GLENDA GONÇALVES DA SILVA ASSIS

SÓCRATES: BIOGRAFIA, IDEIA PRINCIPAL E APRECIAÇÃO CRÍTICA

ESCOLA ESTADUAL ARLINDO DE ANDRADE DISCIPLINA: FILOSOFIA DOCENTE: JOSÉ Campo Grande 2011

.................................................... BIOGRAFIA ............................................................................... 6 APRECIAÇÃO CRÍTICA ................................. 5 IDEIA PRINCIPAL .......................................... 3 1.......................................................................................................................................................................................... 10 FONTES DE PESQUISA..................................................... 7 Sócrates na Arte ............. 11 ............................... 9 Termos e Expressões Vinculados a Sócrates .................... 4 2...................................................................SUMÁRIO INTRODUÇÃO ......................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................... OBRAS ................................................................

Como poderoso pensador e professor. a justiça. Muitas outras questões podem ser encontrados neste trabalho que se segue. o primeiro grande filósofo grego do qual ainda hoje se tem resquícios da originalidade de seu pensamento e influência argumentativa por causa de seu método. o bom.INTRODUÇÃO Este trabalho tem como objetivo apresentar uma pesquisa sucinta sobre o filósofo Sócrates. a estética. como a verdade. Por causa de sua repercussão e influência na juventude de sua época e de ter estabelecido argumentos bastante argutos. . Sócrates foi imortalizado pelos pensadores que o sucederam pela sua recusa em salvar sua própria vida repudiando suas crenças. dos quais nenhum adversário conseguia se livrar. que foi a moral. Sócrates foi condenado à morte através de um veneno chamado cicuta. política. o belo. o estado. Percorreu temas variados com seu pensamento. a imortalidade da alma e o principal. a coragem.

Aristófanes fornece apenas um retrato satírico de Sócrates. sob o pretexto de que ele corrompia a juventude. ao lado de quem participou de vários combates. Foi aluno de Pródico e do geômetra Teodoro de Cirena. O traço mais característico da filosofia socrática é o moralismo. nariz rombo.). mas através de múltiplas tradições. aspecto vulgar. e perceptor de Alcibíades. percorrendo as ruas. descalço mesmo em dias de mau tempo. Apresentava-se como homem que nada sabe e interrogava sem cessar os atenienses.1 BIOGRAFIA Sócrates. . filho do escultor Sofronisco e da parteira Fenareta. A vida de Sócrates é inseparável de seu ensino. temperamento vigoroso. em grego Σωκράτης (Sōkrátēs). e qualquer pretexto lhe servia para propagar seus ensinamentos. a principal das quais está nos diálogos de Platão.C. 470 — Atenas 399 a. Não se conhece a Sócrates diretamente. conversando com seus discípulos. sem que se possa separar as doutrinas do mestre e as do seu aluno. pois nada escreveu. os preconceitos dissimulados debaixo do disfarce da sofística. Sócrates tomou a cicuta. Podia ser encontrado sempre nos locais onde se reunia a multidão. É representado como uma figura vestida de um manto ordinário. Essa ironia socrática lhe valeu a condenação à morte. filósofo grego (Alópece. e para substituí-los por um saber extraído de dentro do ser humano. c. e morreu com absoluta serenidade. para destruir a educação adquirida sem reflexão. Ática. principalmente os jovens. A filosofia de Sócrates é a dos primeiros diálogos de Platão. enquanto as memórias de Xenofonte acrescentam traços mais realistas. não se parecia absolutamente com os sofistas ricamente vestidos que encantavam os atenienses.

Tudo o que sabemos sobre ele — sobre sua vida e sobre seu pensamento — provém de depoimentos de discípulos ou de adversários. que o exaltaram. através de números e/ou letras colocadas nas margens laterais. Apologia de Sócrates — Xenofonte. As Nuvens — Aristófanes. em todas as edições. os de Platão. Do confronto desses diferentes retratos é que se pode tentar extrair a verdadeira fisionomia de Sócrates. . Como outros textos de escritores antigos. Xenofonte e Aristófanes são tradicionalmente divididos em passagens identificadas. que o combate e satiriza. Fédon — Platão. Os historiadores da filosofia são unânimes em considerar que os principais testemunhos sobre Sócrates são fornecidos por Platão e Xenofonte. e por Aristófanes. Ditos e Feitos Memoráveis de Sócrates — Xenofonte.2 OBRAS Sócrates não deixou nenhum escrito. Os principais textos que chegaram até nós e dos quais podemos extrair uma síntese da vida e do pensamento socrático são:      Defesa de Sócrates — Platão.

Sócrates instituiu a sua incessante busca pela verdade. ao qual recebeu o nome de maiêutica.3 IDEIA PRINCIPAL Sócrates. permitia praticar na mente de seus discípulos um verdadeiro “parto de ideias”. que acabou se tornando sua ferramenta mais poderosa de argumentação. A sua maior contribuição foi uma penetrante indagação de questões acerca da moralidade. . através de indução. Por meio dela.

A sua maior contribuição foi uma penetrante indagação de questões de moralidade. Sócrates trabalhou certo tempo como aprendiz de escultor. a seriedade das intenções de Sócrates está fora de dúvida. Seu ensinamento tomou a forma de infatigável inquirição. acrobatas e mágicos — e fazia os convidados divertirem uns aos outros. e embora falasse pouco sobre suas crenças. estas representaram importante papel em sua vida. Nessa ocasião. ou sessão de bebida que se seguia. imortalizado pela sua recusa a salvar a vida repudiando suas crenças. que se encarregava de tudo.APRECIAÇÃO CRÍTICA Sócrates foi um poderoso pensador e professor. negava-se a receber dinheiro pelos seus ensinamentos e procurava ordenar a vida dentro da maior simplicidade. Era. O método socrático se baseava no exame e ceticismo inflexíveis. Não tinha ambição pessoal. à sua maneira. Sócrates foi na Grécia o primeiro expoente de uma moral baseada mais nas exigências da consciência individual que nas do estado. mas outros menos intelectuais mandavam um homem calvo pentear os cabelos. A conversação brilhante era uma característica do simpósio. uma combinação que podia ter condenado ao insucesso a sua busca pela verdade. Na opinião de Sócrates. Era ele totalmente contrário às teorias de poder e de vantagens então correntes. profundamente religioso. como é possível descobrir a verdade? Entretanto. Decidia a quantidade de água que devia ser misturada ao vinho. chamava os artistas — dançarinas. a consciência era melhor guia para a conduta certa que as exigências da sociedade. Se nada pode ser aceito como verdadeiro. A implacável investigação exercida por Sócrates sobre as atitudes atenienses tradicionais pode ter contribuído para debilitar a velha confiança que a cidade tinha . Um simposiarca como o filósofo Sócrates podia apresentar enigmas difíceis. escolhido por sorteio ou pelos dados. um gago fazer um discurso ou um homem ardente correr em torno da sala levando nos braços a flautista. a pessoa mais importante era o simposiarca.

C. indispôs os juízes. Sócrates é quase sempre o personagem principal. e por isso vos aconselho a me poupardes. Platão anotou tudo o que pôde recordar dos ensinamentos de Sócrates — o qual jamais escrevera coisa alguma — e sua própria vida. não achareis com facilidade um sucessor para mim que sou. não é minha a causa que advogo. se posso usar uma figura retórica cômica. persuadindo-vos. Não achareis com facilidade outro como eu. uma espécie de moscardo fornecido ao estado por Deus.. sua intransigente moralidade e sua crença de que “uma vida sem indagação não vale a pena ser vivida”. ele foi oficialmente acusado de introduzir deuses estranhos e de corromper a mocidade. para que não pequeis contra deus condenando-me a mim. o mais justo e o melhor dos homens” que jamais viveu. 146). defendendo seus atos num discurso que os mesmo consideraram arrogante: Atenienses. censurandovos. 1969. 146) Atenas. longa e produtiva.em si mesma. um santo e um mártir. . 145). p. que sou um presente dele para vós. Quando Sócrates morreu. Uma parte da cidade assim pensava. Sócrates ficou sentado a conversar calmamente com um grupo de amigos. foi pautada pela paixão de Sócrates pela verdade. que classificou Sócrates como “o mais sábio. Enquanto esperava que o veneno fizesse efeito.. mas a vossa. pois o estado é um grande e nobre corcel tardo de movimentos em vista do seu próprio tamanho e que precisa ser espicaçado para se animar. A discussão é sempre natural e em tom de conversa. despertando-vos. Se me matardes. em cada um dos quais um grupo de pessoas discute um tema da maior importância. influenciando-o profundamente (p. Eu sou esse moscardo que Deus colocou sobre o estado e todo dia e em todos os lugares estou sempre sobre vós. seu espírito marcou Platão e alterou os rumos da sua vida. (BOWRA. Em 399 a. ordenou-lhe que bebesse cicuta. retratando-se ou confessando que estava errado. Sócrates poderia salvar-se. A conversa foi anotada por seu discípulo Platão. Ao contrário. condenando-o à morte. mas obedece a um plano habilmente dissimulado. sendo levado a julgamento. mas não o quis (p. Tanto é que Platão apresentava sua filosofia em forma de diálogos escritos.. e sentia que os seus ensinamentos eram perigosos.

instrumento político fundamental para os debates e discussões públicas. Num diálogo. mas sem dúvida são um desenvolvimento das suas ideias e dos seus métodos..C. E a mensagem dos primeiros Diálogos é também indiscutivelmente socrática. ao contrário. e inferiores aos que estão do lado dele. Devido ao triunfo da metafísica na tradição . está disposto a lutar. entre outras 1 Na Grécia clássica. de que consideras a coragem uma qualidade muito nobre. com os Sofistas1. Sabe também que haverá contra ele menos homens. Sócrates. Platão mostra Sócrates interrogando um personagem chamado Laches sobre a natureza da coragem: Sócrates: Tenho certeza. mas sempre e apenas com o objetivo de descobrir a verdade.. Sócrates na Arte Na arte. do gr. as decisões políticas eram tomadas nas assembléias. Laches. decerto. Platão e Aristóteles foram combatidos por esses filósofos que condenavam o relativismo dos sofistas e sua defesa da idéia de que a verdade é resultado da persuasão e do consenso entre os homens. Contemporâneos de Sócrates. e sensatamente calcula e sabe que outros o ajudarão. sophista. má e prejudicial? Laches: É verdade. sofistes) foram os mestres da retórica e oratória. e supõe que tem ainda a vantagem da posição. revela lacunas e falhas no raciocínio dos seus companheiros e reduz seus adversários à impotência. que debateram. que ele ou algum homem no exército contrário. Sócrates: e julgas que uma persistência sensata seja também boa e nobre? Laches: Muito nobre. Sócrates: Mas que diria de uma persistência insensata? Não deve ser considerada. que é o segundo. apesar de sempre ter sido objeto de estudo do ser humano durante toda a trajetória histórico-cultural. que está em circunstâncias opostas a estas.. Sócrates: Mas isso não é decerto uma persistência insensata? Laches: É verdade. Sujeita as ideias a uma análise aguda. a reflexão sobre a estética e o fazer artístico só teve seu advento no século V a. 147) Os Diálogos não podem ter sido transcrições fieis das conversas de Sócrates. qual é o mais bravo dos dois? Laches: Acho. já que na pólis [cidade] grega. Dirias de tal homem. professores itinerantes que ensinavam sua arte aos cidadãos interessados em dominar melhor a técnica do discurso. (BOWRA.. Laches: Muito nobre. 1969. por exemplo. Sócrates: Olha então o caso de um homem que persiste na guerra.procedendo como havia procedido em vida. e que apesar disso persiste e fica no seu posto. os sofistas (lat.. p.

começaram a se definir. de nobre. entretanto. mostrando que seu relativismo baseava-se em uma doutrina da natureza humana e de sua relação com o real. o Belo. bem como indicando a importância da contribuição dos sofistas para os estudos de gramática. filosófica.C.idéias. manipuladores de opiniões e criadores de ilusões. e que consiste em contínuas perguntas. Estudos mais recentes. Dize-se também de quem é partidário das doutrinas de Sócrates: contra a doutrina sofista. Os socráticos apresentavam-se também nitidamente como contrários aos sofistas e como reacionários sociais. filósofo grego (470 – 399 a. e por vezes também de excessiva e perigosa. Termos e Expressões Vinculados a Sócrates Socrático: é um adjetivo que diz respeito a Sócrates. Método socrático: método usado nas argumentações. a Virtude. a Lei e a Justiça”.) que os verdadeiros valores de vários seguimentos cognitivos.C. “o Bem. com tudo quanto ela tem de sedutora. retórica e oratória. buscam revalorizar de forma mais isenta o pensamento dos sofistas. p. de justa por vezes. para o conhecimento da língua grega e para o desenvolvimento de teorias do discurso (JAPIASSU e MARCONDES. ou às suas doutrinas. fundaram escolas em várias regiões da Grécia.). Mas foi com Sócrates (470-399 a. inclusive no que concerne à apreciação das artes. após a sua morte. 177-178). Pequenos socráticos: discípulos de Sócrates que. ficou-nos uma imagem negativa dos sofistas como "produtores do falso" (segundo Platão em O Sofista). 2001. respostas e insistências. .

GRANDE ENCICLOPÉDIA DELTA LAROUSSE. SÓCRATES. SÓCRATES. v. v. Os Pensadores. Trad. Dicionário Básico de Filosofia. v. 2. 1972. 1ª ed. São Paulo: Abril Cultural. Defesa de Sócrates. Rio de Janeiro: Delta. v. 13. 2. Caldas. Trad. C. 5. Trad. Hilton e MARCONDES. M. 145-147. 2. Líbero Rangel. Rio de Janeiro: Delta. v. Benedito. 1972. Rio de Janeiro: Zahar. (Coleção Os Pensadores) ______. (Coleção Os Pensadores) AULETE. v. 2. Rio de Janeiro. In: ______. Apologia de Sócrates. 1969. 29. Danilo. Gilda M. São Paulo:. v. São Paulo: Abril Cultural. p. Pinheiro de Lemos. 1970. Os Pensadores. SOCRÁTICO. São Paulo: Ática. 1991. pp. 1ª ed. BOWRA. 3405. 2ª ed. In: Os Pensadores. pp. Grécia Clássica. As Nuvens. (Coleção Biblioteca de História Universal Life) ENCYCLOPEDIA BRITANNICA EDITORES LTDA.FONTES DE PESQUISA ARISTÓFANES. NUNES. 22-23. In: Enciclopédia Barsa. 1972. Líbero Rangel de Andrade. Ditos e Feitos Memoráveis de Sócrates. 1ª ed. JAPIASSU. 32. 3ª ed. Introdução à Filosofia da Arte. (Coleção Os Pensadores) XENOFONTE. 1972. 1973. Jaime Bruna. p. 2001. Trad. Reale Starzynski. Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa Caldas Aulete. (Coleção Os Pensadores) . São Paulo: Abril Cultural. 1972. Trad. 14. Os Pensadores. PLATÃO. São Paulo: Abril Cultural. 6382. 1ª ed. In: ______. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio.