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ARCO DE VIOLINO

Troca de Crina e Reparos

COM DESENHOS PELO AUTOR

HARRY S. WAKE
Publicado pela Editora Wake, South Glastonburry, Connectcut, U.S.A.

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COPYRIGHT 1975 POR H.S.WAKE

DIREITOS SOB UNIÃO INTERNACIONAL DE DIREITOS AUTORAIS

Publicado pela Editora Wake 38 Country Lan3e, South Glastonbury, Connecticut, U.S.A.

ISBN 0-9607048-1-7 LIVRARIA DO CONGRESSO CARTÃO NO. 81-186555

Revisado e reimpresso 2003

Todos os direitos reservados, incluindo o direito de reprodução total ou parcial, por quaisquer meios sem a autorização expressa da Editora Wake IMPRESSO NOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA

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OUTROS LIVROS POR HARRY S. WAKE A TÉCNICA DA FABRICAÇÃO DE VIOLINOS UM LIVRO DE RECORTES DO LUTHIER PROJETOS DE FABRICAÇÃO DE VIOLAS PROJETOS DE CELLO DE UM MODELO “STRAD” FABRICANTES AMADORES DE VIOLA Q E A PARA FABRICAR UM CONTRA BAIXO TÉCNICAS DE CONSTRUÇÃO DO VIOLÃO

À MINHA ESPOSA DOROTHY CUJA ASSISTÊNCIA E COMPREENSÃO TORNARAM POSSÍVEL A REALIZAÇÃO DESTE TRABALHO

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ÍNDICE Prefácio . . . . . . Para começar: Um Dispositivo Para Fixação do Arco. Ferramentas e Materiais . . . . Processo de Troca de Crina . . . . Colocando a Crina . . . . . A Crina . . . . . . A Ponta do Arco . . . . . Furo no Arco para o Talão, Desgastado . . A Técnica de Polimento Francês . . . Trinca na Extremidade Inferior do Arco. . . Parafuso Solto . . . . . Porca de Latão . . . . . Ponta de Arco Quebrada . . . . Um Arco Torto . . . . . Cobertura da Haste do Arco . . . . Substituindo a ponta inferior do Arco. . . Um Arco Quebrado no Meio . . . . Pinos de Pau Brasil . . . . Quebra Próximo à Cabeça do Arco . . . Estojo para Transporte de Arcos . . . Reciclando o Breu . . . . . Folha Um: Folha Dois: Dispositivo para troca de Crina Dispositivo para troca de Crina . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5 6 8 10 16 37 38 40 42 42 44 46 47 52 53 61 69 71 73 76 77 81 82

(11” x 17”) (11” x 17”)

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PREFÁCIO Na preparação deste trabalho, o autor manteve em mente aqueles muitos artistas e músicos talentosos que tocam instrumentos de arco, que poderiam ter seu sucesso completado com os violinos, mas não o têm, pela falta de informação apropriada, em tentar trocar a crina de um arco ou fazer qualquer reparo. Não desejaria transmitir a idéia de que a troca de crina ou reparos de arcos é fácil porque este não é o caso em quaisquer meios; cada arco é um novo desafio e a experiência indicará como cada um deverá ser feito. Um arco de violino é uma peça artística, delicada e preciosa, feita por um artista, que pode ser muito facilmente arruinada, em ambos os sentidos, artístico e utilitário, e isto põem os reparos em arcos de violinos fora do domínio do trabalho casual ou descuidado; porém, é possível para um artista médio que tenha tido alguma experiência neste delicado tipo de trabalho fazer uma aceitável troca de crina sem danos ao arco, enquanto alguns reparos podem também ser realizados de tal forma que estenderiam consideravelmente a vida do arco. Com relação aos reparos em arcos, pode-se considerar outra questão: este trabalho manual é um reparo ou uma operação de salvamento? Muitos bons arcos têm sido salvos por reparos quando de outra forma teriam sido completamente perdidos. Um arco que tenha tido sua ponta quebrada e perdida, teria seu uso totalmente perdido como arco, mas se colocássemos uma nova ponta nesta haste, teríamos salvado o trabalho de um “Sartory” ou um “Voirin” do esquecimento e dado ao arco uma nova vida. Isto pode ser feito de modos que a haste será tão forte quanto a original, embora o arco possa perder parte da identidade do original mestre arquetaio. Igualmente, um arco que tenha “arriado” ou a extremidade final (empunhadura) da haste tão gasta ou trincada que o arco ficaria sem condições de uso pode ser salvo fazendo-se um longo enxerto na área que seria coberta pelo arame prateado. Em alguns casos a nova peça enxertada leva o nome ou marca de um arquetaio que não o mesmo que fabricou a haste; isto pode confundir os experts em arcos, mas não os engana muito tempo porque as finas curvas e a forma da cabeça do arco dirão aos conhecedores tudo o que eles precisam saber sobre a identidade do arco. O autor tem uma haste Sartory muito fina que tem cerca de sete polegadas de sua extremidade final feita por Albert Nurnberger. O enxerto só é discernível se alguém disser que está lá, mas o expert saberá que a cabeça do arco não é trabalho de Eugene Sartory. Este seria o caso de se produzir um bom e útil arco de dois outros abandonados. O trabalho de se recolocar uma chapa de ébano numa ponta quebrada ou refazer o encaixe / entalhe na extremidade inferior da haste pode ser considerado um reparo simples e será apropriadamente explanado nas páginas a seguir, e em relação à troca de crinas, cada fabricante tem seu próprio método o qual foi desenvolvido a partir de regras básicas. O autor discutirá seus métodos de trabalho e mostrará como uma pessoa de habilidades medianas e com ferramentas apropriadas pode aprender como trocar crinas de seus próprios arcos e talvez faça algum reparo elegante ou trabalho de restauro. HSW San Diego, Califórnia

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PARA COMEÇAR: UM DISPOSITIVO PARA FIXAÇÃO DO ARCO Uma primeira consideração será ajuntar as poucas ferramentas especiais que são únicas no trabalho de troca de crinas. Elas são absolutamente simples e fáceis de fazer, o mais importante seria fazer um dispositivo para fixação ou fixador que possa ser usado para arcos de violino, viola e violoncelos; e também todos os tamanhos intermediários destes. O dispositivo descrito aqui foi desenhado pelo autor e já tem muitos anos de bons serviços. Ele foi projetado para ser fixado ou removido da bancada e para segurar um arco seguramente durante a operação de colocação de nova crina e enquanto se faz reparos menores.

Com relação aos desenhos da Folha 1 e Folha 2, construiremos este dispositivo de fixação. Embora os desenhos sejam por si só explicativos, uma descrição corrida da fabricação das peças, montagem e uso das várias partes será de certa ajuda para muitos de nossos leitores. Devemos mencionar aqui que se tenha atenção de não se desenvolver quaisquer trabalhos em quaisquer arcos sem um dispositivo de fixação qualquer; se você já possui um, muito melhor, mas se não, por quaisquer meios construa este. Um arco é muito frágil e basta um deslize com uma lâmina para arruiná-lo; e se suceder que isto ocorra a um arco pertencente à outra pessoa, então isso pode ser desastroso.

Ainda referindo-se aos desenhos: uma peça de compensado de ¾”deve ser cortada com 30” de comprimento, e com uma largura de 2 ¾” como mostrado no detalhe “H”. Primeiramente faças os dois furos de ¼”, um em cada extremidade como mostrado; eles são para “prender” grampos ou parafusos para fixar o dispositivo em sua bancada. O restante dos furos é de 3/16”de diâmetro com escareamento para parafusos no 10-24 com cabeça escareada chata. Note que este escareamento deverá ser aberto somente na face inferior; note também que um furo na linha central próximo a um dos furos de ¼” é aberto para um parafuso 10-24, tanto que este furo em particular é furado com uma broca nr.24 ao invés de 3/16”. No caso de você estar pensando quais as peças extras para os furos nas dimensões 6 ¼” e 8 ½” no desenho, eles são para colocar o bloco removível “E” para prender arcos tamanho cheio ou três quartos, e também arcos de violoncelos; de fato, a posição para o bloco “E” pode ser selecionada para quase todos os tamanhos de arcos.

O bloco “D” pode ser feito a seguir e este deve ser um bloco de 1” quadrada por 2 ¾” de comprimento, furado como mostrado no desenho Folha 1. o propósito deste bloco em conjunção com a peça “G” será totalmente explicada mais adiante. O bloco “E” é um pouco mais complicado; entretanto, as várias “vistas” no desenho, Página 2, e sua posição mostrada na Página 1, tornarão seu propósito óbvio. A cavidade pode ser feita mais facilmente usando-se primeiramente uma serra para cortar na linha central, e então como ponto de partida, escava-se a cavidade para acomodar uma cabeça de arco de violino; não faça a cavidade muito grande; por um lado é melhor que seja um pouco pequena. A cavidade é claro, será coberta com feltro ou uma fina camada de cortiça, e isto deve ser levado em consideração quando se estiver escavando a cavidade. A parte “F” é feita a partir de uma chapa de 1/8”como mostrado, e será montada sobre a parte superior da parte “E” na montagem. A ponta do arco será presa sob esta chapa durante a operação de recolocação de crina para que fique presa seguramente.

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Agora vamos para a parte “G” a qual não é presa permanentemente ao dispositivo, mas ainda assim, servirá a um único e importante propósito que será explicado. Um dos problemas mais inconvenientes e complicados quando trabalhando com arcos é colar e fixar, com grampos, uma nova ponta de ébano no arco; é quase impossível encontrar um grampo apropriado. Este é o propósito da parte “G”: é um prendedor para a ponta do arco. É suficiente dizer neste ponto que o uso da parte grande do “G” é posicionada sobre o bloco “D” e com a parte “F” removida de sobre a parte “E” e as porcas recolocadas, um parafuso de 3/16” ou um parafuso No. 10-24 de cabeça arredondada de 1 ½” de comprimento com arruela, é colocado através da ranhura de “G” e por dentro do furo de 3/16” na base “H”. Com o arco seguramente preso no fixador, e com a parte “G” em posição com seu lado pequeno sobre a ponteira do arco, aperte o parafuso com uma chave de fenda para colocar a pressão que se faça necessária; isto pode ser verificado ao colocar-se a pressão exata para fazer com que “G” se flexione um pouco. Isto fará com que o ângulo da placa de cortiça da ponta de “G” corresponda ao ângulo da ponteira do arco ao aplicar-se a pressão exata. (Figura 1).

Movendo-se por sobre o dispositivo até sua outra extremidade, a morsa corresponde a dois “mordedores” sendo que um destes é móvel. A parte “A” é um bloco de madeira dura de 1 ½” x 1” x ½”, o qual deve ser furado e posicionado como mostrado. O parafuso borboleta “J” pode ser feito facilmente soldando-se uma chapinha de latão de ¼-20 numa rosca também de latão. O mordedor móvel “B” é furado com folga suficiente para receber a ponta do parafuso borboleta “J”, e uma camada de cortiça ou feltro é aplicada na face de trabalho do bloco. O bloco âncora “C” é furado como mostrado e também é coberto com material macio.

Agora as partes “A” e “C” podem ser aparafusadas seguramente na base “H” e você verá que com o parafuso “J” e o mordedor móvel “B”, você terá uma morsa muito efetiva para seguramente e efetivamente prender a ponta da haste do arco onde fica o talão.

Fig. 1.

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FERRAMENTAS E MATERIAIS Agora, assumindo que você fez o dispositivo descrito anteriormente, você também irá necessitar de algumas pequenas ferramentas, as quais devem permanecer à mão sobre a bancada; pode ser muito enfadonho descobrir que o arame de aço está fora de alcance. Mantenha todas as pequenas ferramentas ao alcance: pequena faca afiada, tesouras, lâmpada de álcool, cola para couro (cola de contato) e dois pentes, um grosso e um fino (alguns destes materiais são mostrados na figura 3). Você pode juntar estes itens agora e então haverá somente uns poucos mais que você mesmo poderá fazer antes de começar o trabalho com a crina. Você também vai precisar de uma conveniente fonte de água quente e, é claro, de um suprimento de crina.

Fig. 2. Crina branca de alta qualidade para este propósito pode ser adquirida dos fornecedores; em alguns por quilo, a qual é de preferência um grande maço, e não recomendado a menos que você espere começar a fazer troca de crinas em grande escala, ou por “meadas”, que é o suficiente para um arco; as meadas são fornecidas em dúzias para baixos, cello ou arcos de violinos. Elas normalmente são de crina de melhor qualidade, o que significa que não contém fibras torcidas ou de espessura excessiva na meada, que teriam de ser cortadas e descartadas. A crina normalmente é importada de fornecedores na Europa; entretanto também existe uma dupla de americana de processadores e fornecedores de crina a nível atacadista. É possível comprar crina sintética (nylon) como substituto, mas isto não é recomendado a menos que nenhuma outra esteja disponível. Compre uma dúzia de meadas de crina de melhor qualidade de seu fornecedor e demonstre que as usará para desenvolver alguma habilidade na arte de troca de crinas. Você verá que cada uma das meadas que vem do fornecedor são presas em um dos lados com uma bolha de cera de lacre; isto é simplesmente para manter a crina junta e de nenhuma maneira deve ser usada para mais nada (Fig. 2).

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É costume para reparadores amarrar as pontas da meada de crina com algodão forte, seda, fio de nylon, mas todos estes têm alguma desvantagem e normalmente tornam o nó muito grande. O

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entalhe ou cavidade no qual a ponta atada da crina deve ser presa é pequena, então segue que devemos usar o menor nó possível. Usando arame para este propósito um nó muito pequeno e delgado pode ser conseguido e, com a ajuda de uma gota de cola para couros como será mostrado, não haverá meios de que ele escape. Arame preto de aço macio é o melhor para este trabalho, e será mais de usá-lo se for comprado em pequenas bobinas, pois estas se ajustarão melhor às mãos para o uso. O diâmetro do arame deve ser ao redor de doze ou treze milésimos de polegada, pois a experiência mostrou que este pode ser esticado com força sem quebrar e fazer um bom nó com poucas voltas. PROCESSO DE TROCA DE CRINA Agora será nosso propósito começar o passo a passo através do processo de troca de crina de seu arco, e se esta for sua primeira tentativa de troca de crina, sugerimos que você não trabalhe em seu melhor arco. Selecione um arco comercial de grau médio para um primeiro exercício de treino, pois será menor a preocupação sobre riscos de possíveis danos no talão ou na delicada ponteira do arco. É surpreendente o quão fácil é ser fazer um risco; entretanto, com o uso apropriado de um guia, o uso de ferramentas adequadas e a confiança ganha com a prática, a chance de fazer um risco é muito remota; por outro lado você será prevenido destas áreas de alto risco. Prenda seu fixador de arcos na bancada e, tendo selecionado o arco para a troca de crina, coloque-o no fixador com a ponteira repousando na cavidade sob a “peça cruzada” e a extremidade do talão presa na morsa da extremidade final do fixador. Pode ser necessário colocar uma peça de material de enchimento sob a ponteira do arco, porque depois você usará alguma pressão para baixo sobre a ponteira quando estiver prendendo a crina no lugar. Corte fora a crina velha deixando cerca de uma polegada desta se estendendo a partir da ponteira e também do talão. Remova o talão do arco e coloque-a, junto com seu parafuso, perto sobre a bancada; com relação ao corte da crina antiga, eu prefiro fazer esta operação, sempre que possível, na presença do cliente. Isto significa que há uma pequena suspeita por parte de algumas pessoas, especialmente uns poucos não iniciados, de que você poderia guardar a crina velha, lavá-la e então usá-la novamente. É claro que isto está fora de questão; cortando a crina velha na presença do cliente você remove todas as suspeitas com um corte de tesoura. Não há muito que se possa fazer com uma crina velha impregnada de breu, exceto jogá-la no cesto de lixo. Antes que tenhamos ido muito a diante, devo mencionar aqui que alguns trocam a crina do arco começando pelo talão e terminando na ponteira deste. Outros irão trabalhar primeiro a ponteira, pentear a crina para baixo, cortá-la no tamanho certo e inserir a ponta amarrada na cavidade do talão. Cada método tem seus méritos e estou certo de que nenhum deles é melhor que o outro. Sempre usei o método da “ponta primeiro” e o considero muito satisfatório, estão este será o método que usaremos nesta descrição. Com seu arco preso no fixador, você pode agora remover o pequeno calço de sob a crina na ponteira, e isso pede por cuidado e atenção especial. Às vezes este pequeno calço é encontrado colado solidamente na cavidade. Outras vezes você vai encontrá-lo simplesmente encaixado no lugar, sendo possível removê-lo facilmente. Esta é a maneira certa do calço ser inserido: não há necessidade da utilização de cola por causa dos ângulos de corte do calço (Fig. 4.), da forma da cavidade (Figs. 5 e 6), e da direção horizontal da crina sob tensão puxando contra o calço. Veremos mais sobre isso mais tarde, e nesse meio tempo, se você encontrou o calço colado, deve retirá-lo pedaço por pedaço muito cuidadosamente usando uma ferramenta de ponta afiada semelhante à mostrada na Fig. 7 e, a seguir, com um formão de lâmina fina (fig. 8), remover qualquer cola que

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possa ter restado dentro da cavidade. Na retirada do calço, estando este colado ou não, você irá achar melhor começar a remoção a partir dos cantos traseiros como mostrado na fig. 9. Mais uma vez devemos enfatizar que grande cuidado deve ser tomado neste trabalho para nos resguardar de danos na ponteira do arco. É muito possível que a última pessoa que trocou a crina deste arco tenha feito um bom trabalho e o calço possa ser levantado da cavidade facilmente. Neste caso, pode ser que você possa usar o mesmo calço novamente. Ocasionalmente isso ocorre; entretanto, pode ser necessário fazer um novo calço. Este será o momento para fazê-lo. Uma madeira de grão fino como salgueiro ou choupo é o material ideal para fazer os calços e você vai achar conveniente preparar uma ripa pequena de aproximadamente 3/16 por 3/8 com cerca de seis polegadas de comprimento; então você pode cortá-la em pequenos pedaços para fazer calços quando necessário. Para ajustar o calço ao formato da cavidade, sugerimos o tipo de faca mostrada na Fig. 10. Uma vista de corte seccional da ponteira do arco e cavidade é mostrada na Fig. 5 com o ângulo para frente “b” do calço ligeiramente exagerado para mostrar porque um calço que tenha sido cortado apropriadamente para se ajustar perfeitamente este ângulo não poderia ser puxado para fora pela força horizontal da crina.

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Para preparar o calço, corte um apequena peça de uma haste que você tenha preparado, cortando-a um pouco maior que o necessário e então ajuste para a largura exata da parte mais larga da cavidade (“a” na Fig. 4). Com esta peça repousando sobre a superfície da bancada, pode-se cortar para baixo o ângulo frontal “b” que deverá se encaixar perfeitamente no ângulo interno da cavidade. Gire a peça e ajuste os lados “c” para se encaixarem no formato da cavidade e corte levemente estes lados para ajustar o ângulo “d” também. A peça ainda está muito comprida, então ponha a peça com a “parte superior para baixo” e faça um corte reto para baixo para ajustá-lo ao tamanho “e”, para que se encaixe perfeitamente na cavidade. Isto vai precisar de um pouco mais de ajuste no momento que a crina será inserida na cavidade, e este é o calço usado para travar o nó no lugar. O chanfro “f” na borda inferior traseira vai tornar fácil a inserção do calço no “empurrão” final. A linha curva pontilhada “g” indica a altura que normalmente é cortado no lado inferior do calço para se ajustar confortavelmente sobre o nó dentro da cavidade. Agora você pode colocar o pequeno calço que fez à parte em um lugar seguro até que chegue a hora de usá-lo, e volte sua atenção para o “talão” do arco que deve estar desmontado para prepará-lo para receber a nova crina. Outra palavra de atenção se faz necessária aqui porque as bordas de ébano do talão que fazem contato com a chapa metálica que escorrega na haste são muito vulneráveis a danos, então, algumas precauções devem ser tomadas. Na Fig. 11 é mostrado um pequeno pedaço da haste que foi cortado da ponta traseira de um arco barato descartado; esta é a ferramenta que você usará e a peça deve ter cerca de seis polegadas de comprimento para um manuseio conveniente. O talão no qual você está trabalhando é temporariamente preso a essa pequena haste como se estivesse sobre sua própria haste, e todo trabalho neste talão deve ser feito enquanto ele estiver preso. Se acaso ocorrer do parafuso que pertence ao talão não alcançar a rosca de latão deste quando do encaixe na haste temporária, simplesmente encaixe um palito de dentes ou algo similar através do furo da haste para segurar seguramente o talão enquanto se trabalha nele.

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O talão agora será montado na curta haste temporária descrita acima (Fig. 11) para ser desmontado, sendo a anilha (Fig 12 a) sendo o primeiro item a ser retirado. A remoção da anilha às vezes pode ser um pouco difícil devido ao fato da pequena cunha (Fig. 12g) ter sido empurrada com força para dentro da anilha para espalhar a crina na última vez em que a crina do arco foi trocada; também devemos mencionar que é costume colocar uma pequena gota de cola atrás da pequena cunha quando do encaixe desta. Isto é claro, não facilita em nada a remoção da anilha. Grande cuidado deve ser tomado para evitar danos à anilha que, em arcos finos, pode ser de prata ou ouro; então é muito prudente cobrir o metal com uma camada de fita adesiva protetora. Normalmente uma faca de lâmina cega pode ser forçada entre a anilha e o slide de madrepérola (Fig. 12x) para forçar a anilha a se soltar, ser afastada e removida. A cunha (Fig. 12g) é a próxima, e esta pode ser removida com a ponta da faca por trás dela, sendo cuidado para não cortar qualquer pedaço do talão. A maior parte desta pequena cunha é destruída nesta remoção, mas isto não é problema uma vez que é fácil e preferível fazer uma nova cada vez que a crina for trocada. Com o talão ainda montado na pequena haste, o slide de madrepérola (Fig. 12c) pode ser empurrado para fora com a pressão do polegar; entretanto, ele também pode ser um pouco teimoso e se recusar a sair. Isto normalmente é causado pelo acúmulo de lubrificante seco em breu nas bordas do slide. Se o slide se recusar a se mover com a pressão do polegar, corte um pedaço de uma fita de adesivo duro, preferivelmente “mylar”, na mesma largura do slide e use isto para puxá-lo para fora. Se isso falhar, como ocasionalmente pode ser o caso, você pode, muito cuidadosamente, colocar uma gota de álcool ao longo das laterais do slide e tentar puxar com a fita novamente. Devo mencionar que tenho tido casos em que o slide foi colado no lugar e, é claro, isto é muito raro e pede por alguma ação drástica, tal como cortar o slide e ajustar um novo; entretanto, como disse, isto é muito raro, mas servirá como um lembrete que você nunca sabe que tipo de problema irá encontrar. Após te sido removido, o slide deve ser limpo e lubrificado ao longo de suas bordas com um pouco de graxa de silicone antes de ser usado novamente. Retire o pequeno calço de centro da cavidade do talão com uma ferramenta de ponta afiada (Fig. 7) como você fez com o calço da ponteira do arco e retire o resto da crina antiga. Examine este resto de crina para ver como a pessoa que trocou a crina da última vez trabalhou; você pode aprender muito sobre o que não fazer procedendo nesta checagem.Raramente acontece desse calço poder ser reutilizado e muitas vezes você o encontrará colado no lugar; neste caso ele deve ser retirado muito cuidadosamente e a cavidade limpa com um formão fino e afiado (Fig. 8). A fita agora pode ser removida da anilha, e o slide de madrepérola junto a todas as outras partes cuidadosamente limpas. Caso seja necessário destruir a madrepérola quando de sua remoção do talão como foi

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mencionado acima, outro pode ser comprado de seus fornecedores. Estes são feitos de uma fina tira de ébano com uma peça de madrepérola colada, e são super dimensionados para permitir o ajuste perfeito para cada talão. Uma nova cunha para o talão pode ser feita nas mesmas linhas como foram mostradas na Fig. 4 para a cunha da ponteira do arco com as únicas exceções de que esta será um pouco maior e estreita. Examine a cavidade do talão e note o ângulo (fig. 6b) do corte interno. Este será seu guia quando estiver cortando o ângulo da nova cunha. Deixe a cunha um pouco maior até que seja finalmente ajustada no lugar e tenha em mente que será a pressão angular da cunha na cavidade contra a crina que a travará no lugar, então mantenha a espessura da cunha num ajuste fino com os lados da cavidade.

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Eu mencionei que haveria outras ferramentas e acessórios necessários para este trabalho e estes são mostrados na Fig. 3; quaisquer descrições destas quase não são necessárias neste momento; entretanto, seu uso será descrito conforme seguirmos com o trabalho. Outra pequena ferramenta que você pode fazer é mostrada na Fig. 13. Esta é o que chamo de “empurrador de cunhas” e seu uso torna obviamente claro o seu nome. O pequeno cabo de madeira dura é suficiente para empurrar confortavelmente o calço para dentro da cavidade da ponteira ou do talão. O cabo da ferramenta pode ser feito de um cabo de vassoura de três quartos de polegada de diâmetro e arredondado para se encaixar na mão como mostrado no desenho. A ponta desta ferramenta é feita de material duro, e o melhor material é um pedaço de pau Brasil de um velho arco de violino. COLOCANDO A CRINA
Agora que cobrimos muito bem as preliminares da troca de crina, podemos começar com a colocação da crina propriamente dita. Você viu na Fig. 2 como a meada de crina parece quando a removemos da embalagem do fornecedor. Agora iremos amarrar fortemente a crina e prepará-la para sua inserção na ponteira do arco. Como descrito anteriormente, a crina será amarrada com arame e este nó deve ser realmente apertado por duas razões que serão explicadas. Após cada período de uso, a tensão da crina do arco sempre é relaxada; e assim, é claro, re-apertada na próxima vez que o arco for usado. Após um período de tempo isto põe muita tensão no nó, e se o nó não for apertado o suficiente, a crina se soltará. Isto pode ser muito embaraçoso para o músico. Ocasionalmente um fio de crina pode se quebrar enquanto o arco é usado. Este fio de crina quebrado voando a esmo pode ser perigoso para o músico em uma orquestra ou para um solista frente a uma audiência e possivelmente pode causar algumas notas erradas. Então o que ele faz? Na primeira pausa entre os compassos da música ele puxa a ponta da crina partida a quebrando fora. Agora, se o nó não for forte o suficiente, você já sabe o que vai acontecer; ao invés de quebrar fora, aquele único fio de crina sairá inteiro, resultando que o nó ficará mais frouxo do que era antes e então todo o fecho de crina irá escapar. Este tipo de desastre normalmente acontecerá na ponteira do arco; no talão normalmente há um pouco mais de reforço. É claro que o músico não sabe que você fez um trabalho de troca de crina pobre não fazendo um nó forte o suficiente, mas você pode estar certo de que vai ouvir isso dele. Para prender a crina com uma mão, ancorar uma ponta do arame enquanto o enrola ao redor da crina com a outra mão, você vai precisar de uma certa habilidade, especialmente quando considerarmos que o enrolamento deve ser realmente apertado. É claro que cada um desenvolve seu próprio método e o principal problema aqui é como ancorar uma ponta do arame firmemente.Eu mostrarei para você com a ajuda de umas poucas fotos como isso pode ser feito. Olhando para trás na Fig. 2, você verá como a crina é segura em preparação para o nó de arame, e indo de lá para a Fig. 14, você verá que enquanto a bobina de arame é segura por uma mão, a ponta solta do arame é enrolada fortemente para que não escape, ao redor da ponta do segundo dedo. Este é o primeiro passo.

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Foi mencionado anteriormente que nós usaríamos arame de aço preto de .013 de diâmetro para o nó. É claro que você não tem de usar arame de aço preto; você pode comprar bobinas de arame galvanizado de pequeno diâmetro na maioria das lojas de ferragens e, em qualquer caso, você deve ficar na faixa entre doze ou treze milésimos de polegada (.012 ou .013”). No caso de você ter de pedir o arame pelo seu número de calibre, você deve saber que, dependendo de qual padrão você use, pode se obter diferentes medidas de arame. O padrão do American Brown & Sharpe o calibre n.29 tem um diâmetro de .012”. Pelo British Imperial Standard o No. 29 tem um diâmetro de .0136”, e o The Birmingham os Stubbs Iron no. 29 também tem um diâmetro de .0136”. Cada um destes são perfeitos para este trabalho. Há vários outros padrões, mas não precisamos nos preocupar com eles aqui. Quando estiver enrolando o arame sobre a ponta do segundo dedo no primeiro passo, o arame deve ser enrolado no sentido horário em mais de duas voltas, então, passa por detrás do dedo indicador, enrolando então no sentido horário sobre a crina que está sendo segura entre o dedo indicador e o polegar (Fig.15). Você vai perceber que com o arame seguro ao redor de seu dedo, você estará apto a puxar o arame tão forte quanto quiser. Dê seis voltas completas de arame (Fig. 16) ao redor da crina; então enquanto segura a espiral fortemente com o dedo indicador e o polegar, você pode cortar o arame da bobina e de seu dedo (Fig. 17), deixando duas pequenas pontas (Fig. 18). Enrole as duas pontas fortemente (Fig. 19), use seu alicate de ponta chata para, cuidadosamente, enrolar as pontas do arame para mais perto da crina (Fig. 20). Não force o enrolamento das pontas ou o arame pode quebrar e você terá de fazer tudo de novo. Agora você pode cortar o excedente do enrolamento das pontas, deixando uma ponta curta de pouco menos que um oitavo de polegada (Fig. 21). Dobre esta ponta sobre o nó e achate-o com o alicate (Fig 22).

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Agora você deve ter um nó bom e apertado, mas nós vamos torná-lo seguro adicionando um pouco mais de segurança tendo certeza de que ele continuará apertado. Primeiro você pode cortar o excesso da ponta da meada (Fig. 23), deixando somente cerca de três dezesseis avos de polegada além do arame. As pontas da crina agora são queimadas cuidadosamente em uma chama limpa de álcool (Fig. 24). Use o lado da chama logo acima do final do pavio, queimando somente um pouco por vez até que tenha cerca de um dezesseis avos de polegada de crina se projetando além do nó de arame. Agora para aquela segurança extra que mencionei, você pode colocar uma pequena quantidade de cola para couros comercial sobre uma superfície dura, tal como uma peça de metal ou plástico, e pressione a ponta da crina sobre a cola (Fig. 25) até que as curtas pontas da crina estejam saturadas. Remova o excesso de cola com seus dedos e espalhe um pouco de cola sobre a “embalagem” de arame. Esta cola vai secar rapidamente e segurar o arame e a crina juntos de tal forma que não será possível o nó de arame se soltar.

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Como foi descrito anteriormente, você deve ter removido o calço e a crina antiga da ponteira do arco e limpado a cavidade da ponteira de quaisquer resíduos como cola ou breu. Se você não tiver feito isso, agora é a hora de fazê-lo e colocar a ponteira do arco firmemente na ferramenta de fixação. O calço da ponteira do arco deve estar perto e à mão e se você não fez este calço anteriormente (Fig. 4, Pág. 8), você deve fazer agora. Aqui se faz necessário uma palavra de atenção: este calço deve ser feito de forma que se encaixe perfeitamente na cavidade; se for muito maior você corre o risco de quebrar as paredes laterais da ponteira do arco quando a pressão for aplicada. Deixe o calço um pouco maior que o necessário até o ajuste final e não o faça muito espesso (Fig. 4). Enquanto faz isto, tendo em mente minhas anotações anteriores, e prestando atenção na Fig. 26, coloque a crina através da cavidade com o nó apontando para o lado de baixo em direção ao talão na ponta traseira do arco; agora com o “empurrador de calço (Fig. 13), empurre a crina (não o nó) para baixo e para dentro da cavidade até que o final do nó esteja apontando par cima e para fora. Manipule a crina com o empurrador de crina até que esta forme um “U” dentro da cavidade, enquanto que a ponta final do nó, que está voltada para cima, esteja longe e abaixo da superfície de ébano para deixar espaço suficiente para o calço. Lembre-se que o lado inferior do calço tem forma côncava (Fig. 4); isso permite que o calço se ajuste confortavelmente sobre a ponta da crina.

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Tente por o calço no lugar para medir seu tamanho, e você muito provavelmente vai notar que agora que a crina está inserida na cavidade, o calço é um pouco maior. Faça o ajuste necessário, e corte o suficiente da parte de trás do calço, incluindo o chanfro (Fig. 4f), para permitir que você gentilmente pressione o calço para baixo e para dentro da cavidade para prender a crina firmemente (Fig 27). No momento, isto completa nosso trabalho na ponteira do arco.

Mudemos nossa atenção agora para a ponta traseira do arco, o talão deve estar guardado à parte e preparado para a inserção da outra ponta da crina. A desmontagem do talão é discutida em detalhes nas páginas 9 e 10; entretanto, as fotos Figs. 28 até 31, irão, mais facilmente, dar uma idéia melhor de como fazer isso. Você verá na Fig. 29, como a haste curta de arco (Fig. 11) é usada para segurar o talão, e mais uma vez devemos mencionar, que esta haste pequena ”sempre” deve ser usada quando trabalhando com o talão. Com o talão bem preso, a anilha é retirada (Fig. 29), seguida pelo slide de madrepérola (Fig. 30). Usando a ferramenta de ponta afiada mostrada na Fig. 7 da pág. 9, você pode remover cuidadosamente remover o calço da cavidade do talão e a pequena cunha que está por trás da crina (Fig 31).

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Agora que o talão está completamente desmontado e ainda preso à haste pequena, é uma boa hora para checar a cavidade e corrigir quaisquer pequenas irregularidades no tamanho e formato que você não tenha feito anteriormente. Em arcos baratos, muitas vezes você entrará uma cavidade totalmente pequena; de fato, você nunca sabe realmente o que pode encontrar em arcos baratos. Ocasionalmente você vai encontrar um pequeno prego direcionador dentro da cavidade e o nó preso nele. Qualquer que possa ser a situação, boa ou má, a cavidade deve ser limpa de todos os resíduos e, se necessário, tornado um pouco mais largo usando um cinzel da forma como mostrado na Fig. 8 da Pág. 9. Agora a crina deve ser cortada no comprimento exato para ser amarrada. Não há muita variação aqui porque o talão tem um movimento comparativamente curto sobre a haste, desde a posição frouxa até a posição tencionada da crina. Marque uma linha a lápis sobre o talão de exatamente um quarto de polegada atrás da borda traseira da cavidade (Fig. 32) e remova o talão da haste curta deixando-o à mão junto com seu parafuso (Fig. 12h). A crina deve ser solta penteando-a com um pente grosso para se ter certeza de que não há nenhum nó ou “enrosco”, e então deve receber uma boa umedecida com água quente, mas não fervente. No intuito de prevenir que a crina se embarace nesta operação de umedecimento, acho que facilita muito segurar as pontas soltas e mergulhá-las na água quente antes de umedecer o restante da crina; isto segura melhor a crina junta enquanto toda a meada é mergulhada na água quente e mantida submersa por poucos segundos. Ao retirar a crina de dentro da água quente, você pode retirar o excesso de água com uma toalha de papel.

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Recoloque o arco firmemente no dispositivo de fixação e ponha o talão de volta em seu lugar em sua posição mais à frente, preso com seu parafuso. Penteie a crina para baixo com o pente grosso, então achate a crina para baixo na extremidade final com as costas do pente e penteie para baixo novamente, e somente desta vez, com um pente de dentes finos; cerca de dez dentes por polegada está mais ou menos adequado. Agora penteie de novo pela parte de baixo da crina enquanto a aperta levemente e a espalha entre seus dois dedos. Faça dois ou três “passes” como este, enquanto, ao mesmo tempo, a puxa levemente para baixo para colocar um pouco de tensão. Enquanto você se certifica de que a crina esteja corretamente alisada, você pode apertar a crina exatamente sobre a marca de lápis que foi feita no talão atrás da cavidade. Agora, enquanto você faz isso, você deve, é claro, ter certeza de que o talão esteja em sua posição mais avançada (Fig. 33). Amarre a crina (Fig. 34 e 35) com seis ou sete voltas de arame, exatamente como foi feito na ponteira, e corte o excesso (Fig. 36). Pode ser muito desagradável descobrir, após ter inserido a crina na cavidade do talão, que você se esqueceu de escorregar a anilha sobre a crina, então agora é a melhor hora para se fazer isto (Fig. 37). Certifique-se de que a anilha esteja limpa e de que ela corre sobre a crina com sua borda frontal para frente; isso permite que a anilha se assente apropriadamente com “o lado certo para frente” quando for encaixada no talão. Agora siga os mesmos procedimentos que foram usados na amarração da ponta de crina que esta na ponteira, queimando o excesso desta (Fig. 38) , achatando o arame com o alicate, e mergulhando a ponta na cola para couros líquida. Penteie a crina novamente, e enquanto segura a crina achatando-a, empurre o nó para dentro da cavidade do talão. Certifique-se de que o nó esteja deitado dentro da cavidade, mas sem formar o “U” como foi feito na ponteira. Devo mencionar que enquanto a colocação do nó na cavidade é feita, você deve transferir o talão da haste do arco que esta no dispositivo de fixação para a haste curta, isso vai permitir que você trabalhe mais confortavelmente. Com o nó posicionado no fundo da cavidade, a ponta do nó deve estar apontado em direção à ponteira do arco (Fig. 39). Agora, com o talão colocado na haste pequena, pressione o calço para dentro da cavidade para prender o nó no lugar. Enquanto você faz isso, seja sempre extremamente cuidadoso em como aplica a pressão para não correr o risco de danificar o talão (Fig. 40).

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Remova o talão da haste curta e coloque-o em seu lugar no arco e você vai descobrir, agora, que se você apertou a crina na marca de lápis sobre o talão atrás da cavidade e amarrou o nó perto de onde você apertou, a porca de latão do talão vai entrar na fenda do arco e percorrê-la totalmente para o aperto da crina. Ponha um pouco de tensão na crina apertando o parafuso (Fig. 41), e penteie a crina para baixo a partir da ponteira até o talão para deixar todos os fios da crina alinhados, e então empurre o slide de madrepérola em seu lugar no talão (Fig. 42). Traga a anilha para baixo e coloque-a em seu lugar; levante a crina levemente com o dedo indicador (Fig. 43) e coloque a pequena cunha que você já deve ter feito, atrás da crina (Fig. 43). O propósito desta pequena cunha é achatar a crina até o formato de uma fita ao invés de um maço. Com o contínuo apertar e afrouxar da tensão da crina, esta pequena cunha sairá do lugar, por isso é costume colocar uma pequena quantidade de cola de couro líquida atrás da cunha (Fig. 44) com um pequeno palito de dentes de madeira ou algo similar. Após aplicar a cola atrás da cunha (mas não próximo da crina), você pode espalhar a crina igualmente para formar uma fita plana e organizada, então aperte a cunha totalmente no lugar com uma ferramenta apropriada, tal como a parte de trás de uma faca ou a lateral de uma lima (Fig. 45). Ponha alguma tensão na crina e coloque o arco na posição horizontal para secar. A crina vai encolher e a tensão sobre o arco vai aumentar conforme a crina seca, então você deve afrouxar o parafuso levemente em intervalos de tempo durante a secagem (Fig 46). 33

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A CRINA Antes de o arco ser posto em uso, é uma boa política dar à ela um tratamento “inicial” com um pouco de pó de breu, e para este propósito, você pode esmagar um algumas peças pequenas de breu para violinos descartados. Coloque o pó sobre uma folha de papel limpo e passe o arco sobre isto algumas vezes para que o pó adentre bem nos fios de crina, então remova o excesso de pó de breu dando uma leve pancada com a ponta do arco na palma de sua mão. Limpe a haste com um pano macio e você está pronto para ir. Vamos agora para algo que a primeira vista pode não parecer muito ético; entretanto, o tratamento da crina que estou descrevendo deveria ser usado somente em certas condições específicas, tanto que não haverá brechas de ética envolvidas. Com nossa consciência tranqüila neste ponto, posso dizer a você que isto envolve a lavagem e a reutilização, ou para usar um termo moderno, a reciclagem da crina. Qualquer oficina média de violinos acumulará, após um período de tempo, um considerável número de velhos arcos usados e baratos de todos os tamanhos, que tenham, se não um pouco talvez nenhuma crina neles. Estes arcos somente ficarão ao lado juntando poeira. Nesta condição, eles estão fora de uso para qualquer um, então porque não a eles uma outra chance de vida recolocando uma crina, a qual, sob circunstâncias ordinárias, seria descartada, mas agora pode ser posta a servir um propósito útil, e tudo o que custaria seria um pouco de seu tempo. O costumeiro seria que você pudesse trocar a crina destes arcos ponto uma nova crina, mas cm a escassez e o preço da crina nestes dias, isto é totalmente fora de questão. No sentido de preservar a crina para estes propósitos, você não cortará a crina do arco original como foi descrito previamente, mas ao invés disso, os calços serão removidos da ponteira e do talão do arco e a crina retirada intacta; ela será então posta de lado para usar como mencionado acima. Não guarde a crina de qualquer arco, mas somente de arcos para violinos de tamanho cheio, e estas somente poderão ser usadas em arcos com sejam menores que o tamanho cheio. Ocasionalmente você poderá encontrar um arco tamanho cheio para estudantes no qual poderá usar a crina reciclada. A lavagem é muito simples e envolve nada mais que água morna ou meio quente e sabão. A forma mais conveniente de proceder à operação de lavagem é colocar um gancho em cima da pia da cozinha ou do banheiro; algo temporário que você possa retirar e recolocar novamente a qualquer hora é perfeito. Ponha uma tigela na pia e encha com água meio quente na qual você pode adicionar, mas não é essencial, uma colher cheia de fosfato tri sódio (TSP). Você vai precisar de uma escova de dentes velha ou outra pequena escova e um pedaço de sabão comum. Mergulhe a meada de crina a ser lavada na tigela de água para ser bem molhada, então prenda a crina, que deve estar presa em um pregador de roupas, no gancho sobre a pia; aplique um pouco de sabão na escova de dente e trabalhe usando a água e o sabão para esfregar a crina. Tenha particular atenção às pontas da crina próximas aos nós; após ter esfregado uma ponta, reverta a crina no gancho e escove a outra ponta da meada.

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Breu é facilmente solúvel em água com sabão. De fato, breu às vezes é usado como ingrediente na manufatura de sabão, então não é preciso muito esforço para limpar a crina. Enxágüe bem a crina na tigela e siga com um bom enxágüe em água morna limpa. Prenda a crina para secar com um grampo na ponta de baixo para que a meada fique esticada. Você vai notar, é claro, que isto é uma grande perda de tempo proceder esta lavagem em qualquer coisa menor que uma meada de crinas completa. Entretanto, pode ser que a meada de crina que estamos tentando usar possa ser um pouco rala, e então, obviamente, você, vai pegar outra meada reciclada, ou até por duas meadas juntas para formar uma só. De qualquer forma, claramente há vezes quando você pode usar o processo de reciclagem com algumas vantagens. A PONTA DO ARCO Enquanto o assunto trata de arcos baratos, outra área onde podemos ganhar tempo e poupar esforço será discutida agora. Muitas vezes acontece de a ponta de marfim, que normalmente é um tipo de plástico, estar ou soltando completamente, ou quebrada pela metade. Seguir através da operação particularmente complicada de fazer uma nova ponta branca de nível profissional para tal tipo de arco é totalmente impraticável, mesmo assim, um arco sem qualquer tipo de ponta branca simplesmente não parece correto mesmo para um iniciante, então o arco é posto de lado. Entretanto há uma maneira fácil de superar este problema e fazer uma ponta branca que seja aceitável para este tipo de arco. Ao invés de usar uma chapa para ponta que pode ser comprada através dos fornecedores, há um material plástico em sua cozinha que servirá admiravelmente; falo das embalagens de plástico branco de um galão e de meio galão contendo água sanitária doméstica (cloro). Este material plástico tem a vantagem de ter uma curvatura natural ao seu redor. Você não terá problemas em encontrar uma embalagem vazia e cortar uma seção dela para pontas de arcos. Para aplicar a nova ponta em um arco, com este material, você vai precisar limpar a ponteira do arco com uma lima chata, então torne a superfície levemente rústica fazendo pequenos riscos com a ponta de uma faca. Corte uma peça do plástico um pouco maior em todo o contorno da ponteira do arco, tornando a face côncava levemente rústica e aplique uma leve camada de cola de contato em ambas superfícies a serem coladas. Tome cuidado para que a linha de curvatura do plástico corresponda com o da ponteira do arco antes de colocá-los juntos, e deve-se notar que, uma vez que tenham sido colados, não poderão ser mudados. Este plástico é muito macio e pode ser ajustado com uma faca, então você pode cortar a abertura da cavidade com uma lâmina pequena e fina e corte a borda excessiva ao redor do formato da ponteira do arco. Agora, enquanto tratamos do assunto de ponteiras de arcos, podemos ir adiante e assumir que você precise trocar a ponta de marfim de um bom arco. Primeiro deve ser explicado que esta ponta de marfim ou osso não é meramente decorativa; ela adiciona algum reforço e suporte para as áreas laterais e traseira da ponteira do arco, a qual às vezes é enfraquecida pela presença da cavidade e é mais vulnerável a fraturas quando o calço é pressionado. Alguns arquetáios, notadamente a família Hill de Londres, ou talvez eu deva dizer, os artífices que trabalharam para o estabelecimento dos Hill, Muitas vezes usariam 38

uma chapa de prata ao invés de marfim como ponta para a ponteira. A principal vantagem em se usar chapa de metal aparentemente é que o metal não quebraria como o marfim tem o hábito de fazer. A placa de ponta para arco pode ser adquirida junto a seu fornecedor, bem como outros acessórios como cravelhas, cavaletes, etc. Elas sempre são maiores que a ponteira para permitir o trabalho de ajuste. Elas já são comercializadas com a superfície rústica, delineada com um material preto de fibra e com uma “ponta” virada para cima; elas não têm quaisquer “janelas” ou aberturas na área da cavidade por razões óbvias, como por exemplo, todos os arcos são diferentes nesta área. As chapas de ponta compradas normalmente são feitas de osso, e este material não é muito flexível para se ajustar à curvatura da face da ponteira do arco; entretanto, elas são muito espessas para uso e devem ser afinadas, e isto Dara à chapa flexibilidade suficiente para ser facilmente conformada ao contorno apropriado. Lime ou lixe a superfície inferior de osso da ponta nova para deixá-la com aproximadamente um trinta e dois avos de polegada e a ponha de lado enquanto você prepara o arco para recebê-la. Assumindo novamente que você está trabalhando em um arco de boa qualidade, você deve ser muito cuidadoso de como proceder; prenda o arco no dispositivo de fixação e remova o que restou da ponta antiga, incluindo a porção negra que pode ser de madeira, papel ou fibra. Limpe até chegar à madeira do arco, removendo todos os traços de cola ou outro material. Agora cheque a curvatura ou contorno da chapa de ponta contra a ponteira do arco. É possível que se adapte perfeitamente, mas é muito mais provável que não, então pela aplicação de leve aquecimento na chapa de ponta você poderá, com a ajuda de um par de alicates, “torcer” a chapa para se ajustar à curvatura da ponteira do arco. Com o arco ainda preso no fixador, você pode remover a parte “F” (projeto folha 2) do topo da parte “E” e instalar a parte “G” com um parafuso 10-24 através do furo de “G”, e aparafusar no furo 10-24 na base “H”. Anteriormente foi explicado na pág. 4 que a parte “G” seria usada como um grampo para ser preso com um parafuso através dela. Neste ponto, você terá de tomar a decisão de qual tipo de cola vai usar. No passado havia somente uma única maneira de seguir adiante que era a cola quente, mas hoje, com tantos adesivos disponíveis, você deve tomar uma decisão. Em minha opinião, a cola “quente” ainda é a melhor, e se você decidir usar este método, você deverá usar o método do grampo da parte “G”; ou, de outra forma, se você usar o que é conhecido como cola instantânea, não vai precisar de um grampo; entretanto, com este tipo de adesivo, você deverá ter certeza de que tem um ótimo ajuste do contorno das superfícies antes de colocá-las juntas. Há outras colas que podem ser usadas, mas as duas que mencionei seriam as mais aceitáveis e destas, como mencionei acima, a cola quente é preferível. Não mencionei a cola para couros líquida pela razão que esta é uma cola “conveniente” parecida com a cola quente e usada da mesma maneira. Esta cola é muito aceitável para este trabalho e pode ser usada ao invés da cola quente, e presa com grampo no fixador com o uso do grampo “G”.

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FENDA NO ARCO PARA O TALÃO, DESGASTADA.

Muitas vezes você estará trabalhando em um arco realmente bom, que pode ter sua fenda para o talão desgraçadamente desgastada, ficando com um tamanho excessivo, a qual permite que o talão se mova de um lado a outro com relação ao alinhamento com a ponteira do arco. Esta condição pode causar problemas para o músico, porque quando o talão estiver movido para um dos lados, significando que está mal ajustado à fenda, o arco pode reagir de forma similar a uma haste torta, e o músico vai se encontrar tocando com a haste na maioria do tempo, ao invés da crina. A fenda do arco para o talão deve ter somente a largura suficiente para que a porca de latão do talão deslize livremente, sem “amarração” interna ou externa, ou sem ter qualquer movimento lateral. Esta condição desgastada da fenda não é tão difícil de se corrigir, e um bom arco é muito digno de qualquer esforço que possa ser despendido para estender sua vida útil ou aumentar sua tocabilidade. Uma fenda do arco para o talão desgastada é mostrada na Fig.47 a. Para corrigir esta condição será necessário cortar a madeira ruim e colocar um material novo, sendo que este novo material deve ser, preferencialmente, uma peça de uma haste de arco descartada. Com serra e limas de joalheiros, cuidadosamente você pode cortar a madeira desgastada como mostrado na Fig.47 b. Não aumente o comprimento da fenda mais que o necessário para deixar o caminho limpo para cada lado e não vá mais profundamente que a borda vertical dos lados da forma oitavada do punho do arco, também mostrado na Fig.47 b. Você vai ver que esta profundidade é muito ampla para nosso propósito. Faça esta área de corte o mais limpa e exata possível, e para completar este trabalho, você vai achar que um pequeno jogo de limas suíças é muito útil, especialmente na limpeza dos cantos. Com esta parte do trabalho completa, você pode dar forma a um pequeno bloco sólido de Pau Brasil, que se ajuste exatamente dentro da cavidade que você cortou na haste do arco. É óbvio que o sentido das fibras da madeira desta peça deve correr no sentido longitudinal (Fig.47c); prepare uma pequena porção de cola epóxi e cole esta peça no lugar. Vá devagar com a cola e a coloque somente onde for necessária. Ponha um grampo sobre o trabalho e limpe a cola excedente com um pano úmido, e você pode deixar secar por uma noite. Certifique-se de proteger a haste de quaisquer possíveis danos causados pelo grampo. Cuidadosamente lime e dê forma a este inserto, na forma exata do desenho oitavado e das linhas da haste do arco, e se seu trabalho de ajuste da peça colada for bem feito, as linhas de junção do inserto dificilmente serão visíveis. Agora você deve reabrir a fenda, e pode começar fazendo pequenos furos exatamente na linha central do inserto (Fig.47d). Certifique-se de que o diâmetro da broca seja suficientemente menor que a largura da área lisa para evitar qualquer perigo de fazer a fenda com tamanho maior e ponto você de volta onde começou. Agora só resta cinzelar a fenda com ferramentas pequenas e apropriadas da tornar as laterais lisas, exatamente adequadas, e com o ajuste correto para um fácil deslize da porca quadrada do talão (Fig. 47e). Use um pigmento escuro e penetrante na nova madeira. Para isso, creio que uns poucos cristais de permanganato de potássio dissolvidos em água quente é tão bom quanto 40

qualquer outro. Alguns artífices se utilizam a diluição de ácido nítrico para tinturas escuras, mas prefiro os métodos menos radicais. Quando a madeira estiver seca, você pode esfregar um pouco de óleo de linhaça e limpe o excesso. Faça o brunimento da superfície da nova madeira com um pedaço de aço redondo ou outro objeto duro e liso, e prepare para o trabalho de polimento francês.

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A TÉCNICA DO POLIMENTO FRANCES. A técnica do polimento francês é muito fácil. Será usada em todos os reparos de arcos, então é bom aprender como é feito, neste momento. Você vai precisar de pequenas quantidades de goma laca laranja e óleo de linhaça, (cru ou cozido), e só vai usar em pequenas quantidades. Você também vai precisar de cinco ou seis polegadas quadradas de uma peça de tecido livre de algodão, como um lençol ou tecido de camisa. Cubra seu dedo indicador firmemente com o tecido e ponha somente uma gota de óleo de linhaça na superfície do tecido que terá contato com a peça; o óleo é simplesmente um lubrificante, então não use em excesso. Agora ponha uma grande quantidade de goma laca diluída no tecido e aplique na nova peça de madeira e áreas adjacentes da haste do arco. Use movimentos leves e circulares na aplicação, e você deverá notar a tendência de o tecido aderir ao trabalho, ponha então outra gota de óleo de linhaça no tecido, e talvez um pouco mais de goma laca. A principal idéia é fazer uma camada na superfície da nova madeira, e esta não pode ser feita com pincel em qualquer lugar próximo, tão eficientemente quanto o polimento francês. (O mesmo método de polimento francês é usado no acabamento de braços de violinos). Agora você pode montar seu arco e seguir adiante. TRINCA NA EXTREMIDADE INFERIOR DO ARCO Quando descemos para a extremidade do talão na haste do arco, pode ser que valha a pena dar uma olhada em outro problema que vemos com certa freqüência. Estou me referindo à trinca finíssima que corre a partir da fenda para porca até o fim da haste do arco. Isto é extremamente inadequado, e algo para ter cuidado de qualquer maneira refinada, porque colas ordinárias ou somente epóxi não é suficiente para segurar a área trincada levando em conta a tensão que é aplicada contra ela quando a crina é submetida a tensão. Algum tipo de anel ou banda devem ser ajustados ao redor da haste após a colagem para segurá-la permanentemente junta, e se torna óbvio que um anel de metal perfeitamente ajustado no final da haste é a solução. Muito freqüentemente vemos um arco que tenha sido reparado nesta área, e como regra, um anel de metal foi usado, mas raramente você vai ver o que se pode chamar de um bom trabalho; a principal razão é que normalmente um anel muito pesado foi ajustado. Assumindo que você tenha um arco de boa qualidade que tenha desenvolvido uma trinca fina que corre da fenda da porca do talão até o fim do arco como mencionado acima; um bom arco naturalmente vai precisar em um reparo tão bom quanto possível. Se o arco for totalmente oitavado, ou oitavado somente no punho, você pode seguir o procedimento normal e reaproveitar a parte metálica de um parafuso descartado (Fig.48a). Se este tiver de ser prateado, então muito melhor para um trabalho especial. Agora, este anel será de forma oitavada na face exterior, mas circular na interna. Não podemos mudar este diâmetro interno, e nem precisamos mudar. As outras dimensões, e em particular, a largura do anel, serão mudadas levemente; entretanto, estamos nos adiantando a nós mesmos.

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Prepare uma pequena quantidade de cola epóxi, e para isso, sugiro que você use utilize a que é conhecida como tendo um tempo de secagem de “cinco minutos”. Muito cuidadosamente, você pode abrir a trinca com a ajuda de uma pequena pressão lateral no furo. Abra a trinca o suficiente para que você possa trabalhar com a cola ao longo de todo o comprimento da trinca, aplique um pequeno grampo com um material para proteção apropriado e limpe o excesso de cola com um pano úmido, não esquecendo de limpar o furo. Uma boa sugestão aqui se refere a esta operação de limpeza: compre um pacote de limpadores de piteira numa tabacaria e o mantenha sempre à mão sobre a bancada. Elas são ideais para muitas coisas como na limpeza de pequenas áreas, na aplicação de tinturas ou cola, e você pode cortar fora a porção usada e usar o resto de cada limpador várias vezes. O anel de metal será muito maior que o necessário para nosso propósito, então você pode preparar a redução da largura para uma um pouco melhor, que é cerca de um dezesseis avos de polegada (1/16”). Se você possuir um torno mecânico, isto será fácil; se não, você deve encontrar outra maneira, como talvez, pressionar o anel na ponta de um pino de madeira pequeno e ajustar até a largura certa. Com o grampo removido do arco, agora você vai ajustar o anel firmemente na extremidade do arco. Para isso, é claro, você precisar cortar um degrau (Fig.49ª) para que o anel (Fig.49b) seja pressionado. Este ajuste deve ser feito muito cuidadosamente para assegurar um resultado perfeito. Aplique uma gota de epóxi e pressione o anel no lugar, tomando o cuidado de alinhar as faces planas do anel com as da haste. É muito provável que as laterais do anel sejam um pouco maior que s da haste, então você deve limar cuidadosamente as faces do anel e polir para um acabamento bonito.

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PARAFUSO SOLTO Às vezes acontece da porca sextavada no final do parafuso de metal tornar-se frouxa, resultando que quando você gira o parafuso para tensionar a crina, a porca se soltar em sua mão. A haste roscada de aço será deixada aparafusada firmemente dentro do furo, com cerca de um oitavo de polegada na parte quadrada da extremidade à mostra, e a crina irá permanecer frouxa. Para sanar esta situação, primeiramente você deve sacar fora a haste metálica, e se houver apenas uma ponta pequena aparecendo a partir da haste do arco, você deve ser muito mais cuidadoso para evitar causar qualquer dano. Creio que um alicate de pressão é o melhor para termos uma boa “pegada” nesta ponta curta, e com cuidado, a haste metálica deve ser desparafusada fora sem muita dificuldade. Alguns já devem estar preparados para corrigir o problema da porca, e você em breve descobrirá que isso realmente não é um grande problema. Verifique a parte quadrada da haste roscada de aço contra a porca, para localizar a melhor forma de a porca ser encaixada, e faça uma pequena marca para posterior identificação. Agora devemos cortar pequenas ranhuras nas faces chatas da haste metálica, e para isso, você vai ver que um pequeno formão cortante é a ferramenta ideal. Ponha uma das superfícies chatas da ponta quadrada da haste metálica sobre uma superfície dura, tal como um bloco metálico ou da bigorna de sua morça de bancada.Com seu pequeno formão, faça dois cortes angulados para levantar uma pequena rebarba como mostrado na Fig. 50. Repita isso em todos os quatro lados da ponta quadrada e balanceie o espaçamento entre as ranhuras. Você deve compreender que estas ranhuras devem ser somente cortes leves, e se você puser o formão em um ângulo em direção parte roscada da haste, as rebarbas serão apontadas numa direção que tornará muito difícil da porca ser empurrada sobre a haste. Prepare um pouco de epóxi rápido e ponha uma pequena porção no buraco da porca e um pouco na parte quadrada da haste também. Ponha a porca sobre uma superfície sólida e vertical, verifique as marcas de identificação que você fez e gentilmente encaixe a haste dentro da porca. As rebarbas irão evitar que a porca saia e o epóxi vai funcionar dando um pouco mais de segurança. Certifique-se de limpar qualquer vestígio de epóxi que possa ter gotejado para fora do furo antes que tenham a chance de secar.

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Ocasionalmente torna-se necessário remover a porca da haste roscada, e isto pode ser feito sem causar danos a nenhum deles. Deve-se notar que, embora esta porca possa se soltar às vezes, como mencionado anteriormente, pode ser irritante quando um deles deve ser removido. Há uma forma, é claro, e é realmente rápido e simples; entretanto, isto vai depender de você encontrar uma pequena porca hexagonal de aço que se encaixe na rosca da haste metálica. Assumindo que não haja problemas nesta aquisição, você pode agora procurar uma pequena peça de tubo para encaixar sobre a haste metálica. Este tubo deve ter aproximadamente uma polegada e meia de comprimento e um quarto de polegada de diâmetro. Pode ser de latão, aço ou você ainda pode cortar um pedaço de uma caneta esferográfica vazia. Agora, para remover a porca da haste metálica, o procedimento seria, em primeiro lugar, colocar uma pequena arruela na haste, seguida pelo tubo. Após o qual você deverá colocar outra arruela seguida pela porca de aço. Prenda a haste pela ponta em sua morça de bancada (Fig. 51), e proceda no aperto da porca de aço com uma pequena chave de boca. Este aperto da porca de aço colocará pressão contra a porca da haste, e gradualmente a empurrará até a extremidade da haste metálica. Não importa o quão fortemente a porca esteja encaixada na haste, eu garanto que este método vai empurrá-la para fora.

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A PORCA DE LATÃO É impressionante quantas coisas podem acontecer com seu arco favorito, mas é compreensível, principalmente quando você percebe que o ocorrido com seu arco favorito é fruto de seu tempo de uso, especialmente se você for um músico profissional. Se acontecer de você não ser um músico profissional, pode se surpreende em saber que um violinista ou violoncelista em tempo integral literalmente pode estragar um arco em cerca de dez anos de trabalho duro. Os dedos irão desgastar a parte superior da haste, o polegar irá desgastar uma cavidade no lado inferior da haste próximo do talão, os fios de rosca no parafuso serão desgastados, e é claro, a pequena porca de latão do lado interno do talão perderá sua rosca completamente, tornando impossível esticar a crina. Agora, quando isso acontece à porca de latão, você já pode adivinhar que sempre acontece na hora mais inoportuna, quando não é possível ir a uma oficina de reparos para trocá-la. Entretanto, numa situação de emergência, para um trabalho de reparo temporário e rápido, tire o talão do arco e recoloque o parafuso no lugar, dentro da porca de latão; com um alicate, aperte as laterais da porca. O latão é relativamente macio, e as paredes da porca são finas o bastante para que você possa comprimir o latão nos fios da rosca do parafuso de aço, o suficiente para lhe dar um uso temporário do arco. É claro que você não pode esperar que este reparo dure muito tempo, mas, no mínimo, você vai poder chegar ao último movimento do quarteto de cordas (Fig. 52).

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PONTEIRA DE ARCO QUEBRADA O que você pode considerar como sendo o acidente mais desastroso que poderia suceder a seu arco favorito, é quando ele tem sua ponteira quebrada. Em um dos trabalhos antigos deste autor, A Luthier’s Scrap Book (O Livro de Recortes de um Luthier), este assunto foi coberto rigorosamente, e foi mostrado como é que um trabalho bom e confiável deve ser feito. Este é um assunto importante, e estaria sendo negligente se não lhe desse minha total atenção neste livro. Então, sob o risco de alguma “duplicidade” de esforços, descreverei novamente meu método de trabalhar neste problema. Quando um arco é derrubado acidentalmente sobre sua ponteira (que é como ele sempre parece tocar o chão), particularmente quando a crina está sob tensão, a cabeça normalmente quebrará de maneira limpa na área adjacente à haste como mostra a Fig 53 a. Sob circunstâncias normais, quando isso acontece, o arco estaria completamente arruinado porque o puxão nesta área é tão grande que uma cola comum não segurará, e também é muito difícil divisar um método de prender as duas partes juntas com grampos. No passado, foi um costume comum descartar a cabeça quebrada ou ponteira, ajustar a haste para um longo estreitamento, e juntar a uma nova cabeça com o estreitamento continuando na haste por cerca de quatro a seis polegadas. Este tipo de reparo normalmente seguraria muito bem em virtude da grande superfície de contato para colagem; entretanto, o pau Brasil contém um óleo natural, ou absorveu uma certa quantidade de óleo com o passar dos anos, e isto torna a colagem difícil. A nova madeira deve ser tingida para alcançar a mesma tonalidade da haste antiga. Finalmente, a nova cabeça deve ser ajustada às delicadas curvas do mestre artesão. Se isso não for efetuado perfeitamente, a identidade do autor original se perderá e a parte do arco que foi estreitada se tornará totalmente óbvia. Não importa o quão bem este trabalho é feito, ele sempre pode ser detectado, e mesmo que, apesar de não estarmos tentando enganar ninguém, o fazendo pensar que este é um arco perfeito, queremos que ele pareça tão perfeito quanto possível. Não importa o quanto a tocabilidade do arco seja boa após o reparo, seu valor será depreciado como arco, no mínimo, em cinqüenta por cento. Devo mencionar aqui, entretanto, que há arcos de grande arquetáios que sempre serão muito valiosos não importando o quanto eles foram reparados. Como um exemplo, foi mencionado em junho de 1974, publicado na Strad Magazine, que é editada mensalmente em Londres, que:
“Um arco de viola de James Tubbs, catalogado, e tendo sido reparado na cabeça, foi vendido em leilão por quatrocentas e quarenta libras. Um extraordinário tributo a este arquetaio londrino quando lembramos que ha muitos anos atrás um arco com uma cabeça restaurada foi julgado como não tendo valor comercial”.

E hoje em dia, com a libra esterlina sendo cotada a dois dólares e quarenta centavos, isso significa que alguém pagou acima de mil dólares (em 1974) por um arco que foi reparado na área mais crítica. Mesmo na América, este pe um preço muito alto. Somos afortunados, nesta época de maravilhas sem fim, que temos colas miraculosas para trabalhos como este. Com seu uso, agora não precisamos fazer o longo estreitamento mencionado acima para este reparo em particular. Além disso, podemos

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salvar a cabeça original, fazendo um reparo que permanecerá por toda a vida do arco, e que dificilmente pode ser visto, e o melhor de tudo, irá manter as “características” original da arte do mestre arquetaio.

Você vai precisar de uma serra muito boa e fina (com cerca de 25 a 30 dentes por polegada), ou uma lâmina de serra circular fina com 1.1/4 polegadas de diâmetro. A companhia “Exacto” produz um par de pequenas serras com cabo destacável (Fig. 54). Elas são baratas e perfeitas para este trabalho. A pequena serra circular pode vir com vários diâmetros, junto com um suporte ou eixo de 1/8 de polegada de diâmetro; entretanto, estas lâminas são muito finas (cerca de ,014 de polegada), e acho necessário colocar duas delas face a face no eixo, para dar espessura de corte suficiente (Fig. 55). Quando duas lâminas são colocadas juntas desta forma, você deve se certificar de que os dentes de ambas as lâminas estejam orientados na mesma direção. As lâminas circulares são feitas pela companhia “Dremel”, e junto com as serras Exacto, podem ser compradas na maioria das lojas de ferragens. Você também vai precisar de tubos de cola epóxi, e não use pensando em usar outros tipos de cola porque eles simplesmente não vão funcionar. Por fim, você vai precisar de cerca de uma polegada quadrada ou mais de lâminas de madeira dura. Este material tem cerca de .040 polegadas de espessura, então com um pequeno lixamento, este material vai se ajustar muito bem no corte da serra, mas estamos nos antecipando um pouco.

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Prepare uma pequena quantidade de epóxi, misturando quantidades iguais de cada um dos dois tubos, misturando com um palito de dentes; espalhe uma fina camada sobre cada superfície da cabeça do arco conforme indicado na Fig. 53 a, e ponha estas peças de lado por cerca de vinte minutos, ou até que a superfície da cola esteja pegajosa, então pressione as duas peças firmemente. É difícil usar qualquer tipo de grampo nesta área, então é muito mais seguro simplesmente pressionar as duas partes juntas e deixar secar. Com as novas colas epóxicas com secagem de “cinco minutos”, você precisa, quase que unicamente, de segurar junto com os dedos e pressioná-la por tempo suficiente para que a cola seque. Com um pano úmido, limpe qualquer excesso de cola que possa ter escorrido.

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Isto é muito importante, pois após esta cola secar, só poderá ser removida com muita dificuldade.Deixe o trabalho de lado, em um lugar seguro, por no mínimo oito horas, com a ponta virada para cima. Agora você deve decidir se vai usar a serra chata ou a serra circular para fazer o corte através da cabeça do arco, como mostrado no “b” e “c” da Fig. 53. Devemos notar que o corte feito com a serra circular cobre uma área consideravelmente maior que a serra chata, tornando-a melhor para este método; entretanto, isto não significa que o método do corte reto com a serra chata não seja efetivo. Isto se provou muitas vezes, e, de fato, foi o único método que usei até muito recentemente. Para continuar com a operação, assumiremos que você tenha se decidido pelo uso do método da serra circular, com a serra presa num mandril de uma furadeira de bancada. O arco é preso na morça disponível na mesa da furadeira de bancada, (Fig. 56), com um suporte apropriado para proteger a haste. A haste deve ser presa perfeitamente nivelada na posição horizontal, com o arco preso perto da morça para minimizar o efeito elástico deste. Antes de a máquina ser ligada, a manivela deve ser trazida a uma posição onde a linha central da serra coincida com a linha central da cabeça do arco. A manivela é travada nesta posição para que a serra não se mova nem para cima nem para baixo, mas possa girar livremente. Rode a máquina numa velocidade média, e muito gentilmente aproxime a cabeça do arco em direção à serra deslizando a morça sobre a mesa da furadeira. O corte seguirá diretamente através da cavidade da ponteira do arco, mas isto não criará problemas. A peça feita de lâmina de madeira dura deve ser ajustada no corte da serra com o sentido da fibra da madeira correndo em ângulo reto ao sentido das fibras do arco, e sua borda frontal deve ser ajustada ao mesmo raio da serra circular para que a peça se encaixe até o fundo do corte. Cubra ambas faces da peça feita de lâmina de madeira, e a face interna do corte de serra, com uma fina camada de epóxi, e empurre o inserto diretamente no lugar, (Fig. 53b). Ponha um grampo leve sobre o trabalho e deixe de lado por vinte e quatro horas. Tudo o que restou para ser feito agora é retirar os excessos de madeira muito cuidadosamente e, é claro, não esquecer de remover a madeira que penetrou na cavidade. Após um fino lixamento, a nova madeira pode ser tingida cuidadosamente para atingir a tonalidade da madeira adjacente, e o arco inteiro deve receber o polimento francês. O procedimento é totalmente o mesmo quando o corte de serra é feito com a pequena serra chata; a haste é presa de forma segura na morça, junto com o material protetor, então um corte limpo com a serra pode ser feito como mostrado na Fig. 53d. Isto não é tão difícil quanto parece, e um começo limpo com a serra pode ser feito se um pequeno corte for feito primeiramente sobre o topo da cabeça do arco. Com uma tesoura afiada corte a peça de lâmina diagonalmente através dos veios da madeira, e tente o encaixe no corte de serra. Você pode ter de ajustar o ângulo do corte um pouco, para que o os veios do inserto se ajustem a um ângulo reto com os veios da cabeça do arco. Se tudo parecer certo, você pode misturar outra pequena quantidade de epóxi, e o restante é exatamente igual a como foi descrito anteriormente. Certifique-se de que está tudo certo e seguro, e deixe o reparo em repouso por no mínimo dois dias ou mais, antes de recolocar a crina e por qualquer tensão sobre a haste. 50

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UM ARCO TORTO Quando um arco desenvolve uma torção na direção errada, ou quando a haste perde seu arqueamento original, sempre há uma razão, normalmente a falta de cuidados apropriados. Às vezes, quando da troca de crina, se o nó não for colocado corretamente na cavidade do talão, a crina pode puxar mais para um lado que do outro, e causar a torção lateral da haste. Se o arco for deixado parado por um longo tempo, através de variações na temperatura e umidade, especialmente se a crina não for completamente afrouxada, a haste vai se adaptar e permanecer assim, até que algo seja feito para corrigir esta condição. Alguns músicos têm o hábito de embalar todo tipo de restos e sobras sobre o tampo do violino dentro do estojo. Primeiro vem a cobertura de seda ou veludo bordado, então poucas partituras musicais e programas antigos, seguidos de uma espaleira. Agora o estojo de violino é fechado, e nosso músico não percebe que dentro do estojo, a espaleira está pressionada contra o arco. Isso poder permanecer assim por uma semana ou mais. Multiplique isso pelo fato que isto é um hábito e em processo contínuo, então o arco desenvolve uma bela e permanente torção na direção errada. Para o endireitar o arco é necessário calor quente e seco, e não uma chama concentrada como uma boca de gás ou bico de Bunsen. O arquetaio usa um queimador de carvão vegetal com, normalmente dez ou doze polegadas de diâmetro, mas para um trabalho ocasional tal como este, algo muito menor vai servir. Uma coisa que combina, pode estar pronta em menos de uma hora a partir de uma lata de café de três libras; tudo o que você precisa são uns poucos furos no fundo, através das laterais da lata para ventilação e um grill de suporte interno para colocação dos pedaços de carvão. Carvão para churrasqueiras pode ser usado como combustível. É claro que você não tem necessariamente de usar uma lata de café, qualquer lata com aproximadamente as mesmas dimensões vai servir. A lata de café que uso mede seis polegadas e meia de altura por seis polegadas de diâmetro (Fig. 59). A aproximadamente um terço da distância da borda superior, você pode fazer seis ou oito furos eqüidistantes através do lado ‘a’. Corte alguns pedaços de arame revestido para cabide “b”, e empurre através dos furos para que se cruzem dentro da lata para fazer uma fundação para a grelha, “c”, que é um disco de lata com alguns furos através dela. Este disco pode ser a tampa (ou o fundo) de outra lata vazia. Faça furos largos, “d”, ao redor do fundo da lata para ventilação, e dois furos menores, “e”, em posições opostas da borda superior para uma alça, “f”, que pode ser feita do mesmo arame revestido. Você vai achar que este pequeno fogão tem um bom desenho, e quando a seção superior é abastecida com carvão vegetal, este vai gerar um calor limpo e seco por, no mínimo, cinco horas, tempo suficiente para endireitar muitos arcos. UMA PALAVRA DE CAUTELA: SEMPRE USE O FOGÃO EM UM LUGAR MUITO BEM VENTILADO POR RAZÕES ÓBIAS. Agora, voltando ao trabalho de endireitar o arco, o segredo é manter a haste se movendo sobre o calor. Deixe que o calor penetre a madeira lentamente, e não espere que

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algo aconteça até que o calor tenha penetrado direito. Mantenha a haste longe suficiente acima do calor.

Quando a madeira estiver pronta, será muito fácil movê-la na direção contrária à torção, então remova a haste de cima do calor e a segure por alguns momentos para permitir que a madeira se ajuste. Pode ser que a haste precise de uma correção adicional; deixe-a esfriar, então repita o processo de aquecimento como antes; e lentamente, como antes, permita que o calor penetre totalmente. Seja cuidadoso quando estiver corrigindo a torção, pois você não vai querer que torça par o outro lado, a crina deve afastada da haste quando totalmente relaxada. É uma boa idéia ter um bom arco à mão como referência quando estiver fazendo este trabalho. A crina do arco em que você está trabalhando deve estar encaixada na ponteira, mas não permita que o talão se mova livremente no final da crina. De fato, não permita esse movimento livre do talão em qualquer momento por várias razões, principalmente porque o talão tem o hábito de saltar para cima e através da crina. Quando isso acontece, você nunca será capaz de corrigir trazendo o talão de volta através da crina para remover o embaraço. A solução óbvia é remover a crina e o talão, retirando a crina da ponteira do arco antes de qualquer correção de torção seja iniciada. COBERTURA DA HASTE DO ARCO (Guarnição) A cobertura da haste do arco à frente do talão serve a um duplo propósito, primeiro, criar uma superfície aderente para os dedos, e segundo, preservar a haste do desgaste. Com uso diário, não leva muitos anos para desgastar profundamente a parte superior da haste do arco se este não estiver protegido por algum tipo de cobertura. É claro que a cobertura em si também vai se desgastar, e deverá ser substituída periodicamente. Conheci coberturas com fio de prata que se desgastaram após dez anos de uso diário. Couro não dura muito tempo, e acredito que a cobertura mais duradoura de todas as coberturas seja barbatanas de baleia, que na forma de fios delgados, é enrolada na haste alternadamente, branco e preto; esta,

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entretanto, tem o hábito de afrouxar se não for aplicada apropriadamente. Entraremos no assunto da aderência da cobertura, discutir os prós e contras dos diferentes matérias mais convencionais usados, e mostrarei o método apropriado de aplicação deles no arco. Alguns dos principais matérias usados para cobertura de arcos, em sua ordem de importância, são: 1-fio de ouro com .012 polegadas de diâmetro. 2-Fio de prata com .012 polegadas de diâmetro. 3-Tiras de barbatana de baleia, preta e branca. 4-Couro. 5-Tubo plástico termo retrátil. 6-Barbatana de baleia artificial (plástico), preta e branca. 7-Enfeite francês, ou algodão metalizado. O fio de prata provavelmente é a mais popular de todas as coberturas. Este fio normalmente tem .012 polegadas de espessura, e é enrolado na haste em um espaço de cerca de duas polegadas, seguido por uma banda de couro de uma polegada próxima do talão. Alguns arcos são um pouco reduzidos na área da prata, e um pouco mais generosos no couro, mas a relação dois para um, mencionada acima, parece melhor e mais útil. As duas polegadas de cobertura com fio de prata normalmente são um pouco estendidas para que o couro se sobreponha em cerca de um oitavo de polegada ou mais; isso ajuda a prevenir que a ponta final do fio venha a se soltar. Fio de ouro é usado somente nos arcos mais caros, e normalmente em conjunto com outros adornos de ouro, e talão de casca de tartaruga. Este fio de ouro também tem cerca de .012 polegadas de espessura e, é claro, é muito caro; é aplicado no arco, exatamente nas mesmas proporções do fio de prata. Os arquetáios franceses do século dezenove não acreditavam na utilização da prata ou do ouro; eles cobriam, mesmo seus melhores arcos, com fio de algodão metalizado multicolorido, que a princípio tinha boa aparência, mas não durava muito tempo. Mesmo hoje, alguns ocasionalmente fazem a cobertura de arcos com este tipo de material. Um dos mais recentes materiais a se tornar disponíveis, o qual pode “cair bem” em arcos baratos, mas seria particularmente ridículo em um arco fino, é o tubo plástico termo retrátil. Este material é usado originalmente em pequenos diâmetros pela indústria elétrica e eletrônica para selar e isolar as pontas descascadas de fios e conexões elétricas; uma pequena peça de tubo termo retrátil é encaixada sobre as pontas de fio descascadas e a chama de um fósforo é aplicada. Isto causa a contração muito forte do material plástico sobre o fio para selar e isolar. O tubo termo retrátil que é usado em arcos está disponível em jogos de duas peças: uma peça com cerca de três polegadas de comprimento, e outra com cerda de uma polegada de comprimento. O diâmetro destes tubos é de cerca de três oitavos de polegada, ou largo o suficiente para escorregar facilmente sobre a haste do arco. Para aplicar este material, ambas as peças são “escorregadas” sobre a haste, a maior primeiro seguida da menor, e a peça menor é posicionada próximo de onde o talão será posicionado; o calor de um fósforo ou isqueiro é aplicado no plástico e este imediatamente se encolhe fortemente sobre a haste. 54

A peça maior do tubo agora é posicionada sobre a primeira peça até que a cubra, e se sobreponha levemente no posicionamento do talão. Aplica-se calor nesta peça, primeiro sobre a parte inferior para segurar o material fortemente sobre a peça menor, e então o calor é movido ao longo para segurar a peça inteira. O resultado disto é uma cobertura muito limpa, com uma porção saliente próxima do talão para que os dedos segurem. Este material vai proteger a haste de desgastes e pode adicionar um pequeno acabamento a um arco barato, mas é muito liso, e não oferece nada em termos de “superfície aderente” para o músico. Isto nunca será apropriado para um arco bom. As tiras de barbatana de baleia para cobertura de arcos estão disponíveis na maioria das lojas de suprimentos para violinos; as tiras têm em média vinte e oito polegadas de comprimento; entretanto, as tiras brancas podem ser um pouco menores que as pretas como você verá mais tarde. Sua cor não é realmente branca; talvez âmbar seria mais correto. Elas têm aproximadamente .075 polegadas de largura por .025 polegadas de espessura e os comprimentos mencionados acima são suficientes para uma cobertura de arco de violino ou violoncelo. Igual à cobertura de fio, é normal usar uma cobertura de couro perto do talão, e para que o couro se sobreponha levemente à parte inferior da cobertura de barbatanas de baleia. Imitação de barbatanas de baleia feitas de plástico são usadas em alguns arcos baratos, e podem ser facilmente identificados pela sua brancura límpida contrastando com o preto brilhante do material. A mais simples de todas as coberturas é o couro fino. Como mencionado anteriormente, isto vai desgastar até a haste muito mais rápido que qualquer outra cobertura, mas oferece uma aderência muito boa, é barato, é muito apropriado e facilmente substituível quando gasto. Agora, para descrever os métodos de aplicação destes diferentes materiais para haste de arco, podemos começar com o mais simples e o último mencionado, o couro. As fontes desse material são infinitas; contudo, é um erro usar qualquer um que seja muito fino. Descartadas as bolsas de mulheres e carteiras, providencie um couro na espessura certa para nosso propósito. Vamos precisar de uma polegada e meia de material para cobrir a haste e permitir uma pequena sobreposição; o comprimento deve ser de três polegadas (Fig 58a). Corte uma peça menor para a cobertura inferior medindo uma polegada e cinco oitavos pó uma polegada de largura (Fig. 58b). Agora as peças devem ser aparadas com uma faca muito afiada no lado interno para chanfrar ao redor das bordas de ambas as peças; este chanfro deve ter aproximadamente três dezesseis de polegadas de largura, e após aparar com a faca, você pode usar uma liça média para alisar o couro e para deixar a borda muito fina. Na preparação para a colagem do couro na haste do arco, a crina deve estar presa; você pode desconectar o talão, enrolar e cobrir a crina ao redor da parte superior do arco e prender o talão com um elástico. Faça uma marca com lápis na haste para o limite inferior da cobertura próximo do talão, e faça outra marca a três polegadas da primeira no limite superior da cobertura de couro. Você irá usar o que aprendeu sobre cola de contato para esta colagem, e esta cola pode ser comprada em qualquer loja de ferragens ou de tintas. Aplique uma fina camada da cola de contato na haste do arco, entre a limite das marcas de lápis, e esta camada deve ser deixada para secar. Ponha agora uma camada no lado interno 55

da peça mais larga de couro, (Fig.58a), e também no lado externo, ao longo de uma das grandes bordas para a sobreposição. Ponha esta peça de lado e a deixe secar por no mínimo dez a quinze minutos. Agora você pode aplicar cola na face interna da peça menor de couro, “b”, e em uma de suas bordas externas menores para sobreposição. Agora, enquanto segura a peça maior de couro em uma das mãos, com a face na qual foi passado cola para cima, segure o arco na outra mão, com a cavidade da ponta da haste para cima, e posicione a haste no sentido do comprimento e no centro da peça de couro, exatamente entre as marcas de lápis. Certifique-se de que fez certo na primeira vez, pois após o contato ser feito, você não será capaz de movê-lo. Agora, com um movimento dos dedos, como se estivesse enrolando um cigarro, você pode enrolar o couro ao redor da haste, tomando o cuidado de que a primeira borda que você enrole, seja aquela que tem cola ao longo de sua face externa, para que você possa trazer a outra borda sobre esta para uma adesão completa. Agora faça uma marca a sete oitavos de polegada acima da borda inferior desta cobertura e aplique uma camada de cola de contato entre esta marca e a borda inferior. Deixe secar por quinze minutos e aplique a outra peça de couro, Fig. 58b, ao redor da face superior da parte “a” (Fig. 58). Você deve deixar as bordas sobrepostas do couro na face inferior do arco (aquela voltada para a crina), onde não poderão ser vistas, e o trabalho acabado vai parecer como mostrado em “c” (Fig. 58).

Uma única ferramenta especial será necessária antes de iniciar a cobertura do arco com fio de prata. Esta cobertura pode ser feita em um torno mecânico ou outro dispositivo girador (rotacional) simples, girando a máquina muito lentamente enquanto o fio é enrolado sobre a haste, mas muito poucos de nós estão equipados para fazer isso dessa forma. Um trabalho satisfatório pode ser feito com o enrolamento manual, mas pode ser muito cansativo para os dedos. Deve-se manter tensão constante sobre o fio, e se esta for relaxada, ou se o fio escapar de sua mão, desenrolará totalmente, e você se verá obrigado a começar

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tudo de novo. Nesta descrição, usaremos o método manual para cobertura, e também tomaremos algumas precauções contra nossa perda de controle. Você vai precisar de um pequeno ferro de soldar, de preferência do tipo pistola, junto com um pouco de fio de solda. O ferro deve ser conectado à rede elétrica, e mantido à mão tão logo o trabalho seja iniciado. Pode parecer um pouco estranho que uma ferramenta de soldagem seja necessária para um trabalho em um arco fino, mas você logo verá o quão importante ele pode ser. Corte dois pedaços pequenos de fita adesiva e deixe-os à mão também; eles serão muito úteis para segurar o trabalho temporariamente. Supondo que seu fio de prata esteja enrolado em uma pequena bobina, o que tornaria o manuseio muito mais fácil, e que você tenha tudo preparado como mencionado acima. A bobina deverá estar em uma das mãos, enquanto o arco na outra, com a parte inferior da haste apontada para longe de você, virada para a sua frente. A crina deve ter sido retirada do arco para que não haja interferências no trabalho, e a haste do arco deve ter sido marcada com lápis aonde a cobertura vai começar; isto deve ser a cerca de três polegadas do talão, quando este, o talão, estiver em sua posição mais avançada. Se você quiser, pode cobrir totalmente o comprimento das três polegadas com fio de prata, e cobrir uma polegada com couro como mencionado anteriormente, ou você pode cobrir qualquer distância menor com prata e o restante com couro; entretanto, a relação dois para um que mencionamos é preferível. Puxe uma polegada ou mais da ponta do fio de prata para trás da haste, e a segure lá, enquanto você enrola três ou quatro voltas frouxas ao redor da haste a partir da parte frontal (Fig. 59a). Agora a ponta solta deve se passada por baixo destas voltas (59b), e as voltas soltas puxadas firmemente e mantidas bem juntas (59c), para travar a ponta do fio. A seguir, a ponta do fio é puxada firmemente com um alicate, com o devido cuidado para que o fio não quebre. Tente fazer com que este puxão leve a sobreposição do fio de prata para a face inferior do arco (a parte voltada para as cordas). Agora que as voltas estão apertadas, e a ponta presa, você pode enrolar mais algumas na haste, e então cortar a ponta curta do fio perto da haste. Use uma das pequenas peças de fita adesiva para segurar a fio temporariamente na haste, evitando que este se desenrole, enquanto é aplicada uma pequena gota de solda na sobreposição dos fios, pela face inferior da haste, onde a ponta do fio foi puxada. Continue com o enrolamento cuidadosamente, envolvendo a haste enquanto desenrola o fio da bobina, mantendo a tensão sobre o fio todo o tempo. Enrole uma peça de fita adesiva ao redor da cobertura completa para segurá-la temporariamente enquanto você corta o fio, e puxa sua ponta sob as três ou quatro últimas voltas. Puxe o fio firmemente; aplique uma gota de solda como foi feito no começo e corte o excesso de fio.

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Prepare uma tira de couro como já foi descrito (Fig. 58b), e aplique ao redor da haste com cola de contato. Deixe o couro cobrir a parte inferior do fio de prata em um oitavo de polegada ou pouco mais, e para deixar o caminho livre para o talão; como menciona do anteriormente, o trabalho vai ficar muito elegante se a sobreposição do couro for na face inferior da haste. Se lhe pedirem para fazer uma cobertura com fio de ouro, você vai ver que o procedimento é exatamente o mesmo que foi descrito para o fio de prata; entretanto, com o preço do ouro sendo o que é hoje, é muito improvável que alguém o contrate para esse trabalho. Cobertura com barbatanas de baleia é muito menos tedioso que com o fio fino, e o fato de que as tiras, em alguns casos, são enroladas sobre a haste em pares, pode tornar a operação consideravelmente rápida. Como já mencionei em outro lugar, as barbatanas de baleia estão disponíveis em tiras uniformes de cor preta ou branca (âmbar). Um enrolamento simples de material preto pode ser usado como uma cobertura, ou você pode preferir um enrolamento com uma material de cor mais clara; qualquer um dos dois pode ser muito atrativo, e seriam aceitáveis mesmo em um arco de alta qualidade; contudo, a alternância entre barbatana preta e branca na cobertura é mais comumente usada. As barbatanas de baleia necessitam de uma pequena preparação, e eu sugiro que, para treinar, você pode tentar o método da tira única, antes de tentar a tira dupla. A cobertura dupla não é muito mais difícil, mas o treino com a tira simples não vai doer. Prepare a haste do arco removendo a crina, ou enrolando-a na parte superior da haste e prendendo o talão com uma tira de elástico, ou você pode removê-la totalmente. Marque a área da cobertura com lápis, como explicado para a outra cobertura, e agora você pode colocar uma tira preta de barbatana de baleia na água quente para molhar por cerca de quinze minutos. Ao retirar do banho de água quente, você vai encontrar um material muito macio e flexível. Afine uma das pontas por pelo menos meia polegada e a posicione atrás da haste (Fig 60a), e a segure enquanto você enrola duas ou três voltas frouxas ao redor da área frontal da aplicação, como você fez na aplicação do fio de prata. Traga a ponta afinada para baixo, dobre-a e passe por baixo das voltas frouxas na face inferior da haste, e puxe tudo firmemente. Continue a enrolar pela distância desejada, então segure temporariamente com um pedaço de fita adesiva enquanto você corta e afina a outra ponta da tira; coloque esta ponta sob as últimas voltas e puxe firmemente. Remova a fita adesiva; mas, para dar um pouco mais de segurança a este trabalho contra o afrouxamento desta ponta, você pode enrolar uma tira de fita de celofane muito fina. Uma banda de couro é aplicada (Fig.58b) como foi feito com as outras coberturas.

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Agora que completamos o enrolamento com tira simples, talvez possamos fazer algumas figuras e descobrir porque é que raramente se vê um arco que seja feito dessa forma. É tudo a fazer com material de comprimentos diferentes. Você deve ter notado, quando do enrolamento da tira simples, que não pode seguir muito longe sobre a haste com uma tira de material relativamente longa. Quando você recebe as tiras de barbatanas de baleia de seu fornecedor, elas virão em comprimentos aleatórios, algumas tão curtas quanto dezoito polegadas e outras longas, com cerca de trinta polegadas. Precisamos de um comprimento de catorze polegadas de material para cobrir uma área de uma polegada da haste do arco, assim, você pode ver que são necessárias quarenta e duas polegadas de barbatanas de baleia para cobrir totalmente o comprimento de três polegadas da haste, e que seria muito fora do comum encontrar uma tira neste comprimento. Esta é uma das razões do porque o enrolamento duplo e mais comumente visto, e agora vamos descrever este método. O normal é começar com cerca de meia polegada ou mais de cobertura negra, após a qual, será introduzida a de cor clara, e ambas são enroladas jutas pelas próximas duas polegadas, quando o material claro é finalizado, e o acabamento é dado com mais poucas voltas de material preto. Note que será necessário um comprimento maior de material preto, então você deve selecionar uma peça de tira preta com cerca de trinta polegadas de comprimento, e uma peça de branco com cerca de quinze polegadas. Estes dois comprimentos juntos perfazem um comprimento total que é suficiente para cobrir totalmente as três polegadas da haste do arco. Ponha as duas tiras na água quente e deixe “ensopar” por quinze minutos ou mais, e enquanto espera, você pode preparar um par de tiras de fita adesiva e uma faca afiada; mantenha à mão um pouco de fita de celofane também. Ambas pontas das duas tiras deverão ser afinadas com a faca como antes, e o procedimento para começar o trabalho será o mesmo (Fig. 60a e b) Continue o enrolamento e introduza a ponta afinada da tira clara sob a sétima e oitava voltas, “c” e “d”. Agora você tem as duas tiras juntas, “e” e “f” (Fig. 60). Quando você chegar ao fim da tira branca, pode sobrepor a tira preta sobre o final da branca, certificando-se que fique muito apertado, então continue com a tira preta até o fim. A ponta final da tira preta e dobrada, passada sob as últimas duas voltas e puxada firmemente para completar a cobertura, exceto pela banda de couro fino (Fig 58b) fixada com cola de contato como foi descrito previamente. Recorte quaisquer pequenas pontas de barbatanas que possam estar para fora de sob a cobertura, com uma faca afiada. É claro, não há regras rígidas e rápidas que digam que estes comprimentos de material e quantidade de enrolamento devam ser adotados. As quantidades e “médias” de tiras negras e claras são dadas somente como uma base sobre as quais você deve trabalhar, e usar suas próprias idéias de acordo com as quantidades e tipo de materiais que lhe estejam disponíveis. Por exemplo, a cobertura de barbatanas de baleia não tem, necessariamente, de se estender por três polegadas de comprimento sobre a haste. Pode ser terminado a uma distância razoável do talão, e aplicada uma tira de couro feita de acordo com a área disponível. De fato, em alguns casos pode ser preferível ter a cobertura de couro diretamente sobre a haste, e sobreposta somente sobre as duas últimas voltas da barbatana, pois assim ficaria menos volumoso. Tudo isso é uma questão de preferência individual, e meu propósito principal aqui, é mostrar a você os caminhos e meios.

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SUBSTITUINDO A PONTA INFERIOR DO ARCO Ocasionalmente, vemos um arco que esteja com sua ponta inferior numa condição muito ruim. Mostramos como uma fenda para talão desgastada pode ser restaurada (Pág. 36), mas quando o arco tem um acúmulo de falhas, ou uma trinca que segue desde a fenda até o final da haste (Pág. 39), isso pede por uma ação mais radical que qualquer uma que tenhamos mostrado. Por isso, penso que as duas, ou mais, polegadas do final da haste devem ser cortadas, e uma nova e completa peça colocada no lugar. Sempre é possível encontrar uma haste velha de arco descartada numa oficina de luthieria média, então, usaremos a ponta final de uma destas hastes para nossa peça de reposição; isso nos dá a vantagem de que a fenda para a porca de latão está pronta, e o furo para o parafuso, escavado. É necessário mencionar que você deve, é claro, selecionar uma peça que não esteja desgastada. Para descrever o procedimento brevemente: um longo corte em cunha deve ser feito em um lado da haste após a ponta desgastada ter sido removida, e um corte que se encaixe perfeitamente no primeiro deve ser feito na peça de reposição. Este corte em cunha deve ter no mínimo quatro polegadas de comprimento para que tenhamos uma grande área de contato para a colagem. As áreas de contato serão levemente escavadas na longitudinal (canais) e ter pequenos furos feitos em seu centro (entalhes) para formar “bolsões” quando as duas faces são colocadas juntas. A cole epóxi vai endurecer nestes bolsões e formar “chaves” as quais prevenirão que a junta de cola se desvie; Isto elimina a necessidade de cavilhas e pinos. O trabalho de cortar os ângulos na haste e na pequena peça de reposição será feito em uma furadeira de bancada e faremos uma ferramenta especial para um acabamento acurado. Para assegurar um ajuste apropriado dos ângulos, e a correta orientação das duas peças em relação ao posicionamento correto da fenda para o talão na face certa da haste do arco, utilizaremos uns poucos e simples dispositivos. Não seria nada interessante nos esforçarmos tanto para fazer uma junção perfeita, para descobrir, após tudo terminado, que o talão não se alinha corretamente ao esquadrejamento da haste do arco. O correto comprimento do arco também deve ser mantido e, para fazer isso, o comprimento dos cortes angulares e sobreposições devem ser cuidadosamente medidos; novamente, seria muito desconcertante descobrir que seu arco está com meia polegada menor, após ter completado um trabalho tão especializado de colagem. Assumindo que você tenha um arco que esteja em tal condição, que você considere necessária uma junta desse tipo, podemos começar cortando a ponta da haste. Isto inclui a fenda para o talão, e tanto quanto seja necessário remover, como o final do furo para o parafuso. Duas polegadas devem ser suficientes. Meça quatro polegadas a partir do final da haste encurtada do arco e faça uma marca de lápis ao redor desta. Esta marca será o ponto de partida para o corte em cunha que correrá até o fim da haste, e o corte em cunha será cortado no lado da haste que fica voltado para você quando o arco está em posição de ser usado. Coloque o fim da haste na morça com este lado virado para cima, Isso significa que o lado da ponteira do arco ficará direcionado para longe de seu lado da morça. Comece próximo da marca de lápis, com uma lima grossa. Não tente fazer muito nesta primeira 61

operação, uma vez que o acabamento será feito na máquina, então, antes de seguirmos adiante, precisamos preparar algumas ferramentas. Uma morça para furadeira de bancada é absolutamente necessária, e sua mandíbula deve ser coberta com uma camada de cortiça ou outro material macio. A pressão utilizada no corte será muito pequena, então, não será necessário segurar o trabalho muito apertado na morça; entretanto, Todas as precauções devem ser tomadas para evitar quaisquer danos à haste do arco. A ferramenta para acabamento será um disco de madeira dura com uma haste, para ser usado na furadeira de bancada, e o disco deverá ter material abrasivo em sua face inferior (Fig. 61). Corte um disco de duas polegadas e meia de diâmetro, de madeira dura, ou compensado, e faça um furo de meia polegada no centro, através do qual um pino de duas polegadas e meia de comprimento por meia polegada de diâmetro deverá ser ajustado. A face deste disco deverá ser coberta com um material abrasivo que pode ser granalha ou lixa de óxido de alumínio, ou o melhor de todos, um material que tem o nome de “Karbo-grit”. È uma folha flexível de metal tendo uma face impregnada com pó de carbureto de silício que é um tipo de diamante duro; a folha de material pode ser cortada com tesoura para chapas, e colada em todos os formatos e planos para fazer limas e lixas rotativas manuais, ou para uso em máquinas. É disponível em folhas de quatro por onze polegadas, e acho que a cola de contato é ideal para colar o material em várias superfícies. Até onde eu sei, este “Karbo-grit” só pode ser comprado na “Sears Stores”, mas é muito possível encontrar material similar em outros lugares sob outro nome. Outra vantagem deste material é que é muito fácil de limpar, e não desgasta como as lixas.

Cubra a face do disco de madeira e a parte de trás de uma peça de folha abrasiva com cola de contato, e deixe secar por cerda de quinze minutos. Coloque as faces com cola juntas e apare as bordas do material abrasivo. Então bata levemente sobre a superfície com um martelo pequeno para assegurar uma boa colagem, e particularmente ao redor da borda para formar um leve biselamento (ângulo na borda), ou uma borda “piloto”, que vai prevenir que o fino metal se enrosque no trabalho. Agora ponha esta ferramenta para trabalhar, você pode montá-la no mandril da furadeira de bancada e colocar a haste do arco em que você está trabalhando na morça da furadeira com a face plana da parte em cunha voltada para cima (Fig. 62). Se a mesa de sua furadeira de bancada for capaz de ajuste angular, você pode ajustar para um ângulo de cinco graus. Se não for ajustável, seu trabalho deve ser posicionado na morça com esta angulação, para que a face plana que você limou previamente na haste mostre um nível aproximado ao do disco de desgaste. 62

Antes de começar qualquer desgaste, todo esforço deve ser feito para se certificar de que o arco está preso na morça a um ângulo de cinco graus (Fig. 63), e, criticamente importante, que você estará cortando realmente no esquadro da haste do arco. Creio que o melhor é, primeiro ter certeza de que você tem o ângulo correto, e então prender a borda plana verticalmente contra a face da ponta para checar a exatidão. Quando você estiver certo de que tudo esta correto e no esquadro, pode ligar a máquina e abaixar o disco de desgaste até que simplesmente toque o trabalho. Fixe a manivela neste ponto e faça uma passagem leve sobre o trabalho, movendo lentamente a morça que segura o trabalho através da mesa da máquina. Lembre-se que você fez uma marca de lápis a quatro polegadas sobre a haste do arco; você pode ajustar a “parada” da manivela na máquina para lhe dar o controle de cada passada do disco de desgaste, e faça tantas passagens quantas necessárias para atingir a marca de lápis. Com cada ajuste, você estará apto a fazer vários passes sob o disco de desgaste, para finalmente terminar com uma cunha plana de quatro polegadas de comprimento e com cinco graus de inclinação. Você deve fazer este trabalho sobre uma furadeira de bancada, e com uma morça para obter o ângulo de cinco graus, é de se compreender, é claro, que o procedimento será um pouco diferente. Visto que como o trabalho será aplainado na morça da furadeira de bancada, e passado diretamente sob o disco de corte, com a morça sobre alguma forma de ajuste da mesa da furadeira. De dois métodos, meu preferido seria o primeiro.

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Agora devemos voltar nossa atenção ao corte e ajuste da peça de reposição que será ajustada para a extremidade inferior da haste de nosso arco. Se você medir um arco fino, encontrara um comprimento de vinte e oito polegadas e meia a partir da ponta até a extremidade inferior da haste, então nossa peça de reposição deve ter um comprimento suficiente para fazer a diferença entre o início do corte em cunha, ou marca de lápis original na haste, e vinte e oito polegadas e meia. Para uma boa medição, e para permitir uma pequena sobreposição em cada ponta da cunha quando as duas cunhas são postas juntas, você adiciona um oitavo de polegada ou mais. Faça duas marcas separadas sobre sua bancada ou mesa, de vinte e oito polegadas e meia, agora posicione seu arco com a extremidade da ponta em uma dessas marcas. Agora posiciona a haste da qual você vai cortar a ponta inferior contra a outra marca, e faça uma marca com lápis na nova peça oposta ao início da cunha; faça um pequeno acréscimo para a sobreposição acima mencionada, e corte a peça para fazer uma nova ponta inferior para seu arco. Isso pode soar complicado, mas é realmente muito simples; para expor rapidamente, você pode medir sua haste de arco a partir da ponteira até o começo da cunha, e a diferença entre esta medida e vinte e oito polegadas e meia será o comprimento com que você deve fazer sua peça de reposição, mas um pequeno acréscimo para sobreposição. Agora uma cunha de quatro polegadas de comprimento será cortada na nova peça, e é claro, você deve ser mais cuidadoso e ter certeza de que fez a cunha do lado correto da peça, ou você pode ter um arco com o talão na parte de cima da haste. Marque quatro polegadas nesta peça, exatamente como fez na outra, e lime uma cunha rústica a partir da marca de quatro polegadas até a ponta, então ponha a peça na morça da furadeira de bancada em um ângulo de cinco graus com a face plana para cima (Fig. 64). No intuito de terminar com um arco correto, você deve estar certo de, primeiro, que o ângulo esteja correto, e segundo, que o furo para a porca do talão esteja onde deve estar; e para completar esta extremidade inferior você vai precisar de um transferidor de graus, e um cilindro de madeira com de oito polegadas de comprimento por um oitavo de polegada de diâmetro. Você também vai precisar de uma haste de madeira de doze polegadas de comprimento, um oitavo de espessura e meia polegada de largura, que será ajustada para se encaixar

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confortavelmente no furo da porca, sem estar muito apertado para que não haja risco de danos.

Ajuste a ponta do cilindro de madeira para que ele se ajuste confortavelmente no furo para o parafuso na extremidade da peça (Fig. 65). Este cilindro agirá como uma extensão do furo e, por conseguinte, como uma extensão da haste, e será o meio pelo qual verificaremos o ângulo. Com o cilindro no furo, e a peça na morça da furadeira de bancada, você pode posicionar a morça sobre uma superfície totalmente plana para ajustar o ângulo da peça, com a ajuda de um transferidor de graus. O transferidor, é claro, será ajustado em um ângulo de cinco graus. (Fig.66). Enquanto você está ajustando o ângulo desta peça na morça pelos meios acima, você também deve ajustar o posicionamento relativo da fenda para porca, pelos meios acima mencionados para a haste plana. Esta haste, se ajustada confortavelmente na fenda, agirá como uma extensão desta (Fig. 67). Adicionalmente, se a peça trabalhada estiver ajustada na morça para que esta haste fique exatamente paralela à mesa da máquina, podemos estar certos de que nossa superfície acabada, que será feita com o disco de 65

desgaste, estará no ângulo exato para a fenda. Agora, como antes, você deve ajustar a manivela da furadeira de bancada para que o disco de desgaste simplesmente toque o trabalho, e você pode fazer muitos desgastes leves, cortados através do trabalho, até que consiga alcançar a marca de lápis na haste, pelo deslizamento manual da morça sobre a mesa da máquina, e sob o disco de desgaste (Fig. 68).

Anteriormente mencionei que deveríamos cortar canais e entalhes na face plana das superfícies em cunha, com propósito de reter a cola epóxi. Estes entalhes devem ser diretamente opostos entre si sobre as duas faces, no sentido de serem efetivos, e agora vamos marcar o trabalho para fazer isso. Coloque as duas peças sobre a bancada, exatamente entre as duas marcas de vinte e oito polegadas e meia, e com fita adesiva, coleas uma do lado da outra, com a face plana para cima. Quatro linhas a lápis devem ser feitas 66

diretamente através de ambas faces para o posicionamento dos entalhes. Estas linhas devem ter um espaçamento de meia polegada entre si, sobre a área central da superfície; uma linha central também deverá ser feita no sentido do comprimento em ambas superfícies, para intersecionar a quatro linhas cruzadas (Fig. 69).

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Usando uma pequena régua, faça duas linhas longitudinais alinhadas com a linha central, com cerca de um oitavo de polegada de largura entre si, e corte um canal fino e raso, no sentido do comprimento, sobre as faces de ambas peças, ao longo das linhas que você desenhou. Tome cuidado de não ir muito fundo com estes canais e de se manter na área central, porque as extremidades das áreas em cunha são muito finas, e ainda devemos levar em consideração a profundidade dos entalhes e o acabamento da parte externa da haste após as duas faces serem coladas juntas. Agora, com uma broca fina de cerca de um dezesseis avos de polegada, ou levemente melhor, faça pequenos furos no fundo dos canais, exatamente nos ponto onde as quatro linhas cruzam com a linha central. Nestes lugares onde os furos estarão, na parte mais espessa da cunha, você não precisa se preocupar muito com a profundidade dos furos; vá somente até um ponto onde você não atravesse a haste; mas na extremidade fina de cada peça, você deve ser extremamente cuidadoso e faça somente um entalhe muito leve. Dos quatro furos, os dois furos centrais em cada peça podem ter a mesma profundidade, e servirão como a chave principal quando o trabalho estiver completo.

Pregadores de roupas (Fig. 70) serão usados para prender o trabalho, e cola epóxi para a colagem. Agora é óbvio para você, porque os entalhes e canais são feitos diretamente opostos um ao outro: eles serão preenchidos com epóxi, e a cola vai endurecer, formando um pino invisível dentro da haste para prevenir que as peças se soltem, tão certo quanto se os pinos fossem posicionados através da haste a partir da parte externa.

Misture porções iguais de epóxi e endurecedor e, com um palito de dentes, espalhe uma fina camada em cada face de seu trabalho. Certifique-se de que os entalhes e canais em ambas peças estejam preenchidos com cola. Observando os entalhes, junte as duas peças com os entalhes em oposição, aplique um pregador no meio e verifique para ter certeza de que tudo está correto antes de aplicar outros grampos aos lados do primeiro. Limpe o

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excesso de cola e coloque um grampo nas extremidades para abaixar as partes muito finas de cada extremidade. Se tiver algum espaço sobrando, você pode usar mais um ou dois grampos. Agora, mesmo que este seja o tipo de epóxi de “cinco minutos”, e que seca neste tempo, é sempre melhor estar seguro, e colocar o trabalho de lado por algumas horas, no mínimo por uma noite. Retire toda madeira excessiva do lado esterno com limas e ferramentas para acabamento; Faça o polimento com lixa finíssima, e tinja a madeira antes que qualquer polimento com óleo seja feito. Para tingir, você vai achar que uma forte solução de permanganato de potássio em água será excelente para um marrom avermelhado, e você deve usar seu julgamento para outros matizes. Após tingir, esfregue óleo de linhaça e faça o brunimento com uma haste de aço polido; faça o polimento francês com goma laca e óleo e seu trabalho está terminado. Qualquer tipo de cobertura pode ser usado; fio de prata, barbatana de baleia, ou simplesmente couro; e será resultado de sua preferência pessoal se você vai cobrir seu trabalho de junção totalmente ou se vai deixar uma pequena porção exposta para debates, ou devemos dizer, “para alardear”. UM ARCO QUEBRADO NO MEIO Sob circunstâncias normais, pode-se considerar que um arco completamente quebrado em dois teria uma perda total e deveria ser esquecido. Entretanto, se isso acontecer a um arco de qualidade real, como um Dodd, um Tubbs ou um Vuillaume, então devemos dar uma segunda olhada e usar quaisquer meios possíveis para salvar o arco, mesmo que se somente para uso como item de colecionador. Como um arco quebrado que uma vez veio para a posse deste autor por apresentar um desafio que não poderia passar desapercebido. Era um arco Vuillaume, e fora isso era uma haste muito boa, e certamente digna de restauração, então decidi usar um método de restauro semelhante ao que descrevi no capítulo anterior com uma leve diferença, que será explicada. Do mesmo modo que uma pequena quebra no meio da haste não pode ser reparada sem encurtar o comprimento total do arco. Então será claro que um inserto será necessário para manter o comprimento apropriado e o balanceamento. Para este fim, descreverei como você pode fazer uma longa redução de espessura em cada ponta quebrada e como um inserto de dupla redução de espessura pode ser ajustado entre elas. A Fig. 71 mostra rudemente como uma quebra desta natureza pode parecer e, tendo em mente o trabalho que fizemos no capítulo anterior, consideraremos cortar as cunhas nos lados da haste e insertos, ao invés de na parte superior e inferior.

Com uma serra de dentes finos, você pode cortar as pontas quebradas e irregulares, e antes de fazer algo mais, deve decidir qual tipo de inserto vai usar. A Fig. 72 “a” e “b” mostram duas diferentes formas, e você pode fazer sua escolha; entretanto, a mostrada e “a” é a que eu prefiro usar. As extremidades “c” e “d” do arco são mostradas no desenho para indicar como o inserto será orientado em relação ao arco em si. Maça uma marca de quatro

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polegadas em cada haste, a partir das pontas cortadas, e você pode acrescentar um dezesseis avos de polegada por segurança. Começando com a metade superior da haste, use uma lima grossa para fazer uma cunha sobre a lateral, a partir da marca de quatro polegadas até a ponta serrada. Agora esta peça será posicionada na morça sobre a mesa da furadeira de bancada, exatamente como descrito no capítulo anterior, e todas precauções devem ser tomadas par nos certificar que a cunha será finalizada exatamente como deve ser (Ref. Pág. 60 – 63). Quando estiver trabalhando sobre a metade inferior do arco, verifique cuidadosamente se o furo para a porca de latão do talão está na posição correta, para que você corte a cunha no lado apropriado. Use a lima grossa na cunha como antes e termine sobre a furadeira de bancada com a ferramenta de Karbo-Grit, para obter a cunha de cinco graus.

Duas marcas serão feitas sobre a bancada, ou mesa, com distanciamento de vinte e oito polegadas e meia, e as duas hastes colocadas entre elas, com as extremidades superior e inferior exatamente sobre as linhas. Isso deixará um vazio ou espaço entre as duas hastes, no centro. É neste espaço, ou dimensão, que estamos interessados, e que devemos medir cuidadosamente. È a partir do início da cunha da haste “a” para a da cunha “b” (Fig. 73). Agora, tendo feito esta medição, você pode procurar por um arco velho descartado, do qual você possa cortar uma peça um pouco maior que o necessário para o inserto. Se você tiver sorte, pode encontrar uma peça com a espessura certa, ou talvez um pouco mais grossa, mas é claro, ela não pode ser nem um pouco mais fina que o arco original no qual você está trabalhando. E também, deve haver uma leve curvatura na peça que você selecionou para o inserto. Então, você deve observar esta curvatura quando estiver trabalhando na cunha. Meça quatro polegadas sobre uma as extremidades da peça para inserto. Esta será a extremidade que será apontada em direção à ponteira do arco, e será colada na parte superior. Esta peça será completamente terminada e colada à parte superior do arco antes que qualquer trabalho seja feito na outra extremidade da peça. Novamente me referindo ao capítulo anterior, Página 67, Fig. 65, canais e entalhes devem ser cortados em ambas peças, e as peças coladas com epóxi e presas por pregadores de roupa como antes. A parte inferior da peça para inserto, que agora faz parte integral para parte superior da haste, agora deve ser cortada no comprimento exato, cortada em cunha e ajustada da mesma maneira anterior, para formar a parte inferior da haste do arco. Se seu trabalho tiver sido bem feito, não será preciso muito esforço para ajustar o inserto perfeitamente na haste do arco, deixando somente uma marca como um “fio de cabelo” visível nas junções. Use de 70

raspadores e materiais de polimento; tingimento da madeira nova no tom certo; brunimento e polimento francês, e seu trabalho está completo.

PINOS DE PAU BRASIL Há ocasiões em nosso trabalho com restauração de arcos onde seria mais vantajoso usar pequenos pinos de pau Brasil através da haste, preferencialmente aos meios que descrevemos previamente, para assegurar o trabalho. Estes pequenos pinos, é claro, devem ser feitos conforme a necessidade, e você pode pensar que seria muito difícil fazer hastes de madeira dura iguais, pequenos e perfeitamente arredondados, mas é realmente simples. Mostrarei como você pode fazê-los com quaisquer diâmetros que possa precisar. É claro que você pode nunca precisar ou desejar usar os pinos, mas isso é para sua vantagem, para saber como você poderia fazê-los. O procedimento básico consiste de puxar pequenas hastes de madeira, pobremente trabalhadas, através de uma chapa de aço com furos progressivamente menores, até que se consiga o tamanho desejado. Um tamanho bom e prático para tais pinos, para serem usados neste trabalho, seria .050 a .052 polegadas de diâmetro, e você deve fazê-los em pequenos comprimentos, não mais que três quartos de polegada. Faça três ou quatro pequenos furos em uma chapa de aço com um dezesseis avos de polegada (Fig.74). Não é necessário um tipo especial de aço, qualquer coisa aproximada que você possa ter disponível serve. Os furos podem ser de, por exemplo, um oitavo de polegada, três trinta e dois de polegada, um dezesseis de polegada. E finalmente, (um dos dois) ou três sessenta e quatro de polegada (.0469”) ou uma pequena broca no. 55, que pode ser .052 polegada. Prefiro a .052 polegada. Esta pequena broca servirá a um duplo propósito considerando que vai fazer o furo na chapa, e será usada para fazer o furo através da haste do arco na qual o pino será ajustado. A chapa perfurada é virada, e cada um dos furos e aberto no lado inferior para retirada de arestas e escareamento, usando brocas de tamanho um pouco maior que cada furo. A Fig. 75 mostra uma vista em seção cruzada dos furos. Remova quaisquer rebarbas limando levemente a superfície da chapa, e sua placa matriz está pronta. Corte uma peça de cerca de uma polegada e meia da haste de um arco descartado, e se você tiver um torno mecânico, você pode ajustar perfeitamente a peça, e desgastá-la desde a metade de seu diâmetro até um diâmetro tão pequeno quanto você possa fazer seguramente; talvez um pouco mais que um oitavo de polegada. Se não tiver um torno você pode, quem sabe, desgastar seu diâmetro na furadeira de bancada ou talvez desgastar com uma faca afiada. A idéia principal e afinar a peça o suficiente para que possa ser forçada

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através do furo mais largo na chapa. Quando você a tiver quase no tamanho, faça um pequeno desgaste na ponta, suficiente par entrar no furo de um oitavo de polegada, e o próximo passo é feito pela máquina. Prenda a peça de madeira, pelo lado não escareado, no mandril da furadeira de bancada e ligue a máquina numa velocidade adequadamente rápida; agora, segure a chapa com as duas mãos, e levante-a para que o pino de madeira entre no lado menor do furo de um oitavo de polegada de diâmetro. Segure a chapa firmemente e pressione gentilmente para cima, e a madeira será deslocada dentro do lado inferior da chapa, e você terá uma haste perfeitamente arredondada de um oitavo de polegada de diâmetro. A chapa deve ser retirada enquanto a máquina ainda está em movimento, tomando-se o cuidado de não quebrar a peça. O trabalho deve ter sua ponta afilada novamente para que tenha diâmetro suficiente para entrar no próximo pequeno furo na chapa, e o procedimento é repetido para cada furo menor. Agora sua peça vai parecer como mostrado na Fig. 76. Se você fizer um furo através de uma peça de amostra de haste de arco antigo com a broca no.55, ou talvez a broca menor que você usou para furar a chapa, então você descobrirá que o pequeno pino de madeira que fez se encaixara perfeitamente no furo. Contudo, com um pouco de trabalho cuidadoso, a peça pode ser trabalhada para entrar sem problemas. Como mencionado anteriormente, há ocasiões nas quais você vai precisar destes pequenos pinos no reparo de arcos, e os três quartos de polegada de comprimento que você fez serão suficientes para dois pinos através da haste. Uma palavra de atenção diz respeito a furar através da haste do arco, sempre que for necessário ajustar estes pinos de madeira: você sempre deve colocar o trabalho firmemente sobre uma base de madeira dura quando estiver perfurando, para prevenir que se criem farpas da madeira adjacente ao furo, quando a ponta da broca rompe a madeira da parte de baixo da peça. Faça furos limpos e estes pinos dificilmente poderão ser vistos no trabalho terminado.

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UMA QUEBRA PRÓXIMO DA CABEÇA DO ARCO Quando um arco é quebrado próximo da cabeça, sem ocasionar qualquer dano na cabeça do arco em si (Fig. 77), às vezes pode ser um problema decidir qual caminho seguir para fazer o reparo. Você deve considerar que esta área estará sujeita a muita pressão, então, se a quebra é pequena com pequenas lascas irregulares se projetando, você pode usar um método similar ao que foi usado em um capítulo anterior, Paginas 49 - 52, chamado “uma Ponteira de Arco Quebrada”. No caso atual, entretanto, as partes quebradas serão colocadas juntas e coladas com cola epóxi de “cinco minutos”. Então, uma lâmina de serra circular muito fina (Pág. 50 – Fig. 55), será usada para abrir um corte no sentido do comprimento através da junção colada, e pelo menos por meia polegada para trás desta. Uma lâmina de madeira dura será então cortada com as fibras no sentido do comprimento e colada dentro do corte. Como a quebra é muito próxima da cabeça do arco, será necessário continuar o corte diretamente através da parte superior desta (Fig. 78), Isto é uma operação muito difícil de executar devido à finura (pouca espessura) da haste do arco nesta área, e você muito provavelmente será obrigado a colocar algum tipo de suporte temporário sob a cabeça do arco, enquanto o core está sendo aberto. As pequenas serras circulares têm somente um sessenta e quatro avos de polegada de espessura, então você verá que é muito possível fazer tal corte delicado e, dependendo da espessura da haste, você pode decidir se vai usar uma ou duas lâminas para o trabalho (Fig. 55).

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Você deve percorrer os problemas em suas tentativas com este tipo de reparo, pois ainda teria recurso para outro método o qual, enquanto detém a vantagem de ser o reparo mais coerente, também tem a desvantagem de que você teria de descartar a cabeça original do arco e, fazendo isso, perde a integralidade de um fino arco feito por um mestre. O fator decisivo sobre qual tipo de reparo você provavelmente vai usar será se você deseja preservar o arco para um colecionador ou para um músico. Este método será baseado no mesmo princípio já mencionado nas páginas 67 - 70; uma longa cunha deve ser feita na extremidade quebrada da haste do arco, após ter removido uma porção da haste, para que você possa ter uma junção numa área substancialmente espessa. A extremidade da ponta, com talvez seis a Ito polegadas, deve então ser removida de um velho arco descartado, e unido ao arco fino pelo processo já descrito (Fig. 69). Para “clarear” o processo em ambos métodos; assumiremos que você tenha um arco fino que sustente uma quebra reta a cerca de um quarto de polegada da cabeça (Fig. 77). Ponha, cuidadosamente, as duas extremidades quebradas juntas para procurar por interferências, e remova quaisquer pequenas peças de dentro da quebra que poderiam impedir um encaixe perfeito das peças. Qualquer farpa solta da borda externa da quebra deve ser cuidadosamente observada e mantida no lugar, pois se você perdê-las, o trabalho terá uma aparência esburacada na face externa do arco. Misture uma pequena quantidade de epóxi de secagem rápida, aplique nas extremidades quebradas e junte-as firmemente. Não cubra a colagem com mais epóxi, pois assim você não terá de se preocupar com a limpeza de qualquer excesso que venha a escorrer. Use somente a quantidade de epóxi suficiente para cobrir as quebras, e se um pouco for pressionado para fora, não se incomode com isso neste momento; o principal objetivo aqui é juntar as duas extremidades e mantê-las assim. O trabalho agora seguirá sobre a furadeira de bancada na pequena morça, e faremos a preparação para cortar a cavidade através da junção. Com relação à Fig. 78, a cavidade será completamente cortada através da haste do arco. Como mostrado pelas linhas pontilhadas “a” (Fig. 78), o corte se estenderá através da cabeça do arco e, como mencionado anteriormente, no mínimo por meia polegada atrás da junção. Todas as precauções devem ser tomadas nesta preparação para assegurar que a cabaça do arco esteja realmente na posição horizontal antes do corte ser feito. Algumas precauções também podem ser tomadas para amparar a cabeça do arco, porque ela será estendida para fora das mandíbulas da morça. Uma forma possível de se fazer isso é mostrada na Fig. 79, isto é, uma chapa chata de madeira com uma pequena projeção presa na face de uma das pontas. Esta peça presa será de um tamanho que se ajuste confortavelmente dentro da cavidade da 74

ponteira do arco. Em uso, o arco É posicionado sobre a chapa, com a cavidade da ponteira pressionada contra a pequena projeção, e essa montagem é presa na morça sobre a furadeira de bancada. Este arranjo externo não oferece muito suporte, mas o corte deve, necessariamente, ser muito leve, então, com um pouco de cuidado o trabalho pode ser feito. O corte deve ser feito com uma velocidade da máquina, bastante lenta, para manter a borda do corte fria. Comece o corte no topo da cabeça do arco e trabalhe a serra na profundidade suficiente para fazer o corte completamente através da haste, e então trabalhe por trás, ao longo da haste, através da junção e além.

Separe uma peça de lâmina de madeira dura com veios finos para o inserto. É muito provável que seja muito espesso para nosso propósito e deverá ser lixado. Você verá que o disco de desgaste de Karbo-Grit (Fig. 61) será perfeito para este fim, se usado da seguinte maneira. A espessura da lâmina para inserto dependerá necessariamente de, se você usou somente uma, ou duas lâminas de serra para cortar a cavidade na haste do arco. Uma lâmina de serra só, como falamos antes, tem cerca de um sessenta e quatro avos de polegada de espessura e assim precisaremos preparar uma peça de lâmina muito fina, mas isso não é muito difícil, como será visto. A peça de lâmina de madeira deve ser colada a uma superfície chata de uma grande peça de madeira, com um pedaço de papel de embrulho entre as duas. Use cola de couro fina em todas as superfícies de contato, prenda o trabalho com grampos e deixe secar. Com o disco de desgaste na furadeira de bancada, ligue a máquina em uma velocidade moderada e traga o disco para baixo até que ele apenas toque o trabalho; trave a manivela e deslize a madeira através da mesa da furadeira, sob o disco, como um teste de desgaste, então siga adiante com vários desgastes leves, até que a lâmina de madeira atinja a espessura desejada. Você achará muito fácil separar a madeira do inserto, inserindo e deslizando entre eles uma faca cega de cozinha. Na verdade você vai estar deslizando a faca através do papel, e qualquer papel que esteja colado no inserto poderá ser cuidadosamente removido com um pano úmido. Use epóxi de secagem rápida para a colagem, e certifique-se de cobrir a área interna da cavidade e ambos lados da peça de inserto; ponha tudo junto e prenda com alguns pregadores de roupa. (Fig. 70). Você vai entender, é claro, que o mais importante é não fazer o inserto muito espesso, pois isto colocaria uma pressão indesejável na junção. Você também deve trabalhar relativamente rápido, ou o epóxi começará a catalisar antes que todas as peças estejam juntas. Se você trabalhar mais lentamente, use epóxi de secagem média (regular). Limpe o trabalho muito cuidadosamente, tinja e faça o polimento francês, e seu arco deverá estar com novo.

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Suponhamos agora que você não deseje fazer reparo pelo método descrito acima, mas que você prefere sacrificar a cabeça do arco, e fazer a junção na haste quebrada com uma porção de outro arco. Neste caso, não será necessário trabalhar na extremidade extremamente fina da haste, então você pode cortar cerca de seis a oito polegadas de seu arco quebrado para que se possa trabalhar numa área mais espessa. Seguindo as regras de já estabelecemos, páginas 67 – 70, você pode fazer uma marca a quatro polegadas a partir da extremidade da haste, e desgastar com lima grossa a cunha plana na lateral. Proceda como antes e complete a cunha em ambas peças, certificando-se que você o ajustou para o comprimento de vinte e oito polegadas e meia, para a haste terminada. Faça os canais e os entalhes (Fig. 69) em ambas faces em cunha, cole com epóxi, prenda o trabalho com grampos, e deixe em repouso por algumas horas. Seja muito cuidadoso de manter as linhas da haste original quando estiver ajustando a haste para a operação final. Use suas limas e raspadores discretamente; Faça o acabamento com lixas finas; tinja e faça o polimento francês, como descrito previamente, e seu trabalho esta terminado. ESTOJO PARA TRANSPORTE DE ARCOS O assunto deste capítulo tem pouca influência no motivo deste trabalho; entretanto, um bonito estojo de transporte para um “tesouro” de arco que tenha sido restaurado com sucesso é digno de nota, e algum direcionamento para o restaurador. O material usado para este caso é o compensado de um oitavo de polegada. Contudo, algumas outras madeiras finas o fariam “fino”; talvez algumas sobras de tiras de um revestimento de paredes. Estes painéis de madeira têm exatamente um oitavo de polegada de espessura, e o surpreendente é, quantas coisas úteis podem ser feitas com as sobras. Uma vista do estojo terminado é mostrada na Fig. 80, e você pode começar cortando duas peças para os lados, que têm trinta polegadas por uma polegada e três quartos (30” x 1 ¾”), Para a tampa, a peça terá 30 polegadas por uma polegada e três oitavos (30” x 1 3/8”), para o fundo, trinta polegadas por uma polegada e um oitavo (3-“ x 1 1/8”) e as duas extremidades, uma polegada e um oitavo por uma polegada e meia (1 1/8” x 1 ½”). Você vai notar que a tampa, fundo e laterais têm o mesmo comprimento, e que as duas extremidades serão inseridas entre as duas laterais (Fig 82). A peça do fundo será inserida entre as duas laterais também (Fig. 82), que significa que a visão da extremidade vai parecer com o que é mostrado na Fig. 83. A montagem completa pode ser feita com cola branca sem o uso de quaisquer pregos. Arredonde as bordas da tampa e de ambas extremidades, e lixe o trabalho para se ter uma superfície macia. Prenda a tampa na caixa com três dobradiças pequenas e finas, que podem ser compradas em sua loja de ferragens local. Use dois pequenos fechos em gancho na parte frontal, com parafusos de latão muito pequenos na borda da tampa, para prender os ganchos. O lado interno da caixa será revestido com um tecido macio, então você pode usar restos de veludo, e isto deve servir muito bem. Corte tiras de cartolina que se ajustem frouxamente sobre o fundo, laterais e extremidades internas da caixa; estas peças serão cobertas com veludo sobre uma de suas faces para formar as tiras de revestimento. Você verá que o uso cuidadoso da cola de contato é muito bom para colar o veludo na cartolina.

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Entretanto, uma cola diferente deve ser usada para a colagem das tiras de revestimento dentro do estojo; qualquer uma das duas, ou cola de couro ou cola branca são perfeitas.

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Agora, um inserto (Fig. 84) pode ser feito e colado no lugar do lado direito interno do estojo. Ele será para apoiar a extremidade do talão do arco; e é claro, também será recoberto com o mesmo veludo antes de ser colado no lugar. Tinja e sele a madeira, e depois aplique uma ou duas demãos de verniz, e você terá um estojo muito atrativo para seu arco favorito. Um tipo similar de estojo pode ser feito muito facilmente para levar dois ou mais arcos; e isso pode ser muito atrativo devido ao alto custo de tais itens hoje em dia. RECICLANDO O BREU Qualquer um que trabalho ou tenha por hobby mexer com violinos e arcos, sabe como um grande sortimento de breu se acumula, todas as marcas e cores, preto, marrom e âmbar, breu para violino e cello, todos em pedaços quebrados. Parece um desperdício descartá-los, uma vez que a maioria é de boas marcas, e talvez este seja por isso que acumularam. Todavia, há algo que você pode fazem com eles: simplesmente os derreta e remodele para “distribuir” amostras para seus estudantes ou amigos. Os moldes dentro dos quais você vai derramar o breu derretido podem ser feitos de cartolina normal; Eles podem ser retangulares ou redondos, e de tamanho não muito grande. As Figs, 85 e 86 mostram as dimensões para caixas molde de tamanho médio de ambos tipos. Com a caixa retangular, você pode marcar as linhas levemente para que se possa dobrar facilmente, e segure os cantos com fita para máscara de pintura (masking tape); tenha várias destas à mão, dependendo da quantidade de breu a ser derretido, antes de começar a derreter. Os moldes redondos (Fig.86), se você preferir este tipo, também são colados com fita, com mostrado. Quando estiver fazendo este tipo de molde, verá que é melhor cortar a peça lateral primeiro; juntar as pontas sem sobreposição, e prender com fita para formar um cilindro. Então corte um disco de cartolina, e prenda-o por dentro e no fundo do cilindro com fita para máscara de pintura. Embora o breu seja inflamável, não há risco real de fogo se o derretimento é feito com cuidado e precauções normais forem tomadas; é um pouco malcheiroso, mas com a ventilação apropriada isto não será problema. Uma palavra de atenção, entretanto: NÃO USE UMA CHAMA DIRETA NO DERRETIMENTO, use somente um tipo de chapa elétrica, e coloque uma almofada de cobertura de amianto, com cerca de oito a dez polegadas de diâmetro, diretamente sobre a resistência de aquecimento. Você só vai precisar de um pequeno recipiente metálico com cerca de duas polegadas de diâmetro por duas polegadas de profundidade para o derretimento, pois, uma vez que o derretimento tenha começado, ele se torna um processo contínuo de derreter e derramar. Quebre o breu em pequenos pedaços e encha o recipiente até a metade. Coloque-o sobre a chapa de amianto no aquecedor e ligue num aquecimento baixo. O breu logo começará a derreter, e assentar no recipiente. Agite levemente com uma pequena haste de madeira até que o breu esteja completamente derretido. Continue colocando pequenos pedaços de breu, que vão continuar a derreter. Agite levemente todo o tempo para uma mistura completa de todos os tipos diferente de breu até que o recipiente tenha cerca de dois terços de breu líquido borbulhando. Coloque dois ou três moldes de cartolina sobre a outra borda da chapa de amianto para pré aquecê-los, então desligue o aquecimento para evitar que o breu queime enquanto você se prepara para derramá-lo nos moldes.

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O pré-aquecimento levará apenas alguns segundos, mas é muito necessário e evitará que o breu forme uma série de pequenas bolhas quando é derramado. Tenha à mão, um alicate de bico longo e coloque os moldes de cartolina sobre uma superfície fria e nivelada próxima; cuidadosamente levante o recipiente com o breu líquido usando o alicate, e derrame o conteúdo dentro dos moldes diretamente sobre a borda superior. Após encher dois ou três moldes, se você achar que o que resta de breu líquido dentro do recipiente não é suficiente para encher o próximo molde, não o derrame, simplesmente coloque o recipiente de volta no aquecimento e adicione mais breu, para repetir a operação, até que todos seus pequenos pedaços de restos de breu tenham sido derretidos e derramados nos moldes.

Não toque ou movimente os moldes após tê-los preenchido com breu por pelo menos meia hora ou até que o breu esteja completamente frio. Então você pode retirar a fita para máscara das bordas dos moldes retangulares ou dos lados dos moldes redondos para remover a cartolina dos breus solidificados. Isto vai deixar o breu um pouco rústico nas laterais onde havia contato com a cartolina, então você pode passar os breus sobre e através de uma chama limpa para deixar uma superfície macia e polida. Corte alguns pedaços pequenos de tecido ou feltro fino, amoleça a face inferior dos breus sobre uma chama e pressione os “pães” de breu firmemente no centro dos tecidos. Agora você tem várias peças de um bom breu, que é excelente para arcos violino ou violoncelo, e tão bons quanto àqueles que se pode comprar.

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