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PAZ QUE SÓ DEUS DÁ Maio 4, 2013 1.

O texto que o Evangelho deste Domingo VI da Páscoa (João 14,23-29) nos oferece enquadra-se naquele monumental Testamento que, no IV Evangelho, Jesus pronuncia, em ondas sucessivas, após a Ceia com os seus Discípulos (João 13,12-17,26). Neste imenso texto, cujas linhas temáticas vêm e refluem e voltam a vir, à maneira das ondas do mar que vêm sobre a praia, refluem e voltam, assistimos hoje ao segundo dos cinco dizeres de Jesus relativos à Vinda do Espírito Santo, Paráclito ( paráklêtos), isto é, Defensor [Advogado de defesa], Consolador e Intérprete. Este último significado deriva do aramaicoparáklita, dos rabinos, que não tem o significado usual do grego (Defensor e Consolador), mas Intérprete, aquele que traduz Deus para nós e nós para Deus, fonte permanente de comunicação, compreensão e comunhão. O Espírito Paráclito é assim o grande construtor de pontes entre nós uns com os outros e com Deus. É, por isso, que Ele é o Amor, que destrói todos os muros, preconceitos, ódios, divisões, incompreensões. Eis os cinco mencionados dizeres de Jesus sobre a Vinda do Espírito Santo, sempre dita no futuro: João 14,16; 14,26; 15,26; 16,7; 16,13-15. 2. O primeiro enviado do Pai é o Filho Jesus, que cumpre e revela o conteúdo da própria missão. O segundo enviado é o Paráclito. O Pai é, em relação aos dois, o enviante; o Filho e o Espírito são, em relação ao Pai, ambos enviados. Confrontando os textos, vemos que há semelhança da relação entre o Pai e o Paráclito com a relação entre o Pai e o Filho: ambas são expressas pelo mesmo verbo «enviar» ( pémpô). Mas, juntamente com a semelhança, deparamos também com diferenças. A primeira diferença está no facto de que, em relação ao Filho, o verbo enviar está no passado, encontrando-se no futuro em relação ao Paráclito. O envio de Jesus pelo Pai já se realizou [«o Pai que me enviou»: João 5,23.37; 6,44; 8,16.18; 12,49; 14,24; «Aquele que me enviou»: João 4,34; 5,24.30; 6,38.39.40; 7,16.28.33; 8,26.29; 9,4; 12,44-45; 13,20; 15,21; 16,5], enquanto que o envio do Paráclito é anunciado, mas deve ainda realizar-se [«o Pai enviá-lo-á no meu nome»: João 14,26], do mesmo modo que a sua tarefa de ensinar e de recordar aparece igualmente enunciada no futuro. A segunda diferença reside no facto de o envio de Jesus ser feito directamente pelo Pai, sem intermediários, enquanto que o envio do Paráclito é feito pelo Pai mediante a intervenção de Jesus, traduzida pela expressão «no meu nome». O que se passa com o verbo «enviar» em termos de semelhança e diferenças, passa-se também com o verbo «dar» (dídômi): «Deus (…) deu o seu Filho unigénito» (João 3,16), e «dará a vós outro Paráclito» a pedido de Jesus (João 14,16). Mas em relação ao Paráclito, o próprio Jesus é por duas vezes sujeito do verbo «enviar»: «Eu enviá-lo-ei de junto do Pai» (João 15,26); «Quando eu for, enviá-lo-ei para junto de vós» (João 16,7). 3. Mas o texto de hoje põe Jesus a dizer que o Pai enviará o Paráclito, o Espírito Santo, em seu nome (João 14,26), isto é, mediante a sua intervenção. Jesus afirma também que não diz senão a Palavra do Pai (João 14,24), e que o Espírito Santo também não falará de si mesmo mesmo, mas apenas o que tiver ouvido (João 16,13). Assim, o

7. da paz por Ele dada.4. Jesus fala ainda do amor. ensinará todas as coisas e recordará tudo o que disse Jesus (João 14. Oh admirável mundo novo! 8. nada mais que Amor.22-29) leva-nos ao Concílio de Jerusalém. Passa também neste Domingo VI da Páscoa o Dia da Mãe. Diz. quando Israel estava no Sinai para fazer aliança com Deus.Espírito Santo. Vem. Espírito de Luz. 6. só Amor.10-14. que. O lição do Livro dos Actos dos Apóstolos (15. Sobre esta terra dorida. construtor e Senhor das mais belas transparências e vivências. dito Midrash Tehillîm. neste Dia da Mãe. o velho comentário rabínico aos Salmos. nem é nosso.22-23) traz-nos outra vez a Igreja bela. que é diferente da paz que o mundo dá e como o mundo a dá. da escuta qualificada da sua Palavra. da habitação de Deus em nós. para que o Evangelho fosse levado a todos os corações. de acordo com a lição da Leitura do Livro do Apocalipse 21. tu a tu com Deus. 9. 4. em sinal de comunhão. Amor. 5. Luz que alumia. uma Mãe verdadeira ainda é o ícone mais belo deste amor imenso e sem pauta nem medida. O que importa é o Evangelho. no meio de nós. António Couto . nem é teu. para que os embriões pudessem ver Deus e conversar com Ele». Precisamos tanto de Ti nesta calçada enlameada e escura e escorregadia em que andamos. vestida por Deus. No Evangelho de hoje. cair pelo rosto de cada Mãe uma lágrima de tristeza ou de alegria! Melhor assim. O Espírito Santo faz nascer em nós esta transparência luminosa e maravilhosa. de forma absolutamente maravilhosa.1-2. É por isso que é fácil. em que os Apóstolos Pedro e Peulo e Tiago se deram as mãos. sem a mediação de um templo material. e não engana. Mas uma Mãe sabe isso melhor. É de Deus. «o ventre das mulheres grávidas se tornou transparente como vidro. Nós sabemos isso. alumiada por Deus.14). Por outras palavras: receberá do que é meu e vos anunciará (João 16. Mulher e Mãe: sentirás a mão carinhosa de Deus a afagar o teu rosto e a enxugar essa lágrima. e não as nossas maneiras diferentes de pensar. O Apocalipse (21.26). anestesiada e indiferente. que não é meu. que será enviado.