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INSTITUTO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA

Departamento de Engenharia Elétrica Centro Tecnológico

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

Introdução aos Conversores CC-CC

Responsável pelo Estudo: Clóvis Antônio Petry (INEP/EEL – UFSC) Orientador: Prof. Ivo Barbi, Dr. Ing. (INEP/EEL – UFSC)

Agosto/2001

Caixa Postal 5119, CEP: 88.040-970 - Florianópolis - SC Tel. : (048) 331.9204 - Fax: (048) 234.5422 – Internet: www.inep.ufsc.br

.. ................... 9 CONVERSOR FLYBACK (BUCK-BOOST ISOLADO) ................................................. 3 FUNDAMENTOS SOBRE CONVERSORES CC-CC ........ 16 CONCLUSÃO................................................................................... 14 OPERAÇÃO EM MALHA FECHADA..........Instituto de Eletrônica de Potência Eletrônica de Potência II 2 Índice ÍNDICE........................................................................................................................................................................................................................................................................... 17 Introdução aos conversores CC-CC........................ 11 CONVERSOR FORWARD (BUCK ISOLADO)....................................................................... 5 CONVERSOR BOOST.................... 2 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 INTRODUÇÃO ........................................................................................................................... 17 BIBLIOGRAFIA ............................................................................................................................................................ 3 CONVERSOR BUCK ........................................................................ 7 CONVERSOR BUCK-BOOST .............

Conversor CC-CC e forma de onda da tensão de saída.Instituto de Eletrônica de Potência Eletrônica de Potência II 3 1 Introdução Neste trabalho apresentam-se os principais conversores CC-CC. diminuindo assim o volume dos elementos magnéticos e capacitivos do conversor. normalmente indutores e capacitores que tem por função controlar o fluxo de potência de uma fonte de entrada para uma fonte de saída. Esta freqüência tende a ser a mais alta possível. com o objetivo de introduzir o estudante da disciplina de Eletrônica de Potência II no estudo dos conversores CC-CC. . 2 Fundamentos sobre conversores CC-CC Conversores CC-CC são sistemas formados por semicondutores de potência operando como interruptores. S + Vi Ro Vo Ton Ts Vo Vi Figura 1 . bem como dos principais fundamentos teóricos envolvidos na concepção e análise destes conversores. e por elementos passivos. A razão entre o intervalo de comutação (Ts) e o intervalo de condução do interruptor S (Ton) é definido por razão cíclica e dada por: D= Ton Ts A tensão média na saída deste conversor é calculada por: 1 Vo = Ts Ton ∫ Vidt = Vi 0 Ton Ts Introdução aos conversores CC-CC. O intervalo de comutação é definido como: Ts = 1 Fs Fs é a freqüência de comutação. Na Figura 1 mostra-se o diagrama elétrico e a forma de onda da tensão de saída de um conversor CC-CC básico.

25 0.75 1 Figura 2 . .Ganho estático em função de D.Exemplo de um circuito PWM.5 0. Introdução aos conversores CC-CC. Uma forma de gerar os sinais de comando com freqüência fixa é através de modulação por largura de pulso (PWM). Vr Vc Gerador de Rampa VCC Vc + Vg Ton Ts Ton Ts Figura 3 .5 D 0. Os sinais de comando do interruptor podem ser gerados com freqüência de comutação fixa ou variável. Na Figura 3 mostra-se uma forma simples de realizar PWM.Instituto de Eletrônica de Potência Eletrônica de Potência II 4 Usando Ton = D Ts tem-se: Vo = D Vi A relação entre a tensão de saída e a tensão de entrada é definida por ganho estático do conversor e dada então por: D= Vo Vi Pelo gráfico mostrado na Figura 2 pode-se notar que a variação da tensão de saída com a razão cíclica é linear.25 0 0 0.75 Vo/Vi 0. 1 0.

Como a tensão média sobre o indutor deve ser nula. Na Figura 4 mostra-se o diagrama elétrico do conversor Buck. A energia do indutor é transferida para a carga. 2a Etapa (DTs.Conversor Buck. (1-D)Ts): S está bloqueado. 1a Etapa (0. isto é. .Instituto de Eletrônica de Potência Eletrônica de Potência II 5 3 Conversor Buck O conversor Buck é um conversor abaixador de tensão. DTs): S está conduzindo. No instante de abertura de S o diodo D entra em condução. 1 = Ts D Ts ∫ Vidt 0 Introdução aos conversores CC-CC. S a Lo + D Co Ro Vo b Vi Figura 4 . A corrente circula por Lo e pela saída.Tensão Vab. Nesta etapa Vi fornece energia para a saída e para a magnetização do indutor Lo. As etapas de funcionamento do conversor Buck são descritas a seguir. caracterizado por ter entrada em tensão e saída em corrente. então: Vo = Vab _ med Vo =D Vi Na Figura 6 mostra-se a variação da tensão de saída em função da razão cíclica para o conversor Buck. o indutor é desmagnetizado. Vab Vi DTs Ts Figura 5 . A forma de onda da tensão Vab é mostrada na Figura 5.

5 D 0. 2º .75 Vo/Vi 0. 3º .5 0.Condução Descontínua: a corrente em Lo se anula a cada período de comutação. Vi-Vo VLo -Vo ILo Io VCo VS Vi VD -Vi D Ts Ts Figura 7 . A corrente na entrada é descontínua. As principais formas de onda do conversor Buck são mostradas na Figura 7.Instituto de Eletrônica de Potência Eletrônica de Potência II 6 1 0.75 1 Figura 6 . Questão: O conversor Buck pode operar sem carga?? Introdução aos conversores CC-CC.Condução Crítica: a corrente em Lo está no limiar de se anular a cada período de comutação. O conversor Buck pode operar em três modos de operação: 1º .25 0.Condução Contínua: a corrente em Lo não se anula durante um período de comutação. A corrente de saída tem boa qualidade.25 0 0 0.Principais formas de onda do conversor Buck. As principais características do conversor Buck são: • • • Pode apenas diminuir a tensão na saída. .Ganho estático em função de D.

(1-D)Ts): S está bloqueado. O indutor L é magnetizado. 1a Etapa (0. A forma de onda da tensão sobre o indutor é mostrada na Figura 9. VL Vi DTs -(Vo-Vi) Ts Figura 9 . Como a tensão média sobre o indutor deve ser nula. Introdução aos conversores CC-CC. A tensão na carga aumenta. As etapas de funcionamento do conversor Boost são descritas a seguir. O diodo D entra em condução. então: 1 Ts D Ts 1 ∫ Vidt = Ts 0 (1− D ) Ts ∫ (Vo − Vi )dt 0 Vo 1 = Vi 1 − D Na Figura 10 mostra-se a variação da tensão de saída em função da razão cíclica para o conversor Boost. A fonte Vi e o indutor L fornecem energia à saída.Instituto de Eletrônica de Potência Eletrônica de Potência II 7 4 Conversor Boost O conversor Boost é um conversor elevador de tensão.Tensão sobre o indutor. A fonte Vi fornece energia ao indutor. L S Vi Co Ro Vo D + Figura 8 . Na Figura 8 mostra-se o diagrama elétrico do conversor Boost. 2a Etapa (DTs. . caracterizado por ter entrada em corrente e saída em tensão. DTs): S está conduzindo.Conversor Boost.

25 0. Vi-Vo VLo -Vo ILo Io VCo VS Vi VD -Vi D Ts Ts Figura 11 . . As principais formas de onda do conversor Boost são mostradas na Figura 7.Principais formas de onda do conversor Boost.Ganho estático em função de D.Instituto de Eletrônica de Potência Eletrônica de Potência II 8 100 75 Vo/Vi 50 25 0 0 0. A corrente na entrada tem boa qualidade.75 1 Figura 10 . A corrente de saída é descontínua. Questão: O conversor Boost pode operar sem carga?? Introdução aos conversores CC-CC.5 D 0. As principais características do conversor Boost são: • • • Pode apenas aumentar a tensão na saída.

Conversor Buck-Boost. (1-D)Ts): S está bloqueado. caracterizado por ter entrada em tensão e saída em tensão.Tensão no indutor. A fonte Vi fornece energia para a magnetização do indutor L. As etapas de funcionamento do conversor Buck-Boost são descritas a seguir. Introdução aos conversores CC-CC. . A forma de onda da tensão sobre o indutor é mostrada na Figura 13. DTs): S está conduzindo.Instituto de Eletrônica de Potência Eletrônica de Potência II 9 5 Conversor Buck-Boost O conversor Buck-Boost é um conversor que pode operar como abaixador ou elevador de tensão. Como a tensão média sobre o indutor deve ser nula. O indutor L é desmagnetizado. VL Vi DTs -Vo Ts Figura 13 . então: 1 Ts D Ts ∫ Vidt = 0 1 Ts (1− D ) Ts ∫ Vodt 0 Vo D = Vi 1 − D Na Figura 14 mostra-se a variação da tensão de saída em função da razão cíclica para o conversor Buck-Boost. 2a Etapa (DTs. A energia do indutor L é transferida através do diodo D para a saída. Na Figura 12 mostrase o diagrama elétrico do conversor Buck-Boost. S D + Vi L Co Ro Vo - Figura 12 . 1a Etapa (0.

5 0 0 0. . A corrente na entrada é descontínua.5 D 0. A corrente de saída é descontínua.Instituto de Eletrônica de Potência Eletrônica de Potência II 10 10 7. Pode operar como elevador ou abaixador.5 Vo/Vi 5 2.75 1 Figura 14 .25 0. As principais formas de onda do conversor Buck-Boost são mostradas na Figura 15. Vi VLo -Vo ILo Io ICo VCo Vo Vi+Vo VS VD -(Vi+Vo) D Ts Ts Figura 15 .Principais formas de onda do conversor Buck-Boost. As principais características do conversor Buck-Boost são: • • • • É um conversor à acumulação de energia. Questão: O conversor Buck-Boost pode operar sem carga?? Introdução aos conversores CC-CC.Ganho estático em função de D.

Na Figura 16 mostra-se o diagrama elétrico do conversor Flyback. 2a Etapa (DTs. Vpri Vi DTs -nVo Ts Figura 17 . bem como a seqüência de passos para obter o conversor Flyback do conversor Buck-Boost.Instituto de Eletrônica de Potência Eletrônica de Potência II 11 6 Conversor Flyback (Buck-Boost isolado) O conversor Flyback é um conversor idêntico ao conversor Buck-Boost. 1a Etapa (0. DTs): S está conduzindo. mas que apresenta isolação galvânica entre a tensão de entrada e de saída. S BUCK-BOOST D S n:1 ? Vi L Co Ro Vi Lpri Lsec ? Qual a polaridade do transformador?? S n:1 D Vi Lpri Lsec Co Ro Vo + Vi Lpri Lsec Co Ro S n:1 D + Vo Co Ro D Figura 16 . então: 1 Ts D Ts ∫ Vi dt = 0 1 Ts (1−D ) Ts 0 ∫ nVo dt Introdução aos conversores CC-CC. As etapas de funcionamento do conversor Flyback são descritas a seguir. O diodo D está reversamente polarizado.Conversor Flyback. A forma de onda da tensão no primário do transformador é mostrada na Figura 13. . (1-D)Ts): S está bloqueado. A energia armazenada no transformador é levada para a saída através do diodo D. A fonte Vi fornece energia para a magnetização do enrolamento primário do transformador. Como a tensão média sobre enrolamento primário do transformador deve ser nula.Tensão no primário.

57 Vo 12 As principais formas de onda do conversor Flyback são mostradas na Figura 19.86 n= = = 3. Introdução aos conversores CC-CC.107 Vi + Vo 12 + 100 Esta razão cíclica é bastante baixa para operação em malha fechada. A razão cíclica nominal seria: Dn = Vo 12 = = 0. Na Figura 18 mostra-se a variação da tensão de saída em função da razão cíclica para o conversor Flyback. Suponhamos um conversor Buck-Boost com tensão de entrada de 100V e tensão desejada na saída de 12V. ou seja.3 tería-se: Vo ' = Vi Dn 0.Ganho estático em função de D.86V 1 − Dn 1 − 0. Escolhendo então uma razão cíclica nominal de 0. .75 1 Figura 18 .3 Vo ' 42.Instituto de Eletrônica de Potência Eletrônica de Potência II 12 nVo D = Vi 1− D Chamando nVo = Vo ' tem-se: Vo ' D = Vi 1 − D A tensão Vo’ é a tensão de saída referida ao lado primário. A vantagem do uso de um transformador pode ser vislumbrada através de um exemplo.5 0 0 0.5 Vo'/Vi 5 2. 10 7.5 D 0.25 0. um conversor Flyback no lugar do conversor Buck-Boost pode-se escolher a razão cíclica nominal e em seguida adaptar as tensões através da relação de transformação. Usando um transformador.3 = 100 = 42.

Instituto de Eletrônica de Potência Eletrônica de Potência II 13 Vi Vpri -nVo Vsec Vo -Vi/n Ipri Isec Vi+nVo VS VD -(Vi/n+Vo) D Ts Ts Figura 19 . A saída é isolada da entrada. A corrente de saída é descontínua. Questão: O conversor Flyback pode operar sem carga?? Introdução aos conversores CC-CC. Pode operar como elevador ou abaixador. As principais características do conversor Flyback são: • • • • • • • É um conversor à acumulação de energia. Possibilita usar várias saídas. Permite ajustar a razão cíclica de operação através da relação de transformação.Principais formas de onda do conversor Flyback. . A corrente na entrada é descontínua.

O transformador é desmagnetizado através diodo D1. Introdução aos conversores CC-CC. Na Figura 20 mostra-se o diagrama elétrico do conversor Forward. As etapas de funcionamento do conversor Forward são descritas a seguir.Conversor Forward. VLo Vi/n-Vo DTs -Vo Ts Figura 21 . A forma de onda da tensão no indutor é mostrada na Figura 21. 1a Etapa (0. DTs): S está conduzindo. mas que apresenta isolação galvânica entre a tensão de entrada e de saída. esta energia é devolvida para a fonte Vi.Instituto de Eletrônica de Potência Eletrônica de Potência II 14 7 Conversor Forward (Buck isolado) O conversor Forward é um conversor idêntico ao conversor Buck. bem como a seqüência de passos para obter o conversor Forward do conversor Buck. A fonte Vi fornece energia para a carga através do transformador. O diodo D3 conduz a corrente da carga. O diodo D2 conduz e D1 e D3 estão bloqueados. (1-D)Ts): S está bloqueado. S BUCK Lo S Lo Vi D Co Ro Vi Lpri Lsec D Co Ro Como eliminar a energia armazenada devido à magnetizante?? S Ldes Lo S Ldes Lo Vi Lpri Lsec D Co Ro Vi Lpri Lsec D Co Ro Sempre teria corrente no enrolamento de desmagnetização!! Ddes No secundário circularia uma corrente por D!! S D2 Ldes Lo D2 Ldes Lo + Vi Lpri Lsec D3 Co Ro Vi Lpri Lsec D3 Co Ro Vo - D1 S D1 Figura 20 .Tensão no indutor. 2a Etapa (DTs. .

Permite ajustar a razão cíclica de operação através da relação de transformação.25 0. então: 1 Ts D Ts ∫ 0 1 ⎞ ⎛ Vi ⎜ − Vo ⎟dt = Ts ⎠ ⎝ n (1−D ) Ts ∫ Vo dt 0 nVo =D Vi Chamando nVo = Vo ' tem-se: Vo ' =D Vi A tensão Vo’ é a tensão de saída referida ao lado primário.5 0.Ganho estático em função de D. Pode operar como abaixador. . Questão: O conversor Forward pode operar sem carga?? Introdução aos conversores CC-CC. As principais formas de onda do conversor Forward são mostradas na Figura 23. Na Figura 22 mostra-se a variação da tensão de saída em função da razão cíclica para o conversor Forward.75 Vo'/Vi 0.75 1 Figura 22 .5 D 0. No instante Tx a desmagnetização do transformador está completa.25 0 0 0. Possibilita usar várias saídas. A corrente na entrada é descontínua. As principais características do conversor Forward são: • • • • • • • É um conversor de transferência direta de energia. devido apenas à razão cíclica.Instituto de Eletrônica de Potência Eletrônica de Potência II 15 Como a tensão média sobre o indutor deve ser nula. A saída é isolada da entrada. 1 0. A corrente de saída é de boa qualidade.

.Exemplo de conversor em malha fechada. é necessário operar o conversor em malha fechada. S Lo + Vi D Co Ro Vo R2 R4 C2 R3 + + Vref R1 Vg Figura 24 . por exemplo.Instituto de Eletrônica de Potência Eletrônica de Potência II 16 Vpri Vi -Vi Vsec Vi/n -Vi/n -Vi Vdes Vi Ipri Isec Ides D Ts Tx Ts Figura 23 . Operar em malha fechada significa ajustar a razão cíclica para obter a tensão correta na saída sempre que ocorrer alguma variação que possa desviar a tensão de saída do valor correto. O compensador deve ser estudado conforme a aplicação e conforme as características de desempenho esperadas do sistema.Principais formas de onda do conversor Forward. da tensão de entrada e da carga. variação da carga. 8 Operação em malha fechada Para manter a tensão de saída. ou corrente de saída. Na Figura 24 mostra-se o conversor Buck operando em malha fechada através da modulação por largura de pulso (PWM). no valor desejado e independente das variações dos componentes. Introdução aos conversores CC-CC.

Luiz F. . Ivo & MARTINS. 10 Bibliografia [1] BARBI. Para os conversores isolados mostrou-se também a seqüência de passos mostrando a origem da topologia. Introdução aos conversores CC-CC. SP – Brasil.Instituto de Eletrônica de Potência Eletrônica de Potência II 17 9 Conclusão Neste trabalho apresentaram-se os principais conversores. Edição dos Autores. como uma introdução ao estudo de conversores CC-CC. Análise e Projeto de Fontes Chaveadas. Florianópolis. 1976. São Paulo. Pereira de. Apresentou-se também o princípio de funcionamento de um sistema em malha fechada. Denizar Cruz. As etapas de funcionamento. principais formas de onda. 2000. Editora Érica. [2] MELLO. SC – Brasil. Conversores CC-CC Básicos Não Isolados. ganho estático e principais características foram discutidos.