You are on page 1of 3

PODER JUDICIÁRIO JUSTIÇA FEDERAL 1ª TURMA RECURSAL DOS JEFs / PARÁ - AMAPÁ

Pauta de: 12/4/2013 Julgado em: 12/4/2013

Presidente: Juiz Federal DANIEL SANTOS ROCHA SOBRAL (Relator) Integrante: Juiz(a) Federal ANTONIO CARLOS ALMEIDA CAMPELO Integrante: Juiz(a) Federal CARINA SENNA PROCESSO Nº CLASSE RECORRENTE ADV(A)/PROC(A) RECORRIDO(A) ADV(A)/PROC(A) : 0024493-35.2008.4.01.3900 : RECURSO INOMINADO : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS : : DAMIAO GONCALVES PANTOJA : PA00007815 - BALTAZAR TAVARES SOBRINHO

NATUREZA: CIVIL. DANO MORAL. EMPRÉSTIMO CONSIGNADO. INEXISTÊNCIA DE CONTRATAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. COMPETÊNCIA DO JEF PARA JULGAMENTO DA CAUSA. INEXISTÊNCIA DE COMPLEXIDADE. DANO MORAL CONFIGURADO. PEDIDO DE REDUÇÃO DO VALOR AFASTADO. LEGITIMIDADE PASSIVA DO INSS APENAS PARA CESSAR OS DESCONTOS. SENTENÇA PARCIALMENTE REFORMADA. RECURSO DO INSS A QUE SE DÁ PARCIAL PROVIMENTO.

SÚMULA DE JULGAMENTO
Certifico que a TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS FEDERAIS, COM SEDE EM BELÉM-PARÁ, ao apreciar o processo em epígrafe, em sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: VISTOS, relatados e discutidos os autos, por maioria, ACORDAM os Juízes da Turma Recursal com sede na Seção Judiciária do Pará em NEGAR PROVIMENTO ao recurso dos Bancos BMC e BMG e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso do INSS para determinar que sua condenação limitese à cessação dos descontos nos proventos do autor, mantendo-se a sentença nos seus demais termos, conforme voto oral do Relator. a) recurso do Banco BMG: Na ocasião ressaltou-se a competência do JEF para o processamento e julgamento da demanda, posto não se tratar de causa de maior complexidade, como pretende o recorrente. Ao contrário do que alega o Banco BMG, o Comprovante de Operação juntado sequer tem assinatura ou qualquer outra identificação do autor que possa ensejar realização de perícia. Outrossim, não foi apresentado pela Instituição Financeira qualquer contrato de mútuo. Asseverou-se ainda, quanto a alegação de sentença ilíquida pelo Banco BMG, que a fixação de parâmetros de acordo com os quais deve ser feito o cálculo da quantia em que condenada a parte sucumbente, 2FFBD26F7E83D678D07A5B91EB2A8A00 1

o grau de ofensividade da ação. levando em conta a vergonha. há de ser respeitado o princípio da razoabilidade. política ou social. tanto na esfera subjetiva. 14. há o dever de indenizar. como pretende o recorrente. a fundamentação acima exposta no que se refere ao dano moral aqui se aplica. b) recurso do Banco BMC: Quanto ao recurso do Banco BMC este tão somente limitou suas alegações no que concerne ao valor fixado na condenação em dano moral. sob pena de enriquecimento ilícito. sequer o contrato que alega ter sido pactuado com o autor foi juntado. não se poderia favorecer demasiadamente o ofendido. Sentença mantida. o voto e a lavratura de ementa. respeitando assim o disposto no art. parágrafo único da Lei 9. os titulares de benefícios de aposentadoria e pensão do RGPS poderão autorizar o INSS a descontar valores referentes ao pagamento mensal de empréstimos. o recorrente (BMG). O dever de indenização se consubstancia. seja econômica. uma vez é responsável pela concessão e pagamento dos benefícios previdenciários decorrentes do RGPS.099/95. 6º da Lei nº 10. uma vez que o Banco recorrente sequer juntou aos autos o Contrato de Mútuo. Acontece que o INSS somente pode proceder ao desconto nos casos em que há autorização expressa do titular do benefício. Atente-se ainda que o presente caso não se encaixa na exceção prevista no art. Sem custas e sem honorários. vindo a inovar em sede recursal.PODER JUDICIÁRIO JUSTIÇA FEDERAL 1ª TURMA RECURSAL DOS JEFs / PARÁ . Ademais.AMAPÁ torna a sentença líquida. tal como. não apresentou contestação. Acórdão lavrado na forma do art. 46 da Lei nº 9. o que não ocorreu no presente caso. Para que a responsabilidade da ré seja afastada é necessário que se comprove a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro. por ser de natureza abstrata e íntima. financiamentos e operações de arrendamento mercantil concedidos por instituição financeira. ante o nexo de causalidade entre a conduta abusiva da instituição financeira e a efetivação do referido dano. Salientou-se ainda a inexistência de cerceamento de defesa posto que não há o que periciar. a situação de desigualdade. o que não restou demonstrado. na forma do art. privações físicas. apesar de devidamente citado. c) recurso do INSS: As questões preliminares e de mérito foram afastadas nos seguintes termos: O INSS possui legitimidade passiva ad causam. por outro lado. nas condições estabelecidas no contrato e em regulamento. configurado o dano. 26 do Regimento Interno das Turmas 2FFBD26F7E83D678D07A5B91EB2A8A00 2 . há o dever de indenizar. deve ser considerado a repercussão do ocorrido. ou seja. De acordo com o art. Assim. Para tanto. § 3º.953/04. razão pela qual mantenho o valor fixado na sentença. A presente súmula servirá de acórdão. é responsável por eventuais descontos efetivados nos referidos benefícios. II do CDC nos autos. Assim. quanto na esfera objetiva.820/03. configurado o dano. Veja que a recorrente não apresentou qualquer documento que afaste as alegações contidas na inicial. 38. logo. Assim. a mácula da honra e da imagem. com redação determinada pela Lei nº 10.099/95. entre o agente e o ofendido. em nenhum momento requereu a realização da prova pericial. Quanto ao dano moral. já que não adiantaria repreender o agente se não houver prejuízos relevantes na sua esfera econômica e. eventuais traumas decorrentes. a situação vexaminosa. dispensados o relatório. o sofrimento experimentado pela vítima.

46. segunda parte. da Lei nº 9. combinado com o art. Belém/PA. data do registro.AMAPÁ Recursais da 1ª Região. Juiz Federal Daniel Santos Rocha Sobral Relator 2FFBD26F7E83D678D07A5B91EB2A8A00 3 .099/95.PODER JUDICIÁRIO JUSTIÇA FEDERAL 1ª TURMA RECURSAL DOS JEFs / PARÁ .