima” começa a ser criticada e perseguida pela forma de fazer o seu trabalho e utilizam-se por parte do “persecutor” todo tipo de incidentes, tretas, calúnias e humilhações, tanto pessoais como profissionais. > Há sempre uma mecha na origem do mobbing – “não há fumo sem fogo”

Fase de Marginilização e Estigmatização
> A “vítima” começa a ficar excluída do ponto vista pessoal, sendo afastada na parte social, e profissionalmente são-lhe dadas tarefas insignificantes ou humilhantes.

> Consolida-se o conflito convertendo-se numa campanha de hostilização (non grata)
> O “perseguidor” procura o apoio do grupo, quer por inclusão quer por omissão.

> O trabalho de campo não é facilmente identificável, e não se torna fácil obter provas.
> Em muitas ocasiões, nem sequer a vítima é consciente, ao princípio, da campanha contra si.

Fase de Marginilização e Estigmatização

Fase de Intervenção da Empresa
> Após algum tempo, por vezes interminável, a empresa reage. As medidas podem consistir duma rotacão de postos, alterações de departamento, tentativas de acordos amistosos de revogação de contratos, ou então, simplesmente suspensão de contrato/despedimento. > Os colegas da “vítima”, de princípio, solidarizam-se com ela; mas após passar a barreira desta fase, abandonam-na à sua sorte, “não vá também acontecerlhes o mesmo …o diabo tece-as…” > Na “vítima” geram-se sentimentos de culpa e remorsos : “terão eles razão ...”; “ a culpa é mesmo minha...”; “tenho que modificar-me ...”

> Se não solicita ajuda externa, a “vítima” não consegue
resolver o problema. Em bom português… ”está feita”….Esgotada. > Se não solucionar esta fase satisfatoriamente, começam os efeitos indesejáveis, com prejuízo óbvio da saúde da “vítima”.

Fase de solicitação de Ajuda e Diagnóstico
> A “vítima” fica totalmente isolada e derrotada e sofre inexoravelmente um período de deterioração da sua saúde. > A seguir, na empresa, começam as baixas laborais, cada vez mais longas. Adoece (problemas psicológicos, físicos, sociais, familiares) e a situação agrava-se de dia para dia. A “vítima” pode chegar inclusive ao SUICÍDIO. Por isso é primordial que o diagnóstico do processo se realize de forma correcta e quanto antes, pois os efeitos são tanto mais prejudiciais quanto mais tempo demore.

DIAGNÓSTICO
Podemos falar de perseguição psicológica quando :
* A hostilização se produz de forma continuada. * No mínimo durante seis meses, uma vez por semana.

* Provoca na “vítima” estados de ansiedade, stress, depressão, alterações no aparelho digestivo, perturbações do sono, perda de autoestima, irritação generalizada, ..., entre outros síntomas.

Círculo do Stress
Ameaças contra a vítima (se contínuas) causam baixa por doença por : · ser despedida · ser substituída · ser despromovida a outros trabalhos Aumento da incidência/gravidade da patología, aumento dos síntomas : · mais baixas por doença Reacção da vítima : MEDO · evita ficar doente · recusa a baixa por doença · nega os sintomas da doença

Resposta do organismo :
· ansiedade generalizada · aumento do stress Iñaki Piñuel y Zabala Mobbing. 2001

PERFIL DA VÍTIMA
Segundo o professor IÑAKI PIÑUEL, da Universidade de Alcalá de Henares.

• Elevado nível de ética • Honrado, recto e alto sentido de justiça • Autónomo, independente e com iniciativa • Alta capacitação profissional • Popular entre seus companheiros

• Alto sentido cooperativo para o trabalho em equipa
• Pessoa sensível e de personalidade estavel

PERFIL DO PERSEGUIDOR
Segundo o professor IÑAKI PIÑUEL, da Universidade de Alcalá de Henares.

>Personalidade psicopática, com alteração do sentido da norma moral >Ausência de sentimento de culpa >Se lhe fazem frente é cobarde >Mentiroso compulsivo, com grande capacidade de improvisação >Profissional medíocre, com complexo de inferioridade >Necessita de segredos, da vergonha da vítima e dos testemunhos mudos, cegos e surdos MEDIOCRE INOPERANTE ACTIVO

(MIA) Dr. González de Rivera

EFEITOS DO ASSÉDIO PSICOLÓGICO
O CRIME PERFEITO :
 EFEITOS na SAÚDE FÍSICA  EFEITOS PSICOLÓGICOS

 EFEITOS na VIDA SOCIAL, FAMILIAR E NAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS
 EFEITOS na ECONOMIA

 EFEITOS na ESFERA PROFISSIONAL

Efeitos na Saúde Física
 EFEITOS PSÍQUICA COGNITIVOS E HIPERREAÇÃO
Dificuldade de concentração. Depressão. Falta de iniciativa. Irritabilidade. Agitação. Agressividade. Sensação de insegurança. Hipersensibilidade. Perda sentido crítico e surgimento de sentimentos persecutórios…

 SINTOMAS PSICOSSOMÁTICOS DO STRESS Dispepsia (Afrontamento, Dores de estômago, Azia, Pirose). Náuseas e Vómitos.
Anorexia (Perda de apetite). Labilidade humoral (Choro fácil). Dores escapulares dorsais e lombares. Dores cervicais. Dores musculares. Hiper ou Hipotensão arterial.

 SINTOMAS DE DESCONTROLO DO SISTEMA NERVOSO AUTÓNOMO
Sudorese. Secura de boca. Palpitações e taquicardia. Dispneia (Sensação de falta de ar)

 PERTURBAÇÕES DO SONO
Insónias. Despertares nocturnos. Despertar precoce. Pesadelos

 CANSAÇO E PERDA DE FORÇAS

Efeitos psicológicos
Stress pós-traumático “Crise nervosa” ou “breakdown” “Cansaço e Esgotamento Cerebral” Suicídio

Síndrome de Fadiga Crónica – A Fibromialgia
Alterações da personalidade da vítima :

> Obsessiva / Compulsiva
> Depressiva > Resignada / Amorfa

Efeitos na vida social, familiar e nas relações interpessoais
• Exclusão e afastamento das amizades • Intenção por parte dos colegas de convencer a vítima a aceitar a situação • Traição dos próprios colegas

 Incompreensão da família ante a situação adversa

 Ruptura da relação ou abandono do conjuge
 Isolamiento total da vítima na familia e na sociedade

Efeitos na Economia
 Abandono voluntário do trabalho actual  Redução do salário por despromoção  Despedimento (com ou sem indemnização)  Incapacidade para o trabalho (total ou parcial)

 Dificuldades para encontrar outro emprego
 Dificuldade para fazer frente a compromissos económicos (gastos, facturas, hipotecas, etc.)  Gastos com processos legais caros e demorados  Venda obrigatória de propriedades e bens

Efeitos na esfera Profissional
Minar o emprego da vítima é o objectivo directo do mobbing
A vítima não pode desempenhar o seu trabalho, pedir a sua troca, ou simplesmente, buscar outro trabalho, ficando encurralado numa situação profissional impossível Também se reduz a autoestima pelas contínuas manipulações e acusações malévolas do perseguidor, o que denigre consideravelmente a qualidade do seu trabalho. TRATA –SE DE UM

¡¡ NÃO DEIXA RASTO!!

INTERVENÇÃO
 ¡¡ FACILITAR A INFORMAÇÃO !! * Às possíveis vítimas * Ao empresário e ao perseguidor * À organização (departamentos, serviços, organismos, etc)   PRESTAR AJUDA TERAPEUTICA À VÍTIMA * Médico, Psicólogo, Advogado, Assistentes Sociais. PRESTAR AJUDA À FAMILIA

DESMASCARAR E DESTRUIR O PERSEGUIDOR
* Punição legal –contra a difamação. Direito ao bom nome.

MORBILIDADE
 Em Novembro de 2007, o médico do trabalho António de Sousa Uva relatou, na conferência „Assédio Moral no Local de Trabalho: Emergência de uma Nova Realidade”, na Universidade Técnica de Lisboa, que “os trabalhadores sujeitos a assédio moral têm cerca de quatro vezes mais queixas de alterações de sono, de irritabilidade e de ansiedade, em relação aos não expostos a essa violência.” Para o médico, “a dimensão do problema é cerca de cinco vezes superior à discriminação em relação à religião, origem étnica ou opção sexual, ainda que a sua visibilidade pública seja bem menor” – aludindo ao segundo Estudo Europeu Sobre as Condições de Trabalho (2007).

MORBILIDADE
O advogado Acácio Pita Negrão explica que “a jurisprudência portuguesa, perante casos de mobbing, analisa três facetas: a prática de determinados comportamentos hostis – como palavras, escritos ou gestos; a sua duração e a repetição de tais comportamentos; e as consequências destes, sobre a saúde física e psíquica da vítima e sobre o seu emprego”. Apesar de não ser crime, “o mobbing encontra-se concretizado nos artigos 18.º, 23.º e 24.º do Código do Trabalho, e nos artigos 31.º a 34.º da Lei n.º 35/2004, de 29 de Julho.”

MORBILIDADE
Diz Paulo Morgado Carvalho, inspector-_-geral do Trabalho, que “podemos referir que o assédio moral surge cada vez com maior frequência ligado à violação do direito do trabalhador à ocupação efectiva (prestação efectiva de trabalho, surgindo o mesmo totalmente esvaziado de funções em situação de total inactividade), o que constitui a violação de uma garantia do trabalhador consagrada no artigo 122º do Código do Trabalho”. A violação deste direito confere uma contraordenação muito grave, punível entre 1920 e 57 600 euros, atendendo à dimensão da empresa e culpa do infractor.

MORBILIDADE
•SUGESTÃO AOS POTENCIAIS ALVOS DE ASSÉDIO MORAL: •Não fale da sua vida pessoal; •Tenha atenção para não cometer qualquer falta e mantenha a objectividade; •Controle as suas emoções (mantenha-se forte); •Desencoraje o agressor; •Faça amizades no emprego (só assim receberá ajuda e solidariedade); •Recorra a apoio médico (se decidir pôr baixa diga que o motivo é assédio moral); •Anote tudo e guarde toda a informação das agressões;

•Peça ajuda (contacte os Recursos Humanos, ou o sindicato e/ou um advogado).

MORBILIDADE
PROFISSÕES MAIS CASTIGADAS
Gestão, contabilidade e funções administrativas – 26%

Saúde – 9%
Ensino – 9% Empregados de balcão, recolha de dados, centrais telefónicas, secretariado – 9% Pesquisa, investigação, métodos, informática – 9% Comércio, vendas, técnico-comercial – 9% Produção, fabricação, obras – 4% (Taxa de incidência): Sector privado – 50% Sector público – 50%

Fonte: III Inquérito Europeu sobre Condições de Trabalho (Paoli e Marllié, 2001)

MORBILIDADE
QUEIXAS RECEBIDAS

Pedidos de intervenção da Autoridade para as Condições do Trabalho

2005: 315 2006: 241 2007: 252 2008: 105

MORBILIDADE
REVISÃO DO CÓDIGO DO TRABALHO

“Os sindicalistas da UGT preparam uma proposta para que na revisão do Código do Trabalho – concertada entre o Governo e os parceiros sociais – se passe a criminalizar o assédio moral (ou mobbing). Se assim acontecer, o diploma sobre a Segurança, Saúde e Higiene no Trabalho dará aos empregados maior protecção nas condições laborais. Contudo, deve-se frisar que o assédio moral no trabalho não acontece apenas numa relação entre patrão e empregado, pode dar-se entre colegas. De acordo com os dados mais recentes da Autoridade para as Condições do Trabalho, das 913 queixas de assédio moral apresentadas desde 2005, 221 partiram dos sindicatos.”
Jornal Correio da Manhã 26/04/2009

MORBILIDADE
PORTUGUESES DESCONHECEM O MOBBING Em Portugal parece existir uma ausência de conhecimento generalizada sobre que é assédio moral no trabalho. No seu projecto de doutoramento, Ana Verdasca perguntou a um grupo de inquiridos se tinham sido assediadas nos últimos 12 meses, de acordo com a definição apresentada. Só 5,9% acreditavam ser frequentemente assediados; 25,8% ocasionalmente assediados; e 69,3% nunca. Mas quando as mesmas pessoas responderam à “listagem de comportamentos de assédio” tudo mudou: 39,8% eram frequentemente assediados; 44,2% ocasionalmente assediados; e 16% nunca. Já no estudo „Igualdade de Oportunidades no Trabalho – Perspectiva de Género numa Sociedade Solidária‟, Dinâmia/ISCTE e CEFOSAP/UGT (2007), coordenado pela professora universitária Glória Rebelo, 13,2% dos inquiridos afirmaram ter sido vítimas de assédio moral. Destes, 21,4% das mulheres reconhece ter sido vítima de assédio no trabalho e só 4% dos homens o reconhece. A maioria, 64,3%, afirma que o foram sob a forma “verbal”; 21,5% referiu outros tipos de assédio, e dois grupos de 7,1% dos inquiridos respondeu ter sido vítima de assédio físico e de assédio sexual. Acontece que em Portugal há poucos estudos sobre esta prática – que tem uma taxa de incidência média na Europa entre 1 e 4% para os casos severos e entre 8 e 10% para casos menos severos – o que, segundo a investigadora Ana Verdasca, nos confere “um atraso” de cerca de 10 a 15 anos face à realidade dos países da Europa do Norte.
Jornal Correio da Manhã 26/04/2009

MORBILIDADE
COMO RESISTIR A TEMPO Boa constituição psíquica e mental (evita cair em depressão severa); Autoconfiança (que não deve ser uma atitude de fachada); Apoio integral dos mais próximos (cônjuge e/ou familiares); Dispor de apoios dos colegas (ainda que muitos prefiram não se solidarizar); Apoio de um responsável na empresa (médico de trabalho ou representante do pessoal); Profissionalmente deve ser irrepreensível; Tentar manter um sorriso, evitar a ironia e jogar na indiferença;
Jornal Correio da Manhã 26/04/2009