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Argumentação e retórica

Dialética -é caracterizada como um momento de comunicação entre dois ou mais interlocutores que se confrontam e expõem as razões das suas divergências.

Retórica - é genericamente definida como a arte de construir belos discursos com a intenção de convencer e seduzir um auditório. A retórica não visa apenas encontrar os melhores argumentos, mas também os mais adequados num determinado contexto, o que implica a utilização de estratégias diversificadas (clima de empatia, humor, figuras de estilo, de modo a agradar o auditório).

O Ethos - diz respeito ao carácter do orador, que se for íntegro, honesto e responsável conquista mais facilmente o público. Enquanto orador, deve possuir certas competências para ter sucesso como a capacidade de dialogar (tanto de comunicar como de ouvir), de optar, de pensar e de se comprometer, por isso, ser-se uma pessoa cuja opinião se atribui algum valor, é já uma boa qualidade. Ethos – é o tipo de prova que defende o carácter do orador, uma vez que o discurso é proferido de modo a que o auditório fique com a impressão de que o carácter do orador é digno de crédito. O orador é visto como alguém que inspira confiança, acreditando no que diz. Neste tipo de provas técnicas deve-se utilizar os argumentos de autoridade, pois o orador deve transmitir a ideia de que é um entendido no assunto em questão. Não se deve utilizar o argumento de ataque ao homem, pois o orador deve evitar a recorrer a “golpes baixos”.

O Logos - É a consideração pelo conteúdo do discurso por parte do orador, se este quer que a mensagem passe. Para isso tem de apresentar claramente a tese que vai defender, seleccionar bem os argumentos que fundamentam a tese (argumentos que diminuam as hipóteses de refutação), apresentando os mais fortes no início e repetindo-os no fim, antecipar objecções à tese (para desvalorizar os contra-argumentos) e procurar recursos estilísticos (retórica). Logos – é o tipo de prova que se relaciona com o próprio discurso, ou seja, neste caso a persuasão obtém-se através de argumentos que procuram convencer o auditório de que o orador tem razão ou está correcto. Nesta técnica de persuasão o método mais apropriado é a argumentação retórica, que é constituída por entimemas e exemplos. Os entimemas são argumentos dedutivos que permitem demonstrar ou provar uma proposição a partir de premissas sempre ou quase sempre prováveis.

o que o move. Claro que o orador serve-se de argumentos racionais mas não pode deixar de usar o se carisma e a sua habilidade oratória.O Pathos . pois o orador deve transmitir a ideia de que é um entendido no assunto em questão. É preciso perceber. Neste tipo de provas técnicas deve-se utilizar os argumentos de autoridade. por mera intuição. Nesta técnica são utilizados os entimemas e os exemplos. pois o orador deve evitar a recorrer a “golpes baixos”. acreditando no que diz. ou seja. uma vez que o discurso é proferido de modo a que o auditório fique com a impressão de que o carácter do orador é digno de crédito. pois. numa palavra como quebrar o gelo inicial. . Nesta técnica de persuasão deve-se utilizar o apelo à popularidade pois é uma forma de argumento que explora sentimentos do auditório para o fazer adoptar a tese do orador. Sendo assim podemos concluir que é tão importante aquilo que é dito (logos) como o modo como é dito (pathos e ethos). a que é sensível. O orador é visto como alguém que inspira confiança. pois este surge quando alguém argumenta recorrendo a sentimentos de piedade e compreensão por parte do auditório de modo a que a tese seja aprovada. Num discurso retórico é tão importante aquilo que é dito como o modo que é dito. Também se deve utilizar o apelo à piedade. Nesta técnica de persuasão deve-se utilizar o apelo à popularidade pois é uma forma de argumento que explora sentimentos do auditório para o fazer adoptar a tese do orador. O orador tem de seleccionar as estratégias adequadas para provocar nele as emoções e as paixões necessárias para suscitar a adesão e levá-lo a mudar de atitude e de comportamento. Para fazer o discurso retórico são utilizados três provas técnicas para persuadir: ethos. Pathos é o tipo de prova em que o discurso do orador desperta sentimentos no auditório e emoções que o tornam receptivo à verdade do que está a ser dito. neste caso a persuasão obtém-se através de argumentos que procuram convencer o auditório de que o orador tem razão ou está correcto. uma vez que as emoções (pathos) que o discurso (logos) do orador suscita no auditório têm um papel fundamental na construção da imagem e do caracter do orador (ethos). neste discurso o objectivo é persuadir e convencer o auditório. Estes três tipos de provas estão relacionados. Ethos é o tipo de prova que defende o carácter do orador. logos e pathos. Pathos – é o tipo de prova em que o discurso do orador desperta sentimentos no auditório e emoções que o tornam receptivo à verdade do que está a ser dito. Logos é o tipo de prova que se relaciona com o próprio discurso. Também se deve utilizar o apelo à piedade.Define-se pela sensibilidade do auditório que é variável em função das características do mesmo. pois este surge quando alguém argumenta recorrendo a sentimentos de piedade e compreensão por parte do auditório de modo a que a tese seja aprovada. Não se deve utilizar o argumento de ataque ao homem.

relativista e subjectivista e tinham uma perspectiva empirista e céptica quanto à origem e possibilidade de conhecimento. onde a caracteriza. Platão considera que há uma verdade sobre realidade objectiva e esta verdade está ao alcance do Homem através da dialética. pois é uma forma de corrupção. na evolução do Homem. uma vez que os sofistas utilizavam este método de persuasão para defender as suas perspectivas cepticistas e relativistas quanto à origem e possibilidade de conhecimento. a felicidade consiste no prazer e não no bem. . que pode não conhecer o tema. também se interessavam pelas relações entre as leis e os costumes e a natureza. viciação e instrumentalização intencional e perversa.Sofistas – eram professores que ensinavam a retórica e partilhavam um ponto de vista céptico. que era essencial na politica (democracia). não tratando dos verdadeiros interesses da sociedade. Platão mostra que o orador só é persuasivo se aqueles para quem fala não forem entendidos no assunto. produzindo no auditório um sentimento de agrado. Nas perspectivas sofisticas a retórica relacionava-se com o cepticismo e com o relativismo. Também diz que a retórica lha proporciona liberdade. mas é persuasivo. Interessavam-se pela antropologia. o que devia ser o contrário. os tribunais deviam aplicar castigo a quem cometeu injustiças. Os sofistas ensinavam a retórica que seria muito útil para a carreira politica e ensinavam a virtude politica. satisfazendo os desejos do povo. domínio sobre os outros. do que um especialista nesse tema. a retórica é uma forma de manipulação e adulação. A retórica como manipulação Platão opõe-se vigorosamente à concessão retórica. o uso da retórica nos tribunais visa apenas evitar o castigo. A nível politico. Platão faz uma critica à retórica. Górgias defende que o poder persuasivo da retórica faz com que o auditório prefira o orador. pois o orador desta forma não é mais especialista do que um profissional. Também considera que a retórica não é uma arte. convencendo os outros e nesta altura os sofistas eram contratados para ensinar os jovens gregos que aspiravam a vida politica a arte de bem falar. ou seja. Segundo as doutrinas sofistas a retórica e a democracia estão relacionados uma vez a retórica é a arte de persuadir e manipular. pois não é racional e não tem por fim o bem. A retórica também tem consequências negativas: visa o prazer e não a justiça. a retórica apenas serve para defender os interesses pessoais dos políticos e para adular o povo. da sociedade e da civilização. segundo Platão. Sendo assim. denunciando o seu carácter manipulador. Para Platão a retórica é uma forma de manipulação. Retórica como persuasão Para Górgias a retórica é a arte de persuadir pela palavra o auditório e tem por objecto o justo e o injusto. e ao mesmo tempo. Os sofistas pretendiam ser capazes de discutir sobre todos os temas e de responder a todas as perguntas que lhes fossem feitas e também adoptavam um ponto de vista fenomenista.

A validade é suficiente para que tenhamos bons argumentos? Não podemos considerar que a validade é suficiente para que tenhamos bons argumentos. para isso recorre-se a lógica formal. Para encontrar a verdade. . A retórica poderia ser apenas utilizada na filosofia para ajudar na exposição dos argumentos.Argumentação. Optar-mos pelo uso da retórica significava trocar a realidade pela aparência e o conhecimento pela ilusão. se as premissas forem verdadeiras a conclusão também será. teorias e argumentos. A tentativa de encontrar respostas que nos digam como as coisas verdadeiramente são é realizada através de bons argumentos. na filosofia. em que se avalia os argumentos. porque para isso é necessário que as premissas e a conclusão sejam verdadeiras e dizer que um argumento é válido significa apenas que as premissas apoiam logicamente a conclusão. podemos reforçar a ideia de que o objectivo da filosofia é a verdade e não persuadir. Argumento sólido – é um argumento dedutivamente válido e as suas premissas são verdadeiras e consequentemente a conclusão também será. sendo assim. uma vez que esta procura a verdade e a retórica é um método de persuasão. A filosofia consiste em problemas. Apesar de a verdade ser difícil de alcançar não se justifica que a troquemos por processos de persuasão. Também se pode recorrer à lógica informal. mas o filosofo também tem de se preocupar com o modo como apresenta as suas ideias. e não que estas são ambas verdadeiras. Assim sendo. em que a conclusão se segue necessariamente das premissas. que apesar de serem dedutivamente inválidos dão algum apoio à conclusão. utiliza-se a dialética. Demonstração e argumentação: Retórica e filosofia A retórica não deve ser considerada o método mais indicado na filosofia. distinguindo graus de força desses argumentos. verdade e ser A filosofia procura a verdade. podemos verificar que a validade não é suficiente. sendo assim. teses e argumentos.

Formas de justificação do conhecimento: -Conhecimento “a priori” – é o conhecimento que não depende da experiência. . -A justificação é necessária para haver conhecimento. Para haver um conhecimento proposicional é necessário que o sujeito acredite na proposição e que esta seja verdadeira. é sustentado por boas razões Tipos de conhecimento: -Conhecimento prático – consiste em saber-fazer. ou seja. Ex. -Conhecimento por contacto. ou seja. -Conhecimento “a posteriori” – é o conhecimento que depende da experiência. -A verdade é necessária para o conhecimento. Conhecimento proposicional: -A crença é necessária para o conhecimento ou o conhecimento implica a crença. ou seja. consiste na posse de aptidões. Também nos permite clarificar argumentos. uma vez que permite-nos distinguir argumentos de não argumentos. Ex.Saliente a importância da lógica na filosofia! A lógica é indispensável na filosofia. O quadrado tem 4 lados. ou seja.caracteriza-se por ter uma proposição. uma frase declarativa com valor de verdade. identificar a conclusão e as premissas que pretendem prová-lo. ou seja. e a lógica torna-nos capazes de apresentar argumentos a favor de uma ideia ou mesmo de contra argumentar. Também nos ajuda a saber avaliar criticamente argumentos.consiste em conhecer pessoalmente algo ou alguém. pois só é considerado argumento aquele em que as premissas apoiam logicamente a conclusão. para podermos mostrar se é ou não um bom argumento. A lógica também nos ensina a pensar de forma consequente. esteja de acordo com a realidade e que o sujeito fundamente as razões para acreditar na proposição. . saber chegar a conclusões apoiadas de boas razões. capacidade para realizar determinadas tarefas. isto é. A população portuguesa está envelhecida. Outro factor a favor da importância da lógica na filosofia é o facto de esta consistir essencialmente na discussão de ideias. Conhecimento – crença verdadeira justificada.Conhecimento proposicional .

Modelos explicativos do conhecimento Possibilidade de conhecimento: -Dogmatismo.Empirismo – é a corrente que defende que o conhecimento tem por base a experiência. . . admite a existência de ideias inatas. assim como para ter a certeza de que a alcançou. Pressupostos do cepticismo: -o cepticismo foca a sua atenção no sujeito. chama-se racionalismo. o pensamento. um conhecimento só merece verdadeiramente esse nome quando é logicamente necessário e universalmente válido: quando esse conhecimento tem de ser assim e não de outro modo e é válido para todos os sujeitos. -Apoia-se numa análise crítica do desenvolvimento do conhecimento científico. o conhecimento no sentido de uma apreensão totalmente real do objecto é impossível. -Por vezes. -contacto sujeito/objecto não é problemático. -Cepticismo Dogmatismo – corresponde à atitude de todo aquele que crê no Homem tem meios para atingir a verdade. o certo do duvidoso. Segundo este. Para o cepticismo. Cepticismo – considera que é impossível alcançar o conhecimento que seja verdadeiro. na razão. pois considera que existem critérios que permitem distinguir o verdadeiro do falso. O conhecimento tem por base a razão. Origem do conhecimento: -Racionalismo – a posição epistemológica que vê no pensamento. a fonte principal do conhecimento humano. sendo esta o limite do conhecimento. -Dirige-se sobretudo aos factores do conhecimento. Pressupostos do dogmatismo: -Grande confiança na razão humana.

sendo esta o limite do conhecimento. quando esse conhecimento tem de ser assim e não pode ser de outro modo e é válido para todos os sujeitos. O racionalismo liga-se ao dogmatismo. Esta corrente liga-se ao cepticismo. uma vez que o dogmatismo tem como pressupostos ter uma grande confiança na razão humana e acreditar que todos os Homens conseguem alcançar a verdade.O racionalismo é a corrente que defende que a razão é a fonte principal do conhecimento humano. Este conhecimento só merece este nome quando for logicamente necessário e universalmente válido. distinguindo o que é verdadeiro do que é falso. uma vez que o cepticismo considera que o conhecimento é impossível ou porque não conseguimços alcançar (tem como limite a experiência) ou porque simplesmente não existe. O empirismo é a corrente que defende que o conhecimento tem por base a experiência. . ou seja.