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Análise do discurso e história

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Andrea L. D. O. C.

Rossi

 uma

prática e um campo da lingüística e da comunicação especializado em analisar construções ideológicas presentes em um texto.
a partir da filosofia materialista que põe em questão a prática das ciências humanas e a divisão do trabalho intelectual, de forma reflexiva.

 proposta

Discurso
é uma construção social, não individual, e que só pode ser analisado considerando seu contexto histórico-social, suas condições de produção;  reflete uma visão de mundo determinada, necessariamente, vinculada à do(s) seu(s) autor(es) e à sociedade em que vive(m).

Texto
produto da atividade discursiva, o objeto empírico de análise do discurso;  construção sobre a qual se debruça o analista para buscar, em sua superfície, as marcas que guiam a investigação científica.

É necessário salientar que o objeto da Análise do Discurso é o próprio Discurso.

científico. ou seja. humorístico. contexto histórico-social (ideológico). ouvinte. jornalístico. contexto da comunicação. . religioso ou publicitário. pedagógico. as chamadas condições de produção do discurso: o  o  o  o   falante. político. poético. A AD tem como base de pesquisa o discurso seja ele narrativo. Considerar como primordial a relação da linguagem com a exterioridade.

etc.  Mostrar . do leitor. o funcionamento dos textos. a partir da sua articulação com as formações ideológicas. As condições de produção do discurso estão representadas por formações imaginárias: imagem que o falante tem de si mesmo... do ouvinte.

essencial. secundária. Saussure O estudo da linguagem comporta duas partes: um. diacrônico tudo que diz respeito às evoluções‖ . vale dizer. tem por objeto a língua. esse estudo é unicamente psíquico  outra. inclusive à fonação e é psicofísica  ―A língua é um sistema do qual todas as partes podem e devem ser consideradas em sua solidariedade sincrônica‖   Seria preciso. a fala. que é social em sua essência e independente do indivíduo. observar esse objeto alheio a qualquer movimento ou influência da história.  ―É sincrônico tudo quanto se relacione com o aspecto estático da nossa ciência. então. tem por objeto a parte individual da linguagem.

morfemas. . especificamente aquelas que regem os sistemas de parentesco ou as que regem a produção dos mitos em culturas arcaicas. O estruturalismo etnológico nasceu quando Claude LéviStrauss pretendeu atingir as leis gerais do funcionamento de certas estruturas culturais.   O estruturalismo lingüístico nasceu quando Ferdinand de Saussure pretendeu atingir leis gerais do funcionamento de uma língua. Os estruturalistas consideram a língua como um sistema de relações ou mais precisamente como um conjunto de sistemas ligados uns aos outros. etc. Cada palavra só tem sentido dentro da própria estrutura lingüística. cujos elementos (fonemas.  Os sentidos são produzidos apenas internamente à língua. palavras.) não têm nenhum valor independentemente das relações de equivalência e de oposição que os ligam.

p. Para Barthes (1970. pensa. Recompondo o objeto para fazer aparecer suas funções. . estar encontrando as funções do real a que a estrutura pertence. além da organização aparente do objeto.  Para Lepargneur (1973. na verdade. o trabalho do estruturalista consiste em ―descobrir. 5). 51).  O estruturalista toma a estrutura pelo real. o objetivo da atividade estruturalista: ―é reconstituir um objeto. p. por trás das aparências. de modo a manifestar nessa reconstituição as regras de funcionamento (as funções) desse objeto‖. estruturas inteligíveis que expliquem certo funcionamento. e isso num campo que se relaciona com a atividade humana‖.

p. E essa instância da linguagem é o discurso.  ―Estudiosos passam a buscar uma compreensão do fenômeno da linguagem não mais centrado apenas na língua.  ―Atrás da fachada visível do sistema. sistema ideologicamente neutro. As constantes releituras que se faziam das obras de Saussure provocaram movências epistemológicas tanto do objeto. a ideologia. 85). mas num nível situado fora desse pólo da dicotomia saussureana. o sujeito. Tanto a sistematicidade da língua. supomos a rica incerteza da desordem‖ (FOUCAULT. 11-12). a história. quanto a assistematicidade da fala foram postos em discussão. 1993. o social. . 2005.  A fala. Ela possibilitará operar a ligação necessária entre o nível propriamente lingüístico e o extralingüístico‖ (BRANDÃO. como do método da lingüística. a semântica e outras exclusões operadas por Saussure são trazidas para as discussões lingüísticas. A linguagem passou a ser vista como um ramo de estudo muito complexo para estar limitada ao sistema saussuriano. p.

O discurso foi conceituado como a língua posta em funcionamento por sujeitos a que produzem sentidos numa dada sociedade . nem a fala. encontra-se no social e envolve questões de natureza não estritamente lingüística.  O discurso implica uma exterioridade à língua.  Aspectos sociais e ideológicos impregnados nas palavras quando elas são pronunciadas.O discurso não é a língua. nem texto. mas que necessita de elementos lingüísticos para ter uma existência material.

envolvendo não somente as instituições humanas. Contexto    situação histórico-social de um texto. como ainda outros textos que sejam produzidos em volta e com ele se relacionem moldura de um texto elementos tanto da realidade do autor quanto do receptor — e a análise destes elementos ajuda a determinar o sentido .

um sujeito com determinada identidade social e histórica Situar o discurso como compartilhando desta identidade.  . Processo  de Interpretação do texto Saber que há um autor.

definido social ou temporalmente. IMPORTANTE:    contextualizar os discursos como elementos relacionados em redes sociais e determinados socialmente por regras e rituais. Discursos produzidos num mesmo contexto de uma instituição ou comunidade. Ordem de discursos é um conjunto ou série de tipos de discursos. a partir de uma origem comum. para circulação interna ou externa e que interagem não apenas entre eles. . (intertextualidade). bem como modificáveis na medida em que lidam permanentemente com outros textos que chegam ao emissor e o influenciam na produção de seus próprios discursos. mas também com textos de outras ordens discursivas.

"anulando" os demais ou desarticulando seus argumentos ou credibilidade em seu próprio favor.  O modo de interpelar o receptor definirá as características do seu discurso (posicionamento competitivo) e determinará seu êxito ou insucesso. solteiros). Ocorre quando cada um destes discursos tenta "ganhar" o receptor. classes A/B.  . Espaço de interação discursiva no qual discursos de diferentes emissores se dirigem ao mesmo público receptor:  diferentes marcas de cerveja apelando ao mesmo segmento de mercado (homens entre 20-45 anos.

mas é dialética.  .  Não basta demarcar e classificar as palavras para imediatamente interpretar seus significados. etários etc.A relação de causalidade entre características de um texto e a sociedade não é entre dois elementos distintos A .B. sexuais. É preciso considerar o máximo possível de variáveis presentes no contexto.  Os discursos (esfera da superestrutura) não sofrem apenas os determinantes econômicos (esfera da infraestrutura). mas também culturais. a continência de um pelo outro é uma relação contraditória. ou seja. um causa e outro conseqüência.

uma Teoria do Sujeito. Uma teoria da Lingüística. para explicar os processos de enunciação. para explicar os fenômenos das formações sociais. Michel  Pêcheux  O processo discursivo é produção de sentido e o discurso é o espaço em que emergem as significações em uma relação ideológica de classes ―tríplice aliança‖    Uma teoria da História. para explicar a subjetividade e a relação do sujeito com o simbólico. .

 Michel   Foucault Discurso Formação de saberes que se articulam com práticas não-discursivas Jogo estratégico de ação e reação Espaço de saber e poder Produção controlada.      Constituição da Formação Discursiva  . selecionada. organizada e redistribuída formado por regras de formações discursivas sociais distinção entre enunciação (discurso) e enunciado (texto ou unidade lingüística básica).

distribuição e consumo dos textos) análise dos eventos discursivos como instâncias da prática sociocultural . aceitáveis e traços naturais do discurso   Norman Fairclough [Language and Power (1989) e Critical Discourse Analysis (1995)]    análise de textos (falados ou escritos) análise da prática discursiva (processos de produção. Abordagem interdisciplinar ao estudo dos textos Entende a linguagem como uma forma de prática social  Pretende desvelar os fundamentos ideológicos do discurso que se têm feito tão naturais ao longo do tempo que começamos a tratá-los como comuns.

pois é contra a imanência estruturalista.  . seja enquanto membros de uma determinada forma de sociedade. Explicar por que tomou esse sentido e não outro. A Análise do Discurso não trabalha com a língua enquanto um sistema abstrato. A Análise do Discurso não busca uma verdade nuclear do signo. com maneiras de significar. Sempre relacionando o lingüístico com a história e com o ideológico. com homens falando. considerando a produção de sentido enquanto parte de suas vidas. O que ela pretende é reconstruir as falas que criam uma vontade de verdade científica em certo momento histórico. Busca-se verificar as condições que permitiram o aparecimento do discurso. seja enquanto sujeitos. mas com a língua no mundo.

Por isso.ora selecionando sentidos. Quando pronunciamos um discurso agimos sobre o mundo. . uma ação do sujeito sobre o mundo. Para a Análise do Discurso. pois funda uma interpretação e constrói uma vontade de verdade. marcamos uma posição . ora excluindo-os no processo interlocutório. sua aparição deve ser contextualizada como um acontecimento. o discurso é uma prática.

 Foucault  ―Chamaremos discurso um conjunto de enunciados na medida em que se apóia na mesma formação discursiva.   sua aparição deve ser contextualizada como um acontecimento.. O discurso é uma prática.ora selecionando sentidos.. ora excluindo-os no processo interlocutório. ele é constituído de um número limitado de enunciados para os quais podemos definir um conjunto de condições de existência‖ (2005). . marcamos uma posição . pois funda uma interpretação e constrói uma vontade de verdade. Quando pronunciamos um discurso agimos sobre o mundo. uma ação do sujeito sobre o mundo.

mesmos conceitos. .  Os discursos se movem em direção a outros. modalidades ou um acontecimento. Por isso que o discurso é uma unidade na dispersão. Este lugar no discurso é governado por regras anônimas que definem o que pode e deve ser dito. com os quais dialogam. Esses discursos podem estar dispersos pelo tempo e pelo espaço. mas se unem por que são atravessadas por uma mesma regra de aparição:  uma mesma escolha temática.  A formação de um discurso está baseada nesse princípio constitutivo – o dialogismo. sempre está atravessado por vozes que o antecederam e que mantêm com ele constante duelo. ora o confrontando. ora o legitimando.  Os discursos vêm ao mundo povoado por outros discursos. Nunca está só.  Somente nesse lugar constituinte o discurso vai ter um dado efeito de sentido. objetos.

 Não há nela um repouso confortante do sentido estabilizado. pois este exige o emprego de certas representações e a exclusão de outras. pois ela só pode ser apanhada no processo de interação social.A linguagem é o lugar de conflitos e confrontos.  Não se pode dizer o que quer quando se ocupa um determinado lugar social. .

 Não há nela um repouso confortante do sentido estabilizado.A linguagem é o lugar de conflitos e confrontos. .  Não se pode dizer o que quer quando se ocupa um determinado lugar social. pois este exige o emprego de certas representações e a exclusão de outras. pois ela só pode ser apanhada no processo de interação social.

A Análise do Discurso é contra a idéia de imanência do sentido. imaculado e fixo capaz de ser localizado no interior do significante.  . pois a linguagem da qual o signo lingüístico faz parte é polissêmica e heteróclita. ou seja. A linguagem está na confluência entre a história e a ideologia.  O signo não pode estar alienado de outros signos que com ele interagem. em sua imanência. Não pode haver um núcleo de significância inerente à palavra.  A Análise do Discurso não toma o sentido em si mesmo.um significado primeiro. Não se acredita na existência de uma essência da palavra . original.

A aparente monossemia de uma palavra ou enunciado é fruto de um processo de sedimentação ou cristalização que apaga ou silencia a disputa que houve para dicionarizá-la.A constituição do sentido é socialmente construída. O discurso diz muito mais do que seu enunciador pretendia.  A incompletude é constitutiva de qualquer signo . um mero efeito discursivo. .qualquer ato de nomeação é um ato falho.

20) . 2005. não se trata de indivíduos compreendidos como seres que têm uma existência particular no mundo. Descentrado.  Social. não é um ser humano individualizado.  Histórico. por que não está alienado do mundo que o cerca. um sujeito discursivo deve ser considerado sempre como um ser social. sujeito. apreendido em um espaço coletivo o sujeito do discurso é histórico.    ―O sujeito de linguagem é descentrado. pois é afetado pelo real da língua e também pelo real da história. isto é. p. social e descentrado. na perspectiva em discussão. pois é cindido pela ideologia e pelo inconsciente. não tendo o controle sobre o modo como elas o afetam‖ (ORLANDI. por que não é o indivíduo.. mas àquele apreendido num espaço coletivo..

(BRANDÃO.a noção de sujeito deixa de ser uma noção idealista. 1993.  o sujeito não é a origem. imanente. mas tal como existe socialmente.   Foucault  ―não importa quem fala.  o sujeito da linguagem não é o sujeito em si. p. mas o que ele diz não é dito de qualquer lugar‖ . interpelado pela ideologia. a fonte absoluta do sentido. por que na sua fala outras falas se dizem.  O que define de fato o sujeito é o lugar de onde fala. 92).

. O sujeito é um eu pluralizado. etc. por que representa vários papéis. pois se constitui na e pela interação verbal. p. 1988b. por que não se relaciona mecanicamente com a ordem social da qual faz parte.  ―É múltiplo porque atravessa e é atravessado por vários discursos. Logo. o sujeito não preexiste ao discurso. sendo este um feixe de relações que irá determinar o que dizer quando e de que modo.‖ (ORLANDI. ele é uma construção no discurso. é ele que estipula as modalidades enunciativas. É o discurso que determina o que o sujeito deve falar. 11)  O discurso não é fruto de um sujeito que pensa e sabe o que quer.

é ele que estipula as modalidades enunciativas. Foucault    O discurso não é fruto de um sujeito que pensa e sabe o que quer. sendo este um feixe de relações que irá determinar o que dizer quando e de que modo. É o discurso que determina o que o sujeito deve falar. O sujeito não preexiste ao discurso. . ele é uma construção no discurso.

Dominique. A Ordem do Discurso. Manaus: Valer. Conhecendo análise de discurso: linguagem. Campinas: Cortez/Editora da Unicamp. Norman.Termos-Chave da Análise do Discurso.). Linguagem e Ideologia. Harlow: Longman Group UK Limited. Language and Power. Dominique. Introdução a análise do discurso. FOUCAULT. 1998. São Paulo: Loyola. Critical Discourse Analysis. 1995. São Paulo: Pontes. 1988. 2006. 1988. UFMG. Belo Horizonte: Ed.   . Maria Helena Nagamine. Novas Tendências em Análise do Discurso. Análise do Discurso: princípios & procedimentos. SP: Editora da Unicamp. 1993. FAIRCLOUGH. ORLANDI. FIORIN. sociedade e ideologia. 2005. ed.1988b. Campinas: Pontes & Editora da Unicamp. SOUZA. ______________. São Paulo: Ática. Norman. _____________. 1989. 2ª. José Luiz. MAINGUENEAU. 1998. Harlow: Longman Group UK Limited. 6°. Sérgio. Campinas. ______________ (et al. Discurso e leitura. São Paulo: Editora da PUC-SP (Série Cadernos PUC – 31). Eni P. 1989. Michel. Sujeito & Discurso. _______________.         BRANDÃO. ed.

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