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FRANCISCO JOSÉ BARBOSA

UNIVERSIDADE LUTERANA DO BRASIL Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação Pró-Reitoria do Ensino a Distância Fundação Universidade Luterana do Brasil PROGRAMA NACIONAL DE SEGURANÇA PÚBLICA COM CIDADANIA

EVOLUÇÃO DO BANDITISMO MODERNO E FORMAS DE ATUAÇÃO EFICAZES DA POLICIA MILITAR NO SERTÃO PERNAMBUCANO.

Olinda-PE 2009

FRANCISCO JOSÉ BARBOSA

EVOLUÇÃO DO BANDITISMO MODERNO E FORMAS DE ATUAÇÃO EFICAZES DA POLICIA MILITAR NO SERTÃO PERNAMBUCANO.

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado no Curso de Pós-Graduação em Gestão da Segurança Pública na Sociedade Democrática na Universidade Luterana do Brasil – ULBRA – e Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania – PRONASCI para obtenção do grau de Especialista em Segurança Pública, sob a orientação da Profª MS. Carmem Aristimunha de Oliveira.

Olinda-PE 2009
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FOLHA DE APROVAÇÃO

EVOLUÇÃO DO BANDITISMO MODERNO E FORMAS DE ATUAÇÃO EFICAZES DA POLICIA MILITAR NO SERTÃO PERNAMBUCANO.

FRANCISCO JOSÉ BARBOSA

______________________________ NOME DE PROFESSOR ARGUIDOR

______________________________ NOME DE PROFESSOR ARGUIDOR

____________________________________ MS.CARMEM ARISTIMUNHA DE OLIVEIRA PROFESSORA ORIENTADORA

Olinda-PE 2009
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e da perseverança.A minha família. e cuja força me impulsionou para que chegasse ao término jornada. agradeço o dom da vida. reconhecimento Aos e mestres. A Deus. pelo meus estímulo sinceros e pela agradecimentos compreensão que demonstraram ao longo desta trilha. admiração meu pelos de mais uma ensinamentos compartilhados. 4 .

não ficam apenas nas contendas. e outros mais. tornando-os cada vez mais ousados. narcotráfico 5 . que de forma indireta beneficiaram os protagonistas da violência e do narcotráfico. explicita-se a grande necessidade de uma maior conscientização sócio-educativa e política da sociedade sertaneja. brigas de família. Neste contexto. principalmente nas cidades de Belém do São Francisco e Cabrobó.RESUMO O presente trabalho monográfico consiste em uma investigação teórica acompanhada de pesquisa de campo. sobre as forma similares e díspares nas formas de atuação e combate do cangaço. partem para a prática de diversas ilicitudes. aliados aos avanços tecnológicos e de comunicações. deixando assim o sertanejo sério. com disbulia na eubiótica dignamente. veículos. O objetivo precípuo deste trabalho foi mostrar que os problemas relativos à violência de outrora. principal gerador das contendas. Atribuídos aos cangaceiros. palco das brigas de famílias. honrado e íntegro. tráfico e plantio de maconha (Cannabis Sativa Linneu). tornando-se mais abrangentes e imensuráveis no contexto social. bem como de um melhor aparato policial. banditismo moderno e forças policiais no sertão pernambucano. envolvendo diretamente os Benvindo e Araquan e suas uniões com outras famílias. bem como os Benvindo. Destacando o clã Araquan. são hodiernamente os mesmos. Tendo como tema central à violência gerada a partir da década de 90. tudo para financiar o conflito. PALAVRAS-CHAVE: violência. assaltando bancos.

.............................LISTA DE ABREVIATURAS APF.........................Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças CIOE........................................................................................................Batalhão de Polícia Militar BPTRAN.Boletim de ocorrência BPChoque............................................................................................Comando de Policiamento do Interior CPI..................................... CIPM................................................................................................................................Aspirante ASRI.....................................Curso Intensivo de Operações e Sobrevivência na Área de Caatinga CIOSAC...Capitão CBMPE............................................................Comissão Parlamentar de Inquérito CPS........Agente de Polícia Federal Asp.............Comando de Policiamento do Agreste CPAC...........................................Agência de Serviço Reservado de Inteligência BG..............................................................................................Batalhão de Polícia Rodoviária BPRP................................................................................................................................................................................................................................Companhia Independente de Polícia Militar CIPOMA...........................Coronel CFAP...................Batalhão de Polícia de Rádio Patrulha CAMIL......Comando de Policiamento do Sertão 6 .........Comando de Operações Táticas CPA..............Batalhão de Polícia de Trânsito BPRV.......Companhia Independente de Operações e Sobrevivência na Área de Caatinga.2º Comando de Policiamento de Área do Interior CPE......................................................................Companhia de Policiamento em Área de Caatinga CPA/I-2..........................................................................................................................................................................................................Casa Militar CAP...................................................................................Comando Militar da Aeronáutica CMNE............................................................................................................................................................................Comando de Policiamento Especializado CPI...............................................................................................................Companhia Independente de Policiamento do Meio Ambiente COMAR............................................................................................................................................Batalhão de Polícia de Choque BPM.............................Comando Militar do Nordeste COT....Boletim geral BO..............Corpo de Bombeiro Militar de Pernambuco CEL..........................................................Companhia Independente de Operações Especiais CIOSAC.................................................

....................................................................................................................................2ª Grande Área de Policiamento do Interior N.......................................................................................................................................fuzil automático leve GAPI-2....Delegacia de Polícia Civil DPF..........Comando de Policiamento da Zona da Mata DEIP.................Força Aérea Brasileira FAL....................Seção de Operações TEN..................................................................Núcleo de Análises OME................................................................................................................................Diretoria de Ensino Instrução e Pesquisa DGO..................Tenente TC......Polícia Militar do Amapá PMBA........................... Polícia Militar de Pernambuco PMPI..........................................................................................................Delegacia de Polícia Federal EB ............................Estado Maior FAB..........Diretoria Geral de Operações DPC....................Exército Brasileiro EM....................................................................................................................................................................................................................................CPZM................A....Tenente Coronel 7 ....................................................................................................................................................................................................................................................................................................................... Polícia Militar da Paraíba PMPE............................................................................................... Polícia Militar da Bahia PMPB...................... Polícia Militar do Piauí SD.....................................................................................................Sargento SOP..................................................................................................................................................................Organização Militar Estadual PMAP..........................................................................................................................................................................Soldado SGT.................

.........................................6 1........ 1......................5 1.............. O Rio Pajeú...................18 Chico Benvindo: seu último combate. O Cenário.................................................................................. 33 Confrontos........................................................................................................................................................ 1...........................................................SUMÁRIO INTRODUÇÃO.......................................1 O saque de Souza-PB ............ 1........ prisão e fuga dos Araquan.....8...8.......................................... Origem da “família Ferreira”..........................13 Pelotões de Caçadores: uma Força Policial eficaz no combate ao banditismo............................................................11 O início das brigas...........................................4 Angicos: o fim de Lampião ........................................................................................ 1......15 Os Araquan causam terror...........7 1............ 1......9 O Cangaço Moderno........................................19 A morte de Cleiton: um fim esperado..............14 s principais confrontos.......................................................2 1.....................................................................................................................3 Serra Grande-PE .............................. 38 38 39 39 40 45 47 48 58 1... 1................... 13 13 16 O Rio São Francisco.......3 1............................... 1.........................................8......12 Os Benvindo causam terror........................................................................ Primeiras questões dos “Ferreiras” no Sertão Pernambucano........................................... 1..............8 REVISÃO DA LITERATURA. 17 O cangaço...................2 Serrote Preto-AL..................... 1...............................................................8...................................................... 24 30 32 As Volantes.................................0 1..............................................................................16 A despedida de um Guerreiro: e a busca incessante de seu algoz.................. 1.................... 61 69 72 74 77 81 84 8 .................................................................................. 1.......... 1.....................1 1....................17 Serrote do Frio.............................................................................................................................................4 1.......... 1..... 10 1.....................................10 Origem da Grei dos Araquan...... 1....................

............................... Procedimentos......0 ANÁLISE DOS RESULTADOS...................................................0 CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................1 2.........................0 2.............2. 103 5........................................................2 METODOLOGIA... 94 94 95 3............................................................................................................ 97 4........................................................................................................... 107 6............................................0 ANEXOS.......0 REFERÊNCIAS............. Diagrama da problemática da pesquisa.......................... 110 9 .....

Ao completar a esparsa ocupação daquele meio hostil. é o mulato. A distribuição da população se dá de forma muito irregular. Foi aí que surgiram os latifúndios. O Sertão possui as mais baixas densidades demográficas de todo o Nordeste. região mais populosa. O elemento humano predominante na Zona da Mata. A principal área de expulsão é. tal cultivo não trouxe enriquecimento para o Brasil. a maior parte da população rural do Nordeste vive em minifúndios. Apesar de a cana-de-açúcar trazer grandes lucros. E a adversidade da natureza. O povoamento do sertão foi realizado no século VII com base na criação de gado e da agricultura de subsistência. Os portugueses que vinham recebiam da metrópole grandes extensões de terra para serem cultivadas. o Sertanejo. Hoje em dia. muitos caboclos abandonam suas terras e dirigem-se para o litoral. que é um mestiço de branco com o negro. que exige pouca mão-de-obra. O elemento humano característico do sertão.INTRODUÇÃO A Zona da Mata nordestina foi a primeira área do Brasil a ser povoada. sem dúvida. através das barrancas do rio São Francisco. pequenos imóveis rurais onde era praticada uma agricultura da subsistência. Assim quando não vêm as chuvas de dezembro. também formando grandes latifúndios. e o povoamento teve como base a monocultura da cana de açúcar. cuja mão-de-obra era de escravos trazidos da África. ou seja. O Agreste também apresenta densidades demográficas elevadas. é mestiço de branco com índio e é denominado mameluco ou caboclo. O agreste foi povoado depois do Litoral e do Sertão. com base na pequena propriedade. A saída de nordestinos de sua região vem ocorrendo há muito tempo e em número elevado. Esse fato se dá em conseqüência do clima semi-árido. é o fator causador da evasão. Isso aconteceu ainda no século XVI. o Nordeste é a terceira região mais populosa do Brasil. por ser uma zona de pequenas propriedades. o Sertão. exploradas com mão-de-obra familiar. dos solos pobres e da existência de latifúndio pastoril. principalmente no século XVIII. Com o passar do tempo foram surgindo os minifúndios. Com mais de 35 milhões de habitantes. curtido no braseiro e por entre os espinhos da 10 . a seca.

Mas o número de carros importados na região é um sinal de que alguma coisa mudou no padrão de vida dos sertanejos destes lugares. As ruas quase sempre esburacadas e sem asfalto são evidências dos poucos recursos das prefeituras. No coração do Polígono das Secas está rolando dinheiro grosso e ilegal.caatinga. no alto sertão de Pernambuco. tem sido objeto de constante preocupação nas agendas governamentais. comparados aos “modus operandis” dos famigerados cangaceiros que aterrorizaram com uma forma exacerbada de violência as famílias sertanejas no início do século XX. Especificamente os municípios Salgueiro. ônibus e carros particulares. uma pronta e efetiva capacidade de respostas às demandas de segurança e a real ameaça que decorrem do fenômeno da criminalidade planejada. A realidade de municípios como Cabrobó. principalmente da década de 90 até nossos dias. para sobreviver. mas. 1994) Não obstante a atuação regular das forças policiais em conjunto. Floresta. Orocó ou Belém. com isso. O tema central desse estudo. com uma grande etnia e traços de personalidades marcantes e fortes. com estrutura rígida e coragem indômita. os quais passaram a utilizar métodos correlatos as táticas utilizadas pelos cangaceiros nas décadas de 20 e 30. muitas vezes. correlacionado e. como um todo. Verifica-se que os problemas relativos à violência nas décadas de 20 e 30 têm suas similitudes com os da década de 90. (JC. Assim foram se formando os elementos da nossa história sertaneja. a exigir das instâncias oficiais e da sociedade sertaneja pernambucana. atrelados ao grande misticismo e fanatismo religioso. Cabrobó e Santa Maria da Boa Vista. passaram a sofrer uma onda crescente de assalto a bancos. forma-se uma personalidade singular com os seguintes traços e características. tornando-se mais abrangentes e 11 . bem como o plantio e tráfico de Maconha. os conflitos entre famílias nos municípios de Belém do São Francisco e Cabrobó contribuíram para uma escalada vertiginosa da criminalidade na região. Com o grande aumento da violência no sertão do estado de Pernambuco. as ações criminosas levadas a efeito pela grei dos Araquan no sertão pernambucano e Estados adjacentes. mesmo que tosca ou empiricamente organizada. revela cidades sem mendigos. carros-fortes. Belém do São Francisco. que passou a utilizar nas ações de grupos bem organizados e armados com poder de fogo de última geração. com semblante sofrido.

no sertão pernambucano. o presente trabalho. Trazendo assim dados dos quais possam auxiliar no atendimento das principais ações. explicitando os seus fatores negativos e positivos. Destarte.imensuráveis no contexto social. aliados aos avanços tecnológicos e de comunicações. procurando assim subsídios necessários para dirimir os problemas existentes com os conflitos atuais. Identificando de forma precípua as diferenças e igualdades nas atuações dos cangaceiros e dos bandidos modernos. bem como reconhecer as principais forças policiais que intensificaram esforços no combate destas ilicitudes. Tendo como objetivo deste trabalho. Externando as principais formas de combates pelas forças policiais. a fim de identificar as formas mais eficazes para dirimir os elevados índices de violência no seio da sociedade pernambucana e Conscientizando a sociedade. de caráter social. que já sofrem em tentar sobreviver em uma região tão inóspita. através de palestras nas unidades de ensino acerca dos principais motivos geradores de violência e as possíveis soluções. 12 . geradores de violências na região em epígrafe. Caracterizar e justificar os principais motivos das desavenças as quais deram inicio aos grandes conflitos as quais passaram a agir de formas ilícitas no sertão Pernambucano. visa a identificar as igualdades e diferenças existentes nas formas de atuação dos malfeitores das distintas épocas. que de forma indireta beneficiaram os protagonistas da violência e do narcotráfico. caracterizando-as através das pelejas. das forças policias no combate ao banditismo atual. bem como correlacionar as atividades precípuas ilícitas das quais tornaram o nosso sertão pernambucano campeão do narcotráfico. tornando-os cada vez mais ousados. minimizando os sofrimentos de seus habitantes.

Bahia e parte do Norte de Minas Gerais (Sudeste do Brasil)1. Piauí. esta é depauperada. já foram 1 2 http://www. com biota pobre em espécies e em endemismos. Antigamente acreditava-se que a caatinga seria o resultado da degradação de formações vegetais mais exuberantes. com baixas densidades de indivíduos e poucas espécies endêmicas. e bastante heterogênea. A vegetação da caatinga é adaptada às condições de aridez (xerófila). Ceará. Rio Grande do Norte.espacoecologiconoar. foram registradas até o momento cerca de 1000 espécies.1 O Cenário. Caatinga (do Tupi-Guarani: caa (mata) + tinga (branca) = mata branca) É o único bioma exclusivamente brasileiro.1. cujo registro em muitos casos restringe-se atualmente à associação com a denominação das localidades onde existiram. Entretanto. como a Mata Atlântica ou a Floresta Amazônica. desde o início da colonização do Brasil. principalmente de grandes mamíferos.0 REVISÃO DE LITERATURA 1. Muitas áreas que eram consideradas como primárias são. Com relação à fauna.br/site/dicionario_de_cidadania/ http://www. Apesar da pequena densidade e do pouco endemismo. Pernambuco. Quanto à flora. Alagoas. estimando-se que haja um total de 2000 a 3000 plantas. A caatinga ocupa uma área de cerca de 750.org. Paraíba. o produto de interação entre o homem nordestino e o seu ambiente. Sergipe.com. estando pouco alterada ou ameaçada. o que significa que grande parte do seu patrimônio biológico não pode ser encontrado em nenhum outro lugar do planeta. estudos e compilações de dados mais recentes apontam a caatinga como rica em biodiversidade e endemismos. cerca de 11% do território nacional englobando de forma contínua parte dos estados do Maranhão. Essa crença sempre levou à falsa idéia de que o bioma seria homogêneo. tratamento este que tem permitido a degradação do meio ambiente e a extinção em âmbito local de várias espécies.php?option=com_content&task=blogcategory&id=19&Itemid 13 . fruto de uma exploração que se estende desde o século XVI2.fundacaobunge.br/index. na verdade.000 km².

A exploração feita de forma extrativista pela população local. estudos da flora e fauna da caatinga são necessários. Em termos forrageiros. entre outras. cerca de 70% da caatinga já se encontra alterada pelo homem. os felinos (onças e gatos selvagens). o angico. o mororó e o juazeiro que poderiam ser utilizadas como opção alimentar para caprinos. tem levado a uma rápida degradação ambiental. a caatinga apresenta um potencial econômico ainda pouco valorizado. as aves (ararinha azul. já se encontram protegidas pela legislação florestal de serem usadas como fonte de energia. encontram-se a aroeira. os herbívoros de porte médio (veado catingueiro e capivara).28% de sua área encontra-se protegida em unidades de conservação. Quanto à fauna. e somente 0. indicando um conhecimento botânico e zoológico bastante precário deste ecossistema. a catingueira rasteira. desde a ocupação do semi-árido. o murici e o licuri e. a Embrapa Semi-Árido. o quatro-patacas. algumas espécies de plantas já figuram na lista das espécies ameaçadas de extinção do IBAMA. junto ao Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA). Neste sentido. quixabeira. este patrimônio nordestino encontra-se ameaçado. Segundo estimativas. Porém. o sabiá. Para reverter este processo. entre as espécies medicinais. o pinhão. a fim de evitar a sua extinção. Como conseqüência desta degradação. Estes números conferem à caatinga a condição de ecossistema menos preservado e um dos mais degradados. Outras. pouco se conhecendo em relação aos invertebrados. apresenta espécies como o pau-ferro. o araticum. o jericó. bovinos e muares. que segundo os pesquisadores é considerado o menos conhecido e estudado dos ecossistemas brasileiros. o velame. ovinos. a canafístula. reprodução e dispersão da aroeira do sertão. que tem por objetivo estudar a fenologia. o jatobá.identificadas 17 espécies de anfíbios. a braúna. Entre as de potencialidade frutífera. Descrições de novas espécies vêm sendo registradas. destacamse o umbú. Além da importância biológica. 44 de répteis. o marmeleiro. 695 de aves e 120 de mamíferos. pombas de arribação) e abelhas nativas figuram entre os mais atingidos pela caça predatória e destruição do seu habitat natural. 14 . a catingueira verdadeira. UNEB e Diretoria de Desenvolvimento Florestal da Secretaria de Agricultura da Bahia aprovaram o projeto "Plantas da Caatinga ameaçadas de Extinção: estudos preliminares e manejo". como a aroeira e o umbuzeiro.

codevasf. Salgueiro. Betânia e Arcoverde pertencentes à mesorregião do sertão pernambucano e os municípios de Afrânio. Tabira. Quixaba. Lagoa Grande. Mais de meio século depois surgem novos conflitos com inúmeras particularidades com o cangaço. Calumbí. Petrolina. algumas delas foram palcos de conflitos.org/wiki/Caatinga www. O sertão pernambucano com quase 70. 3 4 http://pt. Tacaratú. Serrita. Desse amontoado hodierno de cidades. Mirandiba. Iguaraci. Contudo.000 Km² compreendendo as mesorregiões de Sertão pernambucano e do São Francisco. Santa Cruz. apenas perderam as folhas para suportar a falta de água. principalmente Serra Talhada (Vila Bela) e Floresta. Verdejante. Custódia. Santa Cruz da Baixa Verde. Santa Terezinha. Exú. Ibimirim. principalmente nas cidades de Belém do São Francisco e Cabrobó. Itapetim. Brejinho. Cedro. Ipubi. Juazeiro. Ingazeira. Se o primeiro nasce às margens do Pajeú. Afogados da Ingazeira. São José do Egito.wikipedia. As plantas florescem e os animais se reproduzem. Cabrobó. atualmente abrange uma área que vai do município de Arcoverde ao município de Petrolina. Carnaíba. caducifoliar e aberta.imburana de cheiro e baraúna na Reserva Legal do Projeto Salitre. todas estão vivas. Tuparetama. Serra Talhada. a vida animal também é rica e diversificada. Trindade. Inajá. A paisagem mais comum da Caatinga é a que ela apresenta durante a seca. Este projeto contribuirá com importantes informações sobre a biologia destas plantas e servirá de subsídios para a elaboração do plano de manejo destas espécies na região. Bahia3. Itacuruba e Petrolândia pertencentes à mesorregião do São Francisco Pernambucano. onde predomina a economia agropecuária4. Mesmo durante a seca. sendo os municípios de Araripina. Ouricuri. Orocó. Carnaubeira da Penha.gov. Belém do São Francisco. Jatobá. A vegetação é xerofítica. Flores. Bodocó.pdf 15 . Triunfo. Dormentes. é após as chuvas que a diversidade animal e vegetal das caatingas se torna evidente. Santa Maria da Boa Vista. Sertânia. Moreilândia. Solidão. Apesar do aspecto seco das plantas. Santa Filomena. Parnamirim. Terra Nova. o segundo tem suas origens nas margens do Rio São Francisco. deixando descendentes que já possuem adaptações para suportar o longo período de seca seguinte. nas décadas de 20 e 30. São José do Belmonte. com a crescente onda do cangaceirismo. bem adaptada para suportar a falta de água. Granito. Manari. Floresta.br/programas_acoes/programa-florestal-1/diagnostico-araripe.

Triunfo Calumbí. Afogados da Ingazeira.2 Rio Pajeú5 O Rio Pajeú nasce na chapada da Borborema no maciço dos Cariris Velho. ramificação da Borborema. tendo em geral leito muito largo e pouco profundo. Itacuruba e Floresta. desmembrando-se de Itapetim. após a queda de fortes aguaceiros de verão. O Rio Pajeú possui formadores na serra das Balanças e serra dos Cariris Velhos. passou a pertencer à história de Brejinho desde 1964. Tuparetama. Tabira. Em 1964 Brejinho tornou-se município. Carnaíba. no município de Brejinho na localidade Sítio Brejinho dos Ferreira. O Sítio Brejinho dos Ferreira fica 8 km de distância da cidade de Brejinho. a nascente do rio Pajeú constava na Serra da Balança no município de Itapetim (Brejinho antes pertencia a Itapetim). Ele é considerado temporário. Mirandiba. Flores. por correr apenas durante alguns meses por ano. O local onde o rio nasce é um buraco escuro com muitas pedras soltas e avermelhadas. Iguaraci. 5 www. município de Floresta – PE.serratalhada. desembocando no Rio São Francisco. propriedade do Sr. no lugar denominado Berra do Pajeú. Até 1963. Itapetim. Apresentando uma extensão de 350 km.1.asp 16 . permanece por alguns meses seco. Serra da Balança entre (PE/PB. Agenor Ferreira dos Santos.asp?noticia=noticia6. a nascente do rio Pajeú que até 1963 figura parte da história de Itapetim. Serra Talhada. a 5 km da cidade de Brejinho para depois entrar no município Itapetim.net/meioambiente/mostra. pela margem esquerda.) divisor de águas. depois o rio continua o percurso em direção ao leste cruzando a BR 110 em placa de piedade. São José do Egito. nos municípios de São José do Egito e Brejinho. Os municípios banhados pelo o rio Pajeú. segundo o IBGE são: Brejinho. Ingazeira. a cerca de 120 km distante da Cachoeira de Paulo Afonso. Aproximadamente 400 metros da nascente tem o primeiro açude. sendo mais um afluente do velho Chico. mas quando a temperatura baixa e chove começa a minar.

6 km². 4. Sua malha fluvial banha Pernambuco em uma extensão de aproximadamente 398 km. Ilha do Combate.1. Ilha das Conchas. em seu percurso pelos municípios epigrafados temos as ilhas6: 1. Orocó. Belém do São Francisco. Ilha do Carneiro. 6 Dados obtidos através do IBGE e informações das prefeituras dos municípios banhados pelo São Francisco. Ilha Grande. Sua nascente aparece no alto da serra da Canastra. a uma altitude de 1. no seu curso natural. desde São Roque de Minas.428 m.135. 9. Ilha do Badeco. 504 municípios e uma população estimada de 13 milhões de pessoas. indo aos estados de Alagoas e Sergipe até o mar. a Piaçabuçu. no município de São Roque de Minas. 6. Alagoas e Distrito Federal. desaguando no oceano Atlântico. 5. Ilha do Umbu. 17 . na localidade conhecida como “Chapadão do Zagaia”. Santa Maria da Boa Vista. 2. com uma população aproximada de 359. percorre da sua nascente até a sua foz a extensão de 2.3 O Rio São Francisco O rio São Francisco. Ilha do Quipá. Itacuruba e Petrolândia. Ilha de Nossa Senhora. 3. O trajeto percorrido compreende os estados de Minas Gerais. 8. Cabrobó. passando pelos municípios de Petrolina. Lagoa Grande.900. em Alagoas. as quais se espalham pelo diversos ambientes por onde passa o rio e seus afluentes. Os municípios pernambucano banhados pelo “Velho Chico” totalizam uma área de 15. 10. Sergipe. 11. Pernambuco. em Minas Gerais.700 km do território brasileiro. Ilha do Jatobá. Minas Gerais. ou simplesmente “Velho Chico”. Goiás. 7. como os sertanejos costumam chamá-lo. Ilha do Ferro. incluindo na sua bacia hidrográfica: 07 estados. Sua foz encontra-se entre os estados de Alagoas e Sergipe. Ilha de Santa Luzia.

27. Ilha do Umbuzeiro. Ilha do Nenzin. 35. 39. 13. 18. Ilha do Capim. 32. Ilha da Cachoeira. 17. Ilha Pequena. 40. 36. Ilha do Pico. 45. 33. Ilha dos Mortos. 14. Ilha do Baiacu. Ilha Surubim. Ilha Do Gato. 38. Ilha Do Rato. Ilha Jacaré. Ilha Dos Bois. Ilha dos Guinhães. 16. Ilha Guiné. Ilha Grande. 44.12. 26. 29. Ilha do Curaçá. 25. Ilha do Estreito. Ilha Grande II. Ilha Bom Sucesso. 42. 37. Ilha do Panamá. Ilha das Cabaças. 20. Ilha do Meio D’água. Ilha Missão Velha. 22. Ilha Inhanhum. 34. Ilha da Maniçoba. 19. Ilha Caraíba. 23. 24. Ilha da Missão. 15. Ilha do Albenor. Ilha do Angico. 18 . Ilha do Pontal. 28. Ilha do Ouro. Ilha do Caraputé. 41. 21. Ilha Jatobá. 43. 31. 30.

Ilha do Quiri-Quiri. Ilha da Várzea. Ilha do Meio. Ilha do Curralinho. 61. 51. 67. 76. 70. Ilha do Curralinho Baiano. Ilha de Assunção. Ilha Aracapá. 58. Ilha do Mosquito. Ilha do Tucurú. 74. 75. 19 . 64. 53. Ilha das Cabaças. 65. Ilha das Flores. 57. Ilha Redonda. 56. 63. Ilha São Félix. 60. 59. 72. 66. 73. 55. 47. 78. Ilha Tabuleiro. Ilha do Estado. 71. Ilha da Tapera. 52. 69. 48. Ilha dos Brandões. Ilha do Cuité. Ilha Grande. Ilha do Meio II. Ilha da Boa Vista. Ilha de Casa. 50. 77. Ilha Jiquié. 68. Ilha Chede.46. Ilha do Cajueiro. 49. Ilha Cachauí. 62. 79. Ilha das Almas. Ilha da Vila. Ilha Pataratá. Ilha Cachoeira. Ilha de Baixo. Ilha das Missões. Ilha da Viúva. Ilha da Barra. 54.

80. Ilha de Crueira. é ligeiramente superior à do Nilo (2. existem. Ilha de Santo Antônio. Essa área é equivalente à soma dos territórios de Alagoas.8 bilhões m³). Ilha da Tapera. Cabrobó. dia dedicado ao santo São Francisco.700 km de comprimento. 20 . O São Francisco é o maior rio genuinamente brasileiro. Orocó e Santa Maria da Boa Vista.980 m³/s. tráfico e plantio de maconha (Cannabis Sativa Lineu). pistolagens.000 km². A área da bacia do São Francisco é de 640. Os indígenas chamavam o rio de “Opara” que significa Rio-Mar. principalmente nas ilhas dos municípios de Belém do São Francisco.254 km²).938 km²). A descarga anual do São Francisco é de 94 bilhões m³. Ilha do Boi. Tal descarga poderia encher o reservatório da hoover Dan (USA) em cerca de cinco meses (37 bilhões m³) ou de Owenffaa (Uganda) em cerca de vinte e seis meses (204. Ilha de São Miguel.960 km²). O São Francisco tem 2. na década de 90 houve um grande aumento da criminalidade com tráfico de armas e munições. fugitivos. 82. 81. a cidade mais antiga do vale. ao comprimento do Danúbio (2775 km) e mais que o dobro do Reno (1200 km). Ilha do Sububabel e 85. 84. Conheça algumas delas: O descobrimento do Rio São Francisco é atribuído ao genovês Américo Vespúcio. etc. O Rio São Francisco apresenta características expressivas. Em 1560 já existia o povoado de Penedo. Minas Gerais e Sergipe (639. Com toda essa extensão. A vazão média do São Francisco é de 2. que navegou em sua foz em 04 de outubro de 1501. 83. Além de todas essas ilhas identificadas. entretanto cerca de 360 (trezentos e sessenta) ilhotas das quais não são cadastradas. 64 milhões de hectares em área assemelha-se à bacia do Colorado (631.800 m³/s). o que ultrapassaria em extensão os países da França e Portugal juntos (632. Este comprimento equivale à distância rodoviária entre Brasília (DF) e Chuí (RS) (2779 km). ou seja.

é acervo da biblioteca da CODEVASF. com população da ordem de 100.1 bilhões de m³. Em 1855.4 bilhões de m³/ano. sendo 92. Como rota de interiorização das Bandeiras nos séculos XVII e XVIII.9 bilhões se localizam no vale do São Francisco: Sobradinho (34. Itaparica (11.gov. foi denominado “Rio da Unidade Nacional”.000 habitantes. o rio São Francisco tem desempenhado importante papel na ocupação do nosso território. Xingó (3. para desenvolver estudos semelhantes. observando o curso do rio das velhas até Gaicuí. desses. desde a cachoeira de Pirapora até a sua 7 http://www.2 bilhões). o engenheiro francês Emmanuel Liais foi contratado. denominado Hidrografhie du Haut San-Francisco et du Rio das Velhas. o engenheiro alemão Henrique Guilherme Fernando Halfeld foi contratado.3 bilhões de m³/ano. pode-se abastecer uma cidade de porte médio. desde as nascentes até Pirapora. 87. Os primeiros estudos para seu aproveitamento foram elaborados durante o império.asp?id=1609 21 . responde por 69% da disponibilidade de águas superficiais e por 73% da disponibilidade superficial garantida do nordeste. 100 pessoas e 450 cabeças de gado são abastecidas por três anos. porém no vale) acumula outros 19. Outras curiosidades interessantes é que com 15. 100 famílias urbanas são abastecidas durante três anos.000 m³ de água: em 01 hectare é produzida uma safra de arroz.9 bilhões oriundos de águas superficiais e.br/comunicacao/noticias/noticia.A disponibilidade hídrica total da região Nordeste é de 97. em hotel de luxo são atendidas durante 55 dias.1 bilhões). pela abrangência e pelo rigor técnico. Em 1852. Com a água de um pivô para 90 hectares. dos quais aqueles realizados por Liais e Halfeld foram os mais importantes.8 bilhões). 50. pelo governo Imperial.integracao. para estudar o rio e suas possibilidades de desenvolvimento da navegação. Três Marias (fora da região Nordeste. Desde o início da formação do Brasil.8 bilhões) e Moxotó (1. um exemplar do seu relatório. pelo Imperador Dom Pedro II. 100 hóspedes. desses. dimensionado para 100 l/s.3 bilhões de m³7. A capacidade total de acumulação de água superficial do nordeste é de 85. datado de 1865. 100 famílias rurais são abastecidas durante quatro anos.

CVSF. irrigará a região nordeste e 22 . A Valorização do Vale do São Francisco. A transposição do Rio São Francisco se refere ao polêmico e antigo projeto de transposição de parte das águas do rio São Francisco. no Oceano Atlântico. os esforços da Comissão do Vale do São Francisco. onde se tem como marcos referenciais básicos. O Rio São Francisco como Via de Navegação. a partir de 1948. também é acervo da biblioteca da CODEVASF. 1950. pela abordagem técnico/desenvolvimentista. e Plano Diretor para o Desenvolvimento do Vale do São Francisco – PLANVASF. CVSF/SUVALE/SUDEN/BUREC/USAID. três merecem destaque. 1951. que prevê a construção de dois canais que totalizam 700 quilômetros de extensão. teoricamente.foz. Homem no Vale do São Francisco. SUVALE/Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais. Das incontáveis obras literárias sobre o São Francisco. CODEVASF. 1952. ao longo desses 50 anos. Plano de Desenvolvimento Integrado dos Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica do São Francisco. 1972.5 bilhões. Donald Pierson. 1940. Levantamento Sócio Econômico em Áreas do Baixo e Médio São Francisco. 1970. SUVALE. Manoel Novaes. Primeiro Plano Qüinqüenal para o Vale do São Francisco. 1972. 1974. 1957. Da mesma forma. CVSF. cultural/antropológica e histórico/política: O Rio São Francisco – Fator Precípuo da Existência do Brasil. CVSF. os seguintes planos regionais: Plano Geral para o Aproveitamento Econômico do Vale do São Francisco. Tal projeto. da Superintendência do Vale do São Francisco e da Companhia do Desenvolvimento do Vale do São Francisco. Reconhecimento dos Recursos Hidráulicos e de solos da Bacia do Rio São Francisco. orçado atualmente em R$ 6. Geral Rocha. CVSF/Missão Francesa. datado de 1860. 1989. SUVALE/Development and Resoucers Corporation. 1989. CODEVASF/SUDENE/OEA. período 1951-1955. 1982. e Memórias do São Francisco. resultaram em expressivo acervo. Plano de Desenvolvimento Integrado do Vale do São Francisco. CEEIVASF.

também. O projeto destina-se. Piranhas-Açu (PB/RN). mas. A transposição tem sido usada na região como uma grande bandeira política. A idéia de transposição das águas é tida como. pois levaria a água do rio São Francisco para os principais rios da região. única solução para a seca do nordeste. a água não irá chegar onde realmente se necessita. o projeto prevê a captação de 1. ou seja. abrangendo os estados de PE.semi-árida do Brasil. A problemática das secas na região mudaria muito pouco com a implantação do projeto de transposição. O projeto efetivamente consiste no bombeamento de águas do rio São Francisco para as bacias hidrográficas dos principais rios da região setentrional do nordeste brasileiro. com um bombeamento diretamente do reservatório de Itaparica (PE). principalmente. por sua vez. mesmo assim. sendo que um deles. apesar do enorme volume de recursos envolvidos na transposição. como em 1943 por Getúlio Vargas e em 1994 por Fernando Henrique Cardoso.4% da vazão de 1. O projeto prevê a construção de dois canais. RN e CE. Claro que muitos empregos temporários deveriam ser criados. Muitos afirmam que o projeto. PB. seguindo dois eixos. desde a época de Dom Pedro II. Naquela época não foi iniciado o projeto por falta de recursos da engenharia. há um grande custo para a nação. onde já se concentram os maiores estoques de água. Contudo. tendo em vista que a água do rio São Francisco passaria muito distante dos locais mais secos. O eixo leste interliga o rio São Francisco com os rios Paraíba (PB) e Moxotó (PE). continuariam as demandas por medidas emergencias governamentais de combate aos efeitos das secas. à irrigação . o leste. Apodi (RN) e Brígida (PE). mais o Ceará e o Rio Grande do Norte. A captação do eixo norte é em Cabrobó (PE). Com previsão de beneficiar 12 milhões de pessoas. abastecendo os rios Jaguaribe (CE). para a Paraíba. entretanto. Apenas alguns dos maiores reservatórios da região deveriam receber as águas da transposição. os grandes beneficiários seriam os empreiteiros da obra. deverá "chover no molhado". Portanto. terá 402 km e também beneficiará Pernambuco e Paraíba. norte e leste. Apenas 4% da água do projeto teriam fins para o abastecimento difuso 23 . terá cerca de 220 km. caso seja implantado.850 metros cúbicos por segundo (m³/s). onde o quadro é mais grave. foi retomada a discussão do projeto. O canal norte.70% do consumo médio do projeto deveriam ser gerados nos pólos tradicionais de irrigação da região. e trará água ao estado de Pernambuco e levará água. algumas décadas mais tarde.

carregando consigo as esperanças e angústias típicas dos aventureiros. econômica e social no Sertão do nordeste brasileiro. sempre mantiveram o empobrecimento da população e impediram o desenvolvimento do Nordeste. que escravizaram os negros africanos e quase exterminaram os índios nativos do país.que está associado diretamente com o quadro mais grave das secas. tendo o fuzil e o punhal como companheiros maiores. o refúgio ou meio de vida. O mundo sertanejo não foi tão unânime na dependência passiva do homem pelo seu senhor. Edison. trazendo o homem a reboque e este. Sem entrar no mérito das atrocidades cometidas pelos colonizadores portugueses. as terras de pastos foram se empanturrando de gado bovino que lá chegava. O monopólio da terra e o trabalho servil. insensíveis à violência e à morte. No RN. cujo maior dever é servir aos donos de terras. Apesar do empenho de Joaquim Nabuco e da abolição da escravatura. responsáveis pelo desencadeamento de muitos problemas de ordem política. por sua vez. O banditismo parece ser um fenômeno universal. o Velho Chico. sendo o último onde se concentrou o maior número de voluntários. Revista MUNDO e MISSÃO. heranças das capitanias hereditárias. calculistas. Ocupadas com a ajuda logística oferecida pelos rios.4 O Cangaço O cangaço é filho da capangagem e neto do latifundiário. É difícil encontrar um povo no mundo que não teve (ou tenha) bandido: indivíduos frios. especialmente no final da década de 1870. após a grande seca de 1877. Tudo contribuía para haver sucesso na empreitada de viver solto na caatinga. a região Nordeste do Brasil vivenciou um período de quase meio século de violência. segundo Frederico Pernambucano. principalmente pelo São Francisco. as pessoas continuam sendo relegadas à condição de objetos. 1. a irrigação consumiria 92% da água destinada ao Estado8. Polêmica sobre o Velho Chico. 24 . Juntos formam uma família de bastardos sociais. 8 BARBIERI. havia três motivos básico para seguir a vida nômade e livre de cangaceiro: a vingança. Tornar-se cangaceiro representava a obediência a vários critérios comportamentais que o sertão impunha ou oferecia ao jovem.

município do Crato. da monarquia à república. roubo de gado e de terras. dois outros elementos que surgem nos sertões nordestinos são o fanatismo religioso e o messianismo.o chamado "coronel" . no Ceará) com o Beato Lourenço. na Bahia. e da ocorrência de grandes injustiças.representa o legítimo árbitro social. também. sem a intervenção do poder do Estado. e dos seus remanescentes em Pau de Colher. Os problemas das famílias abastadas são resolvidos entre si. portanto. os sertanejos buscaram fazer justiça com as próprias mãos. a exemplo de Canudos (na Bahia) com Antonio Conselheiro. é algo a que ninguém se atreve. delegados. agricultores ou mesmo assassinos. um fenômeno social que propagava vinganças e mais violências: o cangaço. gerando. além de secas periódicas que vêm agravar a fome. É importante registrar.Enquanto o capitalismo avançava nos grandes centros urbanos. mas com a substantiva ajuda de seus fiéis subordinados: policiais. o analfabetismo e a pobreza extrema. mandando em todos (do padre à força policial). garantir um lugar no céu. de sua família e de sua propriedade. violências sexuais. aqueles assalariados que trabalham como vaqueiros. alimentar o seu espírito de aventura e/ou conseguir um dinheiro fácil. a presença dos jagunços. se mantém intocável em seus privilégios. ou capangas dos "coronéis". elemento dominador que. homicídios de familiares. Diante das relações semifeudais de produção. Fora o cangaço. No final do século XIX. os engenhos são tragados pelas usinas. Contrariar o coronel. O cangaço. juízes e políticos. E o dono da terra . A expressão cangaço está relacionada à palavra canga ou cangalho: uma junta de madeira que une os bois para o trabalho. Assim como os bois 25 . de Caldeirão (na chapada do Araripe. com o apoio integral da máquina do Estado. lei e justiça. defendendo com unhas e dentes os interesses do patrão. porém as relações pré-capitalistas de produção se conservam: os trabalhadores rurais se tornam meros semi-servos. no meio rural persistia o atraso da grande propriedade: a presença do latifúndio semifeudal. como forma de defesa. da fragilidade das instituições responsáveis pela ordem. o fanatismo religioso e o messianismo são episódios marcantes da guerra civil nordestina: representam alternativas através das quais a população regional pode retaliar os danos sofridos.

Sebastião Pereira e Antônio Quelé. as volantes o fazem com o apoio total da lei. De Ribeira do Navio. nos sertões de Alagoas. O cangaço advém do século XVIII. Com fama de bandido cavalheiresco. por exemplo . É preso pela polícia pernambucana em 1914. ajudam os cangaceiros. contudo. E tais "macacos" atuavam com mais ferocidade do que os próprios cangaceiros. os "macacos". os homens que levam os rifles nas costas são chamados de cangaceiros. Um outro cangaceiro famoso é Sebastião Pereira (chamado de Sinhô Pereira). simplesmente. surgindo vários grupos que roubam e matam nas caatingas. Se os cangaceiros. surrando. eles eram. Sob ordens superiores. estado de Pernambuco. frente ao poder dos coronéis e à ausência de justiça e de cumprimento da lei. Por outro lado. Em 1897. surgem também os cangaceiros Cassemiro Honório e Márcula. tais indivíduos entram no cangaço com o propósito de vingar a honra de suas famílias. Para combater esse novo fenômeno social. agem completamente fora da lei. criando um clima de grande violência em todo o sertão nordestino. o Poder Público cria as "volantes". dentro dessa categoria. que forma o seu bando em 1916. e é preso e enforcado em 1786. vaqueiros e criadores. uma profissão lucrativa. tempo em que o sertão ainda não havia sido desbravado. ficava bem difícil saber ao certo quem era quem. sangrando e/ou matando coiteiros e bandidos. O cangaço passa a se tornar. Já naquela época. de alguma forma. também. surge o primeiro cangaceiro importante: Antônio Silvino. Os residentes no interior do sertão moradores.carregam as cangas para aperfeiçoar o labor. Logo. Pernambuco e Paraíba. as volantes passam a atuar como verdadeiros "esquadrões da morte". ele atua. São eles: Zé Pereira. portanto. tentando descobrir os seus esconderijos.se inserem. o cangaceiro Jesuíno Brilhante (vulgo Cabeleira) ataca o Recife. No começo do século XX. torturando. os seus integrantes se disfarçavam de cangaceiros. Nestas forças policiais. eles representam grupos de homens armados a serviço de coronéis. Do ponto de vista dos cangaceiros. ao empregar a violência. 26 . os irmãos Porcino. então. a polícia chama de coiteiros todas as pessoas que. No começo da história. que respeita e ajuda muitos. durante 17 anos.

Bom de Veras. Seja representando um porto seguro. Em meio a essa turbulência. Fogueira. Zé Baiano. Zé Venâncio. lenço em volta do pescoço. Elas sempre portam armas de cano curto (do tipo Mauser) e. as representantes do sexo feminino contribuem muito para acalmar e humanizar os cangaceiros. ou funcionando como um ponto de apoio importante para se implorar clemência. Beija-Flor. e depois vêm outras. Cigano. Lagartixa. uma figura divina. surge o mais importante de todos os cangaceiros e quem mais tempo resiste (cerca de vinte anos) ao cerco policial: Virgulino Ferreira da Silva. grande quantidade de jóias e um perfume exagerado. Em meio a crendices e superstições. Antônio Marinheiro. Sete Léguas. o Lampião. dando amor aos cangaceiros. e. Os membros do seu bando usam cabelos compridos. Juriti. em caso de defesa pessoal. principalmente. Luís Pedro. ainda mais porque os seus conselhos são gratuitos. As cangaceiras mais famosas do bando de Lampião. participando de forma indireta das brigadas e/ou empreitadas mais perigosas. Mormaço. Cravo Roxo. contudo. Damião. Moreno. Trovão. os milagres .Nesse contexto. resumidos a simples conselhos de higiene ou procedimentos diante da subnutrição atraem grandes romarias para Juazeiro. além de aumentar-lhes o nível de cautela e limitar os excessos de desmandos. Cambaio. Moita Braba. Beleza. Tudo começa com Maria Bonita.muitas vezes. Sabino. Ananias. juntamente com os seus companheiros. sobretudo. Delicadeza. Seus nomes e alcunhas são os seguintes: Antônio Pereira. Cícero da Costa. Chumbinho. Linguarudo. companheira de Lampião. o Padre Cícero concilia interesses antagônicos e amortece os conflitos entre as classes sociais. Andorinha. Criança. Endeusado nas zonas rurais nordestinas. utiliza a sua influência religiosa para agir em favor dos "coronéis". lavando. Pintado. Porqueira. a mulher é inserida no cangaço. O Santo de Juazeiro. Muito embora não entrassem diretamente nos combates. desculpando-os pelas violências e injustiças cometidas. que nele vêem o poder de realizar milagres e. A partir de 1930. Ezequiel Português. Alagoano. cuidando dos feridos. também chamado rei do cangaço e governador do sertão. surge a figura do Padre Cícero Romão Batista. apelidado pelos fanáticos de Santo de Juazeiro. são: Dadá 27 . a despeito de ser um bom conciliador e uma figura querida entre os cangaceiros. Corisco. as mulheres são preciosas colaboradoras. cozinhando. Cavanhaque. estão prontas para atirar. Amoredo. Ângelo Roque. Ponto Fino. Cajueiro. Jararaca. entre outros.

militares. são entregues a parentes não engajados no cangaço. por exemplo. Vale ressaltar que um fator decisivo para o extermínio do bando de Lampião é o uso da metralhadora. mas Corisco (Cristino Gomes da Silva Cleto) não resiste aos ferimentos. 28 . Em decorrência da instabilidade e dos inúmeros problemas da vida no cangaço. estão longe de se comparar àquelas de Virgulino.é contra o sepultamento. Dadá (Sérgia Maria da Conceição) sofre uma amputação alta da perna direita. não conseguiriam sobreviver. Dadá é gravemente ferida no pé direito. fazendeiros. Com Lampião. Assim que seus filhos nascem. Apesar de muitos protestos. O rei do cangaço. E caso não possuíssem uma resistência física incomum. Maria (Labareda). por cerca de 30 anos. Inacinha (Galo). então. O casal é transportado. para o hospital de Ventura. Lídia (José Baiano) e Neném (Luís Pedro). Devido à gangrena. coronéis. os homens não permitem a presença de crianças no bando. o diretor do Museu . Levar a termo as gestações.(Corisco). mas o seu cotidiano é mesmo bem difícil. Às vezes. deixando os intestinos à mostra. significa muito sofrimento para elas. Sebastiana (Moita Brava). em Salvador. mas não obtêm sucesso. Lampião é atacado de surpresa na grota de Angico. Maria Bonita. Posteriormente. porém. Como as demais sertanejas nordestinas. para fugir das volantes. logo após o parto. no sentido de enterrar os restos mortais mumificados. Em Angicos. Cila (José Sereno). O resto do bando consegue fugir para a caatinga. Após a morte de Lampião. a volante Zé Rufino combate o bando. Corisco tenta assumir durante dois anos o lugar de chefe dos cangaceiros. vindo a falecer no mesmo dia. que os cangaceiros tentam comprar. morre também o personagem histórico mais famoso da cultura popular brasileira.Estácio de Lima . ou deixados com as famílias de padres. precisavam andar várias léguas. Corisco leva um tiro nas costas. e alguns cangaceiros são mortos rapidamente. juízes. No dia 23 de março de 1940. os mortos são decapitados pela volante e as cabeças são exibidas em vários estados do Nordeste e sul do país. local que sempre julgou como o mais seguro de todos. que lhe atinge a barriga. ficam expostas no Museu Nina Rodrigues. as mulheres recebem a proteção paternalista dos seus companheiros. no desconforto da caatinga. No dia 28 de abril de 1938. A sua inteligência e competência.

O fiel amigo de Lampião é enterrado no dia 23 de março de 1940, no cemitério da cidade Miguel Calmon, na Bahia. Dez dias após o sepultamento, o seu cadáver foi exumado: decepam-lhe a cabeça e o braço direito e expõem essas partes, também, no Museu Nina Rodrigues. Naquela época, o cangaço já se encontra em plena decadência e, com Lampião, morre também a última liderança desse fenômeno social. Os cangaceiros que vão presos e cumprem pena conseguem se reintegrar no meio social. Alguns deles são: José Alves de Matos (Vinte e Cinco), Ângelo Roque da Silva (Labareda), Vítor Rodrigues (Criança), Isaías Vieira (Zabelê), Antônio dos Santos (Volta Seca), João Marques Correia (Barreiras), Antônio Luís Tavares (Asa Branca), Manuel Dantas (Candeeiro), Antenor José de Lima (Beija-Flor), e outros. Após décadas de protestos, por parte das famílias de Lampião, Maria Bonita e Corisco, no dia 6 de fevereiro de 1969, por ordem do governador Luís Viana Filho, e obedecendo ao código penal brasileiro que impõe o devido respeito aos mortos, as cabeças de Lampião e Maria Bonita são sepultadas no cemitério da Quinta dos Lázaros, em Salvador. Em 13 de fevereiro, do mesmo ano, o governador autoriza, ainda, o sepultamento da cabeça e do braço de Corisco, e das cabeças de Canjica, Zabelê, Azulão e Marinheiro. Por fim, registram-se informações sobre alguns ex-cangaceiros que retornam ao convívio social. Tendo fugido para São Paulo, depois do combate na grota de Angico, Criança adquire casa própria e mercearia naquela cidade, casa-se com Ana Caetana de Lima e tem três filhos: Adenilse, Adenilson e Vicentina. Zabelê volta para o roçado, assim como Beija-Flor. Eles continuam pobres, analfabetos e desassistidos. Candeeiro segue o mesmo rumo, mas consegue se alfabetizar. Vinte e Cinco vai trabalhar como funcionário do Tribunal Eleitoral de Maceió, casa com a enfermeira Maria de Silva Matos e tem três filhas: Dalma, Dilma e Débora. Volta Seca passa muito tempo preso na penitenciária da Feira de Curtume, na Bahia. É condenado, inicialmente, a uma pena de 145 anos, depois comutada para 30 anos. Através do indulto do presidente Getúlio Vargas, porém, em 1954, ele cumpre uma pena de 20 anos. Volta Seca se casa, tem sete filhos e é admitido como guarda-freios na Estrada de Ferro Leopoldina. Conhecido também como Anjo Roque, Labareda consegue se empregar no Conselho Penitenciário de Salvador, casa e tem nove filhos.
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E, intrigante como possa parecer, o ex-cangaceiro Saracura torna-se funcionário de dois museus, o Nina Rodrigues e o de Antropologia Criminal, os mesmos que expuseram as cabeças mumificadas dos velhos companheiros de lutas.

1.5

Origem da “Família Ferreira9”
Em Inhamuns, sertão cearense, houve uma grande questão entre as

famílias Alves Feitosa e Monte, havendo desta forma a saída da família Alves Feitosa para outros estados, tendo muitos deles se refugiado em Pernambuco, onde fixaram residências às margens do rio Pajeú, de São José do Egito a Vila-Bela. Nesta época, chega em Vila-Bela um cidadão com o nome de Antônio Alves Feitosa, oriundo de Inhamuns, no entanto, ao chegar em Vila-Bela, adotou os nomes de Antônio Ferreira de Magalhães e Antônio Ferreira de Barros, fixa residência no Carrapicho, situado nas proximidades da rua de Vila-Bela, casa-se no lugarejo Peru do Riacho de São Domingos com a tecedeira Maria Francisca das Chagas, criada pelo fazendeiro Manoel Gomes do São Miguel. Após o matrimônio, Antônio Ferreira de Magalhães ou “de Barros” passa a residir no Peru. Passado algum tempo, retornou para o Carrapicho, em seguida mudase para a Serra da Bernada, município de Triunfo, área fronteiriça com o estado paraibano. Da união, houve vários filhos, sendo um deles de nome José, o qual se casara no distrito de São Francisco, com Maria Vieira da Soledade, pertencente à família “Paulo Lopes”, a qual era descendente do facínora conhecido por “Paulo Lopes”, oriundo de Jardim-CE, fugitivo da região em epígrafe após haver assassinado um padre, em virtude de no passado o dito Paulo Lopes haver dado uma surra em um oficial da polícia do estado, tendo o padre em revide mandado oito “cabras” dar um surra em Paulo Lopes, restabelecido da tunda, saiu Paulo Lopes em busca dos elementos, encontrando 06 (seis) no Ceará, 01 (um) em Canhotinho-PE e o último, três anos depois em Oeiras-PI, matando-os todos por vingança, cumprida a missão retorna para Jardim-CE a fim de ressarcir os gastos realizados na buscas dos cabras, ao apresentar as notas das despesas ao vigário, o mesmo recusou-se a recebê-las, sendo alvejado por Paulo Lopes o qual tombou sem vida.
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LIRA, João Gomes de. LAMPIÃO Memórias de um Soldado de Volante. Volume I 30

Inicia-se assim a grei dos “Ferreira”, uma mistura genética de falsidade ideológica com vingança premeditada e sem precedentes, levando às últimas conseqüências seus atos criminosos no intuito de satisfazer um ego. Desta forma, o que se pode esperar de uma união com esses precedentes, vivendo em uma época totalmente conturbada, violenta, com o poder do estado nas mãos dos latifundiários, controladores de toda economia local, enquanto que a classe miserável sempre esperançosa de melhores tempos, chuvas, lavouras, farturas e nada disso chega, ficando assim sem perspectivas de vida melhores. Conforme registros de nascimentos, feitos por José Ferreira, no cartório do Sr. Honório de Moura, em São João do Barro Vermelho, da união com Maria Soledade, houve os seguintes filhos: Antônio Ferreira, nascido em 15 de julho de 1895, foram padrinhos seus avós, Manoel Pedro Lopes, Jacoza Vieira da Soledade, Antônio Ferreira de Barros e Maria Francisca das Chagas; Levino Ferreira, nascido em 07nov1896, seus padrinhos Luiz Barbosa Nogueira e Gertrudes Vieira da Soledade; Virgulino Ferreira, nascido em 04 de junho de 1898, batizado por Manoel Pedro Lopes e Maria José da Soledade; Virtuosa Maria da Soledade, nascida a 24 de agosto de 1900, foram seus padrinhos, João Ferreira de Souza e Maria Barbosa Nogueira; Anália, nascida a 01 de novembro de 1902, seus padrinhos, Terto Alves Feitosa e Maria Lima da Soledade; Angélica, nascida a 15 de abril de 1904, batizada por Purcino Nunes Nogueira e Ana; Ezequiel Profeta de Souza, nascido a 10 de abril de 1908, seus padrinhos Tibúrcio de Godoy e Ana; Maria Sulema Filha (Mocinha), nascida a 10 de outubro de 1910, seus padrinhos, Raimundo Gomes de Barros e Maria; e o caçula João Ferreira Batista, nascido em 24 de junho de 1912, foram seus padrinhos, Manoel Ferreira de Lima e Joana Maria da Soledade10.
Diocese de Pesqueira-PE, paróquia de Floresta, em Pesqueira: “certifico que, revendo os livros de termos de batizados realizados nesta paróquia, foi encontrado o teor seguinte: livro 15 fls. 146, do ano de 1898, a três de setembro do mesmo ano, na capela de São Francisco. Batizei solenemente a Virgulino, nascido a 04 de junho de 1898, filho legítimo de José Ferreira e Maria Vieira da Soledade, desta freguesia. Foram padrinhos: Manoel Pedro Lopes e Maria José da Soledade. Do que mandei passar este termo que assino: Pe. Cônego e Vigário Joaquim Antônio de Siqueira Torres”. (LIRA, 1997, vol. I, p. 18)
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LIRA, João Gomes de. LAMPIÃO Memórias de um Soldado de Volante. Volume I 31

desconhecem a vida dos mesmos. apesar de todas as dificuldades. Dos três. tendo maior admiração por Virgulino. Por ser José Ferreira cunhado de Manoel Lopes. Virgulino era o mais desenvolto. trazendo esta prisão grande descontentamento por desconhecerem qualquer ato de desonestidade do seu morador tanto para Saturnino Alves. Antônio Ferreira. o qual. foi à Vila-Bela e como muita peleja e desenvolto político conseguiu com o chefe político do município. Para aqueles que dizem que os Ferreira entraram na vida do cangaço forçados. (LIRA. Manoel Lopes. assim.1997. em Serra Vermelha. Cel Antônio Timóteo.6 Primeiras questões dos “Ferreiras” no Sertão Pernambucano. estão equivocados. viu a grande necessidade de um posto policial na fazenda Pedreira. apesar do pequeno período escolar. Saturnino Alves de Barros. o qual empossado no cargo. que veio a ser o 32 . Diante disto.Temos. após receber denúncia de furto de bode. aprendeu a ler e “escrever uma carta”. sem jamais imaginar o destino que os aguardava. é um completo engano.56) No ano de 1916. morador do Sr. p. Segundo Lira. principalmente pelo grande fazendeiro Saturnino Alves de Barros. e envidava todos os esforços no sentido de conduzir os filhos no caminho do bem e da paz. o inspetor Manoel Lopes. distrito de São Francisco (atual Pajeú). fazer o policiamento da jurisdição que lhes competia. José Ferreira tinha verdadeira dedicação aos filhos. bem como ao seu filho José Alves de Barros. em 1910. porque mataram seus pais. realizando o policiamento com seus ajudantes. prendem José Caboclo. bem conceituado por toda a vizinhança. Levino e Virgulino estudaram na escola particular do professor Domingos Soriano de Souza. a nomeação de Inspetor de quarteirão para o Sr. era conhecido na localidade Pedreira por “José Saturnino”. a consagração cristã daquele que iria percorrer e aterrorizar vários estados nordestinos. 1. passou juntamente com os sobrinhos Antônio Levino e Virgulino. Apesar de tudo o patriarca José Ferreira sempre procurou dar aos filhos uma educação primária. causando todos os tipos de ilícitos imaginados por um terrorista sem escrúpulos ou compaixão.

primeiro inimigo de Virgulino Ferreira. Dias depois, José Caboclo, quando vinha da Ribeira do Pico, onde tinha ido à busca de alguns animais, depara-se em lugar ermo com Antônio Ferreira, onde iniciaram uma grande luta corporal, saindo vitorioso José Caboclo, dizendo ainda que não o mataria pois não era covarde como o mesmo. Em conseqüência disto, inicia-se, assim, uma das maiores contendas no sertão pernambucano, oriunda de um fato meramente desprezível e sem importância. No entanto, para um sertanejo acostumado a levar tudo às “últimas conseqüências”, não levar ofensas para casa e resolver tudo “na faca” ou “cano do fuzil”, pois, tais brigas assim eram comuns. Desse dia em diante surgiram de ambos os lados, muitas ameaças e pilhérias, acendendo a chispa causadora desta altercação, marchando os sertanejos do Pajeú para um triste e desventurado destino.

1.7

As Volantes
As Volantes foram criadas para combater o banditismo que sempre

existiu no interior. Desde a época do Brasil Holandês que havia grupos de cangaceiros e bandoleiros. Não com o nome de cangaceiros, mas de bandoleiros, já no fim da Zona da Mata, no início do Agreste e no Sertão. Depois o Cangaço tornouse um fato normal. Frederico Pernambucano chama de Cangaço Endêmico, que quer dizer: tem sempre em pequenas quantidades. Durante algum tempo no século XX houve o chamado Cangaço Epidêmico e este teve três fases. A 1ª fase foi de Antônio Silvino. Ele foi o primeiro. Atuou mais nas Zonas do Agreste e da Mata, quase não chega ao Sertão. Em 1914 ele foi denunciado por um “coiteiro”, foi baleado por Teófilo Ferraz Torres e foi preso. Passou 14 anos preso e depois foi anistiado pelo Presidente Getúlio Vargas. Depois temos o segundo que foi um cangaceiro que divide o Cangaço em: “Cangaço Refúgio”, “Cangaço Vingança” e “Cangaço Meio de vida”. O primeiro foi Cangaço Vingança de Antônio Silvino que terminou virando o Cangaço Meio de Vida. Ele que para sobreviver assaltava, saqueava etc.. Mas ele tinha um aspecto meio “Rob Hoodiano”, ele muitas vezes dava aos pobres. Depois veio o Cangaço Vingança de Luís Padre e o seu primo Sr. Pereira. O Sr. Pereira ficou na cabeça do grupo e foi à famosa luta lá em Bodocó e nas adjacências entre os Pereiras e os Carvalhos. Ele

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foi o primeiro e o único patrão de Lampião. Ele matava os inimigos dele, que eram os Carvalhos. Quem fosse amigo dos Carvalhos e fizesse “cara feia” para ele, também morria. Atuou durante 07 a 08 anos e depois foi embora para Goiás e só voltou quando tinha mais de 70 anos, deixando Virgulino Ferreira no comando, que já havia entrado para o Cangaço por meio dele mesmo. Virgulino era um homem chegado a certas coisas, a muitos problemas. Um homem que absolutamente não tinha nada de herói. Era um homem que não lutava por terra. Que por falta de terra querem enquadrá-lo, às vezes, como um semterra da época. Pelo contrário, o pai dele era um fazendeiro, um homem de bem. Na verdade Virgulino entrou para o Cangaço porque gostava de ser anarquista, gostava de ser bandoleiro, gostava de ser ladrão. Então, diante disso, ele vai comandar o grupo de Sr. Pereira e desvirtuar o Cangaço Vingança que o Sr. Pereira introduziu. Primeiro, ele vai vingar um bocado de gente que o Sr. Pereira pediu para ele vingar, antes de viajar, deixando essa missão. Depois vai tornar o grupo à sua personalidade. Isso era a grande figura do Cangaço em 1920 ou 1922 até 1938 quando morreu, em julho, em Angico, em meio a uma emboscada. Transformando assim o cangaço para meio de vida. Certa vez um repórter perguntou a ele (a Lampião): “Capitão, por que o senhor não deixa de ser cangaceiro?” Ele disse: “Se o senhor estiver em um negócio e o negócio estiver lhe dando bom dinheiro, você deixaria?” “Não”. “Então, eu também não deixo, eu vivo bem nisso” (MONTEIRO, Roberto Pedrosa. 2004). Existem outras provas que o introduzem no Cangaço Meio de Vida. Inicia, assim, a origem das Forças Volantes. Foi para combater esse tipo de elemento que tornou o Cangaceirismo como uma coisa epidêmica no Sertão. Lampião arrasou o sertão e deixou desnorteada a população sertaneja, se de um lado tinha os cangaceiros do outro vinha as volantes no seu encalço, e assim ninguém nunca estava seguro. Lampião foi a pior coisa que poderia ter havido. A pior de todas as secas não chegou aos pés do que Lampião fez. Ele foi um grande terrorista. Ele matava, ele chegou certa vez em uma cidade e matou um menino de 08 anos e uma mulher de 80 anos. O recado dele é “que matava de 08 a 80”, deixou bem explícito. E ele fez muita coisa, muita barbaridade que ainda hoje se ressente, mas há o outro lado também, se algumas pessoas se ressentem outras o admiram e o mitificam erroneamente, transformando-o muitas vezes em herói, mas, esquecem o significado de herói ou confundem como sinônimo de monstruosidade.
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As volantes eram formadas por indivíduos nascidos e educados no mesmo ambiente dos cangaceiros. O que os diferenciavam dos grupos de bandoleiros era apenas o fato de fazerem parte da força legal, ou seja, eram homens da lei, era esta, muita vezes, a única diferença entre eles, a Lei. Existiam grupos oficiais, que faziam parte do contingente normal da força policial, e os contratados que eram voluntários ou convidados a ingressar na força policial e ainda os que estavam ali por interesse próprios em combater e matar o temido e destemido fora da lei, por serem muitas vezes inimigos pessoais e estarem mais seguros nas fileiras das volantes, sempre perseguindo seu inimigo. Um dos grupos mais importantes da época, que dava caça a cangaceiros e não fazia inicialmente parte da policia como força oficial eram os nazarenos, onde hoje se situa Carqueja/PE. Estes homens dedicaram suas vidas no combate aos bandos de cangaceiros. Os destaques das Forças Volantes eram muitos porque havia, dentro das Forças Volantes, duas forças em destaque. Existiam nas Forças Volantes soldados que vinham de outras cidades ou mesmo das cidades como Serra Talhada, ou como Floresta, mas havia uma força especial, não que a Polícia tivesse feito ela de especial, ela era especial. Eram os Nazarenos, eram homens de Nazaré, um povoado entre Serra Talhada e Floresta, que foi construído para se tornar um interposto comercial. E Lampião morava lá. Houve lá um problema com o povo de Nazaré e Lampião então se tornou um grande inimigo. Eram cerca de 60 homens, morreram 16 durante os combates. O primeiro foi Idelfonso Ferraz, filho de João Flor, que foi o grande idealizador das Forças Volantes, e o comandante da Polícia João Nunes que era um homem de uma valentia impressionante, era de Águas Belas. Ele foi lá para queimar, incendiar o povoado, pensando que o pessoal de Nazaré era aliado de Lampião. Quando ele tomou conhecimento então do fato, ele convocou o pessoal e alguns foram, sendo os homens mais valentes. Manuel Sousa Neto, tenente Coronel, já falecido, da Polícia Militar de Pernambuco (Antigamente não havia o posto de Coronel), Mané Neto, era um nazareno. Uma parte Floresta, parte Serra Talhada e também Nazaré. Enquadrado dentro do pessoal nazareno. Foi um dos homens mais valente que o Cangaço teve em seu encalço. Ele entrava numa cidade, comandando sua tropa, dava tanto tiro que era conhecido como “Mane Fumaça”, pois diziam que a fumaça encobria toda a cidade. Ele não obedecia a uma ordem que achasse que ela não estivesse correta,
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De tantas táticas que havia. então. melava de sangue (pano era para dificultar os urubus) e colocava os pedaços nas estradas. enrolava em pano. Ele pegava o bode partia em pedaços. Era um homem feroz . Certa vez foi subir uma serra onde estavam muitos cangaceiros intocados esperando que a Força subisse e o Tenente Higino. batiam e batiam. muita gente. A maior dificuldade que as Volantes tiveram foi o próprio povo. de uma ferocidade impressionante. Do lado do cangaço era quando Lampião queria ficar mais tempo numa fazenda descansando com um grupo. a qual teve 24 baixas entre mortos e feridos e os cangaceiros também tiveram baixas não se sabendo quantas. Eles batiam. 36 . voavam e um cangaceiro que estava escalado de guarda olhava e dava o sinal. E se viesse algum soldado de algum grupo de soldados.. os urubus. O próprio Mane Neto saiu ferido. No entanto nas Volantes existiam inúmeras dificuldades. Manoel Flor. João Gomes de Lira. Mas havia umas táticas interessantes. Era quase onça! Houve outros como: Euclides Flor. Essa tática era usada de modos diferentes de um lado e do outro lado do cangaço. o pessoal ficava ali no pátio. disse: “Não suba não Mané Neto (ele era cabo). uma delas era Lampião falar do pessoal das Volantes. A tortura é uma coisa do tempo de hoje. Bastava suspeitar que as pessoas fossem coiteiros.. por caminhos diversos sairiam lá no pátio da casa sede. de perna quebrada. assim ele pegava. Havia o medo duplo. as veredas que davam para a casa sede e como toda casa sede têm um grande pátio. conhecido como “Nego Higino”. O tenente disse: “Vamos almoçar e depois a gente sobe”. então. Não se torturava tanto como se fala. O próprio povo era uma grande dificuldade porque o povo tinha medo. Não se matava tanto como se fala. como medo das próprias Volantes. muitos soldados. mandava matar um bode e existindo sempre cinco ou seis entradas que. comprou sicrano. nos caminhos. não só dos cangaceiros. Davi Jurubeba. ele pegava os caminhos. então eles fugiam. que estavam lá embaixo comendo.comprou bala a um e a outro”. A Polícia usava também a tática do urubu. Ele disse:” Eu vou “subir”. advindo do período militar. mas de um modo diferente. João Jurubeba. e muito coiteiro falou debaixo de pau. uma delas era a “TÁTICA DO URUBU”. batiam e batiam forte. “Eu vou almoçar é bala”. O medo das Volantes: quem era do lado dos cangaceiros não conversavam. Eles não sabiam o que viriam de lá. “Comprou fulano.tornando-se assim um pouco indisciplinado. E subiu e foi a maior luta que houve entre os cangaceiros e as Volantes.

eles. deixando o resto de comida. ficavam rodando. E aquilo ali era o sinal de onde começar a rastrear. Então o comandante da Volante mandava um soldado subir na árvore mais alta. O rastreador fazia o resto. os soldados das volantes. Então. léguas e léguas de distâncias. dificultando assim o trabalho do rastreador em localizar as pegadas.1 O Saque de Souza-PB11 Em março de 1924. Chegavam alguns deles até ao requinte de identificar “esse era Lampião”. que esses foram os grandes elementos do cangaço que Lampião tinha horror. não se alimentarem do resto deles. através de bilhetes. os urubus vinham esfomeados. dizendo o paradeiro dos cangaceiros.Ela recebia geralmente informações. pulavam de um em um numa pedra. aproximando da comida.8 Confrontos 1. Lampião sofre um ferimento no pé direito quando nas imediações da Lagoa dos Vieiras foi cercado por um grupo da volante do major 11 LIRA. claro. sempre em cima de pedras. foi ferido no pé direito. E os próprios soldados. LAMPIÃO Memórias de um Soldado de Volante. Por coincidência todos os ferimentos de Lampião se localizavam no lado direito do seu corpo: o olho cego era o olho direito. de lá ele olhava um panorama maior e ali via onde houvesse urubu sobrevoando era porque os cangaceiros haviam saído. João Gomes de. Porque Lampião foi ferido no pé direito e ele tinha um defeito.8. Quando eles iam feridos ou não. Em contrapartida haviam quebrado o resto da louça de barro ou de outra coisa qualquer para os Volantes. Quando eles iam carregando alguma coisa pesada ou não. 1. que quase fica podre o pé dele. eram os elementos multiplicadores da informação falsa: que os cangaceiros se desmaterializavam e eram vistos a quilômetros e quilômetros. então. Volume I 37 . Eles vinham em um grupo e quando eles percebiam que as volantes não saiam dos pés deles. das pegadas deles. sem tocar o chão. Chamavam a eles de “os cachorros” porque eles viviam ao lado do comandante sempre cantando toda passagem dos cangaceiros. Eles sabiam até quando eles iam muito municiados ou não. Até que os comandantes das Volantes contrataram os rastreadores. Havia também uma tática dos cangaceiros de pularem numa pedra.

pois se escondera atrás de umas folhagens e por pouco não é encontrado. pois Otávio Mariz havia dado uma surra em Chico Lopes que possuía uma bodega na cidade antes de entrar no cangaço. Este coronel futuramente viria a traí-lo. pois só havia 10 policiais no destacamento local e que se evadiram aos primeiros tiros. estabelecimentos incendiados e o saque tivera um saldo de 200 contos. Lampião manda o irmão Antônio Ferreira e Sabino realizarem o feito como se ele próprio estivesse no comando. de Princesa. Na fuga. que queria se vingar de uns desafetos nesta cidade. Lampião foi mais uma vez cercado e. que antes era um cangaceiro do seu bando e por causa de uma discussão com o bandido Meia Noite havia abandonado o bando.Teófanes Torres Ferraz. uma pequena fortuna na época. que era uma espécie de banco de Lampião. quando estava indo negociar armas e munições. pouca gente sabia. João Gomes de. 1. teve o ferimento mais uma vez aberto. Volume I 38 . Lampião jamais perdoou esta traição. O saque foi terrível. Chico Pereira também tinha acertos de contas com esta família que fora co-responsáveis pela morte do seu pai. indo se esconder na Serra das Panelas. ao coronel José Pereira. quando outros achavam até que o bandido estava morto ou inutilizado. na Paraíba. Invadida a cidade. mesmo distante do palco de luta. Ferido. se perde do resto do grupo e por um milagre não é pego pela volante. ainda em tratamento e se recuperando do ferimento. O dinheiro do saque foi dado. Lampião idealiza um assalto à cidade de Souza. a mesma foi tomada por vinte e quatro horas. Lampião 12 LIRA. tendo que fugir. devido à grande quantia de numerário que este já havia amealhado do cangaceiro. em parte. Com a volante do sargento Quelé (Clementino Furtado). PB. já recuperado do ferimento no calcanhar. Quatro meses depois.2 Serrote Preto-AL12 Em janeiro de 1925.8. conseguiu se evadir do local do tiroteio com a ajuda dos dois cangaceiros que o acompanhavam. o que. onde teve o calcanhar esfacelado por um tiro de espingarda. Fios de telégrafos foram cortados. LAMPIÃO Memórias de um Soldado de Volante. aliás. Procurado pelo cangaceiro Chico Pereira. sem nenhuma resistência. A importância desse saque foi a presença de espírito do cangaceiro chefe. onde um coiteiro trataria do seu ferimento. O alvo seria a família Mariz.

nunca brigava desprotegido. Este combate rendeu a Lampião a maior vitória de sua carreira. deixando treze feridos e onze mortos. que naquele vinte e seis de novembro foi transformada num alarmante vulcão. o jovem vem há falecer oito dias depois. Segundo João Gomes de Lira. Os três irmãos eram imbatíveis no guerrear. o “esperança”. Ainda ferido Livino é levado para casa de coiteiros a fim de receber tratamento adequado.8. Em fevereiro. ataca o grupo de cangaceiros nos paredões da Serra Grande. em sua obra Lampião: memórias de um soldado de volante. destroça em Alagoas as forças policiais de Pernambuco e Paraíba. De lá. bem entrincheirado. Lampião. lutava na retaguarda atacando as volantes por trás. e Virgulino na linha de frente. cercou a volante e a emboscou. Os soldados ficavam apavorados e desnorteados com este ataque. numa incursão em terras de Serra Talhada. seqüestra dois funcionários da Standard Oil Company. Algumas praças. após um cerrado tiroteio. João Gomes de. na batalha conhecida como “Serrote Preto”. Foi nessa batalha que seu gênio guerreiro mais se destacou. pois conseguiram emboscar uma força policial composta de 297 praças com apenas cerca de 90 cangaceiros. saíram fugindo apavorados. envia telegramas desaforados para o governador do Estado avisando que no sertão era ele quem mandava. O bandido estava bem amparado dentro da famosa Serra Grande. LAMPIÃO Memórias de um Soldado de Volante. porém. Livino Ferreira. O grupo. solicitando vultosa quantia para o resgate. Volume I 39 .dá combate em Custódia. costumava avançar pelos flancos direito ou esquerdo no intuito de dispersar a volante. sob o comando do tenente Higino Belarmino. 13 LIRA. Numa ação desastrosa a volante pernambucana do Major Teófanes Torres Ferraz. em Serra Talhada. que tinha o vulgo de ”vassoura”. Numa estratégia fenomenal coloca as forças para correr embaixo da chuva de balas do seu bando que brigava sempre cantando o hino da “mulher rendeira”. Cinco meses depois a polícia pernambucana indignada com o ataque de Alagoas. devido à gravidade do ferimento. sem condições sequer de revidarem ao ataque. mata Livino. Antônio Ferreira. deixando para trás armas e apetrechos. Lampião nada sofreu naquele grande fogo. 1.3 Serra Grande-PE13 Em vinte e seis de novembro de 1926.

Este. cada vez mais ferrenha. antes de morrer.. Uma brincadeira inconseqüente com o amigo Luiz Pedro tira a vida do mestre de dar “retaguardas” nos combates. Dias depois a volante de Mané Neto estaciona no lugar e descobre. 1. quando este dia chegasse. uma guerra pessoal. Lampião sofre um golpe fatal. rumou para aquelas ribeiras a fim de enfrentar os inimigos. depois de espancar alguns moradores.. o que vira moda no meio cangaceiro. não morre nunca! Diziam uns.Poucos dias depois. Perde o segundo irmão. em contrapartida. E foi o que aconteceu. Antônio sabia como ninguém cercar as volantes “por detrás”. não tem bala que o acerte! Diziam outros.8. Angico! Esse é o momento culminante na história do cangaço. resignado. de uma forma ou de outra. LAMPIÃO Memórias de um Soldado de Volante.4 ANGICO: O fim de Lampião14 O sertão já havia perdido a esperança de que aquele fato um dia viesse a acontecer. não era uma luta entre bandidos e polícia. Lampião não esconde o ressentimento e manifestando luto não corta mais os cabelos. enfim. Prontamente. seus mais ferrenhos perseguidores. Antônio. João Gomes de. É um enfeitiçado . cavam e retiram o corpo do cangaceiro. E foi o fim do cangaço. A população em geral desaprovou o gesto de “barbárie” praticado pelo oficial. O cangaceiro. Lampião é o Satanás. jura ao chefe acompanhá-lo enquanto vida tivesse e morrer junto com ele. Posteriormente soube Lampião que o ato fora praticado pela volante de Nazaré. E a luta prosseguia. mas uma guerra de vinditas entre homens valentes e sanguinários. Todos aqueles que. Era. Afinal. num acidente com arma de fogo. Volume I 40 . Num gesto de barbárie arrancam a golpes de facão a cabeça do defunto e enfiam numa estaca na beira da estrada para que todo mundo visse que Antônio Ferreira tinha morrido. o local da cova.. pede ao irmão que não puna Luiz Pedro. Em cova rasa manda enterrar o irmão na fazenda aonde este veio a falecer. Antônio. Luiz Pedro morreu ao seu lado. salvo quando iam além dos ombros.. Mas. participaram dos fatos que levaram ao combate viveram o momento que marcou o princípio do fim de uma forma de vida que 14 14 LIRA. um dia aconteceu. como dizia o irmão. no dia da morte de Lampião.

Sila e Zé Sereno estiveram presentes e conseguiram sobreviver. Foram necessários oito anos de perseguições e confrontos pela caatinga até que Lampião e seu bando fossem mortos. são testemunhas incontestes do que ocorreu naquele distante amanhecer do dia 28 de julho de 1938. A novidade abriu espaço para que outras mulheres fossem aceitas no bando e outros casais surgiram. estima o historiador Frederico Pernambucano de Mello. A morte de Lampião. que proibia a polícia de um estado de agir além de suas fronteiras. por mais de um século. seu pai e outros que o acompanhavam. Por mais de um século? Talvez. Em 1927. na Bahia. "Seria algo como 200 mil reais hoje em dia". a legislação da época. Mais de um século sim. essa seja uma surpresa. Alagoas. o Governo da Bahia espalhou um cartaz oferecendo uma recompensa de 50 contos de réis para quem entregasse. Dessa união nasceu Expedita Ferreira. filha 41 . Em suas andanças. o Cabeleira. A agonia do cangaço começou nesse dia. Assim. Não só esse casal. A situação chegou a tal ponto que. em Angico. foi para o Raso da Catarina. Lampião e seu bando fugiram para a região que fica entre os estados de Sergipe. que foi levado à vida cangaceira por seu próprio pai. Mas nenhum se tornou tão célebre quanto Lampião e Maria Bonita. a favor do grupo. região onde a caatinga é uma das mais secas e inóspitas do Brasil. além dos vários cabras que saíram dali com rapidez de veado baleado. de acordo com a aproximação das forças policiais. Numa dessas fugas. Os ataques do rei do cangaço às fazendas de cana-de-açúcar levaram produtores e governos estaduais a investir em grupos militares e paramilitares. chegou ao povoado de Santa Brígida. O enforcamento ocorreu no Largo das Cinco Pontas em Recife (PE). como Corisco e Dadá e Zé Sereno e Sila. Joaquim Gomes e José Gomes. o famigerado bandido". Pois em 1776 morrem na forca Teodósio. Lampião circulava pelos quatro estados.subsistiu nos sertões nordestinos. onde vivia Maria Bonita. foi o dobre de finados do mundo dos cangaceiros. a primeira mulher a fazer parte de um grupo de cangaceiros. outros que estavam também no coito do Angico conseguiram escapar ao sinistro chamado da morte configurado materialmente nos disparos feitos por fuzis e metralhadoras. após uma malograda tentativa de invadir a cidade de Mossoró. em agosto de 1930. Juriti e Maria. se levarmos em conta as lutas do grupo familiar formado pelo Cabeleira. Pernambuco e Bahia. O objetivo era usar. no Rio Grande do Norte. "de qualquer modo. Criança e Dulce.

A morte de Lampião é assunto que gera controvérsias. O esconderijo foi apontado aos policiais pelo coiteiro Pedro Cândido depois morto misteriosamente em 1940. havia um "caldeirão" de água numa laje de pedra.viveu as últimas horas dos seus 40 anos de vida. perto da cidade de Poço Redondo. Lampião refugiou-se na Gruta do Angico.muitos ainda dormiam -. Já seriam mais de 21:00 h do dia 27 de julho de 1938 quando foram para as barracas dormir. novamente. o cangaceiro tornou a recostar-se e dormiu. Tudo continuou em silêncio. 48 soldados da polícia de Alagoas avançaram contra um bando de 35 cangaceiros.como gostava de ser chamado . a fortaleza de Lampião. preocupada com seus pensamentos. Combateram por apenas 15 minutos. Sila viu luzes piscando à distância. o governador do sertão .única do lendário casal. Maria Bonita teve uma discussão com Lampião e como ficou nervosa convidou Sila para irem sentar-se sobre umas pedras. fugindo da polícia. no meio da caatinga fechada. Sereno acordou com o barulho de um jumento que havia se assustado com os soldados que avançavam. os bandidos não tiveram chance. Zé Sereno acordou e foi rezar o Santo Ofício com o Rei do Cangaço. só vaga-lumes no mato. Em julho de 1938. Ali. Apanhados de surpresa . depois retornou e acordou seus cabras chamando para tomar banho no poço. Lá pelas cinco horas. Luís Pedro começou a equipar-se e Sereno caminhou até onde Lampião estava calçando a alpercata do pé esquerdo e foi quando ouviram-se os primeiros tiros. Conversaram bastante tempo. É uma Gruta de pedras redondas e pontiagudas pertencente ao Estado de Sergipe. Nenhum cachorro latiu. O sol ainda não tinha nascido quando os estampidos ecoaram na Gruta do Angico. a qual indagou a Maria Bonita que. na margem sergipana do Rio São Francisco. A escuridão da noite as envolvia e somente se avistavam os pontos vermelhos dos cigarros que as duas fumavam. acendendo e apagando como se fosse uma lanterna. 42 . Depois de uma longa noite de tocaia. respondeu que não era nada de mais. entre grandes rochas e cactos. após meses perambulando pelo Raso da Catarina. Quando Zé Sereno percebeu já tinha tirado três pentes de bala de fuzil. Angicos era o esconderijo. Durante a noite. Em dado momento. Sila não falou nada para Zé Sereno que estava dormindo. Sonolento ficou prestando atenção para ouvir se os cachorros davam o alarme. Como não escutou mais nada.

o tenente caiu. Na tentativa de intimidar outros bandos e humilhar o rei do cangaço. Na época da morte de Lampião e seus companheiros. cabelos crespos na altura dos ombros e braços fortes. Não podemos crer que os fóros de cidade civilisada. Destemido. de que tão zelosos se mostram os carioca. Lampião. o Diabo Loiro. até a morte deste em Brotas de Macaúbas. Alto . Era o fim da incrível história de um menino que nasceu no sertão pernambucano e se transformou no mais forte símbolo do cangaço. com grande destaque: “Serão expostas no Rio as cabeças de Lampeão e Maria Bonita”. Poder-se-á talvez comprehender aquella exhibição de barbaria. O cangaceiro gritou: “Perdeu a fama macaco fio da puta”. foram decapitados e tiveram as cabeças expostas na escadaria da Prefeitura de Piranhas. Ao ser baleado. Entre os onze mortos. numa tentativa insana de vingança que durou mais dois anos. Olhou para trás e viu Lampião caído por terra. uma na agulha e outra no pente. morto. decepadas aos cadaveres. Maria Bonita e os outros nove integrantes do grupo mortos naquela madrugada. quando em Alagôas as cabeças dos cangaceiros. Atirou. às margens do Rio São Francisco. as doze cabeças dos cangaceiros que na véspera haviam sido mortos numa emboscada da Volante em Angico. onde esses macabros tropheus sangrentos foram expostos á curisidade morbida do publico. ninguém 43 . o mais temido personagem que já cruzou os sertões do Nordeste: Virgulino Ferreira da Silva. fazendas e até cidades. (O Estado de São Paulo. Entre elas a de Lampião e de Maria Bonita. errou o tiro. pele queimada pelo inclemente sol sertanejo. mais conhecido como Lampião.1.79 metros -. Em sua edição de hontem um dos jornaes desta capital annuncia em “manchette”. em latas de querosene. Os que conseguiram escapar se renderam mais tarde ou se juntaram a Corisco. comandava invasões a sítios. para a capital do Estado. Lampião era praticamente cego do olho direito e andava manquejando.Viu quando o tenente João Bezerra avançava em direção às barracas de seu grupo. Estava decretado o fim do cangaço. No fuzil ainda tinha duas balas. por conta de um tiro que levou no pé direito. 16 de agosto de 1938) Cheias de formol. na Bahia. que foi largamente noticiada pelos jornaes. sejam afrontados por essa injuria. Ha de haver engano. em Alagoas. em latas de kerozene. foram transportadas em salmoura.

os excluídos continuariam sua peleja por melhores condições de vida e os cangaceiros iriam evoluir em uma velocidade alarmante. Virgulino. sobreviveu por não estar no local no momento do ataque. “coronéis” influentes. Hodiernamente. contra pessoas inocentes que nada tinham a ver com os acontecidos. Vítor Rodrigues da Silva. mas o sertão não teria sossego. ganhou 44 . livraram-se de seus desafetos pelas armas de Lampião. que agora se encontra no cemitério da Quinta dos Lázaros. também em São Paulo. o famoso casal de cangaceiros. Ninguém era seu parente. todos queriam matá-lo. deputados.apareceu para reclamar seus corpos. com uma simples penada. traria inúmeros benefícios. morreu aos 83 anos. amigo ou conhecido. por mera vingança pela morte de seu pai. de Salvador. Suas cabeças. o Criança. o Labareda. porque lhes incutiram o ponto de vista de que eram monstros desprezíveis. Zé Sereno morreu em 1982 em sua casa na capital paulista. Praticou. que lá estavam. muitas maldades. dia em que a tocaia em Angicos completou 59 anos. A modernização. se entregou em 1940. outro cangaceiro muito temido na época. vive como comerciante aposentado em Buíque (PE). O ex-cangaceiro Manuel Dantas Loyola. para vingar uma morte. Após o combate na Gruta do Angico o tenente Bezerra pediu baixa da Polícia e estabeleceu-se como fazendeiro próspero lá pelas Minas Gerais. Muitas e muitas pessoas. governadores. em 1969 pôs fim à disputa que durou 31 anos. foram sepultadas por ordem do governador Luís Vianna Filho que. Com isso. que estava chegando. promoveu inúmeras. inclusive a mando. sem finalidade. em troca de dinheiro ou de nada. Corisco. Lampião e Maria Bonita não mais poderão receber visitas. Chegava ao fim um episódio triste da história do Nordeste. Ângelo Roque. entregou-se ao capitão baiano Aníbal Ferreira e passou a colaborar com os militares na caça aos sobreviventes do massacre. o Candeeiro. Segundo alguns. cheios de piedade tardia. outro sobrevivente do massacre. Zé Sereno. Lampião foi um bandido muito perverso. no Museu Estácio de Lima. marido de Sila. no entanto a violência não deixaria de existir. Era o fim do ciclo do cangaço. foi morto pela volante de Zé Rufino no mesmo ano. compreendendo melhor as coisas do que estes letrados de hoje. Nenhum outro cangaceiro reclamou o sepultamento dos companheiros. no dia 28 de julho.

o Lampião. não se sabe por que a briga começou. Não por acaso. e dezenas de mortes de cada lado. Os milhares de habitantes da cidade sabem que a área à direita da igreja é dos Novaes e a da esquerda. hoje o estopim é o comércio de drogas. de um lado. que desde o início do século passado brigavam nas urnas. que relutava em conceder o sepultamento. mas hoje as guerras de famílias também se desenrolam em torno do comércio da droga. na região estão as maiores plantações de maconha do mundo. Até pouco tempo atrás. se Floresta do Navio não estivesse no meio do sertão de Pernambuco. Os dois clãs. em 1991 iniciaram uma luta armada deixando vários mortos dos dois lados. que vale mais do que qualquer lei promulgada pelo Estado. mas contra o governo. dente por dente". e Antônio Silvino. é um marco políticogeográfico de Floresta do Navio. como Virgulino Ferreira. quase na fronteira com a Bahia. região conhecida como uma das maiores áreas de cultivo de maconha no mundo. a pequena Igreja do Rosário. clãs familiares empenham-se em lutas sangrentas que já causaram centenas de mortes. dos Ferraz. Oficialmente. Tanto quanto um símbolo religioso. as motivações costumavam ser apenas o domínio político. fomentando como subprodutos assaltos nas estradas e roubos a bancos. os clãs Araquan e 45 . levando em conta os altos interesses da cultura e. onde reinaram cangaceiros legendários. No passado. o integrante de uma família que ousasse invadir o território da outra estava sujeito a levar bala. nas vizinhanças dos rios Pajeú e São Francisco. nas vizinhas Belém do São Francisco e Cabrobó as escaramuças reúnem. Se no passado brigava-se pelo poder político. mas não é segredo para ninguém que o estopim seria uma negociação mal resolvida de maconha. 1. uma centenária construção branca com portas e janelas azuis. revezando-se no poder.9 O Cangaço Moderno Nas mesmas paragens do sertão de Pernambuco onde reinaram cangaceiros como Lampião e Antônio Silvino. Terra de cabras-machos. ainda hoje vigora no Sertão a lógica do "olho por olho. Se em Floresta brigam os Ferraz e os Novaes. particularmente.mais uma luta: não contra a “volante”. Nada a estranhar. da antropologia nacional.

os que. Houve então um homicídio para resolver a questão e isso deu início ao efeito dominó. pegava um parente. revista os caminhos da terra. em 15 anos de briga já foram mortas mais de 100 pessoas. Foi assim que seu pai morreu. a qualquer custo". a morte de boa parte de seus líderes. 143. mas é difícil controlar um homem na hora da raiva”. para mostrar que teriam poder e força. revista os caminhos da terra. 2003) Não conseguindo pegar quem matou. chefe do clã Russo. Segundo Velloso. Ainda segundo Velloso. mas eles faziam o que tinham que fazer". não importando se faz ou não parte do conflito. Cláudio e Benvindo. Eles matam qualquer um que tenha ligação com o outro clã. (VELLOSO. “Eu sempre dizia para pegar apenas os que participavam. Em entrevista ao Jornal do Comércio Rogério afirma que "Houve muitos assaltos à banco para financiar a compra de armas e munição. as mortes não param de acontecer. sem dúvida. 46 . mais conhecido como Barná Russo. transformando-se em vítimas. tudo começou com uma venda de maconha que não teria sido paga. uma espécie de porta-voz e representante da família. tentando assim inverter os papéis.Gonçalves e do outro. (VELLOSO. Os motivos principais que levaram ao arrefecimento dos conflitos são. lembra que a ordem em todas as famílias era matar "qualquer um do outro lado. não esconde que muitos familiares partiram para uma vida criminosa durante os períodos mais duros do conflito. como Lampião e seu bando. diz. Barná conta como costuma evoluir a guerra. A prática da matança indiscriminada é confirmada pelos integrantes dos clãs. Sentado no terraço que guarda nas paredes buracos de balas de um atentado. ficavam escondidos na caatinga à espera da melhor oportunidade para entrar nas cidades e vingar as mortes de parentes. os Russo. referindo-se aos homens que compunham a linha de frente do clã. nos inúmeros acordos de paz que já foram combinados e nem sempre cumpridos. ed. Como se a prática de ilícitos parece justificar os fins para os quais eram utilizados os frutos dos assaltos ou tráfico de drogas. Também nesse caso. Cristian Diniz. como muitos sabem. em 1988. Depois do primeiro assassinato. Nós não concordávamos. Nas contas dos integrantes das contendas. que também não negam o envolvimento de parentes nas atividades criminosas da região. 143. Do outro lado da trincheira. ed. 2003) Rogério Araquan.

antes do casamento vivia em Riacho Pequeno. Entrevista. Sento Sé.1. que é primo Legítimo de Júlia Maria do Nascimento Santos. Remanso). tornou-se vereador e foi assassinado pelos “Russos” e Manoel Gonçalves Santos. Pai de Tadeu e Isane de Cabrobó. Serra Talhada. 20 de outubro de 2004. o qual morreu em 2002 de causas naturais. locais 15 SILVA. Cabrobó. ficando Vavá como primo segundo de Maninho da Pistola. mãe de Jucicleidio Nascimento dos Santos (Cleiton Araquan). popularizou-se assim o referido apelido. 47 . Mirandiba.(Geraldo de Rosa Ipueira) de Belém do São Francisco o qual logo após início dos conflitos. A formação do clã dos Araquan tendo como patriarca e cabeça de todas as ações políticas e bélicas. Militão Gonçalves Santos (Nozinho Gonçalves) de Carnaubeira da Penha. Simão Gonçalves Santos (Simão Davi). Curaçá. único vínculo de parentesco de Cleiton com o Clã. Têm-se assim a formação do Clã com a mistura da famílias: • • • • Gonçalves Torres Gomes de Sá (exceção dos Gomes de Sá de Floresta) Gonçalves Santos Tendo sua distribuição atual nos estados de Pernambuco (Belém do São Francisco. aos familiares de Francisco Gonçalves (Chiquinho de Ciabem). chegavam a chamá-la de Maria Araquan. que eram moradores da beira do Rio São Francisco na altura da Ipueira. Geremoabo. ficando conhecida como Maria Acauã. Carnaubeira da Penha) e da Bahia (Abaré. que tinha a voz “fanhosa”. (Manoel de Iaiá). de quem diziam que mais parecia um acauã. Casa Nova. Tal apelido foi proveniente da Vó de Silvam. que com o tempo vêm a torna-se sobrenomes em algumas certidões. São José do Belmonte. pois seu pai Milton Delgado dos Santos não é Araquan. pai de Maninho da Pistola do Município de Salgueiro. o pai de Osvaldo João Dos Santos (Vavá Araquan). Jackson Soares da. Como muitos não sabiam chamá-la assim. como simples marchante.10 Origem da Grei dos Araquan15 Araquan foi o apelido dado na década de 1970. Geraldo Gonçalves Santos. A mãe de Cleiton (Julinha) é irmã de Paulino Estáquio. transferiu residência para Cabrobó.

sendo de imediato a porta tomada por Rômulo.onde estão residindo os membros do clã. ou então aquele a coloque para fora. Jackson Soares da. coincidindo com a ida dos Araquan para a mesma viagem. Rômulo e Netinho se escondem em Carnaubeira da Penha e Luzimar e Índio se escondem em Santana. ficando Didi com o numerário da venda da droga. vereador e irmão 16 SILVA. Serra Talhada. iniciando assim a contenda.11 O início das Brigas16 Em 1988 Aldeci Gonzaga de Sá. o “Indio”. este indaga que irá entrar pois a mulher é dele. os quais entram em desentendimento por causa do suposto acerto de contas na venda da maconha. Francisco José da Cruz (Chico Benvindo). No mês seguinte os Benvindo vão para a romaria no Juazeiro. 20 de outubro de 2004. após inúmeras tentativas frustadas de encontrar os culpados pela morte de seu primo. Depois do homicídio. Estando Didi. Em Juazeiro. quando vinha um marchante conhecido como Ceará correndo atrás de sua esposa com duas facas. no Bar da Sinuca no centro de Belém do São Francisco. e diz que lá Ceará não entra. certo dia. resolve se vingar matando Luiz Gonzaga de Sá (Luiz de Queleche) pai de Índio. nem tampouco satisfeito com a sua briga com Didi em Belém. Um dia antes da briga no bar. com desaforos dos dois lados. Luzimar e Índio. Em 1989. Entrevista. filho de Luiz de Queleche. juntamente com Índio e Netinho. Achando isso um desaforo. 1. ficando boa parte da população local indignada com tamanha violência. O velho Nozinho. matando-o. Aproveitando-se da oportunidade e estando a porta aberta ela adentra na casa. que já tinha certa fama de tudo resolver. o qual ainda não havia se conformado com os rumos que as coisas tinham tomado. estavam Índio e Netinho na casa de Rômulo Luis Freire da Silva. resolvem dar novo rumo aos acontecimentos. Rômulo saca uma pistola e lhe dá inúmeros tiros. filho de Gino Freire e Teodora Maria da Conceição. Netinho. plantou uma roça de maconha com Didi de Mané de Zeca (primo de Chico Benvindo) e seus irmãos. procura Miguel Benvindo. matando Didi. 48 . estando Rômulo.

ela então se “junta” com Valdomiro. Chico ainda chega a ser abordado pela PM no ano de 1989.de Chico e fazem o primeiro acordo para acabar com as brigas. Chico foi liberado. Chico quebra o acordo e entra na região antes proibida e a paz sucumbe. O ataque era uma grande afronta. Com isso.38 e 57 (cinqüenta e sete) munições intactas. um grande arsenal para a época. Chico Benvindo tinha tudo que estava precisando. O outro lado também deixa a trégua 49 . sendo 04 dos “Pretas” e 01 que estava acompanhando Valdomiro. o homem mais poderoso na região. porém não conseguiu encontrar seus inimigos principais. saindo ainda baleado o tio de Zé Nozinho. já havia se separado de sua esposa. queima casas. Com todo esse ocorrido e com medo de novas represálias os Negros da Santana saem de lá e pedem clemência a Miguel Benvindo. conhecidos na época como “pretas”. pois na época era o procedimento lícito. ficando acertado que os Queleches não andariam mais no local dos Benvindo. Estando Luzimar e Índio vivendo na Santana e tendo sua índole má e virada para confusões se desentendem com os “Negros da Santana”. que não tinham saído do local alegando que ninguém iria lhes fazer mal. homens sem recursos. O padrasto de Luzimar descumpre o acordo e vai à Barra do Silva. que lhes dá abrigo em uma fazenda na Ilha da Casa. Depois disso fazem acordo para não andar em Barra do Silva e os “pretas” não andarem em Riacho Pequeno. mata Luiz Rosendo em Barra do Silva. em uma diligência realizada pelo Sgt Hermes. Sendo apreendido todo material e expedido o recibo. destrói roças. um filho bastardo do Velho Nozinho. mata Mariano na sua fazenda em Riacho do Correio. pois não tinham relações com essas confusões. Dessa quebra de acordo gera um imenso tiroteio em Barra do Silva. pois os Negros da Santana conheciam a região como a palma da mão e assim seria mais fácil encontrar Luzimar e o Índio. onde morreram 05 pessoas. João Baiano. alegando que tinha negócios a receber e não poderia ficar no prejuízo. fez todo tipo de desatino. Então o velho Nozinho junta toda a sua “cabroeira” e invade a Santana quebrando tudo e queimando casas. Nesse ínterim. filho do velho Nozinho. emboscam na mesma semana e matam em uma carroça de burro o padrasto de Luzimar. Matam Álvaro e seu filho Tadeu. Os “Pretas”. o qual encontra em poder daquele dois revólveres calibre . além de terem agora inimigos em comum. mas de grande coragem. pai de Luzimar.

Não estava armado nem tampouco havia arma no local. indiretamente dava apoio logístico aos parentes. Não encontram ninguém. estava. Rômulo. não se muda de Belém e não se envolve diretamente com os conflitos. dizendo que aqueles tiros eram contra seus parentes e depois eles vinham até a cadeia para matá-lo. No dia seguinte os Araquan roubam um carro e voltam a Belém. entram em Belém do São Francisco para beber e desafiar os Benvindo. os quatro protagonistas. À noite. residente na Rua Ibó. fica totalmente nervoso. onde travam um intenso tiroteio. saindo baleado Dom Benvindo e Régis (no pé). que até então não era procurado é preso em seu açougue em cumprimento a Mandado de Prisão expedido em seu desfavor. que se encontrava preso. pega seu mosquetão e atira acertando a moto onde Régis estava. nunca dava trabalho. No ano seguinte os mesmos Araquan voltam à cidade e Régis decide andar de moto na Rua Cabrobó. Luzimar e Índio. totalmente abandonada. sendo perseguidos por Chico Benvindo e os “Pretas”. juntamente com Nego Régis (Reginaldo Rossi Gonçalves dos Santos). os “Pretas” queimam o carro. resolve matá-lo. pegam o carro e fogem para a Ipueiras. Faltando combustível no veículo. não sendo atendido. juntamente com os “Negros” de Santana. havia sacado revólver dizendo que aquilo era o que tinha para os “Negros” chega aos ouvidos de Chico. a morte 50 . Antônio Benvindo. Netinho. em represália a morte de Zé de Paulino.de lado. como de costume. sabendo que o velho Zé de Paulino. sentado em sua cadeira de balanço na calçada. Vendo que estavam em desvantagens. sendo assim Chico diz que poderiam dar um mosquetão que ele ajudaria os policiais na defesa da cadeia. Antônio Benvindo. os outros chegam e começam a trocar tiros. tampouco tentaram invadir a cadeia. chegando a articular. filho de Maria Araquan. o qual a abandona. eles o abandonam na estrada e fogem caatinga adentro. Não conseguindo pegá-los. na bebedeira na Praça Nova. Poucos minutos depois Chico aparece no local. filho de Geraldo de Rosa. insatisfeito com aquela afronta. Dr. Ainda em 1989 Chico Benvindo. No momento do tiroteio Chico. Silvan. parecia mas uma cidade fantasma. aumentando assim as vítimas inocentes dos conflitos.Todos que trabalharam na época em que Chico estava preso diziam que ele era bastante disciplinado. no entanto. Antônio vai até lá e toca fogo na moto. tio de Vavá. A notícia de que Nego Régis.

vão até as proximidades de carro. Salvador e seu neto que encontrava-se nos seus braços. aquele que tivesse algum parentesco com os Araquan teria morte certa. inclusive o governador em exercício. e o pai de Vanvan. Mas até agora os 51 . o Sr. quando o mesmo se encontrava em uma cadeira de balanço na calçada de sua casa. sua esposa. quase houve uma intervenção. Ao local vieram inúmeras autoridades. Na mesma noite. filha de Maria Araquan). desce Rômulo que se desloca até a casa do velho Salvador e dispara inúmeros tiros. Netinho. estacionam. com os reforços de Regilvan (irmão de Régis). por isso dizia nada temer. sua irmã uma “moça velha”. matam o velho Gertrudes. último Araquan em Belém do São Francisco. Começam as chacinas No Sábado da mesma semana. Na manhã seguinte (domingo 24/02/92) os Benvindo vão ao Pau Ferro e matam Cornélio Neto dos Santos. queimando a casa. Luzimar. matando o Sr. seu sobrinho e ainda deixam baleado um rapaz paralítico. e Paulão matam Marcos de Ana Araquan (conhecida por Naninha. Elízio Davizim (motorista de Nozinho) e Tadeu (irmão de Índio). “Josa de João Paulino”. Os autores deste evento foram Rômulo. o Sr. Salvador Benvindo (patriarca da família). O estopim havia sido aceso e a bomba estourara. Depois desse desatino foram para Carnaubeira da Penha para a Fazenda de Nozinho. Com essas mortes acendem o estopim do conflito de forma alarmante. Cebion (pistoleiro). Doutor do Mulungu. Começam então a verificar os costumes do velho e certa noite. já não se tinha inocentes pelo caminho. Toda a área torna-se zona de exclusão. Foi morto atrás da igreja. o irmão de Vavá Araquan.do cabeça dos Benvindo. na curva de Riacho Pequeno. paravam todos os carros para identificar todos os passageiros. sua filha. todos que fossem parentes eram inimigos. Chico Benvindo realizou uma blitz macabra: passando-se por policiais. os Gonçalves entram na Fazenda Alto da Terra e cercam a casa do velho Gertrudes Benvindo. Régis. José Arquileu dos Santos (Zé de Arquileu) Na Segunda feira Coca. Índio. o qual era sacristão e dizia ser homem de Deus. 01 jovem e 03 homens só porque portavam documentos que continham sobrenomes da família Araquan ou foram de alguma forma reconhecidos como parentes dos Araquan. em seguida atearam fogo na propriedade. nessa empreitada Chico matou 06 integrantes da família rival. sendo 02 velhas. nesta época.

Chico coloca uma emboscada. os Araquan saem da Fazenda Ipueiras para Belém a fim de irem a uma audiência no Fórum local. Chico Benvindo não gosta da atitude do vizinho. estando Netinho bebendo em Riacho Pequeno diz que um irmão de Pedro Severo era safado e continuava apoiando os Benvindo. porém o mesmo diz que faria o socorro para qualquer um. Em 1991. Quando o Sgt Antônio procurou Inacim para cientificá-lo da morte de Marcos e resolver o problema. fechando as portas para impedir a saída de Netinho. que tenta justificar dizendo que nada daquilo era verdade. estava na fazenda e pega uma carona. não conseguindo matar ninguém. vem o Sgt PM reformado Antônio Nogueira. área compreendida às margens da rodovia conhecida por trasmaconheira (liga Belém a Salgueiro. irmão de Cleiton.conflitos giravam em torno de brigas de famílias. travando tiroteio com o Sgt. lá chegando e devido à gravidade o paciente têm que ser recambiado para Petrolina o que é feito no mesmo veículo de propriedade de Louro. Netinho se exalta e puxa sua arma. No tiroteio morre também Marcos. toca fogo. um líder local. o qual morre carbonizado. Quando estavam retornando. nas caatinga. O Sgt Antônio é alvejado. Assim todos os Araquan de Belém haviam migrado para Cabrobó. Com isso divide-se a população do povoado. Começam as discussões saindo os dois nos empurrões. O assassino do Graduado corre para 52 . ainda não tinham partido diretamente para os assaltos. que joga querosene nas roupas. para se esconder da população revoltada. Cleiton ainda não havia entrado nas contendas. saindo Nininho baleado e Chico mais uma vez queima o carro. não saindo ninguém ferido. vizinho das terras dos Benvindo. Riacho Pequeno ainda era território neutro. podendo ser até mesmo do lado de Chico Benvindo. Nininho baleado corre para a casa de Louro Nogueira. tombando sem vida. Lourival (Louro Nogueira) tinha propriedade de terra da Ilha do Curralinho para a Ilha Grande. não tinha ninguém. o qual é morto dentro do seu bar. passando por Riacho Pequeno). Netinho corre para o interior de uma loja de roupas. filho de Inacim. que prontamente socorre o mesmo até Cabrobó. vêm os filhos do Sgt Antônio Nogueira dar apoio de fogo. Nininho. o mesmo afirma que não quer saber de nada pois já perdeu seu filho assim no tiroteio. Certo dia.

Junilton. Bebé Nogueira. Edmilson Nogueira e Ananias Nogueira. embosca o motorista do carro pipa. ainda inconformado. se deslocando para Riacho Pequeno. e os mata de uma forma brutal. Em 1993. Até aqui as contendas giravam em torno de acertos de contas mediante as rixas familiares. na discussão Caeba diz que eles não venham querer mandar em Cabrobó. e o matarm em represália. pois aqui o chefe era outro e eles já tinham corrido de Belém por causa de confusão. saem de Riacho Pequeno e vão para Carnaubeira da Penha. Não gostando das desfeitas sacam as armas e matam Betinho Russo. à professora Neura Maria Nogueira. Bebé desce da moto e atira em João dentro da farmácia. no ano seguinte começariam a tomar outro rumo. Luzimar e Nego Régis vão até o local tomar satisfação e Betinho repete tudo que Caeba havia dito. com outro comparsa. depois desses ocorridos. vulgo Zé de Ancilon e sua prima. matam Franklin e Junilton em Petrolina. Na mesma semana Gilberto Nogueira. irmão de Cleiton. O velho Milton se muda então para a ilha dos Brandões. acompanhado de Nininho. Com o rumo das coisas eles saem para se armarem.o Destacamento da polícia Militar. procura Lourival 53 . Geraldo de Rosa. causando grande revolta na família Nogueira. Terminando assim com um saldo de quatro mortes. A população revoltada cerca o DPM. Os Inácio. três do lado dos Araquan e um dos Nogueira. José Soares Nogueira. principalmente com a morte da professora Neura que estava apenas de carona e não tinha nenhuma culpa nos ocorridos. Luzimar e Nego Régis bebendo em Cabrobó. e tampouco esboçaram algum tipo de reação. Tudo isso em torno de um único ferimento em Nininho. Os Nogueira tornam-se inimigos dos Araquan e aliam-se aos Benvindo. invade. retira “Inacim” da cela. onde vivem até hoje. voltam ao local mas Caeba não retorna. dá uma arma para Franklin Sinatra Freire para matar um dos Nogueira o qual consegue seu feito. não suportando os ferimentos. quando estavam na estrada. Não o encontrando vão até a farmácia de João Eudes. fica bebendo em outro local com Betinho Russo. No início de 1994. pai de Nego Régis. Em vingança a essas mortes Jucicleidio. que. vem a falecer. sabendo do paradeiro dos assassinos de seu parente. No dia seguinte. vai até Cabrobó com o intuito de matar Silvan. onde é preso e fica detido. discutem com Caeba.

utilizados para a defesa. após o pleito eleitoral. os Benvindo com os Nogueira. liderados por Júnior de Geraldo de Rosa. A partir daí têm-se a definição da união dos clãs. Dodó e Valdão. desse dia em diante “Zé de Quinca” deixou a 17 Buracos nas paredes. Depois disso a viúva de Geraldo muda-se para Belmonte e de lá começa a coordenar toda sua vingança. 54 . na Fazenda Vargem das Pedras. ambos tios de Caeba. que chegam a dizer que “ficaram pedaços de gente por todos os lados”. A morte de Vicente foi em represália à morte de Antônio ocorrida pela manhã e uma vingança pessoal de ‘Zé de Quinca”. Lourival aceita o acordo. que em discussão anos atrás havia dito que qualquer coisa que acontecesse ao seu irmão ele culparia Vicente. era por onde se colocava o cano da arma para atirar no invasor. pois seu maior desejo era matar Lourival. Antônio Gonçalves dos Santos. o qual estava transportando em sua caminhoneta C-10 eleitores e o matam.Russo dizendo que não quer confusão e que seu filho não anda mais em Cabrobó. invadem a casa de Edgar Caldas e espancam sua esposas com coronhadas na cabeça em seguida vão à residência de Lourival. retiram-se. Não conseguindo seus intentos. matando em seguida Cícero de Cláudio e Antônio de Cláudio. irmão de Inacinho. se dirigem a um bar. enquanto os Araquan preferem os combates urbanos. e. No mesmo ano de 1994 Regilvan e Gilmar (filho de Alzira) vão votar em Cabrobó. no entanto Geraldo vai ao banco e a mando de Lourival matam ele na calçada da agência bancária. ás 05 da manhã. um dos assassinos é Caeba. Gildenor. Luizinho. Inacinho foi morto em Riacho Pequeno no mês de abril de 1994. No mesmo dia os Araquan pegam Vicente Nogueira Torres. No dia 03 de outubro de 1994. que era muito precavido e sua casa mas parecia uma fortaleza com muros altos e em pontos estratégicos possuíam “torneiras”17. assaltantes do bando de Vinva. Vicente ainda tentou dialogar com os assassinos. Já no segundo semestre de 1994. Caeba fica sabendo da presença dos dois vai até o local e os mata. os passageiros ficam apavorados e se escondem na caatinga. Os Benvindo continuam a investir nos seus inimigos na zona rural levando vantagens em quase todas. porém não teve êxito. matam o Sr. Na época. levando ao pé da letra a máxima de que “inimigo do meu inimigo será sempre meu amigo”. os dois são mortos com tantos tiros.

Melhor oportunidade Júnior de Geraldo de Rosa não teria. continuo preso por outros ilícitos. que tanto se precavia. na entrada da Fazenda Pião (hoje Parque de Vaquejada). parece que querem tirar todo o atrasado: tem-se um grande 18 19 Ver dados estatístico de homicídios na área do CPA/I-2 em 1994. decide amenizar sua dor. Esqueceu ela que seu filho foi o principal protagonista na morte de Betinho. Os Araquan o tinham como traidor e atribuíam a ele todas as investidas dos Russos na Ipueira. Têm-se calmaria no ano de 1996.barba crescer e dizia que só tiraria quando matasse a metade dos Nogueira. No ano seguinte tem uma pequena trégua nas mortes. para não passar no trevo do Ibó. sem conseguir se vingar da morte do seu marido. ainda são registrados 21 homicídios na área da 1ª CIPM (antiga Z-Ex) e 57 homicídios na área do 8º BPM19. a viúva de Geraldo de Rosa. Júnior de Geraldo de Rosa tem sua vingança. entretanto. que compreendia os municípios de Belém do São Francisco. pois era ele grande conhecedor da região. no entanto. Começam. os Araquan nunca conseguiram pegá-lo. de forma que nem testemunhas ficariam. Floresta. Itacuruba e Carnaubeira da Penha. Em 1996. Lourival. Júnior ainda foi preso por esse crime. mas é absolvido por falta de provas. Araquan da gema. Para os Araquan ainda tinha Daylson Gomes de Sá. casado com a filha de Lourival Russo. se depara com Lourival Russo. pegando Caeba ou o mandante Lourival. resolve mandar Rômulo e Ruy para Gerimoabo-BA onde matam Luzimar. pois por essa estrada sairia uns 04 km de distância do posto da PRF. Ainda no ano de 1995. gráfico nº 01 (anexos) 55 . afinal era filho da terra. estando ele em deslocamento do Ibó em uma estrada vicinal. caiu por acaso nas garras do seu algoz. a matar até os do próprio clã. gráfico nº 01 (anexos) Ver dados estatístico de homicídios na área do CPA/I-2 em 1995. Em 1997. assim. Em 1994 são registrados 60 homicídios na Z-Ex. conhecido como Daylson Russo. que tinha Cabrobó em sua jurisdição18. Daylson foi preso em João Pessoa transportando maconha pronta para consumo. atribuindo a culpa a Luzimar por ter matado Betinho Russo e com isso Lourival ter mandado matar Geraldo. e 93 homicídios na área do 8º BPM (Salgueiro).

o Pedro Ceará. inicia-se a Segunda liderada por Cleiton e Luizinho de Nondas. Termina assim a 1ª tropa de choque do clã Araquan. período de 1994/2003. Rômulo afirma que não tem nada demais só precisam de dois carros para com um deles passar antes em Belém e pegar dois “pebas” (termo pejorativo usado para se referir a dois Benvindo). 20 21 Ver dados estatístico de assaltos à veículos na área do CPA/I-2. Pedro Ceará diz que “pau de fogo faz muito estrago”. Os Araquan. período de 1994/2003. um veículo marca VW. Rômulo estava prestes a ser preso. Dos três Policiais Militares. No dia seguinte. modelo Kombi. no entanto nada foi constatado. dois foram feridos mortalmente. “só tem dois macacos com pau de fogo e dois normal”. estando presente nas mortes dos policiais em Terra Nova em 1994. que encontravam-se em uma mercearia. Ao passarem pelos meliantes. no entanto no dia previsto para o delito. estão aprendendo mesmo com a prática. Iniciam-se os primeiros preparativos para treinar uma tropa capaz de combater esses ilícitos. sendo ainda atribuído a Policiais Militares. Pedro diz que têm que tirar serviço. Os Araquan recebem reforço de Francisco da Silva. grande assaltante de bancos e carros-fortes que repassa muitas experiências. gráfico nº 04 (anexos) 56 . quando foram realizar assalto. componentes da guarnição. quando em conversa com Pedro Ceará diz que vai botar (roubar) em banco de Floresta. no entanto ainda não adquiriram total experiência. não sabendo-se os autores do homicídio. que foram surpreendidos ainda dentro da viatura. resolveram voltar em marcha à ré para uma possível abordagem. vereador em Belém do São Francisco. gráfico nº 03 (anexos) Ver dados estatístico de assaltos à bancos na área do CPA/I-2. Miguel Benvindo. Dois dias depois Rômulo é preso em Carnaubeira da Penha e em seguida Pedro Ceará é morto também em uma emboscada. Os Policiais foram surpreendidos sendo recebidos à bala. Rômulo afirma que já foi feito. é emboscado e morto violentamente. matando cinco pessoas. e ao verificarem atitudes suspeitas. os Araquan entram em Cabrobó e realizam outra chacina. Índio e Tadeu são presos em Tocantins. Não houve assalto.aumento da violência no sertão com 257 assaltos a veículos20 e 28 assaltos a bancos21.

os policiais do SEI não conseguiram capturar Chico Benvindo. em entrevista a rádio local. na madrugada seguinte. pois as brigas estavam estabilizadas e Chico Benvindo continuava foragido. Chico Benvindo. só cessando seu combate por ter ficado sem munições e estando ferido e sem ter mais ninguém com ele foi capturado. tendo os policiais recuado e retornado para a companhia de Belém do São Francisco. pois não queria problemas com Polícia e só havia matado o Policial porque havia perdido um irmão seu. uma desesperada operação no intuito de ir resgatar o Sd Luciano. pois seria uma excelente oportunidade para capturar o foragido mais famoso e procurado do Sertão Pernambucano. continuou no combate. vindo a falecer um dos irmãos de Chico que. experiência. mesmo ferido. desesperado e com uma vontade bem maior de vingar a morte de seu irmão. porém. à noite Chico Benvindo liga para a Companhia e informa que “podem vir pegar o soldado de vocês. armamentos pesados e campo aberto. pois como os Araquan também causava terror. A denúncia foi confirmada. tendo sido constatado que o mesmo havia sido torturado antes de sua morte. os Araquan. onde deram por falta do Sd Luciano22. dedos cortados e esmigalhado por pedras. pois ele está morto”. sendo encontrado o seu corpo no local do tiroteio do dia anterior. ficaram aguardando pelo retorno do mesmo. era uma Polícia muito boa. Depois desse ocorrido. assim. um 22 Ver fotos 05 (anexos) 57 .Começam assim os Araquan. Havia ainda. Em novembro de 1997 o SEI (Serviço Especial de Inteligência). intensificam-se as buscas para capturar Chico Benvindo. pois em momento algum ele parou de brigar. mas ainda não tinha sido realizadas grandes operações com esse intuito. pensava serem ser seus inimigos. motivada tal fratura por um disparo de arma de fogo de grosso calibre. fala do ocorrido e diz que não sabia que eram Policiais. deslocaram-se até o local. Inicia-se. Estava com a perna quebrada. aconteceu o inesperado. com toda logística. Onde supostamente fecharam suas mãos e batiam com pedras para quebrá-los. Como haviam saído por lados distintos no momento do combate. Não tendo o miliciano voltado. Dias depois. várias perfurações pelo corpo. no entanto. tendo ainda seu olho esquerdo arrancado. após receber denúncia de que Chico Benvindo estava em sua fazenda com todo o seu bando . sendo travado um intenso tiroteio. Todo o efetivo se empenha nas buscas. ficando assim. se a Polícia de Pernambuco tivesse dez Policiais do tipo daquele.

pouco no esquecimento. O assassino estava mascarado e. José Arquileu dos Santos.12 Os Benvindo causam terror No dia 24 de fevereiro de 1992. 22 anos. No local foram encontradas 07 cápsulas calibre 12.62. Gertrudes Benvindo pelos Araquan no dia anterior. aproximou-se um homem usando um chapéu grande. no IPA. realizando suas primeiras operações. Encontraram o Sr. 03 cápsulas calibre 38 e 02 cápsulas calibre 7. Na manhã do dia 22 de maio de 1993. Quando se encontrava no escritório. na Fazenda Vargem das Pedras. no local não foi reconhecido. invadiram a residência do Sr. por volta das 11 horas. sendo morto no local o Sr. Chimba. O recém formado PEAC em outubro de 1997 já atuava. das famílias Benvindo e Nogueira. Moisés estava sendo ameaçado por pertencer ao corpo de jurados. 56 anos e Cornélio neto dos Santos. que teve morte instantânea. tudo que eles queriam. aproximadamente às 05 horas. Antônio Gonçalves dos Santos. Antônio em casa. levando televisor. rádio e outros pertences da 23 Ver foto nº 03 (anexo) 58 . onde dispararam vários tiros de diversos calibres. Moisés Carneiro da Silva foi trabalhar na Ilha da Estação experimental Jatinã. filho de João Paulino dos Santos e Maria Alice de Sá. Tendo estes crimes ocorridos em represália às mortes da família do Sr. tendo sido atribuído o crime a Francisco José da Cruz23 (Chico Benvindo). Quando estes chegaram ao local. 34 anos. nove elementos fortemente armados. Silvino Benvindo. as quais foram surpreendidas. Chico Benvindo. as vítimas estavam tomando conta do gado na fazenda. acompanhado de Josa de Expedito. Zé Arquileu na Fazenda Pau Ferro. invadiram a propriedade do Sr. João de Sizenando e outros não identificados. No dia 03 de outubro de 1994. atingindo todo o corpo do mesmo. Depois do assassinato. Chegando perto de Moisés. camisa de mangas compridas. segundo as testemunhas. sacou de sua arma e passou a atirar. filho de Manoel Fortunato dos Santos e Estelita Gonçalves dos Santos. saquearam a casa. tendo dado tempo apenas de Moisés proferir as palavras “que isso? Por quê?” morrendo no local em que foi baleado. 1.

com o intuito de emboscar os integrantes da família Araquan que estavam em deslocamento para Cabrobó. enquanto que o Voyage pilotado por Regivan Geraldo Gomes Gonçalves. José Neto Maximiano da Cruz. paravam todos os veículos que transitavam pela estrada que liga Belém do São Francisco à Fazenda Ipueiras. Francisco José da Cruz e Silvino José Filho. dando seguimento a uma empreitada criminosa. após passar pelo bloqueio despencou por um aterro lateral. Erasmo Jorge da Silva. As vítimas trafegavam em dois veículos. Maria José dos Santos e João José dos Santos. para usar no transporte dos mesmos até a Fazenda Ipueiras. Anselmo Pereira Lima. agindo com dolo de matar. cerca de 30 homens. cerca de 04 km de Belém. José Carlos de Oliveira.família. estando apenas de carona. Domingos Helder Nogueira dos Santos. Gilberto Júnior Nogueira dos Santos. Manoel Simões dos Santos. Francisco José da Cruz. não tendo a empreitada criminosa se concretizado por condições alheias às vontades dos mesmos. Silvino José da Cruz. por volta das 07 horas. Ubaldo José da Silva. ficando sem condições de funcionamento. conhecida por “Lili”. onde tomaram um veículo autocarga. sendo poupada apenas por não pertencer à família rival. Anacleto José da Cruz. Mercedes Benz de cor azul. tentaram contra a vida de Osvaldo João dos Santos. 59 . ficando também sem condições de uso. que ao avistarem o bloqueio de pedras. No dia 05 de agosto de 1997. todos fortemente armados. Desta empreitada não houve mortes. Antônio José da Cruz. O Gol estava sendo conduzido por Osvaldo João dos Santos. Todos os componentes dos veículos fugiram. No dia 19 de abril de 1996. comandados por Chico Benvindo. Antônio Dailson Gomes de Sá e Claésio Vieira Gomes (Caeba) colocaram uma barreira de pedras na estrada. com exceção da Srª Maria José dos Santos. um Gol de cor branca e um Voyage de cor azul. Paulo Jorge da Silva. os acusados em comunhão de ação e desígnios. minuciosamente esquematizada. placas IX 0718. Após participarem de uma audiência. José Carlos Simões. Regivan Geraldo Gomes Gonçalves. Gilmar Guedes de Sá. saindo ferido Regivan Gonçalves. Regivaldo Guedes de Sá. previamente ajustados. passando por cima das pedras. não obedeceram às ordens de pararem. a qual foi cercada pelos Benvindo. No mesmo dia os Araquan em represália matam Vicente Nogueira Torres. Entre os elementos estavam Domingos Hélder Nogueira dos Santos. sendo os veículos alvejados por disparos de arma de fogo de diversos calibres.

Saiu ferido Celson Milton dos Santos. Nego João. nascido em 07/07/64. nº 348. 37 anos. fazendo uso de armas curtas e longas. alvejaram. Júnior filho de Lourival. juntamente com Marcos de Miguel. foram encontradas 501 (quinhentas e uma) cápsulas de munições de diversos calibres. o vereador José Roriz de Meneses. colocaram fogo em quatro veículos. No local foram encontradas 07 cápsulas de calibre 09mm e 01 calibre 2. placa KID-9900.23. Antônio Gomes Menezes. morrendo no local. Por volta das 21 horas. invadiram a Fazenda e fizeram várias pessoas como reféns. O mesmo foi atingido na cabeça. motorista do caminhão. tórax e braço. uma pessoa de estatura mediana. o qual foi forçado a levá-los até a fazenda. centro. trancaram-nas em um quarto e começaram o tiroteio. do dia 17 dezembro de 1997. fazendo como vítimas as pessoas de Ariosvaldo Cícero dos Santos. placas NI-2007 e KIF-2242.Chegando lá. saia rapidamente. em Belém do São Francisco. na Rua Trapiá. No local do crime. Ariosvaldo foi amarrado e depois morto com vários tiros e José Dílson Pereira da Silva. Tia. da porta de sua residência seus familiares avistaram o corpo do mesmo estendido no chão todo ensangüentado. vulgo Cícero de Piroca. residente na Fazenda Quixaba. Caeba. Bodinho e seu irmão Dílson Gomes de Sá. de 25 anos de idade. o qual matou Antônio. placas KIQ-2897 e uma motocicleta Honda CG/125. sendo morto no local da chegada. No dia 16 de outubro de 1999. saiu de casa por voltas das 07 horas. cinco elementos encapuzados. 60 . Beto de Cícero Gordo e Robinho. Dentre os elementos foram reconhecidos Chico Benvindo. sendo constatado que se tratava de Cícero José da Cruz. O mesmo foi morto por ter sido testemunha ocular da morte de seu filho José Roriz de Menezes. Os elementos estavam em uma Fiorino de cor verde e se evadiram para local ignorado. No local. Após os crimes. filho de Cícero dos Santos e Joana Alves de Souza. sendo 02 Gols de cor branca. um Kadet de cor vermelha. filho de Luiz Pereira da Silva e Maria José da Silva. poucos minutos depois se ouviram disparos de armas de fogo. tendo sido o crime atribuído a Chico Benvindo. A vítima sofria ameaças constantes da família Benvindo. Joãozinho do Ibó.

a região do vale do São Francisco que vive do cultivo da droga. Cabrobó e Santa Maria da Boa Vista passaram a sofrer uma onda crescente de assaltos a bancos. sendo tais fatos objetos de diversas reportagens. que. Polícia Federal e Polícia Civil. no entanto o Sertão pernambucano. verificou-se a necessidade de formação de um contingente capaz de persegui-los. no entanto. ele é comandado pelo tráfico e concentra sua atuação no que é conhecido como polígono da maconha. bem como um aumento do plantio e tráfico de maconha. para os quais são utilizados “modus operandis” correlatos aos utilizados no passado. o Lampião. acostumados às adversidades do terreno. Floresta.13 PELOTÕES DE CAÇADORES: uma Força Policial eficaz no combate ao banditismo.1. o cangaço voltou ao sertão. O outro lado do cangaço: as forças volantes em Pernambuco. A grande vítima do cangaço moderno é o sertanejo empobrecido pela seca. O jornal O Estado assim comenta os fatos: Sessenta anos depois da morte de Virgulino Ferreira da Silva. os conflitos entre famílias nos municípios de Floresta. 07JUN98) A PMPE realizou nesta região diversas operações. Belém do São Francisco. foi substituído pelo modernos fuzis AR-15 e M-16 e metralhadoras Uzzi. especificamente os municípios de Serra Talhada. carros-fortes. Belém do São Francisco e Cabrobó contribuíram para uma escalada vertiginosa da criminalidade na região. 2004 61 24 . onde grupos bem organizados e armados com poder de fogo de última geração praticavam inúmeros assassinatos. Editora do Autor. “As volantes nunca deixaram de existir. ônibus interestaduais e veículos particulares. por necessidade ou amor à vida. existia uma grande dificuldade em encontrar os cangaceiros modernos. a nível nacional. Recife. Após inúmeras tentativas fracassadas da força policial em capturá-los. quer em matérias de programas de televisão. MONTEIRO. quer em jornais e revistas. rende-se ao crime. (O Estado. autocargas. O velho rifle “papo amarelo” que Lampião usou por 22 anos. Roberto Pedrosa. os quais eram conhecedores da inóspita região e filhos da terra. algumas das quais apoiando as Forças Armadas. Agora. Não obstante uma atuação regular das OME/GAPI-2. Salgueiro. só caíram em desuso24”. no início da década de 90.

Com a conclusão do planejamento. O BG nº 126. 8º e 14º BPM. Comunicações. Primeiros Socorros. Agentes Químicos. Transposição de Cursos D’água. tendo a Portaria nº 512 designado instrutores e monitores do Curso. que seriam constituídos para emprego regular no combate à criminalidade no sertão do Estado. Ao término do mês de março de 1997. Técnicas de Abordagens. a ser ministrado aos efetivos dos 5º. Tiro Policial. Fariam parte as disciplinas Treinamento Físico Militar. o Comando da 1ª CIOE iniciou os estudos necessários à realização da missão.tendo a natureza como aliada e homens conhecedores do terreno. a elaboração de um curso de sobrevivência na caatinga. de modo a adestrar tal efetivo na utilização dos recursos naturais da região de caatinga. a Portaria do Comando Geral nº 510 cria oficialmente o CIOSAC para Oficiais e Praças da corporação. em conjunto com a 1ª CIOE. bem como a realização de qualquer missão especial de caráter Policial Militar. Ofidismo. Na mesma data a Portaria nº 510 aprova o currículo do curso. bem como aos da 1ª CIPM. físico e psicológico. de modo a prepará-los para a utilização dos recursos naturais da caatinga. vislumbrando-se a necessidade da Corporação dispor de um grupamento de elevado preparo técnico em condições de combater eficazmente o banditismo no Sertão Pernambucano. Montanhismo. publica a 62 . Armamento e Munição. Entorpecentes e Drogas Afins. 7º. Cumprindo tal determinação. Em 13 de maio de 1997. estabelecendo que o citado curso serviria de base para a formação dos futuros “Pelotões de Caçadores”. surgiu em Abril de 1997 a denominação de Curso Intensivo de Operações de Sobrevivência na Área da Caatinga – CIOSAC. com duração prevista de 03 (três) semanas e currículo composto de 14 (quatorze) matérias. Estes teriam como atividade precípua a captura dos criminosos que se homiziavam no interior das caatingas. Logo se verificou que o curso não poderia limitar-se a sobrevivência na caatinga e que deveria possuir um currículo para tal que habilitasse os Policiais Militares a cumprir missões com elevado preparo técnico. Instrução Tática Individual. a Nota Complementar de Instrução Nº 006/97 – DEIP designou o CFAP como órgão responsável pela supervisão e ensino do CIOSAC. Operações e Sobrevivência na Caatinga. Em 20 de maio de 1997. tático. com duração total de 170 horas-aula. fora determinado à DEIP. de 11 de julho de 1997. Operações Ribeirinhas.

O CIOSAC estava oficializado e possuía currículo. Considerando a necessidade de empreender ações Policiais Militares mais eficientes e eficazes no controle da criminalidade. III – Determinar à DEIP e DS as providências quanto aos exames físico (através do CEFD) e de saúde. que adotou o CIOSAC como uma das prioridades de seu comando. entretanto sua efetivação passou por inúmeros obstáculos administrativos. de modo a adestrar os efetivos selecionados na utilização dos recursos naturais do semi-árido pernambucano para a sua sobrevivência e para a realização de operações policiais nessa região. publico o seguinte: 2ª PARTE Instrução . Em agosto de 1997 a corporação passou a ser comandada pelo Exmº. que serão formados para emprego no controle da criminalidade no sertão do Estado. determinando à DEIP que desenvolvesse os esforços necessários para a realização do curso. Sr. mais especificamente do crime organizado. Cel PMPE GUSTAVO JOSÉ MONTEIRO GUIMARÃES. IV – Determinar à Subchefia do EMG que libere os recursos necessários para a realização do Curso Intensivo de Operações e Sobrevivência na Caatinga e 63 . aprovado pelo Decreto nº 17. cria os 1º e 2 º Pelotões Especiais de Ações na Caatinga e dá outras providências. subordinados ao II Comando de Policiamento de Área do Interior (CPA/I-2). bem como planilha de custos. 101 do Regulamento Geral da PMPE (R/1). EMENTA: Institui o Curso Intensivo de Operações e Sobrevivência na Caatinga.0 173 . Maranhão e o 1º Ten PMPE José Soares de Morais.Portaria do Comando Geral nº 748. II – Criar os 1º e 2º Pelotões Especiais de Ações na Caatinga (PEAC). financeiros e operacionais. Eis o que diz o documento oficial: BOLETIM GERAL Nº A 1. ficando o referido Curso sob inteira responsabilidade administrativa e pedagógica da DEIP/CFAP a quem caberá solicitar os meios necessários ao seu funcionamento.00. inerentes à realização de um curso pioneiro.PORTARIA DO COMANDO GERAL Nº 936 de 11 SET 97. respectivamente.589 de 16 JUN 94.0. R E S O L V E: I – Instituir o Curso Intensivo de Operações e Sobrevivência na Área de Caatinga ( CIOSAC). de 04 de julho de 1997. principalmente no Sertão Pernambucano. O Comando Geral. com início previsto para o mês de Setembro. designando o Cap PM – Vanildo A. no uso das atribuições que lhe são conferidas pelo Art. respectivamente. em razão do crime organizado que já se faz presente em nosso Estado.Para conhecimento desta PM e devida execução. para os encargos de Coordenador e Secretário do CIOSAC.

que na maioria das vezes estavam quase sem condições de uso (sem partida.implantação dos Pelotões ora criados. VI – Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. raramente havia uma viatura para levar os componentes.º 1. sendo selecionados 58 (cinqüenta e oito) candidatos. o deslocamento era realizado até Belém do São Francisco por meios próprios. todo o efetivo era utilizado na atividade precípua. tornou-se assim o 1º comandante do PEAC. determinando a realização do III CIOSAC. freios ruins. os quais foram divididos em duas turmas – o 1º CIOSAC. não tendo estrutura administrativa ou orçamentária. com policiais do 14º BPM. Com o êxito das turmas anteriores e o reconhecimento a nível nacional. suspensão. de 31OUT97. oriundos das OME do CPA-I/2. CAMIL e CBMPE.º 208 publicou a Portaria do Comando Geral n. no entanto não se tinha ninguém na parte administrativa. Em 07 de novembro de 1997 o BG n. Inicialmente apresentaram-se à Coordenação do CIOSAC. 1ª CIOE. que se tornou o cenário das primeiras operações. no combate a criminalidade. realizou-se no período de 09 a 23 de setembro de 1997 e o 2º CIOSAC. Para se cumprir o serviço as OOMMEE sempre disponibilizavam as piores viaturas.103. mais antigo. tendo sido declarados “GUERREIROS DE CAATINGA” 04 (quatro) Oficiais e 44 (Quarenta e Quatro) Praças. 06 (seis) Oficiais e 140 (cento e quarenta) Praças. 1ª e 2ª CIPM. 7º e 8º BPM. ficando revogada a Portaria do Comando Geral nº 419 de 25 ABR 97. Ao término da 2ª turma os policiais das OME da área da GAPI-2 foram apresentados ao 2º Comando de Policiamento de Área do Interior a fim de integrarem os 1º e 2º PEAC (Pelotões Especiais de Ações na Caatinga) para iniciar as atividades. oriundos da PMPE e CBMPE. o Comando 64 . realizou-se no período de 01 a 22 de outubro de 1997.). (BG nº 173. através do BG 173. no mesmo boletim foi instituído o Curso Intensivo de Operações e Sobrevivência na Área de Caatinga (CIOSAC). Sendo a área mais crítica a de Belém do São Francisco. foi criado os 1º e 2º Pelotões Especiais de Ações na Caatinga (PEAC). iniciando-se com armamentos e viaturas cedidas pelas OOMMEE da GAPI-2. 16SET97) Em setembro de 1997. o Ten PM Dario Lucas Ângelo da Silva. V – Os 1º e 2º Pelotões Especiais de Ações na Caatinga serão inorgânicos e de caráter provisório. etc. 5º. Sendo dos Oficiais formados no 1º e 2º CIOSAC. CIPOMA. BPChoque. para os exames seletivos. isto é. com policiais oriundos do 3º.

Alagoas. Através do Ofício n. Ceará. contenção das brigas de famílias. em virtude da grande aceitação tanto do público externo como interno que não reconhecia os “Pelotões de Caçadores” por outro nome. coletivos ou particulares. o Cel PMPE Quintino. na Rua Cel. Piauí e Bahia). tendo seus limites com 05 Estados vizinhos (Paraíba. O Comandante da CIOSAC. o curso passou a ser de responsabilidade dos Guerreiros de Caatinga já formados nas 1ª. quer seja de carga. os quais haviam ingressado na corporação no ano anterior. Vários policiais desistiram dos cursos. assaltos e roubos a veículos. além do cumprimento de mandados de prisão em toda a GAPI-2 que totalizava 61 municípios. sediado no CPA/I-2. para um estágio na CIOSAC. Cornélio Soares. 2ª e 3ª turmas do CIOSAC. Comandante do CPI. A III turma do CIOSAC foi efetivada no período de 16 de março a 02 de abril de 1998. sendo os exames seletivos dos candidatos realizados em janeiro e fevereiro de 1998. o qual havia iniciado a parte administrativa. formado na 1ª turma de 1998 (3ª turma do CIOSAC). PMPE e PMPB. o qual havia sido criado em setembro de 1997 através do BG nº 173. Centro. pois não eram voluntários. o PEAC. chega à conclusão que seria melhor a realização de cursos ao invés dos estágios. era o comandante. 651.º 280/98-SEC/CPI (atual DGO). sendo composta por Oficiais e Praças oriundos da FAB. Em 1999. datado de 03 de junho de 1998. abrangendo de Arcoverde a Petrolina. A partir da IV turma do CIOSAC. tendo sido formados no 4º CIOSAC (1º/99) 24 oficiais e 65 . Serra Talhada. Os Pelotões de Caçadores com nova denominação não perdeu sua atuação tendo como missão a manutenção da ordem pública através da repressão a assaltos a agências bancárias e carros fortes. combate ao tráfico e plantio de maconha. com a idéia de realizar estágio para todos os Soldados recém formados. resolve enviar todos os policiais que iriam trabalhar nas OOMMEE da GAPI-2. passou a receber a denominação de Companhia Independente de Operações e Sobrevivência na Área de Caatinga – CIOSAC. À época o Cap PM Ildefonso Afonso Elias de Queiroga.Geral recebeu solicitações de vagas pela FAB (Força Aérea Brasileira) e Polícias Militares dos estados da Paraíba e Ceará. em entendimento com os escalões superiores.

praças da PMPE. considerando a necessidade do aumento de efetivo e a procura de inúmeros policiais pelo curso. tendo o mesmo retornado e concluído na 7ª turma CIOSAC (4ª/99) onde foram formados 17 praças da PMPE. com o objetivo de pertencer as fileiras da companhia. pois em 1997. 19 Tenentes. fazendo-se necessária a atuação desse tipo de policiamento na zona da Mata e no Agreste de Pernambuco. para policiamentos ostensivos. etc. Na época era comandante da CIOSAC o Cap PM Alfredo Wanderley de Carvalho. Na 8ª turma do CIOSAC (5ª/99). Sendo assim encerradas as 06 turmas do ano de 1999 nas quais foram formados 01 Major . A turma teve início em 13 de março de 2000. ficando impossibilitado de realizar o curso com apenas 01 PM. não foram nem preenchidas as vagas disponibilizadas para as unidades do Sertão. no entanto foi formado juntamente com a 4ª turma de 1999 em virtude de ter sido o único que ficou após a preleção do Coordenador do Curso. com grande atuação da CIOSAC. assim. sendo comandada pelo Cap PM Queiroga. um grupamento do CIOSAC. formado inicialmente por duas equipes operacionais. Comandante Geral da PMPE que fosse inaugurado na sede do CPAI-1. Com o término dos cursos e em virtude da região do agreste está apresentando um elevado índice de criminalidade. O Comandante do CPI solicitou ao Exmº Sr. Iniciava-se. 02 Capitães. Exército Brasileiro e 66 . totalizando 76 novos guerreiros de caatinga. tendo inclusive por diversas vezes se deslocado para a capital. Na 9ª turma do CIOSAC (6ª/99) foram formados 11 praças da PMPE. A 6ª turma do CIOSAC (3ª/99) foi declarado Guerreiro de Caatinga apenas um Policial Militar de Pernambuco. tendo entre os concluintes e praças da Força Aérea Brasileira. Em 2000. desistiram antes do início. 05 Cabos e 45 Soldados. tendo sido efetivado na dia 23 de junho de 1999. sendo iniciado com 87 alunos dos quais 67 foram declarados guerreiros de caatinga em 29 de março. Na 5ª turma do CIOSAC (2º/99) foram formados 04 praças da PMPE. o qual explicava como seria o curso. greves. a abrangência da CIOSAC em quase todo o estado. foram declarados guerreiros de caatinga 20 policiais militares entre Oficiais e Praças da PMPE e CBMPE. sendo a maioria dos policiais presentes na referida explanação contrários a vinda para o curso onde não eram voluntários.. fato inexistente no início. os criminosos do Sertão do Estado começaram a migrar para outros Estados e para outras regiões de Pernambuco. foi realizada a 10ª turma do CIOSAC em 2000. 04 Sargentos. talvez por haver uma maior concentração de operações no sertão.

o Cap PM 67 . que fica com o nome de Companhia Independente de Operações na Caatinga. no seu lar. publicada no Diário Oficial de 31 de março de 2004. no entanto foram também transferidos da CIOSAC 18 guerreiros em virtude da metodologia do comandante da época. próximo a Itaparica. um local onde todos os guerreiros de caatinga sentissem que estava em sua própria casa. sendo assim. porém com a mesma sigla CIOSAC.. não foram envidados esforços. 31MAR04) Com o advento da Lei nº 12. dos quais foram apresentados a CIOSAC os 18 policiais militares que concluíram com aproveitamento a 11ª turma. este para o Ten Abílio. de 30 de março de 2004. porém restava agora. começa a florescer. as propostas existentes não eram muitos. Em Custódia. o prefeito do município disponibiliza um dos prédios utilizado por sua administração. bem mais viável. Em documento oficial. 4º Ficam criadas as seguintes Organizações Militares Estaduais – OMEs da Polícia Militar do Estado de Pernambuco:.544.. Em 2004. quando assumiu o 1º Ten PM Figueiredo. onde CIOSAC sertão e agreste passam a ser apenas CIOSAC. sendo efetivado a 11ª turma no período de 07 de junho a 09 de julho de 2004. permanecendo até abril de 2003. assim se pronuncia o Governo do Estado: O GOVERNO DO ESTADO DE PERNAMBUCO: Faço saber que a Assembléia Legislativa decretou e eu sanciono a seguinte Lei:.. fica definido então o nome da OME. Em maio de 2004 surge a necessidade de realizar um novo curso para aumentar o efetivo da CIOSAC que estava em claro de vários policiais. e dá outras providências. pois estaria mais ou menos no meio do caminho entre a atual área de atuação.Art.. tendo logo após a conclusão dos novos guerreiros de caatinga. um dos concluintes. a distância era grande. uma sede própria. como a criação de várias unidades. V – Companhia de Operações de Sobrevivência na Caatinga. foram declarados guerreiros de caatinga 21 policiais. (DO. cogitava-se uma sede doada pela CHESF.Polícia Militar da Paraíba. ficaria descentralizada. que fixa o efetivo da Polícia Militar de Pernambuco. fica também unificada. No Agreste o Cap PM Queiroga já havia passado o comando para o Ten Bantin. o Cap Marcos Vinícius Barros dos Santos assumido o comando da CIOSAC. algumas delas já implantadas há algum tempo como a CIOSAC. sendo 20 militares e 01 policial civil. o tão esperado sonho de muitos em ver uma unidade totalmente independente.

sob o Comando do Cap QOPM Alfredo Wanderley de Carvalho desde 17 de janeiro de 2007. irmão de Cleiton. que tinha como objetivo oxigenar a tropa. bem como nas mais adversas missões (conflitos entre famílias. Hodiernamente. que estavam diretamente envolvidos no crime. No mesmo dia aparece um Araquan morto nas proximidades do confronto. Custódia-PE. Em agosto de 1998. Em 1998 continuam os assaltos a bancos com 09 assaltos em toda área.Figueiredo. No dia seguinte à morte do vereador. CPS (56) e CPZM (43). carros-fortes. dos quais alguns eram pioneiros na CIOSAC e na sua maioria eram oficiais. tirando vários integrantes da Companhia. o que mostrava ainda defasagem. nunca abúlica em bem servir e proteger a sociedade pernambucana. Dos homens que estavam no seqüestro. assaltos a bancos. cumprindo eficientemente todas as missões que lhe são confiadas. Cleiton entrou em 68 . tráfico e plantio de entorpecentes. inclusive Cleiton era querido e respeitado na localidade.14 Os principais confrontos. Neguinho de Antônio Matias. o bando enfraqueceu um pouco. ônibus. tendo agora que se reorganizarem. 800. ficando assim o efetivo com o mesmo quantitativo. a CIOSAC entra na Fazenda Ipueira e prende 03 integrantes da família. o qual também foi coordenador do curso em epígrafe. 1. sendo subordinada diretamente ao CPE.). o comando da OME está sediado. desde 16 de julho de 2004. além dos outros cinco integrantes do bando Araquan. casado com uma Araquan. sendo aprovados 21 Policiais Militares. muitos freqüentavam o local. perfazendo o total de 146 integrantes. Em 2005 foi realizada a 12ª turma do CIOSAC no período de 23 de novembro a 23 de dezembro de 2005. seja no combate ao crime organizado. bairro Mandacaru. Não gostando do ocorrido. autocargas. juntou um bando de 12 homens e em dois veículos dirigiu-se ao Ibó. dividida em 12 grupos de Operações. prisão e fuga dos Araquan. Agindo nos 170 municípios do CPA (71). tinha desavenças com o vereador Cacau. na Rua José Thomas. etc. as atuações da CIOSAC tornaram-se imprescindíveis. em Petrolândia no assalto ao Banco do Brasil a 2ª tropa sofreu suas primeiras baixas. Com o ferimento de Marquinhos Araquan e a morte de Josenildo. onde seqüestrou e matou o vereador.

todos fardados com camuflado do Exército Brasileiro. onde são erradicados no sertão aproximadamente 963. sequestrando Zé de Piroca e Antônio Benvindo. numa D-20 com 08 (oito) homens sentados na carroceria em postura militar e dois na frente.desentendimento com Neguinho. gráfico nº 06 (anexos) 69 . por exemplo. Não apenas as armas utilizadas pelas quadrilhas de assaltantes sertanejas são sofisticadas. O passo seguinte é juntar a quantidade de homens necessários à ação.772 kg (novecentos e dois quilos e setecentos e setenta e dois gramas) de maconha pronta para o consumo26 são apreendidas. Parece que a paz voltaria a reinar. "Ladrão profissional não permite que iniciante participe deste negócio. Para assaltar um carro-forte. afirma. são indicados outros para ficar em pontos estratégicos verificando a passagem de viaturas policiais. Tudo tem que ser bem pensado para não dar errado". gráfico nº 05 (anexos) Ver dados estatístico de maconha pronta para o consumo. que teve que ir embora. "Nós estamos sempre estudando novas formas para que não tenhamos surpresas nos assaltos que planejamos". Intensificam também o plantio de roças de maconha.160 (novecentos e sessenta e três mil e cento e sessenta) pés de maconha25. Em 1999. no período de 1994/2003. Outro detalhe importante é verificar se o carro é blindado ou reblindado. desembarcaram e apresentaram falso Mandado de Prisão. no período de 1994/2003. Além dos que vão participar diretamente do assalto. em operação cinematográfica. Marcos diz que é preciso fazer o planejamento com meses de antecedência e ter um bom observador para precisar o dia e o horário que o veículo passa no local escolhido para o ataque. numa referência também aos demais grupos que realizam este tipo de "serviço" no Sertão Pernambucano. Com isso o aumento de assaltos sobe de forma assustadora. bem como 902. mas é só uma questão de tempo. Isso é determinante para escolher o calibre da arma a ser utilizada para vencer a resistência do veículo. (JC. Os motoristas de veículos nas BRs são as principais vítimas. revela Marcos. O Jornal do Comércio detalha os fatos ocorridos com o elevado índice de violência no Sertão Pernambucano. Em setembro de 1999. cerca de dez homens. inicia o ano sem mortes. conduzindo as vítimas para matá-los minutos após 25 26 Ver dados estatístico de pés de maconha erradicados. Os últimos assaltos a bancos e carros-fortes ocorridos na região mostram que as gangues também estão desenvolvendo estratégias ousadas para obter sucesso em suas empreitadas. 18ABR99).

afinal coloca-se apenas mais lenha. quando comprava calçados em uma loja. e mais quatro comparsas totalizando 06 pessoas. Zé de Piroca foi atingido em todas as parte do corpo. em Belém do São Francisco. saem feridos um sargento e um soldado pernambucano. Há dez anos a família disputa o tráfico de maconha na região com a família Gonçalves. invadem a Ipueira e matam César Ferreira de Sá. Familiares dos mortos acusam a família Gonçalves pelos crimes e prometem retaliação. Chico Benvindo. hoje. O clima no município é de tensão e a população está amedrontada. ficam ainda baleados Luizinho de 70 . Paulinho Araquan. levam de Paulinho fuzil mini-Rugger. irmão de Alzira. juntamente com Dentinho. Canudos-BA e Pilar-BA. pois o fogo abrasante da vingança nunca deixa de existir. nesse último em confronto com policiais da Bahia e Pernambuco. Fabiano.saírem da zona urbana de Belém do São Francisco. no sertão pernambucano. fugindo apenas Nego de Alzira. José Pedro Cruz. no dia 28 de julho. Vejamos o comentário do Jornal do Comércio: Vestidos com uniformes de camuflagem do Exército. dois integrantes da família Benvindo. Brás e Vavá. encapuzados e portando armas privativas das Forças Armadas. Em 23 de março de 2000. a poucos metros dali mataram os dois. em 14 de dezembro de 1999. são presos em operação realizada por policiais da CIOSAC e SOP Marquinhos. 28SET99) Reacende novamente a chama das contendas. juntamente com Daylson Russo. Luizinho de Nondas promete à viúva que vem se vingar das mortes. (JC. Adriano. O outro morto. Todos os acessos a Belém de São Francisco estão cercados numa operação que utiliza 90 policiais militares. oito homens seqüestraram e mataram. atiram no motor de uma das balsas seqüestraram Pedro Filho da Cruz (Pedrosa) e seu filho de 14 anos. Nesse mesmo ano assaltam as agências bancárias de Macururé-BA. incluindo Cleiton que havia sido preso por policiais Federais no Shopping de Petrolina. Em 26 de março de 2000. Antônio Gomes de Sá (pai de Vital). Em abril Luizinho de Nondas. morrem os assaltantes Valdão e Antônio. se aproveita da situação haja vista que os principais homens de combate estão presos. Izamar. George. Xorroxó-BA. chegam na balsa em uma Blazer com os vidros escuros e totalmente armados desembarcam. e outro não identificado. ambos irmãos de Luizinho.

"A gente quer acabar com a matança". mediado pela CPI estadual do Narcotráfico. evitando circular pelo território dos rivais. uma espécie de "zona de exclusão" que vai evitar o seu convívio. (JC. reina uma paz aparente no sertão.Nondas. Osvaldo João dos Santos27. exigia que todos fossem soltos. Curiosamente. enquanto o outro grupo só possuía três. 01NOV00) Pelo acordo as rodovias federais e o município de Salgueiro seriam território livre. desafia. Como os Araquan querem. informalmente. participou do encontro e 27 Ver foto nº 02 (anexos) 71 . já que este município é pólo bancário e comercial da área. Francimar. (Tribuna do Brasil. Júnior Gordo. Sob esta aparente paz. Sendo assim. E os Benvindo. só foi possível porque as famílias rivais aceitaram demarcar. os Araquan e Gonçalves não poderão nesse período. ele propõe que a Justiça procure prender os foragidos. o acordo terá todo o meu apoio. Uma das dificuldades para a trégua era o ressentimento da família Araquan em relação ao fato de que sua família tinha 22 pessoas presas. Durante seis meses as famílias deverão permanecer nos municípios onde moram. o Vavá Araquan. não aceito liberar ninguém. ou que 19 integrantes das famílias rivais fossem também presas para empatar o ranking. circular em Cabrobó e Belém do São Francisco. Chico discorda veemente: Quem deve tem de pagar por seu atos. resumiu o representante de uma das seis famílias envolvidas. afirma Chico. Assim após mais essa baixas. que é domínio dos rivais. um acordo de paz que será oficializado ainda nesta semana. ressaltando que também só aceita parar “com a matança”. na Assembléia Legislativa. os Nogueira. Nego de Alzira e Ulisses. 26OUT00) Juiz das Execuções Penais. O acordo. Assim. Quem matou tem que cumprir pena". A briga entre os dois grupos já levou cerca de 100 pessoas à morte em aproximadamente 20 anos. Cristian Diniz Simões de Medeiros. se os que se encontram detidos forem julgados o mais rápido possível. o Tribuna do Brasil registra: Dois grupos de famílias rivais do sertão do São Francisco selaram ontem. o "Barná Russo". Adeildo Nunes. os Gonçalves da Silva (conhecidos como os Cláudio) e os Simões de Medeiros (os Russo) não entrarão nos municípios de Abaré e Mirandiba. “Se ela for dar chance a bandido nunca vai haver paz no Sertão”.

crueldade e impunidade os Araquan. Só restaria a fuga. assim.prometeu agilizar os processos. erradicados 515. Como demonstração de força. a paz reinava.482 pés de maconha e 3. Tudo na realidade estava caminhado para a liberdade dos Araquan. o número de assaltos a veículos em 2002 chega a 159 na região de Cabrobó e Belém (1ª e 2ª CIPM). atiraram no helicóptero da PRF atingindo o Piloto. ficando com as armas. de imediato. na ilha dos Brandões. trazendo. são erradicados 1. principalmente Cleiton. intermediada por políticos.875 kg de maconha pronta para o consumo em toda a área do CPA/I-2 (atual CPS). a 518 quilômetros do Recife. Em 2002. fugiram em massa (doze componentes do Clã). o terror volta a florescer. o índice de violência sofre um aumento exorbitante.044. contra 72 no ano de 2001. destroem-se anos de trabalho policial. A violência não parava de subir. no Recife.054 kg de maconha pronta para o consumo.972 pés de maconha e 427. Levaram um Sargento como refém e logo depois o liberaram. 1. O presidente da CPI. a transferência de 13 presos que se encontravam no presídio Aníbal Bruno. mais precisamente no dia 08 de maio de 2001. Com essa fuga premeditada desde os dias que se cogitavam sua vinda para Salgueiro. pouquíssimo tempo depois. para a cadeia de Salgueiro. Assim que os presos da família Araquan conseguiram transferência do Presídio Aníbal Bruno para o de Salgueiro. já que os Araquan não conseguiam os Habeas-corpus para os componentes presos. conseguida através de mentiras ou com uma fuga. abusando dessa ausência do Estado. com 28 Ver foto nº 14 (anexos) 72 . Na fuga. a insegurança no sertão pernambucano com uma nova era do terror. disse que o apaziguamento entre as famílias também iria beneficiar os presos com a concessão de habeas-corpus que eram negados pela justiça para evitar novos confrontos e mortes.500. atendendo a pedido dos Araquan. deputado estadual Pedro Eurico (PSB). mas tudo iria mudar. sendo na área da 1ª e 2ª CIPM. em 25 de maio de 2002.15 Os Araquan causam terror Após a fuga dos Araquan do Presídio de Salgueiro em 2001. autorizando. Em fevereiro de 2001 é preso Dentinho. Cleiton assassina Edvan Vieira do Monte Santo28.

Desta vez. Em 10 de junho de 2002 Cleiton e seu bando. as vítimas foram integrantes do clã dos Benvindo. sofreu torturas nas mãos. e o enteado Avani José da Silva . resolveram matá-lo.requintes obscuros de crueldade. 24. estava na roça de cebola. posteriormente deceparam-nas para não mais fazer ligações telefônicas. 27. Antônio Marcos Nascimento dos Santos. O agricultor João Soares Monte Santo. 56 anos. Cláudio. conhecido como João do Carrin. mantida pela família na propriedade. irritados com os gritos da vítima. Russo. sob suspeita de ser informante do Serviço de Inteligência da 1ª CIPM. travam uma guerra há mais de dez anos na região das ilhas do São Francisco. pode significar a quebra do pacto de paz firmado há um ano e sete meses entre as famílias Benvindo e Araquan. O filho do agricultor. No mesmo instante. também sob suspeita de ter sido informante do Serviço de Inteligência de Belém. Assim é registrado o fato: Um triplo homicídio com requintes de crueldade. (DP. no município de Belém de São Francisco. durante operação itinerante realizada em 07 de junho de 2002. A polícia atribui o crime a Jucicleidio Nascimento dos Santos. João Soares do Monte Santo29. 12Jun02) 30 João Soares. Aganor João de Sá. Nego de Conrado. sob suspeita de ter sido informante do Serviço de Inteligência da 1ª CIPM – Belém de São Francisco. quando ouviu os disparos Antônio Vieira do Monte Santo31. teve a cabeça dilacerada na frente da esposa. formados pelos Torres. Avani José da Silva. seqüestra e mata o Sr. Os seis são foragidos da Cadeia Pública de Salgueiro. Antônio. nada teve a ver com a operação que fora desencadeada no dia seguinte a sua 29 30 Ver foto nº 15 (anexos) Ver foto nº 16 (anexos) 31 Ver foto nº 17 (anexos) 73 . na última segunda-feira. que também se encontrava no interior da residência. Os disparos chegaram a arrancar partes dos corpos de duas das vítimas. seu filho Antônio Soares Vieira. Gonçalves e Nogueira. Antônio. saiu e foi executado com mais de 20 tiros. esteve dias antes em Belém para prestar depoimentos acerca de roubos de bode. foram assassinados com dezenas de tiros de espingarda 12 e fuzil. o Cleiton Araquan. Os grupos. mortos de uma só vez na frente da casa onde residiam na Ilha dos Brandões. Ele foi arrastado pelo grupo de dentro de casa. o Marquinhos Araquan (irmão de Cleiton). Vital Gomes de Sá e Jadielson Gomes. por volta do meio-dia. Gomes e Sá.

mataria. onde quer que encontrasse um policial da CIOSAC. informado que uma pick-up Strada havia sido tomada de assalto nas proximidades do trevo do Ibó. cruzando as propriedades rurais da família Araquan. foi confundido com um delator por seus algozes. para tomarem banho e mais uma vez estarem prontos para mais um dia da longa e cansativa jornada de trabalho de sete dias. tudo parecia normal. ao findo da mesma foi se preparar para mais um dia. o Sd Assis resolvera se exercitar com uma leve corrida. triste coincidência. cerca de 05 km do 5º BPM. mais três dias e todos iriam para casa. já era segunda-feira.15 A despedida de um Guerreiro: e a busca incessante de seu algoz Manhã de 26 de agosto de 2002. em uma curva. 1.ida a cidade. O mesmo encontrava-se no acostamento da estrada sentado na garupa de uma moto com um fuzil. agiu de forma premeditada. Em total consenso a equipe seguiu ao local e através de informações verificou-se que a mesma havia seguido por uma estrada de terra que liga o distrito do Ibó a Belém. enquanto que o carona. sentia-se bem. logo depois foram correr. pronto e 74 . Antes do local supracitado cerca de 5 km. quando foram solicitados pelo bloqueio da operação polígono localizado na torre. Começa então o patrulhamento do trecho que liga Cabrobó a Belém do São Francisco. já que sempre dissera que na primeira oportunidade. Cleiton Araquan. todos da equipe Foxtrot acordaram cedo. A equipe Delta havia levantado como costume. todos foram ao refeitório e efetuaram a primeira refeição. retornaram caminhado. localizada aproximadamente a uns 25 km de Belém. O comandante da equipe foxtrot chega ao alojamento aproximadamente 09 horas e 30 minutos. em Petrolina. dessa vez a corrida só foi até a orla. a equipe foi emboscada de maneira injusta e covarde por dois elementos que estavam em uma moto. alguns ficaram no alojamento. como a área não oferecia segurança para atividade física externa. o mesmo iniciou sua corrida no pátio interno da 1ª CIPM. Em Belém do São Francisco. a rotina também a mesma. aproximadamente às 06:00h. local conhecido como Ipueiras. todos se preparam para sair. tendo os policiais de serviço no Bloqueio as Torre. sendo que o piloto do referido veículo não esboçara nenhuma agressão.

No início. evadindo-se do local. O agressor ficou encoberto pela curva. caiu por cima do Sd Andrade que estava logo em sua retaguarda.apoiado no ombro do piloto. enquanto que o policial que estava no banco traseiro direito. Neste ínterim. ia descer. A ação. quando resolveu se posicionar para efetuar seus disparos como reação. vindo o piloto da motocicleta a acelerar em direção da viatura. e abrindo fogo por cima do retrovisor da mesma. onde os dois se abaixaram. bem como. começa mais uma seqüência de tiros. que sempre havia demonstrado sua coragem em outros confrontos. vindo ainda a atingir o bornal de munições que o meliante carregava colado ao corpo situação comprovada pelas munições encontradas pelas equipes de apoio no local de embate. depois alguns míseros segundos de silêncio. aproveitando-se disso e já se recuperando. como a porta já se encontrava aberta ele caíra fora da viatura. não fora totalmente detectada pelos dois componentes que estavam nos bancos da carroceria. encontravam-se algumas amassadas e outras explodidas com espoletas e culotes intactos. no momento que estava se preparando para descer fora atingido por um dos disparos na cabeça e por outros dois no braço e ombro. devido a surpresa e rapidez. vindo a atingir o Sd Carlos no abdômen. em matéria divulgada no Diário de Pernambuco: A Assessoria de Comunicação da Polícia Militar explica a suspeita de ter ocorrido uma emboscada por conta do trabalho desenvolvido pelo CIOSAC na região do Polígono da Maconha. seguido novamente por outra seqüência de disparos já atingindo a lateral da viatura. Depois do ocorrido. cruzando ao lado da viatura sem interromper a seqüência de tiros. disparou uma rajada de tiros no pára-brisa. Era o Soldado Jandilson Alves Pereira de Assis. sendo de pronto atingidos o motorista e o patrulheiro que estava no banco traseiro esquerdo. devido o impacto. Após novamente uma breve pausa. apenas ouviram os disparos seqüencial. que registraram uma marca diferente das utilizadas pela polícia militar. colocando o tronco do corpo pelo vidro da porta da viatura. Segundo a Assessoria de Comunicação da PMPE. quando Cleiton que já iniciava seu percurso pela parte traseira. o meliante já passava ao lado da viatura. principalmente no combate ao tráfico de drogas e assaltos a coletivos de caminhões de carga. ao avistar a frente da viatura. para tentar localizar e prender os assassinos 75 . juntamente com a CIOSAC. o qual. o Sd José Carlos da Silva. o 2º Comando do Interior da Polícia Militar montou uma ação. com a frente da moto voltada para a curva e. O comandante da equipe saiu da linha de tiro do fuzil do elemento. com isso ficou impossibilitado de reagir.

a tranqüilidade daqueles dias. tendo o comandante da equipe Delta mandado todos se retirarem. entre a divisa dos estados de Pernambuco e Bahia. que está fazendo uma varredura nas áreas de caatinga. aproximadamente às 10:30 horas. Em Petrolina. o qual recebe a determinação para se deslocar com urgência para Belém. procurando saber sua localização. que haviam sido removidos para Petrolina devido a gravidade dos ferimentos e o Sd Assis. pois só 32 Relatórios de atividades . Como a equipe se encontrava com apenas seis componentes. Após o imenso susto inicial. restava agora a captura do agressor. todos que se encontravam de prontidão na folga. no município de Arcoverde. Na sede da 2ª CIPM.do soldado Assis. já se encontravam os policiais da equipe Foxtrot. ficou impossibilitado assim a perseguição imediata. não havia resistido aos ferimentos. o Ten PM Reginaldo liga para o celular do comandante da equipe Delta. pois acabara de receber uma ligação informando que Cleiton Araquan havia emboscado uma equipe e que o saldo era de três mortes e só sabia informar que uma das mortes era do Comandante da equipe. No semblante de alguns notava-se nitidamente um ar satisfatório em ver um Policial morto. que estava no Hospital Regional de Cabrobó. O corpo do soldado Assis será sepultado hoje pela manhã. assim. e é informado que toda a equipe está na sede do 5º BPM. tudo ainda estava tranqüilo. Incontinenti. querendo saber o local de encontro.Arquivo CIOSAC 76 . com exceção do Sd Carlos e Sd Gomes. ainda sem acreditar nas informações. onde podem estar escondidos os acusados. Como todas as outras equipes estavam lançadas no terreno e no hospital estava o corpo do Sd Assis sendo visitado por populares da cidade. foram acionados32. o qual informou que todos estavam em Cabrobó. mesmo atônitos. 27AGO02) Acabava. Cerca de 100 homens e dez viaturas foram mobilizados na operação. sendo três feridos e um tombado. todos colocaram urgentemente suas bagagens e iniciaram o deslocamento. também no Sertão. quando o comandante retornou a ligação para o Ten Reginaldo. que havia colocado em prática todas as suas promessas de se vingar matando um policial da CIOSAC. A equipe Delta já estava chegando em Cabrobó. no entanto. (DP.

cada um levaria água e os alimentos que pudessem carregar. sob o comando de Luizinho de Nondas. Antonio Marcos da Silva Menezes e Firmino Teles da Silva Menezes. Tudo havia sido motivado em virtude da procura dos integrantes do bando Araquan e principalmente por haver a poucos dias ocorrido uma chacina na Fazenda Lobo. a vegetação dificultava a progressão. 1.ficariam ali policiais e funcionários do nosocômio . José Paulo da Silva Menezes. com a compra de mantimentos. os filhos acreditaram e vieram às pressas para Fazenda. pois seus familiares. se homiziando próximo à fazenda. só escapando o sexto filho. onde. haja vista que não poderiam 77 . logo após fora fechadas as portas. Em mais de 12 horas nas mãos dos agressores. xingavam a todos. Começa agora um grande dilema: o que dizer aos seus familiares que o Sd Assis não mas retornaria ao lar da forma costumeira. os Araquan fizeram refém Dona Deja Meneses e três de seus filhos. Esta seria a parte mais difícil. Valdeci da Silva Menezes. Como havia dois filhos de Dona Deja residindo em Salgueiro. Após esses abusos. dizendo que eram os culpados. um guia e seu cão. Dia 08 já estavam na Fazenda Lobo 10 Policiais Militares. encontrando lá o terror. Iniciaram os preparativos. No dia 07 pela manhã já estavam prontas as onze mochilas dos componentes que iriam para a operação.16 Serrote do Frio Em 06 de novembro de 2002. os avanços eram demorados. foram mortos brutalmente Edvaldo da Silva Menezes. que era a captura dos integrantes do bando dos Araquan. Tinham um objetivo a cumprir. liderados por Cleiton Araquan. permaneceram nas proximidades. seria um pequeno contingente que iria adentrar na caatinga sem dia certo para retorno. pela primeira vez a CIOSAC iria colocar em prática os princípios operacionais das volantes. o bando obrigou a ligarem para os mesmos informando que a sua genitora estava passando mal. por morar na Bahia e não ter sido contactado. iniciando uma sessão de torturas. todos a mercê da própria sorte. indignados com os acontecimentos. No dia 08 de novembro o sol parecia estar mais intenso. como ela era uma pessoa doente.

os demais foram repousar. No dia seguinte. ficara o restante do efetivo aguardando. Aos primeiros sinais dos raios solares. para não deixar vestígios da presença de estranhos nas redondezas. foi montado um ponto de observação a uns 100 m do paredão do açude onde ficou um Policial. um deles desce um pouco até próximo à margem. houve o consenso de retornar a base e voltar posteriormente. todos estavam novamente 78 . As horas passavam e os observadores eram trocados e nada acontecia. Sem pensar muito. E como o intuito era surpreendê-los. a noite chegara. aparecem três pessoas no paredão do açude. além de ser possível uma emboscado ou denunciarem a presença com o menor ruído. após localizar um local aparentemente seguro para um possível confronto. como se estivessem vendo alguma coisa anormal. Por volta das 10:00 h. o cachorro que havia sido levado pelo guia estava próximo ao observador e estava sendo visto pelo três que estava às margens do açude. pois. Destarte. ficava impossível continuar caminhando por dentro da caatinga na escuridão. assim possivelmente alguém viria buscar. foram formada as duplas de sentinelas e os seus respectivos horários. Por volta das 15:40 horas. e com mais uns 50 metros. era estranho. 10 de novembro de 2002. foram revidados os disparos. parando assim que tira o chapéu e a camisa. todos armados com armas longas. O local em que estava o observador não foi dado ângulo de tiros. Após todo o dia de caminhada. no entanto sem êxito. sentamse e um deles começa a tirar a roupa. os dois integrantes da “volante” que estavam à frente avistaram um açude com sinais da presença de pessoas. O que havia descido retorna para junto dos seus companheiros. porém ninguém foi atingido. os outros dois permanecem no paredão. ficam os três juntos e conversando. estando a citada rede com peixes. Ficam todos observando a paisagem. os três começaram a atirar em direção ao cão e pularam para o outro lado do paredão. Ao fazer a progressão até o local foi constatado que na noite anterior haviam colocado uma rede de pesca no referido açude. e realmente tinha. então foi solicitado o resgate do efetivo. As vozes vão ganhando volume. pois assim eles pensariam que não havia ninguém. Repentinamente. Foram iniciadas as buscas. No local ficaram a camisa e o chapéu de um deles. Assim. estão se aproximando. o observador percebe os primeiros sinais da aproximação de pessoas. todos estavam empenhados na caminhada. ainda faltavam quilômetros para o local onde possivelmente os meliantes estivessem homiziados. dá o sinal para o restante do efetivo ficar atento.utilizar as estradas ou trilhas.

as manchas de sangue por todos os lados denunciavam a violência. não imaginariam que a menos de 100 metros já tinha integrantes do bando. No entanto. A primeira parte da volante logo chegou ao serrote. Diante da situação. Por essa razão os meliantes foram obrigados a retornar. a qual estava totalmente abandonada. começou a atirar. era uma grande pedra. Um deles. sem ao menos identificar os alvos. assim que tiveram a informação com a localização. ficando para trás os dois observadores em cima da árvore e mais um dos integrantes que ficara embaixo aguardando. O deslocamento foi feito às pressas ou então eles chegariam primeiro ao serrote. mesmo assim ainda ficaram atirando. começaram a atirar de onde estavam. O 79 . na maior calmaria. seria a primeira pista a seguir. foram avistados cerca de 10 pessoas armadas com armas longas. No interior da casa. Incontinenti os outros integrantes do bando que vinham em direção ao serrote. próximo ao local que estavam os integrantes da volante. Os que estavam embaixo da árvore. onde todos foram localizando os seus lugares para descanso. o qual já estava em deslocamento para o local. todos estavam progredindo pela caatinga. então procurou-se uma árvore mais alta. vindo em direção do Serrote do Frio. que durou mais de 01 (uma) hora. Logo de manhã. quando foram verificadas pegadas de pessoas em uma das trilhas existentes. Após alguns minutos de observação. foi montada a base de comunicação com a antena rural e o celular que estava em poder dos policiais para algum contato de urgência. sendo realizada uma chamada telefônica para o comandante da CIOSAC informando a situação. os que estavam no início da subida começaram a progredir pela lateral. para com a luneta conseguir visualizar alguma coisa. Enquanto os que estavam a distância atiravam em direção ao serrote. começaram a se deslocar. Iniciaram novamente as caminhadas e por volta das 18:00 horas já estavam na casa de Dona Deja Meneses. percebeu a presença de pessoas estranhas. A poucos metros da casa foi encontrado o local que a volante passaria mais uma noite. em virtude de haver recebido há poucos minutos ligação do comandante da Volante. Iniciou-se assim um grande tiroteio. Por volta das 09:00 horas já não se conseguia ver os rastros. pois ali estava bem guarnecido. com o intuito de subirem pelo outro lado e assim tentarem surpreender os policiais.no mesmo local. Não contavam eles que os três últimos integrantes da volante estavam atrasados e por esse motivo ainda estavam um pouco a retaguarda. A noite transcorreu sem novidades.

uma das viaturas passou uma mensagem via rádio para confirmar a localização. Quando um dos policiais a afastou e retirou a criança. no dia 12 de novembro. pois ali estariam abrigados do fogo do inimigo e teriam mais possibilidades de ver a chegada do reforço. xingavam os policiais e mandavam descer para brigarem. os policiais que se encontravam em Belém do São Francisco recebem uma solicitação urgente. para que suas netas e a outra sua filha nada sofresse. Um mês depois. Parece que havia sido um acordo do sogro de Walter com os Araquan. apenas os sinais do intenso tiroteio. onde também foi recebida a mensagem pelo bando que possuía rádios de comunicação. Assim. só então perceberam que quem estava ali era a Polícia e dispersaram antes da chegada do restante do efetivo (até o momento pensavam que eram os inimigos). Com a chegada das equipes de apoio. Após a chegada de todo o efetivo. Um dos protagonistas do tiroteio era Luizinho de Nondas. não encontrando mais ninguém. a qual se encontrava na cama com sua filha de dois anos por baixo do seu corpo. Não se sabe se por medo. cuja solicitante dizia que algumas pessoas haviam invadido a residência da sua irmã e assassinado seu cunhado. Os meliantes além de atirarem. Os tiros continuavam. foram realizadas buscas no local. todos já estavam de volta e infelizmente não haviam conseguido prender nenhum integrante do bando. tendo Luizinho retornado o recado dizendo que estava preparado com um fuzil e 500 cartuchos. pois dias antes havia recebido um recado de um inimigo que mandava dizer que havia comprado uma metralhadora e 50 balas para “enfiar nele”. Quando os Policiais chegaram ao local se depararam com um triste quadro: estavam mortos Walter Granja e sua esposa. só estava cheia de sangue e da massa encefálica de sua genitora.comandante da CIOSAC orientou que os integrantes da volante não descessem o serrote. Escaparam da morte as duas filhas de Walter e sua cunhada. inúmeras cápsulas de todos os calibres. o qual imaginava que eram integrantes da família rival que estavam no Serrote do Frio a sua procura. retornou para casa. em dezembro de 2002. perceberam que não sofrera nenhuma arranhão. os quais ainda eram seus parentes. por não gostar do genro ou 80 . O guia que havia andado todos os dias com os policiais no intuito de localizar os assassinos dos irmãos Meneses.

assaltos a bancos. a informação de que a Polícia Federal havia repassado que Chico Benvindo já havia seqüestrado o Sr. descobre-se que Chico Benvindo estaria saindo de seu reduto. 1. Pedro Domingos Cavalcante que seria entregue para os familiares do marginal Coca que queria se vingar de um possível homicídio praticado por Pedro Domingos. A mesma mantém contato com o Comandante da Operação Reflorestar às 13:40 horas e pede para que seja deslocado o Oficial de Operações até a área do matadouro público de Floresta e que fossem contactados os parentes do Pedro Domingo Cavalcanti para que informassem onde o mesmo estava escondido. a pistolagem. Pedro Domingo Cavalcanti. A coordenação da operação recebe da 2ª Seção do CPA/I-2. para seqüestrar o Sr.17 Chico Benvindo: seu último combate A cidade de Belém do São Francisco sempre viveu às voltas com as conseqüências das ações criminosas dos bandos de Chico Benvindo (Francisco José da Cruz) e Cleiton Araquan (Jucicleidio Nascimento). a caminhões de carga e autopasseio nas estradas. Mas parecia que tudo estava caminhando ao final. Com base em dados de informantes do Serviço de Inteligência do CPA/I-2 e do Serviço de Inteligência do DPF/Salgueiro. próximo da localidade Puarema. A 2ª Seção do CPA/I-2 entra em contato com o Chefe do Serviço de Inteligência da 1ª CIPM. A coordenação da operação ficaria a cargo do Chefe do EM\CPA/I-2 que reúne os dados disponíveis sobre o provável local onde o Sr. pois Chico Benvindo iria matá-lo. Em 04 de abril de 2003 inicia-se o cerco a Chico Benvindo. provavelmente Ilha da Missão ou Ilha Grande. para custearem a briga entre as famílias.simplesmente cumplicidade. às 13:20 horas. cometem toda sorte de crimes desde plantio e tráfico de droga. porém o mesmo não foi encontrado. 81 . após receber o levantamento das prováveis vias de deslocamento de Chico Benvindo. que. muitas ações com requintes de crueldades diversas. Tendo o Chefe do Serviço de Inteligência determinado que se fizesse deslocamento para levantamento na estrada da Fazenda Fortaleza. Pedro Domingos Cavalcante poderia estar e através do Serviço de Inteligência do CPA/I-2 inicia a busca para localizar antecipadamente a provável vítima de Chico Benvindo.

Por volta das 16:10 horas ocorre o primeiro confronto do Ten Vieira com o bando de Chico Benvindo. Começa assim a participação da CIOSAC.Aproximadamente às 15:40 horas ocorre próximo à entrada de Riacho Pequeno um assalto com roubo de uma Fiorino. isto é. as quais se deslocaram de imediato a Belém do São Francisco. Ten Vieira recupera a Fiorino e a conduz a Belém do São Francisco. os meliantes abandonam a Fiorino e se embrenham na caatinga. De imediato o chefe de busca do Serviço de Inteligência do CPA/I-2 fornece a provável rota de fuga de Chico Benvindo o que é repassado para o Chefe do Serviço de Inteligência da 1ª CIPM e sua equipe. quando se deslocam duas equipes da CIOSAC/Sertão. na região da Fazenda Fortaleza. Tendo em vista o vislumbramento de que a Operação se estenderia por toda sexta-feira. visando evitar que Chico Benvindo retornasse às ilhas. A coordenação resolve montar o cerco na área da Fazenda Fortaleza e determina para efetivos da Operação Reflorestar se posicionarem nos acessos da BR 316 das localidades Alto de Terra. foram acionadas as outras duas equipes da CIOSAC que se encontravam de serviço. Aproximadamente às 19:00h a coordenação da operação analisa os dados existentes e recebe do Serviço de Inteligência do CPA/I-2 dados dos informantes que levam a acreditar que Chico Benvindo ficaria no continente. tendo o Serviço de Inteligência da Polícia Federal informado para o comando da operação que os assaltantes eram do bando de Chico Benvindo. solicitando hipoteca da equipe de inteligência daquela OME e determina ao Serviço de Inteligência do CPA/I-2 que prepare uma equipe do pessoal da inteligência com qualidades de mateiro para seguir os rastros do bando de Chico Benvindo assim que amanhecesse o dia. Às 21:00h a coordenação da operação faz ofício ao Comandante 14º BPM. Duas horas depois o Serviço de Inteligência da Polícia Federal informa ao Coordenador da Operação que Chico Benvindo se encontrava na Fiorino no momento da troca de tiros com a equipe do Ten Vieira e que havia sido alvejado no rosto e no braço. Bom Viver. Havendo reação por parte do bando e troca de tiros entre a PM e Chico Benvindo. Fazenda Salvador e a entrada da Manga de Baixo. Às 02:55 horas do dia 05/04/03 é informado pelo Serviço de Inteligência do CPA/I-2 que recebera do DPF/Salgueiro os dados de que Chico 82 . equipes do Ten Washington e Ten Márcio Mendes. para apoiarem as diligências. visando o cerco e captura de Chico Benvindo no continente (Área de Riacho Pequeno e Fazenda Fortaleza).

Em razão dos informes recebidos fora decidido mudar a estratégia de combate. quando chegava com outros cinco homens. Francisco José da Cruz. o qual perguntava pela polícia. De imediato foi solicitado apoio para o resgate dos feridos para o Hospital de Belém do São Francisco. ficando camuflado três equipes da CIOSAC. antes da chegada de Chico Benvindo. que utilizava o local como esconderijo. Aproximadamente às 12:00 horas é montada a estratégia de chamar a atenção de Chico Benvindo fazendo-se uma fogueira próximo a sua casa e logo em seguida retrair as equipes do Ten Vieira e do Ten Figueiredo. Chico. na ilha da Missão de Baixo. Na Ilha da Missão de Baixo.Benvindo conseguira furar o cerco e estava à beira do rio no Porto de Chico da Velha Socorro negociando um barco para ir para Ilha Grande. ficando o mesmo muito irritado. às 16:20 horas a Coordenação da Operação recebe a informação do DPF/Salgueiro de que Chico Benvindo fora avisado de que a CIOSAC estivera em sua casa e que havia fumaça por perto. os quais portavam armas longas que provavelmente poderiam ser Fuzis da Marca RUGGER. sendo informado de que os policiais tinham ido embora. o Chico Benvindo. efetuaram vários disparos contra os policiais. foi morto ontem à tarde num tiroteio com policiais militares. que prontamente revidaram. Ao perceberem a presença dos componentes da CIOSAC/Sertão. Mas dois dos quatro elementos conseguiram fugir. foi surpreendido pelos policiais do Serviço de Inteligência da Companhia de Belém do São Francisco e da Companhia Independente de Operações de Sobrevivência em Área da Caatinga (CIOSAC). (DP. os quais não resistiram aos ferimentos. em razão de novos informes. usando vestimentas e apetrechos militares. sendo providenciado macas para remoção dos feridos. Aproximadamente às 16:30 horas as equipes do Ten Washington e Sgt Benício receberam determinação do Comando da Operação para que se abrigassem e aproximassem da casa de Chico Benvindo na Ilha da Missão de Baixo. sendo determinado às equipes da CIOSAC/Sertão comandadas pelo Ten Washington e a equipe do Sgt Benício que ocupassem a Ilha da Missão de Baixo. O Diário de pernambuco. manda o efetivo policial abordar as duas casas de Chico Benvindo. portando armas longas e curtas. 05 de abril de 2003) 83 . em Belém do São Francisco. Às 10:00 horas. aonde aproximadamente às 17:00 horas quatro elementos chegaram até a residência. assim se refere aos fatos: Um dos bandidos mais procurados pela Polícia do Estado. ficando feridos gravemente os elementos Chico Benvindo e Trigueiro.

agora. 1. Perguntada sobre isso. nas quais as ações criminosas têm um limite e uma ação de “proteção” para a garantia de território. tráfico de drogas e roubo cometidos no submédio do rio São Francisco. ela afirmou: “ele nos defendia das agressões da outra família. afirmou: “Morreu o defensor de Belém do São Francisco”. o qual foi conseguido pelo foragido depois de assassinar o Sd PM Luciano em 1997.18 A morte de Cleiton: um fim esperado Após levantamentos feitos pelas 2ª seções do CPA-I/2. segundo o jornal: Ao saber da morte de Chico Benvindo. Três dias depois. foi localizado o esconderijo de um dos membros da quadrilha de Chico Benvindo que fugira durante o tiroteio da ilha das Missões de Baixo. Ainda. A notícia da morte de Chico repercutiu rapidamente no município. as ações criminosas atendem não a uma lógica da defesa da comunidade. que ficou claramente descontrolada. Ele era um dos principais personagens ainda existentes nas brigas entre as famílias Benvindo e Araquan. a mesma pessoa. vulgo “João”. acerca do possível assalto à agência bancária do Banco do Brasil 84 . 05 de abril de 2003) São situações nas quais se dá um pacto de sobrevivência. quem vai nos defender? Quem tem dinheiro vai sair da cidade. Chico Benvindo tinha nove mandados de prisão decretados por homicídio. foi preso o indivíduo Luiz Alves de Lima Filho. uma metralhadora MiniRugger e um fuzil Fal. Com total descaso pela presença dos policiais de serviço e sentindo-se totalmente seguro estava o mesmo a alguns metros do portão principal da unidade. Foi identificado o local e. por onde o corpo de Chico chegaria de barco.Com Chico. Quem não tem? Que vai fazer?”. Centenas de pessoas foram para o local conhecido como balneário da cidade. mas a uma lógica da pilhagem. mesma rua da sede do 14º BPM. com apoio da equipe do Ten Washington. 58 anos. residente na Rua “02” COHAB – Serra Talhada-PE. de propriedade da PM. 14º BPM e Polícia Federal. foram apreendidas duas pistolas. A proteção é defesa de um meio ambiente que não é hostil à facção e que assegura um controle territorial que impede o avanço do grupo contendor. (DP. Dos outros fugitivos do local do combate. Porém.

Sendo o bando que praticaria o assalto liderado por Jucicleidio Nascimento dos Santos33. começaram no mês de agosto.A. “Cleiton Araquan”. uma na zona urbana e outra na zona rural. em torno do bando. duas bases sigilosas. quando policiais militares descobriram que Valter Pereira Soares (Valtinho Araquan) havia adquirido três telefones celulares na cidade de Belém do São Francisco.A. resultando nos levantamentos que orientaram a caça a quadrilha. Alessandro Souza. com atuação em todo o nordeste. acompanhada de 25 (vinte e cinco) policiais federais. até então. vítima fatal. a 2ª seção do CPA/I-2 repassou os números dos celulares para o núcleo de análises do DPF de Salgueiro para os devidos monitoramentos. Os levantamentos finais. para o helicóptero. o fez contactando um membro da quadrilha chamado “Gordo”. uma equipe mista das 2ª seções do CPA-I/2 e 14º BPM. distante 15 km da cidade. o N. Dr. bem como em alguns estados do norte. onde foram abrigados 12 policiais. deslocou-se à cidade mencionada com relativa antecedência. tais como exigia o caso. enquanto a outra parte ficou em uma fazenda às margens do lago Sobradinho. 01 da PMBA. Incontinenti o N. o qual usava um telefone fixo de Sobradinho-BA. além do apoio de um helicóptero. o de ter vitimado. e que usava armamento de guerra e táticas de guerrilhas. agentes da ASRI epigrafada participavam das análises dos diálogos feitos através dos referidos celulares. Diariamente.A/Juazeiro faça o monitoramento de Gordo. além do fato de se tratar de uma grande quadrilha. Imediatamente. As bases de apoio foram conseguidas pela PF e consistiam em uma casa próxima à única agência bancária da cidade. coordenados pelo Delegado do DPF de Juazeiro-BA./Salgueiro solicita que o N. sendo 05 vítimas fatais. dezessete policiais (13 da PMPE. 02 da PF e 01 da PRF). a se integrarem e se unirem em torno de um objetivo comum. no domingo à noite. detentor de um triste recorde. no decorrer da última semana de setembro de 2003. instalando na cidade. Iniciada toda essa fase. a qual servia de base. a soma desses fatores levou órgãos e instituições distintas. também. de Juazeiro repassou à SOP/PMPE o nome do dono do telefone fixo de Sobradinho. tratava-se de José 33 Ver foto 01 (anexos) 85 . Quando o bando iniciou as articulações para assaltar o banco de Pilão Arcado-BA.da cidade de Pilão Arcado-BA. que seria praticado pelo bando “Araquan”.

avistaram um dos membros da quadrilha. quando um agente da ASRI e outro da Polícia Federal chegavam ao ponto de observação. em Brasília. para um possível emprego. próximo ao orelhão da localidade do Tabuleiro. Paralelamente. para que montassem a barreira evitando. Às 10:30 horas. restando dúvidas se fariam o assalto à agência ou ao carro-forte. ainda na estrada que liga Pilão Arcado à Remanso-BA. por volta das 07:00 horas. a uma distância de 20 km do local da barreira. tio bastardo de Cleiton Araquan e pai de Francisco José dos Santos. uma vez que o agente da ASRI já havia anteriormente prendido Orlandinho. Dessa forma. enquanto o restante permaneceria nas proximidades em uma fazenda. Orlando Freire da Silva. na Quinta feira. Esta ASRI logo descobre que trata-se de “Zé André dos Pombos”. Isso ocorreria quando recebessem o sinal de reconhecimento dos dois agentes posicionados à frente. No entanto. e uma equipe da Companhia de Policiamento em Área de Caatinga (CPAC/PMBA) ficou em uma outra localidade. dia 25. quando os agentes visualizassem os membros da quadrilha. Durante o expediente bancário. onde ficavam em meio à caatinga. prontas para um deslocamento rápido à rodovia para montagem de uma barreira. o qual estava encarregado de adquirir mais 03 fuzis para o bando. assim. Findos as análises. descobriu-se que o bando faria o assalto na última semana de setembro. ficando os doze policiais na casa próximo à agência. vulgo Gordo de Zé André ou simplesmente “Gordo”.André Barbosa dos Santos. a quadrilha fazia contato com um integrante denominado “VIVI ou DAVI”. no domingo (21set03) as equipes se deslocaram à cidade alvo e ficaram esperando os acontecimentos. Os policiais seguiram em frente para que o membro da quadrilha não os reconhecesse. no único ponto que tinha um orelhão. 23 e 24 a rotina seguiu-se inalterada. 86 . mas o ex-presidiário continuava lá. Por volta das 08:30 horas. no referido telefone público. vulgo Orlandinho de Betânia. Reunidas toas as informações. também nas proximidades da cidade. entre as cidades de Pilão Arcado e Remanso. sem a população perceber. Nos dias 22. ligariam para a casa (servindo de base em Pilão Arcado) e esta transmitiria a mensagem via rádio para a equipe localizada próximo à rodovia. quando a agência do BB de Pilão Arcado fosse abastecida pelo carro-forte. os agentes retornam ao ponto. as equipes se deslocavam para próximo da cidade. os agentes passaram outra vez e o quadro continuava inalterado. a entrada do bando na área urbana.

via rádio. fechando as duas ruas de acesso ao banco. passaram no ponto de observação quatro integrantes da quadrilha. e já atirando. tentando contato via rádio. sendo Valter Pereira Soares e Orlando Freire da Silva reconhecidos pelos agentes. De imediato. a uma distância em que se pudesse comunicar via rádio. Em ato contínuo as equipes de terra e o helicóptero foram acionadas para reprimirem o assalto. a lateral e a frontal. a informação para o pessoal que faria a barreira. distância que um carro. retornavam até a entrada da Fazenda em que estava o helicóptero. Enquanto isso. os dois agentes que estavam de observadores. o que só foi possível a uma distância de aproximadamente 08 km. em uma F-4000 de cor vermelha. que havia sido roubada na noite anterior. os policiais que estavam na casa saíram em combate. entre Remanso e Casa Nova. Por volta das 11:40 horas. placa JMH 9863. os quais não foram reconhecidos. Entretanto. com quatro elementos. os policiais a tomarem outra atitude. para formar a barreira. sendo os policiais que estavam na cidade e as equipes que chegaram ao local recebidos à bala e de logo foram atingidos os Agentes Adilton Aziz. passou um gol cinza. A quadrilha entrou na cidade em forma de comboio. enquanto o pessoal que estava próximo à rodovia. com o gol seguindo a F-4000. percorreria em apenas quatro minutos. chegou pela retaguarda. como de costume. assim. sem estar em alta velocidade. Restava então alertar o pessoal que se encontrava na base de Pilão Arcado. que de imediato passaram. O primeiro fazia parte do grupo que estava na cidade e os outros 87 . cerca de três minutos após a F-4000 passar no ponto de observação. Passada essa nova informação para o ponto de barreira. vidros fumê. já era tarde para interceptar o primeiro veículo. No entanto não foi possível ativar a barreira. haja vista que a distância entre o ponto de observação e o local onde seria montada a barreira tinha apenas 08 km. em virtude de que tudo levava a crer que o assalto ocorreria naquele dia.obrigando. Ao conseguir contato retornam para a cidade. Sem opção os agentes encarregados do reconhecimento foram obrigados a deslocarem-se para próximo de onde seria montada a barreira. Os assaltantes. cercando assim a quadrilha. Orlando Tolentino e Henrique Terêncio. placa JLH 8180. Bem como pela análise de que apenas quatro homens não assaltariam um banco. invadiram o estabelecimento bancário e destruíram a tiros a porta giratória e a vidraça anexa.

Da parte do bando que se enclausurou no bar vizinho à agência bancária. em seguida. Os agentes atingidos ficaram estendidos na Avenida Rodolfo Queiroz. Nessa batalha. teve-se um saldo de dois assaltantes mortos. expedidos pelas comarcas de Belém do São Francisco em 29/08/93. o líder dos assaltantes determinou que concentrassem o fogo contra a aeronave. Jucicleidio Nascimento dos Santos. até que um grupo deles conduzindo quatro reféns fugiu a bordo de um caminhão F-4000. o qual estava prestando serviço à Agencia. e que 88 . 09/11/94. que tinha em seu desfavor 07 (sete) mandados de Prisão Preventiva. continuaram atirando indiscriminadamente contra os policiais. as equipes policiais. causando-lhe a morte imediata por traumatismo da medula cervical. onde alguns marginais haviam se entrincheirado.dois chegaram em uma caminhonete S-10. com toda a cautela. Os assaltantes utilizando reféns como escudo. os quais continham R$ 322. mesmo assim os bandidos conseguiram passar levando vários malotes bancários. com os assaltantes fazendo disparos contra eles ainda caídos ao chão. 25/10/00 e 09/09/03. sem proteção. obrigando aos demais policiais a revidarem para possibilitar a retirada dos companheiros feridos. quando realizava o segundo sobrevôo. quando foi atingido no rosto por um projétil de arma de fogo. vindo em conseqüência um dos disparos atingir o operador de vôo. chega ao palco da operação o helicóptero de prefixo caçador 06.00 (trezentos e vinte e dois mil reais). deixando o local efetuando disparos a ermo.000. ao final dessa parte do tiroteio. Abaré em 24/08/99. Agente de Polícia Federal Klaus Henrique Teixeira de Andrade. Cessado o tiroteio. O Automóvel recebeu mais de quarenta impactos de balas. trauma este decorrente do fortíssimo impacto causado pelo projétil que o atingira. Apenas com o revide dos policiais que estabeleceram um precário cerco a área da agência e com o sobrevôo do helicóptero foi possível retirar os três agentes feridos para prestar-lhes socorro. por vezes apoiando os fuzis sobre seus ombros para efetuarem os disparos. Nas imediações da agência foi encontrado morto o pedreiro Pedro Antunes Santos. conduzida pelo Delegado Alessandro Matos. Os policiais reagiram. na face. aproximaram-se da agência e do bar situado ao lado. que faz uma primeira aproximação da área para reconhecimento.

indo se encostar em uma das paredes do bar. a pé pela caatinga. Persistindo em rastrear o bando. apontando a arma para sua própria cabeça e puxando o gatilho. nº 14032175. calibre 380. Começa então os preparativos para o envio de equipes da CIOSAC. Cerca de 15 km à frente. seguiram em perseguição ao bando. mod. Cerca de 05 km depois.40.tinha fugido do presídio de Salgueiro em 08/05/2003. equipe composta por policiais federais. o qual informava que não tinha absoluta certeza. que se encontravam como refém. de fabricação Belga. O outro assaltante morto foi Valter Pereira Soares35 (Valtinho Araquan ou Tampinha). foi encontrado o referido veículo abandonado.40 e 14 (quartoze) munições calibre 380. ficou totalmente transtornado. inox nº SOJ 43375. vindo a falecer em conseqüência do disparo efetuado em sua cabeça. Com os dois assaltantes foram apreendidos 01 fuzil AZ 47. parte das equipes saiu em perseguição aos outros seis elementos. nº K 557009. através do Ten PM Subcomandante do CPAC/BA. nº KSH 05260. além de três HT e um malote bancário. Zildemar Alves Ferreira e 34 35 Ver foto 09 (anexos) Ver foto 10 (anexos) 89 . Após o término do tiroteio na zona urbana. contendo R$ 28. estava Valter. Feita a apreensão. 01 fuzil Fal. pegando depois uma pistola na cintura. A notícia de sua morte chegou a sede da Companhia de Operações e Sobrevivência na Caatinga. mas que posteriormente adquiriu um salvo conduto. logo à frente encontraram um colete balístico. por alguns momentos ficou segurando a cabeça de Cleiton. 01 pistola Taurus calibre . que fugiram na F-4000 na direção de Campo Alegre de Lourdes-BA. o qual tinha sido subtraído na fuga dos Araquan do presídio de Salgueiro-PE. o mesmo. protegido por um colete da polícia Militar de Pernambuco. que também era foragido do Presídio de Salgueiro na mesma data. Renilton Gomes Ferreira. Segundo depoimentos de testemunhas. PMBA e PMPE.62 X 39. aproximadamente às 12:15 horas. 55 (cinqüenta e cinco) munições calibre . porém tudo indicava que um dos assaltantes morto em Pilão Arcado seria mesmo o tão procurado Cleiton Araquan34. ao mesmo tempo em que solicita reforços para a área. 01 pistola Taurus. calilbre 7.. 938. em virtude de vários assaltantes haverem fugido do local.000. com a capa similar às usadas na PMBA. ao ver Cleiton Araquan baleado. com 07(sete) carregadores e 147 (cento e quarenta e sete) munições intactas do mesmo calibre. foram localizados três reféns. com os bancos e carroceria sujos de Sangue.00.

as buscas foram suspensas e as equipes se deslocaram em viaturas 20 km mais adiante.35 (duzentos e 90 . intensificando ainda mais o combate. 02 pistolas. Quatro pessoas morreram durante o roubo. e é acusada de assalto. enquanto uma parte do bando atirava na aeronave. Incontinenti. as equipes retornaram ao local em que haviam parado o rastreamento e prosseguiram a pé. calibre 7. com um ferimento no braço esquerdo. os quais informaram que o quarto refém havia sido libertado ainda na saída da cidade. com numeração raspada e outra Taurus calibre 380 com a numeração ilegível. as equipes policiais que seguiam em perseguição ao bando o alcançaram na subida do morro do Sarango. (Jornal Tribuna do Norte. Com a escuridão. José Walter de Albuquerque. além de uma granada. Ao se abrigarem. calibre . As equipes seguiram em perseguição até o cair da noite. uma suposta quadrilha que atua na região do Vale do São Francisco. Segundo a PF. o qual. mesmo ferido. Por volta das 12:00 horas da sexta feira. seguindo os rastros dos meliantes. os assaltantes fariam parte da família Araquan. e assim continuavam. 01 revólver Taurus. estava armado com um fuzil XM 15 Colt nº CLH 002735.953. também conhecido por Serra das Torres. estando os dois vigilantes feridos com tiros no calcanhar direito e o outro.40. a quadrilha estaria em um morro na caatinga.José Walter de Albuquerque. a restante corria. travando imenso tiroteio. mas não alcançaram os bandidos. sendo inclusive um dos helicópteros atingido. onde entrou em combate com o segundo helicóptero.62 X 39. invertiam os papéis. chegaram em apoio dois helicópteros da PF. capacidade para oito tiros. principalmente nos Estados da Bahia e Pernambuco. No entanto. descendo o morro do Sarango. atiravam. enquanto os outros fugiam. ainda não há confirmação sobre presos. perto de Pilão Arcado. tráfico de armas e de comandar o tráfico de maconha na região. O Jornal Tribuna do Norte assim reporta o fato: Policiais tentam localizar uma quadrilha que assaltou anteontem a agência do Banco do Brasil na cidade de Pilão Arcado (BA). nº RI 550005. De acordo com a Polícia Federal. em meio à caatinga. 26set03. as equipes em terra seguiram morro acima e se depararam com um dos membros da quadrilha. O marginal havia ficado guardando seis malotes bancários contendo R$ 277. onde fizeram uma barreira por toda a noite. Em poucos instantes. sendo uma Taurus. Usando táticas de guerrilha. 27SET03) Ao amanhecer. Com a chegada das aeronaves a quadrilha se dispersou. inoxidado. carga da PMAP. que seguiam em direção do lago Sobradinho.

No dia seguinte. após Ter participado da morte do Sd PM Moacir/8º BPM. já com o restante do bando identificado. bem como se confirmou que foi naquela localidade que atracaram o barco roubado em Remanso Velho. de onde saiu em 1989. retornaram os rastros a partir do local do confronto onde tombara “Folha”. vulgo “Folha”. onde roubaram um outro barco e seguiram em direção a cidade de Sento Sé-BA. No meio da tarde do Sábado (27set03) as equipes que seguiam os meliantes e oito agentes da Polícia Federal são levados de avião para Sento Sé-BA. seringas injetáveis e dois gorros modelo “balaclava”. de quase seis horas. sabia-se que os três que haviam atravessado o lago eram Francisco José dos Santos.setenta e sete mil novecentos e cinqüenta e três reais e trinta e cinco centavos). Teogino Uberlândio de Sá. Na manhã seguinte. No caminho foi encontrado um carregador de fuzil AK 47. As buscas começaram pela vila de Aldeia. que foi assassinado dentro do mercado público de Belém. COT/PF e demais DPF dos Estados. vulgo Eronildes Araquan. e Eronildes Torres Cavalcante. tendo sido identificado depois. Tendo as equipes sido empenhadas em conduzir “Folha” ao hospital local. até a chegada de reforços para substituí-las. algumas munições calibre 5. Sábado.56. vindo posteriormente a tombar. A essa altura já havia nas operações de captura dos assaltantes policiais da CIOSAC. no meio da noite do Sábado. vulgo Gordo. Tais barreiras foram montadas inicialmente pelas equipes que vieram de avião. segundo o barqueiro. primo em primeiro grau de Cleiton Araquan. 38 anos. onde foi localizado um barqueiro que foi forçado pela quadrilha a levá-los até o porto de Remanso Velho. onde se descobriu que “Gordo” tinha uma amante. Inicialmente. foram iniciadas as buscas daquele lado do lago. Ofereceu forte resistência. Os rastros seguiram até as margens do lago. O que dava sinais que mais um meliante havia tombado na caatinga. Porém por se tratar de uma 91 . haja vista a travessia de barco ser muito longa. seguiram até o primeiro ponto e apenas três desses seguiram para o segundo ponto. bem como fazer a entrega do material apreendido e ainda o fato de um helicóptero ter sido atingido e o outro ter parado para abastecimento. nas estradas que ligam Sento-Sé a Sobradinho e a Xique-Xique. o restante da quadrilha conseguiu se distanciar. como Antônio Alves de Souza Júnior. Atualmente estava morando em Sobradinho-BA. foram montadas duas barreiras. No entanto apenas quatro elementos. Chegando ao destino. natural de Belém do São Francisco. Os rastros seguiam em direção ao lago Sobradinho. vulgo Teógenes Araquan.

No decorrer das buscas. em 25/02/03 e Eronildes Torres Araquan38. que havia fugido da Casa de Detenção de Teresina-PI. no dia 05/05/00. que tinha contra si 02 Mandados de Prisão. onde confirmou que o grupo era formado por oito marginais. No dia seguinte.38. vulgo Gordo. foi localizada a residência e comprovado que os meliantes estavam ali escondidos. retornam para a Vila de Aldeia. Imediatamente foram deslocadas para a cidade as equipes da 2ª seção. dentro da zona urbana da cidade. quando “Folha” e “Orlandinho” já haviam ficado para trás. “Davi” foi conduzido a DPF/Juazeiro. uma da CPAC e quatro agentes da PF. nesse dia as buscas não tiveram êxito. de helicóptero. seis da CPAC e várias equipes das unidades de área da PMBA. Apesar dos meliantes estarem apenas de armas curtas. mas só na noite do dia seguinte. Com os três foram apreendidos 03 (três) revólveres Taurus calibre . que teria seguido naquela direção. terça feira. segunda feira. No dia seguinte. duas equipes da CIOSAC. a base foi montada em Remanso. onde cumpria pena por assalto. De posse de tais informações. Francisco José dos Santos36. totalizando aproximadamente 150 (cento e cinqüenta) homens. município de Dom Inocêncio. ao localizar e prender o acusado. no distrito de Santa Tereza. Foram mortos na troca de tiros. que já se encontrava bastante reforçada. 445160 e o último com a numeração raspada. para fazer buscas. vulgo “Vivi ou Davi”. David Braga de Oliveira Filho. com efetivo da PF de vários estados. além de várias cápsulas e munições. de números 250633. ofereceram forte resistência. receberam um informe. estando sete deles armados de fuzil e que havia se separado do bando em Remanso Velho. por volta das 23:00h a operação logrou êxito. difícil de rastrear. casa a casa. avisando que os assaltantes estariam na casa de José Gentil.localidade de terreno duro. as equipes empenhadas. Teogino Uberlândio de Sá37. expedidos pelas Comarcas de Petrolina em 13/10/03 e São Luiz-MA. objetivando a captura do último integrante do bando. que já estava no estado do Piauí. a fim de descobrir a localização exata da residência e averiguar a veracidade do informe. Durante o cerco houve intenso tiroteio. Por volta das 15:30 horas. bem como todo o efetivo envolvido na operação. 36 37 Ver foto 11 (anexos) Ver foto 12 (anexos) 38 Ver foto 13 (anexos) 92 . Durante todo o dia foram feitas buscas e levantamentos. policiais retornaram ao morro do Sarango. através de um telefonema.

tornando-se co-autor nos delitos. Mas não era o fim.00. David Braga de Oliveira Filho foi indiciado pela participação direta no assalto. vulgo “Orlandinho de Betânia”. um corpo em estado de putrefação. Terminava assim a operação que acabara com o grande terrorista do Sertão pernambucano. Um fim trágico.e sobrevoaram a localidade onde houvera os confrontos. de alguém que em toda a sua vida só causou desordens. que usava documentos falsos em nome de Marcos Alexandre de Sá. 26 anos.000. Em face do apurado nas investigações. ainda haviam remanescentes do clã. porém esperado. 93 . estando a seu lado um fuzil AK 47 com carregador vazio. no sequestro dos reféns e em formação de quadrilha e seu irmão Walter Ferreira de Oliveira foi indiciado em face de haver proporcionado o apoio logístico à quadrilha. uma sacola com cinqüenta munições e R$ 5. Sendo localizado naquela região. Posteriormente identificou-se o corpo como sendo de Orlando Freire da Silva.

arquivos de dados estatísticos no CPS I (1º Comando de Policiamento do Sertão) e arquivos da CIOSAC (Companhia de Operações de Sobrevivência na Caatinga). no período compreendido entre 1992 a 2008. todos referentes a publicações em periódicos indexados. Salgueiro. Cabrobó e Santa Maria da Boa Vista. Os resumos foram analisados segundo as dimensões: 1) banco de dados. 2) ano e país de publicação e 3) delineamento empregado. passaram a sofrer uma onda 94 . sertão pernambucano. Especificamente os municípios de Serra Talhada.2. arquivos de processos penais na comarca de Belém do São Francisco. brigas de famílias. Inicialmente foram identificados e examinados os resumos.0 METODOLOGIA Foi realizada uma revisão sistemática da literatura sobre o tema em estudo. onde a eficácia da unidade referenciada foi observada por meio de comparação da produtividade e diminuição dos ilícitos existentes no sertão pernambucano. Belém do São Francisco.1 Diagrama da problemática de pesquisa O grande aumento da violência no sertão do estado de Pernambuco. correlacionando e muitas vezes. CIOSAC. através do levantamento do acervo de publicações dos últimos 16 anos. comparados aos “modus operandis” dos famigerados cangaceiros que aterrorizaram com uma forma exarcebada de violência as famílias sertanejas no inicio do século XX. efetuou-se uma análise detalhada dos artigos (textos completos) com delineamento quase-experimental nos seguintes aspectos: evolução do banditismo moderno e formas de atuação eficazes da policia militar no sertão pernambucano. Floresta. tendo sido verificado os dados estatísticos dos períodos envolvidos. Foram localizadas referências de capítulos e/ou livros conforme referências bibliográficas. Posteriormente. em obras literárias de autores nacionais e regionais. combinando as palavras chave violência. principalmente da década de 90 até nossos dias. pesquisa em sites de jornais de grande circulação (Jornal do Comércio e Diário de Pernambuco) e pesquisas em sites de buscas nas bases de dados computadorizadas. 2.

visa identificar as igualdades e diferenças existentes nas formas de atuações dos malfeitores das distintas épocas. o presente trabalho de pesquisa. caracterizando-as através das pelejas. os quais passaram a utilizar métodos correlatos as táticas utilizadas pelos cangaceiros nas décadas de 20 e 30. que passou a utilizar nas ações de grupos bem organizados e armados com poder de fogo de ultima geração. bem como o plantio e trafico de Maconha. bem como. bem como coleta de dados da Secretaria de Defesa Social. ônibus e carros particulares.2 Procedimentos Foi realizada pesquisa ampla literária sobre o tema através de diversos autores e documentos e relatórios dos órgãos policiais localizados na área do sertão pernambucano. Não obstante a atuação regular das forças policiais em conjunto. procurando assim subsídios necessários para dirimir os problemas existentes com os conflitos atuais. 95 . 2. geradores de violência na região em epigrafe. os conflitos entre famílias nos municípios de Floresta. de caráter social.crescente de assalto a bancos. Belém do São Francisco e Cabrobó. carros-fortes. reconhecer as principais forças policiais que intensificaram esforços no combate destas ilicitudes. Destarte. contribuíram para uma escalada vertiginosa na criminalidade na região.

3. O que aconteceu foi apenas o começo. na Fazenda Ipueiras foram feridos os Sd PMPE/8º BPM Francisco de Assis Da Silva e o PMPE/10º BPM Maurício. Em Bonfim-BA foi ferido o Sgt PMBA/6ºBPM João Batista de Carvalho. este último em virtude da gravidade dos ferimentos ficou impossibilitado de exercer suas atividades policiais. um dos maiores herdeiros é “Coca”. que afirmou que continuaria na vida que vinha levando. além de um Policial Rodoviário Federal ferido na Fazenda Farbosa. ficando ferido o Sd PMPE/8º BPM Carlos Soares de Faria. A morte de Cleiton Araquan extingue um dos maiores executores dos desatinos realizados pelo clã Araquan. No assalto de Petrolândia foi morto o Sd PMPE/3º BPM Cícero Romão Batista de Souza. totalizando 21 (vinte e uma) vítimas. sendo morto o Sd PMPE/CIOSAC Jandilson Alves Pereira de Assis.0 ANÁLISE DOS RESULTADOS Com a morte dos principais protagonistas da violência no sertão pernambucano. No assalto ao Banco do Brasil de Pilar foi morto o Sd PMBA/6º BPM Benedito Lima de França. ou seja. um próximo a Feira de Santana e o outro próximo a Salgueiro. em 26 de agosto de 2002. No assalto ao Banco do Brasil. ficando feridos os APF Orlando Tolentino Júnior. 96 . quando em Terra Nova foram mortos pelo bando o Cb PMPE/8º BPM Delvanio Teixeira de Oliveira e o Sd PMPE/8º BPM Clovis Vieira. sendo seis delas fatais. a situação ainda é de continuar com cuidados. Sd PMPE/CIOSAC Francisco Gomes Ferreira e o Sd PMPE/CIOSAC José Carlos Da Silva. ficando feridos os Sd PMPE/CIOSAC Josivan Lima de Santana. mas ainda existem líderes capazes de continuar com as desavenças. foram feridos dois agentes da Polícia Federal. foi morto o APF Klaus Henrique Teixeira de Andrade. a família perdeu a maior liderança existente tanto no planejamento quanto na execução. Em Macururé-BA em perseguição aos assaltantes do Banco de Pilar foram feridos o Sgt PMPE/5º BPM Saulo de Tasio da Silva e o Sd PMPE/5º BPM Moacir José dos Anjos. “matando seus inimigos”. Em dez anos os Araquan conseguiram fazer inúmeras vítimas policiais. não se pode imaginar que a violência não perdure. Com a morte de Chico Benvindo. Adilton Aziz de Lima e Henrique Terêncio de Araújo. em Pilão Arcado. uma viatura da CIOSAC foi emboscada por Cleiton Araquan. iniciando em 1994. na Fazenda Farbosa.

foram presos na Ilha do Cajueiro Vanderlan Gomes de Sá. foi preso Gerisvan Gomes Araquan. na Fazenda Ipueiras. foi preso em Serra Talhada Alexandro dos Santos. Érbio de Sá. vulgo Dentinho. Francinaldo Brás da Silva. foi preso. vulgo Djalma de Galega. vulgo Brás. vulgo Ronaldo Araquan. em Abaré-BA. foram presos. e Osvaldo João do Santos. Em 23 de março de 2000. Adão Girlânio Torre de Sá. vulgo Érbio. na ilha dos Brandões. 37 (trinta e sete) prisões em cumprimento de Mandado Judicial ou Flagrante. em Sertânia. Em 28 de setembro de 2000. e Eduardo Gomes de Sá. Na Fazenda Pau Ferro. vulgo Nego de Alzira. Geraldo Novaes Torres. Em Floresta. vulgo Fala Fina. George da Conceição. No dia 06 de julho de 2002. Em 22 de maio de 2000 na Ilha da Várzea foi preso Izamar da Costa Mendonça. Em setembro de 1997 foi preso em Carnaubeira da Penha Rômulo Luis Freire da Silva. No dia 05 de dezembro de 2002. foi preso Luis Gomes da Silva. de Sá 39 Ver foto nº 06 (anexos) 97 . na Fazenda Poço da Volta. Antônio Marcos Nascimento dos Santos39. no mesmo mês. foram presos Weldson C. foi preso. sendo realizadas. e Orlando Freire da Silva. vulgo Zé de Procope. Belém do São Francisco. Alexandre Pereira Matias. vulgo Luis de Mirto Araquan. vulgo Orlandinho. Em 02 de dezembro de 2002. em 13 de junho de 2000.Desta forma. na Fazenda Lobo. No dia 04 de julho de 2001. Arcilino Gonçalves Torres. vulgo Chico Araquan. Em 13 de dezembro de 2000 foram presos. vulgo Liga. Belém do São Francisco. Adriano Bezerra dos Santos. Em 25 de fevereiro de 2001. vulgo Joãozinho Araquan. vulgo Dudu Araquan. vulgo Marquinho Araquan. que insistem na prática de delitos. Zeilton Peixoto Tavares Gomes. vulgo Vavá Araquan. vulgo Rildemar. Em 05 de julho de 2001 em Mirandiba. foi preso. Antônio Gonçalves Torres. vulgo Índio. vulgo Jorge de Alzira. foi preso. Fabiano Gomes de Sá. Em 24 de janeiro de 2001. vulgo Arcilino. vulgo Gerisvan. no Juazeiro-BA. foram presos em Mirandiba Francisco Gomes de Sá. vulgo Adriano Araquan. vulgo Zeilton. vulgo Vanderlan. Na Fazenda Pombos. Ainda em setembro de 2000. no dia 21 de abril de 2001 foi preso Rildemar Guedes de Sá. vulgo Geraldo Araquan. e Djalma Cerqueira da Silva. vulgo Antônio Xerém. No dia 15 de outubro de 2002 foi preso em Caruaru Josenildo Gomes de Sá. Em outubro de 2002. vulgo Fabiano Araquan. Ronaldo dos Santos Nascimento. foi preso na Ilha do Cajueiro José Antônio dos Santos. sempre foram empenhados esforços para prisão dos integrantes do clã Araquan. foi preso. em 08 anos de trabalhos intensos.

vulgo Gordo de Zé André. no momento do assalto ao Banco do Brasil. e Valdenor Gomes Araquan. vulgo Orlandinho. em quase dez anos de trabalho. Belém do São Francisco. vulgo Wildson. José Carlos da Silva. Em 13 de junho de 2003. E. vulgo Eronildes Araquan. foi preso. João Gomes da Silva. vulgo Valdão de Nondas. foi preso em Belmonte. foi preso no Cachauí. vulgo Aganor. na Fazenda Jardim. Aleandro Quirino de Sá. na cidade de Petrolândia. Francisco José dos Santos. Josemar Gomes de Sá. e Jânio Fabio Torres.Araquan. e Valter Pereira Soares. vulgo Vicente Folhinha ou Folha. vulgo Vital Araquan. vulgo Cleiton Araquan. no dia 03 de abril de 2004. em Petrolândia. vulgo Vandinho. foi preso. Belém do São Francisco Gilmar Guedes de Sá. foram tirados do meio social 98 . No dia 26 foram mortos Vicente Antônio Alves de Souza. Em 09 de agosto de 2003. Respectivamente. foi preso em Belmonte Edvan José dos Santos. vulgo Vanvan Araquan. em Custódia Wildson de Sá Araquan. Miguel Cavalcante de Sá. vulgo Valtinho Araquan ou Tampinha. E. foram mortos Eziamar Gomes de Sá. Manoel Antônio da Silva. No momento do assalto em Pilão Arcado-BA. foram mortos em Sento Sé-BA Teogino Uberlândio de Sá. sendo mortos em 04 de março de 1998. vulgo Teógenes Araquan. vulgo Gilmar do Jardim. foi morto na Fazenda Ipueiras Vital Gomes de Sá. Gildenor Gomes Araquan. vulgo João de Luis de Mirto. em 28 de julho de 2000. vulgo Rambo. vulgo Miguel de Maria Iaiá e Manoel Cavalcante de Sá. Geraldo Gonçalves do Santos Júnior. Nos confrontos existentes entre os integrantes da família Araquan houve algumas baixas. de Geraldo de Rosa. foi morto na Ilha dos Brandões. vulgo Izamar Araquan. vulgo Firmo Araquan. no dia 29 de setembro de 2003. vulgo Rato. Em 31 de agosto de 2002 foi morto na Fazenda Tigre. foram mortos Edmilson Gomes de Souza. Em 18 de setembro de 2002. Bartolomeu Nunes de Souza. totalizando 20 (vinte) mortes em 07 anos. Em 30 de março de 2003. vulgo Davi e em 17 de maio de 2004. no dia 25 de setembro de 2003. e Orlando Freire da Silva. e Josenildo Nascimento dos Santos. vulgo Gildenor de Nondas. foi preso em Pilão Arcado Davi Braga de Oliveira Filho. Nos dias 07 e 08 de março de 1998. foram mortos Jucicleidio Nascimento dos Santos. foi morto Aganor João de Sá. No dia 27 de março de 2003. em Macururé-BA. vulgo Mane de Iaiá. Em 06 de fevereiro de 2003. Em 01 de outubro de 2003. vulgo Nininho. vulgo Manezinho de Nondas. Belém do São Francisco. na Ilha da Várzea. vulgo Weldson. e Eronildes Torres de Sá. No dia 28 de agosto de 2002. vulgo Jr. foi preso em Mirandiba Firmo Manoel Paulino Eustáquio. Assim.

pouquíssimo tempo depois. os cinco filhos de “Dona Deja Menezes”. Dessa.ainda existem nos municípios de Belém de São Francisco e Cabrobó. que fugiram do Presídio de Salgueiro. Eles. somente. o policial da PRF. na prática. visando conseguir indenização das terras. O jornal Diário de Pernambuco se reporta sobre os acontecimentos da seguinte maneira: Nos 14 anos de guerra entre as famílias Araquan e Benvindo. numa operação de erradicação. chefiada pelo Ten PM Jackson e da CIOSAC. como a da fazenda Lobo. em virtude da chegada das equipes no outro dia do confronto. os presos da família Araquan conseguiram transferência do Presídio Aníbal Bruno para o de Salgueiro. o pacto de paz cessou a matança. é a mesma que torce pela 99 . foi ferido.em que praticavam terror 57 (cinqüenta e sete) Araquan. Infelizmente nem todos os que foram presos continuam reclusos. transferências da capital para o sertão dos presos pertencentes às famílias envolvidas em conflitos e até anistia dos processos dos envolvidos nesse tipo de conflito. deveria combater a criminalidade na região. em que foram assassinados todos os homens da família de João Soares do Monte Santo (“João de Carrim”) tendo um dos seus filhos. piloto do helicóptero. suas mãos amputadas. chacinas brutais. Essa fuga trouxe de volta à região. antes de ser morto. Voltaram à cena. mini-Ruggers. Dos pleitos solicitados pelos parlamentares. de onde fugiram em massa. intercederam junto ao INCRA. tiveram a participação ativa do SOP.fuzis AR-15. Há um ano. forma foram jogados por terra dez anos de serviço das polícias. A polícia. bem como a chacina da Ilha dos Brandões. os mega plantios de maconha. também. onde foram assassinados. principalmente ao município de Belém do São Francisco. Cleiton Araquan. cinco continuam foragidos. o saldo foi de mais de 154 mortes. como o da fazenda Farbosa. todos em flagrante ou em cumprimento de mandado de prisão. alguns encontram-se foragidos. com exceção dos três primeiro de Petrolândia e dos dois mortos do dia 25 de setembro de 2003 em Pilão Arcado. Mas. no dia 08 de maio de 2001. que. G3 e Ponto 40 . Dos 12 (doze) membros do Clã Araquan. de acordo com o fugitivo da cadeia de Salgueiro. como um todo. em que. a tiros de fuzil. em virtude das ações políticas desencadeadas pelos Deputados Raul Julgmam e Pedro Eurico. de uma só vez. visando encontrar uma solução para brigas de famílias. mas as armas pesadas . apenas as transferências de presos foram alcançadas. Do total dos 57 componentes presos e mortos. aumentando sobremaneira a criminalidade na região do Sub médio São Francisco. SUSIPE e até o Judiciário.

Os preços pagos pelos fuzis automáticos. de uma possível prisão.volta da matança. As referidas acusações viriam a beneficiar tanto os Araquan quanto os Benvindo. foi constatado que em razão das diligências nas ilhas do Rio São Francisco. que se encontra preso acusado de ter praticado uma chacina em Cabrobó em 1977. "Comprei três a Jackson. A munição era comprada de dez caixas com 15 balas. o tenente Jackson Freire é natural do município de Carnaubeira da Penha e é primo legítimo de Rômulo Freire. foram policiais militares que alimentaram o conflito. na época. cada. 21 de dezembro de 2001) Em virtude desse grande empenho. com o fito de prender foragidos da justiça. tirando-o de circulação e do comando das operações e investidas nas ilhas onde os mesmos se homiziam.. Segundo ele. tal oferta não foi aceita por Chico. ofereceu-lhe uma viagem. em dezembro de 2000. Tais acusações não tiveram consistência. denuncia Cleiton. 100 . D. Após a Operação conjunta dos Policiais Militares de Pernambuco. além de praticar extorsão contra os mesmos. declara Cleiton. Barná Russo. mesmo tendo que contar com o clã Araquan. de calibre 762 e 223". De acordo com Cleiton Araquan e seus familiares. Resolveram então tramar uma armação para denegri a imagem do Policial Militar. (JERÔNIMO. "O tenente Jackson Freire era quem trazia armas e munição. quando se intensificaram as buscas aos foragidos das famílias Benvindo e Araquan. armaram uma campanha de difamação perante os órgãos de imprensa e meio político. inimigos de Chico Benvindo. acusando-o de ser integrante da família Gonçalves e abastecer Cleiton Araquan com armas e munições. fornecendo vasto armamento pesado para o clã. "Ele mandou muita munição e armas. A trama: as pessoas de Barná Russo. unindo-se a Vavá Araquan. membro da família dos “Russos” aliados dos Benvindo. Cleiton afirma que comprou fuzis por até R$ 4 mil. lotado na Companhia de Polícia do Rio São Francisco. tudo fora esclarecido e os policiais envolvidos nas calúnias continuaram com a sua idoneidade e caráter ilibado. Em outra época. junto com outros 11 integrantes da família. eram de R$ 3 mil". em 1998. no auge dos conflitos. contra o Ten Jackson. para livrar Chico Benvindo. este do clã Araquan. Ele sempre traficou armas na região e agora nos persegue porque a guerra acabou".P. iniciaram as tramas. que fugiu da cadeia de Salgueiro. desde 2000. o Ten Jackson e alguns policiais da CIOSAC sofreram inúmeras difamações. em Belém.

Luiz Gomes Araquan (Luizinho de Nondas ou Carreteiro). Na atual conjuntura. chefiado por Jucicleidio Nascimento dos Santos (Cleiton Araquan). em Belém do São Francisco. elegendo tal objetivo como questão de honra para todo Clã Araquan. os Araquan contam com. os órgãos de segurança vem tratando o assunto como se o clã estivesse sido extinto.Bahia e da Polícia Federal. com larga experiência na criminalidade. e que estão em liberdade ou foragidos. Atualmente o Clã Araquan tem como principal liderança Osvaldo João dos Santos (Vavá Araquan). na cidade de Pilão Arcado-BA. No folder da missa de 7° dia. Cleiton é chamado de herói dos Araquan e é ressaltado que sua luta continuará. Após a morte de Cleiton Araquan em Pilão Arcado. um dos fugitivos do Presídio de Salgueiro. sem contar as lideranças. • Execução dos Policiais Militares Pernambucanos que direta ou indiretamente contribuíram para o enfraquecimento do Clã criminoso dos Araquan. durante o assalto ao Banco do Brasil de Petrolândia. o qual já contou com a colaboração de todos os segmentos da sociedade. esse passou a ser considerado. A reorganização do bando Araquan tem como principais objetivos a cumprir: • Vingança da morte de Jucicleidio Nascimento. Antônio Marcos Nascimento dos Santos (Marquinhos Araquan) irmão de Cleiton Araquan. com a execução de todos Policiais Militares (PE e BA) que participaram da Operação de Pilão Arcado. quatorze membros. como no caso da tortura e assassinato dos irmãos Menezes. que resultou intenso tiroteio com o bando de assaltante de banco. por todo Clã Araquan. como um mártir que morreu buscando a sobrevivência do povo Araquan. Tal erro facilita a reestruturação desse tão perigoso bando. responsável pela execução das ações criminosas sendo de altíssima periculosidade matando seus inimigos com requintes de extrema perversidade. um dos responsáveis pela execução em praça pública do Sd PM ROMÃO. entre os Estados de Pernambuco. na fazenda Lobo. Bahia e Tocantins. confeccionado pelo Clã. espalhados em diversas cidades. responsável pelo planejamento estratégico das ações criminosas. pelo menos. fazendo os planejamentos das Operações executadas que resultaram nas prisões e mortes 101 . • Execução do 2º Ten PM – Jackson e toda sua equipe.

Intensificação do plantio e tráfico de maconha nas ilhas do São Francisco. de Belém do São Francisco. Continuidade da vingança contra os Benvindo e Nogueiras. tendo com mentor da idéia. • • • • Fortalecimento do poder econômico dos Araquan. 102 .dos componentes dos Araquan. com retorno a assalto a banco e carros fortes. nos últimos anos. Emboscada a uma equipe da CIOSAC. Luizinho de Nondas. o qual pretende ser o executor.

limitavam-se a truques simples.4. pois já eram inimigos dos cangaceiros. conhecedores do sertão. os nazarenos. dividindo o Estado e blasfemando que “na parte de cá mando eu”. outros por vingança. correlatos à década de 30. no entanto tinha espírito guerreiro com grande ojeriza à força policial.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS O sertão pernambucano vem ao longo dos anos sofrendo da força do crime. Para seu combate a força policial só começou a ter êxito quando iniciou o recrutamento em suas tropas de combatentes da região. era seu lar. mal pagas e mal treinadas. As suas doações para os mais necessitados eram apenas quinquilharias. combatiam 103 . nem tampouco o assassino de seu genitor. A guerrilha luta contra a repressão. sobras ou simplesmente para livrar-se de carga excedente. não utilizou técnicas de guerrilha e sim de terrorismo. estariam perseguindo e eliminando suas desavenças com o pagamento e a proteção do Estado. onde os valores são invertidos e criminosos ditam as regras de negociação para deixarem de delinqüir. fez do cangaço um meio de vida. Aproveitando-se da mitificação dos sertanejos. quer fazer do povo seu aliado. e dependia de uma grande rede de colaboradores e informantes. padeciam com o clima e os grandes deslocamentos por uma região tão inóspita. Sabia como ninguém utilizar as caatingas como seu refúgio e cenário para combates. deixando rastros e pistas falsas. onde Lampião se intitulava governador do Sertão. recrutando sertanejos. é implacável mas solidária. por terem nascido e se criado dentro das caatingas. Assim formaram-se as volantes no sertão pernambucano para combater o cangaço. seja ele organizado ou empírico. o terrorismo é meramente punitivo e cruel. capaz de qualquer barbárie para beneficiar-se. Citado por muitos como guerrilheiro. Assim tornou-se um bandido sem escrúpulos. mesmo nunca conseguindo eliminar seus maiores inimigos. dividindo grupos. porém iniciando com uma forma vingativa. Eram forças mal equipadas. muitos sem opção. atacando em várias frentes. Das táticas e estratégias utilizadas. já que essa era a melhor forma. enriquecendo com suas pilhagens. Quando a força policial era composta em sua maioria por integrantes proveniente da capital.

causando terror através do controle e domínio demonstrado mediante a utilização de métodos violentos. na associação ilícita. ressurgindo modernizado e com a alcunha “Araquan” destacando-se. Quando da prática de ilícitos. fazendo das caatingas e das inúmeras ilhas existentes no Rio são Francisco seu refúgio. sendo iniciado por vingança. principalmente às margens do Rio São Francisco. o progresso descartava o cangaço e os latifundiários já não mais o queriam. Todo potencial ofensivo do clã Araquan é marcado pela intimação e ameaça. desta vez são modernizados. destarte. 104 . pois o cangaço com Lampião teve seu início às margens do Rio Pajeú. No final da década de 80 se inicia em Belém do São Francisco. tendo o mesmo cenário. As técnicas e táticas utilizadas são similares ao cangaço. utilizando todo seu potencial ofensivo similar ao cangaceirismo terrorista. Como os “coronéis” se beneficiavam com o cangaço. uma vez que todas as ações fomentam pecuniariamente a guerra conta à família Benvindo nos municípios de Belém do São Francisco e Cabrobó. com “coiteiros” e pessoas corrompidas que o ajudavam. Com o banditismo moderno atrelado às formas de atuação peculiar do cangaço e ao avanço tecnológico e de comunicações para seu aprimoramento. Foi o fim. no controle de área. no sertão pernambucano. adquirindo armamentos novos e de alto poder de fogo. facilitando os deslocamentos das tropas. tinha uma grande rede de informações. por sua vez. vão a cada dia se aprimorando. a Força Policial há de acompanhar essa evolução e buscar no passado características das volantes. O fim de lampião não significou o fim do cangaço. Mas estava chegando o progresso. Uma das poucas diferenças.empiricamente. tinham outros planos. mas também não iria perdurar e logo passariam a utilizar o conflito como meio de vida. impera novamente no sertão o cangaço. trazendo dano social. com brigas e disputas familiares. as famílias para financiar suas contendas. O cangaço sobreviveu e soube utilizar todo o avanço tecnológico e organizar-se. Foram décadas no combate. apresentando as manifestações do crime organizado. com veículos e estradas sendo abertas. Este. mais um capítulo do cangaço. não queriam sua extirpação. para o banditismo como meio de vida. No entanto. A Grei Araquan destaca-se de forma negativa. utilizando-se da região em virtude de seu conhecimento territorial.

porém bem treinados. de nada adianta empenhar-se em grandes operações e depois de algum resultado abandonar a sociedade “à mercê da própria sorte”. Assim. cujo único objetivo era o cangaço. Houve. uma força policial moderna agirá em todas as ilicitudes avistadas. reiniciando suas atividades cada vez mais fortalecidas. dentre outros. porém. mesmo com as grandes dificuldades encontradas na área de segurança pública. trazendo assim oportunidades para que o crime se organize. herdada do cangaço e das antigas oligarquias. sendo na maioria nas zonas rurais. com a implantação das políticas de segurança pública um implementação nos órgãos policiais. que quer resolver todos os seus problemas. típico do homem sertanejo. O Estado não mantém uma ação conjunta dos órgãos de segurança e sem interrupções. restando apenas uma melhor adequação para as necessidades local. componentes regionais. motivada pela impunidade. objetivo de perseguir os bandidos por dias ininterruptos pela caatinga. Justifica-se assim que as brigas de famílias. os grupos que atuam no “negócio” montaram uma estrutura poderosa e difícil de ser enfrentada. a CIOSAC manteve suas atividades nos anos de 2007 e 2008 105 . onde não perspectivas de promoções com a atual conjuntura do plano de cargos e carreira da instituição. bem equipados e sem interesses pessoais. seqüestros. limitando-se a poucos confrontos na zona urbana. roubo a bancos e estabelecimentos comerciais. como se tudo fosse uma questão de honra. Mesmo tendo como objetivo precípuo o combate ao banditismo moderno homiziado nas caatingas. nem se curvar ao Estado ou á justiça. falta melhores políticas salariais. etc. necessitando ainda uma logística melhor para que seja diminuído ainda mais os índices de violência no Sertão pernambucano. sendo praticados com grande violência. atualmente. pois só haverá melhoramento se as ações persistirem. narcotráfico. de uma forma exacerbada . crimes políticos e até a pistolagem é uma questão cultural. mesmo com os incentivos em capacitação profissional. A disputa pelo domínio do tráfico de maconha no sertão pernambucano transformou a região em um dos territórios mais temidos no Estado. por menor que seja. dentro das caatingas.Assim nasce uma nova volante. inicialmente com as mesmas características. Os combates também são similares. Das brigas entre famílias os clãs migraram para os assaltos. diferindo das volantes.. Para não perder “terreno”.

bem como um investimento na área social. combate ao narcotráfico40. sofreu-se apenas uma evolução.com um grande aumento de suas operações e apreensões. patrulhamento rural. conscientizando a sociedade desde o início da sua formação. aproveitando-se do progresso. Destarte. aumentando o efetivo policial e diminuído a carga horário de trabalho. Ver gráfico 11 – Pés de maconha erradicados nos anos 2006. culminando assim com a diminuição dos índices de violência e tráfico de entorpecentes. verifica-se que nada mudou. 2007 e 2008 pela CIOSAC e gráfico 12 – Maconha pronta para o consumo apreendida nos anos 2006. além de manter sempre ações regulares para coibir ações delituosas. 2007 e 2008 pela CIOSAC (anexos) 106 40 . escolta de autoridades. tais como cumprimento de mandados de Busca e Apreensão. 2007 e 2008 pela CIOSAC (anexos) 41 Ver gráfico 10 – apreensão de armas de fogo nos anos 2006. que os pilares da sociedade e do estado circularão com o respeito à família e as autoridades constituídas. com investimentos em esportes e lazer e no mais importante. apreensões de armas de fogo41. a qual atualmente esta em uma escala de 7 X 7 dias. Porém necessita-se de um melhor aparelhamento policial em equipamentos para a unidade. da qual alegase que todo o efetivo percebe diárias para uma jornada de trabalho. cumprimento de Mandados de Prisão42. reintegração de posse e coberturas em eventos de grandes portes. na educação. escala esta desumana. resta agora a evolução do Estado. ficando assim comprometida as atividades policiais. 2007 e 2008 pela CIOSAC (anexos) 42 Ver gráfico 13 – Mandados de prisão cumpridos nos anos 2006. bem como melhores condições de trabalho.

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jan de 1996 a dez de 2003 a partir de 1995 a Z-Ex.Homicídios na área do CPA/I-2 .dados obtidos através dos relatórios arquivados no CPA/I-2 Gráfico 02 .Homicídios na área do CPA/I-2 .6. em 1996 é inaugurada a 2ª CIPM 180 160 140 120 100 80 60 40 20 0 hom/96 hom/97 hom/98 hom/99 hom/00 hom/01 hom/02 hom/03 3º BPM 149 134 134 163 167 149 114 147 5º BPM 108 90 115 95 102 128 104 147 7º BPM 65 80 89 93 85 94 61 92 8º BPM 54 33 34 15 24 15 19 11 14º BPM 95 102 101 58 64 59 39 32 1ª CIPM 61 46 62 21 23 10 22 25 2ª CIPM 33 16 22 18 23 10 15 dados abtidos através dos relatórios arquivados no CPA/I-2 (atual CPS) 110 .0 ANEXOS Gráfico 01 .jan 1994 à dez 1995 160 149 140 138 120 109 101 100 93 79 65 60 59 52 57 60 54 47 40 21 20 60 95 HOMICÍDIOS 1994 HOMICÍDIOS 1995 HOMICÍDIOS 1996 61 108 80 0 3º BPM 5º BPM 7º BPM 8º BPM 14º BPM Z-Ex OMEs da GAPI-2 . passa a ser a 1ª CIPM.

assaltos à veículos na área do CPA/I-2 .Gráfico 03 . não havia arquivo anterior a 1997 e não constavam registros de assaltos no ano de 2000. 111 . a área da Z-Ex a partir de 1995 passa para a 1ª CIPM e em 1997 divide-se em 1ª e 2ª CIPM Gráfico 04 .período de 1997 a 2003 160 140 120 100 80 60 40 20 0 3º BPM 5º BPM 7º BPM 8º BPM 14º BPM Z-Ex 1ª CIPM 2ª CIPM 1994 9 19 3 58 8 9 1995 15 29 4 37 10 26 1996 18 34 2 19 6 19 1997 50 73 19 20 11 38 46 1998 38 110 26 18 29 31 40 1999 29 142 35 24 17 38 41 2000 35 19 25 5 9 29 32 2001 42 42 26 10 10 46 26 2002 47 45 39 22 14 101 58 2003 32 46 9 29 9 84 18 dados obtidos através de pesquisas nos relatórios arquivados no CPA/I-2 (atual CPS). Obs.assaltos à Bancos na área do CPA/I-2 no Período de 1997 à 2003 14 12 10 8 6 4 2 0 3º BPM 5º BPM 7º BPM 8º BPM 14º BPM 1ª CIPM 2ª CIPM 1997 12 4 2 5 3 0 2 1998 5 0 2 3 1 1 0 1999 0 1 1 0 1 0 1 2000 0 0 0 0 0 0 0 2001 3 1 1 0 1 0 0 2002 1 0 2 0 1 0 0 2003 1 0 2 0 1 0 0 dados obtidos através dos relatórios e mapas arquivados no CPA/I-2 (atual CPS).

Gráfico 05 .34 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 1994 1995 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 112 .772 1966.97 2222.875 2331.035 3500.777 maconha pronta 902.651 2316. não foram encontrados dados referente ao ano de 1996 3471. não foram encontrados arquivos referente ao ano de 1996 Gráfico 06 .866 3026.Maconha pronta para o consumo apreendida pelas OMs da área do CPA/I-2 .Pés de maconha (Cannabis Sativa Linneu) erradicados e incinerados pelas OMEs do CPA/I-2 no período de 1994 à 2003 1800000 1600000 1554540 1526429 1400000 1200000 1033886 1000000 1102132 1044482 921104 915969 800000 663266 600000 594160 1994 1995 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 400000 200000 0 pés de maconha dados obtidos através dos relatórios do CPA/I-2 (atual CPS).155 1906.período 1994 à 2003 dados obtidos através de pesquisa nos relatórios e quadros estatísticos do CPA/I-2 (atual CPS).

na área do CA/I-2 (atual CPS) d a do s o b tid os atrav és d e p es q u isa n o s m ap a s d e estatís ticas d a C IO S AC n o s a n o s d e 200 0.955 2002 2001 2000 512.Armas de fogo curtas e longas e armas branca apreendidas e pessoas autuadas em flagrante nos anos de 200.maconha pronta para o consumo.13 0 100 200 300 400 500 600 113 . Apreend(kg) 360.Gráfico 07 . 2001 e 2002 pela CIOSAC na área do CPA/I-2 (atual CPS) 400 350 335 300 255 250 217 200 213 192 166 150 135 182 259 239 2000 2001 2002 255 100 83 50 0 Armas de Fogo Curtas Armas de Fogo Longas Armas brancas Pessoas Autuadas dados obtidos através de pesquisas nos mapas de estatísticas de ocorrências registradas da CIOSAC na área do CPS Gráfico 08 . 2001 e 2002.705 Maconha Pronta p/ Cons. 200 1 e 200 2 (arq u iv o C IO S A C ) 413. apreendida pela CIOSAC nos anos de 2000.

pés de maconha erradicados e incinerados pela CIOSAC nos anos de 2000. 2001 e 2002 (arquivo CIOSAC) 232.000 100.000 50. 2001 e 2002 na área do CPA/I-2 (atual CPS) 500.arm as de fogo apreendidas nos anos de 2006.000 150.000 300.000 250.729 2000 2001 2002 424.000 0 Pés de Maconha Erradicados dados obtidos através de pesquisa nos mapas de estatísticas da CIOSAC nos anos de 2000.000 460.Gráfico 09 .218 G ráfico 10 .512 450.000 400.000 200.000 350. 2007 e 2008 pela CIO SA C 500 400 300 200 100 0 armas curtas armas longas dados obtidos nos arquivos da C IO SA C 110 150 2006 219 104 115 2007 2008 452 114 .

Pés de M aconha erradicados nos anos de 2006.13 2006 2007 2008 115 .951. 2007 e 2008 pela CIOSAC 8000 6000 4000 2000 0 Maconha pronta para o consumo (kg) dados obtidos nos arquivos da CIOSAC 535.854.016.Maconha pronta para o consumo apreendida nos anos de 2006. 2007 e 2008 pela CIOSAC 500000 480000 460000 440000 420000 400000 380000 360000 478499 2006 406301412170 2007 2008 Pés de Maconha dados obtidos nos arquivos da CIOSA C Gráfico 12 .G ráfico 11 .98 5.

Mandados de Prisão cum pridos nos anos de 2006. 2007 e 2008 pela CIOSAC 120 100 80 60 40 20 0 Mandados de Prisão cumpridos dados obtidos nos arquivos da CIOSAC 36 66 98 2006 2007 2008 116 .Gráfico 13 .

.Acessos: BR 316 e PE 460. .Conflito entre Tribos Indígenas (Serra do Umãs).Pistolagem . . . . .Plantio e Tráfico de Maconha (Ilhas do São Francisco). BR 316 e PE 423.Carta de situação da área mais atingida pelos conflitos elaborado pela seção de operações do CPA/I-2 (atual CPS I) .Conflito de Famílias (Cláudios.Conflito de Famílias (Ferraz X Novaes). Cruz Taquaritinga Vertentes Surubim João Alfredo Li m oeiro Lagoa Paudalho Abreu e Lima do Capibaribe do Norte Salgadinho Frei do Itaenga Feira Paulista Miguelin ho Chã de Nova Toritama Passira Glória Alegria Camaragibe Olinda Jataúba Cumaru São Lourenço do Goitá Recife Vitória de da Mata Riacho Brejo da Madre Stº Antão das Almas de Deus Pombos Moreno Jaboatão dos Guararapes Gravatá Poção Chã Bezerros Cabo de Grande Belo Jardim Santo Agostinho Caruaru Sairé São Primavera Camocim Pesqueir a Caetano de São Félix Sanharó Tacaimbó Amarají Escada Barra de São Joaquim Guabiraba Ipojuca do Monte Cortês Agrestina Alagoinha Cachoeirinha Ribeirão Bonito Altinho São Bento do Una Ibirajuba Belém de Mar ia Palmares Panelas Lagoa dos Gatos Catende Jaque ira São Benedito Quipapá do Sul Maraial Xexéu Cupira Joaquim Nabuco Gameleira Serinhaém Rio Formoso Água Pre ta Tamandaré Barreiros São José da Coroa Grande Orocó Belé m de São Francisco Santa Maria da Boa Vi sta Flor esta Buíque Venturosa Jupi Capoeiras Jucati Lajedo Calçado Jurema Francisco Itacu ruba Tupanatinga Caet és São João Paranatama Inajá Manari Itaíba Iati Saloá Garanhuns Brejão Terezinha Bom Conselho Canhotinho Angelim Petrolândia Tacaratu Águas Belas Barragem de Taparic a Jatobá Palmeirina Correntes Lagoa Grande Lagoa do Carro .Acessos: BR 316.Plantio e Tráfico de Maconha (Serra do Arapuá. Olho D”água do Padre). Serra do Umas. .Conflito de Famílias (Benvindo X Araquans).Conflito na Ilha de Assunção (Índios Truká. .Roubo a Transeuntes nas proximidades da Torre de Belém. . .Roubo a Transeuntes nas rodovias BR 316 e BR 428. . .Acessos: BR 116. PE io R Petr olina Barragem de Paulo Afonso Barragem de Sobradin ho S ão 117 . Bre jinho Santa Terezinha Itapetim Camutanga Macaparana São Vicente Ferrer Tup aretama Quixabá Bodocó Trindade Ouricuri Ferreiros Timbaúba Itambé Exu Moreilând ia São José do Egito Solidão Tabir a Goiana Aliança Condado Arar ipina Ipubi Granito Afogados da Ingazeira Ingazeira Cedro Santa C ruz da Tr iunfo Flor es Baixa Ver de Carn aíba Iguaraci ú São José do Belm onte Serrita Verd ejante Serra Talhada Calumbi Ri o Pa je Custódia Sertânia Par namirim Terra Nova Salgueiro Mirand iba Santa Filom ena Santa Cruz R i o M o xo tó Betânia Arcoverde Cabrobó Dorm entes Carn au beira da Penha Ibimirim Pedra Vicência Itaquitinga Machados Nazaré Casinhas Orobó Buenos Itapissuma da Mata Vertentes Aires Araçoiaba Itamaracá Santa Maria do Lério Bom Jardim Tracunhae m do Cambuçá Lagoa Igarassu do Carro Carpina Stª. conflitos pelo domínio do plantio de maconha). BR 316 e BR 428.Acessos: BR 232.Plantio e Tráfico de Maconha. Russos e Gonçalves Pretos/Benvindo X Araquans).

inc III e IV c/c o art 29 do CPD. art 157 § 3º. . Fotógrafo desconhecido. Edinaldo Aureliano 0 Francisco ART/PROC Art. ônibus e homicídios.40.Foto 01 NOME: JUCICLEIDIO NASCIMENTO DOS SANTOS NASCIMENTO: 11/03/1974 FILIAÇÃO: Milton Delgado dos Santos e Juli Maria do Nascimento dos Santos ACUSAÇÕES: Roubo a Bancos. “Cleiton Araquan” 2000. plantio e venda de maconha. Mini Ruger. 1 foto. art. Luiz Gomes da Rocha Neto Cabrobó 24/08/99 Dr. 118 . carros forte. Art. Carlos Humberto Inojosa Belém do São 09/11/94 Galindo Francisco 25/11/97 Drª. 288 c/c e art. inc. 380. c/c 29 e o art 121 § 2º. roubo a caminhões. M16. art 14.: color. Olga Regina de S. Submetralhadora (MINI UZI). 311 CPB 25/11/92 Dr. I e IV. 10X15cm MANDADOS DE PRISÃO DATA Expedido por LOCAL Belém do São 20/08/93 Dr. José Iterval Sampaio Júnior Abaré/BA Ação Penal 722/00 PC 11668/97. 224/93. Eliane Ferraz Guimarães Cabrobó Novaes Dr. pistolas 9mm. Santiago 25/10/200 Belém do São Dr. ARMAMENTO UTILIZADO: Fuzis AR-15. 70 CPB. Alexandre Freire Pimentel Francisco 03/09/93 Dr. art. 121 § 2º.

: color. roubo a caminhões. POR LOCAL ART/PROC 03/02/93 Dr. inc II e art 288 c/ o art 70 do CPB. 08/04/98 Dr. Juazeiro Art. 2000. alínea a. ônibus e homicídios. plantio e venda de maconha. art 121 c/c 14 CPB. Luiz Gomes da Rocha Cabrobó Proc 11068/97.: foi apreendido em seu poder um Fuzil Mini Rugher Fotógrafo anônimo. . “Vavá Araquan”. Mini Ruger. 380. ARMAMENTO UTILIZADO: Fuzis AR-15. Neto art 121 § 5 Inc I e IV c/c art 14. Santiago II e III. Submetralhadora (MINI UZI). 10X15cm MANDADOS DE PRISÃO DATA ESP. pistolas 9mm.Foto 02 NOME: OSVALDO JOÃO DOS SANTOS NASCIMENTO: 04/08/1965 FORAGIDO FILIAÇÃO: João Paulino dos Santos e Maria Alice de Sá ACUSAÇÕES: Roubo a Bancos. 1º inciso I. Edinaldo Aureliano Belém do São Ação Penal Francisco 722/00 119 . Olga Regina de S. Carlos Humberto Inosoja Belém do São 311 e 312 Galindo Francisco 25/11/97 Dr.40. 05/01/2000 Drª. Ailton Alfredo de Souza Cabrobó PC nº 11790/98. m da Lei 7. Obs. b. 1 foto.960/89 25/10/2000 Dr. carro-forte. M16. i.

“Júnior de Geraldo de Rosa”. “Chico Benvindo” (morto em abril de 2003). 2000.Foto 03 – Francisco José da Cruz.790/98 120 . POR LOCAL Dr.: color. o fuzil que ostenta pertence a PMPE (recuperado em 2003). pistolas 9mm. Fotógrafo desconhecido. . 1 foto. 10X15cm MANDADOS DE PRISÃO ESP. 380. Ailton Alfredo de Souza Cabrobó DATA 17/09/97 28/04/98 ART/PROC 311 e 312 Processo Crime 11. Submetralhadora (MINI UZI). Heraldo José dos Santos Cabrobó Dr.40. M-16. 01 fotografia colorida. Mini Ruger. 1998. Fotógrafo anônimo. estava em poder do Sd Luciano quando foi morto em 1997. 10X15 cm Foto 04 – NOME: GERALDO ANTÔNIO GONÇALVES JÚNIOR PRESO no presídio de Salgueiro FILIAÇÃO: Geraldo Antônio Gonçalves ACUSAÇÕES: Roubo a Bancos e homicídios ARMAMENTO UTILIZADO: Fuzis AR-15.

Fot0 05 – Sd Luciano/9º BPM, torturado e morto pelo bando de Chico Benvindo em 1997, teve seu olho esquerdo arrancado e seus dedos cortados além de várias perfurações de objeto cortante. Fotógrafo anônimo. 1997. 02 fotografias color.. 10X15 cm.

121

Foto 06 NOME: ANTÔNIO MARCOS NASCIMENTO DOS SANTOS NASCIMENTO: 16/10/1979 FORAGIDO FILIAÇÃO:Milton Delgado dos Santos e Julia Maria do Nascimento dos Santos ACUSAÇÕES: Roubo a Bancos, carroforte, plantio e venda de maconha, roubo a caminhões, ônibus e homicídios; ARMAMENTO UTILIZADO: Fuzis AR-15, M-16, Mini Ruger, Submetralhadora (MINI UZI), pistolas 9mm, .40, 380;

Fotógrafo anônimo. “Marquinhos Araquan”. 2000. 1 foto.: color. 10X15cm

DATA 15/04/1998 03/09/93

MANDADOS DE PRISÃO ESP. POR LOCAL Drª. Hydia Virginia Petrolândia Dr. Ednaldo Aureliano de Lacerda Belém do São Francisco

ART/PROC Art. 312 CPP Ação Penal 722/00

122

Foto 07 – veículo S-10, utilizada pela Polícia Federal, atingida por disparos de fuzil no dia 25 de setembro de 2003, no confronto com Cleiton Araquan e seu bando, quando assaltavam o Banco do Brasil de Pilão Arcado. Parte lateral. Fotógrafo anônimo. 2003. 01 fotografia color. 10X15 cm

Foto 08 – veículo S-10, utilizada pela Polícia Federal, atingida por disparos de fuzil no dia 25 de setembro de 2003, no confronto com Cleiton Araquan e seu bando, quando assaltavam o Banco do Brasil de Pilão Arcado. Parte frontal.
123

10X15 cm.Fotógrafo anônimo. morto em 25 de setembro de 2003 no confronto com policiais no momento da realização do assalto a agência do Banco do Brasil de Pilão Arcado-BA. Fotógrafo anônimo. 01 fotografia color. 01 fotografia colorida. “Valtinho Araquan”. 2003. “Cleiton Araquan”. 2003. 10X15 cm Foto 09 – Jucicleidio Nascimento dos Santos. morto em 25 de setembro de 2003 no confronto com policiais no momento da realização do assalto a agência do Banco do Brasil de Pilão Arcado-BA. Foto 10 – Valter Pereira Soares. 124 . juntamente com seu bando.

01 fotografia colorida. “Gordo”. Foto 12 – Teogino Uberlândio de Sá. Fotógrafo anônimo. 01 fotografia colorida. Fotógrafo anônimo. 2003. em 29 de setembro de 2003. 2003. após participar do assalto a agência bancária de Pilão Arcado em 25 de setembro. “Teógenes Araquan”. 10X15 cm Foto 11 – Francisco José de Sá Santos. em 29 de setembro de 2003. 01 fotografia colorida. após participar do assalto a agência bancária de Pilão Arcado em 25 de setembro.Fotógrafo anônimo. 125 . morto em confronto com Policiais em Sento Sé-BA. 2003. morto em confronto com Policiais em Sento Sé-BA. 10X15 cm. 10X15 cm.

10X15 cm. sob suspeita de ser informante do Serviço de Inteligência da 1ª CIPM de Belém. após participar do assalto a agência bancária de Pilão Arcado em 25 de setembro. em 25 de maio de 2002. 2002. Foto 14 . em 29 de setembro de 2003. 126 . 01 fotografia colorida. Fotógrafo anônimo. Fotógrafo desconhecido. 2003. 01 fotografia colorida. por Cleiton Araquan e seu bando.Assassinato de Edvan Vieira do Monte Santo. na ilha dos Brandões. “Eronildes Araquan”. 10X15 cm.Foto 13 – Eronildes Torres Araquan. morto em confronto com Policiais em Sento Sé-BA.

Foto 16 . em 10 de junho de 2002. Fotógrafo desconhecido. 10X15 cm. 01 fotografia colorida.Morte de Avanir José da Silva. foi capturado pelo bando de Cleiton Araquan. João Soares do Monte Santo em 10 de junho de 2002. 10X15 cm. 01 fotografia colorida.Foto 15 . antes de se assassinado sofreu torturas por todo corpo. 127 . 2002. 2002. na Ilha dos Brandões. por Cleiton Araquan e seu bando sob suspeita de ter sido informante do Serviço de Inteligência de Belém.Seqüestro e morte do Sr. por Cleiton Araquan e seu bando sob suspeita de ter sido informante do Serviço de Inteligência de Belém. durante operação itinerante de 07/06/02. Fotógrafo desconhecido.

Fotógrafo desconhecido. sofreu torturas nas mãos. posteriormente deceparam-nas para não mais fazer ligações telefônicas. 2002. por Cleiton Araquan e seu bando.Foto 17 . 02 fotografias colorida. 128 .Morte de Antônio Vieira do Monte Santo. sob suspeita de ter sido informante do Serviço de Inteligência da 1ª CIPM – Belém de São Francisco. 10X15 cm. irritados com os gritos da vítima. resolveram matá-lo.

atingida por disparos de arma de fogo no dia 26 de agosto de 2002. 10X15 cm. 10X15 cm. Parte frontal e traseira. Foto 19 – Veículo Toyota Bandeirantes. 2002. viatura 4834/CIOSAC.Foto 18 – Veículo Toyota Bandeirantes. em virtude da emboscada realizada por Cleiton Araquan. SANGUE DO SD CARLOS 129 . 01 foto colorida. Fotógrafo anônimo. atingida por disparos de arma de fogo no dia 26 de agosto de 2002. viatura 4834. Fotógrafo anônimo. 2002. Parte lateral esquerda. em virtude da emboscada realizada por Cleiton Araquan. 01 foto colorida.

Fotos 20 e 21 – armas e equipamentos apreendidos em Pilão Arcado no dia 25 de setembro de 2003. 2003. no assalto ao Banco do Brasil Fotógrafo anônimo. 10X15 cm. 02 fotografias coloridas. utilizados por Cleiton Araquan e seu bando. 130 .