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Tutorial Prático sobre o Método de Dedução Natural

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Lógica para Ciência da Computação

MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL

UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE CENTRO DE ESTUDOS GERAIS INSTITUTO DE MATEMÁTICA DEPARTAMENTO DE ANÁLISE

TRABALHO DE MONITORIA

Tutorial Prático sobre o Método de Dedução Natural

Disciplina: Lógica para Ciência da Computação Monitor: Ariel Alves da Fonseca Professor Orientador: Marcelo da Silva Corrêa Período: Ano letivo de 2003

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MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL

Resumo
O Método de Dedução Natural é um dos tópicos tratados no curso de Lógica para Ciência da Computação, oferecido pelo Departamento de Análise. A carência de livros didáticos em português que abordam este método, usando árvores de prova, nos fez construir esse tutorial prático, tendo como objetivo principal oferecer a alunos e professores da disciplina um material didático complementar sobre o assunto. O texto é baseado na apresentação das técnicas básicas para construção de provas no sistema de dedução natural por meio de exemplos e discussão de estratégias simples.

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MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL

Dedução Natural
Sistema de Dedução Natural
A dedução natural é um método de demonstração introduzido independentemente por Gerhard Gentzen em 1935 e Stanislaw Jaskowski em 1934. Os sistemas de dedução natural caracterizam-se, entre outros aspectos, por não apresentarem um conjunto de axiomas, mas apenas um conjunto de regras de inferências. Neste tutorial apresentaremos um conjunto de regras primitivas de dedução natural, reservando para o final algumas regras derivadas. No sistema de dedução natural as regras de inferência são projetadas num padrão de regras de introdução e eliminação de conectivos e quantificadores, que são combinadas para a construção de uma prova. Podemos representar as provas por árvores, sobrepondo as instâncias das regras de inferência utilizadas na sua obtenção. Deixaremos um espaço reservado para inserir as premissas e as hipóteses geradas no processo. Esse espaço é chamado de base de premissas e hipóteses. Portanto, graficamente, uma prova possuirá a seguinte forma: [Premissas e Hipóteses]
. . .

Base de Premissas e Hipóteses Premissas e Hipóteses

Conclusão A figura anterior mostra uma prova com apenas um ramo, mas uma prova pode ter vários ramos, dependendo da regra considerada, como é exemplificado na figura seguinte:
1º ramo 2º ramo

Base de Premissas e Hipóteses Premissas e Hipóteses

[Premissas e Hipóteses]
. . .

[Premissas e Hipóteses]
. . .

Conclusão

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usando a mesma regra. Esta regra também é chamada de Modus Ponens. podemos inferir seu conseqüente.MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL É importante perceber que as hipóteses geradas especificamente no 1º ramo não poderão ser usadas no 2º ramo e vice-versa. Eliminação da negação(~E) : De uma sentença ~~φ. que podem ser divididas em dois grupos: as regras não hipotéticas. que abreviamos por ‘MP’. podemos inferir r. ~~φ ~E φ→ψ →E r →E p→q q→r →E p. Eliminação da implicação(→E): De um condicional e seu antecedente. As regras de inferência O Sistema de Dedução Natural para a Lógica Sentencial dispõe de onze regras básicas de inferência. q → r. ou seja. As regras não hipotéticas Nesta seção introduziremos oito das onze regras básicas de inferência. provar q a partir das premissas p e p → q. e da mesma forma. podemos inferir φ. e as regras hipotéticas. φ ψ Exemplo: Prove: p. p → q p q r Usamos a regra → E em q e q → r. q→r p→q φ 5 . os ramos de prova são independentes.

precisamos primeiro inferir ‘~~q’.MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL Exemplo: Prove: ~p → ~~q . e desta forma usar ~E para inferir ‘q’. podemos inferir a conjunção φ ∧ Ψ. ~~~p ~~~p ~E q ~p → ~~q ~~~p ~p → ~~q ~p ~~q q →E ~E Observe que a regra ~E não permite inferir ‘~p→q’ a partir de ‘~p → ~~q’. φ ∧ψ φ Exemplo: p∧q p ∧q q p ∧q Introdução da disjunção (∨I ) : Podemos inferir uma disjunção a partir de qualquer um de seus componentes. φ φ∨ψ ∨I ∧E φ ∧ψ ψ ∧E q∧p ∧E p ∧q p p∧q ∧E ∧I ψ φ∨ψ ∨I 6 . por aplicação da regra →E. φ φ ∧ψ ψ ∧I Eliminação da conjunção (∧E): De uma conjunção podemos inferir qualquer um dos seus componentes. Introdução da conjunção (∧I): De quaisquer sentenças φ e Ψ. pois a premissa é uma sentença condicional. Assim.

MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL Exemplo: p (p∨q) ∨ (p∨r) p p∨q (p∨q) ∨ (p∨r) ∨I ∨I p Introdução do bimplicação (↔I): A partir de sentenças (φ→ψ) e (ψ→φ) podemos inferir (φ↔ψ). φ→ψ ψ↔φ Eliminação do bimplicação (↔E): A partir de uma sentença da forma (φ↔ψ) podemos inferir tanto (φ→ψ) quanto (ψ→φ). q q (q∨r) p p p↔(q∨r) (q∨r)→p p↔(q∨r) q ↔E →E ↔E ψ→φ ↔I ψ↔φ ψ→φ ↔E ∨I 7 . ψ↔φ φ→ψ Exemplo: p↔(q∨r).

podemos inferir ψ→φ (descartando a hipótese após a aplicação da regra). Introdução da implicação (→I) : Dada uma derivação de uma sentença φ obtida ao tomarmos como hipótese uma sentença ψ. (1) φ ψ→φ →I Exemplo: p→q. ou seja. Cada hipótese é numerada e seu identificador é colocado na barra que discrimina a aplicação da regra hipotética que permitiu sua adoção.MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL Introdução do ⊥(⊥I): Introduzimos o símbolo ⊥ para identificar a derivação de uma contradição. . ψ ⊥ ~ψ ⊥I Regras Hipotéticas Agora introduziremos as três regras restantes que completam as regras de inferência para o Lógica Sentencial. [ψ]1 . As regras de introdução da implicação(→I) e da negação (~I) diferem das outras. A hipótese é descartada após a aplicação da regra e isto é denotado por um traço transversal sobre ela. devemos construir uma prova de uma sentença tomando outra como uma hipótese local. q→ r [p]1 q (1) p→r p→q q→ r [p] 1 p→q q→r r p→r →E →I 8 . . pois elas empregam um raciocínio hipotético.

então é fim de semana. .MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL Introdução da Negação (~I) : Dada uma derivação de uma contradição a partir de uma hipótese ~φ. logo tentamos uma prova indireta. 9 . tomando ψ como hipótese. colocando como hipótese ‘p’. . ~q [p] 1 q (1) ~p p →q ⊥ ~p →E ~q ⊥I ~I p→q ~q 1 [p] Observe que somente a partir das premissas dadas não concluiriamos a sentença ‘~p’. podemos inferir uma sentença θ se obtivermos uma derivação para θ. e uma outra derivação de θ. (1) 1 ⊥ φ ~I Exemplo: p→q. [φ]1 . tomando φ como hipótese. Se hoje é domingo. . Isso nos permitiu concluir a prova facilmente. [ψ]2 . [~φ] . ∴ É fim de semana. Se hoje é sábado. . podemos descartar a hipótese e inferir φ. . (1) (2) φ∨ψ θ θ θ ∨E Observe o seguinte argumento: Hoje é sábado ou domingo. então é fim de semana. . Eliminação da disjunção(∨E): De uma sentença da forma φ ∨ ψ.

não podemos concluir que ‘hoje é domingo’. não podemos concluir que ‘hoje é sábado’ ou da mesma forma. q → r r [p] 1 p→r r →I [q] 2 q→r →I ∨E (1) (2) p∨q r r p∨q p→r q→r [p]1 [q]2 Erro comum ao tentar provar uma sentença a partir de uma disjunção : Extrair um componente da disjunção como nas formas abaixo. Note que somente a partir da premissa ‘hoje é sábado ou domingo’. na tabela seguinte. a coleção de regras de inferência para LS: 10 . Uma prova para o argumento acima seria: p ∨ q. p → r. p∨q p p∨q q ou Em ambos os casos.MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL Formalizando o argumento teríamos: p∨q p→r q→r r p : Hoje é sábado. r: É fim de semana. q: Hoje é domingo. Resumimos. a inferência feita não é correta.

(1) (2) φ∨ψ θ θ θ ∨E 11 . . . . (1) 1 ⊥ φ ~I Introdução da conjunção (∧I) φ φ ∧ψ ψ ∧I Eliminação da conjunção (∧E) φ ∧ψ φ ∧E Introdução da disjunção (∨I ) φ φ∨ψ ∨I Eliminação da disjunção(∨E) [φ]1 . . . [ψ]2 . (1) φ→ψ →E φ ψ→φ →I Eliminação da negação(~E) ~~φ ~E φ Introdução da negação (~ I) [~φ] . .MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL Eliminação da implicação(→E) φ ψ Introdução da implicação (→I) [ψ]1 . . .

MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL Introdução do bimplicação (↔I) φ→ψ ψ↔φ Eliminação do bimplicação (↔E) ψ↔φ φ→ψ ou ψ↔φ ψ→φ ↔E ψ→φ ↔I ↔E Introdução do ⊥ ψ ⊥ ~ψ ⊥I Tabela 1. Como obter uma prova? Não existe uma forma única de construir uma prova. então existem várias formas de prová-lo. Premissas e Hipóteses . Síntese . .inspeciona-se a conclusão buscando observar um modo de derivá-la a partir das premissas e hipóteses. chamadas de análise e síntese. A utilização de estratégias na busca por uma prova poderá facilitar a sua obtenção. Conclusão 12 . descritas a seguir. Se um dado tipo de argumento é válido. Podemos destacar duas estratégias gerais. .

a sentença analisada será descrita com um tamanho maior de letra para contribuir na sua visualização. q r ~p→(q→r) ~p q r Este é um exemplo típico da utilização da estratégia de análise. Em alguns casos será destacada apenas parte de uma sentença. . Como a conclusão é atômica devemos tentar derivá-la a partir das premissas. usando a regra →E. para mostrar que a sentença alvo pode ser derivada especificamente daquela em destaque. Após a consulta à base de premissas e hipóteses perceberemos a ocorrência das sentenças ‘q’ e ‘q→r’. ~p. a partir das quais. Premissas e Hipóteses .MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL Análise – inspeciona-se as premissas e hipóteses buscando um meio de derivar a conclusão. Prove: ~p→(q→r). ~p→(q→r) ~p análise q r q→r q →E 13 . podemos inferir ‘r’. . Conclusão Exemplos Resolvidos: Observação Quando for utilizada a estratégia de análise.

usando a regra →E. Entretanto. vamos tentar análise. análise ou síntese. a sentença alvo é molecular. No entanto. síntese (1) r q→r r →I →E q ~p→(q→r) ~p q [q]1 Observe que neste passo não houve uma progressão para uma solução. provar ‘q→r’ a partir das premissas. podemos inferir ‘q→r’: análise ~p q r 14 q→r ~p→(q→r) →E →E ~p→(q→r) ~p q . então poderíamos começar tentando uma estratégia de síntese. pois retornamos a situação inicial. e por isso não precisa ser provada. e ‘~p→(q→r)’ e a partir delas. aplicando a regra → I. a sentença ‘q→r’ é apenas parte de uma premissa. Mudaremos de estratégia. ~p→(q→r) ~p q r q→r →E q Ao inspecionarmos a base de premissas e hipóteses. Como provar ‘q→r’ ? Podemos usar duas estratégias.MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL A sentença ‘q’ é uma premissa. ou seja. encontramos as sentenças ‘~p’.

se obtivermos a sentença ‘p∧q’ podemos inferir a sentença alvo ‘(r∧s)’. a sentença alvo é ‘r∧s’. →E ∧E (p∧q)→(r∧s) ~~p q 15 . ~~p. q s (p∧q)→(r∧s) ~~p q s Ao inspecionarmos a base de premissas e hipóteses. análise p∧q (p∧q)→(r∧s) r∧s s A sentença alvo nesta etapa será ‘p∧q’. podemos começar tentando uma estratégia de síntese. Prove: (p∧q)→(r→s). Inspecionando a base de premissas e hipóteses. pois o todo de todos os ramos da árvore é composto apenas por premissas ou hipóteses.MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL Neste ponto a prova deve ser finalizada. análise r∧s s ∧E (p∧q)→(r∧s) ~~p q Neste passo. notamos que é possível inferir a sentença ‘s’ a partir da sentença ‘r∧s’. percebemos a existência da sentença ‘(p∧q)→(r∧s)’. pois se obtivermos cada componente da conjunção podemos provar a sentença alvo. Logo. Como a sentença é uma conjunção.

MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL síntese p p∧q q ∧I (p∧q)→(r∧s) r∧s s →E ∧E (p∧q)→(r∧s) ~~p q Inspecionando a base de premissas é hipóteses notamos que podemos provar a sentença ‘p’ a partir da premissa ‘~~p’. e não há restrição na utilização de premissas em ramos diferentes. Mas o mesmo não ocorre em relação às hipóteses. análise ~~p p p∧q ~E q ∧I (p∧q)→(r∧s) r∧s s →E (p∧q)→(r∧s) ~~p q Neste ponto a prova pode ser finalizada. Observação: Uma premissa pode ser usada várias vezes em uma mesma prova. estas devem ser usadas apenas nos ramos em que foram geradas. Na prova abaixo exemplificaremos a utilização de uma mesma premissa em ramos distintos. Prove: p p∧p p p∧p 16 .

o que mais se adeqüe à base de premissas é hipóteses. p p p∧p Neste passo devemos focalizar a sentença ‘p’ do ramo direito. neste caso. Note que se obtivermos cada componente da disjunção e usarmos a regra ∧I poderemos inferir a sentença ‘p∧p’.MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL A conclusão é uma conjunção. p (∧I ) Prove: p. Observe que. O mesmo ocorre para a sentença do ramo esquerdo. Mas qual componente devemos escolher? A resposta é bem simples. Um fato importante a ser percebido é que a premissa ‘p’ foi usada duas vezes na prova. Entretanto. logo não precisa ser provada. ‘p’ é uma premissa. logo devemos procurar as regras associadas a este conectivo. temos duas opções: provar a sentença ‘r∧s’ ou provar a sentença‘q’. que também é uma premissa. sem haver restrições de ramos. a prova está finalizada. podemos começar tentando provar ao menos um dos componentes da disjunção. ~~(p→q) (r∧s)∨q p ~~(p→q) (r∧s)∨q Como o conetivo principal da conclusão é uma sentença disjuntiva. Logo. 17 .

notamos que podemos extrair ‘q’ a partir de parte da sentença ‘~~(p→q)’. aplicando a regra ~ . mas esta é uma das premissas da base de premissas e hipóteses. não precisamos prová-la. Ao inspecionar a base de premissas e hipóteses.MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL Mas é importante notar que as sentenças ‘r’ e ‘s’ não ocorrem na base de premissas e hipóteses. logo seria uma péssima escolha optar pela conjunção delas.E. 18 . Como ‘q’ é uma sentença atômica. podemos tentar derivá-la a partir das premissas. p ~~(p→q) p q (r∧s)∨q Podemos considerar como sentença alvo a sentença ‘p’. a sentença alvo passa a ser ‘(p→q)’ que pode se derivada a partir da premissa ‘~~(p→q). Assim. p ~~(p→q) q (r∧s)∨q ∨I Neste passo devemos focalizar a sentença ‘q’. logo. (p→q) →E ∨I ~~(p→q) p q (r∧s)∨q (p→q) ~E →E ∨I p ~~(p→q) Como ‘~~(p→q)’ é uma premissa então a prova está finalizada.

Prove: p∨p. quando eliminada pela regra ∨E . mas não se esqueça dos custos associados à utilização desta técnica. pois uma sentença disjuntiva. primeiramente.MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL Quando aplicar a regra de eliminação do ∨? Nas provas em que a base de premissas possui sentenças disjuntivas devemos ter um pouco de cautela. tomando como hipótese em cada uma delas um componente da disjunção. dificultando a realização da derivação. duplica a quantidade de ramos existentes na prova. vamos usar a regra ∨E. Os dois exemplos seguintes ilustram a utilização da regra ∨E. então. p∨p p→(q∧r) [p]1 (1)(2) p∨p r r r ∨E 19 . sobre ‘p∨p’ buscando obter duas derivações independentes para r. Desta forma surge a necessidade de analisar a melhor hora de utilizar este tipo de sentença. Podemos tentar aplicar a regra ∨E no começo da prova. p→(q∧r) r p∨p p→(q∧r) r Como temos uma premissa disjuntiva. pois sempre conseguiremos demonstrar a validade de um argumento desta forma.

no entanto. Inspecionando a base de premissas é hipóteses. notamos a ocorrência de ‘r’ na premissa ‘p→(q∧r)’ . logo a partir da sentença ‘(q∧r)’ e a regra do ∧E podemos inferir a sentença alvo. A prova contém duas “sub-provas” idênticas. obteríamos uma prova ligeiramente mais curta. mais especificamente em seu conseqüente. p→(q∧r) →E (q∧r) ∧E (1)(2) ∨E [p]1 p∨p p∨p p→(q∧r) [p]1 r r r De forma análoga provamos r tomando como hipótese o segundo componente da disjunção. como no exemplo seguinte. p∨p p→(q∧r) [p]1 r r ∨E (q∧r) ∧E (1)(2) p∨p r A sentença alvo nesta etapa é ‘q∧r’. 20 . então podemos tentar uma estratégia de síntese. Observando a base de premissas e hipóteses notamos que a sentença alvo pode ser provada a partir da premissa ‘p→(q∧r)’ e da hipótese ‘p’ após a aplicação da regra →E. no ramo da direita: [p]1 p→(q∧r) →E (q∧r) ∧E (1)(2) [p]2 p→(q∧r) →E (q∧r) ∧E r ∨E p∨p r p∨p p→(q∧r) [p]1 [p]2 Note que o topo de cada ramo da árvore é composto apenas por hipóteses r descartadas ou premissas por isso a prova deve ser finalizada.MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL Neste passo a sentença alvo será ‘r’. como a sentença alvo é atômica. Caso tivéssemos utilizado a eliminação do ∨ apenas quando necessário.

Mas caso tenha dúvidas. busque rever os exemplos anteriores. (p∧q) ∨ (p∧r) 1 [p∧q] p q∨r ∧I (1)(2) (p∧q) ∨ (p∧r) p∧(q∨r) p∧(q∨r) p∧(q∨r) ∨E 21 . (p∧q) ∨ (p∧r) 1 [p∧q] (1)(2) (p∧q) ∨ (p∧r) p∧(q∨r) p∧(q∨r) p∧(q∨r) ∨E Neste ponto tentaremos provar a sentença alvo ‘p∧(q∨r)’ a partir das sentenças ‘p’ e ‘q∨r’. de como realizar certa etapa. utilizando a regra ∧ I. para evitar que a leitura se torne monótona. pois existe uma única premissa é a conclusão é uma conjunção. Prove: (p∧q) ∨ (p∧r) p ∧ (q∨ r) (p∧q) ∨ (p∧r) p∧(q∨r) Nesta prova podemos usar a regra do ∨E.MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL p∨p (1)(2) [p]1 [p]2 ∨E p p→q∧r →I ∧E q∧r r Observação: A partir deste ponto alguns passos mais simples serão omitidos no comentário.

22 . que é uma conjunção. perceberemos que são bem parecidas com as sentenças utilizadas no ramo esquerdo. verificando qual componente pode ser mais facilmente obtido. Analisando a outra parte do ramo da esquerda. [p∧q] [p∧q] 1 1 ∧E q q∨r p∧(q∨r) p∧(q∨r) ∨I ∧I (p∧q) ∨ (p∧r) [p∧q]1 p (1)(2) (p∧q) ∨ (p∧r) p∧(q∨r) ∨E Finalizamos a prova do ramo esquerdo. Neste ramo a sentença alvo é ‘p∧(q∨r)’. o outro componente da disjunção. mas crucial. [p∧q] [p∧q] 1 1 ∧E ∨I ∧I q q∨r p∧(q∨r) p∧(q∨r) [p∧r] 2 ∧E p (1)(2) p q∨r p∧(q∨r) (p∧q) ∨ (p∧r) [p∧q]1 [p∧r]2 ∧I ∨E (p∧q) ∨ (p∧r) Neste passo. temos que escolher com qual componente da disjunção devemos tentar provar. as hipóteses locais são distintas. Se observarmos atentamente as sentenças envolvidas para a prova neste ramo. Agora tentaremos obter uma prova referente ao ramo mais a direita. que pode ser derivada a partir da hipótese 1. Entretanto note que a sentença ‘r’ pode ser facilmente inferida a partir da hipótese 2. descartando a hipótese [p∧q]1. diferença. visto que ela ocorre na hipótese 1. Podemos escolher como sentença alvo ‘p’. que não poderá ser utilizada na prova do outro ramo. Neste caso é a sentença ‘q’. No entanto. a escolha de qual componente desta disjunção deveremos provar é feita inspecionado a base de premissas de hipóteses. pela regra ∧E. com uma pequena. e deveremos prová-la tomando como hipótese [p∧r]2. temos como sentença alvo ‘q∨r’ que pode ser derivada de um de seus componentes. que é uma conjunção.MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL Continuamos a tentativa de construção de uma prova desenvolvendo o ramo mais a esquerda.

utilizaremos a regra ~I. Prove: p ↔ ~q ~(p∧q) p↔~q ~(p∧q) Nesta prova. pois todos os ramos já foram concluídos. Inspecionando a base de premissas e hipóteses perceberemos que podemos extrair a sentença ‘~q’ a partir da premissa ‘p↔~q’ e extrair ‘q’ a partir da hipótese 1.MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL [p∧q] [p∧q] 1 1 ∧E ∨I ∧I [p∧r] [p∧r] 2 2 ∧E ∨I ∧I ∨E q q∨r p∧(q∨r) p∧(q∨r) r q∨r (p∧q) ∨ (p∧r) [p∧q]1 [p∧r]2 p (1)(2) p (p∧q) ∨ (p∧r) p∧(q∨r) Neste ponto a prova está finalizada. 23 . p↔~q 1 [p∧q] ⊥ ~(p∧q) ~I (1) Agora devemos escolher com quais sentenças formaremos uma contradição. pois a sentença é uma negação.

desta forma. como realizado logo abaixo: [p∧q]1 [p∧q]1 q (1) ∧E ∧E p↔~q p→~q ⊥I ~I ↔E →E p ~q ⊥ ~(p∧q) p↔~q [p∧q]1 Neste ponto a prova está finalizada.I ~I q (1) ~q ⊥ ~(p∧q) Neste passo poderíamos tentar provar o ramo da esquerda. pois todos os ramos já foram provados. a sentença ‘q’ pode ser derivada a partir da hipótese 1 utilizando a regra ∧ E. 24 .MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL p↔~q [p∧q]1 ⊥. [p∧q]1 q (1) ∧E ~q ⊥ ~(p∧q) p↔~q [p∧q]1 ⊥I ~I Como provar a sentença ‘~q’? Analisando a base de premissas e hipóteses notamos que ‘~q’ pode ser derivada da premissa ‘p↔~q’ aplicando algumas regras.

apresentada a seguir. Tente provar uma sentença e sua negação a partir das premissas. Se uma sentença é derivável. tente aplicar a regra derivada RA. . É importante observar que isso não é feito como em um passe de mágica. As tabelas que se seguem trazem alguns dos mais comuns procedimentos adotados. para obter algumas provas será necessário pensar muito e testar vários caminhos. quando nos deparamos com alguns tipos de sentença alvo. somente com a experiência as provas realmente serão realizadas mais facilmente. .Para provar uma disjunção. através da regra ∨ I Negação Pode ser usada da mesma forma que as sentenças atômicas ou na aplicação da regra ~E. adotando as estratégias de análise.Contribuindo para formar as contradições para a utilização da regra ~I. por exemplo: . . Estratégias para Análise Se a premissa ou hipótese for uma Sentença atômica Este tipo de sentença é usado em várias situações. trocando a ordem de aplicação das regras ou usando outras regras.Um dos componentes de uma conjunção. provada através da regra ∧ I . Se nenhuma estratégia tem sucesso. Conjunção Pode ser usada da mesma forma que as fórmulas 25 . adotando as estratégias de análise. Use a regra ↔ I . Use a regra → I. algumas estratégias contribuem para indicar um caminho mais direto para a obtenção de uma prova. provando cada um das partes da conjunção separadamente. No entanto. Tente aplicar a regra ~I. Estratégias para Síntese Se a sentença alvo for um(a) Sentença atômica ⊥ Negação Conjunção Disjunção Implicação Bimplicação Em qualquer caso Então Tente prová-la a partir das premissas. gerando como hipótese a sentença alvo sem o símbolo da negação. Tente aplicar ∨I.MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL Estratégias para construção de uma prova Não há maneira única de se construir uma prova.Como antecedente de uma implicação para aplicação da regra →E. provando um dos componentes da disjunção. Tente aplicar ∧I. ela pode ser provada de maneiras diferentes.

[~φ] . . podemos descartar a hipótese e inferir φ. Usa-se ∨ E para obter uma prova para uma certa sentença. Normalmente tenta-se usar a regra →E. (1) 1 ⊥ ~~φ φ ~I ~E Prove: ~p→q ~q→p 26 . . Disjunção Implicação Bimplicação Regras Derivadas As regras de introdução e eliminação de conectivos nem sempre determinam as provas mais simples ou curtas. .MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL atômicas ou usada na aplicação da regra ∧ E. . (1) 1 ⊥ φ RA Esta regra condensa as aplicações. das regras ~I e ~E. em seqüência. Apresentaremos algumas delas a seguir: Redução ao Absurdo (RA): Dada uma derivação de uma contradição a partir de uma hipótese ~φ. esta regra é usada quanto nenhuma estratégia imediata tem sucesso. Muitas delas são provadas a partir das regras apresentadas acima e são chamadas de regras derivadas. Usa-se a regra ↔E. Normalmente. Os matemáticos utilizam algumas outras regras que facilitam a tarefa de construir provas. obtendo-se a implicação desejada. [~φ] .

em função da aplicação da regra RA para a prova da sentença ‘q’. Prove: p∨~p 27 . que não ocorrem em algumas outras lógicas. nas aplicações de regras hipotéticas.MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL [~p]2 q (2) (1) ~p→q →E [~q]1 ⊥ p ~q→p ⊥I RA →I ~p→q [~q]1 [~p]2 Utilizaremos a regra RA para provar ‘p’. é possível utilizar a hipótese mais de uma vez. não foi necessário utilizá-la. Em geral. pois já havia uma contradição envolvendo duas outras hipóteses. Tais aspectos são peculiaridades da Lógica Matemática. como ocorreu em exemplos anteriores. Por outro lado. Prove: ~(p→q) [p]2 (3) p [~p]1 ⊥ I ⊥ q (p→q) ⊥ p RA →I ~(p→q) [~p]1 [p]2 [~q]3 ~(p→q) ⊥I (1) RA Convém destacar que apesar de termos tomado a sentença ‘~q’ como hipótese. pois não foi possível prová-la diretamente a partir da premissa ‘~p→q’ e da hipótese ‘~q’. não é obrigatória a utilização da respectiva hipótese na prova.

não seria possível provar ‘p’. ~q ~p p→q ~q [p]1 ~ψ MT [p] 1 q (1) p →q ⊥ ~p →E ~q ⊥-I ~-I 28 . no primeiro caso.MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL Podemos tentar provar esta sentença utilizando uma instância de uma das regras de introdução do conectivo ∨: p p∨~p ∨I ~p p∨~p ∨I Entretanto. resta-nos apenas a opção de utilizar a regra RA. pois não há qualquer premissa ou hipótese que nos auxilie nestas tarefas. [p]2 p∨~p (2) ∨I [~ (p∨~p)]1 ⊥I ⊥ ~p p∨~p ⊥ RA ∨I [~ (p∨~p)]1 ⊥I [~ (p∨~p)]1 [p]2 (1) RA p∨~p Modus Tollens (MT): φ→ ψ ~φ Prove: p→q. Portanto. e nem provar ‘~p’.

MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL p→q. ~q ~p p→q ~q p→q ~p ~q MT Silogismo Hipotético(SH): ψ → φ. q→r φ→ Φ ψ→Φ SH p→ r p→q q→r [p]1 [p] 1 p→q q q→ r r p→ r →E →I (1) Absorção (ABS) : ψ → φ Prove: p→ q p→(p∧q) ψ→(ψ ∧ φ) [p]1 [p] 1 p→q q →-I ∧-I →I p→ q [p]1 p∧q (1) p→(p∧q) ψ Contradição (CONTRAD) : φ . φ → Φ ψ→φ ψ→Φ Prove: p→q. ~φ 29 .

~φ ψ∨φ φ ~ψ ⊥ RA q ψ ou também pode ser escrito ψ ∨ φ. ~p q p∨q [~p]1 [q]2 ∨-E [p]1 (1) (2) ~p q q CONTRAD p∨q [q]2 Outra prova. ~p q p (1) ~p ⊥I p ~p [~q]1 Silogismo Disjuntivo: ψ ∨ φ.MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL Prove: p. ~ψ ψ∨φ SD ψ ~φ SD φ Prove: p ∨ q. utilizando diretamente o Silogismo Disjuntivo: p∨q q ~p SD Prove: p∨q ~p→ q p∨q q ~p→q →I [~p]1 SD p∨q [~p]1 30 .

∀-I ∀x α α(x/t) ∀-E Introdução do ∃: Se pudermos provar α para um termo t. α(x/t). Introdução do ∀: Se pudermos provar α para uma constante arbitrária a. α(x/a) ∀x α Restrição da regra: A constante a não pode ocorrer em qualquer hipótese da qual α dependa. então podemos inferir que ∃x α. para qualquer termo t. Eliminação do ∀: Se pudermos provar ∀x α.MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL O Sistema de Dedução Natural para a Lógica de Predicados de Primeira Ordem (LPPO) Na Lógica de Predicados de Primeira Ordem o conjunto de regras do Sistema de Dedução Natural consiste no acréscimo de quatro regras à coleção de regras básicas apresentadas para a Lógica Sentencial. ou seja. α(x/t) ∃x α ∀-E 31 . então podemos inferir ∀x α. podendo assim avaliar a validade de qualquer tipo de argumento da LPPO. Apresentaremos a seguir as quatro regras do Sistema de Dedução Natural para a Lógica de Predicados de Primeira Ordem. então podemos inferir qualquer instância de α.

. onde as constantes a1. esta regra pode ser entendida fazendo-se um paralelo com a regra ∨E. provamos β a partir de α tomando uma constante ‘a’ arbitrária...MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL Eliminação do ∃: O que podemos inferir a partir da sentença ∃x α? É certo que não podemos inferir ‘α(x/a)’. ou melhor. ao invés de obtermos uma prova de β a partir de cada componente dessa disjunção infinita. sendo que. Assim. quando temos garantida apenas a existência de um tal objeto (não conhecido). α(x/a1) ∨ α(x/a2)∨.. que mostraremos ser arbitrária por satisfazer as restrições descritas acima. Exemplos: Prove: ∀xP(x) ∃xP(x) ∀xP(x) ∃xP(x) 32 .. Assim. c) A constante a não pode ocorrer em qualquer premissa ou hipótese (diferente de α(x/a)) da qual β dependa. . só podemos inferir alguma sentença que não dependa da escolha de tal objeto (ou do conhecimento de propriedades específicas dele) . b) A constante a não pode ocorrer em ∃xα. pois. a2. intuitivamente. Podemos ver o quantificador ∃ como sendo uma disjunção infinita. estaríamos afirmando que o objeto particular representado pela constante ‘a’ satisfaz a propriedade representada por α.E a) A constante a não pode ocorrer em β . ∃x α β Dado que: β ∃. representam todos os indivíduos do domínio de uma estrutura. . .. Isto é capturado pela regra a seguir: [α(x/a)] .

E.∀xP(x) ∀xQ(x) ∀x(P(x)→Q(x)) ∀xP(x) ∀xQ(x) 33 . ∀-E ∃-I Prove: ∀x(P(x)→Q(x)). aplicando a regra do ∀ . ∀xP(x) P(a) ∃xP(x) ∃-I Neste passo a sentença ‘P(a)’ pode ser provada a partir da premissa ‘∀xP(x)’. aplicando a regra do ∃ .I. ∀xP(x) ∀xP(x) P(a) ∃xP(x) Neste ponto a prova está finalizada .MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL Para provar a sentença ‘∃xP(x)’ podemos usar a sentença ‘P(a)’.

∀x(P(x)→Q(x)) ∀xP(x) P(a)→Q(a) Q(a) ∀xQ(x) Para obtermos a prova da sentença ‘P(a)→Q(a)’. podemos tentar usar a regra →I. neste caso podemos derivá-la a partir da premissa ‘∀x(P(x)→Q(x))’ usando a regra ∀-E.MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL Como a conclusão é uma sentença quantificada. uma prova mais simples do que se usássemos a primeira tentativa. No entanto. no entanto. ∀x(P(x)→Q(x)) ∀xP(x) P(a) Q(a) ∀xQ(x) Neste passo podemos provar sentença ‘P(a)’ a partir da premissa ‘∀xP(x)’ aplicando a regra do ∀-E. ∀x(P(x)→Q(x)) ∀xP(x) Q(a) ∀xQ(x) ∀-E Note que podemos inferir a sentença ‘Q(a)’ a partir das sentenças ‘P(a)’ e ‘P(a)→Q(a)’ usado a regra →E. →-E ∀-E P(a)→Q(a) →-E ∀-E ∀xP(x) P(a) ∀-E 34 . gerando desta forma. tentaremos utilizar a regra ∀I. é importante não esquecermos de verificar se as restrições desta regra serão satisfeitas ao completarmos a nossa tentativa de construção da prova.

35 . na sentença ‘~P(a)’. [~∃xP(x)]1 ∀x~P(x) ~∃xP(x) → ∀x~P(x) → I (1) Para provarmos a sentença ‘∀x~P(x)’ podemos utilizar a regra ∀ I.MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL ∀x(P(x)→Q(x)) ∀xP(x) ∀xP(x) P(a) ∀-E ∀x(P(x)→Q(x)) P(a)→Q(a) ∀-E →-E ∀-E Q(a) ∀xQ(x) Neste ponto a prova deve ser finalizada pois o topo de todos os ramos da árvore de prova é composto apenas por premissas. Prove: ~∃xP(x) → ∀x~P(x) ~∃xP(x) → ∀x~P(x) Nesta prova começaremos utilizando a regra → I. tomando como hipótese a sentença ‘~∃xP(x)’.

[P(a)]2 [~∃xP(x)]1 (2) ⊥ ∃-I ⊥I RA ∀-I →-I ∃xP(x) [~∃xP(x)]1 [P(a)]2 ~P(a) (1) ∀x~P(x) ~∃xP(x) → ∀x~P(x) Neste passo a prova está finalizada. Desta forma. pois todos os ramos da árvore contêm apenas premissas ou hipóteses. devemos tentar uma prova indireta. [~∃xP(x)]1 (2) ⊥ ∃xP(x) ⊥I RA ∀-I →-I [~∃xP(x)]1 [P(a)]2 ~P(a) (1) ∀x~P(x) ~∃xP(x) → ∀x~P(x) Para provar a sentença ‘∃xP(x)’ podemos usar a regra ∃ I na hipótese [P(a)]. usando a regra ‘RA’ e logo depois ⊥ I.MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL [~∃xP(x)]1 ~P(a) (1) ∀-I →-I ∀x~P(x) ~∃xP(x) → ∀x~P(x) Neste ponto. podemos tentar provar a sentença ‘P(a)’ a partir da base de premissas e hipóteses. não existe qualquer regra que possa inferir a sentença ‘~P(a)’ a partir da hipótese ‘[~∃xP(x)]’. No entanto. 36 .

∀x(F(x) ∧ G(x)) ∀xF(x) ∀xG(x) ∧-I ∀xF(x) ∧ ∀xG(x) Podemos provar a sentença ‘∀xF(x)’ com uma estratégia de síntese. ∀x(F(x) ∧ G(x)) ∀-I F(a) ∀xF(x) ∀xG(x) ∧-I ∀xF(x) ∧ ∀xG(x) Como provar a sentença ‘F(a)’? Podemos inicialmente tentar uma estratégia de síntese. note que a sentença ‘F(a)’ e derivável da premissa ‘F(a)∧G(a)’ usando a regra ∧ E.MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL Prove: ∀x(F(x) ∧ G(x)) ∀xF(x) ∧ ∀xG(x) ∀x(F(x) ∧ G(x)) ∀xF(x) ∧ ∀xG(x) Inicialmente podemos tentar provar cada componente da conjunção. F(a)∧G(a) F(a) ∀xF(x) ∀-I ∧-E ∀x(F(x) ∧ G(x)) ∀xG(x) ∧-I ∀xF(x) ∧ ∀xG(x) 37 . no entanto. e depois aplicar a regra do ∧I para inferir a conclusão. usando a sentença ‘F(a)’ e a regra ∀ I.

∀x(Q(x)→R(x)) ∀x(P(x)→R(x)) ∀x (P(x)→Q(x)) ∀x(Q(x)→R(x)) ∀x(P(x)→R(x)) 38 . Prove: ∀x (P(x)→Q(x)). obtemos uma prova para o ramo direito. ∀x(F(x)∧G(x)) F(a)∧G(a) F(a) ∀xF(x) ∀-E ∀x(F(x)∧G(x)) F(a)∧G(a) G(a) ∀xG(x) ∀-E ∀x(F(x) ∧ G(x)) ∧ -E ∧ -E ∀-I ∧-I ∀xF(x) ∧ ∀xG(x) Neste ponto a prova pode ser finalizada.MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL A sentença ‘F(a)∧G(a)’ pode ser obtida a partir da premissa ‘∀x(F(x)∧G(x))’ usando a regra ∀ E: ∀x(F(x)∧G(x)) F(a)∧G(a) F(a) ∀xF(x) ∀xG(x) ∧-I ∀-E ∀x(F(x) ∧ G(x)) ∧ -E ∀xF(x) ∧ ∀xG(x) Analogamente.

Note que a conclusão pode ser derivada da premissa ‘P(a)→R(a)’ aplicando a regra ∀x (P(x)→Q(x)) ∀x(Q(x)→R(x)) P(a)→Q(a) 2 ∀x(P(x)→R(x)) ∀-I A prova para a sentença ‘R(a)’. pode ser obtida a partir das sentenças ‘P(a)’ e ‘P(a)→Q(a)’ usando a regra →E. ∀x (P(x)→Q(x)) ∀x(Q(x)→R(x)) [P(a)]1 R(a) (1) →-I ∀-I P(a)→R(a) ∀x(P(x)→R(x)) Neste passo podemos provar a sentença ‘R(a)’ utilizando a regra →E nas sentenças ‘P(a)’ e ‘P(a)→R(a)’. Q(a) R(a) P(a)→R(a) P(a)→R(a) →-E →-I ∀-I ∀x (P(x)→Q(x)) ∀x(Q(x)→R(x)) [P(a)]1 ∀X(P(x)→R(x)) 39 .MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL ∀ .I.

MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL Utilizando uma estratégia de análise podemos derivar a sentença ‘Q(a)’ a partir das sentenças ‘[P(a)]1]’ e ‘P(a)→Q(a)’. ∀x(P(x)→Q(x)) [P(a)]1 P(a)→Q(a) → E Q(a) R(a) P(a)→R(a) ∀x(P(x)→R(x)) 40 ∀-E ∀x(Q(x)→R(x)) Q(a)→R(a) ∀-E →-E →-I ∀-I ∀x (P(x)→Q(x)) ∀x(Q(x)→R(x)) [P(a)]1 . [P(a)]1 P(a)→Q(a) Q(a) R(a) P(a)→R(a) →E Q(a)→R(a) →-E →-I ∀-I ∀x (P(x)→Q(x)) ∀x(Q(x)→R(x)) [P(a)]1 ∀X(P(x)→R(x)) Podemos provar a sentença ‘Q(a)→R(a)’ a partir da premissa ‘∀x(Q(x)→R(x))’ usando a regra ∀ E. [P(a)] 1 P(a)→Q(a) → E Q(a) R(a) P(a)→R(a) ∀x(P(x)→R(x)) ∀x(Q(x)→R(x)) Q(a)→R(a) ∀-E →-E →-I ∀-I ∀x (P(x)→Q(x)) ∀x(Q(x)→R(x)) 1 [P(a)] Neste passo podemos provar a sentença ‘P(a)→Q(a)’ a partir da premissa ‘∀x(P(x)→Q(x))’ usando a regra ∀ E.

[∀x~P(x)]1 (1) ~∃xP(x) ∀x~P(x)→ ~∃xP(x) →I Neste passo a sentença ‘~∃xP(x)’ é uma sentença negada.MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL A prova deve ser finalizada. e isso é um indicativo da utilização da regra ⊥ I. pois o topo de todos os ramos é formado apenas por hipóteses ou premissas. [∀x~P(x)]1 [∃xP(x)]2 (2) (1) ⊥ ~∃xP(x) ∀x~P(x)→ ~∃xP(x) ⊥I →I 41 . gerando como hipótese a sentença ‘∃xP(x)’. Prove: ∀x~P(x)→ ~∃xP(x) ∀x~P(x)→ ~∃xP(x) Para provar a sentença ‘∀x~P(x)→ ~∃xP(x)’ tentaremos usar a regra do →I gerando como hipótese a sentença ‘∀x~P(x)’.

devemos investigar e descobrir quais sentenças podem ser utilizadas para caracterizar uma contradição. ⊥ (3) ~I ∃-E ⊥ I ~I →I [∃xP(x)] 2 ~∀x~P(x) ~∀x~P(x) [∀x~P(x)]1 (2) (1) ⊥ ~∃xP(x) ∀x~P(x)→ ~∃xP(x) [∀x~P(x)]1 2 [∃xP(x)] 3 [P(a)] 42 . Podemos usar a hipótese ‘∀x~P(x)’. [∀x~P(x)]1 ⊥ (1) ~(∀x~P(x)) ⊥ I ~I →I [∀x~P(x)]1 [∃xP(x)]2 ~∃xP(x) ∀x~P(x)→ ~∃xP(x) Podemos tentar provar a sentença ‘~∀x~P(x)’ aplicando a regra ∃ E. (3) [∃xP(x)] 2 ~∀x~P(x) ~∀x~P(x) ∃-E ⊥ I ~I →I [∀x~P(x)]1 (2) (1) ⊥ ~∃xP(x) ∀x~P(x)→ ~∃xP(x) [∀x~P(x)]1 2 [∃xP(x)] 3 [P(a)] Agora o problema passa a ser como provar a sentença ‘~∀x~P(x)’ a partir da hipótese P(a). Isto determina que devemos tomar como hipótese a sentença ‘∀xP(x)’.MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL Agora. poderemos utilizar as outras duas hipóteses. pois desta forma precisaríamos provar apenas a sua negação ‘~(∀x~P(x))’. o que determina que devemos tomar como hipótese a sentença ‘P(a)’. tentando aplicar a regra ~I. Podemos seguir uma estratégia de síntese. Naturalmente.

MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL Neste passo. devemos novamente tentar encontrar sentenças contraditórias. usando a regra [∀x~P(x)]1 ∀ E [P(a)] [∃xP(x)] 2 3 ~P(a) ⊥ ~I ⊥I (3) ~∀x~P(x) ~∀x~P(x) ∃-E ⊥ I ~I →I [∀x~P(x)]1 2 [∃xP(x)] 3 [P(a)] [∀x~P(x)]1 (2) (1) ⊥ ~∃xP(x) ∀x~P(x)→ ~∃xP(x) Neste ponto a prova está finalizada. Podemos consultar a base de premissas e hipóteses em busca de uma sentença de tal modo que a sua negação possa ser provada Neste caso podemos usar a hipótese ‘P(a)’ e tentar provar a sua negação. A sentença ‘~P(a)’ pode ser inferida a partir da premissa ‘∀x~P(x)’. [P(a)]3 ⊥ (3) 2 ~P(a) ~I ⊥I [∃xP(x)] ~∀x~P(x) ~∀x~P(x) ∃-E ⊥ I ~I →I [∀x~P(x)]1 2 [∃xP(x)] 3 [P(a)] [∀x~P(x)]1 (2) (1) ⊥ ~∃xP(x) ∀x~P(x)→ ~∃xP(x) ∀ E. 43 .

~∃x P(x) 1 [P(a)] ⊥ ~P(a) ∀ x ~P(x) ~I ∀I 44 . podemos usar a regra ∀ I.MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL Prove: ~∃x P(x) ∀x ~P(x) ~∃x P(x) ∀ x ~P(x) Para provar a sentença ‘∀x ~P(x)’. ~∃ x P(x) ~P(a) ∀ x ~P(x) ∀-I Para provar a sentença ‘~P(a)’ tentaremos aplicar a regra ~I. tomando como hipótese a sentença ‘P(a)’.

inferimos a sentença ∃ x P(x) a partir da hipótese [P(a)]1. ~∀x P(x) ~P(a) ∃x~P(x) ∃I 45 . ~∃x P(x) 1 [P(a)] ∃ x P(x) ⊥ ~P(a) ∀ x ~P(x) Finalmente.MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL Neste passo. para isto podemos usar a premissa ‘~∃x P(x)’ e a sentença ‘∃x P(x)’. devemos encontrar sentenças que podem formar uma contradição. 1 ~∃ x P(x) ⊥I ~I ∀I [P(a)] ∃I ~∃x P(x) 1 [P(a)] ~∃ x P(x) ⊥I ~I ∀I ∃ x P(x) ⊥ ~P(a) ∀ x ~P(x) Prove: ~∀x P(x) ∃x~P(x) ~∀x P(x) ∃x~P(x) Para provar a sentença ‘∃x ~P(x)’ podemos inicialmente tentar derivá-la da sentença ‘~P(a)’ usando a regra ∃ I.

[P(a)]1 ∀xP(x) ⊥ ~P(a) ∃x~P(x) A forma correta de se realizar esta prova é feita abaixo: ~∀x P(x) ∀I ⊥I ERRADO ~∀xP(x) (1) ~∀x P(x) [P(a)]1 ~I ∃I ∃x~P(x) 46 . ~∀x P(x) [P(a)]1 ~∀xP(x) (1) ∀xP(x) ⊥ ~P(a) ∃x~P(x) ⊥I ~I ∃I Neste ponto ocorre um fato interessante. aplicando a regra ⊥I. isso ocorre devido as restrições da regra ∀ I. pois a sentença ‘∀xP(x)’ não pode ser provada a partir da hipótese ‘P(a)’. ~∀x P(x) [P(a)]1 (1) ⊥ ~P(a) ∃x~P(x) ~I ∃I Podemos caracterizar a obtenção de uma contradição. utilizamos a premissa ‘~∀xP(x)’ e a tentamos provar a sentença ‘∀xP(x)’ .MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL Como provar ‘~P(a)’? Novamente. pois a constante a não pode ocorrer em qualquer hipótese da qual a sentença ‘∀xP(x)’ dependa. tentaremos aplicar a regra ~I.

no entanto. pois não existe qualquer premissa que possa contribuir nesta tarefa. podemos utilizar a premissa ‘~∀xP(x)’ e a sentença ‘∀xP(x)’ para formar a contradição. ~∀x P(x) [~∃x~P(x)]1 ~∀x P(x) (1) ∀x P(x) ⊥ ∃x~P(x) ⊥I RA Podemos derivar a sentença ‘∀xP(x)’ a partir da sentença ‘P(a)’. visto que.MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL Vamos realizar esta prova de uma forma um pouco diferente da tentativa anterior. tomando como hipótese a sentença ‘~∃x~P(x)’. pois usaremos primeiramente a regra RA. tomando como hipótese a sentença ‘~P(a)’. podemos tentar uma prova indireta. isso não é possível. ~∀x P(x) [~∃x~P(x)]1 (1) ⊥ ∃x~P(x) RA Neste ponto. 47 . a constante a não ocorre em qualquer hipótese da qual ‘∀xP(x)’ dependa. Contudo. P(a) ~∀x P(x) (1) ∀I ⊥I RA ~∀x P(x) [~∃x~P(x)]1 ∀x P(x) ⊥ ∃x~P(x) Como provar a sentença ‘P(a)’? Poderíamos tentar derivá-la a partir das premissas.

[~P(a)]2 ∃x~P(x) ∃I [~∃x~P(x)]1 ⊥ ⊥I RA ∀I ⊥I (2) P(a) ~∀x P(x) (1) ∀x P(x) ⊥ ∃x~P(x) ~∀x P(x) [~∃x~P(x)]1 [~P(a)]2 ~I 48 .MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL ⊥ (2) RA ∀I ⊥I RA P(a) ~∀x P(x) (1) ∀x P(x) ⊥ ∃x~P(x) ~∀x P(x) [~∃x~P(x)]1 [~P(a)]2 Podemos utilizar a hipótese ‘~∃x~P(x)’ e a sentença ‘∃x~P(x)’ para formar a contradição. usando a regra ∃ I. ∃x~P(x) (2) [~∃x~P(x)]1 ⊥ P(a) ⊥I RA ∀I ⊥I ~∀x P(x) (1) ∀x P(x) ⊥ ∃x~P(x) ~∀x P(x) [~∃x~P(x)]1 [~P(a)]2 ~I Podemos finalizar a prova derivando a sentença ‘∃x~P(x)’ a partir da hipótese ‘~P(a)’.

que trata do assunto em questão. 49 . Contudo. considerando a aplicação de estratégias simples como a análise e síntese. A utilização de exemplos resolvidos e discutidos permite explicitar que a utilização das estratégias propostas pode ser encarada como uma maneira de raciocinar ou proceder na construção de uma prova. a fim de apoiar ou complementar as atividades desenvolvidas na disciplina Lógica para a Ciência da Computação. Cremos que o texto é de fácil compreensão e pode ser utilizado pelos alunos de forma autônoma. destacando a forma estruturada como as provas são apresentadas no Método de Dedução Natural. cada pessoa pode escolher como buscará construir uma prova.MÉTODO DE DEDUÇÃO NATURAL Conclusão A discussão do processo de busca por uma prova através de exemplos. têm como principal intuito propiciar ao aluno uma visão dinâmica deste processo. tentamos mostrar ao aluno um possível caminho a ser seguido. É importante ressaltar que ao propormos e discutirmos a aplicação de estratégias. não é obrigatório aplicá-las.

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