Bioq.clinica - Enzimas

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Volume

VALTER T. MOTTA

Bioquímica Clínica: Princípios e Interpretações

Enzimas

ENZIMAS

A

s enzimas são proteínas com propriedades catalisadoras sobre as reações que ocorrem nos sistemas biológicos. Elas tem um elevado grau de especificidade sobre seus substratos acelerando reações específicas sem serem alteradas ou co n sumidas durante o processo. O estudo das enzimas tem imensa importância clínica. Em algumas do enças as atividades de certas enzimas são medidas, principalmente, no plasma sangüíneo, eritró citos ou tecidos. Todas as enzimas presentes no corpo humano s ão sintetizadas intracelularmente. Três casos se destacam: Enzimas plasma-específicas. Enzimas ativas no plasma utilizadas no mecanismo de coagulação sangüínea e fibrinólise. Ex.: pró -coagulantes: trombina, fator XII, fator X e outros. Enzimas secretadas. São secretadas gera lmente na forma inativa e após ativação atuam em locais extracelulares. Os exemplos mais óbvios s ã o a s p r o t e a s e s o u h i d r o l a s e s p r o d u z i d a s n o s istema digestório. Ex.: lipase, α -amilase, tripsin o gênio, fosfatase ácida prostática e antígeno prost ático específico. Muitas são encontradas no sangue. Enzimas celulares. Normalmente apresentam baixos teores séricos, mas os níveis aumentam quando são liberadas a partir de tecidos lesados por alguma doença. Isto permite inferir a localizaç ã o e a natureza das variações patológicas em alguns órgãos, tais como: fígado, pâncreas e mi o cárdio. A elevação da atividade sérica depende do conteúdo de enzima do tecido envolvido, da extensão e do tipo de necrose. São exemplos de e n zimas celulares as transaminases, lactato desidrogenases etc.

As meias -vidas das enzimas teciduais após liberação no plasma apresentam grande variabilid a d e – nos casos de enzimas medidas com propó sitos diagnósticos e prognósticos, podem variar desde algumas horas até semanas. Em condições normais as atividades enzimáticas permanecem constantes, refletindo o equilíbrio entre estes processos. Modificações nos níveis de atividade e n zimática ocorrem em situações onde este balanço é alterado. As elevações na atividade enzimática são devidas: Aumento na liberação de enzimas para o plasma é c o n s e q ü ê n c i a d e :

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Lesão celular extensa, as lesões celulares são geralmente causadas por isquemia ou toxinas celulares, por exemplo: na elevação da ativ idade da isoenzima CK-MB após infarto d o miocárdio. Proliferação celular e aumento na renovação celular, por exemplo: aumentos na fosfatase alcalina pela elevação da atividade osteoblástica durante o crescimento ou restauração ó s sea após fraturas. Aumento na síntese enzimática, por exemplo: marcada elevação na atividade da γ -glutamil transferase após a ingestão de álcool. O b s t r u ç ã o d e d u c t o s – afeta as enzimas normalmente encontradas nas secreções exócrinas, por exemplo: a amilase e a lipase no suco pancreático. Estas enzimas podem regurgitar para a corrente circulatória se o ducto pancre á t ic o -biliar estiver bloqueado.

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Bioquímica Clínica: Princípios e Interpretações

Redução da remoção de enzimas do p l a sma devido à insuficiência renal. Afeta as enzimas excretadas na urina, por exemplo: a amilase pode estar elevada na insuficiência renal. A redução nos níveis de atividade enzimática são menos comuns e ocorrem na:

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Síntese enzimática reduzida, por exemplo: colinesterase baixa na insuficiência hepática severa pela redução do número de hepatócitos. Deficiência congênita de enzimas, por exe mp lo: baixa atividade da enzima fosfatase alc alina plasmática na hipofosfatasemia congênita. Variantes enzimáticas inerentes com baixa a t i v i d a d e b i o l ó g i c a , por exemplo, variantes anormais da colinesterase.

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A utilidade diagnóstica da medida das enzimas p l a s máticas reside no fato que as alterações em suas atividades fornecem indicadores sensíveis de lesão ou proliferação celular. Estas modificações ajudam a detectar e, em alguns casos, localizar a lesão tecidual, monitorar o tratamento e o pro g r e s s o d a d o e n ç a . No entanto, muitas vezes falta especificidade, isto é, existem dificuldades em

relacionar a atividade enzimática aumentada com os tecidos lesados. Isto porque as enzimas não estão confinadas a tecidos ou orgãos específicos, pois estão grandemente distrib u í d a s e s u a s a t i v idades podem refletir desordens envolvendo vários tecidos. Na prática, a falta de especificidade é parc ialmente superada pela medida de vários parâmetros (que incluem várias enzimas). Como as con centrações relativas das enzimas variam consid eravelmente em diferentes tecidos, é possível, pelo menos em parte, identificar a origem de algumas enzimas. Por exemplo, apesar das enzimas transaminases ALT (GTP) e AST (GOT) serem igualmente abundantes no tecido hepático, a AST (GOT) apresenta concentração 20 vezes maior que a ALT (GTP) no músculo cardíaco. A determin ação simultânea das duas enzimas fornece uma clara indicação da provável localização da lesão tecidual. A especificidade enzimática pode também ser aumentada pela análise das formas isoen zimáticas de algumas enzimas como na lactato desidrogenase. A seleção de quais enzimas medir com propó sitos diagnósticos e prognósticos depende de vários fatores. As principais enzimas de uso clínico, juntamente com seus tecidos de origem e aplicações clínicas são listadas na tabela 9.1.

Tabela 9.1 Distribuição de algumas enzimas de importância diagnóstica
Enzima Amilase A m i n o t r a n s f e r a s e s ( t r a n sa minases) Antígeno prostático específico Creatina quinase Fosfatase ácida Fosfatase alcalina γ - G l u t a m i l t r a n s f e rase Lactato desidrogenase Principal fonte Glândulas salivares, pâncreas, ovários Fígado, músculo esquelético, coração, rim, eritrócitos Próstata Músculo esquelético, cérebr o, coração, músculo liso Próstata, eritrócitos Fígado, osso, mucosa intestinal, placenta, rim Fígado, rim Coração, fígado, músculo esquelético, eritrócitos, plaquetas, nódulos linfáticos Lipase Pâncreas Principais aplicações clínicas Enfermidade pancreática Doenças do parênquima hepático, infarto do miocárdio, doença muscular Carcinoma de próstata Infarto do miocárdio, enfermidades musculares Carcinoma da próstata Doenças ósseas, enfermidades hepáticas Enfermidade hepatobiliar, alcoolismo Infarto do miocárdio, hemólise, doenças do parênquima hepático Enfermidade pancreática

glicemia >200 mg/dL. a amilase urinária está freqüentemente aumentada. § Abscesso pancreático. depuração da amilase. normal (ex. A s glândulas salivares secretam a amilase que inicia a hidrólise do amido presente nos alimentos na boca e esôfago. A magnitude da elev a ç ã o n ã o se correlaciona com a severidade do envolvimento pancreático. 4 da amilose. em alguns casos. .000/mm 3 . pulmões e tecido adiposo. É secretada no trato intestinal por meio do ducto pancreático. A amilase sérica é secretada. Os valores máximos são quatro a seis vezes maiores do que os valores de referência e são atingidos entre 12-72 h. Durante as primeiras 48 horas: diminuição do hematócrito >10%. ALT (GTP) > 6 x normal. onde a amilasemia au menta ocasionalmente. Os aumentos são proporcionais à extensão do comprometimento renal. quando empregados em conjunto com a avaliação da amilasemia. A atividade amilásica retorna ao normal entre o terceiro e o quarto dia. lactato desidrogenase >2 x normal. filtrada pelo glomérulo renal. avaliação das isoenzimas da amilase e a medida da lipase sérica. músculo estriado. liberando maltose e isomaltose. tubos de Fallopio. c o m o b s t r u ç ã o d o s ductos pancreáticos. atingindo valores mais elevados e que persistem por períodos maiores. Não hidrolisa as ligações α-1. No intestino. A estrutura do glicogênio é similar ao da amilopectina. como a medida da amilase urinária.000 e 50. sendo constituído por uma mistura d e amilose (amido nãoramificado) e amilopectina (amido ramificado).000 daltons sendo. aumentam consideravelmente a especificidade no diagnóstico da pancreatite aguda. fundamentalmente. O amido é a forma de armazenamento para a glicose nos vegetais. Apesar de menor utilidade no diagnóstico da pancreatite. necrose e. com maior número de ramificações. Esta ação é desativada pelo conteúdo ácido do estômago. § Outras causas de hiperamilasemia pancreática: H IPERAMILASEMIA Pancreatite aguda. § Lesões traumáticas do pâncreas. pelas glândulas salivares (forma S) e células acinares do pâncreas (forma P). hemorragia. Hiperamilasemia não-pancreática: § Insuficiência renal por declínio da depuração. p O 2 arterial <60 mm/Hg. Constitui um distúrbio i n flamatório agudo do pâncreas associado a edema.Enzimas 93 A MILASE A amilase é uma enzima da classe das hidrolases que catalisa o desdobramento do amido e glicogênio ingeridos na dieta. 20% de t o d o s o s c a s o s d e p a n c r e a t i t e apresentam amilase § C o m p l i c a ç õ e s d a p a n c r e a t i t e a g u d a . Os níveis de amilasemia aumentam após 2 -12 h do início do episódio de dor abdominal que é constante. A α-amilase catalisa a hidrólise das ligações α-l. a ação da amilase pancreática é favorecida pelo meio alcalino presente no duodeno. Além da determinação da amilasemia outros sinais freqüentes são utilizados para avaliar a pancre atite aguda: § N o m o m e n t o d o d i a g n ó s t i c o : contagem de leucócitos >16. tais c o m o : p s e u d o c i s t o c o mplicadas por hemorragia.6. as cites e efusão pleural. Por outro lado. Outros testes laboratoriais. cálcio sérico <8 mg/dL. incluindo trauma cirúrgico e investigações radiográficas. intumescência e quantidades variadas de autodisgestão. testículos. ovários. § Carcinoma de pâncreas. facilmente. A atividade amilásica é também encontrada no sêmem.: muitas pancreatites associadas com hiperlipemia). intenso e de localização epigástrica com irradiação posterior para o dorso. amilopectina e glicogênio. A amilase tem massa mo lecular entre 40.

§ D o e n ç a d o t r a t o b i l i a r como a colecistite a g u da com aumentos de até quatro vezes os v a lo res de referência . Com mecanismos desconhecidos ou incertos: A MILASE URINÁRIA A hiperamilasúria reflete as elevações séricas da amilase. caxumba ou cirurgia maxilofacial. § Síndrome de Meigs (associação de ascite. § Trauma cerebral. maior do que a depuração da creatinina causando elevação na relação. § C e t o a c i d o s e d i a b é t i c a . § T r a n s p l a n t e r e n a l . gravidez ectópica rompida. neste evento não ocorre amilasúria aumentada e não indica doença. encontradas em 1-2% da população como resultado da combinação da molécula de amilase com imunoglobulinas (IgA e IgG) ou outras proteínas plasmáticas normais o u anormais para formar um complexo muito grande para ser filtrado pelo glomérulo. todas as urinas c o lhidas na hora seguinte são reservadas) ou de 24 horas. Na pancreatite aguda a reabsorção tubular da amilase está reduzida. infarto mesentérico. § Eventos intra -a b d o m i n a i s (não pancreáticos) tais como: úlcera péptica perfurada.94 Bioquímica Clínica: Princípios e Interpretações § Neoplasias de pulmão e ovário. § P n e u m o n i a e enfermidades não-neoplásicas. O mecanismo responsável por este aumento na depuração é. D EPURAÇÃO DA AMILASE A relação·entre a depuração renal da amilase e a depuração da creatinina é útil no diagnóstico diferencial da pancreatite aguda. provavelmente secundária a competição com outras proteínas de baixa massa molecular. apendicite aguda. A hiperamilasúria ocorre também em quase todas as situações que elevam a amilase sérica. § Hipermilasemia pós-operatória. § Drogas (opiatos. na urina (mg/dL) § Queimaduras e choques tra umáticos. a depuração renal da amilase é. A atividade da amilase urinária é determinada em amostras de urina de uma hora (nestes casos o paciente deve esvaziar completamente a bexiga e desprezar esta urina. § Alcoolismo agudo. § Macroamilasemia. em parte. a causa da elevação é incerta. ocorre em 20% dos pacientes submetidos a intervenções cirúrgicas – incluindo procedimentos extra -abdominais. atribuído a um distúrbio na reabsorção tubular da amilase (e de outras proteínas de baixa massa molecular) na pancreatite aguda. dependente de outros órgãos atingidos. peritonite. . isto é . aneurismas aórticos e oclusão mesentérica. § Lesões das glândulas salivares. Hiperamilasemia por desordens de origem c o m p l e x a . com a conseqüente elevação da pressão intraductal. no soro (mg/dL) × 100 = % Amilase no soro × creat. A fórmula empregada para a depuração é: Amilase na urina (U/dL) × creat. Nesta patologia. provocando regurgitação da amilase para o soro.a hiperamilasemia está presente em 80% destes pacientes sendo mais f r e q ü e n t e q u a n d o os teores de glicemia são >500 mg/dL (a fonte de amilase é incerta). um quinto dos transplantados renais apresentam hiperamilasemia. heroína) por constrição d o esfíncter de Oddi e ductos pancreáticos. efu são pleural e fibro ma de ovário). obstrução intestinal. geralmente. mas pode estar associada com trauma das glâ n dulas salivares e/ou abdominais.

o substrato de polissacarídio é hidrolizado pela ação da ami lase com formação de monossacarídios e dissacarídios. Utilizam um substrato de amido ligado a um corante. Este método é facilmente automatizado. Após a ação da amilase são pro duzidos pequenos fragmentos de corante-substrato solúveis em água medidos fotometricamente. esta relação não é específica. anticoagulantes quelantes como o citrato. Resultados falsamente reduzidos: glicose e fluoretos. perfuração duodenal.000 Ud/L Líquido duoden a l (Somo gyi) D ETERMINAÇÃO DA AMILAS E P a c i e n t e . corticoesteróides. colinérg icos. rifampina e tiazídicos. a cor azul é medida fornecendo a quantidade de polissacarídio remanescente. O cálculo desta relação permite diferenciar a macroamilasemia de outras causas de hiperamilasemia. mieloma. pois apresenta elev a ç õ e s n a c e t o a c i d o s e diabética. A avaliação amiloclástica (iodométrica) está baseada na capacidade do iodo formar cor azul intensa com o amido. enquanto na pancreatite aguda.000 a 80. Urina colhida no período de 1 h ou no período de 24 h sem conservantes. Ensaios cromolíticos. anticoncepcionais orais. No soro e urina (livre de contaminação bacteriana) a amilase é estável por uma semana em temperatura amb iente ou por vários meses sob refrigeração. Após a ação da amilase sobre um substrato de amido em tempo determinado. Sacarogênicos. estão entre 7 e 15%. O dissacarídio (maltose) forma glicose pela ação de uma maltase. A comparação das duas depurações permite corrigir as alterações na velocidade de filtração glomerular. contrastes radiográficos. nefelométricos e de polarização fluorescente. queimaduras extensas. analgés icos narcóticos. Não é exigida preparação especial. Raramente empregados para este propósito são os métodos turbidimétricos. freqüentemente. Nestes métodos. circulação extracorpórea e grandes doses intravenosas de corticoesteróides. furosemida. S o r o sem hemólise e não-lipêmico. É bastante empregado em automação. cromolíticos e técnicas de monitoração c o n tínua. Normalmente. Amostra. fornecendo em valores abaixo de 1%. oxalato e EDTA são impróprios para estas amo s t r a s . Valores de referência para a amilase Soro de adultos 60 a 160 U/dL (Somogyi) 1500 a 1800 U/d (Somogyi) Urina ou 70-275 U/h 50. Monitoração contínua. pancreozimina. Interferentes. formando um comple xo insolúvel. Em função do tamanho do complexo de macroamilase sua depuração renal é reduzida. aspirina. Assim. Outros métodos.Enzimas 95 As determinações de amilase e creatinina séricas são realizadas em amostras obtidas ao mesmo tempo da coleta de urina. grandes quantidades de etanol. As unidades So mogyi obtidas neste método expressam o número de mg de glicose liberada após incubação. amilo- . Resultados falsamente aumenta dos: ácido aminossalicílico. A amilase é uma enzima bastante estável. os valores da relação variam entre 1 a 4%. A amilase é determinada por diferentes métodos. Sistemas enzimáticosacoplados são empregados para determinar a atividade enzimática por técnica de monitoração contínua na modificação na absorvância do NAD+ medida em 340 nm. Amiloclásticos (Iodométricos). ácido etacrínico. A quantidade de glicose produzida indica a atividade amilásica. A atividade amilásica necessita de cálcio e cloretos como cofatores. condição esta também encontrada na insuficiência renal severa. Os principais são: sacarogênicos. Métodos. No entanto. clásticos. A quantidade de glicose já existente na amostra deve ser considerada ao empregar estes métodos. A relação é normalizada após a atividade da amilase no sangue e urina voltarem aos valores de referência. O método de Van Loon modificado por Caraway além de empregar um substrato rela tiv amente estável é eficiente e rápido.

. A m . M. et al. W. A m . 3 9 :2 3 4 -4 3 . A stable starch substrate for the d e t e r m i nation of amylase in serum and other body fluids. 2 2 :1 1 3 4 -6 .T. BUTCH. W.. C h e m . . 3 2 :9 7 -9 . 1 9 9 3 . E.96 Bioquímica Clínica: Princípios e Interpretações Bibliografia consultada CARAWAY. P a t h o l . 1 9 5 2 .C. LIKINS. A. P a t h . SEGER.L. J. J. Photometric m e t h o d f o r b l o o d a m y l a s e b y u s e o f s t a r c h -iodine color.. A. 1 9 5 9 . C l i n . C l i n . The clinical chemistry laboratory and acute pancreatitis. E. . VAN LOON. . .J. J . ROSENBLUM. J . WONG.R..C. C l i n .

entretanto. obstrução intestinal mesentéri c a e c o l e c i s t i t e a g u d a . A o b s t ru ção do ducto pancreático por cálculo ou carcinoma de pâncreas pode elevar a atividade da lipase sérica. É estável por uma semana no refrigerador ou por vários meses a -20 0 C. a p e s a r da destruição das células acinares nos últ imos estágios da enfermidade resulta em diminuição na quantidade da enzima na circulação. língua e leite. Tanto a lipase como a colipase são sintetizadas pelas células acinares do pâncreas. produzindo dois mol de ácidos graxos de cadeia longa e um mol de 2-acilmonoglicerídio por mol de triglicerídio hidrolizado. Enfermidade renal aguda ou crônica. A atividade da lipase au menta entre 4 a 8 horas. pancreatite aguda. Não é exigido cuidados especiais. Pancreatite aguda. Desordens intra -abdominais agudas. morfina. o s s u b s t r a t o s p a r a o e n s a i o d e v e m ser emulsões. Interferentes. Os aumentos da lipase geralmente são paralelo s àqueles da amilase. tais aumentos podem ocorrer antes ou após as elevações da amilase. nos átomos de carbono 1 e 3 são preferentemente rompidas. Amostra. Nestes casos o aumento da atividade lipásica não é tão freqüente nem tão pronunciada como a atividade da amilase. líquido ascítico e pleural. leucócitos. geralmente. plasma. A s vezes o diagnóstico da pancreatite é dificultado por outras desordens intra -abdomi nais com achados clínicos similares: ú l c e r a s d u o d e n a i s o u g á stricas perfuradas. A atividade lipásica não é necessariamente proporcional à severidade do ataque. Acima de 50% dos pacientes com pancreatite aguda severa desenvolvem pseudocisto. Obstrução do ducto pancreático. Essencial para a compreensão da metodologia usada na avaliação da lipase é o fato desta enzima atuar na interface éster-água. Resultados falsamente aumenta dos: c o d e í n a . betanecol. Na pancrea t i t e a g u d a p o d e -se encontrar normoamilasemia em 20% dos pacientes (em casos de hiperlipemia) mas com hiperlipasemia. A pancreatite aguda pode produzir l í q u i d o a s c í t i c o o u l í q u i d o p l e u r a l . ou ambos. Metade dos pacientes com pseudocisto mostram elevações na lipase sérica. Pancreatite crônica. As ligações éster. após o início do quadro atingindo o pico máximo em 24 horas. cola ngiopan-creatografia retrógrada endoscópica. Deste m o d o .Enzimas 97 L IPASE E TRIPSINA após o ataque. cuja p r e s e n ç a é s u p e i t a d a q u a n do não há melhora clínica em uma semana D ETERMI NAÇÃO DA LIPASE P a c i e n t e . Complicações da pancreatite aguda. A lipase também é encontrada na mu co sa intestinal. Os níveis de lipase s ã o n o r m a i s n o s c a s o s d e e n v o lvimento de glâ n dulas salivares. h e p a rina. A lipase é uma enzima altamente específica que catalisa a hidrólise dos ésteres de glic erol de ácidos graxos de cadeia longa (triglicerí dios) em presença de sais biliares e um cofator chamado c o l i p a s e . A velocidade de reação aumenta com a . Os valores voltam ao normal entre 8 e 14 dias. H IPERLIPASEMIA A medida da atividade da lipase no soro. é usada exclusivamente para o diagnóstico de desordens pancreáticas. Métodos. S o r o isento de hemólise. células do tecido adiposo. A lipase sérica também é utilizada no diagnóstico da pancreatite crônica. dependendo da localização da obstrução e a quantidade de tecido lesado.

Serum enzymes and other laboratory tests in acute pancreatitis. MOOSSA. má absorção em crianças. Kinetic colorime tric assay of lipase in seru m . São métodos simples e rápidos que monitoram a redução da turvação de uma emulsão de azeite de oliva como resultado da ação da lipase sobre o substrato. 1932. Os primeiros métodos práticos para a medida da lipase empregavam uma emulsão tamponada de azeite de oliva como substrato. P. 514 p. P. aril-éster hidrolase e lipase lipoprotéica. CHERRY. REITZ. KUROOKA. J . Alex. Kent E. CRANDALL Jr. 1995.. Chem. P. PONTI. P h y s i o l . na forma precursora de tripsinogênio inativo. CLAVIEN. O emprego de substratos onde a interface éster-água é inapropriada. 35:1688-93. W . I. JACK.98 Bioquímica Clínica: Princípios e Interpretações dispersão da emulsão. A ausência de tripsina nas fezes é encontrada em pacientes com insuficiência pan creática. B r . S u r g . BURGAN. . em virtude da des truição da tripsina por bactérias intestinais. N . A tripsina está presente nas fezes de crianças pequenas. permite a ação de outras enzimas. A S T L E S . e pancreatite (crônica). O tripsinogênio é convertido em tripsina no duodeno pela enteroquinase. 1 9 8 9 . Baltimore : Williams & Wilkins. OPHEIM. S H U E Y . com redução dos teores em crianças maiores e em adultos. CIULLA.. J. . G. L. 1989. 8 4 : 1 4 5 9 -6 6 . Valores de referência para a lipase Adultos 0. A lipase hidroliza o substrato contendo triglicerídios produzindo glicerol livre que é quantificado por diferentes métodos. R.. Titulometria. fibrose cística (avançada). R . Donald F. 468 p.. LYON.a n – u p d a t e .. Andrew W. A. T RIPSINA A tripsina é uma enzima proteolítica produzida no pâncreas. D .05 M. 3 8 : 2 1 1 -5 . Am.. Clinical chemistry: i n t e r p r e ta t i o n a n d t e c h n o q u e s . Clinical c he m i s t r y .S. TOIVOLA. M. PARIS. 1 9 9 2 . FASSATI. Bibliografia consultada CALBREATH.. Clin. Rhona. em lugar de intra -p a n creática. Anna P.. Properties of serum lipase i n p a t i e n t s w i t h v a r i o u s p a n c r e a t i c d i s e a s e s . Substratos que empregam triglicerí dios de ácidos graxos de cadeia curta. Biochem. também permitem falsas reações lipásicas. 7 6 :1 2 3 4 -4 3 . O soro a ser testado era incubado por 24 h com o substrato e os ácidos graxos liberados eram titulados com hidróxido de sódio a 0. tais como: éster carboxílico hidrolase. Lipase activity m e a s u r e m e n t i n s e r u m b y a c o n t i n u o s-m o n i t o r i n g p Hs t a t t e c h n i q u e . 1 0 0 :2 6 6 -73. et al. usando a fenolftaleína como indicador. Fluorometric method for m e a s u r i n g s e r u m l i p a s e a c t i v i t y . . B. S. P h i l a d e l p h i a : S a u n d e r s . S. J . ..0 Ud Cherry -Crandall ou 28 a 280 U/L (intern acionais) tripsinogênio no duodeno.1 a 1. A. 1 9 7 8 . KITAMURA. Clin. 1 9 9 1 . Clin. GUIBAULT. KAPLAN. Chem. A ativação do . Bert... evita a autodisgestão proteolítica do pâncreas. F . A. Enzimáticos.. T. Turbidimetria ou nefelometria. G. The specificity of pancreatic lipase: Its appearance in the blood after p a n c r e a t i c i n j u r y . 2 e d . T I E T Z .. 21:178890. Chem. 1975. J .

Obstrução extrahepática. N o s ossos a atividade da fosfatase alcalina está confinada aos osteoblastos onde ocorre a formação óssea. pancreatite aguda e crônica. Pelo imp edimento do fluxo biliar. a fosfatase alcalina está localizada na membrana celular que une a borda sinusoidal das células parenquimais aos canalículos biliares. (b) retenção de ácidos biliares no fígado. e enzima está elevada nas desordens do trato biliar. síndrome de Fanconi. § Outras desordens. ossos (osteoblastos) e placenta. que declinam após terapia com vitamina D. Apesar da exata função metabólica da enzima ser d e s c o n h e c ida. que solubilizam a fosfatase alcalina e a removem da membrana plasmática dos hepatócitos. § Outras desordens. mononucleose in fecciosa. Algumas drogas como: cloropromazina. túbulos renais. A fosfatase alcalina (FA) pertence a um grupo de enzimas relativamente inespecíficas. Estes aumentos são devidos. Enfermidades ósseas. a FA sérica atinge 2-3 vezes os valores de referência (podendo chegar a 10-15 vezes). Encontrados nos c á l c u l o s b i l i a r e s e câncer de cabeça de pâncreas.Enzimas 99 F OSFATASE ALCALINA § Hepatite viral e cirrose . Aumentos na atividade da FA ocorrem em pacientes com doenças ósseas caracterizadas pela hiperatividade osteoblástica. O pH ótimo da reação in vitro está ao redor de 10. A fosfatase alcalina está amplamente distribuí da nos tecidos humanos. e (c) regurgitação da enzima para a circulação pelo impedimento da excreção. No fígado. apresentam pequenas elevações nos níveis séricos da FA. que catalisam a hidrólise de vários fosfomonoésteres em pH alcalino. A FA atinge de 10 a 25 vezes o limite superor dos valores de referência. apresentam pequeH IPERFOSFATASEMIA ALCALINA Obstrução intrahepática. parece estar associada com o transporte lipídico no intestino e com processos de calcificação óssea. notadamente na mucosa intestinal. § Hiperparatireoidismo primário e secundário. abscessos e granuloma . § Fraturas ósseas. fundamentalmente. A forma predominante no soro em adultos normais origina-se. ao: (a) incremento na síntese da enzima. Como a fosfatase alcalina está localizada nas membranas de reves t imento dos canalículos biliares. insuficiência renal crônica. estro gênios e progesterona. A atividade eleva 3 a 10 vezes os valores de referência na obstrução parcial ou total do colédoco. como resultado da ação das células osteoblásticas na tentativa de reconstrução óssea que está sendo r e a b s o rvida pela atividade não-controlada dos osteoclastos. . fígado (canalículos biliares). § Osteomalácia e raquitismo. p e q u e n o s a u m e n t o s d e F A . com valores bastante elevados. septicemia extrahepática. infecções bacterianas intra -a b d o minais. § Doença de Paget (osteíte deformante). As elevações ocorrem em: nos aumentos (2 a 4 vezes) de FA. baço. principalmente. incrementos pequenos de FA refletem a presença e a extensão do envolvimento ósseo. § Tumores ósseos osteoblásticos primários ou secundários. do fígado e esqueleto. colangite e cirrose portal. tirotoxicose e hiperfosfatemia transiente benigna em cria n ças. mas depende da natureza e c o n c e n t r a ç ã o d o s u b s trato empregado. metástases. dependendo do grau de estase biliar. § Lesões expansivas. carcinoma hepatocelular primário.

Interferências. Multiple forms of human serum alkaline p h o sp h a t a s e : d e t e c t i o n a n d q u a n t i t a t i o n . É o s u b s t r a t o m a i s u s a d o atualmente na avaliação da fosfatase alcalina.100 Bioquímica Clínica: Princípios e Interpretações Gravidez. Serum alkaline phosphatase in c l i n i c a l m e d i c i n e . foram propostas várias . aproximadamente.. Deve permanecer em jejum por 8 h antes d a coleta. A n n . G. POSEN. 1 9 9 3 . 1 9 6 8 . KOAY. Soro ou plasma heparinizado. PRICE. C. várias metodo logias foram propostas com o emprego de diferentes substratos.. a enzima adicional é de origem placentária. α-Naftol monofosfato. A atividade da enzima é I SOENZIMAS DA FOSFATASE ALCALINA As principais isoenzimas da fosfatase alcalina e n c o n t r a d a s n o s o r o s ã o p r o v e n i e n t e s d o fígado. predizem complicações na gravidez. Apresentam consid erável heterogeneidade inter e intratecidual. pois os eritrócitos contém. A u m e n t o s d a F A d e 2-3 vezes são observados no terceiro trimestre de gravidez.N. ossos. D ETERMINAÇÃO ALCALINA DA FOSFATASE P a c i e n t e . técnicas imunológicas. 22:163-245. Noel. aspirina. 396 p. N a t u r e . agentes antifúngicos. h i p e rt e n s ã o o u pré-eclampsia . tais como. Measurement of total alkaline phosphatase activity in human serum. Chem. barbitúricos. a n t i-concepcionais orais e tiazidas.. medida pela quantidade de fenol liberado do p nitrofenilfosfato após incubação com o soro. C h e m . eletroforese e inativ ação térmica. Estes métodos foram abandonados pela pouca sensibilidade e prolongado período de incubação. S. Os primeiros ensaios publicados quantificavam a liberação do fosfato inorg â n i c o d o s u b s t r a t o β -glicerolfosfato. A modificação propos t a p o r Bowers e McComb é a mais empregada atualmente. Resultados falsamente elevados: são encontrados em pacientes submetidos a tratamento com paracetamol. Métodos. R. D. seis vezes mais fosfatase alcalina que o soro. P. 1981. 2 9 1 : 7 3 -5 . s u b s t â n c i a s q u e o s u b s t i t u e m n a a v a l i a ç ã o d a a t ividade desta enzima. como a de Regan e Nagao. 2 6 :1 9 8 8 -9 5 . Clin. Adv. 1 9 7 5 . Clin. presentes em processos neoplásticos. Os métodos empregad o s n a s e p a r a ç ã o e s t ã o b a s e a d o s nas propriedades físicas e químicas das isoenzimas: inibição química.. P -Nitrofenilfosfato. E. .. É medido o produto liberado após a hidrólise. BOWERS Jr. . O ensaio deve ser realizado logo que possí vel após a coleta. A. em algumas horas a fosfatase aumenta de 3 a 10% a 25 0 C. Bioc h e m . McCOMB. Evelyn S. Os valores podem estar 25% mais elevados após a ingestão de refe ição rica em gorduras. Singapore : World Scientific. A primer of c he m i c a l p a t h o l o g y . 1996. Evitar hemólise. C. intestino e p l a c e n t a . Como o substrato natural da fosfatase alcalina é desconhecido. M. Valores de referência para a fosfatase alcalina (4-nitrofenilfosfato – Bowers) Adultos 20 a 105 U/L Crianças de 0 a 3 meses 70 a 220 U/L Crianças de 3 meses a 10 anos 60 a 150 U/L Jovens de 10 a 15 anos 60 a 260 U/L Bibliografia consultada BELFIELD. DOHERTY.. sendo seu estudo um indicativo da origem da elevação. após a ação da enzima presente na amostra. Po dem também ser encontradas outras isoenzimas patológicas. o 4nitrofenóxido que é proporcional à atividade da fosfatase alcalina. 3 0 : 3 5 5 -7 2 . Inhibition of the nucleotidase effect os alkaline phosphatase by βg l y c e r o p h o s p h a t e . GOLDBERG. Au mentos ou reduções inexplicáveis da FA. posteriormente avaliado por diferentes métodos. Mede a velocidade de formação de α -naftol a 340 nm após incubação. difenilhidantoína. WALMSLEY. morfina. Deste modo. 4 -Nitrofenilfosfato. β -Glicerofosfato . C l i n .B. Amostra.

infarto prostático (caus ado pelo ato de cateterização) e a bastante rara. H IPERFOSFATESEMIA ÁCI DA Carcinoma prostático. O termo fosfatase ácida (FAC) designa um grupo heterogênio não-específico de fosfatases que exibem pH ótimo entre 4. dosagem de PSA. a fração prostática representa em torno de 50% da fosfa t ase ácida total. A fosfatase ácida prostática no soro. O carcinoma prostático atinge principalmente homens acima de 50 anos e é classificado em quatro e s tágios A. prostatite. A etiopatogenia da HPB ainda não está adequadamente escla recida. mieloma múltiplo. invasão maligna do câncer de seio. Palpação retal. fluxo metria e estudo de fluxo de pressão. Em homens adultos. hiperparatireoidismo com envolvimento esquelético. células osteoblásticas do osso. elevações transitórias podem ocorrer após biópsia da próstata. Pequenas a moderadas elevações são encontradas. A maior atividade é encontrada na glândula prostát ica (1000 vezes maior que em outros tecidos). cistoscopia. enquando o câncer permanece localizado na glândula são en c o n t r a d o s valores normais ou levemente aumentad o s d a a t ividade da enzima. particularmente. nas enfermidades ósseas associadas aos osteoclastos: enfermidade de Paget (avançada). Entretanto. anemia megaloblástica. Os níveis vagarosamente retornam ao normal ou com o subseqüente aumento caso o tratamento não tenha obtido sucesso. O aumento da atividade é D ETERMI NAÇÃO DA FOSFATASE ÁCIDA P a c i e n t e . É uma o c o rrência relativamente comum em homens acima de 40 anos. freqüentemente. Separar o soro ou pla s ma dos eritrócitos logo que possível. Em indivíduos do sexo masculino. Os níveis de fosfa tase ácida no soro apresentam importância clínica no diagnóstico e monitorização do câncer prostático. Isto é conseguido pela adição de 50 µ L de ácido acético 5 mol/L (alternati- . No entanto. eritrócitos e plaquetas. S o r o o u p l a s m a h e p a r i n i z a d o isento de hemólise e não lipêmicos . Amostra. ruptura de cisto prostático. A enzima é estabilizada na amostra por acidificação (pH ao redor de 5. C e D (ver tabela 4. a próstata contribui com quase a metade da enzima presente no soro. leucemia mielocítica (e outras enfermidades hematológicas). B. A fosfatase ácida é amplamente distribuída nos tecidos. Hipertrofia prostática benigna (HPB). rins. Para o sexo feminino é proveniente do fí g ado. Não é exigido preparo especial. enfermidade de NiemannPick e enfermidade de Gaucher (deficiência da enzima glicerocerebrosidase). policitemia vera. Outros aumentos da fosfatase ácida total.2) com relação também as elevações do antígeno prostático esp ecífico (Ver marcadores tumorais). e catalisam a hidrólise de monoéster ortofosfórico produzindo um álcool e um grupo fosfato. Após cirurgia ou terapia anti -androgênica. raramente eleva após a palpação. da forma metastisada. em especial pelo emprego da fração prostática da fosfatase (FACP). mono nucleose. b aço. toque retal.Enzimas 101 F OSFATASE ÁCIDA TOTAL E FRAÇÃO PROSTÁTICA p o s s í vel pela regurgitação da enzima no soro por c o mp r e s s ã o o u o b s t r u ç ã o d o s i s t e m a d u c t a l p r o stático como resultado da hipertrofia glandular.5 e 7. sendo o restante provenie n t e d o fígado e de desintegração das plaquetas e eritró citos. A principal finalidade da determinação da fosfatase ácida prostática é o diagnóstico e a monitorização do câncer prostát ico. anemia hemolític a. fígado. As elevações da FAC prostática são encontradas ao redor de 60% dos homens com câncer metastático da próstata (estágio D).4). O d iagnóstico é realizado através de questionários de sintomas. eritrócitos e plaquetas.

J. CATALONA. V. A n d r e w P .. J. M. T. C l i n . muitos dos ensaios desenvolvidos para medir a atividade da fosfatase alcalina foram adaptados para a fosfa t ase ácida utilizando os mesmos substratos mas utilizando um tampão ácido. M. juntar 10 mg de citrato dissódico monoidrato por mL de soro). D. Um anticorpo monoclonal ligado a um suporte sólido u n e -se a FAC prostática. 1999. 1971. C h e m . D. . SMITH. . Este método é freqüentemente usado. Enzima imunoensaio. Valores de referência para a fosfastase ácida prostática (Roy) Adultos 0. 1 5 : 4 4 -1 3 6 . A fração prostática é calculada pela diferença entre as duas determinações. S c i . L. ROY. O emprego do fenilfosfato em pH 4. É um substrato a u t o -indicador com alto grau de especificidade para a FACP. Enzyme tests in disease of the prost a t e . RATLIFF. TOWNSEND. 1 7 :1093-102. J. Clin.. M e a s u r e m e n t o f p r o s t a t e -specific antigen in serum as a screening test for prostate cancer. . Esta medida não é totalmente es pecífica para a FACP já que outras isoenzimas mostram diferentes graus de inibição pelo L-tartarato. principalmente na a u tomação. CHAN. N. Primeiros métodos. P h i l i p D . Workbook of clinical chemistry: case presentation and data interpretation. O. Clin Chem. M. Inibição pelo L -t a r t a r a t o . esforços tem sido realizados no aumento da sensibilidade e especificid ade das medidas da enzima.. Adv. 45:755-756. Métodos. Chem. a a tividade da enzima ligada é proporcional aos teores de FACP. Os métodos que empregam o α -naftol fosfato como substrato liberam o naftol – pela ação da fosfastase ácida – que reage com o Fast Red TR para formar um produto colorido. 1 9 7 7 . desenvolve cor em meio alcalino. C l i n . New York : Oxford University Press. M A Y N E .. Acid phosphatase. C h e m . A. C l i n . SPITZER. J. Radioimunoensaio. Um segundo anticorpo conjugado a uma enzima (ALP ou peroxidase) liga-se a fosfatase ácida prostática. 1 9 7 2 . R..E. Vários métodos foram desenvolvidos para avaliar a atividade da fosfatase ácida. L. 1 9 9 1 . 1976. A fosfatase ácida total é determinada por métodos correntes (são utilizados o 4 -nitrofosfato o u α -naftil fosfato como substrato) e. A inibição química dife rencia a fração prostática pelo uso de L-tartarato.. A n n . Resultados falsamente reduzidos: etanol e estrogênio -terapia para o carcinoma de próstata. Engl. 1994. 7 :2 5 4 -6 1 . a fração prostática é inibida pelo L-tartarato com n o v a d e t erminação da fosfatase ácida. Outras adaptações foram realizadas com o β -glicerolfosfato ou 4-nitrofenilfosfato. S. 2 0 8 p . EWEN. W. . BROWER. Med. reagem em grau bem menor com este substrato. Nestas condições a ativid a d e e n zimática é mantida por várias horas em temperatura ambiente ou por uma semana no re frigerador. 2 2 :6 2 7 -3 2 . Sodium thymol phthalein monophosphato: A new acid phosphatase substrate with gre ater specificity for the p r o s t a t i c a n z y m e i n s e r u m .9 é uma modificação do método de King-Armstrong para a fosfatase alcalina. 3 2 4 : 1 1 5 6 -6 1 . Pouco usado atualmente. W. Historicamente. Interferentes. Os métodos imunológic o s e s t ã o g a n h a n d o força. L a b . A timolftaleína liberada após a ação da fosfatase. D A Y . α-Naftol fosfato .102 Bioquímica Clínica: Princípios e Interpretações vamente. AND SOKOLL L. Devido a importância da detectação do carcinoma prostático antes de metastizar.9 U/L Bibliografia consultada BODANSKY. por sua especificidade para a FACP. W. Fosfatases ácidas provenientes de outros tecidos. . HAYDEN. Improved determination of prostatic acid phosphatase (sodium thymolphthalein m o n o p h s o p a h t e s u b s t r a t e ) . et al. Timolftaleína monofosfato. Outros métodos.E. Resultados falsamente aumenta dos: clofibrato. em seguida. Prostate-specific Antigen: Advances and Challenges. R. cinética fluoremétrica.5 a 1.

se na vesícula seminal mas fixado na parede pélvica D1 Tumor metastático demonstrável limitado três nódulos pélvicos ou menos 58% 88% D2 Tumor metastático demonstrável com nódulos mais extensos ou metástase extrapélvica (ex.se até a vesícula seminal mas ainda não fixado à parede pélvica Freqüência da elevação da fosfatase ácida prostática 11% Freqüência de elevação do PSA 67% B1 B2 C1 22% 73% 39% 80% C2 Tumor com extensão extracapsular mas ainda clinicamente l o c a l i z a d o . não palpável clinicamente com focos menores do que 5% do tecido examinado M icroscópico. e s t e n d e n d o . com muitas áreas de mais de5% P a l p á v e l . Classificação clínica do câncer prostático Grau clínico A1 A2 Descrição. tumor macroscópico >1. p a l p á v e l . histologia e resultados do exame digital retal e outros exames Microscópico. não palpável clinicamente. t u m o r m a c r o s c ó p i c o ≤ 1.2.5 cm de diâmetro ou vários nódulos em ambos os lobos T u m o r c o m e xtensão extracapsular mas ainda clinicamente l o c a l i z a d o .: aos ossos) .Enzimas 103 Tabela 9.5 cm de diâmetro em um único lobo Palpável. p a l p á v e l e s t e n d e n d o .

A s atividades máximas ocorrem entre o 7 e 12 0 dia. logo após o desaparecimento dos sintomas. Os aumentos podem atingir até 100 vezes os limites superiores dos valores de referência. A dis função hepatocelular provoca a síntese prejudicada da albumina.c e t o g l u t a r a t o D p i r u v a t o + á c i d o g l u t â m ico As reações catalisadas pelas aminotransferases (transaminases) exercem papéis centrais tanto na síntese como na degradação de aminoácidos. geralmente. com o envolvimento hepático. Esta diferença tem auxiliado no diagnóstico e prognóstico de doenças hepáticas. GPT) catalisam a transferê n cia reversível dos gru pos amino de um aminoácido para o α -cetoglutarato. Ao redor de 6 a 8 horas após o infarto do miocárdio. após ingestão de álcool. tes do início dos sintomas. As atividades mais elevadas de AST (GOT) encontram-se no mi o cárdio. salicilatos ou ampicilina. opiatos. como estas reações envolvem a interconversão dos aminoácidos a piruvato ou ácidos dicarb oxílicos. Pode ocorrer elevações de até 20 vezes os valores de referência. As aminotransferases estão amplamente distribuídas nos tecidos humanos.c e t o g l u t a r a t o D oxalacetato + ácido glutâmico A l a n i n a + α .Enzimas 104 A MINOTRANSFERASES (TRANSAMINASES ) A s enzimas aspartato aminotransferase. elevando a relação AST/ALT. serem os mais encontrados. Na fase aguda da hepatite viral ou tóxica. AST (transaminase glutâmica-oxalacética. A relação AST/ALT freqüentemente é ma ior que 1. cérebro. durante o “delirium tremens” e após administra ç ã o d e c e r t a s d ro gas. além do pro longamento do tempo de protrombina. baço. carcinoma de fígado. § Cirrose hepática. teores de amônia elevadas e ure mia baixa. músculo esquelético. se encontram hiperbilirrubinemia e bilirrubinúria com pequena elevação dos teores séricos da fosfatase alcalina. ALT (transaminase glutâmica-pinúvica. GOT) e alanina aminotransferase. Estas reações requerem piridoxal fo s fato como coenzima: A s p a r t a t o + α . Entre as várias causas estão: retenção de cálculos biliares. formando cetoácido e ácido glutâmico. fígado. Infarto do miocárdio. Em dano hepatocelular leve a forma predominante no soro é citoplasmática. enquanto em lesões graves há liberação da enzima m itocondrial. tais como. A ALT (GPT) é encontrada principalmente no citoplasma do hepatócito. Os níveis de aminotransferases séricas elevam-se uma a duas semanas a n - . declinando entre a terceira e quinta semana. A AST (GOT) e a ALT (TGP) são enzimas intracelulares presentes em grandes q u a n t i d a d e s n o c i t o p l a s m a d o s h e patócitos. hiperbilirrubinemia. enquanto 80% da AST(GOT) está presente na mitocôndria. nestes casos. A UMENTOS DAS AMINOTRANSFERASES Desordens hepatocelulares. a ALT (GPT). com pequenas quantidades nos rins. atingindo o pico § H e p a t i t e a g u da. a atividade sérica da AST (GOT) começa a elevar. Geralmente. A u mentos das aminotransferases semelhantes aos encontrados na cirrose. a atividade da AST (GOT) é maior que a ALT (GTP). § Mononucleose infecciosa. d e p e n d e n d o d a s c o n d i ç õ e s d o progresso da destruição celular. pulmões e eritrócitos. Além disso. A r elação AST/ALT é menor que 1. pâncreas. apesar de níveis entre 20 e 50 vezes. São detectados níveis até cinco vezes os limites superiores dos valores de referê n c i a . atuam como uma ponte entre o metabo lismo dos aminoácidos e carboidratos. apresenta atividade maior que a AST (GOT). são freqüentes na co lestase extrahepática. carcinoma de cabeça de pâncreas e tumor dos ductos biliares. § Colestase extra -h e p á t i c a a g u d a . Lesões ou destruição das células hepáticas liberam estas enzimas para a circulação.

. distrofia muscular progressiva. enfermidade hemolíticas. . ocasionalmente. C h e m . dermatomiosite. A m . Distrofia muscular progressiva e dermatomiosite. anticoncepcionais orais. sulfonamidas e tiazidas. C l i n . 2 8 :5 7 -6 3 . 1981. retornando aos valores de referência ao redor do 5 0 dia. Os níveis de AST podem estar aumentados em graus de leve a moderado. pois a ativ idade das aminotransferases é maior nos eritrócit os. Outras desordens. ampicilina. Valores de referência a 37 o C (U/L) AST (GOT): 5 a 34 ALT (GTP): 6 a 37 Bibliografia consultada D ETERMINAÇÃO DAS TRANSAMINASES Paciente: Não necessita cuidados especiais. Dis. isoniazida. A note on the spectrophotometric assay of g l u t a m i c-oxalacetic transaminase in human bloodserum. S. Valores falsamente aumentados: paracetamol.. I n v e s t . . da ALT (GPT). E v a l u a t i o n o f t h e I F CC-r e c o m m e n d e d p r o c e d u r e f o r serum a sp a r t a t e a m i n o t r a n s f e r a s e a s m o d i f i e d f o r u s e w i t h t h e c e n t r i f u g a l a n a l y z e r . Sci. A. C l i n . Métodos. A dinitrofenilh idrazina também reage com o α -cetoglutarato pro vocando interferências. J . 3 4 :1 3 1 -3 . Aumento de 2-3 vezes o normal. 1957. A alcalinização da mistura desenvolve cor proporcional à conversão dos cetoácidos à hidroxiácidos. et al. The SGOT/SGPT ratio na indicador of alcoholic liver disease. REITMAN.. Em geral. D. 2 7 :1 5 6-9. . . SAVORY. estão normais em outras enfermidades musculares. A. M. d a n t o í na.. Embolia pulmonar. A atividade da enzima permanece inalterada por 24 horas em temperatura ambiente e mais de uma semana sob refrigeração. S. J. C l i n . FRANKEL. Alguns métodos utilizados para a d eterminação da atividade das aminotransferases baseiam-se na formação de cor entre o piruvato ou oxaloacetato e a dinitrofenilhidrazina para formar as hidrazonas correspondentes. Pancreatite aguda. S o r o isento de hemólise. etanol. cumarínicos. esmagamento muscular. A transformação da NADH por oxidação à NAD + é monitorada em 340 nm. Elevações de 4-8 vezes da AST (GOT) e.Enzimas 105 máximo (20 a 200 U/mL) entre 18 e 24 horas e. 2 4 : 8 3 5 -8 . c lo ranfenicol. Dig. J . KARMEN. refletindo a necrose h e p á t i c a s e c u n d á ria ao suprimento sangüíneo in adequado do fígado. Interferentes. Provoca aumentos moderados de duas a cinco vezes o normal. colangite (inflamação dos ductos biliares) e infecção por parasitas. agentes anestésicos. pericardite e enfermidade vascular miocárdica. progressivamente. 1 9 7 9 . codeína. M. S. Amostra. Estes m é t o d o s s ã o o b s o letos. KAPLAN. 1 9 5 5 . J. Monitorização contínua. morfina. A AST (GOT) apresenta pequenos aumentos na gangrena. COHEN. A colorimetric method for the determination of serum glutamic oxalacetic and glutamic p i r u v i c t r a n s a m i n a s e s .A. especialmente as de origem neurogênica. são encontrados. O piruvato ou oxaloacetato formados pela ação das aminotransferases são acoplados a uma segunda reação onde o piru vato (pela ação da ALT) ou oxaloacetato (pela ação da AST) são reduzidos pela NADH em reação catalisada pela lactato d esidrogenase (para a ALT) ou malato desidrogenase (para a AST). provavelmente. Insuficiência cardíaca congestiva. É adicio nado piridoxal 5’fosfato para suplementar o teor de coenzima no soro e assim desenvolver ativid ade máxima.. P a t h . dife nilhi- BRUNS. Este princípio é utilizado na tecnologia de química seca ( DT Vitros). TITHERADGE. A AST (GOT) n ã o altera na angina pectoris.

N e s t e s c a s o s . Por outro lado. nestes casos a determinação das aminotranferases (transaminases) é de maior utilidade. a γ -GT está localizada nos canalículos das células hepáticas e. o s n í v e i s v o ltam aos valores de referência em duas ou três semanas. na síntese protéica e na regulação dos níveis de glutatião tecidual. da forma ocult a. a γ -GT é útil na diferenciação da fonte de elevação da fosfatase alcalina – a γ -GT apresenta valores normais nas desordens ósseas e durante a gravidez. bilirrubinas. Hepatite infeciosa. mas podem elevar novamente se o uso do álcool é retomado. cérebro e coração. particularmente. Deste modo. Obstrução intra -hepática e extra -hepática. § Etanol sangüíneo. a transferrina plasmática tem um reduzido conteúdo de carboidratos (ácido siálico). tempo de protrombina prolongado e hipoalbuminemia. nas células epiteliais que revestem os ductos biliares. c o l a n g i t e e c o l ecistite . Em geral. Aumentos de 2 a 5 vezes os valores de referência. São observados os maiores aumentos (5-30 vezes os limites superiores dos valores de referência) n a s c o l e s t a s e s d o t r a t o biliar – processo patoló g ico primário da cirrose biliar. particularmente. a γ -GT. pois a atividade da fosfatase alcalina está elevada durante o crescimento ósseo. do sistema hepatobiliar. as elevações enzimáticas nos alcoólatras variam e n tre 2-3 vezes os valores de referência. as transaminases e a nucleotidase. na d et e c t a ç ã o d e i c t e r í c i a o b s t r u t i v a . aproximadamente. a ingestão de álcool em ocasiões sociais não aumenta. O diagnóstico do uso de álcool pode ser complementado pelos seguintes testes: A UMENTOS NA ATIVIDADE DA γ -GT Apesar da atividade enzimática ser maior no rim. A γ -GT é particula rmente importante na avaliação do envolvimento h e patobiliar em adolescentes. Em pacientes com doença induzida pelo álcool. No f ígado. O grau de elevação é útil no diagnóstico diferencial entre as desordens hepáticas e do trato biliar. § Volume celular médio (VCM) dos eritrócitos.: fenitoína) sobre as estruturas microssomiais das células h epáticas. a interpretação da γ -GT em qualquer caso. A γ -GT é mais sensível e duradoura que a fosfatase alcalina. principalmente. Estes ens aios são úteis no acompanhamento dos efeitos da a b s t e n ç ã o d o á l c o o l . A liberação da γ -GT no soro reflete os efeitos tóxicos do álcool e drogas (ex.106 Bioquímica Clínica: Princípios e Interpretações G AMA -G LUTAMILTRANSFERASE γ -glutamiltransferase ( γ -GT) catalisa a trans ferência de um grupo γ -glutamil de um peptí dio para outro peptídio ou para um aminoácido produzindo aminoácidos γ -glutamil e cis tenilglicina. deve ser realizada à luz dos efeitos de drogas e álcool. A γ -GT é encontrada no fígado. rim. Além disso. colestase intra hepática e obstrução biliar extra -hepática. A Nas doenças hepatocelulares incluem também a elevação das transaminases. 90% dos pacientes que ingerem mais de 60 g de álcool por dia. a enzima presente no soro é de origem. in testino. § Tranferrina deficiente em carboidratos (CDT). Está envolvida no transporte de aminoácidos e peptídios através das membranas celulares. O t eor de CDT plasmático está aumentado em. O valor diagnóstico da γ -GT é aumentado quando a macrocitose é encontra da pela medida do VCM. próstata. Enfermidades hepáticas induzidas pelo álcool. . pâncreas. significativamente. A γ -GT é um indicador do alcoolismo. Em vista da susceptibilid ade da indução enzimática. o principal valor clínico na avaliação da γ -GT é no estudo das desordens hepatobiliares.

em crianças acima de u m ano e em mulheres grávidas saudáveis – condições em que a fosfatase alcalina está aumentada. C l i n . Nas outras condições os aumentos são menores. L. portanto. C h e m . 3 6 : 1 1 9 -2 5 . J. Caxias do Sul : EDUCS. M .. . C l i n . G a m m a -g l u t a m y l t r a n s p e p t i d a s e . É a mais comum das hepatopatias alcoólicas. H. Lab. S . P. L. A kinetic photometric method for serum gammag l u t a m y l t r a n s p e p t i d a s e . H. M. 1997. 1 9 8 2 . a enzima não eleva em desordens nestes órgãos a menos que exista envolvimento hepático. 2 1 :6 3 3 -4 6 . 1 7 :5 3 -1 0 7 . Interferências. D ETERMINAÇÃO DA γ -GT P a c i e n t e . B . G. fenobarbital. Clin. SZASZ. nutrição parenteral. não deve ingerir álcool durante 24 horas antes da prova. C o m m i t t t e e o n E n z y m e s o f t h e S c a n dinavian Society for Clinical Chemistry and Clinical Physiology: R e c o m m e n d e d m e t h o d f o r t h e d e t e r m i n a t i o n o f γglutamyl transf erase in blood. SMITH. liberando a p . mas também é descrita em outros quadros. glutemidina e metaqualo na. I V : I F C C m e t h o d f o r γ -g l u t a m i l t r a n s f e r a s e . warfa rina e fenobarb it a l . Drogas. S . ERA. à exceção da ingestão de água. W.. 6 ed. corticoterapia. J . C O N C I . W.p nitroanilida. p. γ -Glutamil-p -nitroanilina. São encontrados níveis mo deradamente elevados.nitroanilina. Quando congelada é estável por 3 meses. Outras condições. Fibrose cística (mucoviscidose). . um produto cromogênico com a b s o r v â n c ia em 405-420 nm. O resíduo γ -glutamil do substrato doador é transferido para a glicilglicina. . 110-123. I n v e s t . SHAW. London : Blackwell Science. tais como a fenitoína. Os primerios métodos de análise da γ -GT empregavam o glutatião como substrato. S. F . W. como: h epatites medicamentosas. neo plasma ósseo). susceptível a indução de aumento da sua atividade por dro gas. Métodos. A γ -GT está presente em grandes quant i d a d e s n o r e t í c u l o en doplasmático liso e. Chem.. O substrato mais usado para a análise da γ -GT é a γ -glutamil. F. Scand. Clinical biochemistry. diabetes e nas desnutrições protéicas. 15:124-36. Primários ou secundários apresentam atividade da γ -GT mais intensa e mais precoce que outras enzimas hepáticas. Câncer prostático. Em química seca ( DT Vitros) a alteração de reflexo é empregada para calcular a atividade da enzima. Resultados falsamente elevados: fenitoína. Application of response surface methodology to the assay of gammag l u t a m y l t r a n s f e r a s e . . mano metria ou absorvância em UV. IFCC Expert Panel on Enzymes: IFCC methods for the m e a s u r e m e n t o f t he catalytic concentration of enzymes. Deve permanecer em jejum por 8 h o ras.. 2 8 :1 1 4 0 -3 . Apesar da γ -GT ser encontrada no pâncreas e rins. J. 1969. Valores de referência (U/L) Homens: 5 a 25 Mulheres 8 a 40 Bibliografia consultada B E R T E L L I . gestação.. M . G. . a s e l e v a ç õ e s a t ingem níveis 4 vezes maiores que os limites superiores dos valores de referência. C h e m . 1 9 7 5 . LONDON. Além disso. C h e m . J. BECKETT. A. Pequenos aumentos (2 a 5 vezes o valor superior de referência) ocorrem pela indução das enzimas microssomiais pelo álcool. 1 9 8 3 . A d v . Outros tipos de câncer com metástase hepática também provocam aumentos da enzima.. Lupus eritematoso sistêmico e hipertireoidismo. Atividade normal da enzima é encontrada em enfermidades ósseas (enfermidade de Paget. Esta reação tanto pode ser usada como método de monitorização contínua como de ponto final. STROME. 1 9 7 6 . O desaparecimento do substrato ou a formação de produto era detectada por cromatografia. WALKER. C l i n . Estável por uma s emana em temperatura ambiente. THEODORSEN.Enzimas 107 Neoplasmas. Clin. N e s t e s cas o s .. R O S A L K I . 219 p. Amostra. 1998. Esteatose hepática (fígado gorduroso). Elevam a γ -GT por complicações hepáticas decorre n t e s . S o r o s a n g ü í n e o . B i o c h e m . C l i n . J. Álcool e fígado. .

linfócitos. Sendo rica no miocárdio. 500 vezes maiores do que os encontrados no soro e lesões naqueles tecidos provocam elevações pla smáticas significantes desta enzima. aproximadamente. adiante). fígado. A LD eleva mais do que 5 vezes os valores de referência. talvez porque a LD seja liberada dos agregados das células mononucleares imaturas do organismo. baço. Os teores séricos da LD são geralmente altos. apresentam níveis levemente aumentados: uma o u d u a s v e z e s o s v a l o r e s superiores de referê ncia. a atividade da enzima sérica por conta das isoenzimas LD -1 e LD -2 que voltam ao normal após o tratamento. É uma causa de hemólise que eleva as frações LD -1 e LD -2. Especialmente necrose t u b u l a r e pielonefrite. Enfermidade renal. rim e eritrócitos. músc. I SOENZIMAS DA LACTATO DESIDROGENASE Devido a presença da lactato desidrogenase em vários tecidos. Enfermidade hepática. Válvula cardíaca artificial. O s a u m e n t o s n ã o s ã o tão efetivos como os das transaminases (amin o transferases): A LD está presente no citoplasma de todas as células do organismo. Mononucleose infeciosa. cirrose e icterícia obstrutiva. músculo esquelético. Lactato + NAD + D Piruvato + NADH + H + + + A UMENTOS NA ATIVIDADE DA LD Infarto agudo do miocárdio. eleva as frações LD -1 e LD-2.4 (HMMM) L D . e s t e s valores permanecem aumentados por 7 a 12 dias (v. em até 50 vezes. § Hepatite viral. As cinco isoenzimas encontrados no soro são: Tipo LD-1 (HHHH) L D . esquelético § Hepatite infecciosa tóxica com icterícia. A LD no soro aumenta 8 a 12 horas após o infarto do miocárdio. mioca rdite.5 (MMMM) Percentagem 14-26 29-39 20-26 8-16 6-16 Localização Miocárdio e eritrócitos Miocárdio e eritrócitos Pulmão. Os níveis teciduais de LD são. músc.108 Bioquímica Clínica: Princípios e Interpretações L ACTATO DESIDROGENASE A lactato desidrogenase (LD) é uma enzima da c l a s s e d a s oxidorredutases que catalisa a oxidação reversível do lactato a piruvato. aumentos dos teores séricos da mesma é um achado inespecífico. É possível obter informações de maior significado clínico pela separação da LD em suas cinco frações isoenzimáticas.2 (HHHM) L D . . pâncreas Fígado. pro v o ca aumento de até 10 vezes os valores de re ferência. Cada isoenzima é um tetrâmero formado por quatro subunidades chamadas H para a cadeia polipeptí dica cardíaca e M para a cadeia polipeptídica muscular esquelética. em presença da coenzima NAD+ que atua como doador ou aceptor de hidrogênio. Anemia megaloblástica.3 (HHMM) L D . choque ou insuficiência circulatória. A deficiência de fo lato ou vitamina B 1 2 p r o v o c a d e s t r u i ç ã o d a s c é lu las precursoras dos eritrócitos na medula óssea e aumenta. As isoenzimas de LD são designadas de acordo com sua mobilidade eletroforética. Entretanto estes aumentos A hemólise produzida durante a coleta e/ou manipulação de sangue. atingindo o pico máximo entre 24-4 8 h o r a s . esquelético Fígado. Insuficiência cardíaca congestiva.

No infarto do miocárdio tem-s e o s n í v e i s d a fração LD -1 e LD -2 aumentados. que consistem quase inteiramente d e s u b u nidades H. Pneumocistose. A u m e n t o s moderados especialmente nos estágios iniciais e médios da doença: eleva a fração LD -5. em adultos varia entre 1.hidroxibutirato desidrogenase ( α -HBD). Assim s en do. Este complexo macromole- L ACTATO DESIDROGENASE NA URINA Elevações da atividade da LD na urina de três a seis vezes os valo res de referência estão associa das com g l o merulonefrite crônica. isto sim. A α -HBD não é uma enzima distinta. estes valores podem aumentar e/ou modi- . As isoenzimas apresentam alterações em várias enfermidades que refletem a natureza dos tecidos envolvidos. t a i s c o m o o α -hidroxibutirato. A subunidade H tem afinidade maior pelo α -hidroxibutirato do que as subunidades M. Distrofia muscular progressiva. No en tanto. As isoenzimas LD -4 e LD -5 s ã o e n c o n t r a d a s . A isoenzima LD -3 está elevada provavelmente pela grande destruição de plaquetas após a formação do êmbolo.5. representante da atividade da LD -1 e LD -2.Enzimas 109 não estão correlacionados com a proteinúria e outros parâmetros da enfermidade renal. os níveis LD -5 s ã o ú t e i s n a d e t e c t a ç ã o d e d es o r d e n s h e p á t i c a s – particularmente. com LD total muito au mentada e quadro isoenzimático não-específico. Na suspeita de enfermidade hepática. A d i s t r i b u ição is o enzimática é LD 1 >LD 3 >LD 2 >LD 4 >LD 5 . Este ensaio é conhecido como a me dida da atividade da α . L ACTATO DESIDROGENASE NO LCR Em condições normais a atividade da LD no lí q u ido cefalorraquidiano (LCR) é bem menor do q u e a e n c o n t r a d a n o s o r o s a n g ü í n e o . Trauma muscular e exercícios muito inte nsos. no fígado e músculo esquelé t ico. como a distrofia muscular. Eleva principalmente a LD -5. nefroesclerose diabética e câncer de bexiga e rim. Mostram incrementos da LD no soro. fundamentalmente. No infarto do mio cárdio. lupus eritema toso sistêmico. Esta suspeita d eve ser confirmada através dos caracteres clínicos e dos níveis de hipoxemia dos gases arteriais. c â n c e r a b d o minal e pulmonar. especialmente aquelas com metástases hepáticas. Nas enfermi dades hepáticas parenquimais. Em pacientes portadores do vírus da imunodeficiência adquirida. Embolia pulmonar. dependendo da extensão do trauma. a LD pode a t u a r s o b r e o u t r o s s u b s t r a t o s . Foi proposto o cálculo da relação LD/ α -HBD que. O complexo com a IgA e IgG. Isto permite o uso deste substrato na medida da ativ idade da LD -l e LD-2. Elevações importantes são encon tradas n a enfermidade de Hodgkin . geralmente migra entre a LD -3 e LD -4. as isoenzimas das quais o miocárdio é particularmente rico (ver adiante). existe grande possibilidade da presença de câncer. distúrbios intra -h e p á t i c o s – e desordens do músculo esquelé t ico.8 a 1. com o predomínio da fração LD -5. A atividade da α -HDB está aumentada naquelas c o n d ições em que as frações LD -1 e LD -2 estão elevadas. Doenças malignas. C ORRELAÇÃO DA LD CLÍNICA DAS ISOENZIMAS cular não está associado a nenhuma anormalidade clínica específica.6. com aumento da LD -1 e LD -2 a relação diminui para 0.6 a 2. A LD pode formar complexos com imunoglo bulinas e revelar bandas atípicas na eletroforese. A determinação da LD na urina é afetada pela presença de inibidores como a uréia e p e q u e n o s p e p t í d i o s e d e p o ssíveis inativações da enzima sob condições de pH adversos na urina. a relação se situa entre 1. No infarto do miocárdio .2 a 1. Além do lactato. a atividade da α -HBD é muito similar aquela da LD -l.2. é. Aumentos da LD -3 ocorrem com freqüência em pacientes com vários tipos de carcinomas.

. nia cina. A. floxuridina. Não é exigido preparo especial. detection and clinical r e l e v a n c e . hormônio tireóideo. ção. em lactato e NAD+ . L a b . C l i n . meperidina. piruvato → lactato. na m e n i n g i t e b a c t e r i a n a . enq u a n t o a meningite viral c a u s a linfocitose que provoca elevações da LD -1 e LD -3. As r e a ç õ e s p rocedem do lactato → piruvato. dextran. Resultados falsamente elevados: ácido ascórbico. SUN. G. amo stras pequenas e menor tempo de incubação. cloridrato de clorpromazina. Amostra. Muitos métodos medem a interconversão de lactato/piruvato utilizando a coenzima NAD+ e NADH medida em 340 nm. C l i n . SANDERS. permitindo o emprego de reagentes mais baratos. Esta metodologia está sendo abandonada em detrimento aos ensaios “cinétic o s ”. C l i n . Resultados falsamente reduzi dos: esteróides anabólicos. Após incuba- CABAUD. clofibrato. carbonato de lítio. . B i o c h e m . Em neo natais. A n a l . Valores de referência para a lactato desidrogenase (U/L) Soro 95 a 225 Urina 42 a 98 Líquido cefalorraquid ia n o 7 a 30 Bibliografia consultada D ETERMINAÇÃO DA LACTATO DESIDROGENASE P a c i e n t e . J . enquanto em tumores cerebrais primários mostram aumento em todas as frações. 1 9 9 0 . B i o c h e m . 1990. Interferentes. carbutamina. a granulocitose resultante produz elevações da LD -4 e LD -5. O filme usado em química seca ( DT Vitros) contêm os reagentes para o emprego da conversão do piruvato e NADH. T. Em outro método colorimétrico. morfina. Y. propranolol e metildopa. a reação reversa é mais susceptível a exaustão do substrato e a perda de linearidade. 5 :1 6 8 -7 4 . C l i n . codeína. .. O soro e plasma devem estar completamente isentos de hemólise. G. STURK. Macro enzymes: prevalence. A m . pois os eritrócitos contém 100-150 vezes mais LD. nifedipina. Piruvato à lactato.. Por exemplo.. lorazepam. androgênios oxalatos e tiazidas. S o r o o u plasma hepa r i n i z a d o ou LCR. anfotericina B. T. ou de modo inverso. A velocidade da reação reversa é três vezes mais rápida. Além disso. F. P a t h . Métodos. mitramicina. WRÓBLEWSKI. Working Group on Enzymes of the German Siciety for C l i n i cal Chemistry: Proposal for standard methods for the determination of enzyme concentrations in serum a n d p l a s m a a t 3 7 o C. En tretanto. C l i n . barbitúricos. CHATTERLY. Diagnostic value of lactate dehydrogenase isoenzymes in cerebrospinal f l u i d . cloridrato de procainamida.110 Bioquímica Clínica: Princípios e Interpretações ficar em presença de hemorragia ou lesão na barre ira cerebral sangüínea provocada por enfermidad e s q u e a d icionam LD de origem sistêmica ao LCR. C h e m . elevações da LD s ão observadas em hemo rragias intracraneanas e estão de forma significat iva associadas com distúrbios neurológicos com convulsões e hidroencefalia. J . as isoenzimas da LD são libera das das células que se infiltram no LCR. clonidina. P. A atividade da lactato desidrogenase pode ser avaliada em termos da velocidade de transformação do piruvato a lactato. Não refrigerar. 3 0 :2 3 4 -6 . C l i n . cefalo t ina. B. Alguns autores observaram aumentos na fração LD-5 no LCR em presença de tumores metastatizados. J . 1 9 8 1 . a quantidade de piruvato consumida é determinada pela adição de d i n i t r o f e n i l h i d r a z i n a para formar um composto colorido (hidrazona) medido fotometricamente. composition. LIEN. 1 9 9 1 . . 2 8 : 8 0 5 -8 . . S. C h e m . Estável por 24 h em temperatura ambiente. Colorimetric m e a s u re m e n t o f l a c t i c d e h y d r o g e n a s e a c t i v i t y o f b o d y f l u i d s . 2 8 :6 5 -8 1 . a NADH formada reage com sais tetrazólicos para produzir um composto colorido.

20% de CK-MB. com atividades mais elevadas no músculo es quelético. cólon. Como uma das principais localizações da creatina quinase é o músculo esquelético. Raramente está presente no sangue. A enzima creatina quinase (CK) catalisa a fo s forilação reversível da creatina pela adenos ina trifosfato (ATP) com a formação de creatina fosfato. próstata. A CK-MB está confinada quase exclusivamente no tecido cardíaco. como tumores malignos e anormalidades cardíacas. placenta. I SOENZIMAS DA CREATINA QUINASE A creatina quinase consiste de um dímero composto de duas subunidades (B ou cérebro e M ou muscular) que são separadas em três formas moleculares distintas: C ORRELAÇÃO CLÍNICA DA CK A atividade sérica da CK está sujeita a variações fisiológicas que interagem e afetam a atividade da enzima. Em distrofias como a de B e c k e r e a de Dreifuss § C K -M M o u C K -3 . Cada ciclo de contração muscular promove o consumo de ATP com formação de ADP. pulmão. com pequenas quantidades de CK-MB. Níveis elevados de CK-MB são de grande s ignificado diagnóstico no infarto agudo do mi o cárdio. n ã o é u m a avaliação inteiramente específica já que elevações também são encontradas em outras anormalidades do músculo cardíaco e esquelético. útero. localizada no espaço entre as membranas internas e externas das mitocôndrias e corresponde a 15% da atividade da CK total cardíaca. O fígado e eritrócitos são essencialmente desprovidos desta enzima. tireóide. A maior atividade da CK no músculo cardíaco é também atribuída a CK-M M com. O mú s culo esquelético contém quase inteiramente CK-MM. O soro normal contém ao redor de 94-100% de CK-MM. mas parece indicar doenças severas. Quantidades menores são encontradas no rim. atividade física e raça. § C K -M B o u C K -2 . Apesar da CK total ser de grande utilidade n e s t a s d e s o r d e n s . onde está envolv ida no armazenamento de creatina fosfato (composto rico em energia). particula rmente a de Duchene (distúrbio recessivo ligado ao cromossomo X) apresenta atividade de CK 50 a 100 vezes os limites superiores dos valo res de referência. diafragma. forma híbrida. aproximada- .6% da atividade da CK e não está relacionada a nenhuma enfermidade específica. os níveis séricos estão freqüentemente elevados nas lesões destes tecidos. A macro -CK está associada à imunoglobulinas representando 0. predominante no miocárdio. chamada CK-Mt. A função fisiológica predominante desta enzima ocorre nas células musculares. massa muscular. bexiga. Enfermidades do músculo esquelético. tais como: sexo. baço. A creatina quinase está amplamente distribuída nos tecidos. idade. encontrada predominantemente no cérebro. Estas três isoenzimas são encontradas no citosol ou associadas à estruturas miofibrilares. A CK está associada com a geração de ATP nos sistemas contráteis ou de transporte.Enzimas 111 C REATINA QUINASE mente. reto. es t ô mago e p â n creas. Nas lesões teciduais extensas com ruptura das mitocôndrias.8-1. Existe uma quarta forma que difere das frações anteriores. predominante no músculo e s q u e l é t ic o . cérebro e tecido cardíaco. § Distrofia muscular progressiva. § C K -BB ou CK-1 . Sua presença também não está relacionada a nenhuma enfermidade especifíca. a CK-M t p o d e s e r d e t e c t a d a n o soro.

Apesar da alta concentração de CK no tecido c erebral. anfotericina B. mioglo binúria recorrente. paradoxalmente a isoenzima CK-2 (CK-MB) pode ser detectada freqüentemente nestes pacientes. etanol. o soro raramente contém CK-1 (CK-BB). exercícios intensos. os incrementos são. lesões por esmagamento. alcoolismo. P equenos aumentos muitas vezes persistem e p odem também ser detectados em parentes dos pacientes afetados. Este achado sugere comprometimento do miocárd i o a p ó s acidente cerebral. adiante). provavelmente. n eurocirurgia e isquemia cerebral aumentam a fração CK-3 (CK-MM). glutetimida. como: miastenia gravis . arteriografia c or o n á ria. § Polimiopatia necrosante. A isoenzima CK-1 não eleva. Nos casos de abuso ou “overdose” como a amitriptylina. certas enfermidades metabólicas hereditárias do músculo. lid o caína. § Lesões no crânio com dano cerebral. no entanto. volvem o coração. taquicardia. Atividades bastante elevadas da CK são en c o n t r a d a s n o e s t á g i o a g u d o p ó s -anestesia. § Miosite viral e polimiosite apresentam valores bastante elevados de CK. stanozol. quantidades significantes de CK-1 (CKBB) podem ser detectadas no soro. insuficiência cardíaca congestiva e a ngioplastia coronária percutânea transluminal elevam em níveis moderados a CK total ou a CK-2 (CK-MB). injeções intramusculares (os aumentos da CK p o dem persistir por mais de 48 h) e intervenções cirúrgicas. cateterização cardíaca. labetalol. pindolol. § Miocardite. hipertermia maligna. danazol.000). ou ambas. cirurgia cardíaca incluindo transplante. n e s t e s casos. viroses. a passagem através da membrana sangue-cérebro é impedida. onde existe destru ição do músculo devido ao infarto ou necrose muscular. § Drogas. Enfermidades do sistema nervoso central. § Condições e procedimentos cardíacos. heroína. quin id i n a e s u c cinilcolina. doenças musculares neurogênicas. dietilstilbrestol. (desordem da infância caracterizada pelo inchamento agudo do cérebro com infiltração gordurosa e disfunção hepática sem icterícia).112 Bioquímica Clínica: Princípios e Interpretações os níveis de CK sérica são normais ou levemente a u m e n t a d o s . elevações em doses farmacológicas: ácido aminocapróico. halotano. barbitúricos. apesar de nem todos os au mentos indicarem o envolvimento miocárdico. ciclopropano. anfetaminas. estas elevações p o dem mascarar subsequentes infartos do mi o cárdio. v e r d i s c u s s ã o d a s e n zimas no infarto do miocárdio (v. uma enfermidade fami liar rara mas severa caracterizada por febres altas. S ã o c o m u n s o s a u mentos da atividade da CK em situações que en - § Síndrome de Reye. § Hipertermia maligna. a CK total está aumentada em . a extensão destes aumentos estão correlacionadas com a severidade do dano e também com o prognóst ic o . D-penicilina. esclerose múltipla. § Estados psicóticos agudos. imipramina e fenciclidina podem aumentar a atividade da enzima dramaticamente. Devido ao seu tamanho molecular (80. clofibrato. tais como: angina pectoris. provocados por anormalidades do músculo esquelético. § Enfermidade cardiovascular. carbenoxolone. éter dietílico. choque cardiogênico. promove aumentos marc a n t e s d a CK-2 (CK-MB). Enfermidades cardíacas. poliomielite e p a r k i n s o n i s m o a atividade enzimática é normal. Muitos destes pacientes apresentam evidências de miopatia. § Infarto do miocárd i o . convulsões e choque e desencadeada pela administração de anestesia geral. § H e m o r r a g i a s u b a r a c n ó i d e a .

acetilcisteína restaura a atividade de CK que inicia a seqüência de reações que culminam com a união da H2 O 2 e o corante leuco. fenobarbital. A – 20 o C conservam-s e por mais de um mês. Ic terícia e lipemia podem interferir em leituras de absorvân cias. Em refrigerador e no escuro. Baseados na carga. Interferências. A modificação proposta por Szasz é sensível e apresenta boa precisão e está livre da interferência exercida pela adenilato quinase. Enfermidades da tireóide. Suspender as drogas que afetam os resultados das dosagens durante 24 h. Os métodos mais empregados utilizam a reação reversa. Valores de referência para a creatina quinase (U/L) Homens 15 a 160 Mulheres 15 a 130 § Hipotireoidismo. ácido aminocapróico. codeína. a extensão total da elevação da CK parece ser um indicador da severidade da encefalopatia. A determinação da atividade da creatina quinase emprega pro d u t o s formados na reação direta (creatina fosfato + ADP) ou inversa (creatina + ATP). Olivier descreveu uma seqüência de reações onde a transformação de creatina fosfato em creatina e ATP. M é t o d o d e Oliver-Rosalki. principalmente a isoenzima CK1. injeções D ETERMINAÇÃO DAS ISOENZIMAS DA CK A separação eletroforética das isoenzimas da CK. Amostra. carbonato de lítio. Tanto o ATP como o ADP são medidos por reações específicas. o hipotireoidismo predispõe à enfermidade ca rdíaca isquêmica). catalisada pela creatina quinase é acoplada ao sistema hexo q u in ase/glicose 6 -f o s f a t o d e s i d rogenase/NADH. a atividade da CK eleva em 5 v e z e s o s limites superiores de referência. também foram desenvolvidos métodos que utilizam a cromatografia trocadora de íons. imipramina e sulfato de morfina. clofibrato. na redução da depuração de CK como efeito do hipometabolismo. cloridrato de meperidina. Se a dosagem tiver por objetivo a avaliação de distúrbios da musculatura esquelética. A atividade da CK sérica demonstra uma relação inversa com a ativ idade da tireóide. a principal isoenzima presente é a CK-3 (CK-MM). Soro. sugerindo um possível e n v o lvimento do miocárdio (de qualquer modo. o p a ciente deve evitar exercícios vigorosos durante 24 h. apesar de 13% da atividade da CK ser devida à fração CK-2 (CK-MB). halotano. . mas os aumentos chegar a 50 vezes e são devidos ao envolvimento do tecido muscular (incremento na permeabilidade da membrana) provavelmente. plasma (heparinizado) isentos de hemólise. choque elé t rico. glutetimida. etanol. D ETERMINAÇÃO DA CREAT INA QUINASE P a c i e n t e . furosemida. Falsos resultados aumentados: p r o c e d i m e n t o s i n v a s i v o s e o u t r o s : cateterismo cardíaco (com lesão do miocárdio). Esta técnica está em desuso. eletrocauterização. as amostras são estáveis por uma semana. o que permite a separação das diferentes frações. onde em condições ótimas se desenvolve seis vezes mais rapidamente que a reação direta. foi um dos métodos mais empregados até recen temente. digoxina. eletromiografia. heroína. A v a riação na absorvância em 340 nm é medida na a v aliação de CK. intramusculares e massagem muscular recente.Enzimas 113 até 70 vezes. Não ingerir álcool no dia anterior ao teste. os aumentos da atividade da CK tendem estar nos limites inferiores de valores de referência. Drogas: acetato de dexametasona. Em química seca ( DT V i t r o s) o ativador N . Rosalki incluiu um tiol ao reagente para aumentar a atividade da CK mantendo os grupos sulfidrílicos na forma reduzida. cloreto de s uccinilcolina. guanetidina. LCR e l í q u i d o a m n i ó t i c o . Métodos para a CK total. Os monômeros M e B possuem diferentes cargas. § Hipertireoidismo.

. 1 9 7 6 . .: fosfatase alcalina) é. Lab. GERHARDT. S. Determination of optimum reaction conditions. The clinical b i o c h e m i st r y o f c r e a t i n e k i n a s e . catalisa a formação da creatina e ATP a partir da creatina fosfato e ADP. SWAMINATHAN. ROSALKI. H. Low Serum Creatine Kinase Activity. 1 9 9 0 . C h e m . Após a remoção de antic o r p o s n ã o -ligados. 1 9 8 6 .. A CK-MB da amostra reage com o anticorpo formando um complexo antígenoanticorpo. 1 9 9 1 .. . 1 9 8 2 . Clin. C l i n . S. B. 2 :1 0 8 -1 4 . J . U. E. Ensaios de massa também são usados na determinação da atividade da CK-MB. 1 9 8 9 . LANG. C. Um segundo anticorpo conjugado com outra enzima (ex. ELSER. J. 1998. adicionado. Bibliografia consultada G R I F F I T H S . SZASZ. B. dentre os quais. 2 3 :2 3 8 -4 2 . B i o c h e m .. . C l i n . 2 9 :4 3 5 -5 6 . B. Med. J. M.. A atividade CK restante. forma -se um complexo anticorpo-CK-M B-anticorpo. 2 2 :6 5 0 -6 . A p p ro v e d r e c o m m e n d a t i o n o n I F C C m e t h o d s f o r t h e m e a su rement of catalytic concentration of enzymes: Part 7 . C h e m . . Clin. que é proporcional à atividade da CK -MB. A.. P . H. um substrato é adicionado para reagir com a enzima conjugada ao anticorpo para formar um produto detectável. BERNT. C h e m . GRUPER. R. 6 9 : 6 9 6 -7 0 5 . então. . R O S A L K I . . C h e m . proporcional a atividade da CK-MB presente na amostra.114 Bioquímica Clínica: Princípios e Interpretações Principalemnte para a CK-MB. Creatine kinase isoforms in schemic heart d i s e a s e . M. G. JONES. 2 8 :1 4 3 9 -4 7 . W. C l i n . Anticorpos contra a CK-MB são covalentemente ligados a u ma superfície sólida. HORDER. Creatine kinase in s e r u m . I . C l i n . W et al. Eur. D . F e d . C l i n . Chem. R. na enzyme of m a n y f o r m s . An improved procedure for serum creatine phosphokinase determination. C l i n . . foram desenvolvidos vários métodos imunológicos. WU. G. Clin. Assim.. WURZBURG. B i o c h e m . 3 5 :7 -1 3 . C K -M B : A v a l u a b l e t e s t ? A n n . Creatine kinase. Chem. Estas reações são empregadas em química seca ( DT Vitros). 44:905. 1 9 6 7 . I F C C m e t h o d f o r c r e a t i n e k i n a s e . I n t . o de i m u n o i n i b i ç ã o que utiliza anticorpos CK-M a n t i-humano para inibir a CK-MM (atividade muscular).

anemia megaloblástica. Hepatite. Trata-s e d e uma isoenzima da fosfatase alcalina encontrada no parênquima hepático e nas células do ductos biliares.). É um indicador sensível de doença h epática parenquimatosa. Valores reduzidos. leucemia granulocítica. adultos: 1. “delirium tremens” e drogas (acetato de cortisona. na distrofia muscular de D u chenne. Sua atividade sérica aumenta de 2 a 6 vezes em doenças hepáticas que interferem com a secreção biliar (cálculo. V a l ores elevados. Valores de referência: 2 a 17 U/L. Doença do músculo esquelético. A aldolase (ALD) pertence a classe das liases encontradas em todas as células do organismo. crianças: <16 U/L. Valores de referência: recém-nascidos: <32 U/L. hepatite (crônica). lesões hepáticas infectadas por bactérias. Valores reduzidos. infarto pulmonar grave. mononucleose infecciosa. infarto do miocárdio. metástase hepática e obstrução extra -h e p á tica.Enzimas 115 O UTRAS A LDOLASE ENZIMAS de Krebs. gan grena. clinicamente insignifican tes. Valores de referência: 2 a 13 U/L (37 0 C). mas presente em concentrações mais elevadas no músculo esquelético. síndrome de Reye e inflamação aguda do trato biliar. Alcoolismo. Necrose hepatocelular (maciça). ciru rgia. polimiosite (no entanto são encontrados valores normais na polimielite. Em virtude da elevação da aldolase durante a doença ativa do músculo esquelético. I SOCITRATO DESIDROGEN ASE A i s o c itrato desidrogenase (ICD) é uma enzima que catalisa a descarboxilação oxidativa do isocitrato a oxalossucinato e α -cetoglutarato no ciclo . alguma s m e t á s t a s e s hepáticas. sua avaliação ajuda no acompanhamento e evo l u ç ã o d e c e r t a s d o e n ç a s . A sua avaliação ajuda a estabelecer o diagnóstico diferencial entre câncer ósseo e hepático. tumores prostáticos. Cirrose. fígado e cérebro. É necessário pelo menos 30 minutos de re p o u so antes da coleta da amostra para evitar a interferência da atividade muscular. Valores reduzidos. colestase fármaco-induzida. hepatite viral aguda. e corticotrofina). dermatomiosit e. cirrose. disfunção hepát ica. visto que a 5’-nucleotidase raramente está elevada no câncer ósseo. os níveis de 5’-nucleotidase indicam metástase hepática. kwashiorkor. esclerose múltipla e enfermid ades musculares de origem neurogênica). miastenia grave. 5’-N UCLEOTIDASE Enzima da membrana plasmática que catalisa a hidrólise da maioria dos ribonucleosídios 5’-mo nofosfato e desoxinucleosídios 5’-monofosfato em nucleosídios correspondentes e ortofosfatos. Valores elevados. As amostras devem ser livres de hemólise (os eritrócitos apre s e n tam 100 vezes mais atividade que o soro). principalmente. cirrose biliar etc. Valores elevados. triquinose. Quando acoplados com elevação da fosfatase alcalina.0 a 7. como a distrofia muscular progressiva.5 U/L (30 0 C). metástases hepáticas.

É sintetizada no fígado e encontrada no plasma.. Anemias. Mais de 50% dos pacientes sensíveis à succinilcolina tem anormalidades geneticamente determinadas na enzima que levam a atividades reduzidas no plasma. PILZ. K . Clin. um relaxante muscular. J. Adv. ocasionalmente. A atividade de enzima é inibida reversivelmente por inseticidas contendo carbamato e irreversivelmente por inseticidas organofosforados. J . câncer de mama. A pseudocolinesterase é uma colinesterase específica que hidrolisa tanto ésteres não-colina como a acetilcolina. 1 5 :4 4 -1 3 6 . 5 ’-Nucleotidase. Alcoolismo. BROWN. C l i n . O .. . I s to é ocasionado em razão do desequilíbrio eletrolítico e desidratação. anticoncepcionais orais. gravidez tardia. 1 9 7 2 . SPOONER. M . 2 2 : 1 -1 2 3 . intoxicação por inseticidas org anofosforados.500 a 8.116 Bioquímica Clínica: Princípios e Interpretações C OLINESTERASE D u a s e n zimas tem a capacidade de hidrolizar acetilcolina para formar colina e o ácido correspon dente. obesidade. . ELLIS. A m . desnutrição. Entretanto. Esta droga é normalmente hidro lizada pela colinesterase plasmática.. hiperlip o proteinemia do tipo IV e psicose. GOLDBERG. G. . Valores de referência: 3. WARD. A. Bibliografia consultada B O D A N S K Y . Adv. et al. doença renal crônica. pulmões e baço. É encontrada em várias fo rmas e atua em inativar a acetilcolina. Serum enzyme tests in diseases of the liver and b i l i a r y t r e e . D. sua função biológica não é conhecida. Chem. 1 9 8 1 . infarto do miocárdio. embolia pulmonar. C h e m . a droga é ativa por períodos mais longos. M. 1 9 7 8 . R. Uma é a acetilcolinesterase o u c o l i n e s t e ra se I encontrada nos eritrócitos. M. É responsável pela rápida hidrólise da acetilcolina liberada nas terminações nervosas para mediar a transmissão do impulso nervoso através da sinapse. A outra colinesterase é a acilcolina acilhidro lase usualmente denominada pseudocolinesterase o u c o linesterase II encontrada no fígado. Alguns pacientes exibem apnéia prolo n g a d a após administração de succinilcolina. KALOW. S. The plasma c h o l i n e s t e r a s e s : A n e w p e r s p e c t i v e .500 U/L. . Valores reduzidos. W. mas não no plas ma. in fecções agudas. S. dermatomiosite. matéria branca do cérebro e soro.. estrogênios e doenças hepáticas parenquimatosas. C l i n . causando apnéia que perdura por várias h o r a s . S C H W A R T Z . 7 0 :2 4 8 -5 8 . síndrome nefrótica.. Valores aumentados. P a t h .. W. terminações nervosas e na matéria cinza do cérebro.

e se esta for grave e prolongada. que as alterações eletrocardiográficas podem estar ausentes ou serem inespecíficas. A p ó s a i n s t a l a ç ã o dos sintomas do infarto a g u do do miocárdio se observa. De modo geral. Esta relação temporal é part icular para cada enzima e varia de um paciente para outro. sendo a mesma caracterizada pelos níveis elevados da LD e. Para aumentar esta especificidade são avaliadas também as isoenzimas da CK e LD.1). pelos valores normais de TGO(AST) e CK. tem melhor pro g n ó s t i c o d o q u e aqueles que demoram para alcançar o pico (24 h).Enzimas 117 INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO (IAM) O infarto do miocárdio consiste em necrose irreversível do miocárdio. ainda que exista um modelo típico (Figura 4. Pacientes que atingem o pico máximo rapidamente (8-12 h). segue-se o infarto do miocárdio. a tríade clássica para a confirmação diagnóstica é formada por: § § § Dor no peito: pré -cordial. O infarto deve ser diferenciado da angina pectóris. refletem algum grau de lesão isquêmica cardíaca. Em alguns pacientes com embolia pulmonar. Alterações eletrocardiográficas: em especial com elevações do segmento ST e onda Q. Segundo a Organização Mundial de Saúde. que resulta em geral de trombose numa lesão pré -existente da parede vas cular ou rotura de u ma placa aterosclerótica em uma artéria coronária importante. retornando ao normal. No miocárdio esta fra ção pode ser liberada para o soro em quantidades significantes. particula rmente. do grau de circulação colateral e das exigências de oxigênio do tecido suprido pela artéria. A s enzimas mais utilizadas na investigação do infarto agudo do miocárdio são: a c r e a t i n a q u i n a s e (CK) e a lactato desidrogenase (LD). Atividade aumentada de CK-MB é também encontrada em outras desordens cardíacas. nem todos os pacientes manifestam os mesmos sinto mas. atin gindo o máximo em 12-24 horas. Além disso. embolia pulmonar e insu ficiência cardíaca congestiva. nos casos não complicados. a CK-MB é encont r a d a e m p e q u e n o s t e o res. em 48-72 horas. CK-MB O miocárdio contém expressivas quantidades de CK-MB. a diferenciação do infarto pulmo nar é realizada prontamente. seqüencia l- A avaliação enzimática é uma rotina nos pacientes suspeitos de terem desenvolvido infarto agudo do miocárdio. A CK-MB começa a elevarse em 4-8 horas a partir da dor precordial. A especificidade para o in farto pode ser aumentada se os resultados forem interpretados em associação com as isoenzimas da lactato desidrogenase e se medida. os infartos silenciosos ocorrem em aproximadamente 20% dos casos. estas enzimas devem estar elevadas na ocorrência do infarto agudo do miocárdio (especificidade) e dentro dos valores normais na ausência de infarto (sensibilidade). Elevações das enzimas cardioespecíficas. De fato. cuja extensão depende da artéria coronária obstruída. também como suas isoenzimas. Geralmente. p a c ientes. considera -s e a s a l t e r a ç õ e s e n zimáticas e algumas provas não-enzimáticas utilizadas para o diagnóstico do infarto do miocárdio e a s v a n t a g e n s e d e s v a n t a g e n s d e c a d a t i p o d e m edida. Po rtanto. aumentos desta fração não são inteiramente específicos para o infarto agudo do miocárdio mas. Some -se a isto. A t r a n s a m i n a s e o x a l a c é t i c a (TGO) apresenta menor uso. de infarto agudo do miocárdio. na maioria dos . Em outros tecidos. A princípio ocorre isquemia. provavelmente. usualmente. Nesta seção. um período durante o qual é possível d e t e ctar a elevação das enzimas liberadas pelo tecido miocárdico lesado. ocorrem valores discretamente a u m e n t a d o s d a TGO(AST) pulmonar ao redor do terceiro ou quarto dia após o acesso de dor no peito. A elevação da atividade plasmática da CK-MB (igual ou maiores que 6% da CK total) é o indicador mais específico de l esão miocárdica (98-100% dos casos).

Nos infartos com alterações eletrocard iográficas evolutivas. retornando aos níveis normais em 4 ou 5 dias. tanto por dificuldades na coleta.2.118 Bioquímica Clínica: Princípios e Interpretações mente. Ocorrem elevações nos níveis séricos da CK-MB em estados patológicos descritos na tabela 9. sendo que os aumentos da atividade eleva consideravelmente após o infarto. As elevações são três a quatro vezes o v alor de referência superior.2. a ativ idade da LD -1 é geralmente menor do que a LD -2. choque cardiogênico. atingindo o pico 18-24 h.3. T abela 9. Além disso.3. transporte ou separação da amostra. O valor da relação LD -1/LD -2 depende do fato que a LD -2 não aumenta após o infarto do mi o cárdio enquanto a LD -1 o faz. no entanto. Deve ser enfatizado que o infarto do miocárdio e a hemólise produzem exatamente o mesmo efeito sobre a LD -1 e também sobre os valores da relação LD -1/LD -2. mas pode atingir até 10 vezes. g eralmente. A fração A MINOTRANSFERASES (T RANSAMINASES ) A TGO (AST) aumenta 6 -8 h após a dor. Uma causa comum de falsos-p o s i t i v o s com LD -1 elevada é a presença de hemólise. Elevação da atividade sérica da CK-MB em diversos estados patológicos Infarto agudo do miocárdio Angina severa (em alguns casos) Fibrilação auricular crônica Insuficiência coronária Síndrome de aplastamento Pericardite Desfibrilação Colo cação de marcapasso Angiografia coronária Cirurgia cardíaca de peito aberto Massagem cardíaca externa ou ressuscitação cardiopulmonar Intoxicação por monóxido de carbono Hipertermia maligna Distrofia muscular como a de Duchenne Polimiosite Cirurgia o u i n f a r t o p r o s t á t i c o Dermatomiosite Síndrome de Reye Processos malignos LD-1 apresenta uma trajetória semelhante à LD total. Outras situações como: injeções intramusculares. A angina pectoris. devido a sua especificidade tecidual. a isoenzima tem maior utilidade diagnóstica. com isso a LD -1 excede a LD -2. Algumas causas d e aumentos destas frações são mostradas na tabela 9. A TGO não é específica do tecido cardíaco e também aumenta em enfermidades do . Causas de aumento da relação LD-1/LD-2 Infarto agudo do miocárdio Infarto renal agudo Hemólise causada por Válvulas cardíacas prostéticas Anemias hemolíticas Anemias megaloblásticas Manipulação da amostra de sangue Processos malignos A fração CK-BB pode se transformar na CKMB. o que explica o aparecimento desta isoenzima em pacientes com câncer de pulmão. L ACTATO DESIDROGENASE A atividade da LD total aumenta 8 a 12 h a partir da dor precordial. Tabela 9. enquanto o infarto não-Q ( s u b e n d o cárd ico) geralmente apresenta valores menores do que 45%.7 tem uma sensibilidade diagnóstica de 99%. com desenvolvimento de ondas Q (transmural) a LD -1 excede 45% da atividade da LD total. atinge o máximo em 24 a 48 h e permanece elevada por 7 ou mais dias. Ao redor de 80% de todos os in fartos do miocárdio mostram este tipo de relação. mi o cardite e insuficiência cardíaco-c o n g e s t i v a . por períodos superiores a 48 horas para detectar os aumentos e as reduções típicas das enzimas encontradas nestes distúrbios. cirurgias não-cardíacas e cateterismos cardíacos a CK-MB permanece normal. não elevam a CK total nem a CK-MB. como também em presença de válvula cardíaca prostética. Uma relação maior que 0. desordens cerebrais agudas e outros distúrbios. taquicardia. traumatismos.

No entanto. Constitui cerca de 2% da proteína total do músculo e está localizada no citoplasma. Modelo típico de alterações na ativ idade enzimática após infarto do miocárdio não-complicado. As isoformas mais promissoras para o diagnóstico do IAM são: a troponina T (cTnT) e a troponina I (cTnI). Os níveis de mioglobina em pacientes com IAM elevam em torno de 2 horas após a dor precordial e seus picos são atingidos dentro de 6 -9 h . § Deficiência renal grave. t r o p o n i n a C (subunidade ligada ao cálcio e reguladora da contração) e tro p o n i n a T (subunidade ligada a miosina – t r o p o miosina). permanecendo elevadas por mais de uma semana após o infarto. § Lesão do músculo esquelético. que é o núcleo básico do aparato contrátil da fibra mu s cular esquelética e cardíaca. CK-MB LDH-1 TGO total 20 18 16 Atividade enzimática 14 12 10 8 6 4 2 0 0 1 2 3 4 5 Dias após a dor Figura 4.ENZIMÁTICOS PARA O IAM § Exercício intenso. § Cirurgia com coração aberto. São compostas de múltiplas subunidades: t r o p o n i n a I (subunidade inibidora da actina). Dados clínicos mostraram que as troponinas são marcadores precoces do IAM. Troponinas. Os teores de mioglobina sofrem elevação nos seguintes casos: § Infarto agudo do miocárdio. a sensibilidade combinada com a especificidade tem mostrado que a TGO (AST) é uma enzima cardíaca diagnosticamente redund a n te. § Pacientes portadores genéticos ou com atrofia muscular progres siva. § Aplicação de injeção intramuscular (variável). s e n d o liberadas praticamente ao mesmo tempo que a CK-MB. Os valores do pico máximo são 5 a 10 vezes maiores que o limite superior de referência. A mioglobina é dosada em 2-12 h após o IAM e apresenta alta sensibilidade e especificidade clínica. esta enzima está sendo gradativ amente abandonada no diagnóstico laboratorial do infarto do miocárdio. A subunidade troponina I existe em três isoformas: duas no músculo esquelético e uma no músculo cardíaco. S ã o p r o t e í n a s c o n t id a s n a s c é l u l a s musculares do aparelho miofibrilar das células que constituem o sarcômero. Mioglobina. Entretanto. resultados falso-p o s i t i v o s p o dem ocorrer como resultado de lesões no músculo esquelético ou por insuficiência renal.1. T ESTES NÃO . Deste modo.Enzimas 119 fígado. O pequeno tamanho da molécula permite que a mioglobina se desloque rapidamente na circulação sangüínea sem utilizar o sistema linfático. É uma heme -proteína de ligação do oxigênio presente no músculo esquelético e cardíaco. retornando ao normal em 24-36 h após o infarto. pulmão e músculo esquelético. Les õ e s celulares durante o infarto agudo do mi o cárdio liberam mioglobina na circulação sangüí nea.

1 0 5 :5 0 -6 4 .. assim.120 Bioquímica Clínica: Princípios e Interpretações A troponina I cardíaca aparece no plasma 4 -6 h após o ataque do IAM. GOTO. C l i n . H. Com isso o acompanhamento do IAM é bem melhor atra vés da troponina I. Fábio José. A cuidadosa análise das enzimas e do ECG (juntamente com a história do paciente) reduzem sensivelmente os erros cometidos neste diagnóstico. A troponina T permanece anormal por 6 a 10 dias após o IAM. o ECG não se apresenta sempre anormal em pacientes enfartados recentemente. Chem. S ã o P a u l o : Manole. LAUDARI. E. J. Todavia. Laborató rio clínico: Tecnologia objetivando diretrizes p a r a o f u t u r o d i a g n ó s t i c o . F . VUORI. H. muitas vezes é possível encontrar dificuldades em interpretálos.. 1996. 1 9 9 7 . Serum creatine phosphoquinase isoenzymes in h i p o t h y r o i d i m . 1995.. a cinética da liberação da troponina I é pró xima a da CK-MB. HENRY. estabelecer prognósticos. 1 9 7 4 . especificamente na presença de arritmias. 1 9 9 7 . Diagnósticos clínicos & t r a t a m e nt o p o r m é t o d o s l a b o r a t o r i a i s . MERCATELLI. 4 e d . I. . Em muitos pacientes o eletrocardiograma (ECG) fornece evidências inequívocas do infarto. C. John Bernard. SYRJALA. C h e m . convulsions. AMOEDO. O valor dos testes enzimáticos versus o ECG no IAM são comparados a seguir: Sensibilidade (%) Eletrocardiograma Enzimas séricas 70 95 Especificidade (%) 100 90 Bibliografia consultada ANDREOLI. BENNETT. PICCIARELLI. atingindo picos de concentração em 12-18 h após o infarto. as taxas de troponina I no soro permanecem elevadas durante um perí odo mais longo (4 a 7 dias). C e c i l : m e d i c i n a i n t e r n a b á s i c a .. Na fase pre coce que sobrevem o ataque cardíaco. Por outro lado. Humberto. além do que. 5 2 :2 7 -3 0 . apresentando as outras características semelhantes à troponina I. K. Rio de J a n e i r o : G u a n a b a r a -K o o g a n . myocardial ischaemia and necrosis. C. Entretanto. 1678 p.. a avaliação enzimática pode estabelecer uma indicação da extensão do infarto e. L A E S . Claucus. A c t a . Clin. As enzimas plasmáticas e o ECG são complementares na investigação de pacientes suspeitos de IAM. P L U M . 9 6 5 p . T. J. T ESTES ENZIMÁTICOS E O ELETROCARDIOGRAMA Em todos os indivíduos suspeitos de IAM são recomendadas as medidas das atividades das e nzimas cardioespecíficas e de testes não-enzimáticos (quando disponíveis) nas primeiras 48 h após o infarto. Telma Veiga. J. VAANANEN. CARPENTER. Myoglobin/carbonic anhydrase III ratio: highly specific and sensitive early indicator for myocardial damage in acute myocardial infarction. C. 42:107-9.

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