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AIDS – Caso Clínico

• FS, 18 anos, sexo masculino, estudante, natural e
• •
procedente Passos MG. Queixa e duração: Febre e odinofagia há 15 dias. HPMA: refere há 15 dias intensa dor em garganta que impede a deglutição de alimentos sólidos. Três dias após o inicio do quadro apresentou febre diária com picos de 39 graus. Procurou seu pediatra que receitou amoxacilina 3 vezes ao dia. Há 7 dias surgiram manchas vermelhas em face, boca que se estenderam rapidamente para o corpo. I.C: emagrecimento de 5 kg no período, fez uso de analgesicos sem melhora.

AIDS – Caso Clínico
• ISDA:
– Respiratório: tosse seca, cansaço ao subir escadas. – Cardiovascular: refere taquicardia aos esforços. – TGI: apresentou 2 episódios de diarréia com fezes amolecidas, refere dor abdominal principalmente quando se alimenta. – Sistema urinário: nega disúria, nictúria ou polaciúria. – Sistema metabólico: ndn. – Sistema nervoso: refere intensa cefaléia desde o início dos sintomas. A.P. Nega DPI. – Nega asma, bronquite. – Nega alergias a medicamentos – Refere herniorrafia inguinal bilateral com 1 ano de idade. – Etilísta social ( bebe em baladas no fim de semana). – Nega fumo ou uso de drogas injetáveis ou inalatórias. – Relata uso de maconha, mas apenas uma única vez. – Carteira de vacinação em dia inclusive para varicela, meningococco A e C e hepatite A e B. – Freqüenta academia e gosta de musculação. A. F. Pais vivos com saúde. – Irmã 16 anos, estudante, – Avo materno falecido de neoplasia de colon, tio com neo de próstata.

AIDS – Caso Clínico
O

que falta na história?.

Nega contato com enchentes. ratos. Nega viagens recentes. – Refere gata deu a luz a ninhada com 6 gatinhos (parceiro desconhecido). com a família. kibe crú. . sashimi.AIDS – Caso Clínico • Antecedentes epidemiológicos: – – – – Mora em prédio no centro. – Contato com gata e cachorro em casa. Alimenta-se com carne crua eventualmente: carpaccio.

AIDS – Caso Clínico • Falta mais alguma coisa na história???. .

– Há 1 mês foi a uma “rave” aonde bebeu cerveja e vodka tendo tido coito anal sem preservativo com parceiro desconhecido. . – Nega doenças venéreas.AIDS – Caso Clínico • Antecedentes Sexuais: – Iniciou a vida sexual há 2 anos sempre com parceiros masculinos.

100 bpm. hidratado. acianótico. negativo. altura: 180 cm. RHA presntes e normais.U. presente e normal. P. • • • • • . TGI: figado a 3 cm do rebordo costal.A. T.:110 x 70 mmhg.R. D.G. axilar e inguinal bilateral. Rash cutâneo generalizado. Respiratório: M. Sistema nervoso central e periférico: sem sinais meníngeos.c. eupnéico.B.F. Cardiovascular: B.5 C. peso: 72 • kg. amolecido levemente doloroso. Baço a 4 cm do rebordo costal esquerdo. f.AIDS – Caso Clínico • Exame físico: (sucinto) • Corado.N. Micropoliadenopatia cervical. enantema com lesões esbranquiçadas em orofaringe. Temperatura:38.: ndn.V.

caso clínico .

Hipóteses Diagnósticas • Sindrome da Mononucleose – Mononucleose – Toxoplasmose – Citomegalovirose – Infecção aguda pelo HIV. .

The Journal of Clinical Investigations Vol 113 Number7 April 2004 .Síndrome Retroviral Aguda • Cerca de 40 milhões de indivíduos infectados pelo HIV no mundo • Menos de 1000 casos foram reconhecidos no primeiro mês de infecção • Ausência ou pouca sintomatologia específica de Síndrome Retroviral Aguda .

The Journal of Clinical Investigations Vol 113 Number7 April 2004 . AIDS agudo • É o intervalo entre a detecção de HIV no soro e plasma e a formação de anticorpos.INFECÇÃO AGUDA PELO HIV • Pode durar meses . (usados rotineiramente como diagnóstico da Infecção). seguida por uma fase latente ( 3-10 anos ) e depois segue-se o colapso imunológico caracterizado como AIDS .

Após 4-6 meses set point virológico .INFECÇÃO AGUDA PELO HIV • Altos níveis de viremia replicação do HIV não é contida pela resposta imunológica . • Cerca de 30 dias após a infecção a resposta imune específica imediata é montada com subseqüente redução da viremia .

Clinical Infectious Diseases 2004. 38:1447–53 .

The Journal of Clinical Investigations Vol 113 Number7 April 2004 .

1) 2.6 (1.5 kg Mal-estar geral Mialgias Freqüência 80% 51% 37% 54% 44% 54% 32% 68% 49% Racio Odds (95% CI) 5.3-6.3 (3.5 (1.3-5.6 (1.4-9.3-5. AIDS 2002.1-4. 16: 1119-1129 .8) 3.2-4.8 (1.1-4.5-6.6-19.2 (2.5) 2.0) 2.3-11.8) 2.6) 2.3) De: Hecht FM et al.2) Febre e rash 46% 8.8 (2.1) 2.1 (1.2 (1.1 (1. Use of laboratory tests and clinical symptoms for identification of primary HIV infection.Infecção aguda: manifestações clínicas Tabela 1: Principais sintomas da infecção aguda pelo VIH-1 Sintomas Febre Rash Úlceras orais Artralgias Faringite Perda de apetite Perda de peso> 2.7) 4.

1998 . Vômito e/ou Diarréia Suores Noturnos Meningite Asséptica Úlceras Orais 70-90 40-80 32-70 40-70 50-70 50-70 30-60 50 24 10-20 Úlceras Genitais Trombocitopenia Linfopenia Elevação dos níveis séricos de enzimas hepáticas 5-15 45 40 21 Adaptado de Kahn et al.Principais sinais e sintomas associados a infecção aguda pelo HIV Sinais e Sintomas Febre Freqüência (%) 80-90 Fadiga Exantema Cefaléia Linfadenopatia Faringite Mialgia e/ou Artalgia Nausea.

.Sindrome retroviral Aguda • Eritema maculopapular com lesões na face e tronco e eventualmente em extremidades (incluindo mãos e pés). • Ulceras mucocutaneas envolvendo mucosa oral esofago e genitais.

Sindrome retroviral aguda • Manifestações neurológicas • • • • • • Meningoencefalite meningite asséptica (rara) Neuropatia periferica ou radiculopatia Paralisia facial. Sindrome de Guillain-Barré Neurite braquial Psicose ou deficit cognitivo .

• PCR .000 copias/mL) pode ser falso positivo. • Diagnóstico feito por teste de HIV-RNA devera ser confirmado por teste sorológico subseqüente.Hiv .HIV RNA (<10. .infecção aguda Diagnóstico laboratorial • HIV RNA detectável com Elisa negativo ou indeterminado.

ALGORITMO PARA DIAGNÓSTICO DE INFECÇÃO PRIMÁRIA (adaptado de Hecht et al.AIDS 2002) Suspeita de infecção Aguda Anticorpos Anti HIV1 positivos Anticorpos anti HIV-1 Negativos RNA HIV-1 <50cop/ml Duração da infecção desconhecida Infecção (crônica) pelo HIV-1 estabelecida Anticorpos anti HIV-1 negativos RNA HIV-1 detectável Não há infecção pelo HIV-1 Considerar Elisa detuned Se + > 18 sem..000 cop/ml Indeterminado RNA HIV-1 >5000 Infecção Aguda pelo HIV . Repetir RNA HIV-1 RNA HIV-1 < 50cop RNA 50-5.

doenças por riquetsias . Infecção Aguda pelo HIV não é tão rara quanto é relatada .etc Raramente é considerado o diagnóstico de infecção aguda pelo HIV . estratégias de ¨pool ¨. p24 . O teste de rotina de detecção de Ac anti HIV demora 1-2 sem após a Sd Retroviral Aguda para positivar (26-35 dias após o início da infecção) . Gripe . Estratégias variantes de diagnóstico : testes individuais de HIV RNA .Síndrome Retroviral Aguda Diagnóstico Diferencial de várias infecções : Mononucleose . Malária . The Journal of Clinical Investigations Vol 113 Number7 April2004 .

– tratamento pode ter impacto na prevenção da transmissão:risco 8 – 20 vezes maior durante relacionamento com parceiro em fase aguda.J.Infect.Tratamento poderia alterar a evolução natural da doença. 2004). . . Dis. (Pilcher.Tratamento da infecção Aguda • Considerações – momento único da transmissão e patogênese. C.

The Journal of Clinical Investigations Vol 113 Number7 April2004 . Estratégias de prevenção maior impacto .Reconhecer uma infecção aguda é importante por várias razões 1. 3. Oportunidade única de observar a transmissão e a patogênese do HIV e interações precoces vírus-hospedeiro 2. Pode permitir o tratamento que pode alterar a história natural da doença ou mesmo eliminar a infecção .

38:1447–53 .Vantagens e desvantagens potenciais de tratar a infecção primária pelo HIV-1 Vantagens Desvantagens • Preservação da resposta imune • Oportunidade para interrupção estruturada viral celular específica contra o HIV-1* • Toxicidade e riscos desconhecidos no longo prazo não definidos • Benefícios no longo e curto prazo • Aquisição de resistência precoce • Impacto na qualidade de vida • Limitação quanto aos futuros tratamentos. • Diminuição do set point de carga • Limitação da evolução e diversidade viral • Diminuição da transmissão* • Alivio da síndrome retroviral aguda *Baseadas em evidência • Tratamento antiretroviral por • Custo período indefinido (“„eterno”) Clinical Infectious Diseases 2004.

Tratamento da infecção aguda • Igual a infecção crônica • HAART .

tratamento a monitorizarão do mesmo deve seguir os padrões descritos para os pacientes em tratamento com infecção em fase crônica (AII). (AIII). (CIII). de longo prazo. • Desconhece-se ate o momento os benefícios virologicos. 2005 – DHHS..nih. . • O tratamento também deve ser considerado opcional para imunológicos ou clinico. em relação ao tratamento da infecção aguda. • No tratamento de pessoas com infecção aguda provavelmente haverá beneficio na realização de uma genotipagem (BIII). • Se o clinico e o paciente optaram pelo tratamento deve-se • Nos pacientes com infecção aguda que optou-se pelo objetivara supressão viral.Guidelines for the Use of Antiretroviral Agents in HIV-1Infected Adults and Adolescents October 6. aqueles indivíduos que soroconverteram ha menos de 6 meses. http://AIDSinfo.gov.Neste momento o tratamento deve ser considerado opcional (CIII).

cuando la infección es crónica. En cualquier caso.22(10):564-642 RECOMENDACIONES. es preciso efectuar previamente un test de resistencias ante la posibilidad de transmisión de cepas resistentes. En los pacientes no tratados se recomienda reevaluar los criterios del TAR a partir de los 6 meses. se recomiendan las mismas pautas de TAR que en la infección crónica por el VIH (nivel C).Recomendaciones de GESIDA/Plan Nacional sobre el Sida respecto al tratamiento antirretroviral en pacientes adultos infectados por el VIH (octubre 2004). este Comité recomienda que estos pacientes se incluyan en ensayos clínicos. En el caso de que un paciente inicie TAR. Este Comité considera que no existen suficientes evidencias científicas en la bibliografía para recomendar en la práctica clínica el TAR a los pacientes con una infección aguda por el VIH. Por otra parte. . una vez se le hayan explicado sus ventajas e inconvenientes (nivel C). Enferm Infecc Microbiol Clin 2004. no se recomienda el inicio del TAR a no ser que existan manifestaciones clínicas graves o una duración prolongada de los síntomas. Por lo tanto.

existindo a possibilidade de recrudescencia da síndrome retroviral aguda na descontinuação do tratamento. mas desconhece-se se existe beneficio clinico associado. . Todavia desconhece-se o tempo necessario de tratamento. Os possíveis benefícios decorrentes do tratamentos devem ser contrabalançados com os riscos de toxicidade incluindo a lipodistrofia e a possibilidade de desenvolvimento de resistência precoce as drogas. A potencial dificuldade de aderência a longo prazo não deve ser subestimada. Pacientes que se apresentam com graves manifestações clínicas ou sintomas prolongados ( como meningoencefalite) podem melhorar se tratados com HAART. E possível que HAART a curto prazo neste pacientes possa trazer algum imunológico.BHIVA guidelines for the treatment of HIVinfected adults with antiretroviral therapy 2005 • HIV infecção primária: Dada a atual falta de dados • conclusivos permanece razoável considerar o tratamento da infecção aguda apenas em ensaios clínicos.

. é não indicar a terapia anti-retroviral nesta fase da infecção.Recomendações para Terapia Anti-Retroviral em Adultos e Adolescentes Infectados pelo HIV2004. Vigilância em SaúdePrograma Nacional de DST e AidsBrasília – DF 2004 MiNISTÉRIO DA SAÚDE. Portanto. a recomendação do Ministério da Saúde. até o presente momento.Secretaria de Infecção Aguda Os estudos atualmente disponíveis não permitem concluir se os benefícios em longo prazo justificariam o tratamento nesta fase da infecção pelo HIV.

STI somente com intensa monitorizarão. esperar ate o 6 mês.European Guidelines – 2005 www. Teste de resistência: recomendado  Se for impossível a genotipagem guardar soro para avaliação futura. Duração do tratamento: indefinida.eacs.000 cp/ml.C. .N. e seguir os critérios • • de introdução de HAART para infecção crônica. • Na ausência de sintomas.ws Infecção Aguda – tratamento • “Clinical trial” • Tratar se: – Infecção oportunista – Quadro clinico grave/sintomas prolongados (alterações no S.) – CD4 < 350 cels/mm3 no 3 mês de evolução – HIV-RNA no 3 mês > 100.

D.D. Andrew Carr. placebo.D.. 1995 -63 pacientes: 34 /Azt & 29 placebo -1 O. Hirschel. Bernard J.I.A Controlled Trial of Zidovudine in Primary Human Immunodeficiency Virus Infection Sabine Kinloch-de Loës. and Luc Perrin.D. placebo: 4 candidiase oral 2 herpes zoster 1 leucoplasia oral.. Michel Glauser.I.D. David Hawkins.I...D. M.. Nathan Clumeck. M. – Azt: leucoplasia oral -O. M. -O. Volume 333:408-413 August 17. ..David A.D. grupo Azt & 7 O. M..I.Sc. M.D. D. M. Cooper. M. M.

Tratar ou não .

• Paciente apresenta-se há 4 anos bem assintomático . • Pedida carga viral: 1.000. • Instituído HAART: Lamivudina/tenofovir/efavirenz. .000 de copias.Evolução • Paciente realizou elisa que foi negativo e western blot indeterminado.